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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 16_#170_abr2007

adeus...

Com o Sistema Brasileiro de TV Digital finalmente normatizado, emissoras marcam início das transmissões para dezembro. É o começo do fim da TV analógica no Brasil.

mercado DTH da Telefônica esquenta briga pela TV por assinatura

programação JB TV estréia com modelo baseado em produção independente


N達o disponivel


Foto: marcelo kahn

(editorial ) Diretor e Editor Diretor Editorial Diretor Editorial Diretor Comercial Diretor Financeiro Diretor de Marketing�

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TV pública, o debate

Redação� Daniele Frederico� Lizandra de Almeida (Colaboradora)� Rodrigo Sabatini (Colaborador) Sucursal Brasília

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debate em torno da criação de uma rede pública de televisão não é novo. Já existe, de maneira mais ou menos consistente, desde o ano passado. A novidade é que os fatos do último mês (declarações do ministro Hélio Costa, artigos na imprensa etc) expuseram como as diferentes áreas do governo, cada uma cuidando de um pedaço do setor de comunicações, não se falam e não se articulam em torno de um projeto comum. Nem mesmo o presidente Lula estava inteirado sobre os trabalhos que já vinham sendo desenvolvidos para um sistema público (o Fórum Nacional da TV Pública, articulado pelo Ministério da Cultura), e por isso “encomendou” a Hélio Costa um estudo nesse sentido, que também se esqueceu de avisar o Fórum, a Radiobrás, o MinC e todos que já estavam trabalhando no tema. Deu no que deu. Agora, o projeto está na mão do novo secretário (com status de ministro) de Comunicação Social do governo, Franklin Martins. Sua missão não será simples. O primeiro passo que o governo precisa dar é decidir se vai criar uma rede estatal ou não. Isso significa dizer se será uma empresa pertencente à União, como é a Radiobrás, ou se será um modelo de fundação. O segundo passo, e mais importante, é definir o que se pretende com essa rede e de que forma ela será financiada e gerida. Concordamos que o Brasil precisa de uma rede pública decente de comunicação (não apenas com televisão, mas também com o rádio e com Internet). Uma rede focada em cultura, educação e informação, sem as amarras dos padrões de mercado que ditam a briga pela audiência, mas ao mesmo tempo sem afugentar o público. Um pólo para desenvolvimento de formatos e talentos, para escoamento de produção independente, para programas educacionais e para conteúdos informativos mais aprofundados é necessário e não existe no Brasil em caráter nacional, ainda que isoladamente algumas das redes educativas, canais de interesse público na TV por assinatura e a própria Radiobrás já prestem esse serviço. Mas uma rede como essa só vive com financiamento consistente e perene. Por isso não pode estar submetida apenas ao orçamento do Estado. E aí é que se faz necessário o trabalho de planejamento. Quem financia? Uma taxa pública (como faz a BBC, cujos fundos nem passam pelo Tesouro britânico)? Contribuição das redes comerciais? Filantropia? Venda de publicidade (como faz a TV Cultura)? Dotação orçamentária? Um pouco de cada? E a gestão, como seria? Não adianta ficar discutindo o projeto editorial, como têm feito a imprensa e o governo, antes de decidir estas pendências. É positivo que o debate esteja colocado, mas ele precisa ser concluído com método, prazo e objetivo, sob o risco de se tornar mais uma das idéias não executadas ou executadas apenas para atender interesses pontuais que tanto caracterizam o setor de comunicação social no Brasil.

ilustração de capa: Ricardo bardal

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Ano16 _170_ abr/07

(índice )

TV Digital

14

ISDTV está pronto. Transmissões começam em 2 de dezembro

Scanner Figuras Mercado

6 10 20

Política

24

No Ar Audiência Televisão

26 30 32

Programação

34

Making Of Produção

36 38

Infra-estrutura

40

Evento

44

Tecnologia

48

Upgrade Agenda

50 54

Telefônica leva DTH, Oi perde a WayTV, e disputa embola na TV paga

(

)

40

cartas

Web 2.0 Fiquei entusiasmado e decepcionado ao mesmo tempo em ler na matéria “Desafio 2.0” (TELA VIVA nº169) o que publicitários estão pensando sobre a Web 2.0. É importante que eles já tenham percebido que agora quem faz o conteúdo é o usuário, mas falta saber como a publicidade vai poder utilizar esse mundo de novas tecnologias e de redes sociais que conquistam os usuários com tanta rapidez. Será que é possível utilizar de forma efetiva essas novas ferramentas para a publicidade? Me parece que o usuário 2.0 não quer saber de propaganda. Então me pergunto: será que hotsites, ações em comunicadores instantâneos e a criação de comunidades em redes como o Orkut, por exemplo, tem conseguido mesmo conquistar os usuários dessa nova geração da Web? Ricardo Rodrigues, Porto Alegre, RS

TV pública do Minicom: mais dúvidas que soluções

Globo reafirma liderança na publicidade e na audiência 48

JB TV estréia com produção independente

Discovery aposta em conteúdos locais A reestruturação da CTAv

Idade Achei interessante a reportagem sobre a classificação indicativa com vários lados ouvidos. Mas é curiosa a posição das redes abertas. Como assim achar que criança até 10 anos é igual a crianças de 12 anos? Deborah Ferreira, Vitória, ES

Seminário discute o futuro da televisão O que esperar da NAB 2007 50

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@

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( scanner ) Do usuário para a televisão

RETIFICAÇÃO

fotos: divulgação

A Abril está preparando seu acordo de venda da TVA para canal de conteúdos gerados por a Telefônica, onde se estabelusuários, como parte do projeto eceu por contrato a distribuição de desenvolver canais para os destes canais. De qualquer diversos meios por assinatura (TV forma, os canais da Abril já estão paga, banda larga etc). A idéia é sendo oferecidos no mercado, convergir um portal de conteúinclusive para a Net Brasil. dos, nos moldes do YouTube, A expectativa é de que os com um canal de televisão. E mais: canais estejam no mercado até dar aos usuários mais criativos o meio do ano. Ambos os canais a possibilidade de colocar seus (assim como a MTV) estarão sob André Mantovani “programas” na a responsabilidade da divisão grade do canal convencional, comandada por André Mantovani, mas inclusive com suporte de estúdio ao contrário da MTV, não terão a Viacom e produção profissionais. como acionista. Além deste, a Abril investe em Quem assumirá a diretoria de comum canal dirigido a executivos, com proercialização e marketing dos canais será gramação voltada ao desenvolvimen­to Ricardo Rihan, ex-diretor de programação profissional e gestão empresarial. da Sky e que, anteriormente, dirigia a Net A estratégia decorre inclusive do Brasil.

Raio-X da TV por Assinatura no Brasil No organograma de canais do Pôster “Raio-X da TV por Assinatura no Brasil”, encartado na revista TELA VIVA de março (ed. 169), a composição correta dos controladores do canal TV Brasil, criado através de uma parceria entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, é Radiobrás (50%), Senado Federal (20%), Câmara dos Deputados (20%) e Supremo Tribunal Federal (10%). Já na tabela das operadoras com menos de 1% de participação de mercado, a composição correta dos sócios da Linsat Sistemas de Televisão e Dados S/C Ltda. é José Gilberto Pacheco Junior (50%) e Carlos Roberto Chaves (50%).

Marca aposta em conteúdo

foto: marcelo kahn

O principal projeto de divulgação da Coca-Cola este ano é um programa mensal ligado à música e voltado ao público jovem. Trata-se do “MTV Especial — Estúdio CocaCola”, realizado em parceria com a MTV, com direção de Lilian Amarante e Romi Atarashi. O programa é o principal evento de música da marca de refrigerantes e terá a cada mês um encontro entre dois nomes da música. Para Luciana Feres, diretora de execução de marketing da Coca-Cola, o projeto é importante porque envolve a marca como co-realizadora e não apenas uma patrocinadora. Zico Góes, diretor de programação da MTV, diz que toda a produção e execução são da emissora. Após a exibição na TV, que terá veiculação normal de breakes de publicidade, o programa estará disponível no site da Coca-Cola, ao lado de uma série de outros conteúdos.

Web 2.0 Na edição de março (169), na página 16, foi publicada a foto de André Bianchi, do Grupo Estado no Abel Reis lugar da foto de Abel Reis, da Agência Click. A foto correta de Abel Reis é a que está ao lado. Classificação educativa Sobre a reportagem da classificação indicativa, publicada na edição de março (169), o Ministério da Justiça esclarece que a TV paga não está obrigada a seguir as regras sobre adequação entre faixa etária e horário de exibição, dados seus mecanismos próprios de controle de acesso. No entanto, as regras da portaria n º 264 sobre indicação de faixa etária valem para todos os canais, inclusive da TV por assinatura.

Lenine e Marcelo D2: atrações do “MTV Especial - Estúdio Coca-Cola”.



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Família Fininvest Depois de um ano de planejamento e produção, está no ar a família Fininvest, série de personagens que pontuam as campanhas em todas as mídias da companhia financeira. Os bonecos foram criados pela produtora Cinema Animadores, que contratou Rogério Matua e Mariana Caltabiano para dar vida aos personagens. Rogério desenvolveu os bonecos em látex, enquanto a redatora Mariana criou as personalidades de cada membro dessa família. “Para testar a credibilidade dos personagens — pai, mãe, filho e avô — chamamos atores que desenvolveram a linguagem corporal de cada um deles”, explica a produtora Silvia Prado, da Cinema Animadores. Depois de modelados em argila, foram moldados em látex e pintados. Por baixo, uma estrutura eletrônica, com controle remoto, dá vida aos olhos e expressões deles.


Comercial repaginado

Equipe da Maria Bonita Coisas, divisão de conteúdo e novas mídias da Maria Bonita Filmes

Com tudo no conteúdo A Maria Bonita Filmes anunciou em março a criação de sua divisão de conteúdo, entretenimento e novas mídias, a Maria Bonita Coisas. A nova unidade ganhou uma área de 200 metros quadrados recém-construída na sede da produtora, além de equipamentos para produção em alta definição. Fazem parte da equipe de diretores MC Fernandes, que tem passagem por canais de TV da aberta e por assinatura; Paulo Machline, de “Uma História de Futebol”; Lawrence Tan, especialista na criação de personagens 3D; Peu Lima, que passou pelo SBT, Disney, TV Cultura e GNT; e Daniel Santos, que atuará na transformação de shows e peças de teatro em DVDs. Estão ainda na equipe os executivos Wagner Messerlian La-Bella, o Waguinho; Mari Brasil; e Diana Barradas. Na criação estão Aza Pinho e João Vicente Castro. Entre os títulos da produtora estão o programa “Me Poupe”, exibido no GNT e criado e produzido por Peu Lima, e outros em formatação e desenvolvimento. Para a revista Trip, a Maria Bonita Coisas realizou um programa com as entrevistas da seção “Páginas Negras” da revista, veiculado no site da publicação. A produtora desenvolve ainda o piloto do seriado de ficção “100 Fundos”, com direção de MC Fernandes. Ainda em 2007 deve ser rodado o longa-metragem “Natimorto”, o primeiro de Paulo Machline. Trata-se de uma coprodução com a RT Features baseada no livro homônimo de Lourenço Mutarelli.

O programa Comercial & Cia, produzido de maneira independente por uma equipe própria há quatro anos, terá a partir de agora a co-produção da Estação 8. “Temos a equipe, mas precisávamos de uma produtora que além de ter uma boa estrutura, entendesse as tendências”, diz Roger Garcia, diretor do programa. Dentro da Estação 8, o projeto faz parte do recém-criado Núcleo de Desenvolvimento de Projetos e Conteúdos Diferenciados. Entre as novidades do Comercial & Cia, estão dois novos quadros, que envolverão a discussão da publicidade em outras mídias além da televisão. Além dos novos quadros, o novo Comercial & Cia terá cenários, apresentadora e trilha novos. Segundo Garcia, haverá uma mudança de linguagem, para que o programa seja mais atraente para os jovens. Patrocinado pelo mercado publicitário — agências e anunciantes — o programa já passou por três emissoras: Rede 21, Rede TV! e Bandeirantes. A estréia do novo Comercial & Cia acontece na primeira quinzena de abril.

Eva Todor, entrevistada do programa “Chegados”.

É platina O DVD “Tetra”, produzido pela Bossa Nova Films para a comemoração do tetracampeonato do São Paulo no Campeonato Brasileiro de Futebol, conquistou o certificado de Platina, pelas 50 mil unidades produzidas e comercializadas. O prêmio é concedido pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPO). O time de diretores do projeto é encabeçado por Willy Biondani e Paulo Gama, e conta ainda com Giuliano Saade, Walter Carvalho e Jaime Queiroz. A Bossa Nova também deu início à filmagem da série “Chegados”, vencedora da última edição do pitching do Canal Futura. Com direção de Paula Cosenza, Gisela Camara e Tuca Paoli, a série conta histórias de pessoas famosas e anônimas, descendentes de diversas culturas, que tiveram que se reciclar para fazerem suas vidas no Brasil. A exibição de “Chegados”, que conta com 13 episódios, será semanal, com estréia marcada para maio.

Os melhores documentários

“Elevado 3.5”, melhor documentário brasileiro no festival É Tudo Verdade.

O filme “Elevado 3.5”, de João Sodré, Maíra Bühler e Paulo Pastorelo, levou o principal prêmio do 12° É Tudo Verdade — Festival Internacional de Documentários, em cerimônia realizada em 31 de março. O filme foi eleito o melhor documentário da competição brasileira de longa e média-metragem. O documentário levou o Prêmio CPFL Energia/É Tudo Verdade “Janela para o Contemporâneo”, no valor de R$ 100 mil. Na categoria internacional o grande vencedor foi “Manhã no Mar”, de Ines Thomsen (Alemanha/Espanha), que levou prêmio no valor de R$ 15 mil. Entre os curtas metragens na disputa — onze internacionais e oito nacionais — foram premiados “Capistrano no Quilo”, de Firmino Holanda, na competição brasileira, e “Meus Olhos”, de Erlend E. Mo, da Dinamarca, na internacional. Ambos receberam o Troféu É Tudo Verdade e R$ 6 mil em prêmios.

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( scanner ) Rá Tim Bum para o mundo

Outra das 20h30

O canal TV Rá Tim Bum terá seus conteúdos distribuídos no exterior pela Castalia Communication Corporation - que representa, entre outros, canais como a BBC World em diversos mercados. O contrato foi assinado em março pelo presidente da Fundação Padre Anchieta, Marcos Mendonça, e pelo presidente da Castalia, Luis Torres-Bohl. O canal, que espera até o meio do ano atingir a marca do primeiro milhão de assinantes na TV por assinatura brasileira, visa inicialmente o mercado dos Estados Unidos e posteriormente África, Ásia e Europa.

A Record estreou em março a sua nova novela da faixa das 20h30, “Luz do Sol”, de Ana Maria Moretzsohn, com direção de Ivan Zettel. A produção, locada no Rio de Janeiro e litoral norte do Estado, além dos estúdios do complexo carioca da emissora (RecNov), está orçada em Us$ 70 mil por capítulo: são previstos 180 episódios da novela, que conta com grande elenco — são 60 personagens. O diretor Luma Costa e Bárbara do núcleo de Alvarez, dramaturgia da na nova novela Record, Hiran da Record Silveira, conta que, 30 meses após a inauguração deste núcleo e na sua oitava produção de novelas desta fase, a Record já mobiliza nos estúdios do Rio de Janeiro dois mil profissionais/dia — 1,3 mil são funcionários da casa. A emissora, que já consegue produzir quatro telenovelas de forma simultânea, tem 36 câmeras e ganha em maio mais dois estúdios, no complexo RecNov.

fotos: divulgação

Brasileiros on-demand Agora é possível conferir filmes brasileiros como “Boleiros 2 — Vencedores e Vencidos” e “Latitude Zero” no site norte-americano de vídeo-on-demand Jaman (www.jaman.com). O site possibilita alugar e comprar filmes online, além de oferecer uma comunidade para discutir os títulos, seus diretores e temas relacionados ao mundo cinematográfico. Entre os primeiros títulos nacionais negociados estão o longa de ficção “Vida de Menina” e os documentários “A Pessoa é Para o que Nasce” e “Caparaó”.

Cotidiano em stop motion O Seguro Auto Itaú ganhou uma campanha da DM9DDB que alinha a seguradora à identidade de comunicação da marca Itaú. Com cenas cotidianas, como perda de chaves, pneu furado, carro enguiçado, os dois filmes produzidos em stop motion pela AD Studio mostram como essas situações são resolvidas pelos serviços 24 horas que o Seguro Auto Itaú oferece. O filme tem direção de Jarbas Agnelli. A criação ficou a cargo de Keke Toledo, Caio Mattoso, Frederico Saldanha, Marcelo Camargo, Guilherme Nóbrega e Mariana Valladares.

Novo mecanismo para o audiovisual Criado para substituir o mecanismo para fomento em cinema do Artigo 25 da Lei Rouanet, o Artigo 1°-A da Lei do Audiovisual foi regulamentado pela Ancine. A agência publicou em março a Instrução Normativa nº 59, que altera e introduz o mecanismo do artigo. Podem captar recursos incentivados por meio do novo mecanismo produtoras independentes para projetos de longa, média e curtametragem; telefilme; minissérie; obra seriada; e programa para televisão de caráter educativo e cultural. Regras Pela Instrução Normativa, o limite máximo de aporte de recursos por projeto usando os incentivos previstos nos artigos 1º e 1º-A da Lei do Audiovisual, somados, é de R$ 4 milhões. A grande novidade é que volta a taxa de remuneração dos serviços de gerenciamento e execução do projeto. O Tribunal de Contas da União, no acórdão 1630/2004, publicado no Diário Oficial em 29 de outubro de 2004, proibiu a inclusão da 

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taxa de administração no orçamento de projetos cinematográficos e audiovisuais. Com a publicação da lei 11.437/2006, que criou o Fundo Setorial do Audiovisual e o Artigo 1º-A, entre outros mecanismos, a taxa passou a ter respaldo legal. Assim, as empresas produtoras brasileiras podem receber, como taxa de remuneração, no máximo 10% do total aprovado, na forma do art. 12, da Lei n° 11.437/2006. Em relação à taxa de agenciamento de projetos, fica instituído o limite máximo de 10% do valor autorizado para captação de recursos incentivados, para os projetos a serem autorizados pelos mecanismos previstos na Lei Rouanet e no Artigo 1º-A da Lei do Audiovisual. Todavia, fica vedado o pagamento da taxa de agenciamento para captações de recursos provenientes de editais ou qualquer outro mecanismo de seleção pública, incluindo programas internacionais com participação do Ministério da Cultura e Ancine, ou realizada por empresas estatais de qualquer entidade federativa.

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Especialista em finalização O sócio e diretor da produtora Black Maria, Afonso Poyart, lançou em março a Mary Post, finalizadora e estúdio de animação. “Percebemos a demanda do mercado e decidimos lançar uma empresa especializada”, diz. A empresa nasce com foco principal na animação, 3D, motion graphics e composição. A Mary Post recebeu investimento inicial em equipamentos e infra-estrutura de cerca de R$ 500 mil. Entre as aquisições, estão o sistema de finalização Smoke HD, um render farm com dez computadores, e novas estações de 3D e animação. A equipe, formada por cerca de dez pessoas, conta com Patrick Haraguti (ex-Pix Post e Mega) e Chrissie Tavares (ex-Mega). Os trabalhos antes realizados pela divisão de pós-produção da Black Maria foram passados para a Mary Post.

Aproximação galega A Galícia, uma das províncias espanholas que mais investe no audiovisual naquele país, é agora uma possível parceira para o Brasil nessa área. Com o objetivo de estimular as parcerias de co-produção e distribuição em cinema entre os dois países, foi realizado em março, em São Paulo, o Primeiro Encontro de Audiovisual Brasil-Galícia. O evento contou com seminário, encontros individuais entre empresas da indústria audiovisual galega e brasileira, e a assinatura de um acordo de intenções para o estabelecimento de um programa de cooperação cinematográfica entre os dois países. No seminário, Mara Gutiérrez Andrés, da Agapi, associação de produtores independentes da Galícia, apresentou as vantagens para os brasileiros em co-produzir com a Galícia. Segundo ela, os galegos contam mecanismos de incentivo da região, da Espanha, do Ibermedia e da União Européia.

Conexão Itália A companhia aérea Tam aposta na Internet para divulgar seu novo vôo diário para Milão (Itália). Criada pela agência Lov, a campanha conta com banners e um hotsite, ambos com temas italianos. O personagem principal da ação é o Sr. Alfredo Giannetti, que representa o dono de um legítimo restaurante milanês. Os vídeos do site foram produzidos pela Estação 8, com direção de César Netto. A criação é de André Levy, Rodolfo Barreto, Fernando Motta, André Piva e Leonardo Giannetti.


(figuras )

Quadro a quadro

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Foto: divulgação

e existe uma pessoa que acompanhou o desenvolvimento do cinema de animação brasileiro nos últimos 20 anos, essa pessoa atende pelo nome de Babá. Joaquim Eufrasino Neto é assim conhecido no Centro Técnico-Audiovisual (CTAv), que funciona no Rio de Janeiro, hoje ligado diretamente ao Ministério da Cultura. Responsável pela mesa de table-top, participa de todas as produções de animação ligadas ao CTAv. Babá chegou ao Rio de Janeiro em 1971, vindo de Guaraciaba do Norte, no Ceará. Com 14 anos, foi o terceiro irmão a chegar e na chegada fez de tudo. Trabalhou numa pensão, foi balconista, mas nunca pensou que faria alguma coisa parecida com o que se tornou sua carreira. Em 1974, começou a trabalhar na Zoom Cinematográfica, empresa de Nei Sroulevich, que também tinha uma agência fotográfica e uma editora. Entrou na área de produção e participou de vários filmes, incluindo “A Queda”, de Ruy Guerra, “Se Segura, Malandro”, de Hugo Carvana, e “Um Homem Célebre”, de Miguel Farias. Saiu de lá para trabalhar na Embrafilme, em 1978, que funcionava no mesmo endereço da Avenida Brasil onde hoje está o CTAv. Na Embrafilme, continuou fazendo produção, inclusive

joaquim eufrasino neto núcleo de animação brasileiro, que muito rapidamente produziria filmes premiados em vários festivais. Foi a partir de 1990 que assumiu a parte de trucagem em animação. Quando fazia produção jamais imaginei que fosse fazer esse tipo de trabalho, que é muito mais solitário. Sempre trabalhei com pessoas, hoje trabalho com desenhos e

Quando fazia produção jamais imaginei que fosse fazer esse tipo de trabalho, que é muito mais solitário. Sempre trabalhei com pessoas, hoje trabalho com desenhos e bonecos de massa sintética. do programa “Coisas Nossas”, que era exibido às quartas-feiras pela TVE. O CTAv foi criado em 1985, época em que foi firmado convênio com o National Film Board, do Canadá, para o intercâmbio e a promoção da produção de animação e curtasmetragens. Dali surgiu o primeiro

bonecos de massa sintética... São trabalhos totalmente diferentes, o de hoje exige muito mais concentração. Se a gente erra, tem de fazer tudo de novo. Hoje acho isso muito mais gostoso. Até quando o filme é mudo a gente consegue passar a emoção pela animação. Mas a trucagem não é um trabalho artístico, exige muito 10

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cálculo e muitas invenções, porque os equipamentos têm suas limitações. São só quatro réguas e às vezes o filme tem mais camadas, então vamos trocando os cenários. Recentemente, Babá estreou do outro lado da câmera. Fui ator coadjuvante num filme do André Sampaio, que está em fase de montagem. No filme, intitulado “Tira o óculos e recolhe o homem”, Babá vive Ed Élson, um cantor brega dos anos 70. Instalado no Rio há tanto tempo, onde vive hoje com a esposa e um filho, Babá considera que sua vida está estruturada. Já foi convidado para voltar ao Ceará, para trabalhar na Casa Amarela, mas comentou com o diretor Wolney Oliveira: Ah, deixa ficar onde estou... (Lizandra de Almeida)


FotoS: divulgação

Criativo retorna à casa A SM Comunicação Full Brain investe na criação, contratando Marcio Franco para atuar novamente na agência. O criativo volta a integrar a equipe da vice-presidente de criação, Jane Ciambelli, após quatro anos de sua saída da agência. Franco chega para assumir o cargo de diretor de criação, o mesmo que ocupou na Power e, mais recentemente, na Bullet.

Brasileiros no júri

Novidades no atendimento

Os diretores da O2 Filmes Rodrigo Meirelles e Heitor Dhalia são os mais novos integrantes do júri do Webby Awards, prêmio internacional concedido aos melhores da Internet. Ambos fazem parte da Iadas (The Internacional Academy of Digital Arts & Sciences), organização da qual também fazem parte os brasileiros Ricardo Figueira, da Agência Click, e Fábio Simões, da F/Nazca, entre outros.

A produtora Kardman Audiovisual contratou a profissional Carolina Freitas para reforçar o departamento de atendimento. Com o produtor executivo e sócio proprietário César Nakae, Carolina reestrutura a produtora e inicia um trabalho de prospecção de novos clientes e projetos maiores. A profissional chega à produtora após passagem pela Casa de Vídeo.

Diretoria comercial

Terceira gestão O Grupo de Planejamento elegeu Ken Fujioka, da JWT Brasil, como presidente para a gestão do biênio 2007-2008. Com o objetivo de formar novos talentos, estimular o intercâmbio entre os planejadores e valorizar o profissão no mercado brasileiro, o Grupo chega a sua terceira gestão. Foram eleitos Pedro Cruz, da Matos Grey, como vice-presidente; David Laloum, diretor secretário; Sergio Katz, diretor financeiro; Daniel De Tomazo, diretor de desenvolvimento; os gestores de desenvolvimento Matthew Gladstone, Paula Gabriel, Isabel Nascimento, Joyce Moraes, e Mariane Maciel, como diretora de relacionamento; os gestores de relacionamento Rodrigo Maroni, Newton Nagumo, Ana Paula Barboza; e no conselho fiscal Jurandir Craveiro, Mari Zampol, Cecilia Novaes, Rita Almeida, Marina Campos e Marlene Bregmann.

A BBC Worldwide, braço comercial da BBC, nomeou Steve Macallister como diretor geral de vendas globais de televisão. Ele passa a se reportar ao conselheiro delegado John Smith e a participar da Junta Diretiva da BBC Worldwide. A partir de julho, quando assume o posto, Macallister terá entre as suas responsabilidades a comercialização em nível mundial da propriedade intelectual da BBC (que inclui mais de 40 mil horas de programação) e a gestão do evento comercial BBC Showcase, que acontece anualmente no Reino Unido. Antes de chegar à BBC Worldwide, Macallister foi o responsábel pela distribuição na Buena Vista International Television (BVITV-AP), divisão de distribuição televisiva de Walt Disney.

Animação sob nova diretoria A Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) elegeu a sua nova diretoria, para um mandato de dois anos. Ale McHaddo é o novo presidente, e Mayra Lucas a vice. As diretorias ficaram a cargo de Arthur Nunes (comunicação), Márcio Morais (institucional governo/ associações de classe), Paulo Munhoz (instituições privadas/ empresas), Carlos Eduardo Nogueira (educacional/instituições acadêmicas), Guilherme Coutinho (financeira) e Luciana Druzina (eventos). Fazem parte do conselho: Arnaldo Galvão, Andrés Lieban, Marcos Magalhães, Marão e Chico Liberato. Segundo Ale McHaddo, o foco dos trabalhos da ABCA será a criação de conteúdo nacional, ou seja, filmes e séries. O novo presidente pretende dar continuidade aos projetos já existentes, como a busca por mais espaço para as produções brasileiras de animação na TV, mais opções para curtas experimentais nos editais, e um edital exclusivo para longa-metragem de animação. T el a

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Luiz Gini

Fotos: divulgação

Redação reforçada Reinaldo Martins é o novo redator da QG Propaganda. O criativo fará dupla com a diretora de arte Camila Miyamura na equipe dirigida por Marcello Droopy. Martins tem em sua trajetória passagens pela DM9DDB, Leo Burnett, F/Nazca e Fischer América, e atendimento a clientes como Fiat, AmBev, Vivo, Itaú Seguros, Philips, Henkel e Sebrae.

Rodolfo Sampaio

Agência contrata A agência DM9DDB, que completará 18 anos em setembro próximo, contratou o redator Rodolfo Sampaio para ocupar a vice-presidência de criação da agência. Ele forma dupla com o também VP de criação e diretor de arte Julio Andery, que até então trabalhava em parceria com o presidente da agência Sérgio Valente. O novo VP chega à agência após deixar o board mundial de criação da Publicis, agência da qual era vice-presidente no Brasil. Além dessa, Sampaio tem passagens pela Artplan, Young & Rubican e Contemporânea. A DM9DDB aposta também no departamento de mídia, com a contratação do diretor Luiz Gini para o cliente Ponto Frio. O diretor de mídia começou a sua carreira na Coca-Cola, de onde seguiu para a McCann, onde trabalhou até recentemente. Além desses, a agência ainda contratou Humberto Surian como diretor de contas. Ele fica responsável pelas contas de Guaraná Antarctica e Sukita. Surian chega da Borghi Ehr Lowe, com passagens ainda pela JWT, Grey, e a californiana Scheyer/SF.

Conselho renovado Foi eleito, em março, o novo conselho de administração da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). A presidência do conselho passa a ser exercida por Sérgio Loeb, da Semp Toshiba. Paulo Saab continua presidente-executivo da entidade. A vice-presidência da linha de imagem e som fica sob a responsabilidade de Paulo Ferraz, da Philips. Na vice-presidência da linha de portáteis, permanece Márcio Cunha, da Arno, enquanto a vice-presidência da linha branca passa a ser ocupada por José Aurélio Drumond, da Whirpool.

Novo gerente Adriano Chiavenato chega à Datamidia para assumir o cargo de gerente de planejamento da agência. Ele será responsável pela a conta da Fiat com a diretora Tatiana Mazza. Chiavenato iniciou sua trajetória profissional em 1994, com atuação em gestão de projetos de marketing direto, marketing de relacionamento e fidelização de clientes em empresas como Pirelli, Bradesco e Prefeitura de São Paulo. Ele foi também sócio e co-fundador da SuperDireta, agência especializada em marketing de relacionamento.

Vendas para três canais Emilia Peña é a nova vice-presidente de vendas publicitárias dos canais A&E, The History Channel e The Biography Channel, este último recém-lançado na América Latina. Com 12 anos de experiência em vendas publicitárias na TV por assinatura, a profissional trabalhou para MTV, VH1 e Nickelodeon Latin America, responsável não só pela estratégia de vendas para os três canais na América Latina, mas também pela supervisão de novos negócios. Emilia também atuou em empresas como USA Networks, Gems, Fox e Telemundo.

Consultoria internacional O ex-presidente do National Film Board do Canadá, Jacques Bensimon, foi contratado como consultor internacional da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão (ABPI-TV). Com 40 anos de experiência no mercado audiovisual, Bensimon sugere que antes mesmo de pensar em estratégias para o mercado externo, a ABPI-TV precisa estar “em ordem” nacionalmente, com a criação de uma massa crítica de talentos, pessoas e fundos para a produção. Segundo o consultor, os primeiros passos a serem dados são: o desenvolvimento de uma estratégia concreta, a contratação de pessoas para trabalhar no projeto, e a consolidação da capacidade de responder às necessidades do mercado. Bensimon tem um plano de cinco anos junto à associação. Nesse período, o objetivo é tornar a ABPI-TV um player estruturado no Brasil e internacionalmente.

Mudanças em todas as áreas Zuza Tupinambá tem implementado uma série de mudanças na Ogilvy & Mather, unidade de publicidade da Ogilvy Brasil, desde que assumiu a presidência há seis meses. Entre as novidades, está a contratação do publicitário Amaury Bali Terçarolli (ex-Carillo Pastore Euro RSCG), para assumir o cargo de diretor de criação da agência, ao lado de Virgílio Neves e Martan Neto. Cada um comanda três duplas com foco no grupo de contas principal. Além da contratação, Tupinambá propõe mudanças na área de a criação — unificando a criação de todas as unidades do grupo — e nos departamentos de planejamento, atendimento e mídia. O planejamento, antes ligado ao atendimento, passa a atuar mais próximo ao departamento de criação. Já atendimento e mídia começam a trabalhar juntos para potencializar o trabalho de gestão das marcas. 12

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Zuza Tupinambá


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Fernando Lauterjung

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Tudo pronto Com as especificações das normas técnicas do ISDTV (novo nome do padrão brasileiro de TV digital), radiodifusores, governo e indústria de eletrônicos se dizem preparados para a grande estréia, ainda em 2007.

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ais uma etapa da transição para as transmissões digitais terrestres de TV foi vencida e, aparentemente, as primeiras transmissões comerciais realmente acontecem em dezembro deste ano. Mais especificamente, no dia 2, primeiro domingo do mês do Natal. As normas técnicas do ISDTV (International System for Digital TV), novo nome do Sistema Brasileiro de TV Digital, já estão compiladas. Estas normas são os parâmetros técnicos

que deverão ser observados pela indús­tria para a fabricação de equipamentos de transmissão e recepção. A canalização, pelo menos nas capitais e grandes cidades, também já está resolvida. Em evento organizado no final de março pela SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), fabricantes, radiodifusores e Anatel disseram-se preparados para a estréia dentro do cronograma. O evento foi marcado para que a classe técnica da televisão tivesse acesso às normas, que foram apresentadas pelo Fórum ISDTV, responsável pela criação de tais especificações. 14

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A data para o início das transmissões escolhida pelo governo foi dia 3 de dezembro, mas conforme afirmou Roberto Franco, presidente da SET e do ISDTV Fórum, “queremos estrear no primeiro domingo de dezembro”. Nesta data, as transmissões começam em São Paulo, e praticamente todas as geradoras da capital paulista assinaram o termo de consignação do canal digital. Apenas uma das onze geradoras, a TV Gospel, estava sem condições regulares para assinar o termo. A geradora ligada à Igreja Renascer está três anos atrasada para solicitar a renovação de sua outorga de geração de televisão para a capital paulista. Contudo, quando a emissora conseguir sua renovação, poderá solicitar a assinatura da consignação do canal digital. Há ainda duas outras geradoras da capital paulista com quem o Minicom deverá assinar um Termo de Ajuste de Conduta — TAC, como garantia de entrega de documentos que faltam para que se comprove a regularidade dessas emissoras. As geradoras de outras cidades podem começar a requerer o canal de consignação ao Ministério das Comunicações após 29 de junho de 2007, obedecendo às seguintes datas limites: • Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Rio de Janeiro e Salvador: até 30 de novembro de 2007; • Belém, Curitiba, Goiânia, Manaus, Porto Alegre e Recife: até 31 de março de 2008; • Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Maceió, Natal, São Luís e Teresina: até 31 de julho de 2008; • Aracaju, Boa Vista, Florianópolis,


Normatização Radiodifusores, ou pelo menos a área tecnológica da televisão brasileira, comemoraram no evento da SET a qualidade do padrão brasileiro de TV digital. Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da TV Globo, afirmou que o Brasil terá a “melhor TV digital do mundo”. Isso porque, segundo ele, como foi o último a ser normatizado, o padrão brasileiro pode contar com tecnologias que ainda não estavam maduras quando os três padrões internacionais foram definidos. Paulo Henrique Castro, engenheiro da Globo, foi o coordenador do grupo que estabeleceu as normas no ISDTV Fórum (associação que conta com 85 membros). Ele coordenou o trabalho de sete grupos, cada um com seu próprio coordenador.

Segundo o engenheiro, possibilidade do o Fórum trabalhou com chamado “uso social” a premissa de especificar da TV digital. apenas o necessário, A codificação de aproveitando-se do que já áudio e de vídeo é estava especificado pelo totalmente nova no padrão japonês. padrão brasileiro, Outra premissa usando o padrão importante foi a de H.264 (MPEG-4) em não deixar legado, ou diferentes níveis seja, garantir que os e perfis. Para a equipamentos lançados transmissão fixa, agora sejam compatíveis será usado o com o padrão mesmo que H.264 - HP@L4.0 este continue evoluindo. nos formatos Franco, da SET: esforço para Um bom exemplo de 480i, 480p, 720p e garantir a estréia no primeiro normatização sem legado domingo de dezembro. 1080i. Pensando é a própria TV analógica, no mercado que evolui ao longo dos anos sem internacional que possa vir a adotar prejudicar aqueles que não desejassem o padrão, optou-se por adotar não trocar de receptor. Um televisor apenas as taxas de quadros que fabricado na época do início das serão usadas no Brasil. Assim, o transmissões de TV no Brasil, na década padrão suporta as taxas de quadros de 50, ainda é capaz de receber os sinais 25, 30, 50 transmitidos hoje. Não será capaz de e 60 Hz (no Brasil serão usadas exibir imagens a cores e não contará apenas as de 30 e 60 Hz). com outros recursos mais avançados, Para receptores móveis, a como som estéreo, SAP, closed caption, codificação do vídeo será o H.264 BP@ mas ainda funcionará. L1.3. Já a compressão de áudio será O Fórum definiu sete normas, das MPEG-4 AAC a 48 kHz, nos perfis e quais algumas sofreram pouca alteração níveis AAC@L4 e HE-AAC@L4, sendo em relação às normas do que a primeira é padrão japonês, como é o para som estéreo e caso da modulação e uso a segunda para som do espectro, que tiveram 5.1. Paulo Henrique apenas que ser adequados Castro explicou que o às premissas do decreto uso do padrão Dolby 5820/2006, que implantou no sistema brasileiro a TV digital no Brasil. dependeria de um Pelo decreto, o padrão desenvolvimento de tem que possibilitar a seis meses, extrapolan­ transmissão digital em do o prazo para a alta definição (HDTV) pu­bli­cação das normas e em definição padrão e acarretando em (SDTV); transmissão digital investimentos maiores. simultânea para recepção Tanto para a fixa, móvel e portátil; e compressão de “Procuramos especificar vídeo, quanto para interatividade. a de áudio, o Fórum apenas o necessário, Inovações ainda negocia aproveitando o que São três as principais os royalties, mas, já existe no padrão inovações brasileiras no mesmo assim, japonês.” padrão: a codificação o padrão já está Paulo Henrique Castro, coordede áudio e vídeo, congelado com nador do grupo normatizador do o middleware e a estas tecnologias. ISDTV fotos: Tela Viva

Macapá, Palmas, Porto Velho, Rio Branco e Vitória: até 30 de novembro de 2008. As geradoras situadas nos demais municípios deverão fazer o requerimento entre 1º de outubro de 2007 e 31 de março de 2009; as retransmissoras situadas nas capitais dos estados e no Distrito Federal, até 30 de abril de 2009; e retransmissoras situadas nos demais municípios, até 30 de abril de 2011. Vale destacar que as retransmissoras só poderão transmitir digitalmente caso a geradora da programação também esteja digitalizada. A partir de junho de 2013 não serão mais outorgados canais analógicos e, em junho de 2016, o governo espera finalizar as transmissões analógicas. Ara Apkar Minassian, superintendente de serviços de comunicação de massa da Anatel, explica que o Plano Básico de Distribuição de Canais de TV Digital (PBTVD) contempla 1893 canais em 290 municípios e 306 localidades, atendendo uma população de 110 milhões. O que ultrapassar este plano deverá ser definido posteriormente.

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( capa) Outra novidade é o middleware Ginga. Segundo Luiz FATURAMENTO NAS ESTRELAS Fernando Gomes Soares, da PUCA indústria brasileira está pronta para entregar os receptores Rio, responsável pela especificação de TV digital no prazo esperado (com transmissões comerciais a partir do dia 2 de dezembro), graças “ao arrojo, coragem e um desta norma, o middleware pouco de irresponsabilidade” dos fabricantes. A declaração foi de nacional será compatível com Moris Arditti, vice-presidente da Gradiente, no evento promovido softwares desenvolvidos para pela SET. Isto porque a indústria, para ganhar tempo, começou a os middlewares dos padrões desenvolver alguns componentes para os receptores antes mesmo das normas técnicas estarem especificadas, uma forma de garantir internacionais, assim como a entrega no deadline. os softwares desenvolvidos Segundo o executivo, a expectativa é que a indústria fature em para o Ginga também rodarão dez anos, apenas com a venda de aparelhos para recepção fixa e Moris Arditti, da Gradiente nos internacionais. A grande celulares capazes de sintonizar o sinal da TV digital, R$ 18,5 bilhões. diferença é no uso memória e de processamento do sistema brasileiro, muito mais racional questão de empregar, foi necessária a que os modelos internacionais. criação de uma norma de segurança inteligência nas saídas analógicas, Segundo explicou o acadêmico, para ferramentas adicionais, como estas trabalharam apenas com os middlewares adotados nos cartões de segurança, mas que ainda as resoluções 480i ou 480p, três sistemas internacionais são não foi aprovada. Esta norma, segundo garantindo que o conteúdo não mais pesados, pois agregaram o acadêmico Marcelo Zuffo, do LSI/USP, será gravado em alta definição. diferentes linguagens de coordenador das normas de segurança, programação, muitas vezes permitirá que, no futuro, um cartão de Terminais duplicando funções. Isto teria identificação eletrônico, como um e-CPF, Para os receptores, foram sido necessário para que as permita o acesso a aplicações como edefinidos alguns requisitos mínimos linguagens suportassem os dois Banking, ou serviços da Receita Federal, e outros opcionais. Será mandatório, paradigmas da programação: uma por exemplo. evidentemente, suportar o formato linguagem procedural (quando Ainda no que se refere à segurança, de vídeo especificado para o o programador detalha o que outras duas normas foram especificadas. padrão nacional. Mas questões equipamento deve fazer passo a Uma delas é para a encriptação do como a possibilidade de upgrade passo, necessário para conseguir conteúdo transmitido. Contudo, automático são opcionais. Para os escrever softwares complexos) esta norma só será adotada caso receptores móveis (como laptops, e uma linguagem declarativa haja uma legislação específica em TVs para automóveis ou transporte (quando o programador diz relação a direitos autorais, podendo público etc), não é obrigatória a apenas qual é a intenção final ser desnecessária. A outra norma de existência de controles remotos do software, escrevendo assim segurança se refere às interfaces. Esta com suporte à interatividade. programas mais norma permitirá que Muitos destes dispositivos podem leves, mas também as pessoas assistam ter a interatividade controlada pelo mais limitados). ao conteúdo ao vivo usuário no próprio equipamento, O middleware conta com resolução máxima, com o uso de telas sensíveis a com facilidades mas que só possam toque, por exemplo. Em outros, para a especificação gravar com 480 linhas. as interatividade pode sequer ser de aspectos de Como a saída HDMI usada, como em telas em ônibus, interatividade, pode identificar que metrôs ou vagões de trem. Em sincronismo tipo de aparelho está equipamentos portáteis (handhelds, espaço-temporal de no outro lado do cabo, celulares etc), é mandatório o objetos de mídia, o set-top box poderá suporte ao codec H.264 BP@L1.3. adapta­bilidade e enviar um sinal digital Outra questão mandatória diz suporte a múltiplos em alta resolução (720p respeito à norma de multiplexação, dispositivos, ou 1080i) para um que deverá ser suportada por todos segundo o coorde­ monitor, ou, ao perceber os receptores. Por esta norma, a nador da norma. que está conectado numeração do canal é independente “O Brasil terá a Para que a TV a um dispositivo de de sua posição na canalização do melhor televisão digital digital possa ter o gravação, limitar o sinal espectro. Com isso, o canal digital do mundo.” caráter social que a 480i ou 480p. Como ocupará virtualmente o mesmo Fernando Bittencourt, o governo Lula fez não é possível ter tal número do canal analógico. Assim, da TV Globo

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constante­mente”, a TV Cultura de São afirmou Roberto Franco, Paulo, por exemplo, presidente do ISDTV poderá ser sintonizada Fórum. E o governo sempre no canal 2, partilha da opinião do tanto no receptor engenheiro. Segundo analógico quanto no o secretário de Política digital. O mesmo vale de Informática do para SBT (4), Globo Ministério de Ciência (5) etc, independente­ e Tecnologia, Augusto mente do canal César Gadelha, uma efetivamente utilizado missão brasileira para a transmissão de estava marcada para ir cada um. Os canais ao Japão na primeira serão usados com semana de abril. dois dígitos para Segundo Luis Fernando Soares, No encontro, entre designar diferentes da PUC-RJ, o Ginga será totalmente outras negociações, programações. compatível com os aplicativos internacionais. o MCT buscaria Assim, continuando junto aos japoneses no exemplo da TV um investimento de R$ 80 milhões Cultura, caso a emissora opte por para pesquisa na Brasil. Seria uma transmitir duas programações, a contrapartida ao montante, de primeira será sintonizada no receptor mesmo valor, que o país pretende digital através do canal 21, e a segunda investir, criando assim um fundo para através do canal 22. A norma também financiar novas pesquisas e “manter é responsável pela veiculação dos viva a mobilização nas universidades”, selos da classificação indicativa e pela que começou com as pesquisas do classificação do gênero do programa (foi padrão brasileiro. Gadelha diz que R$ usada a tabela do Ibope, já conhecida 40 milhões virão do FNDCT (Fundo dos radiodifusores). Nacional de Desenvolvimento Científico O canal de retorno poderá se dar e Tecnológico) e outros R$ 40 milhões por qualquer plataforma existente. virão do Funtel (Fundo Nacional de Os set-top boxes poderão ter portas Telecomunicações). Além disso, o MCT de rede Ethernet, modem telefônico, está criando um centro para coordenar ou ainda Wi-fi, GPRS, conforme os trabalhos dos consórcios de pesquisa. a opção do fabricante. Também “A participação tão aprofundada foram contempladas infra-estruturas da academia no desenvolvimento ainda por vir, já que as caixas da TV digital é inédita no mundo”, contarão com uma porta USB que comemorou o secretário do MCT. Até poderá receber um dis­positivo de o momento, o governo comunicação. gastou entre Assim, poderão ser R$ 12 milhões e conectados aos R$ 16 milhões no receptores futuros financiamento receptores Widas pesquisas. max, por exemplo, quando a tecnologia Exportação estiver implantada O Ministério das comercial­mente no Relações Exteriores País. segue uma estratégia de divulgação do padrão Evolução brasileiro em âmbito “O sistema de TV regional, na América do digital tem que ser Sul. Segundo Rodrigo como um organismo Carvalho, do Itamaraty: road show Alexandre Oliveira de vivo, evoluindo do padrão na América Latina.

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como será o isdtv Formato de vídeo H.264 - HP@L4.0, nos formatos 480i, 480p, 720p e 1080i e na taxas de quadros 25, 30, 50 e 60 Hz. Vídeo para dispositivos móveis H.264 BP@L1.3. Áudio MPEG-4 AACa 48 kHz, nos perfis e níveis AAC@L4 (estéreo) e HE-AAC@L4 (surround). Middleware Ginga — compatível com softwares desenvolvidos para os middlewares dos padrões internacionais, porém utilizando menos recursos do processador. Multiplexação Canalização virtual — a numeração do canal é independente de sua posição na canalização do espectro. Canal de retorno O canal de retorno poderá se dar por qualquer plataforma existente ou outras por vir, através de equipamento conectado à porta USB do terminal.

Carvalho, do Itamaraty, foram feitas várias visitas, em uma espécie de road show, aos países do continente para expor o padrão brasileiro. Segundo ele, Chile e Argentina aceitaram postergar suas decisões para analisar o padrão brasileiro, o que já seria uma grande vitória. Equador foi o que se mostrou mais favorável, já que o padrão se adequaria a todas as necessidades levantadas pelo país. Além disso, no Peru haverá um seminário para discutir o padrão brasileiro, enquanto a Colômbia se mostrou interessadas em questões sociais abordadas pelo ISDTV. A exportação do padrão ajudaria a derrubar o custo dos equipamentos, com o aumento de escala na fabricação dos receptores. Resta saber se o lobby brasileiro nos países vizinhos é tão forte e persistente quanto os lobistas dos padrões internacionais, já bem conhecidos da radiodifusão e da política brasileira.


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( mercado)

Samuel Possebon

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Tempos de guerra Pega fogo o debate sobre a entrada das teles no mercado de TV por assinatura. A Anatel liberou a Telefônica no DTH, mas vetou a Telemar no cabo, e a ABTA partiu para o ataque.

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Telefônica para entrar com É pouco para o padrão Net outorga própria no DTH. e Sky de base (acima de um Como se não bastassem milhão cada uma), mas é esses fatos, arma-se no mais do que a maior parte Congresso Nacional uma dos operadores do mercado tremenda tempestade tem hoje na média, e foram em relação às regras que assinantes conquistados pretendem reger esse em uma velocidade muito universo convergente em acima da média histórica que todas as empresas da indústria. fazem todos os serviços Com a obtenção da (ver box). sua própria licença de DTH, A autorização para a Telefônica calcula que que a Telefônica tenha até o final do ano estará Valente, da Telefônica: sinal seu próprio DTH, em presente em todo o estado verde para o DTH. si, não é um fato que de São Paulo, por meio da mude muito o cenário atual, até porque, nova operação ou também através dos desde o final de 2006, a tele já opera em serviços da TVA, ou até pela DTHi, de parceria com a DTHi. É uma operação que acordo com a região. Maurício Giusti, está começando a assustar, sobretudo os vice-presidente de regulamentação, pequenos e médios operadores de cabo e informa que a empresa ainda vai MMDS do interior paulista (onde a operação discutir com a DTHi o futuro da está mais presente), principalmente por parceria. conta dos valores dos pacotes. A própria “Começamos a parceira com o NeoTV (associação que representa boa parte intuito de adquirir experiência. Vamos destes pequenos operadores) já solicitou sentar para discutir, mas não fazemos aos canais esclarecimentos para tentar parceria para durar alguns meses”. entender se existe tratamento diferenciado Segundo o diretor-geral da empresa, em relação aos custos de programação ou se Stael Prata, a base de clientes deve a Telefônica está apenas vendendo barato triplicar até o final do ano. No contrato para ganhar mercado. O fato é que o serviço entre elas existe ainda a opção de Você TV, da Telefônica e da DTHi, já tem 70 compra da DTHi pela Telefônica. mil assinantes no Estado de São Paulo. Giusti informou também que a A. Telecom — subsidiária que prestará foto: divulgaçãõ

uem poderia prever que o casamento entre as empresas de telecomunicações e as de TV por assinatura, pregado por quase uma década, seria um processo tão conturbado? Depois do que se pode entender como um pedido de casamento, feito pelas teles no final do ano passado, com os movimentos da Telefônica entrando no mercado de DTH e comprando a TVA, e da Oi (nova denominação da Telemar), comprando a WayTV, veio o “não” do setor de TV por assinatura, ou pelo menos parte dele. A Telefônica finalmente conseguiu a sua licença de DTH, outorgada pela Anatel no mês de março, depois de uma negociação que gerou inclusive o compromisso de levar os canais do Legislativo, Judiciário e um canal voltado à educação. Ponto para as teles. Mas no mesmo mês, a Anatel vetou o pleito da Oi, o que acendeu a luz ama­rela para os planos da Telefônica de adquirir a TVA. Ponto para a ABTA, a principal associação setorial, que en­campou o combate às teles . E para completar, a mesma ABTA foi ao Cade protestar contra o ato de concentração referente à compra da TVA, e à Anatel, protestar contra a autorização dada à

a disputa pelo estado de são paulo Domicílios População Total A B CDE Total IPC* Na Região III (área de 41.188.541 798.936 3.607.044 7.005.363 12.064.451 29,8312 concessão da Telefônica Na cidade de São Paulo 10.996.703 299.294 1.108.206 1.740.990 3.297.959 9,63164 Nas cidades onde a Net/Vivax 12.957.561 277.431 1.264.223 2.204.663 3.821.973 9,88707 compete com a Telefônica (exceto São Paulo)***

Telefones Telefones Fixos Instalados** Fixos em Serviço** 13.670.373 12.584.718 4.829.975 4.442.148

4.540.267 4.071.373

Fonte: Atlas Brasileiro de Telecomunicações 2007, com base em dados da Anatel de setembro de 2006. * O Índice Potencial de Consumo (IPC) refere-se ao potencial de consumo dos municípios brasileiros, assumindo o potencial total igual a 100%. ** O total de acessos representa apenas o número de clientes da incumbent Telefônica *** A Net Serviços está em processo de incorporação da Vivax, operadora de cabo no interior paulista.

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o serviço de TV por DTH, conforme licença da Anatel - deverá se beneficiar dos acordos globais fechados com os canais internacionais pela Telefónica da Espanha para as operações de TV no Chile e Peru. Segundo o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, exibido no início de abril, a empresa irá expandir a cobertura do serviço de DTH para fora do Estado de São Paulo, mas não entrou em detalhes. Nenhum programador quer aparecer no meio da guerra entre teles e empresas de TV paga defendendo um lado ou o outro. Mas aqueles ou­ vidos informalmente estão animados com essa primeira investida para valer de uma tele sobre o segmento de TV paga, e apostam que a ampli­ ação de base será um bom argumento para que o governo permita a outras teles fazerem o mesmo.

Não é o que vai acontecer, se depender da ABTA. A associação, até aqui, não está apontando o dedo para questões de preço de pacotes nem condições comerciais que representem, diretamente, riscos à concorrência ou à sobrevivência dos operadores que vivem sob o footprint do satélite do serviço Você TV. Mas está, sim, acusando duramente a Telefônica de querer o monopólio das redes de distribuição para, com isso, eliminar a concorrência, sobretudo da Net, nos segmentos de banda larga e voz. E acusa em suas frentes: junto à Anatel, onde questiona a autorização de DTH (alegando que a agência deveria ter visto a questão sob o viés concorrencial) e no Cade, como veremos mais adiante. Revés Mas março não foi somente um mês bom para as teles em função do sinal verde para o DTH da Telefônica. Na semana seguinte, a Anatel negou à Oi a anuência prévia para a compra da operação de cabo da WayTV, em Minas Gerais. A decisão foi

unânime entre os conselheiros da agência e se baseou no fato de que a empresa que pleiteava a anuência ser uma controlada da Telemar que tem em seu contrato de concessão uma cláusula (14.1) que impede que a própria empresa, suas controladas, coligadas ou controladoras, operem o serviço de TV a cabo. A ABTA elogiou a decisão (à qual já havia manifestado sua oposição formal), mas o ministro Hélio Costa (Comunicações) e o senador Wellington Salgado (PMDB/MG, presidente da Comissão de Comunicação do Senado) manifestaram-se publicamente em tom crítico à Anatel, por ter autorizado uma “empresa estrangeira” (Telefônica) a operar DTH, mas negado a uma “empresa nacional” (Telemar) a entrada no segmento de TV a cabo. A Oi recorreu junto à Anatel, alegando que os pareceres técnicos foram favoráveis à anuência prévia. Essa decisão da Anatel trouxe

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( mercado) certa apreensão entre operadores que estavam sonhando em, encontrar uma tele fixa disposta a comprar seus assinantes. A WayTV conseguiu fazer um leilão de suas ações no final de julho de 2006, e a Telemar pagou R$ 132 milhões por elas. Com as teles na disputa pelas operações de cabo, sobretudo depois que a Telefônica ofertou um múltiplo de dez vezes o EBITDA para levar a TVA (segundo rumores de mercado), o mercado estava inflacionado. Operadores médios e grandes sonhavam em vender suas operações recebendo múltiplos de EBITDA na casa de uma dezena. Agora, o único comprador efetivo para estas operações é a Net Serviços, que paga metade do que as teles estavam dispostas a pagar. Também existe, segundo operadores ouvidos por este noticiário, uma leva de investidores financeiros disposta a entrar no Brasil para adquirir operações de cabo. Mas só entrarão se houver clareza regulatória sobre as possibilidades futuras de venda das empresas para as teles.

onda legislativa Tão antigo quanto o mantra de que as teles e as empresas de TV por assinatura um dia casariam (ou convergiriam) é o mantra de que é necessário uma revisão dos marcos regulatórios existentes. Tela Viva aborda esse assunto desde 1997, pelo menos. Fato novo é que finalmente a iniciativa de reformar o modelo partiu do Congresso. E com força total. Em apenas dois meses de 2007, três projetos de lei começaram a tramitar, buscando dar uma solução para o impasse regulatório para os setores convergentes. O primeiro apresentado foi o do deputado Paulo Bornhausen (DEM/SC), chamado de “projeto das teles” (PL 29/2007), que basicamente permite a qualquer empresa de telecomunicações produzir, programar e distribuir conteúdos, acaba com a limitação de capital estrangeiro para empresas de TV a cabo, abre o mercado de cabo a qualquer empresa e permite o uso de licenças de SCM e SMP para oferta de conteúdos audiovisuais, sem limitar o modelo de negócio. O segundo projeto, oposto ao de Bornhausen, é o PL 70/2007, do deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP), que restringe a oferta de conteúdos a empresas controladas por brasileiros, em qualquer meio, inclusive Internet. O terceiro projeto apresentado é o PL 332/2007, dos deputados Paulo Teixeira (PT/SP) e Walter Pinheiro (PT/BA). É um meio termo em relação aos outros dois: flexibiliza a prestação do que chama de serviços de comunicação social eletrônica de acesso condicionado, inclusive para empresas de telecomunicações, mas veda o monopólio ou oligopólio e dá à União o poder de impor limitações em nome do interesse público. O respeito aos preceitos constitucionais previstos no capítulo 221 e 222 também se aplica aos serviços de comunicação social eletrônica de acesso condicionado. De quebra, ainda obriga a transmissão de uma cota de conteúdos nacionais e independentes, seja em meios fechados ou na TV aberta. O problema deste projeto é que ele não estabelece o que acontece em relação à possibilidade dos atuais serviços por empresas de telecomunicações. Os três projetos tramitam juntos, todos apensados ao projeto do deputado Paulo Bornhausen, e a expectativa é que sejam votados ainda este ano, dada a pressão para que a tramitação seja rápida. O governo, contudo, não se manifestou em relação a nenhum deles.

Paulo, que é onde a TVA opera no Estado e onde, de acordo com a manifestação da ABTA, haveria concentração de meios, é estrategicamente relevante para a Telefônica. Representa cerca de 26,7% da população coberta pela tele, 27,3% dos domicílios (incluindo 37% dos domicílios classe A e 30% dos domicílios classe B), um terço do potencial de consumo do Estado e 36% das linhas em serviço que a Telefônica tem no Estado, segundo dados do Atlas Brasileiro de Telecomunicações. Por outro lado, a Telefônica, ao comprar a TVA, deixou de ter um concorrente com 5% do mercado de banda larga na cidade, de acordo com a própria ABTA (a Net tem 30% e o restante é da Telefônica), e 208 mil assinantes de TV por assinatura (contra 531 mil da Net na cidade). O total de assinantes de voz da TVA era pouco expressivo. O que a ABTA alega é que a TVA estava, antes da transação com a Telefônica, disposta a competir, e que esse ânimo certamente deixará de existir. Segundo Pedro Dutra, advogado da ABTA na disputa concorrencial travada no Cade, a Telefônica está se defendendo de uma expansão da Net sobre o mercado de voz, que vem no rastro da expansão da banda larga. “Serão cerca de 500 mil usuários de voz até o final do ano. O movimento da Telefônica ao tentar comprar a TVA é eliminar um concorrente, e não tem nada a ver com

Ataque direto O ataque mais forte do setor de TV por assinatura contra as teles, veio da ABTA, que decidiu ir ao Cade contra a oferta de compra, por parte da Telefônica, das operações de MMDS e cabo da TVA. A ABTA não acusa (ainda) a Telefônica de praticar preços subsidiados mas, sim, que a Telefônica pretenderia fechar o mercado, adquirindo todas as redes possíveis. É fato que, na cidade de São Paulo, caso efetive a compra da TVA, a Telefônica terá, além da rede de telefonia fixa, uma rede de cabos e fibras de 2,5 mil quilômetros servindo a 670 mil domicílios, e uma rede de MMDS que cobre toda a região metropolitana da capital. A rede de cabos da Net Serviços na cidade de São Paulo cobre 2,5 milhões de domicílios. A ABTA diz ao Cade que a Telefônica está, com a oferta de compra da TVA, eliminando um concorrente na banda larga e criando uma situação de monopólio das redes. A cidade de São 22

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televisão. O objetivo é destruir a Net”. A resposta mais enfática da Telefônica, até aqui, foi dada por seu presidente, Antônio Carlos Valente. Segundo ele, existe uma disputa feroz no segmento corporativo e no segmento empresarial, e que nas camadas mais abastadas do segmento residencial essa disputa também já estaria em curso. “A Telefônica só está sozinha nas classes C, D e E. E está sozinha porque são segmentos sem atratividade econômica, onde ninguém mais quer entrar”, diz Valente. Para Luiz Eduardo Baptista, presidente da Sky, que tem se mantido discreto, e até já fez parcerias com a Brasil Telecom e com a Telemar para a oferta combinada de serviços de TV por assinatura e banda larga, o grande problema da Telefônica é querer criar uma situação de fato antes de uma mudança na legislação. “Existe hoje uma discussão regulatória, que precisa ser concluída antes que as teles avancem no mercado de TV paga. Por enquanto, nosso entendimento é que elas não podem fazer isso”. Dessa maneira no mínimo conturbada é que as teles estão chegando ao setor de TV por assinatura. Se vão conseguir entrar efetivamente, ainda é cedo para dizer.


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( política )

Carlos Eduardo Zanatta

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TV o quê? Idéia do Minicom de criar uma TV pública (ou estatal?) traz dúvidas no cenário político e entre os players da televisão no Brasil.

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pós ser avisado que com a TV digital seria possível ampliar a penetração dos sinais produzidos pela Radiobrás, o presidente Lula solicitou uma proposta concreta de uma rede pública digital de rádio e televisão para o ministro Hélio Costa. Há pouco mais de 15 dias, depois de uma audiência com o presidente para tratar de assuntos do Ministério das Comunicações em geral, Costa disse que entregara a tal proposta para criar uma rede pública de televisão no Brasil, na qual o governo deveria gastar cerca de R$ 250 milhões em quatro anos. Pronto. A notícia explodiu até no boletim informativo do jardim da infância de Fernando de Noronha. “É a venezuelização!”, bradaram. “Queremos uma TV do tipo BBC!”, escreveram outros (mas sem pagar a taxa por televisor como acontece na Inglaterra, que aí já seria demais). O Fórum Nacional das TVs Públicas, fomentado pelo Ministério da Cultura, manifestou logo sua “estranheza” com a proposta. A Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) lascou logo uma crítica furiosa: “é resultante de uma perspectiva ilusória sobre a eficácia da comunicação pública e representa um equívoco conceitual sobre a difusão democrática da informação de origem governamental”. Do enorme debate que entupiu páginas e páginas de jornal, sites e blogs, sem falar nos noticiários de televisão e nas horas de audiência pública na Câmara dos Deputados, sobram algumas coisas. Agora que a poeira começa a assentar, é possível chegar a algumas conclusões provisórias.

Conceito Não existe conceito legal de canal público no Brasil. Muito menos estatal, ainda que esse pudesse ser mais facilmente compreendido. Apesar da previsão constitucional para que a televisão brasileira seja estruturada prevendo a complementariedade entre os sistemas privado, público e estatal, não há lei que conceitue o que seria este sistema. Segundo Jorge Cunha Lima, presidente da Abepec (associação das emissoras educativas), esta é a razão pela qual as emissoras brasileiras que deveriam ser “públicas” são concedidas como educativas. E esta distorção é mais acentuada ainda quando se observa que a legislação em relação à radiodifusão educativa está completamente defasada, na medida em que foram feitas durante a ditadura militar. “Uma delas é uma Portaria Interministerial, mais adequada à TV Escola”, denunciou Cunha Lima diante dos deputados da Comissão de Comunicações da Câmara. 24

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Função educativa Falta clareza sobre o que a sociedade brasileira quer da radiodifusão. Na prática, a dificuldade para clarear os conceitos de TV pública e TV estatal aumenta quando se observam os princípios que deverão orientar a produção e a programação das emissoras de rádio e de televisão, listados no artigo 221 da Constituição Federal: preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, entre outras. Ou seja, para o constituinte, ter características educativas não é uma prerrogativa de algumas emissoras. As emissoras privadas também devem ser educativas. Ainda em debate na Câmara, tanto para Cláudio Magalhães, vice-presidente da ABTU (associação das TVs universitárias), quanto para Rodrigo Lucena, presidente da Astral (associação que reúne as TVs legislativas), a distinção não se dá de forma administrativa, mas em relação ao campo ao qual pertence a emissora: as entidades de interesse público (aí se enquadram todas as estatais, legislativas, educativas, universitárias e comunitárias) e as privadas, que se orientam pela lógica do mercado. Melhorando a classificação, Marcos Mendonça, presidente da TV Cultura de São Paulo, distingue pelo menos dois tipos de emissoras entre as do campo público: as que representam o pensamento do Estado e as que representam o pensamento da sociedade. As últimas são denominadas “educativas” no Brasil na falta de uma outra nomenclatura legal. Há dúvidas sobre as tevês legislativas: são tecnicamente estatais, mas como apresentam um conteúdo bastante plural em função do parlamento,


Sem projeto O que Hélio Costa fez foi apenas mostrar ao presidente a viabilidade técnica imediata (antes mesmo da digitalização) para a ocupação de canais pelo Estado em todo o país. Ou seja: não existe um projeto completo para a nova rede de TV. Nem se sabe muito bem se será a recauchutagem da Radiobrás ou uma coisa totalmente nova. Quer dizer: ainda não é um projeto de verdade com análise de cenários, objetivos, etc... Sabe-se também que a proposta será “tocada” pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, que readquiriu status de ministério e tem à frente o prestigiado jornalista Franklin Martins. Sobre o conteúdo desta TV, Lula sabe o que não quer: nem “chapabranca”, nem um tubo de spray (para pichar o governo), mas não tem muita idéia sobre o que seria. Apesar de sistematicamente afirmar que não fala de conteúdo, Hélio Costa também tem seu palpite. Gostaria de ver discutidos na nova TV temas aos quais a tevê

foto: arquivo

seriam públicas? Para não entrar nesta briga a TV Câmara fica com o slogan: “o canal da cidadania”. André Barbosa, assessor especial da Casa Civil, em evento organizado pela SET em São Paulo, destacou o papel da TV pública: “A TV comercial tem como base a lucratividade. O papel da TV pública deve ser o de suprir outras demandas da sociedade, não buscar audiência”.

dinheiro do orçamento da educação? Vamos estabelecer parcerias com a iniciativa privada? Vamos dar desconto no imposto de renda para quem oferecer dinheiro para fazer a tevê (renuncia fiscal)? Vamos pura e simplesmente permitir anúncios comerciais? Nada disso foi ainda devidamente discutido.

Hélio Costa: faltou ver o que o Governo já vinha fazendo.

comercial, por seu formato e objetivo, não dedica muita atenção, como questões relacionadas à educação... “o biodiesel, por exemplo. Nunca vi uma matéria grande sobre o assunto”, afirma o ministro. Como pagar por ela? A população brasileira não tem idéia de quanto custa a produção de televisão. Acostumados a acreditar no slogan das tevês comerciais, que afirmam oferecer sua programação de graça, a população desconhece que fazer televisão é uma atividade muito cara, e que se quiser ter qualidade em uma tevê pública terá que, de alguma forma, pagar por ela. Por exemplo, o orçamento anual da internacionalmente festejada BBC é de mais de 2 bilhões de libras ou mais de R$ 8 bilhões de reais (o da poderosa TV Globo é de “apenas” R$ 3 bilhões). Por tudo isso, as idéias acerca da maneira de financiar a nova rede pública estão confusas: seriam criados fundos específicos? Vamos tirar

Sem o Fórum, não há decisão Por representarem um enorme contingente de “fazedores de televisão” comprometidos com a causa pública, o Fórum Nacional das TVs Públicas precisa ser ouvido, antes que qualquer medida concreta seja tomada pelo governo. Na verdade, causou espanto a notícia de que até que começasse a enorme discussão sobre o tema, o presidente da República desconhecesse a existência do Fórum, que vem sendo patrocinado por seu governo. Por esta razão, o “pânico” que tomou conta de alguns dos segmentos que participam do Fórum temendo que a proposta de Hélio Costa atropelasse esta importante discussão. Nas palavras de Orlando Senna, secretario do Audiovisual do Ministério da Cultura, o objetivo do Fórum é “justamente para encontrarmos uma forma de sugerir a adoção de políticas públicas que nos levem a ter no país uma rede forte de TVs públicas”. Segundo Senna, o que se pretende é realizar a “re-fundação” do conceito de TV pública no país.


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Edianez Parente

foto: arquivo

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Sony quer 15% de share da TV paga

Calor no GNT O GNT relacionou sua programação no primeiro bimestre do ano às altas temperaturas. Assim, seus principais programas abordaram aspectos da estação, como o “Alternativa: saúde”, o “Superbonita” (apresentado por Taís Araújo), o novo “Bem Star”, além dos intervalos com vinhetas e chamadas tematizadas. Conseqüência disto, o canal atestou que, em comparação ao mesmo período em 2006, no horário nobre, sua audiência subiu em 61%; o alcance, em 20% e o tempo de retenção, Taís Araújo em 34%. No target do canal, ou seja, mulheres entre 25 e 49 anos; o crescimento da audiência no horário nobre foi de 78%, e o alcance, 35%. Os dados foram medidos pelo Ibope/Telereport, na Grande São Paulo e Grande Rio de Janeiro.

A meta da divisão de vendas de publicidade da Sony Pictures Television International, a SPTI - Media Services é, em 2007, crescer 20% sobre o ano passado, o que elevaria sua participação no total da publicidade da TV por assinatura brasileira a 15%. Alberto Niccoli Jr. , começou o ano com duas novidades: primeiro, foi promovido à vice-presidência da SPTI; segundo, o seu portfólio de canais aos Alberto Niccoli Jr. anunciantes incorporou HBO e Cinemax. Em número de canais e participação, a Sony se posiciona como vicelíder do segmento de vendas de publicidade, atrás da Globosat. Os canais representados são: Sony, AXN, Animax, E!, A&E, The History Channel, HBO, Cinemax, MGM e Casa Club TV. Os canais têm utilizado junto ao mercado de publicidade o recurso das vinhetas que integram programação e patrocínios. Atrações específicas de canais como Sony e AXN, por exemplo, já têm suas cotas vendidas para o ano todo. É o caso de “CSI”, “Lost”, “Grey’s Anatomy” e “Desperate Housewives”.

Pegadinhas no SBT A produtora francesa Novavision, especializada em programação tipo “câmera escondida” (as famosas “pegadinhas”), acaba de fechar uma venda de 25 programas do pacote “Pop Corn TV” para o SBT — são 25 programas com 26 minutos cada. No MipTV, feira que acontece em abril em Cannes (França), a Novavision estará com um pacote de 250 destas atrações — 105 delas em novos episódios de câmera escondida. A produtora se define como a segunda maior deste gênero tão peculiar de programas no mundo e atesta o sucesso internacional deste tipo de atração, sem diálogos e de forte impacto visual.

Em busca da Garota E! O canal E! pretende trazer ao Brasil, ainda neste semestre, o projeto “Garota E!”. Trata-se de um concurso para a busca de uma apresentadora local para um programa de variedades do canal. A ação já foi feita com sucesso em outros países da América Latina, como a Venezuela (foto). 26

Sob nova direção

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Depois de integrar o time de diretores da novela “Bicho do Mato”, sucesso da TV Record no horário nobre, o também ator Roberto Bomtempo dedica-se agora à direção de cinema. Trata-se do longa “Syndrome” (desenhoesboço) , drama com roteiro de Marcela Macedo, e feito pela TLC Filmes. Com filmagens em São Paulo e Los Angeles, o elenco repete alguns nomes da telenovela, como Denise Del Vecchio, Angelina Muniz e Myriam Freeland. Também estarão Bianca Rinaldi, Márcio Rosario, Petrônio Gontijo, Antônio Abujamra, Tatiana Monteiro, Lilian Taublib, Sônia Lima, Rogério Fabiano e Deborah Balardini, entre outros. A direção de fotografia será de Nonato Estrela (de “Primo Basílio”, “Dois Perdidos Numa Noite Suja”), direção de arte de Ademir Costa e trilha sonora de André Abujamra. A montagem será de Jair Peres (de “O Cheiro de Ralo”) e produção executiva de Tatiana Costa e Beti Antunes.

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The Hives

Você sabia que:

n Na Argentina, o TNT passou a adotar legendas em espanhol e som original nos seus filmes? Por aqui, o canal de filmes, líder no seu segmento, é dublado. Ao ser indagada, a Turner não respondeu se pretende trazer legendas em português para os filmes do canal no País. o O “Happy Hour”, programa diário e único ao vivo do GNT, tem transmissão simultânea na internet na Globo. com (www.gnt.com.br)? O programa é exibido na íntegra, de segunda a sexta, às 19h. Só mesmo o Eurochannel poderia trazer um show destes. A banda sueca The Hives, um dos destaques da nova geração da música indie internacional, é atração do programa “The Hives: Live from Brussels”. Note os nomes (fictícios) dos seus integrantes: Dr. Matt Destruction (baixo), Vigilante Carlstroem (guitarra), Nicholaus Arson (guitarra), Howllin’ Pelle Almqvist (vocalista) e Chris Dangerous (bateria). Em maio, dia 13, às 21h.

Não vejo problema nenhum. Sempre escrevi novela para as 18h e sempre tive muito cuidado em não ter nada apelativo ou gratuito. De Ana Maria Moretzsohn, autora de “Luz do Sol”, nova novela da Record, sobre sua preocupação com os roteiros sob as novas regras de classificação indicativa.

“Nina“, no Canal Brasil em maio.

“Irmão Urso”, no Disney Channel.

O brasileiríssimo e o americano Dados da PTS de fevereiro atestam que o Canal Brasil tem 98,8% de seus títulos exibidos formados por filmes nacionais. Trata-se do maior percentual por país de produção. Por exemplo, o canal campeão de exibição de filmes dos EUA é o Disney Channel, com 97,91%. O mesmo relatório aponta que o canal com maior percentual de filmes antigos (pré-1960) é o Futura, com 27,5%.

Falta atualização Já são quase 14 meses sem atualização dos dados de gastos por veículos no site da Secom, a Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal. Os dados vinham sendo divulgados periodicamente há vários anos. Agora que a pasta de Franklin Martins cuida da área, é torcer para que estes números voltem à tona. T el a

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n A TV Rá Tim Bum traz em maio mais uma peça infantil inédita? Trata-se do espetáculo “Chapeuzinho Vermelho”, que estava em cartaz em São Paulo e foi totalmente adaptado para a televisão, com novos cenários e figurinos. Dia 5/5, às 14h30. oTambém o MGM tem programação tórrida na madrugada? O canal, que tem a marca e a cara do leão da Metro, dedica parte da programação desta faixa aos filmes com forte conteúdo de sexo, como acontece com vários outros canais deste segmento: Telecine Action, Max Prime e FX. n City Hunters, projeto da Fox com a Unilever, foi feito por uma produtora argentina? A produção é uma animação adulta com traços inspirados na obra de Milo Manara. o A Coca-Cola não descarta a presença do grupo Charlie Brown Jr. no programa que desenvolveu junto à MTV? O Charlie Brown foi garotopropaganda da marca, numa campanha que gerou polêmica no meio musical.

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consolidado do mês, uma vez que o canal atingira por várias ocasiões picos de audiência na TV por assinatura com a transmissão do programa — diariamente, ao vivo após seu encerramento na TV Globo, e ao longo do dia, em flashes ao vivo e programas especiais. O Multishow foi o vice-líder de alcance entre todos os canais da TV paga em 2006, atrás unicamente da TNT. O levantamento do Ibope Mídia representa um universo de 4,9 milhões de indivíduos nas praças com medição eletrônica da TV por assinatura: Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre e Curitiba, que respondem por um alcance diário médio de 50,9%, ou 2,5 milhões de pessoas/dia, e um tempo médio diário de audiência de duas horas e 20 minutos. Já entre o público infanto-juvenil, que vai dos 4 aos 17

al como ocorreu em anos anteriores, quando o canal da TV por assinatura exibiu o reality “Big Brother Brasil”, da TV Globo, também neste ano o Multishow subiu no ranking de audiência nos meses de exibição da atração. O canal, que exibe trechos ao vivo do reality show, assumiu a liderança em alcance entre os canais da TV por assinatura aferidos pelo Ibope Mídia no mês de fevereiro. Neste período, o canal de entretenimento da Globosat chegou, entre os indivíduos com 18 anos ou mais, à ponta entre os canais mais assistidos ao longo das 24 horas do dia, seguido por TNT, Globo News, Universal e Warner Channel. O movimento já era esperado no

Foto: divulgação

(audiência - TV paga) Com “BBB 7”, Multishow chega à liderança na TV por assinatura

O repórter Fábio Judice e a participante Iris, do “Big Brother Brasil 7”.

anos, nas mesmas praças supracitadas, o Multishow ocupou em fevereiro a terceira colocação em alcance, atrás de Cartoon Network e Nickelodeon e à frente de Discovery Kids e Jetix. (edianez parente)

Alcance e Tempo Médio Diário 

Total canais pagos Multishow TNT Globo News Universal Channel Warner Channel AXN Fox Discovery SporTV Sony National Geographic GNT Cartoon Network Telecine Premium People + Arts HBO Nickelodeon SporTV 2 Discovery Kids Telecine Pipoca

De 4 a 17 anos* 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 50,9 2.507 2:20:04 15,8 777 0:22:46 14,3 707 0:30:35 10,8 534 0:27:41 10,0 491 0:27:12 9,7 480 0:30:13 9,4 465 0:21:31 9,2 454 0:20:03 9,1 449 0:18:41 8,8 433 0:28:54 8,3 407 0:23:24 8,2 405 0:23:14 7,9 388 0:17:21 7,8 382 0:31:40 7,0 347 0:24:37 6,3 308 0:16:06 6,1 302 0:26:21 6,0 296 0:23:07 6,0 296 0:15:25 5,8 285 0:48:22 5,8 284 0:27:50

*Universo 4.929.100 indivíduos

Total canais pagos Cartoon Network Nickelodeon Multishow Discovery Kids Jetix TNT Disney Channel Fox SporTV Boomerang Discovery Warner Channel HBO Globo News National Geographic Universal Channel Telecine Premium Sony Telecine Pipoca AXN

*Universo 1.036.900 mil indivíduos

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(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 56,0 580 2:17:03 24,2 251 1:00:01 16,9 176 0:37:18 16,3 169 0:25:42 15,1 157 0:56:23 10,6 110 0:46:12 10,4 108 0:24:38 10,0 104 0:47:40 7,1 74 0:23:24 7,1 74 0:20:20 6,2 65 0:29:06 5,9 61 0:16:40 5,8 60 0:19:02 5,5 57 0:21:10 5,2 54 0:22:33 5,1 53 0:22:22 5,1 53 0:14:48 5,0 52 0:22:57 4,9 51 0:18:05 4,8 50 0:25:44 4,8 49 0:16:21

Fonte: IBOPE Telereport — Tabela Minuto a Minuto — Fev/2007.

Acima de 18 anos*


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( televisão)

Edianez Parente

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Barulho da Record faz Globo reafirmar liderança Diretoria da emissora reúne imprensa para mostrar que o primeiro lugar em audiência e em market share está muito longe de ser ameaçado por outra rede.

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fotoS: paulo cardeal/Divulgação

om a Record a chegada da TV digital começando 2007 sejam em média de US$ 5 com bastante barulho milhões nos principais 15 — e também causando mercados, onde os grupos algum estrago, a partir locais têm capacidade da sua primeira grande aquisição para atrair financiamentos. do ano, as Olimpíadas de Londres O diretor geral da Globo, em 2012 - , a Globo resolveu Octávio Florisbal, revelou marcar o lançamento de sua nova ainda que a emissora programação com um grande espera acompanhar o evento à imprensa paulista, crescimento do mercado como há muito não se via. Para de publicidade na TV, tanto, reuniu os titulares das previsto entre 7% e 10% áreas de engenharia, marketing, neste ano, ficando a programação, além do seu diretor rede mais uma vez com geral. O encontro serviu para 75% do meio televisão aberta (que reiterar a posição de liderança em corresponde a cerca de 60% do total audiência e receitas da emissora, da publicidade nacional, segundo o muito longe das segunda e Projeto Intermeios). A Globo pretende terceira colocadas do mercado, contratar até 400 novos profissionais além de explicitar as posições da para todas as áreas - TV por assinatura, rede em relação aos avanços que Internet, celular e área internacional. chegam com o advento da TV Além, é claro, de manter seus talentos digital aberta brasileira. — cada vez mais assediados pela A emissora planeja investir de concorrência. agora a 2009 US$ 100 milhões/ Anco Márcio Saraiva, diretor de ano, em recursos marketing da Globo próprios, em que costuma fazer tecnologia e em apresentações ao infra-estrutura, o que mercado anunciante, inclui a transição detalhou vários aspectos para a transmissão da audiência da emissora, digital e também em especial a evolução as ampliações do dos índices nos últimos Projac - os estúdios anos, além de destacar a da emissora no Rio de participação da emissora Janeiro. No caso das entre os televisores afiliadas da rede (são ligados o que, segundo 116 em nível nacional, ele, é o “que dá a real além das cinco dimensão da liderança”. emissoras próprias Por regiões, por estados, Anco Márcio Saraiva, diretor de marda Globo), calcula-se por target, por minutos keting: importante é a partici­pação que os gastos para ou no painel nacional, entre os televisores ligados. 32

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Octávio Florisbal, diretor geral da Globo; US$ 300 milhões em investimentos em três anos.

a Globo mostrou que em todos os cortes, a sua liderança ainda é extremamente superior. Entre os 30 programas de maior audiência na TV brasileira — sem considerar os eventos -, o único que não é da Globo figura no trigésimo lugar. Sobre os canais abertos concorrentes, eles foram identificados apenas como emissora B ou C, sob a observação de que em alguns momentos há alternância sobre a segunda colocada, sem no entanto, identificar SBT ou Record. Ainda, a Globo destacou que, quanto à estabilidade de sua audiência, ela se mantém muito acima da segunda colocada e se sobrepõe à soma das duas concorrentes mais próximas. “A Globo é hoje mais líder do que era em 2001”, disse Saraiva, mostrando os gráficos correspondentes aos anos de 2001 a 2006. Grade Ao anunciar a nova programação da Rede Globo para o ano de 2007, Octávio Florisbal afirmou que a TV deve estrear na seara dos telefilmes, produzidos pela Globo Filmes com as produtoras independentes e com o uso de recursos incentivados.


Vale lembrar, o Artigo 3-A da Lei do Audiovisual, que espera regulamentação, permitirá que as emissoras de TV utilizem o imposto sobre a compra de eventos ou conteúdos internacionais na co-produção com produtoras independentes brasileiras. Disse também que os filmes serão um conteúdo importante para a TV digital em alta definição, além dos eventos esportivos importantes, como finais de campeonatos etc — Florisbal ressaltou que a emissora continua com direitos esportivos de peso. Assim, fez sentido a emissora exibir, no trailer das novas atrações para 2007, um evento da programação de 2008, como as Olimpíadas de Pequim. O diretor de programação, Roberto Buzzoni, enumerou os contratos com estúdios internacionais (Fox, Paramount, Disney, Dreamworks, ABC etc), que garantem à emissora cerca de 500 títulos de longas-metragens ao longo do ano. “Shrek 2”, “Kill Bill Vols. 1 e 2”, “Menina de Ouro”, “Eu, Robô”, “O Espanta Tubarões”, “Elektra” e “Swat” são alguns dos blockbusters a estrearem ao longo do ano. Do cinema nacional, constam: “Dois Filhos de Francisco”, “Zuzu Angel”, “A Dona da História”, “Olga”, “Didi — O cupido

Record faz mega-ofertas pelo esporte Depois de levar as Olimpíadas de Londres (2012) por US$ 60 milhões e de ter oferecido R$ 70 milhões (não aceitos) pelo Campeonato Paulista de Futebol, a investida mais recente da Record foi ofertar R$ 45 milhões pelo Campeonato Carioca de Futebol de 2009, 2010 e 2011, exatamente um dia após a apresentação da Globo à imprensa em São Paulo. A Record fez questão de divulgar a proposta oficial pela compra — em março, o Clube dos 13 dissera que nada havia de oficial sobre a oferta de R$ 500 milhões da emissora pelo Campeonato Brasileiro a partir de 2009. A Record quer levar o futebol com exclusividade a todas as plataformas: TV aberta, TV por assinatura, Internet, publicidade estática, telefonia. A Globo, por sua vez, já garantiu as próximas duas Copas do Mundo, pelas quais vai desembolsar uma pequena fortuna: até US$ 340 milhões, caso o Mundial de 2014 seja no Brasil — mas a emissora considera dividir os direitos com até outras duas redes abertas, embora nada indique que uma delas possa ser a Record. No lançamento da novela “Luz do Sol”, em março, Walter Zagari, superintendente comercial da Record, afirmou que a emissora espera chegar bem próxima da Globo em audiência em 2009.

Trapalhão” e “Meu Tio matou um Cara”, entre outros. “Ainda assim, produzimos 90% do nosso conteúdo”, afirma, destacando atrações como a volta do infantil “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”. Títulos do cinema brasileiro ganham espaço na grade, com uma nova sessão semanal fixa. Há novos programas na área de musicais, shows e especiais.

mercado há um ano, desde que o canal GNT saiu da TV Cabo local, as negociações andam de vento em popa para a sua volta. Seria assim mais um sinal internacional da Globo - somado aos atuais da Américas, Europa/ África e Japão. No entanto, para não ferir o acordo de vendas telenovelas para a rede aberta SIC, este sinal da Globo será diferenciado e deverá conter, em vez da atuais produções, novelas mais antigas.

Internacional A grade da TV Globo voltará a ser exibida em Portugal, como canal da TV por assinatura. Ausente daquele

afago nas teles Na apresentação de Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da Rede Globo, sobre a TV digital, foi dada muita ênfase nos aspectos da mobilidade e portabilidade do sistema brasileiro (ISDTV). O tempo todo, a emissora reforçou o fato de que o canal de retorno passará pelas redes de telefonia. De acordo com Bittencourt, este será o modelo de negócios que vai vigorar nos próximos anos. A Globo, assim como as demais emissoras na cidade, marcou para 2 de dezembro a primeira transmissão comercial da TV digital em São Paulo, com conteúdos em high definition para o seu segundo canal, o 18. Rio de Janeiro e, em seguida, Belo Horizonte, ficam para o primeiro semestre de 2008. O fato de colocar as teles como parte do processo de interatividade da TV digital não é gratuito. Hoje, segundo os dados mais recentes do IBGE (PNAD 2005), cerca de 48% dos 52 milhões de domicílios brasileiros têm acesso à rede de telefonia fixa, percentual que chega a 72,4% se contada a telefonia celular (cuja penetração nos domicílios é até maior do que a penetração da rede fixa). A TV está presente em 91,4% dos lares.

Apresentação da programação à imprensa: evento grandioso. T el a

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( programação)

JB TV busca espaço entre as abertas Emissora do grupo CBM, com o publicitário Daniel Barbará à frente, tem investimento inicial de R$ 20 milhões.

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foto: divulgação

JB TV, cuja estréia estava marcada para 17 de abril, começa suas transmissões com seis horas diárias na faixa nobre, a partir das

18h. Viabilizada a partir das instalações, freqüências e licença até então ocupadas pela rede paranaense CNT, a nova emissora nasce com um investimento modesto em se tratando de televisão: R$ 20 milhões. É o aporte que a CBM (Cia. Brasileira de Multimídia), do empresário Nelson Tanure, faz neste braço televisivo do seu conglomerado de empresas de comunicação. De acordo com o publicitário Daniel Barbará, presidente da CBM, tal investimento deve retornar ao acionista já no próximo ano. Segundo o executivo, a prioridade do canal é dar espaço para a produção independente e terceirizada. Por esse modelo, explica Barbará, passará a maioria das produções da casa. Por exemplo, a JB TV já nasce com 99% de seus novos programas feitos pela GGP, produtora do apresentador Gugu Liberato, que fica em Alphaville (Barueri/SP). Vale lembrar que a produtora do apresentador de TV tinha por vocação abastecer a própria emissora do artista e empresário — Gugu pleiteava uma concessão de radiodifusão; no entanto, um episódio de seu programa dominical envolvendo uma farsa sobre um grupo criminoso repercutiu tão mal no meio das comunicações que seus projetos tiveram de ser um tanto adiados. Assim, a JB TV conta com a infra-

José Roberto Sanseverino, Gugu Liberato e Daniel Barbará, assinam o contrato entre a TV e a GGP.

estrutura de uma produtora moderna e bem equipada, com 8,5 mil metros quadrados de área total e 5 mil metros de área construída. Na fase de pré-estréia, um grupo de cem profissionais vinha atuando nas instalações com vistas à entrada do novo canal. Distribuição A geradora da TV fica em Curitiba, e pertence à família Martinez. A rede tem 60 retransmissoras pelo país e pretende ampliar sua distribuição para além do cabo e UHF. Em São Paulo, por exemplo, estará nas operações de cabo da Net; no satélite, o canal está na Sky. No Rio de Janeiro, a JB TV tem freqüência VHF — ex-CNT e ex-TV Corcovado. Paulatinamente, a emissora vai preencher com nova programação a grade diurna do canal, hoje locada para a Igreja Universal do Reino de Deus, à medida em que os contratos forem vencendo. Daniel Barbará diz que a maioria deles expira até o 34

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final de 2007. A sede administrativa do grupo CBM, bem como todas as suas empresas, ficará em São Paulo — o grupo é candidato à locação do prédio que a TV Globo deixará vago na alameda Santos, nos Jardins, uma vez que a Globo transfere seu departamento comercial para as novas instalações na região do Brooklyn, em São Paulo. Integram a equipe do novo canal: Paulo Marin, diretor geral; Fernando Schiavo, diretor de programação; José Roberto Sanseverino, diretor de operações e produção; Pedro Paulo Carneiro, diretor artístico; Jodele, diretor musical; Wagner Victoria, diretor de engenharia; e Dácio Nitrini, diretor de jornalismo. Fernando Schiavo, responsável pela programação, tem experiência no mercado de TV segmentada (atuou no GNT, onde participou do bem-sucedido processo de


reposicionamento do canal) e é dela que traz algumas diretrizes para a filosofia do canal. A começar pelo onair, há toda uma preocupação com a identidade da nova marca, e Schiavo diz que a intenção é torná-la o mais elegante possível, a partir de conceitos de simplicidade. A preocupação se estende aos programas. Grade O start da programação é às 18h, após as faixas de religião, com o humorístico diário “Escolinha da Bagunça”; depois, seguem programas voltados ao público jovem, com o “Na Rua”, comandado por Léo Almeida. Na seqüência, clipes de música pop. Às 20h30, como toda TV aberta que se preze, tem novela. Na impossibilidade de produzir uma inédita, a JB TV traz “Coração Navegador”, uma coprodução Brasil-Portugal rodada 90% no Rio Grande do Sul em 2004. A trama tem 60 capítulos. A partir daí, no horário das 21h30, cada dia há uma atração. Segunda-feira é dia de humor, com a trupe da Oi FM e seu “Rock Bola”; terça-feira, um programa de cinema, comandado por Luiza Wilker; a quarta tem um programa de viagens nada convencionais, “Diários da Estrada”; quinta, um programa de cinema baseado na revista Set, de cinema, da editora Peixes; sexta-feira será o dia do programa baseado na revista “Gula”, de

culinária e da mesma editora. O jornalístico diário, às 22h, será comandado pelo âncora Boris Casoy — na TV aberta, o jornal deste horário só encontra concorrência no “Jornal da Cultura”, da emissora educativa paulista. A seguir, a faixa das 23h trará programas originais a cada dia, como o “Repórter JB”, de documentários; um programa sobre leilões; um compacto do programa dominical de Clodovil para as quartas-feiras, acrescido de

editorial dos programas, sempre produzidos por terceiros. Breakes A JBTV já começa a vender breakes de suas atrações ao preço médio de R$ 5 mil pelo comercial de 30 segundos. No segundo semestre, a empresa deve começar a oferecer pacotes de “cross media” com seus vários produtos. Para o presidente da

praticamente toda a produção será feita pela independente ggp, do apresentador gugu liberato. material inédito. Os finais de semana estão com programas para jovens, com a faixa de filmes (o canal vai comprar títulos no mercado de distribuição), e shows musicais. Domingo, às 18h, tem o “Sabá Show”, seguido por “Top Drive”, sobre carros; e um programa baseado nos cadernos de empregos dos jornais dominicais. Às 20h, é a hora do aguardado programa “Sua Excelência”, do estilista e deputado federal Clodovil Hernandez, feito em Brasília. Às 22h, há o “Crítica & Autocrítica”, comandado por Augusto Nunes. Há ainda espaço para o musical “Sintonia Fina”, de Guga de Oliveira. Numa próxima etapa, a JB TV levará mais produtos de banca da editora Peixes ao formato televisivo. Serão programas baseados nas publicações “Fluir” (público jovem) e “Terra” (viagens e turismo). Daniel Barbará diz que o modelo de contratação se baseará em ter o controle

CBM, publicitário renomado com mais de 30 anos de atuação no mercado, há espaço para crescer na televisão: “Contrariando todas as expectativas, o que ocorreu nos últimos cinco anos foi que aumentou a audiência da TV e sua participação no bolo de publicidade. Isto nos anima mais do que preocupa: afinal, entramos num negócio que está crescendo”, diz. A CBM engloba, além da JB TV e da editora Peixes, o Jornal do Brasil, a Gazeta Mercantil, a empresa de eventos Casa Brasil, a produtora de conteúdos Brasil Digital, e a Brasillog, braço de logística para distribuição das publicações. (edianez parente)

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( making of )

Lizandra de Almeida

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A nova cara da Super Nanny

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fotos: divulgação

o inaugurar sua terceira temporada, o reality show Super Nanny, do SBT, terceirizou a criação de sua vinheta de abertura, mudando a identidade visual do programa. “Desde o início, eu queria fazer uma vinheta em animação, que tivesse alguma relação com o universo infantil mas que falasse com os adultos, que são o público do programa. Mas para manter a identidade com o programa inglês, optou-se por fazer uma vinheta parecida com a original”, explica o diretor do programa, Ricardo Perez. A idéia da vinheta resume bem o programa: uma casa com um casal de crianças, com pais exaustos, recebe a visita da super-babá e muda radicalmente. “Desenvolvemos os personagens desde o início. Fizemos pais cansados, com olheiras, despenteados, e filhos com olhos grandes e espertos”, conta o diretor do filme, Daniel Zante. Agora que o programa é um sucesso, diz Perez, foi possível investir nessa novidade. “A idéia original era fazer uma animação de massinha, mas por uma questão de custos decidimos fazer no computador.” Segundo Zante, “a equipe pensou num efeito que simulasse a massinha, sem muita preocupação com o realismo”. Todo o trabalho foi feito com a montagem de recortes e aplicação de texturas. “Foi um trabalho de animação 2D, com múltiplas camadas, para dar profundidade. O cenário e as roupas dos personagens foram feitos com texturas de tecidos, sempre bem irregulares, e elementos do universo da costura, como linhas e botões. Nossa intenção foi criar um visual de scrapbook”, diz Zante. A criação dos personagens e a animação original foram feitas em papel, com desenhos escaneados pela técnica tradicional. Esse material foi usado como referência e os desenhos

Abertura se diferencia da versão original do programa, e ganha visual de scrapbook.

foram retraçados então no computador. “Em geral o processo de pintura é bem rápido, porque só aplicamos as cores no computador. Aqui, como usamos texturas, tivemos de fazer desenho por desenho, observando como os tecidos se comportariam no boneco em movimento. Ou seja, também tivemos que animar dentro da pintura.” “Esse tipo de animação com recortes é mais limitado, pois tem de ser feito em pedaços. Em geral, não desenhamos todo o personagem, mas só as partes que se movimentam, como os olhos, a boca, os braços. Por isso criamos uma perspectiva exagerada, com muitos primeiros planos e câmeras de cima, em ângulos distorcidos”, 36

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continua o diretor de animação. Além da vinheta de abertura, a nova identidade visual incluiu as vinhetas entre os blocos e algumas artes usadas como interferência na imagem. São carimbos que explicam o que está acontecendo. “Aos poucos, desde a segunda temporada, estamos dando uma cara mais brasileira para o programa e essa mudança está agregando valor. Estamos melhorando cada vez mais os figurinos, mas com a mudança da vinheta as novidades ficam mais explícitas”, conclui Perez.

fichatécnica SBT Vinhetas do Programa Super Nanny Dir. artística (SBT) Daniela Beyruty Dir. do programa Ricardo Perez Produtora Cinema Animadores Direção do filme Daniel Zante

Cliente Produto


O céu é o limite

A

Volkswagen implementou em todos os veículos de sua fabricação um rastreador via satélite. Para divulgar a novidade, a AlmapBBDO criou este filme, que conduz o espectador de uma garagem subterrânea até a órbita da Terra. A locução pergunta: “Sabe o que a Volkswagen tem acima das outras?” e a imagem vai saindo de baixo e subindo, percorrendo várias camadas. Do estacionamento a câmera passa por um túnel, daí por um bueiro, para baixo de um viaduto, para cima do viaduto, e continua subindo até vencer a atmosfera e chegar ao satélite. O que a Volkswagen tem, explica a locução, é a tecnologia que permitiu a criação do sistema de rastreamento. “Precisávamos de uma forma muito direta de divulgar esse produto, que tem um conceito muito difícil de compreender, é quase intangível”, analisa o diretor de criação Tales Bahú. “Nossa idéia era mostrar todos os carros, para mostrar que o produto está em toda a linha. Pensamos em sair dos carros e chegar ao satélite, mas ainda faltava alguma coisa. Foi quando o Paulo Vainer sugeriu fazermos todos esses níveis em um plano, do subsolo até o satélite”, diz Bahú. Cada um dos níveis do que na pós-produção se transformou em um plano-seqüência foi filmado com o uso de um travelling vertical. A ligação entre um nível e outro foi feita em computação gráfica. “Contratamos a Pará Movimentos para construir essa traquitana, que era como um elevador com 13 metros de altura”, explica o diretor do filme, Paulo Vainer. A câmera ficava posicionada em uma plataforma e era içada por um guindaste, mantendo-se no mesmo ângulo. “As passagens foram feitas com um 3D sutil, especialmente nos

momentos em que a câmera parece passar por dentro do concreto. Da garagem para o túnel, por exemplo, simulamos até o que seriam os ferros internos”, diz Vainer. São ao todo quatro planos filmados: a garagem, o túnel, a parte de baixo do viaduto e a parte de cima. A partir daí, a equipe da Casablanca entrou em ação. “Todo o skyline na cidade foi reconstruído, assim como as nuvens e o próprio satélite”, continua Vainer. “Depois dos prédios da cena, havia uma favela. Nós criamos vários prédios 3D e conforme a câmera continuava a subir, ia faltando horizonte. Então colocamos uma praia depois dos prédios”, conta Rodrigo Sobreiro da Casablanca. Em algumas cenas, também foram usados recursos de composição para incrementar os planos. “Em uma das cenas filmadas no túnel aparecia um exaustor enorme, mas o ângulo do carro era ruim. Como o diretor gostou da cena, usamos aquela em que o carro estava melhor e aplicamos o exaustor.” fichatécnica Cliente Volkswagen Produto VW Rastreador Agência AlmapBBDO Dir. de Criação Tales Bahu e Rodrigo Almeida Criação Marcos Kawamura e Eduardo Andrietta Produtora Margarida Flores e Filmes Direção Paulo Vainer e Verônica Casetta Dir. Fotografia Paulo Vainer Montagem Rodrigo Sobreiro Produção Equipe Margarida Flores e Filmes Finalização Mauro Amar Trilha Tesis Efeitos e Pós-prod. Casablanca Finish

O uso misto de uma traquitana com computação gráfica permitiu à câmera viajar do subsolo ao espaço.

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( produção)

Discovery quer relevância local Neste ano, pelo menos dez produções da programadora passam pelo Brasil, cinco delas totalmente nacionais.

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fotos: Divulgação

pós mais de dez anos do lançamento do sinal brasileiro do Discovery Channel, a Discovery Networks Latin America/US Hispanic adota a estratégia de dar maior relevância à sua presença local. De acordo com o gerente-geral da operação brasileira da programadora, Fernando Medín, uma das prioridades da Discovery no País é a produção nacional: “Das 22 produções pan-regionais que teremos em 2007 feitas na América Latina, quase 50% passam pelo Brasil”. Serão dez produções com alguma participação local, sendo cinco delas feitas totalmente por produtoras nacionais e outras cinco com a parceria de produtoras internacionais. Há no rol de atrações (veja a lista no quadro a seguir) casos de produções com uso de recursos via art. 39 da MP da Ancine, e

Fernando Medín é o novo gerente geral do escritório da Discovery no Brasil

também de produções com aporte total da programadora. Grifa/Mixer, Rex e TV Pingüim são algumas das produtoras nacionais que trabalham com atrações para os canais da Discovery neste ano. No feriado da Páscoa, por exemplo,

estavam prevista as primeiras gravações de uma série sobre os bastidores do Aeroporto de Guarulhos — nada mais em pauta do que este assunto no momento nacional. O cargo de gerente geral para a programadora no Brasil é uma das mais recentes novidades da Discovery para o País, desde que, em 2005, a programadora descartou a figura de um escritório de representação delegado a terceiros para assumir ela mesma a administração de sua presença por aqui. Fernando Medín fica responsável pelas operações e atuação de todos os canais presentes no mercado: Discovery Channel, Discovery Kids, Discovery Home & Health, Discovery Travel & Living, People + Arts e Animal Planet, além dos três canais para a plataforma digital (Discovery

Produções em andamento A rede Discovery Networks produz em 2007 dez programas que de alguma forma abordam o Brasil. Programa Produtora Discovery Channel Collision Over the Amazon (título provisório) Rex/Alan Tomlinson Aeroporto São Paulo (título provisório) Rex Miracle or Murder? (título provisório) Rex/Alan Tomlinson Rides América Latina (episódio brasileiro) Endemol Argentina

estágio Estréia prevista

Formato

Em produção Produção começa na Páscoa – –

10/06/07 2008 Indefinida Novembro

1x60’ 8x30’ 1x60’ 1x30’

Latin Athletes to Beijing (título provisório)

Quatro Cabezas (Argentina)

Indefinida

1x60’

Discovery Kids Peixonauta

TV Pingüim

Em produção

2008

52x11’

Discovery Home & Health Bringing Home Baby — Latin American version (título provisório)

Cuatro Cabezas (Argentina)

Em produção

4º trimestre de 2007

13x30’

Discovery Travel & Living Destino: Lua de Mel (título provisório) Top Five (novos episódios) Mais que uma Festa (novos episódios)

Grifa/Mixer Cuatro Cabezas (Argentina) Mítico (Argentina)

Em produção – –

2008 4º trimestre de 2007 4º trimestre de 2007

13x30’ 13x30’ 26x30’

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Turbo, Civilization e Science). Mais recentemente, a Discovery brasileira também contratou um gerente de programação, para dar o cuidado local que a grade dos canais merece neste mercado. Trata-se de André Rossi, que fica responsável pela grade de programação dos canais com sinal exclusivo para o país: Discovery Channel, Discovery Kids, People+Arts e Discovery Home & Health. Rossi trabalhou nos últimos cinco anos na Globosat, onde atuava como coordenador de pesquisas e aquisições internacionais sendo, portanto, grande conhecedor das afinidades do assinante nacional com a programação de caráter global. No mais, o escritório regional da Discovery está em processo de ampliação de suas instalações e de seu staff no País, com contratação

Peixonauta, da TV Pingüim para o Discovery Kids

de profissionais para suas diversas áreas: financeiro, programação, licenciamento, pesquisa; além de pessoal para trabalhar na customização da linguagem e também na área de vendas de

publicidade — para este último, a programadora prospecta um diretor de ad sales. Medín vê um potencial grande de crescimento da marca no país nas diversas mídias. É neste contexto que devem ganhar mais atenção os segmentos de publicidade e também de licenciamento. Sobre as novas plataformas, diz o gerente geral: “A nossa intenção é estar em todas as plataformas, pois a Discovery tem um produto que viaja muito bem em todas elas. Queremos estar em todas, obviamente apoiando os nossos parceiros históricos”. Na telefonia celular, a Discovery Móvel já tem conteúdos disponíveis com as operadoras TIM, Claro, Oi e Brasil Telecom; na Internet, há conteúdos em banda larga no Terra TV. (EP)


( Infra-estrutura)

Daniele Frederico

d a n i e l e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

De cara nova CTAv passa por reestruturação e conta com o apoio do Canadá para a modernização de suas atividades.

C

fotos: divulgação

om mais de 20 anos de existência e após ser incorporado por diferentes instituições, o Centro Técnico do Audiovisual (CTAv), ligado à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, passa por uma reestruturação em todas as suas áreas de atuação. Prioridade para o MinC, o projeto prevê a modernização física, institucional, técnica, tecnológica e de gestão do Centro. Criado em 1985, por meio de um acordo de cooperação técnica entre a Embrafilme e o National Film Board (NFB) do Canadá, órgão responsável pela política audiovisual canadense, o CTAv nasceu com o objetivo de “apoiar o desenvolvimento da produção cinematográfica nacional, dando prioridade ao realizador independente de filmes de curta, média e, eventualmente, longametragem”; além de “promover a implantação de medidas voltadas à formação, capacitação e aperfeiçoamento de pessoal técnico necessário à atividade cinematográfica”. Muitas de suas atividades, no entanto, ficaram paradas até a primeira gestão do ministro Gilberto Gil, quando houve a incorporação do CTAv à Secretaria do Audiovisual (SAv) — comandada por Orlando Senna. Entre 2003 e 2004, o Centro recebeu recursos para reestabelecimento emergencial das atividades paradas. “O principal era recuperar a área de apoio a produção e fomento, na qual foram implantados ilhas de edição não-linear e estúdios de mixagem, que são considerados o carro-chefe da casa”, afirma José

Estúdio de mixagem do CTAv: reforma reestabeleceu atividades paradas.

Araripe Jr., diretor do CTAv. Foi investido R$ 1,5 milhão nessa reforma, que contou com a restauração da estrutura já existente e a compra de novos equipamentos. “Assim, conseguimos aos poucos recuperar a nossa capacidade de atendimento, o que permitiu ao CTAv atender em regime de co-produção a mais de 300 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens”, diz o diretor. Quando Araripe assumiu a gerência do CTAv, em julho de 2005, a prioridade era ampliar e sistematizar o atendimento nas áreas-chave de atuação do Centro (fomento, memória, difusão e formação), dar suporte aos projetos e editais da SAv, e paralelamente realizar um diagnóstico que permitisse um novo desenho para a instituição. “Era necessário repensar o CTAv para os novos tempos do cinema nacional”, diz o diretor. Hoje o CTAv presta cerca de 30 serviços diariamente. Para usufruir da estrutura e do trabalho do Centro, o produtor encaminha o seu projeto, ele é analisado e, caso seja aprovado, 40

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entra em um fila para a realização do trabalho, em sistema de coprodução com o CTAv. “Somos uma espécie de SUS do audiovisual”, compara Araripe. Uma das principais ações do Centro em 2007 foi o lançamento da Programadora Brasil, projeto da SAv, em parceria com a Cinemateca Brasileira, para a difusão do cinema nacional. O projeto visa possibilitar a exibição de produções nacionais recentes e filmes históricos em circuitos não-comerciais. O objetivo é atender a cineclubes, pontos de cultura, escolas e universidades públicas e privadas, entre outras instituições. Os filmes, disponibilizados em DVD, estão organizados em 38 programas temáticos e direcionados a públicos variados. Com um investimento de R$ 1,2 milhão para as fases de implantação e lançamento e um orçamento previsto de R$ 1,5 milhão para


2007, a Programadora Brasil visa software, com o objetivo de um trabalho permanente, dar apoio ao mercado de com lançamentos regulares animação. Estão previstos de novos programas. cursos para formação de Reformas animadores e de formadores, Entre as mudanças previstas além da criação de áreas no plano de reestruturação de apoio à produção. “A do CTAv a ser realizado no idéia é que essas áreas biênio 2007-2008, estão a de apoio possam abrigar modernização da área de artistas residentes e apoiar reserva técnica — já que o produções em andamento, Centro abriga mais de 5 mil como já fazemos hoje em rolos de filmes, com acervos diversas áreas, inclusive na históricos de um período de Patrocínio da Petrobrás garantirá a modernização da reserva ténica para a área da animação analógica”, mais de 70 anos — e a criação afirma Araripe. guarda de filmes. do núcleo de animação. Para Além da reforma esse projeto, o Centro conta de digitalização de acervos. física, estão previstos: com o patrocínio de R$ 5 milhões O Centro, que teve um papel reforma institucional, para dar da Petrobrás, a partir da Ação importante na animação brasileira mais agilidade e independência Extraordinária Petrobrás/MinC. 20 anos atrás, ainda está equipado ao órgão, que tem atividades de O patrocínio prevê a construção com ferramentas analógicas e carece atendimento direto ao público; de novas instalações para a de atualização na área da animação renovação e reciclagem dos reserva técnica de guarda de digital. A reestruturação contará com a técnicos e profissionais, para filmes — matrizes e cópias — e criação do núcleo de animação digital, a recuperação da defasagem para o núcleo digital, que além de para equipar e atualizar o CTAv com as ocorrida com a perda de talentos animação, atenderá também a área principais plataformas de hardware e para outras instituições; criação

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( infra-estrutura ) de novos setores para atender participar das primeiras às mudanças de modelos etapas das oficinas do núcleo tecnológicos e de gestão do de animação do CTAv. Essa audiovisual; implantação ação está prevista para o de novas ferramentas de segundo semestre de 2007. tecnologia da informação, Existem ainda outras para atender às diretrizes de ações sendo desenhadas descentralização do MinC e dentro do convênio com o da SAv, que se esforçam para NFB. Uma delas é a realização a criação de redes nacionais, a de mostras brasileiras no exemplo do que acontece com Canadá, com o objetivo os programas “Olhar Brasil”, de difundir a história e a “Pontos de Cultura” e “Pontos contemporaneidade do de Difusão Digital”; e maior cinema nacional. “Com as Cabine de projeção do CTAv: acordo com NFB prevê a realização de intercâmbio com outros órgãos mostras brasileiras no Canadá. mostras, pretendemos tornar e programas ministeriais, assim o nosso produto conhecido, como a ampliação de interfaces Hot House, estágio de animação de para expandir relações de parceria com instituições 12 semanas no NFB. Diego Stoliar e culturais e comerciais”, diz Araripe, acadêmicas e da sociedade civil em Jonas Brandão foram escolhidos em lembrando que elas podem servir geral. um concurso do qual participaram 111 para dar respaldo às demais ações Por último, o projeto busca animadores. A realização do concurso de co-produção que o MinC realiza a retomada do apoio a ações ficou por conta do CTAv e do NFB, com em conjunto com a Agência o apoio do Consulado Geral do Canadá, de Promoção de Exportações e e convênios internacionais do em São Paulo, e da Associação Brasileira Investimentos (Apex), a ABPI-TV MinC, como os acordos com a de Cinema e Animação (ABCA). As e o Sicesp (projeto Cinema do Comunidade dos Países de Língua despesas dos dois animadores são pagas Brasil). As curadorias já estão em Portuguesa e com o Canadá. pelo CTAv, enquanto o NFB fornece as andamento. O diretor do CTAv acredita que bolsas de estudo. Também se estuda, para 2007, sejam necessários cerca de R$ 5 Embora não faça parte do convênio o lançamento de um edital para a milhões nos próximos quatro anos, com o NFB, o CTAv também aproveita realização de um longa-metragem além do que já foi investido, para a boa relação com os canadenses para em co-produção entre Brasil e que o Centro esteja preparado para a instalação de seu núcleo de animação Canadá, e a realização de mostras os próximos desafios propostos digital. “Os canadenses, que a partir de Norman McLaren, ícone da pelo governo. “Acho que essa quantia é ideal para que o CTAv de um convênio, em 1986, foram animação canadense, no Brasil, possa estar à altura dos desafios responsáveis pelo surgimento de uma com a parceria do Anima Mundi, que vão aparecer com a TV e o grande geração de animadores, agora ABCA, a Cinemateca Brasileira, e o cinema digitais”, conclui. assessoram, sem aplicar recursos, a Consulado Geral do Canadá. instalação desse núcleo”, conta Araripe. Ações Brasil-Canadá Dentro desse projeto, está sendo preparada a vinda de animadores do Além de todas as metas NFB e de grupos de professores de estabelecidas para a reestruturação escolas canadenses ao Brasil, para do CTAv em âmbito nacional, há projetos a serem realizados em parceria com o Canadá. Cerca de Como utilizar o CTAv um ano após a assinatura do novo O CTAv tem à disposição diversos serviços em suas quatro áreas-chave de atuação: acordo de cooperação entre o CTAv fomento, memória, difusão e formação. É possível realizar restauração de áudio, montagem de trilhas, mixagem, edição de imagens, autoração de DVD, animação, entre e o NFB do Canadá, que prevê ações outros serviços. pontuais na áreas de distribuição, Para isso, o interessado deve acessar o site do CTAv (www.ctav-sav.com.br), preencher o formulário e enviar alguns documentos como: carta da produtora ou intercâmbio tecnológico, coórgão com a especificação dos serviços solicitados e data de interesse; apresentação produção, novas mídias e animação, de roteiro, sinopse, equipe técnica, currículo do diretor; cópia de toda autorização para captação de recursos por meio de incentivos fiscais; entre outros. já é possível conferir alguns A documentação deve ser enviada ao CTAv por correio, com cópia em e-mail, ou resultados. ser entregue pessoalmente, na sede do Centro no Rio de Janeiro. Em março, dois animadores Os pedidos são analisados e os aprovados entram em uma fila de espera para a realização do trabalho. Vale lembrar que o CTAv não se coloca como um mero prestador brasileiros foram para Montreal, de serviço, e será considerado co-produtor do projeto. no Canadá, para participar do 42

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N達o disponivel


( evento)

Rodrigo Sabatini

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Previsões para a TV do futuro Evento na Califórnia busca entender o que vai acontecer com o hábito de ver televisão.

“Você não pode simplesmente passar de uma interface (TV ou web) a outra. Não vai funcionar.” Ian Valentine, CEO da Miniweb Interactive

Um exemplo deste novo momento é Robert Chua, pioneiro na TV da Ásia, com mais de 40 anos de mercado (participou da funda­ção da primeira estação de TV em Hong Kong), que fundou e hoje preside o The Interactive Channel, da China, canal com quase um milhão de assinantes, com menos de dois anos de vida e programação 24 horas, que apresenta programas em que os partici­ pantes conectam-se de seus lares, transmitin­ do suas imagens e opiniões via webcam, para um talk show. Os telespectadores podem participar também através de celular, enviando mensagens ou imagens. A inovação é um canal que depende da interatividade por outros meios, e não somente pelo controle remoto. Para Robert Chua, “o espectador não mais quer ser passivo, quer interagir o quanto puder.” Esta também é a posição de Ian Valentine, CEO da Miniweb Interactive, da Inglaterra. “Como a Internet torna-se cada vez mais em uma TV, a TV inevitavelmente precisa caminhar no sentido da Internet”, diz. O aprendizado hoje é focado na interface. “Enquanto na Internet você tem uma tela de alta definição e um mouse e teclado a mão, o que chamamos de interface de um metro (three-foot), na TV você esta longe do aparelho, no seu sofá, com no

“O espectador não mais quer ser passivo, quer interagir o quanto puder .” Robert Chua, do Interactive Channel 44

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máximo um controle remoto nas mãos, o que chamamos de interface de três metros (ten-foot). Você não pode simplesmente passar de uma interface para outra. Não vai funcionar”, conclui. Valentine cita dados da Gartner, empresa de pesquisa na área tecnológica, que prevê um numero global de 48,8 milhões de assinantes de IPTV para 2010, contra os 6,4 milhões do ano de 2006, gerando uma receita ainda modesta de US$ 13,2 bilhões. Isto deve incrementar ainda mais a receita de propaganda da Internet, que desde 2004 só é menor que a TV. Quando falamos de YouTube, pensamos em futuro de vídeos fragmentados, caseiros. A Azureus, uma empresa de compartilhamento de arquivos tipo torrent, lançou uma plataforma de download para vídeos de alta qualidade, com a qual a empresa espera ver o novo YouTube. “Câmeras de vídeos de alta resolução por menos de US$ 1 mil e a rápida adoção de TV com HDTV nas casas são fatores que garantem que o entretenimento de alta definição tem seu lugar”, diz Chris Maliwat, diretor de produto da empresa. foto: rodrigo sabatini

N

os dias 13 e 14 de março aconteceu em São Francisco, Califórnia, o 1º The TV of Tomorrow Show, organizado por Tracy Swedlow, CEO e fundadora da ITVT, newsletter da industria da TV interativa e multiplataforma dos EUA. Estavam reunidos mais de 300 CEOs desta indústria, incluindo operadores, produtores, desenvolvedores de softwares, hardware, integradores e criadores de conteúdo. O evento chama a atenção por ser um dos primeiros após o fenômeno YouTube ser adquirido por US$ 1,6 bilhão, e por estar no epicentro desta revolução, na terra do Google, exemplo maior da nova economia da web 2.0. Os temas foram analisados sob a ótica estratégica. Discussões sobre padrões, plataformas que poderão predominar, o comportamento do telespectador, ou usuário, a TV na Internet, a Internet na TV, a Internet com a TV, a propaganda, a propaganda interativa, o celular com a TV, a TV no celular, a TV de alta definição, a TV para interagir, a TV para assistir, a TV para jogar, a TV para tudo. Paralelo ao fórum, uma feira trazia alguns dos provedores de soluções para a interatividade na TV e uma exposição de arte com artistas locais demonstrando sua visão sobre a influencia da televisão em nossa vidas. Desde o início do evento, a atmosfera criada é de dúvida, tantas são as possibilidades, as tecnologias. Todos a espera de um boom, cujo estopim pode ter sido o YouTube.

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Seleção Esta popularização da produção leva a outra grande preocupação na indústria: os direitos autorais. Com a popularização do conteúdo feito pelo usuário, crescem as diligências em torno dos direitos, guerra que o YouTube ainda enfrenta. Steve Tranter, diretor de interatividade da fabricante de sistemas de acesso condicional NDS, diz que há

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N達o disponivel


( evento) diferenças no mercado de TV interativa americana em relação a outras regiões, devido ao número de plataformas de TV a cabo, o que dificulta a interatividade. “O número de canais está crescendo rapidamente. Não me surpreenderia se em poucos anos tivermos mais de mil canais. Os assinantes esperam é por ferramentas que os ajudem a encontrar o conteúdo”, diz Tranter. Com tantos canais, o consumidor precisa de ferramentas que o auxiliem a achar, gravar e ver conteúdo. Por isto o sucesso nos EUA dos PVRs (gravadores digitais), como o TiVo ou o XTV, da própria NDS. O processo já fragmentou o conteúdo, fazendo do consumidor o programador, com o controle de sua grade de exibição. Na ultima semana a Apple lançou seu novo aparelho, o AppleTV, que com o seu iTunes será como um PVR, e que alguns apontam como mais um grande sucesso da marca, sendo uma tendência na TV assim como o iPod foi para a musica. Na Europa, o uso do “botão vermelho” (do controle remoto) facilita o acesso à interatividade, possibilitando a busca de informação, a votação ou a compra via TV. O avanço está no design, envolvendo vídeo de alta definição, com efeitos avançados e libertando-se dos

pesquisando meios para criar espaços que chamamos de propaganda, mas são não invasivas, e podem e/ou devem adicionar valor ao produto (conteúdo)”.

Com tantos canais, o consumidor precisa de ferramentas para achar, gravar e ver o conteúdo.

botões e caixas de diálogos. A questão não é tecnológica, mas sim de conceito, comportamento dos telespectadores e adequação do conteúdo. O grande desafio ainda é a propaganda interativa, para a qual a participação do usuário é essencial, exigindo do criador um conteúdo envolvente. Em recente pesquisa, realizada pela Forrester Research, com 6 mil usuários de PVR (Personal Video Recorder) nos Estados Unidos, 53% disseram que querem escapar dos comerciais facilmente, ao passo que 47% querem gravar um conteúdo enquanto assistem a outro. Dale Herigstad, diretor de criação da Schematic, empresa especializada em design para o mundo digital, diz: “Eu quero enfatizar que o que estamos fazendo ainda é experimental. São porém necessários novos caminhos da propaganda, porque as pessoas estão fugindo dos comerciais. Nossos comerciais estão envolvidos em games ou estórias. Estamos

o que as pessoas querem da tv do futuro Características de PVR

Características de VOD

Pular comerciais Gravar um programa enquanto assiste a outro Pausar a TV Guia de programação na tela Gravar programas com facilidade Acessar a previsão do tempo com um único botão do controle Receber mais de 100 canais digitais Acesso on-demand a filmes (lançamentos) Acesso on-demand a séries de TV a cabo Acesso on-demand a canais premium de filmes Acesso on-demand a programas da TV aberta Acessar notícias e esporte com um único botão do controle Participar de game shows Votar em pesquisas na TV Mudar de ângulo durante um jogo Jogar Receber recomendações personalizadas Pedir comida Receber estatísticas durante os jogos esportivos Obter mais informações sobre produtos Comprar ingresso de cinema

53% 47% 32% 31% 31% 31% 28% 27% 26% 25% 24% 22% 18% 15% 15% 13% 13% 12% 11% 8% 8%

Fonte: Forrester Research. Pesquisa realizada com 6 mil pessoas nos EUA. PVR = Personal Video Recorder. VOD = Video on Demand.

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Telinha Assim como em grandes displays, a TV estará cada vez mais em nossos celulares, que não só serão utilizados para interagir, como também para assistir televisão via streaming. Sobre as dúvidas se este mercado ainda tem espaço para crescer, Phillip Alvelda, chairman e CEO da MobiTV, empresa especializada em convergência de televisão, filmes e musica pelo celular, lembra: “Em setembro de 2005 tínhamos 500 mil assinantes, e levamos dois anos para chegar a este numero. Seis meses depois já tínhamos mais de um milhão.” Mas o crescimento depende muito da tecnologia instalada e aparelhos disponíveis no mercado. Com uma sopa tão grande de tecnologias e possibilidades, a convergência de mídias é na verdade o que envolve tudo. E neste cenário, o celular tem função importante na coleta de informações e principalmente na cobrança dos serviços interativos. Toda esta transformação faz com que os paradigmas mudem, e o conceito TV está mudando também. Podemos e teremos o mesmo conteúdo em alta definição para ser assistidos em nosso sofá, com qualidade, informação e interatividade, com ou sem propaganda ou propaganda que se torna conteúdo. Veremos vídeos em nosso celular e em nosso computador ao mesmo tempo em que estaremos interagindo via mensagem, texto, voz, webcam. O “cyberespaço” está na verdade sendo ocupado pelo conteúdo multimídia, gerados de múltiplas formas e providas por todos, empresas e usuários. E para todos haverá um equipamento adequado para acessá-la. A grande revolução que está acontecendo não é tecnológica, mas sim de comportamento, promovido por uma nova geração, cujos hábitos ainda são indefinidos, tendo porém um ponto comum, a participação, a interatividade.


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( tecnologia)

Brasileiros vão às compras Com demanda por ambientes de produção digitais e tapeless e às vésperas da transição para a TV digital, emissoras e produtoras vão a Las Vegas em busca de novas soluções, do HD mais robusto ao HDV.

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formatos HD mais sofisticados, com captação tapeless. A grande maioria deve recorrer ao HDV, gastando bem menos, já que os equipamentos, além de custarem menos, já vêm com lentes embutidas e não exigem muitos acessórios. O mesmo deve acontecer com grande parte das produtoras.

foto: arquivo

NAB 2007, que acontece entre os dias 14 e 19 deste mês de abril em Las Vegas, será marcada pela procura por todo o tipo de solução tecnológica ligada à produção e transmissão de televisão. Pelo menos é o que pensam alguns fornecedores ouvidos por Tela Viva. Qualquer desavisado concorda com a afirmação, achando que o início das transmissões digitais de televisão em dezembro deste ano é a grande causa dessa procura por novos equipamentos. Todavia, tanto fornecedores quanto radiodifusores esclarecem que o momento é de investimento na digitalização e na alta definição, mas esse investimento seria igualmente fundamental mesmo que não estivéssemos à beira do início das transmissões digitais. Dos radiodifusores brasileiros que já trabalham com aquisição digital de material (não são muitos, se levarmos em conta as várias pequenas geradoras afiliadas espalhadas pelo país), são poucos os que contam um workflow mais sofisticado, e pouquíssimos os que já contam com arquivo digital. “A tecnologia tapeless é o grande motor das vendas atualmente”, diz um fornecedor. Gradualmente, os radiodifusores e produtores de conteúdo começam a enxergar um melhor aproveitamento de seu conteúdo, quando ele é digitalizado, catalogado e colocado à disposição em uma rede. Assim, o material de arquivo pode ser usado em matérias do dia-a-dia, sem a necessidade de uma equipe responsável pela pesquisa no acervo da casa. Na época da digitalização

do acervo da BBC, uma das primeiras no mundo a digitalizar todo o seu conteúdo, comentava-se que a equipe de catalogação deste acervo havia encontrado conteúdos que a emissora sequer sabia que existia, incluindo material inédito dos Beatles, ainda no início da carreira. Diversas são as soluções disponíveis, que vão desde sistemas integrados dentro da própria emissora até as soluções fechadas, formadas por servidor, ilhas de edição, sistema de gerenciamento de conteúdo etc. Mas e a transição para a TV digital? Uma emissora de médio porte, com produção própria apenas de jornalismo, pode gastar entre R$ 1,5 milhão e R$ 3 milhões para estar pronta para as transmissões digitais, com produção em HD a transmissor digital. A expectativa é que menos de 20% dos radiodifusores tenham capacidade para tal investimento, mesmo com a linha de crédito criada pelo BNDES, já que são poucos os que estão preparados para as exigências do banco. São estes 20% que investirão nos 48

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Evento Os seminários da NAB este ano parecem feitos sob medida para o momento pelo qual o Brasil passa. Nas tradicionais Super Sessions, serão abordados temas como mídias móveis, IPTV e o mercado global de TV digital. Algumas sessões ganham destaque no evento. Nas palestras Telecom@NAB2007, por exemplo, será abordado o indefectível tema da convergência digital. A viabilidade da IPTV, por exemplo, é abordada nos seminários “What Flavor of IPTV is Right for You: Vanilla, Chocolate, Strawberry… Maybe Neapolitan?”, e “IPTV Wanted...Must Do HD”. Durante três dias, o Podcasting Summit abordará a produção e distribuição para a nova mídia impulsionada pela Apple. O conteúdo para celulares também não fica de fora. Os seminários da NAB abordarão as técnicas de produção e empacotamento e o modelo de negócios, dentro do MoTV: Mobile TV and Video Forum, no dia 17. Serão abordados dois modelos de distribuição: “one-to-one”, de vídeo sob demanda ou streaming; e o modelo broadcast “one-to-many”. Em 2006, David Rehr, presidente da NAB, fez um discurso acalorado na abertura do evento, afirmando que


a entrada das teles na distribuição de conteúdo era a abertura de novas oportunidades de negócios. Segundo ele, os radiodifusores são os donos do conteúdo, e conhecem os gostos e hábitos do publico. Os brasileiros têm encontro marcado no Encontro SET e Trinta 2007, organizado pela Sociedade de Engenharia de Televisão. O evento de três dias, como acontece todos os anos, contará com palestras de fornecedores no primeiro e no último dia. No segundo dia, serão abordados os Cenários Preditivos Mundiais - Emissoras, Associações, P&D. A associação optou por não refazer na NAB as apresentações referentes às normas do padrão brasileiro de TV digital, uma vez que a maioria dos presentes já assistiu tal apresentação em evento realizado no final de março, em São Paulo (leia matéria à pág. 14).

feira mundial A NAB anunciou um recorde na participação de delegações internacionais no evento este ano. Segundo a associação, 82 participarão do evento, contra 72 (com 25 mil pessoas) em 2006. Segundo a organização do evento, cerca de um quarto dos participantes do evento serão estrangeiros.

O evento da SET em Las Vegas acontece, sempre às 7h00, nos dias 16, 17 e 18 de abril, nas salas da associação (N111 e N112 do Las Vegas Convention Center). Tecnologia De tempos em tempos, a NAB fica marcada pelo lançamento de uma tecnologia específica. Isso já aconteceu com a edição não-linear, as plataformas digitais de gravação, as soluções para gerenciamento de conteúdo, o HDV e os equipamentos para gravação sem fita.

Para este ano, não se espera uma nova tecnologia revolucionária. Todavia, a briga pelos formatos tapeless está cada vez mais acirrada, uma vez que todos os fabricantes, como a Sony com seu Blu-Ray, a Panasonic com o P2 e a Grass Valley com seu sistema misto de memória sólida e cartucho magnético já contam com equipamentos prontos, não apenas demos de tecnologias por vir. Também, os ambientes de produção já estão mais consolidados, com equipamentos de diferentes fabricantes compatíveis entre si. Além disso, todos os desenvolvedores de softwares para edição e finalização começam já contam com versões para os Macs com chip Intel, e devem anunciar suas versões também para o novo Windows Vista. (fernando lauterjung)


( upgrade )

Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Show de tecnologia A NAB apresenta anualmente os principais lançamentos do ano dos mais variados fabricantes de equipamentos. Veja algumas das novidades que serão apresentadas no evento, que acontece de 14 a 19 de abril, em Las Vegas.

fotos: divulgação

Estado sólido

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Panasonic apresenta na NAB 2007 uma série de produtos baseado em sua tecnologia de gravação sem fitas, usando os cartões de memória em estado sólido P2. Os cartões usam a interface de comunicação PCMCIA (ou PC Card), disponível na maioria dos laptops. O destaque no estande da fabricante nipônica será a camcorder AG-HPX500 P2, para uso no ombro. Trata-se da irmã mais velha da já bem conhecida HVX200, apresentando suporte aos formatos DVCPRO HD e SD, 4:2:2. O equipamento trabalha com lentes intercambiáveis de 2/3 de polegada, com aquisição multiformato (1080i, 720p, 480i, e 576i) e gravação em DVCPRO 50, DVCPRO e DV. Como no modelo predecessor, a nova camcorder incorpora a funcionalidade de frame rate variável: 24p, para produções que precisem de “film look”; 60p, para esportes, e gradual com 11 diferentes níveis entre 12 fps e 60 fps. A AG-HPX500 suporta até quarto cartões P2. Com cartões de 16 GB cada (veja mais informações abaixo), a camcorder pode armazenar até 64 minutos de gravação, no formato DVCPRO HD 60p, até 256 minutos, no formato DVCPRO. As portas de comunicação presentes no equipamento são: IEEE 1394, USB 2.0, HD SDI/SDI, vídeo componente e quatro entradas de áudio XLR. O equipamento começará a ser distribuído em maio, com preço abaixo dos Ä 14 mil, segundo o fabricante. Outra camcorder que será

Nova camcorder da Panasonic, com gravação em cartões P2, de memória em estado sólido.

óptica de imagem. A AG-HSC1U suporta o formato de gravação H.264 (MPEG-4) e grava 88 minutos de vídeo em um cartão SDHC de 4 GB.

apresentada no evento em Las Vegas é a AG-HSC1U AVC HD. Trata-se, segundo a Panasonic, da menor câmera profissional com três CCDs AVC HD com gravação em 1080i. Além disso, trata-se da primeira a contar com um sistema de gravação de áudio surround 5.1 embutido na câmera. Como não há partes móveis, a camcorder funciona silenciosamente e é menos suscetível a danos causados por vibração e choques. A lente Leica Dicomar que equipa a camcorder é formada por 13 lentes em dez grupos, abertura F1.8 e diâmetro de filtro de 43 mm. Conta ainda com estabilização 50 •

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Maior capacidade A mídia de gravação P2, baseada em memória em estado sólido, ganha o dobro de capacidade, com o lançamento de cartões com 16 GB. Os cartões estarão no mercado a partir de maio. Além disso, a fabricante demonstrará os cartões com 32 GB de capacidade. Com isso, cada cartão poderá armazenar 32 minutos em DVCPRO HD, 80 em DVCPRO HD 720p, 64 em DVCPRO 50, e 128 minutos em DVCPRO. Como algumas câmeras trabalham com até cinco cartões, a capacidade de armazenamento pode chegar a 160 minutos de conteúdo DVCPRO HD.


Cinema digital

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Sony Brasil apresenta ao mercado de broadcast sua nova camcorder da linha CineAlta, a F23, já abordada em matéria de Tela Viva (edição 168). O equipamento, que estará na próxima NAB, grava imagens 4:4:4 em resolução 1920 por 1080. Equipada com três CCDs progressivos com 2,2 Mb e tamanho de 2/3 polegadas, assim como um conversor A/D de 14 bits, a F23 é compatível com os formatos 1080/23,98P, 24P, 29,97P, 50P, 59,94P, 50i e 59,94i. Com preço sugerido de US$ 150 mil, a camcorder conta com o mesmo projeto da câmera HDC-F950, porém incorpora diversas características novas, acrescentadas para atender diretamente às sugestões recebidas de profissionais de produção. O corpo do novo equipamento é compatível com uma variedade de acessórios de filmadoras, inclusive placa-ponte, caixas com acabamento mate e unidades

Sony renova linha CineAlta com F23, baseada na HDC-F950.

de foco móvel. Esses acessórios podem ser conectados à unidade sem modificação. Para maior durabilidade e confiabilidade, e para resistir às numerosas trocas de lentes freqüentemente necessárias nas locações de filmagem, a F23 utiliza um material mais rígido para o suporte das lentes (tipo B4). Quando utilizado com o gravador de vídeo SRW-1 da Sony, o sistema da nova câmera captura e grava imagens em velocidade variáveis de 1 a 60P (1P a 30 FPS em 4:4:4 e 1P a 60 FPS em 4:2:2) e

resolução de alta definição de 1920 X 1080 pixels. A camcorder pode ser operada ainda com o controle remoto do “Painel Assistente”, que acompanha o produto. Este dispositivo é conectado à câmera com um único cabo e permite executar remotamente as operações básicas da câmera e do gravador de vídeo, tais como gravar/ parar, modificando a freqüência de tomadas e o ângulo de obturação.

Funcionalidades

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Thomson/Grass Valley apresenta no evento o editor não-linear Edius SP SDI, que usa aceleração gráfica PCI Express em plataforma PC. A base do lançamento é o Edius Broadcast NLE 4.0, que suporta múltiplas layers e formatos em tempo-real. A nova versão, graças à placa de aceleração gráfica, conta com portas de entrada e saída SDI para definição standard. Outro lançamento anunciado relacionado à tecnologia da Thomson é da Fast Forward Vídeo, que desenvolverá uma nova solução de gravação acoplável nas câmeras analógicas já existentes incorporando o drive REV PRO, da Thomson. Trata-se de um conversor A/D que converte o sinal analógico em digital, para que possa ser gravado nos discos REV PRO. Com isso, as câmeras analógicas podem passar a integrar um workflow sem fitas. Controle remoto O novo LCP400 promete mudar o workflow de produção, principalmente de jornalismo. Trata-se de um software que roda em PDAs ou smart phones com Windows Mobile 5, permitindo acesso remoto aos metadados e às funcionalidades das câmeras da linha Infinity. A comunicação com a câmera se dá através de Bluetooth, usando um adaptador conectado à porta USB da câmera, ou ainda WiFi. O acesso às funções da câmera e aos metadados pode acontecer mesmo durante a gravação de cenas. O software custará US$ 499, sem incluir o custo de equipamento (PDA ou smartphone).

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Thomson lança placa PCI Express para editor Edius e software para controle remote de câmeras em PDAs (ao lado)


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3D direto da timeline A Boris FX apresenta no evento em Las Vegas o Boris Blue 2.0, aplicação para criação de gráficos em movimento. A nova versão conta com um plugin que permite criar efeitos usando modelos 3D diretamente da timeline das ilhas Avid baseadas em Windows XP. Com isso, não é mais necessário exportar/importar efeitos entre as duas soluções. A solução agora permite exibir, simultaneamente, múltiplas perspectivas de uma cena 3D na janela de composição. Uma melhoria na solução de Câmera 3D, possibilitando manter o foco em um único objeto ou ponto do cenário em uma cena animada. O software custará US$ 995.

Soluções integradas A Da Vinci Systems e a Bright Systems apresentam no evento um sistema integrado, baseado na tecnologia das duas empresas. Com o lançamento, a suíte de masterização Da Vinci Resolve passa trabalhar em conjunto com a solução de armazenamento compartilhado de mídia BrightDrive. O lançamento leva até as finalizadoras um workflow mais eficiente para intermediação digital.

Nova versão do Boeris Blue permite criar efeitos diretamente da timeline do Avid.

Avid nos novos Macs A Avid passa a suportar os computadores Apple com processadores Intel com o Media Composer 2.7 e o Xpress Pro 5.7. Com isso, ambas as soluções passam a rodar não apenas nos desktops, mas também nos laptops Mac. Além disso, as soluções passam a suportar as mídias XDCAM (da Sony) e P2 (da Panasonic) não apenas para leitura, mas também para gravação de material, dando aos editores mais liberdade ao trabalhar com estas mídias e usá-las como ferramenta de troca de arquivos. Também passam a suportar o formato HD 720p 50Hz.

Pacote renovado

Media Composer (acima) e Xpress Pro ganham versão para Apple com processadores Intel.

A Adobe deve apresentar em Las Vegas a próxima versão da suíte Production Studio, com lançamento previsto para meados de 2007. O conjunto de ferramentas para pós-produção integrada de áudio e vídeo estará disponível para as plataformas Macintosh e Windows. A solução, que integra soluções de pós-produção, combina os aplicativos After Effects, para composição, efeitos e animação; Premiere Pro, para edição não-linear; Encore DVD, para autoria de DVD; Photoshop e Illustrator, assim como o Dynamic Link, que permite uma integração entre as soluções para os ambientes de edição em tempo real HD, SD e DV.

Keying e workflow A VDS apresenta na NAB o Twister PaintStation HD V8, um utilitário para pintura, criação de gráficos e workflow desenhado para uso em televisão. A solução combina ferramentas para criação de gráficos com um browser customizado para resolver o workflow. O browser permite que o usuário mova conteúdo entre praticamente qualquer dispositivo da rede, local ou remoto. O Twister PaintStation HD permite inserir gráficos SD/HD em tempo real sobre o conteúdo para exibição. Pode também alternar entre os modos HD e SD com apenas um click. Outras novidades são a possibilidade de agrupar e desagrupar objetos e melhorias na ferramenta de mask.

Twister PaintStation: pintura, gráficos e workflow.

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( agenda ) ABRIL

14 a 19 NAB 2007. Las Vegas Convention Center, Las Vegas, EUA. Tel.: (1-202) 595-2052. E-mail: register@nab.org. Web: www.nabshow.com 14 e 15 MipDoc. Noga Hilton, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: justask@reedmidem.com. Web: www.mipdoc.com 16 a 20 MipTV/Milia. Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: justask@reedmidem.com. Web: www.miptv.com

23 a 27 Fiap — Festival Iberoamericano de la Publicidad, Buenos Aires, Argentina. Tel.: (54-11) 4311-2242. E-mail: fiap@fiap.com.ar. Web: www.fiaponline.net 23 a 29 10 º Cine PE — Festival do Audiovisual, Recife, PE. Tel: (81) 3461-2765. Web: www.cine-pe.com.br. 28 a 6/5 Curta-se: 7° Festival LusoBrasileiro de Curtas Metragens de Sergipe, Acaraju, SE. Tel.: (79) 3246-6265. E-mail: mostras@curtase.org.br. Web: www.curtase.org.br

16 a 20 6° Festival Curta Natal de Cinema e Vídeo, Natal, Rio Grande do Norte. Tel.: (84) 9924. 7010. E-mail: tiomichel@gmail.com. Web: www.curtanatal.com.br

MAIO

20 e 29 Hot Docs Canadian International Documentary Festival, Toronto, Canadá. Tel.: (416) 203-2155. Web: www.hotdocs.ca

7 a 9 NCTA — The Cable Show ’07, Las Vegas, Nevada, EUA. Tel.: (202) 222-2430. E-mail: thecableshow@ncta.com.

5 a 9 Rose D’Or, Lucerne, Suíça. Tel.: (41-44) 265-5601. E-mail: info@rosedor.ch. Web: www. rosedor.com

Web: www.thecableshow.com 13 a 20 Festival de Curtas Metragens de Direitos Humanos — Entre Todos, São Paulo, SP. E-mail: info@entretodos.com.br. Web: www.entretodos.com.br. 15 e 16 VI Tela Viva Móvel, Frei Caneca Convention Center, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3214-3747. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br. 16 a 27 Festival de Cannes, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 5359-6100. E-mail: festival@festival-cannes.fr. Web: www.festival-cannes.org. 30 e 31 8º Fórum Brasil - Mercado Internacional de Televisão, Frei Caneca Convention Center, São Paulo, SP. Tel: (11) 3120-2351. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.forumbrasiltv.com.br.


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Revista Tela Viva 170 - Abril 2007  
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