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Sumário

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_/14 Reportagem Especial PL EM FASE DECISÓRIA Histeria nas operadoras; medo fundado nas programadoras _/14

HSM Specials: Leaders

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Arte e parte Francis Ford Coppola, Diretor, Produtor e Empresário _/08

todotv ©2010

_/28


Galeria Fórum Brasil 2010 _/30

_/42

16 e 17 de junho, Centro de Convenções, Frei Caneca, São Paulo, Brasil

Executivos Espírito pioneiro _/20

Alberto Pecegueiro, Diretor Geral da Globosat

Debate aberto _/22

Alexandre Annenberg, Presidente Executivo da ABTA

A diferença HBO _/28

Gustavo Grossman, Gerente Geral da HBO Networks Latin America

Televisa Networks no Brasil _/32

Fernando Muñiz, Diretor Geral de Televisa Networks

Próspero entre nuvens _/38

_/08

Anthony Doyle, VP Regional da Turner Broadcasting System Brasil

Elisabetta Zenatti _/42 Diretora Executiva da Floresta

Patricia Thompson _/43

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Vice-presidente de Vendas Afiliados e Distribuição da Pramer

todotvnews

HIGHLIGHTS

Brasil_/25

Investimento publicitário e produção original

Argentina_/26

MPMEs de TV: por assinatura rebeladas contra a Lei de Mídia

EUA_/45

Produtores independentes vão produzir conteúdos para a Comcast e a NBC Universal

Investimento Publicitário_/50

EUA: o gigante de sempre


todotv ©2010

President / CEO Sebastian Lateulade Executive Director Soledad Saldías Editorial Manager Sebastián Amoroso EDITOR Stephanie Biscomb Online Director Omar Méndez Online Editor Diego Alegre Editorial Assistants Sebastián Torterola Dino Cappelli PROOFREADER Josefina Mezzera Regules Yasna García da Rosa Alejandra Palermo Operations Director Rodrigo Ros INTERNATIONAL SALES Dolores Irazábal Renata Del Pup Production Manager Dario Alemán IT Manager Alejandro Barros Data Operations Fernando Moreno Webmaster Nazario Pereira Webmaster Assistant Nazario Saldias Translators Ken Mandel Marlyn Mandel Finance Manager Cr. Michel Schwartz Finance Assistant Mónica Iriarte art & Design Unik design info@unikbureau.com www.unikbureau.com Headquarters Ruta 8 Km 17.500 Of 503 A Zonamerica / CP 91600 Montevideo - Uruguay Tel. (+598 2) 518.2848 Fax. (+598 2) 518.2849 EuropE 114, rue Villiers de l´ Isle Adam 75020 París - Francia Tel. (33) 6 6726.5894 A todotv, propriedade da todotvmedia, é uma publicação mensal e de distribuição gratuita. Os artigos refletem a opinião dos autores individuais sobre os temas tratados, sem que isso implique controle editorial ou solidariedade da administração e dos proprietários da revista com seu conteúdo. Para todos os efeitos se considera que a responsabilidade pelo conteúdo dos anúncios corre por conta exclusiva dos respectivos anunciantes. A reprodução total ou parcial, em forma eletrônica e impressa, dos conteúdos desta publicação sem expressa autorização escrita da todotvmedia é estritamente proibida.

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truTV: outro nível de experiência para a América Latina Pouco mais de um ano após seu lançamento na América Latina -onde atualmente supera os 10 milhões de assinantes- a truTV amplia sua proposta de entretenimento com a chegada de sua versão em alta definição. “Em um mercado em permanente mudança e crescimento, este era um passo importante para o desenvolvimento do canal após a sua chegada na América Latina há pouco mais de um ano”, assegurou Marcelo Tamburri, diretor do canal. Além disso, a truTV HD tem sua própria secção no sítio original trutvla.com, onde o usuário pode encontrar toda a informação referida ao canal em alta definição. A grade de programação, os shows destacados de cada mês e vídeos do novo canal estão disponíveis no website.

Europa: se lança com tudo para patrocinar a “sua” TDT Após a proposta que o presidente uruguaio José Mujica recebeu do brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva -sendo reiterada a vários ministros- para adotar o padrão nipobrasileiro de TV digital, a União Européia (UE) trabalhou para que o Uruguai mantivesse sua opção pela norma européia. Um relatório publicado pelo jornal El País de Montevidéu diz que a UE propôs a representantes do governo quantias de dinheiro muito superiores às oferecidas inicialmente para adotar o padrão. A UE propôs adicionar 3 milhões de euros aos 690.000 doados inicialmente para a compra de equipamento e capacitação da equipe, e ofereceu empréstimos para a implementação do padrão europeu de TDT, segundo porta-vozes do governo do Uruguai. O padrão europeu foi aprovado no país pelo governo anterior de Tabaré Vázquez. Apesar disso, o governo do Brasil tentou seduzir o governo uruguaio para que mude de padrão com possíveis doações que chegariam a US$ 50 milhões. Sem dúvida, esse contexto causou a recente visita de Fabio Nasarre de Letosa ao Uruguai, funcionário das Relações Internacionais da Direção Geral da Sociedade da Informação da Comissão Européia. O funcionário representante manteve reuniões com autoridades governamentais e diretores de canais privados e estatais. O objetivo? Analisar mais cooperação técnica e mais fundos para implementar o padrão europeu na TDT uruguaia, com fundos disponíveis a partir de 2011.

Net: importante redução no lucro apesar do aumento de assinantes O último balanço da principal operadora de TV por assinatura ibero-americano registrou uma importante diminuição no seu revenue. A Net registrou um lucro de 56,5 milhões de reais no segundo semestre do ano, quase 70% menos que no mesmo período de 2009, quando teve um saldo a favor de quase 180 milhões de reais. A operadora de TV por assinatura do grupo Globo (principal controlador) manifestou que a causa da brusca redução foi a variação cambiária. De acordo com os números divulgados pelo grupo, a base de TV por assinatura aumentou em 107 mil assinantes, fechando o trimestre com 3.883.000 clientes, 12% superior ao mesmo quarto do ano anterior (3.480.000 clientes). No final do trimestre, o total de assinantes de banda larga foi de 3,1 milhões, um crescimento de 19% em comparação com os 2,6 milhões do final do segundo trimestre de 2009. O número de linhas de telefonia fixa fechou neste quarto de ano com 2.765.000, 21% mais em comparação com o mesmo período do ano anterior, que fechou com 2,3 milhões.


MANAGEMENTV SPECIALS / LEADERES

Francis Ford Coppola, Diretor, Produtor e Empresário

Arte e parte Um empreendedor que tomou lições do mundo do cinema e as colocou em prática na vida real. Francis Ford Coppola, ganhador de múltiplos prêmios da indústria cinematográfica, dono de duas adegas de vinho, resorts no Caribe e editor de revistas, conta a história da sua vida de negócios. Seus erros, tropeços e sucessos dentro e fora do mundo do cinema. Um verdadeiro exemplo de empreendedor. > ESPECIAL PARA A TODOTV (*) “A chave está em atuar razoavelmente sem perder a calma”. “Escuto colegas e conselheiros, mas se eles não fizerem ‘click’ no meu coração, eu também não faço. É um instinto”.

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rancis Ford Coppola é um empreendedor destacado que tomou lições do mundo do cinema e as colocou em prática na vida real. Coppola é reconhecido pela sua magistral obra cinematográfica: recebeu vários prêmios da indústria (cinco prêmios Oscar, quatro Globos de Ouro, duas Palmas de Ouro do Festival de Cannes), dono de duas adegas de vinho, resorts no Caribe e editor de revistas, contou nesta entrevista a história da sua vida de negócios. O diretor da obra-prima ‘O Padrinho’ (‘The Godfather’), um dos filmes mais influentes no mundo do cinema, que ganhou um Oscar como melhor roteiro e foi indicado como melhor diretor; Francis Ford Coppola é um homem digno de se conhecer. Com a sua grande carreira pelo intrincado mercado do cinema, com amigos como George Lucas, e muitos êxitos no mundo dos negócios (*) Entrevista baseada em um episódio da série de HSM Specials do canal ManagemenTV.

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comerciais, Coppola conseguiu chegar ao topo máximo do sucesso. UM SENTIMENTO TRANSFORMADO EM NEGÓCIO. A história de Francis Ford Coppola surpreende pela naturalidade com que ele observa a realidade. Lições que aprendeu na indústria do cinema e que aplicou depois nos negócios. Uma combinação perfeita entre paixão e inteligência. “Procuro demonstrar que o negócio que construí não foi planejado, mas acidental. Sou apaixonado pelo vinho, e após comprar uma casa de verão no Napa Valley (EUA) para passar um bom tempo com meus filhos, que nesse momento eram crianças, surgiu a idéia de plantar uvas e fazer vinhos caseiros, como tinha feito o meu avô. Foi assim que a idéia das adegas surgiu, de um sentimento verdadeiro”. Curioso como todo empreendedor, sabia do crescimento da vitivinicultura nos EUA. “O negócio do vinho, especialmente nos EUA, é maravilhoso, porque cada dia mais pessoas bebem vinho por motivos de saúde, ou -na minha opinião- pela experiência gratificante que ele nos dá. Há uma história por trás do vinho, não é somente uma bebida”. Um prazer que transformou a sua vida. “Simplesmente aconteceu que um dos meus prazeres mais íntimos me fez ter um negócio com tanto sucesso como este. E não foi somente com as adegas, também com os resorts e as revistas”. Coppola é uma dessas pessoas que nunca diz “não” para as oportunidades e tenta não recusar nenhuma idéia. “Eu acredito que o único meio para fracassar na vida é morrer e pensar: ‘Se eu tivesse feito isso’. Por isso tudo o que se sente deve ser feito”. GRANDES RESULTADOS PARA O ARROJADO. Como toda pessoa que arrisca de modo inato, Coppola tem conseguido controlar situações financeiras complicadas em sua vida, e tem conseguido superá-las. “Eu era jovem, e como jovem pensava que o dinheiro era só dinheiro. Se perder, poderei recuperar”. Coppola acredita que nos momentos difíceis surgem de idéias novas e nobres. “A chave é atuar razoavelmente e não perder a calma. Um exemplo atual pode ser o seguinte: o ator principal do meu novo filme não pôde rodar por demoras na estréia da minha última produção. Eu não fico nervoso, tomo tranquilamente as decisões, bebo uma taça de vinho e no meio da noite surgem possíveis soluções. Não me atormento”. CASTING: COMO ENCONTRAR TALENTOS. “Em qualquer empresa, a área de recursos humanos é provavelmente uma das mais importantes. Eles escolhem nossos companheiros de trabalho, colegas ou colaboradores. A importância é a mesma nos filmes. O elenco que é escolhido tem a mesma relevância que a história que se quer contar”. Coppola gosta do trabalho em equipe, mais

quando não escuta o ‘click’ para tomar uma decisão, simplesmente a descarta. “Escuto a colegas e conselheiros, mas se não fizerem ‘click’ no meu coração, eu também não faço. É um instinto; se eu não sentir que isso é a coisa certa, simplesmente não a faço. É assim que encontro os talentos”. MARKETING: UM DEPARTAMENTO DESONESTO. Coppola critica o marketing. Ele considera que são pessoas disfarçadas com máscaras, que criaram a toma de decisões criativas baseadas em uma mentira subjetiva. “As pessoas de vendas estão sempre de olho nos agentes, nos distribuidores, nos varejistas e atualmente –principalmente nos EUA-, nos grandes supermercados, por exemplo, Traders Joe’s, a companhia que compra mais caixas de vinho no mundo. Por isso, se eu mandar uma equipe para vender as minhas caixas de vinho, e o comprador as rejeita porque não gosta da etiqueta, o pessoal de marketing não vai me

“Em qualquer empresa, a área de recursos humanos é provavelmente uma das mais importantes”. dizer que eles não gostaram dela, só dizem: ‘Temos que mudar a etiqueta’. Eu preferiria que me dissessem a verdade, porque é uma decisão importante”. O LADO AMIGÁVEL DOS PREÇOS. Este homem robusto trabalha com a idéia de que seus clientes são seus amigos. “Quero que tenham a possibilidade de comprar meu vinho a preços acessíveis. Uma garrafa das mais caras não supera US$ 140. As dos nossos concorrentes alcançam US$ 500; sempre tento ficar no meio”. Mas nem tudo tem a ver como valor monetário; também há um valor sentimental. “Eles nos dão seu dinheiro, que representa seu tempo e sacrifício, por isso sempre procuro dar algo equivalente. É preciso querer e cuidar os clientes”. PROJETO DE FUTURO COM 64 ANOS. Como todo empreendedor, Coppola não deixa de sonhar. Com 64 anos de idade, ele continua pensando em um desafio pessoal. O mundo atual de Hollywood é insaciável, e procura produzir filmes que gerem rendas seguras. “Vemos como estão estreando quatro filmes sobre Pablo Escobar, porque é uma temática de violência que vende”. Mas Coppola procura transmitir paixão através de seus filmes, sem procurar necessariamente o sucesso econômico. “Claro que o dinheiro não é problema”, afirma. Nesse sentido, sua visão sobre seu próximo projeto é “um filme apaixonante, comovedor, uma experiência emocional, como a que senti com os filmes de Elia Kazan e Marlon Brando nos anos 50. Esse é o objetivo do meu próximo projeto: transmitir um verdadeiro valor emocional”. ttv

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NEWS

BRASIL Cautelar da Anatel autoriza a entrada das teles ao mercado de TV por assinatura A polêmica já está instalada no Brasil: a decisão-disposição da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de abrir o mercado da TV por assinatura para a entrada das concessionárias de telefonia fixa está gerando discórdia entre as companhias da TV multicanal. Segundo um relatório da Abert, o presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, rejeitou categoricamente essa possibilidade, baseado no que está escrito na Lei do Cabo vigente, ou seja, na vigência da notória restrição à entrada das companhias de telecomunicações no negócio da TV por assinatura. “Estou convencido de que nada vai mudar”, manifestou, salientando que apenas o PLC 116, atualmente em mãos do senado, pode reverter a situação. Para Annenberg, a medida cautelar da Anatel apenas revela sua disposição a abrir o mercado da TV por assinatura, mas não é válida para mudar as regras do jogo. No final do mês de maio passado a ABTA enviou uma carta à agência solicitando um esclarecimento a respeito, mas a resposta ainda não chegou, diz Annenberg. “Esta cautelar é inócua”, repetiu o executivo. Porém, a controvérsia está no ar. Alguns analistas vão ao encontro da ABTA, mas outros duvidam se a disposição da Anatel é contrária à Lei do Cabo. “Vários juristas reconhecidos acreditam que claramente a Lei do Cabo não veda outorgas de habilitações para as telcos. O senado pode dar o aval. Atualmente não há excesso de concorrência. Pelo contrário, há dez anos que a Anatel não concede habilitações de TV por assinatura”, argumentou uma companhia de telecomunicações.

AMÉRICA DO SUL A Argentina fará proposta de criação de área regional sobre TDT Em nome do Conselho assessor do Sistema Argentino de Televisão Digital Terrestre (SATVD-T), seu coordenador geral, Osvaldo Nemirovsci, solicitará à União de Nações Sul-Americanas (UNASUR) a criação de uma área de trabalho específica sobre televisão digital. “O combate contra a exclusão digital não reconhece fronteiras”, indicou Nemirovsci à agência Télam. “Não podemos permitir que impere a lógica comercial, como aconteceu em finais da década de 70 quando foi escolhida uma norma alheia aos interesses socioculturais”, advertiu. Os países sul-americanos que têm optado por adotar a norma ISDB-T são a Argentina, o Brasil, o Peru, o Chile, a Bolívia, o Paraguai, o Equador e a Venezuela.

HBO gerencia diretamente suas AdSales no Brasil Em abril passado, a HBO Latin America Group estreou seu novo departamento de Vendas Publicitárias no Brasil. A venda da participação da Sony no grupo fez com que algumas mudanças como esta começassem a ser confirmadas como consequência da mudança acionária na estrutura do grupo. Uma das áreas afetadas é a comercialização dos espaços publicitários dos canais locais da companhia. O novo departamento assumiu a responsabilidade publicitária, até o momento nas mãos da Sony Pictures Entertainment. A HBO LAG gerencia diretamente estes espaços de publicidade nos canais HBO, HBO 2 e Cinemax.

Expo Toons abre convocação oficial Foi anunciada a abertura da convocação oficial para a quarta edição da feira de animação que será realizada em Buenos Aires nos dias 1 a 3 de dezembro próximo. O evento terá lugar em Puerto Madero, e terá atividades oficiais, oportunidades de negócios, convidados internacionais, concorrência, capacitação, instâncias para empresários e presença de técnicos e artistas, dentre outros. A organização informou à todotv que já está recebendo trabalhos de animação em todas as técnicas, para concorrerem nas seguintes categorias: longa-metragem, curta-metragem, produção publicitária, série de tevê e curta-metragem de graduação. Foi anunciado que as inscrições serão encerradas em 31 de agosto e não têm custo. Em quanto à edição 2009, alguns números revelam a magnitude do evento: 3.800 pessoas de 47 países participaram das atividades; 450 trabalhos concorreram em 5 categorias; 167 filmes foram exibidos; 150 reuniões foram celebradas entre produtores, compradores e distribuidores; 120 profissionais da animação se reuniram no Cartoon Connection; houve 100 empresas e organizações patrocinadoras; e houve 18 conferências realizadas por oradores internacionais.

BRASIL Market share do DTH se aproxima à TV a cabo Com 177.349 novos assinantes, no fim de maio o Brasil alcançou 8.209.163 lares com TV por assinatura, segundo os números divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O crescimento reflete um aumento de 2,2% em comparação com a base de assinantes do mês anterior. Em um ano, o setor acumula um crescimento de 10%. Considerando a média de pessoas por residência, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 27 milhões de brasileiros recebem serviços de TV por assinatura. Em maio, o DTH cresceu 4,3%, uma notória evolução a respeito de 3,6% em abril. A quantidade de assinantes de TV a cabo cresceu 0,9% no mês, com uma posição por baixo da média do setor (2,2%). Os prestadores de MMDS novamente perderam uma porção do mercado, esta vez 0,4% da base de clientes no mesmo mês. Como consequência do crescimento, nos últimos meses o DTH adquiriu 40,6% do setor, ficando outra vez mais próximo da TV a cabo, com 55,3%, e ainda mais longe do MMDS, com 4,1%.


NEWS

BRASIL TV por assinatura cresce 33% em classe C Uma pesquisa realizada pela Pay TV Pop mostra um importante crescimento na TV por assinatura em todos os segmentos, especialmente no mais difícil de captar: a classe C. Segundo os resultados da pesquisa, a presença da TV por assinatura nos lares aumentou 40% entre 2009 e 2010, com 75% dos assinantes satisfeitos com os serviços oferecidos pelas operadoras. Os dados mostraram que a TV por assinatura cresceu 33% na classe C. Como dado revelador, o estudo também destaca que a tecnologia de alta definição ainda é desconhecida pela quinta parte da população. Dentro do grupo de pessoas que conhecem a HDTV, mas não possuem aparelhos com esse tipo de recepção, 18% manifestou interesse em adquiri-los. A pesquisa foi realizada no passado mês de março entre assinantes das cidades de Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Porto Alegre.

Roberto Irineu Marinho fará discurso de abertura no ABTA A feira e congresso ABTA 2010, um evento de televisão a cabo, DTH, mídia eletrônica e telecomunicações que reúne atores de toda a indústria latino-americana, terá lugar entre 10 e 12 de agosto no Transamérica Expo Center de São Paulo, Brasil. Realizado anualmente pela Associação Brasileira da TV por Assinatura (ABTA) e organizado

Tina Hernández se incorpora ao staff da VIP 2000 TV A VIP 2000 TV anunciou a incorporação da executiva Tina Hernández com o objetivo de fortalecer a área de coproduções e produções originais, trabalhando desde Miami. “A aliança com a Casablanca exigiu que fortalecêssemos esta área da empresa contratando uma pessoa com experiência em produção, programação e vendas”, explicou Roxana Rotundo, CEO da VIP 2000. Rotundo e Arlette Siaretta, CEO do Grupo Casablanca, consideram Hernández “a pessoa indicada para administrar o mercado latino”. Hernández já ocupa o cargo de diretora de Novos Projetos e trabalhará desde Miami com a equipe de produção que será designada por Siaretta. As novas estratégias da produtora incluem produções de drama em espanhol e inglês. Para a VIP 2000 TV, representar a Casablanca, a maior produtora independente do Brasil, é “um grande compromisso e responsabilidade. Entendemos que a qualidade de produção desta empresa implica um compromisso muito importante como distribuidora, no momento em que o conteúdo de qualidade é o mais importante no negócio”.

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pela Converge Comunicações, este ano o evento terá a participação de Roberto Irineu Marinho, chairman & CEO da Organizações Globo, que fará um discurso na cerimônia de abertura. Com mais de 100 expositores e conferências em que autoridades, líderes da indústria e especialistas discutirão um amplo espectro de temas importantes do setor, a edição 2010 oferecerá nove sessões temáticas sobre programação, mídia e conteúdos, além de operações e negócios e duas sessões sobre políticas públicas e regulamentação.

ÁFRICA Cerca de 20 países adotariam o padrão ISDB-T nipo-brasileiro O mês de julho foi chave para o Governo do presidente Lula que com uma de suas principais apostas procura fortalecer um sistema de características próprias para o desenvolvimento da TDT e procurar a maior presença possível. Depois de seu indiscutível sucesso na América Latina, o novo objetivo é uma ambiciosa expansão para a África. Nesse continente já são dezessete os países candidatos a fazer parte da lista dos que adotaram o ISDB-T como padrão da TDT, um assunto que o Lula tratará em sua visita ao continente africano, liderando uma delegação de autoridades e empresários brasileiros. Segundo André Barbosa, assessor especial em TV digital da Presidência da República, os técnicos que trabalharam em onze países africanos vinculados à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, por sua sigla em inglês) já fizeram provas preliminares e aprovaram a norma nipo-brasileira. “Esperamos convencer os onze países ligados a este bloco, e influenciar também os países vizinhos. Assim chegaríamos a quinze países, e poderíamos atingir dezessete ou mais, se conseguirmos convencer países como Quênia, a Tanzânia e a Guiné Equatorial”, afirmou o funcionário. Nesse sentido, em 19 de julho o Ministério das Comunicações do Brasil realizou em São Paulo o workshop internacional Brasil-Japão de TV Digital com a participação de representantes de Angola, do Botsuana, de Moçambique, da Namíbia, da África do Sul e do Zimbábue. “Não se trata simplesmente de uma questão de negócios, mas, de oportunidades para os seus países”, salientou o assessor técnico do Ministério, Flávio Lenz. A delegação africana que assistiu ao evento é parte da equipe de trabalho que definirá este ano o sistema para as emissões de tevê digital que será adotado por 15 países africanos.


Rita Ferro, nova VP executiva de Vendas de Mídia e Marketing da Disney The Walt Disney Company anunciou a nomeação de Rita Ferro como nova VP executiva de Vendas de Mídia e Marketing da Disney Media Networks Latin America. Desde 1997, Ferro foi parte integral da Disney e do negócio da ESPN Latin America em Miami, agora se traslada para Nova Iorque, onde será a sucessora de Tricia Wilber, recentemente nomeada gerente de Marketing da The Walt Disney Company, na Europa, no Oriente Médio e na África. Em em seu novo cargo, a VP deverá dirigir a equipe de vendas que representa e maximizar as vendas publicitárias de mídia, marketing e promoções nas plataformas de mídia da The Walt Disney Company para crianças, mães e famílias. Isso inclui os canais de TV orientados a crianças e famílias, as diversas ofertas online, o negócio editorial orientado às mães, e a plataforma de rádio para crianças/mães. O portfólio está integrado por Disney Channel, Disney XD e Playhouse Disney Channel -que será renomeado Disney Junior-, além de 20 propriedades Disney Online para crianças, famílias e/ou mulheres, como Disney.com, DisneyFamily. com, DisneyChannel.com, RadioDisney. com, Kaboose.com e FamilyFun.com, dentre outras. A nova vice-presidente executiva de Vendas de Mídia e Marketing se reportará a três líderes de unidades: Carolina Lightcap, presidente da Disney Channels Worldwide; Paul Yanover, vicepresidente executivo e diretor geral da Disney Online, e Russell Hampton, presidente da Disney Publishing Worldwide. Ferro foi VP de Vendas Publicitárias da Disneymedia+ desde 2008, representando as vastas oportunidades comerciais geradas pela Disney na indústria da publicidade na América Latina, um negócio panregional que abrange TV, rádio, internet, publicações, consumer products e os estúdios de Hollywood. Nesse cargo supervisionou as Vendas Publicitárias na Argentina, no Brasil, no México e em Miami, e seus representantes na América Central, na Colômbia, na República Dominicana, na Venezuela, no Equador, no Peru e no Chile.

E! comemora seu 20º aniversário Na sexta-feira 4 de junho em horário nobre começou a festa pelos 20 anos da Revolução das Celebridades inaugurada pela E! Entertainment Television. Neste especial de uma hora, E! rememorou os momentos mais interessantes das celebridades e da cultura pop das últimas duas décadas. O especial também incluiu entrevistas com famosos que deram seus primeiros passos na E! como Joan Rivers, Kim Kardashian, Randy Jackson, Audrina Patridge, Brooke Burke e John Henson. Uma hora após o início, o apresentador de ‘The Soup’, Joel McHale, apresentou um especial titulado ‘The Soup: 20 Years of Takin’ Some E!’. Para encerrar a celebração, Chelsea Handler recebeu em late night os convidados da casa que ajudaram a construir a imagem da E! nestes últimos vinte anos. Além disso, durante o mês de junho ‘Daily 10’ continuou comemorando com conteúdos especiais associados ao aniversário.

Gustavo Pupo-Mayo toma posse da presidência da Associação de Programadores de TV da América Latina O Conselho de Diretores da Associação de Programadores de Televisão da América Latina (TAP), organização que representa 77 canais de televisão por assinatura e redes de mídia na América Latina, anunciou a nomeação do executivo Gustavo Pupo-Mayo como presidente do Conselho de Diretores da organização. “Gustavo Pupo-Mayo traz experiência, credibilidade e liderança para a TAP em um momento de muita importância para a entidade”, disse Enrique R. Martínez, vice-presidente executivo e diretor geral da Discovery Networks Latin America/US Hispanic, em nome do Conselho de Diretores da TAP. “O vasto conhecimento que ele tem sobre os pontos que os membros da TAP enfrentam na região latino-americana, e sua comprovada liderança, são fundamentais para garantir que os interesses do mercado da TV por assinatura sejam levados em consideração”, expressou. Pupo-Mayo tem mais de 30 anos de experiência em televisão e mídia impressa, tendo fundado e administrado um grande número de companhias internacionais de mídia ao longo de sua carreira. Foi fundador-presidente e CEO da MGM Networks Latin America LLC, durante mais de uma década, quando criou e lançou duas redes regionais de TV por assinatura, em espanhol e português - o Canal MGM e o Casa Club TV. Durante sua gestão na MGM, Pupo-Mayo foi ainda presidente do Conselho de Diretores da TAP.

BOLÍVIA O país adota a norma digital nipo-brasileira ISDB-T A América Latina caminha rumo à norma digital nipo-brasileira ISDB-T. Agora foi a Bolívia que anunciou a adoção da norma proposta pelo gigante do sul. A confirmação foi anunciada pelo Ministro de Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, quem assegurou que o sistema será implementado em 2011 com a cooperação do Governo do Japão. “Com base nas provas de transmissão realizadas recentemente, o Governo da Bolívia optará pelo sistema japonês-brasileiro de transmissão de televisão digital terrestre por causas das enormes vantagens que oferece”, disse o funcionário. “Contaremos com a cooperação do Governo do Japão na transferência de tecnologia e na formação de recursos humanos, além do equipamento do canal estatal da Bolívia”, disse. Segundo o chanceler, a implementação do sistema de TV brasileiro, “a Bolívia terá melhor qualidade de vídeo e som” com um sistema interativo que permitirá implementar os programas de tele-educação.

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REPORTAGEM ESPECIAL

MERCADOS: BRASIL PL EM FASE DECISÓRIA

Histeria nas opera medo fundado nas p > Por Omar Méndez As operações da TV por assinatura dominantes no mercado brasileiro estão consolidadas. Existem três grupos principais na indústria que já planejam sua jogada Quad-play. Apesar desse domínio, e apesar dos novos gigantes terem sangue de tele no corpo, mesmo assim, eles elevam temores pela suposta negligência da Anatel no desenho e outorga das novas licenças de cabo. Segundo a maioria dos analistas, essas novas concessões chegam tarde demais, 14 TODOTV MAGAZINE


adoras; programadoras porquanto não se entendem tantos gritos das operadoras em contra da agência. Não acontece o mesmo com os programadores de canais que atendem o mercado brasileiro: os panregionais, que têm investido milhões de dólares em readequar suas propostas para o português, estão em uma situação difícil com o polêmico projeto PLC 116 que já anda pelo corredor final do Planalto e tem boas chances de se tornar lei. TODOTV MAGAZINE 15


REPORTAGEM ESPECIAL

A

s cotas de conteúdos locais que se pretendem impor nas discussões de Brasília praticamente acabam com as chances das programadoras internacionais de permanecerem neste mercado. Faz sentido prejudicar a esse setor tão fundamental da indústria? Com exceção do rédito político dos legisladores populistas, não parece existirem beneficiados dentro do mesmo mercado, pelo menos do lado dos supostos vencedores: os produtos brasileiros. Para alcançar as cotas de conteúdo local pretendidas, o nível de produção deve ser muito alto no país, e muito oneroso. Com pouco menos de nove milhões de lares assinados e com uma classe C que ainda não conseguiu aumentar a base de clientes no país, a realidade não parece suficiente para justificar investimentos milionários. Tanto autoridades nacionais quanto congressistas parecem ter esquecido a importância das companhias programadoras com base estrangeira. Elas têm sido essenciais na criação do paytv brasileiro e também na multiplicação das possibilidades de produção no país.

_// HBO LAG MANDRAKE

Atualmente, o mercado da televisão por assinatura do Brasil está fervendo. No Congresso Nacional, no setor oficial das telecomunicações, no coração das associações e câmeras de cada setor, na grande maioria

das programadoras que fornecem canais ao mercado, nas empresas de serviço de TV por assinatura, nas teles, nos estrangeiros que produzem para o mercado local, nos grupos de defesa do consumidor. Em cada setor do mercado surgem vozes sempre críticas a alguns, e favoráveis a outros. Existem dois assuntos centrais para os protagonistas: o polêmico projeto de lei PLC 116/2010 -o novo nome da sigla que desapareceu entre insultos, o PL29-; e o novo desenho para a TV por assinatura que está se preparando na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Essas duas questões dividem as águas entre partes que, segundo a lógica pura, deveriam caminhar juntas. Organizações sectoriais confrontam com organismos reguladores; interesses opostos nos intestinos das câmeras dos setores envolvidos; canais por assinatura e operadoras de cabo e DTH enfrentam às produtoras independentes. As alarmes se escutam em todos os lugares: as programadoras internacionais de TV por assinatura alertam às autoridades sobre as consequências da nova letra projetada em suas operações e em seus investimentos presentes e futuros; legisladores extremistas exigem a metade do conteú-

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do brasileiro para os line-up das operadoras, aumentando a irritação de quase todo o conjunto dos geradores de canais estrangeiros, que são diretamente prejudicados; a maior operadora de TV por assinatura congela seus investimentos perante a insegurança dominante no mercado; a maior operadora de DTH do país anuncia a seus clientes um provável e importante aumento de sua taxa por causa da ameaça das novas cotas de conteúdo; as bancadas oficiais e opositoras amplificam sua guerra no Planalto, como resultado dos exagerados tempos de tratamento do PL. COTAS NOS CONTEÚDOS: OS DESVARIOS SE TORNARÃO LEI? O PL que passou da Câmera de Deputados para o Senado, com velocidade inédita, contém itens que justificam os nervos alterados dos programadores de canais estrangeiros, da sua câmera no Brasil -a Associação Brasileira de Programadoras de TV por Assinatura (ABPTA)- e de muitas operadoras de TV por assinatura do país. O texto aprovado pela Câmera inclui a obrigação de transmitir três horas e meia de conteúdo nacional por semana nos canais de cinema, seriados e documentários; também obriga a que um terço dos canais dos diferentes pacotes seja de origem nacional, parágrafos que naturalmente geraram uma reação do setor de programadoras internacionais. O fato de que a letra mais criticada por este coletivo tenha passado a um espaço definitório como o Senado, irritou ainda mais os fornecedores grossistas de conteúdo, e especialmente uma operadora: a Sky. Sob fortes críticas, o DTH decidiu lançar uma campanha muito agressiva: sem hesitar, comunicou aos seus assinantes que a mudança regulamentar referida às cotas de conteúdo local e conteúdo estrangeiro iria significar um aumento de preços nas taxas. A Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) uniu-se ao grito da Sky, lembrando ao mercado que também planeja aumentar o custo do serviço de TV por assinatura, se a medida for aplicada. Como se esses limites, impostos pelo projeto ao sair de Deputados, não tivessem sido suficientes, apenas pisou o terreno dos senadores, o PLC teve novas emendas sugeridas para irritar ainda mais as programadoras panregionais. O senador Adelmir Santana apresentou duas propostas de mudança bastante polêmicas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ): uma que pretende que todos os pacotes comercializados pelas empresas estejam compostos por 50% de canais nacionais; e outra que pretende incluir programas jornalísticos, esportivos e de auditório nos pacotes de conteúdo nacional obrigatório que devem ser transmitidos pelas operadoras. “Essa é a minha visão, pois de acordo com a Constituição Federal devemos valorizar a cultura brasileira”, disse. As emendas de Santana foram as únicas apresentadas no CCJ do Senado. O relator designado nessa instância legislativa decisiva, Demóstenes Torres, do DEM-GO, tem a autoridade para aceitar ou rejeitar estas emendas e, além disso, propor outras mudanças. No caso das propostas passarem pela CCJ, também deverão ter a aprovação de outras três comissões: Educação, Meio Ambiente e Defesa do Consumidor, e Ciência e Tecnologia. E, no caso de as emendas novas serem aprovadas, deverão retornar à Câmera de Deputados. OPERADORAS VS. ANATEL. Enquanto o setor dos fabricantes de canais satelitais estrangeiros está perturbado pela nova regulamentação debatida no Congresso, o setor das operadoras -cabo, DTH e MMDStem o sono alterado pela entrada das telcos em seu terreno. O texto original do PL29 presentado à Câmera pelo deputado Bornhausen nos inícios de 2007 tinha como eixo central a abertura do mercado da televisão por assinatura. A proposta autoriza às operadoras de telefonia fixa e móvel a oferecerem serviços de televisão multicanal e estabelece regras para a concorrência no setor. O objetivo da proposta pretende, segundo dizem no Planalto, “beneficiar o consumidor com mais ofertas, uma redução de preços e a ampliação das redes de televisão por assinatura”, fundamentada em que apenas 260 cidades dos 5.654 municípios do Brasil têm serviços de TV restringida. Com a entrada das


_// HBO ALICE

mantém regido pela legislação e pelos contratos vigentes e que tem sido objeto de debate no Congresso Nacional, cabendo à Anatel regular o setor de telecomunicações nos estritos termos constitucionais e legais”, afirmou a agência em um comunicado.

teles ao setor, as expectativas dos que promovem estas mudanças regulamentárias são incrementar sua taxa de penetração. O projeto também propõe a convergência das tecnologias que entregam TV por assinatura, já que atualmente existem determinações diferentes para os serviços de cabo, MMDS e DTH.

INTEGRAÇÃO NO NOVO CENÁRIO. Entanto seja definido o projeto de lei 116 e se espera o que possa acontecer com a abertura do mercado da TV a cabo dirigido pela Anatel, as operadoras que dominam as novas telecomunicações brasileiras ajustam sua estratégia Quad-play. A Telefônica vai fechar sua fusão com a Vivo, para assim completar sua oferta quádrupla: telefonia fixa, celular, banda larga e TV multicanal, em um único pacote. Esse movimento terá como consequência imediata a entrada da Portugal Telecom na Oi (ex Telemar). Dessa forma, a PT tem a possibilidade de substituir sua participação na Vivo por outro ativo de importância semelhante, o que vai permitir que mantenha uma porção respeitável do mercado. A Telefônica terá uma operadora pronta para concorrer com a Oi em igualdade de condições, e também com o grupo Slim no Brasil -Embratel, Net e Claro- que também vai integrar suas operações e serviços no país. _// HBO LAG HIJOS DEL CARNAVAL

Estas propostas não são as que mais incomodam as operadoras -de fato, as principais teles já estão entre os serviços líderes de TV por assinatura-, mas a atuação da Anatel, díscolo demais, segundo seus críticos mais acérrimos. Por exemplo, a ABTA pôs seus parceiros em linha defensiva, preocupados pela manipulação das licenças de TV por assinatura, próximas a serem entregues. Muitos pensaram que a agência iria abrir o mercado de cabo de forma apressada, mas os 60 dias que deu finalmente em julho para medir o nível de demanda dos interessados tranquilizou o grupo representado pela ABTA. Aproximadamente na metade de setembro veremos se a grande e temida catarata de solicitações se torna real; em caso afirmativo, e se os pedidos forem das teles, no mínimo resta para o setor a possibilidade de reclamar perante a agência. O próprio organismo de telecomunicações esclareceu à ABTA que ainda não tinha decidido sobre as limitações do contrato de concessão que seria imposto às companhias de telecomunicações como resposta aos medos expressados do setor de operadoras de TV por assinatura. Estes últimos desconfiam: mantêm os temores sobre a agência e os boatos de uma abertura indiscriminada.

“Até que as regras sejam claras, e o PL 29 faz isso, a Net não vai investir em expansão. Não há segurança jurídica”, destacou o presidente da Net, José Félix. A manifestação do executivo principal, da principal operadora por assinatura do país, revela a preocupação dos players atuais do mercado pela postura ambivalente da Anatel. O grupo de operadores está irritado pela sucessão de leituras que seguiu ao anúncio sobre o preço estabelecido pela agência para as novas concessões de cabo, e também pela nova política que se tenta definir para o setor da TV por assinatura, uma vez retomado o processamento dos mais de mil pedidos de licenças de operações que estavam suspendidas. Para Félix, a Anatel erra ao não dar tratamento semelhante ao debate sobre a falta de espectro e de rede fisíca para a expansão das redes de telecomunicações. “Quem disse que postes não têm uma limitação de capacidade? É claro que têm e foi dado um poder para as concessionárias de energia elétrica organizassem o setor porque são elas que administram os postes. Isso não pode acontecer. Quem administra o setor é a Anatel”, frisou o presidente da Net.

A Anatel foi colocada no banco dos acusados também pela Bandeirantes (geradora de conteúdos para o setor). Segundo a Bandeirantes, o organismo já tinha definido um novo modelo para outorgar as concessões a um preço que considerou ruim: 9 mil reais por licença. Isso, segundo os cálculos do grupo de mídia, implicaria um lucro total de 9 milhões de reais, porque se esperam pouco mais de mil pedidos de licença. Segundo a Bandeirantes, entre 1997 e 2010, o governo brasileiro arrecadou 1 bilhão de reais -estimativo feito em base à atualização dos valores da moeda brasileira- com a concessão de TV a cabo. A comparação é usada pela Band para assegurar que a suposta “nova proposta” da Anatel tende a beneficiar as teles que vão entrar no mercado por um custo irrisório. A agência também respondeu a essa crítica, negando completamente a intencionalidade e os favoritismos pro-teles. “Importante é deixar claro que a decisão da Anatel não tratou da entrada de concessionárias de telefonia no mercado de TV a Cabo, tema que se

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REPORTAGEM ESPECIAL

Se avançar no sentido esperado, a Oi estará recebendo uma contribuição de recursos que permitirá fazer os investimentos pro crescimento necessários. A operadora diminuiu seus investimentos nesse ano, o que implicou um descenso em sua posição no mercado. Os efeitos causados por esse movimento vão chegar ao consumidor a partir de 2011, quando os três maiores grupos de telecomunicações (EmbratelNet-Claro, e Oi-Telefônica-Vivo) tiverem suas operações fixas (telefonia fixa-cabo-DTH-MMDS) e móveis completamente integradas, segundo concordam analistas locais.

_// REDE GLOBO CAMINHO DAS ÍNDIAS

_// RECORD TV NETWORK A HISTÒRIA DE ESTER

Essa integração, anterior ao início da oferta Quad-play, no momento tem uma limitação imposta pela Anatel às teles em general. No caso da banda larga, tanto companhias como a Oi, a Telefônica, e a Global Village Telecom (GVT) e a Companhia de Telecomunicações do Brasil Central (CTBC) têm proibida, a partir de maio, a venda de pacotes com

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desconto, ou seja, a oferta a preço diferencial do serviço de banda larga ou acesso à internet no caso de se contratar também os seus outros serviços ou só um deles. Isso obriga às teles a manterem o preço de oferta do serviço oferecido individualmente, dentro ou fora do pacote. CONCLUSÕES. Nada garante tempos menos difíceis que os atuais. O PLC 116 entra em uma fase decisiva para saber mais aproximadamente quando pode se tornar lei. A sua entrada no Senado foi o início de um trânsito complexo. A introdução de novas emendas, especialmente as vinculadas às cotas de conteúdos na oferta multicanal, garante mais e mais debates. Se os senadores introduzirem uma só emenda formal, mandarão o PLC completo de volta para os deputados, câmera na que já esteve muito tempo (desde 2007). Não há nesse projeto grandes dificuldades desde o ponto de vista da concorrência para os operadores, sem importar seu suporte tecnológico; a grande interrogante está no setor de fornecedores de canais para a TV por assinatura, em sua maioria estrangeiros. Ninguém no setor de programadoras estrangeiras sabe como chegar às cotas exigidas sem cair em números inconvenientes. E são insuficientes os legisladores que entendem o impacto que isso terá nas operações dos fornecedores de canais. Na maioria dos casos a reconversão dos níveis exigidos pelo PLC é inviável. O mais dramático dos cenários é o que contempla a retirada massiva de canais dos line-up do país, o que seria um desastre para as operadoras que deveriam reinventar sua grade com produtos das produtoras locais. Embebidos de um nacionalismo populista, são muitos os congressistas defensores da produção local e inemigos dos canais estrangeiros. O lobby dos produtores locais também é forte, apesar de que se trata de um setor que há anos que trastorna a indústria da TV multicanal. Muitos, inclusive, têm se beneficiado com o dinheiro das programadoras internacionais, obrigadas a contribuir com o desenvolvimento de conteúdos locais. Contudo, eles não cessam sua luta para que o PLC mantenha as cotas, supondo que serão os grandes beneficiados com a nova regulamentação. A interrogante que não respondem é qual será a fonte de dinheiro para produzir tal porcentagem prevista pelo projeto que está no Senado. Referente ao impacto que a entrega de novas licenças para operar TV a cabo podem ter no mercado, o motivo do nível de irritação do setor de operadores não é claro, especialmente pelos preços que o organismo de telecomunicações pretende impor. A abertura da TV por assinatura, após tanto tempo, poderia gerar interesse, sem dúvida, levando em conta a quantidade de espaços a serem cobertos no país. A interrogante central é referida aos investimentos requeridos -próprios ou das teles ou de inversores virgens no mercado- para a montagem de uma rede onerosa de cabo. A maioria dos lares potenciais a serem captados não faz parte do exclusivo círculo AB. Além dos investimentos obrigados, essas novas operações deverão avaliar a concorrência das outras tecnologias. Por lógica, presume-se que os players que já estão na indústria são os que têm mais oportunidades para ligar as concessões a seus interesses, ou seja, os que hoje elevam sua voz contra a atitude pouco clara da Anatel a respeito das condições e o preço. Depois de tantos anos sem novas licenças de cabo, já existe um cenário com grupos consolidados que irão se apropriar das novas telecomunicações audiovisuais. Atualmente existem convenções ainda vigentes, mas que vão caminho a perderem suas particularidades, como a TV por assinatura, a telefonia fixa, a telefonia móvel e a banda larga. É provável que 2011 seja o ano do quad-play, com três conglomerados dominando o campo criado pela convergência das tecnologias: o Embratel-NetClaro e o Telefônica. A demora para estabelecer a abertura do negócio do cabo deixou uma frota de operadoras onde há gigantes ocupando um papel central; em um átrio do mercado ficarão as médias e pequenas operadoras; e fechando a lista, os debutantes absolutos na TV a cabo, todos menores. ttv


EXECUTIVOS

Espírito pioneiro Globosat, a programadora líder do enorme mercado brasileiro, impõe o ritmo reunindo cada vez mais canais, incorporando tecnologia e inovando constantemente com o objetivo de fortalecer cada janela e aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas pela internet. Por DIEGO ALEGRE “Até finais de abril o investimento publicitário na TV por assinatura tinha crescido 33%” “ Voltamos a uma situação que eu chamaria de normal”

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GNT Fashion Lilian Pacce e Mariana Weickert (GNT)

o final do mês de maio passado, o mercado da TV por assinatura no Brasil registrou 8,2 milhões domicílios-assinantes, segundo números divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), uma penetração de 15%. O ritmo de crescimento do setor durante os últimos cinco anos é semelhante ao alcançado nos primeiros quinze anos de operações, quando havia 4 milhões de assinantes. Para Alberto Pecegueiro, diretor geral da Globosat, o crescimento do último ano “é muito positivo, mas, o crescimento contínuo dos últimos anos é o mais importante”. O polêmico Projeto de Lei 29/2007 (PL 29) que estabelece cotas de conteúdo local -o ponto mais controvertido da discussão- está em fase de debate no Senado, mas o executivo prefere reservar sua opinião a respeito. Em tanto, ele destaca os esforços realizados para que o projeto seja “o menos negativo possível”, afirmando que para as operadoras, e principalmente para as programadoras internacionais, “ainda é um assunto muito sensível”. Pioneira no lançamento de canais em alta definição na América Latina, a Globosat tem se destacado por oferecer alta qualidade

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Bastidores Com Erika Mader (Multishow)

em imagem e som. Até o momento, a programadora lançou cinco canais em alta definição; embora não existam dados de audiência devido à baixa penetração desta tecnologia no mercado, o executivo afirma: “Os números do ibope estão sendo muito bons em nossos canais de SD”. Este ano, a programadora lançou o Viva, um novo canal estreado com “uma base de assinantes limitada, ainda inferior ao terço do total da base de medição de audiência”, e, portanto com baixa penetração, mas que segundo Pecegueiro “já se posicionou como um dos dez canais mais assistidos na TV por assinatura brasileira”. “Temos certeza de finalizar o ano com um aumento na penetração do novo canal, que estará entre os três canais mais assistidos. É um sucesso incrível; nunca um canal novo se posicionou tão rapidamente nos primeiros lugares de audiência em 20 anos de TV por assinatura brasileira”, disse o executivo. Segundo o executivo, o impacto na região da crise financeira global fez com que 2009 fosse um ano com “notícias boas e ruins”. A


Alberto Pecegueiro,

incerteza que dominou no iníciode 2010, tanto nos EUA e na Europa quanto na América Latina, foi dissipada com o crescimento de 4% no investimento publicitário. No entanto, a notícia ruim é que “depois de muitos anos, 2009 foi o primeiro ano em que o investimento publicitário na TV por assinatura foi menor que na TV aberta”. A explicação é que “em anos de recessão os anunciantes procuram segurança, e, graças à ampla cobertura dos canais abertos, decidiram concentrar seu investimento neles”.

Diretor Geral da Globosat

“Nunca um canal novo (Viva) se posicionou tão rapidamente nos primeiros lugares de audiência”

Nesse sentido, a situação do mercado publicitário brasileiro para este ano é muito favorável em comparação com 2009. “Estamos voltando a uma situação que eu chamaria de normal, ou seja, a TV por assinatura volta a ser o meio de maior crescimento junto com a internet (…). Até finais de abril o investimento publicitário na TV por assinatura tinha crescido 33% em comparação com o mesmo período do ano anterior”, manifestou Pecegueiro. NOVA MÍDIA. O departamento de New Media da Globosat atualmente desenvolve novos produtos para a internet, aprofundando na experiência de cada canal na rede, adicionando dados, informação e elementos para melhorar a relação com os telespectadores. Desta forma, a programadora acredita em websites verticais que têm êxito, como o caso da Sport TV e seu jogo Cartola(com mais de um milhão de fanáticos) que convida os telespectadores a formar times para o Campeonato Brasileiro.

Acreditamos que, para sermos um destino significativo na internet é preciso oferecer ao usuário uma oferta completa, e já estamos conversando com produtores de conteúdos nesse sentido”, assegurou Pecegueiro.

No passado mês de abril, dentro do site do canal Multishow, a Globosat lançou um micro sítio denominado TOP TVZ, que tem mais de um milhão de letras de músicas. “O TOP TVZ já é um dos sites mais visitados na internet (…). Queremos ser um player que faça a diferença na internet, ou seja, aumentar as audiências de nossos canais na internet, utilizando a janela online como vantagem competitiva para um canal por assinatura. Essa janela deve ter produtos, por isso, decidimos enriquecer nossa oferta na internet”, disse o executivo.

Uma particularidade do Brasil para este ano é o processo eleitoral, momento em que normalmente os partidos políticos injetam grandes somas de dinheiro à economia interna. Portanto, “é difícil diferenciar qual é o crescimento que responde às condições macroeconômicas e qual é o crescimento -quase artificial- que surge do processo eleitoral”, concluiu Pecegueiro. ttv

Segundo a JP Morgan, a economia brasileira crescerá 7% durante este ano, uma previsão que supõe um ritmo constante de crescimento para o setor. “Acredito que a indústria crescerá entre 15% e 20% este ano”, opinou o executivo.

Happy Hour Astrid Fontenelle e Fred Lessa (GNT)

Estremos Com Dani Monteiro (Multishow)

Para este ano, os planos da programadora incluem a incursão no vídeo online. Para isso a companhia está desenvolvendo um site -atualmente em fase beta- denominado Globosat+, com o objetivo de “alcançar acordos com as principais operadoras para que estas ferramentas possibilitem o acesso dos assinantes a um serviço VOD, e no futuro –sob a condição de não ser uma ameaça para as operadoras de cabo- oferecer ao público acesso direto a conteúdos de vídeo como uma operação over the top”, indicou o executivo. “Antes de finalizar o ano teremos o principal produto com marca própria e uma ampla oferta de conteúdos, no princípio da Globosat, mas também avaliamos aumentar a oferta incorporando conteúdos de terceiros.

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EXECUTIVOS

Debate aberto A Regulamentação ocupa o principal debate da edição 2010 da ABTA. O setor enfrenta a iminente aprovação do PL 116, que introduzirá a indústria em uma complexa realidade. Além disso, o setor também terá que lidar com a discussão sobre a redistribuição das frequências de 2,5 Ghz, e a não menos importante outorga de licenças para novas operadoras. > POR DIEGO ALEGRE

Alexandre Annenberg,

Presidente Executivo da ABTA

O

Brasil tem se destacado no mundo pela blindagem que sua economia mostrou durante a última crise financeira global. O país driblou o terremoto econômico e o setor da TV por assinatura não foi a exceção. O crescimento registrado durante 2009 foi de 18%, ficando à par com o alcançado em 2008. Com renovadas expectativas, a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) comemora este ano a edição número 21 do seu encontro anual. Alexandre Annenberg, Presidente Executivo da ABTA destaca o dinamismo que o setor experimenta, principalmente nos últimos três anos. “No ano passado o setor cresceu 18% -igual que em 2009-, e em 2007 cresceu 16%; portanto, nos últimos três anos o crescimento do setor foi muito significativo”,declara . O crescimento do setor só era possível se a oferta tivesse sido absorvida pelas classes sociais mais baixas e mais massivas, o que foi possível graças à política macroeconômica e ao controle da inflação projetado pelos últimos governos do país. A penetração na classe A alcança 90%, na classe B 75% e na classe C não chega a 10%, logo foi nessa classe em que aconteceu o crescimento. “Os fatores que motivam esse crescimento são dois. Em primeiro lugar, existe um claro aumento no poder aquisitivo da classe C, a maior do Brasil, que até hoje tinha muitas dificuldades no momento de contratar serviços. Este aumento obviamente possibilitou que um grande número de usuários potenciais começassem a aceder à televisão por assinatura. Em segundo lugar, , e acho que com a mesma importância , o aumento responde à ampla oferta de pacotes triple play, principalmente com banda larga, que têm estimulado este aumento junto com a televisão por assinatura”, explica Annenberg. “O Brasil mudou significativamente em termos de capacidade de consumo”, diz o executivo. “As políticas econômicas, iniciadas em governos anteriores, têm proporcionado muita estabilidade ao país”. Um cenário favorável

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para consolidar um setor que oferece serviços em 230 municípios dos 5.564 existentes no Brasil. “Para podermos incrementar a oferta é preciso novas concessões, o que não acontece há 10 anos”, explica. Além disso, explicou que o DTH -que cobre 100% do território brasileiroé caro e limitado, porque não permite oferecer triple play. Atualmente, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está elaborando o denominado Caderno de Habilitação, uma prerrogativa de seu anterior plano de outorga, que poderia permitir a novas outorgas. Porém, “ainda não conhecemos seus termos”, segundo declara o executivo. A agência também analisa a entrada dos STFC (Serviço Telefônico Fixo Comutado) ao setor, embora a Lei do Cabo o impeça expressamente, e as operadoras já manifestaram seu desacordo. “Corremos um grande risco”, diz o presidente da ABTA. “Os STFC têm um grande poder econômico e enormes redes que cobrem todo o território brasileiro, portanto, se ingressarem ao setor será muito difícil para outros concorrentes, principalmente para as médias e pequenas operadoras que já são cerca de 50”. O mercado da TV por assinatura brasileira é altamente


EXECUTIVOS

“A penetração na classe A alcança 90%, na classe B 75% e na classe C não chega a 10%”

Hélio Costa, Ministro das Comunicações do Brasil

“No ano passado o setor cresceu 18% -igual que em 2009-, e em 2007 cresceu 16%, portanto nos últimos três anos o crescimento do setor foi muito significativo” “Como mínimo, em 2010 teremos um crescimento semelhante ao do ano passado: 18% ou mais”

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competitivo: “onde existe uma oferta de TV a cabo sempre existem pelo menos três ofertas de DTH e às vezes também de MMDS”. REGULAMENTAÇÃO. Atualmente no Senado, o PL 29/2007 -hoje PLC 116/2010se transformou em um projeto resistido na indústria já que estabelece cotas de conteúdo audiovisual para os canais por assinatura. A ABTA tem feito suas observações a esse respeito em várias oportunidades. “Acreditamos que as cotas são um instrumento totalmente ineficaz para estimular a oferta de conteúdos nacionais de produção independente”, opina Annenberg. “Consideramos que estas cotas darão início a uma reserva de mercado, e toda reserva de mercado diminui a qualidade e aumenta o preço, por isso é um instrumento inadequado”.

A associação estudou alternativas para fomentar e estimular a produção de conteúdos locais com “fórmulas muito mais eficazes” que abrangem, além da produção, a distribuição de conteúdos. Segundo a ABTA, “além de ser violenta, a imposição das cotas acabam dissolvendo a padronização dos canais”. A opinião de Annenberg é fundamentada no que o PL 29 estabelece, quanto à obrigação dos canais nacionais e internacionais de emitir

conteúdos de produção nacional no horário nobre brasileiro, o que “termina punindo o consumidor” que paga por assistir a conteúdos de determinada qualidade e procedência. Em um momento histórico para o setor no Brasil, que nos últimos cinco anos acumulou o crescimento obtido nos quinze anos anteriores de existência, o Projeto de Lei significa a passagem para um novo e complexo panorama. “É muito provável que o projeto seja aprovado com sua redação original. Acredito que se isso acontecer, o setor da TV por assinatura vai ter enormes dificuldades”, comenta. A versão inicial do PL 29 tinha como único objetivo veicular a entrada das companhias de telecomunicações à TV por assinatura; quando começaram a tratar o assunto na Câmera Federal, foram adicionados outros ítens. “O projeto ficou totalmente desvirtuado”, opina Annenberg. “A nossa posição é tentar eliminar estes itens para aprovar a entrada das teles, porque nesse sentido não temos restrições; não teríamos inconvenientes em apoiar o projeto. E deixaríamos a discussão dos conteúdos para outro projeto de lei, que deveria ser muito mais amplo e também deveria falar da cadeia de produção de conteúdo nacional”, explica. A respeito do possível impacto do PL 29 na produção de conteúdos locais, a ABTA considera que é um erro esperar que a TV por assinatura viabilize uma indústria de produção de conteúdos. “É um projeto muito mais importante, muito mais ambicioso e significativo porque não envolveria apenas a TV por assinatura, que é muito pequena na cadeia de distribuição de conteúdos”, explica. EXPECTATIVAS. Embora não existam projeções nem estimações reais sobre o crescimento da TV por assinatura para 2010 -e considerando que é um ano eleitoral no Brasil-, Annenberg expressou sua opinião nesse sentido: “Como mínimo teremos um crescimento semelhante ao do ano passado: 18% ou mais”, concluiu. ttv


BRASIL

A publicidade se afasta da crise A Nielsen revelou números globais que permitem prever melhores tempos para o investimento publicitário. O crescimento em nível mundial foi de 12,5% no primeiro trimestre do ano em comparação com 2009, o que significa US$ 110.000 milhões, melhorando os mercados de todas as regiões. Os momentos prévios à Copa do Mundo de 2010 realizada na África do Sul e aos Jogos Olímpicos de Inverno em Vancouver, no Canadá, foram os pontos mais altos do investimento publicitário.

Investimento publicitário e produção original A relação entre ambos os fatores é caso de análise para as emissoras panregionais que procuram entrar em um mercado que cresce 20% a cada ano. > por DIEGO ALEGRE As histórias locais têm cada vez mais força nas telas das emissoras panregionais que procuram se identificar com as audiências do território. O cúmulo de produções originais realizadas na região é uma boa amostra desta clara tendência dos programadores panregionais. Recentemente, a undécima edição do Fórum Brasil (Mercado Internacional de Televisão), encontro independente de negócios em programação de televisão realizado em São Paulo, foi o cenário escolhido pelo The History Channel para realizar um pitching com o objetivo de escolher produções originais a serem emitidas na região, oferecendo um prêmio de US$ 20.000 para o desenvolvimento do projeto. Nesse sentido, o projeto ‘Solana Star’, da produtora Idéia Forte, foi selecionado por um júri integrado por executivos do The History Channel, da emissora brasileira TV Cultura, da Viacom e da produtora RioFime. O projeto da Idéia Forte competiu com ‘Desbravadores’, da Conspiração; ‘O Império dos Sonhos’, da produtora Terra Vermelha; ‘Origem’, da Terra Brasilis; e ‘FEB - Heróis de Um País Sem Memória ou Não Permita Deus Que Eu Morra Sem Que Volte Para Lá’, da produtora LC Barreto. É assim que, ‘Solana Star’ documentará um insólito acontecimento que

ocorreu no Rio de Janeiro há alguns anos, quando um buque de carga panamenho perseguido pela polícia marítima brasileira jogou para o mar três toneladas de latas que continham maconha. As latas chegaram ás praias da cidade carioca e geraram diversos acontecimentos culturais e uma grande repercussão na mídia. O Brasil é um mercado onde a televisão por assinatura cresce com um ritmo anual de 15% desde o ano 2003, e que alcança 8,2 milhões de lares, segundo os dados do mês de maio passado revelados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O setor tem 27 milhões de telespectadores e uma penetração de mais de 15%, e até esta data de 2010 acumula um crescimento de 10%.

“Após dezoito meses consecutivos a indústria finalmente virou a página para entrar em terreno positivo. Porém, é preciso levar em conta esta base precária de comparação”, expressou Michele Strazzera, gerente geral da Nielsen Global AdView, citado por Adlatina. Em referência direta às regiões, o Reino Unido melhorou 8%, e o recorde europeu foi para a França, com 11%. O país com menor investimento foi a Espanha, que, apesar de sua crise, investiu 3% a mais do que no ano anterior. Enquanto os EUA cresceram 4%, o aumento mais surpreendente foi o registrado na América Latina com 48%. Como tem acontecido ao longo da história, a TV domina com um aumento de 16%, e continua a ser o grande meio para os publicitários. Contudo, as rádios e jornais não ficaram para trás e aumentaram 10% e 9% respectivamente, da mesma forma que a internet com 12%.

O país, que possui o maior número de assinantes de serviços de televisão por assinatura em termos absolutos na região, é, além disso, líder na introdução de canais digitais de alta definição na América Latina: atualmente tem mais de 20 canais de alta definição disponíveis. Segundo as previsões da JP Morgan, a economia brasileira crescerá 7% durante este ano. Com um investimento publicitário anual maior a US$ 12 bilhões, a televisão por assinatura no Brasil capta aproximadamente US$ 500 milhões anuais. ttv

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todotvnews

HIGHLIGHTS

ARGENTINA

MPMEs de TV por assinatura rebeladas contra a Lei da Mídia A maioria divididas há muito tempo, as outras desencontradas durante anos, as micro, pequenas e médias operadoras de TV por assinatura do interior argentino decidiram se opor à possibilidade de sua desaparição. Todas ficaram no meio da guerra iniciada pela administração Kirchner em contra do Grupo Clarín. A abertura do mercado às cooperativas, determinada pelo novo regulamento audiovisual, praticamente sentencia pouco mais de 700 empresas fundadas, na sua maioria, por pioneiros da TV por assinatura no país. > POR Omar Méndez A iminente entrada em vigência dos artigos mais críticos para o funcionamento da TV por assinatura na Argentina movimentou as micro, pequenas e médias operadoras independentes de TV por assinatura no interior do país, que decidiram se unir e criar uma câmera para se defender diante da grave situação experimentada por este grupo pela implementação da polêmica Lei da Mídia lançada pelo Governo nacional. Estas operadoras, que não fazem parte dos grupos predominantes na TV por assinatura –o que deveria deixá-los longe do objetivo belicoso da presidente Cristina Kirchner e de seu marido, o ex presidente-, ficaram no meio do fogo aberto lançado desde a Casa Rosada. Como parte do evento Encontros Regionais de Telecomunicações, realizado em junho no Centro de Convenções do Cassino da cidade de Rosário, na província argentina de Santa Fe, as operadoras de TV por assinatura que assistiram desde diversos cantos do país declararam seus pesares no “Foro de Cableoperadores Pymes”, e se referiram ao impacto que o novo regulamento terá quando for implementado. Após uma hora e meia de discutir o grave momento destes empresários -em sua maioria pioneiros em suas respectivas cidades, com sistemas de diferentes tamanhos, alguns com cerca de vinte empregados e outros com mais de cem-, concordaram por unanimidade na criação de uma câmera nacional que os represente no curto prazo, sob o nome de “Cámara de Cableoperadores Pymes de Argentina”. Estas operadoras, em sua grande maioria, não fizeram parte da onda de compras dos grandes grupos -em especial do Clarínprincipalmente por não terem o tamanho conveniente, e em menor medida porque os

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pequenos empreendedores locais resistiram às ofertas recebidas. A câmera acredita que não estará em condições de competir com as cooperativas de serviços locais, que entram na oferta da televisão por assinatura com o novo regulamento. Também foi criticada com dureza a decisão do Governo nacional de lançar um serviço DTH gratuito -utilizando fundos públicoscom mais de dezesseis canais. “Estas duas iniciativas acabam conosco”, declararam de forma unânime. Os presentes, entre os que predominaram operadores de Santa Fe, Córdoba, província de Buenos Aires, Salta, La Pampa, Corrientes e Tucumán, disseram em suas diferentes apresentações que nenhuma das associações locais e nacionais de TV por assinatura os representa de forma cabal. “Existem grupos que defendem interesses corporativos dos grandes, mas não que defendam os interesses dos micro, pequenos e médios empresários da TV por assinatura que trabalham de forma independente”, concordaram. A câmera ficou definitivamente formada no fim julho em uma reunião realizada em Rosário, onde foram convidados os quase 700 sistemas de TV por assinatura que operam em pequenos e médios povoados do interior argentino. Todos eles alertam sobre a impossibilidade competitiva que terão de enfrentar com a nova lei audiovisual, principalmente pela ação das cooperativas de serviços públicos que agem como monopólios em cada uma dessas cidades, oferecendo gás, água, luz e telefonia em uma mesma conta. Essa oferta, que também inclui o acesso a internet, incorporaria a TV multicanal. Os sistemas de TV por assinatura não têm acesso ao triple play, que os deixaria em uma posição insustentável. ttv

LAMAC Crescimento constante para a TV por assinatura na região O Conselho Latino-Americano de Publicidade em Multicanais (LAMAC) divulgou os resultados da sua última pesquisa no desenvolvimento da TV por assinatura na região. O trabalho mostra o crescimento constante experimentado pelo setor na região e em cada território. Segundo o relatório, a Argentina (79%) e a Colômbia (77%) são os países que hoje lideram em termos de penetração. Atrás, mas por cima da média regional, seguem o Peru (53%), o Chile (52%) e a Venezuela (50%). Por baixo da média regional estão o México (36%) e o Brasil (22%). Considerando o período 20052010, segundo a pesquisa o crescimento da penetração da TV por assinatura nos lares foi no Peru (74%), no Chile (64%), no Brasil (60%), na Colômbia (54%), na Venezuela (39%), no México (37%) e na Argentina (15%). Em 2009, a crise econômica não afetou o desenvolvimento do setor, que continuou aumentando sua base de assinantes em todos os países, inclusive na Argentina, o mercado considerado o mais “amadurecido” da indústria. Isso demonstra que “esta indústria ainda tem muito potencial para explorar”, afirma o relatório. No primeiro semestre de 2010, houve uma aceleração no crescimento do setor nos mercados demograficamente mais importantes e tradicionalmente mais atrasados em termos de penetração: o México e o Brasil. Este fenômeno é um resultado da expansão dos distribuidores de conteúdo via DTH e da ampliação da oferta para os assinantes, com ofertas de baixo valor. Em ambos os mercados, a TV por assinatura hoje supera os 8 milhões de lares assinados. Da mesma forma, no primeiro semestre de 2010 o Chile manteve a taxa de crescimento do ano anterior, ou seja, entre 3 e 4% trimestral, o que também foi um resultado da expansão dos distribuidores de entrada recente no mercado. As fontes utilizadas pela LAMAC para a elaboração do documento são a Ibope Media WS (universos 2005 a 2010, para todos os mercados exceto a Venezuela e o México); a AGB Nielsen para a Venezuela; a LAMAC para o México (universos 2010 atualizados até março); a Anatel, a Subtel e a Cofetel.


EXECUTIVOS

A diferença

HBO Por Sebastián Amoroso “Mais uma vez, o HBO demonstra sua liderança na TV premium”

A HBO Networks Latin America lançou seus canais HBO2 e MAX HD na América Latina. Além disso, em abril inaugurou suas oficinas de AdSales no Brasil para comercializar os espaços publicitários dos canais HBO, HBO2 e Cinemax. No entanto, a companhia prepara novas produções originais como ‘Prófugos’, rodada no Chile, um especial de 90 minutos da comédia ‘Alice’ e ‘Mulher de Fazes’, filmadas no Brasil, além de estréias de Hollywood. Um mostruário da qualidade que a marca HBO imprime na América do Sul.

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m 1º de junho passado, a HBO Networks Latin America lançou para a América Latina os dois novos canais HBO2 e MAX HD do seu pacote premium. “Era necessário ter um canal como HBO2 no premium, que oferecesse uma programação 100% dublada para o espanhol e para o português. Além disso, é uma excelente ferramenta de vendas para os assinantes da América Latina, porque permite atingir um demográfico mais amplo que não necessariamente prefere legendas. O canal foi inicialmente lançado no Brasil e em 1 de junho foi a vez do dos outros países da América Latina”, explicou à todotv Gustavo Grossman, gerente geral da HBO Networks Latin America. Nesse sentido, HBO2 oferece filmes, seriados e conteúdo esportivo. O canal está focado a homens e mulheres entre 18 e 49 anos. Em paralelo, o mercado latinoamericano recebeu o canal MAX HD, outra marca que junto com o HBO HD são as novidades da oferta do pacote de canais da programadora em toda a região. “O lançamento de ambos os canais faz parte da estratégia que tínhamos projetado no fim do ano como objetivo a alcançar durante 2010”,

expressou o executivo. O MAX HD oferece filmes internacionais e independentes, 100% em alta definição as 24 horas do dia, orientado a homens e mulheres entre 14 e 44 anos. O MERCADO DA TV POR ASSINATURA. O gerente geral da HBO Networks Latin America explicou que o investimento das operadoras latino-americanas em tecnologias de alta definição e VOD não é tão veloz quanto se esperava, e que é uma consequência dos “grandes investimentos” que as operadoras de TV por assinatura devem enfrentar. De alguma forma, o lançamento destes canais é uma colaboração para que este investimento tenha um retorno econômico mais rápido. “Confraternizamos com as operadoras; fazemos parte deste negócio, e queremos que o mercado continue a crescer. Estas tecnologias são o futuro da TV, e o HBO já as oferece”, disse Grossman. “Por outro lado, o Brasil é um mercado em que a TV por assinatura teve um crescimento destacado. É um mercado tecnologicamente muito avançado, as operadoras de TV por assinatura estão investindo na tecnologia, as companhias de telecomunicação também estão oferecendo serviços de triple play, pelo que também estão adquirindo nossa oferta de canais. No Brasil existe uma concorrência sadia, repito, com muito investimento, em uma economia nacional muito sólida”, salientou. Nesse sentido, em abril a HBO Latin America Group inaugurou seu novo departamento de Vendas Publicitárias no Brasil. A venda da participação da Sony no grupo fez com que You Don’t Know Jack Gênero: TV Movie


Gustavo Grossman,

algumas mudanças como esta começassem a ser confirmadas como consequência da mudança acionária na estrutura do grupo. Uma das áreas afetadas é a comercialização dos espaços publicitários dos canais locais da companhia. O novo departamento assumiu a responsabilidade publicitária, até o momento nas mãos da Sony Pictures Entertainment. A HBO LAG gerencia diretamente estes espaços de publicidade nos canais HBO, HBO 2 e Cinemax. PRODUÇÃO LOCAL E ESTRÉIAS DE HOLLYWOOD. A relevância que a HBO tradicionalmente deu à produção local nos últimos anos se materializa este ano com a produção do seriado ‘Prófugos’, escrito por Pablo Illanes e dirigido por Pablo Larrain, que está sendo rodada no Chile. “Ainda estamos rodando porque tivemos que parar a rodagem por causa do terremoto, mas estamos novamente em andamento. Em nível técnico, a gravação é completamente em HD, através de seis câmeras Sony SRW 9000 especialmente adquiridas. A estréia é em 2011”, disse o executivo. “Também estamos com a segunda temporada da série ‘Capadocia’, gravando um especial de 90 minutos da ‘Alice’, uma espécie de epílogo que estará pronto para o último trimestre do ano. Além disso, estamos filmando ‘Mulher de Fases’ no Brasil, a primeira incursão no gênero da comédia. Estamos fortes em produção local. A idéia é alcançar 52 horas anuais de conteúdo original”.

Gerente Geral da HBO NetworkS Latin America

“No Brasil existe uma concorrência sadia com muito investimento, em uma economia nacional muito sólida”

um conteúdo de qualidade, de alto nível e polêmico”. A série, integrada por 10 capítulos de 30 minutos, foi criada por Colette Burson e Dimitry Lipkin, junto com Alexander Payne, Michael Rosenberg e Scott Stephens como produtores executivos.

Em quanto à programação, em 11 de julho a HBO apresentou a segunda temporada da série ‘Hung’ para a América Latina, a menos de um mês de sua estréia nos EUA. “Parte de nossa oferta diferencial consiste em estrear seriados pouco tempo depois da sua estréia nos EUA, e ‘Hung’ é uma série nova que está na linha da programação do HBO,

Entre as grandes estréias de 2010 destaca a minissérie bélica ‘The Pacific’, a mais cara na história da TV -US$ 200 milhões- que recentemente teve 24 nominações aos prêmios Emmy. Os produtores executivos da minissérie são a dupla Steven Spielberg e Tom Hanks, que já tinham produzido a exitosa ‘Band of Brothers’ para o HBO. “O HBO tem cerca de 100 nomeações aos prêmios Emmy. Esta qualidade, tanto de séries quanto de minisséries, faz parte da filosofia HBO, uma tevê com conteúdo de qualidade superlativa”, conclui Grossman. ttv

Alice Género: Serie Producción: HBO Productions

Hung Género: Serie 2009

“Nossa produção local é muito forte. A idéia é alcançar 52 horas anuais de conteúdo original”

The Pacific Género: Miniserie 10 episódios

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FÓRUM BRASIL 2010

16 e 17 de junho, Centro de Convenções, Frei Caneca, São Paulo, Brasil De volta ao Centro de Convenções Frei Caneca da cidade de São Paulo, a 11ª edição do Fórum Brasil convocou mais de 400 players da indústria. O destaque da edição 2010 foi o alto nível de discussões nas palestras, que trataram assuntos globais da indústria -marca e conteúdo, a realidade das telas, o conteúdo multiplataforma-, refletindo assim o bom momento nacional e internacional imperante no Brasil.

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_/04 01. Tocha Alvez (Idéia Forte), ganhador do pitching do The History Channel pelo projeto documentário ‘Solana Star’, um prêmio de US$ 20.000

05. Luiz Gleiser (TV Globo)

02. Luis Marques (SIC)

07. Andre Mermelstein (Converge Comunicações)

03. Raúl Molina y Antonio Pérez Bonilla (RTVE)

06. Luis Antonio Silveira (Conspiração Filmes) y Thiago Melo (Mixer)

04. Alejandra Busoli (Endemol)

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EXECUTIVOS

Televisa Networks

no Brasil A programadora de TV por assinatura do Grupo Televisa se apresenta oficialmente no Brasil, com um stand durante os três dias de atividades comerciais da feira ABTA 2010. Dentro de seu pacote de canais por assinatura destacam para o mercado brasileiro o canal de novelas TLN, dublado 100% para o português. O gerente geral da companhia explicou as últimas operações da programadora e adiantou os futuros passos no mercado internacional. De fato, é a primeira vez que a companhia participa da feira e congresso ABTA 2010, que terá lugar entre os dias 10 e 12 de agosto em São Paulo. Nesse sentido, a programadora mexicana terá um stand em que apresentará seu pacote de canais, e nesse contexto o TLN é o produto “bandeira” para esse mercado particular. “Esperamos que seja um produto bem recebido. O público brasileiro conhece muito bem o conteúdo da Televisa, especialmente suas novelas, e o TLN tem esse conteúdo em sua programação”, diz o executivo.

Por Sebastián Amoroso “O telespectador brasileiro conhece muito bem o conteúdo da Televisa, especialmente suas novelas, e o TLN tem esses conteúdos em sua programação”

Canal: TLN Gênero: Novelas

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crescimento da Televisa Networks, divisão de TV por assinatura do Grupo Televisa, tem sido constante em toda a América Latina. Mas esse processo não se limita apenas ao continente americano hispanofarlante. Recentemente, houve novidades a respeito da distribuição da programadora, como a entrada do canal de telenovelas TLN a Portugal. “O TLN é o nosso canal dublado para o português. Portanto, nosso principal mercado está na Europa, apesar de que também vamos entrar no Brasil”, comenta à todotv Fernando Muñiz, gerente geral da Televisa Networks.

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CANAIS EM CRESCIMENTO. 2010 é o ano do canal esportivo TLN da Televisa Networks, em primeiro lugar porque comemora seu primeiro aniversário. Além disso, porque este ano foi muito especial para o canal, já que realizou uma cobertura especial da Copa do Mundo da África do Sul 2010 com uma transmissão 100% em alta definição. “Neste primeiro ano, o TDN conseguiu atender todas as expectativas. O canal entrou com passo firme na área dos canais esportivos para a TV por assinatura. Este ano tem sido uma experiência gratificante para nós”, expressa Muñiz. “Acredito que o TDN é um grande produto. O estamos fortalecendo com mais e melhores conteúdos, porque o fato de a Copa ter acabado não significa que vamos deixar de ser o canal líder em esportes da TV por assinatura no México, América Central e o Caribe”, diz o executivo. Nesse sentido, o canal está transmitindo a Copa do Mundo de Futebol Feminino Sub 20 da Alemanha, além de ter a Liga de Futebol do México e estar negociando outras propriedades. “No momento, no curto e


Fernando Muñiz,

médio prazo, queremos consolidar a operação nestes territórios. Conforme formos crescendo na aquisição de conteúdos para podermos oferecer o canal em outros territórios, então estaremos em condições de atingir toda a América Latina. Definitivamente, queremos ter uma distribuição panregional do canal”, afirma o gerente geral da Televisa Networks. Outra das grandes apostas da Televisa Networks foi o lançamento ao mercado de alguns canais em alta definição, como o TDN -que transmitiu todos os jogos da Copa 2010 em HD-, o Golden e o American Network. “A partir do 1 de agosto, o canal Golden se tornará um canal panregional em alta definição. Hoje está disponível apenas no México. A diferença entre o Golden e outros canais é que este terá uma resolução de 1080, com estréias como filmes da franquia ‘James Bond’ ou seriados como ‘El Cartel de los Sapos’ ou ‘El Capo’, além de conteúdos para adultos. Portanto, hoje o canal é um dos poucos em HD distribuído no básico. Hoje também temos dois canais em alta definição para distribuir fora do México. Depois iremos observando sua evolução e, obviamente, parte do processo natural é ter mais canais em HD”, explica Muñiz. Por outro lado, outro dos canais em alta definição, o American Network, somente está disponível para o México através das operadoras Sky e Cablevisión. Quanto ao canal internacional da Telemundo, distribuído pela Televisa Networks na América Latina, várias negociações foram fechadas na região. “Exceto a Argentina e o Uruguai, na maioria dos territórios estamos no top ten dos clientes. A distribuição forte do Telemundo principalmente está na América Central e no Caribe, e em parte da região Andina”, explica Muñiz. No entanto, a companhia realizou melhoras na programação do canal, apesar de que foi lançado com parte dos conteúdos da Telemundo. “A pedido do público, ajustamos alguns horários e conteúdos”, diz o executivo.

Diretor Geral de Televisa Networks

“Acredito que o TDN é um grande produto. O estamos fortalecendo com mais e melhores conteúdos”

“Acredito que no resto do ano vamos consolidar territórios como a Colômbia, o Chile e provavelmente alguns países do Caribe, nos que o canal está em processo de distribuição”.

Canal: TLN Gênero: Novelas

PRODUÇÃO AD HOC. A Televisa Networks também é responsável pela produção do conteúdo original para seus canais de TV por assinatura. Nesse sentido, o canal Telehit estreou o seriado original ‘Morir en Martes’ (Morrer na terça-feira). “O conteúdo original faz uma diferença na grade da programação, porque se quisermos posicionar os nossos canais como produtos completamente diferentes aos já existentes no mercado, temos que nos dedicar à produção própria. O seriado ‘Morir en Martes’ foi estreado há quase um mês, e está funcionando muito bem no Telehit. É um seriado muito bem produzido, 100% realizado no México por uma produtora independente. O principal é ter produções ad hoc”, conclui Muñiz. ttv

TDN: CRESCIMENTO E MAIOR COMPROMISSO Em 22 de julho foi comemorado o primeiro aniversário do Televisa Deportes Network (TDN), o canal de esportes do pacote de canais por assinatura da Televisa Networks. “Para o canal, este ano passou muito rápido, cheio de eventos internacionais muito importantes e também de aprendizado. Crescemos muito ao longo de um ano e não queremos parar. Assim é o esporte, assim é a paixão dos que somos fanáticos do esporte, não podemos ficar para trás”, comenta à todotv Juan Carlos Rodríguez, diretor geral do TDN. Este foi um ano marcado pelo futebol através da Copa do Mundo FIFA da África do Sul 2010, que teve uma cobertura especial do canal. “O TDN foi designado pela FIFA como o Canal Oficial da Copa do Mundo, por causa da cobertura sem precedentes que foi realizada. O TDN se tornou um canal 24 horas na Copa, com muitas transmissões exclusivas dos jogos, programas de análise com especialistas sérios e reconhecidos, repetições de jogos em horários mais adequados para o México, e interatividade com os telespectadores. Inclusive a nossa imagem se transformou durante todo o mês, foi um trabalho único e estamos muito orgulhosos”, explicou Rodríguez. Além disso, este ano o canal fez a cobertura de outros eventos esportivos como o UFC, triathlon, os campeonatos mundiais de volley, e proximamente as ligas maiores de Baseball.

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EXECUTIVOS

Produção local, produtos internacionais A MTV Networks Latin America, US Hispanic & Canada, a divisão da companhia estadunidense Viacom International, redobrou sua aposta e investimentos em conteúdos próprios realizados com parceiros locais mas com projeção internacional. A fórmula tem funcionado, e agora vai por mais. > POR Omar Méndez

Sofía Ioannou,

Diretora Geral da MTV Networks Latin America, US Hispanic & Canada

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m show impactante e multitudinário realizado em julho na cidade de Buenos Aires, com mais de 300 convidados, valorizou um modelo de aliança no que a Nickelodeon apostou de forma decidida. Aquele evento com motivo da estréia da sua nova novela juvenil ‘Sueña Conmigo’ –coproduzida com a Televisa e a Illusion Studios, e na tela panregional a partir do dia 20- reflete a importância que as produções deste tipo têm para a MTV Networks, e os parceiros e as oportunidades que surgem como consequência. Essa produção realizada na Argentina irá a seis canais do grupo estadunidense em cerca de 166 países: a projeção que estes produtos têm é eloquente. A MTV tem se orientado a combinar conteúdos internacionais e locais, do tipo de ‘Sueña Conmigo’ e na mesma linha de ‘Grachi’, que está em andamento em parceria com a Comarex. “Já estão definidos importantes investimentos para produções de alto nível”, disse à todotv Sofia Ioannou, diretora geral da MTV Networks Latin America, US Hispanic & Canada. Sob o mesmo conceito, a lista de novos títulos inclui ‘Niñas Mal’, considerada a primeira novela original da Nickelodeon, esta vez em co-produção com a Sony, e ‘World Stage’, um mega show com grandes bandas musicais locais e internacionais que será produzido no México. Ioannou destaca a cuidadosa seleção do parceiro para cada projeto e as experiências que a companhia tenha tido com cada eventual parceiro. ‘Isa TKM’, por exemplo, foi importante para convencê-los na aliança de produção de ‘Niñas Mal’ com a Sony; e em ‘Sueña Conmigo’ foi decisivo o relacionamento de muitos anos com a Televisa. Os acordos com a Illusion Studios por ‘Sueña Conmigo’ e com a Comarex por ‘Grachi’ também foram determinados por experiências positivas anteriores. Investimentos muito importantes: Ioannou destaca uma e outra vez. “Crescemos

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bastante com os investimentos. Alcançamos números de audiência muito importantes nos diferentes canais. Continuaremos focados na geração de conteúdos, tanto no local quanto no internacional”, disse. Em 2009, apesar das dificuldades ocasionadas pela situação econômica de alguns dos principais mercados hispanofalantes, a divisão MTV Networks Latin America, US Hispanic & Canada não deteve o seu plano. “Foi um ano muito difícil. Em 2009, o México se paralisou. Existiam incertezas e a chegada de uma recuperação não era clara. Perdemos muito em 2009. Mas neste ano chegou a recuperação: crescemos muitíssimo e justificamos o investimento. As dificuldades de 2009 tiveram a ver fundamentalmente com o México, mas apesar disso não deixamos de investir. A região nos estimula: a América Central é um mercado com muitas oportunidades. O México é essencial e sentimos a obrigação de investir. O Brasil tem um crescimento fantástico o quanto a níveis de oferta digital e HD. São grandes incentivos”, comenta. REGULAMENTAÇÕES PERIGOSAS. A MTV Networks tem seus motivos para projetar ambiciosamente o seu futuro na região o Grachi 75 x 60’ Telenovela teen


EXECUTIVOS

“Já estão definidos importantes investimentos para produções de alto nível” “(No Brasil) devemos educar os membros do Governo e explicar as diferenças existentes entre nossos canais, a importância dos conteúdos e os investimentos realizados” “Continuaremos focados na geração de conteúdos, tanto no local quanto no internacional

Sueña Conmigo Telenovela teen Nickelodeon

quanto à produção original. No entanto, segundo a análise dos executivos, também existe um assunto crítico. A companhia tem sido uma das empresas estrangeiras que mais investiu na região, em infra-estruturas, produções e operações. A Argentina especialmente tem uma importância maiúscula porque ali estão suas bases principais na região. Esse dado é importante na hora de avaliar o impacto do cumprimento estrito da lei de mídia audiovisual que foi aprovada de forma muito polêmica nesse país sul-americano. O Brasil é outro caso de preocupação: há mudanças substanciais na cozinha legislativa, que vão agitar a indústria e vários de seus fornecedores. A Venezuela representa o caso mais crítico da regulamentação difícil de cumprir. O Equador projeta a sua própria, também agressiva com vários aspectos da TV por assinatura. Um dos segmentos essenciais do payTV afetado pelas leis aprovadas ou quase aprovadas pelas instituições legislativas, são as programadoras. “Existem pontos de impacto importantes contra nossos canais”, disse Sofía Ioannou, que além de ser diretora geral do grupo regional, é advogada e especialista em leis de mídia. “O projeto que atualmente é discutido no Brasil, por exemplo, em caso de ser aprovado, tem pontos críticos que vão atingir nossas operações. Devemos educar os membros do Governo e explicar as diferenças existentes entre nossos canais, a importância dos conteúdos e os investimentos realizados. É muito necessário priorizar a educação nesse fase do debate”, assegura.

A proposta brasileira cria cotas de conteúdo nacional e independente nos canais e pacotes de TV por assinatura. Nos pacotes oferecidos pelas empresas, a cada três canais com predomínio de conteúdo nacional e independente, filmes, documentários, seriados, novelas e variedades, no mínimo um deve ser brasileiro. Além disso, as emissoras devem transmitir pelo menos três horas e meia por semana de conteúdo brasileiro em horário central. A metade desta percentagem deve ser produzido por produtoras independentes locais. “O que nos impacta no Brasil é principalmente impositivo, além das cotas de produção local requeridas”, comenta. Na Argentina, os programadores de canais por satélite empregam cerca de 10 mil executivos e técnicos; os canais internacionais por satélite realizaram importantes investimentos e produzem uma porcentagem altíssima de seus conteúdos em comparação com a média mundial. Contudo, a normativa vigente que diferencia entre canais nacionais e estrangeiros desanima a continuidade dos estrangeiros no país, com as exigências de cotas de conteúdos locais, por causa das taxas que o Governo pretende aplicar e da restrição de publicidade nos canais. “Existem itens críticos na lei argentina: um é a diferenciação entre o local e o internacional. É difícil de entender. A diminuição das porcentagens da publicidade também nos afeta muito”, diz Ioannou. “Sem dúvida, se isso não mudar, modifica o nosso plano de investimento”, destaca. A Argentina se tornou um ponto geográfico muito relevante para a MTV Networks Latin America, US Hispanic & Canada. O país foi escolhido na estratégia de expansão internacional do grupo. As operações panregionais desde Buenos Aires e o investimento em estrutura e no centro criativo regional na capital argentina, obrigaram à empresa a projetar um plano de investimento estimado inicialmente em US$ 76 milhões em cinco anos. Existem outros mercados que preocupam o conjunto de programadoras internacionais na América Latina.“No México os esforços devem estar orientados à identificação dos tipos de canais e ao nível de produção local, levando em conta a importância que estes elementos têm para o mercado. No caso da Venezuela, o que acontece é triste. O tipo de regulamentos impostos nesse mercado tem efeitos claramente negativos”, explica. ttv

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EXECUTIVOS

Próspero entre nuvens

Uma das maiores programadoras de um dos mercados mais importantes do continente. Essa poderia ser uma definição da Turner Broadcasting System Brasil, companhia com 16 canais no país que recentemente lançou o truTV HD, seu terceiro canal em alta definição nesse mercado. Anthony Doyle, VP Regional, referiu-se ao excelente clima do mercado brasileiro, e avaliou os benefícios e riscos que o PL 29 pode significar para o setor. Por sEBASTIÁN TORTEROLA “O setor tem recebido novos players que estão sendo anunciados, e isso gera muita competitividade. O mercado esta ‘aquecido’”. “Nunca tivemos tantos projetos de produção original na manga. E isso é espontâneo, porque faz sentido: é um bom negócio para nós”.

TNT + Filme (Quarta Temporada) Produção: Mixer Canal: TNT

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humor do vice-presidente regional da Turner Brasil, Anthony Doyle, é um claro exemplo do clima atual do mercado brasileiro de TV por assinatura. “No Brasil, estamos em uma época de crescimento extraordinário da TV por assinatura”, comenta o executivo. Este clima positivo é uma consequência de fatores como a economia, como o produto em si, e também da concorrência. “O setor tem recebido novos players que estão anunciando, e isso gera muita competitividade. Ultimamente temos tido um crescimento recorde em vários canais ao longo deste ano. O mercado esta ‘aquecido’”, indica Doyle. Nesse sentido, a área de negócio que o executivo menciona imediatamente é a oferta de canais HD, que atualmente está experimentando um impulso importante no Brasil. “Neste ano lançamos o canal truTV HD, entanto no ano passado lançamos outros dois canais (TNT HD e Space HD). Estamos fazendo

estes lançamentos porque o mercado está aberto a novos produtos, e porque renovar a TV por assinatura é muito importante. Por conseguinte, precisamos ser criativos e manter o interesse”, expressa. Em quanto à posição do mercado brasileiro de conteúdos em alta definição na região, Doyle considera o Brasil um early adopter. “Está entre os primeiros países que adotou as novas tecnologias, por isso, o Brasil foi o primeiro onde lançamos três canais em HD. O fato de ter um produto completamente novo disponível tem ajudado muito as vendas e gera um desejo em todos os consumidores. Atualmente a tecnologia disponível ajuda bastante no crescimento do mercado; o timing foi o correto e está sendo aproveitado”, comenta. Porém, segundo Doyle essa tecnologia ainda não é suficiente, e o setor entrará em uma fase em que as empresas -programadoras e operadoras- terão de fazer investimentos necessários para lançar produtos novos, o que “requer muito mais espaço satelital, uma renovação do acervo do conteúdo nativo, precisa de set top boxes e de comunicação”. PL 29: BENEFÍCIOS E AMEAÇAS. Em contraste com o clima de prosperidade respirado na TV por assinatura do Brasil, muitas vozes têm denunciado que o Projeto de Lei 29/2007 se posiciona como uma ameaça contra a sua estabilidade, uma nuvem no horizonte da indústria. Anthony Doyle tem uma visão objetiva e realista do assunto. “O PL 29 é um passo na direção certa. Fomentar o produto nacional é uma missão nobre 100% apoiada pela Turner. Também concordamos 100% em aumentar a base de assinantes. Porém, não acredito que o instrumento para conseguir esse crescimento e fomentar a produção nacional seja o melhor”.


Anthony Doyle,

Segundo o executivo, o principal risco está no capítulo 5, que impõe cotas de produção nacional para os pacotes de TV por assinatura. A respeito dos restantes pontos da lei, a Turner só encontra benefícios. “Os riscos precisam ser discutidos com muito cuidado, e isso eu não vejo que aconteça. Eu acredito que a parte mais impactada vai ser o consumidor, mas não sabemos o que pensa o consumidor sobre o PL 29. Eu posso prever o impacto que vai ter para a Turner, e também para as operadoras, mas não tenho informação sobre o que vai acontecer com o consumidor, e não vejo que esteja sendo discutido o suficiente”, expressa. Fica claro que a produção nacional está no topo da polêmica, porque implica mais investimento e muda o conceito de alguns canais. Mas também existem outros fatores. “A TV por assinatura funciona oferecendo alternativas à TV aberta, que é muito forte no Brasil. O negócio da TV aberta é muito maior, levando em conta que tem quase 100% de penetração no país, enquanto a TV por assinatura tem 15%. Os investimentos dos anunciantes de TV aberta e TV por assinatura são proporcionais; por conseguinte, o dinheiro disponível para produção nacional para a TV aberta é muito maior do que para a TV fechada”, diz Doyle. Segundo o executivo, o erro do PL 29 é regular as cotas de produção nacional colocando os canais por assinatura e os canais de TV aberta no mesmo nível. “Para alguns canais isso faz muito sentido, mas para outros não, porque os programadores oferecem um leque de canais diversos: entretenimento, notícias, esporte, séries, documentários... tudo o que na TV aberta está concentrado em um canal só. Cada canal tem um perfil, uma audiência, uma proposta diferente. Portanto, acredito que não faz sentido generalizar dizendo que todos os canais precisam de conteúdo nacional. Que alguns canais estão abertos a conteúdo nacional, concordo; mas todos, não”. O argumento nesse ponto é claro. Dos 150 canais por assinatura disponíveis no Brasil, “talvez 60% dos canais por assinatura são qualificados” -tirando os canais de esportes, notícias, à la carta, etc-. Dentro dos qualificados, existem canais com 100 mil assinantes e canais com 7 milhões de assinantes, “o que significa que alguns tem fôlego para incorporar produção nacional e outros não”, porque a produção nacional implica um investimento importante. “Mesmo levando em conta os três anos de adaptação que o PL 29 estabelece para a aplicação das cotas, isso não é suficiente. É o fato de ser forçado a veicular conteúdo nacional em canais que não estão conceitualmente projetados para isso”, explica Doyle. Contudo, o executivo confia em que “o governo vai tomar as medidas certas para fomentar não apenas a indústria audiovisual, mas também a TV por assinatura”.

VP Regional da Turner Broadcasting System Brasil

“O PL 29 é um passo na direção certa. Concordamos 100% em aumentar a base de assinantes e fomentar produto nacional. Porém, não acredito que o instrumento seja o melhor”. PRODUÇÃO ORIGINAL SIM. Que o aspecto mais polêmico do Projeto de Lei refira à produção local não significa que a Turner Brasil seja indiferente a ela. Muito pelo contrário, nos últimos 8 anos a companhia realizou cerca de 80 produções no país, e atualmente leva uma intensa atividade nesse aspecto do negócio. “Nunca tivemos tantos projetos de produção original na manga. E isso é espontâneo, porque faz sentido: é um bom negócio para nós. Não tem nada a ver com intervenções do Governo, nem com o desejo da Ancine ou de terceiros”, assegura Doyle. A companhia tem entre 10 e 15 produções em curso, e, embora várias sejam futuras surpresas para o mercado, as principais novidades são as séries para canais HD. “Por exemplo, para o truTV HD produzimos ‘Operação Policial’ e também outras produções para o Fashion TV em HD. Se multiplicarmos os projetos Operaçao Policial Gênero: Reality Canal: truTV

em produções, são aproximadamente 100 episódios”, comenta. Doyle detalhou à todotv as novidades mais importantes dos canais da Turner Brasil. Cartoon Network: ‘Mutante Rex’ (Estréia dia 29 de agosto) e ‘Ben 10: Supremacia Alienígena’ (estréia dia 10 de outubro); Boomerang: a produção original ‘Temporada de Moda Capricho’ (segunda temporada estréia dia 8 de setembro); TNT: ‘TNT + Filme’ (quarta temporada estreada no dia 3 de agosto, produção original), ‘TNT Movie Club’ (terceira temporada estreada no dia 6 de agosto) , a transmissão do Miss Universo 2010 (ao vivo no dia 23 de agosto) e o show ‘Beyoncé: I Am... Yours - Live in Las Vegas’ (dia 2 de setembro); TCM: ‘Raízes’ (minissérie, estréia no dia 16 de agosto), ‘Comemoração do aniversário de 85 anos de Peter Sellers’ e a ‘Comemoração do aniversário de 70 anos de Brian de Palma’; Space: ‘Justified’ (estréia em setembro) e ‘The Closer’ (sexta temporada, estréia em outubro); e Fashion TV: ‘Lado H’ e ‘Estilo Brasil’, dentre outros. De olho na ABTA, Doyle comenta que a companhia está focada no andamento do PL 29 e preparada para tomar as providências necessárias. Como anúncio principal no evento, a Turner apresentará o concurso estudantil de jornalismo da CNN, que está no seu sexto ano. “O Brasil é um dos mercados mais importantes da América Latina. Pelo impacto que as medidas legislativas podem ter na TV por assinatura, estamos olhando para esta feira com muita atenção. Entendo que tanto a feira quanto o congresso é uma oportunidade de o mercado mostrar e debater profundamente os temas de interesse. Espero que as conversas sejam sérias e que tenham o resultado positivo para todos os participantes”, conclui. ttv

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EXECUTIVOS

A

s plataformas de canais da A&E Networks composta por A&E, The History Channel e BIO, têm uma importante recepção na América Latina e no Brasil. “Neste momento estamos focados em continuar o crescimento e a evolução consistente da unidade de negócios, oferecendo o conteúdo de maior qualidade para a América Latina e o Brasil, o que inclui também o lançamento iminente das plataformas digitais History HD e A&E HD”, explica para a todotv César Sabroso, VP de Marketing do A&E, The History Channel e BIO. A respeito do The History Channel, o canal está não apenas estreando novos episódios de séries reconhecidas pela crítica especializada e os telespectadores mas também oferece estréias destacadas. “Entre as estréias destacam ‘El Precio de la Historia’, a série com maior sucesso nos Estados Unidos, uma proposta totalmente diferente;e também estréias como ‘Alienígenas Ancestrales’, série focada em extraterrestres que atrai o interesse dos telespectadores”, afirma Sabroso. Por sua parte, o próximo 7 de setembro, o canal A&E estréia ‘Intervención: Problema y Solución’, a série vencedora dos prêmios Emmy. “Esta série tem um formato único porque em cada episódio há uma solução clara e contundente para os vícios como a toxicomania e o alcoolismo, como vícios não muito conhecidos como os transtornos

Obsessed Gênero: Série Bio

I Survived Gênero: Série Bio

alimentícios –bulimia ou anorexia, por exemplo- como o dos psicofármacos. Esta série permite não só ver como um vício pode afetar uma pessoa, mas como afeta seu núcleo pessoal, familiar e social”, comenta o executivo.

Na mesma noite, o canal estréia ‘Obsessed’, uma série sobre pessoas que acumulam objetos, e que padecem –por exemploa Síndrome de Diógenes. “Estas pessoas acreditam que tudo tem um valor emocional ou afetivo; para eles, desprender-se desses objetos significa desprender-se da pessoa vinculada a esses objetos”. Além disso, o canal estréia outras séries como ‘NCSI: LA’, ‘The Glades’, ‘Law & Order: UK’, ‘Special Unit’ ou ‘Criss Angel: Mindfreak’, que voltam com novos episódios. “Ao mesmo tempo, vamos estrear a série ‘Weeds’, nunca estreada na TV por assinatura básica no Brasil; e também temos a estréia do último show da Madonna ‘Sticky & Sweet’, através do A&E Music. Além de novos episódios do Cirque du Solei nos A&E Specials”, destaca Sabroso.

César Sabroso,

VP de Marketing da A&E, The History Channel e BIO A unidade de negócio da A&E Ole Networks continua crescendo, incluindo o lançamento iminente de seus canais em HD para History e BIO. Também, anuncia uma bateria de episódios de estréia de reconhecidas séries internacionais, além de várias estréias de produções locais para o mercado brasileiro, dentre outras.

Por Sebastián Amoroso

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Por último, mas não menos importante, o canal Bio é atualmente um dos canais com maiores níveis de crescimento quanto à distribuição, com um alcance atual de mais de 13 milhões na região. É por isso que o canal aposta na consolidação da marca de prestígio internacional. “Temos crescido em termos de distribuição em toda a América Latina, e agora nossas forças estão focalizadas no Brasil. Estamos adicionando novos episódios de reconhecidas séries como ‘I Survided’, além de um conjunto de produções originais para os telespectadores brasileiros, como as quatro Biografías de estréia: Gilberto Gil, o tenista Gustavo ‘Guga’ Kuerten, o ex presidente Fernando Henrique Cardoso e o inventor do Jiu-jitsu Hélio Grace, dentre outros”, conclui. ttv


EXECUTIVOS

A Floresta é a nova produtora baseada em São Paulo, que representa o portfólio de formatos de entretenimento para a TV de Sony Pictures Television no Brasil. A todotv dialogou com a diretora executiva da companhia sobre seus projetos e sobre o mercado da produção independente no Brasil.

Por Sebastián Amoroso

Elisabetta Zenatti, Diretora Executiva da Floresta

C

om 20 anos de experiência na produção televisiva, Elisabetta Zenatti começou sua carreira como creative officer para a GAT na Alemanha, e depois se integrou à equipe da Sony Pictures Television (SPT) em São Paulo como responsável da comercialização das licenças e da produção de formatos de entretenimento. Em 2000, Zenatti criou no Brasil uma companhia produtora em parceria com a produtora argentina RGB Entertainment, que liderou durante 6 anos. Em 2006 foi contratada pela Bandeirantes como diretora de Programação e Produção, responsável pelo desenvolvimento, produção, controle de qualidade e programação da emissora.

“No Brasil o mercado da produção independente é muito pequeno porque –a diferença de outros países como a Argentina e a Colômbia- os canais de TV aberta produzem internamente. Nesse sentido, existem muito poucas produtoras independentes que trabalhem com os canais de TV aberta; o Brasil ainda é uma terra nova”, explicou à todotv a produtora executiva da Floresta, a nova produtora que representa o portfólio de formatos de entretenimento para TV da SPT no Brasil. A executiva afirma que, embora existam produtoras independentes no país, elas se dedicam quase exclusivamente à publicidade e à produção cinematográfica, e que “improvisam” como produtoras de tevê. Além disso, estas produtoras trabalham principalmente para o setor

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da TV por assinatura. “Há um tempo a Endemol começou uma operação de produção fora da sua joint venture com a TV Globo, e a FremantleMedia Enterprises também tem uma operação no Brasil, mas sempre em coprodução com os canais de TV aberta”, assegurou a executiva. Nesse sentido, a executiva pretende posicionar a Floresta como uma produtora de entretenimento e ficção líder no Brasil, uma área onde a produção no país e praticamente

nula. “Com RGB produzimos ‘Floribella’ para a Bandeirantes, e nesse momento foi um programa bastante inovador no espectro da TV aberta do Brasil”, disse Zenatti. Considerando a situação do mercado brasileiro, o modelo de negócio da Floresta é muito diferente ao das produtoras independentes da Argentina ou da Colômbia, por mencionar dois mercados referentes na região. Nesse sentido, a Floresta não possui estúdios, equipamentos de edição, unidades móveis, câmeras ou luzes. A infraestrutura completa e o equipamento são de terceiros. “Tenho uma idéia muito clara sobre como uma produtora deve funcionar hoje em dia. Uma produtora que queira ser ágil não deve possuir equipamento. Primeiro, porque a tecnologia muda muito rápido, e segundo, porque isso depende muito do tipo de produção realizada. Segundo a minha experiência, e observando o que acontece no mundo, acredito que é melhor alugar os equipamentos de acordo com as necessidades de cada projeto”, explicou a produtora executiva. Contudo, destacou o apoio da marca Sony, que possibilita que a companhia tenha a capacidade de adquirir equipamento de alta qualidade através de acordos com a Sony Electronics, uma vantagem muito importante no momento de fazer contas. “O conceito é ser uma produtora de conteúdos dinâmica, e concentrar todos os esforços no conteúdo. Temos a exclusividade dos formatos de entretenimento e ficção da Sony Pictures Television, mas também podemos desenvolver todos os programas que quisermos. O objetivo é centralizar-nos no desenvolvimento de programas adequados para satisfazer as necessidades de ibope dos canais. De fato, acabo de sair da Bandeirantes, pelo que há muito pouco que estive do outro lado da tela, e sei que o que importa para um canal e ter pessoas que solucionem os problemas, o que atualmente não existe no Brasil”. Dentro do extenso portfólio de formatos de entretenimento da SPT para TV podemos achar ‘Quem Quer Ser Milionário?’, que na hora de fecho desta edição estava sendo negociada com a Rede Record. “Também vamos por muita energia em ‘The Dr. Oz Show’, um formato com muito sucesso internacional, além de desenvolver ficções na linha das séries jovens como ‘Isa TKM’, ficção coproduzida com a Nickelodeon. Também gostaria de realizar uma sitcom como ‘The Nanny’, porque a série semanal é um gênero que apenas está tomando corpo no Brasil”, comentou Elisabetta Zenatti. ttv Isa TKM Telenovela live action Sony Pictures Television/ Nickelodeon Latinoamérica


M

ercados panregionais em crescimento, reconversão das operações convencionais em multiplataformas, entrada das companhias de telecomunicações no negócio. Aquilo que antes era tendência, hoje se tornou realidade: as operações da TV por assinatura iberoamericanas, principalmente TV a cabo e DTH, amadurecem em tempo recorde, obrigando às fábricas de conteúdos a estarem à altura das circunstâncias. A mudança se percebe até em mercados críticos como a América Central, difícil durante anos pela escala limitada de cada um dos seus países, e pela enorme pirataria existente. As programadoras de canais panregionais perceberam um cenário prometedor e a grande maioria começou a reforçar suas estratégias na região. Uma delas é a Pramer, a divisão da companhia estadunidense Liberty Global, estabelecida na Argentina. Seu pacote de canais (elgourmet.com, Cosmopolitan Televison, Film & Arts, Europa Europa, Canal (à), Reality TV e América Sports) ganhou espaço em todo o território. “Em 2010 se percebe que, após a grande recessão, as operadoras de cabo arriscaramse a reinvestir. E nós estamos sentindo isso. No Panamá, por exemplo, ganhamos acima de 70% do mercado com a entrada em operadoras como a Cable Onda, a Sky México e a Cable & Wireless. O elgourmet é o nosso

Sexy Tips com Alessandra Cosmopolitan TV

Doña Petrona por Narda Utilísima

melhor canal posicionado neste mercado”, diz Patricia Thompson, vice-presidente de Vendas Afiliados e Distribuição da Pramer. A performance do canal destinado ao conforto de vida é para destacar: cresceu 90% nos últimos cinco anos, superando 17,4 milhões de lares na América Latina. Sua distribuição na América Central faz destaque em todo o segmento de TV por assinatura. Os outros dois canais que ascenderam na consideração das operadoras de cabo são: o Europa Europa e o Cosmopolitan TV.

Patricia Thompson, Vice-presidente de Vendas Afiliados e Distribuição da Pramer

Com o elgourmet.com, sua principal espada no mercado, a programadora da Liberty Global já alcançou uma importante penetração na região. A presença pessoal e o sucesso de audiências para seus canais são fatores chave para alcançar a consolidação em um território historicamente difícil para a TV por assinatura.

Por Omar Méndez

Doc Martin Temporada 3 Film&Arts

O primeiro já ultrapassou 10 milhões de assinantes. O segundo está próximo a contar com 12 milhões de lares. “Temos muita satisfação com o Europa Europa. Também com o Film&Arts. Com o Cosmopolitan TV estamos comemorando o oitavo aniversário, com um crescimento de 7,5 milhões para 11,9 milhões entre 2005 e 2010”, assegura Thompson. O acordo mais recente por esses canais foi assinado com a companhia mexicana Megacable para o básico digital. A estratégia de dividir os feeds no norte da América Latina para o básico digital, gerando as possibilidades norte e sul, facilitou, principalmente, a contratação do elgourmet e do Cosmopolitan TV. Segundo Thompson, a estratégia regional implementada pela companhia foi muito importante. A presença pessoal em cada um dos mercados e o tratamento próximo com as operadoras rapidamente deram seus frutos. ttv

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TRADESHOW

BBC prepara Showcase no Rio A BBC Worldwide Latin America antecipa os conteúdos que vai oferecer aos canais de TV aberta e às programadoras da região e do mercado US Hispanic, na sétima edição de seu BBC Showcase Latin America.

N

o próximo dia 29 de agosto, a BBC Worldwide Latin America voltará ao Rio de Janeiro para abrir a sétima edição anual do BBC Showcase Latin America, com a programação mais destacada do grupo do Reino Unido. O convite de três dias -no JW Marriot do Rio- inclui todos os canais de TV aberta e programadoras da América do Sul e as do mercado US Hispanic. A vitrine da BBC terá 50.000 horas de programação de alta qualidade, com quase 2.000 horas de conteúdo em alta definição, 575 horas de programas em espanhol, e uma variedade de ofertas de conteúdos digitais. O catálogo tem o melhor em diferentes gêneros, dentre eles: infantil, comédia, drama, ciência e história natural. “A América Latina é um território essencial para a BBC Worldwide, onde tivemos um crescimento constante graças à equipe

How Earth Made Us (BBC Worldwide)

liderada por Helen Jurado. No evento deste ano queremos divulgar nossa última geração de conteúdos, que inclui thrillers de mistérios e o último em programação musical da BBC”, afirmou Matt Forde, VP executivo de Vendas e Distribuição da BBC Worldwide Americas. Os dramas destacados são os três seriados de mistério ‘Luther’ (6 x 60’), ‘Sherlock’ (3 x

90’) e ‘Wallander’ (3 x 90’), além do drama ‘Misfits’ (6 x 50’), dentre outros. No gênero comédia, destaca ‘Alan Carr: Chatty Man’ (Séries 1-4), entrevista ao famoso ator Alan Carr, reconhecido por seu humor ácido. Dentro do catálogo também encontramos ‘Mongrels’ (8 x 30’), um seriado em tom de comédia, audaz e para adultos. Por outro lado, a Unidade de História Natural apresenta a série ‘Human Planet’ (8 x 50’), um excelente retrato da humanidade e do poder da natureza. No gênero histórico, ‘Atlantis’ (1 x 90’) leva o telespectador para o ano 1.613 A.C., quando um vulcão gigante no Mar Egeu entra violentamente em erupção, causando o fim da primeira grande civilização da Europa. Baseada na evidência arqueológica mais recente, esta produção traz esta história de vida através dos olhos do povo minóico. No gênero ficção científica, a produção

Matt Forde, VP executivo de Vendas e Distribuição, e Helen Jurado, VP de Vendas e Distribuição para a América Latina, BBC Worldwide Americas ‘How Earth Made Us’ (5 x 50’) mostra como a geologia, a geografia e o clima tiveram uma influência decisiva na história da humanidade. Outro produto do catálogo, ‘The Science of Crime’ (13 x 50’), trata a história da ciência forense, da sua introdução até as últimas técnicas da vanguarda. A BBC Worldwide também vai oferecer uma seleção de títulos infantis, como a comédia teen ‘Wingin’ It’ (13 x 25’) e ‘Zingzillas’ (52 x 22’), uma série musical para criancinhas, com o grupo de música ZingZillas. O catálogo oferece uma verdadeira seleção de música de seriados e especiais. ‘Later... with Jools Holland’ sobressai no gênero por sua grande oferta de música ao vivo, sempre com celebridades convidadas. ttv

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EUA

BRASIL Globo realiza testes com tevês conectadas à internet A divisão de tecnologia da Rede Globo está realizando testes no Brasil com a intenção de oferecer os conteúdos da emissora em tevês com capacidade de conexão à internet. Segundo Fernando Bittencourt, diretor de Engenharia, trata-se de uma pesquisa meramente técnica e ainda não há um modelo de negócio desenvolvido. A aplicação -hoje em fase de testes- foi apresentada em São Paulo, utilizando uma tevê com conexão desenvolvida pela LG.

Produtores independentes vão produzir conteúdos para a Comcast e a NBC Universal O acordo alcançado pelas partes proverá uma nova programação para os canais de TV por assinatura de ambas as companhias como também para o canal de TV aberta da NBC. > por DIEGO ALEGRE A Aliança de Cinema & Televisão Independente (IFTA, por sua sigla em inglês), alcançou um acordo com a Comcast Corporation e a NBC Universal (NBCU) para prover oportunidades de programação independente nos canais abertos e por assinatura da NBCU, e nas plataformas VOD e online da Comcast Cable. O acordo realizado pelas companhias Comcast, General Electric Company e NBCU com a Federal Communications Commission (FCC), implica maior consideração para a programação de realities do prime time –scripted e nonscripted-, produzida por membros e não membros independentes da IFTA. A maior parte dos compromissos da NBCU poderão ser aplicados por um período de quatro anos a partir do 1 de junho de 2011, após a confirmação da aquisição da NBCU por parte da Comcast. Através deste acordo, as companhias criarão uma estrutura entre produtores independentes e a NBCU para facilitar o negócio. “A Comcast e a NBCU apresentaram esta proposta perante a IFTA, que acreditamos

tem o potencial para gerar oportunidades de negócios para produtores independentes que há muito tempo querem produzir para a televisão dos EUA”, indicou Jean Prewitt, presidente e CEO da IFTA.

Após a apresentação, que mostrou que emitir vídeos de baixa qualidade na tela de uma tevê é um assunto complexo, os responsáveis afirmaram que trabalham para garantir uma qualidade semelhante à dos conteúdos que a Globo emite. Da mesma forma, ficou demonstrado que através de uma transmissão pela internet com conexão de banda larga de 2Mpbs é possível alcançar uma qualidade semelhante à das emissões tradicionais. Bittencourt foi otimista sobre o desenvolvimento da pesquisa, e deu como exemplo o uso da tecnologia para catch up, sistema utilizado pelos usuários que desejam assistir programação já emitida. O executivo garantiu que este sistema também está sendo testado.

“Este acordo é o resultado do foco do congresso nas potenciais vulnerabilidades dos independentes nesta união e na necessidade de garantir que existem verdadeiras oportunidades para os produtores independentes nas plataformas Comcast/NBC. Enquanto não existam garantias anexas a este acordo, temos esperanças de que vai proporcionar oportunidades sólidas para trabalhar em conjunto entre produtores independentes, a NBCU/Comcast, e outras companhias de mídia integradas verticalmente que também vão se incorporar”, disse Prewitt. Por sua parte, Lloyd Kaufman, chairman da IFTA comentou: “Este acordo reconhece a importância da produção independente para mídia tradicional e nova, e a diretoria da IFTA está orgulhosa de ter aberto as portas para esta industria”. ttv

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EXECUTIVOS

Aliança estratégica A companhia de origem mexicana Comtelsat e a européia Grey Juice Lab confirmaram um acordo que determina o início de operações para oferecerem serviços VOD em toda a América do Sul.

Por Sebastián Amoroso

A

Comtelsat é uma empresa com mais de quinze anos de experiência no mundo da tecnologia, especializada na integração de soluções para venda, integração de plataformas, capacitação e suporte técnico de equipamentos e serviços relacionados com TV, telecomunicações, meios digitais e conteúdo de TV.

(Comtelsat) e de conteúdos (Gray Juice Lab). “Esta aliança estratégica entre a Grey Juice Lab e a Comtelsat para oferecer soluções chavena-mão de serviços VOD faz parte de um trabalho que viemos realizando há um tempo, no que denominamos uma oferta de TV 360º, uma oferta sem comparação na indústria da TV regional”, explica à todotv Said Schwarz, diretor geral da divisão Comtelsat Networks.

No entanto, a Grey Juice Lab é uma integradora global de conteúdos que atende todos os passos da cadeia de valor da adição de conteúdos, desde a administração de sublicenças de conteúdos de VOD dos estúdios de Hollywood e de proprietários independentes de conteúdos, até a codificação de metadata, processamento de ingest, armazenamento up to front, marketing e gestão editorial. A companhia lançou e administrou mais de 30 serviços de IPTV e VOD nos últimos dez anos, com decenas de clientes como companhias de telecomunicações e operadores de cabo como a UNE (Colômbia). A empresa tem oficinas em Londres, em Paris, em Miami, em Bahrein e em Kuala Lumpur.

Desde Londres, Mihai Crasneanu, CEO da Grey Juice Lab, disse à todotv que não existe no mercado uma empresa que ofereça uma solução chave-na-mão entre a tecnologia e o conteúdo. “O mundo de atrair o público à tecnologia é complexo. Nesse assunto, companhias como a Comtelsat são essenciais. Estamos no negócio como uma ponte entre o conteúdo e as operadoras. Em geral, estas operadoras não têm experiência ou nem sequer sabem como funciona o negócio VOD. A Grey Juice Lab lançou e opera 25 companhias com serviço VOD na Europa. Nós sabemos o que funciona e o que não. Além disso, temos uma longa relação com todos os fornecedores de conteúdos, desde os estúdios de Hollywood até produtores independentes”. A respeito da cadeia de valor, Crasneanu comenta: “Uma equação necessária para depois solicitar o conteúdo aos fornecedores.

Ambas as empresas se uniram dois meses atrás em uma aliança estratégica que complementa a oferta de tecnologia

Toda esta cadeia de valor leva entre três e seis meses de preparação”, diz o executivo. Recentemente, a Comtelsat realizou a integração completa para a Fox Sports, que incluiu a infra-estrutura e o equipamento de um estúdio para TV 360º. “É o único estúdio full HD, localizado no que eu chamo de MexiWood, onde também estão os estúdios da Televisa e da TV Azteca”, explica Schwarz. Além disso, a Comtelsat oferece suporte sincronizado para plataformas móveis -WebTV e celular- para que tanto as programadoras quanto as operadoras possam oferecer uma gama completa de experiências audiovisuais. “A penetração do celular na América Latina está em auge devido às condições geográficas do continente -montanhas, selvas, etc.- que os territórios como a Europa e os EUA não têm”. Esse é o motivo da alta aceitação destas tecnologias hoje em dia, e esta convergência não deve ser vista como concorrência. As telas continuam a ser o âmbito social das audiências. Porém, hoje somos consumidores móveis. Telas como as lançadas pela Apple, a BlackBerry ou a Hewlett-Packard fazem parte da evolução, um complemento da TV tradicional”, explica Schwarz.

Said Schwarz, Diretor Geral da divisão Comtelsat Networks e Mihai Crasneanu, CEO da Grey Juice Lab Por outra parte, a Comtelsat também continua fortalecendo a aquisição e a distribuição de conteúdos. “Hoje temos mais de nove canais: Milenio Televisión, Multimedios Televisión, Teleritmo, BabyFirst TV, Body Channel, Canal Antiestrés, Mi Música, Tu Cine, dentre outros. “Portanto, decidimos incorporar soluções para plataformas VOD, mas de uma forma diferente, porque trabalhamos com operadoras grandes e pequenas. Desta forma, alcançamos uma penetração ampla, trabalhando junto com Mihai Crasneanu e com toda a sua experiência, e aproveitando a solução VOD 360º, chave-na-mão, desenho e implementação de plataformas, set top boxes, CMS, DRM, BRM, CRM. A administração, preparação e integração da tecnologia com o conteúdo”, conclui Schwarz. ttv

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PRODUÇÃO ORIGINAL

Quatro colossos na lupa do > POR Omar Méndez

Infinito

Uma reportagem clássica realizada em base a uma viagem ao coração e aos intestinos dos quatro grandes países do mundo -em tamanho e quantidade de população-, é empreendida pelo canal da Turner Latin America sob o comando do jornalista argentino Jorge Lanata.

J

orge Lanata é um jornalista argentino reconhecido por ser um transgressor. Inventor de mídia jornalística conceitualmente original e conteúdos diferenciais em TV e rádio. Além de incansável escritor, Lanata ganhou fama de profissional crítico no país sul-americano. Foi justamente ele que interrogou sobre o fenômeno BRIC e sobre o futuro diferente que se projeta para o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, enormes em extensão territorial e supostamente decisivos na economia mundial por causa do tamanho de suas populações. O conceito BRIC foi criado em 2003, a partir do crescimento extraordinário de suas economias, que projetaram os quatro países como os dominantes para 2050. E, após revisar e concluir que existia muito a descobrir e revelar sobre o assunto, o jornalista entrou em ação: em primeiro lugar, Sergio “Gallego” Ramírez e a produtora Error, e, como destino, o Infinito. “O BRIC já está acontecendo: é um fenômeno atual. E eu vi que não existia nada feito com ele ou sobre ele. A liderança dos EUA está em crise, e há algo que une todos estes países, que os resgata da pobreza. Uma proposta original que gerou muito interesse no Infinito”, admite Lanata. Como todo empreendimento ambicioso, o projeto passou pelos filtros necessários no canal da Turner Latin America até obter a categoria de produção. “Entre a avaliação da ideia, e seu desenvolvimento, existe um lapso importante. O mais difícil é a aprovação, porque há muito dinheiro em jogo. Em maio de 2009 começaram as falas, e em setembro o projeto começou a adquirir forma. Finalmente, a produção teve seu ponto de partida em dezembro”, rememora Alicia Dayan, diretora de Programação e Operações. “A experiência tem sido excelente em todos os sentidos. Foi uma viagem intensa. Quatro meses passados sob temperaturas extremas, com a maioria da equipe adoecendo. Não foram viagens apenas às capitais. Foram visitas a sete cidades percorridas intensamente por toda a

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nossa equipe de produção. Cada um destes países foi mostrado de forma responsável, sem superficialidades”, comenta o jornalista. O resultado: dez documentários gravados completamente em HD. ‘BRIC’, o nome da produção financiada pelo Infinito, concebida como uma road movie, percorre o mundo de Varanasi a Londres, de Beijing a Moscou, e da Sibéria ao Amazonas. Em cada lugar visitado, Lanata indaga na história socioeconômica de cada uma das cidades, fala com protagonistas

Alicia Dayan, Jorge Lanata e Manuel Cuan, durante a presentação de ‘BRIC’

de cada território, combinando o gênero do reality com a análise socioeconômica destes quatro colossos. “Houve um investimento importante do Infinito, cerca de US$ 750 mil, algo só possível na TV por assinatura. Foi uma experiência totalmente positiva”, destaca Lanata. ttv

A NOVA EQUAÇÃO O Infinito tem percorrido um longo caminho como canal, baseado principalmente em documentários; de seu início, com conteúdos factuais convencionais, e a sua posterior reconversão na tela dos fenômenos paranormais e indescritíveis, à nova ancoragem em conteúdos de realidade. O canal continua baseado nos documentários e nas investigações, mas está aberto a outros gêneros com presença de realidade, como filmes, seriados e realities. “Historicamente, o Infinito tem sido um canal de muita produção própria. Essa era a sua característica: muita quantidade, sem reparar na qualidade. Hoje houve uma mudança que inverteu a equação: a prioridade é a qualidade”, afirma Alicia Dayan, uma histórica no canal. ‘BRIC’ é mencionada como exemplo de produção para a responsável de Programação, mas também outros títulos futuros: “Proximamente vamos estrear três documentários. ‘Los Secretos del General Perón’, realizado com a Cinema 7; ‘LAPA’, com a Ánima Films; e ‘Sicarios’, também com a Ánima. Todas estas produções são originais do Infinito, pagamos 100% da produção. Em 2011 vamos estrear ‘Conspiración’, provavelmente em fevereiro. Buscamos cuidadosamente no mundo os melhores documentários. Temos verba, e procuramos a excelência”, assegura.


todotvnews

HIGHLIGHTS

INVESTIMENTO PUBLICITÁRIO

EUA: o gigante de sempre Um estudo recente da ZenithOptimedia revela que os EUA melhoram as suas previsões de crescimento no investimento publicitário. Por outro lado, piora a situação na Espanha e os números despencam na Europa Central e do Leste. As perspectivas são melhores para o resto do mundo. > POR Dino Cappelli Os presságios para a Espanha em matéria de investimento publicitário contrastam com as melhores previsões de crescimento médio do faturamento para todo o mundo, que agora é de 3,5% -superior a 2,2% em comparação com três meses atrás- e também para a Europa Ocidental, com uma previsão de alta de 2,2%, em lugar de 0,4% precedente.

“O único mercado que não temos melhorado é a Espanha, um dos mercados mais vulneráveis da zona do euro”. Apesar disso, o relatório confia em que as despesas em anúncios na Espanha apresentará números positivos em conjunto no próximo triênio, o mesmo que em toda a Europa Ocidental: 2,6% de incremento para 2011 e 3,4% para 2012.

Os dados pertencem à ZenithOptimedia, que divulgou publicamente novos números para o mercado espanhol. “As previsões para a Europa Ocidental têm melhorado, apesar das preocupações existentes sobre a dívida da zona do euro, causadas pelo desejo de investir demonstrado pelos anunciantes durante o primeiro semestre de 2010”, determina o relatório apresentado pela Servimedia.

Quem parece levar os mercados no caminho da recuperação é o gigante de sempre, os EUA. Essa porção da América aumenta 1,3% em comparação com 1,5% anterior e a Europa Ocidental também contribui, onde “o investimento publicitário tem sido mais forte do esperado durante o primeiro semestre”, conforme este relatório. No outro extremo, a Europa Central e a Europa do Leste estão sofrendo com a crise mais do que qualquer outra região: têm perdido 24,6% do investimento publicitário em relação a 2009. Por outra parte, referente aos meios que levam a maior vantagem do investimento publicitário, a TV leva 40,8% do investimento mundial total, pouco mais de 39,2% do ano passado. Por outro lado, a internet continua com seu crescimento em sua participação no mercado publicitário global, passando de 10,5% em 2008 a 12,7% em 2009, e é esperado que para 2012 represente 17% do total do investimento publicitário. ttv

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Playboy TV e Venus, agora em HD para LatAm e Portugal O mercado ibero-americano de HDTV continua aumentando, agora em um segmento cada vez mais demandado na região: os conteúdos para adultos. A Claxson anunciou o lançamento de novas plataformas de conteúdos em VOD HD dos seus canais líderes em entretenimento para adultos, Playboy TV e Venus. A primeira operadora de cabo a estrear os dois canais na América Latina foi a Cablevisión do México, em 1º de agosto, como parte de seu plano de ampliação da oferta HD. Em simultâneo com o acordo exclusivo para a América Latina, foi lançado o VOD-HD nas operadoras portuguesas Portugal Telecom e Zon. Segundo a Claxson, a programação HD totaliza 50 estréias com 75 horas mensais, “o que inclui uma minuciosa seleção de títulos da Playboy TV e Venus, em lançamento exclusivo para VOD”. Entre os segmentos que os usuários podem escolher há material categorizado segundo as preferências dominantes, entre eles estréias, amadores, fetiches, fantasias e étnicos. “Procuramos um modelo de negócios cada vez mais segmentado, e sabemos como fazê-lo; há 15 anos que o demonstramos com conteúdos para adultos. Estamos muito entusiasmados com este lançamento que nos permitirá oferecer mais benefícios, tecnologia, estar na vanguarda e que os usuários desfrutem da programação escolhida com uma ótima resolução e qualidade de imagem”, indicou Fernando Adad, diretor comercial do Playboy TV e Venus. Para implementar o novo serviço de conteúdos do Playboy TV e Venus em VOD HD, a Claxson está trabalhando junto à DLA, principal companhia de desenvolvimento e distribuição de soluções de entretenimento para plataformas digitais na América Latina e o Caribe.



TODOTV | Nº 55 | 2010 | AGO | ABTA