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>> JUNHO 2014 | ANO I | Nº 1 <<

Tendas das assessorias esportivas

ASSESSORIAS ESPORTIVAS Orientação e motivação para atletas amadores e profissionais - p. 20 MARATURISMO: Duas paixões em um só lugar p. 10

DESTAQUE: Paratleta Claudio Amora - um exemplo de vida p. 38

NUTRIÇÃO ESPORTIVA: Tudo o que você precisa comer para correr melhor p. 34


ANÚNCIO

Dar menos que seu melhor é sacrificar o dom que você recebeu. STEVE PREFONTAINE

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EXPEDIENTE A Revista Correr! é uma publicação de caráter experimental produzida como trabalho de conclusão de curso da aluna Rita de Cássia Queiroz, concludente do Curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo da Faculdade Cearense (FaC), sob orientação do professor Gevan Oliveira. EDIÇÃO DE TEXTOS: Rita de Cássia Queiroz PROJETO GRÁFICO: Thiago C. Bezerra DIAGRAMAÇÃO: Thiago C. Bezerra Contato: (85) 8863.5393 Twitter: @thijoey issuu.com/thiagojoey IMAGENS: Internet Dudu Ruiz Rita de Cássia Queiroz REVISÃO DE TEXTOS: Fernanda Rodrigues TIRAGEM: 10 exemplares FALE CONOSCO: rcoqueiroz@gmail.com

É

EDITORIAL

com muita satisfação que apresentamos a primeira edição da revista Corre!, uma publicação destinada, exclusivamente, aos praticantes da corrida de rua de Fortaleza.

A batalha para chegar aqui foi grande, assim como a expectativa e ansiedade geradas para ver o produto pronto. Fortaleza merece uma publicação voltada ao tema, já que este esporte tem mostrado um crescimento notório em nossa cidade. O número de corredores reflete este cenário, já que apenas no ano de 2013 tivemos mais de cinquenta e três mil pessoas inscritas em provas de Fortaleza. A elaboração da Corre! desde sua concepção até este primeiro exemplar foi realizada com ajuda e opinião de atletas e profissionais ligados ao esporte. Aqui, deixamos nosso mais sincero agradecimento a todos que contribuíram, direta e indiretamente, para a construção deste sonho. Nesta edição, buscamos produzir conteúdos com informação e responsabilidade, através de entrevistas com médicos esportivos, nutricionistas, empresários da moda, organizadores de provas, atletas cearenses de destaque nacional, além contar um pouco sobre a história da corrida e suas particularidades. Dicas sobre filmes, livros e material esportivo, também estão presentes. A revista Corre! é feita de corredor para corredor, contando suas histórias de superação e de vitórias, como o jovem Vitorino que largou o tráfico de drogas para se dedicar ao esporte. Também com o intuito de estimular novos corredores e motivar os veteranos, trazemos um breve panorama sobre as assessorias esportivas de Fortaleza. Novos grupos são criados a todo momento e diversificam suas atividades cada vez mais, buscando assim, a fidelidade de seus alunos. A largada foi dada! Contamos com você para chegarmos juntos na linha de chegada.

Rita Queiroz

Estudante da Faculdade Cearense – FaC. Atualmente, estagiária da assessoria de comunicação da Secretaria Municipal Extraordinária da Copa.

Rita Queiroz

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SUMÁRIO 05

HISTÓRIA DA CORRIDA

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MARATURISMO PRAZER EM VIAJAR E CORRER

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MODA VESTIDOS PARA CORRER

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CABRA DA PESTE E MULHER GUERREIRA

07 >> GALERIA DE FOTOS 08 >> CORRO PORQUE... 09 >> DICIONÁRIO 13 >> CHARGE 16 >> O BOOM DA CORRIDA EM FORTALEZA 18 >> CRÔNICA - SER E CORRER 19 >> A CEREJA DO BOLO

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ASSESSORIA ESPORTIVA, VOCÊ PRECISA DE UMA?

23 >> NIGHT RUN AGITA FORTALEZA 26 >> TIPOS DE PISADAS 28 >> UM, DOIS, TRÊS E ... JÁ!

COMA BEM, CORRA MELHOR

30 >> “A CORRIDA ME FEZ RENASCER!” 31 >> “LARGUEI O TRÁFICO DE DROGAS PARA SER UM CAMPEÃO NO TRIATHLON” 32 >> QUER CORRER? VAI PARA RUA! 36 >> DICAS DE FILMES E LIVROS 38 >> PERFIL – CLAUDIO AMORA

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HISTÓRIA

ERA UMA VEZ...

A história da corrida de rua no Brasil desde 1880 e as grandes conquistas brasileiras

O

atletismo brasileiro ganhou vida através dos imigrantes ingleses e alemães, no século XIX. Em 1880 já existia, no Rio de Janeiro, o Club Brasileiro de Cricket, onde se faziam apostas para corridas a pé, realizadas entre jogos de críquete e, provavelmente, de golfe. Em São Paulo, o primeiro clube a ser fundado foi o São Paulo Athletic, em maio de 1988. De início, apenas para a prática do críquete, mas, posteriormente, também para corridas pedestres, ginástica, golfe e futebol. Além desses dois clubes surgiram ainda, em São Paulo, o Club Alemão de Ginástica (1888), Associação Atlética Mackenzie Collage (1898), Sport Club Internacional (1899) e Club Atlético Paulistano (1900); em Niterói, a Rio Cricket and Athletic Association, por volta de 1899; e em Porto Alegre, várias agremiações dirigidas por alemães, dedicadas à ginástica, jogos com bola e provas atléticas. De acordo com dados da época, em todos esses clubes surgidos no fim do século 19, o atletismo era praticado de forma descontínua, não obedecendo muito às normas traçadas na Inglaterra. No ano de 1914, o jornal ‘O Estado de São Paulo’ patrocinou o Campeonato do Atleta Completo, conjunto de 12 provas para cada concorrente. A competição foi realizada no Clube Espéria e vencida pelo dinamarquês Islovard Rasmussem, cabendo ao brasileiro Amadeu Saraiva, o 2º lugar. A partir de 1918, com uma corrida de 24km pelas ruas de São Paulo, patrocinada pelo mesmo jornal e denominada ‘Estadinho’, o atletismo ganhava novos ares. De acordo com registros da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), a primeira competição nacional foi o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, em 1929, sendo que a última edição desse evento foi disputada em 1985. Já o principal evento de pista do País, o Troféu Brasil, foi criado em 1945 e é realizado até hoje, sendo considerado um celeiro do atletismo brasileiro.

Brasil Olímpico

A primeira participação do atletismo brasileiro em Olimpíada aconteceu nos Jogos de Paris, França, em 1924. Já o primeiro resultado importante veio em Los

Angeles, Estados Unidos, nos Jogos de 1932, com o sexto lugar de Lúcio de Castro no salto com vara. No total, o esporte soma 14 medalhas olímpicas: 4 de ouro, 3 de prata e 7 de bronze. O maior atleta olímpico do Brasil é Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão no salto triplo. Quando chegou a Helsinque, em 1952, ele já tinha fama internacional por ter sido o primeiro homem a ultrapassar a barreira dos 16m: seus 16,01m, marcados meses antes, eram o recorde mundial da modalidade. Adhemar bateu essa marca quatro vezes no mesmo dia (16,12m, 16,09m, 16,22m e 16,05m) e saiu do Estádio Olímpico como herói, recordista mundial e olímpico. O salto também colocou na história do esporte nacional a atleta Aida dos Santos. Em Tóquio, no ano de 1964, ela registrou 1,74m no salto em altura e ficou com o quarto lugar, a melhor colocação individual de uma brasileira nos Jogos Olímpicos até hoje. O feito merece maior destaque pelo fato de Aida competir sem técnico e com uma torção no pé, sofrida durante as eliminatórias. Quatro anos mais tarde, em 1968, o Brasil descobriu que Adhemar Ferreira da Silva tinha um sucessor no salto triplo: Nelson Prudêncio marcou 17,37m e só perdeu a medalha de ouro no último salto do recordista mundial Victor Saneev. Voltou da Cidade do México com a prata e o recorde sul-americano. Quatro anos depois, Prudêncio ganharia a medalha de bronze nos Jogos de Munique. O salto triplo era uma prova para brasileiros. Nelson Prudêncio ainda não tinha se aposentado quando o jovem João Carlos de Oliveira assombrou o mundo, em 1975, ao saltar 17,89m nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, um recorde mundial que levaria quase 20 anos para ser batido. João do Pulo, como o triplista ficou conhecido no Brasil, e Prudêncio estiveram nos Jogos de Montreal, em 1976, e João ganhou o bronze, feito que repetiria quatro anos depois em Moscou. Em 1984, durante as Olímpiadas de Los Angeles, o meio-fundista Joaquim Cruz gravava seu nome na história do

Informações biográficas de Adhemar Ferreira da Silva Paulista, filho de um ferroviário e de uma cozinheira, começou a trabalhar cedo para ajudar nas despesas domésticas. Foi o primeiro bicampeão olímpico, em salto triplo do país. Sua primeira competição foi o Troféu Brasil, obtendo a marca de 13,05 metros. Foi tricampeão pan-americano e pentacampeão sulamericano. Foi dez vezes campeão brasileiro e colecionou mais de 40 títulos internacionais. Bicampeão olímpico na modalidade salto triplo. Forma-se em educação física na Escola do Exército, em direito na Universidade do Brasil e em relações públicas. Entre 1964 e 1967 é adido cultural na Embaixada Brasileira em Lagos, na Nigéria. Depois de anos trabalhando para o Estado, em atividades ligadas ao atletismo, assume em 1996 o cargo de coordenador da área de esportes das Faculdades Santana, em São Paulo. Data do Nascimento: 29/09/1927 Data da Morte: 12/01/2 001 Morreu aos 73 anos.

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Joaquim Cruz nas Olimpíadas de 1984, em Los Angeles

atletismo brasileiro ao conquistar a primeira medalha de ouro, aos 21 anos de idade. Durante a maior parte da prova dos 800 m, Joaquim manteve-se em segundo lugar, atrás do queniano Edwin Koech. Na curva final, acelerou o ritmo, assumiu a ponta e cruzou a linha de chegada com cinco metros de vantagem para Sebastian Coe, segundo colocado. Além disso, registrou novo recorde olímpico com o tempo de 1min43s – marca que só viria a ser superada em 1996, nos Jogos de Atlanta. Nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, o atletismo conquistou o bronze com o revezamento 4x100m formado por Robson Caetano,

Arnaldo de Oliveira, André Domingos e Edson Luciano. O revezamento 4x100m, com Edson Luciano, Vicente Lenilson, André Domingos e Claudinei Quirino, também ficou com a prata em Sydney - 2000. A última conquista olímpica está gravada na memória dos brasileiros e do mundo. A medalha de bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima, na maratona em Atenas, no ano de 2004, teve sabor de ouro depois que o atleta, que foi derrubado durante a prova pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan, se recuperou e chegou festejando a terceira posição e se consagrando como campeão moral.

Você sabia que:

• A primeira mulher a correr uma maratona foi Katrine Switzer. Em 1967, as provas eram exclusivamente masculinas. Ela entrou na prova com o nome de KV Switzer e cruzou a linha com o número 261,como um corredor do sexo masculino. Um dos juízes viu a corredora e tentou pará-la, mas outros corredores a escoltaram e ela terminou a prova em 4 horas e 20 minutos. • A São Silvestre é a mais tradicional prova de rua do País. Criada pelo jornalista Cásper Líbero, que se inspirou em uma corrida francesa, nascia, em 1924, a São Silvestre, disputada na noite do dia 31 de dezembro pelas ruas de São Paulo, marcando a virada do ano. O nome é em homenagem ao Santo do dia. • Acredita-se que a maratona surgiu em 490 a.C., quando o guerreiro ateniense Filípides correu 42 quilômetros, da baía de Maratona até Atenas, para anunciar a vitória grega sobre os invasores persas. Diz a lenda que ao concluir o percurso, Filípides teria morrido. Suas últimas palavras teriam sido: “Rejubilem-se! Vencemos!” Muitos séculos depois, durante a Olimpíada de 1896, em Atenas, estabeleceu-se a corrida de 40 quilômetros em homenagem ao herói, inaugurando a modalidade nos jogos oficiais. Em 1908, quando a Olimpíada foi realizada em Londres, acrescentaram 2,195 quilômetros ao percurso original. O motivo? Exigência da família real britânica para que os atletas passassem na frente da sua residência, o Castelo de Windsor, e os membros da realeza pudessem assistir confortavelmente à prova. • Noah Bliss, um garoto de 10 anos de Kenosha (EUA),

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estabeleceu o recorde mundial da sua categoria na meia-maratona durante a 6ª edição da Maratona de Wisconsin. Ele completou o percurso com o tempo bruto de 1h:37min:15s. • Em 02 de abril de 1929, o jornal Correio do Ceará noticiava que “um grupo de esportistas desta capital” organizavam uma “Grande Corrida de Marathona” que, segundo a matéria, “irá revolucionar os círculos esportivos não somente do Ceará como de todo o Nordeste.”. Sob o patrocínio do Correio do Ceará a nossa primeira maratona, de 40km, seria dia 12 de maio na estrada de Maranguape. • A corrida do Padre Cícero, que completa sua 32ª edição em 2014, é a mais antiga do Ceará. Realizada em Juazeiro do Norte, local de nascimento do “Padim Ciço”, a prova recebeu mais de 2 mil corredores em sua última edição, que homenageava os 170 anos de Padre Cícero. • Um atleta, que pesa 70kg, gasta em média 3.000 calorias durante uma maratona. • A maior corrida do mundo, em número de inscritos, é a City2Surf, em Sydney, Austrália. Em sua última edição, a prova reuniu 68.929 corredores em um percurso de 14km. • A Maratona de Boston é a prova anual de corrida de longa distância mais tradicional do mundo, e a que ocorre consecutivamente há mais tempo – realizada desde 1897, perde apenas para a disputa olímpica, disputada desde 1896.


GALERIA DE FOTOS

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DEPOIMENTO

Beth Matos

“Para garantir qualidade de vida e diversão” Jéfferson Malveira

Alex Polary

“Eu corro como terapia. Pra saúde do meu espírito e do meu corpo” Lia Campos

Graça Faro

Zailda Firmino

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“Adoro sentir meu corpo funcionando no limite. ..coração acelerado. ...suor.... respiração forte....É o MEU momento, onde faço minha catarse.... tem gente que me diz que pensa na vida quando está correndo. ..eu esvazio a mente. ..só penso no que estou fazendo...o pace, o jeito de pisar , a paisagem, o cronômetro. ..... Quando acabo estou simplesmente MUITO FELIZ !!!!” “A corrida veio para mim como um remédio para o corpo e para a alma, e se tornou um grande divisor de águas na minha vida. Comecei a correr para driblar uma doença crônica e há dois anos venho surpreendendo todos os prognósticos médicos e a mim também. Não vejo mais minha vida sem a corrida”

“Vejo que a corrida de rua pode acabar com a epidemia do sedentarismo!”

“Gosto de sentir a liberdade, sentir a endorfina nas minhas veias, a corrida é um Frª Savio esporte que palavras não Xavier de resumem o estado de Lima espírito.... É inexplicável!”

Marcos Eduardo Viana

Pamella Fritsch Alves

“Corro pra sustentar três pilares básicos em minha vida: Saúde, Trabalho e Família, pois se tenho saúde corro bem, quando corro bem trabalho melhor e só assim tenho disposição para a correria de ser pai de uma linda menina de 1 ano e 8 meses!!! Let’s Running!” “Corro pra me encontrar, o som dos meus passos me da paz, é o momento em que eu conecto minha cabeça com o meu corpo! Quando eu cruzo a linha de chegada eu provo pra mim mesma do que eu sou capaz!”

“Eu corro porque adoro o desafio que esse esporte propõe ao meu corpo e a minha mente. A cada Camille corrida terminada minha Carneiro vida ganha um gosto de felicidade e satisfação”

“Sempre admirei quem corria, achava massa, mas achava que correr não era pra mim... Até que, incentivada, resolvi tentar, ainda não corro como gostaria, mas já sou muito feliz com o que consigo, a corrida me trouxe amigos, qualidade de vida e momentos impagáveis da mais pura alegria...”

“A corrida é mais que um momento, pois a sensação que adquirimos durante a corrida se prolonga M Antônio após sua conclusão e nos Lima torna dependentes até a próxima. Fortalece não só o corpo, mas o estado de espírito. Nos prova que podemos superar nossos limites sem depender de ninguém além de nós mesmos, mas também nos trás satisfação de saber que indiretamente somos exemplos para outros” “EU CORRO Pela SENSAÇÃO De plenitude e liberdade, Luciano De mergulho em meu Bezerra próprio ser, De viver com intensidade, De pura endorfina a me absorver; Pela EMOÇÃO De todo o dia me superar, De minhas limitações vencer, De meus limites desafiar, De meus mínimos recordes bater; Pela CONSTATAÇÃO De atlético reflexo a me espelhar, De estar em ótima companhia, De feminino olhar me aprovar, De corpo são em mente sadia”


DICIONÁRIO Você sabia que a corrida de rua possui um vocabulário especifico? Os corredores criam expressões que podem deixar você “boiando” durante um bate papo. Para acabar com todas as suas dúvidas, a Corre! Te apresenta um pequeno dicionário com as palavras mais utilizadas nas ruas de Fortaleza A Altimetria: representada por gráficos ou mapas, demonstra o relevo dos percursos das provas. Com isso, os atletas podem visualizar as subidas e as descidas que enfrentarão ao longo da corrida.

B Bater contra o muro: expressão usada por maratonistas que se refere à marca dos 30 km. Após essa distância, a sensação de esforço é tanta que muitos dizem que se assemelha a correr de encontro a uma parede. BPM: número de vezes que o coração bate por minuto.

C

Caixote: expressão utilizada em algumas regiões do Brasil para designar situações na largada em que os atletas ficam rodeados e não conseguem imprimir desde o início o ritmo que pretendiam. Canelite: dor na parte anterior da canela, normalmente relacionada ao impacto constante ocorrido durante a prática da corrida, que gera pequenos traumas na região.

D Déficit de oxigênio: retardo do consumo de oxigênio no início do exercício.

E Educativos: exercícios que ajudam no desenvolvimento da técnica da corrida e no fortalecimento da musculatura dos membros inferiores. Endorfina: substância produzida pelo cérebro e utilizada pelos neurônios para facilitar a comunicação com o sistema nervoso e outras células do corpo. A endorfina é produzida em resposta à atividade física com intenção de dar prazer e despertar a sensação de euforia e bem-estar.

F Fartlek: treino contínuo em que o corredor alterna ritmos fortes e leves. O atleta corre o tempo todo, mas aumenta ou diminui a intensidade a cada determinada distância ou tempo.

G Glicogênio muscular: principal combustível do corpo durante a prática de atividade física. É estocado no organismo com a ingestão de alimentos ricos em carboidratos.

I Intervalado: método de treinamento em que o atleta corre em intensidade alta durante determinado tempo ou distância e faz um intervalo de recuperação que pode ser ativo (caminhando) ou passivo.

L Longão: treino em que o principal objetivo é a distância percorrida. Costuma ser realizado uma vez por semana, geralmente aos sábados ou domingos, dias em que a pessoa pode dedicar mais tempo ao exercício.

K

Km: sigla para a unidade de medida de quilômetro. Km/h: unidade física utilizada para medir velocidade, que pode ser entendida como distância percorrida em um intervalo de tempo de 1 hora.

M Marcador de ritmo: também é conhecido como coelho. É um atleta contratado pela organização de uma competição para correr a prova ( ou parte dela) em um determinado tempo ou velocidade.

O

Overtraining: também conhecido como síndrome de supertreinamento. Ocorre quando o atleta força muito durante os treinos. O corpo perde a capacidade de se recuperar das sobrecargas sucessivas e entra em pane.

P Pace: unidade física utilizada para medir ritmo (velocidade) do corredor, que pode ser entendida como intervalo de tempo gasto para percorrer 1 km. Geralmente é expresso em mim/km. Pipoca: pessoa que não fez a inscrição para uma corrida, mas participa da prova mesmo assim. Planilha: planejamento ou periodização do treinamento ao longo do mês de acordo com os objetivos do corredor.

Q Quebrar: palavra utilizada quando um atleta perde as forças em determinado momento da prova e não consegue completar a corrida (ou precisa diminuir o ritmo para chegar até o final).

R

Rodagem: treinos leves usados com função regenerativa. Runaholic: pessoa viciada em corrida.

S Sobrecarga: aumento na intensidade (velocidade) ou duração (tempo ou distância) do exercício.

T Tempo-run (treino de ritmo): tempo em que um atleta percorre uma distância prédeterminada em ritmo contínuo e intensidade de moderada a alta. Tendinite: inflamação de um tendão. A principal causa é o esforço repetitivo a que o tendão é submetido durante a corrida. É uma das patologias mais comuns entre corredores. Tiro: tipo de treino intervalado composto por uma sucessão de esforços intensos intercalados por períodos de recuperação. Trail running: corrida em montanhas, trilhas, desertos ou qualquer tipo de terreno que seja acidentado. Treinamento funcional: exercícios que atuam em vários planos e eixos ao mesmo tempo e, assim, desenvolvem força, coordenação, equilíbrio e resistência de forma global. Treino regenerativo: treino leve que geralmente é realizado no dia posterior a um treino intenso. Trote: corrida em ritmo leve e agradável, em que a frequência cardíaca se mantém estável e, por isso, é possível realizar o exercício por um longo tempo.

U Ultramaratona: prova com distância superior a 42 km. A BR 135 é a mais longa ultramaratona do Brasil, com 217 km.

V VO2 máximo: volume máximo de oxigênio que o corpo consegue consumir durante o exercício físico. É um indicador de potencial de um atleta e pode ser melhorado com os treinos. Cada indivíduo tem seu limite natural.

Z Zonas-alvo: limites mínimo e máximo de intensidade preconizados para o treino com o objetivo de obter a máxima performance.

Fonte: Webrun

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TURISMO

MARATURISMO PRAZER EM VIAJAR E CORRER Foto: arquivo pessoal

Conheça um pouco sobre esta nova classe de turistas, que alia o prazer de viajar a prática de corrida de rua

Augusta correndo em Porto Alegre

Q

ue tal conhecer um lugar e ainda poder praticar seu esporte favorito? As corridas têm atraído cada vez mais adeptos e um novo tipo de turista vai se consolidando: os “maraturistas”, aqueles que buscam provas, normalmente maratonas ou meias maratonas, mundo afora para correr. E depois, claro, passear e conhecer os costumes locais. E você pensou que eles ficam cansados

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depois das competições? Errado! Eles ainda têm fôlego de sobra para bater perna. Alia-se a esta vontade de correr e fazer turismo, o fato de muitas cidades não terem maratonas ou pecarem na organização, o que motiva ainda mais a procura por provas em outras cidades ou países. Fortaleza faz parte do primeiro grupo. A capital alencarina está repleta de provas de corrida de

rua de 5km ou 10km, mas é carente das distâncias maiores, como 21km ou os 42km da maratona. Atualmente, a cidade só oferece a distância de 21km na Meia Maratona de Fortaleza, uma prova comemorativa ao aniversário da capital, e infelizmente, ainda não tem nenhuma maratona. A contadora Augusta Barbosa, 43 anos, pratica corrida de rua há sete anos e tem 65 provas no seu currí-


Foto: arquivo pessoal

culo de corredora, sendo onze meias maratonas e duas maratonas. Quando começou participava de provas até 10km e só corria em etapas realizadas na cidade. “Com o passar do tempo e a evolução do meu desempenho, me vi obrigada a procurar provas fora daqui. Descobri um novo hobby, além da corrida, o turismo. Agora escolho a competição que quero fazer e já vou procurando o que a cidade tem pra oferecer.”. E tudo precisa ser muito prático, já que o tempo disponível é curto. “Faço o que chamamos de ‘bate-volta’. Por conta do trabalho, faço as viagens em finais de semana. Chego na sexta-feira, pego o kit da prova ( camisa, número de peito) e já aproveito para conhecer alguns lugares. O sábado é dedicado aos passeios. Já saio do hotel com dicas de locais e como chegar até eles, tudo para não perder tempo. A noite é reservada para o

descanso, pois as provas acontecem no domingo. E, dependendo do horário de retorno pra casa, a tarde de domingo, pós-prova, também é utilizada para fazer turismo.”. A atleta já fez maraturismo no Rio de Janeiro, Brasília, Chile, Argentina e Estados Unidos. O maraturismo possibilita conhecer lugares que, provavelmente, não estaria no roteiro de viagem tradicional. A funcionária pública Lia Campos escolhe provas nos lugares mais diferentes. “Amo correr e viajar! Organizo-me e busco corridas que eu nem imaginava que existiam. Destaco duas: a Meia Maratona do Glaciar, na Argentina e a Meia Maratona de Cotoca, na Bolívia. A primeira por ser no deserto da Patagônia, onde corri com apenas 300 atletas e com a temperatura de 7 graus. E a segunda, mais especial, pois a corrida fazia parte de uma festa religiosa local, unia duas cidades pela rodovia e não tinha Foto: arquivo pessoal

Augusta na Maratona da Disney

Medalhas conquistadas na terra do Mickey

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Fotos: arquivo pessoal Diniz preparando-se para as provas

Diniz na Maratona do Chile

Representando o Brasil em Santiago, Chile

absolutamente nenhuma estrutura. Enquanto corria, com poucas pessoas, os romeiros faziam o mesmo percurso caminhando.”, conta Lia. A corredora já virou referência quando se fala em maraturismo. “Os amigos me procuram para tirar dúvidas e pegar dicas sobre corridas fora de Fortaleza. Para quem está indo pela primeira vez, sempre indico procurar uma agência de viagens para não ter nenhum tipo de problema,” destaca Lia Campos. De modo tímido, algumas agências de viagens de Fortaleza, já começam a apostar em pacotes turísticos para corredores. A Premium Turismo vem aproveitando este novo nicho de mercado e desde 2010, em parceria com assessorias esportivas, a empresa monta pacotes para provas nacionais e internacionais. Segundo Luciana Lima, gerente comercial da Premium, este tipo de viagem vem crescendo. “Em 2013, levamos mais de quinhentos atletas para correr fora do país. Normalmente, são grupos de 10 ou 15 atletas de alguma assessoria parceira da gente. Eles já chegam com a prova escolhida e nós

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montamos o pacote de hotel e voo e damos sugestão de algum passeio na cidade. Além disso, também oferecemos seguro de viagem e translado do hotel para a prova, o que se torna uma preocupação a menos para o atleta.” Luciana avalia que procurar uma agência é uma boa opção quando o grupo é numeroso, pois é possível obter descontos com hospedagem. Para Diniz Gurgel, 30 anos, guarda municipal e corredor há quatro anos, correr e viajar são sinônimos de liberdade. E ele não abre mão desta independência até na hora de programar sua viagem. Com antecedência, ele escolhe a competição e prefere “olhar antes nos sites, os lugares interessantes pra sair, os pontos históricos, restaurantes próximos ao hotel, o que fazer nas horas vagas.”. Nem tudo são flores quando se é adepto do maraturismo e como em qualquer outra viagem, Diniz alerta que alguns cuidados são necessários para o lazer não virar pesadelo. “Segurança é minha maior preocupação, desde o aeroporto até o período que fico na cidade. Para não correr risco com

extravio de mala, levo somente uma bagagem de mão para não ter que despachar. Como o tempo é curto, só levo o suficiente. Outra dica é pesquisar sobre o local onde ficarei hospedado. Ver com moradores se existem pontos de ônibus próximos e saber mais sobre a segurança do bairro”. Correr fora de sua cidade não é nada barato e muitas vezes, os corredores precisam abrir mão de provas locais para pagar os gastos com a viagem. Diniz, por exemplo, abriu mão de diversas provas no ano passado e deste para poder correr a Maratona de Santiago. “A cada ano, o valor das inscrições aumenta e fica difícil participar quando se tem um objetivo maior. Em outros anos eu participei de todos os circuitos de Fortaleza, mas em 2014 só farei cinco provas por aqui”, frisa o corredor. A prática do maraturismo une a busca por uma vida saudável, tanto fisicamente como mentalmente. O planejamento para uma viagem é o mesmo feito para a corrida: foco, disciplina financeira e organização. No final das contas, cabe no bolso de todo mundo. E aí, corredor, já arrumou as malas?


CHARGE

Fonte: www.humorpolitico.com.br

rodolfolucena.floha.blog.uol.br

bichinhosdejardim.com

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VESTIDOS PARA MODA

Fotos: Luciana Bouth

#FicaDica>>

Entre os vários fatores que o praticante de corrida de rua precisa ficar atentos, antes e durante uma corrida, a roupa ideal é uma delas. Levando sempre em consideração a condição climática do local onde a prova ou treino vai acontecer. Em Fortaleza, há várias lojas especializadas em roupas para corredores/triatletas e a Caprius é uma delas. O diretor da empresa, Walter Amaral explica que existem diversos tipos de tecido que auxiliam na termoregulação do organismo, ou seja, ajudam o corpo a manter a temperatura ideal durante a prática do exercício físico. Além disso, as roupas para corredores também ajudam no quesito praticidade. Normalmente, as bermudas são feitas de tecidos que se adequam ao corpo e possuem bolsos laterais para colocar celular, carboidratos e tudo o que precisem utilizar nos treinos. E a tecnologia só acrescenta na vida do corredor. As blusas, por exemplo, tem proteção contra raios UVA e UVB. As roupas de compressão estão em alta e buscam melhorar a performance do atleta. É cada vez mais comum nas provas de rua se deparar com corredores usando meias, bermudas, leggings e até camisetas de compressão. Um estudo desenvolvido pelo Centro de Medicina da Atividade Física da Universidade Federal de São Paulo avaliou e

Bfit por Luciana Bouth

Bfit por Luciana Bouth

>>Prefira roupas de tecidos sintéticos que permitem a evaporação do suor. >>Use tênis específicos ( leia mais na pág. xx) para corrida e que evitam o atrito das articulações. Se possível, faça o

teste de pisada em lojas especializadas para saber qual o tipo adequado de tênis. >>Os shorts de corrida é a opção mais adequada, pois permite melhor os movimentos. Evite bermudas de praia ou calções mais compridos.

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A CORRER mostrou que o uso da bermuda de compressão proporcionou uma melhora de 15% a 20% na recuperação dos atletas, diminuindo os pequenos traumas gerados nos músculos durante os treinos e proporcionando mais conforto durante os treinos. Impossível falar em moda para corredores sem lembrar que as mulheres são aos que mais se dedicam a isso. É possível encontrar no mercado, shorts de vários modelos, desde aqueles mais soltos até os mais justos, além de saias e vestidinhos de corrida. As blusas com mensagens de motivação são peças chave no guarda roupa feminino e, pensando nisso, a estilista e corredora, Luciana Bouth, criou a Bfit. Além das peças citadas acima, a marca também desenvolve blusas com frases sobre corrida, musculação e incentivo. “As peças são criadas pensando nas mulheres que levam a corrida de rua ou a musculação, como um estilo de vida e isso vai estampado na roupa. Além de se cuidar, todas gostam de dar seu recadinho.”, afirma Luciana. Vale lembrar que a preocupação com a estética é válida, mas o conforto é sempre o mais importante, e o teste da peça é fundamental para seu desempenho ou seu divertimento na corrida. Caprichar no visual é legal, mas roupa de corrida não é acessório e sim prioridade.

Bfit por Luciana Bouth

Bfit por Luciana Bouth

>>Sempre use proteção: se for correr ao sol, óculos e boné, sem contar o filtro solar. Em relação aos óculos, deve ficar

claro que aquele seu Ray-ban não é para corrida, pois com o exercício ele acaba ficando incômodo, além de ser pesado. O boné é importante para evitar o sol direto, prefira modelos leves e específicos para corrida, nada de bonés da moda ou aba reta. >>Prefira meias com tecidos tecnológicos para evaporar o suor, do tamanho correto, que não tenha sobras, evitando atrito e bolhas.

Saiba Mais

Lojas Esportivas Caprius // Barcellos Sport // Sprint // Viverde // Centauro

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MERCADO

O BOOM DA CORRIDA EM FORTALEZA

Entre 2011 e 2014, o número de competições aumentou cerca de 20% corrida de rua. Em 2013, aproximadamente 54 mil pessoas participaram das provas

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onsiderada a bola da vez no esporte, a corrida de rua virou uma febre nas principais ruas de Fortaleza, independente de classe social, idade ou objetivos. Segundo dados da Federação Cearense de Atletismo (FCAT), o número de competições teve um aumento de cerca de 20% desde 2011, o que tem atraído mais praticantes e organizadores de circuitos de provas nacionais. O presidente da FCAT, Américo Ximenes, ressalta que em 2013 foram disponibilizadas 53.900 inscrições distribuídas em 42 provas de corrida de rua na capital cearense. “Acredito que o mercado local ainda tem muito para crescer, principalmente se olharmos os anos anteriores. A grande diferença é a participação de empresas esportivas e dos órgãos do governo que tem incentivado a prática esportiva.”, explica. Além do número de atletas, vários segmentos do mercado pegam carona no crescimento da corrida de rua. Assim surgem novas assessorias esportivas, lojas especializadas em suplementos esportivos e em roupas e acessórios para os corredores e profissionais dedicados a auxiliar os corredores. Ximenes ressalta que “hoje nós temos um público-alvo em potencial em que muitos praticam corrida, mas sem a orientação de um profissional de Educação Física, por exemplo. Neste caso um nicho de mercado tem ganhado mais força, as assessorias esportivas.”. Ainda de acordo com o presidente da

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FCAT, o cenário favorável, o número de empresas que se proliferam, ofertando alguns serviços como avaliações físicas, orientação e planos de treinamento feitos sob medida para cada aluno, tem fortalecido o mercado das provas. Como exemplo deste crescimento, temos o caso da Meia Maratona de Fortaleza, a prova com maior número de vagas e de inscritos. Em conversa com Colombo Cialdini, diretor da Mandacaru Adventure (empresa que organiza a corrida), é possível perceber, através dos números, como esta competição se fortaleceu em Fortaleza. A Meia de Fortaleza ocorre, de maneira ininterrupta, desde 2002 e sempre no mês de abril, como forma de comemorar o aniversário da cidade e do Exército Brasileiro. Com percursos para todos os gostos, 5km, 10km e 21k, a prova tem ganho destaque no cenário nacional. Os últimos quatro anos da prova mostram que além do número de inscritos, outro fator relevante e que tem acompanhado este aumento é o valor da inscrição. Em 2011, a prova teve seis mil inscritos com o valor da inscrição a trinta e cinco reais. No ano seguinte, o valor pago para participar da prova e o número de vagas passam para quarenta reais e sete mil, respectivamente. No ano de 2013, o número de vagas mantêm-se o do ano anterior, mas a inscrição passa a custar cinquenta e cinco reais. A última edição da prova, 2014, teve um aumento significativo

no valor, que pulou para oitenta reais, e oito mil pessoas puderam participar do evento. O expressivo aumento pode ser facilmente explicado, já que hoje em dia, as pessoas estão mais preocupadas com qualidade de vida e com sua saúde física e mental. Cialdini afirma que uma das razões seria “a lei é de oferta e procura. A corrida de rua em Fortaleza cresceu e com ela o número de praticantes. Todos querem participar da maior prova do Estado, mas infelizmente não temos como oferecer tantas vagas. Organizar uma prova deste porte, mexe com a rotina da cidade, já que ele vai interferir no trânsito de vários bairros.”. Sobre o aumento de 100% em dois anos, o empresário justifica dizendo que “uma prova como a Meia de Fortaleza requer uma estrutura de qualidade, o que gera gastos. Se colocarmos na ponta do lápis, somente o valor das inscrições não cobriria os custos, por isso buscamos patrocinadores para a prova.”. Mas se dizem que para correr basta um par de tênis e disposição, o que onera tanto uma corrida de rua? Cialdini é objetivo na resposta: “pagamos a Federação só pela reserva da data, a estrutura para receber os atletas de modo confortável e o kit da prova, que tem sido a maior expectativa dos participantes.”. Os números da Meia de Fortaleza detalham um pouco mais sobre a prova. Vejamos os quadros a seguir com os dados da competição entre 2011 e 2014.


Fotos: LC Moreira

MEIA MARATONA – ANO 2011 6 mil – número de participantes. 82,04 % dos participantes são do sexo masculino. 17,96 % dos participantes são do sexo feminino. 08 estados representados. 98 idosos participaram da prova. 08 atletas eram portadores de deficiência física. 15 mil garrafas de água foram distribuídas durante o percurso.

MEIA MARATONA – ANO 2012 7 mil – número de participantes. 81,09 % dos participantes são do sexo masculino. 18,91 % dos participantes são do sexo feminino. 07 estados representados. 101 idosos participaram da prova. 12 atletas eram portadores de deficiência física. 18 mil garrafas de água foram distribuídas durante o percurso.

MEIA MARATONA – ANO 2013 7 mil – número de participantes. 79,03 % dos participantes são do sexo masculino. 20,97 % dos participantes são do sexo feminino. 11estados representados. 142 idosos participaram da prova. 17 atletas eram portadores de deficiência física. 20 mil garrafas de água foram distribuídas durante o percurso.

MEIA MARATONA – ANO 2014 8 mil – número de participantes. 68,23 % dos participantes são do sexo masculino. 31,77 % dos participantes são do sexo feminino. 14 estados representados. 173 idosos participaram da prova. 27 atletas eram portadores de deficiência física. 30 mil garrafas de água foram distribuídas durante o percurso.

Crescimento do número de provas

Meia Maratona na Av. Beira Mar

Organizar uma corrida de rua, de médio ou grande porte, não é tão fácil quanto parece. A Nova Letra tem organizado algumas corridas, como a Pé na Carreira, Corrida Contra o Fumo e Corrida Leões do Pici, desde 2009 e o responsável pela empresa, Fernando Elpídio, pontua algumas dificuldades para realizar uma prova: 1º - Apoio institucional do governo municipal e estadual, principalmente no que se refere ao reconhecimento do esporte como uma prática popular, de massa e com forte visibilidade para a cidade e estado. 2º - Patrocínios locais. A grande maioria das empresas ainda não despertou para o grande potencial promocional que as corridas possibilitam. Isso faz com que os departamentos de marketing das grandes

empresas vejam o evento com pouca atenção. 3º - Logística. Ruas desniveladas, esburacadas, trânsito pesado e poucas opções de percursos. 4º - Violência. As corridas poderiam ser mais bem distribuídas nas cidades, mas, poucos são os percursos que oferecem segurança. Mesmo com as dificuldades apresentadas, Elpídio ressalta que “apesar disso, o cenário é animador porque temos público pra isso. Como empresário e corredor, percebo no dia a dia dos treinos a expressividade da corrida de rua. O esporte virou uma corrente que atrai vários setores e estabelece diferentes relações sociais. A corrida de rua, se explorada da forma correta, pode influenciar a economia local, principalmente de uma cidade turística como Fortaleza.”, finaliza.

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CRÔNICA

SER E CORRER Por Rita Queiroz

Todo mundo precisa algo. Pra ser feliz, pra sobreviver. Pra viver! Por alguma razão, eu preciso correr. É minha liberdade, meu sonho, minha terapia. Vale qualquer justificativa, pois o que importa é sair da mesmice, da rotina. Rotina que atropela, sufoca, impregna e envelhece. Preciso partir. A respiração arfante denuncia que sentimentos e sensações aprisionadas buscam por liberdade, feito passarinhos presos numa gaiola. A salvação vem em um simples gesto, o de amarrar o tênis. Vou e voo. Livre pelas ruas. Sinto que só preciso correr. Às vezes sem destino, somente sentindo minhas passadas e observando a paisagem cotidiana que, muitas vezes, passa despercebida. Vou atrás de algo?! Calço o tênis e saio para me reinventar. Reencontrar a felicidade, esquecida pelo acúmulo dos problemas e aflições diárias. A corrida me elucida. Equilibra. Quando o coração acelera, sinto que algo começa a florescer. São ideias que surgem com as passadas e ajudam a clarear a mente. Correr me liberta! Sigo. Inventando minha estrada e correndo em busca de uma chegada feliz e novos horizontes. Corro... Corra!

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CRÔNICA

A CEREJA DO BOLO Por Rita Queiroz

Maratona é uma distância ingrata! Diferente das provas de 5, 10, 15 ou 21 kms, não dá pra correr 42km com o ‘pé nas costas’. Lembras daquele teu namorado (ou namorada) que exigia total atenção e exclusividade? A maratona é igual! Ela tem o poder de sugar toda tua energia quando comparada com as outras distâncias. É preguiçoso, não se preocupa com alimentação ou musculação? Mesmo assim você consegue correr uma meia-maratona. Na raça! Não estou dizendo que esse “estilo” de corredor seja o ideal. Não mesmo! Treinar com seriedade e acompanhamento técnico é bem melhor, mas é possível fazer os 21k sim. Até os 15, 16 quilômetros dá pra ir sem desespero, depois disso você pode até se arrastar, mas vai cruzar a linha de chegada. Na maratona?

Não diria impossível, mas seria (será e é!) muito difícil. Mas se você é um ser humano com poderes especiais, esqueça tudo o que falei. Continuando. Completar uma maratona exige planejamento para cada quilômetro, musculação para aguentar cada passada e uma boa nutrição, se não a máquina pifa. E os longões? Ah, os longões... Ame ou odeie. Pode alternar os dois. Os longões progressivos costumam chegar aos 34 quilômetros e se não forem feitos, a maratona cobrará um preço. E caro! Abdicar é o verbo conjugado na maratona. Sem baladas, sem bebidas, sem esticadas noturnas. Sexta à noite você dorme com as galinhas, porque o galo canta cedo no sábado anunciando que um treino difícil está por vir. E no meio da rodagem você sempre se fará uma pergunta:

“Por que diabos eu inventei isso?”. A maratona é exagerada! Uns até chamam de roubada. Mas é impossível negar que é um sonho de dez em cada dez corredores. Uns tentam realiza-lo, outros não. Complicado explicar racionalmente. Maratona não é razão. É emoção! Todo corredor que se dispôs a fazê-la tem um motivo para estar ali. Colocar o corpo a prova, desafiar-se, correr por uma causa, etc. Maratona é a cereja do bolo para os apaixonados pela corrida de rua. A recompensa vem assim que passamos a linha de chegada. Têm gritos, lágrimas, sorrisos. As dores sentidas durante a prova simplesmente desaparecem. Felicidade anestesia? Na maratona sim! Medalha pendurada no pescoço. Com orgulho! Maratonista com muito prazer.

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CAPA - ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL

ASSESSORIA ESPORTIVA, VOCÊ PRECISA DE UMA? O acompanhamento profissional pode ajudar o atleta a alcançar seus objetivos de forma correta

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Alunos da Zonaalvo assessoria

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ria esportiva que oferece serviços na avaliação, orientação e acompanhamento do atleta e é indicado para todos os corredores, iniciantes ou não. Em Fortaleza, já passam de 50 (cinquenta) o número de assessorias esportivas administradas por educadores físicos e que conquistam dia a dia novos associados, comprovando que esse mercado é uma tendência que veio para ficar. As assessorias possuem, em média, oitenta alunos cada, na faixa etária entre 20 a 70 anos e que atuam em diversos ramos do mercado como, empresários, funcionários públicos, políticos, educadores, estudantes, médicos, profissionais liberais, etc. Dentre os serviços oferecidos estão treinamento de corrida, caminhada, triathlon, ciclismo, natação, além da elaboração de planilhas

para melhorar desempenho e condicionamento físico, e acompanhamento em eventos esportivos. Mas como escolher uma assessoria? “As assessorias são indicadas para todos que gostam de correr, desde o iniciante ao competidor.”, conta Rafael Leitão, diretor da Zonaalvo Assessoria, educador físico e triatleta. Segundo o treinador, é importante que os atletas avaliem o currículo dos professores, pois eles precisam ter o registro do Conselho Regional de Educação Física, o local onde a equipe trabalha e se os serviços oferecidos contemplam o que o indivíduo deseja. No caso da Zonaalvo, Rafael explica que vem desenvolvendo, desde 2006, um trabalho de prestação de serviços em treinamento de corrida, triathlon, natação, ciclismo e MTB (mountain Foto: Dudu Ruiz

uma pessoa que treina sozinha corre riscos maiores de lesão, pois é preciso dosar a carga e saber o momento de puxar o freio nos treinos”

busca por uma melhor qualidade de vida e pela boa forma física é um dos fatores para o aumento do número de corredores do Brasil. Em 2013, foram registradas mais de 770 corridas distribuídas por todo território nacional. E Fortaleza não ficou de fora deste crescimento e está entre as dez capitais que mais aderiram à prática da corrida de rua. De acordo com a Federação Cearense de Atletismo, a capital cearense realizou, em 2013, 41 corridas de rua. O que significa um aumento de 46% em relação a 2012 e 87% a 2011. E com a disseminação das provas e o aumento dos praticantes deste esporte, vários setores se especializaram para ofertar serviços e produtos para o público corredor. Um destes serviços é o de assesso-


Foto: Dudu Ruiz

Alongamento exclusivo para alunos

bike) e também treinamentos personalizados, elaboração de planilhas específicas para cada objetivo dos alunos, suporte nos treinos e competições, na cidade ou fora dela. “Se nosso aluno deseja correr uma maratona em julho, fazemos o planejamento de agora até o mês da prova com as etapas que ele terá que cumprir para completar os 42 quilômetros com sucesso.”. Existem outros fatores que levam um aluno a escolher uma assessoria esportiva e podem fazer a diferença. Para Anderson

Monteiro, educador físico da AM Assessoria, o trabalho da assessoria vai além de planilhas e treinos. “É preciso cuidar do aluno, incentivá-lo e mantê-lo motivado para fazer parte de uma equipe”, explica. O professor ressalta que o mercado das assessorias está ficando saturado, devido a uma grande oferta e pouco amor e dedicação no trabalho feito. Ele comenta que “a AM Assessoria faz questão de manter a união entre os alunos. Somos 40 alunos e nos tratamos como uma família. O trabalho desenvolvido é

sério, mas o foco está em cada aluno”. Nenhum corredor é obrigado a treinar em uma assessoria, mas é importante ter o acompanhamento de um educador físico. Anderson explica que “uma pessoa que treina sozinha corre riscos maiores de lesão, pois é preciso dosar a carga e saber o momento de puxar o freio nos treinos”, diz, antes de concluir: “O professor tem que conhecer o aluno e suas necessidades para conscientizá-lo de que não deve passar dos limites e quando ele pode ir

É preciso cuidar do aluno, incentivá-lo e mantê-lo motivado para fazer parte de uma equipe” Foto: Dudu Ruiz

Alunos das assessorias AM e Tiron

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além, se estiver muito bem”, define. A responsável pela equipe da Tiron Assessoria, Julyana Ferro, ressalta o papel social da assessoria esportiva em criar laços que se estendem além de treinos e provas. “Uma vez inseridos na assessoria, começam os treinos em grupo, os lanches e encontros após os treinos, provas em comum, as viagens para participar de competições,

as provas em equipe. Acaba virando uma grande família, já que existem muitos interesses em comum.”. Para manter a fidelidade dos alunos, as assessorias precisam se diferenciar, já que a oferta de serviços é ampla e a concorrência aumenta a cada dia. Alfredo Bessa, professor da Vida em Forma, apostou no combo “corrida e musculação” para manter seus atletas. “Fizemos parcerias com

academias localizadas próximas aos locais de treinos. Assim, fica mais prático pro aluno sair do treino de corrida e partir para o fortalecimento muscular. Muitos têm o tempo curto e não podem gastá-lo no trânsito, cada dia mais engarrafado.”. Sentiu vontade de conhecer o trabalho das assessorias? Fique atento a algumas dicas para fazer uma boa escolha.

Eu treino porque... Já pratiquei corrida sozinho e tive uma lesão significativa. Hoje faço parte de uma assessoria para ter acompanhamento profissional e treinar de forma correta.” Pablo Everton, 27 anos, aluno da Zonaalvo

A assessoria deixa os treinos mais dinâmicos. Tenho orientação direcionada para minhas necessidades e objetivos. Treinar em grupo e ao ar livre dá mais prazer.” Diniz Gurgel, 30 anos, aluno da R2 assessoria

Ter um professor a disposição para tirar dúvidas e orientar na execução dos movimentos foram os pontos que me trouxeram pra assessoria. A estrutura durante as competições é uma preocupação a menos pra mim.” Mariana Marques, 31 anos, Renato Tri assessoria

Saiba Mais Assessorias em Fortaleza - Fanpages @Zonalvo Assessoria Esportiva // @Am Assessoria Esportiva // @Tyron Assessoria // @Km Assessoria // @Chronos Team // @Triativo // @Diogo Porto Team

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Como escolher - Veja se a assessoria oferece planilha individualizada; - Muitas assessorias solicitam exames médicos para saber como esta a saúde do corredor. Este pode ser um indício de que a empresa se preocupa com os detalhes. - Pesquise nos sites ou fanpage das assessorias para ver qual estrutura é oferecida ao atleta, como treinador, nutricionista, médico, além de quanto custa todo esse serviço; - Verifique os locais de treinamentos e horários, para que não atrapalhe sua rotina e deixe seu treinamento cansativo; - A disponibilidade dos treinadores é importante para dar suporte ao atleta, seja por e-mail, telefone ou site, pois isso faz a diferença no desenvolvimento do corredor; - As mensalidades variam muito de preço, dependendo dos serviços oferecidos. Para quem deseja apenas praticar a corrida, os preços ficam entre 75 reais a 130 reais. Se outras atividades, como natação ou ciclismo, forem incluídas, o valor pode chegar a 350 reais. Escolha a que mais cabe no seu bolso e aproveite as aulas. - Observe se existe acompanhamento individualizado, massagem pós-treino, hidratação e alimentação durante treinos coletivos, tendas em competições, treinos nos locais mais variados. Mas lembre de que tudo isso gera um custo e poderá afetar no valor da mensalidade.


COBERTURA

NIGHT RUN AGITA FORTALEZA Mais de quatro mil corredores foram às ruas no sábado à noite, para a segunda edição da prova

C

om muita chuva, a capital alencarina recebeu mais uma edição da Night Run. Cerca de 4 mil entusiasmados corredores estiveram no Centro de Eventos, no bairro Guararapes, para participar do maior circuito de corridas noturnas brasileiro. Aproveitando o bom tempo, a publicitária Thiliê Aragão, 23, participou pela primeira vez de uma corrida noturna. “É bem diferente das provas que costumamos participar. Sempre corremos debaixo de um sol escaldante e fazer uma corrida assim me deu ânimo para fazer os 10km. A estrutura é muito boa, com as luzes, música e muita animação.”, conta a publicitária.

Nem mesmo o pé d’água que caiu momentos antes da largada da prova foi capaz de desanimar o técnico em informática Pedro Ângelo, 28, que participou pela primeira vez da corrida noturna. “Eu gostei muito dos DJs na prova, pois eles nos animaram muito com as músicas. O percurso não é fácil e, mesmo com as possas d’água e camisa um pouco pesada, deu para terminar bem a corrida”, relata o jovem que começou a correr no ano passado e perdeu 25 kg desde então. “Hoje a corrida faz parte da minha vida, da minha rotina”, garante Pedro. “É nas provas que renovo minhas energias, me livro de todo o estresse do dia a dia

VANTAGENS:

de trabalho”, explica. A dona de casa Roberta Soares, 35, aproveitou a corrida para melhorar seu tempo nos 5 km da prova. “Corri os 5 km em 24 minutos!”, garante. “Tenho certeza que meu melhor desempenho aconteceu graças ao clima e por ser à noite”, conta. Ela está acostumada a treinar no calor de Fortaleza. “Nas corridas e nos treinos durante o dia, o sol daqui castiga muito, então, correr de noite e com essa chuvinha no final, me ajudou, sem dúvida.”. Quer experimentar uma corridinha a noite? Veja as vantagens e desvantagens de praticar o esporte sob a luz das estrelas.

DESVANTAGENS:

A temperatura é agradável.

A iluminação pode ser escassa.

A corrida pode oferecer uma boa noite de sono e uma recuperação metabólica mais rápida.

O ar tem uma grande quantidade de gás carbônico.

Descarrega o stress do dia.

O cansaço das atividades diárias pode afetar a performance.

A maioria dos grupos de corrida treina nesse horário, o que agrada às pessoas que gostam de correr com companhia.

Pessoas que sofrem de insônia podem ficar com uma noite de sono agitado por conta da libertação de endorfina.

Menos pessoa pelas ruas, logo melhor momento para relaxar e sensação de liberdade.

A possibilidade do surgimento de imprevistos é grande nesse período, como, por exemplo, eventos sociais.

Possibilidade de utilizar ruas e estradas porque não têm tanto movimento.

Menos segurança. Fotos: divulgação

Corredores Night Run

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TRIATHLON

CABRA DA PESTE E MULHER GUERREIRA

A competição mais arretada do atletismo brasileiro é um desafio que exige dedicação e superação dos atletas Foto: Dudu Ruiz

U

Vencedores da prova, Bonieck e Carolina

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ma das provas mais difíceis do triathlon nacional, o Cabra da Peste e Mulher Guerreira, aconteceu na manhã do dia dezesseis de março, na Praia do Cumbuco, município de Caucaia. Como não poderia ser diferente, a prova foi um verdadeiro show de superação dos atletas, que estreavam na competição ou a colocaram com um treino de luxo para o Ironman Fortaleza. Mais de 130 atletas do Ceará, Bahia, Sergipe, Pará, Alagoas, Pernambuco e Maranhão, estavam na disputa do título do Cabra da Peste e Mulher Guerreira 2014 em duas categorias: o Triathlon Olímpico e o Longa Distância. No Triathlon Olímpico, os participantes enfrentaram 1900 metros de natação, 45 km de ciclismo e 10 km de corrida. Mas o maior desafio estava reservado para o Longa Distância, quando os triatletas nadaram 1.900 metros no mar, pedalaram 90 km e concluíram a prova com 21km de corrida. Mesmo debaixo de um sol fortíssimo que não deu trégua e de ventos constantes, os triatletas mostraram que, com treinos e dedicação, a prova foi mais um desafio vencido. João Martins Galvão (CE) foi o campeão, com Bonieck Clemente (SE) em segundo, Marcelino de Miranda (CE) em terceiro, Saulo Rabelo Lima Verde (CE) em quarto e Alberto Abreu (CE) na quinta colocação. Já no feminino, a triatleta Carolina Militão (CE) venceu e aprova, com Renata Pascoal (CE) em segundo, Ana Sofia Sarmento (AL) em terceiro e Vânia Alves Moreira (CE) na quarta colocação. Um dos estreantes, na categoria Longa Distância, foi o educador físico Felipe Diógenes que tinha como meta apenas concluir a prova. Para ele


Foto: Dudu Ruiz

Foto: Rita Queiroz

Renata Pascoal no pedal

que é adepto do triathlon há pouco tempo, “numa prova como essa é preciso ter muita calma e executar o que foi planejado durante os treinos. Colocar força antes da hora pode dar errado e atrapalhar o desempenho.” E para o triatleta, o final foi surpreendente. “Concluí muito bem, sem dores e dentro do tempo esperado: 07h01min08s. Apesar de ter um pneu furado na 1ª volta do ciclismo, todo o resto foi realizado com sucesso. Terminei muito feliz e sou um cabra da peste!”, comemora. Mesmo para quem já é veterana no triathlon, como a campeã Carolina Militão, competir no Mulher Guerreira sempre é emocionante. “Já fiz a prova 3 vezes e nunca é igual. Sempre é difícil, claro, mas este ano tem um gosto

Carolina Militão concluindo a natação

especial. Venho treinando para o Ironman Fortaleza e esta competição nos deu uma amostra grátis do que enfrentaremos em novembro.”. O campeão João Martins acrescenta que “além do calor, tive que travar uma batalha contra o Bonieck e Marcelino (2º e 3º lugar respectivamente). Foram fortes adversários porque conhecem muito bem as dificuldades da prova.”, finaliza. Existe uma unanimidade entre todos os participantes da prova: a organização. A presidente da Federação de Triathlon do Ceará e responsável pela prova, Fátima Figueiredo, explica que tudo foi feito apenas com o valor pago pelos atletas. “Não é fácil fazer uma prova dessas aqui. Não temos apoio de órgãos públicos

e privados e é preciso muito controle para que os gastos sejam aplicados de maneira correta. Não deixamos nada a desejar e todo o apoio que os atletas têm em provas Brasil afora, eles encontram aqui.” Dona Fátima, como é chamada no meio esportivo, ressalta que “mesmo com as dificuldades, o Cabra da Peste e Mulher Guerreira é referência no triathlon brasileiro. Mostramos que podemos fazer uma prova de qualidade e o retorno disso é gratificante. Somos um dos motivos para Fortaleza receber, em novembro, uma edição do Ironman Brasil. Na edição de 2013, os organizadores vieram ver com os próprios olhos como Fortaleza poderia receber a maior prova de triathlon do mundo”, orgulha-se. Foto: Rita Queiroz

Atletas iniciando a natação

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CIÊNCIA

TIPOS DE PISADAS

Usar um tênis de acordo com seu tipo de pisada ajuda a melhorar o desempenho físico

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ara iniciar uma corrida é preciso preocupar-se com o protagonista dela, os pés. Nossos pés sustentam todo o peso do corpo e necessitam de um bom par de tênis para acomodá-los. Alguns maus costumes, como não andar na postura correta ou até mesmo por um problema físico, fazem com que cada indivíduo tenha um tipo de pisada. Como assim? É simples: basta pegar seu tênis ou qualquer outro calçado observar o solado. Notou que sempre tem um lado mais desgastado do que o outro? Seja no lado direito ou esquerdo e até mesmo no meio do solado. Isso ocorre porque cada pessoa tem uma pisa própria, que é determinada de acordo com a curvatura da base do pé. O tipo de pisada é o que deve determinar a escolha de um tênis, mesmo que muitos apenas se preocupem com preços ou cores. Um tênis utilizado de modo errado pode acarretar dores e problemas para o corredor. Mas como saber o tipo de pé ou pisada? Vamos começar pelos pés. De acordo com os ortopedistas, os pés têm três características anatômicas

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diferentes: Pé normal, Pé Plano e Pé Cavo. O pé normal é o tipo mais comum, onde o peso do corpo é distribuído de forma mais equilibrada. O pé plano também conhecido como pé chato, toca o chão quase que por inteiro e possui um formato reto. O pé cavo é aquele que tem um arco bem acentuado e curvado, onde a planta do pé quase não toca o chão. As pisadas também são classificadas de três formas: pisada neutra; pisada pronada e pisada supinada.

Pisada neutra

A pisada neutra tem por característica impulsionar a passada com toda a parte frontal do pé. O impulso começa com a parte externa do calcanhar e o pé rotaciona ligeiramente para dentro, acontecendo o contato com o solo do lado externo do calcanhar e então ocorre uma rotação moderada para dentro, terminando a passada no centro da planta do pé. Esta é o tipo de pisada mais comum e é a que têm menos restrições na hora de escolher um tênis, bastando apenas um amortecimento leve.

Pisada pronada

A Pisada pronada começa com o lado esquerdo do calcanhar e finaliza nas regiões próximas do dedão. Nessa pisada quando a parte de fora do calcanhar toca no chão, o pé inicia uma rotação excessiva para dentro, ou algumas vezes um pouco mais para a parte interna, para então ocorrer uma rotação acentuada do pé para dentro, terminando a passada perto das pontas dos dedos. Essa pisada é mais comum entre as mulheres, pois serve como preparação pra a gravidez. Tênis com amortecimento e controle de estabilidade leve são os mais indicados.

Pisada supinada

A pisada supinada é aquela em que a pessoa utiliza a parte externa do pé e principalmente a área do dedo mínimo para se impulsionar. Essa passada inicia o esforço no calcanhar e mantêm o contato do pé com o solo do lado externo, terminando a pisada na base do dedinho. “Supinadores” têm o pé mais rígido e necessitam de calçados com reforço no amortecimento, além de controle de estabilidade.


Como descobrir qual é a sua pisada?

A melhor maneira de descobrir como se pisa é procurar um médico ortopedista ou alguma loja especializada em tênis que possuam um aparelho próprio para realizar o teste. Caso você não tenha acesso a estas duas opções, um teste caseiro pode ajudar: • Molhe a sola do pé e caminhe sobre uma folha de papel qualquer, pode ser um jornal. • Compare o desenho feito na folha para saber se sua pisada é neutra, pronada ou supinada. • Se sua pisada for neutra às áreas molhadas no papel serão mais uniformes. • Se você tiver uma pisada pronada toda a área que o seu pé tocar ficará molhada, indicando que você tem um pé plano. • Na pisada supinada as áreas molhadas serão as do calcanhar e a da ponta do pé, o que mostra que você possui um pé cavo.

Um tênis para cada tipo de corredor Dicas para escolher o tênis de corrida

• Primeiro você deve ter em mente que seus pés incham durante a corrida, então o ideal é que a escolhe seja feita por um que tenha mais espaço ou até, um número maior que o seu. • O calcanhar é o suporte para sua corrida, então ele não deve escorregar quando você anda ou corre. • A parte superior, conhecida como cabedal, deve ficar justa, mas sem apertar o peito do pé, para não lhe causar incômodos durante o exercício. • Prove o tênis com meias esportivas, pois a meia também ocupa um espaço dentro do tênis. • Procure comprar seu par de tênis ao final do dia, pois é o momento que os pés estão mais inchados e você saberá como o calçado vai se acomodar. • Caminhe ou corra na loja para sentir se seus pés estão firmes e confortáveis. • Os tênis de corrida perdem seu amortecimento entre 450 e 800 quilômetros percorridos, para prevenir lesões é recomendado trocá-los após atingir esta distância. • Quando seus tênis começarem a ficar desgastados na parte do calcanhar é um sinal de que está na hora de trocar seus tênis.

• O velocista: este tipo de corredor normalmente faz distâncias de 5km no menor tempo possível. O velocista precisa de calçados leves e de alta performance, ideais para velocidade. • O corredor de meia distância: também conhecido como distância média, percorrem 10km podendo chegar a distâncias de até 21km. Este tipo de corredor deve procurar tênis de corrida leve, com amortecimento balanceando velocidade e conforto. • O corredor de trilhas: para corredores de terrenos mais instáveis o ideal é um tênis com solado que proporcione maior aderência para terrenos irregulares ou em dias de mau tempo. Para maior segurança, este tipo de corredor deve procurar tênis que possuam amortecimento elevado e maior suporte para proteger as juntas e tornozelos em solos irregulares. • O maratonista: para corredores de longa distância o tênis ideal é aquele que proporciona amortecimento aliado ao suporte, para que o corredor possa se manter por mais tempo correndo. Tanto conforto quanto encaixe do tênis ao pé são importantes, pois este tipo de corredor fica bastante tempo correndo.

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Foto: Rita Queiroz

COBERTURA

Corridinhas infantis ganham espaço e estimulam a atividade física

Um, dois, três e... 28

Já!


A

corrida de rua não é mais uma prática esportiva voltada apenas para os adultos. Nos últimos anos, as provas exclusivas para os pequenos têm crescido significativamente, o que comprova que a modalidade caiu no gosto da garotada. O calendário de corrida de rua de Fortaleza conta com seis edições infantis, em 2014, que contemplarão crianças de dois a doze anos de idade. A primeira delas é a Corridinha Beach Park, promovida pelo parque aquático de mesmo nome. Neste ano, a prova realizada no mês de março, contou com a participação dos pequenos em percursos, na areia ou na grama, que variavam de 10 a 300 metros.

Durante a realização de cada uma das etapas, as famílias puderam torcer e acompanhar seus “atletinhas” em uma tenda especial. Após a corrida, todas as crianças receberam uma medalha de participação, vale ingresso para entrada no parque aquático e puderam curtir o show “Música de Brinquedo”, da banda mineira Pato Fu. O pequeno Levi Coelho, 3 anos, participou da corridinha na companhia de seu pai, Cassius Antunes, que também é corredor. Influenciado pelo pai, Levi brincou, pintou, correu e, de acordo com o pai, já espera a próxima edição. “Ele sempre me vê saindo pra correr e pergunta por que não pode ir junto. Quando eu disse que teria uma pra ele, foi uma alegria na casa. Assim

que ele recebeu a medalha dessa me perguntou: quando é a próxima, papai?” Cassius acha importante que o filho goste de esporte desde cedo e lembra que “a prática de esporte só traz benefícios, independente da idade.”. Apesar de toda festa envolvida, alguns cuidados precisam ser observados quando se trata de esporte para crianças. O ortopedista Flávio Henrique alerta que “os pais não podem exigir demais dos filhos, já que nesta fase é uma brincadeira saudável. Eles ainda estão em crescimento, tudo tem que ser natural. Exigir um desempenho melhor do que a criança pode dar neste momento pode interferir no seu desenvolvimento.”, esclarece. Foto: Rita Queiroz

Cuidados para os pequenos BENEFÍCIOS: Desenvolvimento da força muscular

Flexibilidade

Estímulo do metabolismo ósseo

Aperfeiçoamento da coordenação motora

Aumento da capacidade respiratória e cardíaca

Usar roupas leves e tênis adequado

Melhora do humor e do apetite

Alimentar-se antes da corrida

Prevenção da obesidade

Não esquecer o protetor solar

Ingerir muitos líquidos

Respeitar os limites do corpo

Saiba Mais Próximas corridas infantis 20/07 – Pé na Carreira (Avenida Beira Mar) // 26/07 – Pão de Açúcar Kids (Unifor) // 27/09 – Corridinha Iguatemi (Shopping Iguatemi) // 06/12 – X – Terrinha (Porto das Dunas) // 14/12 – São Silvestrinha (Parque do Cocó)

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MUDANÇA DE VIDA

“A corrida me fez renascer!” Conheça um pouco da história de Edison, que perdeu 34kg. em oito meses. Sem cirurgia e com ajuda de atividade física e alimentação saudável

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um ano e percebo que tenho mais disposição para enfrentar as lutas do dia a dia. Descobri que na corrida sou meu maior adversário e vencer a si próprio faz com que tudo se torne mais simples”, afirma. Com auxílio de uma equipe de corrida, Edison ganhou mais rendimento e motivação para correr. “Estou começando a participar das provas e isso só aumenta minha vontade de manter minha vida assim. Já fiz algumas corridas de 5k e estou treinando para estrear no 10km. Às vezes, paro e penso: quem imaginaria que eu seria um corredor? Ninguém!” A vida de Edison continua atribulada como antes, a diferença agora é que ele encaixou a atividade física em sua rotina e a transformou em válvula de escape para os problemas cotidianos e sua garantia para ter mais saúde. “Sou outra pessoa, todos ao meu redor enfatizam isso. Passo longe de cigarros, só bebo uma vez ao ano de forma controlada e busco seguir uma alimentação balanceada. A corrida me fez renascer. Hoje tenho mais vontade de viver e vencer.” O que Edison tem a dizer para quem ainda não conhece a alegria e os benefícios da corrida? “Corra! Você ganha mais saúde, autoestima, amigos e alegria de viver. E esses são apenas alguns benefícios que se recebe ao decidir por mudar de vida para a melhor!”

Antes

Depois

Fotos: arquivo pessoal

N

ada na vida vem de graça. Para ter uma vida saudável, muitas vezes são necessárias mudanças radicais. E foi através de uma reviravolta desses que a corrida entrou nos planos do servidor público Edison Carvalho e ele encontrou a porta de saída para o sedentarismo e a obesidade. Este cearense de 36 anos viu sua vida em risco por conta do sedentarismo. “As preocupações diárias tomavam conta da minha vida. Tudo ao meu redor estava indo mal. Não dormia bem, não tinha vida social e nenhum tempo pra cuidar de mim.” Edison pesava 112kg, distribuídos em 1.72m de altura, o que indicava obesidade severa, bebia e costumava fumar 3 maços de cigarros por dia. Isso não poderia ter um bom resultado. Após um mal estar durante uma reunião, o servidor se viu obrigado a procurar um médico e mudar seus hábitos para continuar vivo. “Foi duro ouvir do cardiologista, “ou você muda ou morre”. Voltei pra casa decidido a escrever uma nova história pra mim”, afirma. Seguindo orientações médicas e nutricionais, Edison começou a caminhar próximo a sua casa e modificou sua alimentação para perder peso e equilibrar as taxas de seus exames. Durante este processo, ele conseguiu eliminar 34kg e passou das caminhadas diárias para a corrida de rua. “Comecei a levar a corrida a sério há


MUDANÇA DE VIDA

“Larguei o tráfico de drogas para ser um campeão no triathlon” Foto: arquivo pessoal

Um jovem morador da periferia de Fortaleza viu sua vida mudar após conhecer o esporte

É

impossível não notar o brilho nos olhos e o sorriso largo no rosto de José Edson Vitorino de Souza, quando o assunto é corrida ou triathlon. A paixão pelo esporte aconteceu por um mero acaso do destino ou como a vida dando uma nova chance para o jovem de 26 anos. Nascido e criado no bairro Vila Velha, periferia de Fortaleza, Dudé, como é conhecido pelos amigos, teve uma infância misturada ao mundo do crime. Apesar dos inúmeros conselhos dos pais, um gráfico aposentado e uma empregada doméstica, Dudé preferiu andar com as más companhias. “Eu achava um barato ficar com os caras, fazia tudo o que eles mandavam. Tinha um amigo, o Alessandro, e tocávamos o terror no bairro, até o dia em que mataram ele. Foi o mesmo que perder um irmão e eu precisava vingar a morte dele.”. Mas todas as tentativas tiveram revide de seus inimigos e a vida do garoto ficou por um fio. “Tentaram me matar quatro vezes. Na última tentativa, na porta de casa, quase morri. Foi quando um amigo, o Vladson, disse pra eu sair daquela vida, porque eu ainda tinha jeito.”. Com esta nova chance, Vitorino acompanhou seu amigo até uma aula de natação no Cuca Barra (rede de proteção social e oportunidades mantida pela Prefeitura de Fortaleza),

mas ele não sabia nadar, além de não ter nenhum interesse pelo esporte. “Me jogaram na piscina e eu quase morri afogado”, conta rindo. Apesar do susto, o jovem se encontrou no esporte e após um mês de treinos com a professora Vera, ele disputou sua primeira competição. “Ganhei meu primeiro duatlhon (modalidade de natação e corrida) no final de 2011 e a Vera ficou impressionada com meu desempenho. Foi ela que me encaminhou para o triathlon e na primeira disputa, levei o 1º lugar na categoria. Vi que poderia ter uma vida longe do tráfico de drogas e me afastei de tudo aquilo. Dudé mostra certo alívio quando percebe que a vida no crime ficou para trás e as pessoas reconhecem isso. “Hoje, os caras de lá (referindo-se aos traficantes do bairro Vila Velha) sabem que eu não estou mais nessa vida e até os policiais, de quem eu corria para não apanhar, me elogiam pela mudança”, comemora. Após iniciar a prática esportiva, Vitorino mudou de bairro. Hoje ele reside na comunidade do Baixa Pau para ficar mais perto dos treinos e ajudar na criação de um garoto de 11 anos, órfão de pai e mãe. “Não dava para continuar lá por causa dos treinos e do Victor, que eu adotei como minha responsabilidade. Muitas vezes, eu precisei vir do Vila Velha correndo para treinar na Beira Mar e normalmente, sem alimentação. Era difícil demais. E a morte da avó do Victor, de quem eu era amigo, pesou muito. Se ele ficasse sozinho na favela, tenho certeza que ele entraria pro crime.”. E a os cuidados de Dudé com Victor tem dado certo. O garoto faz parte da equipe Atitude Atletas e já colhe as primeiras vitórias. “ Na última competição de duatlhon, ele ficou em 1º lugar geral. Normalmente ele vai aos treinos comigo, para não ficar na rua de bobeira, mas ele sabe que só participa das competições se for bem na escola

e até agora, ele tá cumprindo com as obrigações dele”, orgulha-se. Nada na vida vem fácil. Isso Vitorino aprendeu cedo e continua vivenciando no dia a dia. Mesmo já conquistando títulos importantes, o atleta passa por dificuldades para se manter no esporte. “Sou atleta do bolsa esporte ( programa do Governo Federal que destina verba para jovens atletas), mas ainda não recebi nenhum valor neste ano. Fica ruim treinar assim. Minha família é humilde e não pode me ajudar, então eu conto com ajuda da assessoria em que eu treino e de alguns amigos que também são atletas. Alguns me ajudam com alimentação e outros pagam as inscrições nas provas”, explica. Vitorino começou tarde no esporte, aos 24 anos, idade que o credencia para a categoria de elite do triathlon. Apesar do pouco tempo, tem sido comum vê-lo no alto dos pódios das competições do triathlon e da corrida de rua. “Já fui pódio nas mais importantes competições do triathlon cearense e também no Piauí, Pará, Rio Grande do Sul e Paraíba. Hoje treino para manter o alto nível, com foco no Mundial de Triathlon que será disputado no Canadá, em 2015.”. Mas a participação na etapa canadense ainda está incerta, pois, o atleta não tem condições financeiras de arcar com as despesas da viagem. “A diretoria do Cuca Barra está tentando viabilizar minha participação e eu espero que dê tudo certo”, revela ansioso. Vitorino sabe que é exemplo para os meninos de seu bairro. “Eles me têm como ídolo, porque sabem de onde eu venho e já sabem tudo o que conquistei nas pistas. Sempre que posso, organizo pequenas competições na comunidade e coloco a molecada pra correr. É tudo uma brincadeira, mas eles levam a sério. Espero que eles despontem no esporte e nos estudos e consigam ter um futuro melhor”, diz orgulhoso.

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QUER CORRER? VAI PRA RUA! LOCAIS DE TREINO

Beira-Mar

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Q

uer começar a correr, mas não sabe onde? Fortaleza tem alguns lugares conhecidos por quem já pratica o esporte, mas apesar do crescimento de inúmeras assessorias e das corridas de rua terem tomado conta da cidade nos últimos anos, a capital ainda é muito carente de locais voltados especificamente para essa prática esportiva. O cartão postal da cidade, a Avenida Beira Mar, é o local mais utilizado pelos corredores, sejam eles iniciantes ou já adeptos do esporte. A partir das 5 horas, até às 7 da manhã, são colocados cones ao longo dos 3 km da avenida, limitando uma pequena faixa do asfalto e dando mais segurança para os atletas. Com a construção do calçadão da Praia de Iracema, o percurso completo, começando na Ponte dos Ingleses e terminando no Mucuripe, fica em torno de 4,5km. Uma vantagem de treinar na praia é poder aproveitar a extensa faixa de areia para um treino de força muscular.

Saindo da Beira Mar, a trilha do Parque do Cocó, também é um espaço usado pelos atletas para os treinos. Local calmo, chão de terra, muitas árvores que poupam do sol sempre forte. As duas principais trilhas do parque possuem ao todo 4km de extensão. Alguns cuidados são necessários já que o terreno é bastante irregular. Fique atento a buracos na trilha, galhos e folhagens que podem camuflá-los. Próximo ao Parque do Cocó, a ciclovia da Avenida Washington Soares é bastante procurada, principalmente aos sábados, dia do universal treino longo. A ciclovia tem aproximadamente 10 km, desde o Shopping Salinas até o Centro das Tapioqueiras e possui ladeiras, o que torna o treino mais desafiador. Quem quiser ir além, a ciclovia continua até a entrada do município de Aquiraz, completando 21km. E, já que o nosso forte é praia, nada como correr no belo visual do Porto das Dunas, onde fica localizado o

famoso parque aquático Beach Park. Recentemente, foi inaugurada uma ótima ciclovia, que começa na Avenida Maestro Lisboa ( próximo ao supermercado GBarbosa) e dá acesso ao Porto das Dunas. São mais 6 km de ciclovia, num percurso com algumas subidas, que se tornam pequenas quando comparadas às encontradas na Avenida Litorânea, um verdadeiro teste para as pernas. A partir daí o treino se transforma numa sequência de ladeiras que parecem intermináveis, mas com um visual lindo de mar, rio e dunas a perder de vista. Existem outros locais utilizados pelos corredores de Fortaleza, como a Avenida do Aeroporto, a Av. Bezerra de Menezes com sua ciclovia, a praça ao lado do Hipermercado BomPreço que possui marcação de quilometragem e o Lago Jacareí. Agora não dá pra ter como desculpa a falta de um lugar para treinar. Pelo contrário, existe muito chão pra percorrer e lugares a conhecer. Fotos: divulgação

Ciclovia Washington Soares

Trilhas do Parque do Cocó

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NUTRIÇÃO

COMA BEM, CORRA MELHOR

Conheça um pouco da rotina de treinos do paratleta que tornou-se um campeão ultrapassando as barreiras da deficiência física

N

ão é segredo para ninguém que uma alimentação equilibrada é fundamental para um bom desempenho na prática esportiva, principalmente quando falamos em corrida de rua. Uma alimentação adequada às necessidades do atleta auxilia no momento dos treinos e consequentemente na performance durante a prova, além de ajudar na recuperação pós prova. Outro fator importante é

que a maioria dos corredores realiza seus treinos antes ou após um dia de trabalho, o que pode interferir de modo negativo, em sua alimentação. Desta forma, é essencial ter uma boa nutrição não apenas para ter sucesso nas pistas e evitar lesões, mas também no dia-a-dia. Convidamos a nutricionista Rachel Accioly, especializada em nutrição esportiva, para responder algumas questões e dar dicas importantes para uma alimentação eficaz.

Entrevista com Rachel Accioly >> Qual a relevância de uma boa nutrição para o desempenho do atleta? Rachel Accioly – Precisamos pensar no corpo do atleta como uma máquina e que esta máquina necessita de energia adequada para trabalhar, ou seja, para realizar treinos e participar de competições. Se colocarmos combustível inadequado, a máquina quebra. Da mesma forma acontece com o esportista, caso ele utilize alimentos inadequados, seu rendimento poderá cair e comprometer seu desempenho. >> Existe um horário correto para esta alimentação? Rachel Accioly – Isso depende do horário que o atleta tem disponível para fazer seu treino. Quem realiza as atividades pela

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manhã, tendo o café da manhã como primeira refeição, deve realiza-los de 30 a 90 minutos antes do treino e devem consumir alimentos de fácil digestão como, pães, queijos brancos e cereais. Caso a refeição que antecede o treino for o almoço, ela precisa ser consumida com 3 a 4 horas de antecedência e constituída por massas, proteínas magras como frango ou peixe. Em hipótese alguma o atleta deve fazer seus treinos em jejum, pois o objetivo da refeição pré-treino é evitar a hipoglicemia (diminuição no nível de glicose no sangue) e fornecer a energia necessária para o corpo. >> Quais os alimentos proibidos? Rachel Accioly – Nada é proibido, mas é necessário ter bom senso e escolher

os momentos certos para consumir alimentos que, normalmente, devem ser evitados em fases de treinamentos. >> Como alimentar-se durante a corrida? Rachel Accioly – Se o treino não ultrapassar os 60 minutos, a refeição feita como pré-treino é suficiente. Caso contrário, o atleta pode fazer a reposição energética com suplementos de carboidratos (bebidas energéticas ou géis). Ou também, podem utilizar rapadura, sachês de mel e para a hidratação, água de coco sempre cai bem. >> E estes cuidados continuam quando aprova termina? Rachel Accioly – Sim, depois de terminar a corrida, alimentar-se é importante. É o momento em que nosso

corpo irá recuperar todos os tecidos agredidos durante a atividade física. São boas opções: um sanduíche com queijo branco, frango desfiado ou ovo de galinha, com uma porção de fruta ou salada de frutas sem açúcar e um copo de leite ou iogurte desnatado. >> Como é feita a dieta para o atleta? Depende do esporte? Da idade? Rachel Accioly - A Alimentação do atleta é feita de acordo com o peso, idade, gênero, percentual de massa muscular e de massa gorda, modalidade, objetivos da temporada e o calendário da temporada. A Alimentação varia entre as fases de preparação, de recuperação, de competição ou qualquer imprevisto como, por exemplo, lesões, cirurgias, etc.


PREVENÇÃO DA CÃIBRA

DIETA VARIADA

FRUTA

Busque uma dieta colorida, rica em vitaminas e minerais, com hidratação, bebidas isotônicas (sódio) e descanso.

Faça a ingestão de frutas: banana, mamão e melancia.

VENDURAS E LEGUMINOSAS

CEREAIS

Alimenente-se de couve, espinafre, brócolis, feijão e fentilha.

Arroz integral, aveia, além de nozes e castanha do pará.

! ATENÇÃO Evite a prática de qualquer esforço físico excessivo após as refeições e faça alongamento do corpo antes dos exercícios e de dormir.

Saiba Mais Nunca faça exercícios em jejum. Varie sua alimentação durante o dia, alternando frutas, verduras, sementes, cereais, etc. Desta forma, você estará fornecendo todos os nutrientes que seu corpo precisa. Não compre salgadinhos, biscoitos recheados, chocolates, sorvetes, etc. Você só come o que tem disponível, se não comprar, não comerá. Comece sua refeição com um bom e colorido prato de salada. Lembre-se de não colocar molhos gordurosos, queijos, torradas, etc. Não beba refrigerantes, mesmo as versões diet ou light são prejudiciais à saúde. Retire o açúcar do seu cardápio. Tenha uma boa ingestão de água durante todo o dia. A sensação de sede já é indicativo de desidratação. Beba água intervaladamente durante a prática esportiva. Prefira sempre os queijos de coloração mais clara (cottage, ricota, minas, etc).

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DICAS DE FILMES

8 filmes que todo corredor deve assistir O ATLETA (The Athlete, 2010) Filme sobre um dos corredores mais famosos do mundo, Abebe Bikila, o primeiro africano a ganhar uma medalha de ouro olímpica correndo descalço em Roma. O forte do filme é a superação do atleta, que estando no auge de sua carreira, se torna paraplégico. História baseada em fatos reais, incrível e imperdível.

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A solidão de uma corrida sem fim (Loneliness of the Long Distance Runner, The, 1962) Rapaz rebelde vai para o reformatório depois de um roubo mal sucedido, porém, descobre-se nele um enorme talento para a corrida. O diretor do lugar então se aproveita disso para tentar conquistar o campeonato entre reformatórios.

A CORRIDA PARA A GLÓRIA (The Long Run, 2000) É a história da primeira atleta negra a correr a Ultramaratona de Comrades, uma das corridas mais duras do mundo. A atleta apesar de muito rápida, também é muito indisciplinada, e o treinador apesar de apaixonado pelo que faz ainda não tinha encontrado o sucesso, ambos tem nessa corrida muita esperança para o futuro.

O Preço da Perfeição - A História de Ellen Hart Pena (Dying to Be Perfect: The Ellen Hart Pena Story, 1996) A verdadeira história de Ellen Hart, corredora que foi forçada a fazer regime para integrar o time americano de atletismo nas Olimpíadas de Moscou e acabou vitimada pela anorexia nervosa, num ano em que os EUA sequer disputaram os jogos, devido a um boicote político.

O LADO BOM DA VIDA (Silver Linings Playbook, 2012) O protagonista, depois de um tempo internado com problemas psiquiátricos, tenta reconstruir tudo o que perdeu e para isso ele corre! E correndo ele faz uma amiga bem especial. Uma comédia dramática, meio água com açúcar, mas vale a pena.

Prefontaine (Prefontaine, 1997) Steve Prefontaine, que morreu em um acidente de carro aos 24 anos, em 1975, é um mito nos Estados Unidos. Jared Leto interpreta “Pre”, recordista americano de sete categorias das corridas de pista, entre 2 mil e 10 mil metros.

MARATONA DO AMOR (Run Fat Boy Run, 2008) Um cara sedentário descobre que a ex-namorada está com um cara que corre maratonas e resolve desafiá-lo. A primeira corridinha dele é bem o que rotulamos de “quem nunca”: ele corre forte uns 50 metros, para quase morrendo, olha para o relógio e diz: ‘Nada mal’!

Carruagens de fogo (Chariots offire, 1981) O filme se passa em 1924, quando dois atletas britânicos competem entre si nas Olimpíadas de Verão. Um deles, Harold Abrahams, é um estudante judeu que corre para ser famoso e fugir dos preconceitos. O outro, Eric Liddell, é um missionário católico devoto, que corre em nome de Deus e acredita que seus dons para a velocidade são divinos.


DICAS DE LIVROS

8 livros que todo corredor deve assistir Do que eu falo quando eu falo de corrida Haruki Murakami Nesse livro, Murakami faz um relato pessoal sobre como a corrida marcou sua vida. Em 1982, ele vendeu seu bar em Tóquio para se dedicar à literatura. No mesmo ano, começou a correr para manter a forma física.

Nascido para Correr Christopher McDougall Fã de corridas ao ar livre, o autor sofria com constantes problemas ao se exercitar. Ao procurar um grande especialista em lesões esportivas, ouviu o diagnóstico: “Esqueça. O corpo humano não foi projetado para esse tipo de exagero”.

Era uma vez um corredor John L. Parker Jr. Publicado em 1978, o livro acompanha a trajetória de um atleta em meio a paixões, dilemas e sua determinação de vencer. Com narrativa inspiradora e divertida, revela o que o homem é capaz de fazer para superar seus limites e se tornar um campeão.

A Semente da Vitória Nuno Cobra Com mais de 90 edições publicadas, a obra do preparador físico Nuno Cobra – que ficou famoso por treinar o piloto Ayrton Senna – continua uma referência nos dias de hoje. Ele explica seu método de trabalho, que pode parecer radical, porém se revela transformador e eficiente na conquista de saúde, bem-estar e qualidade de vida.

O Ultramaratonista Dean Karnazes Entediado com o cotidiano de alto executivo, no dia em que completou 30 anos o americano descendente de gregos Dean Karnazes deu uma guinada em seu destino. Sem calçar um par de tênis há 15 anos, ele saiu correndo por 48 km, totalizando sete horas sem parar. Ganhou bolhas nos pés e uma nova vida.

Programa de Caminhada e Corrida Marcos Paulo Reis, Emerson Gomes e Fabio Rosa Apresenta o bê-á-bá para quem pretende praticar a caminhada esportiva e a corrida com segurança e prazer. Aborda desde os princípios básicos do treinamento, até como a atividade pode auxiliar a perda de peso, passando ainda por exames necessários e a escolha do tênis.

50 Maratonas em 50 Dias Dean Karnazes Do mesmo autor de “O Ultramaratonista”. Ele narra o desafio de correr 50 maratonas em 50 estados americanos, em 50 dias consecutivos, enfrentando calor, frio, cansaço e medo. Foram 2110 km corridos, 160 mil calorias gastas e muitas noites mal dormidas.

Corra Mário Sérgio Andrade Silva Com experiência de mais de 25 anos como esportista e treinador de atletas amadores e profissionais, o autor apresenta um guia para o corredor, respondendo às dúvidas mais frequentes sobre a atividade, alimentação, alongamento e programas de treinamento.

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DESTAQUES

S

er atleta requer muito esforço, disciplina entre outros atributos. E ser paratleta? Para eles ainda é necessário vencer as barreiras impostas, irreversivelmente, pela vida. Ultrapassar estes obstáculos tem sido rotina para Francisco Claudio Amora da Silva, paratleta aos 36 anos. Quando tinha dois anos de idade, Claudio Amora teve uma febre forte, o que causou uma paralisia na perna esquerda. Embora com a deficiência adquirida, Claudio teve uma infância como qualquer criança e aos dez anos começou a dar as primeiras braçadas nas piscinas, com o intuito de melhorar seu desenvolvimento físico-motor. “Meus pais sempre me apoiaram e me incentivaram a praticar esportes, graças a Deus eles nunca me esconderam dentro de casa. Minha carreira esportiva começou apenas aos 16 anos, quando estava assistindo as Paralimpiadas de Atenas e ali descobri que existiam esportes para pessoas com deficiência física.”. Desde que despertou para a prática esportiva, Claudio não parou de competir e coleciona conquistas na natação, corrida e triathlon, em provas no Brasil e outros países como Suíça, Pequim e Londres. O paratleta é campeão na categoria TRI 02 (inclui atletas com comprometimentos como: deficiência nos membros, hipertrofia, carência de força muscular e amplitude de movimentos diminuída) – Campeonato Cearense de Sprint Triathlon campeão ranking 2013 na categoria TRI 02; campeão da categoria TRI 02 do Campeonato Cearense de Aquathlon – 1ª etapa 2013; 5º colocado no

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Campeonato Mundial de Paratriathlon; Vice-campeão da São Silvestre, em 2003 e 2004, entre outros títulos. Além de seus treinos diários, o paratleta precisa conciliar sua vida pessoal aos compromissos profissionais. Claudio é casado há 14 anos com a professora Daniely Aguiar e pai de Ana Júlia e Jhonata, de 7 e 14 anos. Com a esposa trabalhando em tempo integral, Amora é o responsável por preparar o café da manhã das crianças, deixa-las na escola, fazer o almoço, ajudar nas atividades escolares e treiná-los na corrida e natação. Os treinos do paratleta são divididos durante cinco dias da semana e nos intervalos auxilia os filhos. “A Julia faz ballet e natação e o Jhonata já leva a corrida a sério, me acompanha nos treinos e já participa de algumas competições. São dois apaixonados por esportes e fico muito orgulho em vê-lo seguindo meus passos.”, completa. Em paralelo as suas obrigações de pai e esposo, Claudio treina e busca por patrocínios para seguir competindo. “Infelizmente, as dificuldades que enfrentei no começo são as mesmas hoje. Não temos lugares adequados para treinamento e tenho que treinar natação em um local e a corrida em outro. Com isso perco tempo no deslocamento e isso também requer mais recursos financeiros, que já são escassos.”, lamenta o atleta. Atualmente, o esportista é patrocinado por uma revendedora de veículos, recebe um salário e ajuda de custos quando precisa viajar para competir. Claudio frisa que “se não

tivesse este auxílio, estaria fora do esporte, pois, o Governo pouco investe no paratletismo.”. Mesmo com as dificuldades apresentadas, Claudio se esforça para ter bons resultados e já pensa no futuro. “Todos os treinos e competições que tenho participado são preparatórios para as Paralímpiadas de 2016, no Brasil. É meu foco, meu maior sonho.”. Já pensou poder representar seu país em casa, com família e amigos na torcida? Seria fantástico! Se Deus quiser estarei no Rio de Janeiro para disputar minha 3ª Paralimpiadas e trazer mais esta conquista para o Ceará.”, completa Claudio.

Fotos: arquivo pessoal

Claudio Amora


CALENDÁRIO DE CORRIDAS EM 2014 19 Jan 14

3º Desafio das Pontes - 24,6 km

16 Fev 14

24ª Corrida Caprius Cross - 7 km (#)

23 Fev 14

3ª Corrida OAB - Fortaleza - 5 e 10 km+2,5 km (caminhada)

22 Mar 14

Corridinha Beach Park - 10 a 300 m (sábado)

23 Mar 14

6ª Corrida CAGECE - 5 e 10 km

30 Mar 14

Circuito das Estações - Outono 2014 - 5/10 km

06 Abr 14

1ª Corrida Gran Marquise - 5 km

13 Abr 14

12ª Meia Maratona de Fortaleza - 5, 10 e 21.1 km

26 Abr 14

6ª Corrida O POVO - 7,5 e 15 km (sábado)

27 Abr 14

Corrida da Polícia Civil - 5 km

04 Mai 14

22ª Corrida de Rua UNIFOR - 10 km

10 Mai 14

Corrida Night Run - Fortaleza - Etapa Marte - 5/10 km (sábado)

25 Mai 14

Circuito das Estações Inverno 2014 - 5/10 km

-

11ª Corrida do Colégio Militar - 5 e 10 km

15 Jun 14

25ª Corrida Caprius Cross - 7 km (#)

13 Jul 14

31ª Corrida do Fogo - 8 km

20 Jul 14

5ª Corrida Pé na Carreira - 5 e 10 km

26 Jul 14

3ª Corrida Pão de Açúcar Kids (infantil) - 50 a 400 m

27 Jul 14

13ª Maratona Pão de Açúcar de Revezamento - 42.200 m

27 Jul 14

2ª Corrida de Rua IBC - Corro pela Causa - 4 e 8 km

03 Ago 14

Circuito de Corridas da Caixa - Fortaleza - 5 e 10 km

03 Ago 14

4ª Corrida Esperança - Fortaleza - 5 km

10 Ago 14

Corrida 20 Anos Dias de Sousa - 5 e 8 km

16 Ago 14

Circuito Noturno Caixa - Fortaleza - 5 e 10 km - 20h - (sábado)

17 Ago 14

7ª Corrida SINDPRF-CE - 5 km

17 Ago 14

6ª Corrida Cearense contra o Fumo - 5 e 10 km

23 Ago 14

8ª Corrida de Guaramiranga - 5 e 10 km (sábado)

24 Ago 14

6ª Corrida da Infantaria - "Prova Duque de Caxias" - 5 e 10 km

24 Ago 14

The Color Run™ 5km - Fortaleza

31 Ago 14 -

4ª Corrida Beach Park - 4 e 8 km (sábado) Circuito das Estações Primavera 2014 - 5/10 km 2º Correr Faz Bem - W. Center - 2, 5 e 10 km

14 Set 14

5º Circuito de Corridas Farmácias Pague Menos - 10, 5 e 1 km

21 Set 14

1ª Corrida Encontro das Assessorias

28 Set 14

8ª Corrida Iguatemi - 6 km

12 Out 14

Circuito das Estações Verão 2014 - 5/10 km

19 Out 14

17º Circuito Nacional de Corrida do Carteiro - 10 km

19 Out 14

Corrida do Servidor Público - 3 e 6 km

19 Out 14

8ª Corrida Unimed-Unicred Fortaleza - 4 e 8 km

02 Nov 14

2ª Corrida Estácio FIC - 5 e 10 km

08 Nov 14

Corrida Night Run-Fortaleza-Etapa Júpiter - 5 e 10 km (sábado)

16 Nov 14

1ª Corrida Verão Fortaleza - 5, 10 e 21.1 km (Info: 85-9659.7500)

23 Nov 14

26ª Corrida Caprius Cross - 7 km (#)

23 Nov 14

3ª Corrida (feminina) do Batom - 4 e 6 km (Info: 85-3052.9900)

23 Nov 14

30º Circuito de Corridas SESC - Fortaleza - 10 km

30 Nov 14

Circuito Nordeste SESI 10K - 5 e 10 km

06 Dez 14

3ª Corrida Beneficente CooperCon - 5x1km (sábado/7h)

07 Dez 14

Corrida do HEMOCE (Info: 85-3101.2308)

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