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ESPECIAL

MAGAZINE PARA PROFISSIONAIS Nº 372 - 2ª série - Preço 2,00 €

FRANCISCO CALHEIROS

PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO DO TURISMO PORTUGUÊS

"O Turismo tem capacidade para gerir desafios do futuro" MARTA GUERREIRO

SECRETÁRIA REGIONAL DA ENERGIA, AMBIENTE E TURISMO DOS AÇORES

"Permanente investimento na promoção do destino " PAULA CABAÇO

SECRETÁRIA REGIONAL DE TURISMO E CULTURA DA MADEIRA

"Alemanha, Inglaterra e Portugal no top 3 dos mercados"

O MELHOR DO TURISMO NA

BTL'19

MACAU DESTINO INTERNACIONAL CONVIDADO

Um mundo de soluções de mobilidade para o ajudar a servir melhor os seus clientes

europcar.pt

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AVIAÇÃO COMERCIAL E TURISMO MARÇO 2019


VIAJAR 2019 / MARÇO

Em Foco

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Macau, Seixal e Lisboa em grande destaque na 31ª edição da BTL

A

BOLSA DE TURISMO DE LISBOA – BTL deste ano apresenta diversas novidades. A primeira passa por uma nova imagem corporativa, interativa e capaz de mudar consoante o tema e destino em causa. Outra das grandes apostas desta 31ª edição é a BTL Cultural, um espaço que, tal como o nome indica, é dedicado à cultura e à divulgação dos agentes culturais enquanto promotores do setor turístico. Esta área da BTL está localizada no pavilhão 2 e irá permitir uma experiência imersiva ao panorama e agentes culturais do nosso país. Desenvolvida em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, uma das instituições mais importantes da cultura em Portugal, a BTL posiciona-se este ano  como uma feira mais abrangente, alargando setores e propostas para os diferentes tipos de público.  A BTL Cultural apresenta-se como um espaço de discussão e reflexão sobre o setor com foco no posicionamento destes agentes face aos desafios do turismo nacional. Esta nova área da maior feira de turismo em Portugal terá programação B2B nos dias dos profissionais e uma programação específica para o público no fim-de-semana.  A participação na BTL Cultural será feita através de convites diretos a cada organização ou agente cultural, que vão poder reservar antecipadamente um módulo que inclui também a divulgação através de imagens. Os módulos estarão dispostos em círculo, em torno de um espaço que permitirá apresentações de iniciativas, pequenos espetáculos e integrará ainda uma zona lounge.  E como já vem sendo habitual a BTL tem um novo destino internacional, município português e cidade como convidados. São eles Macau, Seixal e Lisboa, respetivamente. Segundo a diretora de Feiras da FIL, Fátima Vila Maior, o Seixal é um município a sul de Lisboa “com muito para oferecer”, afirmando que este “nos vai surpreender”, tal como aconteceu com Viseu e Pampilhosa da Serra, destinos convidados respetivamente em 2017 e 2018. A região de Lisboa estará igualmente em evidência. Lisboa e a extensa região que envolve

DIRETOR Francisco Duarte CHEFE DE REDAÇÃO Sílvia Guimarães EDITOR Silva & Rocha Editores, Lda DIREÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICIDADE Rua Jaime Batalha Reis, nº 1C- r/c C 1500-679 Lisboa Telfs.: 21 7543190 • e-mail: viajar@silroc.pt

a capital portuguesa – 18 concelhos que se estendem numa área de 100 Km2 – irão estar representadas no pavilhão 1 enquanto Destino Nacional. O espaço irá apostar forte na presença das caraterísticas diferenciadoras da região e das suas potencialidades turísticas que passam pela história, gastronomia, arte, património, enoturismo ou desporto, garantido várias atividades para o público. Outra das vertentes a destacar é a crescente capacidade de Lisboa em captar grandes eventos, afirmando a capital e a região como um dos locais de maior crescimento no segmento MICE. A diretora Executiva da Associação de Turismo de Lisboa, Paula Oliveira, afirma que “a presença na Bolsa de Turismo de Lisboa, assegurada conjuntamente pela ATL e pela Entidade Regional de Turismo de Lisboa, é muito importante. A BTL é a maior montra de promoção turística a nível nacional e Lisboa, depois das várias distinções internacionais enquanto destino turístico, deve continuar a demonstrar aos vários tipos de público o que faz desta região um destino turístico de excelência e a não perder.” Para Fátima Vila Maior “é sem dúvida um orgulho ter Lisboa como Destino Nacional Convidado, que em 2017 registou mais de 14 milhões de dormidas e 6 milhões de hóspedes. A capital apresentou um crescimento médio de turistas de 10,6% entre 2009 e 2017, sendo a região do país com mais crescimento em termos globais. A acrescentar aos números, o reconhecimento internacional, designadamente através de prémios como os World Travel Awards, torna Lisboa um fantástico cartão de visita para a BTL e uma excelente oportunidade para (re)descobrir este destino único no mundo.” Lisboa, junta-se assim ao Centro de Portugal, à Madeira e ao Algarve, destinos nacionais convidados em 2018, 2017 e 2016 respetivamente. Anunciado durante o Congresso da APAVT, em novembro último, em Ponta Delgada, foi o destino internacional convidado. E uma vez mais será Macau após já ter recebido a distinção em 2009. A edição de 2019 da BTL ocupa pela primeira vez, em sete anos, os quatro pavilhões do recinto feiral da FIL, em Lisboa.

FOTOGRAFIA Arquivo, Fotolia

IMPRESSÃO Jorge Fernandes Lda

PUBLICIDADE Carlos Ramos Telfs.: 21 7543190 e-mail: carlos.ramos@silroc.pt

TIRAGEM: 7 000 exemplares DEPÓSITO LEGAL: 10 534/85 REGISTO NO ICS: 108098 de 08/07/81 PROPRIETÁRIA: Ana de Sousa Nº Contribuinte: 214655148


Opinião

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VIAJAR 2019 / MARÇO

Abrandamento? Ou nova oportunidade?

É Pedro Machado n Presidente

do Turismo Centro de Portugal

O Centro de Portugal não só tem futuro, como tem um bom futuro! E, estou plenamente convicto, que contribuirá ativamente para que Portugal também!

UMA VERDADE INSOFISMÁVEL QUE NINGUÉM TEM A CAPACIDADE DE ANTECIPAR O FUTURO com total exatidão. Mas traçar cenários plausíveis, com base em indicadores concretos, é um exercício estimulante. São esses cenários e esses indicadores que nos permitem afirmar que a região Centro de Portugal tem todas as condições para encarar com otimismo os dias de amanhã. Do ponto de vista do Turismo, os resultados dos últimos anos não poderiam ser mais favoráveis. De ano para ano, o crescimento da procura do Centro de Portugal tem sido verdadeiramente notável. E, apesar de ser previsível algum arrefecimento, tudo leva a crer que o potencial da região está ainda longe de ficar preenchido. E não vou falar em “números” e “estatísticas”, pois esses, todos os conhecem. Falo-vos, portanto, de convicções. Nos 100 municípios que o Centro de Portugal, multiplicam-se as ofertas de produtos e experiências turísticas, fazendo da diversidade e da diferenciação qualificativos que definem na perfeição aquilo que espera quem procura esta região para férias ou fins-de-semana. O Centro de Portugal tem ativos invejáveis. A sua gastronomia e os seus vinhos, o seu património natural, histórico e cultural, as suas aldeias, a sua costa atlântica e os seus rios, as suas rotas pedestres e cicláveis, as suas termas e spas, são produtos que estão em convergência com as tendências demográficas internacionais, seja do ponto de vista do envelhecimento, seja do bem-estar. Queremos posicionar-nos, e estamos a estruturar o produto nesse sentido, para sermos um destino primordial para o envelhecimento saudável, ideal para a golden age, um segmento de importância crescente. Mas queremos ser – e somos já! – uma referência para famílias jovens, que procuram experiências ligadas ao turismo ativo e de descoberta. Acresce a crescente capacidade destes territórios para atrair grandes eventos de natureza cultural e desportiva, aspeto em que a região reúne condições ímpares para poder continuar a competir com destinos clássicos, tanto em Portugal como

em outras paragens. O Rally de Portugal, a Maratona da Europa ou o Campeonato do Mundo de Trail são exemplos emblemáticos de eventos que se estreiam, ou regressam, este ano à região, fruto da capacidade mobilizadora das entidades públicas e dos empresários. Mais do que ninguém, as entidades públicas e os empresários da área do turismo sabem que o futuro se conquista com redes corporativas e colocando na agenda temas como a sustentabilidade e as preocupações de natureza ambiental. Salvaguardar e preservar o que a região tem de único é fulcral, como também o é fixar e captar novos investimentos e novos empreendedores, que tragam desenvolvimento sustentado e que defendam a pegada ecológica. Estamos num espaço territorial que tem centros de excelência na produção de conhecimento e inovação, estruturas que vão permitir gerar novos modelos de negócios e a partir daí atrair novos agentes. É por tudo isto que consideramos que a região Centro de Portugal apresenta condições extraordinárias para ser o luxo do século XXI. Um “luxo” que concilia o desenvolvimento sustentado com ativos de valor inestimável como o tempo, o silêncio e a segurança. Quem não gosta de usufruir de tempo de qualidade, de visitar, em silêncio e sem pressa, obrasprimas da Natureza e do Homem, longe do stresse e das preocupações de segurança? É isto que o Centro de Portugal oferece. É isto que é a garantia de um futuro promissor. E é a este nível que o Centro de Portugal poderá apresentar-se como um dos principais ativos impulsionadores da continuidade do crescimento de Portugal. O “tal abrandamento”, considerado por muitos como sendo o “fim do ciclo” do crescimento do setor turístico nacional, poderá representar - se bem aproveitado - o momento certo para “parar”, “refletir”, “melhorar”, “afinar estratégias” e apostar, por exemplo, na estruturação e promoção de destinos internos menos massificados, como é caso do Centro de Portugal. O Centro de Portugal não só tem futuro, como tem um bom futuro! E, estou plenamente convicto, que contribuirá ativamente para que Portugal também!


Opinião

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Nós, os clientes, desejamos… Miguel Quintas n Diretor

Geral Parcela Já

Para ser competitivo e interessante para o cliente atual, o investimento necessário em tecnologia e demais recursos é enorme, em particular considerando a dimensão de qualquer negócio em Portugal.

P

OR RAZÕES PROFISSIONAIS VIAJO COM FREQUÊNCIA. E também por razões profissionais, leio o que dizem os meus colegas de setor nos meios de comunicação nacionais e internacionais e muitas vezes nas suas próprias páginas pessoais. Leio e ouço, também. São diretores de hotelaria, aviação, agências de viagens, operadores, recetivos, eventos, etc. Respeito-os, naturalmente, a todos e todos nos dizem que o mundo está a mudar. Que o negócio agora é diferente. Na verdade, quando pergunto como está o negócio a mudar e porquê, a resposta surge invariavelmente com: “o cliente está mais informado”. É um facto que o cliente está mais informado. Está mais informado em 2019 que em 2018, que em 2017, que em todos os anos anteriores. Na verdade, a quantidade de informação que se vai produzir em 2019 será maior que a soma da mesma em todos os anos anteriores. Portanto, sim, o cliente está mais informado, ou pelo menos tem acesso a cada vez mais informação. Considero que a questão da informação é um assunto acabado. Já se sabe. O que penso que nunca foi um assunto acabado é saber o que o cliente quer. Quem sabe o que o cliente quer pode decidir se deseja oferecer (ou vender) aquilo que ele necessita. E este é sempre o ponto seguinte da minha conversa com os meus colegas. Na verdade, gosto de desafiar as pessoas a que me digam o que sabem sobre os seus clientes. Não é arrogância nem pretensiosismo, acreditem. É apenas porque eu preciso de aprender. Qualquer livro de gestão diz-nos que nos devemos colocar “nos sapatos” do cliente. Conhece-lo. Na verdade, procuro-o fazer com regularidade utilizando as minhas viagens, por exemplo. Em vez de comprar na minha empresa os hotéis, voos, alu-

guer de carro ou mesmo um pacote… procuro transformar-me num viajante atual. Dizem os estudos que o viajante atual consulta webs como a Tripadvisor, Booking, Skyscanner, etc., em 89% dos casos. Eu faço o mesmo. Que 41% procura e reserva no dispositivo móvel. Eu faço o mesmo. Que 68% cede os seus dados biométricos para melhorar a experiência de viagem. Eu também. No final de cada experiência eu sinto-me cada vez mais perto do viajante atual e infelizmente nalguns casos, mais longe do que a minha empresa lhe oferece. Para ser competitivo e interessante para o cliente atual, o investimento necessário em tecnologia e demais recursos é enorme, em particular considerando a dimensão de qualquer negócio em Portugal. Acompanhar os “grandes” internacionais é uma tarefa hercúlea e nalguns casos impossível, o que obriga o empresário português a caminhar em outras estradas e novas formas de fazer negócio. E estamos preparados? Sim e não. - Sim, porque entre outras coisas e regra geral, o Português tem uma capacidade de adaptação e resposta muito rápida fruto de uma sociedade que nos ensina há séculos a “desenrascar”, mas não a planear. Somos ótimos nisso. - Não… pelas mesmas razões. Tivemos um aeroporto em discussão durante anos a fio. Temos um número elevado de agências de viagens Vs PIB per capita; demasiados hotéis a abrir (em particular nas grandes cidades); um mercado de incoming à beira de uma possível recessão; charters programados e cancelados; uma companhia de aviação em permanente dificuldades financeiras e outra com dificuldades recorrentes de se adaptar ao mercado… isto para nomear aquelas mais visíveis no nosso mercado. Será que estamos de facto a olhar para o cliente?


Agora a Europcar está disponível na China.


Grande entrevista

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FRANCISCO CALHEIROS, PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO DO TURISMO PORTUGUÊS

“O Turismo tem capacidade de inovação, massa crítica e ferramentas para gerir os desafios do futuro” FRANCISCO CALHEIROS APONTA O AEROPORTO COMPLEMENTAR DE LISBOA E O BREXIT COMO OS ASSUNTOS DO MOMENTO DO TURISMO EM PORTUGAL. APESAR DE AFIRMAR QUE ESTE GRANDE INCREMENTO TURÍSTICO ESTÁ EM “FIM DE CICLO”, ACREDITA QUE “INVESTIR NUMA OFERTA DE QUALIDADE, QUE NOS DIFERENCIE DOS OUTROS DESTINOS E QUE CRIE MOTIVAÇÃO PARA A PROCURA”, SERÁ A SOLUÇÃO PARA O FUTURO. Por Sílvia Guimarães

VIAJAR - No decorrer do último Congresso da APAVT, em novembro passado, concordando desta forma com o presidente daquela associação, Pedro Costa Ferreira, afirmou que o Turismo está “em fim de ciclo”. Considera que este «boom» turístico em Portugal tem os dias contados? O que o leva a pensar desta forma? FRANCISCO CALHEIROS - Iniciámos, em 2013, um ciclo de crescimento no Turismo com 43 milhões de dormidas e 15 milhões de hóspedes. As previsões da CTP apontam para um fecho de 2018 com cerca de 57 milhões de dormidas e 21 milhões de hóspedes. Ou seja, falamos de aumentos na ordem dos 32,5% e 40%, em dormidas e hóspedes, em apenas cinco anos. É um ritmo de crescimento vertiginoso, mas impossível de manter durante muitos anos. A nossa preocupação deve ser a de crescer de forma sustentada e equilibrada, com uma oferta diferenciadora, de qualidade, com bons produtos e serviços, captar novos mercados, criar condições para que os nossos empresários continuem a investir, qualificar e formar os nossos recursos, resolver definitivamente a questão do aeroporto e, claro, estar especialmente atento ao impacto do Brexit no Turismo. Estes são os nossos objetivos enquanto atividade económica essencial ao crescimento socioeconómico do país e à criação de riqueza e de postos de trabalho.

“O Turismo tem capacidade de inovação, massa crítica e ferramentas para gerir os desafios do futuro. A solução não passa por baixar os preços, que continuam abaixo da média dos principais destinos europeus, mas sim continuar a investir numa oferta de qualidade, que nos diferencie dos outros destinos e que crie motivação para a procura.”


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V - Que medidas pensa que o governo (tendo em conta que a SET afirma e reafirma que não está nada preocupada) e os empresários têm que tomar para tentarem amenizar as consequências deste possível final de ciclo? Baixar os preços poderá ser o futuro? FC - Os empresários do Turismo têm demonstrado uma enorme capacidade de reagir à adversidade e às conjunturas económicas. É preciso não esquecer que foi o Turismo a primeira atividade a recuperar da grave crise económica e financeira que vivemos até 2014, tendo crescido a um ritmo muito superior ao das restantes atividades, criando mais emprego e volume de negócios. Foi o Turismo que permitiu a retoma económica do nosso país e devemos isso a todos os empresários que nunca desistiram de investir e apostar na atividade. O Turismo tem capacidade de inovação, massa crítica e ferramentas para gerir os desafios do futuro. A solução não passa por baixar os preços, que continuam abaixo da média dos principais destinos europeus, mas sim continuar a investir numa oferta de qualidade, que nos diferencie dos outros destinos e que crie motivação para a procura. E esse é um trabalho que já está a ser feito, mas para o qual também precisamos que o Governo se envolva mais, através de mais verbas para a promoção e para a formação, com uma legislação laboral adequada, menos custos de contexto, um novo aeroporto em Lisboa, um serviço mais eficiente do SEF, etc. V - E a CTP que tenciona fazer neste sentido? FC - O que já estamos a fazer, desde o primeiro dia do nosso primeiro mandato. Trabalhar em estreita colaboração com a Secretaria de Estado do Turismo e todos os ministérios envolvidos nos temas mencionados, no sentido de encontrar as melhores soluções para os pontos mais críticos, nomeadamente, o aeroporto e o Brexit.

Estamos em permanente diálogo com os nossos associados para identificar as suas necessidades, que levamos e debatemos na Comissão Permanente da Concertação Social, junto do Presidente da República, da Comissão Europeia, etc.

AEROPORTO DE LISBOA V - Tem vindo a demonstrar em quase todos os seus discursos públicos que uma das grandes preocupações da CTP é o contínuo adiamento do aeroporto complementar de Lisboa. Pensa que vai ser desta que vão começar com a construção? E se for, já vem tarde demais para tentar evitar este “fim de ciclo”? FC - Claro que a decisão veio tarde, como já o disse inúmeras vezes. O atual aeroporto já está a perder 1,8 milhões de passageiros por ano por falta de capacidade! Na melhor das hipóteses, não iremos ter novo aeroporto antes de 2022 e é óbvio que até lá vamos continuar a perder turistas potenciais. Há poucas semanas, foi dado um passo muito importante neste processo, que foi a assinatura do acordo de financiamento do novo aeroporto do Montijo e das alterações na atual infraestrutura do Humberto Delgado. Mas ainda falta o estudo de impacte ambiental e ainda falta organizar a saída do dispositivo da Força Aérea para deslocalizá-las para outras unidades do país, um processo que é longo e complexo. Não vejo que seja possível cumprir os prazos apresentados pelo Governo e isso continua a deixar-nos muito preocupados.

V - A CTP tem sido a grande impulsionadora em Portugal das comemorações do Dia Mundial do Turismo, que se celebra a 27 de setembro. Considera que a cimeira por vós realizada, que teve já a sua quarta edição, é uma forma de afirmação da importância do Turismo como um dos setores mais importantes da economia portuguesa? FC - Sem dúvida que a Cimeira do Turismo Português, que realizamos de dois em dois anos, intercalada pela realização do evento “Dia Mundial do Turismo” que também promovemos, é um evento de referência, que reúne conceituados oradores nacionais e internacionais e que apela à reflexão e ao debate construtivo sobre uma das atividades mais relevantes para o crescimento da economia em Portugal. A última edição teve como tema ‘O Turismo primeiro. Sucessos do presente. Desafios de amanhã’, contou

com mais de 400 participantes e debateu temas verdadeiramente estratégicos para atividade como o aeroporto de Lisboa, a gestão de destinos, a afirmação do turismo no espaço europeu e a perceção mediática do nosso país.

AEROPORTO E BREXIT NA ORDEM DO DIA V - Quais pensa terem sido os grandes temas do Turismo em 2018 e quais as suas principais preocupações e desejos para 2019? FC - O ano de 2018 ficou marcado pelos temas do aeroporto em Lisboa e do Brexit, que, infelizmente, irão continuar na agenda em 2019. São hoje, de resto, as nossas principais preocupações pelo enorme impacto que têm na atividade turística. O que desejo é que o primeiro se resolva definitivamente e que o segundo possa ser minimizado nos seus danos. Em paralelo, iremos continuar a levar à discussão outros dossiers estratégicos para nós como é o caso das verbas manifestamente insuficientes para a promoção, uma legislação laboral que não tem em conta as especificidades da atividade turística, os elevados custos de contexto que nos retiram competitividade face à concorrência, os problemas do SEF, as taxas do IVA no golfe e no MICE, etc.


Grande entrevista

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dores para esta atividade, que gera uma diversidade enorme de funções, que vão de chefes de cozinha a empregados de quarto, recepcionistas, técnico de viagens, cadies, animadores, etc. É essencial captar e reter talento através da formação e qualificação e da oferta de boas condições de trabalho.

“O ano de 2018 ficou marcado pelos temas do aeroporto em Lisboa e do Brexit, que, infelizmente, irão continuar na agenda em 2019. São hoje, de resto, as nossas principais preocupações pelo enorme impacto que têm na atividade turística. O que desejo é que o primeiro se resolva definitivamente e que o segundo possa ser minimizado nos seus danos.” V - O Brexit está na ordem do dia e os turistas britânicos estão a decrescer de dia para dia, sobretudo no Algarve. Para além deste há outros mercados que o preocupem? FC - O mercado britânico é a nossa grande preocupação, porque é um mercado tradicionalmente forte sobretudo no Algarve e na Madeira. As dormidas de turistas britânicos em 2016 cresceram cerca de 10% em Portugal. Em 2017, não houve crescimento e os últimos dados disponíveis, de novembro, mostram decréscimos na ordem dos 9%. São números preocupantes, que devemos inverter com mais promoção (sobretudo nos segmentos de golfe e MICE) e mais rotas aéreas diretas de destinos ingleses.

V - A nível da concertação social, tem sido fácil chegar a bom porto nos diversos temas que a CTP tem dado maior relevância? FC - A CTP tem assento, como Parceiro Social, na Comissão Permanente da Concertação Social, desde maio de 2003, sede onde

Os restantes mercados como a Alemanha, França e Espanha estão consolidados e continuamos a trabalhar nos mesmos, através da qualidade e da diversidade da oferta, que é o que nos distingue. De realçar o crescimento dos mercados dos EUA e China, que têm revelado números muito interessantes e que são para reforçar.

FALTA DE MÃO DE OBRA V - A existência de recursos humanos qualificados no Turismo tem sido o “calcanhar de Aquiles” do setor desde sempre. Há falta de bons cursos? Faltam pessoas interessadas? Ou as pessoas estão simplesmente desmotivadas pelos salários que lhes são pagos? Qual é a solução? FC - Neste momento, o nosso maior problema é mais a falta de mão de obra. Nos últimos anos, o Turismo criou anualmente entre 40 a 50 mil novos postos de trabalho e o número de alunos que saem das escolas não chega aos 10 mil. Há muitas empresas que têm inúmeras dificuldades em encontrar pessoas interessadas em trabalhar nesta actividade, que é exigente e que assenta em horários pouco convencionais, trabalho ao fim de semana e feriados, etc. O Turismo tem de saber cativar e motivar os trabalha-

apresenta e discute as suas propostas para o desenvolvimento, modernização e aumento da competitividade do Turismo e para a formação de políticas e medidas favoráveis ao desenvolvimento da atividade turística, em particular, e da economia nacional e europeia, em geral. É um trabalho complexo, que por vezes envolve negociações difíceis e cedências das partes envolvidas. Nem sempre conseguimos atingir os nossos objetivos, mas jamais desistiremos de representar com toda a firmeza os interesses da nossa actividade. V - Como vê o futuro do turismo em Portugal? FC - O Turismo tem tido um papel decisivo para o crescimento da economia nacional e vai continuar a tê-lo. Este é um dos nossos grandes orgulhos: saber que o nosso trabalho está a contribuir para um país melhor e mais desenvolvido, para a criação de riqueza e de emprego e para a afirmação da nossa identidade no mundo. Mas este orgulho é também uma grande responsabilidade. A responsabilidade de fazer mais e melhor, de enfrentar os desafios com boas propostas de valor e de estar sempre ao lado dos empresários na defesa de um Turismo forte e sustentável.


Regiões

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VIAJAR 2019 / MARÇO

MARTA GUERREIRO,

secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo dos Açores

“Deveremos encarar os novos desafios com um permanente investimento ao nível da promoção do destino” A LIBERALIZAÇÃO DO ESPAÇO AÉREO NOS AÇORES, A DIFÍCIL SITUAÇÃO QUE A SATA ATRAVESSA, A IMPORTÂNCIA DO TURISMO PARA A ECONOMIA DOS AÇORES E O FACTO DE 2018 TER SIDO O MELHOR ANO DE SEMPRE PARA O SETOR NAQUELE ARQUIPÉLAGO, FORAM APENAS ALGUNS DOS ASSUNTOS QUE ESTIVERAM EM DESTAQUE NESTA ENTREVISTA COM A RESPONSÁVEL REGIONAL PELA PASTA DO TURISMO NOS AÇORES. Por Sílvia Guimarães

VIAJAR - Com a liberalização do espaço aéreo, há já quase quatro anos, os Açores conheceram um grande desenvolvimento turístico. Como vê o turismo no arquipélago antes e depois deste importante marco para o seu desenvolvimento? MARTA GUERREIRO - A liberalização de algumas rotas entre o Continente Português e os Açores, concretizada em 2015, motivou, de facto, um importante impulso na oferta de lugares aéreos, maior flexibilidade e diversificação de preços e serviços, permitindo, em paralelo, um aumento da notoriedade do destino Açores a nível europeu. Existem, contudo, outros fenómenos que contribuíram também de forma vincada para os importantes crescimentos turísticos verificados nos Açores desde então, como é o caso do reforço da oferta de lugares pela Azores Airlines para a América do Norte, quer para os E.U.A., quer para o Canadá; a posterior otimização e reforço da rede de voos da TAP nas ligações entre a Europa e os Açores, com paragem em Lisboa ou Porto e a retoma económica verificada nos principais mercados emissores. Tudo isto apoiado também na capacidade de rápida resposta dada do lado da oferta regional, com crescimentos importantes do número de camas em cada ilha, muito impulsionadas pelo Alojamento Local, mas também pelo surgimento e consolidação de diversas empresas de atividades turísticas. E, claro, o nosso posicionamento inequívoco enquanto destino de paisagens naturais exuberantes, capaz de proporcionar experiências únicas a quem nos visita, cada vez mais valorizado, em especial, pelas novas gerações, e com grande impulso pelo crescimento verificado ao nível mundial no segmento turístico de aventura e natureza.

mais 110%. Naturalmente que o crescimento bastante elevado destes três últimos mercados não deve ser dissociado do facto do ponto de partida dos mesmos ser relativamente reduzido, beneficiando, naturalmente, dos investimentos promocionais que vêm sendo realizados nos mesmos.

Evolução de dormidas em todas as tipologias de alojamento por mercados

MERCADOS V - Quais os mercados que mais cresceram nestes últimos quatro anos? Que posição ocupa o português? MG - O mercado português continua a ser o nosso maior mercado emissor. Em 2017 representou 41% das dormidas na Região. O segundo lugar é ocupado pelo mercado alemão, que neste mesmo ano registou 14% das dormidas. Ainda não temos os dados finais de 2018 mas, de 2014 para 2017, em todas as tipologias de alojamento, destacam-se os crescimentos nas dormidas do mercado português, que mais que duplicou; o alemão, com mais 78%; o norte americano, com mais de 180% (e que deverá, em 2018, triplicar os números registados em 2014); o francês com mais 131% e o canadiano, com

2014 2017 471 550 979 702 PORTUGAL 333 707 ALEMANHA 187 689 10 341 17 021 AUSTRIA 31 920 46 928 BELGICA 4 711 14 573 BRASIL 35 638 74 893 CANADA 54 712 DINAMARCA 39 132 61 667 173 487 E. U. A. 81 521 141 876 ESPANHA 17 780 6 073 FINLANDIA 43 975 101 541 FRANÇA 22 354 52 852 ITALIA 3 068 12 048 NORUEGA 71 538 100 854 P. BAIXOS 37 016 67 128 R. UNIDO 44 659 34 541 SUECIA 21 701 44 065 SUIÇA 44 987 120 578 Outros 1 231 247 2 376 579 TOTAL

Var% Var. Abs 107,8% 77,8% 64,6% 47,0% 209,3% 110,1% 39,8% 181,3% 74,0% -65,8% 130,9% 136,4% 292,7% 41,0% 81,3% -22,7% 103,1% 168,0% 93,0%

508 152 146 018 6 680 15 008 9 862 39 255 15 580 111 820 60 355 -11 707 57 566 30 498 8 980 29 316 30 112 -10 118 22 364 75 591 1 145 332

V - E falando de 2018, o turismo em Portugal continental bateu todos os recordes no ano passado. Verificou-se o mesmo nos Açores? MG - Sim, o ano de 2018 volta a ser um ano em que se ultrapassam os extraordinários resultados dos anos anteriores. Embora se verifique, de janeiro a novembro de 2018, a Hotelaria Tradicional a crescer de forma


Regiões mais tímida, com ligeiro crescimento de 0,5%, considerando também o Turismo em Espaço Rural e o Alojamento Local, com fortes incrementos, o crescimento global de 2018, face ao período homólogo de 2017, situa-se nos 7,7%. Ainda faltam apurar as dormidas em Pousadas de Juventude e Parques de Campismo a nível regional, e o último mês do ano, pelo que se pode dizer que os recordes sucessivos de dormidas nos Açores verificados em 2016 e 2017 serão novamente batidos em 2018, que será, seguramente, o melhor ano de sempre do turismo nos Açores. E este desempenho deixanos especialmente satisfeitos por termos conseguido crescer mais nos meses na época baixa que nos da época alta, conseguindo reduzir-se novamente a sazonalidade no setor.

“Ainda não temos os dados finais de 2018 mas, de 2014 para 2017, em todas as tipologias de alojamento, destacam-se os crescimentos nas dormidas do mercado português, que mais que duplicou; o alemão, com mais 78%; o norte americano, com mais de 180% (e que deverá, em 2018, triplicar os números registados em 2014); o francês com mais 131% e o canadiano, com mais 110%.”

V - Quantos turistas receberam por nacionalidades e quais foram as receitas geradas comparativamente ao ano transato? MG - A última informação estatística de hóspedes em todas as tipologias de alojamento é referente ao período Janeiro-Setembro de 2018. Nesse período, o total de hóspedes por mercado alcançou praticamente os 700 mil.

Turistas por nacionalidades PORTUGAL ALEMANHA AUSTRIA BELGICA BRASIL CANADA DINAMARCA E. U. A. ESPANHA FINLANDIA FRANÇA ITALIA NORUEGA P. BAIXOS R. UNIDO SUECIA SUIÇA Outros TOTAL

Jan-Set 2018

Peso (%)

319 592 72 074 5 414 15 224 3 466 17 785 7 582 56 762 36 699 2 177 36 337 18 553 905 23 275 20 316 4 255 14 148 37 488 692 052

46,2% 10,4% 0,8% 2,2% 0,5% 2,6% 1,1% 8,2% 5,3% 0,3% 5,3% 2,7% 0,1% 3,4% 2,9% 0,6% 2,0% 5,4%

Em termos de receitas na Hotelaria Tradicional, a última informação disponível é de novembro de 2018, pelo que, no acumulado de janeiro a novembro, a Hotelaria Tradicional registou receitas totais que ascenderam a 91,2 milhões de euros, representando um acréscimo de 8,4% face ao mesmo período do ano de 2017. Ou seja, com uma taxa de crescimento das receitas bastante superior às dormidas, podemos dizer que estamos a saber extrair mais valor através da nossa oferta.

PAPEL DA SATA V - Apesar de o arquipélago ter desenvolvido bastante com esta liberalização do espaço aéreo, certo é que a SATA ficou com a vida um pouco dificultada, apresentando atualmente enormes problemas de gestão. Como vê o seu futuro? MG - A SATA deverá continuar a ter um papel determinante para o turismo, para a mobilidade de e para os Açores, mas também na mobilidade interna que assegura nas nove ilhas dos Açores, dispersas por quase 600 quilómetros de oceano. Para além da importância da companhia regional nas ligações ao Continente Português e Madeira, há também a destacar a grande capacidade instalada nas rotas para os Estados Unidos e Canadá, mas também a relevância das operações turísticas com dois importantes aeroportos Europeus (Frankfurt e London Gatwick).


Regiões

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PROMOÇÃO

V - No que respeita a cruzeiros, o número de turistas que vos chega por esta via e os gastos realizados pelos mesmos estão dentro daquilo que perspetivam? MG - O ano de 2018 voltou a ser um bom ano neste setor, registando-se novo recorde de cruzeiristas nos Açores, num total de cerca de 162 mil turistas, representando um acréscimo de 21% face a 2017. Para além do valor económico que deixam na Região, os cruzeiristas ganham uma perspetiva rápida de um destino que merece ser visitado por mais tempo no futuro, sendo um importante contributo para a notoriedade e visitação futura dos Açores. V- Atualmente o que mais procura o turista que chega aos Açores em termos de produto, tendo em conta que o arquipélago tem diversas ilhas que têm apostado bastante no desenvolvimento do Turismo? MG - O turismo de natureza, nas suas várias vertentes, continua a ser o nosso principal atrativo para os turistas que nos visitam. Apesar de termos uma grande diversidade de produtos e experiências turísticas disponíveis, tendo os Açores sido reconhecidos pela organização “European Best Destinations” como o destino com o melhor produto de observação de baleias e golfinhos da Europa e o destino com as melhores paisagens da Europa, destacaria as experiências de observação de cetáceos, as caminhadas, os banhos de águas quentes no meio da natureza e os passeios de bicicleta nos nossos cerca de 810 quilómetros de trilhos oficiais, mas também o geoturismo e as atividades náuticas, como os passeios marítimos ou o mergulho. O turista que nos visita aprecia e valoriza a simbiose entre a paisagem impressiva de cores verdes garridas e azuis profundos do oceano, numa região que tem prosseguido estratégias muito vincadas de preservação e proteção do ambiente e de sustentabilidade enquanto destino turístico.

OFERTA QUALIFICADA V - Mais turismo… mais oferta requalificada. É neste sentido que têm trabalho? Pode especificar como o têm feito? MG - É com satisfação que verificamos que a iniciativa privada tem sabido aproveitar o bom momento do turismo na Região para melhorar e requalificar a sua oferta, sendo visível um movimento de adaptação e de qualificação face a clientes exigentes e sofisticados de mercados emissores com elevado poder de compra, com expetativa de elevados padrões de qualidade. O sistema de incentivos regional em vigor, o Competir+, atua exatamente no sentido de salvaguardar que esta prioridade seja

VIAJAR 2019 / MARÇO

cumprida, com especial foco no que diz respeito ao alojamento turístico, restauração e empresas de animação turística, valorizando projetos que contribuam para a nossa diferenciação, sendo inovadores, diversificadores ou qualificadores da oferta turística em termos de instalações e serviços. Por outro lado, um dos maiores desafios que enfrentamos prende-se, obviamente, com a formação dos recursos humanos, que tem exigido do executivo açoriano, mas também dos privados, um empenho na promoção, quer de formação inicial, mas também da formação contínua de atualização. A reconversão de ativos de outras áreas para o turismo é, naturalmente, outro importante foco ao qual tem sido dada especial atenção.

V- E quanto aos privados, estes têm feito o seu trabalho nesta matéria? MG - Os bons resultados do turismo açoriano, nos últimos anos, só foram possíveis graças ao trabalho consistente, tanto de entidades públicas, como privadas que, conjuntamente, se têm empenhado em criar todas as condições para fortalecer os Açores como destino turístico. Este empenho é visível nos aumentos significativos da oferta regional, em todas as suas vertentes, nomeadamente, ao nível da Hotelaria Tradicional, que cresceu 15%, o Turismo no Espaço Rural, com 25%, o alojamento local, com quase 500%, e empresas de animação terrestre e marítima, com 110% - todos no espaço de 4 anos, entre 2014 e 2018.

V- Qual tem sido a estratégia de promoção dos Açores através da ATA? MG - O Plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores define, de uma forma muito pragmática, as linhas de orientação da promoção externa. A estratégia de comunicação e promoção passa por apresentar e promover o Destino Açores como um todo, evidenciando a riqueza da sua oferta através das particularidades de cada ilha, numa lógica de alavancar a notoriedade do destino nos mercados com potencial de crescimento e o mote de comunicação, com enfoque no consumidor final, assente no seu posicionamento como destino de natureza por excelência, exclusivo, hospitaleiro, que permita uma enorme variedade de atividades relacionadas com o mar e a terra. Pretende-se que a diversidade da oferta turística seja explorada para atrair novos mercados, sobretudo nichos que procurem produtos de elevado valor acrescentado, diversificando a economia do turismo e da região. Cumulativamente, a comunicação, nos mercados internacionais tem sido essencialmente dirigida para os segmentos com potencial para procurarem os Açores na época baixa, de forma a reduzir a sazonalidade. V- O presidente da APAVT, no decorrer do último congresso, que se realizou em novembro passado em Ponta Delgada, disse que o bom momento do Turismo em Portugal está a viver um “fim de ciclo”. Partilha a opinião? MG - Não podemos deixar de ter bem presente que a dinâmica económica, em qualquer setor, faz-se, efetivamente, de ciclos. No caso dos Açores, consideramos que estamos, precisamente, no início de um novo ciclo em que o turismo se afirma como um dos principais motores capaz de criar riqueza e emprego na Região. Naturalmente, numa economia global, e em especial num setor tão aberto como o turismo, sentiremos sempre muito os efeitos das dinâmicas nacionais, europeias e também mundiais. Neste contexto, consideramos que deveremos encarar os novos desafios com um permanente investimento ao nível da promoção do destino, atentos às constantes evoluções dos mercados e com grande capacidade de adaptação, e focando-nos na sua qualificação, com uma aposta clara na formação dos recursos humanos e na criação de novos produtos turísticos que nos permitam ganhar o combate da sazonalidade e proporcionar oportunidades de crescimento em todas as ilhas.


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Regiões

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VIAJAR 2019 / MARÇO

PAULA CABAÇO,

secretária Regional de Turismo e Cultura da Madeira

Alemanha, Inglaterra e Portugal no top três dos mercados para o arquipélago

EMBORA AS DORMIDAS NA MADEIRA TENHA CAÍDO 1% EM 2018, VERDADE É QUE QUASE TODOS OS INDICADORES CONSEGUIRAM ACOMPANHAR OS VALORES DE 2017, O MELHOR ANO DE SEMPRE PARA O TURISMO DO ARQUIPÉLAGO. PAULA CABAÇO MOSTRA-SE CONFIANTE EM RELAÇÃO AO FUTURO. Por Sílvia Guimarães

VIAJAR - A Madeira foi eleita, pela quarta vez consecutiva, o “Melhor Destino Insular do Mundo” nos World Travel Awards. Acredita que distinções como estas influenciam os turistas na hora de escolherem o seu destino de férias? Paula Cabaço - Acredito que estas distinções reforçam a nossa notoriedade no mercado, ao mesmo tempo que servem de incentivo a todos os que, direta e indiretamente, contribuem para afirmar a diferença, a qualidade e a identidade do destino. No fundo, estes e os muitos outros galardões que a Madeira e o Porto Santo têm vindo a arrecadar, nomeadamente na área da hotelaria, reforçam a confiança e a motivação para darmos continuidade ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, ao mesmo tempo que aumentam a nossa responsabilidade para corresponder e superar as expetativas que depositam em nós. Na medida em que reforçam a nossa visibilidade, obviamente que estes prémios influenciam o conhecimento da nossa oferta e a consequente escolha. V - Todos sabemos que o mercado britânico é o principal mercado turístico da Madeira. Já estão a sentir os efeitos do Brexit? PC - O mercado britânico – a par do alemão

– são mercados estratégicos para o nosso destino, quer em termos do número de hóspedes quer de dormidas, pelo que é natural que os efeitos associados ao Brexit, nomeadamente a desvalorização da libra, se façam sentir na Madeira, à semelhança de outros destinos portugueses como o Algarve. V - Que ações estão a ser feitas para tentar fazer frente a esta realidade? PC - Estamos a desenvolver, de forma concertada e em conjunto com os vários parceiros do setor, diversas iniciativas que envolvem a promoção do nosso destino, concretamente ao nível do digital mas, também, do ponto de vista das campanhas em co-branding e da maior dinamização das ações de relações públicas, naquele mercado. Importa referir que, precisamente para fazer face aos eventuais efeitos do Brexit, o Orçamento da Associação de Promoção da Madeira (APM) foi reforçado com mais 700 mil euros em 2018 e, neste ano de 2019, mais 1 milhão de euros será transferido, pelo Governo Regional, para a APM.

DORMIDAS QUEBRAM 1% V - Quantos turistas visitaram o arquipélago em 2018? O que é que isso representa em relação ao ano transato? E quais as perspetivas para este ano? PC - Em 2018, entraram na Madeira mais de 1 milhão e 600 mil turistas, o que representou uma quebra inferior a 1% no número de dormidas, face a 2017, aquele que foi o melhor ano de sempre para o setor. Mesmo arrancando o ano de 2018 com uma quebra de 140 mil lugares de avião, em função da falência de três companhias aéreas provenientes dos mercados inglês e alemão (lugares que, em menos de um ano, praticamente se recuperaram), e conscientes da recuperação de outros destinos concorrenciais, mantivemos a procura, num resultado que, neste enquadramento, nos parece bastante satisfatório. Resultado que deriva do esforço conjunto do setor público e privado e da boa articulação que vem sendo mantida mas, também, do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela ANA, em parceria com o Governo


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Regiões

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“Para fazer face aos eventuais efeitos do Brexit, o Orçamento da Associação de Promoção da Madeira (APM) foi reforçado com mais 700 mil euros em 2018 e, neste ano de 2019, mais 1 milhão de euros será transferido, pelo Governo Regional, para a APM.”

entrada de visitantes, por esta via, no nosso destino, ronda o meio milhão de passageiros ao ano, número que se manteve em 2018 (+0,2%).

NATUREZA E MAR DESPERTAM MAIS INTERESSE

Regional e a Associação de Promoção da Madeira, na captação de novas rotas turísticas e no encontro de soluções que possibilitaram a rápida reposição dos lugares e o aumento, em 16,7%, da oferta de lugares para a presente estação de Inverno IATA. V - Em termos de mercados, quais foram os principais a chegarem ao arquipélago? Pode especificar com números? PC - Em 2018 e no que respeita ao ranking dos 5 principais mercados, a Alemanha liderou a tabela (mais de 2 milhões e 73 mil dormidas), seguido de perto pelo mercado britânico (mais de 1 milhão e 900 mil dormidas). Em terceiro lugar, surge o mercado português (mais de 995 mil dormidas), em quarto lugar o mercado francês (mais de 769 mil dormidas) e, em quinto, o mercado holandês (mais de 291 mil dormidas). V - Os turistas que chegam até vós através de cruzeiros está dentro das vossas perspetivas? PC - O Turismo de Cruzeiros continua a ser importante para a Madeira, sendo que a

V - Quais são os produtos turísticos que neste momento estão a despertar mais a atenção dos turistas no arquipélago? PC - A Madeira é um destino multifacetado que agrega, no conjunto da sua oferta, experiências para diferentes gostos e preferências, ao longo dos 12 meses do ano. Talvez neste momento – e fruto do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, ao longo dos últimos anos, no que à nossa afirmação enquanto destino de turismo ativo respeita – haja uma procura em crescendo pelas experiências ligadas à natureza e ao mar. Acresce também a oferta gastronómica, associada ao Vinho Madeira e às nossas raízes culturais. V - A formação e os recursos humanos são o verdadeiro “calcanhar de Aquiles” do Turismo em Portugal. O que é que têm feito para tentarem contornar essa situação na Madeira? PC - O Turismo da Madeira caracterizase, desde longa data, pela qualidade dos seus serviços, concretamente ao nível da hotelaria. Atualmente, reconhecemos a importância de atrair novos profissionais para o setor, sobretudo para correspondermos ao aumento da nossa oferta hoteleira. Precisamente nesse sentido, iremos desenvolver, ainda este ano, um programa especificamente dirigido aos mais jovens, de modo a sensibilizá-los

para as diversas oportunidades que existem em termos profissionais, nesta atividade. V - O Alojamento Local está na ordem do dia. Como vê estes dois tipos de alojamento? PC - O alojamento local reflete uma oferta complementar que tem vindo a aumentar, de forma descentralizada e um pouco por toda a região, numa tendência nacional e internacional à qual a Região não ficou alheia. Uma tendência que, acima de tudo, materializa uma nova forma de experienciar os destinos, por parte de uma faixa de visitantes em crescendo que opta por este tipo de alojamento para as suas férias, principalmente localizados nas zonas centrais das cidades e onde o convívio com a população residente, bem como com as suas tradições e costumes, faz parte e assume-se como uma das principais motivações. Julgo que são ofertas distintas e complementares entre si, com respostas que, satisfazendo necessidades e expetativas diferentes, acabam por enriquecer a oferta de um destino que prima pela sua diversidade e pela sua capacidade de oferecer, simultaneamente, vários produtos. V - A Madeira apostou fortemente em mudar a sua imagem promocional nos últimos anos. Qual é a estratégia seguinte e como o vão fazer nos diferentes mercados? PC - A estratégia para 2019 passa por consolidar o posicionamento que tem vindo a ser seguido, ao longo dos últimos três anos. Uma estratégia que tem resultado a favor do destino e que valoriza e reforça a comunicação centrada na natureza, no mar e no lifestyle, mantendo a aproximação à distribuição e a colaboração com os diferentes parceiros, como prioridades.


CENTRO DE PORTUGAL

Uma visita incontornável na Bolsa de Turismo de Lisboa O

CENTRO DE PORTUGAL vai estar em evidência na edição deste ano da BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, que se realiza de 13 a 17 de março, na FIL – Feira Internacional de Lisboa. A região vai estar representada ao mais alto nível, com o stand do Turismo Centro de Portugal a ocupar um espaço de 648m2 no Pavilhão 1, o mais importante do certame. No stand, que se destaca pelas cores fortes, que representam a diversidade das regiões e dos seus costumes, os visitantes e os profissionais vão poder conhecer as melhores ofertas que o Centro de Portugal tem para oferecer. A presença do Turismo do Centro acontece em estreita parceria com as oito Comunidades Intermunicipais (CIM) da região (Beira Baixa; Beiras e Serra da Estrela; Médio Tejo; Oeste; Região de Aveiro; Região de Coimbra; Região de Leiria; e Viseu Dão Lafões), que aproveitarão a sua participação para mostrar o que de melhor se faz num

território tão vasto e diversificado. O stand contempla igualmente 33 espaços empresariais/institucionais. Animação constante e programação variada A animação no stand será um dos pontos fortes da presença este ano, com uma aposta em espaços e momentos de ativação de marcas e de produtos turísticos diferenciadores, para que o visitante possa ter uma amostra de algumas experiências que só conseguirá encontrar no Centro de Portugal. O destaque, a este nível, será a presença de um simulador de um carro de ralis – para assinalar o celebrado regresso do Rally de Portugal ao Centro de Portugal em 2019. Mas haverá também espaços para os Lugares Património Mundial no Centro de Portugal e para o cicloturismo, entre outros. Todas as ativações vão permitir a interação com o público da feira e terão oferta de brindes. Além disso, como sempre acontece, o stand será palco de vários momentos de promoção dos produtos gastronómicos e vínicos

da região, em parceria com as CIMs e com outros parceiros. Ao longo dos cinco dias não faltarão motivos de interesse, numa programação variada que vai privilegiar apresentações dos principais eventos/projetos do Turismo Centro de Portugal e das CIMs. Logo no primeiro dia, estão agendadas duas apresentações muito especiais: a Maratona da Europa, que vai decorrer em Aveiro; e o Vodafone Rally de Portugal. O projeto das Estações Náuticas, o Roteiro Lugares Património Mundial, o Mapa Gastronómico, uma nova brochura promocional da região, o Festival ART&TUR ou o projeto CREATOUR são outras das apresentações de maior destaque. Durante a feira, será também revelado o novo filme promocional do Turismo Centro de Portugal, que conta, entre outros, com a participação do surfista Garrett McNamara. Por tudo isto, e muito mais, fica o convite: visite o Centro de Portugal, onde 1 dia é bom, 2 é ótimo, 3 nunca é demais!

www.turismodocentro.pt www.facebook.com/turismodocentro


Hotelaria

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VIAJAR 2019 / MARÇO

RAUL MARTINS,

presidente da Associação da Hotelaria de Portugal

“É natural que o aumento acima dos 75% de ocupação da hotelaria abrande” RAUL MARTINS GARANTE QUE O BOM MOMENTO DO TURISMO EM PORTUGAL NÃO ESTÁ PARA TERMINAR E DEFENDE QUE NA PRÓXIMA LEGISLATURA DEVERIA SER CONSIDERADA A HIPÓTESE DE TERMOS UM MINISTÉRIO DO TURISMO, DADA A IMPORTÂNCIA DO SETOR NA ECONOMIA DO PAÍS.

VIAJAR - É sabido que o senhor é defensor da existência de um Ministério do Turismo. Pensa que o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Estado do Turismo não está a ser suficiente? Certo é que já existiu um Ministério do Turismo em tempo e não correu lá muito bem… Raul Martins - O Turismo é o principal pilar da economia do país, somos o setor que mais contribui para o aumento do PIB pelo que consideramos que devemos ter mais peso num próximo governo. O Ministério do Turismo permitiria resolver as questões transversais a outros ministérios com mais celeridade. Veja-se o que aconteceu com a errada interpretação dos benefícios fiscais da utilidade turística, aprovada na Assembleia da República, com a falta de legislação sobre a cláusula de paridade conforme recomenda a Comissão Europeia ou a definição da exigência de nadadores salvadores aprovada pela Assembleia da República. No entanto, para nós a atual secretária de Estado é a nossa Ministra do Turismo. V - No final do ano o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, e o presidente da CTP, Francisco Calheiros, concordaram que o Turismo em Portugal está a passar por um “fim de ciclo”. Concorda com esta afirmação? RM - De todo, temos é um destino mais maduro. É natural que o aumento acima dos 75% de ocupação da hotelaria abrande. As receitas continuam a aumentar, o que decresceu foram as dormidas de estrangeiros na hotelaria e em grande parte devido ao aumento da oferta, sobretudo de AL. O número de passageiros nos aeroportos de Portugal que aumentou cerca de 7% em 2018 e os slots não atendidos no Aeroporto Humberto

Delgado são prova de que não estamos em fim de ciclo.

AUMENTAR A ESTADA MÉDIA V - Certo é que em 2018 já se conheceu um abrandamento nas dormidas de turistas em Portugal e, sobretudo, nos grandes centros turísticos do país. O que é necessário fazer para combater esta tendência? Concorda que baixar os preços poderá ser parte da solução? RM - O que temos de fazer é aumentar a estada média no país. É preciso trabalhar e criar campanhas de incentivo, à semelhança da proposta de campanha que a AHP apresentou à ATL no ano passado. Paralelamente, há que trabalhar para aumentar o valor do serviço prestado, uma vez que a procura continua a aumentar, e iniciar as obras no Aeroporto Humberto Delgado. V - E o aeroporto complementar de Lisboa continua a ser o “calcanhar de Aquiles” ao maior desenvolvimento do Turismo no país? Acha que é desta que o Montijo vai avançar? RM - O acordo entre o Governo e a ANA foi assinado, tardiamente a nosso ver. Neste momento, o grande desafio será reajustar o Aeroporto Humberto Delgado até que o Aeroporto do Montijo esteja concluído. Até porque mantendo-se o aumento da oferta em Lisboa em cerca de 6% ao ano, em 2019 a taxa de ocupação dos hotéis na região de Lisboa baixará para valores de cerca de 78% e em 2020 para 70%, uma vez que prevemos que as obras na Portela só estejam operacionais no final desse ano. V - Os recursos humanos na hotelaria continuam a ser insuficientes e muitas

vezes com habilitações deficitárias. O que é que a AHP tem vindo a fazer para tentar combater este problema, sobretudo agora que os trabalhadores do setor têm vindo a manifestar-se publicamente cada vez mais? RM - A AHP, como é do conhecimento de todos, criou uma academia de formação para reforçar a qualificação dos recursos humanos na hotelaria. Os primeiros cursos foram lançados em 2017 e, em quase dois anos, já formámos mais de 3.000 profissionais das mais diversas áreas dos hotéis nossos associados. Para além deste trabalho, fundamental, que está a ser feito na qualificação dos nossos ativos, temos também vindo a negociar com os sindicatos a revisão dos instrumentos de regulação das relações laborais na hotelaria, adequando-os aos novos tempos e à valorização das profissões. Com a escassez de recursos humanos que se verifica em Portugal, está-se a manifestar a necessidade de ir buscar mão de obra ao estrangeiro, pelo que é necessária a articula-

“O Turismo é o principal pilar da economia do país, somos o setor que mais contribui para o aumento do PIB pelo que consideramos que devemos ter mais peso num próximo governo. O Ministério do Turismo permitiria resolver as questões transversais a outros ministérios com mais celeridade.”


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Hotelaria

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“2018 foi o ano em que atingimos novos máximos, quer em preços, quer nas receitas turísticas em todo o setor. Foi um ano menos efusivo, mas em que reforçámos a nossa notoriedade a nível internacional. O que também nos traz responsabilidades acrescidas.”

ção da Secretária de Estado do Turismo, com o SEF e o IEFP.

ALOJAMENTO LOCAL NO BOM CAMINHO V - Em outubro passado entraram em vigor novas regras sobre o Alojamento Local. Qual a sua opinião em relação às mesmas? RM - É um caminho que já vínhamos defendendo e, apesar de ter ficado longe das soluções propostas pela AHP, consideramos globalmente positivas as alterações, por forma a não descaraterizar as cidades. V - Acredita que este é o caminho certo? Estas novas regras serão mesmo aplicadas? RM - É necessário que existam regras, agora a sua aplicação cabe às entidades públicas, sobretudo às autarquias locais. V - Está satisfeito com o OE para este ano em matéria de Turismo? E quanto à descentralização do IVA turístico? RM - Não podemos dizer que estamos satisfeitos. Foram consideradas algumas propostas, nomeadamente a questão do pagamento especial por conta, no entanto havia outras medidas igualmente importantes que não foram ponderadas, tais como: a reposição do benefício fiscal da criação de emprego que constituiria um incentivo para as empresas nomeadamente as do Turismo e que iria colmatar a dificuldade de assegurar empregos sem termo no setor; a redução do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas; o prazo de dedução dos prejuízos fiscais; a redução da parafiscalidade (taxas e contribuições) e dos custos de contexto; a descida das taxas de tributação autónoma; a dedução do IVA incorrido por clientes empresariais no segmento MICE e a isenção de IMI

associada à atribuição da utilidade turística em que o Governo delegaria aos municípios o poder de decisão sobre esta matéria.

“2018 FOI O ANO EM QUE ATINGIMOS NOVOS MÁXIMOS” V – Que balanço faz do Turismo em Portugal em 2018 e quais as grandes expetativas da AHP para 2019? RM - Apesar de termos assistido a um abrandamento da taxa de ocupação, sobretudo em alguns destinos, também reforçámos o crescimento em outros. 2018 foi o ano em que atingimos novos máximos, quer em preços, quer nas receitas turísticas em todo o setor. Foi um ano menos efusivo, mas em que reforçámos a nossa notoriedade a nível internacional. O que também nos traz responsabilidades acrescidas. Neste novo ano, vamos assistir ao abrandamento da taxa de ocupação, sobretudo porque se prevê que a oferta continue a

aumentar, mas também pelos constrangimentos do Aeroporto Humberto Delgado que irão condicionar o crescimento não só na Região de Lisboa, mas em todo o país; o efeito Brexit também vai continuar a sentir-se sobretudo pela desvalorização da libra, o que faz de Portugal um destino mais caro para os turistas britânicos; a recuperação de destinos concorrentes, como a Turquia, a Tunísia ou o Egipto, é uma situação para a qual devemos também olhar com especial atenção; por outro lado assistimos ao crescimento de turistas provenientes dos Estados Unidos e do Brasil, o que significa que estamos a conseguir atrair novos mercados. Por todas estas razões, os grandes desafios para 2019 passam por continuar a crescer em preço; criar incentivos para o aumento da estada média; diversificar e distribuir por todo o país o Turismo e continuar a aposta na formação dos recursos humanos, tão importantes para a excelência do serviço da nossa hotelaria.


Aviação

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JOSÉ LOPES,

diretor geral da easyJet para Portugal

“Continua a ser imperativo avançar, no Humberto Delgado, com a criação de mais saídas rápidas” APESAR DE SE DIZER SATISFEITO COM OS RESULTADOS DA COMPANHIA EM 2018, JOSÉ LOPES DEFENDE QUE OS NÚMEROS PODERIAM TER SIDO AINDA MELHORES SE AS CONDIÇÕES NO AEROPORTO DE LISBOA FOSSEM MELHORES.

VIAJAR - A easyJet tem vindo sempre a crescer desde que começou a voar para Portugal. Quantos passageiros transportaram em 2018 e quais são os vossos objetivos para 2019? José Lopes - É verdade, chegámos a Portugal há 20 anos atrás e, desde então, temos vindo a crescer e a fazer crescer. Orgulhamo-nos muito do nosso percurso e queremos continuar a ser cada vez mais relevantes para os mais de 90 milhões de passageiros que viajam connosco presentemente. O nosso ano fiscal 2018 começou no dia 1 de outubro de 2017 e terminou no passado dia 30 de setembro de 2018 com um número que nos enche de entusiasmo para o futuro. Em 2018 (Outubro de 2017 – Setembro de 2018) transportámos 88,5 milhões, um acréscimo de 10,2%, e registámos uma taxa de ocupação recorde de 92,9%, fomentada pelo enfoque contínuo na oferta ao cliente e pela estratégia de utilização de aeroportos principais da easyJet, incluindo a expansão de Tegel e a obtenção de sete novas posições como número 1 em aeroportos principais. Naturalmente, gostamos de estabelecer objetivos e de os ir alcançado com sucesso. Em 2017 tínhamos estabelecido o objetivo de chegar a 2018 com 90 milhões de passageiros e, por isso, para 2019 (Outubro de 2018 – Setembro de 2019) podemos assegurar que iremos continuar a oferecer o melhor serviço aos nossos clientes, com as tarifas mais baixas. Para tal, iremos focar-nos na melhoria da experiência do cliente e estimamos aumentar a capacidade de crescimento da easyJet em cerca de 15% no primeiro semestre e

de cerca de 10% em todo o “Nos últimos exercício. anos, o crescimento da Em Portugal, o nosso creseasyJet em Portugal tem sido cimento está alinhado com os valores globais o dobro do crescimento global da da empresa. Fechámos nossa rede, apenas abrandou este 2018 com 6.3 milhões ano devido à falta de capacidade de passageiros transdisponível no aeroporto de Lisboa. portados de e para Ainda assim, queremos acreditar que Portugal, o que repre2019 será risonho para a easyJet, sentou um crescimento de 7% relativamente porque iremos continuar a ao ano anterior. O nosso trabalhar para isso.” objetivo para este ano para o mercado português é crescer 9%. Propomo-nos a alcançar este objetivo essencialmente através de aumento de capacidade dos nossos aviões, uma vez que este será mais um ano em que no principal aeroporto do país (Humberto Delgado, Lisboa) não será possível aumentar o número de frequências por falta de slots. A nossa estratégia de aumentos cirúrgicos, substituindo operações de A319 por A320, permitir-nos-á crescer 6% a nossa capacidade total em Lisboa, num ambiente restrito, com foco no crescimento de maneira mais sustentável. Continuaremos a crescer também em Faro e no Porto, respetivamente 15% e 11%. De salientar o esforço enorme que a easyJet continua a fazer para esbater a sazonalidade em Faro. Este inverno cresceremos 21% durante a época baixa, depois de o ano passado já termos crescido cerca de 17% em Faro durante o inverno. No Funchal o crescimento este ano será de cerca de 4%, quase na sua totalidade devido ao aumento do número de lugares por avião na rota Lisboa Funchal.


VIAJAR 2019 / MARÇO

Aviação

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“A abertura de novas rotas é apenas uma das nossas estratégias para o país. Continuamos a trabalhar, em conjunto com o governo português e a ANA/Vinci, para criar as condições de competitividade necessárias, guiando-nos pelo objetivo comum de elevar a boa reputação de Portugal a toda a Europa.”

CONFIANTES NO FUTURO V - Faz um balanço positivo de 2018? JL - Sim, nós gostamos de olhar para as coisas boas que aconteceram no passado e, por isso, acreditamos que foi um ano positivo. Ainda assim, continua a ser imperativo avançar, no Humberto Delgado, com a criação de mais saídas rápidas, a extensão do taxiway até à cabeceira da pista, a criação de mais stands e a ampliação do Terminal 1 com posições para embarque e desembarque a pé. A construção da nova torre de controlo do aeroporto Humberto Delgado não ficará concluída este ano e a reestruturação do espaço aéreo à volta de Lisboa – que implica um acordo entre a NAV e os militares - também ainda não avançou, pelo que prevemos que o “esgotamento” do aeroporto se manterá. Nos últimos anos, o crescimento da easyJet em Portugal tem sido o dobro do crescimento global da nossa rede, apenas abrandou este ano devido à falta de capacidade disponível no aeroporto de Lisboa. Ainda assim, queremos acreditar que 2019 será risonho para a easyJet, porque iremos continuar a trabalhar para isso. A assinatura do acordo entre o governo e a ANA/Vinci permite finalmente avançar com o fecho da pista transversal 17/35 e iniciar as obras que permitem aumentar a capacidade no Humberto Delgado, mas se o governo, a ANAC, a NAV e os militares não implementarem já as alterações necessárias para haver mais capacidade no espaço aéreo à volta de Lisboa isso não servirá de nada. Continuaremos estagnados e isso não pode continuar. Precisamos de mais capacidade, pelo menos para o verão de 2020.

Felizmente, Portugal continuará a atrair turistas de todos os pontos do globo, que olham para o país como uma plataforma de desenvolvimento das suas competências, o que contribuirá para o desenvolvimento da nossa economia. É frustrante saber que poderíamos estar a crescer muito mais no mercado português. Apelamos aos outros stakeholders para nos ajudarem a continuar a desenvolver o turismo em Portugal. V - Tendo em conta os diversos destinos para os quais voam em Portugal, como tem sido o crescimento em cada um e o que perspetivam para este ano? JL - Felizmente, temos conseguido crescer ano após ano, superando sempre as nossas expectativas, e acreditamos que este ano não será exceção. Ao entrarmos em destinos diferentes, contribuímos para aumentar a competitividade da rota, reduzindo de forma dramática a tarifa média praticada. Depois, o facto de a easyJet ser líder em mercados como Suíça, UK e Itália, por exemplo, dá-nos ainda mais força para promover Portugal alémfronteiras, representando a nossa importante posição para desenvolver o país. A abertura de novas rotas é apenas uma das nossas estratégias para o país. Continuamos a trabalhar, em conjunto com o governo português e a ANA/Vinci, para criar as condições de competitividade necessárias, guiando-nos pelo objetivo comum de elevar a boa reputação de Portugal a toda a Europa. Oferecemos um total de 65 rotas de e para Portugal, das quais 5 foram lançadas este ano, a saber, Faro Manchester, Porto Nice, Porto Bordeaux, Lisboa Manchester e a nossa novidade, o Porto Málaga que colocámos à venda esta quinta-feira.

Continuamos a querer ser a companhia de aviação favorita dos portugueses. Continuamos a pintar de laranja o nosso belo país. V - Com o Brexit a pairar no ar, a easyJet já consegue sentir o peso da possível saída do Reino Unido da União Europeia? JL - A easyJet continua confiante de que a sua operação se manterá positiva, mesmo que exista um Brexit sem acordo, uma vez que tanto a União Europeia como o Reino Unido já definiram os seus planos para garantir que a conetividade não seja interrompida. Passageiros, companhias aéreas e políticos em toda a UE e no Reino Unido querem que os voos entre o Reino Unido e a UE continuem. Congratulamo-nos com a publicação pela Comissão Europeia do regulamento proposto para manter os voos no caso de um “não acordo”, que em breve se tornará lei da UE. O Reino Unido estabeleceu no ano passado como se aproximaria de um acordo para a aviação, incluindo a manutenção do pleno acesso ao Reino Unido para transportadoras da UE. V - Se a saída realmente vier a acontecer, a easyJet terá que repensar a sua estratégia de voos de ligação entre os Reino Unido e Portugal? JL - O mercado britânico é extremamente importante para Portugal. Uma saída com acordo já está prevista, onde se prevê sem acordo – será necessário e urgente definir as regras para manter as operações tal e qual como existem atualmente. Qualquer limitação afetará negativamente o consumidor e todos os operadores. Por isso, estamos confiantes de que iremos conseguir alcançar uma solução.


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EDUARDO CABRITA,

diretor geral da MSC Cruzeiros para Portugal

“2018 foi um ano eufórico e um dos melhores anos, não só para a MSC Cruzeiros, como para o turismo em Portugal” DEFENSOR DA CRIAÇÃO DE UM FUNDO DE DESENVOLVIMENTO DE CRUZEIROS, EDUARDO CABRITA GARANTE QUE MAIS TROTAS ESTÃO DENTRO DOS PLANOS DA EMPRESA QUE REPRESENTA EM PORTUGAL NOS PRÓXIMOS ANOS, SOBRETUDO COM A CHEGADA DE MAIS NAVIOS À COMPANHIA.

VIAJAR - A MSC Cruzeiros registou os melhores resultados de sempre em crescimento de volume de passageiros em 2018, num aumento de mais de 34% face ao ano anterior. O que acha que motivou esta tão grande procura por parte dos clientes? Eduardo Cabrita - É verdade! Obtivemos um crescimento a dois dígitos bastante notável no mercado português e reforçamos a liderança de mercado, que já detemos desde 2013, ou seja, 2018 foi, uma vez mais, um ano extremamente positivo, de orgulho e crescimento para nós a todos os níveis. Com a entrada no segmento de luxo, anunciada o ano passado, vamos ter a nossa capacidade triplicada e aumentaremos a nossa frota para um total de 29 navios, até 2027. Para além do conhecimento cada vez maior do produto cruzeiro entre os portugueses, bem como do crescimento do setor dentro do turismo, acredito que este aumento da capacidade e o lançamento de novos navios tem sido bastante importante para o crescimento da MSC Cruzeiros, não só em Portugal mas também em todos os países onde opera, possibilitando-nos disponibilizar mais e novos itinerários, o que nos tem permitido diversificar a oferta, fidelizar e atrair cada vez mais viajantes. V - A MSC também já conseguiu chegar a 44% de quota no mercado português, tendo registado no ano passado um aumento de 4% de cruzeiristas lusos face a 2017. Os portugueses já começam a mostrar alguma preferência por este tipo de férias... EC - Sem dúvida! Fazer férias em cruzeiros é cada vez mais popular para os portugue-

ses, e este é um facto bastante positivo! Não só para a MSC Cruzeiros mas também para o mercado português, na medida em que os portugueses cada vez mais olham para o produto cruzeiro como um produto para todo o ano e não apenas para as férias de verão, onde a reserva antecipada é cada vez mais uma preocupação das famílias. Em 2013 tornámo-nos líderes de mercado com cerca de 12.800 passageiros num mercado com cerca de 35.000 cruzeiristas. Desde essa altura, a MSC Cruzeiros é a companhia número um em Portugal pelo sexto ano consecutivo atingindo um total de 29.748 passageiros em 2018, num mercado onde ainda apenas cerca de 65.000 portugueses realizam cruzeiros e onde a margem para crescer é muito grande.

MERCADO DE CRUZEIROS EM PORTUGAL V - Mas é um mercado que ainda está aquém das expetativas? EC - Penso que, à semelhança do turismo na economia nacional, o mercado de cruzeiros surge cada vez mais como um dos setores de maior sucesso e com maior potencial de crescimento no nosso país. Acredito que a evolução do setor em Portugal superará o crescimento da indústria dos cruzeiros, não só ao nível Europeu, mas também mundial, num contexto de uma economia melhorada, o que proporciona mais oferta de novos navios com produtos mais acessíveis e atractivos. Segundo os mais recentes números da CLIA, no que respeita aos passageiros está previsto que 30 milhões de pessoas façam cruzeiros em todo o mundo em 2019, um

crescimento significativo e que representa uma subida de cerca de 6% face a 2018. Neste momento existem 386 navios de cruzeiro e as previsões apontam para que nos próximos dez anos sejam construídos mais cerca de 100 navios, aumentando a capacidade mundial para cerca de 39 milhões de cruzeiristas em 2027. Ou seja, a indústria dos cruzeiros continuará a crescer de uma forma sustentada. V - O que é necessário as companhias de cruzeiro fazerem mais para despertarem o interesse dos clientes portugueses por este tipo de férias? EC - Em Portugal creio que seria bastante interessante criar um Fundo de Desenvolvimento de Cruzeiros que consistiria em suportar os diferentes atores intervenientes do setor, como companhias de cruzeiros, agências de viagens, afretadores, bem como empresas de formação, que permitirão construir um forte aumento da procura dos consumidores finais por cruzeiros no nosso país. Os projetos propostos deverão estar assentes com base em algumas premissas personalizadas para cada um dos intervenientes. No que respeita às companhias de cruzeiros, a possibilidade de disponibilizar mais cruzeiros com escalas ou embarque e/ ou desembarque em portos portugueses, aproveitando a divulgação de pacotes de cruzeiros com estadias alargadas no país antes ou depois da viagem por parte dos parceiros agentes de viagens ou dos afretadores. As empresas de formação, para além de todas as ferramentas de marketing para promover todas as anteriores possibilidades e estudos relacionados com as mesmas,


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funcionariam como excelentes veículos para promover Portugal como um destino final de cruzeiro único. Considerando a grande margem de crescimento da indústria no nosso país, as propostas seriam avaliadas baseadas em como poderiam potenciar os cruzeiros com partidas de portos portugueses, impulsionar o tráfego de passageiros de cruzeiros dos mercados de origem e ainda como contribuir em termos de impacto e crescimento económico para Portugal e para o turismo português de uma forma geral. Não nos podemos esquecer que um navio de 4000 passageiros que atraca nos portos portugueses, apesar do embarque de cerca de 1000 portugueses, trará cerca de 3000 turistas a visitar o nosso país! Por exemplo, segundo o porto de Lisboa, em 2018 realizaram-se 339 escalas de navios com um registo de 577.603 passageiros de cruzeiros a visitar e a contribuir para a economia portuguesa. Este Fundo de Desenvolvimento de Cruzeiros beneficiaria de um apoio financeiro de até 50% dos custos de qualificação, podendo incluir custos de terceiros relacionados com marketing dirigido ao trade ou consumidor final, ao desenvolvimento de experiências pré/pós-cruzeiros, actividades de formação para agentes de agentes de viagens e serviços profissionais para estudos referentes ao setor.

17 NOVOS NAVIOS V - Acabaram de inaugurar mais um navio a 2 de março. A companhia está a fazer uma grande aposta no aumento de frota nos próximos anos. Isso poderá significar mais itinerários a passarem por Portugal?

“Em Portugal, creio que seria bastante interessante criar um Fundo de Desenvolvimento de Cruzeiros que consistiria em suportar os diferentes atores intervenientes do setor, como companhias de cruzeiros, agências de viagens, afretadores, bem como empresas de formação, que permitirão construir um forte aumento da procura dos consumidores finais por cruzeiros no nosso país.”

EC – Claro que sim! A MSC Cruzeiros está em constante análise de novos destinos e itinerários por todo o mundo de modo a atender todas as necessidades dos viajantes mais exigentes, mas a sua implementação depende de inúmeros factores, não só geográficos mas também estratégicos. Acredito sinceramente que o facto da nossa frota está a aumentar, devido ao nosso novo plano de expansão que teve início em 2017 com a inauguração do MSC Meraviglia, poderá trazer grandes possibilidades para os portos portugueses, não só Lisboa, mas também à Madeira, Açores e Leixões. Desde 2016 que iniciamos um grande

investimento para o segundo plano de expansão da nossa frota, e temos tido várias novidades ao longo dos anos. Em Outubro do ano passado, anunciamos a entrada da companhia no segmento de luxo, com a assinatura de um acordo para a construção de quatro novos navios de cruzeiro de ultra luxo por um valor total superior a dois mil milhões de euros. Com a encomenda destes novos navios, o plano de investimento da MSC Cruzeiros, já sem precedentes na indústria, será agora responsável por um total de 17 novos navios a serem construídos até 2027, com um investimento total de 13.6€ mil milhões, com 29 navios no total da sua frota. Destes novos navios, quatro já se encontram a navegar desde Junho de 2017: o MSC Meraviglia, o MSC Seaside, MSC Seaview e o MSC Bellissima. V - Quais as vossas perspetivas para este ano, tendo em conta que 2018 foi um ano de “ouro” para a MSC Cruzeiros? EC - Penso que 2018 foi um ano eufórico e um dos melhores anos não só para a MSC Cruzeiros, como para o turismo em Portugal, tanto no inbound como outbound, mas também para a Europa que se manteve como o destino mais visitado do mundo. É assim natural que 2019 traga um abrandamento da economia Europeia e Portuguesa de acordo com as tendências e notícias disponíveis, o que se traduzirá num crescimento a um ritmo mais moderado. Apesar do abrandamento do ritmo de crescimento, acredito que este ano a MSC Cruzeiros crescerá acima da evolução do setor do turismo e da indústria dos cruzeiros não só na Europa como no mundo.


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FRANCISCO TEIXEIRA, diretor geral da Melair

“Os cruzeiros que não exigem uma deslocação aérea têm um público-alvo muito diferente, e em maior número” VIAJAR - A Melair decidiu em setembro do ano passado reformular o seu departamento comercial. Ao que se deve esta aposta? Francisco Teixeira - As companhias que representamos estão numa fase acelerada de crescimento das suas frotas, e considerámos que, o apoio ao agente de viagens no seu local de trabalho seria crucial para podermos acompanhar o ritmo de crescimento da oferta e da procura. Definimos também, objetivos concretos a médio prazo, e que na sua maioria, passam pela melhoria do conhecimento do agente de viagens das várias dinâmicas que as nossas companhias desenvolvem no mercado português. Nesse sentido, desenhámos o departamento comercial sustentado numa equipa de profissionais que nos dão todas as garantias de podermos alcançar bons resultados. V - Atualmente representam no mercado português quatro companhias de cruzeiro, entre as quais aquela que é a maior do mundo. Em 2018 como foi a procura registada por parte dos portugueses em relação a cada uma? FT - Representamos quatro companhias de quatro segmentos distintos e, nesse sentido, definimos para cada uma delas uma linha de trabalho específica. Todas elas em 2018 tiveram um comportamento positivo fase ao que tínhamos definido serem os nossos objetivos. É um trabalho que estamos a desenvolver a médio prazo, e que se pretende possa acompanhar, por um lado, o crescimento da oferta, e por outro a penetração no mercado português com base numa segmentação direcionada a cada uma das marcas.

REPRESENTANTE DE QUATRO COMPANHIAS DE CRUZEIRO, CADA UMA COM SEGMENTOS BASTANTE DISTINTOS, A MELAIR FAZ UM BALANÇO DE 2018 E AFIRMA-SE OTIMISTA EM RELAÇÃO A ESTE ANO SÃO BASTANTE POSITIVAS.

EUROPA ENTRE OS DESTINOS MAIS PROCURADOS V - Quais os destinos que têm registado maior procura por parte do mercado nacional? FT - No caso da Pullmantur, todos os destinos europeus têm registado uma boa procura, mas as Ilhas Gregas são o destino com melhor resultado. Na Royal Caribbean, para além da Europa, onde a companhia tem mantido o mesmo número de navios ao longo dos últimos anos, as Caraíbas registaram um crescimento muito significativo. Já na Celebrity Cruises, o maior crescimento da procura foi para destinos longínquos como, a Ásia, a Austrália e Nova Zelândia, e os cruzeiros entre os Emirados e a Ásia com escalas na India. Por fim, a Azamara Club Cruises teve uma maior procura por cruzeiros na Europa. V - Os cruzeiros com partida ou chegada a Portugal têm tido maior interesse por parte dos clientes? FT - Naturalmente que sim. Os cruzeiros que não exigem uma deslocação aérea têm um público-alvo muito diferente, e em maior número. Por isso, considero que temos em Portugal um potencial futuro neste segmento. A Pullmantur irá realizar dois cruzeiros em Abril de 2019, com partida e chegada a Lisboa, e o ritmo de reservas foi muito bom.

15 MIL PASSAGEIROS PORTUGUESES TRANSPORTADOS V - Quando portugueses é que cada uma das companhias transportou no ano passado. Quando é que isso representa em relação ao ano transato? FT - No total das quatro companhias representadas, transportámos em 2018 cerca de 15.000 passageiros portugueses, ficando dentro dos objetivos que traçámos para o ano passado.

V - No vosso website é possível de verificar que lançam promoções constantes. Os cruzeiristas portugueses ainda são o tipo de cliente que “corre” atrás deste tipo de promoções, quer seja de reserva antecipada ou de última hora? FT - As ofertas são hoje uma forma de estímulo muito importante. Todas as companhias que representamos dispõem de campanhas de ofertas muito agressivas, e todas elas para estimular a reserva antecipada. Esta tem sido uma estratégia dos últimos anos, e o mercado português está conhecedor que reservar em antecipado o seu cruzeiro de férias têm benefícios. Muitas das vezes o benefício não é apenas tarifa. Pode ser também o turno de refeição, as categorias disponíveis, principalmente se se tratar de famílias, que procurem camarotes triplos e quádruplos. Felizmente, que o mercado português está cada vez mais consciente desta vantagem, e tem reagido muito positivamente. V - Quais são as expetativas para 2019? FT - As expetativas para 2019 são diferentes para cada uma das companhias. No caso da Pullmantur que irá realizar dois cruzeiros de/ para Lisboa, estamos a trabalhar para que consiga um crescimento acima de 25%. Para a Royal Caribbean, onde temos este ano uma operação de Barcelona mais reduzida, contamos manter o mesmo nível de negócio que em 2018. A Celebrity Cruises regista já um crescimento importante, e esperamos poder crescer entre 10% e 15%. Finalmente para a Azamara Club Cruises contamos manter o mesmo nível de vendas de 2018. V - Que novidades irão lançar na BTL deste ano? FT - A BTL coincide com a abertura das reservas para os cruzeiros de 2020. Assim, iremos apresentar na BTL a programação de 2019 e lançar campanhas para a operação de 2020.


Rent-a-car PAULO MOURA,

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diretor geral do Europcar Mobility Group para Portugal

“O nosso grupo mudou muito nos últimos dois anos” O EUROPCAR MOBILITY GROUP MUDOU A SUA ESTRATÉGIA E TEM SAÍDO VITORIOSO EM VÁRIAS FRENTES. PAULO MOURA, RESPONSÁVEL DO GRUPO EM PORTUGAL, DESVENDOU À VIAJAR QUAIS SÃO AGORA AS APOSTAS.

VIAJAR - A Europcar foi distinguida uma vez mais nos World Travel Awards, que este ano se realizaram em Portugal pela primeira fez. Este tipo de distinção faz-vos pensar que estão a seguir no caminho certo ou, por outro lado, deixa-os ainda com maior vontade de ir mais além? Paulo Moura - Efetivamente recebemos a distinção de Melhor Rent-a-Car nos World Travel Awards em 2018, a qual, felizmente, nos tem sido atribuída consecutivamente nos últimos anos. Também fomos Escolha do Consumidor, pela terceira vez, na Categoria de Serviço de Mobilidade, o que demonstra que continuamos a merecer a confiança dos clientes. É claro que estas distinções não são motivo para tomar essa preferência por um dado adquirido. A Europcar Mobility Group Portugal só pode viver e permanecer enquanto líder de mercado se mantiver uma postura de mercado inquieta e procurar sempre mais e melhores formas para dar resposta às necessidades dos clientes e parceiros, implementando soluções que tragam valor ao mercado. Estamos atentos às tendências e temos vindo a lançar, de forma ponderada e segura, numerosas soluções inovadoras de mobilidade, a enriquecer a nossa frota tanto com veículos comerciais como premium e ainda alternativas de mobilidade como as scooters e as bicicletas. Lançámos vários serviços que incluem desde o Longa Duração, um aluguer com tudo incluído – seguro, manutenção, pneus e veículo de substituição ilimitados −, mas também o aluguer mensal de scooters; o serviço de motorista e transfers, Chauffeur Service, que são sintomáticos da nossa dinâmica e vontade de fazer sempre mais.

RESULTADOS RECORDES V - Quais as receitas geradas pela Europcar em 2018? Isto significa que no total do ano houve um crescimento em todos os principais mercados e nas três principais áreas de negócio do grupo? PM - O nosso grupo mudou muito nos

últimos dois anos. Somos hoje mais ágeis e integrados fruto de uma nova estrutura organizacional baseada em unidades de negócio, mas também de uma maior dimensão (que é atualmente mais um terço do que no início de 2017), e do forte investimento no domínio digital e em talentos, com impactos óbvios no nosso desempenho financeiro. Podemos claramente afirmar que somos uma empresa de serviços de mobilidade moldada para o futuro e capaz de dar resposta às mais diversas necessidades de mobilidade nos variados segmentos, com forte enfoque nos nossos clientes e assente em sinergias. Os nossos resultados em 2018 apresentam níveis recordes tanto do EBITDA quanto da margem EBITDA, respetivamente em € 350 milhões e 12,1%, bem como um aumento robusto do Lucro Líquido, que refletem o potencial de criação de valor do nosso modelo de negócios e que confirmam a sua solidez e resiliência. A transformação digital, disciplina financeira e os programas significativos que implementamos para otimizar os nossos custos, quer nos nossos headquarters como a nível da rede, explicam a nossa confiança em alcançarmos tanto a receita de 3 mil milhões de euros (um ano à frente do plano) como 14% de margem EBITDA até o final de 2020 (excluindo o impacto da Nova Mobilidade). V - Em novembro passado, quando divulgaram os resultados do terceiro trimestre, noticiaram que o número de dias de aluguer tinha atingido um recorde. Foi assim que se verificou também no total do ano? PM - O número de dias de aluguer atingiu um novo recorde de 87,7 milhões em 2018, mais 27% que em 2017.

“Podemos claramente afirmar que somos uma empresa de serviços de mobilidade moldada para o futuro e capaz de dar resposta às mais diversas necessidades de mobilidade nos variados segmentos, com forte enfoque nos nossos clientes e assente em sinergias.”

V - O lazer continua a ser o vosso principal segmento de negócio? Em quanto se tem destacado?


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PM - O lazer tem-se mantido como principal motivo para o aluguer muito devido à dinâmica do setor do turismo de que falámos anteriormente. Os veículos mais procurados continuam a ser os ligeiros de passageiros, mas os nossos veículos comerciais de mercadorias também registaram uma forte procura ao longo do ano, em resultado da nossa aposta numa oferta diversificada - que integra desde o ligeiro comercial aos furgões, das Chassis Cabine com contentor às básculas, às caixas abertas basculantes -, com múltiplas capacidades de carga e opções de equipamento, mas também do enriquecimento da nossa frota com novos furgões refrigerados.

MUITO ALÉM DAS QUATRO RODAS V - Quem percorre as ruas de Lisboa tem verificado que se veem scooters Europcar por todo o lado. Como está a correr esta vossa área de negócio? Pode especificar com números? PM - As Scooters & Bicicletas registaram uma adesão fenomenal. Estão disponíveis para aluguer em cerca de 20 estações ‘Europcar em Portugal, entre Lisboa e Porto e em toda a costa Algarvia. O serviço é, de facto, um sucesso e tem vindo a ganhar adeptos, sobretudo entre os turistas, destacando-se claramente os

Rent-a-car

da margem adequada e actuando em complementação de uma “Os nossos equipa que ajudou a posicionar resultados em a Goldcar como a empresa 2018 apresentam níveis número 1 do segmento low cost. recordes tanto do EBITDA O reposicionamento da quanto da margem EBITDA, InterRent como uma marca respetivamente em € 350 mid-tier faz também parte do roteiro da nova administração milhões e 12,1%” para 2019, sendo esperado o lançamento de um novo serviço para o segundo trimestre de 2019. Com estes movimentos o Europcar Mobility Group pretende dar um novo impulso à Ingleses entre as nacionalidades que mais respectiva Unidade, assegurando a integrarecorrem a estas soluções de mobilidade ção de sinergias. e que “ganham” aos Alemães, a segunda nacionalidade que prefere as duas rodas. V - E quanto a novidades, a Europcar MoA terceira nacionalidade que mais gosta bility Group Portugal está a pensar lançar deste tipo de solução de mobilidade são alguma durante a BTL 2019? os franceses, logo depois os Holandeses PM - A BTL é o evento do Turismo em Pore, por fim, os Irlandeses. Cerca de 75% tugal. Procuramos sempre marcar presença dos alugueres são feitos por turistas, sendo por uma questão de networking e de conos Ingleses responsáveis por 20% desses tato com os agentes de viagem, os grupos alugueres, mas também os Portugueses hoteleiros e todos os players do travel trade, mostraram apetência pelo serviço, especialnacional e internacional e temo-lo feito mente em tempo de férias. sempre com uma surpresa, que naturalmente não poderemos revelar, seja através de V - Recentemente, no início deste ano, uma dinâmica em que interagimos com os decidiram reforçar a vossa gestão de uniclientes, seja porque eventualmente temos dade de negócio low cost. Ao que se deve um novo serviço que queremos apresentar e esta aposta? que pode, através do contacto com a nossa PM - A BU de low cost é gerida por Juanequipa de colaboradores presente no certaCarlos Azcona, antigo CEO da Goldcar, sob me, ser melhor explicado porque o contacto a liderança de Fabrizio Ruggiero, Vice-Prepessoal faz a diferença naquilo que é a sidente do Grupo Europcar de Mobilidade e nossa proximidade ao mercado e aos cliente Chefe das Unidades de Negócio. e parceiros, sem dúvida alguma. Agora que a BU está totalmente operacional A BTL é um palco para dar a conhecer no seu novo formato, pronta para aproveitar toda a nossa oferta, uma oportunidade as oportunidades do crescente mercado de contactar com representantes/protade lazer, o Europcar Mobility Group está a gonistas do mercado, contactar com as reforçar a alta direção da BU e avançou com empresas que constituem o sectorsetor e, nomeações para a Gestão de topo da Uniclaro, receber clientes e parceiros e poder dade e cuja principal missão será acelerar perceber quais as suas necessidades para o plano de criação de valor do programa de que a Europcar Mobility Group Portugal integração, a melhoria da jornada e satisfapossa cada vez mais ir ao encontro daquilo ção do cliente, garantindo a receita no nível que procuram.


Internacional PAULA MACHADO,

coordenadora do Turismo de Macau em Portugal

15 mil portugueses visitaram Macau em 2018 A NOVA COORDENADORA DO TURISMO DE MACAU EM PORTUGAL CONSIDERA QUE SERIA MUITO POSITIVO PARA AMBAS AS PARTES A EXISTÊNCIA DE VOOS DIRETOS OU CHARTERS ENTRE LISBOA E MACAU, MAS GARANTE QUE A SUA ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO DO TERRITÓRIO EM TERRAS LUSAS VEM NO SEGUIMENTO DO QUE JÁ ESTAVA A SER FEITO PELO SEU ANTECESSOR.

VIAJAR - Assumiu as funções de coordenadora do Turismo de Macau em Portugal em outubro passado. É seu objetivo continuar o trabalho do seu antecessor ou, pelo contrário, desenvolver uma nova estratégia de promoção de Macau em Portugal e Espanha? Paula Machado - Toda a inovação assenta no respeito e na valorização do trabalho dos que nos antecederam. Assim, como responsável pela promoção de Macau nos mercados português e espanhol tenho em mãos, por um lado, a importante missão de dar continuidade à excelência do trabalho do meu antecessor e, por outro lado, procurar de alguma forma inovar a nossa presença no mercado e comunicação, privilegiando as novas plataformas digitais, as redes sociais, os conteúdos multimédia, como por exemplo a realidade virtual, entre os outras formas vibrantes de disseminação das multicaraterísticas de Macau. Esta nova aposta pretende consolidar toda uma estratégia no posicionamento de Macau enquanto Centro Mundial de Turismo e Lazer. V - E no que respeita à relação com o trade? PM - Continuar a trabalhar no estreitamento das relações entre o trade dos dois territórios é obviamente o meu objetivo. E este ano, sendo Macau o destino internacional convidado da BTL e o destino preferido da APAVT, reveste-se de particular importância o nosso destaque no maior evento do setor do turismo em Portugal, constituindo, pois, uma oportunidade excecional, não só para darmos a conhecer aos milhares de visitantes o destino apaixonante e multifacetado que é Macau, mas também, para podermos partilhar contatos com vista à concretização de parcerias, com os vários especialistas da área do turismo, tendo em

conta a importância que Macau tem vindo também a adquirir no mundo das conferências e dos negócios. V - Este ano comemora-se os 20 anos Região Administrativa Especial de Macau e também os 40 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre China e Portugal. Que ações tenciona desenvolver tendo em vista estes dois marcos? PM - A par da participação na BTL onde vamos ter algumas novidades, o Turismo de Macau está a desenvolver ações de grande escala, que envolverá também o Instituto Cultural de Macau, para assinalar os 40 anos do reatamento das relações diplomáticas entre Portugal e a China e os 20 anos da Região Administrativa Especial de Macau, quer em Lisboa quer no Porto, no período compreendido entre 12 a 17 de Março, onde se inclui uma mostra de Macau num espaço público, atuações de grupos e exposições, etc. Não posso adiantar muito mais por agora porque ainda estamos em negociações.

HERANÇA CULTURAL V - O que é necessário criar para levar mais turistas portugueses a Macau? PM - Quando se pensa em Macau, é inevitável não lembrar o legado deixado e mantido entre as culturas chinesa e portuguesa, entre o tradicional e o moderno. O Macau presente coexiste pacificamente com um Macau antigo e singular, classificado em 2005 pela UNESCO como Património Mundial. Penso que esta oferta ímpar no contexto asiático atrai por si só os Portugueses. Assim, para além dos habituais atrativos como o legado cultural, o património, a gastronomia e os grandes eventos, vamos dar a conhecer, nas diversas ações de promoção turística, os novos produtos turísticos aos portugueses, como por exemplo a recente inaugurada ponte HongKong-Zhuhai-Macau, que constitui, com os seus 55 quilómetros, a maior travessia marítima do mundo, o que representa, por si só, uma atração turística, para além de ligar as três regiões do delta


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Internacional

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do Rio das Pérolas. Paralelamente estamos atentos às preferências das gerações mais novas por forma a conseguirmos chegar da melhor forma a esse segmento, que privilegia viagens “multidestinos”, para que Macau possa assim fazer parte desses itinerários. Uma acção concreta nesse sentido será a nossa participação já no final deste mês num roadshow especialmente vocacionado para a Ásia. V - Acha possível voltarmos a ter voos diretos entre Lisboa e Macau num futuro próximo? PM - Quando a TAP realizava voos diretos Lisboa/Macau fazia toda a diferença para o turismo luso e também para a região. Seria de toda a conveniência criar-se uma linha aérea direta de Lisboa para o território, em voo regular ou “charter”. Penso que há negociações nesse sentido, como também se espera a abertura da rota que irá ligar Lisboa a Xian -, cidade no noroeste da China – e a Macau, num futuro próximo. V - Quantos portugueses viajaram para Macau em 2018? O que significa esse número em relação ao ano transato? E o que perspetivam para este ano? PM - Macau é hoje um dos destinos com maior crescimento turístico e económico em todo o Mundo. Macau bateu um novo recorde ao receber mais de 35,8 milhões de visitantes ao longo de todo o ano de 2018. Esta nova marca traduz um aumento de 9,8% comparativamente a 2017. A esmagadora maioria dos visitantes de Macau são do interior da China (25 milhões), um aumento na ordem dos 13,8%. Tal devese, sobretudo, à ponte Hong Kong-ZhuhaiMacau, responsável pela chegada de mais de um milhão de turistas e que se tornou já no “segundo maior posto fronteiriço de

entrada de visitantes. Mas a oferta ímpar no contexto asiático atraiu em 2018, como já referi, mais de 35 milhões de visitantes, dos quais mais de 15.000 chegaram de Portugal. Existem pontos-chave a impulsionar este ano: o aprofundamento de Macau enquanto Cidade Criativa de Gastronomia da UNESCO, desenvolvimento do turismo inteligente, bem como a conclusão do Museu Temático do Grande Prémio e a realização de eventos comemorativos, no qual se inclui o 20.º aniversário da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), assim como atividades de grande escala em Portugal, em articulação com o Ano da China em Portugal.

DESTINO INTERNACIONAL CONVIDADO DA BTL V - Macau é uma vez mais o Destino Internacional Convidado da BTL. Que ações estão previstas? PM - Sob o lema “Sentir Macau ao seu Estilo”, vamos continuar a apostar na promoção do património e da gastronomia, que é um

“Quando a TAP realizava voos diretos Lisboa/Macau fazia toda a diferença para o turismo luso e também para a região. Seria de toda a conveniência criar-se uma linha aérea direta de Lisboa para o território, em voo regular ou “charter”

dos novos motores do turismo em Macau, pelo que haverá 3 momentos diários de showcooking com receitas de pratos típicos macaenses e doçaria do território. Tal como nos anos anteriores, iremos dar ênfase às novas tecnologias digitais e multimédia, que incluirá um espaço de realidade virtual onde serão disponibilizadas oito experiências distintas, desde passear num rickshaw pelas ruas de Macau a dar um salto da Torre de Macau. Também vamos dar a conhecer aos nossos visitantes a mascote do Turismo de Macau – o Mak Mak, que irá dar as boas-vindas a todos, especialmente à geração mais nova, com ofertas de divertidas tatuagens temporárias com o desenho do Mak Mak e outro merchadising. Teremos, ainda, um espaço destinado a jovens macaenses que se encontram a estudar em Portugal, onde podem mostrar algumas suas habilidades, como caligrafia chinesa, arte tradicional chinesa de recorte em papel, entre outras. V - O seu antecessor, Rodolfo Faustino, como sabe, sempre foi muito acarinhado pelo trade português, tendo sido homenageado por diversas vezes ao longo dos 18 anos que desenvolveu funções. Considera para si ingrato suceder a um profissional tão acarinhado pelo setor em Portugal ou, pelo contrário, é um desafio ainda maior? PM - É inegável que o Dr. Faustino deixou um valioso legado na promoção de Macau em Portugal. Tive o privilégio de fazer parte da sua equipa e testemunhei de perto o seu incansável trabalho e dedicação. Nesse sentido, foi com enorme orgulho que aceitei o cargo sabendo de antemão o enorme desafio que este representa. Mas isso, penso, é o que torna este projeto que tenho em mãos, ainda mais aliciante e prestigiante.


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VIAJAR 2019 / MARÇO

CONSTANTINO PINTO,

diretor geral da Avoris em Portugal

“O mercado reconhece-nos como um grupo que fala e pensa em português e que aposta e investe no mercado português” VIAJAR - 2018 foi um ano de muitas novidades dentro da Ávoris Travel, a divisão de viagens do grupo Barceló em Portugal, primeiro com a aquisição, pela Escalatur, da Halcon Portugal e depois também com a aquisição de 100% do operador turístico português Nortravel e ainda da Jade Tours, que se vêm assim juntar-se aos operadores que o grupo já tinha a desempenhar funções em Portugal, a Ávoris e a Jolideys. O que vai mudar com todas estas aquisições? Constantino Pinto - A única mudança é mesmo na dimensão do Grupo Ávoris, uma vez que o que pretendemos é consolidar a nossa presença em Portugal. Estas aquisições têm esse objetivo como meta principal. A rede de distribuição garante-nos uma presença junto do cliente final o que se torna determinante no sentido em que nos permite sentir o pulso do mercado e marcar presença de forma ativa, contribuindo para o enriquecimento do produto que confecionamos.  Quanto à Nortravel e à Jade Travel pretendemos tirar o melhor partido do que estes operadores significam para o cliente português e para o mercado em geral, potenciando as suas capacidades, respeitando as suas características e garantindo assim a identidade que lhes permitiu chegar à posição de destaque que ocupam!  V - Em outubro passado lançaram também um novo operador em Portugal, a LePlan. O que é pretendido com mais esta oferta no mercado? CP - A Leplan é um operador especializado em Disney que se dedica exclusivamente à operação deste tipo de produto. A sua equipa “vive” a Disney há mais de 20 anos e é detentora de um grau de especialização tal, que não poderíamos desaproveitar. Felizmente a Disney achou por bem aumentar o número de licenças em Portugal e por isso cá estamos nós, a responder de forma construtiva, prontos para dar o melhor de nós e contribuir com o nosso conhecimento para que a apetência do cliente português pela Disney cresça de forma exponencial.  Queremos dar o nosso melhor contributo, queremos facilitar a vida ao agente de

MUITAS FORAM AS MUDANÇAS DENTRO DO GRUPO ÁVORIS EM PORTUGAL DESDE QUE ENTRARAM NESTE MERCADO, HÁ CERCA DE CINCO ANOS. ADQUIRAM TRÊS OPERADORES TURÍSTICOS NO MERCADO PORTUGUÊS E CERCA DE UM ANO E ABRIRAM UM OUTRO EM OUTUBRO DEDICADO EM EXCLUSIVO AO PRODUTO DISNEY.

viagens proporcionando-lhe adequada formação e ferramentas intuitivas, rápidas e capazes de responder em tempo real ao que os clientes solicitam.

BALANÇO “CLARAMENTE POSITIVO” V - A Ávoris começou a operar em Portugal em 2017, qual o balanço que faz destes quase três anos em Portugal? CP - O Grupo começou a operar em Portugal em 2014. Em 2017 foi quando alterámos a nossa denominação para Ávoris. Quanto ao balanço podemos dizer com segurança que é claramente positivo! O mercado reconhece-nos como um grupo que fala português, que pensa em português e que aposta e investe no mercado português. A confiança que os agentes de viagem têm depositado em nós, tem garantido um crescimento constante e sustentado! V - As vendas e o volume de negócios têm superado as expetativas? CP - Sim, claro que sim. Analisamos as potencialidades do mercado e adaptamos a nossa estratégia em função dessas potencialidades. V - Começaram o por destacar a Costa Rica na vossa programação, mas ao que

perece as coisas não correram como o perspetivado, pode adiantar o que se passou com este destino? CP - A Costa Rica foi um dos destinos que testámos... rapidamente nos apercebemos que não existe mercado para uma operação charter com a envergadura da que montámos, por isso reposicionámo-nos, passando a apostar noutros destinos que se adequam ao tipo de operação que realizamos em Portugal.

CARAÍBAS ENTRE OS DESTINOS MAIS PROCURADOS V - Então quais têm sido os destinos “vencedores” da Ávoris em Portugal? CP - As Caraíbas com as suas operações do México, República Dominicana, Cuba e Jamaica e as Baleares e Canárias. As grandes Viagens da CATAI têm feito parte do lote de “produtos vencedores”. V - Lançaram recentemente um catálogo para estudantes. É objetivo da Jolidey especializar-se também como operador turístico de viagens de finalistas? CP - Podemos dizer que sim, embora estejamos apenas a tirar partido de operações que já temos programadas. Esta é uma área em que somos particularmente ativos em Espanha, por isso, porque não apostar também em Portugal? V - O que perspetiva para a Ávoris e todas as suas empresas de ADN português para 2019? CP - Crescimento e consolidação!... Entendemos que crescer só se justifica se o fizermos de forma sustentada apostando claramente na qualidade do serviço prestado e assumindo que esta é uma “indústria” de pessoas para pessoas!


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VIAJAR 2019 / MARÇO

NUNO MATEUS,

diretor geral da Solférias

“Não conseguimos colocar no mercado a oferta que queremos por falta de slots” VIAJAR - Numa entrevista anterior cedida à Viajar disse que 2014 tinha sido o melhor ano de sempre para a Solférias e que tinham chegado perto dos 40M€ em volume de faturação? Podemos saber como terminaram agora 2018? Nuno Mateus – Hoje em dia, graças a Deus, essa fasquia está mais que ultrapassada. 2017 foi o nosso melhor ano de sempre e ficámos muito satisfeitos porque 2018 conseguiu ultrapassar o anterior e tornou-se, uma vez mais, no melhor ano de sempre para a Solférias. No ano passado ultrapassámos os 60 mil passageiros pela primeira vez, o que é muito importante para a empresa e dá para ver como o nosso sucesso foi notório. V - Mas era o a que já esperavam ou excedeu as vossas expetativas? NM – Excedeu claramente as nossas expetativas! Cada ano tem a sua história, uns em que há uma grande adesão às campanhas de reservas antecipadas, outros em que o segundo semestre é mais forte. 2018 foi um ano que começou muito bem, a partir de

abril registou uma quebra, mas sentiu-se um retorno no segundo semestre, o que nos fez terminar o ano da melhor forma possível. Não nos podemos esquecer que há muita oferta no mercado e que o cliente tem acesso a muita informação, o que nos leva a tentar trabalhar todos os dias para fazer a diferença e para que possamos atingir estes números.

CABO VERDE CONTINUA A LIDERAR V – E quais foram os destinos que registaram maior procura? NM – O número um foi Cabo Verde. Este destino, apesar de hoje em dia ter uma quota inferior dentro da faturação da Solférias, continua a ser o mais procurado. Seguiu-se Portugal no seu todo, incluindo Açores e Madeira, também um pouco pelo nosso esforço em promover o destino com quatro brochuras lançadas a cada ano. Em terceiro lugar foi a Disneyland Paris e, pela dimensão da importância deste produto, fazemos sempre um roadshow anual, que

decorreu em fevereiro último, que atrai um grande número de agentes de viagens. Depois veio Marrocos, em voos regulares e especiais para Agadir e Saïdia. O Brasil, em especial na época de fim de ano, foi o destino que se seguiu e depois veio São Tomé, que é realmente um case study dado não ter assim tantas unidades hoteleiras e estar a crescer ano após anos, com uma excelente promoção a si agregada. Cuba foi outro dos destinos procurado durante todo o ano e tivemos uma boa recuperação da Tunísia, com um nível de vendas antecipadas muito interessante. Por último, a Ásia, dos continentes que mais tem crescido dentro da Solférias e que será uma das nossas grandes apostas. Este ano não se têm registado grandes diferenças em relação ao ano passado. Notório é que os portugueses estão a reservar cada vez com maior antecedência. Felizmente, hoje temos tecnologias que nos permitem apresentar a programação cada vez mais cedo. Muitas vezes as nossas dificuldades surgem ao nível dos charters, porque há destinos em que já temos histórico e é muito fácil publicarmos esses a partir de outubro para viagens no verão seguinte, mas depois há destinos que ainda não estão resolvidos na sua totalidade devido à falta de slots nos aeroportos de Lisboa e Porto. V – E como é que a Solférias está a atuar para tentar contornar esta situação? NM – É muito complicado! Hoje em dia não conseguimos colocar no mercado a oferta que queremos por falta de slots. Acabamos por ver o que está disponível e acabamos por publicar o que nos deixam. Até ao arranque do terminal do Montijo vai ser uma dor de cabeça para toda a gente, devido a uma limitação na colocação de charters. Beja não é solução porque vendemos mais do Tejo para cima, talvez por no Norte do país a economia ser mais forte. Os acessos de e para Beja, a partir do Centro e do Norte, são muito complicados e por isso esse aeroporto não ser solução, nem mesmo temporária.


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REGRESSO AO EGITO V - Decidiram voltar a apostar no Egito. Como está a correr as vendas? NM - O Egito é um destino que está a ser relançado. Muitas pessoas têm uma ideia diferente do destino, ao verem-no como inseguro. É preciso mudar essas opiniões porque o Egito é um destino que está a apostar muito na segurança e quem lá esteve há alguns anos atrás pode contar agora com um país muito mais desenvolvido em todos os aspetos. Neste momento ainda não é garantido que haja uma operação de verão, dado que existem muitas companhias a voarem para o Egito, mas para colocar um charter temos que falar já de uma procura de largas dimensões. Estamos a tentar mais ainda é difícil de dizer se iremos mesmo avançar ou não. Temos que esperar para ver. Temos o destino em operação regular mas o nosso trabalho e esforço só se vai notar quando começarem a sair as informações dos meios de comunicação que nos acompanharam num press trip pelo Cairo, Luxor e Hurghada. Esperemos que pelos seus sentimentos e por aquilo que vivenciaram os jornalistas consigam fazer chegar aos portugueses o bom destino que ali está e como será enriquecedor conhecê-lo (a VIAJAR fez parte dessa press trip e poderá ler a crónica de reportagem nesta edição). V - E em relação a outros destinos, o que está a despertar maior procura para a Páscoa? NM – A nossa programação para a Páscoa é assente, sobretudo, em voos regulares, mas temos dois voos charter, um para a Ilha do Sal e outro para a Boavista, em Cabo Verde, em parceria com outros parceiros, que estão

Agências & Operadores “2018 conseguiu ultrapassar o anterior e tornou-se, uma vez mais, no melhor ano de sempre para a Solférias. No ano passado ultrapassámos os 60 mil passageiros pela primeira vez, o que é muito importante para a empresa e dá para ver como o nosso sucesso foi notório.”

já completos. Não nos podemos esquecer que este ano a Páscoa, por estar muito próxima dos feriados do 25 de Abril e do 1 de Maio, decidimos prolongar a operação até essa altura, por fazer todo o sentido. V – Como os portugueses estão a reservar com maior antecedência, já há muitas reservas para a operação de verão? NM - Já no ano passado o período de vendas até 30 de Abril foi o mais marcante de todo o ano. O mesmo se será a verificar este ano. Os portugueses começam a habituar-se que conseguem preços muito mais competitivos nas vendas antecipadas, podendo ainda escolherem exatamente o que pretendem, sem se habilitarem a ficar apenas com o que sobrou. V – Para além do Egito estão a pensar lançar mais algum destino este ano? NM - Não, para já não! Estamos a consolidar os nossos destinos e a apostar fortemente na Ásia. V - O que tem a Solférias guardado para esta BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa? NM - A BTL é uma feira que se tem transformado muito nos últimos anos. Antigamente

“Até ao arranque do terminal do Montijo vai ser uma dor de cabeça para toda a gente, devido a uma limitação na colocação de charters. Beja não é solução (…) nem mesmo temporária.”

era quase uma feira de contratação, até porque se realizava em janeiro, hoje em dia com as novas tecnologias já ninguém vai a uma feira para contratar. Primeiro que tudo, a BTL adquiriu uma importância imensa nas reservas dos portugueses e as vendas na feira este ano ainda podem ser muito melhores. V – Tendo em conta que 2018 foi o melhor ano de sempre para a Solférias, o que esperam de 2019? NM – Queremos sempre mais. Somos ambiciosos, mas temos que ter os pés bem assentes, sobretudo porque tem que haver um equilíbrio na oferta que colocamos no mercado. Os próximos anos vão depender, e muito, dos slots que forem aprovados pelos aeroportos. Não vale a pena queremos colocar muita coisa no mercado se depois não temos como fazer as pessoas chegarem aos destinos. Não nos podemos esquecer que as obras do Montijo ainda nem sequer arrancaram. Os charters são uma fatia muito importante da nossa faturação mas não podemos diversificar para oferecermos o produto que pretenderíamos. Não temos condições para isso.


CUBA

Onde a história, a cultura e o paradisíaco vivem em perfeita harmonia

CUBA É UM PAÍS MAGNÍFICO! POR TODO O LADO, RESPIRA-SE HISTÓRIA, UMA CULTURA MUITO RICA E É DAS SUAS UNIVERSIDADES QUE SAEM ALGUNS DOS MELHORES MÉDICOS DO MUNDO, EM DIVERSAS ÁREAS. Por Sílvia Guimarães

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TENDÊNCIA DOS AGENTES DE VIAGENS É SUGERIR O MAIS ÓBVIO. Uma estadia de sete noites, divida entre Havana e Varadero, com uma possível extensão de algumas noites em Cayo Coco ou Cayo Guillermo. Apesar de termos passado por Havana nesta viagem, que muito nos encantou, decidimos neste artigo dar-lhe a conhecer uma outra Cuba, com locais igualmente fantásticos, alguns culturais e históricos e outros paradisíacos. A nossa visita começou por Santiago de Cuba, e a partir daí percorremos a zona leste da ilha, durante 10 dias, com final em Havana, mas esta fica para uma próxima oportunidade, para um outro artigo.

SANTIAGO DE CUBA Santiago de Cuba é uma cidade maravilhosa, que demonstra os muitos anos de história, por vezes atribulada, de uma nação que ainda hoje sabe bem o que é viver debaixo de uma ditadura. A Praça da Catedral, também conhecida por Parque Céspedes, foi o início de uma viagem única. Lugar de encontros, lendas, amores, sons e deslumbres, é esta praça que marca o centro de Santiago. Como não poderia deixar de ser, é aqui que fica situada a Catedral, com uma arquitetura muito semelhante a de outras tantas construídas pelos espanhóis. Apesar da sua majestosidade, esta não é a catedral original, mas sim a quarta ali edificada e data do século XIX. Devido a diversos terramotos e ao saque de piratas ao longo dos séculos, as anteriores acabaram por ser destruídas.

É ainda nesta praça que fica a antiga sede do Governo Cubano, conhecida como a Casa de Diego de Velázquez. E porque estávamos no centro da cidade, daí seguimos para o Cemitério de Santa Efigénia, construído em 1868 e hoje com mais de oito mil túmulos, muitos deles de personagens importantes da história cubana. É o caso do mausoléu do herói nacional José Martí (1853-1895). Em forma hexagonal, o mausoléu alberga o caixão em madeira de Martí, tapado com a bandeira cubana, e onde se pode ver diariamente uma parada militar em sua homenagem e aos restantes que o acompanharam. Há pouco mais de dois anos, foi neste cemitério que também foi sepultado o líder da revolução cubana, Fidel Castro. Ao contrário do que se possa pensar, o túmulo daquele que foi o líder cubano, durante largos anos, é muito simples e está sempre acompanhado por um guarda. Uma visita guiada a este verdadeiro “museu” a céu aberto é aconselhada, para melhor compreender a história dos heróis que aí jazem. O Santuário Nacional da Virgem da Caridade do Cobre, a padroeira de Cuba, foi a nossa paragem seguinte. O seu nome deve-se ao facto de ter sido mandado construir por populares da aldeia de El Cobre, em 1926. Debaixo da imagem da Virgem, situa-se a Capela dos Milagres, onde os crentes, que chegam aos milhares em peregrinação, depositam diariamente a suas oferendas. E acredite que são muitas e de todos os valores, entre as quais a que mais sobressai é o prémio Nobel da Literatura atribuído a Ernest Hemingway.


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GUANTANAMO Com Santiago de Cuba já para trás, a região de Guantanamo é aquela que fica mais a leste do país. É onde se situava a prisão de mais alta segurança do mundo, deixando todos com muita curiosidade, quanto mais não seja para ver como seria a cidade que inspirou o compositor cubano Joselito Fernandéz, ao escrever a famosa “Guantanamera”. Esta região turística tem para oferecer algumas praias formosas de areia convidativa e um mar cristalino, mas também parques naturais e uma grande riqueza histórica e cultural. É precisamente em Guantanamo que encontrámos três locais Património da Humanidade: o Parque Nacional Alejandro de Humboldt; a Tumba Francesa; e as Plantações de Café Francesas. Uma forma de conhecer um pouco da herança deixada pelos emigrantes francófonos, oriundos do Haiti, no final do século XVIII. As opções para quem visita esta região são inúmeras, podendo sempre conjugar natureza com história, cultura com artes, gastronomia com o bem-fazer, entre muitas outras. Ainda em Guantanamo, não deixe de visitar a cidade colonial de Barbacoa, e as suas fortificações: Forte Matachín, Forte de la Punta, e Castelo de Seboruco. Declarada Monumento Nacional, Baracoa é a cidade mais antiga de Cuba, fundada por Diego Velázquez, em 1511. Um lugar exótico de muita vegetação endémica, inserida entre maciços montanhosos, com águas cristalinas, tanto de rios como do mar.

GUARDALAVACA E chegámos, por fim, ao terceiro mais importante ponto turístico de Cuba, a praia de Guardalavaca, que faz mesmo jus à sua fama, dado ser considerada a mais bela praia de Cuba. Areal fino e branco, mar límpido e de um verde cristalino, são atributos que cheguem para nos deixarem rendidos logo à partida. Já lá vamos… Recuando um pouco no tempo, Guardalavaca foi lugar de abrigo para corsários e piratas, onde houve registo de muito contrabando de gado vindo a Europa, daí o seu nome. Esta zona era quase virgem até aos anos 90, mas hoje em dia pode-se aqui encontrar grandes resorts que atraem turistas oriundos dos quatro cantos do mundo, não fossem as praias uma verdadeira preciosidade. Caraterizada pela sua forma de concha, a praia de Guardalavaca, a norte, está cercada por uma barreira de coral que permite a prática de snorkeling e mergulho. As águas calmas e “calientes” são ideais para os restantes desportos aquáticos, prometendo bons momentos em família ou com amigos. Se o sol e mar não é suficiente para si, saiba que em Guardalavaca existem diversas excursões de cariz cultural, histórico e natural.

HOLGUIN E GIBARA A cidade de Holguin, na província com o mesmo nome, foi o destino que se seguiu. Pouco conhecida dos turistas, é uma das províncias com maior população de Cuba. Reza a história que encantou Cristóvão Colombo assim que se deparou com a sua beleza natural. Situada a 70 quilómetros de Guardalavaca, vale a pena parar nem que seja para visitar o centro histórico da cidade. A Praça El Quixote é de visita obrigatória. Alberga estátuas de grandes dimensões do clássico D. Quixote de la Mancha, do escritor espanhol Miguel de Cervantes. Com uma arquitetura ao estilo neoclássico francês, o centro da cidade é demarcado por uma enorme praça chamada de “El Parque”, com uma estátua do general Calixo Garcia a dar as boas vindas. No entanto, esta é apenas uma das muitas praças pelas quais se poderá encantar em Holguin, já para não falar do Museu de História Natural. Uma breve paragem a caminho que Guardalavaca que fez todo o sentido, sobretudo, pela beleza do local e por ainda não estar explorado pelo turismo. A 33 quilómetros de Holguin, deparámo-nos com a cidade de Gibara e a sua linda vila piscatória conhecida como Vila Branca, com muralhas em seu torno, que outrora a protegera. Ainda é possível observar vestígios da Bateria de D. Fernando VII e as ruínas do quartel que aí existiu. Das casas senhoriais que por ali permanecem, em bom estado, apenas resta a Casa de Santa Maria. O centro histórico de Gibara foi declarado Monumento Nacional em 2004, devido ao conjunto arquitetónico colonial que ainda hoje acolhe. Não deixe de passar pelos museus de História Natural, da Arte e da História Municipal, para ficar a conhecer um pouco mais deste povo, com a sua grande força cultural.


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CAMAGÜEY Foi difícil deixar para trás este mar cristalino, mas tivemos que seguir viagem até Camagüey. Em si guarda duas joias, os dois maiores arquipélagos de Cuba: Sabana-Camagüey, mais conhecido por Jardins do Rei; e Jardins da Rainha. Ideais para quem procura zonas virgens, tranquilidade e uma temperatura média anual a rondar os 24ºC. Também em Camagüey as praias são fantásticas, apesar da beleza desta cidade não se restringir apenas a isso. No centro histórico, declarado Património da Humanidade pela UNESCO, não deixe de visitar a Catedral, ao estilo das demais espalhadas pela ilha de Cuba; a Igreja de Nossa Senhora das Mercedes, que também deverá ser contemplada; assim como as galerias de arte espalhadas pela cidade. E como estamos numa das metrópoles mais importantes de Cuba, aqui é ideal para fazer as tão desejadas compras. O melhor será procurar pela rua mais famosa da cidade, chamada de El Boulevard, onde poderá encontrar de tudo um pouco em termos de artesanato e lembranças.

SANCTI SPÍRITUS

CAYO DE SANTA MARIA

No dia seguinte, viajámos em direção a Sancti Spíritus, a província de Cuba que conta com duas das sete primeiras cidades fundadas no início do século XVI por Diego Velázquez. São elas Sancti Spíritus e Santísima Trinidad. No centro histórico de Sancti Spíritus, ainda nos conseguimos deslumbrar com a arquitetura de outras épocas coloniais, com traços demarcados dos estilos espanhol e francês, com destaque para a Igreja Paroquial Matriz, para o Teatro Principal e para a ponte que liga as duas margens do Rio Yayabo.

Em direção ao arquipélago de Sabana-Camagüey, chegámos ao nosso próximo destino, o Cayo de Santa Maria. Até lá, percorremos a El Pedraplén, uma estrada de 62 quilómetros, e com uma altura máxima de dois metros, construída sobre o mar, a ligar a ilha de Cuba às ilhas daquele arquipélago. No Cayo de Santa Maria, é possível encontrar um sem fim de resorts de regime “tudo incluído”, na sua maioria de bandeira espanhola. Esta é, sem dúvida, uma alternativa perfeita aos destinos de praia mais famosos de Cuba. Estamos a falar, é claro, de Varadero, Cayo Coco ou Cayo Guillermo. As praias são paradisíacas, de areia muito branca e fina, o mar azul-turqueza e águas tépidas todo o ano. Quando decidir fazer um pequeno intervalo dos banhos de mar ou piscina, com muitas atividades náuticas à mistura, não deixe de passar pelo Delfinário, onde é possível nadar com golfinhos e leões-marinhos, além de assistir a diversos espetáculos com estes amigáveis seres do mundo aquático. Os preços são bastante convidativos e talvez os mais baratos dos delfinários existentes nas Caraíbas. Se gosta de andar de barco, é importante saber que, às 9h da manhã, partem excursões de catamaran da Marina de Caibarién, a cidade portuária localizada no início do El Pedraplén, com destino ao delfinário, com paragem pelos arrecifes para os visitantes poderem nadar e praticar snorkeling. O preço por pessoa, com tudo incluído, inclusive entrada no delfinário, espetáculos, interação com os golfinhos e almoço de lagosta, não chega aos 100 euros por pessoa. E para os apreciadores de festa, com muita música à mistura, à partida da mesma marina sai um catamaran-discoteca, diariamente às 18h, com regresso apenas à meia-noite. Visitar o Cayo de autocarro panorâmico é igualmente uma excelente opção. Por menos de dois euros por pessoa, este tipo de transporte funciona todos os dias ,das 9h às 22h. Muito mais haveria a dizer sobre Cuba. Os hotéis estão a atingir as cinco estrelas, principalmente nas regiões litorais, a gastronomia é de comer e chorar por mais (apesar do embargo aos produtos estrangeiros), a cultura é riquíssima e o legado histórico deixa-nos com uma forte vontade de voltar.

Hotelaria em qualidade crescente Durante a nossa viagem ficámos hospedados em bons hotéis, apesar de termos visitados outros para termos maior referência. Deixamos aqui os seus nomes para que, quando viajar para Cuba, seja mais fácil escolher. SANTIAGO DE CUBA: Hotel Meliá Santiago (5 estrelas, classificado por nós com 4 estrelas) BARBACOA: Hotel Porto Santo (4 estrelas, classificado por nós com 3 estrelas) HOLGUIN: Hotel Memories Holguín (4 estrelas) CAMAGÜEY: Meliá Gran Hotel Camagüey (3 estrelas) CAYO DE SANTA MARIA: Hotel Iberostar Ensenachosb (5 estrelas)


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Como definir o Egito em três palavras?

Maravilhoso, seguro, a repetir! O EGITO É UM DESTINO ÚNICO. A HERANÇA FARAÓNICA FAZ DESTE UM DESTINO INIGUALÁVEL NO MUNDO. A SEGURANÇA É UMA DAS MAIORES PREOCUPAÇÕES NAQUELE PAÍS, QUE PODERÁ VISITAR À PARTIDA DE PORTUGAL COM A SOLFÉRIAS E A SOLTRÓPICO. A VIAJAR VIAJOU A CONVITE DE AMBOS. Por Sílvia Guimarães

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Á QUEM HOJE EM DIA SE SINTA RENITENTE EM PENSAR VIAJAR PARA O EGITO. São muitas as notícias de insegurança que invadem os ecrãs de televisão ou as páginas dos jornais a cada dia que passa. Uma coisa é certa… em 10 dias de viagem, não me senti insegura uma única vez, nem mesmo nos locais mais turísticos, que embelezam este país de histórias e lendas faraónicas tão ricas. A cidade do Cairo, a capital do Egito, foi o ponto de partida para uma viagem tão cheia de emoções, enriquecimento cultural e misto de sensações. Apesar do seu trânsito confuso, milhares de pessoas e desordem urbana, o Cairo guarda em si um misticismo que encanta ao primeiro olhar. Não estou a falar apenas da majestosidade das Pirâmides de Gizé ou dos tesouros que nos deixam antever o quanto o povo egípcio, da época dos reis e faraós, pensavam muito além dos que lhes deveria ser permitido, tendo em conta os séculos recuados em que já viveram.

NECRÓPOLE DE GIZÉ Tudo gira em torno do rio Nilo, não fosse o Egito deserto em mais de 95% de toda a sua área geográfica. Mas, no que respeita ao turismo, na verdade é que tudo gira em volta da Necrópole de Gizé, onde estão localizadas as mais famosas pirâmides do planeta, as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. De longe, conseguimos perceber, desde logo, a impetuosidade arquitetónica daqueles três ícones do antigo Egito, a única das 7 Maravilhas do Mundo Antigo ainda “de pé”, para deslumbrar os seus milhares de visitantes diários. Não deixe de passar pelo miradouro de onde pode tirar aquela foto da praxe em que parece conseguir agarrar uma das pirâmides com a sua própria mão! Mas, se de um lado das pirâmides existe um deserto sem fim, que desperta para a curiosidade daquele infinito de areia, do outro lado, bem colada às pirâmides, começa a cidade do Cairo. Daí dá para ver como o novo Museu Egípcio (que tem tido inauguração adiada desde 2017 e que agora está prevista para 2020), construído para acolher sobretudo o avultado tesouro do mais famoso Faraó, Tutankamon, é enorme. Os guias locais dizem mesmo que o museu terá um tamanho três vezes superior ao Museu do Louvre, em Paris. E como não poderia deixar de ser a Esfinge, estátua com rosto humano e corpo de leão, dá as boas vindas a quem vem da cidade para visitar as pirâmides. Um bom presságio de como irá decorrer a visita. Se quer uma sugestão, peça para lhe tirarem uma daquelas fotos cliché, como se estivesse a beijar a face da esfinge. Todos o fazem… mas é sempre uma boa recordação!


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MUSEU EGÍPCIO O atual Museu Egípcio, de visita obrigatória enquanto o outro não for inaugurado, já é pequeno para mostrar todas as peças, estátuas, túmulos, sarcófagos e até múmias de reis e nobres. Assim que entramos no museu, denotamos que a segurança é um dos fatores chave: existem detetores de metais e RX em todas as portas de entrada do museu. Os jardins por si só já nos fazem adivinhar o que virá assim que passarmos aquelas portas, onde, à entrada, tem transcritos os nomes dos reis que governaram o Egito longo de séculos e séculos. Uma vez no museu, parece que estamos a entrar numa cena de “Indiana Jones e os Salteadores da Arca Pedida”. Aquele museu é muito mais do que se possa imaginar. São séculos de uma cultura absorvida entre quatro pareces, fazendo com que remontemos à época

CRUZEIRO NO NILO E JANTAR A BORDO Depois de um dia agitado e de riqueza cultural e histórica extremas, nada melhor que desfrutar de um momento relaxante a bordo de um dos famosos barcos de cruzeiro do Nilo para jantar, vislumbrar a paisagem noturna e assistir a diversos espetáculos tradicionais e, como não poderia deixar de ser, com a dança do ventre a despertar as atenções. Pharahos foi o barco que nos acolheu e muito bem, por sinal! Pelo nome dá para imaginar a temática do barco. Sim, é verdade! Estamos a falar de uma embarcação que homenageia os antepassados do Antigo Egito. Com dois pisos, o barco está preparado

de faraós, sem perder um único capítulo. Muitas das peças que aí permaneceram durante anos já começaram a ser transportadas para o novo museu, principalmente as que fazem parte do tesouro de Tutankamon e de Ramsés II, este último o que esteve mais tempo no poder enquanto faraó, e outras irão também para o futuro Museu das Pirâmides, com inauguração marcada também para 2020. Mas não é o por isso que ficamos dececionados, pois são mais de 750 peças para ver e admirar. A não perder! A maior coleção patente neste momento pertence ao tesouro do faraó Yuya e da sua rainha Tuya. Os corpos exumados de ambos podem ser admirados pelos visitantes e é aí que se pode ter a perceção de como este povo vivia em função de morte, ou melhor, de como preparar o corpo para uma nova vida para além da morte terrena.

para receber algumas centenas de pessoas. O serviço é à base de buffet, onde a gastronomia local está patente, embora os mais renitentes no que respeita a “aventuras” gastronómicas possam ficar descansados. O menú é composto por saladas e carnes grelhadas, ao gosto até dos paladares mais exigentes. Apenas quando o jantar está a terminar é que o barco sai do cais para navegar e mostrar os visitantes como o Cairo é extremamente bonito quando iluminado. Tudo pensado ao pormenor! É precisamente quando estamos a usufruir da paisagem que ouvimos algo dentro do navio... O som contagiante da música egípcia leva-nos a embarcar noutra viagem pelos costumes artísticos daquele povo.

Para começar, a tradicional dança dervixe, que nos deixa de “cabeça à roda” só de ver como é fenomenal e possível uma pessoa conseguir dançar e rodar, sem parar, durante 15 minutos seguidos. Seguiu-se a dança do ventre, sem dúvida com a melhor dançarina que já vi até hoje… e olhem que já vi muitas, porque sempre gostei imenso de dançar e ver dançar. Por último, um outro artista a simular uma antiga luta de espadas, onde a cor e o brilho imperam. Uma noite diferente e muito divertida que os visitantes do Cairo não deverão perder. Um cruzeiro pelo Nilo de três noites fica em cerca de 40€ por pessoa (bebidas não incluídas), mas se preferir utilizar transfer à partida do hotel pode acrescentar mais 15€.


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BAIRROS JUDAICO E CRISTÃO E como no Egito não existem apenas muçulmanos, vale a pena visitar o Cairo Judaico e o Cairo Cristão. É impressionante percorrer aquelas ruas. O cemitério judaico tem quilómetros… a perder de vista! Tudo porque no Egito não existe cremação, por ser contra as crenças daquele povo. O mais impressionante é que os egípcios que vivem abaixo do limiar da pobreza (ou seja, a baixo do salário mínimo de 120€), que não têm possibilidade de comprar ou

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arrendar casa, ocupam desde há muito os jazigos daquele cemitério, fazendo deles o seu lar, apesar de terem como vizinhos aqueles que já partiram deste mundo. Estranho para a nossa cultura, mas “banal” para aquela outra. O dia começa com uma vista às igrejas do bairro Copta Cristão, em Misr Al-Qadima, com especial atenção para a Igreja Suspensa da Virgem, uma das mais antigas de todo o Egito. De visita obrigatória é ainda a Igreja de São Sérgio, mais conhecida localmente

HURGHADA: O PARAÍSO PARA OS AMANTES DA PRAIA E como os portugueses gostam e procuram férias de sol e mar, o Egito é o destino ideal para o fazer, podendo conjugar cultura, história e muitos banhos no Mar Vermelho, de água extremamente cristalina e salgada. Para isso, o destino ideal será Hurghada, a nossa próxima paragem! Assim que chegamos reparamos que, uma vez mais, a segurança faz parte da mentalidade atual deste povo, com diversos postos de controlo automóvel espalhados pela cidade e periferia. Esta cidade costeira está repleta de resorts, ao estilo das Caraíbas, preparados para receber os seus clientes com todo o requinte. O meu resort ficava instalado na zona de Makadi, uma área muito calma, onde apenas existem hotéis e resorts. De seu nome Prima Life, este resort é ideal para acolher famílias com crianças. Os buffets apresentam uma boa variedade de comida saborosa, as piscinas são ótimas e o areal da praia, apesar de pequeno, deixa-nos satisfeitos pela cor da areia e do mar, ideais para os mais pequenos da família. Mas, não é apenas de resorts que vive Hurghada. Por aqui pode encontrar todo o tipo de atividades ligadas ao mar. Desde snorkeling, mergulho ou passeios de barco, haja folego para tudo! A vida noturna de Hurghada é outro dos seus atributos, quer seja apenas para apreciar os produtos locais ou escolher um dos muitos restaurantes tradicionais, onde os pratos de peixe imperam ou não estivessemos numa cidade onde a atividade piscatória é uma das principais. Se gosta de marisco, opte pelo restaurante Star Fish, mas cuidado porque as doses são grandes e dão, pelo menos, para duas pessoas. Quem gosta de compras também pode aqui encontrar um paraíso, principalmente no que toca a boas falsificações de produtos das grandes marcas, a preços muito apetecíveis... A partir de Hurghada, pode fazer diversos passeios à descoberta de aventura, mais cultura ou mais praias deslumbrantes.

VIAJAR 2019 / MARÇO

por Abu Serga, construída por cima da Gruta da Sagrada Família, onde Jesus, Maria e José encontraram guarida durante a fuga da Terra Santa. Se ainda tiver tempo, e muita pena tive eu de não o ter, não deixe de passar pela Sinagoga Judaica de Bem Izra, uma das mais antigas de todo o Egito, pelo Mosteiro de São Jorge, pela Igreja de Santa Bárbara ou pela Cidadela de Saladino, datada do século XII, e ainda pela Mesquita de Mohamed Ali, dedicada a este profeta.

ILHA GIFTUN: PERFEITA PARA A PRÁTICA DE SNORKELING Um dos passeios que deverá fazer quando estiver em Hurghada será uma viagem de barco até à ilha Giftun, mais conhecida por Paradise Island, para lá passar o dia e desfrutar do que de melhor o Mar Vermelho tem para oferecer. E que se desengane quem pensa que este mar é mesmo vermelho. As suas águas apresentam tons de verde e azul cristalinos, ideais para fazer snorkeling e ver peixinhos de todas as cores e tamanhos. E não tenha receio, porque mesmo no inverno as temperaturas continuam amenas, a rondar os 20ºC/23ºC, o que permite tomar banho de mar sem qualquer problema.

SAFARI NO DESERTO Para os mais aventureiros, um safari no deserto de moto 4 ou buggie poderá ser a experiência perfeita. A cerca de 30 minutos de carro da cidade, poderá sair para uma expedição única, de 50 minutos para cada lado, com destino à aldeia de Bedouin, onde poderá ficar mais familiarizado com a cultura e tradições da Beduínos egípcios, para além de ter a possibilidade de dar uma volta de camelo e visitar o terrário onde vivem diversos exemplares e répteis do deserto. O preço por pessoa varia entre os 43,75€ e os 56,25€, mas tenha atenção que deverá levar almoço consigo. Fica a dica para o caso de estar hospedado num resort: pode pedir para levar consigo uma cesta com comida e bebida, eles providenciam!


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Destino TOP

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SHARM EL NAGA: O CHARME DE UMA PRAIA PRIVADA A cerca de 60 quilómetros a sul de Hurghada, é possível chegar a um verdadeiro paraíso. Estou a falar da praia privada de Sharm El Naga, onde poderá passar um dia relaxante, enquanto aproveita para desfrutar da vida marinha daquele lugar, com a possibilidade de nadar mar adentro, enquanto pratica snorkeling ou mergulho. A partir de 56,25€, a estadia inclui almoço buffet no restaurante da praia, com bebidas e equipamento para a prática de snorkeling.

LUXOR E A SUA MAJESTOSIDADE Embora, à partida, a viagem possa parecer cansativa, posso garantir que vale bem a pena. Num dos dias, acordámos às 3h da madrugada para partirmos com destino a Luxor, a quatro horas de viagem de autocarro a partir de Hurghada. Se lhe parecer muito tempo, leve uma almofada do hotel e aproveite para dormir durante a viagem, porque, ao chegar a Luxor, vai ficar encantado com a magnitude daquele lugar. Luxor é a cidade do Egito onde as pesquisas arqueológicas foram mais produtivas, revelando ao mundo dezenas de monumentos da antiga civilização egípcia. Dividida pelo rio Nilo, as margens leste e oeste abrigam abundantes relíquias que têm sido restauradas e mantidas ao longo dos anos.  Uma dessas maravilhas é o Templo de Karnak, o maior de todo o Egito. Dedicado ao deus sol, Amon-Rá, a sua construção demorou quase dois mil anos. Foi ocupado por diversos faraós, entre os quais o famoso Ramsés II, e nele existe a maior sala colunada do mundo, com mais de 5 mil metros quadrados. Ao todo, são 134 colunas, distribuídas por 17 filas, algumas com 22 metros de altura. Por outro lado, guarda em si diversos obeliscos, com cerca de 28 metros de altura e 300 toneladas de peso. Colossos de Mêmnon

Templo de Karnak

De seguida, não deixe de passar pelo Templo Luxor, mandado construir pelo faraó Amenhotep III e mais tarde aumentado por Ramsés II, mas apenas terminado já no período muçulmano. É, por isso, o único monumento do mundo que contém em si mesmo testemunhos das épocas faraónica, greco-romana, copta e islâmica, com nichos e frescos coptas e até uma mesquita (Abu al-Haggag). Uma vez em Luxor, deverá ainda que visitar o templo mortuário de Hatshepsut, mais conhecido como a “maravilha das maravilhas”. Construído em homenagem a Amon-Rá, foi mandado edificar pela rainha Hatshepsut, filha do rei Tutmósis I, esposa do Tutmósis II e regente do filho de seu marido, o futuro Tutmósis III. Como as relações que mantinha com o enteado nem sempre foram as melhores, após a morte da rainha, Tutmósis III, ao assumir todos os poderes, decidiu destruir as inscrições e estátuas do templo com o objetivo de eliminar a imagem de Hatshepsut.

Templo de Karnak

Templo de Hatshepsut

VALE DOS REIS Muito perto fica o famoso e majestoso Vale dos Reis. Um local obrigatório para quem visita o Egito pela primeira vez. Imagine-se um casulo de formigas, com imensos canais e câmaras… é assim que nos faz parecer o Vale dos Reis. São centenas de túmulos subterrâneos, sobrepostos uns nos outros, de reis e rainhas do Egito, entre os quais o do famoso Tutankamon e o do poderoso Ramsés II. O único túmulo que foi encontrado intacto até hoje foi o de Tuntankamon, daí a sua fama. Os restantes, ao longo dos séculos, foram sendo saqueados e o que restou encontra-se em museus, do Cairo a Londres ou Paris, entre outras cidades. Mesmo assim, quanto mais não seja para ver e entender como este povo dava importância à morte, a visita é mesmo obrigatória. E as inscrições, algumas pintadas de cores forte, são únicas e maravilhosas. Antes de regressar a Hurghada, passe ainda pelos Colossos de Mêmnon, duas estátuas gigantes do faraó Amenófis III, situadas na necrópole da antiga cidade de Tebas, na zona oeste de Luxor, que surgem como guardiãs do templo funerário deste faraó, que foi totalmente destruído pelas inundações do Nilo. Termino como comecei… Como definir o Egito em três palavras? Maravilhoso, seguro, a repetir!


Com uma localização privilegiada no centro do Algarve, entre Vilamoura e Albufeira e apenas a 300m da praia, o Balaia Golf Village impõe-se pelo seu estilo, distinção e conforto. Perfeitamente integrados em vastos e cuidados jardins, destacam-se 6 complexos de piscinas, que incluem as exclusivas para crianças, uma piscina exterior aquecida. Ainda a realçar os 4 campos de ténis com profissional residente, um parque infantil e um health club com ginásio, jacuzzi, banho turco, gabinete de massagem e piscina aquecida, bem como, uma área para a prática de bowling, um driving range e um campo de golf executivo de 9 buracos e academia de golfe.

BALAIA

GOLF VILLAGE Os restaurantes “A Varanda “ e o “Le Club” ambos com magníficas vistas panorâmicas, oferecem menus requintados que podem ser degustados numa atmosfera elegante e tranquilo.

No Balaia Golf Village, poderá usufruir de dias inesquecíveis, quer procure a calma que os espaços envolventes lhe proporcionam, quer prefira o bulício das zonas próximas mais cosmopolitas.

O website www.balaiagolfvillage.pt permite, a quem o visita, visualizar tudo o que o resort oferece.

Sitio da Balaia, Apartado 917 • 8200-912 Albufeira | Algarve | Portugal t. +351 289 570 200 • f. +351 289 501 265 • e. reservas@balaiagolfvillage.pt


At the heart of the Algarve, between Vilamoura and Albufeira and just 300m from the beach, Balaia Golf Village stands out for its style, distinction and comfort. In a perfect integration with its extensive and well maintained gardens, there are 6 swimming pool complexes, which include children’s pools, a heated outdoor pool. 4 tennis courts with professional resident, a children’s playground and a health club with gym, Jacuzzi, Turkish bath, massage cabinet and heated pool. Also to be highlighted the bowling area as well as a driving range and a 9-hole executive golf course and golf academy.

The restaurants “A Varanda” and “Le Club” with magnificent panoramic views offer exquisite menus that can be tasted in elegant and calm ambiance. At Balaia Golf Village, you can enjoy an unforgettable time, whether you seek the tranquility that the surrounding spaces offer you, or prefer the “hustle and bustle” of the closer cosmopolitan areas.

The website www.balaiagolfvillage.pt allows visitors to view all that the resort has to offer.


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Viajar Magazine - Março 2019 - Edição Especial BTL  

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