Page 1

Magazine

CENES | GRANDE ENTREVISTA

FAUSTINO FERREIRA Diretor Clínico dos SAMS Prestação Integrada de Cuidados de Saúde “A parceria com o CENES foi a solução encontrada para resolvermos a questão da esterilização dos nossos dispositivos médicos.” A rma o Diretor Clínico dos SAMS. Nesta edição damos a conhecer a opinião do Dr. Faustino Ferreira, também Vogal da Comissão Executiva dos SAMS Prestação Integrada de Cuidados de Saúde.


Magazine

GRANDE ENTREVISTA | CENES

O

CENES e o SAMS contam atualmente com um Centro Operacional situado em Lisboa, com 1.600 m2 de área operacional, dividida pelas áreas técnica e logística. A capacidade de produção mensal é de 1,5 milhões de litros de esterilização por vapor e de 130 mil litros de esterilização por peróxido de hidrogénio sem plasma. Esta combinação de competências e infraestrutura veio possibilitar a otimização entre e cácia e a e ciência operacional dos processos que, no serviço de reprocessamento de dispositivos médicos, consiste em garantir a abilidade e aptidão para uso de um Dispositivo Médico estéril no menor custo e tempo possíveis. Sabendo que a taxa média de infeção em Portugal é superior à média Europeia, é evidente que existe um caminho de melhoria a percorrer, em conjunto com todos os intervenientes no Setor da Saúde, no papel que cada um desempenha, nomeadamente no reprocessamento de dispositivos médicos. O SAMS, com a sua visão empreendedora e pioneira, permitiu que este projeto inovador se tornasse uma realidade em Portugal, sendo, simultaneamente, o parceiro estratégico do CENES, sempre focado na melhoria da qualidade da prestação integrada de cuidados de saúde. Que balanço faz desde que abraçou os cargos de Diretor Clinico e vogal da Comissão Executiva dos SAMS? Trabalho nos SAMS há 25 anos, tendo participado ativamente, desde 1993, no processo de instalação e abertura do Hospital. Sou Diretor Clinico dos SAMS desde Maio de 2004 e membro da Comissão Executiva desde o início de 2013. Tem sido uma

experiência riquíssima em que me tenho realizado pro ssionalmente. O SAMS tem, no panorama da saúde nacional, uma situação única por ter uma população própria a quem assegura cuidados de saúde, quer pelos meios que dispõe para essa missão, quer humanos, quer técnicos e de infraestrutura. A organização da prestação de cuidados de saúde é uma atividade muito complexa que requer um conhecimento profundo, quer de gestão, quer clínico, de modo a encontrar as melhores soluções em qualidade e custo, o que numa situação de constrangimento económico se torna particularmente importante. A Direção do SBSI soube ler a realidade e ao ter desa ado o Dr. Adalberto Campos Fernandes para Presidir à Comissão Executiva (CE) deu um passo importantíssimo para a sustentabilidade dos SAMS como subsistema de saúde. O futuro dos SAMS, num contexto de redução dos seus bene ciários, fruto das profundas alterações do setor bancário e do envelhecimento da sua população bene ciária, está dependente da rentabilização do capital acumulado em património em experiência, voltando a atrair os seus bene ciários que preferiram recorrer a outras instituições (internalização da assistência médica) e disponibilizando os seus meios de assistência a não bancários (atraindo novos clientes). Este tem sido a principal missão da CE, nos últimos dois anos.

O SAMS tem, no panorama da saúde nacional, uma situação única por ter uma população própria a quem assegura cuidados de saúde, quer pelos meios que dispõe para essa missão, quer humanos, quer técnicos e de infraestrutura. O SAMS tem passado a mensagem de que está a materializar um “profundo processo de adaptação à realidade”. Fale-nos sobre este processo e do que está a acontecer nos SAMS do SBSI? O balanço é francamente positivo pois a resposta dos bancários às iniciativas que tomamos – alargamento do corpo clínico, reapetrechamento tecnológico, facilitação das marcações de consultas através dum centro único de contacto, melhoria das instalações quer do Centro Clínico de Lisboa, quer das clínicas, bem como a renovação de todos os quartos do hospital e ainda a abertura do Centro


Magazine

CENES | GRANDE ENTREVISTA

Clínico ao sábado, como exemplos do que se está a fazer, tem sido excelente. Um dos nossos objetivos – a internalização dos cuidados é visível nos resultados de 2014 - aumento de: 6% das consultas realizadas, 7% dos exames e 17% dos tratamentos. A maternidade teve também um aumento de 37%, entre 2013 e 2014. Por outro lado e, sem que tenha afetado a assistência aos bancários, o número de não bancários que recorrem aos nossos serviços tem estado a crescer, representando já hoje cerca de 20% da nossa atividade, o que constitui uma fonte importante de receita contribuindo para a sustentabilidade dos SAMS. Recentemente criaram nos SAMS o Gabinete da Qualidade, do Risco Clínico e da Segurança do Utente. Quais são os objetivos e a missão deste gabinete? Este Gabinete, presidido pelo Professor Doutor Henrique Bicha Castelo, tem como missão garantir que as boas práticas são seguidas nos SAMS e que tudo é feito para garantir a segurança dos doentes que con am em nós, minimizando ao máximo os riscos inerentes à atividade clinica. Os SAMS sempre se pautaram pela excelência dos cuidados dispensados aos seus bene ciários. Num contexto de cada vez maior complexidade da assistência médica é essencial ter uma estrutura que monitorize e audite, internamente, aquilo que é a prática corrente. Importa,

por outro lado, prosseguir um esforço continuado de melhoria de qualidade e, em simultâneo, garantir as condições que permitam a certi cação e a acreditação das nossas unidades de prestação de cuidados. Recentemente, os SAMS alcançaram a Certi cação da Unidade de Saúde Oral e temos já em marcha outros processos de certi cação.

O número de não bancários que recorrem aos nossos serviços tem estado a crescer, representando já hoje cerca de 20% da nossa atividade, o que constitui uma fonte importante de receita contribuindo para a sustentabilidade dos SAMS. Numa recente entrevista, falou da criação de um Conselho Clínico, que integrará personalidades médicas de reconhecida notoriedade para a validação das boas práticas dos SAMS. Este Conselho já está constituído? O Conselho Clínico encontra-se já formalizado e teve a sua primeira reunião em 3 de Dezembro de 2014. Integra personalidades de notoriedade clinica, reconhecidos da Medicina Portuguesa que trabalham nos SAMS, mas também externas à nossa organização e que acederam a colaborar connosco na de nição da boa prática médica nos SAMS. Os SAMS são o parceiro pioneiro que decidiu participar no CENES. Qual o balanço que faz desta parceria? A parceria com o CENES foi a solução encontrada para resolvermos a questão da esterilização dos nossos dispositivos médicos. Sendo uma solução inovadora entre nós, sabemos que há mais de 10 anos que é utilizada nos países do centro da Europa (como a Alemanha, por exemplo). O serviço de esterilização nos SAMS - após 20 anos de atividade, no Hospital - estava a necessitar de total renovação e aumento da sua capacidade o que implicava um signi cativo investimento. A parceria com o CENES tem-se revelado uma ótima opção com melhoria signi cativa da qualidade de todo o processo . Pertence à Direção do Colégio de Medicina Interna da Ordem dos Médicos. Na sua opinião, o que tem mudado, nesta especialidade, ao longo dos últimos anos?


Magazine

GRANDE ENTREVISTA | CENES

Tendo sido presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e do Colégio de Medicina Interna da Ordem dos Médicos fui - até há poucos meses e durante 8 anos - membro do Comité Executivo, como Tesoureiro da Federação Europeia de Medicina Interna. Tenho uma visão muito positiva da Medicina Interna Portuguesa e o trabalho realizado nos últimos 20 anos tem permitido, aos internistas, garantir um lugar insubstituível no nosso sistema de saúde, pois são determinantes na assistência, na estrutura hospitalar e na integração desta com os cuidados primários. Os internistas, especialmente os jovens especialistas tem hoje uma formação muito sólida e multifacetada que lhes permite assumir as mais variadas funções quer na enfermaria, nas consultas, na urgência e nos cuidados intensivos. Podem, também, atuar nos cuidados continuados. Sendo a primeira especialidade hospitalar em número, é a segunda em termos globais, logo a seguir à Medicina Geral e Familiar. Qual é a imagem genérica que as pessoas têm do Internista? Hoje a Medicina Interna deixou de ser uma especialidade “clandestina”. Uma importante parte da população já sabe o que é um internista! Para muitos ainda é “o médico do hospital”, mas fora “do hospital” os internistas são procurados para a resolução e orientação de situações complexas. Qual considera ser a missão da Medicina Interna e quais as funções do Internista do futuro? A Missão da Medicina Interna assenta em 3 vetores: 1) o diagnóstico de situações clinicas mais complexas; 2) a integração de saberes das várias especialidades para a melhor solução para cada caso clinico; 3) e a gestão clinica do doente crónico com comorbilidades, multipatologias e polimedicação. O futuro da medicina na Europa focar-seá na atenção aos idosos que vão viver mais, mas com mais patologias. A Medicina Interna tem aí um potencial de oportunidade e responsabilidade que certamente não irá enjeitar.

A parceria com o CENES foi a solução encontrada para resolvermos a questão da esterilização dos nossos dispositivos médicos.

PERFIL Atualmente é Diretor Clínico dos SAMS - Prestação Integrada de Cuidados de Saúde (desde maio de 2004) e Vogal da Comissão Executiva É Membro do Conselho Administrativo da Federação Europeia de Medicina Interna (EFIM), em representação da SPMI desde 1996 Integra o Comité Executivo da EFIM (Tesoureiro), desde Setembro de 2006 É Honorary Fellow da EFI e Fellow da American College of Physicians, desde 2009 Foi Diretor do Departamento de Medicina do Hospital dos SAMS, entre setembro de 1990 e abril de 2004 Foi Assistente Hospitalar do Hospital Pulido Valente, entre outubro de 1990 e setembro de 1993 Pertenceu à Direção do Colégio de Medicina Interna da Ordem dos Médicos entre 1994 e 2006, tendo sido eleito para 5 mandatos Foi Presidente da Direção do Colégio em 1998/9 e foi o representante do Colégio junto da seção de Medicina Interna da UEMS (Union Européene des Medecins Spécialistes) Coordenador da Comissão Nacional para o Exercício Técnico da Medicina entre 2002 e 2005 Integrou a Comissão de Avaliação de Cuidados de Saúde do Algarve nomeada pela Ministra Profª. Manuela Arcanjo Foi Presidente da Mesa da Assembleia Regional da Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos no triénio 2005 – 2007

Entrevista com... Faustino Ferreira (SAMS)  

Entrevista originalmente publicada na Revista CENES#2, de Maio de 2015. Autoria: Vânia Guerreiro

Entrevista com... Faustino Ferreira (SAMS)  

Entrevista originalmente publicada na Revista CENES#2, de Maio de 2015. Autoria: Vânia Guerreiro

Advertisement