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A Revista de Lauro de Freitas e Região

PARQUE PARAÍSO INFANTIL

Ano 19 Edição 222 | Julho de 2017 32.000 exemplares


EDITORIAL

PARQUE ECOLÓGICO A reabertura do Parque Ecológico de Vilas do Atlântico, depois de uma longa espera, representa a continuidade de trabalhos feitos por lá, pela gestão municipal anterior, numa demonstração de que nem tudo está perdido. O mais habitual é que uma gestão abandone o que tiver feito anteriormente a corrente política adversária, muitas vezes para depois refazer e carimbar a sua própria marca. Mesmo nesses casos, há méritos. Os mais rigorosos dirão que os responsáveis políticos não fazem mais que a obrigação ao dar continuidade aos projetos anteriores. Afinal, são regiamente pagos com o dinheiro dos impostos de todos nós para nos prestar serviços e não para carimbar obras. É importante lembrar isso agora, não só para homenagear os atuais gestores, mas porque o Parque Ecológico de Vilas do Atlântico é um projeto em andamento. Continua necessário eliminar as invasões da área do parque já bem identificadas pelo Ministério Público e prefeitura, recuperando o acesso público a todo o perímetro. A omissão do poder público, nesse quesito como em outros, não é uma opção. E continua necessário consolidar o uso da parte urbanizada do parque, sistematizando atividades e ampliando o acesso a toda a população de Lauro de Freitas. A manutenção tem que ser permanente, com dotação orçamentária própria, mesmo que apenas por meio de contrapartidas, como a que pagou a recuperação, no ano passado, da área agora reaberta ao público. A segurança dos visitantes tem que ser garantida por meio da presença permanente dos agentes públicos, tal como ocorre atualmente, desde a reabertura. O desafio, agora, além de providenciar a devolução de patrimônio público ao público, acabando com as invasões do perímetro, é manter a infraestrutura em dia.

DIREITO AO LAZER E continuando no mesmo tema, a reabertura do parque em Vilas do Atlântico não encerra o capítulo do direito ao lazer em Lauro de Freitas, havendo muito ainda por realizar. As praças e quadras esportivas da cidade, quase sempre vistas pelos órgãos de segurança pública como potencial fonte de problemas, podem e devem representar soluções. A existência de uma infraestrutura de esporte e lazer qualificada para receber principalmente os jovens é fator fundamental para estabelecer uma política de Carlos Accioli Ramos Diretor-editor combate à violência. Instalar meia dúzia de bancos de concreto em torno de um gramado não atende esse propósito. É essencial oferecer atividades concretas, mesmo que não houvesse praças – e elas existem. Propor “ruas de lazer”, por exemplo, seria um bom começo. A prefeitura não precisa fazer tudo. Basta organizar e apoiar o que a sociedade já faz.

“Embora eu defenda com unhas e dentes a democracia, não estou entre os que por ela nutrem devoção religiosa. Não creio que o povo seja sábio e faça sempre as melhores escolhas. Ao contrário, ele é imediatista e se deixa manipular pelo populismo. A democracia funciona muito mais por disciplinar o conflito e mantê-lo dentro da institucionalidade do que pelas políticas que promove. Ainda assim, penso que, por vezes, o eleitor é capaz de aprender, mesmo que momentaneamente. Essas situações ocorrem em geral quando os cidadãos descobrem que foram enganados e rechaçam, pelo voto, grupos e ideias que não deram certo”. Hélio Schwartsman, bacharel em filosofia e colunista da Folha de São Paulo (coluna de 7/6/17). Publicou ‘Pensando Bem...’ (Editora Contexto) em 2016.

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NESTA EDIÇÃO A revista de Lauro de Freitas & Região

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Revista mensal de serviços e facilidades, distribuída gra­ tuitamente em todos os domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais de Lauro de Freitas, Es­trada do Coco e região (Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba, Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã). Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­tora. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos produtos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.

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CIDADE...Págs. 8 a 23 l Parque Ecológico de Vilas do Atlântico agrada adultos e crianças l Audiência destaca Saúde e Segurança em Vilas do Atlântico l Programa federal garante benefícios para jovens de até 29 anos l Feira de agricultura familiar deve acontecer quinzenalmente l Reordenamento de bairros em Salvador inclui áreas de Itinga e Areia Branca l Escola do Jambeiro ganha biblioteca ecológica l Estabelecimentos privados poderãqo cobrar por estacionamento l Hospital Menandro de Faria tem novo Centro de Bioimagem

MEIO AMBIENTE...Pág. 24 l Comitê científico brasileiro alerta para a elevação do nível do mar MOBILIDADE...Págs. 26 a 29 l Bicicleta completa 200 anos com muito futuro pela frente

TURISMO & LAZER...Págs. 30 a 33 l Monte Roraima revela belezas naturais de tirar o fôlego l Começa espetáculo das baleias jubarte em Abrolhos COMPORTAMENTO...Págs. 34 a 37 l Brinquedo de girar, spinners é a nova febre entre jovens l O terapeuta e educador André Trindade aborda a educação postural EMPRESAS & NEGÓCIOS...Pág. 38 l Consultora dá dicas para detectar nível de engajamento na empresa

DECORAÇÃO...Págs. 40 a 41 l Cozinha é local para preparar alimentos e confraternizar

VIDA SAUDÁVEL...Págs. 42 a 45 l Vida útil dos alimentos é maior com a geladeira orgaznizada l Varizes podem causar feridas na pele que são difíceis de tratar

BELEZA & ESTÉTICA...Págs. 46 a 47 l Depilação pode provocar escurecimento da pele nas axilas, buço e virilha l Batom metálico é o queridinho da vez

MUNDO ANIMAL...Págs. 48 a 51 l O trabalho voluntário de dona Gilce dedicado aos animais de rua l Lei municipal de proteção animal completa um ano. Iniciativa é fruto do trabalho da Rede de Mobilização pela Causa Animal - Remca CLASSIFICADOS BOA DICA...Págs. 53 a 113 l Seção de facilidades e serviços disponibilizando profissionais nos segmentos de Saúde & Bem-Estar, Gastronomia, Festas, Educação, Casa & Decoração, Serviços Gerais, Auto & Cia e Imóveis. Consulte índíce geral por segmento na página 53. l Tribuna do Leitor....Pág. 114 l Tábua das Marés....Pág. 115

ERRAMOS No texto “Escola cria espaço pedagógico para filhos de estudantes”, publicado na página 12 da edição 221, de junho de 2017, foi grafado incorretamente o nome da estudante de pedagogia e pós-graduanda em psicopedagogia Josette Tomassini.


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REGISTROS & NOTAS

Primeira Mostra Jazz Lauro

Lauro de Freitas é palco para apresentações, este mês, de artistas de jazz e música instrumental que se apresentam com regularidade na região. A iniciativa é do grupo local Bago de Jazz (acima) e se fundamenta no interesse de aquecer a cidade para um possível festival futuramente. O projeto reúne artistas e grupos de linguagens distintas, mas que tenham a ‘pegada’ jazzista. As apresentações acontecem dias 21 (Lussy Dinniz / Igor Almeida & Grupo Orí Esè) e 22 (Flor de Aroeira / Bago de Jazz), no Cine Teatro, no Centro da cidade, a partir das 19h, com entradas a preços populares (R$8, inteira e R$4, meia). A cantora Lussy Dinniz (dir. alto) apresentará o seu show “Canções Francesas”, em ritmo brasileiro sob a influência do jazz. Seu repertório fala de alegrias, sofrimentos e amores perdidos na língua mais romântica do mundo. O trombonista Igor Almeida (dir.) & Grupo Orí Esè (abaixo), vem com um projeto inovador, difundindo ritmos de matriz africana com influências modernas de outros estilos, aliando tudo isso ao trombone, violão, cavaquinho, atabaques, agogô, pau de chuva, congas e djembê. Flor de Aroeira é um grupo de chorinho com repertório eclético e arranjos contemporâneos, mantendo viva a essência do choro e preservação de um dos mais importantes gêneros da música brasileira. Bago de Jazz exibirá clássicos do jazz, bossa jazz e músicas do novo álbum “Alegria”. O grupo se destaca pela forma de tocar, colocando sempre o sentimento em primeiro lugar, incorporado à dinâmica e improvisações típicas do jazz. Mais informações tel.: 71 999337325 ou marciowesleycn@gmail.com 6 | Vilas Magazine | Julho de 2017

Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas Em homenagem às comemorações dos 55 anos de emancipação política de Lauro de Freitas, a Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas – ALALF, promove dia 28 o lançamento da plataforma de cocriação do Plano Global da Instituição, que tem como objetivo absorver parcerias para executar ações voltadas à preservação e a memória do patrimônio cultural, com ações educativas destinadas principalmente a estudantes em situação de vulnerabilidade social. O evento acontece das 9h às 12h no espaço Unime, com apresentações e palestras promovidas por acadêmicos da instituição.

Rotary Club empossa novo Conselho Diretor O advogado Joaquim José Freire Ramos (dir.) assume neste dia 1º de julho, sua segunda gestão como presidente do Conselho Diretor do Rotary Club Lauro de Freitas para a gestão 2017/18. Ele dá continuidade ao trabalho desenvolvido pelo presidente Almir Cerqueira. Soteropolitano, Joaquim é formado em Direito pela UFBA e exerceu diversos cargos ao longo de sua carreira profissional no Tribunal Regional do Trabalho, até aposentar-se em 2006. Admitido no RC Lauro de Freitas em 2007, exerceu diversos cargos e atividades no clube, sendo distinguido com diversos títulos rotários, como Menção Honrosa de 10 Anos, Menção Cinco Avenidas por Realizações Individuais e título Paul Harris.


As Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) lançaram em 7 de junho, no Hospital Santo Antônio, no Largo de Roma, em Salvador, a pedra fundamental da 11ª sala de cirurgia da instituição. Orçado em cerca de R$ 1 milhão – incluindo obras de construção e aquisição de equipamentos (a exemplo de mesa cirúrgica, monitores, aparelho de anestesia e SET de vídeo, entre outros) – o novo espaço surge como um importante reforço na redução da fila de espera por procedimentos cirúrgicos na OSID, que atualmente contabiliza mais de 10 mil pacientes aguardando por cirurgias, nas mais diversas especialidades. A nova sala cirúrgica da OSID – cuja construção está prevista para começar em setembro, com duração de quatro meses – será voltada para cirurgias de alta complexidade na área oncológica, proporcionando assim mais agilidade no tratamento de pacientes com câncer. Os recursos para implantação do espaço estão sendo obtidos através de doações e do apoio do Rotary Internacional e Rotary Club da Bahia. “Hoje as Obras Sociais contam com dez salas de cirurgia para diversas especialidades. Mas essa sala tem uma função especial, pois vai ajudar a salvar vidas de pacientes com câncer, que quase sempre são casos urgentes e não podem esperar muito. Então o novo espaço não só fará com que os pacientes oncológicos aguardem menos tempo para passar pelo procedimento, como também vai agilizar a fila de espera por cirurgias das outras especialidades, visto que os pacientes com câncer geralmente têm prioridade e agora passarão a ter uma sala específica”, declarou emocionada a superintendente da OSID, Maria Rita Pontes, durante a solenidade, que contou com a presença de profissionais, conselheiros, voluntários e religiosos, além de integrantes do Rotary Club da Bahia. “Foi uma satisfação para o Rotary poder contribuir com esse espaço de extrema necessidade para as Obras de Irmã Dulce que é a nova sala cirúrgica,

FOTO: OSID/DIVULGAÇÃO

Com apoio do Rotary, Obras Sociais Irmã Dulce lançam pedra fundamental de sala de cirurgia para pacientes oncológicos

Maria Rita Pontes, superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce e Eduardo Barbosa, presidente do Rotary Club da Bahia de grande importância, porque vai ajudar a diminuir uma fila de espera de mais de 10 mil pessoas. Já temos novas ações engatilhadas para conseguir arrecadar o restante do valor necessário para custear a sala, juntamente com as doações da população. Além disso, queremos apoiar novos projetos da OSID e fortalecer cada vez mais essa parceria”, declarou o presidente do Rotary Club da Bahia, Eduardo Barbosa.

CAMPEÕES MIRINS Aconteceu dia 3 de junho, no ginásio da Unime Lauro de Freitas, o 1º Campeonato AKTKD de Tae­kwondo, com a participação de 150 atletas de Salvador e do interior, nas categorias Kyorugui (luta), Kyokpa (quebramento) e Poomsae (sequência). O Centro de Artes Marciais AKTKD sagrou-se campeão do evento, no qual 90% dos participantes foram crianças e apenas 10 lutas na categoria cadete e faixa preta.

O casal Roberto e Magda Mascarenhas, e a filha Juliana, no encerramento da trezena de Santo Antônio, em sua residência, em Vilas do Atlântico. De 1º a 12 de junho, todos os anos, a família promove a peregrinação para as orações em louvor ao santo, nas residências de amigos devotos. O dia 13, dedicado ao santo, a trezena se encerra com uma grande confraternização. Julho de 2017 | Vilas Magazine | 7


CIDADE

Miguel desafia a tirolesa do parque: “muito legal”

Parque Ecológico de Vilas do Atlântico cai no gosto de adultos e crianças

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Kátia Amaral e seu filho: animados com as futuras atrações na concha acústica 8 | Vilas Magazine | Julho de 2017

eaberto ao público no dia 5 de junho, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, o Parque Ecológico de Vilas do Atlântico vem atraindo visitantes entusiasmados com o novo espaço de lazer. Há até uma área com brinquedos para a criançada escalar – e uma tirolesa para desafiar os ‘mais corajosos’. Miguel, cinco anos, ficou fã do brinquedo. Visitando o parque com a mãe, Kátia Amaral, o garoto gostou de tudo o que viu. A concha acústica com a sua arquibancada de pneus coloridos também chamou a atenção dele. “Achei muito legal”, disse. Guilherme, que tem quatro anos, ficou encantado com as cores da passa-


rela de cimento que percorre a área urbanizada do parque. Acompanhado dos pais, Vagner Sales e Joyce Azevedo, ele, que é fã de flores, gostou também do orquidário. Sales elogiou o espaço, lamentando não haver outros como aquele na cidade. A prefeita Moema Gramacho (PT) também esteve por lá com o neto e usou uma rede social para publicar foto no orquidário. As intervenções foram realizadas entre outubro e dezembro do ano passado, com custo estimado em cerca de R$ 130 mil, pagos por uma construtora em contrapartida ambiental – conforme anteriormente publicado pela Vilas Magazine. Na época a praça de acesso ao parque, na avenida Praia de Itapoan, também ganhou melhorias, com a reconstrução das muretas e do piso em pedra portuguesa, além de um coreto. O investimento foi feito principalmente no edifício da administração – todo reformado para abrigar também a guarda ambiental e a sede da Sociedade de Amigos do Loteamento de Vilas do Atlântico (Salva). A sala principal foi transfor- u

Noah e seus pais: a conservação do ambiente recém-inaugurado agradou

Parquinho infantil: sucesso entre a garotada que visita o parque

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CIDADE

mada em espaço de recepção do parque. Usando pneus velhos pintados em cores variadas, também foram montadas algumas fileiras de assentos em frente à concha acústica. As novidades foram entregues no final de dezembro, mas o parque permaneceu fechado. De lá para cá foram “cinco meses de intenso trabalho de revitalização para compor mais uma alternativa de lazer para a comunidade e de pesquisa para as universidades”, avalia a prefeitura. “A ideia é catalogar a fauna e a flora deste lugar com o apoio das faculdades de Lauro de Freitas”, disse Alexandre Marques, secretário municipal de Meio Ambiente – e esse é apenas um dos planos já traçados, havendo a promessa de realizar inúmeros outros. A área pública do parque mede quase 135 mil m², uma área verde classificada como Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA) desde o final de 2011, quando uma emenda ao Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal (PDDM) criou essa e outras quatro áreas de proteção. Três delas são espaços contíguos ao do Parque Ecológico, totalizando mais de 225 mil m². Segundo a prefeitura, 15 mil m² são agora utilizados com propostas ecológicas ligadas à preservação da u natureza.

Apresentação de teatro na concha acústica: múltiplos eventos no espaço urbanizado. Guilherme e os pais posam para foto (esq.): espaços de lazer são raros na cidade

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CIDADE

REPRODUÇÃO TWITTER

A prefeita Moema Gramacho posa para foto com o neto no orquidário: convite à visitação. Mapa identifica as atrações na área do parque acessível à visitação pública (dir.) A vegetação natural do parque é de restinga, não mata atlântica – embora tenham sido levadas para lá também espécies desse bioma – contou Cláudio Ferreira, um dos técnicos responsáveis pelo parque no ano passado, quando a área agora urbanizada começou a ser limpa. Mas a maior parte da área pública continua inacessível. Uma antiga trilha está hoje tomada pela vegetação e pela invasão das residências limítrofes. Há quintais improvisados e depósitos de lixo. “Esse trecho beirando as residências, praticamente está todo cercado”, disse Jorge Neto, também responsável pelo parque, à reportagem da Vilas Magazine no ano passado – “cada um fez seu quintal”. As invasões são antigas, mas só no ano passado foram documentadas pela prefeitura. Segundo as autoridades municipais de então, cerca de 2,7 mil metros quadrados do parque estavam ocupados por ‘puxadinhos de quintal’ de residências localiza12 | Vilas Magazine | Julho de 2017

das nas ruas Praia de Suape, Praia de Tramandaré, Praia de Orange, Praia de Itapoan, Praia de Mar Grande e Praia de Itaparica, no entorno do Parque Ecológico. Segundo os gestores da prefeitura na época, são áreas verdes e de passagem para o parque que foram “anexadas” pelos lotes vizinhos. De acordo com avaliação da própria prefeitura, o conjunto das áreas invadidas valeria cerca de R$ 1,5 milhão. No pequeno trecho em que Neto e Cláudio Ferreira conseguiram trabalhar, foi construída em anos anteriores uma passarela de madeira sobre o que já foi um brejo, cheio de espécies exuberantes e de origens variadas, como os oitizeiros que agonizavam em meio a cipós. Para a reabertura do parque, boa parte dessa área foi manejada. Funcionando como parque urbano para o lazer da criançada, o espaço recuperado cumpre bem a sua função. Noah, de dois anos, veio do condomínio Alphaville com os pais, Gustavo Moreira e Rafaele Costal, só para conhecer a área. “Em Salvador não há nada assim”, verifica o pai. “O problema é a manutenção, é preciso

manter os parques”, avaliou Rafaele. Os equipamentos da área urbanizada incluem uma horta orgânica, com plantas medicinais e verduras, um borboletário, um viveiro, orquidário, estufa, abrigo temporário de animais silvestres, a trilha suspensa sobre o antigo brejo, a concha acústica, dois espaços livres e, claro, o parquinho infantil com a tirolesa – as duas atrações que encantam as crianças. Segundo a prefeitura, a horta realça o objetivo educacional e conscientizador proposto pela secretaria de Meio Ambiente. “Nós queremos atrair as famílias, juntar amigos e crianças com entretenimento e segurança garantidos”, disse Alexandre Marques. Segundo ele, várias secretarias pretendem movimentar o lugar com novidades para todas as faixas etárias. A manutenção parece garantida, já que a proposta da prefeitura é dar uso contínuo ao parque, inclusive com a oferta de cursos, como o de compostagem – útil para quem quer produzir o seu próprio adubo a partir do lixo orgânico doméstico. O primei-


ro curso aconteceu ainda em junho, ministrado por biólogos da empresa Sal da Terra. “A arte de transformar lixo em adubo” mostrou o processo biológico em que microorganismos transformam a matéria orgânica. De acordo com a prefeitura, uma das participantes do curso, a advogada Luisa Vieira, disse que vai colocar em prática o que aprendeu. “Tenho muitas plantas e sempre comprava adubo. Eessa será uma solução eco-

nômica para mim e eficiente para o meio ambiente”, disse. O espaço tende a se tornar também um recinto de eventos de todos os tipos. Idosos de quatro instituições já comemoraram ali o Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, com um passeio promovido pelo Movimento Municipal de Luta da Pessoa com Deficiência, Mobilidade Reduzida e Idosos.

O secretário Alexandre Marques na reabertura do parque: lazer para as famílias

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CIDADE

Audiência destaca Saúde e Segurança em Vilas do Atlântico

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prefeitura de Lauro de Freitas realizou em junho a primeira etapa das audiências públicas para elaboração do Plano Plurianual (PPA) – um instrumento legal de definição das políticas públicas, previsto na Constituição Federal, para os quatro anos seguintes. O plano agora em discussão deverá pautar as ações da prefeitura entre 2018 e 2021. A ideia do secretário Lula Maciel, responsável pela pasta de Governo, é primeiro definir grandes áreas de prioridade e depois as ações relativas a essas escolhas. A população presente às audiências vota nos três setores que acredita merecerem prioridade. “Aqui é olho no olho”, disse – “prefeita e secretários de frente para a população, acolhendo as demandas e sugestões, dando respostas, ouvindo críticas, mas também muitos elogios à condução da gestão”.

Em Vilas do Atlântico, numa audiência que abrangeu também os moradores de Pitangueiras, embora sem representatividade significativa da sociedade civil, os participantes elegeram Saúde e Segurança como prioridades de topo, com 29 votos cada uma. Algumas pessoas chegaram a pedir a abertura de um posto de pronto atendimento médico em Vilas do Atlântico. Educação e Meio-Ambiente vieram logo em seguida, com 24 votos cada uma. A última das prioridades para as pessoas que representaram a vontade dos moradores de Vilas do Atlântico e Pitangueiras na audiência foi “Cultura, Tradição e Identidade”. Apesar do caráter generalista das discussões nesta etapa, muitos dos participantes da audiência em Vilas do Atlântico aproveitaram para elencar ELOI CORREA

Lula Maciel dirige a primeira audiência do PPA em Vilas do Atlântico: escolhas

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desde já as reivindicações tópicas de sempre, como a implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário, o recapeamento asfáltico do bairro, a retirada das barracas improvisadas no gramado da praia e o reordenamento das calçadas. RESPOSTAS A prefeita Moema Gramacho (PT) deu resposta às reivindicações, sem se comprometer com o atendimento imediato de todas. Explicou, por exemplo, que a prefeitura ainda não tem contrato firmado para operações tapa-buraco e prometeu tratar do recapeamento asfáltico da cidade numa etapa posterior. Em relação à Saúde, lembrou que quase todos os postos de saúde já foram reabertos, defendeu que a infraestrutura atual de emergência é suficiente – e elogiou a iniciativa da gestão do prefeito Márcio Paiva (PP) na ampliação dos equipamentos anexos à UPA 24h de Itinga. Lembrou ainda que o governo do estado vai construir um hospital de grande porte em Areia Branca e que enfrentou resistência de moradores quando quis construir um posto de saúde junto a Vilas do Atlântico, no Jóquei Clube – porque isso traria muito movimento de pessoas à região. No que se refere à Segurança, a prefeita reconheceu a gravidade da situação – em especial diante dos 177 homicídios e 10 “Mortes Violentas com Causa Indeterminada” (MVCI) atribuídos a Lauro de Freitas pelo Atlas da Violência em relação a 2015, mas afirmou estar incorreto o ranking oficial que coloca a cidade em segundo lugar entre os municípios mais violentos do Brasil (leia à página XX). Moema Gramacho repetiu à plateia de Vilas do Atlântico o que já havia dito no último encontro regional do programa de segurança Pacto pela Vida, do governo do estado: das 121 câmeras de monitoramento que a prefeitura mantém, apenas 57 estão funcionando – e acrescentou que no início do ano elas eram apenas seis. Nesse contexto, a utilização do Centro


de Excelência e Treinamento PanAmericano de Judô, construído em área pública cedida pelo município na orla de Ipitanga, voltou a ser destacada pela prefeita. Moema Gramacho já havia apontado, no encontro do Pacto pela Vida, que o equipamento está ocioso. A ideia é que todos os estudantes da rede pública de ensino estejam envolvidos em atividades complementares à grade curricular, num sistema de “educação de tempo integral” ocupando não só

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equipamentos públicos, mas também os particulares, por meio de voluntariado. O Vilas Tenis Clube, que reivindicou e obteve da prefeita a promessa de isenção tributária futura e talvez também o perdão da dívida pregressa de IPTU, deve assinar convênio com a prefeitura no sentido de ceder o espaço para atividades de contraturno dos estudantes da rede pública – conforme lembrou na audiência de Vilas do Atlântico o secretário de Trabalho, Esporte e Lazer Uilson Souza.

Programa federal garante benefícios para jovens de até 29 anos

ovens com idades entre 15 e 29 anos que tenham cadastro atualizado no CadÚnico poderão ter transporte interestadual grátis ou mais baratas, nas linhas convencionais, além de meia-entrada em

eventos culturais e esportivos, mesmo não sendo estudantes. São quatro vagas por ônibus interestadual, duas gratuitas e a outra metade com 50% de desconto na tarifa. Para os eventos culturais e esportivos, vale o limite de FOTOS: ELOI CORREA

40% dos lugares para venda de Assis Filho, meia-entrada. Ultrapassado o secretário Nacional da limite, vale o preço integral. Para ter direito aos be- Juventude: nefícios, os jovens têm que ID Jovem é “o se cadastrar no Programa maior programa Identidade Jovem (ID Jovem) social para a – apresentado em junho juventude” pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), ligada à Presidência da República, durante eventos em Feira de Santana e Lauro de Freitas, com o apoio do Governo da Bahia. O cadastro pode ser feito por meio de aplicativo em smartphones ou no site da Caixa Econômica Federal. Os interessados também podem procurar os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). De acordo com a SNJ, cerca de dois milhões de jovens baianos estariam aptos a usufruir dos benefícios, mas menos de cinco mil estavam cadastrados até abril, de acordo com o governo do estado. Em Lauro de Freitas, 14,8 mil jovens estão aptos a fazer o cadastramento. O secretário Assis Filho, responsável pela pasta, afirma que o governo federal está “levando para todo o Brasil o maior programa social para a juventude, que é o ID Jovem”. Para o secretário de Justiça da Bahia Carlos Martins o programa é “um grande avanço para as políticas de juventude” porque “estamos garantindo ao jovem o acesso à arte, ao esporte e à locomoção, obviamente, estamos potencializando as oportunidades da educação para além das escolas e universidade”. O programa respeita o que prevê o Estatuto da Juventude e contempla, principalmente, jovens com renda familiar de até dois salários mínimos, com validade de u Julho de 2017 | Vilas Magazine | 15


CIDADE

Projeto Ilhas certifica cursos para mulheres

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Carlos Martins, secretário de Justiça da Bahia: programa oferece “acesso à arte, ao esporte e à locomoção” 180 dias, sempre prorrogáveis, sem burocracia. O secretário executivo do Conselho Estadual da Juventude Fernando Maltez explica que o ID Jovem é um documento de identificação. “A emissão do documento de Identidade Jovem ser dará de forma virtual, com validação de segurança através de código QR Code, que poderá ser utilizado para entradas nos eventos e atividades que estão de acordo com as regras do programa”, disse. Para ter o ID Jovem, o interessado deve se cadastrar, preencher os campos ‘data de nascimento’, ‘nome completo’, ‘nome da mãe’ e ‘NIS’. O Número de Identificação Social (NIS) deve estar atualizado para que o cadastro seja efetivo. Se houver um erro na atualização, o jovem deve procurar o setor social do município em que reside. Havendo problemas no acesso às passagens gratuitas ou parcialmente gratuitas, o cidadão deve contatar a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e relatar o ocorrido.

inquenta mulheres moradoras das regiões de Lagoa dos Patos, Chafariz, Vila Mar e Ipitanga, em Lauro de Freitas, receberam no mês passado o certificado de conclusão da primeira etapa dos cursos tecnológicos oferecidos pelo projeto Ilha de Apoio a Sustentabilidade, desenvolvido pela Secretaria de Educação em parceria com igrejas e associações de moradores dos bairros. Durante as aulas, realizadas no Centro Comunitário Divino Espírito Santo, em Ipitanga, elas aprenderam em dois meses e meio os fundamentos básicos da tecnologia que compõe a primeira etapa para avançar nos cursos de computação gráfica, edição de vídeo, desenho técnico, robótica, manutenção e programação de equipamentos portáteis. De acordo com o diretor de tecnologia na educação e coordenador do projeto Henrique Moitinho, além do curso certificado, as alunas também aprenderam a dar destinação ambientalmente correta ao lixo eletrônico. “Nós solicitamos que elas observem se há na comunidade alguém que queira se desfazer destes equipamentos, se houver condições de reuso nos consertamos em sala e doamos para alunos carentes, escolas ou outros projetos”, explicou. A dona de casa Alaíde Araújo, de 82 anos, deficiente visual e aluna mais velha do projeto em Ipitanga. Para ela, além de um incentivo, o Ilhas ampliou seus conhecimentos. “Nunca é tarde para aprender algo novo e é tão bom”, comemorou. Já para Josefa Maria, de 55 anos, moradora do Vila Mar, a ação foi gratificante. “Não esperava que com esta idade pudesse aprender tanto”, disse. Desde o início deste ano, o projeto já certificou 110 alunos com turmas em Quingoma, Portão e Ipitanga. O público alvo são mulheres em situação de vulnerabilidade, idosos, deficientes intelectuais e visuais, surdos, além de jovens e adultos. PROJETO ILHAS Henrique Moitinho (centro) e apresidente da Câmara de Lauro de Freitas entregam certificados

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Feira de agricultura familiar deve acontecer quinzenalmente

Consumidora faz compras em barraca Produtos da agricultura familiar de Lauro de Freitas da feira: geração de renda local estiveram na Praça da Matriz, no Centro, compondo o cenário de São João, na Feira Livre da Agricultura FamiHavia barracas desde hortifrutigranjeiros, artesanato, liar e Economia Solidária, promovida pela prefeitura. A ideia produtos reciclados, como vassouras produzidas com era apresentar novas possibilidades de geração de renda para os expositores e opções de lazer para a comunidade. garrafas PET até cerveja artesanal, geleias e compotas. A primeira montagem da feira aconteceu no início de O secretário de Trabalho, Esporte e Lazer Uilson de Souza destacou o “acesso à autogestão”. Para ele, a ação junho, no estacionamento do Restaurante Popular. Milho amendoim, aipim, laranja e uma variedade de “representa o reconhecimento de políticas públicas positi- 10:33verde, RE 052 17 ANUNCIO PRESENCIAL 18,2x12cm.pdf 1 6/26/17 AM vas e estruturantes para o avanço da cidade, promovendo produtos orgânicos, de acordo com a prefeitura, estavam justiça social nesses segmentos econômicos”. A feira da entre os produtos comercializados. Agora deve acontecer economia solidária será promovida também em outros a cada 15 dias como forma de gerar mercado para os produtos da agricultura familiar do município. pontos da cidade.

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CIDADE

Reordenamento de bairros em Salvador inclui áreas de Itinga e Areia Branca

U

m novo projeto de lei que visa reordenar Salvador, apresentado em junho, lista Itinga e Areia Branca como bairros da capital, mantendo larga faixa a leste da BA-526 (CIA-Aeroporto) como território da cidade vizinha. A proposta de revisão de limites territoriais que está em discussão na Assembleia Legislativa prevê a incorporação de parte dessa área a Lauro de Freitas. Em compensação, uma parcela do Barro Duro seria entregue a Salvador, que ainda não lista aquela região entre os seus futuros 163 bairros. Os futuros limites municipais, descritos no Projeto de Lei Estadual 21.766/2016, em tramitação na Assembleia, já receberam parecer favorável do relator. Uma “Comissão Especial de

Divisão Territorial” foi criada na Câmara Municipal para acompanhar o assunto. Areia Branca, parte do Capelão e o loteamento Quinta da Glória passariam a pertencer formalmente a Lauro de Freitas, município que sempre prestou serviços públicos nessas regiões. Ao contrário do que desejava a administração local há dois anos, os limites propostos não chegam totalmente à área de domínio da BA-526, a CIA-Aeroporto. A Quinta Portuguesa, em Itinga e o Jardim das Margaridas também passariam integralmente à gestão da capital baiana. Pela proposta da prefeitura de Salvador, o território de Ipitanga que foi cedido à capital em 1969, mas administrado por Lauro de Freitas até poucos anos atrás deixará de figurar nos mapas oficiais

Escola do Jambeiro ganha biblioteca ecológica

A

escola municipal que foi construída junto ao Residencial Lauro de Freitas, no Jambeiro, recebeu em junho uma coleção de 300 livros de literatura infantil, infanto-juvenil e livros-brinquedos. A mini-biblioteca faz parte do projeto Ecoteca, desenvolvido pela Rede Educare e patrocinado pela Coelba por meio do FazCultura. A Rede Educare é uma organização que desde 2007 cria, desenvolve e implementa projetos educacionais, culturais e socioambientais com o apoio da secretaria de Educação dos municípios. Além de proporcionar o acesso a livros, a estrutura também oferece espaço para manifestações artísticas, apresentação de teatro de fantoches, saraus musicais e

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como bairro. A reorganização de Salvador incorpora ao bairro de Stella Maris toda a área de Ipitanga até os limites com Lauro de Freitas. A proposta inicial da revisão territorial deixava toda a região de Ipitanga em território de Lauro de Freitas, mas a versão final recuou aos limites oficiais de 48 anos atrás. O debate na Comissão Especial de Divisão Territorial da Assembleia Legislativa sobre os limites entre Lauro de Freitas e Salvador foi iniciado em 2007, quando a prefeita Moema Gramacho (PT) solicitou uma verificação, levando à realização de uma audiência pública. Ancorado na Lei Estadual 12.057/2011, o projeto de Atualização dos Limites Intermunicipais da Bahia é fruto de parceria entre a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), representante do poder Executivo e responsável pela coordenação do trabalho, com o IBGE e a Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O Território de Identidade Metropolitano de Salvador foi o último a ser tratado.

literários, encenações infantis. A Ecoteca é uma biblioteca diferente, totalmente ecológica, fabricada em uma estrutura revestida com placas de resíduos de caixinhas de leite e suco e tubos laminados de creme dental. Segundo dados da Rede Educare, há no Brasil mais de 125 mil escolas sem biblioteca. Cerca de 70% da população nunca leu um livro e 83% dos municípios do país ainda não possuem salas de cinema ou outra forma de projeção cinematográfica. Por meio do FazCultura, um programa do governo do estado, é possível financiar a atividade cultural mediante abatimento de 5% a 10% do ICMS a recolher, no limite de até 80% do valor total do projeto cultural. Para receber o abatimento, é necessário que a empresa patrocinadora contribua com recursos próprios equivalentes a, no mínimo, 20% dos recursos totais transferidos ao projeto.


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CIDADE

Grupos populares animaram o São João em Lauro de Freitas

E

studantes da rede pública de ensino na cidade formaram os grupos que deram espetáculo na Praça da Matriz neste São João. Além do grupo Família União, os grupos Esquadrão Verde, do Escola Estadual Francisco Pereira Franco e Solange Coelho, da escola municipal de mesmo nome, apresentaram-se para o público. Espetáculos de forró no palco montado na praça completaram a festa. O “Arraiá de Ipitanga” movimentou o Centro de Lauro de Freitas na sexta-feira e sábado de São João. Cada bloco saiu de um ponto diferente seguindo até a Praça da Matriz, cada um com os seus seguidores. Os Cangaceiros de Ipitanga, com 120 Lampiões, 70

COMUNICADO

O Shopping Estação Villas, comunica a quem interessar, que o shopping possui alvará de habite-se número: 32144/12 emitido em 18/12/12 pela Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas. Portanto, reiteramos que o shopping está apto a servir a toda e qualquer modalidade de serviço. Estamos esperando por você! Venha montar seu négocio. A direção.

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Marias Bonitas e 500 populares juntaram-se ao Arrasta Jegue, mais antigo, e ao Tradição Chapéu e Gravata, que desfila oficialmente há sete anos, embora tenha sido criado há mais de 40 anos. Tudo começou com um grupo de amigos que saía pelo bairro vestido de terno, chapéu e gravata e entrava nas casas para comemorar o São João. Já o Arrasta Jegue faz parte das festas juninas de Lauro de Freitas há 16 anos. Na praça, barracas ofereciam comidas e bebidas típicas. Pelo palco, que tem como cenário a Igreja Matriz de Santo Amaro de Ipitanga passaram a própria prefeita Moema Gramacho (PT), os cantores Wellington Pacheco, Eralson Romão, Gereba, Zelito Miranda e Edu Casanova, além das bandas Xote de Anjo, Forró Sobepoeira, 20 Xotear, Filé de Camarão, Kimimo do Forro e os cantores Val Macambira e Ruan Bagano.

Estacionamento em centro comercial em Lauro de Freitas: se quiser, o dono pode cobrar

Estabelecimentos privados poderão cobrar por estacionamento

A

Câmara Municipal de Lauro de Freitas aprovou em junho uma lei que regulamenta a exploração da atividade dos estacionamentos privados na cidade. De acordo com a Câmara, uma lei municipal de 2001 que proibia a cobrança foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Shopping centers, centros empresariais, comerciais, bancos, supermercados, hospitais, hotéis e similares que ofereçam ao público u

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Julho de 2017 | Vilas Magazine | 21


CIDADE

uma área própria ou de terceiros para estacionamento particular estão agora autorizados a cobrar por um tempo mínimo de permanência. A concessão será analisada pelo órgão de ordenamento do uso do solo da prefeitura, devendo o estabelecimento se adequar às normas da legislação em vigor, especialmente quanto a sua localização, acessibilidade e trânsito. Os valores cobrados deverão ser afixados em painel próprio, de fácil visibilidade ao consumidor, contendo de forma descritiva o valor da primeira hora de estadia, e das demais, em acréscimo por tempo superior. O estacionamento particular será obrigado a fornecer, no ato de ingresso e saída do veículo, comprovante que possibilite ao consumidor o controle dos seus serviços. Neste comprovante deverá estar discriminada a entrada e saída do veículo, o preço total a ser pago e o custo do imposto sobre o serviço no documento fiscal a ser entregue ao consumidor.

FOTOS: EDGAR COPQUE

Hospital Menandro de Faria tem novo Centro de Bioimagem

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oi inaugurado em junho o Centro de Bioimagem do Hospital Geral Menandro de Faria (HGMF), que agora conta com dois aparelhos de raio-x e um tomógrafo de 16 canais. Com um investimento de R$ 6 milhões, a modernização do setor é resultado de uma parceria público-privada (PPP) entre o Estado da Bahia e a Rede Brasileira de Diagnóstico (RBD). A expectativa é que a unidade realize mais de sete mil exames por mês,

sendo seis mil exames de raio-x e cerca de 1500 tomografias computadorizadas. O governador Rui Costa (PT), que veio à cidade para inaugurar o novo centro, destacou as vantagens da parceria público-privada que está sendo implantada nos principais hospitais do estado, em função de um ganho de eficiência. Se a máquina quebrar a empresa não recebe o dinheiro do Estado pelos dias que não for prestado o serviço. Para o governador,

Prefeitura pede apoio em infraestrutura de vigilância

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integração entre órgãos e poderes da área de segurança na Bahia foi, mais uma vez, defendida e destacada pelo governador Rui Costa (PT), durante a Reunião Itinerante do Comitê Executivo do Programa Pacto pela Vida em Lauro de Freitas, no mês passado. A ênfase está na infraestrutura. “Já colocamos em Salvador, e vamos ampliar a fibra ótica para todas as instalações e prédios públicos do estado”, disse. “Queremos também ampliar o videomonitoramento municipal de forma integrada às câmeras estaduais”, disse o governador. Essa foi uma das reivindicações da prefeita Moema Gramacho (PT) durante o encontro. De acordo com ela, das 121 câmeras da central de monitoramento do município, apenas 57 funcionam. E no início do ano eram seis. A prefeitura quer ainda instalar “câmeras inteligentes” nas cinco saídas da cidade. Um dos problemas que sempre afetou a infraestrutura de câmeras de videomonitoramento em Lauro de Freitas é a destruição deliberada dos equipamentos para deixá-los fora de ação. Moema contou que a central conta com dois policiais militares acompanhando o monitoramento e pediu que haja também policiais civis de plantão. Salientou que é necessário responder ao que o monitoramento vê. 22 | Vilas Magazine | Julho de 2017

Moema Gramacho (esq.) na reunião do Pacto pela Vida no Caji: “É preciso câmeras e é preciso ter como reagir ao que as câmeras filmam”


isso traz “agilidade na resolução dos problemas e também no cuidado com a manutenção dos aparelhos”. Outra vantagem da parceria é evitar a burocracia que envolve a compra e contratação de serviços de manutenção pelo Estado. Rui Costa disse ainda que em breve será aberto o edital de licitação para o Hospital Metropolitano, a ser construído em Areia Branca. Depois da licitação concluída, “a expectativa é que o hospital fique pronto em, no máximo, um ano e meio”. CENTRO DE BIOIMAGEM De acordo com o secretário estadual de Saúde Fábio Vilas-Boas, o novo setor dará agilidade ao atendimento do hospital, nas redes de urgência e emergência, além de complementar a assistência eletiva a pacientes moradores de Lauro de Freitas e municípios do entorno. “Com esta modernização, teremos maior eficiência no diagnóstico, permitindo realizar exames que antes não eram realizados aqui, como o de angiografia, acelerando o período de internação e permitindo maior resolutividade dos casos”. Os pacientes terão acesso ao Centro de Bioimagem através da regulação do próprio Menandro de Faria, ou por meio de outras unidades de saúde, através da regulação do Governo do Estado. Para os pacientes encaminhados de outros hospitais, além de documento de identificação com foto e cartão do MANU DIAS

SUS, será necessário levar Rui Costa inaugura centro de a solicitação do exame. A bioimagem no Menandro de unidade de imagem funcio- Faria: parceria público-privada na de segunda a sexta-feira, em diferentes turnos, por dia, com quatro radiologistas dedicados unicamente ao Centro. A Rede Brasileira de Diagnóstico mantém convênio com o governo, através de PPP, em onze unidades de saúde distribuídas pela Bahia, onde já foram investidos, no total, R$ 120 milhões, entre reformas de instalações e modernização de equipamentos. De acordo com o presidente da RBD, Stelliu Espinheira, esse tipo de parceria com o Estado consegue oferecer maior agilidade aos pacientes do SUS.

Entre as medidas sociais no âmbito da prefeitura tendentes a reduzir a criminalidade, a prefeita quer tirar da ociosidade o Centro de Excelência e Treinamento PanAmericano de Judô (CPJ) em Ipitanga, criando atividades esportivas para os estudantes da rede pública de ensino no contra-turno das aulas. REUNIÕES ITINERANTES O objetivo das reuniões itinerantes do Pacto pela Vida é discutir resultados e ações de segurança pública e de desenvolvimento social com representantes do Poder Judiciário, da Assembleia Legislativa, do Ministério Público, da Defensoria Pública, e de secretarias e outros órgãos. O encontro de Lauro de Freitas foi o sexto, depois de Feira de Santana, Vitória da Conquista, Eunápolis, Itabuna e Juazeiro. De acordo com o governador, este modelo de encontros nas cidades foi pensado para que, quem conhece os problemas em cada uma das regiões, aponte o que precisa ser feito. “Também temos como objetivo reunir os principais atores dessa rede de segurança e de ações de inclusão social”, disse – “é preciso que as reuniões sejam mantidas, com juízes, promotores, as polícias, mesmo sem a gente aqui”, enfatizou. Julho de 2017 | Vilas Magazine | 23


MEIO AMBIENTE

Comitê científico brasileiro alerta para a elevação do nível do mar

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alvador está entre as cidades brasileiras mais vulneráveis aos efeitos da elevação do nível do mar em decorrência do aumento da temperatura global. A informação é do relatório especial Impacto, vulnerabilidade e adaptação das cidades costeiras brasileiras às mudanças climáticas, que o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) divulgou no mês passado. Foram avaliados os cenários de mudanças climáticas para o Brasil e como as cidades litorâneas poderão ser impactadas pelo aquecimento global. Além de Salvador, Rio de Janeiro, Santos, Fortaleza, Recife, e o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, apresentam riscos associados ao aumento do nível do mar. Apenas o Rio de Janeiro e Santos (SP) estão investindo em relação às mudanças do clima, no sentido de promover ações de adaptação. O relatório recomenda que sejam realizadas novas avaliações de risco de desastres associados ao aumento na frequência de extremos de clima e do nível do mar nas cidades costeiras, sobretudo no Norte e Nordeste do país. Segundo o comitê científico do Painel, esses estudos podem permitir a reavaliação dos riscos para os quais municípios e populações estão preparados. As cidades em zonas costeiras são mais vulneráveis às mudanças climáticas, em especial ao aumento do nível do mar, mas também a eventos como fortes chuvas, tempestades, inundações e erosão costeira, que causa destruição e impactos à infraestrutura desses municípios. O relatório afirma que a maioria das cidades que adotaram políticas voltadas para o clima não conseguem monitorar as metas anunciadas. A infraestrutura de todas essas cidades costeiras é suscetível a impactos físicos, em razão das mudanças climáticas e seus efeitos.

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O relatório especial apresentado em junho é o segundo documento sobre mudanças climáticas e cidades elaborado pelo organismo científico criado em 2009

pelos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e Meio Ambiente. O primeiro foi divulgado durante a Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 21), da Organização das Nações Unidas (ONU), no Marrocos, em 2016. Os cenários mais pessimistas do relatório apontam que o nível do mar pode chegar a subir 40 centímetros até 2050, provocando perdas econômicas de até US$ 1,2 bilhão para as 22 maiores cidades costeiras latino-americanas. Não há mensuração dos custos econômicos provocados pelas mudanças climáticas apenas no Brasil. De acordo com a presidente do comitê científico do PBMC, Suzana Kahn, professora do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), “não há

como evitar os danos, mas sim implantar soluções, no sentido de que possamos nos adaptar a uma nova realidade”. Além do nível do mar, os eventos extremos de chuvas também são citados como causas dos problemas ambientais nas regiões costeiras, acarretando riscos de deslizamento de terras, enxurradas e enchentes.

Entre as recomendações de políticas públicas a adotar pela União, estados e municípios para atenuar os impactos está a construção de um “piscinão” na Praça da Bandeira, centro do Rio de Janeiro, que durante anos passou por inundações e alagamentos. Andrea Santos considerou que reservatório subterrâneo construído naquela área pode ser considerado uma medida de adaptação, já que, na prática, evitou novas enchentes. Além de barreiras de proteção contra a elevação do nível do mar, o comitê científico recomendou que as cidades costeiras preservem seus ecossistemas: o mangue tem um papel fundamental ao conter o avanço da água salina. LAURO DE FREITAS Uma projeção da Climate Central,


REGIÃO

organização de pesquisa e jornalismo sem fins lucrativos que oferece informação científica sobre a mudança climática no planeta, estimou que no futuro toda a avenida Praia de Copacabana, em Vilas do Atlântico, acabará debaixo de água. A praia estará onde hoje existe o rio Sapato. O Centro Panamericano de Judô, em Ipitanga, vai sumir sob as águas em prazo incerto, embora provavelmente superior a cem anos, de acordo com a organização. Buraquinho deixará de existir. Onde hoje existe um bairro inteiro haverá uma nova baía TADEU MIRANDA / PMLF

O rio Sapato, em Vilas do Atlântico: em algum momento, no futuro, a praia será aqui

marítima, com a foz do rio Joanes transferida para a ponte da Estrada do Coco – no cenário mais otimista, com a temperatura global subindo apenas 2 °C até 2100. No pior cenário, com aumento de 4 °C em vez de 2 °C, a baía de Buraquinho será a porta de entrada de um grande estuário, transformando Lauro de Freitas numa península. O objetivo das projeções da Climate Central é alertar o público e os responsáveis pela formulação de políticas climáticas e de produção de energia: o aumento de 2 °C corresponde, nesta análise, a um aumento de 4,7 metros no nível do mar. Um aquecimento de 4 °C, que acontecerá se nada for feito, corresponde a uma elevação de 8,9 metros. Para a maioria das ilhas do planeta – e para a orla de Lauro de Freitas – bom mesmo seria limitar o aquecimento global a 1,5 °C. Mesmo assim, o oceano subiria 2,9 m. As projeções levam em conta o aquecimento causado apenas por dióxido de carbono, um poluente ambiental de longo prazo. Aconteça o que acontecer, de acordo com as projeções da Climate Central, a orla como a conhecemos, em algum momento, no futuro, vai deixar de existir. Julho de 2017 | Vilas Magazine | 25

Iberostar Hotels & Resorts apoia comunidades do Litoral Norte de Salvador

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Iberostar Hotels & Resorts continua desenvolvendo projetos baseados em seu Plano Estratégico RSC (Responsabilidade Social Corporativa) que, com adesão ao Pacto Mundial das Nações Unidas, passou a cumprir os dez princípios universais necessários para promover a responsabilidade social da empresa nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente, ética e assegurar um desenvolvimento sustentável e responsável. Na última semana de maio, os resorts Iberostar na Bahia doaram 100 beliches, 200 colchões, 650 cobertas e 450 travesseiros para as associações de moradores do Litoral Norte do estado. Ao todo, oito comunidades carentes da região de Mata de São João foram beneficiadas: Praia do Forte, Vila Sauípe, Açu da Torre, Malhadas, Campinas, Barra de Pojuca, Barro Branco e Porto de Sauípe. “Procuramos também beneficiar as comunidades onde residem nossos colaboradores, estreitando ainda mais nosso relacionamento e buscando atrair profissionais para os hotéis”, avalia Margareth Oliveira, gerente executiva de Recursos Humanos da Iberostar no Brasil. Desde que comprou o terreno para a construção dos hotéis Iberostar Bahia e Iberostar Praia do Forte, em 2004, a rede assumiu o compromisso com a comunidade local e meio ambiente e, desde então, em parceria com o Projeto Tamar, ajuda na preservação das tartarugas marinhas que se reproduzem na região. Em 2008, a Fundação Iberostar, por meio do programa “Tecendo o Amanhã”, inaugurou, com a colaboração da UNICEF, o Centro em Educação Infantil e Atenção Familiar D. Miguel Fluxá Roselló, em Mata de São João, com capacidade para atender mais de 300 crianças de 0 a 6 anos. Além disso, a rede participa de iniciativas de institutos locais, tais como o projeto “Pontes para o Futuro”, que visa oferecer qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho para os jovens das comunidades; e também mobiliza funcionários e hóspedes a participarem do “Dia Mundial de Limpeza de Praias”, recolhendo toneladas de lixo da Praia do Forte, entre outros projetos.


MOBILIDADE

Bicicleta faz 200 anos com muito futuro pela frente GUN POWDER MA, WIKIPEDIA

Exemplar da bicicleta do barão Karl von Drais exposta no Kurpfälzisches Museum em Heidelberg, na Alemanha: sem pedal.

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ada vez mais cobiçada, a bicicleta comemora este ano o seu bicentenário. Mas a idade só lhe fez bem. A primeira bicicleta foi posta de pé na Alemanha, em 1817, pelo barão Karl von Drais, com base no projeto do “celerífero” – basicamente duas rodas interligadas por uma viga de madeira. A bicicleta do barão ainda não tinha pedais nem corrente, mas já contava com sistema de direção e de frenagem – e daí ser considerada a precursora de uma longa linhagem de “magrelas”. O barão tornou-se também o primeiro ciclista de estrada, cumprindo cerca de 40 Km, na França, em 1818, impulsionando a invenção apenas com os próprios pés. O pessoal que hoje faz esse tipo de percurso em duas rodas conta com modelos sofisticados que podem custar o mesmo que uma moto, mas são entregues sem o motor. Uma bicicleta de boa qualidade,

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em alumínio, pode não custar tanto como os modelos especializados, mas alcançam os R$ 3 mil com facilidade. Alexandre Abrahão, 48 anos, faz hoje os mesmos 40 Km do barão em duas horas, com o “grupo de pedal” de que participa há quatro anos em Lauro de Freitas. Membro da comissão organizadora, ele já pedala há 17 anos. O grupo foi idealizado por Jairo Martins, atleta e lojista do setor. Só em Salvador e região metropolitana há dezenas de “grupos de pedal”. “Em qualquer cidade que você vá, encontra um grupo”, atesta Claudinei Potapczuk, 58 anos – membro do mesmo “pedal”. Basta procurar uma loja de bicicletas para entrar em contato com as organizações. “É mais seguro e mais divertido”, atesta. A motivação inicial foi cuidar dos joelhos. O ciclismo rende preparo físico sem impacto. Potapczuk, que começou a pedalar

em grupo há três anos, coordena o time “light”, fazendo percursos menores e puxando menos na velocidade, que não passa dos 20 Km/h para aproveitar mais a paisagem e o lazer. Há também o nível médio (de 20 Km/h a 28 Km/h), coordenado por Abrahão e Jairo Martins, que dá nome ao pedal. Já o “expert” chega a pedalar a 40 Km/h. O grupo sai da loja New Atlântico Bike, na av. Luiz Tarquínio, todas as terças e quintas-feiras às 20h. Às terças saem os grupos light e médio. No final de junho, eles cumpriram 28 Km e 35 Km, respectivamente, seguindo pela orla até o Abaeté, em Itapoã. Há também roteiros especiais e de fim de semana. No feriado de 15 de junho, por exemplo, eles foram até Arembepe. O “Jairo Martins Pedal Group”, de que


participam Abrahão e Potapczuk reúne hoje cerca de 150 pessoas, mas varia muito o número de ciclistas que efetivamente participam dos passeios. A turma também organiza atividades sociais e de beneficência para ajudar as comunidades que normalmente atravessam nos percursos que cumprem. Para a maioria das pessoas, contudo, a bicicleta é mais do que um instrumento de esporte e lazer. Muita gente usa as duas rodas como principal meio de transporte, mesmo em cidades como Lauro de Freitas, onde pedalar nas ruas é desafiar a sorte. A ausência de ciclovias expõe os ciclistas a riscos permanentes em confronto com motoristas que vêm a via pública como território exclusivo dos carros. A prefeitura vem prometendo implantar ciclovias na cidade, mas não foram ainda revelados os dados concretos desse plano. A bicicleta como meio de transporte é uma ideia que motiva a organização não governamental (ONG) Rodas da Paz, de Brasília (DF), empenhada em garantir espaço para a bicicleta nas ruas. No ano passado, em parceria com a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e com o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), a ONG distribuiu 34 bicicletas usadas e recondicionadas a um grupo de refugiados. Alexandre Abrahão (esq) com o grupo durante descanso do pedal numa trilha

Grupo reunido para o roteiro local em noites de terça-feira: mais seguro e divertido. Abaixo, Claudinei Potapczuk (centro) atravessa rio com amigos e as bicicletas durante percurso de pedal

Luiz Godinho, porta-voz da Acnur, destacou os benefícios sociais do uso da bicicleta como “fator fundamental de mobilidade, que ajuda também na integração social das pessoas”. CRESCIMENTO Em Lauro de Freitas, onde os motoristas ainda não foram convencidos sequer a respeitar a faixa de pedestres, o respeito ao ciclista permanece um objetivo remoto. A implantação de ciclovias – e não apenas de ciclofaixas – desempenha papel fundamental na mudança de comportamento.

O Código de Trânsito Brasileiro estabelece que “os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres”. Na prática, contudo, os motoristas locais frequentemente travam uma guerra destinada a garantir prioridade absoluta para si mesmos em qualquer situação. Os outros que se cuidem. Nesse cenário, os ciclistas vivem sustos constantes. Apesar de tudo, há cada vez mais ciclistas nas ruas brasileiras. A indústria do setor não escapou à crise econômica u Julho de 2017 | Vilas Magazine | 27


MOBILIDADE

Ciclovia no Rio de Janeiro: há promessa de implantação em Lauro de Freitas

que abala o país desde 2014, registrando uma queda de 11,5% na produção de bicicletas em 2016, em relação ao ano anterior. Mesmo assim, foram produzidas 670 mil unidades, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). O setor projeta um crescimento de 19% em 2017, recuperando o terreno perdido. Já a exportação de bicicletas aumentou quase 28% no ano passado – com importações em queda de 44,4%. Ainda assim, o brasileiro comprou mais de 135 mil bicicletas estrangeiras no ano passado. Os três principais fornecedores para o mercado brasileiro em 2016 foram a China (115.841 unidades), Taiwan (11.013 unidades) e Portugal, com 3.918 bicicletas. No pequeno país europeu a bicicleta vive um momento de forte expansão, com a produção alcançando mais de 1,5 28 | Vilas Magazine | Julho de 2017

milhão de unidades, mais que o dobro da indústria brasileira – refletindo um crescimento de mais de 30% nos últimos anos. As bicicletas mais vendidas por lá custam entre R$ 1000 em média – custo similar aos modelos brasileiros, mas também é possível encontrar produtos que chegam a valer R$ 37 mil. BICICLETA BRASIL No Brasil o uso da bicicleta ainda precisa de estímulos. Um deles pode vir do Congresso Nacional, onde a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou no mês passado um projeto de lei que cria o Programa Bicicleta Brasil, a ser implantado em municípios com mais de 20 mil habitantes. De autoria do deputado Jaime Martins (PSD-MG), o texto deve seguir para apreciação do Senado. O “Bicicleta Brasil” seria financiado

por 15% do montante arrecadado com multas de trânsito. O objetivo é promover a integração das bicicletas ao sistema de transporte público coletivo, apoiar estados e municípios na construção de bicicletários em terminais do sistema de transporte público coletivo e na construção de ciclovias e ciclofaixas, além da instalação de banheiros públicos e bebedouros em locais estratégicos para ciclistas. O programa deve também promover campanhas de divulgação dos benefícios do uso da bicicleta. Essas iniciativas também poderão ser financiadas com recursos da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide-combustíveis), por meio de alteração na lei que fixa os critérios desse tributo e no Código de Trânsito Brasileiro. A execução do programa caberia aos setores público e privado ligados ao trânsito e à mobilidade urbana.


EXEMPLO DE FORA Em países que priorizam seus cidadãos, o meio ambiente e a qualidade de vida, a bicicleta faz parte do cotidiano. A Dinamarca deu uma verdadeira aula a respeito disso no ano passado, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, exibindo modelos especiais para crianças do jardim de infância, para fazer compras em supermercados, bicicletas-táxi para conduzir idosos de asilos em passeios pela cidade e até bicicletas que produzem energia para carregar baterias de telefones celulares. A variedade foi exposta na Casa da Dinamarca na Rio 2016. A ideia do pavilhão era mostrar que a bicicleta pode substituir os carros, com vantagens não só para o meio ambiente, mas para a melhora da qualidade de vida das pessoas. O relações-públicas da Casa da Dinamarca, Brunno Fischer, contou que, ao contrário do que ocorre no Brasil, na Dinamarca o uso da bicicleta é uma escolha cultural. Ao contrário dos brasileiros, que têm “a cultura do carro”, 90% dos dinamarqueses dão preferência à bicicleta e 51% da população da capital vai trabalhar pedalando todos os dias. Com ciclovias construídas em nível mais alto que as ruas, a capital dinamarquesa, Copenhague, transformou o ciclismo urbano em estilo de vida sustentável, integrado ao dia a dia dos moradores. As ciclovias têm semáforos próprios e pontes específicas. Além da infraestrutura que estimula a atividade, o ciclismo na Dinamarca é disciplina escolar. A partir dos três anos, as crianças ganham uma “carteira de motorista” de bicicleta. “Elas começam a aprender na escola, no jardim de infância, como se fosse matéria obrigatória, e depois ganham a carteira”, contou o porta-voz – “a bicicleta é levada muito a sério na Dinamarca”. Tal como ocorre em relação aos carros, é proibido dirigir bicicletas se o condutor consumir bebida alcoólica. Além disso, é preciso sinalizar quando a

A BICICLETA NA DINAMARCA: 90% da po­pu­lação prefere esse meio de transporte. Só em Copenhague, por exemplo, metade dos moradores usa a bicicleta para ir trabalhar

bicicleta vai entrar à direita ou à esquerda. Se o ciclista pedalar sem luz ou sem capacete, paga multa. Mas a cultura da bicicleta na Dina-

marca não é obra de elevada consciência ambiental. De acordo com Fischer, foi a pobreza do país no início do século passado – um cenário igual ao brasileiro atual – que levou à adoção das bicicletas como meio de transporte dos dinamarqueses. “O país saiu arrasado da guerra”, contou. A sustentabilidade está embutida nessa opção, mas “o interesse pela bicicleta não foi proposital”. Agora é um estilo de vida e um símbolo da vida na Dinamarca.

Julho de 2017 | Vilas Magazine | 29


TURISMO & LAZER

MONTE RORAIMA

Conquista do cume revela rios, vales e lendas Formado há mais de 2 bilhões de anos, monte é lugar sagrado para povo pemon e desafio para amantes do trekking. Só no ano passado, 4.000 turistas subiram na montanha, que fica na fronteira de Brasil, Venezuela e Guiana.

A

ntes presença única nos arredores do monte Roraima, o povo pemon, nativo da região, hoje convive com turistas do mundo todo. São amantes do trekking que vão para lá fascinados com a chance de caminhar até o topo dessa montanha gigantesca, estrela da fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Só em 2016, cerca de 4.000 aventureiros estiveram no cume do tepui – o nome refere-se à formação ao estilo mesa –, de incríveis 2.734 metros de altura e 55 quilômetros quadrados de área. Tal façanha é possível graças a Everard im Thurn, botânico inglês que explorou a área nos séculos 19 e 20 e deixou vários relatos, facilitando a demarcação das trilhas. O desafio tem como ponto de partida o lado venezuelano do monte (o país detém 85% de seu território, a Guiana, 10%, e o Brasil, 5%). Depois de chegarem em Boa Vista, capital de Roraima, grupos de viajantes brasileiros vão de carro à cidade de Santa Elena de Uairén e, de lá, partem num veículo 4x4 para o povoado de Paraytepui, onde a caminhada começa. É ali que acontece o primeiro contato com os guias locais, obrigatórios no trekking e peça fundamental para conhecer o misticismo do lugar. Formado há mais de 2 bilhões de anos, o monte Roraima é, para os indígenas pemon, um lugar sagrado, a mãe das águas, por reunir a 30 | Vilas Magazine | Julho de 2017

nascente de vários rios. Antes de subir nele, os indígenas pedem permissão a Makunaima, guerreiro guardião do tepui. Com mochilas nas costas, bota de trekking nos pés e câmera a postos, os turistas começam a caminhada. São dois dias para chegar à base da montanha, um terceiro para subir ao topo, dois para explorar suas belezas e outros dois para retornar a Paraytepui, pelo mesmo caminho. Apesar de longo – são 16 quilômetros de trilhas até o acampamento do rio Tek, onde as barracas são armadas –, o trajeto do primeiro dia é tranquilo. Pode ser vencido em cinco horas, tendo como pano de fundo o monte Roraima e seu “tepui irmão”, o Matawi-Kukenán. O dia seguinte começa cedo, com um café da manhã reforçado. O percurso de sete quilômetros até o acampamento base, aos pés da montanha, tem muitas subidas, exigindo outras cinco horas de andanças. O ponto alto são as travessias dos rios, que também servem de quebragalho para um banho diário, ao menos para quem suporta águas geladas. De pé novamente, eis o maior teste físico da aventura: a subida da montanha. O trajeto de 4,5 quilômetros tem terreno íngreme e requer habilidade com as mãos, porque há trechos em que as pedras formam degraus altos. Mas o monte Roraima reserva cachoeiras e mirantes

como pontos de descanso. Quando o cume é alcançado, é hora de contemplar vistas exuberantes. Graças a características singulares de terreno e clima, o que se vê lá em cima é distinto de qualquer outra paisagem. Os dias no topo são reservados para explorar as formações rochosas com aspecto circular, os vales repletos de cristais, o ponto triplo, que marca o encontro dos territórios de Brasil, Venezuela e Guiana, e os mirantes. O mais famoso deles é o La Ventana, de onde se vê, em um dia claro, uma ponta do monte Roraima e todo o Kukenán, além de várias cachoeiras. Naturalmente úmida, a montanha guarda ainda rios e piscinas naturais. Estas, apelidadas de jacuzzis, são utilizadas para banho – geladíssimo, de novo. Destacam-se ainda as plantas e os animais endêmicos. Um virou símbolo do local: o Oreophynella quelchii, sapinho negro pouco maior que uma unha. Entre uma caminhada e outra, o grupo descobre fendas e cavernas impressionantes e passa por hotéis – nome dado a locais escolhidos para montar acampamento, pela cobertura natural de pedras e proximidade de água. As duas noites lá em cima são suficientes para ter a certeza de pisar numa terra, no mínimo, diferente. Antes de desmontar acampamento e retornar à civilização, em dois dias de caminhadas montanha abaixo, acordar antes do sol nascer é a dica de ouro. A paisagem inóspita, o silêncio, o vaivém de nuvens e os primeiros raios de luz levam mesmo a pensar que os pemon têm razão: há algo de sagrado no monte Roraima. u Leia mais na página 32. Bruna Tiussu / Folhapress (texto e foto)


Topo do monte Roraima

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TURISMO & LAZER

GUILHERME TOSETTO / FOLHAPRESS

Vista aérea de uma das faces do monte Roraima

PARA CIMA

Prepare sua viagem ao monte Roraima

COMO IR As principais operadoras que atuam no local oferecem duas opções: pacote básico de sete dias (duas noites no topo), com serviços a partir de Boa Vista até o retorno à cidade, como transporte terrestre e apoio no trekking; e pacote completo, que inclui também duas noites de hospedagem em Boa Vista e transfer de ida e volta para o aeroporto

que acampará todas as noites durante o trekking

Roraima Adventures Pacote básico, R$ 2.950 por pessoa, em grupos de pelo menos três pessoas. Pacote completo, R$ 3.850. Tel.: (95) 3624-961; roraimabrasil.com.br

O QUE LEVAR Itens de higiene pessoal, medicamentos, roupas de trekking, casaco para noites frias, gorro, luvas, óculos de sol e lanterna

Pisa Tur Pacote básico, R$ 2.950 por pessoa, em grupos de pelo menos três pessoas (saídas a partir de 30 de junho). Pacote completo, R$ 3.750 (saídas a partir de 30 de junho). Tel.: (11) 5052-4085; pisa.tur.br Cia Eco Pacote básico, R$ 2.950 por pessoa, em grupos de pelo menos três pessoas (saídas de julho a dezembro). Pacote completo, R$ 3.850 (saídas de julho a dezembro). Tel.: (11) 5571-2525; ciaeco.tur.br GRAU DE DIFICULDADE Médio. Não é preciso ter experiência prévia, porém as caminhadas são realizadas em terrenos acidentados, exigindo bom condicionamento físico. O viajante também deve estar ciente de 32 | Vilas Magazine | Julho de 2017

COMIDA Durante o trekking as refeições são fornecidas pelo receptivo e preparadas pelos guias: café da manhã, lanche, almoço e jantar. Há desde frutas e pães até ovos e massas

QUANDO IR A montanha pode ser visitada durante todo o ano. Mas, entre agosto e março, as chuvas são menos abundantes, o que facilita as caminhadas DOCUMENTOS Na fronteira entre Brasil e Venezuela, é preciso apresentar documento de identidade original e certificado internacional de vacinação atestando vacina contra febre amarela ONDE FICAR (em Boa Vista) Aipana Plaza Hotel. Diária a partir de R$ 275. Tel. (95) 3212-0800; aipanaplaza.com.br Zii Hotel Boa Vista. Diária a partir de R$ 222,27. Tel. (95) 3194-2150; ziihotel.com


Começa espetáculo das jubartes em Abrolhos

E

stá aberta mais uma temporada das baleias jubartes no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no litoral sul da Bahia. Como ocorre ao longo dos anos, as jubartes migram das água frias da Antártica para acasalamento, procriação e cuidados iniciais de seus filhotes. O Banco dos Abrolhos representa o principal berçário das baleias no Atlântico Sul, sendo o Arquipélago dos Abrolhos o ponto de maior concentração desses carismáticos animais. As primeiras baleias foram observados por visitantes em 4 de junho. “Desde então, todos os dias turistas e funcionários da equipe do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos têm avistado, relatado e registrado fotos desses animais”, diz o chefe da unidade de conservação, Fernando Repintaldo, analista do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A observação das baleias jubartes é um dos principais atrativos do parque. O ponto alto da temporada de observação se dá entre os meses de agosto e setembro. Os passeios são realizados por meio de empresas credenciadas para operação da visitação comercial. Para isso, elas cumprem todos os requisitos de qualidade e segurança no atendimento aos turistas, em sintonia com o ordenamento da visitação no parque nacional marinho. Além das baleias, os visitantes podem contemplar toda

a beleza singular do Arquipélago dos Abrolhos, realizar uma trilha monitorada em uma das ilhas que abriga centenas de ninhos de aves marinhas e praticar o mergulho livre e/ ou autônomo no ambiente de maior diversidade recifal de todo o Atlântico Sul. NORMAS PARA OBSERVAÇÃO No Brasil a atividade de observação de cetáceos é regulada por portaria específica do Ibama que apresenta normas de conduta que devem ser respeitadas, como manter distância mínima de cem metros dos animais, sendo que a partir de tal distância os motores das embarcações devem permanecer em ponto neutro, e a aproximação passa a ser uma decisão das baleias. Não é permitido mergulhar nem nadar junto a esses animais, devido aos riscos de acidentes que podem ocorrer no contato acidental entre os animais e humanos. Atualmente, o Instituto Baleia Jubarte mantém monitoramento regular das temporadas reprodutivas das jubartes no Brasil, em especial na região do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, onde são monitorados aspectos da saúde, do tamanho das populações e da interação entre esses animais com as embarcações que trafegam na região. Até 2016, a população das jubartes em águas brasileiras foi estimada em 17.000 indivíduos. Julho de 2017 | Vilas Magazine | 33


COMPORTAMENTO

N

um piscar de olhos, eles apareceram. Em bancas, lojas de brinquedos, anúncios on-line, na escola, na mão de alguma criança ou adolescente na sala de espera do dentista. A fórmula dos spinners é simples: basta encaixar um deles entre os dedos polegar e indicador e girar. Um rolamento no centro permite o movimento, enquanto pesos iguais equilibram as pontas. Intuitivamente, você gira de novo, de novo, resmunga quando o objeto cai e comemora quando gira mais do que o esperado. Num ciclo vicioso, você roda mais uma vez... Se algum dia você já rodopiou um caderno sobre a ponta de uma caneta, já entendeu como funciona. A terapeuta ocupacional Ana Luiza

BRINQUEDO DE GIRAR Febre entre jovens, spinners até distraem, mas ainda faltam estudos que mostrem benefícios para a saúde

Andreotti explica que o spinner é um ‘fidget toy’, brinquedo manipulável indicado para quem é inquieto, que não consegue organizar o comportamento ou se manter

atento. O brinquedo, que é febre no mundo todo, chegou ao Brasil com a mesma promessa com que é vendido lá fora: auxiliar crianças com deficit de atenção ou do espectro autista. Há quem diga também que ele pode combater a ansiedade e o estresse. “De todos os ‘fidgets toys’ que existem, ele não é o melhor. Não mexe muito com as mãos nem usa outros estímulos sensoriais. É um objeto da moda, como foi o ‘beyblade’ (tipo de pião, originado a partir de um desenho de mesmo nome, com lançadores, hastes de plástico e pista de combate). Não é um brinquedo que faz uma grande diferença no comportamento de uma criança, que a deixa menos ansiosa, menos estressada ou

DANILO VERPA / FOLHAPRESS

Noah Akabane, 6, participa de oficina sobre confecção e o funcionamento dos spinners

34 | Vilas Magazine | Julho de 2017


A ideia do “mecanismo de guma criança ou adolescente na sala de espera do dentista. ação” do objeto é dar um desA fórmula dos spinners é tino à inquietude das mãos. simples: basta encaixar um “Se você dá um estímulo sendeles entre os dedos polegar sorial para uma criança ou e indicador e girar. Um rola- para um adulto, isso canalimento no centro permite o za aquela ‘porta sensorial’, o movimento, enquanto pesos que permite que as capacidaiguais equilibram as pontas. des tensional e motora meIntuitivamente, você gira lhorem”, diz Guilherme Pode novo, de novo, resmunga lanczyk, professor de psiquiquando o objeto cai e come- atria da criança da Universimaismais atenta determinadas situações”, de São Paulo (USP). mora quando gira doemdade Andreotti. Algo semelhante acontece que o esperado. diz Num ciclo vise utiliza uma músicioso, você roda mais umado quando A ideia “mecanismo de ação” do vez... Se algum dia você já ro- ca de fundo para ajudar na objeto é dar um destino à inquietude das dopiou um caderno sobre a concentração no trabalho ou mãos. “Se vocêem dáalguma um estímulo leitura.sensorial “A gente a ponta de uma caneta, já enpresta atenção música. Ela tendeu como funciona. para uma criança ou para umna adulto, isso A terapeuta ocupacional nos dá um estímulo sensorial canaliza aquelae, ‘porta sensorial’, o que com isso, conseguimos deAna Luiza Andreotti explica que assempenhar capacidades tensional e a tarefa com mais que o spinner épermite um “fidget facilidade”, diz Polanczyk. toy”, brinquedo motora manipulável melhorem”, diz Guilherme Polanindicado para quem é inquieczyk, organiprofessor de psiquiatria da criança ORIGEM to, que não consegue da Universidade de São Paulo (USP). zar o comportamento ou se Sem patente, o spinner é manter atento. fabricado e comercializado Algo semelhante acontece quando se O brinquedo, que é febre por diversas empresas, muiutiliza uma deofundo para ajudar no mundo todo, chegou aomúsica tas sem registro do Inmetro, na concentração no trabalho ou em alBrasil com a mesma promes- que não o recomenda para sa com que é vendido lá fora: crianças com menos de guma leitura. “A gente presta atenção na6 auxiliar crianças com deficit anos. Mas, mesmo sem regisdáoficial, um estímulo sensorial de atenção ou domúsica. espectroEla au-nostro esse recente “boe, com isso, conseguimos desempenhar a tista. Há quem diga também om” fez emergir uma possíque ele pode combater a ancriadora do tarefa com maisvel facilidade”, dizartefato. Polanczyk. siedade e o estresse. A americana Catherine “De todos os ‘fidgets toys’ Hettinger, que tem miastenia ORIGEM que existem, ele não é o me- grave, doença autoimune que lhor. Não mexe muito com as causa fraqueza Sem patente, o spinner é muscular, fabricadodiz e mãos nem usa outros estímu- ter criado o objeto em 1993 comercializado por diversas empresas, los sensoriais. É um objeto da para interagir com a filha sem o Sarah, registro docom Inmetro, que moda, como foimuitas o ‘beyblade’ hoje 30 anos. Ao (tipo de pião, originado a par- jornal britânico “The Guardinão o recomenda para crianças com metir de um desenho de mesmo an”, Hettinger diz que está sanos de 6hasanos. tisfeita Mas, mesmo sem registro nome, com lançadores, com o sucesso e que o oficial, fez emergir tes de plástico e pista de esse com- recente fato de“boom” não ganhar dinheiro

DE GIRAR

alguma evi Para And fracassa no vo, que é m var a mus brinquedo

Febre entre jovens, spinners até distraem, mas ainda faltam estudos que mostrem benefícios para a saúde SPINNERS Conheça o brinquedo que caiu no gosto de crianças e adolescentes O que é? É brinquedo manual conhecido como "fidget toy"

Tamanho? Cabe na palma da mão e a maioria das versões tem três pontas —mas há opções com duas, quatro, cinco ou seis

Do que é feito? De plástico, metal e com detalhes emborrachados, embora existam versões de acrílico e madeira

Como é feito? A partir de um rolamento, rolamento no centro, e de eixos com pesos iguais na extremidades

Preço? É bastante variável: há versões de R$ 10 e outras que podem custar até R$ 300

dIvERsã

Mas, com po qualque pre sua fun ainda agrad tem aliviad lhos se dive brincadeira tual. É o ca Silva Santo que conhe com um am o largou ma Em uma da pela Ofi ker no Lar d tituição be Paulo (SP) pela report deu a fazer ner com m sos. “É mui to de deixádiz. Por isso pervisionar Crianças ná-los nas rosto, no joe cotovelos, nobras. Se n do, as hélic dem atingir partes sens Para pais deficit de ate o cuidado d O tiro pode s a criança se com o movi

uma possível criadora do artefato. A americana Catherine Hettinger, que que não tem efeito”, pondera Polanczyk. desde que conheceu o brinquedo com tem miastenia grave, doença autoimune A explicação de Enio Roberto de um amigo da escola, não o largou mais.citos dobra no có Que todo mundo precisa dormir camundongos. Pa todo santo dia, que todocausa mundo sabe. muscular, diz ter criafraqueza Andrade, psiquiatra do Hospital SírioEm uma oficina organizada pela Ofique Mas como e pordo que a privação de o objeto em 1993 para interagir com a Libanês (SP), segue a mesma linha. cina Mundo Maker no Lar das Crianças, o fator que pa reciclagem é o acú sono afeta o cérebro, a pontohoje de le-com 30 anos. Ao jornal filha Sarah, “Vendem como um produto para tratar instituição beneficente em São Paulo, membrana celula var à morte se for completa e inins u z a n a h e r c u l a n o h o u z e l britânico “The Guardian”, Hettinger diz estresse, ansiedade, deficit de atenção acompanhada pela reportagem, ele acordado. o prob terrupta por mais de uma semana, que está satisfeita com o sucesso e que e hiperatividade e autismo, mas não há aprendeu a fazer seu próprio spinner diante também en a neurociência ainda não entendeu. o fato de não ganhar dinheiro com osossego que sofrem estudoaté científico literatura médica que comparece madeira e parafusos. muito células do sistem benéfico —mas, se“É a falta delegal conseguem Não é por falta de esforço, pois não Apósnavários dias acordados, tes no cérebro: a m sono é crônica, a situação muda. finalmente morrerem. valide isso. Écérebros manter suas cobaias re- não seriaacordadas sua invenção a entristece. um modismo sem respaldo, e eu gosto de deixá-lo girar no nariz”, de camundongos essa ativação p A equipe impediu que camundonFoiTalvez, usandose essas mosquinhas que ser quer cientistas acordados. “Estou emocionada. fosse mas pode que, no futuro, surja algudiz. Por isso é necessário supervisionar entraram em uma perigosa rebro em um esta gos dormissem por um dia introduCirelli colaboradores Chiara Cirelli que o diga. neuroalgum tipoA de produto deeexploração e descobriram ma evidência.” hiperatividade imunológicaa brincadeira. zindo constantemente objetos no- dade imunitária q cientista dauniversidade de Wiscon- que durante o sono acontece a reciminha única motivação fosse fazer diPara Andreotti, o spinner fracassa no Crianças de manteve empiná-los so, talvez até se a vos em suagostam caixa, ou ou- nas sin em Madison começou sua carrei- clagem de sinapses, as conexões ennheiro, eu teria uma atitude diferente.” principal objetivo, que é mexer a mão e extremidades do rosto, no joelho, di- pés Quanto tempo ra mais de quinze anos atrás dando tre neurônios através das quais a ati- rante o dia —papel dos astrócitos, tros animais acordados por até 5nos Asdetais propriedades benéficas à influencia ativar a amusculatura. um brinquedo e nos cotovelos, outras rotatómanobras. para a micróglia s as usando umaentre plataforma um neurônio células que “É nutrem neurônios. tapinhas em garrafas cultivo de vidade de não se sabe. Na dú obrigava os animais a per- do de outros, base Sem do funcionamento seguempa-como incógnita. em um estudo que saiu no “Jour-Se ria mosquinhas (D.saúde melanogaster) muito passivo.” nãoque houver cuidado, as hélices mir bem, e todas a manecerem movimento —ouecaido cérebro. sinapses envol- nal of Neuroscience”, Cirelli e equipeobjeto ra mantê-las em atividade. assimcientífico qualquer Foi estudo queReciclar esmiúce podemem atingir os olhos demais riamsensíveis na água,do coisa que detestam. Suzana Herculano-Houzel é ve especialistas eliminar sinapses inativas eDIVERSÃO trans- mostram que, na falta de sono, um ti-partes que fez uma descoberta primordial as promessas, muitos concorpo. professora da Universidad Após um dia sem dormir, o núme- livro “The Human Advanta paraaneurociência:o“repouso”das ferir material para outras que parti- po de reciclagem sináptica acontece sultados se recusaram a falar sobre o Mas, como um passatempo qualquer, Para pais de crianças com deficit de moscasésonolegítimo,emoscasque ciparam de novos aprendizados du- mesmo no cérebro acordado, o que ro de sinapses recicladas por astró- suzanahh@gmail.com assunto alegando desconhecimento ou o spinner cumpre sua função de entreter atenção ou autismo, o cuidado deve ser que o brinquedo não tem aval para tal. e ainda agrada pais que se sentem alivia- redobrado. O tiro pode sair pela culatra “Não tem como concluir, de forma ca- dos de verem os filhos se divertindo com se a criança se irritar facilmente com o tegórica, se eles funcionam ou não. Mas a uma brincadeira que não seja virtual. É o movimento. ausência de evidência não é evidência de caso de André Luiz Silva Santos, 7, que, Sarah Mota Resende / Folhapress.

Mais uma razão para dormir bem

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COMPORTAMENTO

Educação mais que física O terapeuta e educador André Trindade, autor de “Mapas do Corpo”, coloca a educação postural e do movimento no centro do debate sobre desafios pedagógicos e comportamentais de crianças e adolescentes

O

terapeuta e educador André Trindade quer colocar o corpo na sala de aula e usar ossos, articulações e músculos como instrumentos pedagógicos, tanto para a aquisição de conteúdos quanto para enfrentar questões comportamentais. Suas propostas, baseadas em estudos no Brasil e no exterior sobre psicomotricidade e organização postural e em quase 20 anos de prática em escolas e consultório, estão reunidas no livro “Mapas do Corpo - Educação postural de Crianças e Adolescentes”. Com prefácio da psicóloga e consultora em educação Rosely Sayão, a obra foi lançada em novembro, no Rio, com uma aula de movimentos.

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No livro, a postura e o corpo são abordados no plano concreto (muscular e ósseo, por exemplo) e em seus aspectos simbólicos. “Postura não é só física, é a forma como a criança e o adolescente se colocam no mundo e se expressam”, afirma Trindade. É também um jeito de aprender conteúdos curriculares: problemas da física, como os de deslocamento no espaço podem ser incorporados com exercícios como andar pela sala em várias direções. O mais importante, porém, é usar a consciência corporal para desenvolver as tais competências socioemocionais, conceito em voga entre educadores e

responsáveis pelas políticas educacionais. “Quando comecei a trabalhar com escolas, em 1997, as questões que mais preocupavam os educadores eram falta de concentração, aumento da agressividade e dificuldade de os alunos se sentarem direito e se organizarem”, conta Trindade. Para ele, não dá para ensinar o aluno ou o filho a se sentar ou se concentrar com a repetição de regras. O caminho, ilustrado no livro com “exercícios” que mais parecem brincadeiras, é mostrar possibilidades de organizar o corpo, do apoio dos pés no chão ao olhar que alinha a cabeça em relação ao tronco. DE FORA PARA DENTRO O bê-á-bá corporal é explicado por etapas em “Mapas do Corpo”. Começa na pele, o órgão mais visível e palpável. A epiderme, sua camada mais superficial, define os limites e é a forma primordial de contato com o mundo. “Muitas crianças batem nas outras


como forma de entrar em contato. É preciso ensiná-las a tocar a si mesmas e aos outros fora do espaço competitivo”, diz Trindade. A atividade, como a massagem com bola de tênis, é uma maneira de descobrir novas formas de relacionamento físico. A bolinha rolando nas costas, além de ajudar a relaxar músculos, diminui a inibição e o medo do contato direto com outro corpo. Da pele o autor passa aos ossos, que sustentam e dão estrutura ao corpo. “O esqueleto tem que sair do armário do laboratório de ciências para ficar no meio da sala de aula”, brinca. Trindade afirma que tomar consciência dos próprios ossos (por exemplo, dando leves soquinhos na tíbia ou no fêmur) melhora a concentração: é uma

forma de trazer a criança ou adolescente que está voando com seus pensamentos de volta à atividade presente. (Funciona também com adultos). CORPO VIVO Com atenção, concentração e consciência corporal, a próxima etapa é trabalhar músculos e articulações. “Movimento é o corpo vivo”, diz Trindade. Já mover-se desordenada e incessantemente pode ser um dos sintomas levados em conta em diagnósticos de hiperatividade. Na visão de Trindade, um sintoma social. “Hoje, tudo estimula para fora: a pressão por acumular conteúdos na escola, a sociedade exigindo milhares de habilidades, o mundo acontecendo em

tempo real nos aparelhos eletrônicos. As crianças e jovens não têm tempo de recolhimento na escola ou em casa.” Por isso ele insiste em dois movimentos básicos, de extensão (expansão) e enrolamento (recolhimento). Este último serve como uma retomada do próprio centro, um momento importante para absorver as demandas externas e controlar o estresse. “Isso muda a vida dos jovens, dos professores e dos pais porque diminui a agressividade, aumenta a concentração e a prontidão”, afirma. E, sim, melhora a postura e pode evitar muita dor de cabeça de quem passa horas estudando para uma prova ou grudado nas redes sociais. Iara Biderman / Folhapress.

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EMPRESAS & NEGÓCIOS

ENGAJAMENTO NO VAREJO

Consultora dá três dicas para que o líder detecte o nível de engajamento de sua equipe

E

ngajamento é o estado de prontidão do colaborador para alcançar resultados, para a promoção da produtividade. O colaborador engajado, portanto, é aquele que participa voluntariamente das demandas da organização na qual trabalha, propõe soluções, dá ideias e critica com foco na melhoria contínua. O grande desafio das organizações, entretanto, é conquistar, desenvolver e manter pessoas engajadas em suas equipes. “E esse, mais uma vez, é o papel do líder”, alerta Raquel Castro, coach, especialista em educação corporativa. Raquel conta que, em 2015, uma pesquisa mundial realizada pela consultoria Deloitte, com 2,5 mil líderes de recursos humanos de empresas de 94 países, sendo 40 deles brasileiros, revelou que apenas 13% dos colaboradores são engajados. O que isso pode significar, por exem-

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plo, numa rede varejista? “Vendas me­nores, clientes insatisfeitos e ticket médio abaixo do desejado são apenas os indícios observados em curto prazo quando a empresa varejista tem baixo engajamento de seus colaboradores. Se pensarmos em longo prazo, o resultado pode ser catastrófico”, pondera. A boa notícia que a coach traz é que é possível desenvolver, no líder, competências para que ele possa engajar suas equipes. “Tais aptidões são desenvolvidas com aporte teórico, ferramentas e conhecimento acadêmico, mas, acima de tudo, com troca de experiências e estudo de casos. Na nossa empresa, por exemplo, temos um módulo específico de engajamento, no qual o mentorado recebe todo o conhecimento e, depois, é orientado a realizar atividades durante a semana, para colocar o que aprendeu em prática. Na sessão seguinte, ele já inicia o

encontro com a avaliação prática de seu desempenho, contando como se saiu e apontando o que deu certo e errado, para que os mentores possam ajudá-lo a corrigir a rota”, ilustra. O processo de tornar uma equipe engajada é contínuo. “Mas, como tudo, tem um começo. E esse é, justamente, um ponto importante: perceber a falta de engajamento e agir o mais rápido possível, de forma assertiva, com técnicas eficientes, que possam promover resultados práticos”, diz Raquel.


Raymundo Dantas Escritor e palestrante, especializado em Marketing no Varejo, com Mestrado na Espanha. E-mail: raymundo_dantas@uol.com.br

U Ela, aqui, dá três dicas que podem ajudar o gestor a avaliar se sua equipe está realmente engajada: DICA 1 Seus colaboradores demonstram real interesse pelo sucesso dos negócios da empresa? Ou você já percebeu uma torcida velada para acabar a luz no shopping ou acontecer outra coisa que os livre do trabalho? Pense nisso: uma equipe que realmente está envolvida no sucesso do negócio não procura subterfúgios para se livrar do trabalho que precisa ser feito. DICA 2 As equipes estão integradas, com foco em produtividade? Ou há ‘panelinhas’, fofocas, bullying no time? Um clima organizacional produtivo – e lucrativo – precisa ter profissionais sem melindres, interessados no sucesso do negócio, acima de tudo. Quando a equipe se enxerga como tal, deixando interesses pessoais em segundo plano, o resultado positivo vem para todos, naturalmente. DICA 3 As pessoas demonstram interesse em crescer na empresa? Acreditam nos critérios de avaliação e promoção? Ou há queixas pelos corredores? O gestor é a peça-chave para o aumento do engajamento de uma equipe, ele pode e deve aprender a elevar o engajamento do seu time. E o primeiro passo para isso é, justamente, ele mesmo ter um alto nível de engajamento. Você, líder, já notou o seu nível de engajamento?

Você e a globalização

ma das palavras mais citadas hoje em dia é globalização. Tudo se explica pela tendência fatal de que, logo logo, todos falaremos a mesma língua, usaremos as mesmas roupas e comeremos os mesmos alimentos. O mundo todo vai ficar igualzinho: falando inglês, vestindo jeans e comendo hamburguer. Alem disso, só haverá espaço no mercado para as grandes corporações, de tal modo que, o melhor que você faz é vender sua empresa para uma delas, antes que a sua já não valha mais que dois centavos. Não embarque nessa onda de glo...bobalização! Você, por exemplo, conhece bem as seguintes multinacionais, suas fornecedoras: Unilever, Procter & Gamble, Colgate, Nestlé, Kraft e Quaker. Pois bem, elas juntas produzem 1.792 marcas diferentes. Recente pesquisa demonstrou que dessas 1.792, apenas seis eram conhecidas na maior parte dos países do mundo: Palmolive, Nescafé, Lipton, Lux, Colgate e Maggi. Outras 1.165 eram comercializadas em, no máximo, três países. E assim por diante. Como se vê, nem tudo é Coca-Cola e McDonald’s no mundo. O negócio é que, embora a globalização seja uma forte tendência, ela não está sozinha. Ao seu lado também caminha uma das megatendências do novo milênio, que é a personalização, ou seja, o culto do individual, do exclusivo, do regional. Por isso se pode dizer com fé: “Pense globalmente, mas aja localmente”. Isto é lógico e muito claro: se você tem um supermercado numa cidade do interior da Bahia, não há porque se preocupar com a chegada do Carrefour. Mas, por outro lado, é bom conhecer as técnicas mais modernas que as grandes

empresas do seu ramo estão usando ou mesmo estudando. Sabe por que? Porque cedo ou tarde elas chegarão até aí, na sua loja, ou na do seu concorrente. Este é o sentido da verdadeira globalização: a disseminação rápida do conhecimento, da tecnologia, enfim, de tudo que possa trazer mais conforto à vida humana, ou seja, ao cliente, que é um indivíduo e quer ser cultuado. Há espaço, portanto, para os pequenos, desde que invistam na personalização (ou customização, como dizem os letrados), no tratamento diferenciado, que é uma exigência dos clientes e dos novos tempos. Devemos, porém, ter cuidado, porque nem sempre se obtém sucesso embarcando na onda dos outros. Um exemplo muito citado é o da música popular. O rock, ou música pop, por algum tempo pareceu uma tendência mundial avassaladora. Em 1987, 50% do mercado mundial de discos pertenciam a esse ritmo. Hoje o rock, em queda, aproxima-se dos 20% do mercado mundial. Outros ritmos cresceram, inclusive os nossos sons brasileiros, revertendo o que se pensava ser um efeito da globalização. Alguns cantores chegaram a mudar de repertório, para não perderem venda. Outros, não perceberam a mudança e caíram vertiginosamente do gosto popular. Igualzinho a qualquer outro negócio. Portanto, muito cuidado com a globalização. Mas, mesmo assim, vamos ficar com um olho no padre e outro na missa, sabendo que sempre há lugar para quem conhece e satisfaz os desejos dos seus clientes. Afinal, num mundo em que Lady Gaga e Adele dão as cartas, Ludmilla também fatura direitinho! Julho de 2017 | Vilas Magazine | 39


confraterni

DECORAÇÃO

FOTOS: LUCAS SILVA / DIVULGAÇÃO

anterior: quando a economia dá sinais positivos, nosso setor a acompanha com investimentos ações que impactam de Nesses últimos dias, apesar da einconstância no cenário modo assertivo na sociedade. político, temos sentido o mercado respirar e avançar para a tão necessária retomada. Falamos sobre isso na semana anterior: quando a economia dá sinais positivos, nosso setor a acompanha com investimentos e ações que impactam de LÍVIA OLIVEIRA* DEIXE modo assertivo na sociedade. BONIT Espaço de reunir os amigos, preparar refeições ou mesmo confraternizar com a família, a CORES cozinha merece atenção espeneutra cial na decoração. Sejam elas algun grandes ou pequenas, devem colori ser um ambiente prático e deseletro contraído. E a tendência do utens momento é optar por eletroPexels / Divulgação domésticos Crédito: portáteis com REVES mais de uma função e acaGranit bamentos diferenciados. rodop Antes da realização do Feirão da Caixa, que O arquiteto Brunoestimava-se Sgrillo e pastilh Crédito: Pexels / Divulgação teríamos a presença desua cerca dezHoltz mil visitantes. Os sóciadeMilla defencerâm númerosou reais mostram dem que mais do que triplicamos que para planejar Grande pequeno, espaço precisa deuma essanatura expectativa. cozinha éda fundamental pensar Antes da realização do Feirão Caixa, estimava-se que em e três quesitos: o comporuma decoração prática descontraída DESTA teríamos a presença de cerca de dez mil visitantes. Os tamento do Crédito: cliente, aPexels ergonoo côm / Divulgação Além do dado total dos visitantes, outro número reflete números reais mostram mia queemais do que essa a no estética. “Se triplicamos a pessoa vale u o impacto positivo do evento mercado: nos negócios spaço de reunir os amigos, preparar refeições ou mesmo expectativa. costuma cozinhar com frecor fo imobiliários, tivemos em 2017 um aumento de 304,55% em confraternizar com a família, a cozinha merece atenção Antes da realização do Feirão da estimava-se que quência, os Caixa, elementos escoamare relação edição anterior. especial Sejam elasdevem grandes ou mil pequenas, Além doàna dado total dos visitantes, outro reflete teríamos a decoração. presença delhidos cerca de dez visitantes. Os deixar o número cômodo plotag confortável garantir devem ser um ambiente prático emais descontraído. E ae tendência o impacto positivo do evento no do mercado: nos anegócios ou arm números reais mostram que mais que triplicamos essa Esses valorestivemos demonstram algo pelo qual temos esperado capacidade de armazeimobiliários, em maior 2017 um aumento demais 304,55% em expectativa. do momento é optar por eletrodomésticos portáteis com desde que a recessão econômica os seus primeiros namentomostrou dos utensílios. Sem ACESS relação à edição anterior. de uma função e acabamentos diferenciados. sinais. Ou seja, que estamos finalmente caminhando para esquecer que equipamentos e tornar do Bruno dado Sgrillo total edos visitantes, outro número reflete OAlém arquiteto suaarmários sócia Milla Holtz defendem precisam tereuma alagrad um cenário mais positivo e receptivo a ações investimentos. Esses valores demonstram algono pelo qual temos esperado o impacto positivo do éevento mercado: nos negócios que para planejar uma cozinha fundamental pensar em trêsbrasileiro tura proporcional”. coloca Conforme já falamos, o Produto Interno Bruto (PIB) desde que a recessão econômica mostrou os seus primeiros imobiliários, tivemosdoem 2017 um aumento de 304,55% em quesitos: o comportamento cliente, a ergonomia e a estética. Entre seus projetos para peque tende aOuseseja, mostrar em crescimento emcaminhando relação aos para três sinais. que estamos finalmente à ediçãocozinhar anterior. aproveitar melhor o espaço utens “Se arelação pessoa costuma com frequência, os elementos primeiros do ano e passado. Isso, juntoe investimentos. ao fato de que um cenáriomeses mais positivo receptivo apequenas, ações em cozinhas Bruno próxim escolhidos devem deixar o cômodo mais confortável e garantir os bancos preveem um aumento para o crédito imobiliário, Conforme já falamos, o Produto Bruto (PIB) Sgrillo aposta em tons neu-brasileiro Esses valores demonstram algoInterno pelo qual temos esperado ilumin a maior capacidade de armazenamento dos utensílios. Sem meses esperar que os próximos faz com quemostrar possamos tros, sem mostrou tantas texturas, e traz lâmpa tende a se crescimento em relação aos três desde que a recessãoem econômica os seus primeiros esquecer que equipamentos e armários precisam ter uma alturae sejam mais efetivos. o colorido nos equipamentos primeiros meses do ano passado. Isso, junto ao fato de que sinais. Ou seja, que estamos finalmente caminhando para proporcional”. em os um aumento para o crédito imobiliário, umbancos cenáriopreveem mais positivo eacessórios. receptivo a“Elementos ações e investimentos. madeira pintados a laca, equiEssacom expectativa não irreal. Semelhor retornarmos aos números Entre seus projetos para oéaproveitar embrasileiro esperar que oBruto osespaço próximos meses faz que possamos Conforme já falamos, Produto Interno (PIB) pamentos em aço inox, comcom que do Feirão da Caixa, outros indicativos fazem cozinhas pequenas, Bruno Sgrillo aposta em tons neutros, sem sejam tende mais a se efetivos. mostrar em uma crescimento em relação aos rodopia (bancada) colo- só três possamos perceber os resultados animadores: de tantas texturas, emeses traz o colorido equipamentos e acessórios. primeiros do anonos passado. Isso, junto ao fato de que rida ou plotagem emmil. algum negócios imobiliários, tivemos mais de cinco “Elementos em madeira pintados a laca,são equipamentos emaos aço Essa expectativa não é irreal. Se retornarmos números os bancos preveem um aumento para o crédito imobiliário, item algumas opções”. inox,faz comFeirão umaque rodopia (bancada) colorida plotagem do da possamos Caixa, outros indicativos que esperar os fazem próximos meses com Para darque aou sensação de em am-com algum item mais são algumas opções”. é possível ainda optar só de possamos perceber os plitude, resultados animadores: sejam efetivos. pela integração da mil. cozinha negócios imobiliários, tivemos mais de cinco Para dar a sensação de amplitude, é possível ainda optar com cômodo da aos casa, expectativa não com é irreal. Se retornarmos pela Essa integração da cozinha outrooutro cômodo da casa, por números por meio da decoração em ilha daem Caixa, indicativos fazem meiodo da Feirão decoração ilha ououtros americana. A diferença entrecom que ou americana. A diferença enresultados animadores: só de elas épossamos a circulaçãoperceber no espaço eos o posicionamento da bancada. tre elas é a circulação no esnegócios imobiliários, tivemos mais de cinco mil. Na americana, a circulação épaço por um corredor e da o e o único posicionamento

Cozinha é local de preparar alimentos e confraternizar

Armários com acabamentos neutros são indicados no espaço Armários com acabamentos neutros são indicados no espaço

Armários com acabamentos neutros são indicados no espaço Armários com acabamentos neutros são indicados no espaço

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CASA de um

É ideal que o colorido da cozinha fique por conta dos acessórios É ideal que o colorido da cozinha fique por conta dos acessórios

É ideal que oA cor colorido da cozinha fique por acessórios vermelha é uma tendência emconta peças edos equipamentos

É ideal que o colorido da cozinha fique por conta dos acessórios

A cor vermelha é uma tendência em peças e equipamentos 40 | Vilas Magazine | Julho de 2017 da Matta / Ag. A TARDE A cor vermelha é uma tendência em peças e Luciano equipamentos

Co de al co

bancada. americana, a cirbalcão é agregado a uma das paredes, já emNa ilha a circulação é culação é por um único corpor dois corredores e a bancada fica centralizada. e o espaço balcão édevem agregado Em ambos os casos, a cozinha eredor o outro estara uma das paredes, já em ilha a em equilíbrio. circulação é por dois corredoA professora Joselita Edeltrudes integração resescolheu e a bancada fica americentracana com a sala de jantar para aproveitar o espaço casa.a lizada. bem Em ambos os da casos, LÍVIA OL e omais outroconfortável. espaço de“Com integração dos cômodos, acozinha casa ficou vem estar em equilíbrio. Consigo cozinhar, servir e interagir com as visitas. Espaço A professora Joselita EdelE a bancada rosa e os mantimentos expostos tornaram o Foto 2: Pexels / Divulgação trudes escolheu integração prepara preparo dos alimentos e o momento das refeições mais práamericana com a sala de jantar confrate Com imóveis em Salvador e na Região Metropolitana, o ticos”, conta. para aproveitar bem o espaço cozinha Feirão da Caixa totalizou negócios que ultrapassaram o valor da casa. “Com integração Joselita inte Foto 2: Pexels /dos Divulgação cialo na de R$ 1,5 bilhão. Esses resultados positivamente cômodos,impactam a casa ficou mais grandes setor construção civil econfortável. o mercado imobiliário. Consigo cozinhar, Com da imóveis em Salvador e na Região Metropolitana, o ser um a servir e interagir com as visitas. Feirão da Caixa totalizou negócios que ultrapassaram o valor a bancada e os manO Feirão aconteceu emE outras 11 rosa cidades do Brasilcontraíd e de R$ 1,5 bilhão. Esses resultados positivamente o Foto 2:tornaram Pexels / Divulgação timentos impactam expostos o momen “A casa Salvador foi a segunda com maior crescimento no número setor da construção civil epreparo o mercado imobiliário. dos alimentos e o modomést de visitantes, atrás apenas de Campinas, cujo índice Com imóveis ficando em Salvador e na Metropolitana, o mento das Região refeições mais prá-


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Antes da realização do Feirão da Caixa, estimava-se teríamos a presença de cerca de dez mil visitantes. números reais mostram que mais do que triplicamos e expectativa.

Armários com acabamentos neutros são indicados no espaço

Além do dado total dos visitantes, outro número refl o impacto positivo do evento no mercado: nos negó imobiliários, tivemos em 2017 um aumento de 304,55% relação à edição anterior.

DEIXE SUA COZINHA BONITA E FUNCIONAL

Esses valores demonstram algo pelo qual temos esper desde que a recessão econômica mostrou os seus prime sinais. Ou seja, que estamos finalmente caminhando p um cenário mais positivo e receptivo a ações e investimen Conforme já falamos, o Produto Interno Bruto (PIB) brasil tende a se mostrar em crescimento em relação aos primeiros meses do ano passado. Isso, junto ao fato de os bancos preveem um aumento para o crédito imobiliá faz com que possamos esperar que os próximos me sejam mais efetivos.

CORES Opte por cores neutras nos móveis e alguns elementos coloridos, como eletroportáteis ou utensílios REVESTIMENTOS Granitos pintados, rodopia (bancada) com pastilhas coloridas, em cerâmica ou pedras naturais

É ideal que o colorido da cozinha fique por conta dos acessórios

DESTAQUE Para deixar o cômodo diferenciado, vale uma parede com cor forte, como amarelo. E ainda Integração da sala plotagemIntegração na geladeira da sala com com a cozinha deixa ou armário a cozinha deixa ambiente estiloso ambiente ACESSÓRIOS Para estiloso tornar o ambiente mais agradável, é possível FUNCIONAL E ATEMPORAL rodopia, armários estreitos abertos para colocar quadros, A arquiteta Roberta Medeiros dá colocar condimentos expostos, envelopapequenas hortas, algumas dicas para tornar a cozinha mento de algum elemento com uma cor utensílios coloridos próximos ao fogão e confortável, funcional e atemporal. “Para diferente e até fazer pequenas hortas. Só iluminação com otimizar o armazenamento e a estética da precisa ter cuidado com as misturas de A cor vermelha é uma tendência em peças e equipamentos lâmpada LED cozinha, vale usar armários com acaba- elementos, para não deixar o ambiente mentos neutros, bancada de mármore, poluído. revestimento em pastilhas coloridas na Outro item que faz a dadiferença éa Luciano Matta / Ag. A TARDE

CASA Grande ou pequeno, espaço precisa de uma decoração prática e descontraída

Cozinha é local de preparar alimentos e confraternizar LÍVIA OLIVEIRA*

iluminação em LED, posicionando pastilhas em fita de LED embaixo do armário próximo à rodopia”. Foto 2: Pexels / Divulga Lívia Oliveira / Ag. A Tarde.

Com imóveis em Salvador e na Região Metropolitan Feirão da Caixa totalizou negócios que ultrapassaram o v de R$ 1,5 bilhão. Esses resultados impactam positivamen setor da construção civil e o mercado imobiliário.

DEIXE SUA COZINHA BONITA E FUNCIONAL

O Feirão aconteceu em outras 11 cidades do Bras Salvador foi a segunda com maior crescimento no núm de visitantes, ficando atrás apenas de Campinas, cujo ín ficou na faixa de 201,35%.

CORES Opte por cores neutras nos

Neste momento, o que precisamos é continuar móveis e alguns elementos coloridos, medidas que incentivam a economia a reagir. É cada comonecessário, eletroportáteis ou utensílios mais por exemplo, que os bancos reduzam s taxas de juros e que consigamos condições para estimul crescimento. REVESTIMENTOS Granitos pintados,

rodopia (bancada) com pastilhas colo-

Visto que a construção civil é uma das áreas de m ridas, emnocerâmica pedras naturais impacto Produto ou Interno Bruto (PIB) nacional, fazer que ela avance é de interesse de todos.

DESTAQUE Para deixar o cômodo

Armários com

Há uma expectativa, conforme falamos na última semana diferenciado, vale uma parede com que os bancos aumentem o crédito imobiliário acabamentos neutros são indicados no espaço no segu cor forte, como amarelo. ainda plosemestre de 2017. Se isso Efor confirmado, estaremos tagem nacerto geladeira ou armário de vez esse cenário caminho para abandonarmos recessão.

DEIXE SUA COZINHA Joselita integrou o cômodo e BONITA E FUNCIONAL consegue cozinhar e interagir

Espaço de reunir os amigos, preparar refeições ou mesmo com as visitas simultaneamente confraternizar com a família, a CORES Opte por cores cozinha merece atenção espeneutras nos móveis e Joselita integrou o cômodo e consegue cozinhar e interagir com as visitas simultaneamente cial na decoração. Sejam elas alguns elementos grandes ou pequenas, devem coloridos, como ser um ambiente prático e deseletroportáteis ou e a es- cisa ter cuidado com as miscontraído. E a tendência zar doo armazenamento utensílios tética da cozinha, vale usar ar- turas de elementos, para não é optar por eletro“Amomento casa ficou mais mários com acabamentos neu- deixar o ambiente poluído. domésticos portáteis com REVESTIMENTOS tros, bancada de mármore, re-

Essa expectativa não é irreal. Se retornarmos aos núme do Feirão da Caixa, outros indicativos fazem com possamos perceber os resultados animadores: só negócios imobiliários, tivemos mais de cinco mil.

Outro item que faz a diferença

ACESSÓRIOS Para tornar o ambiente

Em outubro deste ano, a ADEMI-BA realizará a décima ed mais é possível do seuagradável, Salão Imobiliário – maiscolocar uma das nossas iniciat quadros, pequenas utensílios para aquecer o setorhortas, e oferecer imóveis com benefí diferenciados. Será, ao temos coloridos próximos fogão certeza, e ilumi- mais um pa importante para impulsionar a economia.

nação com lâmpada LED

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Claudio Cunha, Presidente da ADEMI-BA ademi@ademi-ba.com.br


VIDA SAUDÁVEL

Vida útil dos alimentos é maior com a geladeira organizada Temperatura altera conforme prateleira. Comida guardada de maneira inadequada pode criar bactéria

P

ara não ter desperdício e conseguir manter a vida útil dos alimentos, é essencial manter a organização das geladeiras. E isso vai muito além de saber se o ovo deve ou não ficar na porta. “Quando se fala em organização, além de deixar mais prazeroso, tem de estar mais fácil ao alcance. É essencial ter uma geladeira organizada”, afirma a nutricionista Jacqueline Moniz Anversa. A porta é o local onde a temperatura sofre mais alterações, por causa do abre e fecha. Por isso a recomendação é para que os ovos fiquem na parte interna, apesar de muitas geladeiras já virem do fabricante com espaço para ovos na porta. “As oscilações de temperatura proporcionam condições para a multiplicação de bactérias que penetram no ovo através da casca. Devem ser armazenados nas prateleiras, com embalagem adequada”, diz Danielli Botture Lopes, nutricionista da Confederação Brasileira de Atletismo. Em algumas embalagens de alimentos, como a de tomate, por exemplo, é comum que um fruto estrague antes dos demais. Por isso, é preciso ver com atenção o aspecto dos outros frutos para checar se estão bons para consumo “Mesmo após colhidos, os frutos como tomate ainda produzem um composto orgânico, o etileno, responsável pelo amadurecimento. Uma fruta estragada produz uma concentração grande de etileno, acelerando o amadurecimento das que estão ao seu redor. Um fruto saudável, em contato com um podre, em

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pouco tempo também estará podre”, diz Danielli. CARNE NÃO DEVE VOLTAR AO FREEZER O congelamento de alimentos é uma prática comum. Mas especialistas afirmam que, uma vez descongelado, ele não deve voltar a ser congelado. Isso vale principalmente para carnes. “Uma vez que ela for descongelada, o ideal é que seja consumida totalmente. Não deve voltar ao freezer porque perde a qualidade”, diz a nutricionista Jacqueline Moniz Anversa. Emerson Vicente / Folhapress.


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VIDA SAUDÁVEL

Varizes podem causar feridas na pele que são difíceis de tratar

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Três em cada cem casos são graves e provocam muito desconforto em quem convive com a doença


V

arizes parecem coisas simples. Porém, em três de cada cem casos podem provocar até mesmo feridas difíceis de curar, que resistem na pele por décadas. Dores, sensação de peso nas pernas, inchaço, pele seca e coceira são sinais de alerta. A genética é responsável por até 90% dos casos de varizes, embora outros fatores também possam desencadear a doença. Sedentarismo, obesidade e atividades que exijam que a pessoa fique muito tempo em pé ou que carregue peso colaboram para o surgimento. “Permanecer por muitas horas em pé facilita o surgimento de varizes. A gravidade dificulta o retorno venoso [bombeamento do sangue das pernas para o coração]”, diz a cirurgiã vascular Tatiana Schmuziger. A incidência de varizes é maior em mulheres. Uma em cada três sofre da doença em algum momento da vida. “Mulheres têm maior predisposição a varizes devido ao fator hormonal, uso de anticoncepcionais e ainda é agravado pelo número de gestações. A menstruação e a menopausa também aumentam a dilatação das veias”, diz o cirurgião vascular Fabio Yamada.

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Marcelo Moraes afirma que é importante fazer o diagnóstico precoce da doença. “Quanto mais cedo cuidar da doença, mais simples de ser feito o tratamento. Se chegar a casos mais avançados, o procedimento costuma ser difícil.” O especialista diz que o tratamento pode ser não-invasivo, com o uso de meias e medicação, ou cirúrgico, com a remoção, uso técnicas de queima ou preenchimento da veia. “A partir do momento em que se torna doente, a veia não tem mais cura. Tem que eliminar. Não há como cuidar mais dela”, diz Moraes. DOENÇA PODE VOLTAR APÓS TRATAMENTO Mesmo com técnicas modernas de intervenção e com o avanço da medicina, o tratamento das varizes não significa que o paciente ficará livre para sempre da doença. Isso por causa do fator genético. “Um em cada quatro pacientes vão ter novas varizes em até cinco anos após tratá-las”, afirma Marcelo Moraes. William Cardoso / Folhapress.

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BELEZA & ESTÉTICA

Livre de manchas

O

Depilação pode acabar provocando o escurecimento da pele nas axilas, no buço e na virilha; veja o que fazer para tratar e evitar a situação

escurecimento da pele nas axilas, na virilha e no buço provoca constrangimento e insatisfação em muitas mulheres. Segundo especialistas, a depilação é a principal responsável por esse processo, chamado hipercromia pós inflamatória. Mas há tratamento e formas de evitar as manchas. O que acontece, segundo explicam os médicos, é que o ato de depilar, seja com gilete, cera, creme depilatório ou depilador elétrico, provoca uma inflamação na pele. Em algumas mulheres, o corpo reage à agressão produzindo, mais melanina (pigmento que dá cor à pele), o que provoca as manchas escuras. “É como se fosse uma defesa do próprio organismo”, explica a dermatologista Catarine Padoveze. Mas o escurecimento não acontece com todas as mulheres. Depende da predisposição genética e da sensibilidade de cada uma. Mulheres morenas e negras são mais propensas ao problema. Segundo os dermatologistas, o método mais eficaz para evitar as manchas é a depilação a laser, que vai eliminar grande parte dos

pelos e, dessa forma, acabar com o processo inflamatório. Em muitos casos, o laser também já ajuda a clarear a região. O dermatologista Abdo Salomão, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, alerta que o procedimento só deve ser feito por profissionais capacitados. “O mesmo laser que clareia pode manchar a pele, se não for aplicado da forma correta”, explica ele. O farmacêutico Lucas Portilho salienta também a importância de usar protetor solar após a depilação. “O sol estimula essa hiper pigmentação.” Se a pele já está escura, os profissionais indicam tratamento com ácido, “peelings” e laser. Há também produtos no mercado que possuem ativos clareadores e podem ajudar. Mas o recomendado é procurar um dermatologista. “Cada pele é única”, adverte Catarine. Ela destaca que receitas caseiras não devem ser testadas. “Já vi muitas queimaduras graves.” Karina Matias / Folhapress.

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Efeito metálico Queridinho da vez, o batom metálico é a aposta de grandes marcas e já conquistou as famosas. Maquiadores dão dicas de como usar

A

nova tendência da maquiagem é chamar a atenção para os lábios. O produto da vez é o batom metálico, visto em modelos nos desfiles internacionais e que já conquistou várias famosas brasileiras, como as atrizes Bruna Marquezine e Giovanna Antonelli. O diferencial, em comparação com os cintilantes tradicionais, é que os novos batons combinam o efeito metálico ao acabamento matte. “O efeito é um brilho mais seco e muito bonito”, destaca a maquiadora Juliana Rakoza. Os novos batons garantem um visual sofisticado e arrebatador. Para quem ainda está em dúvida, Lavoisier, maquiador oficial da Eudora, destaca que a maquiagem é também um instrumento para transformar e alegrar o dia a dia das mulheres. “Ela existe para realçar a beleza feminina e também para que cada uma explore novas facetas. Divertir-se e ousar às vezes também é fundamental”, diz. Para ajudar quem não sabe com o apostar na tendência, os profissionais dão algumas dicas. Uma delas é manter o equilíbrio. Se usar cor chamativa na boca, não carregue nos olhos. “Máscara para cílios e delineador são suficientes para uma ‘make’ mais leve”, indica Lavoisier. Isso não significa que não dá para usar o batom metálico durante o dia. “Eu sou super a favor de usar brilho durante o dia, mas desde que a mulher goste e isso tenha a ver com seu visual”, afirma Juliana. Ela garante, ainda, que A blogueira Claudia Guillen usa dá para combinar o batom batom metálico, que promete fazer sucesso entre as brasileiras

DIVULGAÇÃO

metálico com sombras metálicas, também em alta. “É só saber dosar. Eu, por exemplo, não gosto muito de uma boca em um tom forte,como vinho ou vermelho,com um olho muito carregado, porque acho que fica demais. Mas é possível combinar com um marrom metálico esfumado no canto e até usar um delineador.” Os maquiadores salientam que os tons de batom nude estão na moda e podem ser uma boa forma de começar a apostar na tendência. “São fáceis de usar e de combinar”, ressalta Lavoisier. Outra dica dele é que as negras apostem nos dourados. “O resultado fica muito glamoroso”, avalia. HIDRATAÇÃO Para conquistar uma maquiagem mais bonita, a maquiadora Juliana lembra que é fundamental manter os lábios hidratados. “Passe o hidratante antes mesmo de começar a preparar a pele”, orienta. Outro truque é passar um gloss transparente por cima do batom, no centro dos lábios. “Esse efeito foi muito usado nas passarelas dos desfiles e dá a aparência de uma boca mais volumosa”, ensina a maquiadora. Karina Matias / Folhapress.

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MUNDO ANIMAL

Os animais resgatados por Gilce sofrem os mais diversos tipos de maus-tratos. Favela ainda se recupera da queimadura de óleo quente

Cuidadora voluntária garante dignidade para animais de rua Thiara Reges / Texto e fotos Freelance para a Vilas Magazine

M

oisés é um cachorro de rua, o típico vira-lata, como muitos que vemos com certa frequência por Salvador e Lauro de Freitas. Um dia sofreu um acidente em Sussuarana: foi atropelado por um ônibus e passou dias sentindo dor, com uma das patas traseira machucada e necrosada. Uma simpatizante da causa animal colocou na Internet um relato sobre a situação do animal, na expectativa de que alguém se compadecesse. Conseguiu! Dona Gilce, uma senhora distinta, com pouco mais de 50 anos, mas que tem feito uma grande diferença para animais de rua, foi em busca de Moisés. Foram três dias tentando o resgate. Por instinto, talvez por medo, ele não se deixava capturar. Subia e descia ladeira, mancando. Mas Gilce não desistiu e hoje Moisés tem um lar. A história de Moisés, por mais que ele tenha perdido a pata – precisou amputar –, tem um final feliz: ele é um dos moradores do abrigo Aumigos, no Jardim das Margaridas, nos limites entre Lauro de Freitas e Salvador. Assim como Moisés, todos os animais que estão no abrigo foram resgatados por Gilce Santana dos Santos, que viu o rumo de sua vida mudar há cerca de 10 anos atrás. Por questões profissionais, Gilce foi morar em Jacobina, distante 337 km da capital baiana. No mesmo período, a filha passou no vestibular e deixou seu cachorro de estimação, aos cuidados da mãe, que logo se afeiçoou. “Passava diariamente por vários animais abandonados, sem amor, bebendo

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água suja, e isso começou a me incomodar. Como posso dar tanto amor ao meu animal e ver tantos outros em situações ruins e não fazer nada? Pesquisando sobre políticas públicas de proteção animal não achei nada, nem em Jacobina nem em lugar algum”, conta. Logo ela retornaria para Salvador, mas aquela sementinha do “preciso fazer algo pelos animais” estava plantada e começando a germinar. Gilce morava na Pituba, próximo à praça Nossa Senhora da Luz, ambiente onde eram comuns ‘desovas’ de animais. Ver cenas como essas, com bastante frequência, fez com que ela desse o primeiro passo, atuando como voluntária no abrigo São Francisco de Assis, em Paripe. “Comecei doando um dia de voluntariado por semana. Ia de ônibus da Pituba até Paripe, mantendo meu compromisso. Ajudava em tudo que podia dar dignidade aos animais, como, manter o local limpo e garantir água limpa para beber. Começamos a mudar vícios e paradigmas das pessoas que trabalhavam no local e de repente passei a ir três dias na semana; não demorou, de três passaram a ser cinco dias. Por fim, passei seis meses indo para o abrigo, sete dias da semana, muito feliz com os resultados positivos”, relata, orgulhosa. Só que Gilce ainda não sabia que sua relação com os animais passaria muito além do voluntariado. Um dia, a caminho do abrigo, de carona com uma amiga, avistou uma cadela abandonada no acostamento da BR-324. Retornaram, e aconteceu o primeiro resgate de Gilce. O animal, que recebeu o nome de Tereza, foi levado para seu apartamento. Com Gilce a cadela viveu por quatro anos, até ser adotada, já velhinha, e ganhar um novo lar, onde viveu por mais três anos. A partir daí os resgates surgiam a todo momento. “Quando percebi estava com sete cachorros em um apartamento quarto-sala”, diz. Moisés teve a pata amputada após atropelamento


Consciente de que sua missão era maior, Gilce se mudou para uma casa em um condomínio, em Itapuã. Em pouco tempo o número de animais dobrou. O espaço mais uma vez ficou pequeno e veio mais uma mudança. Há quatro anos Gilce está no Jardim das Margaridas, onde mantém o abrigo Aumigos. Através da ajuda de parceiros começou a montar uma estrutura adequada para receber os animais, mas ainda falta muito. CUIDADO E MONITORAMENTO Miguel, Max, Luma, Estrela, Sam, Café. Gilce identifica cada animal por seu nome e latido. Ao todo são 112 cachorros, e ainda tem 19 gatos. Como são muitos animais nas ruas, o critério para fazer parte do abrigo são os animais em risco de vida, seja por ameaça de morte ou alguma doença crônica. “Não posso receber todos os animais que chegam na minha porta, até porque não seria solução. O ideal seria que as pessoas aprendessem a cuidar. Não estou dizendo que as pessoas devem encher suas casas de animais, mas cada um pode fazer um pouquinho e existem formas de fazer isso”, destaca Gilce. Todos os animais passam pelos menos procedimentos: o hemograma, que aponta possíveis patologias que precisam ser tratadas; os animais são vermifugados, vacinados, castrados e depois ficam no abrigo, disponíveis para adoção, ou voltam para as ruas, mas de forma monitorada. Animais já velhinhos ou com doença crônica, ficam no abrigo até desencarnar. “Contamos com o apoio de um grupo de veterinários, como os médicos Moacyr Neto, Eliane Costa, Maurício Moura, Suzana Aguiar e a mais recente, a oftalmologista Flávia Accioli Ramos. Juntos, esses profissionais possibilitam o tratamento dos animais a custo zero ou cobrando taxas que não conseguiríamos em nenhum outro lugar”. A demanda do abrigo é de 600 kg de ração por mês. Os animais são alimentados apenas uma vez por dia, mas em virtude das dificuldades atuais, o número de doações caiu significativamente. “Os animais ainda não se acostumaram com essa nova realidade, mas pelo menos ainda estamos conseguindo manter uma ração premium. Muitas pessoas, erroneamente, avaliam que a ração doada para o abrigo pode ser de qualquer qualidade. Quando alimentamos os animais com ração premium, garantimos a eles maior absorção de nutrientes, o que ajuda a manter os animais alimentados por mais tempo, diminuindo a quantidade de remédios e evitando a necessidade de suplementação. A quantidade

Gilce dedica sua vida aos animais há 10 anos

Miguel Ângelo, parceiro do abrigo

de fezes também diminui, o que ajuda a manter o ambiente mais tempo limpo”, esclarece Gilce. O abrigo conta hoje com dois doadores fixos e pessoas que ajudam esporadicamente quando Gilce faz algum apelo pela Internet. Aline, sua filha, é quem mantém as despesas fixas do abrigo, como água e energia. “Hoje precisamos terminar a estrutura de canil, que já foi iniciada, para melhor abrigar os animais. Mas como não temos uma receita fixa, todo o mês a nossa principal luta é para garantir a alimentação e os medicamentos, quando necessário”, frisa. Além dos animais que estão no abrigo e os que retornam para as ruas de forma monitorada, Gilce ainda mantém cachorros de grande porte em um lar temporário, no bairro de Cassange, a uma taxa de R$100,00 por animal. “Os animais que estão no lar precisam ser adotados para que outros possam receber os cuidados. Entendo que é um trabalho de consciência. Esses animais não são meus, eu os guardo, mas eles tem vida autônoma e precisam dos cuidados de todos os cidadãos”. SEGUINDO O EXEMPLO Um dos parceiros do abrigo há quatros anos é o italiano Miguel Ângelo, 64 anos, que mora em Barcelona, mas que todas as vezes que vem ao Brasil, faz questão de contribuir mais um pouco. Ativista das causas animal e humana, Miguel destaca que pela primeira vez encontra no Brasil algo que já é comum na Europa: o monitoramento dos animais no seu habitat. “Na Europa não existem cachorros nas ruas. Os gatos sim, e são cuidados de forma monitorada: damos comida, água, cuidamos da saúde, garantimos a dignidade, mas eles continuam vivendo u Julho de 2017 | Vilas Magazine | 49


MUNDO ANIMAL

no seu ambiente. Não precisamos levar para casa ou abrigos. Aqui no Brasil é a primeira vez que vejo essa iniciativa”, destaca. No trabalho desenvolvido por Gilce, os animais, depois de resgatados e tratados, e não havendo necessidade de permanência no abrigo, são devolvidos ao seu ambiente, próximo aos pontos de apoio onde a ração e a água limpa são garantidos aos animais, por protetores anônimos. “Isso é dignidade. Indigno é ver um animal na rua tendo que beber água suja em poças, por necessidade”, comenta. O trabalho ainda enfrenta algumas resistências. A população joga resíduos nos galões usados para colocar a ração e a água, mas Gilce é persistente, e aos poucos uma nova consciência é construída. “São em média três meses fazendo reposição de galão que é quebrado, tirando lixo, enfim. Não sou eu quem tem que desistir, mas as outras pessoas. E os galões estão lá. Os animais passam, comem, bebem sua água e segue o seu caminho”, destaca. MAUS-TRATOS Numa segunda-feira a sobrinha de Gilce foi no bairro de Vila Laura, em Salvador, visitar a filial da empresa onde trabalha. Não demorou muito, um cachorro entrou ‘cabreiro’ pela porta e rapidamente se escondeu no banheiro, ferido e sem deixar que ninguém se aproximasse. Os funcionários tentaram expulsar o animal, da mesma forma que fizeram na semana anterior. Sim! Já era a segunda vez que o animal entrava na loja, se escondendo ou ‘pedindo socorro’. Quando Gilce chegou no local encontrou o animal com uma grave queimadura no pescoço, aparentemente provocada por óleo quente. A história desse animal, que no abrigo ganhou o nome de Favela, chama atenção pela crueldade, mas infelizmente não é um caso isolado. Os animais chegam ao abrigo nas mais diversas situações, desde abandono à zoofilia, além de queimaduras. “De tudo que vejo se você me perguntar o que mais me choca é a zoofilia. Nós temos hoje cinco animais seviciados. A maldade sempre vai existir, pois a maldade está no ser humano. Uma pessoa que abusa sexualmente de um animal é capaz de maltratar também uma criança, um idoso. Mas ele não faz. Não faz porque sabe que existem leis, e se descoberto, será punido. Mas contra o animal não tem punição”, frisa Gilce. Ela destaca que um dos grandes problemas é a falta de informação e cuidados, sobretudo da população mais carente, que quer o animal, mas quando ele fica doente é abandonado nas ruas, pois a pessoa acredita que será contaminada. O problema passa a ser de todos, um problema de saúde pública. “Isso só vai acabar quando o vizinho do lado fortalecer o seu discurso e se juntar a sua luta; quando a sociedade toda disser “eu não quero mais isso” e começar a denunciar; quando a sociedade disser ao poder público “nós queremos uma delegacia de proteção animal, políticas públicas de proteção animal, um hospital veterinário”, conclui Gilce. Pelo Instagram @abrigoanimaisaumigos ou tel.: / whatsapp (71) 99324-9485 é possível ter mais informações sobre o abrigo, conhecer os animais, além de ajudar, sendo um parceiro fixo ou nas diversas campanhas lançadas ao longo do ano.

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Equipe Remca: Graça Paixão, Ludmila dos Prazeres e Eveli Brito

Lei municipal de proteção animal completa um ano sem muitos motivos para comemorações Thiara Reges / Texto e fotos Freelance para a Vilas Magazine

E

m 2014 o Brasil já registrava cerca de 30 milhões de animais abandonados, segundo estimativas apuradas em pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde. Na luta pela redução desses números, organizações não governamentais e sociedade civil buscam soluções junto aos seus representantes legais, seja na esfera municipal ou estadual. Lauro de Freitas deveria ser exemplo na Bahia, vista a aprovação da Lei 1.618/16, conhecida como Lei Remca, primeira do Norte/Nordeste em proteção animal. Mas, depois de um ano de aprovada, a população ainda aguarda a regulamentação. A iniciativa é fruto do trabalho da Rede de Mobilização pela Causa Animal (Remca), que há três anos atua na assistência e no planejamento com foco na política pública de proteção animal. O processo de pesquisa para a formulação da lei passou por diversas etapas: entender o cenário do município e sua relação com os animais; mapeamento da proteção animal; e ações já realizadas por ONGs e sociedade civil. “Não é possível pensar em proteção animal sem trabalhar em rede. A participação das ONGs, sociedade civil, esferas do poder público, polícias, é essencial para a conquista de resultados positivos”, frisa Ludmila dos Prazeres Costa,


vice presidente da Remca. Aprovada por unanimidade e sancionada desde junho de 2016, a regulamentação depende da criação de estruturas que permitam a totalidade do fluxo, que leve da denúncia do cidadão até o resgate do animal e a devida penalidade aos responsáveis. “O cidadão liga para o 153 e faz a denúncia. Quem vai averiguar? Se confirmado o abandono ou maus-tratos, o animal será levado para onde? E os cuidados de saúde, qual é o veterinário credenciado? É essa estrutura que não existe no município, e assim a lei não pode ser executada. E para piorar, o único órgão criado pela gestão anterior, que mesmo ainda não operando 100% mas já dava algum suporte, foi extinto pela atual administração. Estamos vivendo um retrocesso”, pontua Graça Paixão, presidente da Remca. Graça se refere à Divisão de Proteção Animal, cuja a proposta era receber as denúncias do 153, coordenando a devida fiscalização, além de atuar no âmbito da educação sócio-ambiental. Essa informação foi confirmada pelo Secretário de Meio Ambiente, Alexandre Marques, que na primeira semana de maio recebeu a equipe da Remca, após inúmeras tentativas. “Ainda no período da campanha, solicitamos que os candidatos nos recebessem para falar das ações de proteção animal no município. A atual gestora foi a única que não nos recebeu, e o diálogo

desde que assumiu a prefeitura também não aconteceu”, ressalta Graça. “De nossa parte continuamos na luta. Participamos de todas as reuniões para garantir a inclusão das prerrogativas de proteção animal no Plano Plurianual, inclusive entregando, em público, a lei impressa nas mãos da prefeita”, frisa Graça. Procurados por grupos de proteção animal de outras cidades, a Remca já começou a compartilhar o texto da legislação, bem como a experiência de planejamento na formulação da mesma. “Ficamos felizes em saber que nosso trabalho é referência, e essa troca de experiências permite o aprimoramento da lei, dos protocolos e fluxos, tornando o processo sempre melhor, ampliando a possibilidade de alcançar o grande resultado que é a proteção animal”, Eveli Brito, diretora executiva da Remca. A lei completa pode ser acessada http://seplan.laurodefreitas.ba.gov.br/ legislacao. COMÉRCIO ILEGAL Desde a sanção da lei, a Remca vem realizando monitoramento intenso dos casos de maus-tratos no município. As denúncias são graves e vão desde o abandono, à queimaduras, agressões físicas graves e até abusos sexuais. Um dos casos mais recorrentes na cidade é o comércio ilegal de animais em vias públicas, sobretudo em Vilas do Atlântico. “Os filhotes, quando de situações de comércio em vias públicas, ficam expostos aos fatores do clima como sol forte ou até mesmo chuva, passam de mão em mão e os diferentes odores elevam a condição do estresse, risco de doenças pelo contato com humanos, animais adultos e por não ter o protocolo completo de vacinação, além de alimento e água racionados”, frisa Graça. A venda em lojas e pet shops também é regulamentada pela lei, e em ambas as situações o descumprimento acarreta em punições que vão de advertências à multas que variam de R$ 50 a R$ 200 mil. No senso comum entendemos por maus-tratos as agressões físicas, porém é necessário entender que vai muito além,

inclui-se toda e qualquer ação que comprometa a saúde física ou mental de um animal. “Não podemos focar apenas na agressão física, bem como não podemos escolher o que é menos pior, ‘pelo menos está na rua vendendo o animal, pior seria se abandonasse’; as duas situações são ruins, trata-se de maus-tratos e precisam ser denunciadas. É fundamental que todo cidadão compreenda essa definição da lei para que possa agir como fiscal no nosso município”, explica Graça. Uma das indicações da Remca é que o município possua uma estrutura de abrigo ou lar temporário para a assistência aos animais resgatados. O Centro de Controle de Zoonoses, como o próprio nome diz, fica responsável pelo cuidado com a saúde pública no que tange ao recolhimento de animais acometidos por alguma doença contagiosa. “O fundamental era ter a lei. Sem a legislação fica difícil fazer qualquer coisa. Agora precisa urgente de um local para recepção dos animais abandonados, que não pode ser confundido com o Centro de Zoonoses, são situações distintas. Zoonoses trata de doenças em animais, e o lar para acolhimento é para aqueles que podem ser recuperados. Constantemente recebo ligações de pessoas perguntando para onde podem levar um animal que encontraram perdido na rua”, relata Jaime de Moura Ferreira, administrador, escritor, membro do Rotary Club Lauro de Freitas, ativista e parceiro da Remca. “Hoje, quando somos acionados nos casos de denúncias, seja de um animal abandonado em via pública ou maustratos, acabamos por levar os animais para as residências dos cuidadores da Remca, ou até hospedar esses animais em lares temporários particulares. Além do custo ser elevado, por vezes, limita a nossa atuação”, destaca Ludmila. Nestes três anos a Remca participou do resgate de 198 animais e intermediou a adoção de 401. “Embora o foco da Remca seja o fomento de políticas públicas, esses três anos nos mostraram que a assistência é urgente, todos os dias temos animais precisando de cuidados”, conclui Graça. Julho de 2017 | Vilas Magazine | 51


Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, ambientalista, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br

C

onviver é uma das situações humanas extremamente difícil e complicada, mesmo que a convivência seja com conhecidos. Quer seja no social, na família, nas religiões, sempre haverá a necessidade dos seres humanos modificarem suas consciências para o convívio e superarem os problemas do relacionamento. Afinal, toda mudança começa na pessoa. A primeira relação acontece entre os pais e os filhos, quando estes são criados por eles. Desse convívio surge o encaminhamento dos jovens, que muito dependerão dos adultos, para construírem seus futuros. A familiaridade surge do ato de se viver com pessoas consanguíneas, orientadas por suas origens e que ainda estão muito carente de mudanças, para a verdadeira e harmônica relação. Também na família há desavenças. Segue a comunhão entre as pessoas diferentes, que se apresenta como reflexão do convívio, exigindo várias atitudes na evolução dos humanos, iniciando pelo respeito, pela exibição da ética e valores morais e comportamentos, para sua devida configuração. Acontece que os viventes são eivados de preconceitos, paradigmas e culturas próprias, pois são formados em ambientes diferentes, dificultando o entendimento entre esses seres. No convívio social torna-se necessário profunda análise das pessoas. Embora, na maioria dos casos, tudo se inicia com uma camaradagem despretensiosa, chega-se o momento que essa relação leva à seleção de valores igualitários, representados por um mesmo nível cultural, de inteligência, habilidades e talentos, como: desportistas, artistas, intelectuais e tantos outros que mantenham o equilíbrio

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Convívio na semelhança. Pode nascer, então, o convívio inteligível e adaptável entre os cidadãos. Difícil é conviver com pessoas sem cultura que se acham inteligentes e conhecedoras de tudo. Mas, a vida é constituída de circunstâncias complicadas e essas fazem parte da sobrevivência. Algumas pessoas procuram o convívio com doentes, hospitalizados, os fracos e aqueles que lhes facilitarão melhores relacionamentos. Até a comunhão com os já falecidos é buscada. No despertar de relações, apresentase o convívio entre os políticos, desdobrado em diversos segmentos, no qual o centro da configuração é a manutenção do poder, oportunidade de se obter benesses, radicalização, mentiras deslavadas, reforço do egoísmo e da vaidade, e inversão de valores, com raríssimas exceções. Para a população que discute esse assunto, sempre se observa dois lados: situação e oposição. Nenhuma dessas bandas é sincera, pois cada uma busca, fanaticamente, sem qualquer análise mais profunda, extasiar o que lhe interessa, cuja realidade é a formação de ódios, revanchismos e, portanto, convivência inaceitável. No relacionamento da amizade devese selecionar as pessoas maléficas e benéficas. Nem sempre isso é possível, pois sendo o ser humano gregário, buscará sua vivência em grupos. No entanto, deve-se escolher as pessoas que comporão sua estreiteza, pois o convívio é diferente de amizade. O primeiro é uma exigência social para os seres humanos. A segunda é uma escolha pessoal. Várias são as leis estabelecidas para o convívio social, porém não se traba-

lha a consciência do ser humano, para abraçá-las. Dentro dessas se destacam a convivência profissional, relação com os vizinhos, a proximidade com os professores, o trato aos idosos, a intimidade com as plantas e animais e o respeito aos contraditórios. Porém, como não existe a mudança da voz secreta da alma, nem sempre as leis sobre esses assuntos são acatadas. Entre as crianças, essa observação pouco existe, pois elas ainda são puras e espontâneas. Todo o convívio, mesmo de formas diferentes, sempre representará a base para o desenvolvimento pessoal, para o processo de inclusão e para a mudança de procedimento dos humanos. Assim, quanto mais amplo for essa relação, mais significativo será o crescimento evolutivo. Por fim, vem o despertar para o convívio com os seres vivos, dirigido aos animais e as plantas. Sem dúvidas, os humanos ainda estão bem distantes dessa compreensão. No entanto, esses seres contribuem, grandemente, para o desenvolvimento dos valores morais, éticos e espirituais dos seres humanos. Ambos, animais e plantas, também têm sua evolução e isso muito significa para os viventes, embora não notados por alguns. Ainda, existirá o convívio com uma personalidade, criada pelo Grande Deus, sem definição de rosto, porém com aparência, que é a mãe natureza. Apresenta-se em quatro estações diferentes, cada uma com sua expressão característica. A natureza constitui o meio ambiente, no qual se vive. Conviver com as diversas estações ambientais é uma dádiva divina e poucos humanos despertam sua consciência para essa visão.

Vilas Magazine | Ed 222 | Julho de 2017 | 32 mil exemplares  

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