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A Revista de Lauro de Freitas e Região Nascido nas oficinas criativas e artísticas no Terreiro São Jorge Filho da Goméia, em Lauro de Freitas, o Bankoma (povo reunido em festa, em Kikongo, língua de raiz bantu) se consagrou no Carnaval de Salvador, onde desfila sempre nas quintas-feiras e sábados, mostrando a beleza das fantasias e a empolgação de seus integrantes. Na QuartaFeira de Cinzas reverencia o povo e a cidade de Lauro de Freitas com um desfile pelas ruas de Portão

Ano 20 | Edição 229 Fevereiro de 2018 32.000 exemplares EDMAR DE PAULO


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EDITORIAL

A barulheira é oficial

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uito em vez de coibir a poluição sonora, como manda a lei, com “disque-denúncia” ou sem ele, com “patrulha do som” ou sem ela, a prefeitura de Lauro de Freitas tem concedido alvarás para a realização de festas comerciais em áreas estritamente residenciais. Para desespero da vizinhança, o próprio poder público apadrinha espetáculos musicais, um após o outro, na concha acústica do Parque Ecológico de Vilas do Atlântico. Supostamente um espaço público para contemplação da natureza, juntamente com o resto do bairro, o parque vai se transformando em recinto de festa. Não vamos aqui discutir o valor intrínseco do que quer que seja. Para quem gosta de “raves”, ouvir acordes eletrônicos por 12 horas seguidas é evento de “natureza cultural”, como rezava a autorização exibida em placa na praia de Buraquinho (leia matéria na página 7). Também há quem defina como divertida qualquer grande aglomeração comercial, como as festas realizadas no último réveillon em Vilas do Atlântico – e uma delas deixou outdoor ‘ameaçando’ voltar no fim deste ano. Existe ainda quem encontre satisfação em passar o fim de semana sob o repetitivo som de um batuque qualquer numa barraca ou em uma das residências da orla. Nem por isso se torna admissível impor a barulheira à vizinhança, por dias inteiros, por vezes durante uma noite inteira, muito menos ao ponto de impedir que as pessoas ouçam a própria voz dentro de casa, como testemunham leitores (leia a seção Tribuna do Leitor, às págs. 108 e 109). Mas não vale a pena esgrimir a letra da lei, que proíbe tudo isso. Já ficou claro que a prioridade é festejar e nada, nada mesmo, indica que os alvarás deixem de ser concedidos ou que a poluição sonora venha a ser coibida, em área residencial ou não. O espernear da vizinhança é coisa que não afeta as noites tranquilas de quem dorme em outro canto da cidade. O uso de espaços públicos para eventos festivos parece partir da ideia de que o que é público pertence a ninguém, quando na verdade pertence a todos – pelo que todos deviam ser levados em conta. No caso da sequência de festas de janeiro, foram consultados apenas a clientela e os promotores dos eventos. Mas mesmo os eventos comerciais em espaços privados precisam de autorização. E há casos em que, autorizados, continuam a configurar utilização imprópria. O Vilas Tênis Clube, por exemplo, se não é área pública, privada também não é. Não está no escopo das atividades do clube o aluguel de espaço para festas comerciais, tanto quanto não estava a cessão de terreno para instalar um terminal de ônibus. Se a “patrulha do som” é irrelevante e o “disque-denúncia” inútil, conforme atestam os moradores, resta apelar à própria comunidade. Os dirigentes do clube são moradores de Vilas do Atlântico. As duas entidades representativas do bairro – Salva e Amova – mobilizam-se como podem para impedir que o bairro se transforme em terra de ninguém. Mas a força de ambas está no apoio que receberem da comunidade. De outro lado é que não virá a solução.

Atitude

Não menos relevante, no que se refere a eventos na praia, é a proteção dos ninhos de tartaruga marinha. O fato de Vilas do Atlântico e Ipitanga serem importantes áreas de desova da espécie já foi exaustivamente mencionado, na ação judicial de que a União é parte, como um dos fatores que impedem a permanência das barracas na faixa de areia da praia. Para o comum dos cidadãos em busca do que ele mesmo entende por lazer à beira-mar, as tartarugas podem parecer um aborrecimento sem fim. Mas há também quem cuide ativamente dos ninhos e faça “selfies” junto à demarcação do Tamar. Não porque sejam entusiastas da preservação da espécie, mas para mostrar à família, aos amigos, que nem tudo está perdido, que nem tudo é bandalheira e destruição. Há nessa atitude uma esperança que ultrapassa o ambientalismo e alcança a cidadania política, ensejando a reação.

Política

A nova querela em torno da estação Aeroporto do metrô, que levou à paralização das obras por suposta falta de adequado licenciamento ambiental por Salvador, tem potencial para atrasar a efetiva operação do trecho – e a futura extensão até o Km 3,5 da Estrada do Coco. Quanto mais tarde começar a operar a estação, mais tarde haverá volume de passageiros suficiente para a extensão da linha. Sem isso, nem o governador Rui Costa anuncia o novo trecho antes de outubro. Como quem licencia é dono do pedaço, a exigência de Salvador, a esta altura do campeonato, Carlos Accioli Ramos representa um xeque-mate de ACM Neto (DEM) a Moema Gramacho (PT) na completamente Diretor-editor irrelevante disputa sobre a que município pertence o pedaço de chão que abriga a estação Aeroporto. O que realmente interessa, diria Rui Costa a seus próprios botões, é que aquela bodega comece a funcionar. A população em peso faz coro com o governador. A CCR Metrô que se entenda logo com ACM Neto e entregue a obra. Se for o caso, emancipe-se a estação Aeroporto para criar o 418º município baiano, mas acabe-se com a questiúncula. Fica combinado: os passageiros da primeira composição que sair rumo ao Iguatemi elegem entre si o prefeito.

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NESTA EDIÇÃO A revista de Lauro de Freitas & Região

www.vilasmagazine.com.br Facebook: VilasMagazine.Online Instagram: @VilasMagazine Publicação mensal de propriedade da EDITAR - Editora Accioli Ramos Ltda. Rua Praia do Quebra Coco, 33. Vilas do Atlântico. Lauro de Freitas. Bahia. CEP 42708-790. Tels.: 0xx71/3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 Diretor-Editor: Carlos Accioli Ramos (diretoria@vilasmagazine.com.br) Dire­to­ra: Tânia Ga­zi­neo Accioli Ramos Gerente de Negócios: Álvaro Accioli Ramos (comrcial@vilasmagazine.com.br). Assistentes: Leandra Almeida e Vanessa Silva (comercial@vilasmagazine.com.br) Gerente de Produção: Thiago Accioli Ramos. Assistente: Bruno Bizarri Administrativo/Financeiro: Miriã Morais Gazineo (financeiro@vilasmagazine.com.br). Assistente: Leda Beatriz Gazineo (comercial@vilasmagazine.com.br) Distribuição: Álvaro Cézar Gazineo (responsável) Tratamento de imagens e CTP: Diego Machado Redação: Rogério Borges (DRT 6851/MG), coordenador Colaboradores: Jaime Ferreira (articulista), Thiara Reges (freelancer), Raymundo Dantas. PARA ANUNCIAR: comercial@vilasmagazine.com.br Tels.: 0xx71 3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 CONTATO COM A REDAÇÃO: redacao@vilasmagazine.com.br TIRAGEM: 32 MIL EXEMPLARES. Im­pressão: Log & Print Gráfica e Logística S. A. (Vinhedo/SP)

Revista mensal de serviços e facilidades, distribuída gra­ tuitamente em todos os domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais de Lauro de Freitas, Es­trada do Coco e região (Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba, Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã). Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­tora. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos produtos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.

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REGISTROS & NOTAS...Pág.: 6 CIDADE...Págs.: 7 a 26 lEventos comerciais em área residencial ignoram lei do silêncio lLigação da Via Metropolitana à Estrada do Coco está pronta lSalvador reivindica autoridade sobre área da estação Aeroporto do metrô lAgenda do Univerão movimentou a cidade em torno de educação, cultura e política. Projetos de robótica são apresentados na Univerão lSalvador ‘estranha’ cobrança de IPTU de Lauro de Freitas no Marisol lBankoma recebe Carlinhos Brown para ensaio em Vilas do Atlântico lCães das forças de segurança fazem primeiro torneio lFestejos marcam o Terno de Reis em Lauro de Freitas lRio Limpo pede definições sobre liberação da água do Rio Joanes SOLIDARIEDADE...Págs.: 22 e 23 lCidadãos de Lauro de Freitas podem escolher instituições locais para apoiar na Nota Premiada. Programa possibilita que o cidadão escolha no site duas instituições: uma da área social e outra da área de saúde. Além disso, o cidadão concorre à prêmios mensais de R$ 100 mil e especiais de R$ 1 milhão. O município de Lauro de Freitas conta com 16 instituições participantes, todas na área social. SAÚDE...Págs.: 24 a 28 lVacina fracionada contra febre amarela será aplicada este mês em Lauro de Freitas. Fracionamento da vacina é medida de emergência. “Degradação ambiental está relacionada a surto de febre amarela”. Surto pode levar à extinção de espécies COMPORTAMENTO...Págs.: 30 e 31 lA atriz e neurocientista Mayim Bialik escreve sobre educação sexual para tentar tornar mais fácil o caminho de garotas pela adolescência EMPRESAS & NEGÓCIOS...Págs.: 32 e 33 lQuem define o período de férias? Tire essa e outras dúvidas sobre o tema MODA & ESTILO...Págs.: 34 e 35 lFolhas de Verão lLivre das pontas duplas VIVER BEM...Págs.: 36 a 38 lDesvio no nariz vira problema quando atrapalha respiração lDoenças podem levar idosos a sofrer mais com a insônia CLASSIFICADOS BOA DICA...Págs.: 42 a 107 lSeção de facilidades e serviços disponibilizando profissionais nos segmentos Saúde & Bem-Estar, Gastronomia, Festas, Educação, Casa & Decoração, Serviços Gerais, e Auto & Cia. Consulte na página 41, o índice geral por segmento. TRIBUNA DO LEITOR....Págs. 108 e 109 TÁBUA DAS MARÉS / TELEFONES ÚTEIS....Pág. 110 MAPA DE VILAS DO ATLÂNTICO....Pág. 111


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REGISTROS & NOTAS A ‘Alma Infinita de Tudo’ inaugura a temporada de exposições da Galeria Acbeu A Galeria Acbeu abriu sua temporada de exposições de 2018 no dia 26 de janeiro, com a mostra A Alma Infinita de Tudo, dos artistas visuais Luiz Cláudio Campos (dir.) e José Henrique Barreto (abaixo). Com curadoria de Viga Gordilho, a exposição formada por um conjunto em torno de 30 fotografias montadas em molduras antigas, totens e em caixas de diversos tamanhos é o encontro dialético

entre o corpo e a poesia. A mostra fica em cartaz até o dia 23 deste mês, podendo ser visitada de segunda à sexta-feira, das 14h às 20h, e aos sábados, das 9h às 13h. Para associar as qualidades distintas do corpo, como a vida, a morte, o florescimento, o declínio, a fala e o silêncio, aos recursos que a poesia tem, o duo de artistas se inspirou nos cânticos da poetisa

Cecília Meireles. “Foi a partir de palavras instigantes, que se articularam imagens e recordações. Objetos foram ‘desguardados’ e fotografados para que respondessem por si mesmos ao apelo das palavras”, completa José Henrique. Os artistas trabalham juntos desde a década de 2000, em um processo de engajamento na criação de um conteúdo único. “A ideia surge, cada um elabora sua pesquisa, amadurecemos as ideias, dialogamos sobre o material encontrado e definimos o objeto a ser trabalhado”, detalha José Henrique. Apesar de cada um possuir sua linha de pesquisa, a coautoria em diversos trabalhos promove a fusão de pensamentos, transformando o talento individual em talento único. Galeria Acbeu: Av. Sete de Setembro, 1883. Corredor da Vitória. Salvador. Infs.: (71) 3444-4418 / 3483-1291.

Continuação Personagem destacada no setor educacional e cultural, o professor José Nilton Pereira Carvalho, (dir.)diretor do Colégio Apoio, de Vilas do Atlântico, teve seu nome referendado para continuar como vice-presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, acompanhando a continuidade da gestão do presidente Eduardo Moraes de Castro. 6 | Vilas Magazine | Fevereiro de 2018

Seminário espírita foca valorização da vida As instituições espíritas de Lauro de Freitas, representadas por seus dirigentes e trabalhadores, sensibilizadas com as questões sociais, familiares, em todas as faixas etárias, no que tange, sobretudo, a vida, decidiram realizar o seminário 1ª Semana de Valorização da Vida, com foco na prevenção ao suicídio, questão que aflige à sociedade em geral. Para tanto, elaboraram uma programação de sete dias, que vai acontecer de 18 a 24 de março, com temáticas abordadas por palestrantes que trarão relevantes experiências sobre os diversos temas. As atividades serão desenvolvidas de forma itinerante, cada dia em uma das instituições espíritas do município. A abertura será realizada por André Luís Peixinho, presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia. A coordenação do evento é de Anivan Ferreira Nery, coordenador geral do Conselho Regional Espírita1-CR-1. Mais informações pelos telefones (71) 99978-8862, 99366-1723 ou 98539-7953.

Reforço Qualificado Vanessa Bacelar Oliveira é a mais recente integrante do bem azeitado time de profissionais que atuam na agência Bradesco, de Vilas do Atlântico. Natural de Cícero Dantas, foi aprendiz da diretoria do banco na Bahia, atuando como assistente e gerente pessoa física. Sob a liderança de Reinaldo Fernandes Neves Rocha, gerente-geral, Vanessa é uma das gerentes PJ da agência. CORREÇÃO Diferentemente do informado na edição anterior, o período de gestão de José Bonifácio Silveira Gomes como presidente da diretoria executiva da Associação dos Economiários Aposentados e Pensionistas da Bahia abrange o triênio 2018/2020.


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Eventos comerciais em área residencial ignoram lei do silêncio

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rea de desova e nascimento de tartarugas marinhas, a praia de Vilas do Atlântico foi palco de mais uma festa privada de música eletrônica – uma “rave party”, em janeiro. Com 12 horas de duração, o “bate-estaca” manteve toda a vizinhança residencial acordada em um raio de 1 Km, durante uma noite inteira. De acordo com a Associação de Moradores de Vilas do Atlântico (Amova), moradores tentaram contato com as autoridades durante toda aquela noite,

inclusive pelo número 153, supostamente destinado a receber denúncias, a qualquer horá, sem qualquer resultado. Ostensivamente ignorada a legislação que manda observar silêncio a partir das 22h, a “Patrulha do Som”, anunciada há meses pela prefeitura, provou ser irrelevante. De acordo com as entidades que representam os moradores, os organizadores da festa apresentaram alvará concedido pela prefeitura de Lauro de Freitas. Além disso, exibiram placa de

autorização da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) de uso da praia para “apresentação de música com DJs”, evento de “natureza cultural”. A União é parte na ação do Ministério Público Federal que desde 2011 pede a remoção das barracas de praia em Lauro de Freitas. O processo, que menciona expressamente a desova de tartarugas marinhas na área, nasceu de uma denúncia de poluição sonora. Desde novembro último os ninhos de tartaruga são mantidos na praia até o nascimento Não tendo havido comunicação prévia à comunidade sobre a festa, a Associação de Moradores de Vilas do Atlântico (Amova) tentou obter decisão judicial liminar no próprio dia do evento, u

Placa antiga com “errata”, exibe autorização da SPU para evento de música eletrônica na praia

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u para o impedir, em virtude do “flagrante desrespeito às normas ambientais vigentes”. De acordo com a entidade, não havia juiz de plantão em Lauro de Freitas para julgar o pedido de liminar. O Major PM Fabrício Silva, comandante da 52ª CIPM – que esteve no calçadão para conversar com os moradores – informou que também não havia sido previamente comunicado sobre o evento. A realização de festas privadas com venda de ingressos e que viram a noite ignorando a lei do silêncio em Vilas do Atlântico promete se tornar uma rotina. Qualquer espaço livre serve: ainda em janeiro havia outra festa planejada para a área verde ao lado de um supermercado, na avenida Praia de Pajussara. Assim como ocorreu durante a “rave party” na praia, um evento comercial de réveillon na área livre no fundo do Vilas Tenis Clube resultou em cenas até então inéditas em Vilas do Atlântico. A moradora Candice Fiais contou que “as nossas janelas tremiam sem parar e os alarmes dos carros disparavam com a pressão sonora” (leia denúncia da leitora na seção Tribuna do Leitor, nas páginas 109 e 110). Os moradores não conseguiam “nem conversar dentro de nossa própria casa”. Para os moradores do entorno das festas – houve ainda uma outra na orla – “foi um réveillon de pesadelos”. O clube deve se tornar recinto habitual de festas comerciais do mesmo tipo se a prefeitura continuar concedendo alvarás sem obrigar o respeito à lei do silêncio. Diversas residências da orla já eram habitualmente usadas como recinto de festas comerciais privadas, apesar de localizadas em área estritamente residencial. O artista plástico Juarez Paraíso, um dos mais importantes nomes da geração modernista na Bahia e que reside em Vilas do Atlântico há mais de 30 anos, é vizinho de uma barraca de praia e de uma dessas residências – de acordo com ele usada exclusivamente para festas. “Já até tentamos comprar a barraca de praia para fechá-la”, contou. Para Juarez Paraíso, os organizadores das festas têm consciência do que fazem: no dia da festa bate-estaca “eles me ofereceram uma diária de hotel para não passar a noite aqui”, disse. 8 | Vilas Magazine | Fevereiro de 2018

p Juarez Paraíso, vizinho de barraca de praia e de residência usada para festas: convite de “rave party” para passar a noite fora de casa

q O Major PM Fabrício Silva: evento não foi comunicado à Polícia Militar


Ligação da Via Metropolitana à Estrada do Coco está pronta

investimento de R$ 220 milhões, o projeto conta com pista dupla, sendo duas faixas por sentido de tráfego, canteiro central, 11,2 km de extensão e uma praça de pedágio, sentido Salvador. Os usuários também vão ter à disposição atendimento médico pré-hospitalar e socorro mecânico ao longo da ligação viária. A Via Metropolitana deve reduzir pela metade o tráfego da Estrada do Coco na área urbana de Lauro de Freitas, a avenida Santos Dumont, aliviando o sistema viário composto pelo trecho norte da avenida Paralela, avenida Dorival Caymmi e o Complexo 2 de Julho, na entrada de Lauro de Freitas. A nova via também diminuirá consideravelmente o trânsito em torno do Aeroporto Internacional de Salvador, assim como o tempo de percurso entre o Litoral Norte e Salvador. Passagem subterrânea é marco da obra de engenharia da Via Metropolitana

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stá concluída a passagem subterrânea que liga a futura Via Metropolitana Camaçari–Lauro de Freitas à Estrada do Coco (BA099), sentido Litoral Norte. A estrutura possui 190 metros de comprimento, mais de 400 estacas e consumiu cerca de 125 toneladas de aço. Para contribuir com a fluidez no trânsito no período de festas, quando aumenta consideravelmente o fluxo de veículos em direção às praias do litoral norte, a concessionária Bahia Norte reduziu intervenções e sinalizações de obra implantadas no perímetro. As obras da Via Metropolitana Camaçari–Lauro de Freitas atingiram 87% de avanço no final do ano passado. Com

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Salvador reivindica autoridade sobre área da estação Aeroporto do metrô

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prefeitura de Salvador afirma que “cerca de 11,2 mil metros quadrados de bambuzal e outros tipos de vegetação foram suprimidos, de forma irregular”, na região do aeroporto “em função das obras da CCR Metrô”. O próprio prefeito ACM Neto (DEM) condenou a ação da CCR, que segundo a prefeitura da capital já foi multada “em valores que ainda estão sendo definidos e teve as obras no local embargadas”. A acusação está baseada em “imagens aéreas capturadas pela prefeitura de Salvador” no Google

Earth, aplicativo que permite comparar fotografias de satélite de épocas diferentes. A imagem mais recente disponível é de setembro de 2017. Para ele, “foi cometida uma agressão terrível contra um patrimônio natural e um cartão postal de nossa cidade”. De acordo com o prefeito, “a CCR terá que pagar uma multa e solicitar da prefeitura o licenciamento” – além de fazer uma proposta de recomposição do bambuzal. ACM Neto disse ainda que se trata de “decisão com fundamento técnico, como revelam as fotografias, e não político”, mas a área em questão é objeto de disputa com Lauro de Freitas. Na prática, a exigência representa uma reivindicação de autoridade sobre a área, que está em obras há mais de um ano sem que a prefeitura de Salvador tenha verificado a irregularidade. A prefeita Moema Gramacho (PT) garante que a estação Aeroporto do metrô está em território do município. Com a exigência do licenciamento por Salvador, ACM Neto reafirma que a área pertence à capital. A supressão de vegetação a que se refere o prefeito reflete a obra do metrô como um todo, linha férrea e estação, em toda a área reivindicada por Lauro de Freitas. Mapas oficiais, baseados na lei de limites de 1969, localizam o trecho em Salvador, mas a própria capital aprovou lei de bairros que não o inclui no seu território. A área faz parte da parcela de território que vem sendo reivindicada na Assembleia Legislativa por ter sido desde sempre administrada por Lauro de Freitas. Estão incluídos também Ipitanga até o limite com Praia do Flamengo e toda a faixa a leste da BA-526 até a Via Parafuso. Para o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que afirma ter emitido as licenças ambientais da obra, a prefeitura de Salvador “está politizando uma questão técnica”. A acusação de que mais de 11 mil metros quadrados de vegetação foram suprimidos de forma irregular veio depois que a fiscalização de Salvador acusou a CCR Metrô de retirar onze touceiras do bambuzal no trecho da obra na chamada rua das locadoras. Em comunicado, a CCR Metrô disse que “todas as obras do viário na região do aeroporto estão devidamente licenciadas por órgãos competentes” e que ainda não retirou as onze touceiras. De acordo com o Inema, apenas 0,19% do bambuzal seria retirado para ampliação da ponte que ligará o serviço de shuttle de ônibus entre o metrô e o aeroporto. Imagens do Google Earth de julho de 2016 e setembro de 2017 mostram área da estação aeroporto antes e depois da supressão de vegetação. Reprodução Google Earth.

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Agenda do Univerão movimentou a cidade em torno de educação, cultura e política

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alestras e espetáculos musicais marcaram o projeto “Universidade de Verão” (Univerão) em Lauro de Freitas em janeiro. De acordo com a prefeitura, cerca de 2.800 pessoas participaram do projeto, em mais de mil horas de aulas em 130 cursos, palestras, oficinas e conferências. O palco principal dos eventos foi o auditório do Centro Panamericano de Judô, em Ipitanga. O primeiro palestrante foi João Carlos Salles Pires da Silva, reitor da Universidade Federal da Bahia, que apontou “os desafios para a manutenção da democracia dentro dos campi públicos”. Salles criticou a tentativa de implantação de projetos para a academia que buscam minimizar ou destruir bandeiras como a universidade gratuita e a política de cotas. “Estão desenhando uma imagem de racionalidade econômica que contraria princípios fundamentais”, disse. Segundo a prefeitura, mais de 30 conferencistas da educação brasileira passaram pelas mesas redondas e palestras da ação, com a participação de mais de 150 professores do ensino superior. Um deles foi o antropólogo José Jorge de Carvalho, que defendeu a aplicação do critério racial de cotas para os cursos de pós-graduação. O catedrático, responsável pela implantação do sistema de cotas na Universidade de Brasília em 2004, reconheceu que a lei “significou um avanço parcial inegável, na medida em que fez aumentar o número de estudantes negros”, mas fez um alerta: “ao mesmo tempo que amplia o número de vagas, a lei, pelo seu formato restritivo, impede a construção de uma plena igualdade étnica no ensino superior brasileiro”. José Jorge também destacou a importância de incluir outros saberes, tradicionalmente excluídos, nas universidades brasileiras para ocasionar o que chama de descolonização acadêmica. “Na verdade, são raízes de outros países que tentamos copiar num longo processo”, disse. O ex-reitor da Universidade Federal da Bahia, Naomar Monteiro de Almeida Filho, questionou o conceito brasileiro de universidade, uma instituição pública que não é voltada para o povo. Analisando o cenário educacional do país, o professor ressaltou a importância de conhecer as diferenças entre educação e ensino. Partilhando a mesa com o ex-reitor, o secretário municipal de Educação, professor Paulo Gabriel Nacif explicou o significado de “Cidade Educadora” com o exemplo da Universidade de Verão, ratificando a afirmação sobre a necessidade da participação popular na construção do processo e na sua execução. “Precisamos ter um pacto social, o Estado sozinho não dá conta, as pessoas têm que fazer parte desse pacto”, disse – “A Univerão vem como um grande desafio de integrar tudo que já foi conquistado nesse sentido


4 e com essa experiência poderemos aprender que não precisamos separar a mente que aprende da que se diverte”, disse. O discurso político também esteve presente. Nacif avaliou que a concretização da Univerão é resultado das lutas de gerações que mudaram o Brasil. Responsável pela iniciativa, Nacif lembrou que no início dos anos 2000 havia apenas 4,5% de estudantes no ensino superior em todo o país e que hoje eles são cerca de 10%. Havia 30% dos estudantes no nível médio hoje são 60%. Para ele, “os governos de centro e de esquerda mudaram o país e essa mudança deu à população uma nova expectativa em termos de lazer e cultura” – “a Univerão tem papel crucial nesse aspecto”, concluiu. Outro dos palestrantes convidados foi o deputado federal Paulo Teixeira, do PT de São Paulo, que falou sobre “Democracia em Momento de Crise”, condenando o impeachment da ex-presidente Dilma. Ao lado dos também deputados Afonso Florence (PT) e Joseildo Ramos (PT), da vereadora de Salvador Marta Rodrigues (PT) e da ex-ministra do governo Dilma Mirian Belchior, a prefeita Moema Gramacho (PT) aplaudiu Paulo Teixeira e disse que os acertos dos projetos de esquerda no Brasil, liderados por Dilma u

1 - João Carlos Silva, reitor da UFBA, na abertura da Univerão ao lado de Moema Gramacho: combate ao fim das cotas 2 - O deputado paulista Paulo Teixeira com Moema Gramacho: palestra política 3 - Faixa partidária mostra apoio ao ex-presidente Lula durante palestra da Univerão no Centro Panamericano de Judô 4 - Abertura do Festur no Cine Teatro de Lauro de Freitas: destacando a diversidade 5 - O cantor Geraldo Azevedo em espetáculo gratuito no Parque Ecológico: mensagem política anti-Temer

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u e Lula, foram as maiores motivações para o impeachment, tratado na palestra como golpe. “Eles não aceitam dividir”, disse Moema – “a elite não admite que os filhos dos pobres se tornem doutores”. Criticando o último reajuste do salário mínimo, acrescentou que “a democracia está ameaçada diante dessa crise econômica, judicial, parlamentar e midiática”. FESTA Uma Festa Turística Étnica Cultural (Festur) promoveu espetáculos musicais e atrações de lazer ao longo da semana de eventos, dois deles em Vilas do Atlântico. Para o sábado, dia 20 de janeiro, um palco foi montado junto às barracas informais para movimentar o dia com atrações como fit dance, espetáculo para crianças e a soltura de filhotes de tartaruga em meio a uma pequena multidão (leia no box) na praia. Com a presença da prefeita Moema

Palco de evento turístico da Univerão em Vilas do Atlântico: barracas do comércio informal continuam a ser toleradas

Gramacho e do deputado Paulo Teixeira, no mesmo dia milhares de pessoas lotaram o Parque Ecológico para um espetáculo gratuito de Geraldo Azevedo – que não deixou de mandar seu recado político em “Canção da Despedida”, composta como protesto no período da ditadura militar. Geraldo Azevedo comparou Michel

Temer a Arthur da Costa e Silva, o general presidente naquela época, ao afirmar que “depois de tantos anos não podia imaginar que veria de novo um rei mal coroado”. A letra da música fala de “um rei mal coroado não queria o amor em seu reinado pois sabia não ia ser amado”. No dia seguinte houve mais um espetáculo, desta vez na praça da Matriz, no Centro, com a apresentação do sambista Diogo Nogueira. No Centro, a abertura do Festur contou com a apresentação da Orquestra de Berimbaus e Pandeiros de Lauro de Freitas num evento destinado a comemo-

Projetos de robótica são apresentados na Univerão

O

s estudantes do Centro Estadual de Educação em Tecnologia, Informação e Comunicação (CEEPTIC) levaram ao Ginásio Municipal, para a Univerão, em uma das atividades do evento, quatro projetos voltados para a inovação tecnológica. Com os colegas, Thiago de

Souza Alves, 17 anos, aluno do curso técnico em Suporte e Manutenção em Informática, mostrou os projetos “robô antibombas” e “carro seguidor de linha”. O robô tem o objetivo de garantir a segurança pública, “pois ele pega um objeto potencialmente perigoso e leva até um

Thiago Alves (esq.): robôs antibombas e seguidor de linhas. Menino se diverte com o aprendizado no Ginásio Municipal

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local seguro”, explicou o jovem. Já o carro seguidor de linha tem locomoção autônoma e segue linhas brancas e pretas por meio de sensores e “pode ser usado para manipulação e transporte de objetos sem sair de sua rota”. Os outros dois projetos apresentados


rar a diversidade cultural da cidade. Para Joílson Lopes, diretor de turismo da Secretaria Municipal de Cultura, “Lauro de Freitas hoje tem o metro quadrado mais cultural do Brasil”. A ideia é fomentar esse potencial em novas edições do evento para movimentar o setor na cidade. Um espetáculo teatral traduziu momentos de destaque da história de Santo Amaro de Ipitanga, dos Tupinambás aos nossos dias. Marinho e Mirinha são os personagens que mergulham no passado da cidade e fazem uma viajem pela chegada dos portugueses, dos negros, pelo primeiro campo de aviação e pela Base Aérea, a independência da Bahia, e a emancipação do município, entre outros momentos. Um final apoteótico retrata a chegada do metrô. Também foram oferecidas oficinas de capoeira e dança, teatro, apresentação de grupos culturais e feira de artesanato. Três roteiros turísticos mostraram aos participantes a cultura, praias e patrimônio arquitetônico.

foram o “Totem”, que visa aproximar a comunidade escolar dos meios tecnológicos, por meio da interatividade dos conteúdos com a realidade prática das escolas técnicas e o “Arcade-gamer”, um videogame que realiza funções prédeterminadas. Saulo Caneiro Araújo, também de 17 anos, aproveitou para “trocar conhecimentos com profissionais da área de tecnologia e universitários de vários lugares diferentes, que nos dão sugestões para aprimorarmos os nossos projetos”. A professora Ana Moura, da escola Santa Júlia, avaliou que o contato com os projetos apresentados na Univerão reforça o conteúdo apresentado em sala de aula. “Aqui os nossos alunos conseguem entender como os conteúdos das diversas disciplinas estão inseridos no nosso cotidiano”, disse – “com experiências simples é possível passar esse conteúdo de forma mais interessante”.

Salvador ‘estranha’ cobrança de IPTU de Lauro de Freitas no Marisol

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secretaria da Fazenda do município de Salvador emitiu nota em janeiro “estranhando” que Lauro de Freitas esteja cobrando Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de imóveis localizados em território da capital. A nota refere-se especificamente ao loteamento Marisol, em Ipitanga, que faz parte de Salvador desde 1969, embora apenas Lauro de Freitas tenha cobrado IPTU ali até 2014. A prefeitura da capital está orientando os proprietários dos imóveis no Marisol a não pagar o IPTU de Lauro de Freitas “porque essa cobrança é indevida, já que o loteamento está dentro do território do município de Salvador”. De acordo com a secretaria da Fazenda de Salvador, “o lançamento do IPTU 2018 dessas unidades ainda não foi realizado, estando previsto para o início de fevereiro”. O atraso deve-se a “estudos para corrigir eventuais distorções existentes na tributação dos imóveis” depois de “demandas comunitárias apresentadas pelo Loteamento Marisol I e II junto à Câmara Municipal de Salvador quando da discussão do projeto de lei do IPTU 2018”. As “demandas comunitárias” diziam respeito ao cancelamento de um aumento de até 4.000% no IPTU daquela região, de acordo com moradores do Marisol. A prefeitura de Lauro de Freitas reivindica, na Assembleia Legislativa, a incorporação formal de toda a área de Ipitanga ao território do município, bem como da faixa a leste da BA-526 (CIA-Aeroporto) até a Via Parafuso. Acordo firmado pelas duas prefeituras em 2014 reconheceu que Placa da prefeitura de Salvador o Marisol pertence a Salvador, mas o depredada em 2015, quando a documento não teria sido formalizacapital passou a cobrar IPTU ali do. As contrapartidas prometidas por Salvador na época – relativas à faixa da rodovia – também não foram entregues. Entretanto, a Câmara Municipal de Lauro de Freitas aprovou em dezembro último lei em que a prefeitura local assume expressamente que continuará a cobrar o IPTU de “todos os imóveis localizados na área objeto do impasse”, listando em separado as ruas em questão. São vias que não fazem parte da tabela de logradouros da cidade, definida por lei em 2015, mas cujos imóveis “permanecerão no cadastro imobiliário do município de Lauro de Freitas, para todos os fins, inclusive quanto à cobrança” do IPTU – segundo aprovaram os vereadores. Fevereiro de 2018 | Vilas Magazine | 15


q CIDADE

Bankoma recebe Carlinhos Brown para ensaio em Vilas do Atlântico

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ensaio pré-carnavalesco do Bankoma, bloco afro que representa Lauro de Freitas no carnaval de Salvador, este ano aconteceu no Parque Ecológico. A presença de Carlinhos Brown voltou a atrair uma multidão para outro espetáculo gratuito em Vilas do Atlântico, no final de janeiro. Foi a oitava edição do “Encontro Mauanda”, tradicionalmente realizado no Pelourinho, em Salvador, onde o bloco local encontra oportunidade para se tornar mais conhecido do grande público. Não foi a primeira vez que Brown participa de um ensaio do Bankoma. Além dele, outros nomes da música baiana

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já prestigiaram apresentações do bloco local: Ana Mameto, a Banda Didá, o Ilê Aiyê, Muzenza, Malê de Balê, Juliana Ribeiro e Will Carvalho. Para Mãe Lúcia, Mameto-de-Inquice do Terreiro São Jorge Filho da Goméia, fazer o Encontro Mauanda em Lauro de Freitas foi “uma emoção nova porque estamos em casa e os olhares para nós são mais próximos”. Entre uma música e outra o Bankoma trouxe um pouco da história do terreiro e fez referência a Mãe Mirinha de Portão como exemplo de mulher, negra e atuante na defesa da sua comunidade.

Thailane Sales (dir) e Carlinhos Brown: filha de santo é rainha do Bankoma em 2018. Abaixo, Carlinhos Brown na concha acústica do parque de Vilas do Atlântico: elogios à força espiritual de Lauro de Freitas O encontro também revelou a rainha do Bankoma para o Carnaval 2018. Filha do terreiro São Jorge Filhos da Gomeia desde criança, Thailane Sales falou da


Cães das forças de segurança fazem primeiro torneio

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felicidade que estava sentindo: “Estou orgulhosa por poder representar o Bloco Afro Bankoma nos 70 anos do meu terreiro”, disse – “sou filha de santo, então é uma alegria que não sei explicar”. Carlinhos Brown comparou o Bankoma aos Filhos de Gandhy, ambos com 70 anos de história e “patrimônio do mundo”. Homenageando o terreiro São Jorge Filho da Goméia, em Portão, berço do Bankoma, Brown disse que Lauro de Freitas “foi construída pela força espiritual” e a população “tem que tomar posse da sua história”. Brown trouxe sucessos como Obaluaê, Muito Obrigado Axé, Ginga de Balé e Você o Amor e Eu. O público acompanhou fazendo um coro em todas as canções embaladas pela percussão do Bankoma e com o brilho especial do balé do bloco afro de Lauro de Freitas. O Bankoma surgiu em 2000 a partir das oficinas do Terreiro São Jorge Filho da Goméia. É o único bloco afro de fora de Salvador que desfila no carnaval da capital na quinta-feira e no sábado. Atualmente o Bankoma tem mais de dois mil foliões. Em Lauro de Freitas o desfile do bloco acontece na Quarta-Feira de Cinzas.

FOTOS: ALBERTO MARAUX

Batalhão de Choque (BPChq) da Polícia Militar, em Lauro de Freitas, realizou em janeiro o primeiro Torneio de Cães de Polícia das Forças de Segurança. Corrida, faro de entorpecentes e guarda e proteção foram as modalidades disputadas. Participaram cães das polícias Militar e Civil, do Exército Brasileiro e Aeronáutica, que competiram em busca do menor tempo, ficando em primeiro lugar um representante do BPChq. Na corrida, o binômio homem-animal tinha de percorrer um circuito de 1,4 mil metros. Na segunda parte, o faro de entorpecentes foi dividido em dois momentos: busca em vePastor alemão do COC: ículo e dentro de um cômodo. Nesta etapa, venceu também um cão militar do Bata- canil do Choque faturou lhão de Choque. Na prova de guarda e proteção, quem quase tudo do Choque venceu foi a equipe da 32ª Companhia Independente e do Exército em competição: percurso de Polícia Militar, de Pojuca. “O que menos importou neste evento foi o resulta- de 1,4 mil metros do”, ressaltou a comandante da Companhia de Operações com Cães (COC) do BPChq, capitã PM Samanta Lacerda – “o principal objetivo é unir todas as instituições, com troca de experiências, aprimorando o trabalho com os animais”. A competição foi promovida pela COC.

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q CIDADE

Boi Janeiro, comandado por dona Badinha

Festejos marcam o Terno de Reis em Lauro de Freitas

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celebração do Boi Janeiro encerrou os festejos do Terno de Reis em Lauro de Freitas, no dia 6 de janeiro. O desfile saiu do final de linha do Centro em direção à praça da matriz, acompanhado por queima de fogos e ao som da Charanga Vem

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Terno Estrela Dalva, de dona Aidê, de Portão

Com a Gente. Tradicional em Portão e no Centro, o Terno de Reis é uma das manifestações populares de Santo Amaro de Ipitanga e acontece há mais de 40 anos. Vivaldina Conceição, mais conhecida como dona Badinha, 75 anos, mais uma vez comandou o cortejo entoando cânticos populares de porta em porta. Ao som do refrão “abre a porta, não demore não, venha receber nosso coração”, dona Badinha, pastorinhas, burrinha, o boi e o vaqueiro eram recebidos pelos vizinhos. No dia anterior desfilou o Terno Estrela Dalva, de dona Aidê, colorindo as ruas de Portão e repetindo uma tradição. Embalados pelo samba de roda, os personagens evoluíram pelas ruas


do bairro. Com cerca de 60 integrantes, o Estrela Dalva é organizado por Aidêe Nascimento, 64 anos, mestra da cultura popular, que há mais de 30 anos se dedica a preservar as expressões culturais da região. Bumba meu boi à frente, o terno subiu a rua principal de Portão, na dança com as burrinhas, floristas e borboletas, a cigana, castanholas e as marisqueiras. Festejo de origem portuguesa, os ternos de Reis lembram a visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus, em Belém.

DEPOIMENTO As caretas de minha terra resistem Na minha infância, na década de 80, dias antes do carnaval, as caretas de Lauro de Freitas, tomavam as ruas, era um período perfeito, férias escolares e o que mais queríamos era brincar. As caretas eram diversão certa. Rolava uma disputa entre a gente para descobrir quem estava por trás das “horripilantes” fantasias e gritar o nome do suposto mascarado. Além disso, tínhamos que ficar atentos, pois a motivação das caretas era correr atrás da gente com um cipó de goiabeira e eles metiam a zorra.... Na adolescência fui um dos mascarados, andei de galera (caretas) correndo atrás da meninada... Matei saudades, lembrei da infância e dos amigos e de como era maravilhosa a minha cidade. Que bom que a tradição se mantém viva. Márcio Wesley é jornalista e músico, nascido em Lauro de Freitas.

Mais tartarugas nasceram naturalmente em onze de janeiro na praia de Vilas do Atlântico – dois dias antes do evento de música eletrônica. No total, 13 ninhos já nasceram na praia do bairro nesta temporada. O flagrante foi registrado pelo leitor Clauss Carvalho, que cedeu as fotos à Vilas Magazine. Outros 28 ninhos permanecem na areia, na orla de Lauro de Freitas, 14 deles em Vilas do Atlântico. Alguns dos filhotes nascidos aqui foram soltos na praia do Porto da Barra, em Salvador, em mais uma ação de conscientização do Projeto Tamar. Inserida na programação da Univerão e Festur, também houve uma soltura de tartarugas em Vilas do Atlântico. A pequena multidão reunida para ver os filhotes mostrou-se difícil de controlar, chegando a invadir o cercado depois que as tartarugas haviam iniciado a caminhada para o mar – etapa importante no ciclo de vida delas. A equipe do Tamar teve que recolher os filhotes e levá-los diretamente para as ondas, evitando que fossem pisoteados. Fevereiro de 2018 | Vilas Magazine | 19


q CIDADE

A barragem do Joanes, no Jambeiro: vazamento apenas quando o volume de água é excedente

Rio Limpo pede definições sobre liberação da água do Rio Joanes

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Oscip Rio Limpo – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, entidade que defende a recuperação dos rios em Lauro de Freitas, está cobrando resultados de uma representação feita ao Ministério Público em 2016. Na ocasião, a Rio Limpo denunciou a Embasa “por descumprir a Lei das Águas nº 9.433, de 06/04/1997, que obriga a liberar água das barragens” no que se denomina vazão ecológica mínima. A entidade defende que a barragem Joanes 1, no Jambeiro, passe a liberar um volume mínimo de água para o curso do rio, ajudando a diluir o volume de esgoto que, lançado no Ipitanga, vai parar ao Joanes e às praias de Lauro de Freitas. “Há anos a Embasa vem sistematicamente desrespeitando esta lei, retendo

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completamente as águas dos rios Ipitanga e Joanes, deixando as calhas destes rios a jusante das barragens completamente secas”, afirma Fernando Borba, presidente da Rio Limpo. Borba aponta que “escorrem por elas tão somente os esgotos e águas das chuvas que chegam ao Joanes e por este temperam as nossas praias de Buraquinho, Busca Vida, Vilas do Atlântico e Ipitanga”. De acordo com Borba, em novembro do ano passado a 2ª Promotoria do Ministério Público determinou a realização de perícia técnica que resultou em um relatório da situação das barragens. Agora “precisamos saber que andamento terá o processo depois da perícia”, realizada pelo engenheiro Zuri Pessoa – conta Borba. Acompanharam a perícia o pró-

Na outra pág.: Vertedouro da barragem: calha do rio permanece seca até receber as águas poluídas do Ipitanga

prio Borba e o diretor da Rio Limpo, Caio Marques, além do Coordenador Geral da Sociedade de Amigos de Vilas do Atlântico (Salva), Márcio Costa. Sem detalhar o que terá constado do relato, Borba conta que Zuri Pessoa “fez registro da situação das barragens com anotações e fotos e nos informou que enviaria à Promotoria um relatório do que constatou”. A Rio Limpo quer saber do “andamento do inquérito cível que apura os danos causados pela atuação da Embasa aos Rios Ipitanga, Joanes e Sapato”. Para a entidade, os rios estão morrendo pela falta de água nas suas calhas e por causa do esgoto não tratado que é lançado. Borba culpa a “falta de saneamento básico”, mas a lei proíbe lançar efluentes não tratados nos cursos d’água,


com ou sem rede de esgotamento sanitário disponível. Há pelo menos quatro anos que a Rio Limpo pede a manutenção de uma vazão constante a jusante da barragem de Joanes 1, como alternativa para a melhoria da qualidade das águas do rio Joanes. De acordo com a Salva, em reunião de que participou também a prefeitura de Lauro de Freitas, em abril de 2014, “representantes da Embasa ponderaram que a barragem foi construída numa época em que não existiam leis ambientais” e que, por isso, “não foi prevista descarga de fundo no barramento”, o que inviabilizaria uma vazão constante para a calha do rio. A barragem verte apenas quando há excesso de volume de água. Mesmo que a descarga fosse possível, seria necessário avaliar se essa vazão não ameaça a necessidade de abastecimento à população – que tem prioridade. Segundo a Salva, a Embasa teria ainda informado que “não há condicionantes ou recomendações a esse respeito nem licenciamento nem na outorga” do uso da água do Joanes.

Fernando Borba (dir) ouve Julio Mota, da Embasa, em reunião de 2016: agravamento da situação estava prevista Dois anos depois, em nova reunião com representantes da Embasa no Riverside Hotel, a Rio Limpo voltou a defender a abertura das comportas. Na ocasião, Júlio Mota, superintendente de assuntos regulatórios da Embasa, que participou da reunião afirmou que há técnicos na Embasa que defendem o fim da captação de água na barragem do Joanes 1 devido aos custos do tratamento – o que

poderia liberar o volume de água para a calha do rio. Mota alertou ainda para a drástica redução no volume de água que passaria a chegar à represa nos anos seguintes devido à conclusão do sistema de esgotamento sanitário de Camaçari. A engenharia da empresa estaria então em busca de uma alternativa para minimizar esse efeito.

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q SOLIDARIEDADE

Cidadãos de Lauro de Freitas podem escolher instituições locais para apoiar na Nota Premiada Programa possibilita que o cidadão escolha no site duas instituições: uma da área social e outra da área de saúde. Além disso, o cidadão concorre à prêmios mensais de R$ 100 mil e especiais de R$ 1 milhão

O

s cidadãos de Lauro de Freitas que aderirem à Nota Premiada Bahia concorrerão à prêmios de até R$ 1 milhão e ainda irão compartilhar suas notas fiscais eletrônicas com instituições locais participantes do programa Sua Nota é um Show de Solidariedade. O primeiro passo é fazer o cadastro no site www.notapremiadabahia.ba.gov.br, escolhendo para apoiar uma instituição da área social e outra da área de saúde. A partir daí, para concorrer aos prêmios e compartilhar as notas com as instituições selecionadas, basta solicitar que o CPF cadastrado previamente seja adicionado a cada compra realizada em estabelecimentos comerciais de toda a Bahia que emitam a Nota Fiscal do Consumidor Eletrônica (NFC-e). Quem se cadastrar e adotar o hábito de inserir o CPF na nota eletrônica concorre a dez prêmios mensais de R$ 100 mil, que começarão a ser sorteados a partir de fevereiro, e à prêmios especiais de R$ 1 milhão, o primeiro dos quais com sorteio previsto para 20 de junho. O município de Lauro de Freitas conta com 16 instituições participantes, todas na área social (veja a relação ao lado). Instituições beneficentes que ainda não participam do Sua Nota é um Show de Solidariedade podem preencher o formulário de cadastramento eletrônico no site www.sefaz.ba.gov.br, clicando no botão “Educação fiscal”, em seguida no banner “Sua Nota é um Show de Solidariedade” e, na página do programa,

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acessando o link “3ª fase”. Para esclarecimento de dúvidas, cidadãos podem ligar para 0800 071 0071. SHOW DE SOLIDARIEDADE Uma das mais importantes novidades trazidas pela Nota Premiada Bahia é o compartilhamento online dos documentos fiscais eletrônicos emitidos em qualquer parte do Estado com as instituições que integram o programa Sua Nota é um Show de Solidariedade. Ao contrário do que acontecia com os cupons em papel, que exigiam das instituições uma logística complexa e custos altos para implantação de urnas em um número restrito de estabelecimentos, com a NFC-e a doação passa a acontecer de forma automática a cada compra em que o CPF cadastrado for incluído na nota. Cada instituição passa a ter a sua própria urna digital, inteiramente online. Isso será especialmente benéfico para as pequenas instituições, que poderão ser apoiadas por pessoas de todo o Estado, sem restrições territoriais e financeiras. Um cidadão de Lauro de Freitas, por exemplo, poderá doar suas notas para as instituições conterrâneas mesmo que esteja em viagem ou não resida no município. Esse modelo de doação já foi posto em prática com êxito em outros estados, que também têm programas de apoio a instituições sociais mediante doação de notas fiscais. QUADRADINHO “Este é um programa em que todos

ganham. O cidadão concorrerá a prêmios, as instituições sociais terão um modelo mais simples de recolhimento das notas fiscais, totalmente online, e o Governo terá a parceria da população que, ao exigir a nota no momento da compra, irá contribuir com as ações de combate à sonegação fiscal, reduzindo a concorrência desleal e promovendo justiça fiscal e social”, afirma o secretário da Fazenda do Estado, Manoel Vitório. Ele explica que a NFC-e, documento fiscal que deve ser solicitado na hora da compra, é de fácil identificação por possuir um QR Code, código de barras bidimensional com formato quadrado característico. A Nota Fiscal do Consumidor Eletrônica, que vem sempre com o quadradinho impresso, já é uma realidade no país e em breve irá substituir completamente o cupom fiscal. LOTERIA FEDERAL Todas as compras realizadas pelos cidadãos cadastrados no sistema serão convertidas em bilhetes eletrônicos de dez números cada, que poderão ser conferidos no site da Nota Premiada, sempre antes da realização dos sorteios. Os bilhetes vencedores serão conhecidos com base nos sorteios da Loteria Federal. Para os prêmios mensais, serão considerados os sorteios realizados na segunda quarta-feira de cada mês. Os prêmios especiais também serão definidos em datas de sorteios da Loteria Federal. A quantidade de bilhetes eletrônicos a que o cidadão terá direito para concorrer aos prêmios dependerá do volume de compras realizadas. Como forma de equilibrar as chances dos cidadãos com


maior ou menor volume de compras, o sistema foi programado para estabelecer uma relação decrescente entre volume de compras e total de bilhetes emitidos. O teto máximo será de 45 bilhetes emitidos por contribuinte a cada mês, para compras acima de R$ 2 mil. São, no total, oito faixas de volumes de compras. Se a soma dos valores das notas associadas ao seu CPF for de até R$ 100 no mês, o cidadão terá direito a dez bilhetes eletrônicos. Se a soma for de até R$ 200, serão 15 bilhetes. Serão 20 bilhetes quando a soma dos valores das notas for de até R$ 400, 25 bilhetes se o somatório for de até R$ 800, 30 bilhetes se for de até R$ 1,2 mil, 35 se chegar a R$ 1,6 mil e 40 se alcançar R$ 2 mil, chegando a 45 para todas as situações em que a soma ficar acima deste último patamar.

O município de Lauro de Freitas conta com 16 instituições participantes, todas na área social n Associação Beneficente de Portão (Asbepo) n Associação de São Norberto – Creche Santa Rita n Associação Projeto Crescer n Associação São Marcos Futebol Clube n Associação Viva a Vida n Casa de Caridade Adolfo Bezerra de Menezes n Centro Comunitário de Itinga (CCI) n Centro de Recuperação Amor e Vida n Centro Espírita Amor e Sabedoria n Centro Espirita Mensageiros do Amor n Centro Espírita Semeadores do Amor n Fundação Vovô Brandão n Grupo Espírita Paz e Caridade n Instituto Fraternal a Redentora n Projeto Cerpa – Centro Especializado em Recuperação de Pessoas Abandonadas

q PROJETO CRESCER – O Projeto Crescer atende 275 crianças e adolescentes,

com uma fila de espera com mais de 500 pessoas. Todo o trabalho é planejado, e segue uma ordem de atividades definidas a partir de critérios psicossociais, capacidades pessoais e respeitando o dom natural de cada indivíduo. Para fazer parte do projeto a criança precisa estar matriculada na escola. As crianças participam de aulas de música, judô, capoeira, balé, informática, reforço escolar. Ao completarem 16 anos, os jovens começam o curso de rotinas administrativas, se preparando para o primeiro emprego. Em 2016, mais de 30 jovens conquistaram uma oportunidade no mercado local.

p ACCABEM ‑ A Casa de Caridade Adolfo Bezerra de Menezes, instituição

sem fins lucrativos voltada para o atendimento de idosos em risco social, carentes de assistência, completou em setembro 22 anos de reconhecimento dos poderes públicos pelos serviços prestados à comunidade, na condição de abrigo a idosos carentes. O espaço abriga hoje 87 pessoas, a maioria idosos em risco social que recebem higienização diária, além de seis refeições, atendimento 24 horas de profissionais de enfermagem, atendimento médico, psicoterapêutico e nutrição, mas principalmente afeto, carinho e respeito. A instituição mantém também uma creche onde atende 115 crianças de um a quatro anos, residentes em seu entorno, fornecendo-lhes, além do ensino formal, conceitos de higiene e cidadania e cinco refeições diárias, tudo a custo zero para suas famílias.

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q SAÚDE

Vacina fracionada contra febre amarela será aplicada este mês em Lauro de Freitas

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stá prevista para começar dia 19 deste mês a campanha de vacinação em dose fracionada contra a febre amarela em Lauro de Freitas – uma das oito cidades baianas incluídas numa lista que abrange também os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, que vivem um surto da doença. Além de Lauro de Freitas, Salvador, Camaçari, Mata de São João, Candeias, São Francisco do Conde, Itaparica e Vera Cruz participam da campanha de vacinação. O Ministério da Saúde selecionou os municípios com base na “história de epizootias confirmada para febre amarela em 2017” ou por fazerem parte da Região Metropolitana de Salvador, capital com grande contingente populacional. Cerca de 1,6 milhão de pessoas devem ser vacinadas nesse

Frasco de vacina contra a febre amarela: fracionamento apenas durante a campanha

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grupo de cidades durante a campanha. Dos 105 municípios nas áreas de vacinação contra a febre amarela, apenas essas oito cidades receberão doses fracionadas e somente durante o período da campanha. Nos demais 97 municípios 1 milhão de pessoas devem ser vacinadas com a dose integral. Depois, caso não haja nova orientação do Ministério da Saúde e havendo disponibilidade da vacina, os oito municípios voltarão a vacinar as pessoas com dose integral. A dose fracionada, com um quinto da dose padrão, foi indicada para vacinação preventiva nos locais onde não há circulação do vírus. Segundo o Ministério da Saúde, estudo recente do laboratório Bio-Manguinhos, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontou a presença de anti-

corpos contra a febre amarela oito anos depois da aplicação da dose fracionada – resultado semelhante ao observado com a dose padrão no mesmo período. O estudo de dose-resposta avaliou 319 militares vacinados com a dose fracionada em 2009. Oito anos depois verificou-se a presença de anticorpos contra a doença em 85,3% dos participantes – número semelhante ao observado com a dose padrão no mesmo período (88%). De acordo com a Fiocruz, a dose fracionada não é indicada para todas as pessoas, devendo continuar a receber dose padrão as crianças de nove meses a menores de dois anos. O Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz) avalia atualmente o grau de proteção e de segurança da vacina da febre amarela em pacientes vivendo com HIV. Foram recrutados voluntários não portadores do vírus HIV e que nunca se vacinaram contra febre amarela para servir de grupo controle. Ainda segundo a Fiocruz, a vacina é contraindicada para pacientes em tratamento de câncer, pessoas com imunossupressão e com reação alérgica grave à proteína do ovo. No caso dos idosos, a vacinação deve ser aplicada após avaliação dos serviços de saúde. TURISTAS Na Bahia, desde dezembro último a secretaria de Saúde do Estado voltou a orientar a população a procurar o posto de saúde mais próximo para tomar a vacina contra a febre amarela. Apesar de não haver registro da doença em humanos na Bahia, de acordo com as autoridades de saúde o risco aumenta no período de final de ano e férias escolares devido à circulação


de turistas provenientes de áreas afetadas. Apesar do risco associado ao turismo, a campanha na Bahia vai começar já depois do carnaval, seguindo até nove de março, com o dia D de mobilização marcado para 24 deste mês. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, que têm registrado casos de febre amarela em humanos, inclusive com mortes associadas à doença, a campanha foi antecipada para o mês passado. O fluxo de turistas em sentido oposto também pode preocupar. O ministro da Saúde Ricardo Barros disse em janeiro que “quem vai viajar para uma região de mata, para uma região de risco, tem que tomar a vacina duas semanas antes porque a vacina demora a fazer efeito” – e que “não é viajar amanhã e tomar a vacina hoje” porque “não funciona”. Barros enfatizou que “tem que ter uma certa antecedência”. Houve uma grande procura pela vacina no estado em meados do ano passado, quando foram laboratorialmente confirmados casos de macacos infectados em 28 municípios baianos, mas a preocupação não durou. A meta agora é vacinar 95% da população dos 105 municípios baianos que fazem parte da área com recomendação permanente e temporária para febre amarela. Nessa área, a cobertura vacinal está em 63,3%, equivalendo a aproximadamente 4,4 milhões de indivíduos, faltando vacinar 2,6 milhões de pessoas. Apesar da decisão de fracionar a dose, Barros garante que “não há risco de desabastecimento”, havendo “vacinas em quantidade”, além de 20 milhões de seringas para o fracionamento. Quem receber a dose fracionada deve retornar aos postos de saúde depois de oito anos. O ministro lembra que o vírus da febre amarela sempre esteve presente no Brasil e que já havia uma extensa região no país onde a imunização contra a doença é permanente. Segundo o ministro, todos os anos o governo federal distribui 13 milhões de doses para vacinação nessas áreas específicas.

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Fracionamento da vacina é medida de emergência

iante do avanço da febre amarela no país, com aumento do número de casos confirmados e de mortes, a preocupação com a doença tem aumentado e levado a uma corrida – por vezes desnecessária – em busca da vacina. A situação levou o governo a fracionar a dose em algumas regiões e antecipar a campanha de imunização de 19 de fevereiro para 25 de janeiro nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na Bahia a data inicial ficou mantida. JOSÉ CRUZ / ABR O fracionamento da vacina tem levantado questões. Akira Homma, escolhido pela organização internacional Vaccination como uma das pessoas mais importantes na indústria de vacinas no mundo e assessor científico sênior de Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz, explica que em 2013 a Organização Mundial de Saúde (OMS) mudou a recomendação de tomar a vacina da febre amarela a cada dez anos para uma única dose na vida. A decisão foi anunciada após uma reunião do grupo específico de vacinas da organização. “Analisando os dados de duração de imunidade que dispunham de todo o mundo, especialmente na África, chegaram à conclusão que uma dose é o suficiente para imunizar a pessoa para a vida inteira”, disse. “E essa recomendação também foi Akira Homma: fracionamento endossada pela OMS e pela Organização Pan-Americana de Saúde” – e depois o Ministério é medida emergencial para da Saúde brasileiro também adotou esse critério, vacinar população grande “resultado de uma análise e inúmeros estudos no em curto espaço de tempo mundo que mostram que uma dose é o suficiente para a vida inteira”, explicou. Na época da decisão, segundo Homma, também havia um desabastecimento da vacina contra a febre amarela no continente africano – como ocorre atualmente em algumas regiões do Brasil. “Então, em vez de imunizar uma pessoa três ou quatro vezes, o grupo [da OMS] decidiu que era melhor imunizar a população inteira uma vez” e agora que “vem aparecendo a mesma situação aqui no Brasil”, o ministério resolveu seguir essa recomendação da OMS. Após a determinação, a Fiocruz iniciou estudos clínicos próprios para confirmar a imunização plena contra febre amarela com apenas uma dose integral da vacina. Os resultados, no entanto, devem ser conhecidos apenas a partir de 2020. O cientista explica que o fracionamento das doses é uma medida emergencial, tomada quando é necessário vacinar uma população grande em um curto espaço de tempo. No caso do Brasil, o uso da dose fracionada foi decidido diante da expansão de novas áreas de risco da febre amarela nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. “É uma área que tem 20 milhões de habitantes e é preciso vacinar todo mundo u Fevereiro de 2018 | Vilas Magazine | 25


q SAÚDE

u num prazo muito curto”, avalia. Segundo ele, o método já foi usado anteriormente, na África, em 2016, quando houve uma epidemia de febre amarela no continente que deixou países sem doses suficientes. Homma destaca que estudos conduzidos no Brasil pela Fiocruz há oito anos mostraram que a dose reduzida da vacina oferece proteção “no Colheita de soja: expansão da fronteira mesmo nível da dose total”. Com agrícola no interior do Nordeste, Tocantins um frasco de cinco doses é pose Centro-Oeste força movimentação sível vacinar 25 pessoas. de primatas e dos mosquitos De acordo com o especialista da Fiocruz, grávidas só devem se vacinar contra a febre amarela de e Laboratórios de Referência da Fiose estiverem em uma zona endêmica, cruz, Rivaldo Venâncio, explica que todos de alta circulação de vírus, e se houver os casos registrados no Brasil atualmente recomendação médica, já que a vacina são do ciclo silvestre da doença, quando é feita com vírus vivo atenuado e pode o vírus circula na natureza, entre mosatingir o feto. Crianças menores de 9 quitos que vivem nas copas das árvores, meses também não devem ser vacina- dos gêneros Sabethes e, principalmente, das, assim como idosos. Entre 9 meses Haemagogus. e 2 anos, será aplicada a dose integral, “Nas áreas de mata, o mosquito transibem como em pessoas que viajarão para ta o vírus com primatas não humanos. Acipaíses que exigem a certificação interna- dentalmente o homem pode ser infectado cional da vacina. quanto adentra esses ciclos e é picado por A imunização também não é reco- um mosquito desses que normalmente se mendada para pessoas com doenças que alimenta desses macacos. O que vemos comprometem o sistema imunológico, hoje no Brasil é esse ciclo silvestre, são vivendo com HIV, em tratamento qui- pessoas que acidentalmente são infectamioterápico, com doença hematológica das porque adentraram no ciclo silvestre”. ou que foram submetidas a transplante Na febre amarela urbana, sem regisde células-tronco. tros no Brasil desde 1942, os infectados O Laboratório de Bio-Manguinhos é o são os humanos e os vetores são os mosúnico produtor de vacina da febre ama- quitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. rela da América Latina e um dos quatro No mundo, o registro mais recente de no mundo qualificados pela OMS. No ano grande número de casos de febre amarela passado, a produção na unidade foi de 64 urbana ocorreu em Angola, em 2016, milhões de doses, a pedido do Ministério quando morreram mais de 350 pessoas. da Saúde. Em anos normais, são feitas de Segundo Rivaldo Venâncio, por causa 15 a 20 milhões de doses. Para este ano, o da proximidade de algumas cidades com ministério já solicitou cerca de 50 milhões regiões de Mata Atlântica, com zonas de de doses, segundo Homma. floresta, há risco de reintrodução do vírus da febre amarela em áreas urbanas. O SURTO ATUAL É SILVESTRE especialista explica que os macacos não O coordenador de Vigilância em Saú- transmitem a doença e que são aliados na

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detecção da circulação do vírus porque servem de alerta. “Os macacos que adoecem infectados pelo vírus da febre amarela servem como uma sirene para os epidemiologistas e autoridades sanitárias saberem que naquela região está circulando o vírus”, explica. “Os macacos são nossos amigos” – e eles, diretamente, “não infectam o ser humano em hipótese alguma”. Além disso, no ciclo urbano o humano também não transmite diretamente para outro, sendo necessário o mosquito transmissor. ALTERAÇÕES AMBIENTAIS Segundo Venâncio, surtos de febre amarela costumam se repetir a cada oito ou dez anos e uma das hipóteses é que os ciclos estejam relacionados a mudanças no meio ambiente. “Alguns pesquisadores apontam a influência da ampliação das fronteiras agrícolas do país, onde passamos a cultivar soja e outras coisas, por exemplo, em Tocantins e no interior do Nordeste, Centro-Oeste, que estaria forçando a movimentação dos primatas e com eles os mosquitos que deles se alimentam. Outros falam que, para além da ampliação da fronteira agrícola, o uso do maquinário, presença humana e uso de agrotóxicos também estaria forçando essa movimentação. Outros pesquisadores falam nas alterações climáticas, dentre as quais uma certa mudança no padrão das chuvas e de elevação de temperaturas, o chamado aquecimento global”, lista. Segundo o coordenador da Fiocruz, pesquisas também investigam a ligação entre o avanço atual da febre amarela no país e o rompimento Barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em novembro de 2015, em Mariana (MG), que liberou cerca de 60 milhões de metros cúbicos de rejeito no Rio Doce.


“Degradação ambiental está relacionada a surto de febre amarela”

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o esforço para esclarecer a população sobre a atual dimensão do problema, a bióloga Marcia Chame atribui particular importância à questão da degradação do ambiente. A área que resta de mata atlântica em Lauro de Freitas está localizada nas regiões do Jambeiro e do Quingoma, onde projetos habitacionais têm sido estimulados nos últimos anos. Agora, um novo bairro planejado está previsto para aquela região. Coordenadora do Centro de Informação em Saúde Silvestre e do Programa Institucional Biodiversidade e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, ela sublinha que os casos atuais de febre amarela – nenhum confirmado em Lauro de Freitas – ocorrem em áreas onde os fragmentos florestais são muito pequenos e poucas espécies animais estão preservadas. “Isso é um dado a ser estudado com muita cautela”, explica. O que se vê, fora da região amazônica, é que estes surtos estão nas regiões onde os fragmentos florestais são muito pequenos. Isso é um dado a ser estudado com muita cautela, porque sabemos que quanto menor o fragmento florestal mais

espécies são perdidas, e as espécies que permanecem ali têm alta capacidade de adaptação a ambientes desestruturados. Obviamente, estas espécies também são boas mantenedoras e transmissoras de agentes infecciosos, porque esta é uma estratégia destes organismos, vírus ou qualquer outro, perpetuarem-se. Desta forma, a inter-relação entre as espécies e os espaços que elas ocupam e a qualidade destes espaços são fatores, além de outros, importantes para a ecologia das doenças. Por isso, é importante mantermos reservas naturais grandes e suficientes, para que os animais possam viver e viver com qualidade, mantendo os ciclos naturais de agentes infecciosos nos seus lugares de origem e, com isso, diminuir o fluxo de doenças entre animais e pessoas, e também entre pessoas e animais. Além dos diversos benefícios da manutenção das áreas naturais, é importante compreender que manter áreas florestadas grandes o suficiente, com a maior riqueza de espécies possível, contribui para a saúde das pessoas e animais. Só agora o mundo começa a compreender a relação da biodiversidade com a

saúde. Até então falava-se somente da questão da água e da manutenção do clima, que também é de suma importância para isso. A Organização Mundial de Saúde (OMS), junto com a Convenção da Diversidade Biológica, há dois anos, publicou o primeiro documento sobre essa relação. A Fiocruz ajudou nessa construção, colocando os diversos benefícios que a biodiversidade traz para saúde. Mas essa é uma questão difícil, pois vai de encontro ao modelo econômico em curso. Os novos surtos, infelizmente, podem ser uma oportunidade para que as pessoas entendam a importância das florestas e das espécies que elas abrigam. Foto de satélite da região do Quingoma e Jambeiro, em Lauro de Freitas em 2010: expansão urbana atual reduz espaços de espécies nativas A bióloga Márcia Chame (acima): questão é difícil porque vai de encontro ao modelo econômico em curso Fevereiro de 2018 | Vilas Magazine | 27


q SAÚDE

Surto pode levar à extinção de espécies

S

egundo a Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr), o Brasil vive um dos períodos de maior mortandade de primatas da história devido à febre amarela silvestre no país. O quadro pode levar à extinção de espécies, prejudicando todo o meio ambiente. Os primatas são tão vítimas da doença quanto os humanos, não a transmitindo diretamente. Assim como o homem, os macacos são hospedeiros do vírus e não reservatórios da doença. Como os macacos são sensíveis ao vírus da febre amarela, a morte deles em decorrência da doença serve de alerta aos órgãos de saúde sobre a necessidade de vacinação da população humana nos arredores. Os macacos possibilitam que os gestores de saúde implementem estratégias preventivas antes de o vírus atingir populações humanas. Os vírus ficam vivos nos macacos por um período de tempo muito curto. O Centro de Informação em Saúde Silvestre da Fiocruz orienta que, ao encontrar um macaco morto ou com comportamento estranho, deve-se contatar as autoridades de Saúde. A Fiocruz disponibiliza um aplicativo gratuito para smartphones – o SISS-Geo, de Sistema de Informação em Saúde Silvestre Geolocalizado – que também permite fazer a notificação com a localização exata do animal encontrado, utilizando

Acima: Macacos não transmitem a doença, mas ajudam a prevenir contágio em humanos quando há mortes notificadas À dir.: Tela do SISS-Geo: notificação online sobre macacos doentes ou mortos o sistema de GPS, inclusive com o envio de fotos. Os registros de animais mortos ou doentes geram alertas automatizados para a equipe, que notifica os serviços de saúde também em tempo real, para que sejam tomadas as providências necessárias.

SAIBA MAIS lDIAGNÓSTICO DEVE SER IMEDIATO A febre amarela é uma doença viral que causa dores no corpo, malestar, náuseas, vômitos e, principalmente, febre. Os sintomas duram em média três dias. Em alguns pacientes, o vírus da febre amarela ataca o fígado. São as complicações hepáticas que levam as pessoas infectadas a ficar com uma cor amarelada – e daí o nome. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30% das pessoas que contraem a doença podem morrer se não forem diagnosticadas precocemente. Por isso, a recomendação é a de que o paciente deve buscar imediatamente atendimento adequado nas unidades de saúde. lAPENAS MOSQUITOS TRANSMITEM A DOENÇA A febre amarela não é transmitida de pessoa para pessoa, nem de macaco para seres humanos. Os macacos são os principais hospedei-

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ros do vírus, mas os únicos vetores de transmissão da doença são os mosquitos silvestres Haemagogus e o Sabethes. No meio silvestre, os mosquitos picam o macaco, que depois de infectado pelo vírus pode ser picado por outro vetor e este, por sua vez, transmite para o homem. Em áreas urbanas, a transmissão ocorre pela picada do mosquito Aedes aegypti. O Ministério da Saúde ressalta que a possibilidade de contágio no meio urbano é remota e informa que não há registro de infecção da doença pelo ciclo urbano desde 1942. Com a construção de conjuntos residenciais e condomínios em áreas de mata, ambiente onde vivem os mosquitos que transmitem a doença, o risco de transmissão aumenta. lVACINA FRACIONADA TEM A MESMA EFICÁCIA O Ministério da Saúde esclarece que os casos recentes da doença


estão localizados em áreas específicas com alta densidade populacional. Foi para evitar que a transmissão se alastre para outras regiões que a pasta decidiu abrir campanha de vacinação com doses fracionadas. Segundo o Programa Nacional de Imunizações, a dose fracionada é de 0,1 ml, enquanto que a dose-padrão é de 0,5 ml. O fracionamento acontece para ampliar a capacidade de imunizar a população. O objetivo é vacinar 21 milhões de pessoas, sendo 16,5 milhões com a dose fracionada e outras 5,2 milhões com a dose-padrão. Além de Lauro de Freitas e outras sete cidades baianas, a dose fracionada será disponibilizada em outros 54 municípios de São Paulo e 15 do Rio de Janeiro. Nos demais estados e municípios, se estiverem na lista de locais recomendados para imunização contra a febre amarela, a população será vacinada com a dose-padrão, disponível no programa de vacinação regular dos postos de saúde. Estudos comprovam que a dose fracionada não causa reações adversas e tem a mesma eficácia da dose completa. A dose fracionada já foi utilizada pela OMS, na República do Congo, que enfrentou um surto urbano de febre amarela em 2016. O fracionamento permitiu que a organização vacinasse quase oito milhões de pessoas em apenas 15 dias, interrompendo o surto na área urbana do país. lFRACIONAMENTO NÃO É PARA TODOS A vacina na dose padrão pode ser aplicada em qualquer pessoa saudável, a partir dos nove meses de vida. A dose fracionada também é direcionada a pessoas sem histórico de doenças graves, mas só pode ser tomada a partir dos dois anos. Idosos e pessoas com doenças que alteram o sistema imunológico ou que apresentam alterações hematológicas não podem tomar a vacina sem recomendação médica. Em caso de impossibilidade tomar a vacina, os pacientes devem adotar outras medidas de proteção contra a doença, como uso de repelente, roupas que cobrem todo o corpo, telas nas casas, entre outras formas de evitar contato com o mosquito transmissor. Quem já tomou uma dose da vacina, mesmo que há mais de dez anos, não precisa reforçar a proteção com outra dose.

Vacina impede doação de sangue por quatro semanas

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Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Estado da Bahia (Hemoba) convoca a população baiana a doar sangue antes de se imunizar contra a febre amarela para reduzir o número de candidatos inaptos, além de conscientizar a sociedade a respeito dos critérios básicos para a doação de sangue. A estratégia da Hemoba é receber o maior número possível de candidatos a doar sangue antes de receber a imunização contra a febre amarela porque depois eles ficam impedidos de doar sangue por quatro semanas a contar da data da vacinação. A Fundação também pretende reforçar os estoques de sangue para atender a demanda dos hospitais e unidades de saúde no período das festas populares e carnaval. Iraildes Santana, diretora de hemoterapia

da Hemoba, diz que “já é comum experimentarmos uma redução nas doações” neste período – e daí a necessidade de garantir o máximo de doadores aptos. O Hemoba garante que doar sangue é um ato simples, rápido e seguro. O organismo do doador repõe o volume de sangue doado logo nas primeiras 24 horas após a doação. Todo o material utilizado na coleta é descartável, eliminando qualquer risco de contaminação para o doador. Para doar sangue, o voluntário deve estar em boas condições de saúde, pesar acima de 50 quilos, sendo necessário estar alimentado, tendo, preferencialmente, ingerido alimentos sem gordura. O doador precisa ter entre 16 e 69 anos de idade – menores de 18 anos devem estar acompanhados por um responsável legal – e apresentar documento original com foto, emitido por órgão oficial e válido em todo o território nacional.

FEBRE AMARELA: sem razão para pânico

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á mais de 100 anos Oswaldo Cruz já combatia a febre amarela no Brasil. Erradicada dos grandes centros urbanos desde 1942, a doença voltou a assustar no ano passado, com a proliferação de casos silvestres – seguindo a sazonalidade da doença, quase sempre no verão. Apenas este ano, até o dia 8 de janeiro, foram confirmados 11 casos de febre amarela: oito no Estado de São Paulo, um no Rio de Janeiro, um em Minas Gerais e um no Distrito Federal. Quatro casos evoluíram para óbito, sendo dois em São Paulo, um em Minas Gerais e um no Distrito Federal. Ao todo, foram notificados 381 casos suspeitos de febre amarela em todo o país no período – 278 descartados e 92 em investigação. O surto do primeiro semestre de 2017 confirmou 777 casos e 261 óbitos por febre amarela – a maior transmissão da doença das últimas décadas. O Sudeste concentrou a grande maioria das notificações, com 764 casos confirmados, seguida das regiões Norte (dez casos) e CentroOeste (três casos). As regiões Sul e Nordeste não tiveram confirmações. A vacinação para febre amarela é procedimento normalmente previsto no Programa Nacional de Imunizações e oferecida em postos do Sistema Único de Saúde (SUS) e rotineiramente oferecida nos municípios com recomendação de vacinação na Bahia e nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além do Distrito Federal. Um mapeamento da dispersão da febre amarela no Brasil mostra que, desde o ano 2000 o país teve pelo menos três surtos de febre amarela silvestre em que a doença alcançou áreas das regiões Sudeste e Sul que não registravam casos há décadas. Esses episódios, de acordo com a Fiocruz relacionados a uma distribuição espacial ampliada, ocorreram após uma mudança no padrão de entrada e de espalhamento do vírus no território brasileiro. Os cientistas identificaram que variantes virais pertencentes a uma linhagem moderna, introduzidas no Brasil por diferentes caminhos a partir de países vizinhos, estiveram por trás dos casos notificados nos últimos surtos.

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q COMPORTAMENTO

Minha vida de menina A atriz e neurocientista Mayim Bialik escreve sobre educação sexual para tentar tornar mais fácil o caminho de garotas pela adolescência

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onstruir uma espécie de mapa de quase tudo que faz parte da adolescência das meninas, temperando-o ali e acolá com um pouco de ciência. Esse é o objetivo de Mayim Bialik – a cientista Amy Farrah Fowler, da série americana “The Big Bang Theory” – em seu novo livro “Girling Up”. Como o título já dá a entender (um trocadilho com a expressão “growing up”, crescer, em inglês), a autora entra em discussões sobre “as complicações de estar vivo e, em particular, de ser do sexo feminino”. Bialik tem história com o público adolescente. Na década de 1990, aos 14 anos, ainda na puberdade, era protagonista de “Blossom”, uma série sobre a vida de uma garota que vivia com o pai divorciado e dois irmãos. Isso fez com que ela tivesse algumas experiências típicas dessa fase nas telas de televisão e na vida real ao mesmo tempo. Em alguns casos, literalmente, como o primeiro beijo, segundo conta em “Girling Up”. Logo após o fim da série, ela resolveu interromper a carreira de atriz e se dedicar mais aos estudos, o que a levou a se tornar uma neurocientista pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Daí a explicação para os leves toques científicos salpicados ao longo na obra. “Há alguns estudos científicos fantásticos dos níveis de hormônio no cérebro e no corpo de pessoas que alegam não se encaixar em seu DNA”, diz Bialik em seu livro,

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referindo-se a transgêneros. A autora basicamente dá uma aula de educação sexual, com direito a imagens dos órgãos reprodutivos e dicas sobre menstruação (como apoiar um dos pés em um lugar mais alto para colocar o absorvente interno pela primeira vez e fazer ioga para amenizar a cólica). Um dos objetivos da obra, diz Bialik, é tentar quebrar estereótipos e preconceitos. MAMAS Logo no primeiro capítulo, por exemplo, buscando incentivar uma autoimagem positiva, a autora conta – com auxílio de uma ilustração – sobre os diferentes tipos de mamas. Ela diz que as imagens midiáticas tendem a se aproximar de um certo formato e tamanho padronizados, mas que “seu corpo é bonito, seja lá qual for o tamanho dos seus seios!” O início da vida e das descobertas sexuais também é introduzido sem delongas. Ao falar sobre masturbação, Bialik menciona as culturas e religiões que têm “opiniões fortes” contra o ato, mas esclarece que “não há nada de errado em se tocar”, sendo isso uma forma de aprender sobre o próprio corpo e o prazer. “Quando uma mulher está excitada, às vezes os mamilos enrijecem um pouco, e sangue flui para a vagina, particularmente para o clitóris.” A questão do consentimento, de que ele “não tem nada a ver com roupas que você usa, com a forma como você flerta com alguém ou mesmo com você aceitar um convite para jantar”, também é abordada. Ironicamente, há alguns meses Bialik foi duramente criticada após publicar um artigo de opinião – que apresentou alguns elementos também presentes no livro – no jornal “The New York Times” no qual comentou a revelação dos casos de assédio sexual em Hollywood. Leitoras consideraram que a autora culpabilizou a vítima, o que levou à neurocientista a se desculpar e reafirmar que quem sofre um ataque nunca pode ser responsabilizado. Phillipe Watanabe / Folhapress. Girling Up - como se tornar uma mulher saudável, esperta e espetacular. Autora: Mayim Bialik. Editora: Primavera Editorial. Quanto: R$ 9,90 (ebook) e R$ 25 (livro físico)

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q EMPRESAS & NEGÓCIOS

Quem define o período de férias? Tire essa e outras dúvidas sobre o tema Gilberto de Jesus Bento Junior

A

s férias são períodos muito esperados pelos trabalhadores, proporcionando o descanso físico e mental necessário para renovar as energias e para aproveitar para viajar ou relaxar. Contudo, várias são as dúvidas trabalhistas relacionadas ao tema. Para entender melhor é importante o aprofundamento sobre o tema, assim, veja os principais pontos que separei: O QUE SÃO AS FÉRIAS? Férias são períodos de descansos, para se ter direito a esses períodos é necessário trabalhar por doze meses consecutivos, o que é chamado período aquisitivo. Assim, após esse período desgastante de atividade laboral o empregado conquista o direito a 30 dias de férias com salário integral acrescido de um terço. Esse acréscimo na remuneração visa proporcionar a possibilidade de desfrutar de atividades de lazer com sua família sem comprometer o sustento familiar, daí a obrigação da empresa em pagar, além do salário normal, o terço constitucional. QUEM DEFINE AS FÉRIAS? Já presenciei muitas brigas trabalhistas relacionadas às férias. Isso se dá pela confusão de conceito do trabalhador de que por ser seu direito, essa poderá ser aproveitada quando bem desejar. Esse é um erro comum. Ponto que poucos se atentam é que por mais que seja um direito do trabalhador, o período a ser tirado pode ser determinado pelo empregador. Assim, se o empregado quiser tirar as férias em outubro e a empresa decidir por dezembro, vale o que

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o empregador quiser. Mas nesse ponto o ideal sempre são os acordos. QUANDO SE PERDE ESSE DIREITO? Há quatro situações nas quais o empregado perde o direito, conforme descreve o artigo 133 das Consolidações das Leis do Trabalho (CLT). Essas são: uQuando deixa o emprego e não é readmitido dentro de um período de 60 dias subsequentes à sua saída; uNo caso do trabalhador que permanece em licença recebendo salários, por mais de 30 dias no período do ano ou que acumula esse período em faltas justificadas

para ir ao médico, ao dentista, por falecimento de parente, em que são apresentados atestados para abono das faltas; uQuando não trabalha pelo período de mais de 30 dias, em virtude de paralisação parcial ou total dos serviços da empresa, recebendo o salário; uTenha ficado afastado do trabalho pela Previdência Social em função de acidente de trabalho ou de auxílio-doença por mais de seis meses, mesmo que descontínuos. Isso ocorre pelo motivo de que nesses casos o trabalhador já obteve o período de descanso, assim a justiça entende que a finalidade é atingida e não haveria obrigação por parte da empresa em conceder novo período de descanso. Em todos os casos a perda do direito se dá por motivo alheio à vontade da empresa, ou seja, por força maior (paralisação da empresa), por vontade do empregado

Raymundo Dantas Escritor e palestrante, especializado em Marketing no Varejo, com Mestrado na Espanha. E-mail: raymundo_dantas@uol.com.br

A experiência do produto

T

odo mundo comenta os avanços do comércio via Internet. A esse respeito Philip Kotler, o grande mestre do Marketing, nos diz que, muito em breve, as pessoas irão comprar tudo pelo comércio virtual, na comodidade de suas poltronas, de onde poderão escolher, visualizar e até simular o uso dos produtos, pagando também com moeda eletrônica. Segundo ele, as lojas tradicionais de varejo, precisarão usar todos os artifícios possíveis para sobreviver.

Assim, os centros de varejo teriam que se transformar em grandes centros de diversão e lazer para conseguirem atrair compradores “ao vivo”, para seus produtos. Aliás, os grandes shoppings recéminaugurados nos Estados Unidos, estão mais para Disneylândia que para centros de compra. Qual será então o diferencial que nós, no ponto de venda, ainda teremos para competir com a Internet neste milênio? Você sabe? Pois é aí que o Kotler nos dá a grande dica, o segredo da mágica. Ele


férias em risco ou reduzir o período de 30 dias drasticamente. Com até cinco faltas justificadas há a garantia dos 30 dias de férias. De seis a 14 faltas, estão garantidos 24 dias; de 15 a 23 faltas, 18 dias; de 24 a 32 ausências, 12 dias. Acima de 32 faltas, o direito às férias remuneradas é perdido de acordo com artigo 130 da CLT.

(licença por motivo de seu interesse, ainda que seja para resolver problemas pessoais, se for de consentimento da empresa) ou ainda, por motivo de doença ou acidente. As faltas justificadas podem colocar as

VENDA DAS FÉRIAS Outro ponto que causa grande confusão em relação ao tema é a possibilidade de venda de férias. Essa é sim possível, desde que a solicitação seja do trabalhador, com objetivos de aumentar a renda. O empregador não pode impor a venda desse período. Caso o trabalhador opte pela venda, ele deverá comunicar a empresa até quinze dias antes da data do aniversário do contrato de trabalho. Resta ao empregador decidir o período do ano em que as férias serão concedidas, pagando o valor proporcional aos dez dias que o funcionário vai trabalhar. Importante é que o período máximo de fé-

nos diz: o grande diferencial do ponto de venda, o grande segredo da mágica de sobreviver no próximo século, é saber utilizar a experiência do produto. Que significa isso? Significa que: mesmo que a madame em casa possa ver um vestido à venda na Internet, mesmo que ela possa simular o uso daquele vestido, enxergar suas cores, saber seu tamanho e preço, ela nunca poderá ter (pela Internet) a experiência de tocá-lo, amassá-lo, cheirá-lo! E essa experiência do produto é o nosso pulo do gato. Ver e ouvir já é possível na Internet. Cheirar talvez possa ser possível em breve. Mas degustar e tocar vai ser tarefa para mais outro milênio. Porém, será que estamos sabendo aproveitar, desde agora, essa vantagem da experiência do produto? Recentemente, em conversa com o gerente de Marketing de uma grande indústria mundial de óculos, disse-lhe que seria uma boa idéia oferecer gratui-

tamente óculos para os vendedores das lojas de varejo ótico. Assim, o cliente, enquanto escolhesse seus óculos, estaria o tempo todo tendo a experiência de ver alguém, que entende do produto, usando o que escolheu para si próprio. Melhor efeito demonstração é impossível! Comprovadamente, os clientes são tentados a querer aquela marca ou modelo que o vendedor está usando. Mas o meu amigo me respondeu à queima roupa: “É uma questão de filosofia: não se dá o que se vende!”. É claro que o papo rendeu duas horas, mas vou resumir para você o que disse a ele. O que seria dos novos produtos comestíveis, sem a degustação nos supermercados? Como se vende uma Mercedes conversível sem o “test-drive”? E no que diz respeito aos hábitos, se, no Nordeste, a freguesa não amassar uns três tomates, ela consegue comprar uma dúzia? Para encerrar, você sabe que o

rias permitido para se vender é de um terço. Atenção: muitas empresas sequer consultam os empregados para saber se querem ou podem sair 20 ou 30 dias. Simplesmente emitem o aviso e recibos de férias já com 10 dias convertidos em abono. Sentindo-se constrangidos em negar o pedido, empregados acabam cedendo à vontade da empresa por conta da manutenção do emprego. DIVISÃO DE FÉRIAS Existem também os casos em que os trabalhadores podem dividir suas férias, mas isso também depende de um acordo com o patrão, lembrando que isso só ocorre em casos que as férias forem individuais. Mesmo assim, a divisão terá que ser no máximo em dois períodos, não podendo ser nenhum deles menor que 10 dias. Já nas férias coletivas pode haver fracionamento, mesmo que não haja anormalidade, logo, o tratamento das férias coletivas é diferente. Gilberto Bento Jr é advogado.

produto cujo consumo mais cresceu nos últimos dez anos foi a cocaína. Foi por força da publicidade? Não, foi por força da degustação, dando de graça a mercadoria tão cara, para fazer novos consumidores. E o custo? Ora, o produto degustado, o custo do “test-drive”, os quase 60% que às vezes se perde no hortifrúti, tudo isso deve estar previsto nas respectivas margens. E na prática é verba de publicidade, é o merchandising mais eficaz, que a indústria não pode esquecer. Precisamos assim incentivar nossos fornecedores para investirem sempre mais na experiência do produto. Disso depende o futuro deles e o nosso. Pois enquanto houver quem prove, vista, toque, amasse, beba e cheire no ponto de venda,... haverá loja de varejo. E também espaço para nós na Internet. Por que não?

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q MODA & ESTILO

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BODY ESTAMPADO

Folhas de Verão

s folhas estão tomando as vitrines das lojas de roupas, sapatos e acessórios. “As folhagens são uma das principais tendências deste verão. Com elas, o verde ganhou muito destaque, já que estamos falando de folhas, coqueiros, palmeiras e galhos. Os tons de verde são variados, desde o verde-bandeira

até os tons mais escuros”, explica a “personal stylist” Juliana Parisi. As combinações com o que já tem no armário podem ser bastante criativas. “Estampas com folhagens podem ser usadas com outros tons de verde, formando um ‘look’ monocromático. Isso pode até ajudar a alongar a silhueta. Combinações mais

VESTIDO FLORAL

REGATA FEMININA

MACAQUINHO

CHINELO ESTAMPADO DAS HAVAIANAS

VESTIDO DE ALÇA

CAMISA POLO

SANDÁLIA DA MELISSA

REGATA MASCULINA

MOCHILA

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BERMUDA MASCULINA

BOLSA FLORAL

CALCINHA DA HOPE ousadas podem ser feitas com amarelo, roxo e azul”, avalia a também “personal stylist” Juliana Marangoni. O azul jeans e o azul-marinho também são destaques na hora de combinar com as estampas de folhas. “Para quem quiser ousar, amarelo é uma boa opção, assim com o laranja, pink e salmão”, completa Juliana Parisi. A estampa pode ser uma boa pedida até para a noite. “Por ser alegre, ela combina melhor com dias quentes,mas, se for em uma variação de cores mais escuras ou uma peça mais sofisticada, pode ser usada em um jantar, sim.” Fabiana Schiavon / Folhapress.


FOTOS: RUBENS CAVALLARI/FOLHAPRESS

LIVRE DAS PONTAS DUPLAS

É

possível se ver saudável e bonito”, diz O corte bordado livre das pontas o cabeleireiro Douglas elimina os fios duplas cortando Moura. quebrados e as o cabelo. Mas o que Em geral, os cabepontas duplas, fazer se não quiser melos tingidos ou com sem alterar o xer no comprimento e mechas loiras são os comprimento e no volume dos fios? O que costumam ficar segredo é uma técnica mais ressecados e, garantindo um chamada corte borconsequentemente, cabelo saudável dado. O método pode apresentam mais proser feito de duas maneiras: manual- blemas. “A descoloração desconstrói mente, de forma que o cabeleireiro a fibra capilar do cabelo e, como enrola pequenas mechas entre os resultado, o fio abre em pontas dudedos, deixando em evidência as plas”, explica o cabeleireiro Jefferson pontas duplas e cortando-as; ou Lima. como auxílio de uma máquina, que Quem usa frequentemente setem aparência semelhante à de uma cador e chapinha sem os cuidados chapinha. necessários também está mais susEm ambos, o processo demora cetível ao dano. “Especialmente a entre 30 minutos e uma hora e chapinha, já que é uma fonte de calor produz bons resultados, segundo concentrada, o que pode danificar os profissionais da área. “As pontas fios”, alerta Lima. duplas dão um aspecto poroso e ásA técnica é indicada para todos pero ao cabelo. Com esse corte, que os tipos de cabelo. “Só não é recomendada para aqueles bem curtinhos, porque quanto não altera em nada o comprimento mais próximo da raiz, menor a chance de ter pontas duplas”, explica a cabeleireira Bruna dos fios, o cabelo fica muito mais Mariano Pissolito. O custo varia de R$70 a R$350, dependendo do tamanho do cabelo e do salão onde a técnica será realizada. O ideal é Cabeleireiro tira que o procedimento seja feito a cada dois ou três meses. pontas duplas com o O cabeleireiro Mouras alienta que para um melhor resulcorte bordado, sem tado não basta só fazer o corte bordado. “As pontas duplas mexer no tamanho aparecem porque o fio está danificado. Então, depois do corte, é importante entrar com uma linha de tratamento para recuperar a saúde do cabelo e evitar que novas pontas duplas reapareçam”, afirma. CUIDADOS Embora a técnica seja simples, os profissionais não recomendam que a pessoa faça o procedimento sozinha. “O risco é ela querer refazer a técnica com muita frequência e acabar cortando fios saudáveis e que não tenham pontas duplas, tirando, então, o volume natural do cabelo”, alerta Moura. A cabeleireira Waleska Maiza Araújo dos Santos é adepta do corte bordado. “Sempre que o cabelo está um pouco mais danificado por conta das mechas e não quero mexer no comprimento, faço. Recomendo muito esse tipo de corte”, salienta. Karina Matias/Folhapress.

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q VIVER BEM

Desvio no nariz vira problema quando atrapalha respiração

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Em alguns casos, a deformidade no septo pode tampar toda a passagem de ar. Cirurgia é solução

A

sensação de nariz entupido constantemente e dificuldade para respirar são os principais sintomas de quem tem desvio de septo nasal, segundo especialistas. O otorrinolaringologista Eduardo Dolci, professor da Santa Casa de São


Paulo, explica que septo nasal é a parede interna do nariz, constituída por osso, cartilagem e mucosas, que separa uma narina da outra. O desvio acontece quando o septo cresce e se desenvolve de forma desordenada, ocupando mais espaço nas cavidades nasais. Dolci explica que essa deformidade também pode ser de nascença ou ser adquirida após uma fratura ou acidente, como uma queda ou uma bolada, por exemplo. “O esperado é que essa separação das narinas fosse ‘igual’, mas cerca de 70% das pessoas têm algum grau de desvio no septo”, afirmou o especialista. O otorrinolaringologista Andy Vicente, do Hospital Cema, disse existir vários graus de desvio do septo nasal e, quanto maior a deformidade, maior a dificulda-

de que a pessoa terá para respirar. “Em alguns casos o desvio chega a tampar totalmente a passagem de ar.” Nesses casos em que a deformidade compromete totalmente a passagem de ar, somente a cirurgia pode corrigir o desvio. Porém, o SUS (Sistema Único de Saúde) não faz o procedimento por considerar uma cirurgia estética. Para definir ou não pela cirurgia, o paciente precisa ser avaliado por um otorrinolaringologista, que num exame visual, no próprio consultório, poderá identificar o tipo de desvio. Para complementar, o médico poderá pedir uma nasofibroscopia, uma espécie de endoscopia das

narinas. “Mas é o paciente que precisa dizer o quanto o desvio incomoda para o médico decidir ou não pela cirurgia”, afirmou Dolci.

PAIS DEVEM FICAR ATENTOS A SINTOMAS Como as crianças não percebem o quanto respiram mal, especialistas ouvidos pela reportagem alertam os pais a ficarem atentos a alguns sintomas que podem indicar o desvio do septo. O otorrino Andy Vicente, do Hospital Cema, disse que o desvio se confirma a partir dos 12 anos e alguns sinais são dificuldade para comer e para dormir, irritabilidade durante o dia e respiração apenas pela boca. Regiane Soares / Folhapress.

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q VIVER BEM

Doenças podem levar idosos a sofrer mais com a insônia A partir dos 60 anos, são mais comuns problemas do coração e dos nervos que causam o distúrbio

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necessidade de dormir varia ao longo da vida e reduz conforme a idade avança. Apesar da insônia ser um distúrbio causado por diversos fatores, quem passa dos 60 anos sofre mais. Isso porque é na velhice que problemas neurológicos e cardiovasculares (que podem causar a insônia) tendem a aparecer, segundo explica Fabio Porto, neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.


SEAN PRIOR / DEPOSITPHOTOS

“A insônia é uma insatisfação com a quantidade e a qualidade do sono associado à dificuldade em iniciar e/ou manter sua frequência”, diz Luciane Mello, especialista do sono pela Sociedade Brasileira de Sono. A causa pode surgir por duas frentes: a primária, quando o único problema é a insônia, ou a secundária, quando o distúrbio é sintoma de outro problema ou doença, como a depressão. Ficar sem dormir diminui a concentração, causa sonolência durante o dia, aumenta o risco de quedas, acidentes e até fraturas. “Atitudes comportamentais podem afetar o sono, como a irregularidade

de horários, preocupação, ansiedade, consumo de bebidas com cafeína à noite e comer alimentos pesados antes de dormir”, diz Porto. Problemas pulmonares e apneia do sono também podem causar o problema. O distúrbio costuma atacar com mais intensidade mulheres, quem já teve insônia

e quem tem histórico familiar. “Sempre que o ‘funcionamento da pessoa’ estiver comprometido, seja em hábitos noturnos ou na produtividade e comportamento diurno, é hora de procurar um médico”, afirma Mello. O tratamento depende do diagnóstico e pode ser feito apenas com mudanças de hábitos. O paciente não deve se automedicar, pois há remédios que causam dependência e podem não resolver o problema. O médico Fabio Porto diz que o sono reparador pode variar para cada pessoa entre 5 e 9 horas. Para dormir bem é preciso ter horários regulares (veja ilustrações nesta e na pág. ao lado). Jéssica Lima / Folhapress.

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Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, ambientalista, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@hotmail.com

Sentido da vida

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sentido da vida é viver! Ocorre que cada ser humano possui uma maneira diferente de existir, que se deve respeitar. O que se procura entender é o porquê dessa divergência. Poucos contemplam a vida, relacionada com a sua existência. A maioria é presa pelo poder e o desejo de obter, sempre mais, e não para satisfazer suas necessidades. Esses desconhecem a “lei kármica”, e quando a eles é aplicada, destratam a família, os amigos e a Deus, culpando-os de seus sofrimentos. Cada vivente tem um propósito de vida, dependendo de sua razão e instintos. Alguns deixam de obedecer a ordem do cosmo e buscam os significados mundanos. Esses seres, além de entenderem que o sentido da vida é a morte, vivem preocupados com suas heranças materiais, que deixarão para os outros. Acreditam no destino traçado e por isso o absorve, desprezando o equilíbrio da vida e essa apatia lhes acarreta doenças psicológicas. Para começar, falta-lhes o conhecimento da vida e da morte, buscando tão somente o prazer, rejeitando a dor e os momentos não jubilosos. Muitas vezes, por mais bens materiais que possuam, não se acham contentes, reclamam de tudo e de todos, nunca estão satisfeitos e vivem em um eterno vazio. Pondo-se ao lado as emoções enganadoras, cobiças e paixões podese viver melhor, desde que se tente adquirir a felicidade. 40 | Vilas Magazine | Fevereiro de 2018

Outros conhecem a “causa e efeito imutável do universo”, por isso, desapegam-se do material, pensam no coletivo; têm noção das boas ações e suas consequências; buscam o aprendizado da vida e da libertação humana e tentam realizar coisas duradouras, que fiquem neste plano, quando eles partirem para outro. O que se aconselha para diminuir a

infelicidade humana é: evitar o medo de viver; entender que o sucesso, posição e dinheiro são consequências e não têm duração eterna; satisfazer-se com os bens que possui; estimar os valores morais, éticos e espirituais; respeitar as forças da natureza e promover a eternização do meio ambiente, amando a flora e fauna. Assim procedendo poderá observar as leis divinas. Também deverá comungar com os princípios da bondade, solidariedade e criar a visão coletiva, desejando a prosperidade daqueles que lhes são socialmente

inferiores. Lembrar, sempre, que cada ser humano constrói o seu próprio significado. Agradecer, permanentemente, ao seu Grande Deus, não importa a religião, por estar vivo e querer que a vida dure mais. Não se esquecer que a passagem, neste planeta, busca-se os momentos felizes e não a vivência feliz. Assim, deve-se compartilhar a felicidade que se sente. Vários exemplos são divulgados, diariamente, quando pessoas mostram suas alegrias, sem alguns membros do corpo. E, quantas superações! Também recordar que se colhe o que se planta. Para esses exemplos oportunos e avançados muito se tem a aprender, pois eles, além de eruditos, mostram a orientação que se precisa. Os sábios são imunes ao infortúnio. Os desejos são essenciais aos seres humanos. Deve-se ter sonhos elevados. Porém, deve-se contentar com o que a vida oferece, pois nem sempre os sonhos serão realizados. Busca-se atender às necessidades, sob pena de se viver descontes com a vida. S e g u n d o M a h at m a G a n d h i (2/10/1869 – 30/1/1948) “a lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diferentes”. O aprimoramento pessoal, compartilhamento da felicidade que se sente, os relacionamentos, doar-se ao mundo e seguir mandamentos nos elevará e ensinará o verdadeiro sentido da vida.

Vilas Magazine | Ed 229 | Fevereiro 2018 | 32 mil exemplares  

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