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Francisco giacomini Soares, da Qualcomm antes só caberia um. CTO da Nokia Siemens Networks (NSN), Wilson Cardoso afirma que a faixa de 1,8 GHz traz vantagens não apenas por ser uma das que mais conta com dispositivos (ver box), mas também pela facilidade de aproveitar equipamentos legados. “A vantagem é que se consegue utilizar a mesma infraestrutura do GSM, não precisa acrescentar novas estações por causa de cobertura”, diz, garantindo que 80% das ERBs já possuem backhaul de fibra, e que mesmo a comunicação por micro-ondas pode garantir o escoamento. “Hoje você consegue sair de equipamentos de 8 Mbps para equipamentos que consomem menos e alcançam de 100 Mbps a 200 Mbps com mesma largura de banda. Backhaul não é tão crítico para refarming”, defende. Outra solução apontada pela NSN é a de utilizar uma portadora de 5 MHz para o GSM em faixas como 3,8 GHz e 3,6 GHz. “Claro que eventualmente não conseguiria utilizar para LTE, mas poderia ser 2G, e isso liberaria mais a banda de 1,8 GHz, ainda mais no caso do Brasil”, diz Cardoso. Renovando a infraestrutura Mas os benefícios do refarming podem ir além, chegando à infraestrutura da rede. O CTO da Huawei, José Augusto de Oliveira Neto, explica que essas redes legadas do GSM já foram lançadas há cerca de dez anos. “A maioria está depreciada e os equipamentos são antigos, de uma geração ou mais”, diz. Esses componentes são grandes, requerem contêineres em topo de prédio, baterias externas e trazem dificuldade de manutenção, além de causar um impacto visual maior. Na justificativa do executivo da fornecedora chinesa, novos equipamentos poderiam atualizar essa infraestrutura,

“Não teríamos restrições para colocar a tecnologia LTE, mas ainda é algo que está sendo trabalhado em nossa área regulatória.” Luis Antonio Andrade Lima, da Algar Telecom 1 6 | t e l e t i m e | j u l h o 2013

fotos: DIVULGAÇÃO

“Achamos que (o SDL em 1,5 GHz) é uma solução para o Brasil.”

aumentando a vida útil e gerando menos ônus para operadoras. Oliveira Neto explica que, atualmente, é possível ter uma caixa capaz de lidar com todos os espectros disponíveis, incluindo o de 3,5 GHz, que pode ser utilizado para serviços de TD-LTE, tecnologia adotada para Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) nas operadoras brasileiras Sky e On Telecom (antiga Sunrise). Mas o executivo discorda de Wilson Cardoso da NSN e alerta para a necessidade de se renovar também o backhaul para suportar a capacidade e dar vazão às conexões. “Precisa haver também inovações do ponto de vista de rede, no que se chama de plano de controle para a conectividade, (que determina) em qual radiobase ela tem de se conectar”, diz. Isso é importante para poder lidar com a grande requisição de sistemas de push em smartphones, a sinalização, que acaba congestionando também as redes. Há ainda a quantidade de equipamentos, que aumenta com a maior oferta de banda. O CTO da Huawei detalha: “Eu costumo dizer que o maior interferente no sistema é o próprio sistema. Se não

A combinação com o 2,5 GHz poderia deixar o serviço LTE compatível com 80% dos terminais. expandir de forma bem feita, a reutilização de espectro causa interferência, o usuário interfere em outro usuário. Com esse cruzamento de múltiplos modos e bandas, é necessário haver redução de interferência, parametrização de redes e de handovers para que tudo seja resolvido e minimizado, trazendo uma boa experiência para o cliente”. Ele acredita que a combinação ideal para o Brasil é a de juntar as faixas cobiçadas para o LTE com a de 450 MHz – a Huawei é parte do grupo de trabalho do 3GPP que padronizou em julho o espectro, que será utilizado na banda larga rural em LTE. Ele resume: “É importante ressaltar que o refarming do espectro é necessário para prover as capacidades de rede para suportar essa demanda exponencial de tráfego da banda larga móvel, mas, sozinho, não resolve”, diz. O executivo defende a aprovação de uma nova lei de antenas para que essa demanda também seja suprida pela instalação massiva de novas estações radiobase. Ou seja: o reaproveitamento de espectro não vai solucionar o problema da demanda. Mas já seria um começo.

Teletime - 167 - Julho de 2013  
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