Revue Cultive

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Revue Suisse d’Art et Littérature n°008 | Année 03 | Novembre 2019

Culture

SUÍÇA EM EVIDÊNCIA

A Cultura em Genebra

REVUE CULTIVE ISSN 2571-564X

Brasilidade Cultive no Salão do livro de Genebra 2019 Cultive apoia associações cuLTurais em GenEbRa CAravana Cultive Europa POESIA E IMAGEM EM GENEBRA

Em VERSO E EM PROSA Revue Cultive - Genève

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CULTIVE

Reflexões

/PROJETS

sobre a vida

Maria Albergari

a

Em Reeexões Sobre a Vida, textos inspirados Mari no cotidiano Albergaria registra Seu olhar observador da pequenos dos fatos e perspicaz vida. reais, ensinament e seu espírito textos. os e os transformo sensível captaram, Nesse pequeno u, em seguida, em mentos bíblicos, livro, as mensagens

são reforçadas São mensagens que Mari utiliza pelos como guia repletas de Deus com espiritual. ensinaotimismo o e de sabedoria para superar objetivo de levar, centradas as diiculdade ao seu leitor, em s e as tristezas. o acalanto e a coragem

Mostre suas obras literárias em

Genebra 2020

informations sur: www.cultive-org.com cultivelitterature@gmail.com Revue Cultive - Genève

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Artplus Revue littéraire et culturel

Somário

10 |Genebra Cultural 08 | Feste nacional Suíça

Impressum Editeur - Cultive 12 Rue deu Pré-Jérôme 1205 - Genève Téléphone: +41 79 616 37 93 Site web: www.cultive-org.com E-mail: cultivelittérature@gmail.com Redacteur en chef - Valquiria Guillemin Designer : Luciana Bodner luimperianobodner@gmail.com Rédacteur adjoint: Rita Guedes Tracdution: Marcela Pimentel Correction et relecture : Marc Guillemin Photographe: Marc Guillemin

Copyright © Toda reprodução parcial ou integral do conteúdo dessa revista é estritamente proibida. ©Toute reproduction totale ou partielle du contenu de la Revue ArtPlus est strictement interdite.

10 | Genebra - cultura e direitos humanos

16 | Museu de Arte e História de Genebra/ 17 | Flávio Borda D’Água 18 | Instituto e Museu Voltaire

20 | Layla Ramezan

22 |Brasilidade 22 | Bonaparte e a Independência do Brasil José Geraldo 25 | Brasil do século XXI

26 | Jackson do Pandeiro Pio Barbosa

32 | Sustentabilidade e Direitos humanos /Fátima Teles

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34 | Ouro Preto/ Paulo Bretas

36 | Um dedo de prosa Valquiria Imperiano

42 | Christino Castro

39 | Dom Bruno Carneiro

38 | Maravilhas do Nordeste/ Nice Arruda 44 | C asa da Cultura Juvenal Galeno

48 | Academia Taguatinguense de Letras

50 | Cultive - 33° Salão do Livro de Genebra Association CULTIVE Art Littérature et Solidarité 33° Salon International du Livre et de la presse de GenÈve Stand : D445 exposiÇÃo imagem poÉtica as mil cores do brasil Consulado _Geral do Brasil do 29/05/2019 ao 03/05/2019

54 | Imagem

Association CULTIVE Art Littérature et Solidarité

33° Salon International du Livre et de la presse de Genève Stand : D445

Exposição Imagem Poética «As mil cores do Brasil» (Curadora Valquiria Imperiano)

Consulado - Geral do Brasil do 29/04/2019 ao 03/05/2019 Finissage : 03/04 à 10h - Rue de Lausanne 45 - Genève- Suisse Artistas/Autores/ Poetas Cissa Veiga - Montanhas/ Chuvisco ( Pastel Seco) Colly Holanda - As mil cores do Brasil Eloah Westphalen Naschenweng - Florianópolis/Pôr do Sol Ivanilde Morais de Gusmão - O tempo e vida...caminhada de sentimentos/ Izabel Hesne Marum -Senhor dos Tempos O rio que transborda em mim ...Navegará em ti! Jania Souza - Um fio de cabelo Jô Mendonça Alcoforado- Amor ou Loucura? Leo Casto- Sahumerio/ Two Me Luciana Imperiano - MãeMão Marcos de Lima Bastos Filho - AS Mil Cores do Brasil Maria Inês Botelho- Monteiro Lobato-Desbravador de sonhos Manoel Osdemi -Bitupitá - Coqueiros Doro Maria José Esmeraldo - Cristino Castro é vida Maria Tereza Penna - BrasíIlios/Pau Amzônia Marivania ALbergado - A Beleza da Criação Norma Brito -Meu Brasil Multicolor Paulo Bretas - Qual a cor do meu País? Rita Guedes - Eu e a Natureza - Fortaleza Terra da Luz Telma Brilhante - Meu Capibaribe Valquiria Imperiano - Um dia de Felicidade

Poética

A Beleza da Criação (Marivania Albergaria) Deus fez a terra para nela habitar Fez o sol e a lua para podermos contemplar Fez as estrelas e os astros e a natureza a cultivar A sol para brilhar e a lua para mostrar Que a noite ao chegar é um sinal Que um novo dia vai começar Deus criou os animais e tudo que nele hà Fez o homem e a mulher para se multiplicar E andar na aliança e com Deus morar Cada pedaço foi criado com sabedoria Pois é preciso tudo isso aproveitar Não esqueça minha gente que precisamos mudar A riqueza deste mundo não é só trabalhar É viver intensamente e bençãos chegar.

Valquiria Imperiano Fernando de Noronha aquarela 30x42

60 | Maria José Esmeraldo Rolim

66 | Jacira Barros

68 | Jô Mendonça Alcoforado

70 | Telma Brilhante

72 | Marcos Filho

76 | Izabel Hesne Marum

79 | Montana Cabral

80 | Maria Inês Botelho

86 | Eloah Westphalen Naschenweng

90 | Rita Guedes

98 | Marivania Albergaria

100 | Leo castro

102 | Norma Brito

105 | Luciana Imperiano

108 | Ivanilde M. de

112 | Manol Osdemi

114 | Jania Souza

117 | Colly Hollanda

122 | Cissa Veiga

83 | Alexandre Santos 87 | Claude Bloc

1125 | Valquiria Imperiano

131 | Cultive apoia Associações 131 | ALJUG 132 | Literarte 133 | ECCO Revue Cultive - Genève

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134 | Caravana Cultive na Europa 135 | Berlim

136 | Cultive na APP - Lisboa

137 | Sanssouci - Alemanha

Em Verso e em Prosa 145 | Paulo Tadeu

147 | Isis Dias

149 | Anapuena Havena

151 | Lúcia Sousa

153 | Neusa Maria B. Coelho

155 | Edencie Fraga

156 | Leo castro

158 | Avani Peixe

161 | Iratam Curvello

162 | Christianne De Murville

164 | Adir Pacheco

166 | Francinete Briachetti

167 | Sonia Nogueira

168 | Oneida Maria Di Domenico

171 | Adriane Saltli 174 | Giorgio De Felice

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172 | Niriam Goes 176 | Helena Lutéscia

170 | Osia Carvalho

173 | Valdene Duarte

177 | Vanessa Gomes

178 | Henrioque Ferresi

179 | Clau Stucki

180 | Diamantino Lourenço

181 | Marvyn Castilho

182 | Leo castro

184 | ;aria Inês Botelho

185 | Moisés Mpova

185 | Alison Machado

186 | Marcia Prata

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Cultive Revue littéraire et culturel

Nesta edição da revista Cultive, anunciamos vários eventos culturais em Genebra e no Brasil. Destacamos os trabalhos e as ações de escritores, músicos, artistas e também das academias de letras. Informamos nossos leitores sobre várias exposições e ações sociais realizadas em Genebra e no Brasil pelas associações culturais ou por pessoas independentes. O conceito desta revista é único em Genebra; é a primeira revista a ser editada na Suíça em francês e português. A população de língua latina que vive na Suíça tem uma representação importante. O objetivo principal desta edição é apresentar ao público suíço os representantes que têm um importante papel cultural na América Latina, bem como a cultura de língua portuguesa e espanhola. Pretende-se também apresentar a riqueza histórica e cultural de Genebra a estrangeiros residentes na Suíça e no Brasil, onde a revista é distribuída.

Impressum Editeur - Cultive 12 Rue deu Pré-Jérôme 1205 - Genève Téléphone: +41 79 616 37 93 Site web: www.cultive-org.com E-mail: cultivelitterature@gmail.com Redacteur en chef - Valquiria Guillemin Designer : Luciana Bodner luimperianobodner@gmail.com Rédacteur adjoint: Rita Guedes Tracdution: Marcela Pimentel Correction et relecture du français : Marc Guillemin Photographe: Marc Guillemin

Copyright © Toda reprodução parcial ou integral do conteúdo da revista Cultive é estritamente proibida. ©Toute reproduction totale ou partielle du contenu de la Revue Cultive est strictement interdite.

Se você deseja apresentar suas obras culturais e trabalhos nas páginas das próximas edições dessa revista, ficaremos felizes 66 | Adriane Saltli após análise e em publicá-las aprovação editorial.

61 | Niriam Goes

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FESTA NACIONAL SUÍÇA O dia da criação da Suíça é comemorado em todo o país. Cada município dos vinte e três cantões comemora essa data. Uma reunião de alunos e representantes de autoridades políticas locais fazem um discurso, muitas vezes inspirado pelas notícias do momento, mas também em conexão com o Acto Constitutivo de 1291. Desde 1994, o primeiro de agosto é feriado oficial em todo o país. A tradição é que os habitantes façam uma refeição juntos ao entardecer, muitas vezes é uma sopa de legumes, pão e queijo, os alimentos de base das população de antigamente. No final dos discursos oficiais e da leitura do pacto de 1291, a assembléia canta a canção patriótica. Uma fogueira é acesa em memória da iniciativa feita pelos três representantes dos cantões de Uri, Schwyz e Unterwald fizeram. Com o tempo, a festa foi gradualmente tornando-se mais colorida e alegre, especialmente com o desfile de crianças da comunidade carregando lanternas 8

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de papel com o brasão das armas dos cantões e a bandeira suíça. Recentemente fogos de artifício decoram a festa que termina com um baile. O Pacto resultante do juramento assumido em Grütli 1291 pelas três figuras Walter Fürst, Arnold de Melchtal e Werner Stauffacher é considerado o documento que atesta a fundação da Confederação Suíça. Este documento é, no entanto, entre vários escritos relacionados ao território da Suíça que foram escritos entre os meados do século XIII e meados do século XIV. O Pacto de 1291, escrito em latim, é datado do início de agosto, o que significa início de agosto. O historiador Georges Andrey explica que o Conselho Federal decidiu em 1891 que o Pacto é datado de 1º de agosto de 1291 para poder dar um dia ao feriado nacional e que seja celebrado.


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photo : Marc Guillemin

GENEBRA - CULTURA Poucas cidades possuem uma história tão rica Nações (SDN) e o Bureau Internacional do Trabalquanto Genebra no campo da cooperação interna- ho (BIT). cional No dia seguinte da segunda guerra mundial, a coEm 1863, um pequeno grupo de genebrino criou munidade internacional escolheu novamente Geo Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR) nebra para implantar um certo número de organie elaborou o primeiro tratado de direito interna- zações internacionais. cional humanitário, A Convenção de Genebra de 1864. Hoje, os novos atores do campo da saúde tais que GAVI Alliance ou DNDI ( Drugs for Neglected DiEm 919, Genebra torna-se a primeira plataforma seases Initiative) escolheram instalar-se em Genede diálogo e de cooperação internacional, após a bra. decisão dos países vencedores da primeira Guerra mundial de instalar em Genebra a Sociedade das As nações Unidas, situada no Palácio das Nações 10

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photo : Marc Guillemin

E OS DIREITOS HUMANOS Organização internacional do trabalho (OIT) ; Union internacional da telecomunicação (UIT) ; Auto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados (HCR) ; Organização internacional para as migrações (OIM) ; Auto Comissariado das Nações unidas dos direitos do homem (HCDH) ; Várias agencias importantes das nações Unidas Centro do comercio internacional (CCI) ; Em Berne, na Suíça, se encontra a União postal tem sua sede em Genebra universal (UPU). Organização mundial da saúde (OMS) ; Organização mundial de metereologia Organização mundial da propriedade intelectual (OMPI) ; Unidas em Genebra (ONUG) é o bureau que representa o secretario geral em Genebra. Auto lugar de diplomacia multilateral, ele fornece serviços de conferência em mais de oito mil reuniões por ano, o que o faz um dos centros mais ativos do mundo. L’ONUG é o maior departamento do secretariado das nações unidas fora da sede de Nova York.

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HISTÓRIA DE GENEBRA Na origem de sua existência, Genebra era uma cidade fronteiriça alobrogiana. Os Allobroges eram uma tribo gaulesa da antiga Gália, localizada entre o Rhône e o Lago Léman (Lago de Genebra), no que mais tarde se tornaria Savoy, Dauphine e Viveras. Suas cidades estão localizadas nas atuais regiões de Annecy, Chambéry e Grenoble, o departamento moderno de Isère e a Suíça moderna. Os Allobroges foram longo tempo rebeldes à autoridade romana. A conquista do seu território pelos romanos ocorreu em várias etapas entre 122 e 60 aC. Na Idade Média, um conde do Sacro Império Romano-Germânico dirigiu Genebra até o final do 12

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século XIV, quando uma Carta concedeu-lhe um alto grau de autonomia. Por volta dessa época, a Maison de Savoy acabou dominando a cidade. No século 15, um governo republicano oligárquico emergiu com a criação do Grande Conselho. Na primeira metade do século XVI, a Reforma Protestante chegou à cidade, provocando conflitos religiosos nos quais a domínio do Savoy foi derrubado e Genebra se juntou à Confederação Suíça. Em 1541, com o protestantismo João Calvino, o reformador protestante tornou-se o líder espiritual da cidade e fundou a República de Genebra.


Na noite de 11 e 12 de dezembro de 1602, de acordo com o calendário juliano, o duque de Sabóia, Charles Emmanuel, tentou dominar Genebra pelas armas. A tentativa de escalada das muralhas da cidade por suas tropas deu o nome de Escalade à batalha que ocorreu e da qual o Genebra saiu vitorioso. No século XVIII, Genebra estava sob a influência da França católica. Em 1798, a França revolucionária, sob o Diretório, anexou Genebra a seu território. Tropas napoleônicas invadiram Genebra. No final

das Guerras Napoleônicas, em 1 de junho de 1814, Genebra foi admitida no Parlamento da Confederação Suíça. Em 1907, a separação entre Igreja e Estado foi adotada. Genebra tornou-se um cantão que prosperou muito desde o século XIX; tornou-se a sede de muitas organizações internacionais.

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VIEILLE VILLE, CENTRO HISTÓRICO MEDIEVAL .

Os muros da Vielle Ville (Vila Velha) cercavam a A Catedral de Saint, é o imóvel mais alto do centro cidade de Genebra. A cidade antiga é uma cidade histórico de Genebra. Ao subir em suas torres o visitante terá uma vista panorâmica maravilhos da medieval fortificada. cidade. A Catedral de São Pedro ou Catedral, (em A Cidade Velha de Genebra localizada sobre iuma francês: Cathédrale de Saint Pierre), da cidade de colina, localizsa-se na rive Gauche du rio Rhône. La Genebra, Suíça, está situada no centro histórico e moravam os habitantes de Genebra. Encontra-se é desde 1535 a principal igreja protestante da cina Vielle ville o Hotel de Ville, podemos traduzir dade. Anteriormente, e desde os fins do século como prefeitura da cidade, centro da vida política IV, tinha sido uma catedral católica e era chamaestadual e municipal de Genebra. Esse imóvel foi da Saint-Pierre-ès-Liens, em referência à Basílica construido em 1455 e é a sede do conselho do Es- de São Pedro de Roma. Actualmente é um templo cívico onde se realizam os juramentos do governo tado desde 1488. cantonal (Conselho do Estado), já que Genebra é Na Cidade Velha encontra-se o tribunal de justi- tanto uma cidade, como uma república e mesmo ça, a catedral de Saint Pierre, lojas comercias, res- um cantão. taurantes, cafés e museus. Um passeio pelas ruas calçadas com pedras, entre as casas medievais Quinhentos degraus levam ao cimo da torre norte também construídas com pedra, nos leva numa de onde se obtém uma vista panorâmica de 360° sobre a cidade, o lago com o seu célebre Jacto de viagem pelo tempo. 14

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Genebra. É também nessa torre que se encontra la Clémence, o maior sino da catedral com seis toneladas de peso que foi içado em 1407, e que teve um papel importante na noite da L’Escalade, nome que se dá a noite da vitória, os genebrinos botaram pra correr os savoiards comandados pelo Duque de Satapando as decorações policromas da Idade Média, voie, região da França. salvando-se porém os vitrais e algumas pinturas No interior, os capitéis da colunas da igreja repre- no teto. Uma famosa pintura da igreja, uma obra sentam o maior conjunto em estilo românico e gó- de Konrad Witz (1444) com uma representação da tico da Suíça. O exterior, porém, sofreu muitas mo- baía de Genebra, como cenário da pesca milagrosa dificações posteriores, como a construção da torre com Cristo e São Pedro, encontra-se actualmente sul, a reforma da torre norte e o pórtico neoclássico. depositado no Museu de arte e história de Genebra.[4] Com a chegada da Reforma protestante, o destino da catedral muda radicalmente. Assim, a 8 de A actual fachada neoclássica dos meados do século Agosto de 1535, Guilherme Farel, indo de encon- XVIII substitui a precedente em estilo gótico. tro às ordem dos magistrados, vai à igreja pregar a reforma religios a uma multidão imensa. Na parte de tarde desse mesmo dia, iconoclastas devastam a A ponte Mont Blanc, construída sobre o lago Lécatedral, removendo tudo que não entra nos pre- man, a ponte é a principal via que liga a Rive ceitos do novo culto reformado, essa ação destruiu Gauche Rive à Rive Droite de Genebra. praticamnte todas as pinturas que ornavam as pa- Durante todo o ano a ponte é decorada com redes do templo. bandeira fazendo alusão a data comemorativa do momento. Construída para o ritual católico, a reforma com sua filosofia de austeridade modifica profundamente o interior do edifício, esvaziando-o dos ornamentos e Revue Cultive - Genève

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photos: Marc Guillemin

MUSEU DE ARTE E HISTÓRIA DE GENEBRA O museu de Arte e História de Genebra situação no centro de Genebra é um dos maiores museus Suíços. O imóvel é assinado pelo arquiteto Marc Camoletti e foi criado em 1910. sofreu importantes renovaçnoes e aumento dirigidos pelos ateliers Jean Nouvel de Paris, Arquitetos Jucker SA e DVK Arquitetos de Genebra. O museu guarda nos seus cinco andares uma coleção de arquelógia, de artes aplicadas e belas artes. São 650,000 objetos, entre eles 16

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grandes obras de séries únicas. E cada ano apresenta uma dezena de exposições temporarias que passam por Picasso a Roger Pfund e Akhenaton. O museu é localizado no centro da cidade de Genebra, a entrada é grátis, salvo a visita para as exposições provisórias. O Museu é aberto de terça-feira à domingo.


FLÁVIO BORDA D’ÀGUA um imigrante português que valoriza Genebra Flávio Borda D’Água é curador adjunto no Instituto e Museu Voltaire, arquivista nos Arquivos de Estado de Genebra e doutorando na universidade de Genebra. Após um Master of Arts nessa mesma universidade (2005), inicia uma investigação, em história moderna, sobre o governo urbano em Lisboa durante o Iluminismo.

Membro de diversas entidades profissionais entre as quais a Sociedade de história e de arqueologia de Genebra, da ICOM Suíça, do ICA, da Sociedade suíça de história e da Sociedade Henry Dunant.

Flávio Borda D’Água também está bastante implicado no meio cultural, associativo e político, e exerce desde 2011 um mandato electivo no ConseA sua investigação foca-se entre outros assuntos lho municipal da Cidade de Chêne-Bougeries. sobre a história da polícia, Voltaire e o movimento Desde janeiro 2019, é também delegado à UNICEF das Luzes. Suíça e Liechtenstein. Flávio Borda D’Água consacra uma atenção particular para o espaço português e lusófono. No quadro das suas funções no Instituto Voltaire, ele ocupa-se de valorizar e de estudar os fundos patrimoniais através de inventários, de publicações, de exposições e de actividades de mediação cientifico-culturais. Funções que conjuga também com as suas actividades no Arquivo de Estado de Genebra. Grande conhecedor da história de Voltaire Flavio realiza palestras sobre o tema. Revue Cultive - Genève

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O Instituto e Museu Por: Flávio Borda D’Água

A história do "propriedade de St. Jean" começa com a aquisição de toda a parcela por Voltaire em 1755. O filósofo nomeou a sua casa "Les Délices", e acolhe um grande número de visitantes, entre eles d'Alembert, em agosto de 1756 para poder redigir o artigo "Genebra" na Enciclopédia. Manteve esta propriedade durante alguns anos após sua instalação em Ferney (1759), e só a vendeu em 1765. Mas a história das Délices não termina com a partida de Voltaire. Esta casa também se tornou na " ambulância das Délices" na altura da guerra conhecida como a de Bourbaki (1871-1873) e que recebeu a visita de outras personalidades, tais como Hector Berlioz. Comprada em 1929 pela municipalidade de Genebra, a propriedade de Voltaire abriga um primeiro museu de 1945. Fundado em 1952, o Instituto e Museu Voltaire foi oficialmente inaugurado a 2 de 18

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outubro de 1954, chefiada então por Theodore Besterman. Este polaco de origem é responsável pela constituição do primeiro grande fundo do Instituto e do Musée Voltaire. E coloca à disposição da cidade de Genebra uma parte de sua coleção de pinturas e de obras de arte. Ele também deixa um importantíssimo espólio de manuscritos (correspondência, arquivos diversos) relacionados com Voltaire e com o século XVIII. Hoje, o Instituto e o Musée Voltaire é um verdadeiro centro de investigação sobre o Iluminismo e o seu espólio é a maior coleção de livros antigos e preciosos, bem como de manuscritos, sobre François Marie Arouet, dito Voltaire.


photos: BGE-Institut et Musée Voltaire, Genève

Voltaire de Genebra

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LAYLA RAMAZAN Uma iraniana virtuosa A pianista iraniana Layla Ramezan sempre procu- rior. Ela já se apresentou no Collège des Bernarrou criar elos entre suas origens persa e a música dins, em Paris, Victoria Hall, em Genebra, o Royal Irish Academy of Dublin, Universidade Carnegie contemporânea, que ela toca diariamente. Mellon, em Pittsburgh, Aga Khan Museu em ToEla está sempre em contato com figuras musicais ronto, Roodaki Municipal Teerã, Hafez Shiraz Hall, influentes como Helmut Deutsch, Jean-Claude bem como em festivais como as Atenas de GenePennetier William e Philippe Álbera e se faz acom- bra, Schubertiade de Sion, Alba na Itália. panhar de músicos como Jean-Marc Luisada, Eliane Reyes, Christophe Beau, Brigitte Balley e o Seus shows são transmitidos pela Radio France, Trio Chemirani. Layla trabalha ao lado de compo- pela RFI, pela Radio Suisse Romande, pela NPO sitores de todo o mundo tais como Tristan Murail, Radio Dutch, pela CBC Radio Canada. Luis Naon, Nicolas Bolens e Michael Jarrell. Layla é também pianista do Matka, um grupo de Ela apresenta-se regularmente na Suíça e no exte- música contemporânea de Genebra. Ela continua a 20

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participar de projetos de intercâmbio intercultural em conexão com a comunidade internacional: ela toca nas Nações Unidas em Genebra num evento especial contra a violência das mulheres ao lado de dez embaixadores africanos. Ela organiza projectos de intercâmbio musicais tais como conferências, estágios e concertos envolvendo compositores iranianos, franceses e americanos. Ela é fundadora e diretora artística do Prêmio Barbad Piano em Shiraz, Irã, e foi jurada do 10º Festival Nacional de Música Jovem em Teerã. Atualmente prepara a gravação de uma série de quatro discos dedicados ao projeto «100 anos de música clássica iraniana para piano» com o selo Paraty. O primeiro volume dessa tetralogia «Compositores iranianos 1950» foi lançado em janeiro de 2017 e o segundo volume, «Schéhérazade Alire-

za Mashayekhi» foi lançado em maio de 2019. Ela começou sua educação musical e piano em Teerã com Mustafa Kamal Pourtorab-Raphael Minaskanian e Delbar Hakimova, em seguida foi à Paris em 2001, e continuou a sua formação como bolsista da Fundação Albert Roussel na Escola Normal de Música de Paris Alfred Cortot na classe de John Micault e Erlih Devi, no Conservatório Nacional de Saint-Maur des Fosses e Créteil com Jacqueline Bourgès e Christophe Bukudjian onde obteve um diploma de estudos musicais com as mais altas honras. Em Lausanne, onde mora atualmente, obteve dois mestrados em performance e acompanhamento na Haute École de Musique de Christian Favre e Marc Pantillon. Layla tem o apoio da fundação Engelberts pela arte e da cultura, e da fundação Albert Roussel da cidade de Lausanne. Revue Cultive - Genève

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BONAPARTE E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL por José Geraldo

Prevendo a invasão francesa iminente, preparou-se com a maior urgência a retirada da Família Real portuguesa para a sua maior colónia de então. A 22 de Outubro de 1807 era assinada uma convenção secreta entre o nosso Príncipe Regente D. João e o rei inglês Jorge III, que estabelecia a transferência da sede da monarquia portuguesa para o Brasil. Estava ainda prevista a ocupação da ilha da Madeira pelas tropas inglesas, o compromisso de fazermos um tratado de comércio com a Inglaterra, logo após o governo português instalar-se no Brasil. A 27 de Outubro de 1807, diversos representantes franceses e espanhóis assinaram o tratado de Fontainbleau, onde foi estipulado que o reino português seria dividido entre a França e a Espanha, do seguinte modo: ao Rei da Etrúria, que passaria a designar-se Rei da Lusitânia Setentrional, caberia a região entre os rios Douro e Minho; a Manuel de Godoy caberia o Alentejo e o Algarve, recebendo o título de Príncipe dos Algarves; Napoleão ficaria com as províncias da Beira, Trás-os Montes e 22

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Estremadura. Assinavam este tratado, Duroc, em nome do Imperador e D. Eugénio Izquierdo, em representação do Rei Católico. Sem saberem do tratado franco-espanhol, os nossos representantes em Paris e Madrid foram expulsos, pois Napoleão já havia decidido invadir Portugal em virtude de D. João não cumprir as cláusulas do ultimatum. Enquanto Junot marchava com as suas tropas em direcção a Lisboa, chegava ao rio Tejo uma armada inglesa sob o comando do almirante Sydney Smith com a missão de escoltar a Família Real portuguesa para o Brasil. O embarque deu-se a 27 de Novembro de 1807, mas os navios só zarparam no dia 29, em virtude de uma tempestade no mar. No dia 30 de Novembro de 1807, Junot chegou a Lisboa só com parte do seu exército, limitando-se a ver recortados no horizonte os últimos navios da Armada portuguesa e inglesa que levavam para outras terras “a nossa soberania”. Tinha começado


a I Invasão Francesa, das três que Napoleão havia de arquitectar para tentar ocupar o território português. A II Invasão Napoleónica foi comandada por Soult e teve lugar em 1809 e a III Invasão foi comandada por Massena, em 1810.

um correio extraordinário com um exemplar do Le Moniteur para o Príncipe Regente.

Ao mesmo tempo o governo inglês deu instruções a Sir Sidney Smith, que cruzava com a sua esquadra a embocadura do Tejo, para escoltar a Família Depois de ter assinado a Convenção secreta de Real, no caso de retirar-se de Lisboa. Por um feliz 1807 com o Jorge III de Inglaterra, o Príncipe Re- acaso, que pareceu um milagre, o correio demorou gente D. João decide-se pela transferência da sede na sua viagem apenas quatro dias e muito a tempo da monarquia portuguesa para o Brasil. Naquela de salvar o Príncipe e a sua Família da sorte que os Convenção, assinada a 22 de outubro em Londres, esperava.” ratificada em Portugal a 8 de novembro e pela Grã-Bretanha a 19 de dezembro de 1807, também Com a publicação daquele decreto, o factor-surprese decidia a condição das tropas de Sua Majestade sa esvaiu-se, pois com a iniciativa daquele diplomana Ilha da Madeira. ta português prestou-se um valioso e oportuno serviço à Pátria. “Infelizmente ainda há quem chame à Tempos difíceis para Portugal e para os portu- retirada do Príncipe para o Brasil fuga, quando afigueses, nomeadamente para aqueles que não pu- nal foi esta inteligente resolução que salvou o trono deram embarcar com destino ao Brasil. Ao tomar o dos Braganças, ou melhor, a soberania nacional de partido da Grã-Bretanha, como estava previsto na ser abatida e espezinhada por Napoleão.” Convenção, esta dispunha-se a auxiliar o Príncipe Regente na retirada para o Brasil. Na sucessão dos acontecimentos, havia D. João de encetar vários esforços e “Determinou que partiEsta ideia já era antiga, tendo sido sugerida a D. riam todos os membros da família real, os minisAntónio, Prior do Crato, e, posteriormente, a D. tros de Estado e os empregados do Paço, sem exJoão IV pelo Padre António Vieira. “O príncipe cepção; decidiu que a sede do governo do Paço, se conservou até à última extremidade a esperança estabeleceria provisoriamente no Rio de Janeiro, de evitar o golpe fatal, não se convencendo de que ficando o territorio português sujeito a uma regeno seu sogro quisesse ligar-se sinceramente a Bo- cia de cinco fidalgos, que nomeou, a qual governanaparte para destronar sua filha.” ria em seu nome com os poderes que costumavam conceder ás regencias, os antigos reis de Portugal Cremos que D. João desconhecia a existência do quando iam pelejar na Africa.” Tratado de Fontainebleau e o seu conteúdo, pelo qual a Família Real portuguesa deixava de reinar Esta decisão foi, contudo, bem sucedida na sua exeem Portugal e previa o desmembramento do reino. cução, uma vez que o grande objectivo de evitar o D. João acabou por saber atempadamente, mas, in encontro da Família Real com Junot foi conseguido. extremis, as intenções de Napoleão. O imperador, No entanto, este foi recebido amistosamente por contando com a marcha forçada de Junot e igno- ordem do Príncipe Regente. “Apenas foi conhecida rando que este se visse obrigado a estacionar em em Lisboa a entrada das tropas francesas em terAlcântara e Abrantes, o que lhe fez perder alguns ritório nacional, o Conselheiro de Estado, D. José dias além do previsto, ordenou que se publicasse de Noronha, Marquês de Angeja, sugeriu ao Prínno periódico francês Moniteur, de 11 de novembro, cipe a necessidade de mandar alguém ao encontro o famoso decreto de 27 de outubro e pelo qual a de Junot, a fim de se saber da boca do general as Casa de Bragança deixava de reinar em Portugal, suas intenções. imaginando que apenas seria conhecido em Lisboa, depois da entrada do seu exército em Lisboa. O conselho foi aceito, não demorando o Príncipe “Aquele decreto, porém, chegou rapidamente ao a dar-lhe execução. Pensou-se de começo, em conhecimento do governo britânico. O ministro Braamcamp para se desempenhar de tão melindrode Portugal em Londres, D. Domingos de Sou- sa e delicada missão; mas, depois, pôs-se de lado sa Coutinho, receando que as suas comunicações este indivíduo, recaindo a escolha em José de Oliatingissem o seu destino tardiamente, já depois da veira Barreto, negociante na praça de Lisboa, com entrada em Lisboa das tropas francesas, expediu estabelecimento na Calçada da Estrela, possivelRevue Cultive - Genève

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mente da intimidade do General, durante a sua embaixada junto do Príncipe Regente. Simultaneamente, foi encarregado pelo Governo o coronel Carlos Frederico Lecor, um dos oficiais mais distintos do exército português, de observar as posições e movimentos das divisões de Junot.” Podemos dizer que o sistema de informações estava montado para as eventuais contingências.

O Brasil foi um dos Territórios Portugueses, da altura, que se beneficiou com as Invasões Napoleónicas, pois enquanto a América Espanhola se dividia em vários países, porque a Espanha perdeu a Independência nesse período, o Brasil fortalecia-se e criava os alicerces para o grande país que é hoje. Entre a espada e a parede, Portugal decidiu-se pela Aliança Marítima, tendo conseguido salvar o seu império ultramarino e o seu reino, deslocando a Corte para o Brasil. Quem está convencido que a Família Real fugiu para o Brasil está, na nossa modesta opinião, enganado porque esta atitude ousada foi bem preparada e única no período que foi alvo do nosso estudo. Napoleão preparava-se para capturar os mais altos dignatários de Portugal e dividir o país em três, conforme consta no Tratado de Fontainbleau. A Convenção Secreta de Outubro de 1807 entre Portugal e a Grã-Bretanha desmistifica esta controvérsia.

Depois de esgotados todos os esforços para conseguir a neutralidade, não restava outra alternativa a D. João senão a partida para o Brasil. Tentou minimizar as perdas levando quase todas as riquezas que Portugal foi acumulando ao longo dos séculos, ficando algumas misérias que os franceses se encarregariam de levar no seu regresso a casa. A maioria dos portugueses não puderam embarcar, pois só houve lugar para cerca de quinze mil pessoas, mas eram convidados a receber os invasores como amigos, mais uma vez, para evitar sangue e Podemos concluir que a decisão tomada pelo Prína guerra. cipe Regente foi a mais acertada para Portugal e para o mundo e, sobretudo, para o Brasil, que gaA Família Real dividia-se pelas diversas naus que nhou com a estada da Família Real portuguesa e da constituíam a esquadra, o Príncipe Regente seguiu Corte, criando os alicerces para a independência na Principe Real, D. Carlota Joaquina, juntamente proclamada com o Grito de Ipiranga pelo Príncipe com as suas filhas e D. Miguel, com apenas 5 anos, D. Pedro, futuro imperador do Brasil, em 1821. embarcaram na Rainha de Portugal, as irmãs da Passados mais de dois séculos sobre a ida de tantos Rainha seguiram na nau Príncipe do Brasil. portugueses para o Brasil e tantas outras migrações, por dificuldades e razões de várias ordens, não deiComo é defendido por vários autores, embarcaram xa de ser curioso o que Ângela Dutra de Menezes nos navios disponíveis cerca de 15000 pessoas, re- escreve no seu livro “Bisavô português é igual a presentando todas as classes, “Os fidalgos, os mi- carro a álcool: todo o mundo tem um”, fazendo jus nistros, os conselheiros, e tantos outros [...]: alguns ao espírito alegre e divertido do povo brasileiro. regimentos de linha acompanharam.” Rumavam Hoje são dois países irmãos com a mesma língua, agora para a maior e mais rica colónia portuguesa – com uma parte da História comum, em que as reO Brasil. Por ironia do destino, as riquezas, nomea- lações de toda espécie, desde a social à económica, damente o ouro, que tinham vindo do Brasil para se incrementam. financiar as grandes construções nacionais, como o referência A Aliança Inglesa: Subsídios para o seu estudo, compilados e anotados por Monumento de Mafra, Aqueduto das Águas Livres, José de Almada, Lisboa: Impressa Nacional, Lisboa, 1946. (Vd. Anexo I). etc...., eram como que devolvidos à colónia, pois as Local onde estava a Corte imperial. Tendo ficado “a ver navios”. classes mais abastadas faziam-se acompanhar dos Vd. BRAZÃO, Eduardo – Relance da História Diplomática de Portugal. seus haveres, ouro, prata, pedras preciosas, obras Porto: Livraria Civilização, 1940, p. 201. Vd. F. T. D. – Elementos de História do Brasil. Rio de Janeiro, São Paulo: de arte, livros, tudo embarcava. “[...] em mais de 80 Livraria Paulo de Azevedo  C. (s. d.). milhões de cruzados orçam alguns o dinheiro que Rei de Espanha. Vd. PEREIRA, Angelo – D. João VI Príncipe e Rei: A Retirada da Família partiu para o Brasil, ficando no regio erario apenas Real para o Brasil, 1807. Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1953. p. 10.000 cruzados, sem que se houvessem pago os 174. Vd. IDEM, Ibidem, pp. 173-174. empregados e credores do Estado.” Eram pedaços Vd. IDEM, Ibidem, p. 174. de História portuguesa que partiam, algumas delas Vd. F.T.D., – Ob. cit., pp. 312-313. Vd. PEREIRA, Angelo, – Ob. cit., pp. 174-175. para não mais voltarem ao seu território de origem. F. T. D. – Ob. cit., p. 313. Cremos que este foi o primeiro passo para a independência do Brasil. 24

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BRASIL DO SÉCULO XXI por Valquiria Imperiano

A escrita e a leitura por muitos anos foram inexistentes no nosso país. Na época colonial governantes não permitiam nenhuma forma de impressão e só 300 anos após o descobrimento, e graças as invasões de Napoleão Bonaparte, que forçou a fuga da corte portuguesa para o Brasil trazendo consigo 60 mil volumes da Biblioteca Real, é que a literatura começou a fazer história no Brasil. De posse da biblioteca Real, trazida de Portugal, D João VI criou a Biblioteca nacional em 1810. Com a vinda da família real para o Brasil surgiram as livrarias, começaram a surgir tipografias nas províncias, registros de escritos e publicações no território. Muitos escritos, de escritores desse período, foram publicados na Europa. A literatura no Brasil era, pois, para poucos privilegiados.

O Brasil, um país cuja influência cultural herdada das correntes migratórias provenientes de vários continentes foram misturadas à cultura indígena, é conhecido como um país multicultural. Porém a cultura não atinge todos os brasileiros, segundo uma pesquisa recente realizada em 74 municípios brasileiros, em 2013, constatou-se que 42% dos Durante muito tempo, quando surgiram as primei- brasileiros não consomem atividades culturais e as ras editoras brasileiras, essas editoras dedicavam-se atividades mais consumidas são o cinema, festas aos livros didático e foi Monteiro Lobato que teve populares (carnaval, trio elétrico, música popular, a iniciativa que modificou o mercado editorial bra- blocos de rua etc, uma minoria vai ao teatro, musisileiro quando imprimiu, por conta própria nas ofi- cais e outras atividades culturais). cinas dos jornais O estado de São Paulo, o seu livro “URUPÊS”. O Brasil está caminhando para um futuro óbvio de desenvolvimento mesmo que problemas e difiMais de 500 anos passados e ainda a cultura da li- culdades o cerque, mas nada que não seja possível teratura continua de difícil acesso para o povo bra- modificar e cortar as arestas. Apesar das discrepânsileiro, que sofre com as dificuldades econômicas cias, hoje, está havendo no Brasil uma valorização e ganha para comer. A defasagem de ordem eco- da literatura. É real o número crescente de pessoas nômica, assistencial, educacional e cultural atinge de todas as classes sociais que se lançam no mundo todo o país, ficando assim a grande maioria dos da escrita e que, por sua vez, realizam um trabalho brasileiros ao deus dará. individual de divulgação das suas próprias edições, levando assim ao conhecimento dos amigos e da A tecnologia avançou. A informação está mais comunidade a que pertencem seus escritos, conseacessível à população pelos meios de comunicação, quentemente estimulando a leitura e despertando que passam notícias e informações, filtradas, mon- a produção literária em varias pessoas. Com a intadas, programadas e elaboradas, com intenções tensão de fortalecerem-se, os autores reúnem-se subliminares, porém o livro continua sendo um em grupos e associações literárias, trabalhando em objeto de consumo elitizado, assim como, diversos conjunto para disseminar a cultura e despertando tipos de atividades culturais eruditas. o amor pela poesia e pelas letras. Esse futuro óbvio de desenvolvimento está sendo feito pelos brasileiPela sua imensidão, descaso e incompetência dos ros que já despertaram e já se conscientizaram que sucessivos governos, o Brasil parou no tempo em o poder de transformação está nas nossas mãos sua evolução cultural. Hoje mais 200 milhões de e que não podemos ficar apenas esperando pelas brasileiros estão mal espalhados num território de ações governamentais. 8.525.989 km² e cuja maior concentração demoFonte de informações WIKIPEDIA gráfica encontra-se na orla marítima. Revue Cultive - Genève

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PIO BARBOSA NETO Um homem que venceu pelo conhecimento Pio Barbosa é nascido no Estado do Ceará. Funcionário público, trabalha na UNIPACE (Universidade do Parlamento Cearense), tendo atuado na Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, como servidor do Poder Legislativo. Saiu dio interior do Ceará e com muita luta e dedicação apoiado por seu pai, que mesmo após seu falecimento continua seu ídolo, colecionou títulos universitários e especializações. Graduou-se em Filosofia pela Faculdade de Filosofia de Fortaleza em 1985), Ciências da Religião em 2001, Pós-Graduou-se em Psicopedagogia Clínica e Institucional em 2005 e Ciências Políticas, Sociedade e Governo em 2013; MBA - Master in Business Administration em Formação de Políticas Públicas Inovadoras (2013) em Assessoria Parlamentar (2016) Mestrado pela Universidad PolitWécnica y Artística del Paraguay 2011. Em 2016 tornou-se Doutor em Ciências da Educação na UPAP-PY . Mas Pio não para por aí e decidiu voltar aos bancos universitários e está acadêmico no Curso de Direito pela UniChristus. Além do trablho e das obrigações acadêmicas ele possui atividades em varias academias de letras de Fortaleza. Ele está membro da Academia de Letras 26

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dos Municípios do Estado Ceará - ALMECE, da ACE (Associação Cearense de Escritores), CONINTER - Centro de Cultura do Ceará, Membro de Honra da Divine Academie Française dés Lettres Arts et Culture, Academia de Letras Juvenal Galeno – ALJUG, Membro da Academia de Letras e Artes do Ceará- ALACE. Pio é escritor com mais de 60 trabalhos escritos e 8300 textos, publicou: Palavreando – 1997; Estesia – 1998; O Ato de Educar- 2010 ele também é roteirista e poeta. Pela dedicação ao seu trabalho e a sua obra, Pio Barbosa ele vem acumulando merecidos premios literários desde 1996. Alguns dos mais importantes: Homenagem na Semana do Servidor da Assembléia Legislativa, Assembléia Legislativa do Ceará; em 2005 Homenagem na Semana do Servidor da Assembléia Legislativa, Assembleia Legislativa do Ceará; 2006 - Homenagem na Semana do Servidor da Assembléia Legislativa, Assembleia Legislativa do Ceará; 2007 - Homenagem na Semana do Servidor da Assembléia Legislativa, Assembleia Legislativa do Ceará; 2008 - Homenagem na Semana do Servidor da Assembléia Legislativa, Assembleia Legislativa do Ceará; 2016- Homenagem no Dia do Escritor Cearense.


JACKSON: PEQUENO HOMEM, GRANDE PANDEIRO.

Pio Barbosa Neto

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“É samba que eles querem, eu tenho. É samba que eles querem, lá vai. É samba que eles querem, eu canto. É samba que eles querem e nada mais.” (Jackson do Pandeiro - A Ordem é Samba)

A partir da paisagem nordestina, criam-se os mitos, símbolos, ícones, marcas e referências, refletindo assim, a nossa miséria e subdesenvolvimento.

Para iniciarmos e nos aprofundarmos nas temáticas nordestinas encontradas nas músicas de JackO Nordeste sempre revelou diversos cantores e son, recorremos a um tema que sempre estará ligacompositores que retratavam o cotidiano do seu do ao povo nordestino e à sua trajetória em nosso povo a partir de práticas socioculturais que se rela- país: a vida de migrante! Quem conhece o solo cionavam com a história. Um exemplo disso é en- nordestino, sabe que ele é rico em paisagens, algucontrado em Jackson do Pandeiro, que tem grande mas tão simples, que arrebatam o nosso olhar para importância ao pensarmos a percepção do regional lugares dantes nunca visitados, parecendo que a através de suas músicas, nas quais podemos obser- presença de uma imagem natural, contagia a mente var várias práticas e representações socioculturais e nos convida a caminhar por estradas sinuosas em que fazem parte do cotidiano nordestino. direção a qualquer lugar, onde a vida acontece livremente. Ao pensarmos o Nordeste, logo nos vêm às imagens, ou melhor dizendo, as paisagens que o formam, se- O contraste do sertão em imagem, prosa e poesia, jam elas naturais sociais ou culturais. Para Gilberto falam da realidade de uma gente sertaneja que tece Freyre, desde o início, foi difícil definir uma paisa- sua história nas paredes do tempo, que bem lembra gem nordestina, pois, para ele, existia uma bifur- o livro "Os Sertões", de Euclides da Cu-nha, que cação. De um lado, havia o Nordeste agrário, da afirmou: "O sertanejo é, antes de tudo, um forte", cana-de-açúcar, que se alongava do norte da não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neuBahia e chegava ao Maranhão, sem nunca se afas- rastênicos do litoral. tar tanto da costa. Do outro lado, havia o Nordeste pastoril das areias secas, as paisagens duras, os A figura do nordestino sertanejo, as condições árimandacarus e as sombras leves. Assim, a região te- das do seu espaço e da sua vida, as dificuldades em ria duas paisagens naturais, sociais e históricas. To- relação à estiagem, o jogo de poderes políticos em davia, se observarmos bem, uma dessas paisagens meio a ações ‘’coronelistas’’, a violência e a beleza saiu vencedora, desde o início da região Nordeste que envolvem as relações afetivas, tudo isto faz até nossos dias, prevalecendo em imagens, poemas, parte do imaginário que a maioria das pessoas tem romances, espetáculos, filmes e programas de tele- do sertão, e que não deixa de ser verdade. visão (ALBUQUERQUE JUNIOR, 2008). Certamente, a rotina de quem vive no sertão, não Certamente, a música de Jackson do Pandeiro re- é nada poética, mas, realista, imersa em labutas vela o Nordeste. A identidade e os modos de ser diárias, sonhos frustrados, seca e estio, solidão e nordestino estão na essência do seu repertório e dor, que vestem o coração de um sertanejo em busas músicas têm muito a contribuir para os estudos ca de chuva e pão pra fartar a prole e trazer a alehistoriográficos, como também, com as condições gria de ver a semente lançada em terra prosperar. que moldam essa identidade são apreendidas e organizadas simbolicamente. O sertão também tem servido ao longo dos anos como temática recorrente aos escritores da literatuEm cada particularidade encontrada em sua mú- ra brasileira, fundando uma literatura denominada sica, podemos trazer as representações de ser nor- sertaneja ou sertanista que se encaixa na chamada destino. Suas práticas culturais, seus problemas literatura regionalista, caracterizada pela referência sociais, seu jeito de ser podem ser encontrados em a certo espaço geográfico e estereotipia do mesmo. cada música. Filho da pobreza e do campo, Jackson carregou na Na verdade, seus vários jeitos de ser nordestino, memória a fome que dá dor de cabeça, as rodas de pois não existe apenas um, são percebidos em coco que acompanhava com os olhos, até os sete suas músicas, diferenciando-se a partir de suas anos – e com as mãos, a partir daí – e as brincadeipráticas culturais. ras e pescarias entre os rios Maranguape e Mandaú 28

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e as águas plácidas da antiga Lagoa do Paó – nome dado pelos índios tapuias, das tribos cariris, à região da “lagoa grande”, antes da colonização, no início do século XVIII, que significava “ terra onde secam as folhas”.

Ele foi um dos principais ritmistas do Brasil e foi responsável, ao lado de Luiz Gonzaga, pela popularização nacional de canções nordestinas.

Ele só aprendeu a ler depois dos 35 anos, mas ensinou o bê-á-bá da música nordestina urbana a É nesse cenário efervecente, pós-apocalíptico, várias gerações. meio antropofágico, onde as recriações começavam a surgir a partir da necessidade de absorção De origem nordestina, ele, era um negro paraibano, de conceitos e estruturas pré-estabelecidas, para baixinho, bigodinho fino, que atendia pelo singuserem refundidas numa proposta de “ identidade lar nome de Jackson do Pandeiro – subiu ao palco nacional”, que nasce o menino José Gomes Filho, e não cantou como seria de se esperar, samba ou numa casinha paupérrima dentro dos limites das marchas, típicos do Carnaval. Com seu pandeiro, terras do Engenho Tanques, no município de Ala- e acompanhado de sanfona, zabumba, triângulo, e goa Grande, região do brejo da Paraíba em 31 de ainda por uma veterana radioatriz pernambucana, agosto de 1919, no intermédio entre o litoral e o cantou foi um coco! sertão, encosta da serra da Borborema, a pouco mais de 100 quilômetros da capital. Contrariando o futuro que lhe estendia as mãos, transformou as batucadas do seu destino, tomou Ele cresceu na miséria quase absoluta. Vivia solto de assalto à cena musical brasileira e, deixando na rua e no mato, sem frequentar qualquer escola. para trás o swing de nomes como Wilson Simonal, Da mãe, à época uma das mais respeitadas coquis- Toni Tornado, Bezerra da Silva, Jorge Ben e tantos tas da região, recebeu as primeiras noções de rit- outros mestres do balanço, recebeu, com méritos, a mo. Muito requisitada para cantar em festas, Flora concorrida alcunha de Rei do Ritmo. tocava o ganzá, acompanhada de um zabumbeiro. O filho assistiu por anos e um dia resolveu pegar no Jackson do Pandeiro, como mais tarde ficaria zabumba. Tempos depois, passou a ser ele o acom- conhecido José Gomes Filho, alcançou tal prestípanhante de Flora Mourão, em especial quando a gio, não apenas por dominar como poucos o insfamília mudou-se para Campina Grande, após a trumento que lhe empresta o sobrenome artístico, morte do pai. mas, também, e principalmente, por sua singularidade ao interpretar canções que viriam a definir a O menino tinha então 11 anos. Quando não estava essência rítmica do cancioneiro nordestino. trabalhando, brincava de artista. Adotou como ídolo Jack Perrin – ator americano de segunda gran- Esse artista tinha uma característica de divisão médeza que começou carreira ainda no tempo do ci- trica dentro da música que é inato. Nem ele consenema mudo, principalmente em filmes de faroeste. guia explicar. Pegava uma frase melódica, com A maneira do caubói de andar e cavalgar fascina- tempo e marcação definidos e saia quebrando isso va-o. É o próprio Jackson quem conta: “Comprei o tempo todo. um chapelão de palha, um revólver de madeira, e a gente brincava… Depois fui crescendo, tinha que Ás vezes adiantando, às vezes atrasando, mas ajudar minha mãe a dar de comer à moçada e parei sempre ao final coincidindo com os acordes da múcom a brincadeira. Mas fiquei com o nome Jack. sica. Essa brincadeira que o Jackson fazia com a voz Só Jack. Quando comecei a tocar pandeiro acabei e com as músicas é algo realmente impressionante. sendo Jack do Pandeiro”. “O grau de sofisticação, a técnica que ele usava e ao Certamente, em um país cuja principal festa po- mesmo tempo a intuição, que é aquela coisa natupular é o percussivo Carnaval, onde uma caixinha ral que vinha espontaneamente e nunca se repetiu e de fósforo é sinônima de samba e um prato de provavelmente nunca se repetirá porque dificilmente cozinha é instrumento de batuque, ser considerado surgirá outro como ele”. o Rei do Ritmo, convenhamos, não é pra qualquer um. Essa afirmação é do jornalista Fernando Moura, que ao lado do também jornalista Antônio ViRevue Cultive - Genève

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cente, lançou em 2001, pela Editora 34, a biografia do músico, intitulada “Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo”, que apresenta a vida e a obra do músico desde o seu nascimento em 1919, até a sua morte, quase no ostracismo, em julho de 1982.

brasileira e a sua determinante influência na música pós-tropicalista de Gilberto Gil, assim como na obra de Alceu Valença, Lenine, só para ficar em alguns exemplos. Por isso, para os que desejam compreender a sua obra, a recomendação é seguir as palavras de Fernando Moura, “mais do que ler Moura, que demorou oito anos até concluir o livro, Jakson é necessário escutá-lo”. realmente tem razão, Jackson transitava do forró ao samba, passando por todos os seus subgêneros, Em 1966, com 10 anos de carreira na bagagem e como o baião, xote, xaxado, coco, arrasta-pé, fre- já acompanhado de Almira Castilho (parceira de vo, em fim, tudo que tivesse batuque, com extrema palco e companheira por 11 anos), Jackson do autenticidade, imprimindo uma nova cadência aos Pandeiro lançou o álbum “O Cabra da Peste”. No ritmos que, já no início do século XX, se apresenta- disco, o Rei do Ritmo nos brinda com uma sacolevam como a base sonora por qual seguiria a música jante seleção de músicas que misturam forró, baião popular brasileira nos anos seguintes. e samba – com Jackson inspiradíssimo em sua maneira pra frente de executar as canções e divisão No início da vida adulta, já na cidade de Campi- vocal incomparável. na Grande, freqüentou o famoso Cassino Eldorado, onde tomou contato com ritmos como o blues, Destaques para “Capoeira Mata Um”, um delicioso jazz, chorinho, maxixe, rumba, tango e o samba. balanço misturando coco com samba, um de seus Também freqüentou, durante determinado perío- ‘afrosambas’; “A Ordem é Samba”, uma das medo da carreira, terreiros de candomblé, não em lhores músicas do cancioneiro jacksoniano, sobre razão da sua crença, mas para ouvir e ver de perto a onda de samba no Rio; “Bodocongó”, baião comas batucadas que de lá ecoavam. Além do talen- posto pelo eterno parceiro de Luiz Gonzaga, Humto nato de Jackson, essas experiências foram sem berto Teixeira. dúvidas fundamentais para transformar o que era para ser apenas mais um “Zé da Paraíba” em um Hoje ninguém mais questiona o valor de Jackson dos maiores expoentes da influência rítmica negra do Pandeiro. Ele é reverenciado como um dos na música nordestina. grandes, um dos maiores de toda a história da música brasileira. Sua influência há muito se espalha. “Ele foi campeão de samba em diversos carnavais Está impregnada na obra de artistas de épocas e esno Rio de Janeiro. E olha que ser campeão de festi- téticas as mais diversas. vais de carnaval no Rio, no meio de tantos bambas, não é fácil não”, recorda-se Fernando Moura. Pou- Referência quíssimas pessoas sabem, mas, o primeiro disco Albuquerque Junior, Durval Muniz de. Nos destinos de fronteira: História, espaço e identidade regional. Recife: Bade Bezerra da Silva, “O Rei do Coco”, lançado em gaço, 2008. 1976, tem a direção artística de Jackson do Pandei- Moura, Fernando, e Antonio Vicente. Jackson do Pandeiro ro, que ainda participou de todas as músicas do ál- O rei do ritmo. Ed. 34. bum como instrumentista. (Fontes: http://www.omenelick2ato.com/ http://customediPara o pernambucano Carlos Fernando, produtor musical e um dos mais importantes compositores de Frevo ainda em atividade no país, o ritmo, tal qual conhecemos hoje é uma legítima criação de Jackson. “Foi ele quem acelerou a música. O frevo era um pouco mais lento, depois que ele gravou o álbum Micróbio do Frevo, o ritmo tomou um novo caminho”. Seriam necessárias páginas e mais páginas para situar a importância de Jackson na música popular 30

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Fátima Teles

A Carta da Terra, documento iluminado, concluído no ano 2000, com muita inspiração, por vários Fátima Teles é (Assistente Social e colaboradora do povos de culturas variadas, traz em seu bojo o chaPortal Vermelho. Brasileira, Nordestina, Cearen- mamento para a responsabilidade da humanidade, se, Graduada em Pedagogia, História e geografia, diante da Terra mãe. Logo no seu preâmbulo, diz : Serviço Social. Especialista em Direitos Humanos e Psicopedagogia Institucional. Escritora e Poeta. Estamos diante de um momento crítico na história Membro da Academia de Letras do Brasil, secção da Terra, numa época em que a humanidade deve Ceará-ALB. Membro do Instituto Cultural do Ca- escolher o seu futuro. À medida que o mundo torriri-ICC. Membro da Academia Internacional da na-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo União Cultural. e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diverLivros Publicados: Alumbramento – Poemas (2015); A Cidade que sidade de culturas e formas de vida, somos uma veio das águas- Literatura Infanto Juvenil (2017) família humana e uma comunidade terrestre com Centenário do Professor José Teles de Carvalho: O um destino comum. Devemos nos juntar para gepai da Educação de Brejo Santo – Biografia (2018) rar uma sociedade sustentável global fundada no Brejo Santo: Revisitando o passado e construindo o respeito pela natureza, nos direitos humanos unipresente – Aspectos Históricos e Geográficos de Brejo versais, na justiça econômica e numa cultura da Santo (2019); Lições de Maria – Poemas (perspec- paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que tiva feminista) (2019)- Lançamento em Agosto de nós, os povos da Terra, declaremos nossa respon2019 na Bienal do Livro de Fortaleza.) sabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações. (BOFF,2012,p.167-168).

SUSTENTABILIDADE E DIREITOS HUMANOS

O Planeta Terra está envelhecido, cansado, desgastado e por isso clama por socorro. Ele não quer rejuvenescer, pois, sabe que não pode. Porém, quer ser preservado para manter-se vivo, gerando qualidade para todos os seres que nele habitam. "O mundo sustentável só será possível com a consciência coletiva, voltada para o bem-estar de toda a humanidade" 32

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Os desequilíbrios ambientais aliados aos desequilíbrios de ordem moral, causados pelo homem, está ameaçando a vida de todos os seres que habitam a Terra. A lei de ação e reação que rege o universo vem ao longo dos séculos tentando despertar a humanidade para a sua responsabilidade social, vem tentando acordar o homem para que haja a compreensão de que tudo o que se planta, colhe. Tudo o que se faz, recebe de volta. O equilíbrio da justiça universal está na causa e efeito, de modo que a natureza responde sempre como é tratada.


O que são os tsunamis, os terremotos, as catástrofes geográficas, os maremotos, senão a grito de indignação de Gaia? A situação atual se encontra social e ecologicamente, tão degradada que a continuidade da forma de habitar a Terra, de produzir, de distribuir e de consumir, desenvolvida nos últimos Séculos, não nos oferece condições de salvar a nossa civilização e talvez até a própria espécie humana; dai que imperiosamente se impõe um novo começo, com novos conceitos, novas visões, e novos sonhos, não excluídos os instrumentos científicos e técnicos indispensáveis; trata-se, sem mais nem menos, de refundar o pacto social entre os humanos e o pacto natural com a natureza e a mãe Terra.(BOFF,2012,p.15). Está na hora de arrumar a casa. Gaia chora, grita, clama, revolta-se. Tudo o que nós precisamos para nossa sobrevivência, nós temos aqui na Terra. Os recursos naturais nos dão as condições para uma vida digna e de qualidade. O reino mineral nos fornece o seu bem maior, a água, fonte de alimento para a sobrevivência do corpo físico. O reino vegetal nos dá a alimentação, além dos remédios extraídos de suas plantas e flores. O reino animal tão útil, explorado e violentado ainda por nós, diante de nossa condição inferior espiritual, que necessita matar e alimentar-se de cadáver, para manter-se vivo. O homem, como a criação mais complexa de Deus, não age com sabedoria, mas com a inteligência ambiciosa e egoísta, acreditando que a natureza está a mercê de sua vontade, de seu suposto poder. A humanidade arrasta-se para sua falência moral, ameaçando a vida de sua própria espécie, pela devastação da natureza,, provocada pela sua ganância. Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamentos dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos tem aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases de segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas ,mas não inevitáveis.

(BOFF,2012,p.168-169). A desigualdade econômica e social do mundo é aviltante. As barreiras que separam ricos e pobres são altas, que não há possibilidade de ultrapassagem. Vivemos uma apartação social onde cada classe tem um lugar definido. Quem detém os meios de produção quer mais produção, para que o lucro seja cada vez maior e por isso explora mais também. A globalização na prática contribui para o aumento da desigualdade econômica e social e para o aumento da concentração de renda, uma vez que os países desenvolvidos estão aliados pelos mesmo interesses de crescimento e poder, econômico ou ideológico em detrimento dos países que ainda não se desenvolveram aos moldes do século 21, na corrida capitalista pelo desenvolvimento econômico em agravo ao desenvolvimento social. Desenvolvemos a inteligência, descortinamos a ciência, mas falimos espiritualmente. Oprimimos o semelhante como se fôssemos superiores, numa ilusão de que os bens da Terra nos pertencem. A sustentabilidade deve ser pensada numa perspectiva global, envolvendo todo o planeta, com equidade, fazendo que o bem de uma parte não se faça à custa do prejuízo da outra. Os custos e os benefícios devem ser proporcional e solidariamente repartidos. Não é possível garantir a sustentabilidade de uma porção do planeta deixando de elevar, na medida do possível, as outras partes ao mesmo nível ou próximo a ele.(BOFF,2012,p.17). O mundo sustentável só será possível com a consciência coletiva, voltada para o bem-estar de toda a humanidade. Não devemos proclamar a felicidade quando sabemos que na África, as crianças acordam chorando, porque lhes falta aquilo que é básico para a sustentabilidade do corpo físico e desenvolvimento mental, que é a alimentação. Não podemos proclamar a paz, quando vemos países em guerra, praticando genocídios humanos. Não podemos proclamar a liberdade, quando vemos mulheres sendo oprimidas, violentadas. Quando vemos crianças e adolescentes sofrendo com o trabalho infantil, crianças e mulheres sendo vítimas de tráfico humano ou entregues à prostituição infantil. Não podemos proclamar a beleza da natureza quando vemos a sua degradação, feita por nós, pela humanidade, em atos de desumanidade. Revue Cultive - Genève

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Qual é a cor do meu país? Passando e pensando na vida. Entre tanta gente querida. Um pensamento me indagou. Um país teria cor? Tem ruas, estradas e varais. Fábricas, florestas e quintais. Tem mar, tem céus e estrelas. Cidades, cafezais, bananeiras. O sol que brilha e reluz. Igrejas com Deus na cruz. Bichos, terras, plantações e rios. Cachoeiras, matas e vazios. Tem meu país gente honesta, Tem escolas e cidades modestas. Tempestades de raio e trovão. Minerais, músicas e coração. Meu país tem feiras e pontes. Tem água vinda dos montes. Tem pedras formando areias. E sangue correndo nas veias. Mas que cor tem tanta formosura? Que cor tem tanta loucura? Me veio então a resposta. Meu país é da cor que eu gosto.

PAULO BRETAS o escritor e poeta

Paulo Roberto Paixão Bretas é brasileiro de Mians Gerais, economista, professor, escritor e poeta. Casa da Moeda do Brasil e secretário Municipal do Planejamento de Belo Horizonte- MG. Paulo é formado pela universidade de Otawa/ Canadá e Javeriana em Bogotá Colombia. Ele tem o diploma de MBA em managemant pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro e tem especialização em Programa de Aperfeiçoamento de DiretoresPDE. Paralelamente, Paulo dedicou-se a estudar a cultura orintal, particularmente a poesia Haikai, pela qual se apaixonou. Paulo publicou um livro de Haikai em 2016. Sua segunda obra: Entre as 34

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sombras e Luzes está no prelo. Denfensor ferrenho dos direitos humanos, do desenvolvimento social, da preservação da natureza por cujas ideias trabalha ativamente e defende. nas suas Haikais percebemos nas entrelihas sua preocupação com o homem e a terra. Nos contos ele bascula entre questões familiares com saudosismo, sem deixar de fazer alusões as suas ideias. Vale a pena ler esse poeta sensível e preocupado com o ser humano, e a ética.

«O doce livro dos Beijos Poéticos»

exibido no 33° Salão do Livro de Genebra.


OURO PRETO DAS MINAS, DA HISTÓRIA, DA CULTURA E DA TRADIÇÃO Paulo Roberto Paixão Bretas

Como não se emocionar ao percorrer as tortuosas ruas de Ouro Preto? Como não pensar na vida ao subir e descer ladeiras, pisando nas suas calçadas de pedras? Como não chorar ao ver igrejas bordadas com ouro e peças de prata? Como não admirar os santos esculpidos por Aleijadinho e as pinturas do mestre Ataíde? Respirar Ouro Preto é sentir o peso da história, o choque da presença do Barroco com o caminhar acelerado dos jovens estudantes da Universidade Federal. Síntese do passado e do futuro. Seus museus e “start ups” vão dominando os espaços urbanos. Não há disputa, há integração. A cidade se reconstrói a cada dia numa eterna luta pela preservação de seu patrimônio inestimável. Ouro Preto é passado e é futuro. Sua população tem a desconfiança mineira no sangue. Tem ferro nas veias. As pessoas escondem as verdades com medo das derramas. Em tempos modernos ainda escondem o ouro. A conversa é ao pé do ouvido. Ouvir muito e falar pouco, com toda sabedoria. Sem perder respeito. Tudo com muita educação. Velhas senhoras aparecem pelas janelas. Nas sacadas, apenas a ideia de tantos que por lá passaram, para ver a vida passar. Ouro Preto é dos visitantes. Tem formosuras e gostosuras, numa culinária especial. Entre quiabos e ora-pro-nóbis refogadas, tem cheiro da carne de porco no ar. A beleza das igrejas eleva nosso olhar aos lugares mais sagrados dos céus. Tantos santos tão perto de nós: São Francisco de Assis, Basílica Matriz de Nossa Senhora do Pilar, Igreja de São Francisco de Paula, Igreja da Nossa Senhora de Conceição, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, Igreja de Nossa Senhora das Mercês e da Misericórdia, Igreja Matriz de Santa Efigênia, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de Nossa Senhora

das Mercês de dos Perdões. Seria Ouro Preto mais uma morada de Deus? Como não se sentir abençoado? Até parece um cantinho do céu na terra. Tocam os sinos centenários anunciando a próxima missa. Como pode uma cidade esconder tanta beleza entre um morro e outro? E as festas sacras? A Semana Santa com seu cheiro de panos roxos, guardados por meses nas gavetas de jacarandá. O Corpus Christi com seus tapetes de serragem e as flores. Tantas coisas lindas ao alcance dos pés e dos olhos. Ao longo do ano existem muitos festivais, festas e eventos culturais que fazem parte do calendário oficial. Em Ouro Preto o Carnaval é famoso. Famoso e tradicional. Momento profano afogado em meio ao sagrado. Tem desfiles de blocos temáticos pelas ruas, tem shows e muitas festas. A cidade vai atraindo cada vez mais foliões, a cada novo ano, sem desprezar sua história. Tem muita diversão e gente bonita. Tem jovens que vem de todas as partes e se misturam à população universitária residente. Estudantes gostam das noites de festas, para tomar cerveja e namorar um cadinho. Para cantar canções de ontem e festejar os poemas do amanhã. Ouro Preto de tantos amores e de tantos corações partidos. Passam as moças atentas ao movimento da cidade. Os carros circulam envergonhados, afinal a Praça Tiradentes é do povo. Quem for mais sensível verá passar carruagens, pagens e escravos. Verá surgir os tempos dos nobres portugueses e sentirá a luta pela liberdade dos Inconfidentes. Afinal, estão todos lá marcando presença pela ausência, pelo silêncio, pelo sopro dos ventos. Tem comércio moderno e tem as vendinhas de outros tempos. Há quem compre na caderneta. Há que pague no cartão de crédito. Tem o Museu do Ouro, da Inconfidência e o lindo Museu do Oratório. Tem tudo e mais um pouco para nos deixar presos num bolsão da história. Passa o tempo. Passa a vida. Termina mais um dia em Ouro Preto. Num céu de beleza inestimável o sol se põe atrás das montanhas. É céu de fogo que anuncia mais uma noite fria. Linda, a cidade se impõem, rainha das Minas Gerais. Revue Cultive - Genève

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UM DEDO DE PROSA Valquiria Imperiano

Prosa é um gênero de texto escrito em parágrafos. O termo deriva do latim prosa, que significa discurso direto, livre, em linha reta.Trata-se da expressão do "não eu" (ou do objeto), por meio de metáforas univalentes. Em um texto em prosa, as metáforas são exploradas com parcimônia, visando criar uma imagem objetiva e concreta da realidade, o que o diferencia do texto poético. Porém, a linguagem da prosa não é pura denotação. Quando a obra chega ao seu epílogo, e termina a narrativa, a conotação se manifesta fortemente. Portanto, a prosa faz uso da linguagem denotativa e conotativa, ao contrário da linguagem poética, que é predominantemente conotativa.

trativa reúne a oratória e a prosa didática são os tratados, ensaios, diálogos e cartas). A prosa também pode ser classificada pela função, dividindo-se em narrativa de ficção; argumentativa (tratados); dramática (texto teatral); informativa (livros didáticos, manuais, enciclopédias, jornais e reportagens); e contemplativa (ensaios). A prosa considerada literária compreende o conto, a novela, o romance, a crônica, o apólogo e o texto teatral. As demais formas não são estudadas no campo da Literatura. Porém, a essência da prosa literária está nas prosas de ficção: o conto, a novela e o romance.

O conto é um tipo de história mais curta, construí"Prosa" pode designar uma forma (um texto escrito do geralmente com um único conflito, com poucas sem divisões rítmicas intencionais - alheias à sin- personagens. taxe, e sem grandes preocupações com ritmo, métrica, rimas, aliterações e outros elementos sono- A novela também é um tipo de história curta, que ros), e pode designar também um tipo de conteúdo pode apresentar um ou mais conflitos, normal(um texto cuja função linguística predominante mente de tamanho intermediário entre o conto e o não é a poética, como por exemplo, um livro té- romance, com a particularidade de a novela ter um cnico, um romance, uma lei, etc...). Na acepção re- andamento mais episódico, dando a impressão de lativa à forma, "prosa" contrapõe-se a "verso"; na capítulos separados. acepção relativa ao conteúdo, "prosa" contrapõe-se O romance é um tipo de história onde há um a "poesia". conflito principal, prolongado por conflitos secunAristóteles já observava, em sua "Poética", que nem dários. O Romance detem nos detalhes, descreventodo texto escrito em verso é "poesia", pois na épo- do os painéis de época, as divagações filosóficas, a ca era comum se usar os versos até em textos de observação dos costumes e hábitos. natureza científica ou filosófica, que nada tinham a ver com poesia. Da mesma forma, nem tudo que é O tempo é um dos aspectos mais importantes da escrito em forma de prosa tem conteúdo de prosa. prosa de ficção. O tempo cronológico é específico do conto e da novela, embora possa ocorrer no roDom Casmurro é um texto em prosa do tipo ro- mance linear. Já o tempo metafísico é característico do romance, e em especial, do romance introspecmance. tivo. A prosa divide-se em dois tipos básicos: a narrativa e a demonstrativa. A prosa narrativa, compreende a histórica e a ficção, enquanto a prosa demons36

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Prosa poética

(obra póstuma).

O linguista Roman Jakobson define "poesia" a partir das funções da linguagem: "poesia" é o texto em que a função poética predomina sobre as demais. Assim, um texto escrito em forma de prosa pode ser considerado "poesia", se sua função principal, sua finalidade, for poética. A tal texto pode-se dar o nome de prosa poética ou poesia em prosa. Pois é "prosa" em sua forma; mas "poesia" em sua função, em sua essência, nos sentimentos que transmite.

A partir do século XX o gênero foi adotado por muitos poetas e poetisas, de estilos e inclinações muito diversos. A essas obras está reservado esse novo espaço, que já de saída, inclui algumas obras de poetas como Cláudio Willer e José Geraldo Neres que já faziam parte de nosso acervo. Hoje apresentamos um novo poeta adepto desse gênero: Jorge Amaral.

Historicamente, o marco de início da prosa poética é geralmente associado aos simbolistas franceses, entre os quais Baudelaire e Mallarmé; no Brasil esse início também está associado aos simbolistas, principalmente ao Poeta Negro: o grande Cruz e Sousa, que tem cinco obras em prosa poética: Tropos e Fantasias (1893); Missal (1893); Evocações (1898); Outras Evocações (obra póstuma) e Dispersos

História Enquanto a poesia surgiu nos primórdios da atividade literária, a prosa desenvolve-se na Idade Média. A prosificação das canções de gesta deu origem às novelas. O romance surge no século XVIII e o conto desenvolveu-se no fim da Idade Média e início do Renascimento. No entanto, há registros isolados anteriores, como o embrião da novela Ciropédia, de Xenofonte e o conto As Mil e Uma Noites. Revue Cultive - Genève

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Nice Arruda

Cearense, mora em Fortaleza. Palestrante, escritora e nutricionista. Membro da AFELCE , Academia Feminina de Letras do Ceará

MARAVILHAS NORDESTE

DO

uma extensa cachoeira véu de noiva. Foi delicioso estar com as amigas na Prainha de Canindé de São Francisco, ponto turístico da região, e me orgulhar do planeta Terra diante do inesquecível crepúsculo no Velho Chico.

Quantas fascinantes paisagens existem em nosso imenso Brasil! Num passeio de catamarã encantei-me com os impressionantes cânions querendo atingir o céu, os Na tão almejada viagem de excursão em novembro barcos com suas carrancas espantando os maus de 2018, contemplei inúmeras belezas que flores- espíritos, as águas calmas, a música ambiente com ciam aos meus olhos nas cidades que visitei. Luiz Gonzaga criando passos em meu coração saudoso e o encontro do rio com o mar de Alagoas. Em Garanhuns, interior de Pernambuco, admirei Surpreendi-me também com o belo artesanato de espécies variadas de flores adornando ruas, aveni- argila feito pelas mãos talentosas de seus moradas, e os ipês amarelos ao longo das estradas. dores. Em pleno centro da cidade visitei uma grande área verde, tranquila e preservada com um extenso bosque de eucaliptos, parque infantil, planetário, um ótimo espaço de lazer e esportes. Chamou-me a atenção, a escultura de um dinossauro com 8 metros de altura, toda revestida de alumínio, um atrativo a mais para os visitantes. Registrei uma foto.

E ainda tenho muito a recordar. Conhecemos Piranhas, histórica cidade de Alagoas, as casinhas multicores como se fossem telas de artes, os mirantes seculares. Em Aracaju, a bela orla das praias, a brisa do mar calmo e suas variadas opções de lazer. Até que enfim fiz um desejado passeio de trenzinho!

Continuando o passeio, observei as colinas verdejantes agasalhadas por temperaturas amenas. Não é a toa, que a cidade é chamada de Suíça pernam- E finalizando a excursão conheci a charmosa cibucana. dade de Maceió com seu arquipélago de nove ilhas, a Praia do Francês e suas piscinas naturais, verdes Chegamos a Canindé de São Francisco, em Sergipe. como as águas do Caribe. Hospedamo-nos num maravilhoso resort, rico em árvores copadas, palmeiras, hortênsias e orquídeas, As lembranças desses dias nordestinos serão pereum verdadeiro oásis, em pleno sertão. Ficava ao nes em mim, como o velho e precioso rio, o nosso lado da gigantesca usina hidrelétrica do Xingó. São Francisco! Pela manhã, da janela do quarto, eu contemplava 38

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D o m Bruno Carneiro Lira é sacerdote

católico,monge beneditino e Vigário Paroquial da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima de Boa Viagem, em Recife-PE. Professor universitário, escri-tor e membro da Academia Olindense de Letras. Nasceu em Sobral (CE). É conhecido pelas suas obras em torno dos temas da Espiritualidade, Liturgia, temáticas pastorais, Educação e Lin-guística. Graduado em Filosofia e Teologia pela Escola Teológica do Mosteiro de São Bento de Olinda - PE; é licenciado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e é Mestre em Ciências da Linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Possui o curso de conversação em Língua Francesa pela Alliance Française de Paris e o de Língua Inglesa pela Wizard. Atua, também, como Supervisor Pedagógico da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do SESC de Santo Amaro em Recife (PE). O autor, ainda, ministra palestras em livrarias, Congressos e Eventos Acadêmicos em todo o Brasil sobre as temáticas dos seus livros e de sua investigação científica. Publica pelas Editoras Paulinas, Vozes, Paulus e Liceu.

Casa de Deus, porta do céu! O Mosteiro de São Bento de Olinda foi fundado em 1586, no bairro do Varadouro e fica numa elevação, em frente para o Oceano Atlântico, uma paisagem que convida à oração. Na Basílica Abacial de São Bento se destaca o altar-mor que representa o barroco brasileiro; todo esculpido em madeira e folheado a ouro. Nele, além das imagens de São Bento, estão a de Santa Escolástica, sua irmã e a do papa São Gregório Magno, primeiro beneditino a ser eleito para sucessor de São Pedro. A cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo ocupa o centro do altar. No presbitério, ainda se encontra o coro monástico, onde os monges cantam os louvores do Senhor da madrugada até à noite. O teto é decorado com uma imensa pintura que representa o trânsito (morte) de Nosso Pai São Bento sendo amparado pelos seus confrades envolto num raio de luz que chega aos céus. Esta obra foi inspirada no Segundo Livro dos Diálogos de São Gregório que trata da passagem do nosso Santo Fundador para a Casa do Pai. Do mesmo teto pendem três lampadários de prata do século XVIII. Em cima de uma porta que fica no transepto da Igreja e dá ingresso para a parte interna do Mosteiro, encontra-se uma pintura do século XIV, da escola italiana, que retrata São Sebastião. Esta obra chegou para nós, beneditinos, no século XIX. A nave tem dois púlpitos com dossel e, também, possui quatro altares laterais, dois de cada

OH! linda OLINDA. Olinda é linda pelos encantos marítimos, pelas construções coloniais, pelas festas pagãs, pelo seu folclore colorido, mas Olinda é linda, também, pelos seus monumentos e entre seus monumentos destaca-se o Mosteiro de São Bento, um dos mais belos mosteiros do Brasil, aqui descrito pelo beneditino Dom Bruno Carneiro que fez a gentileza de relatar em detalhes essa beleza arquitetônica e , cuja descrição desperta a curiosidade dos que não a conhece.

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lado, onde os monges sacerdotes rezavam a suas Missas individuais, antes do Concílio Vaticano II aprovar as concelebrações. Esses altares são dedicados à Santa Gertrudes, Sant’Ana, São Vicente Ferrer e São Caetano. O piso da Igreja é em ladrilho preto e branco. O arco cruzeiro do presbitério é todo em pedra. Possui uma capela lateral dedicada a Nossa Senhora do Pilar, cuja imagem é dourada e policromada, a qual fica em um retábulo com talha de madeira, ornamentada de dourado. Este local, também, é a Capela do Santíssimo Sacramento; possuindo um fechamento com grade de ferro trabalhada.

escutam leituras da Sagrada Escritura, da vida dos santos, da Regra de São Bento e outros livros de espiritualidade. Isto favorece à vida de oração constante, pois temos que ter sempre o Senhor diante dos olhos.

Sala capitular O corpo superior da Basílica se destaca pela imagem do Cristo crucificado, em Madeira, com o resplendor todo rodeado de anjos, que mesmo virado para a parte interna, pode ser contemplado de baixo em sua lateralidade. O claustro é um ambiente importante em todos os mosteiros. Ele já fica dentro da clausura dos monges e é o lugar onde eles se sepultam. Nosso Pai São Bento institui na sua Regra (RB), o voto de estabilidade, fazendo dos mosteiros famílias monásticas fixas, portanto, mesmo depois da partida para a eternidade o monge aguarda a ressurreição da carne no mesmo local onde emitiu os seus votos perpétuos. Este, também, serve de meditação para os monges. O refeitório do Mosteiro de Olinda é ornado com a cruz do Senhor, mesas, bancos e cadeiras de madeira. Suas janelas dão para o sítio e a copa e cozinha são anexadas a ele. Durante as refeições, com exceção dos domingos e dias festivos, os monges 40

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Outro local importante desta Casa de Deus é a sala capitular, pois é ali que a família monástica se encontra para tomar decisões relevantes. São Bento nos ensina que todas às vezes que o Abade tiver que tomar decisões importantes no Mosteiro, deverá convocar toda a Comunidade, inclusive os mais jovens, pois, às vezes são a eles que Deus revela o que é melhor (cf. RB cap. 3). Esta sala no Mosteiro de Olinda é ornada com pinturas góticas relativas à vida de Bento e as janelas possuem vitrais com cenas sacras. Em frente à sala capitular se encontra um corredor que leva até a grande sacristia; nele encontramos a enfermaria para os monges doentes e muitos idosos. Estes, Bento identifica com o próprio Cristo, por isso têm atenção especial. No capítulo 36 da RB, que trata dos irmãos enfermos, ele diz que: “Antes de tudo e acima de tudo, é preciso cuidar dos enfermos, que deverão ser servidos como se fosse o próprio Cristo. Pois, ele próprio disse: ‘Estive enfermo e me visitastes’. E, ainda: ‘ O que fizestes a um desses pequeninos, foi a mim que fizestes”.


A sacristia é uma das mais belas de Olinda; seus móveis são esculpidos em cedro. Ela é decorada com espelhos de cristal. O teto traz pinturas de José Eloy da Conceição, que por volta de 1785, pintou cenas relativas à vida de São Bento. Possui, ainda, um grande nicho onde fica um enorme lavabo, esculpido em mármore policromado e confeccionado em Estremoz, Portugal. Encontramos, também, neste espaço onde os monges sacerdotes se preparam para a Santa Missa, um retábulo de talha dourada com a imagem de madeira do Senhor Morto e um painel retratando Nossa Senhora das Dores. A portaria é outro espaço importante, pois os hóspedes e visitantes, também, são recebidos como o próprio Cristo e o nosso fundador dedica o capítulo 66 de sua Regra aos porteiros do Mosteiro. Ele ensina: “À porta do mosteiro, coloque-se um ancião sábio e prudente que saiba receber e dar uma resposta; cuja maturidade o preserve de vaguear. O porteiro deve ficar alojado junto da porta, a fim de que os que chegam o encontrem sempre presente para responder. E logo que alguém bater à porta ou algum pobre clamar, ele responda: «Demos graças a Deus». A portaria do nosso Mosteiro de Olinda possui uma cabine para o porteiro e três parlatórios sóbrios para os monges atenderem as pessoas que os procuram. No primeiro andar, encontramos as celas (quartos) dos monges, todos com um padroeiro, geralmente santos da Ordem de São Bento, cujo letreiro fica em cima da porta. Em um dos corredores, próximo à cela do Abade, fica a imagem secular do Menino Jesus de Olinda, esculpida em barro cozido por Frei Agostinho da Piedade, entre os anos de 1635 e 1639. Também neste andar, temos uma sala de recreio clara e arejada e a sala dos Abades, porque possuem quadros com pinturas de alguns deles. O grande destaque é para a Biblioteca que possui obras raras da Patrística e outros autores sacros. Com várias janelas que dão para o sítio e o mar. As estantes são barrocas de madeira escura. No centro, acha-se uma grande mesa pesada, com gavetões. Nesta biblioteca aconteceu a primeira aula do curso de Direito do Brasil, em 11 de agosto de 1827. O Mosteiro ainda abrigou, já no século XX, os cursos de agricultura e medicina veterinária, fundados em 1912, que deram origem à Universidade Fede-

ral Rural de Pernambuco (UFRPE). Além do coro superior, com o grande Cristo em madeira, que já tratamos quando nos referimos à Basílica, temos neste andar, a Capela Abacial, bem reservada, com o Santíssimo Sacramento para uso interno dos monges; sendo um espaço mais silencioso para a oração durante o dia ou mesmo nas horas da noite. Essa capela possui um altar barroco e estalas corais de madeira. Assim é o Mosteiro de Olinda e todos os outros, uma escola de serviço do Senhor, pois aqui aprendemos a nos encontrar com Deus através da oração, do convívio fraterno e do trabalho. O final do Prólogo da RB resume todo o ideal monástico: “Devemos, pois, constituir uma escola de serviço do Senhor. Nesta instituição esperamos nada estabelecer de áspero ou de pesado. Mas se aparecer alguma coisa um pouco mais rigorosa, ditada por motivo de equidade, para emenda dos vícios ou conservação da caridade não fujas logo tomado de pavor do caminho da salvação, que nunca se abre senão por estreito início. Mas, com o progresso da vida monástica e da fé, dilata-se o coração e com inenarrável doçura de amor é percorrido o caminho dos mandamentos de Deus. De modo que não nos separando jamais do seu magistério e perseverando no mosteiro, sob a sua doutrina, até a morte, participemos, pela paciência, dos sofrimentos do Cristo a fim de também merecermos ser coerdeiros de seu reino”. E, como ele mesmo diz, são nos claustros do mosteiro que realizaremos tudo isso. A Igreja do Mosteiro de São Bento de Olinda foi elevada à dignidade de Basílica Menor pelo papa São João Paulo II, através da Carta Apostólica Spectabile Quidem, de 1998. Vale a pena visitá-la e se deter em oração, pois tudo nela, como em todo Cenóbio, manifesta a glória de Deus e favorece a santificação. O Mosteiro me acolheu há 37 anos e é o responsável pela minha formação na busca constante do Senhor. É, portanto, a Casa de Deus e a porta do céu. Para encerrar, agradeço ao querido Irmão Paulo Neves Marinho, osb, pelas fotografias do nosso Mosteiro. Sei que ele as fez com muita dedicação!

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UM HOMEM QUE DEIXOU MARCAS NO PIAUÍ

Christino Castro - pioneiro no Piau- Brasil, promoveu

o desenvolvimento cultural da região do Piauí.

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Espaço Cultural Christino Castro - Piauí - Brasil.

Christino Castro pioneiro no Piauí promoveu o desenvolvimento cultural e econômica da região, importou máquinas da Inglaterra no período da Segunda Guerra, construiu a primeira estrada de Floriano ( hoje batizada com seu nome) até Nova Lapa, levou energia elétrica com recursos próprios, descobriu as riquezas oriundas do maior lençol freático da América do Sul, às margens do rio Gurgueia e incentivou seus conterrâneos a estudarem. Tudo pelo bem do seu povo, sem nunca fazer parte da política. Seu filho, o doutor em direito Francisco Ferreira de Castro, seguindo os seus passos na dedicação a nossa região, tornou-se governador do Estado. Com a anuência da família, Maria José transformou a casa familiar no Centro Cultural Christino Castro, onde funcionam os cursos do PRONATEC (informática, teatro, dança) e o Prodart - projeto gerador de renda para mulheres artesãs. O centro, também, abriga o Museu Zezé Castro, homenagem a avó de Maria José, e a biblioteca Da Costa e Silva com um acervo de cinco mil livros, em parte doados pela Academia de Letras do Rio Janeiro,

Museu Zezé Castro - Peças expostas

presidida por Alberto Da Costa e Silva. Esse projeto recebeu o apoio de Paulo Renato - Ministro da Educação no governo Fernando Henrique e de Genu Morais, mulher das letras de Piaui, que motivou o governador Mão Santa a apoiar o projeto.

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CASA DA CULTURA JUVENAL GALENO CCJG - Brasil

A Casa da Cultura Juvenal Galeno (CCJG) é uma instituição fundada em 1919 em Fortaleza que abriga e incentiva academias e associações culturais de Fortaleza. A CGC foi fundada em homena- lista. gem ao poeta Juvenal Galeno que nasceu em 1838 A Casa possui no corredor da entrada, duas estátuas de mármores que recepcionam os visitantes – uma representando a música e a outra, a maternidade. No vasto Salão Alberto Galeno, há um mobiliário antigo de luxo, fotos, livros, diplomas, certificados e comendas da família Galeno. Na Sala dos Espelhos, decoram o ambiente uma ampla marquesa, espelhos de cristais, consolos de mármore, cadeiras de palhinhas, mesas de mármore, bustos de Goethe e Schiller, uma escrivaninha de Juvenal Galeno e um móvel envidraçado onde estão guardados objetos de uso pessoal do poeta. A Casa possui dois grandes auditórios: O principal, em Fortaleza. A Casa de Juvenal Galeno é hoje uma chamado Henriqueta Galeno, tem capacidade para instituição oficial de cultura, reconhecida pelo Go- 120 pessoas e dispõe de um palco com um piano verno, graças aos esforços contínuos e pertinazes de meia cauda e obras do pintor Otacílio Azevedo. da filha do poeta, essa culta, brilhante e dinâmi- O outro auditório – chamado Nenzinha Galeno - é ca Henriqueta Galeno, que todo Ceará conheceu. ao ar livre, sombreado por frondosas mangueiras, A fundação de tão admirável instituto que cultua com capacidade, também, para 150 pessoas. a memória do vate cearense realizou-se a 27 de setembro de 1919, quando ele ainda vivia, como Galeno era primo pelo lado paterno de Capistrano simples Salão Juvenal Galeno, onde eram apre- de Abreu e Clóvis Beviláqua e pelo lado materno sentados a um público seleto, sempre numeroso e de Rodolfo Teófilo. É considerado o fundador do atento, aplaudidos e estimulados, não só escritores, primeiro jornal puramente literário no Ceará. Espoetas e artistas locais, como aqueles de outras creveu numerosas poesias assim como a obra críprocedências que visitavam a capital cearense. Esse tica Lendas e Canções Populares. Seu livro Prelúnotável salão literário teve horas verdadeiramente dios Poéticos de 1856 é considerado como “marco triunfais e a ação de Henriqueta Galeno através inicial do Romantismo no Ceará”. Ingressou como dele se fez sentir admiràvelmente na elevação e no alferes nos quadros da Guarda Nacional, como desenvolvimento do meio intelectual da cidade. também no Partido Liberal, em cujo jornal passou Tornou-se no decurso dos anos um foco irradiante a colaborar. de cultura, bom gosto e espiritualização, vencendo todos os óbices duma época irreverente e materia- Aos 13 anos, na adolescência, o primeiro jornal 44

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puramente literário no Ceará, o “SEMPRE VIVA”, destinado ao sexo feminino. Já com noções de latim ministradas pelo padre Nogueira Braveza, fez o jornal circular que durou pouco tempo. Criança, e sob a tutela dos pais, não teve condições de dar continuidade ao empreendimento. Voltando de Aracati em 1853, matriculou-se no Liceu do Ceará e fundou e fez circular o primeiro jornal da imprensa estudantil no Ceará, o jornal “Mocidade Cearense”, que também teve efêmera existência. No liceu ele cursou Humanidades até 1855.

Comissão Cientifica de Exploração, do Senador Tomás Pompeu e de Silva Coutinho em Fortaleza. Juvenal Galeno atendeu de pronto ao convite do amigo, e em função do evento,

Por deixar de comparecer à uma revista do Batalhão da Reserva do Exército a que pertencia ao aceitar o convite de Gonçqalves Dias para um banquete foi recolhido à prisão. Juvenal Galeno como resultado dessa prisão saiu o livro severo e duro contra o Comandante da Guarda Nacional de Fortaleza, João Antônio Machado que ordenara sua prisão, Após o Curso, foi para o Sitio Boa Vista. Com o esse trabalho publicado em um volumelivro foi a intuito de aperfeiçoá-lo em assuntos agrícolas, re- primeira obra literária impressa no Ceará e recebeu lacionados ao café , seu pai mandou-o para o Rio o título de “A MACHADADA”, aproveitando o simde Janeiro. bolismo do sobrenome de João Antônio Machado. No Rio de Janeiro Juvenal Galeno travou relações de amizade com Machado de Assis, Saldanha MaJuvenal Galeno também foi teatrólogo. “QUEM rinho, Joaquim Manoel de Macêdo, Quintino Bo- COM FERRO FERE COM FERRO SERÁ FERIcaiúva e outros. DO” (drama sociológico e a primeira peça teatral produzida e encenada no Ceará em 1861 O contato com litaratos acendeu mais ainda a sua tend^ncia pelas letras e passou a escrever poesias e Nesse mesmo ano presenteou o público com o poea publicá-las na Marmota Fluminense. Termiando meto indianista denominado “A PORANGABA”. o periodo de aprendizado reuniu suas produções, e editou-as em 1856, sob o título de «PRELÚDIOS O prólogo de “LENDAS E CANÇÕES POPUPOÉTICOS». LARES”, sua obra-prima, foi ovacionado por Machado de Assis e outros renomados escritores De volta ao Ceará, Juvenal Galeno trouxe dois “Escrevi este livro acompanhando o povo no traexemplares de “Prelúdios Poéticos” seu livro de balho, no lar, na política, na vida particular e públiestreia na literatura, o qual ofereceu a seus pais. ca, na praia, na montanha e no sertão, onde ouvi os “Prelúdios Poéticos” foi o primeiro livro da litera- seus cantos e os reproduzi, ampliei sem desprezar a tura cearense, tornando-se o marco inicial do Ro- frase singela, a palavra de seu dialeto, a sua metrifimantismo no Ceará. cação e até o seu próprio verso” palavras de Juvenal Galeno, sobre a obra. A partir de então passou a transcorrer entre o Sítio Boa Vista, na Serra de Aratanha, e a cidade de Franklin Távora considerou-o não só como uma Fortaleza. Ingressou como alferes nos quadros da obra de arte em que se revelou o gênio do poeta, Guarda Nacional, como também no Partido Libe- mas como documentário precioso devendo ser ral, em cujo jornal passou a colaborar. Em 1858 foi detidamente estudado, podendo se constituir um eleito Suplente de Deputado Provincial pelo círculo guieiro para a indagação e pesquisa dos usos, cosde Icó, onde defendeu um projeto para criação de tumes e tradições populares. O amor e a dedicação uma escola prática de agricultura. Em 1859, hospe- de Juvenal às Letras eram tais, que só aceitava emdou na casa dos seus pais a Comissão Cientifica de pregos no setor intelectual. Exploração, composta entre outros por Raja Gabaglia, Capanema e o poeta Gonçalves Dias. Freire Por gostar do convívio das crianças, foi Inspetor Alemão chefiava a Seção Etnográfica e Narrativa da Escola mas orientava as professoras . Na época Missão composta por doze pessoas, que compôs singelas e tocantes “CANÇÕES DA ESCOLA”, que foram impressas e adotada pelo ConselGonçalves Dias, amigo e conselheiro, lhe estimu- ho de Instrução Pública do Ceará para uso das lou-o a continuar na literatura e convidou-o a par- aulas primárias Graças a essa produção tornou-se ticipar de um banquete com todos os membros da conhecido como o «Poeta da Juventude» . Revue Cultive - Genève

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impresso em 1969, no cinquentenário de fundação da Casa de Juvenal Galeno. Ela o assistiu, juntamente com sua esposa, até o fim da vida. Atacado de glaucoma, aposentou-se do serviço público, e cego, em 1908, aos setenta e três anos de idade, passou a viver da aposentadoria, dos rendimentos próprios da produção de seu sítio e dos aluguéis de suas vinte casas. Desde 1916, a residência do poeta era frequentada por intelectuais como Alfredo Castro, Cruz Filho, Leonardo Mota, Mário Linhares, Antônio FurtaSua preocupação com o próximo fê-lo defender e do, Irineu Filho, Antônio Sales, José Albano, Beni pedri a liberdade de um pai de familia preso ar- Carvalho, Papi Júnior, Sales Campos, José Sombra, bitrartiamente. . Inspirado nessa passagem real, entre outros. escreveu o conto intitulado “AMOR DO CÉU” enfeixado no seu livro “CENAS POPULARES“ edita- Por iniciativa das irmãs Júlia e Henriqueta Galedo em 1891 e José de Alencar: “ livro tão original no reunia-se os escolhidos das letras cearenses. A ainda não se escreveu entre nós”. O autor preferiu Casa se constituiu um palco de recitais, palestras, a prosa e descreve lugares, pessoas e costumes típi- conferências, números de canto, audições ao piano, cos, o primeiro livro de conto publicado no Ceará. concertos de violões e danças. Tais eventos se realizavam a propósito de qualquer ocasião: despediEm 7 de janeiro de 1872 circulou a “LIRA das, homenagens, aniversário de membros do círCEARENSE”, (Juvenal Galeno montou uma tipo- culo, lançamento de livros e recepção a visitantes grafia expressamente para esse fim). O livro foi im- ou intelectuais que tornavam à capital cearense, presso em fascículos e distribuídos aos domingos depois de longa ausência. Tudo era motivo para as sessões literárias que se realizavam na Casa de em formato de jornal. Juvenal Galeno, em presença do velho poeta, que Em 1876 casou-se com sua vizinha Dona Maria não tomava parte nas apresentações, mas, segundo Carmo Cabral, filha do Comendador Cabral de do apontavam, fazia questão de ouvi-las. Juvenal Melo. Em 19 de maio foi nomeado terceiro sup- Galeno faleceu de uremia em 7 de março de 1931, lente do Juiz Municipal de Pacatuba. Em 1887 fixa aos noventa e cinco anos de idade, deixando como residência em Fortaleza, na Rua General Sampaio herança para Fortaleza uma volumosa e valiosa 1128, ali nascendo João, Henriqueta e Júlia. Em produção literária, a democracia de seus Salões, a 1887 quando da fundação a 4 de março do Instituto riqueza de sua biblioteca e a Casa onde residem a do Ceará, foi considerado Sócio Fundador daquela memória e a tradição da cultura cearense.

entidade. Dois anos depois, em 1889 foi nomeado Suas crônicas, verdadeiras caricaturas dos cospelo presidente da Província de Fortaleza, Caio tumes então em uso, eram escritas em versos tersos Prado, Diretor da Biblioteca Pública. e vibrantes, ora em prosa causticante, e nelas ele combatia ferozmente os vícios e abusos da época. SILVANUS marcou um acontecimento no mundo social. Escrito com habilidade não feriu direA CCJG tem como presidente o bisneto de Juvenal tamente a quem ele se referia. O sucesso foi tanto Galeno, doutor Antônio Santiago Galeno Júnior que recebeu pedidos insistentes para publicar em que matém com empenho o trabalho cultural inilivros as produções nascendo assim “FOLHETINS ciado pelo seu bisavó na cidade de Fortaleza. AdDE SILVANUS”, a maior parte do livro foi escrito ministra com dedicação a CCJG que acolhe nas em verso, editado em 1891. A em que estigmatisuas dependências várias associações acadêmicas zando o pedantismo provinciano e o pedantismo e culturais de Fortaleza. Dr. Antônio é também o em Fortaleza. Presidente de Honra da Academia de Letras Juvenal Galeno ALJUG criada em 2013. m 1897, Juvenal Galeno dita à sua filha Henriqueta os seus versos de “Medicina Caseira”, livro somente Esse ano a CCJG comemora o seu centenário e o 46

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Juvenal Galeno

Por mim sofrias também!

Cajueiro Pequenino

Cajueiro pequenino, Carregadinho de flor, À sombra das tuas folhas Venho cantar meu amor, Acompanhado somente Da brisa pelo rumor, Cajueiro pequenino, Carregadinho de flor.

Quando em casa me batiam, Contava-te o meu penar; Tu calado me escutavas, Pois não podias falar; Mas no teu semblante, amigo, Mostravas grande pesar, Cajueiro pequenino, Nas horas do meu penar!

Tu és um sonho querido De minha vida infantil, Desde esse dia... me lembro... Era uma aurora de abril, Por entre verdes ervinhas Nasceste todo gentil, Cajueiro pequenino, Meu lindo sonho infantil.

Após as dores... me vias Brincando ledo e feliz O-tempo-será e outros Brinquedos que eu tanto quis! Depois cismando a teu lado Em muito verso que fiz... Cajueiro pequenino, Me vias brincar feliz!

Que prazer quando encontrei-te Nascendo junto ao meu lar! — Este é meu, este defendo, Ninguém mo venha arrancar –

Mas um dia... me ausentaram. . Fui obrigado... parti! Chorando beijei-te as folhas. . . Quanta saudade senti! Fui-me longe... muitos anos Ausente pensei em ti... Cajueiro pequenino, Quando obrigado parti!

Bradei e logo cuidadoso, Contente fui te alimpar, Cajueiro pequenino, Meu companheiro do lar. Cresceste... se eu te faltasse, Que de ti seria, irmão? Afogado nestes matos, Morto à sede no verão... Tu que foste sempre enfermo Aqui neste ingrato chão! Cajueiro pequenino, Que de ti seria, irmão?

Agora volto, e te encontro Carregadinho de flor! Mas ainda tão pequeno, Com muito mato ao redor... Coitadinho, não cresceste Por falta do meu amor, Cajueiro pequenino, Carregadinho de flor.

Cresceste... crescemos ambos, Nossa amizade também; Eras tu o meu enlevo, O meu afeto o teu bem; Se tu sofrias... eu, triste, Chorava como... ninguém! Cajueiro pequenino, Revue Cultive - Genève

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ACADEMIA TAGUATINGUENSE DE LETRAS

livros fora do mercado, de autores alternativos e independentes. Realizamos a oficina de cordel, com 64 encontros e a formação de 600 alunos, onde o aluno aprende a escrever o texto, a fazer a xilogravura e os segredos da impressão do folheto e dos desenhos. Visitamos diversas escolas do DF para realizar palestras e debates com exibição do filme "a peleja do cordel" e divulgação de material didático-pedagógico em textos e imagens. Participarmos por Gustavo Dourado de eventos como a Feira do Livro, Bienal e vários Lei 5159/13 e Decreto n° 35.484, de 30 de maio de eventos culturais com estande, sarau, palestras, rodas de leitura e lançamentos. Homenageou em 2014 2019, 60 mulheres escritoras, jornalistas, advoga33 Anos da Academia Taguatinguense de Letras. das, lideranças, no Dia Internacional da Mulher A Academia Taguatinguense de Letras completa 33 com música, poesia, teatro, coral, flores e certifianos no dia 6 de junho, faz um trabalho de inclusão cados. Organizou uma antologia literária com 140 social e cultural com deficientes visuais, deficientes autores do DF, do cerrado e do Planalto Central. físicos, mulheres, negros, presidiários, autores mar- Publicou na mesma antologia textos inéditos de ginalizados, minorias, Lgbt, entre outros. Mantém Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, duas bibliotecas especializadas com grande acervo Décio Pignatari, além de correspondência inédita de livros e publicaçőes diversas de autores do DF e do acadêmico da ABL e maior folclorista brasileientorno e de toda a região Centro-Oeste e outras, ro Luís da Câmara Cascudo, nome mundialmente do acervo consta uma coleção de mais de 7 mil reconhecido. Publica o jornal Alternativus já em livros e documentos editados na região, inclusive oitava edição offset, onde divulga a obra de seus autores e de dezenas de autoras. Mantém um pequeno 48

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ternet e nas redes sociais tem sido intenso. Recebemos a visita de estudantes na sede da ATL, no Circuito Feiras do Livros, em vários eventos e em nossos estandes em quatro Bienais do Livro, oito Feiras do Livro de Brasília, quatro feiras do livro da Câmara Legislativa do DF, na feira FLIDF, Feira do Livro da Torre de Tv e em cinco Semanas Nacionais de Ciência e Tecnologia, encontros em várias escolas da Secretaria de Estado de Educação auditório para 60 pessoas. Onde realiza os seus endo Distrito Federal, na UnB, Católica, UniCeub, contros, como o Beco das Letras, já com 12 ediçőes Anhanguera, Projeção, Estácio, LS e tantas outras e os projetos Leitura em Movimento, Escritor na escolas e faculdades. Escola e Escola na Academia. Por tudo isso a nossa academia, ATL, como é conhecida foi reconhecida, Publicamos oito números de nosso Jornal Altercomo Ong pelo Ministério da Justiça e tombada nativus, divulgado em todos esses encontros mencomo Patrimônio Cultural, Material e Imaterial do cionados, eventos, palestras e escolas. Editamos a DF. O Ministério da Cultura em 2018 reconheceu o I Antologia da Academia Taguatinguense de Letrabalho desenvolvido pela academia, pelo conjuntras com 145 autores, resgatando a memória da to da obra, com o Prêmio Nacional de Culturas PoATL e publicando autores que estavam esquecidos, pulares 2018, dando o título de mestre da cultura além de prestigiar jovens autores. Esse trabalho ao presidente da ATL, escritor, professor e cordelisfoi reconhecido pela Unesco e pela Biblioteca do ta Gustavo Dourado, reconhecendo o cordel como Congresso dos Estados Unidos e pela Academia Patrimônio Cultural do Brasil. A ATL funciona no Brasileira de Letras. Espaço Cultural de Taguatinga, na CNB 1, ao lado da Praça do Relógio. Contato 993281839. — com Emanuel Lima. SEIS ANOS DE TOMBAMENTO A Academia Taguatinguense de Letras disponibiliza o seu espaço aos estudantes e professores, em sua sede, que dispõe de algumas salas de leitura e um pequeno auditório para 50 pessoas no Centro de Taguatinga, recentemente reformado e melhorado com a aquisição de 50 cadeiras, ar condicionado e purificador de água. A A ATL conquistou projeção e foi tombada como Patrimônio Cultural, Material e Imaterial do Distrito Federal, a única do Centro-Oeste a ter esse reconhecimento. Recebeu várias homenagens do Governo do Distrito Federal, da Câmara Legislativa e de outras entidades públicas, sendo reconhecida como a academia mais dinâmica do Planalto Central. Regularizamos o CNPJ junto à Receita Federal e a Inscrição Estadual na Secretaria de Fazenda, Realizamos 62 oficinas de cordel, doze eventos intitulados Beco das Letras, além de 65 encontros em escolas públicas e particulares do DF, faculdades, e UnB, dentro do projeto Escritores na Escola e Escola na Academia. Fizemos bom intercâmbio com a Academia Brasileira de Letras, academias de letras dos estados e de cidades importantes. Nosso trabalho de divulgação contínua na mídia, na in-

A Academia Taguatinguense de Letras (ATL) é Patrimônio Cultural, Material e Imaterial do Distrito Federal, de acordo com a Lei 5.159, sancionada pelo Governo do Distrito Federal no dia 22 de agosto de 2013 e regulamentada pelo decreto Decreto n° 35.484, de 30 de maio de 2014. A lei foi aprovada de forma unânime pela Câmara Legislativa do DF. Temos que comemorar esse título de reconhecimento à academia, a mais atuante do Distrito Federal. Temos que ter orgulho de nossa instituição, promotora de qualificado e nobre trabalho em prol da educação e da cultura no Distrito Federal. Nos últimos dois anos, a ATL participou de vários eventos, entre eles a Bienal do Livro de Brasília, a Bienal Internacional de Poesia, Feira do Livro de Brasília, FLIDF e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, além do projeto Escritores na Escola. A ATL tem sua sede na CNB 01 AE 01, no Espaço Cultural de Taguatinga, integrado pela Biblioteca Machado de Assis, Teatro da Praça e Biblioteca Braille. Seu acervo é composto por mais de 10 mil livros, a maioria de escritores do Distrito Federal. Revue Cultive - Genève

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CULTIVE INTERCÂMBIO CULTURAL BRASIL- SUÍÇA PROGRAMAÇÃO CICBS DE FORTALEZA TERÇA-FEIRA 24/09/2019 - ÀS 15 h - Casa Juvenal Galeno - Abertura com Rita Guedes - Hinos Nacional do Brasil, da Suíça e da Cultive, Solenidade de Posse dos Membros Internacionais Cultive: Rita Guedes, Pio Barbosa Neto, Maria José E. Rolim, Claude Bloc, Maria Linda Bezerra, Anapuena Havena. Homenagem a Antônio Galeno; Homenagem ao Centenário da Casa de Cultura Juvenal Galeno; Divulgando a Literatura na Europa, lançamento: Antologia Cultive A Efemeridade da Vida, Revista Cultive, apresentação do Jardim da Consciência, Souri et LeoLion; recital. (Endereço-Rua General Sampaio, 1128-Casa de Cultura Juvenal Galeno); QUARTA-FEIRA 25/09/2019 ÀS 13 H - Abertura do Evento na Escola Municipal José Ramos Torre de Melo - Diretora- Luciana Mota (Endereço - Avenida da Abolição, 3984- Mucuripe-Fortaleza- CE); QUINTA-FEIRA 26/09/2019 ÀS 15 H -Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Plenário 13 de Maio) - sessão solene em Comemoração ao Centenário da Casa de Cultura Juvenal Galeno; ; Av. Desembargador Moreira, 2807 - Bairro Dionísio Torres- Fortaleza –Ceará ; SÁBADO 28/09/2019 ÀS 16 H - Posse de Valquiria Imperiano na Almece; Lançamento da Revista Artplus; Homenagem à Dalila Saldanha de Freitas; DOMINGO 29/09/2016 ÀS 8 H - Cultivando o mar; SEGUNDA-FEIRA 30/09/2019 ÀS 9 H - Colégio Maria Ester, Recepção da Academia Maria Ester de Letras e Escrita de Fortaleza; Solenidade de Premiação do Concurso Juvenil; Diretora- Maria de Fátima Lemos Pereira; (Endereço –Rua Antônio Teixeira leite, 248 Serrinha/ Passaré- Esquina da Antônio Teixeira com a Av. Silas Manguba Teixeira, um quarteirão após a Igreja das Vitórias); TERÇA - FEIRA 01/10/2019 ÀS 16h30- Solenidade de posse de Valquíria Imperiano como Membro Correspondente do Centro Cultural do Ceará. (Endereço - Casa do Leão)

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Associação Cultive divulga a literatura Brasileira no 33° Salão Internacional

Izabel Hesne Marum Em 2019 a Associação Cultive esteve presente, novamnente, no Salão Interancional do Livro de Genebra trazendo no seu stand representantes das línguas portuguêsa e espanhola, e suas obras. O público interessado pela língua romana puderam interagir diretamente com os seguintes autores no Stand Cultive: Maria Jacira Barros, Telma Brilhante, Norma Brito, Rita Guedes, Maria Inês Botelho, Valquiria Imperiano, Eloah Westphanlen, Izabelle Valadares, Maria Albergaria, Leo Castro, Izabel de Marum, de Alexandre Santos, Jô Mendonça Alcoforado, de Ivanilde Morais de Gusmão e as obras de Jania de Souza, Paulo Bretas, Tereza Penna.

Jô Mendonça Alcoforado taram editoras, bibliotecas, associações culturais, organizadores de feiras, livrarias e clubes culturais. Graças ao contato direto entre os escritores e o público, o leitor teve a oportunidade de conhecer o trabalho e a obra de cata autor, despertando, O interesse pela literatura neolatina, principalmente pelas línguas que a Cultive focaliza, o português e o espanhol. A literatura infantil é uma das mais procuradas e as crianças, filhas de imigrantes, puderam descobrir e tomar conhecimentos do folclore e da realidade dos países de origem dos seus pais.

Para favorecer esse contato cultural, a Cultive trouxe para o 33° Salão do Livro de Genebra autores latinos modernos, que escrevem sobre a realidade dos seus países, centrados em temas nacionais e recebeu no seu Stand uma comitiva da Academia de Letras Juvenal Galeno do Ceará; Maria Inês Botelho representante da Elos Internacional e da Academia de Letras do Paraná; o coordenador da Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural - Alexandre Santos; a fundadora e benemérita da fundação Centro Cultural Christino Castro e do Museu Zezé Castro, no Piauí - Maria José EsmeralNo estande da Cultive os autores apresentaram e do Rolim. A Associação ECCO de Genebra. Todos venderam suas obras, realizaram conferências, fize- altos representantes da literatura e da cultura braram leituras, conversaram com o público, conta- sileira. Esse é o terceiro ano que a Cultive traz para o Salão do Livro de Genebra autores brasileiros, portugueses, colombianos, angolanos, e peruanos. A presença da literatura neolatina no Salão do Livro de Genebra só enriquece o ambiente. Com a realização desse projeto a Cultive abriu as portas da Suíça para os autores da América Latina e deu oportunidade aos imigrantes latinos estabelecidos na Suíça de contatarem a literatura de seus países de origem.

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33° Salão do Livro de Genebra 2019 - APP - Lisboa- presença dos autores brasileiros: Jô Alcoforado, Elider Côrrea, Maria José Esmeraldo, Rita Guedes, Alexandre Santos, Jacira Bezerra, Leonardo Augusto Balthar (Diplomata do Consulado do Brasil), Manoel Osdemi, Maria Inês Botelho, Marcos Filho, Bernadete Saidelles, Izabella Valdares, Norma Brito, Izabel Marum, Valquiria Imperiano, Telma Brilhante, Eloah Westphalen Naschenweng, Ester Pacheco, Linda Bezerra, Montana Cabral, Marivania Albergario, Marc Guillemin, Elizia Conceição, Nilva, Apoliana Barbosa. No estande da Cultive, o público interessado em literatura pôde interagir diretamente com autores: Maria Jacira Barros, Telma Brilhante, Norma Brito, Rita Guedes, Maria Inês Botelho, Valquiria Imperiano, Eloah Westphalen, Izabelle Valadares, Maria Albergaria, Leo Castro, Izabel Hesne Marum, Alexandre Santos, Jô Mendonça Alcoforado e as obras de Jania de Souza, Paulo Bretas, Maria Tereza Penna, Edna Barbosa e Ivanilde Morais de Gusmão. Esse foi o terceiro ano em que a Cultive trouxe para o Salão do Livro de Genebra autores brasileiros, portugueses, colombianos, angolanos e peruanos. A importância da presença da literatura neolatina no Salão do Livro de Genebra enriquece o ambiente. Com a realização desse projeto a Cultive abriu as portas da Suíça para os autores de língua latina e deu oportunidade

aos imigrantes latinos estabelecidos na Suíça de contatarem a literatura de seus países de origem. No estande da Cultive os autores apresentaram e venderam suas obras, realizaram conferências, fizeram leituras, conversaram com o público, contataram editoras, bibliotecas, associações culturais, organizadores de feiras e receberam as congratulações do diplomata do Brasil Leonardo Augusto Balthar. Cada autor doou uma obra para a biblioteca do Consulado Geral do Brasil em Genebra. A literatura infantil foi uma das mais procuradas. Durante o Salão de Genebra as crianças puderam adquirir mais conhecimentos sobre o folclore e a realidade do país de origem dos seus pais. Revue Cultive - Genève

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EXPOSIÇÃO IMAGEM POÉTICA NO CONSULADO BRASILEIRO EM GENEBRA - EVENTO CULTIVE

Autores presentes na Mostra Cultive Imagem Poética no Consulado Geral do Brasil em Genebra A mostra aconteceu em maio durante a organização do 33° Salão do Livro de Genebra.

Consulado os autores foram recebidos pela secretaria Jacira Cavalcante e tiveram a visita do Diplomata Leonardo Augusto Balthar de Souza Santos Sobre o tema «As Mil Cores do Brasil» autores bra- no Stand da Cultive no Salão Livro. O Diplomata sileiros e colombianos convidados pela Cultive pu- entregou certificados de participação e agradeceu deram participar em pessoa e enviando obras do aos autores pelo empenho ao representar o Brasil evento organizado pela Cultive em Genebra. No na Europa.

Maria José Esmeraldo Rolim, 54

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Jacira Barros


Association CULTIVE Art Littérature et Solidarité 33° Salon International du Livre et de la presse de GenÈve Stand : D445 exposiÇÃo imagem poÉtica as mil cores do brasil Consulado _Geral do Brasil do 29/05/2019 ao 03/05/2019

Exposition Image Poétique Au Consulad Général du Brésil à Genéve du 29 avril au 03 maioi Association CULTIVE Art Littérature et Solidarité

33° Salon International du Livre et de la presse de Genève Stand : D445

Exposição Imagem Poética «As mil cores do Brasil» (Curadora Valquiria Imperiano)

Consulado - Geral do Brasil do 29/04/2019 ao 03/05/2019 Finissage : 03/04 à 10h - Rue de Lausanne 45 - Genève- Suisse Artistas/Autores/ Poetas Cissa Veiga - Montanhas/ Chuvisco ( Pastel Seco) Colly Holanda - As mil cores do Brasil Eloah Westphalen Naschenweng - Florianópolis/Pôr do Sol Ivanilde Morais de Gusmão - O tempo e vida...caminhada de sentimentos/ Izabel Hesne Marum -Senhor dos Tempos O rio que transborda em mim ...Navegará em ti! Jania Souza - Um fio de cabelo Jô Mendonça Alcoforado- Amor ou Loucura? Leo Casto- Sahumerio/ Two Me Luciana Imperiano - MãeMão Marcos de Lima Bastos Filho - AS Mil Cores do Brasil Maria Inês Botelho- Monteiro Lobato-Desbravador de sonhos Manoel Osdemi -Bitupitá - Coqueiros Doro Maria José Esmeraldo - Cristino Castro é vida Maria Tereza Penna - BrasíIlios/Pau Amzônia Marivania ALbergado - A Beleza da Criação Norma Brito -Meu Brasil Multicolor Paulo Bretas - Qual a cor do meu País? Rita Guedes - Eu e a Natureza - Fortaleza Terra da Luz Telma Brilhante - Meu Capibaribe Valquiria Imperiano - Um dia de Felicidade A Beleza da Criação (Marivania Albergaria) Deus fez a terra para nela habitar Fez o sol e a lua para podermos contemplar Fez as estrelas e os astros e a natureza a cultivar A sol para brilhar e a lua para mostrar Que a noite ao chegar é um sinal Que um novo dia vai começar

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Deus criou os animais e tudo que nele hà Fez o homem e a mulher para se multiplicar E andar na aliança e com Deus morar Cada pedaço foi criado com sabedoria Pois é preciso tudo isso aproveitar Não esqueça minha gente que precisamos mudar A riqueza deste mundo não é só trabalhar É viver intensamente e bençãos chegar.

Valquiria Imperiano Fernando de Noronha aquarela 30x42

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Rita Guedes Cleo Castro

Maria Inês Botelho

Alexandre Santos

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Elieder Corrêa

Maria inês Botelho

Montana Cabral


Manoel Osdemi

Jô Alcoforado

Maria Inês Botelho Norma Brito

Marcos Filho

Telma Brilhante Revue Cultive - Genève

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Eloah Westphalen Nashweng Rita Guedes

Alexandre Santos

Izabel Hesne Marum

Marivania Albergaria

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AGENDA CULTIVE

Como Participar da RevueCultive n°009 Inscrições para a Revue Cultive Natal até o dia 30 de novembro 2019 Tema : Natal Texto word, times 12 Prosa, poesia, artigo jornalístico, notícias culturais, receitas natalinas, dicas, literatura, arte contato: cultivelitterature@gmail.com Revue Cultive - Genève

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MARIA JOSÉ ESMERALDO ROLIM - escritora, fundadora e patrocinadora do Centro Cultural Christino Castro no Piauí-Brasil.

conjuntas em educação: “Multisaberes à Prática Docente, Perspectivas e desafios para educação contemporânea”, “Tessituras de Saberes” e “Violência dos laços familiares aos bancos escolares”, publicado para o Congresso de Consumerismo Juvenil da OAB-Ceará. Em consequência ao seu trabalho Ela escolheu o magistério por paixão. Fez mestrado na educação Maria Joés Esmeraldo foi convidada e doutorado em Educação, na Universidade Ame- pelo OEI (Organização dos Estados Iberos Americana, no Paraguai, sob a orientação de Aidee Fer- ricanos) para representar o Brasil no 8º Congresso nandes e de Oilda Ortega Vera (vice-ministra da Internacional de Educação. Recebeu o título de reEducação Básica em seu país) que a incentivaram conhecimento da Assembleia Legislativa do Ceará a escrever “A Violência na Escola”, onde expõe suas e tornou-se membro da Academia Feminina de Leideias educacionais, passando, a partir daí, a trabal- tras do Ceará. har a paz nas escolas. Maria José está deixando sua marca por onde pasEm 2009 lançou o livro pela Oboé, vendido até sa, mas não deixa de ser grata às pessoas que souna longínqua África do Sul. Em seguida publicou: beram ser generosas e a incentivaram na sua ca“Violência e Bullying na Escola, como Prevenir e minhada literária, e na realização dos seus sonhos. Corrigir”, traduzido para o espanhol e lançado pela Ela é sobretudo grata à sua mãe, Enedina Castro Universidade Americana, o livro aborda o bullying (in memoriam), e ao seu pai, Felizardo, que foi um e foi escrito após uma pesquisa nas escolas da rede grande mestre para os seus filhos: Flávio Esmeralpública; “Violência dos laços familiares aos ban- do, médico e artista; Diogo, médico nas Olimpíacos escolares”, pesquisa do doutorado e fez parte das de 2016; Priscila Cisne, que concebeu a neta da Audiência Pública que transformou o dia 7 de Helena, hoje seu grande amor e Júlia, a filha das abril, em Dia Nacional do Bullying. Publicações ideias. Maria José Esmeraldo nasceu em Floriano – Piauí, estado do Nordeste do Brasil. Ela é a terceira neta do desbravador do Sul do Estado do Piauí, Christino Castro, que levou desenvolvimento cultural para a região.

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Maria José Esmeraldo esteve no 33° Salão do livro de Genebra à convite da Cultive represtando o Centro Cultural Christino Castro e a Academia de Letras Juvenal Galeno. Ela fez uma conferência sobre Bullying e o lançamento da «Antologia Superação e Sobrevivência». No consulado Geral do Brasil em Genebra expôs seu poema «Christino Castro é Vida» sobre uma foto da Região de Floriano onde aparece os gaisers termais da região. Maria José também teve a oportunidade de apresentar seu trabalho na Associação de Poetas Portugueses durante o 1° Encontro Internacional Cultive em Lisboa, onde foi ovacionada e recebida com muito carinho. O carisma e o empenho dessa professora dedicada, torna-a uma pessoa querida e disputada quando na execução de um projeto envolvendo a cultura. Seu empenho e generosidade para com a população de Floriano só merece aplausos e reconhecimentos. Hoje ela mora e trabalha em Fortaleza onde coloca sua energia e empenha-se também em cultivar a cultura na cidade que a acolheu sem, portanto, esquecer sua cidade natal. Maria José faz questão de seguir os passos do seu avô e de honrar seus sonhos de desenvolvimento regional trabalhando e cooperando mesmo à distância nos projetos culturais da região de Floriano.

A VIOLÊNCIA NA ESCOLA

(Maria José Esmeraldo Rolim)

Um plano de ação integrada com a comunidade local e a escola, com base no fortalecimento dos vínculos entre estrutura escolar e as redes sociais virá ampliar o corpo de alternativas indutoras do processo de formação ética e de fazer um diálogo novo para incorporar e discutir as questões vividas no cotidiano Revue Cultive - Genève

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RESUMO: A violência na escola é um tema de grande relevância, inserindo no processo educacional. Muito se tem abordado sobre o referido assunto e muitas pesquisas foram direcionadas nesse campo. Partindo desse pressuposto, passa-se a estudar pessoas, ideias e atitudes que interferem na motivação e aprendizagem. O bullying e as brincadeiras que isolam os alunos são motivos de todos os conflitos, na sociedade.Para a realização deste trabalho analisa-se a violência como um fator que interfere na aprendizagem e o papel da família, do Estado, da escola e do educador frente a essa problemática, além das condições essenciais a um bom desempenho em sala de aula, ressaltando os aspectos físi- aprendizagem na convivência social , chegando ao extremo, no ato de suicídio, ou tirar a vida do cos, psicológicos e humanos. outro. Nessa perspectiva, pretende-se analisar as Palavras-Chave: Violência. Delinqüência. Bullying. causas da violência na escola e sua repercussão social, o papel do professor na superação da violência Déficits de aprendizagem. Desempenho escolar. vivenciada na escola e apontar meios que devem ser utilizados pelos professores para evitar estes INTRODUÇÃO atos de violência . A escolha do assunto violência nas escolas públicas foi como desafio e uma forma de se aprofun- O que é violência? Segundo o Dicionário dar no conhecimento de suas causas e formas de Houaiss(2004), violência é a “ação ou efeito de evitá-la, dentro da área educacional. Considera-se violentar, de empregar força física (contra alguém importante este estudo voltado para os fatores que ou algo) ou intimidação moral contra (alguém); provocam a violência nas escolas públicas, por ser ato violento, crueldade, força”. No aspecto jurídiatual. No contexto sociocultural, entende-se que co, o mesmo dicionário define o termo como o esse enfoque ajuda a compreender a complexidade “constrangimento físico ou moral exercido sobre da problemática educacional bem como as difi- alguém, para obrigá-lo a submeter-se à vontade de culdades encontradas pelos professores, pela escola outrem; coação”. e pela sociedade na busca de soluções para resolver Supõe-se que os problemas e desajustes familiares esse problema. interferem significativamente na geração da violênO estudo, com base em pesquisa recente, poderá cia na sociedade e na escola. Além disso, os eduajudar no melhor entendimento do tema bem cadores precisam se conscientizar da necessidade como para futuras investigações. Poderá também de orientarem os alunos no sentido de desenvolveservir de auxílio no sentido de que os alunos e a rem uma relação de paz e harmonia na tolerância de escola tentem compreender a atual situação de ideias, de gosto e de opção como viver em família, violência das escolas, que normalmente é iniciada na escola e na sociedade. A escola tem uma função com brincadeiras, que se transformam em bullying, importante na solução de problemas em pacificar para que se possa fazer uma reflexão crítica sobre as relações, no seu contexto e na sociedade, mas este assunto e organizar diretrizes que busquem não está preparada para enfrentar as dificuldades solucionar ou, pelo menos, minimizar o problema, pertinentes ao comportamento agressivo do aluno melhorando a convivência no contexto da escola e adolescente, que vivencia um ambiente extra-escolar altamente influente no comportamento intoda vida em comunidade. lerante. As redes sociais pregam a intolerância e a O objetivo geral do trabalho é investigar de que violência simbólica, se torna normal. maneira os atos de violência vivenciados nas escolas do Ceará, repercutem na aprendizagem na Este estudo se alicerçou, essencialmente, em uma pesquisa com alunos de escolas públicas da cidade 62

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de Fortaleza. do há meios de canalizar a agressividade resultante CAUSAS DA VIOLÊNCIA ENTRE CRIANÇAS, de conflitos mal administrados. ADOLESCENTES E JOVENS (Marcelo Rezende Guimarães 2004, pg. 3) Um plano de ação integrada com a comunidade local e a escola, com base no fortalecimento dos A violência, tanto na Educação como no conjunvínculos entre estrutura escolar e as redes sociais to da sociedade, constitui-se como uma forma de virá ampliar o corpo de alternativas indutoras do expressão dos que não têm acesso à palavra. Quanprocesso de formação ética e de fazer um diálogo do a palavra não é possível, a violência se afirma novo para incorporar e discutir as questões vividas e a condição humana é negada.Ser escutado e ter no cotidiano escolar. alguém que tenha empatia por sua dor , melhora os relacionamentos e dar voz ao ser que ficou esOutro fator importante observado nas relações quecido na comunidade, por negligência ou malsociais das escolas seria possibilitar convivência dade. Todos os jovens reclamam que ninguém os entre diferentes tipos de jovens com produção de ouve.Não haveriam oprimidos, se não houvesse eventos em locais públicos, com função de acom- uma relação de violência que os configura como panhar, apoiar e observar esta rede de relações. violentados, uma situação objetiva de opressão. Uma articulação que tem como missão primordial Assim, quem inaugura o desamor, não são os desa construção e está expressa nos artigos da UNES- mandos, mas os que não amam, porque apenas se CO produziu o projeto Programa Escolas de Paz, amam. Não conseguem ver o outro, sua dor e suas que foi implantado no Rio de Janeiro em 2001. Se- angústias, por isso muitas causas de suicídios entre gundo Abramovay (et al.op.cit 45) “instrumentos jovens para apropriação das diferentes formas de leitura e de intervenção sobre a realidade repleta de pro- A escola é um ponto importante nessa tarefa de soblemas a serem selecionados, inclusive no próprio lucionar o problema da violência e delinqüência de espaço escolar, a partir de 3 foco básicos: o jovem, adolescente, jovens e, até mesmo de crianças, pois, a escola e a comunidade” como espaço privilegiado de convívio e de formação da pessoa, precisa ter qualidade e se integrar As populações das grandes cidades vivem cercadas à comunidade a sua volta. Isso é comprovado nas das mais diferentes formas de violência. Num mu- estatísticas apresentadas nos indicadores sociais, ndo no qual as pessoas pouco dialogam e recorrem que referem que as escolas que permanecem abera conflitos armados para defender seus interesses, tas nos finais de semana, para uso da comunidade, a paz surge como uma alternativa para tentar conseguem quase eliminar o vandalismo e mostrazer um pouco de harmonia para as sociedades. tram que se tornam uma fonte de amizade e enA violência está estampada em jornais e outros di- gajamento de comportamentos amigáveis em suas versos veículos de comunicação, manifestando-se dependências. por diversos agentes e sob diferentes formas: a violação dos direitos humanos; a violência urbana, po- Nesse contexto, o professor precisa lutar em busca licial e familiar, refletindo na escola o que acontece de mudanças, pois ele é, incondicionalmente, um no interior da sociedade. Estes tipos de violência agente de libertação e de transformação. As polípõem em risco a ordem, a motivação, a satisfa- ticas públicas precisam dar suporte ,investindo .É ção e as expectativas de alunos e corpo docente. preciso constituir uma escola sem exclusão, sem Têm graves efeitos nas escolas, contribuindo para elitismo, na qual todos se engajem e tenham voz o insucesso dos propósitos de paz.As populações e vez.Os projetos sociais que os levam oficinas de das grandes cidades vivem cercadas das mais di- Artes, teatro, música, literatura e esportes, fazem ferentes formas de violência. Num mundo no qual a diferença nos meninos que participam, fazendo as pessoas pouco dialogam e recorrem a conflitos realçar o aproveitamento escolar, para os que não armados para defender seus interesses, a paz surge tem, estes, tem e são comportamentos violentos e como uma alternativa para tentar trazer um pouco dificuldades de aprendizagem, fica visível a difede harmonia para as sociedades. rença na aprendizagem e como é diferenciada. Necessitamos de tempo e percepção para descoA melhor possibilidade de pacificação se dá quan- brir as verdadeiras intenções, de forma amena, sem Revue Cultive - Genève

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agressividade. Sua função é mascarar agressão e confundir sua autoestima. Fazer você engolir sua dor e fazer o desejo de outrem. Quando não se pode incluir no nível simbólico aquilo que incomodou, eu estou cometendo uma autoagressão, depois sem resolvê-la e me faz sentir culpa. Precisa-se tomar distância do problema para aprender, tentar refletir, dando espaço à criatividade de elaborar a solução. As meninas, desde a mais terna idade, são agredidas por determinantes culturais. O desejo de saber culturalmente é dos meninos. A agressividade é necessária, e tem um papel diário de reconstrução dos jogos simbólicos infantis quando aprendemos a trabalhar a violência emocional ​ com inteligência social, com resiliência. Precisamos de uma revolução interna dos explorados (alunos) com os exploradores de linguagem (professores) de entendimento, de ações pensadas em todos os conflitos, nas escolas e na sociedade, que perpassam e deságuam na inquietude, na indefinição da prioridade básica; a educação. A essa forma de agressividade podemos chamar de Psicologia Negativa, que oposiciona “a tentativa de levar os psicólogos contemporâneos a adotarem uma visão mais aberta e apreciativa dos potenciais, das motivações e das capacidades humanas” (Sheldon & King, 2001, p. 216) que estes autores chamam de psicologia positiva. Tipos de violência A discussão da violência e suas causas é, por princípio, ambígua. A multiplicidade de atos violentos e o equacionamento sobre o que é violência legítima nos fazem pensar sobre a violência branca. Pergunta-se: o que constitui essa violência? Segundo Aranha, “muito mais sutil, porque não ‘salta à vista’, passa despercebida como se apenas resultasse da ‘ordem natural das coisas’, não da ação humana intencional” (1997, p. 28).

legislação tutelar do referido diploma legal produz a necessidade de profundas adequações na grande maioria dos modelos educacionais em vigor. Esse Estatuto propõe uma escola transparente e democrática, participativa e comunitária como um espaço cultural e de socialização de pessoas em desenvolvimento, uma escola formadora de cidadãos, pessoas preparadas para o exercício de direitos e o cumprimento de deveres sinônimo de cidadania. Compete ao Conselho Tutelar atender à criança e ao adolescente, assim como a seus pais ou responsáveis, toda vez que se afigurar uma situação de risco pessoal ou social. A importância do valor justiça para a formação do cidadão é evidente. Na realidade, as crianças ensinam muito aos adultos: basta observá-las e amá-las, dando-lhes afeto e carinho. Existem alguns caminhos que conduzem a mudanças de atitudes como docentes, pois a motivação é fato preponderante no processo de aprendizagem, tanto para o aluno, como para o professor. Cada sociedade, cada país é composto de pessoas diferentes entre si. Essa diversidade, freqüentemente, é alvo de preconceitos e discriminações, o que gera conflitos como bullying e outras violências.

Na perspectiva da minimização da violência na escola, é preciso que a escola desenvolva um trabalho de incentivo ao professor no sentido de se dedicar à leitura e a um planejamento mais reflexivo sobre a realidade do aluno, investindo nas escolas,promovendo debates, discussões, com projetos que englobem assuntos do interesse deles, com as com artes, músicas, literatura, teatro e usando a linguagem deles e fazendos-os ser protagonistas da sua própria A importância dada aos conteúdos escolares re- aprendizagem, que envolvam toda a escola e a covela um compromisso da instituição escolar com munidade, no sentido de fazer valer seus direitos garantir o acesso aos saberes sistematizados que e deveres como cidadãos ,mas saibam realizar seus se agregarão àqueles construídos socialmente. Os sonhos fazendo da aprendizagem algo prazeroso. saberes assim elaborados se constituem como instrumentos para o desenvolvimento, a socialização, Um plano de ação integrada com a comunidade o exercício da cidadania democrática e a atuação local e a escola, com base no fortalecimento dos no sentido de refutar ou reformular as deforma- vínculos entre estrutura escolar e as redes sociais ções dos conhecimentos, as imposições em relação virá ampliar o corpo de alternativas indutoras do a crenças, dogmas e à petrificação de valores. processo de formação ética e de fazer um diálogo novo para incorporar e discutir as questões vividas No Estatuto da Criança e do Adolescente (BRA- no cotidiano. SIL, 1990) a relação de situações consagradas na 64

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OBRA E POEMA MARIA JOSÉ ESMERALDO ROLIM

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JACIRA BARROS autora

Jacira Barros, nasceu em Recife. Ela é bacharel em Administração, diplomada pela FOCCA – Faculdade de Olinda. Apreciadora das Artes e, em especial da literatura, passou a frequentar desde 2009 Oficinas literárias. É membro da União Brasileira de Escritores – PE, e da Academia de Letras do Brasil – PE. Participa do Grupo Literário Dom Graciliano. Ela publicou contos divulgados em diversas antologias, incluindo as publicações do grupo no qual pertence. Em Genebra ela apresentou seu livro «A noite que tem fim» e realizou a conferência «A construção do conto».

Publicações de Jacira Barros

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A FLORISTA

preço?, é um presente delicado, especial, uma rosa é a mais bela declaração de amor. O sorriso nos grandes olhos verdes e a gargalhada discreta do jovem me surpreendeu, foi a primeira vez que o vi. A convivência com pessoas de outra classe social ajudou no aprendizado, conheci fornecedores e passei a trabalhar por conta própria. Em datas especiais as vendas aquecem, o Dia das Mães é sempre o melhor. – Quer uma carona?, ainda usava o traje de garçom. Estava saindo do restaurante tarde da noite tão cansada, aceitei o convite, sentei na garupa da bicicleta, inseparáveis até hoje. A orquestra executava os ritmos de carnaval, ambiente animado a celebrar o Baile Municipal. Salão repleto de foliões, nos camarotes o vai e vem intenso, - Você por aqui?, comprou tudo que tinha nas mãos. Ficava atenta ao calendário das festividades no decorrer do ano, meu comércio se mantinha com a venda de flores e ornamentação de festas, não podia descuidar, onde houvesse evento sempre procurava estar presente. Festival de Inverno, camarote reservado às autoridades, lá estava ele ao lado da esposa, - Eduardo só me presenteia quando lhe encontra. – A verdade é que meu tempo é escasso, e esse gesto não se pede a terceiros, afinal é uma declaração de amor. Hoje a encontro realizada, feliz em ver seu esforço reconhecido. A florista da primeira rosa trabalhando ao lado da primeira-dama do estado no Palácio do Governo. JACIRA BARROS

Fiquei a observá-la, a desenvoltura, o modo descontraído e alegre de se aproximar, o riso espontâneo, esperta sem atrever-se. Deve ser bom trabalhar assim, no meio da rua, cenário colorido, ar perfumado, fico bem quando estou aqui, apesar da agitação, parece tranquilo. O que você faz? Vendo balas e chicletes. É preciso ser ligeira, driblar os carros, o sinal fecha rápido, a simpatia também ajuda, claro. Sofremos muita humilhação, convites indecentes, propostas maliciosas. O short curto, a miniblusa?, já pensou ficar o dia todo em pé, no movimento do trânsito, um calor medonho, sede danada, suor a escorrer, coberta de pano, ninguém merece. Em dias de chuva é pior, vidros levantados, ligam o ar, batemos nas janelas, nos ignoram. Não é a roupa, as pessoas sentem nojo, somos iguais a cachorros sarnentos, fogem ao nosso contato. Aos oito anos já conseguia uns trocados para ajudar em casa. Sempre fui virada, tomava banho no canal, brincava no parque, até esquecia a bolsa com os livros da escola. Quando se é pequeno elas se comovem e as moedas logo aparecem. Adolescentes, mudam o comportamento, nos encaram como se fôssemos marginais. Tenho sete irmãos, o pai, catador de lixo gasta o dinheiro em cachaça, mãe cuida da casa e dos pequenos, não bastasse a mana de catorze anos ficou buchuda do cara de dezesseis. Os colegas conseguiam ganhar dinheiro com a venda de amendoim, resolvi tentar, em festas de rua, botecos, às vezes era barrada nas mesas, os garçons queriam dar saída aos petiscos da casa. Vou para a escola sim, no outro expediente. A professora fala que devemos estudar para viver melhor, sei que nunca vou me perder no mundo. Não é assim que gostaria de viver. O que eu quero da vida?, deixar o perigo das ruas, conseguir um trabalho decente, de respeito. Sabe, um dia notei meu corpo mudado, crescendo os peitos, uma mocinha, vender em bares ouvindo piadas maldosas dos homens, dá vergonha. Fiz o convite. Quero sim, fazer uma experiência, posso começar amanhã, não vai se arrepender. Podia haver mais lugares iguais a esse, a maioria dos clientes são senhoras, homens só em ocasiões especiais, raros os jovens. A cada semana elas escolhem com cuidado as flores, - trazem mais vida, alegram a casa, dizem, e se despedem num aceno de felicidade. O ambiente festivo, todos alegres comemorando o Dia dos Namorados, - Quanto custa? - Importa o

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JÔ MENDONÇA ALCOFORADO - escritora, psicóloga lançamentos no Salão do Livro de Genebra.

Jô Mendonça Alcoforado é natural de João Pessoa - PB - Brasil. Psicóloga, escritora, artista e poeta. Ela é coordenadora do Intercâmbio Cultural de escritores, poetas e artistas que dissemina a cultura do Brasil em outros países. Ela não mede esforços para colocar em destaque a literatura brasileira, para isso, há 9 anos ela realiza um trabalho incansável, dirigindo eventos culturais no Brasil e levando obras de autores em tournés culturais pela Europa e pela América.

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OBRA DE JÔ MENDONÇA ALCOFORADO

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TELMA BRILHANTE escritora/poeta

Telma Brilhante é contista, poeta, haikaísta e escritora de livros infantis. Atualmente é presidente da Academia de Letras do Brasil/PE. Tem doze livros publicados e participa de mais de 60 antologias. Telma apresentou suas obras no 33° Salão Internacional do Livro de Genebra, recebeu o diploma de membro correspondente da ALJUG e ministrou uma conferência sobre o tema: Ascensão da Literatura infantil. Com a Caravana Cultive partiu para Berlim e participou da ópera Le barbière de Seville e visitou o Chateau Sanssouci. Em Lisboa, Telma visitou o monumentos portugueses, teatro e participou de um sarau literário na Associação dos Poetas de Portugal. Em Odivelas ela apresentou suas obras no 5º Encontro Internacional de Culturas Lusófonas.

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OBRA DE TELMA BRILHANTE

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JOVEM BRASILEIRO MARCA PRESENÇA NA EUROPA MARCOS FILHO

Ator, Cineasta, Escritor, Jornalista

Desde cedo Marcos mantém contato com a cultura o que o levou a se interessar pela comunicação. Obteve um Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Para a conclusão de curso, realizou a produção do filme independente “Macaé Além Petróleo: De Colônia à Capital Nacional do Petróleo”, um documentário longa-metragem com uma narrativa estruturada em 10 capítulos. Um intenso trabalho de pesquisas, análises, apurações. O filme evidencia os processos que originaram as transformações ao longo dos anos da sua cidade natal Macaé localizada no interior do Estado do Rio de Janeiro, no Brasil e conhecida como a Capital Nacional do Petróleo. Esse longa metragem é o seu primeiro e mais recente trabalho cinematográfico como roteirista, produtor, diretor e editor geral. O filme foi realizado em parte em Macaé e em outras cidades do Rio de Janeiro. A película mostra espaços e nomes ligados ao assunto proposto e foi patrocinado exclusivamente pelos seus pais Marcos de Lima Bastos e Sueli Franco Garcia. A distribuição desse documentário está sendo preparada.

do Estado do Rio de Janeiro Filiado à Federação Internacional de Atores. Ele é titular da cadeira nº 1 cujo patrono é Augusto dos Anjos do Quadro de Membros Correspondentes de Letras da Academia de Letras e Artes de Paranapuã - RJ; titular da cadeira nº 50 patronímica de Pio Lourenço Corrêa do Quadro de Membros Correspondentes da Academia Luminescência Brasileira de Ciências e Letras de São Paulo; Membro e sócio da Associação Brasileira de Desenhos e Artes Visuais.

Além de produtor de rádio e tv Marcos é apresentador, comunicador, jornalista, ator/manequim, pintor e escritor. «Todas as minhas formações, registros, títulos artísticos [...] na comunicação têm origem e comprovações: estudos, diplomas, honrarias, trabalhos, viagens [...].» Ele começou a escrever contos, poesias e crônicas ainda adolescente e é coautor em inúmeros livros no Brasil e no estrangeiro e suas facetas artísticas e literárias levaram-no a se tornar membro e sócio de importantes sindicatos, academias e associações nacionais e internacionais tais que: o título de Comendador - potador da Medalha Leonardo Da Vinci, Barão de Ayuruoca; Embaixador da Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture / Paris – France. Ele é membro e sócio do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões

Em uma de suas entrevistas concedidas à imprensa, ele disse: «Sou muito grato a todos os profissionais que, por vezes, não apareceram, mas contribuíram brilhantemente para o sucesso de nós, artistas.» Ele também demonstrou gratidão aos seus pais que além de serem seus empresários artísticos são os grandes apoiadores da sua carreira, também não esqueceu de citar seu irmão Roberto Garcia.

Em abril e maio 2019, em turnê pela Europa, participou de atividades organizadas pela Associação Internacional de Escritores e Artistas na Itália (Roma, Florença, Veneza, Toscana, Verona, Padova); Suíça (Interlaken e Genebra), Espanha (Sevilla e Gibraltar), Portugal (Lisboa e Odivelas), juntamente com seletos autores e artistas. Em Padova-Itália participou do encontro de Literatos com Mostra de Desenhos, da Expo Poemas Infantis, da apresentação sobre o Projeto PedeMoleque POLH - Biblioteca Sara Romanello, do Sarau e de sessão de autógrafo de livros na Sala degli Anziani - Palazzo Moroni.

No dia 1º de maio Marcos desembarcou na Suíça. Em Genebra ele participou da exposição de arte «Imagem Poética», organizada pela Cultive no Consulado Geral do Brasil, com o acróstico «As Mil Cores do Brasil» ilustrado por um “Tucano”. No 33° Salão do Livro de Genebra, no stand da Cultive, fez o lançamento da Antologia Superação e Sobrevivência, participação registrada com o conto Revue Cultive - Genève

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«Quando fazemos algo que gostamos, algo que amamos, o significado da palavra ‘trabalho’ tem outro sentido, outro entendimento: vira um ‘prazer’, ao invés das palavras que o definem negativamente.»

“Vida de pescador - uma batalha diária “e recebeu das mãos da presidente da ALJUG, Linda Bezerra, o diploma de membro correspondente da Academia de Letras Juvenal Galeno. Na oportunidade, encontrou amigos, fez novas amizades, compartilhou momentos especiais ao lado de outros grandes nomes do meio artístico e da imprensa e visitou outros stands de editoras que já o conhecem e com as quais realizou outros projetos.

nal de Culturas Lusófonas organizado pelo Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal quando recebeu mais uma homenagem pela sua carreira literária. O jovem Marcos projetou-se no trabalho e no estudo com dedicação e persistência para alcançar seus objetivos. São jovens como ele que engrandece o país e serve de modelo para outros jovens. Jovens assim são a pedra fundamental para o crescimento de um povo. Ele enche de orgulho, não só a sua Marcos Filho terminou sua vigem cultural em Por- família, mas os amigos e as entidades culturais que tugal concedendo entrevista para a NTR-Network pertence e os eventos que participa. Rádio - e participando do 5º Encontro Internacio74

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OBRAS E POEMA MARCOS FILHO

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IZABEL HESNE MARUM escritora infantil

Izabel Hesne Marum nasceu em São Paulo. Reside há vários anos em Florianópolis.Izabel dedicou sua vida a criar histórias para crianças. Ela viaja pelo mundo da fantasia, escreve suas histórias e distribui seus livros em escolas. Seu prazer é escrever, seu objetivo é ver os olhinhos infantis brilhando de prazer e de fazê-los viajar pelo mundo da fantasia proposto por ela, e incentivá-los a criarem, eles mesmos, suas histórias e personagens. Izabel escreve e distribui seus li76

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vros para as crianças nas escolas onde vai apresentá-los. Ela não resiste ao desejo e à curiosidade das crianças. «Eu tenho dó de ver as criancinhas querendo o livro, mas não podem comprá-lo, a maioria são muito pobres, então eu os distribuo. Esse é o meu prazer», confessou ao lhe perguntarmos o que mais lhe dava prazer na escrita.

um problema com a visão a fez parar com a correria. Repouso e apenas escrever com a juda de uma secretária que digita seus manuscritos. Mas Izabel não se deixa abater, depois de mais de 3 anos, esse ano ele subiu num avião e foi para o Salão do Livro de Genebra, foi à Berlim e terminou sua jornada cultural em Lisboa. Em cada lugar, foi homenageada, participou de saraus, e Izabel já foi premiada, homena- encontros literáraios. Sua Carreigeada, e foi presidente de acade- ra literária dedicada às crianças é mia e de associação jornalística, a prova de merecimento. agora ela está afastada de tudo,


No último mês maio A Cultive fez o lançamento da segunda edição do seu livro infantil, «Cotinha a Galinha Dengosa» no 33° Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra. O livro é editado em língua portuguêsa e foi reeditado pela Editora Cultive, ilustrado por Luciana Imperiano, Rosemei Neves e Wandira Azevedo. Cotinha, a Galinha Dengosa

auteur: Izabel Hesne Marum ilustration/ilustarção: Luciana Bodner agé/idade: de 0 à 12 ans pages/páginas: 44 isbn: 9782970124566 portugais/português

O boi de mamão verde

auteur/autora: Izabel Hesne Marum isbn : 978-85-903201-4-2 Folclore animalier/folclore, animal agé/idade: de 6 à 12 ans portugais/português

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POEMA DE IZABEL HESNE MARUM TELA DE VALQUIRIA IMPERIANO

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MONTANA CABRAL escritora Montana Cabral nasceu na Paraíba - Brasil e imigrou para a Suíça há 18 anos após um divórcio veio conhecer outro mundo, aliviar a cabeça. Conheceu seu segundo marido. Sua filha já adolescente ficara no Brasil estudando, mas mãe e filha não aguentaram a separação e Montana trouxe sua filha Melina que continuou seus estudos de psicologia na França e fez seu mestrado em Genebra. Ela dedicou toda a sua vida a sua família.

sempre há novas portas para serem abertas em qualquer fase da nossa vida. Ela particpou da Antologia Superação e Sobrevivência organizada por Cultive com o texto Reflexões.

Em outubro Montana esteve Recife para participar do Cultive Intercâmbio Cultural Brasil - Suíça. Fez parte da solenidade de posse dos Membros InterViúva há um ano Montana conseguiu mudar o cur- nacionais Cultive na Biblioteca Pública de Recife, so da sua tristeza através da escritura. E cada texto quando recebeu o diploma, a medalha e a écharpe ela guarda-o com carinho. Seus textos descrevem de Membro Cultive. participou do lançamento da suas impressões sobre tudo que a toca e que a im- Antologia A Efemeridade da Vida, na Bienal de pressiona, usa a escrita como uma válvula de es- Pernambuco, na qual participa com um texto. cape. Com muita sensibilidade, Montana observa o mundo e escreve suas crônicas. A vivência e a Montana está Membro Internacional Cultive reexperiência de conhecer dois mundos tão opostos presentando Genebra. Colabora com a Cultive em tornou seu olhar ainda mais apurado, as passagens Genebra e sente-se muito motivada para dar contida sua vida são subsídios para seus temas. A escri- nuidade a sua mais carreira de escritora, estimuta trouxe-lhe o sorriso e a descoberta de um novo lando amigos e divulgando a necessidade de qualmundo e está levando-a por caminhos prazerosos quer pessoa se lançar em novos projetos. dos novos amigos , de saber que pode criar, e que Revue Cultive - Genève

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MARIA INÊS BOTELHO UMA BRASILEIRA DE OURO EM GENEBRA UNE BRÉSILIENNE EN OR VISITE GENÈVE

Maria Inês Botelho é uma mu-lher ativa e engajada nas atividades sociais e culturais da comunidade de Mandaguari no Paraná - Brasil. Ela é professora aposentada da Fundação Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Mandaguari – Família e da Universidade Estadual de Maringá- UEM. Ela foi Prefeita de Mandaguari de 1997 a 2000 e vereadora durante 10 anos. Representou o Brasil em Quebec, Canadá na Conferência de Saúde das Américas. Dentre prefeitos dos munícipios brasileiros. Ela foi um dos cinco prefeitos premiados com o prêmio Saúde Brasil – O Retrato da Saúde na Família. No seu mandato ela recebeu também prêmio na educação e assistência social. E no dia 20 de maio 2019 ela será homenageada pela Câmara de Vereadores de Mandaguari. Terminado seu período político ela passou a dedicar-se à literatura e às ações sociais de Mandaguari. Maria Inês Botelho é segunda Secretária da Academia de Letras, Artes e Ciências Centro-Norte do Paraná – sede em Apucarana/PR-Basil; primeira Secretária da União dos Profissionais do Jornalismo, Artes e Literatura – sede em Maringá/PR-BR; 80

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Vice-Presidente do Elos Clube de Mandaguari/ PR-BR; Membro do Conselho Superior Consultivo e do Conselho Fiscal Internacional da Federação Elos Internacional da Comunidade Lusíada; Representante da Federação Elos Internacional da Comunidade Lusíada junto à PAPCAM/Maringá-PR/ BR; Presidente do Conselho Estadual da Comunidade Portuguesa do Paraná/BR; Membro do Observatório da Língua Portuguesa – sede em Lisboa; Membro do Movimento Internacional Lusófono – MIL/Brasil; Presidente da Comissão de Desenvolvimento do Quadro Associativo do Rotary Club de Mandaguari-Família/PR-BR; Membro do Conselho Consultivo da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Mandaguari/PR-BR.


No mês de maio, a convite da Associação Cultive, Maria Inês Botelho esteve em Genebra e participou da Caravana Cultural Interancional em Berlim, Lisboa e Odivelas representando o Paraná e as academias das quais faz parte. No estande da Culitve durante o 33° Salão do livro de Genebra, ela apresentou suas obras, participou de rodas de debates, palestrou sobre a importância da literatura e da responsabilidade da participação dos autores na formação cultural do brasileiro e e recebeu o diploma de Membro Correspondente da Academia de Letras Juvenal Galeno da presidente da AlJUG Linda Bezerra, da secrtária Maria José Rolim e do acadêmico Manoel Osdemi. Ela também participou da exposição Imagem Poética no Consulado Geral do Brasil em Genebra e fez doação das suas obras para as bibliotecas locais. Após o término do 33° Salão do Livro de Genebra, Maria Inês Acompanhou a Caravana Cultural Cultive em excursão pela Europa. Em Berlim ela e o grupo permaneceram 4 dias. No programa, assistiu a ópera o Barbeiro de Sevilha no Berlin State Opera, ela, juntamente com a caravana Cultive, visitou o Chateau Sansouci e estiveram na cidade Potsdam. Partiram para Portugal e em Lisboa ela participou do 1 ° Encontro Internacional Cultural Cultive que aconteceu na Associação de Poetas Portugueses, onde foram recebidos por poetas e autores portugueses e pelo ex presidente da Associação Carlos Cardoso e pela vice presidente Mabel Cavalcanti e o presidente da Elos Clube Lisboa Fernando Cardoso, o grupo também assitiu a um show musical de fado Severa no teatro Politema e vista ao Mosteiro Jerônimo. Em odivelas Maria Inês discursou no V Encontro de Culturas de Lusófonas organizado pela NALAP. Revue Cultive - Genève

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OBRA E POEMA DE MARIA INÊS BOTELHO

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ALEXANDRE SANTOS escritor-organizador da FLIPO- coordenador da Camâra Brasileira do Desenvolvimento Cultural Delegué Cultive - Pernambuco Alexandre Santos é um grande autor e produtor de cultura brasileira, pelo seu trabalho executado no Brasil é o convidado de honra da Cutlive Art Littérature et Solidarité no seu estande no Salão do Livro de Genebra. Ele é um premiado escritor brasileiro que se notabiliza pela vasta obra literária, marcada essencialmente pela temática do poder. Entre os principais livros de Alexandre Santos, além dos festejados ensaios ‘A inevitável primavera’ e ‘Teoria do Valor’ e do poemário ‘G’Dausbbah’, se destacam os romances ‘O moi-nho’, ‘Maldição e fé’, ‘O livro dos livros’, ‘Árchias’ e ‘Baltimore’. Membro de entidades importantes como a Academia de Letras e Artes do Nordeste, Academia Pernambucana de Engenharia, Associação Brasileira de Engenheiros Escritores e União Brasileira dos Escritores, Alexandre Santos é editor-geral do informativo ‘A Voz do Escritor’ e membro do Conselho Consultivo da Revista Nova Águia (Lis-

boa, Portugal) e dos conselhos editoriais da Revista Archiépelago (Cidade do México, México) e das Edições Moinho (Brasil). Como produtor cultural, Alexandre Santos, que coordena a Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural, é responsável pela realização da Festa Literária Internacional do Ipojuca (FLIPO) - um empreendimento cultural que toma por base a plataforma histórica e turística do município de Ipojuca, no litoral Sul do Estado de Pernambuco. O festival mobiliza escritores, amantes da literatura e, também, de outras artes e a mídia em torno de temas culturais de interesse nacional e internacional de modo a fortalecer a arte literária e projetar a região, através de uma grande festa na vila de Porto de Galinhas. Concebida e realizada na perspectiva da transversalidade das artes, a FLIPO congrega muitos eventos importantes, inclusive o Congresso Mundial de Engenheiros Escritores, o Encontro Pernambucano de Escritores, a jornada musical FestFLIPO, a feira cultural Alameda dos Livros, a Revue Cultive - Genève

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A contribuição da Câmara Brasileira de Desenvol- em torno de temas culturais de interesse nacional e vimento Cultural internacional de modo a fortalecer a arte e projetar a região, através de uma grande festa na vila de PorNos últimos anos, desafiando as crescentes difi- to de Galinhas. Concebida e realizada sob a persculdades colocadas à arte, à cultura e à educação pectiva da transversalidade das artes - reservando no Brasil, a Câmara Brasileira de Desenvolvimento espaços específicos para a literatura (congresso liCultural - uma ampla articulação de parceiros, ani- terário, Salão do Cordel), para a música (jornada madores, agentes e produtores culturais associados musical FestFLIPO), para as artes plásticas (gale- mantém o entusiasmo e insiste em realizar e apoiar ria ArtFLIPO) e para apresentações multiculturais projetos artísticos, contribuindo para o aperfei- (Espaço do Faz de Contas, feira cultural Alameda çoamento e a difusão da cultura, especialmente dos Livros, a plataforma de lançamentos Vitrine através de empreendimentos capazes de elevar o Cultural, Espaço Outros Olhares e sarau Tribuna nível de satisfação da sociedade. Para cumprir os das Artes) - a FLIPO congrega muitos eventos imdesígnios a que se propõe, além do assessoramento portantes, inclusive o Congresso Mundial de Enpor um Conselho Consultivo composto por per- genheiros Escritores, o Encontro Pernambucano sonalidades conhecidas e reconhecidas no mundo de Escritores, o Festival Internacional de Curtas e artístico e animada por uma produção executiva de o Seminário Internacional de Letras Jurídicas. O alto rendimento, a Câmara Brasileira de Desenvol- Congresso Mundial de Engenheiros Escritores é vimento Cultural identificou sete áreas nas quais um encontro internacional realizado regularmente precisa atuar - publicação, produção, elaboração com a participação de engenheiros-escritores em de projetos, formação e treinamento de pessoal, densa programação para o intercâmbio de expecertificação de projetos, agenciamento de artistas riências literárias e artísticas, com o objetivo de e turismo cultural - e, nesta perspectiva, propôs a desmistificar a ideia de que profissionais das áreas estruturação de um organograma fincado em sete técnicas e das ciências exatas e da natureza só atengrandes núcleos setoriais - Edições Moinho, Núcleo tam para números e desenvolvem pensamento de Eventos, Vitrine Cultural, Escola de Formação, exclusivamente racional com base em lógica herBanca de Elaboração de Projetos, Agência Guten- mética. O Encontro Pernambucano de Escritores berg de Certificação e a Cult Turismo Cultural - é um seminário literário que reúne autores com alguns dos quais ainda percorrem as fases iniciais base artística em Pernambuco e autores pernamde estruturação, de planejamento ou, mesmo, de bucanos com atuação fora do Estado em circuito busca de parceiros interessados em operá-los. Dos de palestras, debates, mesas-redondas e outras atisetores planejados, aqueles que, hoje, já atravessam vidades de interesse cultural e literário. O Festival níveis satisfatórios de funcionamento são o Núcleo Internacional de Curtas é uma mostra de cinema de Eventos e as Edições Moinho. de curta duração que prima pela excelência cinematográfica, incluindo produções brasileiras e, O Núcleo de Eventos (NE) é o braço operacional também, de outras origens. O Seminário Internae carro-chefe da Câmara Brasileira de Desenvol- cional de Letras Jurídicas é um encontro anual que vimento Cultural e se encarrega do planejamento reúne autores com formação na área jurídica de e realização de eventos artísticos, incluindo festas, atuação local, regional, nacional ou internacional, festivais, congressos, simpósios, feiras, colóquios em circuito de palestras, debates, mesas-redondas e concursos. Entre os eventos mais importantes e outras atividades culturais. À propósito, a Câque, atualmente, o NE opera, estão a Festa Literária mara Brasileira de Desenvolvimento Cultural norInternacional do Ipojuca (FLIPO), o Encontro malmente aproveita a intensa movimentação no Pernambucano de Escritores (EPE), o Congresso entorno da FLIPO como plataforma e base para a Mundial de Engenheiros Escritores, o Festival In- realização da maioria destes encontros. ternacional de Curtas e o Seminário Internacional de Letras Jurídicas. A Festa Literária Internacional De sua parte, o núcleo encarregado de fazer a publido Ipojuca (FLIPO) é um empreendimento cultural cação impressa e digital de livros, revistas, folhetos, que toma por base a plataforma histórica e turística etc., impulsionando a obra de autores associados do município de Ipojuca, no litoral Sul do Estado e [impulsionando] a cultura literária é a editora de Pernambuco, para mobilizar escritores, amantes que leva a referência geral de Edições Moinho. O da literatura e de outras artes e, com eles, a mídia, braço editorial da Câmara Brasileira de Desenvol84

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vimento Cultural é inscrito na Agência Brasileira do ISBN (International Standard Book Number) com prefixo editorial exclusivo (nº 69795) e, embora defenda a mais ampla liberdade de expressão artística, adotando, assim, linha editorial ampla, não se associa a projetos preconceituosos, ofensivos a pureza e a dignidade da natureza humana ou que estimulem a violência ou o autoritarismo em quaisquer de suas expressões. Como forma de garantir a qualidade das obras publicadas pela Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural, a inclusão de qualquer material no portfólio das Edições Moinho passa pela apreciação de um Conselho Editorial composto por escritores seniores e críticos literários (atualmente, o Conselho Editorial das Edições Moinho é integrado pelos escritores Alexandre Santos, Carlos Newton Júnior, Jacinto Almeida, Germán Cáceres e Caio Porto). Entre os produtos básicos das Edições Moinho, está o informativo digital 'A voz do escritor' - boletim informativo semanal de circulação nacional, distribuído gratuitamente à assinantes, com notícias literárias, incluindo eventos, lançamentos, etc.

terialização dos seus sonhos, a Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural concebeu a Banca de Elaboração de Projetos - um núcleo encarregado de elaborar projetos, captar recursos, orientar e acompanhar a implementação, controlar a execução e prestar contas de projetos culturais com o engajamento de técnicos especializados, incluindo projetistas, contadores, advogados, etc. A Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural propõe, ainda, a constituição de uma comissão certificadora para verificar o cumprimento de quesitos importantes para a qualidade de produtos culturais, aferindo padrões norteadores para registro em livro próprio com transcrição em Certificados de qualidade e emissão de Selos capazes de oferecer indicadores adicionais àqueles que se dispõem a adquirir e consumir os bens culturais avaliados. Por fim, a Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural planeja o funcionamento de uma agência consultora de viagens – a Cult Turismo Cultural – núcleo encarregado de organizar e realizar circuitos, visitas, jornadas e viagens de natureza cultural e artística, incluindo caravanas para a participação em eventos, lançamentos coletivos em salões e feiras e, ainda, viagens e festas virtuais.

Embora tenham as linhas gerais de funcionamento definidas, os outros núcleos da Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural ainda não estão ple- Convencida de que, assim como a ciência e a tecnonamente estruturados e atravessam diferentes fases logia, a arte e a cultura são elementos estratégicos de maturação, organização e funcionamento. do desenvolvimento das sociedades, decidida a cumprir a parte que se auto atribuiu no processo de Para apoiar a carreira de artistas, a Câmara Bra- aperfeiçoamento das relações humanas e sempre sileira de Desenvolvimento Cultural concebeu a em busca da sinergia própria das coletividades, Vitrine Cultural – um núcleo cuja atividade se ao tempo que mantém as atividades de sempre, a concentra na projeção dos associados, de modo a Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural garantir-lhes exposição junto ao grande público e permanece aberta à celebração de parcerias com divulgar a sua obra. Ainda em fase de estrutura- artistas e entidades capazes de ajudá-la a operar ção e articulação de parceiros, além de cuidar do sua plataforma funcional na busca da excelência lançamento e jornadas de autógrafos, a Vitrine cultural almejada por todos. Não seria dificuldades Cultural está projetada para criar ferramentas para conjunturais ou circunstanciais que desviariam ou a distribuição, divulgação e comercialização das barrariam a sua jornada e, assim, a Câmara Brapublicações, incluindo a inscrição das obras em sileira de Desenvolvimento Cultural e seus parceiconcursos artísticos, preparação e distribuição de ros seguem firmes na tarefa de aperfeiçoar a arte a press releases à mídia e buscar a participação dos a cultura no País. autores em entrevistas e eventos culturais. Na área do aperfeiçoamento e preparação, a Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural planejou a Escola de Formação - um núcleo encarregado, não (*) Alexandre Santos é o coordenador nacional da só do ensino de arte, mas, também, da oferta de Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural serviços de formação de especialistas em produção cultural, inclusive orientação sobre programas específicos de incentivo à cultura. Para dar suporte a artistas carentes dos recursos necessários à maRevue Cultive - Genève

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ELOAH WESTPHALEN NASCHENWENG Escritora, poeta Eloah Westphalen Naschenweng é escritora e poeta de Florianópolis - Santa Catarina. Diretora Institucional da Academia de Letras de Palhoça em Santa Catarina; Diretora Cultural da Academia de Letras de São José em Santa Catarina e da Academia de Letras e Artes de Florianópolis (ADLA). Ela publicou doze livros e participou de quarenta e quatro antologias (sendo quatro em Portugal, duas em Paris e três na Suíssa).

acontecerá em Florianópolis no dias 12 e 13 de setembro de 2019, auxiliando a Cultive na realização e na logística do evento.

Eloah é uma escritora ativa e participativa. Além de cooperar nas academias de Florianópolis que faz parte, ela também está sempre disposta a cooperar na organização e participando de eventos de outras associações culturais que venham valorizar as artes, Eloah esteve no 33° Salão Internacional do Livro de a literatura seja na sua cidade, seja em outros Genebra a convite da Cultive. O Salão realizou-se estados do Brasil, seja em outros paises. do 3 ao 4 de maio desse ano em Genebra. Na ocasião Eloah lançou sua obra «Porque hoje é domin- Eloah é uma das incentivadoras e divulgago» e a «Antologia Cultive Superação e Sobrevivên- doras da cultura brasileira. Sua participação cia», foi empossada como membro correspondente nesses eventos é constante e enriquecedor. da Academia de Letras Juvenal Galeno( ALJUG). Por isso Eloah guarda no seu acervo merecidas e inúmeras homenagens nacionais e inEla também participou da Exposição Imagem Poé- ternacionais e no dia 20 de novembro ELoah tica organizada pela Association Cultive Art Litté- assume uma cadeira da Academia Desterrenrature et Solidarité no Consulado Geral do Brasil se de Letras e, Florianópolis. em Genebra. Eloah está encabeçando a organização do evento Cultive Intercâmbio Cultural Brasil-Suíça que 86

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Obras de Eloah Westphalen Naschenweng

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A poesia de Eloah Westphalen Poeira Desdobro o tempo trago a vida como ela é. Sou capaz de ouvir a voz da razão que parece gritar no papel apossando-se das palavras que tento escrever. Vasculho minhas memórias, encontro nas lembranças, poeira nos casos, nos acasos, nas escolhas e em todos os momentos que desatei o riso para que me desse coragem, para seguir meu coração. Nas frinchas empoeiradas vejo atalhos frios, inseguros, mas vejo também grandes voos e muito céu azul. vejo as possibilidades que me levaram à rendição e a todas as mudanças. Abano a poeira dispo-me das incertezas mergulho no feixe de recordações, sem susto, mas capaz de levar-me a nostalgia do momento. Por todos propósitos e efeitos emprestado a caminhada, o que importou, continua fielmente, a espreitar-me graciosamente nas sombras. Estreita passagem entre o aqui e o agora.

amor

ur o m l'a

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RITA GUEDES GOLD MEMBER CULTIVE

Rita Guedes nasceu em Crato- CE. É graduada em Letras, pela Faculdade de Filosofia de Crato-Ce, atualmente URCA. Ela ocupa a função de Delegada Cultural Cultive e pelos seu trabalhos e dedicação aos projetos Cultive, Rita foi eleita Member of Gold da Cultive. 90

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RITA GUEDES PLANTANDO SEMENTES DA CULTURA NO CEARÁ

Desde 2017 Rita é representante da Cultive em Fortaleza. Sua atuação foi de tal maneira engrandecedora para a Associação e benéfica para a sociedade Cearense que a diretoria da Cultive lhe concedeu o título de Gold Member Member8 Cultive, uma homenagem justa que a Associação Cultive confere às pessoas que realizam ações sociais e culturais comprovadas.

Por ocasião do 33° Salão Internacional do Livro de Genebra, ela prestou inestimáveis serviços à Cultive, contatando autores, academias de letras e artes, músicos e divulgando as atividades da associação no Brasil. Ela esteve presente no 33° Salãodo Livro de Genebra para o lançamento da «AnRita Guedes também é poeta. Sua poesia é rechea- tologia Superação e Sobrevivência» e seu romance da de emoção e mostra sua preocupação com os «Sobre a Ondas». Ela também expôs na Exposição sentimentos e o sofrimento humano. Ela recebeu Imagem Poética no Consulado Geral do Brasil. vários prêmios em concursos literários. Rita continua sua participação ativa e dedicada na Seu trabalho para divulgar sua arte atravessou as organização do projeto Cultive Intercâmbio Cultufronteiras do Brasil e veio até à Europa. Suas cria- ral Brasil-Suíça (CICBS), que será realiztado em ções estão sempre presentes em salões de livros e outubro 2019. Como Delegada Cultural Cutlive no Ceará, Rita está à frente do projeto CICBS na encontros culturais. região do Ceará. Ela está conduzindo com muita Focada em divulgar a cultura brasileira, Rita foi diplomacia as diretrizes e a colocando em ação a uma grande incentivadora e colaboradora do pro- logistíca do projeto em Fortaleza e Bitupitá. jeto Festival Cultural Cultive (FEC) que aconteceu no ano de 2018 em Alagoa Nova, João Pessoa, Na- Essa é uma homenagem mais que merecida e é tal, Crato e Fortaleza. Sua atuação valiosa na logís- uma maneira que a Cultive utiliza para motivar e tica e na curadoria, dos setores da literatura e da agradecer pessoas que se dedicam às causas nobres. arte, colaborou para o grande sucesso do FEC 2018. Para essa artista que divide com muita generosidade seu tempo, seu talento e suas habilidades em Rita não só trabalhou nos bastidores da logística ações sociais e culturais por onde passa, o reconheFEC, ela foi, também, uma das estrelas que ilu- cimento da Cultive. minou os encontros literários e o atelier de arte Valquiria Guillemin durante o FEC 2018. Sua presença dirigindo uma oficina de arte em Alagoa Nova, suas mensagens transmitidas nas palestras, sua ativa participação nos debates realizados só engrandeceram o FEC e motivaram os participantes. Em 2016 Rita publicou o seu primeiro romance «Sobre as Ondas», que relata a história de uma família de retirantes do Nordeste. Nesse romance, ela foca a luta do retirante nordestino para superar as dificuldades do sertão e a descriminação social.

Em Fortaleza ela organizou toda a logística necessária para que o evento Cultive «FECFOR» fosse palco de muita alegria, amizade e confraternização. Graças à dedicação de Rita Guedes, a Cultive concretizou o objetivo de divulgar as obras dos autores que acompanharam a Caravana Cultive pelo Nordeste e de reunir amantes das artes e da literatura. Ela também cooperou na arrecadação de livros para a biblioteca do Colégio Estadual Violeta da Costa em Alagoa Nova. Revue Cultive - Genève

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AO LONGO DOS ANOS (1 ° lugar no concurso)

Rita Guedes

Um olhar distante percorria a imensidão do céu numa melancolia peculiar de quem sentia a alma taciturna e sufocada pelo pranto, cheia de indagações. Era final de tarde, o sol brilhava acanhado, parecia compactuar com o estado d’alma de Elvira, que de olhos semicerrados, perdidos na amplidão do firmamento, como o sol, definhava como se fosse fenecer seguindo os passos lentos das nuvens. Ao seu redor a noite ia adensando e logo, logo, escureceu! Durante muito tempo ela permaneceu ali sentada. O céu pontilhado de estrelas bordava o véu noturno iluminando caminhos, que a escuridão insistia em ocultar. Dona Elvira em sua solidão deixava brotar lágrimas de saudades que deslizavam indiscretamente pelo seu rosto cansado, indo acumular-se nas profundas marcas enrugadas deixadas pelo tempo. Hoje a realidade é bem diferente e na sombra da noite ela segue o resto de vida que lhe resta despetalando flores da primavera em forma de extrema saudade. Recordando os longos anos de convivência, cumplicidade e amor, Elvira percorre o arquivo do ego que a conduz às cenas imensuráveis de quando a vida lhe sorria, desde a tenra idade. Vi-a se correndo sobre a relva verdejante que se descortinava aos seus olhos, num belo campo florido e bem cuidado, ao lado de seu amigo e companheiro Alberto. A diferença de idade entre Elvira e Alberto era somente de três anos. Cresceram juntos respirando o ar puro daquela região serrana e pródiga. Tudo começou quando Alberto adentrou no terreiro da casa de Elvira que os separava apenas pela delimitação marcada com uma extensa cerca. Naquele dia, Alberto saíra em busca de um boi fujão que costumava dar trabalho, tendo em vista, que, por diversas vezes, já havia se desgarrado da 92

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boiada e dava um trabalhão para ser encontrado. Elvira encontrava-se na varanda que cercava seu casarão, quando percebeu a presença de Alberto. Seus olhos se cruzaram num relance e ambos sentiram naquele olhar um quê de mistério, uma química que só o tempo poderia desvendar. Cumprimentou Elvira e em seguida, pediu permissão ao seu pai para verificar se o boi fujão havia entrado em suas terras. O vaqueiro José, que o acompanhava, percorreu a vasta terra de seu Valdemar e de repente, avistou o belo boi forçando a cerca com os chifres para entrar no curral. Certamente, estava de olho numa bela vaca holandesa que do outro lado da cerca o ajudava a forçar o arame farpado. Uma cena interessante de se ver! O vaqueiro habilmente o laçou levando - o de volta para o seu dono. Enquanto isso, no terreiro, Elvira e Alberto conversavam animadamente. Foi o início de uma grande e profunda amizade. O vento soprava forte. O farfalhar das folhas soltas ao relento parecia acordes sonoros em ritmo acelerado numa cadência que só os sons da natureza são capazes de produzir. Sentada na cadeira de balanço, Elvira em devaneios, numa retrospectiva adentrava cada vez mais em suas reminiscências. A intensidade de seus pensamentos e concentração eram tão forte que ela sentia uma sensação de felicidade como se estivesse vivenciando aquela lembrança, naquele exato momento. Às vezes sorria feliz, outras vezes se entregava a tristeza. Quem a visse assim certamente, ia concluir, que. em razão da sua idade atual, estaria com problemas mentais. Certo dia, em seu estado habitual de contemplação à natureza, sentada numa cadeira de balanço recebendo a brisa suave que chegava a varanda, seus olhos brilharam quais estrelas a cintilar no céu. Nenhum de seus familiares ousava interromper aquele momento de introspecção, que, para Elvira era sagrado. Um bálsamo para sua existência. De repente, numa dessas lembranças ela reviveu cenas vivenciadas há mais de 50 anos. Em sua visão era uma tarde daquelas, em que o Astro Rei parece querer incendiar a terra, ferver as águas dos rios e mares, dourando com seu esplendor todo universo. O casarão banhado pelo clarão do sol abria suas portas para receber familiares e amigos. O clima era festivo e a felicidade tinha cor áurea que cinti-


lava e refletia nas alianças que repousavam numa pequena cestinha de vime decorada, aguardando o momento de serem colocadas nas mãos de quem de direito. O amor os conduziu àquele momento indubitavelmente inesquecível!

Minutos depois, espalha-se a notícia na fazenda que havia ocorrido um desastre de carro na estrada. A aflição foi tomando conta de todos.

Elvira em sua cadeira, na contemplação habitual dava asas a sua imaginação. Sentia-se feliz. Naquele momento encontrava-se diante de mais um fato que vivenciara. Estava sentada ao lado do seu bem amado, na sala, com visão para a varanda aguardando os pais do seu futuro noivo. Alguns amigos vindos da vizinhança e outros da capital, onde eles passaram a residir e estudar. Muitos dançavam ao som de uma banda que animava a festa tocando e cantando músicas de Luiz Gonzaga. Repentinamente, Elvira levantou-se da cadeira onde estava e, lentamente começou a dançar como se estivesse abraçada a alguém. Sentia sensações de felicidade idênticas às que sentira no dia do seu noivado. Essa sua atitude chamou a atenção de sua filha Edith, que fugindo a regra, (de não importuná-la), acerca-se da mãe, fazendo-a voltar à realidade. Lágrimas brotaram ardentes.

A cada entardecer, lá estava ela, D. Alzira sentada em sua cadeira de balanço num lugar estratégico da varanda do casarão, deleitando-se com o crepúsculo e em seus devaneios diários, vivendo de recordações.

Teria sido com o casal? Sabia-se que fora trágico e que um senhor teria sido transportado para o hosDesde aquele primeiro encontro, Alberto e Elvira, pital. Todos estavam aflitos, mas no coração da se tornaram amigos inseparáveis. Boa parte da in- filha brotava a esperança de não ter sido com os fância passaram juntos, correndo pelos campos, a pais dela. pé ou a cavalos, num entrosamento perfeito. No entardecer de um novo dia, o crepúsculo ves- Élcio partiu em alta velocidade à procura dos pais. tido de gala dourava o firmamento e o leito do rio Chegando ao local do acidente, para sua felicidade, com seu manto áureo despertava sentimentos em constatou que se tratava de outro casal, além de corações carentes e amantes da natureza. Pássaros outras pessoas feridas numa colisão com um caem revoada num canto saudoso buscavam nas co- minhão. Passado o susto, após mais algumas horas, pas das árvores seus ninhos. A brisa sobre as fol- Elvira e Alberto chegaram à fazenda. Comemoram hagens dos arvoredos as faziam tremular, queren- em grande estilo, com direito a valsa. Tudo muito do embalar sonhos. lindo!

O que de inusitado ou de inesperado teria transformado a vida de D. Elvira, a ponto de deixá-la ora feliz, ora sorumbática a cada entardecer?

Teria Alberto sofrido algum acidente, abandonado o lar, entrado em estado de coma profundo? Teria ele constituído uma família com outra mulher e depois de tantos anos ela tomou conhecimento? Teria desencarnado? Ou Alberto feneceu como o pôr do sol, lentamente deixando nuvens douradas transformarem-se em sonhos para Elvira? Não se sabe! Ninguém comenta! Ela não comenta. Passou simplesmente a viver suas fantasias e reminiscênDurante muitos anos ela e Alberto numa comu- cias. nhão conjugal viveram em harmonia, constituíram família, viajaram, foram realmente felizes. Finali- Ao longo dos anos as marcas deixadas pelo temzavam os preparativos para comemoração de Bo- po são retalhos costurados com a linha áurea da das de Ouro do casal. A capelinha decorada para a felicidade, ou pespontadas com a férrea linha dos celebração da Santa Missa e após, um grande chur- desenganos. rasco preparado a capricho aguardava-os com música e comes, e bebes com fartura. Família e convidados reunidos aguardavam a chegada do casal que se encontrava viajando. As horas passavam, na fazenda a animação era geral, até que Élcio o filho mais velho, estranhando a demora dos pais comenta com Edith. Ela concordou. Revue Cultive - Genève

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OBRAS DE RITA GUEDES

Casa de taipa -2009 technique mixte 100x80 cm

Meu rincão 2009 technique mixte 100x80 cm 94

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OBRA DE RITA GUEDES

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CLAUDE BLOC Poeta Cearense

Claude Bloc é escritora e professora. Os laços com a Cultive estreitaram-se durante o 32° Salão do Livro de Genebra onde participou trazendo seus livros e particpando do lançamento de duas Antologias Cultive : Songe d’une Nuit e Coragem. Uma escritora cujos textos detalham imagens do passado vivido na fazendada família. Em seus textos as relações familiares, o contato com a terra, o zelo da sua mãe, também imigrante francesa, aparecem transmitindo uma doce nostalgia poética. Foi ela quem estruturou o evento FECC Cultive em Crato em 2018. Agendou as palestras na Universidade do Crato e no Instituto ICC : leituras, violeiros , repentistas e cordelistas. Além de toda a parte intelectual ela mostrou as riquezas da região: parques naturais de pesquisa histórica e paleontológica, sitios arqueológicos de onde foi extraído o esqueleto do dinossauro Santanaraptor Placidus queimado no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

DE VERSO EM PROSA (Claude Bloc) Eu chego antes Chegas calado e me aproximo E me apaixono, e não me guardo... Invado o tempo Invado o sonho Sinto o compasso Sinto o mormaço... Arqueio o corpo, dobro minh'alma Buscando a luz no teu abraço Procuro a voz, tua doçura Tua loucura, o teu amor E assim percorres Os meus limites, os teus limites Um verso em flor E assim te amo E assim te quero Porque tu sabes Que assim tu queres E assim desejas Que eu te ame Que eu te inscreva de verso em prosa No coração.

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Reflexões sobre a vida Maria Albergaria

Em Reeexões Sobre a Vida, Mari Albergaria registra pequenos textos inspirados no cotidiano da vida. Seu olhar observador e perspicaz e seu espírito sensível captaram, dos fatos reais, ensinamentos e os transformou, em seguida, em textos. Nesse pequeno livro, as mensagens são reforçadas pelos ensinamentos bíblicos, que Mari utiliza como guia espiritual. São mensagens repletas de otimismo e de sabedoria centradas em Deus com o objetivo de levar, ao seu leitor, o acalanto e a coragem para superar as diiculdades e as tristezas.

MARI ALBERGARIA Mari Albergaria é brasileira da Bahia. No Brasil exercia a profissão de Enfermeira, cuja atividade apurou-lhe os sentidos para o sofrimento humano ao mesmo tempo que fortaleceu a sua fé. Dos exemplos das dores, das relações familiares, do contato com doentes em leitos de morte e vendo em cada uma dessas histórias tristes ou alegres mensagens de otimistmo e apoiada na certeza que Deus está sempre atento ao nosso sofrimento, Mari Albergaria trasnforma os sentimentos em palavras de encorajamento, impulsionando o leitor a se questionar e a tirar ensinamentos práticos da sua própria vida e da vida do seu próximo. Ela veio ao 33° Salão do Livro de Genebra para apresentar seu primeiro livro publicado Reflexões sobre a vida. Um livro de reflexões fundamentadas em passagens bíblicas. Ele participou da l’Antologia Receitas e histórias para Sonhar e ser Feliz , lançada durante a FECCAN em 2018, e da Antolopgia Superação e Sobrevivência lançada no Salão do Livro de Genebra em 2018 e Antologia A Efemeridade da Vida lançada em Genebra em 2019 . Mari recebeu o diploma de Membro Correspondente da Academia de Letras Juvenal Galeno do Ceará.

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Artigo em português cedido pela Revue Artplus impressa-n°1


Poema de Marivania Albergaria pintura: Valquiria IMPERIANO

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Pensamientos en gris

LEO CASTRO

SAHUMERIO

artista pintora/escritora

No te prometeré más los museos vacíos ni las hojas desgastadas sino un corazón baldío lleno de amor y olor a incienso.

Leo Castro é colombiana de nascimento, com cidadania espanhola-colômbiana. Aos 28 anos partiu para a Europa e viveu em vários países, atualmente mora na Suíça. Ela esta constantemente em busca de uma verdade universal que explique a existência do ser humano. A escrita e a arte plástica conceitual são meios de autoterapia e seus maiores mecanismos de expressão. Escreve desde que era uma garotinha. Sua primeira publicação, o livro de poemas Sentimientos en Gris, está traduzido para o francês e o italiano, e será publicado em breve. Ela é líder de um projeto de caridade para crianças e organizou um manuscrito coletivo feito por mais de 150 mulheres. Ela continua criando e escrevendo vários temas. Leo lançou seu livro no 33° Salão do livro de Genebra e recebeu o certificado de membro corresponde da Academia de Lettres Juvenal Galeno. 100

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Recorro mi mente. No hallo ningún pensamiento pasado, ni presente, ni futuro sobre ti. Entonces me pregunto entre susurros: ¿qué será de él? Descubro que te olvidé. No sé quién eres, ni siquiera sé tu nombre, salvación para mi mente y mi alma que ya no estés en mí. Solo diré que te he olvidado. Leo Castro


Obras de Cleo Castro

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N O R M A BEZERRA

poeta e escritora esteve no Salão Internacional do Livro de Genebra para lançar que seu livro de crônicas e contos - A Vida não é Ensaio e ministra uma conferência A construção do conto - origem, características. É membro da Academia Cruzeirense de Letras/ACL e da Academia de Letras e Música do Brasil/ ALMUB. Após o Salão do Livro Norma seguiu com o grupo de escritores para Berlim. Ela participou de uma agenda literária organizada pela Cultive e juntamente com o grupo seguiu para Lisboa onde ela participou de uma variada agenda Cultural e doou seus livros para as bibliotecas locais.

MEU SEMELHANTE Sabemos desde cedo que a diferença entre o homem e os seres do reino animal é a inteligência atribuída somente a nós, embora existam teorias que afirmam que alguns deles não são tão irracionais como pensamos. Digamos então que é o discernimento que nos faz superior a eles. quisito, síntese de alguns animais. Assim podemos dizer que ele fica esperto feito uma raposa. Às vezes, chega a ficar gordo tal qual uma baleia e, quando envelhece, devagar que nem uma tartaruga. Quando lhe é conveniente, faz boca de siri; mas se não entende bem as coisas é burro; se ele fala Sempre fui uma menina danada de sapeca, como se muito, tem boca de sapo; se covarde, tem sangue de dizia antigamente. Pulava feito guariba e na escola barata; se machão, canta de galo; se pirangueiro, é tinha um amigo da onça que adorava puxar o meu mão de vaca. O homossexual é chamado de veado, rabo de cavalo. Meus olhos agateados derramavam frango; de vadia, de piranha. E mais: o sexo do holágrimas de crocodilo e o que mais me irritava era mem se chama pinto; peru. O da mulher, perereca, aquele sorriso de hiena que se esboçava nos lábios aranha. dele quando a professora me castigava. Essa tinha olhos de lince - ninguém conseguia filar nas provas, Descobri que também tenho semelhanças com as nem mesmo a colega que tinha pescoço de girafa. aves. Incontáveis sessões de fisioterapia por conta Na linguagem informal, encontramos muitas símiles relacionando atributos do ser humano aos espécimes de nossa fauna. Então vejamos alguns exemplos:

Dia desses aconteceu algo embaraçoso: encontrei uma velha amiga e demorei a reconhecê-la. Só consegui identificá-la por causa do seu nariz aquilino e os dentes de coelho. Lembrei que a chamávamos de Mônica, aquela dos desenhos de Maurício.

de um bico de papagaio e, mais recentemente, tento aliviar as dores provocadas por uma pata de ganso. Sem falar nos meus pés de galinha, marcas de maturidade que perturbam mulheres vaidosas como eu. O esporão incomoda à beça quando uso sapatos de salto alto ou danço.

Um fato curioso e até engraçado: à medida que o O que me consola é se um dia vier a cometer um ser humano cresce vai se tornando um bicho es- delito nos meus cinco minutos de loucura, difícil será esboçar um retrato falado. 102 Revue Cultive - Genève


Obras de Norma Brito

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LUCIANA IMPERIANO BODNER FELICIDADE MÃE

Iuupi! Minha Luiza foi aceita no Ginásio que ela queria entrar e ainda fica do lado de casa. O Leibnitz , onde fará parte do coro e estudará Francês e inglês além das aulas clássicas. Ao voltar da viagem com a escola no Mar Báltico, no norte da Alemanha perto da Polônia, terá uma ótima noticia. O ginásio na Alemanha quer dizer: estudar muito. Se em um ano não alcançar a média, não poderá continuar no Ginásio e irá para a chamada escola Secundária, que não é tão exigente. Aqui o sistema escolar difere muito do sistema do Brasil. Depois da escola elementar, as crianças, dependendo da nota e da media da 6° série, recebem uma carta de recomendação junto com o boletim dizendo em qual tipo de escola podem estudar (geral, secundário ou ginásio). Quem atinge entre 1 e 2 de nota ( entre 6 pior e 1 a melhor) pode escolher um ginásio. Você inscreve seu filho nomeando 3 escolas. Nós nomeamos 3 ginásios com ligação com música, línguas e esporte. A criança ecolhe as escolas em conjunto com os pais. Eles visitam nos «dias de portas abertas das escolas» ( a escola apresenta e mostra os projetos aos estudantes e os professores ficam à disposição, há apresentações para os visitantes, pais e filhos. Depois se decide quais tem interesse em estudar. As nomeações podem ser para ginásio e secundário, só ginásios ou só secundários. Notas acima de 3 dão acesso somente à escola secundária ou geral que tem matérias mais práticas e teorias mais simples. Os alunos fazem um ano a mais para fazer o Abitur ( vestibular). Nos dois tipos de escolas a criança pode tentar o Abitur (Enem/ vestibular). Com boa nota no abitur ela poderá cursar à universidade que escolher ou nas escolas superiores técnicas. Quem não tem aptidão para estudar teoria entra no pacotes dos aprendizados e formações profissionalizantes práticos junto à área que se interessa e aprende direto numa empresa ou comércio.

O AUSBILDUNG é uma formação profissionalizante paga, assim como os estágios. Existem muitos caminhos para aprender e se profissionalizar na Alemanha. Parece complicado e é, mas mesmo quem não tem boas notas pode, com as formações profissionalizantes fazer uma boa carreira. Gostaria de explicar melhor para que no Brasil pudesse se tomar esses exemplos no sistema educacional. Claro que há muito problema e não é perfeito, mas ainda é, a maior parte uma educação pública de qualidade, mesmo que perceba-se que muitas escolas e universidades tenham problemas de espaço, de infra-estrutura e cada vez menos professores motivados e competentes tanto para ensinar, como para incentivar e ter psicologia com as crianças. Percebo cada vez mais professores preocupados e estressados em aplicar a agenda e acabam meio robotizados, e sem tempo para si, para relaxar e poder dar o melhor de si como profissional do ensino e do saber. Ensinar é uma das mais belas profissão e eu tenho profundo respeito. O importante agora é que a minha filha escolheu um ginásio muito disputado, mesmo contra nossa sugestão e dos professores que sugeriram uma escola secundária. Mas ela quis mesmo assim este Ginásio aqui pertinho e hoje foi aceita, mas isso quer dizer que é um ano provatório...Contudo, se assim ela desejar então irá conseguir com nosso apoio e ajuda. Eu quero vê-la feliz. Ver meus filhos felizes e estimulados, motivado e curiosos, e sociáveis, e prósperos é minha meta de vida principal. E cada vitória merece ser compartilhada. E como o mundo também é digital, compartilho minha alegria e escrevo que o futuro de Luiza está bem iluminado assim como ela é: um amor e bela criatura de Deus feita por mim e Stephan graças ao Criador Mãe/ Pai nosso. Esse negócio de vida é uma loucura e «viver, e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei, eu sei que a vida devia ser bem melhor e será. Mas isso não impede que eu repita, é bonita, é bonita e é bonita! Mas e a vida? E a vida é o que é , diga lá meu irmão?! Ela é a batida de um coração. Ela é uma doce ilusão. O que é, o que é meu irmão?» Revue Cultive - Genève

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DECÁLOGO PESSOAL LUCIANA IMPERIANO

S

O PASSADO DA VOLTAS LUCIANA IMPERIANO

er forte que nada perturbe a paz da minha mente; II-Falar de felicidade saúde e prosperidade a cada pessoa que eu conhecer; III- Fazer sentir aos meus amigos que há algo neles de valor; IV- Ver o lado brilhante de cada coisa e conseguir otimismo por meio deles; V- Pensar somente o melhor, esperar sempre o melhor e principalmente trabalhar sempre pelo melhor; VI- Ser tão entusiasta pelo êxito dos demais como pelo seu próprio; VII- Esquecer os erros do passado e insistir para conseguir grandes realizações no futuro; VIII - Exibir um aspecto atraente em todo tempo e obsequiar a pessoas com um lindo sorriso; IX - Dar tanto tempo ao meu melhoramento pessoaL para que não sobre tempo para criticar os outros; X - Ser demasiadamente grande para me preocupar, demasiadamente nobre para não me irar e demasiadamente feliz para não permitir a presença de problemas que perturbem a minha fé.

passado dá voltas em minha cabeça. E aí me perturba. Passado recente, que ainda me faz pensar sobre. Não queria, mas ainda penso, pouco mais penso. Penso nas coisas como agora, estava sem nexo queria me achar, mas como me achar se eu não nunca me procurei. a procura é difícil, dolorosa, mas faz parte de tudo, faz parte da vida, vida, vida. Será que vivemos para nós procurarmos, nos conhecermos e quando estamos perto disso a morte vem e leva todo quem o que um dia nos era da maior importância? Bom. Por hoje chega de filosofia, quero amor quero me encontrar será que vou me achar? Quanto tempo faz que não escrevo, mas me peguei lendo essa agenda e me deu saudade de escrever de novo. Sei que que estou perdida em relação a minha vida, será que isso é normal? Será a crise dos 20? Eu sei que é como uma doença. Estou feliz, então não se fala mais nisso! Pois me sinto super bem no «A vida só tem valor quando a felicidade palco fazendo aquele papel de burguesa, sabendo é compartilhada com os amigos do peito e nada que não sou artista. Música, pintura, dança era tudo o que eu mais!» Luciana Imperiano queria!

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OBRA E POEMA DE LUCIANA IMPERIANO

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IVANILDE MORAIS DE GUSMÃO autora de «Da animalidade ao ser social - A fantástica caminhada do Homem» ​A PRODUÇÃO DO MUNDO HUMANO ​​“Proletários de todo mundo, uni-vos.”

Karl Marx

O primeiro pressuposto de toda existência humana e, Portanto, de toda história, é que os homens devem estar em condições de viver para poder “fazer história”. Mas, para viver, é preciso antes de tudo comer, beber, Ter habitação, vestir-se e algumas coisas mais. O primeiro ato histórico é a produção dos meios que Permitam a satisfação dessas necessidades, a produção da própria vida material. E de fato esta é uma condição fundamental de toda história, que ainda hoje, como há milhares de anos, deve ser cumprido todos os dias e todas as horas, simplesmente para manter os homens vivos. Ivanilde Morais de Gusmão é professora, advoga- O segundo ponto, ou elemento a ser considerado da, escritora, estudiosa de Karl Marx e da Litera- é que satisfeita esta primeira necessidade, a ação de satisfazê-la e o instrumento de satisfação tura. já adquirido, conduzem a novas necessidades. Em 2019 ela participou da Exposição Imagem Poé- E esta produção de novas necessidades tica no consulado Geral do Brasil em Genebra. Suas é o primeiro ato histórico. obras foram apresentadas em salões de livros no Brasil, Liechtenstein México, Itália, Portugal. Ela A terceira condição, que já de início intervém participa do Salão do livro de Genebra desde 2017. No desenvolvimento histórico é que os homens, Que diariamente renovam sua própria vida, Ivanilde trabalha ativamente pela divulgação da li- Começam a criar outros homens, a procriar: teratura brasileira e é membro de várias academias e associações literárias no Brasil e no exterior. Sua É a relação entre homem e mulher, presença é sempre solicitada pelos organizadores Entre pais e filhos, a família. dos eventos importantes, visto que sua obra traduz pensamentos de igualdade social e de resgate dos Esta família, que no início é a única relação social, valores humanos, o que a fez merecer diversos prê- Torna-se depois uma relação secundária, quando as necessidades ampliadas engendram novas relamios em âmbito nacional e internacional. ções sociais, “É preciso ter coragem de produzir livros que falem de coisas e o acréscimo de população engendra novas nebelas. Voltar a escrever palavras que falem de amor; e, assim, cessidades. voltar a acre-ditar na humanidade.” A partir daí deve, portanto, ser tratada e desenvolvida De acordo com os dados empíricos existentes 108

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e não segundo o “conceito” de família. Além do mais, não se deve considerar Estes três aspectos da atividade social: Atender necessidades, Criar os instrumentos e a Relação social, como três fases diferentes, Mas simplesmente como três aspectos ou, Como três “momentos”, que coexistem Desde os primórdios da história E desde os primeiros homens, E que ainda hoje se Fazem valer na história. É nesse processo que emerge o capital, Enquanto relação social que revoluciona, Criando uma imensa riqueza – Social, material cultural -, mas que A partir de determinado momento histórico Entrava esse desenvolvimento, porque A produção social é apropriada privadamente E aquele que produz é desproduzido No ato de produzir. Então, surge um período De revolução e as forças produtivas materiais Da sociedade entram em contradição Com as relações de produção existentes.

Mas, ao contrário, paralela à imensa riqueza Socialmente produzida, gera-se uma miséria absoluta, E, infelizmente, uma volta à “barbárie”!!! E agora, o que fazer? A solução seria a união de todos que produzem a riqueza. Para isso, é preciso criar, implementar instrumentos de mediação Que faria a união entre eles, tais como - associações, sindicatos, partidos? Onde localizar esse instrumento? Um grande véu encobre o mundo E o falso brilho das luzes encadeia E engana a visão. E os indivíduos amedrontados Não sabem a direção; Enquanto isso, o capital – dono do mundo -, porque se apropriou de toda a riqueza, Destitui o homem de sua humanidade, Restando o animal homem..., e aí, Nessa imensa barbárie a lógica do capital Se amplia ad infinitum. Até quando...?

De formas de desenvolvimento das forças produtivas, Estas relações transformam-se em seu entrave. Estão postas as condições para as transformações. Mas é preciso ressaltar: uma organização social Nunca desaparece antes que se desenvolvam Todas as forças produtivas que ela é capaz de conter; Nunca relações de produção novas e superiores Se lhe substituem antes que as condições materiais De existência destas relações se produzam No próprio seio da velha sociedade. É por isso, então, que a humanidade só levanta Os problemas que é capaz de resolver e assim, Numa observação atenta, descobrir-se-á que O próprio problema só surgiu quando as Condições materiais para o resolver já existiam Ou estavam, pelo menos, em vias de aparecer. A questão que se coloca é: Todas as condições materiais já estão dadas, Por que a transformação – revolução – para a Sociedade socialista, humana não ocorre?

Artigo em português cedido pela Revue Artplus impressa-n°1

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Poemas de Ivanilde Morais de Gusmão

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Manoel Osdemi/2000 Coqueiros do Doro(À sombra dos namorados) óleo sobre tela/ 80x60cm

MANOEL OSDEMI poeta/artista

Manoel Osdemi atua nas artes: plástica, música, cênica/cinematográfica e literária. É autor de onze livros sendo Pancada de Vento premiado pela Secretaria de Cultura do Município de Fortaleza – SECULTFOR - Prêmio Oliveira Paiva; Historietas de Bitupitá (no prelo). É membro da Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará - ALMECE; prêmio Destaque do ano de 2018, concedido pela Associação de Agropecuária Comércio Indústria Serviços e Turismo – AACIST pelo seu desempenho cultural no estado do Ceará; recebeu o Selo de Reconhecimento da Academia de Letras Juvenal Galeno. Participou de dois Documentários e nove Filmes, entre eles: “Dizem que os Cães Veem Coisas”, “Visita ao Filho e “As Corujas” pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema Cearense e Tiradentes, do Estado de Minas Gerais,”, baseados nas obras do respei112

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tado e lendário professor e contista cearense, José Maria Moreira Campos. Ele compôs e registrou 10 músicas gospel e musicou o poema de Valquiria Imperiano «Lágrimas Negras». Produziu de mais de 100 telas, com várias exposições. Destaque de Melhor Tela, promovida pela TV Verdes Mares em 2018: Coqueiros do Doro, capa do livro: Historietas de Bitupitá - 80 X 70 cm, técnica, óleo sobre tela. Está expondo na exposição “ Imagem Poética 2019” no Consulado Geral do Brasil em Genebra.


Obras e poema de Manoel Osdemi

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Jania, autora infantil consagrada no Brasil, em entrevistada pela ArtPlus, fala do seu trabalho e envolvimento na literatura Brasileira.

JANIA SOUZA

Escritora, romancista, poeta e artista Jania Souza é natural de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, região Nordeste do Brasil. Bacharel em Ciências Econômicas e, também, em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, hoje dedica-se à litratura. Aqui ela nos conta como aconteceu essa trajetória. Art - Quem e o que lhe deu mais incentivo para escrever, a escola, seus pais, um livro, um amigo ou simplesmente as circunstâncias? JS - Desde criança dizia que uma das minhas profissões seria a de ser escritora. Embora não se leve muito a sério o que uma criança diz, hoje, sei que sonhos se materializam principalmente, quando há incentivos. Minha mãe era educadora e amava ler, em casa dava o exemplo, pois ela lia bastante. Eu só a via com um livro, revista ou jornal na mão 114

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em seus momentos de lazer. Também contava histórias, alternando com minha avó materna. E ensinava aos filhos as lições de casa antes de ir para o seu trabalho. Gostava de poesia e ensinou-nos a ler e a escrever no reforço de casa. A escola também teve seu fundamental papel por abrir os desafios e a professora de OSPB e História, Paizinha, no Ginasial do colégio, hoje Escola Estadual Winston Churchill, mudou as provas de questões objetivas, para descritivas com apenas duas perguntas para falar sobre o assunto da matéria abordada em cada período. Foi um salto de criatividade. Além dos relatórios dos laboratórios da escola, que fazíamos. Gostava muito, até demais, de ler, momento em que me apaixonei profundamente pelos mistérios contidos nos livros e a vontade de desvendá-los. Essa foi a gostosa fase da adolescência, quando os meus amigos e eu tínhamos um carinho todo especial pelos livros. Escrevi, nessa época, meu primeiro romance. Hoje, Maria Aparecida Ferreira da Silva,


JANIA SOUZA - LITERATURA INFANTIL brasileira JANIA SOUZA - LITTÉRATURE INFANTINE BRESILIÉNNE amiga de infância e vizinha, contou na minha pre- Art- Está escrevendo algo novo? sença a um poeta e escritor amigo, que ela tinha o Estou concluindo um romance, que já faz alguns maior orgulho de ter uma amiga escritora naquela anos que iniciei. Coloquei sua conclusão como uma de minhas metas época. Fiquei surpara 2019. Além desse, presa e agradecida tenho outros no prelo, pelo fato de inspimas tenho que ir com calrar também meus ma, porque o romance é amigos. uma narração longa com muitas conexões internas, Art- O que mais que tem que ser bem burilhe apaixona, a ladas. Preocupo-me muipoesia ou a literato com a clareza e como tura infantil? Por ele chegará ao leitor. que você escolheu a literatura infantil, Art - Quantas obras indiexiste um motivo viduais você já escreveu, especial? título? Alguma premiada? Você recebe ou recebeu JS- Sou apaixoalgum apoio de algum nada por poesia órgão brasileiro, ou de ale sua presença é guma empresa para a ediconstante em minção das suas obras? ha vida. Também sou apaixonada JS- Obras individuais por literatura inpublicadas, tenho 13 até fantil, minha opor2018. Poemas: Rua Destunidade de falar e calça. 2007; Fórum Íntitrocar ideias com mo, 2009; Entre Quatro os pequeninos, que Paredes, 2010, Corpos muito amo e adEditora, Portugal/Porto; Calle Descalza, 2014, Edimiro, sinto vontade de revelar coisas para eles que aprendi em minha caminhada de forma lúdica, torial Argenta, Argentina/Buenos Aires; Lápis & mas com mensagem responsável, sobre o encanto Boca, Sentimento, 2014; Voo nas Entrelinhas da e a dificuldade que é estar aqui nesse mundo, mas Liberdade, 2017; Pingos de Momento, 2018; Liteque é possível vencer essa jornada desde que des- ratura Infantil: Magnólia, a besourinha perfumacubramos a poesia que há na vida, nos relaciona- da, 2009; O Menino e o Cavalo, 2014; O dia em que mentos e no meio em que se habita, aprendendo o boi falou, 2014; Nossa Morada, 2014; O Jovem com as derrotas e com as vitórias que nos forta- Lenhador e o Violão, 2018; Contos e Crônicas: Em lecem e alimentam, tornando-nos seres amadure- Horas Vagas, 2017. cidos. Por isso, gosto, preferencialmente, mas não Tenho duas obras premiadas: Entre Quatro Pareunicamente, de tratar desses temas através de fá- des, Prêmio World Art Friends VI, 2010, Portugal/ bulas, por essas se utilizarem de um mundo fictício Porto; Em Horas Vagas, troféu: Literatura Cora para abordar uma situação real de conflito de uma Coralina, prêmio de Melhor Livro de Contos 2018, forma lúdica que seja agradável e de fácil assimila- Brasil/Portugal. Até 2018, nunca recebi qualquer apoio ou incenção da mensagem pelo leitor infantil. tivo de nenhum órgão público brasileiro, nem de Revue Cultive - Genève

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qualquer empresa.

Estadual Berilo Wanderley, com alunos do Primeiro e Segundo grau à convite da professora FlauArt- Como os autores brasileiros poderiam incen- zineide Moura. Tive minha obra “Lembranças da tivar as crianças a se interessarem mais pela leitura? Infância no Alecrim”, apresentada no final da graduação do Curso de Artes Cênicas na UFRN por JS- Visitando as escolas para apresentar seus livros uma ex-aluna da Escola Berilo Wanderley. Acredide forma lúdica e interativa. Já fui presenteada com to que esse é o caminho para incentivar o interesse vários momentos em diferentes escolas. Fiquei das crianças pela leitura. muito emocionada com a recepção das crianças, suas leituras através de desenhos e escrita e suas www.janiasouzaspvarncultural.blogspot.com; perguntas. Outro instante marcante foi na Escola www.facebook.com/janiasouzasouza; www.youtube.com/janiasouza

poema de Jania de Souza foto de Bruno Silva 116

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Colly Hollanda escritora e intérprete Colly Hollanda publicou os livros infantis: O jacaré; Lobo Cara de Mingau; O Pinto Pelado; mais uma sobre a cobra e o sapo. A autora faz parte da ALAMPE (Associação Literária e Artística de Mulheres Potiguares), seu trabalho social não para e o resultado de todos os seus investimentos culturais são em prol da escrita. Mulheres que mudaram a história de Pernambuco; primeira coletânea laboratório da Literatura fantástica de Pernambuco; Os sete pecados capitais em prosa e verso; Os dez mandamentos; Setenta anos de Raimundo Carrero são algumas das antologias que acolhem seus textos. Colly Holanda é incansável na divulgação da escrita e no trabalho de incentivo a criatividade infantil. Frequentemente ela visita escolas e, fantasiada de Dona Benta o personagem criado por Monteiro Lobato, que conta histórias na obra O Sítio do Picapal Amarelo, ela conta histórias de sua criação e encanta a criançada levando-os a viajarem no mundo fantástico da imaginação tal qual dona Benta fazia com Pedrinho, Narizinho, Emília e o visconde de Sabugosa personagens conhecidos do Sítio do Picapau Amarelo. Esses momentos mágicos são, para ela, inesquecíveis, a enche de felicidade e prazer e alimenta o amor pela leitura e

pela escrita. Colly é feliz porque ela alcançou seu objetivo principal: a motivação pela literatura.

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Obras de Colly Hollanda 118

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A MINHOCA BONDOSA Colly Hollanda

Bem pertinho do Ribeirão das Onças viviam centenas de espécies de cobras. Elas eram de todos os tamanhos e cores. Chocando ali pertinho, a espécie mais temida, dona Cascavel. Ela não tinha muitos ovos, eram apenas dois. Marinheira de primeira viagem, não sabia muito bem como cuidar dos ovinhos. No dia marcado pela natureza, os ovinhos se romperam. Um dos filhotes, celerepe que só, já saiu se arrastando ligeirinho. Volte aqui, gritou dona Cascavel. O outro filhote, que tristeza, parecia agonizando. O que seria? Meio atordoada a mamãe começou a gritar: Alguém me ajude! Mesmo não sendo muito chegada às cobras, por razões bem claras, as minhocas que por ali viviam, correram para saber o que se passava. Me ajudem, gritava a mamãe Cascavel.

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O que houve? perguntaram solícitas as minhoquinhas. O meu bebê está agonizando, quase morrendo, o que será? As minhoquinhas entreolharam-se e partiram para socorrer. Uma delas chegou bem pertinho do peito da pequena criatura, e gritou: Não estou ouvindo o coraçaozinho bater. O caso é sério! Vamos meninas, disse a minhoca mais velha, vamos agir rápido! Mais que depressa montaram a maca e todos os seus apetrechos para fazerem uma cirurgia de emergência. Dona Cascavel aflita rolava de um lado para outro. Calma, mamãe, disse uma das minhocas tentando amenizar a agonia, vai dar tudo certo! 120

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Começou o trabalho de transplante. Uma das minhocas se colocou como voluntária. Pode ser eu mesma! Mas, se você tirar o coração da minhoca para salvar o meu filho, a minhoca vai morrer... Não se preocupe, nós, minhocas, temos muitos corações. Dito isso, começou a cirurgia... A minhoca cirurgiã colocou uma válvula na bondosa minhoca e transplantou seu coraçãozinho no bebê da dona cobra...de repente, ela abre os olhos e corre em direção a sua mãe...que agradecida diz: aprendi hoje que os mais fracos se tornam mais fortes... obrigada! Colly Holanda.

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CISSA VEIGA partista plástica

A chuva Pastel seco sobre papel 24x32cm

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Cissa Veiga é artista plástica, e professora, forma- com suas cores e o movimento das nuvens como da em Artes Plásticas pela Unicamp- Universidade principal elemento visual. Estadual de Campinas. A prática como educadora, nos últimos 15 anos, fêO desenho é a sua principal linguagem. Usa cama- la desenvolver um novo olhar sobre a sua prática das sucessivas de pastel seco. As cores são sobre- artística. postas e iniciadas sempre pelos tons mais claros para só então acrescentar os tons assim os desen- Suas obras foram expostas na Exposição Imagem hos adquirem uma maior pulsação cromática. O Poética no Consulado Geral do Brasil organizado tema é a paisagem urbana, tendo sempre o céu, pela Cultive.

Cissa Veiga Montanhas pastel seco

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Obra e poema de Maria Tereza Penna

Poema de Paulo Bretas pintura : Maria Tereza Penna 124

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VALQUIRIA GUILLEMIN

Imperiano

pintora, escritora e fundadora da Cultive por: Marcela Pimentel Valquiria Guillemin foi professora de português em Florianópolis - Brasil. Em 1997 veio para Genebra com a intenção de ficar seis meses, tempo suficiente para que a sua irmã Hestia, que tinha um bebê de seis meses, se preparasse para fazer os exames eliminatórios na faculdade de medicina em Genebra. Nesse ínterim, ela conheceu aquele que se tornaria seu marido dois anos depois. Casou-se em 2000 Marc Guillemin. Em 2001 abriu seu primeiro atelier em Carouge - Genebra e em seguida em Plainpalais. Em 2012 sofreu uma doença neurológica que a obrigou praticamente a parar as atividades que exigiam força física, passou então, ainda no hospital, a catalogar seus escritos e, no leito do hospital, compilou seu primeiro livro de poesia.Enquanto se recuperava no hospital, enviou um poema para um concurso na Academia de letras e artes de Fortaleza, seu poema foi escolhido entre os melhores do ano e publicado na Antologia da Academia. A partir daí começou a compreender que o destino estava desviando-a de uma atividade artística, e conduzindo-a para a literatura e mostrando-lhe portas que se abriam para caminhos da difusão cultural e do social. A literatura tornou-se uma válvula de escape eficaz e ajudou-a a evitar a depressão. Logo o envolvimento com a literatura foi se estreitando. Convites para participar de antologias, de associações, de eventos e de saraus literários foram se acumulando. As

viagens ao Brasil aconteceram mais estreitamente. Desde que veio morar na Suíça nunca deixou de olhar e pensar nas pessoas e nas crianças que são marginalizadas no seu país, no problema da educação que conhece de perto e na falta de contato cultural que atinge a maioria dos brasileiros. Enquanto ia estreitando contato com a cultura europeia e descobrindo as facilidades de acesso à cultura que a Suíça oferece aos seus habitantes, ela matutava sobre uma maneira de fazer algo pela cultura do seu país. Assim foi desenvolvendo a ideia de realizar projetos culturais no Brasil. Ela tinha como hábito levar malas repletas de brinquedos e roupas para distribuir em bairros pobres no Brasil. Enquanto se recuperava da doença, avançava na literatura e desenvolvia as ideias de realizar projetos culturais no Brasil. Passou a arrecadar verba com amigos para comprar mais brinquedos, que distribuía num vilarejo à beira de um braço de mar na Paraíba. Camurupim é uma reserva de índios, já adaptados à vida da cidade, mas vivem em condições muito precárias. Ela passou a enviar verba para compra de brinquedos para serem distribuídos às crianças de Camurupim. Resolveu dar nome à campanha: «Um dia de felicidade» e procurou aumentar a arrecadação. Para conseguir apoio fora do círculo dos amigos se viu na necessidade de criar uma associação com a Revue Cultive - Genève

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intenção de fortalecer o projeto, criou então a associação Cultive. Como professora e defensora do saber queria uma associação que levasse o prazer, a esperança e a cultura para as crianças. Assim, a Cultive foi criada com o proposito cultural e solidário visando auxiliar comunidades carentes e divulgar autores e suas obras em projetos culturais que organiza na Europa e no Brasil. Como presidente da Cultive ela organiza há três anos um estande no Salão Internacional do Livro de Genebra onde apresenta autores e obras de língua portuguesa e espanhola, reúne autores no Brasil em torno dos projetos anuais tal que o Festival Cultural Cultive (FEC) cujo alvo é o colégio Estadual Violeta de Souza de Alagoa Nova e a Campanha da Felicidade em Camurupim.

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UBE Em janeiro, Alexandre Santos diretor da UBE- Pernambuco convido-a a fazer parte do quadro de direção da UBE. Após eleição, ela foi assumiu o cargo de diretora de Relações do Intercâmbio Internacional da União Brasileira de Pernambuco o que lhe permite desenvolver contatos com escritores e ter o apoio de uma associação cultural no Brasil.


Obras de Valquiria Imperiano

Olhando o céu vi um turbilhão de amor

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VALQUIRIA IMPERIANO

Valquiria Imperiano Il a cassé ma poupée 1998

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Valquiria Imperiano L’indien et la nature - la joie huile sur toile 50x60cm

Valquiria Imperiano l’homme oiseau mixte feuille d’or 100x90cm

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Obras das Crianças de Camurupim

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A CULTIVE DÁ OPORTUNIDADE À ALJUG ACADEMIA DE LETRAS JUVENAL GALENO

A Cultive é uma associação Cultural que promove artistas, autores, academias literárias e associações culturais e em maio de 2019 a Cultive deu a oportunidade a Academia Juvenal Galeno, assim como à Literarde de mostrarem suas bandeiras e apresentarem seus trabalhos no 33° Salão do Livro de Genebra. Na oportunidade a presidente da Cultive Valquiria Imperiano recebeu de braços abertos a associações no Stand da Cultive no 33° Salão do Livro de Genebra, A Cultive também organizou no Consulado Geral do Brasil em Genebra a Exposição Imagem Poética e sessão de entrega de livros para a biblioteca do Consulado Basileiro em Genebra, dando assim a oportunidade à presidente da ALJUG representada pela sua presidente Linda, Maria José Esmeraldo Rolim e Manoel Osdemi e a presidente da Literart Isabella Valdares de divulgar o trabalho da Literart assim como os eus autores. A ALJUG também foi levada pela Culitve para apresentar a academia no evento «Intercâmbio Cultural Internacional Cultive» realizado na Associação de Poetas Portuguêses em Lisboa. A Cultive cumpriu o seu trabalho e seu objetivo maior em 2019, abrir espaços generosamente para Aljug e Literarte na mostra Cultive no Consulado a arte brasileira na Europa. do Brasil em Genebra, acima no Stand Cultive no Terminada a temporada 2019, a Cultive já está ela- 33° Salão do Livro de Genebra 2019. borando os próximos passos para 2020, tendo a certeza que promovera um belo evento em Genebra e na Europa. Aguardem!

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CULTIVE APOIA A LITERARTE NO 33° SALAO DO LIVRO DE GENEBRA

Associação Literarte presidida por Izabella Valadares com o apoio da Cultive esteve no 33° Salão do Livro de Genebra em 2019 no Stand da Cultive, e na Mostra do Consulado Geral do Brasil em Genebra onde apresentou seus autores e fez lançamento de Livros.

Em Odivelas (Portugal) a Caravana Cultive prestigiou o 5° Encontro Internacional de Cultura Lusófona organizado pela Literarte.

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CULTIVE ACOLHEU A ECCO EM GENEBRA Com o apoio da CULTIVE, pela 3ª vez, a Association ECCO pode mostrar seu trabalho no Salão do Livro de Genebra. Em 2019 a ECCO teve mais uma oportunidade e lançou no Stand da Cultive no 33° Salão do Livro de Genebra a antologia CRBE 10 anos de existência.

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CARAVANA CULTIVE NA EUROPA

Intercâmbio Cultural Internacional Cultive acontece anualmente na Europa. O projeto reune autores de língua lusófona. A Cultive organiza esse projeto trazendo uma caravana de autores. Desde 2017 a caravana Cultive promove o projeto começando pelo Salão do Livro de Genebra. A Caravana organizada pela Cultive envolve eventos literários, salão de livros, museus, teatros, associações culturais, encontros, lançamentos de livros, visita e entrega de livros às bibliotecas europeanas, conferências e debates, exposição de arte, mostra, premiações aos destaques e vencedores de concursos.

e fazem o dígno trabalho de representantes culturais do Brasil nos vários países da Europa. Em 2019 os países visitados foram Alemanha (Berlim e Sanssouci), Suíça ( Genebra) e Portugal (Lisboa e Odivelas). Em 2020 a Cultive guiará os Representantes Culturais do Brasil por 4 cidades da Europa: Milão, Viena, Londres e Genebra. A Caravana inicia sua caminhada no fim de outubro e terminará em meados de novembro 2020 com data a ser fixada.

Já estamos recebendo inscrições pelo email: Os Autores Brasileiros se deslocam para a Europa cultivelitterature@gmail.com www.cultive-org.com 134

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CARAVANA CULTIVE 2019 ALEMANHA ÓPERA DO ESTADO DE BERLIM (STAATSOPER UNTER

Numa jornada de 3 dias em Berlim a Cultive levou o grupo da carvana Cultive 2019 à belíssima Staatsoper Unter den Linden para assitir a ópera Figaro. O rei Frédéric II da Prussia, logo após subir ao trono encomendou a construção do prédio original. A construção começou em julho 1741. O prédio sofreu várias transformações e foi bombardeado durante a segunda guerra mundial interrompendo os espetáculos no teatro, reaberto em 1955, o teatro que comporta 1300 espectadores tem um longa história. Praça Bebelplatz- A Cultive levou o grupo de escritores à Bebelplatz, onde foram queimados milhares de livros. Tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista foi destruído. Centenas de milhares de livros foram queimados no auge de uma campanha iniciada pelas fraternidades estudantis. Revue Cultive - Genève

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PALÁCIO DE SANSSOUCI

Belíssimo palácio do século XVIII (1745-1747) construído pelo arquiteto Georg Wenzeslaus von Knobelsdorff dentro do estilo denominado rococo frederico. Ele é conhecido pelos jardins e outras extravagancias do parque de Sanssouci que cerca a construção. O palácio de Sanssouci é um antigo palácio de verão do Rei da Prussia Frédéric II (conhecido como Frédéric O Grande). O palácio está localizado em Potsdam - Brandebourg à vinte e seis kilométros a sud-ouest de Berlim. O palácio e o parque de Sanssouci, descrito como «a Versailles prussiana» representa uma síntese dos movimentos artísticos da arte da corte europeana do século XVIII. Esse conjunto arquitetônico é um exemplo único de integração entre arquitetura e de paisagem dentro do quadro intelectual das idéis do Estado da manarquia.

Arco central da fachada do jardim.

O parque é composto de jardins decorados com esculturas, lagos, templos, fontes, vinhas e árvores séculares. No parque Frederico O Grande construiu o Novo Palácio destinado às recepções reais e a receber chefes de estado importantes. Para visitar o complexo é preciso estar preparado com sapatos confortáveis, um piquenique e reservar um dia para conhecer tudo a pé. «Templo da Amizade» homenagem a irmã de Frédéric O Grande, Margravine Wilhelmine de Bayreuth

Sala de música

O novo palácio do parque de Sanssouci iniciado em1763 136

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CARAVANA INTERNACIONAL CULTIVE LISBOA E ODIVELAS

Tomba de Camões

Tomba de Camões

Praça do comércio

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Guiados pela Cultive, autores brasileiros divulgaram obras, a literatura brasileira e associações literárias no evento do 1° Encontro Internacional realizado na Suíça, Alemanha e Portugal. A Caravana Cultive esteve em Genebra, Berlim, Lisboa e Odivelas. No evento na APP presença do presidente Elos Cub Internacional de Portugal Senhor Fernando Cardoso. Após o Salão do Livro de Genebra a Caravana Cultive foi recebida na sede da Associação Portuguesa de Poetas por Mabel Cavalcanti (vice-presidente), Helena Barrades (tesoureira),Wictor Camarate (secretario), Calos Cardoso (ex-diretor) e membros da APP. Nesse 1° Encontro Internacional Cultive. Palestras, recital e entrega de homenagens foi o ponto forte. Um coquetel de amizade selou o Intercâmbio entre os representantes dos dois países irmãos. A comitiva Cultive foi composta pelos autores bresileiros: Izabel Marum, Norma Brito, Maria Inês, Botelho, Maria José Esmeraldo Rolim, Linda Bezerra, Valquiria Imperiano, Manoel Osdemi, Jacira Barros e Telma Brito. Em Odivelas(PT) a Caravana Cultive entregou livros na Biblioteca pública da Cidade. 138

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Delegués Culturais e Membros Internacionais Cultive Em 2018 o trabalho realizado pela Cultive no Brasil e em Genebra foi muito proveitoso. Os autores as associações culturais estão procurando nos apoiar e mostrando interesse em vincular-se à Associação. A Cultive está honrada em receber pessoas com vontade de semear a cultura no Brasil. Os novos membros da Cultive, assim como os Delegués Cultive nas diversas regiões do Brasil.

Montana Cabral Membro Internacional Cultive Representante Cultive Genebra

Pio Barbosa Neto Delegué Cultural Cultive Fortaleza- Brasil

Clairiec Ignácio Delegué Cultural Cultive em Curitiba- Brasil Rita Guedes Delegué Cultural Cultive Ceará - Brasil

Alexandre Santos Delegué Culturel Cultive à Pernambuco - Brasil

Dom Bruno Carneiro Lira Membro De Honra Recife

Maria Inês Botelho Delegué Cultural Cultive Maringá- Brasil

Eloah Westphalen Naschenweng Delegué Culturel Cultive Florianópolis- Brasil

Maria José Esmeraldo Delegué Cultural Cultive Fortaleza- Brasil

Lucia Sousa Delegué Cultural Cultive em Recife - Brasil

Dr. Antonio Galeno Neto Membro De Honra Fortaleza

Avani Peixe Membro Internacional Cultive Alagoas Revue Cultive - Genève

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Paulo Tadeu Sampaio Membro Internacional Cultive Foratleza - Brasil

Henrique Ferresi Membro Internacional Cultive Içara, SC-Brasil

Maristela Giassi Membro Internacional Cultive Florianópolis, SC-Brasil

Moisés Ricardo Mpova Delegué Culturel Cultive Luanda -Angola ìnterim em Florianópolis

Adir Pacheco MembroInternacional Cultive Florianópolis, SC -Brasil

Neusa Maria Bernado Coelho Membro Internacional Cultive Florianópolis, SC-Brasil

Iratan Martins Curvello Membro Internacional Cultive Florianópolis, SC-Brasil

Edenice da Cruz Fraga Membro Internacional Cultive Florianópolis, SC-Brasil

Vera Regina da Silva de Barcellos Membro Internacional Cultive Florianópolis, SC-Brasil

Osmariana Maria de Souza Membro Internacional Cultive Florianópolis, SC-Brasil

Dioni Fernandes Virtuoso Deleguée Culturel Cultive Criciúma, SC-Brasil

Anapuena Havena Membro Internacinal Cultive Quixadá, Ceará

Claude Bloc Membro Internacional Cultive Cariri - Ceará -Brasil

Eugênia Maria Lucena de Melo Membre Internacional Cultive Recife - Brasil

Isis Dias Vieira Membro Internacional Cultive Brasilia-Brasil 140

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Association Cultive - Club International d’At Littérature et Solidarité de Genève D` Honneur

Dom Bruno Carneiro Lira Posse : Recife dia 10/10/2019 às 18h Bibioteca Pública Estadual

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Association Cultive - Club International d’At Littérature et Solidarité de Genève D` Honneur

Dr. Antônio Santiago Galeno Júnior Posse : Fortaleza dia 24/08/2019 às 15h Casa de Cultura Juvenal Galeno


Paulo Tadeu

PAULO TADEU SAMPAIO DE OLIVEIRA,

Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture-Paris (Membre D’Honneur et Ambassadeur); Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará; Academia de Letras e Artes do Ceará; Academia Afro cearense de Letras; Academia Fortalezense de Letras; Academia de Letras Juvenal natural de Palmá- Galeno; Instituto do Ceará (amigo); Centro Cultucia-CE, é Jornalista, Administrador, Professor ral do Ceará; Associação Cearense de Imprensa Universitário. Pertence dentre outras instituições: (ex-Presidente). Revue Cultive - Genève

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DE PALMÁCIA À CULTIVE Paulo Tadeu Sampaio de Oliveira

Ah, a vida, quantas surpresas me tem reservado!… Como cheguei até aqui? Qual foi a minha trajetória? Penso nisto e vejo-me quando menino a brincar, lá na minha serrana Palmácia, interior do Ceará, no Nordeste brasileiro. Borboletas, passarinhos, flores silvestres, cachoeiras, canaviais, bananeirais, laranjais, jaqueiras, cajueiros e pés de ciriguelas faziam parte do cenário campestre do Sítio Canabrava. Lá eu fui alfabetizado por minha mãe e cursei até o 3º ano Primário. Aos 13 anos tive que trocar a calmaria campestre pela turbulência da cidade grande, a capital Fortaleza. Por sorte, ainda imberbe e aluno do Liceu do Ceará, tornei-me Amanuense Datilógrafo trabalhando na Secretaria da Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, mantida pela União Norte Brasileira de Educação e Cultura, que funcionava no prédio do elitizado Colégio Cearense Sagrado Coração e era agregada à Universidade Federal do Ceará. Sorte sim, pois com tenra idade via-me no convívio com a alta intelectualidade da terra de Alencar, visto que o Corpo Docente era da melhor qualidade; o Corpo Administrativo bastante qualificado; e o Corpo Discente composto, majoritariamente, por jovens oriundos da classe social elevada. Sob a tutela da prestigiada Congregação dos Irmãos Maristas, a Faculdade Católica era como uma Universidade. Oferecia diversos de Cursos de Bacharelado e Licenciatura nas áreas de Filosofia, História, Geografia, Pedagogia, Didática, Matemática, Física, Letras Neolatinas, Letras Clássicas e Letras Anglo-germânicas. Por tratar-se de uma fato relevante, cabe aqui um parêntese, pois fui testemunha vivencial da história: por conter multiplicidade de Cursos, a Faculdade Católica de Filosofia do Ceará tornou-se a base para a instalação da Universidade Estadual do Ceará, surgida com a sua encampação pelo Estado e junção às duas Faculdades estaduais já existentes: a de Veterinária e de Administração (Cursos de Pública e de Empresas), somadas às também encampadas Escola de Enfermagem São Vicente de Paulo e Escola de Serviço Social. Numa época de escassez tecnológicas e sem 146

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computador, todas as tarefas eram manualmente feitas pelos cinco funcionários da Secretaria, onde me incluo, abrangendo inscrições para o Vestibular, provas mimeografadas, matrículas, emissão de certificados, diplomas, histórico escolar, apuração de frequência, cálculos e mapas de notas, expedição de carteiras estudantis, datilografar diários de classe, declarações e certidões, entre outras rotinas universitárias como a preparação de atividades extracurriculares e de extensão, inclusive no campo dos Esportes, das Artes e da Literatura. Estas gamas de novidades e de aprendizagem despertaram-me o desejo de enveredar pelo fabuloso mundo acadêmico e seguir uma carreira profissional. Bacharelei-me em Comunicação Social na Universidade Federal do Ceará e em Administração Pública na UECE, onde fiz o Mestrado Acadêmico e tornei-me Professor mediante Concurso. Jornalista amante da cultura aproximei-me da Casa de Juvenal Galeno, que considero o grande guarda-chuva das letras e artes do Ceará, pois sempre acolheu intelectuais e sediou diversas instituições, em clima de harmonia e envolvimento, diariamente de portas abertas, desde o tempo do seu fundador à atualidade, agora sob o eficiente comando do lhano Dr. Antônio Galeno. Antes de se falar em centro cultural nas plagas alencarinas, a Casa de Juvenal Galeno já o era, na prática. Naquela casa, onde o lirismo literalmente faz morada a partir da profusão de Liras simbólicas e decorativas, tive o prazer de conviver, nas reuniões da Comissão Cearense de Folclore, com a Dra. Nenzinha Galeno e com Dr. Alberto Santiago Galeno. Foi lá que, a convite do saudoso literato Lima Freitas - Presidente da Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará, ingressei na ALMECE representando a minha Palmácia, cujo Patrono indiquei o eminente filólogo palmaciano e imortal da Academia Cearense de Letras, professor José Rebouças Macambira. Descobri o fantástico modo de viver no mundo literário. E vieram os contatos, as amizades, a interação, a abertura para participações em outras entidades congêneres entre as quais, movido por amor à minha terra cito a Arcádia Nova Palmaciana Científica, Literária e Artística. Aquele menino do final da década dos Anos 40, agora setentão, honra-se em participar e colaborar com as nobilíssimas atividades da Cultive Littérature Art et Solidarité, estreando nesta histórica “VII Antologia Cultive – A efemeridade da vida”. Pela vida, glorifico e louvo ao Altíssimo!


Quando uma criança deseja algo e não consegue, ela chora durante alguns minutos, mas logo está brincando feliz, como se nada tivesse acontecido. Por que os adultos não conseguem ser felizes, exceto quando os seus desejos são satisfeitos?

ISIS DIAS VIEIRA

, é Psicóloga pela USP, estudou Música, Teologia e Filosofia. Prof. da Univ. Federal do Esp. Santo e pesquisadora no Inst. Nacional de Pesquisa sobre os Transportes e sua Segurança, Paris/Fr, onde fez estudos doutorais em Dependência Química e especializou-se em Psicologia Transpessoal. Participa da Academia de Letras e Música do Brasil, dentre outras. Com publicações em várias línguas, recebeu Prêmios Nacionais e Internacionais. Livros: “A Oração do Pai-Nosso – o Mantra...” (port/francês), “A Saga de um Sábio” – prêmio Romance Biográfico.

O Reino da Felicidade Um dos ensinamentos mais importantes, que a humanidade atual já recebeu de um mestre, é o que se refere à felicidade, que todos nós perseguimos ao longo da vida. Ao ser perguntado sobre o Reino de Deus, Jesus, com sua maneira peculiar de passar os ensinamentos de Cristo, chamou uma criança, colocou-a diante dos discípulos, e disse: para entrar no reino de Deus, é preciso ser feliz, como o é uma criança. Os discípulos, boquiabertos, certamente olharam aquela criança, sem entender nada!

As características mais marcantes da infância são a simplicidade e a pureza. Então, se um adulto quer ser feliz, ele tem que resgatar essas características que ele tinha, principalmente na primeira infância. Embora o mundo mental de uma criança seja igual ao de um adulto, ela é um ser completamente simples e puro, até que o conhecimento da vida humana a obrigue a empurrar isso para o inconsciente; ou seja, para se adaptar ao mundo humano, ela é obrigada a esquecer essas características, que são fundamentais para ela ser feliz na vida adulta. Entretanto, é graças a essa memória primordial, inconsciente, que os adultos sempre buscam a felicidade, através de seus relacionamentos e de tudo que fazem neste planeta. Quando uma criança faz algo, ela não pensa, não analisa, não interpreta, não julga. Ela faz alguma coisa, porque faz! Ela não pensa se seria bom ou ruim, se vai trazer algo para o futuro, se vai ajudála, se vai melhorar a sua vida. Ela simplesmente vive cada coisa, cada momento, sem ligar nada de hoje com o amanhã ou com o ontem. A criança é o ser livre, é o ser que faz livre cada momento, dentro do momento, com o que tem no momento, sem se preocupar se o amanhã será melhor ou pior, se isso está certo ou errado. Em sua pureza de coração, ela não odeia, não guarda rancor nem tem sentimentos de mágoa, como os adultos. Mesmo quando eles a castigam, alguns minutos depois ela brinca, alegre, sem ressentimentos, sem pensamentos negativos. Por não estar ligada ao passado nem ao futuro, sua mente não raciocina nem tira conclusões.

À medida que uma criança cresce, ela passa a acreditar no que os adultos lhe dizem sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre ela mesma, porque é preciso que ela se torne um ser humano como você. Como a característica primária do pensamento adulto é o egoísmo, nossos pensamentos criam tribulações e geram sofrimentos. Por isso, à medida que crescemos, perdemos a simplicidade e a pureza, e passaPara compreendermos o sentido desse ensinamen- mos a criar nossos próprios sofrimentos. to, precisamos observar atentamente como vive O ensinamento de Cristo nos diz que um ser espiuma criança, como ela reage aos seus dissabores. Revue Cultive - Genève

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ritualmente evoluído é igual a todo mundo, faz as mesmas coisas como todo mundo, e está sempre feliz! Portanto, não é a vida humana nem os outros, em suas imperfeições, que nos torna infelizes; mas a maneira como vivemos nossos relacionamentos, como vivemos nossa vida. Então, o que nos falta para sermos felizes? Como adultos, temos que resgatar a simplicidade e a pureza que tinhamos na infância; temos que resgatar o reino da nossa felicidade, como ele o é no coração de uma criança. Então, precisamos reaprender a lidar com a vida da mesma maneira que uma criança lida. Cada ser humano adulto é como uma lâmpada, que tem um poder de brilho, por exemplo, de 100 wats; mas, como a nossa lâmpada (o espírito) está coberta de pó, isso reduz o seu brilho. Por isso, para sermos felizes, estando na condição humana, temos que nos purificar, nos limpar das nossas impurezas, que absorvemos desde a infância, com tudo o que é inerente a essa condição: o egoísmo, o racional, as verdades relativas, os apegos materiais e afetivos, as certezas, os conceitos, os valores, os desejos, os julgamentos. Só assim, conseguiremos resgatar o reino da nossa felicidade e, conservando a consciência de adultos, seremos felizes nesta vida! É isso que Cristo disse a respeito da sua felicidade: você precisa lidar com a vida da mesma maneira que uma criança lida!

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OS CAMINHOS DO CAFÉ Quem vê uma xícara de café nem imagina quanta história o pequeno fruto carrega; o longínquo caminho que teve de percorrer para hoje estar incrivelmente em nossas mesas... Conta a lenda que, por volta do século III d. C, o café foi descoberto por um jovem pastor chamado Kaldi. Ele estava com seu rebanho nas montanhas da Abissínia, atual Etiópia, quando observou que alguns animais desapareciam durante a noite e retornavam bastante agitados. Intrigado, o pastor seguiu os animais e percebeu que eles se agitavam após comer determinado fruto. Então Kaldi experimentou do fruto do cafeeiro e logo se sentiu mais enérgico. Colheu alguns e os levou até um monge, que preparou uma infusão com o café e, após bebê-la, sentiu também uma agradabilíssima sensação e agitação. O monge passou a consumir a infusão durante suas noites de oração e percebeu que a bebida o ajudava a manter-se acordado. Em pouco tempo, a notícia se espalhou e todos queriam consumir o café; o fruto misterioso cheio de energia. Por séculos, os árabes tiveram o domínio sobre a

planta. Acreditando em seu mágico poder energizante, guardavam o café como algo muito valioso. Até que um monge indiano, chamado Baba Budan, que peregrinava por Meca, contrabandeou sete sementes de café. Elas foram levadas à Índia, onde cresceram e prosperaram. Posteriormente, graças ao comércio marítimo com a Índia, a Holanda começou a comercializar o café na Europa, cultivando-o em suas colônias. Os holandeses, então, presentearam o rei Luís XIV da França com uma muda de café, que foi colocada em uma belíssima estufa para ser preservada. Porém, um soldado ambicioso desejava que a França também comercializasse o fruto e considerou a colônia francesa de Martinica o lugar ideal para o seu cultivo. Então, durante a madrugada, o soldado foi até a estufa do rei e pegou uma muda da planta. Em seguida, tomou o caminho da colônia. Ele estava certo, da pequena muda surgiriam milhões de pés de café. Aos poucos, o café foi conquistando todo o mundo. No Brasil, sua chegada ocorreu em 1727 e deve-se ao governador do Estado do Grão-Pará, que, interessado em comercializar o café, encarregou o sargento-mor Francisco de Melo Palheta, homem bem afeiçoado, a conseguir algumas mudas da planta. Para realizar a missão secreta, o sargento-mor se dirigiu à Guiana Francesa com o pretexto de resolver questões da fronteira. Aproximou-se da esposa do governador da capital, a Madame d ́Orvilliers e, ganhando sua simpatia, ele conseguiu a tão desejada planta. E desta forma o Brasil conseguiu sua primeira muda da planta. Assim, as primeiras plantações de café ocorreram no Pará, na região Norte, e, posteriormente, na região Nordeste. Mas, devido às condições climáticas, a plantação não prosperou. Tentou-se, então, a região Sudeste do país e foi no Vale do Paraíba, região localizada entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, que o café encontrou um meio perfeito para se desenvolver, como também desenvolver o próprio Brasil. O café se tornou o grande propulsor da economia brasileira no século XIX e inúmeras foram as transformações causadas por ele. O acúmulo de capital proporcionado pelo negócio do café permitiu que novas tecnologias fossem implantadas e que cidades se desenvolvessem. Estradas e ferrovias foram construídas para facilitar o escoamento do café. Casarões simples foram transformados em verdadeiros palacetes e o luxo europeu foi incorporado pela classe social em ascensão. Imigrantes aportavam no Brasil para trabalhar nas grandes laRevue Cultive - Genève

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vouras, trazendo em sua bagagem uma nova cultura a ser assimilada pelo povo brasileiro. O acúmulo de capital gerado pela economia cafeeira permitiu, ainda, que se iniciasse o processo de industrialização no Brasil, mudando radicalmente a realidade do país. Era o Ciclo do Café. Anapuena Havena (Da obra Encantos do Café - volume I)

Revue Artplus 2020, português / francês inscrições abertas literatura, arte, cultura cultivelitterature@gmail.com www.cultive-org.com distribuida na Europa - Brasil 150

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O CORPO

O corpo físico é a expressão máxima da vida humana, que possui todas as credenciais para ser apresentado como símbolo das suas manifestações, em que se apresenta com evidencia irrefutável do reconhecimento da corporeidade do ser humano. Consequentemente, todo o sistema, organização e instituições formadas por homens e mulheres. O corpo herdeiro do pensamento grego em um jogo semântico com sua sombra: alma, consciência e espírito. Promove uma relutante divisão lógica de um conceito a ponto de qualquer questão histórica, que despertar em nós de modo natural a curiosidade dos grandes pesquisadores que trabalham com o corpo: os medievalistas, Descartes, Freud e tantos outros. O substantivo corpo tem origem no latim corpus e corporis, (corpulência e incorporar), que designava o corpo em oposição à alma ou anima, de onde vem o sentido “cadáver”. A linguagem do corpo é constituída por sua natureza e por suas funções e a secreta, do espírito, que se “materializa” e se exprime por meio dele.

Lúcia Sousa Filosofando sobre o amor na Literatura – União Brasileira de Escritores –UBE, 2019 Referência Pernambucana aos Melhores Profissionais do Estado de PE – Associação Alimentando Vidas, 2019. Embaixadora Cultural e Medalha Mandacaru – Editora Enseada das Letras, 2018 Prêmio Porto de Lenha de Literatura. Editora Porto de Lenha, 2017 Participação na Festa Literária Internacional do Ipojuca, FLIPO, 2017

Porém, mais importante do que dividir o homem em blocos (corpo, alma, mente...), é reconhecê-lo enquanto um ser único, no qual suas ações dão frutos de uma comunicação interna, levando em consideração os fatos externos, pois, nenhum bloco é autônomo ou independente. O que seria do corpo sem a alma? Ou da alma sem o corpo? A articulação entre esses dois blocos se dá de uma forma natural e espontânea. É relevante percebemos o resultado dessa junção que acontece muitas vezes, através de expressões corporais. As metáforas do corpo estão ligadas à inúmeras questões e hoje, mais do que nunca, vemos que as ideias e representações estão atadas como histórias que se constituem por meios de marcas, enquanto agente de produção e que surgem como reencontro após um esquecimento muito longo: a consciência e liberação da imagem do corpo, através das palavras de ordens, tomadas dos historiadores que muito se interessam por tudo que as culturas anteriores fizeram com o corpo: mutilações, rituais e outras ligações diversas de funções corporais. Revue Cultive - Genève

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Hoje observamos os diversos cuidados rotineiros de tratamentos com a saúde, a beleza e as formas do corpo, seja em academias, clínicas de estéticas até procedimentos cirúrgicos mais abrasivos como as cirurgias plásticas. E o uso que se tornou comum, as inscrições no corpo, as tatuagens. Vivemos a sociedade da imagem, exibicionista por natureza, refletida por uma cultura de muita sedução, mas que se fundamentam nos seus alicerces culturais. Há indícios que a prática de marcar o corpo é tão antiga quanto a própria humanidade. Ornamentado, vestido ou nu, pinturas no rosto, suas formas de eterna magia são fenômenos naturais sobre o poder do domínio no sentido que tem que ser apreciável, belo e de exposição ao merecimento de créditos e dominadores dos que se fazem admirar. Corpo, vetor dos vícios e do pecado original, mas, também é o vetor da salvação: “osso de meus ossos e carne da minha carne” (Gênesis, 2,23), que formam um corpo; e depois desse momento não pôde mais ser ignorado. A partir do instante em que entendemos o corpo dentro de um contexto cultural, reconhecemos a expressão corporal como uma linguagem, nós o colocamos em uma realidade social que dialoga com diversas manifestações construídas por esta sociedade, inclusive a religião. Citemos a dança, enquanto uma das expressões do corpo mais conhecidas por todos, desde os povos primitivos, que já apresentavam a necessidade de se fazer entender, se expressar, e se incluir em um determinado contexto em consequência da comunicação e que fossem a base para a transmissão dos seus valores, conceitos e anseios. Desde a antiguidade a dança é abordada como meio de expressão do corpo. Em uma passagem bíblica sobre o rei Davi, existe o registro, “Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor, ele estava cingido com um efod de linho”(2 Samuel 6,14). A linguagem do corpo surge neste momento como uma realidade de ordem religiosa para um evento de louvor e agradecimento voltado ao sagrado, amparado em uma ligação com o Divino. Derivamos de um tempo que é necessário muito esforço para compreender o corpo, quebrando paradigmas numa variedade de cores e padrões estéticos. E neste cenário contemporâneo ganhar a vi152

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sibilidade e gerar novas construções e aceitação das regras da sociedade, e que de fato o mundo mudou.

PORQUE SEI QUE TE AMO

LUCIA SOUSA

Porque sinto que estás dentro de mim No pulsar das veias No ar que respiro Na dimensão do meu ser. Sinto alegria Alegria de viver Alegria de te amar Alegria de te esperar Sinto dor Dor de tua ausência Sinto frio O frio pela busca da tua presença Sinto um desejo sem fim de te amar para sempre Sinto que preciso de ti Dos teus olhos a me olharem De tuas mãos a me tocarem De ver teu corpo caminhando Esse movimento que dá vida a minha vida Fique comigo que ficarei para sempre contigo Amando-te, respeitando-te Em todos os momentos Com sol, lua e chuva. É assim que te amo Eternamente te amando Evandro.


Neusa Maria Bernado Coelho é farmacêutica, escritora, poetisa, historiadora. Colunista no Site Portal Palhoça on-line com História em Foco. Filha de Ari José Bernado (in memoriam) Maria da Rosa Bernado, nasceu em 06 de março de 1958, na Praia de Fora, Palhoça/SC. Casada com Norberto Coelho, tem três filhos: Nanderson, Thiago e Luisa. As duas netas gêmeas chamam-se Elisa e Sofia. Na Ação Social Paroquial Senhor Bom Jesus de Nazaré é membro da diretoria em várias gestões, desde 1999, atualmente é tesoureira e procuradora dos idosos da Casa de Repouso Santa Maria dos Anjos. É titular no Conselho dos Direitos da Mulher. Tem três livros publicados, diversas antologias e Comendas. Ocupa a Cadeira nº 24 da Academia de Letras de Palhoça, onde é secretária.

Neusa Maria Bernardo Coelho Relações temporais Ao nascer, o ser humano carrega consigo algumas habilidades que fazem parte da sua herança genética, como o reflexo de sugar. A célere aprendizagem faz dele um diamante paulatinamente lapidado. Estímulos absorvidos tomam dimensões infinitas e se transformam em diversas imaginações prodigiosas. O provimento de experiências e inteligência, enlaça o princípio moral racionalmente escolhido pela sociedade, de forma justificada, já que não é seguido igualmente por todos os povos. Tais virtudes percorrem caminhos distintos, uns na nobreza outros na pobreza, mas o tempo tem a mesma velocidade para todos. O diferencial está na conquista do conhecimento, nas amizades e no ambiente em que cada ser transita, refletindo no convívio social. O inter-relacionamento poderá ser revestido de discordância, divergência de interesses ou de opiniões controversas que numa sociedade civilizada, se aceita e se respeita. As variantes são retribuídas de certa forma ao compartilhar alegrias, tristezas e ajuda mútua. Neste contexto, laços fortes são traçados, permitindo uma relação duradoura, desnuda de muros, chaves e códigos, porém outros frágeis e passageiros.

A ciência tem demonstrado que por onde passamos deixamos um pouquinho de nós e assimilamos outras culturas e modo de agir, ansiosamente desejados pelo carinho arrebatado da mão alheia, numa construção de pontes e vivências inesquecíveis que se entrelaçam e comemoram. Isso é maravilhoso, pois até a marca do tempo deixadas no corpo e no rosto, faz lembrar resistência às emoções e gravidade do planeta terra, uma consequência natural da vida, que não se apaga nessa ciranda multívoca. O homem transpõe o desafio temporal, compensado pelo talento e sabedoria expressados no diamante lapidado desde o nascimento até o avançar de sua vivência, equivalente a natureza contemplada numa estrada, que em cada curva apresenta paisagem exuberante. O relacionamento é rotineiro desde o desabrochar da infância, adolescência, maioridade, casamento, chegada dos filhos, netos e até mesmo ao separar ou enterrar companheiros. Alguns tornam-se inseparáveis e permanecem contínuos, outros são efêmeros, simplesmente passam à medida que há alternância da idade, deixando registrados laços afetivos, assim como a lua reluz ao abraçar o alto mar. No seleto time de amigos confidentes há o compleRevue Cultive - Genève

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to respeito, muitas vezes, mais que os próprios familiares. Uma relação construída no conhecimento mútuo, na afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo. Isso é gratificante, é uma experiência humana de vital importância que também pode ser fraternal entre pais e filhos, entre irmãos, demais familiares, cônjuges ou namorados. Conviver com os semelhantes é inevitável, pois é tão radioso quanto o sol que alimenta as energias e devaneia com um amanhã mais brilhante. Que tal, viajar, conhecer pessoas e lugares diferentes, fazer uma nova graduação, participar de um trabalho voluntário, adotar um animalzinho, isso melhora autoestima, a qualidade de vida e traz momentos de felicidade. Novas experiências rompem o passado com a revolução tecnológica do século XXI, onde os amigos virtuais são marcados por sentimentos de amizade sem nunca ter se conhecido pessoalmente, enquanto outros dificilmente se encontram. São conexões de afinidades desconhecidas celebradas na rotina de acessar as redes sociais. Nesse contexto de efemeridade da vida, o homem não desperta compunção naquilo que fez, mas no que se deixou de fazer; seja na alegria, na vivência individual ou coletiva, no crescer, no embrancar os cabelos... É nesta limitação de tempo que cumprimos a missão terrena, despertando conhecimentos e sentimentos, para transpor fases, pois envelhecer é inevitável, mas crescer é opcional.

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34° Salon du Livre de Genève Do 28 outubro ao 02 de novembro 2020 informações : cultivelitterature@gmail.com www.cultive-org.com


FLORIANÓPOLIS PRECISAMOS EDENICE FRAGA SER PONTES! A humanidade precisa de pessoas que sejam PONTES de união. Para refletirmos deixo o meu poema, A Velha Ponte.

A Velha Ponte Hoje perto do mar lá estava A solitária ponte a repousar Em seu corpo a idade pesava, Mas sobranceira estava a reinar. O tempo, o sereno o ferrugem Não poupam ponte que une terra, Corroem o aço e ao fim urgem Mostrando que a missão se encerra. Foram tantas noites enluaradas, Tantas estrelas brilharam suas vigas. Tantas gaivotas e mil passaradas Pousaram nos vértices da ponte amiga. Carros que iam e voltavam nas pistas No movimento rápido do vai e vem, Passavam também pedestres e ciclistas E algumas vezes, até carroça também. O tempo passou e a velha senhora Já não cumpre mais a sua missão, EDENICE DA CRUZ FRAGA É NATURAL DE Mas fica feliz do tempo de outrora FLORIANÓPOLIS-SC. TENENTE-CORONEL Que sobre o mar, uniu chão ao chão ! DA RESERVA DA POLÍCIA MILITAR, ESCRITORA, PALESTRANTE E APRESENTADORA DE A velha ponte assim nos ensina, TV. POSSUI DOIS LIVROS SOLO PUBLICADOS A todos nós que envelhecemos, E PARTICIPAÇÃO EM VÁRIAS COLETÂNEAS, Que quando a missão termina, CD, SITES E REVISTAS. FAZ PARTE DA ACADE- Resta lembrar, do bem que fizemos. MIA DE LETRAS DOS MILITARES ESTADUAIS DE SANTA CATARINA, DA ANACLA, FEBACLA E GRUPO DE POETAS LIVRES. ATUA NO MEIO LITERÁRIO COMO POETISA, CONTISTA E DECLAMADORA. ELA é MEMBRO INTERNACIONAL CULTIVE E ESTARá ASSUMINDO A ACADEMIA DESTERRENSE DE LETRAS EM FLORIAN´OPLIS NO DIA 20 DE NOVEMBRO 2019.

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DESPERTEI NA MADRUGADA

VERA REGINA DA SILVA DE BARCELLOS Membro Internacional Cultive Florianópolis, SC-Brasil/ Brésil

AO POETA Ainda era madrugada, precisamente 2:45 da manhã, quando me acordaste com tua infinita inspiração para compor estes versos nas ondulações dos cantos líricos de outros tempos... Abri vagarosamente meus olhos, espreguicei-me ... tentando ainda continuar a dormir, mas, tu, oh! poeta dos meus encantos, fizeste-me colocar meus pés no chão e, preguiçosamente, levantei-me para estender em linhas poéticas o que me vem á alma! Canta, pois, alma querida os deleites dos teus cantos despertos da aurora e vislumbre em tuas cadências rítmicas os mais puros sentimentos de outrora...

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Poeta, sei que despertei de um sono profundo; que descoberto dos deslizes do tempo vem à tona todos os ímpetos juvenis das pequenas almas que percorrem seus espaços, vislumbrando em cada canto de seus mundos as incessantes perturbações de seus novos pensares! Sei, que não é fácil dedilhar os pesares do dia a dia... Sei que não é simples colocar-se a descoberto aos incessantes olhos que veem sem olhar na mesma direção os códigos morais que deslizam nas políticas inconformadas dos tempos. Diz o político com seus botões: Será o certo ou o incorreto? É correto saber colocar o ovo em pé? Nas vicissitudes da vida, um chapéu de palha voa ao vento, de quem a cabeça pertence? Ao ancião que vende quitutes na esquina ou ao jovem que busca outros empregos na boléia de um caminhão? Ah! poeta ...segues poetando sem parar, pensando talvez que este não seja o teu poema, mas na poeira do tempo as linhas que se descobrem fazem parte do rodeio do teu próprio mundo, fazem parte da tua própria descoberta... Entender que as almas que caminham juntas nas descobertas de si mesmas seguem o mesmo compasso dos sonhos inevitáveis do destino. Quem viu que o diga!


Hoje é teu dia...

Simplesmente poeta!

Sei poeta que hoje é o teu dia, ou serão todos os dias da tua vida? O dia de tuas descobertas ou as descobertas de outras almas? Tua inspiração como um bisturi médico dilacera vísceras para curar o mal ou quem sabe as mãos de um pedreiro que soma pedra sobre pedra para formar uma grande parede indivisível, quem sabe! Pingos pingados de uma saudade conta as contas dos rosários das ave-marias, ou o pai nosso de cada dia, do pão de aluguel que na mesa fornece, ou o feijão de um bago só no tempero da água com sal fervendo na panela a dias! Ah poeta! Quantas viagens nos teus mundos, já se conta mais de centenas talvez! Somos como o vento que apazigua os temporais ou as fagulhas que aumenta o fogo nos vendavais? Ah! poeta deixe nas linhas de tuas diretrizes o consolo que aumenta de dia e atemoriza nas noites os teus sonhos despertos da intuição. Canta poeta os teus sentimentos mais íntimos da pureza que tua alma de criança crescida deixa transparecer as luzes que sempre foram o néctar do mais puro mel! Ah! poeta dedilha tua oração matinal rezando baixinho a outros poetas que seguem pelo mesmo caminho em direção ao sol! Chame poeta, teus companheiros de lida, deixe-os dedilhar nas linhas das tuas descobertas teus sonhos ínfimos de contornos soletrados de mistérios, orlando jardins a descobertos! Sim poeta, hoje é teu dia, tua liberdade começa quando a do outro poeta termina. Sim quando termina... Se num mesmo festival de cantorias os poetas poderão um dia terminar suas poesias! Pois as poesias, poeta dos meus encantos, resistem ao tempo e ao espaço, elas são infinitamente belas e eternas...

Poeta, hoje é teu dia. Voas como as borboletas leves em seus voos primeiros Nos mais altos valseios de um dança qualquer. Não preferes jazz, rock ou samba, Somente dança de um compasso três por quatro Para que tuas asas junto a outras Possam delinear a frenesi dança dos eternos enamorados... Poeta, hoje despertastes tão romântico, Deixastes em teu lençol na cama Os vestígios de uma noite de amor! Deixastes um coração cantando baixinho As melodias do encanto d’alma, Sussurrando apaixonadamente teu nome poeta, Anônimo inspirador dos trovadores dos tempos! Ah! Poeta... Teu vesperal desperta corações, Faz saltar poesias... Jardins de rosas... E as águas das mil correntezas... Faz cantar passarinhos... Voar borboletas... Contornar nuvens altaneiras... Azuis no céu... e verdes mares do sul! Teus encantos poeta encantam a muitos, Namoricam a outros e apaixonam a tantos... Teus dizeres poeta colorem sonhos, Assumem diretrizes das almas que te escutam... Que se comprazem em atender o teu chamado Para que seus corações não parem de bater Neste mundo infinitamente belo de emoções e encantos... Poeta... Continue a dedilhar o compasso de tua própria dança E não deixes jamais de seres simplesmente um poeta do mundo... Um poeta da vida... Um poeta do amor! Um Poeta Neste Grande Universo De Deus Um caminho solitário, talvez! Poeta, sei que caminhavas sozinho pelas veredas da vida, bisbilhotando outras vidas... ou espiando outras almas... Quem sabe! Somente olhando as almas em sua simplicidade, passando pela vida, dedilhando sapatilhas de balé, sapateando castanholas, ou picoteando rebolés de samba... Revue Cultive - Genève

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Avani Peixe Avani Peixe Lemos nasceu e viveu sua infância e juventude na cidade de Poção-PE. Ela tem uma formação Pedagógica e é Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Olinda. Vem de muito cedo a sua admiração pelas artes. Em Maceió, onde reside com marido e filhos, dedica-se à pintura, à leitura, à literatura e escreve contos e poesias.

POESIA DE AMOR À VIDA O meu Deus está comigo! Nas horas de alegria Nas frustrações vividas E horas de solidão Sem sono Nos encontros e desencontros Onde a alma em soluço Sufoca o pranto Onde a dor é mais sentida Reserva de segredos Sentimentos, questionamentos E medos Postos à prova A existência humana, A evidência. 158

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A forma. O meu Deus esteja comigo! Quando a minha voz canta Quando um amigo à distância Me chama Um telefone toca Uma esperança. O meu Deus está comigo! Quando um olhar perdido Na multidão O meu olhar encontra Igualdade é uma realidade Que dita e proclama Irmãos que somos na vida Pela Fé, Amor e Esperança. O meu Deus está comigo! Na distância que me permite estar Na presença, da ausência O meu lugar, Questionar. O meu Deus comigo está, Nas orações que de manhã À luz do dia, faço


Nas minhas preces de gratidão Quando à noite, no meu silencio Me componho No repouso dos sonhos, Que me permitem viajar Aos mais distantes mares O meu Deus está presente! No canto suave e piedoso De alguém que chora, Por desabafo No canto superlativo De um pequenino pássaro O meu Deus está comigo! Nos poemas e poesias Que de simples Nas minhas dúvidas, refaço Na flor que de formosa Se abre à vida, À luz do dia À alegria do jardim Da nossa casa O meu Deus está presente No choro do outro O acalanto de um abraço Reparador e amoroso A dor sentida Em questão a vida. Encontro o meu Deus No silêncio das minhas dúvidas, Das minhas mágoas perdoadas Da minha infância não esquecida, Dos meus medos e segredos A ninguém nunca confiados. O meu Deus acompanha Os meus sentidos Nos livros que leio, desvelo, Bem os leio Na construção da vida O meu maior desejo Recusa do sem sentido Encontro o meu Deus No toque suave de uma mão amiga, Um abraço afetuoso Meus entes queridos. Vive Deus Nas coisas simples da vida, Num bilhete guardado, amare-

lado, Um presente esquecido Com fitas vermelhas e verdes E laços Na minha cômoda do quarto, Um dia especial é chegado. Bem assim, o sol desponta À luz de brilhos e sombras, A luz que acende e apaga A minha fé no amor, depositada Nos pensamentos que seguem O meu Deus está presente Na perspectiva de uma viagem programada De belas paisagens E belos campos verdejantes De cachoeiras vertentes e cantantes De lágrimas doces e salgadas. Sinto o meu Deus nos dias ensolarados Também nublados De chuvas cantando no telhado Convite a uma oração, Os sinos que tocam e dobram Igreja de Poção. Nesses cânticos de adoração E fervorosa emoção Os pensamentos voam alto Chegando ao Deus da criação. É tudo! Minha casa, Madrugada,

Minha Nina acordada, A chuva que toca na vidraça, Uma cantiga de ninar adorada Lembranças que falam de tudo E de tudo falam. Um livro aberto, marcado, Na mesinha de noite, do quarto, Lido e relido As folhas do tempo passado, Fato consumado O meu Deus está comigo Na inspiração que devagar se instala Resistente às adversidades que de pronto vagam Neste universo tão complexo E, ao mesmo tempo, adorável O meu Deus cada vez mais presente No meu desapego, Na minha convicção cada vez mais sentida, Reconhecida Na esperança que me convém viver intensamente Diante da Efemeridade da Vida

Artigo em português cedido pela Revue Artplus impressa - n°1

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Iratan Martins Curvello Príncipe poeta O autor nasceu em 16 de outubro de 1960 no município de São Francisco do Sul/SC e fixou residência em São José/SC a partir de 1984. Sua formação é o de Técnico Contábil e atualmente está cursando a 10ª fase do curso de direito da faculdade Anhanguera. Aposentado como Empregado Público Federal pela Companhia Nacional de Abastecimento-CONAB, onde por 21 (vinte e um) anos exerceu funções na área contábil, fiscal tributária e administrativa e foi um dos fundadores e compôs o elenco do GRUPO TEATRAL CONART constituído junto à empresa e que nasceu com o intuído de socializar o grupo funcional, dedicando-se desde então, a fomentar a cultura no estado de Santa Catarina. Atuou como diretor executivo, roteirista e compôs o elenco de poetas do “ESPETÁCULO LÍTERO-MUSICAL CRUZ E SOUSA CANTO E POESIA” que foi apresentado no TEATRO ÁLVARO DE CARVALHO - TAC em Florianópolis-SC nos anos de 2017 e 2018, declamando poesias de sua autoria, em homenagem ao poeta desterrense “João da Cruz e Sousa”. 160

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Já recebeu o troféu de honra ao mérito do GRUPO DE POETAS LIVRES, por ocasião de sua participação no 10º Concurso “Alzemiro Vieira” onde concorreu com a poesia “ECOS DE SAUDADES”, sendo sua obra publicada na coletânea VENTOS DO SUL, edição de dezembro/2014. Participou em 17/03/2018 em São Paulo/SP, do 1º Concurso “Luiz Gama” Poesias realizado pelo Instituto João Candido – Centro Cultural do Negro, onde declamou a poesia de sua lavra intitulada “ALMA DE NEGRO” que foi editado em CD e antologia impressa. Participou do concurso novos poetas da VIVARA EDITORA NACIONAL – SARAU BRASIL 2018 – CONCURSO NACIONAL NOVOS POETAS com a poesia “VIVENTE” onde foi classificado entre 2614 poesias participantes, para estar na edição que conta apenas anualmente com 250 poesias selecionadas a nível nacional. Os sinos tocam para o príncipe. No dia 19 de novembro Iratam Curvello irá receber a Medalha Muncipal de Mérito Afrodescendentes conforme resolução 153/2004. A cerimônia acontece às 19 h no plenário Eugênio Manoel da Cunha. O premio é descernido pela Câmara Municipal de São José em reconhecimento as suas atividades culturais exercidas na região.


MEU MESTRE (Autor: Iratan Martins Curvello)

Poema extraído do livro «Nos passos de Alzemiro» autor: Iratam Curvello. Homenagem a Alzemiro Lidio Vieira, artista, corista, ator, roteirista, poeta, escreitor, intérprete e cantor. Alzemiro deixou saudade no meio literário catarinense. Falecido em 27/10/2013.

Não me importo que me chamem de louco Por seguir teus passos neste mundo neutro Meu eterno caminhar é seguir-te meu mestre Querendo me encontrar com teus lindos versos E abrir todas as portas do infinito Como o arauto de um novo tempo Onde ainda eu possa ouvir teu canto Ecoando uma cantilena sem pranto E pintar um novo mundo com sentimentos Com as mesmas cores que usaste em vida Quando tudo aqui tinha o teu belo sorriso E o teu jeito simples de tratar os amigos E como um louco sigo eu tão somente Não sabendo onde esse destino vai dar Mas tenho certeza que ele não é o fim Mas, uma longa estrada, para eu caminhar E neste mesmo palco da vida Que um dia abriste teus braços Possa eu encontrar um outro gesto Para te dizer, muito obrigado, meu mestre.

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CHRISTIANE DE MURVILLE escritora

Christiane Couve De Murville é doutora em Psicologia Clínica pela USP, bacharel em Ciência da Computação. Publicou a trilogia “A Caverna Cristalina”, o “A vida como ela é”, no Brasil e na França, e o “Até quando? O vai e vem”. A Caverna Cristalina: Vol.1 – Uma aventura no tempo, Vol.2 O desafio do labirinto, Vol.3 Capturados no tempo. Aventura e ficção na Chapada Diamantina, Brasil. Um grupo de pesquisadores descobre uma caverna com qualidades mágicas que permitem viajar no tempo. Transportados para diferentes momentos históricos do vilarejo de Igatu, os integrantes do grupo terão que desvendar segredos que unem passado, presente e futuro. Contarão com uma bússola incomum capaz de nortear as viagens 162

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por portais dimensionais. A vida como ela é: Dois vizinhos com objetivos e visões de mundo diferentes encontram-se regularmente. Fazem escolhas e seguem caminhos opostos, que os levam a um surpreendente desfecho. Até quando? O vai e vem: Após morrer, João vai parar em seu armazém de memórias, local à margem do mundo terreno. Insatisfeito com sua atuação na vida recente, decide retornar à Terra para esclarecer equívocos e provar seu valor. Mas tem que tomar das águas do esquecimento.

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BATALHA INFERNAL

- Christiane Couve de Murville Seres divinos vêm para estados de baixa frequência, em mundos onde nenhuma luz consegue penetrar, onde falta honra, justiça, verdade e impera a mentira, a inveja, a soberba, a ganância, a cobiça, a arrogância, a avareza e todo tipo de sentimento próprio dos recantos mais sórdidos do universo. Ninguém se lembra de quem é ou de que é espírito eterno. As pessoas com suas virtudes invertidas vivem com uma visão da realidade limitada a um espaço tempo, aprisionadas em projeções pessoais e pensamentos ego-centrados que alimentam e sustentam o casulo mundano no qual estão enfurnadas. E quando uma fagulha de vida mais luminosa perfura a aura desse mundo sombrio e sofrido, ela é logo embrulhada pelas vibrações vigentes no planeta, que lhe roubam a pureza e a inocência, estimulando-a a também se comportar de acordo com o grupo que vive no ambiente onde foi parar. Fica, então, possuída por energias que não são ela, emaranhada no caldo coletivo que engole todo mundo e rouba a individualidade. O anjo perde a força, seu poder, as suas asas! E na hora da luta, não consegue fazer nada. Tem rabo preso com energias com as quais foi condescendente ou para as quais fez vista grossa. Fica então na realidade que lhe cabe, com gente covarde, que mente, não é 100% verdadeira e vive sem honra. Mas o que fazer? Como sair disso? Como recuperar a força, o poder e a luz? Resistir a tudo que rouba a animação, a individualidade, a sintonia com a verdade do coração e a conexão com a força de vida universal, o princípio divino presente em tudo. Ser íntegro e verdadeiro sempre. E como em uma lâmpada, quanto maior a resistência, maior a luz emitida!

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ECOS DE LIBERDADE Liberdade! Grita o corpo na dor que arde... e tarda na agonia dos grilhões. Anseio em longínquo horizonte, fonte de esperança no tempo que se arrasta, na lágrima que se desgasta. Reflete a aurora de um tempo, no tempo de nova aurora que surge. Amplexo do funéreo acalanto no canto do sentimento da liberdade que urge. E planta a semente do fruto em luto pródigo. Arde a dor na tarde do funéreo pranto, e já nu sem manto nem encanto reside em Florianópolis, nasceu em Lauro Mül- o alquebrantado corpo ler, SC, em 8 de julho de 1952. Filho de Walfredo quase morto Pacheco e Maria D. P. Pacheco. Casado com Rosane canta a saudade M. S. Pacheco. Músico, poeta, contista e cronista. da liberdade santa. Graduando em História/Filosofia - Unicesumar. É Membro Internacional Cultive. Adir é um dos au- Das entranhas, o grito mudo, tores que tomará posse na Academia Desterrense quase surdo, ecoa-se no invisível de Letras em Florianóplis no dia 20 de novembro. e rompe-se indelével no som da alma que parte. Inexoravelmente alforria-se o escravo inocente. Liberdade!...Liberdade!...Liberdade!

ADIR PACHECO

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DIONI FERNANDES VIRTUOSO Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos a outorga do título de “Doutora Honoris Causa em Literatura”. Além de escritora, é Artista Plástica e divide suas horas entre a escrita e a criação de obras de arte. Em 2019, recebeu da Federação Brasileira dos Acadêmicos de Ciências, Letras e Artes – FEBACLA, o diploma de Mérito Cultural e Social (Artista Plástica e Escritora). Acredita que em nossa trajetória "nada é por acaso"!

DIONI FERNANDES VIRTUOSO Delegué Cultive em Criciuma e Membro Internacional Cultive - Association Cultive Art Littérature Solidarité /Suíça. Acadêmica Imortal, cadeira Nº 34, da Academia Criciumense de Letras- ACLe. Diretora Cultural da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil/SC- AJEBSC. Membro da Academia Imbitubense de Letras e Artes- AILA. Membro Efetivo da Academia Virtual de Poetas e Escritores – AVSPE. Membro Correspondente da Academia Feminina Espírito Santense de Letras. Escritora do Grupo Com ‘Par Poesia. Formada em dois cursos superiores na área das Artes e Pós-graduada em Arte-Educação pela Universidade do Extremo Sul Catarinense/Unesc de Criciúma, cidade em que reside. Fez parte do Grupo Pesquisa/Formação da Universidade que se formou, que registrou as práticas e aprendizagens no livro "Pesquisa, Formação e Autoria", com lançamento após seis anos de caminhada. Dedicou-se ao ensino de Artes e foi autora de vários projetos divulgando a arte, entre eles, "A Influência da Cultura de Outros Povos na Arte Catarinense"..Participou de várias Revistas Acadêmicas e Antologias no Brasil e Portugal. Além dos prêmios virtuais recebidos, foi laureada com o troféu “Cecília Meireles”, em Itabira/MG, em abril de 2014 e vencedora de alguns Concursos Literários, nas modalidades poesia, conto e crônica, até 2016. Em 2019, recebeu do

Reflexo Dioni Fernandes Virtuoso Olho no espelho o reflexo da minha vida pintado pelo tempo na alquimia das cores, com traços fortes nas linhas que se cruzam. Na arte refletida, muitas releituras das histórias vividas! Nos olhos, ainda cintila o brilho da menina com a eterna alegria de viver... As expressões “ora sorriso, ora emoção contida”, levam-me a devaneios, numa mistura de sonhos vividos, ou dos que, ainda, pretendo viver. Nas teias do reflexo está preso o feitiço da vontade incontida que acalanta meus sonhos, me enche de vida e a cada dia me faz renascer...

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FRANCINETE BRIACHETTI,

nasceu no Maranhão. Veio muito cedo, aos 14 anos, estudar francês na Suiça, país que ama e para onde retornou e mora há alguns anos. Professora da Alliance Française em São Luís por 10 anos. Hoje dá aulas voluntariamente e trabalha em uma Missão diplomática brasileira. Casada, mãe de 3 filhos e tem uma netinha.

O TRABALHO VOLUNTÁRIO Antes de tudo, o trabalho voluntário é um trabalho de empatia. Sentir-se como o outro, colocar-se no lugar dele, seja ele quem for. É desta maneira simples que podemos definir a empatia. A empatia nos faz lembrar que somos todos humanos, compartilhamos esta humanidade e que todos somos dignos. O sentimento de bem-estar consigo mesmo é uma das principais recompensas para quem faz o trabalho voluntário. Saber que podemos, ajudar de qualquer forma que seja, muitas vezes sem retorno material, é algo que motiva. No meu caso específico, preenche um tempo que acho vazio, preenche meu coração pois me traz um enorme bem-estar, e preenche minha cabeça pois tenho que me preparar para fazer esta tarefa e principalmente o desejo de dividir com o outro um pouco do que sei. Quando dou minhas aulas de francês, aprendo demais. Cada pessoa leva consigo sua história, suas raízes, sua cultura. É uma bagagem me ensina muito e só me dá certeza que somos todos iguais. A felicidade em saber que somos um tijolinho de uma grande construção, deveria ser o motor para 166

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nos impulsionar a fazer o trabalho voluntário pois alguém um dia disse que “temos que ser o que queremos para o mundo”. Há muitas pessoas com uma certa idade, tempo, conhecimento, fechadas dentro de casa por não saberem como dar o primeiro passo. A internet está cheia de sites propondo vagas para esse tipo de trabalho e o mundo precisa dessa mão de obra. Mão de obra do amor, da caridade, da maturidade. Para o jovem por exemplo, traz inúmeros benefícios tais como: aprender, ampliar a visão de mundo, desenvolver o senso de comprometimento, confiança, responsabilidade e um maior entendimento do propósito de vida. A prática do trabalho voluntário auxilia o expatriado na adaptação e na integração à uma nova cultura de outro país. É uma maneira de fazer algo de positivo para a sociedade, aprender novas habilidades, novas culturas, aprender a se inserir num novo estilo de vida. A troca é sempre válida, rica de ensinamentos, minha vida hoje não teria sentido sem estas tarefas que pratico no meu dia-a-dia. Espero que meu depoimento sirva a alguém que queira se lançar nesse modo de vida. Sim é um modo de vida, pois o outro sou eu.


SONIA NOGUEIRA

Escritora, Fortaleza - CE

OS LOUCOS DA TECNOLOGIA

Outra vez, no ônibus, a moça proibia a mãe, com veemência, para não deixar o moço entrar, para ver o filho, em alto e bom tom, que, nem o barulho do motor impedia. Ele é pai sim..., mas não sustenta o filho, eu não fiz filho só, então não tem o direito de vê-lo. Canalha, irresponsável. O celular na bolsa. Parecia uma louca falando sozinho. Noutra situação a mãe empurrava o filho, pequeno ainda, pela cabeça, devido à vista e as mãos estarem ocupadas com um aparelho. O menino tropeçava, a mãe brava agredia, mas não arrancava o aparelho das mãos do menino. Faltava pulso forte, educação, equilíbrio.

Nas calçadas ouvimos os mais secretos segredos, a mulher sorridente afirmava: estou chegando amor... estou aqui na Avenida Santos Dumont. Mas estava na Rua Azevedo Bolão. A mentira agora tem A tecnologia tomou espaço assustador. Quase toda pernas longas. Por esta e outras razões criaram o a população sofre do vício dos teclados, quer no rastreador. Este sim afirma: ela está aqui neste locelular, computador, notebook, tablete, ou simi- cal, moço, podes crer. lares viciosos. As mentes estão doentes, e muitas pessoas, precisam de tratamento psicológico ou Há acidentes no trânsito, sigilo nas mãos dos lafreio dos pais e responsáveis. Estes, no entanto, drões, mensagens não autorizadas, intimidades sofrem também do mesmo mal, embora afirmem reveladas, escutas proibidas, montagens de fotos e tudo mais que a mente criativa do homem poso contrário. sa apresentar com genialidade, e que abasteça seu Todos os dias nós nos deparamos com pessoas dia- bolso, com o avançado sistema tecnológico. Outro logando só, pelas calçadas, com discussão, agre- dia filmaram em um restaurante, um grupo de dindo, marcando encontro, nestes termos: não amigos, na mesma mesa, se comunicando pelo celigue para mim, não suporto ouvir sua voz... - Eu lular. Parecia que estavam sozinhos no deserto do mando sim... - Este mês ainda não enviei porque eu comigo. A mãe ao levar os filhos para jantar em meu salário também atrasou. Esquece-me, você restaurante, sentiu-se solitária e decidiu ir embora. me irrita. Quando olho para trás o moço gesticula, - Os jovens sentiram a gravidade da situação, a falta afobado, caminha sozinho na calçada. Onde está o do aconchego, do diálogo. Fecharam os aparelhos celular? No bolso, ou na bolsa e um fio em direção e carinhosamente abraçaram a genitora ordenando sua permanência no local. Bizarro até. ao ouvido. Revue Cultive - Genève

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“Muita gente riu de mim. Alguns me desprezaram. Porém eu não desisti, investi o meu melhor. Fui até o meu limite ». Oneida Domenico

ONEIDA MARIA DI DOMENICO escritora

Oneida Domenico natural de Campos Novos / SC Brasil, funcionária pública do Município de Canoas/RS e aposentada do poder legislativo Rio Grande do Sul bacharel em Direito. Publicou os livros de poesias: Alguns passaram ... poucos se eternizaram; Gratidão às Estrelas da Minha Vida, e, Ilhada na Imensidão do Mar. Participou em inúmeras Coletâneas/Antologias. Membro Correspondente da UBE-RJ/RS, da Associação Cultural Poemas à Flor da Pele de Porto Alegre/RS e da Associação Canoense de Escritores – ACE.

pela ULBRA/Canoas/Rio Grande do Sul/ Brasil. Aos 11 anos desabafava suas emoções e suas tristezas em forma de poesiase guardava. Adulta, publicou poemas em várias coletâneas e três livros: Gratidão às estrelas da minha vida, Ilhada na Imensidão do Mar e Alguns passaram... poucos se etrnizaram. Ela participa ativamente de associações culturais e no Brasil: Associação Canoense de Escritores, Associação Gaucha de Escritores, União Brasileira de Escritores -RS. Associação de Poemas à Flor da Pele e embaixadora Imortal da paz pela OMDDH.

Oneida é assim, uma mulher forte e determinada, que venceu com garra os olhares críticos de Artigo em português cedido pela Revue Artplus pessoas que não acreditavam na sua capacidade impressa-n°1 intelectual. O preconceito pode interferir no ego da pessoa a quem é dirigido, mas Oneida não desistiu dos seus sonhos, mesmo ciente da sua deficiência física (distrofia-facio-escapulo-umeral-de Landouge Degerrine, um problema neurológico degenerativo que começou a ficar evidente aos 13 anos). O bullying e os olhares atravessados não a abateram e ela provou que o valor de uma pessoa está no seu intelecto e na sua coragem. Formou-se em Direito 168

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sinto sua falta, você é importante para mim.

SAUDADE DE OUTRORA

Aconselho: nunca deixe para depois dizer o que quer, pois amanhã será tarde demais. Dizer o amo e sempre o amarei, significa: jamais lhe esquecerei, pois vivo permanecerá em minhas lembranças.

Oneida Maria Di Domenico Saudade, quem nunca sentiu? Recordar é reviver, é ser nostálgico por lembrar dos entes queridos que já partiram. É voltar a ser criança. É sentir um aroma, um sabor ou lembrar de um grande amor. Da minha infância, sinto saudade da vida no interior, com ar puro, natureza farta, frutas diversas colhidas diretas do pé, ordenhar o 'apojo' - leite mais espesso, sentir o aroma e o sabor do 'camargo', que vem a ser o 'apojo' misturado com café quentinho. Ah! Esse gosto nunca mais senti. Essa prática diária, na qual minha mãe nos levava, eu e meus irmãos, era a hora mais feliz do dia, pois um a um aprendiamos a ordenhar. Quando nos vem à mente a saudade do pai, do tio, do irmão, do visinho, do amigo, enfim, daqueles que, quando bate a vontade de ver e sabemos que nunca mais os veremos, pois já partiram, fica a imagem, a saudade, a vontade de voltar e fazer muito mais do que tínhamos feito ou dito: eu o amo, eu Revue Cultive - Genève

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BIOGRAFIA: MARIA ÓSIA LEITE DE CARVALHO nasceu em Jucás, Ceará – Brasil. Reside em Fortaleza, Ceará - Brasil. Professora aposentada, advogada. Escritora, bandolinista, musicista, integrante do Coral da OAB – Ceará. Compôs o Hino Oficial do Município de Iguatu e a melodia do Hino ao Advogado. Fundou a Casa da Amizade do Rotary Clube de Iguatu. Títulos: Cidadã Iguatuense e Advogado Padrão OAB – Ceará. Membro da Academia de Letras dos Municípios do Ceará e da Academia de Letras Juvenal Galeno.

ÓSIA CARVALHO CONSTRUÇÃO DE UM POEMA Nas minhas horas vazias, deixo meus olhos cerrados Para enxergar com clareza o presente e o passado. Nunca me faltam palavras Um novelo a desfiar. Encontro uma, mais uma, vão como águas para o mar. A construção de um poema exige arte e mestria Um rendilhado perene com tristeza ou alegria. Percorrendo o universo, estrelas, céu e o mar Poeta sempre se abriga no pôr do sol, ou luar.

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O poema toma forma nas horas mais imprecisas, Uma trova, rima solta, um desafio na vida, Um grito que vem da alma sem divisa nem fronteira Nosso coração confesso, é quente, uma fogueira. Morada do sentimento, indispensável é o amor Sem amor tudo é vazio, seu viver não tem valor. Faça da vida um jardim, tire da flor o espinho. Segure na mão do outro que surgir no seu caminho! Nas suas recordações, esqueça todo rancor... Sei, perdoar é difícil! Quem perdoa esquece a dor. Nossa morada é o céu, assim nos mostra a história Vida, estrada a percorrer, sem luta não há vitória.


ADRIANE SALTLI escritora

Adriane Lirio é escritora e assina suas obras com o pseudônimo de Adriane Saltli. Ela aposentada como professora adjunta. Ela é MC em Genética Molecular pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Seu primeiro livro, “O Preço de um Engano” foi lançado e editado pela Amazon.com. Ela ganhou o segundo lugar na coletânea Sem Fronteiras pelo Mundo 3, categoria contos, e terceiro lugar na Antologia Amo Amar Você 4, em 2017. Artigo em português cedido pela Revue Artplus impressa-n°1 Ela participou de Antologias das editoras: Magico de Oz, Illuminare, Rico, REBRA, Cultive. Membro de varias instituições literárias :REBRA( Rede de Escritoras Brasileiras); AJEB ( Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil); UBE ( União Brasileira de Escritores); ALALS ( Académie de Lettres et Arts Luso-Suisse) e NALAL ( Núcleo de Letras Y Artes de Buenos Aires) e da Academia de Letras do Brasil . Adriane Saltli tem participação ativa na construção do quadro literário nacional. Sempre que possível ela representa a literatura brasileira em encontros culturais realizados no exterior. Em novembro 2018 ele esteve presente do México na feira do livro de Guadalaraja.

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Nirian Goés poeta/artista

Nirian Góes - Natural de Jaboticabal - São Paulo, gosta de arte e literatura. Vive em estado permanente de criação e aprendizagem. Decifra com muito interesse os códigos linguísticos. Sua aptidão para as línguas fê-la dominar o inglês, o italiano, o alemão e o francês além da língua pátria, ela pesquisa o grego e o latim, bases primordiais da língua portuguesa.

seu cotidiano poético-musical. Cultua a música, piano e o canto são paixões essenciais. Gosta de desenhar, auto didata, e já trabalhei muito com bom artesanato. Dei aulas. «Amo meu trabalho cultural, e vivo com a mente ligada na criatividade.

Ela assume a felicidade com simplicidade e humildade. Apesar da sua idade a alegria de viver a acompanha diariamente e vive Niriam tem a poesia na alma. sua vida intensamente. ela constrói versos com a chama da natureza. Em seu primeiro livro a Décima Lua, Niriam Góes derrama sobre suas páginas uma poesia cálida, mágica, contemporânea com versos de boa qualidade. Seus escritos são o resultado da observação de alguém sensível e atento aos mínimos detalhes das ocorrências do cotidiano. Niriam avec la grande écriAos 84 anos, é incansável na sua vaine Cora Coralina produção literária e na dedicação a arte. Ela divide seu tempo entre a escrita, a dedicação às várias associações culturais as quais pertence (incentivando e divulgando a cultura na cidade onde vive) e a sua família seus grandes motivadores. Ela também em 172

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Nirian Góes a la poésie dans son âme. Native de Jaboticabal - São Paulo. Elle aime l’art et la littérature. Elle vit dans un état permanent de création et d’apprentissage et démontre un vif intérêt pour la linguistique. Son aptitude pour les langues lui a permis de

Artigo em português cedido pela Revue Artplus impressa-n°1


VALDENE DUARTE romancista / poeta

Valdene Duarte Fonseca nasceu em Codó - Maranhão. Estabeleceu-se em Recife em 1960. Cursou a Faculdade de Letras da UFPE onde estudou línguas latinas e fez mestrado em teoria da Literatura, especialização em língua portuguesa e francês, professora aposentada: publicações"Contoscrônicas" (contos e crônicas ) "Sob o sol de cada manhã"(romance), a "Casa dos segredos" . "O cavalinho da madrugada” que já foi adaptado para o teatro infantil em Recife.

Inexistência

Nos devemos

O poder do instinto não se define Apenas esboça em lembranças Resíduos de matéria Que outrora era fato e atos E hoje é só essência finda A inexistência é espanto que se abre Diante de tudo que se arquiteta É o risco ou o choro que se enterra No seio da terra A inexistência é golpe fechado da ausência eterna É expressão de tudo que já passou É escuridão que sufocou o dia

Nos devemos descobrir uma nova canção Uma canção muito simples Que fale somente da felicidade De outros poemas Das promessas de uma cidade verde Uma canção que nos leve ao coração do mundo! Nos devemos repartir a riqueza da música A riqueza da bondade E espantosamente Multiplicar o acesso ao mundo E a sua fantasia de amor entre os homens Nos devemos ser apaixonados por todas as coisas Sermos eternamente jovens e justos E sobretudo humanos Termos o coração acolhedor, vasto Para amar sempre a humanidade

Artigo em português cedido pela Revue Artplus impressa-n°1

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GIORGIO DE FELICE MONTANHAS VOADORAS Flutuando nas alturas de um azulado céu matutino, gigantescas montanhas de algodão impalpável passeiam velozes na imensidão da planície. Nessa movimentação formam-se infinitas imagens bizarras, em continuo moto, um gigantesco cavalo alado transforma-se quase que instantaneamente em centenas de guerreiros atacando con furia seus inimigos, para depois parecer-se com uma onda de mar umedecendo as areias de uma praia deserta. Acima delas, vê-se uma longa planície, como se estivesse toda coberta de neve, parecendo possível até mesmo caminhar em cima dela, mas é vapor de água, carregadas de energia e vida, mesmo sendo um veiculo de alimentos para tantos seres, o faz como se fosse umas 174

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pinceladas de branco no Céu do Artista. Ao longe, uma ameaçadora nuvem escura, vem ao ataque muito agressiva, ao mesmo tempo a praia transforma-se, e, um grande escudo aparece nas mãos dos guerreiros. Lanças de fogo partiam na direçāo da nuvem branca e, rumorosamente caiam no chāo, formando crateras fumegantes. Os moradores da região fugiam aterrorizados com a força da tempestade. Com a chegada dos ventos do sul, as nuvens brancas, feitas águia, pegam carona com o vento certo, deixando as nuvens negras transformarem-se num grande elefante que se banhava nas aguas deixadas pelo choro da donzela das nuvens. Como uma teia gigante, o elefante começa a crescer desmesuradamente até ocupar toda a área visível do céu, agora cinzento, ameaçador com seus raios e rugidos furiosos.


Aquela pequena águia, agora transformada em um gigante urso branco, prepara-se para a luta que se mostra inevitável. Com a aproximação destes titãs, os raios e trovões se intensificam, as luzes do dia escondem-se no infinito, e a grande tempestade se faz. Muitas aguas brotam para baixo, inundando a terra sedenta, enquanto que faiscas luminosas riscam o espaço, seguidas de seu trovejar poderoso, assustando a todos. As plantas estavam felizes, sabiam que aquela agua era preciosa, e bebiam com vigor. Pequenos repteis animavam-se e brincavam nas poças que se formavam. Os homens, escondidos em suas cavernas com ao lado o fogo, oravam ao Deus que os protegia. Com um golpe feroz, o urso branco transforma a teia de elefante num imenso pião, que gira com espantosa velocidade, pouco a pouco o urso se enrola em volta do pião, e, transformado em corda, dá o golpe final, e cria um furacão devorador de tudo à volta. Alguns homens com suas placas de barro, tentam descrever os acontecimentos do dia, o medo das forças da natureza, ou se aquele monstro viria pegá-los. Algumas árvores foram arrancadas, ao longe se via fumaça no ar, mas suaves nuvens passeavam preguiçosamente no celeste colchão que as envolvia, a luta terminara, nem vencidos, nem vencedores, todos foram avantajados, mesmo a velha arvore

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HELENA LUTÉSCIA LUNA COELHO

, nasceu em Barbalha, Ceará em 1949. Escreve desde criança, principalmente poemas, tendo publicado cinco livros: Do Começo ao Fim (poemas). As Aventuras do Caracol Paulo, Cecéu o Embaixador da África e O sinal do Pássaro, literatura infantil; Pequenos Problemas Grandes Sentimentos (poemas para crianças). Atualmente conduz o Sarau de Poesia da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, Ceará, Brasil. Nome artístico: Helena Lutéscia.

ANTROPOCENO/A RESPOSTA DO MAR O mar rugiu feito um monstro enjaulado, atirou pedras, não como um louco que atira pedras a esmo, mas deliberado, tentando nos acertar. Invadiu casas, derrubou barracas, sacudiu jangadas, ameaçou barcos e navios….Como um bicho feroz, pôs abaixo o portão do meu vizinho e ameaçou subir as escadas… Quem estava na orla ouviu o seu rugido tremendo de animal ferido lutando pela vida… Nos disse algo terrível, mas quem ouviu?… alguém ouviu? Na cidade, lutou contra os aterros e as rochas do quebra-mar. invadiu avenidas, devolveu a areia onde estivera antes. De suas entranhas vomitou conchas antigas, enormes, acumuladas talvez por séculos…. Seriam presentes? Provas de amor? Ou coisas devolvidas com mágoa e queixa…? As praias ficaram cobertas de pedras, incômodas para caminhar, as rochas cortam os pés e as ondas nunca mais foram as mesmas… O que ele quis nos dizer com sua fúria? Que recado nos deu o mar? Será que volta a ser o que era? Será que nós voltaremos a ser como éramos antes deste tremendo março?

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Vanessa Gomes,

médica oftalmologista, escritora, ativista cultural e humanista, nos dá alguns conselhos sobre a prevensão do glaucoma.

GLAUCOMA O glaucoma é um grupo heterogêneo de doenças que têm em comum uma neuropatia óptica associada a alterações do campo visual, sendo o aumento de pressão intraocular um dos seus principais fatores de risco.

mo com PIO>30mmHg. Tanto em olhos normais como em glaucomatosos, há uma tendência da PIO elevar-se pela manhã e diminuir à tarde e à noite.

Flutuações ocorrem durante o dia, com os batimentos cardíacos, pressão arterial sistêmica e resImportante causa de cegueira irreversível, estima- piração. Por esse motivo, alterações emocionais tivas mostram que existem mais de 3 milhões de podem acarretar mudanças na pressão intraocular. cegos por glaucoma em todo o mundo, e que mais Se houver fator genético envolvido, o risco de dano de 100 milhões de indivíduos têm pressão ocular permanente e irreversível aumenta. elevada. A incidência de glaucoma primário de ângulo aberto na população mundial é de 2,4 milhões De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa, de casos novos ao ano. toda doença é oriunda do desequilíbrio da Energia Interna, ocasionada pelo meio ambiente, de origem No Brasil, estudos revelam que o glaucoma está externa, ou pela alimentação desregrada, emoções entre as principais causas de deficiência visual, jun- retidas e fadiga, de origem interna. tamente com a catarata, diabetes e a degeneração macular relacionada à idade. Somando-se a esses Para evitar o dano glaucomatoso, deveremos fazer números, deve-se levar em consideração a inca- exames preventivos de rotina, consultando um pacidade do paciente de competir no mercado de médico oftalmologista. Utilizar medicações ou trabalho e os preconceitos enfrentados com uma cirurgia, se necessário. Equilíbrio nas emoções, atidoença que, se diagnosticada precocemente, pode vidade física, alimentação e sono saudável elevam ser controlada. nossa qualidade de vida. O risco de perda visual fica bastante reduzido com essas medidas. A pressão intraocular (PIO) considerada normal varia entre 10 a 21 mmHg. Contudo, em alguns pacientes, há dano glaucomatoso com menos de 21 mmHg, enquanto outros não o apresentam, mesRevue Cultive - Genève

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HENRIQUE FERRESI

Nascido e criado em Içara, SC, em meio a magia e a simplicidade do campo. Licenciado em educação musical e pós graduando em Musicoterapia. Professor de música e teatro na prefeitura de Içara, apaixonado pela mente criativa das crianças. A escrita foi, desde muito cedo, uma grande companheira, me trazendo de volta do "Mundo da Lua" (De onde felizmente, sou frequentador assíduo).

Preconceito Uma mão horrorosa, hedionda, agarrou-me num lapso de tempo, onde tudo parecia perfeito, quando eu parecia seguro. Agarrou minha garganta, sufocou-me a voz, impediu-me o grito, tão esperado grito. Ossuda e gelada não se sensibilizou, nem por um instante com a minha fraqueza e débil habilidade humana de encarar os fatos. Conhecia-me, sabia que eu seria incapaz de reagir. Conhecia-me melhor do que eu me conhecia.

ilusões ocas de perfeição. Eu me tornara aquilo quando deixei-me seduzir pelas conversas onde havia mais preconceito que compaixão, era muito mais atraente julgar e colocar-me a salvo junto com outros juízes que, se não o foram, serão logo sufocados também.

Parecia mais doce juntar-me a esses, que pareciam a esmagadora maioria e pareciam saber fazer muito bem os tais julgamentos. Esta mão também era minha de alguma forma. Não sei como, mas sentia mais minha força nela do que em meus próprios Por um instante eu senti todas as dores, ouvi todos braços para tentar salvar-me. os gemidos como se fossem meus. Aos poucos não restou mais nada, apagou-se tudo que era verde e No momento em que já me fugia da mente como fresco. Só existia ela, magra, experiente e precisa, era a sensação de respirar, pensei no que era pior, arrepender-me de ter ido na mesma direção quanenvolvendo meu pescoço. do todos eram iguais em julgar ou ser só mais um Minha mão nã me obedecia. Era eu mesmo estran- agora, engolido e dominado pelo próprio veneno gulando meus próprios sonhos e minhas próprias do orgulho e do julgamento. 178

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CLAU STUCKI Por baixo do tapete Sous les tapis

par: Elane Queiroz

Clau Stucki nasceu no Mato Grosso do Sul, Brasil. Nona filha de uma família de 12 irmãos sem morada fixa. Ela começou a trabalhar ainda criança e aprendeu a ler sozinha tendo como livros bulas de medicamentos veterinários e pesticidas. «Sobre o Tapete» é um romance biográfico. A história de uma mulher que cresceu sendo violentada física e mentalmente por aqueles que deveriam ser a base da sua educação. Infelizmente essa violência a fez brigar com Deus. No entanto, nada a impediu de ser uma mulher sensível e tentar quebrar o ciclo dessa violência. Uma história de vida, a vida de Clau Stucki, uma mulher forte que superou seus traumas com coragem.

das correntes do medo. «Por baixo dos tapetes» é um livro rico em sentimentos, informações e força. Um livro para quem procura superar um passado assustador. Artigo em português cedido pela Revue Artplus impressa-n°1

Abrir a porta da alma não é uma tarefa fácil. Clau fez isso com uma enorme sinceridade e riqueza de detalhes. Escrever «Por Baixo do Tapete» foi uma confrontação com todos os seus traumas, mas a causa é nobre! O intuito desse livro é de ajudar outras mulheres e até vítima dos mesmos agressores a se libertarem Revue Cultive - Genève

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Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo Venade/Caminha – portugal Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

Doctor honoris causa en literatura” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos. Título Nobiliárquico De Comendador, condecorado com a “Grande Cruz Da Ordem Internacional Do Mérito Do Descobridor Do Brasil, Pedro Álvares Cabral” pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística.

VALOR DO TRATADO DE AMIZADE E COOPERAÇÃO BRASIL - PORTUGAL Atualmente, primeiro quarto do século XXI: aborda-se a educação em várias vertentes; elaboram-se conceitos, metodologias, estratégias e objetivos para a educação moral, ambiental, sexual, cívica; enfim, a educação apresenta-se, em termos de especialização, cada vez mais fragmentada em parcelas, que sendo autênticas especialidades, deixam perder de vista o todo, quando, em boa verdade, a educação para os Direitos Humanos, possibilita uma visão globalizante no que diz respeito à formação do cidadão. Os indivíduos, as famílias, os grupos, as empresas, as organizações, quaisquer que sejam a sua: natureza, ideologia e fins, não estão dispensados, bem pelo contrário, estarão vinculados ao cumprimento daqueles valores que, supostamente, de boa-fé e com determinação de os respeitarem, assinaram tão importante documento universal, integrando, inclusivamente, o ordenamento jurídico-constitucional dos países democráticos subscritores.

tal maneira que, ao fim de um determinado tempo, todas as nações se possam entender, cooperar, desenvolver e consolidar os valores universais, que a todos devem unir na paz, na justiça, no bem-estar geral de todas as pessoas sem exceção, enfim: no equilíbrio do Mundo. Entre outros, um bom exemplo do que duas nações podem desenvolver, verifica-se logo nos princípios fundamentais do “Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre o Brasil e Portugal”. Com efeito, ali se pode ler: «1) O desenvolvimento económico, social e cultural, alicerçado no respeito dos direitos e liberdades fundamentais, enunciados na Declaração Universal dos Direitos do Homem, no princípio da organização democrática da sociedade e do Estado, e na busca de uma maior e mais ampla justiça social; 2) O estreitamento dos vínculos entre os dois países, com vista à garantia da paz e do progresso nas relações internacionais, à luz dos objectivos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas;» (ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA, 2000:Artº 1º).

O reforço dos vínculos humanitários entre países, da cooperação em vários níveis e da solidariedade entre os povos, são comportamentos que urge es- Bibliografia timular, apoiar, substancialmente, com todos os CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA, (2004), Versão de 2004. Porto: Porto Editora. recursos adequados, para que a teia se alargue, de 180

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MARVYN CASTILHO A errar pela senda do desvario e debalde lucidez, Marvyn Castilho deita versos sob a feral lufada da existência, como alento para os malogros. Idealizador dos projetos “Eflúvios sepulcrais – opúsculo fúnebre”, onde abarca a filosofia, literatura e música e o projeto musical “Vanitas”, onde junto a um dileto amigo das Minas Gerais (Brasil), desvela a sanha da loucura, o tetro suicídio e a atra morte em odes tétricas. Dies Veneris.

DEBALDE CISMAR Neste ensejo feral do padecer, Sôfrego haurir sua feérica voz. Em silamento rememoro seu ser, No ergástulo da hora atroz. Oh! Alva dama do meu cismar, Apetece - me ser olvidado em seu olhar. Embalde, tentar seu ínfimo granjear, E na noite lúrida do amor errar. Emudecer, meu íntimo no seu cenho a fitar, Desvelar o pejo do seu edênico olhar, E seus miríficos lábios tragar. Destarte, sob o tetro velário da existência, Minh’ alma segredada em dolência, Anela o seu quimérico oscular. Em II de novembro de MMXII. E. V.

Revue Artplus - impressa ISSN -SUíça bilíngue cultivelitterature@gmail.com

Marvyn castilho

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ARNALDO LEODEGÁRIO PEREIRA

Arnaldo Leodegário Pereira é formado em Letras pela Universidade Católica Dom Bosco - Campo Grande, Mato Grosso do Sul Brasil. Ele é escritor. Acadêmico correspondente da A L G, Academia de Letras e Artes de Goiás Velho, 2013. Acadêmico Imortal pela ACLAV, Academia de Ciências, Letras e Artes de Vitória E S. 2014. Indicação para o prêmio (Melhores Poetas Luso Brasileiros 2014), - no Rio de Janeiro no dia 08/02/2014, 2ª parte nº 63. Delegado Cultural em Campo Grande MS, pelo Movimento União Cultural. Sou acadêmico na Academia de Letras do Brasil seccional Campo grande, MS, ocupando a cadeira número (20). Sou acadêmico correspondente na ARLAC; - Academia Rotariana de Letras, artes e Cultura de Taubaté. Participa da "O MAIOR POEMA" a cor que o meu mundo traz. Certificado de: "AMIGO DA PAZ E DAS CAUSAS SOCIAIS" outorgado pelo COMITÊ MUNDIAL DA PAZ. Brasília DF, em 02/09/2014. Participou de 34 antologias.

OS ÍDOLOS DO “POVO”… A inversão de valores e a decadência moral e social… (Crônica) A humanidade está cada vez mais carente... Perdendo os laços de família, a fé e a crença nos seres humanos. Cria-se diversos ídolos para atender a determinadas demandas. Isso vem, ou está na contramão. São ídolos sugeridos em filmes, novelas, seriados, ou mesmo ídolos inventados pela mídia, que tem o poder de criá-los em benefício próprio, para manipular e influenciar o povo, as massas. Essa é a era do contraditório, dos ídolos bestais! Idolatra-se o cão mais feroz, com maior poder de destruir suas vítimas. Alega-se que o cão é mais fiel e que o ser humano é ingrato, etc. Os cães subiram

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ao pedestal, os humanos desceram ao limbo. Idolatra-se o mais poderoso vilão de uma novela, filme, desenho ou seriado. Idolatra-se o mais violento, o mais vil e mesquinho, o sem escrúpulos, - pois “escrúpulo” não dá camisa a ninguém! “Não enche barriga”! O ídolo do “povo” é aquele que dá maiores maus exemplos. Quando se idolatra o ser humano, é porque ele é o mais deplorável, mais baixo e mesquinho possível. O mais desprezível. Idolatra-se exatamente pela baixa moral, pela má conduta e pela capacidade de trapacear, mentir, enganar e pisar em cima do seu semelhante, - para conseguir satisfazer seus baixos instintos e subir o mais alto do pódium e a qualquer preço. Cresce a supervalorização do inverso, de quem rebaixa os conceitos de retidão, do certo. Idolatra-se a perversidade, a vulgaridade. Cultua-se quem faz escândalos em público, quem baixa mais o nível. Quem rouba, engana, trapaceia são os modelos de maus exemplos a serem seguidos, copiados e amados. Quem age e se porta com retidão e honradez passa a ser visto como idiota. Sinais dos tempos!...

anciãos, Idolatra-se a bizarrice e a falta de honra aos pais. Idolatra-se a bebida, o ópio e todas as mazelas. Idolatra-se o baixo linguajar - (e até sapos), Idolatra-se a “liga da justiça” e o culto ao corpo, Idolatra-se times de futebol - (e o narcisismo), Idolatra-se os vingadores e seus (podres poderes). Idolatra-se os avarentos, hipócritas e injustos, Idolatra-se a posição social, a fama e a opulência, Idolatra-se armas que destroem vidas, Idolatra-se a desordem e social-decadência. Texto registrado no E D A, e protegido pela lei 9.610/1998. RJ. Campo grande, MS. 30/04/2019. Arnaldo Leodegário Pereira.

As pessoas buscam afeto em animais de estimação, - querem companhia, querem algo a quem, ou a que se apegar. Querem, de alguma forma suprir a falta de algo, que lhes falta atualmente. Outros buscam refugiar-se nas drogas e a tem como seu ídolo. Buscam apoio e saída. Algo em que possam se agarrar! Idolatra-se o celular e com ele as diversas redes sociais - à procura de um refúgio. Refúgio esse que as pessoas não encontram mais nos seus familiares, nas religiões, na vizinhança, nos amigos presenciais ou no próximo. Busca-se a companhia de bichos exóticos, bisões, crocodilos e outros. Idolatra-se serpentes, porcos de estimação, gatos, cavalos e até os (“Exterminadores do Presente”). Idolatra-se a irreverência dos “irreverentes”, Idolatra-se a discórdia, o luxo e a baixaria, Idolatra-se o ter em detrimento do ser, Idolatra-se os bens de consumo e a hipocrisia. Idolatra-se ídolos efêmeros, sem decoro e boçais, Idolatra-se o RoboCop, - e esquece-se dos nossos Revue Cultive - Genève

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MARIA INÊS BOTELHO Delegué Cultive em Mandaguari - Paraná

ABRAÇOS E LAÇOS Abraços, Laços, Elos que se põem entre pessoas. Laços, Abraços, Encontros que deixam registros de vidas. Abraços, laços, Tecidos no carinho, no afago fazem morada nos corações. Quiçá tenhamos sempre os abraços e laços a enfeitarem o cotidiano e fazerem florir o caminho. Quiçá possamos fazer brilhar as estrelas que estão no céu de nosso anoitecer ao trazermos vidas pelos laços e abraços. Laços... Abraços... Vidas em comunhão no difundir encontros que podem gerar constelações postas em rotas vivenciais. Abraços, Laços, Serenos momentos onde a lucidez faz morada.

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uma associação internacional sediada em Genebra que seleciona seus membros pelas suas atividades, propósitos filosóficos e atividades culturais. Por manter sua firmeza, Moisés está aqui para dar seu contributo como escritor e poeta à Revue Cultive.

Quero voar Cansei

MOISÉS RICARDO MPOVA

Cansei de imaginar e não poder voar Hoje eu dou asas à minha imaginação Deixar-lhe-ei voar

nasceu em Angola, na província de Luanda. Formado pelo Instituto Nacional de Petróleo (INP)curso de Manutenção Industrial, voltado à equipamentos utilizados na perfuração e produção de petróleo. Fez a sua formação sob regime de internato, lugar na qual encontrou inspiração na literatura. No ano em que ingressou no INP, Moisés começou a escrever um drama com o título “Sofrer para crescer”.

Na fonte da inspiração não quero parar

Hoje evive em Florinópolis onde dá continuidade ao seu sonho, formar-se em engenharia de petróleo ou engenharia mecânica pela UFSC. Em Floripa atua ativamente em atividades acadêmias liter¿arias e universitárias. Dono de um espírito comunitivo e determinado ele soube entrosar-se nessa ilha de beleza rara, e foi introduzido por pessoas que acreditam no seu talento de escritor e nos seus valores Éticos. Moisée é bem recebido por todos que o cercam. Pariticpa de academias literárias organiza eventos literarios e universitário.

Nas províncias de Angola

O entrosamento com as associações literária acendeu-lhe a chama da literatura já descoberta em Angola o que o levou a publicar seu primeiro livro de poesia com título ‘’A fonte da inspiração” que foi lançado no Centro integrado de Cultura no CIC- Florianópolis, a escrita foi reconhecida e os premios e homenganes se sucederam no Brasil. Consequência evidente, publicou o seu em Angola, e quem disse que Santo de cas não faz milagre enganou-se Moisée foi recnhecido pelo seu talento em Angola quando foi homenageado pela Fundação Arte e Cultura de Angola.

Sou um recém Porém, quero ir mais além Quero voar Conhecer o mundo Mesmo sem indicação Quero apenas ir Deixar a minha imaginação fluir Quero voar com a CULTIVE Mostrar ao mundo a minha cultura Em cada voo Incentivar a leitura Quero voar com o Lev’Arte Em qualquer parte do mundo Onde a leitura faz parte E o amor se reparte

A caminhada de Moisés apenas começou, mas já está além das fornteiras brasileiras e Angolanas, ele agora tornou-se Membro Internacional Cultive, Revue Cultive - Genève

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MARCIA PRATA

é brasileira da Bahia, vivendo na Alemanha dedica-se totalmente a arte. Seu forte é o abstrato que ela domina com arte, muita técnica e bons materiais. Sua pintura é alegre e colorida. Ela aquece a temperatura do norte europeu com cores vibrantes. Marcia já percorreu a Europa e os EUA com exposições individuais e coletiva, agora ela está inaugurando seu atelier que servirá de galeria para 186

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suas obras. Marcia está inaugurando seu atelioer/ galeria com uma exposição de suas obras do 29 de novembro 2019 ao 30 de janeiro 2020. Para marcar o contraste de técnica Marcia convidou a artista Valquiria Imperiano, que mora na Suíça. Avernisssage dura dois dias, 29 e 30/novembro. AS visitas são abertas ao público com entrada livre.


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A Dor Da Perda A

Vida oferece tanta coisa fácil para nos apegarmos. Tudo tem um começo meio e fim, tudo passa e tudo passa, e tudo passará, mas fica na lembrança a dor em quem ficou. E 13 anos depois tento superar e tocar a minha vida para frente sem olhar para trás. Mas algumas pessoas não compreendem o que eu vivi e fazem críticas e comentários maldosos e infelizes até hoje e eu não me esqueço. E eu pergunto: cadê a compaixão com o próximo diante das dificuldades?

Alison Machado de Medeiros Alison Machado de Medeiros nasceu em Uruguaiana -Rio Grande do Sul RS - Brasil. Radicado em Apucarana -PR desde os 10 anos de Idade. Escreve desde 1997. Mais de 69 livros escritos e três publicados. Seu primeiro livro «Os Três dias Inesquecíveis» em [2017]; em 2018 o segundo livro: Os Meus Sete Anos de Caminhada; em [2019] o terceiro livro publicado: Amor e Esperança - um romance baseado numa história real. Livros da sua autoria são baseados em histórias Reais e ambos pela Editora Clube de Autores e AG Book . Em Portugal pela Bubok e na Amazon Kindle. Alison foi o vencedor de dois prêmios no Colégio Estadual Alberto Santos Dumont em 2000 e 2002, com os seguintes Livros Uma Noite Magica [2000] e Amazônia Selvagem [2002]. www.clubedeautores.com.br e-mail: alisonmachadodemedeiros9@gmail.com

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Eu não esqueço da dor que senti, aquilo me marcou bastante e se arrastou por muitos anos, e anos, e quando setembro chegava era um tormento, e as lembranças vinham à tona. Só Deus sabe o quanto eu sofri. Não deixemos mais que as dores dos traumas que sentimos acabem com os nossos sonhos e a nossa esperança! É muito fácil dizer: você irá superar isso! Mas quem vive ou viveu a dor da perda, a dor que se perpetuará por anos e anos. Pode até passar um dia, mas nunca esqueçemos daquela pessoa que se foi para sempre, seja quem for, nunca a esqueçemos. E fica viva em nossa memoria a pessoa que se foi é algo que você nunca esquece ... sem contar as amizades que confiei e me decepcionaram na hora em que eu mais precisava de apoio e carinho, no momento mais difícil da vida e aquilo fica vivo na lembrança. A dor da perda deixa marcas indeléveis na nossa vida e na nossa caminhada, assim como deixa cicatrizes em nossa alma e em nosso coração. A dor do último amor esconde o que passou .. Aquele amor passageiro que passa por nossa vida a gente não esquece. Fora a dor de tantas decepções em que vivemos, das perdas trágicasias, mas agente acaba encontrando forças, uma saída e uma luz no fim do túnel, e o perdão para tantas Dores. O perdão é a libertação para todas essas dores. É difícil perdoar, mas não é impossível, pois o perdão cura e liberta para que possamos viver em paz e tocar nossa vida para frente a fim de que possamos seguir nossa vida a diante e viver em paz conosco mesmo hoje e sempre.


IOLANDA MARTHA BELTRAME

Escritoa, artista plástica, advogada, coofundadora do Movimento Vir Arte em Santa Maria, Organizadora Jurídica da Casa do Poeta de Santa Maria, idealizadora e fundadora da biblioteca Nicola Turi da Associação Italiana de Santa Maria todas no Rio grande do Sul – Brasil. Integra a Academia Literária de São Paulo entre outras.

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ASSOCIAÇÃO CULTIVE ART LITTÉRATURE ET SOLIDARITÉ AJUDA A INTEGRAÇÃO DO IMIGRANTE EM GENEBRA

ATIVIDADES PERMANENTES NA sam comunicar-se e dar seus primeiros passos no SEDE DA ASSOCIAÇÃO CULTIVE EM processo da integração. GENEBRA

A Associação mantém uma biblioteca e uma livraria de língua latina. A Associação está aberta Na sede da Cultive os recém chegados em Genebra para Workshops, lançamento de livros, atelier de podem encontrar informações para superar as di- escritura, oficinas de artesanato, curso de pintura, versas dificuldades ligadas à integração, tais que : desenho e escultura, curso de línguas etc... saúde, educação, endereços de outras associações, informações sobre o direito infantil; direito e de- Os interessados querendo organizar workshop é veres do trabalho, orientação e indicação de espe- sô contatar a associação pelo email : cialistas jurídico. cultivelitterature@gmail.com Em janeiro passado a Cultive iniciou o curso de Nos estamos abertos também para outras proposfrancês para estrangeiro. O curso é de nível ele- tas. mentar. O Método consiste em trabalhar situações da vida cotidiana, de maneira que os alunos pos-

informações/contacte: https://www.facebook.com/Cultive-Cours-de-français-à-Genève www.cultive-org.com cultivelittérature@gmail.com 190

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Sourir e Leoleão Sourir et Leolion Edition português/ français

Ilustration Luciana Imperiano

Valquiria Imperiano

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photo: Marc Guillemin 2

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