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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 15_#159_abr2006

IPTV

Teles querem entrar no serviço de vídeo, mas barreiras vão da regulamentação à capacidade do mercado consumidor

convergência

NCTA: cabo busca respostas para as novas demandas dos usuários

Televisão

MIP TV mostra que conteúdo não faltará às novas plataformas


N達o disponivel


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Diretor e Editor Diretor Editorial Diretor Editorial Diretor Comercial Diretor Financeiro Gerente de Marketing e Circulação Administração

Rubens Glasberg André Mermelstein Samuel Possebon Manoel Fernandez Otavio Jardanovski Gislaine Gaspar Vilma Pereira (Gerente), Gilberto Taques (Assistente Financeiro)

André Mermelstein

a n d r e @ t e l a v i v a . c o m . b r

Um século em 15 anos

T Editora de Programação e Conteúdo Editor Tela Viva News Redação Sucursal Brasília Arte

Depar­ta­men­to Comer­cial Webmaster Central de Assinaturas

Edianez Parente Fernando Lauterjung Daniele Frederico, Lizandra de Almeida (Colaboradora) Carlos Eduardo Zanatta (Chefe da Sucursal) Carlos Edmur Cason (Edi­ção de Arte) Debora Harue (Assistente) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Sérgio Auerbach (Contato) e Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Marcelo Pressi 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira

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Tela Viva é uma publicação mensal da Editora Glasberg - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 2123-2600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A Os artigos da Broadcast Engineering® (www.broadcastengineering.com), da Millimeter® (www. millimeter.com) e da Video Systems® (www.videosystems.com) são republicados sob licença da Primedia Business Magazines & Media Inc. Todos os direitos são reservados pela Primedia Inc.

ela Viva entra em seu 15º ano de existência, e a partir deste mês traremos textos especiais lembrando este período, a começar pelo excelente artigo de Gustavo Dahl sobre a evolução do cinema nacional. Para quem acompanha os mercados de televisão e cinema, este período viu mudanças de toda ordem, da tecnologia à regulamentação e aos modelos de negócio, que marcaram uma revolução na forma como produzimos e consumimos informação e entretenimento. Exagero? Então segure-se firme. Há 15 anos não existiam no Brasil, pelo menos não comercialmente ou em escala considerável: DVD, celular, câmeras digitais, e-mail, web, iPod, TV a cabo e satélite, Wi-fi, banda larga, smartphones, podcasts, CD-R, handhelds, IPTV, VoIP, blogs, fotologs, videologs, SMS, MMS... e mais uma meia dúzia de siglas esquisitas que posso ter esquecido. Não havia nem mesmo a Internet baseada em uma interface gráfica e amigável de navegação, como a que temos hoje. Não é só isso. Produzir conteúdo era para poucos. Distribuir, para pouquíssimos. Os equipamentos eram caros, grandes e exigiam mão-de-obra altamente especializada, manutenção técnica constante, reposição de peças. Há algumas semanas, em um seminário com empresas canadenses promovido pela associação dos produtores independentes, o diretor do Bell Canada Fund, Charles Zamaria, iniciou sua palestra dizendo “Mass media is dead” (a comunicação de massas está morta), citando justamente essas novas possibilidades de produção e difusão online de conteúdos. Há algum exagero, certamente. A maioria da população continua se informando e entretendo através dos grandes veículos, especialmente nos países em que a massa não tem acesso à tecnologia. Mesmo para quem tem banda larga, celular etc, a comunicação de massa ainda é um grande referencial cultural. Mas é uma afirmação que nos faz refletir sobre os próximos 5, 15, ou 30 anos. Quem tem filhos pré-adolescentes ou adolescentes sabe o que isso significa. A nova geração possivelmente nem saberá o que significa as expressões “jornal das sete” ou “novela das oito”, porque já consome seus conteúdos “on demand”. As novas formas de produzir e distribuir ainda não mudaram radicalmente o fluxo das receitas do entretenimento (exceto no caso da indústria da música, onde as mudanças bateram mais rápido). Mas ninguém duvida que isso acontecerá em maior escala nos próximos anos. Continuaremos aqui, com nossas revistas, sites, eventos e o que mais vier, ajudando a todos a entender os novos cenários, em constante mutação. A única certeza é a de que cada vez mais serão os valores intangíveis, como a marca e os talentos criativos, que farão a diferença.

capa: editoria de arte/glasberg sobre fotos de norberto marques/nmstudio

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Ano15 _159_ abr/06

(índice)

(cartas) Conscientização Gostaria de agradecer pela matéria sobre as produções do interior na edição de fevereiro da TELA VIVA (ed. 157). Informo que a matéria em muito contribuiu para uma maior conscientização das produtoras no interior do País. Mostrando a realidade e as particularidades de cada região, a TELA VIVA, deu uma contribuiçào que há muito não se via. Agradecemos particularmente pela deferência que foi dispensada a nossa produtora na matéria, pela qual tenho recebido inúmeras manifestações. Rui Urtiga, diretor. Ruan Professional Video, Campina Grande, Paraíba.

IPTV

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TV digital São muito esclarecedoras as reportagens de TELA VIVA sobre a escolha do padrão da TV Digital. Com tanta desinformação por aí, é muito bom ter onde buscar informações de quem entende do assunto. Continuem nessa cobertura!

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Mesmo com recursos, teles terão dificuldades para entrar nos serviços de TV

scanner figuras evento

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mercado

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TV por assinatura

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no ar audiência making of artigo

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upgrade agenda

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MIP TV mostra que produtores já pensam em multiplataforma

Francisco C. Drago Bauru - SP

30 Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas@telaviva.

A parceria Brasil-Canadá para co-produções Convergência é o foco dos debates na NCTA

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Gustavo Dahl avalia os últimos 15 anos do cinema nacional

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 

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( scanner ) Hallmark busca expansão

Do oriente

O Hallmark Channel, que A série “O Guardião” desde janeiro deste ano é representado no Brasil pela InteracTV, anunciou uma série de mudanças em sua programação em 2006, além da intenção de expandir a sua distribuição para outras operadoras. Estão programados 500 títulos, entre filmes, telefilmes, séries e minisséries, contra 250, em 2005. Entre as novidades estão 50 filmes de grandes estúdios, além de 50 novos títulos de produção original do Hallmark. As mudanças fazem parte de uma tentativa de reforçar a imagem do canal, e colocá-lo em outras operadoras, já que hoje ele está apenas na DirecTV, em afiliadas a NeoTV e em independentes. fotos: Divulgação

A Al Jazeera lança em junho um canal internacional que vai ao ar 24 horas por dia. A Al Jazeera International, como foi chamada, será distribuída no Brasil pela Multipole Internacional, e seus estúdios ficam nas cidades de Kuala Lumpur, Doha, Londres e Washington. A programação será constituída de notícias, documentários, debates, esportes, negócios, entretenimento, e outros, e será toda em inglês.

Locações brasileiras

Notícias da Europa

Mais de vinte produtoras brasileiras de comerciais, representadas pela Apro (Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais) estarão presentes, entre os dias 7 e 9 de abril, na Locations Trade Show, em Santa Mônica, Califórnia. O objetivo é reforçar e ampliar a participação do Brasil como fornecedor de locações e serviços para o mercado internacional de filmes publicitários. Dentro do projeto de exportação que vem sendo desenvolvido pelo setor em parceria com a Apex, a Apro também desenvolverá, nessa viagem, um trabalho de prospecção de mercado em Los Angeles. Os brasileiros terão um estande no evento, com projeção em telão de um DVD especialmente produzido para a ocasião e que será distribuído aos participantes da feira. Também estão programadas visitas às principais produtoras de filmes comerciais de Hollywood e estúdios de som.

O canal informativo europeu Euronews chega ao Brasil em maio. Ele será representado na América do Sul pelo canal de filmes e variedades Eurochannel, cuja programadora é baseada em Miami/EUA. O Euronews já estreou nas plataformas digitais na TV por assinatura do México e, na versão para o Brasil será majoritariamente falado em português (de Portugal), com blocos em alguns dos demais idiomas do continente (inglês, francês, espanhol). Será, portanto, o único canal geral de notícias de caráter internacional com conteúdo em português no mercado brasileiro.

Cepacol

Cepacol e Skol: novas campanhas A Cepacol, em busca da consolidação do novo posicionamento da marca “o jeito inteligente de cuidar de sua boca”, lançou uma nova campanha publicitária, criada pela Publicis Brasil e produzida pela Cine. O comercial mescla animação digital e efeitos especiais, que foram feitos pela Digital 21. O filme, dirigido por Luiz Ferré, mostra dois garotos em um vestiário, sendo que o consumidor de Cepacol atrai uma garota que voa até ele, enquanto o outro, que não cuida da higiene bucal, recebe um gambá como recompensa. A campanha, de criação de Rodolfo Sampaio, André Gola e Marcelo Sato, está sendo veiculada na TV, no cinema e no rádio. Além da campanha da Cepacol, a Cine também apresenta o primeiro filme da marca Ambev com tema relacionado à Copa do Mundo. A nova campanha da Skol chama a atenção para a rivalidade entre brasileiros e argentinos, com o mote “Com Skol, o Brasil fica redondo”. O comercial, que será veiculado em todo o País, foi filmado no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, e mostra um torcedor brasileiro assistindo a um gol da Argentina e imaginando como seria a trave se o seu inventor bebesse Skol. A criação é da F/Nazca, com direção de Clóvis Mello.



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Skol


Disputa judicial

Novas mídias

A Procuradoria Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) proferiu, no dia 3 da abril, seu parecer no processo em que Globosat e Globopar são acusadas de práticas anticompetitivas. Para a ProCade, conforme divulgado em nota, “os direitos de transmissão de imagens de jogos de futebol nacional, dada a preferência dos consumidores brasileiros, configuram bem essencial à viabilização de canais esportivos e de serviços de TV por assinatura”. Além disso, “ao restringir a veiculação dos jogos de futebol nacional aos canais das empresas com ela integradas verticalmente (sistema Net), negando-se a vender os direitos de transmissão às empresas concorrentes (como as associadas da Neo TV), a Globosat está prejudicando a concorrência no mercado de serviços de TV por assinatura”. A Procuradoria recomenda que a Globosat e a Globopar devam ser obrigadas a comercializar, compulsoriamente, os canais SporTV e SporTV2, assim como o sistema pay-per-view, em condições não-discriminatórias para todas as operadoras de TV por assinatura. Assim como a SDE, a Procuradoria entendeu justificável condicionar a venda do canal SporTV à aquisição do pacote de canais Globosat (SporTV, SporTV2, GNT, Multishow e Globonews), tendo em vista que a Globosat não disponibiliza o canal SporTV à la carte para afiliadas Net. Recomenda também a obrigação de comercializar, pelo prazo de dois anos, o sinal de jogos de futebol a outras empresas geradoras de conteúdo para TV por assinatura, “de modo a viabilizar não apenas a concorrência no mercado de geração de conteúdo, como também favorecer que as operadoras concorrentes da Net tenham uma alternativa à compra do pacote Globosat”. Por fim, a Procuradoria do Cade concluiu que, “pela prática anticompetitiva”, Globosat e Globopar devem ser condenadas pelo Cade ao pagamento de multa de 30% do faturamento verificado no exercício anterior ao da instauração do processo administrativo, além de outras penalidades. Vale lembrar, o parecer da Procuradoria do Cade, assim como os da SDE e Seae, é meramente opinativo e será analisado pelo conselheiro relator do Cade, Paulo Furquim, à luz das demais manifestações e documentos que se encontram nos autos.

A 5.6 Digitall é a nova divisão da 5.6 Filmes para soluções digitais. Com o principal objetivo de desenvolver projetos especificamente para a Internet, a 5.6 Digitall oferece serviços, que vão da produção à transmissão via web. A produção dos vídeos é realizada com a estrutura da 5.6 Filmes, enquanto a divisão Digitall foca seus esforços em colocar os vídeos na A equipe da 5.6 Digitall: Rodrigo Internet. “Buscamos Righetti (esq), Plinio Pereira (centro) e Murilo de Castro (dir). uma tecnologia que permita a transmissão dos vídeos mais rapidamente, mas também estamos preocupados com a linguagem, que deve ser adequada Internet”, diz o diretor Plínio Pereira. Para o desenvolvimento das soluções tecnológicas, como a melhoria do streaming e da compactação de vídeo, a produtora iniciou há cerca de um ano uma parceria com a empresa Media Clorians, responsável por toda a parte técnica da empreitada. Murilo de Castro, da Media Clorians, e Rodrigo Righetti completam a equipe da 5.6 Digitall. Segundo Pereira, o custo maior ainda é o da produção, mesmo que no caso de vídeos para a Internet esse custo seja menor. “A Internet não exige gravações em 35 mm, como o cinema. Podemos usar DVCam ou MinDV”, diz. Foram investidos de R$ 500 a R$ 800 mil nessa nova divisão da produtora.

Diário de bordo online

Samba na DirecTV

A produtora mineira Camisa Listrada realiza o seu primeiro longa-metragem, “5 Frações de Uma Quase História”, com uma proposta ousada: publicar os bastidores da produção em um blog. O diário de produção conta com fotos e vídeos de cenas que acontecem por trás das câmeras, feitas com celulares disponibilizados pela Telemig Celular, patrocinadora do filme. Os internautas podem ainda comentar sobre cada atualização do blog no endereço www. telemigcelular.com.br/cultura. O filme, produzido por André Carrera (na foto, à esq), conta seis episódios diferentes, que têm em comum um acontecimento que interfere diretamente no cotidiano da cidade de Belo Horizonte, onde está sendo filmado desde o dia 28 de março. A cidade, principal cenário do filme, é apresentada de forma cosmopolita e contemporânea. T e l a

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A DirecTV co-produzirá com a TV Zero e a Antenna Produtora um especial sobre a carreira do sambista Bezerra da Silva (morto em janeiro de 2005). O programa será um show com nomes da música brasileira interpretando os maiores sucessos do artista, e será assinado pela diretora Márcia Derraik. O projeto será realizado com recursos da operadora liberados pela Ancine através do artigo 39 e a estréia está prevista ainda para o primeiro semestre no Canal 605 da DirecTV.



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( scanner ) Conteúdo erótico esquenta audiência

Os investimentos do Poder Executivo em mídia — aqui são considerados todos os órgãos da administração direta e todas as empresas da administração indireta - totalizaram R$ 888,3 milhões durante 2005; em 2004, o total tinha sido de R$ 939,9 milhões. Os valores foram fechados a partir de dados fornecidos pelo IAP (Instituto de Acompanhamento da Publicidade). Os gastos com televisão somaram, em 2005, R$ 543,1 milhões — 1% a menos do que os R$ 547,2 milhões gastos em 2004. Os valores não incluem publicidade legal, produção e patrocínio. De todas as mídias, as únicas que obtiveram investimentos maiores por parte do governo em relação a 2004 foram os segmentos de revistas (a verba empregada em 2004 foi de R$ 94,3, e em 2005, R$ 97,5 milhões) e Internet (com investimentos de R$ 12,4 milhões em 2004, contra R$ 14,3 milhões em 2005). A maior queda de investimentos foi na mídia outdoor: de R$ 17,3 milhões, em 2004, para R$ 6,4 milhões em 2005. Números divulgados em fevereiro pelo Ibope Monitor, sobre os maiores anunciantes do país em 2005, indicam a Casas Bahia no topo, com gastos de R$ 2,4 bilhões em publicidade (incluindo televisão). Já o segundo maior anunciante privado do País, a Unilever, gastou, de acordo com o Ibope Monitor, R$ 491 milhões — menos, portanto, do que o Governo Federal gastou apenas em televisão.

A Globosat detectou em 2005 um aumento de audiência do conteúdo erótico nos canais da TV por assinatura. O Sexy Hot, canal de sexo explícito da programadora, registrou no primeiro semestre de 2005 18% de crescimento de audiência em relação ao segundo semestre de 2004; o tempo de permanência do assinante no canal aumentou em 27% no mesmo período. O Sexy Hot é vendido à la carte e, de acordo com o que indicaram as pesquisas, tem 76% dos seus assinantes casados, sendo que 70% deles têm filhos — o que segundo a programadora desmistifica a idéia de que o assinante deste tipo de Carolyne Ferreira, do Sexy Hot. produto é solteiro. Outro exemplo desse aumento de audiência foi o programa “Maratona Sexy”, dentro da faixa “Sexytime”, do Canal Multishow, que registrou 23% de crescimento de audiência em 2005: são 630 mil pessoas ligadas no programa a partir da meia-noite e meia aos sábados. O seriado “Sex and The City”, com temática ligada ao sexo, teve um alcance de 7,1 milhões de indivíduos em 2005 (nos canais Multishow e Fox). Outra atração que trata do tema, o “Falando de Sexo com Sue Johanson”, do GNT, também apresentou crescimento de alcance: foram 93 mil pessoas em 2005. Até a faixa do Telecine Action dedicada aos filmes com erotismo registrou crescimento, chegando a 155 mil pessoas no segundo semestre de 2005. Fotos: divulgaçÃo

Governo gasta menos

De São Paulo para Praga A Y&R Praga escolheu o brasileiro Carlos Manga Junior, da Republika Filmes, para dirigir o comercial da ING Seguros, instituição financeira européia. O filme “Big and Small” faz uma comparação entre coisas grandes e pequenas, e mostra que mesmo com as vantagens da diminuição do tamanho de alguns objetos, outras continuam sendo melhores e mais confiáveis se forem grandes. As filmagens aconteceram entre os dias O inglês James Larkin é dirigido por Carlos Manga Jr. para 26 e 31 de março no centro de São o comercial da ING. Paulo, em locais como restaurantes, internacional com a nova divisão um teatro e um estádio. A produção, Republika Service, criada para alavancar com coordenação de Regina Costa, as vendas de serviços de produção e dos contou com a participação do britânico diretores da produtora para o mercado James Larkin como ator principal. Em internacional. Esse departamento um primeiro momento, o filme vai ser faz parte de uma estratégia de veiculado apenas na República Tcheca. diversificação, que inclui a entrada no mercado de produção de conteúdo, já Expansão que até o momento a Republika fazia Além dessa produção, a Republika exclusivamente filmes publicitários. Filmes está apostando no mercado 

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As mudanças começaram com a criação de um “board operacional”, formado por Carlos Manga Junior e Paula Manga, além de dois novos contratados, o diretor MC Fernandes, e a produtora executiva Mércia Lima. Além destes, chegam à produtora a diretora Ivy Abujamra e a gerente de produção Gabi Hahn. Para a entrada nesse novo mercado, a Republika estabeleceu uma parceria com uma produtora de conteúdo, cujo nome ainda não foi divulgado. O investimento nessa nova área também levou à criação da Republika Sports, divisão para a produção e comercialização de DVDs e programas de televisão esportivos, e da Republika Institucional, que será responsável pelos vídeos voltados ao mercado corporativo. Com a expansão, a produtora vai para uma nova sede, onde passa a ter também um estúdio próprio.

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( scanner ) Dez anos de Sony

Foto: divulgaçÃo

O canal Sony Entertainment Television comemora seu décimo aniversário— e o Brasil foi o primeiro país da região a distribuí-lo - com planos de aumentar a porção de conteúdo nacional, hoje restrito a interprogramas como “Avesso” e “As Últimas”. “No Brasil, onde a TV aberta é tão forte, sabemos que precisamos ter mais produtos locais para ter mais audiência e mais assinantes”, afirma Sérgio Pizzolante, vice-presidente e co-gerente dos canais da Sony Pictures Entertainment (Sony, AXN e Animax). A idéia é aproveitar recursos mobilizados via artigo 39 da Lei da Ancine em projetos um pouco maiores. Mas Pizzolante descarta a produção de reality shows e de séries de ficção: “Há episódios de Sérgio CSI, por exemplo, que saem por Pizzolante US$ 7 milhões, não dá para fazer isso”, explica. O canal Sony vai estrear nos demais países da América Latina, exceto Brasil, o formato “Latin American Idol” - no Brasil, a versão local foi comprada pelo SBT. Segundo o executivo, o canal Sony teve em 2005 46% de crescimento de faturamento no País, por conta das receitas em vendas de publicidade. O business plan do canal também inclui novidades para as plataformas digitais das operadoras. Pizzolante não adianta que tipo de novidades são estas, mas acredita que possa completar uma oferta dos operadores em novas plataformas para atender também a classe C.

Revista eletrônica Os shoppings Rio Design Center Barra e Leblon lançaram no início de abril a campanha “Seu Estilo tem Rio Design”, criada pela Artplan, com 20 filmes de 30 segundos no formato revista eletrônica. Eles serão trabalhados até dezembro deste ano, divididos em blocos sobre moda, gastronomia, cultura, decoração e datas comemorativas. As imagens foram feitas dentro dos shoppings e têm como atração entrevistas rápidas com lojistas, estilistas e chefs dos restaurantes. A produção é da Yes Filmes, com direção de Ique Gazzola. A campanha tem criação de Daniell Rezende, Jorge Falsfein e Roberto Vilhena, da Artplan.

RETIFICAÇÃO A foto publicada na página Mercado Internacional de Televisão da Tela Viva de março (ed. 158) não é de Jacques Bensimon, presidente do National Film Board do Canadá, mas sim do produtor Eric Michel, ex-membro do NFB. A foto do “verdadeiro” Bensimon pode ser vista à página 28.

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Os números da Ancine Relatório disponibilizado pela Ancine neste mês de abril mostra a evolução da captação de recursos para produção no Brasil. O relatório conta com os projetos ativos na agência com autorização para captação de recursos incentivados referentes a 2005, quando foram analisados 689 projetos, que tiveram aprovação entre 1995 e 2005, e que, em 31 de dezembro de 2005, encontravam-se na fase de captação, preparação, filmagem, finalização e já finalizados. Destes, 58,8% estavam ainda na fase de captação de recursos, tendo captado apenas 1,9% dos valores autorizados. 16 % dos projetos já estavam finalizados, mas haviam, captado apenas 64,7% dos valores autorizados. Entre os projetos em fase de captação (297), a grande maioria é formada por longas-metragens (236), que são também os projetos mais caros - 79.5% dos projetos são longas, representando 91,5% dos valores autorizados para captação. Em todas fases, chama atenção o grande número de projetos de ficção. São 178 projetos de ficção, 113 documentários e apenas quatro animações. Há ainda uma predominância dos projetos de ficção em relação dos valores captados: 85,3%. O relatório destaca ainda o número de projetos que, até o final do ano, não haviam captado recursos: 351. A hipótese considerada mais plausível pela Ancine no relatório é que não houve tempo hábil para a captação, já 159 destes foram aprovados em 2005 e 115 em 2004. Os outros seriam “projetos caducos” que não conseguiram atrair investidores. O relatório mostra também que foram finalizados 93 filmes em 2005, dos quais 51 foram lançados e, entre os não lançados, 24 sequer contavam com uma distribuidora. É impossível deixar de comparar o valor médio de captado entre os lançados e os não lançados: os filmes já lançados captaram, em média, R$ 2,42 milhões; entre os não lançados, os que contam com distribuidora captaram em média R$ 1,34 milhão e os sem distribuidora captaram em média R$ 908,8 mil. O relatório deduz que há “uma preferência por filmes com orçamento mais elevado”. É interessante ver ainda o crescimento do número de projetos ativos por ano de aprovação. Em 1995 apenas um projeto foi aprovado, contra 205 em 2005. O projeto aprovado em 1995 consta ainda na Ancine como em preparação. Dos projetos aprovados entre 1995 e 2003 (290), 213 ainda não haviam sido finalizados até o final de 2005. Os 689 projetos analisados foram apresentados por 410 produtoras distintas. os 297 projetos com valores captados foram apresentados por 218 produtoras distintas. 64,1% dos projetos foram apresentados por produtoras que contam com apenas um projeto ativo e 4,1% dos projetos foram apresentados por produtoras que contam com cinco ou mais projetos ativos. As dez produtoras que mais captaram concentram 31% dos recursos captados. A produtora que tem o maior número de projetos com captação é a Diler Associados, que, com 11 projetos, captou R$ 35,3 milhões. Na divisão entre estados, como era de se esperar, os estados da região Sudeste concentram 85,9% dos projetos e 81,2% das empresas proponentes.

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Exportação audiovisual

Memória da TV

Está em fase final de construção e deve ser lançado ainda neste mês de abril o projeto de exportação do cinema nacional liderado pelo Sicesp (o sindicato da indústria cinematográfica de São Paulo, presidido por André Sturm), com o apoio da Apex, agência nacional de fomento à exportação. Apesar de uma participação pontual no último Festival de Berlim, o projeto deve começar efetivamente com uma ação no Festival de Cannes, em maio, no qual o Brasil deve ter um estande guarda-chuva para a comercialização dos filmes nacionais. O projeto, com orçamento anual de R$ 4 milhões, prevê a participação em 12 feiras e festivais internacionais. A meta é gerar no primeiro ano negócios da ordem de US$ 3 milhões. Segundo André Sturm, o projeto visa tanto a venda de filmes quanto a busca de co-produções. Também vai promover os serviços de produção no Brasil e apoiar ações de promoção para incentivar os distribuidores internacionais a venderem os filmes brasileiros.

A Pró-TV - Associação dos Pioneiros da TV, realizou no início de abril evento dedicado aos colaboradores da entidade. A associação, que conta com um “pré-Museu da TV”, como é chamado o Espaço Pró-TV, funciona em dois andares da casa da presidente da associação, Vida Alves, no bairro do Sumaré, em São Paulo. O Museu tem em seu acervo raridades como a primeira câmera de TV do país, da TV Tupi, televisores antigos, mais de 2 mil fotos, tapes, prêmios televisivos, figurino de novelas da Excelsior e Tupi, e acervo de pioneiros como o de Ayres Campos (o Capitão 7, da TV Record) e de Walter George Durst, doado pela viúva e atriz Bárbara Fazio. Conta ainda com o depoimento em vídeo de mais de 150 pioneiros. No evento, Rita Okamura - diretora do Centro de Memória da TV Cultura - foi agraciada com o Prêmio Pró-TV, pelo seu destaque em prol do resgate da história da TV. Okamura falou sobre a importância do projeto da Pró-TV em construir o Museu da Televisão. A atriz Eva Wilma (na foto com Vida Alves) reforçou a idéia e fez um pedido para que as emissoras ajudem a encontrar um espaço mais adequado para o museu. A associação conta apenas com o apoio de colaborações voluntárias de pioneiros, da TV Cultura e da ABRA (associação que agrega Band, SBT e RedeTV!).

europa no Artigo 39 “Europa Paulistana” é o nome da produção aprovada na Ancine, com captação via artigo 39, para o canal Eurochannel. Será a primeira produção local do canal, que está em toda a América Latina e é dedicado totalmente à produção européia. O documentário, assinado pela Radar, versa sobre imigrantes europeus que fizeram história em São Paulo.

Melhorar o serviço de produção oferecido na Bahia. Esse é o objetivo da TV Itapoan, afiliada da Record em Salvador, com o lançamento do “Estúdio Móvel Digital”. A unidade móvel da emissora será destinada à produção de eventos, esportes, novelas, mini-séries e shows, atendendo não apenas a TV Itapoan, como também outras emissoras e produtoras que estejam interessadas em alugar o equipamento. “Percebemos que havia uma demanda por este tipo de veículo na Bahia. Muitas bandas musicais e emissoras de outros estados traziam as suas próprias unidades para gravar eventos que acontecem na Bahia, como o Carnaval”, diz Fabiano de Freitas, diretor da TV Itapoan. O investimento total foi de R$ 7 milhões. Freitas afirma, no entanto, que a sua intenção não é recuperar o dinheiro a curto prazo. “Buscamos a excelência da produção, mas procuramos baratear ao máximo para os clientes”, conta o diretor. O projeto, que teve início em janeiro de 2005, envolveu uma equipe de oito pessoas da LM Telecomunicações, empresa de engenharia da Record, que montou todo o carro na Bahia. O engenheiro Igor Lazarini, coordenador da equipe, afirma que não há outros veículos equipados e montados como esse em todo o Nordeste. Sob medida para a Bahia Entre as características do produto estão: capacidade para nove câmeras instaladas (a unidade conta com sete câmeras Sony BVP-E30 no momento); switcher de produção Grass Valley Kayak DD; gravação em fita no sistema Beta Digital; efeitos slow motion 12

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Foto: divulgaçÃo

Produção baiana ganha mobilidade

e 3D; monitores LCD (cerca de 40); mesa de áudio digital; sistema de comunicação Telex para a integração de iluminação, áudio, vídeo e produção; e sistema de no-break, que mantém as funções do equipamento funcionando caso a rede externa pare de funcionar. Os engenheiros procuraram deixar espaço para a colocação de outros equipamentos, de acordo com a necessidade de cada cliente. “Se alguém precisar de uma outra câmera, ou de um gerador de GC, por exemplo, é possível acoplá-los, já que o veículo é muito flexível”, exemplifica Lazarini, que também enfatizou que uma das principais preocupações durante o projeto foi o conforto dos profissionais que trabalharão dentro da unidade. O caminhão tem um sistema de nivelamento automático, para que possa ficar na posição horizontal mesmo em ladeiras. Tem 6,5 m x 2,6 m e pesa cerca de nove toneladas. Segundo Lazarini, tudo foi pensado para se trabalhar melhor em Salvador. “Não queríamos um carro muito grande, pois as ruas da região do pelourinho, por exemplo, são muito estreitas, e esse é um dos principais cenários para gravação na Bahia”, conclui.

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Foto: divulgaçÃo prÓ-Tv

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artista de pós-produção Carlos Faria seguiu, de certa forma, a evolução dos equipamentos de edição e finalização. Mas nem sempre da forma que ele esperava. Com 14 anos, começou a trabalhar como DJ. Com 20, foi trabalhar na Barriga Verde Produções. Um dos diretores da produtora, José Paiva, era amigo do meu pai. Ele me deu três meses para aprender a operar VT. Aprendi e virei assistente de edição. Como fazíamos muita finalização para publicidade, trabalhei com os melhores profissionais da época. Era início da década de 1990 e a moviola já estava sendo abandonada em prol das ilhas de edição. Tínhamos o equipamento mais avançado da época, e só a RBS tinha uma ilha igual. O processo de edição ainda era linear, mas o sinal já era digital. Essa foi a minha escola, que serviu de embasamento para o que faço hoje na TV Record. Naquela época o diretor acompanhava a finalização corte a corte, então discutíamos cada plano. Dois anos depois, Faria assumia a edição. O mercado, porém, mudava rapidamente e começavam a surgir os equipamentos digitais de edição não-linear. Eu trabalhava num avião, até que a Barriga Verde fechou e as produtoras passaram a não adquirir mais equipamentos. O período seguinte da minha vida foi triste, porque fui trabalhar como frila, em ilha Beta analógica.

Foto: divulgação

Volta às origens

ÉDER AUGUSTO rápido e melhor qualidade final. A resposta desses equipamentos não era legal, demorava muito e o resultado final não era bom. Começavam a surgir os equipamentos de ponta de finalização, as primeiras plataformas abertas em Silicon Graphics, mas Carlos trabalhava com edição linear na Matel Vídeo, produtora de programas de ofertas e promoções. Fui então para a Still, onde operei Media 100. Pensei então que não fosse mais voltar para a edição linear, mas a produtora ficou mal e acabei indo para o Shop Tour. Depois de um tempo, acabou saindo e então vieram dez meses de desemprego. Até que

vontade era de operar grandes equipamentos, que permitissem um trabalho mais criativo e artÍstico. Pouco depois, comecei a trabalhar em campanha política. Não conseguia acreditar que os novos equipamentos de R$ 100 mil fossem substituir os de R$ 1 milhão. Nesse período, perdi tempo. Mesmo assim, aprendeu a operar os novos Avid e Media 100. Mas sempre imaginando que um dia teria a oportunidade de voltar a operar grandes equipamentos de finalização, que permitissem um trabalho mais criativo e artístico, com um funcionamento mais

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Carlos foi contratado pela Rede Record, o que considera seu “renascimento”. Quando entrei não tinha vaga para editor de pós-produção, então fui para o corte seco do jornalismo. Mas essa oportunidade foi fundamental, porque fez crescer meu interesse e comecei a me dedicar muito para voltar para os equipamentos de ponta. Dois meses depois de entrar na emissora, foi adquirido um equipamento Quantel eQ para a finalização dos programas esportivos. Já cresci o olho, mas havia só uma máquina e

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dois operadores. Mas depois de fazer meu horário normal, comecei a acompanhar o trabalho deles. Ia lá todo dia. Meu horário era das cinco da manhã ao meio-dia, e eu ficava então até as dez da noite ali do lado. Os operadores viram meu interesse e começaram a me ensinar. Dali foi galgando os degraus até realizar seu sonho de voltar a uma plataforma de alta definição. Passou pelo “Domingo Espetacular”, onde aliou sua experiência de corte seco, que exige rapidez e precisão, com os conhecimentos que adquiriu no novo equipamento e que trouxe da época que montava comerciais de primeira linha. Hoje, responde pelo tratamento das imagens das novelas da Rede Record. Sabia que o núcleo de novelas estava distante, mas fui mostrando minha capacidade. Quando foi montado o núcleo do Rio de Janeiro, não encontraram operador e acabei sendo transferido. Agora fazemos aqui o tratamento de cor, os efeitos, um pouco de rotoscopia e a edição. Cheguei a fazer tudo sozinho no começo, mas agora temos outros operadores.  (Lizandra de Almeida)


Novo conselho

De volta à redação

Ângelo Franzão, vice-presidente e diretor de mídia da McCann-Erickson, é o novo presidente do Grupo de Mídia São Paulo. Os integrantes do novo Conselho Superior são: Cláudio Venâncio (Fischer América), Daniel Bárbara (DPZ), Fernando Sales (Giovanni, FCB), Flavio Rezende (DPZ), José Alves (Ogilvy), Paulo César Queiroz (DM9DDB) e Paulo Stephan (Talent). O Grupo de Mídia também apresenta mudanças na direção das suas divisões internas. Na Divisão de Eventos sai Roberto Genistretti (TBWA/BR) e entra Paulo Camossa (AlmapBBDO). Na Comercial, Roberto Genistretti assume o posto de Flavio Rezende (DPZ). Os outros cargos continuam ocupados por seus respectivos diretores. Maria Lúcia Cucci (Publicis) na Divisão de Ética; Divisão de Integração com Luiz Fernando Vieira (África); Elisa Calvo (Age) permanece à frente da Divisão de Mídia Interativa (antiga Divisão de Internet), Hilda Cajade (Lowe) na Divisão Técnica e Paulo Gregoraci (W/Brasil) na Divisão Financeira.

O jornalista Marco Nascimento é o novo diretor de jornalismo da Rede Gazeta de Televisão, de São Paulo. Nascimento entrou para a TV Cultura em 1990, onde, a partir de 1992 passou a responder pelo jornalismo. Em 1998 transferiu-se para a TV Globo São Paulo, onde foi editor-executivo do Jornal da Globo e chefe de redação da emissora entre 2000 e 2001. Em julho daquele ano, assumiu a direção de jornalismo da TV Globo Minas por dois anos. Em seguida, passou um ano e meio em Alagoas, dirigindo o jornalismo da afiliada local da TV Globo. Depois de um breve período como consultor de comunicação, Nascimento volta à redação e assume a direção de jornalismo da Rede Gazeta de Televisão, de São Paulo. Nascimento foi professor do curso de jornalismo da PUC de São Paulo entre 1990 e 1998.

Linha editorial reforçada Na TV Cultura, Albino Castro é o novo diretor de jornalismo. Profissional com mais de 20 anos de experiência em telejornais, Castro assumiu com o objetivo de reforçar a linha editorial da emissora pública. Já tendo ocupado cargos executivos no SBT e TV Gazeta, o profissional atuou também na Telemontecarlo, braço televisivo da TV Globo na Europa, nos anos 80. Na mídia impressa, Albino Castro passou pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil, além da revista Veja. Ele entra no lugar de Pola Galé, que assume outras funções no departamento de jornalismo da TV Cultura.

Promoção Vera Buzanello foi indicada para o cargo de vice-presidente sênior de distribuição da Discovery Networks Latin America. Vera, que já está há oito anos na Discovery Networks, será responsável pelas áreas de licenciamento, novas mídias, aplicações avançadas de televisão e distribuição sem fio (wireless). A executiva, que era vice-presidente de vendas e relações com afiliadas, continuará a trabalhar com base na sede regional em Miami, supervisionando a infra-estrutura de distribuição para os afiliados, incluindo as operações centrais com base em Miami e os escritórios regionais de vendas, bem como a gestão dos aspectos do planejamento estratégico de vendas, do cumprimento dos objetivos de faturamento, negociações de contratos e relacionamentos com os clientes.

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Novos formatos A Estação 8 contratou o diretor de filmes publicitários Renzo Querzoli para desenvolver novos formatos no segmento de conteúdo da produtora. Os trabalhos mais recentes de Querzoli foram realizados na Bull’s Eye Filmes, produtora especializada nos segmentos automotivo, motociclístico e de esportes radicais. Querzoli já realizou filmes para Brastemp, Credicard, Chrysler e Editora Abril, e trabalhou também na DM&A Comunicação Direta e no Grupo Europa, onde foi diretor de criação da Eurocom, house do grupo.

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Samuel Possebon

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IPTV: vale a aposta? A alternativa que as teles fixas brasileiras apontam para a oferta de conteúdos de vídeo parece ainda estar muito distante da realidade. Do conteúdo à regulamentação, nada está definido. Mas as teles garantem que manterão os planos.

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s debates sobre a entrada das empresas de telefonia fixa na seara das empresas de TV por assinatura acenderam este ano no Brasil. Começaram com as três maiores operadoras de telefonia mostrando aos seus respectivos acionistas que estão investindo em tecnologia e há projetos em andamento, em linha com as operadoras de telefonia em outros países, que estão todas desenvolvendo pilotos ou mesmo aplicações já comerciais, ainda que em pequena escala. Outro fator que colocou combustível nessa discussão foi a decisão da Anatel de reabrir o mercado de TV por assinatura, preparando-se para outorgar novas licenças de TV paga. Somem-se a isso as declarações dos executivos das teles, o medo manifestado pelas empresas que sofreriam com a concorrência, o barulho feito na imprensa em geral e a conclusão é que a chegada das teles fixas no mercado de conteúdo aconteceria de forma rápida e arrasadora. Mas a boa notícia para os operadores de TV por assinatura por tecnologias “convencionais” (cabo, MMDS e satélite) é que a concorrência das empresas de telecomunicações na oferta de conteúdo não deve ser uma ameaça, pelo menos no curto prazo, no Brasil. A má notícia é que isso significa menos concorrência na disputa por conteúdos, o que, do lado de quem produz, é ruim. O que leva a estas duas conclusões é a constatação de que, no Brasil, há problemas de toda a natureza para que as empresas de telecomunicações avancem no mercado de televisão. Não há modelo de negócios claro

que ofereça uma alternativa ao que já fazem as empresas de TV por assinatura, não há modelo regulatório, não há acordos concretos entre as teles e provedores de conteúdo e mesmo do ponto de vista tecnológico ainda há limitações a serem vencidas, ainda que este não pareça ser, no momento, o maior dos problemas. O que existe é um movimento claro das teles de se defenderem, já que suas margens estão sendo consumidas pelo avanço das tecnolo­ gias de celular e de voz sobre redes IP, o que detona o modelo tradicional de telefonia. Hoje, as teles fixas no Brasil não só não 16

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crescem mais em número de assinantes como muitas vezes perdem base. E as receitas geradas por esse assinante estão caindo. “IPTV não é mais uma opção, mas um imperativo de mercado para as operadoras”, afirmou Raul Katz, diretor da consultoria Adventis, que participou de seminário sobre IPTV realizado no começo de abril por TELA VIVA em conjunto com a revista TELETIME. No Brasil, o caminho que as teles começaram a seguir é o da IPTV, ou seja, transmitir os sinais de TV em


uma rede de dados IP, de banda “IPTV não é mais larga. Não confundir com TV pela uma opção, mas Internet, na qual os sinais trafegam um imperativo pela rede pública, sem controle de de mercado para acesso ou qualidade. as operadoras.” O modelo para IPTV é simples: Raul Katz, da Adventis conecte-se qualquer rede banda larga (no caso das teles, o caminho preferido é o do ADSL) a uma caixinha (um set-top box) que transforma os sinais Ser diferente que chegam pela rede IP em sinais de Mas a questão essencial vídeo, que são levados ao televisor. por trás da IPTV não é Há outros modelos usados pelas teles tecnológica, atestam os para levar sinais de televisão aos seus analistas e consultores assinantes, como o da Verizon, nos que acompanham o EUA. O que ela optou em fazer foi desenvolvimento das plataformas.O que instalar fibra óptica até muito perto importa é o que as empresas de telefonia da casa do assinante, e a partir dali pretendem oferecer de diferente, que o conectá-lo com uma rede de cabos assinante da TV por assinatura de hoje coaxiais, muito parecida com a rede não tem, pondera Raul Katz. ”O mercado das atuais operadoras de cabo. Esse ainda é limitado porque não se sabe qual modelo baseado em uma rede de é a diferenciação pedida pelo assinante. A fibras seguido pela Verizon é o mais integração de outros serviços como música, eficiente, mas tem a desvantagem dados e interatividade, além de oferecer do custo elevado e da necessidade experiência superior à da TV paga, são de construção de uma nova rede. Por fatores fundamentais para o sucesso do essa razão, as teles de todo o mundo modelo de IPTV”, completa o consultor. têm dado preferência à transmissão A questão é como fazer isso. por IP até o set-top do usuário, já que a “Os assinantes de TV paga no Brasil rede banda larga está passam 70% do seu tempo instalada, pelo menos nos canais abertos. Quem nas casas com ADSL. quiser ganhar mercado Pelos números do neste setor tem de investir final de 2005, a planta fortemente no conteúdo de ADSL instalada no local independente e de Brasil estava na casa qualidade para enfrentar dos 3,3 milhões, ainda essa situação”, avalia que a maior parte em Otávio Jardanovski, diretor velocidades baixas, de da empresa de pesquisa 300 kbps ou menos, especializada em TV paga o que é um problema e telecomunicações PTS, para IPTV, como se ligada a esta revista. verá mais adiante. A questão é onde As maiores as teles conseguirão “Queremos ter a operações de IPTV conteúdo de qualidade oportunidade de prestar no mundo são as que seja competitivo da Free (na França) em relação à TV paga os serviços. Estamos e a da PCCW (em e que seja viável. Elas acostumados Hong-Kong), com teriam três caminhos: com obrigações.” cerca de 700 mil e comprar conteúdos dos Luiz Otavio Marcondes, 500 mil usuários, programadores atuais; da Brasil Telecom respectivamente, comprar conteúdo mas a tabela da página 18 mostra em de novos produtores de programação, detalhes como está cada operadora independentes, e; produzir elas mesmas em relação aos serviços de IPTV. seus conteúdos. Cada alternativa tem seus FotoS: marcelo kahn / converge eventos

riscos, prós e contras. Comprar o conteúdo existente hoje é o jeito mais fácil. Os programadores estão aí, o marketing está feito e bem ou mal já se sabe o que esperar. O problema é que os programadores são pressionados pelos operadores de TV por assinatura a não venderem para as teles a não ser que haja segurança regulatória de que elas poderão oferecer serviços de TV paga (o que é um problema no Brasil, como se verá mais adiante). Os programadores também são pressionados a não vender para as teles em modelos mais flexíveis do que os praticados atualmente. Ou seja, dificilmente as empresas de telecomunicações conseguirão comprar os canais de forma desagregada, para vender à la carte ou sob demanda, o que seria um diferencial em relação ao cabo, MMDS ou DTH existentes. Nem os programadores querem muito esse modelo mais flexível. Hoje, eles gostam de vender um pacote de canais e garantir que eles estarão disponíveis para o maior número de assinantes. A mudança, dizem, só se justificaria se houvesse a certeza de que grandes receitas estão no horizonte, o que não é o caso. Enfim, dificilmente os programadores tradicionais trocarão o modelo certo, atual, pelo duvidoso. E, assim, dificilmente as teles conseguirão se diferenciar das empresas de TV paga existentes. Outra alternativa para as teles fixas é comprar conteúdo de produtores que ainda não estão na TV paga, e aí correm o risco da novidade. Há produção independente no Brasil em volume suficiente para abastecer alguns canais de TV por assinatura? Há um modelo de remuneração desta produção que garanta o risco do investimento? Em caso afirmativo, esta produção poderia ser adquirida pelas

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( capa ) teles para compor conteúdo. Depois, porque a programação dos ao fazê-lo, sobretudo no modelos de IPTV. Brasil, elas despertam a Mas é um conteúdo ira das empresas de mídia desconhecido. brasileiras, especialmente As teles não têm as televisões, que abrem experiência com artilharia com o argumento televisão, não sabem de que “são empresas o que dá certo e o estrangeiras fazendo que não dá, o que comunicação social”. No dá audiência, como caso da Telemar, esse nem montar uma grade seria o problema, porque de programas. em tese a operadora E o conteúdo não tem nenhum sócio independente não estrangeiro. Mas há um tem marca famosa “As redes das concessionárias cuidado claro das teles nem tem público de não provocarem as devem se limitar ao cativo. Tudo isso teria transporte de conteúdo.” empresas de televisão. que ser construído Note-se que, hoje, não há André Borges, da Net Serviços do zero, o que não nenhuma restrição a que é um problema um estrangeiro produza intransponível para conteúdo no Brasil, mas existem iniciativas as operadoras de telefonia fixa, que de se mudar a legislação (no caso, a têm muito dinheiro para investir Constituição) para que este tipo de barreira e contratar gente, mas é mais um surja. Existe um movimento de proteção obstáculo a ser vencido. de mercado por parte dos grupos de mídia A saída final para as teles fixas em nacionais, e o que as teles menos querem é busca de conteúdos diferenciados é precipitar esse debate. elas mesmas partirem para a produção ou para a aquisição de direitos. NoteRegras confusas se que isso já acontece em pequena Além do conteúdo, a questão escala. O exemplo mais famoso é a regulatória é outro grande entrave para Gamecorp, que se consagrou por ser as empresas de telefonia fixa entrarem no a “empresa do filho do presidente mercado de televisão por meio do IPTV ou Lula”. Trata-se de uma empresa que por qualquer outra tecnologia. A legislação desenvolve conteúdos para um de TV a cabo impõe restrições à entrada nicho de audiência composto por das teles nesse mercado, o que é uma um público jovem e que tem como herança da época em que ainda havia o acionista a Telemar. A Gamecorp Sistema Telebrás, mas que permaneceu na produz programas e conteúdos para Lei do Cabo e que hoje cria um paradoxo. serem distribuídos em canais abertos, A Lei do Cabo, de 1995, como acontecerá agora com a Band, diz que a concessionária que vendeu algumas horas da Rede 21 de telecomunicações só para a produtora. pode operar o serviço de Outro exemplo é a Telefônica, TV a cabo se não houver que adquiriu direitos sobre a Copa interesse de “empresas do Mundo no exterior e os repassou privadas”. De lá para cá, para a Vivo e para o portal Terra, que as empresas de usará o conteúdo de forma a alavancar “O mercado está seus serviços de banda larga. Mas as teles não gostam de dizer que são desesperado e o ou que possivelmente poderiam ser órgão regulador produtoras de conteúdo. Primeiro, está fraco” porque de fato não é o negócio Regina R. do Vale, advogada principal de nenhuma tele produzir 18

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telecomunicações tornaram-se empresas privadas, mas o tema ainda é polêmico. As empresas de TV paga argumentam que, ainda que defasado, este dispositivo existia para evitar que empresas com imenso poder de mercado, como as teles, entrassem em um setor infante. Já as teles dizem que a proteção era contra um risco de “estatização” das empresas de TV a cabo, e que esse risco não existe mais. O advogado da Net Serviços, André Borges, defende que as concessionárias de telefonia local devem se limitar a ofertas que caracterizem o uso de suas redes apenas para o transporte de conteúdos como em serviços de video on demand (VOD), ou permitindo que novas entrantes de TV por assinatura prestem o serviço contratando essa infra-estrutura das teles. “Acho que o modelo regulatório da TV paga não precisa de mudanças. O que é preciso é que ele seja seguido por todo mundo”. Mas segundo o entendimento do diretor de regulamentação da Brasil Telecom, Luiz Otávio Marcondes, as teles não só podem oferecer VOD como também têm o direito de adquirir licenças de TV por assinatura onde houve licitação deserta, sem interesse de empresas privadas. “O que as concessionárias pretendem é ter oportunidade de prestar o serviço. Estamos acostumadas a cumprir obrigações e nesse aspecto ninguém ganha das concessionárias, porque são obrigações pesadíssimas”, analisa o diretor da BrT. A advogada Regina Ribeiro do Vale resume o momento atual: “Falta vontade política para resolver o assunto, o mercado está desesperado porque está sofrendo pressão da tecno­ logia e o órgão


regulador, que existe para colocar ordem nisso tudo, está fraco”. Existe consenso de que as teles poderiam fazer hoje, se quisessem, vídeo sob demanda e pay-per-view. Em ambos os casos, os serviços só são viáveis com conteúdos muito fortes, o que elas não têm. Por isso elas defendem a possibilidade de fazer exatamente o que as empresas de TV paga fazem. André Bianchi, diretor de desenvolvimento de negócios da Telemar, vem batendo nessa tecla há quase um ano. “Só não oferecemos video on demand ainda porque queremos poder fazer programação de canais e só assim, pelo que observamos internacionalmente, o modelo é viável”. Tecnologia pronta? O terceiro obstáculo para a oferta de serviços de televisão pelas teles

fixas é a capacidade da com as empresas rede. No modelo IPTV, de TV a cabo e com os sinais chegando DTH, as teles terão ao assinante por meio de que oferecer ainda uma rede banda larga, o conteúdos em alta problema é justamente definição, o que quão larga é essa banda. aumenta ainda mais Em tese, com uma a banda necessária. compressão MPEG-4 Se quiserem consegue-se passar um oferecer serviços canal em uma banda de como DVRs (digital 1 Mbps real (recorde-se vídeo recorders), que hoje o grosso das que permitem que redes banda larga no se assista a um Brasil é de velocidade programa e se grave “Só o modelo com inferior a 300 kbps) para outro, é necessário programação de canais cada ponto que vá ser receber pelo menos é viável, e não o instalado na residência. dois canais ao video on demand.” Mas é preciso somar a mesmo tempo, André Bianchi, da Telemar capacidade necessária aumentando ainda para que a casa continue mais a demanda tendo banda larga e outros serviços IP por banda. Enfim, tudo o que as cada vez mais comuns, como VoIP. No teles precisam fazer para serem futuro não muito distante, para competir competitivas com as operadoras de

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( capa ) TV a cabo ou DTH demanda uma taxa de transmissão muito acima da média praticada por elas hoje. Isso para não falar nos investimentos em servidores, controle de acesso, centrais de atendimento, headend e todo o resto que precisa ser incorporado à realidade das empresas de telefonia. Os inúmeros casos que já existem no mundo mostram que tudo isso é possível de ser feito em um modelo de IPTV. Mas a questão é se vale a pena, considerando que a banda larga não tem, no Brasil, os mesmos índices de penetração de outros países onde os serviços IPTV já estão sendo oferecidos comercialmente. Além disso, o mercado brasileiro de TV paga tem um limite de penetração que parece já ter sido atingido pelo modelo tradicional de negócios. Se quiserem ocupar mais espaço, as teles precisariam inovar, e isso joga o problema de volta para a esfera do conteúdo e da regulamentação. “No Brasil, o que se diz é que a penetração da banda larga é pequena, se olhar o País como um todo. Mas São Paulo, por exemplo, já tem 30% de penetração de banda larga. É atípico, mas mostra um mercado fértil onde as teles querem investir: nas classes de maior poder aquisitivo (A e B) e onde também querem fidelizar seus clientes de serviços de telecomunicações”, explica Raul Katz. É exatamente nesses focos que as teles pensam em atacar. A Telemar já disse que pretende ter um serviço de vídeo para assinantes que gastam muito com outros serviços da empresa. Não vai oferecer em todo o Rio de Janeiro, mas apenas no Leblon, por exemplo. Já a Telefônica diz que estará

“As teles não estão prontas para o vídeo como a TV a cabo.” Virgílio Amaral, da TVA

pronta até o final deste ano para o oferecimento do serviço de IPTV. A rede de banda larga precisa de maior capacidade de transmissão e estão sendo realizados outros acertos tecnológicos à medida que os testes estão sendo conduzidos. Entretanto, isto não significa que o serviço só será lançado no final do ano; pode sair antes, diz o diretor de desenvolvimento de negócios residenciais da operadora, Márcio Fabbris. Ele não se arrisca a dizer onde a operadora lançará primeiro o serviço, pois está sendo testado também no Chile, onde a ativação está prevista para o segundo semestre. Mas adiantou que as negociações com os fornecedores internacionais de conteúdo ficarão sob a responsabilidade da Telefónica de España, enquanto os contratos com os fornecedores locais ficarão com

Maiores serviços de IPTV em atividade

(total de assinantes)

Free (França) PCCW (Hong Kong) Fastweb (Itália) France Telecom (França) Telefônica (Espanha) Neuf Cegetel (França) Manitoba Telecom (Canadá) Hong Kong Telecom Chunghwa Telecom (Taiwan) KDDI (Japão) SaskTel (Canadá)

200 mil 160 mil 160 mil 142 mil 120 mil 50 mil 45 mil 40 mil 40 mil 40 mil 40 mil

Fonte: Gartner Group e Accenture, base setembro de 2005. Outras teles com serviços de IPTV comerciais: British Telecom, Verizon, AT&T, Bell South, Telstra, Swisscom, Telenor, Telecom New Zealand, Korea Telecom, Telecom Malaysia, Deutsche Telekom, Telecom Argentina, Telecom Áustria, Reliance, Tata Indiacom, China Telecom, NTT, Telmex e outras.

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a Telefônica no Brasil. A matriz espanhola já tem know-how com o Imagenio, serviço de televisão que atinge mais de 200 mil assinantes da rede fixa e está sendo estendido para os países onde a operadora está presente. O executivo não soube dizer se será mantido o mesmo nome. Mas os modelos que estão sendo praticados pelas teles fixas na Europa são rigorosamente iguais aos serviços tradicionais de TV paga. Ainda não se viu grandes inovações. “As teles vão ter que investir muito, pois não estão prontas para o vídeo como as empresas de TV a cabo”, diz Virgílio Amaral, diretor de tecnologia da TVA. Ricardo Miranda, presidente da Sky, lembra ainda que há a possibilidade de parcerias de venda com as teles, a entrega de serviços conjuntos. “Já temos acordos com a Telefônica, Brasil Telecom e Telemar em que as operadoras oferecem seus serviços em conjunto com a assinatura da Sky. O assinante paga menos quanto mais serviços agregar”, explica Miranda. Ele acredita que a IPTV muda o modelo de negócio da TV por assinatura, mas hoje o serviço que é alardeado pelas teles não é diferente do que a TV por satélite digital oferece. “Vamos amadurecer com a entrada de novos concorrentes e com o tempo teremos que mudar nosso modelo de negócios”, admite. No Brasil, as dificuldades são sempre maiores: renda concentrada, redes de qualidade ruim, limitações regulatórias e um mercado consumidor muito habituado à TV aberta. São estes os problemas que as teles enfrentarão, que são também exatamente os mesmos problemas que a TV paga enfrentou (e ainda enfrenta) para surgir e crescer no Brasil nos últimos 15 anos. Nada indica que as teles terão um caminho mais fácil, a não ser pela sua (muito) maior capacidade de investimento. Veremos se apenas isso fará a diferença.


N達o disponivel


(evento)

Edianez Parente, de Cannes

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O império do conteúdo

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e a forma de ver TV como uma das apresentações conhecemos está fadada mais enriquecedoras do ao fim, o mesmo não evento foi exatamente a ocorre com os conteúdos que não tinha nenhuma audiovisuais, que no resposta para a questão de momento só fazem se multiplicar, qual será o conteúdo-chave com vistas a chegar a inúmeros meios no ambiente digital. Gary de distribuição. Na grande feira de Carter, chief creative officer conteúdo audiovisual mundial deste para novas plataformas da primeiro semestre, o MIP TV 2006, Fremantle Media do Reino o que se viu foi mais uma vez uma Unido, disse que “muitos sites enorme oferta em programação, vão nos guiar na produção verificada em centenas de estandes, de televisão”. Como keynote da Áustria ao Vietnã, e que pôde ser speaker em painel sobre conferida por mais de 12 mil visitantes. conteúdo durante o evento, Mas a ida em abril a Cannes (França) o executivo deixou claro que o grande mostrou aos players desta indústria desafio para os fornecedores de conteúdos que há ainda muito o que se entender hoje é criar programas neste novo ambiente sobre qual será a forma de consumo que a tecnologia proporciona ao público. destes conteúdos e quais hão de se “Pela primeira vez, agora a audiência possui sobressair. as mesmas ferramentas que os criadores Enquanto nos estandes os canais, de conteúdos têm, e eles também têm estúdios, produtoras e programadoras criatividade. Portanto, também vão querer ofereciam seus produtos de forma criar o seu conteúdo”. Ele diz que, para não linear e finalizada, prontos para morrer, a indústria de TV deve aprender, serem distribuídos nos formatos que tal como fez a indústria da música, a olhar os empacotadores e para a web. Em tempo: a distribuidores quiserem, Fremantle é uma major nos ambientes da programação, e seu de discussão, os portfólio inclui os sucessos pensadores, criativos e mundiais “O Aprendiz” e dirigentes das majors do “Ídolos”. conteúdo debatiam um ponto crucial para quem Reality atua neste negócio. Mark Burnett, um dos Afinal, num universo papas dos reality shows onde se escolhe o que em TV, criador de atrações se quer assistir na hora como “Survivor” (no Brasil em que se quer, um exibido como “No Limite”), ponto esquecido vem também foi pela mesma à tona: o espectador linha. Ele, que antes se também passa a Erick Huggers, da Microsoft, mostrou definia como um criador escolher principalmente as inovações da de programas de TV, empresa em três frentes: o que não quer mais ver. broadband, celular e DVD de hoje em dia se apresenta Neste sentido, como um produtor de alta definição (HD-DVD). 22

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fotos: © Missioning / miptv 2006

MIP TV, maior mercado de audiovisual do mundo, mostra que a quantidade não será o problema num universo multiplataforma. O criador de formatos Mark Burnett: produções cada vez mais interativas com o mundo online.

conteúdos para várias plataformas. Burnett tem sua própria empresa de formatos, que leva o seu nome. O criativo também chama a atenção para a liberdade na nova realidade virtual: “Hoje em dia, toda criança tem sua própria câmera digital”, diz. Ele acredita em sites como o Myspace.com como indicativo de como as pessoas trabalham seu próprio conteúdo, mas lembra que as coisas convivem lado a lado e que apenas as boas histórias funcionam — “tudo é uma questão de contar boas histórias”, diz. A empresa de Burnett tem um novo game show nacional, uma espécie de corrida do ouro, cujas pistas do mapa estarão hospedadas no site da AOL. Esta gigante da Internet, aliás, cada vez mais se apóia em conteúdos de vídeo para se sustentar. Segundo afirmou Jonathan Miller, seu chairman e CEO, a AOL tem hoje metade de suas receitas em publicidade (a outra metade vem das assinaturas do serviço), o que só aconteceu depois que passou a disponibilizar mais conteúdos de vídeo aos usuários. Atenta ao que se passa no mundo digital, a gigante Microsoft marcou presença ao exibir suas inovações para vídeos em três frentes: broadband, celular e HD-DVD. Erick Huggers,


general manager do Windows Media, mostrou as ferramentas que lança para facilitar a navegação por este universo. Como a nova versão do software Media Player e a interação do console de games X-Box 360 com a TV. “Acreditamos que a próxima onda será o HD-DVD”, afirmou Huggers. Ele fez uma demonstração de conteúdos interativos possíveis sobre os DVDs de alta definição — que lançou mais uma dúvida do que uma certeza: será mesmo que as pessoas hão de querer que o diretor de um filme entre na cena para explicá-la, enquanto a história corre solta? De qualquer forma, a Microsoft diz que precisa de parceiros em todas estas novas áreas. Audiência Alguns indicativos de hábitos de audiência na esfera on demand — quer via Internet ou por celular — foram apresentados no MIP TV. A operadora de telefonia móvel O2 e a MTV Networks do Reino Unido trouxeram alguns dados que chamam a atenção para o comportamento do usuário de telefonia móvel que compra serviços de vídeo. A MTV comparou os horários de audiência do consumidor de vídeo no celular e o telespectador e observou um pico de audiência, entre o público adulto, às 23h. “A curva é similar à da audiência de televisão”, mostrou Matthew Kershaw, diretor da MTV no Reino Unido. A programadora criou os canais específicos para a telinha do celular: o Snax (de variedades) e o Trax (para os

quando têm tempo. No ambiente de broadband — estatísticas dão conta de 500 milhões de usuários no mundo -, chama a atenção o serviço de vídeo digital Homechoice. Disponível apenas em Londres e com 45 mil assinantes que pagam assinaturas de até 25 libras/mês para terem até 130 canais diferentes, a empresa fez um ranking dos canais mais vistos entre todos os ofertados. Os mais vistos pelos usuários são todos de conteúdo de video on demand: conteúdo infantil, filmes e música. Os canais convencionais (grandes redes) também são oferecidos pelo serviço, e em média os assinantes da Homechoice assistem a 20 horas/mês de conteúdo sob demanda.

Brasileiros vendem e vão às compras Globo, Record e ABPI-TV participaram do MIP TV com estandes na feira.

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Globo, que promove principalmente a venda de suas novelas, também fez um evento fora da feira para os clientes. “Carandiru — Outras Histórias”, minissérie nacional derivada do longametragem e também dirigida por Hector Babenco, é uma das apostas da Globo para venda no mercado internacional, em especial para os países europeus. Outra oferta da emissora ao mercado internacional é a minissérie “Hoje é Dia de Maria”, que foi exibida em duas “jornadas”, no primeiro e segundo semestres de 2005. “Belíssima”, “Alma Gêmea”, “América” e as minisséries “Mad Maria” e “JK” foram apresentadas aos prospects da Globo. De acordo com Helena Bernardi, diretora de vendas internacionais da emissora, as

novelas vêm ganhando, de forma até surpreendente, espaço também em horários vespertinos das emissoras abertas na Europa. Segundo Helena, as conversações sobre o desenvolvimento de co-produções em dramaturgia continuam com todos os possíveis parceiros, mas um ponto fundamental das discussões tem sido a conciliação entre as metas de qualidade da emissora e os custos que foto: divulgação

A MTV do Reino Unido viu em pesquisa que o hábito da audiência no celular é similar ao da TV, conta Matthew Kershaw.

videoclipes musicais). Na cidade de Oxford, a operadora de celular O2 detectou que o nível de consumo médio do usuário de vídeo é de três horas por semana, com programas que duram em média 23 minutos. A surpresa é que o local onde as pessoas assistem mais é em casa e o primetime é o mesmo da TV aberta: horário da noite, com picos às 22h e 23h. Quem mostrou os dados foi Hugh Griffths, da operadora. “Poder escolher o seu canal é o grande driver do serviço”, afirmou Griffths, lembrando que há conteúdos de CNN, Discovery, MTV e canais da Sky disponíveis para o celular. A Nokia também pesquisou o hábito dos usuários de celulares que baixam vídeos, e detectou que as pessoas fazem download, em geral à noite, para assistir depois,

Além das novelas a Globo também levou à feira séries, como “Carandiru - Outras Histórias” .

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( evento) Rosaura Pessetti e Mauricio Delman Lains, da NSet: mais produtoras estão buscando o mercado internacional.

Compras Globo, Record, TV Cultura e Bandeirantes foram a Cannes em com recursos estrangeiros. Canais pagos busca de conteúdos. Pela Cultura, a internacionais, redes abertas e produtoras procura era por produtos para sua são os “prospects” dos brasileiros. Embora faixa adolescente, carente de novas nenhum contrato tenha sido assinado no atrações em ficção. A Bandeirantes, evento — em geral, as feiras servem para que foi apenas como compradora, fazer e atualizar contatos -, a presença tem a grade completa para este ano, da produção brasileira mais uma vez foi mas não deixa de acompanhar os marcante. Produtoras como TV Pingüim, lançamentos do mercado. Canal Azul, Pródigo, 2DLab, Bossa Nova, Pela primeira vez, a diretora Grifa/Mixer e NSet aproveitaram o evento geral do canal GNT, Leticia Muhana, para expandir seus contatos com o participou da feira de programação mercado internacional e dar continuidade do MIP TV de olho em conteúdos às negociações iniciadas em outros ficcionais, como séries e filmes. O mercados, que já renderam parcerias canal fez uma aposta ousada ao importantes (leia matéria sobre o mercado exibir seriados — vide a repercussão internacional à pág. 28). do inusitado “Weeds” — e colheu “Estamos começando agora a bons frutos. “Viemos antes para explorar o mercado internacional e nos o MIP Doc, onde vimos algumas surpreendemos com o resultado”, conta produções que nos despertaram Rosaura Pesseti, diretora geral da NSet. interesse”, afirmou a diretora, que Em sua segunda participação numa feira pretende programar uma sessão internacional, a produtora do “Avesso”, temática com os documentários mais do canal Sony, disse que saiu do MIP TV interessantes que viu no mercado. O com uma série de contatos GNT tem equilíbrio interessados em algumas de entre a oferta de suas produções. programação Pouco antes do evento, nacional (45%, a Apex, agência brasileira de praticamente toda fomento à exportação, reno­ operacionalizada vou o acordo com a ABPI-TV por produtoras para o projeto de exportação independentes sob de conteúdos audiovisuais, o crivo editorial do pelo qual, entre outras coisas, canal) e estrangeira os produtores participam das (55%). Depois de um feiras globais. A renovação reposicionamento é por um ano, mas pode ser no mercado - o canal estendida para um período voltou-se mais ao de dois anos, pois a agência público feminino -, entende que os processos de A diretora geral do GNT, Leticia o GNT recentemente Muhana, e o diretor artístico do negociação internacional têm canal, Jorge Espírito Santo, em estreou novas busca de atrações no MIP TV. maturação lenta. atrações, como uma Segundo o gerente faixa semanal (aos nacional da área de serviços e domingos) dedicada a filmes de longaentretenimento da Apex, Christiano Lima metragem. Títulos estrangeiros e Braga, a expectativa é de que o projeto também filmes brasileiros se encaixam gere negócios da ordem de US$ 12 milhões na sessão denominada “Luz, Câmera em 2006. Nos dois anos iniciais o projeto e Batom”. Leticia segue também em gerou US$ 20 milhões em negócios, busca de títulos para esta sessão e aproximadamente. A agência também conferiu as novidades do segmento ao espera ampliar em 30% o número de lado do diretor artístico do canal, Jorge empresas beneficiadas. Espirito Santo. fotoS: arquivo

as redes/produtoras esperam ter para produções regionalizadas a partir de roteiros da Globo. A Record, por sua vez, fechou durante o MIP TV a venda de sua novela “Prova de Amor” pra a RTP, emissora aberta de Portugal. O canal já exibe “Escrava Isaura” no horário da tarde. Na mesma negociação, foi também fechada a venda de “Essas Mulheres”, contou o diretor responsável pelas vendas internacionais da emissora, Delmar de Andrade. A Record vem sendo muito procurada por emissoras de paises do Leste Europeu, interessadas nas suas telenovelas — Rússia, República Tcheca e Croácia estão entre os paises onde há a maior procura. Também, pela primeira vez começam a aparecer canais interessados nas produções da Record de países como Índia e Paquistão, onde a opção é pelas legendas. A maioria dos mercados opta pela dublagem. A Record vende principalmente as três novelas (“Escrava Isaura”, “Essas Mulheres” e “Prova de Amor”), mas já há interesse no mercado sobre a novíssima “Cidadão Brasileiro”. No estande da ABPI-TV, no mesmo local onde a associação se instalara no Mipcom, no último mês de outubro, os produtores brasileiros cumpriram toda uma agenda de reuniões com eventuais parceiros internacionais. Isto porque o que os produtores nacionais procuram e precisam, no momento, é de contratos que viabilizem seus projetos de realização no Brasil 26

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No Japão, falta modelo para a TV no celular

foto: © Missioning / miptv 2006

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m painel em especial do MIP TV tinha algo a dizer relacionado ao Brasil. Foi a apresenta­ção de Takeshi Natsuno, VP sênior e diretor geral de serviços multimídia da maior operadora japonesa de telefonia móvel, a NTT DoCoMo (com 50 milhões de clientes). O Japão, detentor do padrão ISDB - o preferido dos radiodifusores brasileiros - estreou em março as transmissões em TV aberta para terminais móveis. “Não temos um modelo de negócios muito claro”, afirmou Natsuno, explicando que, por opção política, o Japão oferece TV aberta no celular de forma gratuita e simultânea à transmissão fixa dos broadcasters. “Os modelos são diferentes; o broadcasting é para as massas”, disse. Ele explicou que, dada a falta de receitas, é difícil subsidiar a venda de handsets (aparelhos celulares) para o usuário. Os terminais aptos a receber TV começaram a ser vendidos há dois anos, e hoje somam 6 milhões. “Temos de descobrir um modelo de negócios”, afirmou Natsuno, “mesmo porque a TV não divide a sua receita de publicidade com a operadora”. A tele é ela mesma um das grandes anunciantes da TV aberta no Japão, explicou Natsuno. Apesar do pouco tempo, a op-

executivo da NTT DoCoMo mostrou ser possível à empresa de telefonia disponibilizar e vender dados em separado. Como exemplo, estão algumas informações sobre detereradora já detectou os hábitos de audiênminadas atrações em tela fora da cia de TV por parte dos seus clientes. O freqüência da TV - por exemplo, ao primetime (horário nobre) da TV aberta assistir um show da TV aberta, o vista pelos japoneses no celular, conforme usuário cai para uma tela fornecida mostrou Natsuto, tem sido a hora do alpela operadora com informações exmoço, muito provavelmente tras. Também podem por quem está no trabalho. ser vendidos em sepaAinda, a operadora detecrado músicas-temas tou um grande número de de programas da TV, usuários que assistem à TV dados de conteúdos enquanto falam ao telefone. esportivos. Há ainda A NTT DoCoMo esos guias eletrônicos de treou em abril um novo programação de TV, serviço, mas para a TV paga. muito demandados no Começou a vender tamJapão, onde segundo bém o conteúdo dos canais o executivo os mais fechados, a TV multicanal jovens não buscam via satélite. Takeshi Natestas informações suno disse a este noticiário nos jornais, simplesSegundo Takeshi Natsuno, da NTT que, por se tratar de um mente porque não os DoCoMo, TV aberta não remunera serviço novo, ele não tinha a operadora, que tem que subsidiar compram. os aparelhos celulares. ainda como dimensionar a receptividade e o mercado. Desafios Mas um dos apelos do serviço de canais Para o executivo da NTT DoCoMo, pagos via satélite será a oferta de canais a possibilidade de download do de áudio - o rádio ainda não foi convertido conteúdo da TV aberta deve acontecer, ao padrão digital no Japão. quando negociadas e resolvidas as atuais questões de direitos autorais - os Interatividade usuários poderão no futuro utilizar o Embora não esteja ainda claro o seu aparelho como um DVD portátil móvel, modelo de negócios, entre as possibiliarmazenando o conteúdo da TV dades de oferta de conteúdo relacionado aberta, durante a noite, por exemplo, com TV aberta por parte da operadora, o para assistir depois.


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Parceria reforçada Acordo bilateral e eventos conjuntos marcam o fortalecimento das relações do Brasil com o Canadá na realização de co-produções audiovisuais. foto: Assessoria Marcello Casal Junior/Agência Brasil

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o final de março, representantes de canais de TV, produtoras e órgãos governamentais canadenses estiveram no Brasil para uma série de atividades ligadas à indústria audiovisual. O evento foi mais um passo na aproximação do Brasil com o parceiro do Norte, que ganhou força com a assinatura de um acordo bilateral entre os dois governos. Em 22 de março, o presidente do National Film Board (NFB) do Canadá, Jacques Bensimon, assinou o tratado com a Secretaria do Audiovisual do MinC. Pelo acordo, o NFB, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura do Brasil e demais parceiros concordaram em explorar oportunidades de coprodução para filmes experimentais, de animação e documentários. Haverá um intercâmbio de expertise e de estratégias entre ambos nas áreas de distribuição e programas de visita, possibilitando a cada parceiro distribuir os catálogos do outro, e a colaboração em programas de treinamento e de educação em artes visuais, além de um intercâmbio de know-how tecnológico. O NFB e seus parceiros brasileiros estão também analisando de que maneira poderá ser aplicada no Brasil a experiência canadense com a oficina móvel Wapikoni, em colaboração com o Les Productions dês Beaux Jours, para os cineastas vindos das populações nativas canadenses. Um dos pontos centrais do acordo é a criação de um fundo de 50 mil dólares canadenses (aprox. R$ 93 mil, que pode ser ampliado para CAN$ 100 mil) para desenvolvimento de projetos de co-produção. O fundo

Jacques Bensimon, presidente do National Film Board, do Canadá; min. Gilberto Gil (Cultura); o embaixador do Canadá, Guillermo E. Rishchynski; e o secretário do Audiovisual Orlando Senna na assinatura do acordo bilateral.

será alimentado em partes iguais pelo NFB e pelo MinC. Serão financiados cinco projetos, com CAN$ 10 mil cada (aprox. R$ 18 mil). A única condição para participar é que o conteúdo seja de interesse do público dos dois países. Ainda, o NFB e a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de TV (ABPI-TV) enviarão dois animadores brasileiros iniciantes à próxima etapa do programa Hothouse do NFB. Trata-se de programa intensivo com duração de doze semanas, no qual os animadores criarão curtas de animação com o apoio

e a monitoria de especialistas em criação do National Film Board. Seminário O momento mais intensivo da visita foi o seminário “Co-produzindo com o Canadá”, promovido pela ABPI-TV (Assoc. Bras. dos Produtores independentes de TV) nos dias 23 e 24 de março, com 21 representantes daquele país. Além dos seminários e debates, os produtores brasileiros tiveram a oportunidade de realizar reuniões individuais com potenciais

O poder do NFB O National Film Board (ou Office National du Film, em francês) é um órgão governamental canadense fundado em 1939 com mandato para produzir e distribuir conteúdos de caráter diferenciado, com foco em inovação e criatividade, nas palavras de seu presidente Jacques Bensimon. O NFB já produziu mais de 11 mil filmes e suas produções e inovações tecnológicas já renderam 11 Oscars, entre outros milhares (literalmente) de prêmios. Além dos incentivos fiscais, o país conta com um fundo de recursos da televisão, o Canadian TV Fund, com recursos de CAN$ 200 milhões (aprox. R$ 360 milhões). O NFB produz 12 documentários por ano, geralmente com temáticas sociais, além de ficção e filmes de animação, outra de suas especialidades. O órgão é também uma incubadora de talentos: um terço das produções é de novos diretores. A abertura a outros países também é uma marca do NFB. Nos últimos cinco anos, a agência fez 40 co-produções internacionais, no valor de US$ 36 milhões, e esta modalidade responde por 8% das produções deste ano. Um terço dos conteúdos do NFB é realizado em regime de co-produção.

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“Foi difícil convencer os sócios a trabalhar com o Brasil. Em geral eles só conhecem os clichês sobre o país.”

Foto: arquivo

parceiros canadenses. O evento teve apoio do Consulado geral do Canadá em São Paulo e da Air Canada. Segundo o presidente da ABPITV, Fernando Dias, o Canadá tem grandes afinidades com o Brasil e tem se apresentado como um dos parceiros principais nas co-produções internacionais. Apenas neste evento de São Paulo, conta, foram marcadas mais de cem reuniões de trabalho. A opinião é compartilhada por Jacques Bensimon, que lembrou que o Brasil é o maior parceiro comercial do Canadá na América do Sul. E deu o caráter político da aproximação: “O trabalho conjunto fortalecerá as duas culturas diante da globalização”. Um dos destaques foi a participação do produtor canadense Eric Michel, ex-membro do NFB e atualmente produtor executivo sênior para desenvolvimento da FRV Media International, grupo que conta com financiamento de quatro grandes fundos estatais e privados, além de ações negociadas na bolsa canadense. Michel explica que tem a função de desenvolver negócios no mercado internacional, na área de documentários, principalmente longas-metragens para exploração inicialmente em cinema. Mas ele também afirma que a exploração das chamadas multiplataformas é uma exigência do grupo. “Não vejo como começar um projeto sem pensar no ‘long tail’, ou seja, em sua exploração nas múltiplas janelas, inclusive banda larga e celular. Temos certeza que esse é o futuro”, afirmou. Michel conta que busca filmes sobretudo nas áreas de meioambiente, animais e ciências. Seu grupo também atua como distribuidor de ficção, com um acervo de 54 títulos que define como “family films”. E todos com um viés bem específico: a nãoviolência. “Temos um compromisso em promover a não-violência. Mesmo quando um tema exige uma ação violenta, em nossos filmes isso nunca é mostrado de forma explícita ou degradante”, afirma.

Eric Michel , da FRV Media International

devem estar concluídos até 2009. O canadense também assinou um memorando de interesse em duas séries da produtora NSet, de São Paulo (conhecida pelo programa “Avesso”, do canal Sony). Tanto “Focus” quanto “Ipsis Literis” mostram, em programetes de dois a três minutos, o funcionamento de alguns equipamentos da vida moderna, como o celular. O conteúdo, pelo seu formato, é atraente tanto para a TV, como interprograma, quanto para dispositivos móveis, como celulares ou iPods.

Numa primeira etapa, Michel buscou relacionamentos na Europa. Mas agora, afirma, a vez é do Brasil. A primeira parceira foi a Grifa Mixer, com quem desenvolve uma relação há um bom tempo. “Foi difícil convencer os sócios a trabalharem com o Brasil. Não conheciam nada, só os clichês. Não tinham idéia da arquitetura, da tecnologia, da escolaridade que se encontra aqui”, disse. Com a Grifa Mixer, Michel trabalha hoje em três projetos: “Fordlândia”, “Muriqui” e “Golfinhos”. Os dois últimos prevêem lançamento em cinema. Os filmes

Outras atividade No Brasil, os canadenses participaram ainda do workshop “Animando com o Canadá”, realizado em parceria entre o Senac e o Centro de Educação Canadense (CEC). O Brasil, aliás, será o tema central do Festival Internacional de Animação de Ottawa. Dentro do festival (que existe desde 1976, sob a então presidência do lendário animador Norman McLaren) haverá a terceira edição da Conferência de Animação em Televisão (TAC), dirigida ao desenvolvimento de negócios. Sua primeira edição teve mais de 200 profissionais de países como Austrália, China, França, Índia, Itália, África do Sul, EUA e Coréia do Sul (além do Canadá). Houve ainda uma mostra de cinema com uma seleção das melhores produções financiadas pelo National Film Board, com exibições digitais, em parceria com a Rain Network, em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Porto Alegre. Jacques Bensimon reuniu-se com os representantes da Rain Network do Brasil para discussões a respeito das iniciativas conjuntas de cinema digital e da ampliação desta rede para o cinema independente.

Oportunidades no Brasil O produtor Eric Michel e os diretores gerais de produções do NFB, Maurice Paleau e Claude Bonin, respectivamente, têm presença confirmada no 1º MITV - Mercado Internacional de Televisão, evento promovido por TELA VIVA nos dias 5 e 6 de junho em São Paulo. Além deles, estão confirmados executivos de televisão da Espanha, França, Suécia e EUA, e os principais canais abertos e pagos do Brasil. No evento, emissoras de TV e produtores terão a oportunidade de desenvolver relacionamentos e negócios em co-produção e venda de conteúdos audiovisuais, além de participar dos já tradicionais debates do 7º Fórum Brasil de Programação e Produção, que acontece simultaneamente. Informações pelo site www.mitv.com.br ou pelo telefone (11) 3120-2351.

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(André Mermelstein)

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Samuel Possebon, de Atlanta

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A desconstrução da TV Na NCTA ficou claro que o telespectador do futuro será diferente. E a indústria busca alternativas de modelo para uma TV sem grade de programação, feita pelo próprio usuário e aberta na Internet

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o Brasil, parece que esta realidade ainda está um pouco distante, mas nos EUA e na Europa os grandes grupos de comunicação parecem já ter percebido que o modelo atual de televisão, cristalizado ao longo de décadas de sucessos e boa aceitação popular, está derretendo. “O consumidor é diferente hoje. Estamos falando de uma geração que tem entre oito e 28 anos e que não chega em casa à noite, senta na frente da televisão e dorme. É para essa geração que precisamos olhar”, disse Anne Sweeney, presidente da rede ABC (uma das três grandes redes abertas) e co-chairman do grupo Disney, durante a NCTA Cable 2006, o maior evento de TV a cabo do mundo, realizado em Atlanta no começo de abril. “Nem tudo tem que ter apenas um modelo de negócios!”. É assim que uma das executivas mais poderosas da indústria dos EUA se posiciona em relação ao que está acontecendo com o consumo de mídia. A Disney, diga-se de passagem, não tem a menor idéia do que está acontecendo, tanto que resolveu abrir gratuitamente suas principais séries na Internet apenas para tentar visualizar um modelo. Em parceria com anunci­antes, testará formas de manter a publicidade em conteúdos distribu­ídos pela rede e, medirá os hábitos de consumo dos telespectadores tradicionais quando confrontados com uma nova forma de distribuição. Basicamente, o que viu nos debates da NCTA Cable 2006 foi a tentativa de os operadores de cabo dos EUA

tentarem entender o que está mudando no mundo. E a constatação é que a televisão não mais será estruturada em uma grade de programação, não estará mais vinculada à localidade em que a pessoa mora (ou seja, poderá ser assistida de qualquer lugar do mundo) e talvez passe a ter parte (não se sabe quanto) de sua programação produ­ zida pelo próprio usuário. Não é pouca mudança. Basicamente, são os três pilares mais cristalizados do modelo de televisão que estão em jogo. Tudo o que se faz hoje em termos de modelo de negócios, de venda de publicidade e em termos de audi­ ência está baseado na estrutura de grade de programação, na idéia de que a televisão chega a uma determinada comu­nidade e que quem tem o controle sobre aquele conteúdo é o produtor e o distribuidor. Já faz alguns anos que as apostas do que aconteceria com a televisão vão mais ou menos nesse sentido, mas em 2006 os fantasmas que atormentam o velho modelo de TV ganharam forma. O digital vídeo recorder (DVR, ou gravador digital), que não é uma invenção exatamente nova (existe 30

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desde 2002), passou a ser item de consumo obrigatório para o telespectador norte-americano. Um fenômeno curioso é que depois de atingirem a marca de 28,5 milhões de assinantes digitais em 2005 (já mais de 30 milhões a essa altura do ano), as operadoras dos EUA vêem o aumento da demanda de set-tops high-end, ou seja, set-tops com mais tecnologia incorporada. No caso da Comcast, por exemplo, 60% das caixas instaladas são preparadas para alta definição e com recursos de gravação incorporados (DVR). O DVR faz um tremendo estrago no modelo de televisão porque dá ao usuário a autonomia sobre a grade de programação. Ele assiste ao que quer, na hora que quer. Some-se a isso a crescente oferta de serviços de vídeo sob demanda (outra tecnologia nada nova), que finalmente decolaram nos EUA, principalmente impulsionados pela oferta de conteúdos antigos, gratuitamente ou a baixo custo, para fidelização de usuário. Outra mudança sensível na forma de ver televisão é decorrente de uma tecnologia que surgiu no final de 2005 chamada Slingbox. É um dispositivo que digitaliza em tempo real os sinais que saem do receptor de TV paga e manda para a Internet (funciona apenas na banda larga). O proprietário dessa caixinha, desse dispositivo, pode assistir ao que está passando em sua casa em qualquer lugar do mundo em que tenha uma conexão (banda larga) com a Internet. Pode ser em um notebook, pode ser em um PDA com acesso, em um celular. O Slingbox mostrou para a indústria de TV paga

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( tv por assinatura ) “Não é algo para este ano e talvez não para o próximo. Mas vai mudar a forma de ver e fazer televisão”, diz Mike LaJoie, CTO da Time Warner. “É uma promessa fascinante do ponto de vista da tecnologia, algo ainda distante, mas com sérias implicações. E a primeira delas é o conceito de direitos sobre o conteúdo. Hoje os operadores de cabo têm direito para uma cidade, ou uma região. Fazer um produto como esse é possível, mas o programador vai me deixar entregar, via banda larga, esse conteúdo para o meu assinante, onde quer que ele esteja?”, questiona-se o executivo da Time Warner. Há ainda outro problema, que é pagar a produção do conteúdo que fotos: Divulgação

(e para a indústria de televisão como um todo) que no futuro as pessoas não precisarão mais estar em suas casas para assistir aos seus programas. Pode­rão estar em qualquer lugar, e isso quebra todos os paradigmas da televi­ são em relação a como ela é feita hoje. A questão é: essas inovações são tendências? Os números ainda não assustam ninguém. O Slingbox não vendeu mais do que alguns milhares de unidades e mesmo os DVRs ainda têm uma penetração ínfima no universo de mais de 100 milhões de domicílios com TV nos EUA. O medo da indústria audiovisual é que aconteça nessa área o mesmo que aconteceu com a indústria fonográfica, que quando se deu conta do problema, já havia sido atropelada. E há outro fato que começa a atormentar a indústria de televisão: é crescente o movimento de uma parcela significativa dos usuários rumo a conteúdos customizados ou feitos por outros usuários. Fenômenos que levaram a uma proliferação explosiva de blogs, fotoblogs, videoblogs e agora portais de conteúdo “caseiros” ou independentes, como myspace.com ou youtube.com, são preocupantes, porque mostram uma demanda que os grupos de comunicação não têm como atender. Se uma geração de futuros consumidores está crescendo acostumada a assistir coisas que são feitas por outras pessoas, o que as empresas tradicionais oferecerão? O que os operadores de TV a cabo nos EUA estão começando a perceber é que qualquer que seja a saída, ela depende de plataformas de distribuição com grande capacidade de interação, e por isso o cabo estaria (pelo menos nos EUA) bem posicionado. E o caminho que está sendo encontrado pelos operadores para responder a uma demanda que, pelo menos nos EUA, parece ser inevitável, é algo que está sendo chamado de switched vídeo. É, na prática, dar a cada assinante uma TV a cabo customizada, com o conteúdo que ele quiser, na hora que ele quiser, e possivelmente no lugar que ele quiser.

No maior evento de cabo do mundo, mais perguntas que respostas sobre o futuro da televisão na era da convergência.

o usuário poderá escolher livremente. As sérias que a ABC abriu na Internet, por exemplo (“Lost”, “Desperate Housewives”, “Alias”) são grandes sucessos, com grande investimentos publicitários. Mas a maior parte da produção de conteúdo hoje é subsidiada por uma grade que mistura coisas quentes, como estas séries, com outras nem tão quentes. No final das contas, a conta fecha. Deixar o usuário escolher só o que ele quer pode inviabilizar esse modelo, e ainda não há outro no lugar. E conteúdos personalizados ou feitos por outros usuários existem hoje como brincadeira, mas não como negócio. Quem pagaria, por exemplo, os enormes custos de produção de eventos esportivos ou jornalismo em um modelo de TV não-linear, não-local e não-temporal? Outra preocupação dos operadores de 32

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TV paga dos EUA é que hoje o consumo de mídia não se dá mais apenas dentro de casa. O hábito do celular faz com que as pessoas saiam de casa e continuem ligadas a um dispositivo que pode ser uma alternativa de informação, entretenimento e serviços, além de um telefone. Não por acaso, quatro das maiores operadoras norte-americanas (Time Warner, Cox, Comcast e Bright House) formaram este ano uma joint-venture de US$ 200 milhões (até aqui) com a operadora móvel Sprint. Trata-se de uma iniciativa para oferecer, nas redes de telefonia celular da Sprint, serviços integrados aos das operadoras de cabo, incluindo os serviços de voz (fixos) e dados. Mimi Thigpen, VP de estratégias da Cox, explica que esse não é um empreendimento que busca apenas o empacotamento conjunto de contas. “A proposta é convergir os serviços. As pessoas estão levando suas opções de mídia, comunicação e entretenimento para fora de casa, portanto para fora dos domínios das operadoras de TV a cabo. E por isso precisamos das redes móveis para continuar com esse assinante onde ele estiver”, diz Thomas Nigel, VP de serviços wireless da Comcast. “Temos que combinar os canais de venda, a infra-estrutura, os canais de atendimento, as plataformas de billing, a manutenção e o marketing de cinco empresas diferentes, de duas áreas diferentes. É uma jointventure monumental, mas ela está dando certo”. Mais do que vender os serviços de celular e TV paga de forma conjunta, as empresas estão colocando os conteúdos das redes de cabo no celular, para acesso aos guias de programação, controle dos dispositivos de gravação à distância, alerta sobre eventos que começaram ou vão começar, compra de produtos e outras funcionalidades comuns”, diz Thigpen. “Por que estamos fazendo essa jointventure? Porque a lógica do assinante pede para que nós simplifiquemos as coisas para ele. Só por isso”, diz John Garcia, presidente e CEO da jointventure e executivo da Sprint.

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Nos EUA, competição com teles não assusta

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futuro da televisão como ela é conhecida hoje parece estar se mostrando uma preocupação maior para as empresas de TV por assinatura nos EUA do que a competição com as empresas de telefonia, por exemplo, que por lá (ao contrário do Brasil) estão muito agressivas em suas estratégias para oferta de serviços de vídeo. Também lá, como aqui, o centro da discussão está no plano regulatório: as teles querem ter licenças mais amplas, para regiões, estados ou mesmo para todo o país — coisa que as empresas de cabo não têm —. Kyle McSlarrow, presidente da NCTA, a associação nacional de operadores, foi quem deu o recado. “Apoiamos qualquer mudança de regra que leve a uma desregulamentação do mercado, desde que isso se aplique a nós e aos nossos competidores de forma isonômica”. A NCTA promete manter a briga com as teles, “sem deixar de responder a nenhum ataque ou a nenhuma campanha negativa”. Para David Fellows, CTO da Comcast, “as teles não estão trazendo a fibra até a casa do assinante. Eles estão trazendo uma fibra até algum lugar e depois entrando na casa do assinante com cabo coaxial. E é exatamente isso que as empresas de cabo fazem”, diz. Interessante notar que, nos EUA, nenhuma das grandes operadoras de cabo sequer considera o risco de competição por redes ADSL. “Acho que hoje as operadoras de cabo têm uma rede muito melhor do que a rede das teles simplesmente porque a nossa rede existe, e a deles ainda não. Claro que você deve levar a sério alguém que tem bilhões para gastar e que vai investir em infraestrutura, mas o que quer que eles façam, nós teremos condições de

McSlarrow, da NCTA: “Apoiamos a desregulamentação, desde que se aplique a todos de forma isonômica”.

fazer”, diz Mike LaJoie, da Time Warner. “A nossa rede de cabos foi destruída pelo Katrina em New Orleans. Tivemos que refazê-la do zero, e estudamos todas as arquiteturas possíveis, para fazê-la no estado da arte. E sabe o que descobrimos? Que uma rede HFC (fibra e cabo coaxial) seria o ideal sob todos os aspectos”, diz Chris Bowick, CTO da Cox. Outro tema central para as empresas de cabo nos EUA e que está distante da realidade brasileira é o da neutralidade das redes. Lá, quem entrega a maior parte da banda larga do país são as redes de cabo (25 milhões de assinantes, de um total de 40 milhões). Com o crescimento dos serviços baseados em redes banda larga, como os de VoIP e portais que oferecem download de conteúdos, a questão da neutralidade tornou-se central, ou seja, se as redes banda larga devem se comportar da mesma maneira para os diferentes serviços ou não. “Na minha opinião, isso é impossível, porque tecnicamente temos que garantir determinadas qualidades em serviços que vendemos, e isso vai significar que a rede não será igual para todos”, diz LaJoie, da Time Warner. “Internet é 34

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um mundo de coisas sem dono que trafega por redes privadas. Não tem como querer ser neutro”. A questão da neutralidade está diretamente ligada à competição que as próprias empresas de TV a cabo estão criando no mercado de voz. Elas têm hoje apenas 5,6 milhões de assinantes, mas crescendo a taxas altíssimas. O que tem chamado a atenção dos operadores é o percentual de fidelidade que os serviços de telefonia adicionam. Para empresas de cabo, o churn (desligamento de assinantes) tende a cair 45% com a adição do serviço de voz. As teles têm respondido aos serviços de voz competitivos por parte das operadoras de cabo de forma lenta. “A impressão que dá é que as teles só acordam quando chegamos a um percentual incômodo de mercado”, diz David Pugliese, diretor de telefonia da Cox. Mas a maior parte das operadoras de cabo nos EUA não tem aberto mão de dar aos seus serviços de voz mais qualidade no tráfego de dados. Isso tem gerado protestos por empresas que usam as redes de banda larga das operadoras para trafegar seus serviços, como a Vonage e outras operadoras. Elas argumentam que a rede precisa ser neutra. “Não concordo que a rede tenha que ser neutra. Eu não estou bloqueando serviço nenhum. Só estou dando ao meu serviço uma qualidade maior quando ele trafega na minha rede, e isso é justo”, diz Mark Sakalowsky, da Comcast. Aliás, na sessão de abertura do terceiro e último dia do evento, Glenn Britt, CEO da Time Warner, também abordou o tema da neutralidade da rede. “Acho que quando se discute essa questão da neutralidade se esquece que alguém investiu muito na rede para que os serviços trafeguem. E é justo que quem investiu busque remunerar esse investimento. Oferecer diferentes níveis de serviço é uma forma nova e promissora”.


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Edianez Parente

FOtoS: divulgação

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Saiu o canal de novelas... em Israel

Ivan Zimmermann, Juarez Soares e José Isar

Vem de onde menos se espera um canal que tinha tudo para ter sido inventado no Brasil, mas que até hoje, por motivos não muito claros, não se viabilizou no País: uma emissora só de telenovelas. Aquilo que o Brasil — e em especial a TV Globo — faz de melhor na TV virou matéria-prima para um canal com 24 horas diárias de teledramaturgia feito em Israel. O nome do canal é “Viva”, e quem o vende é a programadora Dori Media Group. Segundo seu CEO e presidente, Nadav Palti, o canal é um sucesso tanto no mercado israelense quanto em outros países. A Dori aproveita os baixos custos locais e produz na Argentina também formatos de novelas, como “Rebelde” e “Floribella” - depois vende os formatos para o resto do mundo, inclusive para o próprio Brasil. O canal começa a ser vendido nos sistemas de TV paga da Ásia — já estreou na Indonésia e em breve chega à Malásia. Há duas produções da Globo incluídas no canal de novelas da Dori: “O Clone” e “Laços de Família”. A empresa fez um contrato de quatro anos com a Globo, para o fornecimento anual de duas novelas. O valor da negociação é significativo: US$ 500 mil/ano. Em tempo: a Dori Media também é dona de um canal inusitado, a Baby TV, destinada a uma audiência de até três anos de idade!

Desafio ao Galo Um programa antigo, clássico nas manhãs de domingo na TV Record, está de volta à TV. Trata-se do “Desafio ao Galo”, programa dominical com o melhor do pior, que são os jogos de times de várzea em campeonato em São Paulo. O evento, pra lá cult e onde a palavra “raça” no futebol é levada ao pé da letra, é agora comentado por Juarez Soares e José Isar, e tem narração do ex-ESPN Ivan Zimmermann. Tudo isso na TV da Gente (canal 24 UHF em São Paulo e 19 UHF em Fortaleza/CE), a emissora capitaneada pelo empresário e cantor Netinho de Paula.

Cultura internacional

Falta de elenco

No segundo semestre - a data esperada é o mês de outubro-, a Cultura planeja lançar seu sinal internacional, como já oferecem as TVs Globo e Record. O canal busca o apetitoso filão dos brasileiros residentes no exterior e pretende ser um canal para os sistemas de TV por assinatura. A Cultura pode levar ao exterior a maior parte da sua programação, que é feita in house. O nome do canal deve ser mesmo TV Cultura Internacional, e vai transmitir principalmente a programação própria de música, jornalismo e infantis. 36

Priscila Fantin

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É corrente no mercado a escassez de atores por conta da quantidade de novelas feitas atualmente pelas redes Globo, Record, SBT e também Bandeirantes. É também sabido que a Globo tem segurado em contrato suas principais estrelas para não perdê-las para a concorrência. Mas percebe-se que a repetição dos melhores atores, que atuam nas novelas em intervalos cada vez mais curtos, atrapalha um negócio crescente das emissoras dos Marinho: a exportação de telenovelas. Por exemplo, ficou difícil pra a Globo promover no mercado externo as novas vendas como “Mad Maria” e “Belíssima” com trailers, pois ambas têm Tony Ramos no núcleo central. O mesmo ocorre com Reynaldo Gianechinni, que está em “Belíssima” e em “Da Cor do Pecado”. O jeito foi tirar os astros do vídeo promocional. O fato se repete com a mocinha de “Alma Gêmea” e de “Mad Maria”, Priscila Fantin (foto).

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Super Cult Enganou-se quem pensou que os clássicos iriam ficar de fora desde que o Telecine Cult substituiu o antigo Telecine Classic. Daqui até o final do ano, “O Morro dos Ventos Uivantes” (1939) e “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” estréiam na programação do canal. Também um clássico mais recente, com Marlon Brando e Maria Schneider, “O Último Tango em Paris” (1972) estará em cartaz na grade. Da série filmes cultuados vêm “Arizona Nunca Mais” (1987, dos Irmãos Coen) e “Os Deuses Devem estar Loucos” (1980). As musas Marilyn Monroe e Audrey Hepburn ganham seus próprios festivais, bem como Charlie Chaplin (com “O Circo”, “Luzes da Cidade”, “O Grande

Ditador”, “Luzes da Ribalta”, entre outros). Haverá ainda o Festival François Truffaut (com “Beijos Roubados”, “Domicílio Conjugal”, “Os Pivetes”, “Atirem no Pianista”, entre outros).“O Bebê de Rosemary”, “Mamãezinha Querida” e “Alcatraz, Fuga Impossível” também poderão ser revistos. Também o Telecine Cult dá a chance de rever títulos mais novos, como “Carne Trêmula”, (de Pedro Almodóvar), “Dançando no Escuro” (de Lars Von Trier), “Amor à Flor da Pele” (de Kar Wai Wong) e “Dolls” (Takeshi Kitano). Dos inéditos há: “O Segredo de Vera Drake” (Mike Leigh), “Exílios” (Tony Gatlif), “Clean” (Olivier Assayas), “Free Zone” (Amos Gitai), “Reis e Rainhas” (Arnaud Desplechin) e “Sophie Scholl” (de Marc Rothemund, indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2006).

? Você sabia que: A Climatempo (canal de TV, site, programa de rádio, Internet, celular etc) ampliou tanto sua atuação que precisou de nova sede? As novas instalações do grupo incluem estúdios e ficam na Vila Mariana, em São Paulo. oDepois de virar um canal praticamente dedicado aos reality shows, a nova investida do People+Arts é na seara dos seriados? O canal busca no mercado atrações do gênero para sua grade. nUm dos principais lançamentos do ano em seriados é o remake de “Miami Vice”? O seriado chega via estúdios NBCUniversal.

100 milhões verão TV aberta no celular

oO canal dedicado à country music nos Estados Unidos, o CMT, também terá seu próprio canal broadband? Será o Loaded, cujo forte serão os vídeos musicais.

Para quem vive e trabalha com TV, é bom estar atento às projeções. Por exemplo, o estudo “Mobile TV for Marketers”, da e-marketer, concluiu que em 2009 nada menos que 100 milhões de usuários de telefone celular terão acesso a conteúdos de TV, pagos ou gratuitos, na telinha. Confira a estimativa, ano a ano (em milhões de assinantes): Assinantes 3G que... ... vêem vídeo no celular ... pagam por vídeos tipo premium no celular ... vêem TV aberta no celular

2006 44,5 6,0 4,2

2007 114,2 18,5 13,9

2008 225,3 43,8 35,0

2009 520,9 125,5 100,8

nAs janelas de exibição estão mesmo cada vez menores? Ficam mais curtos os intervalos entre o lançamento de um filme, com sua estréia no cinema, até as mídias subseqüentes. Para se ter uma idéia, “Crash”,o vencedor do Oscar de 2006 de melhor filme (e também de roteiro original e de montagem), por exemplo, voltou ao cartaz em 17 de fevereiro nos cinemas. E em 31 de março o DVD já chegou às videolocadoras. Mesmo assim, atraiu 400 mil pagantes às salas.

Caravana esportiva Fruto de uma aliança entre a ESPN Brasil e a Unicef, o programa “Caravana do Esporte” vai viajar, em nove meses, por mais de 17 cidades. O programa foi o melhor de 2005 na categoria esportes para a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Nomes como Sócrates, Lars Grael, Patrícia Medrado, Ana Moser, Jackie Silva, Flávio Honorato e Danielle Zangrando participam do projeto, bem como uma série de empresas privadas, parceiras da iniciativa. Semanalmente, reportagens mostram por onde anda a caravana, que ganha no canal ao final de cada mês um programa especial.

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(audiência - TV paga) J

Multishow lidera alcance entre adultos

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canais, nesse segmento, apresentaram um alcance diário médio de 53,9%, ou 2,3 milhões de pessoas/dia, e um tempo médio diário de audiência de duas horas e 12 minutos. Entre o público infanto-juvenil (dos 4 aos 17 anos), o Multishow também assumiu a terceira colocação em alcance, atrás de Cartoon e Nickelodeon, ao longo do dia. Nesta faixa de público, o levantamento, feito nas mesmas praças, considera o total de indivíduos de No Multishow, o 4 a 17 anos com TV por assinatura apresentador Fábio Júdice ent(997 mil indivíduos). Os canais revista Iran, integrante do “Big tiveram um alcance diário médio Brother Brasil 6”. de 62,4%, ou 622 mil pessoas/dia Alegre e Brasília), e considera o total de junto ao público infanto-juvenil, e um indivíduos de 18 anos e mais com TV por tempo médio diário de audiência de assinatura (4,3 milhões de indivíduos). Os duas horas e 31 minutos.

FOto: divulgação

al como acontecera nos anos anteriores em virtude do fenômeno “Big Brother Brasil” (atração que apresentou em horário diferente ao da TV Globo), o Multishow assumiu o topo do ranking de alcance da TV paga no mês de fevereiro, entre o público adulto (com 18 anos ou mais), ao longo das 24 horas do dia. Assim, o canal de variedades da Globosat passou o líder do segmento há quase um ano, o canal de filmes TNT. Em terceiro lugar, permanece o Universal Channel, também da Globosat. Os dados são do Ibope Mídia, nas praças onde há medicação dos canais de TV por assinatura (Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto

alcance e tempo médio diário 

Total Canais Pagos Multishow TNT Universal Channel Warner Channel Globo News AXN Sportv Fox Discovery Sony Cartoon Network National Geographic GNT Telecine Premium Nickelodeon People + Arts HBO ESPN Boomerang ESPN Brasil

De 4 a 17 anos* 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 53,9 2329 2:12:15 14,7 635 0:23:52 14,5 627 0:25:21 10,4 449 0:28:53 10,3 443 0:30:33 10,0 430 0:31:01 9,9 428 0:20:53 9,4 405 0:31:16 9,3 402 0:20:36 9,3 402 0:23:20 9,1 393 0:23:30 8,3 359 0:31:26 8,0 344 0:19:05 7,7 332 0:13:44 7,4 322 0:26:55 6,8 292 0:25:16 6,5 283 0:19:20 6,2 270 0:31:13 6,0 260 0:19:05 4,9 212 0:34:28 4,9 212 0:24:36

*Universo 4.321.300 indivíduos

Total Canais Pagos Cartoon Network Nickelodeon Multishow Jetix Discovery Kids TNT Disney Channel Boomerang Fox AXN Universal Channel Discovery Sportv Warner Channel Sony National Geographic Telecine Premium People + Arts ESPN Globo News *Universo 997.400mil indivíduos

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(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 62,4 622 2:31:28 29,4 294 0:54:17 23,5 234 0:49:58 15,9 159 0:29:58 13,6 135 0:59:42 12,5 124 1:09:50 11,3 113 0:24:34 9,8 98 1:06:20 9,7 97 0:49:22 7,1 71 0:22:54 6,8 68 0:14:18 6,7 67 0:24:53 6,7 67 0:15:22 6,7 67 0:23:28 6,3 63 0:30:22 5,5 54 0:15:40 5,3 53 0:16:19 5,0 50 0:35:21 4,9 49 0:21:00 4,8 47 0:17:51 4,3 43 0:13:33

Fonte: Ibope Telereport - tabela minuto a minuto - fevereiro/2006

Acima de 18 anos*


N達o disponivel


( making of )

Lizandra de Almeida

l i z a n d r a @ t e l a v i v a . c o m . b r

fotos: divulgação

Mundos conectados

Cada personagem e sua ambientação foi criado por um designer diferente, com uma técnica de animação, o que gerou diferentes “mundos” no filme.

P

ara reunir os estudantes de programação de computadores de todo o mundo, a Microsoft criou a comunidade virtual The Spoke (www.thespoke.net). A divulgação da comunidade acontece só na Internet, e para isso a empresa encomendou um filme que será exibido no site junto com outras ações. O trabalho foi desenvolvido pelas equipes das produtoras Canvas 24p, Cinema Animadores e Calangomotion, que criaram juntas o conceito do filme. “No início pensamos em alguma coisa high-tech, 3D, mas conforme fomos elaborando, começamos a humanizar o filme, pensar em quem seria esse programador. São pessoas normais, de carne e osso. Nossa proposta, então, foi

a de fazer uma nova leitura, misturando várias técnicas de animação, a partir do que seriam as idéias dos programadores”, explica o diretor Wiland Pinsdorf. A idéia desenvolvida pelo grupo, então, foi a de cinco programadores, de cuja cabeça sai um mundo particular de idéias, que se articula com os demais mundos. “É como se a câmera saísse da cabeça de cada personagem”, conta o diretor de animação Daniel Zante. “Criamos um mundo urbano, outro espacial, de videogame, um místico, um feminino e outro de natureza.” Para isso, a produtora de animação reuniu quatro designers/ilustradores que criaram layouts iniciais para definir a “cara” de cada mundo. São ilustrações estáticas, mas formadas por múltiplos layers, que serviram de referência inicial. “A partir daí fomos tirando as pequenas imagens dos layers e animando, 40

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criando uma composição totalmente diferente do que era o desenho original”, diz Daniel. A imagem dos programadores é também totalmente diferente do estilo de desenho dos mundos. “Pensamos que os personagens são pessoas comuns, cada um com seu mundo próprio de idéias. Apesar de trabalha­rem com programação, números, coisas técnicas, cada um tem seu estilo e faz as coisas de seu jeito, com a sua criativi­dade.” Foram desenhados por Renato Blaschi, que é escultor e desenha a figura humana de forma realista. “É o típico desenho de observação, a lápis. Cada modelo foi feito três vezes, mas não são cópias. Assim, quando sobrepomos os três, conseguimos uma animação tremida, por causa das diferenças entre um desenho e outro.” Cada um dos designers tem um estilo. Vanessa Lobo é detalhista e cria formas abstratas e orgânicas. Daniel Zante e Diogo Mangiacavalli fizeram imagens 3D. E Diego Salvador, especialista em animação no After Effects, criou o mundo urbano a partir de fotos e interferências em ilustração. Todos os elementos foram animados no After Effects.

ficha técnica Cliente Produto Título Produtora Direção Produtora de Animação Dir. de Animação Designers essa convidados Coordenação Pós-produção

Microsoft The Spoke Conectando Mundos Canvas 24p Wiland Pinsdorf Núcleo de Animação Cinema Animadores e Calangomotion Daniel Zante Renato Blaschi, VanLobo, Diego Salvador e Diogo Mangiacavalli Sílvia Prado e Mariana Brasil Núcleo de Animação Cinema Animadores e Calangomotion


O melhor do mar

A

maior exportadora de pescados do país, sediada em Recife, estreou em mídia televisiva em março, com este filme institucional criado para impulsionar as vendas na Semana Santa. “A empresa tem uma grande fatia do mercado do Nordeste e agora está entrando com força no Sul e Sudeste”, explica o diretor de criação João Henrique Souza. O desafio da criação era o de criar uma campanha com o mesmo apelo familiar dos filmes de Natal, em função da data religiosa, mas com um tom “mais alto astral”. “Resolvemos fazer um videoclipe, com mais descontração e alegria. E o grande trunfo da criação foi que conseguimos associar o slogan da empresa — o melhor do mar — com a música ‘Eu Só Quero Amar’, de Tim Maia. A métrica é perfeita, então foi só criar a paródia”, conta João Henrique. A partir daí, a produtora de som fez o novo arranjo. O filme mostra uma família na cozinha, preparando peixes e camarões, e cenas na Praia dos Carneiros, a pouco mais de 100 quilômetros de Recife. “É uma praia para onde ia sempre e que achava muito cinematográfica”, diz o diretor Eric Laurence. Definida a praia, ainda era preciso encontrar uma cozinha que servisse de locação nas proximidades. “Queríamos uma casa que fosse perto da locação, porque só tínhamos duas diárias e os deslocamentos sempre causam transtornos. Sempre prefiro fazer em locação, porque tem uma ambiência diferente do estúdio”, continua o diretor. “Aproveitávamos o sol da manhã e nos horários ruins de luz e marés, fazíamos as cenas internas”, completa a produtora Isabela Cribari. O diretor foi pessoalmente

O maior achado da locação foi uma casa na praia com uma cozinha onde couberam os atores e a equipe, dispensando a construção do cenário.

procurar a locação, pois a cozinha tinha de ser ao mesmo tempo bonita e ampla o suficiente para acomodar o equipamento de câmera. “Gosto de sentir o lugar e às vezes não dá para ter a real dimensão do espaço a partir de fotos. Nesse caso, conseguimos encontrar a cozinha perfeita, o fogão está de frente para o mar”, explica. “Mudamos tudo na cozinha, geladeira, fogão, precisamos desmontar algumas coisas para entrar com a câmera, mas não haveria um espaço mais adequado”, diz Isabela. São poucos os filmes comerciais produzidos em Recife em película, mas a equipe comemorou a possibilidade de usar Super 16 nesse trabalho. “Como o filme é um clipe, precisávamos de mobilidade para filmar na praia. Muitas cenas foram feitas com câmera na mão”, explica Eric. Uma dessas cenas é a que mostra uma garota sobre um barco, cortando o mar. “Pensamos inicialmente em filmar lateralmente, a partir de outro barco, com um CamMate, mas a lateral do barco no qual a menina estava deitada estava com a pintura ruim, então decidimos fazer um ângulo de cima. O fotógrafo ficou em pé no barco, com a câmera na mão”, conta.

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ficha técnica Cliente Produtora Agência Dir. de criação Criação Direção Fotografia Produção Dir. de arte Montagem Produtora de animação Pós-produção Trilha

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Netuno Pescados Set Produções MakPlan João Henrique Souza João Henrique Souza Eric Laurence Roberto Iuri Isabela Cribari Giu Calife Marcelo Barreto Ateliê Link Digital Onomatopéia/ Carlinhos Borges


( artigo )

Gustavo Dahl*

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foto: arquivo

Tela Vivíssima 1

- Abertura clássica Seis estúdios cinematográficos de Hollywood, Disney excetuado, anunciaram no dia 3 de abril de 2006 que passariam a vender, a partir do site Internet Movielink, versões digitais de sucessos recentes, algo entre vinte e trinta dólares de preço, os quais poderão ser gravados em DVD. É o coroamento oficial de um fenômeno em curso, a circulação de conteúdos audiovisuais pela rede mundial. No século XIV, Gutenberg, comprimindo caracteres em moldes de madeira que podiam associar-se livremente para compor páginas, e daí o livro, revolucionou o fluxo informacional da época. Possibilitando que os centros de produção de saber trocassem entre si o conhecimento produzido através da transportabilidade do livro, desencadeou uma revolução que só tem paralelo na invenção da escrita cuneiforme, na antiga Mesopotâmia (4000 AC). Em cinco mil anos o elo que vai do pythecantropus ao homus erectus, posteriormente sapiens, avançou mais do que nos cinqüenta mil anos precedentes. Impossível deixar de anotar que a espécie humana se definiu a partir da sua sabedoria, essencialmente capacidade de armazenar e processar informação. Números e caracteres configuram um estado de conhecimento abstrato, racional; imagem e som se plantam no nível do concreto, da sensação libidinal. Apreendidos pelos sentidos, dispensam a representação, estão aí, da sein, como dizia Heidegger. Sexo e sol são para todos. Sons e imagens também. A verdade é concreta e o futuro, a partir da rede, nova biblioteca de Alexandria, é autodidata. Conhecimento em liberdade, indisciplinado, ilimitado.

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* Diretor-presidente da Agencia Nacional do Cinema.

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A reconquista Quinze anos é uma eternidade. Na medida que o cotidiano é cada vez mais recheado de signos, o

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tempo se perde. É uma paisagem que escorre da janela de um trem em movimento (apud Virílio). Onde estávamos nós, há três lustros atrás? Ninguém se lembra. Qual foi o deputado em que cada um votou para o Congresso Constituinte? Aquele que fez a “cidadã” que nos rege desde 1988, com o brilhante resultado que se vê. 1991 é igual ao que? A ministra Zélia Cardoso de Mello passando do jurista Bernardo Cabral ao comediante Chico Anísio? A lei Rouanet para compensar a extinção do Concine e da Embrafilme? Collor camiseteando que “o tempo é senhor da razão”? Logo em seguida, Itamar Franco é beijado na boca por Norma Bengell e enfia goela adentro do Ministério da Fazenda a Lei do Audiovisual. Carla Camurati transforma um filme extremamente pessoal, “Carlota Joaquina”, na pedra angular da retomada. Tão importante quanto a qualidade do filme é a capacidade que teve de distribuí-lo de forma artesanal, como fazia Ronaldo Lupo com suas comédias. O sucesso individual, numa indústria movida a expectativa, provoca um novo slogan, “a retomada”. Fábio Barreto oportunamente corre atrás, vende a troca de casais, “swing” de imigrantes na serra gaúcha. É só sexo e amizade. Renasce o cinema brasileiro, na comunicação com o público.

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Democratização e desprofissionalização A Lei do Audiovisual tinha como objetivo acabar com o fisiologismo embrafílmico, onde o diretor-geral dispunha sobre a chuva numa ou noutra horta. Na modernização da agenda excluía-se a participação do Estado, alegada


como fisiológica, ideológica, acredita que só o Estado resolve. clientelista, em favor da intervenção A regulação, que tenta mediar a livre operacional da iniciativa privada. concorrência com a intervenção do Com a dedução de 125% sobre o Estado, se assemelha à necessidade de imposto de renda a pagar, até o conjugar a lei da selva com a harmonia limite de 3%, a escolha das esferas celestiais. dos projetos foi parar A utopia luterana de A introdução antes na área financeira moderação, poupança, de um produto das empresas, em valorização do trabalho seguida na área de terminou no consumo inteiramente marketing institucional. subsidiado (95%) compulsivo, na Ambas desinteressadas competitividade feroz, num mercado no resultado do filme, na eugenia da altamente na sua presença no sucessocracia, no competitivo mercado. Como disse endividamento para a é uma i uma vez um investidor ilusão de riqueza. No atacado de franqueza: nconseqüência Brasil, Gisele Bündchen “com o mesmo econômica. Mas vende sandálias dinheiro eu fazia um havaianas turbinadas, é mais fácil show do Roberto Carlos “pauvre chic”, e os pivetes sustentar a no Maracanã, servia assaltam para terem tênis uísque escocês e ainda produção do que Nike, fabricados a salários intervir no transmitia ao vivo de fome na Tailândia. e a cores para A imposição da marca mercado, televisão aberta”. pela publicidade equivale encarando 80% do custo de venda. A saída foram as a distribuição das aInflação é isso aí. estatais, a Petrobras e “majors” o BNDES, que queiram e a televisão O novo mundo ou não, têm que pagar aberta. É nesta antiimposto de renda. A introdução de um sociedade que se produto inteiramente insere a atividade subsidiado (95%) num mercado audiovisual. O binômio televisão/ altamente competitivo é uma publicidade sacraliza o consumo inconseqüência econômica. Mas é generalizado. Como diz qualquer “falcão”, mais fácil sustentar a produção do “quem não tem motinha não pega que intervir no mercado, encarando ninguém”, nem mesmo com uma arma a distribuição das “majors” e a na cintura. É evidente que a regulação televisão aberta. Politicamente sai tem que garantir o espaço para uma produção envolvida com o mais barato. processo de desenvolvimento nacional. Como dizia há tempos Fernando Regulação é a solução Barbosa Lima: “Dois minutos de verdade Os horríveis anos oitenta, no antes do Jornal Nacional, mudariam dizer de Bernardo Bertolucci, o país em dois anos”. Cadê a televisão foram sucedidos pelos estatal, as redes educativas, as emissoras piores 90, em que o Consenso públicas, os canais universitários? de Washington pregava o fim da Chafurdam na pobreza medíocre História. Não deu certo, e pelo menos enquanto a televisão aberta elege o na América Latina seus artífices estão próximo presidente da República. É a tendo que encarar a ascensão da televisão uma concessão do Estado ou o esquerda, democraticamente eleita. Estado uma concessão da televisão? Lula, Kirchner, Chaves, Bachelet, A condução política da proposta de Evo Morales, quem sabe Obrador criação da Ancinav desperdiçou uma e outros. O tiro no Estado saiu pela oportunidade, mas o bode permanece culatra. Mas também ninguém mais

dentro da sala. Há um cadáver insepulto, gritando que a compreensão do papel social da televisão mudava o país. A opinião pública não pode ser manipulada exclusivamente a partir de uma lógica empresarial privada. A mídia controla a sociedade, a política tem que ser telegênica, mas a opinião pública (este monstro moderno) não tem condições de enfrentar os agentes que a conformaram. É o big brother brasil. O ícone da justiça é a balança, equilíbrio entre os contrários, o bom senso consentido, o comércio justo, a regulação. Isto é: a democracia mundial audiovisual. O Império intangível que superou a posse territorial, dirigido a corações e mentes, reordenado multilateralmente. Free trade ou fair trade, esta é a questão. Tupy or not tupy, como queria Oswald de Andrade.

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Conclusão apressada Há quinze anos a mídia impressa não tratava de questões de comunicação. Quinze anos depois é possível que a indústria de conteúdos, em si mesmo uma economia de redes, se misture à telemática (telefonia + informática), se substitua à indústria de produtos. A difusão do conteúdo por satélite, a tela de plasma, a intangibilidade da comunicação sem suporte, a distribuição solicitada por demanda, a obra suportada escolhida em bancas de jornais, livrarias, supermercados, com mobilidade ou entregue a domicílio, tudo isto já é o presente. O futuro é a incapacidade do Estado de controlar a pirataria, o tráfico de drogas, de animais silvestres, sexual, a pedofilia mundializada, a pirataria genética, o fim da propriedade intelectual, dos direitos autorais etc, etc, etc. Um admirável mundo novo no qual só há uma certeza: a tela vai ter que estar viva. Vivíssima.

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( upgrade ) por Fernando Lauterjung

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Novidades Sony

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ntre as novidades da Sony para este início de ano, que estão sendo apresentadas em Las Vegas, na NAB, entre os dias 24 e 27 de abril, estão as soluções baseadas no conceito “HD Highway”, focando nos diversos caminhos que podem ser utilizados para a migração de infra-estruturas SD para operações baseadas em HD. Em março de 2006, a Sony complementou a linha de equipamentos XDCAM com a versão HD, que inclui duas camcorders, PDWF350 e PDW-F330, e dois decks: PDWF70 e PDW-F30. As duas camcorders oferecem captação no modo progressivo em 23.98, gravando em 59.97 SD ou HD e função slow shutter. O modelo PDW-F350 oferece ainda recurso de gravação a uma taxa de

No sentido horário a partir do alto à esquerda: HVR-M25N, novo VTR com recursos HDV; camcorder PDW-F330; deck PDW-F70; gravador/player de campo PDW-R1; e sistema de arquivo PDJ-A640.

quadros variável (slow-motion/fast-motion/ time lapse). Os usuários podem gravar até duas horas de material em alta definição no mesmo formato de mídia, mantendo seu fluxo de trabalho, através da combinação dos benefícios do sistema XDCAM com a alta definição. Dois novos modelos foram acrescentados ainda à linha XDCAM SD: o sistema de arquivo PDJ-A640, incluindo uma robótica com capacidade para até 640 unidades que permite até 1,3 mil horas em discos ópticos, e o gravador/player de campo PDW-R1. Outra novidade é o modelo HDW44

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F900R, nova versão da camcorder voltada ao mercado de cinema. A sucessora da HDW-F900 agrega uma série de melhorias, como chassis mais compacto e leve, saídas HD-SDI, novas placas de acessórios para slow shutter, inversão de imagem e conversão do formato película para o formato vídeo por meio do processo “3:2 pull-down”. A HDW-F900R apresenta três CCDs de 2.2 megapixel, DSP de 12 bits e conta com o recurso opcional de cache de vídeo da série de camcorders HDW730/750 da Sony. Outro lançamento, a HDC-3300, é voltado para transmissão de eventos esportivos, pois permite efeitos de câmera lenta com velocidade de captação três vezes superior (1080/180i) e resolução HD total. O novo sistema gera simultaneamente sinais de saída com velocidade normal para informação ao vivo através de um processamento separado de sinal digital. Já a linha HDV traz dois lançamentos: HVR-M25N e HVR-M15N, novos VTRs com recursos de gravação e reprodução HDV1080i, DVCAM e DV SP, que proporcionam uma fácil migração de produções padrão para produções de alta definição. Ambos são compatíveis com fitas DV de tamanho mini e de tamanho padrão, que possibilitam mais de quatro horas de gravação HDV. Além disso, ambos os equipamentos contam com função de conversão de HD para SD e podem funcionar tanto em 60 Hz quanto em 50 Hz (NTSC/PAL). Outros recursos importantes são a capacidade de copiar timecode externo através do recurso “HDV/DV em TC” e uma gama de opções de conectividade, entre elas a interface digital i.LINK (IEEE1394, ou FireWire), saída de vídeo componente, entrada/saída S-Vídeo, entrada/saída composta e entrada/ saída de áudio analógico.


Visão perfeita

A

Fujinon apresentou este mês um novo produto para a linha de lentes teles HD. A nova XA66x9.3ESM preenche um vazio entre o modelo mais longo, XA72x9.3ESM, e o curto HA42x9.7ERD. Voltada principalmente para aplicações em campo, como esportes indoor, produções e igrejas etc, a XA66x9.3ESM tem distância focal de 9,3 a 615 mm (x1) e 18,6 a 1230 mm (x2), e distância mínima para foco de 2,7 metros. A abertura máxima é de 1:1.7 (9,3 a 325 mm) e 1:3.2 (615 mm). O equipamento oferece ainda algumas novidades, como controles digitais e função macro opcional. Outra novidade da Fujinon é um conjunto de três lentes desenhadas especificamente para as câmeras HD da família XDCAM HD, da Sony. Os modelos HS16x4.6ERM, XS13x3.3RM e XS17x5.5RM são voltados às câmeras com chip de meia polegada. A HS16x4.6ERM conta com distância focal de 4,6 a 74 mm e, com o uso do extensor já incluído, 9,2 a 148 mm. Já a XS13x3.3RM é uma super grande angular (3,3 a 43 mm) desenhada para mercados de produção que exijam um “olhar mais criativo”. A XS17x5.5RM (5,5 a 94 mm) se destaca pela sua abertura: 1:1.7 (94 mm). As novas teleobjetivas para HD da Fujinon são voltadas principalmente para aplicações em campo.


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mentários, Recife, PE. Tel.: (81) 3423-6434. E-mail: marcosenrique@recife.pe.gov.br 22 a 24 VIII Congresso Mineiro de Radiodifusão e VIII Exposição Nacional de Equipamentos para Emissoras de Rádio, Televisão e Novas Tecnologias, Belo Horizonte, Minas Gerais. Tel.: (31) 3274-5700. Web: www.amirt.com.br 30 a 11/06 11° Festival Brasileiro de Cinema Universitário, Niterói, RJ. Tel.: (21) 9236-9790. E-mail: info@fbcu.com.br. Web: www.fbcu.com.br

JUNHO 2 a 8 Cine Ceará — Festival Nacional de Cinema e Vídeo, Fortaleza, CE. Tel.: (85) 4009-7772/7773/7774. E-mail: festivalcineceara@festivalcineceara.com.br. 5 e 6 MITV - Mercado Internacional de Televisão e VII Fórum Brasil de Pro-

gramação e Produção. O evento é um marco onde as empresas podem não apenas se apresentar e trocar informações entre si, mas também receber seus parceiros internacionais e promover o Brasil e a América Latina como um pólo diferenciado de exportação de conteúdos. O evento terá pitchings (apresentação de projetos), screenings, sessões de 30 minutos com pessoas-chave dos mais importantes canais de TV dos EUA, Canadá e Europa e forte presença de convidados internacionais. Centro de Exposições Frei Caneca, em São Paulo. Informações: (11) 3120-2351, pelo e-mail info@convergeeventos.com.br ou no site www. convergeeventos.com.br. 6 a 11 8ª Edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental — FICA. Tel: (62) 3225-3436 / 3223-1313. E-mail: prodnacional@fica.art.br. Web: www.fica.art.br.

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Tela Viva 159 - Abril 2006  
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