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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 19_#201_jan/fev2010

atv entra no jogo

Canais investem em games relacionados à programação para cativar o público jovem e gerar novas receitas com publicidade

MERCADO Real valorizado esvazia serviços de produção internacional

RADIODIFUSÃO Pesquisa revela as necessidades técnicas das emissoras abertas


Foto: marcelo kahn

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O dilema da multiprogramação

André Mermelstein

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André Mermelstein

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Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável: Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

ma das vantagens do padrão nipo-brasileiro de TV digital terrestre é sua versatilidade. É o único que permite a transmissão simultânea, na mesma faixa de frequências, de sinais HDTV, SD (definição padrão) e 1-Seg (transmissão móvel), configuradas “ao gosto do freguês”. Ou seja, a plataforma dá ao radiodifusor a opção por transmitir um único canal HD mais transmissão móvel, ou múltiplos canais SD mais móvel. Testes recentes vêm demonstrando até a possibilidade de se transmitir canais HD, SD e móveis simultaneamente. Esta capacidade, no entanto, está sendo desprezada pela televisão brasileira, por motivos que vão do modelo de negócios à situação jurídica dos canais consignados de TV digital. Na prática, o que acontece hoje, é que a maioria das emissoras Brasil afora que já migraram para o digital estão ocupando 12 MHz do precioso espectro de frequências (6 MHz no analógico e outros 6 MHz no digital) para prestar um serviço que na melhor das hipóteses pode ser chamado de regular. Nem mesmo o sinal móvel, por força da lei, pode se diferenciar do sinal “fixo”, o que é um absurdo, visto que a recepção de ambos têm características completamente diferentes. À exceção das cabeças de rede nas principais capitais, a produção em alta definição é quase nula, tanto no conteúdo quanto na publicidade. Aliás, como mostra a pesquisa da consultoria TVConsulting que você acompanha nesta edição (à página 42), praticamente não existe produção regional, a não ser jornalismo local. Mesmo este se mantém hoje com muita dificuldade. Quando o modelo foi desenhado, perdeu-se a oportunidade de se criar a figura do operador de rede, uma figura neutra, que faria a gestão da transmissão em uma determinada localidade, prestando serviço aos radiodifusores locais mediante pagamento. Haveria hoje espaço para novos grupos entrarem na transmissão digital, novas fontes de exploração do conteúdo, espaço até mesmo para os grupos locais, hoje engessados pelos contratos de afiliação, desenvolverem seus conteúdos regionais. Hoje a multiprogramação é um mico. As grandes emissoras não se interessam, pois em tese traria apenas aumento de custos e fragmentação da audiência (que, de resto, já está se fragmentando de qualquer maneira). Novos grupos não têm acesso aos canais, que estão nas mãos dos concessionários atuais. E não há nem mesmo uma previsão legal para isso, pois mais canais, pela regra atual, configurariam novas concessões. Cabe ao governo, especialmente ao Minicom e à Anatel, guardiã do espectro radioelétrico, pensar em soluções para que este recurso valioso não seja desperdiçado. Por que não voltar a se pensar na figura do operador de rede para as emissoras comerciais, a exemplo do que está sendo feito com a EBC? Não é simples e requer uma revisão da regulamentação, mas representaria uma inovação importante para dinamizar e dar opções ao mercado, em vez de simplesmente espelhar, no mundo digital, a mesma lógica da TV analógica. Afinal, o negócio da televisão aberta não é operar rede. É cuidar da programação e vender publicidade.

capa: editoria de arte/converge

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Ano19 _201_ jan/fev/10

(índice ) Games na TV

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Figuras

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Política

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 Jogos baseados em programação fortalecem a TV e aumentam possibilidades comerciais dos canais

Desafio pós-Confecom é transformar as diretrizes para a comunicação social em regulamentação

Audiência

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Entrevista

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Roma Khanna, da Universal Networks International, fala sobre crise, audiência e pirataria de conteúdo

( cartas)

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Mercado

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Valorização do real e crise financeira afastam produções estrangeiras do Brasil

Comemoração Parabéns pelas 200 edições de TELA VIVA! A revista continua sendo um importante veículo de comunicação com o mercado e um link para as novidades do mundo da produção e da transmissão audiovisual. Carlos Bitencourt, Vila Velha, ES

Novas mídias

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Alberto Magno, da M1nd, fala da evolução dos serviços de vídeo no celular

Evolução Acompanho a TELA VIVA há bastante tempo, acredito que desde as primeiras edições. A tecnologia digital realmente causou uma revolução na indústria. Espero que a evolução não pare por aqui! Maria do Carmo Sousa, Rio de Janeiro, RJ

Making of

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Case

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Com recursos nacionais e regionais, produtoras gaúchas produzem longa-metragem de animação

Radiodifusão

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Pesquisa aponta perfil da TV regional brasileira Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

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Upgrade

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Agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 4

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( scanner ) FOTO: Manuel Mendonza/Divulgação

Planos

“Reus”, coprodução da Panda Filmes com o Uruguai.

Entre hermanos A distribuidora e produtora gaúcha Panda Filmes está trabalhando paralelamente em várias coproduções com países da América Latina. Estão em andamento os longas-metragens “Reus” (Uruguai), “A Despedida” (Uruguai e México), “Insônia” (Argentina), a animação “Contos da Selva” (Argentina) e “Uma Hora Menos nas Canárias”, em negociação com a Venezuela. Segundo o produtor e diretor da Panda Filmes, Beto Rodrigues, além de os filmes estarem de acordo com o perfil da produtora, a coprodução entre estes países apresenta uma série de vantagens. “Podemos compartilhar os riscos e multiplicar as possibilidades, ter acesso a outros mecanismos de financiamento que não só o brasileiro e acesso a recursos do Programa Ibermedia. A coprodução confere também mais de uma nacionalidade ao filme, é mais um território onde o filme pode ser explorado, abrindo as portas dos países hispânicos”, explica Rodrigues. “A Velha dos Fundos”, filme coproduzido com a Argentina no ano passado, entra no circuito dos festivais este ano, antes da estreia comercial. A produtora trabalha também em uma produção integralmente brasileira: o longa-metragem de época “A Casa Elétrica”.

Desfeita a sociedade com a Viacom na MTV Brasil, o Grupo Abril começa a traçar seus planos para explorar com exclusividade a marca no Brasil. O objetivo é chegar a diversos nichos do público jovem, fortalecendo a marcar junto às classes B e C. A nova programação da emissora, que será lançada em março, deve marcar o início da busca por este público. Além disso, até o fim do ano, deve passar a ser 100% em alta definição. Também está prevista maior sinergia com outros produtos da Abril. Com a revista Capricho, por exemplo, a MTV lança em breve o Colírio MTV/ Capricho. Trata-se de concurso no qual a audiência escolhe o “garoto colírio”, que virará apresentador do canal e aparecerá também na revista. A Abril negocia ainda o lançamento da Rádio MTV, em FM. Ainda não está definido em que modelo. O grupo pode licenciar a marca, exigindo algum controle editorial para garantir que a rádio esteja de acordo com o públicoalvo. A alternativa é lançar uma rádio em parceria com uma empresa que tenha a frequência. A outra mídia tradicional que a MTV espera explorar é o jornal. Um periódico gratuito com a marca MTV deve ser lançado em breve. O conteúdo para web e mobile também deve ser fortalecido nesta nova fase.

Pontualidade inglesa projetos para marcas como Cadbury Adams, Nokia, Orange e Disney, na Inglaterra, e MixTV e Brands Club, no Brasil. A empresa já tem previsão de faturamento de R$ 1,8 milhão, sendo que a expectativa é atingir R$ 5 milhões em dois anos. Os produtores preveem crescimento da demanda dos canais abertos e pagos pelo trabalho de produtoras independentes e também um aumento nas produções de vídeos para Internet. Eles esperam especialmente neste ano um aumento da produção de conteúdo relacionado à Copa do Mundo da África do Sul e uma forte demanda durante os Jogos Olímpicos de Londres, já que a Flint tem estúdios próprios na capital inglesa.

FOTO: Divulgação

André Vaisman (ex-Play TV), Leonardo Eid (ex-Play TV), André Sobral (sócio fundador Sobral Marketing Direto) e o produtor associado Zico Goes (ex-MTV) inauguram a Flint Brasil, unidade da inglesa Flint, produtora de conteúdo para televisão, Internet e telefone celular. A produtora inicia suas atividades no País oferecendo serviços de produção e criação de conteúdo para canais de TV, branded content e webcasting, tanto on-demand quanto ao vivo. A produtora conta com uma unidade móvel específica para transmissão em tempo real via Internet. Até o fim deste ano a empresa finaliza os investimentos em seu estúdio próprio na cidade de São Paulo. No momento de seu lançamento no mercado brasileiro, a Flint desenvolve

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André Sobral, Zico Góes, André Vaisman e Leonardo Eid, sócios da Flint Brasil.

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FOTOS: Divulgação

Janela encolhida As novas plataformas de distribuição de conteúdos (e a pirataria) estão provocando alterações no modelo tradicionais de exploração de filmes. As janelas de exibição entre as diferentes mídias estão encurtando, quando não desaparecendo. Um exemplo foi o lançamento simultâneo, em meados de janeiro, do filme “Se Beber, Não Case”, em DVD, Blu-Ray, pay-per-view e video-on-demand (pela Sky). Será o primeiro caso de eliminação de janelas “Se Beber, Não Case”, da Warner, foi lançado em entre o DVD e o PPV DVD e pay-per-view ao na América do Sul. No mesmo tempo México isto já é feito regularmente, bem como nos EUA. Segundo o diretor de distribuição digital da Warner para a América Latina, Carlos Sanchez, esta é uma tendência forte nos mercados da região. “No México, 90% dos nossos lançamentos em PPV com a (operadora) Cablevision são feitos assim”, conta. Ele diz que experiências feitas nos EUA mostraram que o lançamento simultâneo aumenta as vendas tanto do PPV (ou VOD) quanto do DVD, pelo “barulho” criado em torno do título. “Nós fechamos as janelas, mas fazemos uma promoção muito grande, enfatizando a conveniência para o usuário, as opções que ele tem. Isso acaba convertendo em mais vendas”, diz Sanchez. Em 2010, conta, praticamente todos os lançamentos da Warner nas Américas seguirão esta política.

Audiência na rede Se em 2008 o principal marco para o Terra TV foi a cobertura e transmissão de eventos das Olimpíadas de Pequim, em 2009, sem nenhum evento de grande porte no calendário, um dos destaques para o bom desempenho da área de conteúdo audiovisual do portal ficou com a introdução do modelo de catch up (disponibilização dos episódios das séries na Internet logo após a exibição na televisão) para as séries da TV paga. “Foi um marco importante no sentido de perceber o comportamento da audiência”, avalia Pedro Rolla, diretor de mídia do Terra para a América Latina. “Algumas das séries tiveram mais de 100% de aumento na audiência. É um modelo atraente para o usuário e para o anunciante”. O Terra TV encerrou o ano de 2009 com 9 milhões de usuários únicos, um aumento de 40% em relação a 2008. Foram 52 milhões de vídeos assistidos, 63% a mais do que no ano anterior. O tempo de permanência também cresceu 31% no último ano. “Isso mostra que a oferta de conteúdo de longa duração também atrai usuários. É importante para a rentabilização através da

publicidade. É mais gente assistindo vídeo e mais engajamento das pessoas dentro da oferta de vídeos”, observa o executivo, que atribui o resultado a um conjunto de fatores que incluem, além do modelo catch up, novas features, aprimoramento constante da plataforma mobile e da integração das redes sociais e aumento da oferta de conteúdo. De acordo com o diretor de mídia do portal, as expectativas são de crescimentos maiores para 2010, com base nos pilares entretenimento, notícia e esportes. Além de novos filmes, documentários e videoclipes, a área de entretenimento contará com as estreias da sexta e última temporada de “Lost”, de “Flash Foward” e séries da Fox como “Prision Break” e “Family Guy”, programadora com a qual o portal fechou acordo no ano passado. “Além disso, temos algumas grandes transmissões e coberturas como os Jogos Olímpicos de Vancouver, o Carnaval, a Copa do Mundo e as eleições, fora os acontecimentos imprevistos, que também movimentam a audiência”, diz Rolla. A quinta temporada de “Lost” foi uma das séries exibidas pelo Terra no modelo catch up.

Fim da linha O canal Bloomberg distribuído no Brasil não terá mais programação nacional, como telejornais com apresentadores brasileiros e programas de entrevista. Por uma questão de custos, o canal transmitido para o Brasil será o mesmo que é visto internacionalmente. Entrevistas e matérias sobre o Brasil serão exibidas dentro da cobertura internacional do canal, quando houver fatos importantes no país. A única coisa que será mantida no feed brasileiro será a barra de informações de mercado (“ticker”), que ainda será personalizada para o País, com dados da Bovespa, cotações etc. 8

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A Rede Telecine lançou no fim de janeiro seu segundo canal em alta definição, o Telecine Pipoca HD. O canal, que estará inicialmente nos pacotes HD da Net e da Sky, tem filmes em versão dublada em português. Na estreia, o Telecine Pipoca HD exibiu o blockbuster nacional “Se Eu Fosse Você 2”. Para fevereiro, estão programados títulos como “007 – Quantum of Solace”, “Divã”, “Operação Valquíria”, “O Leitor”, “Crepúsculo”, “Mamma Mia!” e “A Múmia: Tumba do Imperador Dragão”.

FOTO: Fabrício Mota

Filme em alta

O novo apresentador Gabriel Moojen grava na Quinta da Boa Vista com praticantes de mountainboard.

Impacto exterior “Se Eu Fosse Você 2”, blockbuster nacional na estreia do Telecine Pipoca HD.

O “Zona de Impacto”, do SporTV, estreou uma nova versão no dia 16 de fevereiro, às 14h. O programa de esportes radicais e incomuns, antes produzido em estúdio, passa a ser gravado totalmente em externas, no Brasil e no exterior. Gabriel Moojen estreia no comando da atração ao lado de Mariana Cartier e Roberta Garcia. A atração também ganha uma rádio online, com músicas que tenham relação com a programação.


( scanner) FOTOS: Divulgação

Alongamento

Desenvolvida inicialmente como curta-metragem para a conclusão de curso, a animação “Uma Noite na Biblioteca” ganha sua versão em longa-metragem.

“Uma Noite na Biblioteca”, curta-metragem de animação criado em 2002 por um grupo de alunos do curso de imagem e som da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo, está ganhando uma versão em longa-metragem. Terminado o curso, quatro ex-alunos fundaram em São Carlos a Rocambole Produções, com foco em animação. Oito anos e vários curtas-metragens depois, o projeto de faculdade ganha uma versão em longa-metragem. O roteiro, de Diego Doimo e Eduardo Perdido, foi selecionado para o 9º Laboratório SESC Rio de Roteiros para Cinema em 2007. O projeto, aprovado pela Ancine para captação de recursos via Lei do Audiovisual (através dos artigos 1º e 1º A), venceu o edital Prêmio da Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo para o Desenvolvimento de Obra Cinematográfica, em 2006, e foi contemplado no Programa de Fomento ao Cinema Paulista em 2008, recebendo o patrocínio da Sabesp. Segundo a sócia da Rocambole e produtora executiva do filme, Ana Luiza Pereira, o orçamento, estimado em R$ 3 milhões, está com 30% captado. “Estamos indo atrás de distribuição para facilitar a captação e começar o filme ainda este ano”, afirma. Ana Luiza destaca que a produtora estuda a possibilidade de fazer cópias em 3D da animação infantil. “Estamos fazendo parcerias com grupos de estudo da UFscar e da USP para trabalhar com esta tecnologia”.

Conectividade A oferta de broadband TVs, bem como de equipamentos externos capazes de levar o conteúdo da web aos televisores, é uma forte tendência para 2010. Depois de lançar no Brasil o Blu-Ray BD60, em maio de 2009, com a função Viera Cast, que permite acesso aos canais da Internet, a Panasonic planeja lançar este ano novos aparelhos com conectividade online, como TVs, home theaters e BluRay theaters, como afirma Daniel Kawano, analista de produto da Panasonic do Brasil. O Viera Cast foi desenvolvido pela Panasonic e lançado nos Estados Unidos e na Europa há dois anos. O Blu-Ray lançado no Brasil com a função permite acesso ao You Tube e Picasa. “Já estamos em busca de novos parceiros. Percebemos que as pessoas estão procurando cada vez mais este tipo de solução. 10

Como o acesso à Internet no Brasil é muito forte, produtos como TVs e aparelhos de Blu-Ray com este tipo de acesso irão atrair cada vez mais os consumidores e crescer rapidamente aqui”, explica Kawano. Aparelhos com conexão à Internet foram destaque na Consumer Eletronics Show - CES 2010, que aconteceu no início de janeiro em Las Vegas (EUA), e devem ser aposta de outras fabricantes também para este ano. Em coletiva de imprensa realizada durante o evento, Woo Paik, chief technology officer da LG Eletronics, afirmou que a maioria das TVs que a empresa colocará no mercado este ano será wireless-ready, com conectividade online e opções de

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entretenimento com função DivX, que possibilitará a reprodução de uma grande variedade de conteúdo multimídia via rede banda larga. Outra fabricante que também investiu em conectividade no ano passado foi a Samsung, que desenvolveu o recurso Internet@TV, que permite que o usuário tenha em seu equipamento notícias e informações de previsão do tempo atualizadas, fornecidas pelo Portal Terra. Blu-Ray BD60, da Panasonic, permite acesso ao YouTube e Picasa. Fabricante deve lançar novos aparelhos com conexão este ano.

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TV animada

Quatro décadas

Dezessete pilotos de séries de animação foram exibidos em janeiro na TV Brasil e na TV Cultura. As produções, frutos do programa Anima TV, de estímulo à produção de animação para a televisão, estão sendo apresentadas em mercados internacionais, em busca de parceiros que ajudem a viabilizar as séries. Em fevereiro, os produtores dos pilotos participaram do KidScreen Summit, em Nova York. Uma segunda etapa do programa escolherá por meio de pesquisas dois pilotos para produção de série completa. O Anima TV está voltado a produções que visem ao público infantil, no entanto, animações dirigidas à audiência mais jovem devem ser contempladas por outro programa de estímulo à animação. Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine, anunciou que a agência está desenvolvendo um Programa “A Princesa do Coração Gelado”, um dos pilotos de série Especial de Fomento (PEF) desenvolvido pelo programa Anima TV. voltado para a animação em parceria com a MTV. O mecanismo permite que a Ancine forme parcerias para viabilizar editais com uso do Artigo 1ºA da Lei do Audiovisual. Neste caso, a emissora parceira poderá captar recursos através do mecanismo de incentivo fiscal, que serão usados para financiar os projetos de produtores independentes.

A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo lançou o livro “Avenida Paulista, 900: a História da TV Gazeta”. Escrita pelo historiador Elmo Francfort, também autor de “Rede Manchete - Aconteceu Virou História”, a obra de 450 páginas é uma homenagem aos 40 anos da emissora, fazendo um apanhado também da evolução da televisão brasileira, como recursos tecnológicos e novidades de programação. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo lança livro em homenagem aos 40 anos da TV Gazeta


Recursos O Itaú Unibanco e a Fundação Roberto Marinho firmaram uma parceria que deve beneficiar o canal Futura. O banco lançou o Fundo Social Itaú Personnalité Futura DI, que destinará 30% do valor arrecadado com a taxa de administração ao canal. A aplicação inicial do fundo é de R$ 20 mil e a taxa de administração é de 1,75% ao ano. Segundo Demosthenes Madureira, diretor da Itaú Unibanco Asset Management, a estimativa é que, no prazo de um ano, o fundo repasse ao canal um valor entre R$ 200 e R$ 300 mil. Segundo Lúcia Araújo, do canal Futura, os recursos serão usados para expandir o acesso ao conteúdo educativo do Futura, não necessariamente na produção de programas para a TV. Os recursos que reforçam o orçamento do canal podem ser destinados a projetos de mobilização comunitária e produção de material para educadores, por exemplo. Lúcia conta que o canal e a Fundação Itaú Social estudaram por um ano e meio o modelo da parceria. O Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade da Universidade de São Paulo foi contratado para uma avaliação do valor social do Futura. Uma pesquisa foi realizada para mensurar o valor que as pessoas estão dispostas a pagar para apoiar o canal e suas ações sociais.

FOTO: Christina Ruffato

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Lúcia Araújo, do Futura, e Demosthenes Madureira, do Itaú Unibanco, na apresentação do fundo que destinará 30% do valor arrecadado com taxa de administração ao canal.

O resultado mostra que 58% dos telespectadores do Futura declararam um valor de contribuição. Cada real investido pelos apoiadores vale R$ 16, na opinião de seus telespectadores. O cálculo do valor estimado do canal é de R$ 500 milhões por ano.

Sala de cinema

A décima edição do “Big Brother Brasil”, que estreou na Globo em janeiro, trouxe ações diferenciadas, como realidade aumentada no site e semana extra de pay-per-view. Na Internet, o site do reality show (www.bbb.globo.com) tem imagens 3D dos participantes e dos cômodos da casa, que podem ser acessadas a partir do download de aplicações no próprio site. Para ver as imagens, é preciso ter uma webcam. Este ano, os participantes também podem enviar mensagens de até 140 caracteres durante o dia por um microblog desenvolvido pela Globo. A possibilidade de enviar essas mensagens será disputada durante o programa. No pay-perview da Globosat, o “BBB” terá uma semana a mais de duração. No período extra, serão exibidos os melhores momentos da décima edição do programa.

A Ancine divulgou um balanço do mercado cinematográfico em 2009. O estudo aponta crescimento significativo no mercado de exibição, principalmente para filmes nacionais. O público total de salas de cinema em 2009 cresceu 25,26%, chegando a 112,68 milhões de pagantes, contra 89,96 milhões em 2008. O público de filmes nacionais apresentou crescimento ainda maior, 76,01%, chegando a 16,09 milhões de ingressos vendidos, contra 9,14 milhões no ano anterior. Com isso, a participação do cinema brasileiro no mercado de salas apresentou um crescimento de pouco mais de quatro pontos percentuais, chegando a 14,28 %, contra 10,16% em 2008. O crescimento da renda do cinema brasileiro nas salas também foi expressivo: 87,82%, chegando a R$ 131,93 milhões. Com este valor, os filmes nacionais foram responsáveis por 13,60% da renda total do mercado de salas, que foi de R$ 969,78 milhões. O estudo aponta ainda as maiores bilheterias do ano. Entre os filmes brasileiros, “Se Eu Fosse Você 2” foi o exibido para o maior número de pessoas, com público de 5,7 milhões de pessoas no ano (o público total do filme foi 6,11 milhões de pessoas, incluindo o público das pré-estreias realizadas em dezembro de 2008). Na bilheteria, o filme arrecadou R$ 50,54 milhões. Os três maiores filmes nacionais - “Se Eu Fosse Você 2”, “A Mulher Invisível” e “Os Normais 2” – foram responsáveis por 64,27% do público e 66,02% da bilheteria dos filmes brasileiros em 2009. Entre os estrangeiros, “A Era do Gelo 3” teve o maior público, vendendo 9,27 milhões de ingressos e arrecadando R$ 81,11 milhões.

FOTO: Divulgação

Reality 2.0

Globo estreou 10ª edição do reality com novidades na Internet e semana extra de pay-per-view.

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A Record anunciou algumas novidades para a programação 2010. Uma grande aposta da emissora é a transmissão e cobertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, evento que acontece em fevereiro em Vancouver, Canadá. A Record mobilizou uma equipe de 80 profissionais e construiu um estúdio de 260 m² na cidade canadense para acompanhar de perto a competição. A iniciativa faz parte do ciclo olímpico da emissora, que começa em Vancouver, passa pelas Olimpíadas de Londres (2012), para as quais tem direitos exclusivos para a TV aberta, e termina nas Olimpíadas do Rio de Janeiro (2016). Outras novidades também chegam no primeiro semestre. As séries ganharam novo espaço na programação: segundas-feiras, às 21h. A estreia foi com “CSI Las Vegas”. Com o

fim da novela “Poder Paralelo”, em março, a faixa das 23h será preenchida com atrações semanais como “Aprendiz Universitário”, “Tela Máxima” (filmes), “Os Legendários” (novo programa de Marcos Mion) e a minissérie “A História de Ester”. Produzida pela própria emissora, a trama, centrada na história bíblica de amor entre uma mulher judia e o rei da Pérsia, foi escrita por Vivian de Oliveira e dirigida por João Camargo. Em abril, estreia “Ribeirão do Tempo”, de Marcílio Moraes, substituindo “Bela, A Feia”. A emissora ainda deve produzir “Cuidado con el Angel”, a segunda novela resultante da parceria firmada com a Televisa no ano passado, cuja estreia está prevista ainda para o primeiro semestre, em um novo horário para teledramaturgia, às 19h.

FOTO: Munir Chatack/Record

Tá quente, tá frio

“A História de Ester”, minissérie produzida pela Record, será uma das estreias da emissora.


Comitê artístico

O argentino Pablo Szneiberg assume a recém-criada vice-presidência de desenvolvimento de conteúdo original na MTV Networks Latin America. O profissional será responsável por supervisionar o conteúdo original e coproduções de programação e de produções da empresa, além de lançar plataformas digitais. Szneiberg está na MTVNLA desde 2001. Antes de assumir o novo cargo, desempenhava a função de diretor de desenvolvimento para o Nickelodeon América Latina. Agora, Szneiberg expande suas responsabilidades atuais, incluindo em suas atividades os canais MTV e Vh1. Outra movimentação no grupo é a contratação de Carole Bardasano como nova diretora sênior de programação e aquisição para a MTV e Vh1 América Latina. Carole irá desenvolver e implementar estratégias de programação para MTV e Vh1 na região e também cuidará da identificação e aquisição de conteúdo. Além disso, a executiva passa a supervisionar as estratégias de programação local da MTV e Vh1 na Argentina, Brasil, Colômbia e México, para certificar a maximização dos planos de programação e assegurar que os recursos estão sendo aproveitados em toda a região. A profissional tem dez anos de experiência no setor com passagens pela Freemantle Media, Warner Channel Television e Telemundo Studios.

Mafran Dutra está à frente do comitê artístico de programação e produção da Record. O profissional já desempenhou outras funções na emissora, como assessor da vicepresidência artística de programação, diretor de produção e vice-presidente executivo. O comitê liderado por Mafran Dutra Dutra é formado pelos diretores de programas José Amâncio, Rita Fonseca, Carlos Cesar Filho e Homero Salles, além do diretor programação, Marcelo Caetano, do diretor de criação, Detto Costa e do diretor de produção, Fábio Nascimento.

Fotos: divulgação

Programação, aquisição e conteúdo original

Ibope Cris Rother é a nova diretora executiva das operações do Ibope Nielsen Online no Brasil. A executiva irá se reportar a Fábia Juliasz, CEO do Ibope Nielsen Online e diretora executiva de negócios do Ibope Media para a América Latina. Cris tem passagem pela Wunderman, Lov, Globo.com e OgilvyInteractive. A profissional é diretora de métricas do Interactive Adverstising Bureau (IAB) desde 2003.

Conteúdo A produtora de áudio Comando S criou um departamento de conteúdo, que será responsável pela criação e produção de projetos para TV, curtas, longas e seriados. Thaís Possatti, que tem passagens pela O2 Filmes, Mixer e R Digital, assume o novo departamento. Táta Machado (ex-Angels e DrDD) fica Táta Machado e na coordenação geral.

Vice-presidente A Discovery Networks Latin America/U.S. Hispanic promoveu Michael Bremer a vicepresidente sênior, diretor financeiro (CFO) e diretor de operações (COO) da empresa na América Latina. Desde 2007, Bremer tem sido responsável pela supervisão de todas as atividades da empresa relacionadas com as áreas de contabilidade, planejamento financeiro, orçamento e assuntos fiscais. Michael Bremer Como COO, Bremer assume a gestão diária dos departamentos de pesquisa, administração e estratégia na América Latina. O executivo fica baseado em Miami e continua a se reportar a Enrique R. Martínez, vice-presidente executivo e diretor-geral da Discovery Networks Latin America/US Hispanic.

Thaís Possatti

Conteúdo Foto: marcelo KAHN

Direção geral

Anatel

José Wilson Fonseca deixou a direção geral da MTV Brasil para gerenciar a própria empresa, a Hormônio. Um dos clientes será o próprio canal, para o qual Fonseca seguirá prestando consultoria estratégica nas áreas de marketing, online e mobile. O profissional trabalhou na MTV Brasil por 18 anos, praticamente desde a criação da emissora no País. Nesse tempo, passou pelas áreas de distribuição, publicidade e novos negócios. Foi diretor de marketing por seis anos e assumiu a direção geral há quase três anos. 14

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Gil Ribeiro, diretor-geral da Mixer, assume também o núcleo de conteúdo da produtora, cujo foco é a produção de projetos para a TV. Carla Affonso, que ocupava a função, passa a prestar consultoria para projetos específicos.

Jarbas José Valente foi nomeado para o conselho diretor da Anatel. Valente, que terá um mandato de cinco anos, ocupará a vaga deixada em novembro do ano passado por Plínio de Aguiar Júnior. Antes de ocupar o conselho diretor da Anatel, Valente foi superintendente de serviços privados da autarquia. Jarbas José Valente •

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Foto: ANTONIO CHAHESTIAN

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Atendimento

Diretor comercial

Luiza Maggessi é a nova atendimento da Zeppelin Filmes. Com 6 anos de experiência no mercado, trabalhou no departamento de RTV da Giovanni+Draftfcb do Rio de Janeiro, da DM9DDB e da Quê Comunicação. No Luiza último ano, atuou como atendimento Maggessi na Dínamo Filmes. Na Zeppelin, Luiza integrará a equipe de atendimento ao lado de Marcos Fagundes,Thiago Balma e Alessandra Luciano. A Zeppelin anunciou recentemente mudanças no seu quadro de direção. Com a saída de Carlos Manga Jr, que passa a integrar o time da Paranoid BR, a produtora concentrará sua atuação com os diretores Rodrigo Pesavento, Lô Politi, Marcello Lima, Robério Braga e Rogério Souza.

A Hughes, que atua no mercado de soluções corporativas via satélite, acaba de contratar Luiz Carlos Rosas Pinho como novo diretor comercial. Sua missão será alavancar os negócios da Hughes nos mercados do Rio de Janeiro e Brasília. Pinho atuou no departamento de comunicações internacionais da Embratel, foi vice-presidente de engenharia e operações da Vicom, hoje BT Latam, e diretor de grandes projetos da Comsat International, na qual foi responsável pela implementação e gestão do programa Gesac, de inclusão digital, promovido pelo Ministério das Comunicações. Mais tarde, quando a Comsat foi adquirida pela BT Latam, assumiu o cargo de diretor de gestão de negócios com o Governo.

Retorno

Consultoria

Depois de dois anos na McCann Miami, Rodrigo Perri retorna à agência brasileira para assumir a vicepresidência de contas da GM e HP. Perri era responsável pelo desenvolvimento de campanhas globais da Sony Ericsson e também pela adaptação destas campanhas para o mercado latino-americano.

Doze anos após sua saída da TV Cultura, em 1997, Beth Carmona volta à emissora paulista, como consultora da área de programação infantil, através de sua empresa, a Singular Arquitetura de Mídia. Além da TV Cultura, Beth tem passagens pela Discovery, Disney e TVE, que presidiu até a transformação da emissora na TV Brasil. Trabalhando com o diretor de programação e produção Marcelo Amiky, ela está ajudando na formatação da grade, análise e revisão de projetos e na formação das equipes do canal.

Planejamento A jornalista Ana Erthal chega à produtora de conteúdo Vogg Branded Content como diretora de planejamento. Ana é especializada em comunicação por conteúdo. Mestre pela UERJ na linha de novas tecnologias um dos trabalhos de destaque da profissional é a estruturação do conteúdo do portal da Oi.

Jornalismo O jornalista paulistano Dácio Nitrini é o novo diretor de jornalismo da TV Gazeta de São Paulo. O profissional tem passagens por veículos como o Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, SBT, Record e TV JB.

Nova estrutura

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um ano na RBS, como diretor geral para mercado nacional, responsável pela área comercial e de marketing do grupo nas operações de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal. Santos representa comercialmente o Canal Rural, TVCOM, oito jornais diários, 25 emissoras de rádios, portais de Internet, mobile, oportunidades voltadas para o segmento jovem e para o agronegócio e eventos. A equipe de Santos é composta pelos diretores comerciais Eduardo Salvador (ex-Globosat), Enrico Gianelli (ex-Estadão), Wlamir Lino (ex-Time for Fun), Eduardo Fleury (fundador do !ObaOba) e Nilson Moysés. A diretoria conta ainda com os gerentes regionais Ana Palmer (Rio de Janeiro), Antenor Neto (Paraná) e Magno Trindade (Distrito Federal). Outra novidade na equipe é a chegada de Alexandre Miraldo (ex-Grupo Abril), que assume a diretoria de planejamento e marketing. Claudio Santos e Eduardo Aspesi

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Foto: marcelo Kahn

Foto: marcelo Kahn

O Grupo RBS tem nova diretoria. O principal movimento é a ascensão de Eduardo Sirotsky Melzer à vice-presidência executiva, sucedendo Pedro Pullen Parente, que passa a atuar como conselheiro da empresa. Outra mudança é a criação de três vice-presidências regionais, para os mercados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e nacional. Geraldo Corrêa assume Eduardo Sirotsky a vice-presidência do Rio Grande do Sul; Melzer Eduardo Smith, a de Santa Catarina, e Eduardo Aspesi (ex-Net Serviços), a nacional. Também farão parte da diretoria executiva uma diretoria exclusiva para o desenvolvimento estratégico da empresa, a cargo de Marcos Barboza, e uma diretoria financeira, que terá à frente Marcelo Moraes. Antonio Tigre e Paulo Tonet Camargo assumem, respectivamente, a vice-presidência de gestão de pessoas e a vice-presidência institucional e jurídica. A nova estrutura comercial que atenderá ao mercado nacional, sob a liderança de Eduardo Aspesi tem Claudio Santos, já há

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( capa )

Ana Carolina Barbosa

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Game on Jogos eletrônicos inspirados na programação fortalecem o meio TV, cativam a audiência e geram novas oportunidades comerciais para os canais.

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a batalha por manter e aumentar os índices de audiência, conquistando a atenção do público, cada vez mais dispersa e voltada para os novos meios, os canais de televisão conseguiram fazer de um possível inimigo um poderoso aliado. Os jogos eletrônicos baseados na programação televisiva vêm sendo cada vez mais requisitados. “O jogo proporciona ao público a possibilidade de ficar mais na série”, destaca Luiz Gustavo Pinto, gerente de novos negócios para web da Sony para América Latina. No final do ano passado, o canal AXN lançou um concurso cultural sobre a série policial “CSI” e a programadora solicitou à ComuniClick, produtora paulistana de conteúdo para web e dispositivos móveis com foco em games, o desenvolvimento de um jogo eletrônico. O game ficou disponível na Internet para o Brasil e América Latina. Com base em um cenário virtual, o jogo dava ao usuário elementos para a investigação de um crime, como luvas, pó para colher digitais e luz negra. Após navegar neste ambiente, o internauta era convidado a gravar um vídeo, levantando uma teoria sobre o assassinato. Os autores das melhores teorias ganharam viagens a Miami, Nova Iorque e Las Vegas e câmeras fotográficas. A escolha foi dos próprios participantes. Pinto observa que, com o

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passar dos anos, houve uma mudança no perfil destas iniciativas. “Antes, os games eram mais focados na ação do usuário. Agora o foco é a interação”, diz. A programadora já usou a web para promover outras atrações. Na quinta temporada de “Lost”, os telespectadores eram levados ao site do AXN para gravar suas teorias sobre os mistérios da ilha. O reality “Brazil’s Next Top Model”, do canal Sony,

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também ganhou uma ação na Internet. Na terceira temporada, foram disponibilizados aplicativos para que o usuário criasse uma camiseta; na segunda edição, o internauta poderia criar todo o visual de uma modelo. “Para a gente, o retorno é interessante. Nosso core business é a TV por assinatura. A Internet é complemento. A gente consegue

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tido boas experiências com os games baseados nos campeonatos de futebol, os fantasy games. A premissa desses jogos é que o internauta assuma o papel de técnico virtual e escale um time, contando com todos os jogadores que disputam o campeonato. A pontuação dos usuários é obtida de acordo com a performance dos jogadores nas partidas reais. O SporTV lançou em 2005 o Cartola FC sobre o Campeonato Brasileiro, desenvolvido em parceria com a Globo.com. O número de usuários registrados no jogo vem crescendo ano a ano.

FOTO: arquivo

“Com o Cartola, a pessoa tem um engajamento com o esporte e com o canal bem maior. Ela precisa saber de tudo o que está acontecendo em todos os times, não apenas no seu. Ela acaba consumindo mais mídia do segmento esportivo como um todo.” Gustavo Freudenfeld, da SporTV

pegar todos os fãs e trazer para o site do canal”, explica o gerente de novos negócios, contando que no período de promoções culturais o site do canal registra aumento de tráfego de 15% a 20%. Os jogos oferecem algumas vantagens. Com a ação envolvendo o game de “CSI”, foram 30 mil vídeos vistos no Brasil e na América Latina. “São dois caminhos: o primeiro é o tráfego, retorno. O segundo é o aumento da possibilidade de entrega de mídia para o anunciante”, afirma. A Sony não trabalhou com anunciantes no game de “CSI”, mas pretende fazê-lo em outras oportunidades. Segundo Pinto, a programadora tem novos projetos envolvendo games e um deles deve ser lançado entre março e abril após a estreia da sexta e última temporada da série “Lost” no AXN. A ideia é desenvolver um jogo no modelo ARG (Alternative Reality Game), em que o participante é colocado em uma realidade alternativa ao universo da série e desenvolve tarefas inspiradas na trama para ser, por exemplo, um integrante da próxima equipe do Projeto Dharma, ou desvendar os mistérios dos números ou das conexões entre personagens. TV paga Os canais pagos já descobriram há algum tempo esta ferramenta de combate. A Fox, por exemplo, utiliza games baseados nas atrações dos seus canais desde 2007. “É uma forma efetiva de criar envolvimento com nossas marcas e nossos produtos. Gera tráfego para os nossos sites e

recall para as nossas séries”, explica Marcelo Gomes, diretor de marketing da programadora, lembrando que mais do que oportunidades comerciais, a grande contribuição dos games é gerar o engajamento entre consumidores, marcas e produtos. Programas como “9 MM: São Paulo”, “24 Horas”, “The Cell” e “Os Simpsons” têm jogos no site do canal Fox. “As séries de ação e as séries animadas são os grandes drives de conteúdo para games. O conteúdo

A Record Entretenimento apostou no celular e desenvolveu um jogo baseado na novela “Os Mutantes” para o público infantil e pré-adolescente.

Em 2007, eram 475 mil. No ano seguinte, o número chegou 822 mil e, em 2009, atingiu um público de 1,764 milhão internautas, um aumento de quase 100%. “Com o Cartola, a pessoa tem um engajamento com o esporte e Fantasia e realidade com o canal bem maior. Ela Os canais de esporte também têm precisa saber de tudo o que está acontecendo em todos os times, não apenas no seu. Ela acaba consumindo mais mídia do segmento esportivo como um todo”, explica Gustavo Freudenfeld, gestor da área de novas mídias do SporTV. De acordo com Freudenfeld, em 2009, o canal abriu oportunidades comerciais no game pela primeira vez. “O mercado já demonstrou interesse. A partir de 2010, a parte comercial será grande”, Os canais de esporte têm tido boas experiência com os fantasy conta o executivo. Além dos games. Desde 2005, o SporTV tem o Cartola FC para o displays no site, a equipe Campeonato Brasileiro. No ano passado, a ESPN lançou no Brasil um jogo sobre a UEFA Champions League (imagem). comercial do canal estuda

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dessas séries tem alta afinidade com o público jovem, que representa a maior fatia de usuários dos nossos games”, destaca Gomes. Ele conta que muitos dos lançamentos que a programadora planeja para 2010 virão acompanhados de games.

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( capa) novas propostas de parceria. Com o êxito do Cartola, o canal tem buscado novas maneiras de buscar a participação da audiência pela Internet. Neste ano, o canal lançou o bolão virtual Chute Certo SporTV, em que o usuário pode fazer suas apostas sobre os campeonatos carioca, paulista, mineiro, gaúcho, paranaense e catarinense, além da Copa do Brasil, Taça Libertadores e as séries A e B do Brasileirão. O aplicativo está disponível no site do canal. A ferramenta permite a criação de ligas entre amigos. Entre os prêmios, uma TV de LED 55” Full HD e um Blu-Ray Player, que contemplarão o jogador com mais pontos durante toda a temporada, e 10 TVs de LED 32” Full HD e Blu-Ray Players para os vencedores de cada campeonato. Além disso, os melhores jogadores de cada semana serão premiados com um kit SporTV. Para a Copa do Mundo, o canal também prepara um bolão que deve entrar no ar em abril, com premiação em cada um dos 74 jogos do evento esportivo. A ESPN, que também realiza bolões para o Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, experimentou em 2009 trazer para a audiência brasileira um fantasy game inspirado em um campeonato internacional: o UEFA Champions League. “A experiência foi surpreendentemente positiva. No começo tivemos até que ter uma atenção especial com os nossos sevidores, tamanha foi a procura de fãs de esportes se cadastrando no Fantasy. Em pouco tempo havia mais pessoas participando do game no Brasil do que no nosso site em espanhol e no da Inglaterra somados”, comemora o diretor de novos negócios da ESPN, José Papa Neto.

A novela “Três Irmãs”, da Globo, ganhou o game Surfínia em 2009. Conteúdo da trama fazia parte do jogo.

Jogo desenvolvido pela ComuniClick sobre a série policial “CSI”: 30 mil vídeos vistos no Brasil e na América Latina.

pagos já tenham percorrido um caminho maior no campo de jogos eletrônicos, a TV aberta já faz algumas investidas. Em 2009, a Record, aproveitando os bons índices de audiência da terceira parte da novela “Os Mutantes”, principalmente entre o público jovem, lançou um jogo para celular, voltado para crianças e pré-adolescentes. O game foi desenvolvido pela equipe de novas mídias da Record Entretenimento, braço da emissora paulista voltado para entretenimento e cultura, e distribuído às operadoras de telefonia móvel por uma integradora. O modelo é o de SMS, com divisão de receitas entre as empresas envolvidas. “A gente quis

“São dois caminhos: o primeiro é o tráfego, retorno. O segundo é o aumento da possibilidade de entrega de mídia para o anunciante.”

Novas oportunidades Embora os canais

Luiz Gustavo Pinto, da Sony.

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inovar, testar uma coisa nova e deu certo”, conta Márcia Magatti, analista de novas mídias da Record Entretenimento. O game foi lançado há um ano e, de acordo com Márcia, tem saída até hoje. “O resultado foi satisfatório. Agora estamos estudando o lançamento de mais games baseados em programa de ficção, aqueles que estão no ar com bons índices de audiência”, adianta a analista. A Globo também fez um teste com a novela “Três Irmãs”, em 2009. A emissora encomendou à paulistana Webcore Games, especializada em advergames, a criação de um jogo para a web que envolvesse o surfe, esporte que fazia parte da trama da atração. A empresa desenvolveu o game batizado de Surfínia, um tabuleiro digital que mesclava o conteúdo da novela a um campeonato de surfe em 3D. A performance no campeonato poderia render prêmios semanais aos usuários. De acordo com Fernando Chamis, CEO da Webcore Games, a intenção da emissora era aproximar as plataformas TV e Internet. “A ideia era que a pessoa que jogasse o jogo fosse assistir à novela também. Havia, por exemplo, um jogo da memória com os casais da novela”, lembra Chamis. Além de integrar o conteúdo da novela, o briefing da emissora pedia também uma extensão para a venda de patrocínio. No caso de Surfínia, a marca de cosméticos Embelleze foi a patrocinadora exclusiva. “Eu acho superinteressante este tipo de projeto. Muita gente passa mais tempo na Internet que na TV. A tendência é o desenvolvimento de projetos cross media. A TV tem que começar a vender um pacote de mídia”, ressalta o executivo. Chamis compara o tempo de exposição da marca nos games e na televisão: em Surfìnia, a média

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foi de 15 minutos contra os 30 segundos da TV. Ele também destaca que, com os jogos, é possível atingir todo o tipo de público, não só homens entre 15 e 20 anos. “Pesquisas já mostram que as mulheres já são 40% do mercado jogador e que o público que mais joga é o de 30 a 40 anos”, diz. O executivo acredita que a programação de TV abre, dessa forma, campo de trabalho para os desenvolvedores de games, principalmente para jogos voltados para a web e celular. Segundo Chamis, a Webcore Games já tem outros projetos com a própria Globo. Outra frente em que a empresa aposta é a TV digital. “Nesta fase, a TV digital

“Nesta fase, a TV digital ainda está um pouco devagar por causa do canal de retorno. É uma área que vai gerar bastante demanda e pouca gente está olhando para este mercado.” Fernando Chamis, da Webcore Games

ainda está um pouco devagar por causa do canal de retorno. É uma área que vai gerar bastante demanda e pouca gente está olhando para este mercado”, afirma. A Comuniclick, que desenvolveu o game de “CSI” para a Sony, também aposta no desenvolvimento do mercado de jogos inspirados na programação de TV, principalmente para os canais pagos. Segundo Fábio Menozzi, responsável pela área de produção da empresa, novos projetos neste campo estão sendo prospectados. Menozzi acredita que os novos modelos devem agregar as redes sociais. “Você pode desenvolver um jogo ao qual o usuário

tem acesso por uma senha que é transmitida no intervalo comercial do canal. A senha para uma próxima fase do jogo pode ser divulgada no Twitter”, explica ele. “Isso leva o usuário a assistir TV e aumentar a audiência do canal. É possível até acompanhar as métricas e observar o quanto a divulgação das senhas no intervalo gerou de audiência”. Tanto para desenvolvedores, que vislumbram novas demandas de trabalho com a programação de televisão, como para os executivos dos canais, que estão aprendendo a tirar vantagens desta ferramenta, o jogo está apenas começando.


( política)

Samuel Possebon, de Brasília

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Tempestade cerebral Desafio pós Conferência Nacional de Comunicação será transformar em medidas práticas as mais de 640 propostas e sugestões aprovadas e incluídas em seu relatório final.

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as conclusões da conferência. Desde dezenas de recomendações para que se criem medidas de estímulo à produção audiovisual regional e independente até o enquadramento do acesso à Internet em banda larga como um serviço público essencial. Em muitos casos, as propostas são conflitantes, e em outros, extremamente amplas. De qualquer maneira, no documento final da Confecom está a compilação do que os setores da sociedade que participaram da conferência pensam do setor de comunicação. Durante o 9º Seminário Políticas de (Tele)Comunicações, realizado em fevereiro pela Converge (que edita TELA VIVA) e pelo Centro de Estudos de Políticas de Comunicações da UnB, em Brasília, as divergências sobre o encaminhamento das propostas da Confecom ficaram claras, e evidenciou-se que os embates que aconteceram antes da conferência, quando a Abert, por exemplo, abandonou o grupo organizador juntamente com outras associações, como ANJ (jornais), Aner (revistas), Abranet (Internet) e ABTA (TV por assinatura), devem continuar daqui para frente. Evandro Guimarães, vice-presidente de relações institucionais da TV Globo e diretor da Abert, destacou um estudo da associação de radiodifusores que mostra que a maior parte das recomendações da Confecom já faz parte de projetos de lei sob a análise do Congresso Nacional. “Existem 320 projetos de lei que tramitam no Congresso, alguns em estágio avançado, outros FOTOS: glauber queiroz

iscussões políticas que envolvam o mercado de comunicação são sempre complicadas e raramente saem do campo das palavras para se tornar, efetivamente, regras. Tome-se como exemplo os inúmeros embates travados sobre o tema apenas nos últimos dez anos e o resultado será um só: nada, ou quase nada, ganhou a forma de novas leis ou regulamentos. As mudanças mais importantes, nos últimos anos, aconteceram no campo de produção audiovisual. Mas temas mais amplos, como uma reforma geral da legislação, diretrizes para a questão da comunicação por meios digitais, convergência de meios e mesmo a reforma da legislação de radiodifusão, tudo isso ainda é tema de debates acalorados sem consequência prática. A Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) realizada em dezembro, talvez tenha sido um marco nesse sentido. Ali, foram discutidas teses e ideias que há anos circulam nos meios empresariais, acadêmicos e junto a entidades da sociedade civil. O resultado de todo esse esforço: 647 propostas aprovadas que servirão como diretrizes para possíveis políticas de comunicação. A Confecom, como a maior parte das conferências convocadas pelo governo, é apenas um campo de debates entre diferentes setores. O desafio daqui para frente será transformar 647 propostas em algo prático. Há de tudo entre

ainda aguardando o momento ideal de tramitação, que tratam de questões de comunicações social e telecomunicações. Praticamente todos os pontos levantados pela Confecom são abrangidos por estes projetos”, disse Guimarães. “O que eu quero dizer é que já existe um foro adequado para estas discussões, que é o Congresso, e que o Congresso já está trabalhando nesses temas”. O ponto colocado por Evandro Guimarães é que não existe a necessidade de se buscar novos projetos de lei para atender às conclusões da sociedade na Confecom. Basta fazer com que o Congresso vote os projetos já existentes. O que, segundo o senador Wellington Salgado (PMDB/MG), depende diretamente do interesse dos setores da sociedade que atuam sobre o Congresso. “É a atuação de vocês que faz projetos andarem mais rápido ou mais devagar”, disse Salgado, a uma plateia de empresários. Frederico Nogueira, vicepresidente da Abra (que também representa os radiodifusores) e diretor executivo do grupo Bandeirantes, diz que a Confecom foi um processo importante de diálogo democrático de onde se tirou um conjunto relevante de propostas. “Agora, o melhor caminho é olhar para aquelas propostas que foram aprovadas por consenso e buscar dar a elas o encaminhamento necessário, seja na forma de projetos de lei, seja

” Existem 320 PLs que tramitam no Congresso. Praticamente todos os pontos levantados pela Confecom são abrangidos por estes projetos.” Evandro Guimarães, da Abert

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cobrando ações do Executivo”. A Abra foi, ao lado da Telebrasil (representando as empresas de telecomunicações), uma das entidades empresariais que decidiram permanecer na Confecom e que atuaram ativamente nas negociações das propostas aprovadas em conjunto com a sociedade civil. Para Jonas Valente, do Coletivo Intervozes, que também participou de maneira intensa dos debates e negociações da Confecom, a conferência chegou a um conjunto de propostas que agora precisam ser separadas entre aquelas exequíveis no curto prazo e aquelas que demandam uma discussão mais aprofundada do modelo. Para ele, a Confecom precisa ter continuidade, pois foi a primeira vez que o debate saiu do âmbito setorial. Algumas das conclusões sugerem uma necessidade de mudança mais profunda na legislação de comunicação, diz Jonas Valente, e outras recomendações podem ser executadas rapidamente pelo Poder Executivo. Muitas ideias O problema é que os temas colocados no relatório final da Confecom são bastante polêmicos. Os movimentos sociais conseguiram, por exemplo, levar ao relatório final o

“É a atuação de vocês que faz os projetos andarem mais rápido ou mais devagar”. Senador Wellington Salgado, PMDB/MG

dispositivo que prevê o controle social da mídia, o que foi considerado por eles uma vitória importante. Mas não conseguiram emplacar a ideia de que as outorgas de TV digital fossem distribuídas de maneira igual entre entes privados, públicos e estatais. A ideia de controle social assusta empresários, que imediatamente pensam em intervenção. Mas dentro dos movimentos sociais a visão que predomina sobre o que seja o tal controle social é mais amena. Seriam, por exemplo, conselhos de entidades e associações que contribuíssem na formulação de políticas e na regulação do mercado. Outra proposta aprovada pelos movimentos sociais foi a criação de um fundo para o sistema público de comunicação, fundo este que seria mantido por uma taxação sobre empresas privadas que utilizem espectro ou tenham concessões públicas. Mas são apenas sugestões do que fazer. Para que essas propostas se tornem regras a serem cumpridas é preciso ainda transformá-las em lei. A Confecom também foi alvo de

embates empresariais. Por exemplo, aprovou-se a recomendação de restrição a que empresas de telecomunicações produzam conteúdos e o limite de 25% dos canais das operadoras da TV paga produzidos por uma mesma empresa. A proposta foi encaminhada pela Abra, que representa a Band e a RedeTV!. Outra proposta da Abra pedia a liberação da multiprogramação em todos os meios digitais, inclusive na TV aberta. Esta proposta também foi aprovada e estará no documento final da Confecom, mas outras propostas que tratavam de multiprogramação foram rejeitadas, o que expõe os resultados muitas vezes conflitantes da Confecom. Fomento Os delegados da conferência declararam, em dezenas de propostas aprovadas, apoio a uma política de fomento do audiovisual nacional e à criação de uma política de cotas para a produção independente e regional nos sistemas de comunicação. Além disso, os representantes da sociedade civil, do segmento empresarial e da administração pública apoiaram a

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( políticas) criação de uma empresa pública de fomento à distribuição de obras audiovisuais e o fortalecimento das distribuidoras nacionais e independentes. A lista de propostas envolvendo mais profundamente as empresas de radiodifusão e operadoras de TV por assinatura não terminou aí. Com relação às emissoras de TV, a Plenária aprovou a inclusão de uma proposta de proibição da sublocação de espaços na grade de programação. Com relação às empresas de TV por assinatura, os delegados da conferência apoiaram a criação de uma política de massificação do serviço, atingindo todos os municípios do País. Também foi validada a sugestão de um novo plano de outorgas para a TV a cabo, que já vem sendo gestado pela Anatel desde o início deste ano.

Para Jonas Valente, do Intervozes, propostas da Confecom devem ser separadas entre as viáveis em curto prazo e as que demandam mais discussões.

As questões referentes às liberdades individuais na Internet também tiveram bastante apoio e a maior parte das propostas foi aprovada por consenso. A melhoria da fiscalização quanto à velocidade e disponibilidade de serviços de Internet aos consumidores foi aprovada no relatório final. Com relação aos direitos civis na web, uma negociação entre movimentos sociais e empresas assegurou como preceitos básicos o direito ao acesso ao serviço sem qualquer discriminação ou restrição com relação à acessibilidade; a possibilidade de o cidadão abrir suas redes e compartilhar o sinal de Internet com ou sem fio; e o direito à comunicação nãovigiada. A questão da neutralidade de rede também foi discutida, e a conclusão da Confecom foi pelo apoio a uma rede

neutra (ou seja, sem controle pelo provedor da rede sobre o tipo de conteúdo trafegado). Há várias propostas referentes a questões de gênero, raça e acessibilidade, que mais estabelecem um conjunto de preocupações a serem seguidas pelo poder público do que políticas efetivas, e algumas propostas curiosas, como a que pede o estímulo à comunicação escrita e impressa na era digital, a fim de fortalecer os Correios. Com tudo isso, o saldo final da Confecom deixa pelo menos um bom conjunto de ideias para a formulação das futuras políticas públicas de comunicação, o que pode ter um papel importante em um ano eleitoral. Ou, como disse o presidente Lula na abertura da Confecom, “a maior contribuição que esta Conferência pode dar: voltar a incluir a questão da comunicação social na agenda do País e tornar irreversível seu debate aberto, público e transparente”.

Discurso inédito O discurso do presidente Lula na abertura da 1ª que, em muito pouco tempo, a maioria das pessoas Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) possa receber no mesmo aparelho, seja ele fixo ou marcou uma posição clara do governo em relação móvel, tanto o sinal gratuito e aberto da à necessidade de reforma do marco regulatório radiodifusão, transmitido pelas ondas da radiodifusão e a preparação do ambiente legal eletromagnéticas, como os arquivos de imagens e para a convergência. “Nossa legislação na área é sons, gratuitos ou não, transmitidos pela banda muito antiga e evidentemente não responde aos larga ou por outras tecnologias”. Para o presidente, desafios da atualidade. Cito apenas um exemplo: isso abre imensas possibilidades para o mundo da o Código Brasileiro de Telecomunicações, que até comunicação. “Mas, ao mesmo tempo, lança hoje ainda disciplina a radiodifusão, ou seja, o enormes desafios para a sociedade. Desafios legais, rádio e a televisão, é de 1962”, disse o econômicos, sociais e políticos”. presidente, em referência à lei que rege o setor. Lula: legislação desatualizada “O fato é que mudaram as tecnologias, mudou o Multiprogramação País, mudou o mundo. E como não podia deixar de ser, mudou Outro aspecto importante do discurso do presidente foi a defesa também a comunicação. Mas essas mudanças não foram enfática da multiprogramação na TV digital, modelo que o acompanhadas pelos aperfeiçoamentos e atualizações Ministério das Comunicações ainda não liberou para empresas necessários na nossa legislação”, concluiu. privadas e que não é bem visto por muitas empresas de Lula também lembrou o impacto que a convergência de mídia radiodifusão (e nem pelos movimentos de democratização das tem no ambiente das comunicações. “Esta Conferência realizacomunicações, dentro do modelo atual de radiodifusão). As se numa época marcada pela convergência de mídias. (...) Com palavras do presidente foram diretas: “a tecnologia digital a digitalização e a Internet, as fronteiras entre os diferentes pode promover a multiplicação dos meios e veículos de meios estão sendo dissolvidas. Hoje, texto, áudio e imagem não comunicação. Ao permitir uma ocupação mais intensiva do só são tratados com a mesma tecnologia digital como podem espectro eletromagnético, ela torna possível a ampliação do ser disseminados pelas mesmas plataformas”. O presidente número de concessões de rádio e TV, oferecendo oportunidades ressaltou que um número crescente de leitores informa-se a novos atores, a novos grupos, a novas comunidades, isso sem através da Internet. “Cada vez mais, as notícias estão falar na multiprogramação, que elevará ainda mais a oferta de disponíveis em tempo real, tanto em computadores programas e serviços”. pessoais como em aparelhos celulares ou em outros Na visão manifestada por Lula, “a convergência de mídias deve equipamentos portáteis”. ser um estímulo à multiplicação dos meios de comunicação Em seu discurso, o presidente ressaltou que “a tendência é de social, nunca à sua monopolização ou à sua oligopolização”.

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(audiência - TV paga)

2009: ano de poucas mudanças

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Foto: divulgação

m 2009, mais melhores para os canais de uma vez, TNT, esportes, com a transmissão SporTV e dos Jogos Olímpicos de Multishow Inverno, de 12 a 28 de lideraram o alcance dos fevereiro, e da Copa do Mundo canais de TV por de Futebol, que acontece de 11 assinatura entre o público de junho a 11 de julho. adulto. O canal de filmes e Para completar o ranking, o séries da Turner ficou em Multishow, que passou por uma primeiro lugar na lista, reformulação de grade durante com o melhor alcance todo o ano de 2009, manteve o entre o público acima de “Gui & Estopa”: série brasileira mesmo terceiro lugar ocupado 18 anos em oito meses do foi atração do canal Cartoon em 2008. Entre as mudanças, Network em 2009. ano passado. Os quatro foram definidos quatro pilares meses restantes foram ocupados pelo para a programação: música, viagem e SporTV, que no balanço de 2009 ficou aventura, reality shows e humor. com a segunda colocação. O canal Completam o “top 5” de 2009 os canais esportivo contou com a ajuda da Globo News e Fox. No total, os canais pagos competição acirrada do Brasileirão, registraram entre o público adulto 48,01% que manteve o campeonato de alcance diário médio (uma pequena emocionante até as últimas partidas. queda em relação ao ano anterior, quando Para 2010, as perspectivas são ainda o alcance foi de 48,30%). Os canais tiveram

em 2009 duas horas e 11 minutos de tempo médio diário de audiência (universo: 6.455.700 indivíduos). Entre o público infantojuvenil, o destaque ficou para as disputas acirradas entre Cartoon Network e Disney Channel pela primeira posição do ranking. O Cartoon levou a melhor, fechando 2009 como o canal com melhor alcance da TV paga entre público de quatro a 17 anos. O ranking teve ainda Discovery Kids, Nickelodeon e TNT. Vale lembrar que em 2009 o Jetix mudou sua marca para Disney XD, e passou a focar em meninos de oito a 12 anos. No ano da mudança, o canal - que em 2008 ficou em quarto lugar do ranking - ficou em sexto lugar entre os canais com melhor alcance entre o público infantil. Os canais pagos registraram entre este público (universo: 1.385.200 indivíduos) alcance diário médio de 51,59% e tempo médio diário de audiência de duas

Alcance* e Tempo Médio Diário – total 2009 Total canais pagos TNT SporTV Multishow Globo News Fox Universal Channel Warner Channel Discovery Telecine Pipoca AXN Discovery Kids National Geographic Cartoon Network Disney Channel SporTV 2 GNT Telecine Premium Telecine Action ESPN Brasil Sony

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 48,01 3.099,49 02:11:07 11,24 725,39 00:27:05 10,14 654,65 00:39:16 9,39 605,91 00:17:21 8,78 566,53 00:29:52 8,45 545,66 00:25:57 8,04 519,20 00:30:53 7,79 503,03 00:27:07 7,58 489,27 00:19:40 6,70 432,61 00:30:57 6,65 429,40 00:25:56 6,54 422,10 00:54:38 6,33 408,39 00:17:21 6,28 405,37 00:32:36 5,99 386,44 00:29:22 5,86 378,37 00:19:13 5,59 361,16 00:16:39 5,57 359,36 00:24:08 5,11 329,93 00:21:31 4,89 315,56 00:20:20 4,70 303,30 00:20:08

Total canais pagos Cartoon Network Disney Channel Discovery Kids Nickelodeon TNT Disney XD Multishow Fox SporTV Telecine Pipoca Boomerang Warner Channel Discovery Universal Channel Telecine Premium SporTV 2 AXN Telecine Action HBO Globo News

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 51,59 714,45 02:25:18 16,97 234,97 00:54:41 16,78 232,41 00:57:46 14,55 201,49 01:12:59 12,02 166,51 00:49:31 9,46 130,94 00:24:31 9,10 125,94 00:45:09 8,26 114,43 00:22:57 8,11 112,34 00:24:21 7,40 102,37 00:30:09 6,72 93,03 00:30:40 5,58 77,31 00:35:00 5,25 72,73 00:20:15 5,22 72,23 00:16:08 5,16 71,52 00:21:50 4,33 59,88 00:21:47 4,09 56,65 00:15:39 4,06 56,20 00:13:22 3,95 54,69 00:17:07 3,72 51,46 00:16:39 3,65 50,59 00:15:58

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 1.385.200 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – Ano de 2009



**Universo: 6.455.700 indivíduos

Acima de 18 anos**


horas e 25 minutos. Em 2008, os canais tiveram 52,51% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de duas horas e 11 minutos. Nos últimos meses do ano, o ranking de alcance entre o público adulto refletiu a média do ano, com os mesmos canais, dispostos em ordem

diferente, como os cinco com melhor alcance. Já entre o público infantil, tanto em novembro quanto em dezembro, o Multishow ocupou a quinta posição, no lugar do TNT, e o Disney Channel ficou no topo do ranking. A partir de janeiro de 2009 os dados de alcance de TV por assinatura aferidos pelo Ibope Mídia passaram a incluir as

praças Florianópolis e Campinas. A base de dados de TV paga, que até então era composta de seis mercados (Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Distrito Federal) e 534 domicílios, passou a ser composta por oito mercados e 660 domicílios. Daniele Frederico



Total canais pagos SporTV TNT Multishow Globo News Fox Warner Channel Universal Channel Telecine Pipoca Discovery AXN SporTV 2 Discovery Kids GNT Disney Channel National Geographic Cartoon Network Telecine Premium Megapix Telecine Action Sony

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 46,24 2.981,17 02:08:36 10,31 664,38 00:37:46 9,84 634,05 00:24:38 9,23 595,24 00:17:07 8,37 539,49 00:29:37 8,06 519,80 00:26:47 7,89 508,70 00:27:14 7,20 464,19 00:28:26 6,90 444,94 00:32:07 6,57 423,69 00:19:01 6,47 417,30 00:26:02 6,18 398,60 00:19:06 6,13 394,86 00:52:53 5,90 380,60 00:18:35 5,80 373,87 00:33:28 5,79 373,32 00:17:46 5,74 370,18 00:29:55 5,21 336,18 00:27:59 4,85 312,72 00:19:47 4,79 308,82 00:22:54 4,50 290,22 00:20:10

**Universo: 6.446.600 indivíduos

Acima de 18 anos**

Total canais pagos Disney Channel Cartoon Network Discovery Kids Nickelodeon Multishow TNT Fox SporTV Disney XD Warner Channel Telecine Pipoca Universal Channel Boomerang Discovery AXN SporTV 2 Megapix National Geographic Globo News Telecine Premium

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 50,01 697,23 02:12:30 15,85 220,96 00:58:17 14,91 207,86 00:46:39 13,02 181,58 01:10:17 12,33 171,94 00:45:44 8,82 122,99 00:22:56 8,26 115,23 00:21:55 7,77 108,34 00:24:50 7,72 107,59 00:27:10 7,15 99,68 00:36:40 6,11 85,26 00:24:38 5,73 79,93 00:30:59 5,18 72,18 00:18:29 4,77 66,52 00:33:25 4,68 65,31 00:14:31 4,46 62,20 00:14:54 4,32 60,21 00:16:12 3,67 51,16 00:17:47 3,51 48,95 00:10:02 3,38 47,17 00:12:59 3,31 46,18 00:25:00

**Universo 1.394.200 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – Novembro/2009

Alcance* e Tempo Médio Diário – novembro/2009



Total canais pagos TNT Multishow Globo News SporTV Fox Warner Channel Universal Channel Discovery National Geographic Discovery Kids AXN Telecine Pipoca Cartoon Network GNT Disney Channel SporTV 2 Telecine Premium Telecine Action Megapix Animal Planet

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 44,35 2.854,66 02:07:27 9,86 634,76 00:27:26 8,76 563,56 00:17:27 8,58 552,42 00:32:09 8,09 520,82 00:32:06 7,86 506,07 00:28:33 7,54 485,39 00:26:35 6,85 440,77 00:29:07 6,24 401,98 00:18:25 5,96 383,51 00:17:42 5,90 379,78 00:52:39 5,84 375,98 00:24:03 5,83 375,14 00:27:31 5,69 366,39 00:30:14 5,62 361,68 00:16:33 5,54 356,77 00:31:35 5,11 329,02 00:18:31 4,51 290,12 00:26:02 4,43 285,03 00:24:20 4,25 273,64 00:18:36 4,14 266,49 00:14:31

**Universo: 6.436.900 indivíduos

Acima de 18 anos**

Total canais pagos Disney Channel Cartoon Network Discovery Kids Nickelodeon Multishow TNT Fox Disney XD SporTV Warner Channel Telecine Pipoca Universal Channel Boomerang Discovery AXN Telecine Premium Globo News Megapix SporTV 2 National Geographic

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 46,84 657,75 02:30:57 16,01 224,76 01:01:10 14,68 206,14 00:54:50 12,39 173,95 01:23:24 12,13 170,30 00:55:14 8,35 117,25 00:23:57 8,20 115,18 00:24:06 7,45 104,68 00:29:13 7,26 101,95 00:39:30 5,96 83,75 00:30:12 5,79 81,34 00:22:21 5,37 75,43 00:34:12 4,81 67,58 00:18:06 4,70 65,97 00:28:21 4,04 56,77 00:15:25 3,68 51,67 00:12:25 3,64 51,04 00:27:00 3,54 49,66 00:16:50 3,51 49,32 00:16:36 3,50 49,18 00:17:02 3,43 48,09 00:08:08

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 1.404.000 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – Dezembro/2009

Alcance* e Tempo Médio Diário – dezembro/2009


( entrevista)

Daniele Frederico

d a n i e l e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Programar para o mundo Presidente da divisão de canais internacionais da NBC Universal, Roma Khanna, conversa com TELA VIVA sobre o lançamento do Studio Universal e traça paralelo entre as indústrias de televisão e de música.

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com o Studio Universal também, principalmente porque é um canal de filmes e somos uma companhia de filmes. Vamos trazer nossa experiência e habilidade de fazer conteúdos curtos entreprogramas, específicos para América Latina e Brasil. O Brasil tem feed específico, e temos flexibilidade para fazer o que achamos que funciona melhor para o País.

FOTO: divulgação

Universal Networks International, divisão de canais internacionais da NBC Universal, anunciou para fevereiro o lançamento de um novo canal de filmes e séries, o Studio Universal, em substituição o Hallmark Channel, distribuído pela Fox na América Latina. O novo canal foi apresentado à imprensa em novembro de 2009, com destaque para a programação composta de 80% de filmes e 20% de séries, entre elas a nova “Nurse Jackie”, com feed exclusivo para o País. Além do Studio Universal, a empresa aproveitou o momento para anunciar mudanças nos canais Sci Fi Channel e Universal Channel (no Brasil, uma joint venture com a Globosat), como parte de um reposicionamento da Universal Networks International (até então chamada de NBC Universal Global Networks). Na ocasião, a presidente da Universal Networks International, Roma Khanna, concedeu uma entrevista à TELA VIVA, na qual contou sua opinião sobre a audiência latina, as estratégias da divisão para manter a relevância durante a crise e suas impressões sobre a pirataria de conteúdo. A executiva, que já ocupou o cargo de gerente de assuntos legais e de negócios da Sony Music Canada, compartilhou sua visão sobre a briga da indústria da música com a pirataria e seus reflexos atuais no mercado de entretenimento.

Roma Khanna

“Quando pensamos na audiência latinoamericana, constatamos que filmes funcionam muito bem, assim como séries fortes.” TELA VIVA Como a reestruturação e “rebranding” que vocês preparam para o canal Studio Universal vai funcionar na América Latina? Há alguma particularidade para a região? ROMA KHANNA Sim, certamente. Nossa estratégia é sempre ser totalmente local na entrega do canal. Não só na língua, mas na programação do conteúdo, ter conteúdo novo e original que faça sentido naquele mercado. Para o Universal Channel já produzimos um segmento original, o “What’s On”, que vai ao ar durante a grade de programação. Faremos isso

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Haverá mudanças significativas no Universal Channel no Brasil, com essa reestruturação? A real mudança para o Universal Channel será o “refreshment” da marca, e o investimento em conteúdo novo, conteúdo global. Há dois novos programas chegando, novos dramas excitantes, dramas de uma hora. Além disso, o visual e a sensação do canal vão evoluir e ficar mais fortes e inteligentes e vamos trazer novos programas o tempo todo. E esse canal vai ficar baseado primariamente em séries e alguns filmes. Não tantos (filmes) quanto o Studio Universal. Quais as características da audiência latino-americana que levam a essas mudanças específicas para a região? Acho que a audiência latinoamericana é muito apaixonada por televisão. Não vemos sempre essa paixão singular em outros países. Quando pensamos na audiência latino-americana, constatamos que filmes funcionam muito bem, assim como séries fortes. Acho que as pessoas gostam do drama, de séries com fortes emoções. Acho que isso

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vem da cultura de novelas, grandes emoções. Isso funciona bem aqui. Quando você assumiu esse cargo na Universal Networks International, uma de suas metas era dobrar as receitas da divisão. Essa meta já foi atingida? De um modo geral, globalmente, desde que comecei até agora, conseguimos atingir esse objetivo. Podemos continuar a crescer. O crescimento global vem de acrescentar mais canais e expandir nosso alcance como uma empresa de pay TV. Mas também, para mim, o crescimento real virá de construir marcas de canais mais fortes, com conteúdo mais forte. É isso que todo esse “rebranding” e o conteúdo significam pra nós. Para a América Latina, acho que o crescimento virá de construir essas marcas o mais forte possível, construir conteúdo forte e exclusivo. Isso vai impulsionar a distribuição, a audiência e os dólares de publicidade. Em relação à expansão dos canais pelo mundo, o que mudou com a crise financeira mundial? No lado da marca e do conteúdo, nada mudou. A única coisa que mudou é que começamos a investir mais, o que é algo que a maioria das empresas não fez. Ao contrário, gastamos dinheiro durante o período. Porque acredito que ter uma marca forte em um período de crise econômica ajuda e nos leva a uma posição adiante. Então temos buscado essa estratégia sem mudanças, com muita energia e investimento. O que de fato mudou para nós foi a velocidade do nosso crescimento global. Nós temos 70 canais ao redor do mundo. Quero chegar a 100, 120, 150 canais. O número de canais que lançamos em um ano pode ser muito alto. Há dois anos, esteve perto de 20 canais anualmente. Em 2009, foram menos canais, lançamos

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E quais são os planos para o lançamento de canais em alta definição? HD é algo que estamos olhando de perto. Globalmente é algo que temos que transformar em prioridade para nós, enquanto companhia. E certamente o fizemos na Europa e na Ásia. Fizemos o HD uma prioridade, lançamos canal HD no Japão, na França, no Reino Unido. E veremos muito mais canais HD lançados em 2010. Para a América Latina é algo que estamos olhando de perto. Adoraríamos falar sobre o lançamento de HD, só precisamos esperar que o modelo de negócios faça sentido. Para o Brasil em particular, acho que é uma discussão interessante, conforme as plataformas ficam mais interessadas em HD.

mais ou menos seis canais ao redor do mundo. Em 2010 serão, provavelmente, 15 canais ou mais. Ainda fizemos lançamentos, ainda crescemos, mas desaceleramos a taxa de crescimento. Em parte por causa do ambiente difícil, mas também pelo ambiente das plataformas, que não estavam adicionando novos pacotes de canais, lançando novos satélites. Eles estavam desacelerando a sua própria capacidade, e nós dependemos disso para lançar novos canais. A indústria toda desacelerou. Nós não paramos, mas desaceleramos este ano (2009). Isso é global, não apenas na América Latina. Na verdade, a América Latina tem sido um ponto brilhante no último ano em termos de crescimento do negócio propriamente dito. O crescimento da publicidade continua, assim como o da TV paga. Com exceção do México, que teve desafios do ponto de vista de publicidade, a América Latina tem sido um bom lugar para nós. O que mudou foi a moeda. Tivemos desafios por causa do câmbio. Mas o

Com a possível venda da NBC Universal para a Comcast (negociação que terminou em uma joint venture, na qual a Comcast

“O negócio internacional da NBC Universal vai ser em 2011 um negócio de US$ 5 bilhões. E em 2010, de US$ 4,5 bilhões.” tem 51% e a GE 49% de participação), o modelo de negócios mudaria? Como isso poderia influenciar os negócios na América Latina? Da perspectiva do dia-a-dia do nosso negócio, se houver uma mudança de posse, nada muda. O negócio internacional da NBC Universal vai ser em 2011 um negócio de US$ 5 bilhões. E em 2010, de US$ 4,5 bilhões. É um negócio muito significativo. Qualquer companhia que queira ser parte da NBC Universal, acredito, vai ficar animada com nosso negócio internacional. Não sei o que vai acontecer no “front” da propriedade, como todos, estou à espera para ouvir. Mas acredito que qualquer empresa que queira ser dona da NBC vai estar

negócio propriamente dito foi muito bem, estamos muito empolgados com os negócios latinos no próximo ano (2010). Há algum canal novo previsto para ser lançado na região, além da substituição do Hallmark pelo Studio Universal? Nosso foco no próximo ano é fazer esse “rebranding”, fazer os três canais (Universal Channel, Studio Universal e Sci-Fi Channel) o mais fortes possível, a mais ampla distribuição possível e uma proposta clara de audiência que, esperamos, vai impulsionar a publicidade. Uma vez que estivermos fazendo isso muito bem, eu adoraria falar sobre o lançamento de novos canais no Brasil. É difícil porque a capacidade é limitada, mas se houver oportunidade, eu adoraria buscá-las.

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( entrevista ) leis no mundo. Roubo não é algo inventado, é muito real. E por último, e muito importante, é que precisamos ser inovadores. Precisamos fazer mais no espaço digital e oferecer mais oportunidades para a audiência, para que o público não precise ir a fontes ilegítimas de conteúdo. Eu acho que o Hulu.com nos Estados Unidos tem sido uma tentativa inovadora de levar o conteúdo para a audiência de uma maneira legítima para que eles não procurem fontes ilegítimas. E temos que fazer mais e mais disso. Você nos verá olhando para esse tipo de modelo ao redor do mundo. O conteúdo NBC também pode ser visto no iTunes.

FOTO: divulgação

interessada em nossa estratégia internacional e nada mudará. Qual é a estratégia de novas mídias para a América Latina? Agora, nossa estratégia é primeiro construir marcas fortes, ser significativo para as audiências em qualquer plataforma. E vocês vão nos ver forçando nossa estratégia 360°. Mais na Internet. Olhar para celulares e outras plataformas disponíveis e pensar como essas marcas podem viver nesse espaço. O que faz sentido para a audiência? É conteúdo curto? É conteúdo de marketing? É conteúdo longo? E fazer mais e mais. É muito importante como vamos desenvolver a marca desses canais nos próximos anos, e conforme o mercado se desenvolve, e a audiência também, você verá mais da nossa parte. Entre os objetivos para o momento estão mudar e a melhorar o website, aumentar a quantidade de conteúdo, principalmente do conteúdo que “fica” com as pessoas, construir elementos de comunidade e deixá-los mais dinâmicos. Isso também depende dos direitos dos programas, conforme desenvolvemos mais de nossas próprias produções, como a série “Haven” (projeto baseado em obra de Stephen King), haverá mais flexibilidade com os direitos para fazer mais coisas inovadoras.

“Precisamos fazer mais no espaço digital e oferecer mais oportunidades para a audiência, para que o público não precise ir a fontes ilegítimas de conteúdo.” ampla. Há mais tecnologia disponível agora para apoiar uma nova e inovadora distribuição do nosso conteúdo. Há mais “watermarking” digital e autenticação online, além de proteção de copyright. Da minha perspectiva, as lições a serem aprendidas são: primeiro, a pirataria pode causar danos reais extremos a uma indústria e à habilidade de entregar ótimo conteúdo. Porque embora você consiga fazer bom conteúdo com pouco dinheiro, muito do conteúdo que as pessoas gostam de assistir na TV custa muito dinheiro. Precisa existir modelos de negócio para sustentar isso. Acho que o governo tem que entrar e tomar medidas fortes contra a pirataria, colocar sistemas que tenham resposta à pirataria e ter mecanismo para agir, entregar e monitorar essa resposta. Segundo, os consumidores têm que ser educados sobre o significado da pirataria e o dano que causa, e o fato de que é um roubo perante a maioria das

Você trabalhou para a Sony Music. Como levou a sua experiência na indústria da música, que sofreu e ainda é muito prejudicada pela pirataria, para a indústria de televisão? Há importantes lições da indústria da música sobre como devemos abordar o mundo digital e a digitalização do nosso conteúdo. Mas os tempos são muito diferentes do final dos anos 90, quando a pirataria de música e o roubo de música online começaram de forma

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Esses modelos de negócio estão funcionando? Estão gerando receitas? Eles estão gerando receita, certamente. Estão gerando tanta receita quando a distribuição linear? Acho que ainda não. Mas tem que começar em algum lugar. É tudo muito novo e estamos aprendendo ainda. Então veremos com o tempo como isso cresce, mas eu acredito que crescerá. Algumas séries da NBC Universal estão entre as mais pirateadas hoje. Que medidas estão sendo tomadas localmente contra a pirataria? Não posso dizer especificamente na América Latina, mas posso dizer que nossa abordagem na maioria do mundo é trabalhar com o governo e pôr pressão para que eles façam algo e coloquem regulação e legislação que trate da pirataria. Estar com os provedores de Internet e fazer com que assumam responsabilidade pela pirataria também. Além disso, no nosso lado, temos que inovar e nos certificarmos que estamos fazendo coisas novas e excitantes. Faremos todas essas coisas na América Latina, mas não posso falar especificamente do que nosso time está fazendo na região.

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Você está sintonizado para acompanhar a evolução da TV?


( mercado)

Produto tipo exportação

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valorização do real em relação ao dólar, ligada ao fortalecimento da nossa moeda perante o mercado internacional, traz uma série de consequências preocupantes para algumas indústrias. Os setores mais prejudicados são aqueles que exportam produtos, já que veem sua lucratividade cair junto do valor da moeda americana. Entre as indústrias que sofrem com essa queda do dólar, está a do audiovisual. Isso porque uma de suas atividades é a de prestar serviços de produção a agências, produtoras e emissoras interessadas em filmar no país. É o chamado “production service”, serviço que em 2009 sentiu com a crise financeira mundial o agravamento de uma situação que há cerca de três anos já era pouco favorável devido à valorização progressiva da moeda brasileira. Em 2009 o dólar teve a sua maior desvalorização em relação ao real, segundo estudo da consultoria Economática - no fechamento desta edição a moeda americana estava cotada a R$ 1,874. Junto com a moeda, as produtoras audiovisuais viram seus pedidos para serviço de produção sendo reduzidos. Agências e produtoras estrangeiras deixaram de fechar muitos de seus projetos com os brasileiros, para trabalhar com os vizinhos da Argentina, ou os sul-africanos de Cape Town. Segundo dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine), em 2007 foram realizados, no total, 229 produções estrangeiras no Brasil. Já em 2008, foram 207. As produções publicitárias, que em 2007 foram 56, em 2008 foram para 38. Os dados de 2009 ainda não estão consolidados. Os números são um pouco diferentes

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FOTOS: divulgação

Com valorização do real e crise financeira, volume de serviços de produção para clientes estrangeiros diminui. Conteúdo e incentivos são os focos da indústria para recuperar mercado.

Comercial da Nissan, do Japão, produzido pela Ocean Films.

dos da Film Brazil, programa de promoção internacional das produtoras publicitárias. A associação calcula que em 2008 foram realizados 45 trabalhos publicitários, e em 2009, 37. A diferença dos números da Ancine ocorre, segundo a Film Brazil, porque a associação recolhe as informações das empresas diretamente. De qualquer forma, os dados deixam claro que existe uma queda nos serviços prestados pelas produtoras a clientes estrangeiros. Vale lembrar que quando se fala em serviços de produção, não se coloca na conta as produções brasileiras que contam com a participação de profissionais estrangeiros, tampouco as coproduções (aquelas nas quais o direito sobre a obra é dividido entre as produtoras envolvidas). Além dos números, a queda na procura e no fechamento de orçamentos para a produção no País pode ser medida quando se conversa com os profissionais responsáveis pela área internacional das produtoras. Na O2 Filmes, segundo Bianca Corona, atendimento ao mercado internacional e de pós-produção da produtora, nos últimos dois

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ou três anos, o número de trabalhos em production service caiu de cerca de 20 jobs por ano para seis ou sete em 2009. “Caiu o número de pedidos e de aprovações. Hoje a maioria do que recebemos são trabalhos que precisam obrigatoriamente do Brasil para filmar”, diz Bianca. Na Conspiração também não foi diferente. “Orcei vários trabalhos ano passado, mas foi difícil de fechar”, conta Renata Chuquer, atendimento internacional da produtora. “Acho que orcei uns 20 projetos, e fechei dois publicitários e um de conteúdo”, diz. Na BossaNovaFilms, o production service e a produção fora do país chegou a representar 20% do orçamento, há cerca de quatro anos. O principal motivo apontado como responsável pelo sumiço dos serviços de produção no Brasil é a desvalorização do dólar. “Com o dólar a R$ 2,70, o Brasil concorria bem. Desde que ele começou a cair, junto foram os orçamentos”, diz Irma “Jimmy” Palma, sócia e produtora executiva da área interativa e da publicidade internacional da BossaNovaFilms. O diretor executivo de longametragem da Mixer, Vicente Amorim, conta que durante anos foi vantajoso produzir no Brasil, pois havia no País equipes boas, cenários diversificados e várias etnias para oferecer. Com a alta do dólar, porém, o Brasil deixou de ser tão atraente. “Há outros países, que também têm essas características, onde o dólar não caiu tanto”, diz. Amorim afirma que o Brasil não é mais um país barato para produzir, e que hoje o custo de equipe e equipamento acaba sendo praticamente o mesmo dos estrangeiros. “O que fazia a diferença era o câmbio”, lembra. “Houve uma queda no serviço de produção ligado ao preço. O que

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( mercado) permaneceu foram casos avulsos, em que é preciso filmar no Brasil”. Além da equipe e do equipamento, específicos da área audiovisual, outros fatores não diretamente ligados ao setor influenciam a decisão por filmar no País, como os preços de produtos e serviços. “Há ainda hotel e passagens para a equipe estrangeira”, lembra Renata, da Conspiração. Assim, muitas produções acabam indo parar em nossos vizinhos, os argentinos, e ainda com uruguaios e chilenos. Além da valorização do real, em 2009 a crise também levou o número de orçamentos para baixo. Afinal, foi um ano em que a publicidade mundial sofreu uma forte retração. Na opinião do gerente executivo da Film Brazil, Paulo Henrique Miranda, o mercado internacional de publicidade procurou manter o dinheiro circulando dentro de seus países, priorizando produções que pudessem ser realizadas por parceiros locais. No entanto, ele diz que a procura por produções brasileiras não desapareceu “Percebemos que houve uma boa demanda por ‘full production’, que são produções elaboradas por nossas agências e executadas inteiramente por produtoras e diretores locais, mas que depois são veiculadas em outros países”, diz. No entanto, para a maioria das produtoras, a área de production service sofreu em 2009 com a retração de países como Estados Unidos. Para a Ocean Films, que está focada em production service e tem uma filial em Buenos Aires, a dependência do mercado internacional foi devastadora. “2009 foi o pior ano da produtora”, conta o produtor executivo Cristian Marini. “As pessoas vêm ao Brasil para filmar, não porque o país tem praias bonitas, mas porque é barato. Claro que existem alguns casos em que precisam do Brasil em suas produções, mas em geral, o que manda é o orçamento”. Enquanto em 2007 a produtora fez dez FOTO: Carlos Vecchi

”Caiu o número de pedidos e de aprovações. Hoje a maioria do que recebemos são trabalhos que precisam obrigatoriamente do Brasil.”

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Bianca Corona, da O2 Filmes

projetos e em 2008 12 projetos, em 2009 esse número foi para sete. A produtora costuma receber cerca de 120 projetos para orçar durante um ano. Para sobreviver em tempos difíceis, a Ocean Films tem buscado focar em projetos maiores, que permitem a formação de “caixa”. Além da trajetória da produtora, Marini conta que o trabalho de networking, captando clientes no exterior, também tem sido muito importante. No caso das produtoras que trabalham com empresas nacionais, e que tem no production service apenas mais um tipo de serviço, o impacto da crise não foi tão forte quanto foi para aquelas que dependem do mercado internacional. “Essa queda é uma pena, claro, mas ela não afeta a nossa estrutura”, diz Bianca, da O2 Filmes. Conteúdo não-publicitário Nem só de filmes publicitários vive o mercado de serviços de produção. Também no conteúdo o Brasil serve de locação para produtoras e emissoras estrangeiras, deixando por conta das brasileiras a realização das filmagens e gravações. É o caso da Mixer, que filmou durante dezembro de 2009 o piloto da série “Rio”, ambientada na capital carioca. O piloto, que ainda não foi negociado com emissoras nos Estados Unidos, é da produtora Stone Village, e tem como produtor e diretor Scott Steindorf, que tem no currículo a produção executiva da série “Las Vegas”. A maior parte do elenco e da equipe que

James Lesure e Jason Lewis, atores da série “Rio”: serviço de produção foi prestado pela Mixer.

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participou das filmagens era brasileira. São casos como esse que têm movimentado a área de serviços de produção de algumas produtoras, já que estão mais ligados à necessidade de ter o Brasil como locação do que ao preço. Embora sejam mais esporádicos do que os trabalhos de publicidade, esses projetos têm orçamentos maiores. Além de “Rio”, a Mixer está orçando outros três serviços de produção de conteúdo de grande porte, ligados ao País. “O Brasil está na moda”, diz Vicente Amorim. Ele aposta na área de conteúdo como motor dos serviços de produção caso a moeda continue a ser cotada nos valores atuais. “Acredito que em publicidade não voltará a ser o que era há quatro, cinco anos atrás. A não ser que o dólar suba. Os picos serão nos eventos, como Copa e Olimpíadas”, diz Amorim. “Já o conteúdo, percebo, em conversa com outros executivos, que a tendência é de subir”. Quem também acredita no conteúdo é a Conspiração. “É o setor que mais cresce no mundo”, diz Renata. Em 15 de fevereiro, a marca Converse estreia uma campanha mundial com três filmes sobre três artistas brasileiros produzidos pela Conspiração exclusivamente para a Internet. Não pode, não Além das vantagens financeiras evidentes proporcionadas por um serviço de produção, há ainda outros motivos para que as produtoras alme­ jem por tempos melhores para esse tipo de trabalho. O serviço de produção per­ mite, entre outras coisas, intercâmbio cultural, divulgação do nome da produ­ tora no exterior e promoção do Brasil como polo produtor. “O mais legal desse tipo de serviço é atingir o mundo intei­ ro. Ter a marca lá fora”, diz Bianca, da O2. “Além disso, há a possibilidade de intercâmbio com pessoas da sua área de atuação de outros países”. Essa atuação com pessoas de países e culturas diferentes exige cuidados jurídicos e muita paciência e jogo de cintura para explicar aos estrangeiros como se filma no Brasil. Segundo Bianca, existe um esforço maior para

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Façam suas apostas Para que o serviço volte a ser abundante como foi no passado, os profissionais não podem apenas apostar na desvalorização do real. As associações Film Brazil e Aliança Brasileira de Film Commissions (Abrafic), representantes, respectivamente, das produtoras publicitárias e das Film Commissions (órgãos, geralmente ligados a governos locais, que visam promover e facilitar a vinda

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são voltadas para a coprodução internacional. “Os orçamentos nem chegam aqui. Os estrangeiros querem mecanismos de incentivo. Para entrar na área de ficção, que é muito rentável, seria preciso ter incentivos, como existem no Canadá”, diz Denise Gomes, sócia e produtora executiva da área de entretenimento da BossaNovaFilms. Marini, da Ocean Films, ressalta o papel das associações e do apoio da Apex na divulgação da indústria, mas reclama de outros empecilhos para o desenvolvimento das produções estrangeiras no país: impostos e alfândega. “Trazer equipamento de forma provisória para o Brasil não tem nenhuma facilidade. A alfândega não entende de prazos”, afirma. Para Renata, da Conspiração, será preciso se adaptar. “Temos que adaptar nossos orçamentos. Hoje os orçamentos são metade do que eram no passado. Temos que começar a produzir com menos”, diz. Uma das maneiras para diminuir o custo e que já tem sido utilizada pelas produtoras – e solicitada pelos clientes – é a adoção de câmeras de cinema digital. “Com os orçamentos mais apertados, o HD barateia o custo de produção. O Brasil vai ter que se equipar bem nessa área”, diz Marini. Mesmo que o dólar continue no patamar que está hoje, é possível que em 2010 o serviço ganhe espaço. Isso porque de junho a julho acontece a Copa do Mundo de Futebol na África do Sul, que acaba atraindo atenção para o Brasil, “país do futebol”. Além disso, eventos que serão realizados no Brasil no futuro, como os Jogos Olímpicos de 2016 ou a Copa de 2014, podem servir para trazer mais produções. “Prevemos uma regularização no volume de produções internacionais que foi impactado pela crise mundial em 2009. Devemos ter um aumento de 20% em relação ao ano anterior”, conclui Miranda.

“Enfrentamos quem não tem informação sobre o Brasil. Mas não há nada que uma boa relação, boas locações e bom serviço não apaguem.”

FOTOs: DIVULGAÇÃO

mostrar certas coisas aos estrangeiros. “Eles não conhecem seu equipamento, seu diretor de arte, enfim, é preciso fazer um trabalho de venda desses elemen­ tos”. Um dos itens que sempre gera questões nos estrangeiros é o transporte. “No exterior, cada um usa o seu carro para se locomover. Aqui, alugamos vans de produção. É exaustivo explicar o custo disso”, conta a executiva. Ainda é preciso ter cuidados por parte do produtor para não cair em “enrascadas”, com produtoras pouco transparentes. Para Amorim, se o projeto for tocado com inteligência, quase não há “contras” para esse tipo de serviço. Ele lembra que há exceções, como produtores estrangeiros que acham que no Brasil “pode tudo”. “Essa é uma percepção antiga, que está mudando. Também parte do produtor brasileiro não prometer nada que não seja factível”, diz. Para “Jimmy”, esse preconceito em relação ao país precisa ser revertido. “Temos que reforçar nossa presença, nossos atributos. Enfrentamos quem não tem informação sobre o Brasil. Mas não há nada que uma boa relação, boas locações e bom serviço não apaguem”, diz. Ela acredita que isso pode ser resolvido com um esforço de projeção da área de produção brasileira, para que os estrangeiros entendam melhor o que é o País. “Quando se fala em futebol e Carnaval, as pessoas pensam no Brasil. Pode parecer pretensão, mas queremos que o Brasil seja lembrado também quando se fala em produção”, idealiza.

Irma “Jimmy” Palma, da BossaNovaFilms

de produções para a sua região) realizam ações para impulsionar a transformação do País em polo produtor. No caso da Film Brazil, Miranda diz que nos próximos anos, além das ações focadas no desenvolvimento de negócios e na ampliação do número de produções internacionais, a Film Brazil focará nas características tipicamente brasileiras que as produções locais podem oferecer. “Vamos focar no ‘brasilianismo’, no nosso ‘toque de Midas’ que transforma até mesmo uma produção publicitária com conceitos internacionais em algo unicamente brasileiro”. Além disso, está em estudo para 2010 a realização do Film Brazil Show, uma mostra dos cem melhores comerciais produzidos pelos associados em 2009. “Nossa intenção é que este evento aconteça em polos criativos como Los Angeles, Nova York, Berlin, Londres e Tóquio e atinja um público de até duas mil pessoas por edição”, conta. Já a Abrafic informa que pretende este ano realizar estudos para baratear a mão de obra brasileira. Em abril, durante o Locations Trade Show, os representantes de film commissions brasileiras conversarão com um representante do The Incentives Office, para discutir os incentivos de produção. Essa questão é uma das principais preocupações dos produtores. Já que não têm qualquer poder sobre a variação cambial, eles buscam a mudança das regras dentro do país para produções estrangeiras. A queixa principal é da falta de incentivos fiscais para filmar no Brasil - as linhas existentes hoje

“Acredito que em publicidade não voltará a ser o que era há quatro, cinco anos atrás. Já o conteúdo, percebo, em conversa com outros executivos, que a tendência é de subir.” Vicente Amorim, da Mixer

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Daniele Frederico

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(novas mídias) Fernando Paiva, do Rio de Janeiro

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O homem da telinha Presidente da M1nd explica o mercado de vídeos no celular e faz projeções otimistas para o serviço pago.

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FOTO: Diego González

ma pequena empresa carioca virou referência quando se pensa em transmissão de TV via rede celular. Trata-se da M1nd, que nasceu desenvolvendo jogos para telefones móveis e nos últimos anos conseguiu desbancar concorrentes multinacionais na disputa pela preferência das operadoras brasileiras quando o assunto é TV por assinatura móvel. Sua plataforma, desenvolvida por seus próprios engenheiros, é usada pela Oi e pela TIM. E as negociações estão avançadas com outras operadoras do Brasil e do exterior que também desejam adotar a tecnologia tupiniquim. Com 400 mil assinantes de seu serviço no País, a M1nd quer alcançar 2 milhões até o fim de 2010 e planeja uma reformulação do modelo de negócios, adicionando venda de pay-per-view, vídeo-ondemand e pacotes premium, e gerando receita com mobile advertising. TELA VIVA conversou com o fundador e presidente da M1nd, Alberto Magno, na sede da empresa, na praia de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Alberto Magno, da M1nd, quer chegar a 2 milhões de assinantes até o fim de 2010.

tornou referência no mundo*. Ele virou tese de doutorado na universidade da Carolina do Norte, na Unicamp, na USP, na UFF, na UFRJ, dentre outras. Esse jogo nos colocou no mundo de telecom. Naquela época estava estreando no Brasil a série de TV “24 Horas”. E eu fiquei viciado, tinha crises de abstinência, passava mal. Aí decidimos desenvolver codecs nossos para eu poder ver a série fora do escritório. A solução de TV móvel da M1nd que hoje é vitoriosa começou daí, de um vício meu na série “24 Horas”.

TELETIME - A M1nd nasceu como uma empresa que desenvolvia games. Como surgiu a ideia de oferecer TV no celular? Alberto Magno - Em 2000, em Los Angeles, eu e meu filho começamos a desenvolver games para a plataforma PlayStation, da Sony. Reunimos vários cientistas e engenheiros ao redor do mundo para trabalhar com a gente. E os melhores eram brasileiros. Daí resolvi repatriálos e voltamos para o Brasil. Em 2004 lançamos o game Alien Revolt, que se

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Qual foi o fator determinante para a M1nd ter conseguido contratos para fornecer a plataforma de TV móvel da Oi e da TIM tendo que competir com concorrentes internacionais de peso? Nós somos mais rápidos, mais ágeis e mais inteligentes. Nós trouxemos a expertise que minha família tem em televisão para dentro de telecomunicações. Minha família está no mundo do entretenimento desde 1920. Meu avô teve jornais. Meu tio-avô fazia longas-metragens de cine-jornais nas décadas de 30 e 40. Hoje em dia sou sócio de um canal de TV e tenho duas estações de

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rádio. Minha família atua muito dentro do sistema Globo. E sou sócio de duas produtoras de TV. Quantos assinantes a M1nd tem hoje no Brasil? Qual a previsão para o fim deste ano? Perto de 400 mil assinantes recorrentes. Ficou abaixo da expectativa porque ainda não houve lançamento de uma outra grande operadora. Esperamos chegar a 2 milhões no fim do ano. Acabamos de criar a TIM TV Web e Oi TV Web, que é a TV dentro do minimodem, com as quais poderemos atingir mais 4 milhões de pessoas. Como está a expansão internacional da M1nd? Estamos em testes na Líbia, Líbano, Libéria, Serra Leoa, Angola, Costa do Marfim, Congo. E também em toda a América do Sul, em parceria com a PMóvil. Está sendo testado na Ancel, na Movistar e outras.

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É verdade que outras operadoras brasileiras vão aderir à sua plataforma ainda este ano? Sim, outras duas. Com o line up que temos e com a Copa do Mundo, não tem como eles correrem da gente. Com jogo do Brasil na primeira fase às 15h30, as pessoas vão querer assistir no celular. Como funciona hoje o modelo de negócios entre M1nd, programadoras e operadoras celulares? O modelo é híbrido. Existem vários formatos de assinatura, mas queremos unificar para uma mensalidade, tal como na TV paga que as pessoas têm em casa. Esse é o conceito. Levamos alguns anos para convencer as operadoras a não cobrarem tráfego de dados e a cobrarem uma assinatura para ter um dinheiro recorrente. E essa foi a forma de convencer as programadoras, como Turner, Viacom, Discovery etc, a serem nossas parceiras. E hoje em dia, quando o line up é de total responsabilidade da M1nd, a gente banca a inadimplência que as operadoras apresentam. É para que seja cristalino. O que fez o mercado aceitar nosso produto é que os relatórios são on line. As programadoras, as operadoras e os anunciantes podem ver em tempo real quem está assistindo, onde está assistindo, com qual modelo de handset, o que está assistindo e por quanto tempo fica assistindo. Assim é possível saber exatamente quanto vai pingar no cofrinho no fim do mês. O modelo é de revenue share? As programadoras ganham por número de assinantes, tal como em uma TV por assinatura. Mesmo se o assinante não pagar à operadora, a M1nd honra. Como nossa solução é fim a fim, nós vamos até o billing. Todo o processo é feito, dominado e controlado pela M1nd. A operadora apenas co-audita e envia a fatura para o cliente final.

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Você queria fazer uma transformação nesse modelo. Pode contar detalhes? Hoje em dia existem pacotes de 30 minutos, duas horas, 24 horas e semanal. Vamos abolir esses pacotes e criar uma assinatura mensal. Vai ter pacote básico, premium, video on demand e pay-per-view, tal como numa TV por assinatura. Faremos essa mudança antes da Copa do Mundo.

Oi tivesse um line up parecido com o DTH dela. Para o usuário continuar vendo o programa no celular quando sair de casa. Um dia a galera vai enxergar o óbvio e vai fazer. É muito esperada a entrada dos canais da Globosat na TV móvel. Como andam essas negociações? O que você pode falar a respeito disso? Não posso falar nada.

Em nenhuma operadora com as quais vocês trabalham é cobrado o tráfego de dados para TV no celular? Em nenhuma. Está sendo assim também nos testes com as operadoras africanas e sul-americanas.

A venda de celulares com receptor de TV digital atrapalha o seu negócio? Por quê? Não atrapalha. Mas me sinto desconfortável com essa lei que determina que 5% dos celulares venham com receptor de TV digital a partir de 2012. Isso me lembra os tempos de Médici, Ernesto Geisel, Costa e Silva. Isso me lembra leis de reserva de mercado, obrigatoriedade de exibir curtas... É um equívoco enorme.

Hoje em dia existem pacotes de 30 minutos, duas horas, 24 horas e semanal. Vamos abolir esses pacotes e criar uma assinatura mensal. Vai ter pacote básico, premium, video on demand e pay-perview, tal como numa TV por assinatura.

O prazo ia ser janeiro de 2010. Passou para 2012... Ia ser o caos! Isso é lei de obrigatoriedade, é cerceamento. Deviam botar esse dinheiro para fomentar a pesquisa, para melhorar o valor da bolsa de doutorandos. E o governo está se preocupando em proteger a indústria estrangeira. A não ser que esse dinheiro vá para outro lugar, totalmente escuso, que não sabemos qual é. E é um ano eleitoral... Se todo esse esforço estivesse voltado para fomentar a indústria nacional...

As programadoras empurram canais para vocês como fazem com as operadoras de TV por assinatura? Vale lembrar que no caso de TV no celular há um limite de canais que podem ser transportados... Claro. Nosso limite é de 128 canais, mas fica extremamente desagradável ter tantos canais em um celular. No minimodem dá pra chegar a 212 canais. Criamos agora um pacote básico de 16 canais e outro premium com 31. A Turner quando vem negociar com a gente, traz a CNN e o Cartoon, mas você tem que carregar o Woohoo. O Pitter Rodrigues traz o Discovery, mas te empurra o Planet Green. Não tem jeito, é do mercado. A gente entende isso. Como eles acompanham a audiência dia-a-dia, não é por amostragem como o Ibope, eles veem que estão perdendo tempo tentando botar determinados canais no pacote básico.

Os canais de TV aberta são a favor dessa obrigatoriedade... Eles não ganham dinheiro com isso. Só quem ganharia dinheiro seria o fabricante. Não sou contra TV digital no celular. Acho que as soluções deviam ser híbridas, que nem em casa: ter os canais abertos e fechados. Mas não é um bom negócio para as grandes redes de TV: estão liberando conteúdo de forma gratuita sem aumentar o share e nem aumentar a receita com publicidade. Tem alguma coisa errada aí. Está cheirando mal.

Há pressão por parte das operadoras móveis por exclusividade de canais? Deveria ter, mas não tem. Elas não prestam atenção nisso. Seria natural que a

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O que acha da proposta de usar os canais de UHF para transmissão de TV para o celular? Se tiver conteúdo e for aberto para a produção nacional, se gerar emprego, se houver fomentação da indústria, mais mão de obra especializada, mais cientistas pesquisando, é maravilhoso.

FOTO: Diego González

( novas mídias) “Lançaremos um canal chamado M1nd TV para esse tipo de produção independente. Será um canal experimental para medirmos o resultado e a partir daí criar mobisodes etc..”

O que faz mais sucesso hoje na tela do celular? Notícias, esportes, adulto e desenho animado, nessa ordem. Às vezes es­porte passa notícias, dependendo de algum evento. Nosso público continua sendo majoritariamente composto por homens de 15 a 36 anos das classes A e B. Esse perfil responde por 63% da nossa audiência. Estamos copro­du­zindo um canal feminino para lançar em breve e tentar mudar um pouco isso. Quanto tempo em média as pessoas assistem TV no celular por dia? Oito minutos por dia. É diferente da TV aberta que o sujeito liga em casa e vai para o banheiro, vai para a cozinha, só pelo hábito de ter aquele ruído em casa. E a programação da TV aberta está muito desatualizada. A novela das oito começa às 21h15. Cada vez as pessoas chegam mais tarde em casa e a grade de programação precisa ser alterada. No celular a pessoa vê o que quer, na hora que quer. Ela tem o controle sobre a programação. Eventualmente devem acontecer alguns picos de audiência. Poderia dar exemplos recentes? Sim, acontecem picos alucinados. Quando houve o apagão, nossos sistemas acionaram os no-breaks e os geradores. Fomos os únicos que não saíram do ar. E aí a única fonte de informação sobre o apagão passou a ser a TV no telefone celular. Houve um aumento de audiência na TIM de 540% naquela noite.

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Como fazem a divulgação do serviço? As operadoras estão ajudando? Nós é que geramos mensagens de texto daqui. No carnaval a proposta é enviar 12 milhões de SMS para uma operadora para todos aparelhos compatíveis oferecendo acesso gratuito para ver o desfile no telefone. Depois disso mandaremos outro link perguntando se usuário gostou e se quer continuar assistindo. A partir dali o consumidor precisará pagar a assinatura.

nada: a programadora fica com 40%, a M1nd com 40% e a agência com 20%.

Quando a M1nd começará a gerar receita com publicidade na TV móvel e como será a divisão com canais e operadoras? Todo o mundo já vislumbrou essa necessidade. É uma cultura nova, e o pessoal de mídia ainda pensa com cabeça do século passado, ainda não entendeu direito essa nova ferramenta, que é IP e one-to-one, em que você fala direto com seu consumidor. Aos pouquinhos estamos mostrando essa nova cultura. E estamos demonstrando para as redes de TV que, por ser um novo veículo, existe um valor adicionado. Hipoteticamente, a Globo pode chegar para o Bradesco e dizer: vamos botar sua marca também no celular, são mais 4 milhões de telespecta­ dores, custará mais tanto. Ou dar como bonificação. Se o Bradesco não quiser, como o contrato do banco com o Jornal Nacional é para TV aberta, o departamento comercial da Globo pode vender o espaço no celular para outro banco, como o Itaú, por exemplo. No carnaval de 2009 fizemos a demons­ tração de como isso poderia funcio­nar e agora em janeiro tivemos o primeiro anúncio comercialmente vendido. É uma propaganda do Johnny Walker no canal da TIM. É uma parceria com a agência ponto­mobi. Está tendo 40 mil views por dia. A divisão da receita é feita da seguinte forma: se for no canal da operadora, esta fica com 40%, a M1nd com 40% e a agência que trouxe a publicidade com 20%. Quando é no ca­nal de uma programadora, a operadora não recebe

Os canais das operadoras são o melhor caminho para as produções exclusivas para celular? Não. A M1nd vai lançar um canal chamado M1nd TV para esse tipo de produção independente. Será um canal experimental para medirmos o resultado e a partir daí criar mobisodes etc.

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Há espaço para conteúdo exclusivo de TV para celular? Por quê? Sim. Tem muita gente produzindo. O Luiz Carlos Barreto, por exmeplo, produziu uma série chamada “Mocinhas e Bandidos”, com a Luana Piovani, com roteiro do Nelson Motta, para celular. Deve ser exibido no canal da TIM. Muita gente já está focada e produzindo para essa mídia.

A maioria dos celulares não suporta o serviço. Como superar esse obstáculo? No começo foi muito difícil, mas isso não é mais um obstáculo. Hoje nosso player roda em 217 modelos de handsets, incluindo todos os habilitados para linguagem Java. Roda em terminais Nokia, Blackberries, iPhone, celulares Android... O que você espera para o futuro da TV no celular? O que você imagina para daqui a alguns anos? Não serão celulares, mas devices móveis. A função de celular será ínfima dentro do aparelho. O telefone será seu banco, sua identididade, seu CPF, sua televisão, sua chave de carro, seu contato com casa, seu contato com seu PVR para mandar gravar um programa na sua TV. Isso tudo vai acontecer daqui a dois anos no máximo. *O jogo Alien Revolt foi um dos primeiros no mundo a utilizar tecnologias de localização.

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( making of )

Daniele Frederico

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Cremosidade tecnológica

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fotos: divulgação

ara explorar a cremosidade de um sorvete, não há nada mais prático do que mostrar o momento em que ele é retirado do pote e suas finas tiras lentamente tomam a forma de uma bola macia e suculenta. A cena, que raramente está ausente de comerciais de sorvete, chega a dar água na boca, assim como no comercial “Mundo Cremoso”, criado pela DM9DDB e produzido pela Vetor Zero/Lobo para a Kibon. Aquela massa aparentemente deliciosa, na verdade, é um mock-up, assim como o leite e outros produtos retratados no comercial. E foi por sua disposição a construir um mundo que realmente pudesse despertar a sensação de cremosidade que a Vetor Zero ganhou uma concorrência internacional para a realização da campanha. Ao invés de criar o “mundo cremoso” descrito pela agência totalmente em 3D, os produtores optaram por apresentar uma maquete real, construída com texturas idênticas às do sorvete. “Foi um desafio encontrar essa dramaticidade do mundo cremoso”, conta o diretor Nando Cohen. “Seria fácil fazer um mundo em 3D que fosse incrível. Mas ele tinha que ser de sorvete, ter a textura do produto. Nossa preocupação inicial foi a de que o cliente vende sorvete, e não uma fantasia. E na maquete encontramos a melhor textura”, explica. Assim, a produtora 9.8 Efeitos Especiais, que produz efeitos físicos, foi chamada para fazer a maquete, o sorvete e o leite que aparecem no comercial. “A bola de sorvete que cai no leite foi filmada a mil quadros por segundo”, diz Cohen. Vale lembrar que a necessidade de mock-up acontece, entre outros motivos, pelas altas temperaturas das lâmpadas de

Produção recorreu a mock-ups para reproduzir com fidelidade a textura do produto e criar um mundo feito de sorvete.

iluminação, que fariam o sorvete derreter. Paralelamente ao desenvolvimento da maquete, que teve o conceito criado pela Vetor Zero em 3D antes de se tornar real, a produtora dedicou-se à criação de um robô. Foi desenvolvido um software que passava as informações da animação (realizada no computador) para o braço mecânico. Esse braço tem uma câmera acoplada a si e tira fotos, produzindo, portanto, o mesmo efeito do stop motion. “Exportamos o movimento de câmera para o robô e ele se encarrega de posicionar a câmera no local certo”, conta o diretor. O robô foi utilizado para fazer o “passeio” por toda a maquete. Uma vez realizados os efeitos “físicos”, com o cenário real construído pela 9.8, e a captação do cenário de sorvete artificial com a ajuda do robô, foi a vez do 3D entrar em ação para a construção dos personagens. A menina, apresentada no

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começo do comercial, torna-se uma personagem de sorvete no momento em que beija um menino do “mundo cremoso”. “Copiamos a textura do sorvete criada pela 9.8 por observação e fotos tiradas da maquete. A partir dessa textura, fizemos o render”, conclui Cohen.

ficha técnica Título Mundo Cremoso Anunciante Unilever Brasil Produto Kibon Pote 2 Litros Agência DM9DDB Produtora Vetor Zero/Lobo Direção Nando Cohen Direção de fotografia Roberto Laguna Direção de animação Fábio Shigemura/ Gabriel Nobrega Direção de arte Marcos Botassi Montagem Vinicius Martins Finalização Vetor Zero/Lobo Trilha Sonora Dudu Marote Locução Gisele Calazans

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Mãos à obra

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om ares de superprodução, a Tilibra apresentou sua estratégia de volta às aulas. O filme, produzido pela Produtora Associados, faz parte de uma campanha para mostrar a variedade de capas de caderno da marca. O comercial começa com pinta de cinema: um helicóptero acompanha uma fila de caminhões em uma pista de terra. Os caminhões se aproximam de uma espécie de acampamento, montado em uma paisagem desértica. Ali, uma equipe se prepara para receber a mercadoria: caixas e mais caixas de cadernos Tilibra, que dispostos no chão do deserto formarão uma grande imagem da Monalisa, de Leonardo Da Vinci. O toque de humor é dado ao final do comercial, quando a trilha sonora é interrompida e a Monalisa formada de cadernos move sua boca, produzindo um som de beatbox, que é a arte de produzir música com a boca. A sensação que se tem é que as pessoas estão reunidas para uma produção de cinema. E a produção teve mesmo números grandiosos para provocar essa impressão: foram utilizados dois helicópteros um para filmar, e outro para aparecer em cena; seis caminhões, cerca de 150 pessoas entre equipe e elenco, e cabanas do exército. As cabanas, que foram cedidas à produção em troca de uma doação de cadernos da marca, foram utilizadas por serem as mais apropriadas para lugares inóspitos como esse. “O desafio foi filmar em condições inóspitas, já que a sensação térmica na locação era de 40°C”, conta o diretor do filme, Rodrigo Lewkowicz. A locação do comercial foi a pista do aeroclube de Mogi Mirim, no interior paulista, que é pouco utilizada. O ponto alto - e curioso - do

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comercial é a formação da imagem da Monalisa com as capas de caderno. Segundo o diretor, a imagem foi conseguida com a ajuda de um software. “Colocamos as capas de caderno em um programa. E esse programa nos deu um mapa de como as capas teriam de ser dispostas para formar essa imagem”, conta. Para que o comercial fosse filmado em uma diária, foram realizados três ensaios. “Fizemos os ensaios para ver se o programa estava nos dando o mapa certo”, diz Lewkowicz. O programa foi desenvolvido pela equipe de pósprodução da Produtora Associados/Casablanca. Assim, 190 tipos de capas diferentes serviram de base para a montagem da Monalisa, construída com cerca de cinco mil cadernos. Para captar a imagem da pintura que se forma ao final, um guindaste de 50 metros com uma câmera foi utilizado como grua. O beatbox feito pela Monalisa no comercial, embora se pareça com um stop motion, foi feito na pós-produção pela equipe Produtora Associados/Casablanca. Ao final, o site da campanha www.meutilibraminhacara.com.br aparece na tela. No site, os internautas são convidados a criarem um caderno com a sua própria foto e a responder à pergunta: “como seria um mundo com a sua cara?” para concorrer a kits da marca. ficha técnica Cliente Tilibra Produto Cadernos 2010 Agência Talent Propaganda Produtora Produtora Associados Direção Rodrigo Lewkowicz Montagem Daniel Bontempo Finalização Produtora Associados/Casablanca Prod. de som Satélite

Um software indicou à produção a posição em que deveriam ficar os cinco mil cadernos que formam a imagem da Monalisa.

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( case )

As Aventuras do Avião Vermelho Produtoras gaúchas coproduzem longa-metragem de animação inspirado na obra de Érico Veríssimo com recursos de editais, patrocínios e incentivos nacionais e regionais. FOTOs: divulgação

Esta matéria faz parte de uma série que Tela Viva publica mensalmente, explicando o desenvolvimento de projetos audiovisuais bem sucedidos, sob o ponto de vista do modelo de negócios e do financiamento.

Sem orçamento, produtoras e profissionais envolvidos na produção do longa terão cotas de participação nos resultados do filme.

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ma parceria entre duas produtoras do Rio Grande do Sul, a Armazém de Imagens e a Okna Produções, levará aos cinemas a adaptação do livro “As Aventuras do Avião Vermelho”, obra do escritor conterrâneo Érico Veríssimo. A ideia é que o longa-metragem infantojuvenil em animação esteja pronto para o lançamento no segundo semestre de 2011. A associação das produtoras foi feita para que a combinação de expertises, de criação artística e de produção executiva, gerasse melhores resultados. Os diretores Frederico Pinto, da Armazém de Imagens, e José Maia, após vários curtas destinados ao público infantil, perceberam o interesse das crianças por histórias lúdicas e começaram a pesquisar um livro para a produção de um longametragem, o primeiro da produtora. “As Aventuras do Avião Vermelho”, de Veríssimo, foi escolhida pelos personagens cativantes e pela temática abrangente como a relação entre pai e filho, a descoberta da leitura, a importância dos amigos e a força da imaginação. A história é protagonizada por Fernandinho, um garoto de oito anos que, com a morte da mãe, torna-se um menino solitário e sem amigos. O pai, sem saber como lidar com a situação, tenta conquistar o menino com presentes, mas nada

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Enquanto a Armazém de Imagens se concentra na criação artística e direção do longa-metragem de animação, a Okna Produções cuida da produção executiva.

parece funcionar até que ele presenteia o filho com seu livro de infância. Encantado com a história, Fernandinho decide que precisa de um avião para salvar o Capitão Tormenta, aviador, personagem do livro, que está preso no Kamchatka. A bordo do Avião Vermelho e junto com seus brinquedos favoritos, Ursinho e Chocolate, que ganham a vida com sua imaginação, Fernandinho visita lugares inusitados, como a Lua e o fundo do mar, e percorre diferentes territórios. Os diretores negociaram os direitos

Porto Alegre para o desenvolvimento de Projetos de Longa-Metragem, cujo aporte foi de R$ 40 mil. O prêmio possibilitou a criação do roteiro e formatação do projeto para inscrição em leis de incentivo e editais. Copiloto O filme começou a ser produzido em abril de 2009, alguns meses após a Armazém firmar uma parceria com a Okna. As produtoras já haviam trabalhado juntas no ano anterior,

Com 60% do orçamento captado, produtores acreditam que concluirão o orçamento com recursos nacionais, mas não descartam uma coprodução internacional para a finalização. para a adaptação da obra diretamente com a Agência Riff, que representa os direitos autorais de Érico Veríssimo e trabalharam no argumento, que venceu em 2003 o Prêmio Santander Cultural - Prefeitura de

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quando a Armazém venceu um edital do Ministério da Cultura para a produção de curtas-metragens com temática infantil, o Curta Criança, com o projeto de “Tratado de

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Liligrafia”. “A Armazém já estava muito envolvida com o desenvolvimento do longa-metragem e nos chamaram para cuidar da produção do curta-metragem”, conta Aletéia Selonk, da Okna, encarregada da produção executiva de “As Aventuras do Avião Vermelho”. O êxito da parceria na produção do curta-metragem fez com que as produtoras se associassem em janeiro de 2009 para a produção do longametragem de animação. “A Armazém cuidou sozinha de toda a concepção e desenvolvimento do projeto. Quando eles já tinham os principais recursos e patrocinadores, eles imaginaram que seria bom trabalhar com uma gestora de projetos e nos chamaram. Assim, o Frederico poderia ficar mais concentrado no trabalho de direção”. Como observa Aletéia, as produtoras têm perfis diferentes e se complementam. A Armazém é mais concentrada na produção para o cinema e televisão, com ênfase em projetos de animação e no público infantil, já a Okna, dedica-se à gestão de projetos audiovisuais e culturais, cuidando de projetos de cinema e televisão, com documentários e ficção no portfólio. O filme já tem 60% do orçamento, estimado em R$ 3 milhões, captado. Os recursos vêm do Programa Petrobrás Cultural (R$ 600 mil), edital do BNDES (R$ 800 mil) e captações através do Artigo 1º e Artigo 1º A que, atualmente, correspondem a aproximadamente R$ 300 mil. Entram como patrocinadores empresas como Banrisul, Corsan, Eny Calçados, Metasa, Randon, Unifertil, Sulgás e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Segundo Aletéia, o restante da captação deve acontecer com recursos do Brasil. A produtora continua captando pelo Artigo 1º A e espera a aprovação na Lei Estadual de Incentivo à Cultura no Rio Grande do Sul e no Fundo Setorial do Audiovisual, além de patrocínios diretos. “Não

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descartamos uma coprodução internacional para a finalização ou alguma parte mais técnica. No estágio em que estamos, não pensamos em uma coprodução que queira interferir no roteiro, por exemplo”, observa Aletéia. Os produtores já levaram o projeto a rodadas internacionais de negócios. No ano passado, o longa-metragem foi apresentado no Festival de Hueva, na Espanha, e no Cartoon Conexion, encontro de profissionais do mercado de animação da Europa e América Latina, que aconteceu em Buenos Aires. Preparar para decolar Atualmente, a equipe trabalha na pintura e texturização, início da quarta sequência do Animatic, modelagem 3D, animação 2D, seleção de elenco secundário e gravação das vozes do elenco principal. Grande parte da animação é 2D, produzida em papel. No entanto, os cenários e o planejamento dos movimentos de câmera são produzidos digitalmente em 3D, mesma técnica em que o Avião e todas as máquinas do filme estão sendo modeladas e animadas. Para cada plano é produzida uma série de movimentos e imagens, que servem como base para os desenhos produzidos no papel. Posteriormente eles são digitalizados e coloridos em um processo de pintura digital. O 3D é utilizado como uma ferramenta para aperfeiçoar e facilitar o processo de trabalho, embora a aparência final seja a do desenho animado 2D. “Paralelamente à produção, estamos trabalhando na construção de marca. Temos como meta este ano buscar um contrato de licenciamento e firmar parceria com uma distribuidora experiente na colocação de filmes nacionais, disposta a se envolver no lançamento de uma animação infantil”, destaca Aletéia, lembrando que a ideia dos produtores é, posteriormente, desdobrar o longa-metragem em uma série de animação para a TV.

Sinopse: O filme conta a história de Fernandinho, um menino de oito anos que, ao perder a mãe, torna-se um garoto solitário, sem amigos e com problemas de relacionamento com o pai e na escola. Sem saber como lidar com a situação, o pai tenta conquistá-lo com presentes. Nada funciona até que ele presenteia o filho com um livro de sua infância. Encantado com a história, Fernandinho decide que precisa de um avião para salvar um personagem do livro: o Capitão Tormenta, aviador que está preso no Kamchatka. Ele parte para a aventura a bordo do Avião Vermelho, levando consigo brinquedos que ganham vida com sua imaginação.

As Aventuras do Avião Vermelho

80 minutos

Duração prevista

crianças de 6 a 10 anos Frederico Pinto e José Maia

Público-alvo Direção Produção executiva Produção  Produtoras

Aletéia Selonk e Lisiane Cohen Aletéia Selonk, Camila Gonzatto e Frederico Pinto

uções Armazém de Imagens e Okna Prod

Ana Carolina Barbosa

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(radiodifusão)

Fernando Lauterjung

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TV em retrato Pesquisa aponta perfil da típica emissora de TV brasileira. Radiodifusores apontam necessidade de mudanças em áreas estratégicas como comercial e de produção, além das áreas técnicas.

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emissora televisiva regional brasileira se caracteriza por produzir pouquíssimo conteúdo além do jornalismo, dependendo muito do conteúdo gerado pelas cabeças de rede; cobrir uma vasta área formada por dezenas de municípios; e ter entre os principais anunciantes o governo local. Pelo menos esta é conclusão que se tira a partir de uma pesquisa realizada junto a profissionais de emissoras que frequentaram a última edição do Congresso da SET, em setembro de 2009. A pesquisa foi realizada pela TVConsulting, recémcriada empresa de consultoria dedicada a diversas áreas das emissoras. A empresa foi criada com apoio da fabricante de transmissores Linear, que indicará a consultoria a seus clientes e, em muitos casos, diz o gerente comercial Luis Navarro, oferecer os serviços de consultoria empacotados com os equipamentos. A pesquisa foi coordenada pelo jornalista José Carlos Aronchi, consultor de conteúdo e responsável pelo planejamento e operações da TVConsulting. “Foram ouvidos diretores e proprietários de emissoras de TV de todas as regiões do Brasil. O resultado traçou o perfil e apontou as carências e as oportunidades do mercado na fase de digitalização”, diz. A pesquisa, vale ressaltar, ouviu principalmente as emissoras comerciais, sendo que os principais fornecedores de conteúdo das emissoras ouvidas são as cinco grandes cabeças de rede (Globo, Record, SBT, Bandeirantes e RedeTV!), que são responsáveis pela programação de 68,96% dos ouvidos.

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O restante fica dividido entre as TVs legislativas e públicas/educativas. Entre os ouvidos, 70,97% são emissoras comercias; 22,58% são educativas ou públicas; 3,23% são universitárias; e 3,23% são canais de TV por assinatura. A separação geográfica das emissoras ouvidas é a seguinte: Nordeste 35,48%; Sudeste 22,58%; CentroOeste 19,35%; Norte 12,90%; Sul 9,68%. A visão que a maioria destas emissoras têm de produção de conteúdo é antagônica. Produz-se muito pouco e dedica-se pouquíssimos esforços nesta área, mas, aparentemente, a vontade é a de produzir mais. A maioria das entrevistadas colocou-se a favor da transmissão de multiprogramação na TV digital. Posicionaram-se a favor 64,52%, enquanto 3,23% acham que o momento não é o ideal e 6,45% acreditam que a decisão cabe a cada emissora. Apenas 25,81% colocaram-se contra. Com a multiprogramação, caberia a estas emissoras transmitir mais conteúdo, da onde se conclui que há um desejo de aumentar o volume de produção. No entanto, a distribuição do número médio de funcionários entre as emissoras entrevistadas mostra algum descaso com a área de produção. O departamento é, entre as áreas

nova consultoria A TVConsulting pretende oferecer consultores independentes nas áreas de engenharia, administração, marketing, operações, interatividade, jornalismo, criação e produção. Segundo Luis Navarro, gerente comercial da Linear e responsável técnico pela consultoria, a TVConsulting conta com profissionais como Adilson Pontes Malta e o professor Guido Lemos. Um dos parceiros nessa consultoria é o Inatel – Instituto Nacional de Telecomunicações, que ministrará cursos e treinamento in company.

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estruturais de uma emissora, o menos atendido, contando com 4,12% dos funcionários. Os números refletem as grades de programação da TV aberta brasileira. A maior parte do conteúdo é gerado pelas cabeças de rede, enquanto a produção local se restringe ao telejornalismo. A produção de ficção entre as emissoras ouvidas é nula. Cobertura Mesmo com quase todo o investimento à produção local direcionado ao jornalismo, as reportagens das emissoras dificilmente conseguem efetivamente cobrir a área coberta por seus sinais. Uma emissora hipotética formada pela média das respostas da pesquisa contaria com pouco menos de 50 funcionários dedicados à área de jornalismo. Metade das emissoras cobre entre 51 e 300 municípios. É difícil imaginar que seja possível ter alguma visão além de superficial do cotidiano da área atendida. A ampla área de cobertura da maioria das geradoras define também o perfil dos anunciantes. Vale lembrar, pelo contrato de afiliação com a maioria das redes, as regionais não podem vender diretamente para anunciantes considerados nacionais, salvo em casos de eventos especiais. Já o perfil do anunciante regional fica limitado justamente pela grande cobertura. Pequenos varejistas têm dificuldade em anunciar para áreas mais amplas, muito mais amplas que as áreas atendidas por suas lojas. Como resultado, as emissoras regionais apontaram como principais anunciantes os governos estaduais (representam o maior anunciante

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para 15,38% dos entrevistados); governos municipais (são os principais anunciantes de 11,54%); além de redes varejistas com grande presença regional, sendo que Bom Preço, Extra Hipermercados e Lojas Insinuante foram apontados, cada um, como principais anunciantes por 5,13% dos entrevistados. Entre os outros destaques estão Casas Bahia, assembleias legislativas, G. Barbosa (rede de lojas e farmácias), Supermercado Nordestão e Igreja Universal.

equipamentos de captação e estúdios com os quais as emissoras trabalham estão Sony (30,68%), Grass Valley (9,09%), Panasonic (7,95%) Produção 4,12% Administração 17,11% e Sennheiser (7,95%). Já na Comercial 6,92% área de transmissores Engenharia 14,69% encabeçam a lista os fabricantes nacionais Linear (38,46%) e Telavo (16,92%), que fabricam principalmente Jornalismo 28,81% transmissores de baixa e Operações 28,35% média potência, seguidos de Harris (10,77%) e NEC gêneros de programas produzidos (9,23%). A pesquisa aponta Eventos 0,91% Infantil 0,91% ainda algumas Rural 0,91% Político0,91% Infraestrutura técnica oportunidades para Talk show 0,91% Prestação de serviços 0,91% A pesquisa da TVConsulting prestadores de serviços. A Variedades 1,82% Novela 0,91% mostra como é configurada a maioria das emissoras Religioso 0,91% Especiais - temáticos 1,82% infraestrutura das emissoras e regionais entrevistadas Plenário ao vivo 2,73% Telejornalismo 24,55% o que deve mudar nos precisará de auxílio na Debate 2,73% próximos anos. A pesquisa migração. Apenas um terço Auditório 4,55% Revista 5,45% mostra que pouco mais da dos entrevistados afirmou metade (53,13%) compra não precisar de equipamentos conforme a consultorias na necessidade. São emissoras digitalização. A tendência Esportes 6,36% que não contam com reflete o nível de Entrevista 17,27% investimentos regulares em especialização dentro Musical 10,91% Documentário 14,55% equipamentos e tecnologia, destas emissoras. Um terço Fonte: TVConsulting fazendo desembolsos conforme delas conta com um diretor a demanda, para substituir de engenharia. Nas outras, equipamentos quebrados, por Marcas o responsável pela área é exemplo. O restante, no entanto, Outro ponto levantado na pesquisa é um profissional de perfil “júnior”. afirmou fazer planejamento conforme onde as emissoras compram seus Além do investimento na digita­ o orçamento anual. equipamentos. Apesar da presença local lização, os entrevistados apontaram Contudo, uma necessidade da maioria dos fabricantes internacionais necessidade de aperfeiçoamento nas “pontual” fez com que mesmo e de um volume elevado de distribuidores a área de operações (em 17,24% dos aqueles que só investem conforme a no Brasil, a maioria das emissoras ainda casos), e nas áreas técnica e de necessidade também fizessem usa a importação direta para comprar produção (cada uma é apontada por algum planejamento: a TV digital. equipamentos. Importam diretamente 10,34% dos entrevistados). Quase metade (45,45%) dos 37,84% dos entrevistados; compram A busca por mudanças e por entrevistados já havia iniciado ou localmente dos fabricantes 31,08%, algum direcionamento nestas pretendia iniciar ainda em 2009 as enquanto 31,08% compram de mudanças também é evidente. transmissões digitais. Em 2010, distribuidores locais. Mesmo recorrendo Algumas áreas foram apontadas, 36,36% pretende iniciar as muito à importação direta, os com respostas espontâneas, como transmissões digitais, enquanto radiodifusores admitem depender dos aquelas nas quais há interesse na 18,18% pretende iniciar apenas em representantes locais. Perguntados a quem contratação de consultorias. 2011. Um grande investimento recorrem em caso de dúvidas sobre Empatados em 8% das respostas estava previsto para 2010, e não alguma área ou equipamento da emissora, estão as áreas comercial, marketing, apenas na transmissão digital. Dois 43,90% afirmaram procurar fabricantes administração, redação e produção terços dos entrevistados afirmou ou fornecedores; 29,27% recorrem a de conteúdo, além de áreas mais pretender migrar os estúdios para profissionais amigos. técnicas de engenharia, TV digital e alta definição ainda em 2010. Entre os principais fabricantes de digitalização do acervo.

número de funcionários por departamento

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

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Câmeras de estúdio da Sony são usadas em sistema de captação 3D.

Do laptop para a TV

FOTOS: divulgação

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3D compacta

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m modelo de câmera recém-lançado pela Sony foi apresentado em dezembro passado, em Burbank, na Califórnia, como uma solução viável para a captação de imagens 3D. A distribuidora BandPro, em seu evento anual, apresentou as câmeras compactas HDC-P1 montadas em pares. Originalmente criada para uso em estúdio, a HDC-P1 é uma câmera “box-style” compacta. O equipamento capta em full HD com CCD de 2/3”, tem montagem de lentes B4 e permite usar frame rates variáveis, incluindo 24p. Estas características fazem com que a câmera seja uma alternativa para resolver um problema frequente na captação em 3D. Quanto maiores as câmeras, mais complexos ficam os equipamentos de movimento e mais limitada fica a mobilidade, levando-se em conta que na estereografia são usadas sempre duas câmeras. A solução apresentada usando as câmeras Sony é ideal quando é necessária a captação com câmeras no ombro ou com o uso de um Steadicam. O sistema montado para demonstração usava lentes Zeiss DigiPrime e DigiZoom, equipamentos criados especificamente para câmeras de cinema digital que trabalham com CCD de 2/3”. As lentes passam por tratamento de uniformidade de cor, da mesma forma que as tradicionais lentes de cinema. Trata-se de um processo fundamental para a produção em 3D, já que garante que as duas câmeras usadas não apresentarão diferenças na captação de cores. Por fim, o sistema contou com um monitor Astro Design SM-3324. O equipamento, de 24” conta com um processador interno que permite trabalhar com diversos formatos 3D (linha por linha, sequenciamento dos campos ou imagens lado a lado), gerando automaticamente uma imagem 3D. Com isso, é possível processar dois feeds HD-SDI simultaneamente e gerar uma imagem 3D, mesmo em campo.

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evar os sinais de vídeo da saída VGA de computadores, bem como os sinais de áudio, para dispositivos com entradas HDMI ficou mais fácil. Uma solução da Atlona permite fazer a conexão sem a necessidade de trocar a placa de vídeo ou de comprar caixas mais complexas para fazer o trabalho. O AT-HDVieW oferece várias resoluções HDTV e PC, chegando a 1080p e 1920x1200, respectivamente. O equipamento é escalonador/conversor. Em outras palavras, ele se encarrega de fazer todos os ajustes necessários, de forma transparente ao usuário. Não é necessário mudar qualquer configuração na placa de vídeo. Os cabos VGA, de áudio e USB já vêm acoplados ao equipamento. A alimentação se dá pelo próprio cabo USB, permitindo que o equipamento seja usado em laptops, sem a necessidade de fontes externas de alimentação. Escalonador/conversor leva sinais VGA e de áudio a dispositivos com porta HDMI.

DIVArchive ganha nova versão, mais automatizada e segura.

Arquivo automatizado

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DIVArchive, da Front Port Digital, chega à versão 6.3 trazendo alguns avanços. A solução de arquivamento, instalada em mais de 350 empresas de broadcast, passa a suportar o sistema de gerenciamento e planejamento de armazenagem Unicode. Trata-se de um componente que gerencia automaticamente o ciclo de vida do conteúdo, baseado em regras e diretrizes totalmente configuráveis. Com isso a solução é capaz de decidir por quanto tempo o conteúdo fica disponível em cada mídia, como servidor ou sistema robótico de fitas, ou mesmo se pode ser apagado. Outra novidade da nova versão é que o DIVAprotect, antes opcional, passa a estar disponível como componente de linha. A solução, ao monitorar continuamente a infraestrutura de armazenamento digital, incluindo os equipamentos de aquisição de imagem, equipamentos conectados à rede, mecanismo de transcodificação e outros parâmetros-chave da infraestrutura, previne contra perdas de conteúdo ou de qualidade por conta da degradação de fitas e drives.

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