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A Revista de Lauro de Freitas e Região

Ano 19 Edição 224 | Setembro de 2017 32.000 exemplares


A revista de Lauro de Freitas & Região

NESTA EDIÇÃO

www.vilasmagazine.com.br Publicação mensal de propriedade da EDITAR - Editora Accioli Ramos Ltda. Rua Praia do Quebra Coco, 33. Vilas do Atlântico. Lauro de Freitas. Bahia. CEP 42700-000. Tels.: 0xx71/3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 Diretor-Editor: Carlos Accioli Ramos (accioliramos@vilasmagazine.com.br) Dire­to­ra: Tânia Ga­zi­neo Accioli Ramos Gerente de Negócios: Álvaro Accioli Ramos (alvaro@vilasmagazine.com.br). Assistentes: Leandra Almeida e Vanessa Silva (comercial@vilasmagazine.com.br) Gerente de Produção: Thiago Accioli Ramos. Assistente: Bruno Bizarri Administrativo/Financeiro: Miriã Morais Gazineo (financeiro@vilasmagazine.com.br). Assistente: Leda Beatriz Gazineo (comercial@vilasmagazine.com.br) Distribuição: Álvaro Cézar Gazineo (responsável) Tratamento de imagens e CTP: Diego Machado Redação: Rogério Borges (DRT 6851/MG), coordenador Colaboradores: Jaime Ferreira (articulista), Thiara Reges (fre­ elancer), Raymundo Dantas. PARA ANUNCIAR: comercial@vilasmagazine.com.br Tels.: 0xx71 3379-2439 / 3379-2206 / 3379-4377 CONTATO COM A REDAÇÃO: redacao@vilasmagazine.com.br TIRAGEM: 32 MIL EXEMPLARES. Im­pressão: Log & Print Gráfica e Logística S. A. (Vinhedo/SP)

Revista mensal de serviços e facilidades, distribuída gra­ tuitamente em todos os domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais de Lauro de Freitas, Es­trada do Coco e região (Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba, Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã). Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de respon­ sabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­tora. É proibida a reprodução total ou parcial de ma­ térias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edi­ ções, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publici­ tária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos produtos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al forne­ cido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.

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REGISTROS & NOTAS...Págs.: 4 a 7 CIDADE...Págs.: 8 a 20 l Limites Territoriais. Lauro de Freitas reivindica área do Flamengo l Prefeitura abre exploração de linhas de ônibus a pessoas físicas l Obra de seis piscinões do rio Ipitanga já foi licitada l Chuvas de julho recuperam nível dos reservatórios l Base Comunitária de Segurança de Itinga comemora 5 anos de trabalhos sociais COMUNIDADES...Págs.: 16 e 17 l Projeto social no Dona Lindu atende crianças de até 12 anos l Documentário produzido por alunos da rede municipal homenageia os mestres da Cultura Popular l Uninassau promove ação social em Portão EDUCAÇÃO / Tecnologia...Págs.: 18 e 19 l Estudantes de colégio público de Lauro de Freitas constroem robô antibombas CULTURA...Pág.: 20 l Programação de aniversário movimenta o Cine Teatro de Lauro de Freitas CIDADANIA...Págs.: 20 a 23 l Procon da Bahia passa a atender pessoas surdas l Símbolos Nacionais: Da Moral e Cívica às Diretas-Já. ESPECIAL - VIDA SAUDÁVEL...Págs.: 24 a 33 l Quebrar regras das dietas está entre táticas para manter a perda de peso l Cirurgia bariátrica cresce no país e pode incluir ainda mais pacientes l Não adianta só correr l Não é feitiçaria l Liberação dos remédios para emagrecer divide os médicos TURISMO & LAZER...Págs.: 34 a 37 l Minas Gerais lança maior rota de turismo religioso do Brasil COMPORTAMENTO...Págs.: 38 e 39 l Sonho ou Pesadelo: Dormir menos, sonhar mais, pegar no sono facilmente JARDINAGEM...Págs.: 40 e 41 l Cultive horta em um espaço pequeno SAÚDE & BEM-ESTAR...Págs.: 42 e 43 l Conheça quais exames são indicados para cada faixa etária EMPRESAS & NEGÓCIOS...Págs.: 44 e 45 l Nova legislação pode reduzir a sua conta de energia. l Empresa instalada em Lauro de Freitas chega ao mercado de cosméticos com meta de investimento de R$ 2 milhões CLASSIFICADOS BOA DICA...Págs.: 48 a 108 l Seção de facilidades e serviços disponibilizando profissionais nos segmentos Saúde & Bem-Estar, Gastronomia, Festas, Educação, Casa & Decoração, Serviços Gerais e Auto & Cia. Consulte índice geral por segmento na página 47. l Tribuna do Leitor....Págs. 109 e 110 l Tábua das Marés / Telefones Úteis....Pág. 111 l Mapa de Vilas do Atlântico....Pág. 112


EDITORIAL

Limites É justa a reivindicação do Flamengo como área territorial de Lauro de Freitas, recuperando o traçado de 1962, quando da emanci­ pação – assim como seria justa a reincorporação do aeroporto internacional, desde sempre pertencente ao território de Santo Amaro de Ipitanga. A anexação dessas porções pela capital nunca atendeu pressupostos identitários. Muito antes pelo contrário, atendeu o propósito de desintegrar a própria cidadania local. A revisão de limites de 1969, que tomou 3,6 km da orla de Lauro de Freitas, esteve baseada num artigo solteiro da Constituição baiana de 1967 – promulgada dois meses depois da Constituição Federal do mesmo ano, redigida de véspera e votada pelo Congresso sob a vigência do Ato Institucional número 4, sem a participação de qualquer opositor ao regime militar, em busca de legitimar o golpe de 1964. O artigo simplesmente mandava incorporar a Salvador “as áreas ocupadas pela Base Aérea e pelo Aeroporto Dois de Julho com as respectivas vias de acesso”. Na época Lauro de Freitas tinha prefeito eleito. Já o de Salvador era Antônio Carlos Magalhães – indicado e que ainda estava no cargo em 1969, quando Flamengo e Ipitanga foram anexados à capital. A Constituição da Bahia de 1967 determinava ainda que em lei especial se faria a “revisão de limites do município de Lauro de Freitas” – e não se fala mais nisso, acrescentaríamos nós daqui, 50 anos depois. O que está em questão já não é a “segurança nacional” nas vizinhanças de uma base aérea, mas a ampliação da base de arrecadação de impostos e a contagem populacional que garante mais recursos do governo federal, para não falar do plantel de eleitores. A prefeitura de Lauro de Freitas sempre ameaçou, mas optou por não comprar a briga pelo aeroporto – possivelmente depois de verificar o beco em que se meteria na negociação com ACM Neto. Mas reivindicar o Flamengo parece ser empreendimento de seme­ lhante monta. É complicado imaginar que a capital vá abrir mão de Ipitanga, quanto mais do Flamengo. E há sinais de que pretende manter Itinga e Areia Branca. Tendo em vista a promessa do deputado Ângelo Coronel, presidente da Assembleia Legislativa, em entrevista à Vilas Magazine, de que eventual projeto de lei sequer será votado sem um acordo entre os municípios, a perspectiva é de fique tudo como está, pelo menos por enquanto. O único beneficiado seria o município de Salvador, eventualmente interessado em manter o território atual. A menos que a prefeitura de Lauro de Freitas tenha alguma outra carta na manga.

Infalibilidade A adoção das urnas eletrônicas com impressora vem tornar verificáveis os votos que no Brasil são com­ putados sob exclusivo controle dos tribunais. Trata-se de um avanço, mas principalmente para combater a ideia de que o sistema é infalível. Conforme já avisaram especialistas, a confiança adquirida a partir do discurso da infalibilidade é perigosa porque cria um eleitorado apático, incapaz de questionar os métodos de votação impostos pelos governantes. As urnas eletrônicas têm sido objeto de controvérsia em todo o mundo, havendo países que simples­ mente baniram seu uso, como a Alemanha. No Brasil, o próprio TSE promove testes públicos periódicos de segurança. Não se trata, aqui, de colocar o sistema de votação sob suspeição, mas de buscar a máxima garantia da lisura do processo eleitoral. Fundamental, portanto, manter a pulga atrás da orelha. Carlos Accioli Ramos Diretor-editor Uma delas teria levado os tribunais ao “recadastramento biométrico” do eleitorado, coisa destinada a aumentar a segurança na identificação de quem vota. Para isso, o cidadão deverá registrar as suas digitais, além de deixar fotografia em alta resolução. O recadastramento começou na Bahia em 2009. De acordo com o TRE-BA, quase 22% dos eleitores já passaram pelo processo. Especialistas, claro, têm chamado atenção para os riscos envolvidos no uso e guarda de tamanho banco de dados e para a própria entrega de mais dados pessoais à esfera governamental. Ainda assim, o processo é compulsório e está em pleno andamento. Quem deixar de se recadastrar terá o título de eleitor cancelado, o que leva a todas as consequências derivadas disso, inclusive deixar de participar de programas sociais do governo. Até meados de julho, 43 dos 417 municípios baianos já haviam concluído a biometria e 52 estavam em revisão obrigatória. A expec­ tativa da Comissão da Biometria do TRE-BA era ter todas as zonas eleitorais do estado capacitadas para a coleta dos dados digitais até o final de agosto. Nas cidades em que o recadastramento ainda não é obrigatório – caso de Lauro de Freitas – ele já pode ser feito de forma espontânea, no cartório eleitoral local.

Delito de opinião Trata-se de coisa inexistente em países democráticos como o Brasil – por maiores que sejam os pecados da nossa democracia. Aqui e ali talvez ainda falte maturidade para lidar com a divergência, contraponto da hegemonia. Mas lá chegaremos, se Deus quiser. Setembro de 2017 | Vilas Magazine | 3


REGISTROS & NOTAS Rotary Club Salvador Itapoã tem novo Conselho Diretor

Lions Club Lauro de Freitas empossa nova diretoria

A presidente do Lions Clube Lauro de Freitas - Quatro Estações, Gleice Baptista (acima, de pé, esq.), após cinco gestões, passou a presidência do clube para a empresária Adriana Furtado Neves (de pé, dir.). Ao lado, di­ retores da ges­ tão 2017/18 (a partir da esq.): Valquiria Me­ nezes, direto­ ra social; Sara Lima, tesoureira; Dagoberto Pereira, diretor de associados; João Neves, diretor animador; casal Eva e Gleomar Coelho, diretores de campanhas.

O Rotary Club Salvador Itapoã empos­ sou, em 28 de julho passado, seu Conselho Diretor para a gestão 2017/18. Como presiden­ te, assumiu a advogada Érica Carvalho Silva Alves Almeida, sendo a primei­ ra rotaractiana a tomar posse como presidente de um clube de Rotary no Dis­ trito 4550. A solenidade contou com as presenças do casal José Antonio e Elizabete Cunha, governadores do Distrito nas gestões 2005/06 e 2004/05, respecti­ vamente, do governador assistente José Aparecido Franco de Oliveira e esposa Alene, de rotarianos do RC Lauro de Freitas, RC Lauro de Freitas Centro, RC Rio Vermelho e RC Bahia.

Rotary Club homenageia profissional Em reunião ordinária realizada em 11 de ju­ lho, o Rotary Club Lauro de Freitas homena­ geou Manuel Messias, pelo Dia do Garçon. Ele integra a azeitada equipe de profissionais que atende os clientes do restau­ rante Casa de Palha, local onde o Rotary realiza suas reuniões semanais, às terças-feiras, das 20h às 21h. Acima, o homenageado reverenciado pelos rotarianos Nilton Cardoso (blusa amarela), presidente Joaquim Ramos (blusa azul) e o secretário Leandro Santana (blusa branca). 4 | Vilas Magazine | Setembro de 2017

Campeão O campeonato bra­ sileiro de karate tra­ dicional que acontece este mês em Lauro de Freitas, contará com a participação do atleta Rodrigo Delayti Alcântara, como integrante da seleção baiana.


Publieditorial

Startup soteropolitana “QRPoint” ganha desafio Sebrae e representa a Bahia em SP A startup soteropolitana QRPoint venceu o Desafio Like a Boss 1Up, competição promovida pelo Sebrae durante realização, em agosto, da Campus Party Brasil, a maior experiência digital do mundo, em Salvador. No total, 36 startups de vários municípios baianos e de outros estados, participaram do desafio, que tinha o objetivo de aproximar os empreendedores de investidores e fortalecer o crescimento dessas empresas inovadoras. Com a vitória, a QRPoint vai repre­ sentar a Bahia na Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo (Case) 2017, em outubro, em São Pau­ lo, junto com as outras sete finalistas. “Concorremos o prêmio com algumas gigantes, outras ainda em fase de crescimento. Mas todas, sem exceção, com excelentes ideias. Qual minha conclusão? A Bahia tem muita startup boa, muita gente competente que está fazendo a di­ ferença, que precisa apenas de um empurrão para decolar. Saímos com o troféu, mas acredito que todos ali foram vencedores”, disse Rodolfo Kobus, um dos fundadores da QR­

Indústria Cascão Imperial ganha Prêmio Banco do Nordeste para o município de Lauro de Freitas

Vitor Santana, Rodolfo Kobus e Gabriel Bahia (a partir da esq.) Point, aplicativo que registra o pon­ to através de um smartphone. Essa solução é integrada ao QR Code, onde informa a localização geore­ ferencial no momento do registro, facilitando o acompanhamento e garantindo a presença no local e horário marcado. O app substitui os métodos feitos no papel e relógio de ponto, permitindo maior segurança e eficiência no controle de ponto, ajudando a evitar possíveis fraudes e rasuras. Hoje o sistema já possui duas versões, uma para empresas e outra voltada para o registro de ponto de empregadas domésticas, o QRPoint For Home. Mais informações pelo site: http://www.qrpoint.com.br/

qGerson Sampaio, engenheiro eletrotécnico e físi­ co, participante ativo do setor de energia nacional e interna­ cional desde 1982, com vários trabalhos nos segmentos de hotelaria e hospita­ lar, inaugurou em Lauro de Freitas a empresa Elektro. Leia artigo do profissional na página 44 desta edição.

pDaniela Damasceno, celebra este mês, quatro anos de fun­ cionamento da sua Casa dos Andaimes.

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ioneira na Bahia no ramo de fabricação de casquinhas de sorvete a Cascão Imperial foi a grande vencedora do Prêmio Banco do Nordeste da Micro e Pequena Empresa 2017, na categoria Indústria A Cascão Imperial concorreu com indústrias de todo estado e venceu sendo reconhecida como a que mais se destacou em competitividade, em ideias inovadoras e empreendedorismo. Os sócios Luke Luciano e Raquel Toss celebram a vinda do prêmio para o município e reforçam a importância da valorização do papel das micro e pequenas empresas na economia. “As micro e pequenas empresas tem o forte papel de alavancar o crescimento e são fundamentais para fomentar o desenvolvimento do município e sua expressão econômica no estado. Além de contribuir para um aumento na arrecadação e na geração de emprego e renda”, pontua Luke. Luke e Raquel, que também são casados há 15 anos, não param de empreender e ainda no segundo semestre de 2017 apresentarão um novo projeto na área industrial, novamente sendo pioneiros em tecnologia e na fabricação de um produto no estado. Setembro de 2017 | Vilas Magazine | 5


REGISTROS & NOTAS Mirela Macedo cobra ações em Lauro de Freitas

A deputada Mirela Macedo (PSD) reiterou, em audiência com o secretário estadual de infraestrutura, Marcus Cavalcante, celeridade para o início das obras de asfaltamento e pavi­ mentação das ruas da Guine, na região do Parque São Paulo, em Itinga, onde o governo do estado desapropriou imóveis residenciais para construir a Via Metropolitana. O secretário confirmou que está fazendo um ajuste junto à prefeitura de Lauro de Freitas para tentar viabilizar a obra. uO consultor Glicio Oliveira, ad­ ministrador, MBA em Finanças e Controladoria e com formação na Escola de Audi­ toria, especialis­ ta em Marketing estratégico pro­ move esse mês mais um curso de gestão financeira, em Camaçari, Salvador e Feira de Santana. Informações da agenda e temas pelo e-mail comercial@gliciooliveira.com.br t Isac Coêlho da Silva Santos, 10 anos, conquistou em agosto, o titulo de Mister Bahia Mirim 2017, representando Lauro de Freitas. O concurso Miss e Mister Bahia – Pró-Beleza, acontece há seis anos, realizado pela One Models, com a direção de André Menegry e a coordenação de Pepê Santos. 6 | Vilas Magazine | Setembro de 2017

Academia lança projeto pela preservação da memória cultural de Lauro de Freitas

Após ampla discussão e análise entre os acadêmicos imbuídos do de­ sejo de respeitar, valorizar e preservar a memória cultural no município, a Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas - ALALF, apresentou no final de julho, no auditório da Unime, o resultado do Plano Global, destacando o projeto Memorial Retratos de Lauro de Freitas Literatura, Arte e Cultura. O evento também objetivou despertar o interesse de empresários para a execução das ações, inclusive, educativas, destinadas a estudantes em situação de vulnerabilidade. A presidente da entidade, Valéria Vaz, destaca a importância do pro­ jeto, que viabiliza à ALALF amplas realizações em parcerias em segmentos culturais diversas. O evento foi enriquecido com apresentação do Grupo Bankoma, palestras e recital de poesias declamadas pelos poetas e aca­ dêmicos Josué Ramiro e Raymundo Santana. Presentes o secretário municipal de Cultura, Manoel Carlos, repre­ sentando a prefeita Moema Gramacho, acadêmicos, rotarianos, políticos, escritores, poetas, dentre outros. Celebrando a Semana Mundial de Aleitamento Materno, aconteceu em 4 de agosto, no Shopping Estrada do Coco, a segunda edição da Hora do Mamaço em Lauro de Freitas, organizada pelo grupo Gestar Luz. Além da roda de conversas com dinâmicas sobre o tema, as mamães presentes participaram também de uma dança materna, momento que estimula um acolhimento mútuo com seus bebês. Ações como esta acontecem desde 1992, e hoje já impactam simultaneamente 120 países. O Brasil possui índices de destaque positivo e em 2015 recebeu o reconhecimento de país referência em aleitamento materno da Or­ ganização Pan-Americana de Saúde (OPAS), sobretudo pelos esforços quanto a doação para os bancos de leite. Entre os anos de 2008 e 2014, cerca de 1,1 milhão de brasileiras doaram leite materno. Thiara Reges. CRIS SILVA


Brechós: Bons, Baratos e Sustentáveis

qA turma de bacharéis formados em Direito pela UFBA, em agosto de 1977, se reencontrou para comemorar os 40 anos da conquista, com a presença do paraninfo, professor Edvaldo Brito, que recebeu um pergaminho dos seus afilhados. O bacharel Eliano Barroso foi um dos ora­ dores do evento, e da mesa oficial participaram Luiz Tadeu Vieira, desembargador do TRT-5ª Região, a Defensora Pública, Hélia Amorim Santos, a desembargadora Aydê Aouais, além do paraninfo.

FEIRA DO LIVRO

O Rotary Club Lauro de Freitas e o Núcleo de Senhoras do Rotary promovem, este mês, a primeira etapa da FEIRA DO LIVRO, disponibilizando para a comunidade livros de vários segmentos – romances, técnicos, infantis, didáticos, autoajuda, etc. – a preços simbólicos. A FEIRA é itinerante e acontece no Shopping Estrada do Coco, dias 16 e 23 (sábados), das 9h às 21h; na UNIME, de 19 a 21, das 7h às 19h e no Colégio Apoio, de 25 a 28, das 8h às 13h. Toda a renda auferida revertirá para as ações sociais do Rotary, na comunidade. Em outubro a FEIRA continua, em outros locais, informados na edição de outubro. qArtesãos de Lauro de Freitas confraternizaram celebrando os 11 anos de funcionamento do Mercado do Artesanato de Lauro de Freitas, espaço onde os artistas locais expõem seus tra­ balhos, no loteamento Varandas Tropicais, em frente à passarela do hospital Menandro de Faria.

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o século 19, um mascate chamado Belchior ficou conhecido no Rio de Janeiro por vender roupas e objetos de segunda mão. Ao longo do tempo, todos os estabelecimentos do mesmo segmento adotaram o seu nome, que por corruptela passaram a chamá-los de brechós. “Os brechós da atualidade, surgiram para barrar o modelo do ‘fast fashion’, um padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados. Em vários deles, você consegue comprar peças excelentes, a um baixo custo”, explica Daniela Abreu (dir.) , sócia da Amei! Brechó Boutique. “Foi-se a época em que brechó era associado a traças, roupas velhas, quinquilharias e mofo. A reinvenção do conceito de brechó tornou-se sinônimo de economia, acessibilidade e, principalmente, sustentabilidade.” Sucesso na Europa e nos Estados Unidos, os brechós no Brasil viraram verdadeira tendência de moda, deixando de lado o sinônimo de coisas velhas e antiquadas, caindo no gosto de consumidores de diferentes classes. Hoje, já são mais de 11 mil estabelecimentos especializados e espalhados pelo Brasil. Daniela ressalta que, independentemente do perfil da clientela, o empresariado que atua nesse segmento precisa estar atento a todas as etapas do consumo e quebrar o paradigma de que os brechós são lugares feios e entulhados de roupas velhas. “Hoje é necessário olhar para o setor de brechós de forma mais profissional e crítica. Os estabelecimentos precisam estar localizados em lugares confortáveis, bonitos e seguros, com facilidade de estacionamento para seus clientes e fornecedores”. Com base nesses critérios a Amei! Brechó Boutique fixou sua primeira unidade em Vilas do Atlântico no Shopping Villaverde Street Mall. “Além disso, as lojas de brechós devem ter vitrines atraentes, peças expostas em lugares adequados e o ambiente sempre bem cuidado. Ouço constantemente aqui na Amei! Brechó Boutique nossos clientes exclamarem: aqui nem parece um brechó!” Em tempos de economia criativa, sustentabilidade e inovação, os brechós fazem parte de um novo modelo de consumo cada vez mais em alta. Os brechós se tornaram uma grande oportunidade para quem compra e também para quem vende. “Quantas vezes você comprou roupas por impulso achando que iria arrasar com ela, mas quando chegou em casa, viu que não era o que você esperava?” ressalta Daniela, lembrando que o hábito de consumir em brechós vem de muito tempo. “Em 2007, a atriz Angelina Jolie usou um vestido de brechó na première do filme O Poderoso Coração, que custou apenas U$26”.

Villaverde Street Mall - Lj 5 - Tel.: 9 9994-1213 Av. Praia de Itapoã, 805 - Vilas do Atlântico /amei_bb amei_bb@hotmail.com

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q CIDADE

LIMITES TERRITORIAIS

Lauro de Freitas agora reivindica área da praia do Flamengo

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reincorporação da praia do Fla­ mengo passou a ser reivindicada pela prefeitura de Lauro de Freitas na discussão dos limites com Salvador. Uma proposta entregue à Assembleia Le­ gislativa em 16 de agosto, “retoma a sua [dos limites] origem na foz do Riacho do Flamengo, no Oceano Atlântico”, tal como traçado na emancipação do município, em 1962. São 3,6 Km da orla de Lauro de Freitas, incluindo boa parte de Ipitanga, que em 1969 foram anexados a Salvador por uma lei estadual. A prefeitura não só quer o Flamengo de volta, como toda a área da praia de Ipitanga e do loteamento Marisol – áreas cedidas à administração de Salvador em 2014 por

Apresentação da comissão técnica: mapa de limites oficiais é contestado por Lauro de Freitas

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meio de acordo entre técnicos, firmado pela gestão municipal anterior. Legalmente, desde 1969 o território todo pertence à capital, mas estava em disputa na Assem­ bleia Legislativa, que começou a tratar da redefinição desses limites em 2007. A atual proposta para os limites, pro­ duzida pela comissão técnica composta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), órgão do Governo da Bahia, reflete o acordo anunciado em dezembro de 2014 pelo diretor-geral da SEI, Geraldo Reis. O documento final, entretanto, nunca teria sido apresentado. FALTOU ASSINAR Na última reunião da Comissão de Assuntos Territoriais da Assembleia, em agosto, a prefeita Moema Gramacho (PT) pediu o documento da “pactuação” que

teria cedido Ipitanga, “até para poder contestá-la”. O vereador Antônio Rosalvo (REDE), que era presidente da Câmara Municipal na época, afirmou ter solicita­ do o documento à prefeitura, sem nunca o ter recebido. “O que me explicaram é que faltava a assinatura do prefeito de Salvador”, conta Rosalvo – “Ipitanga não foi cedida a ninguém, nem Areia Branca nem área nenhuma”. O acordo foi firmado entre repre­ sentantes técnicos dos dois municípios, depois de uma série de visitas a campo e discussões sobre as demandas das duas partes – mas ainda seria apresentado aos prefeitos para validação. Na época, o diretor geral da SEI, Geraldo Reis, que mediou as conversas, afirmou que a proposta foi acolhida por Sergio Guanabara, chefe de gabinete da Superintendência de Controle e Orde­ namento do Uso do Solo de Salvador e por Eliana Marback, secretária de Pla­ nejamento e Gestão Urbana de Lauro de Freitas naquele ano. Historicamente, o município que sempre prestou serviços a Ipitanga, in­ cluindo o loteamento Marisol, foi Lauro de Freitas. Mas mesmo antes de ter sido anunciado o acordo entre técnicos, a prefeitura de Salvador já tinha assumido os serviços públicos e começava a fazer investimentos em infraestrutura – crian­ do um fato consumado enquanto corriam as visitas a campo. Em outubro de 2014 já havia uma placa no Marisol anunciando “interven­ ções de recuperação” promovidas por Salvador. A área recebeu melhorias na iluminação com a reposição de braços e lâmpadas nos postes, uma “operação tapa-buracos” e a poda das árvores, sob responsabilidade da Superintendência Municipal de Conservação e Obras Públi­ cas da capital. Passeios foram recupera­ dos e a microdrenagem revisada. u


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Além de abrir nova divergência em relação ao Flamengo e colocar Ipitanga novamente em questão, a cidade também reivindica manter o Barro Duro “até a nas­ cente do riacho Cantagalo”, ao contrário do que propõe a comissão e do que teria sido acordado com Salvador. Lauro de Frei­ tas quer também incorporar toda a faixa a leste da BA-526, a rodovia Cia-Aeroporto – incluindo o Jardim das Margaridas. Numa época em que a região era desabitada, os limites oficiais, datados de 1969, deixaram em território de Salvador uma faixa de mil metros a leste do eixo da estrada. Agora a comissão técnica propôs partilhar a maior parte dessa faixa com Lauro de Freitas, seguindo a linha do rio Itinga, mas recortando a área da Quinta Portuguesa, que continuaria em território da capital. Ficariam divididas Itinga, o Parque São Paulo e o Capelão. Na faixa da Cia-Aeroporto, o único ponto coincidente entre a proposta da co­ missão técnica e a nova proposta de Lau­ ro de Freitas diz respeito ao território de Areia Branca, integralmente incorporado ao município que sempre administrou a área – princípio que norteia o processo de redefinição de limites em todo o estado. METRÔ Na faixa limitada pelos muros da Base Aérea da Aeronáutica, comissão técnica e prefeitura estão de acordo – mas o muni­ cípio contesta parte do mapa dos limites oficiais em vigor, apresentado na proposta oficial. De acordo com o mapa, a área em que está sendo construída a estação Ae­ roporto do metrô é território de Salvador.

VANER CASAES / ALBA

q CIDADE

O memorial descritivo da nova pro­ posta de Lauro de Freitas anota que “o limite da legislação está de acordo com o mapa apresentado”, mas defende a existência de uma desconformidade em relação à entrada do município, “que já estava definida no limite do Rio Ipitanga”. Em diversas ocasiões públicas a prefeita Moema Gamacho tem afirmado que a estação Aeroporto do metrô está em território de Lauro de Freitas. A lei de limites de 1969 estabelece que o traçado segue pela “linha divisória da área militar” até o que viria a ser a Estrada do Coco. Ocorre que ao longo dos anos a Base Aérea de Salvador re­ cuou seus muros, cedendo área ao poder público: os limites municipais teriam avançado em função desse recuo. E Lauro de Freitas efetivamente ocupou o trecho, construindo a avenida 2 de Julho. A área da estação Aeroporto constava do acordo anunciado em 2014 pelo dire­ tor-geral da SEI como uma das parcelas cedidas por Salvador a Lauro de Freitas. O traçado oficial, em vigor, apresentado pela comissão técnica, corresponde ao do mapa de limites municipais da SEI de 2009, que anota “imprecisões e/ou omis­ sões que necessitam de correções” na lei

O deputado Ângelo Coronel (segundo, a partir da esq.), presidente da Assembleia Legislativa, com Diego Coronel (dir.) e os vereadores de Lauro de Freitas Antônio Rosalvo, Decinho e Coca Branco (da esq. para a direita): em busca de um acordo

municipal. A avenida 2 de Julho ainda não constava dos mapas. ENGAVETADO A precisa definição dos limites atuais pode se tornar relevante caso o projeto de lei que revê os limites entre as duas cidades nunca venha a ser votado. De acordo com o deputado Ângelo Coronel (PSD), presidente da Assembleia Legisla­ tiva, nenhuma proposta irá a plenário até que haja acordo entre as duas prefeituras. Em entrevista à Vilas Magazine, Ângelo Coronel explicou que se trata de “uma praxe da Casa” tratar de limites sempre por acordo entre as partes. “Nós só vamos colocar para votar se houver acordo entre os gestores dos dois muni­ cípios”, garantiu – se não houver acordo, “o projeto fica engavetado”. O deputado mencionou a anulação da lei que já havia redefinido os limites entre Catu e Pojuca, votada na transição entre presidentes da Assembleia. Como não houve acordo prévio, “entramos agora com nova lei anulando essa que aprovou os novos limites”, disse. Na ausência de consenso, a proposta da comissão técnica do IBGE e SEI pode acabar norteando Reunião da comissão da Assembleia: plenário tomado por vereadores de Lauro de Freitas

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decisões judiciais. O presidente da Assembleia tratou do assun­ to durante reunião com os vereadores Antônio Rosalvo, Decinho (PRB) e Coca Branco (PPS), de Lauro de Freitas, que foram pedir apoio para a proposta do município, levados ao gabinete por Diego Coronel. A eles, o deputado prometeu falar com as partes para “buscar um acordo o mais rapidamente possível”. Há pistas, mas ainda não se conhece posição formal de Salvador em relação às duas propostas. Se quiser manter o atual território ou perder ape­ nas o que já teria cedido no acordo, basta que a capital nada faça. Moema Gramacho pediu que, na falta de consenso, se faça um plebiscito – que também pode influenciar decisões judiciais. A Constituição da Bahia de 1989 prevê des­ fecho diferente. No “Ato das Disposições Tran­ sitórias”, o artigo 58º deu 120 dias para se criar uma comissão que iria “proceder à fixação dos limites demarcatórios” entre os dois municípios. E determinou prazo de um ano – esgotado há mais de 26 anos – para resolver o assunto. “Se os trabalhos não estiverem concluídos, por acordo ou arbitrariamente, caberá ao Estado determinar os limites das áreas litigiosas”, reza o parágrafo único. O trecho foi exibido pela comissão técnica na apresentação da proposta oficial. O vereador Luiz Carlos (PRB), presidente da Comissão de Planejamento Urbano da Câmara Municipal de Salvador, era o único representante da capital na última sessão da Comissão de Assuntos Territoriais. Sem se comprometer com qualquer posi­ ção em relação às reivindicações de Lauro de Freitas, o vereador soteropolitano limitou-se a pedir cópia das propostas apresentadas em agosto. Para ele, “o foco deve estar no que é melhor para a população”. Um novo projeto de lei que visa reordenar Salvador, apresentado em junho, fornece pistas sobre o que a prefeitura da capital pensa sobre o assunto: Itinga e Areia Branca foram listados como bairros. Já o Barro Duro, que seria entregue a Salvador, não está entre as futuras 163 unidades administrativas. O mesmo projeto trata de incor­ porar Ipitanga ao bairro de Stella Maris. Sem deputados em número suficiente para garantir quórum, o auditório estava tomado por metade dos vereadores de Lauro de Freitas, lide­ ranças comunitárias e representantes do primeiro escalão da prefeitura que foram acompanhar a

prefeita. Há uma “Comissão Especial de Divisão Territorial” na Câmara Mu­ nicipal acompanhando o assunto. A deputada Mirela Macedo (PSD), eleita vice-prefeita na chapa de Moema Gramacho em 2016, hoje membro da Comissão de Assuntos Territoriais da Assembleia, defendeu a reincorporação do loteamento Marisol, bem como a faixa de orla de Ipitanga – assim como todos os presentes. A reivindicação do Flamengo, que consta do memorial entregue à Assembleia, não foi explicitada. O debate na Comissão Especial de Divisão Territorial da Assembleia Legislativa sobre os limites entre Lauro de Freitas e Salvador foi iniciado em 2007, quando a prefeita Moema Gramacho (PT) solicitou uma verificação, levando à realização de uma audiência pública. Ancorado na Lei Estadual 12.057/2011, o projeto de Atualização dos Limites Intermunicipais da Bahia é fruto de parceria entre a SEI, representante do poder Executivo e responsável pela coordenação do trabalho, o IBGE e a Comissão Especial de Assuntos Territoriais e Emancipação da Assembleia Legislativa.

Prefeitura abre exploração de linhas de ônibus a pessoas físicas

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prefeitura de Lauro de Freitas anunciou no mês passado a intenção de abrir concorrência pública para a outorga de permissões a pessoas físicas para a exploração do serviço de transporte coletivo por ônibus na cidade. O chamado “transporte alternativo complementar” de Lauro de Freitas é hoje explorado por duas cooperativas que detêm 255 permissões, de acordo com a prefeitura. O novo sistema deverá funcionar de forma integrada ao metrô, com bi­ lhete único que dará acesso às linhas metropolitanas, da capital e do sistema metroviário pelo período de até uma hora. A prefeitura prevê que a integração esteja funcionando até dezembro, quando a estação Aeroporto do metrô deve entrar em operação. “Um TAC permitirá a iniciação da bilhetagem eletrônica”, explicou o secretário de Transportes de Lauro de Freitas, Olinto Borri. Não foram revelados os termos em que a concorrência se dará, nem as exigências específicas que o edital de concorrência deve trazer para garantir alguma qualidade ao transporte coletivo local, mas Borri destacou que serão “micro-ônibus com wi-fi e acessibilidade para idosos e cadeirantes” – o que implicará em renovação da frota ou adaptação dos veículos atuais. “Queremos um transporte de qualidade para a nossa população”, garante Borri. A qualidade do serviço de ônibus determinará o maior ou menor suces­ so da integração com o metrô e da viabilização da futura estação no Km 3,5 da Estrada do Coco, que depende do aumento do movimento no Aeroporto. u JOSÉ MARCELINO

Reunião com os atuais permissionários: dúvidas e sugestões Setembro de 2017 | Vilas Magazine | 11


q CIDADE

A organização do novo sistema prevê linhas classificadas em Leste – que transitariam em Areia Branca, Vida Nova, Itinga e Portão – e Oeste, para o Centro, Ipitanga, Vilas do Atlântico e Buraquinho. O Projeto de Lei para execução das licitações – que envolve também o sistema de táxis – ainda será enviado para aprovação da Câmara Municipal, onde as cooperativas de transporte deverão acom­ panhar o processo de perto. Em julho, durante uma apresentação da prefeitura sobre as obras da estação Aeroporto do metrô, os permissionários das cooperativas já haviam se manifestado, co­ brando apoio da prefeita Moema Gramacho (PT). Entretanto, a prefeitura já realizou a primeira de várias reuniões prometidas aos concessio­ nários. “Reuniões como esta serão realizadas periodicamente. Queremos tirar dúvidas e ouvir sugestões”, disse a prefeita no mês passado. “Esta­ mos aqui para iniciar este processo administrativo de forma democrática, proporcionando condições jurídicas para a prestação do serviço”, explicou. De acordo com a prefeitura, a cidade tem hoje 366 carros fazendo transporte de passageiros, 48 dos quais em situação questionada, sub judice. Com a licitação, o número de licenças será am­ pliado para até 396. Segundo o secretário de Trânsito, Olinto Borri, a reestruturação do sistema de transporte público prevê ainda o ordenamento dos pontos de táxis, a capacitação periódica dos condutores e avaliação da frota em períodos pré-determinados. Micro-ônibus de cooperativa atualmente em serviço na cidade: novas exigências ainda não são conhecidas

Obra dos seis piscinões do rio Ipitanga já foi licitada

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projeto de amortecimento de enchen­ tes no rio Ipitanga, revelado na edição 176, da revista Vilas Magazine, em setembro de 2013 (dir.) , há quatro anos – po­ derá sair do papel em breve. De acordo com a prefeita Moema Gramacho (PT), a obra já foi licitada e será executada pala Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), com recursos de mais de R$ 180 milhões do Governo Federal. SEIS PARQ Uma área total de mais de 500 mil COM PISCINUES ÃO metros quadrados em Lauro de Freitas e Salvador foi declarada de utilidade pública pelo governo da Bahia em junho de 2014 para abrigar 18 áreas destinadas à construção de parques-reservatórios. A declaração de utilidade pública antecede a desapropriação onde for necessário. De acordo com o edital de pré-qualificação da Conder de quatro anos atrás, o Ipitanga e dois dos seus principais afluentes vão ganhar um parque linear e seis parques isolados, que devem contar com mobiliário urbano em concreto, quadras polivalentes e campos de futebol, ciclovias e pistas para caminhada. Um dos parques estará em Lauro de Freitas, três no limite com Salvador e outros dois logo após a represa Ipitanga 1, em Cassange e São Cristóvão. Os parques servirão como “reservatório de amortecimento de cheias”, popularmente conhecido como piscinão – uma solução de combate a enchentes aplicada no país desde os anos 90. A função da estrutura é armazenar temporariamente um eventual excesso de águas pluviais, evitando o transbordamento de cursos d’água. As obras fazem parte de um pacote mais amplo, que visa também ampliar a capacidade de escoamento do Ipitanga, numa tentativa de eliminar os alagamentos que atingem vários bairros da cidade a cada chuva mais intensa. Todo o trecho do rio Ipitanga entre a segunda ponte da Estrada do Coco e o rio Joanes terá a calha ampliada pelo desassoreamento do leito. O projeto previa também grandes bueiros de 2,2m na altura do Km 3,5 – onde poderá ser construída mais uma estação do metrô. Além disso, seis canais de macrodrenagem seriam construídos ou ampliados, incluindo o Caji da Urbis, Jardim dos Pássaros e Santa Júlia, Jaraguá e Horto, Lagoa dos Patos e Fazendão. PROCON AUT

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PARQUES Um dos maiores parques previstos seria o Rosa dos Ventos, que ocu­ pará a área em frente à cabeceira da pista do aeroporto internacional, na Estrada do Coco, ao longo de um trecho de 450 metros do Ipitanga u 12 | Vilas Magazine | Setembro de 2017


LIMENTOS

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q CIDADE

O transbordamento do rio Ipitanga, como em 2010, é comum em Lauro de Freitas a cada chuva mais intensa

JOÃO RAIMUNDO

e que receberá o terceiro piscinão dos seis que serão construídos. O primeiro será no futuro Parque Sítio das Pal­ meiras, em Cassange, Salvador, nas imediações da avenida Aliomar Baleeiro. O segundo será constru­ ído no Parque Beira Rio, no bairro do Parque São Cristóvão, 700m a jusante do reservatório anterior. Já em Lauro de Freitas, o quarto reservatório estará situado no Parque Alameda dos Ingazeiros, que incluirá a maior parte da área entre a via alter­ nativa e a avenida Dois de Julho, início da futura via expressa para a praia de Ipitanga. O Alameda dos Ingazeiros começa 2,5 Km depois do Rosa dos Ventos e segue até a parte de trás do ginásio mu­ nicipal de esportes e Restaurante Popular. Embora a maior parte do trecho esteja efeti­ vamente incorporado a Lauro de Freitas, ainda é formalmente território de Salvador, assim como o Parque da Mata, ao longo de um trecho do rio Itinga, a cerca de 1,8 km a montante do Ipitanga. Ali seria construído o quinto reservatório de amortecimento. O sexto e último ocupará uma grande área das margens do rio Caji-Picuaia, a cerca de 1 Km a montante do Ipitanga, entre Vida Nova e o CajiCaixa d’Água. Virá a ser o Parque das Águas. Para a prefeita, além da oferta de novas áreas de lazer em tempos de estiagem, outro benefício dos reservatórios é a facilidade da limpeza dos sedimentos e do lixo carreados pelas águas de chuva, que acabarão concentrados em um único ponto. O custo de canalização da vazão das águas também fica reduzido, em comparação com outras soluções. 14 | Vilas Magazine | Setembro de 2017

Chuvas de julho recuperam nível dos reservatórios

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s seis reservatórios que abastecem Lauro de Freitas, Salvador e ou­ tros onze municípios na região metropolitana saíram do nível crítico com as chuvas que caíram entre junho e julho. O armazenamento da represa Joanes 1, no Jambeiro, passou para mais de 90% da capacidade. Apesar da situação ter melhorado, ainda não seria possível descartar o ra­ cionamento. Mas Eduardo Topázio, diretor de Águas do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), prefere falar em racionalização. “Temos que economizar água independente de qualquer circunstância”, disse – “água é um bem caro, de difícil acesso”. Topázio avisa que “trazer água até uma grande população, como a cidade de Salvador e região me­ tropolitana, não custa barato e, cada vez mais, ela vai estar escassa porque a população tem aumentado e os mananciais estão se esgotando”. A barragem Joanes 2, mais afetada com a falta de chuva, operava com pouco mais de 37% da capacidade em abril. No início de agosto, o nível já estava em 86%. Na barragem de Santa Helena, em Dias d’Ávila, o volume útil passou de 11% para 42%. Ipitanga 1 e 2 elevaram os níveis para quase 71% e 67%, respectivamente. Apenas a barragem de Pedra do Cavalo, em Governador Mangabeira, responsável por mais da metade do abastecimento de Salvador, teve um aumento menor. A represa é abastecida pelo Rio Paraguaçu, que não faz parte do ciclo de chuvas da região metropolitana.


PEDRO MORAES

Eduardo Topázio, diretor do Inema: “Racionamento não, racionalização sim”. Abaixo: A barragem de Joanes 2 chegou a 86% da capacidade, recuperando desde 37% registrados em abril ALBERTO COUTINHO

ELÓI CORRÊA / GOVBA

De acordo com Topázio, a preocupação era com o fim do período chuvoso, que vai até agosto, porque tinha chovido muito abaixo da média até metade do ano. “Mas em junho houve um aumento das chuvas na região onde ficam os reservatórios, e isso deu um alívio para a gente poder passar por um período de estiagem mais longa e ter reserva suficiente para atender a população”, disse. Além do aumento no volume de chuvas, o governo aponta ações emergenciais da Empresa Baiana de Águas e Abastecimento (Embasa) como responsáveis pela garantia do abastecimento doméstico no período mais crítico. “Ainda temos um alerta ligado sempre”, disse o presidente da Embasa Rogério Cedraz – “mas o importante é que estamos fazendo algumas obras para que, se mo­ mentos como esse voltarem a acontecer, a gente tenha condição de atender a população sem gran­ des problemas”. Entre as obras estão a perfuração de 16 novos poços e a ampliação da captação em Santa Helena. A Embasa estuda também o reforço de Pedra do Cavalo e a possibilidade de trazer água do rio Pojuca até o sistema de Salvador.

A comandante da BCS, tenente Naila Reis, a prefeita Moema Gramacho, o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa e o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Anselmo Brandão, presentes na solenidade

BCS de Itinga comemora cinco anos de trabalhos sociais

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comunidade de Itinga comemorou os cinco anos de inauguração da Base Comunitária de Segurança (BCS) do bairro, no dia 18 de agosto, com uma grande festa. Composta por um grupo de 78 policiais, a unidade reforça a segurança da região e promove diversos projetos sociais de inclusão para crianças, adolescentes e adultos, como atividades de teatro, esporte e lazer. Para a tenente Naila Reis, comandante da BCS, a presença da base tem um impacto forte na segurança do bairro. “A boa relação que temos com todos aqui faz toda a diferença. Em 2015, fomos a companhia que mais apreendeu armas de fogo. Desde que começamos nossas atividades, recebemos duas vezes o prêmio de desempenho policial. Temos muito trabalho a ser feito ainda, mas certamente estamos conseguindo um resultado muito positivo na diminuição dos índices de violência”. Presente na cerimônia, o secretário da Segurança Pública, Maurício Bar­ bosa, destacou que o evento celebra acima de tudo a relação que os policiais têm com os moradores. “Além da parte operacional, nós oferecemos projetos para melhorar a vida da comunidade. São projetos muito importantes, que promovem uma aproximação entre a polícia e as pessoas, formando uma ponte de confiança, e que também melhoram a autoestima das pessoas que vivem na comunidade”. TRANSFORMAÇÃO As BCS integram o programa estadual Pacto Pela Vida e funcionam em 18 regiões de Salvador e interior do estado, buscando uma interlocução com as comunidades onde atuam. É o que explica o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Anselmo Brandão. “A Bahia é um destaque nacional nessa filosofia de policiamento. Muito além do trabalho ostensivo, nosso maior objetivo é trabalhar nas bases sociais para diminuir a criminalidade”. A estudante Laíse Carvalho, 16 anos, é um exemplo de transformação promo­ vida pelo projeto Vidas em Cena, que oferece aulas gratuitas de iniciação teatral. “Minhas notas melhoraram, começei a me interessar mais pelos estudos e a ter uma melhor relação com meus professores. Aprendi a gostar de ler e me tornei uma pessoa mais sociável. Esse grupo mudou muita coisa pra mim. Agora, me sinto muito mais evoluída para buscar meus caminhos”, afirmou. Setembro de 2017 | Vilas Magazine | 15


q COMUNIDADES

Projeto social no Dona Lindu atende crianças de até 12 anos

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Projeto Vida, que atende gratuita­ mente 150 crianças do conjunto residencial Dona Lindu, em Itinga, completou no mês passado um ano de atividades. Washington Oliveira, pastor da Igreja Batista Bíblica Israel, é também o diretor do projeto, que funciona nas insta­ lações da instituição, ao lado dos prédios. De acordo com ele, 24 crianças com idades entre dois e três anos são atendi­ das em tempo integral enquanto as mães trabalham ou estudam. As outras, na faixa dos quatro aos doze anos, são atendidas no contraturno das aulas nas escolas. O projeto oferece assistência social, inclusive nas residências das famílias e nas escolas. Maria Joana Santiago, coor­ denadora pedagógica do projeto, conta que a grande maioria das crianças vem de famílias que não pertencem à instituição. “Atendemos todos”, independente de fazerem parte da igreja ou não, garante. As condições para ganhar uma vaga no projeto incluem frequentar a escola, com comprovação de matrícula a cada semestre, segundo Washington Olivei­ ra. Além disso, são acolhidas apenas as crianças cujas mães precisam trabalhar ou estudar. Muitas delas são adolescen­ 16 | Vilas Magazine | Setembro de 2017

Washington Oliveira (esq.) com professoras do projeto, participa do desfile cívico de 31 de julho, pela emancipação do município tes que ainda não completaram o ensino médio, contou Maria Joana. Além de receber cinco refeições por dia no projeto – três no caso do contra­ turno das aulas – as crianças contam com a assistência de um médico pediatra e quatro psicólogos, que acompanham estagiários da especialidade. Atualmente, conta Oliveira, o atendimento psicológico inclui 34 crianças e adultos da comunida­ de do Dona Lindu e do próprio projeto. “Ainda não dá para atender todo mundo, mas fazemos o máximo”, disse. Raimunda Araújo, coordenadora do Projeto Crescer, da Lagoa dos Patos, que participa da mesma iniciativa, esteve em Maria Joana Santiago (dir) acompanha atividade com crianças no projeto

Crianças do Projeto Vida usam uma das quadras do Dona Lindu para atividades no contraturno das aulas Itinga para a comemoração do primeiro aniversário da instituição. Ela credita o sucesso do Vida ao pastor Birne, líder da igreja que sustenta o projeto. Ele “sem­ pre foi muito sensível com as questões sociais”, atesta. “As crianças têm para onde ir no contraturno escolar, não tendo tempo de estar expostos aos perigos da rua”, avalia Raimunda. Para ela, “é necessário que o poder público e os empresários locais deem cada vez mais apoio às organizações sociais legalizadas, que desenvolvem o trabalho com comprometimento e seriedade”. Uma das tarefas a que se propõe o pro­ jeto é “recuperar a alfabetização de crian­ ças que já deveriam estar lendo na escola” mas não conseguiram chegar lá. Além do reforço escolar, as crianças frequentam aulas de música, informática, canto coral, futebol e capoeira. A creche conta com pedagoga e uma auxiliar e, como nas outras áreas, “sempre com profissionais qualificados”, garante Maria Joana. Para Oliveira, as mais de mil famílias que residem no Dona Lindu têm no projeto o único apoio social da região. Entregues há seis anos, em agosto de 2011, os 45 prédios foram o primeiro em­ preendimento do programa Minha Casa Minha Vida em Lauro de Freitas. O nome do conjunto foi uma homenagem à mãe do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Os cinco mil moradores começaram a chegar em novembro daquele ano. Os apartamentos têm 40 metros quadrados distribuídos por dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço. As áreas comuns incluem áreas de lazer com quiosque, campos de futebol, parques infantis e salões de festa. Escola, creche e unidade de saúde estavam projetados.


Documentário produzido por alunos da rede municipal homenageia os mestres da Cultura Popular

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auro de Freitas é uma cidade caracterizada por rica mistura de raças e um qualificado celeiro de artistas, sobretudo da cultura popular tradicional. O que é cultura popular? Quem são os mestres da cultura popular de Lauro de Freitas? Perguntas como essas levaram a turma de alunos da Escola Municipal Ana Lucia Magalhães, a produzir um documentário sobre os Mestres da Cultura Popular. O ponto de partida do projeto foi sair da sala de aula e ir às ruas. Entrevistar moradores dos bairros para identificar os mestres da cultura popular da cidade, foi a primeira etapa, que selecionou os doze mestres mais citados. Na etapa seguinte, os alunos entrevistaram e filmaram os depoimentos dos selecionados. Assim foi sendo construindo um documentário de 25 minutos, com a proposta de evidenciar o fortalecimento da identidade cultural da cidade salvaguardando para as futuras gerações, as nossas raízes, tradições, cultura e história. O lançamento do documentário aconteceu em 26 de julho, no cine teatro de Lauro de Freitas, prestigiado com a presença do secretário municipal de Educação, Paulo Gabriel, da coordenadora da Cidade Educadora, professora Idaci Ferreira, professores, produtores culturais, empresários, alunos e gestores escolares. O evento foi enriquecido com a apre­sentação do repentista e cordelista

Leandro Tranquilino, além da exibição do filme para os homenageados: dona Badinha, seu Paizinho, seu Tranquilino, Portela, dona Antônia (esposa de Lindão), dona Aidê e o capoeirista Mestre Sérgio. Para o professor Antônio Claudio “o documentário tem o objetivo de resgatar a importância dos representantes da cultura popular para nossa cidade, bem

como, propagar práticas culturais seculares junto aos jovens”. DIA DOS PAIS Em comemoração ao Dia dos Pais, a Escola Municipal Ana Lúcia Magalhães, realizou a ação Escola de Peito Aberto, uma sessão de cinema exclusiva (foto acima), com refrigerante e pipoca, reunindo pais e filhos, que assistiram as façanhas do Homem Aranha. A ação foi antecedida com a realização de um bingo, nas dependências da escola, além de uma apresentação de voz e violão dos professores Edson e Ana Paula.

Uninassau promove ação social em Portão A Faculdade Uninassau promoveu em agosto uma ação social na escola de Vila Nova de Portão, oferecendo serviços gratuitos a cerca de 100 pessoas na área social, de educação e de saúde. O objetivo da instituição é facilitar a vida da população, levando até a comunidade serviços como aferição de pressão arterial, teste de glicemia, avaliação nutricional, atendimento odontológico e orientação jurídica. No estande do Balcão de Justiça e Cidadania da Uninassau, a população contou com o apoio da advogada e orientadora Karina Vigas, que prestou serviços relacionados a divórcio, direito de vizinhança, pensão alimentícia e orientação trabalhista, entre outros. A advogada falou da importância em oferecer o benefício à comunidade carente. Para ela, “os serviços de cidadania são uma porta de entrada para o cidadão ter acesso à proteção social básica”. Edna Conceição, 41 anos, moradora do bairro, já tinha sido beneficiada pelos serviços do Balcão. Ela foi orientada a resolver judicialmente uma questão de família. Auxiliar de serviços gerais, Edna conta que ficou “muito satisfeita com o atendimento do balcão”, porque o auxílio jurídico gratuito permitiu uma conciliação importante. Durante a ação em Portão, as pessoas também foram acolhidas por profissionais da Uninassau que prestaram esclarecimentos sobre bolsas de estudo, testes vocacionais, financiamentos e cursos oferecidos pela instituição em Lauro de Freitas. Karina Vigas presta atendimento jurídico gratuito durante a ação social Setembro de 2017 | Vilas Magazine | 17


q EDUCAÇÃO | Tecnologia

Estudantes do CEEP/TIC, de Lauro de Freitas, responsáveis pelo projeto SR³

Estudantes de colégio público de Lauro de Freitas constroem robô antibombas Thiara Reges / Freelance para a Vilas Magazine

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rinta e cinco estudantes e muita força de vontade tem como resultado um projeto de pesquisa destaque no principal evento sobre tecnologia realizado no Brasil, a Campus Party, que pela primeira vez foi sediada em Salvador. Os estudantes do Centro Estadual de Educação Profissional em Tecnologia, Informação e Comunicação - CEEP/TIC, desenvolveram um robô antibombas, com recursos e tempo reduzidos para participarem do evento, que aconteceu na Arena Fonte Nova de 9 a 13 de agosto, mas já estão com planos de ampliação do projeto e construção da versão 2.0. SR³ é o nome do robô que poderá manipular substâncias ou objetos perigosos por telecomando, podendo ser utilizado tanto nas indústrias como para fins de segurança, desenvolvido pelos estudantes do curso de Manutenção e Suporte de Informática do CEEP/TIC. A sigla vem de ‘sem rendimento ao cubo’. Pode parecer estranho, mas os estudantes explicam que estavam indo mal em três disciplinas e precisavam se recuperar. Aproveitando a feira tecnológica, realizada anualmente na instituição, resolveram se desafiar, enveredando no mundo da robótica, aplicando os conhecimentos adquiridos em aula. Funcionando com duas baterias, ligadas através de circuito série de 24 Volts, o objetivo do robô é pegar, por exemplo, um artefato e transportá-lo para um local que mantenha as pessoas em segurança, tanto para quem está nos arredores, como os profissionais que atuem diretamente na ação de combate. Além da garra para pegar a bomba, o robô possui um bico, que 18 | Vilas Magazine | Setembro de 2017

possibilita a quebra da barreira de vento para melhor deslocamento. Hoje o equipamento suporta 15 kg, porém não alcança grande velocidade. O desafio do SR³ 2.0 é desenvolver um novo chassi, mais leve, garantindo velocidade e autonomia. “Nosso primeiro chassi foi de ferro fundido, pesando 40 kg. Não tínhamos potência suficiente no motor. O segundo chassi, de alumínio, conseguimos baixar o peso para 10 kg, mas incluindo as baterias, a garra, o objeto que robô precisa carregar, cumprindo sua função, perdemos muito em velocidade. Hoje nossa média é um metro por segundo, o que não é suficiente para a operação”, destaca Jacson Daltro, professor coordenador do projeto. O novo chassi, para a versão 2.0, será de fibra de carbono com polímero de vidro, que reduz o peso para 100 gramas, porém se perde em resistência. “O material ideal seria a lâmina de fibra de carbono, mas uma placa de 60 cm custa R$ 2 mil. Para nosso robô, precisaríamos de cerca de R$ 10 mil, e não temos esse aporte. Para construir o novo chassi fizemos uma arrecadação em sala, com os próprios estudantes, e não temos a possibilidade de teste-erro, comum nas pesquisa, pois cada novo chassi é mais dinheiro que precisamos arrecadar”, ressalta professor Jacson. Tiago Alves, um dos estudantes que representou a equipe durante a Campus Party Bahia - CPBA, destaca que foi muito importante a participação no evento. “Além do network, outros estudantes e pesquisadores que conheceram o nosso robô sempre contribuíam com ideias que pudessem melhorar ainda mais o nosso projeto, que concluímos num prazo tão curto”. Tiago se refere aos sete dias que tiveram para finalizar a versão apresentada na Campus Party. Inscritos na pré-CPBA os estudantes foram desafiados a estar na Campus e tiveram que correr com o projeto, que tinha como prazo inicial três meses. “Só temos a agradecer. Agradecer aos nossos pais, sempre nos apoiando; a prefeitura municipal através da SEPLAN e aqueles empresários de Lauro de Freitas que nos receberam num prazo tão apertado, conheceram o projeto e apostaram no nosso trabalho. A ajuda de custo foi determinante para a conclusão do projeto no prazo determinado, mas ainda precisamos de mais ajuda”, frisa Tiago. Os estudantes, jovens com idade média de 17 anos, ressaltam que o projeto tem como foco a segurança pública, podendo atuar em casos de


falta é o incentivo, sobretudo estrutural e financeiro para que isso aconteça”, destaca. “Vi esses meninos vendendo rifa, bolo de pote, doces e salgados, para conseguir o aporte necessário para finalizar esta etapa do projeto e estar presente na Campus Party Bahia. Recebemos o convite para participar da Campus em Minas Gerais, no final do ano, e sei que será uma nova batalha”, conclui o professor Jacson. INCENTIVO Empresários interessados em conhecer o projeto SR³ e que queiram apoiar a iniciativa dos estudantes podem enviar e-mail para sr3robotics@gmail.com / bibieleoliveira@hotmail.com ou ligar para os números (71) 99325-9762 ou (71) 99274-7219. O projeto foi desenvolvido no laboratório de informática do Centro Estadual de Educação Profissional em Tecnologia, Informação e Comunicação – CEEP/TIC. Abaixo: o robô SR³ durante apresentação na Campus Party Bahia alarme falsos de forma ativa e rápida, diminuindo o pânico gerado na população. Neste ano, a feira tecnológica do CEEP/TIC, que despertou o poder inovador destes jovens, acontecerá dias 26 e 27 deste mês, de 8h às 17h15, aberta ao público. Para o professor Jacson todo município, sobretudo estudantes de escolas públicas, devem se orgulhar do resultado conquistado pelos meninos, e ficar atentos às oportunidades. “A participação na Campus Party e o reconhecimento do nosso trabalho são importantíssimos, não apenas para esses estudantes, mas para todos os estudantes de escola pública. Temos capacidade para desenvolver coisas incríveis, o que nos O Centro Estadual de Educação Profissional em Tecnologia, Informação e Comunicação – CEEP/TIC, foi criado em 2010 e começou a operar no ano seguinte. Hoje, funcionando no prédio da antiga Escola de Cadetes, atende cerca de 1.200 estudantes de Lauro de Freitas, nos cursos de Técnico em Logística, Comunicação Visual, Manutenção e Suporte de Informática e Técnico em Rede de Computadores, através das modalidades subsequente, Educação Profissional Integrada e Educação Profissional para Jovens e Adultos – Proeja. Denis Daltro, diretor da instituição, destaca também a Empresa Junior, que através de parcerias recebe máquinas com defeitos, sucateadas, e as recupera, servindo tanto ao próprio CEEP/ TIC como a demais instituições de Lauro de Freitas. SR³ / ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS: Motor: 2 baterias de 12 Volts cada, totalizando 24 Volts; Programação: Arduino UNO e MEGA; Linguagem de programação: C++ e JAVA; Escopo: bico no formato de triângulo; Chassi: 40 cm de largura, 40 cm de comprimento e 20 cm de altura; Altura total: 46 a 50 cm; Sistema de controle:

Bluetooth, comandado por app de celular feito em APK; Velocidade média: 1 metro/segundo; Autonomia: 35 a 40 minutos ESTUDANTES ENVOLVIDOS NO PROJETO: Amanda Santiago Puridade, Aleson de Souza Gomes, Antonio Crispim Santos Santana, Bianca da Silva Santos, Daiana Santos Santana, Dandara de Jesus O. Bastos, Davi Andrade Moreira, Elisa Cristina Cunha de Souza, Ellen Vitoria Oliveira dos Santos, Emanuele Nobre da Silva, Eveline Damasceno dos Reis, Gabriele Oliveira Santos, Guilherme Fonseca de Araújo, Helton Cardoso dos Santos, Iago Barbosa, Igor Santos Rebello de Aguiar, Islayne Teles de Araújo, Jean Paulo Portugal B. Silva, Jeferson Pereira dos Santos, João Victor Barreto Teixeira, José Marques de Almeida Filho, Juliana A. S. do Espírito Santo, Kelvin da Paixão Ferreira, Lucas Sotero Costa Borges, Lucas Vinicius de Santana Costa, Luiz Henrique Carvalho Borges, Luiz Henrique Souza A. Santos, Maria Bianca Cunha Passos, Marlon Marcel Cunha Borges, Matheus Miler Anunciação Brito, Saulo Carneiro de Araújo, Sofia Paranhos S. da Conceição, Taís Maria Martins, Thiago de Souza Alves, Ueslei Santos de Santana. Setembro de 2017 | Vilas Magazine | 19


q CULTURA

Júnior Melo apresenta uma das cenas da intervenção Artérias – O Caminho dos Pecados

Programação de aniversário movimenta Cine Teatro

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Cine Teatro de Lauro de Freitas foi palco para cinco dias de eventos em agosto, quando comemorava 34 anos. Espetáculos de dança e teatro, com entrada gratuita, buscaram a difusão das artes e o diálogo permanente com as culturas locais e globais. O espaço, administrado pela secretaria de Cultura do Estado da Bahia, foi inaugurado em 18 de agosto de 1983. A abertura ficou por conta do diretor de teatro Duzinho Nery, que apresentou na área externa do espaço cultural a intervenção Artérias – O Caminho dos Pecados, em cenas representadas pelos alunos da oficina de teatro do grupo Távola Cultural. Na sala principal, o balé do Teatro Castro Alves encenou DAN, propondo uma reflexão sobre a dualidade no mundo e a oficina Recontando apresentou diversos contos da mitologia africana e indígena. O grupo Criando Asas apresentou o resultado de seu trabalho com o teatro do oprimido, levando ao palco o grupo de pessoas portadoras de deficiência que tem emocionado a cidade, no espetáculo Que onda é essa, mano? Já o grupo Invicta fez uma reflexão sobre a mulher e sua história através do teatro, como forma de resistência a todo tipo de opressão. A dança fechou a primeira noite com as apresentações do grupo O Corpo em Movimento na 3ª Idade e a Mostra Lauro + Dança. De Ponta Cabeça – Baobá, um espetáculo de teatro de animação que tem elementos da cultura popular, contou a história africana da árvore de cabeça para baixo, a Baobá. O Candelabro, outra produção de Duzinho Nery, provocou a reflexão sobre a crueldade e a violência que vitimam milhares de mulheres. A peça se divide em lapsos de memória que marcam a vida de Maria Aurora, abordando os seus conflitos e o seu sofrimento, mostrando como em uma atitude transgressora ela consegue ser a sua própria luz, tudo de forma poética e sublime. Sob a direção de Armindo Pinto, o espetáculo teatral África em Nós abordou a vinda de homens e mulheres da África como escravos, sua resistência e luta, em um paralelo com o século 21, em que a violência e o racismo resistem e persistem, de forma velada ou explícita. 20 | Vilas Magazine | Setembro de 2017

q CIDADANIA

Procon da Bahia passa a atender pessoas surdas

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extensão do atendimento da Superintendência de Proteção ao Consumidor (Procon) da Bahia a pessoas surdas marca o aniversário de 27 anos do Código de Defesa do Consumidor, publicado em 11 de setembro de 1990. Os atendimentos, por enquanto, acontecem apenas nos 12 postos do Procon em Salvador, mas de acordo com o superintendente do órgão, Filipe Vieira, a intenção é ampliar a iniciativa para todo o Estado. Alexandre Baroni, superintendente dos Direitos das Pessoas com Deficiência da secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia defende que “é fundamental destacar que qualquer atendimento [da secretaria], incluindo o Procon, precisa ser absolutamente acessível para todos os usuários”. A legislação brasileira determina que deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão de Libras como meio de comunicação objetiva. Diversas instituições investem nessa meta. A novidade é fruto do curso de formação básica na Língua Brasileira de Sinais (Libras), promovido pela secretaria e que contou com a participação de 20 servidores – dos quais, 15 do Procon. “A ideia do curso era, justamente, fazer com que todas as outras áreas da secretaria seguissem essa condição, garantindo a comunicação com todas as pessoas, incluindo as surdas, que antes tinham dificuldade ou não conseguiam ser atendidas efetivamente”, enfatizou Baroni. Também em setembro, no dia 26, se comemora o Dia Nacional do Surdo. A data foi criada em 2008 e alerta para as barreiras de acessibilidade. No Brasil, os surdos só começaram a ter acesso à educação durante o Império, no governo de Dom Pedro 2º, que criou a primeira escola de educação de meninos surdos, em 26 de setembro de 1857, na antiga capital do País, o Rio de Janeiro. Hoje, no mesmo lugar funcio-


na o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines). Por isso, a data foi escolhida como Dia do Surdo. Além de receber estudantes, a instituição também forma professores desde 1951. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que 9,7 milhões de pessoas têm deficiência auditiva no Brasil. Desses, quase 2,3 milhões de pessoas têm deficiência auditiva severa, quando há uma perda entre 70 e 90 decibéis (dB) na capacidade auditiva. Cerca de um milhão são jovens até 19 anos e cerca de 169 mil do total residem na Bahia. De acordo com o instituto, 21% dos deficientes auditivos tem grau intenso ou muito intenso de limitações. Parte dessas pessoas foi oralizada em português e se comunica por meio de leitura labial e vocalização, mas para a grande

estabelecimentos cumprem a norma legal, apesar da multa imposta aos estabelecimentos que não a disponibilizam: R$ 1.064,10. O Código, criado há 27 DANIELE RODRIGUES / ABR anos, veio complementar lacunas que Servidores estaduais, incluindo do Procon, existiam no Direito Civil nas relações de concluíram curso de Libras, em Salvador consumo, que são um campo bem específico. A lei franqueia a informação ao maioria a Libras é uma linguagem nativa. consumidor para que ele conheça os seus direitos básicos, expressos no artigo 6º. Publicado em 1990, o CDC já sofreu CDC EM BRAILE Uma versão do CDC em braile também alterações. As atualizações incluem a existe na Biblioteca do Consumidor do Pro- exigência de indicação clara dos tributos con, mas nas lojas em geral, nem mesmo que incidem sobre os produtos e serviços a disponibilidade da cópia em português adquiridos. Em todo o Brasil há 452 Procons ligaé uma certeza absoluta. A Lei 12.291 de 2010 obriga os comerciantes de todo o dos no Sistema Nacional de Informações país e prestadores de serviços a deixar à de Defesa do Consumidor. A principal vista dos clientes uma cópia do CDC, mas atribuição do Procon é punir as empresas ainda há reclamações de que nem todos os que violam a lei.

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JOSÉ CRUZ / ABR

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SÍMBOLOS NACIONAIS: da Moral e Cívica às Diretas-Já

A troca da bandeira na Praça dos Três Poderes, em Brasília: símbolo máximo

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s símbolos nacionais – que no passado eram tema de prova no colégio – continuam a ser coisa muito séria. No âmbito do Código Penal Militar (CPM), por exemplo, desrespeitar símbolo nacional é crime punido com um a dois anos de detenção. Que o digam os ex-militares que acharam divertido dançar o hino nacional em ritmo de funk dentro de um quartel há alguns anos. Conduta militar é assunto sério e não admite deslizes. Mas para muita gente a cena foi produto de mera falta de educação. Para outros, foi resultado de falta de educação específica. Juntamente com a Economia Doméstica e a Educação para o Lar, a velha Educação Moral e Cívica e OSPB (Organização Social e Política Brasileira) volta a ser lembrada pelos saudosistas de um tempo em que era crime ser de esquerda – em mais uma prova de que a história se repete. O antigo culto à pátria naqueles moldes não desapareceu, resistindo em franjas da sociedade, mesmo depois de extinta a Moral e Cívica e OSPB como disciplina obrigatória. Deu-se em 1993, por meio de lei assinada pelo presidente Itamar Franco. A carga horária até então ocupada pelos princípios inspirados pelo regime militar foi destinada às disciplinas de Ciências Humanas e Sociais – mais contemporâneas do ambiente democrático. Em 1969, quando a disciplina foi criada, os propósitos estavam bem expressos no decreto assinado pelos três ministros militares: primeiro, “a defesa do princípio democrático” entendido pelas lentes do Ato Institucional número 5, que estava em plena vigência. A democracia seria defendida “através da preservação do espírito religioso, da dignidade da pessoa humana e do amor à liberdade com responsabilidade, sob a inspiração de Deus”. O “aprimoramento do caráter, com apoio na moral, na dedicação à família e à comunidade” também estavam entre os objetivos. Além, claro, do culto à pátria, aos seus símbolos, tradições e instituições. Nada foi deixado ao acaso:

O culto à pátria nos moldes de antigamente não desapareceu, resistindo em franjas da sociedade, mesmo depois de extinta a Moral e Cívica e OSPB o decreto também criava uma Comissão Nacional de Moral e Civismo (CNMC), encarregada de “articular-se com as autoridades civis e militares” de todas as esferas “para implantação e manutenção da doutrina”. A Educação mesmo, à qual o Congresso havia destinado, durante o governo João Goulart, 12% do Produto Interno Bruto (PIB) e 20% do orçamento dos estados e municípios, viu suas verbas minguarem para 7,6% em 1970 e depois para 4,3% do PIB, em 1975 – de acordo com o professor Demerval Saviani, doutor em Educação na Universidade de Campinas, que produziu o estudo “O legado educacional do regime militar”. Apesar disso, ficou a imagem de sucesso que tinha a escola pública nos anos 70. A própria doutrina preconizada pela disciplina de Moral e Cívica é credora dessa imagem, embora o regime militar tenha alavancado mesmo foi o ensino privado. Décadas depois a escola pública ganhou ares de problema insolúvel, apesar dos símbolos nacionais continuarem a ser mostrados à criançada. O que acabou foi a doutrinação. Todos aprendem que são quatro os símbolos: a bandeira, as armas, o selo e o hino. E que eles representam o Brasil em cerimônias, eventos, documentos e missões oficiais. O significado do verde e amarelo, representando as matas e as riquezas

naturais brasileiras, povoa o imaginário de toda criança em idade escolar. Talvez nem todas aprendam que as estrelas da Bandeira Nacional retratam o céu do Rio de Janeiro às 8h30 do dia 15 de novembro de 1889 – na proclamação da República. Mas todas elas saberão reconhecer o desrespeito à pátria cada vez que um escândalo estourar em Brasília. No noticiário da televisão, o pano de fundo de uma reportagem sobre os desmandos do poder provavelmente incluirá um dos símbolos nacionais, desrespeitados pelos personagens da crônica político-policial – não pelo cidadão incapaz de apontar seu estado natal entre as estrelas da bandeira. Pode valer a pena, neste 18 de setembro, Dia dos Símbolos Nacionais, é relembrar a liturgia que o manuseio deles envolve e o quanto é relativo o respeito que a eles se presta. Está em pleno vigor a lei que proíbe, por exemplo, usar Bandeira Nacional como guarnição de mesa, revestimento de tribuna ou cobertura de placas e monumentos a inaugurar – embora a cena não seja de todo rara. Bandeiras em mau estado de conservação não devem ser exibidas. Mas também não podem simplesmente ser jogadas no lixo. Elas devem ser entregues a qualquer unidade militar, para que sejam incineradas no Dia da Bandeira, seguindo cerimonial próprio. A lei diz também que nenhuma bandeira de outra nação pode ser usada no país sem ter a Bandeira Nacional ao seu lado direito, “de igual tamanho e em posição de realce” – a não ser em consulados ou embaixadas. Apesar de tudo, nem sempre a quebra da norma representa conduta menos cívica. Para quem se lembra de Fafá de Belém na campanha pelas Diretas-Já, nos anos 80, não vale a pena lembrar que “é vedada a execução de quaisquer arranjos vocais do Hino Nacional, a não ser o de Alberto Nepomuceno”. Poucas vezes aquele Símbolo Nacional terá sido tão respeitado. Setembro de 2017 | Vilas Magazine | 23


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Quebrar regras das dietas está entre táticas para manter a perda de peso

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Personalizar dicas, prestar atenção na comida e limitar açúcar podem ter efeito a longo prazo

ão tem escapatória: ajustes na alimentação são parte fundamental de qualquer estratégia bemsucedida de emagrecimento. Ao mesmo tempo, de todas as pessoas que tentam fazer dietas, só 10% conseguem manter o peso depois de cinco anos. E a pergunta de um milhão de dólares é como entrar nesse grupo privilegiado. Entre as modalidades de dieta existem algumas que não limitam a quantidade de calorias a serem ingeridas, mas, sim, alguns grupos de alimentos, como é o caso das dietas Atkins, Dukan, paleolítica e cetogênica. No jejum intermitente, a restrição aparece no período

de alimentação. Nos primeiros meses, o paciente até vê seu esforço se converter em perda de peso. Mas, apesar de a pessoa continuar comendo menos, o emagrecimento desacelera progressivamente até o organismo estacionar. O motivo do sucesso inicial é que a pessoa passa a prestar atenção em tudo o que come e, com isso, reduz a ingestão diária de calorias e melhora outros hábitos, explica a professora de nutrição da Unesp Maria Rita Marques Oliveira. O problema é que é difícil prestar esse nível de atenção para sempre. E a frustração diante do esforço pode até

desencadear transtornos alimentares, diz a pesquisadora da USP Bruna Reis. Para Oliveira, ter consciência sobre o que se come, apesar de ser uma tarefa difícil, é a melhor estratégia. “O paciente sabe o que fazer, mas precisa ser lembrado. Depois de dois anos que a pessoa já está magra, ela tem grandes chances de permanecer assim.” Um fator que embasa as dietas pobres em carboidrato é que, por ter digestão muito rápida, alimentos ricos em açúcar geralmente não resolvem bem a questão da saciedade. Uma solução pode ser recorrer, com moderação, a frutas com bagaço, alimentos integrais, castanhas e até aqueles ricos em proteína e gordura. Outra tática: após alcançar um “platô dietético”, alimentos restritos podem retornar – aos poucos, para minimizar o reganho de peso enquanto se tenta driblar a frustração. Gabriel Alves / Folhapress.

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Cirurgia bariátrica cresce no país e pode incluir ainda mais pacientes Médicos do setor querem que escolha seja desvinculada do peso e considere doenças associadas

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Segundo ele, a ideia é indicar o procedimento também como alternativa a pacientes no início do tratamento. “Quanto mais precocemente indicar a cirurgia, com menor tempo de uso de insulina, melhores os resultados”, diz. Em nota, o CFM afirma que a solicitação está sob análise. Uma eventual mudança, porém, ainda gera polêmica entre médicos. Para o endocrinologista Bruno Geloneze, da Unicamp, a tentativa de alterar os critérios para pacientes com

m avanço no país, a cirurgia bariátrica poderá se desvincular da questão do peso e incluir ainda mais pacientes. Nos últimos cinco anos, o número de cirurgias realizadas no país cresceu 39%, de 72 mil em 2012 para 100 mil em 2016, segundo a SBCBM - Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. A maior parte dos procedimentos acontece entre usuários da rede privada Proposta foi enviada e de planos de saúde. No SUS, o avanço é ao Conselho Federal semelhante (35%), mas a escala é menor: de Medicina e está de 6.020 em 2012 para 8.157 em 2016, em análise, porém, segundo o Ministério da Saúde. médico critica falta de Médicos que atuam no setor atribuem acesso no SUS para o crescimento à maior disponibilidade de quem mais precisa informações sobre a cirurgia e ao avanço da obesidade, que aumentou 60% em dez anos. “E esse número não vai diminuir, a menos que haja uma revolução na parte clínica ou na prevenção”, diz Caetano Marchesini, presidente da SBCBM. Segundo ele, o número de operados ainda é baixo: menos de 1,5% dos 9 milhões de pacientes elegíveis. Podem ser candidatos à cirurgia pacientes com IMC (índice de massa corporal, que é o peso dividido pela altura ao quadrado) acima de 40 kg/m² ou maior que 35 kg/m² quando há doenças relacionadas, como diabetes e hipertensão. Mas uma proposta enviada em janeiro ao CFM - Conselho Federal de Medicina, defende a redução do IMC para 30 kg/m² para pacientes de diabetes tipo 2 não controlado. “Se operarmos só pelo peso, estamos excluindo quem não está sob controle só com remédios, como os diabéticos”, diz Ricardo Cohen, do Centro de Obesidade e Diabetes do hospital Oswaldo Cruz de São Paulo. 26 | Vilas Magazine | Setembro de 2017


KARIME XAVIER / FOLHAPRESS

‘É um mito achar que a cirurgia vai te deixar magro para sempre’ diabetes desconsidera o avanço de outras alternativas de tratamento e desconsidera o baixo acesso à bariátrica na rede pública. “Por que vamos diminuir o IMC, ampliar a quantidade de pessoas a serem operadas, sendo que não operamos praticamente ninguém que deveria ser operado?”, questiona. “Começa a tendência a operar quem não precisa.” Natália Cancian / Folhapress.

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uando Cristiane Carvalhes (foto), 38, decidiu, há sete anos, fazer a cirurgia bariátrica, sobravam dúvidas. Tantas que depois ela até chegou a criar um diário virtual para ajudar outros pacientes. Hoje, após o desfecho da própria experiência, o objetivo é informar sobre os riscos de largar o acompanhamento nutricional e o exercício. “Quero mostrar que a cirurgia não é um milagre. Muitos diziam: é fácil emagrecer assim. Mas não é. Você entra numa reeducação alimentar para o resto da vida. Se não seguir, volta a engordar”, afirma ela, que voltou a ganhar cerca de 30 kg desde o nascimento da filha, há dois anos, quando derrapou na dieta e deixou de lado os exercícios. O valor corresponde à metade do que havia perdido após a bariátrica, quando passou de 117 kg para 57 kg. Hoje, está com 89 kg. A estimativa é que 15% dos pacientes recuperam até metade do peso perdido, segundo Caetano Marchesini, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. “Sem dúvida operar é mais eficaz que muitos tratamentos clínicos. Mas, se não está bem preparado, os pacientes reganham peso. Onde está a maior demanda também aparecem as maiores complicações”, diz Cláudia Cozer, do Hospital Sírio-Libanês. Outros efeitos, como deficiências nutricionais, também são esperados: anemia, perda do cabelo e osteoporose são algumas das queixas. “É um mito achar que a cirurgia vai te deixar magra para o resto da vida. É só uma ferramenta para te ajudar nesse processo”, diz Cristiane. Natália Cancian / Folhapress. u Setembro de 2017 | Vilas Magazine | 27


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Não adianta só correr Sozinho, exercício não emagrece, mas ajuda a ganhar músculo, a limitar a fome e a reduzir o risco de doenças

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omo dar a má notícia para um paciente obeso de que o exercício provavelmente não vai emagrecêlo? E que, mesmo assim, ele deve se esforçar para manter uma prática regular? “É um assunto delicado”, resume Pedro Hallal, cientista brasileiro de renome e entusiasta dos benefícios da atividade física. O exercício comumente é listado entre as boas práticas para quem quer perder peso, mas, sozinho, ele parece ser capaz de fazer pouco por aqueles que almejam ver algum resultado na balança. “O emagrecimento depende essencialmente de uma conta simples: é o total de energia ingerida na alimentação menos o quanto o organismo gasta diariamente”, diz Hallal, que coordenou, para a revista médica “Lancet”, uma série de estudos sobre o impacto da inatividade física na saúde global. Se o plano é não mexer muito na dieta – fator mais importante para o emagrecimento –, a alternativa seria então aumentar o gasto energético. A questão, 28 | Vilas Magazine | Setembro de 2017

porém, é mais complicada do que parece, começando pela quantidade. A prática de atividade física moderada por 30 minutos diários tem impacto pequeno no combate à obesidade, afirma Hallal. “Todas essas diretrizes da OMS e do Ministério da Saúde de praticar meia hora diária de atividade física diária foram pensadas para outros desfechos, como prevenir infarto, diabetes, hipertensão, acidente vascular cerebral e cânceres. Além disso, há melhora da saúde óssea e da saúde mental, diminuindo também o risco do mal de Alzheimer.” Quando a meta é combater a obesidade, pode ser necessária uma dose maior de exercício: de 45 minutos a 1 hora por dia. Mas não de qualquer tipo. Estudos recentes têm apontado que exercícios de força, como lutas e musculação, são mais eficazes do que caminhadas, por exemplo. MÚSCULO A educadora física e professora da Unifesp, Ana Dâmaso e colaboradores

constataram, após dez anos de pesquisa, que corrida e caminhada em esteira até ajudam a reduzir a massa gordurosa, mas também fazem o indivíduo perder músculo, o que atrapalha o emagrecimento. O músculo é um tecido metabolicamente mais ativo do que a gordura, ou seja, quanto mais músculo uma pessoa tem no corpo, mais energia ela gasta diariamente. A melhor opção, no caso, seria fazer um exercício misto, combinando as duas modalidades. Segundo Ana Dâmaso, o desafio é preservar, com o exercício, a quantidade elevada de músculo ao mesmo tempo em que se controla a alimentação, mantendo a taxa metabólica e evitando o efeito sanfona. Outra dica para o obeso que quer fazer exercício e emagrecer – e não se frustrar no caminho – é não ficar olhando para a balança. Isso porque o exercício costuma aumentar a quantidade corporal de massa magra (composta principalmente de músculos) e diminuir o de massa gorda. Como a primeira é mais pesada do que a segunda, é possível se assustar e achar que a prática de exercício engorda. “Por isso que todo o meio acadêmico recomenda medir o emagrecimento não apenas em quilos, mas sim em quilos de gordura ou percentual de gordura”, diz Hallal. Os especialistas elencam mais moti-


vos para que a atividade física não fique relegada a um segundo plano na vida de quem quer emagrecer. Um deles é que o exercício regular é capaz de controlar a fome e reduzir a ingestão de carboidrato e de gordura, afirma Ana Dâmaso. Outra razão para levantar do sofá e se mexer, diz Pedro Hallal, é que é melhor para a saúde ser “fat and fit”, gordo e ativo, do que só gordo (e, de repente, até mais saudável do que algumas

pessoas magras e sedentárias). Mas uma precaução que o obeso deve adotar é não exagerar – especialmente para evitar lesões e outras frustrações, que podem ser descontadas na comida. Como o plano só dará resultados no médio ou longo prazo, o ideal é que a prática seja, acima de tudo, sustentável. u Gabriel Alves / Folhapress. Setembro de 2017 | Vilas Magazine | 29


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Não é feitiçaria Soluções mágicas para emagrecer sem mudar os hábitos vêm de fora e ganham projeção após estudos pequenos e sem representatividade

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a hora de combater a obesidade, há dois caminhos: os longos e dolorosos e os que não levam a lugar algum. Atalhos e fórmulas mágicas para quem quer perder alguns (ou vários) quilos existem aos montes, mas o problema é que, via de regra, ou são alternativas com pouco ou nenhuma eficácia ou trazem risco inaceitável para a saúde. Entre as que têm algum fundinho de verdade estão os alimentos termogênicos – aqueles que, de alguma forma, fazem o metabolismo da pessoa funcionar mais rapidamente e aumentam o gasto calórico. Gengibre, pimenta e vinagre são desse time. O problema é que, para terem algum efeito prático, eles teriam de ser consumidos em quantidades impraticáveis. “Não dá para comer quilos de gengibre para tentar compensar o efeito de um cupcake”, exemplifica Cíntia Cercato, endocrinologista do Hospital das Clínicas da USP. Outros alimentos e substâncias emergiram como “soluções” para a obesidade como a cafeína e, mais recentemente, o óleo de coco. Embora este último encontre apoio entre entusiastas e até acadêmicos, não há evidência de que ele tenha efeito na perda de peso, segundo as “Diretrizes Brasileiras de Obesidade”, publicação da Associação Brasileira de Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica. Já a cafeína, presente naturalmente em uma série de grãos e bebidas, tem co-

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nhecido poder estimulante, mas, apesar disso, não há evidência científica de que consiga reduzir o peso corporal. A indústria de suplementos nutricionais à base de fitoterápicos, termogênicos e micronutrientes como cálcio e cromo também não inspiram muita confiança de especialistas ouvidos pela reportagem.

“Agências de saúde sérias como a FDA [americana] já encontraram hormônio tireoidiano, diuréticos e até anfetamina em cápsulas que eram para ser à base de chá. A cada nova moda, muda o chá e as demais substâncias são as mesmas”, diz Bruno Geloneze, endocrinologista e professor da Unicamp. ORIGEM Bianca Naves, do grupo de comuni-

cação do Conselho Regional de Nutricionistas SP-MS, afirma que as modas têm origem no exterior, com celebridades que testam algo pontual ou algum achado de algum profissional de saúde, que acaba indo a público sem validação ou testes mais abrangentes, muitas vezes só com estudos em animais. “Antes de acontecerem estudos maiores, esses produtos acabam caindo na mídia, justamente por causa das celebridades. E as pessoas acreditam que, se funcionou para alguém que é referência para elas, é real.” A nutricionista especialista em fitoterapia Heloisa Piccinato diz que há compostos com poder de reduzir a ansiedade ou de melhorar a qualidade do sono – fatores auxiliares no processo do emagrecimento. “Há muita coisa ainda para ser estudada. O problema da fitoterapia é que ela é muito barata e há pouco interesse comercial para bancar os estudos.” A homeopatia também não encontra respaldo. “Pode servir para outras coisas, mas não para tratar a obesidade”, afirma Cintia Cercato. “As pessoas esquecem que a obesidade é uma doença complexa, crônica e recidivante. Os pacientes são vítimas fáceis de qualquer um desses tratamentos milagrosos, já que essa é uma doença que não dá para esconder de ninguém.” “As pessoas gostariam de ter uma solução milagrosa, de perder peso sem ter que mudar hábitos, comendo e bebendo o que gostam. Isso não existe. Vão atrás do que está na moda porque querem uma solução mágica, mas percebem que não adiantou e partem para a próxima onda milagreira”, diz a endocrinologista Maria Victória Descalzo. Gabriel Alves / Folhapress.


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Liberação dos remédios para emagrecer divide os médicos Uma parte se mostra favorável ao uso das substâncias, mas outra ala aponta sérios riscos à saúde

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Câmara dos Deputados aprovou em junho a lei que libera a produção e a comercialização dos remédios inibidores de apetite contendo as substâncias sibutramina, anfepramona, femproporexemazindol. A lei revoga a proibição feita pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que diz não haver comprovação da eficácia das substâncias. A exigência da receita médica foi mantida. A polêmica divide os médicos. Uma parte é favorável à liberação, enquanto outra aponta um grande erro. “Não é o melhor caminho para se colocar o medi-

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camento no mercado, mas essa foi a única forma de disponibilizar esses medicamentos”, diz a endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica). “[As substâncias] São eficazes, caso contrário ninguém iria querer usar”, completa. Já a nutróloga Letícia Fontes, da clínica MEI Medicina Inteligente, vai na direção contrária. “A liberação dessas substâncias oferece bastante risco à saúde das pessoas. São muitos os efeitos colaterais durante a utilização. As pessoas perdem peso, mas, quando param de usar a medicação, voltam a ganhar mais peso do que tinham antes de usar os medicamentos”, afirma. Para Melo, a questão não é a proibição da substância. O problema é o uso irresponsável da medicação. “Tem que

haver um controle mais rígido em termos de prescrição. Com uma orientação racional, responsável, os resultados são muito bons”, diz. Por outro lado, Fontes vê risco de buscar perder peso sem se preocupar com efeitos. “A maioria das pessoas quer emagrecer, mas não quer seguir muito um caminho para isso. Espera passe de mágica, procura fórmula para fazer perder peso sem esforço. Isso que leva a pessoa a recorrer a esses tipos substâncias.” ANVISA DIZ QUE A LEI É PREOCUPANTE A Agência Nacional de Vigilância Sanitária continua mantendo a sua posição contrária à liberação dos remédios emagrecedores. “Essa lei, além de inconstitucional, pode representar grave risco para a saúde da população. Legalmente, cabe à agência a regulação sobre o registro sanitário das substâncias, após rigorosa análise técnica sobre sua qualidade, segurança e eficácia”, diz a Anvisa, em nota. Emerson Vicente / Folhapress.


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Minas Gerais lança maior rota de turismo religioso do Brasil

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inas Gerais traz em sua bagagem uma cultura religiosa muito forte. As peregrinações e as festas religiosas fazem parte do calendário de várias cidades mineiras e são as principais responsáveis por movimentar o turismo religioso no Estado. Essa história tricentenária de fé e religiosidade será celebrada entre os dias 1 a 3 de setembro, durante a abertura do 2º Salão Nacional do Turismo Religioso, com o lançamento oficial do Caminho Religioso da Estrada Real (CRER), em Caeté. Aproveitando esse momento único, a maior rota de turismo religioso do Brasil realiza a Romaria 550, que liga o Santuário Estadual Nossa Senhora da

TIRADENTES Igreja de Santo Antonio

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Piedade, localizado em Caeté, ao Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, passando por 32 municípios mineiros e seis paulistas, num percurso de mais de mil quilômetros. Com o objetivo de fortalecer o turismo religioso no Estado, a Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais (Setur-MG) aposta na diversificação da oferta turística das regiões que abraçam a rota. Além disso, contribui para a manutenção da tradição histórico-cultural das comunidades locais. “Vale ressaltar que desde o período colonial, Minas Gerais sempre deu grande valor ao turismo religioso e em nossa gestão estamos trabalhando para que o setor continue cres-

cendo e atraindo cada vez mais turistas para Minas Gerais, na expectativa de que o Estado se desenvolva economicamente e continue sendo referência para os fiéis”, afirma o secretário estadual de Turismo, Ricardo Faria. Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) apontam que 8,1 milhões das viagens domésticas no Brasil são motivadas pela fé. “Por meio do Caminho Religioso da Estrada Real os peregrinos poderão conhecer nosso Estado não apenas pelas experiências de fé e sim em suas mais variadas formas, como a gastronomia, história e cultura”, completa Faria. CAMINHO RELIGIOSO Inspirado no consagrado Caminho de Santiago de Compostela, da França à Espanha, o Caminho Religioso da Estrada Real tem como objetivo desenvolver e estruturar o segmento de turismo religioso


em Minas Gerais a partir da formatação de produtos turísticos que associem experiências turísticas à religiosidade, que é marcante no Estado. A ideia surgiu em 2001, quando dois caminhantes, com apoio do Instituto Estrada Real e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais percorreram, em 36 dias, toda a Estrada Real, identificando as principais necessidades para sua consolidação. Entre 2002 e 2004, depois de rigoroso levantamento e demarcação foram fixados os marcos sinalizadores. Atualmente, o trajeto pode ser percorrido a pé, de bicicleta, a cavalo ou 4 x 4 Off Road, configurando-se assim, como uma opção de turismo e peregrinação com prestação de serviços qualificados para atender os visitantes/peregrinos em uma única viagem ou por etapas, conforme a sua disponibilidade. “O turista pode iniciar a rota de qualquer ponto e percorrer os trechos que desejar, não sendo obrigatório realizar todo o caminho de uma só vez”, explica Eberhard Hans Aichinger, representante da Sacrum Brasilidades, empresa u

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q TURISMO & LAZER

gestora do CRER. A rota passa pelos municípios mineiros de Caeté, Sabará, Raposos, Barão de Cocais, Nova Lima, Santa Bárbara, Rio Acima, Catas Altas, Itabirito, Mariana, Ouro Preto, Ouro Branco, Congonhas, Conselheiro Lafaiete, São Brás do Suaçuí, Entre Rios de Minas, Casa Grande, Lagoa Dourada, Prados, Tiradentes, Santa Cruz de Minas, São João del Rei, Carrancas, Cruzília, Baependi, Caxambu, São Lourenço, Pouso Alto, São Sebastião do Rio Verde, Itamonte, Itanhandu e Passa Quatro. E segue pelos municípios paulistas de Cruzeiro, Cachoeira Paulista, Canas, Lorena, Guaratinguetá e Aparecida. Em Minas Gerais, o trajeto está todo sinalizado para que o peregrino possa se orientar com

OURO PRETO Igreja de São Francisco

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CATAS ALTAS Bicame de Pedra

segurança. Totens instalados em locais estratégicos indicam as direções e placas indicativas apresentam o mapa geral do caminho, mostrando os municípios do percurso. Nos últimos anos, as estruturas físicas foram implantadas pela SeturMG totalizando a instalação de 22 quiosques, 38 paraciclos, uma escada de acesso, três passarelas, 64 placas informativas, 1.771 totens indicativos, 119 placas de advertência para os motoristas e reparação de uma cabeceira de ponte e uma pinguela. Para marcar o caminho percorrido, o turista poderá adquirir um passaporte onde registrará as cidades onde esteve. Estes carimbos estarão disponíveis nos pontos de apoio CRER, geralmente localizados nas secretarias paroquiais de cada município ou nos pontos de informações turísticas da cidade. Ao final do percurso, seja no Santuário Nossa Senhora Aparecida, seja no Santuário Nossa Senhora da Piedade, o peregrino que apresentar o seu


passaporte carimbado em sua totalidade, receberá um certificado de conclusão de todo o Caminho Religioso da Estrada Real. ROMARIA 550 Em comemoração aos 250 anos de peregrinação ao Santuário Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais, e os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, protetora do Brasil, foi organizada a Romaria 550, que instalará oficialmente o Caminho Religioso da Estrada Real. No dia 3 de setembro, os participantes que vão percorrer o caminho a pé, sairão do Santuário da Piedade, chegando com os demais participantes, no dia 9 de outubro, ao Santuário Nacional de Aparecida, quando será celebrada a missa solene, recepção aos romeiros e ao reconhecimento do CRER como uma romaria oficial de peregrinação. Para o arcebispo metropolitano de

SÃO JOÃO DEL REI Igreja de São Francisco de Assis Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, “a singularidade do Caminho Religioso da Estrada Real reside na riqueza e na beleza do seu conjunto paisagístico e arquitetônico, particularmente sacro. Esse é um dos projetos com maior potencial turístico de Minas e, por isso, merece atenção de todos os mineiros. O Caminho Religioso da Estrada Real precisa estar no coração de cada mineiro, nos projetos empresariais e nos investimen-

tos governamentais”. Na ocasião, as quatro modalidades para percorrer todo o percurso estarão disponíveis e serão conduzidas por operadores com expertise em suas áreas. Para mais informações de como participar da Romaria 550 basta acessar o site www.sacrumbrasilidades.com.br Material fornecido pela Assessoria de Comunicação da Secretaria de Turismo de Minas Gerais. Fotografias: Acervo ER / Fotógrafo: Rodrigo Azevedo

SANTUÁRIO DO CARAÇA

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q CIDADE COMPORTAMENTO

SONHO OU PESADELO Dormir menos, sonhar mais, pegar no sono facilmente: leitores mandam suas dúvidas sobre sono DEPOIS QUE TIVE FILHO, SEMPRE DURMO EM ALERTA. TEM COMO REVERTER ISSO? O estado de alerta é normal no início, quando o bebê nasce, mas depois deve passar. A terapia comportamental pode ajudar a melhorar.

GOSTARIA DE SONHAR MAIS. HÁ ALGO QUE EU POSSA FAZER? Os sonhos ocorrem na fase REM (de movimentos rápidos de olhos, na sigla em inglês) do sono, que corresponde de 20% a 25% das nossas noites --ou de 1h a 2h, em geral. Todo mundo sonha, mas nem todo mundo se lembra daquilo com que sonhou. Para reter os sonhos na memória, é possível treinar para acordar com calma e se concentrar nisso logo cedo.

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SEIS MESES DEPOIS DE TER FEITO A CIRURGIA BARIÁTRICA, AINDA NÃO CONS I G O D O R M I R B E M. H Á ALGUMA EXPLICAÇÃO? A cirurgia é indicada para tratar obesidade, que muitas vezes está associada a um problema respiratório. Só um médico pode dizer se o problema de sono está ligado.

MEU FILHO ACORDA NO MEIO DA NOITE COM TERROR NOTURNO OU S O N A M B U L I S M O. O QUE PODE SER FEITO? É preciso primeiro proteger a criança --evitar que

ela caia de escadas, por exemplo. Também é preciso fazer diagnóstico preciso, para evitar a confusão com outras doenças.

COSTUMO DORMIR BEM, MAS ACORDO TODOS OS DIAS DE MADRUGADA E LOGO EM SEGUIDA VOLTO A PEGAR NO SONO. ISSO COMPROMETE MINHA SAÚDE? Se o sono for reparador, se dormir de novo logo e se houver poucos despertares, não há problema. Caso as respostas sejam negativas, o ideal é procurar um médico.


SONHOS COM A CONSCIÊNCIA DE QUE ESTAMOS SONHANDO SÃO COMUNS? É NORMAL ACORDAR E CONTINUAR O MESMO SONHO? Ter a consciência de que o sonho é um sonho e mudar seu enredo se chama sonho lúcido. Cerca de 20% das pessoas têm esse tipo de sonho naturalmente. Treinar para isso, porém, é muito difícil. TENHO PESADELOS TODOS OS DIAS. JÁ TENTEI DE TUDO PARA CORRIGIR. VOU COMEÇAR A USAR O CPAP [MÁSCARA PARA TRATAR APNEIA]. O QUE PODE SER? O pesadelo é considerado um distúrbio do sono e pode ter causa biológica (um problema de saúde, por exemplo) ou psicológica. Se a pessoa recebeu a recomendação de usar o CPAP, é provável que ela tenha apneia do sono, que pode causar sufocamento. Nesse caso, os sonhos podem estar incorporando o desconforto respiratório.

DEPOIS DOS 50 ANOS, PASSEI A TER PROBLEMAS DE SONO. PASSEI A TOMAR MELATONINA, QUE TEM SIDO EFICAZ. HÁ CONTRAINDICAÇÃO? Não há contraindicação para o uso da melatonina, mas é necessário ter indicação precisa. Ela pode funcionar melhor para distúrbios de ritmo de sono, idosos com baixa produção do hormônio, trabalhadores em turnos e jet lag, por exemplo. NÃO CONSIGO PEGAR NO SONO DE MANEIRA NATURAL. MESMO QUANDO ESTOU MUITO CANSADA E FAÇO A HIGIENE DO SONO NÃO APAGO. GOSTARIA DE ME LIVRAR DO REMÉDIO HIPNÓTICO QUE USO. A higiene do sono é importante, mas sozinha pode não ser efetiva. A terapia comportamental é o tratamento sem remédios mais importante. Dicas personalizadas também podem ajudar.

TENHO MAL DE PARKINSON, DURMO POUCO E TOMO RIVOTRIL. ISSO PODE ME PREJUDICAR? O Parkinson deve ser a causa da insônia, e tratá-lo pode aliviá-la. Já benzodiazepínicos podem alterar o sono e estão ligados ao mal de Alzheimer. A redução deve ser feita com ajuda profissional.

TENHO MUITOS SONHOS E ISSO TEM ME DEIXADO EXAUSTO E IRRITADIÇO, COMO SE NÃO TIVESSE DESCANSADO À NOITE. O sonho é uma atividade mental, mas, em alguns casos, ela pode ser mais intensa e causar o que se chama de sonho épico, que são sonhos cansativos. Não há nenhuma causa aparente. Se o problema for muito intenso a ponto de atrapalhar a produtividade durante o dia, talvez seja preciso consultar um médico do sono --terapia comportamental ou medicamentos podem ser necessários.

DORMIR DEMAIS PODE CAUSAR PROBLEMAS DE SAÚDE? A sonolência excessiva tem de ser vista do ponto de vista médico. É preciso avaliar se a pessoa tem apneia ou doenças como depressão ou hipersonia (excesso de sono).

POR QUE ÀS VEZES QUATRO HORAS DE SONO PODEM NOS FAZER DESCANSAR MAIS DO QUE UMA NOITE DE SONO DE DEZ HORAS? Uma noite bem dormida depende da quantidade de horas e da qualidade. Se a pessoa dormir poucas horas mas passar por todos os estágios do sono, vai acordar bem. A quantidade ideal varia, mas em geral é de 7h a 9h.

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SALVADOR SÁBADO 9/1/2016

q JARDINAGEM FOTOS MILA CORDEIRO / AG. A TARDE

Pequenos vazos de diferentes formatos e materiais, como cerâmica, barro, plástico ou alumínio, podem ser usados para plantar hortaliças Pequenos vasos de diferentes formatos e materiais, como cerâmica, barro, plástico ou alumínio, podem ser usados para plantar hortaliças na á

Cultive horta em PAISAGISMO Em um local arejado, um vaso ou até mesmo uma lata serve para plantar ervas, te um espaço pequeno

sálvia e cebolinha têm um ciclo maior ajuda na fertilização do solo”, diz já que não será necessário retirar todas Rosário. as folhas de uma só vez. Isso garante Latas, garrafas PET e até um maior tempo de produção”, afirma o sapateiro podem virar um espaço paisagista. para horta. Seja qual for o lugar, a A mesma lógica não vale para drenagem é parte dessa equação. e engana quem pensa que colher hortaliças plantas como o alface, que tem o A paisagista Guiomar Nabuco em casa é privilegio de quem tem uma resi- ciclo de 90 dias para brotar. A esco- esclarece que se a PET for a escolha dência com muito espaço. Basta um metro lha de qual planta irá compor sua o ideal é colocar a terra até metade quadrado para ter pequenas ervas brotando seja horta é fundamental, a partir disso da garrafa. Já para a drenagem, pernum grande vaso ou em uma lata de leite. é definido em qual vaso, ou espaço a furações sequenciais e brita são o seCARLA JESUS Mas antes da colheita será necessário encon- horta ficará. A dica para os iniciantes gredo para manter a horta saudável. Se trar engana quemideal, pensa o espaço queque forneça sol para que a é olhar a cor da terra, quanto mais “Regar a planta requer um cuicolher hortaliças em casa é priplanta tenha um bom crescimento. escura, mais compostos orgânicos há dado maior pois muita água pode vilegio de quem tem uma reO paisagista Marcos Malamut explica que a maior nela e isso assegura o crescimento e prejudicar e até trazer pragas, nesse sidência com muito espaço. parte das plantas precisa pelo menos quatro horas produção da planta, indica o paisa- caso o pulverizador pode ajudar. Basta um metro quadradodepadiárias de sol para viver. O ciclo de produção é outro gista Renilton Rosário. Essas terras e A solução para a drenagem são as ra ter pequenas ervas brotanessencial. Como ninguém quer plantar e co- adubos são facilmente encontrados britas que regulam o escoamento da do ponto seja num grande vaso ou IMOBILIÁRIO 3 emlher uma latasóde uma vez,leite. é preciso ter mais de um pote com em casas agrícolas. água”, esclarece a paisagista. Mas anteserva da para colheita seráo tempero no final do a mesma garantir “Usar minhocas na terra também Carla Jesus / Ag. ATarde. necessário encontrar o espaço dia. “Plantas aromáticas como alecrim, manjericão, ideal, que forneça sol para que Fotos Mila Cordeiro / Ag. A TARDE a planta tenha um bom cresCAMINHOS PARA FAZER UMA HORTA cimento. O paisagista Marcos Horta Suspensa Ideal para plantas verticais como tomate e pepino. A esMalamut explica que a maior trutura pode ser feita com tubos de ferro ou de PVC utilizados em alambrados parte das plantas precisa de Solo Se sua horta é no solo, coloque plantas pequenas, como alface, salvia e pelo menos quatro horas diárias de sol para viver. espinafre na frente para que elas também recebam o sol O ciclo de produção é outro Ciclos Como cada planta tem o ciclo diferente, é possível plantar outras ponto essencial. Como ninsementes que serão colhidas mais rapidamente, assim a terra será utilizada guém quer plantar e colher uma só vez, é preciso ter mais Vasos Não mova muito o vaso de lugar pois as plantas sempre se colocam de um ponte com a mesma da melhor forma para aproveitar a luz solar no espaço em que estão. Mudar a erva para garantir o tempero posição fará com que a planta mude de posição no final do dia. Sombra Há plantas que se desenvolve melhor com um pouco de sombra, por “Plantas aromáticas como isso estude quanto tempo ela ficará sob o sol e na sombra alecrim, manjericão, sálvia e cebolinha têm um ciclo maior que externa não será rehortaliças najáárea ounecessário interna da residência tirar todas as folhas de uma só | garante Vilas Magazine Setembro de 2017 vez.40Isso maior| tempo de produção”, afirma o paisar ervas, gista. temperos e verduras em casa A mesma lógica não vale para plantas como o alface, que

Cultive horta em um espaço S

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Fernando Vivas / Ag. A TARDE / 26.6.2013

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Horta suspensa, feita pela paisagista Marisol Barini

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q SAÚDE & BEM-ESTAR

Conheça quais exames são indicados para cada faixa etária É preciso fazer testes anualmente. Mais jovens se cuidam menos do que quem tem mais idade

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C

uidar da saúde é importante em qualquer idade. Mas exames específicos se fazem mais necessários a medida que envelhecemos. Mas a partir dos 60 anos, quando tem início a terceira

idade, é essencial realizar todos os testes com regularidade, e sempre com pedido médico em mãos. Nessa faixa etária, homens e mulheres devem fazer anualmente exames de hemograma, para detectar anemia, além de ureia e creatinina, para checar as funções renais. “Quanto antes os exames forem feitos, melhor para diagnosticar e curar uma eventual doença. Mas o sedentarismo,


diabetes e obesidade são fatores que têm feito com que alguns problemas de saúde aconteçam mais cedo”, explica João Vicente da Silveira, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo. “Os jovens, porém, são os que menos se cuidam. Alguns usam drogas ilícitas que machucam o coração. Por isso é fundamental fazer um check up anual em qualquer idade”, conclui o médico, que explica que as doenças do coração são as que mais matam no Brasil. Para Paulo Camiz, geriatra, clínico geral e professor do Hospital das Clínicas de São Paulo, é importante individualizar

os exames. “Há exames fundamentais quando se muda a faixa etária. Mas quem fuma, por exemplo, deve ter mais atenção constante”, afirma Camiz. A partir dos 70 anos, o médico lembra que é primordial ter atenção à osteoporose, mais comum nessa idade. “Ajuda a evitar quedas.” Entre os 50 e 70 anos, ele explica, são fundamentais exames de próstata, para os homens, e mamografia, para as mulheres. Camiz destaca, ainda, a importância dos exames ginecológicos e de doenças sexualmente transmissíveis para garotas, após a primeira relação sexual. “O papani-

colau é essencial a partir desse momento”. TESTE DO PEZINHO É ESSENCIAL Um dos mais importantes testes ao recém-nascido é o do pezinho. Obrigatório e gratuito, é feito em 48 horas após o nascimento da criança, onde o sangue do bebê também é colhido a partir de um furinho no calcanhar. “O objetivo é detectar doenças genéticas. Com a descoberta precoce, é possível tratar antes mesmo de os sintomas aparecerem”, alerta o cardiologista Anis Mitri, do Cecam. Tatiana Cavalcanti / Folhapress.

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q EMPRESAS & NEGÓCIOS

Nova legislação pode reduzir a sua conta de energia Gerson Sampaio

A

s contas de energia pesam fortemente sobre a economia das residências e empresas. Pagamos hoje até R$ 0,75 por kWh, a maior tarifa do planeta, quando a média mundial é de R$ 0,37/kWh. Além disso, há várias tarifas diferentes, as quais, seguramente, não somos informados. Logo, empresas, condomínios e residências, iguais e vizinhas, podem estar pagando tarifas e contas diferentes. Qualquer empresa comercial deve ter informações sobre seus preços disponíveis ao seu cliente, mas em energia, o cliente – no caso, nós – só toma conhecimento na hora de pagar a conta. A legislação determina que aumentos de tarifa devem ser anuais, no limite da inflação, e apoiados em audiências públicas, que servem para debater a importância e a viabilidade e ouvir os consumidores. Você, caro amigo, já foi informado ou convocado para qualquer dessas audiências? Duvido! Está na hora de mostrarmos nossa presença como cidadãos, em decisões que afetam o nosso bolso diretamente. Se o governo diz que há problemas no setor elétrico e para isso aumenta as tarifas, cabe a indagação: “Como vamos ajudar a resolver isto, se não somos consultados?”. Você sabe que a concessionária deve calibrar e aferir anualmente o medidor de energia, de condomínios, por exemplo? Seguramente não. Em resumo, a conta de energia de sua residência, empresa ou condomínio pode estar errada, com lançamentos e multas inadequados, o medidor de energia pode estar lendo consumo indevidamente, além de sua instalação poder conter fugas

e perdas de energia, sem você perceber. Algumas dicas para economizar: 1. Leia semanalmente o medidor de energia, anote o indicado no display e subtraia da medição anterior. Assim você terá o consumo no período, que deve ser comparado com a média que você vem mantendo, para evitar desperdícios e valores altos inesperados; 2. Caso apareça em sua conta cobrança com a informação Consumo Reativo, instale um capacitor pequeno (consulte uma loja especializada); 3. Implante metas de consumo diário e semanal. Controle o consumo com ideias criativas em economia; 4. Substitua equipamentos antigos por modelos mais eficientes, e lâmpadas pelo tipo LED; 5. Use energia solar térmica para obter água quente e fotovoltaica que gera eletricidade; A revisão das instalações elétricas é muito importante. Consulte um profissional especializado para verificar se existem fugas de energia em cabos e quadros de disjuntores. Empresas podem usar a termografia, que vem a ser a análise de imagem térmica para conferir o resultado. Refazer emendas e conexões garante que os pontos não gerem perdas elétricas. Nova lei recentemente votada poderá ajudar na economia de energia, pois permite a qualquer consumidor comprar energia com tarifas menores de outras concessionárias ou comercializadoras do mercado livre, e negociar tarifas menores, que variam conforme o horário do consumo de energia do imóvel. Aplicando essas medidas, você pode economizar até 25% dos custos de seu consumo de energia por mês, o que representa, além de expressivo ganho financeiro, valiosos benefícios ao meio ambiente.

Gerson Sampaio é engenheiro eletrotécnico e físico, com mestrados e cursos de extensão nos Estados Unidos e França. Participante ativo do Setor de Energia Brasileiro e internacional desde 1982.

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Empresa baiana chega ao mercado de cosméticos com meta de investimento de R$ 2 milhões

D

e acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), o mercado de cosméticos do estado cresceu 70% nos últimos dez anos e a expectativa é fechar 2017 com mais 4% de crescimento. Dentro desses índices está a Singú Labs, projeto ambicioso e bem fundamentado, que investirá dois milhões de reais, nos próximos dois anos, em produção de matéria prima e também em tecnologia. Os primeiros passos da empresa se concentram na Bahia, com fortalecimento direto da economia de Salvador e Região Metropolitana. Entretanto, os planos de expansão colocam a empresa em todo território nacional num prazo de cinco anos. Isso é possível através do modelo multicanal da marca, com vendas diretas através das consultoras, pla­ taformas online de pedidos e atendimento, E-commerce e prazo de entrega diferenciado, em até 48 horas. “Inicialmente queremos fazer um piloto em Salvador e Região Metropolitana, porém temos ambições de levar a Singú Labs para todo o Brasil


Raymundo Dantas Escritor e palestrante, especializado em Marketing no Varejo, com Mestrado na Espanha. E-mail: raymundo_dantas@uol.com.br

Q Focada no empreendedorismo feminino a Singú Labs, sediada em Lauro de Freitas, pretende fechar 2017 com mais de mil revendedoras em Salvador e Região Metropolitana nos próximos cinco anos, fortalecendo o nome da Bahia como empresa produtora de produtos de qualidade e também na criação de modelos de negócios inovadores”, ressalta Bruno Brandão, gerente de novos negócios da Singú Labs. Com sede em Lauro de Freitas, a produção começou com toda força em junho deste ano e já estão à disposição do mercado 56 produtos para cuidados corporais e faciais, fabricados com inovação, sustentabilidade e responsabilidade socioambiental. O processo de formulação é pautado na nanotecnologia e todos os seus produtos são Paraben-free, Petrolatum-free e Etoxilado-Free. A meta é alcançar a marca de 100 produtos nos próximos meses. O investimento da empresa também está direcionado para as pessoas, sobretudo na força empreendedora das mulheres, transformando-as em verdadeiras consultoras de beleza. Através de cursos de capacitação e comissões diferenciadas, a proposta é fechar 2017 gerando renda direta para mil novas revendedoras.

O negócio é mulher

uem é melhor: o homem ou a mulher? Essa perguntinha de programa de TV revela hoje uma certa rivalidade, que a ascensão da mulher e os movimentos feministas fizeram nascer, a partir dos anos 70. Antes disso, não havia a menor dúvida: todos, inclusive as mulheres, pensavam que o homem era superior em tudo. Passados já quase 50 anos, é preciso reconhecer: a mulher venceu! Ela é melhor sob qualquer aspecto! Você acha que não? Acha que só em alguns pontos? Então veja isto: 59% dos professores universitários são mulheres; 50% dos passageiros que viajam a negócios, também. Pesquisas realizadas pela Lawrence Pfaff & Associates, com subordinados de 941 executivos, dão conta de que as mulheres foram consideradas melhores gerentes em 15 dos 20 critérios utilizados. Os dados são dos EUA, mas pode crer que por aqui a coisa é parecida! E que tal avaliar suas vendas do Dia dos Pais? Conseguiu repetir o volume do mês de maio, com o Dia das Mães? Nunca. Nunca chegou perto! Até no amor dos filhos elas ganham disparadas! Agora o que é incrível: as mulheres decidem 80% de todas as vendas de automóveis, 95% das vendas de moradias e 60% das vendas de lojas do setor de “faça-você-mesmo”. E não é diferente em assistência médica, turismo, serviços financeiros, educação, lazer, esportes, produtos para informática, escritório, etc. E no varejo, hein? Quanto elas decidem? Posso afirmar que, em pesquisa encomendada por mim mesmo, para uma grande rede de supermercados na Bahia, constatou-se que 73% dos que passavam nos caixas eram mulheres. No que diz respeito ao comércio eletrônico, uma pesquisa da “Pew Internet and American Life Project” revelou que 58% das compras “on line” nos EUA é realizada por mulheres. E tem mais: as mulheres não compram como os homens, que querem acabar a transação rapidamente. Elas buscam criar relacionamento com a loja, com os vendedores, fazem da compra uma experiência pessoal. Por isso são mais capazes de fidelizar essa relação. Podem ser encantadas como clientes, e então se tornam compradoras cativas e multiplicadoras. Que estamos esperando então? Qualquer negócio precisa encantar as mulheres! Será que estamos fazendo isso? Nossas lojas são suficientemente femininas? Seria importante direcionar todo o nosso negócio para essa clientela prevalente. Desde as compras, por exemplo. Nosso mix de produtos precisa privilegiar o gosto e as necessidades femininas, para aumentar sua satisfação, seu volume de compras e sua fidelização. Os serviços também devem ser direcionados. Precisamos de mais mulheres no atendimento. Quantas mulheres temos em gerência e chefias de loja? Poucas, mas em geral, boas. Por que não fazemos crescer esse quadro? O melhor pescador é aquele que raciocina como peixe! E quanto ao aspecto geral da loja, sua decoração, sua publicidade – são planejados para seduzir o público feminino? Deviam ser, precisam ser! Tudo precisa ser repensado nessa direção. É toda uma cultura nova a ser assimilada, os novos tempos em que a mulher é a grande cliente. Acredite nisso, saia na frente, ouse feminilizar sua loja. Os resultados certamente lhe surpreenderão. Tom Peters, um dos papas do Marketing é taxativo nessa questão: “Hoje, as mulheres são a oportunidade de negócio número 1 em qualquer ramo “. Mas não vai ser um gringo, mesmo genial, quem vai ensinar Pai-Nosso ao vigário. Afinal os brasileiros sempre souberam que o melhor negócio do mundo é mulher. (E sob qualquer ponto de vista!). Setembro de 2017 | Vilas Magazine | 45


Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, ambientalista, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br

M

ais uma vez escrevo sobre o ser humano. Desta, tentarei abordar um assunto que representa um mal existente em sua alma: a inveja. Segundo o dicionário da língua portuguesa, “inveja é o desejo de possuir os bens dos outros ou cobiçar a prosperidade alheia”. Ora, por que o humano perde seu tempo para cobiçar os valores de outrem, quando deveria se capacitar para criar a oportunidade de ter as qualidades daqueles que ele inveja? Sem dúvidas, essa situação é lamentável. Napoleão Bonaparte (15/8/1769 – 5/5/1821), imperador francês, ditador e comandante do exército dizia: “a inveja é um atestado de inferioridade”. Concordo com essa opinião. O invejoso é um ser inferior, que não tendo força, maturidade e conhecimentos para evoluir, preocupa-se com as qualidades dos outros, tornando seu espírito mesquinho. Pior é quando esse sentimento se transforma em ciúme, gerando a angústia e raiva por pessoas que nunca lhe fizeram mal, mas, tão somente, por possuírem qualidades superiores às suas. Não se deve confundir inveja com admiração. A primeira é maligna; e a segunda pode se transformar na porta aberta para a evolução. De acordo com a Igreja Católica, a inveja se constitui nos sete pecados capitais. Porém, essa emulação poderá evoluir e transformar o ser humano em um monstro traiçoeiro e vingativo, capaz de promover a maldade para aqueles que brilham. Querer ter o que outras pessoas

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A inveja

possuem, sem o esforço, dedicação e muito trabalho é se transformar em uma “erva daninha”, que suga as árvores frondosas, até sua morte. Também, pode se converter em pessoas enganadoras, que se aproveitam, muitas vezes, da inocência e falta de maldade dos outros, provocando-lhes a desgraça em suas vivências. Os seres humanos invejosos sempre serão escravos de sua crueldade, pois a inveja não estabelece limites. Assim, viverão sem a alegria normal, com a alma dolorida, pois suas vidas serão amargas, pelos males diversos que lhes atacam. Por outro lado, as pessoas que têm seus atributos materiais, intelectuais e espirituais elevados deverão se precaver ante a maldade dos outros, pois sua felicidade pelo sucesso, bem como os elogios que lhes são expostos, podem se transformar em vitrine para a inveja. Muitas vezes, a cobiça pelas realizações ou conquistas alheias enchem os olhos daqueles que têm complexo de inferioridade e lhes geram a “dor de cotovelo”. Em outras situações, esse “mau

olhado” é espontâneo, levando essas pessoas, inconscientemente, a se ressentirem com os bens dos outros. Também é o caso do olhar “seca planta”, que nada mais é que a inveja, voltada para os que possuem suas floras bonitas. Nesse caso, para aqueles que acreditam, adquirem amuletos ou talismãs para desfazer essa inveja. Existem os seres mais maldosos, cuja inveja é desejar que o semelhante não possua bens, conquistas e prosperidade. Essas pessoas são consideradas más, tolas, ignorantes e desconhecem o crescimento espiritual. Porém, a situação mais grave da inveja se caracteriza pela a amizade falsa e dissimulada. Sem dúvidas, os seres humanos que agem assim trazem muitas consequências desagradáveis para aqueles que eles se faziam de amigos. É um inimigo não declarado. Geralmente, tornam-se desacreditados, indesejados e maléficos para a sociedade. Em alguns casos, as críticas destrutivas podem ser consideradas como inveja, principalmente aquelas que não atingem ao objetivo especificado. De modo geral, o ser humano não procura identificar as necessidades dos outros, oferecendo-lhes condições para evoluírem. Mas, ao reconhecer suas qualidades e bons propósitos, ou tentam sugar-lhes, ou buscam depreciá-los. Segundo Fernando Pessoa, poeta, escritor, astrólogo e crítico português (13/6/1888 – 30/11/1935) “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”. Assim, a vida não é o que imaginamos, mas o que construímos. Por que ter inveja do sucesso dos outros?

Vilas Magazine | Ed 224 | Setembro de 2017 | 32 mil exemplares  

Vilas Magazine | Ed 224 | Setembro de 2017 | 32 mil exemplares

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