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Entrevista Reitor fala sobre a nova gestão da Univap EUA Eleições americanas trazem questões delicadas Novelas Três novas tramas entram no ar neste mês

Outubro 2012 • Ano 3 • Número 31 R$ 7,80

‘CHEGOU A MINHA VEZ’ Carlinhos Almeida assume uma prefeitura com estrutura de grande empresa e problemas administrativos que desafiaram todos os líderes que passaram pelo cargo em São José dos Campos

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Opinião

Palavra do editor

DIRETOR RESPONSÁVEL Ferdinando Salerno

O que se espera do novo prefeito

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pós duas tentativas, Carlinhos Almeida (PT) foi eleito prefeito de São José dos Campos. Venceu Alexandre Blanco, o novato candidato do PSDB que teve como padrinho político o padrasto Emanuel Fernandes e o atual prefeito Eduardo Cury. Pôs fim a uma hegemonia de 16 anos de governo do PSDB na cidade, ganhou a preferência do eleitorado e, no dia 1º de janeiro de 2013, subirá a rampa do Paço Municipal com a responsabilidade de gerir o maior município da RM Vale. Assume um Executivo com estrutura semelhante a de uma grande empresa –são 9.000 funcionários em 23 repartições, 2.700 imóveis no patrimônio e um orçamento bilionário. E tal qual uma empresa, terá que administrar as dificuldades para garantir o bom funcionamento da máquina, terá que oferecer aos 630 mil moradores de São José um serviço de qualidade, principalmente, nas áreas de Saúde, Educação, Habitação e Transportes –seus maiores desafios. Entretanto, mais que cumprir propostas de plano de governo, Carlinhos tem em mãos a oportunidade de mudar uma imagem desgastada pelas polêmicas que envolveram o primeiro governo do Partido dos Trabalhadores, entre 1993 e 1996, em São José. Mais que atender ideais partidários, deve priorizar os interesses da população, proporcionar qualidade de vida e fomentar o desenvolvimento da cidade que o acolheu. Mineiro de Santa Rita do Jacutinga, Carlinhos recebeu o voto de confiança do joseense. Conquistou o eleitorado de uma cidade que concentra um dos maiores PIBs do país, que se orgulha de ser um dos municípios paulistas mais produtivos, uma cidade de várias faces, de vários sotaques. São José precisa de gestor, de um tocador de obras, mas também de um prefeito com sensibilidade social. Precisa de um governista “pé no chão”, mas também de um sonhador porque somente os sonhos rompem o limite do possível, e São José não para, não cansa, não desiste de crescer. Marcelo Claret editor-chefe

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DIRETORA ADMINISTRATIVA Sandra Nunes EDITOR-CHEFE Marcelo Claret mclaret@valeparaibano.com.br EDITOR-ASSISTENTE Adriano Pereira adriano@valeparaibano.com.br EDITOR DE FOTOGRAFIA Flávio Pereira flavio@valeparaibano.com.br REPÓRTERES Hernane Lélis (hernane@valeparaibano.com.br), Isabela Rosemback (isabela@valeparaibano.com.br) e

Yann Walter (yann@valeparaibano.com.br) DIAGRAMAÇÃO Daniel Fernandes daniel@valeparaibano.com.br ARTE CAPA Ana Paula Comassetto anapaula@valeparaibano.com.br FOTO CAPA Flávio Pereira COLABORADORES Cris Bedendo, Franthiesco Ballerini e Rubens Filho COLUNISTAS Alice Lobo, Arnaldo Jabor, Marco Antonio Vitti e Ozires Silva CARTAS À REDAÇÃO cartadoleitor@valeparaibano.com.br As cartas devem ser encaminhadas com assinatura, endereço e telefone do remetente. O valeparaibano reserva-se ao direito de selecioná-las e resumi-las.

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MODA

Sumário

A CLASSE C VAI ÀS COMPRAS P68

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

O novo prefeito Carlinhos Almeida assume prefeitura com estrutura semelhante a de uma grande corporação, com orçamento bilionário; desafio é acabar com os gargalos dessa ‘linha de produção’ e transformar os ‘produtos’ da companhia em benefícios às população

ECONOMIA ROTEIROS

CULTURA

MUNDO ELEIÇÕES

O turismo da fé no Vale do Paraíba P24

60 anos em cena P74

Novidades na Casa Branca P44

Ações empresariais e trilhas criadas na ‘Rota Franciscana’ visam aquecer economia explorando o lado religioso da região ECONOMIA LUZ

Aparecida economiza 40% em energia P30 Programa de eficiência energética completa um ano beneficiando 2.000 famílias carentes ENTREVISTA UNIVAP

‘A pessoa primeiro fazia o prédio, nomeava a presidência e depois via o que seria feito’ P36

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O Cine Santana continua sendo um ponto de referência histórico no bairro; eventos comemoram as seis décadas de existência

TELEVISÃO

Outras tramas Três novelas estreiam em novembro; um remake e uma trama policial na Globo e outra na Record P86

Os Estados Unidos definem seu presidente neste mês, uma decisão que sempre afeta o mundo todo TURISMO FRANÇA

O charme de Lyon P60 Ensaio Fotográfico p52 Hi-Tech p66 Cinema p90 Arnaldo Jabor p98

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Política

Da Redação Em Taubaté, Isaac e Junior vão para o segundo turno Eleitores decidem no próximo dia 28 quem vai comandar Palácio do Bom Conselho a partir de 1º de janeiro de 2013

BRANCO & PRETO O que disseram os ministros do STF sobre a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, que absolveu o ex-ministro José Dirceu no processo do mensalão

“Vossa excelência imagina que um tesoureiro de partido político teria essa autonomia?”

Marco Aurélio Mello Ministro do STF

NOVA DISPUTA Isaac do Carmo (à esq.) e Ortiz Junior (à dir.) retomam a campanha em Taubaté

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rtiz Junior (PSDB) e Isaac do Carmo (PT) voltam a se enfrentar nas urnas no próximo dia 28, no segundo turno das eleições municipais em Taubaté. Em 7 de outubro, Junior reuniu 48,70% dos votos (78.029 votos) e seu principal adversário na disputa do comando do Palácio do Bom Conselho, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo, ficou em segundo lugar, com 25,51% da preferência do eleitorado –40.869 votos. Outros três candidatos disputaram o pleito em Taubaté: Mário Ortiz (PSD), que teve 12,41% dos votos válidos, Padre Afonso (PV), 12,12%, e Jenis de Andrade (PSOL), 1,26%. Em Taubaté, 3,37% dos eleitores

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votaram em branco e outros 4,67%, em nulo. Ao todo foram 160.212 votos válidos. Nascido em Taubaté, Ortiz Junior tem 38 anos, é casado e tem uma filha. Filho do ex-prefeito Bernardo Ortiz, é formado em Direito e também tem licenciatura plena em História e Geografia pela Unitau (Universidade de Taubaté). É a segunda vez que disputa as eleições municipais. Em 2008, perdeu para o atual prefeito Roberto Peixoto (PTB), à época candidato a reeleição. Nascido em São Paulo, Isaac do Carmo tem 37 anos, é casado e tem um filho. Formado em Direito pela Unitau, mora em Taubaté desde os 14 anos. Nesta campanha, teve o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apareceu com frequência nas propagandas de TV do candidato petista.

“Seu voto condena Delúbio Soares como corruptor ativo. Não está havendo uma contradição?”

Gilmar Mendes Ministro do STF

“Pelas reuniões e pelos depoimentos que foram prestados, esse denunciado figura como articulador político desse caso penal”

Luis Fux Ministro do STF

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Domingo 7 Outubro de 2012

Djavan, cantor

“O julgamento do mensalão é importantíssimo. Ratifica a democracia brasileira numa região que não é pródiga em democracia, que é a América Latina“

Hamilton Mota é reeleito com 54 mil votos em Jacareí

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amilton Mota (PT) foi reeleito para mais quatro anos no comando da Prefeitura de Jacareí com 47,63% dos votos válidos –índice inferior ao registrado nas eleições de 2008, quando teve 48,85% da preferência do eleitorado. No último dia 7, teve 54.203 votos. Também concorreram ao pleito deste ano Izaias Santana (PSDB), que ficou em segundo lugar na disputa, com 42,96% dos votos (48.883 adesões), Adriano da Ótica (PPS), com 7,68% (8.738), e Suzete Chaffin (PSOL), 1,73% (1.969). Em Jacareí, 5,31% dos eleitores votaram em branco e outros 5,93%, em

Prefeituras serão renovadas no Vale

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o todo, 17 prefeitos se reelegeram e outros 22 renovarão as prefeituras da região. Foram reeleitos Ildefonso Mendes (PSDB), em São Bento do Sapucaí, Antônio Marcos de Barros (DEM), em Paraibuna, o tucano Márcio Siqueira, em Aparecida, Hamilton Mota (PT), em Jacareí, Antonio Carlos (PSDB), em Caraguatatuba, Toninho Colucci (PPS), em Ilhabela, José Milton (PMDB), em São José do Barreiro, Osmar Felipe Junior (PSDB), em Cunha, Ana Karin (PR), em Cruzeiro, José Antonio Fernandes (PSDB), em Areias, Elzo de Oliveira (PR), em Igaratá, Rinaldo Thimóteo Zanin (PDT), em Canas, Mirian Bruno (PV), em Bananal, Soares Leite (PT), em Lavrinhas, Edson de Souza (PPS), em Arapeí,

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nulo. Foram 113.793 votos válidos. Hamilton é formado em arquitetura e urbanismo. Nascido em Passa Quatro, em Minas Gerais, foi levado pelos pais para Jacareí com apenas alguns meses de idade. É casado e tem um filho. Nesta eleição municipal, além do apoio do ex-prefeito e deputado estadual Marco Aurélio de Souza (PT), Hamilton teve a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral, que apareceu com frequência nas propagandas de TV do candidato petista. Um dos desafios na cidade é a saúde. Hamilton já disse à imprensa que dará continuidade ao mandato que iniciou em 2009. Mas dessa vez, quer focar na área da saúde, em especial na construção de um Pronto-Socorro para desafogar o atendimento de emergência na Santa Casa de Jacareí. O prefeito disse ainda que pretende apostar na melhoria da qualidade de vida da população de Jacareí em seu segundo mandato, construindo parques e levando as chamadas academias ao ar livre para outras regiões da cidade.

Benito Thomaz (PMN), em Potim, e Ernane Bilotte Primazzi (PSC), em São Sebastião. Renovam o Executivo, Carlinhos Almeida (PT), em São José dos Campos, Junior Advogado (PT), em Santo Antonio do Pinhal, Alex Torres (PR, em São Luiz do Paraitinga, Adriano Pereira (PT), em Santa Branca, Ana Maria de Gouveia (PT), em Piquete, Vito Ardito (PSDB), em Pindamonhangaba, Francisco Carlos (PSDB), em Guaratinguetá, Maurício Moromizato (PT), em Ubatuba, Ana Bela (PMDB), em Queluz, Dito Carlos (PSDB), em Natividade da Serra, Edson Mota (PR), em Silveiras, Neguinho (PMDB), em Redenção da Serra, Marcelo Vaqueli (PSB), em Tremembé, Daniela (PSB), em Monteiro Lobato, Fábio Marcondes (PSDB), em Lorena, Frederico Guidoni (PSDB), em Campos do Jordão, Zé Galvão (PSDB), em Lagoinha, João Luiz (PT), em Cachoeira Paulista, Henrique Rinco (PSDB), em Caçapava, Jonas Polydoro (PT), em Roseira, e Altemar Mendes (DEM), em Jambeiro. Taubaté será a única cidade que terá o segundo turno, com Ortiz Junior (PSDB) e Isaac do Carmo (PT).

Democracia sai fortalecida do impeachment Há 20 anos, a Câmara dos Deputados aprovava com 441 votos favoráveis a abertura de um processo de impeachment contra o então presidente Fernando Collor de Mello, e milhares de manifestantes em todo o país foram às ruas celebrar a decisão histórica. Naquele Brasil recém-saído da ditadura e abalado pelos sucessivos escândalos em torno do primeiro presidente eleito após a abertura política, era grande a sede por democracia. Os chamados caras-pintadas realizavam protestos cada vez maiores pedindo a saída do chefe do Executivo, acusado de corrupção. Desde então, muita coisa mudou –e para melhor– no cenário político. A legislação sobre o financiamento de campanhas passou a aceitar doações privadas, mecanismos anticorrupção foram aperfeiçoados, instituições democráticas tornaram-se mais sólidas. Outras medidas fizeram diferença em relação à sensação de impunidade. Hoje em dia é provável que pessoas envolvidas em crimes de corrupção sejam presas, também foram criados movimentos de combate à corrupção eleitoral, como a Lei da Ficha Limpa. São conquistas importantes, mas ainda há muito a avançar. Exite ainda a descrença da população nas instituições democráticas, no Parlamento e nos partidos políticos. As frequentes denúncias de esquemas de corrupção e a constatação de práticas de clientelismo e de patrimonialismo, especialmente em âmbitos estadual e municipal, provocam uma desilusão generalizada.

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Reportagem de Capa

Política ELEIÇÕES

O tamanho da máquina Carlinhos Almeida assume uma ‘empresa’ de orçamento bilionário e estrutura de grandes corporações; desafio é acabar com os diversos gargalos nessa ‘linha de produção’ e transformar o ‘produto’ dessa companhia em benefícios para população Hernane Lélis, Isabela Rosemback e Yann Walter São José dos Campos

arlinhos Almeida conquistou a opinião pública em sua terceira disputa ao Paço e assumirá o cargo de prefeito de São José dos Campos pela primeira vez, em 2013. O petista foi eleito no último dia 7 de outubro com 50,99% dos votos válidos (180.794), colocando fim a uma hegemonia de 16 anos de gestão do PSDB, seu principal adversário. “Chegou a minha vez”, disse Carlinhos. Alexandre Blanco, o candidato tucano, teve 43,15% dos votos (153.011). Abalado com a derrota, preferiu o silêncio após a divulgação dos resultados. O novo chefe do Executivo terá pela frente a missão de usar sua experiência política de mais de duas décadas para gerir o principal município da região com planejamento, metas e estrutura similar a de uma macroempresa. São 9.000 funcionários alocados em 23 repartições, 2.700 imóveis no patrimônio, 825 veículos na frota e, assim como qualquer organização, dificuldades para garantir o funcionamento da máquina administrativa mesmo tendo em mãos um orçamento bilionário.

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Faltando pouco mais de dois meses para assumir a função, Carlinhos pretende conciliar os compromissos de deputado federal com o processo de transição na prefeitura ao lado do atual prefeito, Eduardo Cury. O trabalho consiste em ter acesso às contas públicas, patrimônios, programas e projetos em andamento, além, é claro, do dia a dia da máquina. Tudo para que o petista tenha plena condição de preparar suas primeiras ações no governo. “Vou procurar o prefeito Eduardo Cury e verificar como nós podemos fazer conjuntamente esse trabalho com a minha equipe. Ter acesso a todas as informações da prefeitura e, eventualmente, nos prepararmos para medidas que sejam importantes para o início da gestão. Tenho certeza que o prefeito terá espírito público e compromisso republicano para nos ajudar a fazer uma boa transição”, afirmou Carlinhos, que derrotou também Cristiano Pinto Ferreira (PV), Antonio Alwan (PSB), Fabrício Correia (PSDC), Ernesto Gradella (PSTU) e Gilberto Silvério (PSOL), que juntos somaram 6% dos votos válidos. A peça orçamentária, principal instrumento de trabalho do novo chefe do Executivo, aguarda aprovação da Câmara. Nela, Cury oferece tímido reajuste para 2013, com receita saltando de R$ 1,7 bilhão para R$ 1,8 bilhão –um crescimento de 6,2%. Para melhorar o

caixa, o futuro prefeito pretende buscar parceria com as demais esferas do poder. “Acho que é possível a gente mobilizar mais recursos dos governos federal e estadual para reforçar esse orçamento. Vou governar nesse primeiro ano com o orçamento que a Câmara aprovar. Evidentemente vou fazer as adequações que forem necessárias, buscando trazer recursos externos e gerindo bem o que tiver disponível. No quadro funcional, o tucano vai repassar a seu sucessor um staff de 7.933 servidores de carreira, 839 temporários e 318 funcionários comissionados, grupo que certamente será reduzido, uma vez que a grande maioria exerce cargo de confiança e é indicada pela base governista, no caso, o PT e seus coligados a partir de janeiro. “A meta definida pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas é que no máximo 10% dos servidores sejam comissionados”, lembrou Mário Pascarelli Filho, autor do livro ‘A Nova Administração Pública’ e coordenador do curso de gerenciamento de cidades da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado). Com 3,5% de funcionários comissionados, a Prefeitura São José está dentro da meta. Como acontece em qualquer empresa pública, a administração da prefeitura é subordinada à aplicação de diversas leis federais, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, de

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Fotos: Flávio Pereira

SEDE DO GOVERNO Prédio do Paço Municipal, que será comandado por Carlinhos Almeida (PT), a partir de janeiro de 2013

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Reportagem de Capa

Perfil Carlinhos Almeida

Carlinhos Almeida, 49 anos, nasceu em Santa Rita do Jacutinga (MG) e é formado em História e Geografia pela Univap (Universidade do Vale do Paraíba). Teve sua primeira experiência política como presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Ciências Humanas. Filiou-se ao PT em 1984, foi presidente do partido em São José e membro da Executiva Estadual e do Diretório Nacional. Sua primeira eleição foi para vereador, em 1988. Reelegeu-se duas vezes e, no terceiro mandato, assumiu a Presidência da Câmara. Em 1998, conseguiu nas urnas uma vaga como deputado estadual, sendo líder da bancada do PT, presidente da Comissão de Educação e vice-presidente da Comissão de Cultura, Ciência e Tecnologia. Na Assembleia, foi eleito para três mandatos seguidos. Neste período, disputou o Paço pela primeira vez, em 2004, conquistando 32% dos votos válidos –perdeu as eleições para o atual prefeito Eduardo Cury, que somou 57% dos votos. Nas eleições de 2008, foi novamente o nome petista para o Executivo. À ocasião, chegou a 40,25% dos votos válidos contra os 56,27% de Cury, que foi reeleito. Dois anos depois, Carlinhos foi eleito deputado federal com 134.190 votos, um dos mais votados do Estado.

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PSDB Alexandre Blanco não conseguiu manter o partido no poder

2000. Esta lei estabelece que as despesas com folha de pagamento não podem exceder 60% do orçamento total do município. Neste ponto, o novo ‘CEO’ Carlinhos Almeida vai herdar uma empresa nos conformes, já que a prefeitura comprometerá pouco mais de 40% de seu orçamento com salários e encargos trabalhistas em 2012. Serão R$ 696 milhões, sendo R$ 480 milhões de salários e R$ 216 milhões de encargos. A previsão para 2013, segundo proposta orçamentária, é que a folha de pagamento consuma 35% da receita. “O fato é que para você prestar serviços de qualidade é preciso pessoal. Você tem que ter pessoas em quantidade suficiente, motivadas e valorizadas. Vamos ter que buscar sempre esse equilíbrio. Não podemos ter uma prefeitura que não tenha pessoas suficientes para atender a população. Por outro lado, temos que ter responsabilidade fiscal. Vou me equilibrar nessas necessidades”, ponderou Carlinhos. Para fins de comparação, a Prefeitura de Sorocaba –município paulista com mais ou menos o mesmo número de habitantes que São José (586.625 contra 629.921, segundo o Censo 2010 do IBGE)– prevê gastar 42% de seu orçamento de quase R$ 1,6 bilhão com os salários de seus 9030 funcionários em 2012. Em Campinas, maior cidade do interior de São Paulo, com mais de um milhão de habitantes, a prefeitura informou que quase 47% de seu orçamento de R$ 3,5 bilhões está comprometido com a folha de pagamento de seus 16 mil servidores.

“Esse índice de 60% é um limite, a lei não obriga a chegar a ele. Se o administrador público municipal conseguir maximizar seus recursos diminuindo a máquina administrativa ele terá mais dinheiro para investir. Hoje, sobram apenas 5% a 6% do orçamento municipal para fazer investimentos”, afirmou Pascarelli. Segundo estudo publicado no início deste ano pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) e baseado em dados de 2010, os gastos dos municípios brasileiros com pessoal passaram de 43,2% para 50% em dez anos. O problema é que com a folha de pagamento consumindo grande parte dos recursos, sobra pouco para investimentos –as municipalidades do país dedicam, em média, 10% de seu orçamento para este fim. A Prefeitura de São José indicou um investimento de R$ 201 milhões em 2012, o que representa pouco mais de 11,5% do orçamento total. A prefeitura também enfrenta problemas na Justiça trabalhista por conta de profissionais que se sentem lesados de alguma forma pela administração. De acordo com levantamento realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho, são 1.115 processos que estão tramitando, sendo que 80% foram impetrados nos últimos 16 anos, durante a gestão do PSDB. Outra situação que deve ser administrada pela prefeitura é a questão da aposentadoria dos servidores. A previsão para os próximos quatro anos é que ao menos 1.100 se aposentem, o que pode levar a próxima gestão a optar por diminuir o quadro

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Domingo 7 Outubro de 2012

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Flávio Pereira

FESTA Carlinhos Almeida comemora sua eleição no comitê de campanha

funcional na tentativa de maximizar os recursos públicos, ou abrir concurso para reposição. “O problema é que os funcionários são mal distribuídos, e também pouco qualificados, em função da baixa profissionalização da administração pública em geral. O número ideal (de servidores) vai depender do que o próprio município faz em termos de serviços. Certamente existem repartições que são pouco aparelhadas e outras que contam com excesso de servidores. Na educação e na saúde, por exemplo, a quantidade de funcionários é grande, mas há um problema de profissionalização da administração. Remunera mal e encontra dificuldade para contratação”, explicou Valeriano Costa, professor de ciências políticas da Unicamp (Universidade de Campinas). Os 9.090 servidores da prefeitura estão divididos entre 18 secretarias, o próprio gabinete, a Câmara e duas fundações –a FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo) e Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza). Cada um dos departamentos dispõe de um orçamento, que vai de pouco mais de R$ 4 milhões para a Secretaria de Relações do Trabalho até R$ 452,5 milhões para a Secretaria da Saúde. Segundo maior orçamento da Prefeitura, com pouco menos de R$ 408,5 milhões, a Secretaria de Educação é a que possui o maior número de servidores: são 3.929, ou seja, mais de um terço do total. “Saúde, educação e transporte são as pastas com maiores recursos e número de funcionários, e as que lidam com o maior número de

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pessoas. São José já conquistou muito nessas esferas, mas há espaço para melhorar. Para utilizar todos os recursos com qualidade, a palavra-chave é planejamento”, analisou Pascarelli. Caso a proposta de orçamento seja aprovada pela Câmara, Carlinhos terá um incremento nas pastas. A área da Saúde deverá contar com R$ 478 milhões e a Secretaria de Educação com R$ 429 milhões –5,67% e 5,18% de aumento, respectivamente, em relação a esse ano. Melhorar o atendimento à população nestes três setores será o principal desafio de Carlinhos Almeida. Segundo os próprios joseenses, a saúde reúne hoje os maiores gargalos da cidade. A fila de espera por consultas, exames, e cirurgias é enorme, e as unidades e efetivos existentes não dão conta da demanda. A proposta do petista é estruturar a rede básica implantando, entre outras coisas, o PSF (Programa de Saúde da Família) e um novo conceito de UBS (Unidade Básica de Saúde), que implica em melhorar os equipamentos, contratar médicos e criar programas de prevenção. De imediato, o futuro prefeito quer realizar um mutirão para atender a fila de espera, estimada em quase 100 mil pessoas, usando parcerias com instituições como o Hospital Antoninho da Rocha Marmo, o Pio 12 e a Santa Casa. “Sabemos que é um grande desafio garantir melhorias qualitativas na saúde, e nós vamos fazer isso. Como falei em campanha, é uma questão que vamos acompanhar pessoalmente, estabelecendo metas, cobrando re-

Perfil Itamar Coppio

O futuro vice-prefeito Itamar Coppio (PMDB) quer sair da condição de coadjuvante para imprimir um novo conceito à forma de atuar na função que lhe foi concebida. Médico cirurgião, 61 anos, ele está envolvido com a política desde 1972, quando foi eleito vereador por quatro mandatos em São José dos Campos. Atuou como diretor do Hospital Municipal no final dos anos 1980 e quer usar sua experiência no setor público para servir de elo entre os poderes Executivo e Legislativo. A ideia é garantir melhorias ao governo, principalmente no setor da saúde, considerado por ele o maior gargalo da atual gestão. “Estou à disposição e posso colaborar com a saúde, que é a mais fragilizada. Minha experiência pública sempre foi direcionada, como quando trouxe para a cidade o setor de queimados”, diz. A crítica do peemedebista à administração municipal está relacionada às filas por cirurgias e consultas, à má gestão do Hospital Municipal e à falta de diálogo entre a prefeitura e a classe médica. Ele defende maior participação da categoria nas decisões do governo e a contratação de novos especialistas para atender a população. Essa é a segunda vez que Itamar e Carlinhos formam aliança na disputa pelo Paço. A primeira foi no pleito de 2008.

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Reportagem de Capa

sultados, fazendo avaliação com a população e uma questão que é um ponto de honra para todos nós: em janeiro fazer o mutirão para fazer cirurgias, consultas com especialistas e exames que estão atrasados. Mais do que números, são pessoas sofrendo”, disse o petista. A área de habitação também terá de receber atenção especial, uma vez que 19.500 pessoas estão na fila de espera para moradia, sem falar das 1.600 que vivem em zonas consideradas de alto risco. Nesse ponto Carlinhos Almeida pretende se apoiar na CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e no programa federal “Minha Casa, Minha Vida”, uma vez que pela proposta de Orçamento 2013, a pasta de Habitação sofrerá queda de 63,5%, passando de R$ 56,4 milhões para R$ 20,6 milhões. Para o petista, o atual prefeito pouco fez para o setor e não tratava o assunto com transparência, divulgando a cada momento um número diferente do déficit habitacional. Quanto aos transportes, as críticas da população se referem basicamente ao preço alto da passagem, à falta de veículos em algumas áreas da cidade e à superlotação dos ônibus nos horários de pico. O plano de governo de Carlinhos prevê ampla revisão no sistema, desde questões simples como localização dos pontos, itinerários, tamanho de ônibus e construção de corredores exclusivos, até o uso de tecnologia para facilitar a rotina dos usuários. Tudo isso com recursos, segundo ele já disponíveis, do governo federal. Na educação, o principal problema é a falta de creches. A estimativa do PT é que faltam 6.000 vagas para atender a demanda. No ensino básico, Carlinhos quer municipalizar as escolas estaduais de ensino fundamental, ampliar as de ensino integral e disponibilizar um tablet para cada um dos 38 mil estudantes do ensino fundamental. Ao todo, 50 mil dos 66 mil alunos da rede estadual poderão migrar para a rede municipal, dobrando o número de jovens atendidos pela prefeitura. O petista prometeu incluir 9.100 alunos do 1º ao 5º anos de 22 escolas estaduais. Para isto, quer usar repasses do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que hoje são de R$ 2.900 por aluno e por ano. “A primeira grande prioridade é a Educação, que promove inclusão, oportunidades e desenvolvimentos como o tecnológico. Então é investir em creche, valorizar os professores, implantar a escola integral e as quatro escolas técnicas”, ressaltou o futuro prefeito. Por lei, os 5.565 municípios brasileiros são obrigados a reservar 25% de seu orçamento para a educação, e outros 15% para a saúde. No

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ATRASO Arena de Esportes, na zona oeste de S. José; obra estava prometida para o final do mês

Herança milionária e A o subir a rampa do Paço Municipal de São José dos Campos, o prefeito eleito, Carlinhos Almeida, terá pela frente muito mais do que suas promessas de campanha para cumprir. Quando se sentar pela primeira vez na cadeira de chefe do Executivo, o petista terá sobre a mesa uma lista de obras milionárias iniciadas por seu antecessor, Eduardo Cury, mas que ficaram inacabadas na gestão tucana. Os projetos vão precisar de um aporte adicional, ainda a ser calculado pelos líderes do PT, para serem concluídos. Para eles, a falta de planejamento e comprometimento da atual administração resultou nessa herança indesejada. A gestão de obras é um dos principais gargalos do poder público, que chegou a ter somente neste último mandato 20 projetos em atraso, todos com custos acima de R$ 1 milhão. Há casos emblemáticos como o do novo teatro municipal, que prometia ser um dos mais modernos centros culturais da região, mas acabou virando a maior piada tucana. Iniciado há quase cinco anos pelo governo municipal, o projeto teve os alicerces construídos de

forma invertida e a porta de entrada, que seria voltada para dentro do Parque da Cidade, instalada na avenida Olivo Gomes. O erro na execução foi inevitavelmente reconhecido pela administração e a obra virou caso de Justiça. Para investigar e apontar os responsáveis, que podem ter de ressarcir os cofres públicos em mais de R$ 600 mil, o Judiciário interditou o terreno sem prazos para desfecho. Com custo inicial de R$ 12 milhões, a obra é apontada pela oposição –que estima conseguir aproveitar apenas 60% do realizado– como a mais inusitada forma de desperdício de dinheiro público. Tão problemática quanto o teatro encontra-se a construção da Arena de Esportes, localizada no Jardim das Indústrias, na zona oeste. O complexo, inicialmente orçado em R$ 33,3 milhões, deveria ter sido entregue em agosto deste ano, mas a empreiteira responsável postergou a entrega para 31 de outubro em razão de chuvas e de problemas com o terreno. No entanto, é visível que o prazo não será cumprido. O diretório petista prevê que o projeto ficará ainda mais caro e que terá de arcar com as despesas até sua conclusão.

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Domingo 7 Outubro de 2012

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segundo quesito, a Prefeitura de São José vai muito além das expectativas federais, já que a saúde representa 26% de seu orçamento total. Ao contrário, a Secretaria de Educação deverá receber menos de 24% do ‘bolo’. A explicação para a fatia menor do que a prevista está no entendimento da lei, onde segundo a prefeitura, o percentual mínimo é calculado sobre “a receita resultante de impostos, ou seja, a receita compreendida como arrecadação ou proveniente de transferências, excluindo-se, por exemplo, as operações de crédito”.

a e obras inacabadas No transporte, a obra de alargamento do viaduto da Kanebo entra no pacote de heranças deixado pelos tucanos. Os trabalhos deveriam ter começado em setembro de 2011, com custo de R$ 8,3 milhões. Mas, sem a autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), apenas um trecho da estrada velha foi completado. A prefeitura diz aguardar a aprovação para continuar a obra, que deveria ter sido entregue em maio deste ano. Seis escolas e três creches que iniciaram projetos neste ano também ficarão para o próximo governo. O presidente do PT, Wagner Balieiro, diz que elas estão nos bairros Frei Galvão, Jardim Mariana, Parque Interlagos, Santa Júlia, Campos de São José, Altos de Santana, Vila Monterey, Jardim Santa Rosa e Jardim Helena. O valor total dos projetos é R$ 923,8 mil. A prefeitura diz não haver atrasos, alegando que três unidades já teriam sido encaminhadas para a abertura de processo licitatório respeitando os prazos determinados pela legislação específica em vigor. No cobrado setor de Saúde, o PT listou a construção da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Putim, na zona sudeste,

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como outra obra que ficará para sua gestão. A antiga promessa começou a sair do papel em junho, com previsão de conclusão em maio de 2013. O investimento é de R$ 4,4 milhões para atendimento de cerca de 60 mil habitantes. A Secretaria de Obras não admite que há atraso e diz que 16% do valor do projeto já foi aplicado. No levantamento prévio realizado pela futura administração aparece, ainda, a construção do Sistema de Esgotamento Sanitário da Bacia do Pararangaba, que deveria ter sido concluída no ano passado e tem previsão de término em 2014. Outras obras que a atual administração nega estarem atrasadas foram listadas pelo PT e devem ser concluídas pela nova gestão. A Casa do Idoso da zona norte é uma delas, com construção iniciada em julho e término previsto para junho próximo, com custo de R$ 4,7 milhões —8% do montante já foi investido. A Escola Estadual no bairro Altos da Vila Paiva também se enquadra nesse perfil: deveria ter sido entregue em 30 de julho deste ano, mas deverá ficar pronta no segundo semestre de 2013.

Receita A forma de obtenção de recursos para o funcionamento da organização é uma das principais características divergentes de uma administração pública e privada. Somente 83 municípios em todo o Brasil geram receitas suficientes para pagar seus funcionários. Entre os demais, 64% estão em situação fiscal difícil ou crítica. A má administração é a principal culpada, mas vale ressaltar que 80% dos municípios do país têm população igual ou inferior a 30 mil pessoas. Com uma arrecadação tão fraca, a sustentabilidade da máquina pública fica inviável. Assim sendo, não é de se espantar que 94% dos municípios brasileiros dependam exclusivamente dos repasses federais e estaduais para compor 70% de seu orçamento, enquanto 83% não conseguem gerar nem 20% de suas receitas. A Prefeitura de São José vai receber pouco mais de R$ 1,2 bilhão em transferências em 2012, uma quantia que responde por 69,6% de seu orçamento anual. Com mais de R$ 841 milhões em repasses previstos para este ano, o Governo do Estado é o principal provedor do município. Somente de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) o governo Cury pretendia receber até dezembro R$ 735,6 milhões. No entanto, segundo o secretário da Fazenda de São José, José Liberato, as frustrações das expectativas econômicas, como por exemplo, a baixa do PIB (Produto Interno Bruto) de 4% para 1,57%, resultaram na queda de arrecadação do ICMS por parte do Estado, o que, consequentemente, reduz o repasse inicialmente previsto para São José. O percentual previsto de redução não foi revelado, mas segundo cálculo do economista Roberto Koga, de São José, com base nos repasses já efetuados, o valor final chegará a R$ 520 milhões –quase 30% de redução frente ao valor inicialmente pretendido. De acordo com informações da Secretaria da Fazenda do Estado, até agora foram passados ao município R$ 377,9 milhões. Para manter

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Reportagem de Capa

o mesmo montante previsto no início do ano, São José teria que receber do governador Geraldo Alckmin R$ 357,7 milhões nesses últimos três meses. “O governo estadual realiza nessas situações o que chamamos de ‘pacote de bondade’. Incentiva com isenção de multas e juros a quitação dos débitos. É uma ação comum para diminuir o impacto na arrecadação e conseguir aumentar os repasses”, explicou Koga. Na gestão de Carlinhos Almeida, São José ocupará a quinta posição no Índice de Participação do Município (2,36% do recurso de ICMS a ser distribuído), subindo uma posição em relação a este ano. Esse índice considera, preponderantemente, o valor adicionado do município em relação ao do Estado como um todo. Para este propósito, o valor adicionado contempla a média do que foi apurado no segundo e terceiro anos que antecedem a aplicação do índice. Ou seja, o índice de 2013 considera os valores adicionados de 2010 e 2011. Tomando por base esses dados e a situação financeira do Brasil, o economista acredita que o prefeito terá em torno de R$ 544 milhões oriundos de repasses do ICMS em seu primeiro ano de mandato. Montante bem inferior ao projetado no Orçamento 2013, que é de R$ 708,4 milhões. “Tivemos nos últimos anos perda de participação no ICMS. Nosso índice tem caído ano a ano e isso decorre basicamente da atividade econômica, que determina o ICMS. Há uma preocupação em relação à recuperação da capacidade de São José no que se refere à arrecadação. Mas, no geral, acredito que é uma prefeitura bem gerida do ponto de vista das finanças. A gente deve zelar para que essa gestão seja ainda mais competente e qualificada”, disse Carlinhos. A segunda maior fonte de renda da prefeitura é a receita tributária. Em 2012, serão arrecadados mais de R$ 462 milhões em impostos e taxas. Vêm depois os R$ 180 milhões repassados pela União, e os mais de R$ 70 milhões procedentes de outras fontes, como a receita da dívida ativa –R$ 31,3 milhões, sendo quase R$ 19 milhões do IPTU; e as multas e juros de mora –R$ 21,5 milhões, sendo R$ 11,5 milhões de multas de trânsito, o equivalente a 17,5% da verba destinada a Secretária de Transportes, de R$ 65,8 milhões. Para complementar a arrecadação municipal, o prefeito ainda conta com recursos externos. Para projetos de reestruturação urbana, dispõe de uma linha de crédito de quase R$ 70 milhões junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Além disso, tem a possibilidade de contratar operação de crédito por antecipação da receita, no limite de R$ 88 milhões.

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IGUAL A renovação na Câmara Municipal foi de 30%; poucos novos nomes

Oposição majoritária Com metade dos vereadores na coligação do PSDB, Carlinhos vai encontrar forte oposição na Câmara novo prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida, terá de lidar com uma forte oposição na Câmara. A coligação do PSDB elegeu 12 vereadores: quatro do próprio partido (Dulce Rita, Petiti da Farmácia Comunitária, Juvenil Silvério e Dilermando Dié), três do DEM (Renata Paiva, Mota e Macedo Bastos), três do PP (Roberto do Eleven, Willis e Alexandre da Farmácia), um do PRP (Calasans Camargo) e um do PPS (Robertinho da Padaria). Já Carlinhos poderá contar com o apoio de seis vereadores: quatro do PT (Wagner Balieiro, a ex-prefeita Angela Guadagnin, Amélia Naomi e Juliana Fraga), um do PRB (Shakespeare Carvalho) e um do PMDB (Carlinhos Tiaca). Os últimos três integrantes da Câmara são Walter Hayashi e Valdir Alvarenga, do PPS, e Cyborg, do PV. “Eu fui eleito presidente da Câmara quando o PT tinha apenas três vereadores, e terminei meu mandato com o apoio de quase todos os vereadores. Não tenho dúvida de que podemos compor uma maioria com tranquilidade, na base do diálogo e do compromisso público”, disse Carlinhos. Vereadores da atual legislatura saírão

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de cena. Não foram reeleitos Jairo Santos (PV), Tonhão Dutra (PT), Miranda Ueb (PPS), Vadinho Covas (PSDB) e João das Mercês Tampão (PTB). Cristiano Pinto Ferreira foi candidato à prefeitura pelo PV e, por isso, não concorreu a um novo mandato no Legislativo. A candidatura de Cristovão Gonçalves (PSDB) está impugnada. A Câmara ganhou sete caras novas. Com 7.856 votos, o estreante Shakespeare Carvalho, do PRB, foi o quarto mais votado entre os 460 candidatos. O mais popular de todos foi Balieiro (PT), com 9.420 votos, seguido por Renata Paiva (DEM) com 8.745, e Amélia (PT) com 8.355. Além de Shakespeare, as novidades são Willis e Roberto do Eleven, ambos do PP, Cyborg (PV), Carlinhos Tiaca (PMDB), Juliana Fraga (PT) e Calasans Camargo (PRP). Angela Guadagnin conseguiu apenas 3.268 votos, o quarto pior total dos 21 vereadores eleitos. Para fins de comparação, Toninho, do PSTU, obteve mais do dobro: com 6.677, foi o quinto candidato mais votado. No entanto, como candidato de um partido que não integrava nenhuma coligação, ele precisava de quase 17 mil votos para ser eleito.

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Reportagem de Capa

Gestão ideal Muitos especialistas afirmam que a máquina pública precisa recorrer a técnicas de management usadas no setor privado para melhorar a saúde financeira e administrativa. “O município tem que ter visão, tem que estabelecer metas e objetivos”, enfatizou Pascarelli. A opinião é compartilhada pelo docente da Unicamp, Valeriano Costa. Ele explica que esse movimento já é comum dentro de algumas gestões públicas municipais. Além do planejamento estratégico, o modelo gerencial prevê a criação de carreiras, consolidação dessas carreiras, transparência no processo de licitação e o uso da tecnologia para aproximar o cidadão do governo. “Esses são os grandes indicadores de uma gestão moderna, além da capacidade técnica do prefeito e secretários. Facilitar o acesso às informações para melhorar o nível de cobrança da população é fundamental. Uma das coisas que também ajuda nesse fortalecimento é a profissionalização da administração. O elo mais frágil da administração municipal é a falta de controle e fiscalização da gestão. A transparência é um grande achado nas prefeituras”, disse Costa.

Para diminuírem seus gastos e, assim, maximizarem seus recursos, muitas prefeituras recorrem a terceirizações. Em São José, os setores da saúde e dos transportes são bons exemplos do crescimento desta tendência em nível nacional. Porém, o recurso sistemático a esta prática pode acabar prejudicando os ‘acionistas’ da empresa: os moradores. O instrumento também é usado como estratégia para ‘driblar’ a Lei de Responsabilidade Fiscal no que diz respeito à contratação de servidor. Os especialistas políticos ouvidos explicaram que ao chegarem à média de 45% de comprometimento da folha de pagamento, os municípios costumam transferir a gestão, para evitar o engessamento do funcionalismo. “Não representa necessariamente uma redução de custos. Você pode pagar o mesmo tanto ou ainda mais do que pagava antes e ter um serviço de péssima qualidade. Existe um grande fluxo de funcionários nessas empresas, o que prejudica o serviço de qualidade e o andamento de algum projeto de gestão. A seleção por concurso é tão complicada e cara que a prefeitura prefere muitas vezes terceirizar. Quando a prefeitura está no limite do teto de gastos com ser-

vidores costumam terceirizar. A principal tarefa do município é investir em mão-de-obra qualificada para servir a população”, avaliou Costa. Outro elemento importante, segundo Pascarelli, é não perder de vista a vocação da cidade. “É preciso aproveitar ao máximo todos os recursos existentes, não apenas financeiros, mas também físicos e humanos. Hoje, a vocação de São José dos Campos é ser um pólo tecnológico. Assim sendo, a gestão ideal é aquela que consegue mobilizar todos seus departamentos em prol da realização de seus objetivos prioritários e busca de uma solução global aos anseios dos cidadãos”, afirmou. Carlinhos acredita que conhece bem as vocações, as prioridades e os desejos da sociedade. “Ser prefeito de São José é o desafio da minha vida, uma coisa pela qual já batalhei por duas vezes. Agora estou eleito nessa terceira tentativa. Não estou preocupado com essa questão de hegemonia ou grupo. Estou preocupado com o que eu posso fazer nesses quatro anos para melhorar a vida das pessoas e fazer a cidade avançar”, finalizou o futuro prefeito de São José.•

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Política

Ozires Silva

O valor da educação na sociedade

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ertamente os leitores tenham visto a extraordinária divulgação que os diferentes veículos das comunicações estão oferecendo para alguns tópicos do tradicional “VOCÊ SABIA?”, frequentemente publicado. Entre eles, selecionei alguns: - Hoje, há mais chineses falando inglês do que o total das populações americana e inglesa; - As informações técnicas, tecnológicas e científicas disponíveis estão dobrando em número a cada dois anos; - O mundo de hoje, investindo maciçamente em educação, está preparando jovens para empregos que ainda não existem, para aplicar tecnologias que também ainda não existem, para resolver problemas que ainda não existem. Todos concordam que há muito mais do que isso nos cenários internacionais, aliás, como em tudo, vem acontecendo com impressionante rapidez. Temos de aceitar que não seja fácil avaliar o quadro amplo das possibilidades (e dificuldades) que existirão para educar, preparar e especializar os jovens de hoje para enfrentar com sucesso a avalanche das informações e do conhecimento, que nascem a cada momento e com as quais terão de lidar. Voltando um pouco para trás, o primeiro quadro negro, utilizado formalmente numa sala de aulas, contam que deve ter ocorrido, por volta do final do Século 18, ou seja, há mais de 200 anos! Ainda hoje, com

algumas poucas exceções, nossa forma de ensinar e treinar alunos segue a mesma linha, com o professor com suas costas voltadas para os estudantes durante a maior parte do tempo. Esse processo, sem dúvida e até agora, tem exercido um papel fundamental, inaugurado há tantos anos, mas dotado de quase total ausência de interatividade. Claramente isto não mais se aplica, num mundo no qual circulam informações e conhecimentos com enorme velocidade e eficiência. Temos de procurar e usar alternativas para implantar novas ideias e vencer com as inovações, como constatado nos países que estão vencendo, aplicando novas metodologias que aumentem nossa eficiência nos métodos de ensinar e aprender, mudando intensamente nosso país. Vale lembrar que na atualidade, e daqui para frente muito mais, nossos descendentes terão de enfrentar a concorrência de asiáticos, europeus e americanos, numa condição clara de que o mundo não está a nossa espera! Temos de caminhar e aumentar a velocidade de mudanças que possam ser implantadas

e capazes de produzir cidadãos competentes e diferenciados! Alguns podem encarar isso como revolução. Sim e ela não deve afetar simplesmente as salas de aula, mas as escolas como um todo, englobando todas as possibilidades da preparação de nossos estudantes, desde seus primeiros estágios de aprendizagem até a graduação final, em particular nos cursos fundamentais, na atualidade mais sob a ação dos poderes públicos municipais e estaduais. O esforço precisa ser conjunto, do setor privado com o público, gerando-se parcerias que possam ser vencedoras. E as fórmulas certamente passam por atitudes e conceitos que mudem nossa sociedade, que alterem o como e o que fizemos no passado. Se, nesse passado não tenhamos conseguido acompanhar os vencedores no mercado mundial, isto não mais é aceitável, num extraordinário país continental que, do ponto de vista da natureza, foi brindado com bases para o progresso, entre as melhores que se pode contar. •

Ozires Silva Engenheiro

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O MUNDO NÃO VEM COM LEGENDA

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Especial

MÍDIA

Seu jornal voltou; E melhor

Capa do novo jornal valeparaibano: disposição das chamadas organiza os principais fatos da semana para o leitor

Jornal valeparaibano volta ao mercado no próximo dia 28 com novo layout e no formato berliner; com design moderno, se torna um jornal semanal, com circulação aos domingos

Caderno ‘Você’ aborda os temas ligados ao bem-estar do ser humano, com as reportagens de comportamento, além das editorias de moda e beleza, decoração, turismo e gastronomia

São José dos Campos

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o ano em que completa seis décadas, o jornal valeparaibano retoma sua circulação, a partir do próximo dia 28, com layout mais arrojado e no formato berliner –uma tendência mundial, usada por consagrados jornais. Fundado em 1952, o jornal volta repaginado, transformando-se num jornal semanal, com circulação aos domingos. Com a reforma gráfica, reafirma o compromisso de entregar aos leitores uma publicação que acompanha as evoluções do mundo, mas mantém seu DNA de 60 anos exercendo um jornalismo inde-

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pendente, apartidário e pluralista, em defesa da liberdade de expressão e de pensamento. O redesenho foi desenvolvido ao longo de um ano de pesquisas com a finalidade de rejuvenescer a marca valeparaibano com um produto mais moderno, que forneça informação de qualidade de uma forma mais objetiva, com o resumo dos noticiários regional e nacional da semana, e, principalmente, com reportagens exclusivas. “O novo jornal será mais claro e leve, mas com peso na informação de qualidade. O desenho também valoriza as imagens fotográficas, dando uma roupagem mais contemporânea à diagramação e à apresentação das reportagens. Esperamos que os leitores, para quem dedicamos e trabalhamos diariamente, gostem das mudanças”,

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disse o editor chefe Marcelo Claret. O novo valeparaibano terá 48 páginas divididas em três cadernos: o primeiro com reportagens sobre a região, o Brasil e o Mundo, seções de entrevista, editorial e artigos, além de matérias especiais sobre carros e esportes; o segundo com informações sobre moda, gastronomia, casa, turismo e matérias de comportamento; e o terceiro com matérias sobre cultura, coluna social e serviços de TV e cinema. Para Ferdinando Salerno, diretor responsável da publicação, o “histórico de credibilidade do título valeparaibano aliado à sua capacidade de filtrar, hierarquizar e melhor organizar a avalanche de informações do mundo atual, não apenas no papel, mas em múltiplas plataformas, é a fórmula do nosso sucesso”.

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Caderno ‘Viver’ concentra as reportagens de cultura e os materiais de entretenimento, com matérias sobre as celebridades e novelas, além de seções com serviço de TV, lançamento de filmes e coluna social

Projeto gráfico da página de Esportes. Primeiro Caderno terá ainda editorias com reportagens sobre a região, o Brasil e o Mundo, além de seções de cartas, artigos, entrevistas, carros e o resumo da semana

Imagens maiores proporcionam um layout mais limpo às páginas do jornal

Tendência Quanto menor, melhor. Pesquisa EyeTrack, do Instituto Poynter de Estudos de Mídia, aponta o tamanho berliner como referência de modernidade nos jornais desta década, um divisor de águas comparado à importância do surgimento das páginas coloridas nos anos 1980, à elaboração de projetos gráficos a partir de 1990 e à hierarquização das notícias no jornalismo do novo século. Na Austrália, a maioria dos jornais tem o formato berliner, entre eles, o ‘The Border Mail’ e o ‘Herald Sun’. Na Itália, algumas das mais importantes publicações, o ‘La Stampa’ e o ‘ La Repúbblica’, também tem o tamanho reduzido. Na França, os semanais ‘Journal du Dimanche’ e ‘Courrier Picard’, além dos diários ‘Le Monde’,

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‘Le Figaro’, ‘Libération’ e ‘France-Soir’, são recordistas de vendas. No Reino Unido, o ‘The Guardian’, considerado o jornal do ano, além do ‘The Observer’, ‘The Sunday Times’ e ‘The Sunday Telegraf’ conquistaram a preferência do leitor. Na Argentina, de todos os tradicionais jornais, somente o ‘La Nácion’ mantém o convencional tamanho standart –o berliner ‘Clarín’ é o jornal com maior circulação no país. E todo esse sucesso refletiu no mercado norte-americano, onde os jornais têm adotado cada vez mais o formato berliner e deixado de publicar edições diárias. No Brasil, além dos jornais de maior circulação no sul do país, como ‘Zero Hora’, de Porto Alegre, e o ‘Diário Catarinense’, de Florianópolis, o ‘Correio’, da Bahia, superou

a circulação do centenário jornal ‘A Tarde’ depois que adotou o formato berliner, aumentando em 300% sua tiragem. Mais: ‘A Gazeta’, de Vitória (ES), também aderiu recentemente ao berliner. Após duas semanas de circulação, o jornal capixaba, de propriedade de Carlos Lindenberg Neto, presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), a maior entidade de jornais da América Latina, quase dobrou sua circulação –passando de 20 mil para 38 mil exemplares. Multimídia Com o novo valeparaibano, a empresa completa seu mix de plataformas de informação, oferecendo ao leitor cobertura jornalística diária, por meio do site (WWW. valeparaibano.com.br), semanal, com o novo jornal, e mensal, através da revista valeparaibano. Em meio a tanta informação chegando todos os dias por diferentes plataformas –impressas ou digitais– é nossa função organizar, analisar, e resumir os fatos importantes. Outros dois títulos se somam ao serviço noticioso da empresa: as revistas Luxe. e Orphila, voltadas, respectivamente, para os segmentos especializados em arquitetura e design, e em moda e beleza. Com as três revistas, a empresa valeparaibano se consolida como uma das cinco maiores editoras regionais associadas à Aner (Associação Nacional dos Editores de Revista). Site E a novidade também se estende ao site, que ganha mais conteúdo a partir deste mês. Atualizado todos os dias com os fatos mais relevantes e abastecido com as notícias publicadas na revista valeparaibano, agora passa a receber as reportagens do novo jornal, além de matérias exclusivas para a versão online. Tudo isso para ajudar o leitor a entender melhor o mundo que o rodeia. •

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Economia NEGÓCIOS DA FÉ

Em nome do turismo Trilhas contemplativas e ações diretas com empresários visam aquecer a economia sob o viés religioso da região; mas Rota Franciscana e atendimentos ainda requerem aperfeiçoamentos

Isabela Rosemback São José dos Campos

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nquanto Aparecida atrai milhares de romeiros e fiéis para a sua basílica neste mês de homenagem à Padroeira do Brasil, movimentando a rede hoteleira e o comércio locais, o município vizinho, Guaratinguetá, coloca em prática uma programação de louvor a Frei Galvão, santo brasileiro beatificado em outubro de 1998 e canonizado em maio de 2007. Seria um bom momento para dar visibilidade à Rota Franciscana, que considera caminhos percorridos pelo milagreiro em suas missões no Vale do Paraíba. Mas, na prática, o roteiro inaugurado em junho pela Secretaria de Turismo de São Paulo ainda não funciona como deveria, apesar de outras ações de fomento –a exemplo do circuito criado pelo Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas)– mostrarem que a região tem um forte potencial para aquecer a sua economia com o turismo religioso e contemplativo para além da data festiva, salvas as suas limitações.

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A ideia do novo itinerário, incorporado ao Programa Caminha São Paulo, do Estado, favorece a movimentação de turistas em 29 cidades do Vale do Paraíba e estende-se a Mogi das Cruzes e São Paulo. Em determinados momentos, a rota segue cercada por belas paisagens rurais em estradas de terra que conservam elementos da história da região. A equipe da valeparaibano percorreu seus principais trechos, entre agosto e setembro, e verificou, porém, que o lançamento foi feito sem que a estrutura estivesse completamente montada em toda a sua extensão –818 quilômetros, dos quais 767 devem ser percorridos a pé ou de bicicleta. Apenas um dos cinco trajetos estava sinalizado com placas indicando, com setas, o caminho. “O público-alvo não são os fiéis, embora seja uma homenagem ao santo. Nossa intenção é ampliar o fluxo turístico na região de forma permanente, ou seja, o ano todo, por meio da caminhada contemplativa”, explica Mauricio Juvenal, assessor da Secretaria de Turismo de São Paulo. “Assim, o pedestre interage com a paisagem de uma forma mais próxima do real, descobrindo lugares que não veria do mesmo jeito

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Fotos: Flávio Pereira

ROTA FRANCISCANA

No sentido horário: estrada rural em Lagoinha; Museu Frei Galvão, em Guará; imagem do santo brasileiro; produtor rural passa por trecho da rota na estrada Guará-Roseira; propriedade rural em Lagoinha; marco zero da Rota Franciscana, em Guará; centro histórico em São Luís do Paraitinga; Basílica Velha, em Aparecida

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Economia

de dentro de um carro. Isso movimenta economicamente as cidades por onde a rota passa, a começar pelo fato de que quem faz esses trajetos costuma chegar à cidade de partida com um dia de antecedência e precisa de hospedagem. Ele costuma andar de 20 a 25 quilômetros por dia, acaba gastando com alimentação e presentes, e tende a voltar outras vezes com a família quando gosta do passeio”, completa. Juvenal defende que a instalação das placas segue em conformidade com o cronograma inicial, que, de acordo com ele, previa que o principal trecho –que segue os passos de Frei Galvão de Guará a São Paulo– fosse entregue totalmente equipado ainda no primeiro semestre. “As demais devem ser instaladas até o dia 15 de outubro”, sentencia. “Mas dependemos muito dos municípios aprovarem os locais permitidos para colocarmos a sinalização, e esse é um processo moroso”, resvala. Apenas em Aparecida havia placa explicando o que é a Rota Franciscana ao lado dos pórticos eletrônicos estrategicamente instalados em locais públicos, um em cada cidade, e a partir dos quais os caminhantes são moni-

torados por meio de um cartão solicitado pela internet. Em outros momentos de travessia, a rota era desconhecida entre comerciantes e até mesmo em pontos de informações turísticas das cidades. Não houve consenso, também, nas orientações dadas por pessoas ligadas a setores de turismo em prefeituras. Trechos sem acostamentos de estradas asfaltadas e longos trajetos em zonas rurais – com tempo estimado para serem completados em até 17 horas de caminhada– sem infraestrutura para alimentação ou hospedagem completam os obstáculos a serem enfrentados pelos devotos e aventureiros interessados na travessia autoguiada –ou seja, sem guias. “Qualquer rota pedestre é um desafio, e nos baseamos em Santiago de Compostela. Todo o projeto é custeado pelo Estado, mas é opcional a cada município, que já autorizou o roteiro, interagir com os pedestres. Uma empresa contratada fez o traçado turístico e buscamos incentivar o empresariado local a fornecer a infraestrutura necessária a partir dele e a convidar essas pessoas a ficarem na cidade”, afirma Juvenal.

Circuito Atualmente, além da Rota Franciscana, já existem três circuitos turísticos criados pelo Sebrae no Vale do Paraíba e que têm como objetivo fomentar o atendimento aos visitantes com estratégias para que esse fluxo possa ser suportado pelas redes hoteleiras e de alimentação. Consenso entre a entidade e o Sinhores (Sindicato dos Hotéis e Restaurantes) de Aparecida e Vale Histórico, porém, é o fato de que os municípios que integram o circuito religioso –Aparecida, Guaratinguetá, Cachoeira Paulista, Lorena e Canas– precisam se estruturar para darem conta da crescente demanda gerada pelos fiéis, que já chegam a 12 milhões por ano. “A cada ano esse número cresce em um milhão, e a estimativa é de que até 2014 ele chegue a 16 milhões com a instalação da Renovação Carismática Católica em Canas. Temos de planejar ações agora, antes que o caos aconteça, e de forma a gerar oportunidades de emprego”, adverte Renata de Paula Guimarães, gestora dos circuitos turísticos da região pelo Sebrae.

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Economia

EM FAMÍLIA Thereza Maia, diretora do Museu Frei Galvão, em Guará, e sobrinha-neta do santo

“O mundo está em crise e o Brasil não. Com eventos como o Encontro Internacional da Juventude (2013), a Copa do Mundo (2014), as Olimpíadas (2016) e os 300 anos de Nossa Senhora Aparecida (2017), estrangeiros podem vir e, percebendo fragilidades nesse setor, decidir investir aqui, quebrando os empresários locais que não se adequarem aos novos padrões de exigência que o desenvolvimento gerado por esses mesmos eventos deverão surtir. Porque, com investimentos, surgem muitas oportunidades de emprego e serviços, mas as cidades se modernizam e os costumes são alterados”, alerta, ressaltando que é preciso sensibilizar a comunidade para receber esses turistas com conforto, além de saber direcioná-los, com mapas e informações atualizados, a atrativos naturais ou culturais de cada cidade. Presidente do Sinhores de Aparecida e Vale Histórico, Ernesto Elache também vê com receio a forma como o turismo na região tem crescido. Ele afirma que apenas no feriado do dia 12 de outubro, os turistas gastam cerca de R$ 9 milhões no município e em seu entorno com hotelaria –nas cinco cidades, o número de leitos disponíveis está próximo a 35.000, considerando estabelecimentos legalizados. “É bom, mas não precisamos chamar mais

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gente nessa data, que já tem atraído oportunistas que acabam gerando prejuízos aos empresários ao aproveitarem a movimentação para praticar delitos. As novas gerações à frente dos negócios se acostumam a lidar com essa demanda, mas daqui a pouco não passará mais carro nas ruas. É muita gente e Aparecida paga o preço”, desabafa. Ainda assim, ele afirma que o mês de outubro não é o que concentra maior número de turistas, com total de 850 mil visitantes, mas sim o mês de julho é que assume esse posto ao atrair mais de um milhão de pessoas –sendo 18% delas visitantes que vão a Campos do Jordão de dia e se hospedam em Aparecida por ser mais barato. A intenção agora é que, assim como a Rota Franciscana propõe, o turismo do circuito seja fortalecido em outras épocas do ano –a média de 160 mil pessoas por final de semana dos meses agitados, por exemplo, cai para 50 mil nas férias de início de ano. “É um processo lento, porque o país não tem essa visão de turismo, mas precisamos incentivar as visitas em dias de semana e convidar essas pessoas a ficarem e pernoitarem nessas cidades. E isso depende da disposição dos comerciantes e dos empresários desses lugares em fortalecerem a atividade”, encerra Renata. •

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TECNOLOGIA

Parece até um milagre Programa de eficiência energética completa um ano com economia de até 40% na conta de luz de 2.000 famílias em Aparecida; projeto prevê concessão dos benefícios para mais 500 casas por semana até o final de 2012 Hernane Lélis Aparecida

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iniciativa de trocar a geladeira, o chuveiro, o medidor de consumo, as lâmpadas e toda a fiação elétrica da residência garantiu a Elaine Cristina Manuel, 36 anos, uma economia média de 40% na conta de luz. A redução foi gradual e sentida ao longo dos últimos meses por ela e outras 2.000 mil famílias beneficiadas pelo programa InovCity, que começou nas freguesias de Évora, em Portugal, e chegou a Aparecida com o objetivo de tornar o município na primeira cidade dotada de uma rede inteligente de energia elétrica no Estado de São Paulo. O projeto desonera ainda os cofres públicos com a substituição da iluminação de ruas e edifícios da prefeitura. Nesta primeira fase do plano smartgrid, como é chamada a aplicação da tecnologia

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da informação para o sistema elétrico, foi investido R$ 10 milhões em equipamentos. Foram instaladas cerca de 60 mil lâmpadas fluorescentes compactas, comprovadamente mais econômicas, 460 geladeiras, 570 chuveiros e, quando necessária, a substituição da rede elétrica de algumas residências, além de quase 12 mil medidores inteligentes, que dispensam a necessidade da visita de um profissional para fazer a leitura do relógio, uma vez que o consumo é medido de forma remota e com precisão pela distribuidora. “Acredito que a maior economia foi pela troca do chuveiro e geladeira, eram velhos demais. Chegava a pagar quase R$ 200 de conta de luz por mês, era uma despesa muito grande”, conta Elaine, que mora na Vila São Geraldo com outras sete pessoas da família. O InovCity chegou a Aparecida em 21 de outubro do ano passado. A iniciativa é fruto de uma parceria realizada com a administração pública e EDP Bandeirante, concessionária responsável pelo abastecimento

e manutenção do sistema de energia de 19 das 39 cidades da RMVale. O programa faz parte da estratégia mundial de investimento do grupo, que tem o desenvolvimento de redes inteligentes como um dos seus pilares estratégicos. A EDP escolheu o município por questões técnicas e regulatórias, pois a cidade representa exatamente 1% de seus clientes, limite máximo para se fazer testes com equipamentos tendo por base o programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A possibilidade de outra cidade da Região Metropolitana do Vale do Paraíba ser contemplada com os mesmos benefícios do projeto depende da evolução e regulamentação da tecnologia por parte do Governo Federal. Marcos Scarpa, gestor executivo da concessionária, explica que após a conclusão do programa serão realizadas análises de resultado para entender o impacto do InovCity na comunidade, aprimorar seus pontos fracos e prospectar a implantação

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Arquivo VP

SANTUÁRIO NACIONAL Basílica de Aparecida: maior santuário mariano do mundo e principal cartão-postal da cidade

dos pontos fortes em outras regiões sob concessão da empresa. “No próximo ano, quando iniciarmos a segunda fase do projeto, vamos possibilitar que o acesso via internet mensure quanto cada aparelho ligado na tomada consome na residência e também implantar a microgeração de energia, com células de captação de luz solar abastecendo uma bateria residencial”, diz Scarpa. Em Évora, o programa atende cerca de 30 mil clientes de baixa tensão. Na cidade portuguesa, os contadores inteligentes já estão associados a uma conta gratuita na Internet, a partir da qual é possível gerir, em tempo real, o estado de toda a rede de distribuição de eletricidade, diminuindo significativamente o tempo de duração de eventuais interrupções de abastecimento, bem como ativar remotamente serviços, tais como alterações tarifárias e de potência contratada. “O projeto em Aparecida ainda está no começo, vamos ter pelo menos mais dois anos para finalizá-lo com esses moldes. Vamos concentrar agora para cumprir a meta de me-

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didores, com 500 instalações por semana até dezembro”, garante o gestor. A meta é atender, ao todo, 12 mil famílias carentes. Inovação pública Além de garantir economia aos moradores, o projeto também desonera a prefeitura com os custos de eletricidade e equipamentos. Foram instaladas 104 luminárias de LED em alguns pontos da cidade, permitindo a redução do consumo de energia e melhoraria da qualidade da iluminação pública. Outras 102 luminárias serão instaladas até final do ano. A estimativa é que após o término do programa de eficiência energética a economia aos cofres públicos fique em torno de 15 a 20% nos edifícios e luminárias que foram beneficiados pelo sistema. Outro foco do programa é garantir que as famílias tenham acesso a informações quanto ao consumo consciente de energia, auxiliando na estrutura básica de formação das novas gerações do município. Para isso,

crianças das escolas municipais estão participando de projetos educacionais e culturais voltados ao tema. “É preciso garantir uma mudança de hábitos de consumo para que os resultados efetivos apareçam. Pouca coisa adiantaria se não tivéssemos esse trabalho voltado para educação familiar”, afirma Marcos Scarpa. O gestor explica que a única contrapartida que a EDP Bandeirante recebe pela implantação do InovCity é a garantia de que a experiência permitirá antecipar uma tendência de evolução do setor, bem como desenvolver competências e ganhar experiências nestas áreas. “A rede inteligente permitirá detectar mais rapidamente eventuais pontos com interrupção no fornecimento de energia e atuar de forma mais ágil, muitas vezes sem a necessidade de enviar equipes ao local, melhorando a qualidade e rapidez de resposta da empresa. Adicionalmente, simplificará e melhorará a qualidade do processo de leitura dos medidores”, finaliza. •

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Economia

EMPREGO

Emoções produtivas Empresas investem em treinamentos focados no emocional dos funcionários buscando maior produtividade no ambiente de trabalho

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Domingo 7 Outubro de 2012

Yann Walter São José dos Campos

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o mundo de hoje, a busca constante por competitividade não é apenas necessária. É uma questão de sobrevivência. Em uma economia cada vez mais globalizada, com um número crescente de atores no mercado, as empresas precisam aprender a maximizar todos os recursos que têm à disposição. Financeiros, é claro, mas também físicos, sociais, e, principalmente, humanos. O ser humano é um mosaico de emoções contraditórias, que vão da alegria à tristeza, passando pelo medo e a raiva. A existência destes sentimentos não pode ser ignorada, muito menos negada. Mas de acordo com especialistas, estas emoções não apenas podem ser canalizadas como também podem ser usadas de forma produtiva no mundo profissional. “A inteligência emocional é a habilidade de sentir, entender e aplicar de forma eficiente o poder e a percepção proporcionados pelas emoções para elevar os níveis de colaboração e produtividade” na empresa, definiu Rodrigo Fonseca, especialista em inteligência emocional e autor do livro E-Moções, dedicado integralmente ao assunto. Para Fonseca, o mundo se encontra hoje em um momento de transição entre a era da informação e a era da emoção. “Nesta nova era, os profissionais mais requisitados são aqueles capazes de usar ao máximo todo o conhecimento que possuem e, acima de tudo, que conseguem usar cada uma de suas emoções para gerar lucro para a empresa”, sentenciou. Existem treinamentos para ajudar as pessoas a usarem suas emoções de forma inteligente, de tal modo que não apenas elas, mas também a empresa onde trabalham sejam beneficiadas. São treinamentos vivenciais, de três dias de duração, durante os quais os sentimentos são trabalhados através de dinâmicas que podem ser em grupo, por duplas, ou individuais. “Nosso objetivo é transformar as pessoas em líderes de alta performance, tirar o melhor proveito das emoções e não deixar que elas atrapalhem as capacidades técnicas”, definiu Júlio Pereira, presidente da Humanity, uma empresa de desenvolvimento e capacitação comportamental fundada em 2002 em Santos mas que atua hoje em todo o Brasil, inclusive em São José dos Campos. “Trabalhamos principalmente a motivação e a autoestima. A ideia é fazer com que a pessoa

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se compreenda melhor, e se relacione melhor com o mundo”, completou Sérgio Kiyoshi Ueno, representante da empresa em São José. Para alcançar este resultado, a empresa se apoia em duas técnicas: a PNL (Programação Neuro Linguística) e o coaching. “A PNL consiste em reprogramar conteúdos inadequados ou desconfortáveis para que você tire o melhor proveito com percepções atualizadas. Ou seja, permite não reproduzir comportamentos. Já o coaching ensina a realizar objetivos de forma estruturada”, detalhou Pereira. As explicações são teóricas porque, segundo eles, é importante não revelar com antecedência o conteúdo das dinâmicas para que as pessoas possam aproveitar plenamente o treinamento. Nesse caso, o fator surpresa seria fundamental. “As pessoas gostam de ficar em sua zona de conforto. No fundo, a maioria tem medo de suas emoções. O que fazemos no treinamento é justamente quebrar essa zona de conforto” para deixar os sentimentos aflorar, e aprender a usá-los de forma positiva, explicou Sérgio Ueno. Vantagens Para os especialistas, estes tipos de treinamentos trazem vantagens concretas às empresas. “Eliminando as interferências emocionais, os funcionários desenvolvem a capacidade de definir prioridades, cumprir metas, trocar informações e trabalhar em equipe. De fazer o que ter que ser feito da melhor maneira possível”, disse Rodrigo Fonseca, que também atua como facilitador comportamental na Lotus Treinamentos, uma empresa de capacitação emocional com sede em São Paulo. “Depois do treinamento, os funcionários passam a perceber sua importância dentro da empresa. A autoestima melhora. Ganham segurança, coragem e habilidade para focar nas soluções. O ambiente de trabalho fica mais harmonioso. Os funcionários ficam mais motivados, produtivos, e persistentes frente aos obstáculos”, afirmou Júlio Pereira. Os particulares representam a grande maioria das pessoas que procuram treinamentos. Segundo Fonseca, as empresas ainda não identificaram o desenvolvimento da inteligência emocional como uma prioridade. “Das 40 mil pessoas que treinei nos 15 últimos anos, 5.000 foram enviados por empresas. Na maioria das vezes, o dono, ou o diretor, fez o treinamento e decidiu bancá-lo para seus funcionários por achar que poderia ser benéfico à companhia”. Jake Neto é gerente de trade marketing de uma empresa com 700 funcionários em São Paulo. Em 2010, por ocasião do lançamento de

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um produto, contratou um treinamento de um dia para 100 funcionários da equipe de vendas. “Quisemos mostrar a eles que a relação com a empresa não é apenas comercial, que eles fazem parte da família. No dia do treinamento, a carga emocional foi tão forte que muitos choraram. Os funcionários que participaram ficaram mais motivados, mais compelidos a dar o melhor de si. Vestiram a camisa, e passaram a trabalhar mais em equipe”, comentou. Os treinamentos de capacitação emocional já foram adotados por várias grandes empresas no exterior. A Disney, por exemplo, recorre a esta prática de forma sistemática. “A Disney Company é líder neste segmento de marketing experiencial. A empresa tem um treinamento chamado Traditions, oferecido a todos os novos funcionários. O objetivo é envolvê-los emocionalmente com a empresa, através de uma série de dinâmicas. Funciona tão bem que nenhum trabalhador da Disney, mesmo que tenha um cargo importante na empresa, consegue ver um papel de bala no chão do parque sem pegá-lo e jogá-lo no lixo”, contou Neto. No Brasil, ainda são poucas as grandes companhias que incluem a capacitação emocional em sua política empresarial. Em São José dos Campos, a Rationale, uma empresa especializada em soluções de infraestrutura de Tecnologia da Informação, bancou um treinamento para metade de seus 30 funcionários. “Fiz o treinamento em 2010, em Bertioga, e achei muito bom. Deixa a pessoa mais preparada emocionalmente para enfrentar situações de pressão, mais focada nos detalhes, mais apta a identificar as prioridades da empresa e mais capacitada a trabalhar em equipe”, enumerou Rinaldo Qio, diretor da Rationale. O Novotel de São José também enviou funcionários ao treinamento. Aílton César de Oliveira, chefe da recepção do estabelecimento, foi um dos beneficiados. “O treinamento contribui para o desenvolvimento do colaborador, tendo, assim, influência direta nos resultados da empresa. No meu caso, como líder de um setor, considero que meu desempenho melhorou, e tende a melhorar ainda mais”, relatou. Na opinião de Rodrigo Fonseca, aprender a tirar o melhor partido de suas emoções é importante porque, boas ou ruins, elas são contagiosas. Ou seja, afetam diretamente o trabalho em equipe e, consequentemente, a produtividade da empresa. “As pessoas têm que somar, senão acabam atrapalhando o ambiente de trabalho. Uma fruta podre no cesto pode estragar todas as outras”, avisou o especialista. •

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Flávio Pereira

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Entrevista

Dois Pontos >Samuel Costa e Jair Cândido, presidente da FVE e reitor da Univap, querem resgatar a credibilidade da instituição de ensino junto à sociedade

“ Não é mais uma pessoa no comando. Executamos as vontades constitucionais” Hernane Lélis São José dos Campos

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pós 20 anos de poder centralizado nas mãos do ex-reitor Baptista Gargione Filho, a Univap (Universidade do Vale do Paraíba) quer mostrar à sociedade que é uma nova instituição. O trabalho para recuperar o prestígio da universidade começou internamente, desde a queda da “Era Gargione”, como ficou conhecida a última gestão, e chega à população nesse mês, com o início das inscrições para o processo seletivo dos cursos de graduação que promete ser mais rígido. “O principal fator de qualidade está justamente na qualidade do aluno ingressante”, diz Samuel Roberto Ximenes Costa, presidente da Fundação Valeparaibana de Ensino, entidade mantenedora da Univap. A decisão de aplicar maior rigor na seleção tem por princípio garantir ensino de qualidade a seus alunos, nem que para isso a entidade tenha que operar nos próximos anos com as contas no vermelho. “Só assim teremos o retorno esperado. Não dá para perder receita e cortar na qualidade de educação. Vínhamos nesse ritmo há seis ou sete anos”, afirma o reitor Jair Cândido de Melo. Em entrevista exclusiva à revista valeparaibano, a nova frente executiva da Univap fala ainda sobre o fim da parceria com a Prefeitura de São José dos Campos que oferecia bolsa de estudos a pessoas de baixa renda e a herança deixada por Gargione. “Na educação a infraestrutura é importante, mas é acessória no processo”, considera o atual reitor.

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A Univap inicia neste mês a inscrição para o processo seletivo 2013. Quais as principais mudanças? < Jair: O anterior (reitor Baptista Gargione) era meramente cartorial, não havia realmente uma seleção. Agora o processo vai selecionar. A estrutura do processo seletivo será feita para que quem ingressar na faculdade esteja mesmo preparado. Vamos tentar fazer questões que meçam habilidades de raciocínio e conhecimento. O indivíduo não pode chegar à faculdade despreparado. Não devemos aceitar alguém que não tenha condições de estar na faculdade. Já ouvi casos de convocação para matrícula de alunos que não fizeram a prova do vestibular, apenas se inscreveram no processo seletivo... < Jair: Isso talvez seja exagero de conversa, não chegava a tanto também. Prevê mudanças na grade de horário e de docentes?

< Jair: Estamos estruturando processos internos para que possamos pensar e refazer alguns pedaços que possam estar com falhas. Carga horária será uma das mudanças. < Samuel: Temos hoje uma jornada de três horas aulas por período na grande maioria dos cursos. Estamos passando para quatro horas aulas no próximo ano. Na realidade, retornando ao que era. Estamos aumentando um terço, 33% na carga horária dos cursos. Esperamos que o quadro de professores continue o mesmo. A mensalidade será mantida ou terá reajuste?

< Samuel: Vamos fazer todo esforço para manter na graduação. No ensino básico é diferente. Está com uma mensalidade bem baixa. Na graduação queremos adotar a mesma

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Flávio Pereira

NOVO COMANDO Em pé, Samuel Ximenes Costa, presidente da FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino); sentado, Jair Cândido de Melo, Domingo 4 o novo reitor Abril de 2010 da Univap

PERFIL NOME: Samuel Roberto Ximenes Costa IDADE: 55 anos NATURALIDADE: S. José dos Campos FORMAÇÃO Eng. Mecânica CARREIRA: Mestre em Análise de Sistemas e Aplicações pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e pró-reitor de Graduação da Univap

PERFIL NOME: Jair Cândido de Melo IDADE: 72 anos NATURALIDADE: Viradouro - SP FORMAÇÃO Eng. Eletrônico

VESTIBULAR “O ANTERIOR [REITOR BAPTISTA GARGIONE] ERA MERAMENTE CARTORIAL, NÃO HAVIA REALMENTE UMA SELEÇÃO. AGORA O PROCESSO VAI SELECIONAR”

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CARREIRA: Foi professor do ITA de 1965 a 1992, quando se aposentou. Diretor de ensino, vice-reitor e reitor do ITA de 1984 a 1989

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Entrevista

SAMUEL XIMENES COSTA “NÃO TÍNHAMOS UMA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL. ESTAMOS ABANDONANDO A PEÇA ORÇAMENTÁRIA PARA FOCAR NO PLANEJAMENTO“ política do ano passado, praticando aquele desconto de pontualidade. Mas isso é uma decisão do conselho. Na graduação estamos num patamar bastante razoável, claro que inflação não tem jeito (de não repassar). A Univap contava com 10 mil alunos de graduação em 2006. Hoje, são 6.000. Por que essas mudanças nunca foram realizadas para evitar essa perda? < Jair: Existem vários fatores. Um é a concorrência predatória, pessoas que vêm com o preço menor e não oferecem a infraestrutura que temos. Estrutura custa dinheiro. Estudo elaborado pela Folha de São Paulo colocou a Univap entre as 10 melhores universidades privadas do Brasil. Na avaliação, foram aplicadas duas notas zero à instituição, a primeira para inovação, que analisou a quantidade de pedidos de patentes e, a segunda, na qualidade do ensino, avaliada por pesquisadores do CNPq. Como vê esses resultados? < Jair: Acho que houve falha metodológica nesse ranking. Ela não concentrou a amostragem aqui. A escola pode ser muito boa, mas se não estiver dentro de um espectro de conhecimento regional na amostragem, fica mesmo com uma avaliação ruim. Temos consciência de que o zero é injusto. Não somos zero, mas acreditamos que temos que melhorar. Não adianta termos um sistema sofisticado se o ingrediente não acompanha isso. Esse que é o problema. Foi um erro aumentar a presença física da Univap na região sem prover a qualidade de ensino? < Jair: Na educação a infraestrutura é importante, mas é acessória no processo. Quem está na área de ensino tem que ter em mente que o mais importante é o aluno. Você não ensina quem não quer aprender. Depois vem a qualificação do ensino. No passado tratamos muito bem a infraestrutura, mas esquecemos do pessoal. < Samuel: Concordo. Na graduação, o principal fator de qualidade está justamente na qualidade do aluno ingressante. Em segundo lugar o corpo docente, em terceiro a infraestrutura e em quarto a gestão da instituição. Esses quatro pilares fazem a sustentação da qualidade do ensino, mas o que mais contribui é a qualidade dos ingressantes. O que a Univap pretende fazer para aproveitar melhor a estrutura de Campos do Jordão e Caçapava? < Samuel: Já temos vários cursos de graduação funcionando em Campos do Jordão. Inclusive um colégio com ensinos fundamental e médio. Em Caçapava, estamos em conversação com o poder público para o mais breve possível colocar esse campus em funcionamento, inicialmente, com cursos de especialização e extensão. Cursos profis-

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sionalizantes também, mas não técnicos. Se possível, já em 2013 colocar essa estrutura para funcionar. Em 2010, a FVE fechou o ano com superávit de R$ 4,1 milhões. Em 2011, o caixa teve um déficit de R$ 2,7 milhões. Qual a previsão para 2012? < Samuel: Nos últimos anos estamos com queda de alunos matriculados e, consequentemente, queda da receita. Na realidade essa receita já não cumpria os gastos operacionais antes de 2010. O que fazia ficar no azul eram as outras receitas. Temos receitas de aluguel de espaços para eventos, como teatro, salas e auditórios. Temos receitas oriundas de projetos que desenvolvemos com parcerias. Isso que fazia permanecer no azul. < Jair: Talvez aumentemos nossa condição de operação no vermelho para continuar investindo na qualidade de ensino. Só assim teremos o retorno esperado. Não dá para perder receita e cortar na qualidade de educação. Vamos investir para melhorar a qualidade de ensino e estancar essa queda de alunos para aumentar a receita. Nossa aposta é conseguir equilibrar as finanças em 2014. O novo estatuto, aprovado em dezembro, já possibilitou quais melhorias à instituição? < Samuel: O principal benefício é ter os conselhos mais independentes. < Jair: Não é mais uma pessoa que comanda. Tanto eu quanto o Samuel somos meros executores das vontades constitucionais. As decisões estão com eles [conselhos]. É possível avaliar alguns pontos que já precisam ser alterados no texto? < Samuel: Todo estatuto em determinado momento precisa ser atualizado. A organização é viva, ela muda. A FVE hoje não vai ser a FVE daqui um ano, dois anos ou cinco anos. Esse aprovado em dezembro foi fruto de uma série de circunstâncias que terminou dentro daquilo que foi possível elaborar na conjuntura que enfrentávamos. Com certeza existem aspectos que precisam ser melhorados. < Jair: Não tínhamos uma estrutura organizacional. Estamos montando uma estrutura organizada, avaliando e projetando tudo. Estamos abandonando a peça orçamentária para focar no planejamento. Sempre faltou essa questão do planejamento? < Jair: Fomos muito improvisados. As pessoas não sabiam nada do que acontecia e o que seria feito. Isso não pode ser estabelecido por uma pessoa. Tem que ser uma vontade institucional. A Univap extinguiu cinco pró-reitorias. Antes com

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Entrevista

JAIR CÂNDIDO DE MELO “A PESSOA PRIMEIRO FAZIA O PRÉDIO, NOMEAVA A PRESIDÊNCIA E DEPOIS VIA O QUE SERIA FEITO.TEMQUESERTUDOREALIZADODEFORMATÉCNICA” oito pró-reitores e conta agora com três. Quais outras mudanças administrativas estão programadas? < Jair: Trabalhamos com planejamento. Aqui existia um mal em que a pessoa primeiro fazia o prédio, nomeava a presidência e depois via o que seria feito. Nós, não. A estrutura de nascer tem que vir das necessidades. Ninguém nasce grande. Estamos trabalhando conforme as necessidades, desde a forma orgânica até criar ou extinguir alguma coisa. Tem que ser tudo realizado de forma técnica. Uma das críticas que a FVE/Univap sempre recebeu publicamente, inclusive foi alvo denúncia no Ministério Público, é a prática de nepotismo na universidade pelo antigo reitor com o pagamento de salários astronômicos. É um problema resolvido? < Jair: Para nós é passado. Estamos olhando para frente. Se ficar lamentando muito o passado não se olha para frente. É que as coisas eram feitas de forma casuísticas e não técnicas. Numa pincelada você acaba com todo o mal. O que a FVE está fazendo para profissionalizar os alocados em cargos estratégicos? Quais os critérios para as indicações? < Samuel: Pelo novo estatuto, eles passam pela indicação do Conselho Administrativo e são aprovados pelo Conselho Curador. Essa é uma mudança importante que o novo estatuto possibilitou. Temos que executar aquilo que o conselho aprovar, somos funcionários dele. Existem resquícios da antiga administração afetando diretamente a atual gestão? < Samuel: Você não descontinua uma coisa assim de uma hora para outra. Só para citar um exemplo, temos contratos firmados na gestão passada que precisam ser respeitados. Se quisermos que a comunidade confie na gente, temos que honrar nossos compromissos. Muitas vezes o que se precisa mudar na organização é a cultura organizacional. E isso leva tempo. Você está mexendo com as pessoas, com a forma de pensar das pessoas. Esse é o trabalho que não se vê. Hoje, podemos afirmar que existe total liberdade para a pluralidade de ideias. Ninguém aqui dentro é convidado a ficar quieto, muito pelo contrário. < Jair: A política interna muda aos poucos. Às vezes a pessoa vem aqui pedindo uma concessão diferenciada. Agora, não é mais assim. Tem regra e ela deve ser aplicada a todos. O índice de inadimplência no colégio e nas graduações da Univap cresceu 39,6% entre 2010 e 2011, chegando a R$ 2,4 milhões. O que a FVE pode fazer para resolver esse problema? < Jair: Esse conceito de filantropia é um pouco distorcido.

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Não podemos dar tudo para todos, isso nem o Estado faz. Vejo que o aluno tem que ter responsabilidade com seu compromisso. Têm alunos que passam por dificuldades, mas outro grupo que não prioriza a educação no orçamento, isso já é cultural. A escola não é só formar profissionalmente, é formar o cidadão. Então, honrar com seu compromisso faz parte da educação. Haverá mudança na concessão de bolsas de estudo? < Samuel: Nós, como filantrópicos, somos obrigados por lei a aplicar 20% da receita no social. Como respondemos para o MEC (Ministério da Educação) em termos de filantropia, temos que investir em bolsa cada vez mais. É um pedido do MEC. Gradativamente seremos obrigados a diminuir o atendimento nas outras áreas e concentrar em bolsas. Só no Prouni (Programa Universidade para Todos) são 10%. Como o critério do Prouni está universalizado no Brasil, vamos continuar usando esse critério. A mudança de prefeito em São José dos Campos pode alterar o programa de bolsa de estudos realizado junto à administração municipal? < Samuel: No São José Universitário a prefeitura pagava 50% e nós dávamos os outros 50%. Era um projeto muito interessante, mas a prefeitura cancelou no ano passado. Estamos apenas com os alunos remanescentes. Isso é uma pena. Temos que costurar um novo acordo. Cancelou para investir na Fatec, Unifesp e Unesp. < Jair: Além disso, você investe em forasteiro uma vez que a grande maioria dos estudantes dessas universidades é de fora da cidade. É dinheiro de São José beneficiando pessoas que teriam menos necessidade, vamos dizer assim. Muitas vezes não é nem da região essa pessoa. Isso precisa ser corrigindo pelo próximo prefeito. Apoiar os munícipes que realmente precisam de ajuda. O ex-reitor da Univap cobra na Justiça o pagamento de R$ 1,6 milhão de indenização trabalhista movida contra a FVE no início do ano. Como o senhor avalia o processo? < Samuel: Infelizmente a gente não pode falar nada. Essa ação está correndo em segredo de Justiça. Qual o principal legado deixado pela antiga gestão? < Jair: As pessoas que estão aqui. O maior capital de uma organização é gente. O resto é detalhe. É gente que promove a instituição. Felizmente temos gente de qualidade. < Samuel: Eu concordo. Em qualquer organização o ser humano é importante. Numa organização voltada para educação, muito mais. O que herdamos em termos de capital humano é o que temos para trabalhar e produzir. •

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Saúde

MEDICINA

Desbravador cirúrgico Médico traz da Ásia forma inédita na América Latina para operações da tireóide; procedimento não deixa cicatriz no pescoço e minimiza lesões Isabela Rosemback São José dos Campos

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ma cirurgia pioneira na América Latina foi realizada em agosto no Hospital Pio 12, em São José dos Campos, e tem como grande trunfo eliminar a cicatriz da parte inferior do pescoço consequente da retirada de nódulos, tumores ou cistos na tireóide –glândula endócrina situada logo abaixo do gogó. Realizada por uma equipe médica daqui, liderada pelo cirurgião Félix Cristiano de Castro, a técnica consiste em intervenções a partir de um corte na axila e com o auxílio de uma microcâmera que amplia a visualização de nervos e outras estruturas cervicais reduzindo, assim, o risco de lesões. O objetivo, agora, é popularizá-la para que seja incorporada no ensino da medicina e aplicada em hospitais do Brasil e de países vizinhos. Criada há dez anos na Ásia, essa forma alternativa de operar surge para os brasileiros como uma solução estética, embora tenha sido desenvolvida na Tailândia por um aspecto espiritual. “Para budistas, essa é a região de um chacra relacionado à pureza, é como se fosse o coração para a gente, e por isso as pacientes se sentiam discriminadas, o que motivou o início das pesquisas”, conta Castro, que é oncologista e cirurgião de cabeça e pescoço. Dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia apontam que 60% da população brasileira apresenta alguma disfunção na tireóide, glândula que produz hormônios (triiodotironina e tiroxina) que garantem o equilíbrio do organismo, agindo em seus sistemas. “Estima-se que a prevalência de qualquer tipo de distúrbio de tireóide chega a atingir metade da população feminina. É extremamente comum, mas nem todos os casos exigem cirurgia. Geralmente,

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50% deles são considerados problemas significativos. Os tumores malignos variam entre 5% e 10% das ocorrências”, afirma Castro, que opera uma média expressiva de 10 casos de tireóide por semana com sua equipe. Foi o cirurgião quem detectou, por meio de pesquisas, que não havia na América Latina nenhuma publicação científica específica sobre o método via axilar. “90% do que encontrei, cruzando dados, vinha da Ásia. Agora é que está chegando no ocidente, com casos na França, na Alemanha e nos EUA, este com auxílio de robôs. No Brasil sei que há médicos de Campinas fazendo a cirurgia videoassistida, mas ainda pelo pescoço, deixando cicatriz”, indica. Após fazer contato por e-mail com um representante do método axilar em Bangcoc, capital tailandesa, Castro foi convidado a visitar a equipe especializada do Rajavithi Hospital, centro médico da Rangsit University of Thailand, onde a técnica foi criada há uma década por Suchart Chantawibul, presidente da Sociedade de Cirurgia Laparoscópica e Endoscópica da Tailândia. Ou seja, de cirurgias internas feitas com o auxílio de câmeras. “Eles ficaram surpresos por eu ser o primeiro da América Latina a procurá-los e eu me surpreendi com a tecnologia e ciência deles. Lá, os alunos já saem da faculdade sabendo fazer essa cirurgia, que é um procedimento rotineiro para eles. Só no Vietnã já foram 2.500 casos operados. Na Tailândia, 1.600 e, no Japão, 1.000”, afirma. Castro chegou a Bangcoc em julho deste ano. Em 30 dias, assistiu a palestras de pioneiros e operou em campo sob supervisão. No Brasil, sua primeira cirurgia com o corte feito na axila foi realizada em 27 de agosto, no Hospital Pio 12, em uma paciente com propensão à formação de quelóide (deformação ou saliência na cicatriz). “Ainda que os pontos sejam intradérmicos, deixando como marca apenas uma linha, os

efeitos estéticos deles dependem da pele do paciente e são variáveis, por mais preciso que seja o cirurgião. Tem gente que tem deficit de cicatrização, por isso a grande vantagem da cicatriz escondida embaixo do braço”, explica. Com auxílio de um bisturi harmônico (estrutura alongada e com pinça na ponta que coagula o sangue no momento do corte) e uma microcâmera introduzida até a tireóide, com imagem ampliada em até sete vezes em telão, uma equipe experiente pode realizar uma cirurgia em 40 minutos. “Mas uma hora e meia é um tempo bom para a cirurgia em qualquer método. Essa primeira axilar que fizemos, aqui, finalizamos em pouco mais de três horas. A pioneira na Tailândia durou sete”, explica Castro. O resultado da técnica asiática é o deslocamento da cicatriz, mas também a sua redução –na cirurgia convencional, o corte horizontal chega a cinco centímetros, e, na trazida por Castro, não passa dos três. “E pode ser em qualquer braço, depende do lado em que está o nódulo. Na Coreia do Sul já fazem o corte na mama, mas nem todas as mulheres aceitam”, pondera. O médico afirma que a técnica é segura e simples, apenas exige treinamento. E atenta que a seleção dos pacientes pede cuidados –por questões oncológicas, a operação não é indicada em alguns casos de cânceres. Também não é recomendada para nódulos com mais de seis centímetros ou em casos de tireoidite [doença inflamatória que afeta a glândula]. Resta a Castro e sua equipe, agora, publicarem artigos em revistas científicas nacionais e internacionais e levarem esse conhecimento a congressos. Desta forma, ele poderá ser popularizado e incorporado. “É importante para mostrar que São José dos Campos não é um centro tecnológico só na aviação. Também exercemos, aqui, uma medicina de ponta”, enaltece. •

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Flávio Pereira

NOVA TÉCNICA O médico Félix Cristiano de Castro com o bisturi harmônico, que é usado na cirurgia de tireóide

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Mundo

DISPUTA PRESIDENCIAL

Novidades na Casa Branca As eleições americanas em novembro têm como foco principal a economia do país com taxas de desemprego superiores a 8%, entretanto o embate entre Barack Obama e Mitt Romney levanta questões internacionais delicadas

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Yann Walter São José dos Campos

o dia 6 de novembro, os Estados Unidos decidirão quem, entre o democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney, dirigirá o país pelos quatro próximos anos. O atual presidente mantém uma leve vantagem na maioria das pesquisas de opinião, mas os efeitos duradouros da grave crise financeira de 2008 e 2009 podem redistribuir as cartas. Com uma taxa de desemprego superior a 8% e um crescimento anêmico de 2%, não é surpreendente que os Estados Unidos tenham colocado a economia no centro de sua campanha eleitoral. E neste âmbito, o balanço de Obama, cuja chegada à Casa

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Branca coincidiu com a pior crise econômica dos últimos 80 anos, pode ser considerado como péssimo. O plano de recuperação da economia decidido pelo dirigente democrata permitiu resgatar quatro milhões de empregos desde junho de 2009, quando o país saiu oficialmente da recessão. Mas quase 13 milhões de americanos ainda estão desempregados, e a história mostra que nos Estados Unidos, um presidente raramente consegue a reeleição com uma taxa de desocupação acima dos 7%. Se a eleição fosse decidida unicamente pela popularidade, Obama ganharia fácil. Mitt Romney, um milionário mórmon visto como versátil e incapaz de entender as preocupações reais dos americanos da classe média, pena para despertar a simpatia do eleitorado. Durante os quase 15 anos que passou no comando do fundo de investimentos Bain Capital –atualmente

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investigado por fraude fiscal–, o candidato republicano amealhou uma fortuna pessoal avaliada em US$ 250 milhões. Romney projetou uma imagem de gestor eficiente e íntegro quando assumiu a presidência do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de 2002 em Salt Lake City –a capital dos mórmons– e conta com estas qualidades para convencer os americanos de que é a pessoa mais indicada para comandar o país nestes tempos de crise. E para satisfazer os mais direitistas, ele radicalizou o discurso na política externa – setor visto como um dos pontos fortes de Obama– resgatando a retórica bélica popularizada por presidentes como Ronald Reagan e, mais recentemente, George W. Bush. Seus principais alvos são a China, a Rússia, o Irã e até a Venezuela. “Ela manipula sua moeda, pilha nossa propriedade intelectual, pirateia nossos

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Mundo Divulgação

computadores, pratica preços artificialmente baixos e mata empregos nos Estados Unidos”, disparou Romney em novembro de 2011 referindo-se à China, um país que gosta de qualificar de “tirania próspera”. Meses depois, colocou mais lenha na fogueira ao afirmar em coluna publicada pelo tradicional Wall Street Journal que faria de tudo para conter o “crescente poder” do gigante asiático, inclusive mantendo “uma forte presença militar no Pacífico”. O republicano ainda lamentou publicamente o fato de os Estados Unidos terem cedido às pressões de Pequim ao desistir de vender aviões de combate a Taiwan, suscitando a ira do governo chinês. A desvalorização da moeda chinesa e a questão da propriedade intelectual também são denunciadas com virulência por Obama, mas ao incentivar a venda de armas para a ilha separatista, Romney parece ter ido longe demais. No entanto, segundo a maioria dos analistas, uma eventual vitória republicana no dia 6 de novembro não deverá afetar os laços comerciais entre as duas nações. “As relações entre Estados Unidos e China são marcadas por uma profunda interdependência econômica. Nenhum dos dois países pode prescindir do outro. As declarações recentes de Romney têm irritado bastante os chineses, mas nada que justifique a adoção de medidas suscetíveis de abalar as relações comerciais”, avaliou Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em Estados Unidos. A Rússia, qualificada de “inimigo geopolítico número um”, também foi avisada: se Romney for eleito, o orçamento da Defesa nunca ficará abaixo de 4% do PIB (Produto Interno Bruto). O candidato prometeu, inclusive, recrutar mais 100 mil soldados para o exército americano. Ultranacionalista, Romney não duvida em proferir frases como “não há de se desculpar pela grandeza da América”, “nosso país é a maior força do bem que o mundo já conheceu”, ou “o mundo está melhor com a América no comando”, em retórica que lembra os tempos da Guerra Fria. “Se Romney ganhar a eleição, os princípios e prioridades do governo Bush poderão voltar, com grande repercussão nas relações internacionais. Existe a possibilidade de uma nova radicalização da posição externa norte-americana”, alertou o consultor de negócios Rubens Antônio Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington.

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REPUBLICANO Mitt Romney segue a linha militarizada e populista de Reagan e George W. Bush

Enquanto Obama visitou seis países, entre eles o Afeganistão e o Iraque, quando era candidato à Casa Branca, Romney fez apenas três viagens para o exterior durante sua campanha. Na primeira, em Londres, ele mostrou sua grande ‘habilidade’ diplomática ao expressar dúvidas sobre a capacidade da Grã-Bretanha de organizar as Olimpíadas. A segunda, na Polônia, que é provavelmente o país mais pró-americano do Velho Continente, lhe deu mais uma oportunidade de

criticar a “leniência” do presidente democrata com o governo russo. “Ele (Obama) virou as costas para nossos amigos poloneses ao ignorar nossos compromissos em matéria de defesa antimíssil, mas não duvidou em dar a (o presidente da Rússia) Vladimir Putin toda a flexibilidade que deseja”, denunciou. “Sob meu governo, nossos amigos verão um pouco mais de lealdade, e Putin verá um pouco menos de flexibilidade e um pouco mais de firmeza”.

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Oriente Médio Ao contrário da Rússia e da China, Israel veria com bons olhos uma alternância de poder na Casa Branca. Isso porque durante sua terceira viagem, que foi justamente em Jerusalém, Romney garantiu que se for eleito, os Estados Unidos apoiarão incondicionalmente todas as decisões do Estado hebreu, quaisquer que sejam. E uma delas pode ser bombardear as instalações nucleares do Irã, uma ação capaz de deflagrar um conflito de grandes proporções no Oriente Médio. Sobre este ponto, Obama tem uma postura bem diferente. De acordo com o jornal israelense Yediot Ahronot, os EUA enviaram recentemente uma mensagem secreta ao Irã afirmando que não apoiarão este ataque, se ele ocorrer. A animosidade entre o presidente americano e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netayahu, reforça esta falta de convergência, historicamente rara entre os dois países. “A questão iraniana talvez seja a mais delicada hoje no âmbito da política externa. O risco de um ataque unilateral de Israel é real. A região já é instável, e se isso acontecer, a situação ficará explosiva. Mas para os EUA, abrir uma terceira frente de guerra seria muito arriscado, e mesmo que Mitt Romney seja eleito, uma operação terrestre será evitada a todo custo”, avaliou Cristina Pecequilo. Para Carlos Eduardo Lins da Silva, membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP (Universidade de São Paulo) e editor da revista “Política Externa”, as diferenças entre os dirigentes republicanos e democratas se dão essencialmente nos discursos, e não nos atos. “O apoio quase incondicional a Israel é política de estado dos EUA desde 1948, e isso não vai mudar. Podem ter havido diferenças de estilos, mas no fundo, todos os presidentes americanos sempre se alinharam com os israelenses nas horas de necessidade”. Na opinião do especialista, Obama não modificou as grandes orientações de política externa de Bush, apesar das fortes divergências ideológicas entre os dois. “Na campanha eleitoral de 2000, Bush afirmou que não se intrometeria em assuntos de outros países, e acabou por invadir e tutelar o Iraque e o Afeganistão. Na campanha de 2008, Obama prometeu fechar a prisão de Guantánamo (onde estão os suspeitos de terrorismo), e ela continua lá. Promessas de campanha são apenas instrumentos de retórica. Uma vez empossado, o presidente muitas vezes faz o

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REELEIÇÃO Barack Obama é de longe o mais popular, mas enfrenta o estigma de ser o ‘pai’ da crise de 2008

contrário do que prometeu”. Para a equipe de Romney, é difícil acusar Obama de fraqueza na ‘guerra contra o terror’ idealizada por Bush. Afinal, o democrata teve êxito onde seu antecessor republicano fracassou: matou o inimigo número um da América, o chefe da rede Al-Qaeda Osama Bin Laden, responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington. Sobre a Síria, Obama e Romney têm basicamente a mesma opinião: se houver uma intervenção militar para derrubar o regime do ditador Bashar al-Assad, ela não será unilateral, mas conjunta, e terá o aval da ONU (Organização das Nações Unidas).

América Latina No que toca à América Latina, uma eventual entrada de Romney na Casa Branca não deverá trazer grandes mudanças, com exceção, talvez, de uma posição mais dura contra a Venezuela de Hugo Chávez. “O movimento bolivariano (liderado pela Venezuela e Cuba) ameaça nossos aliados na região, como a Colômbia, interfere na cooperação regional em assuntos cruciais como narcotráfico e terrorismo, e convida o Irã e organizações terroristas estrangeiras como o Hezbollah”, sintetiza a plataforma de política externa do Partido Republicano para a América Latina. No entanto, como lembrou a professora Cristina Pecequilo,

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“a retórica agressiva contra Chávez tem um limite: os Estados Unidos continuam muito dependentes do petróleo venezuelano”. A maioria dos especialistas concorda sobre o fato de que Romney, se eleito, dará mais ênfase à luta contra a imigração ilegal, proveniente em grande parte do México. “É possível prever maior tensão nas relações com os imigrantes ilegais, devido à posição dura dos republicanos sobre o tema”, antecipou o ex-embaixador Rubens Barbosa. Romney se manifestou abertamente contra o Dream Act, um projeto de lei rejeitado pelo Congresso em 2010 e que concede, sob condições, residência permanente aos estudantes estrangeiros ilegais de menos

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de 30 anos, que entraram no país antes de completarem 16 e não têm antecedentes criminais. Em junho deste ano, Obama decidiu suspender todas as deportações dos estudantes estrangeiros que se encaixam nesta categoria, uma medida elogiada pelo México, mas que o candidato republicano, se for eleito, deverá reverter. Brasil Quanto às relações com o Brasil, todos os especialistas concordam em que elas não mudarão com a eventual chegada de Mitt Romney à Casa Branca. “Enquanto o Brasil se mantiver como um ator relevante na economia mundial, as relações com os EUA

tenderão a ganhar densidade, seja quem for o presidente”, considerou Carlos Eduardo Lins da Silva. “Nada mudará nas relações com o Brasil. Elas continuarão boas, sem iniciativas importantes de lado a lado”, disse Rubens Barbosa. “Existe a expectativa de que as relações comerciais cresçam com os republicanos no poder, pois eles seriam mais ágeis na supressão dos entraves ao livre comércio. Mas esta percepção não se verifica na prática. As relações entre Brasil e EUA vão continuar no mesmo ritmo”, concordou Cristina Pecequilo. Um setor que pode sofrer sérias alterações em caso de vitória republicana é a defesa do meio ambiente. Sabe-se que as petrolíferas e as empresas poluidoras de um modo geral costumam apoiar os adversários dos democratas. E não é para menos: para reduzir a dependência energética do EUA, eles pregam a multiplicação dos campos de exploração de petróleo nacionais, inclusive nas áreas protegidas do Alasca. De acordo com reportagem da revista Bloomberg Insider, que pertence ao prefeito de Nova York Michael Bloomberg, um dos maiores doadores da campanha de Romney é o empresário Harold Simmons, dono de uma companhia que lida com dejetos radioativos. Segundo a publicação, Simmons espera que o republicano, se for eleito, modifique a lei que impede empresas privadas de receber resíduos de urânio. “Com Romney no poder a situação tende a piorar. Obama ao menos tentou alterar as políticas predatórias executadas por Bush, mas foi impedido pelo Congresso”, explicou o especialista da USP. Para Cristina Pecequilo, porém, a defesa do meio ambiente também não é uma prioridade para os democratas. “Poderia haver um retrocesso (em caso de vitória republicana) se tivesse havido um avanço, mas na prática, nada mudou durante o governo de Obama. Ele tem um discurso mais positivo sobre o tema, mas as boas intenções nunca se concretizaram”. Em suma, segundo os especialistas, o eventual retorno dos republicanos à Casa Branca trará alterações de fachada, mas poucas mudanças de fundo. Os discursos serão diferentes, o estilo também, mas a prioridade absoluta continuará sendo a mesma: reerguer a economia. “Ouvimos muitas declarações radicais durante a campanha, mas na prática será bem diferente, até porque, por conta da crise, a margem de manobra do próximo presidente será muito limitada”, concluiu Cristina. •

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Ensaio fotográfico

Ehder de Souza Repórter Fotográfico

Olhar retrô Movido por duas paixões pessoais, a arte e a fotografia, Ehder de Souza viajou pelas cidades históricas da Itália com o objetivo de desenvolver um trabalho autoral e criar um banco de imagens. Seu desafio foi registrar o cotidiano usando a tecnologia para captar um olhar poético à moda antiga

GÓTICA Igreja de Santa Maria della Spina, em Pisa, na Itália, construída em 1230, à margem do rio Arno

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Ensaio

FAMIGLIA Casal de italianos atravessa a viela a caminho de casa: tradição como principal valor no compasso do tempo

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FAMOSA A torre de Pisa, construída em 1173; um erro de arquitetura que eleva e garante o turismo na cidade

PODER O Campo Del Miracoli, principal símbolo da república que se autodenominava ‘Nova Roma’

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Ensaio

PERSONAGENS Ao lado, o banho de sol em Pisa, na Itรกlia; abaixo, o contraste das ruas de Florenรงa

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Coisa & Taltigo

Marco Antonio Vitti

Orgulho de ser brasileiro em épocas de mensalão

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oucas coisas me davam orgulho do Brasil: a música, o futebol, a biodiversidade da Amazônia. Com o julgamento do “Mensalão”, imaginei que mais uma vez assistiríamos o circo dos horrores como aconteceu nos Estados Unidos, quando um senador paranóico com o comunismo e Edgar J. Hoover, o ditador do FBI, passaram a acusar todo americano ou não de agente comunista. No Brasil é o contrário. Somos ao lado de Cuba os únicos países ainda existem comunistas. Mas não comunistas com ideologia socialista, que também fracassou no mundo todo menos nessas ilhas de ignorância política. No Brasil somos governados por “comunistas capitalistas” que adoram se apoderar dos recursos destinados a políticas sociais em benefício próprio. E não falo somente do Partido dos Trabalhadores, mas, também do PSDB, PMDB, “Ptais e Qtais”. Todos são a favor das verbas sociais, mas para os seus próprios bolsos. Nos primeiros dias do julgamento do mensalão, temi que fosse necessário desmatar toda a Amazônia para a imensidão de lenha para manter o fogo da pizzaria. Quando vendo a retórica dos ministros com jargões eruditos para julgar um crime reles, mesquinho, egoísta, em que políticos marqueteiros, empresas, incorporadoras, construtoras, estavam fatiando o “Bolo brasileiro”, temi tanto que até voltei no tempo das paródias e tentei

compor uma em cima de uma música de carnaval: “Maria Escandalosa”. Ficou assim: “Ministro Scandalowski caiu na gandaiowski/ saltou de paraquedas/ caiu no mensalówski/ coitado do ministro trabalha todo dia/ trabalha/ trabalha de fazer dówski/ à uma, veta o Joaquim, às duas, veta o Barbosa, às três, solta o petista, às quatro, bate o ponto e dá no pé/ que grande vigaristowski que ele é”. Mas, para minha grande surpresa e orgulho, o judiciário brasileiro voltou a ser maiúsculo. Os ministros passaram a condenar os envolvidos no mensalão, de acordo com as leis e principalmente com nossa Constituição. Exceto o ministro Scandalowski, que continua se comportando como um “comunista socialista capitalista”. Outro fato que tem me deixado a ter uma esperança cautelosa é o do próprio povo brasileiro, que já demonstra um cansaço de ter de votar na mesma ‘Merdowski’. Um dos políticos que admiro, Fernando Henrique Cardoso, que dei-

xou uma Grande Herança para o PT, fez comentário ao governo petista que se perpetua no poder. E o que não é perpétuo, apodrece. FHC teve a coragem de dizer que o eleitor brasileiro cansou de votar no PSDB, pelo continuísmo em São Paulo. E, em São José dos Campos, faço minhas suas palavras. Se Fernando Henrique não tivesse entrado na onda da reeleição, ele seria hoje conhecido como o presidente do Brasil, com “P” maiúsculo. Acabou com a inflação, colocou o Brasil na rota das potencias mundiais. Hoje os governantes do PT não sabem reconhecer isso. A presidente Dilma disse que aqueles foram comentários de uma pessoa ressentida. A única coisa que ela se esquece é que na época do governo FHC foi o eminente ex–presidente Lula que nunca foi de um partido, a não ser o dele mesmo, quem liderou greves contra as leis que poderiam ter deixado o Brasil uma enorme potência mais cedo. PT, saudações. •

Marco Antonio Vitti Especialista em biologia molecular e genética vitti@valeparaibano.com.br

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Turismo

EUROPA

Lyon: o charme do leste francĂŞs A cidade dividida entre o novo e o velho por um rio guarda arte, arquitetura e passeios saborosos

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Fotos: divulgação

SAÔNE O rio que corta a cidade e a divide entre a tradição e o moderno

Rubens Filho Lyon (França)

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ansou de Paris? Quer conhecer outra cidade europeia com uma bela arquitetura, história de sobra, clubes noturnos, time de futebol, tranquila e na França? Lyon oferece tudo isso e mais um pouco. Há 472 km de Paris, a cidade, que foi província do Império Romano por muitos anos e sofreu com guerras e perseguições religiosas até a Era Renascentista, possui cerca de 500 mil habitantes sendo o terceiro maior município

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francês. Capital da região Rohne-Alpes, Lyon é privilegiada de ter dois rios famosos atravessando a cidade: Saône, que divide o município em “Velha Lyon” e “Nova Lyon”, e Rohne (que dá o nome à região). Do lado velho estão as construções antigas nas cores de laranja, vermelho e dourado. Lá ficam os melhores restaurantes da cidade que oferecem a tradicional salada Lyonnaise com bacons cortados em cubos, mostarda escura (típica francesa, com bastante ardência), ovos e alface. Os amantes da arte europeia podem encontrar boutiques de artes, museus e apresentações culturais pelas calçadas (há uma sensação de estar andando por Paraty du-

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Turismo

PRAÇA A maioria dos grandes eventos do calendário de Lyon acontece na Terraux

rante a Flip em certos momentos). Mesmo sem muito dinheiro no bolso, os religiosos ou não - precisam visitar a catedral católica de Saint Jean Baptista (São João Batista) e a Basílica de Fouvière –que atualmente tem o teto sendo reformado. Ambas as construções são recheadas com a cultura romana, pinturas folheadas a ouro e monumentos esculpidos pelas mãos dos famosos artistas franceses e italianos. Andando mais pela Vieux Lyon é possível notar passagens secretas, que ganham o nome de ‘Traboule’. Elas foram construídas primeiro em Lyon e depois se espalharam pela Europa. Há indícios que estas passagens, que dão acesso de uma rua a outra, foram usadas pelos franceses durante as guerras, principalmente na 2ª Guerra Mundial. São cinco ‘Traboule’ disponíveis para visitação com os dizeres na porta: “Há moradores no local, respeite-os e não faça barulho”. Logo na parte superior da “Velha Lyon”,

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PREÇOS Visita às igrejas e basílica: Gratuita Metrô: € 3,50 ida e volta (R$ 9,73) Museu e Palais Saint-Pierre: € 12 (R$ 33,36) Salada Lyonnaise: € 12,00 (R$ 33,36) Corrida de Táxi: €34 e €52 (R$ 94,52 e R$ 144,56) Trem de Paris a Lyon. Depende do dia e hora, último preço atualizado: € 91,00 (R$ 252,98) Show no Teatro Romano: € 48,00 (R$ 133,44) Festival “Les Nuits des Fouvières” € 45 e € 50 (R$ 125)

com € 4 no bolso (R$ 10,80), você pode pegar o bondinho (estilo Rio de Janeiro) que te leva ao Teatro Romano e à Basílica de Fouvière, onde há shows e diversas apresentações culturais. Se o seu passeio for durante o verão é possível assistir o famoso festival “Les Nuits des Fouvières” (“Noites de Fouvières)”, que já teve o rock inglês do Stones Roses e o brasileiríssimo Gilberto Gil. As entradas variam entre € 45 e € 50 (cerca de R$ 125). Nova Lyon Do outro lado do rio temos a nova Lyon com lojas de grifes, arquitetura moderna e as famosas praças de Terreaux e Bellecour que são sedes de museus importantes e obras de artes de cair o queixo. Logo na principal praça da cidade, Bellecour, há o monumento do Rei Louis 16 esculpido por François-Frédéric Lemot. A praça tem cerca de 60 mil metros quadrados e é a principal parada de metrô da cidade. Ela te joga para diversas ruas de lojas e restau-

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Turismo

rantes da cidade. A Praça do Terraux fica no centro de Lyon, onde a prefeitura é instalada, e possui uma belíssima fonte construída por Frédéric-Auguste Bartholdi. A história é curiosa e se deu em 1850 quando a Prefeitura de Bordeaux abriu um concurso para que novos talentos desenhassem uma fonte para uma das praças da cidade. Bartholdi venceu a disputa, embora ele ainda fosse desconhecido e deixaram o projeto de lado. Com a obra num valor absurdo, Bordeaux a vendeu para Lyon, onde está atualmente na Praça do Terraux. Ainda no centro de Lyon, os loucos por artes podem conhecer o Palais Saint-Pierre e seu museu. Totalmente restaurado, o local tem uma das mais importantes coleções de artes francesas. É uma espécie de Museu do Louvre, porém menor e com menos peças. O museu abriga obras do Egito Antigo, mostra esculturas e pinturas da Idade Média. Ao lado está o Hotel de Ville, que abriga a política de Lyon; ali nos deparamos com uma das mais belas arquiteturas da França (cabe um parênteses para frisar que as prefeituras das cidades francesas são exuberantes). O metrô de Lyon também te leva para o Shopping ‘Part Dieu’ com três andares, estacionamento no térreo e uma liquidação repleta de filas durante um grande período do verão. Os preços não são tão bons comparados ao mercado de Miami, nos Estados Unidos, e por isso talvez a França não seja o destino mais frequentado pelos latinos-americanos para se fazer compras. Entretanto, o que você não gasta com compras exageradas fica livre para abusar da gastronomia que, mesmo dentro do shopping, é farta. Um sanduíche de frango, com uma tortinha de framboesa, uma orangina de 300 ml –espécie de refrigerante de laranja do Brasil– e um cafezinho sai por apenas € 7 (R$ 19,46) No subterrâneo do centro de compras é possível pegar um metrô para também ir ao estádio de futebol do Olympique Lyonnais, mais conhecido como Lyon. Se você der sorte, ainda pode pegar um show de algum artista famoso, como é caso do Elton John quando passamos por lá. Ah... mesmo que você nunca tenha ido à Paris, vale a pena pegar o trem-bala da capital ao aeroporto de Lyon. O preço é um pouco salgado, mas as duas horas dentro do organizado transporte público francês podem te levar para um lugar fantástico. •

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ESCULTURA Na praça Bellecour fica a famosa estátua do Rei Louis 16

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Hi-Tech NOVIDADES

Sem limites Testamos o 4G, a banda larga móvel que promete acabar com seus problemas de conexão e mudar o hábito de navegação dos brasileiros a partir de 2013 Hernane Lélis Campos do Jordão

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brasileiro está mais perto de ter uma banda larga para celular que funcione sem as limitações do atual sistema. Assistir um vídeo completo sem pausas, abrir diversas páginas na internet para pesquisa, realizar uma reunião de negócios por meio de videoconferência, otimizar o download de arquivos simultâneos. Tudo o que a internet 4G propõe, mas ainda está indisponível comercialmente, foi testado pela revista valeparaibano por alguns minutos. E é justamente no tempo que está o principal atrativo, já que levaríamos horas para realizar as mesmas tarefas se tivéssemos que por à prova a tecnologia móvel existente hoje no mercado. As primeiras redes 4G estarão disponíveis no Brasil a partir de abril de 2013, implantadas primeiramente nas cidades sedes da Copa do Mundo, como Rio de Janeiro e São Paulo. Estados Unidos, Japão, Coréia do Sul e vários países da Europa já usufruem do sistema. Porém, não foi preciso atravessar a fronteira para testarmos o que teremos por aqui no futuro. Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, foi escolhida pela Claro, uma das operadoras que vai oferecer o serviço, para iniciar as operações em fase expe-

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rimental. Como ainda não existe no Brasil aparelho celular compatível com a nova frequência de internet, a companhia preparou modens de conexão similares ao 3G. Nos testes realizados, a velocidade média da internet ficou em 48 Mbps –o suficiente para rodar simultaneamente quatro vídeos em alta definição no YouTube sem as pequenas e irritantes pausas, entre eles “Rio” e “Os Vingadores”, ricos em detalhes e efeitos –o que tornaria o processamento mais lento. Todos os arquivos foram carregados segundos após o play. A velocidade chegou ao pico de 58 Mbps, segundo o teste EAQ (Entidade Aferidora de Qualidade, órgão selecionado pela Anatel para análise da banda larga no país) –quase 60 vezes maior que a velocidade utilizada em planos 3G convencionais e o suficiente para executar tarefas comuns na banda larga fixa, como jogar games online. Também foi possível conectar em videoconferência cinco pessoas, com áudio e imagem de boas qualidades –cada uma em cidades e estados diferentes. A seleção desses municípios baseou-se no aspecto topográfico, já que Campos tem superfície montanhosa, Brasília é uma planície, e Búzios e Parati são regiões litorâneas. Por isso, foram escolhidas para a demonstração. No distrito federal a chamada foi feita em movimento, com uma pessoa dentro de um carro. Ainda sim não houve problemas significativos com atrasos na transmissão. Na avaliação de download, a transferên-

cia de 10 arquivos de 1GB cada foi realizada com velocidade média de 46 Mbps, no caso 5,75 MB por segundo. A velocidade varia de acordo com a infraestrutura da rede. Em locais onde ela é baseada em fibra óptica, como em Búzios, foi registrada velocidade de até 80 Mbps por segundo. Campos do Jordão a transmissão disponível pela operadora é via rádio. Em experimentos realizados em Brasília, a Oi afirma ter atingindo 88 Mbps de velocidade com o 4G. Preço A Claro, juntamente com a Vivo, conseguiu ficar com os dois lotes mais cobiçados do leilão promovido pela Anatel, em junho.

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Domingo 7 Outubro de 2012

RAZR HD Preço Entre R$ 999 e R$ 1.999 Plataforma Android ICS Tela 4,7 polegadas

As duas empresas contam com frequências que permitem a instalação de equipamentos com mais potência de sinal, com isso, podem ter mais capacidade de rede frente aos concorrentes TIM e Oi, que compraram os outros dois lotes restantes. O governo não estipulou um preço a ser cobrado pela conexão 4G, as operadoras terão liberdade para estipular as tarifas. A estimativa é que seja o dobro do valor do 3G no primeiro momento, uma vez que poucas pessoas estarão efetivamente prontas para desfrutar do sistema devido a pouca oferta de aparelhos celulares compatíveis. Atualmente, nos Estados Unidos, um pacote de dados 4G custa, em média, R$ 70.

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Na Europa, o preço é maior, cerca de R$ 150. “Como ocorre com toda nova tecnologia, no primeiro momento, o preço dos aparelhos (modens e smartphones) deverá começar alto. Acreditamos que os custos dos aparelhos serão elevados, já que funcionarão nas frequências de 2,5 GHz, ainda não popularizada mundialmente. Depois de três a quatro anos, a expectativa é que os terminais saiam de fábrica com duas ou mais frequências e isso facilitará a entrada de aparelhos produzidos em outros países, barateando, assim, o custo dos mesmos” explica Janilson Bezerra, Gerente de Inovação Tecnológica da TIM Brasil. O primeiro smartphone 4G fabricado no

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Processador Dual-core 1,5 GHz de clock Câmera Traseira de 8 MP Memória 1GB de memória RAM e 16GB de memória interna

Brasil chega às lojas ainda esse mês. Trata-se do Motorola Razr HD, equipado com processador dual-core de 1,5 GHz e tem tela de 4,7 polegadas de alta definição. Ele vai custar R$ 1.999 nos planos pré-pagos e R$ 999 no Claro Ilimitado 400. A operadora foi a primeira a divulgar o valor de comercialização, mas o equipamento poderá ser utilizado em planos de dados de todas as outras empresas de telefonia, sem exclusividade. “Estamos fazendo uma aposta no 4G, mesmo ainda com as redes em fase de implantação. Quando tudo estiver funcionando de fato, teremos os aparelhos prontos”, diz Sérgio Burniac, vice-presidente da Motorola Mobility. •

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Moda&estilo CONSUMO

A classe C vai às compras Cris Bedendo São José dos Campos

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ngana-se quem pensa que os gastos com produtos de moda estão concentrados no mercado de luxo. A chamada “Nova Classe Média” vem mudando não só os índices de consumo dos produtos em geral, mas também o consumo de moda. Pesquisa recente realizada pelo Data Popular revelou que nos últimos 10 anos, os consumidores da classe C aumentaram os gastos com moda, atingindo um total de 55,7 bilhões para este ano. De acordo com o estudo, em 2001, a classe C representava 38,6% dos brasileiros e hoje ela é composta por 53,9% da população. São 104 milhões de pessoas que viram sua renda melhorar e tiveram acesso ao crédito e ao poder de consumo. Para 2012, a expectativa é de que os consumidores da classe C devam gastar com roupas e acessórios um total de R$ 10,2 bilhões a mais do que as classes A e B juntas. E mais: 46% dos gastos com moda no país são da classe C. “A classe média foi responsável por quase metade dos gastos com moda em 2012”, confirma Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, durante palestra ministrada no seminário Senac Moda Informação Inverno 2013. Por regiões, a nova classe média do Sudeste é a que mais deve gastar neste ano, segundo a pesquisa, com 48% do total estimado. O Nordeste aparece em segundo

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lugar, com 19% e supera o Sul que tem 18% do consumo de moda da classe média. Segundo Meirelles, esse consumidor é emergente e, portanto, busca inclusão, pertencimento e precisa de razões concretas para comprar. E, consequentemente, é mais fiel a um bom atendimento e a determinadas lojas. “Quem sempre consumiu busca exclusividade e diferenciação”, compara. Nesse cenário, a mulher exerce um papel muito importante. Há um aumento de 83% de mulheres com carteira assinada. E mais: essa mulher é jovem, trabalha e é mãe. “Elas estudaram mais e são as novas formadoras de opinião. A cada R$ 100 da renda de uma família, cerca de R$ 41 vem do trabalho da mulher. Muitas vezes, são elas que sustentam a casa sozinhas”, afirma Meirelles. Entre os serviços de beleza, elas também lideram a lista de clientes: 50,2% das mulheres que vão ao salão de beleza são da nova classe média. Internet Outro dado interessante a respeito da nova classe média é com relação à sua decisão de compra e compartilhamento de informações. De acordo com a pesquisa do Data Popular, 56% da classe média são usuários do Facebook, uma das principais redes sociais do mundo. Para eles, a internet serve para perpetuar as decisões de compra. “Não existe moda na classe média sem pensar no que está sendo dito nas redes sociais”, comenta Meirelles. Segundo Robson Mikio, gerente de marketing do Vale Sul Shopping, de São José dos Campos, a indicação e o

A nova classe média deve gastar, com roupas e acessórios neste ano, R$ 10,2 bilhões a mais do que as classes A e B juntas, revela pesquisa feita pelo Data Popular

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Flávio Pereira

RAIO-X • 53,9% da população • 104 milhões de pessoas • 65,2% gastos em serviços • 68% dos filhos estudaram mais que os pais • Mais de 42 milhões de brasileiros ascenderam à classe média nos últimos 10 anos • 46% dos gastos com moda no Brasil são feitos pela classe C • Expectativa é que classe C gaste com roupas e acessórios um total de R$ 10,2 bilhões a mais do que as classes A e B juntas • São, em média, 25 pares de sapatos por mulher

comportamento das pessoas que fazem parte do dia a dia são muito importantes para o consumidor da classe C. “O convívio das pessoas da classe média ainda é muito restrito à família, amigos e vizinhos do bairro onde residem. Portanto, para consumir qualquer tipo de produto, a opinião de amigos, familiares ou mesmo de pessoas tenham relevância, como celebridades, por exemplo, é levada em consideração e pode ser decisiva na hora da compra”, confirma Mikio. Assim como as redes sociais, a internet em geral também é um importante veículo

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para a busca de informação de moda deste novo consumidor. “Um indicativo forte disto são as parcerias que as lojas de departamento têm feito com estilistas para lançar coleções destinadas principalmente para a classe média”, completa Mikio. Dentro dessas estatísticas, 61,7% do consumo da classe média acontece em shoppings. Desta maneira, o que se vê são muitas ações voltadas para levar informação para esse consumidor, por meio de sites, redes sociais, revistas e até mesmo eventos de moda. E não pense que esse boom para por aí:

68% dos jovens de classe C estudaram mais que seus pais, em contraposição aos jovens da classe A, na qual esse número é de apenas 10%, segundo o Data Popular. A evolução constante da pirâmide –que se tornou losango– é uma realidade e o consumo, idem. “Os filhos desta geração já possuem o hábito de consumir itens de moda e têm muito acesso e interesse nessa área. Além disso, como os filhos já possuem mais anos de estudo que os pais, as perspectivas [financeiras] também são melhores”, acredita o gerente de marketing do Vale Sul Shopping. •

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Tempos ModernosArtigo

Alice Lobo

Quanto mais cedo os orgânicos entrarem no cardápio melhor

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cabo de entrar no universo das papinhas. E cada vez mais me convenço que é nesta hora que muitas mulheres aderem aos alimentos orgânicos. Afinal, toda mãe quer dar para o seu pequeno comidinhas frescas, naturais e, claro, sem veneno –ops, digo, pesticidas. Não é o meu caso, até porque sou adepta aos orgânicos muito antes de ficar grávida. Mas foi lendo livros, sites e blogs relacionados à maternidade que vi o quanto esta fase realmente propicia uma mudança de atitude mesmo em pessoas muito distantes da filosofia mais natureba (termo que uso sem nenhuma conotação pejorativa). Um dos pontos que apresentam maior dificuldade é encontrar determinados alimentos orgânicos ou ainda uma variedade para compor as refeições do dia. Mesmo aqui nos Estados Unidos, onde frequento um supermercado com uma enorme seção de produtos livres de agrotóxico, já aconteceu de não encontrar um alimento por não ser a estação do mesmo. Coisas da natureza, faz parte. Se antigamente era assim, por que não podemos aceitar a sazonalidade dos alimentos nos dias de hoje? Mas soluções existem. Algumas até muito práticas. Outro dia eu estava conversando com a engenheira agrônoma Marina Pasconn, que fun-

dou a empresa de delivery de orgânicos Caminhos da Roça há 14 anos. Ela também não encontrava alimentos “livres de pesticidas” para comprar para suas filhas. A necessidade virou negócio e agora ela acaba de lançar cestas de alimentos para bebês. Já um sucesso, as “cestinhas” batizadas de Meu Bebê e Amor de Mãe trazem ingredientes para refeições balanceadas por uma nutricionista, o que inclui sopinha e frutinhas para a sobremesa. Apesar da Caminhos só entregar em São Paulo, o mesmo pode ser feito com alguma quitanda orgânica da sua cidade. Em São José dos Campos, por exemplo, eu pedia os produtos do Natural Delivery, que chegavam na porta da minha casa fresquinhos. Ou

seja, é só programar o menu baseado no que eles têm para entregar durante aquela semana. E por falar em cardápio, é legal ter um livro de receitas de papinhas para desde cedo ensinar seu bebê a comer bem e desenvolver o seu paladar. Eu ganhei um que estou adorando: “Cooking for Baby”, da americana Lisa Barnes, fundadora do Petit Appetit, um serviço culinário que ensina pais a fazerem comida fresca e orgânica aos seus filhos. No Brasil, vários livros ensinam esta arte também. “A panela amarela de Alice”, de Tatiana Damberg, e “A melhor comida para bebês do planeta”, de Karin Knight e Tina Ruggiero, são dois exemplos. Bon appétit! •

Alice Lobo Jornalista alice@valeparaibano.com.br

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ValeViver CULTURA

Sessenta anos em cena Cine Santana completa seis décadas e segue como ponto de encontro à população local Isabela Rosemback São José dos Campos

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ogo que cruza a porta de acesso às poltronas do Espaço Cultural Cine Santana, em São José dos Campos, a professora aposentada Eliza Trone Ribeiro da Silva, 59 anos, pergunta em tom saudosista: “Você consegue se imaginar com 12 anos?” e, já acariciando o encosto de um dos assentos de madeira que integram a última fileira do auditório, completa: “Eu sim”. Ali, naquela segunda cadeira a partir da parede da esquerda, entre os 22 exemplares ainda preservados da mobília original, foi onde ela conheceu o grande amor de sua vida, morto precocemente há 43 anos. Desde então, tornou-se espectadora cativa daquele banco que, com seu entorno, ajuda a remembrar os 60 anos completados neste mês do antigo cinema que movimentou a zona norte em suas primeiras décadas de atividade. Situado na avenida Rui Barbosa, o prédio, que foi preservado por lei municipal em 2002, mantém a sua fachada original e foi um importante agitador social quando inaugurado, em 12 de outubro de 1952. Até que se confirmasse sua decadência, com a exibição de produções pornográficas na década de 1980, foi ele um espaço fundamental para a sociabilidade das comunida-

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des que o cercavam, passando a funcionar como um centro de entretenimento, de cultura e de convívio entre os moradores da zona norte. Romances e outras histórias vividas por seus frequentadores, não à toa, são contados a todo o momento por quem volta ao cinema, que hoje pertence à FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo) e oferece sessões de filme gratuitas, oficinas e outras atividades e atrações artísticas. “Eu morava na roça, no Bonsucesso, mas não saía daqui. Vinha solteiro e, depois, quando já namorava. Quando não montado em um cavalo, pegava um caminhão leiteiro que improvisava bancos na frente e carregava os leites atrás. Era uma espécie de ônibus, que trazia a gente. Depois, com a melhoria da estrada, vinha de bicicleta. Me lembro que a calçada ficava lotada delas, uma grudada na outra, só com um vãozinho para as pessoas passarem”, conta o aposentado Paulo Claudino Nunes, 76 anos. A bilheteria, com sua janelinha gradeada e balcão com divisórias para a separação das notas de dinheiro, ainda é a mesma – ainda que tenha deixado de ser usada para a venda de ingressos. Da mesma forma, o piso, as portas e as luminárias do hall do prédio, somados às seis luzes laterais dos corredores do anfiteatro, apenas passaram por algumas manutenções. A bombonière de antigamente é a mesma em que hoje descansam jornais e folhetos à disposição do público. Dois dos projetores, um na sala

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Fotos: Flávio Pereira

LUZ O técnico de som e luz, Edson Rodolfo Rosa, o Edinho, ajusta o foco para a montagem do cenário de mais uma peça

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de projeção e outro exposto na entrada do prédio, são da época em que filmes como os do Mazzaropi esgotavam as sessões. O palco, alto em seu modelo italiano, também é o mesmo (embora tenha perdido alguns degraus laterais para seu acesso externo e tenha ganhado camarins na reforma sofrida em 1999), bem como a escada que leva ao piso superior –uma espécie de mezanino– não sofreu alterações. “Essa parte de cima, a que chamamos de puma, foi um espaço aberto para um público específico, como os jornais da época falam. O piso ainda é original e havia, antes, cadeiras de madeira. Elas foram retiradas daqui e, as de baixo, foram substituídas pelas vermelhas, mais confortáveis. Mas, quando foi feita a reforma, mantiveram a última fileira com o ladrilho e os assentos originais, como um registro de como era antigamente”, afirma Antonio Carlos Oliveira da Silva, historiador da gerência do Patrimônio Histórico da FCCR. História Quando inaugurado, há 60 anos, o Cine Santana apareceu como uma alternativa de diversão para os moradores da zona norte, que, até então, tinham de se deslocar até o centro para assistirem a algum filme em cartaz no já existente Cine Paratodos. Naquele tempo, vale lembrar, ir ao centro era “ir à cidade”, já que as distâncias não eram tão curtas quanto aparentam ser hoje, com o desenvolvimento urbano. A população joseense, porém, já havia sido introduzida a essa forma de entretenimento em 1910, quando foi inaugurado o Theatro São José, espaço que funcionava como um cine teatro no prédio onde hoje está instalada a Biblioteca Municipal Cassiano Ricardo. “Ali aconteciam discursos de prefeitos e outros eventos políticos. Uma manifestação ligada à revolução de 1932 também teria sido feita nele. Mas ele não tinha manutenção e, com a epidemia da tuberculose, acabou sendo considerado insalubre até fechar suas portas, em 1940”, afirma Silva. Seu substituto foi o Cine Paratodos, aberto em 1941 na rua Coronel José Monteiro. “Ele era o maior que tinha no centro, porque havia menores como o Cine Real e o Benedito Alves. Era uma grande alternativa de diversão. Até porque nessa época, em Santana, as opções eram festas religiosas em que a população era a organizadora, era participante e onde, assim, se permitia ao divertimento”, observa Silva.

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HISTÓRIA Os ladrilhos e a última fileira de cadeiras, que permanecem originais

Com a concentração de fábricas como a Tecelagem Parahyba, a Rhodosá de Raion e a Cerâmica Weiss na região norte, porém, o entorno do Santana passou a abrigar operários e, com o aumento da população, passou a ser valorizado. Diante da demanda, empresários de fora da cidade construíram o Cine Santana. “Uma vez, em entrevista que fiz com o José Quirino da Costa, um dos donos e já morto, ele me disse que viu ali uma oportunidade que valia a pena economicamente. E esse foi um espaço usado não só como cinema, mas também para as colações de grau, como acontecem até hoje, e para outras atividades”, afirma Silva. O próprio Monsenhor Luiz Gonzaga Alves Cavalheiro (1913-1991), pároco respeitado de Santana, usava o prédio para a exibição de filmes religiosos para os fiéis na década de 1950. “Eram filmes de santos, me lembro até de ter assistido a ‘Dez Mandamentos’. Mas também passavam filmes mexicanos, italianos, americanos... Só coisa boa”, lembrou a aposentada Eunice Brondizio Nunes, 76 anos, após assistir no Cine

Santana, no mês passado, a uma sessão de “Tristeza do Jeca” de Mazzaropi ao lado do marido –que é o mesmo Paulo Claudino Nunes que pegava o caminhão leiteiro para chegar até o cinema. “Para nós esse era um ponto de encontro. Vinha o pessoal da roça e tinha muita festa de violeiro. Vimos um show de Vicente Celestino, aqui, e o teatro ficou lotado ‘até o bico’”, afirma Nunes. Havia dias e horários em que as exibições de filmes eram especiais, como o caso das matinês e das sessões das moças, nas quais mulheres não pagavam e acabavam atraindo muitos rapazes para a bilheteria do cine teatro. Fidelidade Foi em uma dessas matinês que a professora aposentada Eliza Trone Ribeiro da Silva teve, aos nove anos, o seu saquinho de pipoca roubado por um rapaz de 13 anos, que ria da situação. “Naquela época, antes dos filmes, passavam capítulos de seriados. Era a vez do Superman, que tinha 30 minutos de

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ROMANCE Paulo Claudino Nunes e sua mulher Eunice: ele ia ao Cine Santana a cavalo

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duração cada, em exibições semanais que se encerraram em um mês e meio. Lembro que, nessa hora, sentei ao lado dele só para xingá-lo. A partir desse dia, passamos a sentar ali todas as vezes, até que aos dez anos caiu a minha ficha de que eu não o odiava, mas sim o adorava. Aos onze anos nos beijamos e ele, que chamava Ronie, disse: ‘Agora você é minha’”, lembra com carinho, sentada na poltrona a que retribui lealdade. O namoro era escondido e foi mantido até que uma conversa séria com o pai dela permitiu que ele aceitasse o genro. “Nos casamos e, no dia seguinte, ele sofreu um acidente no caminhão em que carregaria os nossos móveis. Perdi o único grande amor da minha vida e é por isso sempre que venho aqui sento nessa cadeira, que é o meu pedacinho de mundo. Aqui eu guardava lugar para ele ou ele para mim. Esta última fileira era toda preenchida pela nossa turma, porque achávamos melhor sentar atrás para sermos os primeiros a sair da sessão, ganhando tempo para brincar na praça. Achei muito lindo não terem mexido no

meu cantinho. Se um dia forem tirar essas cadeiras daqui, vou levá-las para a minha casa”, diz com os olhos marejados. Eliza, que hoje frequenta as aulas de viola do espaço cultural, recorda-se dos tempos em que os funcionários da empresa Rhodosá eram obrigados a ir ao cinema. “Eles ganhavam ingressos e tinham de ir. Tinha dia para irem as esposas, outro para os filhos e outro para eles. Formavam filas dos dois lados. A fábrica controlava isso”, explica. A professora também se lembra dos concursos de calouros que eram promovidos ali. “Eu cantava. Ganhei meu primeiro troféu aos sete anos e só parei aos 11. Hoje, canto nas apresentações organizadas com os alunos das aulas de música. Foi nesse palco, também, que eu peguei o meu diploma do colégio. E Roberto Carlos se apresentou aqui, sim, que eu me lembro. Os homens ficaram enciumados, porque as mulheres estavam eufóricas atrás dele, e lhe agrediram, puxaram os cabelos. Já nos receberam no hall, também, o Vigilante Rodoviário e o cachorro do Tim-Tim”, garante.

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Declínio O historiador Antonio Carlos Oliveira da Silva reforça, entretanto, que na década de 1970 o Cine Santana sentiu os impactos da popularização da televisão e da tendência ao deslocamento de salas de cinemas a centros de lazer e compras. “O José Quirino da Costa atribui à queda do Cine Santana a atuação da distribuidora Vale do Paraíba, que teria roubado o mercado daqui. Mas sabemos que o cinema aberto no shopping era mais barato e atrativo. A solução encontrada para contornar a crise no espaço da zona norte, então, foi mudar o foco e apresentar, na década de 1980, filmes pornográficos como certeza de público. Em um primeiro momento isso funciona financeiramente, mas, ao mesmo tempo, o público decai e atrai a prostituição, comprometendo a imagem do local”, analisa. A coordenadora do Espaço Cultural Cine Santana, Edilaine Pereira, trabalha no local há dez anos e confirma que a população demonstra ter se incomodado com aquela fase do cine teatro. “As pessoas chegam a se lembrar de que havia shows com mulheres, também. E dizem: ‘Que bom que agora podemos entrar’”, afirma. O casal Eunice e Paulo Claudino Nunes se recorda dessa época. “Ficou mais pesado e o pessoal aqui da zona norte é mais conservador, religioso... Quando começou a modernizar, com filmes pornôs, os mais tradicionalistas não gostaram e ele decaiu. Mas antes era bom, gostoso. Porque quem gosta de cinema é assim: gosta mesmo, quer ver mais filmes”, diz ele. Recuperação Com a decadência do Cine Santana, o prédio foi alugado para uma igreja evangélica antes de ser adquirido, em 1994, pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo –que, por meio da ACD (Ação Cultural Descentralizada), restabeleceu atividades culturais em seu espaço. “Só não passamos filmes de 35 milímetros aqui, hoje, porque não temos um profissional especializado, por ser muito específico. É o nosso sonho. Mas as sessões que fazemos do Mazzaropi continuam lotando a sala, o que não acontece com tanto impacto com os filmes mais novos que exibimos. É interessante, tem gente que fala que já assistiu várias vezes a todos os longas dele, até porque uma maioria é mais antiga, mas que gosta de vir aqui no cinema para vê-los de novo. Dizem ser diferente, justamente por essa socialização que o Cine Santana

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Espaço Cultural Cine Santana Inauguração: 12 de outubro de 1952 Proprietários iniciais: José Quirino da Costa, José Francisco Natali e Fernando Navajas Capacidade: 300 lugares Apogeu: décadas de 1950 e 1960, com exibição de filmes e seriados Declínio: décadas de 1970 e 1980, esta última com projeção de filmes pornográficos Aquisição pela FCCR: em 1994, após ser alugado para uma igreja evangélica Preserva ção: por lei municipal, em 12 de julho de 2002, como EP2 (Elemento de Preservação 2) Ficam protegidos: fachada, hall e fileira de cadeiras com faixa de ladrilho originais, além de dois projetores de época Endereço: avenida Rui Barbosa, 2.005, bairro Santana. Telefone: (012) 3942-1227

proporciona. Aqui as pessoas continuam se encontrando”, diz Edilaine. E, se por um lado, manter essa estrutura tem um grande valor histórico e afetivo para a cidade, em contraponto algumas dificuldades naturalmente aparecem. Os equipamentos de luz e som locais, por exemplo, estão desatualizados. “É um bom sistema de som com 24 canais, mas analógico. É uma mesa que estava no Teatro Municipal e veio para cá há uns dois anos, quando a substituíram lá. As caixas de som nas laterais da plateia são reforçadas, mas o sistema é original. Por isso só a usamos para o cinema. Os graves saem de duas caixas escondidas embaixo da escada do palco e, quando há outros eventos, como shows, o som vem das caixas móveis”, explica o técnico de som e luz Edson Rodolfo Rosa, o “Edinho”. A mesa de luz, ele explica, é digital e tem 48 canais. Ainda assim, uma escada de ferro, fixada à parede da sala onde opera esses sistemas, o leva a uma estreita passarela no forro do teatro. Ela termina sobre o palco, a uma altura de nove metros. Ali, ele tem acesso a spots (holofotes) disponíveis para a iluminação do palco, onde também

já foram gravados DVDs de bandas locais. “O Cine Santana tem uma acústica realmente muito boa. Não dá para apontarmos razões específicas para esse fato, mas diria que o material com que foi construído e o tamanho dele contribuem para isso, porque quanto maior o lugar, mais chances há de o som ficar comprometido”, avalia Marcello Stasi, maestro da Orquestra Sinfônica de São José dos Campos. De 2007 a 2010, o cine teatro foi usado pelos músicos que a compõem como local de ensaio, tendo eles de sair de lá por uma questão profissional –a orquestra deixou de ser da FCCR, passando a ser da AJFAC (Associação Joseense para o Fomento da Arte e da Cultura) . “Só não usávamos a estrutura da zona norte para os concertos porque ela era pequena para o nosso público. Mas, ainda que falte na cidade um grande teatro, quero registrar minha simpatia e os meus votos de vida longa ao Cine Santana, que é muito bom e versátil”, deseja o maestro. • O espaço cultural celebra o seu 60º aniversário, neste mês, com uma programação especial. Informações na FCCR: (12) 3924-7300.

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ValeViver

TEATRO Peça sobre Mårio Quintana serå uma das atraçþes da Semana Cassiano Ricardo



CULTURA           

 

  

  

Cassiano ďŹ ca para novembro

   

      

         

  

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Isabela Rosemback SĂŁo JosĂŠ dos Campos

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sperada para o final de outubro, como nas ediçþes anteriores, a abertura da Semana Cassiano Ricardo deste ano foi adiada para o dia 5 de novembro em razĂŁo das eleiçþes municipais e homenageia, desta vez, os poetas Mario Quintana e Carlos Drummond de Andrade com atraçþes artĂ­sticas de diferentes modalidades espalhadas pelos espaços culturais de SĂŁo JosĂŠ dos Campos. Poemas do livro â&#x20AC;&#x153;DexistĂŞnciaâ&#x20AC;?, obra ainda nĂŁo publicada do poeta joseense, serĂŁo declamados em um sarau apresentado pelo grupo LĂ­ricas e Prosas: Mato Adentro, Gente Afora, de SĂŁo Bento do SapucaĂ­. â&#x20AC;&#x153;SĂŁo 18 integrantes, que tambĂŠm prepararam mĂşsicas para serem intercaladas Ă s leiturasâ&#x20AC;?, explica SĂ­lvia Cor-

cevai, coordenadora desta 46ÂŞ edição. A Companhia de Dança de SĂŁo JosĂŠ dos Campos tambĂŠm prestarĂĄ homenagem a Cassiano Ricardo com performances inspiradas no livro â&#x20AC;&#x153;Martim CererĂŞâ&#x20AC;? e com mĂşsicas de Heitor Villa-Lobos. O grupo Trio JosĂŠ se apresenta com o espetĂĄculo â&#x20AC;&#x153;Meu Canto Ă&#x2030; Saudadeâ&#x20AC;?. O resultado de oficinas literĂĄrias que, desde a segunda quinzena de setembro, tĂŞm sido coordenadas em espaços culturais da cidade, deve ser exposto durante o evento. â&#x20AC;&#x153;A ideia ĂŠ criar multiplicadores desse conhecimentoâ&#x20AC;?, afirma SĂ­lvia. No dia 6 de novembro, a peça â&#x20AC;&#x153;Mario Quintana â&#x20AC;&#x201C; O Poeta das Coisas Simplesâ&#x20AC;? ĂŠ atração no palco do Cine Santana e conta com depoimento em vĂ­deo do escritor. A programação completa, que se encerra no dia 11 de novembro, deve ser divulgada ao final deste mĂŞs. Informaçþes na Fundação Cultural Cassiano Ricardo: (12) 3924-7300. â&#x20AC;˘

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ValeViver Hugo Prata/divulgação

CULTURA

Lenine experimental Isabela Rosemback São José dos Campos

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cantor e compositor pernambucano Lenine traz ao Sesc de São José dos Campos, no dia 3 de novembro, a sua voz inconfundível em uma trilha que desvia do balanço e das batidas de violão já consolidados em sua personalidade musical. Acompanhado do filho Bruno Giorgi e do guitarrista JR Tostoi, ele privilegia a sequência de músicas costurada em seu último disco, “Chão” (2011), que ousa em texturas aperfeiçoadas pela contraparte de sons orgânicos. Os efeitos sonoros e o cenário do show favorecem uma experiência sensorial ao público. Os rumores não-instrumentais, marca do trabalho, são abertos pelo tormento de passos e batimentos cardíacos e são seguidos por ruídos como os de máquinas de escrever, de cigarras e de motosserras distribuídos entre as nove de dez faixas do álbum. Complementados por elementos eletrônicos, todos eles se encontram na derradeira “Isso É Só o Começo”, que fecha esse ciclo do espetáculo. Como a obra completa do CD fecha-se em pouco mais de 28 minutos, o show prevê, ainda, a retomada pelo trio de seu caminho de origem com a inclusão de hits como “Paciência”, “Jack Soul Brasileiro”, “A Rede” e “Leão do Norte” no set list, matando a vontade dos fãs. Nem por isso, deixam de ser repaginados para se adequarem à formatação do show. Mas tudo sem crises. Afinal, quem já viu Lenine ao vivo sabe que, independentemente da levada da canção que interpreta, presença de palco não falta à apresentação. Igualmente, a versatilidade do artista não costuma decepcionar, a exemplo do resultado do CD que embala essa turnê. • Lenine – Dia 3 de novembro, às 20h30, no ginásio do Sesc de São José dos Campos (avenida Adhemar de Barros, 999, Jardim São Dimas). R$ 10, R$ 20 ou R$ 40. 16 anos

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NOVELA

Outras tramas Mais três folhetins na programação; “Avenida Brasil” termina com altos e baixos e dá lugar a “Salve Jorge”

Isabela Rosemback São José dos Campos

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utubro começa com novidades na teledramaturgia brasileira. Além de o público já conferir os primeiros capítulos da releitura de “Guerra dos Sexos”, adaptação de Silvio de Abreu para o seu clássico dos anos 1980, o espírito de vingança que norteia a novela “Avenida Brasil” dará lugar ao drama do tráfico internacional de pessoas de “Salve Jorge”, sua substituta no horário das nove da Globo, a partir do dia 22. Na concorrência, “Balacobaco” é a aposta do horário nobre da Record.

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O novo folhetim global é assinado por Gloria Perez e traz como protagonistas os atores Nanda Cunha (Morena), Rodrigo Lombardi (Theo) e Flávia Alessandra (Erica), envoltos em um conturbado triângulo amoroso. Parte ambientada no Rio de Janeiro, a trama também lança luz sobre o cotidiano no morro do Alemão após a sua pacificação, ainda que a autora preserve a marca da abordagem de aspectos culturais de outro país em núcleos de destaque (costumes e cenários da Turquia são apresentados nesta produção). Completando a base de sustentação da novela, uma parcela do universo militar será retratada por meio de personagens como o de Murilo Rosa, antagonista de Lombardi na pele de Elcio, um tenente da Cavalaria do Exército.

“O nome é Salve Jorge porque estamos falando de guerreiros e dessa força guerreira de acordar e vencer os dragões de cada dia. Entre esses dragões está o tráfico internacional de pessoas”, justificou a autora durante um workshop da novela divulgado pela Central Globo de Comunicação. Morena, estrelada por Nanda Cunha, é uma mulher batalhadora e de personalidade forte que cresceu no Complexo do Alemão. Mãe solteira, copeira e devota de São Jorge, seu sonho é ser artista e terá a vida agitada depois que o cavalariano do Exército e devoto do mesmo santo, Theo, for trabalhar no morro e se apaixonar por ela, ainda que ele namore Erica –veterinária que não deverá ficar satisfeita com a situação. Para complicar o

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“Avenida Brasil”: novela fecha com saldo positivo

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TRIÂNGULO AMOROSO Rodrigo Lombardi, Lombardi que conquistou o público como o Raj de “Caminho das Índias”, ganha um novo protagonista de Gloria Perez: Theo; Flávia Alessandra é Erica, que disputará o seu amor com Morena (foto ao lado), de Nanda Cunha

assando por altos e baixos, mas sempre mantendo a boa audiência, a novela das nove “Avenida Brasil” (Globo) chega ao fim com saldo positivo. A trama conduzida pela obsessão de Nina (Débora Falabella) em vingar-se da ex-madrasta, a carismática vilã Carminha (Adriana Esteves), correu os sete meses de exibição mantendo o bom desempenho de sua antecessora “Fina Estampa” (2011) –que elevou o ibope do horário à casa dos 40 pontos (cada um corresponde a 60 mil domicílios na Grande SP), após “Passione” (2010) e “Insensato Coração” (2011) apresentarem índices abaixo do esperado pela emissora . Com interpretações marcantes e uma linguagem inovadora na teledramaturgia –com personagens falando ao mesmo tempo–, a novela de João Emanuel Carneiro investiu em núcleos emergentes que reproduzem a chamada “nova classe C” brasileira, fórmula que ganhou a empatia do telespectador. Entretanto, não conseguiu escapar da chamada “barriga” dos formatos estendidos de hoje, cansando o público com situações arrastadas e falhando em detalhes definitivos da trama principal –como a criticada chantagem de

Nina à sua antagonista, feita com fotos reveladas em papel em plena era tecnológica. “Mas vai ficar marcada como o registro desse período no país, tendo no Divino e no Leleco [Marcos Caruso] seus principais representantes. Personagens empreendedores e vencedores, como a Monalisa [Heloísa Périssé], geram projeção no público”, analisa o especialista Claudino Mayer. Ele reforça, porém, o caráter ficcional do folhetim. “O autor trabalha muito bem a ambiguidade dos personagens, trazendo mocinha e vilã que alternam atitudes entre o bem e o mal. Nina é uma protagonista diferente, sem ingenuidade e que sofre mais na reta final. E o fato de não ter optado por arquivos digitais das fotos faz parte do jogo da ficção. A novela tem de dialogar com a realidade, e não parecer um telejornal”, defende. O folhetim vai embora no próximo dia 19 deixando como marcas a frase “É tudo culpa da Rrrrita”, que ganhou paródias nas redes sociais, e a risada do asqueroso Nilo (José de Abreu), que também não escapou da repercussão na internet. O jeito é o público se acostumar a não ter de cantar mais o “oi oi oi” grudento da abertura da novela.

quadro, a protagonista será traficada para a Turquia e caberá a Theo viajar para a Capadócia para livrá-la do aprisionamento. Todo esse enredo será o ponto de partida para alinhavar a trama dos personagens centrais a de outros núcleos da novela. Haverá o grupo de turcos, quebrando alguns mitos e com cenas gravadas em Istambul e na Capadócia, o de personagens ricos e o de profissionais da área de segurança dos mais variados perfis –como é o caso da delegada Heloísa (Giovanna Antonelli) e de seu ex-marido, o vaidoso advogado Stênio (Alexandre Nero), que vivem em conflito pelo fato de ele soltar os bandidos que ela batalha para prender. A filha da cantora Gretchen, Thammy Miranda, estreia como atriz na pele da escrivã Jô.

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NA TELA Em “Balacobaco”, da Record, os atores Roger Gobeth e Juliana Silveira protagonizam o casal Danilo e Isabel (à esquerda); na releitura de “Guerra dos Sexos”, da Globo, é a vez de os veteranos Tony Ramos e Irene Ravache interpretarem cenas cômicas como as da versão original, de 1983

Outra parte do elenco representará o cotidiano na comunidade do Alemão, retratado com a junção de cenas gravadas no próprio complexo e com outras realizadas em um morro cenográfico criado em uma área de 1.800 metros quadrados e 14 edificações com lajes. Na maior delas, funcionará o ponto de encontro desse grupo: o bar do Miro –personagem malandro vivido por André Gonçalves, ator que passa por bom momento na carreira. Completando o time, pessoas reais do dia a dia do complexo de favelas aparecerão no papel delas mesmas. “Eles querem mostrar o máximo possível da nossa realidade. O cenário tem muito a ver e os personagens são a cara da nossa comunidade”, avalia o jovem Rene Silva dos Santos, que ganhou visibilidade ao fazer a cobertura em tempo real, pelo Twitter, da pacificação no complexo do qual é morador, em novembro de 2010, e que vai aparecer no folhetim como entregador do jornal que ele mesmo produz no Alemão. “Espero que a novela mostre que na favela sempre existiram pessoas de bem e que fazem diferença de alguma forma à sociedade. Tem gente que diz que ‘quem mora na favela é bandido’, mas o tráfico não corresponde a

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nem 2% de nenhuma comunidade”, afirma. Para Claudino Mayer, doutor em teledramaturgia pela USP (Universidade de São Paulo) e autor do livro “Quem Matou... O Romance Policial na Telenovela”, a nova trama será bem distinta de “Avenida Brasil”. “O estilo da Gloria Perez tende para o melodrama, com mocinhas que sofrem muito. É um padrão mais para os anos 1970”, afirma. Balacobaco Em um tom mais leve, na Record, a substituta de “Máscaras” acaba de estrear com a missão de levantar o ibope em queda no horário reservado a novelas da emissora (22h). “Balacobaco”, de Gisele Joras (também autora da adaptação de “Bete a Feia”), difere da carga pesada de suas antecessoras com a proposta de unir melodrama, comédia e romance. A atriz Juliana Silveira vive a bela Isabel, que passa pela turbulência do término do noivado e não sai do alvo de duas irmãs gêmeas trambiqueiras que juraram vingança ao serem presas por um assalto do qual a mocinha foi vítima. As histórias entrelaçam-se, ainda mais, quando a protagonista engata um romance com Eduardo (Victor Peco-

raro), um empresário de sucesso que é invejado pelo sócio Norberto (Bruno Ferrari) –namorado de uma das gêmeas. Outros personagens cômicos e de bem com a vida dão o tom descontraído pretendido no folhetim. Guerra dos Sexos Já no horário das 19h da Globo, a novela “Guerra dos Sexos”, sucesso originalmente exibido em 1983 e, agora, revisitado por Silvio de Abreu, já é atração desde o dia 1º. Reescrita, traz como personagens centrais os sobrinhos de Charlô (Fernanda Montenegro) e Otávio (Paulo Autran) –protagonistas da primeira versão–, que têm os mesmos nomes dos tios mortos e, como eles, se odeiam e são obrigados a conviver juntos. Novas críticas, muito humor e referências a cenas históricas da obra original podem ser esperadas, desta vez adaptadas ao nosso tempo. “Por mais que ‘Cheias de Charme’ tenha sido uma novela divertida, ela extrapolou muito nos shows e ficou chata. ‘Guerra dos Sexos’ a substitui com muito mais humor. Foi uma novela que marcou época e que, inclusive, definiu que as novelas das sete da Globo teriam esse lado de comédia”, diz Claudino Mayer. •

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CINEMA

O dedo em mais uma ferida Em ‘Selvagens’, Oliver Stone aborda em clima pop o narcotráfico no México sem deixar de criticar os Estados Unidos e a política de combate às drogas Franthiesco Ballerini São Paulo

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liver Stone já provocou líderes políticos e estremeceu os espectadores ao abordar diversos temas espinhosos, como a Guerra do Vietnã (“Platoon” e “Nascido em 4 de Julho”, 1989), o colapso financeiro norte-americano (“Wall Street”, 1987 e 2010) e a vida pré-presidência da república de George W Bush (“W”, 2008). Nos últimos anos, porém, tem olhado para o sul, descrevendo de maneira absolutamente superficial e tendenciosa a “grandeza” dos líderes sul-americanos (“Ao Sul da Fronteira”, 2009) e, agora, em “Selvagens”, que estreia neste mês, ele fala da guerra contra o narcotráfico no México, que em meia década já matou 50 mil pessoas, na luta para dominar o mercado consumidor norte-americano, um negócio bilionário e dos mais rentáveis do mundo. Porém, assim como rentável, também é extremamente violento, como se pode ver semanalmente nos jornais, com homens decapitados em vias públicas e famílias destruídas por completo.

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Mas em se tratando de Oliver Stone, que politiza todos os seus filmes, era de se esperar que houvesse um tom de forte crítica política aos EUA e também ao México, que acaba de passar por eleições presidenciais. Na coletiva de lançamento do filme, no México, Stone fez questão de criticar abertamente os líderes que os mexicanos escolhem e como eles são submissos aos traficantes e a todos os presidentes eleitos pelos EUA nos últimos 50 anos. E não deixou de dar conselhos –dos mais superficiais e abstratos possíveis– orientando os mexicanos a mudarem para a esquerda, como fez Brasil, Argentina, Paraguai, Venezuela e Bolívia. No entanto, para não cair no risco de baixa bilheteria e pouca credibilidade entre os produtores para angariar recursos para os próximos filmes, Stone foi chato só na coletiva, pois o filme ganhou um tom mais “tarantinesco”, pop e até engraçado, se é que isso seja possível num filme de Oliver Stone. Baseado no livro de Don Winslow, mostra o cartel liderado por Elena (Salma Hayek), que quer forçar um acordo com produtores independentes de droga na Califórnia, Chon (Taylor Kitsch) e Ben (Aaron Johnson). Ambos são sócios de produção de maconha e casados com a

DROGAS A ‘guerra’ que já matou mais de 50 mil pessoas no México é o alvo do diretor Oliver Stone

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mesma mulher, O (Blake Lively). Plantam e traficam livremente graças à cobertura de um policial, vivido por John Travolta. Quando o trio decide enganar Elena, O é raptada por seus capangas Alex (Demián Bichir) e Lado (Benicio Del Toro). O elenco é repleto de nomes latinos importantes para atrair o público crescente das salas de cinema mexicana, como Sandra Echeverría, musa de novelas do México. O elenco, a propósito, ficou bastante incomodado com a imagem que Oliver Stone traça do México para o mundo –reducionista e estereotipada– mas sabem que é importante tocar nas feridas para tentar mudá-las, ainda que o diretor tenha tentado outras vezes em vão nos assuntos domésticos (Vietnã, 11 de setembro etc.). É claro que, por se tratar de um filme sobre drogas, Oliver Stone vem sendo constantemente indagado sobre sua posição a respeito da produção de drogas. E vem mais polêmica. “Sou contra a proibição, pois como na Lei Seca, que ajudou a organizar o crime, a proibição das drogas incentiva o crime organizado”, comentou o diretor, usuário de maconha há 40 anos.

ELENCO Benício Del Toro, Salma Hayek, John Travolta: um elenco ‘tarantinesco’

Faturamento Apesar do tema difícil, o filme, que custou US$ 45 milhões, já faturou igual valor só dentro dos EUA, onde estreou há alguns meses. Oliver Stone tem trabalhado no roteiro deste filme antes mesmo do livro no qual é baseado ter sido publicado, por isso, ele é apenas uma leve inspiração para a montagem do roteiro. O diretor, que é próximo de líderes como Hugo Chavez, Fidel Castro –com quem já gravou diversas entrevistas– e Evo Morales, tentou mostrar o lado dos produtores e de quem se torna vítima dos mesmos. “Nenhuma violência explodiu do lado norte da fronteira, apenas alguns incidentes isolados. Isso porque é interesse dos cartéis mexicanos não ganhar publicidade nos Estados Unidos, o que instigaria uma atenção maior dos políticos e da polícia”, comentou o diretor. Alguns personagens são inspirados em pessoas reais, como Elena, que tem traços de Mireya Moreno Carreon, a primeira mulher chefe de um cartel de drogas no México. “Selvagens” parece ter o tom que interessa ao diretor: abordar temas políticos, econômicos e sociais sérios, mas sem deixar de entreter, divertir. E, claro, provocar suas desavenças dentro e fora dos Estados Unidos, como faz Michael Moore, só que com documentários.

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Oliver Stone passo a passo Ganhador do Oscar de Melhor Diretor por “Nascido em 4 de Julho” e “Platoon”, além de diversos outros prêmios no mundo, Oliver Stone tem 65 anos e demonstra uma vitalidade para continuar filmando por muito tempo ainda. Ex-combatente da Guerra do Vietnã, da qual saiu ferido, o diretor se tornou um ferrenho crítico da política externa norte-americana desde então. No cinema, seus principais trabalhos são: Platoon (1986) Baseado na sua experiência no Vietnã, custou US$ 6 milhões e faturou US$ 140 milhões. Abriu as portas do cinema para ele por décadas a fio.

Salvador (1986) Causou polêmica ao abordar a guerra civil de El Salvador, onde grupos de direita foram apoiados financeiramente pelos Estados Unidos. Wall Street – Poder e Cobiça (1987) Estrelado por Michael Douglas, mostra o mundo das negociações financeiras, seus colapsos e dilemas éticos. Teve uma sequência em 2010, também estrelada pelo mesmo ator, em outro papel. Nascido em 4 de Julho (1989) Estrelado por Tom Cruise como um combatente de guerra que volta amputado aos EUA e inicia uma jornada contra o conflito. JFK – A Pergunta que Não Quer Calar (1991) Entra na teoria da conspiração sobre o que envolveu e quem mandou matar o presidente John F. Kennedy. Assassinos Por Natureza (1994) Mais polêmica, porém divertida, com um casal (Woody Harrelson e Juliette Lewis) acostumado a promover matanças e que acabam, por isso, glorificados pela mídia. O filme foi acusado de instigar matadores na vida real.

Nixon (1995) Voltando ao universo presidencial, mostra a vida e as trapalhadas do único presidente dos EUA a renunciar para evitar o impeachment. Alexandre, O Grande (2004) Entretenimento bobo e insignificante, ainda assim causou polêmica por abrandar a homossexualidade de Alexandre, para evitar críticas e rejeição do público conservador norte-americano. World Trade Center (2006) Baseado na história real de dois policiais que tentam salvar o máximo de vítimas possível do atentado de 11 de setembro de 2001. W (2008) A infância, adolescência e vida política de George W Bush antes de assumir a presidência da república, enfocando sua dependência de álcool e a rejeição que Bush pai sempre nutriu por ele. Ao Sul da Fronteira (2009) Documentário parcial e superficial sobre os líderes sul-americanos e como eles são vítimas da tirania dos EUA. Depoimentos de Christina Kirchner, Evo Morales, Hugo Chavez e outros líderes, menos mostrados, como Lula.

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Maior e melhor Lollapalooza 2013 terá uma edição de três dias e trará em seu line-up nomes como Pearl Jam, The Killers e The Black Keys Adriano Pereira São Paulo

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uando a gente pensa que não pode ficar melhor é que somos surpreendidos. Depois da bem-sucedida primeira edição em 2012, o festival Lollapalooza amplia sua programação em mais um dia e agenda um line-up de primeiro mundo. Entre os dias 29, 30 e 31 de março bandas como Pearl Jam, Queens of The Stone Age, The Killers, The Black Keys, Planet Hemp e Deadmau5 estarão entre as mais de 60 atrações do festival. “Ficamos trabalhando durante cinco meses para montar esse line-up”, garante Marcelo Frazão, diretor artístico da Geo Eventos, empresa responsável por trazer o festival para o Brasil em 2012. Os ingressos para o público que se cadastrou no site do Lollapalooza já são vendidos desde o dia 2 de outubro. Para o público em geral a venda começa no próximo dia 15. Os “Lollapass” (ingressos para os três dias) saem por R$ 900 (inteira) e R$ 450 (meia). Ainda há a taxa de conveniência, mas o valor pode ser dividido em cinco vezes.

PEARL JAM Uma das seis atrações principais, a banda de Eddie Vedder tocará no Festival Lollapalooza 2013

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Domingo 7 Outubro de 2012

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CLÁSSICO

SOLTA O PAUSE

RAÍZES

A história de um dos melhores discos do Pink Floyd ganha documentário imperdível

Acompanhe as notícias do mundo da música por meio do blog http://soltaopause.com.br

Livro explora contextos políticos e sociais para tentar explicar o gênero musical mais rebelde da história

WEB

ALTERNATIVO

A voz do Zeppelin Robert Plant desembarca para uma série de sete shows no Brasil trazendo as raízes do Led Zeppelin na bagagem Adriano Pereira São José dos Campos

S

ão poucos artistas capazes de deixarem marcas e influências que nunca mais são esquecidas. O Led Zeppelin é dessas bandas que ultrapassam qualquer barreira de tempo e espaço. O casamento perfeito de quatro integrantes geniais, cada qual em seu estilo. A voz aguda e marcante de Robert Plant foi fotocopiada em uma centena de bandas que vieram depois dele. Inconfundível. Pois é a voz do Led Zeppelin que chega ao Brasil neste mês para uma série de seis shows. Plant vem acompanhado da banda The Sensational Space Shifters com a missão de mergulhar fundo nas raízes do blues. “Inspirada pelas raízes da música do Mississippi, Appalachia e Gâmbia, ou das inglesas Bristol e Wolverhampton, com influências coletadas em uma vida inteira de meandros e caminhadas”, explica o músico

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que já foi apontado duas vezes como o melhor vocalista de rock de todos os tempos. Seu álbum mais recente com a “Band of Joy”, coproduzido por seu colega de banda Buddy Miller e com os colegas músicos Darrell Scott, Byron House, Marco Giovino, recebeu dois Grammys em 2010. São 10 discos com o Led Zeppelin e outros 15 em carreira solo. Nos shows brasileiros, Plant garante que os clássicos escritos em companhia de Jimmy Page, John Bonham e John Paul Jones estarão no repertório. Um passeio pela história do rock. As apresentações serão no dia 18 de outubro no Rio de Janeiro (HSBC ARENA, dentro do projeto Live Music Rocks), Belo Horizonte no dia 20 de outubro (Expo Minas), São Paulo no dia 22 de outubro (Espaço das Américas), Brasília no dia 25 de outubro (Ginásio Nilson Nelson), Curitiba no dia 27 de outubro (Teatro Guaíra) e Porto Alegre no dia 29 de outubro (Gigantinho). Os ingressos podem ser comprados pelo site www.livepass.com.br.

CD’S & MAIS

Planeta Terra prova sua vocação

VALE DESTAQUE MUSE “The 2nd Law” Esse é daqueles para surpreeender fãs xiitas. O muse deixa o clima épico guitarrístico de lado e cai de cara no dubstep. Será?

KISS “Monster” Esse é o vigésimo disco da banda. O que esperar do Kiss? O mesmo de sempre, é óbvio! Hard rock e maquiagem

TAME IMPALA “Lonerism” Disco novo dos queridinhos hipsters-neo-psicodélicos-modernosos. Haja paciência!

Existem festivais que conseguem ter “rock” no nome e montar uma programação de rádio FM de quinta categoria. Não é o caso do Planeta Terra, que desde que começou sempre seguiu uma identidade afinada com o novo e o alternativo. Não seria diferente nesse ano. No dia 20 de outubro, no Jockey Club, em São Paulo, o festival trará para seus palcos os norte-americanos do Kings of Leon e Garbage, a banda inglesa de rock alternativo Kasabian, os grupos Gossip, Suede e The Drums, a cantora sensação Azealia Banks, o Maccabees, o Best Coast e o The Drums, além dos brasileiros Mallu Magalhães, Banda Uó e Madrid. Os ingressos são moscas brancas, quem comprou garantiu, quem não comprou vai tentar a sorte e a garantia de gastar bastante para ver os shows. Este ano o festival amplia sua ação para Lima e Bogotá. Chique.

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Ponto Final

Arnaldo Jabor

Obama ou Mitt Romney?

N

a época de Eisenhower, morei nos EUA e estudei numa “high school” em Saint Augustine, na Flórida, a cidade mais antiga do país. Era a época da “geração silenciosa” do pós-guerra. Foi nos anos do racismo. Nunca tinha visto o ‘reacionário’ fundamental, básico, sólido. Lá, vi de perto o mundo psíquico dos republicanos. A Flórida tem mais direitistas que jacarés. Os republicanos típicos são filhos de um deus duro e implacável. Parecem dizer: “Não tenho dúvidas, não quero ouvir, já sei tudo, Deus me disse!” Depois, veio o Kennedy, moderno, com mulher chique, que governou até 63, quando uma bala virou sua bonita cabeça numa massa sangrenta. Ficou Lyndon Johnson, um medíocre vice-democrata, pré-Nixon. Depois, o irmão Bob Kennedy, que foi assassinado na frente das TVs do mundo todo em 68. Em seguida, tivemos Nixon, que cai em 74, sucedido pelo frágil Jimmy Carter que preparou a chegada dos republicanos Reagan e Papai Bush, até a “era dourada” do Clinton, que acabou desmoralizada pelos lábios da Mônica Lewinsky. Agora, diante das eleições, olho Obama –homem raro, profundo, que aponta os melhores caminhos para a América– e me preocupo: Será que os americanos vão reeleger um negro intelectual? Será que ganha o racismo oculto, recôndito, a KKK na alma dos “wasps” e malucos dos “tea parties”? Digo isso porque vi o racismo americano de perto. Saint Augustine era uma cidade igual aquela do “Truman

ELEIÇÕES “Há um racismo sutil além da cor da pele” Show”. Os ritos sociais, os gestos cotidianos, tudo parecia programado. Só uma coisa estava fora da ordem: os negros. No ônibus amarelo do colégio, via meus colegas louros, ruivos e brutos berrando contra os negros que passavam: “Hey, “nigger”, por que teu nariz é tão chato? Hey, “nigger”, por que teu cabelo é pichaim?” Os negros ouviam de cabeça baixa, o rosto torcido de humilhação, num ódio sufocado. Amontoavam-se no fundo dos ônibus, em pé, mesmo com os carros vazios. Eu me espantava com aquela ausência total de compaixão. Os brancos da cidade me amedrontavam, a violência dos alunos me assustava. Eu era um “nerd” comprido e meio bobo nos meus 15 anos e me chocava com as botas de cowboy marchetadas de estrelas de prata, com as facas de onde a lâmina pulava, os casacos de couro negro que já vestiam a “juventude transviada” –uma rebeldia reacionária e “republicana”. O ídolo da época era Elvis Presley rebolando na TV. Pairava um clima de intolerância entre os próprios brancos; eram os fortes contra os fracos, as meninas bonitas contra as feias, as sérias contra as “galinhas”. As rivalidades eram vingativas e duras. Eu navegava naquela cultura obsessiva e, bem ou mal, conseguira namorar Melinda Mills, pálida filha loura de um ex-mari-

ne que estivera no Rio e me mostrou um cartão-postal do Mangue com suas palmeiras, onde ele certamente conhecera a Zona e as ‘polacas’. Até que um dia chegou a noticia terrível: tinha subido aos céus o satélite russo, o “Sputnik”, girando como uma bola de basquete em órbita da Terra. Foi indescritível o pânico na cidade. Desde 49, com a explosão da bomba H pelos soviéticos, destronando a liderança dos destruidores de Hiroshima, os americanos esperavam outra catástrofe, que viria como um filme de terror tipo “A Invasão dos Feijões Gigantes”. Em minutos, a cidade parecia um campo de refugiados, de perdedores humilhados pelos comunistas no espaço. No alto, o satélite Sputnik humilhava os americanos. A partir desse dia, os colegas passaram a me olhar de lado. Transviados e ‘porradeiros’ me investigavam com perguntas: “Que você acha? Teu país gosta dos russos?” Eu tremia e escondia minha vaga admiração pelo socialismo. Depois disso, não me pediam mais ‘cola’. Melinda ficou mais pálida e nosso namoro definhou. Por isso, hoje vejo o Obama, esguio, mulato, de elite, lutando contra o sutil ‘racismo’ que vai além da cor da pele. Esse ‘racismo’ está também na desconfiança do ‘novo’, do ‘diferente’, da distribuição de riquezas para todos. O mundo vai mudar. Obama ou Mitt? Quem dá mais? A inteligência que resiste à estupidez ou aqueles 60 milhões de idiotas que elegeram o Bush na fraude do século, na Flórida. Será que vão repetir tudo? Se Mitt ganhar, o mundo será derrotado. •

Arnaldo Jabor Jornalista e cineasta

jabor@valeparaibano.com.br

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Edição Outubro de 2012  
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