Page 1

Magazine

RESPONSABILIDADE SOCIAL | CENES

MAFALDA PINTO-COELHO Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama O CENES apoiou recentemente a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (APAMCM) para o reprocessamento dos dispositivos médicos da sua unidade saúde AMAVITA. As receitas revertem, na totalidade, para o desenvolvimento da capacidade de apoio terapêutico à mulher com cancro da mama. A clínica oferece cuidados médicos de diversos tipos e é especializada no tratamento pós-cirúrgico do cancro da mama. A disponibilização deste serviço enquadra-se na política de responsabilidade social defendida pelo CENES. Para melhor conhecermos os contornos desta parceria, entrevistámos a Dra. Mafalda Pinto-Coelho, Presidente da Direção da APAMCM. Como surgiu a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama e qual tem sido o papel da APAMCM na luta contra o cancro? A nossa Associação é uma Instituição Particular de Solidariedade Social com ns de saúde e sem ns lucrativos, de utilidade pública e registada na Entidade Reguladora da Saúde, com 16 anos de experiencia em patologia mamária. Foi criada em abril de 1999, por um grupo multidisciplinar de pro ssionais de saúde ligados à problemática do carcinoma da mama, primordialmente do IPO Lisboa, que constataram a necessidade de se criar um apoio diferenciado nesta área. Assume-se como entidade de referência na prevenção, no diagnóstico e no tratamento das patologias mamárias e ginecológicas, bem como no estímulo à informação no âmbito das mesmas. Como se traduz o apoio social da APAMCM às mulheres vítimas de doença oncológica? A sua atuação carateriza-se pela prestação de cuidados de medicina preventiva, curativa e de reabilitação e assistência medicamentosa a utentes com doença oncológica, nomeadamente mamária e ginecológica, e a utentes não oncológicos. Para o efeito, conta com um equipa de pro ssionais altamente quali cados que valorizam o pro ssionalismo, o rigor, o acompanhamento personalizado e

a simpatia no seu trabalho. Dá especial atenção ao diagnóstico precoce em oncologia em diferentes situações e em especial na mulher. Qualquer elemento da Comunidade pode usufruir da oferta clínica da sua Unidade de Saúde de sector social - AMAVITA Clínica - que foi, cuidadosamente, organizada de forma a apoiar e providenciar a satisfação das necessidades dos utentes na medida dos seus recursos e de forma equitativa a custo assistencial.


Magazine

CENES | RESPONSABILIDADE SOCIAL

Perante a necessidade de internamento cirúrgico ou da utilização de outras especialidades médicas, a paciente é encaminhada de forma célere para uma unidade hospitalar pública ou privada, mediante protocolo estabelecido. A saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos nossos utentes são um bem precioso e a nossa maior preocupação. Acha que as mulheres continuam a estar hesitantes em proceder aos rastreios do cancro da mama e do colo do útero? O que acha da forma como o cancro tem sido tratado junto da opinião pública? Tudo se tem feito nos últimos anos para que a mulher portuguesa se encontre mais sensibilizada para a importância da prevenção e do rastreio mamário e ginecológico, a m de possibilitar um diagnóstico precoce. No entanto, ainda há muitas mulheres que não têm por hábito ir ao ginecologista, uma vez por ano, para serem observadas e efetuarem exames de rotina. É, assim, fundamental veicular junto das mulheres e seus médicos assistentes, as vantagens da realização regular destes exames de rastreio, de modo a conseguir-se uma cobertura populacional tão grande quanto possível, que acarrete a médio prazo uma mudança radical da realidade desta doença. Cabe a cada mulher, um papel fundamental, a ajuda no diagnóstico precoce, a vigilância e o rastreio. A mulher portuguesa faz o seu papel? Qualquer Mulher pode ligar para o Secretariado da Associação e agendar a sua Consulta de Rastreio Mamário e Ginecológico. Esta consulta realiza-se semanalmente e de forma gratuita e consiste numa observação clínica por parte da médica ginecologista e na realização de exames complementares para rastreio do cancro do colo do útero e da mama, nomeadamente o teste de Papanicolau e a Mamogra a. Estes exames realizam-se no Grupo Joaquim Chaves e na Clinica Quadrantes, mediante um protocolo estabelecido que permite ao utente usufruir de uma tabela de preços especiais. Sempre que necessário realizar-se-á uma ecogra a mamária ou ginecológica (abdominal e/ou vaginal), como meio complementar de diagnóstico. O CENES apadrinhou a APAMCM com a oferta integral do serviço de reprocessamento dos dispositivos médicos. Este tipo de apoios são importantes para o funcionamento da Associação? Sem dúvida que sim! O facto de a esterilização dos materiais ser efetuada, em pro bono, pelo CENES,

permite à APAMCM reduzir custos com as consultas onde se realizam meios complementares de diagnóstico e terapêutica, nomeadamente na ginecologia, obstetrícia, patologia vulvar, dermatologia e mesoterapia clínica. Se esta ajuda não tivesse sido concedida pelo CENES, na pessoa do seu gentil Diretor - Sr. Dr. Pedro Rodrigues -, a Associação seria obrigada não só a adquirir um autoclave e a criar uma sala de esterilização na sede para o efeito, como a cumprir os requisitos obrigatórios para uma correta esterilização o que implicaria um enorme investimento nanceiro. Por outro lado, a parceria também possibilita que estes serviços clínicos sejam prestados a custo assistencial ao utente. De que forma as atividades do CENES são fundamentais para assegurar a qualidade dos serviços da APAMCM? Nas especialidades médicas onde se realizam pequenas intervenções cirúrgicas, tratamentos e/ou meios complementares de diagnóstico é indispensável a esterilização dos materiais e equipamentos utilizados. Sem esta parceria com o CENES as especialidades há pouco referidas não se poderiam efetuar na APAMCM. Que outro tipo de contribuições podem ser úteis para realizar projetos especí cos da vossa associação? Atribuição de patrocínios, parciais ou totais, para os projetos colocados em Plano de Ação pela Direção da Associação, divulgação dos apoios prestados pela APAMCM através da realização de entrevistas como esta, ou da distribuição dos folhetos gerais da instituição em entidades públicas e privadas, realização de parcerias - à imagem e semelhança desta com o CENES - que permitem a prossecução dos seus objetivos estatutários. Pode traçar-nos um quadro geral sobre o estado da luta contra o cancro em Portugal? Quais os desa os, quais as di culdades e quais as grandes conquistas que já foram feitas pela APAMCM? Citando o nosso antigo diretor clinico Sr. Dr. Nuno Abecasis, médico-cirurgião e senologista, a diminuição do número da mortalidade por carcinoma da mama na população portuguesa já demonstra a e cácia dos esforços daqueles que iniciaram os programas de rastreio mamográ co no nosso país.


Se esta ajuda não tivesse sido concedida pelo CENES,a Associação seria obrigada não só a adquirir um autoclave e a criar uma sala de esterilização para o efeito, como a cumprir os requisitos obrigatórios o que implicaria um enorme investimento nanceiro Com o aumento exponencial de diagnósticos em fases precoces, geralmente infra clínicas, a abordagem terapêutica também se foi modi cando com a introdução de protocolos de tratamento conservador em que a mastectomia (remoção completa da glândula) foi em muitas situações abandonada em favor de ressecções mais limitadas complementadas por radioterapia da mama restante sem, com isso, comprometer o controlo da doença. Estas técnicas têm vindo a ser melhoradas, com a integração de conceitos de cirurgia plástica no planeamento e execução destas ressecções (cirurgia oncoplástica) e com a melhoria técnica da radioterapia complementar permitindo resultados estéticos, francamente, melhores no m do tratamento. A outra grande fonte de morbilidade pós tratamento do carcinoma da mama é a remoção dos gânglios linfáticos axilares, necessária para controle regional da doença e estabelecimento de prognóstico e necessidade de tratamentos complementares. A precocidade do diagnóstico mamográ co de rastreio faz com que a probabilidade de metastização ganglionar axilar diminua signi cativamente. Por outro lado, foram estabelecidas técnicas que permitem identi car e biopsar o primeiro gânglio no trajeto de drenagem linfática do tumor da mama (chamado gânglio sentinela). Sabe-se que se este gânglio não contiver células tumorais a probabilidade de estas existirem, em qualquer outro gânglio axilar, é extremamente baixa. Daí que se possa restringir a necessidade de remoção de todos os gânglios axilares apenas aos doentes que potencialmente bene ciam dela, poupando todos os outros (cerca de 80%) às sequelas funcionais, sensitivas e possível linfedema resultantes da cirurgia regional mais alargada.

A medicina faz o seu papel tentando tratar e curar uma doença cuja grande complexidade reside nos inúmeros fatores genéticos, ambientais e sociais que a condicionam. A Associação nos seus primeiros dez anos de trabalho ofereceu, gratuitamente, uma panóplia de serviços inovadores que não existiam, na altura, nos centros de saúde e em alguns hospitais não especializados. Com o passar dos anos o Sistema Nacional de Saúde evoluiu e a oferta da Associação foi deixando de ser única. Em abril de 2014 foi criada a unidade privada de saúde - setor social - composta por uma direção clínica (um diretor clínico medico cirurgião / senologista e uma diretora adjunta enfermeira) e pelo respetivo corpo clinico. Por se ter veri cado que a Comunidade em geral excluía a possibilidade da utilização dos serviços da Associação, em virtude do público masculino identi car a unidade de saúde da APAMCM como estando apenas relacionada com senhoras e o público feminino com o tratamento da mulher com Cancro da Mama, criou-se, para os seus serviços clínicos, uma imagem de marca mais apelativa designada “AMAVITA CLÍNICA”, cujo slogan é “NO UTILIZAR ESTÁ O APOIAR!”. Pretendemos aumentar signi cativamente o número de pacientes apoiados anualmente já que o seu bemestar físico e psicológico é o que norteia o trabalho desta instituição de saúde! A AMAVITA Clínica funciona de 2ª a 6ª feira das 9:00h às 19:00h. As marcações efetuam-se através do número de telefone +351 217 585 648 Mais informação em: apamcm.org/

Entrevista com... Mafalda Pinto Coelho (APAMCM)  

Entrevista originalmente publicada na Revista CENES#2, de Maio de 2015. Autoria: Vânia Guerreiro

Entrevista com... Mafalda Pinto Coelho (APAMCM)  

Entrevista originalmente publicada na Revista CENES#2, de Maio de 2015. Autoria: Vânia Guerreiro

Advertisement