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EDIÇÃO INFORMATIVA DA CNT

CNT

ANO XIX NÚMERO 215 AGOSTO 2013

T R A N S P O R T E

AT UA L

O peso da inflação Alta registrada no último ano aumentou o custo das empresas de transporte e pode impedir a manutenção dos investimentos LEIA ENTREVISTA COM A PRESIDENTE DA FUMTRAM ELZA LÚCIA PANZAN


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CNT TRANSPORTE ATUAL

AGOSTO 2013

REPORTAGEM DE CAPA A alta da inflação registrada, no último ano, já tem impactado diversos setores da economia, inclusive a atividade transportadora, que sofre com combustível mais caro, reajustes na manutenção e na compra de equipamentos Página 22

CNT TRANSPORTE ATUAL

ANO XIX | NÚMERO 215 | AGOSTO 2013

ENTREVISTA

Elza Lúcia Panzan detalha o museu do transporte PÁGINA

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PERSONAGEM • Marcílio Leoni participa de grupo que realiza ações sociais, como arrecadação de roupas e alimentos para pessoas carentes

CAPA DUKE

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CABOTAGEM

EDIÇÃO INFORMATIVA DA CNT CONSELHO EDITORIAL Bernardino Rios Pim Bruno Batista Etevaldo Dias Tereza Pantoja Virgílio Coelho Wesley Passaglia

FALE COM A REDAÇÃO (61) 3315-7000 • imprensa@cnt.org.br SAUS, quadra 1 - Bloco J - entradas 10 e 20 Edifício CNT • 10º andar CEP 70070-010 • Brasília (DF)

Mais agilidade para a concessão de financiamentos PÁGINA

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ESTA REVISTA PODE SER ACESSADA VIA INTERNET:

www.cnt.org.br | www.sestsenat.org.br

EDITORA RESPONSÁVEL

Vanessa Amaral [vanessa@sestsenat.org.br] EDITOR-EXECUTIVO Americo Ventura [americoventura@sestsenat.org.br]

ATUALIZAÇÃO DE ENDEREÇO:

atualizacao@cnt.org.br Publicação da CNT (Confederação Nacional do Transporte), registrada no Cartório do 1º Ofício de Registro Civil das Pessoas Jurídicas do Distrito Federal sob o número 053. Tiragem: 40 mil exemplares

Os conceitos emitidos nos artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da CNT Transporte Atual

AVIAÇÃO

FERROVIA

Tecnologia em teste ajuda a evitar acidentes

Falta de trilhos pode atrasar as obras no Brasil

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www.

cnt.org.br

PESQUISA As redes sociais têm assumido um papel cada vez mais importante e influente em todo o mundo. No Brasil, elas foram consideradas como o principal meio de articulação da sociedade para a realização das inúmeras manifestações que ocorreram no país no mês de junho. A maioria das pessoas que participou dos protestos – 60,7% – tomou conhecimento por meio do Facebook, de acordo com a 114ª pesquisa CNT/MDA. Para consultar mais informações, acesse as notícias publicadas na Agência CNT de Notícias.

COMEMORAÇÃO • Para homenagear os motoristas,

SIMULADOR

PRÊMIO

reportagem conta as histórias de quem transporta riquezas pelas rodovias e avenidas do Brasil

Ferramenta inédita no país, o Simulador de Financiamento de Veículos da CNT completou um ano de funcionamento e já ultrapassou 50 mil simulações. A ferramenta é simples de usar. Faça uma simulação: www.cnt.org.br/paginas/ Simulador-de-Financiamento.aspx

Os jornalistas têm até as 18h do dia 12 de agosto para se inscrever no Prêmio CNT de Jornalismo 2013. São aceitas reportagens sobre transporte no Brasil publicadas entre 28 de agosto de 2012 e 12 de agosto de 2013. Inscreva-se: premiocnt.cnt.org.br/Paginas/ inscricao.aspx

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COMBUSTÍVEIS

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PASSAGEIROS

Avanço tecnológico e Copa-2014 estimula inovação ambiental a construção de BRT nos postos e de VLT no país PÁGINA

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Seções Alexandre Garcia

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Duke

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Mais Transporte

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Boletins

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Debate

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Opinião

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Cartas

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SEST SENAT

Unidades preparam deficientes físicos para o mercado PÁGINA

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E MAIS Programa Despoluir

Canal de Notícias

• Conheça os projetos • Acompanhe as notícias sobre meio ambiente

• Textos, álbuns de fotos, boletins de rádio e matérias em vídeo sobre o setor de transporte no Brasil e no mundo

Escola do Transporte

Sest Senat

• Conferências, palestras e seminários • Cursos de aperfeiçoamento • Estudos e pesquisas • Biblioteca do Transporte

• Educação, Saúde, Lazer e Cultura • Notícias das unidades • Conheça o programa de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

O portal disponibiliza todas as edições da revista CNT Transporte Atual


“Reunião sem armas é um direito de todos. Mas fogo e pedras são armas que tiram esse direito dos movimentos sociais” ALEXANDRE GARCIA

Movimentos sociais

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rasília (Alô) – Quando vi as imagens de oito cabinas de pedágio queimando numa rodovia estadual de São Paulo, entre Cosmópolis e Paulínia, imaginei que fosse mais um ataque do MST, como tantos a praças de pedágio, principalmente no interior daquele Estado. Mas aí, quando vi a repressão policial, fiquei desconfiado de que os do MST não fossem os atacantes. Eram, na verdade, caminhoneiros em manifestação. Pensei: se estivessem com bonés, bandeiras e camisas vermelhas do MST, ficariam impunes. O MST interrompe estradas, saqueia cargas, destrói laranjais com trator, destrói pesquisa agrícola, invade propriedades e queima casas, mata gado e mantém funcionários rurais em cárcere privado e nada acontece. O governo alega que se trata de “movimento social”. Então não é social o movimento dos caminhoneiros? Não que se deva proteger pela impunidade quem bloqueia estradas, agride motoristas, dilapida veículos e incendeia praças de pedágio. O que salta aos olhos é que autoridades desrespeitam claramente o princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei. Movimento social ou não, a ninguém é permitido agredir propriedades e direitos alheios. E quando ordens de cima fecham os olhos dos agentes da lei para um grupo de arruaceiros, encorajam-se todos os outros grupos de arruaceiros a cometer atos semelhantes. Se alguns po-

dem queimar pedágio, bloquear estradas e atacar veículos, por que os outros não podem? Instala-se aí a desordem, que empalidece as palavras inscritas na bandeira nacional. Na capital do país, senti de perto essa diferença nociva. Manifestantes contra a corrupção, o desperdício, a falta de educação, de saúde, de segurança, de estradas, de transporte público foram tratados com bombas de gás lacrimogênio. Dias antes, o “movimento social“ de sem-teto fechava, queimando pneus, o Eixo Monumental, no coração do poder. A Polícia Civil de Brasília descobriu que organizadores da agressão eram jovens ligados ao governo federal. A polícia divulgou a descoberta com detalhes e nomes, mas horas depois recebeu um ameaçador cala-boca vindo do setor de “movimentos sociais” do Palácio do Planalto. Não é novidade para ninguém, nem para as autoridades do Executivo e do Legislativo, que as estradas estão ruins, deteriorando cargas e veículos, que a jornada dos motoristas é estafante, que a inflação corrói fretes, que pedágios precisam ter uma relação equilibrada. Mas bloquear estradas é infringir direitos alheios; e queimar pedágios, embora possa descarregar a raiva, não é inteligente, porque acabam todos pagando o estrago. Reunião sem armas é um direito de todos. Mas fogo e pedras são armas que tiram esse direito dos movimentos sociais, sejam de caminhoneiros, ou de MST, ou de sem-teto.


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“Nós temos e queremos destacar a importância do transporte Precisamos educar e mudar o conceito que as pessoas têm

ENTREVISTA

ELZA LÚCIA PANZAN - PRESIDENTE DA FUMTRAN

Resgatando a POR

transporte tem papel fundamental na história do Brasil, desde o descobrimento até os dias atuais. A chegada dos portugueses em terras brasileiras só foi possível com o desenvolvimento das técnicas de navegação marítima. Hoje, o transporte é que possibilita a movimentação de pessoas e de produtos. E foi pensando em resgatar essa importância do setor que surgiu a ideia da criação do Museu Brasileiro do Transporte. Um empreendimento ousado que tem como principal objetivo ser um instrumento de educação não formal para as novas gerações e de valorização

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LIVIA CEREZOLI

para quem, há anos, está envolvido nessa atividade. A criação e a implantação do museu são de responsabilidade da FuMTran (Fundação Memória do Transporte), uma organização da sociedade civil de interesse público ligada à CNT (Confederação Nacional do Transporte). O Museu Brasileiro do Transporte deve ser construído às margens da Rodovia Dom Pedro 1º, em Campinas (SP), a 100 km da capital São Paulo. De acordo com Elza Lúcia Panzan, presidente da FuMTran, por enquanto, o projeto está na fase de captação de recursos para a construção do prédio e aguarda ainda a aprovação

pela prefeitura. A pedra fundamental do empreendimento deve ser lançada em breve. A previsão é que a primeira fase da obra esteja concluída em maio de 2015. Em abril deste ano, o projeto de construção foi aprovado pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, nos moldes da Lei Rouanet, lei federal de incentivo a projetos e ações culturais. Nesta entrevista para a CNT Transporte Atual, Elza detalha o projeto do museu, conta um pouco mais sobre a sua implantação e defende a necessidade da construção desse empreendimento para a valorização do setor de transporte no Brasil.

Como surgiu a ideia da criação do Museu Brasileiro do Transporte? Logo após a criação do Sest Senat, em 1993, em São Paulo, existia o museu da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos – empresa extinta em 1995), bastante rudimentar, com algumas peças, alguns bondes. Ele era mantido por pessoas voluntárias. Nessa época, o acervo desse museu foi doado ao Sest Senat, daí a ideia de se criar um museu do transporte. Inicialmente, esse museu era para ser construído na cidade de Paulínia (SP). Naquela época, meu marido, Adalberto Panzan, era o presidente da Fetcesp (Federação


para o nosso país. sobre o transporte”

JÚLIO FERNANDES/CNT

história das Empresas de Transporte de Carga do Estado de São Paulo) e, em conversa com o prefeito de Paulínia, descobriu-se a intenção dele em construir um parque temático. A cidade ainda hoje é uma das mais ricas do Estado de São Paulo. A proposta era a doação de uma área para a construção do museu. Um problema político impediu essa parceria, e o projeto foi transferido para Campinas, também em São Paulo. O Adalberto faleceu e, durante muito tempo esse projeto ficou esquecido. Como foi o resgate desse projeto? Uns 10 anos depois desses fatos, eu fui convidada para

integrar o Conselho Curador do Museu Brasileiro do Transporte e trabalhar nessa iniciativa. Até então, não havia sido feito projeto nenhum de construção. Quando assumi, passamos a pensar em como seria o projeto desse museu. Do que ele seria composto, como ele funcionaria. Como foi definido o projeto arquitetônico do museu? Digamos que um museu estático não oferece nenhuma atração. Teria de ser alguma coisa com caráter educativo e social. Foi assim que começamos a pensar em um museu interativo. Chamei cinco empresas de arquitetura, expus o conceito que tínha-

mos do museu, e elas apresentaram o que é chamado de estudo de massa, um projeto arquitetônico conceitual. O escolhido foi o do escritório Athié/Wohnrath de São Paulo. Inclusive, esse projeto já foi até premiado em um congresso de arquitetura. Quem são os responsáveis pela museologia? Com o projeto de construção definido, passamos então a pensar nessa segunda etapa. Chamamos os profissionais do Arte3, Pedro Mendes

da Rocha, Ana Helena Curti e o professor e museólogo, Fábio Magalhães, ex-curadorchefe do Masp (Museu de Arte de São Paulo). O Arte3 é um renomado escritório paulista que tem em seu currículo o projeto do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (SP) e, além disso, também está projetando o Museu do Açúcar, em Piracicaba (SP). E como foi definido esse conceito? Durante seis meses, eles entrevistaram pessoas envolvidas


em todas as áreas que compõem o setor de transporte no Brasil. Foram ouvidos representantes do transporte rodoviário de cargas e de passageiros, do transporte aquaviário, do aéreo e do ferroviário para tentar criar esse conceito do museu e, a partir disso, elaborar o projeto estrutural do prédio. O que se espera com a criação desse museu? Em primeiro lugar, ele tem um caráter educativo. Nós temos e queremos destacar a importância do transporte para o nosso país. Precisamos educar e mudar um pouco o conceito que as pessoas têm sobre o transporte. Quando as pessoas vão viajar e encontram um ônibus em uma estrada, elas reclamam do ônibus. Assim também é com o caminhão. Nas grandes cidades também acontece a mesma coisa. Quem sempre é considerado o grande vilão? O caminhão, claro. Até mesmo nos acidentes, muita gente culpa as grandes carretas e os ônibus. E não são só eles. As ferrovias que cruzam as cidades também são consideradas um problema. No entanto, a realidade é outra. O transporte é essencial para tudo e para todos. A senhora acredita que falta conhecimento sobre o transporte? Vamos pensar em uma viagem de férias para o Nordes-

te. Você tem quatro opções. Ir de carro próprio, de ônibus, de avião ou de navio costeiro. Já pensou em como tudo isso funciona? Tudo que está por trás para que a viagem transcorra bem? E quando você chega ao hotel, ninguém pensa em como funciona o abastecimento com comida etc. Assim também é com o comércio e com os demais serviços. Por isso, afirmo que falta sim conhecimento. Dificilmente as pessoas enxergam como o transporte funciona de verdade. Como o museu será estruturado? Ao todo são 18 mil m2 de terreno e 20 mil m2 de área construída. O prédio tem três andares. No térreo, além das áreas de exposição, também será construído um Centro de Convenções. É óbvio que não é só isso que dará sustentabilidade ao museu, mas auxiliará também. Isso porque a região na qual o empreendimento será implantado é carente de espaços para a realização de eventos. Nos demais espaços, teremos um corredor que dará acesso a algumas caixas de vidro, que seriam uma espécie de contêineres gigantes, representando cada um dos modais. De um dos lados desse corredor existe um paredão onde teremos a história do transporte sendo contada em uma linha do tempo.

PROJETO Museu Brasileiro do Transporte vai

“Foram ouvidos representantes do setor de transporte para tentar criar o conceito do museu e elaborar o projeto estrutural do prédio”

O museu vai abrigar algumas peças antigas relacionadas ao transporte, como caminhões, ônibus e trens? Não temos um espaço tão grande para poder colocar uma aeronave, um trem, um navio ou mesmo um ônibus e um caminhão. Por isso, vamos trabalhar com a ideia da interatividade. Com isso, esperamos resgatar a memória da atividade por meio de depoimentos e relatos. Teremos um acervo virtual, mas também algumas fotografias antigas e pequenas peças. A nossa ideia é criar projeções que simulem, por exemplo, a cabine de um avião ou de um navio, o espaço interno de


FUMTRAN/DIVULGAÇÃO

“O objetivo, além de ser educativo, é valorizar todos os profissionais da área de transporte” ser construído em Campinas (SP); pedra fundamental será lançada em breve

controle de um trem, a boleia de um caminhão. Queremos que as pessoas possam interagir com esses equipamentos. E ainda teremos um espaço externo, com um paisagismo bem elaborado, no qual queremos instalar o que estamos chamando de bancos falantes. Quando as pessoas sentarem nos bancos, eles começarão a contar uma história sobre o transporte. Como o trabalhador em transporte estará representado no museu? Por meio dos vídeos que editaremos com os depoimentos e as histórias deles. O objetivo, além de ser educati-

vo, é valorizar todos os profissionais da área de transporte. Queremos valorizar o ser humano que constrói a atividade. É muito importante quando colocamos a pessoa para contar a história dela. Qual é o valor que deve ser investido na construção do museu? Inicialmente, trabalhávamos com um orçamento de R$ 90 milhões, mas acredito que ele já esteja perto dos R$ 120 milhões. Esse valor é o custo total da construção e da museologia. Agora, para a manutenção do espaço, vamos procurar mantenedores e, além disso, teremos o Cen-

tro de Convenções, um café, um restaurante, uma loja de suvenires. Pensamos também na cobrança de um ingresso com valor simbólico, apenas para ajudar na manutenção do espaço. Não podemos cobrar um valor alto porque queremos que as pessoas realmente tenham acesso a esse museu. E quem vai custear toda essa obra? Já temos um projeto aprovado no MinC (Ministério da Cultura), por meio da Lei Rouanet, uma lei federal de incentivo à cultura. Nesse momento, estamos trabalhando na captação de recur-

sos. Nessa primeira etapa, já conseguimos R$ 11 milhões. Atualmente, estamos também analisando o Proac (Programa de Ação Cultural) do Estado de São Paulo. É um programa de apoio à cultura por meio de patrocínio de contribuintes do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Temos ainda a possibilidade de buscar parcerias com bancos e outras instituições e empresas ligadas ou não ao setor de transporte, já que o museu tem um caráter educativo bastante forte. A construção do museu é um sonho que está começando a ser realizado? Como a senhora se sente diante desses novos desafios? Confesso que, às vezes, todo esse trabalho me assusta um pouco, mas o sonho é tão maior, que todas as dificuldades valem a pena. Eu sempre sonhei com esse museu. O meu desejo, eu sou professora por formação, sempre foi dar um pouco mais de educação, de preparo para os profissionais que trabalham no setor de transporte e todas as outras pessoas que, de uma maneira ou de outra, estão envolvidas com ele. O meu sonho se baseia na valorização desse profissional. l


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GOLDEN CARGO/DIVULGAÇÃO

MAIS TRANSPORTE Ford produz extrapesado em SP A Ford conta com uma nova linha de caminhões para o segmento de veículos extrapesados. Os modelos Cargo 2042 e Cargo 2842 inauguram a entrada da marca nessa faixa de mercado no Brasil. Na Europa, eles foram lançados no início deste ano. As primeiras unidades já foram produzidas na linha de montagem de São Bernardo do Campo (SP). Com

capacidade de até 56 toneladas, os veículos são equipados com motor de 420 cavalos e destinados, principalmente, ao setor de transporte de carga de longa distância. Os caminhões foram desenvolvidos em conjunto pelas equipes de design e de engenharia da Ford do Brasil e da Turquia.

ELETRÔNICOS Golden Cargo entrega três toneladas

FORD/DIVULGAÇÃO

Descarte consciente

PRODUÇÃO Nova linha de caminhões da Ford

O projeto TI Verde, elaborado há quatro anos pela Golden Cargo, empresa especializada no gerenciamento e operação da cadeia logística de mercadorias especiais, chegou à marca de três toneladas de materiais entregues para a ONG Oxigênio. O TI Verde consiste no descarte responsável de equipamentos eletrônicos que não serão mais utilizados e na economia de energia elétrica

dentro da empresa. “A parceria é vital, pois supre a ONG com matéria-prima. O material de informática, além de ser descartado corretamente, é reaproveitado para que novos computadores sejam montados por jovens carentes que aprendem uma nova profissão”, afirma José Roberto Borges, presidente da ONG Oxigênio.

Novos navios chegam ao Brasil Fábrica de híbridos e elétricos Os novos navios da Hamburg Süd começaram a chegar ao Brasil em julho com o porta-contêineres “Cap San Nicolas”. As embarcações, com capacidade para 9.600 TEUs e 2.100 tomadas destinadas para carga refrigerada, fazem o serviço entre a Ásia e a Costa Leste da América do Sul. A nova classe “Cap San” conta com uma série de seis navios

idênticos, e a previsão é de que todos estejam em operação até janeiro de 2014. O “Cap San Nicolas” iniciou sua primeira viagem no início de junho, saindo da Coreia do Sul, passando por China e Hong Kong, com destino ao porto de Santos e escalas programadas para outros portos nacionais, como Itapoá, Rio Grande e Paranaguá.

O governo de Sergipe e a fabricante de automóveis Amsia Motors (grupo de capital árabe) assinaram um protocolo de intenções para a implantação de uma fábrica da marca no Estado. A Amsia deve investir R$ 1 bilhão no empreendimento. Serão produzidos veículos híbridos e elétricos. A expectativa é de que sejam gerados, aproximadamente, 4.000 empregos diretos.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Sergipe, Saumíneo Nascimento, a estimativa é de que as obras sejam concluídas no início do segundo semestre de 2014. O plano da Amsia é produzir carros de passeio e, em uma segunda etapa, ampliar a produção para ônibus e implementos agrícolas. A unidade sergipana será a primeira fabril própria da montadora.


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Supernavio em Itapoá Evergreen, ele têm aproximadamente 335 metros de comprimento e capacidade para 8.000 TEUs (contêiner de 20 pés de comprimento). O supernavio passa a escalar em

O porto Itapoá recebeu o porta-contêineres Ital Contessa, considerado o maior navio em operação na costa sul-americana, pelo critério de comprimento. De propriedade do armador

Itapoá pelo serviço ESA, da associação entre os armadores Evergreen/Cosco/Zim, cobrindo a linha da Costa Leste da América do Sul e da Ásia. A rotação do Ital Contessa tem os portos

de Santos, Paranaguá, Montevidéu, Buenos Aires, Rio Grande, Itapoá, Santos, Cingapura, Hong Kong, Xangai, Ningbo, Yantian, Hong Kong, Cingapura e Santos. PORTO ITAPOÁ/DIVULGAÇÃO

GIGANTE Porta-contêineres considerado o maior navio em operação na costa sul-americana

IVECO/DIVULGAÇÃO

Elétrico da Iveco A Iveco apresentou ao mercado brasileiro o seu micro-ônibus Daily Electric 50C/E. O Minibus Elétrico é um veículo-conceito, com emissão zero de poluentes e movido por baterias de sódio e níquel. O veículo pode ser utilizado para turismo em áreas de preservação ambiental, para transporte profissional dentro de grandes plantas industriais ou em operações urbanas de distribuição de curta distância, principalmente à noite,

já que também apresenta emissão zero de ruídos. O Minibus Elétrico é produzido na Europa e oferece capacidade de carga para 19 pessoas mais o motorista. Ele apresenta PBT (Peso Bruto Total) de 5,6 toneladas. Sua autonomia de rodagem é de 100 quilômetros na aplicação urbana, e a velocidade máxima é de 70 km por hora. A recarga pode ser feita por plugues alimentados por painéis fotovoltaicos, levando um tempo de até oito horas.

CONCEITO Modelo com emissão zero de poluentes


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MAIS TRANSPORTE COOPERCARGA/DIVULGAÇÃO

A Reforma Esquecida: Orçamento, Gestão Pública e Desenvolvimento A reforma orçamentária, apesar de sua importância, não despertou o devido interesse no país. Livro discute por que isso acontece e apresenta propostas para alterar o processo orçamentário. De: Fernando Rezende e Armando Santos Moreira da Cunha (org.), Ed. FGV, 340 págs., R$ 59

Caminhão movido a etanol Uma parceria entre a Coopercarga, a Natura e a Scania proporcionará mais inovação e sustentabilidade à operação de transporte e logística da Natura. Parte do transporte dos produtos está sendo feito por carretas movidas a etanol, que emitem cerca de 90% menos CO2 se comparadas com veículos a diesel.

Novo traçado é definido O traçado geral da ferrovia da serra do Mar foi decidido. A via, que vai ligar a região de Curitiba ao litoral do Estado do Paraná, será construída entre a cidade de Lapa, na região metropolitana, e Paranaguá, cruzando Curitiba. Segundo informações da Ferroeste, a nova ferrovia deve descer a

serra do Mar até a região dos portos, aproveitando a faixa de domínio da BR-277. O traçado vai desviar dos parques nacionais de Saint Hilaire-Lange e Guaricana. Sete planos vinham sendo analisados. Os resultados dos estudos preliminares foram apresentados em reunião entre a ANTT (Agência Nacional de

Transportes Terrestres), a Valec e representantes do setor produtivo, de meio ambiente e do governo paranaense. O outro braço da ferrovia, no oeste do Estado, que vai ligar a Ferroeste, em Cascavel, por meio de Guaíra, a Dourados e Maracaju, no Mato Grosso do Sul, está na fase de tomada de subsídios.

Gestão de logística, distribuição e trade marketing Esse livro tem como propósito apresentar os principais conceitos teóricos, ferramentas de apoio e exemplos de empresas líderes nessas áreas citadas no título. De: Fernando Saba Arbache, Almir Garnier Santos, Christophe, Montenegro Moreira, Wladimir Ferreira Salles, Ed. FGV, 180 págs., R$ 27


HOMENAGEM

Prêmio Fetram de Qualidade do Ar 2013 é entregue m sua quarta edição, o Prêmio Fetram de Qualidade do Ar mais uma vez reconheceu o trabalho das empresas participantes do Despoluir – Programa Ambiental do Transporte em Minas Gerais. A premiação valoriza o trabalho das empresas que têm suas emissões monitoradas, se preocupam com a melhoria da qualidade do ar, com o uso racional do combustível e que obtiveram os melhores desempenhos junto ao Projeto I – Redução da Emissão de Poluentes pelos Veículos do Despoluir. A solenidade reuniu empresários, colaboradores e representantes dos órgãos do setor de transporte, em junho, na sede do SetraBH/Sintram, em Belo Horizonte (MG). Para estimular ainda mais a participação das empresas de transporte de passageiros que operam em linhas regulares nos segmentos urbano, rodoviário intermunicipal, interestadual e internacional no Despoluir, a Fetram modificou o regulamento nesta edição e premiou 30 empresas em três categorias: Prata, Ouro e Ouro–Destaque. Para ser premiada, a empresa inscrita precisava aferir o mínimo de 70% da frota total da empresa em, pelo menos, uma medição trimestral para as empresas localizadas nos municípios que compõem a Região Metropolitana de Belo Horizonte. E uma semestral para as localizadas nas demais cidades do Estado de Minas Gerais. Foram avaliadas 113 empresas participantes do Despoluir, ao longo de um ano, no período de 1º de abril de 2012 a 31 de março de 2013. Desse total, 52 se inscreveram nessa edição do prêmio e 30 se classificaram.

FOTOS LÍLIAN MIRANDA/FETRAM

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RECONHECIMENTO Prêmio Fetram premiou 30 empresas em três categorias este ano

VALORIZAÇÃO Waldemar Araújo, presidente da Fetram (à dir.) participa da solenidade

Na categoria Prata foram premiadas as empresas: Milênio Transportes Ltda., São Dimas Transportes Ltda., Via BH Coletivos Ltda., Via Oeste Transportes Ltda., Viação Anchieta Ltda., Viação Globo Ltda., Rouxinol Viagens e Turismo Ltda. e Empresa São Gonçalo Ltda. Receberam o prêmio na categoria Ouro: Viação Fênix Ltda., Turilessa Ltda. – Unidades de Uberlândia, Lavras e Varginha, Turin Transportes Ltda., Univale Transportes – Unidade de Coronel Fabriciano, Viação Itaúna Ltda., Viação Princesa do Sul Ltda. e Viação Santa Luzia Ltda. Treze empresas se destacaram porque superaram a meta de fazer o máximo de aferições no período, com 100% da frota

aferida e 100% de aprovação em todas as medições. E, por isso, receberam o prêmio na categoria Ouro–Destaque: Auto Omnibus Floramar Ltda., Auto Omnibus Nova Suissa Ltda., Riacho Transporte Ltda. e Urca Auto Ônibus Ltda. O presidente da Fetram (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de Minas Gerais), Waldemar Araújo, ressaltou a importância do trabalho da equipe do Despoluir da Fetram. Ele também justificou as alterações no regulamento. “A cada ano, a disputa fica mais acirrada. Por isso, achamos importante ampliar a premiação para que mais empresas se sintam motivadas a realizar as aferições com ainda mais afinco. As em-

presas que se empenham mais têm maiores chances. E, para 2014, os resultados deverão ser ainda maiores, já que, para atender ao novo regulamento, as empresas deverão aferir pelo menos 95% da frota.” Os colaboradores da empresa Riacho Transportes, do Grupo Transimão, Evandro Teixeira Egídio, José Luiz da Costa e Nelson da Silva Pereira Filho, apresentaram o Programa Condução Econômica, para incentivar as boas práticas às outras empresas. José Eustáquio Guido, gerente-geral do Grupo Pássaro Verde, representando a empresa Turi Transporte Urbano Rodoviário e Intermunicipal Ltda., agradeceu em nome das empresas premiadas. (Com informações de Lilian Miranda)


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MAIS TRANSPORTE FEIRA

Viracopos ganha free shop A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos e a Dufry inauguraram o free shop do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). Segundo a concessionária, o aeroporto ficou dez anos sem lojas com produtos isentos de impostos para passageiros que embarcam ou desembarcam em voos internacionais. As novas lojas oferecem um mix de produtos importados, entre bebidas, perfumes e cosméticos, alimentos, eletrônicos, relógios e

artigos para presente de conhecidas marcas internacionais. A expectativa da gestora é de que o investimento ajude Viracopos a atrair mais voos internacionais. Atualmente, são operados seis voos semanais da TAP vindos de Portugal, sendo três no embarque e três no desembarque. No total, aproximadamente, 6.000 passageiros de voos internacionais passam pelo terminal por mês. AEROPORTOS BRASIL VIRACOPOS/DIVULGAÇÃO

VIRACOPOS Free shop inaugurado em Campinas

Mais de 13 mil pessoas visitam a 15ª TranspoSul (Feira e Congresso de Transporte e Logística), que ocorreu entre os dias 3 e 5 de julho, no Centro de Eventos da Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul), em Porto Alegre, reuniu mais de 13 mil pessoas. Considerado o maior evento do segmento na região Sul e segundo maior no Brasil, realizado pelo Setcergs (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul), a edição deste ano trouxe as novidades tecnológicas dos maiores fabricantes de caminhões, pneus, distribuidores de combustíveis e fornecedores do ramo de implementos do país. Além de equipamentos e serviços voltados para a logística e a multimodalidade. Com a presença de 25 palestrantes nacionais e internacionais e mais de 40 expositores e representantes de grandes empresas de logística de todo o país, na feira, foram comercializados R$ 135 milhões, apenas com a venda de caminhões e implementos rodoviários. Uma das novidades desta edição da TranspoSul foi a realização do 1º Congresso Internacional de Comércio Exterior e Logística – InterComex 2013, que mobilizou os profissionais de atividades

A

voltadas para exportação e importação. O encontro teve quatro painéis com os temas: “O Transporte Rodoviário Internacional no Mercosul”; “A Multimodalidade e o Escoamento da Produção”; “As Estratégias e a Logística para o Comércio Exterior” e “As Perspectivas do Brasil nos Mercados Globais”, com palestrantes da China, da Bélgica, dos Estados Unidos e da Argentina. De acordo com o coordenador da TranspoSul e vice-presidente do Setcergs, Afrânio Kieling, o evento é muito importante para o setor, visto que muitas montadoras deixam para fazer seus lançamentos e promoções na feira. Além disso, as vendas realizadas nos três dias do evento equivalem a um mês de vendas em todo o Estado do Rio Grande do Sul, afirma. Para Kieling, o balanço geral da feira foi muito positivo. “Consideramos que o evento é muito oportuno já que o tema infraestrutura atinge todos os setores da sociedade e, sem dúvida, a troca de experiências é de grande valia para todos os participantes. Mas é claro que temos sempre o que melhorar e, para isso, já estamos planejando a 16ª edição da feira”, afirma. Segundo o presidente do Setcergs, Sérgio Neto, a combinação de uma grande feira setorial com um congresso dirigi-


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FOTOS JOSÉ LUIZ ROCHA/TRANSPOSUL/DIVULGAÇÃO

TranspoSul do a empresários e executivos das empresas que atuam direta e indiretamente no transporte e na logística têm sido a bemsucedida fórmula para reunir esse segmento em torno de um evento múltiplo. Para Neto, a cada ano, a TranspoSul se consolida como um evento de transporte e logística multimodal com grandes expositores e público qualificado. “A feira atendeu inteiramente às nossas expectativas e as vendas superaram as metas dos nossos expositores”, ressalta. Prêmio Setcergs de Logística Simultaneamente ao evento, aconteceu a entrega do VI Prêmio Setcergs de Logística, no dia 5 de julho. A premiação é voltada a alunos que realizaram Trabalho de Conclusão, apresentado e entregue entre 2011 e o primeiro semestre de 2013, de cursos tecnólogos, de graduação, pós-graduação lato sensu ou MBA em Logística, Administração, Comércio Exterior, Engenharia de Produção e demais áreas voltadas para melhorias da gestão dos processos logísticos das empresas. O primeiro lugar foi premiado com R$ 3.000; o segundo com R$ 2.500; e o terceiro recebeu R$ 2.000. Já os 4º e 5º lugares recebe-

NEGÓCIOS Vendas em três dias de feira equivalem as de um mês no Rio Grande do Sul

PRESENÇA Sérgio Neto, presidente do Setcergs

ram certificados de menção honrosa. Os respectivos orientadores dos trabalhos ganharam a mesma premiação dos alunos. Os cinco primeiros colocados terão seus trabalhos publicados nos sites do Setcergs e da Prolog – Capacitação e Consultoria em Logística, e o trabalho vencedor será publicado na revista do sindicato, a Transnotícias. As inscrições para a próxima edição do prêmio Setcergs de Logística estarão abertas a partir do mês de novembro deste ano, para estudantes de graduação e pós-graduação de todo o Brasil. Mais informações no site www.transposul.com. (Katiane Ribeiro)

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VOLVO/DIVULGAÇÃO

CNT TRANSPORTE ATUAL

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MAIS TRANSPORTE Singapore inova A Singapore Airlines apresentou a nova versão do KrisWorld, seu canal de entretenimento a bordo. O sistema funciona com a plataforma Panasonic Avionics e, inicialmente, será disponibilizado em oito novas aeronaves. Ele apresenta uma tela LCD maior que o sistema anterior, com função touchscreen em todas as classes (de 23 a 24 polegadas na primeira; de 15,4 a 18 polegadas

na executiva e de 10,6 a 11,1 polegadas na econômica). Todas as categorias contam com acesso à mais de mil opções de entretenimento. O KrisWorld fornece ainda informações relevantes para o voo, reduzindo o número de anúncios a bordo, o que evita interrupções na navegação dos passageiros. A previsão é de que os aviões comecem a operar a partir de setembro.

VOLVO Uso de 16 robôs promove ganhos ambientais

SINGAPORE AIRLINES/DIVULGAÇÃO

Área de pintura automatizada

TECNOLOGIA Acesso a mais de mil opções de entretenimento

Segurança aeroviária O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) vai promover, no dia 17 de agosto, o Simpósio Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos. O evento acontece no Hotel Transamérica, na capital paulista. O encontro é gratuito e pretende proporcionar discussões, informações e conhecimentos sobre aspectos

de segurança da aviação no país. Os temas das palestras abrangem responsabilidade criminal em acidentes aeronáuticos, cultura de segurança e treinamento de aeronavegantes, os maiores vilões da aviação e como combatê-los, entre outros assuntos. As vagas são limitadas. Mais informações no site www.cenipa.aer.mil.br.

A Volvo automatizou as linhas de pintura da fábrica de cabines de caminhões do complexo industrial de Curitiba (PR). Conforme a montadora, com a implantação dos 16 robôs, responsáveis pela pintura e pela manipulação das cabines, a companhia melhora a qualidade da pintura e promove ganhos ambientais (em uma das linhas, a pintura é feita à base de água e não utiliza mais solvente).

Além disso, a capacidade de produção foi aumentada. “Essa modernização faz parte do programa de investimentos e de expansão dos negócios do Grupo Volvo no Brasil. O aumento da qualidade na pintura e da capacidade de produção contribui na busca pela liderança da marca no segmento em que atua”, afirma Roger Alm, presidente do Grupo Volvo América Latina.

Petrobras contrata a Locar A Petrobras contratou a Locar, empresa especializada em guindastes e transportes especiais, para transportar e armazenar uma série de equipamentos importados que serão utilizados nas obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).

O transporte do porto do Rio até a base da Locar, na Ilha do Governador, foi realizado por meio de balsas. Os equipamentos, alguns com mais de mil toneladas cada, devem ficar armazenados por aproximadamente um ano na base da Locar.


CNT TRANSPORTE ATUAL

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ANIVERSÁRIO

Setcepar lança livro comemorativo de 70 anos SETCEPAR/DIVULGAÇÃO

o dia 28 de junho, o Setcepar (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná) completou 70 anos com uma celebração realizada no Clube Curitibano, em Curitiba (PR). Para comemorar a data, o sindicato lançou uma publicação, em parceria com o jornalista Norberto Staviski, e um selo comemorativo. O livro com 150 páginas conta a trajetória da evolução do transporte de cargas no Estado do Paraná e a importância da categoria para a economia paranaense ao longo dos anos. “Vasculhamos nossos arquivos, entrevistamos pessoas que fizeram parte dessa história e mergulhamos no tempo. O resultado é um livro com fatos importantíssimos não só para os transportadores, mas toda a sociedade”, afirma o presidente do Setcepar, Gilberto Antonio Cantú. Além do livro, as fotos feitas durante a coleta dos dados farão parte de uma exposição itinerante, com painéis que irão circular por diferentes espaços ainda a serem definidos, em Curitiba. “Por meio dessa busca de dados históricos, pudemos observar que o Paraná só conseguiu realmente uma integração com o restante do Brasil e se desmembrou de São Paulo por causa do ciclo da erva-mate”, diz Cantú. A erva-mate foi responsável por um dos mais longos e produtivos ciclos econômicos da história paranaense, tendo seu auge no século 19.

N

COMEMORAÇÃO Presidente do Setcepar, Gilberto Antonio Cantú, e convidados na cerimônia

De acordo com Cantú, o transporte rodoviário de cargas foi diretamente responsável pela evolução desse ciclo econômico, transportando a riqueza e melhorando o fluxo da erva-mate. O presidente do sindicato lembra que a erva era antes transportada nas costas de homens, ou por mulheres, pelo Caminho do Itupava e, mais tarde, por carroças. “Por esse transporte ser muito ineficiente, começou-se a investir em outros meios e assim nasceu o transporte rodoviário de carga do Paraná. Foi quando começaram a se abrir novos caminhos, a aprimorar os veículos e as formas de distribuir nossos produtos”, ressalta Cantú. A trilha histórica do Itupava foi aberta entre 1625 e 1654, por índios e mineradores, e calçada com pedras por escravos para ligar Curitiba a Morretes, no Estado do Paraná.

Durante o evento, foram entregues troféus comemorativos dos 70 anos do sindicato a sete ex-presidentes da entidade. Foram homenageados Eloy Lázaro Fabrri (1972/1973); Roberto Sérgio Merolli (1974/1977); Waldomiro Koialankas Filho (1977/1980); Gilberto Francio (1980/1983); Valmor Weiss (1983/1986); Rui Cichella (1999/2004) e Aldo Fernando Klein Nunes (2005/2010). A dupla Chitãozinho & Xororó foi a atração da festa, que reuniu quase mil pessoas. “Estamos muito felizes de poder completar 70 anos cheios de

SERVIÇO Quem se interessar pela publicação comemorativa pode entrar em contato com o Setcepar pelo telefone (41) 3014-5151.

conquistas para os transportadores. Por isso, trabalhamos para que esse evento fosse histórico”, afirma Cantú. História Criado em 1943, o Setcepar representa 5.000 empresas de transporte de cargas em 265 cidades do Estado. O sindicato oferece aos associados diversos serviços e eventos para debater e fomentar melhorias no setor e no relacionamento das empresas entre si e com os demais setores da sociedade. (Katiane Ribeiro)


PERSONAGEM DO TRANSPORTE

radiocomunicador que auxilia os caminhoneiros durante as longas viagens também assume uma função social. Em Joinville, em Santa Catarina, um grupo de radioamadores utiliza a tecnologia para ajudar a quem mais precisa. É pelo rádio que os membros do grupo convocam os parceiros para realizar campanhas de arrecadação de agasalhos, de alimentos, de brinquedos, de doação de sangue e até de orientações sobre a importação da vacinação de crianças e adultos. Caminhoneiro há 19 anos, Marcílio Leoni é um dos integrantes do Clube de Rádio Operadores de Joinville. Entre as cargas já transportadas por ele, as que lhe deram mais orgulho são justamente as das campanhas. “Saímos com o caminhão pelas ruas da cidade e sempre voltamos com ele cheio de doações”, conta. Leoni trabalha, há 12 anos, na Aceville Transporte, mesmo período que integra o clube. A empresa também contribuiu com as ações, fornecendo o caminhão para a coleta das doações.

O

Mobilização via rádio Caminhoneiro participa de grupo que realiza ações sociais, como arrecadação de roupas e alimentos para comunidades carentes POR

Mensalmente, ele realiza dez viagens, entre Joinville e São Paulo, transportando cargas secas variadas. O trajeto de ida e de volta tem aproximadamente 1.090 km, e a duração da viagem, em apenas um dos trechos, é de 8h30. “Na estrada, utilizamos os rádios para passar informações sobre as condições das rodovias ou outros problemas que existam no trajeto. Com o clube, demos uma nova função ao radioamadorismo”, conta ele. Fundado em 1987, o clube é uma sociedade civil filantrópica,

LIVIA CEREZOLI

reconhecida pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que conta, atualmente, com 90 sócios. Os radioamadores operam em duas frequências: PX frequência 27.135 MHz (faixa do cidadão, 11 metros) e VHF frequência 145.430 MHz (dois metros). De acordo com Leoni, todos os meses, os membros se reúnem para definir as ações que serão realizadas em cada campanha. O clube conta com a parceria de outros grupos, como motoqueiros, jipeiros, membros de

clube de automóveis e empresas privadas. “Temos várias pessoas que nos auxiliam nos trabalhos de arrecadação e de doação. São parceiros que contribuem muito com as nossas ações.” Algumas campanhas – do agasalho, do Dia das Crianças e do Natal – são fixas e acontecem todos os anos. Outras, como a de doação de sangue e de vacinação, são realizadas sempre que necessário. A última campanha do agasalho estava programada para acontecer dia 14 de julho. “Convocamos todo mundo pelo


LUCIANO MORAES/NOTÍCIAS DO DIA

PARTICIPAÇÃO Conhece algum profissional do setor de transporte que mereça ter a sua história contada aqui na revista CNT Transporte Atual? As sugestões podem ser enviadas para revista@cnt.org.br. A seção “Personagem do Transporte” tem como objetivo principal contar a história de profissionais do setor que abraçaram uma causa e lutam por ela. Esse novo espaço da revista pretende valorizar os profissionais que se destacam por um talento especial e utilizam isso para promover uma vida melhor em suas comunidades. A nova seção também pretende despertar o interesse em outros trabalhadores para correrem atrás do que eles realmente querem e acreditam.

radioamador e depois anunciamos o trajeto a ser percorrido na cidade. Muitas pessoas já ficam na porta de suas casas com as doações nos aguardando.” O grupo já chegou a arrecadar 100 mil peças de roupas em uma única campanha. No Dia das Crianças, o clube realiza uma grande festa, com distribuição de doces e brinquedos em comunidades carentes de Joinville e, no Natal, são distribuídas cestas básicas. “É fundamental para a minha vida a realização desse trabalho. É muito gratifi-

cante ajudar as pessoas. Levo minha esposa e minhas duas filhas – de 27 e 25 anos – sempre comigo. Tenho certeza que a recompensa virá”, afirma Leoni. Nas ações de doação de sangue, o grupo convoca voluntários para comparecer ao hemocentro da cidade e, nas campanhas de vacinação, realiza blitze educativas com os agentes de saúde para orientar a população sobre a importância desse tipo de ação. Além disso, o grupo de radioamadores também atua em si-

tuações de risco, como enchentes e desabamentos. “Quando aconteceu aquela tragédia em Santa Catarina (em 2008, 135 pessoas morreram em enchentes que afetaram 60 cidades e mais de 1,5 milhão de pessoas), montamos bases de operação de radioamador em várias cidades e monitorávamos essas regiões”, conta Leoni. De acordo com ele, o trabalho, realizado em parceria com a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros, envolvia desde passar alertas para a comunidade, até

convocar voluntários para auxiliar na coleta de doações, na distribuição de alimentos, de água e de remédios. “Pelo rádio, conseguíamos saber em qual cidade ou região a ajuda era mais necessária e para onde os voluntários deveriam ir.” O Clube de Rádio Operadores de Joinville está aberto para novas parcerias e também para receber doações. O contato com os membros pode ser feito por meio do site que a entidade mantém na Internet (www.crojjoinville.eev.com.br). l


REPORTAGEM DE CAPA

O fantasma e


JÚLIO FERNANDES/CNT

Mesmo distante da realidade das décadas de 80 e 90, a inflação começa a assustar os brasileiros. No setor de transporte, empresas têm custo elevado e investimentos podem ser adiados

stá de volta?


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POR

AGOSTO 2013

LIVIA CEREZOLI

combustível ficou mais caro, a manutenção e a compra dos equipamentos sofreram reajustes, a demanda retraiu e, no fim do mês, está mais difícil fechar a conta. A alta da inflação registrada no último ano já tem impactado diversos setores da economia, inclusive a atividade transportadora. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), taxa de inflação oficial do governo federal, medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ficou em 6,7% entre junho de 2012 e junho de 2013. O percentual ultrapassa o teto da meta estabelecida pelo governo, de 6,5%. O centro da meta é de 4,5% ao ano. Embora ainda não seja motivo de grandes preocupações, transportadores dos diversos modais – rodoviário de cargas e de passageiros, ferroviário, aéreo e aquaviário – mostram certa apreensão com a possível volta da inflação e a consequente elevação dos custos dos principais insumos ligados ao setor.

O

REFLEXO Preço das peças

“Tivemos estímulo ao consumo, e não melhorias de produção. A demanda é maior que a oferta” SÍLVIO CAMPOS NETO, TENDÊNCIAS CONSULTORIA

Dados da Sondagem Expectativas do Transportador 2013, divulgada em março pela CNT, mostram que grande parte dos empresários (49,9%) afirma que os impactos da inflação nas atividades da empresa são altos. Outros 44,3%, que são moderados e apenas 5% responderam que são baixos. A maioria dos entrevistados (62,6%) acredita que a inflação se elevará em 2013. Outros 30,1% esperam que ela seja mantida e apenas 5% apostam em redução dos índices até o fim do ano. Para o

levantamento, foram ouvidos 515 transportadores. A percepção deles é a mesma de economistas que já sinalizam para uma tendência de manutenção das taxas mais elevadas até o fim do ano. As previsões apontam para um índice em torno de 6%. Em 2012, a taxa fechou em 5,84%. Na visão de Sílvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, esse valor é bastante alto quando considerado os patamares internacionais. Para o economista, um índice entre 2% e 3% ao


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ANTF/DIVULGAÇÃO

MEMÓRIA

Inflação acima de 4.000%

utilizadas na manutenção ferroviária é elevado devido aos índices de inflação

ano seria o ideal. Segundo ele, essa elevação é reflexo da política econômica brasileira adotada nos últimos anos. “Tivemos um grande estímulo ao consumo, e não a melhorias de produção. A demanda é maior que a oferta”, analisa. E quando existem mais compradores do que produtos a serem vendidos, a tendência é de alta nos preços: do feijão ao combustível, do leite à manutenção dos veículos e equipamentos, do tomate à folha de pagamento dos funcionários. Na composição dos custos

das empresas de transporte rodoviário, o combustível é o item que tem o maior peso. De acordo com Maurício Lima, diretor da área de capacitação do Ilos (Instituto de Logística e Supplay Chain), o diesel corresponde, em média, a 30% dos custos, o valor do veículo, a 20% e, em seguida, vêm a mão de obra (16%), a manutenção (8%) e os pneus (6%). Só em 2013, o diesel já sofreu dois reajustes e acumula alta de 10,72%, segundo o Índice Nacional de Variação de Custos do Transporte Rodoviá-

Ainda é muito recente na memória dos brasileiros a corrida às compras, diariamente, para garantir produtos mais baratos durante as décadas de 1970 a 1990. Os índices de inflação no período ultrapassaram os 4.000% ao ano. Em junho de 1994, o IPCA, medido pelo IBGE, chegou a 4.922,60%. De acordo com Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, esse processo inflacionário foi decorrente de uma combinação altamente perversa ao equilíbrio de preços. “De um lado, havia um grande descontrole fiscal e monetário, com deficit público elevado. Por outro, a capacidade de oferta era extremamente limitada, diante de uma economia fechada às importa-

rio medido pela NTC&Logística (Associação Nacional de Transporte de Carga e Logística). Somados todos os insumos, o custo do transporte de cargas fracionadas subiu 5,01% no primeiro semestre. “A alta só não foi maior porque o preço dos veículos sofreu uma pequena retração”, afirma Flávio Benatti, empresário e presidente da entidade. De acordo com ele, esse novo cenário econômico que se desenha no Brasil obriga as empresas a se adaptarem principalmente em relação

ções e com um sistema produtivo ineficiente e de baixa produtividade”, explica. Foi com a instituição do Plano Real, em 1994 (as bases do programa foram lançadas no fim de 1993), que o país conseguiu acabar com quase três décadas de inflação elevada. Além da substituição da moeda (cruzeiro real pelo real), segundo Campos Neto, medidas como a imposição de uma política monetária restritiva (juros elevados) e a abertura econômica (ampliação da oferta de importados para permitir uma maior competição no mercado de bens) também contribuíram para reduzir a inflação de 2.477%, em 1993, para apenas 9,5%, em 1996, e 1,6% em 1998.

O custo do transporte de cargas fracionadas subiu

5,01% no primeiro semestre


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INVESTIMENTOS

Governo garante valores O corte de R$ 10 bilhões no orçamento deste ano já sinalizado pelo governo federal, como uma das medidas econômicas para conter a inflação, não deve afetar os investimentos em infraestrutura de transportes, segundo informações do Ministério dos Transportes, da SAC (Secretaria de Aviação Civil) e da SEP (Secretaria de Portos). De acordo com Martha Seillier, diretora do Departamento de Regulação e Concorrência da Aviação Civil da SAC, qualquer possível redução de gastos do governo deve incidir sobre as despesas de custeio e, portanto, não afetará os investimentos em infraestrutura aeroportuária. Segundo ela, os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental das concessões dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Minas Gerais, mostram a viabilidade dos projetos mesmo havendo mudanças na taxa de inflação. Os terminais receberão R$ 9 bi-

aos investimentos em ampliação de frota. A situação é bastante semelhante no setor de transporte rodoviário de passageiros. Paulo Porto, presidente da Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros), destaca que a volta da inflação tem causado uma série de dificuldades para as empresas. “Os aumentos em todos os insumos, principalmente o preço dos equipamentos, o diesel e a mão de obra, oneram for-

lhões de investimentos e o cronograma de concessão terá início neste segundo semestre. O Ministério dos Transportes, responsável pelas obras em rodovias e ferrovias garante que não haverá alterações no cronograma de intervenções devido à questão econômica do país porque a EPL (Empresa de Planejamento e Logística), responsável pela implementação do PIL (Programa de Investimentos em Logística), não detectou diminuição do ânimo de investidores interessados nos diversos empreendimentos já anunciados. No entanto, os editais de concessão das BR-040 e BR-116 foram cancelados no final de julho. Segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), “serão realizados ajustes finos necessários para dar mais atratividade às concessões”. Os novos editais devem ser publicados em outubro e o leilão tem previsão para acontecer em novembro.

“Os aumentos dos insumos oneram as empresas, e os investimentos podem ser postergados” PAULO PORTO, PRESIDENTE DA ABRATI

IMPACTO Inflação em alta reduz demandas por via

temente o caixa das empresas, prejudicando os investimentos programados que podem ser postergados.” De acordo com o dirigente, esses insumos tiveram altas superiores aos índices inflacionários do último ano e não foram repassados aos consumidores, já que o setor não realiza reajuste de tarifas desde julho do ano passado. Porto explica que não é possível mensurar numericamente o impacto da inflação na atividade porque os custos das empresas va-

riam de acordo com a qualidade das estradas utilizadas, a geografia das rotas, a idade da frota e a região em que os veículos rodam, com maior ou menor volume de tráfego. No transporte aquaviário, a compra de equipamentos é o setor mais afetado. Segundo Irani Bertolini, presidente das Empresas Bertolini (Construção Naval e Transporte Fluvial e Rodoviário de Cargas), a inflação destrói qualquer princípio de planejamento em médio e longo prazo. “A compra


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PEQUI FILMES/DIVULGAÇÃO

INFLAÇÃO BRASILEIRA Veja os dados do IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) VARIAÇÃO NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS (%) 10 9,30 9 7,60 8 7 5,69 6 5 4 3 3,14 2 1 0

2003

2004

2005

2006

6,70

6,50 5,90

5,91 5,84

4,46

4,31

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013*

VARIAÇÃO NO ÚLTIMO ANO (%) 10 0.9 0.8 0.7 0.6 0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0

0,86 0,79 0,57 0,60

0,43

0,60

0,55

0,59 0,41

0,37

0,26

0,08 Jun/12

Jul/12 Ago/12 Set/12 Out/12 Nov/12 Dez/12 Jan/13 Fev/13 Mar/13

*Até junho

O índice de inflação chegou a

6,7% no último ano

Abr/13 Mai/13 Jun/13 FONTE: IBGE

gens aéreas; empresas já reduzem oferta

de empurradores e de balsas é realizada com muita antecedência (em média um ano e meio para a entrega dos equipamentos) e, sem estabilidade econômica, não é possível investir.” Um empurrador custa em média R$ 4,8 milhões e uma balsa, R$ 3 milhões. “São valores altos que precisam ser programados.” Para Meton Soares, vicepresidente da CNT para o transporte aquaviário, aéreo e ferroviário, a falta de uma indústria nacional forte que pos-

0,47

sa suprir a demanda das empresas de navegação dificulta ainda mais o planejamento do setor. “Dependemos de peças e equipamentos importados e, com a inflação e o dólar em alta, o custo eleva-se bastante e o lucro acaba reduzido.” Na visão de Bertolini, 5% é uma margem de lucro ideal para as empresas de navegação trabalharem, mas com o custo dos insumos elevado e sem poder repassar os valores para os clientes, essa taxa, atualmente, está perto de zero. Nas

empresas do grupo, só não houve retração de investimentos porque as commodities agrícolas (principal produto transportado) estão em alta. No setor ferroviário, segundo Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), a elevação da inflação tem impacto direto tanto na operação dos concessionários quanto na infraestrutura da malha. O primeiro ponto destacado por ele também é a al-


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teração dos preços para compra de peças e de equipamentos, uma vez que os mesmos são importados e têm seus preços estabelecidos em dólar. “Isso aumenta os custos e afeta as operações de manutenção dos equipamentos.” A alta também reflete no custo logístico e na exportação de produtos – 80% do volume transportado pelas rodovias correspondem ao mercado externo que sofre influência direta dessas oscilações. No modal aéreo, o primeiro impacto da inflação, e talvez o mais prejudicial, vem da diminuição do poder aquisitivo da população. “A inflação corrói a renda das pessoas e obriga a uma redução de custos. As viagens são as primeiras a serem cortadas. Diminui-se a demanda por passagens aéreas”, diz Adalberto Febeliano, consultor técnico da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). Esse cenário já tem, inclusive, refletido na quantidade de assentos nos voos oferecidos pelas companhias. Desde o ano passado, elas têm reduzido a oferta e novos cortes devem ser realizados no segundo semestre. “Até o momento, esse reflexo apenas atingiu o número de frequências de voos e

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DIFICULDADE Momento econômico brasileiro atrapalha planejamento das empresas de navegação

Copom subiu a taxa Selic para

8,5% ao ano

não obrigou as empresas a reduzirem o número de cidades atendidas”, explica Febeliano. Dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), divulgados em maio, confirmam a redução. Nos cinco primeiros meses deste ano, foram oferecidos 47,4 milhões de assentos nos voos domésticos, 6,36% menos do que no mesmo período de 2012, quando foram oferecidos 50,7 milhões. O número de passageiros que voaram se

manteve praticamente estável. Entre janeiro e maio deste ano, foram transportadas 35,1 milhões de pessoas. Este é o terceiro ano consecutivo no qual o índice de inflação deve ficar acima do centro da meta estabelecida pelo governo e isso tem contribuído, segundo o economista Campos Neto, para o surgimento de uma insegurança econômica, o que reflete diretamente não só no planeja-


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EMPRESAS BERTOLINI/DIVULGAÇÃO

ALTERNATIVA

Juros devem subir mais

fluvial para a compra de equipamentos

mento das empresas, mas também em obras de construção e de manutenção de novas vias, ferrovias e terminais de cargas e de passageiros. Diante desse cenário, ele alerta para a possibilidade do não cumprimento dos prazos estabelecidos pelo governo para a aplicação dos investimentos em infraestrutura de transporte anunciados no ano passado. “Os investidores podem retrair e não se sentirem segu-

Uma das formas de controlar a inflação é aumentar a taxa básica de juros da economia brasileira, conhecida como taxa Selic. Quanto mais alta for essa taxa, mais ela desestimula o consumo, uma vez que os juros cobrados nos financiamentos, nos empréstimos e nos cartões de crédito ficam mais altos. Os membros do Copom (Comitê de Política Monetária), órgão do Banco Central, em reunião realizada nos dias 9 e 10 de julho, decidiram aumentar a taxa em 0,5 ponto percentual. Com isso, o índice ficou em 8,5% ao ano. Para Samuel Pessôa, pesquisador do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da Fundação Getúlio Vargas, o governo

ros para participar das obras.” Campos Neto avalia que a decisão do governo em definir uma agenda de concessões voltada para a infraestrutura de transporte vem de maneira tardia e ainda um pouco tímida. “O anúncio dos investimentos foi feito em outro cenário econômico. Em 2012, a realidade era diferente. Hoje, convivemos com a preocupação do não cumprimento dos prazos e do afastamento dos investidores

brasileiro acertou ao decidir pelo aumento da Selic, mas essa ação veio com atraso. “A alta começou pelo menos um ano depois do necessário. Isso favoreceu esse crescimento da inflação”, explica ele. Em agosto de 2011, a Selic estava em 12,5%. Depois disso, iniciou-se um período de quedas, e a taxa de juros baixou até 7,25% em abril deste ano. A partir de maio, o Copom decidiu novamente aumentar os juros. “No início, o ciclo de baixa foi criticado por economistas, mas depois se mostrou bastante eficiente. Porém, a dose foi errada. Os juros caíram mais do que deveriam e agora a solução é voltar a subir”, avalia Pessôa.

“A inflação corrói a renda das pessoas e obriga uma redução de custos” ADALBERTO FEBELIANO, ABEAR

privados que poderiam participar das concessões”, afirma Benatti, da NTC&Logística. Com relação aos investimentos em aeroportos, a Abear acredita que nos terminais já concedidos não haverá alterações e que nos demais, ainda administrados pelo governo federal, o compromisso de investimentos assumido seja mantido. “Os recursos para essa finalidade são provenientes do Fundo Nacional de Aviação Civil e estão atrelados ao valor de outorga das concessões. Por isso, esperamos que não tenha nenhuma alteração”, destaca Febeliano. Na questão estrutural, Vilaça, da ANTF, afirma que pode existir um desestímulo nos investimentos em ferrovias, mas que o ambiente ainda é seguro. Na visão dele, o governo precisa dar uma atenção especial ao conjunto de obras anunciado no ano passado para que seja possível oferecer melhores condições de infraestrutura de transporte e, assim, incrementar a economia nacional. “Neste primeiro ano, depois do anúncio dos investimentos, ficamos apenas nos estudos e análises de projetos. O início da construção efetiva de novas linhas ferroviárias deve acontecer somente em 2016”, destaca. l


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CNT/DIVULGAÇÃO

FROTA DE CABOTAGEM

Mais agilidade para os financiamentos

Necessidade é apontada por representantes de empresas que operam o transporte aquaviário realizado pela costa do Brasil POR

CYNTHIA CASTRO

expansão e a renovação da frota que opera o transporte aquaviário são fundamentais para o crescimento desse modal e também para contribuir para o maior desenvolvimento econômico do Brasil. Na cabotagem, a idade média da frota é de 16,5 anos. E algumas dificuldades enfrentadas por EBNs (Empresas Brasileiras de Navegação), especialmente pelas menores, são a demora e a complexidade dos documentos para se ter acesso ao financiamento do FMM (Fundo da Marinha Mercante). O processo de avaliação dos pedidos

A

é longo e burocrático, com muitas exigências, comprometendo assim o estímulo à renovação da frota brasileira. Embarcações novas consomem menos combustível, poluem menos e possuem menores custos de manutenção. Tudo isso contribui para a redução do custo total do transporte. Conforme informações da Pesquisa CNT do Transporte Aquaviário – Cabotagem 2013, a solicitação de financiamento com recursos do FMM deve ser feita pelas empresas interessadas, com toda a documentação exigida, ao DEFMM (Departamento do Fundo da Marinha Mercante).


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PROPOSTA

Ministério indica mudanças Para acelerar as contratações de financiamento para renovação de frota naval no Brasil, foi feita, no último mês de junho, uma alteração na composição do CDFMM (Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante). As reuniões contam agora com a participação de representantes dos três principais agentes financeiros do Fundo da Marinha Mercante (BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), da Casa Civil da Presidência da República e da Petrobras. De acordo com informações do Ministério dos Transportes, “a inclusão dos principais bancos responsáveis pelo financiamento ao setor contribuirá para acelerar as futuras contratações de financiamento. A participação da Petrobras agregará conhecimentos no setor de óleo e gás, principal demandante dos recursos do FMM. E a inclusão da Casa Civil, órgão central responsável pela coordenação de governo, permitirá melhor articulação do fundo com outros elementos da política pública”. No início de agosto, estava marcada uma reunião do conselho para analisar a concessão de prioridade a projetos de 28 empresas

postulantes a financiamentos do fundo. Conforme o ministério, os projetos estarão aptos para contratação com os agentes financeiros, dentro do prazo de 360 dias, a contar da publicação do resultado da reunião no Diário Oficial da União. Somente após a contratação, os desembolsos de recursos do Fundo da Marinha Mercante poderão ser iniciados. O FMM é a principal fonte de financiamento de longo prazo destinada a promover o desenvolvimento da marinha mercante e da indústria de construção e reparação naval brasileira. De 2010 até o fim de junho de 2013, foram recebidos 174 projetos, sendo que cerca de 90% foram aprovados. Na seleção, o conselho do FMM destina recursos para a construção de navios e estaleiros, reparo, ampliação do número de embarcações – tanto de apoio como de cabotagem – e o aumento da capacidade das embarcações (jumborização) e modernização de estaleiros. Também financia embarcações de navegação fluvial (carga e passageiros), pesca e apoio portuário. Recentemente, o Conselho Monetário Nacional autorizou o financiamento pelo FMM de navios-sonda.

ESTÍMULO Corte de chapas em estaleiro;

“É preciso ter critérios bem definidos para avaliar os projetos” CLEBER LUCAS, PRESIDENTE DA ABAC

Após análise preliminar, o pedido é encaminhado ao CDFMM (Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante), que decidirá a respeito da concessão solicitada. A partir dessa decisão, será iniciado o processo com o agente financeiro, que analisará o projeto sob o ponto de vista econômico e financeiro. Na Pesquisa CNT do Transporte Aquaviário – Cabotagem 2013, há um organograma com todas as fases para se ter acesso ao fundo (leia nas páginas 34 e 35 desta reportagem).


CNT TRANSPORTE ATUAL

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AGOSTO 2013

STÉFERSON FARIA/DIVULGAÇÃO

FROTA Idade média das embarcações que operam na cabotagem TIPO DE EMBARCAÇÃO

QUANTIDADE DE EMBARCAÇÕES

IDADE MÉDIA

BALSA

10

10,9

BARCAÇA

29

8,6

1

39,0

13

23,0

FLUTUANTE

1

38,0

GASES LIQUEFEITOS

9

22,8

GRANELEIRO

12

16,9

LANCHA

2

3,0

MULTI-PROPÓSITO

1

13,0

BOTE CARGUEIRO

NAVIO CISTERNA

1

37,0

PETROLEIRO

37

22,4

PORTA-CONTÊINER

14

12,8

REBOCADOR/EMPURRADOR

19

10,9

ROLL-ON/ROLL-OFF

2

31,5

TANQUE QUÍMICO

1

2,0

OUTRAS EMBARCAÇÕES

3

28,7

155

16,5

TOTAL GERAL

incentivar a indústria naval é importante para o desenvolvimento do país

Segundo a avaliação da pesquisa da CNT, o processo é burocrático e tem contribuído para reduzir o ritmo de expansão da frota empregada na navegação de cabotagem no país, afetando a quantidade e o nível do serviço oferecido. Em 2012, de acordo com dados da pesquisa, do total de recursos desembolsados, apenas 6,8% foram destinados às empresas de cabotagem para a renovação e ampliação de suas frotas. Para navegação interior, o percentual foi de 0,7% e

para apoio marítimo, 21,3%. O restante, 71,2%, foi destinado para estaleiros, plataformas offshore, exploração de óleo/gás e apoio marítimo de petróleo. Na opinião do presidente da Abac (Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem), Cleber Cordeiro Lucas, é necessário desburocratizar o processo. Ele reconhece que, no último ano e meio, houve uma melhora, mas ainda há questões essenciais a se resolver. “É importante ter critérios bem definidos para a

PESQUISA CNT DO TRANSPORTE AQUAVIÁRIO – CABOTAGEM 2013

Em 2012, apenas

6,8% dos recursos foram para a cabotagem

avaliação dos projetos e regularidade na agenda do conselho deliberativo que avalia esses projetos. Assim, você tem as condições de agilidade necessárias para que se possa fazer o uso do recurso”, afirma. De acordo com Cleber Lucas, que também é vice-presidente do Syndarma (Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima), a demora na definição do acesso ao financiamento faz com que as empresas fiquem inibidas de empreender.


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CNT TRANSPORTE ATUAL

AGOSTO 2013

Burocracia Confira as etapas e todos os documentos necessários para conseguir obter financiamento 2

Documentação

Condições necessárias 1 Ser EBN (Empresa Brasileira de Navegação)/REB ou Estaleiro Brasileiro

Análise de Prioridade

Prioridade 1 - Carta de apresentação do pedido 2 - Indicação do agente financeiro - pode ser na própria carta de apresentação 3 - Especificação técnica resumida do projeto 4 - Arranjo geral da embarcação, se for o caso 5 - Planta baixa geral do empreendimento, se for o caso 6 - Cronograma de obras do estaleiro construtor 7 - Cronograma de construção da embarcação 8 - Pré contrato de construção entre o pleiteante e o estaleiro construtor 9 - Autorização para o agente financeiro informar ao DEFMM (Departamento do Fundo da Marinha Mercante) a existência de pendências financeiras 10 - Certidões que caracterizem a situação regular do grupo econômico a que pertence o pleiteante junto a: Secretaria da Receita Federal, Fazenda Nacional, FGTS, INSS

3

Feita pelo DEFMM (Departamento do Fundo da Marinha Mercante) /CDFMM (Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante) Condições de Prioridade: 1 - Projeto de empresa brasileira, para construção de embarcação em estaleiro brasileiro. Conversão, modernização ou reparação de embarcação própria, inclusive para a aquisição e instalação de equipamentos necessários, quando realizadas por estaleiro brasileiro 2 - Participação da bandeira brasileira no mercado onde a embarcação será empregada 3 - Política industrial e geração de empregos 4 - Percentual de nacionalização dos materiais e equipamentos 5 - Perda de divisas com pagamentos de fretes e afretamentos ao exterior 6 - Atividade considerada prioritária e de relevante interesse social

4

Consulta prévia Prioridade 1 - Qualificação do postulante / caracterização jurídica da empresa 2 - Controle do capital social 3 - Sociedades controladas 4 - Sociedades coligadas 5 - Caracterização do pedido de apoio financeiro 6 - Histórico operacional da empresa (frota atual/carga transportada nos últimos três anos/ serviços realizados nos últimos três anos) 7 - Concorrência nos últimos três anos 8 - Evolução do time charter (TC) médio anual de mercado nos últimos cinco anos 9 - Detalhamento do custo operacional da embarcação em análise 10 - O projeto 11 - Obras realizadas pelo estaleiro nos últimos cinco anos

Outras análises 1 - Detalhamento do orçamento e quadro de usos e fontes 2 - Descrição do demonstrativo de pagamentos 3 - Formulário de cadastro para estaleiros 4 - Ofício de autorização para obtenção de informações bancárias junto à instituição financeira 5 - Apresentação do projeto 6 - Análise do mapa de orçamento: descrição e discriminação quanto à mão de obra própria, mão de obra subcontratada, material e equipamentos nacionais, material e equipamentos importados

5

FIM DO CICLO Nega a prioridade e informa à empresa

Concede a prioridade 6 Agente financeiro* 7 BNDES


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AGOSTO 2013

de embarcações no Brasil com recursos dos FMM (Fundo da Marinha Mercante) 9

Documentação para solicitação de financiamento

Cadastro na instituição financeira 8 Ficha cadastral pessoa física e pessoa jurídica

1 - Carta da empresa solicitando o financiamento 2 - Consulta prévia 3 - Informações e documentos para a elaboração da classificação de risco 4 - Questionário de informações ambientais para enquadramento 5 - Questionário de informações sociais para enquadramento 6 - Questionário de aspectos relativos à inovação 7 - Relatório ou balanço social, se houver

Consulta prévia 10

Prioridades

Financiamento 1 - Dados da empresa 2 - Descrição do projeto 3 - Estudo de mercado 4 - Apresentação das garantias 5 - Outras informações consideradas pertinentes

O Depri (Departamento de Prioridades) recebe a documentação, verifica a adequação às políticas operacionais, elabora e encaminha ao Comitê a instrução de enquadramento com recomendações

Comitê de Enquadramento de Crédito 15 A empresa é notificada do enquadramento e prepara o projeto

18 Diretoria aprova

FIM DO CICLO

11

12

Depri envia cópias para Área de Crédito e Área Operacional

FIM DO CICLO Não enquadra

13

Área de Crédito Entrega ao Comitê de Classificação de Risco a proposta de limite de crédito que será homologada pela diretoria

14

Enquadra

16 A área operacional analisa, negocia com o cliente e estrutura a operação

19 Empresa é informada das condições para a contratação

17 A área operacional elabora o relatório de análise

Área operacional

20

Elabora o contrato e efetua a liberação dos recursos e o acompanhamento do projeto e da empresa

Diretoria não aprova e notifica a empresa

* A análise foi feita para o BNDES porque essa instituição concedeu 89% (em média) do total dos empréstimos dos últimos nove anos. Apenas em 2012, o BNDES foi responsável por 73% de todos os empréstimos concedidos com recursos do FMM. As outras instituições que atuam como agente financeiro do FMM são: Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal


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CNT TRANSPORTE ATUAL

AGOSTO 2013

INDÚSTRIA NAVAL

“É preciso investir em tecnologia e eficiência” Para estimular o desenvolvimento da indústria naval no Brasil, é preciso também que haja mais investimento em tecnologia, conforme ressalta o engenheiro Luiz Felipe Assis, chefe do Departamento de Engenharia Naval da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Ele considera que o estímulo à renovação da frota da cabotagem é importante para alavancar a indústria, mas o incentivo real depende de uma política mais ampla. “As demandas da Transpetro e da indústria de apoio marítimo, por

“Tem de haver política industrial voltada para construção naval” LUIZ FELIPE ASSIS, DA UFRJ

exemplo, têm sido importantes para alavancar uma indústria que estava parada. Mas a demanda do mercado doméstico ainda é insuficiente. Não se pode calcar a indústria da construção naval somente para atender demandas internas”, analisa o professor. Para que haja sustentação de longo prazo a esse segmento, a indústria naval brasileira precisa ganhar eficiência e ter padrões tecnológicos competitivos, conforme Assis. Isso não significa somente o investimento em equipamentos, mas também em mão de obra e em

“É preciso reconhecer que houve uma melhora, mas a burocracia ainda continua.” Os dados da pesquisa da CNT indicam que 77,2% do volume de carga transportada na navegação de cabotagem se refere a combustíveis e óleos minerais e produtos. Em seguida, estão a bauxita (10,1%) e os contêineres (5,1%). Também são transportados pela costa marítima brasileira madeira, reatores, caldeiras e máquinas, minério de ferro, pro-

sistemas sofisticados de gestão da produção, para se alcançar mais eficiência, produzindo mais, com menos recursos e em um menor tempo. “É necessário haver uma política industrial voltada para a construção naval. Precisa reconhecer os problemas e fazer investimentos, com a participação dos estaleiros e do governo, para estimular a pesquisa, para identificar as dificuldades em termos de tecnologia e trabalhar para melhorar a eficiência”, disse o chefe do Departamento de Engenharia Naval da UFRJ.

dutos químicos orgânicos, celulose, soda cáustica, sal, produtos siderúrgicos, entre outros. O sócio-diretor da Marajó Logística e do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas da Paraíba, José Arlan Silva Rodrigues, também ressaltou a necessidade de renovar a frota das embarcações que operam na cabotagem no Brasil. Ele enfatizou que os navios mais velhos acabam impactando no tempo de descarga, prejudican-

DESENVOLVIMENTO

do o processo de operacionalização das cargas. A empresa Marajó Logística é uma operadora portuária que atua no porto de Cabedelo, na Paraíba. Rodrigues citou um exemplo de prejuízos causados por uma frota envelhecida. “Vamos pensar em um navio novo, com guindaste novo e que vai passar por uma descarga de granéis. Vamos operar com uma retirada de 500 toneladas por hora. Já o navio sucateado, que apresenta


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AGOSTO 2013

CNT/DIVULGAÇÃO

DESEMBOLSO Veja os percentuais dos financiamentos do FMM em 2012 14,5%

34,9%

6,8%

20,6%

1,2% 0,7% 21,3%

Exploração de óleo/gás

Apoio marítimo petróleo

Plataforma offshore

Cabotagem

Navegação interior

Estaleiro

Apoio marítimo Fonte: Pesquisa CNT do Transporte Aquaviário – Cabotagem 2013

PESQUISA CABOTAGEM

Diferentes modais de transporte devem ser vistos de forma complementar

“Quem for empreender precisa ter as garantias necessárias” METON SOARES, DA FENAVEGA

muito problema mecânico, terá capacidade para 200 toneladas/hora. É menos da metade.” Desenvolvimento O conselheiro da Fenavega (Federação Nacional das Empresas de Navegação Marítima, Fluvial, Lacustre e de Tráfego Portuário), Meton Soares, enfatizou a importância da cabotagem para o desenvolvimento econômico do país. Ele também considera necessário que os processos

• A Pesquisa CNT do Transporte Aquaviário – Cabotagem 2013 está disponível na internet: http://bit.ly/pesquisacntcabotagem • A Pesquisa traz temas importantes como: a avaliação do nível de serviço do transporte de cabotagem e os principais entraves, soluções e perspectivas

para se obter financiamento sejam simplificados. “Obviamente, os pedidos precisam ser analisados com critério para examinar a capacidade operacional e de capital. Tudo isso precisa ser bem criterioso, mas é importante simplificar e dar mais agilidade para que se possa estimular a renovação da frota”, disse Meton Soares, que também é presidente da seção de Transporte Aquaviário da CNT. Segundo ele, os diferentes

modais de transporte devem ser enxergados de forma complementar, e não como competidores. “Cada um tem o seu espaço, que deve ser utilizado. As pessoas e o governo precisam enxergar o transporte como peça fundamental do desenvolvimento do país. É preciso investir na cabotagem, na renovação, na oferta de juros adequados, com prazos adequados. Tudo que for possível para que o empreendedor tenha a garantia necessária.” l


AVIAÇÃO

POR

LETICIA SIMÕES

ma das principais preocupações dos aeroportos é a segurança das pistas e dos pátios das aeronaves. O FOD (dano por objeto estranho, na tradução livre do inglês) é um problema que chama a atenção do setor e da indústria, que vem desenvolvendo novas tecnologias para sua eliminação. Esses detritos vão desde pequenos pedaços de papel a peças e animais, colocando em risco pousos e decolagens. Uma novidade já testada no Brasil está em análise pelas autoridades nacionais. Produzido em Israel, o FODetect é um equipamento que identifica qualquer tipo de objeto que eventualmente possa provocar danos às aeronaves. A Trade Automação e Controles, com sede em São Paulo, foi a responsável por trazer o FODetect ao Brasil. Antonio Klodzinski, diretor de mercado da empresa, afirma que a companhia enviou profissionais à sede da fabricante XSight Systems, em Tel Aviv (Israel), para conhecer a tecnologia e o processo de fabricação do sistema. “O FODe-

U

Auxílio te Equipamento que identifica qualquer tipo de objeto que tect já está presente em alguns dos principais aeroportos do mundo. Agora, está sendo testado no Brasil para que seja verificada a possibilidade de sua implantação nos grandes aeroportos do país.” O equipamento já faz parte da rotina de aeroportos, como Logan, em Boston (Estados Unidos), Ben

Gurion, de Tel Aviv, Suvarnabhumi, de Bangcoc (Tailândia), e Charles de Gaulle, de Paris (França). O aeroporto parisiense foi protagonista do que é considerado um dos maiores acidentes ocasionados por FOD. Em 2000, um Concorde da Air France com destino ao Caribe, que transportava 109

passageiros, decolava quando um de seus motores pegou fogo. Uma peça de metal caída de um avião da Continental Airlines, pouco antes da decolagem do Concorde, foi confirmada como a causa do acidente. O avião da Air France bateu em um hotel próximo ao Charles de Gaulle. Todos os passageiros e


FOTOS X SIGHT/DIVULGAÇÃO

NOVIDADE O FODetect está em análise pelas autoridades nacionais

cnológico possa provocar danos às aeronaves é testado no Brasil quatro pessoas que estavam em terra morreram. No Brasil, a nova tecnologia foi testada no aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). A Trade não divulgou os resultados obtidos com as avaliações do FODetect no terminal mineiro, mas confirma que tanto a Infraero quanto

outros consórcios administradores de aeroportos nacionais conhecem o sistema. “As operadoras de aeroportos privados são, em sua maioria, empresas internacionais que já conheciam o equipamento. Atualmente, alguns aeroportos brasileiros estão em fase de planejamento para verificar e

viabilizar a implantação do FODetect, tendo em vista todos os seus benefícios”, diz Klodzinski. O executivo não revelou quais terminais estão avaliando o equipamento. De acordo com o diretor, ainda não existe cronograma definido para que a Trade faça novos testes em outros aeroportos do país.

O superintendente de Gestão Operacional da Infraero, Marçal Goulart, afirma que a empresa está verificando a funcionalidade e os benefícios do FODetect. “Depois dessa análise e confirmando a viabilidade, será proposto o investimento para instalar o sistema nos aeroportos da rede à diretoria-executiva.” Goulart não informou o prazo para as conclusões acerca da tecnologia. O sistema do FODetect combina a capacidade do radar de ondas milimétricas com câmeras de vídeo de alta resolução, que possuem visualização noturna, possibilitando a operação em qualquer condição climática. “O equipamento cobre 100% da superfície e evita qualquer ponto cego. Por meio das câmeras e do conjunto de radares que cobrem a pista, ele consegue indicar a posição do objeto estranho, além das suas características físicas e as imagens desses detritos”, diz Klodzinski. Segundo o diretor da Trade, o sistema é totalmente automatizado e de fácil operação. “A leitura dos dados e a geração de alarmes são feitas por meio de um softwa-


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CNT TRANSPORTE ATUAL

re. O próprio sistema gera os alarmes dos dados e as informações do objeto detectado. Esse mecanismo facilita o trabalho dos operadores e do pessoal responsável pela remoção de detritos.” Uma vez implantado, as equipes de TI (Tecnologia da Informação) e de operação dos aeroportos recebem treinamento para operar o FODetect. De acordo com Klodzinski, a instalação utiliza a infraestrutura já existente no aeroporto. “Isso torna a implantação simples e com custo reduzido.” O valor da aquisição e implantação, segundo o diretor, depende do tamanho da pista e da quantidade de pistas que cada aeroporto comporta. O professor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Guido César Carim Júnior, especialista em segurança de voo, afirma que o equipamento israelense é uma novidade para o modal aéreo no Brasil. “Todo sistema automatizado apresenta limitações. Ao mesmo tempo, é muito difícil que as equipes de solo dos aeroportos façam a varredura na pista a cada pouso e decolagem. Acredito que o equipamento será um aliado para a eliminação do FOD. Os profissionais que já atuam nesse combate são essenciais para evitar o problema.”

AGOSTO 2013

SEGURANÇA Por meio das câmeras e dos radares que cobrem a pista, equipamento

Dispositivo cobre

100% da superfície e evita ponto cego

Segundo Carim Júnior, para eliminar o maior número possível de FOD nos terminais, o ideal é tentar evitar que objetos e peças pequenas circulem perto das aeronaves. “Quanto menos pessoas trafegarem em torno dos aviões, maior a prevenção.” O Brasil segue os procedimentos internacionais e o regulamento da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para eliminação do FOD nos aeroportos. De acordo com Goulart, da Infraero,

a fiscalização é feita em quatro inspeções diárias. “Elas são realizadas pelos fiscais de pátio, que são treinados para esse fim. Os profissionais percorrem todo o sistema de pista e de táxi das aeronaves, com passagens em cada metade da pista.” De acordo com o superintendente, além de verificar a existência de qualquer elemento estranho ao ambiente, os fiscais de pátio conferem outras áreas em que podem ser encontrados de-


CNT TRANSPORTE ATUAL

consegue indicar a posição do objeto estranho, além das suas características

tritos causadores de danos às aeronaves. “O funcionamento dos sistemas elétricos, das placas indicativas e das condições da área gramada ao lado das pistas e as condições estruturais dos pavimentos, também são checados. Toda essa gama de procedimentos contribui para a segurança das operações.” Ele ratifica que qualquer objeto estranho às operações pode causar todo tipo de dano às aeronaves. “Essa avaria pode ser gra-

“O objetivo é transformar o transporte aéreo em um meio ainda mais seguro” ANTONIO KLODZINSKI, TRADE AUTOMAÇÃO

ve, pois a perda de controle em um pouso ou decolagem pode causar acidentes sérios.” A Infraero não possui registros de acidentes causados por FOD nos aeroportos sob sua administração. O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) também não tem estatísticas sobre FOD no Brasil. Segundo a assessoria de imprensa do Cenipa, os acidentes envolvendo FOD são raros, uma vez que o problema pode ser percebido na operação da aeronave, ou durante as inspeções dos aviões, antes que uma falha grave do sistema atingido venha a ocorrer. De acordo com o Cenipa, entre os principais fatores que propiciam a ocorrência do FOD no Brasil estão a operação em pistas sem condições adequadas e a grande incidência de pássaros nas áreas de tráfego, por proximidade de matas ou depósitos de lixo. A prevenção, conforme afirma a assessoria, é a ação mais adequada para evitar as ocorrências. Ainda de acordo com o Cenipa, a vigilância do FOD resulta em uma significativa redução de custos e no decréscimo da possibilidade de ocorrência de acidentes aeronáuticos. O engenheiro de infraestrutura aeronáutica Mozart Mascare-

AGOSTO 2013

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nhas Alemão afirma que o FOD é encontrado em qualquer aeroporto do mundo. “Quanto mais movimentado o terminal, maior a possibilidade de ocorrências do tipo. O FOD é mais comum no pátio de aeronaves, e não nas pistas de pousos e decolagens.” Para ele, novas tecnologias para lidar com o problema são positivas para a atividade. “As empresas que atuam em solo e as companhias aéreas orientam seus colaboradores para não deixarem que nenhum objeto caia no pátio ou na pista.” Ele destaca ainda, como medida de prevenção, o descarte correto dos detritos encontrados. “Existem tambores nas portas dos pátios com a inscrição FOD para que esses objetos sejam descartados no local apropriado, e não no lixo comum. Esse material é recolhido para análise. Dessa maneira, o operador aeroportuário pode identificar de onde vem o detrito e tomar as medias cabíveis para evitar a ocorrência.” Klodzinski, da Trade, afirma que a empresa espera homologar o FODetect no Brasil. “O objetivo é transformar o transporte aéreo em um meio ainda mais seguro. A partir dos testes, haverá um tempo de preparação para conseguir viabilizar a implantação do sistema nos principais aeroportos brasileiros.” l


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AGOSTO 2013

FERROVIA

setor ferroviário está otimista com os planos de expansão da malha e os investimentos anunciados pelo governo, por meio do Plano Nacional de Logística, que pretende destinar ao modal R$ 91 bilhões. Apesar do cenário positivo, o fato de o Brasil não produzir trilhos já causou problemas para a Valec, empresa pública responsável pela construção das ferrovias FNS (Ferrovia Norte-Sul) e Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste). As duas últimas licitações abertas pela companhia para a compra de trilhos foram revogadas, uma vez que atraíram apenas um consórcio. O fato obrigou a empresa a estudar alternativas para adquirir o material. Apesar dessa realidade, representantes do modal afirmam que a demanda interna ainda é pequena para que plantas industriais possam produzir trilhos em solo nacional. A Valec, por meio de sua assessoria de comunicação, ratifica

O

Alternativa estrangeira Licitação para compra de trilhos fracassa e governo estuda alternativas para evitar paralisação de obras POR

que, no momento, não existe nenhum trecho de obra em fase de colocação dos trilhos. Apesar disso, a empresa se preocupa com os prazos que novos procedimentos licitatórios vão demandar. As últimas licitações realizadas exigiam 245 mil toneladas de trilhos. Somente o consórcio formado pelas empresas PNG e Pangang apresentou proposta. Ainda de acordo com a assessoria, a situação forçou a Valec a

LETICIA SIMÕES

realizar uma pesquisa de mercado com a finalidade de identificar os motivos do fracasso do processo de licitação internacional. O levantamento verificou que o prazo para a entrega dos trilhos e o tamanho do lote foram os principais motivos do desinteresse das empresas em participar. O Brasil produz a matéria-prima, mas importa 100% da demanda de trilhos. Segundo especialistas, para que a fabricação

do material seja viável, é necessária uma produção de 400 mil toneladas ao ano. Rodrigo Vilaça, diretor-executivo da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), afirma que a demanda nacional de trilhos corresponde a apenas 178 mil toneladas anuais. O volume leva em conta a renovação dos trilhos já existentes. “Além da escala, a competição externa é muito forte, e essa indús-


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AGOSTO 2013

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FOTOS ANTF/DIVULGAÇÃO

INVESTIMENTO Plano Nacional de Logística prevê destinar R$ 91 bilhões para as ferrovias

tria está consolidada. A alta produção internacional favorece o preço para o comprador interno. Para mudar o cenário, é necessário políticas de desoneração de impostos para que o negócio seja atrativo para o volume da demanda nacional”, diz Vilaça. Para Luis Henrique Baldez, presidente-executivo da Anut (Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga), o fato de o país não produzir trilhos não

vai afetar a ampliação da malha. “Ainda não há demanda interna. Os projetos em execução vão levar de cinco a seis anos para que todos os trilhos sejam implantados nos 10 mil quilômetros de ferrovias planejados.” Segundo Baldez, somente depois da utilização desses trilhos será possível pensar em uma produção do material no Brasil. “A partir daí, será preciso realizar a troca e adquirir novos tri-

lhos para a expansão da malha. Só então o cenário pode ser propício para a instalação de plantas para a fabricação.” Paschoal De Mário, assessor técnico do Simefre (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), também acredita que a reposição dos trilhos dos novos trechos pode significar a retomada da fabricação do material no país. “O trilho dura 15 anos,

ou menos, dependendo do uso. O material necessita de manutenção apurada e renovação constante. Com a ampliação da malha, será possível absorver a demanda interna e pensar também no mercado latino-americano, para atender países como Argentina, Peru e Bolívia, por exemplo.” O Brasil fabricava trilhos de bitolas variadas até meados dos anos 1980. “O modal ferroviário foi abandonado, motivando as


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AGOSTO 2013

PRODUÇÃO

De olho no futuro Entidades e especialistas ligados ao modal ferroviário indicam que o cenário pode mudar, em médio prazo, com a instalação de companhias fabricantes de trilhos no país. Os investimentos na expansão da malha são a principal aposta para que esse nicho de mercado tenha o interesse das indústrias. Segundo o economista Josef Barat, os resultados positivos do setor ferroviário, depois da concessão da malha, trouxeram de volta uma pressão de demanda para o modal, o que pode favorecer empreendimentos que se interessem pela fabricação de trilhos. “Hoje, a indústria siderúrgica está mais voltada para os clientes tradicionais, como o segmento de chapa de aço para o automobilismo. Com a necessidade de repor os trilhos das novas ferrovias, o se-

“Com a necessidade de repor os trilhos das novas ferrovias, o setor pode retomar a rota para esse mercado” JOSEF BARAT, ECONOMISTA

tor pode retomar a rota para esse mercado.” O Instituto Aço Brasil, por meio de sua assessoria de comunicação, afirma que a entidade não está elaborando nenhum estudo de viabilidade de instalação de empreendimentos que produzam trilhos. Em contrapartida, a produtora de aços Gerdau confirma o interesse da empresa em produzir trilhos no país. Conforme a assessoria de imprensa da companhia, os estudos para verificar a viabilidade do negócio estão em andamento. Ainda não há definições a respeito. Para Vicente Abate, presidente da Abifer, se o mercado apresentar competitividade, não resta dúvidas de que o país voltará a produzir trilhos. “É necessária uma previsão de demanda do material

empresas a investirem forte no transporte rodoviário. A partir de então, surgiu essa lacuna de indústrias fabricantes de trilhos”, afirma De Mário. A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) era a empresa responsável pela produção dos trilhos fabricados no Brasil. O material servia às extintas RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.) e Fepasa (Ferrovia Paulista S.A.). O economista Josef Barat, consultor em transporte e logística, afirma que a falta de investimentos no modal, por quase 20 anos, representou um retrocesso para o desenvolvimento logísti-

para que os interessados estudem o negócio.” Paschoal De Mário, assessor técnico do Simefre, diz que esse é o momento oportuno para que o setor reveja as possibilidades e invista na fabricação de trilhos. Segundo ele, a fabricação de trilhos no país vai ser exequível dentro de alguns anos. “A indústria quer o retorno dessa produção no país, mas é preciso planejamento estratégico para que se tenha uma infraestrutura adequada, já que o Brasil tem bitolas diferentes ao longo da malha. Hoje já se transporta quantidade considerável de grãos, e as novas ferrovias serão abertas para o transporte de outros produtos, como máquinas e eletrodomésticos.” Essa nova demanda do modal ferroviário, de acordo com De Mário, vai motivar a retomada da produção de trilhos no Brasil.

co do país. “O atual cenário é preocupante. O país não tem de produzir tudo, já que hoje o comércio é aberto e cada nação se especializa em alguma produção industrial. Porém, com a falta de investimentos industriais e logísticos mais amplos, a indústria brasileira corre o risco de ter pequenas ilhas de especificação com baixa competitividade no mercado mundial.” O especialista afirma que a reestruturação da cadeia produtiva de material ferroviário deve ser mais bem avaliada pelas companhias. “O setor possui diversos fornecedores, como aço para trilhos,

material rodante, entre outros. O transporte ferroviário traz para essa cadeia produtiva um conjunto de negócios muito extenso.” Segundo Barat, um dos componentes que podem prejudicar as obras dos novos trechos ferroviários é a capacidade de poder de compra. “O problema da exportação de commodities é que o preço está fora do controle, com grande oscilação. As ferrovias da Valec dependem, em grande parte, de investimentos do governo. Por isso, os projetos estão vulneráveis às práticas do mercado.” Para atrair companhias produtoras de trilhos sem correr


CNT TRANSPORTE ATUAL

INDÚSTRIA Produção de trilhos está parada no Brasil, mas novos investimentos podem mudar esse cenário

riscos de fracassar em licitações futuras para aquisição do material, a Valec está analisando algumas alternativas. Uma delas é o aditamento do contrato das empresas construtoras para que elas comprem e forneçam os trilhos. Essa proposta, porém, esbarra no limite imposto pela Lei de Licitações do Brasil, que determina que os contratos só podem ser ampliados até 25% do valor inicialmente fixado. Outra opção avaliada é a abertura de uma licitação com o propósito de que as obras sejam finalizadas por uma concessionária. Nesse caso, se-

gundo a assessoria da Valec, os contratos com as empresas construtoras poderiam ser sub-rogados, transferindo a responsabilidade dos custos à companhia que vencesse a concorrência. Uma outra possibilidade estudada pela estatal seria adquirir empréstimo de trilhos da concessionária Transnordestina para dar sequência às obras durante o período necessário ao término da licitação de compra do material. Ao fim, conforme a Valec, os trilhos seriam devolvidos. Por fim, a Valec decidiu formular um novo pregão internacional. A empresa realizou audiência pú-

“Tem de haver uma previsão de demanda do material para que os interessados estudem o negócio” VICENTE ABATE, PRESIDENTE DA ABIFER

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blica, no dia 20 de junho, para apresentar as diretrizes propostas para a elaboração dos editais para o fornecimento de trilhos. O material licitado será para a extensão sul da FNS e para a Fiol. São 95.434 toneladas de trilho para a primeira e 147.056 toneladas para a segunda. Para companhias ou consórcios internacionais, caberá providenciar todos os serviços necessários para nacionalização da mercadoria. Ela deverá ser em nome da Valec e ser fornecida em, no máximo, 20 dias depois da chegada ao porto de destino. Nesse caso, o pagamento dos tributos de importação fica a cargo da Valec. Já para empresas ou consórcios brasileiros, os tributos de importação (ICMS, PIS e Cofins) vão estar contemplados na proposta. Segundo a Valec, o fato de o Brasil não fabricar trilhos justifica a abertura da licitação para o mercado internacional, buscando, dessa maneira, maior competitividade e tentativa de redução dos preços. O prazo para questionamentos e sugestões à proposta foi encerrado no dia 3 de julho. Até o fechamento desta edição, os editais ainda não haviam sido publicados. A expectativa era de que os documentos fossem concluídos em julho. l


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COMEMORAÇÃO

Profissão: motorista Para homenagear esses profissionais, a CNT Transporte Atual conta as histórias de quem transporta riquezas pelas rodovias e avenidas do Brasil POR

les estão presentes no dia a dia de toda a população, mas, na maioria das vezes, passam despercebidos. Ninguém pensa sobre como o café que tomamos todos os dias pela manhã chegou ao supermercado, sobre a importância de um atendimento rápido na hora de ir para um compromisso e até mesmo como chegar àquele destino tão desejado nas férias. A profissão de motorista é essencial para o desenvolvimen-

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LIVIA CEREZOLI

to da economia do país. São esses profissionais que possibilitam o escoamento da produção nacional e garantem a mobilidade nas cidades. E eles têm um dia dedicado só a eles. No dia 25 de julho, comemora-se o Dia do Motorista. A data é dedicada a São Cristóvão, considerado o padroeiro dos motoristas. Segundo a história, o trabalho de Cristóvão era transportar os viajantes por meio dos rios e, por isso, tornou-se padroeiro desses trabalhadores.

Para homenagear esses profissionais, a CNT Transporte Atual conta, nesta edição, a história de alguns deles. Muitos escolheram a profissão por influência da família, outros por opção própria. Há ainda, os que decidiram se aventurar pelo mundo da direção pela liberdade que a profissão oferece. A verdade é que ser motorista é motivo de orgulho para esses profissionais que carregam riquezas e pessoas de Norte a Sul, de Leste a Oeste do país.

No caminho, eles encontram problemas, mas mesmo assim consideram que vale a pena exercer a profissão. Entre as principais dificuldades enfrentadas por eles estão as condições precárias das rodovias, a falta de locais adequados para descanso nas estradas, o trânsito caótico nas grandes e médias cidades e o desrespeito de outros motoristas. Conheça a seguir um pouco da vida e do dia a dia desses caminhoneiros, motoristas de ônibus e taxistas.


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JÚLIO FERNANDES/CNT

A realização de um sonho ruzar o Brasil de Norte a Sul na boleia de um caminhão era o sonho de criança de Oldair Otto, de 40 anos. Inspirado pelo tio que era caminhoneiro, o ainda menino sonhava com as viagens que faria quando se tornasse adulto. “Sempre que meu tio viajava, ele passava na casa da minha mãe e eu ficava encantado com o caminhão. Sempre quis ser motorista, e depois de deixar o emprego de ajudante de serviços gerais em uma empresa, me preparei para conquistar meu sonho.” Há 9 anos, Otto realiza viagens entre o Sul do país e cidades como Brasília (DF) e São Paulo (SP), além da região Nordeste, transportando tubos e conexões utilizados na construção civil. Em média, o motorista fica entre 15 e 20

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dias fora de casa, e conviver com a saudade da esposa e da filha, de 9 anos, é uma das dificuldades que ele enfrenta. Além disso, o motorista reclama da discriminação que os caminhoneiros sofrem nas estradas. “Somos culpados por muita gente pelos acidentes nas rodovias, mas nem sempre isso é justo. Muitas vezes, somos vítimas de uma ultrapassagem malfeita, de uma freada brusca, mas como o caminhão é grande, fica difícil controlar. As pessoas precisam entender isso”, destaca ele. Mesmo satisfeito com a profissão e com a renda mensal, Otto também reclama dos preços altos das refeições que precisam ser pagas nas rodovias. “Hoje, é quase impossível almoçar e jantar por menos de R$ 40.”

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“Falta respeito no trânsito” epois de um dia longo de trabalho, o taxista Diolivar Batista de Souza, 54 anos, sente-se exausto, mais pelo estresse do trânsito pesado de algumas vias de Brasília (DF) do que pelo esforço da profissão. Motorista profissional há 20 anos, ele afirma que, atualmente, está cada vez mais difícil dirigir na cidade. “Falta respeito, educação e gentileza entre os motoristas. Ninguém dá passagem e, quando você sinaliza com a seta que vai entrar, as pessoas são capazes de acelerar o veículo só para impedir. Parece uma competição diária”, alerta. Souza conta que quando chegou à capital federal, em 1976, era tudo muito diferente. A cidade não tinha a quantidade de veículos que tem hoje e o tempo parado no trânsito era bem menor.

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Trabalhar como motorista de táxi foi a solução encontrada por Souza para aumentar a renda familiar. Ele deixou um emprego em uma empresa pública para assumir a direção do táxi. Casado, pai de três filhos, o motorista sustenta a família com o que ganha nas corridas. “Trabalho bastante, das 6h30 às 21h, mas a renda compensa e, além disso, gosto da liberdade de horário. Sou eu quem define quantas horas quero rodar por dia e onde quero trabalhar.” Satisfeito com a profissão que escolheu, Souza garante que ainda tem muita disposição para continuar rodando pelas ruas da cidade, e ainda não tem planos para se aposentar. “Não sei quando vou parar não. Por enquanto, estou bastante feliz com o meu trabalho.” JÚLIO FERNANDES/CNT

Satisfação profissional e eu encerrar a minha carreira profissional como motorista, vou estar satisfeito e feliz”. A afirmação é do motorista de transporte rodoviário de passageiros Adelar Garcia Furquim, de 40 anos. Metade da sua vida ele passou à frente de um volante. Primeiro como motorista do Exército de Rosário do Sul (RS), quando prestava o serviço militar obrigatório. Furquim era o responsável pelo transporte dos soldados e dos equipamentos durante as operações. E foi por gostar de dirigir que ele assumiu a função. “Aprendi a dirigir ainda menino os tratores nas plantações de arroz. Acho que tenho uma ligação forte com os motores dos veículos. Gosto do barulho”, conta. Quando deixou o Exército, Furquim passou um tempo trabalhando no co-

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PLANALTO TRANSPORTES/DIVULGAÇÃO

De ajudante a motorista om 29 anos, Leonardo de Oliveira Paulo está há 9 na estrada dirigindo um caminhão. Natural de Serra, no Espírito Santo, ele transporta, com frequência, grãos, sucos e outros produtos alimentícios. O motorista começou na profissão como ajudante de caminhoneiro na carga e na descarga de mercadorias. Durante as viagens, foi ganhando experiência, e depois de alcançar a maioridade, foi aprovado, recebeu a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e assumiu a direção do veículo. “Sempre tive muita vontade de ser motorista profissional. Gosto de viajar, de estar na estrada, mas, hoje, confesso que algumas coisas me desanimam um pouco de continuar nessa função”, conta ele.

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Segundo Paulo, o valor baixo pago pelo frete e o tempo parado esperando carga são os dois principais problemas a serem enfrentados. “Nem sempre temos lugares decentes para descansar. As condições da beira da estrada são ruins e isso é um pouco desanimador. Ficamos dias, às vezes, aguardando um carregamento sem ter um lugar bom para almoçar ou dormir”, lembra ele. De qualquer maneira, Paulo destaca que ainda vale a pena continuar na profissão, inclusive pela remuneração. “Tenho um bom salário e consigo manter a minha família, apesar de ser difícil suportar a saudade.” Pai de uma filha de 2 anos, o motorista geralmente passa dez dias viajando e tem folga de dois a cinco dias em casa. “É rápido, mas aproveito ao máximo.” JÚLIO FERNANDES/CNT

mércio da cidade, mas logo comprou um caminhão e colocou o pé na estrada. Ele transportava areia, lenha, arroz e grãos dentro do Rio Grande do Sul. Depois disso, começou a trabalhar como terceirizado na coleta e na entrega de encomendas da Planalto Transportes, empresa na qual trabalha atualmente. A aprovação em um teste para motorista de ônibus de passageiros garantiu a contratação e a carteira assinada. Para ele, ser motorista é muito mais do que apenas conduzir um veículo. “É preciso saber respeitar as regras de trânsito, atender bem os passageiros e, muitas vezes, abrir mão do seu direito para evitar acidentes. Em certas situações, é melhor entender o outro do que querer ter razão”, afirma.

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Rodovias precisam de melhorias á 10 anos na estrada, o caminhoneiro Celso Rodrigues, 40 anos, afirma que a grande dificuldade em ser motorista profissional, hoje, no Brasil, é a qualidade das rodovias e a falta de locais adequados para descansar. Segundo ele, as condições precárias do asfalto e, em alguns locais, até a falta dele, dificultam a viagem, oferecem riscos de acidentes e de assaltos e encarecem os custos de manutenção do veículo. “Gosto muito da profissão. Escolhi ser motorista. Sinto um prazer enorme em estar na estrada viajando, mas as condições que a gente encontra são muito ruins. Tenho uma renda boa por mês, mas o gasto que acabo tendo com o caminhão por conta dos buracos no asfalto é muito alto”, conta. O caminhoneiro

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transporta cargas do Rio de Janeiro para o Sul do país. No início de julho, ele estava em Brasília aguardando um frete para voltar para casa. Devido às condições encontradas nas rodovias, Rodrigues não transporta nenhum produto que tenha hora marcada para ser entregue. De acordo com ele, é difícil garantir uma entrega sem saber as condições que vai encontrar pelo caminho. “Às vezes, demoro até conseguir um frete bom, mas prefiro assim. Não me arrisco na estrada. Tenho três filhos para criar”, destaca ele. Além disso, o grande prazer de Rodrigues em ser motorista é exatamente o fato de estar viajando. Ele garante que gosta do caminho, das paisagens que vê pelo parabrisa do caminhão. “O que me dá prazer mesmo é estar na estrada. Não tenho pressa de chegar.”

Atualização é essen paixonado pela profissão que escolheu, o motorista de ônibus rodoviário Adão Soares da Silva, 56 anos, garante que estar na estrada é mais uma diversão do que uma obrigação. Nos 36 anos que percorre o Brasil, primeiro no transporte de cargas e depois no de passageiros, ele costuma afirmar que o trabalho é um passeio. Atualmente, ele é funcionário da empresa Real Expresso. “Sou motorista porque gosto. Escolhi essa profissão por paixão mesmo. Meus outros três irmãos também são motoristas. Acho que está no sangue”, conta ele que começou a ter contato com carretas e ônibus quando ainda era frentista de posto de combustível. De acordo com Silva, ao longo dos anos, a profissão de motorista vem se modernizando, principalmente pela evo-

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FOTOS JÚLIO FERNANDES/CNT

Viagem dentro do carro taxista Rosângela Maria da Silva, 41 anos, começou na profissão por influência do marido. “Eu estava desempregada e resolvi ajudar o meu marido no táxi. Gostei tanto que hoje cada um tem seu carro.” Entre as melhores coisas da profissão, a motorista destaca o convívio com os clientes e a possibilidade de conhecer um pouco do Brasil durante as corridas. Nas conversas diárias, Rosângela aproveita para conhecer as particularidades de cada uma das regiões do país. “Brasília é uma cidade que recebe gente de todos os cantos, e meus clientes me contam sempre sobre as suas cidades. Eu brinco que viajo dentro do meu carro. Quando fui de férias, em março, para Fortaleza (CE), já sabia várias informações úteis que um cliente me passou.”

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cial lução dos veículos, e estar atualizado é essencial para continuar no mercado de trabalho. Ele já participou de vários cursos oferecidos pelo Sest Senat e garante que a formação o auxilia muito no dia a dia na estrada. “Faço viagens longas partindo de Brasília para Porto Alegre (RS), para Santos (SP) e para Barreiras (BA) e nunca sofri nenhum acidente. Com os cursos, aprendi a dirigir de uma forma mais cautelosa e econômica. Hoje, auxilio na formação dos colegas aqui na empresa.” Além disso, o motorista garante que os cursos também são importantes para conhecer as regras de trânsito e os direitos e os deveres dos passageiros que precisam ser respeitados. “Viajamos juntos, e o bom convívio é fundamental no trajeto”, ressalta ele.

Apaixonada pela profissão, a motorista revela que, no começo, sofreu preconceito dos colegas por ser mulher, mas hoje, mesmo que ainda existam algumas brincadeiras, o respeito prevalece. De acordo com ela, o apoio do marido foi fundamental. “No início da profissão, tinha muita dificuldade para encontrar os endereços da cidade. Ficava perdida antes de pegar os clientes. Meu marido me ajudou muito e, agora, já domino os caminhos”, conta ela. Rosângela também reclama do trânsito tumultuado da cidade, do excesso de veículos e da falta de gentileza de alguns motoristas, mas destaca que poder ajudar os clientes é a sua grande satisfação. “É muito gratificante quando sei que consegui ajudar um cliente a não perder o horário do voo, por exemplo.” l

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TECNOLOGIA

Abastecimento consciente Distribuidoras de combustíveis investem em locais de atendimento com inovações ambientais sem abrir mão dos avanços tecnológicos POR

s distribuidoras de combustíveis têm investido em alternativas economicamente viáveis e sustentáveis. A BR lançou, há pouco mais de um ano, o Posto do Futuro. O empreendimento apresenta uma série de inovações ambientais e tecnológicas, como redução no consumo de energia elétrica e uso de energia solar para aquecimento da água na lavagem de veículos.

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LETICIA SIMÕES

A Ipiranga, por sua vez, conta com o Posto Ecoeficiente, concebido visando também o melhor uso dos recursos naturais. A tendência é que esses “postos conceito” sejam cada vez mais disseminados pelo país. O projeto da BR Distribuidora contou com a cooperação da Intel e da Cisco Systems. A parceria propiciou a aplicação dos mecanismos, até então, pouco ou não utilizados em postos de

combustíveis brasileiros. Interatividade com o consumidor e uma estrutura totalmente voltada para a eficiência energética foram as apostas da companhia. As novidades do Posto do Futuro foram instaladas em uma unidade já existente, localizada na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. “Além de estar instalado em uma avenida de alta representatividade, o local apresentava grande área verde e

já contava com projetos sustentáveis, como energia solar, eletroposto para recarga de veículos elétricos e reciclagem de resíduos. Essas características permitiram a implantação das demais inovações tecnológicas sustentáveis”, afirma Paulo da Luz Costa, gerente de tecnologia da rede de postos da Petrobras Distribuidora. A implantação das inovações levou seis meses. “O tempo final de execução ficou equivalente ao de um posto convencional, pois não houve interrupção da operação durante a reforma”, diz Costa. Segundo o diretor, o investimento teve custo 50% maior do que geralmente é gasto em um posto convencional. “Parte desse montante foi aplicado pela Intel”. Costa não revelou o valor do empreendimento. A proposta é proporcionar aos clientes uma nova experiência, aumentando a satisfação de atendimento por meio da aplicação de tecnologias de ponta. “Os processos são de última geração e oferecem um atendimento interativo personalizado. O projeto envolve modernos sis-


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AGÊNCIA PETROBRAS/DIVULGAÇÃO

POSTO DO FUTURO Inovações tecnológicas trazem benefícios econômicos e ambientais

temas de eficiência energética, sustentabilidade ambiental e energia alternativa.” A área de bombas do Posto do Futuro conta com um sensor instalado no tanque subterrâneo para verificar o combustível armazenado. O equipamento compara o nível de qualidade do estoque com o combustível considerado ideal. Essa informação é repassada em forma de gráfico e

classifica a propriedade do produto pela Internet. O mesmo sensor pode calcular o volume do estoque. Quando está no nível mínimo, ele dispara mensagens e informações para que o revendedor faça o pedido e garanta a entrega do produto a tempo. O posto utiliza luminárias de LED em toda a área de bombas. De acordo com a BR, elas representam redução de 80% em re-

Luminárias de LED geram redução de

80%

no consumo

lação ao consumo de lâmpadas convencionais equivalentes. Os postes de iluminação do estacionamento com uso de LED não são conectados a rede elétrica. Eles são alimentados por energia solar. Ainda na área de bombas, existe um sistema de recuperação de vapores. Seu uso permite que os vapores gerados durante o abastecimento retor-


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CONCEITO

Iniciativas economizam energia e reaproveitam água A Ipiranga investe nos chamados postos Ecoeficientes desde 2009. De acordo com a assessoria de imprensa da distribuidora, eles representam hoje mais de 10% da rede de postos da marca. Ainda conforme a assessoria da Ipiranga, até o fim deste ano, a companhia pretende chegar a mil unidades, entre postos inaugurados e em processo de implantação com esse padrão. Hoje, existem 711 postos Ecoeficientes. Segundo a Ipiranga, o conceito se tornou objeto de estudo da Boston University School of Management, nos Estados Unidos. A insti-

“Vivemos um processo de evolução de consciência ambiental” MODESTO GUEDES, FACULDADE ESTÁCIO

tuição norte-americana pretende difundir o projeto destacando seus diferenciais para aprimorar e dar continuidade à iniciativa. Os processos se assemelham aos utilizados pela BR no Posto do Futuro. Segundo a Ipiranga, em dois anos, foi gerada redução de 1,6 GWh por mês de consumo de energia com a aplicação de soluções de eficiência energética em 196 mil itens (lâmpadas, reatores e luminárias). A economia, de acordo com os dados da distribuidora, representa o consumo de 45 mil residências durante uma semana. A combinação das soluções de coleta de água da

nem aos tanques, promovendo o desaparecimento do cheiro da gasolina ou do etanol, além de reduzir os vapores que seriam perdidos no ambiente. Nos banheiros, foram instaladas torneiras com temporizadores que geram economia de 5% no consumo total de água do posto. Já a lavagem de veículos utiliza a energia solar para aquecimento da água, permitindo uma redução de 50% no uso de

chuva, reaproveitamento de água da lavagem de veículos e a otimização de equipamentos, como descargas, torneiras e chuveiros, foram responsáveis pela redução de consumo em 25% com a coleta e de 70% com a reutilização para a lavagem. A edificação dos postos é feita com uma estrutura metálica modular em aço 100% reciclável. O material permite que a obra seja executada na metade do tempo em que se levaria para a construção de um posto convencional, além de gerar menos resíduos, uma vez que a utilização de concreto é 80% menor.

detergentes e de 10% no volume da água de enxágue. Essa água é reutilizada para a lavagem e gera economia de até 80% na água destinada para esse fim e de 50% no consumo total de água do posto. Outra alternativa sustentável são os sensores de presença em circuitos independentes, pois permitem uma iluminação planejada ao ambiente. Na loja de conveniência, o

consumidor conta com informações e aplicativos personalizados para a escolha dos produtos. O Posto do Futuro tem um sistema de informações integrado com os demais equipamentos do local para coleta de informações do abastecimento e para o relacionamento com o cliente. Existem tablets para integração dos colaboradores com a Petrobras e para o entretenimento dos consumidores.


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LAUREANO BITTENCOURT/DIVULGAÇÃO

SUSTENTABILIDADE Postos Ecoeficientes representam mais de 10% da Rede Ipiranga

No eletroposto, a iluminação é feita por lâmpadas de indução magnética que proporcionam economia de 80% de energia, com vida útil de 10 anos. Ele é equipado com três recarregadores para scooters e bicicletas elétricas abastecidos por energia solar, e dois plugues com sistema quick charger (carregador rápido) para carros elétricos que permitem recarregar até 80% das baterias em 20 minutos.

“O posto apresentou um aumento de vendas de, aproximadamente, 20% acima do crescimento do mercado. Foi registrado uma maior percepção do público externo e um aumento de fidelização”, diz Costa. De acordo com o diretor da BR, alguns itens cativaram mais o público, como o uso de painéis solares para captação da energia, o eletroposto e os sistemas de lavagem dos veículos por alta pressão.

“O posto teve um aumento de vendas de 20% acima do crescimento do mercado” PAULO DA LUZ COSTA, PETROBRAS DISTRIBUIDORA

“As telas de 50 polegadas na área de bombas que interagem com os clientes durante o abastecimento, pelo reconhecimento do veículo, também têm ganhado atenção especial do consumidor”, diz Costa. Para o coordenador nacional de Engenharia Ambiental da Faculdade Estácio, Modesto Guedes, as distribuidoras se conscientizaram da importância de terem suas imagens atreladas às questões ambientais e estão colocando mais projetos sustentáveis em prática. “Associar e demonstrar os benefícios ambientais criam uma identidade com o comprometimento socioambiental e, consequentemente, um avanço na forma de comercialização de seus produtos.” Segundo Guedes, tais ações atraem mais consumidores. “O prefixo ‘eco’ é economicamente muito forte para qualquer empreendimento, principalmente para quem comercializa produtos que impactam o meio ambiente de forma direta ou indireta.” A diretoria da Abcom (Associação Brasileira das Distribuidoras de Combustível), afirma que algumas das alternativas utilizadas pela BR e pela Ipiranga já vêm sendo implantadas por outras distribuidoras. Segundo a entidade, pos-


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AGÊNCIA PETROBRAS/DIVULGAÇÃO

CARACTERÍSTICAS DO POSTO DO FUTURO • Estruturas com material 100% reciclável • Baixa geração de resíduos na construção e na operação • Utilização da energia solar • Coleta da água da chuva • Reaproveitamento da água utilizada na lavagem de veículos • Telhados brancos, que refletem melhor o calor e reduzem a temperatura • Luminárias com LED, mais econômicas que as convencionais • Sensor de presença para evitar o desperdício de energia • Sensores de identificação de veículos Fontes: BR Distribuidora e Ipiranga

ELETROPOSTO Estabelecimento tem carregadores para bicicletas elétricas

Água aquecida com energia solar reduz

50% de gasto com detergente

tos construídos nos últimos três anos adotam mecanismos, como telhado branco, que refletem melhor o calor e reduzem a temperatura em até 10º C, permitindo melhor eficiência do ar-condicionado e redução do consumo de energia, iluminação zenital e de indução magnética e o reaproveitamento da água. Guedes, da Estácio, afirma que o custo de implantação de postos sustentáveis não representa um entrave para que esse

padrão ganhe mais endereços Brasil afora. “Vivemos um processo de evolução de conscientização ambiental. Possivelmente, os custos elevados podem retardar ações em outros setores. Entretanto, essas práticas vão ser introduzidas à medida que os empreendedores constatarem a importância de que tais projetos resultam na estabilidade e na sustentabilidade dos seus empreendimentos.” Para o coordenador, o consumidor se sente atraído pela

proposta dos “postos conceito”. “O cliente tem a sensação de estar fazendo sua parte tendo uma atitude ecologicamente correta. Acredito que esse novo padrão está dentro da conformidade e da realidade atual, com uma visão correta e de antecipação do futuro.” A BR tem planos de estender para a sua rede de postos as inovações tecnológicas do Posto do Futuro. No entanto, ainda não há planos definidos para a ampliação. l


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PROJETOS

Opção para as metrópoles Cidades-sede da Copa-2014 investem em BRT e VLT como alternativa para o transporte de passageiros POR

mplantado em Curitiba (PR) na década de 1970, o sistema de transporte urbano conhecido pela sigla BRT (transporte rápido por ônibus, na tradução para o português) conquistou cidades mundo afora. Considerado um sistema de transporte semimassa, no Brasil, o BRT demorou a ganhar força como alternativa para as grandes metrópoles. Com as obras de mobilidade

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LETICIA SIMÕES

previstas para a Copa do Mundo de 2014, o cenário mudou e, das 12 capitais que vão sediar a disputa, sete optaram pelo modo. Especialistas apontam que o sistema é uma opção viável para aperfeiçoar o transporte coletivo, por apresentar uma boa relação de custo-beneficio para as cidades. Otávio Cunha, presidente da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transporte

Urbano), diz que a escolha do BRT pela maioria das capitais se deve ao tempo de execução curto e ao custo menor, se comparado a outros sistemas de transporte. “Caso não haja necessidade de desapropriações, o BRT tem custo e tempo de implantação dez vezes menor que o metrô e cinco vezes menor que o VLT (veículo leve sobre trilhos). Esses dois fatores foram preponderantes pa-

ra que cidades investissem nesse modo.” Para Marcos Rothen, mestre em transporte e professor do Cefet/Goiânia (Centro Federal de Educação Tecnológica), a escolha das capitais pelo sistema, encontrado em 156 cidades do mundo, está ligada também ao fato de que ele pode ser implantado parcialmente e apresentar, de imediato, melhorias no transporte da cidade.


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GEILSON LIMA/DIVULGAÇÃO

CONSTRUÇÃO Obras do Expresso DF, no Distrito Federal, estão em andamento

“Caso a opção fosse pelo metrô, esse benefício viria somente com um grande trecho e um grande custo. O projeto ainda demandaria um maior tempo para implantação, normalmente superior ao que se teve desde a confirmação da realização da Copa do Mundo no Brasil.” O metrô, o trem metropolitano de superfície e o VLT são as alternativas de transporte de massa. O anún-

cio oficial da Fifa (Federação Internacional de Futebol) foi no dia 30 de outubro de 2007. Ele considera os projetos um grande benefício para as cidades. “No Rio de Janeiro, o BRT TransOeste, além de melhorar o transporte, valorizou toda a área de seu entorno. Em São Paulo, após anos sem implantar novos corredores, alguns serão construídos em avenidas nas quais hoje pre-

domina o tráfego de veículos de passeio.” O gestor ambiental Renato Boareto, coordenador da área de mobilidade urbana do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente), organização que apoia a formulação de políticas públicas para a mobilidade, diz que a realização do evento esportivo facilitou a viabilidade dos projetos. De acordo com ele, esse é o

maior ciclo de investimentos vivido pelo Brasil desde a década de 1980. “A partir de 2012, houve essa retomada de projetos para a mobilidade urbana com uma perspectiva de aplicações permanentes para o setor.” O gestor afirma que, antes do anúncio da Copa, as cidades não tinham planos de implantação de projetos de mobilidade. “O aporte do governo incentivou essa elaboração. A grande


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PROGRESSO

Projetos de VLT estão encaminhados em quatro capitais O VLT, um dos sistemas de transporte de massa, ao lado do metrô (de superfície e subterrâneo) e do trem metropolitano, é uma espécie de trem de superfície impulsionado por eletricidade, e também entrou na pauta de algumas capitais brasileiras como alternativa de transporte público. Brasília, Rio de Janeiro, Goiânia e Cuiabá têm planos para a implantação do modo. Em Brasília, o VLT deve ficar pronto em 2015. O sistema vai ligar o Aeroporto Juscelino Kubitschek ao fim da Asa Norte. São 22,6 km de extensão e 25 estações. O VLT estava previsto na Matriz de Responsabilidade da capital federal para as obras da Copa-14. Mas os atrasos forçaram a retirada do projeto do rol de intervenções. O processo licitatório do VLT de Brasília está na fase de pré-qualificação para delinear as empresas que vão participar do pleito. O custo da obra não foi divulgado. O VLT vai ter capacidade de atender 17 mil pessoas no horário de pico, e a estimativa é de que 140 mil passageiros sejam transportados diariamente. Em junho, a Prefeitura do Rio de Janeiro e o governo federal assinaram contrato

para a implantação do VLT na cidade. Orçado em R$ 1,164 bilhão, o VLT do Rio, que vai ligar a região portuária ao centro da cidade e ao Aeroporto Santos Dumont, vai receber R$ 532 milhões do Ministério das Cidades e R$ 632 milhões da prefeitura. O Consórcio VLT Carioca venceu a licitação para implantação e operação do sistema. O grupo é formado pelas empresas Actua – CCR, Invepar, OTP (Odebrecht Transportes), Riopar, RATP e Benito Roggio Transporte. Serão seis linhas e 38 paradas, em uma extensão de 28 quilômetros. De acordo com a prefeitura, o VLT vai levar de 10 mil a 30 mil passageiros por sentido e por hora, em um tempo de espera que varia entre 2,5 minutos e 10 minutos. A previsão é de que o VLT seja concluído em 2016, ano de realização da Olimpíada. Em Goiânia, o VLT será implantado na região metropolitana, interligando o Eixo Anhanguera às regiões leste e oeste da capital, em oito trechos com cinco terminais de integração e 12 estações. Serão 13,6 km de extensão ao custo de R$ 1,3 bilhão. O valor será dividido entre o governo federal e o Estado de Goiás. A abertura da licitação do VLT de Goiânia

está marcada para agosto. O fluxo de passageiros diário será de 240 mil pessoas. Já o projeto do VLT de Cuiabá tem conclusão prevista para março de 2014. De acordo com Fernando Orsini, gerente de contrato do consórcio responsável pela obra, o VLT será entregue à cidade no prazo estipulado. O trajeto possui 22 km e passa pelas principais avenidas da cidade, até Várzea Grande, na região metropolitana. No trajeto, estão previstas obras de trincheiras, viadutos e pontes. Segundo o Portal da Copa, site do governo federal sobre a Copa-14, o VLT de Cuiabá vai contar com subestações elétricas próprias. Serão 40 composições, com capacidade de transportar 400 passageiros cada uma e 130.644 embarques por dia. O VLT vai contar com 33 estações e três terminais de integração. Qualidade de vida Especialistas apontam que os benefícios ambientais do VLT contribuem para a melhoria de vida da população – tem emissão zero de poluentes e produz menos ruídos que o ônibus. Contudo, a capacidade de transporte deve ser levada

em conta na hora de se optar pelo modo. “O VLT transporta até 15 mil passageiros hora por sentido. Já o BRT tem capacidade de transportar até 40 mil passageiros nesse intervalo. A implantação do sistema VLT está vinculada à demanda da cidade”, afirma Otávio Cunha, presidente da NTU. Além da demanda, a geografia também determina a viabilidade do VLT. “Acima de 6 graus de inclinação na via, o veículo não sobe. Ele é uma solução para médias distâncias. O ideal é que o VLT opere como alternativa para o sistema estruturador, circulando entre os bairros”, destaca o economista Vladimir Fernandes Maciel, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutorando em Administração Pública e Governo pela FGV. O Brasil tem hoje apenas dois sistemas VLT em operação: em Juazeiro do Norte (CE), que liga a cidade ao município de Crato, e em Maceió (AL), este implantado em 2011. Natal (RN) e João Pessoa (PB) devem iniciar as operações de seus VLTs em abril e maio, respectivamente, segundo informações da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos).


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RENATO SILVA CERQUEIRA/FUTURA PRESS

SOLUÇÃO Modelo de VLT desenvolvido pela Alstom; sistema de transporte de massa ideal para as grandes cidades

dificuldade em engrenar as propostas era exatamente o custeamento das obras.” Cunha, da NTU, destaca que a necessidade das intervenções para a melhoria da mobilidade urbana nas cidades era iminente. “A realização da Copa acelerou as obras. O mais importante é o legado que fica para as cidades.” Apesar de os projetos terem sido motivados pela realização do Mundial da Fifa, que exige

que as cidades-sede contem com sistemas de mobilidade eficientes, alguns não devem ser entregues antes da competição. “O prazo de conclusão está prejudicado. Poucas cidades vão ter seus BRTs prontos em 2014. Acredito que a maior parte será totalmente concluída em 2016”, afirma Cunha. O economista Vladimir Fernandes Maciel, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutorando em

O VLT do Rio terá seis linhas e

28 km de extensão

Administração Pública e Governo pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), acredita que a parte básica dos projetos será executada na maioria das cidades. Mas as interconexões do sistema, segundo ele, não devem ficar prontas para a competição. “As cidades vão contar com novas vias que funcionam mais rápido. Porém, o fato de que muitos dos sistemas implantados não vão estar com seus programas de


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ITAIPU

O avanço da tecnologia Entre os projetos para novos sistemas de VLT no Brasil, destaca-se uma iniciativa da Hidrelétrica de Itaipu, em parceria com a fabricante cearense Bom Sinal, para o desenvolvimento de um protótipo de VLT elétrico, 100% nacional. A cooperação entre Itaipu e Bom Sinal foi iniciada em meados de 2012. O projeto do VLT elétrico pretende criar um sistema para funcionar, inicialmente, com a rede elétrica (utilizando cabos aéreos) e, em uma segunda fase, por meio de baterias. O engenheiro eletricista de Itaipu Márcio Massakiti, coordenador do projeto do VLT elétrico, afirma que um plano de trabalho para o desenvolvimento do protótipo está sendo elaborado. “Os testes ainda não foram iniciados. As possíveis tecnologias

”Os projetos vão beneficiar as cidades e a população” DANIELA FACCHINI, EMBARQ BRASIL

a serem desenvolvidas serão aplicadas futuramente pela Bom Sinal em seus veículos.” O projeto conta também com a parceria da suíça KWO, que possui um acordo de cooperação tecnológica com a hidrelétrica binacional. “Estamos definindo as características desejadas para o VLT elétrico e, paralelamente, projetando a pista de teste com 2 km. Ela vai ficar dentro da Itaipu”, diz Massakiti. Segundo o coordenador, ainda este ano, o protótipo deve ser testado. “Antes, porém, é necessário realizar os estudos de integração de componentes e o planejamento dos testes no laboratório para delinear a montagem do veículo.” Além dos testes, Massakiti acredita que o projeto do VLT movido a bateria seja iniciado também em 2013.

integração a outros modos e aos ônibus suplementares para alimentar o BRT pode comprometer o tráfego que já é saturado nessas capitais.” A mestre em transportes Daniela Facchini, diretora de projetos e operações da Embarq Brasil, ressalta que alguns dos sistemas BRT vão ter apenas a primeira fase concluída em julho do ano que vem. “O que importa é que esses projetos vão beneficiar as

ALTERNATIVA Corredor

cidades e a população. Uma vez implantado, é determinante para o êxito do sistema que ele vá evoluindo e melhorando, ou seja, os investimentos devem ser permanentes.” Dos sete sistemas BRT em implantação (Rio, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza e Recife), os de BH, Brasília e Rio de Janeiro estão com as obras mais avançadas. Outras cidades-sede, como São Paulo, Cuiabá (MT), Ma-

naus (AM) e Natal (RN), investem em corredores segregados de ônibus. Salvador foi a única sede da Copa que não contemplou sistemas BRT ou corredores em seus projetos de mobilidade para o evento. O professor Rothen afirma que os BRTs serão responsáveis por uma pequena parcela dos deslocamentos durante a Copa. “Trata-se de uma demanda muito pontual. Nos dias de jogos, o trajeto aos está-


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NESTOR J. BEREMBLUM/FUTURA PRESS

TransOeste é a principal conexão entre a região oeste e alguns bairros da zona norte do Rio de Janeiro

dios deverá ser feito por ônibus especiais ou metrô.” Segundo Cunha, da NTU, o governo brasileiro já estabeleceu que, em casos de transtornos com o deslocamento dos torcedores durante a Copa, será decretado feriado nacional. “As cidades possuem programações especiais para o tráfego em dias de grandes jogos locais. Não acredito que haverá contratempos.” Procurado pela reportagem

para esclarecer o cronograma das obras dos BRTs nas cidades-sede, o Ministério das Cidades não se pronunciou. Para Daniela Facchini, um dos principais atrativos dos projetos em execução serão os sistemas de informação que os acompanham, apresentando os intervalos e os horários. “As pessoas avaliam, sobretudo, o tempo gasto no deslocamento e a confiabilidade no sistema. Quanto menos tempo

“É preciso investir na conexão do centro com as outras regiões das cidades” MARCOS SOUZA, PORTAL MOBILIZE BRASIL

em trânsito mais positivo se torna o BRT ou o corredor para o usuário. A confiabilidade no serviço também aproxima o passageiro.” Marcos Souza, diretor e editor do Portal Mobilize Brasil, site dedicado ao debate sobre a mobilidade urbana sustentável, destaca que os investimentos em BRT e nos corredores exclusivos não vão conseguir, sozinhos, solucionar o problema da mobilidade nas capitais. “Os projetos vão reduzir o uso do automóvel particular em um primeiro momento. Mas, se o transporte não se mostrar eficiente, o uso do carro particular pode voltar. É preciso investir na conexão das áreas centrais com as outras regiões das cidades e integrar esses sistemas a outros modos, como os sobre trilhos, por exemplo.” Souza afirma que os novos sistemas serão fundamentais para a melhoria da circulação de veículos e pessoas. “A adaptação dos usuários ao transporte é mais rápida, pois estão habituados ao ônibus. Além disso, os BRTs e os corredores são mais eficientes do que os que os sistemas de transporte que existem hoje nessas capitais.” l


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SEST SENAT

Inclusão planejada Unidades promovem treinamentos e outras iniciativas para incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho POR

rabalhar pela promoção da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho do transporte, de maneira adequada, não só para que as empresas possam cumprir a legislação, mas também para que o profissional possa ser recolocado no mercado e se sinta produtivo, é uma das preocupações do Sest Senat. Algumas unidades têm desenvolvido

T

MERCADO DE

CYNTHIA CASTRO

treinamentos ou tido outras iniciativas para contribuir positivamente para essa inclusão. Em Cariacica, no Espírito Santo, há pelo menos dois anos, o Sest Senat realiza treinamento para pessoas com deficiência. Já foram formadas turmas do curso de Rotinas Administrativas e outra será iniciada neste segundo semestre. Os alunos recebem as orientações sobre como proceder em

cargos administrativos das empresas e alguns acabam fazendo outros cursos para, por exemplo, aprenderem a operar empilhadeiras ou guindastes. Quando o treinamento acaba, é enviado um e-mail para empresas e sindicatos de cargas e de passageiros da região informando sobre a disponibilidade de profissionais treinados, conforme explica o coordenador de Desenvolvimento Profis-

sional do Senat de Cariacica, Helzio Soncini da Silva. “É muito importante tanto para a empresa como para o profissional. Quem contrata, além de atender uma exigência legal, sabe que terá uma pessoa qualificada. E para o profissional também é muito bom porque ele já começa a trabalhar mais preparado”, considera. As turmas são montadas conforme surge a demanda. Silva lembra também que a unidade es-


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ÁGUIA BRANCA/DIVULGAÇÃO

TRABALHO Filipi Costa e os colegas da viação Águia Branca; ele conseguiu emprego depois de fazer curso no Sest Senat

tá preparada para receber pessoas com deficiência, com acessos especiais e outras adequações em sua estrutura física. Uma das empresas parceiras do Sest Senat de Cariacica é a Viação Águia Branca, não somente para o curso de Rotinas Administrativas, mas também para vários outros. A gerente de recursos humanos, Valesca Falqueto, comenta que a empresa já absorveu vários alunos com alguma

deficiência que passaram pelo treinamento do Sest Senat. “O curso tem um conteúdo programático interessante. Inclui também temas de relacionamento interpessoal. É um ótimo trabalho esse do Sest Senat e dá uma visão geral, principalmente para pessoas que nunca trabalharam e que, muitas vezes, estiveram à margem da sociedade”, afirma a gerente de recursos humanos da Águia Branca.

Segundo ela, a empresa tem um projeto de inclusão social de pessoas com deficiência que vai além de uma obrigação legal. “Temos aqui pessoas com alguma deficiência física, cadeirantes, muletantes, deficiente visual, paratletas. E eles estão presentes em diversas áreas, como RH, comercial, financeira. Com esse projeto, a empresa ficou mais bonita e diversa.”

Em Cachoeiro do Itapemirim, também no Espírito Santo, o Sest Senat deve começar, neste semestre, uma nova turma do curso de Rotinas Administrativas para pessoas com algum tipo de deficiência. Segundo a coordenadora do Senat, Carla Cristine de Souza Borges, o trabalho vem sendo feito em parceria com a Fetransportes (Federação das Empresas de Transportes do Espírito Santo). No ano passado, pelo menos nove alunos foram colocados no mercado de trabalho. “Convidamos o RH das empresas do setor para conhecer esse público que formamos e que está preparado para atuar. No ano passado, nos emocionamos com um menino que perdeu uma perna em um acidente e fez o curso de Rotinas Administrativas, depois o de empilhadeira”, disse Carla. Outros órgãos, como o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e o Sine (Sistema Nacional de Emprego) apoiam o projeto. Levantamento Na unidade do Sest Senat de Campinas (SP), está sendo concluído um levantamento de pessoas com deficiência que vivem na região e que podem ocupar diferentes postos de trabalho no setor de transporte. Também foram identificados cargos em cinco empresas de transporte da re-


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CONTRATAÇÃO Saiba o que diz o Ministério do Trabalho sobre a contratação de pessoas com deficiência: LEI • Pela legislação atual (nº 8.213/1991), as empresas que contratam sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho, com 100 ou mais empregados, estão obrigadas a manter em seus quadros um percentual de pessoas com deficiências e beneficiários reabilitados pelo INSS PERCENTUAL • O percentual para empresas com 100 ou mais empregados é de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados (aqueles que, em razão de acidente ou doença profissional, tiveram de passar por um processo de reabilitação profissional no INSS para poderem prestar serviços em outras atividades) ou pessoas com deficiência, na seguinte proporção:

2% 5% 3% 4%

Até 200 empregados

De 501 a 1.000 empregados

De 201 a 500 empregados

De 1.000 em diante

COTA POR DEFICIÊNCIA • Não há cota por tipo de deficiência • As empresas têm liberdade de contratar o trabalhador com deficiência que mais se adeque às funções que serão desempenhadas • Há que haver o cuidado de permitir que a pessoa com deficiência demonstre sua capacidade, sem haver uma avaliação a priori e preconceituosa, bem como ter o cuidado de não discriminar algum tipo de deficiência FISCALIZAÇÃO • É feita pelos auditores fiscais do trabalho e se organiza por meio de projetos de fiscalização, levando em consideração os problemas e setores que devem ser objeto prioritário da fiscalização do trabalho MULTA • A empresa fiscalizada que desrespeita a norma legal sofre autuação administrativa que, após o prazo para defesa e recurso, não tendo tido êxito em comprovar o cumprimento da cota legal, é autuada • A multa é atualizada anualmente. Para 2013, varia de R$ 1.717,38 a R$ 171.736,10 Fonte: Ministério do Trabalho

ACESSO Unidade do Sest Senat de Cariacica é preparada

gião que podem ser ocupados por pessoas com deficiência para que a inclusão seja feita de forma mais adequada. De acordo com a coordenadora de Desenvolvimento Profissional do Sest Senat de Campinas, Júlia Argondizio, o trabalho é uma parceria com o Sindicamp (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Campinas e Região) e tem a cooperação de outras entidades, como orga-

“A gente não pode se acomodar e estou muito mais feliz agora” CARLOS ROBERTO MOREIRA, FEZ CURSO NO SEST SENAT


APOIO

“Sest Senat oferece uma grande oportunidade” SEST SENAT/DIVULGAÇÃO

para receber pessoas com deficiência

nizações não governamentais e do poder público. Assim que for concluído, o levantamento será passado para as empresas. “O importante é adequar as pessoas com deficiência aos cargos disponíveis, de forma que elas se sintam produtivas. Elas precisam ter uma satisfação pessoal no trabalho que realizam, senão estaremos segregando. É necessário então que esse profissional seja colocado no lugar cer-

Filipi Santos da Costa, 21, nasceu com uma deficiência genética e tem falta de cálcio nos ossos. Desde criança, sempre precisou usar a cadeira de rodas para se locomover. Há um ano, ele começou a trabalhar na Viação Águia Branca, em Cariacica (ES), depois de passar pelo treinamento na unidade do Sest Senat. Um amigo do bairro onde mora falou sobre a realização do curso de Rotinas Administrativas. Filipi se inscreveu e depois de concluir esse treinamento, também fez outro curso do Sest Senat na área de informática. Hoje trabalha no setor financeiro da Águia Branca. “Estou muito feliz. Muitas pessoas com deficiência ficam em casa, sentindo-se incapazes. Eu diria que instituições como o Sest Senat oferecem uma grande oportunidade de se adquirir conhecimento. E as empresas estão recrutando pessoas que estão mais qualificadas”, diz Filipi. Carlos Roberto Moreira de Oliveira, 35, também conseguiu um emprego como auxiliar administrativo depois de fazer o curso do Sest Senat de

Cariacica. Há cinco anos, um acidente de moto fez com que ele perdesse o movimento de um dos braços. Antes, Oliveira trabalhava como operador de empilhadeira. Foram quase três anos tentando se recolocar no mercado de trabalho, até que surgiu

ÁGUIA BRANCA/DIVULGAÇÃO

COLOCAÇÃO Carlos Roberto e a gerente de recursos humanos

to, adequando a deficiência ao posto de trabalho”, disse Júlia. Funcionários Além de qualificar pessoas com deficiência para o mercado de trabalho, o Sest Senat também se preocupa em treinar os seus funcionários para trabalhar com esse público da melhor forma possível. Em Cariacica, muitos já passaram pelo curso de braille. A unidade também oferece um

a oportunidade do curso de Rotinas Administrativas. “A qualificação é muito importante. Eu diria para as pessoas que passam por problemas parecidos não desanimarem. A gente não pode se acomodar, e estou muito mais feliz agora, trabalhando novamente.”

“O profissional já começa a trabalhar mais preparado” HELZIO SONCINI, DO SEST SENAT DE CARIACICA

curso para os funcionários do Sest Senat e também para funcionários de empresas de transporte saberem como fazer a inclusão de maneira adequada. Eles passam por situações que simulam as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência, em diferentes situações. “Os funcionários precisam ser treinados para receber esses profissionais de forma adequada”, disse o diretor da unidade de Cariacica, Eliomar Rossati. l


Estat铆stico, Econ么mico, Despoluir e Ambiental


FERROVIÁRIO MALHA FERROVIÁRIA - EXTENSÃO EM KM Total Nacional Total Concedida Concessionárias Malhas concedidas

30.129 28.692 11 12

BOLETIM ESTATÍSTICO RODOVIÁRIO MALHA RODOVIÁRIA - EXTENSÃO EM KM TIPO

PAVIMENTADA

NÃO PAVIMENTADA

Federal 64.921 Estadual Coincidente 17.788 Estadual 110.842 Municipal 26.827 Total 220.378

TOTAL

12.541 77.461 5.232 23.020 111.334 222.176 1.234.918 1.261.745 1.364.025 1.584.402

MALHA RODOVIÁRIA CONCESSIONADA - EXTENSÃO EM KM 15.469 Adminstrada por concessionárias privadas Administrada por operadoras estaduais 1.195 FROTA DE VEÍCULOS Caminhão Cavalo mecânico Reboque Semi-reboque Ônibus interestaduais Ônibus intermunicipais Ônibus fretamento Ônibus urbanos Nº de Terminais Rodoviários

2.414.721 507.646 995.094 742.614 17.309 57.000 23.489 105.000

122 37

FROTA MERCANTE - UNIDADES Embarcações de cabotagem e longo curso

MATERIAL RODANTE - UNIDADES Vagões Locomotivas Carros (passageiros urbanos)

104.931 3.212 1.670

PASSAGENS DE NÍVEL - UNIDADES Total Críticas

12.289 2.659

VELOCIDADE MÉDIA OPERACIONAL Brasil EUA

25 km/h 80 km/h

AEROVIÁRIO AERÓDROMOS - UNIDADES Aeroportos Internacionais Aeroportos Domésticos Outros aeródromos - públicos e privados

37 29 2.531

AERONAVES REGISTRADAS NO BRASIL - UNIDADES Transporte regular, doméstico ou internacional Transporte não regular: táxi aéreo Privado Outros Total

155

41.635 20.956 1.864

669 1.579 8.825 8.328 19.401

MATRIZ DO TRANSPORTE DE CARGAS MODAL

HIDROVIA - EXTENSÃO EM KM E FROTA Vias Navegáveis Vias economicamente navegadas Embarcações próprias

11.816 8.066 1.674 7.136 28.692

173

AQUAVIÁRIO INFRAESTRUTURA - UNIDADES Terminais de uso privativo misto Portos

MALHA POR CONCESSIONÁRIA - EXTENSÃO EM KM ALL do Brasil S.A. FCA - Ferrovia Centro-Atlântica S.A. MRS Logística S.A. Outras Total

MILHÕES

(TKU)

PARTICIPAÇÃO

(%)

Rodoviário

485.625

61,1

Ferroviário

164.809

20,7

Aquaviário

108.000

13,6

Dutoviário

33.300

4,2

Aéreo

3.169

0,4

Total

794.903

100


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CNT TRANSPORTE ATUAL

AGOSTO 2013

BOLETIM ECONÔMICO

R$ bilhões

INVESTIMENTOS FEDERAIS EM INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES* Investimentos em transporte da União por Modal (total pago acumulado - até junho/2013 (R$3,75 bilhões)

Investimentos em Transporte da União (Orçamento Fiscal) (dados atualizados junho/2013)

25 20 15 10 5 0

0,679 (18,1%)

16,45 3,36

2,995 (79,8%)

3,75

0,035 (0,9%)

0,39

0,044 (1,2%)

Autorizado* Valores Pagos do Exercício Total Pago Restos a Pagar Pagos Obs.: O Total Pago inclui valores pagos do exercício atual e restos a pagar pagos de anos anteriores

RECURSOS DISPONÍVEIS E INVESTIMENTO FEDERAL (ATÉ JUNHO DE 2013)

Rodoviário

Orçamento Fiscal e Estatais (Infraero e Cia Docas) (R$ milhões correntes) Recursos Disponíveis 16.457,27 Autorizado União Dotação das Estatais (Infraero e Cia Docas) 3.048,44 Total de Recursos Disponíveis 19.505,70 Investimento Realizado 2.995,04 Rodoviário 679,40 Ferroviário 134,63 Aquaviário (União + Cia Docas) 323,79 Aéreo (União + Infraero) 4.132,86 Investimento Total (Total Pago) Fonte: Orçamento Fiscal da União (SIGA BRASIL - Senado Federal); Orçamento de Investimentos das Empresas Estatais (DEST-MPOG). Nota (A) Dados atualizados até 29.06.2013 (SIGA BRASIL). (B) Em 18 de junho de 2013 foram excluídos R$ 6 bilhões do valor autorizado para investimento em transporte no Orçamento Fiscal. Esses recursos eram referentes a créditos extraordinários autorizados pela MP nº 598 de 27/12/2012. Findo o prazo para a apresentação do Projeto de Decreto Legislativo para a MP, esta perdeu a validade e os créditos previstos foram devidamente retirados do orçamento. Nota sobre a CIDE: Até o boletim econômico de março de 2013, a CNT realizava o acompanhamento da arrecadação e do investimento com recursos da CIDE-combustíveis, Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, criada pela Lei 10.336, de 19/12/2001. Esse acompanhamento deixou de ser realizado, já que a alíquota da CIDE foi reduzida a zero pelo Decreto nº 7.764, de junho de 2012. Os recursos da CIDE eram destinados aos seguintes fins: (a) ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados de petróleo; (b) ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás; e (c) ao financiamento de programas de infraestrutura de transportes.

Ferroviário

Aquaviário

Aéreo

CONJUNTURA MACROECONÔMICA - JUNHO/2013

PIB (% cresc a.a.)1 Selic (% a.a.)2 IPCA (%)3 Balança Comercial4 Reservas Internacionais5 Câmbio (R$/US$)6

2012

acumulado em 2013

últimos 12 meses

0,87 7,25 5,84 19,43

1,92

1,16

expectativa para 2013

8,00 2,88 -5,39

6,50 7,76

373,14

371,10

2,04

2,21

2,40 9,25 5,87 6,00 2,15

Fontes: Receita Federal, SIGA BRASIL - Senado Federal, IBGE e Focus (Relatório de Mercado 28/06/13), Banco Central do Brasil. Observações: (1) Expectativa de crescimento do PIB para 2013. (2) Taxa Selic conforme Copom 29/05/2013. (3) Inflação acumulada no ano e em 12 meses até abrill/2013. (4) Balança Comercial acumulada no ano e em 12 meses até junho/2013 (US$ bilhões). (5) Posição dezembro/2012 e junho/2013 em US$ bilhões. (6) Câmbio de fim de período divulgado em 28/06/2013, média entre compra e venda.

Evolução do Investimento Federal em Infraestrutura de Transporte 16,0 14,0 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0 2008 Investimento Total

ORÇAMENTO FISCAL DA UNIÃO E ORÇAMENTO DAS ESTATAIS (INFRAERO E CIA DOCAS) (valores em R$ bilhões correntes) 2008 2009 2010 2011 5,1 7,8 10,3 11,2 Rodoviário 0,9 1,0 2,5 1,6 Ferroviário 1,3 1,3 1,0 Aquaviário (União + Cia Docas) 0,8 0,5 0,5 0,7 1,2 Aéreo (União + Infraero) 7,3 10,6 14,8 15,0 Investimento Total

2009 Rodoviário

2010 Ferroviário

2011 Aquaviário

2012 Aéreo

2012 9,4 1,1 0,8 1,4 12,7

Fonte: Orçamento Fiscal da União (SIGA BRASIL - Senado Federal) e Orçamento de Investimentos das Empresas Estatais (DEST-MPOG).

8

R$ bilhões correntes

Orçamento Fiscal da União e Orçamento das Estatais (Infraero e Cia Docas)

* Veja a versão completa deste boletim em www.cnt.org.br

NECESSIDADE DE INVESTIMENTO DO SETOR DE TRANSPORTE BRASILEIRO: R$ 405,0 BILHÕES (PLANO CNT DE TRANSPORTE E LOGÍSTICA 2011)


INVESTIMENTO PÚBLICO FEDERAL EM INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTE POR ESTADOS E REGIÕES (JUNHO - 2013) (VALORES EM R$ MILHÕES CORRENTES)1

REGIÕES3

Estados

ORÇAMENTO FISCAL (TOTAL PAGO POR MODAL DE TRANSPORTE) Acre Alagoas Amazonas Amapá Bahia Ceará Distrito Federal Espírito Santo Goiás Maranhão Minas Gerais Mato Grosso do Sul Mato Grosso Pará Paraíba Pernambuco Piauí Paraná Rio de Janeiro Rio Grande do Norte Rondônia Roraima Rio Grande do Sul Santa Catarina Sergipe São Paulo Tocantins Centro Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul Nacional Total

Rodoviário

Ferroviário

Aquaviário

Aéreo

Total

19,87 238,26 12,29 26,14 107,16 187,64 4,71 36,22 212,96 132,00 240,99 45,16 120,63 121,77 88,56 84,67 40,42 120,71 243,88 33,86 72,75 15,56 500,01 143,50 70,52 3,37 30,13 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 41,30 2.995,04

0,00 0,00 0,00 0,00 262,33 0,00 0,00 0,00 292,11 0,00 21,84 4,80 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 4,02 15,29 0,00 0,00 0,00 0,14 0,13 0,00 61,51 0,28 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 16,95 679,40

0,00 0,00 3,49 0,00 0,00 2,95 0,00 3,73 0,00 16,21 0,00 0,00 0,00 0,36 0,00 0,00 0,00 0,00 0,20 0,00 0,00 0,00 2,57 0,80 0,00 3,59 0,00 0,00 0,00 0,35 0,00 0,00 1,38 35,63

0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,85 0,00 0,00 43,64 44,49

19,87 238,26 15,78 26,14 369,49 190,59 4,71 39,95 505,07 148,21 262,83 49,96 120,63 122,13 88,56 84,67 40,42 124,73 259,37 33,86 72,75 15,56 502,72 144,43 70,52 68,47 30,41 0,00 0,00 1,20 0,00 0,00 103,27 3.754,56

Elaboração: Confederação Nacional do Transporte *Dados atualizados até 29.06.2013 (SIGA BRASIL).

Notas: (1) Foram utilizados os seguintes filtros: função (26), subfunção (781=aéreo, 782=rodoviário, 783=ferroviário, 784=aquaviário), GND (4=investimentos). Para a subfunção 781 (aéreo), não foi aplicado nenhum filtro para a função. Fonte: SIGA BRASIL (Execução do Orçamento Fiscal da União). (2) O total pago é igual ao valor pago no exercício acrescido de restos a pagar pagos. (3) O valor investido em cada região não é igual ao somatório do valor gasto nos respectivos estados. As obras classificadas por região são aquelas que atendem a mais de um estado e por isso não foram desagregadas. Algumas obras atendem a mais de uma região, por isso recebem a classificação Nacional.

Nota técnica CNT

Mudança de fonte de dados de investimentos públicos federais A partir de janeiro de 2013, a CNT passa a utilizar o SIGA BRASIL como fonte de dados da execução do Orçamento Fiscal da União. Até então, eram utilizados os bancos de dados elaborados pela COFF (Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira) disponibilizados pela Câmara dos Deputados. O SIGA BRASIL é um sistema de informações sobre orçamento público, que permite acesso amplo e facilitado ao SIAFI e a outras bases de dados sobre planos e orçamentos públicos, por meio de uma única ferramenta de consulta . Por ser atualizado periodicamente, o SIGA BRASIL permite uma análise mais dinâmica da execução orçamentária federal. Além disso, o SIGA BRASIL disponibiliza na mesma base de dados os valores pagos no exercício e os restos a pagar pagos. Esta característica confere ao sistema maior precisão e segurança no acompanhamento dos investimentos em infraestrutura de transporte. Os dados de execução orçamentária para investimento em infraestrutura de transporte são divulgados mensalmente pela Confederação Nacional do Transporte por meio de seu Boletim Econômico disponível na revista CNT Transporte Atual e no site da instituição (www.cnt.org.br).

Para consultar a execução detalhada, acesse o link http://www.cnt.org.br/Paginas/Boletim-economico.aspx


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CNT TRANSPORTE ATUAL

AGOSTO 2013

BOLETIM DO DESPOLUIR DESPOLUIR

PROJETOS

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Sest Senat lançaram em 2007 o Programa Ambiental do Transporte - DESPOLUIR, com o objetivo de promover o engajamento de empresários, caminhoneiros autônomos, taxistas, trabalhadores em transporte e da sociedade na construção de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

• Redução da emissão de poluentes pelos veículos • Incentivo ao uso de energia limpa pelo setor transportador • Aprimoramento da gestão ambiental nas empresas, garagens e terminais de transporte • Cidadania para o meio ambiente

RESULTADOS DO PROJETO DE REDUÇÃO DAS EMISSÕES DE POLUENTES PELOS VEÍCULOS ESTRUTURA

NÚMEROS DE AFERIÇÕES 2013

2007 A 2012

ATÉ MAIO

820.587

96.357

Aprovação no período 88,18%

90,54%

TOTAL

JUNHO

18.300 91,41%

935.244 88,49%

Federações participantes

20

Unidades de atendimento

68

Empresas atendidas

9.921

Caminhoneiros autônomos atendidos

11.159

PUBLICAÇÕES DO DESPOLUIR

INSTITUIÇÕES PARTICIPANTES Para participar do Projeto Redução da Emissão de Poluentes pelos Veículos, entre em contato com a Federação que atende o seu Estado. FEDERAÇÃO FETRANSPORTES

27.2125-7643

BA e SE

71.3341-6238

SP

11.2632-1010

FETRANCESC

SC

48.3248-1104

FETRANSPAR

PR

41.3333-2900

FETRANSUL

RS

51.3374-8080

FETRACAN

AL, CE, PB, PE, PI, RN e MA

81.3441-3614

FETCEMG

MG

31.3490-0330

FENATAC

DF, TO, MS, MT e GO

61.3361-5295

RJ

21.3869-8073

AC, AM, RR, RO, AP e PA

92.2125-1009

ES

27.2125-7643

BA e SE

71.3341-6238

RJ

21.3221-6300

RN, PB, PE e AL

84.3234-2493

FETRAM

MG

31.3274-2727

FEPASC

SC e PR

41.3244-6844

CEPIMAR

CE, MA e PI

85.3261-7066

FETRAMAR

MS, MT e RO

65.3027-2978

AM, AC, PA, RR e AP

92.3584-6504

FETRASUL

DF, GO, SP e TO

62.3598-2677

FETERGS

RS

51.3228-0622

FETRANSCARGA FETRAMAZ FETRANSPORTES FETRABASE FETRANSPOR FETRONOR Passageiros

TELEFONE

ES

FETCESP

FETRABASE

Carga

UFs ATENDIDAS

FETRANORTE

A pesquisa “Caminhoneiros no Brasil - Relatório Síntese de Informações Ambientais” apresenta a realidade e as necessidades de um dos principais agentes do setor de transporte. Informações econômicas, financeiras, sociais e ambientais, além de dados relacionados à frota, como distribuição e idade média; características dos veículos e dos deslocamentos; intensidade de uso e autonomia (km/l) da frota permitem aprofundar os conhecimentos relativos ao setor de transporte rodoviário.

8

SETOR

Conheça abaixo duas das diversas publicações ambientais que estão disponíveis para download no site do DESPOLUIR:

Para saber mais: www.cntdespoluir.org.br

O governo brasileiro adotou o biodiesel na matriz energética nacional, através da criação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel e da aprovação da Lei n. 11.097. Atualmente, todo o óleo diesel veicular comercializado ao consumidor final possui biodiesel. Essa mistura é denominada óleo diesel B e apresenta uma série de benefícios ambientais, estratégicos e qualitativos. O objetivo desta publicação é auxiliar na rotina operacional dos transportadores, apresentando subsídios para a efetiva adoção de procedimentos que garantam a qualidade do óleo diesel B, trazendo benefícios ao transportador e, sobretudo, ao meio ambiente.


CNT TRANSPORTE ATUAL

75

AGOSTO 2013

CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS NO BRASIL

BOLETIM AMBIENTAL

CONSUMO DE ÓLEO DIESEL POR MODAL DE TRANSPORTE (em milhões de m3)

2009 EMISSÕES DE CO2 NO BRASIL (EM BILHÕES DE TONELADAS - INCLUÍDO MUDANÇA NO USO DA TERRA)

EMISSÕES DE CO2 POR SETOR CO2 t/ANO 1.202,13 140,05 136,15 48,45 47,76 1.574,54

SETOR

Mudança no uso da terra Industrial* Transporte Geração de energia Outros setores Total

(%) 76,35 8,90 8,65 3,07 3,03 100,00

PARTICIPAÇÃO

Rodoviário Aéreo Outros meios Total

38,49

Ferroviário

0,83

2%

1,08

3%

1,18

3%

Hidroviário

0,49

1%

0,14

0%

0,14

0%

35,68 100%

37,7

100%

36,38

% 97%

(abril)

Diesel

(%) 90,46 5,65 3,88 100,00

44,76

44,29

49,23

52,26

55,90

18,32

Gasolina 25,17

25,40

29,84

35,49

39,69

13,04

Etanol

16,47

15,07

10,89

9,85

3,22

PARTICIPAÇÃO

13,29

* Inclui consumo de todos os setores (transporte, indústria, energia, agricultura, etc). ** Dados atualizados em 26 de junho de 2013.

EMISSÕES DE POLUENTES - VEÍCULOS CICLO OTTO* - 2009**

EMISSÕES DE POLUENTES - VEÍCULOS CICLO DIESEL - 2009**

80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%

CO2 NOx NMHc CO CH4

39,81 100%

VOLUME

34,46

% 97%

VOLUME

CONSUMO TOTAL POR TIPO DE COMBUSTÍVEL (em milhões de m3)* TIPO 2008 2009 2010 2011 2012 2013**

EMISSÕES DE CO2 POR MODAL DE TRANSPORTE CO2 t/ANO 123,17 7,68 5,29 136,15

Rodoviário

VOLUME

Total

*Inclui processos industriais e uso de energia

MODAL

2011

2010 % 97%

MODAL

60% 50% 40% CO2 NOx CO NMHc MP

30% 20% 10% 0%

Automóveis GNV Comerciais Leves (Otto) Motocicletas * Inclui veículos movidos a gasolina, etanol e GNV ** Dados fornecidos pelo último Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários – MMA, 2011.

Ônibus Urbanos

Caminhões Pesados

Caminhões Leves

NÃO-CONFORMIDADES POR NATUREZA NO ÓLEO DIESEL - MAIO 2013

QUALIDADE DO ÓLEO DIESEL TEOR MÁXIMO DE ENXOFRE (S) NO ÓLEO DIESEL (em ppm de s)* Japão EUA Europa

Ônibus Caminhões Comerciais Leves Rodoviários (Diesel) médios

10 15 10 a 50

CE: Fortaleza, Aquiraz, Horizonte, Caucaia, Itaitinga, Chorozinho, Maracanaú, Euzébio, Maranguape, Pacajus, Guaiúba, Pacatuba, São Gonçalo do Amarante, Pindoretama e Cascavel. PA: Belém, Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara do Pará, Benevides e Santa Isabel do Pará. PE: Recife, Abreu e Lima, Itapissuma, Araçoiaba, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Moreno, Camaragibe, Olinda, Igarassu, Paulista, Ipojuca, Itamaracá e São Lourenço da Mata. Frotas cativas de ônibus dos municípios: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Porto Alegre e São Paulo. RJ: Rio de Janeiro, Belford Roxo, Nilópolis, Duque de Caxias, Niterói, Guapimirim, Nova Iguaçu, Itaboraí, Paracambi, Itaguaí, Queimados, Japeri, São Gonçalo, Magé, São João de Meriti, Mangaratiba, Seropédica, Maricá, Tanguá e Mesquita. 10** Brasil SP: São Paulo, Americana, Mairiporã, Artur Nogueira, Mauá, Arujá, Mogi das Cruzes, Barueri, Mongaguá, Bertioga, Monte Mor, Biritibamirim, Nova Odessa, Caçapava, Osasco, Caieiras, Paulínia, Cajamar, Pedreira, Campinas, Peruíbe, Carapicuíba, Pindamonhangaba, Cosmópolis, Pirapora do Bom Jesus, Cotia, Poá, Cubatão, Praia Grande, Diadema, Ribeirão Pires, Embu, Rio Grande da Serra, Embuguaçu, Salesópolis, Engenheiro Coelho, Santa Bárbara d’ Oeste, Ferraz de Vasconcelos, Santa Branca, Francisco Morato, Santa Isabel, Franco da Rocha, Santana de Parnaíba, Guararema, Santo André, Guarujá, Santo Antônio da Posse, Guarulhos, Santos, Holambra, São Bernardo do Campo, Hortolândia, São Caetano do Sul, Igaratá, São José dos Campos, Indaiatuba, São Lourenço da Serra, Itanhaém, São Vicente, Itapecerica da Serra, Sumaré, Itapevi, Suzano, Itaquaquecetuba, Taboão da Serra, Itatiba, Taubaté, Jacareí, Tremembé, Jaguariúna, Valinhos, Jandira, Vargem Grande Paulista, Juquitiba e Vinhedo. Demais estados e cidades 500 ou 1800*** * Em partes por milhão de S - ppm de S ** Municípios com venda exclusiva de S10. Para ver a lista dos postos que ofertam o diesel S10, consulte o site do DESPOLUIR: www.cntdespoluir.org.br *** A partir de 2013, 59% do chamado diesel interiorano passam a ser S500. Para mais informações, consulte a seção Legislação no Site do DESPOLUIR: www.cntdespoluir.org.br

5,2%

21,4%

26,2%

16,2% 14,0% 17,0% Teor de Biodiesel 16,2% Outros 21,4%

Pt. Fulgor 14,0% Enxofre 17,0%

Corante 5,2% Aspecto 26,2%

ÍNDICE TRIMESTRAL DE NÃO-CONFORMIDADES NO ÓLEO DIESEL POR ESTADO - MAIO 2013

Trimestre Anterior Trimestre Atual

20

% NC

15

11,0 7,0

5,2

5 0

6,7

8,3

10

0,0

AC 0,0 0,0

2,3

1,4

AL 1,4 0,3

AM 11,0 8,7

AP 8,3 5,1

BA 5,2 5,1

CE 2,3 2,1

2,5

DF 2,5 1,8

2,9

2,0

ES 2,0 0,7

GO 7,0 5,1

MA 2,9 2,8

2,8

MG 2,8 1,9

4,6

4,3

0,0

MS 0,0 0,0

Percentual relativo ao número de não-conformidades encontradas no total de amostras coletadas. Cada amostra analisada pode conter uma ou mais não-conformidades.

MT 4,6 8,3

PA 4,3 3,1

3,3

PB 3,3 2,4

5,2 2,3

PE 2,3 1,6

0,8

1,3

PI 0.8 0,5

PR 1,3 1,2

3,9 0,0

RJ 5,2 4,8

RN 3,9 2,1

RO 0,0 0,0

RR 6,7 7,8

1,6

2,2

RS 1,6 1,4

SC 2,2 2,4

0,0

SE 0,0 1,3

3,0

2,7 0,0

SP 2,7 2,8

TO 0,0 0,0

Brasil 3,0 2,7


EFEITOS DOS PRINCIPAIS POLUENTES ATMOSFÉRICOS DO TRANSPORTE POLUENTES

PRINCIPAIS FONTES

CARACTERÍSTICAS

EFEITOS SAÚDE HUMANA

1

Monóxido de carbono (CO)

Resultado do processo de combustão de fonte móveis2 e de fontes fixas industriais3.

Gás incolor, inodoro e tóxico.

Diminui a capacidade do sangue em transportar oxigênio. Aspirado em grandes quantidades pode causar a morte.

Dióxido de Carbono (CO2)

Resultado do processo de combustão de fonte móveis2 e de fontes fixas industriais3.

Gás tóxico, sem cor e sem odor.

Provoca confusão mental, prejuízo dos reflexos, inconsciência, parada das funções cerebrais.

Metano (CH4)

Resultado do processo de combustão de fontes móveis2 e fixas3, atividades agrícolas e pecuárias, aterros sanitários e processos industriais4.

Gás tóxico, sem cor, sem odor. Quando adicionado a água torna-se altamente explosivo.

Causa asfixia, parada cardíaca, inconsciência e até mesmo danos no sistema nervoso central, se inalado.

MEIO AMBIENTE

Causam o aquecimento global, por serem gases de efeito estufa.

Compostos orgânicos voláteis (COVs)

Resultado do processo de combustão de fonte móveis2 e processos industriais4.

Composto por uma grande variedade de moléculas a base de carbono, como aldeídos, cetonas e outros hidrocarbonetos leves.

Causa irritação da membrana mucosa, conjuntivite, danos na pele e nos canais respiratórios. Em contato com a pele pode deixar a pele sensível e enrugada e quando ingeridos ou inalados em quantidades elevadas causam lesões no esôfago, traqueia, trato gastro-intestinal, vômitos, perda de consciência e desmaios.

Óxidos de nitrogênio (NOx)

Formado pela reação do óxido de nitrogênio e do oxigênio reativo presentes na atmosfera e queima de biomassa e combustíveis fósseis.

O NO é um gás incolor, solúvel. O NO2 é um gás de cor acastanhada ou castanho avermelhada, de cheiro forte e irritante, muito tóxico. O N2O é um gás incolor, conhecido popularmente como gás do riso.

O NO2 é irritante para os pulmões e Causam o aquecimento global, diminui a resistência às infecções por serem gases de efeito estufa. respiratórias. A exposição continuada ou frequente a níveis elevados pode provocar Causadores da chuva ácida5. tendência para problemas respiratórios.

Formado pela quebra das moléculas dos hidrocarbonetos liberados por alguns poluentes, como combustão de gasolina e diesel. Sua formação é favorecida pela incidência de luz solar e ausência de vento.

Gás azulado à temperatura ambiente, instável, altamente reativo e oxidante.

Resultado do processo de combustão de fontes móveis2 e processos industriais4.

Provoca irritação e aumento na produção de muco, desconforto na Gás denso, incolor, não inflamável respiração e agravamento de e altamente tóxico. problemas respiratórios e cardiovasculares.

Causa o aquecimento global, por ser um gás de efeito estufa. Causador da chuva ácida5, que deteriora diversos materiais, acidifica corpos d'água e provoca destruição de florestas.

Conjunto de poluentes constituído de poeira, fumaça e todo tipo de material sólido e líquido que se mantém suspenso. Possuem diversos tamanhos em suspensão na atmosfera. O tamanho das partículas está diretamente associado ao seu potencial para causar problemas à saúde, quanto menores, maiores os efeitos provocados.

Altera o pH, os níveis de pigmentação e a fotossíntese das plantas, devido a poeira depositada nas folhas.

Ozônio (O3)

Dióxido de enxofre (SO2)

Material particulado (MP)

Resultado da queima incompleta de combustíveis e de seus aditivos, de processos industriais e do desgaste de pneus e freios.

Provoca problemas respiratórios, irritação aos olhos, nariz e garganta.

Incômodo e irritação no nariz e garganta são causados pelas partículas mais grossas. Poeiras mais finas causam danos ao aparelho respiratório e carregam outros poluentes para os alvéolos pulmonares, provocando efeitos crônicos como doenças respiratórias, cardíacas e câncer.

Causa destruição e afeta o desenvolvimento de plantas e animais, devido a sua natureza corrosiva. Além de causar o aquecimento global, por ser um gás de efeito estufa.

8

1. Em 12 de junho de 2012, segundo o Comunicado nº 213, o Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC, em inglês), que é uma agência da Organização Mundial da Saúde (OMS), classificou a fumaça do diesel como substância cancerígena (grupo 1), mesma categoria que se encontram o amianto, álcool e cigarro. 2. Fontes móveis: motores a gasolina, diesel, álcool ou GNV. 3. Fontes fixas: Centrais elétricas e termelétricas, instalações de produção, incineradores, fornos industriais e domésticos, aparelhos de queima e fontes naturais como vulcões, incêndios florestais ou pântanos. 4. Processos industriais: procedimentos envolvendo passos químicos ou mecânicos que fazem parte da fabricação de um ou vários itens, usualmente em grande escala. 5. Chuva ácida: a chuva ácida, também conhecida como deposição ácida, é provocada por emissões de dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de nitrogênio (NOx) de usinas de energia, carros e fábricas. Os ácidos nítrico e sulfúrico resultantes podem cair como deposições secas ou úmidas. A deposição úmida é a precipitação: chuva ácida, neve, granizo ou neblina. A deposição seca cai como particulados ácidos ou gases.

Para saber mais: www.cntdespoluir.org.br


“A cabotagem vem crescendo sustentavelmente nos últimos anos a taxas bem superiores ao próprio crescimento da economia brasileira” DEBATE

De que forma a MP dos Portos pode favorecer o transporte

Passado o grande susto, prevaleceu o bom senso CLEBER LUCAS

Brasil possui vias navegáveis invejáveis, verdadeiras estradas marítimo-fluviais que ligam o Rio Grande a Manaus, cobrindo a maior parte de nossa economia concentrada próxima ao litoral. Aproveitando essa característica, a cabotagem vem crescendo sustentavelmente nos últimos anos a taxas bem superiores ao próprio crescimento da economia brasileira. Por esse modo, hoje já são distribuídos grande parte dos produtos e insumos , bem como as cargas provenientes do comércio exterior por meio dos serviços alimentadores (feeder), entre portos do Brasil e Mercosul. Toda essa atividade demanda intensamente por infraestrutura portuária em quantidade e qualidade que permitam o embarque e desembarque das cargas transportadas pelos navios de forma rápida e eficiente. Por tudo isso, o setor acompanhou com muita atenção e apreensão as alterações no marco regulatório do setor portuário, agindo e interagindo, ao longo do processo, para que a reforma pretendida pudesse contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento do país, seja pelo destra-

O

CLEBER LUCAS Vice-presidente do Syndarma (Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima) e presidente da ABAC (Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem)

vamento dos investimentos nessa atividade, seja por torná-lo mais eficiente e produtivo. Em dezembro de 2012, a edição da medida provisória e dos decretos que instituíram a Cnap e a Conaportos geraram boas expectativas para a cabotagem. De um lado, a MP viabilizava o investimento em novos terminais portuários, e as comissões endereçaram duas questões importantes para o setor: a Cnap com regulação dos serviços de praticagem, hoje com custos elevadíssimos e preços distorcidos por anos de ausência de regulação econômica da atividade. E a Conaportos com a simplificação dos processos portuários, cuja burocracia e excessiva documentação tanta ineficiência traz aos processos de embarque e desembarque de cargas nos portos. As alterações à MP realizadas pelo Congresso proporcionaram um grande susto no setor, quando tentou-se limitar a participação de empresas de navegação em terminais portuários, e acabaram por criar uma reserva de mercado a empresas de economia mista e estatais em uma con-

dição claramente inconstitucional ao discriminar o capital privado. Felizmente o bom senso imperou e o veto presidencial corrigiu essa anomalia do texto aprovado pelo Congresso Nacional. É inegável que o fim do conceito de carga própria e o destravamento aos investimentos em terminais privados proporcionam condições favoráveis à expansão da capacidade, tão necessária ao crescimento econômico do país. Por outro lado, a oneração dos terminais públicos, sobretudo na questão da mão de obra em atividades de capatazia e bloco, gera apreensão no setor, dependente que é desses terminais para movimentação da grande maioria de suas cargas e pelo longo tempo necessário para a implantação e operação dos novos terminais privados que ainda haverão de ser desenvolvidos. Como a Conaportos, a criação da Cnap gerou boa expectativa no setor, mas o ponto de atenção que gera ansiedade é a falta de clareza quanto aos prazos para que as medidas em discussão sejam traduzidas em ações e regramentos claros e eficazes para o tratamento das questões que se propõem resolver.


“Os objetivos da MP nº 595 foram legítimos, mas a capacidade de gestão do poder público e de atração do setor privado é que irá fazer toda a diferença”

por cabotagem?

Vocação natural em um país de dimensões continentais JOÃO GUILHERME DE ARAUJO

Brasil apresenta enormes desafios em infraestrutura de transportes, além de um sério desbalanceamento em sua matriz de transporte de cargas. Por isso, estamos sempre investigando oportunidades de desconcentração do modal rodoviário, extremamente relevante para o país, mas que deve se concentrar em serviços e distâncias nos quais seja realmente a melhor opção. Isso abrirá espaços para multimodalidade e maior participação de outros modais de transporte. Nesse sentido, a navegação de cabotagem aparece como uma vocação natural em um país de dimensões continentais, com extensa costa navegável e uma forte concentração de riqueza e população em sua faixa litorânea. O Ilos vem realizando estudos constantes acerca da competitividade e dos desafios desse modal. Resumidamente, em seus principais pontos de atratividade, podemos destacar: menores custos unitários para longas distâncias, maior eficiência energética e menor impacto ambiental, segurança e baixo índice de acidentes e a

O

possibilidade de diminuir o excessivo tráfego e alto índice de acidentes das saturadas estradas brasileiras. Por outro lado, o modal ainda apresenta desafios dentre os quais podemos destacar: infraestrutura portuária deficiente, carência nos acessos terrestres e marítimos dos portos brasileiros, excesso de burocracia, questões de regulação e oferta de mão de obra e consistência de serviço porta a porta. Sem entrar no juízo de mérito das decisões contidas na lei nº 12.815/2013, oriunda da MP nº 595, por tratar-se de tema suficiente para um artigo específico, podemos afirmar que seus legítimos objetivos deveriam ser o aumento da competição, a redução dos custos portuários e uma maior oferta de capacidade de movimentação de carga. Com base nesses três pilares pretendidos e se seus desdobramentos lograrem sucesso, não restará dúvida de que a navegação de cabotagem sofrerá uma enorme e positiva contribuição especialmente no que diz respeito às queixas de precária infraestrutura portuária, aumento da competitividade tarifária e consistência na oferta

dos serviços e escalas de embarcações. Importante ressaltarmos que ainda é necessária a capacidade de gestão do governo para adequar pontos de assimetria e adequação regulatória e processar a nova legislação, atraindo o capital privado para os investimentos necessários. Também existem outros relevantes entraves, como a excessiva burocracia no tratamento da carga de cabotagem, o grande número de entidades anuentes dos portos e seus turnos de trabalho administrativos e a dificuldade de levar adiante os PDZs (Planos de Desenvolvimento e Zoneamento dos Portos Públicos) que, se sanados, poderiam contribuir ainda mais decisivamente para um definitivo impulso ao modal. Em síntese, os objetivos da MP nº 595 foram legítimos, as intenções acertadas, os detalhamentos merecem complementação, mas a capacidade de gestão do poder público e de atração do setor privado é que irá fazer toda a diferença. Enxergamos um ainda melhor futuro para a navegação de cabotagem se ultrapassados esses desafios.

JOÃO GUILHERME DE ARAUJO Diretor de Consultoria e Desenvolvimento de Negócios do Ilos Instituto de Logística e Supply Chain


CNT TRANSPORTE ATUAL

AGOSTO 2013

81

“Todo o esforço do Sest Senat tem surtido efeito, e novos profissionais estão entrando no mercado a cada ano” CLÉSIO ANDRADE

OPINIÃO

Os caminhos do Brasil nas mãos dos caminhoneiros

E

m 25 de julho, Dia de São Cristóvão, comemoramos por todo o país o Dia do Motorista. Para nós, transportadores, essa data é sempre uma oportunidade de expressar nossa gratidão e orgulho pelo trabalho dedicado desses profissionais no transporte diário de pessoas e de aproximadamente 60% de toda a carga brasileira. O motorista é um importante agente da consolidação da riqueza do Brasil. Depois de uma fase romântica da profissão, na qual homens identificavam uma vocação para a solidão das estradas e dirigiam por muitas horas seguidas durante a jornada de um dia, o aumento do tráfego de veículos, os perigos dos acidentes e a violência perpetrada por gangues de ladrões de cargas elevaram os níveis de estresse dos condutores de veículos. Alguns passaram a usar drogas e a sofrer problemas crônicos de saúde, como diabetes, hipertensão e outros males. Com isso, a profissão foi perdendo um pouco de seu romantismo e de sua atratividade. A entrada de novos motoristas na profissão ficou mais escassa. Mas essa situação vem se revertendo. Nos últimos anos, novas tecnologias têm provocado mudanças mais significativas no perfil do caminhoneiro. Hoje, os caminhões saem das fábricas com sofisticados recursos. Altamente informatizada, a chamada tecnologia embarcada exige especialização dos condutores. Assim, os profissionais da estrada passaram a

ser operadores de sistemas de informática para conduzir seus veículos. A alta especialização que muito rapidamente se passou a exigir dos profissionais para executar a atividade e a disponibilidade de vagas no mercado estão criando um novo perfil do caminhoneiro. Aqueles que ingressam na profissão, sobretudo os mais jovens, chegam com maior nível de escolaridade e mais conhecimentos específicos dos novos veículos. Como consequência instantânea, está havendo também elevação dos salários iniciais propostos pelas empresas e novos benefícios. A CNT tem refletido sobre a nova condição desse insubstituível e fundamental profissional, cujo desempenho afeta diretamente o desenvolvimento do país. Por meio do Sest Senat, são oferecidos inúmeros cursos de qualificação profissional voltados exclusivamente para os condutores de caminhões, além de campanhas de saúde, palestras e outras atividades dirigidas a eles. Todo o esforço do Sest Senat tem surtido efeito, e novos profissionais estão entrando no mercado a cada ano. A profissão está se reinventando, agora com uma face mais moderna e com mais vantagens financeiras. Os motoristas continuam transportando nossas riquezas e, portanto, permanecem sendo de extrema importância para o equilíbrio social e para o desenvolvimento econômico do país.


82

CNT TRANSPORTE ATUAL

CNT CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE PRESIDENTE Clésio Andrade VICE-PRESIDENTES DA CNT TRANSPORTE DE CARGAS

AGOSTO 2013

José Severiano Chaves Eudo Laranjeiras Costa Antônio Carlos Melgaço Knitell Eurico Galhardi Francisco Saldanha Bezerra Jerson Antonio Picoli João Rezende Filho Mário Martins

Escreva para CNT TRANSPORTE ATUAL As cartas devem conter nome completo, endereço e telefone dos remetentes

DOS LEITORES

Newton Jerônimo Gibson Duarte Rodrigues TRANSPORTE AQUAVIÁRIO, FERROVIÁRIO E AÉREO

Meton Soares Júnior TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

Jacob Barata Filho TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS, DE PESSOAS E DE BENS

José Fioravanti PRESIDENTES DE SEÇÃO E VICE-PRESIDENTES DE SEÇÃO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

Marco Antonio Gulin Otávio Vieira da Cunha Filho TRANSPORTE DE CARGAS

Flávio Benatti Pedro José de Oliveira Lopes TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS, DE PESSOAS E DE BENS

José da Fonseca Lopes Edgar Ferreira de Sousa

TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

Luiz Anselmo Trombini Urubatan Helou Irani Bertolini Pedro José de Oliveira Lopes Paulo Sérgio Ribeiro da Silva Eduardo Ferreira Rebuzzi Oswaldo Dias de Castro Daniel Luís Carvalho Augusto Emílio Dalçóquio Geraldo Aguiar Brito Viana Augusto Dalçóquio Neto Euclides Haiss Paulo Vicente Caleffi Francisco Pelúcio

TRANSPORTE AQUAVIÁRIO

TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS, DE PESSOAS E DE BENS

Glen Gordon Findlay Paulo Cabral Rebelo

Edgar Ferreira de Sousa José Alexandrino Ferreira Neto José Percides Rodrigues Luiz Maldonado Marthos Sandoval Geraldino dos Santos Éder Dal’ Lago André Luiz Costa Diumar Deléo Cunha Bueno Claudinei Natal Pelegrini Getúlio Vargas de Moura Bratz Nilton Noel da Rocha Neirman Moreira da Silva

TRANSPORTE FERROVIÁRIO

Rodrigo Vilaça Júlio Fontana Neto TRANSPORTE AÉREO

Urubatan Helou José Afonso Assumpção CONSELHO FISCAL (TITULARES) David Lopes de Oliveira Éder Dal’lago Luiz Maldonado Marthos José Hélio Fernandes CONSELHO FISCAL (SUPLENTES) Waldemar Araújo André Luiz Zanin de Oliveira José Veronez Eduardo Ferreira Rebuzzi DIRETORIA TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS

TRANSPORTE AQUAVIÁRIO, FERROVIÁRIO E AÉREO

Hernani Goulart Fortuna Paulo Duarte Alecrim André Luiz Zanin de Oliveira Moacyr Bonelli George Alberto Takahashi José Carlos Ribeiro Gomes Roberto Sffair Luiz Ivan Janaú Barbosa José Roque

Luiz Wagner Chieppe Alfredo José Bezerra Leite Lelis Marcos Teixeira José Augusto Pinheiro

Fernando Ferreira Becker

Victorino Aldo Saccol

Eclésio da Silva

Raimundo Holanda Cavacante Filho Jorge Afonso Quagliani Pereira Alcy Hagge Cavalcante

PRÊMIO CNT DE JORNALISMO Gostei bastante da reportagem especial sobre os 20 anos do Prêmio CNT de Jornalismo, publicada na edição nº 214 da revista, em julho. Essa iniciativa da confederação é de extrema importância para valorizar a profissão de jornalismo no nosso país e, ao mesmo tempo, ampliar as discussões sobre a atividade transportadora. Que cada vez mais jornalistas se dediquem à causa do transporte e que assim seja possível encontrar as melhores soluções para os problemas que ainda impedem o desenvolvimento de um setor tão essencial para o país. Paula Fontes Teles Campinas/SP CONTÊINER ULTRALEVE Li a reportagem sobre os contêineres ultraleves que estão sendo usados pelas companhias aéreas e achei muito interessante. Fico feliz em saber que as empresas têm investido em equipamentos que vão refletir em melhorias não só para elas, como para todos nós. Pelo que entendi, o fato de o contêiner ser mais leve, reduz o gasto de combustível durante o voo e, consequentemente, as aeronaves emitem menos poluentes. Philipe Gontijo Porto Alegre/RS

NAVEGAÇÃO FLUVIAL Só quem vive na região amazônica conhece a dificuldade da população para conseguir ir de uma cidade a outra. Além de sermos dependentes das condições dos rios, também precisamos suportar algumas situações bastantes críticas nos terminais. A reportagem da revista CNT Transporte Atual sobre o levantamento da Antaq mostra um pouco da realidade daqui da região. Que esses números sirvam de alerta para a realização de melhorias. Karen Soares Manaus/AM EFICIÊNCIA ENERGÉTICA A discussão sobre a necessidade de se criar mecanismos e programas para melhorar a eficiência energética dos veículos é bastante válida. O mundo vive um momento de atenção sobre a preservação ambiental. Espero que o Brasil aprenda com a experiência de outros países e que a CNT dê sequência ao desejo de criar um projeto específico sobre o tema. Rogério Tavares Criciúma/SC CARTAS PARA ESTA SEÇÃO

SAUS, quadra 1, bloco J Edifício CNT, entradas 10 e 20, 11º andar 70070-010 - Brasília (DF) E-mail: imprensa@cnt.org.br Por motivo de espaço, as mensagens serão selecionadas e poderão sofrer cortes



O peso da inflação