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EMERGENTE

MANUELA ARAÚJO CEO da Lemar

A MODA SEMPRE FOI A GRANDE PAIXÃO DE ISABEL MIRANDA

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“NÃO ABDICO DA MINHA MARGEM” P 20 A 22

P 33 PERGUNTA DO MÊS

ESTÃO AS LOJAS FÍSICAS CONDENADAS A DESAPARECER? P4E5

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DIRETOR: MANUEL SERRÃO MENSAL | ASSINATURA ANUAL: 30 EUROS

DOIS CAFÉS & A CONTA

JOSÉ CARDOSO ESTÀ HABITUADO A COMEÇAR DO ZERO

FOTO: RUI APOLINÁRIO

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HEIMTEXTIL

EXPORTAÇÕES

COMEÇAR O ANO COM O PÉ DIREITO EM FRANKFURT

2017 FOI O MELHOR ANO DE SEMPRE

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CORTE&COSTURA

EDITORIAL

Por: Júlio Magalhães

Por: Manuel Serrão

Isabel Veríssimo 47 anos Fundadora da Illuminati, marca de vestuário de golf que nasceu em 2011 e não pára de crescer. Tanto que já lhe ocupa boa parte do tempo que divide com as representações têxteis, a que se dedica desde os 17 anos. Conheceu o companheiro no golfe (“organiza torneios há mais de 30 anos”), mas os trails pedestres, caminhadas, ioga e ginásio ocupam-lhe os tempos livres.

MÃOS AO TRABALHO Mãos ao trabalho que a festa continua. Mãos ao trabalho para a festa poder ser contínua. Foi bonita a festa pá, fico contente, é o verso de uma canção antiga de Chico Buarque, um dos cantautores brasileiros de que mais gosto . Para a Selectiva Moda e o Modtissimo , o ano passado foi de festa, com muitas comemorações em que o T também colaborou alegremente. Acabado esse ano de graça de 2017, volta o trabalho, já sem festas, em 2018? Como os nossos queridos leitores já suspeitarão, a vida, como a moda, nunca é a preto e branco e muito menos, só branco ou só preto. Se em 2017 as festas deram muito trabalho e aconteceram no meio de muito trabalho, também em 2018 vai haver tempo para trabalho, muito trabalho, mas sem nunca perder o foco nas realidades e nos números que é preciso festejar. Logo no início do ano tivemos a super notícia, que o T digital comunicou on time, da confirmação de um novo recorde absoluto nas nossas exportações têxteis. Ainda que não tenha sido uma surpresa, porque já tudo indicava essa façanha antes de saírem os números de Dezembro, continua a ser um bom motivo de comemoração. Mãos à obra, que a festa continua, é pois um lema que a ITV conhece bem, porque está no seu ADN ser muito mais formiga que cigarra. t Como se lembrou de investir no golfe como desporto para consumir os seus polos? Foi uma ideia que me surgiu na GolfFair em Munique; onde rodeada de produtos inovadores para a prática de golfe, quis apostar e criei a marca Illuminatigolf.

crescimento significativo em Portugal.

Escolheu o V como símbolo para a ajudar a sair vitoriosa dessa aposta? Sim, com certeza. O V de Vitória, também de Vencer e Vingar com a marca no mercado do golfe.

Qual é a importância dos têxteis técnicos no desenvolvimento dos seus produtos? É fundamental, pois é o ADN dos nossos produtos.

Já começou a exportar? Para quando uma estratégia forte de internacionalização? Ou o mercado interno para si já chega? Sim, para Espanha, França e Suíça. Estamos já em negociações com o mercado do Médio Oriente (Dubai). Mas o mercado interno é extremamente importante para nós, pois o golfe tem tido um

Tem experimentado falta de mão-de-obra especializada ou esse problema ainda não a aflige? De momento temos uma equipa que corresponde às nossas exigências técnicas e de qualidade.

Expôs recentemente pela primeira vez no Modtissimo. Foi uma boa experiencia ou não pensa em repetir a presença? Foi sem dúvida uma experiencia muito enriquecedora, pois permitiu que apresentássemos os nossos produtos a um vasto leque de visitantes. Claro que queremos repetir a presença. Modtissimo sempre! t

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- MENSAL - Propriedade: ATP - Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal. NIF: 501070745 Editor: Paulo Vaz Diretor: Manuel Serrão Morada Sede e Editor: Rua Fernando Mesquita, 2785, Ed. Citeve 4760-034 Vila Nova de Famalicão Telefone: 252 303 030 Assinatura anual: 30 euros Mail: tdetextil@atp.pt Assinaturas e Publicidade: Carolina Guimarães Telefone: 969 658 043 - mail: cg.tdetextil@atp.pt Registo provisório ERC: 126725 Tiragem: 4000 exemplares Impressor: Grafedisport Morada: Estrada Consiglieri Pedroso, 90 - Casal Santa Leopoldina - 2730-053 Barcarena Número Depósito Legal: 429284/17 Estatuto Editorial: disponível em: http://www.jornal-t.pt/estatuto-editorial/ PROMOTOR

CO-FINANCIADO


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n PERGUNTA DO MÊS Texto de Raposo Antunes

ESTÃO AS LOJAS FÍSICAS CONDENADAS A DESAPARECER? Nem preto nem branco! Tal como a realidade é feita de múltiplos matizes, também o futuro do comércio têxtil há-de ser uma sábia combinação entre o online e as lojas físicas. As mudanças estão, no entanto, aí. O crescimento do comércio electrónico é exponencial, mas isso não significa a morte das lojas, coincidem empresários e especialistas. O futuro, dizem, é a complementaridade entre os canais de venda, físicos e online. Ou seja, há um novo palavrão que a ITV tem que se habituar a pronunciar: omnicanalidade

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“Mais do que um posto de venda, as lojas online são um showroom”

“O futuro passa pela junção online e offline através de estratégias omnichanel”

PAULO COELHO LIMA CEO DA LAMEIRINHO

ANA CRAVO FUNDADORA DA MINTY SQUARE

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inguém tem dúvidas que as lojas físicas não estão condenadas a desaparecer mesmo com o crescente papel que o comércio electrónico tem vindo a ocupar nas vendas de vestuário e de têxteis lar. O futuro próximo passará assim por uma maior atenção dos players da ITV ao e-commerce, através das lojas online e também das redes sociais como o Facebook e o Instagram, mas sempre com os pés assentes na terra, ou seja em conjugação com as lojas de retalho tradicionais, a chamada omnicanalidade. “Não cabe a mais mínima dúvida que o retalho físico não desaparecerá”, garante Daniel Agis, um expert em retail que trabalha internacionalmente e que já produziu estudos sobre este assunto para a ATP. A perspectiva deste especialista não difere muito dos proprietários de diversas marcas ouvidas pelo T Jornal e mesmo de empresas que já se dedicam em exclusivo às vendas online, como é o caso da plataforma Minty Square. Daniel Agis considera que o comércio de vestuário e de têxteis “está, isso sim, a atravessar mudanças estruturais, que se acentuarão nos próximos anos, mudanças essas que transformarão a função do ponto de venda”. No trabalho intitulado Retail 3.0, que realizou para a ATP em 2012, este especialista apontou um previsível redimensionamento, com a perda de cerca 20% do espaço comercial (Europa e EUA), assim como a previsível crise de alguns formatos como as department stores. “Cinco anos depois cifras semelhantes (25%) são divulgadas nos estudos do Credit Suisse, e todos conhecemos a severa crise que atravessam as department stores de empresas norte-americanas”, observa. É por isso que Daniel Agis entende que, “na realidade, o futuro é a omnicanalidade”, ou seja

a complementaridade dos canais físicos e online. “A omnicanalidade é muito mais que o click & collect hoje praticado pelos principais retailers. A omnicanalidade real encontra-se numa fase embrionária, sendo de certa forma aspiracional”, explica. Mas este especialista garante que “não há dúvida que a omnicanalidade será o centro de todas as estratégias nos próximos anos”. Com uma ou outra nuance, a perspectiva das empresas não é substancialmente diferente da deste especialista em retail. Artur Soutinho, CEO do grupo MoreTextile, observa que “o e-commerce não vai substituir integralmente as lojas físicas, mas já está a substituir algumas”. Diz mesmo que “o grande crescimento das vendas vai ser no online, o que obriga as empresas a investirem muito no serviço pós-venda”. Como exemplo da importância dos serviços pós-venda, Soutinho conta um pequeno episódio que ele próprio viveu: “Aqui há uns anos, apaguei sem querer a minha biblioteca de músicas no iTunes. Contactei a Apple, relatando-lhes o que me tinha acontecido. Apesar do erro ter sido meu, restituíram-me as músicas. E nos 15 dias seguintes fui várias vezes contactado, a perguntarem-me se tinha ficado satisfeito e se precisava de mais alguma coisa. É esta eficiência no serviço pós venda que nos faz sentir como ‘o cliente’ no meio de milhões deles”. A MoreTextile, o maior grupo português de têxteis lar com um volume de negócios de 70 milhões de euros, abriu há um ano e meio uma loja online da sua marca Home Concept - que, de acordo com o CEO, “tem cumprido a sua dupla função de instrumento de vendas e de marketing” - e também está presente nos maiores market places do mundo, como a Amazon. A perspectiva de Paulo Coelho Lima, CEO da Lameirinho, vai ao encontro das ideias expressas tanto por Daniel Agis como

por Artur Soutinho. “O online não vai acabar com as lojas físicas - vai complementá-las”. “Vivemos numa época em que todos os canais de distribuição se fundem num só. O cliente vê o produto na loja e compra em casa. Vê em casa, no e-commerce, e depois vai comprar na loja. Compra online e vai buscar o produto à loja física. Todas estas e outras modalidades convivem - e no futuro ainda vão conviver mais”, explica. Paulo Coelho Lima aponta, porém, mais um raio de acção para as lojas online: “Mais do que um lugar, mais do que um posto de venda, as lojas online são um showroom, uma ferramenta essencial para, nos nossos dias, uma empresa comunicar”. A Lameirinho tem, há quatro anos, uma loja online que vende para toda a Europa, está nas principais plataformas mundiais de e-commerce (como a Amazon e a La Redoute) e já garantiu a sua presença no market place que a Worten está a ultimar. Rui Maia, international business manager da empresa Têxtil Cães de Pedra, proprietária da marca Lions Of Porches, também considera que as lojas físicas “não estão condenadas a desaparecer”. De facto, diz, o canal online tem crescido exponencialmente e Portugal não é excepção. “Vemos isso pela nossa empresa - as vendas deste canal têm tido grande crescimento ao longo dos últimos anos , representando hoje uma importante percentagem das nossas vendas ”. No entanto, segundo Rui Maia, as lojas físicas serão sempre a referência e o ponto de atratividade que acaba depois por levar os clientes a comprar online. “Têm um atendimento personalizado com sugestões e coordenados complementares que leva ao cliente uma satisfação e conforto que são impossíveis de proporcionar no canal online”. E, para concluir, profetiza: “O canal físico interage com o online e ambos têm o seu espaço e têm futuro, já que se complementam”.


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“Os dois conceitos não são estanques, são realmente e cada vez mais complementares”

“O e-commerce não vai substituir todas as lojas físicas, mas já está a substituir algumas”

“A omnicanalidade será o centro de todas as estratégias nos próximos anos”

“O canal físico interage com o online e ambos têm o seu espaço e têm futuro, já que se complementam”

JOSÉ CARDOSO ADMINISTRADOR EXECUTIVO DA O SEGREDO DO MAR (OSDM)

ARTUR SOUTINHO CEO DO GRUPO MORETEXTILE

DANIEL AGIS BUSINESS RETAIL EXPERT INTERNACIONAL

RUI MAIA INTERNATIONAL BUSINESS MANAGER DA TÊXTIL CÃES DE PEDRA

Ana Cravo, fundadora da Minty Square, uma empresa que se dedica em exclusivo às vendas online, vai ao encontro da perpectiva de Daniel Agis, afirmando que “acredita que o futuro passa pela junção destes dois motores, online e offline, através de estratégias omnichanel (omnicanalidade)”. Não deixa, no entanto, de assinalar que “cada vez mais se assiste ao posicionamento online de diversos players, permitindo que uma série de novos concorrentes se desafiem”. “Face a este crescimento, muitas marcas estão a adoptar uma estratégia offline, construindo uma rede de lojas pop-up, showrooms e parcerias com grandes gigantes offline como forma de expandir o seu raio de ação”, descreve. Isto porque na moda, ver, tocar e experimentar os produtos antes de comprar é muito importante para alguns consumidores. “E, embora a experiência online tenha melhorado nos últimos anos, replicar a sensação de interação com o produto em loja física, torna-se impossível”, diz. Esta fun-

dadora da Minty Square acredita assim que “o mercado online vai continuar a ganhar expressão e as lojas físicas terão de aceitar a mudança, redefinindo a sua estratégia, adaptando-se à era digital”. E prevê mesmo que “as que não se adaptarem não sobreviverão”. José Cardoso, administrador executivo da empresa O Segredo do Mar (OSDM), considera que “existe um certo dramatismo” quando se fala na condenação do retalho físico e interroga-se se a verdadeira razão será apenas o veloz crescimento das vendas online. “Os factos são recentes e precisamos de tempo para confirmar as nossas opiniões”, diz. Esta empresa de design e produção global sedeada no Porto, que dispõe de dez designers e doze unidades de produção e trabalha para clientes como a Inditex e El Corte Inglès, lida já com as duas realidades. “Temos o crescimento dos operadores de vendas online que, segundo nos dão a entender, projectam também o seu crescimento expandindo a sua capacidade de distribuição para o retalho, acrescentando inovação com operações de fornecimento mistas a que hoje chamamos de omnicalidade. Aprendemos que os conceitos de distribuição não são estanques, são realmente cada vez mais complementares”, explica o CEO da OSDM. E a novidade, diz, “é que em 2017 o nosso top de clientes para as marcas próprias é partilhado entre grandes operadores offline e online, isto sem uma percetível canibalização de mercado”. Conclui, por isso, que “existirem múltiplos segmentos que podem ser repartidos, entre novos clientes, habituais, locais e distantes, de tal forma a amplitude é grande que estes limites não estão balizados”. t


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DOIS CAFÉS & A CONTA Gaveto

Rua Roberto Ivens 826 4450-250 Matosinhos

FOTO: RUI APOLINÁRIO

Entradas: Camarão de Espinho Prato: Robalo grelhado Bebidas: Vallado branco, água e cafés

UMA VIDA TIPO MONTANHA RUSSA Na sucessão de chegadas e partidas que é a vida, José Cardoso não se perdeu pois nunca perdeu de vista o destino final. “Estou habituado a aventuras. A ter de começar do zero”, declara, olhando pelo retrovisor uma carreira com altos e baixos, tipo montanha russa, mas povoada por pessoas e acontecimentos extraordinários. A princípio foi sempre a subir. No dealbar dos anos 90, teve um primeiro emprego de sonho a viajar pelas capitais da moda, Paris, Milão, Florença...,

apanhando no ar as tendências da moda - para depois as apresentar aos empresários têxteis. A seguir, esteve durante meia dúzia de anos embarcado na trepidante aventura Boxer Shorts/Throttleman que pôs os portugueses as trocar as cuecas slip por boxers. “Foi uma experiência fantástica, em que desbravamos terreno na construção de uma marca portuguesa e abertura de uma cadeia de lojas internacional. Fomos os primeiros a fazer franchising”,

JOSÉ CARDOSO

50 ANOS CEO OSDM (O SEGREDO DO MAR) A mãe trabalhava numa fábrica de calçado em Vila do Conde e o pai tinha lojas de artigos de decoração. Quando andava na primária (escola de S. Vicente de Paulo), ambicionou ser médico, “uma profissão segura”. Como tinha jeito para o desenho, durante o secundário (feito no Rodrigues de Freitas) pensou ir para Arquitetura. Mas, quando chegou a hora de escolher, uns amigos falaram-lhe de um curso novo de Design de Moda no Citex - e ele gostou do que ouviu. “Foi muito intenso, cargas horárias muito fortes, mas gente muito interessante”, recorda, avaliando o curso dirigido por Helena Matos. Começou no Departamento de Moda da Anivec uma carreira tipo montanha russa, com escalas venturosas (Throttleman e Riopele) e um negócio traumático (Kelme) que o levou a recomeçar tudo do zero, em 2013. É casado com uma juíza (“a minha mulher é brilhante, eu sou apenas um tipo esforçado”) de que tem dois filhos, a Sofia, 16 anos, e Diogo, 14.

recorda José Cardoso, que se ocupava não só do desenho das peças mas também das compras. Voltou a ter de começar tudo do zero (“no início era uma sala com um telefone no meio”) na terceira escala da sua carreira, o projeto Riopele Fashion Solutions, que consistia na prestação de serviço de confecção aos clientes da histórica empresa de Pousada de Saramagos. Foi um galego e antigo diretor comercial da Camper - de seu nome Javier Guerra e que conhecera e fizera amizade enquanto CEO na Throttleman- que em 2004 o desencaminhou para a nova aventura de se tornar empresário. “O Javier tinha comprado a licença da marca El Niño a uns surfistas de Tarifa e desafiou-me a ser sócio dele. Fazíamos a colecção e eu encarregava-me de colocar a produção em fábricas portuguesas”, conta a propósito do início de um negócio que rapidamente ganhou velocidade e dimensão, atingindo as 20 lojas próprias, 190 pontos de venda no El Corte Inglés e 700 clientes multimarca. Até que em 2009, Javier e José acharam que a melhor maneira de resistir à crise mundial era aceitar uma proposta de fusão com o grupo Kelme - ficando em minoria. Foi-se a ver e estavam errados. “Foram anos traumáticos”, resume José Cardoso, explicando por que é que, em 2013, ele e o seu sócio espanhol decidiram recomeçar tudo de novo, com a OSDM (O Segredo do Mar). “O nosso capital era a boa impressão que tínhamos deixado na memória dos fornecedores e clientes”, explica. Pois esse capital chegou para voltarem a ter a cabeça bem fora de água. No ano de arranque, faturaram 1,2 milhões de euros. No entretanto, resgataram a marca El Niño, acrescentaram-lhe a Ewa & Me (para raparigas teenagers) e a Holas (fatos de banho), e o volume de negócios cresceu para os 20 milhões de euros com que a OSDM (40 pessoas, entre criativos, comerciais, financeiros e controladores) fechou o último exercício. “Só vendemos produtos que desenhamos. E colocamos mais de 85% em Portugal. Dá prazer trabalhar com as fábricas portuguesas. Surpreendem não só pela qualidade mas também pela velocidade com que fazem as coisas”, conclui José Cardoso, um empresário que sabe que os rios correm para o mar - de que ele conhece o segredo :-). t


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2. XAVIER LEITE MOSTRA AO MINISTRO UMA ALMOFADA FEITA COM FIO DE CORTIÇA, UMA DAS NOVIDADES QUE A PENEDO LEVOU A FRANKFURT

FOTOSINTESE

ENTRAMOS NO ANO NOVO COM O PÉ DIREITO Primeira grande feira do ano, a Heimtextil funciona como uma espécie de sismógrafo que permite avaliar com bastante rigor como vão correr os negócios nos 12 meses seguintes. Se este indicador avançado não nos enganar, 2018 ainda vai ser melhor que 2017, o ano em que a nossa ITV bateu o recorde absoluto das exportações. “As perspectivas para 2018 são bastante animadoras. Ouvi muito boas notícias sobre o crescimento das encomendas em mercados extra-comunitários como o Canadá, EUA, Japão e Coreia do Sul”, conclui o ministro da Economia, Caldeira Cabral, que visitou a Heimtextil pelo terceiro ano consecutivo

1. À HORA EM QUE A HEIMTEXTIL ABRIU, LÁ ESTAVA CALDEIRA CABRAL NO STAND DA GUIMARÃES MARCA, A FAZER A FOTO DE GRUPO ANTES DE INICIAR A VISITA

6. OS PRODUTOS EM EXPOSIÇÃO NOS STANDS DAS 83 EMPRESAS PORTUGUESAS DESPERTARAM MUITO INTERESSE

7. ALBANO COELHO LIMA (LAMEIRINHO) USAVA UMA CAMISA COM TECIDO SOMELOS QUANDO RECEBEU O MINISTRO. PAULO MELO, PRESIDENTE DA ATP, CERTIFICOU-SE DISSO ;-) 11. O FÓRUM DE TENDÊNCIAS, PROMOVIDO PELA SELECTIVA MODA, É UM MUST DO PAVILHÃO 11

12. NÖEL FERREIRA EXPERIMENTA O SOFÁ AQUECIDO, UMA DAS NOVIDADES QUE A A. FERREIRA LEVOU A FRANKFURT


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4. “ITÁLIA É O MEU MELHOR MERCADO. ESTOU NA CASA DO INIMIGO”, CONTA SIMÃO GOMES (SAMPEDRO) AO MINISTRO DA ECONOMIA E A JOÃO GOMES, EMBAIXADOR DE PORTUGAL EM BERLIM

3. A HORA DE PONTA NUMA HEIMTEXTIL QUE CONTOU COM 2 795 EXPOSITORES E 70 MIL VISITANTES DE 135 PAÍSES

5. “ISTO ATÉ PARECE UM LOJA DA 5ª AVENIDA!”, DECLAROU CALDEIRA CABRAL À ENTRADA DO STAND DA CARVALHO. “COM UM AR MAÇÓNICO…”, IRONIZOU FRANCISCO XAVIER APONTANDO PARA O CHÃO. “O QUÊ?! TAMBÉM VENDEM AVENTAIS?”, REMATOU O BEM HUMORADO MINISTRO

8. A MANTA DE PRAIA XXL, QUE ACOMODA, NA BOA, TRÊS OU QUATRO PESSOAS, FOI UM DOS GRANDES SUCESSOS DE ENTRE AS MUITAS NOVIDADES QUE A MORETEXTILE APRESENTOU EM FRANKFURT

9. “VOU A PORTUGAL EM NEGÓCIOS DE SEIS EM SEIS SEMANAS”, CONFIDENCIOU O BARBUDO COMPRADOR AMERICANO DA INUP

13. “A DOMINGOS SOUSA É A MELHOR TÊXTIL DO MUNDO”, GARANTIU AO MINISTRO UM CLIENTE FINLANDÊS, QUE ACRESCENTOU UM PIROPO A FÁTIMA SOUSA: “SE NÃO FOSSE CASADO NA FINLÂNDIA CASAVA-ME EM PORTUGAL”

14. PARA UM EMPRESÁRIO DE TÊXTEIS LAR HÁ TRÊS COISAS INEVITÁVEIS NA VIDA: PAGAR IMPOSTOS, MORRER E IR À HEIMTEXTIL


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A MINHA EMPRESA Renaitex

Rua Padre Américo Dias Pereira 122 4520-028 Escapães

Trabalhadores 2 Volume de negócios 650 mil euros Atividade Produção e comercialização de sacos cama, almofadas e mantas Marca própria DolceCasa Principais mercados Portugal, Espanha, França, Angola, Moçambique e Cabo Verde

O SONHO GUESS DE JENNIFER LOPEZ Era um sonho que acalentava desde a adolescência e que vê agora também como “um tremendo elogio”. Aos 48 anos, Jennifer Lopez faz história ao tornar-se na Guess Girl mais velha de sempre, depois de Claudia Schiffer ter feito a campanha do 30º aniversário da marca aos 41 anos, em 2012.

EXPORTAÇÃO DÁ MENÇÃO HONROSA À VALÉRIUS A Valérius recebeu uma menção honrosa na categoria PME Exportadora de Bens Transaccionáveis, nos prémios de exportação atribuídos numa iniciativa conjunta do Novo Banco e do Jornal de Negócios. Com sede em Barcelos, a Valérius exporta a totalidade da sua produção, fazendo um volume de negócios anual de 38 milhões de euros e tendo na carteira de clientes marcas como a H&M, Coach, Moschino e Max Mara.

200 mil milhões Love story No princípio era quase uma brincadeira - quando muito um biscate. Depois de se terem apaixonado um pelo outro, Liliana Kakakis (uma brasileira de ascendência grega que trabalhava no escritório da Varig no Recife) e Fernando Miller (um português, ex-atleta de andebol do FC Porto, onde foi treinado por António Cunha), na foto, apaixonaram-se pelas rendas e pela fábrica pernambucana Renaissance - e começaram a trazê-las para o lado de cá do Atlântico. As vendas começaram logo a correr tão bem que o biscate virou negócio, com Liliana e Fernando a fundarem a Renaitex (Renai de Renaissance e tex de têxtil) no dealbar dos anos 90, uma empresa que iniciou a atividade em Vale de Cambra e cedo sentiu a necessidade de ir além da mera importação e passar a ter confecção própria. “Logo no início deu tudo certo”, recorda Liliana, a propósito dos primeiros anos de vida da empresa que nasceu fruto da sua história de amor com Fernando, um casal que se complementa - ela olha pelo design, ele encarrega-se da parte administrativa. Claro que num percurso de 27 anos, a vida da Renaitex não foi linear, nem sempre a subir. “Aqui há uns dez anos, a crise atrapalhou-nos bastante. Tivemos que reduzir pessoal para aguentar com a cabeça fora de água”, recorda Liliana. A partir das rendas foi diversificando e ampliando a oferta para toda a gama de produtos de têxteis para o lar, em especial sacos cama para edredons, fronhas e mantas, equipou-se com uma marca própria (DolceCasa) e, mais recentemente, mudou o seu centro de gravidade de Vale de Cambra para no-

vas e mais modernas instalações em Escapães, Feira. A subida na cadeia de valor e a prudência são os fios condutores desta evolução da Renaitex, também marcada pela preocupação permanente em atenuar a exposição ao mercado interno e desbravar novos mercados extra-comunitários como, por exemplo, Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Rússia. “Não entramos na guerra do preço. O barato é coisa fraca. Nós oferecemos qualidade. O nosso forte são os bons acabamentos”, explica Liliana, acrescentado que além do produto 100% algodão, a oferta da sua empresa distingue-se também pelos veludos, bem mais difíceis de costurar. A Renaitex quer diferenciar-se da concorrência não só pela qualidade dos tecidos e dos acabamentos, mas também pelo fator moda. “É fundamental acertar na tendência. Para isso, é preciso andar sempre com os olhos bem abertos ao que se passa à nossa volta e aos formadores de tendências”, alerta Liliana. Crescer é um objetivo mas não uma obsessão para esta empresa, que aprendeu com a crise a ser muito prudente. “Há muita procura, mas os tempos são bem mais difíceis e exigentes do que quando começamos. Temos de ter muita cautela quando nos aparecem com encomendas grandes. Se nos pedem cinco mil sacos camas, nós só ficamos com o pedido se aceitarem que a façamos de forma faseada, por exemplo com uma primeira entrega de 1 500 no prazo de um mês”, conclui Liliana Kakakis, uma das duas caras metade da Reinatex, empresa que está com um olho no segmento da hotelaria, mas não quer dar passadas maiores do que a sua perna.

de euros é quanto valerá o mercado mundial de moda infantil, de acordo com um estudo citado pelo Observador, que estima em 60 mil milhões o valor do mercado europeu deste segmento

BOMDIA FAZ COM PIZARRO TOALHA QUE DÁ LUZ Uma toalha de mesa que na penumbra se ilumina criando um ambiente intimista é a estrela da coleção 2018 que a BomDia apresentou na Heimtextil, subordinada ao conceito “atrair o exterior para o interior”. Desenvolvida em parceria com a Pizarro, que contribuiu com a estampagem que dá o elemento de luz, a toalha surpreende também pela leveza do seu toque. “De dia, aprecia-se o seu design moderno. À noite, no escuro, desfruta-se da suavidade da sua luz”, descreve Laura Carvalho, diretora geral da BomDia.

"Não temos de ser humildes para sempre. Por que é que nós, se produzimos bem, temos receio de colocar um preço como deve ser no mercado? Senão somos colocados entre os turcos e os italianos. E o que queremos? Subir, ultrapassar ou ficar neste limbo?" Paulo Melo Presidente da ATP


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SP. DE BRAGA ADERE À BEDATTITUDE O Sporting de Braga tornou-se parceiro do projeto Bedattitude, promovido pela Creative Zone, que permite a qualquer criança personalizar a fronha e o saco cama em que dorme com desenhos seus – ou por si escolhidos. Um/a fã pode assim personalizar a sua roupa de cama, dormindo com a cabeça encostada a uma fronha com a sua foto no lugar da cara da mascote do clube e identificada com o seu número de sócio/a – e ainda decorar o saco cama com a imagem que achar mais ilustrativa da paixão que tem pelos guerreiros do Minho.

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"Acho que a marca Portugal vai valer cada vez mais. Sobretudo quando chegar ao mainstream que os chineses andam a comprar fábricas em Itália" Miguel Pedrosa Rodrigues Administrador da Pedrosa & Rodrigues

CHANEL NÃO QUER VENDER ONLINE Bruno Pavlovsky, executivo da Chanel, revelou que o comércio electrónico não está nos planos desta marca francesa. “Se dermos tudo a toda a gente de uma vez, perdemos exclusividade,” explicou, numa conferência organizada pela Vogue Paris. “Não estou a dizer que não vamos tentar um dia, mas se o fizermos é porque achamos que [o e-commerce] vai trazer algum valor acrescentado”, acrescentou Pavlovsky na conferência.

BICHO DA SEDA E LINHO NO PARQUE DA DEVESA

A Piupiuchick vai passar a olhar não só para as crianças, mas também para os jovens adolescentes até aos 14 anos

PIUPIUCHICK À CONQUISTA DOS JOVENS ADOLESCENTES Os adolescentes passaram a estar debaixo do olho da Piupiuchick que na sua coleção para a próxima temporada quente já inclui peças para jovens com idades até aos 14 anos. A marca, criada há cinco anos pelas manas Pimentel (Mariana e Inês) e a amiga comum Marta Machado Moreira, está também a alargar o âmbito da sua oferta ao homewear. A primeira coleção da Piupiuchick foi lançada em janeiro de 2012 - apenas online e dirigida ao escalão etário 0-8 anos – e teve logo um enorme sucesso. “O lançamento correu super bem. Em três semanas, a coleção estava toda vendida. E ao cabo de um mês, já tínhamos mais de 11 mil seguidores no Facebook”, conta Mariana Pimentel, 39 anos, a engenheira ambiental que se ocupa do retalho, marketing e planeamento de produção da Piupiuchick.

Nascida com o código genético de ser uma marca de moda infantil 100% made in Portugal, divertida e com qualidade, a Piupiuchick debutou com as vendas limitadas ao comércio eletrónico e no seu essencial concentradas no mercado interno, mas no entretanto esta situação tem vindo a inverter-se. “Portugal começou por representar 98% das nossas vendas, mas actualmente o seu peso ronda apenas os 15%”, conta Mariana, que fez o essencial da sua carreira na área da inovação (Sociedade Portuguesa de Inovação e Inogate) antes de se virar para os trapos. Espanha e os Estados Unidos são os principais mercados da Piupiuchick, que também vende para destinos tão distantes como a Coreia do Sul ou a Índia. “Não somos nós que escolhemos os clientes... São eles

que nos escolhem”. A aposta na internacionalização levou as fundadoras a fazerem um périplo experimental, que as levou a Londres (Bubble) e Florença (Pitti Bimbo) até que em Paris descobriram a feira à sua medida. “Encontramos na Playtime o nosso nicho e as vendas dispararam”, explica Mariana Pimentel, que tem três filhos (Salvador, sete anos, Concha, cinco, e Mateus, ano e meio). Achada a feira certa, a Piupiuchick, que durante os dois primeiros anos de vida esteve apenas no canal online, entrou no retalho físico e não tem parado de crescer. “Estávamos em 15 lojas. Agora já vamos em 75. Estamos muito contentes e a crescer. Mas somos muito ambiciosas. Queremos mais lojas, mais países e mais reconhecimento”, conclui Mariana Pimentel. t

As Hortas Urbanas do Parque da Devesa, em Famalicão, estão a acolher o cultivo do linho e a criação do bicho seda, no âmbito de um projeto conjunto da autarquia famalicense e a “Saber Fazer”, que envolve ainda o Museu da Indústria Têxtil e as escolas do concelho. Dois talhões de terreno, com 100 m2 cada, acolhem este projeto singular (até agora apenas concretizado em Serralves) que tem como objetivo desenvolver um programa integrado de produção-aprendizagem dedicado à educação e investigação do têxtil, destinado tanto ao público em geral como à comunidade escolar. O projeto com duas vertentes: um curso de longa duração e várias oficinas destinadas às escolas e também ao público em geral, percorrendo todas as etapas da produção do linho e da seda, desde a plantação, cultivo, tecelagem e tinturaria natural, sendo que para a concretização desta última etapa serão cultivadas plantas tintureiras. Durante a Primavera foi cultivado o linho e obtida a sua fibra, e também criado o bicho-da-seda de forma a obter a seda. No Outono, o foco foi o processamento e transformação destas duas fibras têxteis, com destaque para a tecelagem e tinturaria. “Com esta micro-produção de fibras pretende-se não só criar um campo de experimentação e aprendizagem, mas também recuperar uma base de conhecimento das técnicas de produção de pequena escala que, perante o desenvolvimento da indústria têxtil, deixaram de evoluir com a passagem de geração em geração, mas que nos tempos que correm se tornam cada vez mais procuradas”, explica Paulo Cunha, presidente da Câmara de Famalicão. “O Museu da Indústria Têxtil poderá ser um campo de experimentação e aprendizagem, apoiado não só na prática regular, mas também no conhecimento dos profissionais e artesãos que virão partilhar o seu conhecimento em diversos momentos ao longo do ano, mantendo a ligação com a produção industrial da região do Vale do Ave”, conclui o autarca. t


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FEIRAS

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GENDA DAS FEIRAS

MAGIC 11 a 14 fevereiro- Las Vegas French Kick, Inimigo Clothing e Têxteis Texdia PREMIÈRE VISION 13 a 15 fevereiro - Paris Fabrics: A. Sampaio & Filhos, Têxtil Serzedelo, Acatel, Albano Morgado, Familitex, Joaps, Lemar, LMA-Leandro Manuel Araújo, Luís Azevedo & Filhos, Lurdes Sampaio, NGS Malhas, Sidónio Malhas, Otojal, Tintex, Troficolor, Estamparia Adalberto, Gierlings Velpor, Paulo de Oliveira, Penteadora, Riopele, Somelos Tecidos, Tessimax e TMG Accessories: Idepa, JSB Oliveira & Oliveira e Envicorte Yarns: Miguel Antunes Fernandes (Filasa), SMBM e Têxtil António Falcão Knitwear: Orfama Manufacturing: A.J. Gonçalves, J. Caetano & Filhas, Siena, Soeiro Centro Textile e Triwool CPM 19 a 22 fevereiro - Moscovo Blackspider by Cristina Barros, CubosdAlgodão, Lintel e Vandoma CJF CHILD AND JUNIOR FASHION/MATERNITY WEAR 19 a 22 fevereiro - Moscovo António Manuel de Sousa, Meia Pata, Inarbel CHILDREN’S CLUB NY 25 a 28 fevereiro- Nova Iorque António Manuel de Sousa, Meia Pata e Inarbel

TINTEX TRAZ PRÉMIO DE MUNIQUE

Pelo segundo ano consecutivo, a Tintex trouxe para casa um Hightex Award, da Munich Fabric Start. O ano passado conseguiu o primeiro lugar, com o corkcoating (uma malha com revestimento em cortiça) e este ano levou o bronze, com outra malha de elevada sustentabilidade cuja composição mistura algodão reciclado, modal e elastano reciclado. Na foto, os três laureados – à direita o representante português, Ricardo Silva, director de operações da fábrica de Vila Nova de Cerveira. t

MODTISSIMO EXPERIENCE A OLHAR PARA O FUTURO “Tratar do futuro no presente” podia bem ser a palavra de ordem da 51.ª edição do Modtissimo, que decorre no aeroporto Francisco Sá Carneiro, entre 21 e 22 deste mês de Fevereiro. Modtissimo Experience foi a designação adoptada para este novo segmento da feira. “Será tudo voltado para o futuro, sobretudo um futuro de conceitos”, explica Manuel Serrão, administrador executivo da Associação Selectiva Moda, que organiza o certame. "Vamos ter um concurso de jovens criadores a pensar no futuro. Vamos debater as novas formas de e-commerce, mas também as novas plataformas de divulgação de tendências, a fotografia de moda e os catálogos

com Cassiano Ferraz e até uma redacção ao vivo – a do T Jornal", descreveu o CEO da ASM.

Localizado no piso das chegadas, o Modtissimo Experience será também um espaço para apreciar as tendências gastronómicas do futuro com diversos showcookings, de novos projectos na área da moda como o Porto Fashion Week em parceria com a TAP, um workshop sobre fotografia de moda com Cassiano Ferraz e a apresentação dos coordenados do concurso Portuguese Fashion News. Ao mesmo tempo e durante os dois dias da 51.ª edição do Modtissimo decorrerão uma série de worshops sobre as tendências emergentes na ITV e na moda. t

GOVERNO ESTÁ DO LADO DO TÊXTIL Depois de no início do ano Manuel Caldeira Cabral ter visitado a Heimtextil e mais tarde a ISPO, foi a vez de Eurico Brilhante Dias, secretário de estado da Internacionalização, e Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, dizerem “presente!” em feiras internacionais com a presença de empresas têxteis. O périplo começou na Who’s Next, a feira de moda parisiense onde estiveram presentes a Averse, Blackspider by CristinaBarros, Concreto, CristinaBarros, Kalisson/Bagoraz/Le Cabestan, Luís Buchinho, Maloka/Paul Brial e Pé de Chumbo. Eurico Brilhante Dias esteve à conversa com os vários expositores portugueses e, no dia seguinte, juntou-se ao ministro dos Negócios Estrangeiros na Maison&Objet.

Nesta feira de decoração e têxteis lar, onde estavam presentes mais de cem empresas portuguesas (dez delas apoiadas pela Associação Selectiva Moda - a 3DCork, Burel Mountain Originals, BYFLY, Carapau Portuguese Products, Ditto, Laboratório D’Estórias, Nieta Atelier, Sugo Cork Rugs, Têxteis Iris e a TM Collection), Augusto Santos Silva destacou o têxtil lar como exemplo dos sectores “que mais se modernizaram em Portugal e mais se adaptaram às novas regras da competição internacional”. “No setor têxtil lar, Portugal está entre os dez países mais exportadores do mundo”, disse o número dois do governo, destacando que a Maison & Objet “é uma feira importantíssima da fileira casa e Portugal está entre os cinco países mais representados”. t


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CALDEIRA RECEBE NA ISPO UMA INJEÇÃO DE ADRENALINA Ao arrebatar mais de um terço (37,5%) dos prémios Best Product da ISPO, a ITV portuguesa demonstrou estar no pelotão da frente quando se trata de apresentar o que de mais avançado e melhor se faz no mundo em moda, materiais e acessórios para desporto. “Verifiquei que as empresas portuguesas não se limitam a trabalhar para as melhores marcas do mundo como também estão a criar as suas próprias marcas, aproveitando o grande reconhecimento que a marca Portugal tem também nesta área dos têxteis técnicos e funcionais”, afirmou em Munique o ministro de Economia, que se estreou na ISPO a convite da ATP. O tom foi dado logo na Fiorima, o primeiro dos 44 stands portugueses (uma participação recorde na ISPO), que Manuel Caldeira Cabral visitou, ficando a saber que esta empresa de Braga tem duas patentes mundiais e é a única do mundo que consegue fabricar meias com desenhos no calcanhar e biqueira. Daí em diante o ministro nunca mais parou de se espantar e admirar com o que viu e ouviu, não só da boca dos expositores portugueses, mas também dos seus clientes, com que conversou sempre (o que aconteceu amiúde) que a sua chegada a um stand interrompia uma reunião. Mais adiante, apreciou alguns produtos feitos com materiais tipicamente portugueses, como um casaco em cortiça e sacos em burel expostos no stand da Berg, onde ficou a saber, da boca de Miguel Tolentino, que toda a oferta têxtil da marca do grupo Sonae é 100% feita em Portugal. Demonstrando um crescente

à vontade, o ministro não se eximiu a participar no concurso que a Berg promoveu, anunciado por um enorme mapa mundo com bandeiras coloridas espetadas um pouco por toda a parte, que dominava uma das paredes do stand. Para concorrer, bastava escrever o nome e contacto numa

"As empresas portuguesas não se limitam a trabalhar para as melhores marcas do mundo como também estão a criar as suas próprias marcas" Manuel Caldeira Cabral Ministro da Economia

bandeira e espetá-la no país que gostaríamos de visitar - sendo que o vencedor concretizará esse sonho de borla. “Escolhi o melhor destino turístico do mundo”, explicou Caldeira Cabral após ter espetado a sua bandeira em Portugal (algures no Alentejo, para ser mais preciso), acrescentando com algum humor que essa atitude patriótica lhe poupará embaraços no caso de ser o vencedor do concurso, pois como membro do Governo está proibido de aceitar ofertas de valor superior a 150 euros. Esse teto não foi furado quando aceitou o pequeno galo de Barcelos que António Falcão lhe ofereceu - a ele e a João Gomes, o nosso embaixador em Berlim, que logo garantiu que ia colocar aquela bar-

ro na sua secretária, ao lado de uma outra com a imagem da chanceler Angela Merkel, fabricada nas Caldas da Rainha pela Bordalo Pinheiro (gupo Visabeira). De stand em stand, foi com gosto evidente que o ministro se foi deixando surpreender e entusiasmar com as boas notícias e novidades que as empresas portuguesas trouxeram a Munique - a marca de moda funcional (Bravian) que a Latino está lançar; o tecido com fio cerâmico da LMA que reduz o ácido lácteo nos músculos permitindo a quem o usa correr mais tempo; o antiderrapante em cortiça inventado por Ruben Verdadeiro, da ecoPro, que foi um dos finalistas do ISPO Brandnew; etc, etc, etc. Depois de no início do mês, em Frankfurt, ter confirmado a excelência dos nossos têxteis lar (ver páginas 8 e 9), o ministro ficou a saber em Munique, na maior feira mundial de artigos para desporto, que a ITV portuguesa também dá cartas na investigação e desenvolvimento de produtos inovadores de elevada tecnicidade. Na Heimtextil e na ISPO, foi óbvio que o ministro da Economia se sente como Deus entre os anjos no meio têxtil, e que as suas visitas às feiras têxteis são uma estrada com dois sentidos. Em troca de palavras de elogio (“os meus parabéns”) e encorajamento (“muita força, boa feira”), recebe um fantástica injecção de entusiasmo e adrenalina. No regresso ao seu gabinete na Horta Seca, em Lisboa, Manuel Caldeira Cabral acreditava muito mais no futuro da nossa economia do que antes destas visitas à Alemanha. t

PORTUGAL FASHION VIAJA PELA EUROPA O Portugal Fashion começou o ano com o pé direito, com um roteiro internacional que incluiu paragens em Milão, Paris e Roma. O pontapé de saída foi dado por Miguel Vieira, que levou até à capital da moda italiana o Rock&Roll, que, como o criador diz, “é mais do que música é um estilo de vida”, numa coleção cheia de estilo e irreverência, tradição e liberdade. Seguiu-se Hugo Costa que, pela quarta vez consecutiva, apresentou em Paris as suas peças disruptivas e sem género, num formato de desfile experimental e interativo. "(A) Way of Punk” é o nome da coleção, que pretende mostrar que o punk

Desfile de Inês Torcato

não está morto, e terá eternamente “um movimento de aparência agressiva, sarcástica, de contracultura e reação”. O desfile incluiu ainda uma novidade: o lançamento de uma linha de óculos de sol. A terceira paragem foi em Roma, onde o trio David Catalán, Inês Torcato e Nycole apresentaram as suas propostas para a estação fria, no âmbito do projeto Fashion Hub, que – tal como o Bloom - pretende encontrar e divulgar novos talentos. Este foi um importante passo para a plataforma de jovens criadores do Portugal Fashion, que iniciou assim o seu processo de internacionalização.t

TAP LANÇA COLECÇÃO PARA DORMIR NAS NUVENS A TAP lançou uma loja online onde se pode encontrar algum merchandising da companhia aérea portuguesa. Entre modelos de aviões, malas, acessórios de moda ou canecas, há uma linha de edredões, para crianças e adultos, que quer pôr os fãs da TAP a dormir nas nuvens. Os pagamentos podem ser feitos em euros ou através de milhas Vitória. A loja está disponível em todos os países, com excepção do Brasil, dos EUA e do Canadá. O objectivo é, a partir do próximo ano, passar a vender em espaços físicos e a bordo dos aviões.

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empresas trabalham na fileira têxtil em Portugal, empregando 134 mil pessoas

SERRA DA ESTRELA PASSOU POR MADRID Por entre a comitiva de empresas portuguesas que foram até à edição de Fevereiro da Intergift, em Madrid, houve um novo membro: a Associação de Artesãos da Serra da Estrela. Num stand que juntava criações de oito artesãos, com produtos que iam desde peles de ovelha, vaca e cabra, até chapéus, casacos, cachecóis e mantas de lã, o objetivo era – e é - espalhar pelo mundo aquilo que é tradicionalmente português. “O melhor cartão de visita de um território são os seus produtos”, diz João Mário Amaral, presidente da direcção da associação.

MESSE FRANKFURT COMPRA FITEX INDIA

A Messe Frankfurt adquiriu a Fitex India, a maior organização de fitness e saúde do continente indiano. A Fitex India realiza-se anualmente, desde 2014. A 4ª edição do certame está agendada para os próximos dias 5 e 6 de maio, no India Expo Centre. O mercado indiano de fitness valeu cerca de 935 milhões de euros em 2017 e está a crescer 20% ao ano.

ALAÏA HOMENAGEADO NO DESIGN MUSEUM

Falecido em Novembro, o mestre da costura Azzedine Alaïa vai ter uma exposição retrospectiva em Londres, no Design Museum. A abertura está já marcada para 10 de Maio e ficará em cartaz até 7 de Outubro, exibindo mais de 60 criações notáveis de Alaïa - o estilista de origem tunisina que ficou famoso pela sua particular capacidade para moldar a silhueta feminina.

"Os Estados Unidos são um mercado que nunca mais acaba, um mercado enorme que bem trabalhado tem sempre oportunidades" José Alexandre Oliveira CEO da Riopele


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novos postos de trabalho foram criados em 2016 pelo grupo Paulo de Oliveira, que assim aumentou o seu efectivo para 1 200 trabalhadores

LA REDOUTE VAI ABRIR EM PORTUGAL LOJAS SHOWROOM DE TÊXTEIS LAR A La Redoute planeia abrir em Portugal lojas showroom, numa primeira fase apenas de têxteis lar, seguindo um formato que está a ser testado em Paris e Lyon, em que na loja física os empregados fazem o atendimento mas a coleção é mostrada num tablet e as vendas são feitas online. Após a sua aquisição pelas galerias Lafayette, a La Redoute - que debutou nas vendas pro catálogo e evoluiu para o comércio electrónico - está a apostar na decoração (mobiliário incluído) e na construção de uma rede de pontos de venda físicos.

TÊXTEIS PREMIADAS NA GALA GUIMARÃES MARCA

As empresas do sector da ITV destacaram-se na 1ª edição da Gala Guimarães Marca, uma iniciativa da câmara local destinada a premiar e dar visibilidade ao talento empresarial, num concelho onde operam mais de três mil empresas, com o têxtil lar e vestuário em papel de grande evidência. Lameirinho, JF Almeida, Apertex e Solinhas arrecadaram boa parte dos prémios destinados às empresas que mais se distinguiram ao longo de 2017. Destaque também para a marca Pé de Chumbo, vencedora do prémio Revelação do Ano - uma distinção entregue por Ricardo Costa, vereador da Economia de Guimarães, a Inês Alves, na foto. t

KIDSTUFF É O OVO DE COLOMBO DE FILIPA BARBOSA Raposo Antunes

A ideia é uma espécie de ovo de Colombo – reunir num único site de vendas online todos os produtos que um jovem casal necessita quando nasce o primeiro filho. A ideia foi de Filipa Barbosa, 35 anos, licenciada em Animação e Produção Artística. O ovo de Colombo chama-se kidstuff, que é simultaneamente o nome da empresa e do site dedicado a tudo aquilo que um bebé ou criança precisa, desde o vestuário a uma festinha de anos. E já está a funcionar desde o início de Dezembro. Filipa Barbosa, sócia e administradora da empresa, confessa que “sempre teve uma paixão pela área da moda”, apesar de a sua formação não ser nessa área. “Foi mesmo a minha primeira paixão. Com algumas amigas gizamos alguns projectos, mas que acabaram por não avançar”, relata. Nessa altura, ainda se encontrava em Portugal, que deixaria em 2013 em direcção ao outro lado do Atlântico, acompanhando o marido. Foi precisamente nos Estados Unidos que Filipa foi mãe. E aí conviveu com os baby showers, as

famosas festinhas que antecipam o nascimento dos bebés. Mas foi já em Portugal, quando regressa a Lisboa em Janeiro de 2016, com um bebé de 10 meses, que esta jovem mãe foi confrontada com a dura realidade de ter de reorganizar tudo de novo para o seu rebento. “Não era possível trazer dos Estados Unidos o mobiliário, a decoração do quarto, todos os brinquedos”, conta. Na tentativa de refazer o espaço para o seu bebé em Lisboa, Filipa percebeu que aquilo que pretendia adquirir estava disperso por empresas que vendiam no Facebook só determinados produtos.

“Não havia uma plataforma onde fosse possível comprar tudo. Os tempos de entrega também eram pouco satisfatórios”, descreve. Foram precisamente essas dificuldades que levaram Filipa a aguçar o engenho, criando o seu ovo de Colombo chamado kidstuff. “É um site onde uma mãe consegue comprar tudo. Ou tem as pistas para chegar ao que pretende”, sublinha. Uma série de marcas aderiram ao projecto, estabelecendo parcerias com Filipa Barbosa. No site da kidstuff pode encontrar vestuário e artigos para bebé e criança das marcas Cuco, Macaquinhos, Mada in Lisbon, Mae, Match, Moki&Mar e Orikomi. Também pode encontrar empresas que fazem os famosos baby showers, bolos, festas, fotografias... enfim tudo aquilo que uma jovem mãe necessita para ver o seu filho feliz. Mais: o envio dos produtos é gratuito para Portugal continental. Mais ainda: Filipa Barbosa já está a pensar nos pais das crianças e quer lançar a partir de Janeiro no kidstuff a venda online de vestuário, calçado e acessórios para os próprios pais das crianças. Tudo ao alcance de um click!!! t

PORTUGUÊS NOMEADO PARA ÓSCAR DE MELHOR GUARDA-ROUPA Luís Sequeira, um lusodescendente da região de Aveiro radicado em Toronto, no Canadá, está nomeado para o Óscar de melhor guarda-roupa com o filme “A Forma da Água” (The Shape of Water), do realizador Guillermo del Toro. “Era um jovem designer, trabalhei em conjunto com uma fábrica e fiz a minha própria linha. Depois, deixei isso e entrei no cinema”, explicou Luís Sequeira, que trabalhou pela primeira vez com o realizador mexicano na série “The Strain”.

"Em 2016, pela primeira vez sentimos um verdadeiro interesse dos clientes por produtos certificados e sustentáveis" Artur Soutinho CEO do grupo MoreTextile

H&M CRIA NOVA MARCA PARA OS MILLENIALS Nyden é o nome da nova marca que será lançada este ano pelo grupo H&M. Segundo a revista Cosmopolitan espanhola, a marca terá como foco o público millenial, mas sem as típicas regras das tendências de moda ou o calendário tradicional. A grande novidade é que a nova marca não terá espaços físicos fixos: o canal principal será o online, a par de algumas lojas pop-up.

MODATEX APOIA PLANOS FORMATIVOS À MEDIDA DAS EMPRESAS Até 31 de Março próximo estão abertas as candidaturas para projetos autónomos de formação à medida para ativos de empresas e o Modatex, como centro especializado em formação personalizada, está disponível para ajudar as empresas que pretendam apresentar os seus projetos. O centro de formação elabora planos de intervenção à medida das reais necessidades das empresas e apresenta soluções técnico-formativas vinculadas à elegibilidade dos programas aprovados.


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FOTO: RUI APOLINÁRIO

“NÃO DEVO UM TOSTÃO A NINGUÉM”


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n ENTREVISTA Manuela Araújo 64 anos, nasceu em Pevidém, onde ainda trabalha (a fábrica da Lemar está instalada na casa do avô, Leandro Magalhães Araújo, o fundador da empresa), e vive em Santo Tirso. Após a primária (Colégio da Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães) e o secundário (Sagrado Coração de Maria, em Braga), esteve um ano em Londres, a tornar-se fluente em inglês, antes de fazer o Magistério Primário. Foi professora durante 11 anos até que em 1996 acedeu ao convite do pai para integrar os quadros da fábrica. Casada com Alfredo, tem dois filhos - Armindo, 40 anos, ex-campeão nacional e mundial de ralis, e Alfredo, 34 anos -, a quarta geração da família Araújo que já trabalha na empresa

e

stamos claramente ao nível dos melhores italianos - garante Manuela Araújo, 64 anos, CEO da Lemar, acrescentando que a tecnologia e inovação são importantes, mas também é preciso know how e design. Foi difícil trocar a vida calma de professora primária pela agitada e imprevisível de industrial?

Nem por isso. Sempre fui muito boa a adaptar-me a qualquer situação. Não demorou muito até me apaixonar pela indústria.

mercado tão exigente como o italiano?

Percebi que tínhamos de evoluir muito. Para sermos competitivos e os nossos produtos serem atraentes aos olhos dos compradores estrangeiros era obrigatório apresentarmos coisas novas e diferentes. O que implicou investirmos em teares mais versáteis. Um grande passo em frente...

Tinha de ser. Vi logo que não chegaríamos muito longe nos mercados internacionais com os teares que tínhamos. Com tecidos lisos não íamos a lado nenhum. Foi por isso que se envolveu no desenho dos produtos?

Atém de tudo os tecidos lisos não me enchiam as medidas. Gosto de mar, do verão, de cores fortes e alegres. Por alguma razão o verão é a nossa estação mais forte.

Por onde começou?

Na parte interna, comecei por explorar a essência dos tecidos e o posicionamento da fábrica nos mercados. E a virar-se para a exportação...

Rapidamente percebi que não podíamos viver só do mercado interno e decidi começar a ir a feiras e a visitar clientes. A Mare di Moda, em Cannes, foi a primeira feira a que fui, há 20 e tal anos. Ter estado um ano em Londres a aperfeiçoar o meu inglês foi fundamental neste esforço para arranjar novos mercados. Onde foi a primeira grande ofensiva externa?

A minha primeira grande aposta foi o mercado italiano. Diziam que estava louca, mas a verdade é que era lá que me sentia bem. Ainda temos agentes dessa altura - e grandes amigos como clientes. O que aprendeu nesses primeiros contactos com um

As famosas riscas da Lemar nascem nessa altura?

As riscas - toda a gente adora as nossas riscas :-). A minha principal preocupação é sempre a de oferecermos aos clientes tecidos alegres e muito versáteis, que com um tratamento possam ser usados em coisas tão diversas como anoraks, sacos de viagem, roupa para o golfe ou para a neve. Alargar a oferta a tecidos jacquard é o próximo desafio?

Essa hipótese esteve em cima da mesa. Mas decidimos não avançar já por aí. Em alternativa, investimos em novos teares da última geração. Vamos experimenta-los e veremo depois se encomendamos mais. É sempre assim tão cautelosa?

Parecem-me muito bons mas eu não devo um tostão a ninguém e quero continuar assim. Vamos experimenta-los e, se gostarmos, na próxima época compramos mais.

"Rapidamente percebi que não podíamos viver só do mercado interno"

Tecnologia e inovação são o essencial para ser competitivo?

crescer, mas sim modernizarmos a fábrica.

Tecnologia e inovação são fundamentais, mas também é preciso ter know how e design - uma área a que dou bastante atenção.

Small is beautiful?

Porquê?

Apesar de ter nascido numa família onde, há gerações a perder de vista, corre sangue têxtil, em miúda Manuela nunca ligou muito à fábrica que o seu avô fundou na parte de baixo da casa onde vivia, em Pevidém, onde regressou após uma aventura empresarial na Empresa Têxtil Poveira (“A minha avó nunca se deu com os ares da Póvoa…”). Estava posta em sossego, “numa belíssima casa”, em Santo Tirso, casada, com filhos ainda pequenos e professora (“Sempre gostei muito de dar aulas”), quando o pai a desinquietou para ir trabalhar para a Lemar. Pensou duas vezes - mas a voz dos sangue acabou por falar mais alto. Foi há 30 anos. Meteu um licença de vencimento e trocou a sala de aulas e as crianças pelo chão de fábrica e os teares.

Sempre gostei muito de desenho. É por isso que me envolvo muito na área do design. Não sei sentar-me ao computador a fazer o desenho final, mas trabalho em papel e depois passam à escala. Onde vai buscar a inspiração?

Gosto de ler, viajo muito, pesquiso bastante. De qualquer coisa sou capaz de arranjar uma ideia para um tecido. E nós, na Lemar, fazemos questão de estar sempre a apresentar coisas diferentes. Desistiram de vez do jacquard ou o assunto está em banho-maria?

Por uma questão de estratégia decidimos adiar esse investimento. É um projeto para a quarta geração?

Não penso reformar-me tão cedo :-). Os meus filhos já estão a trabalhar na empresa. O Armindo é mais extrovertido, virado para as Relações Públicas, e muito metódico, característica excelente para tomar conta das obras em curso na fábrica. O Alfredo sente-se mais à vontade com a parte interna e logística da fábrica. As obras são para ampliar a capacidade produtiva?

Não vamos pela quantidade. O que pretendemos é otimizar o aproveitamento do espaço, para sermos mais eficientes, melhorar as condições de trabalho, pois passamos todos aqui a maior parte da nossa vida. O nosso objetivo não é

Exatamente. Não nos interessa ser grandes. Queremos continuar a ser pequenos mas muito flexíveis com produtos de grande qualidade de modo a satisfazer os nossos clientes que estão sempre a pedir-nos a lua :-) E como é que conseguem entregar-lhes a lua?

Temos sempre investigação e produtos novos - e uma cultura de permanente inovação e criatividade, para diversificar e podermos sugerir-lhes coisas diferentes. Além de tecidos, na sua maioria para banho, a Lemar também fabrica fraldas. É um segmento interessante?

Sim É um negócio que vem do tempo do meu avô e que mantenho porque está estabilizado. Conseguimos racionalizá-lo. Com novas máquinas fazemos o mesmo que fazíamos dantes com mais máquinas. E temos produtos com uma qualidade excelente que agrada muito a clientes importantes. Como por exemplo...

Nas fraldas, vendemos para a Zara Home e a John Lewis, entre outros. E nos tecidos para carrinhos de bebé temos clientes como a Chicco ou a Peg Perego. O nosso produto não é o barato - distingue-se pela qualidade. Esse é o nosso posicionamento. A concorrência pelo preço dos asiáticos não vos afetou?

Mesmo antes de se falar disso e da adesão da China à OMC que nós já comprávamos os fios mais caros para fabricarmos os melhores tecidos, que levam na etiqueta, como garantia, o nome das conceituadas marcas que os forneceram.


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Compromisso com a inovação e criatividade Com 31 traballhadores e 80% do volume de negócios feito na exportação, a Lemar tem um compromisso permanente com a inovação e a criatividade para satisfazer a ânsia de novidades da sua carteira de clientes, onde constam marcas como a Vilebrequin, Armani, Hugo Boss, Ralph Lauren ou Tommy Hilfiger. Neste momento tem em curso dois projetos de i&d, em parceria com a FEUP e um confeccionador, para construir fatos de trabalho para quem trabalha com Raios-X e em condições atmosféricas extremas. Nesta área de têxteis técnicos, desenvolveu, com o apoio do CITEVE, protótipos de fatos para bombeiros muito leves, que toda a gente reconhece ser do mais avançado que há no mundo.

Os asiáticos não vos fizeram grande mossa?

Fariam se estivéssemos nos tecidos básicos. Mas nós fugimos a tempo para tecidos estruturados, com mais valor acrescentado, e por isso hoje em dia vendemos para a China e temos na nossa carteira de clientes marcas de prestígio como a Vilebrequin, Armani, Hugo Boss, Kenzo, Ralph Lauren ou Tommy Hilfiger. A qualidade compensa?

A qualidade é indispensável para satisfazermos os clientes mais exigentes. Temos a preocupação de tentar estar sempre à frente da concorrência. Há dez anos que trabalhamos com fios ecológicos. E na Première Vision apresentamos pela primeira vez tecidos produzidos com fios feitos a partir de plástico resgatado aos oceanos. Na era da internet, as feiras continuam a ser fundamentais?

"As feiras continuam a ser imperdíveis. Os clientes gostam de nos ver lá"

de Portugal tem melhorado muito?

Sempre fomos muito bem tratados no estrangeiro. Mas é inegável que o made in Portugal está cada vez mais conceituado - e que a têxtil deu um enorme contributo para a melhoria da imagem do nosso país no exterior. A imagem corresponde à realidade?

Na têxtil, estamos claramente ao nível dos melhores italianos. E o mercado reconhece isso.

As feiras continuam a ser imperdíveis. Para nos reunirmos cara a cara com os clientes. Eles gostam muito de nos ver lá, de marcar encontros connosco durante as feiras.

Perde vendas por causa do preço?

A Lemar foi a empresa que mais viajou com a Selectiva Moda: 117 feiras! A sua sorte é não ter medo de andar de avião...

Em que pé estão os vossos projetos de inovação e desenvolvimento de novos tecidos técnicos?

Se tivesse medo a única solução era perdê-lo ;-). Sou uma pessoa extrovertida que sempre gostei muito de viajar. Não havia passeio do colégio a que eu não fosse. A Itália continua a ser o vosso maior mercado?

Pode já não ser o maior mas é um dos principais. Temos estado a crescer muito bem nos Estados Unidos - há sete anos que não faltamos a uma PV Nova Iorque.

Se um cliente quer qualidade tem de pagar o preço dessa qualidade. Não abdico da minha margem.

Com o CITEVE, fizemos dois protótipos de fatos para bombeiros muito leves, que toda a gente reconhece ser do mais avançado que há no mundo. Já receberam encomendas?

Não. Queixam-se que os fatos ficam muito caros. Mas não podia ser de outra maneira. Como não há dinheiro para proteger adequadamente os nossos bombeiros, se calhar vão comprar à China que é mais barato... Desistiram dos têxteis técnicos?

Sente que a imagem externa

Não somos gente para desistir.

Temos mais dois projetos a andar, em parceria com a FEUP e um confeccionador para construir fatos de trabalho para quem trabalha com raios-x e em condições atmosféricas extremas.

As perguntas de

De que mais se orgulha destes 30 anos que leva na ITV?

Sinto-me muito orgulhosa por ter conseguido manter e fazer progredir a empresa criada pelo meu avô e continuada pelo meu pai. Esforcei-me e continuo a esforçar-me muito para que a Lemar tenha futuro. E de que é que se arrepende?

Não me arrependo de nada, de nenhuma decisão que tomei. Tudo que eu faço e digo vem-me do coração. Sente-se feliz?

Gosto muito de trabalhar. É com prazer que venho todos os dias para a fábrica. Não sou rica mas não me falta nada e não devo um tostão a ninguém. Se as pessoas que estão à minha volta estiverem bem, eu também estou. Alguma vez teve problemas por ser mulher?

Nada. Zero! Nunca tive problemas. Absolutamente nenhum. Sempre fui muito respeitada por todos - clientes, fornecedores e colaboradores. Mas nunca senti o mínimo problema por ser mulher. Sente que o seu país a está ajudar a exportar mais?

Nem sempre temos o apoio no terreno de que precisamos. Há casos, como o do Japão, em que o embaixador e o delegado do AICEP são cinco estrelas e ajudam-nos imenso. Tal como na Colômbia, em que os nossos representantes também são uma referência. Mas há outros casos que nem quero comentar... t

Armindo Araújo Filho mais velho e administrador da Lemar

Alfredo Araújo Filho mais novo e administrador da Lemar

Qual a tua opinião sobre a reação do bisavô Leandro se fosse possível ele hoje ver a transformação da Lemar?

Com os olhos no futuro já consegues imaginar os teus netos Mafalda e Tomás na gestão da Lemar?

Com toda a certeza que ficaria muito feliz! Teria muito orgulho na sua descendência e 80 anos depois ver a "sua fábrica” ser conhecida e conceituada em todo o mundo. Tens 100% de certeza que a tua ida para a Lemar foi a melhor opção de vida?

Acho que sim. Estou realizada, sinto-me feliz e estou a dar tudo que tenho de bom pelos meus filhos e pelos meus netos. Tenho a certeza que tudo o que lhes tenho incutido, fará com que o nome dos nossos antepassados jamais seja esquecido. t

Já! Acho que sim. São duas crianças cheias de garra! Vai depender um pouco dos pais lhes darem ferramentas para eles irem por aí fora. Tenciono ainda dar a minha dica... Se hoje tivesses que optar pela reforma ou trabalhar até aos 100 anos, o que escolhias?!

Não tenho previsões temporais na minha vida. O que eu tenho é uma vontade enorme de ser útil aos meus filhos e a quem precisa de mim. No entanto, enquanto me sentir desejada no lugar que ocupo não pensarei retirar-me.t


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DUAS LOJAS ZARA EM LISBOA VENDIDAS PELA INDITEX Duas lojas da Zara em Lisboa foram vendidas ao fundo alemão Deka. O negócio faz parte da alienação de um conjunto de 16 estabelecimentos que a Inditex se propunha vender e que terá sido concretizado por cerca de 400 milhões de euros. Os outros 14 imóveis agora alienados estão em território espanhol, e todos fazem parte do período inicial de expansão da Zara. Esta é uma operação de sale and leaseback, já que a Zara passa a ser arrendatária dos mesmos espaços por um período de 20 anos, com a possibilidade de o comprador denunciar o contrato no fim dos primeiros cinco anos.

VILLAFELPOS AUMENTA 30% DA CAPACIDADE INSTALADA A Villafelpos tem um curso um investimento industrial de cinco milhões de euros na modernização e aumento da capacidade instalada da sua fábrica, em Guimarães, que estará concluído no próximo ano. “Investimos para corresponder ao aumento da procura pelos nossos clientes. É o mercado que está a pedir-nos mais produto”, explica Alberto Pimenta Machado, CEO da Villafelpos, que espera aumentar as vendas, em 2019, para 19 milhões de euros na sequência deste aumento da capacidade e do lançamento de uma nova marca, baseada numa

tecnologia inovadora, que está a desenvolver com a Universidade do Minho. A UMinho já foi a parceira da Villafelpos na Airdrop, a marca registada de um felpo com uma capacidade de absorção superior ao normal em 56%, que já vale cerca de 7% das vendas totais da empresa, que em 2017 andaram nos 12 milhões de euros. Desde que foi lançada, há quatro anos, a Airdrop tem vindo a conhecer melhoramentos e um alargamento de gama, o mais recente dos quais foi uma toalha para hotelaria com essa tecnologia mas bastante mais resistente,

de modo a aguentar sucessivas lavagens industriais sem perder qualidade e propriedades. A hotelaria é um segmento que tem vindo a ganhar importância para a Villafelpos, que acaba de ganhar o contrato para o fornecimento de felpos Airdrop para um hotel de super-luxo nas Maldivas. Espanha, França, Inglaterra e Alemanha são os principais destinos das vendas da empresa que no entanto está a deitar os olhos e a entrar em novos mercados, não só na Europa (Suíça), mas também noutros continentes, como o Canadá, Estados Unidos e Japão. t

AMEAÇAS DE TRUMP LEVAM CHINESES A FABRICAR NOS EUA Há empresas chinesas que estão a emigrar para os EUA, uma solução que visa contornar as prometidas barreiras às importações da nova administração americana, mas que responde também aos crescentes custos de contexto associados à produção interna. Além disso, levam a produção para próximo dos consumidores. O The Wall Street Journal relata que no ano passado foram apresentados nos Estados Unidos 34 projectos para a instalação de fábricas de capitais chineses, representando investimentos superiores a 1,4 mil milhões de dólares, num cenário em que às ameaças de taxas de importação até 45% lançadas pelo presidente Donald Trump se juntam os custos de contexto que não param de crescer na China. A par do crescente aumento dos custos da electricidade, dos preços dos terrenos, aumentos de salários e as questões associadas à sus-

tentabilidade, as fábricas chinesas estão a ser altamente pressionadas para mudar o paradigma da produção associada a custos extremamente baixos das últimas décadas, refere o jornal. “Estamos a analisar até que ponto faz sentido passarmos a ter produção nos Estados Unidos”, disse Carolyn Wang, vice-presidente do Grupo Shenghuabi, com base em Xangai, que produz componentes para a indústria automóvel, enquanto John Ling, que dá apoio a investimentos chineses na Geórgia, destaca a necessidade de expansão das empresas do gigante oriental. “Muitas firmas chinesas tornaram-se de tal maneira dominantes no mercado interno que têm forçosamente que olhar para o mercado externo”, sustenta Ling, que preside ao Council of American States in China . t

CRIALME E PEDROSA & RODRIGUES COM SOLUÇÕES MIND

ALBANO MORGADO VAI TER UMA TINTURARIA NOVA

A Mind vendeu quatro das suas soluções para as empresas têxteis Crialme, Pedrosa & Rodrigues, CRS e Carcemal na sequência da participação na Feira Maquitex, que decorreu em Outubro, na Exponor, onde as suas soluções de software e de corte automático de duas cabeças para confecção foram apresentadas pela primeira vez.

A Albano Morgado está a ultimar um investimento de 1,5 milhões de euros (incluíndo edifício e equipamentos) numa nova tinturaria, que espera ter em atividade no final deste verão. Esta expansão das instalações industriais da laneira de Castanheira de Pera implica a demolição da casa onde viveu Albano Antunes Morgado, que há 90 anos fundou a empresa.

"As crianças devem ter roupa divertida" Sandra Barradas Empresária da Cherrypapaya

NESTA BEIRUT A MODA FUNDE-SE COM CAFÉ, VINHO E ARTE

Beirut chegou a Lisboa – e não falamos da capital do Líbano. Pelas mãos e curadoria dos criadores do The Feeting Room, Beirut é um novo conceito de loja, que mistura a moda e o calçado ao vinho e ao café de especialidade, num ambiente onde a arte e a arquitectura já tinham morada fixa. No espaço há várias marcas com o selo made in Portugal, como a mais351, a Juu by Juliana Cavalcanti e a UOY.

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é o lugar de Portugal no ranking que mede os níveis de corrupção de 176 países, numa lista elaborada pela Transparency International. Dinamarca, Nova Zelândia e Finlândia ocupam os três primeiros lugares. No último posto está a Somália


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A FASHION FORWARD Por: Juliana Cavalcanti

Mínimo é o máximo: o poder de uma t-shirt

MICHAEL KORS E JIMMY CHOO DEIXAM AS PELES DE LADO A Michael Kors anunciou que se vai juntar ao já grande rol de marcas que não usam peles de animais. A decisão estende-se também à Jimmy Choo, marca de sapatos comprada recentemente pela Michael Kors. As peças das colecções atuais feitas de pele, nomeadamente de coiote e coelho, acabarão progressivamente até ao fim de 2018.

9 EM CADA 10 PORTUGUESES PREFERE LOJAS AO ONLINE As lojas virtuais são uma boa fonte de inspiração e de ideias, mas as compras efectivas continuam a ser feitas nos canais físicos. A conclusão é da Deloitte, que no seu “Estudo de Natal 2017” conclui que quase nove em cada 10 portugueses continuam a preferir comprar em lojas do que nos canais online.

Hoje decidi falar sobre uma peça que está em todo e qualquer guarda-roupa - feminino e masculino - mas que nem sempre recebe o devido valor: o pão nosso de cada dia, a t-shirt. Fui pesquisar e encontrei alguns factos interessantes sobre os quais muitas vezes as pessoas nem param para pensar. Sabe porque é que se chama t-shirt? Pelo formato em T que ela cria com as mangas curtas. E sabem quando surgiu? Foi no século XIX e inicialmente era usada como roupa íntima. Logo foi adotada pelos mineiros por serem peças fáceis e leves para aguentar o calor do ambiente de trabalho. Daí que se tenha tornado numa peça usada por diversos trabalhadores por ser prática, fácil de lavar e bastante económica. Desde então até hoje a t-shirt sofreu uma grande evolução e tornou-se peça-chave de qualquer armário. No entanto muitos não a valorizam como acredito que ela deve ser valorizada. Se pensarmos bem é uma peça que serve como jocker para os mais variados looks. Eu, pessoalmente, sou grande fã das composições que esta simples peça pode proporcionar. Nada é mais “understated” que uma boa t-shirt branca, uma calça de ganga e um blazer. Este jogo de peças básicas com uma peça mais “elevada” cria um conjunto super atual. Ao mesmo tempo ela pode servir para sobreposi-

ções com vestidos (aquela famosa combinação da t-shirt com um slip dress de alças), com macacões, com outro top sem mangas por cima. Este jogo de peças por cima da sua tee eleva qualquer look. Para além das diversas formas de a usar, temos hoje em dia também as diversas formas em que ela aparece, ou seja, a indústria percebeu o poder desta peça e apostou em formas de a diferenciar que não só o modelo básico liso. Hoje temos marcas exclusivas de t-shirts com as mais variadas estampas, grafismos (as famosas frases de efeito são uma febre e tornaram-se numa forma de passar mensagens pessoais), bordados e aplicações de materiais diversos (rendas, plumas, cristais...). Não há limite para a criatividade – tudo é possível hoje em dia com uma simples t-shirt. Há até quem a use em eventos formais ou galas, composta com peças mais sofisticadas. Claro que é preciso ter cuidado e bom senso para perceber se é apropriado ao evento, mas já vi casos assim de sucesso! A nossa tee vai ser sempre uma peça-chave, o básico mais básico e essencial do nosso guarda-roupa. Cabe a nós tentarmos ser o mais criativos possível para fazer o melhor uso de uma peça tão consensual. Não tenha medo, arrisque e vai ver como neste caso o menos poder ser bastante mais! t

CONDÉ NAST CORTA NAS REVISTAS Teen Vogue, GQ e Glamour estão entre os títulos do gigante grupo editorial Condé Nast que irão desaparecer ou reduzir as suas publicações, resultando na supressão de 80 pontos de trabalho. Vogue, Vanity Fair e The New Yorker escaparam dos cortes radicais. Assim, de acordo com o WWD, a Teen Vogue deixará de ser publicada nos Estados Unidos (o site da revista, com 7,9 milhões de visitantes, mantem-se), enquanto a Glamour, GQ, Allure e a Architectural Digest irão publicar menos uma edição por ano. Quanto à W e à Condé Nast Traveller, o número de edições anuais cai de dez para oito.


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DE PORTA ABERTA Por: Carolina Guimarães

Açaí com Granola

Rua Helena Vieira da Silva, loja 38 Leça da Palmeira

Ano de criação da marca 2013 Abertura da loja 2016 Produtos Roupa, acessórios e swimwear Outros espaços Lojas pop-up em shoppings e na Comporta Loja online https://acaicomgranola.pt/

SPORT ZONE NA LIDERANÇA IBÉRICA DO RETALHO DE DESPORTO A Sonae anunciou o fecho das negociações com a JD Sports Fashion e a JD Sprinter Holdings, através do qual associam as suas marcas à Sport Zone. “Está criado o novo player com uma posição de liderança no retalho de desporto na Ibéria”, informa o grupo português em comunicado. Forma-se assim o Iberian Sports Retail Group, que terá Miguel Mota Freitas como CEO e que já conta com uma rede de mais de 300 lojas em Portugal e Espanha e mais de seis mil colaboradores. É já o segundo maior retalhista da Península Ibérica no sector do desporto.

700 mil

de euros foi quanto a ERT investiu na sua nova fábrica em Tanger, Marrocos

FAMALICÃO LIDERA EXPORTAÇÕES A NORTE DA FILEIRA AUTOMÓVEL Empresas têxteis como TMG Automotive, Coindu e Olbo & Mehler estão na linha da frente da produção para o sector automóvel e ajudam a perceber os números que fazem do concelho de Famalicão o principal exportador de produtos desta fileira na Região Norte. Os dados indicam que a indústria automóvel tem no território famalicense um total de 4.996 pessoas ao serviço, 39 empresas, 1061 milhões de euros em volume de negócios, 905 milhões de exportações e 488 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto.

Portuguesa com cheiro a Brasil O nome é de uma típica iguaria brasileira, mas aqui só os constantes ares da praia e a música de fundo é que nos lembram as terras de Vera Cruz. A Açaí com Granola tem, de facto, uma forte ligação a este país: começou com a venda online de biquínis brasileiros, que punha a marca na crista da onda numa altura em que todas as mulheres queriam ter um biquíni diferente da senhora da toalha ao lado. Mas a marca rapidamente cresceu aumentando os seus espaços e a sua oferta – e amadureceu o seu conceito, revelando um ADN com uma mistura perfeita entre a alegria e o colorido típicos da América do Sul e o estilo dos europeus. “Passado uns tempos de termos começado, os biquínis brasileiros começaram a ficar banalizados e já não eram novidade. Para além disso tinham uma grande lacuna para nós: não terem fatos de banho”, diz Rita Lencastre, uma gestora hoteleira que deixou o mundo do turismo para se dedicar inteiramente a este projeto em conjunto com o seu namorado, António Ferreira. A solução passou então por deixar de importar as peças e criar algo de raiz. Foram à procura de fornecedores de licras, encontraram quem fizesse a confeção e deram asas à imaginação no que ao design diz respeito. Em 2017 apresentaram a sua primeira linha de swimwear, made in Portugal, que está à venda online e durante todo o ano nas lojas (o espaço de Leça da Palmeira é fixo, mas a marca vai-se pas-

seando por diferentes shoppings e locais, através de lojas pop-up, como na Comporta, durante o verão). “Quisemos misturar o estilo europeu com o corte brasileiro, em biquínis e fatos de banho que fossem intemporais”, explica Rita. A lacuna das peças de banho completas está assim colmatada, falta agora tratar dos básicos: “Quando vendíamos os biquínis brasileiros, tínhamos uma linha de básicos que as pessoas gostavam muito. Não conseguimos fazer o ano passado, mas este ano estamos a trabalhar nisso”, promete. Mas não só de swimwear se faz a Açaí com Granola. Com a criação dos espaços físicos (“começamos por ter showrooms, mas as pessoas marcavam em tantos horários diferentes que acabávamos por estar abertos o dia todo e optamos por abrir lojas”, conta Rita) nasceu também a necessidade de ter outras roupas e marcas, maioritariamente espanholas, que vão desde um estilo mais formal até peças para usar no dia-a-dia. Mas as novidades não ficaram por 2017. Este ano, para além da linha de fatos de banho e biquínis próprios, a dupla que está à frente desta marca promete uma gama feita a pensar nos amantes de desporto. Produzida em Guimarães, na mesma fábrica onde confecionam as peças de swimwear, a linha fitness com o carimbo Açaí com Granola deverá este ano começar a invadir os ginásios e os passadiços à beira-mar plantados.t

IMPETUS DISTINGUIDA NOS PRÉMIOS FAZEMOS BEM Foi das mãos da secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehmann, que o administrador da Impetus, Alberto Figueiredo, recebeu o prémio Exportação referente à edição 2017 dos Prémios Fazemos Bem, uma iniciativa do Jornal de Notícias em colaboração com a Associação Comercial do Porto, Aiccopn e Exponor.

"Começámos numa garagem. Os clientes puxavam por nós. E nós fomos crescendo" Patrícia Dias Administradora da 6 Dias

SARA SAMPAIO É CAPA DA HARPER’S BAZAAR DE SINGAPURA Ainda estamos no início do ano e Sara Sampaio já conseguiu a sua primeira capa. Desta vez é na edição de Fevereiro da revista Harper’s Bazaar singapurense, onde o “anjo” português se apresenta num ambiente selvagem. Já em Maio de 2016 a modelo portuguesa tinha feito capa na versão turca da mesma revista.


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LAMEIRINHO INVESTE 5 MILHÕES POR ANO

MULHERES ARRASAM NO CONCURSO BLOOM São todas mulheres as finalistas do Concurso Bloom 2017, uma iniciativa dedicada à identificação e apoio de novos talentos da moda nacional. As oito jovens designers terão agora a oportunidade de apresentar as suas coleções no espaço Bloom, em Março, no Portugal Fashion. O desfile será a terceira e última fase da competição, ditando o anúncio imediato dos dois grandes vencedores, que voltarão a desfilar neste evento de moda à escala nacional e que vão poder contar com o suporte de mentoring e orientação por parte da plataforma Bloom.

"O meu lema é crescer com segurança. Olho mais para a margem do que para o volume de vendas" Gonzaga Oliveira CEO da Artefita

Paulo Coelho Lima com a equipa da Lameirinho no stand da empresa, na Heimtextil, onde se iniciaram os festejos do 70º aniversário

A Lameirinho tem em curso um vultuoso investimento industrial que contempla a ampliação de instalações, renovação de equipamentos, aumento da capacidade instalada e a introdução de uma ainda maior flexibilidade na resposta às encomendas. Este programa de investimentos iniciou-se há três anos e, entre outras coisas, duplicou a estamparia, criou uma nova lavandaria e renovou a tecelagem – não só na preparação, mas também no parque de teares, que passaram a ser 186. “Estamos a investir cerca de cinco milhões de euros todos os anos, o que a grosso modo corresponde a 9% das nossas vendas”, diz Paulo Coelho Lima, CEO da Lameirinho, que fechou 2017 com um volume de negócios de 58 milhões de euros, sendo que 90% referem-se a exportação para 35 países. “Provavelmente nunca vamos parar de investir. A nossa opção é por crescer em qualidade, subindo na cadeia de valor, e não em volume. Mas não podemos voltar as costas ao mercado, onde há uma procura crescente de produto made in Portugal”, acrescenta.

Paulo Coelho Lima explica que é para corresponder com oferta de qualidade garantida aos pedidos do mercado que a Lameirinho está a fazer este esforço de investimento, em vez de optar pela solução mais fácil de externalizar produção. “Estamos a aumentar a capacidade instalada, a crescer internamente, porque não podemos arriscar nos produtos que levam a nossa marca, subcontratando operações importantes. Temos de controlar todo o processo”, afirma. Com a colocação de um grande 70 à frente do seu stand na Heimtextil – percorrido com uma linha cronológica onde eram recordados os marcos essenciais da vida da empresa -, a Lameirinho (que, curiosamente, tem 700 trabalhadores) iniciou em Frankfurt as comemorações do seu 70o aniversário, que vai aproveitar para relançar a sua marca homónima. “É uma marca com história, que já vai a caminho da quarta geração e se está a preparar para viver e prosperar por mais seis ou sete gerações”, conclui Paulo, filho de Albano e neto do fundador. t

PENEDO NEGOCEIA CORK.A.YARN COM CADEIAS MULTINACIONAIS Várias cadeias internacionais de vestuário já manifestaram elevado interesse em poder utilizar o cork.a. yarn, um fio produzido a partir de desperdícios de cortiça, desenvolvido por um consórcio integrado pela Têxteis Penedo, a Sedacor, a FEUP e o CITEVE. A Penedo está já negociar com multinacionais a possibilidade de usarem este produto (patenteado a nível mundial e prestes a entrar na fase de industrialização) na confecção de vestuário. “Em meados deste ano teremos a capacidade industrial para entrar no mercado. Já foram resolvidas e ultrapassadas as naturais dificuldades e constrangimentos que sur-

gem sempre, quando se passa para a fase da industrialização”, garante Francisco Xavier Leite, o CEO da Penedo, uma têxtil lar que fechou 2017 com um volume de negócios de 12 milhões de euros e emprega 96 pessoas. Subproduto da cortiça, reaproveitada com incorporação têxtil, o cork.a.yarn implicou já um investimento de dois milhões de euros, que terá de ser complementado com mais um milhão de euros a aplicar em maquinaria. “Estamos convencidos que este investimento se paga num prazo de cinco anos”, afirma Xavier Leite, acrescentando que a Penedo usará o

novo fio numa variada gama de têxteis lar – da cama à mesa, passando pelos cortinados. Mas o cork.a.yarn, em cuja composição entra um mínimo de 20% de cortiça cruzada com algodão, e, num futuro próximo, talvez linho ou outro material, poderá ainda ser usado não só na confecção de vestuário como também de artigos de decoração ou outros produtos. “Devido às propriedades naturais anti-fogo e de proteção térmica, penso que o cork.a.yarn será muito procurado para a confecção de roupas de trabalho”, alerta Agostinho Afonso, administrador da Penedo. t

VENDAS DA H&M EM MÍNIMOS DA DÉCADA

ASAE APREENDEU ROUPA FALSIFICADA

Com um recuo de 4% no trimestre que terminou em Novembro, as vendas da H&M registaram o pior resultado da última década, o que levou o gigante sueco a equacionar o encerramento de lojas e repensar a estratégia de abertura de novos espaços. A aposta parece passar pelo reforço das vendas online, canal onde as coisas também não têm corrido pelo melhor.

Em apenas duas semanas, em meados de Dezembro, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica apreendeu cerca de 30 mil artigos contrafeitos, onde se inclui calçado desportivo, malhas, cintos, malas e carteiras, acessórios de moda, bijuteria, óculos, relógios e perfumes. As acções de fiscalização decorreram em Lisboa, Leiria, Porto, Guimarães, Palmela e Cascais.

BELA SILVA FAZ LENÇO DE SEDA PARA A HERMÈS Aos 52 anos, a artista Bela Silva continua a dividir o seu tempo entre Lisboa e Bruxelas. A sua obra centra-se sobretudo na cerâmica e no azulejo, mas agora a Hermès convidou-a para assinar um dos famosos carrés da casa francesa: lenços de seda que são verdadeiras obras de arte e que custam para cima de 300 euros.

INOVAFIL VAI DEDICAR 50% DA PRODUÇÃO AOS TÊXTEIS TÉCNICOS A Inovafil pretende dedicar até 50% da sua produção aos têxteis técnicos e funcionais, elevando assim a fiação para um novo patamar. “A nossa estratégia é sermos não só moda, mas também desporto, têxteis técnicos e funcionais, porque vão deixar de ser um nicho de mercado quando essas funcionalidades começarem a ser introduzidas naquilo que é o nosso vestuário do dia-a-dia”, realçou Rui Martins, administrador desta empresa participada da Mundifios, o maior trader ibérico de fios têxteis.


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TUDO SOBRE MODA, Á DISTÂNCIA DE UM CLIQUE!

WWW.PORTALDEMODA.PT


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NORUEGA VAI ACABAR COM PRODUÇÃO DE PELES ATÉ 2025 A decisão foi tomada por maioria no parlamento norueguês: as quintas de peles, locais onde se reproduzem e matam os animais cujas peles são usadas para roupa, vão acabar progressivamente até 2025. A medida foi aplaudida pelas associações defensoras dos animais, mas acolhida com desagrado por parte dos empresários do sector. Atualmente a Noruega produz cerca de um milhão de peles por ano, maioritariamente raposa e vison, produzidas em cerca de 200 quintas.

Carla Costa foi a vencedora do concurso, tornando-se na "melhor costureira amadora de Portugal"

VENCEDORA DO “COSIDO À MÃO” ABRE ATELIER de costureira na empresa Malhas Triamitex até aos 17 anos”, recorda. Os percursos pessoal e profissional de Carla Carla Costa, a vencedora do concurso da RTP “Cosempre estiveram ligados a Guimarães e a Fersido à Mão”, vai abrir um atelier em Guimarães, mentões, uma freguesia próxima do centro desta tendo já criado para o efeito uma empresa/marca cidade, onde reside. “Depois da Triamitex, uma à qual deu o nome de “Carla Costa Atelier” que já funcionária desta empresa convidou-me para ir está disponível na internet, através da rede social trabalhar com ela numa confecção que abriu para Facebook. o trabalho a feitio. Tinha então 17 anos. Para aí já Não perdeu tempo a vencedora desta iniciativa fui como costureira”, descreve. do canal público, que contou com o patrocínio do T O seu percurso profissional seria interromJornal ao oferecer um estágio numa empresa e uma pido quatro anos depois quando casou e teve o visita à Première Vision de Paris. Menos de uma seprimeiro filho aos 21 anos. “Conheci o meu mamana depois de terminar o concurso, já tinha dois rido aos 15 anos e casamos seis anos depois. Ele sítios em perspectiva na cidade Guimarães para lo(Ricardo Rodrigues) tem uma empresa de moncalizar o seu atelier, criou a sua empresa, e quem tagens eléctricas. Ganhava o suficiente para eu estiver interessado em seguir o seu percurso prodeixar de trabalhar e dedicar-me aos filhos e à fissional já pode fazê-lo no Facebook. família”, diz Carla. O modelo de negócio gizado por Carla Costa, Mesmo durante o período em que trabalhou nas 44 anos, passa por ter no seu atelier uma colecção fábricas, a vencedora do “Cosido à Mão” costurava de tecidos, que as suas clientes também em casa, fazendo peças para escolherão, desenvolvendo declientes, e evoluindo sempre nesta arte. "Não sou pois Carla as respectivas peças que com os filhos pequenos, o estilista, não sou “Claro de vestuário para mulher. “Não meu trabalho de costureira foi abrandesigner. Sou dando – queria tratar deles”, observa. sou estilista, não sou designer. Sou costureira”, diz a vencedoCom a ida para a Universidade do costureira." ra do “Cosido à Mão”, reconhePorto dos dois filhos mais velhos (amcendo que, tal como as sessões bos também residem no Porto), Carla do concurso mostraram, o seu Carla Costa recomeçou nas lides na costura. “So“ponto fraco é a criatividade”. vencedora do concurso mos cinco irmãos, quatro raparigas O que alegadamente lhe falta "Cosido à Mão" e um rapaz. A mais nova das minhas em criatividade é superado pela irmãs, que trabalha numa empresa de sua capacidade de iniciativa e empreendedoristêxteis-lar, estava sempre a picar-me para me dedimo, como se vê. Menos de uma semana depois do car a esta arte. E foi ela que acabou por me inscrefim do concurso, Carla Costa já estava no terreno. ver no concurso da RTP”, revela. “Logo na semana a seguir a ter terminado o conO futuro imediato já está decidido – o atelier em curso fui ver sítios em Guimarães para montar o Guimarães. Quanto aos prémios que obteve, o pemeu atelier”, revela esta mulher, mãe de três ficuniário (cinco mil euros) já tem destino. O estágio lhos – o João, 20 anos, que frequenta o 3o ano de na empresa, patrocinado pelo T Jornal, ainda não Engenharia Electrotécnica na FEUP; o Pedro, de sabe se o irá fazer. “Não sei se será possível conciliar 19 anos, caloiro de Medicina, e a Carolina de 12 o estágio com o atelier que estou a lançar”, explica, anos, que anda no sexto ano. interrogando-se mesmo: “É que se é um estágio de Foi no fundo o papel de mãe de três filhos costureira, isso não adianta nada porque isso sou eu. e de mulher que mudaram o rumo da vida de Quanto muito se fosse algo mais ligado ao modelisCarla Costa. “Faço costura desde que me lemmo ou à criação podia aprender alguma coisa. Mas bro. Deixei de estudar no sexto ano, quando tenho que ver mesmo assim se posso ou não conjugar a minha actividade com esse estágio”. t tinha 14 anos, e fui trabalhar como assistente Raposo Antunes

30 %

de aumento no volume de negócios até 2020 é o objetivo que a Adalberto Estampados fixou e espera cumprir, aumentando as exportações para os mercados onde já está presente

GRUPO VALÉRIUS EM PÓVOA DE LANHOSO

FARFETCH AJUDA FENDI NA CUSTOMIZAÇÃO

O Grupo Valérius vai abrir uma nova fábrica na antiga Filobranca, em Póvoa de Lanhoso. A informação é avançada pelo município, que adianta que a abertura está agendada para finais de Março e que deverão ser criados novos 100 postos de trabalho. As instalações estão ainda a sofrer obras mas o processo de recrutamento já começou.

A personalização das carteiras da Fendi vai passar a poder ser feita online, graças a uma parceria com a Farfetch. O projecto “Customize It” foi anunciado pela marca de luxo do grupo LVMH, propondo diferentes opções de personalização das carteiras Fendi, o que até agora só era possível nas lojas da marca.

LUÍS CARVALHO VENCE PRÉMIO OPENMYMED

À segunda foi de vez: depois de no ano passado ter constado na pré-seleção dos prémios OPENMYMED, este ano Luís Carvalho foi mesmo um dos vencedores. O criador português passará assim a ter apoio em três setores fundamentais para estabelecer a sua marca: estratégia, comunicação e comercialização. O estilista oriundo de Vizela foi um dos 13 vencedores deste prémio atribuído pela Maison Méditerranéenne dês Métiers de la Mode, cujo objetivo é descobrir, ajudar e orientar jovens designers e que no ano passado teve Susana Bettencourt como uma das vencedoras.


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M EMERGENTE Por: José Augusto Moreira

Isabel Miranda Product Developer & CBO Assistant da Olmac Família Partilha casa com o namorado João Macedo (fotógrafo), “por enquanto sem projectos de filhos” Formação O curso de Análises Clínicas e Saúde Pública (CESPU) foi a opção no final do 12º ano, “mas a meio achei que a área de saúde não era o meu destino” Casa T2 no centro de Famalicão Carro BMW Série I Portátil Windows Surface Telemóvel iPhone 6 S Hóbis Viagens, ir ao ginásio e ao cinema - “Agora, adoro passear e brincar com o meu sobrinho” (Manuel, 2 anos) Férias Costuma acompanhar a família nos destinos de praia. No último ano foi ao México e NY Regra de ouro "Aproveitar e focar no presente, sempre com a certeza que o futuro será ainda melhor”

FOTO: RUI APOLINÁRIO

A moda sempre foi uma paixão Há coisas que são intuitivas. Constatam-se, mesmo sem qualquer explicação evidente ou imediata. Assim se passa quando se mete o pé dentro da Olmac e logo aí se sente que algo por ali tem que ver com a juventude fresca e dinâmica de Isabel Miranda. Por enquanto uma espécie de delfim na empresa criada pelos avós paternos na ressaca da revolução de Abril, mas cujas referências curriculares são até susceptíveis de induzir em erro. Dizem que era para ser outra, que não os têxteis, a orientação para o rumo futuro da sua vida. No horizonte profissional estava antes a área da Saúde, mas sabe-se como os documentos escritos nem sempre conseguem reflectir a essência da realidade. De facto, até por lá andou, mas a paixão pela moda fê-la mudar de agulha a meio do percurso. “Sempre gostei de estilo e tendências, a moda sempre foi uma paixão”, explica, se bem que as opções escolares e a ideia de um curso académico tenham começado por empurrar na outra direcção. Talvez porque a irmã (Catarina, mais velha quatro anos) já estivesse a concluir o curso de medicina, ou, quem sabe, até só porque lhe permitia continuar a andar por perto da fábrica, por onde sempre cirandou desde criança na companhia dos avós e dos pais, que agora acompanha na gestão diária da empresa. Concluído o secundário - no INA, o velho Colégio das Caldinhas – a opção era pela área da Saúde e o curso de Análises Clínicas e Saúde Pública, na CESPU, parecia até uma boa opção, mas na verdade a moda nunca deixou de lhe andar na cabeça. E foi já a meio do curso que arriscou ter uma conversa com os pais e acertar agulhas com o instinto. “Foi tudo pacífico, uma conversa muito tranquila”, recorda. “Vi que não era aquilo que queria para o meu futuro, que tinha que mudar para ser feliz”, e ficou combinado que nas férias seguintes avançaria para uma primeira experiência de trabalho na Olmac. E só não pode dizer que foi até hoje porque entretanto quis conhecer toda a realidade do têxtil em mini-estágios onde passou por empresas de malhas, estampagem, moldes e tinturaria. Não lhe chegava, e quis completar as experiências com um curso de styling e consultadoria de imagem “para acrescentar conhecimento ao know-how adquirido”. Tanto que dois anos depois (em 2012) já estava a lançar uma marca própria de t-shirts, que concebeu e desenhou na íntegra. “Queria criar um projecto meu desde o início. Tinha tudo dentro de portas e até a ajuda e o suporte essencial dos pais, tinha tudo para dar certo”, desvaloriza. Nascia a DeBlanc, mas o problema foi que a coisa correu mesmo muito bem – “chegou a facturar à volta de 30 mil euros no primeiro ano” – e foi preciso depois tomar decisões: “Não podia deixar de parte o principal. Já estava na empresa há dois anos e a ideia inicial é que fosse apenas uma espécie de part-time, mas com as proporções que tomou acabou por ter que ficar de parte”. Isabel dedica-se hoje de alma e coração às funções na Olmac: “Comecei do zero como outra pessoa qualquer. Sou comercial, tenho alguns clientes sobre a minha responsabilidade directa, vou às feiras e dou a cara pela empresa”. A ideia passa por, “step by step”, começar a dar alguma folga ao pai, Orlando Miranda, na direcção da empresa. Para já, todas a energias estão concentradas no private label, mas tem também dentro de portas duas marcas com provas dadas. A Olmac, que expõe com grande sucesso em feiras como a Ispo, na Alemanha, “apenas para mostrar aquilo que somos capazes de fazer”; e a DeBlanc, que “está em stand by, mas quem sabe um dia não volte a renascer mais madura”. E basta ver o brilho que se acende nos olhos de Isabel Miranda quando fala da “colecção básica com estampados e embalagens apelativos” da DeBlanc para se perceber que a moda sempre foi a sua paixão. Tal como quando se mete o pé dentro da Olmac. Há um look moderno, de estilo depurado, solto e acolhedor, que logo se insinua e com ela se identifica. Mesmo que não haja qualquer explicação. Intui-se. t


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CITEVE TEM NOVE PROJECTOS PARA O SOLDADO DO FUTURO Raposo Antunes

O CITEVE integra uma espécie de Think Tank dedicado à área militar, no qual participam investigadores, cientistas e mesmo oficiais de diversos países europeus e membros da Nato. “O CITEVE é hoje um organismo reconhecido pelas entidades nacionais e internacionais como um centro de investigação nesta área”, explica José Morgado, diretor do Departamento de Tecnologia e Engenharia do CITEVE. Daí a participação activa neste grupo de reflexão que se reúne periodicamente com o intuito de analisar as novas tendências e projectos, sobretudo na área dos equipamentos militares de protecção individual. O CITEVE está envolvido em nove projectos nesta área dos equipamentos de protecção individual, alguns dos quais estão a ser desenvolvidos e outros já foram concluídos, como é o caso de quatro estudos de viabilidade que foram encomendados pela Agência Europeia de Defesa. Nestes nove projectos participam algumas empresas portuguesas como a Damel, a Tekever, a AST, a Riopele, a Monte Campo e a ICC La- voro, mas também estrangeiras como a Microsoft, a Paul Boyé, uma empresa de confecções, a multinacional francesa Safran, dedicada aquilo que designam como soldado do futuro, e a Brapa, uma empresa holandesa de consultadoria. O leque de parceiros alarga-se ainda a institutos de investigação de diversos países como o espanhol Aitex (ligado à tecnologia têxtil), os suecos da FOI, os alemães da Fraunhofer IOSB, a Universidade Politécnica de Valência, um instituto checo, o Cinamil (Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar), a ESE (Escola de Sargentos do Exército), o Inegi (Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial, do Porto), a Faculdade de Ciências de Lisboa e o ISCTE-IUL. O Exército português, de resto, colaborou no primeiro projecto que o CITEVE desenvolveu na área da defesa militar, no qual também participaram as empresas Damel e AST. Designado como Permac, este projecto, que já está concluído, desenvolveu um camuflado de protecção com regulação térmica activa para militares. No âmbito do camuflado, foi de-

senvolvido um tecido com elevada resistência mecânica e um conjunto de calças e dólmen com elevado índice de ergonomia.

aos militares serem uma espécie de “soldados camaleões”. Neste estudo de viabilidade, liderado pela FOI, uma entidade sueca de investigação militar, participaram ainda o IOSB-Fraunhofer (um instituto tecnológico alemão) e a Damel.

AS APOSTAS DA AGÊNCIA EUROPEIA DE DEFESA

A Agência Europeia de Defesa entregou a um conjunto de entidades do sistema científico, tecnológico e empresariais europeias uma série de estudos de viabilidade, dos quais quatro foram desenvolvidos pelo CITEVE, que já os concluiu. No Acclitexsys, o CITEVE teve como parceiros a

empresa têxtil portuguesa Damel, a Safran, uma multinacional francesa dedicada ao “soldado do futuro”, e o Aitex, um instituto espanhol da área da tecnologia têxtil. Este projecto visou desenvolver vestuário militar ou paramilitar com um sistema de climatização que permite ao seu utilizador aquecer ou refrigerar o corpo conforme o teatro militar o exija. Designado como Acams, o segundo projecto tinha como objectivo analisar a viabilidade de um equipamento de protecção individual que tivesse aquilo que designam como uma “camuflagem adaptativa”, que, no fundo, permitiria

jecto Conceds, que se destinava a fazer uma análise global dos requisitos mais importantes para o soldado apeado. O CITEVE também concluiu com sucesso no final do ano passado um outro projecto na área da Defesa, neste caso dedicado a encontrar soluções de protecção química, biológica e nuclear. No Prosafe, o CITEVE integrou um consórcio liderado pelo Aitex, e que contava tambem com a participação da Universidade Politécnica de Valência, da empresa holandesa de consultadoria Brapa e de uma instituição da República Checa. SISTEMAS NA ÁREA DA SOBREVIVÊNCIA

No âmbito do Programa de Sistemas de Combate na área da sobrevivência, o Estado Maior do Exército encomendou ao CITEVE uma série de protótipos de equipamentos militares (vestuário, calçado e mochilas), no qual colaboraram as empresas têxteis Riopele e Damel, a Monte Campo (mochilas) e ICC Lavoro (calçado). Além dos protótipos, o Estado Maior do Exército encomendou também ao CITEVE os respetivos dossiers técnicos, visando o desenvolvimento de uniformes de combate, um conjunto de underwear térmico, um conjunto impermeável, um sistema de carga (mochilas) e botas de combate. Ao mesmo tempo, estão também a ser desenvolvidos tecidos camuflados de elevada resistência mecânica. No âmbito deste último projecto, o CITEVE está a fazer um levantamento antropométrico do soldado português, recorrendo à tecnologia de bodyscanner . Para este levantamento, o CITEVE partiu de uma amostra de 250 militares do exército português. MICROSOFT TAMBÉM É PARCEIRO

O terceiro estudo da Agência Europeia de Defesa dizia respeito ao projecto Livest, um sistema de protecção balística ultra-leve. Este estudo, também já concluído, foi coordenado pelo Aitex e nele participaram, para além do CITEVE, as empresas Tekever e Paul Boyé. Também para a mesma agência, o CITEVE (coordenador), a Safran e o IOSB-Fraunhofer desenvolveram o pro-

O desenvolvimento de um equipamento avançado para combate (ACU) e o controlo do stress em combate são dois projectos que estão a ser desenvolvidos pelo CITEVE e que contam com a colaboração de duas empresas têxteis (a Damel e a Riopele) e do gigante informático Microsoft. Estes dois projectos encomendados pelo Exército português, que ainda se encontram em curso, tem também a colaboração do Cinamil (Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar), da Escola de Sargentos do Exército, da Faculdade de Ciências de Lisboa, do ISCTE-IUL e do INEGI (Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial, do Porto. t


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OPINIÃO INOVAR OU MORRER Isabel Furtado Membro da direção da ATP

O IMPORTANTE É VENDER VALOR Paulo Vaz Diretor-Geral da ATP e Editor do T

“Inovar ou morrer”, assim disse Peter Drucker há mais de 30 anos... Hoje em dia, mais do que nunca, somos permanentemente recordados da importância vital da inovação para o crescimento económico e para o sucesso das empresas. Inovar está na ordem do dia e é um tema muito presente nas notícias, artigos de opinião, programas de conferências, seminários... a palavra inovar quase se tornou obrigatória nas nossas conversas. Mas factos são factos, e Portugal não tem tido resultados animadores nesta matéria, apesar dos esforços realizados, e de um ou outro sector mais promissor, como é o caso da indústria têxtil. De acordo com o European Innovation Scoreboard 2017 da Comissão Europeia, Portugal é considerado um inovador “moderado”, estando apenas à frente do grupo de “modestos”, como a Roménia e Bulgária. Em Portugal, o investimento em I&D em 2016 foi abaixo da média Europeia, sendo mesmo menor que em 2010. Será esta uma das principais causas para o fraco impacto da inovação nas vendas. Continuamos muito aquém do que deveriamos estar. À semelhança de tantos outros temas, afinal a ideia de inovar parece ficar muito pelas palavras e pouco pelos actos. Mas para investir é preciso saber o que é de facto inovação. Inovar significa criar coisas novas, recombinar as coisas que já existem de uma forma diferente resultando em novos produtos, processos ou serviços, ou na melhoria significativa de alguns dos seus atributos. Parecendo tão simples, porque é tão difícil inovar e manter a capacidade de o fazer? Talvez porque o maior desafio da inovação não é a conceção de ideias em si, mas sim a forma de as gerir e transformá-las em valor percecionado pelos clientes.

Os primeiros sinais que nos chegam das feiras do sector têxtil e vestuário no início do ano são positivos e podem fazer-nos pensar no ano que agora arranca como de crescimento, a exemplo de todos os restantes que fizeram a década que vivemos. Trata-se, pois, de uma oportunidade de ouro, aproveitando a bonança, para nos preparamos para anos mais difíceis que acabarão por chegar, mais adiante, quando o ciclo económico mudar e quando for necessário realizar ajustamentos, por ventura penosos. Não há crescimentos eternos, mas poderíamos ter tido uma decadência irreversível, não soubéssemos ter desenhado estratégias de superação, ao nível do sector e ao

É fundamental ter ideias, ter sonhos, ter invenções, mas o objectivo final terá que ser sempre torná-las em bens transacionáveis. E aqui reside o nosso maior obstáculo... ou, se quisermos, o nosso maior desafio. E temos que reconhecer que criatividade não é sinónimo de inovação. Uma organização com pessoas criativas não é necessariamente uma organização inovadora. A inovação tem que ser a consequência de um processo sistemático e organizado com uma estratégia bem definida, monitorizada e, por tal, mensurável. É importante ter a estratégia de inovação alinhada com a estratégia da gestão e do próprio negócio, e determinar como se cria valor para actuais ou potenciais clientes, como é que a empresa capta esse valor e que tipo de inovação se pretende fazer, incremental ou disruptiva. Sendo a inovação um processo de descoberta baseado no conhecimento, a abordagem da gestão de topo deve ser diferente da tradicional, criando uma organização que aprenda com os erros, que incentive ao desenvolvimento, que permita liberdade de pensamento, motivada por desafios, com espírito crítico e com agilidade para navegar na crescente incerteza. E se Portugal é um país com escasso retorno no investismento em IDI, a protecção e valorização do conhecimento e da propriedade intelectual estão ainda mais distantes dos padrões típicos de países inovadores. Uma invenção é o alicerce da inovação, sendo por definição uma nova solução e pode ser protegida por patentes. As patentes são o garante que um inventor pode controlar a utilização comercial da invenção, só assim evitando que o esforço de investimento e toda a atividade de IDI não termine facilmente nas mãos da concorrência. Mas guardemos esta ideia para um futuro artigo...

nível das empresas, no momento próprio. É, pois, nossa obrigação, colocar não apenas a “cigarra” a cantar o nosso sucesso, de modo a que o sector obtenha o merecido reconhecimento, interno e externo, mas também a “formiga” a laborar, preparando tempos mais agrestes, de modo a que nunca mais sejamos apanhados desprevenidos pela crise e para que existam fórmulas afinadas para a enfrentar quando surgir. Além disso, o trajeto de sucesso que a indústria têxtil e vestuário tem tido, aliás já reconhecido como “case study” internacional, exemplo de um país desenvolvido que está a ser bem-sucedido na reindustrialização, apesar de a maioria dos fatores competitivos – energia,

custos de mão-de-obra e quadro fiscal - se terem entretanto agravado, não nos pode iludir sobre o muito que ainda há a conquistar, pois, tal como já tenho referido, depois de termos resistido, de termos reconquistado volume de negócios, exportações, quota de mercado e até algum emprego, falta ganhar o campeonato da inovação, do valor acrescentado e da rentabilidade. Muito mais importante que vender volume é vender valor. Este é o desafio da década que está a chegar e ele é bem mais difícil do que os que até agora enfrentamos, pois entre o céu, que queremos conquistar, e o inferno que é a disputa pelo preço, há o limbo onde todos se perdem, muitas vezes sem dar por isso.


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Raul Fangueiro Professor e investigador da Universidade do Minho e coordenador da Plataforma Fibrenamics

UM INVESTIMENTO SEGURO Nos últimos anos, as universidades portuguesas têm-se afirmado fortemente no panorama internacional como entidades geradoras de conhecimento relevante em diversos domínios, fruto da qualidade das atividades de investigação que desenvolvem. Na última década, a produção científica portuguesa triplicou, verificando-se um crescimento sustentado deste indicador ao longo dos últimos 20 anos. Trata-se de conhecimento de enorme valia que não devemos, nem podemos, como país, desperdiçar. É fundamental que todo este conhecimento possa ser colocado ao serviço da sociedade, através da sua valorização e transformação em produtos e tecnologias inovadoras, capazes de nos transportarem para outros níveis de desenvolvimento económico, social e cultural. O conhecimento é, na sua essência, um processo de construção coletivo, na qual a interdisciplinaridade dos agentes envolvidos assume papel fundamental para a geração de soluções adequadas aos enormes desafios que atualmente nos são colocados, como a sustentabilidade do planeta, a proteção dos indivíduos, a inclusão social, entre muito outros. Neste sentido, para que possamos ser eficazes na sua valorização, é fundamental que os diversos atores envolvidos estejam devidamente integrados, reconhecendo o papel importante que cada um desempenha. Para além das entidades governamentais, cuja função de criação das condições favoráveis à normal fluidez do processo de valorização do conhecimento é inegável, as universidades e as empresas assumem-se como os seus atores principais. As universidades, de uma forma natural, por intrinsecamente procurarem contribuir para os avanços da ciência e da tecnologia, colocando-se na vanguarda do conhecimento; e, as

empresas, pela procura constante de respostas aos desafios colocados pelos indivíduos, por via da inovação, e pela capacidade de concretizarem e disponibilizarem as soluções mais adequadas. Neste contexto, o papel de plataformas que possam agilizar o relacionamento entre estes agentes, proporcionando-lhes oportunidades de interação e de discussão das soluções mais adequadas de valorização e transferência de conhecimento,

"Portugal, através da Plataforma Fibrenamics, da UMinho, é reconhecido pelos seus pares europeus como um caso de estudo. Com forte participação nas suas actividades, as empresas da ITV têm sabido integrar, com enorme vantagem, o conhecimento que vai sendo gerado, transformando-o em produtos e tecnologias de elevado valor acrescentado."

simplificando procedimentos que à partida parecem complexos, assume importância capital na qualidade dos resultados a obter neste processo. Também neste âmbito, Portugal, através da Plataforma Fibrenamics, da Universidade do Minho, é reconhecido pelos seus pares europeus como um caso de estudo. Efetivamente, a Fibrenamics foi capaz de conceber e implementar um modelo de valorização e transferência de conhecimento que, de uma forma simples, mas bastante eficaz, consegue articular universidades e empresas na identificação, conceção e implementação de soluções inovadoras, orientadas para necessidades específicas do mercado. Com uma forte participação nas atividades da Plataforma Fibrenamics, as empresas do setor têxtil e vestuário têm sabido integrar, com enorme vantagem, o conhecimento que vai sendo gerado pela Universidade do Minho, transformando-o em produtos e tecnologias de elevado valor acrescentado, muitas vezes orientados para fileiras distintas da da moda, como as dos transportes, do desporto, da saúde, entre outras. O conhecimento gerado pelas universidades com potencial de aplicação na área têxtil, continuará a surgir de forma acelerada, em áreas como a nanotecnologia, a funcionalização de superfícies, os polímeros naturais, os materiais compósitos, os materiais inteligentes, entre muitos outros, abrindo constantemente novas possibilidades de inovação e de diferenciação das empresas portuguesas à escala global. Torna-se, portanto, fundamental que estas assumam o conhecimento como um pilar estratégico fundamental para seu crescimento sustentado, alicerçado numa forte relação com as universidades. t


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U ACABAMENTOS Por: Katty Xiomara

Quando o Modtissimo volta a aterrar no Francisco Sá Carneiro, Katty desafia o até agora presidente executivo da TAP a visitar a versão mais fashion do aeroporto. E foi inspirada nos tempos de piloto de Fernando Pinto que lhe preparou a equipagem, com um bomber over-size, calças justas e botas de cano alto. Em alternativa, uma versão mais exuberante, com plumas e purpurinas, para uma despedida festiva e tendo em vista o Carnaval

Fernando Pinto em versão fashion para visitar o Modtissimo no aeroporto Como esta primeira edição de 2018, o Modtissimo volta a aterrar no Aeroporto Francisco Sá Carneiro e bem poderia ter entre os seus ilustres visitantes o até há dias presidente executivo da TAP. Agora que a agenda de Fernando Pinto ficou com mais espaço livre, é bem provável que possa dedicar algum do seu tempo a eventos de natureza efémera. Daí o desafio para a viagem até ao Modtissimo para ver as novas modas, agora que está liberto da agenda da administração da transportadora aérea nacional. Cá o aguardámos expectantes, preparando uma visita guiada pelo nosso aeroporto, que sabemos ser uma completa novidade para Fernando Pinto, encarado nesta perspectiva fashion. Na sua bagagem rumo a Norte colocamos algumas surpresas para o fazer sentir-se integrado na atmosfera. Começamos por beber inspiração na sua antiga faceta de piloto particular e optamos por um look sugestivo. Um bomber over-size em tons quentes de madeira, com uma camisola de gola alta num amarelo doce e amadurecido e umas calças justas com botas de cano alto. Depois pensamos numa versão mais exuberante, tendo em mente o Carnaval e colocamos algumas plumas e purpurinas. Na verdade, o look é o mesmo, mas sofre uma drástica transformação quando virado do avesso. Esperamos, pois, que Fernando Pinto goste da bagagem que lhe preparamos e que possa fazer desta visita uma festa de despedida à altura das funções que desempenhou e a recorde como o ponto mais alto no momento da partida da administração da TAP. t


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O AS MINHAS CANTINAS Por: Manuel Serrão

Le Babachris Rua D. João I, 39 4810-422 Guimarães

UMA ESTÓRIA DE AMOR E GASTRONOMIA Neste mês que inclui o Dia dos Namorados, nada mais apropriado do que trazer aqui para as minhas Cantinas uma bela estória de amor. Uma paixão internacional que não começou no meio dos pratos mas acabou na cozinha. De um restaurante de Guimarães que consegue uma bela síntese entre a paixão que nasceu entre os dois empreendedores e a paixão que ambos nutrem pela gastronomia. Este espaço que realmente é diferente da restauração tradicional vimaranense, foi criado há 3 anos e meio,

algum tempo depois do chef Christian, meio espanhol, meio francês, conhecer a portuguesa Bárbara por terras gaulesas e mais tarde, já em Portugal ter tido a ideia de criar algo único na região. Assim nasceu o Le Babachris, um nome que espelha a união e a sintonia entre os dois. O conceito e visão provou revolucionar a gastronomia em Guimarães, com pratos trabalhados com paixão e criatividade, tendo a inspiração como a principal base da cozinha. A experiência que prometem pro-

porcionar a todos os clientes consiste na tentativa de que cada visita seja única e surpreendente. A pensar nisso apresentam menus e conceitos originais, com uma oferta de 3 diferentes menus para 3 momentos diferentes. Aos almoços o menu executivo com 2 opções de entrada e duas de prato principal com sobremesa. Já aos sábados (e não falharei num dos próximos, grande arrozeiro que sou) a aposta é trabalhar o arroz com produtos da época. Os jantares são o ponto alto com o menu 6 Ins-

pirações, 6 pratos onde a originalidade e criatividade do chef não tem limites e é renovada de 2 em 2 semanas. Aterrei em Guimarães no Babachris levado pela mão de um cliente e amigo que escolheu um restaurante a condizer, porque também ele tem uma estória de amor com os têxteis lar que um dia o T vai certamente contar. Ou não tivesse eu ido acompanhado do Jorge Fiel que há -de contar, mais mês, menos mês, a estória do António Leite como ele a merece. t


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c Por: Carolina Guimarães

MALMEQUER Mónica Moreira, 40 anos, diretora da área internacional da AEP. Nasceu no Porto mas é uma mulher do mundo: viajou muito com os pais e viveu um ano em Barcelona (onde fez um MBA em internacionalização de empresas). Antes disso licenciou-se em Relações Internacionais, na Lusíada do Porto, e começou o seu percurso profissional no CITEVE. Trabalha na AEP desde 2015 – atividade que conjuga com o papel de mãe de Constança (7) e Tomás (4).

SOUVENIR

MINHAS QUERIDAS BIRKAS

Gosta

Não gosta

Regressar a casa ser Mãe ser pontual desafios viajar ser amada trabalhar Barcelona SriLanka Nova York água tónica amêijoas à bolhão pato cultura Japonesa ir ao cinema chill out dos beijos dos meus filhos ouvir Smooth no carro domingos no sofá com a família silêncio pessoas educadas comida picante peças vintage andar a cavalo jóias acordar cedo dos abraços dos meus sobrinhos ter o mesmo grupo de amigas há 25 anos frutos silvestres jantar com amigos ter a secretária organizada viver no Porto café sushi banho de água bem quente camas feitas de lavado pessoas verdadeiras sapatos carteiras bife tártaro praia finais de tarde no verão ter irmãos sopa vinho branco Açores ter boas recordações cozinhar moda persistência bons hotéis

Trânsito mentiras chegar atrasada pessoas que falam alto crianças mal educadas desportos radicais bichos rastejantes festivais de música campismo festas obrigatórias ter frio pessoas pouco "limpas" fazer malas preguiça faltas de respeito jet leg pessoas sem opinião vinho tinto arrogância cordeiro cheiro a tabaco água com pouca pressão relatos de futebol arrastar malas em aeroportos pêlo de gato desarrumação barulho chuva falta de pontualidade algas no mar montanha russa espaços apertados jornalismo sensacionalista telenovelas obras em casa filmes de terror telemóveis à mesa pessoas sonsas ratos exibicionismo tomar medicamentos inveja arrumar a loiça da máquina ter saudades multidões sapatos desconfortáveis discriminação, seja qual for falta de palavra leite telemarketing

Divido a minha vida em duas metades: a dolorosa e chata antes de conhecer as sandálias Birkenstock e a feliz e saltitona depois de começar a usar sandálias da Birkenstock. Quando falei na vida chata antes de conhecer a Birkenstock estava a ser literal. Tenho os pés chatos como a potassa na eventualidade da potassa também ser chata. As Birkas, como lhes chamam as pessoas apaixonadas por este calçado, moldam-se conforme o peso e o pisar de cada pessoa. É por isso que são tão confortáveis: são feitas à medida. Um par de sapatos feitos à medida na John Lobb em Londres custa cerca de 5.000 euros e precisa de pelo menos três provas. Diz quem sabe que depois de calçar sapatos da John Lobb nunca mais se aguentam outros sapatos. Acredito que sim. Por essas e por outras (mas mais por outras) é que ainda não mandei fazer sapatos na John Lobb. Tenho medo que deixe de gostar das minhas Birkas que custam 80 euros e duram precisamente um ano. Nunca é preciso deitar fora um par de Birkas: vão-se substituindo as várias componentes à medida que se gastam. Gastam-se muito depressa porque são confortáveis. Para continuarem confortáveis os materiais vão-se gastando até já não darem mais uma para a caixa. Serão eternas as minhas queridas Birkas? Deus queira que não, que é para eu poder comprar outras. t Miguel Esteves Cardoso


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T29 Fevereiro 2018  

A capa do mês de Fevereiro do T Jornal faz-se com Manuela Araújo, CEO da Lemar. Isabel Miranda, da Olmac, é a emergente do mês e José Cardos...

T29 Fevereiro 2018  

A capa do mês de Fevereiro do T Jornal faz-se com Manuela Araújo, CEO da Lemar. Isabel Miranda, da Olmac, é a emergente do mês e José Cardos...

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