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CIRCULANDO ANO 16 NÚMERO 406

JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVALE - OUTUBRO/NOVEMBRO DE 2013

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Mauro Lúcio Fotografia

Carlos Olavo lança livro em noite memorável Com sorriso largo e brilho nos olhos o jornalista e escritor Carlos Olavo da Cunha Pereira recebeu homenagens e respondeu a perguntas do público que prestigiou o lançamento do seu segundo livro: “Na Saga dos Anos 60”. Cerca de 150 pessoas, entre autoridades políticas, lideranças e representantes dos movimentos sociais e do campo, professores, jornalistas, estudantes universitários e amigos de longa data do autor compareceram ao evento. O escritor relembrou histórias do tempo em que viveu em Governador Valadares (1954 – 1964) e contou detalhes da nova obra que narra a sua fuga da cidade em pleno estouro da ditadura militar. O livro foca o amargo tempo em que o jornalista viveu exilado na Bolívia e no Uruguai, país onde teve a oportunidade de conviver com dois importantes ex-presidentes da República: João Goulart e Leonel Brizola. Confira fotos do evento na Página 8. O jornalista Carlos Olavo foi homenageado e se emocionou

LUTO

Como lidar com a tristeza e a dor ao perder pessoas queridas É sabido que haverá um dia em que parentes ou amigos que amamos irão nos deixar. Mas estar preparado para esse momento e saber processar essa perda já é bem mais difícil. Interessada em compreender como é possível amenizar o sofrimento que acomete as pessoas nessa nova jornada da vida, a aluna-repórter Vanessa Fófano, do 6º período de jornalismo, conversou com o pedreiro Divino Vieira que, contrariando as leis da natureza, teve de enterrar a mãe. Também buscou orientações com a psicóloga Renata C. Martins Santos que avaliou o papel dos rituais de passagem e a importância dos grupos de apoio. Para finalizar, conta a história do tanatólogo Eres Gonzaga de Souza que, há 20 anos, prepara corpos para os ritos fúnebres. Confira reportagem completa nas Páginas 4 e 5.

Jornalismo, ar que eu respiro Só no jornal Diário do Rio Doce foram 50 anos. Mas a história do jornalista, cronista e escritor Antor Santana começou mesmo como jornaleiro, na capital mineira. Encantado com o processo de produção, montagem e impressão traçou o que gostaria de fazer pelo resto de sua vida: trabalhar com o jornalismo. Aos 80 anos, leva uma vida simples e calma com Dona Julinha, companheira de longa data. Para quem pensa que Antor Santana parou de criar está enganado. No início do ano que vem está previsto o lançamento de sua autobiografia que contribuirá também com a memória do jornalismo valadarense. Página 7

ENADE 2012

Alunos e professores comemoram bom resultado No Enade 2012, o curso de Jornalismo da Univale alcançou o 11° lugar entre as instituições de ensino privadas de Minas Gerais. No ranking, ficou à frente de seis universidades tradicionais da capital mineira e se saiu melhor também em relação às faculdades da região. Conheça mais sobre esse processo de avaliação do MEC e a opinião de quem ajudou nessa conquista na Página 3.

Evangelização como nos tempos antigos O local é uma das ruas do Bairro Santo Antônio, na parte alta, intitulado de “monte” pelos frequentadores. Sempre às segundas-feiras, às 21h30, jovens de denominações religiosas distintas se reúnem e compartilham reflexões do Evangelho. Seguindo o exemplo da mãe, que também subia o monte para fazer suas orações, Abrahão Tostes, 21 anos, começou a frequentar sozinho o espaço, até que angariou amigos também interessados na experiência. A mobilização é reforçada pelas redes sociais e, para garantir a presença dos colegas, combinam caronas. Participantes explicam porque aderiram à iniciativa e quais mudanças positivas perceberam em suas vidas. Página 6 Divulgação

Heriberto Estolano

Para Antor Santana, “a realização profissional é chegar ao fim da vida com dignidade”

Fotos: Google Imagem

Jovens de diferentes igrejas cantam, oram e dão testemunho da vida próxima a Deus

OPINIÃO Inspirado pelo centenário do poeta, escritor, dramaturgo e diplomata brasileiro que cantou a vida e a beleza da mulher brasileira, Vinicius de Moraes, o graduando em jornalismo Mauro Lúcio Rodrigues da Silva desenvolveu uma paródia com a música “Garota de Ipanema”. A obra, que ficou conhecida internacionalmente, foi inspirada na jovem Helô Pinheiro (foto à esq.), à época com 18 anos. Em sua análise, Mauro critica a hiperexposição do corpo feminino e a falta de pudor por parte das mulheres da atualidade (foto à direita). Para o estudante, “se Vinicius de Moraes estivesse vivo, teria um pouco mais de dificuldade para se inspirar nas garotas de hoje”. Página 2


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OPINIÃO

Reflexões sobre a Garota de Ipanema e as mulheres de hoje MAURO LÚCIO RODRIGUES DA SILVA / 2º PERÍODO DE JORNALISMO

Garota de Ipanema

Gatinha Assanhada

Olha que coisa mais linda Mais cheia de graça É ela menina Que vem e que passa Num doce balanço A caminho do mar Moça do corpo dourado Do sol de lpanema O seu balançado é mais que um poema É a coisa mais linda que eu já vi passar Ah, por que estou tão sozinho? Ah, por que tudo é tão triste? Ah, a beleza que existe A beleza que não é só minha Que também passa sozinha

Ah, assim prefiro ficar sozinho Ah, por que finge não ser tão triste Ah, a beleza não é só o que se vê A beleza está no valor que se dá Nunca está sozinha, de mão em mão

Ah, se ela soubesse O mundo inteirinho se enche de graça E fica mais lindo Por causa do amor

No ano de 2013 comemora-se o centenário de Vinicius de Moraes, brasileiro, poeta, compositor, diplomata, dramaturgo e apaixonado pela vida. Autor de inúmeras obras, muitas conhecidas e outras nem tanto. Dentre as várias obras de Vinicius, uma que se destaca não só no cenário nacional, mas também internacionalmente é a musica Garota de Ipanema, composta em 1962 e gravada no ano seguinte. Cantada em vários lugares do mundo, por artistas mundialmente famosos, tais como Frank Sinatra, Madonna, Amy Winehouse e tantos outros nem tão famosos assim, é considerada a segunda canção mais cantada do mundo, perdendo apenas para Yesterday, dos The Beatles. Num período conhecido como Bossa Nova, caracterizado por um novo estilo musical, mais romântico, com um ritmo e estilo próprio, Vinicius de Moraes e Tom Jobim foram considerados os precursores desse novo estilo. O sucesso foi muito além do esperado. O Brasil se fez conhecido mundialmente através do talento e genialidade desses dois compositores e cantores. Vinicius inspirou-se em Helô Pinheiro (fotos acima, à esquerda), com 18 anos à época, que passava frequentemente em frente ao Bar Veloso - hoje, Garota de Ipanema -, no Bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro. Tom e Vinicius frequentavam assiduamente o bar, que dispunha de pequenas mesas na calçada. Nessa obra Vinicius enaltece a beleza feminina, seu encanto, sua feminilidade, seu charme e doçura, levando mulheres do mundo inteiro a se identificarem com a Garota de Ipanema. Para muitos a música se tornou a Garota Mundial, pois onde é cantada toda mulher sonha ou se imagina como a Garota de Ipanema.

Olha que coisa mais estranha Vazia e sem graça Parece até uma menina Porém quando ela passa Todos já sabem que aquela doçura Está no caminho de quem quiser pegar Moça do corpo malhado e todo sarado Nas academias e nas cirurgias plásticas O seu pudor não é mais como antes É a coisa mais triste que vejo passar

Pode se dizer que seria, então, a Garota de Nova York, a Garota de Tóquio, a Garota de Paris e assim por diante. Vinicius de Moraes fez uma poesia extraordinária nesta obra, valorizando a beleza feminina. Ao se inspirar em Helô Pinheiro, o poeta presta uma homenagem a todas as mulheres, não só de Ipanema ou do Brasil, mas em todos os lugares do mundo. Ele fala de uma forma romântica, elegante e cavalheira, se referindo àquela garota ainda com 18 anos de idade. Mexe com o brilho e o orgulho de toda mulher. Cem anos se passaram, o poeta se foi, não está mais entre nós. Deixou um grande legado, inúmeras e memoráveis obras. Ficou uma saudade e um vazio a ser preenchido.

No cenário nacional surgem outros compositores; também famosos, ricos e bem populares, porém totalmente desprovidos de genialidade, arte e poesia. Em suas canções a imagem da mulher é tratada de forma muito pejorativa.

Ah, se ela soubesse Que a maternidade se enche inteirinha E fica mais criança perdida na praça Por falta de amor e pudor

No cenário nacional surgem outros compositores; também famosos, ricos e bem populares, porém totalmente desprovidos de genialidade, arte e poesia. Em suas canções a imagem da mulher é tratada de forma muito pejorativa. A mulher é tão ridicularizada em suas canções, que os termos “gatinha assanhada”, “garota safada” e “sem vergonha” se tornou a máxima e todos que desejam fazer sucesso têm de adotar tais termos em suas canções. Na visão dos novos compositores e cantores, a Garota de Ipanema não é mais a mesma. Ficou mais sofisticada e exigente, não anda mais a pé a caminho da praia. Ela é mais popularmente conhecida como “Maria Gasolina”. Só anda motorizada, de carona é claro. Vai desde o Camaro Amarelo, Land Rover e até mesmo de Fiorino. A praia é coisa do passado, o lance agora é a balada, bem lá no escurinho pra poder se pegar. Embora tenha cara de santa, não importa, se ela vai acompanhada do namorado, basta uma cantada e uma piscada e lá vai ela, pro banheiro, pelo menos perto dele, pra poder se pegar com outro. Nem se importa de ser chamada de safada, assanhada e sem vergonha, o que vale é ser popular e curtir de montão. A galera dos pegadores e garanhões já está até contando vantagem dos seus feitos em relação a ela. Um diz que levou-a pro escurinho no seu Camaro Amarelo, já outro diz que foi no banco de trás da sua Land Rover, outro diz que de Land Rover e Camaro Amarelo é fácil, pois estes carros são luxuosos e caros, queria vê-los fazer o que ele fez, levou a gata pro fundo da sua Fiorino. Do jeito que a coisa está ela anda até de Honda CG e quem sabe até mesmo de bicicleta ou a pé. Como esta garota se desvalorizou e perdeu o pudor!

Infelizmente, os novos compositores e cantores retratam uma realidade vivida nos nossos dias. Muitas mulheres já perderam o pudor e o amor próprio, se desvalorizaram e tornaram sua imagem um tanto pejorativa e vergonhosa.

Infelizmente, os novos compositores e cantores retratam uma realidade vivida nos nossos dias. Muitas mulheres já perderam o pudor e o amor próprio, se desvalorizaram e tornaram sua imagem um tanto pejorativa e vergonhosa.

Se Vinicius de Moraes estivesse vivo, teria um pouco mais de dificuldade para se inspirar nas garotas de hoje. Porém, após andar bastante, encontraria algumas poucas, que seriam fonte de inspiração para seus poemas e sua genialidade. Certamente ele diria: “As fogosas que me desculpem, mas pudor é fundamental”. -----------------------------------

Texto produzido na disciplina “Comunicação e Filosofia”, ministrada pela Profª Drª Eliana Marcolino. / Fotos: Google Imagens


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CURSO DE JORNALISMO

Curso de Jornalismo se destaca com nota 4 no Enade 2012 Fotos: Arquivo Pessoal

MARCUS DE SOUZA 4º PERÍODO DE JORNALISMO Você já se questionou sobre a qualidade das informações que a mídia – TV, rádio, jornal, revista e internet - insiste em despejar diariamente sobre nós? Um volume assustador e contínuo, na maior parte das vezes, sem deixar uma folga sequer para refletirmos sobre elas. A falta de tempo nos leva a aceitar, passivamente, o que lemos, ouvimos ou assistimos. “Qualidade para quê? Pensar para quê? Se foi um jornalista quem escreveu deve ser verdade”, muitos argumentam. Por lei, não é obrigatório possuir formação superior em jornalismo para uma pessoa atuar na profissão. É sabido que existem alguns jornalistas não formados que são excelência no que fazem, mas é praticamente indiscutível que uma formação acadêmica fortaleça a qualidade da informação produzida. E essa qualidade é medida ainda quando os alunos estão na universidade. O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) avalia o rendimento dos alunos dos cursos de graduação, ingressantes e concluintes, em relação aos conteúdos programáticos dos cursos em que estão matriculados. A primeira avaliação ocorreu em 2004 e a cada três anos cada área do conhecimento é reavaliada pelo Ministério da Educação (MEC). No exame de 2012 a Univale teve os cursos de Administração, Ciências Contábeis, Direito, Psicologia e Jornalismo avaliados. De todos, o curso de Jornalismo se destacou, ganhando pela segunda vez a nota 4. Os demais cursos tiveram nota 3, em uma escala que vai de 1 a 5. Essas notas ainda podem melhorar. As notas divulgadas, em outubro de 2013, pelo Ministério da Educação referem-se à prova dos estudantes e equivale a 60% do resultado oficial. Os outros 40% serão atribuídos à qualificação do corpo docente e à infraestrutura de cada instituição. No Enade 2012, de um total de 23 instituições, o curso de Jornalismo da Univale ficou em 11° lugar entre as instituições de ensino privadas de Minas Gerais. À frente de seis universidades tradicionais da capital mineira, como PUC, Newton Paiva, e UniBH. O curso se saiu melhor também em relação às faculdades vizinhas: Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste/Coronel Fabriciano) e Faculdades Integradas de Caratinga (FIC).

Instituição

2006

2009

2012

Univale

4

3

4

Unileste

3

3

3

FIC

3

5

-

OBS: A FIC não aparece nos resultados disponibilizados pelo MEC do exame feito em 2012

A regularidade das notas obtidas pela Univale nos três exames mostra que seus alunos são bem preparados tanto em relação aos conhecimentos teóricos quanto à prática profissional. O curso conta com cinco laboratórios fundamentais para a formação dos alunos: o Laboratório de Jornalismo Carlos Olavo da Cunha Pereira - onde o Circulando é editado -, o Laboratório de Redação e Criação (LRC), o Laboratório de Fotografia, a Rádio Universitária e a TV Univale. A boa nota no Enade 2012 deixou alunos, professores e coordenadores animados. Não só porque eles ganham com esse resultado como toda a sociedade que é beneficiada com o trabalho de profissionais da comunicação capacitados e comprometidos com a responsabilidade social e com a qualidade da informação que é transmitida.

A nota 4 dos nossos alunos no Enade representa a soma do esforço de todos na construção de uma profissão estratégica para esse tempo. O perfil do nosso aluno reflete a elaboração da reflexão crítica, do rigor ético e da técnica profissional. Nosso curso modificou a forma de pensar jornalismo em Governador Valadares e região e temos referências de nossos alunos em vários estados brasileiros e também em outros países. A avaliação é, assim, o resultado do processo ensino e aprendizagem. Vamos avançar ainda mais. O fazer jornalístico vive hoje um novo tempo e estamos nos preparando agora para cumprirmos as novas diretrizes curriculares do Ministério da Educação para o Jornalismo. De forma que o resultado do Enade já sinaliza como devemos seguir. Dileymárcio de Carvalho Gomes, atual coordenador do curso de Jornalismo

“ “

É gratificante estudar em um curso que tirou uma boa nota no Enade. É importante ter formadores de opinião que se dediquem ao saber e saibam extrair o conhecimento que o curso fornece. Adjani Botelho, aluna do 4° período de Jornalismo

Acredito que o sucesso na prova [do Enade] se dá quando o aluno não somente domina sua respectiva área de conhecimento, no nosso caso o Jornalismo, mas tem uma visão de mundo ampliada e uma bagagem cultural que dá sustentação ao conhecimento visto na academia. As perguntas exigiam uma boa interpretação, com um olhar até mais subjetivo. Todos os alunos da turma se comprometeram com o projeto. Queríamos tirar uma boa nota e sabíamos que o esforço dependia de cada um. A coordenadora do curso na época, professora Nagel Medeiros, também organizou junto aos professores uma revisão de matérias que ajudou e muito na hora da prova. George Gonçalves, egresso que fez a prova do Enade 2012

Creio que como o curso foi concebido, com uma visão mais ampla da comunicação, gera ganhos para o conhecimento dos alunos. A nota foi uma consequência do trabalho de professores, da direção de área à época e dos próprios alunos que levaram a sério o Enade. Agora eles também colhem os frutos de terem seu diploma avalizado por uma nota 4 do MEC. Nagel Medeiros, ex-coordenadora do curso de Jornalismo


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COMPORTAMENTO

A ausência definitiva de uma pessoa querida gera um vazio e, para muitos, uma sensação que o mundo desabou. Aceitar a mudança é tarefa que deve ser processada pelo enlutado respeitando o seu tempo. Especialista explica a importância dos rituais de passagem e a contribuição dos grupos de apoio

VANESSA FÓFANO 6º PERÍODO DE JORNALISMO

A perda de um ente querido apesar de ser algo comum e inevitável não é menos doloroso por isso. Em algum momento da vida todos nós temos que encarar a falta de uma pessoa querida e aceitar que nunca a veremos novamente. O sentimento no início é de que o mundo vai desabar e não vai restar mais nada, que a vida acabou que o sentido se foi... Nesse momento é comum sentir-se sozinho, e ás vezes a tendência é se isolar, já que o dia a dia e suas trivialidades não importam mais. Se a perda é em relação aos pais o sofrimento se acentua, pois, nesses casos o sentimento de pertencer, de estar protegido, de ter um portoseguro, também é afetado. Já quando os pais perdem um filho instala-se uma situação que é entendida como “contra a natureza”, pois se espera que os filhos enterrem seus pais, não o contrário. O luto pela morte de filhos já renderam, inclusive, belas canções como “Tears in Heaven” do consagrado cantor e compositor Eric Clapton que fala da dor sentida após a perda de seu filho que caiu da janela do 53º andar de um prédio em Nova York. A ausência talvez seja o que há de mais difícil na jornada de quem tem de se acostumar a uma nova rotina. O pedreiro Divino Vieira da Silva, de 40 anos, perdeu sua mãe há cerca de um ano e meio. Ela tinha 72 anos e morreu

de diabetes. “A maior dificuldade é a falta no dia a dia, porque eu convivia muito com ela, éramos apenas nós dois dentro de casa”, lamenta. Guardar objetos do ente querido é uma prática comum entre pessoas enlutadas. Elas se apegam a esses objetos com o objetivo de se sentirem mais perto daqueles que já se foram. Há também quem ache que manter objetos torna o sofrimento ainda maior. “Tenho fotos, mas não é bom olhar, porque a gente lembra, prefiro evitar”, avalia Divino. Sem saber exatamente onde colocar as mãos, numa série de movimentos que demonstra profunda angústia Divino fala sobre a mãe com um olhar distante como se procurasse por alguma coisa no ar, no chão. “De vez em quando visito o tumulo dela, é um conforto pra mim. O tempo passa, você se acostuma, mas fica um vazio”.

A maior dificuldade é a falta no dia a dia, porque eu convivia muito com ela, éramos apenas nós dois dentro de casa. Divino Vieira, pedreiro

Refletir e compartilhar O velório que para algumas pessoas parece ser apenas um prolongador do sofrimento é essencial para outras. As pessoas se reúnem para dar adeus e prestar suas últimas homenagens. Há velórios, inclusive, que são demorados exatamente para que dê tempo de todos os parentes se despedirem. “As pessoas precisam processar suas perdas, se despedirem. O velório e o enterro são rituais, manifestações culturais, onde a pessoa tem a oportunidade de expressar seus sentimentos e tentar absorver a realidade de uma forma mais concreta. Algumas pessoas que relatam não ter participado do velório de um ente querido, revelam ter a sensação de que a pessoa não morreu, e que de alguma forma ainda estão vivos além da memória”, afirma a psicóloga Renata C. Martins Santos. Também é comum em ambientes de velório e enterro as pessoas terem a tendência de ficarem mais introspectivas; a sensação é de que param para refletir sobre a própria vida. Essas sensações afetam não somente os parentes, mas também os amigos que de alguma forma tentam ajudar. “É comum a perda de alguém próximo nos remeter à própria mortalidade, desencadeando sentimentos de tristeza e um período de desinteresse até mesmo pela própria vida”, explica Renata. A psicóloga também conta que as queixas mais comuns dos enlutados nos consultórios são os sentimentos de apatia, comportamentos de prostração,

desestímulo, dificuldades em manter a rotina e até mesmo o ritmo de vida. Segundo Renata, algumas pessoas, dependendo do tipo de morte, demonstram até mesmo sensação de alívio, principalmente nos casos em que havia doença associada a sofrimento. Outras pessoas podem apresentar mais tranquilas, demonstrando maior aceitação. A queixa de tristeza e choro, associados à sensação de incompetência diante da situação, também são comuns, ressalta a psicóloga. Compartilhar a perda é algo que pode aliviar um pouco do sentimento de solidão e é com essa função que existem grupos de ajuda a pessoas enlutadas. Em diversas cidades pessoas que perderam alguém querido se reúnem com o objetivo de apoiarem uns aos outros nesse momento difícil. Essa ajuda também pode ser encontrada pela internet através da Associação Brasileira de Apoio ao Luto que compartilha através de fóruns, experiências de perda, onde os enlutados podem conversar e obter ajuda. Mais informações pelo endereço www.grupocasulo.org. Renata acredita na eficácia dos grupos de ajuda a pessoas enlutadas. “Um grupo pode acolher e apoiar as pessoas que lidam com perdas, oferecendo suporte e acompanhamento para a vivência do luto. Através da troca de experiências, de conversas e de técnicas adequadas, os componentes do grupo auxiliam-se e confortam-se partilhando as experiências vividas pela ocasião da morte de alguém muito querido”.


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COMPORTAMENTO

O Jornal-Laboratório Circulando é uma publicação bimestral do Curso de Jornalismo da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC). Fundação Percival Farquhar Presidente Francisco Sérgio Silvestre Universidade Vale do Rio Doce Reitor Prof. José Geraldo Lemos Prata Coordenador do Curso de Jornalismo Prof. Dileymárcio de Carvalho Gomes Coordenadora do Curso de Design Gráfico Profª Fernanda La Noce Vieira Editora e Jornalista Responsável Profa. Fernanda de Melo Felipe da Silva (MG11497/JP)

Tanatólogo: o luto como rotina de trabalho

As pessoas precisam processar suas perdas, se despedirem. O velório e o enterro são rituais, manifestações culturais, onde a pessoa tem a oportunidade de expressar seus sentimentos e tentar absorver a realidade de uma forma mais concreta. Renata C. Martins Santos, psicóloga

Se não é fácil passar pelo momento de perda quando é inevitável, imagine trabalhar com isso, lidar com o tema todos os dias. O tanatólogo é o profissional responsável em preparar os corpos para os ritos fúnebres, e entre os serviços realizados está a higienização, que prorroga o estado de decomposição do corpo, tornando possível a realização dos velórios. Um desses profissionais é Eres Gonzaga de Souza, de 55 anos, que trabalha há 20 anos na área. “Tem famílias que já passaram por este momento e já estão menos traumatizadas, e é uma situação mais fácil de lidar. Mas tem aqueles casos que mesmo sendo morte natural as famílias estão desesperadas, fora de sua realidade emocional. Em especial os casos de acidentes de trânsito, assassinatos, afogamentos, essas mortes mais violentas trazem um impacto muito grande para os familiares”, comenta. Além do desgaste físico desse tipo de trabalho o que acaba pesando muito, conforme Eres, é o desgaste psicológico; não há como prever também os horários de trabalho, o profissional fica sempre disponível. “Para mim, o mais difícil é lidar com os familiares, o psicológico também é duramente afetado. Já trabalhei numa reconstituição cadavérica que durou 12 horas. O que passa na sua cabeça a cada sutura é complicado”, relata Eres também comenta que a prática da profissão exige que ele seja “um pouco psicólogo” diante do estado que as pessoas procuram o serviço. É preciso sensibilidade na lida com as pessoas que perderam um ente querido. Chegam à funerária desorientadas e muitas vezes dependem da ajuda de um amigo na tomada de decisões, esclarece o tanatólogo. “Trabalhar o corpo em si, dependendo das circunstâncias do óbito, é difícil; pegar um corpo em pedaços por um acidente de trânsito é complicado, um corpo em um estado avançado de decomposição também não é fácil. Mas para nós que somos profissionais temos que nos habituar a isso, temos que ser fortes para poder fazer o serviço que tem que ser feito e amenizar esse momento para os familiares”, conclui.

Editoração Eletrônica Gabriel Lioni Isidoro e Rebeca Freitas (Alunos do 8º e 6º Período de Design Gráfico/Univale) Ilustração Brão Barbosa Impressão / Tiragem Gráfica Unidos / 500 exemplares Redação Laboratório de Jornalismo Carlos Olavo da Cunha Pereira (LabJor) Rua Israel Pinheiro, 2.000, Bairro Universitário - Campus Antônio Rodrigues Coelho - Edifício Pioneiros, Sala 4 - Governador Valadares/Minas Gerais - CEP: 35.020-220. Contato: (33) 3279-5956 / circulando@univale.br


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CIDADE

Jovens reúnem-se no alto do Bairro Santo Agostinho para orar A iniciativa ajuda jovens que largaram a bebida e drogas ilícitas e, atualmente, participam de reuniões semanais nas quais cantam, oram e dão testemunho de vida próxima de Deus RAYSSA ANDRADE 6º PERÍODO DE JORNALISMO Quem mora em Governador Valadares certamente conhece o bairro Santo Agostinho. Localizado próximo ao Grã Duquesa, o bairro foi construído em um dos pontos mais altos da cidade e é o refúgio para alguns jovens que se encontram todas as segundas-feiras, às 21h30, para fazer orações, cantar e dar testemunhos sobre Deus em suas vidas. A iniciativa não é nova. Abrahão Tostes, 21 anos, ainda pequeno acompanhava sua mãe, Nadimar Tostes, ao alto do Santo Agostinho para participar de grupos de oração. O local ganhou a preferência dos religiosos por ser um lugar ”fresco, agradável e seguro”, explica Abrahão. O rapaz revela que, no fim de 2011, começou a ir “praticamente todos os dias” orar sozinho no “monte” – nome que deu ao local com o qual tanto se identificou. Em meados de 2012, alguns de seus amigos ficaram sabendo do seu refúgio de oração e resolveram acompanhá-lo. “Eu não gostava de contar que subia ao monte para orar, para não parecer que eu estava querendo me ‘gabar’ com isso, mas eu contava pros amigos mais próximos e eles começaram a sentir vontade de ir também”, relata Abrahão, que começou a dividir seus momentos de oração com mais seis amigos. “No início, eu mesmo ministrava a palavra e, com o tempo, os amigos foram se soltando. Na medida em que sentiam o desejo de ministrar a palavra, assim faziam. Não temos um pastor, um pregador. Todos nós fazemos isso”, explica Abrahão. Os jovens que frequentam o local vêm de diversas igrejas da cidade e, segundo ele, não existem diferenças dentro do grupo. “Temos várias igrejas representadas ali: Comunidade da Graça, Batista Esplanada, 4ª Igreja Presbiteriana Renovada, e outras. Mas, o que tem de ficar bem claro é que não fazemos acepção de denominações, religiões etc. É aberto a todos. Estamos ali para pregar o evangelho e adorar a Deus”, ressalta Abrahão.

“Fico muito feliz ao ver jovens de todas as igrejas se reunindo ali, seja no grupo em que eu estou ou não. Cada dia vejo novos jovens se voltando para Deus e isso me deixa muito feliz. Sabemos que ainda existem muitos jovens que não buscam a salvação e, por isso, temos buscado evangelizar levando a palavra de Deus por meio de evangelismos na rua ou no próprio Facebook”, comemora Ivna Andrade, 19 anos, uma das primeiras a frequentar as reuniões. Ela também garante que não há diferenças religiosas no monte.

Eu não gostava de contar que subia ao monte para orar, para não parecer que eu estava querendo me ‘gabar’ com isso, mas eu contava pros amigos mais próximos e eles começaram a sentir vontade de ir também.

e realmente ser feliz. Quem me conheceu à época sabe que mudei muito e o que me fez voltar foram a misericórdia de Deus, primeiramente, as orações da minha mãe pela minha vida e, por último, a minha decisão em renunciar às minhas vontades ao tomar a minha cruz e seguir Cristo como

Fotos: Divulgação

Os encontros no monte acontecem às segundas-feiras, às 21h30, e é aberto a todas as pessoas

Abrahão Tostes 21 anos

Wildo Fernandes, 24 anos, bacharel em Direito, frequenta as reuniões no monte há um ano e dois meses e faz um comparativo dos tempos atuais com a época em que se interessava apenas em diversão, baladas e bebidas. “Resumo a minha vida pregressa como uma curtição intensa, transpondo qualquer limite para me satisfazer. Passei por humilhações e situações em que quase perdi a vida. Ao estar no mundo boêmio pensei serem momentos comuns ou meras consequências, mas quando me voltei para Jesus reparei que não eram. Eu aprendi e entendi na palavra de Deus que poderia evitar essas situações

Jovens de religiões distintas oram juntos e garantem que as reuniões têm transformado suas vidas

Tecnologia como aliada Aproveitando-se da internet, os jovens passaram a anunciar as reuniões pelo Facebook (imagem à direita). Além do convite, também oferecem carona para quem não tem como ir até ao bairro Santo Agostinho – o que resultou em um período de reuniões cheias. “Durante algumas semanas, chegamos a ter mais de 50 jovens em cada reunião. Era tão maravilhoso que acabamos nos preocupando muito com números, estávamos sempre preocupados em fazer com que fosse o maior número de jovens na reunião. A grande realidade dos dias de hoje são jovens que não se preocupam com Deus, que não O buscam. Vivem em bares, festas, se embriagando, fazendo uso até mesmo de drogas ilícitas. Então, foi muito prazeroso pra gente ver um número tão grande de jovens subindo

verdadeiro discípulo e não apenas um fã”, relata. Segundo Wildo, após as reuniões, ele se sente “fortificado para seguir a semana rumo à cruz de Jesus Cristo”, mas, ressalta que “a sensação de cada um corresponde ao tamanho da busca em sinceridade e em verdade no momento”.

ao monte para orar. Mas Deus nos corrigiu e nos mostrou que o que importa não é a quantidade, e, sim, a qualidade, e que se a reunião tiver apenas cinco pessoas, mas reunidas para a glória de Deus, vai ser muito melhor. E assim vamos atualmente: seja com cinco, dez, 15 ou mais pessoas. O que importa é buscar a face de Deus de todo o coração, somente para a glória de Deus”. Luccas*, 22 anos, frequenta as reuniões desde novembro do ano passado e passou por momentos delicados em sua vida quando se envolveu com drogas, tráfico e também teve problemas de saúde. “Antes do monte, antes de me entregar a Jesus, minha vida era uma bagunça e vivia em meio às drogas, cigarros, bebidas, amizades que não

me proporcionavam um encontro com Deus. Falava palavrões o tempo todo, que é um hábito muito comum entre os jovens. Tinha começado a traficar drogas e cometer inúmeros pecados, inúmeros”, desabafa. Ao ser questionado sobre os encontros, o jovem confessa que não há como explicarcom palavras. Faço um convite para quem se interessar em passar lá e ter essa sensação de intimidade com Deus. Quem o fizer, será muito bem recebido”, garante. Mais informações pelo link: facebook. com/abrahao.tostes.

* O jovem não quis se identificar com nome completo. Em respeito a sua solicitação, foi informado apenas o seu primeiro nome.


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MEMÓRIA

Uma vida dedicada ao jornalismo Ele começou como jornaleiro, em BH. Ao retornar, trabalhou no jornal mensal Resplendor Livre. Em Valadares, atuou no jornal Tribuna Fiel e no Diário do Rio Doce, onde permaneceu por cinco décadas. Aos 80 anos, Antor Santana escreve sua autobiografia, a ser lançada em 2014 LUCY MATTOS 6º PERÍODO DE JORNALISMO Em uma pequena casa verde no Bairro São Paulo mora parte da história do jornalismo valadarense. Seu Antor Santana, o ilustre morador dessa residência, é um livro em pessoa. A relação desse senhor de 80 anos, natural de Resplendor, com o jornalismo começou logo cedo, após se mudar para a capital mineira para estudar. “Eu fui para Belo Horizonte estudar um pouquinho, porque estudar muito não dava. Então, eu e meu irmão tivemos que trabalhar, porque éramos pobres, e eu fui trabalhar como pequeno jornaleiro”. Entre um intervalo e outro na entrega dos jornais, Seu Antor lia e a paixão pelas letras acabou se tornando inevitável. “Eu comecei a trabalhar com aquilo, ver o jornal sair, ler o jornal enquanto estava vendendo nas ruas; eu fazia isso dia e noite. Foi aí que eu comecei a gostar de jornal”, conta. Após voltar de Belo Horizonte para a região, ajudou a fazer um jornal mensal na cidade de Resplendor, chamado Resplendor Livre. Escrevia, editava e diagramava o jornal. Em Valadares, ajudou os empresários Chico Teixeira, Lázaro Vilela e Valter Pinheiro a montar o jornal trissemanário “Tribuna Fiel”.

Eu comecei a trabalhar com aquilo, ver o jornal sair, ler o jornal enquanto estava vendendo nas ruas e eu fazia isso dia e noite. Foi aí que eu comecei a gostar de jornal.

Alguns anos depois, a Tribuna Fiel foi comprada pelo Diário do Rio Doce, que estava praticamente iniciando as atividades. Todo o maquinário da Tribuna e os jornalistas Antor Santana e Miguel Faria foram importados para o DRD. Seu Antor conta que o jornal viveu momentos de altos e baixos, mas que ele e o amigo Miguel Faria resistiram. “Lá continuamos e ficamos por 50 anos”, lembra o jornalista. Antor Santana não tem formação acadêmica em jornalismo. Contudo, acredita que hoje o estudo é muito importante, só que não mais do que a paixão pela profissão; e isso ele tem de sobra. “Eu nasci jornalista, eu faço isso com amor, com alegria e com prazer”. O jornalista conta que ninguém o ensinou a profissão. Revela que é muito fã de alguns dos grandes jornalistas do passado, entre eles Carlos Lacerda, e que gosta muito dos livros de Veríssimo e Manoel Bandeira. O jornalista é também escritor e faz parte da Academia Valadarense de Letras (AVL).

Ele tem um livro publicado que reúne suas melhores crônicas. A obra foi organizada por dois netos, que vivem em Brasília, para homenagear o avô. Com tanto tempo de jornal, Antor Santana tem muita história para contar. Durante uma conversa de quase uma hora e meia, relembrou a matéria mais importante que já escreveu. Segundo ele, foi a história de um homem que fez um hotel inteiro de refém, nos anos de 1980. O sequestro durou o dia inteiro e se estendeu pela madrugada. Antor conta que não permitiu que o jornal fosse fechado sem aquela notícia e que, por volta das cinco da manhã, o homem foi morto por um policial de elite e a matéria foi para as ruas 40 minutos depois do fato ter acontecido. É fácil perceber o amor do jornalista pela profissão. Os olhos dele chegaram

a brilhar quando contava sobre a aventura que viveu naquele dia e sobre a velocidade em que a informação foi publicada. “O jornalismo para aqueles que amam é uma realização pessoal, não há nada melhor do que você escrever alguma coisa e ver as pessoas lendo”. Seu Antor é casado com dona Julieta Francisca Santana, conhecida como Julinha. Vive uma vida simples e, às vezes, falta dinheiro até mesmo para a assinatura de um dos jornais preferidos, a Folha de São Paulo. Mas ele não se arrepende da profissão que escolheu. “Para ser jornalista tem que ter muito amor, porque dinheiro não ganha não”, brinca. Para Antor Santana a “realização profissional é chegar ao fim da vida com dignidade”. Mais do que isso, Seu Antor chega aos 80 anos como uma lição de vida e de carreira, principalmente, para os novos jornalistas. Atualmente, trabalha em seu segundo livro que tem previsão para ser publicado no começo de 2014. Trata-se de uma autobiografia e vai ajudar a contar a história do jornalismo em Governador Valadares; história que Seu Antor conhece bem.

O jornalismo para aqueles que amam é uma realização pessoal, não há nada melhor do que você escrever alguma coisa e ver as pessoas lendo.

Fotos: Heriberto Estolano

Seu Antor Santana foi entrevistado pela aluna-repórter Lucy Mattos em sua casa, no Bairro São Paulo

Aos 80 anos, Antor Santana tem uma vida simples e garante não se arrepender da profissão que escolheu

Vida longa aos formandos em Design Gráfico 2013 O curso de Design Gráfico da Univale, sob a coordenação da Profª Fernanda La Noce Vieira, concluiu a formação de mais duas turmas no segundo semestre de 2013. Ao todo, são 29 novos profissionais aptos a atuarem no mercado de trabalho com técnica e criatividade em busca de soluções de comunicação. As atividades do designer gráfico vão desde a criação de uma marca até os mais complexos projetos, tanto em

mídia impressa quanto digital: livros, jornais, revistas, material publicitário, cinema, TV e web sites. O Laboratório de Jornalismo Carlos Olavo da Cunha Pereira (LabJor), que sempre contou com o apoio dos graduandos em diversos projetos – inclusive na editoração eletrônica do jornal-laboratório Circulando - parabeniza os formandos pela conquista e deseja a todos muito sucesso no mercado de trabalho.

Fotos: Itamara Ferreira


CIRCULANDO

Outubro/Novembro de 2013

8

ESPECIAL

Celebração da vida e obra do jornalista Carlos Olavo da Cunha Pereira A

noite de lançamento do novo livro do jornalista e ativista político Carlos Olavo da Cunha Pereira – Na Saga dos Anos 60 - aconteceu no dia 25 de novembro, no Teatro Atiaia. Cerca de 150 pessoas, entre políticos, lideranças e representantes dos movimentos sociais e do campo, professores e estudantes universitários e admiradores do autor, bem como interessados na história da cidade e região compareceram ao evento. Sob as bênçãos e os olhares atentos de sua eterna companheira e esposa, Dona Zuca, Carlos Olavo se emocionou ao ver o teatro cheio e com as homenagens prestadas a ele. Em entrevista mediada pela jornalista Paula Greco, Carlos Olavo relembrou que aportara em Governador Valadares exatamente no dia do suicídio do então presidente Getúlio Vargas (24/08/1954). Contou ainda como idealizou e dirigiu os jornais “O Saci” e

“O Combate” e como aconteceu a sua fuga da cidade, em 1964, a pedido e com a proteção do governador de Minas Gerais à época, Magalhães Pinto. Revelou como foi viver exilado na Bolívia e no Uruguai e sobre o sentimento de retornar ao Brasil após 15 anos. Organizado pelo Curso de Jornalismo da Univale e pela Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer (SMCEL), o evento contou com a parceria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Governador Valadares (STRGV), Curso de História da Univale, SESC e Livraria Leitura. O livro “Na Saga dos Anos 60” custa, em média, R$ 30,00 e pode ser encontrado na Livraria Leitura (GV Shopping) ou pela internet através das principais livrarias, incluindo o sebo Estante Virtual.

Fotos: Mauro Lúcio Fotografia

Carlos Olavo chegou ao Teatro Atiaia na companhia da sua adorável esposa, Dona Zuca

Cerca de 100 livros foram vendidos no evento e receberam dedicatória especial do autor

Alunos do 2º período de Jornalismo da Univale em entrevista coletiva com o autor

Homenagem do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Governador Valadares a Carlos Olavo

Trechos do livro foram lidos por amigos do escritor e apoiadores do evento

A jornalista Paula Greco entrevistou Carlos Olavo que relembrou sua chegada a GV, em 1954

Políticos, representantes dos movimentos sociais, professores e universitários compareceram ao evento

Circulando 406 univale  

Jornal Univale

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