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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 20_#216_jun2011

Mercado religioso movimenta o audiovisual com filmes, DVDs e até novelas

MERCADO

Cinema vive momento de profissionalização da produção

EVENTO

12º Forum Brasil reflete o amadurecimento do mercado


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro

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Projetos Especiais Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial

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André Mermelstein Fernando Lauterjung Ana Carolina Barbosa Daniele Frederico Lizandra de Almeida (Colaboradora) Letícia Cordeiro Edmur Cason (Direção de Arte) Debora Harue Torigoe (Assistente) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Alexandre Barros (Colaborador) Bárbara Cason (Colaboradora) Bruna Zuolo (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te)

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André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

O futuro da TV aberta

E

m maio último, nosso noticiário online TELA VIVA News informou que o SBT passaria a sublocar suas madrugadas para uma igreja (ainda em negociação), deixando de ser uma das últimas redes nacionais a resistir a esta “tentação”. A medida é consequência da quebra do Banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos, que era até então um dos grandes patrocinadores da programação da emissora. Na sequência, o grupo vendeu, além do banco, outros ativos, como as Lojas do Baú. A medida deve injetar estimados R$ 200 milhões anuais na rede, que praticamente compensam o rombo deixado pelo Panamericano e garantem a saúde financeira da emissora. As redes abertas nacionais vêm recorrendo a este expediente “fácil” para fechar as contas, sem se preocupar com os efeitos disso a longo prazo, para não mencionar a irregularidade do ato de se comercializar uma concessão pública, cujo objetivo deveria ser apenas o provimento de informação, entretenimento, cultura e publicidade, nos limites estabelecidos em lei. Não se trata aqui de rejeitar a pregação religiosa em si, evidentemente. É igualmente condenável a cessão de horários a programas de televendas e infomerciais. Pelo contrário: como mostra a matéria de capa desta edição, o mercado audiovisual voltado ao público religioso, de diversas confissões, vem crescendo e se mostrando um ótimo filão para produtores. Há diversos espaços para sua divulgação, como a TV por assinatura, o satélite, os DVDs, a Internet, o cinema etc. O que preocupa é o futuro da TV aberta no Brasil que, à exceção da Globo, precisa recorrer a estes expedientes para sobreviver (e sabemos que muitas vezes esta é a única opção, devido à concentração das verbas publicitárias na emissora líder). Em um mundo de mídias fragmentadas, com cada vez mais opções ao consumidor, não estará a TV aberta, tão fundamental para a integração nacional, se tornando um veículo menor, desimportante, quando abre mão de gerar conteúdos para virar um loteamento de projetos comerciais ou confessionais? Não corre o risco de ficar para trás naquilo que sempre foi sua marca: a inovação, o desenvolvimento de talentos, a informação, o entretenimento? A radiodifusão, no mundo todo e aqui também, defende com unhas e dentes seus direitos. A próxima briga é pelas frequências que serão liberadas com o switch-off analógico, daqui a cinco anos. Terão que justificar a necessidade de uso desse cobiçado espectro, e isso se dará pela oferta de conteúdo que apresentarão. E o país terá que decidir se prefere entregar estas faixas a esta programação ou a outros serviços, como a banda larga sem fio. A televisão, enfim, tem que dizer o que pretende ser nos proximos dez, vinte anos, e que importância quer ter no cenário da comunicação daqui para a frente.

ilustração de capa: High Leg Studio/shutterstock/editoria de arte converge


Ano20 _216_ jun/11

(índice )

A fé que produz

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Segmento religioso movimenta o audiovisual e atrai novos players

( cartas)

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Figuras

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Evento

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Programação

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Programadoras e produtoras discutem no 12º Forum Brasil maneiras de exportar conteúdo para territórios e plataformas

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Especial Acredito no potencial do Rio de Janeiro para ser o grande polo audiovisual brasileiro e concordo com o ponto de vista dos produtores sobre a necessidade de mais investimentos governamentais. De todo modo, é bom também as produtoras façam a lição de casa e procurem melhorar a qualidade de seus serviços, investir nos bons profissionais. Só assim para atender bem à demanda. Ricardo Duarte, Curitiba, PR

Scanner

Sessões 30 Minutos do Forum Brasil revelam caminhos para produzir para canais de TV

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TV por assinatura

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Making of

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Produção

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Plataformas online de distribuição dominam debates do Cable Show

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DVDs As produtoras que nasceram para atender à demanda por produção de DVDs de shows precisam mesmo diversificar seus trabalhos, por uma questão de sobrevivência. Conteúdo musical nunca é demais, mas acredito que o Blu-ray já nasceu morto e o futuro está nos meios de distribuição digital, como VOD, broadband TV e Internet. Jonas Souza, São Paulo, SP

Audiência

Nova geração de profissionais lidera “produtoras de produtores” 44

Case

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Projeto de Animação Brasil-Cuba dá origem a um curta-metragem para crianças

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

Upgrade

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Agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 6

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( scanner ) Cilada de julho

O “Cilada.com”, da carioca Casé Filmes, vai enfrentar os blockbusters internacionais no mês de férias. O filme, inspirado na série de humor “Cilada”, estrelada por Bruno Mazzeo no Multishow que também ganhou espaço na TV aberta, estreia dia 8 de julho. “Queremos recuperar as férias do cinema nacional. É um momento que tem que ser nosso”, explica o produtor Augusto Casé. Ele conta que o filme, com produção orçada em aproximadamente R$ 6 milhões, teve o apoio de distribuidoras para a captação. Downtown, Paris Filmes e RioFilme entraram com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e recursos próprios. A Rede Telecine e o Multishow também apoiam o projeto. Casé conta que a produtora já trabalha no desenvolvimentos de outros longasmetragens, entre eles, a comédia “E aí, comeu?”, “Muita Calma Nessa Hora 2” e “No Retrovisor”.

FOTO: ique esteves

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“Cilada.com” teve apoio de três distribuidoras e enfrenta os blockbusters internacionais nas férias.

FOTOs: divulgação

Canal da gargalhada A Viacom Networks Brasil anunciou para o ano que vem o lançamento do canal Comedy Central na América Latina. O canal com programação exclusiva de comédia estará disponível a partir de 1° de janeiro de 2012 na região. Além dos canais SD e HD, a marca inclui programação online, mobile e VOD disponível. Na programação, voltada para o público de 18-49 anos, haverá uma seleção de shows derivados do canal Comedy Central americano, além de aquisições, produções originais, shows de

Stand-up no Comedy Central, canal que a Viacom deve lançar na América Latina em 2012.

stand-up comedy, séries de animação, programas de TV clássicos e filmes. Os canais serão customizados em espanhol e português e logo na estreia já devem ter programação nacional. “Começamos a pré-produção de alguns projetos em setembro”, adianta o vice-presidente sênior de distribuição da MTV Networks Latin America e gerente geral da Viacom Networks Brasil, Álvaro Paes de Barros. Os primeiros projetos produzidos localmente devem ser programas de stand-up comedy.

TV Legislativa

Policial

Carlos Barros Monteiro, professor mestre e doutorando em comunicação, lançou o livro “Para que serve a TV Legislativa no Brasil e no mundo?” pela Editora Biografia. Monteiro pesquisa o tema desde 1996. Com base na Lei do Cabo, reuniu informações acerca do processo de criação de um Foram reunidos 15 anos canal legislativo, as estruturas de pesquisa em livro. técnica e operacional, grade de programação e a força desses veículos como canais de disseminação da cultura, educação, prestação de serviço e formação da cidadania.

O canal Fox estreou a segunda temporada da série “9mm: São Paulo”. Trata-se de uma produção da Moonshot Pictures para a Fox International Channels. A primeira temporada foi concebida com quatro episódios e ganhou nove episódios extras. A segunda temporada tem sete episódios captados em alta definição. A segunda temporada de “9mm: São Paulo” é uma produção da Moonshot Pictures para a Fox International Channels.

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Documentários na web A produtora catarinense Contraponto lançou o CurtaDoc na web (www.curtadoc.tv). O site será o primeiro acervo virtual brasileiro de curtametragem com foco no gênero documentário. O catálogo do CurtaDoc inicia com 700 filmes realizados nos últimos 50 anos. A proposta é criar um acervo disponível para pesquisas, promovendo o acesso à produção de documentários no Brasil. Além de assistir aos curtas na íntegra, o público poderá buscar informações sobre seus realizadores, acessar artigos, notícias e detalhes sobre a série de televisão CurtaDoc, exibida desde 2009 no SescTV, onde o projeto CurtaDoc teve início. Para participar do acervo do CurtaDoc basta preencher a ficha de inscrição online. Todos os curtas devem ter um link na internet (em sites de compartilhamento de vídeos). Podem ser inscritos documentários até 26 minutos.

Irmandade A Dínamo anunciou uma parceria com o coletivo Irmãos de Criação. Os quatro sócios atuarão junto à Dínamo Filmes com o desafio de levar aos trabalhos da produtora a aplicação do conceito transmídia. Dentro do Grupo Dínamo os profissionais encabeçarão a Dínamo Entretenimento. Segundo Edu Cama, o coletivo vai ajudar a criar maneiras de se levar o conteúdo das marcas a diversas mídias.

Pablo Zuritta, Marcos Fernandes, Rodrigo Chevas e Conrado Zanotto, da Irmãos de Criação, estão trabalhando em parceria com a equipe da Dínamo.

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Documentário “E agora, alemão?”, exibido na atração “Sala de Notícias”, do canal Futura, que tem apostado em realizadores independentes.

Independentes no jornalismo minutos sem break e a terceirização colabora para o projeto de multiplicidade de olhar e linguagem audiovisual. “O bom da terceirização é que conseguimos estes vários olhares. Seria impossível alcançarmos esta diversidade artística sozinhos”, destaca Vanessa Jardim, gerente de produção. Atualmente, de acordo com Angelis, o canal conta com a parceria de 20 realizadores. Segundo Alegria, eles foram identificados pela afinidade com os temas que o canal queria abordar. “Foi um mapeamento vocacional”, explica. A ideia é ampliar esta rede de colaboração, e a equipe do Futura, incluindo o departamento jurídico, está trabalhando em novos modelos, levando em consideração o dinamismo do jornalismo, para facilitar o processo de contratação. Nos outros programas jornalísticos da casa, as mudanças e experimentos estão sendo introduzidos aos poucos. O “Conexão Futura”, que tem entradas ao longo da programação da tarde, deve reforçar a interatividade, com a participação dos telespectadores via Skype. O “Jornal Futura” ganhou quadros semanais e estreita as relações com a rede de TVs universitárias parceiras e ONGs voltadas ao audiovisual. As TVs universitárias também estão coproduzindo o semanal “Sala de Notícias Debate”, organizando debates sobre temas regionais com dimensão nacional.

O jornalismo do Canal Futura passou por algumas mudanças em maio, acompanhando as novidades promovidas na grade de programação no ano passado. Segundo João Alegria, gerente de programação, jornalismo e engenharia do canal, as mudanças aconteceram primeiro no que diz respeito aos aspectos de tecnologia, com o processo de digitalização, e agora chegam ao conteúdo. As premissas da reformulação do jornalismo da casa, segundo Alegria, são a centralidade narrativa e a produção em rede, o que significa ampliar o diálogo com a rede de mobilização. Adriano de Angelis, coordenador geral de TV e plataformas digitais da gestão de Newton Cannito na Secretaria do Audiovisual, assumiu a coordenadoria de jornalismo do canal. Desde o início de maio, os programas vão ao ar de um novo estúdio construído com os princípios da construção verde, reduzindo em 80% o gasto energético. Em relação ao conteúdo, a mudança mais sensível é a terceirização de uma parte da programação jornalística, antes totalmente produzida pelo canal. O “Sala de Notícia”, programa diário que tem como proposta o aprofundamento e contextualização de um tema, passou a ser produzido por realizadores independentes. “Diferente da parceria com os programas, em que fazemos parcerias com produtoras, no jornalismo o foco é no realizador”, explica Alegria. O programa tem 15

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( scanner) FOTO: day de oliveira

Acordo das arábias

FOTOs: divulgação

A Volcano Hotmind firmou uma parceria com a Innovations Unlimited, responsável pela organização da Copa da Ásia deste ano, no Qatar. A produtora e a empresa criarão juntas ações de advertainment para divulgar o turismo no Qatar e a Copa de 2022, que acontecerá no país. A ideia é trabalhar em escala global para mostrar o país como destino turístico. Antes de firmar a parceria, Luiz Tastaldi, diretor de criação da produtora, liderou por seis meses uma equipe de criação e planejamento de várias nacionalidades para traçar um diagnóstico e definir metas estratégicas para o projeto. O curta “Pedaços de Papel” dará origem a um longa produzido nos Estados Unidos.

Rumo a Hollywood A produtora mineira Lumiart deve transformar um curtametragem da casa em um longa rodado em Hollywood. “Pedaços de Papel”, com produção orçada em R$ 40 mil totalmente custeada por recursos próprios, conquistou prêmios em festivais internacionais e motivou os sócios Cesar Raphael, diretor e roteirista, e Thiago Bento, produtor executivo, a tentar algo mais audacioso: a produção de um longa-metragem nos Estados Unidos. Segundo Bento, a produção orçada em US$ 5 milhões será totalmente feita com recursos privados. A produtora fez uma joint-venture com três investidores do mercado financeiro de Minas Gerais e começou a captar a verba no Brasil e nos Estados Unidos. A Lumiart negocia a coprodução com uma produtora de Los Angeles. Para a concretização do longametragem, o diretor conta com o apoio do produtor Bobby Moresco, de “Crash – No Limite” e “Menina de Ouro”. O roteiro do novo filme está sendo escrito a quatro mãos com a roteirista Amanda Moresco, que também trabalhou na produção de “Crash”. Pelo cronograma, a pré-produção do filme deve começar em novembro para que o longa seja finalizado até outubro do próximo ano. Cerca de 80% do filme será rodado nos Estados Unidos e o restante no Rio de Janeiro.

“Escola pra Cachorro”, coprodução da Mixer com a canadense Cité-Amérique, ganhou distribuição em DVD.

Home Video “Escola pra Cachorro”, série de animação coproduzida pela Mixer e pela canadense CitéAmérique, ganha distribuição em DVD pela ST2. No DVD, que ganhou o nome de “Hora do Lanche”, estão oito dos 26 episódios da primeira temporada da atração, que foi ao ar pela TV Cultura e pelo Nickelodeon. A segunda temporada está sendo produzida e tem estreia prevista para outubro.

Futebol na rede O YouTube está transmitindo ao vivo todas as 26 partidas da Copa América de Futebol dando continuidade à experiência com torneios esportivos. O portal de vídeo do Google já havia feito a cobertura online do torneio de cricket da Indian Premier League, em 2010 e 2011. Graças a uma parceria entre o Google e a detentora dos direitos da Copa América, a Traffic Sports, os jogos da competição mata-mata com as 12 melhores seleções de futebol da América Latina serão oferecidos online, por streaming, ao longo de julho. O vídeo estará disponível para os internautas em 54 países através do endereço youtube.com/copaamerica. Destaques da partida também estarão disponíveis no YouTube. 10

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Aplicativo A Discovery Networks Latin America/US Hispanic (DLA/USH) lançou um aplicativo do Discovery Channel Brasil para iPhone, iPad e iPod. O aplicativo, que pode ser baixado gratuitamente pelo site iTunes, da Apple, conta com vídeos e galeria de imagens relacionados à programação do canal, avisos e lembretes, grade de programação, alertas do Discovery Notícias e integração com Facebook e Twitter. O aplicativo faz parte de parceria firmada entre a Discovery Networks International e a Phunware, empresa de infraestrutura e experiência empresarial para aplicativos móveis.

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Ambiental A carioca Giros produziu a série documental “Caminhos da Energia” para o Canal Futura. A atração, com dez episódios de 30 minutos, aborda as matrizes energéticas do Brasil e foi feita em parceria com a CPFL. O programa, apresentado por Amyr Klink, está disponível também na íntegra no site do FuturaTec, a videoteca gratuita do Canal Futura, para download dos usuários cadastrados no sistema. Também foi produzida uma série de interprogramas com dez peças, de um minuto cada, com a proposta de estimular uma mudança comportamental nos telespectadores. Belisario Franca, fundador da Giros e diretor de “Caminhos da Energia”, conta que a produtora está trabalhando em outros projetos como a segunda temporada de “Detetives da História”, para o History Channel, na terceira temporada de “Samba da Gamboa”, para o Canal Brasil, e nos longas-metragens documentais “Amazonas Eterna” e “Cena Nua”.

“Caminhos da Energia”, uma produção da Giros com o apoio da CPFL para o Canal Futura.

“Olívias na TV” é a primeira atração do Multishow que teve estreia na Internet.

Estreia na web O Multishow fez pela primeira vez a pré-estreia de uma atração na web. A série de humor “Olívias na TV”, produzida pelo canal com a Realejo Filmes, teve o primeiro episódio exibido no site www.multishow.com.br/ oliviasnatv no dia 27 de maio e estreou na TV no dia 1º de junho.

Falecimento Morreu no dia 26 de junho o ex-presidente da Ancine Gustavo Dahl, de infarto fulminante, em Trancoso, na Bahia. O cineasta, crítico e formulador de políticas cinematográficas ocupava o cargo de gerente do CTAV, Centro Técnico Audiovisual, ligado à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. Dahl trabalhou na Cinemateca na década de 1960 e assumiu na década seguinte a superintendência de comercialização da Embrafilme. Foi ainda presidente da Associação Brasileira de Cineastas, do Concine e do Congresso Brasileiro de Cinema, nos anos 2000 e 2001, quando teve importante papel na articulação junto ao governo federal para a criação da Agência Nacional do Cinema. Foi diretor-presidente da agência de 2002 a 2006. Foi montador e diretor cinematográfico (com destaque para “O bravo guerreiro”, de 1968) e fez parte do grupo de teóricos do Cinema Novo. Gustavo Dahl nasceu em Buenos Aires em 1938 e vivia no Brasil desde 1947, sendo naturalizado brasileiro. O Ministério da Cultura, a Secretaria do Audiovisual e a Ancine emitiram nota de pesar.

Aposta nacional Com o objetivo de aproximar-se do público brasileiro, o canal E! Entertainment Television lança em julho duas atrações nacionais. Uma delas é a segunda temporada de “Meu Book”, reality show que mostra a vida de modelos em início de carreira. Em sua segunda temporada, com cinco episódios, o programa mostrará a caminhada das modelos apresentadas nos primeiros episódios, um ano após a sua exibição. A produção é da SP Telefilm, com recursos provenientes do Artigo 39 da MP 2228/01. O canal também exibirá em agosto o programa “Histórias Reais” (versão brasileira do “E! True Hollywood Story”) sobre o jovem cantor sertanejo Luan Santana. A produção também foi realizada pela SP Telefilm, com recursos do próprio canal. Segundo a gerente de marketing do E!, Maria Vianna Maligo, outras novidades devem ser apresentadas durante o ano, entre elas, novos concursos culturais e produções nacionais. E! Entertainment exibirá em agosto o programa “Histórias Reais” com o cantor Luan Santana.

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( figuras) Fotos: divulgação

Distribuição

Criação

A Net Brasil contratou Ana Paula Cavarsan como gerente de vendas e distribuição. A executiva será responsável pela negociação dos conteúdos dos canais Globosat em diversas plataformas e pelo relacionamento com as operadoras. Ana Paula tem passagens pela TV Multicanal de São José do Rio Preto (atual NET), Net Serviços e, mais recentemente, pela HBO Brasil, onde foi gerente de relacionamento das afiliadas. A executiva é formada em Administração de Empresas pela Universidade Paulista.

A Record muda novamente o comando da Record Goiás, emissora própria com sede em Goiânia. Mafran Dutra, que assumiu o comando da emissora em abril deste ano, deixando a presidência do comitê artístico da cabeça de rede, volta para São Paulo, onde assume a superintendência de programação. Mafran Dutra Luciano Ribeiro Neves, ex-diretor executivo da Record News, substitui Dutra na Record Goiás. A Record vem fazendo pesados investimentos na emissora regional, que recentemente comprou um terreno para construção de uma nova sede. Além disso, a regional vem apostando na produção de conteúdos locais, tendo aumentado o leque de programação gerada localmente. Com a volta de Dutra, Marcelo Caetano, que era diretor de programação, fica à frente da diretoria nacional de programação.

Anatel Marcos de Souza Oliveira será o novo gerente-geral da gerência de certificação e engenharia de espectro da Anatel. Oliveira assume o posto antes ocupado por Maximiliano Martinhão, que deixou a agência para assumir a secretaria de telecomunicações do Ministério das Comunicações. Para o cargo de gerente-executivo da gerência de certificação e espectro, que era ocupado por Oliveira, a Anatel nomeou Rafael André Baldo de Lima. Foi designado Itamar Barreto Paes como substituto da Marcos Oliveira nos afastamentos, impedimentos legais ou regulamentares e na vacância do cargo. A agência também tem novos conselheiros: Virgínia Malheiros Galvez e Fernando Cesar de Moreira Mesquita foram nomeados pela Presidência da República. Os dois nomes representarão o Senado Federal e ocuparão os cargos de Luiz Fernando Fauth e Vandembergue dos Santos Moreira Machado, respectivamente. O mandato de Virgínia encerra-se em 16 de fevereiro de 2012 e o de Luiz Fernando em 16 de fevereiro de 2013.

Foto: arquio

Programação

A 141 SoHo Square fez quatro contratações na área de criação. Rafael Goulart (ex-Folha de S.Paulo, W/ Brasil e Talent) e Cassiano Blanco (ex-W/Brasil, 6B Estúdio, McCann Erickson e Talent) assumem, respectivamente, os cargos de editor e assistente de Rafael Goulart e Cassiano Blanco arte. Carlos Martines (ex-McCann), assumiu a função de diretor de arte, e Daniele Sampaio (ex-Leo Burnet) é a nova art buyer.

Presidente Os acionistas controladores da Telemar Participações, holding do grupo Oi, confirmaram o nome de Francisco Valim como novo presidente da operadora de telecomunicações. Valim, que é ex-presidente da Net Serviços, assumirá o cargo a partir de setembro. Ele substituirá Luiz Eduardo Falco, que deixou a companhia no fim de junho. Entre julho e agosto, a Oi será comandada interinamente por José Mauro da Mettrau Carneiro da Cunha, presidente do conselho de administração da Tele Norte Leste Participações (TNLP).

Marketing André Vasconcelos é o novo diretor de marketing da NetMovies. Antes de assumir o cargo, Vasconcelos era diretor de marketing e assinaturas do UOL. O profissional também tem passagens por empresas como Bank Boston, Citibank, Credicard e Folha da Manhã.

Gerente A A&E Ole Networks contratou Patricia Schille-Hubalek como gerente de marketing do The Biography Channel para América Latina e Brasil. A executiva está baseada em Miami, e se reportará diretamente ao vice-presidente de marketing da A&E Ole Networks, Cesar Sabroso. Antes de assumir o cargo, Patricia trabalhou nas áreas de vendas, afiliados, posicionamento de marcas e marketing em empresas como MGM Networks Latin America, ESPN e USA Networks. Mais recentemente, atuou como executiva de contas na Tribune Media Services, Inc.


Ancine

De Portugal

Alberto Flaksman deixa a chefia de assessoria internacional na Ancine para assumir a superintendência de acompanhamento de mercado na agência. O cineasta Eduardo Valente assume a posição deixada por Flaksman na chefia de assessoria internacional.

O diretor de cena português Bruno Pinhal é o novo contratado da Mixer. O profissional tem passagem por agências de propaganda como a JWT e a Y&R. Ele fará parte do time dedicado à publicidade, formado por Fábio Soares (Fabião), a dupla 300ml, Paschoal Samora, Luís Pinheiro, Rubens Crispim Jr, Rodrigo Ferrari, Luiza Campos e Pedro Amorim.

Alberto Flaksman

Bruno Pinhal

Sócia Atendimento

Jadi Stipp é a nova sócia da Zulu Filmes, ao lado de Hugo Prata e Moa Ramalho. Jadi chegou à produtora em 2008, vinda da Editora Trip. Ela continuará coordenando o atendimento dos núcleos de publicidade e conteúdo da produtora.

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Juliana Emeric reforça o atendimento da Idea Factory. A profissional tem passagem por produtoras como a Margarida Filmes e a Conspiração.

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Fotos: divulgação

( figuras) Sócios

Digital O Grupo RBS reforçou a área digital e mobile com a contratação de Wiliam Kerniski para uma nova posição gerencial na estrutura do grupo. O profissional, que gerenciava a área de Internet e novos negócios da Reader’s Digest no Brasil, integrará o time de desenvolvimento das estratégias para os Wiliam Kerniski novos negócios digitais do grupo. Ele se reportará diretamente ao CEO de Internet e Mobile do Grupo RBS, Fabio Bruggioni.

Presidente João Francisco dos Santos assumiu a presidência da Cianet Networking. Santos tem mais de 30 anos de experiência no mercado de telecomunicações, tendo iniciado sua carreira na Telesc (antiga companhia telefônica de Santa Catarina). Entre 2005 e 2006, teve passagem pela própria Cianet, onde ocupou a posição de diretor comercial.

Ibope Flavio Ferrari, ex-diretor executivo, desligou-se do Ibope Media para se dedicar a projetos pessoais e profissionais. Interinamente, as atividades de Ferrari serão absorvidas pela diretoria geral do Grupo Ibope, liderada por Antônio Sérgio Salles. O executivo Nelsom Marangoni também deixou o grupo. No último ano, Marangoni atuou como vice-presidente de desenvolvimento de negócios estratégicos, contribuindo com a análise de novos negócios para o Ibope, além de representar a empresa em eventos, congressos e apresentações especiais junto a clientes. O executivo participa da direção executiva do Ibope desde 2001.

Foto: Eliana Rodrigues

Produção e coordenação artística Gustavo Baldoni é o novo gerente de produção do GNT. Ele começou no mercado independente de documentários e longas-metragens e depois trabalhou por seis anos no canal Futura, na coordenação do núcleo de criação de programas. Desde 2010, integra a equipe de produção do GNT. Baldoni compõe o time gerencial ao lado de Daniela Gustavo Baldoni Mignani (Marketing) e Tiago Worcman (Programação). Outra novidade é na coordenação artística e de conteúdo, que agora será comandada por Mariana Koehler. Há mais de dez anos no GNT, Mariana também é diretora do Mariana Koehler programa “Chegadas e Partidas”.

Produtor executivo A Academia de Filmes contratou Ary Pini como produtor executivo. Ele será responsável pelos projetos em andamento na casa, somados em R$ 60 milhões. Produtor de filmes desde 1988, Pini fez a produção executiva de “Amor em 4 Atos”, no ano passado, de “Som e Fúria”, em 2008, e em varios outros filmes de longa-metragem. O profissional também atuou no mercado publicitário como diretor de produção. 14

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A produtora Cine anunciou nova estrutura societária. O produtor Wal Tamagno e a diretora de cena Cris Vida reforçam o time de sócios da produtora, formado por Raul Doria, Clovis Mello e José Ortalli. Ambos desenvolveram suas carreiras na produtora, que tem 16 anos. Atualmente, a Cine, que tem Wal Tamagno e Cris Vida ainda três empresas no grupo (a Digital 21, de finalizações e efeitos especiais, a Digital Entertainment e a Maurício de Sousa Produções Digitais), está inciando a abertura de capital.

Diretores de criação Eduardo Hernandez retornou à WMcCann, integrando a equipe de criação liderada por Washington Olivetto. Com mais de 20 anos de carreira, Duda já passou por grandes agências como Almap, Leo Burnet, MPM e trabalhou também na então McCann Erickson. Carlos Murad, que atuava como diretor de arte na Carlos Murad agência há dois anos, também foi promovido a diretor de criação e head of art.

Arte Heloisa Dassie (RMG Connect, Hello Interactive, Ogilvy Interactive e AG2 Publicis Modem) é a nova contratada da fri.to interativa. Ela atuará na direção de arte da equipe de criação comandada por Gustavo Pehrsson.

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Temos um encontro marcado em Copacabana.

DIAS 6 E 7 DE OUTUBRO DE 2011 R I O O T H O N PA L A C E H O T E L Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

A reunião de toda indústria de satélites da América Latina. Sempre renovado e relevante, o Congresso Latino-Americano Satélites 2011, discutirá importantes assuntos do setor, como: • Papel do satélite na universalização da banda larga. • O crescimento explosivo do DTH. • A entrada de grandes indústrias brasileiras no segmento aeroespacial • Novas aplicações em comunicações marítimas, meteorologia, imagem, sensoriamento remoto.

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( capa ) Daniele Frederico

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Mercado de fé Com o sucesso de produções e canais voltados para o segmento religioso, novas empresas entram no mercado e players tradicionais diversificam seus investimentos.

O

mercado de produtos voltados ao segmento religioso é gigantesco. No Brasil, estima-se que somente o mercado cristão movimente R$ 1 bilhão por ano com a venda de produtos. São livros, CDs, roupas, shows e uma série de outros produtos feitos especificamente para o fiel público religioso. Para atender a essa demanda, diversas empresas surgiram tanto dentro das próprias igrejas quanto fora, por iniciativa de empresários que viram na fé um poderoso filão. No mercado audiovisual não é diferente. O segmento religioso cresceu, e hoje está representado no Brasil não apenas pelas tradicionais missas católicas transmitidas diretamente do Vaticano, ou ainda por programas evangélicos exibidos em horários alternativos na televisão. O poder desse segmento fez com que diversas empresas surgissem para atender a produção, a distribuição e a exibição de conteúdo específico para o público das mais diferentes crenças. Além disso, os produtores mais tradicionais, em especial os canais religiosos, começaram a diversificar seus negócios, investindo em coproduções

internacionais, dramaturgia e conteúdo para as novas plataformas. Algumas das iniciativas mais recentes e bem sucedidas no ramo religioso são as de filmes com temática espírita. Em 2010, ano dos lançamentos mais emblemáticos nesse segmento, os longas “Nosso Lar” e

“Chico Xavier – O Filme” figuraram, respectivamente, no 9° e 10° lugar no ranking dos filmes com maior bilheteria no cinema, com 4,06 milhões e 3,41 milhões de espectadores. O ex-executivo de TV por assinatura Ricardo Rihan passou para o lado

produtor do mercado com o lançamento desses filmes. “Comecei a me envolver com a produção de filmes a partir do ‘Bezerra de Menezes’, e depois no ‘Chico Xavier – Filme’, de maneira bem informal, ajudando o diretor nos contatos com os grandes estúdios”, lembra. Rihan, que havia passado pela Sky e atuado junto aos canais pagos da Abril, descontinuados em junho de 2009, abriu uma produtora, a Lighthouse, em agosto de 2009, para entrar definitivamente na produção de filmes de longa-metragem e animação. Assim como outros empresários do setor, a entrada definitiva de Rihan neste segmento aconteceu, em um primeiro momento, por seu envolvimento pessoal com a temática. “Tive um envolvimento com o espiritismo que me levou a ter contato com a literatura e isso me levou a ver potencial nessas histórias”, diz. O primeiro trabalho como coprodutor foi “As Mães de Chico Xavier”, em parceria com a Estação Luz Filmes. “Tomei a decisão de unir a atividade profissional a algo em que eu acreditava”, conta Rihan. Embora esteja coproduzindo um projeto que não tem temática espírita, em formato para a TV, o “Além da Justiça”, a Lighthouse conta com


“Tomei a decisão de unir a atividade profissional a algo em que eu acreditava”

FOTOs: divulgação

outros projetos voltados para o público espírita ou espiritualista. A produtora tem os direitos exclusivos da imagem de Chico Xavier para projetos de animação. No momento, desenvolve uma série de animação baseada na vida do médium e já pensa na possibilidade de realizar um longa. Segundo Rihan, o mercado ainda tem preconceito quando o assunto é o apoio a filmes com temática religiosa. “Ouvi de muitas empresas com verbas importantes que não apoiam projetos de cunho religioso”, diz. “Filmes são filmes, o que importa é se a história é boa e o filme bem feito”, defende Rihan, que está envolvido na produção de outro longa dentro dessa temática, “O Filme dos Espíritos”, da Mundo Maior Filmes, baseado em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec. Para Rihan, o sucesso de filmes com temática espírita se deve não apenas à característica religiosa, mas também a uma demanda latente e inconsciente por produtos com mensagens positivas, independente da presença de uma religião como pano de fundo. “É como se as pessoas tivessem um desejo de assistir a obras audiovisuais que não apenas as entretenham, mas que ofereçam algo a mais, que tenham mensagens de esperança”, diz o produtor. “As pessoas precisam acreditar em um mundo melhor”, completa. Foi também na onda de sucesso dos filmes espíritas e com as comemorações dos 100 anos de Chico Xavier, mais importante divulgador do espiritismo no Brasil, que se deu o lançamento da TV CEI, canal do Conselho Espírita Internacional. O canal teve início como uma TV online, com conteúdo ao vivo e sob demanda, sob o comando de Luis Hu Rivas e Joceval Jr. A web TV foi oficializada pela Federação Espírita Brasileira em 2006, e, em 2009, com a demanda

operadoras que o canal é um grande negócio para elas. “Estima-se que existam de 20 a 30 milhões de espíritas e simpatizantes no país. Quantos surfistas temos aqui? Quantos jogadores de golfe? E a TV paga tem canais voltados para essas temáticas”, ressalta. A médio prazo, o plano é expandir o alcance da TV CEI para os outros países da América Latina, com programação em espanhol. A expansão territorial também é objetivo de Ricardo Rihan, que busca um coprodutor internacional para o filme “Liberté”, sobre Allan Kardec. O desafio, neste caso, é fazer com que o filme funcione para o público estrangeiro. “Acredito que ‘Liberté’ poderia ser rodado no exterior, com atores internacionais e ser falado em língua estrangeira. Desta forma, teria chances de funcionar no Brasil e fora”, diz. A dificuldade de internacionalização de um filme não é exclusiva de longas com temática religiosa. No entanto, esse tipo de produção é ainda mais raro de ser realizado, especialmente pela falta de escala dentro do Brasil. Por esse motivo, a Graça Filmes, distribuidora de filmes evangélicos, e parte do grupo da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD), do missionário Romildo Ribeiro Soares, montou uma empresa no exterior para viabilizar a produção de longas com temática evangélica. “Só temos um longa de produção nacional em nosso catálogo, mesmo

Ricardo Rihan, da Lighthouse

pela expansão, o sinal passou a ser disponibilizado via satélite. “Com o sucesso dos filmes e os cem anos do Chico Xavier, a procura por questões espíritas aumentou”, avalia o diretor e um dos fundadores da TV CEI, Luis Hu Rivas. “Com isso, as pessoas começaram a ligar para as operadoras e a requisitar o canal”, conta. A grade da TV CEI é abastecida principalmente com programas independentes, produzidos pelas federações espíritas de cada estado. “Usamos cerca de 20 programas produzidos pelas federações. Também contamos com as obras de Chico Xavier, que transformamos em vídeo-aulas, desenhos, palestras e cursos”, diz o diretor. São oito horas de programação diária inéditas, com reprises duas vezes no dia. Para Rivas, a aceitação do público e das operadoras de TV por assinatura, para as quais o canal é oferecido gratuitamente, é muito positiva. Os anunciantes, por enquanto, ainda estão restritos a empresas do setor, assim como acontece com outros canais religiosos. “Temos publicidade de editoras, revistas, filmes e outros produtos espíritas”. A grande fonte de receitas ainda é a Federação Espírita Brasileira, mas Rivas acredita que a expansão de mídias e do clube Amigos da TV CEI, que envia aos associados uma revista e dois DVDs mensalmente, vá engrossar a receita. Um dos maiores objetivos de Rivas é aumentar a distribuição da TV CEI por meio da TV por assinatura. O maior desafio, segundo o diretor, é mostrar às “As Mães de Chico Xavier”: longas aumentaram interesse pela temática espírita.

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( capa) “Com o sucesso dos filmes e os cem anos do Chico Xavier, a procura por questões espíritas aumentou”

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recebendo vários filmes para distribuição. O mercado nacional tem deficiências. Precisa de novas produções de filmes cristãos, que tenham mensagem de vida, mas com qualidade”, diz o diretor da Graça Filmes, Igor Siqueira. Assim, ao final de 2010, surgiu a G Films, ou Grace Films, com o objetivo de fazer o filme baseado no livro de R.R. Soares “Três Histórias e um Destino”. O objetivo de adaptar o filme para os Estados Unidos é conquistar o mercado internacional e ganhar escala. “Quando se produz um filme nacional, é difícil entrar no mercado americano. Se conseguimos alcançar o mercado americano e global, o filme é aceito no Brasil também”, diz Siqueira. Neste caso, existe uma parceria com a Uptone Pictures, e o título em inglês será “Destiny Road – The Movie”. Além da produção no exterior, a Graça Filmes também produz no Brasil a animação “Midinho – O Pequeno Missionário”. São 16 DVDs que tratam de histórias do Antigo Testamento. “No início, a produção era terceirizada, feita nos estúdios Maurício de Sousa. Depois veio para dentro de casa, e hoje há cerca de 50 profissionais trabalhando nela”, comemora Siqueira. Essa produção também está dublada em inglês e, no momento, os executivos estudam propostas para exibi-lo em TVs no exterior. “Estamos produzindo mais 16 DVDs, com quatro histórias de

Luis Hu Rivas, da TV CEI

sete minutos cada, totalizando 64 episódios. Estes serão sobre o Novo Testamento”, conta. O que está se tornando uma produtora do segmento evangélico começou em 2010 apenas como distribuidora de filmes. A ideia era nacionalizar filmes estrangeiros, já que havia carência de produtos evangélicos no mercado. Atualmente, o catálogo da Graça Filmes conta com 57 títulos para distribuição, entre musicais, documentários, longas de comédia, drama e suspense, todos com temática cristã. “Hoje existe muito conteúdo disponível, mas ainda falta qualidade. O mercado cristão não conta com investimento muito alto”, diz Siqueira. No caso de filmes com essa temática segmentada, as receitas podem ser ainda mais limitadas do que as de filmes comuns, que contam com a janela do cinema para se pagar. “Não existe barreira para colocar o filme no cinema, mas é muito caro. Quem tentou fazer, fracassou”, afirma Siqueira. “Estamos estudando um lançamento para cinema, mas é preciso apoio do ‘corpo’ para fazer o filme ter sucesso”, diz, lembrando que “corpo” é a massa de fiéis que poderia fazer o filme decolar. Embora não conte com o cinema, o filme cristão conta com a possibilidade de ser distribuído por um canal menos convencional em relação aos filmes “seculares”. Muitos produtos, em especial os CDs de cantores evangélicos, são comercializados no próprio local do culto. “Queremos colocar os DVDs nas igrejas, de forma fácil para todo o mundo”, planeja Siqueira. Show de Dunga, da TV Canção Nova: emissora quer ampliar público-alvo.

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A Graça Filmes trabalha com venda direta em lojas especializadas, locadoras e loja virtual própria, que conta com o televendas da Igreja Internacional da Graça de Deus e seus 200 funcionários para o atendimento. A empresa, que contou com investimento inicial do próprio R.R. Soares, agora se mantém “com as próprias pernas”, segundo Siqueira. Best sellers Embora o home vídeo tradicional tenha sofrido duros golpes nos últimos anos, com o crescimento da pirataria e o aumento das plataformas digitais de distribuição de conteúdo, no segmento religioso a perspectiva é mais otimista. “Existe pirataria, mas é menos que o mercado secular”, diz o diretor da Graça Filmes. “Apesar disso, a pirataria é pior no caso de filmes cristãos. Não em número de unidades, mas na ideia em si. Afinal, se você está falando de pessoas que se dizem cristãos, eles não deveriam comprar DVD pirata, sabendo que é errado”, aponta. O perfil do comprador de produtos religiosos foi observado pela Microservice, tradicional fabricante de mídias físicas, que viu no mercado religioso um filão importante para a empresa. Há cerca de dez anos prestando também serviços de distribuição, a Microservice realizou recentemente o 1º Encontro com o Mercado Religioso, com o intuito de promover uma aproximação com os clientes desse segmento, normalmente atendidos por representantes. Segundo a gerente de marketing da Microservice, Cibele Fonseca, foi de cerca de dois anos para cá que a empresa percebeu as características peculiares deste público. “Além de estar crescendo, é um público que não gosta de pirataria”, diz, lembrando que essas observações valem mais para o mercado de música, em especial CDs, do que para o de filmes. Essas peculiaridades fazem com que os artistas e as gravadoras voltadas para o mercado religioso invistam em tiragens maiores. “De


um ano para cá tivemos um crescimento de cerca de 40% em tiragem para esses clientes que solicitam apenas a fabricação de CDs, sem distribuição”, diz Cibele. Ela conta que, da mesma forma que acontece os não-religiosos, artistas independentes e selos menores acabam precisando de mais suporte do que aqueles ligados às grandes gravadoras. A qualidade, porém, está no mesmo nível. “Existe uma preocupação musical, com a capa, com o resultado final”, afirma. O primeiro encontro com o mercado religioso deu tão certo que além de um segundo evento deste tipo, com foco no relacionamento com os clientes, programado para o ano que vem, a empresa participa em setembro pela primeira vez da feira Expo Cristã, com o objetivo de prospectar novos clientes, tanto

“De um ano para cá tivemos um crescimento de cerca de 40% em tiragem para clientes do mercado religioso” Cibele Fonseca, da Microservice

para a gravação de CDs quanto DVDs. No caso dos CDs e DVDs musicais, embora exista uma grande quantidade de gravações evangélicas, são os padres católicos que dominam o mercado. E não apenas entre os produtos voltados para os fiéis, mas também entre os DVDs de shows de artistas consagrados. Em 2009, por exemplo, o relatório da Associação Brasileira de Produtores de Discos mostrou que dos dez DVDs musicais mais vendidos no Brasil, quatro eram de padres.

Um desses “best sellers” é o padre Reginaldo Manzotti, que além dos DVDs, atua no audiovisual com a produtora TV Evangelizar, que faz parte da Associação Evangelizar é Preciso. A produtora trabalha na realização dos programas apresentados pelo padre, entre eles, o “Evangeliza Show” e o “Momento de Oração/Oração da Tarde”, além da captação da Santa Missa Dominical, celebrada pelo sacerdote. A produtora conta com dois estúdios em Curitiba, quatro câmeras, um switcher, equipamentos de iluminação e áudio, além das ilhas de edição e processo de copiagem, tudo em HD. Os programas são oferecidos gratuitamente às emissoras. Hoje são

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( capa) “O brasileiro digere bem a novela, está acostumado com ela. O problema é que hoje as novelas têm muita baixaria”

FOTO: divulgação

veiculados em 400 cidades de todo o Brasil, estando em 94 emissoras, todas abertas.

Renovação Enquanto novas empresas voltadas ao segmento religioso surgem e profissionais não ligados à igreja são atraídos para o mercado da fé, players mais tradicionais e conhecidos deste universo buscam opções para a renovação de sua programação e começam a atuar nas mídias digitais, com o objetivo de cumprir a missão de atrair mais seguidores. A Rit TV, rede de televisão do grupo RR Soares, está preparando a expansão de seu jornalismo e a produção de sua primeira “novela”, em um projeto ambicioso de dramaturgia. Conhecida pelo grande público por comprar espaços em TVs abertas – na Band, por exemplo, o “Show da Fé” de R.R. Soares é exibido em horário nobre – a igreja conta também com uma rede de televisão própria, a Rit TV, que ainda alimenta a produção de canais como IIGD e CJC (Canal Juventude Cristã). Em um grupo que conta também com uma operadora de TV via satélite, a Nossa TV, a produção precisa se diversificar. Para o canal de televisão, a Rit, a aposta no momento é a dramaturgia, com a produção em um formato que a própria Rit denominou de “novela”. “O brasileiro digere bem a novela, está acostumado com ela”, diz o diretor geral da Rit TV Rio de Janeiro, Roberto Ciantelli. “O problema é que hoje as novelas têm muita baixaria, sexo, homossexualismo, coisas que a igreja é contra”, completa. Apesar de terem recebido essa denominação, as novelas a serem produzidas pela Rit são minisséries, com histórias que começam no episódio da segunda-feira e terminam no capítulo da sexta-feira. O projeto inclui 52 “novelas” de 30 minutos, a serem exibidas na sequência, completando um ano de exibição. As

Roberto Ciantelli, da Rit TV

gravações devem começar dentro de um mês. Três pilotos foram feitos para aprovação. “As novelas vão contar casos reais e as temáticas serão comentadas por um pastor”, explica Ciantelli. “A ideia é que não tenham um cunho 100% religioso, mas sempre haverá o lado do bem e do mal”, diz. Para a nova empreitada, 110 profissionais serão contratados, além das 80 pessoas que trabalham na Rit no Rio de Janeiro atualmente. Para abrigar os novos contratados, uma reforma está em curso no Rio, incluindo a construção de um quarto estúdio. O projeto de dramaturgia inclui ainda programas de humor e infantil.

dos jornais da casa, queremos que a cobertura seja mais completa”, conta o gerente administrativo da Rit TV, Alexandre Giachetto. Atualmente, a produção regional existe nas geradoras, mas a ideia é ter duas equipes de jornalismo em outras praças importantes, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Minas Gerais. O jornalismo em São Paulo conta, atualmente com cerca de 60 profissionais. Quem também está expandindo sua programação é a TV Canção Nova, que conta com seis geradoras e cerca de 380 retransmissoras no Brasil. A TV, que é mantida especialmente por um grupo de cerca de 600 mil apoiadores, projeta uma reformulação na grade, com o objetivo de ampliar o público que assiste ao canal. “O público-alvo é religioso, e o foco principal é a evangelização direta”, diz a gerente de marketing da TV Canção

padres dominam o home video: em 2009, quatro dos dez dvds mais vendidos eram de sacerdotes. Além da novela, a TV de R.R. Soares investe na ampliação do jornalismo da rede. A ideia é que as notícias vindas de agências percam lugar nos noticiários da casa para a cobertura vinda de outras praças no Brasil. Hoje a maior parte da produção está concentrada em São Paulo, onde também é realizado o canal Rit Notícias, com foco em jornalismo. “Queremos aumentar a musculatura dentro

mercado maduro Nos Estados Unidos, o segmento religioso vem recebendo atenção do mercado audiovisual há algum tempo. A maior feira do setor de radiodifusão e produção, o NAB Show, abrigou, até 2010, o Technologies For Worship Pavilion, com seminários sobre a produção audiovisual voltada para as igrejas. Na área de games, há empresas focadas exclusivamente na produção de jogos cristãos. Este ano, a Christian Games Developers Conference, conferência voltada para desenvolvedores de jogos do setor, chega a sua 10ª edição. O evento acontece no mês de julho, em Newberg, Oregon.

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Nova, Graziele Lacquaneti. “Mas queremos, gradativamente, impactar outros públicos que não o religioso”, diz, lembrando que a TV acompanha o movimento de setores como o da TV por assinatura e as oportunidades que poderiam aparecer com essa ampliação de público. Entre os diferentes objetivos da TV para o futuro, como a ampliação física da sede, localizada em Cachoeira Paulista, e a digitalização das retransmissoras, um dos principais desafios é a conquista das plataformas digitais. Para 2012, está prevista uma grande reformulação do portal, além da ampliação da presença da TV em novas plataformas. Atualmente, o portal Canção Nova conta com aplicativo para tablets e rádio FM para iPhone. Para isso, cerca de 120 pessoas trabalham na área de tecnologia da informação na Canção Nova. “Hoje esse é nosso maior desafio. O movimento é rápido e exige grande investimento”, diz Graziele.


cobertura

( evento) Da redação

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Mercado maduro A evolução do mercado de conteúdo nos últimos anos deu a tônica dos debates no 12º Forum Brasil, que aconteceu em junho, em São Paulo. Para executivos, conteúdo precisa poder “viajar” para territórios, dispositivos e plataformas. FOTOs: marcelo kahn

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situação do setor produtivo de conteúdo audiovisual nunca foi melhor no Brasil. As leis de incentivo, o cresci– mento da base de TV por assinatura e as novas plataformas de distribuição criam um cenário positivo às empresas produtoras. Esse foi o clima no 12º Forum Brasil - Mercado Internacional de Televisão, principal mercado de conteúdo para TV no Brasil, promovido por TELA VIVA em junho. O evento tradicionalmente traz debates sobre todo o setor audiovisual, com destaque às possibilidades de negócios entre produtores e veiculadores de conteúdo, apontando a evidente evolução nas relações entre os agentes deste setor. “É bom ver programadores mostrando cases de produção local de sucesso. Há alguns anos, estávamos neste mesmo evento ouvindo as demandas de produtores independentes, que queriam participar mais da programação dos canais de TV por assinatura”, comemorou Roberto Martha, diretor de produção da Viacom, em um dos debates. Com o amadurecimento do setor, os debates caminharam para diferentes formas de financiamento e o uso de diferentes plataformas não apenas para divulgar o conteúdo em seu “meio principal”, mas para ajudar a amortizar o custo de produção. Martha diz que o conteúdo pode ter seus custos diluídos dentro ou fora do canal. “A gente acredita na coprodução de fato. Podemos ter parceiros que levarão os conteúdos para outras janelas e territórios”, diz, afirmando não ver problema em ter canais de TV aberta, por exemplo,

Painel com programadores: Daniel Conti (Glitz), Roberto Martha (Viacom), Renata Netto (ESPN), Krishna Mahon (History/Bio/A&E), Tatiana Costa (Multishow) e Marcello Braga (Fox)

participando da coprodução. Krishna Mahon, produtora-executiva dos canais History, Biography e A&E, compartilha da visão do seu concorrente. “A gente se ajuda sempre que possível”, diz. Krishna cobrou mais criatividade por parte dos produtores na composição de financiamento do conteúdo. “As produtoras não se empenham em montar um modelo de sustentação do conteúdo”, desabafou, apontando que não cabe aos produtores apenas a criação de programas. Marcello Braga, diretor de marketing da Fox, lembrou que o conteúdo pode viajar para outros territórios, permitindo amortizar o custo de produção com a exibição em outros países, mas que esta não é a única forma de amortizar o custo. “O programa pode ainda prever a criação de subprodutos, ou licenciamento”, diz. Braga alerta que o mercado principal do conteúdo gerado no Brasil é o local. “Buscamos produtos do Brasil, no Brasil, para o Brasil. Poder viajar é bom para o conteúdo, mas não é tudo”, diz. A gerente de programação do canal Multishow, Tatiana Costa, também pede 22

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maior cuidado por parte das produtoras no desenho do modelo de financiamento do conteúdo. Segundo ela, geralmente as produtoras apresentam projetos que demandam aporte de 100% do custo por parte do canal. “Ao contrário de muitas programadoras, nós não temos dinheiro incentivado para a produção”, lembra. Tatiana Costa aponta também a escala como forma de amortizar o custo dos programas. “Geralmente produzimos mais de uma atração com cada produtora, o que ajuda a amortizar o custo”, explica. A própria publicidade é apontada pelos canais como uma forma dos produtores ajudarem a viabilizar um conteúdo. Para isso, o conteúdo deve prever a inserção de anunciantes na trama. “É uma decisão editorial da programadora as formas de inserção do anunciante no conteúdo. Os produtores devem se informar para saber até onde podem ir na formatação dos projetos”, diz Daniel Conti, gerente geral do canal Glitz, da Turner.


“Transmedia não precisa ser Internet. Pode ser uma extensão do conteúdo nos jornais ou imagens em paredes de shopping center” Giuliano Chiaradia, da Globo

temporada de forma mais “linear”, tanto na produção quanto na exibição, já que os primeiros oito episódios foram exibidos ao longo de três anos. Segundo Carla, o orçamento máximo do canal disponível para a produção de um docu-drama é de US$ 120 mil. A ESPN mostrou que as parcerias podem ser com empresas de fora do setor. A programadora prepara um edital em parceria com a Petrobras para a produção de nove documentários com a temática “Memórias do Esporte Olímpico Brasileiro”. Segundo Renata Netto, executiva da programadora, as produções terão uma hora de duração e serão exibidas em uma mostra promovida pela Petrobrás. Depois disso, irão para a grade da ESPN e de um canal de TV aberta, ainda indefinido. Segundo Renata, a ESPN desenvolve em parceria com a produtora Gullane um programa que servirá para “amarrar” os nove documentários.

Regional O espaço para o conteúdo independente não está apenas na TV por assinatura e pode ter um caráter regional. A RBS TV, por exemplo, filiada da TV Globo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, deve levar ao ar em 2012 sua primeira série produzida com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual. “Oxigênio”, uma produção da gaúcha Panda Filmes, é uma série que aborda o tema da sustentabilidade e será exibida na faixa de produção local de dramaturgia denominada “Curta Gaúcho”, que há 11 anos vai ao ar às 12h20. “É uma possibilidade para a gente da TV aberta”, observa Alice Urbim, gerente executiva de produção da RBS, contando que a emissora ainda apoia um projeto de animação inscrito no FSA, que ainda não foi habilitado. Carlyle Avila, diretor de programação/produção da RPC, filiada à Globo no Paraná, explicou que a produção de dramaturgia regional depende da vontade do empresário de produzir, pois é caro e o retorno é a longo prazo. Segundo ele, o retorno que a RPC tem em sua faixa de dramaturgia, o “Casos e Causos”, que

Parcerias emperradas No bloco destinado às emissoras dos países de língua portuguesa, Daniel David, principal executivo da emissora comercial moçambicana STV, afirmou faltar iniciativa por parte dos empresários de comunicação dos países lusófonos para gerar conteúdos em parceria. Segundo ele, a relação de cooperação entre os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) sempre foi “dos que podem e dos que não podem”. “Precisamos encontrar um modelo de negócios ‘win/ win’. Ninguém está aqui para fazer caridade”, afirmou David. Como exemplo, David cita a parceria para a produção de um episódio do “Globo Ecologia” e outro do “Um Pé de Quê?”, ambos da Globo, em Moçambique. “Nós também pagamos pela produção de conteúdo. Em

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troca, a Globo foi até lá e deixou conhecimento”, disse. “Somos pragmáticos, queremos um modelo de coprodução que gere conteúdos e receita aos acionistas”, afirmou. Luis Simão, da TV pública de Moçambique, TVM, falando da plateia durante o debate, também cobrou serenidade nas relações entre países lusófonos. Simão afirmou que a continuidade do programa DocTV CPLP, promovido inicialmente pelo governo brasileiro e bancado em parceria com o governo português, está suspensa por conta de uma indefinição do Brasil. “Portugal já garantiu recursos para a produção do programa. Falta a contrapartida brasileira”, cobrou.

FOTO: ricardo ferreira

Para o executivo, o custo de produção também precisa ser revisto. Ele lembra que existem tecnologias capazes de reduzir significativamente o custo de produção, como o uso das câmeras SLR (para fotografia digital) para gerar conteúdo HD. Luis Noronha, da Conspiração, em outro painel, também levantou a questão do custo de produção no Brasil, que acredita estar inflacionado. “O que torna caro produzir é o vício em incentivo fiscal”, diz. Exemplos de produções de sucesso estavam em diversas das sessões “30 Minutos”, nas quais programadores apontam suas demandas e forma de trabalho (lei matéria à página 30). Além disso, o Discovery Channel teve um painel especial para mostrar o episódio “Soterrados”, da série “Viver para Contar”, coproduzida com a Conspiração Filmes. O episódio é o oitavo e último da temporada da série que conta histórias de sobrevivência, e que teve início há três anos. A produção, realizada com recursos do Artigo 39, mostra dois militares brasileiros que sobreviveram ao terremoto no Haiti, em janeiro de 2010. O docu-drama foi apresentado durante a sessão Inside Discovery. Depois da exibição, representantes do canal e da produtora contaram os desafios de produzir esta e as outras sete histórias que compõem a série. Segundo Noronha, da Conspiração, trabalhar com uma empresa como a Discovery, que tem uma série de processos formais para a realização da produção, ajuda a produtora a se profissionalizar. “No Brasil, estamos acostumados com um estilo de produzir muito intuitivo e informal. Essa produção nos ajudou a criar um processo de trabalho profissional, objetivo e focado”, lembra. A supervisora de produção da Discovery Networks, Carla Ponte, conta que o canal planeja fazer a próxima

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Daniel David, da STV, de Moçambique.

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Alice Urbim, da RBS: publicidade já cobre os custos da faixa de produção regional

FOTOs: marcelo kahn

( evento)

fica disponível em qualquer lugar e em todos os dispositivos”, definiu. Giuliano Chiaradia, da Globo, concorda e lembra que o transmedia não consiste em apenas criar uma página do programa na web. “Transmedia não precisa ser Internet. Pode ser uma extensão do conteúdo nos jornais ou a exibição de imagens em paredes em um shopping center”, diz. “O importante é que seja uma extensão do conteúdo, e não apenas a exibição em outra janela”, completa. Lydia Antonini, da Digital Media, diz que o conteúdo transmedia não precisa, necessariamente, nascer na televisão. Ela cita como exemplo um curta baseado no jogo “Mortal Combat”. O curta foi produzido com poucos recursos e lançado no YouTube. “Na semana de lançamento, o vídeo teve uma audiência maior que qualquer canal de TV por assinatura nos Estados Unidos”, disse. Com isso, os produtores conseguiram levantar recursos junto ao estúdio para produzir um longa-metragem com orçamento hollywoodiano. Chiaradia alerta que é necessário um cuidado diferente na extensão do conteúdo a cada plataforma. Segundo ele, cada plataforma de exibição tem a sua linguagem e uma predisposição diferente da audiência. “No cinema, o espectador vai ficar duas horas. Os primeiros 20 minutos servem para convencê-lo a ver o filme. Na Internet, você tem segundos para convencer a audiência”, diz. Explorar outras plataformas não muda apenas a linguagem, mas exige que os realizadores estejam preparados para uma concorrência diferente da que estão acostumados. Jason Taylor, da produtora Bad Hat Harry, responsável pela série americana “House” lembra que a concorrência com outros conteúdos na web é incomparável com a

Transmedia O conteúdo precisa viajar e não apenas para outros territórios, mas também para outras plataformas de distribuição e dispositivos. Para Nuno Bernardo, da produtora portuguesa BeActive, o conteúdo transmedia, atende demandas do público contemporâneo. “O conteúdo transmedia atende às demandas do estilo de vida da atualidade. O conteúdo

Tatiana Schibuola, da Capricho: importância da marca.

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concorrência em outras plataformas: “o cabo tem uma centena de canais, o satélite tem algumas centenas, um site tem milhões de concorrentes na web”. Nuno Bernardo aponta uma mudança no próprio perfil do empresário com a exploração do conteúdo multiplataforma. A produtor passa a ter uma comunicação mais ágil com a audiência, uma vez que consegue perceber rapidamente se determinado personagem “funciona”, bem como testar os caminhos da trama. A relação muda também com o próprio conteúdo, na medida em que o produtor deixa de ser apenas um criador, para assumir o papel de um gestor de marcas, explica o executivo. Público novo O Forum Brasil teve painéis dedicados ao conteúdo infantojuvenil, realizado em parceria com o recémcriado evento ComKids. Andrea Salinas, diretora de marketing da Disney, falando sobre produção para infância e juventude, alertou os produtores para a importância de pensar em projetos locais que possam viajar. Para isso, observou a executiva, é importante envolver a equipe de planejamento estratégico e promoção do canal ainda na fase de produção, deixando os artistas disponíveis para as gravações das peças promocionais desde o princípio. É importante também que o conteúdo esteja de acordo com as estratégias 360º e possa ser aproveitado também fora das telas. Ela citou a produção argentina “Peter Punk”, para o Disney XD, como exemplo. No ano que vem, a atração deve ganhar extensão, com shows ao vivo dos artistas. Laura Tapias, diretora do canal pago espanhol Panda, com foco em crianças entre 4 e 8 anos, ressalta que oferecer


novidades em conteúdo destinado à audiência infantojuvenil é fundamental para a sobrevivência no mercado. O canal tem apostado em conteúdo 3D estereoscópico, realidade aumentada e conteúdos que tiveram origem em comunidades virtuais para crianças. Tatiana Schibuola, diretora de redação da revista Capricho, também aponta a inovação como medida fundamental para quem desenvolve conteúdo voltado a adolescentes. “Hoje, a revista é vista como uma marca, não como uma revista. Precisamos sempre trazer novidades para esta audiência”, explica. A Capricho, tem duas experiências na televisão: o reality “Temporada de Moda Capricho”, para o Boomerang, e o “Colírios Capricho”, na MTV. Para Anna Valenzuela, criadora da rede social infantil Migux, com mais de 3 milhões de membros, o ambiente digital é um dos caminhos para se conhecer o que as crianças estão pensando. AnneSophie Brieger, do estúdio canadense Zinc Roe Design, especializado em construir ferramentas, aplicativos, websites e games para o universo infantil, acrescenta que o sucesso destas ferramentas entre o público é a possibilidade que eles têm de também criar conteúdo. “Se você der às crianças ferramentas, eles entregam conteúdo muito melhor do que você pode imaginar”, observa. Conhecer as peculiaridades e explorar os costumes e personagens locais também fundamental para conversar com as crianças. Barry Koch, vice-presidente sênior e gerente geral do Cartoon Network, Boomerang e Tooncast para a América Latina diz que uma das premissas do canal é aumentar investimento em conteúdo local para estreitar a relação com a audiência. “Ainda não temos muito conteúdo saindo do Brasil ou da Argentina e ganhando o mundo. É uma das minhas metas particulares trabalhar nisso”, afirmou. Gênero caro A ficção também foi tema dos debates no evento. Em painel sobre o

Produção infantil foi destaque no evento. Na foto, painel com Barry Koch (Cartoon, EUA), José Ruiz (RTVE, Espanha), Cielo Salviolo (PakaPaka, Argentina), Beth Carmona (ComKids, Brasil), Doris Voguelmann (VME, EUA) e Teresa Paixão (RTP, Portugal).

bom momento do gênero, executivos de TV apontaram que é um investimento alto, mas que precisa ser encarado. “A produção de ficção é o que diferencia um canal de outro na TV aberta”, destacou François Sauvagnargues, do canal franco/alemão Arte. Juan Ignácio Vicente, chefe de aquisições e coproduções do Canal 13, do Chile, mostrou que a produção local de ficção é uma demanda da grade dos canais chilenos. Segundo o executivo, apenas 5% da ficção exibida é produzida no Chile, mas é justamente este conteúdo, com os reality

shows, que têm maior apelo de venda publicitária. “Por que não fazemos mais ficção?”, indagou. Para ele, a justificativa está nos altos custos da produção de ficção, no tempo gasto em produção, nas poucas ideias atraentes e na falta de know-how e equipe capacitada. “Temos que incentivar e investir na produção de ficção, mas não na forma tradicional de fazer televisão, temos que pensar nas novas plataformas e nos novos canais de distribuição”, observa.

Premiados Mais uma vez, o Forum Brasil contou com dois pitchings que agitaram o evento. No primeiro dia aconteceu o inédito pitching de projetos transmedia, que teve como jurados Nuno Bernardo, da BeActive, Triona Campbell, da CR Entertainment, Giuliano Chiaradia, da Globo, Lydia Antonini, da Digital Media e Jason Taylor, da Bad Hat Harry. Os projetos apresentados foram considerados de ótimo nível pelo júri internacional. O pitching foi vencido pelo projeto “Contactos”, da SegundaFeira Filmes. O projeto “Espremendo o Cérebro”, da Contrafluxo Digital, recebeu menção honrosa do júri. Foram também selecionados os projetos “Show Mambembe”, da Mobbr, “Buba e o Aquecimento Global”, da Mono e “Green Hotel”, da Irmãos de Criação. A produtora gaúcha Zeppelin foi a vencedora do pitching realizado pelo canal History no segundo dia do Forum Brasil. A produtora apresentou o projeto “Um Contra Todos”, que

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Diego de Godoy (Zeppelin), vencedor do pitching History/Forum Brasil (centro), com os jurados: Jimmy Leroy (Viacom), Krishna Mahon e Dani Laje (History) e Regina Gambini (SescTV)

trata de um ponto pouco abordado no futebol: a dura realidade enfrentada pelos juízes Brasil afora. A produtora ganhou o prêmio de US$ 20 mil para o desenvolvimento do projeto. Foram também selecionados os projetos “Morro da Favella”, da Abbas Filmes, “E se a História Fosse Diferente?”, da Clube Filmes, “O que Aconteceu com Eles?”, da Bossa Nova e “Senso Incomum”, da Primo Filmes.

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cobertura

Galeria

FOTOs: marcelo kahn

( evento)

Um dos destaques do evento é o networking entre produtores, distrbuidores e canais.

Frederico Roque de Pinho, da Semba TV, de Angola.

Sérgio Sá Leitão, da RioFilme

Ieda Rozenfeld, menção honrosa no pitching transmedia

Luis Simão, da TVM, de Moçambique

FOTO: RICARDO FERREIRA

FOTO: RICARDO FERREIRA

Lígia Diogo, vencedora do pitching transmedia (com o troféu), e os jurados Nuno Bernardo, Giuliano Chiaradia, Triona Campbell, Lydia Antonini e Jason Taylor. Juan Ignacio Vicente, do Canal 13, Chile

Arnaldo Galvão, da Um Filmes.

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Phillipe Bertrand, da DM9DDB

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Mário Diamante, da Ancine

FOTO: RICARDO FERREIRA

François Sauvagnargues (Arte, França), Vered Kollek (EUA), Farrell Meisel (1TV, Afeganistão), Magdalena Borowska (TVP, Polônia) e André Mermelstein (Tela Viva)

Painel Inside Discovery, com participantes do canal e da Conspiração, que explicou o processo de produção da série "Viver para Contar".

Maurício Tavares, da RedeTV!

Carlyle Avila, da RPC (Paraná) FOTO: RICARDO FERREIRA

FOTO: RICARDO FERREIRA

Equipe da emissora coreana MBC, que veio à caráter para o evento.

Érico da Silveira, da TV Escola Equipe da TV Brasil

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cobertura

( programação) Daniele Frederico*

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Todos querem conteúdo Sessões 30 Minutos do 12° Forum Brasil destacaram projetos para o público jovem e as novas iniciativas dos canais em plataformas digitais.

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FOTOS: Ricardo Ferreira

rojetos para jovens e com uma certa dose de humor. Esses foram alguns dos pedidos mais ouvidos pelos participantes do 12° Forum Brasil – Mercado Internacional de Televisão, que assistiram às sessões 30 Minutos nos dias 15 e 16 de junho, em São Paulo. Neste tipo de sessão, um executivo de canal apresenta aos produtores e potenciais parceiros a grade de programação, os formatos de programas e o caminho das pedras para produzir para o canal. A participação de representantes de canais voltados para o público jovem, e as necessidades apresentadas por outros canais para essa faixa etária, fez com que grande parte das conversas fosse focada na produção para eles. Segundo a analista de conteúdo do Canal Futura, Juliana Lins, o canal continua a fortalecer a faixa infantil, mas agora o foco é a faixa de programação voltada para o público jovem. “Queremos fazer outro recorte do jovem brasileiro”. Uma dessas abordagens é a do jovem rural, tema de um dos programas produzidos pelo canal. O principal meio para apresentar projetos para o Futura é o pitching. “Nosso foco atual é conseguir fazer mais temporadas dos programas de linha, mas não queremos perder essa relação com novos fornecedores”, conta Juliana, que explica que além do pitching, o Futura trabalha com produtoras independentes para a realização dos projetos criados internamente – quase 100% da produção

Produtores tiveram a chance de ouvir as demandas dos canais.

é terceirizada – e também na aquisição de produtos prontos. Assim como o Canal Futura, a MixTV também procura conteúdo para o jovem, target do canal. Suas representantes ressaltaram durante o Forum Brasil que o canal não é focado apenas nas classes A e B, mas também da classe C, já que é aberto. O projeto de reformulação da MixTV, que teve início em março deste ano, resultou na estreia de seis novos programas e outros dois programados para estrear até julho. Segundo a diretora de programação do canal, Cris Lobo, que chegou à MixTV como parte desse novo projeto, em um segundo momento, que deve começar no segundo semestre do ano, a ideia é ter mais produções independentes, já que no primeiro momento as novidades foram produzidas dentro de casa. O canal tem hoje programas de comportamento,

“Precisamos daquilo que não sabemos fazer, ou não faríamos internamente.” Zico Góes, da MTV

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humor, esporte e jornalismo, mas o DNA é a música. “Estamos abertos a qualquer modelo de negócio”, disse Cris. “Só sabemos que precisamos de formatos diferenciados. Hoje temos ao vivo, auditório, externo, mas não temos, por exemplo, animação e reality shows”. Ela ressaltou, durante apresentação no Forum, que por fazer parte do grupo Mix, que engloba, entre outras empresas, a rádio Mix FM, é possível pensar em projetos multiplataforma. Diferente do Canal Futura, apresentar projetos para a MixTV ainda é um processo informal, já que o canal está passando por essa reformulação. Quem também recebe projetos de maneira informal é a MTV, que também passa por um período de reformulação. Segundo o diretor de programação, Zico Góes, a MTV procura por projetos e programas de produtoras independentes sobre assuntos não relacionados à música, nos quais a MTV não é especialista. “Esses têm mais chances de serem incorporados ao canal. Não queremos programas de novas bandas, ou de entrevistas com músicos. Isso nós já temos e, se não temos, deveríamos produzir dentro de casa. Precisamos daquilo que não sabemos fazer, ou não faríamos internamente”, disse. Entre esses temas, ele menciona comportamento jovem, reality shows e games. “Em termos de música procuramos grandes formatos musicais, como o Acústico MTV”, completou. Segundo Góes, a MTV está passando por um processo de reposicionamento, que vai além da reformulação da grade. “Nos últimos


anos, a MTV flertou com uma falta de identidade. O reposicionamento se fez necessário para trazer de volta a identidade da MTV, que não é só uma marca jovem, mas também musical”. Ele conta que dos 30 programas da grade do canal, cinco são provenientes da MTV americana, dois são de produtoras independentes brasileiras, e o restante é produzido internamente. Os dois programas de linha produzidos por independentes são um desenho animado e um programa sobre esportes. O recebimento de projetos ainda é informal, e para emplacar um projeto é preciso entrar em contato com os executivos do canal. “Nunca fizemos um pitching formal, porque a MTV não tem essa prática”, diz Góes. “Para esse ano, não há muitas possibilidades para produção

independente, mas essa área será incrementada e já estamos pensando no ano que vem”, concluiu. Quem também cria projetos internamente é o WooHoo, canal independente que conta com distribuição e venda de publicidade realizada pela Turner. Com foco em esportes de ação, música e comportamento, o canal conta

WooHoo estreou recentemente sua primeira série de ficção, “S.A.”, produzida pela Irmãos de Criação. Independente e divertido O que ficou claro é que não só os canais voltados para os jovens, ou com faixas dedicadas a esse público, querem produções independentes em suas grades. A TV Cultura, que tem 65% de sua grade formada por aquisição e produção independente, também quer aumentar esse percentual. Segundo Marcos Ribeiro de Moraes, novo gerente de aquisições e produção independente da emissora, a ideia é aumentar gradualmente o volume de produção independente, que hoje é de aproximadamente 20%, ocupando parte do espaço dedicado a aquisições. “A nossa preocupação é gerir o conteúdo em conjunto com os coprodutores”, esclarece Moraes, que

emissoras educativas e públicas buscam conteúdos sem o rótulo de “chatos”. com 90% de sua produção feita dentro de casa. Segundo Antônio Ricardo, criador do canal, a prioridade é agregar talentos interessados em participar de projetos do canal. “A pessoa vem com uma ideia e nós usamos a nossa estrutura”, explicou durante a palestra. “Apesar disso, já compramos programas e podemos fazer parcerias”, disse, lembrando que o

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diz que a emissora não aceitará “qualquer coisa” que tenha o rótulo de produção nacional. Ele afirma que será cobrado o rigor técnico na execução dos conteúdos, bem como qualidade editorial. O gerente anunciou ainda no evento que dois editais serão lançados em breve. Em julho, deve ser publicado o edital do Anima Cultura, Funcine que tem gestão da TV Cultura e é administrado pela Lacan. O edital financiará séries de animação para televisão, que deverão ter, obrigatoriamente, participação de um coprodutor canadense, que entrará com pelo menos 25% dos recursos da série. Para serem inscritos no edital, os projetos não precisam ter um coprodutor canadense. Será criada uma espécie de rede social, da qual farão parte produtores brasileiros e canadenses, para buscar parcerias nos projetos apresentados. O outro edital prometido por Moraes será feito em parceria com o Sesc. Através dele serão produzidas quatro séries dramatúrgicas. “Queremos preencher um espaço de 52 semanas na grade de programação”, diz Segundo Moraes, um dos objetivos da TV Cultura é diversificar a grade e ser menos relacionada à imagem educativa e pedagógica. “Educativo e pedagógico é igual a chato”, brincou em sua apresentação. Entre os conteúdos que a emissora pública paulista mira para diversificar sua grade está o humor. “Precisamos deixar de lado o preconceito ao humor”, disse. Quem também está em busca de programas educativos que não pareçam “didáticos” ou “chatos” é a TV Escola. Segundo o diretor de programação da emissora, Érico da Silveira, a TV ainda não tem editais de produção abertos para anunciar, mas trabalha com licenciamento de produtos prontos. O canal 32

“Estamos abertos a qualquer modelo de negócio. Só sabemos que precisamos de formatos diferenciados.” Cris Lobo, da MixTV

FOTOS: Ricardo Ferreira

( programação)

é focado em professores, mas também exibe programas para alunos e para a comunidade. Além do canal de TV, as produções são exibidas pelo site. No momento, a TV Escola prepara-se para lançar uma nova plataforma de conteúdo online, que está em teste na RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa). A plataforma servirá para customizar a oferta de conteúdo do site do canal. “Haverá uma playlist, espaço para comentários, possibilidade de subir os próprios vídeos e um editor de vídeo, para que o professor possa selecionar apenas o pedaço do programa que quer mostrar para os alunos, por exemplo”, explica Silveira. Atualmente, a TV Escola disponibiliza cerca de dois terços de sua programação sob demanda pelo site, totalizando aproximadamente 1,7 mil programas. Assim como a TV Escola, o Canal Rural também prepara uma nova plataforma de comunicação para o segundo semestre. O portal Rural BR contará com web TV, leilões online e canais específicos focados em setores do agronegócio. “Neste primeiro momento teremos canais sobre milho, soja, cana, pecuária de corte e de leite”, contou o gerente executivo de conteúdo do Canal Rural, Júlio Cargnino. Segundo o executivo, o conteúdo em vídeo dos canais segmentados estará restrito aos programas já existentes do Canal Rural. O novo portal terá ainda uma plataforma de leilões online. Além do portal, o Canal Rural lança um aplicativo para iPhone e iPad com conteúdo de notícias e clima. A ideia é que, dentro de alguns meses, esse aplicativo possa ter também vídeos. Cargnino afirmou ainda

“Precisamos deixar de lado o preconceito ao humor.” Marcos Ribeiro de Moraes, da TV Cultura

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que está interessado em parcerias com produtores independentes, seja para produzir os programas idealizados dentro do canal, ou para receber novos projetos. Atualmente, oito produtoras trabalham com o canal. O executivo lembra que além do jornalismo produzido internamente e da prestação de serviço (com informações sobre cotações e clima), existe um segmento de entretenimento, para o qual o canal com parcerias de produtores independentes para produzir. Entre os temas de programas para essa faixa estão música, culinária, meio ambiente, rodeios e artesanato, sempre voltados para o universo rural. Quem também apontou o tipo de coprodução e aquisição que procura durante o Forum foi Krishna Mahon, produtora executiva dos canais do grupo A&E Ole Networks, distribuídos no Brasil – A&E, History e Bio. Ela conta que o Bio não está restrito a biografias em formato de documentário, e que pode ter séries no estilo de “I Survived”, em exibição no canal. “No caso de biografias, elas devem tratar de pessoas que tenham não apenas a vida profissional, mas a pessoal interessante”, diz. Ele lembra ainda que pelo fato do canal ter uma distribuição pequena, o orçamento para produções é pequeno. No caso do A&E, o foco são em docu-realities, sejam eles comportamentais, de crime e investigação ou edificantes. “Estamos procurando cada vez menos a ficção”, lembra. Para o A&E, ela avisa que as produções precisam ter um fundo emocionante, de grande impacto e para o History precisam “fazer pensar e empolgar ao mesmo tempo”. Um dos caminhos para seleção de produções para o History é o pitching realizado em parceria com o Forum Brasil. *colaborou Fernando Lauterjung


( audiência - TV paga)

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m abril, os canais SporTV dominaram o ranking dos canais pagos com melhor alcance entre o público adulto. O SporTV ficou em primeiro lugar e o SporTV 2 ficou em quinto, desbancando a Fox. Os destaques de programação dos canais esportivos da Globosat em abril foram as competições de futebol (Libertadores, Campeonato Paulista e Copa do Brasil), a Superliga de Vôlei e o UFC 129. Segundo dados do Ibope fornecidos pelo canal, de 1° de janeiro a 29 de maio de 2011, mais de 2 milhões de pessoas passaram pelo SporTV por dia, 12% a mais que no ano anterior. O SporTV 2, este ano, aumentou sua audiência média em 33% em relação ao mesmo período de 2010 (até 12 de junho). Com o sucesso dos canais

Foto: Divulgação

A vez dos esportivos

Superliga de Vôlei foi destaque na programação dos canais SporTV em abril.

esportivos, a programadora prepara-se para lançar no segundo semestre o SporTV 3, com objetivo de ampliar a gama de eventos e modalidades oferecidos ao assinante. Depois do SporTV, que registrou alcance diário médio de 12,7% e 44 minutos de tempo médio diário de audiência em abril, ocupam as primeiras posições do ranking os canais TNT, Multishow e Globo News.

No total, os canais pagos tiveram entre o público acima de 18 anos 47,11% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de duas horas e 25 minutos. Entre o público de 4 a 17 anos, o Cartoon Network registrou o melhor alcance diário médio, com 16,9% e tempo médio diário de audiência de uma hora e seis minutos. Em seguida, aparecem Disney Channel, Discovery Kids, Nickelodeon e Multishow. Os canais pagos tiveram entre o público infantojuvenil 49,37% de alcance diário médio e duas horas e 44 minutos de tempo médio diário de audiência. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas. Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário – abril 2011 

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total canais pagos 47,11 4.748,97 02:25:08 SporTV 12,70 1.279,91 00:44:49 TNT 10,81 1.089,44 00:33:56 Multishow 9,38 945,19 00:17:19 Globo News 9,04 911,11 00:26:31 SporTV 2 8,67 874,40 00:25:06 Fox 8,19 825,75 00:26:50 Viva 7,62 768,39 00:26:21 Megapix 7,45 751,27 00:26:28 Cartoon Network 7,15 720,85 00:37:23 Discovery Kids 6,81 686,74 00:55:58 Disney Channel 6,77 682,06 00:39:50 Warner Channel 6,62 667,04 00:30:34 Universal Channel 6,61 666,21 00:27:59 Discovery Channel 6,30 634,86 00:21:02 National Geographic 6,24 629,16 00:18:35 GNT 5,60 564,98 00:16:37 ESPN Brasil 4,63 466,68 00:23:09 Telecine Pipoca 4,61 464,85 00:28:52 AXN 4,45 448,52 00:29:29 ESPN 4,27 430,28 00:19:23

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total canais pagos 49,37 1.173,40 02:44:27 Cartoon Network 16,90 401,42 01:06:19 Disney Channel 16,28 386,81 01:12:19 Discovery Kids 14,51 344,72 01:06:14 Nickelodeon 13,06 310,37 01:04:40 Multishow 8,75 207,85 00:26:04 Fox 7,89 187,47 00:29:41 TNT 7,86 186,73 00:30:00 SporTV 7,80 185,35 00:38:00 Disney XD 7,48 177,80 00:54:58 Megapix 5,15 122,33 00:23:46 SporTV 2 5,01 119,01 00:21:13 Discovery Channel 4,21 100,11 00:19:15 Viva 4,18 99,43 00:19:13 Telecine Pipoca 4,11 97,66 00:28:20 Universal Channel 4,07 96,85 00:25:28 National Geographic 3,70 87,86 00:17:42 Boomerang 3,57 84,90 00:19:45 Globo News 3,49 82,95 00:12:21 Warner Channel 3,39 80,55 00:16:41 GNT 2,82 67,01 00:11:19

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 2.377.200 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto - Abril/2011

De 4 a 17 anos**

(Das 6h às 5h59)

**Universo 10.081.100 indivíduos

Acima de 18 anos**




( tv por assinatura) Samuel Possebon, de Chicago

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Cabo em crise (nos EUA) Modelo de TV por assinatura fica em xeque com a chegada de plataformas online de distribuição, como NetFlix. Debates entre programadores e operadores por novos modelos de empacotamento e menores custos ganham força.

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TV por assinatura está em crise existencial em seu principal mercado, os EUA. E o maior sintoma disso é que a palavra mais pronunciada durante o Cable Show, realizado em junho em Chicago, foi NetFlix, cujo conceito operacional e crescimento vertiginoso, ao lado de outros serviços over-the-top, estão causando o maior estrago já visto nas mais de seis décadas desse mercado de cabo nos EUA. Apenas para contextualizar quem não é familiarizado com o cenário, o Cable Show é o maior evento de TV por assinatura do mundo, organizado há 60 anos pela NCTA, poderosa associação de TV a cabo norteamericana. O encontro reúne os principais grupos de mídia e os principais operadores e programadores de TV paga dos EUA. Só a indústria de cabo fatura US$ 24 bilhões ao ano, sem contar programadores, fornecedores e operadores que operam em outras tecnologias. O cabo tem 65% do mercado de TV paga dos EUA (que por sua vez chega a 95% dos lares norte-americanos), e 60% do mercado de banda larga. Já a NetFlix é uma empresa que em 2010 faturou US$ 2,1 bilhões, e tem como principal negócio o aluguel de conteúdos. Começou como uma locadora de DVDs por correio, e hoje é pioneira na distribuição digital para PCs e, principalmente, por meio de dispositivos conectados, como televisores ligados à Internet, aparelhos de DVD e Blu-ray conectados, media centers e consoles

Liz Claman, âncora do Fox Business Network, discutiu estratégias para futuro com os principais executivos da Comcast Cable Communications, Cox Communications, Viacom, News Corporation, Time Warner Cable e Time Warner.

de videogames. A NetFlix tem cerca de 23 milhões de clientes, que pagam US$ 8 ao mês para terem acesso ilimitado a filmes e episódios de TV. A NetFlix cresceu quase 3,5 milhões de clientes apenas no primeiro trimestre de 2011, enquanto as operadoras de TV a cabo perdem assinantes seguidamente há dez anos, seja pela competição com a TV paga via satélite (DirecTV e Dish), pela disputa com empresas de telecomunicações e agora com a NetFlix. Novo modelo Mais do que uma disputa pelo bolso do consumidor, o que a NetFlix trouxe para o mercado norte-americano ao passar a distribuir conteúdos online foi um novo modelo de negócio, que aparentemente está agradando mais ao consumidor do que o tradicional modelo de TV por assinatura. Em lugar de contratar pacotes de canais, o usuário paga pelo conteúdo que quer ver, sob demanda. É claro que não são ainda modelos excludentes, já que a NetFlix não transmite eventos ao vivo de peso (esportes e notícias). Mas para o 34

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conteúdo “frio”, que pode ser assistido a qualquer momento, como séries e filmes, o modelo parece estar se sobrepondo bem ao modelo tradicional. E para piorar, o intenso tráfego de dados na Internet gerado pela distribuição dos conteúdos da NetFlix está pesando diretamente sobre as redes de banda larga, boa parte delas operada pelas empresas de cabo. Esse cenário tem gerado uma incerteza latente sobre o futuro do modelo de TV paga nos EUA. Quem melhor sintetizou a situação foi o CEO da Cox, Patrick Esser, durante o debate de abertura do Cable Show 2011. “Nós criamos esse caos ao criar uma plataforma de banda larga. Esse caos cria oportunidades. Temos que buscar novos modelos de negócio, os que já existem e os que não existem. Mas infelizmente não controlamos tudo. Só controlamos uns 60% do que acontece nesse ambiente, e o resto não está conosco”, disse, ao comentar o fato de que a própria banda larga


Modelo sólido Para Philippe Dauman, CEO da Viacom, o quadro, ainda assim, é positivo: “A televisão é a fundação dos modelos que temos hoje, os programadores continuam com um papel fundamental em engajar e envolver os consumidores”, disse, referindo-se à demanda ainda crescente por conteúdos originais e de qualidade. Sobre a relação com os operadores, Dauman disse: “as duas partes da nossa indústria,

“Nós criamos esse caos ao criar uma plataforma de banda larga. Esse caos cria oportunidades. Temos que buscar novos modelos de negócio, os que já existem e os que não existem.”

FOTOS: divulgação

trazida pelos operadores de TV a cabo é quem mais está abrindo a oportunidade para empresas como Google, Amazon, Apple, NetFlix, Facebook e outras se tornarem provedoras relevantes de conteúdos para o consumidor final. Confrontados com esse novo modelo de negócios, em que os conteúdos são vendidos individualmente e não mais em pacotes, e pressionados a dar uma resposta semelhante, os operadores de TV a cabo passaram a pressionar justamente os programadores para rever o modelo. Se para os programadores questões que no passado assustavam deixaram de ser um problema, como conteúdos gerados pelo usuário ou fragmentação da audiência, por outro começou uma forte pressão pela redução dos custos do conteúdo. “O que a NetFlix oferece é um conteúdo barato que as pessoas querem. É sem dúvida uma grande aplicação de banda larga, que realmente exige nossa infraestrutura e para nós é bom que as pessoas precisem da nossa rede”, disse Robert Marcus, COO da Time Warner Cable. Para ele, o conteúdo da NetFlix não compete ainda com a TV paga, pois não tem a mesma janela de conteúdo nem a programação ao vivo e de esportes. “No momento em que os nossos conteúdos também forem distribuídos pelo NetFlix, eles terão que pagar os preços que nós pagamos, e não vão conseguir manter o mesmo modelo”, disse.

Patrick Esser, da Cox

programadores e operadores, fizeram a torta crescer, e estaremos juntos daqui para frente”. Hoje empresas de distribuição digital como NetFlix e Apple dependem do conteúdo dos grandes estúdios, mas recentemente sinalizaram, sobretudo a NetFlix, a possibilidade de criar conteúdos originais. Para a Viacom, essa sinalização não preocupa. “NetFlix é um serviço de acervo com quem temos uma relação de distribuição. A programação original não é o negócio principal deles e não é algo simples para eles fazerem. Da nossa parte, estamos 100% focados em programação, pensando no consumidor”.

a NetFlix cresceu quase 3,5 milhões de clientes no primeiro trimestre de 2011, enquanto as operadoras de TV a cabo perdem assinantes há dez anos. Não foi o que fez a programadora Showtime, que retirou os conteúdos da NetFlix quando se viu ameaçada por uma atuação concorrente, e não apenas de distribuição. Para Jeffrey Bewkes, CEO da Time Warner Inc. (programadora), a NetFlix está claramente inserida no contexto do modelo já conhecido de subscription VOD. “Isso existe em muitas plataformas de TV por assinatura, mas é fato que eles oferecem algo que o consumidor quer, o que é adequado para quem não consegue pagar uma taxa de programação constante. Mas não oferecem conteúdos locais, o que o cabo oferece”, argumentou. “O que as empresas de software como Apple e Amazon estão fazendo é buscar uma distribuição de conteúdos multiplataformas. É isso que precisamos

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fazer também”, disse Neil Smit, CEO da Comcast.

Cable cutters Os operadores de TV a cabo ainda desdenham a possibilidade de que alguns consumidores estejam optando por desconectar seus serviços de TV a cabo para ficar apenas com a banda larga, pela qual têm acesso às plataformas de conteúdos digitais. O fenômeno, chamado de cord cutters, ou cable cutters, foi identificado em algumas pesquisas e é preocupação de analistas financeiros de TV paga. Mas para os principais executivos da indústria, esse fenômeno está mais ligado à recessão norte-americana e à diminuição no número de domicílios do que a uma mudança de hábito. Para Glenn Britt, CEO da Time Warner Cable, “a quantidade de pessoas que está se desconectando para pegar o conteúdo pela Internet é quase imensurável”, disse ele. Para Patrick Esser, da Cox, a explicação para a perda de base da TV a cabo registrada nos EUA sobretudo no ano de 2010 é apenas a economia. Segundo ele, a economia está em um ambiente diferente de cinco anos atrás. “Isso afeta a disposição de gasto do consumidor”. Para Britt, da Time Warner Cable, nunca o mercado norte-americano viu um percentual tão grande de casas vazias em função da recessão. “E nosso negócio é conectar lares, então a perda de base era inevitável”, disse. Pode até ser que eles tenham razão, mas o tema preocupa. “Dois anos antes da crise de 2008, os bancos diziam que apenas 2% dos clientes de hipotecas estavam inadimplentes e que 98% eram bons pagadores. Mas era só o começo da crise imobiliária”, lembrou a jornalista Liz Claman, da Fox News Business. Um outro motivo de preocupação

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( tv por assinatura) “O set-top continua necessário para entregar o conteúdo de TV. O que acontecerá é que ele deve ser menor e mais barato com o tempo”

dos operadores de cabo é que os dispositivos domésticos estão ficando cada vez mais conectados e capazes de reproduzir conteúdos online. Brian Roberts, CEO da Comcast, não acredita que o principal ponto de contato entre o operador e o consumidor, que é o set-top box, vá desaparecer e ser substituído por um simples aplicativo na TV, sem a necessidade de um intermediário. “O set-top continua necessário para entregar o conteúdo de TV, ainda mais com o desejo crescente dos usuários pela possibilidade de gravação (DVR). O que acontecerá é que ele deve ser menor e mais barato com o tempo”, disse. Pelo sim, pelo não, a corrida dos operadores de cabo é por ter alternativas a esse possível novo hábito de consumo por demanda que está surgindo. Mas para operadores de cabo, que há décadas oferecem

Brian Roberts, da Comcast

seus conteúdos empacotados e cobram muito por isso, mudar de paradigma não é simples. A começar pela relação comercial com os programadores, que é baseada nesses modelos tradicionais. “O conteúdo não vai ficar mais barato”, alertou o presidente e COO da programadora Starz, Bill Myers. “Com todas as mudanças que aconteceram nos últimos anos, uma coisa não mudou, que foi a necessidade de investir e aprimorar a programação de qualidade”, completou. Para ele, o desafio agora é encontrar uma forma de tornar esse conteúdo rentável

em mais de uma plataforma. Bridget Baker, presidente da unidade de distribuição de TV da NBC Universal, concorda. Para ela, conteúdos de grande valor, como esportes e conteúdos em alta definição, são caros e não devem ficar mais baratos. “O que tende a cair de preço é o uso das bibliotecas de conteúdos”, disse. A NBC Universal tem sido criticada pelos elevados preços pagos pelos direitos esportivos, sobretudo Jogos Olímpicos. Para Baker, esses valores se justificam. “Esses grandes eventos esportivos são uma oportunidade única de colocar milhões de pessoas em frente à TV ao mesmo tempo para uma experiência completamente única, e isso tem o seu preço”, justificou.

No Brasil, disputas no horizonte

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processo coincide justamente com o momento em que a Net e outras operadoras buscam alternativas de distribuição não-linear, como vídeo sob demanda e distribuição pela Internet. Mas coincide também com o momento em que as empresas de telecomunicações buscam se posicionar para entrar no mercado de cabo. Quem está sofrendo com essa situação, segundo fontes de mercado, é a GVT, que pretende entrar na TV por assinatura com um modelo pioneiro de empacotamento, muito mais flexível e próximo de uma venda de canais individualizada. Segundo apurou esta reportagem junto a FOTOS: arquivo

e a indústria de cabo dos EUA vive um período complicado, em que os novos modelos de distribuição digital são um desafio aos operadores tradicionais e à manutenção do modelo de TV paga tradicional, baseado em grandes pacotes de canais, no Brasil o debate é esse e mais um pouco. Por aqui, há vários anos já se questiona, junto a programadores, o modelo de pacotes de canais cada vez maiores e os custos de programação. Nos próximos dois anos, essa discussão deve se intensificar, porque a maior operadora de TV a cabo brasileira, a Net Serviços, começa a negociar a renovação de seus principais contratos de programação. Esse

“Se temos poder de mercado significativo é porque fomos competentes vendendo TV por assinatura, o que as teles não foram.” José Félix, da Net Serviços

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programadores, as linhas gerais até avançaram, mas está complicado fechar os contratos, ainda que a GVT assegure ter 90% de seus acordos firmados. Nos 10% que faltam está justamente a dificuldade de acertar a vida com a Globosat, maior programadora brasileira e responsável por alguns dos conteúdos mais prestigiados, como os eventos esportivos. A mesma coisa tende a acontecer com Oi e Telefônica no momento em que estiverem liberadas para entrar no setor de TV a cabo. Com a iminência de aprovação no começo de julho do PLC 116/2010, que cria novas regras para o mercado de TV paga, a entrada das teles no setor de cabo deve ser sacramentada e então as empresas de telefonia precisarão se posicionar com uma alternativa competitiva às ofertas tradicionais existentes hoje. Esse deve ser um dos primeiros


desafios de Francisco Valim, futuro presidente da Oi (ele assume em setembro) e que é um dos executivos mais experientes no mercado de TV a cabo (presidiu a Net Sul e a Net Serviços). Sem falar no fato de que a Portugal Telecom, nova controladora da tele, estabeleceu TV paga como prioridade número um nos negócios da Oi, a exemplo do que fez em Portugal. Para o governo, nas palavras do ministro Paulo Bernardo, “a abertura do mercado de cabo é uma prioridade, porque são empresas que podem agregar muito ao mercado de banda larga”. Enquanto isso, a Anatel discute uma nova regulamentação para o serviço, não sem enfrentar polêmicas. Para o presidente da Net, José Antônio Félix, da forma como está escrito, o novo regulamento proposto

o que as teles não foram”, acrescentou o executivo, referindo-se à oferta de TV paga por DTH que as teles já praticam. Ele disse não ter nada contra a competição nesse serviço, mas entende que o governo deveria estimular a Com a iminência de entrada de novas operadoras de aprovação do PLC 116/2010, cabo de pequeno e médio porte, as empresas de telefonia como é feito nos EUA. precisarão se posicionar com Paulo Martins, diretor da Blue Interactive, controladora uma alternativa competitiva da operadora Viacabo, que às ofertas tradicionais. opera em 15 cidades pequenas e médias, lembra que as teles são as donas dos links nas pequenas que a obrigará a cumprir uma série de cidades e têm acesso mais fácil aos metas de cobertura, enquanto as postes de energia, o que lhes exigências para os novos entrantes serão permite lançar o serviço de forma mais leves. “Desse jeito, os novos entrantes mais rápida e até mais barata poderão atacar apenas o filé mignon do que um pequeno competidor. mercado. Duvido que entrem em cidades “Temos que discutir questões pequenas ou mesmo de porte médio”, estruturais do setor, como a questão protestou. “Se temos PMS é porque fomos dos postes”, afirma ele. competentes vendendo TV por assinatura, pela Anatel “favorece abertamente a Oi”. Sua principal reclamação é contra o fato de a Net poder ser considerada uma empresa com poder de mercado significativo (PMS) em TV por assinatura, o

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( making of )

Lizandra de Almeida

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nova campanha de CocaCola Zero começou com alguns filmes misteriosos, cheios de ação, que mostravam o protagonista sendo retirado de repente de uma situação embaraçosa por uma equipe de resgate do refrigerante. Os filmes, que fazem parte de uma campanha mundial, foram produzidos no exterior e nacionalizados, mas a marca quis criar uma ação específica no Brasil. Assim como parecia impossível que uma Coca-Cola de baixas calorias tivesse o mesmo gosto do refrigerante normal, também a campanha queria mostrar o impossível sendo possível. Para isso, a agência escolheu dois consumidores que se dispuseram a fazer o impossível para participar da promoção. Pelo site, os consumidores se inscreviam e informavam o que pretendiam fazer. Entre os dez mais votados pelo público, dois foram escolhidos para serem os heróis da experiência impossível. A divulgação e ativação da campanha foram feitas pela MTV. Por seu perfil de organização de eventos e produção de filmes, a Volcano Hotmind foi chamada para produzir as aventuras oferecidas aos vencedores e filmá-las. A primeira vencedora tatuou uma garrafa de Coca-Cola nas costas e ganhou cinco dias de milionária, com mais três amigas. As garotas vieram de Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, ficaram hospedadas em um hotel cinco estrelas na capital e receberam R$ 10 mil para torrar na Rua Oscar Freire. Também foram ao cabeleireiro, a baladas e viajaram de helicóptero para um spa refinado em Porto Feliz e um hotel exclusivo em Angra dos Reis, além de vários jantares em restaurantes sofisticados. O segundo vencedor foi um

FOTOs: DIVULGAÇÃO

Aventuras impossíveis

Advertainment da Coca-Cola Zero foi gravado em Abu Dhabi, com câmeras HD portáteis posicionadas de maneira a expor a marca.

rapaz que se propôs a tomar Coca Zero a zero grau, em uma banheira cheia de gelo. Sua experiência foi uma viagem a Abu Dhabi com um amigo, onde eles visitaram o parque da Ferrari e correram de Fórmula 1 no autódromo local, além de fazer um safári no deserto e visitar vários pontos turísticos exóticos da cidade. “Como nossa especialidade é o advertainment, estamos sempre pensando em maneiras de personalizar os objetos, e de planejar de forma interessante para a captação”, explica Luís Evandro, um dos diretores do projeto. A grande vedete da aventura foi a corrida de Fórmula 1. O carro é alugado para eventos como este, e só três pessoas podem pilotá-lo. O autódromo ficou fechado para a promoção, no horário mais agradável, o entardecer no deserto. “O carro foi adesivado, assim como os uniformes, capacetes, toda a experiência tinha a marca”, explica Luís Evandro. O relacionamento com os Emirados Árabes foi um capítulo a parte. O país se vende como uma terra de maravilhas e tudo pode ser alugado, mas também precisa passar pelo crivo dos dirigentes locais. As filmagens aconteceram com 38

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câmeras portáteis HD, já que a maioria das cenas era de muita ação e a estética do filme previa uma linguagem de making of. “As câmeras foram posicionadas de maneira a expor a marca mesmo em alta velocidade”, diz o diretor. “Também havia uma certa dificuldade em entrar com equipamentos em Abu Dhabi, por isso usamos também a 5D da Canon.” Tudo exigia agilidade – desde o autódromo até a montanha russa do parque da Ferrari, a mais rápida do mundo. “Nossa preocupação era captar as imagens sem atrapalhar a experiência deles. A aventura era o mais importante, por isso cada cena precisava ser inesquecível.” ficha técnica Cliente Coca-Cola Brasil Produto Coca-Cola Zero Agência JW Thompson Direção de criação Mario D’Andrea e  Roberto Fernandez Direção de arte Fabio Guimarães Redação Rodrigo Visconti Dir. de merchandising Fabricio Carvalho (MTV) Produção Volcano Hotmind Diretor de fotografia Felipe Ermine Produtora de somSatélite


Band-aid neles!

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solicitação do cliente Johnson & Johnson era simples: queria que a agência JWT apresentasse uma ideia para estimular o uso de Band-Aid em pequenos ferimentos. A partir daí, a equipe de criação procurou desenvolver um projeto com apelo didático, que falasse aos pequenos e também às suas mães. Para isso, foi além do filme publicitário e criou uma série de entretenimento, protagonizada por Raladinho, Cortinho, Feridinha, Bolhinha e Galinho — os “machucadinhos”. “Para transmitir esse apelo, era primordial tornar o tema interessante aos olhos do nosso público. Era preciso sair da simples comercialização de um espaço publicitário e investir em conteúdo de entretenimento”, afirma Fabio Brandão, diretor de criação da agência. Nesse sentido, a escolha mais lógica da agência para a exibição dos programas foi o Discovery Kids. “Essa realização só foi possível com a parceria do Discovery Kids. O cuidado, a experiência no diálogo, a estrutura e a história do canal foram essenciais para que a palavra ‘conteúdo’ adquirisse contornos reais dentro do projeto”, conta Brandão. Raul Costa, vice-presidente publicitário do Discovery Kids, comenta que o canal é considerado “um ambiente seguro, no qual os pais confiam e cujo conteúdo visa a contribuir para o desenvolvimento infantil ao mesmo tempo em que entretém seu público”. A mensagem, explica Costa, está alinhada a essa missão do Discovery Kids, por isso “foi possível que a campanha ganhasse também o formato de websérie, que por meio de uma abordagem lúdica visa passar informação relevante”. A ideia da série é mostrar que, com o produto, os machucados ficam protegidos da entrada de água, germes e

A pós-produção criou cenários tridimensionais onde se inserem peças 2D.

sujeira, o que poderia transformá-los em “machucadões”. Cada episódio tem 2 minutos de duração, para exibição na internet. Versões mais curtas, de 30 segundos, serão veiculadas também no cinema e na TV por assinatura. O processo começou com a criação dos personagens pela agência. Segundo Fabio Brandão, “os machucadinhos são reais, são a prova de que pequenos incidentes acontecem e não precisam interromper ou prejudicar as brincadeiras. O que a agência fez foi dar uma cara para eles”. A partir daí, a produção ficou por conta do canal, que contratou a produtora argentina Mano Mediaworks para realizar os filmes. Mariano Sorrentino, diretor da produtora, explica que a parceria com o Discovery Kids já vem de longa data. A produtora já realizou outros projetos com o canal e tem grande expertise em conteúdo digital, afirma o diretor. Sorrentino conta que a produtora desenvolveu uma técnica específica para produzir a série, antecipando a necessidade

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de usar os personagens em jogos e outras apresentações digitais. Os personagens são 2D, mas graças a essa técnica de pintura, apresentaram um resultado mais volumétrico. “Para otimizar os processos de produção, executamos tarefas paralelas, como é habitual na produção desse tipo de conteúdo. À medida que avançávamos o guia de arte, tivemos a ideia de trabalhar a pintura dos personagens com uma técnica que simula volumes sem a necessidade de linhas de contorno. Tivemos que treinar a equipe para a execução dessa nova técnica, para alcançarmos autonomia e eficiência no processo de animação. Como a websérie é parte de uma gama de conteúdos multiplataforma, que incluem atividades, jogos online, website, entre outros, tivemos que quebrar o esquema clássico para criar uma única estética que pudesse atender não só ao desenvolvimento da série em si, mas todos os outros conteúdos que derivassem dela. Na pós-produção, foram criados cenários tridimensionais, onde se inserem as peças 2D criadas para compor a cena juntamente com os personagens. Com isso, adquirimos liberdade para movimentar a câmera, gerando diferentes níveis de profundidade”, conta Sorrentino.

ficha técnica Cliente Johnson & Johnson Produto Band-Aid Agência JW Thompson Direção de criação Mario D’Andrea,  Roberto Fernandez, Fábio  Brandão e Rinaldo Ferrarezi Direção de arte Rodrigo Adam Redação Leandro Pinheiro Produção Mano Mediaworks Direção Mariano Sorrentino Produção Patricio Sorrentino Animação Santiago Villa Rot. dos episódios Mariano Sorrentino  e Lucila Las Heras


( produção ) Ana Carolina Barbosa

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Geração P Uma nova geração de profissionais lidera as “produtoras de produtores”. Inspiradas nos modelos americano e europeu, elas têm foco em captação de recursos, direção de produção e composição do talento artístico de acordo com cada projeto.

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os realizadores desenvolvam seus próprios projetos. “A gente tem uma produtora para produzir, e não para produzir os nossos filmes”, explica Joana Mariani, sócia da Primo Filmes, que também segue o conceito de uma produtora de produtores. André Montenegro conta que a especialidade da Aurora Filmes é estruturar o projeto de um filme e encontrar formas artísticas de realizá-lo, explorando orçamentos e prazos. “Começamos a trabalhar com projetos de diretores e parcerias com outras produtoras”, diz Montenegro. Entre as coproduções assinadas pela produtora estão os longas-metragens “A Via Láctea”, “Reflexão de um Liquidificador” e “Estamos Juntos”. Há um projeto em coprodução com a Pólo de Imagem, “Entre Vales e Montanhas”. A TC Filmes, dos sócios-produtores Rodrigo Castellar e Pablo Torrecillas, tem uma linha de atuação parecida, com foco no desenvolvimento de longas-metragens desde a preparação, passando pela elaboração do orçamento e captação até chegar em préprodução, filmagem e finalização. Ele acredita que o sucesso destas produtoras está baseado em duas premissas básicas: a primeira é a capacidade de viabilizar projetos e a segunda é ter diretores talentosos. Há vários caminhos para que os projetos cheguem a estas produtoras. O mais comum é por FOTOS: divulgação

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possível identificar algumas mudanças no modelo de produção do cinema nacional, caracterizado ao longo da história pelo profissional multiuso, que levanta os recursos, escreve, dirige, produz e, eventualmente, também fotografa. Despontam no mercado novas produtoras lideradas por profissionais que querem dedicar-se exclusivamente ou na maior parte do tempo à produção. A proposta é cuidar do processo de captação de recursos, desenho de produção e escolha de talento artístico de acordo com o projeto, além do acompanhamento das filmagens e pós-produção. Um modelo inspirado no trabalho de produtoras nos Estados Unidos e na Europa. Para Beatriz Carvalho, produtora e produtora executiva da Aurora Filmes, fundada em 2006 pelos sócios André Montenegro e Rui Pires com este propósito, esse movimento das “produtoras de produtores” tem relação com o momento de profissionalização do cinema brasileiro, que vem se firmando após a retomada. “Essa é uma nova geração, que estudou, fez curso de cinema, fala línguas, e está mais preparada que a geração antiga. É mais técnica e mais especializada”, ressalta. “Já tem gente saindo da faculdade com o objetivo de fazer produção”. Essa nova safra de profissionais dá força à atividade de produção, que passa a ser um fim em si, não apenas um meio para que

Os sócios da Primo Filmes, Joana Mariani e Matias Mariani, para quem na nova estrutura, o produtor também participa do processo criativo.

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meio dos diretores e roteiristas que conhecem os produtores ou já desenvolveram algum trabalho na casa. Alguns produtores também buscam histórias no mercado editorial com potencial para o audiovisual. Produtividade Alguns títulos do portfólio da RT Features, do produtor Rodrigo Teixeira, são inspirados em obras literárias, como o primeiro longametragem da casa, “O Casamento de Romeu e Julieta”, de 2005, baseado na obra de Mário Prata. Teixeira trabalha com desenvolvimento de direito autoral e tem relacionamento direto com autores e também com roteiristas para fazer a seleção dos projetos. A estrutura da produtora é enxuta, com produtores executivos de base. Para cada trabalho, Teixeira contrata um produtor executivo para o set. Ele destaca que este é um modelo interessante para os diretores. “Ele não precisa arcar com os custos fixos de uma produtora, pode ter cinco projetos de longas-metragens em cinco produtoras diferentes, cada um em uma etapa”. A produtividade é uma das vantagens das produtoras de produtores para o mercado. Na Primo, por exemplo, serão feitos três longasmetragens neste ano. Há outros benefícios mais sutis. “Como produtor, você começa a pensar o filme de uma maneira geral. Qual é o público que ele pode ter nacionalmente e internacionalmente? Quanto ele pode custar? Aí tem que equilibrar o valor do projeto, a proposta do projeto, trabalhar com a equipe e o projeto vai ficar com a


máxima qualidade que ele pode ficar”, pondera Joana. “Quando você é só produtor, você enxerga o produto de outra forma, você vai fundo em todos os momentos”, diz Teixeira. Montenegro acredita que o produtor também facilita a negociação de distribuição. “Acho que o distribuidor tem mais liberdade. O produtor serve para intermediar esta conversa, ele consegue enxergar quais são os limites”, reflete. Beatriz Carvalho, da Aurora Filmes, também destaca a tendência à qualidade do projeto e agilidade do processo quando há o envolvimento de uma produtora cuidando só da produção. “Com uma produção experiente e técnica, o diretor pode pensar melhor no seu trabalho e pode decupar direito. Isso reduz muitos problemas na filmagem, só agrega qualidade”, afirma. Outro ponto em que a experiência em produção pode auxiliar é na captação e inscrição em editais. “É possível formatar projetos mais viáveis”, diz. Modelos Embora a maior parte das produtoras ainda faça captação para a realização por meio de leis de incentivo, muitas já pensam em desenvolver novos modelos de negócio. “A gente não quer viver só de dinheiro público, queremos também o lucro dos filmes na bilheteria”, explica Castellar, contando que na TC Filmes existe a preocupação em desenvolver filmes com apelo comercial, fundamentados em histórias que possam dialogar com o público. “Pensamos nas possibilidades de negócio e do retorno financeiro. A gente não está apostando num cinema para viver de subsídios. Isso tem a ver com o bom momento, em que o cinema se apresenta como negócio para a empresa”, observa o produtor. No longa-metragem de baixo orçamento “A Boca do Lixo”, de 2010, uma coprodução da TC Filmes com a Kinoscópio, os produtores captaram

“Quando você é só produtor, você enxerga o produto de outra forma, você vai fundo em todos os momentos”

projeto reunindo títulos produzidos para a educação e a infância. A ênfase nos curtasmetragens não tem impedido a produtora de desenvolver outros projetos. A Preta Portê produziu este ano o documentário “Leva”, uma atração de 55 minutos para o Canal Futura, e filmou seu primeiro longa-metragem, “Anna K”, empregando um modelo de produção mais enxuto como em um curta-metragem. “O fato de ser uma produtora de curta traz para a gente uma abertura maior de propor um novo modelo de produção, um modelo de produção menor”, enfatiza.

Rodrigo Teixeira, da RT Features

recursos junto a investidores diretos. “Fizemos a articulação, vendemos o projeto, o potencial de retorno e esperamos a recuperação do investimento. Há um compromisso mínimo de bilheteria”, diz Castellar. Teixeira conta que a RT Features trabalha com leis de incentivo, patrocínios e dinheiro de risco em seus projetos e que a produtora está desenvolvendo um fundo de investimentos para financiar novos trabalhos. O produtor conta que também tem pensado em modelos para trabalhar em parcerias com outras produtoras, mas ainda não encontrou um modelo ideal. “A conversa sobre a relação risco e retorno ainda é um problema para todo o mundo”, ressalta. A internacionalização também é um caminho na busca por novos modelos de negócios. A RT Features, que é representada nos Estados Unidos pela United Talent Agency, começou a rodar o primeiro filme em língua inglesa. “Foi uma oportunidade de negócios. Os modelos de coprodução no exterior são mais maduros”, diz Teixeira. Matias Mariani, sócio da Primo Filmes, também reforça a intenção de ir além das fronteiras. A produtora tem duas coproduções internacionais no portfólio, o documentário “Tokiori” (Brasil, França e Japão) e “A Montanha” (Brasil, Portugal e Itália). O foco em um segmento de mercado também pode ajudar a encontrar novos modelos e desenvolver novas atividades, como é o caso da Preta Portê, de Juliana Vicente, cuja expertise é a produção de curtas-metragens. “Começamos a entender como funciona o mercado de curtas e estamos desenvolvendo uma distribuidora”, conta Juliana que também desenvolve um

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Novas possibilidades Embora o foco da maioria seja o cinema, as produtoras de produtores estão dispostas a experimentar as novas possibilidades e os novos formatos, principalmente a produção para a televisão. A RT Features teve a primeira experiência no ano passado com a minissérie para a Rede Globo “Amor em 4 Atos”. “A verdadeira indústria do audiovisual brasileiro é a televisão, não o cinema”, pondera Teixeira. “Foi uma experiência feliz”. Mariani, da Primo Filmes, que tem produções para o Boomerang, GNT e Canal Futura no portfólio, afirma que há muitas diferenças entre produzir para cinema e televisão. “Na TV você tem um patrão, tem que fazer de acordo com o que o canal quer. Existe um produtor acima do produtor”. Neste novo modelo de produtoras, reforça Mariani, o papel do produtor não é meramente o de administrar os recursos e os profissionais envolvidos. “Nós nos envolvemos, estamos no roteiro, conversamos com o diretor, somos participativos criativamente”, diz. Para ele, o cinema, principalmente, tem muito a ganhar com esta estrutura de produção. “A gente tem o hábito de personalizar o fazer cinematográfico, algo como uma empreitada individual. Para ficar bom, tem que ter muitas pessoas envolvidas”, destaca.

Juliana Vicente, da Preta Portê, voltada para a produção de curtas, estuda a criação de uma distribuidora.

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( case )

O Caminho das Gaivotas

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rofissionais brasileiros e cubanos estiveram envolvidos por aproximadamente um ano na produção de um curtametragem de animação. “O Caminho das Gaivotas” é resultado da primeira etapa do Projeto de Animação Brasil-Cuba. O acordo foi firmado pelo ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira, e pelo ex-secretário do audiovisual, Silvio Da-Rin, em visita a Cuba, em setembro de 2009, para renovar os protocolos com aquele país nas áreas de cultura e educação. Na área do audiovisual foi fechado um acordo para restauração e Ferreira, que já vinha apoiando a animação com programas como o Anima TV, incluiu uma linha de animação no acordo após impressionar-se com a qualidade do longa-metragem “20 Anos”, de Bárbaro Ortiz. O acordo foi firmado entre o governo brasileiro, por meio da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, e o Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica (ICAIC). O programa seria desenvolvido no Centro Técnico do Audiovisual (Ctav) e nos estúdios de animação do ICAIC. Patrícia Alves Dias foi convocada para coordenar o projeto cujas premissas eram a troca de experiências entre os profissionais dos dois países, implementação, pesquisa e constituição de uma referência de produção de animação para a criança, a revitalização do núcleo de animação do Ctav e descoberta de novos talentos ao longo do processo. Segundo Patrícia, sua proposta era desenvolver um projeto parecido com o acordo Brasil-Canadá, baseado na formação em produção. 42

FOTOs: divulgação

Curta-metragem é resultado do Projeto de Animação Brasil-Cuba, criado para promover o intercâmbio entre profissionais dos dois países e criar referências em produção para a infância.

Brasileiros e cubanos participaram de todas as etapas de desenvolvimento e produção do curta, que contou também com a opinião de crianças de ambas as nacionalidades.

A ideia inicial era desenvolver dois curtas-metragens, um em cada país, mas a equipe julgou que seria mais apropriado trabalhar em conjunto em uma só produção. Os trabalhos começaram em dezembro de 2009, com visita da delegação de artistas e produtores brasileiros a Cuba. Ficou acordado que trabalhariam em um

no mundo inteiro a criança precisa ser acolhida. É um argumento sutil, já que estávamos nos dirigindo às crianças. A gente considerou que talvez o grande encontro fosse o afro-brasileiro e o afro-cubano. Poderíamos assim cair no risco do estereótipo. Então fomos mais longe e resolvemos recuperar a cantiga de

O projeto atingiu os seus objetivos, entre eles a revitalização do núcleo de animação do Ctav e a descoberta de novos talentos. projeto sobre a infância, mas do qual crianças participariam. Seria preciso, então, encontrar elementos que pudessem ser compreendidos pelas crianças de modo geral e aproximassem as infâncias do Brasil e de Cuba. Para onde o vento sopra Segundo Patrícia, a proposta original era desenvolver um projeto no qual a ideia básica fosse uma cantiga de ninar cantada por uma avó. “A gente sente que

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ninar”, explica a coordenadora do projeto. Os pressupostos básicos para o desenvolvimento do curtametragem seriam a infância, a necessidade de brincar, o diálogo com o adulto e o acolhimento. O brasileiro Bráulio Tavares, criador do argumento, fez uma pesquisa de arquétipos e trouxe a história de uma menina, Maria Soledad, que vivia em um pequeno vilarejo. O elemento fundamental da


narrativa seria uma catástrofe natural provocada pelo Dios Huracán. Tinha acabado de acontecer o terremoto no Haiti e o furacão é algo conhecido em Cuba. Apesar de não ser um elemento brasileiro, a equipe encontrou nas pesquisas cerimônias dos índios brasileiros para os deuses dos ventos. “Encontramos elementos musicais, como o da flauta, os elementos de honra ao Dios Huracán. Os rituais eram parecidos. Você acaba tendo um filme todo costurado sem precisar saber quem é o Dios Huracán”, conclui Patrícia. A coordenadora do projeto destaca a importância do trabalho da equipe no desenvolvimento do curta-metragem. No total, foram seis meses de troca de ideias até se chegar ao que seria “O Caminho das Gaivotas”. Segundo Patrícia, o grande orientador do desenvolvimento foi aquilo que as crianças necessitam, não aquilo que os profissionais queriam. “O texto foi feito para fugir do filme, da velocidade, da rapidez em que a criança não tem espaço para construir”, ressalta Patrícia, contando que todo o processo está baseado na pedagogia Waldorf, que coloca o brincar como elemento fundamental. Estéticamente, a animação em 2D e stop motion, também tem elementos para que a criança possa fazer a sua própria construção. As cenas de stop motion são de madeira não pintada para que a criança possa imaginar. A trilha sonora, criada por Harold López-Nussa e Ruy Adrián LópezNussa, tem papel fundamental na narrativa. A cubana Omara Portuondo faz a narração e interpreta as canções. Cooperação A produção levou mais seis meses de trabalho. Ao longo deste período, a equipe brasileira viajou algumas vezes para missões de imersão no projeto com a equipe

metragem como uma “cooperação”, não como uma coprodução entre os dois países. Crianças brasileiras e cubanas participaram de grupos focais para que os envolvidos pudessem avaliar como o públicoalvo reagiria e interpretaria a narrativa. “Foi um grande exercício”, observa Patrícia. “São países absolutamente irmãos, mas absolutamente diferentes”. Em junho, “O Caminho das Gaivotas” teve exibições para especialistas no Festival Iberoamericano Prix Jeunesse, em São Paulo, e para crianças na 10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. A ideia é que ele faça o circuito de festivais em 2011, passando por eventos ligados à infância e aos direitos humanos. Na avaliação de Patrícia, o projeto de Animação Brasil-Cuba conseguiu atingir seus objetivos. Cerca de R$ 700 mil foram investidos na revitalização do núcleo de animação do Ctav e houve a revelação de novos talentos ao longo do processo, dentre os quais se destacaram o brasileiro Marco Aurélio no story board e o cubano Rafael Vera no stop motion. Na segunda etapa do projeto, que aconteceu no final de junho, a equipe promoveu outras atividades em animação como o master class “Desenvolvimento de Projeto e Conteúdo em Animação”, com o francês Alain Gagnol (no Rio de Janeiro), oficina “Toon Boom storyboard PRO”, com Stacey Eberschlag (no Rio de Janeiro), oficina “Toon Boom Harmony: animação”, com Stacey Eberschlag (no Rio de Janeiro) e “Oficina de Madeira para stop motion: criação e planejamento”, com Daniel Erthel (em Belo Horizonte). Patrícia conta que a equipe brasileira que participou do projeto tem vontade de usar esta experiência para desenvolver conteúdo voltado ao público adolescente.

“O Caminho da Gaivota”

curta-metragem Formato 13 minutos Duração io Glenes Serg e Dias s RoteiroPatricia Alve lio Brau Tavares Argumento e Sérgio Gleise, Daniel Erthel, Alexandr Direção Rodrigues e Barbaro Joel Ortiz  Alves Dias, Alex Cabanas, ProduçãoPatrícia is Acosta e Esther Hirzel Aram 

Sinopse: Era uma vez uma menina chamada Maria Soledad... Ela vivia num vilarejo do Nada, muito, muito longe daqui, onde havia apenas três casas, um coqueiro e uma vaca. Apesar de seu nome, Soledad nunca estava só, porque estava sempre acompanhada de seus brinquedos: um pião, uma flauta e uma manta de retalhos. Até que um dia, chega El Dios Huracán...

cubana. Patrícia destaca que em todas as etapas do processo houve envolvimento dos profissionais cubanos e brasileiros, por isso, ela prefere classificar o curta-

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

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Seis ponto zero três

Over-the-top aberto

Menos recursos, mais acessível

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ma opção de camcorder mais em conta para cobertura de eventos, documentários e ENG foi anunciada pela JVC. A GY-HM710U ProHD é compacta, para uso no ombro, trazendo o mesmo aspecto e muitas das funcionalidades da GY-HM750U, também lançada este ano. A diferença é que não inclui a opção de conectar módulos externos com funcionalidades adicionais. Usando o mesmo sistema de captação de imagens com três CCDs que equipa o modelo mais avançado, a GY-HM710U grava 1920x1080 HD em 1080p e 1080i a 25 Mbps ou 35 Mbps. O formato nativo de gravação pode ser usado para edição em soluções como Apple Final Cut Pro ou Adobe Premiere, assim como outros sistemas de edição nãolinear. A camcorder também pode gravar SD (480i) como arquivos DV (.AVI or .MOV). A camcorder conta com montagem de lentes do tipo baioneta e é distribuída com um conjunto de lentes Canon 14:1. Nova camcorder é baseada na GY-HM750U, sem a opção de módulos adicionais.

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FOTOS: divulgação

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Grass Valley anunciou uma atualização do software de edição não-linear Edius 6. A versão (6.03), distribuída gratuitamente aos usuários registrados da sexta versão do software, traz novos formatos de arquivos de vídeo e suporte ao encoding no formato H.264 com Nova versão do Edius 6 suporta assistência do hardware, bem como mais formatos de arquivos. suporte ao hardware Edius NX, SP e HD. A versão permite importar arquivos 50p e 60p (suportados por camcorders JVC e Sony), tornando o workflow com o Edius 6 mais ágil. Nos equipamentos com processadores Intel Core de segunda geração, o editor passa a suportar o encoding de arquivos MPEG4 usando o recurso de hardware Quick Sync Video H.264 , complementando a tecnologia de aceleração AVCHD introduzida no Edius 6 versão 6.02. Com isso, os usuários poderão perceber que o encoding de vídeo para iPhone, Play Station Portable, bem como H.264/ AVC de até 1920x1080p 50/60, será mais rápido que o tempo real. O software Edius 6 foi criado para atender demandas do ambiente de produção broadcast e também da edição independente que demande agilidade.

D-Link traz plataforma Boxee ao Brasil.

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D-Link lançou no Brasil a caixinha Boxee Box. O equipamento over-the-top é baseado na plataforma aberta Boxee, que pode também ser baixada da Internet e usada em computadores PC, transformando-os em caixas dedicadas à plataforma de vídeo online. O diferencial da caixa da D-Link é que conta com hardware dedicado. Além disso, vem com mais de 180 canais pré-selecionados embarcados. A caixa conta com conteúdo de empresas locais, incluindo o portal Terra e a Saraiva e suas locadoras virtuais. Além dos canais é possível buscar conteúdo via browser. A caixa também já vem com canais para acessar o YouTube e as principais redes sociais. No lançamento, a empresa lembrou que o equipamento, nos Estados Unidos, suporta o serviço de assinatura NetFlix, sem deixar de mencionar os rumores da chegada da empresa no Brasil em setembro. Como a plataforma é aberta, o próprio usuário pode criar “canais” de conteúdo e divulgar o link para estes canais para amigos, diz o fabricante. Outro diferencial é que a caixa suporta uma ampla variedade de codecs, permitindo acessar conteúdos em diversos formatos disponíveis na rede do usuário. A caixa usa o chip Intel Atom CE4100, suporta conteúdo full HD (1080p) e é compatível com todos os recursos da Internet, incluindo suporte para Adobe Flash, gráficos em 3D, games e aplicativos diversos. A caixa conta com saídas HDMI e RCA (áudio estéreo), duas portas USB, entrada para cartão SD e também uma saída de áudio óptica. Às portas USB podem ser conectados equipamentos de interação, como um mouse ou um teclado. O equipamento chegou a algumas lojas especializadas em junho, a um preço sugerido de R$ 899,00.

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( agenda ) JULHO

11 a 17 6º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3813-8333. E-mail: audiovisual@uol.com.br. Web: www.festlatinosp.com.br

9 a 11 de agosto de 2011 O maior e mais importante evento de negócios de TV por assinatura, mídia, entretenimento e telecom da América Latina. ABTA 2011, Transamérica Expo Center, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@abta2011.com.br. Web: www.abta2011.com.br

14 a 21 4º Festival Paulínia de Cinema, Paulínia, SP. Tel.: (19) 3874-5700. E-mail: meloci@uol.com.br. Web: www.culturapaulinia.com.br 15 a 31 Anima Mundi 2011, Rio de Janeiro, RJ, e São Paulo, SP. Tel.: (21) 2543-8860. E-mail: info@animamundi.com.br. Web: www.animamundi.com.br

12 a 17 11º Curta-se, Aracaju, SE. Tel.: (79) 3302-7092. E-mail: mostras@curtase.org.br. Web: www.curtase.org.br

AGOSTO

5 a 13 39º Festival de Cinema de Gramado, Gramado, RS. Tel.: (51) 3235-1776. E-mail: festivaldegramado@lnconsultoria.com.br. Web: www.festivaldegramado.net

21 a 25 Ottawa International Animation Festival, Ottawa, Canadá. Tel.: (613) 232-6315. E-mail: info@animationfestival.ca. Web: www.animationfestival.ca

23 a 25 Broadcast & Cable, São Paulo, SP. Tel.: (21) 3974-2028. E-mail: bc@certame.com. Web: www.broadcastcable.com.br

29 a 2/10 BRAFFTv 2011 – Brazilian Film Festival of Toronto, Toronto, Canadá. Tel.: (11) 2615-7615. E-mail: brafftv@brafftv.com. Web: www.brafftv.com

25 a 2/9 22º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo – Curta Kinoforum, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3034-5538. E-mail: spshort@kinoforum.org. Web: www.kinoforum.org

26 a 3/10 44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Brasília, DF. Tel.: (61) 3325-777. E-mail: festbrasilia@sc.df.gov.br. Web: www.festbrasilia.com.br

OUTUBRO

30 a 11/9 6º Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico, São Paulo, SP. E-mail: contact@cinefantasy.com.br. Web: www.cinefantasy.com.br

1 e 2 MIPJunior, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4920. E-mail: registration.depttele@reedmidem.com. Web: www.mipworld.com/en/mipjunior

SETEMBRO

3 a 6 MIPCOM, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4920. E-mail: registration.depttele@reedmidem. com. Web: www.mipworld.com/en/mipcom

6 a 11 Andina Link 2011, San José de Costa Rica, Costa Rica. Tel.: (57 1) 2498-229. Web: www.andinalink.com

4 a 6 Maximídia 2011, São Paulo, SP. Web: www.maximidia.com.br

9 a 15 38ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia, Salvador, BA. Tel.: (71) 3014-0678. E-mail: jornadaba@yahoo.com. Web: www.jornabahia.com

4 a 9 11º Goiânia Mostra Curtas, Goiânia, Goiás. Tel.: (62) 3218-3779. Web: www.goianiamostracurtas.com.br

13 a 17 9º Curta Santos, Santos, SP. Tel.: (13) 3021-8833. E-mail: junior@curtasantos.com.br. Web: www.curtasantos.com.br

6 a 18 Festival do Rio, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 2527-2211. E-mail: films@festivaldorio.com.br. Web: www.festivaldorio.com.br 46

T e l a

V i v a

6 a 7 de outubro de 2011 O único evento de satélites da América Latina para debater os temas mais importantes do setor Congresso Latino-Americano de Satélites 2011, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br

14 a 23 13º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, Belo Horizonte, MG. Tel.: (31) 3236-7367. E-mail: festcurtasbh@gmail.com. Web: www.festcurtasbh.com.br 17 a 23 19º Gramado Cine Vídeo, Gramado, RS. Tel.: (54) 3286-6226. E-mail: gcv@gramadosite.com.br. Web: www.gramadocinevideo.com.br 21 a 3/11 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3141-0413. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org

NOVEMBRO

2 a 9 America Film Market, Santa Mônica, EUA. Tel.: (1 310) 446-1000. E-mail: AFM@ifta-online.org. Web: www.americanfilmmarket.com 5 a 13 25º Festival Internacional de Cine de Mar del Plata, Mar del Plata, Argentina. Tel.: (54 11) 4383-5115. E-mail: info@mardelplatafilmfest.com. Web: www.mardelplatafilmfest.com 10 a 17 19º Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3562-2100. E-mail: mixfest@gmail.com. Web: www.mixbrasil.org.br

DEZEMBRO

1 a 11 33º Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, Habana, Cuba. E-mail: festival@festival.icaic.cu. Web: www.habanafilmfestival.com.

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Revista Tela Viva - 216 Junho 2011  
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