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PREFEITA PROMETE POLÍCIA PARA ACABAR COM BARULHO R

Trecho da Av. Praia de Copacabana, esquina com Praia de Tambaú, em 26/03/2018.

A Revista de Lauro de Freitas e Região

Ano 20 | Edição 231 Abril de 2018 32.000 exemplares

SAPATO SUJO O ESTADO DO RIO EM MARÇO

ESPECIAL - Guia do Imposto de Renda 2018. Págs.: 42 a 49


CENAS DA CIDADE

O outono faz-se notar pelo tempo quase frio que chega à região, pela praia vazia, onde um raio de sol e o balanço das folhas dos coqueiros temperam a exuberante paisagem da praia de Vilas do Atlântico


EDITORIAL

Pedra no Sapato Há meses - anos a fio - que a revista Vilas Magazine vem chamando a atenção para o estado de abandono em que se encontra o rio Sapato, inclusive a pedido dos moradores, que são obrigados a conviver com a sujeira, o mato, as muriçocas – sem nunca terem recebido qualquer satisfação da prefeitura. Eis que a prefeita Moema Gramacho é questionada por ouvintes, ao vivo, durante entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador, e afirma que o rio não apenas está limpo, mas que “está sendo limpo diariamente”. Como se a Vilas Magazine viesse inventando histórias há meses, quem sabe publicando fotos tiradas em outro local ou outro tempo. A prefeita certamente acredita no que diz – ou no que lhe disseram os seus secretários. Chegou a afirmar que tinha provas do que dizia e desafiou um ouvinte a visitar o rio com ela. Certo é que nos dias seguintes à entrevista a limpeza no rio estava sendo feita, em trechos de Ipitanga, embora a maior parte dele continue lotada de baronesas, mato e muriçocas à data de fechamento desta edição – veja matéria e o mapa às páginas 14 e 15. O Sapato há anos é maltratado por esgoto doméstico clandestinamente lançado na rede pluvial, não só em Vilas do Atlântico e não só por condomínios – como corretamente acusa a prefeita – mas por residências de todos os bairros do entorno. O odor fétido lançado por bueiros aqui e ali não deixa dúvidas disso. Um imenso canal de drenagem pluvial que alcança o rio em Ipitanga dá provas da mesma coisa. Não por acaso, suspeitou-se que a reversão da drenagem da Lagoa da Base para a bacia do Sapato só faria piorar a contaminação do curso d’água. Tanto e de tal forma que ficou combinado dotar a Lagoa da Base de sistema de esgotamento sanitário antes de reverter a drenagem daquela área. A medida está nada menos que correta. Deixar o rio sujo por mais de um ano certamente ajuda a evidenciar a poluição pré-existente, se for essa a intenção – mas nem por isso se torna aceitável o lançamento de ainda mais esgoto doméstico.

Zombaria O desrespeito à ação de fiscalização da secretaria de Meio Ambiente nos bares que ignoram a lei do silêncio em Vilas do Atlântico leva à conclusão de que a prefeita Moema Gramacho está certa: só chamando a polícia para “prender aqueles infratores”. Que venha, então e já, a ordem.

A Lauro de Freitas que eu quero Assim como a TV Globo pede que as pessoas de todo o Brasil digam que Brasil elas querem, a revista Vilas Magazine “ponga” na iniciativa, abrindo espaço, a partir da edição de maio, para que os moradores de Lauro de Freitas digam que cidade querem. Não teremos eleições municipais este ano, mas está sempre em tempo de representar Carlos Accioli Ramos o seu bairro e deixar claro o que querem seus moradores. Diretor-editor Quer providências para solucionar um problema no seu bairro e melhorar a qualidade de vida na sua comunidade? Quer dar sugestões que possam trazer benefícios aos moradores da cidade? Escreva para nós. Participe. Cidadania não se pratica apenas com questionamentos, mas sugerindo soluções, atuando ativamente pela melhoria de vida da comunidade onde se vive. Entendemos que essa é uma contribuição a qual não podemos nos omitir. Vamos fazer a diferença. Em vez de apenas criticar o gestor, vamos lhe dar sugestões, vamos contribuir enobrecendo o nosso relacionamento entre nossos vizinhos. Envie suas sugestões, com fotos se preferir, com seus dados completos, para o e-mail redacao@vilasmagazine.com.br

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A revista de Lauro de Freitas & Região

www.vilasmagazine.com.br Facebook: VilasMagazine.Online Instagram: @VilasMagazine Publicação mensal de propriedade da EDITAR - Editora Accioli Ramos Ltda. Rua Praia do Quebra Coco, 33. Vilas do Atlântico. Lauro de Freitas. Bahia. CEP 42708-790. Tels.: 0xx71/3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 Diretor-Editor: Carlos Accioli Ramos (diretoria@vilasmagazine.com.br) Dire­to­ra: Tânia Ga­zi­neo Accioli Ramos Gerente de Negócios: Álvaro Accioli Ramos (comercial@vilasmagazine.com.br). Assistentes: Leandra Almeida e Vanessa Silva (comercial@vilasmagazine.com.br) Gerente de Produção: Thiago Accioli Ramos. Assistente: Bruno Bizarri Administrativo/Financeiro: Miriã Morais Gazineo (financeiro@vilasmagazine.com.br). Assistente: Leda Beatriz Gazineo (comercial@vilasmagazine.com.br) Distribuição: Álvaro Cézar Gazineo (responsável) Tratamento de imagens e CTP: Diego Machado Redação: Rogério Borges (DRT 6851/MG), coordenador Colaboradores: Jaime Ferreira (articulista), Thiara Reges (freelancer), Raymundo Dantas.

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PARA ANUNCIAR: comercial@vilasmagazine.com.br Tels.: 0xx71 3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 CONTATO COM A REDAÇÃO: redacao@vilasmagazine.com.br TIRAGEM: 32 MIL EXEMPLARES. Im­pressão: Log & Print Gráfica e Logística S. A. (Vinhedo/SP)

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Revista mensal de serviços e facilidades, distribuída gra­ tuitamente em todos os domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais de Lauro de Freitas, Es­trada do Coco e região (Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba, Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã). Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­tora. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos produtos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.


REGISTROS & NOTAS

HOMENAGEM 1 O Rotary Club Lauro de Freitas prestou homenagem às suas associadas, pelo transcurso do Dia Internacional da Mulher, na reunião ordinária de 6 de março, no restaurante Casa de Palha. Por iniciativa do presidente Joaquim Ramos, as rotarianas foram convidadas para, em grupo, exercerem um dos mais representativos procedimentos em clubes de Rotary: a saudação ao Pavilhão Nacional. Na foto acima (a partir da esq.): Suely Calixto Caldas, Mayra Sesti Paz, Rita Franco de Carvalho, Sonia Carolina Mota e Ana Cristina Andrade. Mesmo ausente da reunião, por motivos profissionais, a rotariana Janeide Borges de Oliveira foi lembrada nas homenagens. HOMENAGEM 2 O clube também homenageou a professora Itamar de Oliveira Rodrigues. Natural de Serrinha, chegou em Lauro de Freitas aos cinco anos, “na época dos americanos”. Estudava na Ribeira, para onde ia pela Estrada Velha do Aeroporto, no carro de João Expresso, onde distribuía balas. Estudou contabilidade, magistério e serviço social, e não chegou a concluir o curso de direito. Quando começou LIDE BAHIA Os principais empresários baianos participaram de um almoço-debate exclusivo realizado pelo LIDE BAHIA – Grupo de Líderes Empresariais no Fera Palace, Salvador. O evento contou com palestra do publicitário Nizan Guanaes, que abordou o futuro da Bahia e suas potencialidades. Durante sua explanação, Nizan provocou os participantes a pensar sobre o que o estado precisa para crescer e se desenvolver ainda mais, focando principalmente em pilares fortes da região como cultura, turismo e agricultura. Relembrou também grandes governantes que fizeram história, reforçando que nesse período de mudanças constantes é fundamental pensar de forma inovadora, trazendo inclusive pessoas de outros ESTÚDIO JOTTA FOTOGRAFIA locais que possam oferecer um olhar diferenciado sobre a Bahia.

a trabalhar na prefeitura despertou a dedicação para ajudar os idosos. Vivenciando as dificuldades das famílias carentes que lhe procuravam, sempre acompanhadas de menores filhos(as), netos(as) -, a pedido da sua mãe, montou uma creche sem fins lucrativos, dando origem a creche Maria de Oliveira Rodrigues. Percebendo também que as crianças vinham a pé ou de bicicleta para a escola, montou uma pequena escola no Aracuí, a princípio com duas salinhas de sapé. Como o espaço foi ficando em condições cada vez mais precárias, a prefeitura alugou a casa de dona Laudelina (nome que fez questão de lembrar), para que a escola continuasse a funcionar. Vereadora por três mandatos e vice-prefeita na gestão do prefeito Paulo José Rosa Neto (1986-1988), sempre dedicou atenção à área social do município, distribuía entre os carentes verduras e leite, criou clube de mães, com campanhas de vacinação e aleitamento, enxovais, palestras e planejamento familiar. Daí se justifica a homenagem do Rotary Club Lauro de Freitas. Acima, d. Itamar (dir.) ao lado de rotarianos, quando de sua homenagem pelo clube de serviços.

FEIRA DO LIVRO O Rotary Club Lauro de Freitas e o Núcleo de Senhoras do Rotary estão aceitando doações para a próxima edição da FEIRA DO LIVRO. São aceitos livros de vários segmentos – romances, técnicos, infantis, didáticos, autoajuda, etc. – que serão vendidos a preços simbólicos, com a renda direcionada para as ações sociais promovidas pelo Rotary na comunidade. Na edição promovida em outubro, a FEIRA DO LIVRO disponibilizou mais de cinco mil exemplares, numa ação que recebeu muitos elogios e incentivos da comunidade.

TEM LIVROS PARA DOAR? Ligue para 71 9 9979-6421 ou 71 9 9621-4909.

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REGISTROS & NOTAS Lauro de Freitas terá alta gastronomia contemporânea Mestre em descobrir e misturar sabores, o chef ítalo-brasileiro Aurélio Agazzi está envolvido com a abertura de um novo restaurante, em fase de concepção. Após anos à frente da cozinha do Preta, na Ilha de Maré, e da Osteria dell’Agazzi, em Salvador, será em Lauro de Freitas que ele continuará encantando os amantes do comer bem com a sua culinária autoral à base de peixes, crustáceos, moluscos, raízes e frutas brasileiras, associados à ingredientes e técnicas da cozinha italiana e oriental. Uma boa notícia para os moradores da região e sente falta de um restaurante sofisticado, que alie ambiente aconchegante e alta gastronomia. O chef promete que o novo empreendimento, com ambiente aconchegante e alta gastronomia, abre as portas este mês.

Imbassaí dá exemplo

Curso de idiomas bonifica o servidor

Bernard Lefebvre juntou suas experiências profissionais acumuladas em passagens marcantes por equipamentos hoteleiros de ponta no país (Sheraton Rio, Rio Palace, diretoria geral dos hoteis Quatro Rodas em Salvador, Olinda e São Luiz, diretoria de Operações da cadeia Othon no Rio e diretoria do Sofitel Salvador, entre outros), para desenvolver um projeto pessoal, que tem lhe dado muita satisfação: na vila de Imbassaí, no litoral norte, implantou o Imbassai Flat, com 30 quartos. O projeto une prazeres do trabalho no segmento e desfrutar dos encantos de Imbassai, entre os quais ele destaca o povo do lugar: “todos os dias quando faço minhas caminhadas, vejo as pessoas se comprimentando, numa profusão gratificante de incontáveis ‘bom dia’. Não lembro de ter visto isso em outros lugares por onde tenha passado. Muito bom”. Comme c’est bon vivre à Imbassaí.

Parceira do Clube de Desconto do Servidor, a escola de idiomas ACBEU está oferecendo 40% de desconto na matrícula do titular ou primeiro dependente, e 45% na matrícula do segundo dependente. A promoção se encerra no dia 12 e o benefício é válido para as unidades ACBEU Magalhães Neto, Cimatec, Pituba, Vilas do Atlântico e nas novas unidades do Shopping Barra e Alphaville. Para ser contemplado, é necessário que o titular ou dependente realize o nivelamento escrito online e o oral com o coordenador da escola. O uso do desconto é válido apenas para estudantes a partir do nível intermediário, visando acompanhar as aulas que estão em curso. As regras da parceria entre o Clube de Desconto e a ACBEU podem ser consultadas no endereço www.acbeubahia.org.br/ institucional/lista_convenios.asp ou ainda no Portal do Servidor (www.portaldoservidor.ba.gov.br).

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Iniciativa da Secretaria da Administração (Saeb), regulamentada pelo Decreto nº 11.568, o Clube de Desconto do Servidor concede abatimentos especiais em produtos e serviços junto a mais de 250 empresas parceiras, de diversos segmentos. A relação completa de parceiros pode ser consultada no Portal do Servidor.


A Legião da Boa Vontade fez entrega, dia 6 de março, de kits pedagógicos para crianças que vivem em vulnerabilidade social, em ação que integra a campanha Criança Nota 10 Proteger a infância é acreditar no futuro!, e visa combater o analfabetismo e a evasão escolar. Foram beneficiadas 150 crianças, em cerimônia realizada no Centro Comunitário de Assistência Social Idalina Cecília de Paiva, em Itinga, e contou com apresentações musicais e teatrais, realizadas pelos meninos e meninas atendidos nos programas socioassistenciais da Instituição. Durante a programação foi distribuído fardamento para as crianças. “O fardamento garante para esses pais e responsáveis uma possibilidade de não arcar com novos custos para família”,

afirmou Rita de Cássia, assistente social da instituição. Ao longo do mês de março, a ação beneficiou 835 crianças e adolescentes na Bahia e em diversos locais do Brasil, mais de 22 mil estudantes de 90 municípios, nas cinco regiões do país. Os kits são compostos de acordo com a faixa etária e contêm itens como estojo, lápis preto e de cor, canetas, apontador, borrachas, tesoura, tubos e cola, tinta guache, cadernos, mochila, régua, entre outros. A Legião da Boa Vontade acredita que a educação iluminada por valores éticos, espirituais e ecumênicos transforma o ser humano para melhor, por isso, há mais de 68 anos, ela atua ao lado das populações em situação de vulnerabilidade social.

Ação solidária da LBV beneficia crianças em Itinga

Casa de Palha: 10 anos de boa referência gastronômica na região O empresário Roberto Andrade Silva celebra este mês os 10 anos de funcionamento da Casa de Palha, qualificado endereço gastronômico de Lauro de Freitas e região. Mineiro de Pedro Leopoldo, veio para a Bahia com o primo Flávio Barbosa, em 1984 e juntos montaram o restaurante Torre de Pizza. Nessa empreitada, valiosa foi a participação dos amigos João Lourenço, João Batista e Ivan Jerônimo, também oriundos das Gerais (dir.:, os três, ao lado de Roberto - camisa listrada -, com quem estão até hoje). Alguns anos depois da morte do primo, Roberto resolveu montar seu próprio restaurante, nascendo assim a Casa de Palha, em 2008, grandiosa como a disposição do seu empreendedor. Com 415 lugares, oferecendo um cardápio variado à la carte, de frutos do mar, churrasco de carnes nobres - imperdível o pernil de carneiro - massas e pizzas, além de pratos da culinária mineira. No amplo salão, uma equipe de garçons bem treinados, atende e sugere pedidos aos clientes, enquanto na cozinha, o chef Sérgio - com experiência de 23 anos no Casquinha de Siri - comanda o festival. Em um dos salões da casa o Rotary Club Lauro de Freitas, promove suas reuniões semanais, às 20 horas das terças-feiras.

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q CIDADE

POLUÍÇÃO SONORA

Bares ignoram fiscalização e prefeita promete polícia para enquadrar infratores

O

s moradores do entorno da avenida Praia de Itapoan, em Vilas do Atlântico, quase tiveram no dia 24 de março, um sábado, a primeira noite de sono depois de muitos meses suportando, acordados, a poluição sonora dos bares que ignoram a lei municipal 1.536/2014. Todos eles haviam sido visitados e notificados pela secretaria de Meio Ambiente de Lauro de Freitas entre meia-noite e duas horas da manhã, quando cessou o barulho – mas às 22h30 do mesmo sábado já estavam perturbando a vizinhança novamente, sem a menor preocupação com as notificações recebidas. Em 20 de março a prefeita Moema Gramacho (PT), em entrevista a uma rádio de Salvador, afirmou que iria pedir “apoio da polícia para ajudar a gente a combater” a poluição sonora, para “prender aquele infrator”. A prefeita garantiu que “notificar e cobrar multa nós temos feito, mas, mesmo assim, eles insistem”. A Fiscalização afirma que foi concedido um prazo de 90 dias para a adequação. A Vilas Magazine publicou, na edição de março, reportagem de capa mostrando os abusos permanentes em Lauro de Freitas e explicando que a lei proíbe barulho acima de determinado limite em qualquer área da cidade, a qualquer hora do dia ou da noite. De acordo com a lei, bares localizados em área comercial que excedem o limite de 70 dB (decibéis) entre 7h e 19h ou 60 dB entre as 19h e as 7h são obrigados a instalar isolamento acústico para obter um Alvará de Autorização para Utilização Sonora. A inexistência do alvará, que deve ser exibido “na entrada principal do estabelecimento, em local visível ao público”, implica em multa diária de R$ 2 mil. Para obter o alvará, a lei municipal exige que o estabelecimento apresente “laudo técnico comprobatório de tratamento acústico”, assinado por técnico especializado ou empresa idônea. A multa por poluição sonora vai de R$ 700 (até 5 dB acima do limite) a R$ 140 mil (mais de 45 dB acima). Em reunião com moradores, depois da publicação da reportagem, a secretaria havia prometido agir contra os bares que ignoram a lei do silêncio e não possuem o Alvará de Autorização

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para Utilização Sonora, que depende do isolamento acústico. “Estamos notificando para eles se adequarem no prazo de 90 dias”, disse Thiago Oliveira, diretor de Fiscalização. Passados os 90 dias, segundo promete o secretário Alexandre Marques, responsável pela pasta, os equipamentos de som serão apreendidos. “Estamos alugando um espaço adequado para armazenar esses equipamentos, que são caros” – detalhou Marques no dia 20 de março depois de uma reunião com moradores de Vilas do Atlântico. No início do mês passado, de acordo com Oliveira a secretaria já havia notificado dois bares em Vilas do Atlântico e outro avenida Luiz Tarquínio – também sem resultados práticos. Segundo a secretaria, nenhum deles possui isolamento e todos são alvo de denúncias. Até o início de junho, na forma da lei, os bares notificados deverão apresentar “laudo técnico comprobatório de tratamento acústico” ou parar de perturbar o sossego. Caso contrário, segundo o secretário Alexandre Marques, terão os equipamentos de som apreendidos. Oliveira adiantou que mais bares, denunciados no final de março, ainda seriam notificados. O telefone da Fiscalização de meio ambiente para as denúncias é 3369-9197 – funcionando apenas em horário comercial. RESIDÊNCIAS Thiago Oliveira promete agir também em relação às residências, em especial na orla, que são irregularmente utilizadas como casas de eventos ou alugadas para festas de fim-de-semana. Mesmo localizadas em Zona Predominantemente Turística (ZPT), as casas da orla são obrigadas a respeitar a lei do silêncio, que impõe os mesmos limites adotados para área estritamente residencial: 60 dB durante o dia e 55 dB à noite, entre 19h e 7h. Barracas de praia que insistem em desrespeitar a lei também serão notificadas, segundo prometeu. Ao lado do Vilas Village, na rua Praia do Leme, uma residência é alvo permanente de denúncias à prefeitura – que já conhece o caminho de cor. Em março, pela primeira vez em muito tempo, a fiscalização atendeu uma denúncia encaminhada pelo número 153 e apareceu no local 15 minutos depois, segundo testemunharam moradores do prédio. Mas inúmeras outras casas são usadas para festas avulsas, como se fossem estabelecimentos comerciais. Uma lista completa dos locais apontados como fonte habitual de poluição sonora foi apresentada à Fiscalização no final de março pela Sociedade de Amigos do Loteamento de Vilas do Atlântico (Salva). Márcia Neves, da Salva, aponta que muitas dessas residências, várias em área exclusivamente residencial, são até anunciadas na Internet como negócios legítimos. De acordo com a denúncia da Salva, há “casas de eventos” na rua Praia de Tambaú, na Praia de Itaorna, na Praia do Flamengo, Praia do Leme e várias outras. Uma delas, com 400 m² e seis quartos, cobra R$ 2,5 mil por dia explicitamente para a realização de eventos. Uma outra, de frente para a praia, apresenta-se como “capela para casamentos”. Há ainda quem admita até 200 pessoas numa mesma casa para as festas – conforme anúncio público na Internet. É o caso de uma residência na rua Praia de Búzios, de frente para a praia. A área pública e de Marinha, cercada por todas as casas da orla, é usada para anunciar “imensa área verde com 800 m²”. Por “tarifas” a partir de R$ 4 mil, os u

A fiscalização da secretaria municipal de Meio Ambiente em ação na ma­dru­gada de 24 de março: menos de 24 horas depois, a perturbação do sossego estava de volta

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q CIDADE

eventos são realizados com o máximo de exposição sonora: “somente alugamos área externa”, diz o anúncio. Uma outra é alugada por R$ 5 mil de sexta a domingo, já com “seis camas de casal e dez de solteiro”. A lista da Salva inclui ainda duas casas mais simples na rua Praia de Tambaú, usadas apenas para festas de fim de semana ou feriados e que rotineiramente abusam da lei, incomodando a vizinhança residencial. LIMITE VALE DIA E NOITE Ao contrário do que muita gente pensa, não há horário nem local permitido para exceder 70 dB de som em Lauro de

Freitas – o limite para os Corredores de Atividades Diversificadas (CAD), popularmente conhecidas como área comercial. O limite é ainda menor depois das 19h e em área residencial, na orla ou no Parque Ecológico. Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA), o parque já recebeu espetáculos musicais que, por natureza, excedem em muito o limite legal para emissão de sons, que é de 55 dB(A) até 19h e 50 dB(A) depois disso. Na mesma entrevista em que prometeu pedir ajuda à polícia para combater a poluição sonora, a prefeita Moema Gramacho defendeu que os espetáculos realizados no Parque

Questão de princípio orienta bares no Rio de Janeiro

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o Rio de Janeiro, bares tradicionais instalados em área residencial não só cumprem as normas da lei carioca do silêncio, mas se preocupam em promover uma política de boa vizinhança. O tema foi abordado em reportagem de Paula Lacerda para “O Globo”. Um deles, localizado embaixo de um prédio residencial, chegou ao extremo de microfonar instrumentos do som ao vivo que oferece aos clientes, que escolhem se querem ou não ouvir, por meio de fone de ouvido. Outros simplesmente encerram no horário correto para não incomodar. “Isso não é nem política, é questão de princípio” — disse o proprietário

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Esq.: Alexandre Marques, secretário de Meio Ambiente, em reunião com moradores: providenciando espaço para armazenar equi­pamentos de som que serão apreendidos. Acima, Thiago Oliveira, diretor de Fiscalização da secretaria de Meio Ambiente: prazo de 90 dias para providenciarem isolamento acústico, como manda a lei

Ecológico não incomodam os moradores do entorno – que reclamam do barulho. Em área residencial e turística, descrição que abrange todo o bairro de Vilas do Atlântico, Ipitanga e Buraquinho, o limite é de 60 dB durante o dia e 55 dB à noite. Mesmo em área comercial, caso das avenidas Praia de Itapoan e Luiz Tarquínio, há limites: 70 dB até 19h e 60 dB depois desse horário e até 7h.

à reportagem. Educar os clientes é outro caminho. No Bar Caverna, em Botafogo, placas penduradas na varanda lembram o respeito aos “amados vizinhos”, pedem que o público “converse na moral”. “Além disso, os funcionários da casa são instruídos a falar com os clientes caso a conversa fique alta demais, um toldo foi instalado sobre a varanda externa para abafar um pouco o barulho e há restrições para acessar esta área” – detalha a reportagem. Em Lauro de Freitas, estabelecimentos que queiram oferecer música, ao vivo ou não, têm que instalar isolamento acústico e comprovar a instalação mediante laudo técnico. Mas mesmo diante de pedidos da vizinhança para que observem a lei, seguem perturbando o sossego alheio como se não houvesse lei, nem amanhã.


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REPRODUÇÃO

q CIDADE

POLUÍÇÃO AMBIENTAL

Prefeita Moema Gramacho garante:

“O rio Sapato está sendo limpo diariamente” Em entrevista à Rádio Metrópole, gestora disse que tem provas disso e convidou um morador a visitar o rio com ela

S

em limpeza há mais de um ano, o rio Sapato foi assunto da entrevista concedida pela prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho (PT), à Rádio Metrópole, de Salvador, no dia 20 de março. Questionada ao vivo por diversos ouvintes, a prefeita afirmou repetidamente que “o rio Sapato está sendo limpo diariamente” e detalhou: com “limpeza mecanizada e limpeza manual”. Disse que tem provas disso e chegou a convidar um morador a visitar o rio com ela. Em Vilas do Atlântico, apenas um trecho de 450 metros em frente ao Vilas Tênis Clube foi limpo no final do ano passado, a tempo da festa comercial que aterrorizou os moradores do entorno no último Réveillon. Há meses que a Vilas Magazine vem publicando fotos, em várias edições seguidas, do estado em que o rio se encontra (abaixo).

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A prefeita Moema Gramacho, durante entrevista à Rádio Metrópole: “o rio está limpo”.

Dois dias depois da entrevista à rádio, uma equipe da prefeitura começou a limpar outro trecho do rio, desta vez em Ipitanga. O entrevistador prometeu que a rádio faria uma visita ao Sapato. Um morador de Vilas do Atlântico – que disse ter votado em Moema Gramacho – ainda tentou argumentar com a prefeita, durante a participação ao vivo, informando que vive em Vilas do Atlântico há 35 anos e que há baronesas com 60 cm de altura no rio. Disse ainda que apenas o trecho em frente ao clube havia sido limpo. Mas não conseguiu convencer a prefeita. O morador questionou ainda a recuperação do asfalto, feita apenas no trecho da avenida Praia de Copacabana em frente ao clube. A Vilas Magazine também chamou atenção para isso na edição de janeiro último. “Se há um lugar que está sendo super-asfaltado sem problema é Vilas do Atlântico”, respondeu a prefeita – e acrescentou que “Vilas do Atlântico não pode se queixar de asfalto”. Em seguida a rádio colocou no ar outra entrada ao vivo, de um ouvinte que se identificou como Paulo. Esse afirmou que mora em Vilas do Atlântico há 30 anos e começou por desqualificar o ouvinte anterior: “esse cidadão que entrou aí realmente não deve morar em Vilas nem em Lauro de Freitas”, disse. “Eu não sou político”, esclareceu o ouvinte, “mas admiro (sic) que o rio Sapato realmente está sendo limpo”. E contou que ligava


para agradecer à prefeita pelo Parque Ecológico “que é a alegria da gente de Lauro de Freitas hoje”. Uma ouvinte que se identificou como Andreia, moradora de Ipitanga há 12 anos, ligou depois para informar que um trecho do rio Sapato passa no fundo da sua casa. “Ao longo destes 12 anos eu nunca vi [o rio] no estado lamentável em que está atualmente”, disse. E pediu que a prefeita fosse visitar o local “juntamente com o senhor Paulo, que entrou no ar agora para falar a respeito do rio Sapato”. “Eu estou há mais de seis meses ligando na Sesp [secretaria de serviços públicos], ligando nas secretarias, buscando os responsáveis para vir limpar o rio e nada foi feito” – disse. A prefeita ficou de mandar verificar. Ainda haveria mais duas entradas ao vivo para falar do rio Sapato. A primeira de Ipitanga, com a ouvinte Daniele garantindo que “o rio Sapato não está sendo limpo há 15 meses, desde quando a senhora entrou”. Depois ligou uma senhora que se identificou como Fátima, que mora ao lado do Vilas Tênis Clube, para “sugerir à Rádio Metrópole que fizesse uma matéria no rio Sapato porque eu estou estarrecida com o que ouvi o que a prefeita falou” – e contou que se queixa do rio desde o início do ano passado, mas “continua do mesmo jeito”. POLUIÇÃO HÍDRICA Ignorando a reclamação sobre a limpeza do rio, Moema Gramacho aproveitou para responsabilizar os moradores pelo esgoto lançado nos rios da cidade. “A maioria da população mora em condomínio e joga seus esgotos diretamente nos rios”, afirmou. Na verdade, a contribuição de esgoto ilegalmente lançado na rede pluvial vem principalmente da drenagem pluvial, em Vilas do Atlântico e nos vários bairros no entorno. O odor a esgoto presente, por exemplo, no canal de drenagem pluvial da rua José Ribeiro da Silva, em Ipitanga, é indicador de que efluentes não tratados vêm sendo lançados no rio. O Sapato deixou de ter as baronesas e o mato retirados pela prefeitura depois que uma obra de drenagem pluvial da Lagoa da Base foi paralisada por decisão judicial, em abril do ano passado. Na decisão, a juíza Zandra Parada anotou que o “lançamento dos dejetos do esgoto juntamente com as águas pluviais no Rio Sapato poderá ocasionar alagamentos e proliferação de vírus, bactérias, que afetará diretamente a SAÚDE de toda uma coletividade”. A ação civil pública que deu origem à decisão

em caráter liminar foi proposta pelo Ministério Público para suspender a validade da licença ambiental da obra, com o apoio e colaboração das associações de moradores de Vilas do Atlântico. As entidades estão preocupadas que o usual lançamento de esgoto na rede pluvial carreie ainda mais poluentes para o rio Sapato. Os pontos de descarte ilegal de esgoto doméstico no rio Sapato, alguns deles identificados pela Embasa durante visita de inspeção à cidade há exatamente quatro anos, continuam operantes. Mas tamponar esses pontos – uma ameaça sempre lembrada, mas nunca cumprida – também não resolveria o problema porque não é possível tamponar a própria rede pluvial. A obra do Sistema de Esgotamento Sanitário de Lauro de Freitas, que vai ampliar de 9% para 95% a cobertura do município, foi iniciada em 2010 e interrompida logo depois. A ouvinte Angela Damião questionou a prefeita a respeito da paralização das obras. Moema Gramacho afirmou que a empreitada já foi retomada – pelo duto que leva até Jaguaribe e pela construção de estação elevatória, mas não deu prazo para a conclusão. Mesmo que venha a ser concluída no futuro próximo, a obra não vai eliminar automaticamente o problema da poluição. Depois disso, os moradores terão que fazer as interligações à rede, o que corre por conta de cada um. Apesar de obrigatório por lei, é comum haver resistências, até por questões financeiras. POLUIÇÃO SONORA Moema Gramacho discorreu ainda, durante a entrevista, sobre a poluição sonora no Parque Ecológico, reclamando dos moradores do entorno, que se queixam do barulho. “Nós já fizemos um show lá com Geraldo Azevedo, a coisa mais gostosa do mundo, um outro com Carlinhos Brown, um outro com Adelmo Casé, então, não é possível que isso incomode, né?” – argumentou. Pela lei municipal 1.536/2014, o limite de som em Zona Especial de Interesse Ambiental, como é o caso do Parque Ecológico, é de 55 dB entre as 7h e as 19h e de 50dB depois disso. Um aspirador de pó em funcionamento já emite 50 dB de intensidade sonora. A multa imposta pelo desrespeito à lei vai de R$ 700 a R$ 140 mil. Aos moradores que ligaram durante a entrevista reclamando do desrespeito à lei do silêncio por bares, Moema Gramacho respondeu dizendo que está “pedindo apoio da polícia para ajudar a gente a combater”. A prefeita garantiu que “notificar e cobrar multa nós temos feito, mas, mesmo assim, eles insistem”. O apoio da polícia seria para “prender aquele infrator”. Um dia antes, o diretor de Fiscalização da secretaria de Meio Ambiente Thiago Oliveira afirmou ter notificado, no início de março, alguns bares na avenida Praia de Itapoan e outro na Luiz Tarquínio, com prazo de 90 dias para que providenciem u a regularização com isolamento acústico (leia à página 8). O canal de drenagem da rua José Ribeiro da Silva, em Ipitanga, que desagua no Sapato: poluição vem de todo o entorno

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Parecer técnico recomenda fluxo mínimo permanente no Joanes

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arecer técnico assinado por Zúri Pessoa, engenheiro sanitarista e ambiental, aponta “elevado risco de comprometimento dos ecossistemas aquáticos e demais usos existentes a jusante dos barramentos” do Joanes 1 e Ipitanga 1 e “mau gerenciamento dos barramentos por parte da Embasa”. O parecer, encomendado pelo Ministério Público para averiguar a “existência e extensão dos danos ambientais decorrentes da privação do fluxo hídrico a jusante das barragens”, foi divulgado no mês passado pela Rio Limpo, entidade que defende a recuperação dos rios em Lauro de Freitas. A Rio Limpo vem cobrando resultados de uma representação feita ao Ministério

Público em 2016. Na ocasião, a Rio Limpo denunciou a Embasa “por descumprir a Lei das Águas no 9.433, de 06/04/1997, que obriga a liberar água das barragens” no que se denomina vazão ecológica mínima. A entidade defende que a barragem Joanes 1, no Jambeiro, passe a liberar um volume mínimo de água para o curso do rio, ajudando a diluir o volume de esgoto que, lançado no Ipitanga, vai parar ao Joanes e às praias de Lauro de Freitas. E defende o mesmo procedimento para o Ipitanga. “Há anos a Embasa vem sistematicamente desrespeitando esta lei, retendo completamente as águas dos rios Ipitanga e Joanes, deixando as calhas destes rios a jusante das barragens completamente secas”, afirma Fernando Borba,

presidente da Rio Limpo. Borba aponta que “escorrem por elas tão somente os esgotos e águas das chuvas que chegam ao Joanes e por este temperam as nossas praias de Buraquinho, Busca Vida, Vilas do Atlântico e Ipitanga”. De acordo com Borba, em novembro do ano passado a 2ª Promotoria do Ministério Público determinou a realização de perícia técnica que resultou em um relatório da situação das barragens. Agora “precisamos saber que andamento terá o processo depois da perícia”, realizada pelo engenheiro Zúri Pessoa – conta Borba. Acompanharam a perícia o próprio Borba e o diretor da Rio Limpo Caio Marques, além do Coordenador Geral da Sociedade de Amigos de Vilas do Atlântico (Salva), Márcio Costa. Agora veio a público o que consta do parecer. Além de manter um fluxo mínimo permanente, a Embasa deve “ampliar a cobertura por rede coletora de esgoto” em Lauro de Freitas, aponta o parecer, que hoje está em 9%. As obras do Sistema de Esgotamento Sanitário está paradas desde 2012. Para a entidade, os rios estão morrendo pela falta de água nas suas calhas e por causa do esgoto não tratado que é lançado. Borba culpa a “falta de saneamento básico”, mas a lei proíbe lançar efluentes não tratados nos cursos

A barragem do Joanes, no Jambeiro, vertendo água para o Joanes: Embasa deve manter fluxo mínimo permanente 16 | Vilas Magazine | Abril de 2018


d’água, com ou sem rede de esgotamento sanitário disponível. Há pelo menos quatro anos que a Rio Limpo pede a manutenção de uma vazão constante a jusante da barragem de Joanes 1, como alternativa para a melhoria da qualidade das águas do rio Joanes. De acordo com a Salva, em reunião de que participou também a prefeitura de Lauro de Freitas, em abril de 2014, “representantes da Embasa ponderaram que a barragem foi construída numa época em que não existiam leis ambientais” e que, por isso, “não foi prevista descarga de fundo no barramento”, o que inviabilizaria uma vazão constante para a calha do rio. A barragem verte apenas quando há excesso de volume de água. Mesmo que a descarga fosse possível, seria necessário avaliar se essa vazão não ameaça a necessidade de abastecimento à população – que tem prioridade. Segundo a Salva, a Embasa teria ainda informado que “não há condicionantes ou recomendações a esse respeito nem licenciamento nem na outorga” do uso da água do Joanes.

Dois anos depois, em nova reunião com representantes da Embasa no Riverside Hotel, a Rio Limpo voltou a defender a abertura das comportas. Na ocasião, Júlio Mota, superintendente de assuntos regulatórios da Embasa, que participou da reunião afirmou que há técnicos na Embasa que defendem o fim da captação de água na barragem do Joanes 1 devido aos custos do tratamento – o que poderia liberar o volume de água para a calha do rio. Mota alertou ainda para a drástica redução no volume de água que passaria a chegar à represa nos anos seguintes devido à conclusão do sistema de esgotamento sanitário de Camaçari. A

Há quase oito anos, no dia 17 de outubro de 2010, a Rio Limpo organizou a primeira caminhada no calçadão de Vilas do Atlântico com membros da Colônia de Pescadores de Buraquinho e da Sociedade de Amigos do Loteamento de Vilas do Atlântico (Salva), num movimento para defender a recuperação dos rios que atravessam Lauro de Freitas.

engenharia da empresa estaria então em busca de uma alternativa para minimizar esse efeito.

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Supermercado no acesso ao Miragem terá 100m de pista dupla

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construção de um supermercado no já congestionado acesso ao Miragem pela rua Priscila Dutra levou a prefeitura de Lauro de Freitas a alargar o trecho da rua em frente ao empreendimento. Será aberta mais uma pista em cada sentido, com a demolição de uma construção que, de acordo com a prefeitura, tinha sido feita em área pública. “Vamos dobrar a capacidade de trânsito no local”, assegura Olinto Borri, secretário de Trânsito, Transporte e Ordem Pública.

Rua de acesso ao Colégio Sartre passará a ter mão única

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O empreendimento, segundo a prefeitura, é que vai pagar pelas obras. No lado oposto da rua, haverá um recuo de 2,2 metros na calçada, mas esse complemento depende da retirada de três postes pela Coelba. O fluxo do trânsito também será alterado no ponto mais crítico da rua Ana C. B. Dias, em frente ao Colégio Sartre, para ampliar a capacidade de tráfego. Esse trecho, hoje de mão dupla, passará a ser mão única, no sentido do Miragem. O retorno será feito contornando o quar-

teirão, seguindo pela Rua Edgar B. Franco e voltando para a pela Rua Pedro Paulo Conceição. AVENIDA FORTALEZA A prefeitura anunciou ainda a criação de uma faixa de rolamento na saída da avenida Fortaleza em frente ao supermercado atacadista Assaí. Serão 500 metros, que vão funcionar como via de aceleração para escoar o trânsito que vem de Itinga em direção a Salvador. De acordo com o secretário, pela Estrada do Coco transitam diariamente cerca de 120 mil veículos, das 7h às 19h. “Esse fluxo acaba bloqueando o trânsito que sai da avenida Fortaleza e gerando uma retenção nas duas vias”, explica – “com a obra os motoristas poderão entrar


direto na Estrada do Coco sem esperar redução do fluxo”. A obra deverá ser paga pelo supermercado instalado na área. PASSARELAS Três passarelas há anos previstas para a avenida Santos Dumont (antiga Estrada do Coco) estão em “fase final do processo de licitação”, segundo informou a prefeitura, que vale R$ 5,8 milhões. A primeira, em Portão, próximo à sede do Samu, vai atender ao grande fluxo de pedestres que todos os dias atravessam a pista em meio aos veículos. Outra será instalada na altura do Atakarejo e a terceira em frente ao Hospital Aeroporto. “A manutenção das Passarelas das Flores [Centro] e da Avenida Beira Rio, sobre o rio Ipitanga, serão iniciadas em breve”, diz o secretário de Infraestrutura Vidigal Cafezeiro.

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Proerd quer atingir 2,5 mil jovens este ano

Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), da Polícia Militar, realizou aula inaugural do ano letivo no mês passado, durante cerimônia realizada no Cine Teatro de Lauro de Freitas. Este ano o programa deve ultrapassar 2,5 mil jovens atendidos. No primeiro semestre o Proerd vai atuar em 12 escolas municipais e atender 1.397 alunos em 47 turmas. Alunos das escolas municipais Fênix e Dr. Paulo Malaquias de Mello participaram da aula, animada pelas peripécias do humorista Chiquinho. Entre uma brincadeira e outra o humorista dava a palavra de ordem do programa – Luz, Câmera e Ação – junto com a garotada. “Eu espero que o Proerd ajude a ter várias mudanças na minha vida, mais educação e mais amor”, a estudante do 6º ano, Ana Vitória. Coordenador Executivo do Proerd na Bahia, o Tenente Coronel PM Cesar Cunha disse que Lauro de Freitas tem se destacado no Proerd, fazendo jus ao conceito do programa. A prefeita Moema Gramacho (PT) chamou a atenção para o excelente trabalho que a PM desenvolve no Proerd do município, que extrapola a questão da segurança pública e leva em consideração o viés social. “Esse é um trabalho ligado à educação, torna-se uma matéria escolar, mas tem a ver com o cuidado com a vida”, disse. O Major PM Fabrício Silva, comandante da 52º Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), de Lauro de Freitas, responsável pela gestão do Proerd na cidade, lembrou que “todos têm sua parcela de contribuição, pais, instrutores e principalmente os alunos”. Em 2017 o Proerd avançou em relação à estrutura. O progra-

ma possui uma sala de atendimento localizada na sede da 52º CIPM, aumentou a equipe de instrutores e ganhou um veículo da prefeitura de Lauro de Freitas. No ano passado o Proerd atendeu 2.351 alunos. Em 2018 a expectativa é superar esse número, fortalecer o programa e trazer novamente o prêmio de redação para Lauro de Freitas, explicou o coordenador do Proerd no município, Subtenente PM Juraci Brandão. “Queremos que os alunos sejam multiplicadores da ideia de não às drogas”, disse. As escolas da rede municipal atendidas neste primeiro semestre serão a Fênix, Dr. Paulo Malaquias de Mello, Dom Avelar, Jovina Rosa, Santa Júlia, Vovó Ciça, Tia Lúcia, Cadetes Mirins, Félix Cardoso e José Paranhos. Cada uma das 47 turmas tem aula uma vez por semana. LUCAS LINS

Aula inaugural do ano do Proerd teve animação infantil

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Coleta seletiva desta vez será recolhida pela prefeitura

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prefeitura de Lauro de Freitas instalou um “ponto alternativo de coleta seletiva” de lixo no Miragem, bairro de Buraquinho, em frente à Escola Municipal Jovina Moreira Rosa. A ação atende a um dos princípios e objetivos da lei 1.723/2017 – o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – que proclama “o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania” e o “incentivo à indústria da reciclagem”. O “Ponto de Entrega Voluntária” (PEV) reúne quatro recipientes destinados, um para cada tipo de material e tem capacidade de receber 2,5 m3 de lixo. O recipiente azul é para papel, o vermelho para plástico, o verde para vidro e o amarelo para metal. Todo o material descartado no PEV será coletado pela própria prefeitura e destinado à Cooperativa dos Agentes Ecológicos de Lauro de Freitas (CAELF), entidade fundada em 2009. Tentativa anterior de implantar uma coleta seletiva em Vilas do Atlântico fracassou porque a cooperativa de reciclagem então responsável pelo recolhimento do material não conseguiu manter em equilíbrio os custos da operação. Os coletores, adquiridos pela Sociedade de Amigos do Loteamento de Vilas do Atlântico (Salva) no final de 2012 já estavam abandonados e acabaram utilizados como depósito de lixo comum, a céu aberto, até serem removidos, eles mesmo, como lixo. Para explicar o objetivo da coleta seletiva e incentivar o descarte responsável, uma equipe da secretaria de Serviços Públicos vai realizar um trabalho de educação e conscientização nas escolas e na comunidade. “Além da implantação do ponto de coleta, o mais importante é a conscientização”, diz o secretário Renato Braz, responsável pela limpeza pública. A prefeitura pretende instalar mais seis pontos de coleta seletiva até julho: no final de linha de Vilas do Atlântico, no largo da praia de Buraquinho, próximo LUCAS LINS

O secretário Renato Braz inaugura a coleta seletiva: mais seis pontos até julho 20 | Vilas Magazine | Abril de 2018

ao Centro de Excelência de Judô em Ipitanga, na praça das Mangueiras em Vida Nova, em frente ao Colégio Dois de Julho em Itinga e na praça Martiniano Maia, no Centro. De acordo com a Lei Federal nº 12.305/2010, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, a reciclagem deve ser implementada como uma das ações prioritárias na gestão de resíduos urbanos, mas o cumprimento da meta – com sucesso – fica mesmo é por conta dos catadores de latinhas. A relação entre o volume de alumínio reciclado e o consumo doméstico no Brasil foi de 38,5% em 2016, de acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, uma publicação anual da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). O desempenho no setor de alumínio garante ao país a oitava posição em eficiência no ciclo de reciclagem em todo o mundo, cuja média mundial em 2014 foi de 27,1%. Em 2015, o Brasil reciclou 602 mil toneladas de alumínio. O Brasil está à frente de Canadá, China e Alemanha, mas atrás de India, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Espanha, EUA e Itália. Já no segmento de “latas de alumínio para envase de bebidas” a liderança mundial da reciclagem é brasileira. Em 2015 o país atingiu o índice de 97,9%, que corresponde a 292,5 mil toneladas recicladas, seguido pelo Japão com 77,1% e Estados Unidos com 64,3% – de acordo com a publicação da Abrelpe. No setor de papel, também em 2015 o Brasil registrou uma taxa de recuperação de 63,4% e de 51% para o segmento de PET – o plástico de que são feitas as garrafas de refrigerante, entre outros produtos. A Abrelpe anota, no último Panorama, que a cobertura dos serviços de coleta de resíduos sólidos urbanos no país passou de 90,8% para 91,2% do volume gerado, mas “a coleta seletiva não avançou na mesma proporção”. Até o ano passado só havia iniciativas registradas em pouco mais de dois terços das cidades brasileiras – e nem sempre de porte suficiente para de fato resolver a questão. “A consequência direta disso são os índices de reciclagem que se mostram estagnados há alguns anos, apesar da grande propaganda que tem sido feita a esse respeito”, observa a entidade.


NOSSA OPINIÃO

Lauro de Freitas e o subdesenvolvimento assimilado

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notória incapacidade do poder público nas três esferas – fenômeno que abarca muitas gestões ao longo de décadas, não consistindo em crítica individual a quem quer que seja – tem resultado na deterioração da qualidade de vida onde ela existia – e na inviabilização do desenvolvimento onde ele nunca existiu. Estamos diante da assimilação do subdesenvolvimento como padrão econômico-social. Via de regra, gestores públicos creditam o crescente desarranjo ao “desenvolvimento” da cidade, no mínimo ignorando o que seja uma comunidade desenvolvida. Mesmo levando em conta que um deficiente domínio do idioma possa ter levado ao uso equivocado do termo, é necessário apontar o erro. Cidades desenvolvidas não convivem com a habitação subnormal, com transporte público desqualificado, com escolas públicas caindo aos pedaços – seja culpa de quem for. Comunidades desenvolvidas não admitem barracos improvisados em espaços públicos, menos ainda nas praias, nem verdadeiras lojas, improvisadas, instaladas nas calçadas ou gente violando a lei do silêncio enquanto ri da vizinhança e das autoridades. Desenvolvimento pressupõe que todos tenham moradia e não precisem pernoitar em praça pública, como ocorre no acesso ao Parque Ecológico e em tantos outros pontos da cidade.

micamente ativa da RMS estava desempregada, de acordo com os números do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) – índice inalterado desde o mesmo mês de 2017. Também em janeiro, a média nacional calculada pelo IBGE era de quase 13% de desempregados, já absurda para um país que tenha governo. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o índice de desemprego na RMS era de nada menos que 50,9%. Mesmo quando o resto do país começa a recuperar o nível de emprego, a RMS segue estagnada em níveis de calamidade econômica. Sem surpresas, o chamado “trabalho autônomo” – visível nas ruas e nas praias – aumenta em todo o Brasil, mas aumenta mais na RMS: 23% no período de um ano, contra 16% em Porto Alegre ou 6% em São Paulo. Quem tem salário recebe em média R$ 1.939 em Porto Alegre, R$ 2.074 em São Paulo e R$ 3.605 no Distrito Federal – contra R$ 1.493 em Salvador. A precarização é campeã na RMS apesar do custo do trabalho formal ser inferior. Desemprego na esfera dos 25% na RMS é número que representa meio milhão de pessoas, muitas delas condenadas à informalidade nas ruas para tentar a sobrevivência. Tratar a miséria humana como efeito colateral de “desenvolvimento” é intelectualmente desonesto, para não dizer cruel. O subdesenvolvimento, também em Lauro de Freitas, é triSUBDESENVOLVIMENTO ECONÔMICO butário de décadas de inépcia – para não dizer outra coisa – no A desordem urbana generalizada é, antes de mais, reflexo de ensino público, na saúde, na gestão urbana e onde quer que se uma situação econômica ponha os olhos. Mas o que de penúria permanente, sempre se fez foi assimilar com famílias recorrendo à a permanente penúria eninformalidade para sobrequanto se faz o discurso do viver, enquanto o poder “desenvolvimento”. público olha para o outro Não há desenvolvimenlado, pretensamente preoto na expansão urbana de cupado em garantir renda cidades-dormitório que a quem não tem emprego, nem rede de esgotamenem vez de agir pela inclusão to sanitário têm. Não há econômica. A desordem – desenvolvimento numa violência urbana incluída “renda autônoma” que só – é reflexo do subdesenvolperpetua a exclusão econôvimento assimilado. mica. Em dezembro do ano A praça do Parque Não há crise. Na Região Metropolitana passado, de acordo com o DIEESE, o rendimento de Salvador (RMS), Lauro de Freitas incluída, médio mensal dos assalariados na RMS era de Ecológico como local de nunca houve uma crise de emprego – como a R$ 1.493, mas os autônomos só levaram R$ moradia de pessoas sem que atinge o restante do país. Na RMS sempre 973 para casa. teto: sinal inequívoco de houve desemprego em níveis de subdesenvolFechar os olhos à desordem urbana do “essubdesenvolvimento vimento, numa crise, por assim dizer, contínua paço autônomo” é despir a responsabilidade de e permanente. agir para mudar a realidade do subdesenvolvimento na vida das Em janeiro último, nada menos que 25% da população econo- pessoas, não na paisagem da cidade.

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Prefeitura apoia recadastramento biométrico até o dia 9 de maio

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eleitorado de Lauro de Freitas passará por “revisão extraordinária” a partir de novembro, já depois das eleições, quando acontecerá o recadastramento biométrico obrigatório na cidade. Entretanto, o eleitorado já pode se apresentar para o procedimento. O anúncio da obrigatoriedade foi feito, no mês passado, pelo desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), quando a prefeitura de Lauro de Freitas assinou com o tribunal um termo de parceria e cooperação técnica no intuito de dar celeridade ao processo desde já. A Justiça Eleitoral aceita como comprovante de residência, além de outros, uma declaração do programa Bolsa Família, assinada e carimbada pelo órgão responsável – que funciona no âmbito

da própria prefeitura. A intenção é que o maior número possível de pessoas faça o recadastramento com o apoio da administração municipal até o dia nove de maio – quando o cadastro eleitoral será fechado em todo país, em razão das próximas eleições. “Pessoa visionária” e “amante da democracia” foram adjetivos atribuídos à prefeita Moema Gramacho (PT) pelo presidente do TRE-BA na cerimônia de assinatura. Para Rotondano, o objetivo é “saber o real quantitativo do nosso eleitorado”. A parceria “é para facilitar, auxiliar, permitir que nós, em novembro, passadas as eleições, transformemos Lauro de Freitas em revisão extraordinária”, explicou. Já a prefeita destacou na iniciativa o “caráter da lisura, possibilitando um trabalho mais tranquilo nos processos eleitorais”. Lauro de Freitas estará até novembro

O desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano com a prefeita Moema Gramacho: termo de cooperação para acelerar a biometria 22 | Vilas Magazine | Abril de 2018

em “revisão ordinária do recadastramento biométrico”, o que não obriga os eleitores a realizar o procedimento. Mas o TRE-BA aconselha que os eleitores se antecipem e façam a atualização eleitoral antes que ela se torne obrigatória. Mesmo o procedimento não sendo ainda obrigatório, 32.649 eleitores (quase 27%) de Lauro de Freitas já passaram pelo recadastramento biométrico. De acordo com a prefeitura, em Lauro de Freitas o procedimento só pode ser feito com agendamento prévio pelo site do TRE. Todas as sextas-feiras, a partir de 12h, são disponibilizados 496 atendimentos para a semana seguinte. Salvador e outras 50 cidades baianas já passaram pelo recadastramento biométrico obrigatório. Dos mais de 916 mil títulos de eleitor cancelados por falta de comparecimento do titular, até o dia 20 de março já haviam sido regularizados quase 180 mil, em novo período concedido pelo TRE-BA. PENALIDADES O cancelamento do título de eleitor implica numa série de consequências que tem preocupado as pessoas, levando à procura pelo recadastramento. Funcionários públicos, por exemplo, ficam impedidos de receber salários ou proventos, não só na administração direta, mas também nas autarquias ou empresas paraestatais, fundações governamentais, empresas, institutos e sociedades de qualquer natureza, mantidas ou subvencionadas pelo governo. O cidadão também fica impedido de tirar passaporte e não poderá se inscrever em concurso ou prova para cargo ou função pública, nem tomar posse. Se for estudante, não poderá renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo. E não pode participar de concorrência pública ou administrativa da União, dos estados,


ESPAÇO ABERTO

Não se apequene

municípios e autarquias. COMO FAZER Para fazer o recadastramento biométrico, o eleitor deve apresentar os originais de um documento de identificação oficial com foto, de comprovante de residência atual e o título de eleitor. A Justiça Eleitoral lembra que, para os casos de alistamento eleitoral (primeiro título), a Carteira Nacional de Habilitação, apesar de ter foto, não é válida como documento de identificação por não incluir a nacionalidade e naturalidade do portador. O modelo antigo de passaporte, por não conter a filiação, também não vale. Homens com idades entre 18 e 45 anos que forem solicitar alistamento eleitoral devem apresentar também o comprovante de quitação militar – carteira de reservista ou certificado de alistamento militar. E todos os eleitores que tiveram os dados cadastrais alterados, por exemplo, por casamento ou separação, devem levar um documento comprobatório. COMPROVAÇÃO DE RESIDÊNCIA O comprovante de residência deve estar no nome do eleitor, do cônjuge ou companheiro, de parente ascendente (pai, mãe, avô ou avó) ou descendente (filho, filha, neto ou neta), ou de parente colateral até o terceiro grau (tio ou tia), ou representante legal nomeado por decisão judicial. O grau de parentesco deverá ser comprovado, documentalmente, no ato do atendimento. A Justiça Eleitoral aceita como comprovante de residência contas de água, de luz, de telefone e de internet, boletos bancários como as faturas de cartão de crédito, declaração do ITR e declaração de matrícula escolar – ou declaração do programa Bolsa Família, assinada e carimbada pelo órgão responsável. Os comprovantes de domicílio devem ser atuais, com data de emissão até três meses antes do dia do atendimento. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo telefone número (71) 3373-7000.

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íderes que pensam pequeno, que se dedicam ao poder, às suas carreiras, aos compromissos que exaltam seus egos inflados são mais suscetíveis a corrupção. Tudo fazem para se manterem no poder e em evidência, pois cegam sua consciência para o progresso e para a melhoria do que conduzem. Chefe que não tem competência para ir além de atender ordens superiores, em detrimento da própria criatividade, do aprimoramento de sua atividade e do bem-estar de seus liderados diminuem a produtividade do que executam. Pessoas que conduzem pessoas e que não vão além de torná-las seus objetos de manipulação, reduzem a manifestação do que elas têm de melhor, travando o crescimento pessoal de cada uma delas. São como capatazes que querem escravizar seus liderados. O poder emana de quem consente, portanto, ninguém tem poder sobre nenhum outro ser humano sem que lhe seja delegado. A liberdade do ser humano, respeitando o direito do outro, é inalienável. Fundamental é que esta liberdade, tornando-se responsável, seja assumida com intenção de mudar a própria vida, bem como o meio a sua volta. Quando se trata de votar, a liberdade de escolha não deve ser exercida como se tratasse do único recurso para mudar a realidade da sociedade em que se vive. Um povo que não se esforça pela prosperidade pessoal e coletiva, perde sua liberdade de escolher, de decidir e de crescer, portanto, é preciso ir além do voto, exercendo ações pessoais para mudar, inclusive o que

é de interesse coletivo. O cidadão que permite que sua cidade, seu país ou seu espaço de manifestação seja dominado por quem não tem ética, que não seja competente nem se ocupe do bem público não está contribuindo para a construção de uma sociedade harmônica. O liderado forja o líder que tem. É, portanto, responsabilidade do cidadão pelo que ocorre em sua sociedade, sem embargo das penalidades àqueles que traem seu voto, muito menos a culpabilidade das autoridades, cujo dever não pode ser negligenciado. É preciso que o cidadão não se apequene, pois em suas mãos e na sua disposição se encontram soluções que podem, no médio e longo prazos, promoverem o surgimento de uma nova sociedade. É preciso que ele seja grande, seja próspero e tome para si o destino de sua sociedade. Portanto, sendo você patrão, empresário, líder religioso ou chefe de algum grupo, nas costumeiras comemorações de aniversários, de despedidas, de finais de ano ou outras, além das felicitações e de ajustes nos processos, converse sobre ações comunitárias para educar a população à ordem, ao progresso, ao empreendedorismo, ao ético, bem como a tudo que implique em melhoria social. É hora de pensar grande e de ultrapassar os limites do egocentrismo para agir sabiamente, para que o amanhã virtuoso se aproxime mais rapidamente do hoje. Adenáuer Novaes é psicólogo, escritor, filósofo e engenheiro. adenauer@larharmonia.org.br

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q CULTURA

Massacre à margem do Joanes evoca revolta escrava de 1814 em Itapuã

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revolta de 1814 em Itapuã continua a ser lembrada em Lauro de Freitas, agora com a produção de um filme caseiro por estudantes da rede municipal de ensino. De acordo com o professor Antônio Cláudio Nogueira, que orientou a produção, “o objetivo do curta-metragem é que os alunos e moradores visualizem a abolição da escravatura em um processo de longa duração, relacionado à exploração da mão-de-obra escrava negra no Brasil, partindo de um fato histórico local”. Caíque Barbosa e Kailane Oliveira dividem a direção com o professor, assinam o roteiro com Maria Eduarda e Samara Vitória e ainda atuam, com Cristóvão da Silva. O filme retrata a revolta liderada pelos quilombolas das matas do Sangradouro, atual bairro de Matatu de Brotas, em Salvador, que atacaram a vila de Itapuã, com o auxílio de senzalas sublevadas nas armações de pesca e a participação de várias etnias africanas. O massacre e suicídio de dezenas de escravos sublevados também é mencionado – este sim ocorrido à margem do Joanes, de acordo com o pesquisador e historiador João José Reis, professor titular da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Doutor em História pela Universidade do Minnesota, Estados Unidos. Em artigo científico publicado em 2014, marcando 200 anos daquela revolta escrava, Reis conta que o levante propriamente foi orquestrado no Sangradouro e materializou-se em Itapuã, onde os sublevados “mataram moradores e incendiaram casas” e de onde depois “marcharam rumo ao Recôncavo, margeando o rio de Joanes, caminho que percorreram a 24 | Vilas Magazine | Abril de 2018

incendiar mais casas e plantações”. Conta o historiador que “nas margens do rio de Joanes, perto de Santo Amaro de Ipitanga – no atual município de Lauro de Freitas –, os rebeldes foram barrados por homens da milícia da Casa da Torre”. De acordo com ele, ‘’a batalha final, às margens do rio de Joanes, teria durado menos de uma hora”. Uma planta hidrográfica “da Bahia de Todos os Santos”, datada de 1823, existente no Arquivo Público da Bahia, mostra o caminho que poderia ter sido percorrido pelos escravos sublevados, de Itapuã em direção ao Recôncavo, passando por Santo Amaro de Ipitanga e “margeando o rio de Joanes”. Impreciso, como seria de esperar no princípio do século 19, o mapa identifica como Jaguaripe o que parece ser o rio Ipitanga, Itinga numa localização que hoje remete a Portão e Pitanga onde atualmente apontaríamos Itinga. Buscavida é o topônimo que identifica, no mapa de 1823, a atual praia de “Buraquinhos” – e vice-versa. Mas Arembepe já tinha o mesmo nome, assim como o Flamengo – e “Itapoam”. Pode ter sido ainda antes de Itapuã e mais perto de Salvador que a revolta de 1814 irrompeu na alvorada do dia 28 de fevereiro, uma segunda-feira. “Naquela madrugada, então, uma força de cerca de duzentos rebeldes atacou armações de pesca de baleias a cerca de uma légua [cerca de 5 Km] ao norte da capital, onde contavam com aliados”. O líder da revolta de 1814, conta Reis, foi João Malomi, que “encabeçou o movimento a partir de sua base num quilombo situado nas bordas de Salva-

dor, mais especificamente nas matas do Sangradouro, no atual bairro de Matatu de Brotas”. Os quilombolas desceram do Sangradouro até a praia e, com mais insurgentes, dirigiram-se “ao povoado de Itapuã e em seguida ao Joanes”. Apesar de terem começado pela armação pesqueira de “figura proeminente da elite econômica e dirigente baiana”, os revoltados “atacaram outras armações, fazendas e a vila de Itapuã, onde mataram moradores e incendiaram casas”. E “depois do ataque a Itapuã, marcharam rumo ao Recôncavo, margeando o rio de Joanes, caminho que percorreram a incendiar mais casas e plantações”. Reis anota que “nunca alcançariam a região dos engenhos, onde contavam com adeptos e cujos escravos pretendiam sublevar” porque “nas margens do rio de Joanes, perto de Santo Amaro de Ipitanga” os rebeldes seriam barrados pela Casa da Torre. “Várias escaramuças aconteceram nas imediações de Santo Amaro de Ipitanga” e “a batalha final, às margens do rio de Joanes, teria durado menos de uma hora”. Reis descreve que, “cansados do corre-corre ao longo de quatro a seis léguas [cerca de 20 a 30 Km], lutando com armas brancas tão somente, os rebeldes não aguentaram a fuzilaria de seus opositores e acabaram derrotados no meio da tarde”. O levante ocorreu “da madrugada daquele dia até as duas horas da tarde do mesmo”, refere o pesquisador. MASSACRE DO JOANES Reza o Acórdão judicial da revolta – a decisão final do julgamento a que foram


submetidos os rebeldes de 1814 perante o Tribunal da Relação da Bahia – que “paisanos e milicianos, manejando mosquetes e outras armas, mataram muitos dos rebeldes, e foram presos outros, dispersando-se os mais, que em grande número morreram afogados no Rio, por não saberem nadar e aonde outros se lançaram de propósito a esse mesmo fim, enforcando-se alguns em árvores, do que se não pode fazer corpo de delito, e cálculo perfeito, por levar a corrente os cadáveres, e por se dilacerarem e desorganizarem muitos [cadáveres] pelas aves e animais carnívoros”. Na época as autoridades buscaram explicações religiosas para o suicídio coletivo anotado no Acórdão, creditando o ato extremo à “superstição” de que assim “passam ao seu reino”.

Planta Hidrográfica da Bahia de Todos os Santos feita pelo Coronel Serras em 1823, do Arquivo Público da Bahia: caminho de Itapuã para o Joanes, rumo ao Recôncavo, atravessava Santo Amaro de Ipitanga O conde dos Arcos “contabilizou cinquenta negros ali mortos, que considerou ‘grande carnagem’, e repreendeu o major Manoel da Rocha Lima pelo excesso de força usada ‘’contra uns miseráveis’” – prossegue o Acórdão, mas Reis observa que “não se interessaram em contar os negros mortos”. Quanto ao número de pessoas vitimadas pelos rebeldes, o Acórdão contou “quatorze pessoas de ambos os sexos”, algumas delas queimadas nos incêndios

de suas casas. Já uma petição contra o governador por causa da revolta aumenta o número para “cinquenta e tantos”, incluindo “mulheres e crianças livres, além de escravos e escravas que teriam recusado a se rebelar”, escreve o autor. Teriam sido oitenta as casas consumidas pelo fogo tocado pelos sublevados. “Entre os brancos, o negociante Luís Antônio dos Reis teria sido morto diante da mulher, que apesar de espancada conseguiria escapar com vida”. Outra vítima foi Joaquim Pinheiro de Requião, cujo nome aparece numa anotação do irmão apensa ao inventário do pai, falecido desde 1810, retirando-o (ao irmão) da partilha de bens por ter sido “desgraçadamente morto pelos negros levantados u no sítio da Itapuan”. Abril de 2018 | Vilas Magazine | 25


q CULTURA

MULHERES MALÊS O historiador observa que, em uma das senzalas de Salvador que se destacaram na revolta de 1814, a grande desproporção entre homens e mulheres “constituía um obstáculo abismal à formação de famílias e descendência”. E anota: “aquele bando de homens jovens, sem mulher e com características étnicas e religiosas semelhantes, grande parte deles guerreiros feitos cativos – situação que provavelmente se repetia em outras propriedades do lugar –, favoreceu a formação de um ambiente particularmente explosivo”. O Acórdão que embasa o trabalho de Reis menciona quatro mulheres: Felicidade, Germana, Tereza e Ludovina, as três últimas transformadas em personagens do espetáculo teatral “Mulheres Malês – nas margens do Rio”, encenado no mês passado em Lauro de Freitas. O espetáculo inclui ainda Francisca, que aquele registro histórico aponta como uma das protagonistas dos ataques e mulher do rebelado Francisco Cidade. Essas mulheres “se aquilombaram no Sangradouro, sob a liderança do Malomi, e seguiram ‘voluntariamente’ o roteiro do levante de 1814, embora não se esclareça se alguma chegou a participar da batalha final no rio de Joanes”, escreve Reis – “mas acompanharam os homens até o litoral, onde a pugna propriamente dita teve início”. O historiador opina que “se o comportamento de Ludovina pode ser estendido

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Escrito e dirigido pelo professor An­tô­nio Cláudio Sampaio (acima), o curta mostra um pai, interpretado pelo ator Cristóvão da Silva, que conta ao seu casal de filhos como aconteceu o massacre às margens do Rio Joanes. O filme foi produzido para a Mostra de Filmes Educa 7 Minutos, promovida pela Secretaria de Educação de Lauro de Freitas. Abaixo, alunos da Escola Municipal Ana Lúcia Magalhães durante exibição do documentário “Um grito de liberdade”, no Cine Teatro de Lauro de Freitas

às demais, se envolveram na briga, algo incomum naquelas partes da África de onde procediam”. Ludovina, especificamente, “teve um papel, se não de liderar, pelo menos de encorajar e animar os guerreiros”, gritando “palavras fortes sobre pelejar até a morte”. Ludovina era nagô e por isso, anota, simbolizou a aliança interétnica que caracterizou o movimento, “pois seu amásio seria Lourenço, de nação tapa, também rebelde”, a quem quis seguir, segundo afirmou nos autos. Francisca e Francisco tiveram a pena capital substituída por açoites e degredo perpétuo em Angola, ele no presídio de Benguela, e ela “provavelmente Luanda”. Ambos se beneficiaram de “uma Carta Régia recomendando moderação na ‘efusão de sangue’, e assim o fora porque ele sequer combatera”. Enforcados foram Caio, Vitorino, Antônio e Sebastião, so-

breviventes do levante que efetivamente haviam matado alguém. “O Acórdão reservou um parágrafo para as mulheres rebeldes, que incluía a liberta Francisca, já constando sua nova pena”, conta Reis. “As demais – Ludovina, Felicidade e Tereza – foram condenadas a receber cem chicotadas, com a diferença de que o castigo, ao contrário do dos homens, seria cumprido no interior da cadeia, evitando, por pudor oficial, a exposição pública de seus corpos seminus, mas ainda sujeitas à humilhação e outros abusos que porventura pudessem acontecer, até mais livremente, por detrás das grades”. PERGUNTAS Governador, o conde d’Arcos “condenava a escravidão e execrava seus abusos” e por isso era acusado “de dar mole aos africanos”. Em carta à Corte, ele dá as suas próprias explicações para a revolta: “Negros flagelados, e desesperados por fome em consequência da escassez da Pesca neste ano, por um excesso de trabalho que casualmente lhes recresceu, e pela habitual crueldade do Feitor, que se revoltaram e que convidaram alguns Parentes da Cidade para os ajudar na danada empresa, e mataram o Feitor, e outras pessoas de sua Família, e amizade, e fugiram, e brigaram com quem pretendeu impedir-lhes a fuga, de que resultaram algumas mortes, até que a seis léguas desta Cidade foram mortos, presos, e dispersos”.


O curta-metragem dos estudantes de Lauro de Freitas adota o mesmo ponto de vista antiescravagista: “o sentimento libertário moveu-os de novo contra a opressão da religião e da escravidão”, diz o narrador do filme para explicar a revolta. Mas Reis não fica satisfeito com a visão do iluminista português do século 19: “Descartando que o levante de 1814 tivesse sido tão somente um protesto contra a fome e seu objetivo o justiçamento de um feitor malquisto, seguido de uma fuga desesperada e sem norte, falta-nos o projeto estratégico dos rebeldes” – e pergunta “O que queriam eles?”. “Pelo que fizeram em Salvador e nas propriedades litorâneas, teriam em mente a sublevação de toda a escravaria” e “esse plano os levaria ao Recôncavo, por onde andara Francisco Cidade a pregar a revolta e para onde os rebeldes se dirigiam quando barrados nas margens do Joanes”. Mas, prossegue ele, “digamos que o projeto dos rebeldes tivesse dado certo e da revolta brotasse uma genuína revolução, que o Haiti se fizesse aqui: que tipo de regime político e de sociedade substituiria o mundo então varrido do mapa? Seria uma sociedade sem escravos? Seria um Estado islâmico escravista que imitasse aquele recém-criado no país haussá? Seria um emirado do “extremo ocidente” submetido à autoridade do Califado de Sokoto? Seria um Estado ao estilo haussá pré-jihad, com muçulmanos mais indulgentes no poder, onde, ao lado do Islã, outras formas de fé fossem toleradas, os vários paganismos e catolicismos inclusive, favorecendo uns a abraçarem ou pelo menos respeitarem as crenças dos demais? Ou não seria nada disso? Há mais perguntas que respostas no registro histórico da revolta que acabou em massacre na margem do rio Joanes.

Plateia assiste a primeira apresentação da Paixão de Cristo, em 1999: Tradição

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Paixão de Cristo de Lauro de Freitas comemora 20 edições

encenação da Paixão de Cristo na praça da Matriz de Lauro de Freitas completa este ano 20 edições ininterruptas. Para marcar a data, a produção do espetáculo presenteou o público com cenas memoráveis da vida de Jesus, na Semana Santa. O espetáculo prossegue até os dias 7 8, encenado a partir das 19h. Desde a primeira apresentação, em 28 de março de 1999, o espetáculo teve a participação de mais de duas mil pessoas. Crianças, jovens e idosos da comunidade estiveram presentes como atores, figurantes, bailarinos, cantores, técnicos e produtores. Para esta edição, uma das novidades é a participação do ator Amós Heber, 33 anos, que integrou o elenco da série Os Clandestinos, da Rede Globo. Compõem o elenco principal atores e atrizes da cidade, além de convidados como Cissa Brito (Maria), Luide Prins (Pilatos), Lázaro Machado (Heródes), Julio César Mello (Caifás), Tina Oliveira (Madalena), Gustavo Busson (Judas e João Batista), Alan Nery (demônio), Everton Di Caprio, Felipe Dias, Ramon Silva, Ruan Almeida e Sheila Dias (os fariseus), Elis Moreno, Joelma Luz, Lila Luz e Ruth Marinho (as sacerdotisas), sob a direção artística de Duzinho Nery. Os participantes das oficinas da Cia. Távola de Teatro vão compor o elenco de transição, além de interpretarem os personagens secundários da montagem, enriquecendo ainda a mais a peça. “As nossas oficinas de teatro estão aconte-

cendo há um ano, conduzidas por mim e pelas arte-educadoras Dayane Neves e Ruth Marinho”, conta Nery – “temos mais de cinquenta participantes entre crianças, jovens e adultos e inseri-los na Paixão de Cristo está sendo uma experiência única, muito enriquecedora para todos”. Como todos os anos, os ingressos são trocados por alimentos não perecíveis, no Cine Teatro de Lauro de Freitas, em horário comercial e depois doados a famílias carentes e a instituições de caridade da cidade. A Paixão de Cristo de Lauro de Freitas tem patrocínio da prefeitura de Lauro de Freitas, por meio do Fundo Municipal de Cultura e da Bahiatursa. Mais informações no site www.apaixaodelaurodefreitas.com.br e tel.: (71) 98704-3494.

Vinte anos depois o espetáculo ganhou em escala, cenografia e técnica Abril de 2018 | Vilas Magazine | 27


q TURISMO

Caminho dos Diamantes revela igrejas e casarios coloniais na Estrada Real, em Minas Gerais

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rua de terra de tom avelã desemboca num gramado aparado em cujo centro uma amendoeira bem podada não esconde a vista do paredão cor de chumbo da serra do Espinhaço. À esquerda de quem o mira, está assentada uma pequena igreja de alvenaria branca. Sem se darem conta do cenário que emoldura sua infância, crianças ensaiam o futebol numa manhã ensolarada, um par de chinelos à guisa de trave imaginária. Em harmonia com a natureza do Caminho dos Diamantes da Estrada Real, em Minas Gerais, a capela Nossa Senhora do Rosário, em sua singeleza, é uma espécie de cartão-postal do minúsculo distrito da cidade de Serro conhecido como Milho Verde (dizem que esse nome homenageou o único alimento que os bandeirantes tinham à disposição no local). Rota turística com quatro caminhos que cruzam o Rio, São Paulo e Minas, a estrada surgiu no século 17, quando a coroa portuguesa decidiu oficializar as passagens mineiras para o trânsito de ouro e diamantes até os portos do estado do Rio. No trecho da Estrada Real que segue de Ouro Preto a Diamantina, conhecido como Caminho dos Diamantes, a capelinha, construída de madeira e barro no século 18, revela a beleza erguida pelas mãos humanas, enquanto a cadeia de montanhas simboliza a da natureza, em seu incessante e despercebido lapidar. A menos de 10 km dali está São Gonçalo do Rio das Pedras, também distrito da cidade histórica de Serro, esta famosa pelo seu queijo. A vila de ruas de pedra tem na praça central a Igreja Matriz de São Gonçalo, cuja arquitetura mescla traços do barroco e do rococó. Quem estiver de costas para seu portal poderá avistar um dos mais belos espetáculos da viagem: o sol a submergir por detrás das montanhas. O Caminho dos Diamantes é um mergulho no passado histórico de Minas Gerais: casarões e igrejas seculares convivem com estradas de areia e terra, serras aqui e acolá. O alto dos morros convida os forasteiros ao suspiro diante da beleza da paisagem e, quem sabe, ao anoitecer, diante de um céu pontilhado de estrelas.Nessa aventura que segue o legado do ouro e do diamante, a companhia de pássaros coloridos e vaquinhas malhadas é praticamente dada como certa. À medida que o veículo avança sobre a estrada de terra batida, os passageiros vão sendo envolvidos por cheiros e sabores e pelas cores vivas das janelas, portas e fachadas coloniais. Nas calçadas de pedra, vale se demorar num dedinho a mais de prosa e ouvir os “causos” contados por antigos moradores. Ainda se esbarra aqui e ali em vaqueiros; é gente matuta, atada à terra, um cenário que inspirou o romance “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa (1908-1967),

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Estrada da bucólica, vila de Biribiri Detalhe de igreja em Diamantina (dir.)

mineiro de Cordisburgo, cidade da região. Os 395 km do Caminho dos Diamantes (dos quais mais da metade é de terra) são emoldurados pela serra. O ideal é percorrê-lo sem pressa, em mais ou menos 15 dias, podendo visitar ainda Itabira, com memorial e museu a céu aberto em homenagem ao poeta Carlos Drummond, seu filho mais ilustre. Em Ouro Preto, a cidade histórica dona do mais bem preservado acervo

colonial do país, a imersão no barroco se dá de forma plena na Basílica de Nossa Senhora do Pilar, um dos mais imponentes templos do ciclo do ouro, construído em torno de uma primitiva capela entre 1711 e 1768. Com o Itacolomi dominando o alto da paisagem, seguimos para a vizinha Mariana, a primeira cidade planejada de Minas. Seu centro histórico concilia lado a lado as igrejas de Nossa Senhora do

Carmo e de São Francisco de Assis. Bem perto dali fica Catas Altas, onde a capela de Nossa Senhora do Carmo ou de Santa Quitéria oferece uma impressionante vista da serra do Caraça, nome da cadeia montanhosa cuja grandiosidade atinge picos de mais de 2.000 metros. No Santuário do Caraça, o lobo-guará deixa a mata onde mora para ir comer à noitinha na porta da igreja do centro de peregrinação, impávido diante dos turistas. u Abril de 2018 | Vilas Magazine | 29


q CIDADE TURISMO

A cidade de Ouro Preto foi o inicio da viagem pelo Caminho dos Diamantes. Abaixo, Igreja de Mariana

Depois vem Cocais, assim batizada em razão da quantidade de coqueiros, de onde se pode seguir para Conceição de Mato Dentro. Avançando pelo chão de terra batida, é possível alcançar a maior queda-d’água de Minas Gerais: a cachoeira do Tabuleiro. Também chamada de cachoeira do Coração, ela exibe 273 metros de queda dentro de um parque municipal

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muito bem zelado.Quem quiser emoção vai ter de sacolejar muito e, é claro, sujar o carro. Se a delicadeza do trajeto está nos casarios e nas igrejas coloniais, sua força vem da natureza, que ajuda a moldar a paisagem. Quanto mais se segue rumo ao norte mineiro, mais a vegetação ganha coloração e novos contornos. Até parece que aqueles buritis foram

plantados propositadamente ali, em meio às árvores retorcidas, típicas do cerrado. No rio Jequitinhonha, somos acolhidos por paisagens até mais exuberantes. Praticamente dentro de Diamantina, a graça da bucólica vila de Biribiri está em sentar-se no meio do “quadrado mineiro” – referência ao homônimo baiano de Trancoso –, sentir o cheiro da terra e, sobretudo,


flertar com a sua história. Cercada por vegetação de transição entre o cerrado e a mata de galeria, a reserva guarda rios de leitos de pedras formando cachoeiras, nascentes e cursos d’água, convidativos a um banho fresco. Rumo ao lugarejo de Curralinho, a 9 km do centro histórico de Diamantina, chega-se à Gruta do Salitre, um monumento natural que desponta na paisagem com relevo de rochas quartzíticas em forma de ruínas, revelando cânions, fendas e paredões de até 80 metros de altura. Considerada um dos principais atrativos naturais da região, foi palco de gravações de documentários, filmes e novelas. Logo se percebe: não é conversa fiada. De maior produtora de diamantes do mundo no século 18, Diamantina continua a esbanjar riquezas: sejam as que são vistas na arquitetura, sejam as que afloram em meio às montanhas. Uma viagem pelo passado histórico ou, quiçá, pelas veredas da alma. Texto: Roberto de Oliveira. Fotos: Adriano Vizoni. Folhapress.

A cachoeira do Tabuleiro, também conhecida como cachoeira do Coração, uma das atrações do Caminho dos Diamantes

Capela de Santa Quitéria, em Catas Altas

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q COMPORTAMENTO

Bebidas prontas e vitaminas prometem aliviar a ressaca

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epois de uma noitada daquelas, o desejo de quem exagerou na bebida é colocar o mundo no mudo. Quando isso não é possível, entram as fórmulas que prometem a cura da ressaca e o fim do mal-estar pós-bebedeira – o arsenal acaba de ganhar novos elementos no Brasil, com chás prontos e pílulas. A ressaca é o efeito tóxico da bebida e seus subprodutos no corpo. Não há como definir uma fórmula geral que indique o ponto sem volta da ressaca. Isso varia de acordo com a quantidade de bebida consumida, o espaço de tempo em que isso ocorreu e o organismo de cada pessoa. Cientificamente falando, o limiar de tolerância ao álcool é definido pela enzima álcool desidrogenase (presente no fígado), que metaboliza a substância – mulheres, em geral, têm menos dela. A única maneira à prova de falhas para não ter ressaca é não beber, claro. Mas calma: a ressaca ainda pode ser controlada. Basta consumir, de modo intercalado, álcool e água. E não adianta começar a beber água depois de já estar embriagado. A água

também pode receber uma mãozinha da comida. Raymundo Paraná, vice-presidente da Associação Latino-Americana para o Estudo do Fígado (Aleh), afirma que, com a alimentação, o esvaziamento gástrico é mais lento, aumentando o tempo para a metabolização do álcool no estômago. Alimentos fonte de carboidratos, como pães e massas, são uma boa dica de alimentação adequada pré-bebidas, de acordo com Ana Hordonho, membro da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran). Sucos e frutas também. FÓRMULAS PRONTAS Mas, se você bebeu bastante água, comeu bem e, mesmo assim, sofre de ressaca, algumas ações podem ajudar. Não tomar café para acordar e ficar mais disposto é uma delas. O café pode irritar ainda mais o estômago. Para quem está com náuseas, um pouco de gengibre vem bem a calhar, diz Francisco Tostes, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). Os especialistas ouvidos para essa

VAI NESSA - O que funciona contra a ressaca

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Especialistas dizem, porém, que água e alimentação ainda são mais úteis. Café e azeite estão entre mitos; remédios que são normalmente usados também não têm indicação antirressaca


reportagem, porém, são céticos quanto a pílulas ou bebidas antirressaca. “Tudo besteira”, diz Arnaldo Lichtenstein, médico do Hospital das Clínicas da USP. Um dos produtos recém lançados que prometem combater a ressaca é o Detox Etil, classificado por Lichtenstein como um complexo vitamínico, sem efeito sobre o mal-estar pós-bebedeira. O consumo do composto, contudo, não representa riscos. A assessoria do Detox Etil afirma que o produto age repondo nutrientes degradados pelo álcool. Produtos que hidratam ou que contenham antieméticos e analgésicos, como o Engov, podem aliviar o desconforto. Mas, segundo Paraná,o ácido acetilsalicílico presente no remédio pode piorar a gastrite. As assessorias de Engov (maleato de mepiramina, hidróxido de alumínio. Ácido acetilsalicílico e cafeína) e Epocler (citrato de colina,betaína e racemetionina) afirmam que os produtos não são destinados contra ressaca. O primeiro seria indicado para “alívio dos sintomas de dores de cabeça e alergias”, enquanto o último é para “tratamento de distúrbios metabólicos hepáticos”. Por fim, o melhor é beber com moderação importa mais a quantidade do que a mistura – e consumir água. E preparese: com o envelhecimento perdemos a enzima que metaboliza o álcool. IMAGEM: DEPOSITPHOTOS

Phillippe Watanabe/Folhapress.

SEM EFEITO - O que não evita nem cura a ressaca

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q EMPRESAS & NEGÓCIOS

Conheça os 4 principais tipos de devedores e como cobrá-los Gilberto Bento Jr

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om a paralização econômica que vivemos, muitas empresas se encontram com um grande problema em suas áreas financeiras, que é a alta da inadimplência dos consumidores. Contudo, esse problema leva a um outro, como cobrar corretamente o cliente sem que se ocasione problemas no relacionamento e em futuros negócios? Nesse momento é necessário um pensamento lógico, conhecendo a fundo quem está devendo e traçando uma estratégia para receber esses valores ou até mesmo buscar medidas legais. Por esse motivo, primeiramente, acho relevante detalhar os quatro perfis dos devedores que mais observo no mercado. São eles: n Devedor viciado. Muitas vezes não possui nem mesmo problemas financeiros, porém, seu subconsciente sempre faz com que atrase os pagamentos, seja para se prevenir de imprevistos ou por outros motivos. Contudo, esse pode até pedir para renegociar os juros, mas sempre pagará; n Devedor ocasional. É o consumidor que busca sempre manter as contas em ordem, tendo sempre a intenção pagar, entretanto, por motivo da ocorrência de algum problema, não conseguiu arcar com o compromisso. Geralmente ficam muito irritados quando cobrados, eles não pensam que são devedores e se acham injustiçados, afinal sempre pagaram. Sendo necessário muito cuidado para não desgastar a relação;

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nDevedor negligente. E muito comum, pois representa o consumidor que não possui sua vida financeira organizada, assim, facilmente deixará de pagar suas contas por ter esquecido. Assim, nesse caso o papel do cobrador é o de lembrálo de seus compromissos. Contudo, as negociações tendem a ser mais complexas pois, como nunca se preocupa com suas obrigações, são vítimas constantes de dificuldades financeiras e de eventos

imprevisíveis, nesse caso é necessário estabelecer acordos bem claros com ferramentas para alertar o devedor sobre prazos de pagamentos.

Raymundo Dantas Escritor e palestrante, especializado em Marketing no Varejo, com Mestrado na Espanha. E-mail: raymundo_dantas@uol.com.br

Polivalente: o homem que precisamos

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ntigamente, as empresas de sucesso faziam questão de contratar, para os seus serviços, aqueles empregados que, sendo inteligentes, aprendiam com facilidade todas as funções, ‘quebravam todos os galhos’ e formavam uma categoria de trabalhador que chamávamos de ‘faz-tudo’. Na verdade, não eram peritos em coisa nenhuma, mas conseguiam sempre dar um jeito em qualquer tarefa. Muitos deles cresceram no

trabalho, tornaram-se dirigentes de empresas e, muitas vezes, importantes empresários. Depois vieram os novos tempos da tecnologia e os empresários, eles próprios antigos generalistas, se deram conta de que precisavam de outro tipo de colaborador, aquele que entendesse dessas novas maneiras de trabalhar, que soubesse operar ou consertar aquelas máquinas mais complicadas, que passaram a ser indispensáveis. Começava a era dos especialistas. Com eles os organogramas se com-


nMau pagador. Esse é um grande problema para quem faz a cobrança, pois ele sabe que deve, já tem esse fato como uma constante em sua vida, mas mesmo assim se recusa a pagar, se esquiva do cobrador de todas as formas, inventa desculpas, desaparece, não está preocupado com o seu nome. Esses casos devem ser tratados de forma mais enérgica, com uma cobrança mais intenção e indo até as últimas consequências legais. Lembrando que dificilmente esse será um consumidor interessante, pois, de que adianta vender se terá que realizar uma maratona para receber? Lógico, que esses padrões são variantes, principalmente em tempos de crise, por este motivo existem alguns procedimentos básicos a serem seguidos para facilitarem nas cobranças e minimizar desgastes. Primeiramente, sempre que acontecer o atraso, ligue e mande e-mail no dia seguinte

pedindo “ajuda” para localizar o pagamento que não entrou, peça para o cliente enviar o comprovante para “facilitar” a procura. Se não tiver uma resposta em dois dias, ligue cobrando gentilmente, explicando que precisa receber os valores em aberto, e o quanto são importantes para o dia a dia da empresa, cobre do cliente uma posição efetiva, por exemplo: vou pagar dia tal, e envie e-mail pedindo confirmação por escrito. É interessante enviar informativos reforçando os novos prazos de pagamento. E, caso o pagamento não ocorra, semanalmente se deverá buscar uma definição amigável da situação. Se as ações não surtirem efeitos ou o débito tiver mais de 45 dias, a experiência diz que esse valor deve ser passado para o escritório de advocacia de sua confiança para notificar o devedor para pagamento sob pena de iniciar ação judicial. Muitos devedores só pagam após a

ação de cobrança bater na porta, seja por medo de penhora ou em função do grande aumento da dívida, noto que parte expressiva dos devedores fazem composição de pagamento em audiência. Se não houver composição para pagamento, a busca para recuperação do crédito já está iniciada, e os advogados irão utilizar uma grande quantidade de estratégias de localização de valores e bens para assegurar seu recebimento. Enfim, como se pode observar, para o combate à inadimplência se deve ter uma boa política de cobrança, uma rigorosa avaliação de crédito, e cercar-se de excelentes profissionais para que possibilitem suporte.

plicaram, as empresas se dividiram em inúmeros departamentos, divisões, seções e setores especializados, onde os técnicos cada vez sabiam mais a respeito de menos. O negócio era aprofundar o conhecimento em alguma área ou subárea e ser um especialista. O datilógrafo passou a operador de computador. A Escriturária passou a Secretária, ou Auxiliar Financeira, ou Assistente Administrativo. O Guarda-Livros passou a Técnico Contábil, ou Chefe de Pessoal, ou Encarregado de Encargos, ou Auxiliar Tributário. Até o médico da família passou a ser apenas especialista em estômago, ou em nariz, ou em pulmão, ou em dedo, ou em unha do dedão do pé. Todo mundo se especializou e passou a valer mais no mercado. E as folhas de pagamento foram para as alturas! O custo operacional subiu junto com elas. E o resultado, nem sempre correspondeu. Cada setor virou uma empresa diferente, com ritos, filosofia, ritmos e autonomia própria. E começou a guerrinha interna

entre os setores, atrapalhando o conjunto final da empresa. Era como time de futebol, que só tem estrelas: dificilmente consegue ser um time, ter conjunto. Esse tempo felizmente passou. Agora não há mais lugar para estrelas em empresa alguma que deseje sucesso. Agora vale o time, a união de esforços em torno de objetivos comuns, o conjunto. E mais: agora o bom jogador é o que atua em várias posições. O bom profissional é o polivalente. Voltamos então ao tempo dos generalistas quebradores de galho? Claro que não. Agora precisamos de multi-especialistas, profissionais que são bons em muitas áreas, especialistas que entendem de muitas especialidades e não perdem a visão de conjunto. Vantagens para a empresa: facilidade de substituições, maior compreensão de um setor em relação aos problemas dos outros, maior solidariedade na produção, maior compreensão da empresa como sistema integrado, maior entendimento

dos objetivos finais de cada organização, maior espírito de equipe, maior sentido de time, maior produtividade, melhores resultados, menores custos, maiores lucros. Vantagem para o profissional: maior competência geral, maior variedade de funções a desempenhar, maior empregabilidade, melhor colocação no mercado, maiores oportunidades de crescimento dentro e fora de sua empresa, maiores possibilidades de conhecer o negócio como um todo e, portanto, de vir a se tornar também um empresário de sucesso, e finalmente, melhores salários, graças às maiores competências desenvolvidas. Vantagem para o cliente: produtos e serviços de melhor qualidade, atendimento mais rápido, mais eficaz, preços mais baixos. Gente mais feliz a atendê-lo, maior satisfação no geral. Se é bom para todo mundo, vamos então começar já!

Gilberto Bento Jr é advogado, contabilista, empresário, com experiência em gestão com estratégias empresariais.

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q VIVER BEM

Vertigem pode ser o sintoma de alguma doença mais grave

S

intoma muito comum na população, a vertigem geralmente é associada a uma tontura momentânea. Mas, segundo os médicos, ela é o sinal de que a pessoa pode estar sofrendo de algum outro tipo de problema, que merece uma atenção maior. “A vertigem é um sintoma. Ela se caracteriza por uma tontura rotatória, como se os objetos estivessem girando ao redor da pessoa. É também um sintoma da labirintite”,

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diz Fausto Nakandakari, especialista em otorrinolaringologia pela Associação Médica Brasileira. São três as causas mais frequentes da vertigem: a VPPB (vertigem posicional paroxística benigna), quando partículas de cálcio se acumulam no labirinto; a doença de Meniere, uma pressão e zumbido no ouvido; e a labirintite, que ocorre quando o labirinto, a região interna do ouvido ligada à audição e ao equilíbrio,

fica inflamado (isso ocorre devido a um desequilíbrio nas células nervosas que informam a posição da cabeça em relação ao corpo). Também existem ligações de vertigem com lesões na cabeça ou pescoço, causadas por traumas, ou até tumores. “Tem casos que são incapacitantes, a pessoa não consegue nem levantar. Até deitado na cama tem a sensação de ver tudo rodando”, explica Nakandakari. Normalmente, o problema afeta as pessoas mais velhas. Mas, se for constante, é o aviso de que algo maior pode estar ocorrendo. “Quando a vertigem é constante, vem com dores de cabeça, sugere que possa estar ocorrendo algo


mais grave, como uma doença no cerebelo, um sangramento, por exemplo”, alerta o neurologista Fabio Porto, do Hospital das Clínicas, de São Paulo. “Por isso é importante que, quando a pessoa tem vertigem pela primeira vez, tem que procurar um médico”, completa.

Inflamação e tumor podem causar o mal. Em casos graves, pessoa não consegue nem se levantar

REMÉDIO NÃO TRATA A CAUSA DO PROBLEMA Pelo fato de a vertigem ser um sintoma, o correto é que seja tratada a causa dela. Alguns remédios minimizam os problemas de vertigem, mas não os eliminam. “O ideal é tratar a doença em si. Quando se usam remédios para a vertigem, na verdade faz-se uma redução da função do labirinto. São remédios sintomáticos, não tratam a causa do problema”, afirma o médico Fabio Porto. Emerson Vicente / Folhapress.

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q VIVER BEM

Refluxo é normal em bebês, mas merece atenção em adultos Entrada de suco gástrico no pulmão é perigosa, podendo causar uma infecção grave no organismo

A

quela sensação amarga na boca, como se fosse expelir o alimento, que chega após uma espécie de

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soluço, é o chamado refluxo gastroesofágico. Isso ocorre quando o ácido do estômago retorna para o esôfago em

direção à boca. Em recém-nascidos, isso é normal, segundo os médicos ouvidos pela reportagem. “O bebê ainda está em formação, então, a válvula que existe na entrada do estômago, que impede a volta do alimento, ainda é frágil. Pode demorar até um ano meio para se formar”, diz a pediatra Cylmara Gargalak Aziz. Uma das preocupações, segundo a médica, é o engasgamento. “A mãe deve


tomar alguns cuidados ao amamentar para evitar que o refluxo faça a criança engasgar. O correto é o bebê ficar sentado a 45 graus”, diz. No caso de adultos, o problema chama a atenção. O suco gástrico pode alcançar órgãos do sistema respiratório e gerar graves problemas. “O organismo não está preparado para sofrer com o suco gástrico”, diz Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Existe o risco de engasgar e causar uma pneumonia aspirativa, o que é grave”, completa. Essa pneumonia é uma infecção do pulmão causada pela entrada de líquidos contaminados pelo estômago ou pela boca. Tem que ser tratada imediatamente. O refluxo é mais propenso em idosos. A musculatura do diafragma, que separa o tórax do abdome, vai enfraquecendo, não fechando a válvula como deveria, o que libera a entrada do ácido. “Pessoas obesas também são mais

propensas por causa da pressão no abdome. No tratamento, um dos pontos é fazer o paciente perder essa gordura abdominal”, diz Maria Fernanda. DEITAR APÓS AS REFEIÇÕES PIORA SINTOMA Um hábito bastante comum é apontado como o estopim para o refluxo. Deitar logo após a refeição aumenta bastante o risco de a pessoa sofrer com a acidez. “Se a pessoa se alimenta mal e deita em seguida, pode acontecer o refluxo. Por isso, aconselhamos, principalmente os idosos, a se alimentarem duas horas antes de deitar”, explica a endocrinologista Maria Fernanda Barca. Emerson Vicente / Folhapress.

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q MODA & BELEZA

Sutiã na medida Saiba qual é o modelo que combina melhor com seu tipo de corpo e quais são o sindica dos para o dia a dia, a prática de esportes e abalada

U

ma apresentação em novembro passado, da cantora Anitta, se tornou uma das mais comentadas do Prêmio Multishow. O motivo, no entanto, não teve nada a ver coma coreografia nem a afinação da artista, que estavam ótimas. Nem tam pouco com o fato de ela ter recebido o prêmio de melhor cantora. O que gerou bafafá foi o figurino da artista: ela usava um sutiã que deixou seus seios escaparem, aparecendo os mamilos. “Parecia um sutiã de tecido bem leve e sem costura. O que provavelmente ocorreu foi que ela errou na numeração e usou um sutiã pequeno para os seus

Tirar ou não?

C

ostume entre as mulheres brasileiras, a prática de tirar a cutícula para deixar a unha mais bonita não é recomendada pelos dermatologistas. Segundo eles, o hábito deixa a mão mais suscetível a inflamações e infecções. “A cutícula é uma camada protetora, uma extensão da pele que cobre a parte inicial da unha. Quando você tira, deixa a unha exposta à entrada de água e microrganismos”, explica a dermatologista Gladys Mattei. Ela acrescenta que a cutícula protege a matriz da unha.“É a fábrica da

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A cantora Anitta, durante show das Poderosinhas, no Citbank Hall em SP seios”, avalia Paola Sanguin, professora do núcleo de criação da escola de moda Sigbol Fashion, após ver o vídeo do show. Segundo ela, Anitta não teria tido esse problema caso tivesse escolhido um sutiã do tipo top, sem bojo, indicado para quem tem seios maiores. Diretora de estilo da marca Hope, Gaita Mello acrescenta: “O sutiã correto

é aquele que proporciona um visual sensual e confortável. É importante procurar o tamanho adequado. O sutiã deve fazer com que você se sinta confortável, sem limitar seus movimentos”. Ela diz que seios grandes exigem sutiãs estruturados, com laterais e alças mais largas. Já para quem tem seios pequenos, os com bojo são ideais.

unha. De tanto você cutucar, tirar, machucar, pode provocar inflamações e deformações futuras.” O dermatologista Caio Lamunier destaca que o organismo vê a retirada da cutícula como uma agressão. “E, a partir disso, vai produzir mais pele.” Para quem deseja parar como hábito, a indicação dos médicos é hidratar a região e, no máximo, empurrar a cutícula com uma espátula. A engenheira Juliana Stocco (foto) nunca tirou a pele protetora.“Tenho muita aflição. Retiro, raramente, só os cantinhos.” Foi pensando em mulheres como Juliana que a empresária Luzia Costa desenvolveu um método de fazer a unha que, segundo ela, promete ser mais saudável e seguro. “É usada uma broca, semelhante à dos dentistas, que só empurra e desenha a cutícula na unha, sem atingir a matriz. Karina Matias / Folhapress.


MARCUS LEONI 12.10.17 / FOLHAPRESS

Tendo errado ou não no modelo para o Prêmio Multishow, no dia seguinte Anitta postou no Instagram que “rolou mais do que mamilos no Prêmio Multishow 2017”, dizendo que é difícil ser uma artista “‘pegadora’ e plastificada assumida num país ‘conservador’.” Marcos de Castro / Folhapress. ROBSON VENTURA / FOLHAPRESS

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GUIA DO IR 2018

são paulo

Sacou o FGTS inativo no ano passado? Veja o que fazer na página B4

Saiba declarar o IR sem cair na malha fina ■

Os contribuintes obrigados a declarar o Imposto de Renda não devem atrasar a entrega

O prazo termina às 23h59 do dia 30 de abril, e quem não cumpri-lo pagará multa mínima de R$ 165,74

quem deve prestar contas ao leão neste ano É obrigado a entregar a declaração o contribuinte que, ao fim de 2017, se enquadrou em pelo menos uma das situações a seguir:

Teve rendimentos tributáveis superiores a R$ 28.559,70

Tinha, em 31 de dezembro de 2017, bens e direitos com valor superior a R$ 300 mil

O equivalente a uma renda mensal de R$ 2.379,98

Deve ser levado em conta o valor de compra do bem. Entram no cálculo:

É rendimento tributável Salário ■ Aposentadoria ■ Pensão por morte

ESPECIAL - GUIA DO IMPOSTO DE RENDA 2018

Pensão alimentícia ■ Aluguéis recebidos ■

Casa Apartamento ■ Terreno ■ Carro ■ ■

Recebeu mais de R$ 40 mil em rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte É rendimento isento ou não tributável: FGTS Seguro-desemprego ■ Aposentadorias e pensões recebidas por doentes graves ■ Parcela isenta de pensões e aposentadorias recebidas por pessoas a partir de 65 anos ■ Cota e abono do PIS ■ Rendimento da poupança ■ Abono das férias ■ Indenização recebida por PDV (Programa de Demissão Voluntária) ■ ■

Moto Consórcio não contemplado ■ Saldo da poupança e outras aplicações financeiras ■

m Falta as i 36 d

Teve ganho de capital, ou seja, teve lucro na venda de bens ou direitos sujeito ao Imposto de Renda

É rendimento tributado exclusivamente na fonte: 13º salário ■ PLR (Participação nos Lucros e Resultados) ■ Prêmios de loterias ■ Rendimento de aplicações financeiras

Vendeu ou comprou ações na Bolsa de Valores

Passou a morar no país em 2017 e ainda vivia aqui em 31 de dezembro

Optou pela isenção do IR sobre o ganho de capital recebido na venda de imóvel residencial ao usar toda a grana para comprar outro em até 180 dias após a assinatura do contrato

Obteve receita bruta superior a R$ 142.798,50 proveniente de atividade rural

como preencher e enviar a declaração A declaração é preenchida e enviada pelo programa da Receita Federal, disponível no site do órgão

Também é possível enviar pelo aplicativo no celular ou no tablet

Aplicativo no celular

Veja como instalar o programa

1 2

Entre no site receita.fazenda.gov.br

Clique no banner no centro da página que diz “IRPF 2018” e, depois, em “Download do Programa”

3

Escolha a opção adequada para seu computador; em seguida, vá em “Programa IRPF 2018”

4

Clique no arquivo que foi baixado e uma janela será aberta; selecione “Executar” para iniciar a instalação

5

O programa irá indicar os próximos passos e será instalado no computador

6

Ao abrir o programa, é possível escolher entre:

Criar nova declaração sem importar Será necessário informar o CPF para começar

■ O aplicativo “Meu Imposto de Renda” pode ser baixado gratuitamente ■ O preenchimento e o envio da declaração podem ser feitos totalmente no celular ou tablet ■ Será preciso criar uma senha

Importar os dados da declaração passada Para isso, os arquivos do programa de 2017 ainda precisam estar salvos no mesmo computador

confira as novidades Telas mais preenchidas As telas mais usadas no ano passado aparecerão em destaque, em um painel, logo no início

CPF dos dependentes A Receita passa a exigir o CPF dos dependentes a partir de oito anos de idade, completados até 31 de dezembro de 2017 ■ No ano que vem, todos os dependentes terão que apresentar CPF ■

Para quem tem imposto a pagar O programa permitirá a impressão da Darf (guia de arrecadação) para o pagamento de todas as parcelas do imposto, inclusive as que estiverem em atraso

Declaração de bens A ficha pedirá mais informações sobre os bens do contribuinte, como o número da matrícula do imóvel, o Renavam do carro e o CNPJ do banco onde se tem conta

Tabela de desconto anual ■ As tabelas de descontos mensais e anuais do Imposto de Renda seguem sem atualização ■ Confira abaixo a que deve ser utilizada para descobrir se a renda anual obriga a entregar o IR

Rendimento

Alíquota

Parcela a deduzir

Até R$ 22.847,76

isento

isento

De R$ 22.847,77 até R$ 33.919,80

7,5%

R$ 1.713,58

De R$ 33.919,81 até R$ 45.012,60

15%

R$ 4.257,57

De R$ 45.012,61 até R$ 55.976,16

22,5%

R$ 7.633,51

Acima de R$ 55.976,16

27,5%

R$ 10.432,32

Fontes: Joaquim Adir, supervisor nacional do Imposto de Renda e Receita Federal

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B2

Guia do IR 2018

Domingo, 25 de março de 2018

Trabalhador deve detalhar salário, 13º e outras verbas ■

Os trabalhadores com carteira assinada e os profissionais autônomos estão entre os que podem ter que declarar o IR

Se esse for o caso, é preciso informar toda a renda; nada pode ser deixado de lado para não cair na malha fina

para o empregado com carteira assinada A empresa deve entregar o informe de rendimentos com todos os dados necessários para preencher a declaração

Na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ” inclua: CNPJ e nome da fonte pagadora ■ Valor total da renda salarial recebida no ano ■ Imposto de Renda recolhido pela fonte pagadora ■ Soma das contribuições feitas ao INSS ■ 13º salário e imposto sobre ele

Na ficha “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/ Definitiva”

ESPECIAL - GUIA DO IMPOSTO DE RENDA 2018

Na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” ■ Aqui, no código “26 - Outros”, entra a grana recebida pela venda dos dez dias de férias ■ No informe de rendimentos da firma, esses valores estão identificados como “abono pecuniário”

■ Inclua a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), na linha 11 No informe da empresa, o 13º aparece como sujeito à tributação exclusiva, mas ele entra na ficha de PJ

Na ficha “Pagamentos Efetuados”

Atenção aos números

■ Declare as contribuições feitas à previdência privada tipo PGBL, no código 36 ■ O servidor público que tem o desconto no salário referente à previdência complementar deve incluir o valor na linha 37 ■ A grana descontada no salário para pagamento do plano de saúde, quando a empresa paga uma parte e o trabalhador, outra, entra no código 26 ■ Quem paga pensão alimentícia e tem o desconto no holerite declara nas linhas 30, 31, 33 ou 34

Siga os valores que estão no informe de rendimentos da empresa ■ Se houver alguma diferença, a declaração pode cair na malha fina ■ Caso encontre alguma divergência, entre em contato com o RH da empresa ■

Fique ligado Quem recebe pensão alimentícia declara os valores em “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior”

para os autônomos e empreendedores individuais Esses trabalhadores precisam guardar todos os recibos e as notas fiscais dos pagamentos recebidos pelos serviços prestados para pessoas físicas e jurídicas

CarnêLeão

Médicos e advogados

Se a renda passou de R$ 1.903,98 por mês, o trabalhador deve ter recolhido o IR ao longo do ano por meio do Carnê-Leão ■ Nesse caso, os dados dos valores recebidos de pessoas físicas podem ser importados para a declaração ■ Essas informações entram na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior”, na aba “Outras Informações”

veja um exemplo

Esses profissionais terão que detalhar, mês a mês, o valor recebido de cada cliente, informando o CPF de todos

O MEI que presta serviços faturou R$ 50 mil ■ Desse total, R$ 16 mil podem ser declarados como rendimentos não tributáveis ■ Se gastou R$ 10 mil com as despesas para trabalhar, pode abater esse valor ■ O rendimento tributável final será de R$ 24 mil ■ Ou seja, esse empreendedor não está obrigado a entregar a declaração do IR das pessoas físicas ■ Isso só vale se ele não tiver outros rendimentos ou não se enquadrar em nenhuma das outras regras que obrigam a declarar ■

MEI (Microeempreendedor Individual) O MEI pode abater parte do seu lucro e reduzir o rendimento tributável e o IR que paga ao fisco ■ Quem presta serviços, por exemplo, pode declarar 32% do faturamento como rendimento isento ■ Também é possível abater dessa renda as despesas para trabalhar que puderem ser comprovadas, como aluguel, energia e água ■

Atenção O MEI precisa fazer a declaração ao Simples Nacional independentemente do faturamento que teve no ano passado ■ O prazo para entregar esse documento vai até 31 de maio ■

previdência privada Os informes para declarar a previdência devem ser pedidos às instituições financeiras

VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre)

■ ■

PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre)

Essa grana entra na ficha “Bens e Direitos”, na linha 97 Nos campos “Situação em 31/12/2016” e “Situação em 31/12/2017”, informe apenas o valor dos depósitos, sem incluir os rendimentos

Os valores entram em “Pagamentos Efetuados”, no código 36 As contribuições pagas nesse tipo de plano podem ser deduzidas do IR

onde incluir a grana da demissão O trabalhador demitido pode ser obrigado a entregar a declaração se:

Como declarar

Ao somar os salários recebidos no ano passado, ganhou mais de R$ 28.559,70

Siga o informe de rendimentos fornecido pela empresa

Na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ” A empresa detalha, em seu informe, as verbas que precisam ser declaradas nesta ficha ■ No informe, essa grana aparecerá como “Total de rendimentos (inclusive férias)”

Também será preciso declarar, na mesma ficha, os seguintes valores: ■ Contribuição previdenciária ■ Imposto de Renda retido na fonte ■ 13º salário ■ Imposto descontado sobre o 13º

Exemplos de verbas que a empresa incluiu nessa soma: ■ Salários ■ Horas extras ■ Férias tiradas antes da demissão ■ Aviso-prévio trabalhado Fique ligado Se vendeu férias, o valor aparecerá como “abono pecuniário” e deve ser declarado em “Rendimentos Isentos”

Na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” Vá até o campo “4 Indenizações por rescisão de contrato de trabalho, inclusive a título de PDV, e por acidente de trabalho; e FGTS” ■ Será preciso detalhar o CNPJ da empresa e o valor pago. Ele já estará calculado no informe da empresa ■

Exemplos de verbas que foram consideradas pelo patrão: ■ PDV ■ Aviso-prévio indenizado

Recebeu mais de R$ 40 mil somando a grana do FGTS, a multa e o seguro-desemprego

Outras verbas FGTS ■ O saldo e a multa do FGTS também devem ser declarados na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, no campo 4 ■ Nesse caso, a fonte pagadora é a Caixa Econômica Federal, que deve fornecer o informe ■ O CNPJ é 00.360.305/0001-04

Seguro-desemprego Também vai na ficha de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, no código “26- Outros” ■ A fonte pagadora é o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) ■ O CNPJ é 07.526.983/0001-43 ■

Nos dois casos, a Caixa fornece o informe

Valores detalhados Peça o informe de rendimentos para a empresa onde trabalhava

Novo emprego Se trocou de emprego ao longo do ano passado, terá que declarar os rendimentos recebidos das duas empresas separadamente, conforme os informes fornecidos Fontes: Receita Federal, Caixa Econômica Federal, FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) e Edilson Junior, presidente da CF Contabilidade

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Guia do IR 2018

Domingo, 25 de março de 2018

B3

Aposentado precisa informar benefício e outras rendas ■

O aposentado que trabalha, recebe pensão, tem renda da previdência privada ou está com mais de 65 anos precisa prestar muita atenção ao declarar o IR

Esquecer de informar qualquer um dos rendimentos que recebe leva à malha fina

A partir dos 65 anos, há uma parcela isenta da aposentadoria que reduz o IR e deve ser declarada corretamente

informe de rendimentos do inss Neste ano, o documento pode ser obtido no site meu.inss.gov.br Selecione a opção “Extrato de Imposto de Renda (IR)” e vá em “Fazer login” ■ Quem já está cadastrado deve informar CPF e senha ■

Se não tem cadastro, o informe pode ser consultado em extratoir.inss.gov.br, com número do benefício, data de nascimento, nome e CPF

O extrato do IR também pode ser solicitado pessoalmente Nas agências do INSS, esse atendimento só vai até as 13h

veja como declarar

ESPECIAL - GUIA DO IMPOSTO DE RENDA 2018

Aposentados com até 64 anos A grana da aposentadoria deve ser informada na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ”

Será preciso informar:

Fonte pagadora

■ O valor que aparece na linha “Total de Rendimentos”, na tabela 3 do extrato de rendimentos do INSS ■ O IR retido na fonte, que aparece na linha 5 da mesma tabela ■ O valor do 13º e o imposto retido, que estão na tabela 5 do extrato do INSS

■ Quem paga aposentadorias, pensões e auxílios do INSS é o Fundo do Regime Geral de Previdência Social ■ O número do CNPJ é 16.727.230/0001-97

Aposentados a partir dos 65 anos ■ ■ ■

A partir do mês de aniversário de 65 anos, o aposentado passa a pagar menos Imposto de Renda No ano passado, até R$ 24.751,74 pagos pelo INSS ficaram livres da cobrança do IR Os valores tributáveis e a parcela de isenção são declarados em duas fichas diferentes

Verba isenta Deve ser informada na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” Declare ■ O valor que aparece na linha 1 da tabela 4, do demonstrativo do INSS ■ Para inserir a informação no programa do IR, clique em “Novo” e selecione o código 10

Valores que pagam IR Devem ser informados na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ” Declare ■ O valor que ultrapassar os R$ 24.751,74, que aparece na linha 1 da tabela 3 do comprovante do INSS ■ O IR retido na fonte ■ O valor do 13º e o imposto retido, da tabela 5 do informe

Isenção só vale até o limite ■ O aposentado com mais de 65 anos que recebe pensão ou outra aposentadoria só tem direito à parcela isenta sobre um dos benefícios até o limite de R$ 24.751,74 ■ Caso continue trabalhando, não tem direito a uma alíquota menor sobre o salário ■ Se recebeu a isenção em algum outro rendimento ao longo do ano, pode ter que pagar IR ao fazer a declaração anual

Aposentado por invalidez ou doente grave ■

Nesses casos, a isenção do IR é total, ou seja, não há cobrança de imposto sobre os valores recebidos

Quem ganhou menos de R$ 40 mil de verba isenta não é obrigado a fazer a declaração

Se for obrigado a declarar por outros motivos, a renda recebida do INSS tem que ser informada

Essa grana entra na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, na linha 11

Para quem tem mais de uma fonte de renda Aposentado que trabalha ■ Terá que declarar o benefício do INSS e o salário separadamente ■ O salário vai na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ”, se tiver sido paga por empresa ■ Se prestou serviços para pessoas físicas, declare em “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior”

Fundo de Garantia ■ O aposentado que continuou trabalhando na mesma empresa pode sacar o FGTS todo mês ■ Some tudo o que retirou do fundo ao longo do ano e declare o valor em “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” ■ Clique em “Novo” e, depois, escolha a opção 4, em “Tipo de Rendimento”

Imóvel alugado ■ O aposentado que aluga imóvel não pode se esquecer de declarar essa grana ■ Se o aluguel é para pessoa física, declare em “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior” ■ Caso o imóvel esteja alugado para uma empresa, informe a grana em “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ”

Imobiliária ■ Quem aluga por imobiliária tem o direito de descontar a comissão paga na hora de declarar o IR ■ Informe apenas o aluguel que, de fato, recebe Aluguel recebido ao longo do ano passado ■ Se recebeu um aluguel superior a R$ 1.903,98 por mês no ano passado, é preciso ter feito o recolhimento mensal do IR por meio do Carnê-Leão ■ Nesse caso, é possível importar os dados automaticamente do Carnê-Leão para a declaração

Previdência privada recebida ■ O aposentado que recebe o benefício da previdência privada deve solicitar o informe ao banco ou à corretora ■ A forma de declarar varia conforme o tipo de tributação do plano de previdência

Tributação progressiva ■ Os valores vão em “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ” ■ É preciso declarar o valor total e o imposto que foi descontado em 2017 Tributação regressiva ■ A grana entra em “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/ Definitiva” ■ É necessário informar o valor recebido, já com o desconto do IR

Pensão ou segunda aposentadoria ■ Caso também receba uma pensão por morte ou aposentadoria de outro órgão, declare o primeiro benefício e, depois, clique em “Novo” para incluir os outros valores ■ A pensão é rendimento tributável e entra na mesma ficha da aposentadoria do INSS ou de regime próprio ■ Se o beneficiário tem mais de 65 anos, a parcela isenta só valerá para uma das rendas até o limite

Não esqueça O aposentado também deve informar o imóvel, o carro, a conta-corrente, a poupança e as dívidas acima de R$ 5.000, como o empréstimo consignado, por exemplo

Fontes: INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Receita Federal e IOB Sage Brasil

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Guia do IR 2018

B4

Domingo, 25 de março de 2018

Atrasados do INSS e FGTS inativo entram na declaração ■

Quem recebeu atrasados do INSS no ano passado tem que declarar esses valores Fique ligado

A fonte pagadora dos atrasados muda se a grana foi paga diretamente pelo INSS ou se foi necessário ir à Justiça

A grana vai na ficha “Rendimentos Recebidos Acumuladamente”

Será preciso declarar:

Atenção!

■ Imposto retido na fonte, se houver Mês em que recebeu a grana ■ Escolha a opção “Exclusiva na Fonte”

Não se esqueça de informar o número de meses a que a grana se refere

revisão ou concessão de benefício direto no inss Quando o segurado ou aposentado consegue garantir a concessão ou a revisão do benefício no posto, sem ir à Justiça, o pagamento é feito pelo INSS ■ Para declarar os valores, é preciso ter o informe de rendimentos do INSS; veja como obter o documento na página B3 ■ Os detalhes desse pagamento aparecem no campo 6 ■ Nesse campo estão o número do processo administrativo, a quantidade de meses a que o pagamento se refere, o total recebido e o imposto descontado, se for o caso

ESPECIAL - GUIA DO IMPOSTO DE RENDA 2018

Fonte pagadora Nesse caso, é o Fundo do Regime Geral de Previdência Social O CNPJ a ser informado é o 16.727.230/0001-97

Atenção ■ Atrasados de aposentadorias por invalidez ou auxílios-doença não têm cobrança de IR ■ Eles devem ser declarados em “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, no código 11

atrasados pagos na justiça

grana da ação trabalhista

honorários do advogado

A informação deve ser declarada conforme o tipo de rendimento que foi pago pelo ex-patrão após a ação na Justiça

Quem entra na Justiça recebe os atrasados por meio de RPV (Requisição de Pequeno Valor) ou como precatório ■ As RPVs são atrasados de até 60 salários mínimos (R$ 56.220 no ano passado) ■ O aposentado precisa guardar o recibo ou pedir o documento com os valores detalhados para o seu advogado ■ O comprovante vai informar o número de meses a que a grana se refere, o valor recebido e o banco responsável pelo pagamento

As fontes pagadoras serão: Caixa Econômica Federal CNPJ: 00.360.305/0001-04 ou ■ Banco do Brasil CNPJ: 00.000.000/0001-91 ■

As diferenças salariais, as horas extras e os adicionais são tributáveis e entram na ficha “Rendimentos Recebidos Acumuladamente”

Antes de declarar, desconte o valor pago ao advogado Informe a grana dos honorários na ficha “Pagamentos Efetuados”, nas linhas 60, 61 ou 62 ■ Essa regra vale para aposentados ou trabalhadores que ganharam ações na Justiça ■

O FGTS é renda isenta e entra na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, na linha 4

pagamentos feito a servidores ■

Precatórios e OPVs (Obrigações de Pequeno Valor) pagos pela Justiça Estadual para servidores também são declarados em “Rendimentos Recebidos Acumuladamente”

contas inativas do fgts No ano passado, o governo liberou a grana das contas inativas do FGTS ■ Os trabalhadores puderam sacar o Fundo de Garantia de empregos dos quais pediram demissão ou foram demitidos por justa causa até 31 de dezembro de 2015 ■ Essa grana deve ser incluída na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” ■ Clique em “Novo” e selecione a linha 4 em “Tipo de Rendimento” ■ Inclua o valor de cada saque ou some todas as contas ■ A fonte pagadora é a Caixa Econômica Federal e o CNPJ é o 00.360.305/0001-04 ■

Não lembra quanto sacou? ■ Quem é correntista ou tem poupança na Caixa pode checar o extrato do mês em que a grana foi depositada para verificar os valores exatos ■ Outra forma de obter o comprovante de saques é ir até uma agência da Caixa ■ A consulta também pode ser feita pela internet

Como fazer a consulta na internet Acesse servicossociais.caixa.gov.br Para fazer login, será preciso cadastrar NIS ou CPF e uma senha ■ Depois de entrar no sistema, clique em “FGTS” e em “Extrato Completo” ■ O extrato de cada uma das contas vinculadas do FGTS vai aparecer na tela ■ Verifique, no mês em que a grana foi liberada, os valores indicados como “SAQUE DEP” e “SAQUE JAM” ■ Some esses dois valores, anote e faça o mesmo no próximo extrato se também sacou a grana de outros ex-empregos ■ ■

Outras verbas isentas ■ Quem sacou o abono ou a cota do PIS/Pasep também deve declarar a grana na ficha “Rendimentos Isentos”, na linha 26 ■ A fonte pagadora do abono é o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). O CNPJ é o 07.526.983/0001-43 ■ Quem paga a cota do PIS é a Caixa ■ Quem pagou Pasep é o Banco do Brasil Fontes: Receita Federal, INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e reportagem

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Guia do IR 2018

Domingo, 25 de março de 2018

B5

Receita pede mais informações sobre os bens ■

Casa, carro, apartamento, poupança e investimentos, entre outros, vão na ficha “Bens e Direitos”

A Receita quer mais informações sobre eles, mas elas ainda não são obrigatórias; em 2019, erros poderão levar à malha fina

o que será preciso informar Para casa, apartamento e outros imóveis

1

Inscrição Municipal (IPTU)

4

■ É encontrada no carnê do IPTU que a prefeitura envia no início do ano ■ No IPTU da cidade de São Paulo, o número é chamado de “Cadastro do Imóvel”

2

ESPECIAL - GUIA DO IMPOSTO DE RENDA 2018

É a data oficial da compra ■ Ela está no contrato de compra e venda ou na escritura

3

1

2

3

Discriminação

Mesmo com as novas informações pedidas pelo programa, o contribuinte ainda deve fazer uma pequena descrição do bem

5

Área total do imóvel

6

Registrado no Cartório de Registro de Imóveis?

■ É preciso declarar o tamanho exato ■ Consulte a escritura ou o contrato de compra e venda ■ Escolha m2 para imóveis na cidade

Data de aquisição ■

Endereço ■ Deve ser informado o endereço completo, incluindo o CEP

Opção "Sim” ■ Responda “Sim” se a compra do bem foi registrada no Cartório de Registro de Imóveis

4

Depois, informe a matrícula e o nome do cartório

Matrícula ■ O número da matrícula é fornecido quando o registro é oficializado nesse cartório; ele está na escritura

veja um exemplo Casa ou apartamento financiado

exemplo:

Imóvel n.º __ localizado na rua___________________, n.º___, bairro ______, na cidade de _________, com área total de _____m2 . O imóvel foi adquirido da ____________________ (nome da empresa ou do antigo proprietário), CNPJ ou CPF____________, em ______ (mês e ano da compra), no valor de R$ ______. A forma de pagamento foi: entrada de R$ ______ e o restante foi financiado pelo banco _________ em ___ prestações.

5

Uma casa na Penha (zona leste) está registrada no 12º Oficial de Registro de Imóveis da Comarca de São Paulo - SP

6

Opção “Não” ■ Só será escolhida se a compra foi oficializada no cartório comum, de títulos e documentos

Carro, moto e outros veículos ■

■ ■

Moto comprada à vista Moto __________ (marca, modelo e ano), comprada à vista em ____ (mês e ano) no valor total de R$______, da concessionária ______, CNPJ ___________. (Se foi comprada de pessoa física, informe nome e CPF)

Cada um desses bens deve ser informado em um código diferente Para a poupança, por exemplo, escolha o código 41

Novidade

o que escrever na descrição Carro financiado

Nesse caso, informe em qual cartório a transação foi realizada e coloque o número do registro

Grana da poupança, conta-corrente, consórcios e outros investimentos

Esses bens são declarados no código 21 Neste ano, a ficha passa a pedir o número do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) ■ O número está no CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo), que é o documento do carro ■

Carro __________ (marca, motor e modelo) adquirido em _______ (mês e ano). Foi dada entrada de R$ ____. O valor total do bem é de R$_____dos quais R$ _______ foram financiados, por meio de _____________ (linha de financiamento e o banco) em um prazo de ______ meses.

Previdência

■ A Receita pede o CNPJ da instituição financeira ou do banco onde a grana está ■ Ao informar a conta-corrente ou a poupança, o programa também vai pedir o número da agência e da conta

No caso de previdência privada, apenas a do tipo VGBL entra nessa ficha, no código 97 ■

Caderneta ■ Na ficha “Bens e Direitos”, deve ser informado o saldo total da poupança ■ O rendimento da caderneta entra na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, no código 12

declare os valores corretos Todos os bens devem ser declarados por seu valor de compra ■

No caso dos imóveis, é preciso prestar muita atenção a essa regra

Para casa e carro comprados em 2017 e que ainda estão financiados Deixe em branco o campo “Situação em 31/12/2016” ■ Some todos os valores pagos no ano passado, incluindo entrada e FGTS, no caso dos imóveis ■ Informe esse valor em “Situação em 31/12/2017”

Em “Situação em 31/12/2016”, repita o que informou na declaração do ano passado ■ Depois, some esse valor com o que pagou em 2017 e informe o total em “Situação em 31/12/2017” ■ Se o bem já estava quitado, apenas repita, neste campo, o valor declarado no ano passado ■

não se esqueça de declarar os empréstimos

As dívidas de mais de R$ 5.000 devem ser informadas à Receita Federal na ficha “Dívidas e Ônus Reais”

Bens em conjunto

Valor do imóvel ■ Se fez reformas, o contribuinte pode acrescentá-las ao valor do imóvel ■ Mas vai precisar dos documentos que comprovem os serviços

Se quitou o bem

Por lei, não se pode atualizar o valor da casa e do apartamento conforme o mercado imobiliário

Marido e mulher

Se vendeu o bem em 2017

Se o casal tem bens juntos, cada um pode informar metade ou inclui-los em uma só declaração ■ Caso só um declare o bem, em “Discriminação”, inclua o CPF do marido ou da mulher ■ O contribuinte que não informar os bens deve incluir, na ficha “Bens e Direitos”, no código 99, que as informações estão em outra declaração ■

■ Declare o bem e informe os detalhes da venda em “Discriminação” ■ Em “31/12/2016”, repita o valor da declaração passada e deixe em branco o campo “31/12/2017” para dar baixa

ganho de capital Se ao vender um bem houve lucro, será preciso pagar IR

O valor da venda será isento se For abaixo de R$ 35 mil For de até R$ 440 mil, caso seja o único imóvel do contribuinte e desde que ele não tenha feito nenhuma venda desse tipo nos últimos cinco anos ■ Usar toda a grana para comprar um novo imóvel residencial em até seis meses

■ ■

O financiamento da casa ou do carro não entra nessa ficha, somente em “Bens e Direitos”

Declare o valor do empréstimo, o saldo negativo da conta-corrente, ou a dívida do cartão de crédito

Amigo ou sócio Cada um informa sua parte; isso deve estar na descrição, com CPF do sócio

No campo “Discriminação”, faça um histórico, informando o nome e o CNPJ da instituição financeira, o número de parcelas e o valor emprestado

Em “Situação em 31/12/2016” repita o que devia naquele ano e, em “31/12/2017”, inclua o que ainda deve

Também é preciso declarar quanto pagou no ano

Fontes: Andréa Schuchman, técnica responsável da Gonçalves Assessoria Contábil, Joaquim Adir, supervisor nacional do Imposto de Renda, Receita Federal, IOB Sage Brasil, Seteco e Conselho Regional de Contabilidade

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Guia do IR 2018

B6

Domingo, 25 de março de 2018

Gasto com saúde aumenta a restituição ■

As despesas do contribuinte e de seus dependentes com saúde podem ser deduzidas do imposto a pagar

Esses gastos estão entre os mais vantajosos na hora de prestar contas ao fisco, mas é preciso muito cuidado

Fique ligado no que pode ser deduzido

Se forem informados de forma errada, levam o contribuinte à malha fina e podem até fazer com que ele pague multa à Receita

Se estiverem na conta do médico, do dentista ou do hospital também dão dedução

Plano de saúde Plano odontológico ■ Internação e gastos hospitalares ■ Consulta com médico de qualquer especialidade ■ Fisioterapeuta ■ Dentista ■ Psicólogo ■ Terapia ocupacional ■ Fonoaudiólogo ■ Exames laboratoriais ■ Raio-X ■ Internação em casa ■ Cirurgia plástica ■ ■

■ ■

O que não dá desconto no IR ■

Dentaduras, coroas, pontes e outras próteses dentárias

Aparelho auditivo

Academia

Pilates

Marca-passo Cadeiras de rodas e andadores ortopédicos

Remédios, a menos que estejam na conta do hospital

Lente intraocular

Pernas e braços mecânicos

Exame de DNA

Palmilhas ou calçados ortopédicos

Veterinário

Aparelho dentário e manutenção

Acupuntura

Prótese de silicone

onde declarar Esses gastos entram na ficha “Pagamentos Efetuados”

Reembolso do plano de saúde Se o plano de saúde pagou parte do gasto, informe o reembolso em “Parcela não dedutível/ valor reembolsado”

Para cada um deles, há um código

Informe o valor total da despesa

Como é feita a conta

Receita pega no pé

■ Não há limite para a dedução dos gastos com saúde no IR ■ Ou seja, ao declarar, 100% dos valores serão usados pela Receita no cálculo do Imposto de Renda ■ Com isso, o contribuinte consegue restituir mais ou pagar menos IR

■ Para garantir que não há fraude, a Receita cruza os dados informados por médicos e pacientes ■ É importante guardar todos os recibos e as notas fiscais, caso caia na malha fina e precise comprovar os gastos

DA ST RO

CA

ESPECIAL - GUIA DO IMPOSTO DE RENDA 2018

dependentes e seus gastos dão desconto Por dependente, a dedução é limitada a R$ 2.275,08

Podem ser considerados dependentes na declaração do IR Marido, mulher ou companheiro(a) com quem o contribuinte tenha filho ou viva há mais de cinco anos

Fique ligado

Irmão, neto ou bisneto, sem apoio dos pais, de quem o contribuinte detenha a guarda judicial

■ O CPF dos dependentes a partir dos oito anos é obrigatório

Até 21 anos Em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho ■ Até os 24 anos, se ainda estiver cursando ensino superior ou curso técnico profissionalizante

■ ■

Pais, avós e bisavós que, em 2017, tenham recebido rendimentos, tributáveis ou não, de até R$ 22.847,76

■ Até os 21 anos de idade Em qualquer idade, quando tiver incapacidade física ou mental que o impeça de trabalhar ■ Até os 24 anos de idade, se ainda estiver cursando ensino superior ou curso técnico profissionalizante ■

simples ou completa?

Não esqueça

Menor de 21 anos que o contribuinte crie ou eduque, ou de quem detenha a guarda, mesmo que não seja parente

Filho ou enteado

■ Se declarar um dependente, também deverá informar sua renda e seus bens ■

Pessoa incapaz, de quem o contribuinte é tutor ou curador

O contribuinte preenche todas as informações e o programa mostra as opções de declaração

Na hora da entrega, é preciso escolher se quer a tributação simples ou por deduções legais

Na simplificada, a dedução do imposto a pagar é de até 20% dos rendimentos tributáveis, limitada a R$ 16.754,34

O documento pode ser solicitado nas agências dos Correios, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal

Esquecer de colocar salário, bolsa, estágio ou pensão alimentícia leva o contribuinte à malha fina O mesmo vale para pensão ou aposentadoria recebida pelos pais que são dependentes dos filhos

No modelo completo, são somadas deduções legais por dependente, gastos com saúde, educação e empregada doméstica, entre outros

Fontes: instrução normativa da Receita Federal nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, CRCSP (Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo), Adriana Alcazar, diretora da Seteco (Serviços Técnicos Contábeis)

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Guia do IR 2018

Domingo, 25 de março de 2018

B7

Outras despesas elevam grana a receber ■

Conheça os outros gastos do contribuinte e de seus dependentes que também são considerados pela Receita Federal na hora do cálculo do imposto

Essas deduções só entram na conta da declaração no modelo completo

como declarar ■

As despesas devem ser informadas na ficha “Pagamentos Efetuados”; cada uma delas tem um código

Guarde todos os comprovantes dos gastos caso precise apresentá-los ao fisco

Educação

Pensão alimentícia

■ É possível deduzir até R$ 3.561,50 do gasto com educação no ano ■ O total vale para o contribuinte e para cada um dos seus dependentes ■ Essas despesas entram no código 1

O que não dá dedução no IR

ESPECIAL - GUIA DO IMPOSTO DE RENDA 2018

O que pode ser declarado: Creche e pré-escola Ensino fundamental, médio, técnico e tecnológico ■ Ensino superior ■ Pós-graduação, especialização, mestrado e doutorado

■ Quem paga pensão para a ex-mulher e para os filhos pode deduzir esse gasto no IR ■ Para pensão judicial, escolha o código 30 ■ No caso de acordo fechado em cartório, a despesa vai na linha 33 ■ É necessário informar o nome e o CPF de quem recebe os valores

Uniforme Transporte escolar Material escolar ■ Livros ■ Compra de computador ■ Curso de idioma ou pré-vestibular

■ ■

Previdência privada

INSS da doméstica O patrão pode deduzir o valor que pagou de INSS da doméstica ao longo do ano ■ Para essa declaração, o limite é de R$ 1.171,84 e a despesa entra no código 50 ■ Será necessário informar nome, CPF e NIT do funcionário ■ Só é possível deduzir os gastos equivalentes a um salário igual ao mínimo, mesmo que o empregado ganhe mais ■ A dedução vale para apenas uma doméstica

Fique ligado Quem recebe a pensão também deve declarar. Veja mais na página B2

■ Os investimentos em previdência privada do tipo PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) podem ser deduzidos ■ O limite de dedução é de 12% sobre toda a renda tributável recebida no ano passado ■ O valor entra na linha 36, com o CNPJ e o nome da corretora ou do banco

Atenção A Receita cruza os dados informados na declaração com os que estão no eSocial

Trabalhador autônomo

Doações ■ O contribuinte que fez doações a fundos públicos ligados à proteção do direito de crianças, adolescentes e a idosos e projetos culturais e de incentivo ao esporte aprovados pelo governo deve declarar os valores ■ Essa grana deve ser informada na ficha “Doações Efetuadas”; há um código para cada uma delas

■ As contribuições ao INSS e o gasto com Livro-Caixa são dedutíveis ■ É possível importar esses dados do Carnê-Leão para a declaração ■ No caso da contribuição previdenciária, ela deve ser informada em rendimentos tributáveis recibos de PJ ou de PF, conforme a fonte pagadora ■ Já as despesas de Livro-Caixa só são informadas na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF”

Na própria declaração ■ A doação a fundos ligados ao ECA (Estatuto da Criança) também pode ser feita no próprio programa da declaração ■ Vá em “Resumo da Declaração”, clique em “Doações Diretamente na Declaração - ECA”

contribuinte pode restituir tudo o que pagou Os contribuintes que não estão obrigados a declarar o IR, mas tiveram desconto do imposto em algum mês do ano passado, podem ter de volta tudo o que pagaram

Entenda ■

Só está obrigado a declarar o IR quem recebeu rendimentos tributáveis de mais de R$ 28.559,70, o que dá R$ 2.379,98 por mês

No entanto, só esteve isento da cobrança do imposto quem tinha salário abaixo de R$ 1.903,98 por mês, o que dá R$ 22.847,76 no ano

Quando pode ter ocorrido o desconto

Ou seja, quem ganhou entre R$ 22.847,77 e R$ 28.559,69 no ano não é obrigado a declarar, mas teve IR descontado ■ Se declarar, receberá de volta tudo o que pagou à Receita

Mês em que fez hora extra Ao receber algum adicional Se trabalhou por pouco tempo em uma empresa ■ Quem recebeu grana da rescisão trabalhista

■ ■ ■

quando a grana cai na conta ■

A Receita Federal começa a liberar os lotes de restituição em junho

Lote

Depósito

15 de junho

São sete lotes, pagos até o mês de dezembro

16 de julho

15 de agosto

Eles são liberados com correção monetária pela taxa básica de juros da economia, a Selic

17 de setembro

15 de outubro

16 de novembro

17 de dezembro

saiba se caiu na malha fina Depois do fim do prazo de envio da declaração, o contribuinte poderá verificar se caiu na malha fina ■ A consulta é feita no e-CAC, centro virtual de atendimento da Receita ■ Ao acessar o sistema, escolha a opção “Declarações e Demonstrativos” e, depois, vá em “Extrato do Processamento da DIRF” ■ Na linha do ano-calendário 2018/2017, na coluna “Situação”, será possível saber se a declaração foi “Processada” ou está “Com pendências” ■ Clique em “Pendências”, na coluna “Serviços”, para saber quais erros foram detectados

Como corrigir as falhas

■ Para corrigir o erro que levou à malha fina e receber a restituição, o contribuinte terá que enviar uma declaração retificadora ■ Isso pode ser feito pelo próprio e-CAC ou pelo programa da declaração, instalado no computador

Fontes: instrução normativa da Receita Federal nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, IOB Sage Brasil, Seteco, Receita Federal e reportagem

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Veja o calendário

Ordem de pagamento Os contribuintes com 60 anos ou mais, os doentes graves e os deficientes recebem a restituição antes porque têm prioridade ■ Em geral, a grana para eles é liberada nos dois primeiros lotes ■ Depois, os valores vão sendo pagos conforme a data da entrega da declaração ■ Se enviou a declaração nos primeiros dias, por exemplo, as chances são de ter o dinheiro a partir do terceiro lote ■

confira os principais erros Quantidade de declarações retidas Omissão de rendimentos do titular ou de seus dependentes Divergências entre o IR retido na fonte informado na declaração e pelo patrão Gastos médicos Despesas com previdência, dependentes e pagamento de pensão

506,9 mil 261,2 mil

146,9 mil 133,8 mil

Dado dados s do de 2017 IR


Guia do IR 2018

B8

Domingo, 25 de março de 2018

Tire 10 dúvidas do IR ■

A reportagem selecionou dez das principais questões sobre a declaração do IR de 2018 enviadas pelos leitores ao Agora

rendimentos isentos

doação na família

1

4

Sou aposentado e tenho doença grave, portanto, meu rendimento de R$ 43 mil em 2017 não teve desconto do Imposto de Renda. Como não houve tributação, preciso fazer a declaração em 2018? Não tenho bens no meu nome. p.m.s. Sim, o leitor precisa enviar a declaração até o dia 30 de abril se não quiser pagar multa. Mesmo que não tenha bens e sua aposentadoria esteja livre do IR, a soma dos rendimentos isentos ultrapassa os R$ 40 mil, o que obriga o contribuinte a declarar

As perguntas foram respondidas com a ajuda de especialistas em legislação tributária e Imposto de Renda

Qual é o valor-limite que um filho pode doar para a mãe sem ter que pagar imposto? Eu e minha mãe fazemos declaração completa, mas separados. Doei R$ 9.800 para ela no ano passado. Como declarar? Terei que pagar imposto? W.F.A. Quem recebe uma doação não precisa pagar IR, mas pode ter que arcar com o ITCMD, imposto estadual cobrado sobre esse tipo de transação. Em São Paulo, doações de até R$ 62.675 estão isentas desse tributo. De qualquer forma, a grana deve ser informada nas duas declarações. A mãe irá declarar os valores na ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, no código 14, incluindo seu nome e CPF. O leitor deve informar o valor na ficha “Doações Efetuadas”, no código 81. Lembre-se que os valores declarados por ambos precisam ser iguais

ESPECIAL - GUIA DO IMPOSTO DE RENDA 2018

dependentes

2

Meu filho fez 25 anos em outubro do ano passado. Ele estava fazendo um curso técnico. Posso colocá-lo como dependente e abater as despesas com educação? R.A.S. Sim, é considerado dependente o filho até os 24 anos de idade, se ainda estiver cursando faculdade, escola técnica ou ensino médio. O fato de ter completado 25 anos durante o ano passado não o faz perder a condição de dependente nesta declaração. Caso ele tenha recebido algum rendimento, os valores também terão que ser incluídos

declaração retificadora

3

Já entreguei a minha declaração do IR, mas percebi que não indiquei os gastos com ensino da minha filha. É possível acrescentar essa informação? A.F.S. O contribuinte pode enviar uma declaração retificadora no mesmo programa em que fez a original. Para isso, precisa indicar, na ficha “Identificação do Contribuinte”, que se trata de uma retificadora. Também terá que informar o recibo da declaração anterior. Depois, basta incluir o gasto e fazer novamente o envio. Na declaração retificadora, só é possível mudar o modelo de tributação até o dia 30 de abril

registro do imóvel

indenização do seguro

5

Comprei um carro por R$ 85.850 em abril de 2017, que foi roubado em julho. O seguro me pagou R$ 86.608 de indenização. Como declarar, já que o carro só foi meu durante alguns meses do ano? R.O.G.B. A compra do carro deve ser informada na ficha “Bens e Direitos”, no código 21. Descreva marca, modelo, placa e valor pago pelo veículo em “Discriminação”. O programa pedirá o Renavam do carro; informe-o. Deixe em branco os campos “Situação em 31/12/2016” e “Situação em 31/12/2017”. Declare a indenização recebida pelo seguro em “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, no código 3

grana do aluguel

6

Tenho um imóvel alugado por R$ 2.200. Sou casada em comunhão parcial de bens e cada um vai declarar 50% desse valor. Fiz o recolhimento do Carnê-Leão sobre o valor total somente em meu nome. Como declarar o imposto pago nessa divisão? Deveria ter recolhido separadamente? W.P. Como o imposto foi pago somente no seu CPF, 100% da grana recebida pelo aluguel precisa ser declarada por você. Os valores entram na ficha “Rendimentos Recebidos de PF/Exterior”, em “Outras informações”. Os dados podem ser importados do Carnê-Leão. É recomendável que, a partir de agora, faça a separação dessa renda. Dessa forma, não haverá pagamento de IR mês a mês, pois o rendimento individual será de R$ 1.100. Porém, na declaração do ano que vem, se o casal tiver outros rendimentos, poderá haver diferença de imposto a pagar

8

Tenho um imóvel que não foi registrado no Cartório de Registro de Imóveis. Posso deixar sem essa informação na ficha “Bens e Direitos”? J.C.G. Nessa ficha, o contribuinte pode informar se o imóvel foi ou não registrado no Cartório de Registro de Imóveis. Se responder que não, o programa vai pedir o número de registro que estiver disponível na escritura, oficializada somente em cartório de títulos e documentos. O número da matrícula só será solicitado se o contribuinte informar que a escritura foi registrada no cartório de imóveis. Vale lembrar que a ausência dessas informações não impedirá o envio da declaração neste ano. Os dados serão exigidos pela Receita Federal a partir do ano que vem

reembolso do plano de saúde

9

Paguei uma despesa médica em dezembro de 2017 e fui reembolsado totalmente pelo plano em janeiro deste ano. Incluo em “Pagamentos Efetuados” o valor total e já desconto a parcela dedutível, ou ainda não posso? H.M.F O valor pode ser deduzido integralmente na declaração deste ano, na ficha “Pagamentos Efetuados”. O reembolso só será informado na declaração do ano que vem. Nesse caso, a grana devolvida pelo plano entrará na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ”

consórcio

10

reforma no apartamento

7

Comprei um apartamento novo em dezembro de 2016 e fiz diversas reformas no ano passado. Posso acrescentar o que gastei ao valor do imóvel? J.D.M. Gastos com reformas e melhorias podem ser considerados parte do custo de aquisição do imóvel. As despesas deverão ser somadas ao valor de compra do apartamento. Declare o total, ou seja, a grana da compra mais a reforma, em “Situação em 31/12/2017”, na ficha “Bens e Direitos”. Esses valores só poderão ser incluídos se puderem ser comprovados com notas fiscais e recibos. A papelada deve ser mantida por, pelo menos, cinco anos, prazo em que a Receita Federal pode exigir esclarecimentos do contribuinte

expediente

Como declarar consórcio de veículo quitado em dezembro de 2017, cuja carta de crédito só foi recebida em janeiro de 2018, com depósito na poupança? R.E.G. O consórcio deve ser mantido na ficha “Bens e Direitos”, no código “95 - Consórcios não contemplados”, com a informação de todo o valor que foi pago em 2017 somado ao que já havia sido pago em anos anteriores. Como só recebeu a carta de crédito em janeiro deste ano, essa informação só entrará na próxima declaração, quando o contribuinte deverá dar baixa no consórcio, no código 95, informando que recebeu a grana. O bem será incluído separadamente na ficha “Bens e Direitos” Fontes: IOB Sage Brasil, Sindicont-SP (Sindicato dos Contabilistas de SP), CRCSP (Conselho Regional de Contabilidade de SP), Seteco, advogados tributaristas Eduardo Diamantino e Leonardo Milanez Villela, Sandro Rodrigues, da Attend, Felipe Gomes dos Santos, da Crowe Horwath, Receita Federal e reportagem

Reportagem

Edição

Diagramação

Ilustrações

Editor responsável

Revisão

Leda Antunes

Cristiane Gercina

Élcio Horiuchi

Max Francioli

Cesar Camasão

Fernanda Brigatti e Luciana Lazarini

Abril de 2018 | Vilas Magazine | 49


Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, ambientalista, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@hotmail.com

Saudade

Q

uando o vivente se sente privado de algo que gostava, de pessoas que lhe fizeram felizes, de lugares e momentos inesquecíveis, sente um enorme e profundo vazio, que pode lhe deixar a alma dolorida. É a saudade. Esse padecimento, nada mais é que a obstinação de se querer que tudo que tenha sido bom no passado, continue vivo no presente. A vida dá e tira; o viver une e separa; jamais os acontecimentos serão eternos. Por que é tão difícil os seres humanos absorverem isso? Quantas vezes a situação do passado foi melhor que a do presente? Por que não se comemorar essa posição? A distância não produz o esquecimento. O que se separa não é considerado verdadeiro. Muitas das vezes o afastamento aumenta a amizade e o amor. Embora a saudade faça sentir a falta, até sofrer de nostalgia, porém o vivente deve se focar no que é importante na vida atual e ter-se-á a lembrança saciada. Por que não se abraçar as boas recordações do passado? O que não se deve é viver de passado nem deixar a saudade se transformar em ansiedade ou depressão, pois aí está o grave problema, ou seja, absorver os medos e lembranças irracionais, que se tem. Nada de confundir tristeza com saudade: a primeira é a aflição, pela falta da alegria; e a segunda é a lembrança afetuosa, embora, às vezes, dolorosa. A saudade se constitui de amores desfeitos, da ausência de velhos amigos, da distância da família, da lembrança de momentos maravilhosos, etc. De acordo com o poeta “o orvalho sente saudade da flor”. Segundo Bob Marley, cantor, guitarrista e compositor jamaicano (6/2/1945 – 11/5/1981) “saudade é um sentimento que, quando não cabe no coração, escorre pelos olhos”. Tem pessoas que gostam de recordar bons momentos vividos, quando, no presente, são escassos. Outras têm tristezas por lembranças de parentes, pelo envelhecimento, pela saudade da juventude. Porém, esses seres precisam aprender que nada dura para sempre! Lembrar que “quando a tristeza chega a alegria vai embora”. Ao se trazer a lembrança da juventude, deve-se recor50 | Vilas Magazine | Abril de 2018

dar que “às vezes o envelhecimento diminui a tristeza”. Mas o ser humano tem a capacidade de planejar e se organizar, então, quando se define o que quer, a saudade passa à distância. Mas, alguns preferem senti-la. Diz o ditado popular que “águas passadas não movem o moinho”. Por que o ser humano insiste em se lembrar das ausências? Muitas vezes busca fazer-se de vítima, de sofredor, para receber o acalento de semelhantes. Outros, realmente sentem o coração apertar, principalmente no que se refere à família, no momento em que se está longe; quando o filho sai de casa para enfrentar o mundo; e no romper com os amigos. Sem dúvidas essas situações são extremas, pois não é fácil perder o que se ama, mas sempre acontece. Porém, o ser humano possui uma grande fortaleza interior e é preciso exercitá-la. Voltando-se para a flora, a saudade é tão expressiva que existe uma planta da família das asclepiadáceas com esse nome. Outra situação que diminuirá a saudade encontra-se na oportunidade do ser se dedicar em servir aos outros, sem buscar vantagens. Essa situação poderá ser realizada por doações individuais ou coletivas, através de entidades representativas. Também, pode-se dedicar à flora, fazendo plantações, cuidando-as e colhendo seus frutos. Por outro lado, gostar da vida animal, se possível criando-os, alimentando-os e se dedicando ao seu convívio, modifica a tensão que se tem. Com certeza, esses bichinhos não trairão e sempre serão bons companheiros. Mas a maior saudade ocorre quando morre um ser querido. O vivente ainda não se familiarizou com a morte, que é o estágio final ou recomeço, de todos, neste plano. Quando os pais perdem um filho, principalmente em um acidente inesperado, a dor sentida é insuportável, então surge a tristeza e não a saudade. É necessário que se tenha muita força e fé internas, para se ultrapassar essa situação. Tem pessoas que sentem saudades de posições vividas, quando eram agraciadas com bens materiais ou poder. É muito difícil para o ser humano perder o “status” que lhe beneficiava. Porém, quando essa situação de benesses é bem interpretada e acolhida, pode levar o vivente a se transformar em “seres superiores”. Depende de cada um.

Vilas Magazine | Ed 231 | Abril de 2018 | 32 mil exemplares  

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