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geografia, cidade e arquitetura

arquitetura: desde a margem uili r. santos


geografia, cidade e arquitetura

arquitetura: desde a margem escola da cidade

uili r. santos orientação: marianna al assal


geografia, cidade​e arquitetura

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arquitetura:​​desde a margem

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m01. paraguai

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m02. peru

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m03. canadá

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m04. brasil

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conclusão

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professores convidados

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bibliografia

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créditos fotográficos

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sumário


geografia, cidade​ e arquitetura


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As investigações presentas nesta monografia são parte da pós-graduação lato sensu Geografia, Cidade e Arquitetura* pela Escola da Cidade. Esta especialização propõe a apresentação de um panorama crítico da produção cultural no território americano, por meio da Arquitetura, sintetizados em quatro países a cada ano, um em cada bimestre. Os módulos são organizados, além do país, por reflexões projetuais em distintas escalas: território, cidade, espaços públicos e equipamentos. Os presentes nesta monografia foram Paraguai, Peru e Canadá, em 2015, e Brasil, em 2016. As aulas foram dadas por diferentes professores de diferentes áreas do conhecimento, divididas em três partes: História e Cultura, Arquitetura e Arte, Ateliê de Projeto. Porém, o curso tem como elemento fundamental as aulas com arquitetos vindos dos países estudados. São eles os responsáveis pelo tema e local para o exercício a ser desenvolvido. Essas aulas ajudaram a moldar um contexto para o progresso dos projetos, cujos territórios são remotos; elas são parte essencial, não por fornecerem um aspecto descritivo do local dos projetos, mas por colaborarem justamente com esse panorama crítico

para a interação com o território americano. Os quatro projetos são diferentes entre si, mas, como pode ser visto no primeiro capítulo, eles apresentam elementos que se repetem e que formam um mesmo horizonte de possibilidades para o território americano; no encontro entre velho e novo mundo, mas com um futuro a construir. Fundamental também foi o trabalho em equipe na formulação das hipóteses de projeto. O debate tem essa capacidade de adensamento da qualidade projetiva, de condensar e maturar ideias. Assim, os projetos apresentados transitam entre a descoberta desses outros territórios e o debate; entre a aprendizagem e a proposição de ideias. Um encontro onde é possível, como americanos, nos reconhecermos mais como iguais que como diferentes; onde a crítica sobre a produção cultural do território mostra a dispersão das mesmas fragilidades decorrentes da desigualdade na ocupação do espaço.

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Para uma visão geral da pós-graduação Geografia, Cidade e Arquitetura ver <http://www.escoladacidade.org/posgraduacao/geografia-cidade-e-arquitetura/>

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arquitetura:​​ desde a margem


Em um século, a população urbana mundial passou de 10% para mais da metade. (UN HABITAT, 2012, p. 25, tradução nossa) 828 milhões de pessoas moram em favelas. (Ibid, p. 112, tradução nossa). No final de 2015, 65,3 milhões de pessoas encontravam-se refugiadas. (ACNUR, 2014, tradução nossa) 46 das 50 cidades mais violentas estão na América. (BLOG SERES URBANOS, 2016, tradução nossa) 40% da população mundial tem menos de 24 anos. 12% tem mais de 60 anos. (UN HABITAT, 2016b, p. 1, tradução nossa) As cidades são responsáveis por mais de 70% das emissões de dióxido de carbono. (Ibid, p. 1, tradução nossa) 1 bilhão de novos domicílios serão necessários até 2025. (Ibid, p. 48) Somente 2% do ambiente é construído com a participação dos arquitetos. (QUIRK, 2014) 11% da população mundial ainda não tem acesso a água que seja segura para o consumo. 2,6 bilhões de pessoas não possuem acesso a instalações sanitárias adequadas. (UN HABITAT, 2016a, tradução nossa) 10


Para falar das demandas com que a arquitetura deveria se preocupar nesse início de século, começo com uma frase do arquiteto paraguaio Solano Benítez: de que somos os seres vivos com mais dificuldade de adaptação ao meio1. Como seres humanos, estamos permanentemente transformando o espaço onde vivemos; nosso habitat. Estamos o tempo todo agindo para modificar o nosso meio, de forma a possibilitar melhores condições de sobrevivência. Essa capacidade de transformar o espaço, mais que de se adaptar, é vista em outras espécies, porém é uma das características mais importantes do homem. Antes de iniciar, é válido compartilhar algumas noções sobre o espaço, as quais retiro de Crise das matrizes espaciais de Fábio Duarte2. 1. O espaço matemático, puro e infinito, é “ineficaz para se entender as complexidades espaciais [...]” (p. 42). 2. Conforme Milton Santos, o espaço é composto por sistemas de objetos e sistemas de ações – em outras palavras, pelos fixos e fluxos3 – e pela relação entre eles (p. 47-54). 3. A atribuição de signos e valores aos fixos e fluxos de uma porção do espaço gera lugar (p. 65-66); A hierarquização dos fixos e

fluxos gera território (p. 60). 4. Filtros biológicos e culturais distinguem a qualidade da apreensão do espaço; e assim, das noções de lugar e território (p. 54). 5. A noção de território está ligada ao domínio do espaço, mas também à existência de elementos presentes no espaço, mas que não são filtrados (o que implica na existência de territórios sobrepostos); envolve também a ideia de que o domínio diminui do centro para a periferia do território (p. 77-78). 6. O espaço (incluindo o lugar e o território) é construído. Por construção se entende o processo de inclusão, apreensão e significação de novos “objetos e ações antes estranhos ao nosso sistema espacial”4, além da modificação dos já existentes (p. 5860). A partir daqui, utilizo a noção de território por três razões: primeiro, a de que o território se produz pela manipulação dos elementos e das ações que definem o espaço, mas também pelas mudanças em sua interpretação; segundo, o território não é único, mas uma sobreposição de diferentes territórios; terceiro, que a ideia de domínio implica no favorecimento a determinados fixos e fluxos em detrimento de outros – “pelo que ele oferece a alguns e recusa a outros”5 –, que passam a marginalizados. O território

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Frase dita pelo arquiteto Solano Benítez em uma das aulas introdutórias do Módulo Paraguai, entre 23 e 25 de fevereiro de 2015, na Escola da Cidade. Disponivel em: <http://escoladacidade.org/bau/solanobenitez-gabinete-de-arquitectura/>. 2 DUARTE, 2002, p. 13-87. 3 “Entendem-se como fixos, de acordo com [Milton] Santos (1994), os objetos materiais, isto é, aquilo que é concreto, material, que sofreu um processo de transformação ou criação humana e passou a adquirir uma função, um sentido. [...] o espaço é construído por estes fixos, que são as casas, portos, armazéns, plantações, fábricas, dentre outros (SANTOS, 2007, pág. 82). [...] O conceito de fluxo também está relacionado a ações, ao movimento, a prática e que é entendido como uma força que dá dinâmica aos fixos. [Milton] Santos (2008, p.62) admite que ‘Os fluxos são um resultado direto ou indireto das ações e atravessam ou se instalam nos fixos, modificando a sua significação e o seu valor, ao mesmo tempo em que, também, se modifica’ (SANTOS, 2008, p.104)” (BARBOSA, 2014, p. 2-3). 4 DUARTE, op. cit., p. 58. 5 SANTOS, 1978, p. 171 apud SAQUET e SILVA, 2008, p. 7. 11


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LEPETIT, 1996, p. 210-211. DUARTE, 2002, p. 79. 8 Ibid, p. 19. 9 Ibid, p. 19. 10 Ibid, p. 21. 11 BUCCI, 2010, p. 47. 12 Frase dita pelo arquiteto paraguaio Solano Benítez em uma das três aulas introdutórias do Módulo Paraguai, entre 23 e 25 de fevereiro de 2015, na Escola da Cidade. Disponível em: < http://escoladacidade.org/bau/solanobenitez-gabinete-de-arquitectura/ >. 13 “Cada homem andando num caminho de chão batido tem, potencialmente, essa mesma monumentalidade planetária” (BUCCI, op. cit., p. 48), 14 Ibid, p. 44. 15 LA BIENNALE DI VENEZIA, 2015, tradução nossa. 7

Do ponto de vista da transformação do território, não existe diferença entre as imagens. 12

não depende apenas da organização de um espaço, mas de práticas de atores que se desenvolvem de acordo com lógicas pouco mensuráveis6. Existe uma forma diferente de território, mais institucionalizada, e que corresponde a delimitação dos Estados7, mas que não é objeto desse texto pois considero as outras segmentações e descontinuidades existentes mais promissoras. Essas descontinuidades são importantes para entender como o território prioriza alguns elementos e detrimento de outros. Para isso, o conceito de sistema utilizado por Fábio Duarte é útil. Para ele, os sistemas são compostos por elementos que devem funcionar de determinada maneira regularmente, absorvendo e completando as funções uns dos outros8. Porém, contrariando a noção comum de que um sistema é maior que a soma de seus elementos, Duarte cita Edgar Morin para lembrar que também é menos que a soma de suas partes pois para que um sistema seja eficaz, várias potencialidades de cada um de seus elementos não podem se manifestar em prol do funciona-

mento do conjunto9. Seu raciocínio segue com exemplos deslocados em relação a ordem imaginada para a organização da sociedade, retirados do cinema, “demonstrando [...] a existência de elementos que o sistema não consegue integrar”10. O território pode ser pensado dessa forma: como um sistema que para funcionar não consegue ou não tem interesse em integrar todos os elementos. Mesmo que o território não contemple suas potencialidades ocultas ou ignoradas, elas ainda permanecem ali. Tendo em vista esse funcionamento, a imagem para o território que proponho é o plano horizontal que Angelo Bucci fala: uma superfície que não é uniforme, que é contínua apesar de segmentada, e que apresenta diferentes espessuras conforme o empilhamento de programas, onde a cidade é “um momento particular [...] onde sua densidade aumenta”11. Essa imagem é importante para a atuação da arquitetura porque assim desconsideramos uma divisão mais comum entre campo e cidade, ao mesmo tempo que consideramos as várias segmentações presentes no território, numa geometria imprecisa. E, desta maneira, podemos colocar que o território marginalizado, os fixos e fluxos ignorados, não fica


exatamente numa borda externa, mas que se infiltra e se mistura no interior do território. Assim, sendo o território mais que a simples construção e modificação de fixos e fluxos, a existência de territórios precários convivendo com espaços bem estruturados pode ser interpretado como um gesto político; uma espécie de precariedade intencional. Contra essa atitude quero compartilhar uma outra frase de Solano Benítez: “não queremos viver assim mas queremos viver aqui”12. Mesmo que seja escopo da arquitetura dar forma à construção, e à interpretação, do território, sua falta de participação não impede a formação e a transformação desse espaço, embora a distancie desta tarefa – uma grande parte da produção do território é feita sem sua participação. Cada ocupação irregular tem o mesmo potencial de impacto sobre o espaço que qualquer grande intervenção burocraticamente permitida13. Ainda que esse processo – a adaptação do meio a suas necessidades – seja natural ao ser humano, não é novidade que desde a revolução energética ocorrida a partir do século XVIII houve uma intensificação, a ponto de colocar em contato quase toda a superfície terrestre. Além da mudança de escala ocorrida nos últimos séculos, houve também uma

multiplicação nos agentes com capacidade de transformar o território. Vias de transporte de grande eficiência, o aumento na área disponível para a produção de alimentos, novas formas de produção de energia se reorganizam como uma teia que envolve o planeta inteiro [...] como se ela produzisse uma sombra [...] soberana e inteira na extensão total do globo14. Esta capacidade de estabelecer uma continuidade no espaço é acompanhada pela capacidade de também fragmentá-lo. Neste ambiente, em que certos mecanismos da economia global drenam quase todo o investimento sobre o território – e quase todos os olhos da arquitetura –, está aberto o caminho que leva a precarização do ambiente construído. É essa lacuna entre arquitetura e sociedade civil, que em tempos recentes transformou a arquitetura em espetáculo de um lado e tornou-a dispensável de outro15. Esta frase de Aravena é bastante precisa quando nos fala da incapacidade da arquitetura em se tornar indispensável para grande parte da sociedade e ser, tratada como um artigo supérfluo. Nessa desigualdade que está a origem da participação da arquitetu-

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LEPETIT, 1996, p. 210. Ibid, p. 223. 18 Ibid, p. 211. 19 Ibid, p. 222. 20 Ibid, p. 236. 21 Artigas reassumiu suas aulas na FAUUSP na condição de auxiliar por conta do ambiente burocrático pós-anistia encontrado na época, pouco importando sua trajetória profissional e intelectual. Situação que somente foi corrigida com o concurso para professor titular do Departamento de Projetos. (NOGUEIRA, 2015). 22 ARTIGAS, 2004, p. 187-230. 23 Ibid, p. 187. 24 BARATTA, 2016, tradução nossa. 25 ARTIGAS, op. cit., p. 121. 26 LA BIENNALE DI VENEZIA, 2016, tradução nossa. 17

O esquema do universo múltiplo com que a arquitetura tem que lidar, proposto por Aravena, exemplifica isso de forma mais didática. A arquitetura deve circular, ao mesmo tempo, pelas diferentes demandas que atuam na formação do território. (LA BIENALLE DI VENEZIA,

2016, p. 2) 14

ra em cerca de 2% do ambiente construído como citado acima. Uma participação densa, mas irrelevante no conjunto de sua atuação. Cada intervenção, cada gesto sobre espaço, incluindo os projetos de arquitetura, elege uma escala, um recorte do espaço, onde se estabelecem diferentes relações com os elementos presentes – “um nível de informação adequado” ao que se espera16. Bernard Lepetit, no texto Arquitetura, geografia, história: usos da escala, nos mostra que, apesar de algumas diferenças, para essas disciplinas, o recorte espaço-temporal é uma construção conforme o propósito esperado; que não existe um recorte mais verdadeiro que outro, mas que a escolha de uma escala particular tem por efeito modificar a conformação e a organização dos objetos17. Em arquitetura, mais que uma linha dividida em partes iguais [...] que estabelece uma homologia entra a realidade e sua imagem, [a escala] designa a interação entre um edifício [ou outra coisa] e o que não é ele18; entre o que o projeto estabelece como elementos importantes dentro do espaço. É natural para a arquitetura, ou qualquer intervenção sobre o território, privilegiar algu-

ma dimensão, ou mais de uma. Mas, com “a impossibilidade de qualquer explicação jamais alcançar o real e esgotar sua complexidade”19, a construção da totalidade do território é um objetivo inalcançável para qualquer arquiteto, incapaz de reconhecer e adotar o bom ponto de vista e a justa distância: sua condição humana opõe-se a isso20. Alguns elementos, quando se localizam fora da escala privilegiada pela construção do território, tendem a se estabelecer de forma precária. Mas se olhamos para esses contextos – o território formado à margem – conseguimos imaginar um campo imenso de oportunidades, desde que a arquitetura esteja interessada em participar. É difícil dizer o quanto desse problema ocorre pela falta de envolvimento dos arquitetos. Porém, também é certo que esta ampliação de campo de atuação para a arquitetura abre caminho para a exploração de novas formas de habitat. É desse movimento em direção à recuperação da construção e interpretação desses territórios esquecidos nas margens que espero falar de arquitetura. Essas preocupações foram recorrentes durante o século XX, quando muitos dos arquitetos misturaram sua prática profissional com


sua atuação política. Podemos vê-las em suas palavras e obras. Escolho uma passagem de Vilanova Artigas para seguirmos porque toda uma geração de arquitetos se formou guiada por suas aulas e sua arquitetura. O concurso prestado pelo arquiteto Vilanova Artigas para professor titular da FAUUSP em junho de 198421, conforme descrito em Caminhos da Arquitetura22, proporciona alguns pontos de partida que acho importante destacar. 1. Que a arquitetura é uma arte com finalidade, [...] [com] a necessidade social de a arquitetura representar alguma coisa no campo da sociedade23. O que faz dela “a mais política das artes” nas palavras de Paolo Baratta24. O descolamento entre a arquitetura e o diálogo com a sociedade proporciona uma arquitetura deslocada de muitos dos problemas reais. 2. Que o século XX deixou como legado considerar mais que a qualidade e o direito à habitação, de forma a alargar as discussões para o “habitat humano”. Colocar o mesmo empenho no projeto do espaço entre os edifícios. Ou numa colocação com mais potência de um outro texto de Artigas25: As cidades como as casas. As casas como as cidades.

Podemos trazer essa discussão para uma época mais atual com a intenção de lembrar que outros agentes, além da arquitetura, também a possuem a capacidade de interferir de forma ampla no território. São pertinentes as discussões propostas pela 15ª Bienal de Arquitetura de Veneza 2016 (La Biennale Architettura 2016), intitulada Reporting from the Front (Notícias do Front, em tradução livre), que traz essas questões para esse outro enfoque, onde o trabalho do arquiteto não é visto como onisciente na resolução dos problemas humanos. A atuação da arquitetura é vista dentro de um campo de batalha, onde os diversos agentes, que produzem o território, atuam juntos, cada um defendendo suas demandas. Mais importante que as propostas dos diferentes pavilhões são as discussões sugeridas pelo curador da Bienal, o arquiteto chileno Alejandro Aravena. Aravena coloca que as forças que moldam o ambiente construído não são necessariamente amigáveis [...]: a avidez e impaciência do capital ou a mentalidade tendenciosa e conservadora da burocracia tendem a produzir ambientes construídos banais, medíocres e sem graça26. 15


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O campo em que a arquitetura deve se confrontar é cada vez mais complexo: às dimensões artísticas e culturais devemos encarar outras sociais, políticas, econômicas, ambientais. Além de ter que tratar mais de uma dimensão ao mesmo tempo, integrando os vários campos, em vez de escolher um só27. Por um lado, ampliar a variedade de questões que se espera que a arquitetura possa responder, adicionando explicitamente às dimensões culturais e artísticas que já pertencem ao nosso escopo, aquelas que estão no fim dos espectros social, político e econômico. [por outro lado, que se espera da arquitetura] que responda a mais de uma dimensão ao mesmo tempo em vez de escolher uma ou outra28. Com isso, aqui compartilho da ideia [de que] o avanço da arquitetura não é um objetivo em si, mas um meio para melhorar a qualidade de vida das pessoas29. Seria uma forma de “evitar a armadilha pela qual arquitetos são tentados a se apresentarem como artistas”30. O que essa Bienal pretende nos mostrar é que no debate permanente sobre a qua-


lidade do ambiente construído, existe não apenas necessidade, mas também campo para ação31. Neste caso, compartilho aqui também a noção de sucesso de que fala Aravena. Em vez de trabalharmos com noções absolutas, cujo objetivo final seria 100%, devemos imaginar as coisas em uma escala relativa, com a noção de sucesso a partir de 51%. Assim, se o problema é realmente importante, ainda importa ter feito 1mm de melhoria desde que sejamos capazes de viver com aqueles 49% que não funcionarem32. É significativo que essa Bienal seja a mais latina de todas33 e que a América seja protagonista. Não só pelo curador ser americano, mas também porque quando nos acercamos a temas que abordam a precariedade na formação do território vemos que o continente americano está repleto de contradições, onde o por fazer – o por corrigir – é uma constante que chega a ser incômoda; espaços bem estruturados convivem lado a lado com espaços precários. O processo de adaptação e modificação do território ocorre na América há, pelo menos, 10.000 anos, mas foi intensificado nos últimos 500 anos, com sua inserção numa

economia globalizada. Nesse período, a população cresceu, as áreas ocupadas se transformaram e se ampliaram, o intercâmbio entre as diferentes partes do continente se intensificou. Chegar no século XXI com a permanência desses territórios precários indica que muito ainda deve ser feito para que a construção do espaço privilegie as necessidades de todas as pessoas. Muito da energia gasta pela arquitetura se concentra em um espaço muito limitado, ao mesmo tempo que uma grande parcela não conta com sua participação. Uma pesquisa realizada pelo CAU-BR, Conselho de Arquitetura e Urbanismo, revela que 85% brasileiros, quando constroem, não contratam arquitetos ou engenheiros34. Isso explica porque grande parte da discussão sobre a finalização de Casa Vila Matilde35, de Terra e Tuma Arquitetos, girou em torno da participação da arquitetura num espaço pouco comum, num território onde a contratação de um arquiteto chega a ser inviável; e onde predomina a autoconstrução. Quero dizer com isso que o continente americano é um contexto propício para falarmos desse espaço que se desenvolve à margem do território; dessa arquitetura que se desenvolve apesar de todas as limitações nas bordas do território e que apresenta uma

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LA BIENNALE DI VENEZIA, 2016, tradução nossa. 28 Ibid, tradução nossa. 29 Ibid, tradução nossa. 30 BARATTA, 2016, tradução nossa. 31 LA BIENNALE DI VENEZIA, 2015, tradução nossa. 32 LA BIENNALE DI VENEZIA CHANNEL, 2016, tradução nossa. 33 ZABALBEASCOA, 2016a, tradução nossa. 34 CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO, 2015. 35 TERRA E TUMA ARQUITETOS ASSOCIADOS, 2015.

A constância da precariedade no espaço americano: a. Lima; b. Buenos Aires; c. Cidade do México; d. Rio de Janeiro. 17


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CANO, 2009. BUCCI, 2009. 38 HEREÑÚ, 2012. 39 Frase dita pelo arquiteto uruguaio Raúl Vallés em aula do Módulo Peru, em 02 de junho de 2015, na Escola da Cidade. 40 CANO, op. cit. 41 EQUIPO EDITORIAL, 2016a, tradução nossa. 42 EQUIPO EDITORIAL, 2016b, tradução nossa. 43 FRANCO, 2016. 44 VALENCIA, 2016. 37

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Slides do Módulo Paraguai: a. Luis Alberto Elgue; b. Solano Benítez; c. José Cubilla; d. Javier Corvalán. 18

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mudança na sua postura. A América é um contexto propício, e também tem proporcionado respostas muito interessantes. Abaixo quero compartilhar alguns pontos. Nas aulas apresentadas no módulo Paraguai, chama a atenção que os arquitetos paraguaios, para chegar às suas proposições, tenham começado considerando o contexto paraguaio desde a chegada dos primeiros habitantes à América. A história da transformação do território paraguaio é uma história do homem no planeta. Como se, ao compartilharmos das mesmas origens e exigências, todos tivéssemos o direito – talvez a obrigação – de expor nossas propostas para problemas que são comuns a toda civilização mundial. Ao ser perguntado sobre regionalismo em sua arquitetura em uma entrevista, Solano Benítez responde de uma forma que sintetiza um pouco essa afirmação: resgatar o que é próprio do lugar, com uma contribuição da cultura universal. [...] se os seres humanos têm a possibilidade de serem diferentes, têm possibilidade de pensar diferente. E se pensam diferente, podem dar muitas soluções ao mesmo problema36. Pela arquitetura de Solano Benítez pode-


mos entender uma forma de posicionamento frente à precariedade ao aceitar, nas palavras de Angelo Bucci37, as condições e recursos disponíveis no contexto paraguaio [...] sem, contudo, resignar-se a elas [...] se limitando à primeira configuração dos recursos de que [dispõe]. Pablo Hereñú descreve bem a situação quando, no livro sobre Solano Benítez e seu Gabinete de Arquitectura, fala que o arquiteto e sua equipe assumem altos riscos ao operar frequentemente num âmbito técnico ainda alheio à normatização; [...] ao transformar toda obra num canteiro experimental e ainda fazer tudo isso comprometido com orçamentos extremamente limitados38. O arquiteto uruguaio Raul Vallés, numa das aulas do módulo Peru, dentro do mesmo espírito, fala: que vou fazer com isso? e não com que vou fazer isso?39. Esse incômodo com a existência de espaços precários dentro do território americano não é exclusivo de um ou outro arquiteto, ou contexto local. É importante o constante intercâmbio entre arquitetos vindos de todos os cantos do continente. Benítez, ao ser perguntado sobre a cooperação entre os arqui-

tetos diz: começamos a ocupar lugares nas estruturas das instituições, e o que começou com uma relação de amizade, estimulada somente pelo prazer de conhecer a obra do outro, passa a ter uma característica institucional mais forte. [...] Workshops, intercâmbio de estudantes, trabalhos de pesquisa conjuntos. É importante não somente chegar até o conhecimento e divulgá-lo, mas também fazer um novo conhecimento40. A 15ª Bienal de Arquitetura de Veneza é um desses ambientes de contato, divulgação e contágio de arquiteturas que trabalham em contextos locais deslocados e limitados – a borda da borda – não com regionalismos, mas comprometido com a melhora do habitat: o espaço rural e a construção de novas infraestruturas coletivas vinculadas aos alunos da Universidad de Talca, no pavilhão chileno A Contracorriente41; os Recursos Oscuros que resolvem necessidades a um custo incalculável em dinheiro, de que fala Al Borde na mostra principal42; as novas escolas do Plan Selva da multicultural Amazônia peruana no pavilhão peruano Our Amazon Frontline43; a não repetição de fórmulas exitosas que perpetuam o já conhecido, no centro do 19


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Entrevista com Solano Benítez (FREITAS e HEREÑÚ, 2012, p. 190). 46 “E se de um lado é risco, traçado, mediação para expressão de um plano a realizar, linguagem de uma técnica construtiva, de outro lado é desígnio, intenção, propósito, projeto humano no sentido de proposta do espírito” (ARTIGAS, 2004, p. 112). 47 REVISTA DA TULHA, acesso em 18 de julho de 2016.

Exposições americanas na Bienal de Veneza 2016: a. A Contracorriente; b. Recursos Oscuros; c. Our Amazon Frontline; d. ExperimentAR, Poéticas desde la Frontera. 20

território, no pavilhão argentino ExperimentAR, Poéticas desde la Frontera44. Todos eles, outros também, formam essa linha de frente contra a realidade do território, contra esse gesto repetitivo sobre o espaço que transforma a precariedade numa constante no continente americano. As forças presentes no campo de batalha, como foi dito anteriormente, nem sempre são amigáveis, mas mesmo as menores intenções são válidas para fazer avançar aquele 1mm para melhorar aqueles espaços que foram ignorados no processo de construção do território. É a partir deste embasamento formulado até aqui que, na sequência, podemos passar aos projetos desenvolvidos durante a pós-graduação; quatro no total, um para cada módulo. Quero colocar algumas considerações que são importantes para chegar aos projetos. Os contextos para cada projeto foram propostos pelos arquitetos estrangeiros convidados em seus respectivos países. As aulas expositivas com os professores de cada módulo ajudaram a formar uma imagem recortada para um território distante. Qualquer suposição equivocada sobre os diferentes contextos deve ser relativizada. Como todo projeto de arquitetura, o de-

senvolvimento das propostas ocorre através do ímpeto pelo desenho de áreas sem desenho. Diseñar e dibujar nas palavras em espanhol45. Desenho como expressão de um plano a realizar, linguagem de uma técnica construtiva, mas também a própria intenção, a própria proposta é desenho, desígnio. O desenho constitui parte do processo de construção de uma intervenção, mas também constitui a própria intenção definida pelo projeto46. Por se tratarem de projetos feitos em equipe, a discussão em grupo é fundamental para a evolução do trabalho. Esse intercâmbio de ideias é importante, especialmente em trabalhos acadêmicos. Porém, pela distância longa e pelo tempo curto, o desenvolvimento dos projetos não tem por objetivo formular proposições precisas. Funcionam mais como ensaios: formulações breves, num encontro entre ideia, crítica e reflexão. Nas palavras de José Ortega y Gasset, a ciência sem prova explícita47. Os projetos se apresentam buscando a manipulação do território a partir dos espaços que estão fora do circuito. Não se trata de construir a totalidade do território, mas de sobrepô-lo com outras escalas, de recuperar as escalas ignoradas no processo de construção do território. Mesmo sendo limitadas, são


intervenções com capacidade de recuperar as potencialidades desses elementos que também fazem parte do espaço construído. Vistas essas considerações, podemos nos encaminhar para os projetos, na sequência em que os módulos foram estudados: Paraguai, Peru e Canadá em 2015 e Brasil em 2016.

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m01. paraguai


Por sugestão dos professores convidados, a fronteira Brasil-Paraguai entre as cidades de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero foi o local escolhido para a proposta; desenvolvido em conjunto com Carolina Barreiros, Dimitri Iurassek, Lais Miranda e Pauline Niesseren, Dos 1.300 km de fronteiras compartilhados pelos dois países, 900 km são em fronteira seca. Num desses pontos estão as cidades de Pedro Juan Caballero e Ponta Porã. Ponto de encontro étnico-cultural: guaranis, espanhóis, portugueses, paraguaios e brasileiros, sempre nesse encontro cultural. Porém, dependentes de decisões tomadas a quilômetros de distância, desde as respectivas capitais nacionais.

Foto histórica da fronteira entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã. 24

A precisão da fronteira entre dois países como uma linha é uma forma idealizada, interessada somente na estabilidade do território dos estados nacionais. As decisões são tomadas a distância, e focam quase que exclusivamente a integridade e a segurança do território. Em geral, são acidentes geográficos que estabelecem limites entre dois países. Mas aqui existe um acidente “político-cultural” que separa o mesmo tecido urbano em duas partes distintas, onde podemos constatar uma faixa não construída nas imagens aéreas, exatamente sobre a linha da fronteira. A escala com que se pensa a construção deste território, a grande escala dos estados nacionais, cria uma situação, no mínimo, estranha. A margem, o espaço ignorado está no centro do tecido urbano, e corresponde com a linha de fronteira; o espaço mais denso e diversificado da conurbação é cortado por um vazio não construído que torna a fronteira sempre visível. A existência desse espaço vazio resulta da construção do controle territorial e não da construção de um espaço urbano comum. Quando olhamos com cuidado para esse vazio vemos que ele é atravessado por muitos caminhos. Marcas no terreno que demonstram um desejo de integração; provisórios e

precários, porém bem definidos. Marcas na superfície decorrentes do movimento entre as duas cidades. É importante destacar que, apesar do caráter imprevisto, precário e informal, os caminhos têm a capacidade de modificar o tecido urbano e de estabelecer novos fluxos. Mesmo sem explorar todo seu potencial, eles já se encontram dentro do funcionamento das duas cidades. Com isso, podemos destacar essas características do território que serão importantes para o desenvolvimento do projeto: 1. A existência do vazio não edificado em meio à densidade do centro do tecido urbano das duas cidades fruto da construção do território numa escala maior. 2. A subversão desta lógica expressa no desejo de integração entre duas cidades, exposto em ligações provisórias. 900m dessa faixa já foram utilizados para a construção de um centro de comércio popular. Mesmo que um acordo entre as duas cidades permita edificar esse espaço, é na manutenção desse vazio, em meio a maior espessura do plano horizontal na definição de Angelo Bucci, que está grande parte do potencial do território. Dessa forma definimos o recorte do espaço para a intervenção: os 2.300m de com-


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primento restantes dessa faixa ainda não edificados, com largura variando entre 50 a 200m, e atravessados pelas linhas de integração, de diferentes larguras, para pedestres e veículos, marcadas no solo. As marcas existem pela insistência das pessoas em atravessarem o espaço em seus movimentos cotidianos. Formalizar essas marcas precárias – regularizar e desenhar – é um jeito de fortalecer a ligação entre os dois lados. Assim teríamos, no lugar de caminhos precários, uma nova linha permanente. Junto a essas linhas podemos construir novos programas; e assim, estimular os que já existem. O desenho do piso, a iluminação pública, as sombras da vegetação, coberturas permitem formar pontos de encontro ao longo do espaço. Uma forma de dar sentido aos caminhos, mais que de organizá-los; permitir a permanência, além da passagem. Cada caminho marcado no solo pode se transformar numa superfície de encontro, com intervenções para uma escala menor e com sombras mais densas. Intercalando essas superfícies, a ocupação do espaço pode ser pensada de forma mais aberta. Pelas dimensões maiores a sua capacidade de reunir mais pessoas também é maior. Uma área plana grande e aberta é muito eficiente como área de lazer mesmo em 26


A integração entre as duas cidades marcada na superfície.

integração.

As linhas de desejo de 27


Exemplos de intervençþes em diferentes caminhos. 0

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Cortes transversais.

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cidades menores, por permitir uma variedade também muito grande de usos e atividades. Essa alternância seria uma forma de ocupar um espaço estreito e comprido como esse. Ao evitar a construção de barreiras visuais, podemos manter a visão desimpedida, especialmente entre os dois países. Assim, quando os programas demandam intervenções mais altas, podemos escavar o terreno e construir abaixo da linha de visão. Os programas adicionados e a intensificação dos já existentes permitem a criação de novas marcas no solo, uma outra geração de gestos repetidos sobre o terreno; agora não como linhas, mas como planos onde as pessoas se concentrem. Os espaços abertos têm a vocação para o uso comum. Atravessar o espaço em direção ao outro já é uma forma de encontro; podemos intensificar esse encontro oferecendo superfícies onde atividades coletivas possam se desenvolver. A posição central em relação aos dois lados da fronteira e o uso público do espaço seria uma forma das duas cidades se entenderem como um único território. Perspectiva.

Mesmo caminho à noite. 31


m02. peru


Por sugestão dos professores convidados, o sítio arqueológico de Pachacamac, junto com os bairros do entorno, foi o local escolhido como objeto de estudo, 25km ao sul do centro de Lima, ao lado do Rio Lurín; desenvolvido em conjunto com Bruna Machado, Joaquin Gak e Katia Canova. A transformação do território peruano já ocorre há mais de 5.000 anos; muito antes da chegada dos espanhóis, já haviam populações ocupando a costa, os vales úmidos, o altiplano, as montanhas e a selva; e interagindo entre si. Por ser muito seco, a transformação do território sempre teve a água como elemento importante. Os vales úmidos sempre foram locais propícios para a concentração da população. Sobre as intervenções que transformaram o território peruano ver AMICO, J. C. Ciudad y territorio en Los Andes: contribuiciones a la historia del urbanismo prehispánico.

Lima.

Crescimento da cidade de

Sítio de Pachacamac cercado pelos bairros da periferia limenha. 34

A cidade de Lima conta, por razões diversas, com um crescimento vigoroso a partir da década de 70. A cidade ultrapassou os limites da influência do rio Rímac, até chegar ao rio Lurín, onde se encontra o sítio arqueológico de Pachacamac. Crescimento que se baseou na autoconstrução, com pouca regulamentação e com tendência ao espraiamento. Hoje, os bairros da periferia sul de Lima se espremem contra os limites do sítio. Há uma tensão permanente sobre os limites entre os dois. O limite de Pachacamac com os bairros alterna entre um muro, nas áreas mais pressionadas, e a inexistência de qualquer barreira, permitindo pressionar a área do parque. Uma linha instável e com possibilidade de se mover. Levado ao extremo, o crescimento da cidade transforma os limites entre o parque arqueológico e os bairros adjacentes numa área delicada. Não construir nenhuma barreira inviabiliza uma delimitação mais clara do parque em uma área onde a procura por mais espaços para habitação é muito grande. Construir simplesmente um muro para a proteção do sítio transforma o limite num elemento que degrada a paisagem urbana existente. Do ponto de vista das populações dos bairros precários da borda de Lima, o sítio arque-

1750

1910

1940

1970


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48

A construção do território, em algum momento da história, ignorou a presença de Pachacamac quando cortou o sítio com duas rodovias, beneficiando a circulação de pessoas e insumos, ainda hoje importante, em detrimento da preservação do sítio. 49 “Segundo Alain Roger, as paisagens são ‘invenções culturais’, mais do que uma beleza natural per se. Deste modo, toda apropriação feita pela arquitetura deve ser lida como mais do que a particular leitura do ambiente na qual ela se insere, mas a construção de uma sua imagem sendo sujeito de uma expressão retórica, estética e política” (FRAJNDLICH, 2015, p. 57). O mesmo discuso da paisagem como elemento cultural pode ser encontrado nas aulas arquiteto peruano José Canziani Amico; mais informações ver: <http://escoladacidade.org/bau/josecanziani-formas-de-asentamiento-yurbanismo-en-los-andes-centrales-peru/>

Situação atual dos limites de Pachacamac.

Tipos de intervenção comuns ao território peruano. 36

ológico é uma barreira. O crescimento da cidade em direção à periferia busca a redução dos custos da habitação, e implica na procura de terrenos cada vez afastados. O sítio forma uma barreira que impede o avanço da cidade, que tende a saltá-lo, avançando para além; o sítio sendo rodeado, com a perspectiva de que a cidade continue expandindo para o sul, seguindo a costa48. Do ponto de vista do patrimônio histórico, o crescimento da cidade é um ataque a qualquer intenção de proteção do sítio. A pressão que exerce esse crescimento bate de frente com uma tentativa de se descobrir, entender e contar a história do lugar. É importante ressaltar a grande possibilidade de vestígios arqueológicos no subsolo dos bairros ao redor. Nessa batalha, a solução mais fácil é costurada desde longe. A construção de um muro é uma situação que resolve em parte o problema: mantém o limite do sítio seguro, com os pesquisadores livres para exercerem seu trabalho e os turistas podendo desfrutar de um pouco de história. Do lado de fora, o muro é um elemento que degrada o espaço urbano e tira o sítio histórico do cotidiano de sua vizinhança, talvez a parte mais interessada no conhecimento de sua história. Alargar a linha do limite para transformá-la num espaço público de transição entre bair-


ros e sítio tem dois objetivos: primeiro, definir melhor os limites do parque para conter o avanço da cidade; segundo, qualificar a borda dos bairros precários. Os novos espaços-limites podem ser construídos com formas comuns ao território peruano: a manipulação da topografia de forma a construir a paisagem49 – a construção da topografia como arquitetura. Desníveis no terreno, com valas e mirantes, canais, vegetação tem a capacidade de segmentar planos em programas diferentes, mas contíguos. Nessa nova borda, a construção da topografia abre locais de observação de elementos significativos: montanhas, vale e ilhas; tão importantes quanto os elementos arqueológicos Seria preciso também, ao mesmo tempo que se garante a integridade das bordas, garantir que a circulação de insumos e pessoas por dentro do parque não afete o sítio. Seria uma forma de evitar que Pachacamac seja barreira ao romper com a impermeabilidade, mas mantendo-o protegido. Diminuir a capacidade e estimular o transporte público e o não-motorizado poderia diminuir muito o impacto da cidade. Outra forma importante de diminuir o impacto da procura de novos lugares para habitação é desativar a refinaria que está ao lado

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d 37


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a. Periferia sul de Lima. b. Sítio arqueológico e a infra-estrutura urbana. c. Limites do sítio. d. Definir e tornar os limites permeáveis.

Perspectivas. 38


do sítio. Além de abrir a área para habitação, seus reservatórios podem ser recuperados e transformados em equipamentos públicos. Também, a diminuição do trânsito de veículos pesados ajuda a reduzir a poluição, ajudando na preservação do sítio. A intensificação de usos nesta borda e a segmentação do terreno pela nova topografia ajudariam a proteger o sítio; um bem coletivo que deve ser preservado, mas não deve ser isolado para benefício de poucos. Inseri-lo no cotidiano da cidade seria uma boa forma de preservação. Entender os trabalhos de recuperação da história que se passam aí é parte da valorização arqueológica do sítio. O objetivo mais importante da intervenção seria fazer com que o crescimento da cidade, ao se chocar com o limite do sítio, retorne como qualidade urbana, impedindo o avanço dos bairros e protegendo o Pachacamac.

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b 39


Implantação.

Cortes. 40


01a

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m03. canadรก


Por sugestão dos professores convidados, o concurso Warming Huts foi escolhido como objeto de estudo; desenvolvido em conjunto com Alena Riegler, Cristina Eustáquio, Fernando Bastos e Rodrigo Carvalho. Todos os anos, a superfície dos rios Assiniboine e Red, em Winnipeg, congela e é transformada na mais comprida pista de patinação naturalmente congelada do mundo, a Red River Mutual Trail. O concurso dos warming huts escolhe as melhores propostas, que oferecem abrigo para o frio congelante e interação com o espaço temporário. Mais informações sobre os Warming Huts ver THE FORKS (2016a). 50

WARMING HUTS, 2016.

o território. 44

O branco que unifica todo

A intersecção entre o rio Red e seu afluente Assiniboine transformou a área num importante ponto de encontro por pelo menos 6.000 anos50. A fundação e o crescimento de Winnipeg se deve a importância desse cruzamento de rotas regionais. Porém, os rios passaram para um papel secundário com a valorização da capacidade e do alcance proporcionado pela ferrovia, e depois pela a rodovia. Hoje os rios têm um papel secundário também no cotidiano das pessoas. Situação que se reverte no inverno, com seu congelamento, quando se constrói uma importante área de lazer para a cidade. O inverno rigoroso transforma a paisagem plana de Winnipeg num horizonte branco e unifica a superfície dos rios com suas margens; em dias de nevasca, até o céu se unifica. Esse branco encobre a paisagem existente, definindo um outro território onde as camadas originais ficam esquecidas sobre o gelo e a neve. O inverno expõe uma diferença fundamental na formação do território: a passagem do estado líquido para o sólido acompanha a transformação da superfície dos rios de um espaço que está à margem do cotidiano urbano para o centro do território. Esse é um ciclo longo, anual, de fácil adaptação. Há

tempo suficiente para apreciar a paisagem congelada; e tempo suficiente para esquecer a existência do rio. Aqui está a chave para intervir no território: a utilização do material que transforma o espaço para permitir a redescoberta dos componentes da paisagem que foram esquecidos nesse ciclo com um processo que permite entender a matéria que constitui a transformação do espaço. A técnica é antiga, simples e comum nos países de inverno rigoroso. O corte e a extração de blocos da superfície congelada permitem expor a água que está escondida. A evolução do maquinário torna a tarefa mais fácil: as peças podem ser cortadas com o uso de motosserras e retiradas da água com a utilização de empilhadeira, já que a espessura do gelo permite. O processo é simples. Uma vez extraídos, os blocos de gelo com 60cm de largura podem ser reorganizados em novas estruturas. A água fica exposta por um período curto, que depende da temperatura, e volta a congelar. Forma-se uma camada de gelo delgada que vai ganhando espessura com o passar do tempo. A diferença na textura entre essa nova camada e a original intacta torna visível a lembrança do corte no gelo. Os blocos extraídos podem ser empilhados em configura-


45


paisagem

superfície

As camadas existentes.

a. O processo: extração dos blocos e recongelamento da água. b. Técnica antiga. c. Ferramentas antigas. 46

submerso

ções diversas para formar um playground sobre a superfície congelada, uma intervenção marcada no horizonte plano. O empilhamento de alguns dos blocos pode configurar espaços mais protegidos para a escala humana, o que produz um refúgio para o calor humano, aproveitando o isolamento que proporciona o gelo e a proteção contra o vento; o warming hut que pede o concurso. Essas peças empilhadas estão no limite entre arquitetura e escultura, talvez os dois. Os blocos de gelo apresentam diferença entre suas faces: enquanto a superfície exposta é plana, a água correndo no fundo faz com que o gelo seja irregular. Expor essa rugosidade é mais uma maneira de ressaltar os aspectos esculturais dessas peças. Todo esse processo permite revelar formas que o inverno rigoroso unificou numa paisagem branca uniforme: a água fluindo por baixo do gelo, o gelo que não é mais piso e agora protege, os blocos de gelo com superfícies diferentes, o espaço protegido pelo gelo, o céu enquadrado pelos blocos empilhados. Winnipeg conta com perto de 80 dias por ano em que a temperatura não passa de 0°C. Nessa situação, a intervenção apresenta a estabilidade necessária para as pessoas interagirem com ela.


a

b

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47


intervençþes.

Os diferentes tipos de

Perspectivas. 48


49


50


Com a chegada do fim do inverno, e a temperatura subindo, a intervenção começa a se desfazer, assim como o rio que vai descongelando. Segue assim, até que se desintegrem e voltem a se unir por completo, segundo o curso original do rio. Seria uma forma de ressaltar o ciclo que mantém o espaço entre o estado líquido e o sólido, nessa alternância entre ficar na margem e estar no centro do território.

Perspectiva.

Da intervenção no território até o degelo natural. 51


m04. brasil


Por sugestão dos professores convidados, o centro de Manaus foi o local escolhido para a proposta; desenvolvido em conjunto com Ana Lago, Giovana Rapacci, Larissa del Cistia, Roney Rodrigues, Samuel Garcia. 51

Manaus está a 1200km do litoral. O calado permitido é de 8m em águas baixas (ANTAQ, 2008). 53 Frase dita pelo arquiteto Marcelo Correia em aula do Módulo Brasil, em 11 de abril de 2016, na Escola da Cidade. 54 O Vale do Anhangabaú é a geografia primordial de São Paulo, pois aí estão “elementos recorrentes da base física de implantação da cidade: a várzea e o patamar de terra firme”. O Viaduto do Chá é a construção fundamental, pois “equivale, simbolicamente, a superação [...] ligando os dois patamares de terra firme em cotas topográficas idênticas”. Juntos, eles “representam os dois elementos fundantes da nossa cultura construtiva” para formar “a cidade que salta de colina em colina conforme Aziz Ab’Saber” (BUCCI, 2010, p. 33-34). 52

A cidade dividida em duas partes: terra firme e água. 54

A cidade de Manaus não existiria sem a presença do rio. Esquecendo o fato de que a região já estava habitada, o rio Amazonas é responsável por facilitar o ingresso de uma nova situação político-econômica no coração da Amazônia, tão distante do litoral51. O rio Negro, seus igarapés e afluentes, o rio Solimões, e depois Amazonas, formam um importante sistema de comunicação, que liga Manaus com a região, o país e o mundo. Essas vias fluviais, junto com a ocupação esparsa da região amazônica, fazem de Manaus o centro de um espaço muito grande. Com a falta de vias terrestres de comunicação, os rios formam as estradas que ligam com o interior. A dimensão do rio Negro permite que embarcações grandes cheguem até o Porto de Manaus52. Com perto de 4km de uma margem a outra, são dimensões que impressionam, se pensarmos na distância até a costa. Manaus cresceu sobre a terra firme, mas muito dependente do acréscimo do que acontece sobre a água. Há todo um espaço construído por fixos e fluxos que se desenvolvem predominantemente sobre o rio. A topografia é baixa, cerca de 30m de altitude, mas não tão plana. Os rios amazônicos apresentam ciclos de cheias e secas bastante marcados, com diferenças de níveis que

chegam a 10m; o que faz a linha entre rio e terra firme variar consideravelmente. Essa faixa variável, às vezes seca às vezes úmida, é onde se definem muitas das relações entre água e terra. O nome amazônico desta parte alagada durante parte do ano é igapó. O arquiteto Marcelo Correia, interpretando o livro Dois Irmãos de Milton Hatoum, relaciona os dois personagens principais a essas duas cidades – racional em terra e selvagem no rio – que nunca se reconciliam53. No igapó é que essas diversas conexões entre as duas são negociadas. A geografia primordial desse espaço – ou uma das geografias, admitindo a existência de outras camadas – é essa transição variável entre terra firme e água. A plataforma flutuante e a palafita são as duas construções fundamentais54. A plataforma flutuante é um plano que acompanha o regime pluvial e permite a continuidade dos fluxos entre água e terra firme independente da variação do nível do rio. A palafita são pilares que permitem construir o espaço acima do nível em períodos de cheia. As duas formam condições perenes para a ocupação do território; a superação da variação do nível da água. As duas construções estão presentes no Porto de Manaus: a Plataforma Malcher (palafita) e o Cais das Torres (plataforma flutuante),


55


A importância da água na formação do território.

a. Geografia primordial. b. Arquiteturas fundamentais em duas escalas diferentes: habitações em palafitas; Plataforma Malcher; quadra esportiva flutuante; Cais das Torres. 56


respectivamente. Desconsiderando qualquer juízo estético sobre a qualidade dessas duas construções do porto, é possível verificar a importância em permitir o funcionamento em condições aceitáveis nesta escala de intervenção do território, a das grandes embarcações. Importância que não é dada a outras escalas. Quando se observa a costa fluvial de Manaus, pode-se ver que o porto é uma exceção. Podemos observar também que as duas construções fundamentais se desenvolvem de forma precária, baseada quase que exclusivamente na autoconstrução. A pequena escala, os milhares de fluxos que acontecem todos os dias em pequenas embarcações, é o elemento esquecido do território. A precariedade visível ao longo da costa não se deve ao tipo de construção, que são soluções bastante engenhosas, mas sim da importância dada à grande escala, às grandes embarcações. O Centro de Manaus contempla essa contradição associada a escala. A prefeitura tem trabalhado pela revitalização da área. E uma das formas é transformar a área do porto num polo turístico, capaz de recepcionar embarcações com muitas pessoas ao mesmo tempo. Uma Manaus ligada à economia nacional e mundial. O que seria reinvestir energia num

a

b

plataforma malcher

cais das torres

57


O impacto da pequena escala comparado ao da grande escala.

cheia e seca. 58

Projeto nos dois períodos:

processo que prioriza uma só escala e que, mais importante, é pontual; não é capaz de abarcar toda a costa, apesar da sua estrutura complexa. Ignorar as grandes embarcações, nessa transição entre rio e terra firme, significa que podemos interferir numa escala mais significativa na cidade. A linha que divide os dois espaços é muito extensa para não considerar as pequenas e médias embarcações que compõem a maior parte dos fluxos desse território. Aí, onde a cidade funciona de forma desestruturada, existe um potencial de requalificação muito grande. Construir na pequena escala tem a capacidade de se infiltrar naqueles espaços desestruturados; nos meandros do território. Estabelecer pequenas costuras espalhadas pela costa manauara. Ondular aquela linha que separa água e terra, e fazer com que o espaço seco avance além da costa e os fluxos do espaço úmido entrem em terra firme. Assim, o espaço pode crescer sobre a água para assentar aqueles programas que têm pouco, ou nenhum, espaço em terra. Além de apoiar um plano que permite aos fluxos pluviais se infiltrarem no tecido urbano. Se a estiagem amplia o território seco, e possibilita um ganho de área que pode ser requalificado e transformado num parque


inundável, como a Prefeitura de Manaus pretende, o período de cheia permite uma intensificação da ocupação provisória: o poder público pode oferecer uma rotatividade de serviços atendendo em diferentes plataformas flutuantes. A água pode oferecer esse espaço de crescimento para o tecido urbano em terra firme, acrescentando aqueles programas que possuem pouco espaço. A maior fluidez para as conexões entre as duas partes pode provocar benefícios mútuos.

59


Perspectiva.

Perspectiva. 60


61


conclusĂŁo


64


A América não é um território simples de se construir; nenhum o é. As demandas que deveriam recair sobre a arquitetura são muitas e a concorrência é enorme. Provavelmente seja uma tarefa inviável para a arquitetura dar conta de todo o território, porém isso não significa que ela não deva colaborar, nem que não tenha capacidade. Porém, é certo que as respostas devem ser encontradas dentro do próprio campo, através de uma constante reavaliação de seus métodos e objetivos. Quando comparamos um mapa que mostra a superfície iluminada artificialmente da Terra com um mapa da densidade habitacional fica visível que em muitos casos eles não se sobrepõem. É certo que as áreas economicamente mais ativas se dispersaram sobre outras parcelas do globo. Também é certo que a desigualdade aumentou, com as áreas esquecidas cada vez mais distantes das áreas ativas; o que é visível em todos os continentes, uns mais outros menos. E se o território também é fluxo, sua concentração, da mesma forma, demonstra uma ocupação desigual do território. O espaço construído tende a concentrar recursos (principalmente financeiros) muito grande para uma parcela muito pequeno do território; essa desigualdade tem a capacidade de atrair a atenção da arquitetura e de

suas discussões de forma que as tornam irrelevantes para a maior parte do espaço e de seus habitantes. A dispersão do mesmo tipo de intervenção, da mesma maneira de construir o território, são fatores que impedem que todos os elementos presentes no espaço alcancem seu potencial. Mesmo que esta forma permita ampliar a superfície terrestre colocada em contato, ela sempre deixa elementos do espaço para trás; aqueles que “não podem se manifestar em prol do funcionamento do conjunto”55. Porém, o fato mais importante destacado aqui é que na América esses espaços à margem se desenvolvem de forma precária. Insistir nesse mesmo projeto de interpretação, ocupação e transformação do território e esperar resultados diferentes não seria a opção mais lógica. E parte da arquitetura tem demonstrado possuir interesse e ferramentas necessárias para combater do outro lado da frente de batalha; uma mistura de duas frases de Solano Benítez citadas anteriormente: a de que “não queremos viver assim mas queremos viver aqui”56 e que podemos “dar muitas soluções ao mesmo problema”57. Sobrepor uma outra escala e uma outra prioridade na construção do território pode

55

DUARTE, 2002, p. 19, citado na nota 9. Frase dita pelo arquiteto Solano Benítez em uma das três aulas introdutórias do Módulo Paraguai, entre 23 e 25 de fevereiro de 2015, na Escola da Cidade. Disponivel em: <http://escoladacidade.org/bau/solanobenitez-gabinete-de-arquitectura/>, citado na nota 1. 57 CANO, 2009, citado na nota 36. 56

Mapa com a sobreposição da densidade habitacional com a iuminação artificial. As áreas claras são as mais densas. As áreas laranjas as mais iluminadas. 65


66


ser útil para diminuir a precariedade que insiste em permanecer. Muito ainda pode ser explorado nessa busca por um habitat mais adequado ao maior número possível de pessoas; pensar uma alternativa que permita que os elementos presentes no espaço explorem suas capacidades independentemente do funcionamento do sistema; construir sobre o território já construído. A América pode ser esse laboratório onde soluções para diminuir a precariedade são testadas. As dificuldades materiais e econômicas nos permitem trabalhar com criatividade. Anatxu Zabalbeascoa no texto Latinoamérica como escuela de arquitectura fala que não faltam ideias. E as mais fortes apontam para uma mudança: a arquitetura feita desde baixo, a partir das necessidades e não da planificação teórica58. E o mais importante é que empenho de muitos arquitetos não está isolado em seus respectivos contextos. A circulação de profissionais e o constante intercâmbio de informação tem essa capacidade de divulgar ideias, mas também de criar novos conhecimentos. As respostas encontradas aqui são fruto deste intercâmbio. Elas foram estimuladas pelo encontro com outras realidades e foram

desenvolvidas através dos projetos imaginados de acordo com aspectos de uma realidade distante. E é provável que alguns equívocos tenham ocorrido durante o percurso. As respostas que foram desenvolvidas não vieram da análise minuciosa de dados e estudo de casos e sim na forma de propostas de projeto. O conjunto dessas proposições coletivas tem o objetivo de proporcionar o debate sobre novas formas de construir e interpretar o território. Em todos os módulos as propostas de cada grupo se alimentam e se completam; não seria possível um debate mais amplo sem esse contágio. Ainda que seja essencial esse debate, algumas inquietações são pessoais e extrapolam de um módulo para outro; são as que estão presentes nesta monografia. Aqui, algumas questões não chegaram a ser formuladas, embora sejam um mundo a ser explorado. Questionamentos como a escala predominante na construção do território, uma metodologia para entrelaçar as diferentes camadas que o compõem ou a autossimilaridade da geometria fractal no preenchimento do território pelos espaços vazios (os que estão à margem e que vão sobrando na expansão do espaço construído) da qual fala Francesco Careri59 poderiam ser inves-

58 59

ZABALBEASCOA, 2016b. CARERI, 2002, p. 181-185.

Exemplo da concentração dos fluxos no espaço: Mapa de Colaboração Científica 2005-2009. (BEAUCHESNE) 67


60

MASSAD e YESTE, 2006. Ibid. 62 Frase dita pelo arquiteto equatoriano Pascual Gangotena em aula do Módulo Equador (não presente nesta monografia), em 01 de outubro de 2015, na Escola da Cidade. 63 FRAJNDLICH, 2015, p. 59. 61

Alguns dos projetos apresentados pelos professores convidados. 68

tigadas, mas não nesta monografia. Porém, deve-se levar em conta que a construção de um projeto [mesmo sendo uma monografia] não significa sua conclusão, nem física, nem intelectual. O cérebro do arquiteto contém e conserva ideias que se originam e prosseguem seu desenvolvimento, cuja essência aparece ou reemerge durante a concepção de novos projetos, durante a reflexão profunda ante o próprio trabalho”60. A arquitetura pode ser compreendida como uma substância que pode se encontrar em diferentes estados mais além da materialidade física61; isto inclui os estudos teóricos, mesmo que uma via alternativa de construção do território esteja mais perto do duplo sentido que fala Pascual Gangotena, “construir a qualquer custo”62. Tanto construir sem se limitar pela falta de recursos como a construção sendo o objetivo final da arquitetura deve ser sempre acompanhada desta constante reavaliação da disciplina. Ao fim disto tudo, o que temos em frente é uma ampliação do campo de ação da arquitetura, onde podemos colocar o mesmo empenho no projeto do espaço entre os edifícios.

O que aproxima a arquitetura da geografia, do entendimento do projeto partindo das particularidades de cada sítio, dos elementos e das ações – fixos e fluxos – presentes no espaço. Resumindo, uma frase dita por Paulo Mendes da Rocha: “a primeira e primordial arquitetura é a geografia”63. A falta de recursos, seja de qualquer tipo, não deve se tornar um empecilho para a transformação de forma mais ampla do território. Qualquer 1mm de avanço sobre metros de precariedade deve ser encarada como um ganho em direção a melhoria do habitat onde vivemos.


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Módulo Paraguai 01. Fernanda Sposito 02. José Aparecido Rolon 03. Solano Benítez 04. Solano Benítez 05. Solano Benítez 06. André Toral 07. Marcelo Ribeiro 08. Felipe Chaimovich 09. Amilcar Packer 10. Carolina Rodríguez-Alcalá 11. José Cubilla e Luis Elgue 12. José Cubilla e Luis Elgue 13. José Cubilla e Luis Elgue 14. Robert de Paauw 15. Javier Corvalán e Lukas Fuster

Móculo Peru 01. Eduardo Natalino dos Santos 02. Rodrigo Montoya 03. José Canziani 04. José Canziani 05. José Canziani 06. Fabio Mosaner e Marianna Al Assal 07. Marcelo Ribeiro 08. Felipe Chaimovich 09. Amilcar Packer 10. Francis Espino Shardin 11. Francis Espino Shardin 12. Francis Espino Shardin 13. Ana Paula Castro e Nilce Aravecchia 14. Jack Couriel e Raúl Vallés 15. Luciano Andrade 16. Alexia Leon e Lucho Marcial


Módulo Canadá 01. Marianna Al Assal 02. Walkyria Monte Mor 03. Cássio Amarante 04. Marcelo Ribeiro 05. Randy Cohen 06. Randy Cohen 07. Randy Cohen 08. Felipe Chaimovich 09. Pazé 10. Eduardo Aquino 11. Eduardo Aquino 12. Eduardo Aquino 13. Sean Purdy 14. José Guilherme Leite 15. Maira Rios e Felipe Noto 16. Neil Minuk

Módulo Brasil 01. Pedro Puntoni 02. Pedro Puntoni 03. Marianna Al Assal 04. Ana Paula Castro 05. Fernando Novaes 06. Vico Iasi 07. Marcelo Ribeiro 08. Felipe Chaimovich 09. Felipe Chaimovich 10. Guilherme Wisnik 11. Guilherme Wisnik 12. Newton Massafumi 13. Milton Hatoum 14. Marcos Acayaba 15. Laurent Troost e Marcelo Borborema 16. Laurent Troost e Marcelo Borborema

professores convidados


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