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Índice

Inovar a arte

"Ones to Watch"

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TWEVO - Nascida no Instituto de Telecomunicações 6 Saphety integra comité executivo da EESPA 7 Born From Knowledge 8 Pianomania! 12 International Surrealism Now 2017/18 13

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Pinturas originais de artistas de Matosinhos 14

Vânia Guerreiro 16 Jorge Marinheiro 58

Inovar a arte 18

Lisbon Art Center & Studios 22

Os verdadeiros artistas a inovar

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Os verdadeiros artistas a inovar 24

Dois anos de inovação e empreendorismo 28 Ninhos de criatividade 38

Quando o design é um diferenciador de produto 42

Multimédia e a arte

Street art 52 Mel Jewel 56

Street art Conheça o estatuto editorial da i9 magazine: http://portal.i9magazine.pt/estatuto-editorial/

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Propriedade/Editora Panorama i9 Unipessoal, Lda. NIF: 513630937 Morada e sede de redação INOVAGAIA Av. Manuel Violas, nº 476 4410 – 137 São Félix da Marinha (Vila Nova de Gaia)

Editorial

Diretor Ricardo Lopes r.lopes@i9magazine.pt Diretor-adjunto Nuno Silva e Pinto nuno.pinto@i9magazine.pt Conselho Editorial Alcino Lavrador, Ana Casaca, Ana Catarina Gomes, António Lucena de Faria, Carlos Azevedo, Carlos Brito, Fernando de Sousa, Irina Saur-Amaral, Isabel Caetano, Joana Rafael, João Fonseca Bigotte, João F. Proença, José de Almeida Martins, Luís C. Bernardes Rebelo, Luís Mira Amaral, Miguel Barbosa, Miguel Fonseca, Vasco Sousa, Vítor Barbosa, Vladimiro Cardoso Feliz Jornalistas Filipa Godinho, Isabel Pereira, Marisa Figueiredo e Paulo Nogueira Revisão Paulo Colaço Assinaturas, Marketing e Publicidade Hugo Gonçalves marketing@i9magazine.pt Design Gráfico e Editorial Pedro Santos Periodicidade Mensal Distribuição Online Nº registo na ERC 126746 Depósito Legal 400015/15 Nº ISSN 2183-6434 Imagem de Capa © Adobe Stock

Feliz Ano Novo Nunca gostei muito de passas de uva, mas no final do ano lá tem de ser. Há quem não acredite nesse tipo de superstições ou tradições e há quem diga que pedir os desejos não dá em nada. Eu cá não me importo e como as ditas uvas secas, a muito custo confesso, mas como! Sei que nada vos interessa saber se comi ou não as 12 passas e se pedi os respetivos desejos, mas estou apenas a partilhar isto porque vos quero confidenciar três das minhas ambições. Podem agora dizer que não se devem revelar essas mesmas intenções, mas eu não temo a crença porque é do conhecimento de todos os que me rodeiam. Anseio que todos os leitores da nossa i9 magazine tenham os maiores sucessos da vida neste novo ano que entra, tanto a nível profissional como a nível pessoal. Pretendo que a nossa equipa se mantenha sempre unida, firme, fiel e que preserve os níveis de profissionalismo que tem demonstrado até agora. E falando do presente, aproveito para vos apresentar a edição de janeiro, a número 25. Neste mês, e para começarmos o ano inspirados, debruçámo-nos sobre a inovação artística e a influência da tecnologia na arte. Fomos à procura das novas tendências, dos projetos empreendedores e de novas dinâmicas. Como estamos a festejar o nosso segundo aniversário, aproveitámos esta edição para recordarmos alguns dos melhores momentos que vivemos até hoje, sempre em busca do que melhor se faz no nosso país e no mundo. Permanentemente com o pulsar que nos caracteriza, o da inovação. Até já! Ps: O meu terceiro sonho é que fique connosco por muito mais tempo, porque não seremos iguais sem si!

Nuno Silva e Pinto Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos e imagens, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais. // Os artigos de opinião, os seus conteúdos e o impacto que deles advier são da total responsabilidade dos seus autores.

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"Ones to Watch"

Uniplaces nomeada como uma das melhores empresas da Europa na primeira edição da lista 'Ones to Watch' Uniplaces nomeada como uma das melhores empresas da Europa na primeira edição da lista 'Ones to Watch' A Uniplaces, plataforma online para alojamento de estudantes universitários, acaba de ser nomeada como ‘One to Watch’ na Europa, uma lista de excelência empresarial publicada pelo European Business Awards. A start-up portuguesa de alojamento para estudantes foi selecionada para a lista pelos feitos alcançados numa das 12 categorias dos prémios European Business Awards, refletindo os principais valores de inovação, sucesso e ética do programa. A lista completa dos ‘Ones to Watch’ em 34 países da Europa pode ser consultada na íntegra em www.businessawardseurope.com. Para Miguel Santo Amaro, fundador da Uniplaces ‘Integrar esta lista é para nós um motivo de grande orgulho, o reconhecimento de um projeto que só é possível graças à equipa que tem crescido connosco, e que tornou este sonho numa empresa. Estarmos a desenvolver algo que contribui para facilitar a vida de senhorios e estudantes em vários países é entusiasmante e desafiante todos os dias’. Adrian Tripp, CEO do projeto European Business Awards, a maior competição de negócios transfronteiriços da Europa, explica que ‘Queríamos reconhecer mais amplamente as muitas histórias de sucesso de negócios incríveis em toda a Europa. O talento, a dedicação e a inovação no coração dessas empresas criam empregos e oportunidades, e é o que impulsiona a prosperidade do país. A lista ‘Ones to Watch’ estabelece um ponto de referência de sucesso para a comunidade empresarial europeia’.

As categorias de prémios para 2017-2018 1. The RSM Entrepreneur of the Year Award 2. The ELITE Award for Growth Strategy of the Year 3. The Award for Innovation 4. The Award for International Expansion 5. The Social Responsibility and Environmental Awareness Award 6. The New Business of The Year Award 7. The Workplace and People Development Award 8. The Customer and Market Engagement Award 9. The Digital Technology Award 10. The Business of the Year Award with Turnover € 0 - 25M 11. The Business of the Year Award with Turnover €26M - 150M 12. The Business of the Year Award with Turnover €150 +

A Uniplaces terá a oportunidade de participar na competição de uma das 12 categorias dos European Business Awards, com o objetivo de ganhar a competição no nosso país.

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Nascida no Instituto de Telecomunicações Start-up portuguesa vence financiamento europeu para PME’s A TWEVO – start-up portuguesa fundada por dois investigadores do Instituto de Telecomunicações, Carlos Ribeiro e Mónica Figueiredo – acaba de conquistar o financiamento europeu SME Instrument. Avaliado por um painel de especialistas internacionais em tecnologia, negócios e finanças, o projeto foi considerado uma das cinco melhores propostas, entre as mais de 650 candidaturas provenientes de toda a Europa. A TWEVO utilizará, agora, o financiamento do SME Instrument para efetuar uma avaliação ao mercado europeu e, nesse contexto, obter feedback sobre o potencial do seu produto. A oferta da TWEVO consiste no REVOsdr, um modem que minimiza a probabilidade de um drone ficar sem controlo ou ser hackeado, proporcionando proteção extra aos dados de comando transmitidos. A possibilidade de manter a ligação wireless durante mais tempo e por distâncias maiores, assim como a capacidade de lidar com jamming intencional ou decorrente de outros equipamentos rádio, são mesmo as características mais diferenciadoras do projeto.

Projeto vence “A Liga dos Campeões das empresas” O SME Instrument é parte integrante do Conselho Europeu de Inovação (EIC) e apoia empresários, empresas e cientistas através de oportunidades de financiamento e serviços de aceleração. Assente na ideia que a inovação melhora a produtividade e a competitividade, gera novos postos de trabalho e conduz a padrões de vida mais elevados, o SME Instrument seleciona os projetos mais disruptivos de PME de toda a Europa. Para Bernd Reichert, diretor da Agência Europeia para PME, “trata-se da Liga dos Campeões das empresas”. Refira-se que esta não é a primeira distinção conquistada pela TWEVO, que foi, em 2016, reconhecida pelo programa de empreendedorismo Carnegie Mellon Portugal Entrepreneurship in Residence (inRes). O galardão levou a start-up aos EUA, com o objetivo de validar as necessidades do mercado e desenvolver um produto com maior valor acrescentado.


Saphety integra comité executivo da EESPA

Com a integração no comité executivo a Saphety vai disseminar o papel da EESPA - European E-Invoicing Service Providers Association - junto dos mercados onde opera, em todo o mundo A Saphety - empresa do grupo Sonae especializada em trocas eletrónicas de documentos, faturação eletrónica e sincronização de dados entre empresas - acaba de ser eleita Membro do Comité Executivo da EESPA (European E-invoicing Service Providers Association). Esta associação internacional sem fins lucrativos, formada em 2011, atua como um grupo empresarial a nível europeu para uma grande comunidade de fornecedores de serviços de faturação eletrónica, que prestam serviços de rede, outsourcing empresarial, financeiro, tecnológico e EDI (Electronic Data Interchange). Foca-se nas políticas públicas e no seu cumprimento, na criação de um ecossistema interoperável e preconiza a adoção da faturação eletrónica em benefício da eficiência económica e do crescimento global.

Business Unit Director de EDI & Electronic Invoicing da Saphety. A vasta experiência internacional da empresa foi um fator decisivo na sua eleição. É objetivo da EESPA ser um membro ativo na observação do que acontece a nível de faturação eletrónica em todo o mundo e a presença global da Saphety, em especial na América Latina, foi determinante, assim como os vários projetos transversais da Saphety, de que é exemplo o recém-anunciado CEF Telecom. Mais informação sobre a EESPA, e sobre os membros do comité executivo, em : // eespa.eu/about-us

A Saphety foi eleita este ano membro do comité executivo da EESPA, associação da qual faz parte desde 2011. Os seus 17 anos de experiência na área da faturação eletrónica, a sua participação constante e ativa nas reuniões da EESPA, onde se definem as diretrizes que devem reger a atuação da associação no contexto europeu sobre Fatura Eletrónica e a sua forte presença nos mercados internacionais, nomeadamente na América Latina, foram motivo de eleição por uma vasta maioria, 43 votos em 46 possíveis. O objetivo da Saphety para estes dois anos de mandato é ajudar a EESPA a reforçar as suas diretrizes, como a interoperabilidade entre os operadores de mercado e as políticas públicas (europeias e nacionais) em relação à faturação eletrónica, para além de dar visibilidade à EESPA nos mercados onde opera. “É um orgulho muito grande merecer a confiança dos operadores europeus de fatura eletrónica para os poder representar, enquanto membro do comité executivo da EESPA, junto das diferentes instituições. Estou certo que a experiência da Saphety será uma mais-valia para defender os interesses da EESPA nos próximos dois anos”, refere Miguel Zegre,

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Born From Knowledge “Radar” de projetos inovadores promissores?

Dois projetos distinguidos pela Agência Nacional de Inovação (ANI) através do Programa Born From Knowlegde (BfK) mereceram também agora o reconhecimento internacional. Coincidência? A Musicverb, vencedora de uma distinção BfK AWARDS, foi comprada pela VIP-Booking – empresa líder a nível europeu no mercado empresarial de música ao vivo. O projeto Power Phoenix Grid – Scale Battery, 3.º classificado do concurso BfK IDEAS 2017, conquistou o 1.º lugar da edição europeia do Concurso de Inovação e Empreendedorismo “Songshan Lake Cup”. Criada no UPTEC - Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, a Musicverb desenvolveu uma plataforma de gestão para a indústria da música ao vivo que permite aos agentes dos artistas encontrar os contactos, promotores, salas de concerto ou eventos mais adequados para os artistas agenciados. A start-up portuguesa foi agora adquirida pela VIP-Booking, empresa com mais de 18 anos no mercado e que atualmente trabalha com mais de 19 mil músicos e mais de 3 500 salas de espetáculo. A distinção BfK AWARDS aconteceu numa fase em que se estavam a iniciar as negociações com a Vip-Booking. Rui Santos Couto, CEO e fundador da Musicverb, reconheceu que “cumpriu um papel de validação externa do que a nossa equipa havia feito. Esta atribuição ajuda, de certa forma, a mitigar uma parte do risco que os investidores sentem numa fase em que sabem muito pouco sobre nós.” A distinção BfK AWARDS decorreu no âmbito da edição de 2017 do Innovation Music Challenge. O desenvolvimento da Power Phoenix Grid – Scale Battery já tinha permitido à equipa do Centro de

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Tecnologia Mecânica e Automação da Universidade de Aveiro conquistar o 3.º lugar no BfK IDEAS 2017. Com esta ideia de negócio - uma bateria de estado sólido direcionada para um armazenamento em rede, de baixo custo, elevada densidade energética e segurança – a equipa encontrou agora o reconhecimento da comunidade científica, merecendo o 1.º lugar no Concurso de Inovação e Empreendedorismo “Songshan Lake Cup” entre 13 concorrentes, de 8 países europeus, e entre os quais se incluíam a Universidade de Oxford, a Kaunas University of Technology (KTU) e a Universidade de Paris. Tao Yang, um dos promotores desta ideia de negócio, referiu a este propósito, que “o concurso BfK IDEAS 2017, concretamente a participação no programa de imersão, permitiu-nos o fortalecimento do modelo de negócio e capacitou-nos para o pitch desta competição de âmbito internacional, concorrendo lado a lado com as mais prestigiadas instituições de ensino ao nível europeu”. Mais de uma dezena de ideias de negócio inovadoras já foram distinguidas, este ano, através do Programa Born From Knowledge (BfK).


Inovação e Arte contemporânea Problema ou fascínio?

Emília Ferreira Directora do Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado

Em 2001, o artista britânico David Hockney deu à estampa um volume intitulado Secret Knowledge: Rediscovering the Lost Techniques of the Old Masters no qual investigava a introdução da câmara escura e da câmara lúcida no trabalho de pintura dos velhos mestres. As reacções a esta publicação não se fizeram esperar e muitas foram desagradadas, manifestando um profundo mal-estar face à tese sustentada por Hockney. Na base desse desagrado estava arreigada a convicção de que um “verdadeiro” artista não teria necessidade de recorrer à técnica ou a qualquer tipo de artifício para a criação da sua obra. Ora, semelhante pensamento levado ao limite acabaria por exigir dos artistas o uso exclusivo das suas mãos, como porventura terá ocorrido nos primeiros instantes dos registos de Lascaux e Altamira, rejeitando artifícios como pincéis, aparos, canetas, martelos e escopros, prensas, réguas, esquadros e todo o tipo de instrumentos. A Arte sempre implicou mudança e sempre esteve ligada à técnica e a todas as outras formas de conhecimento — implicando inovação ou aquilo a que hoje definimos como empreendedorismo. Além das conhecidas questões teóricas (na Arte Europeia, por exemplo), como a mudança do teocentrismo para o antropocentrismo, a passagem da Idade Média para o Renascimento apresenta alterações significativas. A inovação nas técnicas de produção de papel, produzindo-o com maior qualidade, rapidez e baixo custo, fez abandonar os suportes de ensaio tradicionais, mais efémeros (tábuas de madeira ou cerâmica em que se riscava) ou mais perenes, mas mais onerosos (pergaminho), permitindo um avanço determinante na qualidade do traço. Outro recurso precioso foi a invenção da perspectiva, bem como a adaptação de um conhecimento antigo, a câmara escura, à pintura. É da natureza da arte a inquirição, exercício exploratório por natureza. Seja nos modos de ver, como nos de registar – e dar a ver. É da natureza do humano a inquirição, exercício que pressupõe a exploração dos limites do conhecimento e da prática artística, avançando propostas e rompendo fronteiras. Não seria sequer lógico esperar, numa sociedade em que a tecnologia avança tão rapidamente, em que queremos aceder com crescente velocidade à informação, que a arte se mantivesse estática, observando registos e meios ou temas de tempos passados. Hoje, como ontem, novos desafios se nos apresentam. A globalização baralha os modos de “catalogação” das obras. Referentes múltiplos, embora muito específicos (geográficos, técnicos, temáticos, históricos), sempre ajudaram os museus a indexar os objectos à sua guarda. Desenho, pintura, escultura, fotografia, gravura. Arte europeia, asiática, africana… Arte antiga, medieval, contemporânea. Abrimos essas “caixas” e colocamos dentro delas os objectos. Naturalmente, sempre houve obras que cruzaram fronteiras. São conhecidos os debates sobre os limites do desenho ou, em tempos mais recentes, as propostas artísticas que intersectam disciplinas, ao ponto de exigirem a criação de novos termos: ready made, instalação, performance. Porém, hoje, embora persistam modos que poderíamos denominar como clássicos no uso das técnicas, surgem continuamente propostas que rejeitam todo o tipo de fronteiras.

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E, neste momento em que o novo é absoluto devir, ou seja, constantemente outro, o desafio de dar a ver (mediando discursos cuja reflexão, mais do que estar em curso, se mantêm em aberto) é constantemente novo também. Como mostrar (como tornar compreensível) aquilo cuja natureza é manter-se experimental? Se para os artistas a experimentação é natural, para quem reflecte sobre o seu trabalho – crítico, curador, educador, historiador – a dificuldade maior é a de perceber como abordar algo que surge sem cânone ou referente evidente (tradicional). Como pensar sobre objectos cuja identidade, mais do que a técnica ou as matérias que os constituem, se afirmam como acções? Como escrever na água? Neste quadro, a instituição museológica encontra-se num momento desafiador. Em particular os museus de arte contemporânea — conceito em clara mutação e discussão constantes. Depois do espanto causado por um tempo e um território artístico já definido como Duchamp-land, estamos agora num novo definido como Turing-land — a época da arte no tempo dos computadores. Entre a responsabilidade e a vocação patrimonial e pedagógica e o acolhimento do novo, também o museu é obrigado a repensar-se. A curadoria, educação e outros modos de comunicação, investigando sempre, acolhem com perplexidade e fascínio um mundo em mudança. Que objectos são estes que nos surgem ao caminho? A resposta na arte — como na vida — pode abrir duas vias. A da rejeição ou a do fascínio. A decisão que tomarmos perante esta bifurcação determinará se nos viramos para o passado ou se nos deixamos levar para o futuro. * Artigo escrito segundo a grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990

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Pianomania!

Fundação Calouste Gulbenkian abre 2018 O piano é um dos instrumentos mais amados do público e este ano tem uma presença especial na temporada Gulbenkian Música. Ao longo do mês de janeiro terão lugar, no Grande Auditório, sete concertos com pianistas de prestígio internacional, que se apresentam tanto a solo como com a Orquestra Gulbenkian. Para completar este ciclo, a Gulbenkian Música preparou uma programação complementar, de 13 a 22 de janeiro, que vem dar a conhecer outras perspetivas sobre o instrumento, com a projeção de filmes documentais e ficcionais, uma conferência e uma performance. O programa arranca no sábado 13 de janeiro, às 16h, com a exibição do filme Thirty-Two Short Films About Glenn Gould, em que o realizador François Girard aprofunda as principais ideias de Glenn Gould, explorando as suas paixões e a sua música. O filme é construído em 32 partes que descrevem a vida de Glenn Gould desde a sua infância até aos 50 anos de idade, momento em que o pianista nos deixou. No dia seguinte, domingo, 14 de janeiro, a partir das 10h00, a pianista portuguesa Joana Gama apresenta, ao longo de 14 horas, uma performance em torno da obra Vexations, de Erik Satie. A estreia desta obra decorreu em 1963 em Nova Iorque, foi organizada por John Cage, grande admirador e divulgador da música de Satie e durou cerca de 18 horas. 11 pianistas (entre eles o próprio John Cage, David Tudor e John Cale) tocaram de forma intercalada até completarem a obra, mas nos últimos anos já vários pianistas se aventuraram a tocar a obra completa.

Roman Polanski é o realizador do filme que, em 2003, venceu os Óscares de Melhor Realizador, Melhor Ator (Adrien Brody) e Melhor Guião Adaptado (Ronald Harwood), assim como a Palma de Ouro do festival de Cannes. O Pianista, que a Gulbenkian Música apresenta no Grande Auditório na segunda, 15 de janeiro, às 18h, apresenta-nos a história verídica do pianista polaco Wladyslaw Szpilman, que interpretava peças clássicas numa rádio de Varsóvia quando as primeiras bombas caíram sobre a cidade, em 1939. O filme mostra o surgimento do Gueto de Varsóvia e acompanha a perseguição que levou à captura e envio da família de Szpilman para os campos de concentração. A programação paralela de Pianomania! retoma no domingo, 21 de janeiro, com uma tarde dedicada à descoberta de uma das mais aclamadas pianistas dos nossos tempos, a chinesa Zhu Xiao-Mei. A música, especialmente a de Bach, tornou possível à pianista lidar com os piores desafios da sua existência. Zhu Xiao-Mei sofreu na pele as consequências do regime de Mao e da revolução Cultural: anos de endoutrinação e “reeducação”, trabalho de campo, família devastada, privações e perseguições. Em 1980, a pianista emigra finalmente para Paris, que se torna a sua nova casa. O primeiro documentário sobre a pianista, Zhu Xiao-Mei: How Bach Defeated Mao, de Paul Smaczny, é exibido às 15h e narra a história do seu regresso à China quando já é reconhecida internacionalmente pela sua interpretação da obra de Bach, 35 anos depois de deixar o seu país. Às 16h tem lugar uma conversa com Michel Mollard, amigo íntimo de Zhu Xiao-Mei e realizador de um filme sobre a pianista, premiado no Festival Internacional de Filmes de Arte de Montreal em 2014. Por fim, será ainda exibido, às 16h30, o documentário J.S. Bach – Goldberg Variations – Zhu Xiao-Mei, de Paul Smaczny. O programa paralelo de Pianomania! encerra no dia 22 de janeiro com a projeção, às 18h, de outro filme igualmente premiado na Academia do Óscares e vencedor da Palma de Outro de Cannes em 1994, O Piano, da realizadora Jane Campion. Ada McGrath (Holly Hunter), uma mulher que, aos seis anos de idade, decidiu parar de falar, muda-se para a Nova Zelândia na companhia da sua filha Flora (Anna Paquin). Aí tem que lidar com um casamento arranjado com Stewart e com a recusa do seu marido em transportar o seu amado piano para casa. Stewart negocia o instrumento e passa-o para George Baines (Harvey Keitel), um administrador da região, que se sente atraído por Ada.


A exposição de arte International Surrealism Now 2017/18 a ser realizada em Portugal Museu Multimedia POROS em Condeixa-a-Nova

O pintor surrealista português, Santiago Ribeiro, encontra novas e incomuns iniciativas para mostrar sua arte e promover a exposição artística internacional Na tentativa de levar a arte às pessoas em massa - e promover a maior exibição grupal de arte surreal neste inverno - o pintor surrealista português Santiago Ribeiro está provocando o público com imagens instantâneas de seu trabalho na mais famosa interseção multimádia do mundo: a Times Square, em Nova Iorque. As pinturas vivas e coloridas de Ribeiro foram exibidas esporadicamente - exibidas em dias e horários aleatórios – nos ecrãs gigantes de Nasdaq OMX Group e Thomson Reuters Sign em Nova York até 31 de dezembro de 2017. Serão responsáveis por três minutos completos para cada aparência - tempo amplo para dezenas de milhares de pedestres poderem vislumbrar.

As peças fazem parte da exposição International Surrealism Now, que abriu no Museu Multimédia POROS em Condeixa-a-Nova este inverno. Considerado como a maior exposição mundial de arte contemporânea do surrealismo na Europa com mais de 100 artistas de 48 países participantes - a exibição de pinturas, desenhos, arte digital, fotografias e escultura também deve ser mostrada, pelo menos em parte, em vários monumentos e espaços públicos em todo Portugal. "Como sempre, estou fazendo algo diferente e a ideia de exibir na Times Square, em Nova York, mostra como os meios de comunicação de massa são nossos meios modernos para mostrar nossa arte", disse Ribeiro. O trabalho de Ribeiro foi apresentado na embaixada dos EUA em Lisboa; no Portuguese American Journal, no Huffingtonpost; Digital Meets Culture, Pravda in Portuguese e em muitas outras publicações. Seus patrocinadores incluem a Fundação Bissaya Barreto, a Camara de Condeixa a Nova e o norte americano MagicCraftsman Studio. Ele concebeu o movimento International Surrealism Now em 2010, em Coimbra, com uma grande exposição organizada por Bissaya Barreto.

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Pinturas originais de artistas de Matosinhos ALADI angaria mais de 9 mil euros em leilão de artes

A ALADI - Associação Lavrense de Apoio ao Diminuído Intelectual angariou mais de 9 mil euros num leilão de artes plásticas, que decorreu ontem na associação. As obras de José Emídio, do mestre António Bessa e de Sobral Centeno foram as que obtiveram maior licitação. Todas as receitas revertem a favor da instituição lavrense. Este leilão, que contou com 21 pinturas originais de artistas matosinhenses – ou que vivem no conselho de Matosinhos – fizeram parte de uma acção de campanha da candidatura de Luísa Salgueiro à Câmara Municipal de Matosinhos e foram doados à ALADI para posterior leilão, programado para este período natalício. Foram vários os artistas plásticos que participaram nesta iniciativa, oriundos de diferentes áreas, desde a pintura, a arquitetura e o design: Acácio Carvalho, Alberto Péssimo, Álvaro Queiroz, Ana Fernandes, António Bessa, Augusto Canedo, Belkisse Oliveira, Benvindo de Carvalho, Carlos Marques, Carlos Reis, Emília Carvalho, Henrique do Vale, JAS, Joana Oliveira, Joana Rego, João Antero, João Carqueijeiro, José Emídio, José Paiva, Luísa Gonçalves, Manuela Pimentel, Manuel Porfírio, Manuel Vio, Margarida Leão, Nazaré Alvares, Paulo Neves, Pedro Centeno, Raquel Gralheiro, Ricardo Silva, Rui Anahory, Sá Coutinho, Sobral Centeno, Susana Bravo, Teresa Timóteo e Vítor Costa. // www.aladi.pt/pt/

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12 de Janeiro 9h00 – 13h00 Porto

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EDIÇÃO

CERIMÓNIA DE ENTREGA DE PRÉMIOS E CONFERÊNCIA GPA’17 Numa organização conjunta com a Câmara Municipal do Porto e a Lipor, a 10ª edição do Green Project Awards distingue as entidades nacionais que se destacam pelo seu contributo para o Desenvolvimento Sustentável de Portugal. Saiba mais e inscreva-se de forma gratuita em gpa.pt

ORGANIZAÇÃO GPA

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COM O APOIO DE

GREEN PARTNERS

MEDIA PARTNERS

CARRO OFICIAL

André Jordan Group VERIFICAÇÃO


A Arte na Quarta Revolução Industrial

Vânia Guerreiro Diretora de Marketing e Comunicação da WINNING

Quando Hegel, na sua obra “Cursos de Estética”, estabeleceu uma das primeiras escalas de expressividade distinguindo seis artes - Arquitetura, Escultura, Pintura, Música, Dança e Poesia – em início do século XIX, estava longe de imaginar que, dois séculos mais tarde, essa lista viria a integrar questões como “Jogos de Vídeo” ou “Artes Digitais”. O mundo tem passado por diversas transformações em curtos períodos de tempo, porém, a velocidade e a crescente complexidade têm vindo a aumentar, de forma exponencial, nas duas últimas décadas. Com a entrada no novo milénio o mundo mudou. Estas mudanças são justificadas pela Quarta Revolução Industrial e pelos desenvolvimentos nas áreas da inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, genética, biotecnologia, impressão 3D e outras evoluções técnicas e científicas. Neste âmbito, o debate em torno da arte e da tecnologia tem vindo a ganhar espaço nos meios académicos. A temática desperta a atenção de vários segmentos da sociedade, particularmente aqueles que estão ligados aos meios educativos e culturais. Na esfera da proclamada Quarta Revolução Industrial, um dos pilares é a Internet das Coisas (Internet of Things – IoT), que antecipa uma transformação integral da produção industrial através da fusão da tecnologia digital com a indústria tradicional, recorrendo à internet, nomeadamente por intermédio da utilização de aplicações informáticas em plataformas móveis e dispositivos com wireless que permitem conectar qualquer dispositivo, ou qualquer individuo, em qualquer ponto do planeta. Estas transformações têm tido também um grande impacto no universo das expressões artísticas - da arquitetura ao cinema. De acordo com os autores Kohn e Moraes estamos a caminho de “uma das transições sociais que transformam a sociedade ao longo dos tempos”. A escalada em direção a uma sociedade eminentemente tecnológica, onde a utilização de dispositivos eletrónicos influencia diretamente o nosso dia-a-dia, configura alterações culturais muito expressivas e que serão evidentes a curto, a médio e a longo prazo, na medida em que estes dispositivos tecnológicos já fazem parte integrante do ecossistema da humanidade. De acordo com os autores estes aparelhos “são formatados e formatam a cultura”.

Fonte: adaptado de INDÚSTRIA 4.0 (Kagermann, 2013)

Simultaneamente, neste cenário global, de dinamismo e mutabilidade crescentes, torna-se particularmente assinalável a influência de um diversificado conjunto de efeitos e tendências associadas à aceleração do progresso científico e tecnológico no domínio artístico. Atualmente, os robôs computorizados já ocupam diferentes tipos de funções, pois podem ser facilmente interpretar, não só a linguagem de uns e zeros, mas também conseguem diferenciar verdadeiros ou falsos, sins ou nãos e inúmeros códigos e símbolos, da matemática à lógica da linguagem. A velocidade e intensidade da permanente evolução tecnológica e dos novos canais de comunicação são apenas alguns dos condutores primordiais que marcam e


provocam a revolução de valores, saberes e perceções em, praticamente, todas as áreas do conhecimento humano. Contudo, embora as máquinas, os computadores e os robôs se destaquem pela velocidade, autonomia e eficiência nos processos produtivos, a criatividade e o pensamento só pode ser concebido pelos humanos. De acordo com o relatório The Future os Jobs, publicado pelo World Economic Forum (WEF), nos próximos anos vão acontecer diversas mudanças socioeconómicas, geopolíticas e demográficas e estas terão impacto direto na humanidade. Vão desaparecer, por exemplo, algumas profissões e irão nascer outras. O relatório, que analisa o emprego e as competências, conclui que grande parte dos novos modelos de profissionalização estarão ligados a competências sociais dos seres humanos, nomeadamente aquelas que são impossíveis de serem replicadas ou executadas por máquinas. De acordo com este estudo, existem dez competências (soft skills) imprescindíveis: (1) capacidade para a resolução de problemas complexos; (2) pensamento crítico; (3) criatividade; (4) gestão de pessoas; (5) coordenação com outros; (6) inteligência emocional; (7) capacidade de julgamento e de tomada de decisão; (8) orientação para o serviço; (9) capacidade de negociação e (10) flexibilidade cognitiva. A par dos estudos sobre arte e tecnologia, a temática das competências tem-se tornado também uma constante nos debates académicos e empresariais. No âmbito das manifestações artísticas, tal discussão justifica-se pela crescente necessidade de se atuar de forma muito competente e diferenciada, diante dos atuais processos de globalização e crescente competitividade. A sociedade alterou-se graças ao universo tecnológico, todavia, não podemos - nem queremos - dissociar as competências humanas dos universos artísticos. A criatividade e a inovação, o pensamento crítico, a flexibilidade cognitiva e a expressão artística, não podem ser

extraídas de informações armazenadas em bases de dados. Assim, deve-se considerar sempre a dimensão humana na produção artística e investir na formação contínua e no desenvolvimento de competências que constituem processos de grande importância para aevolução e o desenvolvimento das mais diversificadas formas de expressão e singularidade artística. As artes e a tecnologia devem permanecer interligadas, potenciando assim a criatividade humana, o pensamento crítico, a flexibilidade cognitiva e as formas de expressão e singularidade dos seus autores. A capacidade de criar, produzir ou inventar é um elemento essencial no contexto artístico e tirar proveito da agilidade tecnológica confere ao artista a oportunidade de beneficiar com o atual cenário de rápidas transformações.

Referências

Bloem, J. V. (2014). The Fourth Industrial Revolution. Things to Tighten the Link Between IT and OT. Sogeti VINT. Brynjolfsson, E., & MCAfee. (2017). What it can - and cannot do for your organization. Kagermann, H. H. (2013). Recommendations for implementing the strategic initiative INDUSTRIE 4.0: Securing the future of German manufacturing industry; final report of the Industrie 4.0 Working Group. Kohn, K. &. (2007). O impacto das novas tecnologias na sociedade: conceitos e características da Sociedade da Informação e da Sociedade Digital. XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. World Economic Forum. (2016). The future of jobs: Employment, skills and workforce strategy for the fourth industrial revolution. Geneva, Switzerland: World Economic Forum.

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Inovar a arte

Plataformas inovadoras e criativas dão nova visibilidade aos seus intervenientes Texto Paulo Nogueira

Novas soluções multimédia vieram democratizar a forma como se difunde a arte. Apresentamos alguns exemplos de sucesso que demonstram exatamente isso. São ferramentas cada vez mais atuais que trouxeram a possibilidade de revolucionar os mercados e de criar uma nova dinâmica para os artistas. XpectralTEK A nova tecnologia que permite ver o interior de obras de arte Start-up especializada em fornecer soluções baseadas em visão computorizada, incluindo automação e imagens espectrales, ampliando a sua gama de sensibilidade, do espectro visível a uma gama mais ampla de UV e NIR, desenvolveu tecnologia pioneira que permite fazer a leitura de informação escondida em obras de arte ou documentos históricos, reconhecendo os materiais que os compõem de forma a poder melhorar a qualidade das intervenções de restauro. Esta inovação foi criada no laboratório de gestão e conservação na área de diagnóstico não invasivo da Signinum – Gestão de Património Cultural, empresa que criou a XpectralTEK, start-up incubada no UPTEC. É uma tecnologia de diagnóstico, não invasiva e não

destrutiva que pode ser aplicada igualmente nas áreas da agricultura e da indústria, mas também na saúde ou na farmacêutica. A inovação “Xpecam”, vista como uma espécie de olho gigante que pode ser aplicada em qualquer superfície, é uma solução de visão artificial com base em imagem multiespetral, cuja análise explora as caraterísticas que os materiais possuem em refletir, absorver e emitir radiação eletromagnética, que dependa da composição e forma molecular. “Sabendo que cada substância possui uma refletância ou fluorescência típica, como se de um bilhete de identidade se tratasse, torna-se possível obter informação sobre as obras que, à vista desarmada, não seria possível”, revela o CEO da empresa. É uma ferramenta muito viável na análise multiespetral ao património cultural, pois possibilita a deteção de uma vasta informação, como danos, técnicas de produção, intervenções que já sofreram, etc, facilitando a atuação na fase de diagnóstico, com a localização, leitura e análise de informação escondida; durante a intervenção de conservação e restauro, ao classificar e mapear pigmentos e substâncias, visíveis ou não, em qualquer superfície; e na monitorização, através da realização de várias leituras espetrais, em tempos diferentes, que permite detetar, e mesmo prever, alterações que possam levar à degradação das obras. Tudo isto sem ser necessário de recolha de amostra e destruindo uma parte da peça. // www.xpectraltek.tech


Shairart A experiência de visitar uma galeria de arte contemporânea sem sair de casa. A Shairart é uma plataforma de aquisição de obras de arte, inaugurada em 2014 e com sede na galeria Shairart dst, que é vista como um dispositivo para a democratização, disseminação e marketing de arte visando fortalecer os relacionamentos de artistas, colecionadores e galerias, representando online o melhor do panorama da arte contemporânea. Guiando-se por uma linha curatorial, através da qual definem e aconselham para o investimento em artistas emergentes e consolidados, a Shairart distinguem-se neste mercado ao aproximar artistas e colecionadores, familiarizando o público com diferentes linguagens e estéticas visuais, criando um legado cultural para a comunidade onde estão inseridos. Desde a pintura à escultura, passando pela fotografia, desenho ou ilustração, a Shairart disponibiliza mais de 3500 obras de arte contemporânea, de mais de 250 artistas nacionais e internacionais consagrados, apresentando assim um variado e eclético portfólio artístico do melhor que se produz na contemporaneidade e que promete mediante as preferências de cada pessoa a criação ou a ampliação da sua coleção de arte. Todas as obras são originais e possuem um certificado de autenticidade validado pela chief curator, e estão disponíveis para compra, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, tudo sem sair de casa. Segundo Helena Mendes Pereira, chief curator da plataforma “o objetivo da Shairart é democratizar o acesso à arte e aos seus mercados, tanto a artistas como a colecionadores. As coleções são elementos significativos na nossa tentativa de construir o mundo e o nosso esforço de compreensão das mesmas constitui uma forma de exploração da nossa relação com o que nos rodeia.” Um processo rápido, fácil e comodo, na plataforma basta indicar as preferências, dimensões ou valor de investimento; de seguida é delineado um conjunto de sugestões de obras de arte onde equipa irá ajustando a proposta, de acordo com as especificidades do espaço e do cliente; o apoio ao longo de todo o processo é garantido (desde o emolduramento, ao transporte e à montagem). // shairart.com

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Tradiio Aceleradora de artistas que põe os utilizadores a lançar novos talentos para o sucesso O Tradiio é uma start-up portuguesa empenhada em ser um serviço de streaming de música, mas ao mesmo tempo uma plataforma para os novos projetos musicais ganharem vida e financiamento através do apoio direto por parte dos fãs, como se de um jogo de crowdfunding se tratasse. Musikki O IMDB da música criado em Portugal Musikki é o primeiro agregador musical que reúne automaticamente, toda a informação de um artista ou banda que se encontra dispersa e fragmentada na internet. Na Musikki todos os conteúdos musicais são agregados e indexados em tempo real, isto quer dizer que aqui o perfil de artista é sempre o mais completo e atual. Apesar de inicialmente ser instituída como uma app para o consumidor, rapidamente os seus fundadores sentiram a necessidade de diversificar a oferta e lançaram a Music API, que fornece dados, conteúdos e a informação para desenvolver novos serviços de música, ou seja o objetivo da Musikki Music API é fornecer tudo, menos a música em si. Durante a “procura para oferecer uma solução integrada para programadores de aplicações para música identificámos a necessidade que os negócios têm em aceder e gerir rapidamente fotografias oficiais de alta qualidade, relacionadas com música.", explica João Afonso, cofundador e Ceo da Musikki, assim a app lançou o Exclusiph, um serviço pioneiro na gestão e distribuição de imagens para a indústria da música, que está a ser utilizada por editoras independentes como, Turbina e Murmúrio 4AD e a Secretly Group. A Musikki explica que “ao submeter um ficheiro de alta resolução, por exemplo TIFF, o Exclusiph gera automaticamente a imagem para impressão, download digital e embed. Os créditos e metadados da música e os conteúdos relacionados como press releases, links de vídeos e de áudio podem ser todos adicionados aos ficheiros de imagem, tornando o Exclusiph a ferramenta perfeita para a promoção de um álbum.” O objetivo é que o Exclusiph funcione além da música: em indústrias como a do cinema, moda e desporto, também dependentes de sistemas de gestão e distribuição de imagens. // music-api.musikki.com

A missão do Tradiio tem muito a ver com a dificuldade dos artistas ganharem dinheiro com a sua própria música. Para o artista o objetivo desta ferramenta não é visto apenas como uma oportunidade de lançarem as suas carreiras, mas também como uma forma sustentável de ganhar algum dinheiro com o conteúdo que produzem. Cada banda decide como quer estar na plataforma, ou seja, tanto pode disponibilizar algumas músicas, como pode dar acesso a todo o álbum. Os artistas ao entrarem nos Círculos do Tradiio têm a possibilidade de divulgar o seu trabalho e com isso ter como contrapartida um “salário” mensal, que sobe ou desce consoante os fãs invistam ou não no artista nesse mês. Já os fãs têm a possibilidade de ser recompensados pelos investimentos que fazem nos músicos e nas bandas que apoiam. O Tradiio funciona por pontos, um utilizador ao registar-se na plataforma recebe 5 mil pontos, para investir em artistas através dos Círculos ou apoiar músicas individualmente. Quando uma Música é apoiada ela sobe imediatamente no Top Tradiio e o utilizador vai receber uma determinada quantidade de pontos. Com o saldo, pode ir à loja e trocar os pontos por passes para eventos organizados pelo Tradiio, bilhetes para concertos, merchandising, ou participações em sessões de estúdio dessas bandas. // tradiio.com


Artists Everywhere® Uma plataforma digital que funciona como um novo espaço interação entre artistas e marcas A “Artists Everywhere® nasceu para artistas emergentes de todo o mundo”, explica Tom Murray, Founder & CEO da plataforma projetada especificamente para artistas de todos os campos das indústrias de artes ao entretenimento, quer seja do desporto, da música, da dança, da moda, do cinema, etc, ajudando-os a determinar a sua influência digital. Segundo a Artists Everywhere desde o lançamento da plataforma milhares de artistas talentosos de todo o mundo, já criaram a sua conta. O que faz com que o objetivo primordial da plataforma que consiste em “ajudar no trabalho duro e nas constantes batalhas que um artista emergente enfrenta para atingir o sucesso, está a ser alcançado, pois com esta plataforma é possível mostrar toda a sua atividade de forma profissional deixando assim que o artista apenas se concentre no que realmente importa, a sua atuação” refere Tom Murray.

A procura do artista por parte da comunicação social aumenta o nível de atenção do artista. E a conta PRO que permite a criação de um portefólio mais completo, desenvolver o seu próprio press kit e aceder a estatísticas. A sequência de meios de comunicação calcula o nível de influência do artista e categoriza-os de acordo com o diretório global. Aqui as marcas podem contatar os artistas diretamente com zero restrições. A plataforma usa um modelo de assinatura simples, o que significa que não há taxas de comissões elevadas. // artistseverywhere.net

Em minutos um artista pode criar o seu perfil na plataforma, inserindo o seu portfólio, biografia, estatísticas, vídeos, etc. Após estar inscrito no site, o artista pode ter acesso a um press kit de apresentação dos seus projetos para mostrar a potenciais clientes. Além disso na listagem de diretórios os perfis são classificados e categorizados com base na influência, filtrados por talentos e localização das mídias sociais, permitindo assim que as marcas descubram mais facilmente os artistas que têm interesse dando-lhes a oportunidade de se conectar diretamente com o artista e de criar oportunidades de colaboração e patrocínio inteligentes para sua empresa. A plataforma tem neste momento disponível dois tipos de contas: A BASIC que permite criar gratuitamente um perfil profissional e suporta todo tipo de imagens/vídeo.

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Lisbon Art Center & Studios O Cluster das Indústrias Criativas na Capital Texto Isabel Pereira | Imagem Lisbon Art Center & Studios

Lisboa prepara-se para receber o Lisbon Art Center & Studios. O LACS está localizado no Cais da Rocha de Conde de Óbidos e contou com um investimento de três milhões de euros, na reabilitação do Edifício Gonçalo Velho Cabral. O novo polo dedicado às indústrias criativas apresenta-se como um espaço privilegiado para a comunidade de criadores, capaz de estimular a criatividade, fomentar o networking e consequentemente impulsionar a criação de novos projetos. “A partir de um estudo das Indústrias Criativas e Economia Criativa, sobre o potencial de mercado e o valor destes eixos em Portugal”, Gustavo Brito e Miguel Rodrigues identificaram a “relevância destas áreas para a dinamização da cidade de Lisboa e a consequente oportunidade para desenvolvimento do Lisbon Art Center & Studios”. De facto, segundo aponta o estudo “A Economia Criativa em Portugal”, produzido pela ADDICT – Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas – em 2016, “os processos de interpenetração entre a cultura e a economia e de penetração da criatividade nas atividades económicas convencionais já adquiriram expressão no caso português”, seja pela dimensão que o setor apresenta no contexto nacional, seja pelo forte dinamismo que tem revelado nas transações internacionais de bens e serviços criativos. “Entre 2012 e 2014, o trabalho assalariado nas profissões criativas cresceu 10%, ultrapassando largamente os 0,8% registados a nível nacional e entre 2007 e 2015 as exportações de bens e serviços criativos cresceram 38%, para se situarem, em 2015, em 2,7 mil milhões de euros”. O mesmo estudo apontava, à data, algumas necessidades que projetos como o LACS podem ajudar a suprir: “incentivar a integração das organizações culturais e criativas em redes de cooperação empresarial e em clusters com massa crítica e escala suficiente para competir a nível global; incentivar a integração de competências culturais e criativas no tecido empresarial português; e, promover o envolvimento da cultura e da criatividade com a investigação, o conhecimento científico, o desenvolvimento tecnológico e a indústria, designadamente através da diversificação dos centros de incubação e das plataformas de acolhimento empresarial ou do apoio a projetos de investigação”. Em 2015, os fundadores do LACS partiram para o projeto com consciência de que, “particularmente a cidade de Lisboa tem-se posicionado e sido reconhecida, cada vez mais, como uma cidade criativa, dinâmica, turística, com rica agenda cultural e artística, e com forte potencial para criação e desenvolvimento de negócios”. Apresentaram, então, a ideia a um concurso público da Administração do Porto de Lisboa (APL), e ganharam a concessão do Edifício Gonçalo Velho Cabral para instalação, dinamização e promoção comercial do Lisbon Art Center & Studios. “Neste contexto, um espaço como o LACS reforça ainda mais o posicionamento estratégico de Lisboa e assume fundamental importância na visibilidade e atratividade da cidade, através da dinamização de iniciativas e projetos nacionais relacionados com as indústrias criativas”, realça Gustavo Brito. Para além disso, “o Lisbon Art Center & Studios está instalado num edifício histórico da cidade, sobre o rio Tejo, que está a ser restaurado para receber a comunidade de criativos e inovadores, e traz, portanto, uma nova perspetiva para uma zona icónica de Lisboa: a região de Santos”, acrescenta. “Communitivity”: uma nova forma de trabalhar no setor criativo A Gustavo Brito e Miguel Rodrigues juntaram-se João José Raimundo e Filipe de Botton como sócios do Lisbon Art Center & Studios. Na definição dos pilares do projeto, os seus responsáveis quiseram incorporar “a mudança em curso na forma de se trabalhar, que se traduz num mundo cada vez mais «pequeno», com as pessoas cada vez mais próximas e o trabalho cada vez mais aberto”, salienta Gustavo Brito. O LACS afirma-se assim como um “espaço que traz um novo significado e uma nova relevância ao mundo das pessoas, do trabalho, da arte, das ideias e da criatividade, dos negócios e das oportunidades, da inovação e da tecnologia”. A estratégia a implementar é norteada pelo conceito âncora de communitivity, que surge da combinação de três eixos – community, communication e creativity. Ou seja, o Lisbon Art Center & Studios pretende: garantir um ecossistema


único, com pessoas a trabalhar em sinergia e a partilhar valores e expertise; promover a arte e o design, atingindo todas as comunidades, como plataforma de promoção e visibilidade de alcance quer nacional, quer internacional; e oferecer experiências e espaços de vivência e lazer, como forma de maximizar a criatividade e o desenvolvimento cultural, no âmbito das indústrias criativas. O edifício de 5 mil metros quadrados que acolhe este cluster das indústrias criativas contempla espaços de trabalho em coworking, estúdios privados ou ateliers; áreas destinadas a eventos; e espaços de consumo cultural e convívio, como uma galeria de arte e design, uma livraria, um restaurante, uma cafetaria, um bar com música ao vivo e um rooftop com vista inspiradora 360 graus sobre a cidade de Lisboa. O LACS nasce, portanto, de “uma vontade de melhorar as condições em que os profissionais desenvolvem a criatividade”, reforça Gustavo Brito. Nesse sentido, o ambiente que proporciona é “pensado para entregar formas inovadores de trabalhar, assentes essencialmente na partilha, na colaboração, na convivência e no incentivo ao consumo cultural e artístico”. Para isso oferece uma “atmosfera informal e confortável, assente em experiências, espaços, serviços, facilidade, flexibilidade e oportunidades de networking”. O Lisbon Art Center & Studios tem capacidade para receber mais de 500 criativos e inovadores, sejam eles indivíduos, empresas ou público, com atividade ou interesse nas diferentes disciplinas das indústrias criativas – arte, design, publicidade, moda, tecnologia, arquitetura, música, artes performativas, filme, fotografia, publicação, rádio ou televisão. O LACS oferece diferentes planos de membership, com soluções flexíveis, adequadas a diferentes necessidades. Os interessados em fazer parte desta comunidade podem candidatar-se através do site oficial do projeto (www.lacs.pt) ou enviar uma mensagem para info@lacs.pt, descrevendo a sua atividade. www.lacs.pt

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Os verdadeiros artistas a inovar Texto Nuno Silva e Pinto | Imagem 1 – Dom Rubirosa | 2 – Mário Belém

Portugal tem assistido com o passar dos tempos a uma inovação e a uma mudança de paradigma em relação aos seus artistas. Temos visto projetos empreendedores, de grande qualidade e que demonstram que a nossa sociedade tem acompanhado as novas tendências. Mais do que ir atrás do comboio, os nossos artistas têm realizado trabalhos que se demarcam, que inovam e mostram o quão são bons, e são realmente bons porque fazem o que fazem com qualidade e, principalmente, com paixão! A internet veio revolucionar todo o mundo e toda a forma como o vemos. A arte e os artistas usam-na hoje de várias formas. As novas gerações já não saberiam viver sem ela mas muitos ainda se lembram de como era quando não existia ou ainda se conseguem imaginar se não a tivessem como ferramenta.

Dom Rubirosa

Mário Belém

Dom Rubirosa é natural de Vila da Murtosa, distrito de Aveiro. Detentor de um metro e setenta e quatro (bem servidos), tem tudo para ser um excelente jogador de golfe, só tem é que aprender a jogar. Muitas pessoas consideram-no mais giro que David Beckham. Esta opinião repudia e enoja por completo Dom Rubirosa, uma vez que ele pensa não corresponder de todo à realidade. Ele considera-se muito mais giro que David Beckham. Dotado de um ego de fazer inveja a José Mourinho, ele é aquilo que os moralistas chamam carinhosamente de "besta quadrada" ou "parvalhão". A sua escrita é tão rebelde que não respeita sequer o novo acordo ortográfico.

Mário Belém já não se lembra de quando começou a desenhar. Levou esse gosto para a Faculdade de Arquitetura, mas desde logo que percebeu que essa não era a sua vocação. Cultivou, antes, um gosto pelo que a ilustração traz à vida e pela possibilidade de continuar outros projetos, quanto mais variados melhor. Depois de muitos encontros e colaborações um belo dia esbarrou num grande mural e foi ai que encontrou outra tela para explorar. Está sempre à procura de mais um prédio muito grande para pintar, desde cedo se apercebeu que é em Portugal que se vive a vida boa, portanto daqui ninguém o tira.

inovar é... Fazer do futuro o presente, melhorando o que havia sido feito no passado.

inovar é... É criar com o objetivo de melhorar a vida dos que te rodeiam.


Dom Rubirosa afirma que “visto que ainda sou do tempo que a internet era apenas ficção cientifica, consigo-me a imaginar a passar/vender cassetes e CD de mão em mão em aglomerados de pessoas a frequentar concertos, festas e eventos tipo campeonatos de skate ou concursos de graffiti, desculpem, o termo não é imaginar, mas sim, recordar, foi assim que comecei a mostrar o meu trabalho. Sem internet é/foi muito mais trabalhoso e muito mais lento o processo de divulgação do meu trabalho, mas o facto de haver internet, não quer dizer que seja mais eficiente chegar ao público pois há ainda maior oferta e isso acaba por criar muito “ruído” aos possíveis consumidores, acabando por os “dispersar”. Mário Belém está de acordo com Dom Rubirosa sublinhando que “realmente hoje em dia é difícil imaginar como seria o que quer que seja sem a net…No fundo com ou sem a internet o mais importante é trabalhar, trabalhar, trabalhar. Se não produzires não evoluis, se não evoluíres estagnas. Com ou sem internet o que eu quero ver num artista é o seu trabalho mais recente, onde ele está agora, se estiver sempre a ver mais do mesmo provavelmente vou perder o interesse”. Questionados sobre a influência verdadeira das novas tecnologias no respetivo trabalho, Mário Belém salienta que “independentemente de já ter 40 anos, considero-me uma criança do século XXI. Hoje em dia temos tantas ferramentas tecnológicas mesmo à mão, não as usar é uma parvoíce pois elas complementam o processo de trabalho de uma forma brutal. Todos os dias uso a minha Wacom no Illustrator e Photoshop para esboçar as minhas peças e trabalho muito com corte em CNC para criar as bases em madeira onde depois pinto”. O músico do Norte refere que sente a influência “a nível de rapidez de acesso a recursos para desenvolver as ideias quer musicais quer a nível de imagem. No meu estilo é usado muito o sample (amostras sonoras de músicas, ambientes, discursos, soundbites, etc.). À distância de um clique tens acesso a isso tudo, poupas imenso tempo a não ter que rebobinar cassetes, por exemplo”. Portugal tem acompanhado as novas tendências da arte contemporânea inovadora. A resposta é unanime. “Não só acompanhado como também contribuído para ser/estar na vanguarda. Felizmente, poderia dar muitos exemplos, mas vou dar apenas dois e respeitantes à StreetArt ou arte urbana: Vhils e Bordalo II. Os trabalhos deles podem ser vistos em todo o mundo, nas maiores montras, as

ruas”, acrescenta Dom Rubirosa. Mário sublinha ainda o facto de existirem “muitas pessoas por cá a criarem com identidade pessoal bem forte a usarem uma linguagem inovadora. Acho sinceramente que estamos a perder o estigma do português-acanhado, estou muito, muito, curioso de ver o que esta geração mais nova vai fazer nos próximos tempos”. Mesmo com esta evolução os artistas ainda identificam algumas dificuldades. Mário Belém realça a “dificuldade que o artista português tem em dar-se a conhecer internacionalmente. Temos muitos artistas com qualidade mundial que querem e não conseguem dar o salto para fora”. Dom Rubirosa afirma que as dificuldades são “bastantes. São muitos cães ao mesmo osso. O mercado e a realidade portuguesa são bastante limitados, mesmo contando com os nossos emigrantes. A arte é vista como um hobbie e como tal, na grande maioria dos casos, é subvalorizada, não só a nível monetário. No entanto, acho que hoje em dia, há mais sensibilidade/abertura para as questões relacionadas com a arte. Há muitos mais municípios com uma agenda cultural e com preocupação em mostrar algo novo”. Ambos afirmam que a sociedade apoia o trabalho de cada um e que as novas tecnologias mudaram o seu modo profissional. “Julgo que o aspecto mais determinante é a velocidade com que fazes um trabalho do início ao fim. A facilidade com que consegues mudar as cores de um esboço (em vez de o teres que voltar a desenhar todo de raiz à mão) ou mesmo o facto de conseguires ter uma peça bastante complicada cortada uns dias depois de a teres idealizado são aspectos que há vinte anos atras eram impensáveis”, afirma Mário Belém que está de acordo com Dom Rubirosa: “A rapidez com que as coisas são feitas e com isso um aumento da quantidade de projetos e lançamentos de novos trabalhos. Não acho que tenha havido muita inovação, no sentido de trazer algo completamente novo, mas é um facto que os artistas começaram a aproveitar muito melhor todos os meios ao seu dispor. Dada a esta realidade muito tecnológica, grande parte dos eventos artísticos já não são eventos de uma só arte, são eventos de multimédia. Na questão do negócio da música uma grande modificação que existiu foi que, antigamente, faziam-se concertos para ajudar a vender os álbuns e hoje em dia fazem-se álbuns para ajudar a vender os concertos, não entendo isto como

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inovação mas como consequência do novo paradigma do mercado musical”. Dom Rubirosa encontra-se neste momento “a preparar o lançamento de um EP com o nome “Bandalismo”, basicamente é uma abordagem com banda de alguns temas que tinha lançado nos meus anteriores CD. Quero muito mostrar as novas versões, está mais musical menos música rap, isto é, o rap continua lá, mas a banda trouxe outra dinâmica. Este trabalho foi gravado no estúdio Vale de Lobos há já algum tempo mas só agora foi possível finalizá-lo. Também estou a trabalhar no próximo álbum que terá o nome “Uma jóia de moço”, e aqui, todos os temas serão novidade”. Mário Belém está

"independentemente de já ter 40 anos, considero-me uma criança do século XXI" Mário Belém

"A arte é vista como um hobbie e como tal, na grande maioria dos casos, é subvalorizada, não só a nível monetário" Dom Rubirosa

agora, “depois de ter passado quase um ano a desenvolver a minha última exposição, estou cheio de vontade de trabalhar para os outros, sobretudo para poder sair um bocado do meu atelier e da minha bolha de criação pessoal. Já tenho uma série de encomendas para o início de 2018, que são todas objetos ou instalações em madeira e pintura, portanto vou poder continuar a desenvolver obras na direção que tenho vindo a explorar ultimamente. Para além disso estou a tentar organizar um projecto de pinturas murais pelo interior de Portugal. Estou cheio de “ganas” de fazer coisas!” // www.domrubirosa.com // www.mariobelem.com


Dois anos de inovação e empreendedorismo i9magazine celebra o seu segundo aniversário Texto: Nuno Silva e Pinto | Imagem i9magazine

Janeiro é um mês que significa muito para a i9 magazine. Não celebramos apenas o Ano Novo como é o mês do nosso aniversário. Estamos todos de parabéns por estes dois anos que passaram, pelo trabalho desenvolvido e crescimento que apresentamos, pelo profissionalismo e ética demonstrado e pela paixão que nos caracteriza. 2017 foi um ano cheio de emoções em que Portugal esteve em crescente. Para não falar de Salvador Sobral, que muitos já escreveram sobre isso, para nós este último ano revelou ser uma verdadeira aprendizagem e uma excelente progressão na qualidade do nosso trabalho. Começámos o ano a explorar o tema da inovação desportiva. Entrevistámos Filipe Albuquerque, piloto profissional de automóveis, apresentámos as inovações tecnológicas, biotecnológicas e médicas ligadas ao mundo do desporto e fomos conhecer a cidade do futebol, entre muitas outras novidades ligadas ao tema do desporto. Fevereiro foi um mês que escolhemos para lhe falar de como podemos dar vida ao seu projeto recorrendo às melhores fontes de capital. Apresentámos a opinião de Peter Villax, da Hovione Capital e de Miguel Henriques, da Federação Nacional de Associações de Business Angels. Em março debruçámo-nos sobre o tem das Smart Cities. Explicámos o que são cidades inteligentes e falámos com Susana Sargento, considerada a mulher mais inovadora da União Europeia em 2016, co-fundadora da Veniam. Já em abril, demos destaque ao capital intelectual e demos a conhecer as estratégias de gestão de conhecimento e a sua valorização por parte das universidades portuguesas que mais investem em direitos de propriedade intelectual. Maio focámo-nos no tema do trabalho sublinhando as skills e os empregos mais procurados. Ainda demos conta do surgimento da inteligência artificial em ambientes laborais. Junho foi o mês do Amor. Um número dedicado

à relação entre o Amor e as novas tecnologias. A grande pergunta que colocámos foi: “Terá a era digital transformado os relacionamentos?” Julho, o mês em que as praias começam a ficar cheias e o banhos de sol nos puxam mais a sair do escritório, demos destaque à inovação agro-alimentar e abordámos as nanotecnologias que nos ajudam a identificar o estado de conservação dos alimentos, como o caso do Q Stamp, desenvolvido por Tiago Cunha Reis, da Mater Dynamics. Em Agosto demos importância ao nosso mar, não apenas por ser Verão mas porque achámos que merece o devido destaque. Setembro foi um mês dedicado ao E-government. Demos destaque à modernização administrativa e ao ecossistema digital relativo à Administração Pública. Procurámos quais são as medidas, desafios, oportunidades e novas metas do E-government em Portugal. A Eco-inovação foi o tema escolhido para o mês de outubro. Sublinhámos a definição de eco-inovação: “é um dos instrumentos mais eficazes para a procura de soluções que permitam a satisfação das necessidades da sociedade através de um melhor e mais reduzido uso de recursos”. A Web Summit regressou a Lisboa em novembro e nós marcámos presença. Mais que um orgulho patriota, por um evento desta dimensão ter como palco Lisboa, esta é sempre uma ótima oportunidade para todos, desde a indústria tecnológica aos serviços inerentes a uma organização desta dimensão, todos temos a ganhar! Fechámos o ano em beleza com um tema dedicado ao gaming. Fomos à descoberta das novas tendências do gaming e percebemos que também são importantes os jogos cara a cara. Nas páginas seguintes elaborámos uma montra mais específica do que foi, não apenas 2017 mas também recordamos 2016. Para o futuro que o pretendemos é que se divirta tanto, ou mais, como nós nos divertimos a realizar a nossa i9 magazine.


i9 magazine #01 O início, onde tudo começou

Janeiro de 2016, nasce o primeiro número da i9 magazine. Carlos Moedas foi o nosso primeiro entrevistado. "Já percorreu o mundo: começou por Paris, durante o Programa Erasmus enquanto estudante de Engenharia Civil; chegou a Harvard, nos Estados Unidos da América, onde realizou um MBA; e passou por Londres, tendo começado a trabalhar no banco de investimento Goldman Sachs. O caminho notável de Carlos Moedas chamou a atenção de Pedro Passos Coelho, que o convidou a integrar o governo como Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro. Na atualidade, este alentejano assume que é um enorme privilégio poder “servir a instituição que é a Comissão Europeia” durante os cinco anos que terá como Comissário da Investigação, Ciência e Inovação."

i9 magazine #02 O que é a inovação?

No segundo número, o balanço era positivo, estavamos diáriamente a crescer. "...a inovação, apesar das suas múltiplas utilizações e caracterizações, e podendo existir a diferentes níveis e ser de natureza diversa, é uma atividade que as empresas desenvolvem em maior ou menor dimensão e que implica investimentos aos quais estão associadas determinadas expectativas relativamente aos benefícios daí resultantes. Independentemente da forma como for conduzida e do balanço de custos e benefícios, a inovação tem determinados riscos inerentes, sendo certo que a opção por não inovar implica outros riscos. Por isso, apesar de todas as barreiras existentes, a inovação deve ser uma preocupação permanente das empresas e um risco por elas assumido, inserido como fator de sobrevivência, competitividade e estratégico, a médio e longo prazo, não devendo ser visto simplesmente como algo de novo, mas sim algo de novo que traz efetivamente resultados para a empresa"

i9 magazine #03 Indústria 4.0

Nesta edição destacamos o artigo de opinião de José Carlos Caldeira, que salienta os desafios e oportunidades de inovação da indústria portuguesa. "Por detrás desta designação - INDÚSTRIA 4.0 – está na verdade um processo de profunda transformação da forma como pensamos, concebemos, produzimos, distribuímos e utilizamos os produtos, potenciado pelo desenvolvimento e disponibilização, a preços cada vez mais competitivos, de uma nova geração de tecnologias digitais. Existiram já fenómenos semelhantes noutras áreas, como na música ou na fotografia, que permitem ter uma ideia, mesmo que limitada, do impacto que a digitalização dos produtos e processos pode ter nas empresas e organizações mais diretamente envolvidas e nos respetivos modelos de negócio, assim como na vida de todos nós - clientes e consumidores." "A indústria nacional tem necessariamente de estar atenta a esta evolução, conhecer as novas tecnologias e compreender o seu impacto, para poder tirar partido delas e não ser surpreendida por concorrentes mais atentos ou ágeis."

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i9 magazine #04 Saúde

Neste número dedicado à saúde salientamos o artigo sobre a Fundação Champalimaud. "Voltada, de um lado, para a cidade de Lisboa, e de outro para o rio Tejo, a contemporaneidade da obra esconde um espaço onde a Saúde é a palavra de ordem. Aqui convergem laboratórios avançados de investigação científica multidisciplinar e translacional (com aplicação prática nos doentes e suas enfermidades) no campo da biomedicina; um centro clínico onde profissionais médicos contribuem para o bem-estar dos seus pacientes; e também os imprescindíveis serviços administrativos. No meio de tudo, o jardim tropical, coberto com uma pérgula, traz vivacidade, serenidade e esperança aos que por ali passam."

i9 magazine #05 Criatividade

Roberta Medina foi entrevistada neste nosso número dedicado à criatividade. "Autêntica, transparente e absolutamente apaixonada pelo que faz: o Rock In Rio (RIR) já não é indissociável de Roberta Medina. Nem ela se pretende afastar do evento que acontece em Portugal desde 2004, e que já faz parte da nossa história. Do mesmo modo que o próprio RIR já não existe sem a referência ao nosso país, a Lisboa. A preparar mais uma edição, Roberta Medina revela alguns dos sucessos e curiosidades desta marca global, mas também as novidades que os portugueses podem encontrar neste ano na cidade do rock."

i9 magazine #06

Transferência de Conhecimento A transferência de conhecimento é uma das respostas que, mundialmente, assume mais relevância. "Assumindo a definição do Massachusetts Institute ofTechnology (MIT), a transferência de conhecimento, ciência e tecnologia é o “movimento de conhecimento e descobertas para o público em geral”. E há vários mecanismos que promovem esta translação. Ela pode ocorrer por meio de publicações científicas; em seminários, intercâmbios e conferências. Através de parcerias de i&d entre universidades e indústrias; da formação e capacitação; de contactos pessoais ou mediante a comercialização de tecnologias. Este último ponto possibilita o estabelecimento de contratos de i&d com consultoras especializadas, o licenciamento de tecnologia, a venda de propriedade intelectual e a criação spin-offs (nova empresa criada com o objetivo de explorar novos produtos ou serviços de base tecnológica ou inovadora. Habitualmente nasce a partir de ideias ou processos gerados numa organização já existente, seja uma outra empresa, um centro de investigação público ou privado ou uma universidade, que acolhe e apoia a nova iniciativa)."


i9 magazine #07 Internacionalização

Neste mês orientámos a i9 magazine para a temática da internacionalização. A nossa entrevistada foi Rita Nabeiro. "Apesar de a marca Adega Mayor ser frequentemente reconhecida nos vários concursos vínicos internacionais, Rita Nabeiro não se compromete a eleger o seu vinho predileto. Seja um néctar mais comercial ou a próxima edição especial, de topo, admite que cada um deles tem uma idade e perfis diferentes. Formada em Design de Comunicação, a gestora de “mãos na massa”, que ajuda nas trasfegas e gosta de ir ao terreno, revelou-se uma apaixonada pela vinha, pelo campo que a ajuda “muitas vezes a desligar e relativizar os problemas” e, em particular, pelo Alentejo - “uma paz muito grande.""

i9 magazine #08 Turismo

A i9 magazine deu conta do crescimento do turismo em Portugal. Aqui realçamos os verdadeiros impulsionadores do turismo. "Por ocasião do Talkfest, fórum internacional dedicado aos festivais de música, que decorreu em março, em Lisboa, debateu-se sobre “A importância dos Festivais de Música no Turismo em Portugal”, concluindo que tais eventos podem promover as cidades como destinos turísticos. E a comprovar essa situação estão os dados do INE a indicar que em 2014 realizaram-se 29666 sessões de espetáculos ao vivo, com um total de 10,7 milhões de espetadores. Na globalidade as receitas geraram 70,5 milhões de euros, contudo os concertos de música rock/pop são a modalidade mais representativa (42,5%), à qual assistiram 2,2 milhões de espetadores, gerando receitas de bilheteira no valor de 30 milhões de euros (mais 3,5 milhões de euros do que no ano anterior)."

i9 magazine #09 E-learning

Neste mês, setembro, em que se aproxima o início de mais um ano letivo, explorámos como se inova na educação. "O Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. tem um reconhecido e importante papel no desenvolvimento de políticas de ensino e de divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro, assegurando a presença de leitores de português nas universidades estrangeiras e gerindo a rede de ensino de português no estrangeiro ao nível básico e secundário. A existência de uma estratégia de e-learning revelou-se fundamental e pertinente para assegurar a formação da rede de docentes que o instituto possui espalhada por todo o mundo, mas também como forma complementar de ensinar a Língua Portuguesa a estrangeiros situados em locais mais remotos."

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i9 magazine #10 Transformação Digital

Esta i9 magazine procura dar a conhecer o que se passa em Portugal nesta nova era digital "A transformação digital, enquanto processo de evolução das organizações, tirando partido da introdução das tecnologias de informação nos processos internos de funcionamento, tem como objetivo o aumento da rentabilidade e fortalecimento da sustentabilidade das empresas na nova economia digital. Mas essa transformação, inadiável e inevitável, cria também novos desafios e requer uma capacidade de antecipação e agilidade nas empresas, sem precedentes."

i9 magazine #11 Web Summit

A i9 magazine deste mês não é sobre o Web Summit. A i9 magazine deste mês incide sobretudo no que existe para além do Web Summit! "O sucesso longe das grandes áreas metropolitanas. Localizam-se fora dos grandes centros urbanos mas não se encontram na sombra dos centros de investigação de Lisboa e do Porto. São empresas tecnológicas que têm um papel preponderante na atração para diferentes zonas do país e provam que não é só nas grandes cidades que se produz tecnologia."

i9 magazine #12 Inovação Social

Neste número Salil Shetty concedeu-nos uma grande entrevista. "Desde 2010, que está à frente de uma das maiores e mais liberal organização de direitos humanos do mundo - a Amnistia Internacional. Responsável por um movimento global de mais de sete milhões de pessoas, presente em mais de 150 países, o radicalismo nunca foi desconhecido a Shetty. O pai era jornalista de campanha e a mãe era ativa no movimento feminista em Bangalore, na Índia, país onde nasceu. Anteriormente, foi diretor da Campanha do Milénio da Organização das Nações Unidas (ONU) e, antes de ingressar na ONU, atuou como Diretor Executivo da ActionAid, uma organização sem fins lucrativos com origem na África do Sul. Numa breve passagem por Portugal, no âmbito da Web Summit, Shetty falou particularmente sobre o efeito que o uso da tecnologia pode ter na resolução de problemas sociais mundiais."


i9 magazine #13 Inovação Desportiva

A i9 magazine mostra a casa dos campeões do Euro 2016 "Localizado na proximidade do Estádio Nacional do Jamor, tendo um acesso direto a este, o complexo incluiu o edifício sede da FPF, um centro técnico e um centro logístico. Uma configuração de zonas em “T” que, para Daniel Ribeiro, foi “pensada de forma otimizada porque todos os espaços convivem muito bem, sem se colidirem”. O núcleo central acolhe a sede da FPF, com os seus departamentos administrativos, um centro de formação, restaurante/cafetaria e um auditório principal - onde decorrem várias conferências de imprensa, assembleias gerais e os sorteios da Taça de Portugal. Contudo, é no átrio de entrada da Cidade do Futebol que surge o ex-líbris do futebol nacional - a Taça de Campeões Europeus da Europa tem lugar de destaque na área de exposição, onde ainda figuram outros troféus da federação e suas seleções"

i9 magazine #14 Financiamento & Fintech

Escolhemos este número para lhe falar de como pode dar vida ao seu projeto recorrendo às melhores fontes de capital "Acredita que tem uma boa ideia, uma ideia absolutamente inovadora? Uma ideia que pode mudar o mundo e que as pessoas, no caso de um produto, vão querer comprar ou, no caso de serviços, vão fazer de tudo para poder usufruir? Quer então lançar no mercado essa nova ideia? Se respondeu sim a todas as perguntas anteriores, poderá agora questionar-se como financia o arranque do seu novo projeto. Pois bem, há várias opções e pode tentar aceder a cada uma delas consoante as suas necessidades e o progressivo crescimento da sua start-up."

i9 magazine #15 Smart Cities & Iot

Damos-lhe a conhecer os projetos que estão a tornar Portugal num país Smart "Com o objetivo de “afirmar Portugal como palco de desenvolvimento e experimentação de tecnologias, produtos e sistemas de elevado valor acrescentado para cidades inteligentes a nível global, promovendo a competitividade, capacidade de inovação e internacionalização das empresas”, foi apresentado no Porto, a 16 de janeiro deste ano, o Cluster Smart Cities Portugal."

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i9 magazine #16 Capital Intelectual

Neste novo número da i9 magazine tentámos despertá-lo para a importância de registar a sua marca "Efetivamente, para que um indivíduo e/ou empresa possa assegurar o direito de exploração de PI deve proceder à proteção da mesma. No caso das start-ups esta mesma lógica deve ser aplicada porque, se perguntarmos quanto vale uma nova ideia ou um novo produto - ativos intangíveis (como a marca, conceito, aplicação, patente ou software, entre outros) - a resposta é de cerca de 80% do valor de uma start-up."

i9 magazine #17 Inovação no Trabalho

Fomos visitar a melhor empresa para trabalhar em 2016 (Hilti) para perceber o que os “empurra” no seu dia a dia para o sucesso "No país, a empresa líder mundial no desenvolvimento e produção de software, ferramentas, serviços e tecnologias inovadoras para os profissionais da construção civil vai somando distinções como uma das melhores e mais felizes entidades para trabalhar. A i9 magazine tentou saber o segredo deste sucesso que cativa não só os trabalhadores – que têm direito a pequeno-almoço grátis, aulas de yoga, cabazes de Natal e de Páscoa, entre muitos outros benefícios – mas também outras empresas a fazerem mais e melhor para que os seus ambientes laborais sejam igualmente inovadores e criativos."

i9 magazine #18 Amor 4.0

A i9 magazine foi conhecer Anabela Santos, gestora do Second Love, uma plataforma que dá novas possibilidades a pessoas que já estão numa relação "“Flertar não é só para solteiros(as)” – este é o lema e o segredo por detrás da plataforma Second Love. Um site de encontros apenas para adultos que estão numa relação, mas que procuram outras pessoas em situação semelhante para terem um romance. Nascido na Holanda, o Second Love está em Portugal há sete anos, mas também tem utilizadores em Espanha, Bélgica, Dinamarca, Brasil, Chile, Argentina, México e um site específico nos Estados Unidos para os hispânicos."


i9 magazine #19 Inovação Agroalimentar

A i9 magazine quis dar-lhe conhecimentos úteis e preciosos sobre o que se passa no setor agroalimentar "Pelas exigências do mercado e dos seus consumidores, o setor agroalimentar é, talvez, um dos mais profícuos no que toca a novos produtos, por vezes inesperados. Na génese de todo este conhecimento e descobertas estão centros de I&D e de incubação e aceleração especializados, tanto em Portugal, como no estrangeiro"

i9 magazine #20 Economia do Mar

Neste número trazemos a temática da ‘economia do mar’: saiba de que forma os portugueses estão a (re)conquistar os oceanos, no século XX "Se quanto mais explorarmos e conhecermos o mar, mais poderemos beneficiar do seu poder e capacidade, então as instituições nacionais que promovem o estudo do oceano que banha a nossa costa merecem lugar de destaque e de valorização. Augustin Olivier, um dos responsáveis da TEC4SEA afirma que “o mar português é um recurso económico imenso ainda largamente desaproveitado”".

i9 magazine #21 E-government

Esta edição a i9 magazine dá destaque à modernização administrativa e ao ecossistema digital relativo à Administração Pública. "Portugal tem-se revelado inovador na aplicação de medidas capazes de simplificar a relação entre a Administração Pública e os cidadãos. O Simplex está de volta e promete ser mais participativo e inovador. Sentimos que estamos no trilho certo e que existe uma preocupação não apenas em aplicar novas medidas mas também em melhorar as já aplicadas. Maria Manuel Leitão Marques, Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, dá prova disso mesmo em conversa com a i9 magazine, onde fala sobre os desafios, sobre as barreiras e da nova atitude que o Governo encara para que o nosso país chegue mais perto da verdadeira simplificação de serviços."

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i9 magazine #22 Eco Inovação

Nesta edição da i9 magazine abordámos projetos e iniciativas que provam o que está a ser feito em Portugal neste sentido. "“Contribuir para o desenvolvimento sustentável de Portugal, assente em elevados padrões de proteção e valorização dos sistemas ambientais e de abordagens integradas das políticas públicas”, é a visão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). O nosso país tem-se mostrado preocupado com as questões de sustentabilidade e ambientais. A Eco-inovação é mais que um desafio, é uma alavanca que impulsiona várias oportunidades e desenvolvimento. Nuno Lacasta, Diretor-Geral da APA, revela à i9 magazine quais os projetos e planos que estão em vigor, para Portugal trilhar o caminho certo. A estratégia está bem definida e os apoios bem ativos para que se continue o trabalho em prol de uma economia eficazmente verde."

i9 magazine #23 Web Summit

Como já deu para reparar, a Web Summit foi o nosso tema central. "Lisboa volta a receber um dos maiores eventos tecnológicos e as expetativas continuam a ser altas, tal e qual como foi em 2016. A imagem de Portugal juntos dos investidores é um dos pontos fortes da Web Summit mas não é apenas disso que vive a feira tecnológica. Ana Teresa Lehmann, Secretária de Estado da Indústria, em conversa com a i9 magazine, afirma que Portugal está nas luzes da ribalta não apenas durante a semana da Web Summit como também pelas inúmeras referências do País como fonte de excelentes start-ups. Ana Teresa Lehmann defende ainda que "há que explorar o diálogo e as transações entre grandes e pequenas empresas, novas e mais estabelecidas, nacionais e internacionais"."

i9 magazine #24 Eco Inovação

No mês de dezembro focámo-nos no tempo de jogar, não apenas pelas excelentes novidades que há nesta área, mas também por acharmos que jogar é importante. "Sensores, realidade aumentada, realidade virtual e robótica fazem parte das brincadeiras dos dias de hoje, seja entre crianças ou entre adultos. A evolução da tecnologia e as novas formas de interação, com a afirmação do mobile e das redes sociais como plataformas de comunicação dominantes, têm vindo a revolucionar a área do entretenimento. Como estarão as principais empresas do setor, como a Sony, a Microsoft, a Nintendo e a Lego, a reagir à velocidade estonteante desta evolução?"

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Ninhos de criatividade Incubadoras e coworking para as indústrias criativas

Texto Marisa Vitorino Figueiredo | Imagem Incubadora de Artes de Carnide e Bruno Barata / MU Workspace

A criatividade contagia e, tal como uma tapeçaria ou uma peça de filigrana, é mais o que se ganha na soma das partes do que em cada um por si. Esta é a força motriz das inúmeras iniciativas que, de Norte a Sul, têm apostado em artistas, artesãos e empresas das indústrias criativas. Seja na vertente da incubação, seja em espaços de coworking – que também podem ser o trampolim para novas empresas –, estes são novos espaços para experimentar, cooperar e criar. A cooperação é, aliás, um dos conceitos que mais revolucionou a forma como se trabalha no século XXI. E se, à partida, o termo “incubadora de empresas” era associado apenas a start-ups de base tecnológica e spin-offs académicas, rapidamente galgou fronteiras e chegou às indústrias criativas. Nestes ninhos artísticos apoiam-se negócios ligados a artes e outros ofícios criativos e culturais, com planos de negócio sustentáveis e propostas de valor. O objetivo é, à semelhança de incubadoras noutras áreas, lançar e sustentar criativos e empresas em fase inicial do seu negócio. Além da instalação num espaço físico, os projetos apoiados beneficiam, frequentemente, de aconselhamento especializado, sinergias e parcerias com outras entidades, assim como apoio na divulgação. Incubadoras ligadas às artes começaram a surgir, nos últimos anos, um pouco por todo o país. Em 2013, por exemplo, a autarquia de S. João da Madeira fez nascer do esqueleto da metalúrgica Oliva um projeto vibrante de criatividade e inovação. Dentro das paredes da antiga fábrica nasceu a Oliva Creative Factory, uma iniciativa de dinamização das indústrias criativas do concelho, que junta a componente de incubação com um Business Center para empresas com um nível mais avançado de maturação. Santarém seguiu o exemplo de S. João da Madeira e, poucos anos mais tarde, em 2016, lançou a Incubadora d’Artes da cidade. A funcionar na antiga escola primária de S. Salvador, o projeto dedica-se a projetos artísticos e criativos e insere-se na necessidade de revitalização do centro histórico. Fora dos grandes centros urbanos, estes projetos de incubação apostam nas artes como forma de dinamização económica, mas também para uma nova vida a locais emblemáticos. Porém, Lisboa não ficou imune ao fenómeno: na capital, a incubação de indústrias criativas envolve ainda um novo propósito: a ligação e coesão à comunidade envolvente. O Centro de Inovação da Mouraria / Creative Hub foi a primeira experiência lisboeta, por iniciativa da Câmara Municipal, focada nas indústrias culturais e criativas. O projeto, inaugurado em 2015, insere-se na rede de incubadoras empresariais que germinam um pouco por toda a cidade. Não é, contudo, caso único. Já em 2017, uma nova iniciativa abriu portas noutro lado da cidade: a Incubadora de Artes de Carnide.


© Incubadora de Artes de Carnide

© Incubadora de Artes de Carnide

Uma conquista comunitária em Carnide Nascida de um projeto vencedor do Orçamento Participativo de Lisboa, a Incubadora de Artes de Carnide visa apoiar o desenvolvimento de ideias de negócio no mundo das artes. A iniciativa tem uma história muito próxima à população residente nesta zona da cidade (freguesia de Carnide). Para ser alvo de financiamento municipal e ganhar vida, a Incubadora teve de reunir um grande número de votos, na corrida de propostas ao Orçamento Participativo. “As pessoas da zona envolvente da Luz – Carnide vivem muito este projeto”, confirma o dirigente da associação Boutique da Cultura, Paulo Quaresma. Cabe à associação a gestão operacional da Incubadora, com o apoio da autarquia lisboeta. Este é um espaço pensado para acompanhar projetos artísticos em todas as fases de negócio. Para responder a esse desafio, a Incubadora de cerca de 200 metros quadrados abrange tanto espaços de escritório e reunião, como oficinas e até um espaço de loja aberto ao público, “que permite que o criativo comece a testar o seu produto, colocando-o à venda, e obtenha algum rendimento”, explica Paulo Quaresma.

© Incubadora de Artes de Carnide

A Incubadora está disponível para receber ideias de negócio ligadas a qualquer tipo de arte, desde que se adequem ao espaço disponível. As candidaturas estão abertas em permanência e o objetivo é preencher os lugares vagos no primeiro trimestre de 2018. Até porque, dos 10 projetos incubados que o espaço pode ser receber, ainda só dois lugares estão ocupados. Trata-se de dois projetos artísticos ligados, respetivamente, à marroquinaria de produção artesanal e à criação de conteúdos educativos na área da música (cujo público-alvo são as escolas). Os responsáveis da Incubadora de Artes de Carnide têm outros incubados em vista, cujas propostas ainda estão em fase de amadurecimento.

Além disso, é possível colocar produtos artísticos à venda no espaço de loja, mesmo sem ser residente na Incubadora. Paulo Quaresma chama-lhe um “apoio de retaguarda”, em que a Incubadora presta apoio na divulgação e no aconselhamento de negócio, mas os criativos não necessitam de usar o espaço físico da Incubadora. Existem atualmente nove projetos nestas condições. As candidaturas que recebem luz verde para se instalarem na Incubadora têm ao seu dispor um conjunto de benefícios por um período máximo de dois anos, renovável. Do espaço físico (de oficina, escritório e loja), com todos os serviços incluídos (água, eletricidade, Internet e limpeza do espaço, por exemplo), à consultadoria em empreendedorismo, aspetos jurídicos e contabilidade. Em troca, os residentes devem pagar um valor abaixo dos preços de mercado: 90 euros por mês para beneficiar de todas as valências do espaço ou, em alternativa, 75 euros por mês para criativos que só pretendam usar o espaço de oficina. O espaço de venda em loja tem um custo equivalente a 20% das vendas concretizadas. Tudo para que se cumpra o “compromisso da sustentabilidade” em que assenta a Incubadora, como esclarece Paulo Quaresma. “A incubadora não surge para criar um negócio, mas tem de ser autofinanciada”, reforça. Por isso – e a par dos valores cobrados pela utilização do espaço – é que a própria Boutique da Cultura aposta na venda de produtos artísticos ao público no espaço de loja (merchandising ligado a um projeto de street art no bairro Padre Cruz e à valorização de cada um dos bairros que compõem a freguesia). Esta acaba por ser mais uma receita do projeto, que reequilibra as contas. O merchandising local é um dos pontos mais notórios da ligação entre a Incubadora e a comunidade. Mas a relação não se esgota por aqui. O espaço dinamiza workshops em indústrias criativas e empreendedorismo abertos ao público, numa iniciativa que permite aproximar os residentes da Incubadora aos residentes da freguesia – e não só. Para o primeiro trimestre do ano estão já agendadas cerca de 10 formações.

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exceção do poste à entrada do pavilhão, repleta de autocolantes (sticker art) com as marcas e autores que podemos encontrar na MU. É uma espécie de letreiro ou diretório de marcas repleto de inspiração urbana – que acaba por refletir, na perfeição, o que se “esconde” atrás da porta de entrada. O espaço de coworking reúne as influências da urbe irreverente que inspira os criativos residentes – das cores da decoração aos diversos objetos que se espalham pelo pavilhão. O local é flexível, adaptando-se aos criativos que passam por aqui. Há uma área tradicional de escritório, é certo, mas o grande destaque vai para as múltiplas valências que se albergam no pavilhão: há espaço para um estúdio de tatuagens, para fotografia, barbearia ou produção têxtil. Por isso, mais do que coworking, Rui Alexandre Ferreira (sob o nome artístico de RAF), vê a MU como um “laboratório de experiências”. “Com esta área mais de oficina, digamos assim, o espaço foi-se adaptando às necessidades de cada um. Se, por exemplo, algum dos residentes queria trabalhar têxteis, rapidamente adaptávamos o espaço, porque temos realmente aqui muitas valências”, explica o criativo, que assume também o papel de gestor da MU.

O cowork que é um “laboratório de experiências” Não muito longe da Incubadora de Artes de Carnide, um dos pavilhões da antiga Fábrica Simões & Cª (antiga unidade da indústria têxtil da freguesia lisboeta de Benfica) também acolhe um verdadeiro ninho de criativos. Aqui o mote não é a incubação – muito embora tenham já sido criadas 10 novas microempresas nos últimos seis anos –, mas o coworking, um modelo de trabalho assente na partilha do mesmo espaço e recursos. Trata-se da MU Workspace Lisboa, um espaço de trabalho informal para freelancers criativos, empreendedores, artistas, autores e pequenos empresários. Por fora, a estrutura mantém a aparência de fábrica, descaracterizada de indícios sobre o seu conteúdo – à

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À guisa de balanço, RAF reforça que “este grande laboratório de experiências resultou muito bem e, mesmo nas experiências que correram pior [por exemplo, um ateliê de restauro de móveis que acabou por não ser conciliável com as restantes atividades do espaço], houve uma aprendizagem para todos”. Por este espaço já passaram mais de 90 criativos, em diferentes momentos. Hoje permanecem 20. E, no rol de atividades testadas na Fábrica Simões & Cª, incluem-se projetos tão diferentes como joalharia, produção de vídeo, design gráfico, maquilhagem, arquitetura de interiores, street art ou artes plásticas. A funcionar como espaço de coworking há cerca de seis anos, desde 2012, o pavilhão começou por ser uma cooperativa cultural e chegou a dinamizar um mercado urbano até abraçar a função atual. O nome MU reflete tanto o conceito de Mercado da Urbe como de Movimento Urbano, inspiração comum aos projetos que aqui se albergam. Se hoje é uma tendência cada vez mais afirmada – com estimativas a apontarem para uma centena de espaços de cowork dinamizados um pouco por todo o país –, há uns anos o conceito de partilha do local de trabalho era praticamente inexistente. A MU foi uma das pioneiras a


percorrer esse caminho – num modelo autossustentado que nunca dependeu nem de subsídios nem de financiamentos privados ou públicos. Uma via que começou logo pela criação e decoração do espaço, a partir de materiais existentes na antiga fábrica. A crise foi a alavanca necessária para que o conceito de coworking ganhasse fãs entusiadas em Portugal, até porque este é um modelo de trabalho em que os custos são partilhados. RAF reforça que a as vantagens económicas são importantes (por um valor competitivo, na MU é possível beneficiar de espaço de oficina e escritório, sala de reuniões e estacionamento privado), mas há muito mais a ganhar com o coworking, seja para freelancers, empreendedores ou microempresas. “As pessoas percebem que, nestes espaços, têm muito a ganhar. O brainstorming acontece a toda a hora e há uma rede de contactos que gera sempre mais trabalho”. Em suma, menos custos, mais cooperação e mais projetos. À boleia da crise, a expetativa é que as mentalidades tenham mudado definitivamente e o coworking esteja cá para ficar e contagiar a criatividade. A MU, por seu lado, está para ficar, mas noutra morada. O Workspace abandonou a Fábrica Simões no final de 2017 e prepara-se para começar o ano noutra zona de Lisboa, mas com a mesma génese urbana. //boutiquedacultura.pt //www.muworkspace.com/


Quando o design é um diferenciador de produto Quais são as caras da "Geração Portugal" que dão cartas no design Texto Filipa Godinho

Boca do Lobo, Luís Onofre, Joana Vasconcelos e Pelcor são alguns dos nomes que se têm destacam no mercado do design em Portugal devido à inovação, irreverência, a uma comunicação bem-sucedida e ao luxo que pode ser encontrado nos acabamentos dos seus trabalhos, que têm encantado consumidores em todo o mundo. Estas marcas inovadoras dão todos os dias cartas, quer seja no mobiliário, calçado, nas artes plásticas ou nos acessórios feitos em cortiça (um dos "tesouros" nacionais). Pelcor: A levar a cortiça aos "quatro cantos do mundo". A cortiça é a base do trabalho realizado pela Pelcor. Esta empresa portuguesa, que foi criada por Sandra Correia (que em 2014 foi convidada, por Barack Obama, para participar num programa de empreendedorismo e inovação), tem levado a cortiça aos "quatro cantos do mundo". Esta empresa de design e moda apresentam objetos em pele de cortiça. Estes objetos aliam a modernidade ao design e sustentabilidade, já que toda a cortiça extraída vai permitir que nasçam novos carvalhos, não havendo qualquer tipo de desflorestação do meio ambiente. Para além deste cuidado, a Pelcor também tem uma linha vegan, livre pele de animal.

Os objetos realizados pela Pelcor já chamaram à atenção de grandes nomes nacionais, como é o caso de Barack Obama, Angela Merkel ou Madonna. Este projeto é atualmente controlado pelo empresário Angolano Rui Tati, que detém 100% da marca e que a pretende expandir para novos mercados, como é o caso do africano e do asiático.

© Pelcor

© Pelcor

Sapatos, malas, bonés, capas de telemóvel, produtos para animais e produtos para a casa são alguns dos produtos únicos que a Pelcor vende e que têm como público-alvo consumidores modernos que prestam atenção ao mínimo detalhe.

Estas e outras peças podem ser encontradas numa flagship Store, de decoração minimalista, que a Pelcor tem junto do jardim do Príncipe Real, na loja online da marca, que representa, aproximadamente, 20% do negócio, ou em Nova Iorque, Zurique e Londres. Estes são alguns dos mercados onde a empresa de São Brás de Alportel está presente e vende os seus inúmeros produtos criados à base de cortiça. As malas e a linha de acessórios são os mais vendidos.


© Luís Onofre

Luís Onofre: O "designer das estrelas" Quem também tem um grande alcance internacional é Luís Onofre, que dispensa grandes apresentações. Quando começou, há 18 anos, a indústria portuguesa do calçado a nível internacional não tinha quase valor nenhum, mas hoje em dia, os sapatos portugueses conseguem rivalizar de perto com os italianos. O estilista português, que todos os anos coleciona prémios e que é uma das caras da "geração Portugal" e da "alma portuguesa", que dá cada vez mais cartas fora de portas, iniciou o seu projeto próprio em 1999 (anteriormente, depois de terminar o seu curso, tinha trabalhado na empresa da família, sendo a terceira geração na indústria do calçado, e colaborado com algumas das marcas internacionais mais conhecidas) e desde então já calçou nomes como Michelle Obama, Letícia Ortiz e Paris Hilton. Luís Onofre produz, quase há duas décadas, sapatos de luxo para mulheres modernas e independentes. O estilista procura, em cada coleção que realiza, atrair novos talentos ("para a indústria mais sexy da Europa", que é como, certa vez, o designer apelidou a indústria têxtil) e chegar a uma nova vaga de consumidores. Os seus sapatos, que podem chegar até aos 3 mil euros, são facilmente reconhecidos pelos saltos vertiginosos. Um dos objetivos de Luís Onofre é a evolução constante na procura por novos mercados e posições estratégicas. Desde que formou a sua própria marca que os mercados externos absorvem cerca de 97% da sua produção (o que vai em linha com o que acontece na indústria do calçado. Esta exporta 95% do que produz). A produção de Luís Onofre, que é feita de uma forma inovadora, mas sem esquecer os conhecimentos aprendidos nas últimas décadas, pode ser encontrada em países como a Bélgica, Alemanha, França (o país que mais produtos compra desta marca de luxo portuguesa) ou a Nigéria.

Simplicidade, ousadia e elegância no design são as chaves do sucesso do estilista de Oliveira de Azeméis, que gosta de acompanhar de perto todos os momentos de produção e que tem um especial cuidado pelo detalhe. As coleções do estilista costumam apresentar inspirações diferentes, dependendo do género a que se dedicam. Os artigos do designer podem ser adquiridos nas lojas físicas, mas também podem sê-los online. Para catapultar, ainda mais, a sua marca e o calçado português, no geral, Luís Onofre está a preparar parcerias com dois dos produtos portugueses mais internacionais, o turismo e a ourivesaria.

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Boca do Lobo: Quando um design moderno aliado a técnicas tradicionais dá origem a peças de luxo A Boca do Lobo é uma marca internacional de design de mobiliário contemporâneo. Esta empresa foi criada por Amândio Pereira e Ricardo Magalhães na cidade do Porto. As peças realizadas destacam-se pelo seu design único e inovador, que mistura as técnicas mais modernas com inspirações de estilos mais tradicionais e que acabam por criar um produto de grande qualidade, sendo impossível de copiar. Aqui, duas peças nunca são iguais. Estas peças de mobiliário são realizadas à mão por artesãos experientes que partilham, em cada objeto criado, todo o seu amor e mestria no trabalho da madeira e em outros

materiais algo inusitados, como é o caso dos azulejos que são utilizados na mesa de jantar heritage, uma das peças que se destaca da coleção da Boca do Lobo, mas não é a única. Mesas de centro, espelhos, mesas de jantar, lâmpadas e cadeiras são algumas das "peças de arte" (dignas de estarem num museu) que a Boca do Lobo comercializa para mais de 50 países, nos cinco continentes. Os artigos de mobiliário desta empresa portuguesa são constantemente referidos em publicações e em blogues (havendo cerca de 60 pessoas que escrevem, diariamente, sobre a empresa que tem como lema "Esperem o inesperado", já que todos os artigos que realizam têm como objetivo criar um sentimento no utilizador).


Esta conhecida marca de mobiliário português (que está no mercado do mobiliário desde 2005) participa todos os anos em várias feiras e eventos internacionais de design, como é o caso da Maison & Objet (em Paris), o I Saloni (em Milão) ou a Decorex (em Londres). Neste tipo de eventos a empresa criada pela dupla de designers portuenses já recebeu inúmeros prémios e distinções, de onde se destacam: o Best Product Design Award 2009 (Elle Decoration 2009), Trend 2009 "Les tendances avec Marie Claire Maison" (Nelly Rodi) e o Best Product Design 2010 (Juli B 2010).

A Boca do Lobo, que emprega cerca de 80 pessoas, faz parte do Grupo MeninaDesign. Este grupo, que detém vários projetos ligados ao design e iluminação e está sedeado em Rio Tinto, detém as marcas: Brabbu, Secret Brands, Delightfull, Koket, Preggo, Portugal Brands, MDI, My Design Agenda, Design Gallerist e Clube Delux.

© Boca do Lobo

As peças realizadas pela Boca do Lobo estão à venda nas melhores lojas da especialidade (no estrangeiro), num showroom que têm no Porto, para além de também

poderem ser encontradas online. O Hotel Infante Sagres, que também se situa na cidade Invicta, tem alguns objetos desta marca de mobiliário, tal como na loja que Luís Onofre tem na cidade. Estas peças também já chegaram ao cinema devido ao filme "50 Sombras de Grey" (protagonizado por Dakota Johnson e Jamie Dornan), que as utilizaram como parte do cenário.

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Š Luís Vasconcelos/Cortesia Unidade Infinita Projectos


© Luís Vasconcelos/Cortesia Unidade Infinita Projectos | Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa

representa o papel da mulher é a escultura "Marilyn". Esta sandália gigante foi feita com panelas).

Joana Vasconcelos: Mais de duas décadas dedicadas às artes plásticas. Nas artes plásticas, Joana Vasconcelos é um dos nomes mais sonantes da arte contemporânea em Portugal. A artista, que nasceu em Paris e vive atualmente em Lisboa, chegou a representar Portugal na Bienal de Veneza (em 2013). Os trabalhos da artista plástica, que se destacam pelo seu tamanho e capacidade de chocar os mais puritanos da arte, são frequentemente referidos em livros e nos meios de comunicação social. "Portugal a Banhos", Doca de Santo Amaro, Lisboa (2010); "Varina", Ponte D. Luís I, Porto (2008) e "Suspensão", Santuário de Fátima, Cova da Iria (2017) são algumas das obras mais conhecidas da artista que já expôs em França, Rússia ou no Brasil. Os trabalhos da artista plástica (que expõe desde meados da década de 90), são feitos de uma forma tradicional e destacam-se pelo uso de materiais invulgares, como é o caso do ferro forjado ou o crochê. Aliás, um dos trabalhos feitos em crochê pela artista foi uma colcha gigante, intitulada "A Varina", que esteve pendurada na Ponte D. Luís, no Porto, em 2008. Em todas as suas criações, desde as esculturas até às instalações, Joana Vasconcelos descontextualiza os objetos já existentes e a realidade do quotidiano. O seu estilo apresenta uma visão crítica da sociedade contemporânea, especialmente no que se refere aos conceitos de nacionalidade e do papel da mulher (uma das obras que

Joana Vasconcelos prepara-se para expor no museu Guggenheim (Bilbau). Esta será a primeira vez que uma artista portuguesa vai expor em nome individual no museu espanhol (que é considerado um dos melhores do mundo. A mostra “I’m your mirror”, que poderá ser visitada de Junho a Novembro de 2018, vai contar com algumas das peças mais marcantes do seu vasto portfólio (como é o caso de "Néctar", que pode ser vista no CCB). Para além destas peças icónicas, serão realizados novos trabalhos para esta mostra que vai assinalar mais uma vitória para a artista que tem o seu ateliê em Alcântara, bem perto da zona ribeirinha.


Multimédia e a arte

A utilização das tecnologias ao serviço da arte e a influência que esta interação tem na forma como os artistas se expressam no mundo Texto Paulo Nogueira

Ao longo dos anos a tecnologia tem vindo a alterar a forma como é feita a arte e esta intensificação relacional só vem comprovar que ambas são inseparáveis existindo uma verdadeira simbiose que difunde as novas tendências estéticas, visuais e sonoras. Através desta panóplia de conceções dissociáveis entre a arte e a tecnologia, a humanidade foi evoluindo. Este progresso permitiu uma melhoria dos mecanismos para a criatividade de um artista, o que fez com que se criasse um avanço no que diz respeito às boas manifestações artísticas e consequentemente à captação de cada vez mais público. A introdução da era digital e das novas tecnologias na arte revelou que hoje em dia toda a criação artística está intrinsecamente ligada à multimédia e veio trazer uma revolução artística de que são resultado produtos tão complexos como por exemplo, o web design, a manipulação fotográfica, os videojogos, a produção audiovisual, as curtas-metragens, videoclipes que têm servido para o desenvolvimento de uma forma exponencial dos estímulos e capacidades artísticas dos intervenientes.

Jon Rafman Jon Rafman é um artista e realizador canadiano (Montreal) que concentra o seu trabalho na exploração do digital em diversos meios que provoque o impacto emocional, social e existencial da tecnologia na vida contemporânea.

projeto “9 Eyes of Google Street View” que reúne muitas das fotos captadas pelas nove câmaras (ou os nove olhos) dos veículos da empresa proprietária do maior motor de busca da Internet do mundo.

Em 2007 a Google decidiu sair à rua e fazer um registo de fotografias panorâmicas por todo o mundo e assim foi adicionada uma nova ferramenta ao Google Maps, o Street View. Passado um ano foi a vez de Jon Rafman “viajar” pelo Street View e organizar um conjunto de imagens através de critérios de seleção como o bizarro, contraste e do inesperado ao único, criando assim o seu

Sem qualquer tipo de manipulação, o artista pretende com esta compilação mostrar aos internautas a realidade do mundo para que possam interpreta-las e atribuir-lhes o seu significado. As fotografias mostram uma diversidade geográfica e cultural, captando diferentes formas de estar, como a alegria de uns e a frustração de outros.


Uma particularidade do trabalho de Rafman é que pode ser apreciado não só nas galerias de arte como também no conforto de casa a partir da internet, porque o artista faz questão de editar a maioria das suas obras em ambiente tridimensional de forma a aproximar o observador à sensação real de estar numa exposição numa galeria. Dedicado principalmente à fotografia e media digital, Rafman também se tem vindo a aventurar em escultura, instalação e em audiovisual. A sua obra de arte ganhou atenção a nível internacional e os seus trabalhos já foram expostos em diversos países.

Cory Arcangel Um artista pós-conceptual Americano que atua em diferentes meios de comunicação, como música, vídeo, desenho, performance art, e mais conhecido pelo trabalho notável na modificação de videogames, Cory Arcangel usa muitas vezes como estratégia artística a apropriação, reutilizando e manipulando, criativamente materiais já existentes, incluindo musica, videogames ou software, para criar obras de arte. No fundo Cory explora a natureza de produção e do consumo que se encontra saturada de media e tecnologia. O artista começou a atrair a atenção do mundo da arte quando “pirateou" um cartucho de Super Mario Brothers, a versão original do blockbuster videogame da Nintendo lançado nos Estados Unidos em 1985, e a fazer reformulações de sistemas informáticos obsoletos dos anos 70 e 80. Mas o trabalho que mais reconhecimento lhe deu foi mesmo o Super Mario Clouds (2002), uma versão modificada do videogame do Super Mario Bros. para a consola de jogos NES da Nintendo, onde ao ajustar o código do jogo, o artista removeu todos os elementos sonoros e visuais exceto as nuvens de rolagem icônicas, um projeto que é uma reminiscência das pinturas que empurram a representação para a abstração. Cory Arcangel é prova de que através das diferentes formas de arte e da sua manipulação é possível estabelecer diferentes pontes de cultura e simultaneamente chamar a atenção para os aspetos relacionados com a mercantilização generalizada da arte, o talento do artista, ou até a insustentabilidade da cultura no atual sistema de mercado capitalista. Arcangel é o mais jovem artista a quem o Whitney Museum dedicou uma retrospetiva ("Pro Tools”, em 2011), o artista também já expos individualmente em diversas Museus, como por exemplo no Migros Museum (Zurique), Barbican Center (Londres), Tate Modern (Londres), Deitch Projects (NY), MoCA Miami, Hamburger Bahnhof (Berlim), Wharhol Museum (Pittsburgh), entre outros.

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Mario Pfeifer Nascido em Dresden, na Alemanha, Mario Pfeifer é um artista que utiliza a sociologia e a antropologia da arte como forma de abordagem, ativando memórias culturais de diferentes comunidades convidando os seus membros para um debate sociopolítico sustentado na formação de uma sociedade mais justa, equitativa e tolerante. O seu trabalho explora os meios tecnológicos através da representação de filmes e vídeos, pesquisando lugares que vão desde Mumbai à Califórnia, ou do Chile ao Sara Ocidental. Assim ele concebe cada projeto a partir de uma situação cultural específica, onde pesquisa e examina a história sociopolítica do local, fazendo o cruzamento com a cultura artística e cinematográfica. É um artista que é chamado a colaborar em publicações, oferecendo materiais de pesquisa e investigações críticas a escritores e pensadores de áreas relacionadas, sobre questões sugeridas nos seus projetos para uma discussão político-social mais ampla. O trabalho de Mario Pfeifer é mesmo considerado um caleidoscópio que suscita diferentes perspetivas sobre a situação política atual. Presentemente uma parte do seu portefólio está presente numa exposição conjunta no MAAT em Portugal, intitulada “TENSÃO & CONFLITO. ARTE EM VÍDEO APÓS 2008”. Esta exposição “reúne as obras de 22 artistas que, dos Estados Unidos e América Latina dos Estados Unidos e América Latina à Europa e ao Médio Oriente, filmaram visões pessoais sobre os efeitos da grande recessão, a

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agitação política a ela associada e os aspetos sociais menos óbvios que emergiram desses eventos. Numa mostra que transforma o museu numa sucessão de espaços fílmicos, as obras destes artistas tanto apropriam protestos, manifestações e notícias do dia, como apresentam visões poéticas que nos fazem ler a História recente — e as transformações do presente — de modos frequentemente inesperados.”


Street art

Quando a cidade se torna um quadro vivo Texto Marisa Vitorino Figueiredo

Dos muros às grandes paredes laterais de prédios, a street art está a mudar o mundo. Começou nas grandes cidades, mas hoje encontra-se um pouco por todo o lado, numa demonstração da sua versatilidade e popularidade. Os artistas nacionais sublinham o período áureo vivido nos últimos anos, mas recusam a ideia de fenómeno passageiro. Até porque, apesar da efemeridade da tinta na parede, a street art é hoje considerada como o movimento artístico do século XXI. Irreverente, pública, jovem e global, esta forma de arte não deixa ninguém indiferente. “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”, refere Gonçalo Ribeiro, usando o slogan famoso de Fernando Pessoa para descrever a evolução global da street art. Gonçalo é mais conhecido por MAR, nome artístico com que assina quase duas décadas de percurso no graffiti e, mais tarde, na street art. Pela longevidade nestas andanças, é o primeiro a dizer que “era impensável, há 20 anos, achar que podíamos estar a fazer o que fazemos hoje”. Mas aconteceu: este foi um movimento que, com raízes na ilegalidade, conquistou o mundo e criou um mercado próprio, estabelecido. Mas o que é, ao certo, isto da street art? Trata-se de uma forma de arte contemporânea, criada em espaços públicos e que usa como telas os muros, paredes ou mesmo pedaços de estrada, autocarros ou vidrões. A rua assume-se como uma galeria extraordinária a céu aberto, numa exposição pública em que os cenários urbanos ganham novos sentidos. O que marca a diferença é, exatamente, esta passagem da tela para a rua. “A street art é o artista que pinta em suportes diferentes, mais do que a escala. Até porque há artistas que pintam coisas pequenas, mesmo na rua”, refere Tamara Alves, street artist que cria novos mundos com graffiti desde meados dos anos 90. Do spray às micro explosões O graffiti surge frequentemente associado à arte urbana. É uma ligação natural até porque o spray foi o início desde movimento artístico. O que começou como ilegalidade, com a marcação de territórios urbanos – de ruas a comboios – a lettering (desenho de letras), evoluiu para trabalhos em larga escala, com valor artístico estabelecido e que deixam um legado e um conceito para a cidade. E se, outrora, o spray era usado às escondidas, hoje são as próprias Câmaras Municipais, instituições e marcas que encomendam intervenções de arte urbana, um pouco por todo o lado. O que era marginal tornou-se aceite e, gradualmente, reconhecido como um movimento artístico de pleno direito.

© Tamara Alves

Apesar de ser o berço natural da street art, o graffiti não chega hoje para abarcar todas as possibilidades da arte urbana. Nem como movimento, nem mesmo como material usado. Muitos são os artistas que pintam a rua com latas de spray, mas a street art é feita dos mais variados materiais e técnicas. Há quem use, simplesmente, o pincel e o rolo de tinta, adotados da pintura convencional, e quem teste abordagens ousadas. Que o digam dois dos mais valorizados artistas nacionais: Vhils e Bordalo II. O primeiro recorre a uma panóplia de materiais, mas tornou-se conhecido sobretudo pelas figuras de rostos em paredes, obtidas com recurso a uma técnica de micro explosões controladas. Já Bordalo II é autor de verdadeiras peças tridimensionais, feitas com recurso a objetos comuns (frequentemente materiais que seriam lixo, para vincar a abundância de desperdícios), numa espécie de esculturas que saem das próprias paredes.


Tantas obras quanto paredes Quantas intervenções de street art existem em Portugal? E quantos murais já receberam traços de tinta numa pintura a grande escala? Ninguém sabe, ao certo. Até porque, como esta é uma arte efémera, há trabalhos que vão desaparecendo na malha urbana – porque os materiais se desgastam, porque alguém pinta por cima ou, simplesmente, porque o suporte desaparece, como em prédios devolutos que são depois destruídos. Mesmo assim, e dada a valorização e o investimento neste tipo de arte, a efemeridade destes trabalhos é cada vez maior. “Nos dias de hoje, a street art já está feita para durar porque há um grande investimento que é feito, já se pensa nestes trabalhos pela visibilidade e, por isso, interessa mantê-los o máximo de tempo possível”, explica Tamara. Para se ter uma ideia aproximada da expressão da street art, podemos olhar para o segundo volume do livro “Street Art Lisbon”, uma compilação de trabalhos feitos em Lisboa por artistas nacionais e internacionais. A publicação tem em conta apenas obras traçadas entre 2014 e 2016 e reúne 196 trabalhos. O volume anterior, publicado em 2014, reunia um número semelhante de trabalhos, desta feita entre 2012 e 2013. A amostra reflete a dimensão do fenómeno na capital portuguesa. Lisboa é, aliás, a cidade de referência para a street art. Sites especializados, como a Artsy, classificam-na como uma das melhores, em todo o mundo, para ser street artist. O reconhecimento vem da estratégia de uma década dinamizada pela cidade para facilitar, legalizar e orientar este tipo de intervenções. Foi inclusive criada, dentro da própria Câmara Municipal de Lisboa, uma estrutura própria para promover a street art. Sob o nome de GAU – Galeria de Arte Urbana, esta entidade tem lançado diversos concursos de arte urbana, cujos trabalhos vencedores acabam depois por ocupar espaços específicos na cidade e nos equipamentos urbanos, como camiões de recolha de resíduos ou vidrões. Cabe também à GAU a gestão das paredes legais para pintar. A GAU foi pioneira, em 2008. Mas desde então são várias as autarquias que têm acelerado o passo para abraçar este movimento. O Porto ganha destaque, mas também cidades mais improváveis (dada a menor dimensão e história do graffiti), como Covilhã e Viseu, que promovem festivais de street art.

© Gonçalo Mar

MAR ilustra bem a dispersão do fenómeno em Portugal. “Já trabalhei no país inteiro, desde Trás-os-Montes a Vilamoura. Penso que as [grandes] cidades servem quase como polos de experimentação, para perceber o que funciona ou não. Mas há outras Câmaras Municipais que conseguem apreciar resultados e compreender que há ali uma boa mais-valia. É algo que está a ser contagiante”.

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Adeus museus, adeus mediadores “Para mim, é o maior movimento da história da arte, que veio para ficar”, defende RAF, nome artístico que identifica Rui Alexandre Ferreira. O street artist, que também se dedica à pintura, design e tatuagem, não tem dúvidas em afirmar que “esta é uma guerra ganha, está-se a conseguir pintar o mundo inteiro; não há nenhum sítio onde possas ir que não tenha algo de street art”. MAR reforça esta ideia. “Como movimento artístico é, sem dúvida, o movimento desde novo século, sem dúvida. E já está a ser estudado como tal, já está na cronologia histórica das artes”, sublinha o artista. As cidades tornam-se museus públicos a céu aberto, unindo diferentes expressões e autores. A mudança revolucionou a própria arte, o mercado artístico e a economia à sua volta. “A partir do momento em que está na rua, é mesmo para todos, é eclético, não escolhe públicos”, lembra Tamara. A street artist refere ainda que este “não foi um boicote, mas sim a criação de uma alternativa ao circuito artístico da galeria – houve um corte, que deixou o controlo artístico mais na mão do artista do que na de outras pessoas, como negociadores de arte ou galerias”. A obra de arte sai do museu e aparece, sem pedir licença, à vista de todos. Deixa, por isso, de ser necessário um galerista como mediador, “é um mercado completamente diferente, é um circuito diferente: o trabalho vende-se a ele próprio, o cliente vem ter diretamente com o artista”. Quer isto dizer que há um corte absoluto com as galerias? Nem por isso. Mais do que uma substituição, a street art é uma alternativa que permite germinar novas ideias. Por isso, os autores são frequentemente convidados para expor em galerias tradicionais ou noutros espaços convencionais. Por outro lado,

há novas plataformas que ligam o que se faz na rua aos espaços interiores, como a Underdogs, plataforma e galeria criada por Vhils que expõe trabalhos de street artists reconhecidos.

© MU Workspace - Mariana Aguiar

Além da mudança no mercado, geram-se novos negócios em torno deste fenómeno. As marcas conseguem comunicar de forma individualizada e artística, para toda a cidade, e são, a par das câmaras, o grande cliente destes artistas urbanos. E, à falta de museus e curadorias, multiplicam-se outras oportunidades como visitas guiadas, tours virtuais, workshops e mesmo merchandising. Sobretudo porque existem muitos turistas – nacionais e estrangeiros – que procuram, especificamente, obras de street art.


Arte como intervenção social Esta procura turística tem permitido, também, criar uma onda de mudança em bairros desfavorecidos, como a Quinta do Mocho (Loures) ou o Bairro Padre Cruz (Lisboa). Nestas zonas, grandes empenas de street art são também uma estratégia de revitalização e valorização do local entre os seus habitantes e para o exterior, quebrando estigmas negativos. “Na Quinta do Mocho, nem paravam lá táxis, agora são visitados por pessoas de todo o mundo”, resume RAF, um dos autores das 22 obras de arte gigantes que marcam a paisagem do bairro de Loures desde 2015. Tamara e MAR são outros dos street artists envolvidos na intervenção. Já no Bairro Padre Cruz, são visíveis cerca de 90 intervenções, das mais variadas escalas, criadas em 2016. Tamara frisa que “a street art tem um carácter comunitário e social bastante forte, de reabilitação, trazendo dinâmica a bairros desfavorecidos”. Nesse sentido, afirma, é importante encontrar um equilíbrio entre o autor e a comunidade, porque “a parede fica para quem lá está”. “As pessoas já começaram a perceber o que a street art permite fazer, que permite criar pontes”, adianta MAR. E, por isso, “o artista deve ir além do saber pintar e usar as cores, precisa de ter um sentido muito social”, acrescenta, vincando que “temos de conquistar a cidade e é muito difícil, temos a grande responsabilidade de deixar uma marca na cidade, que vai ser sentida por muito tempo”.

Gonçalo Mar - Mariana Aguiar ©©MU Workspace

Com este boom da street art, há risco de existirem demasiadas obras? Aqui as opiniões são divergentes. Tamara acredita que “já se corre o risco de saturação”, sobretudo quando se faz “só por fazer, sem um propósito”. MAR, por seu lado, afirma que “isto ainda vai durar muito tempo e, como estamos a lidar com a efemeridade, acaba sempre por haver outras oportunidades e novas ideias”. RAF remata com uma nova questão: “é preferível ter street art do que painéis publicitários enormes, não?”. // goncalomar.com // www.tamaraalves.com // www.facebook.com/rui.ferreira.1610 // gau.cm-lisboa.pt // www.under-dogs.net

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Mel Jewel O luxo das linhas simples Texto Isabel Pereira

A designer de comunicação Marta Cabido Sá e a designer de joalharia Luísa Pedroso conheceram-se em 2013, quando trabalharam juntas numa cadeia de lojas multimarca: a Marta trabalhava a identidade e a comunicação, a Luísa desenhava as suas criações para várias marcas distintas. Pouco depois começa a ganhar forma o desejo comum de “criar uma marca que juntasse as visões das duas profissionais”. Após algum tempo a maturar a ideia, nasce, em setembro de 2016, a Mel Jewel. O primeiro grande desafio foi escolher este nome para a marca. Tinha que ser um nome português, uma vez que a marca é portuguesa, mas também teria que ser fácil de pronunciar em qualquer língua. Desenharam a palavra “Jewel” vezes sem conta e perceberam que se fizessem espelho nas últimas três letras teriam a palavra “Mel”. Se restavam dúvidas, foram de imediato postas de parte quando se aperceberam de que representava também os seus nomes: Marta E Luísa. “Criada por mulheres, para mulheres, a Mel alia a tradição artesanal das mais antigas oficinas joalheiras do país ao

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sangue novo do design português”. As duas empreendedoras procuraram desenhar “uma marca feminina e atual, com joias para usar no dia-a-dia, que se adaptam ao corpo e a cada situação” e pretendem que seja “uma marca sem barreiras geográficas, capaz de chegar aos quatro cantos do mundo”. De facto, as joias Mel Jewel têm vindo a afirmar-se no mercado mundial, indo de encontro aos objetivos das suas criadoras. Com apenas um mês, a marca já exportava para os Estados Unidos, para uma loja que a representa em Houston. Atualmente, para além de uma forte presença no mercado nacional, chega também a países como Inglaterra, Suíça, Irlanda, Coreia do Sul e Vietname. Em países tão diferentes, as peças encontram sempre o seu público-alvo em “mulheres que gostam de detalhes que fazem a diferença”. “Cada peça tem um detalhe especial, que não é apresentado de forma declarada e, por isso, são peças desenhadas para quem gosta de se diferenciar com pormenores únicos”, descrevem Marta e Luísa.


Joias eternas à conquista dos mercados internacionais As joias da marca têm alguns traços distintivos: transformam-se para se adaptarem a cada ocasião. “Se virmos o caso de brincos grandes, por exemplo, são sempre trabalhadas as espessuras e a forma que os constituem, para que sejam leves e desta forma a mulher possa ter um look bold sem qualquer incómodo ao longo do dia”, explica Luísa Pedroso. Outra característica das peças Mel Jewel é o facto de serem propícias a diferentes interpretações, originando looks personalizados. “Veja-se o exemplo de anéis que podem ser usados de formas diferentes, com a abertura para cima ou para baixo parecendo anéis distintos, ou de brincos que «abraçam» a orelha, e que, dependendo do formato da orelha de cada uma, adquirem expressões totalmente diferenciadas”. O respeito pela pureza dos materiais é mais uma premissa que marca a diferença. Na Mel Jewel não são dados banhos de cor às peças, “a prata é sempre utilizada na sua cor original, e tudo o que for dourado é efetivamente ouro, de 19,2kt, o tradicional ouro português e o melhor produzido no mundo”. Desta forma, as joias têm uma qualidade tal que “são eternas”, garantem. O portefólio da marca conta já com 11 coleções – Anna, Ella, Grace, Harper, Jane, Louise, Olivia, Margaret, Raquel Prates, Marry Me (coleção de anéis de noivado) e Cool Gang (coleção de colares). Cada uma tem a sua linguagem distinta e “todas têm algo de especial”. Entre

as mais marcantes, destaque para a Margaret Collection, lançada no primeiro aniversário da Mel Jewel e para a última coleção, lançada em parceria com a Raquel Prates. A primeira inspira-se nas mulheres e na estética dos anos 20, para reforçar o poder feminino. “Foram reinterpretadas as formas das pedras preciosas e transpostas em desenho para a prata, aliando a rigidez destes desenhos ao movimento das franjas, feitas em malha de prata”, descreve a designer de joalharia. A segunda parte das características da própria Raquel Prates, e é composta fundamentalmente por peças adaptáveis: brincos e anéis que são mais do que à primeira vista aparentam. “Desde brincos que percorrem totalmente a orelha, a outros que simulam segundos furos inexistentes, sem esquecer os anéis que passam por múltiplos dedos, construindo sempre uma imagem diferente consoante quem os usa”. Para o futuro, a curto/médio prazo a Mel Jewel quer reforçar a sua representatividade no mercado online, e a longo prazo, “os objetivos da marca passam por ter uma presença mais firme em mercados internacionais, chegando aos cinco continentes”, salienta Marta Cabido Sá. Para já, para além da loja online, quem se encontra em Portugal, pode procurar estas joias na Loja de Serralves e na Minty Square, no Porto; na 39A Concept Store e na Hay Carmo, em Lisboa; e na Cais à Porta, em Aveiro. // www.meljewel.com/


Arte, Música e Comunicação... Tecnologicamente falando Jorge Marinheiro - Músico

Música, a Arte da comunicação e expressão, através de sons. Tecnologia, Estudo de técnicas, processos e ferramentas para o domínio de uma actividade humana. Ambas palavras de origem Grega, desenvolvem e revelam-se num cruzamento histórico que percorrem gerações. Das Artes e Ofícios, do estudo às práticas, da inspiração à criação, ambos os conceitos foram ( e são! ) amplamente discutidos e revisitados, ao longo da História! Na perspetiva de um músico, no séc. XXI, a primeira ideia que surge quando falamos neste binómio, é relacionar a informática - hardware e software - com a performance musical, tanto no palco como na sala de ensaios, num estúdio, ou em sala de aula. Mas em boa verdade, olhando para o passado recente, devemos recuar um pouco, viajando no tempo para o início da segunda metade do séc. XIX. Dada a conhecida curiosidade Humana, na descoberta, compreensão e registo do que nos rodeia, Scott de Martinville em 1857 inventa o Fonoautógrafo. Consegue desta forma, registar sons em cilindros de papel, madeira ou vidro - o Fonoautógrafo não tinha capacidade de reproduzir estes registos. A canção “Au Clair de la Lune”, do folclore Francês, é gravação mais antiga conhecida. Anos mais tarde, Thomas Edison fica conhecido pela invenção do Fonógrafo, máquina capaz de gravação e reprodução de sons num cilindro de cera… Emil Berliner inventa o Microfone, assim como o Gramofone, máquina com o mesmo propósito do Fonógrafo, mas que registava e reproduzia sons num disco giratório… Se a Música sofreu evoluções e ramificações estilísticas ao longo dos séculos, a Tecnologia associada ao seu registo, reprodução e difusão… também! Nas décadas seguintes e durante quase todo o século XX, a tecnologia analógica e a introdução do hardware electrónico dominam o mercado musical, sempre em constante modernização, até ao aparecimento dos computadores pessoais introduzindo o início da era digital! A proliferação da tecnologia e dos meios digitais, renovou (e renova de forma constante) conceitos, estéticas e doutrinas na cena musical mundial! Quem não se lembra ou já viu imagens de um dançarino de Break Dance e a sua BoomBox nos anos 80? Quão vintage é este cenário?


A espetacular e portável cassete (analógica), deu lugar ao Compact Disk (digital), este cedeu o lugar a outras tecnologias e fusões como o MiniDisk (suporte analógico com informação digital), entre outras. Todas elas arranjaram um cantinho para o formato MP3 (digital) e suas ramificações, estes são tão portáveis que na mão só há lugar para os seus leitores! Em pleno séc. XXI, que papel ocupa o avanço tecnológico na Música? Talvez fosse pertinente questionarmo-nos sobre qual, ou quais, os papéis que a tecnologia não ocupa nas várias ramificações da indústria musical! Como Músico e Professor no Ensino Artístico, talvez as únicas duas situações em que a tecnologia digital não está presente sejam quando toco num piano acústico em concerto acústico, ou quando dou uma aula num piano acústico, utilizando partituras impressas em papel ou um livro/manual, na sua edição física. A tecnologia digital, transformou radicalmente a maneira como se compõe, regista, ouve e partilha música. Em contexto de sala de aula, é-me praticamente impensável não usufruir do conforto de recorrer a uma qualquer plataforma online de música ou vídeo, através de um computador, tablet ou telemóvel, utilizando-as como base para práticas pedagógicas, ou partilha de exemplos musicais. A título de exemplo, a Academia de Música de Coimbra, onde exerço funções de docência, regista trimestralmente a evolução dos seus alunos em formato video. Este registo, partilhado online no canal de Youtube da Academia (www.youtube.com/musicanaacademia), serve para avaliação da evolução e caminho percorrido pelo aluno, desde os seus primeiros passos musicais! Na área da performance musical, exerço funções de Pianista e Teclista, em contexto de concerto ou sessões de gravação em estúdio. Pontualmente, abraço alguns trabalhos como técnico de som ao vivo e de gravação. Em qualquer um destes cenários é impossível dissociar as tecnologias digitais! A nível de hardware e software, as tecnologias colocam ao dispor de um músico ou produtor musical, toda uma palete de timbres e instrumentos dentro de teclados portáveis a que podemos chamar de sintetizadores, ou em bibliotecas virtuais agregadas a software de sequenciação, edição, e notação musical. Ao nível de processamento de áudio, existem imensas soluções em formato software e/ou hardware, contento algoritmos que possibilitam a correção dinâmica e acústica de uma sala de espectáculos, concertos ao ar livre, ou salas de escuta de estúdios de gravação. O conceito de “home studio” era quase impensável há vinte anos atrás! Hoje em dia é possível compôr, ouvir, partilhar música e ideias musicais, em tablets e telemóveis, ou utilizá-los como instrumentos musicais! Musicalmente falando… será o mundo digital melhor que o analógico? Penso que devemos abraçar estas duas realidades e convergir para o melhor de dois mundos. Nada me dá mais prazer que poder tocar num piano acústico de concerto, ou num órgão Hammond, ou um piano elétrico Rhodes, ou um sintetizador analógico da Moog, entre outros instrumentos icónicos, de valor incalculável… mas será que os consigo colocar todos na mala do meu automóvel quando saio de casa?

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Estas são algumas das boas notícias do mês SEAT e Saba apresentam Droppit A app que leva as compras do supermercado diretamente para o automóvel Por redação.

A SEAT e a Saba, operador referencial no âmbito da mobilidade urbana e especializado na gestão de parques de estacionamento, apresentam Droppit, uma aplicação que permitirá a qualquer utilizador realizar as compras num supermercado virtual e receber o pedido diretamente no próprio veículo, entretanto chegado ao parque de estacionamento. A prova piloto desenrolar-se-á durante seis meses em colaboração com o supermercado virtual Deliberry e a empresa de entregas Glovo, recorrendo aos parques de estacionamento geridos pela Saba na cidade de Barcelona, mais concretamente nos parques de Pau Casals e de Lluís Companys. Nesta primeira fase, o Droppit – disponível tanto para iOs como para Android – permitirá que o cliente realize e receba a sua compra através da Deliberry, que fará a recolha na loja física e realizará a entrega dos pedidos no veículo do cliente. Também será possível ao utilizador contactar a Glovo para a entrega de qualquer tipo de encomendas em qualquer estacionamento da Saba. O cliente deixará a chave do veículo com o pessoal da Saba, que ficará responsável por acompanhar o entregador até ao automóvel, depositando no interior a encomenda. No futuro, o objetivo é o de permitir que a tecnologia simplifique o processo, ao possibilitar o acesso dos empregados de serviço ao veículo através da impressão digital reconhecida pela própria aplicação. Depois da apresentação da nova aplicação, Arantxa Alonso, Business Development Officer da SEAT, sublinhou que “soluções como o Droppit são capazes de oferecer uma experiência personalizada e com valor para o utilizador. Com este tipo de iniciativas, a SEAT continua a reforçar a sua aposta na digitalização que envolve o automóvel”. Neste sentido, Alonso refere que “incluir parceiros tão dinâmicos e especializados como a Glovo e a Deliberry neste processo é uma prova indubitável do potencial futuro deste acordo entre a SEAT e a Saba”.

inovação e a mobilidade sustentada como principais eixos de atuação, reforçando o acordo fechado com a SEAT no passado mês de abril e contribuindo assim para o desenvolvimento de novas iniciativas no ecossistema dos serviços de mobilidade”. Acordo estratégico com a Saba O lançamento desta solução implica mais um passo na aposta da SEAT no reforço do ecossistema de mobilidade à volta do veículo. Droppit integra-se no acordo de colaboração que Luca de Meo, Presidente da SEAT, assinou com Josep Martínez Vila, CEO da Saba, em maio, durante o Salão Internacional Automóvel de Barcelona. O objetivo desta aliança supõe a integração da Saba no ecossistema digital da SEAT para o desenvolvimento de serviços associados ao automóvel e ao estacionamento. Entre outros projetos, as duas empresas estudam a oferta de um sistema de reserva e de pagamento de lugares de estacionamento através de uma app, nomeadamente com o trabalho em projetos como o Parkfinder 2.0. Este serviço prevê disponibilizar, em tempo real, a informação sobre lugares de estacionamento livres, ajustando as recomendações consoante as necessidades reais de cada cliente. Em continuidade, o acordo contempla o desenvolvimento de outros serviços relacionados com o tempo que os automóveis permanecem estacionados nos parques, como a possibilidade de reabastecimento de combustível, entre vários outros serviços, tendo em conta que, em média, se calcule que os veículos particulares passem 95% do tempo estacionados.

No seguimento da mesma apresentação, Josep Martínez Vila, CEO da Saba, destacou que esta nova iniciativa “representa para a Saba mais um passo na oferta de serviços de valor acrescentado para o cliente, tendo a

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Consultora portuguesa distinguida internacionalmente “Melhor novo fornecedor de software” e “Melhor nova consultora de TI” Por redação.

A Dixtior, consultora portuguesa que concebeu uma solução inovadora para a prevenção de branqueamento de capitais e combate ao financiamento ao terrorismo, foi distinguida pela Global Banking & Finance Review com dois prémios: «Best New Software Provider Portugal 2017» e «Best New IT Consultancy Provider Portugal 2017». Integra também o ranking Deloitte Technology Fast 500 EMEA, sendo a única empresa portuguesa no top 50. A Dixtior, consultora portuguesa que baseia a sua atividade em três grandes eixos – consultoria GRC (Governance, Risk Management e Compliance), desenvolvimento de projetos chave-na-mão e Outsourcing de TI –, foi distinguida pela prestigiada publicação inglesa Global Banking & Finance Review com os prémios «Best New Software Provider Portugal 2017» e «Best New IT Consultancy Provider Portugal 2017». Rui Vicente, CEO da Dixtior, afirma que «as distinções são uma honra para a empresa e uma importante alavanca para aumentar a visibilidade no mercado». O responsável sublinha: «Estes prémios reconhecem o trabalho de consultoria que temos feito na área GRC, que tem como principais objetivos ajudar as empresas a melhorar ou definir as suas regras de governance; identificar e quantificar riscos específicos e tomar decisões relativamente à sua gestão e mitigação no futuro; assegurar que existe conformidade com regulamentos e políticas globais». Outro dos fatores que contribuiu de forma decisiva para a distinção da consultora portuguesa foi o caráter inovador da Dixtior Compliance Solution (DCS). Esta solução desenvolvida pela Dixtior para apoiar as instituições financeiras na prevenção do branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo diferencia-se das restantes disponibilizadas no mercado, pelo facto de se adaptar às necessidades de cada empresa. «A DCS analisa e avalia todas as transações realizadas no banco e emite alertas quando ocorrem atividades suspeitas, que são examinadas pelos técnicos da instituição e, caso seja necessário, investigadas pelas autoridades. O que a distingue das concorrentes é o facto de poder ser adaptada a diferentes clientes, no âmbito de AML (anti money laundering). Analisamos os dados da empresa e desenvolvemos modelos específicos, ajustados às realidades dos mercados onde atuam», explica Rui Vicente.

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Além do reconhecimento da Global Banking & Finance Review, a Dixtior faz também parte da Deloitte Technology Fast 500 EMEA. Através deste ranking, a Deloitte distingue as empresas de tecnologia da Europa, Médio Oriente e África com o mais rápido crescimento. Posicionada na 39.ª posição, com um crescimento de 2814%, a Dixtior é a única empresa portuguesa no top 50. Merece ainda destaque a integração no ranking das 100 Melhores Empresas para Trabalhar em Portugal, uma iniciativa da Revista Exame, no qual surge na 46.ª posição. Todas estas distinções refletem a excelência do serviço prestado pela Dixtior, que fechou 2017 com um volume de negócios de 3 milhões de euros. A empresa pretende continuar a crescer e prevê atingir os 5 milhões em 2018. Sobre a Dixtior A Dixtior é uma empresa portuguesa de consultoria que iniciou a sua atividade no início de 2013, fundada por três profissionais com uma vasta experiência em áreas distintas: Rui Vicente (banca e financiamento bancário), Mário Oliveira (engenharia informática) e Sónia Silva (informática de gestão). A empresa integra, desta forma, duas componentes – a economia e a informática –, o que permite prestar um serviço diferenciador e especializado de consultoria de negócio, com capacidade de criar soluções tecnológicas de última geração. A consultora centra a sua atividade em três eixos – consultoria GRC (Governance, Risk Management e Compliance), desenvolvimento de projetos chave-na-mão e Outsourcing de TI. Na componente de Governance, a equipa de consultores da Dixtior assegura o desempenho de todas as atividades de auditoria interna, incluindo o planeamento anual, a execução do plano anual e o relatório para a administração, bem como para o comité de auditoria. Relativamente a Risk Management, a empresa identifica e quantifica riscos específicos e toma decisões relativamente à sua gestão e mitigação no futuro. A área de Compliance assegura a conformidade com o combate ao branqueamento de capitais e com regulamentos e políticas específicas.


O Outsourcing de TI é a outra vertente presente no ADN da Dixtior, que dá resposta a necessidades específicas de cada cliente. Este serviço permite uma otimização de custos e tempo, garantindo o acesso a equipas especializadas, com os conhecimentos mais indicados para determinada circunstância. Entre os produtos disponibilizados pela empresa, destaca-se a Dixtior Compliance Solution (DCS), que tem como objetivo apoiar as instituições financeiras na prevenção do branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, garantindo a conformidade com as entidades supervisoras. Esta solução informática diferencia-se das concorrentes, pelo facto de responder às necessidades de cada cliente, no âmbito de AML (anti money laundering). A flexibilidade da Dixtior reflete-se ainda na capacidade de fornecer soluções tailor made, com funcionalidades adaptadas aos requisitos das empresas. Destaque também para a parceria com a MetricStream na realização de software GRC. Os clientes da Dixtior são provenientes de áreas distintas: instituições financeiras, companhias de seguros, telecomunicações, indústria, administração pública e serviços de saúde. Em consultoria e AML, presta serviços a bancos, como a Caixa Angola, Banco Comercial e de Investimentos (BCI), Banco Internacional de São Tomé

e Príncipe (BISTP), Banco Comercial do Atlântico (BCA), Banco Nacional Ultramarino Timor (BNU), Banco de Crédito do Sul (BCS), Banco Interatlântico (BI), Banco de Negócios Internacional (BNI) Europa e Angola, Banco de Fomento Angola (BFA) e Volkswagen Bank. Em Outsourcing, destaque para NOS, Seguradoras Unidas (Tranquilidade e Açoreana), Zero 70, Millennium BCP, Lusitania e CTT. A Dixtior é uma empresa aberta ao mundo, estando presente em três continentes – Europa, África e Ásia. Referência no mercado nacional e nos PALOP, atua em Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Em Angola, a Dixtior tem cerca de 40% de share do mercado em AML e espera chegar à liderança, até final de 2018, com cerca de 60% do mercado. Atualmente, 80% das receitas são provenientes dos mercados exteriores onde atua. A internacionalização é, assim, uma ambição da Dixtior, que pretende chegar a outros países. O futuro passará pela abertura de um novo escritório na Holanda, reforçar a posição em África, aprofundar a Ásia e abrir as portas da América Central e do Sul. Hoje, a Dixtior conta com cerca de 50 colaboradores e prevê aumentar a equipa nas áreas de consultoria e TI, de forma a acompanhar a expansão para novos mercados.


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A Humanização da Publicidade

Compreenderemos quais são os novos elementos de valor para o ‘consumidor’ e como estes exercem pressão sobre as marcas, que começam a optar por um novo tipo de linguagem publicitária: uma publicidade mais humana. Esta temática será desenvolvida por Ana Coelho, publicitária com mais de 15 anos de experiência na gestão de marcas, especialista na área de Insights. Fundadora da agência Human Insight seeing beyond the surface.

Torres Vedras LabCenter

// torres.inov-e@estufa.pt

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Coffee Linc "O Regulamento Europeu de Proteção de Dados e Segurança da Informação"

A ANJE organiza o evento Coffee Linc, juntamente com a apresentação "O regulamento europeu de proteção de dados e segurança da informação", no dia 12 de janeiro. A iniciativa decorre nas instalações da Associação em Évora e consiste num meeting de networking e oportunidades de negócio, colocando também em perspetiva a temática da proteção de informação pessoal e integridade do consumidor na União Europeia.

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O Porto recebe mais uma vez a Cerimónia de Entrega de Prémios do Green Project Awards (GPA), que vai já na sua 10ª Edição. Numa organização conjunta com a Câmara Municipal do Porto e a Lipor, o GPA, plataforma multissetorial que promove as boas práticas e a discussão pública para a sustentabilidade, vai distinguir as entidades nacionais que se destacam pelo seu contributo para o Desenvolvimento Sustentável de Portugal. Serão atribuídos os galardões nas categorias de Agricultura, Cidades e Mobilidade Sustentável, Gestão Eficiente de Recursos, Indústria 4.0 – Transformação Digital, Iniciativa Jovem, Iniciativa de Mobilização, Investigação e Desenvolvimento, Mar e Turismo. Serão também atribuídos o Prémio Jerónimo Martins/GPA – Investigação e Desenvolvimento Sustentável 2017 e Prémio Inovação Social Sociedade Ponto Verde/GPA. Este ano serão ainda entregues pela primeira vez o Prémio ANI/GPA – Born From Knowledge e o Prémio Especial Carreira pela Sustentabilidade.

Ana Lima é actualmente senior content manager no publisher E-Konomista.pt e responsável pelo Centro de Competências Editorial da líder de mercado Adclick. Alia 10 anos de experiência em jornalismo a quase tantos de comunicação digital empresarial e institucional, de onde se destaca o apoio a novos empreendedores e à criação de novas empresas; marketing de cidade; gestão universitária; gestão da comunicação de programas da União Europeia; entre muitos outros projectos. É ainda formadora de Marketing Digital, com especial foco em Content Marketing, web copywriting e blogging.

10ª Cerimónia de entrega do prémio GPA’17

Porto

// www.gpa.pt i9_GPA_entrega_premios_22x28cm.pdf

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13/11/17

16:00

12 de Janeiro 9h00 – 13h00 Porto

a

EDIÇÃO

CERIMÓNIA DE ENTREGA DE PRÉMIOS E CONFERÊNCIA GPA’17 Numa organização conjunta com a Câmara Municipal do Porto e a Lipor, a 10ª edição do Green Project Awards distingue as entidades nacionais que se destacam pelo seu contributo para o Desenvolvimento Sustentável de Portugal. Saiba mais e inscreva-se de forma gratuita em gpa.pt

Fundamentos do Marketing Digital

Porto // www.pdf.ipp.pt

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Meet-the-Market Costa do Marfim

O desempenho económico da Costa do Marfim tem sido impressionante nos últimos quatro anos. Um crescimento do PIB sem precedentes e um equilíbrio fiscal e externo controlado tem resultado numa diminuição relevante da pobreza.

Porto // www.anje.pt

Évora

// www.anje.pt ORGANIZAÇÃO GPA

APOIOS

COM O APOIO DE

GREEN PARTNERS

MEDIA PARTNERS

CARRO OFICIAL

André Jordan Group VERIFICAÇÃO

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“Start Your Career”

A “Start Your Career” é uma conferência organizada a pensar nos jovens, e em como estes podem desenvolver as suas capacidades, e começar a construir as suas carreiras. Tem já vários oradores e empresas confirmadas, que prometem impulsionar o teu futuro da melhor maneira. Por isso, anote já na sua agenda, dia 18 de janeiro, no auditório da Coimbra Business School/ISCAC.

Coimbra // www.startyourcareer.pt

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Nascidos para Triunfar

Num passado recente, a educação das crianças estava entregue à comunidade e a todas as pessoas que nela residiam, sentindo a responsabilidade de repreender uma criança quando ela tinha um comportamento inapropriado. Atualmente, as famílias são bem mais pequenas e a educação dos filhos ficou praticamente entregue ao pai e à mãe, sendo-lhes exigido cada vez mais responsabilidades para obterem os mesmos ou até melhores resultados, relativamente à educação dos mais novos.

Fátima // www.ihavethepower.net

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“Managing People: The digital skills you need”

A ANJE - Associação Nacional de Jovens Empresários abre o novo ano com a segunda conferência da Academia de Liderança no próximo dia 25 de janeiro, nas instalações da sua sede nacional, no Porto. Subordinada ao tema “Managing People: The digital skills you need”, a iniciativa vai reunir as perspetivas de quatro multinacionais sobre os desafios da gestão de pessoas e da liderança no contexto atual de digitalização das empresas.

Porto // www.anje.pt

Veja online mais eventos em: http://iagenda.i9magazine.pt

Arte, Tecnologia e Poéticas Contemporâneas Esta publicação, organizada por Bruno Silva e Albio Sales, resulta de uma parceria inercontinental, que emerge da necessidade de participar no debate em torno da arte e da tecnologia. Neste sentido, o Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) da Universidade do Algarve e o Grupo de Pesquisa Investigação em Arte, Ensino e História – IARTEH, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará, organizaram este volume reunindo diferentes investigadores do Brasil e de Portugal, com estudos no âmbito das Artes, da Comunicação e da Educação, com o objetivo de proporcionar diferentes olhares sobre a produção atual nestas áreas de investigação.

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A Arte Contemporânea Veja online mais eventos em: Rejeitando a http://iagenda.i9magazine.pt utopia das vanguardas, a arte contemporânea quer aproximar-se do público, fazer participar o espetador, confundir-se com a vida quotidiana. No entanto, para a autora, Catherine Millet, crítica de arte, ao querer controlar demasiado o real, alguns artistas contemporâneos esquecem que a arte é da ordem da ficção, do simbólico e deriva de outra realidade.


O PULSAR DA INOVAÇÃO

A revista para inovadores e empreendedores


i9magazine#25  

A Arte na Quarta Revolução Industrial (p. 16 e 17) Autoria: Vânia Guerreiro

i9magazine#25  

A Arte na Quarta Revolução Industrial (p. 16 e 17) Autoria: Vânia Guerreiro

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