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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 16_#178_dez2007

Como programadoras, operadoras e produtores estão reagindo ao projeto de lei que impõe cotas de produção nacional nos canais por assinatura

BRASIL NA CABEÇA PRODUÇÃO A logística da Globosat para produzir mais de mil jogos por ano em PPV

ANIMAÇÃO Com parcerias, Maurício de Sousa quer levar a Mônica ao mercado global


MIXER. PUBLICIDADE, DOCUMENTÁRIOS, LONGAS, SÉRIES, PROGRAMAS PARA TV, ANIMAÇÃO E CONTEÚDO DIGITAL COMPLETAMENTE INTEGRADOS.


DOUTOR

ES DA A

LEGRIA

A Mixer é um modelo integrado de produtora. Todas as disciplinas atuam juntas, permitindo uma constante troca de experiências entre os profissionais das diferentes áreas, para atingir um padrão de qualidade cada vez mais surpreendente. Mixer, conteúdo que realmente tem conteúdo.


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Presidente Diretor Editorial Diretor Editorial Diretor Comercial Diretor Financeiro Diretor de Marketing

Editor Tela Viva News Redação

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Rubens Glasberg André Mermelstein Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski Leonardo Pinto Silva

Mariana Mazza (Repórter) Letícia Cordeiro Carlos Edmur Cason (Direção de Arte) Debora Harue Torigoe (Assistente) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Bárbara Cason (Colaboradora) Roberto Pires (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Gislaine Gaspar Vilma Pereira (Gerente) Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Marcelo Pressi 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira

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tentativa do Legislativo de criar uma nova regulamentação para as comunicações em tempos convergentes acabou se desviando das grandes questões. O debate sobre temas importantes, como a propriedade e controle dos meios de comunicação, a regionalização e a participação da produção independente na televisão virou, na última hora, uma discussão sobre cotas de programação nacional na TV por assinatura. O PL 29/2007, se for aprovado como está propondo o deputado Jorge Bittar (PT/RJ) em seu substitutivo, será de execução no mínimo complexa. Como está, além de obrigações inéditas, o texto traz mais dúvidas que esclarecimentos. Operadoras e programadoras estão em pânico, porque a proposta de Bittar mexe em detalhes da programação hoje comercializada, algo que a legislação atual não chega nem perto de fazer. A ABTA tenta mobilizar os assinantes com uma campanha na TV e na internet contra a imposição de conteúdos. Os produtores comemoraram a iniciativa das cotas, e mesmo não querendo melindrar seus bons clientes, os canais pagos, apóiam o deputado Jorge Bittar. Mas nessa história, todos correm enormes riscos. A idéia da ABTA de envolver os assinantes pode ser um tiro no pé, pois eles podem concordar com a idéia de não serem obrigados a pagar por conteúdos que não querem assistir e começar a reclamar dos intermináveis infomerciais, ou até exigir canais à la carte. Afinal, ninguém quer mesmo pagar pelo que não usa. Os produtores nacionais reclamam por mais espaço, mas podem ganhar a antipatia dos assinantes de TV paga se não conseguirem atendêlos com qualidade e se o conteúdo nacional tomar o lugar de conteúdos estrangeiros dos quais as pessoas gostem. Bittar acerta ao criar novos mecanismos de financiamento da produção audiovisual nacional, como o uso de parte do Fistel. Mas em lugar de impor que os canais de TV paga carreguem conteúdos nacionais compulsoriamente, poderia apenas obrigar as operadoras a oferecer os canais nacionais a quem quisesse comprá-los, impedindo a restrição a qualquer grupo, sem que se precisasse fazer uma cirurgia aparentemente inexeqüível na programação atual. Cabe também uma explicação clara à sociedade sobre as razões para não colocar os mesmos mecanismos de estímulo ao audiovisual nacional na TV aberta, que é gratuita e utiliza um espectro público, pelo qual chega a mais de 95% dos lares brasileiros. Uma coisa é certa. Ninguém, nem os deputados, nem os produtores, nem os canais e nem os programadores perguntaram ao assinante o que ele quer ver. E ele, coitado, é quem acaba pagando a conta, qualquer que seja o resultado.

Daniele Frederico Humberto Costa (Colaborador) Lizandra de Almeida (Colaboradora)

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ilustração de capa: carlos fernandes/gilmar

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Ano16 _178_ dez/07

(índice ) TV por assinatura

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Projeto de Lei propõe cotas de programação nacional

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Figuras

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TV digital

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Grupos regionais se preparam para a transição

TV Brasil

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Desafio agora é a conquista do público

Audiência

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Produção

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Globosat captará quase mil partidas de futebol em 2008

( cartas)

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Audiovisual

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Congresso Brasileiro de Cinema tem nova diretoria

Home video O aluguel de filmes está sendo ameaçado por fatores como a pirataria, que só é praticada porque existem meios disponíveis para isso (hoje qualquer pessoa pode ter um gravador de DVD). Parece-me uma (boa) contradição que, ao mesmo tempo, o setor tenha buscado a saída para o problema por meio das novas mídias. O que resta saber é como essas distribuidoras e locadoras vão utilizar as novas mídias. Será um meio barato e rápido para ter acesso ao conteúdo ou continuaremos pagando caro para ter filmes e séries de forma legal em nossas casas? Henrique Franco, São Paulo

Making Of

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Animação

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Mauricio de Sousa em busca do mercado internacional

Artigo 44

TV digital no satélite Olá. Gostaria de saber se haverá set-tops de TV digital para satélite, já que na minha região só pego a TV aberta pela parabólica. Obrigado, Valdo José Ricardi, Santa Branca, São Paulo

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As promessas do mercado de games

Cinema

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Cineclubes ganham espaço no cenário político

Valdo, Já existem set-tops (receptores) para TV digital, mas não em HDTV. As redes ainda não definiram se transmitirão em HDTV no satélite, e se isso acontecer, você terá que esperar ainda que surja um receptor apropriado. Enquanto isso, é melhor aguardar a TV digital terrestre em sua região e ver se o sinal chegará na sua residência.

Upgrade

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Agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

telavivanews www.telaviva.com.br 6

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Pioneira da indústria de TV digital, oferece tecnologia de ponta no Brasil e no resto do mundo, trazendo soluções de começo-ao-fim para ISDB-Tb. Operações de Negócios

Gerenciamento de Conteúdo

Jornalismo e Edição

Processamento Central

Transmissão do Canal

Transporte de Conteúdo

Transmissão

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( scanner ) Vitória contra a pirataria

Foto: marcelo pereira

Cerca de cem horas de programas da grade dos canais ESPN serão colocadas na Internet ao mês. A programadora anunciou em dezembro o lançamento de sua plataforma de vídeos em banda larga, a ESPN 360. São essencialmente os programas transmitidos pelo canal, como noticiários e debates esportivos, com clipes de lances dos esportes cobertos pela ESPN, além de arquivos históricos referentes ao esporte nacional e internacional. Não há previsão de transmissão de eventos ao vivo em um primeiro momento, mesmo porque a negociação de direitos para a Internet é feita separadamente dos direitos para a TV. Os programas não são exibidos na íntegra, mas segmentados, para que o usuário possa assistir ao trecho que desejar. Além disso, os conteúdos serão indexados, permitindo que uma ferramenta de busca localize dentro dos conteúdos ofertados um assunto específico. Não há conteúdos disponíveis para download, apenas streaming em tecnologia Flash. Inicialmente, a plataforma está disponível apenas no portal Terra, que abrirá o conteúdo por um mês para qualquer visitante. Depois disso, apenas usuários cadastrados (não necessariamente pagantes) terão acesso. A ESPN deve oferecer a plataforma a outros provedores de banda larga, a começar pelas próprias operadoras de cabo que já distribuem o canal. Com o Terra, o modelo de negócios adotado é o de divisão de receitas de publicidade. A plataforma terá espaço para anúncios antes e entre os clipes, bem como banners e outros formatos.

fotos: divulgação

Conteúdo 360º

A sentença da juíza substituta da 6ª Vara Federal Cível, Renata Coelho Padilha Gera, julgou parcialmente procedente os pedidos indenizatórios do Consórcio Europa contra a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) por conta do Cine Falcatrua, projeto defendido em curso de extensão da universidade que, em 2004, promoveu exibições públicas de cinema usando cópias de filmes ilegais obtidas através da Internet. Este foi, segundo o advogado Marcos Bitelli, autor da ação, o primeiro caso no Brasil a envolver a questão dos downloads ilegais de conteúdos audiovisuais pela Internet. O Consórcio Europa pediu a abstenção das exibições públicas de obras por ela licenciadas e a destruição dos equipamentos usados para as exibições. Além disso, pediu indenização por danos patrimoniais e morais. A UFES deverá pagar multa diária de R$ 10 mil por novas infrações semelhantes. Também, foi condenada a pagar ao Consórcio Europa, a título de dano material, o valor correspondente aos custos de aquisição para distribuição da obra exibida. Conforme a fundamentação na sentença da juíza, os pedidos do Consórcio Europa partem do pressuposto de que a UFES violou normas de direitos autorais, de propriedade intelectual e de exclusividade quanto à distribuição de produtos.

Da esq. para a dir.: Gustavo Leme, Mario Peixoto (em pé), Alexandre Salllouti e Rodrigo Ferrari: um ano de Delicatessen Filmes.

Presente de aniversário Alexandre Cardoso, do Terra; José Papa Neto, German von Hartenstein e José Trajano, da ESPN; e Riza Soares, do Terra.

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A produtora Delicatessen Filmes comemora o seu primeiro ano de existência com uma parceria internacional. A produtora publicitária de Gustavo Leme, Mario Peixoto e Alexandre Sallouti firmou um acordo com Herb Sidel, da produtora Independent Artists, de Nova York, para produzir trabalhos para os Estados Unidos a partir do Brasil. No início de 2008, três diretores da produtora americana chegam ao País, para realizar trabalhos para agências brasileiras.

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Esportes em HD O canal BandSports estará disponível em alta definição a partir de dezembro. Boa parte do conteúdo recebido pelo canal (de eventos esportivos internacionais), cerca de 40%, é gerado em HDTV. O canal atualizou seus equipamentos e transmitirá estes eventos, bem como os programas de estúdio, em alta definição. “9mm: São Paulo”, nova série brasileira da Fox.

Aposta nacional

Personagens de Daniel Azulay voltam à TV.

Lambe-Lambe animado A Turma do Lambe-Lambe está de volta à TV. Dessa vez, o grupo de personagens criado por Daniel Azulay aparece em forma de série de animação, na tela da TV Rá Tim Bum. Os desenhos são do próprio Azulay, que adaptou para a TV as histórias das revistas em quadrinhos. A atração tem co-produção da Bossa Produções. A série em 2D, que estreou em outubro, conta com 52 episódios de um minuto cada.

Uma delegacia de polícia é o cenário para a nova minissérie da Fox, “9mm: São Paulo”, que está sendo produzida inteiramente no Brasil com recursos do Artigo 39 e da própria programadora. O projeto foi idealizado pela Moonshot, que também é responsável pela produção da série em HD. A direção é de Michael Ruman e o roteiro é de Roberto d’Avila, Carlos Amorim e Newton Cannito. São quatro capítulos que abordam histórias policiais baseadas em casos que aconteceram no Brasil. Caso o resultado seja interessante para a programadora, há a possibilidade de fazer uma temporada completa, com 13 episódios. As gravações terminam em dezembro e a série estréia em maio no canal Fox no Brasil, e em junho nos outros países da América Latina. Nessses países, a atração terá o som original em português e será legendada em espanhol. Além dos capítulos para a TV, a produtora prepara material para a Internet e para o celular, como vídeos de making of, cenas comentadas pelo diretor e episódios complementares. Serão quatro episódios de três minutos cada para a Internet e outros quatro, de dois minutos de duração, para o celular.


( scanner ) Foto: nina jacobi

TV digital didática

Amazônia volume 2 A jornalista Paula Saldanha e o documentarista Roberto Werneck lançam em dezembro o segundo volume da coletânea de DVDs da série de TV “Expedições Amazônia”. Produzida pela RW Cine, a série contém programas que retratam o impacto da ocupação desordenada que destrói a floresta, a cultura preservada de algumas populações indígenas e projetos que estão dando certo na região. A coletânea “Expedições Amazônia” conta com recursos provenientes da Lei Rouanet, com patrocínio da Petrobras. Serão doados 240 DVDs para universidades e instituições de pesquisa, para a utilização em projetos culturais, sociais e de educação ambiental. A caixa com os DVDs custa R$ 96,00.

“O Dobro de Cinco” , da nova Ipanema.

Spin-off O Ink, grupo comandado por Paulo Schmidt, lança no mercado uma nova empresa para desenvolver trabalhos em audiovisual (cinema e TV), literatura e eventos. Trata-se da Ipanema Entertainment, que vai atuar na criação e na compra de direitos autorais de projetos voltados a entretenimento, com formato multimídia. A nova empresa nasce com investimento inicial de R$ 500 mil e dez funcionários. A direção fica a cargo do produtor Rodrigo Teixeira, sócio da empresa com Schmidt e Tadeu Jungle. Entre os trabalhos em andamento, estão a série de documentários “Amores Expressos”, desdobramento do projeto homônimo criado pela RT Features (também de Teixeira); a série “O Dobro de Cinco”, com história baseada na HQ do escritor e quadrinista Lourenço Mutarelli, que será realizada com uma mistura de live action com cenários em 3D; e os longasmetragens “Cabeça a Prêmio”, com direção de Marco Ricca; “O Natimorto”, dirigido por Paulo Machline; e “Miguel e os Demônios”, de Tadeu Jungle.

fotos: divulgação

O jornalista e professor da Universidade Federal de Santa Catarina Fernando Crocomo lançou o livro “TV Digital e Produção Interativa - a comunidade manda notícias”. O livro aborda temas como a novidade tecnológica, os novos recursos interativos e traz explicações básicas aos produtores de conteúdo.

Paula Saldanha: Amazônia em DVD.

Literatura na Internet O portal Cronópios, que tem como objetivo mapear e incentivar a literatura contemporânea brasileira, conta agora com uma TV online. Trata-se da TV Cronópios, canal que disponibiliza entrevistas com escritores, coberturas de lançamentos literários e reportagens gravadas no local de trabalho ou na casa de escritores, entre outros conteúdos relativos a literaletura, cultura e arte. O conteúdo é produzido pela empresa desenvolvedora de sites Bitnik Comunicação Online. A estréia da TV foi com o programa “Bitniks”, criado por Pipol, Edson Cruz e Egle Spinelli. O programa de entrevistas, gravado no auditório da livraria Fnac Paulista, tem duração de 30 a 40 minutos e conta com a participação do público. TV Cronópios: canal online sobre literatura brasileira.

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( scanner ) Aposta na América Latina fotos: divulgação

Para estreitar a relação com a América Latina e ainda apostar na produção e no talento argentinos a MTV Networks Argentina, uma unidade da Viacom Inc., anunciou a sua mudança para um novo prédio em Buenos Aires. Neste local, haverá um estúdio de produção para a nova equipe de programação e produção que produzirá conteúdo original para a Argentina e o resto da América Latina. O novo edifício faz parte de uma ampliação da empresa no país, que inclui a contratação de 120 novos funcionários (processo que teve início em abril) que vão se somar aos 30 funcionários atuais. Miami continua sendo uma das cabeças regionais da companhia. As funções centrais como finanças, recursos humanos, comunicação corporativa, IT&T, marketing e publicidade e vendas serão administradas em ambos os escritórios, enquanto a parte de programação e produção Álvaro Paes de Barros, será gerenciada localmente. gerente geral da Viacom O processo de fortalecimento das operações locais e panNetworks Brasil regionais na América Latina também inclui o Brasil. A Viacom Networks Brasil, uma divisão da MTV Networks Latin America, ocupou mais um andar no prédio onde a empresa atua em São Paulo para acomodar os novos funcionários. Hoje a programadora trabalha com 25 profissionais e até maio de 2008 contratará outras 25.

Futebol brasileira na Europa

Troca de comando Fernando Mauro Trezza, presidente da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCcom) desde a sua criação, em 2001, pediu seu afastamento da presidência da entidade por motivos particulares. Em seu lugar, assume Edivaldo Farias.

A Globo TV Sports renovou o seu acordo comercial com a européia TV Kosava para comprar a temporada 2008 do “Brazilian Magic Football”. O pacote oferece 82 jogos ao vivo do Campeonato Brasileiro e do Campeonato Paulista. Agora, além de Sérvia, Macedônia, Bósnia & Herzegovina e Bulgária, telespectadores da Albânia e de Montenegro também assistem aos jogos. Além do “Brazilian Magic Football”, a Globo TV Sports também renovou os direitos de transmissão para o “FootBrazil” com a TV Kosava. Trata-se de um programa semanal de 26 minutos que mostra bastidores, treinos e entrevistas com os jogadores. O pacote inclui 46 programas por ano.

Volta ao mundo em DVD O filme da família Schürmann, que contou com cenas de mais de 30 países, quatro continentes e três oceanos, “O Mundo em Duas Voltas”, chega às lojas em DVD em dezembro. Com produção dos Schürmann e da Gullane Filmes, o filme chega em um DVD duplo, com 30 minutos de making of. O preço sugerido para o DVD é de R$ 29,00.

TV digital em debate Abrindo a série “Documentos do Conselho de Altos Estudos”, a Câmara dos Deputados lançou o livro “TV Digital, Futuro e Cidadania”, que consolida o debate que precedeu o início das transmissões da TV digital no Brasil e apresenta análises sobre o mercado da TV digital, padrão tecnológico adotado e questões regulatórias registradas durante o seminário internacional realizado pela Comissão de Ciência e Tecnologia e de Comunicação e Informática da Câmara em maio de 2006. O documento traz ainda uma proposta de regulamentação para uso exclusivo ou compartilhado das emissoras públicas no SBTVD.

Hora esportiva O Canal TVA (número 22 no line-up da operadora) estréia no primeiro trimestre de 2008 o programa esportivo “Dupla de Ataque”, com apresentação de Luiz Andreoli e direção de Roberto Thomé. Com uma proposta cross-media diferenciada (que inclui inserções no canal TVA, nas revistas da Editora Abril, e-mail marketing entre outros) o programa de uma hora terá também versões reduzidas de um minuto em outros canais de TV por assinatura. Sua programação terá notícias e curiosidades da área esportiva, com quadros de turismo, gastronomia, moda, lazer, entretenimento, além de informações sobre os bastidores das celebridades.

Luiz Andreoli, Andrea Blank (gerente executiva de publicidade da TVA) e Roberto Thomé.

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Unidade Móvel de TV Digital

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m muitos lugares do Brasil, viver de cinema ainda é muito difícil. Em Fortaleza, os poucos anos de existência do Instituto Dragão do Mar garantiram a formação de um pólo que se mantém e garante aos profissionais trabalho constante, mesmo que diversificado. A situação é reforçada pelos editais de produção lançados há sete anos pelo Governo do Estado do Ceará e, mais recentemente, pela Prefeitura de Fortaleza. É graças a essa formação que o roteirista e assistente de direção Armando Praça pôde desenvolver seus projetos. Nascido em Aracati, a 160 km de Fortaleza, cidade mais conhecida por abrigar a praia de Canoa Quebrada, Armando sabia que queria trabalhar com arte, mas não tinha idéia de como se encaminharia. Quando terminou o ensino fundamental, se mudou para Fortaleza, pois em Aracati não havia escolas de ensino médio. Sua irmã mais velha já tinha feito o mesmo caminho. Ainda estava no segundo grau quando abriu o Dragão do Mar, mas não pude me matricular. Assim que acabei, me inscrevi. Pensei no curso de teatro, mas era muito tímido, então optei por dramaturgia. Pouco depois abriu o curso de realização audiovisual e me inscrevi também. Fiquei lá de 1997 a 1999. Na hora de apresentar o trabalho de conclusão de curso, podia optar por um roteiro ou uma peça, e preferiu o roteiro. Desde que saiu do curso, as oportunidades foram surgindo. Só não gostava muito de publicidade, então preferi fazer um pouco de tudo em cinema. Participei de quase todos os curtas e longas que foram feitos aqui desde então, em alguma função. E de muitos vídeos e institucionais também. A primeira oportunidade surgiu quando fez o curta de um colega, um documentário, produzido por Tito, que mais adiante produziria os curtas do diretor Karim Aïnouz. Era um produtor bem atuante na época e nos entendemos bem, então comecei a fazer assistência de produção para ele. O curta de Aïnouz produzido em seguida foi “Rifa-me”, que deu origem ao longa “O Céu

Fotos: divulgação

Cinema no Ceará

Armando Praça de Suely”. Pouco depois, trabalhou no longa “As Tentações de Irmão Sebastião”, de José Araújo. Ele me chamou para fazer assistência de produção, mas disse que preferia fazer um estágio de direção. Acabei ficando como segundo assistente.

além de pesquisa de locação e elenco. A pesquisa de elenco aconteceu no Brasil inteiro, fiz na Paraíba e no interior do Ceará. A especialização vem vindo aos poucos, mas Armando gosta do trabalho de assistente de direção, que

“não gostava de publicidade, então resolvi fazer um pouco de tudo em cinema”. A partir daí, começou a fazer cada vez mais assistência, além de muitas pesquisas para roteiros e documentários. Foi o que fez no longa “O Céu de Suely”,

dá a dimensão do todo, fica perto da direção e da produção. O Estado ficou algum tempo sem cursos de formação, mas hoje já estão sendo criadas novas oportunidades. Muitas pessoas que ficaram hoje também dão aulas. Com o fim do Instituto, muitas pessoas foram embora, mas as que ficaram se organizaram para pedir a abertura de editais de produção. Graças a esses editais, Armando já produziu o vídeo “Parque de Diversões” e o curta “Amor do Palhaço”, ambos premiados em vários festivais. Agora prepara seu segundo curta, que tem o título provisório de “Mulher Biônica”. É um roteiro baseado no conto de Caio Fernando Abreu chamado “Creme de Alface”, mas ainda não sei se posso usar esse título. Lizandra de Almeida

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Da mídia para o marketing Adriana Scalabrin é a nova diretora da divisão de Informações de Marketing da TV Globo. Até outubro, Adriana ocupava o cargo de VP de mídia da agência de Ogilvy & Mather. A diretora substitui Osvaldo Inocima, que se aposenta após 20 anos na empresa.

Pedro Pereira

Reforços na agência

João Dornelas

Dupla de diretores

A QG Propaganda aposta na criação e no atendimento e contrata três novos profissionais. O redator Américo Vizer (ex-J3P Propaganda) chega para formar uma Thamy Alegria Ortiz e Patrícia Fraiha. nova dupla com a diretora de arte Camila Sayuri. Para o atendimento, a agência contratou duas novas profissionais: Thamy Alegria Ortiz e Patrícia Fraiha. Thamy, que já trabalhou em agências como Dim Propaganda, Y&R Lisboa e 141-Bates Portugal, é a nova diretora de atendimento responsável por contas de clientes como Cacau Show e Wal-Mart Brasil. A ex-Euro RSCG e Giovanni,FCB Patrícia atuará como Américo Vizer supervisora de atendimento da Dicico.

A produtora Santo Forte Filmes fortalece o seu time de diretores com uma nova dupla: Pedro Pereira e João Dornelas. Pereira é ex-criativo de agências de publicidade como McCann e Lew,Lara, além de ter estudado na Escuela Internacional de Cine y Televisión de Cuba. Como diretor, ele atuou na Lux Filme, para clientes como Ford e o Governo Federal. Pereira faz dupla com João Dornelas, diretor do longa “O Dia em que o Brasil Esteve Aqui” (co-dirigido por Caíto Ortiz), com produção da Prodigo Filmes. Dornelas atuou na produtora como diretor durante um ano.

Executivo para novas mídias A Discovery Networks Latin America/US Hispanic contratou Pitter Rodriguez para atuar como gerente de desenvolvimento de negócios para novas mídias. O executivo exerce a sua nova função na sede da Discovery Networks no Brasil, localizada em São Paulo, e se reporta à vice-presidente sênior de distribuição Vera Buzanello. Antes da Discovery, o executivo passou pela M4U (Movil for You) e iG. Rodriguez terá a responsabilidade de contribuir para atingir as metas de receitas projetadas para a América Latina quanto a serviços móveis, video-on-demand e banda larga. Além disso, trabalhará para tornar mais eficiente a distribuição de conteúdos de novas mídias no Brasil.

Novidades em criação e atendimento As equipes de criação e de atendimento da DM9DDB ganharam reforços. Na criação, a agência passa a contar com os diretores de arte Benjamin Yung (ex-Leo Burnett), que formará dupla com o redator Arício Fortes. Além dele, a agência recebe o diretor de arte Carlos Eduardo Lopes e o redator Antonio Da esq. para dir.: Carlos Nogueira, ambos com passagem pela Publicis, Eduardo Lopes, Renata para trabalhar em dupla. Para o atendimento, Beltrão, Juliana Cury, a DM9DDB contratou a supervisora Renata Antonio Nogueira, Beltrão, que retorna à agência para entrar Benjamin Yung. no grupo responsável pelos clientes Bohemia e Varig. Para o grupo que atende Sukita e Guaraná Antartica, a agência contratou a assistente Juliana Cury (ex-McCann).

Jornalismo sob nova direção Júlio Moreno assume em dezembro a Coordenação de Jornalismo da TV Cultura, função que vinha sendo acumulada pelo coordenador de núcleos da Fundação Padre Anchieta, José Vidal Pola Galé. Antes da TV Cultura, Júlio Moreno foi diretor de Planejamento Estratégico do Grupo Estado, editor da Agência Estado, editor de Economia e chefe de reportagem do Jornal da Tarde, repórter da Folha de S. Paulo e mais recentemente coordenou o curso de Comunicação Social da Universidade São Marcos. T e l a

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Executiva de contas A Disney & ESPN Media Networks, empresa responsável pela comercialização dos canais Disney Channel, ESPN, ESPN Brasil e Jetix, tem uma nova executiva de contas em sua equipe de vendas de publicidade: Andréa Citrini. A executiva vem do SBT, após passagens pelas editoras Globo, Três e Caras. Na Disney & ESPN Media Networks, Andréa responderá ao gerente de negócios André Almeida.

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( capa )

Mariana Mazza e Samuel Possebon*

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Furacão no Congresso Projeto de lei cria uma nova regulamentação para a TV por assinatura, estabelece cotas para conteúdos nacionais e divide territórios entre teles, TV aberta e produtores.

O

PL 29/2007, apresentado pelo deputado Paulo Bornhausen no início de fevereiro, tinha o objetivo bem definido de abrir o mercado de TV por assinatura às empresas de telecomunicações, o que hoje é limitado pela Lei de TV a Cabo e pelos contratos das teles. A coisa evoluiu, outros projetos foram coloca­ dos em discussão e o que se vê nesse momento é a possibilidade de que uma nova lei saia limitando a presen­ ça de grupos de telecomunicações no mercado de produção de conteúdo (restrição que hoje não existe), proibindo teles fixas e empresas de telefonia celular de fazerem frente na aquisição de direitos esportivos e artísticos nacionais (restrição que também não existe), restringindo a entrada das emissoras de TV no mercado de telecomunicações (regra também inexistente) e, por fim, abrindo o mercado de TV por assinatura a qualquer grupo empre­ sarial, acabando com as restrições atuais, e ainda impondo às empresas distribuidoras de TV paga e aos programadores cotas de produção nacional de conteúdo, tanto dentro dos canais quanto na composição de pacotes de programação (regra que não existe sequer para a TV aberta). Tudo indica que o projeto ainda vá levar um bom tempo para ficar pronto e se transformar em lei. Possivelmente, sua discussão na Câmara ainda tomará alguns meses de 2008, e depois seguirá ao Senado, onde a correlação de forças políticas pende muito para o setor de radiodi­ fusão, o que pode significar muitas mudanças no texto atual. “A idéia é que corra o prazo para a apresenta­ ção das emendas até o final desta

representa operadores de TV por assinatura e programadores) lançou uma campanha criticando o PL 29/2007 no ponto em que ele cria cotas. E a ABTA saiu em campanha contra uma minuta do substitutivo ainda anterior à do deputado Jorge Bittar, que em tese dará ainda mais ênfase na idéia de cotas. A associação usou o mote do “estão querendo dizer o que você vai assistir” e convocou os assinantes dos serviços de TV paga a protestarem junto aos parlamentares. Conseguiu a simpatia justamente do autor do projeto, o deputado Paulo Bornhausen, que chamou a proposta das cotas de “idéia infeliz” e se alinhou ao mote da ABTA: “Eu também quero decidir o que passa na minha TV, concordo plenamente com isso”, afirma o deputado logo no início da mensagem que ele encaminha aos telespectadores que reclamam, por e-mail, a seu gabinete.

ses­são legislativa e que votemos essa matéria logo no início de fevereiro”, afir­ mou o deputado Jorge Bittar (PT/RJ), rela­ tor da matéria na Comissão de Comunica­ ção da Câmara, que atualmente analisa o PL 29/2007. A questão não é ainda, portanto, sobre como será esse novo marco legal, mas sim sobre a necessidade de se mudar as regras atuais, e se a alteração apenas destes pontos é suficiente para “modernizar” a legislação de comunicação social. O primeiro ponto é: por que criar uma cota de conteúdo nacional em serviços por assinatura, cuja aquisição é uma opção única e exclusiva do assinante? Com base nessa tese, a ABTA (associação que

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Lixarada Mas a briga da ABTA e dos programadores não será fácil, e quem dá o tom é o próprio relator Jorge Bittar: “A ABTA não está defendendo os interesses dos concessionários. Ela está defendendo prioritariamente os interesses dos grandes programa­ dores internacionais com uma campanha mentirosa dizendo que nós estamos tolhendo a liberdade de escolha dos clientes”, declarou o deputado, usando como argumento um prospecto de uma das TVs por assinatura que mostra que 72% do conteúdo veiculado hoje é de origem estrangeira. “São eles que tolhem ao colocar essa lixarada toda e ainda obrigar o cliente a comprar o pacote. Por que eles não oferecem cada canal separadamente então? Eu até enten­


do as razões mercadológicas, mas não venham agora com esse argumento de que nós estamos prejudicando os usuários”, complementa. Para Bittar, o impasse será resolvido com diálogo, informando as empresas e os consumidores de como funcionará o mecanismo de cotas. Mas abrir mão da implantação de um percentual mínimo está completamente fora de cogitação, na opinião do parlamentar. Os principais canais estrangeiros, reunidos na ABPTA (Associação Brasileiras das Programadoras de TV por Assinatura), estão com os cabelos em pé com o projeto. “A imposição de cotas e a restrição ao capital estrangeiro não vão fomentar a produção local”, diz o presidente da associação, Carlos Alkimim. Para ele, a criação de uma cota de produção nacional nos canais só vai aumentar o custo para o assinante, sem uma melhora na programação. “O Brasil tem produção de altíssima qualidade, mas uma cota de duas horas por dia por canal não encontra oferta no mercado”, diz. Para a ABPTA, o efeito desta imposição será negativo: “como não há oferta de conteúdo para suprir esta demanda, o mercado de produção vai ficar inflacionado. E a tendência é que a pressão por mais conteúdo leve a uma qualidade pior”. Alkimim diz que a parceria das programadoras internacionais com a produção independente é cada vez mais frutífera. Até hoje, 78 obras foram co-produzidas com o incentivo do Artigo 39. Segundo ele, a maioria destas obras teve dinheiro do ativo das programadoras, ou seja, não incentivado. “Eu chutaria um valor de um real de dinheiro próprio para cada real incentivado”, arrisca. “A ABPI-TV diz que os produtores nunca tiveram tanto trabalho como têm com a TV por assinatura”, afirma. Em relação à cota de canais nacionais no line-up das operadoras,

“A ABTA está defendendo os interesses dos programadores com uma campanha mentirosa” Deputado Jorge Bittar, relator do PL 29/2007

a ABPTA acredita que deva levar a um aumento pequeno da oferta de canais, já que o custo de produção é muito alto. Sendo assim, as operadoras teriam que equacionar cortando canais internacionais, o que levaria a uma oferta menor de conteúdos ao assinante. “O PL traz conceitos aos quais ninguém é contrário, como crescimento da base de assinantes e a redução do custo ao consumidor final, mas, da forma como está, levará à elitização da TV por assinatura”. Outro ponto que a ABPTA combate no projeto é a figura do empacotador, onde justamente haveria limite ao capital estrangeiro. “Não está claro para o mercado como seria este empacotador. O que posso garantir, é que esta figura não existe hoje”, diz o programador. Na verdade existia quando a Net Brasil montava a programação de suas associa­ das. Mas hoje, mesmo no caso da Net Serviços e da Sky, o empacotamento, que é a seleção de canais, fica a cargo da própria operadora, responsável também pela dis­

A diretriz Televisão Sem Fronteiras, da UE, sugere cotas mínimas de produção européia nas televisões, e a maioria dos países segue a orientação, explica Dias. “Claro que há exceções, como deve haver aqui, para canais esportivos e jornalísticos. Mas vale para dramaturgia, animação etc”, afirma. Dias não acredita que as cotas prejudicariam as empresas a ponto de ameaçar o funcionamento do setor. “Nos EUA havia regras ainda mais rígidas que estas, e não aconteceu nada. O que não pode ter é o que existe hoje, que é uma completa falta de regras”, diz. O produtor também afirma que o parque produtor nacional tem, sim, condição de atender à demanda por conteúdos brasileiros. “Sempre acompanhamos a demanda. Hoje há canais como GNT e Futura que são quase totalmente produzidos por independentes. Se temos condição de produzir quase toda a publicidade veiculada no país, por que não

“Uma cota de duas horas por dia não encontra oferta no mercado. A produção vai ficar inflacionada.” diz Carlos Alkimim, da ABPTA. tribuição. Para Alkimim, a criação desta figura seria “mais um entrave” no merca­ do. “É mais uma barreira na ne­gociação. Para fomentar, é preciso eliminar barreiras, e não criar outra”, finaliza. A associação prepara um estudo de viabilidade econômica, que deve ser apresentado ao Congresso “e ao assinante, que é o maior interessado”.

teríamos como produzir também o conteúdo?”, pergunta. Ele lembra que muitas produtoras de publicidade já estão migrando para a produção de conteúdo. Cotas universais Quando se ouve falar em cotas ao conteúdo nacional, pode parecer uma estratégia das emissoras de TV, sobretudo da Globo, grandes produtoras de conteúdo nacional, para garantirem seu espaço. Mas não foi do lobby das emissoras de TV que surgiu a idéia das cotas. E ao que se sabe, Globo e outras emissoras não gostam muito dessa intervenção. A razão é simples: como seria possível justificar a existência de cotas para

Apoio Mas as cotas não desagradam a todos. Os produtores brasileiros representados pela ABPI-TV (a associação dos produtores independentes de TV) se posicionam a favor das cotas. “Isso existe na Europa, existiu até pouco tempo atrás nos EUA”, explica Fer­nando Dias, presidente da associação.

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( capa ) um serviço que é pago, selecionado pelo assinante, que chega a no máximo 10% dos lares brasileiros e que, no caso do cabo, não consome espectro público, sem que essas mesmas cotas sejam cogitadas também para a TV aberta, que é gratuita, chega a quase 100% da população brasileira e utiliza o espectro aberto? Como o projeto da ex-deputada Jandira Feghali prova, as TVs abertas não querem saber de cotas. Tanto é que o projeto de Feghali, propondo cotas de conteúdos regionais e locais na TV aberta, tramita desde 1993 no Congresso, sempre enfrentando enorme resistência dos grupos de mídia. Já a Ancine, como órgão regulador do mercado de conteúdos, é até favorável à idéia de cotas. Mas a preocupação da agência é maior, e passa pela idéia de criar uma indústria audiovisual forte no país. Outro debate é se o PL 29/2007 não afastaria potenciais investidores ao colocar tantas restrições aos programadores e ao limitar a atuação de grandes empresas de telecomunicações no setor de conteúdo. A proposta em tramitação limita empresas concessionárias de telefonia fixa (como Oi, Brasil Telecom, Telefônica ou Embratel) e também as empresas de telefonia celular a atuarem nesse segmento. No máximo, podem investir em empresas que façam conteúdo nacional, mas não podem deter mais do que 50% do capital total. Pelo substitutivo da Comissão de Desenvolvimento, as concessionárias de telefonia e as teles móveis não poderiam adquirir eventos nacionais esportivos ou de qualquer outra natureza, nem contratar talentos artísticos. Pela proposta de Bittar, só não podem fazê-lo com exclusividade. A intenção dessa vedação é evitar que as teles, com grande poder financeiro, sejam concorrente dos grupos de comunicação.

Vale lembrar que essas regras, que surgiram na primeira versão de substitutivo ao PL 29/2007, ainda na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, foram aceitas e acordadas com as concessionárias de telefonia fixa locais, em uma espécie de acordo de bastidores com as empresas de comunicação. As teles ganharam assim a garantia de que os grupos de mídia não se oporiam a sua entrada no mercado de TV paga e as teles concordaram em não interferir no mercado de conteúdo. Quem protestou foram as celulares, que não participaram do debate, e as operadoras de TV a cabo, que não queriam a entrada das teles no mercado. O vice-presidente sênior para políticas públicas da GSM Association na América Latina, Ricardo Tavares, classificou como “anacrônica e retrógrada” a parte do PL 29/2007 que impõe restrições à atuação de operadoras móveis na venda de conteúdo audiovisual. “O Brasil é o único país do mundo que quer regular o audiovisual no telefone celular. Esse é o maior obstáculo para a 3G aqui”, criticou Tavares. Para o presidente da Claro, João Cox, a restrição é desfavorável ao cliente. “É o usuário quem deve decidir. E acho que ele quer ver informações de todas as formas”, protestou o executivo. A Claro está apostando fortemente na tecnologia 3G, que permite a ampliação considerável da oferta de serviços multimídia no celular. Além disso, todas as celulares têm estratégias de marketing fortemente centradas na aquisição e distribuição de conteúdos exclusivos, muitos deles nacionais. Eventos musicais como o TIM Festival ou Claro que é Rock são financiados pelas empresas celulares, que depois aproveitam estes conteúdos em seus portfólios de serviço. Mesmo a Seleção Brasileira, tão relevante para o negócio da televisão, é patrocinada pela Vivo, que tem os direitos

de transmissão das imagens de treinos e bastidores. Sem carência Para a ABTA, a entrada das teles no mercado é um fato inexorável, mas seria fundamental que isso fosse feito com prazo e com regra de transição. “De uma hora para outra, mudam-se as regras mais fundamentais do mercado de TV por assinatura e esse setor sequer é ouvido pelo Congresso”, protesta o presidente da ABTA, Alexandre Annenberg. Na verdade, o setor de TV paga padece de um mal que há muitos anos o afeta: o de que seus interesses se confundem com os interesses dos grandes grupos de comunicação, como a Globo ou a Abril. Essa regra, se um dia já foi verdadeira, não se aplica mais. A Globo é hoje uma grande produtora de conteúdos para TV paga, mas não tem mais nenhum interesse na distribuição. A Abril idem. Acontece que Globo e Abril tem como sócias e parceiras empresas de telecomunicações. No caso da Globo, a Embratel (acionista da Net) e no caso da Abril, a Telefônica (acionista da TVA). Embratel e Telefônica estão em campos opostos quando o tema é competição, e a Globo precisa olhar tanto para a programadora Globosat quanto para o seu principal negócio, que é a TV Globo, aberta. E os interesses da Globo como programadora não são necessariamente os mesmos da TV aberta. Mas o fato é que nas negociações junto aos parlamentares, as mensagens recebidas pelos parlamentares como vindas da Globo, Abril, Embratel e Telefônica soaram como vontades do setor de TV paga, criando confusão de interpretação. Por isso, Annenberg tem razão ao dizer que o setor não foi ouvido. De fato, a posição da ABTA foi desconsiderada, em benefício da

“Se temos condição de produzir toda a publicidade nacional, por que não daríamos conta também do conteúdo?” Fernando Dias, da ABPI-TV

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“De uma hora para outra mudam-se as regras da TV por assinatura e o setor nem sequer é ouvido a respeito.”

exigidos. E para pequenos distribuidores (que ofertem pacotes com, no máximo, 30 canais) as regras são mais simples. Será exigido apenas um terço das cotas gerais. Nessa categoria estão operadoras de telefonia celular. A fiscalização do cumprimento das metas, explica Bittar, ficaria sob a responsabilidade da Ancine, que terá liberdade para aperfeiçoar o critério do que será considerada produção qualificada. À Anatel, caberá a fiscalização do ramo de distribuição. Assuntos intermediários entre os dois mercados serão resolvidos por ambas as agências, com acordos de cooperação. Levar essas mesmas obrigações para o conteúdo da TV aberta é algo que não passa pelos planos de Jorge Bittar. Para ajudar a financiar a pro­dução nacional, o deputado luta pela criação de uma nova contribuição no setor de telecomunicações. O tributo se chamará Contribuição para o Fomento do Audiovisual e terá como meta recolher R$ 300 milhões anualmente para fomentar o mercado de produção. A medida será compensada por uma leve diminuição na taxa do Fistel. “Vamos colocar uma linha de fomento que gira em torno de R$ 300 milhões. Nós vamos reduzir o Fistel e criar uma nova contribuição para o audiovisual, sem aumento da carga tributária”, explicou o relato. O governo estaria de acordo com a idéia, segundo Bittar, que se reuniu com membros da Casa Civil e do Planalto, entre eles o ministro-chefe da Comunicação Social, Franklin Martins. Além da taxa, Bittar espera que as produtoras sejam alvo de novos investimentos com a aprovação do PL 29. Como o deputado pretende derrubar as restrições existentes hoje na proposta para o investimento das teles nesse ramo, a expectativa é que a entrada das empresas telefônicas dê novo ânimo à indústria de audiovisual.

Alexandre Annenberg, da ABTA

opinião dos acionistas diretos das empresas de TV paga. Cotas complexas Bittar diz que pretende atuar contra os interesses específicos que permeiam o PL 29/2007. Ele quer percentuais mínimos tanto para o empacotamento de canais quanto para a programação. E propõe a criação de um sistema específico de cotas para pequenas empacotadoras, além de obrigações específicas para cada canal, baseado no tipo de programação veiculada (filmes, esportes etc). Bittar explica que sua proposta de cotas preserva os canais considerados “internacionais”. Na prática, programações como a da italiana RAI e a francesa TV5 ficarão de fora de uma imposição de veiculação de conteúdos nacionais por serem plenamente internacionais. “O sistema de cotas é nos canais brasileiros”, explicou o relator. Serão considerados “brasileiros” aqueles que seguirem a regra prevista na legisla­ ção audiovisual, ou seja, capital majorita­riamente nacional e dois terços dos técni­cos ou artistas de nacionalidade brasileira. Canais de jornalismo ou fora do que está sendo chamado pelo relator de “produção qualificada” – que segue a mesma linha do conceito de teledra­ maturgia, onde estão incluídos filmes, novelas, séries, programas de auditório e outros com algum tipo de conteúdo teatral – também ficarão isentos da obrigação de veicular conteúdo nacional. O foco das cotas será justamente nos canais de “produção qualificada”, mirando nos canais de filmes e variedades. Ficam de fora desta definição os “programas jornalísticos, religiosos, políticos, manifestações e eventos esportivos, concursos, publicidade, televendas, propaganda política obrigatória e conteúdo audiovisual eletrônico veiculado em

horário eleitoral gratuito”. Os percentuais propostas por Bittar são os seguintes: • Nos pacotes distribuídos, 50% dos canais deverão ser programados por empresa programadora brasileira, dos quais 30% deverão ser programados por programadoras nacionais independentes. • 10% dos conteúdos dos canais qualificados deverá ser de conteúdos nacionais produzidos por produtora nacional independente; • 30% dos canais deverá ter, no seu espaço qualificado : a) 50% de conteúdo nacional; e b) 25% de conteúdo nacional produzido por produtora nacional independente. • No caso de haver um canal majoritariamente jornalístico produzido pelo mesmo grupo econômico, a empacotadora terá que oferecer, no mínimo, mais um canal com as mesmas características para os clientes, mas que seja de uma “programadora independente”, que não poderá ter relação de controle direto ou indireto com a empacotadora. O limite de propriedade cruzada definido pelo relator é de 20% do capital votante. Não entram na conta das cotas os canais obrigatórios, como os canais abertos, a TV Câmara, TV Senado etc. O cálculo, para efeitos de fiscalização, será semanal, sendo permitida a compensação das obrigações entre dias da mesma semana. Bittar também estabeleceu regras de horário para o cumprimento das cotas. Valerá para o cumprimento das obrigações o conteúdo nacional veiculado entre 8h e 21h nos canais infantis; entre 8h e 23h, quando o público-alvo do canal for adolescente; e entre 18h e 23h, para os demais canais. O deputado propõe um cronograma de implantação das exigências, com duração de quatro anos. Assim, as empresas deverão cumprir 25% da obrigação a cada ano até a veiculação plena dos percentuais

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*Colaborou André Mermelstein

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( tv digital)

André Mermelstein e Fernando Lauterjung

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Só o começo A TV digital está no ar em São Paulo, mas no resto do Brasil, ainda há muitas questões a se solucionar. Grupos devem antecipar a transição para se beneficiar da isenção fiscal e evitar a concorrência.

A

definição de um padrão que atende ao gosto dos radio­ difusores e o início das transmissões em São Paulo não deixou as emissoras com a sensação de que a missão foi cumprida. Pelo contrário, passados os dez anos de discussão com representantes de diferentes padrões internacionais, com a academia e com o governo, os radiodifusores têm a missão de difundir o sistema digital no país. O que se apurou junto a emissoras regionais, é que grande parte tem intenção de iniciar as transmissões antes do cronograma definido pelo Ministério das Comunicações, que determina que até o dia 31 de dezembro de 2009 a transmissão digital deve chegar a todas as capitais brasileiras; e até 31 de dezembro de 2013, a todos os municípios. “Se eu lançar em janeiro de 2009, vai custar 50% mais caro”, explica Antonio Paoli, responsável pela engenharia da TV Bahia, afiliada da Globo. Paoli se refere à isenção fiscal para a compra de equipamentos, que vale para produtos desembaraçados até o final de 2008. A diferença de preço, por conta da incidência de impostos em cascata, é de 50% a 60%. “A razão principal para adiantar as transmissões é esta”, diz o engenheiro, que quer iniciar as transmissões digitais em Salvador até dezembro de 2008.

Para as cinco emissoras do interior do Estado, a TV Bahia espera terminar a transição até 2011, dois anos antes do prazo legal. Duas devem ser digitalizadas em 2009, outras duas em 2010 e a última em 2011. “Não teremos mais a isenção fiscal, mas até lá os transmissores nacionais já terão uma base instalada mais significativa, gerando parâmetros para a engenharia poder trabalhar”, explica. O SBT de Ribeirão Preto pretende seguir o cronograma e implantar a TV digital a partir de 2009, a não ser que as outras redes antecipem o prazo, o que os forçaria a antecipar também, conta Miguel Ângelo Miranda, coordenador técnico da emissora, no interior de São Paulo. A empresa, como as demais afiliadas, conta com suporte técnico e financeiro do SBT. É evidente que a decisão de adiantar ou não as transmissões digitais é econômica, e envolve a capacidade de investimentos em curto prazo. O investimento da TV Bahia em Salvador neste primeiro momento, por

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exemplo, é de cerca de R$ 3,5 milhões. Outro ponto, também econômico, que Paoli aponta como decisivo para adiantar o início das transmissões digitais, é garantir que o período de transição não seja alongado. “Manter os dois sistemas simultaneamente tem um custo altíssimo, além de um desgaste muito grande”, explica. “Para nós, quanto mais rápida a transição, melhor”, garante. Para Miguel Ângelo Miranda, a digitalização deve trazer, no futuro um ganho para as emissoras Só a economia de energia já é significativa, pois com um transmissor de 2,5 kW conseguirá uma cobertura melhor da que tem hoje com um de 10 kW. Mesmo assim, é difícil ver valor agregado à alta definição em um curto prazo. “Tenho acompanhado bem a transição em São Paulo, mas nas regionais está muito obscuro”, conta Miranda. Mesmo as vantagens da TV digital não são percebidas da mesma forma por quem está em cidades menores. A mobilidade, por exemplo, não é um grande diferencial em Ribeirão Preto (600 mil habitantes). “No horário de pico do trânsito, levo dez minutos no carro para ir para casa. Mesmo nos ônibus, as viagens são muito mais curtas que em São Paulo, por exemplo. Então aqui não existe tanto esta necessidade


Regional vs. nacional Nas regionais há questões que as cidades grandes não enfrentam, como o caso das cidades adjacentes, em geral de menor porte. Além da transmissão na cidade principal, a emissora tem que enviar o sinal por microondas às cidades vizinhas, o que representa um custo adicional.

“Se as emissoras decidirem transmitir em alta definição nas parabólicas será muito ruim para as regionais, porque vivemos da publicidade local”

FOTO: divulgação

de ter a TV móvel nestes períodos”, conta Miranda. Ao contrário do que acontece com as afiliadas do SBT, as afiliadas da Globo não recebem suporte financeiro da cabeça de rede. “As afiliadas da Globo são empresas independentes e devem tomar suas próprias decisões”, diz por e-mail a diretora de engenharia de telecomunicações da TV Globo, Liliana Nakonechnyj. Além disso, “as afiliadas são soberanas para decidir quanto aos seus cronogramas de lançamento da TV digital. Mas estão comprometidas com a transição e certamente começarão a transmitir nas principais cidades ao longo do próximo triênio”, completa Liliana. Paoli, da TV Bahia, diz que, “é cada um por si”, lembrando que é de interesse da afiliada que a transição acabe logo, para acabar também o custo de manter dois sistemas funcionando. Embora não haja um aporte financeiro, o engenheiro diz que há um incentivo informal por parte da cabeça-derede para que as afiliadas façam a digitalização. Principalmente nas decisões da engenharia. “Eles já testaram vários equipamentos. É claro que acabamos nos beneficiando destes testes”, diz. A engenheira Liliana explica que “a Globo tem compartilhado com as afiliadas o conhecimento tecnológico que vem adquirindo e desenvolvendo, bem como as experiências com as primeiras transmissões, de São Paulo, através de encontros periódicos com os executivos e líderes das áreas técnicas”.

Miguel Ângelo Miranda, do SBT de Ribeirão Preto

“Quando essa população vizinha vir que já temos a alta definição, vai querer também, e temos que atender (mesmo fora do cronograma)”, explica Miguel Ângelo Miranda, do SBT de Ribeirão Preto, lembrando que o custo para as emissoras pequenas não é muito diferente que o custo para as grandes, pois têm que trocar switcher, transmissor etc. “Ajudaria se pudéssemos obter um canal SFM. Assim poderíamos ter um canal único em toda a rodovia, para retransmitir no mesmo canal daqui até as cidades próximas”, conta Miranda. A TV Bahia, além das cinco emissoras no interior do Estado, conta com repetidoras em localidades não

definição nas parabólicas. Se isso acontecer, será muito ruim para as emissoras regionais, porque vivemos da publicidade local”, resume. Há o problema, por exemplo, das prefeituras de cidades pequenas que retransmitem os sinais broadcast. O temor é que, uma vez que recebam sinais em HD diretamente por satélite, deixem de transmitir os sinais regionais, prejudicando a cobertura das redes. Miranda se refere ao projeto encampado pela RedeTV! e pela Band. As duas cabeças-de-rede querem levar seus sinais em alta

Além de suas praças principais, as regionais têm muitas vezes que atender também localidades vizinhas, com mais custos. cobertas pelas seis emissoras da rede. Para enviar o conteúdo, usa a transmissão por satélite. “Hoje, consigo mexer na compressão do vídeo e preciso de uma banda de cerca de 6 Mbps”, explica Paoli. Mas, segundo o engenheiro, não faz sentido montar uma infra-estrutura com encoders de áudio e vídeo em cada repetidora. “Terei que enviar o pacote ISDB, com o vídeo, os diferentes canais de áudio e dados embutidos. Vamos ficar presos aos 20 Mbps”, explica. Assim, a repetidora precisaria apenas de um modulador COFDM e um transmissor. Mas aí, surge um novo problema: “não existe ainda uma tecnologia que permita o envio do sinal ISDB, mas alguns fornecedores já trabalham nisso”. Um dos receios das regionais tem sido a questão do satélite, revela Miranda. “Temos visto notícias de emissoras que querem transmitir em alta

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definição aos telespectadores que usam as cerca de 20 milhões de antenas parabólicas de banda C. Em novembro, as duas emissoras fizeram uma apresentação ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, dos testes desenvolvidos para transmissão HDTV via satélite. Para ter acesso ao conteúdo, caso as redes comecem a transmitir definitivamente, os usuários das parabólicas terão de comprar um receptor específico, que, segundo as emissoras, já conta com fabricantes interessados. A demonstração ao ministro foi feita com um televisor full HD, utilizando a resolução máxima possível de 1920 x 1080 linhas. Com o novo conversor, o sinal digital poderá chegar às residências com parabólicas antes mesmo da conclusão do cronograma oficial de

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( tv digital) FOTO: divulgação

implantação da TV digital terrestre em todo o país. Vale destacar que o padrão de transmissão via satélite não é o mesmo para a transmissão terrestre. No satélite utiliza-se o padrão ISDB-S e o DVB-S2 (para a transmissão às afiliadas).

“Manter os dois sistemas simultaneamente tem um custo altíssimo, além de um desgaste muito grande.” Antonio Paoli, da TV Bahia

programas locais em HDTV deverá vir numa segunda etapa”, diz Liliana Nakonechnyj, da TV Globo. No caso da TV Bahia, a idéia é ter um master “vazando” a programação em alta definição da rede e encaixando os comerciais locais, que já poderão ser em HD. Já o conteúdo local deve continuar SD por algum tempo. “Nossa produção já é toda digital e algumas ilhas terão um upgrade de software para trabalhar em HD”, diz Paoli. Porém, no que se refere à produção, a meta agora é implantar um sistema de produção sem fita, que comporte alta definição, mas com câmeras SD. A

SD e HD Embora muitos radiodifusores mostrem a vontade de adiantar as transmissões digitais, a produção deve levar mais tempo para ser feita em alta definição. “No momento, é mais importante que todos conheçam os aspectos de transmissão do que os de produção, para facilitar a expansão das transmissões digitais ao longo dos próximos anos. A produção de

Cronograma de implantação As emissoras devem obedecer a um cronograma para o requerimento de consignação do segundo canal, que fará a transmissão digital. O prazo para o início das transmissões varia de acordo com a data do pedido de consignação e sua tramitação, mas deve ficar em cerca de 28 meses após o pedido. Cidades

Prazo para o requerimento

Prazo para transmissão

São Paulo

29/12/2006

29/04/2009

Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Rio de Janeiro, Salvador

entre 29/06 e 30/11/2007

10/03/2010

Belém, Curitiba, Goiânia, Manaus, Porto Alegre e Recife

entre 29/06 e 31/03/2008

31/07/2010

Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Maceió, Natal, São Luís e Teresina

entre 29/06 e 31/07/2008

31/11/2010

Aracaju, Boa Vista, Florianópolis, Macapá, Palmas, Porto Velho, Rio Branco e Vitória

entre 29/06 e 30/11/2008

30/03/2011

Geradoras nos demais municípios

entre 01/10 e 31/03/2009

31/07/2011

Retransmissoras nas capitais e DF

30/04/2009*

30/08/2011

Retransmissoras nos demais municípios

30/04/2011*

30/08/2013

* Após o início da transmissão digital, em caráter definitivo, da estação geradora.

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aquisição em alta definição deve ficar para um segundo momento. “Trabalhamos com um orçamento de R$ 22 milhões para montar o sistema sem fita, usando câmeras com gravação em estado sólido”, diz. A produção em alta definição deve começar, pelo menos em Salvador, no final de 2009. Em relação à publicidade, Paoli não acredita que poderá repassar os investimentos na transmissão digital e na produção HD. “Você tem que ver o custo que teremos na transição para o HD, o mercado publicitário também terá para produzir em alta definição”, explica. Como o mercado publicitário entregará os comerciais no período de transição, com os sistemas analógico SD e digital HD trabalhando simultaneamente, também é uma nebulosa. Dependendo do tipo de material que receber, a emissora pode ter que fazer duas transmissões diferentes do mesmo comercial, em alta e baixa definição. Fazer o upconvert ou downconvert do material ou ainda adaptar o formato o material (4:3 ou 16:9) é algo controverso. Para Paoli, o mercado publicitário terá que fazer dois filmes, um em alta e outro em baixa definição. “O material pode ser todo captado em HD, mas não dá para finalizar para a TV digital em alta definição e simplesmente fazer um downconversion”. Isto porque um sistema usa áudio 5.1 e o outro é estéreo, é preciso decidir se a versão SD terá letterbox ou será cortada, etc. “Eu não posso tomar estas decisões pelo anunciante. É algo que terá que ser resolvido entre a agência, a produtora e o próprio anunciante”, completa. Para o engenheiro, este tipo de questão só estará resolvida quando houver o switch off (desligamento) da TV analógica. “Só então teremos a sensação de missão cumprida”, finaliza.


Os eventos mais importantes de 2008 têm data marcada. E uma assinatura comum: Converge Comunicações. Telecomunicações. Comunicação e Conteúdo. Tecnologia da Informação.

Fev

As três vertentes da convergência total de produtos e serviços fazem parte do nosso dia-a-dia há mais de 15 anos.

Dia

Brasília, DF. Auditório da Finatec/UnB 7ª edição. Principal encontro sobre tendências políticas e regulatórias do setor de telecomunicações e mídia.

Dias

São Paulo, SP. 2ª edição. Na esteira do sucesso da 1ª. Conferência Web 2.0, realizada em 2007, as implicações e a evolução da internet.

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Programe-se para estar conosco em 2008.

Mar Dias

5e6

Brasília, DF. Hotel Blue Tree 2ª edição. Encontro oficial da Associação Nacional das Operadoras Celulares, incluindo congresso e espaço de exposições.

EVENTO NOVO!

Dia

2

Dias

13e14

Dias

3a5

São Paulo, SP. Hotel Paulista Plaza Um debate pioneiro sobre as transformações na indústria de software e sua forte repercussão no orçamento e contração por parte das empresas.

São Paulo, SP. Centro de Convenções Frei Caneca 7ª edição. Maior evento latino-americano dedicado ao mercado de serviços de valor adicionado e serviços convergentes para dispositivos móveis.

São Paulo, SP. Centro de Convenções Frei Caneca 9ª edição. Maior mercado independente de conteúdos para TV da América Latina. O evento que colocou o Brasil no mapa-múndi da produção audiovisual.

18e19

Abr

4

Dia

São Paulo, SP. 4ª edição. As novidades e diferentes características da prática que mais tem beneficiado empresas que querem competir no mercado global.

Dia

São Paulo, SP. Hotel Paulista Plaza 2ª edição. Uma visão sobre o gerenciamento de arquiteturas de TI, incluindo tendências e benchmarks, com os maiores nomes do mercado.

Dias

São Paulo, SP. 3ª edição. Discussão sobre as novas aplicações baseadas em IP e as alternativas de flexibilidade e aumento de produtividade para as empresas.

23

Mai

20

Jun

25e26


Jul Dia

17

Todos estes eventos são promovidos pelas revistas

São Paulo, SP. 3ª edição. O mais importante evento nacional sobre a Arquitetura Orientada a Serviços e seu impacto nas empresas.

Ago

Dia

27 Dias

11a13

São Paulo, SP. Transamérica Expo Center 15ª edição do encontro oficial da indústria de TV por assinatura. Todo o mercado de serviços convergentes reunidos em três dias de exposição e congresso com mais de 12 mil participantes.

Seminário de Serviços Gerenciados de TI e Telecom

Set Dias São Paulo, SP.

16e17

2ª edição. As novas maneiras de ver TV e de fazer negócios. A atuação dos principais grupos do segmento, o impacto das novas tecnologias e as tendências para as novas mídias, num evento internacional.

Dias

2e3

Rio de Janeiro, RJ. 8ª edição. Regulamentação, desafios e perspectivas de mercado no único evento brasileiro sobre a indústria satelital, que atrai participantes de todo o continente.

EVENTO NOVO!

Dia

São Paulo, SP. Hotel Paulista Plaza Um olhar pioneiro sobre as implicações da crescente demanda de empresas pelo gerenciamento externo de sua infra-estrutura de TI e telecom.

Dias

São Paulo, SP. 4ª edição. Dois dias de debates sobre o amplo cenário das soluções, serviços e produtos móveis e seu impacto no aumento de produtividade empresarial.

25

Out 21e22

Nov

Dia

25 Dia

12

São Paulo, SP. 2ª edição. Os maiores especialistas do setor debatendo a implantação do acesso sem fio no Brasil: o potencial do mercado, as implicações políticas, os desafios tecnológicos, a regulamentação e as novas soluções.

Informações 0800 77 15 028 info@convergecom.com.br

São Paulo, SP. 2ª edição. Abordagem aprofundada e perspectivas do segmento que mais recebe investimentos em tecnologia da informação: o das operadoras de telefonia.

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São Paulo, SP. Hotel Paulista Plaza 2ª edição. O grande e cada vez mais emergente afluxo de consumidores e sua repercussão nas empresas num seminário de forte repercussão.


( televisão )

Os primeiros passos TV Brasil inicia suas transmissões ainda sem saber exatamente como será a sua cara. Por enquanto, o debate público está longe do mais importante: qual a programação que será entregue.

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FOTO: marcello casal jr / agência brasil

TV Brasil começou pelos conselheiros e a grade, a existir no dia 2 aprovada”, diz Senna. de dezembro, dia em que a TV digital Rede fez a sua estréia. Outra questão é a formação Para uma rede com orçamento da rede nacional. Por enquanto, de R$ 350 milhões ao ano (o que a TV está sendo transmitida em não a coloca entre as cinco Brasília e no Rio de Janeiro, e maiores redes brasileiras) e com em outras cidades por meio da audiência perto do traço, o TV por assinatura. Nem mesmo estardalhaço público foi bastante em São Paulo, onde a TV pública grande. Sob os olhos atentos da deveria fazer a sua estréia com grande imprensa e da oposição, as transmissões digitais, houve ambos preocupados, sobretudo, tempo de montar os trans­mis­ com a independência (ou sores e instalações na Vila Orlando Senna e Franklin Martins: estréia para valer, só em março de 2008. dependência) entre a rede e o Leopol­dina. Ficou para janeiro. governo, muito tem se falado começar a sair em janeiro. Mas a TV Brasil tem um sobre a medida provisória que a criou, O diretor ressalta que a principal tremendo potencial de se tornar uma sobre o orçamento e sobre o conselho característica da grade da TV Brasil será o grande rede nacional. Levará tempo, curador. Mas o essencial ainda não processo de consulta pública das propostas. demandará investimen­tos e, entrou em debate: ela será capaz de “Será uma consulta feita pela Internet, por sobretudo, precisará de uma pro­gra­ fazer uma programação de qualidade, telefone e por cartas, porque muitas mação de qualidade, mas exis­tem no ganhar prestígio, ser assistida e se pessoas ainda usam cartas. E ouviremos Brasil 193 geradoras educati­vas e 597 tornar referência de programação em reuniões a sociedade organizada e retransmissoras, que pode­rão, se cultural e informativa? desorganizada que queira contribuir para a quiserem, fazer parte da rede. Em É justo que se comecem a cobrar formação da grade da TV Brasil”. O slogan número de geradoras, é mais do que os primeiros resultados a partir de da TV Brasil será “Você escolhe, você tem a Globo, por exemplo, com 99 março de 2008. Essa é a data que, programa, você assiste”. Se o slogan refletir afiliadas. E em termos de retransmi­ segundo Orlando Senna, diretor geral as etapas do trabalho a ser feito, fica claro ssoras, só perderia para a Globo e da TV e responsável direto pelos que o objetivo final precisa ser chegar ao para o SBT. A maior parte das gerado­ aspectos operacionais da emissora, telespectador. Mesmo sem se balizar pela ras educativas está justamente nas fecha-se a primeira fase da transição, chamada “ditadura da audiência” como as regiões mais populosas do país: concluindo-se a complicada fusão TVs abertas comerciais, a TV Brasil precisa Sudeste (103 geradoras), Sul (36 entre a TV Nacional (Radiobrás) e a formar e atrair um público. geradoras) e Nordeste (33 geradoras). TVE, e a formação da rede. A segunda etapa da transição vai até O problema é que as educativas não Nesse primeiro ciclo, explica junho, quando a TV Brasil já pretende estar são obrigadas a fazer parte da rede da Senna, “aproveita-se muito do com uma grade definitiva no ar, com uma TV Brasil. Algumas, como a TV trabalho da TVE e um pouco da TV identidade própria. Mas para isso depende Cultura, têm a sua própria rede e Nacional, e existirá uma apresentação de um outro fator: o bom funcionamento do projetos já consolidados. O modelo mais orgânica dos projetos que já conselho curador, que tem de aprovar a com as associadas (como são chama­ foram desenvolvidos pelo Ministério grade de programação e a linha editorial da das as afiliadas da rede pública) será, da Cultura, como DocTV, DocTV IB e TV. “Nesse momento, a TV precisa começar segundo Tereza Cruvinel, a presidente Revelando os Brasis”. Haverá também a funcionar e o conselho ainda não está da TV Brasil, horizontal, dando espaço editais para a realização de programas operante, mas tenho certeza de que tudo o para que elas coloquem muita progra­ específicos, e os primeiros devem que esta­mos fazendo será compreendido mação própria. Mas a recuperação

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seja apoio cultural, uma das modalidades de financiamento previstas na TV Brasil. Tereza Cruvinel diz ainda que é importante deixar claro que “a MP seja explícita ao permitir a publicidade, mas não aquela de produtos e serviços”. Ela diz ainda que a emissora está longe de ser “gastança de dinheiro público”: “Quando se reverte em cidadania, eu chamo isso de investimento”. O jogo de palavras não esconde o antago­nismo: se pegar dinheiro do mercado publicitário, seja na forma de apoio cultural, institucional ou o que seja, a TV pública potencialmente drenará recursos das emissoras comerciais. Há outras formas sendo desenhadas para financiar a TV pública, como dotá-la de um percentual do Fistel (um fundo de mais de R$ 1 bilhão ao ano oriundo de taxas pagas por empresas de telecom) ou mesmo um percentual sobre a venda de televisores, como propôs o deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP). Mas o deputado esclarece que a proposta não visa elevar o preço dos equipamentos com mais cobranças. “O governo poderia sim­plesmente abrir mão de parte do que ele arrecada com taxas como IPI para criar um método mais indepen­dente de financiamento da TV pública”. A TV Brasil começa a dar seus primeiros passos cercada de um grande debate público sobre sua independência, é alvo de ataques da oposição, como a ação ao Supremo proposta pelo DEM contra a medida provisória, e mesmo as entidades representativas das causas tradicionais da democratização das comunicações manifestaram ressalvas em relação à formatação do conselho curador, que não tem nenhum representante desses movimentos. Quando essa poeira inicial baixar, o debate ficará centrado naquilo que tornará a TV Brasil algo útil ou não para o país: a qualidade de sua programação e sua capacidade de atrair o interesse do brasileiro.

FOTO: arquivo

das emissoras que comporão a rede aconteça, precisa­rá ser uma rede com (fundamentalmente, as emissoras alguma audiência, caso contrário ela es­tatais e educativas existentes) dificilmente repercutirá. Depois, precisará demandará investimentos. alterar de alguma manei­ra o mercado “Eventualmente, poderemos ajudar publicitário. E é essa a princi­pal estas emissoras a buscarem recursos preocupação das emissoras comerciais. no BNDES ou formaremos grupos de Historicamente, sempre que se falava compras de equipamentos, para em uma legislação que assegurasse cotas reduzir custos”, diz Cruvinel. de conteúdos regionais ou locais, as O relator da Medida Provisória grandes redes de TV diziam que isso 398/07, que criou a TV Brasil, deveria vir através de uma rede pública de deputado Walter Pinheiro (PT/BA), é televisão, das educativas. Quando surgiu a crítico em relação ao tema: “A MP perspectiva da TV Brasil, poucas emissoras sepulta completamente o nosso projeto se mostraram contra a idéia. E chegaram na Câmara, porque sequer ele pode até a formalizar o apoio. Em audiência na ser apensado”, disse Pinheiro, que em Câmara dos Deputados, Paulo Tonet, 2003 fez uma proposta para a criação representando a Abert, lembrou que o de uma rede pública de televisão. governo poderia ter criado a TV pública, se “Essa é a batalha principal desse quisesse, por decreto, pegando para si os campo chamado democracia. Não dá canais que julgasse adequado e colocando para falar em democratização sem em rede as emissoras estatais existentes. “O falar em radiodifusão. Ela (a legislação governo poderia ter feito assim, e estaria de radiodifusão) está defasada, mas agindo dentro da lei, que prevê a rede não podemos achar que essas pública. Mas não o fez, preferindo colocar a questões podem ser discutidas na MP discussão no Congresso. Essa postura é da TV pública”. Para o deputado, louvável”, disse Tonet. contudo, a MP não deve tratar só da O problema está no dinheiro. Confor­ TV pública. “Ela deve falar da me palavras do próprio representante da radiodifusão pública. Por exemplo, Abert, “não faz sentido que a única fonte debater sobre o que é opinativo e o de financiamento da TV privada (a que é informativo”. Pinheiro também publicidade) seja agora desviada para a ressaltou que é importante que a TV nova TV”, disse. Ele também criticou a não tenha a cara de um governante falta de uma definição clara sobre o que específico. “Quem dá a grana, dá o tom. Não é assim o ditado que temos lá fora? Então o dinheiro não pode vir Saída conturbada só de um governante”. Foi tudo menos tranqüila a transição O problema é que sem o sinal de poder na Acerp/TVE. Após meses de verde do Congresso, desgaste, no final de novembro a presidente da aprovando a MP, muito Acerp, Beth Carmona, e a daquilo que precisa ser diretora geral da TVE, Rosa feito pela TV Brasil fica Crescente, desligaram-se da em compasso de espera. emissora. As executivas, que “Até a medida ser aprovada lideraram o processo de pelo Congresso, seria recuperação da TVE, com a inclusive desres­peitoso com o reforma das instalações, trabalho dos parlamen­tares troca de transmissor e renovação da programação, sair investindo ou preparando queixavam-se do desconforto a programação nova”, causado pela situação de Beth Carmona: desconforto duplo comando na empresa. diz Tereza. Apoio A TV Brasil tem, em tese, pouco poten­cial de, em curto prazo, se tornar uma vari­ável a ser considerada pelas emissoras comerciais. Para que isso

As diretoras chegaram a ser convidadas para assumir o departa­ mento infantil da TV Brasil, mas a animosidade criada entre o grupo que assumiu a TV e a antiga diretoria tornou inviável a permanência das duas na TV.

Samuel Possebon

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(audiência - TV paga) Ficção vence realidade

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Foto: divulgação

o mês de outubro, AXN e Universal Channel subiram posições no ranking dos canais com maior alcance* da TV por assinatura entre o público adulto, passando a ocupar a quarta e a quinta colocações, respectivamente. Com o crescimento, desbancaram os canais Globo News e Discovery Channel, que ocupavam essas posições no mês de setembro. No AXN o destaque foi o seriado “Jericho”, que estreou em setembro, às segundas-feiras, às 21h (horário de exibição do sucesso “Lost”, que passou para as 20h) e chegou ao primeiro lugar do ranking de audiência das atrações do canal. No Universal Channel a novidade do mês de outubro foi a estréia de “Brothers and Sisters”. O destaque entre as séries do Universal, porém, foi “House”, que estreou nova temporada no final de novembro (informações fornecidas pelas programadoras, segundo dados do IBOPE Telereport).

audiência de uma hora e 59 minutos. O levantamento do IbopeMídia considera as seguintes praças: Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Distrito Federal. Entre o público de quatro a 17 anos, o destaque ficou por conta do Disney Channel, que subiu da quinta para a segunda posição, com 17,4% de alcance médio diário e tempo médio de audiência de uma hora e sete minutos. O primeiro lugar ficou com Cartoon Network, que obteve 19,6% de alcance e 54 de tempo médio diário de audiência. Em terceiro lugar vem o Nickelodeon, seguido de Jetix e Multishow. Neste público, foi considerado o universo de 1.014.100 indivíduos, nas mesmas praças citadas anteriormente. O alcance diário médio de todos os canais no público infanto-juvenil foi de 51,3% e o tempo médio de audiência foi de duas horas e 14 minutos.

“Jericho” foi o destaque do canal AXN em outubro.

O AXN ficou com 8,4% do alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de 21 minutos enquanto o canal da Globosat ficou com 8,3% de alcance diário médio e 32 minutos de tempo médio diário de audiência. Em primeiro lugar no ranking, o canal TNT teve 11,6% de alcance médio diário e tempo médio de audiência de 23 minutos, seguido de Multishow e SporTV. No total, os canais da TV por assinatura tiveram alcance de 47,1% (em um universo de 4.951.900 indivíduos) e tempo médio diário de

Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário 

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 47,1 2.331 1:59:21 11,6 576 0:23:27 10,0 497 0:18:41 8,4 416 0:36:01 8,4 414 0:21:25 8,3 410 0:32:17 8,2 406 0:32:52 8,1 402 0:29:40 8,0 397 0:20:04 7,9 390 0:21:24 7,5 373 0:28:03 6,2 306 0:42:33 6,0 296 0:13:58 5,9 292 0:19:45 5,6 279 0:17:52 5,5 273 0:25:00 5,5 271 0:22:55 5,2 259 0:42:55 5,2 259 0:18:34 5,2 257 0:23:58 4,7 232 0:18:39

Total canais pagos Cartoon Network Disney Channel Nickelodeon Jetix Multishow Boomerang Discovery Kids TNT Fox SporTV Discovery Telecine Pipoca Warner Channel AXN HBO Telecine Premium Universal Channel ESPN Brasil National Geographic People & Arts

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 51,3 520 2:14:51 19,6 198 0:54:49 17,4 176 1:07:42 13,4 135 0:36:05 13,1 133 0:55:38 10,0 101 0:23:07 9,4 95 0:35:43 8,9 90 0:51:08 8,1 82 0:22:28 6,8 69 0:29:11 6,1 62 0:32:44 5,1 52 0:19:18 5,1 52 0:23:36 4,9 49 0:19:39 4,3 44 0:18:40 4,2 43 0:17:29 3,9 39 0:19:08 3,6 37 0:19:27 3,6 36 0:20:39 3,5 35 0:11:17 3,3 34 0:18:54

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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Fonte: IBOPE Telereport – Tabela Minuto a Minuto – Outubro/2007

Total canais pagos TNT Multishow SporTV AXN Universal Channel Globo News Cartoon Network Fox Discovery Warner Channel Disney Channel National Geographic GNT Sony Telecine Pipoca HBO Discovery Kids Nickelodeon Telecine Premium Boomerang

De 4 a 17 anos**

(Das 6h às 5h59)

**Universo 1.014.100 indivíduos



**Universo 4.951.900 indivíduos

Acima de 18 anos**


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Edição

Brasília, 19 de fevereiro. O principal encontro sobre as tendências políticas e regulatórias do setor.

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ORGANIZAÇÃO E VENDAS


( produção ) Daniele Frederico

d a n i e l e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Logística entra em campo Equipe do pay-per-view de futebol da Globosat se prepara para coordenar a produção e a transmissão de mais de mil jogos em 2008; parceria com produtoras independentes é fundamental para a programadora.

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nquanto os jogadores suam a camisa para marcar gols e defender o seu time, a equipe que cuida dos jogos de payper-view da Globosat tenta driblar as dificuldades apresentadas durante a produção e a transmissão dos jogos para os assinantes. Com 894 jogos produzidos em 2007 e 1.222 previstos para 2008, a programadora mostra que realizar esse trabalho requer mais do que ter os direitos de transmissão. Demanda uma complicada operação logística e parcerias com produtoras independentes para dar conta do recado. “A tendência das pessoas ao discutir o futebol na televisão é reduzir a questão a direitos de distribuição e exibição, eliminando da discussão a razão do sucesso do produto: a estratégia do negócio”, diz o diretor dos canais Premium da Globosat, Elton Simões. Ele explica que um serviço como o de pay-per-view da Globosat (que oferece a opção de compra de jogos avulsos, pacotes de campeonatos e ainda um título de sócio do Premiere Futebol Clube, que dá direito a 24 horas de programação do canal PFC e a pacotes que incluem o Campeonato Brasileiro das séries A e B e um campeonato regional: Paulista, Carioca, Mineiro ou Gaúcho) começa muito antes do momento da venda das assinaturas. “O nosso trabalho começa arrumando a tabela de jogos junto aos clubes. Depois pensamos a logística para minimizar os custos e apenas em uma terceira etapa, produzimos e transmitimos os jogos para o assinante”, diz Simões. O processo começa em agosto do

ano anterior, quando os executivos da Globosat discutem com os clubes e as federações os horários da tabela. A cada ano são realizadas sete negociações para definir os horários de todos os jogos: duas com as entidades responsáveis pelas séries A e B do Campeonato Brasileiro e outras cinco com as federações estaduais. “São 76 clubes de cinco federações diferentes. Precisamos coordenar as tabelas para que elas sejam complementares, já que podemos produzir no máximo de quatro a cinco jogos no mesmo horário”, explica Simões. Esse número de jogos simultâneos é calculado a partir dos custos de produção e da disponibilidade do assinante para assistir ao jogo. “Se passarmos mais de cinco jogos no mesmo horário, o assinante extrai menos valor do produto”. Além disso, a transmissão simultânea encarece os custos de produção. “É necessário

jogos transmitidos por ano pela globosat

1.222

894

JOGOS

767

37%

801 12% 4%

2005

2006

2007

2008 Fonte: Globosat

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deslocar muitas equipes, há encarecimento do satélite e ainda aumenta a pressão sobre a restrição de banda utilizada”, explica Simões. Além das equipes e do equipamento, para garantir a qualidade da produção e da transmissão das partidas, a equipe da Globosat – que hoje conta com cerca de seis pessoas fixas na área nacional e oito na internacional – precisa verificar a condição de todos os estádios onde acontecerão os jogos e a facilidade de acesso a eles. “Alguns estádios não têm cabine de locução ou iluminação noturna, por exemplo. Coordenar as tabelas envolve não marcar um jogo noturno em um lugar que não tenha iluminação adequada”, exemplifica Simões. “Se transmitimos um jogo do São Raimundo, time do Amazonas, precisamos deslocar o caminhão e a equipe por balsa, fazer o uplink no meio da selva, transmitir para a Globosat e então subir o sinal”, conta o diretor da programadora. É por necessidades específicas como essas que a produção de jogos regionais chega a ser até 50% mais cara do que a dos jogos realizados em grandes capitais, segundo Simões. “Transmitir um jogo do Barra do Piauí, por exemplo, demanda encontrar uma cidade onde haja um caminhão disponível, conseguir deslocar esse caminhão por terra e ainda manter a equipe por pelo menos um dia lá”, afirma. “Ao fazer de quatro a cinco jogos simultâneos, conseguimos manter os custos fixos sob controle. Já o custo variável, que não é alto individualmente, cresce muito quando se multiplica por centenas de jogos”.


Alta definição Quando o assunto é captação e transmissão de futebol, não se pode deixar de pensar em como a chegada da alta definição na TV por assinatura vai afetar esse modelo de produção. Em 2007, dos 894 jogos produzidos pela Globosat, cerca de vinte (da fase final do Campeonato Brasileiro) foram captados em alta definição. Segundo o diretor de engenharia da Globosat, Gerson Novaes, alguns destes jogos foram captados em HD para gerar arquivo de material e outros para aprendizado. Para 2008 a idéia é ampliar esse tipo de captação para cerca de 60 jogos de futebol (e outros 40 eventos de outros segmentos, como shows e programas). “Acreditamos que a alta definição será bastante interessante na transmissão de eventos esportivos. Não só pela qualidade, mas também pelo formato das transmissões, que terão mais informações sobre o que acontece no campo ou na quadra”, diz Novaes. Embora a necessidade de captação em SD ainda seja predominante para

da programadora é vender 550 mil pacotes da série A. Esse crescimento do pay-per-view leva a outros tipos de resultado que não somente o lucro da programadora, como conta Simões. Ele ressalta que o pay-per-view disponibiliza jogos que de outra forma não seriam produzidos ou exibidos. “Este ano vamos totalizar quase 60 partidas da Ponte Preta. Se não transmitíssemos esses jogos, não haveria sequer um terço deles na televisão”, exemplifica. Ele também explica que o pay-perview tem ajudado os clubes a crescer. No modelo de negócios da programadora há uma parceria com os clubes e uma divisão de receitas (revenue share) no caso da série A do Campeonato Brasileiro. “Além do revenue share, os jogos contribuem para a receita dos times, já que servem como vitrine para os jogadores”, diz Simões, ressaltando que o canal 24 horas também é distribuído internacionalmente. E pro último, o diretor dos canais Premium da Globosat lembra que o assinante também se beneficia do crescimento do pay-per-view, já que por um preço estável, ele tem uma quantidade maior de jogos a cada ano. Considerados os jogos dos campeonatos Paulista e Brasileiro (série A), em 2007 foram 482 jogos, a cerca de R$ 600 ao ano (considerando o valor pago anualmente pelos sócios do Premiere Futebol Clube). “Em 2008, sem aumento significativo de preços, serão transmitidos 576 jogos desses pacotes, o que significa uma queda de quase 20% no preço”, afirma. “Com a produção de mais jogos, o clube ganha mais e o assinante paga menos por jogo”. Para 2008, o plano é cobrir 100% dos jogos do Campeonato Paulista e da série B do Brasileirão. “Crescemos com o aumento da produção e a integração de novos campeonatos”, conclui Simões.

“Com a produção de mais jogos, o clube ganha mais e o assinante paga menos por jogo”

FOTOs: divulgação

Simões enumera os três elementos necessários para a produção ao vivo (além da parte de transmissão, localizada na sede da Globosat no Rio de Janeiro). O cast (locutor e comentaristas), a equipe de apoio (produtores, coordenadores de produção etc) e a parte técnica (caminhão, cabos, câmeras etc). No total, são cerca de 15 pessoas dedicadas a um jogo. “Se considerarmos que são 20 jogos por final de semana, temos cerca de 300 pessoas envolvidas no trabalho de trazer o sinal para a Globosat”, diz. O envio de 300 pessoas a estádios em todo o Brasil e o deslocamento do equipamento seriam inviáveis se não fosse por meio de parcerias. Simões conta que para não precisar utilizar equipe própria, a programadora trabalha com parceiros – especialmente as afiliadas da Globo e as produtoras independentes. A programadora trabalha no período de um ano com uma quantidade que varia de 18 a 20 produtoras independentes.

Elton Simões , da Globosat

a programadora, as produtoras que trabalham em parceria para a produção e a transmissão dos jogos deverão estar preparadas para a realização do trabalho em alta definição. “As produtoras deverão acompanhar as necessidades do mercado. Atualização tecnológica de seu pessoal e modernização da infra-estrutura serão fundamentais. Como a transmissão em alta definição demanda uma infraestrutura técnica nova, os caminhões de produção deverão receber câmeras, lentes, mesas de vídeo e áudio compatíveis com a tecnologia”, explica Novaes. Crescimento A cada ano, a quantidade de jogos produzidos e transmitidos pelo pay-perview da Globosat aumenta (veja gráfico). Segundo Simões, a tendência observada até o momento é de aumento no número de sócios do Premiere Futebol Clube e de venda de pacotes de campeonatos, enquanto o número de compras avulsas diminui. Em 2001, por exemplo, foram vendidos 227 mil pacotes da série A do Campeonato Brasileiro, e 160 mil jogos avulsos. Em 2007, esse número foi de 387 mil pacotes (sendo cerca de 95% provenientes dos sócios-assinantes) e 95 mil jogos avulsos. Para 2008 a expectativa

Cotas do SporTV estão fechadas Os canais SporTV realizam as suas transmissões em parceria com o payper-view. No caso do SporTV, porém, há cotas de patrocínio disponíveis. Para 2008, todas as cotas já foram adquiridas pelos anunciantes Ambev, Fiat, HSBC, Penalty, Telefonica e Vivo. Cada cota, no valor de tabela de R$ 21.723.410,00, dá direito a 9.262 inserções. O pacote inclui o Brasileirão (séries A e B), campeonatos estaduais (Paulista, Carioca, Mineiro, Baiano e Gaúcho), Copa do Brasil, Libertadores da América, Copa Sul-Americana, Taça São Paulo de Futebol Junior, Amistosos da Seleção Brasileira, Eliminatórias Copa do Mundo 2010.

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( audiovisual)

Revisão cinematográfica CBC elege Paulo Rufino e começa um processo de reformulação que deve ser concluído até maio de 2008.

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FOTO: divulgação

esde julho de 2000, quando aconteceu o III Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), após um hiato de 47 anos, a realidade para diretores e produtores de cinema mudou. A Ancine foi criada trazendo consigo novas regras. Também foram criados novos mecanismos de incentivo fiscal e antigos mecanismos foram renovados. Uma nova forma de viabilizar o cinema chegou com o BNDES e a promessa de investimentos retornáveis por parte da Ancine. Dentro do CBC, que se propõe a ser uma supraentidade de defesa dos interesses comuns das entidades associadas, também ocorreram mudanças com a debandada de alguns setores, criando o FAC (Fórum do Audiovisual e do Cinema), com a chegada de novas associações e com a força conquistada por associações na defesa de seus setores sem a participação direta do CBC. Com um cenário diferente, ficou resolvido, durante o VII CBC, que aconteceu entre os dias 5 e 9 de dezembro, em São Roque (SP), que, eleita a diretoria do próximo biênio, o CBC terá 120 dias para definir como será sua atuação no futuro. “A pauta do setor nos últimos dois anos se transformou completamente, questões como Fundo Setorial do Audiovisual e o crescimento dos Funcines, a entrada da teles no jogo e toda a discussão sobre a legislação da convergência, o debate da TV pública passaram a ocupar lugar preponderante. A estrutura do CBC precisa ser mais dinâmica para fazer frente a essa realidade”, disse o então presidente Paulo Boccato na plenária de abertura. Eleita a nova diretoria, começa o

Da esquerda para a direita: Cícero Aragon, Maria Clara Fernandes, Jorge Moreno, Edina Fujii, Paulo Rufino, Daniele Bertolini, Claudio Constantino, Marta Machado e Pedro Lazzarini.

Diretoria do CBC para o biênio 2008/09 Presidente: Paulo Rufino Vice-Presidente: Jorge Moreno Secretária executiva: Marta Machado Tesoureira: Edina Fujii Diretores Pedro Lazzarini Cláudio Constantino Tizuka Yamazaki Conselho Fiscal Cícero Aragon Danielle Bertolini Maria Clara Fernandes Conselho Consultivo Assunção Hernandez Paulo Boccato Solange Lima Beto Rodrigues João Baptista Pimentel Marília Franco Carlos Brandão Marcos Manhães Marins Emanoel Freitas Marcio Moraes Geraldo Moraes

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processo de rediscussão da entidade. Foram eleitos para a diretoria o documentarista Paulo Rufino, como presidente; Jorge Moreno, vicepresidente; Marta Machado, secretária executiva; Edina Fujii, tesoureira; e os diretores Pedro Lazzarini, Cláudio Constantino e Tizuka Yamazaki. “Vamos redesenhar novas propostas, iremos atrás dos ‘desgarrados’, ouvilos e quem quiser ficar fica, pois assim a entidade se enriquece. Quero que o Conselho me dê tarefas, temos que ter o que executar”, disse o novo presidente em sua posse. Começa agora o processo de rediscussão da entidade. Na mesa estão a manutenção do CBC como entidade representativa na defesa dos interesses comuns das associações que o compõem ou se as associações passariam a assumir esta função individualmente. Neste caso, o CBC atuaria como um fórum de discussões, congressos para discussões e reflexão sobre o setor, contrataria e publicaria pesquisas e teria ainda a função de prestar alguns serviços às entidades, como assessoria jurídica. Os que


defendem esta posição alegam que as associações que compõem o CBC ganharam força e representatividade individualmente. Além disso, a busca pelo “interesse comum” das associadas não tem mais sido bem sucedida, o que teria levada ao “racha”, com a criação do FAC. “O CBC poderia contratar estudos sobre a viabilidade das cotas do PL 29, por exemplo, e repassar isso às associações para que estas defendam seus pontos de vista, diferentes ou não”, disse a TELA VIVA um dos produtores que defendem o CBC como um órgão de reflexão do audiovisual. Por outro lado, sem o trabalho em conjunto, associações de setores economicamente mais fracos do cinema teriam dificuldade em se impor. “O CBC foi uma vitória do setor que não podemos jogar na lixeira”, disse outra fonte. “Se a situação política e econômica é outra, podemos colocar a entidade para hibernar, mas não acabar com ela, sob o risco de precisarmos dela novamente e não termos para onde correr”, completou. Estes dois lados da moeda terão até maio de 2008 para serem discutidos, quando acontecerá uma assembléia extraordinária para votar o futuro do Congresso Brasileiro de Cinema. Dinheiro novo No evento, Manoel Rangel, presidente da Ancine, apresentou um panorama de como deve ser o Fundo Setorial do Audiovisual, que segundo ele, seria criado por decreto do presidente Lula na semana de 9 a 15 de dezembro. “O texto já foi da Fazenda para a Casa Civil. E com a assinatura do ministro Mantega, o que significa muito”, disse o presidente da Ancine. Caso o FSA realmente seja criado ainda este ano, contará, mesmo que para aplicação apenas em 2008, com recursos destinados a ele no orçamento de 2007. Assim, em 2008, o fundo teria os R$ 36 milhões destinados a ele no orçamento de 2007, e mais os R$ 41 milhões do orçamento de 2008. Rangel lembrou que o fundo ficará lastreado à

acham que é um bom começo para uma negociação. “Podemos chegar, pelo menos, a uma cota mais razoável”, diz um produtor. Uma respeitada produtora de cinema fez duras críticas à maneira como a comunicação eletrônica é tratada no Congresso e no Executivo. “Este é mais um projeto que tenta corrigir distorções mantendo a maior delas, que é a TV aberta. Nenhum governo tem coragem de peitar a TV aberta.” Para ela, a TV por assinatura é vista pela parcela da população que tem acesso aos conteúdos brasileiros independentes de outras formas, seja cinema ou DVD. “A TV aberta é que levaria a produção independente à parcela menos favorecida da população”, diz. Já o presidente da Ancine, Manoel Rangel, afirmou que os produtores audiovisuais precisam de um aumento no volume de empresas atuantes nos setores convergentes. “As empresas brasileiras terão mais condições de assumir um compromisso de longo prazo com o cinema brasileiro”, disse Rangel, dando uma pista de sua opinião sobre as cota propostas pelo deputado Bittar no PL 29/2007.

Home video mapeado A Ancine apresentou no VII CBC dados sobre o mercado de distribuição de home vídeo. Segundo Rangel, a partir do próximo ano, graças a uma parceria firmada com as distribuidoras, a Ancine terá números mais concretos, incluindo o volume de unidades vendidas. Conforme os números apresentados pela agência, os títulos brasileiros representam entre 6,2% e 7% do total lançado entre 2004 e 2006. As distribuidoras independentes lançaram neste período 650 títulos, enquanto as majors lançaram 295.

Condecine e ao Fistel e terá três programas de aplicações: Prodecine, ProdAV e PróInfra. Os recursos poderão ser utilizados em investimentos, empréstimos, fomento (somente em casos específicos) e equalização de encargos financeiros. A gestão ficará a cargo de um Comitê Gestor, formado por um membro do Ministério da Cultura, um membro da Ancine, um representante dos agentes financeiros (a princípio, BNDES e Finep estarão cadastrados) e dois membros do setor audiovisual. Os dois membros serão escolhidos pelo ministro da Cultura, a partir de duas listas tríplices, que deverão ser encaminhadas pelo Conselho Superior de Cinema, a ser nomeado em breve. O Comitê terá, no máximo, seis meses para ser criado. Após este período, o fundo ficaria congelado. Isto porque uma secretaria executiva terá poderes para gerir o fundo apenas por este período. “A idéia é que a secretaria execute os atos mínimos necessários”, afirmou.

Publicidade Um grupo de estudos encabeçado por Marta Machado e criado na edição anterior do CBC apresentou o projeto de uma campanha de divulgação do cinema brasileiro. A campanha contará com três filmes de 30 segundos, que serão exibidos nas salas de cinema e nas emissoras de TV que apóiem a iniciativa, e, possivelmente, com outras ações de marketing, como a criação de uma linha de camisetas de filmes brasileiros. A iniciativa já conta com o apoio da TV Globo. “Tivemos uma conversa com a Marluce (Dias, da Globo) que concordou em apoiar o projeto”, disse Boccato. A idéia é que grandes nomes do cinema brasileiro dirijam os filmes. Foram convidados para isto Fernando Meireles, Walter Salles e o diretor de animação Carlos Saldanha.

PL 29 Em relação às cotas para a TV por assinatura propostas no PL 29 (veja matéria de capa), há alguma discórdia no setor de produção. É praticamente unanimidade que a cota de 10% de conteúdo nacional independente nos canais internacionais é viável. Para os produtores, os canais já contam, inclusive, com incentivo fiscal para ajudar a bancar estes conteúdos. Além disso, defendem que existe oferta para suprir a demanda. A discórdia é em relação à cota de 50% de canais nacionais no line up das operadoras. Todos acreditam que a cota não é viável e alguns chegam a pregar a extinção da cota do PL. Contudo, alguns

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Energias sociais fotos: divulgação

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ma campanha com quatro filmes – três já em exibição – foi criada pela Duda Propaganda para divulgar as ações da Petrobras que não estão diretamente ligadas a seu negócio principal. São filmes que mostram as ações da estatal nas áreas de arte, cultura, meio ambiente e projetos sociais. A idéia era aproveitar o resultado bem-sucedido da campanha desenvolvida para os Jogos Panamericanos, que falava das energias da Petrobras e as representava em imagens de fitas coloridas. “As energias fizeram tanto sucesso que a Petrobras acabou expandindo para essa campanha, que mostra as áreas em que a empresa investe dinheiro como retorno à sociedade. Nosso trabalho nessa campanha foi produzir imagens poéticas, que ajudassem a poetizar os textos da agência”, explica a diretora Paula Trabulsi. O primeiro filme fala sobre o mapeamento da costa brasileira. “Sabe quando o universo conspira a favor? Tínhamos acabado de fechar um acordo com a Canal Azul, que tem o maior acervo de imagens da costa brasileira, quando pegamos esse filme”, diz Paula. “Levaríamos pelo menos um ano para filmar o que precisávamos, ou teríamos de recorrer a acervos. E bancos de imagens como o da National Geographic, por exemplo, não têm necessariamente imagens do Brasil.” O trabalho aqui, então, foi o de criar uma narrativa com as imagens, em cima do texto produzido pela agência, acrescentando as energias da Petrobras. “Foi o primeiro grande projeto da Bossa Nova com a Canal Azul.” O segundo filme, que aborda os projetos de arte e cultura, foi composto a partir de material de

Campanha da Petrobras: equipe de produção da Bossa Nova Films enfrentou desafios para filmar em locais de difícil acesso.

arquivo e cenas filmadas. “Aqui precisamos trabalhar a resolução e a textura para dar uma mesma linguagem ao material. Fomos filmando pequenas cenas, várias coisinhas, mas a cena final, que mostra a menina bailarina no morro, foi o grande exemplo. Essa menina faz parte de um projeto chamado ‘Dançando para não dançar’, no Rio de Janeiro, e desde os cinco anos faz balé clássico.” Conforme os filmes foram avançando, os desafios foram aumentando. “Tomamos um avião para Fortaleza, de lá fomos de carro a Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde pegamos um transporte 4 x 4 até o meio do nada, numa comunidade chamada Sombras Grandes e Milagres. Parecia que estávamos num livro do Guimarães Rosa”, conta Paula. O filme mostra o projeto “Molhar a terra”, que leva água a regiões de seca. Sempre que a Petrobras perfura alguma região e encontra água em vez de petróleo ou gás, ela implanta uma unidade desse projeto, ensinando a população local a irrigar e plantar. “No lugar só tinha a plantação com a irrigação e mais nada. Nenhuma casa tem água encanada, são carros de boi que

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transportam a água para lá e para cá. Essa comunidade se reinventou com a chegada do projeto – são 12 famílias que hoje cuidam de hortas, produzindo coisas que eles nem conheciam. Fomos para lá com uma equipe de 30 pessoas, um monte de equipamentos, incluindo uma grua, e passamos muito bem, comendo as verduras que eles produzem.” O último filme da campanha ainda estava em produção. Vai abordar os projetos de cidadania e inclusão social. ficha técnica Cliente Petrobras Produto Institucional Agência Duda Propaganda Direção de criação Ricardo Braga Criação Ricardo Braga, Marcelo Kertesz e Marcos Apóstolo Produtora Bossa Nova Films Diretor Paula Trabulsi Diretor de fotografia Walter Carvalho (Cultura e Água) e Lawrence Wabba (Mar) Finalização Bossa Nova Films e Tribbo


As linguagens da música

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Filmes da Digital 21 reuniram elementos do universo dos artistas do projeto Estúdio Coca-Cola em animações, recortes e interferências.

o longo do segundo semestre de 2007, a Digital 21 produziu uma campanha para o projeto Estúdio Coca-Cola, que reúne expoentes da música brasileira em gravações conjuntas, celebrando as diferenças entre os diversos estilos musicais brasileiros. A campanha contou com filmes específicos sobre cada parceria e outros dois filmes de apoio – um, chamado “Liquidificador”, que resume o projeto, e outro para o show Vibezone, que encerrou o ano. “A proposta era reunir elementos do universo de cada artista em animações, recortes e interferências”, explica o diretor Rodolfo Patrocínio. Para cada dupla, foi feita uma ampla pesquisa de tudo o que havia de diferente ou de proximidade entre os dois. As duplas da primeira fase do projeto, que renderam filmes, eram Pitty e Negra Li; Marcelo D2 e Lenine; e a banda Cachorro Grande e Nando Reis. “A idéia era justamente juntar duas pessoas que não tinham nada a ver, então a gente teve essa dificuldade de encontrar os elementos que definissem cada um e combinassem entre si. Também não podíamos repetir elementos em filmes diferentes. Por exemplo, a Negra Li e o Marcelo D2 vêm do mesmo universo”, continua. Os filmes foram construídos a partir de imagens gravadas em vídeo dos artistas, que interagiram por alguns dias antes de irem para a gravação do show. “Reunimos elementos urbanos de Marcelo D2 com nordestinos do Lenine. No caso da Pitty e da Negra Li, eram duas artistas muito femininas, mas não suaves. Cachorro Grande, por exemplo, é uma banda gaúcha de

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rock, enquanto Nando Reis é paulista e toca MPB. A partir daí é que pensamos nos elementos.” Os detalhes foram definidos e criados em animação para então serem compostos com as imagens em vídeo e trabalhados, todos, sobre as cores e propostas de toda a campanha de Coca-Cola. Foram criados então os filmes de Liquidificador e Vibezone. No primeiro, um rapaz vai pegando elementos animados e jogando em um liquidificador, enquanto a locução explica o conceito do projeto. “Aqui trabalhamos o tempo todo com um ator que interagia com o nada, para depois aplicarmos os elementos.” O último filme, do evento Vibezone, brinca com os pôsters lambe-lambe para anunciar os shows realizados em Gramado, que seguem o mesmo espírito de todo o evento. Um homem vai andando pela cidade e pregando cartazes, que logo ganham vida e apresentam a programação dos shows.

ficha técnica Cliente Produto Criação Direção de criação Produtora Direção Fotografia Montagem e pós-produção Trilha

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Coca-Cola Estúdio Coca-Cola Myla Verzola, Fernanda Salloum e Rodrigo Visconti Ricardo Chester e Roberto Fernandez Digital 21 Rodolfo Patrocínio Cláudio Leone Equipe Digital 21 MCR


( animação )

Humberto Costa

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Mônica, cidadã do mundo Embalado pelo projeto de internacionalizar a Turma da Mônica, o estúdio Mauricio de Sousa descentraliza o modelo de produção. Com parceiros brasileiros, o objetivo é acelerar a finalização de novos títulos para TV e cinema.

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FOTO: divulgação

ma história que não está no gibi. A mais famosa personagem de Mauricio de Sousa empunha seu indefectível coelho e mira o mundo. Desenhos animados da Turma da Mônica já são exibidos em quase toda a América Latina pelo canal Boomerang, da programadora Turner Broadcasting System. Na Itália, “a turminha está abafando”, como gosta de dizer o criador da série, Mauricio de Sousa. A animação genuinamente brasileira já obteve na Rai Due, um dos canais da TV estatal italiana, índices de audiência superiores aos dos “Simpsons”. A China, o país que mais cresce e deve se tornar nos próximos anos a maior economia do planeta, também está na pauta de exportações. “Temos em estudo um projeto educacional sensacional a ser realizado com uma empresa contratada pelo governo chinês para produzir conteúdo de alto nível para escolas, para o que chamaríamos de pré-escola no Brasil. E já estamos produzindo para eles material para a web”, revela Mauricio de Sousa. Os números não são revelados, mas a animação é hoje o principal investimento da Mauricio de Sousa Produções (o restante do negócio abrange histórias em quadrinhos em jornais, revistas e licenciamento de produtos). “As contas sobre o retorno estão sendo montadas, com muito otimismo”. Do escritório em Nova York é arquitetado o pulo do gato para que a Mônica ganhe voz nas mais diferentes línguas. Uma diretoria internacional articula o trabalho de agentes espalhados por vários países.

“A Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo”: primeira produção de Maurício de Sousa feita em modelo de parcerias.

“Estamos criando condições para que nossos personagens se tornem mais conhecidos. Não somente na área comercial, mas também na área de serviços sociais. Para tanto estamos apressando a produção de nossos desenhos animados”, aponta Mauricio, tocando no ponto crucial do plano, pisar fundo no acelerador para produzir mais. Tudo o que é exibido da “turminha” mundo afora hoje é material de acervo reaproveitado, que foi pinçado de longas metragens produzidos nos últimos anos. As prateleiras estão vazias e é preciso fazer frente a crescente demanda internacional. Mauricio de Sousa mantinha e concentrava toda a produção debaixo da mesma estrutura, mas resolveu mudar, escolheu a terceirização. “Fazer animação é caro e exige constante investimento em arte e tecnologia. Tive que encontrar um caminho mais rápido e viável para aumentar a produção, principalmente para a televisão.

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Optei, então, ficar com o lado da arte, da criação, do conteúdo e fazer parcerias com estúdios que já estivessem focados, principalmente, na parte tecnológica, que dominem a animação tradicional e em 3D”. Das quatro frentes de produção tocadas, apenas a terceira edição do “CineGibi”, filme de uma hora de duração para televisão e DVD, é feita na estrutura dos estúdios Mauricio de Sousa, em São Paulo. O primeiro rebento da nova fase foi o filme “A Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo”, produzido pela carioca Labo Cine em associação com os estúdios Buena Vista Internacional e o produtor brasileiro Diler Trindade. O longa foi lançado em fevereiro e tornou-se a quarta maior bilheteria entre as produções nacionais. É também a animação brasileira mais vista este ano por


aqui. “Ao contrário dos nossos filmes anteriores, este foi produzido em cima de uma história só. Tem uma bela mistura de técnicas de animação. Abusamos de efeitos 3D, animação tradicional e até pitadas de Flash”, descreve Mauricio. O namoro com o novo parceiro começou quando o pessoal da Labo Cine finalizava o primeiro grande trabalho há dois anos, o desenho animado em longa metragem inspirado na outrora chamada “Rainha dos Baixinhos”, “Xuxinha e Guto contra os Monstros do Espaço”. “Fiquei admirado com a qualidade do material e com o potencial que sentia ali para um trabalho com os nossos personagens”. “O Mauricio gostou do nosso método de produção. Está sendo mesmo uma grande parceria”, afirma Clewerson Saremba, diretor-geral da Labo Cine, que se auto-intitula o maior estúdio brasileiro de animação. O desenvolvimento de cada projeto segue o mesmo fluxo. A Labo Cine recebe um pacote de criação dos estúdios Mauricio de Sousa com o argumento, estudo de personagens e cenários, e criações musicais. É o pontapé inicial do trabalho. “O Maurício escolhe as histórias dos gibis e nós adaptamos com o nosso roteirista, o Stil, para ficar com linguagem de animação”, conta

Clewerson. Mauricio de Sousa acompanha cada fase da produção. Clewerson acredita que a distância entre Rio e São Paulo não atrapalha. “Criamos eficientes canais de comunicação entre as duas empresas. Trocamos informações por e-mail, telefone e são agendadas visitas do Mauricio e da equipe dele aqui no estúdio para aprovação e acompanhamento”. O pai da “Turma da Mônica” bate na tecla da afinação. “É preciso falar a mesma língua no conteúdo, na arte e na tecnologia”. Cinqüenta pessoas da Labo Cine trabalham diretamente na produção de uma série de TV da “Turma da Mônica”. A primeira fase compreende treze filmes de sete minutos de duração cada. “Será bem divertida, com muita agilidade de animação e conteúdo”, adianta Clewerson. São profissionais que cuidam da animação em 2D e das modelagens em 3D, dos cenários, storyboards, montagem, finalização e direção. “Cada setor está bem dividido e tem seu próprio coordenador. Trabalhamos como uma linha de montagem. Um depende do trabalho do outro para ser concluído na edição final”, detalha. Realizar um sonho antigo fez Mauricio de Sousa correr atrás do segundo parceiro. O escolhido foi a auto-denominada “boutique de conteúdo” Digital 21, e a missão é fazer um filme cujo personagem central é o simpático dinossauro Horácio. “A Digital 21 é uma produtora de filmes, principalmente comerciais, de altíssimo

nível, a maioria em computação gráfica, que é a técnica que eu planejava usar. O longa será altamente sofisticado, dirigido ao mercado mundial e deve ficar pronto em cerca de dois anos”, conta Mauricio. O ambicioso projeto vai exigir importação de mão de obra. Ao longo do período de produção serão 120 pessoas entre artistas e técnicos brasileiros, americanos, canadenses e europeus empenhados em dar vida animada ao Horácio. “O filme está sendo realizado com o que há de mais avançado em termos de animação 3D. Ele tem uma característica específica que é a estética do Mauricio o que o torna diferente do que já foi produzido. A Turma da Mônica é um produto global, eu sou fascinado pelos personagens”, confessa Rodolfo Patrocínio, diretor da Digital 21. Esquema de trabalho semelhante foi o adotado para colocar em pé a série de TV do fantasma “Penadinho”. Em relação ao filme, envolve uma equipe mais enxuta, que inclui também grupos de artistas independentes e parcerias com outras produtoras internacionais. “Penadinho vai trazer um jeito diferenciado de desenho animado para TV. É feito com várias técnicas e tendências de animação”, revela Rodolfo.

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( animação) FOTO: divulgação

Para os brasileiros O mercado internacional de animação é cheio de oportunidades, e em expansão permanente. O desafio é fazer um produto competitivo. Desenho animado de qualidade tem custo elevado em qualquer parte do planeta. Quem é do meio afirma que é uma conta difícil de fazer, principalmente quando os co-produtores são os produtores de imagem. Outro complicador é que as referências vêm dos filmes publicitários. Rodolfo Patrocínio dá um giro pelo planeta para estabelecer paralelos. “Os Estados Unidos estão buscando alternativa no exterior para reduzir os orçamentos. Na China é uma miséria que não vale nem a pena falar. Acredito que o Brasil já cobre metade do pedido pelos produtores americanos. Mas eu pergunto, de quantos longas você tem notícia no Brasil que são produzidos em escala de primeiro mundo?” A Labo Cine também atende a TV Globo e a Warner Bros., entre outros clientes de peso. O diretor-geral da produtora coloca tudo na ponta do lápis, e vê um bom caminho a ser seguido. “Acho que já estamos com preços bem compatíveis com todo o mercado mundial. Outros países já olham o Brasil de forma interessante. Estamos aprendendo como funciona o mercado internacional de animação e estamos tentando entrar lá fora”, revela os planos expansionistas Clewerson Saremba. Apesar da pretensão de fincar o traço verde-amarelo no mercado global, os estúdios brasileiros esbarram na falta de mão-de-obra. “O que mais pesa são os gastos com tecnologia e preparo de pessoal especializado”, faz as contas Mauricio de Sousa, que não descarta também buscar parceiros no exterior. É reconhecido que o Brasil tem uma boa safra de animadores, mas ainda é pouco. “O que falta mesmo são mais escolas e cursos de animação que ensinem coisas para valer com visão profissional. Nós treinamos e formamos a maioria dos

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ter condições de vender nossas séries por preços internacionais, ou não teremos a Mônica na TV brasileira”, desabafa Mauricio. Os parceiros têm uma visão mais otimista. “Vai emplacar! Acho que agora é o melhor momento para isso acontecer. O mercado brasileiro Maurício de Sousa e Rodolfo Patrocício, da Digital 21: produção do longa demorou a aceitar a do personagem Horácio em 3D contará com 120 artistas e técnicos. animação feita por nossos profissionais. Temos um método aqui. Isso dificultou a exibição no bem diferenciado. Já estamos pensando passado. Os tempos mudaram e o em montar um curso para absorvermos a público também. A Turma da mão de obra desejada”, diz Clewerson. Mônica acompanhou esta Se o futuro parece ser tão promissor mudança”, acredita Clewerson. para os desenhos da “Turma da Mônica” “O Mauricio tem muitos e outras criações made in Brazil, por que personagens, dá para agradar a criação máxima de Mauricio de Sousa qualquer público”, define Rodolfo. não está na TV aberta brasileira? SabePara quebrar o tabu de não estar se que existem negociações para exibição acessível ao telespectador brasileiro, o da nova safra. O nó da questão é ter maior contador de histórias em escala para achatar os custos. “Os quadrinhos do país flerta com o desenhos teriam que ser vendidos governo Lula. “Outro caminho seria o simultaneamente em diversos países subsídio governamental. Um banco, o para se pagarem, como acontece com Ministério da Cultura, ou da Educação. outras séries internacionais. Este é o Mas é um caminho tortuoso, cheio de processo que estou perseguindo. Quero meandros políticos. E talvez de cobranças que não me agradam”. Mauricio de Sousa pensa até em um novo produto. “Algo tipo um Vila Chico Bento Sésamo caboclo, dirigido à criançada em mandarim em fase de alfabetização. Este projeto A Turma da Mônica tem uma grande tem sido discutido em alto nível e tem diversidade de personagens, alguns com forte apelo regional, como o caipira alguma chance de avançar. Conta com Chico Bento. A graça do Cebolinha é entusiasmo até mesmo do presidente trocar o “R” pelo “L”. Imagine embalar Lula”. Seria um programa para a TV este conteúdo para o mercado externo, Brasil, a emissora estatal que estreou sem distorcer o original. “O importante é passar uma mensagem que todos no início de dezembro com uma grade compreendam. Dependendo do país, improvisada e cheia de buracos? fazemos algumas adaptações”, afirma o O tempo dirá. diretor-geral da Labo Cine, Clewerson Mesmo cansado do que chama de Saremba. O que importa mesmo na hora descaminhos econômicos e políticos, exportar o conteúdo da “turminha” é o desenhista não desiste de sua maior encontrar o equilíbrio. “Há um cuidado ambição, ver os personagens que maior para que as versões de nossas histórias, do nosso conteúdo filosófico, criou desabrocharem mundo afora. das mensagens, sejam alvo da melhor Mas não deixa de manifestar um das versões. Com todo respeito às certo pesar. “Temos tanta história culturas locais”, define Mauricio de linda para contar e cantar que Sousa e ressalta:”Os filmes são exibidos da maneira como criamos no Brasil”. uma só vida será pouca para tanto. Mas comecemos.”

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( artigo) Gabriela Campedelli*

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Os games e a mídia

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FOTO: Marcelo kahn

o dia 3 de dezembro de 2007, a Sony lançou no mercado publicitário uma nova forma de anunciar. Trata-se do jogo “Pain” disponível aos usuários da Playstation 3, console de última geração lançado pela empresa. “Pain” permite que os usuários controlem uma imensa catapulta que lança seu personagem pelo espaço. O objetivo é atingir objetos. Enquanto o personagem passeia pelos ares, outdoors dinâmicos mostram comerciais reais e mensagens que podem ser atualizadas a qualquer momento pela empresa. A mágica é muito simples, “Pain” pode ser baixado através do Sony Playstation Networking, em países onde o serviço está disponível. Pra trocar de anúncios basta lançar uma atualização e todos os usuários terão acesso imediato ao mais novo anunciante na parada. E a novidade não para por aí. A corporação japonesa já anunciou que os preços dos anúncios vão seguir a lógica de quantos usuários estão conectados ao jogo em dado momento. Até agora, a maioria dos anúncios nos games era baseada na projeção de vendas dos títulos. As novas possibilidades dos consoles de última geração trazem uma nova perspectiva para o mercado daqui para frente, pelo menos para o mercado publicitário americano. Apesar da indústria de games engatinhar no Brasil, os games já despontaram como alternativa midiática em diversos setores. Ainda sem realizar anúncios em títulos que estão à venda nas lojas disponíveis para consoles, a Petrobras já vê com bons olhos a inserção de suas marcas em videogames. O foco está nos games no estilo esporte-motor como a

* Gabriela Campedelli é pesquisadora do mercado de mídias digitais na Cidade do Conhecimento da ECA-USP.

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Fórmula 1 e o Stock Car. Segundo Arthur Ferreira, profissional da gerência de publicidade e promoção da estatal, o público de videogame se afasta cada vez mais da televisão mostrando a necessidade de buscar a atenção onde ela está. Por isso, a estratégia de fortalecimento da marca Petrobras leva em consideração os videogames como forma de mídia. Mesmo que a empresa ainda tenha apenas a intenção de entrar no mercado de títulos à venda, a Petrobras já realizou algumas campanhas tendo videogames como ponto de partida. É o caso do show Vídeo Games Live, do qual foi a principal patrocinadora, e que contava com um jogo de Fórmula 1 com a marca da Petrobras desenvolvido especialmente para o evento. O show trazia uma série de trilhas sonoras de games que eram tocadas pela Orquestra Petrobras Sinfônica sob o comando do maestro Jack Wall e uma minifeira que acontecia no início e no intervalo da apresentação na qual as principais novidades do mercado podiam ser experimentadas pelo público. Eventos de games parecem ter um apelo especial para as promoções de diversas empresas. Mas não é só disso que vive o mercado de games. Já há algum tempo algumas agências de “advergaming” surgiram no Brasil, atuando principalmente no desenvolvimento de pequenas jogos em Flash para sites de marcas e produtos. A idéia é sustentar o marketing viral na internet chamando a atenção de jogadores online para a marca anunciada. A empresa Devworks

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trabalha muito com essa fornecimento de jogos scriptados em modalidade de jogos, em várias LUA até aplicativos funcionais para tecnologias, inclusive em 3D. leitura de PDF no portátil. A verdade é Segundo Antonio Teoli, diretor que a oferta de serviços nos consoles já comercial da Devworks, várias ultrapassou o simples fornecimento de empresas têm procurado o serviço games para jogar. Nesse universo as de desenvolvimento de games para possibilidades são inúmeras. A própria sites, principalmente quando Microsoft mantém nos Estados Unidos o eventos midiáticos como a Copa do Microsoft Video Marketplace, que Mundo estão para ocorrer. Um funciona como um distribuidor de case citado por ele é o da Cocavídeos em alta definição para usuários Cola que desenvolveu seis jogos da rede Xbox Live diretamente para a para o seu website com temática sala de estar. Evidentemente o conforto esportiva no ano passado. Outro exige, além do console, a conexão à caso bastante interessante é o da internet. No evento TV 2.0, realizado Fnac, que criou um campeonato por TELA VIVA, um executivo da usando o jogo “Fifa 08”, da Microsoft afirmou que não existe Electronic Arts. previsão da chegada do serviço no Embora exista um relação Brasil. Claro que os percalços são óbvia entre o fornecimento de um enormes também. Mal chegamos à conteúdo (jogos) e seu potencial época da televisão de alta definição e para anunciantes, o mundo dos ainda se discute como regulamentar as games é mais atrativo por suas redes. Observando o mercado de possibilidades consoles de games, nem enquanto mídia a Sony Computer As possibilidades social do que como Entertainment entrou dos consoles de mercado de títulos. oficialmente no Brasil, o última geração Até agora apenas que dizer da Nintendo. os jogos com trazem uma nova Em relação à distribuição alguma temática perspectiva para o de conteúdo online esportiva, ou jogos também é possível contar mercado. casuais apareceram nos dedos as lojas na como alternativa internet que vendem para anunciantes. É quase que música e sequer entraram no mercado impossível, por exemplo, imaginar de vídeo, a não ser comunidades como uma empresa como a Vale o You Tube, Videolog e outras afins, que anunciando em um jogo como se caracterizam mais por serem webtvs. “Resident Evil” ou até mesmo em O próprio serviço iTunes da Apple, que alternativas como o polêmico além da iTunes Store disponibiliza o “Grand Theft Auto”. player e o iPod para seus usuários, não No universo do game existem é aberto para compradores brasileiros. diversas modalidades de Surgiu, no horizonte, a possibilidade de socialização. Desde redes de video-on-demand e de IPTV com consoles, como a Xbox Live, da algumas ofertas por parte de algumas Microsoft, até comunidades de RPG das operadoras de telecomunicações, online. Embora o Brasil ainda não que, ainda assim, querem levar de tenha uma medida do potencial forma gratuita mais um set-top box na desse mercado e as iniciativas sala de estar. Ou seja, mais um nessas redes ainda sejam tímidas, aparelho, mais um fio conectado na TV, observar um pouco o que acontece isso se houverem tantas entradas no mercado externo pode trazer quantas forem necessárias e se grandes lições. houverem tantos consumidores assim. Uma plataforma como a PSP Algumas alternativas interessantes traz inúmeras possibilidades de à confusão de STBs na sala de estar marketing que variam desde o apareceram justamente no mercado de

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consoles europeu. A Sony, que lançou o seu aparelho PS3 no ano passado, anunciou que estaria integrando junto ao console de games, além de uma rede comunitária onde são possíveis o download de jogos e a atualização de anúncios, a possibilidade de sintonizar a televisão digital terrestre. Ou seja, a oferta multiplicou. Os games, a TV aberta, o Blu-Ray, a Sony Playstation Networking, a possibilidade de video-on-demand em um só aparelho. Mesmo no Japão a PSP, o console portátil que tem uma tela em 16:9, surgiu como alternativa para a mobilidade da TV digital, com o anúncio de um sintonizador que pode ser acoplado e recebe a portadora 1-Seg. Observando que os consoles já são uma base instalada de set-top boxes, dadas algumas diferenças técnicas aqui, outras ali (nada é impossível), muitas operadoras de telecomunicações planejam se aproximar do mercado de games para integrar seus sinais de TV onde a rede já está instalada. E se não estiver instalada, note que a curva de troca de consoles varia conforme as novidades do mercado. Em geral, Sony, Nintendo e Microsoft atrelam seus consoles de games mais à oferta de títulos que às possibilidades de levar essa ou aquela rede. Enfim, parece que aquela velha máxima de que são os games que vendem os consoles se faz valer. Vejamos, hoje para ter acesso a “Resident Evil: Umbrella Chronicles” é preciso de uma Wii. Nada de NDS, nada de PSP. Imaginemos que amanhã tais empresas de games resolvam aproveitar o potencial do mercado brasileiro, com tantas estratégias, fica difícil dizer que o mercado não vai mudar. Por isso, alternativas que aproximem a indústria de conteúdo dos games também deveriam fazer parte do panorama brasileiro. Só resta saber como.

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( cinema ) Lizandra de Almeida

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A vez dos“amadores” Com um crescimento expressivo em termos de quantidade e organização, os cineclubes se espalham por todo o Brasil e garantem reconhecimento institucional.

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m novembro do ano passado, uma pesquisa no site do Conselho Nacional de Cineclubes (CNC) revelava a existência de cerca de 50 entidades associadas. Hoje, um ano depois, o mesmo site lista mais de 380. “E tenho certeza de que existe pelo menos o dobro”, afirma o presidente do CNC, Antonio Claudino de Jesus. “Também estamos nos reestruturando e ainda não temos pernas para cadastrar todo o mundo, mas tenho certeza de que são mais de 600.” Essa movimentação não começou agora, mas teve no segundo semestre de 2007 seu momento marcante. Em outubro, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) publicou a Instrução Normativa nº 63, que “define cineclubes, estabelece normas para o seu registro facultativo e dá outras providências”. A normativa preenche o vazio institucional que se instaurou com a extinção do Conselho Nacional de Cinema (Concine), em 1990, pelo presidente Fernando Collor. “Uma das missões que Orlando Senna e eu tínhamos quando entramos na Secretaria do Audiovisual era a de reforçar esse circuito cultural”, diz Leopoldo Nunes, que foi o principal articulador da IN 63 quando era diretor da Ancine. “Nossa convicção era a de que precisávamos definir o que é o não-comercial. Quando um produto é comercial, segue seu ciclo econômico. O não-comercial é cultural, então é eterno.” “Aconteceram três coisas simultâneas: a normativa, nossa posse na SAV e nossa pré-jornada”, explica Claudino. Ainda em outubro, o CNC tomou posse como

Cineclube Cauim, de Ribeirão Preto: um dos mais antigos ainda em funcionamento.

uma das entidades da Secretaria do Audiovisual (SAV), ganhando reconhecimento oficial. “A consulta pública da normativa nos deu a oportunidade de mostrar nossa mobilização. Em geral, organizamos uma pré-jornada do CNC com os diretores e conselhos regionais, para definir a jornada. Este ano, reunimos representantes de 70 cineclubes na pré-jornada, pessoas que já estavam mobilizadas por causa da consulta pública.” Para Felipe Macedo, conselheiro do CNC e um dos mais atuantes cineclubistas brasileiros – à frente de projetos como os paulistanos Cineclube do Bexiga e Elétrico, muito atuantes na década de 1980 – “a instrução normatiza pouco, mas reconhece oficialmente os cineclubes como instituições sem fins lucrativos”. Ele acredita que a não-obrigatoriedade de registro prevista pela normativa é muito

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positiva, diante da diversidade de iniciativas que podem ser definidas como cineclube. “A nãoobrigatoriedade é importante por reconhecer a informalidade desse tipo de ação”, completa. Muito intenso entre as décadas de 1960 e 80, o movimento cineclubista foi perdendo a força depois do desmonte promovido pelo governo Collor. “Os cineclubes estão sempre nascendo e morrendo, mas o movimento ficou muito desorganizado com a globalização e a mudança de paradigma tecnológico”, acredita Macedo. “As cópias 35 mm eram caríssimas e todo o acervo de 16 mm ficou preso com o fim da Embrafilme. Surgiu o VHS, mas não era uma bitola boa para exibição”, conta Fernando Kaxassa, presidente do Cineclube Cauim, um dos mais antigos cineclubes brasileiros, dos poucos que resistiu a esse período e ainda em funcionamento (veja Box). Ações federais A reestruturação começou a partir de 2003, com a articulação de Leopoldo Nunes. Ele buscou as principais lideranças e deu início às discussões e a projetos que hoje estão se consolidando. “Fizemos um congresso estimulado pelo Leopoldo e fomos reorganizando. Hoje o Claudino está em seu segundo mandato e conseguimos reforçar nosso diálogo com o Estado”, diz Macedo. O apoio institucional ao movimento cineclubista veio junto com outras iniciativas da SAV. A primeira foi o lançamento do edital de pontos de difusão digital, em julho de 2006, definidos como “entidades públicas e privadas sem fins lucrativos


Foto: divulgação

com atividade de exibição e formação História de formação de público”. Os cem pontos selecionados receberam do governo Os cineclubes foram a base da formação de muitas pessoas que hoje trabalham com cinema. O próprio Leopoldo Nunes, hoje diretor de programação e equipamentos de exibição. Em conteúdo da Empresa Brasil de Comunicação (a TV Brasil) é “cria” do Cineclube contrapartida, se comprometem a Caium, de Ribeirão Preto, um dos mais antigos ainda em funcionamento. montar uma sala para um O Cineclube Cauim foi fundado em 1979 por Fernando Kaxassa, que mínimo de 80 lugares e ainda preside o que hoje é uma rede de ações culturais e educativas na região. “Começamos carregando o projetor 16 mm nas costas, indo nas garantir público espectador escolas, passando filmes que não passavam nos cinemas na época da nas sessões. O critério para a ditadura”, conta. Hoje, o Cauim tem uma sala de 800 lugares no centro escolha dos pontos foi, em de Ribeirão Preto. Seu principal objetivo é dar acesso a quem não tem primeiro lugar, a carência de condições de ir ao cinema. “Recebemos todos os dias 4 mil alunos e 99% das nossas sessões são de graça”, diz Kaxassa. acesso ao audiovisual. Durante o período de crise pós-Collor, o cineclube se manteve em No ano passado também uma sede menor, no bairro de Vila Virgínia, onde já mantinha um projeto foi lançada a Programadora social que hoje ainda persiste. “Não havia mais como trazer cópias 35 Brasil, um projeto de difusão mm. O DVD ainda nem estava começando, então começamos a fazer programas de televisão e de rádio. Há cinco anos, tivemos a do cinema brasileiro para esse Fernando Kaxassa, do oportunidade de assumir essa sala, que já era uma sala de cinema. circuito independente e sem Cineclube Cauim. Como foi construída em formato stadium, ficava difícil alugar o prédio fins lucrativos. A Programadora para um supermercado. O proprietário acabou alugando para uma igreja, mas eles queriam comprar e ele não queria vender. Acabamos conseguindo alugar Brasil vende DVDs a preço de custo, a sala e ampliar nosso projeto”, continua. “Hoje todos os alunos da rede pública garantindo a remuneração dos de Ribeirão Preto já foram ao cinema. Fazemos um rodízio, mas levamos todas as realizadores. “Precisávamos garantir escolas. E como também promovemos oficinas de vídeo nas escolas, eles estão um acervo para esse circuito assistindo uns os vídeos dos outros.” Além da sala de exibição, que exibe principalmente filmes nacionais, mas exibidor”, diz Nunes. também alguns blockbusters a preços populares, o Cauim mantém uma banda, O movimento agora conta também vários espaços culturais com atividades como circo e teatro e o que mais aparecer. com o apoio de outras entidades de Sem cobrar ingresso, a manutenção vem de várias fontes. “A gente faz de tudo, cinema, como as ABDs, que reúnem desde vender rifa até inscrever projetos nas leis de incentivo”, brinca. documentaristas e curta-metragistas, e o Congresso Brasileiro de Cinema (CBC). “Também estamos fazendo um poucos que têm alguma abertura. Ainda há organizamos, a pedido do Instituto trabalho casado com o Fórum de muita incompreensão do que seja Palmares, a mostra AfroOlhar, com Festivais. Já fizemos palestras sobre a cineclube, apesar de ser uma instituição cinco programas que foram exibidos montagem de cineclubes em mais de conhecida no mundo inteiro, um termo em 50 cineclubes, durante cinco dez festivais”, completa Claudino. compreendido em várias línguas, como dias, em diversos Estados. Tivemos “Nosso diálogo com o Estado está se ‘hotel’”, diz Macedo. uma pronta resposta. A intenção é ampliando, mas não só com o “Estamos conseguindo organizar que essa mostra aconteça duas governo federal. Estamos procurando mostras em todo o país, envolvendo vezes por ano a partir de agora”, parcerias nos Estados, mas são vários cineclubes. Em novembro, explica Claudino.

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(upgrade )

RMR-II, da RF Central, recebe sinais SD e HD.

Recepção em rack

2X VGA Extender, da Gefen, liga dois monitores em uma localidade remota.

Monitor remoto

A RF Central está distribuindo seu novo receptor de 5,8 GHz para montagem em rack RFX-RMR-II. Desenvolvido para aplicação em estádios, assim como unidades móveis de jornalismo, o equipamento oferece a possibilidade de upgrade para alta definição com decodificação do material com delay curto. O RMR-II recebe tanto o sinal standard quanto o HD, e dá saída em vídeo composto, SDI ou DVB-ASI. Em relação ao áudio, apresenta vários formatos, incluindo analógico, digital, e embutido no sinal de vídeo. A recepção de radiofreqüência conta com tecnologia para rejeitar o sinal adjacente, trabalhando com decodificação COFDM. Os modos de modulação podem ser QPSK, 16 QAM e 64 QAM, com detecção automática. Além disso, também é distribuído na versão com freqüência de banda 2 GHz, podendo ser encomendado para outras freqüências. Painel de patch U-Links de 6 1/8" minimiza o tempo de operação das manobras.

Ligar dois monitores em uma localidade remota é possível usando um cabo CAT-5e, o mesmo usado em redes de par trançado. A Gefen lançou o 2X VGA Extender, que conta com dois módulos interligados por um cabo de rede ethernet de até 300 metros. Um módulo é ligado à fonte de vídeo, enquanto o outro conecta os dois monitores remotos. O equipamento suporta resoluções de até 1080p, ou 1920x1200 para monitores de computador. A alimentação é feita apenas no módulo emissor, com uma fonte de 5V.

Digital ou analógico Para dar suporte às manobras de operação de transmissores de alta potência, a RFS - Radio Frequency Systems lançou o painel de patch U-Links de 6 1/8". Baseado no conceito de comutação com dispositivos “rapid-release”, o equipamento minimiza o tempo de operação nas manobras. O painel, para a operação em UHF, pode ser aplicável tanto a sinais de TV analógica, quanto digital. Duas versões estão disponíveis: U-Link 50 Ohms e U-Link 75 Ohms, que operam em potências de até 820 MHz e até 860 MHz, respectivamente.

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FxFactory, da Noise Industries, chega à versão 2.0 com 52 novos plugins.

Pacote de efeito O pacote de plugins FxFactory, da Noise Industries, chegou à versão 2.0. O software de composição 2D/3D e efeitos conta com mais de 200 filtros acelerados via arquitetura de vídeo GPU para as plataformas Final Cut Studio 2 (Final Cut Pro 6 e Motion 3) e Final Cut Express 4. O FxFactory conta com 52 novos plugins, incluindo 122 filtros e transições. Compatível com a nova versão do Mac OS, o Leopard, o pacote teve sua interface de gerenciamento de plugins redesenhada, permitindo agora o preview de plugins e a possibilidade de fazer uma busca no pacote. •

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( agenda ) 22 a 24 RealScreen Summit, Renaissance

MAIO

FOTO: arquivo

JANEIRO/2008

2 a 6 Rose D’Or, Lucerne, Suíça. Tel.: (41-41) 242-0907. E-mail: info@rosedor.ch. Web: www.rosedor.com

Hotel, Washington DC, EUA. Web: www. realscreensummit.com

22 a 27 Festival Internacional de Programas Audiovisuais – Fipa, Biarritz,

13 e 14 7° Tela Viva Móvel, Frei Caneca Convention Center, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br.

França. Tel.: (33-1) 4489-9999. E-mail: info@fipa.tm.fr. Web: www.fipa.tm.fr

28 a 31 Natpe Conference & Exhibition, Mandalay Bay Resort, Las Vegas,

19 de fevereiro

13 a 23 L.A. Screenings, Los Angeles,

7º Seminário Políticas de (Tele)comunicações

Nevada, EUA. Tel.: (1-310) 453-4440. E-mail: info@natpe.org. Web: www.natpe.org

São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br

FEVEREIRO

Califórnia, EUA. Tel.: (818) 889-9188. E-mail: nlloyd_ceo@yahoo.com. Web: www.lascreenings.us

14 a 25 - Festival de Cannes,

7 a 17 Festival Internacional de Berlim,

ABRIL 5 e 6 MipDoc, Carlton Hotel, Cannes, França.

Berlim, Alemanha. Tel.: (49-30) 259-200. E-mail: info@berlinale.de. Web: www.berlinale.de

Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.miptv@reedmidem.com. Web: www.mipdoc.com

13 a 15 Kidscreen Summit, Nova York, 7 a 11 MipTV/Milia, Palais des Festivals,

EUA. Tel.: (1-416) 408-2300. E-mail: mjordan@brunico.com. Web: www.kidscreensummit.com

Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.miptv@reedmidem.com. Web: www.miptv.com

26 a 28 Andina Link 2007, Cartagena, 10 a 17 18° Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema,

Colômbia. Tel.: (571) 482-1717. E-mail: sandra@andinalink.com. Web: www.andinalink.com

Fortaleza, CE. Tel.: (85) 3264-3877. Web: www.cineceara.com.br

MARÇO

11 a 17 NAB 2008, Las Vegas Convention 18 e 19 2° World Web Expo Forum, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br

Center, Las Vegas, EUA. Tel.: (1-202) 595-2052. E-mail: register@nab.org. Web: www.nabshow.com

27 a 6/4 É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários,

17 a 27 Hot Docs Canadian International Documentary Festival,

São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Recife (PE) e Campinas (SP). Tel.: (11) 3064-7617. E-mail: info@etudoverdade.com.br. Web: www.itsalltrue.com.br

Toronto, Canadá. Tel.: (416) 203-2155. E-mail: info@hotdocs.ca. Web: www.hotdocs.ca

18 a 20 NCTA – The Cable Show ’08, New Orleans, Louisiana, EUA. Tel.: (202) 222-2430. E-mail: thecableshow@ncta.com. Web: www.thecableshow.com

Festival Curta Natal de Cinema e Vídeo, Natal, Rio Grande do Norte. Tel.: (84) 9924-7010. E-mail: anaelira@uol.com.br. Web: www.curtanatal.com.br

JUNHO 3 a 5 9º Fórum Brasil - Mercado Internacional de Televisão, Frei Caneca

23 a 25 Expo Convención Canitec, Cidade do México, México. Tel.: (52-55) 54818050. Web: www.canitec.org

Festival de Cinema de Ribeirão Preto,

Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 5359-6100. E-mail: festival@festival-cannes.fr. Web: www.festival-cannes.org.

Convention Center, São Paulo, SP. Tel: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.forumbrasiltv.com.br.

8 a 11 Banff World Television Festival, Banff, Canadá. Tel: (1-403) 678-1216. E-mail: info@achillesmedia.com. Web: www.bwtvf.com

15 a 21 Cannes Lions, Palais de Festivals,

Ribeirão Preto, SP. Tel: (16) 3625-3600. E-mail: festival@ saopaulofilmcommission.com.br. Web: www. saopaulofilmcommission.com.br

28 a 3/5 10 º Cine PE – Festival do Audiovisual, Recife, PE. Tel: (81) 3461-2765. Web: www.cine-pe.com.br.

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Cannes, França. Tel: (44-20) 7239-3400. Web: www.canneslions.com

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Revista Tela Viva 178 - Dezembro 2007  
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