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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 15_#164_set2006

TV DIGITAL:

começou o processo

Sem perspectivas de novas receitas imediatas, emissoras� debatem o financiamento da implantação

mercado

Operadoras e teles declaram � guerra pelo assinante de TV

exportação

Film commissions brasileiras� buscam fortalecimento e articulação


N達o disponivel


Foto: marcelo kahn

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André Mermelstein

a n d r e @ t e l a v i v a . c o m . b r

De monopólios e concorrências

A

sociedade vem se preparando há anos para a convergência tecnológica. Ainda assim, quando ela chegou, veio atropelando tudo o que estava na frente. Fica evidente, ao observar-se as discussões intensas que vêm acontecendo no Brasil e em praticamente todos os demais países, que a tecnologia e o novo ambiente de negócios deixaram para trás, a centenas de quilômetros, as velhas regras dos setores de comunicação e telecomunicações, que nunca estiveram tão próximos. De repente, a separação entre as diferentes plataformas de serviços ficaram irrelevantes. Vídeo, voz e dados podem trafegar por qualquer meio, de redes ópticas a fios de cobre, satélites, microondas... E as prestadoras de serviço, tradicionalmente sedimentadas em nichos específicos, passam a falar em triple ou quadruple play, na prestação de múltiplos serviços, que até há pouco eram estranhos aos seus negócios. No Brasil, a discussão já virou guerra (veja matéria nesta edição). De um lado, está a ABTA, defendendo o interesse dos operadores de TV por assinatura. De outro, as teles, que querem entrar no setor de TV paga pelo céu (DTH) e pela terra (cabo). No meio, está a Anatel, tentando ajustar os interesses. Estão também os programadores e fornecedores, que querem ver o mercado de conteúdos por assinatura crescer, e querem mais investimentos. E está por fim o consumidor, a espera de um serviço melhor, mais completo, mais barato e com mais alternativas. A ABTA tem uma posição dura. Não quer permitir a entrada das teles em seu território, pelo menos não no modelo que estão propondo. A associação tem um argumento forte: o de que empresas tradicionalmente monopolistas tendem a permanecer monopolistas quando entram em novos setores. O argumento ganha legitimidade quando se olha os exemplos passados de comportamento das teles. Por outro lado, as teles não podem ser pré-acusadas de concorrência abusiva em um mercado no qual ainda nem entraram. Nesse quesito, o trabalho dos órgãos de defesa da concorrência será o de garantir a competição justa, equilibrada e saudável. Existem ainda dezenas de aspectos jurídicos confusos que precisarão ser esclarecidos. A regulamentação dos setores de TV paga, comunicação social e telecomunicações está tão desarrumada que qualquer decisão será injusta para algum lado. Mas o problema transcende o trabalho dos advogados. É uma questão de mercado. Mais do que uma discussão sobre quem entra na praia de quem, trata-se de não impedir o surgimento de inovações que possam ser benéficas para o consumidor. As ameaças a este objetivo estão dos dois lados: do lado de quem pode abusar de uma posição econômica vantajosa, como as teles, e também de quem se sente ameaçado e, portanto, busca fechar o mercado, como as operadoras de TV. Agora, mais do que nunca, a atuação reguladora do Estado será necessária. Com a palavra, Cade e Anatel.

ilustração de capa: Ricardo Bardal

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Ano15 _164_ set/06

(índice ) TV digital

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scanner figuras mercado

6 12 22

internacional

26

no ar audiência making of exportação

32 34 36 38

produção

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cinema

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evento

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upgrade agenda

56 58

Passada febre da escolha do � padrão, radiodifusores apontam � primeiros desafios para a transição

ABTA e teles declaram guerra pelo � mercado de TV por assinatura Como no Brasil, mercado asiático � discute o impacto da tecnologia� e da chegada de novos players

Mesmo sem regulamentação � específica, film commissions buscam � formas de vender o Brasil lá fora Produtoras e canais buscam parceria � com anunciantes para viabilizar � produções sem leis de incentivo

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(cartas)

Majors buscam conteúdo para � explorar em todas as janelas

Broadcast & Cable exibe as novas tecnologias para TV

Prezados senhores, Estou adorando as matérias sobre TV digital. Porém, estou com uma dúvida: por que o nosso � padrão é chamado de terrestre (SBTVD-Terrestre)? Romildo Martins Salvador, BA

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Romildo, Falamos em TV digital terrestre para diferenciar dos sistemas via � cabo ou satélite. Refere-se à transmissão por radiodifusão a � partir de antenas terrestres.

50 Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários � e sugestões para cartas@telaviva.

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( scanner ) fotos: Divulgação

Novelas para celular A direção da Oi planeja lançar novelas para telefonia móvel (mobisodes) ainda neste ano, com produção local. A operadora está estudando e selecionando roteiros, o que deverá abrir espaço para os produtores desse tipo de conteúdo, segundo a diretora de conteúdo e serviços da Oi, Fiamma Zarife. A empresa vai lançar também streaming de vídeo neste ano ou no início de 2007, com opção para a oferta de conteúdos ao vivo e para conteúdos que não precisam ser armazenados na memória do celular. A plataforma tecnológica é fornecida pela Motorola, mas é multidevice, isto é, atende a todas as marcas de telefone celular. “Ping-Pong”: um dos 20 filmes produzidos para a Epson.

Dez milhões � de televisores em 2006

Força de trabalho Com a mobilização de mais de 80 profissionais e 30 atores, a JereFilmes e a Pix Post and Animation Studio produziram 20 filmes criados pela FabraQuinteiro para a campanha da Epson. � Com o conceito “Pense Epson”, � a campanha foi pensada inicialmente para a Internet � (no site www.penseepson.com.br), mas com os resultados, a � empresa decidiu colocá-la também na televisão. As peças contam com técnicas de filme e animação, como stop-motion, motion graphics, 3D e composição. Esta é a primeira campanha da Epson totalmente criada e produzida no Brasil, onde será veiculada durante 18 meses. � A mesma campanha deve ser exibida em outros países da América Latina. Para a criação, a FabraQuintero convocou 70 funcionários, desde financeiros a diretoras, para a criação dos roteiros. Isso resultou em 120 opções de roteiro para os filmes. � A direção de criação é de Paschoal Fabra Neto, e a direção dos filmes � é de Rodrigo Moreira.

As vendas de aparelhos de TV devem somar, no final do ano, dez milhões de unidades, de acordo com a estimativa da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos). Trata-se do maior patamar já atingido no Brasil, mas representa, de acordo com a entidade, � um crescimento de apenas 5% sobre 2005 — nos últimos anos as vendas dos televisores cresceram entre 15% e 20%. As vendas para o varejo tiveram um recuo de 35% em julho, comparadas ao mês de junho. De acordo com a entidade, após crescer 37,84% no primeiro semestre, em função da Copa do Mundo e da demanda pelas novas tecnologias de LCD e plasma, as vendas de televisores registraram queda no início do segundo semestre. A projeção dos fabricantes é que as vendas do segundo semestre representem 40% do total comercializado no ano.

Filmes dirigidos por Pedro Becker transformam maridos em “mammas”.

“Mammas” italianas tomam conta da cozinha A Loducca apostou nos conhecimentos das verdadeiras “mammas” italianas para promover a Pasta Pronta da Nissin. Os três filmes de 15 segundos da campanha bem-humorada foram produzidos pela Margarida Flores e Filmes, com direção de Pedro Becker. Nos comerciais, um casal conversa rotineiramente na cozinha e quando o marido vai preparar a Pasta Pronta ele se transforma em uma típica “mamma” italiana, com vestido, peruca, óculos, brincos e anéis. Com a mesma idéia, cada um dos três filmes tem um final diferente: no primeiro, a mulher grita ao ver o marido e ele grita também. Já no segundo, enquanto a mulher grita, o marido/mamma suga um longo fio da massa tranqüilamente. No último filme, a mulher não grita e apenas olha chocada para o homem enquanto ele suga o fio do macarrão. A campanha tem direção de criação de Guga Ketzer.

Primeira campanha nacional

Primeira campanha da � Cacau Show aposta em � apelo emocional.

A Cacau Show, franquia de chocolates finos com 285 lojas espalhadas pelo País, disponibilizou R$ 7 milhões de verba de marketing e lançou em agosto a sua primeira campanha publicitária nacional. Criada pela QG Propaganda, por Paulo André Bione, Haroldo Silva e Leandro Leal, com direção de criação de Sérgio Lopes e Paulo André Bione a campanha conta com filme, anúncios, spot e material de ponto de venda. O filme foi produzido pela Film Planet, com direção de Flávia Moraes, e mostra um garotinho utilizando a ajuda de um dos produtos da marca para pedir em namoro a sua candidata — o produto é o “Sweet Message”, um mosaico de letras de chocolate que formam frases da escolha do cliente. 

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Almodóvar em comercial brasileiro

Pedro Almodóvar

O Instituto Criar de TV e Cinema ganhou um comercial estrelado pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar. O filme foi feito para a divulgação do Instituto e terá exibição nas salas de cinema do Cinemark. No filme, criado por Tomás Lorente, Almodóvar se apresenta e fala sobre a iniciativa da entidade em capacitar jovens de baixa renda na área do audiovisual. “Quisera eu ter tido uma escola como essa na Espanha”, diz o cineasta. A produção é da Brasileira Filmes, com direção de Bia Flecha.

Expansão de salas cariocas O grupo exibidor Botafogo poderá contar com o financiamento do BNDES para a sua expansão. Foram disponibilizados R$ 4,6 milhões — de um orçamento total de R$ 9,9 milhões — para a implantação de complexos de exibição em Botafogo e na Gávea, na cidade do Rio de Janeiro. Os dois novos complexos, que serão inaugurados ainda este ano, fazem parte de uma estratégia que prevê a abertura de cerca de 30 novas salas de exibição ao longo dos próximos cinco anos. Contarão com cinco salas cada um, além de um café Ateliê Culinário e uma loja de venda livros, CDs e DVDs e/ou vídeo-locadora especializada.

Marionetes no Cartoon Os personagens do Cartoon Network podem agora interagir entre si em vinhetas exibidas no canal, com produção da TV Pingüim. São 27 vinhetas de 10 segundos (além de uma para a abertura e uma de encerramento, de 15 segundos cada) que mostram 20 personagens do canal transformados em marionetes e interagindo entre si. As vinhetas são exibidas nos intervalos do programa “Cartoon Cartoons”. “A idéia do canal é descontextualizar os personagens, colocando-os em situações e diálogos que normalmente não aconteceriam”, diz Kiko Mistrorigo, da TV Pingüim. Para isso, os produtores usaram o contraste de cenas “analógicas” das marionetes, com a animação “limpinha” e digital do canal. A produção foi encomendada pelo canal, sem a utilização de leis de incentivo. As vinhetas, que estão no ar desde o início de agosto, devem ser exibidas até o final do ano.

Cenário devastado e sombras marcam comercial � do Hopi Hari.

Horror multimídia O principal evento do parque temático Hopi Hari, a “Hora do Horror”, ganhou uma campanha publicitária que conta com anúncios em revista, outdoor, busdoor, painéis, filme, spot, além de um hot site. A campanha foi criada pela QG Propaganda, a partir do conceito “Sob o domínio das sombras”. O filme, com direção de Fernando Rocha e produção da Pix Post, mostra um cenário devastado pela luta, em meio às sombras, numa era medieval. No hot site (www.horadohorror.com.br) podem ser encontradas informações sobre os personagens, sistema viral de E-cards — em que o usuário conquista descontos na compra do passaporte de acordo com o número de amigos indicados e cadastrados — wallpapers, protetores de tela, entre outros. A direção de criação é de Sérgio Lopes e Paulo André Bione.

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Programa de Lula fala pouco de comunicação mais detalhado do que o de 2002, que além de não ter os três itens deste ano, não fazia referência à radiodifusão comunitária ou à produção regional e independente. No programa de 2002 havia algumas referências a fatos que acabaram acontecendo. Em relação à TV digital, a coligação propunha que o assunto fosse debatido no âmbito da política de semicondutores, enquanto no setor de telecomunicações, que não foi sequer mencionado este ano, diagnosticava um problema da falta de opções de serviço em localidades de menor poder aquisitivo e pouca competição, e propunha um novo modelo tarifário do serviço telefônico. foto: Fernando Bizerra Jr/BG Press

O programa de governo da candidatura do presidente Lula à reeleição, lançado em agosto, traz poucas linhas sobre as comunicações. O documento lista as seguintes preocupações: “1) Construir um novo modelo institucional para as comunicações, com caráter democratizante e voltado ao processo de convergência tecnológica. 2) Incentivar a criação de sistemas democráticos de comunicação, favorecendo a democratização da produção, da circulação e do acesso aos conteúdos pela população. 3) Fortalecer a radiodifusão pública e comunitária, a inclusão digital, as produções regional e independente e a competição no setor”. Embora econômico, o programa do PT em relação às comunicações é

foto: Divulgação

Campanha destaca cuidados com o corpo Criada pela Talent, a nova campanha da Rainha conta com cinco filmes de 30 segundos para diferentes mídias: dois foram feitos para a veiculação em cinema e TV e outros três para o MTV Overdrive, canal via Internet do qual a Rainha é patrocinadora-fundadora. Com a assinatura “Você só tem um corpo. Cuide bem dele”, os filmes para a TV e para o cinema trazem cenas em que os consumidores vão às lojas comprar um tênis. O vendedor oferece dois modelos: um é o Rainha System 3000 e a outra marca vem com o sistema “Aicom”, que segundo o vendedor significa “Aicomodói meu joelho, aicomodói minhas costas”. No Filme da campanha da Rainha para a TV segundo filme, o sistema é o “Nuquê”: “Nuquê usou começa a machucar tudo”. Já os filmes desenvolvidos para a MTV Overdrive têm como personagem central uma “rainha louca”. A produção de todos os filmes ficou por conta da Prodigo, com direção de Caito Ortiz. João Levi foi o responsável pela direção de criação.

Produtoras e o Simples Uma antiga demanda das produtoras de cinema — categoria que até o momento não pode se beneficiar do regime tributário Simples — pode ser atendida com a nova Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Pelo texto aprovado dia 5 de setembro, na Câmara dos Deputados, não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa prestadora de serviços “de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural”. As vedações, no entanto, não se aplicam às empresas que se dediquem exclusivamente às atividades de produção cinematográfica e de artes cênicas, entre outras categorias beneficiadas. O projeto ainda precisa ser votado no Senado. 

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foto: marcelo vigneron

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Cena do longa-metragem “Antonia”

No caminho oposto A Globo estréia em novembro uma nova minissérie feita pela O2 Filmes, baseada no longa-metragem ainda inédito no Brasil “Antônia”, dirigido por Tata Amaral, com produção da Coração da Selva Transmídia. Ao contrário do seriado “Cidade dos Homens”, que foi para a televisão após o sucesso do filme “Cidade de Deus” — ambos produzidos pela O2 — a série chega às telinhas antes do filme, seguindo um projeto maior da Coração da Selva que envolve também a extensão do conteúdo para outras plataformas e também ao mercado internacional e onde há diversas parcerias — como a indústria fonográfica, por exemplo. “Antônia” trata de um grupo de mulheres paulistanas cantoras de rap. A minissérie de cinco episódios — a serem exibidos nas noites de sextafeira — conta com cinco diretores diferentes — um para cada um de seus episódios. São eles: a própria Tata Amaral, Roberto Moreira, Fabrizia Pinto, Luciano Moura e Gisele Barroso - estes dois últimos também diretores da produtora O2. A atração estréia em novembro na Globo, dentro de sua programação especial de final de ano.

VMB online e ao vivo O VMB — Vídeo Music Brasil, prêmio que a MTV apresenta no dia 28 de setembro, terá transmissão simultânea na Internet com exclusividade para os assinantes do portal Terra. Aos demais usuários da Internet, haverá no site da emissora (www.mtv.com.br) captações do evento, por meio de cinco câmeras, mas não na íntegra.

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( scanner ) fotos: Divulgação

TV digital terá medidor de audiência

Regionais buscam o � mercado de publicidade A Rede Globo promoveu em agosto, em São Paulo, a sua 10ª Feira de Eventos e Projetos Regionais. Voltado ao mercado de publicidade, o evento reuniu 121 emissoras afiliadas da Globo, que apresentaram os seus projetos locais aos anunciantes em busca de atrações localizadas. Willy Haas, diretor geral da Central Globo de Comercialização, define a feira como um momento de apresentação dos mercados regionais, onde os compradores de mídia podem ter contato com as suas peculiaridades. Segundo Haas, as vendas de anúncios locais e spot representam até 65% do faturamento em publicidade, ficando o restante para os anúncios em rede. A cota total regional mais alta apresentada foi a do evento Muscle Park, para a TV Globo São Paulo, no valor de R$ 1,7 milhão; a menor, de R$ 6,7 mil (inclui produção de VT), para o “Sairet 2007”, da TV Tapajós, de Santarém/PA. Na feira, ocuparam os mesmos estandes grupos diversos, como TV Tem, TV Vangaurda e EPTV (no caso da região SP Interior), RBS e RPC (no caso do Sul). Crescimento Willy Haas mantém as estimativas de que a emissora cresça até 10% neste ano em relação a 2005 - o mercado como um todo deve ter um aumento de 13% a 14%. Para ele, o crescimento do mercado de TV em 21% no primeiro semestre (na Globo, o faturamento líquido foi de R$ 2,2 bilhões, um aumento de 14%) deveu-se em boa parte à Copa do Mundo — houve também um aumento de tabela de preços de aproximadamente 4% em abril. Haas define a política de preços da emissora em vigor como “muito contida”. Neste segundo semestre, embora o período costume ter mais peso comercialmente, há a diminuição dos breaks em virtude do horário eleitoral. Também em outubro acontece mais um reajuste de tabela comercial da emissora que, de acordo com o executivo, será apenas uma pequena correção. 10

O Ibope está desenvolvendo um novo equipamento de medição de audiência que funcionará em todas as plataformas, inclusive na TV digital aberta. A idéia, segundo Dora Câmara, do Ibope Mídia Brasil, é que o equipamento possa medir a audiência até mesmo de usuários de DVRs (gravadores digitais), com o objetivo de saber que programa o telespectador assistiu e a que horas. Atualmente, para os equipamentos digitais de cabo e MMDS, o instituto utiliza uma tecnologia importada.

Concurso concede R$ 2,2 milhões para produção O Concurso Cultural Documenta Brasil, iniciativa que uniu os produtores independentes, representados pela ABPI-TV, uma emissora comercial (SBT) e o governo, através do MinC e da Petrobrás, apresentou em setembro os quatro vencedores escolhidos para receber R$ 550 mil cada em verba de produção. São eles: “Estratégia Xavante”, de Belisário Franca, produção Giros Interativa (RJ); “KFZ-1348”, de Marcelo Pedroso e Gabriel Mascaro, produção Rec Produtores Associados (PE); “Pindorama”, de Roberto Berliner, produção TV Zero (RJ); e “Rita Cadillac”, de Toni Venturi, produção Olhar Imaginário (SP). Os vencedores foram selecionados em um pitching do qual participaram dez projetos. O júri foi formado por Idê Lacreta, Guigo Pádua, André Breitman, Paulo Alcoforado e Gabriel Priolli. Os documentários serão exibidos pelo SBT em série e, posteriormente, em versão para salas de cinema digital. A produção e finalização das obras acontecerá entre 25 de setembro de 2006 e 25 de maio 2007, e a exibição está prevista para junho de 2007.

HBO é líder no Emmy novamente Mais uma vez, a HBO liderou o número de premiações no Emmy Awards, realizado no dia 27 de agosto. A premiação refere-se à temporada 2005-2006 da TV norte-americana. A HBO é seguida das redes abertas NBC, ABC e Fox no número de prêmios. Foram, no total, entre prêmios nas categorias artística e técnica, 26 para a HBO, 14 para NBC, 11 para a ABC e 10 para a Fox. Por atrações, as mais premiadas foram: “Elizabeth I” (HBO, com 9), “24 Horas” (Fox, com 5), “My Name Is Earl” (no Brasil, canal FX, 4) e “Roma” (HBO, com 4). O melhor reality show foi “The “Roma” Amazing Race” (no Brasil, canal AXN), desbancando “American Idol”. Grandes sucessos da temporada e muito premiados nas edições anteriores, os seriados “Lost” e “Desperate Housewives” (ambas da rede ABC nos Estados Unidos; no Brasil, são atração dos canais AXN e Sony) ficaram de fora dos principais prêmios artísticos em virtude de mudanças nas regras da votação.

Convênio abre portas para o cinema O Ministério da Cultura e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) assinaram em agosto um convênio pelo qual a Fiesp incentivará produções cinematográficas paulistas, por meio da Lei do Audiovisual e da Lei Rouanet. A proposta é promover o incentivo de financiamento do cinema por meio das empresas, que muitas vezes não sabem que podem investir 3% de seu Imposto de Renda com total incentivo. A assinatura contou com as presenças do ministro da Cultura, Gilberto Gil, e do presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

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esde muito cedo, Afonso Poyart decidiu que queria ser diretor de cinema. E sua porta de entrada para esse mundo foram os computadores. Há nove anos, em Santos, ele abriu um escritório com um amigo e fundou a Black Maria Filmes. Eram dois computadores e uma máquina Beta, onde a gente criava motion graphics e vinhetas. Em pouco tempo, porém, os negócios prosperaram. Nosso segundo comercial foi todo feito em computação gráfica e virou notícia de jornal. Depois da publicação, começamos a ser procurados pelas agências. A partir daí, passamos também a captar imagens. Nessa época, Afonso tinha 19 � anos e tinha aprendido de forma autodidata a computação gráfica. Entrei na faculdade de psicologia � em Santos, mas logo abandonei o curso. O estudo e a leitura, porém, sempre estiveram presentes. A quantidade de trabalho cresceu � e pouco depois a produtora conquistou a conta dos supermercados Big em todo o Estado de São Paulo. A � princípio faríamos só as janelas de oferta locais, mas depois passamos a fazer tudo. Decidimos então abrir um escritório em São Paulo. Durante algum tempo a produtora funcionou com matriz em Santos e filial em São Paulo, mas em pouco tempo Afonso percebeu que era melhor ficar na capital. Essa época coincidiu com uma queda na produção de filmes na Baixada Santista, porque os anunciantes começaram a se voltar principalmente para os programas de varejo na televisão. O mercado de Santos já era pequeno e com isso a produção ficou ainda menor. Afonso então se mudou para São Paulo e a produção continuou crescendo. Por causa do meu trabalho com animação e computação gráfica,

Foto: divulgação

Garoto prodígio

afonso poyart

“Por causa do meu � trabalho com animação e computação gráfica, acabamos nos � especializando em filmes com muitos efeitos e foco na direção de arte e é nessa linha que quero seguir.” acabamos nos especializando em filmes com muitos efeitos e foco na direção de arte e é nessa linha que quero seguir. Um de seus projetos para o próximo ano, nesse sentido, é a criação de uma pós-produtora, que atenda não só a demanda interna mas outras produtoras. Estou montando parcerias e formando equipe. Estamos negociando a compra de um Smoke e queremos montar uma nova sede, separado 12

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da Black. Enquanto isso, ele também pretende avançar na produção de ficção. Ano passado, estreou na direção, com o curta “Eu te darei o céu”, que ganhou diversos prêmios. No começo deste ano, foi a vez dos videoclipes. Afonso abocanhou seis indicações para o prêmio VMB, da MTV, com o clipe feito para a banda Charlie Brown Jr., incluindo melhor direção e melhor direção de arte. E para o ano que vem, o projeto é rodar um longa. Estou trabalhando no roteiro com � o Victor Navas e a minha idéia é fazer um filme viável, de menos de R$ 1 milhão de orçamento. A idéia � é filmar em HD, já estamos fazendo vários filmes assim, e manter o � tom documental. (Lizandra de Almeida)


Som na caixa

Nova finalização

A Associação Brasileira das Produtoras de Fonogramas Publicitários (Aprosom) anunciou em agosto a sua nova diretoria, para � a gestão 2006/2008. São eles: Presidente: Maurício Tagliari (YB); Vice-presidente: Wanderlei Gonçalves (Nova Onda); 1º secretário: Thomas Roth (Lua Nova); 2º secretário: José Mutarelli (Sax So Funny); Diretora executiva: Maria Virgínia Guarnier. A ex-diretora executiva da Aprosom Elisângela Domingues Aragoni, a Lili, com passagens pela Casablanca, Estúdio Abertura e Play it Again, está de mudança para a Play RK 30, a nova produtora de Arthur Minassian e Beto Hora, para ser a diretora de novos negócios.

A Republika Filmes tem uma nova coordenadora de finalização. Erika Marques assume o cargo com uma experiência de 16 anos na área, sendo os últimos seis na O2 Filmes.

Luis Carone chega à O2 Filmes para integrar o time de diretores, que agora conta com 14 profissionais. O diretor viveu em 2003 na Inglaterra, onde trabalhou na Mills, do diretor Ridley Scott. Entre as suas conquistas, Carone foi o vencedor de três das quatro categorias técnicas da edição 2005 do Vídeo Music Brasil - premiação da MTV - com o videoclipe “Autoramas”, para a banda de mesmo nome.

Diretor premiado A Loducca contratou Sílvio Calissi para assumir o cargo de diretor de mídia da agência. Com quase 20 anos de experiência no mercado, o profissional acumula passagens pela DPZ, Leo Burnett e, mais recentemente, pela DM9DDB. Nos últimos dois anos, Calissi ganhou prêmios como o “Prêmio Estadão de Mídia” na categoria Melhor Utilização do Mix de Mídia em 2005, e Melhor Uso de Televisão em 2006, além do “Prêmio Folha de Mídia 2006”.

Novo conselho na Abert

A produtora de computação gráfica Inutilia Truncat 3D reforça as suas equipes de produção e atendimento, com a contratação de David Duarte e Mirella Mendonça Feitosa. Duarte, que vai atuar na produção, tem passagens por empresas como Equis Agencia Gráfica (Espanha/ Argentina), Post Frame, Image Box, Estudio Law e Cinegrafika, com participação em projetos como o lançamento mundial do Fiat Palio, e em empresas como Oi, Porto Seguros e C&A. Mirella, que chega à empresa para trabalhar no atendimento, teve passagens pela Aerial e Realmedia.

Daniel Pimentel Slaviero assumiu a presidência da Abert (Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão). Slaviero, que é diretor de mídia eletrônica do Grupo Paulo Pimentel, afiliada ao SBT no Paraná, terá um mandato de dois anos. O vice-presidente é Alfredo Raymundo Filho, diretor-geral da rádio Tupi FM do Rio de Janeiro. O conselho, formado por nove representantes de emissoras de rádio e nove representantes de televisão, foi eleito no mesmo dia, para um mandato de quatro anos.

Experiência online

Coordenação renovada

Devido ao aumento na demanda de trabalhos para a web e de materiais impressos, a Navigators Comunicação e Marketing contratou Mario Kodato como diretor de arte. Kodato trabalha desde 1997 com o desenvolvimento de sites e acumula experiência como assistente de criação na TV1 Comunicação e coordenador de produção na Zenza Comunicação.

Roberta Visconti foi contratada para assumir a coordenação de produção da Margarida Flores e Filmes do Rio de Janeiro. A produtora, que tem passagens pela TV Zero e pela Sentimental Filme, trabalhou recentemente na coordenação de dois projetos da Margarida. Além de coordenar a produção, Roberta atua junto à área internacional.

Fotos: divulgação

Reforço na direção

Produção 3D

Estrutura renovada A Ancine finalizou seu processo de reestruturação, apresentando 5 1 alterações em sua organização. 2 4 3 A superintendência de registro, controle e fiscalização foi dividida em três novas superintendências: de registro, de acompanhamento de mercado e de fiscalização. As superintendências de assuntos estratégicos e de comércio exterior foram extintas. Foram criadas ainda a superintendência de fomento e a superintendência de desenvolvimento econômico. Também foram criados os núcleos e comitês de gestão da informação e de assuntos regulatórios, que serão formados por funcionários de todas as áreas afins. Foram nomeados para as superintendências: Ruth Figueiredo de Albuquerque (Registro) (7), T e l a

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Carlos Eduardo Azevedo Guimarães (Acompanhamento de Mercado) (8), Aurelino da Rosa Machado Filho 7 9 10 (Fiscalização) (5), Luís Fernando Noel de Souza (Fomento) (4) e Mario Diamante (Desenvolvimento Econômico) (3). Foram nomeados como assessores: Alberto Jaime Flaksman (Internacional) (1) e Marcos de Rezende (Comunicação) (10). O assessor parlamentar ainda não foi nomeado. O ex-superintendente de Assuntos Estratégicos, Jom Tob Azulay (9), foi nomeado assessor do diretor Nilson Rodrigues. Na foto estão ainda o presidente Gustavo Dahl (6) e o diretor Manoel Rangel (2). 8

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Da redação

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Festa com os pés no chão

Radiodifusores comemoram o SBTVD, mas apontam alguns dos desafios para a � chegada da TV digital: da pouca perspectiva de novas receitas a aspectos regulatórios, � há muitos problemas pela frente.

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emorou apenas algumas semanas para que a fase de encantamento com a escolha do padrão de TV digital passasse e os radiodifusores começassem a discutir, publicamente, o tamanho do desafio que vem pela frente. Se a TV digital era um imperativo para a sobrevivência das redes abertas, como elas mesmas diziam, a verdade é que ainda não se sabe exatamente como se dará o processo de salvamento. O palco em que os desafios começaram a ser colocados pela própria indústria de radiodifusão foi o Congresso SET 2006, realizado no final de agosto em São Paulo. Isso fica claro ao se olhar cuidadosamente para as ponderações que o diretor geral da Rede Globo, Octavio Florisbal, faz sobre as novas possibilidades que se abrem com a TV digital. “A TV aberta tem 60% do mercado publicitário. Acumular mais que isso é um grande desafio. É preciso ter maturidade e calma para definir os investimentos, sabendo que o retorno é de médio a longo prazo”, disse, ressaltando que as novas receitas virão de forma “gradual, lenta e regional”. Florisbal concluiu: “podemos ser otimistas, mas não excessivamente otimistas”. Para ele, a TV digital deve trazer novas receitas para as emissoras, mas apenas a médio e longo prazo. Uma das vantagens, segundo Florisbal, é o fato de, com a portabilidade e a mobilidade, ampliar-se a audiência no período diurno, que hoje corresponde a apenas 15% das receitas publicitárias. A alta definição também, para Florisbal,

pode ser um atrativo para os anunciantes, principalmente aqueles em busca de um público mais sofisticado.� A interatividade, num segundo momento, também pode agregar novas receitas, segundo o executivo. “As agências podem desenvolver novas campanhas usando este recurso”, disse, mas sempre 14

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se referindo a potencialidades, e não possibilidades concretas hoje.� Finalmente, a multiprogramação, em um momento futuro e desde que permitido pela legislação, pode ser um atrativo para novos anunciantes, diz o principal executivo da TV Globo. Ele deixou claro, no entanto,


“Novas receitas virão� de forma gradual, lenta e regional” Octavio Florisbal,� da Rede Globo

mas que isso é um processo de longo prazo. “No caso do SBT, apenas recentemente passamos a exigir das emissoras de televisão afiliadas os balanços, para acompanharmos os números”. Ele destaca ainda que muitas delas não têm condições de manter suas contas sem os repasses das cabeças de rede, e isso é também um impeditivo. Como solução para o processo de digitalização destas pequenas e médias empresas, ele aponta a possibilidade de compra conjunta de equipamentos, com garantias da cabeça de rede para viabilizar o financiamento. “Já fizemos isso na compra de câmeras, com sucesso”.� Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da TV Globo, concorda que será preciso um certo suporte das grandes emissoras às pequenas para que estas possam se digitalizar. “Hoje, no nosso contrato de franquia incluímos cláusulas de monitoramento da gestão das empresas. Podemos ainda fazer compras em conjunto, para ganhar escala. Mas elas terão que encontrar seus modelos de financiamento”. Outro problema sério para as emissoras de um modo geral, mas notadamente para as pequenas e médias, é a produção

de conteúdo para a digitalização. Nesse sentido, Maciel, do SBT, chega a sugerir apoio estatal à atividade. Segundo ele, as emissoras de TV são comparáveis à indústria de software, que usa um hardware (no caso os estúdios, pessoas, etc) para produzir um conteúdo, e que esta produção deveria ser financiada pelo BNDES, assim como o banco financia o software nacional. Ele lembrou � que há uma dificuldade “histórica” para este financiamento, mas disse que as empresas do setor vêm se tornando mais transparentes e adotando modelos de governança corporativa que facilitariam as negociações com o banco. O BNDES confirma que há estudos sobre as linhas de financiamento para TV digital, que devem estar concluídos até outubro, e que entre eles há estudos para financiamento da produção. “Em princípio, o BNDES não vê problemas”, diz Alan Fischler, responsável pelo setor de telecomunicações e comunicação do banco. fotos: marcelo kahn

que no primeiro momento a estratégia será transmitir um único canal em SDTV (standard definition), com programação em HDTV em alguns horários, aumentando com o tempo. Florisbal ressaltou, contudo, que são crescimentos pequenos em relação às receitas atuais, e mesmo assim de longo prazo. Para José Roberto dos Santos Maciel, CFO do SBT, são muitas as dificuldades que os broadcasters enfrentarão para bancar a transição para a TV digital. Segundo ele, os investimentos mais pesados serão feitos no primeiro round, quando as emissoras terão que trocar seus transmissores, ao mesmo tempo em que mantêm funcionando (por alguns anos ainda) suas estruturas analógicas atuais. Tudo isso sem uma perspectiva de novas receitas no curto prazo. Ele lembrou também que o fato dos equipamentos serem cada vez mais de TI acelerou o ciclo de vida tecnológico do parque de produção. Maciel aponta ainda os problemas de gestão da maior parte das pequenas e médias emissoras locais e regionais. “São empresas que ainda não publicam balanços, não fazem auditorias e que terão muita dificuldade de acesso a financiamento”. Segundo ele, as grandes emissoras podem ajudar nesse processo, orientando as emissoras, passando expertise,

Prazos polêmicos Outra questão que preocupa, e muito, os radiodifusores, são os

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( capa) prazos de transição. “Acho que na maior parte do Brasil, nas pequenas capacidade máxima cidades, o prazo colocado pelo A TV Globo planeja iniciar as transmissões digitais já apregoverno (10 anos) é otimista. Deve sentando todas as potencialidades que o serviço oferece. “No primeiro momento das transmissões, teremos os conteúdos levar mais tempo do que isso para em alta definição, teremos a transmissão para dispositivos que a digitalização da TV chegue portáteis e para dispositivos móveis”, afirmou Fernando Bita estas cidades”, disse Octávio tencourt, diretor de engenharia da emissora. “Isso dependerá, Florisbal, diretor geral da TV Globo. é claro, de disponibilidade de equipamentos. Mas no caso dos equipamentos móveis e portáteis, eles estão disponíveis Ele destacou ainda a importância que hoje no Japão”. Ele voltou a descartar a possibilidade de usar os mercados fora dos grandes centros menos do que um canal de 6 MHz para a transmissão em alta terão na digitalização da TV brasileira. definição. “Não temos nenhum plano de fazer multiprograma- Fernando Bittencourt “A economia está se interiorizando. ção. Vamos transmitir em definição padrão a maior parte do tempo, e com o tempo ampliaremos o espaço em alta Hoje, 70% do consumo é fora do eixo definição. Quando estivermos em HD, vamos usar toda a banda. Mesmo em � Rio/São Paulo”. MPEG-4, a taxa máxima de 19 Mbps ainda não é suficiente para darmos a qualidade perfeita”, diz, Uma questão que também descartando a hipótese de transmitir dois sinais em alta definição. começa a ser colocada diz respeito ao financiamento da rede estatal e pública, que também precisará ministro Hélio Costa, durante sua palestra pois a regulamentação do setor é ser digitalizada. Questionado no Congresso da SET. “Das outras vezes necessária até para a sobrevivência sobre esta questão, o ministro das que se tentou esta legislação, ela foi e o desenvolvimento dos agentes Comunicações, Hélio Costa, afirma colocada da maneira errada, e por isso econômicos nele envolvidos e não ainda não ter resposta. “No caso não vingou. Eu mesmo fui contra. Mas apenas para a democratização das das emissoras privadas, boa parte ela é inevitável, só é preciso encontrar comunicações”, lembrou Santos. dos investimentos, pelo menos um caminho”. O assessor jurídico do na parte de produção, já foi feito. Minicom, Marcelo Bechara, ainda durante Transição Mesmo assim deve haver formas de o evento, fez aos radiodifusores presentes Mas a questão central para financiamento. Mas nas educativas, um apelo para que trabalhem por uma os radiodifusores pelo menos sobretudo nas estatais, é mais legislação de comunicação. “A Lei de iniciarem o processo de digitalização complicado, ainda precisamos Comunicação que esperamos que seja é o cronograma de transição e a avaliar as alternativas, mas elas encaminhada ao Congresso Nacional forma como todos os canais serão existirão”. em 2007 é urgente. Está acomodados nas diferentes cidades. Outro aspecto cada vez mais difícil regular O cronograma estava para ser relevante referente este ambiente convergente, publicado a qualquer momento no à implantação estamos ficando para trás fechamento desta edição. da TV digital que e daqui a pouco seremos Segundo o superintendente de começa a surgir é a retardatários, se não formos comunicação de massa da Anatel, já antiga, mas ainda atropelados. Por isso faço esse Ara Apkar Minassian, a agência inconclusa, discussão apelo “. está revendo o Plano Básico de TV sobre uma legislação Coincidência ou não, Digital agora que a modulação do convergente, mais algumas semanas depois o padrão ISDB-T foi definida como a ampla, que agregue as subchefe da Casa Civil para base para o Sistema Brasileiro de tecnologias e serviços ação governamental, Luiz TV Digital. Dando seqüência ao de comunicações e Alberto dos Santos, falando ao processo de revisão do plano que Minassian, da Anatel: � telecomunicações. � Conselho de Comunicação organiza a distribuição de canais São Paulo deve ficar com 29 É a boa e velha Lei � Social, colocou a questão após o processo de digitalização canais vagos, mas só após os de Comunicação. mais ou menos da mesma das emissoras de TV, a Anatel dez anos da transição. “Acho que maneira. deve colocar em consulta pública sobretudo a questão da Ele acredita que no começo do até dezembro a organização do interatividade e da oferta de próximo ano, a comissão de ministros espectro para Brasília, Porto Alegre, conteúdos por vários meios exige criada no começo do ano com esta Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro uma revisão na legislação de finalidade comece efetivamente o e Belo Horizonte. As demais capitais radiodifusão, telecomunicações e TV seu trabalho para que a proposta devem ter seu espectro para TV a cabo, que são separadas hoje. Mas possa ser encaminhada ao Congresso digital reorganizado pela Anatel a esta é uma discussão que precisa Nacional também em 2007: “Não partir de março de 2007. ser feita pelo Congresso”, disse o teremos mais uma década perdida, A idéia da Anatel é que, 16

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( capa) “(O ministro) resgatou o direito dos� engenheiros de televisão brasileiros de� participar do processo (da TV digital)”.

disse Alexandre Annenberg, diretorexecutivo da associação. “Ainda Roberto Franco, do SBT e da SET. assim acredito que Costa. José Inácio Pizani, podemos trabalhar de então presidente da Abert, maneira complementar que representa rádios para levar a TV digital à e televisões, destacou a população”. importância da definição do Os radiodifusores SBTVD como elemento de esforçaram-se para sobrevivência da indústria. que Hélio Costa, que Em seguida, Amilcare chegaria em seguida Dallevo, presidente da Rede TV! e da como convidado de honra, estivesse Abra (associação de radiodifusores que em casa. Todas as associações representa também os interesses da manifestaram gratidão ao ministro Bandeirantes), reforçou a necessidade e ao governo pela definição do de defesa conjunta do setor. “Muitos Sistema Brasileiro de TV Digital. dizem que não prestamos serviços para “Nossa vida começou a mudar a sociedade. Nós temos que defender com a chegada de Hélio Costa a indústria conjuntamente contra este ao ministério. Ganhamos uma tipo de colocação. Nosso inimigo não expressiva representação que não é interno. Nossa união deu frutos na tínhamos”, disse Pizani. “Temos que TV digital e vai ser assim daqui para agradecer o governo brasileiro � frente”, disse, lembrando o embate e sua posição democrática de nos com empresas de telecomunicações na colocar nos debates”, disse � definição do padrão. Carlos de Oliveira, Oliveira, da Abratel. “Além de presidente da Abratel (associação que cumprimentar o governo por tem a Record como sua maior associada), ter dado a nós, protagonistas lembrou que o setor de radiodifusão na produção do conteúdo, a não pode ter brigas internas. Na oportunidade de participar de � mesma linha foi Jorge da Cunha Lima, um novo mundo digital”. presidente da Abepec (associação das Roberto Franco, presidente emissoras educativas), que destacou da Sociedade de Engenharia de a necessidade de união das emissoras Televisão, também manifestou, em nome da produção de conteúdos em nome da associação, o de qualidade para a realidade digital. A agradecimento ao ministro pelo ABTA, associação das TVs por assinatura, processo de definição do SBTVD, também convidada, foi a única com e por ter “resgatado o direito dos um discurso diferente. “Não somos engenheiros de televisão brasileiros radiodifusão, somos telecomunicações”, de participar do processo”. Em seu discurso, Hélio Costa saiu em defesa do Decreto 5.820/06, que criou o RÁDIO DIGITAL Sistema Brasileiro de TV Hélio Costa afirmou que ainda este ano, Digital. O decreto ainda após os testes, será escolhido um padrão de estava sendo contestado rádio digital, “e será escolhido o melhor”, afirmou, deixando subentendido que se referia pelo Ministério Público ao norte-americano IBOC. “Quem me acusou junto à Justiça Federal de de ser pró-japonês, agora me acusará de Minas Gerais. Segundo ser pró-americano”, ironizou, dizendo que “algumas ONGs e entidades que não entendem apurou TELA VIVA, o nada de TV” virão para “dar palpite”. Segundo próprio ministro se Costa, “elas serão bem recebidas, porque mobilizou para explicar ninguém vai poder dizer que o ministro não recebeu”. à Justiça a posição do governo, que conseguiu

em 2016, haja grande sobra de espectro para o uso que se queira dar. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a digitalização deve resultar em 29 canais vagos. A agência também pediu ao Ministério das Comunicações que, no processo de definição do cronograma de migração, reserve um período até julho do ano que vem para que nenhuma outra cidade, além de São Paulo, inicie suas transmissões digitais. “Isso seria importante porque São Paulo deve ser um laboratório de ajustes que serão importantes para todas as demais cidades”. O consultor jurídico do Minicom, Marcelo Bechara, informou ainda que será criado um grupo de trabalho vinculado à Secretaria de Radiodifusão do ministério para receber e analisar os projetos de migração para TV digital. “Esse grupo é quem receberá os projetos e dará a aprovação, a partir da qual as emissoras terão 18 meses para iniciarem a operação digital”. Festa e elogios A despeito dos necessários toques de realismo diante da chegada da TV digital, o Congresso da SET também foi uma espécie de celebração para os broadcasters. Já no início do evento, os radiodifusores mostraram uma sintonia inédita entre as associações que representam o setor. Após a definição do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), os radiodifusores adotaram um discurso único, pregando o esforço conjunto da indústria de televisão em prol da digitalização. Abert, Abra, Abratel e Abepec rasgaram elogios ao ministro Hélio 18

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( capa) que a Justiça mineira sequer desse continuidade à ação do MP. Segundo o ministro, a ação foi motivada pelo pleito de “entidades, algumas até respeitáveis, que não fizeram direito o dever de casa de estudar o assunto”, disse, referindose às entidades de democratização das comunicações que vêm mantendo uma postura crítica em relação ao ministro e à forma como a decisão foi tomada. Para as entidades, o governo esqueceu de observar as exigências de pluralização do mercado de televisão ao definir o Sistema Brasileiro de TV Digital. Costa voltou a dizer que o processo de escolha do SBTVD foi um debate de mais de dois anos, com dezenas de entidades e milhares de pesquisadores, e que não se trata da escolha do padrão japonês. “O sistema é brasileiro. � O ISDB-T empresta apenas a modulação, porque é a melhor modulação que existe”, disse. O ministro acabou retribuindo os elogios que recebeu dos radiodifusores, de certa forma, confirmando as críticas que boa parte das entidades de democratização fazem à atuação do Minicom: a de que o setor de radiodifusão teve voz privilegiada no processo. Segundo o ministro, “a Sociedade de Engenharia de Televisão acompanhou detalhadamente o processo de decisão. Agiu como se fosse o Fórum de TV Digital, ainda a ser criado. E isso foi importante para que não ficasse dúvida sobre a qualidade técnica da decisão tomada. O padrão japonês era tecnicamente imbatível, um consenso técnico”. Sobre as críticas, Costa afirmou: “me perguntam se haverá espaço para novos players, e eu digo que sim, isto está garantido. Haverá novos canais? Sim, haverá.

mais importantes do SBTVD. Esse conselho terá representatividade mais restrita, para dar agilidade. � O Fórum terá ainda uma diretoria Haverá canais públicos? executiva e dois módulos que Sim, está no decreto. Tentar abastecerão as decisões do atrasar o processo é que é conselho diretor: um módulo ruim para o Brasil”, disse, técnico e um módulo de mercado. � sem detalhar como será a É por meio destes módulos que serão “abertura” de mercado que, encaminhadas as considerações e segundo o ministro, está problemas a serem resolvidos pelo prevista. Fórum. Vale lembrar que o Fórum deve ser criado até o final do ano. Cronograma “Além desta estrutura, seria ideal se Sobre o decreto estabelecendo o conseguíssemos elaborar um grupo cronograma para a digitalização das ‘ISDB Internacional’, onde todos os emissoras de TV, que até o fechamento países que adotarem a modulação � desta edição ainda não havia sido do ISDB-T dialogassem publicado, Costa afirmou: “O decreto internacionalmente”. As negociações fala em dez anos, mas em cinco pode nesse sentido estavam sendo estar bem avançado. Só o set-top box concluídas no começo de setembro. vai movimentar R$ 9 bilhões em três Para Roberto Franco, o grande anos”, disse. O ministro afirma ainda trabalho de especificação que que a expectativa do governo é que a deve ser feito agora envolve indústria consiga entregar set-tops a a modulação, a adoção da US$ 42, “como já prometeu a Samsung”, compressão MPEG-4 e o o que dá um financiamento de pouco middleware básico nacional. “Estas mais de R$ 7 por mês, nas três coisas precisam contas do ministro. “No estar muito bem final do processo, se ainda especificadas antes � houver alguém que não tenha de começarmos � migrado, podemos até dar de com a digitalização”. graça os set-tops, para quem Fernando realmente precisar”. Bittencourt, diretor O Decreto 5.820/2006 de engenharia da TV deixou muitos pontos do Globo, vai na mesma SBTVD em aberto, pontos linha. Para ele o que dependerão, segundo desafio é especificar o decreto, de um organismo e produzir set-tops que deverá atuar como com capacidade de Dallevo, da Rede TV! e da � disciplinador das questões recepção MPEG-4. Abra, ressaltou a importância da “Não existe hipótese referentes à TV digital no união do setor em torno � Brasil que envolvam o de começarmos a TV da digitalização. Congresso � desenvolvimento do SBTVD, � da SET marcou encontro � digital em MPEG-2, das diferentes entidades � o Fórum de TV Digital. � como é hoje no � representativas. O presidente da SET, Roberto Japão. Vamos Franco, descreveu no evento começar com o modelo que deverá ser adotado tecnologia de ponta, e precisamos pelo Fórum. Pelo modelo apresentado ainda chegar a um modelo de por Franco, o Fórum terá uma grande produto”. Bittencourt acredita que assembléia de membros, com o custo dos receptores MPEG-4 participação ampla, onde cada membro serão maiores do que os custos terá um voto. Abaixo dessa assembléia, inicialmente projetados. “Mas � e a ela subordinado, atuará um conselho isso é passageiro, apenas no deliberativo, responsável pelas decisões primeiro momento”. Pizani, da Abert: definição do SBTVD foi importante para a � sobrevivência da indústria.

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Guerra anunciada

Com a decisão das empresas de telefonia local de entrar no mercado de TV paga, abre-se � a guerra entre operadores de TV por assinatura, representadas pela ABTA, e teles. A Anatel tende � a levar a discussão para o ambiente concorrencial, e nesse caso não há favoritos.

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uem acompanha o setor de TV por assinatura há mais de cinco anos sabe que a indústria já passou por crises muito severas, com algumas de suas principais empresas, como foi o caso da Net Serviços, em 2002, deixando até de cumprir suas obrigações financeiras. Em todas estas épocas de crise, as gigantes empresas de telefonia sempre figuravam entre as alternativas para que a TV paga se viabilizasse. Net, TVA e outras empresas de cabo e MMDS negociaram, por mais de uma vez, a possível venda de suas operações para uma tele. A TVA chegou a passar por processos de avaliação em diversos momentos, tendo empresas como Telemar, Telefônica e Portugal Telecom como candidatas à compra. A Net, por sua vez, acabou recebendo, ao final de sua reestruturação, investimentos da Embratel, uma grande empresa de telecomunicações controlada por um grupo de telecomunicações maior ainda, a Telmex. Para a Net e seus controladores, a conveniência da operação foi uma importante injeção de capital e a perspectiva de um novo sócio estratégico. Para a Embratel, a parceria assegurou presença forte em uma operadora com uma considerável rede local, coisa que ela, Embratel, tipicamente operadora de serviços de longa distância e serviços corporativos, não tinha. Tudo isso está registrado na história. Hoje, a indústria de TV por assinatura é outra. As empresas estão reestruturadas financeiramente. Com poucas exceções, não há nenhuma grande operadora de cabo ou MMDS em crise profunda. E é aí que o que

era salvação no passado começa a soar como ameaça. Existe uma guerra declarada e oficializada pela ABTA (associação que representa os interesses dos operadores de TV paga) contra a iniciativa das empresas de telecomunicações de entrarem no setor de TV por assinatura. Foi, na verdade, uma declaração de guerra em duas etapas: a primeira veio na forma de uma carta à Anatel enviada em agosto, pedindo para que a agência não autorize a venda de uma operadora de cabo em Minas Gerais, a Way TV, para a Telemar. Para quem não acompanha a história, a Telemar se dispôs a pagar R$ 132 milhões pelo controle da Way TV, que opera em Belo Horizonte, Uberlândia, Poços de Caldas e Barbacena, mas a operação requer aprovação da Anatel, o que ainda está em fase de análise. O segundo torpedo do setor de TV paga veio também na forma de carta, enviada à Anatel no começo de setembro, dessa vez 22

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pedindo à agência que não permitisse que empresas de telecomunicações entrassem no setor de TV paga por meio do serviço de DTH (por satélite). Vale recordar que a Telefônica tornou pública, em julho, sua intenção de comprar uma outorga de DTH, para que pudesse iniciar o serviço de TV por assinatura ainda este ano. No começo de setembro, contudo, com a demora da agência em liberar a autorização, a empresa decidiu se associar à operadora DTH Interactive (DTHi), também conhecida como Astralsat, o que lhe permite, em tese, driblar a fase de aprovação regulatória, o que pode ter implicações, como veremos adiante. � A parceria, segundo o comunicado oficial, “tem como objetivo o desenvolvimento conjunto de prestação de serviços de televisão � por assinatura, pay-per-view e vídeo on demand, além de outros serviços � e facilidades”. As posições da ABTA já foram manifestadas, com maior ou menor grau de dureza, por Francisco Valim, CEO da Net Serviços, Leila Loria, diretora geral da TVA e Luiz Eduardo (Bap) Baptista, diretor geral da Sky/DirecTV. Há aspectos jurídicos importantes no pleito da associação junto à Anatel, sobretudo na contestação à compra da Way TV pela Telemar. Mas a essência do problema é concorrencial. Monopolistas Basicamente, o que os operadores de TV por assinatura argumentam é que as empresas de telecomunicações são e sempre foram monopolistas em suas áreas de atuação. São grandes detentoras de redes, têm


de TV a cabo por parte da empresa de telecomunicações, suas controladas, coligadas ou controladoras. No que diz respeito à regulamentação do serviço de DTH, não há nenhuma vedação à possibilidade de que empresas de telecomunicações prestem o serviço, mas segundo a ABTA, a intenção do legislador no caso da Lei do Cabo deveria ser respeitada para as demais modalidades de serviços de TV paga, sob pena de que se criem situações não isonômicas de competição. A própria associação reconhece, contudo, que o ideal seria que o tratamento a estas questões viesse no âmbito de uma reforma já anunciada na legislação de comunicação no País. Até lá, pede a ABTA, a Anatel não deve permitir que empresas de telecomunicações entrem no setor de TV paga, mesmo que seja através do DTH.

oito ou dez vezes maior que a Telemar e a Brasil Telecom juntas. DirecTV e Sky, a mesma coisa”, diz Eduardo Navarro, diretor de planejamento estratégico e regulação da Telefônica Internacional. No campo jurídico, as estratégias já estão aparecendo. No caso da Telemar, o que ela diz à Anatel é que a Lei do Cabo foi feita em um ambiente estatal e que a vedação do Artigo 15 se justificaria se a empresa fosse estatal, o que não é mais o caso. Em relação à cláusula do contrato de concessão, segundo fontes próximas à Telemar, o que está sendo colocado é que esta cláusula foi colocada no contrato de concessão das teles na última hora e que elas deixaram por escrito, junto à Anatel, uma manifestação de não concordância com a cláusula, justamente Igualmente fortes para que pudessem As teles, por sua vez, questioná-la depois rebatem os pontos colocados na Justiça, como pela ABTA. Segundo pretendem fazer. conversas informais (até No caso da porque as manifestações Telefônica, segundo oficiais ainda estão sendo informações de encaminhadas para a Anatel), fontes familiarizadas, no quesito concorrencial a resposta aos o que será alegado é que, argumentos da ABTA primeiro, as teles não podem é mais simples: se a ser acusadas de um crime Lei do Cabo pudesse que ainda não foi cometido. ser transposta para o serviço de DTH, então “Não pretendemos reserva de mercado, mas não o limite de capital pode entrar uma empresa monopolista.” estrangeiro existente Alexandre Annenberg, diretor-executivo da ABTA na legislação de cabo também deveria ser Ou seja, a competição poderá se dar muito obedecida, e a obrigatoriedade de bem sem desequilíbrios, como, aliás, transmissão de canais de interesse acontece hoje na briga pelo acesso banda público (inclusive canais comunitários larga nas cidades em que tanto serviços e educativos), além da retransmissão de ADSL quanto cable modems estão das geradoras locais de TV aberta, disponíveis. Além disso, dizem as teles também teria que ser compulsória locais, as empresas de TV por assinatura para Sky e DirecTV. têm grande capacidade de investimento. Acompanhando de fora a Telmex e News Corp., argumentam, são discussão estão os programadores maiores do que qualquer empresa de de TV por assinatura, que extratelecomunicações no Brasil. São alusões, oficialmente não escondem sua respectivamente, ao grupo controlador da revolta com a ABTA e com os Embratel, acionista da Net Serviços, e ao operadores de cabo e MMDS. grupo controlador da Sky/DirecTV.� Argumentam que a indústria está “O grupo econômico que controla a Net é crescendo muito pouco, que enormes foto: marcelo kahn

infra-estrutura de postes e dutos, possuem um cadastro monstruoso de potenciais clientes e gigantesca capacidade de investimento. Caso estas empresas sejam autorizadas pela Anatel a entrarem no setor de TV paga, poderiam praticar formas desleais de competição, como subsidiar o serviço de vídeo para assegurar a venda de banda larga e serviços de voz. Teriam ainda acesso a insumos, como links de acesso e capacidade de interconexão e numeração sem similares entre as empresas de TV por assinatura tradicionais. Seria, em essência, expor a uma competição violenta empresas de menor porte, o que levaria à aniquilação destas empresas, à inevitável concentração do mercado de TV por assinatura nas mãos das empresas de telecomunicações e à ampliação de uma situação de monopólio nos serviços residenciais. Segundo os dois documentos da ABTA à Anatel, é dever da agência zelar pela garantia das condições de concorrência justa. “Não pretendemos reserva de mercado, mas não pode entrar uma empresa monopolista”, diz Alexandre Annenberg, diretorexecutivo da ABTA. Além disso, há argumentos jurídicos colocados pela ABTA. � A associação argumenta que o Artigo 15 da Lei de TV a Cabo (Lei 8.977, � de 5 janeiro de 1995) impede que empresas de telecomunicações prestem o serviço de cabo a não ser quando houver desinteresse de “empresas privadas” (a Lei do Cabo foi feita em um ambiente em que as teles eram estatais). “A vedação existente na Lei do Cabo para a prestação de serviços de TV por assinatura por empresa concessionária de telefonia tem sua origem no fato de que, ao se permitir tal atuação, essa resultaria, com enorme probabilidade, em concorrência predatória das telefônicas em relação às empresas de cabo”, diz a ABTA. Outro ponto colocado pela ABTA é o contrato de concessão das próprias empresas de telecomunicações, que veda explicitamente a prestação do serviço

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crescendo muito pouco, que enormes absurdo e até mesmo um abuso”. sacrifícios foram feitos por parte Mas a agência sabe, pelo histórico dos canais e que na hora em que das empresas de telefonia local, que elas aparecem novas oportunidades de não são exatamente bons exemplos de venda de conteúdo e novos mercados esforço pró-competição. Basta lembrar a serem explorados, ou pelo menos da resistência destas mesmas teles às novos investidores dispostos a colocar políticas pró-unbundling, aos problema dinheiro no setor, a associação e criados até hoje para a interconexão de os principais operadores se voltam redes concorrentes, aos preços praticados contra. � na venda de insumos como backbones de O mesmo sentimento se detecta entre dados e à resistência apresentada quando o fornecedores de equipamentos e governo tentou impor modelo alternativos serviços.”É natural que na associação de tarifação, como a cobrança por minutos muitas vezes convivam posições e o telefone social. diferentes. Os programadores estão na posição de não endossar Problemas o documento porque para eles Para a Anatel, segundo fontes internas, interessa ter novos é especialmente preocupante clientes no mercado”, que a Telefônica, por diz Annenberg, exemplo, esteja recorrendo explicando porque a uma parceria com a DTHi a associação, que para prestar seu serviço de também representa DTH sabendo que a agência os canais de TV paga, está analisando um pedido entrou na briga. de uma autorização para Por parte da Anatel, o serviço. A Anatel não existe praticamente sabia, até o fechamento um consenso de desta edição, quais as que realmente a condições da parceria, quem questão é, antes de será o responsável pelo tudo, concorrencial. assinante, quem responderá “Na análise destas junto à agência, se existe duas propostas, a “A agência tomará todos os cuidados para gaAnatel tomará todos rantir a concorrência.” os cuidados para garantir a concorrência Pedro Jaime Ziller, conselheiro da Anatel no segmento de televisão por assinatura”, destacou o transferência de ações, se existe troca de conselheiro Pedro Jaime Ziller, que vai ações ou debêntures, se a Telefônica terá relatar os assuntos. alguma forma de controle sobre a DTHi etc.� Não que a Anatel ache que as teles “E vale lembrar que a DTH Interactive não são, necessariamente, uma ameaça conseguiu viabilizar a sua operação antes à concorrência. Pelo contrário, o do acordo com a Telefônica. Isso significa sentimento dentro da Anatel é que que ela pode não ter cumprido seus a concorrência no setor de TV por compromissos com a Anatel, o que dá até assinatura talvez seja insuficiente. cassação de autorização”, diz uma fonte. Ziller é crítico em relação ao setor O trabalho da Anatel para determinar de TV paga: “eu acho que o grande a conveniência ou não da entrada das problema da televisão por assinatura empresas de telecomunicações no setor é a relação custo/benefício. Eu pago de TV paga será feito em parceria com muito caro pela qualidade do serviço o Conselho Administrativo de Defesa que obtenho com a minha operadora, Econômica (Cade), pelo que tudo indica. � por exemplo. E ainda tenho que pagar Os dois órgãos já estabeleceram um pelo ponto extra, o que considero um diálogo produtivo depois da análise da

fusão entre Sky e DirecTV. Como cabe à agência de telecomunicações instruir o Cade em questões concorrenciais, é natural que esse diálogo permaneça agora. Da mesma forma, a Anatel está enfrentando as empresas de telecomunicações em outras questões, como as regras de portabilidade numérica e a disputa pelo mercado de WiMax, nas faixas de 3,5 GHz e 10,5 GHz. São diálogos separados, mas que podem acabar se relacionando quando a questão “competição” vier à tona. � O conselheiro da agência Pedro Jaime Ziller, por exemplo, defende uma discussão sobre a possibilidade de que se separe a prestação do � serviço de telecomunicações do controle da rede, como forma de estimular a competição, como já acontece em outros países. Aliás, esta questão não é exclusiva do Brasil. Ironicamente, no México, onde a Telmex é a incumbent com o monopólio virtual das redes de acesso locais, a disputa é rigorosamente a mesma. A empresa quer licença para prestar serviço de TV por assinatura, as operadoras de cabo resistem e o órgão regulador estuda formas de permitir a entrada da Telmex no mercado de TV paga sem comprometer o aspecto concorrencial. é apenas um dos muitos exemplos semelhantes. Como diz a própria ABTA em uma das cartas enviadas à Anatel, “vivemos numa época de convergência tecnológica onde tecnologias tradicionalmente utilizadas para prover um só tipo de serviço podem ser usadas para se oferecer serviços múltiplos”, o que torna o conflito entre empresas de TV paga e as teles locais inevitável. Para a ABTA, a regulação hoje existente não permite o convívio pacífico entre as duas, pelo menos não na forma que as teles pretendem. Para as teles, não é justo que elas sejam privadas de competir também no setor de TV por assinatura. A dificuldade é chegar a uma solução para este conflito equilibrada para todos os lados. �

(Colaboraram Carlos Eduardo Zanatta

e Edianez Parente)

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( internacional) fotos: tela viva

André Mermelstein, de Seul, Coréia do Sul*

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Questões globais

Mercado asiático debate no BCWW 2006 o impacto das novas mídias e a entrada das� teles no mercado de comunicação. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

N

ão deixa de ser alentador cruzar dois oceanos e perceber que, do outro lado do mundo, os debates sobre temas como as novas mídias, o futuro da TV e a entrada das empresas de telecom no mercado de entretenimento estão mais ou menos no mesmo pé que no Brasil, e de resto, no mundo inteiro. Estes assuntos deram a tônica do BCWW (Broadcast Worldwide) 2006, congresso que aconteceu em Seul, Coréia do Sul, entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. Lá, como aqui, as emissoras de TV aberta apostam em plataformas como a transmissão móvel e a Internet para ampliar o alcance de seus conteúdos e garantir a manutenção da audiência em um mundo que assiste à fragmentação

das mídias, com novas tecnologias e serviços que surgem a cada dia. Um dos mais citados no evento foi o YouTube, o site de compartilhamento de vídeos pela Internet que caiu no gosto dos brasileiros. Uma pergunta, no entanto, não foi respondida pelos representantes de emissoras de vários países presentes ao evento: quais serão os modelos de negócio vencedores neste novo ambiente. Por enquanto, todos concordam que é importante estar presente nestas novas mídias, mas ninguém sabe ainda como vai ganhar dinheiro com isso. Na Coréia, por exemplo, os Jung, da KBS: aposta em mobilidade e Internet, mas sem previsão de receitas.

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serviços de TV móvel estão bastante avançados, com duas plataformas disponíveis: uma gratuita, com transmissão terrestre pelo padrão DMB-T, e um serviço pago, via satélite, usando o S-DMB. O presidente da KBS, a TV pública coreana (na verdade hoje uma empresa mista, de capital público e privado), Yun-Joo Jung, contou que desde o lançamento da rede DMB-T, de transmissão móvel de vídeo, em dezembro do ano passado, foram vendidos 1,5 milhão de terminais, com previsão de alcançar 3 milhões ao final de 2006 e 5 milhões em 2007. Mas


Jung afirma que ainda é cedo para medir algum resultado em termos de aumento de audiência, e não há previsão concreta de novas receitas com o serviço. Outra “linha de frente” da KBS é a Internet. A rede oferece toda sua programação online desde 1999. � Há que se lembrar que a Coréia � tem uma das maiores penetrações de banda larga do mundo (80%), graças a programas de incentivo governamentais. Jung, da KBS, disse que a Coréia de alguma forma paga o preço do pioneirismo, por ter abraçado cedo as tecnologias, antes de haver um modelo. “As emissoras do mundo podem economizar dinheiro vindo aqui e vendo o que já fizemos, inclusive os erros”, disse. A BBC vai na mesma linha, com o serviço iPlayer, de vídeos na web (lançamento previsto ainda para 2006

na Inglaterra e em 2007 para o mercado internacional). Tratase de um software cliente para PCs que permitirá ao usuário assistir ao vivo a toda a programação dos vários canais da rede, e também o conteúdo dos últimos sete dias on-demand. � A rede pública britânica vem fazendo várias “experiências” no mundo das novas mídias, como transmissões para celular, explica Simon Broad, diretor de desenvolvimento de serviços da rede. Ainda não é possível medir os resultados, conta, mas elas serviram para criar um aprendizado. Segundo Nick van Zwanenberg, diretor regional da BBC World em Hong Kong, a empresa se reestruturou em torno de dois vetores: criatividade e

Broad, da BBC:� conteúdo 100% disponível na Internet.

tecnologia. “Toda a produção hoje é pensada para as múltiplas plataformas”, afirmou. Mas os britânicos também não descobriram ainda a fórmula para transformar uma tendência em negócios. “Estamos começando a pensar em receitas para o serviço, cobrando assinatura pelos vídeos online� ou tentando vender publicidade”, disse Zwanenberg.

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( internacional) fotos: tela viva

Lee, da Korea Telecom: aguardando sinal verde para começar a operar a rede IPTV.

Convergência Na Coréia, como � estamos assistindo também aqui, os operadores de � cabo e de telecom lutam pela (ou contra) a liberação dos serviços de TV por assinatura das teles pela plataforma IP. Segundo a vicepresidente sênior da unidade de negócios de mídia da KT (Korea Telecom), Young-Hee Lee, a poderosa incumbent local tem tudo pronto para lançar o serviço ainda este ano na região metropolitana de Seul, e em 2008 no resto do país. Segundo ela, a tecnologia amadureceu e pode prestar o serviço com qualidade e confiabilidade. Nos planos da KT estão a oferta de 60 a cem canais, video-on-demand, interatividade e transmissão SD e HDTV, pelo protocolo H.264. As taxas, diz a executiva, podem chegar a 10 Mbps, pela planta DSL ou por FTTH (Fiber to the Home, conexões ópticas na casa do usuário). A previsão é atingir, assim que o serviço for liberado, de 2,2 milhões a 3,8 milhões de assinantes nos primeiros cinco anos. Perguntada se a entrada da KT não seria uma ameaça aos operadores coreanos de cabo, Lee disse que não, pois o cabo ainda

fibra, elas ficam com toda a receita do serviço. Devido a este fenômeno, o Japão tem a maior penetração mundial de FTTH, com mais de 20% do mercado de banda larga (equivalente a 5,5 milhões de assinantes em um total de 23,3 milhões). Enquanto os acessos ADSL caem de forma acelerada, as teles incorporam 273 mil assinantes à base FTTH por mês, conta Imagawa. A regulamentação no país está olhando para uma realidade convergente, conta Imagawa, na qual todos os serviços trafegarão por uma única rede IP. A idéia, explica, é criar um modelo para cada camada (layer) do negócio, ou seja, para a infraestrutura, os serviços, as aplicações e assim por diante.

estaria muito à frente no domínio do serviço, com sua experiência. Ela também afirmou que a tele vem tendo dificuldade em obter conteúdo, sobretudo pela influência que o cabo tem sobre as programadoras. Takuo Imagawa, diretor de telecomunicações do Ministério de Assuntos Internos e Comunicação do Japão, conta que no país as teles são em tese permitidas a transmitir sinais de TV por suas redes, mas na prática há uma regulação forte em cima da NTT (principal operadora japonesa), que é proibida de atuar em produção de conteúdos. Imagawa traduz em números a aposta do Japão, como da Coréia, na mobilidade e na Internet. Segundo ele, metade dos assinantes de celular no país já tem aparelhos de terceira geração (IMT 2000), e 87% dos terminais têm browser de Internet. Na banda larga, a tendência é a morte, no médio prazo, do ADSL, substituído pela fibra óptica direto à casa do usuário (FTTH). A mudança acontece devido ao unbundling, a obrigação das teles compartilharem suas redes com outros provedores. Com isso, as teles acabam retendo uma porção relativamente pequena da receita. Com a

Falta conteúdo A TV digital não estaria se desenvolvendo na velocidade que deveria no Japão por falta de conteúdos atraentes. Esta é a avaliação de Yutaka Takamura, diretor-executivo da ATP, a associação japonesa de produtores independentes. Segundo ele, a programação japonesa é de baixa qualidade. São essencialmente programas de auditório, o que não justifica para o usuário a adoção da alta definição. “Faltam outros gêneros, como drama e documentários”, disse o produtor a

Usuário móvel quer ficção, game e notícia Qual o perfil e quais os gêneros preferidos dos usuários de serviços de TV móvel? Os resultados apresentados no BCWW 20096 pelo presidente da coreana TU Media, Young-Bae Kim, podem surpreender. A empresa provê serviços de vídeo por assinatura pela plataforma S-DMB (via satélite) desde 2004. Oferece 12 canais de vídeo, 20 de áudio e mais dados (trânsito, previsão do tempo etc). Há cerca de 40 aparelhos disponíveis ao público, que paga uma taxa de US$ 20 para entrar no serviço e mais US$ 13 mensais, aproximadamente. A empresa é uma parceria entre a SK Telecom (30%), fabricantes de equipamentos (30%) e provedores de conteúdo (10%), além de outros investidores. Um detalhe interessante é o modelo de remuneração adotado com os provedores de conteúdo, o revenue share. Ou seja, o operador funciona como um “agente” na venda de conteúdo, e divide a receita com

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Young-Bae Kim, da TU Media.

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o provedor. Os homens são maioria entre os assinantes: 66%, e metade tem entre 35 e 45 anos. 95% dos terminais de recepção são telefones celulares. Os usuários passam 55 minutos diários em média no sistema, e o dado interessante é que, diferente do que se poderia imaginar, é a ficção o gênero mais assistido. “Tínhamos muita expectativa com os canais de música e esportes. Mas música ficou em último lugar, atrás de animação, e esportes só têm audiência quando há um evento ao vivo”, conta Kim. Depois da ficção (mais especificamente drama, ou seja, novela), vêm o canal de games e o de notícias, na preferência do assinante móvel coreano.

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Takuo Imagawa. Para ele, pelo novelas, mas detêm os contrário, a transição para o direitos sobre as obras. digital está indo “melhor do Ainda assim que se esperava”, e o prazo de Jung, da emissora 2011 para o fim do analógico KBS, mostrou-se deve ser mantido. A única totalmente contrário à ressalva, segundo ele, é na obrigatoriedade. “Não zona rural, onde talvez haja existe conteúdo de uma revisão dos prazos. qualidade em volume A situação da produção suficiente � independente é muito nas indepen­dentes, semelhante em países como e não podemos ser Japão, Coréia, Singapura ou obriga­dos a adquirir Brasil. Em geral, as produtoras qualquer coisa apenas não encontram muito espaço Imagawa, do Ministério � para cumprir a cota”, nas redes abertas, e partem disse o � das Comunicações do Japão: � regulamentação prevê uma para janelas alternativas, execu­tivo. “Primeiro, única rede IP convergente. como o DVD, a Internet, a o governo deveria TV a cabo e os mercados incentivar a produção, internacionais. para depois criar a obrigação”, � Na Coréia, existe uma obrigação � opinou Jung. das emissoras exibirem 30% de produção Quem ouve Tony Chow, independente, mas a regra é burlada, presidente da Aipro, a associação contam Hyechung Eun e Ihn dos produtores independentes de Jeong � Singapura, pode pensar que está Song, da área de marketing falando com um produtor brasileiro. A do KBI, o Korean Broad­ situação é idêntica à vivida no Brasil. casting Institute, órgão A TV aberta do país é uma grande de fomento à produção produtora de conteúdos, conta ele, daquele país. Na prática, as e não deixa muito lugar para os emissoras apenas tercei­ indepen­dentes. A saída � rizam a produção de seus vem sendo o mercado internacional. programas, especialmente Os produtores vêm aumentando � sua participação no mercado e correndo o mundo em busca � Conteúdo da TV não é atrativo � para o usuário de alta � de co-produções. fotos: tela viva

TELA VIVA. Takamura contou ainda que a audiência da TV aberta como um todo vem caindo no Japão, até mesmo nos populares jogos de baseball. Um bom exemplo da falta de conteúdos locais é o sucesso das novelas coreanas no país, baixadas pela Internet. Ele assinalou o grande sucesso que a distribuição de vídeo pela Internet vem tendo no país, em sites como Kyao e Yahoo. O primeiro oferece filmes, clipes e animações e tem mais de 10 milhões de usuários cadastrados (o conteúdo é gratuito). O índice de visitação é de 3,5 milhões de usuários/mês. Outra plataforma que vem tirando audiência da TV é o DVD. Segundo Takamura, a penetração de players deve atingir 80% em breve, e o número de cópias vendidas saltou de 40 milhões em 2001 para 110 milhões em 2005. Para ele, a TV aberta vai sobreviver principalmente devido aos serviços ao vivo e aos noticiários. E terão que se sobressair como produtores de conteúdo, se quiserem um lugar neste novo ambiente de convergência. A opinião de Takamura não é compartilhada por

definição. Faltam documentários e drama, na opinião do produtor japonês Takamura.

* O jornalista viajou na condição � de painelista, a convite da � organização do evento.


N達o disponivel


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Edianez Parente

Nacional no Telecine

Sonora

“Dois Filhos de Francisco”, sucesso absoluto nos cinemas em 2005, com mais de 5,3 milhões de pagantes nas salas de exibição, foi adquirido pelo Telecine Premium e sua data de exibição ainda não estava definida até o fechamento desta edição. O canal premium de filmes da Globosat dá, assim, continuidade à sua recente política de valorização do cinema nacional. Não por acaso, os estúdios sócios do canal também tem braços de distribuição cinematográfica no Brasil, que têm lançado sucessos nacionais de bilheteria. A rede exibiu recentemente “Sexo, Amor e Traição” e “Meu Tio Matou um Cara”.

Está online no portal Terra o canal de música Sonora — com streaming e download de canções e assinatura mensal de R$ 14,90 — a promoção de lançamento dá mensalidade de R$ 4,90. Para baixar uma música individualmente, o custo vai de R$ 2,25 a R$ 2,99. As gravadoras Sony/BMG, Warner, EMI e Trama já entraram no projeto.

Olho na � Copa da África A TV Globo, que colocou ao mercado publicitário cotas do seu Futebol 2007 por quase � R$ 100 milhões cada, ainda não começou a negociar a próxima Copa do Mundo, a se realizar na África do Sul em 2010. Agora, é a própria Fifa quem negocia os direitos televisivos do evento — nas últimas duas Copas, a venda dos direitos fora terceirizada para uma agência de marketing esportivo, a Infront Sports. Espera-se a partir de agora uma inflação ainda maior sobre os direitos da Copa, haja vista a superação dos recordes de audiência alcançados pelo torneio da Alemanha nos mercados mais importantes. De acordo com Octávio Florisbal, diretor geral da Globo, as conversas para a aquisição dos direitos começam em outubro, provavelmente.

Os últimos e os primeiros O canal Sony Entertainment Television programou para 15 de setembro, na sua atração “As Últimas”, um especial sobre uma premiação de peso no mercado de televisão, o Promax BDA, e o Festival Iberoamericano de Publicidade (Fiap). Só que os festivais aconteceram em Buenos Aires no mês de abril — ou seja, por “Últimas”, entenda-se uma defasagem de cinco meses.

Mais séries em DVD Eis um filão que não pára de crescer: mais dois títulos engrossam a lista dos seriados da TV paga que ganham suas caixas de DVDs de temporadas completas. A Paramount Home Entertainment traz a partir de outubro a primeira temporada de “Numbers” (foto), que foi exibida pelo canal Telecine Premium. Em novembro, o mesmo selo traz a primeira temporada completa de “Medium”, com Patrícia Arquette, e atração do Sony Entertainment Television.

1 milhão

É você, Lombardi “Oi, Sílvio”! A saudação do fiel escudeiro de Sílvio Santos, o � locutor Lombardi, virou toque de celular. Através de uma parceria da TIM com o SBT, os clientes da operadora podem baixar imagens e sons baseados na programação da emissora de televisão. O conteúdo oferecido foi dividido por programa. É possível baixar � desde imagens das personagens do humorístico “Chaves” e � da apresentadora Hebe � Camargo até frases como “O Sílvio está chamando”, também na � voz de Lombardi. Frases do “patrão” não estão disponíveis.

Atraso

de SMS, ou men registrados em sagens de texto, foram � ag “MTV de Bolso osto pelo programa � ”, no ar musical desde na emissora � abril.

Falta atualização no website da Band. Ainda no início de setembro, a emissora ostentava na primeira página de sua homepage (www.band.com.br), banner da Copa do Mundo, que acabou em julho. Pior, ainda saudando a expectativa do hexacampeonato!

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FOto: Vantoen Pereira Jr/divulgação

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Entrou água Não sai este ano a minissérie anunciada para novembro pela Rede TV! e as produtoras Rondon Filmes e LC Barreto. Anunciada em maio, a minissérie “Rondon, o Grande Chefe”, cujas gravações deveriam ter começado em agosto, não rolou até agora. A produção foi orçada em R$ 6,8 milhões - R$ 2,5 milhões já foram obtidos por meio da Lei Rouanet e R$ 4 milhões dos governos do Mato Grosso e Rio de Janeiro — mas está parada por questão relativa a direitos.

92% da audiência da � TV Globo corresponde à produção nacional. FOtoS: divulgação

Fé no cartão

O A&E faz bela campanha promocional para sua faixa de filmes, nas noites de segunda a sábado, com destaque para foto da atriz Angelina Jolie. Pena que o anúncio remeta para o horário das “10 PM”. É só mais um sinal da enlouquecedora mistura de idiomas que fazem os canais da TV por assinatura no Brasil.

Você sabia que:

o de olho no rico mercado da região, o canal Shoptour mudou sua posição no line-up na TV Alphaville, que cobre a área de ricos condomínios na Grande São Paulo? O canal espera atrair mais anunciantes de Alphaville, Barueri, Santana do Parnaíba e Cotia. n o Universal Channel estréia sua nova série cômica de investigação, “Psych”? O seriado será exibido às quintas-feiras, � às 23h. E o badalado � “The 4400” chega em terceira temporada, às sextas, às 23h.

“Psych”

Carlos Eduardo Rodrigues, o Cadu, da Globo Filmes

A&E em cartaz

?

A Visanet, rede de captura de transações de cartão de crédito e débito (bandeiras Visa e Visa Eletron), fechou contrato com a rede Canção Nova. Com este credenciamento, os estimados 700 mil fiéis da rede (50 mil apenas na Grande São Paulo) poderão usar os cartões para a compra de produtos como vídeos e CDs, e também para doações. A Canção Nova tem 500 retransmissoras e 17 estações de rádio.

Todo vendido O site MTV Overdrive (www.mtvoverdrive.com.br) estreou no final de agosto com todas as suas cotas de patrocínio vendidas aos chamados cotistas fundadores. São eles: Intel, Coca-Cola, Rainha, Skol e Toddy, e as cotas foram comercializadas rapidinho, por R$ 818 mil cada. O site tem acesso gratuito.

oa Getty Imagens foi selecionada pela Discovery para distribuir seus vídeos e imagens por todo o mundo? O acervo audiovisual da grife pode ser adquirido através do site www.gettyimages.com, onde há link para o Brasil. n todos os seis filmes da saga “Star Wars” serão exibidos em alta definição pelo canal Cinemax, nos EUA? A LucasFilm fechou o primeiro contrato do gênero e a exibição acontece em novembro. Será a primeira vez que os três primeiros episódios (na verdade, o 4, 5 e 6) serão exibidos neste formato. No Brasil, o � episódio 3 é atração de setembro no Telecine.

oe a Band Imagens, que comercializa os registros audiovisuais do grupo, teve um “boom” de pedidos de imagens do técnico Parreira? Os pedidos vieram de emissoras africanas, interessadas no passado do novo técnico da seleção sul-africana. nos informerciais já chegaram ao famoso site de vídeos free, o Youtube (www.youtube.com)? Com 20 milhões de visitantes ao mês, o site já recebe anunciantes para os vídeos promocionais. Por exemplo, a Warner Music jogou um videoclipe de Paris Hilton, no qual a Fox anunciará a série “Prison Break”. oo novo programa do VJ Edgard no Multishow � está em busca de uma assistente de palco? O site do canal anuncia a vaga em que “artistas multitalentosas” podem se candidatar. A estréia dela será em novembro.

Errata

E por falar em website, o TNT pede errata sobre nota publicada neste espaço, pois existe desde 2005 domínio próprio para o Brasil, através do www.tnt.com.br. Mas é fato que muitas chamadas do TNT no Brasil ainda remetem para o site latino www.tntla.com — e este foi o caso da chamada sobre as atrações em banda larga veiculada pelo canal e objeto principal da notícia destacada por “No Ar”.

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“Star Wars”

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(audiência - TV paga) Férias marcam a subida do Universal Channel

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Foto: divulgação

ulho, mês de férias Nestas localidades, os canais escolares e com os apresentaram um alcance primeiros dez dias diário médio de 54,7%, ou dedicados à Copa do 2,4 milhões de pessoas/dia; e Mundo, marcou a subida um tempo médio diário � do Universal Channel na de audiência de 2 horas e � audiencia. O canal de filmes 13 minutos. e séries chegou à viceJá entre o público liderança em alcance ao infanto-juvenil, os canais longo do dia entre o público de maior alcance foram, na adulto, seguindo a tendência ordem: Cartoon Network, ascendente que vinha Nickelodeon, Discovery Kids, apresentando nos últimos Multishow e Disney Channel. dois anos, a partir do trabalho Os dados se referem ao de reposicionamento de público que vai dos 4 aos 17 sua marca e renovação de anos com TV por assinatura, atrações. Entre indivíduos nas mesmas praças citadas Elenco do seriado “House”, na segunda temporada no Universal Channel acima de 18 anos com acima (943,6 mil indivíduos). TV por assinatura, os canais que quatro são canais da programadora Neste target, os canais da TV por lideraram no mês o ranking foram: Globosat. O levantamento do Ibope Mídia assinatura tiveram um alcance diário TNT, Universal Channel e Multishow. considera o total de indivíduos assinantes médio de 53,5%, ou 496 mil pessoas/ Em quarto e quinto lugares ficaram nas seguintes praças: Grande São Paulo, dia, com um tempo médio diário de SporTV e Globo News — destaca-se Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, audiência de 2h e 12 min. assim que, dentre os cinco primeiros, Curitiba, Belo Horizonte e Distrito Federal. (EDIANEZ PARENTE)

alcance e tempo médio diário 

Total canais pagos TNT Universal Channel Multishow SporTV Globo News AXN Warner Channel Discovery National Geographic Sony FOX Cartoon Network GNT Telecine Premium SporTV 2 People + Arts Nickelodeon HBO Discovery Kids ESPN BRASIL

De 4 a 17 anos*

(Das 6h às 5h59)



Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 54,7 2.400 2:13:17 15,8 692 0:30:32 10,9 480 0:29:02 10,6 466 0:16:26 10,6 464 0:38:46 10,3 450 0:32:15 10,1 444 0:22:44 9,8 430 0:27:45 9,6 422 0:23:21 9,3 407 0:20:35 8,4 368 0:24:04 8,0 350 0:19:28 7,9 345 0:29:58 7,5 330 0:15:51 7,0 307 0:27:43 6,8 299 0:17:29 6,4 282 0:18:09 6,1 269 0:25:55 6,0 263 0:30:38 5,3 233 0:49:55 4,7 207 0:30:01

*Universo 4.375.200 indivíduos

Total canais pagos Cartoon Network Nickelodeon Discovery Kids Multishow Disney Channel TNT Jetix SporTV Discovery Universal Channel Boomerang AXN Warner Channel FOX National Geographic SporTV 2 Sony People + Arts Telecine Premium HBO *Universo 943.600 mil indivíduos

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(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 53,5 496 2:12:45 21,8 202 0:54:05 15,5 144 0:39:36 12,4 115 1:08:07 10,4 96 0:22:45 10,2 95 1:02:39 9,4 87 0:26:39 8,0 74 0:47:54 6,8 64 0:27:02 6,2 57 0:20:48 6,1 57 0:22:38 5,9 55 0:34:05 5,8 54 0:16:11 5,5 51 0:21:30 5,3 50 0:17:43 5,2 48 0:18:43 4,9 45 0:15:18 4,6 43 0:17:44 4,6 42 0:19:17 4,2 39 0:26:39 4,1 38 0:30:02

Fonte: Ibope Telereport - Tabela Minuto a Minuto - julho/2006

Acima de 18 anos*


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( making of )

Lizandra de Almeida

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m tapete vermelho se desenrola pelos principais destinos da companhia aérea TAM, levando o espectador a vários locais do Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos. Na hora de orçar a produção, é claro que a produtora pensou logo na forma mais agradável de realizar o filme: filmar as cenas de cada local ao vivo e em cores, dando a volta ao mundo. Mas também é lógico que o orçamento falou mais alto, sem contar o prazo curto, e a equipe da Bossa Nova Films teve de baixar a bola. E aí começaram os desafios, que foram solucionados de forma inovadora pela pós-produção. “Decidimos filmar ao vivo os locais que precisavam ser mostrados em movimento, como por exemplo as praias. Ficaria mais complicado fazer computação gráfica da água do que filmar no local. Nos demais, faríamos a partir de fotos, com

fotos: divulgação

Texturas fotográficas

Para poupar dinheiro e tempo, locações foram fotografadas e depois trabalhadas na finalização.

composições e aplicações de elementos em movimento”, explica o diretor Willy Biondani. A maioria dos ambientes urbanos, portanto, foi reproduzida dessa forma. O diretor então viajou com uma câmera fotográfica de alta resolução, com 20 megapixel, captando imagens de locais-símbolo das cidades. “Queríamos

fazer fotos sem ninguém e acabamos dando muita sorte. Em São Paulo, no dia em que fotografei, a Avenida Paulista estava interditada, porque haveria uma manifestação religiosa. E em Buenos Aires era dia de jogo da Argentina na Copa.”

Animação não-convencional

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udo nesse filme foge do convencional. A começar do formato: são 90 segundos de animação, para veiculação exclusiva no cinema. Depois, o próprio cliente: uma cooperativa de catadores de material reciclável de São Paulo, patrocinada pela Natura, que arcou com os custos do filme. E por fim

o visual do filme, criado pela equipe da Animaking, com arte e personagens criados pelo grafiteiro Speto. O filme mostra um náufrago numa ilha deserta, entediado apesar da companhia de uma macaquinha. Até que ele vê uma garrafa PET e usa um pedaço da tanga que veste para escrever uma mensagem, colocada na garrafa e jogada

Para promover a reciclagem do lixo, grafiteiro criou imagens que depois foram animadas em técnicas mistas.

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de volta ao mar. A garrafa passa por alguns percalços, incluindo o ataque de tubarões, mas permanece indestrutível e continua seu caminho até chegar a um marinheiro, em algum lugar nevado. O marinheiro então arregimenta uma frota de navios para resgatar o náufrago, mas quando chega a ilha está povoada


por exemplo, acrescentamos areia voando e simulamos um movimento de câmera que pudesse revelar os pedaços do tapete”, conta André Pulcino, da Tribbo Post. Na imagem de Nova York, que mostra a Ponte do Brooklyn, foram acrescentadas pombas e uma bandeira dos Estados Unidos tremulante. Até mesmo a ciclista que anda ao longo do calçadão de Copacabana é virtual. “Tivemos muito trabalho de rotoscopia e levamos cerca de um mês para fazer todo o processo, mas com certeza foi menos custoso e mais rápido”, conclui André. Com as fotos em mãos — ou melhor, na máquina — a equipe da Tribbo Post começou a armar a estrutura necessária para criar as cenas. A idéia não era apenas inserir elementos animados sobre o fundo estático, mas criar movimentos de câmera. Para isso, a equipe de pós-produção selecionou todos os elementos de cada uma das fotos e modelou estruturas 3D por trás de cada elemento. Um prédio que aparece em duas dimensões na

foto, por exemplo, foi modelado para se transformar em uma caixa. Cada face foi recoberta novamente pelos pedaços de imagem, aplicados como textura. Com isso, foi possível desenvolver movimentos de câmera simulados pelo próprio software de finalização. “Chegamos a bater algumas fotos panorâmicas, para ampliar o range, e usamos elementos como pombos aplicados sobre a imagem”, diz o diretor. Cada imagem foi trabalhada para se tornar o mais realista possível. “Na foto das dunas dos Lençóis Maranhenses,

de seres híbridos do homem com a macaquinha, que formaram uma civilização integrada à natureza. Entram então os letreiros: “Uma garrafa PET leva 500 anos para ser decomposta. Recicle, reuse”. “Quando recebemos o roteiro da agência, chamamos o Speto para criar o conceito artístico do filme. Ele desenhou três pranchas, definindo o mar cor-de-rosa, o náufrago e a macaquinha”, explica o diretor do

filme Paolo Conti. A partir das idéias iniciais, a equipe da Animaking utilizou diversas técnicas para viabilizar o filme. “O filme tem cenas em stop-motion, os cenários são 3D e os personagens 2D”, diz Paolo. Para a animação em stop-motion, usada principalmente no mar, os materiais foram os mais esdrúxulos. “Fizemos o mar de gel de cabelo, com espuminhas de sabão de barba. A garrafa é real, e também foi animada em stop-motion Depois, tudo foi composto e integrado.”

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ficha técnica Cliente Produto Agência Dir. de criação Produtora Direção Fotografia Montagem Trilha Pós-produção

TAM Institucional rotas YR Tomás Lorente e Alexandre Lucas Bossa Nova Films Willy Biondani Walter Carvalho Willy Biondani Sax So Funny Tribbo Post

ficha técnica Cliente Produto Agência Dir. de Criação Criação Produtora Direção Concept art e criação dos � personagens Trilha Montagem/ finalização

Coopamare (com patrocínio da Natura) Institucional Lew Lara Jaques Lewkowicz, � Marco Versolato,� André Laurentino Marco Versolato, � Emiliano Trierveiler Animaking Paolo Conti Speto�

Hilton Raw Boreal Studio


( exportação)

Daniele Frederico

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Cada uma à sua maneira

Com força de vontade, mas pouca organização, as film commissions brasileiras surgem � e se desenvolvem sem qualquer regulamentação central.

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foto: andres acera/divulgação

em um órgão centralizador que possa delimitar diretrizes de criação e atuação e também trabalhar para que as unidades já existentes possam interagir entre si, as film commissions brasileiras nascem de maneiras diferentes e criam, cada uma, a sua própria forma de atuação. Até o momento, pode-se garantir apenas um ponto em comum entre as FCs existentes no Brasil: a sua função principal é atrair, apoiar e facilitar as produções audiovisuais em suas regiões de origem. É isso que fazem as centenas de film commissions mundo afora. São órgãos, geralmente ligados a governos locais, que visam promover e facilitar a vinda de produções para a sua região. Pode-se dizer que cada FC atua de forma diferente e com abrangência distinta. Há FCs com atuações em nível municipal (caso da Riofilme Commission, que atua no município do Rio de Janeiro), estaduais (como a Santa Catarina Film Commission) e regionais (caso da Brasil Central Film Commission, que compreende os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e o Distrito Federal). Além dessas, contam com FCs atuantes ou em processo de implantação os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Amazonas e Bahia. A falta de parâmetros para a criação de uma FC fez com que as existentes hoje no Brasil tivessem origens totalmente diferentes. Algu­mas são públicas, outras são organiza­ções nãogovernamentais, e outras surgiram de parceria público-privada (PPP), como é a Brasil Central FC. A São Paulo Film Commission nasceu a partir da Ribeirão Film Commission, que inicialmente

Paulo Markun, da Santa Catarina FC; Anna Flávia Dias Salles, da Minas FC; Sérgio Andrade, então da Amazonas FC; Ana Cristina Costa e Silva, da Brasil Central FC; Cícero Aragon, da Rio Grande do Sul FC; Paulo Schmidt, da Film Brazil; e Edgard de Castro, da São Paulo FC, durante o Fiicav.

atuava apenas na região de Ribeirão Preto, no interior paulista. A São Paulo Film Commission é uma ONG e, ao contrário de outras FCs, que contam com verba concedida pelo município ou pelo Estado para funcionar, tem procurado a sua autonomia financeira e de atuação. “Uma das dificuldades é convencer o próprio meio cinematográfico e audiovisual de que as film commissions podem ser autônomas, não devendo necessariamente estar ligadas a instâncias governamentais, embora o apoio dessas seja de suma importância” diz o coordenador da São Paulo Film Commission, Edgard de Castro. “Como o cinema é um negócio, nada mais natural que as FCs também busquem independência, dinamismo e autosustentabilidade”. Ele conta que a FC é mantida por meio de patrocínio para a realização de eventos e projetos, que geram receitas para a ONG. E manter uma FC não é barato. Cícero Aragon, que no momento está envolvido na formação de uma FC no Rio Grande do Sul, diz serem necessários R$ 100 mil para a implantação de uma FC e no mínimo R$ 20 mil mensais para o seu funcionamento. 38

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Com uma origem diferente, a Minas Film Commission, em atuação no âmbito do Estado de Minas Gerais, pode ser considerada uma das FCs mais sólidas implantadas até o momento, já que a sua formação contou com um decreto governamental. Este define, entre outras diretrizes, que essa FC trabalhará em rede, seja no âmbito da administração do Estado, ou por meio dos gestores de circuitos turísticos e representantes de instituições culturais em geral e do audiovisual. “O que fizemos foi aliar a FC aos 51 circuitos turísticos de Minas Gerais, criando uma capilaridade na atuação”, diz Anna Flávia Dias Salles, diretora de fomento à produção audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais. Já a Riofilme Commission, estruturada a partir da Riofilme, uma sociedade anônima de capital 100% da Prefeitura do Rio de Janeiro, é um exemplo de FC que funciona basicamente com dinheiro público. Segundo Antonio Urano, diretor


comercial da Riofilme, a desvantagem de montar uma FC na esfera do setor público é fazer com que ela funcione com a velocidade e o dinamismo próprios do cinema. Isso, no entanto, não anula as facilidades de uma FC ligada à prefeitura. “É uma grande vantagem ter uma FC nesse âmbito, pois é a prefeitura que autoriza toda a atividade econômica que acontece no espaço da cidade”, afirma. Além do apoio financeiro, os órgãos públicos podem facilitar o trabalho das FCs no sentido burocrático, como na obtenção de autorizações de filmagem, na realização de estudos sobre as produções audiovisuais realizadas naquela determinada região, ou na interação entre órgãos do governo, como polícia e alfândega, por exemplo. Para buscar apoio dos governos, no entanto, é necessário fazer com que os órgãos responsáveis compreendam a importância das FCs para aquela região ou para o País. Para isso, os film commissioners têm utilizado como argumento fatores como: o aquecimento no setor do turismo e a economia da região, com a chegada de produções estrangeiras no Brasil; a geração de empregos; a divulgação dos pontos turísticos; a movimentação da economia local (com a utilização de hotéis, transportes etc); entre outros. Preparar o terreno A atuação de uma film commission vai além de desbravar a burocracia

Passos a seguir A experiência da Film Brazil, associação de produtores publicitários brasileiros com foco na divulgação do País no exterior, pode servir como parâmetro para a identificação de problemas e possíveis soluções na iniciativa das film commissions, de promoção do País como pólo produtor, � já que os trabalhos empreendidos pelas FCs e pela Film Brazil são, em última instância, muito semelhantes (embora a segunda tenha foco principalmente em publicidade). Entre os principais problemas apontados pela Film Brazil a serem resolvidos, estão: • melhorar a imagem do Brasil no exterior (especialmente nos quesitos credibilidade e segurança); • transpor o obstáculo da língua com a formação de equipes bilíngües; • aumentar os incentivos governamentais; • criar escolas de técnicos e atores; • facilitar o acesso às locações públicas (em termos de burocracia, prazos e custos); • buscar soluções para os impasses da alfândega, de vistos e de importação de equipamentos e insumos.

na hora da filmagem. Ela tem início antes mesmo de um determinado produtor estrangeiro pensar em fazer os seus filmes aqui, com a promoção das locações e dos serviços que determinada cidade, Estado ou região tem para oferecer. Por isso, uma das ações que têm sido empreendidas por todas as FCs em operação é a realização de registros fotográficos e gravações de vídeos com as possíveis locações da região, além da organização de sites com as imagens e as informações sobre os serviços audiovisuais oferecidos. É evidente, contudo, que não basta atrair as produções para o País. É necessário também ter profissionais qualificados para receber os estrangeiros. Por isso, algumas FCs têm colocado como objetivo a melhoria da qualificação dos técnicos locais, com a implantação de cursos que propiciem capacitação profissional. João Roni, vicepresidente do Santacine (Sindicato da Indústria Audiovisual de Santa Catarina), entidade responsável pelo projeto da Santa Catarina Film Commission, lembra

que existem poucos profissionais preparados para atender ao mercado internacional, e que isso deve ser levado em consideração ao se fazer uma indicação. “A FC, que também tem como função apresentar opções aos que vem filmar na região, tem de indicar aqueles que têm maior competência”, diz. “Por isso também a importância da FC fomentar a formação profissional e promover constantemente cursos e workshops”. Além disso, as FCs podem atuar em outras formas de apoio às produções realizadas em sua esfera de atuação, como na aproximação entre produtor internacional e produtor local, negociação de descontos na locação de equipamentos, aquisição de material de captação, entre outros. Unidade e centralização Com tantos planos benéficos para o audiovisual e iniciativas vencedoras, o que falta para as film commissions

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( exportação ) foto: sílvio vince esgalha/divulgação

brasileiras alcançarem a eficiência, a visibilidade e a sinergia entre si? Embora não haja consenso sobre isso — possivelmente por ser difícil até mesmo reunir todos os coordenadores de FC em uma mesma sala — um dos principais entraves para a consolidação das FCs no Brasil é a falta de regulamentação da atividade. No momento, não existe uma FC nacional ou outro órgão semelhante que unifique e centralize as informações sobre as FCs regionais, além de criar parâmetros éticos e diretrizes de atuação desse tipo de atividade. Segundo Ana Cristina Costa e Silva, da Brasil Central Film Commission (BCFC), para que se crie uma unidade entre as FCs falta uma série de iniciativas, tanto por parte do governo quando por parte dos próprios film commissioners. “Falta um encontro sério entre os FCs regionais, discussão e alinhamento de propostas, o credenciamento de todos a partir de um selo ‘FC Brasileira Oficial’, e, finalmente, um órgão que centralize as informações e sinergias entre eles”, diz a produtora, que no momento concentra os seus esforços em reunir os film commissioners e buscar o apoio governamental para definir o caminho a ser seguido para a regulamentação. Ela lembra que o fato de algumas FCs serem coordenadas por produtores pode causar um problema ético, já que as FCs têm de indicar profissionais e empresas para os estrangeiros. Além deste problema, ela ressalta que uma FC nacional deve ser gerida por pessoas com grande trânsito político, capazes de negociar com diversos setores do governo que não apenas o audiovisual, como turismo e exportação. Anna Flávia Dias Salles, da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, diz que uma FC central se faz necessária especialmente para contribuir com políticas que melhorem a atuação das FCs regionais. “Uma FC central ideal é aquela que possa articular-se rapidamente com as FCs do Brasil, que tenha banco de dados e orientações para o produtor,

Turismo e cinema: estudo em conjunto Com o objetivo de alavancar o turismo e o potencial para locações internacionais no Brasil foi firmado em agosto um convênio entre o Ministério do Turismo e o Instituto Dharma (braço social da produtora Dharma Filmes), para um “estudo preliminar de sinergia e desenvolvimento entre as indústrias do turismo e do audiovisual brasileiro”. O objetivo do projeto do Ministério do Turismo é a elaboração de propostas de política pública em nível estratégico, tático e operacional para a disseminação da imagem dos destinos turísticos nacionais por meio do segmento audiovisual. A idéia é criar meios de atrair produções para o Brasil e por meio delas, despertar o interesse internacional de visitar o País. O estudo ficará pronto até dezembro deste ano.

e que consiga, sobretudo, atuar como articuladora de políticas que possam melhorar a performance das FCs regionais, abolindo ou reduzindo taxas pagas por produtores e empecilhos burocráticos, por exemplo. Além disso, tem de ser um órgão que possa fazer um trabalho de pesquisa e divulgação sobre a produção cinematográfica e o que ela pode gerar nas regiões onde atua”, diz. Edgard de Castro, da FC de São Paulo, lembra ainda a importância de direcionar a atuação de cada FC de modo a promover o País como um todo, não apenas regionalmente. “Se todas as FCs tomassem como meta a atração de produções não apenas para a sua região, mas para o Brasil, visando tornar o País um cenário mundialmente requisitado como o Canadá, o México e a Nova Zelândia, por exemplo, todo o meio cinematográfico e audiovisual brasileiro sairia ganhando, além do próprio Brasil, que teria visibilidade, economia e potencial turístico incrementados”, afirma. 40

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Articulação O superintendente de desenvolvimento econômico da Ancine, Mario Diamante, lembra que a agência já trabalha a questão das produções estrangeiras no País com uma certa intensidade, oferecendo informações sobre o mercado e “production service”. Assim, trabalhar em torno de uma FC nacional seria como potencializar o trabalho que é feito atualmente. “Embora o trabalho das film commissions seja eminentemente local, há espaço para uma unidade operacional que sirva como uma articuladora de informações”, explica. “A idéia de uma FC nacional não é a de realizar o traba­lho que as FCs regionais realizam, mas sim fornecer apoio a essas, organi­zando as informações existentes”. Ele acredita ainda que a Ancine possui a capacidade técnica para ser uma articuladora das FCs regionais. Para que isso aconteça, no entanto, é necessária a participação dos ministérios relacionados ao assunto, não se limitando ao Ministério da Cultura, mas abrangendo também o do Turismo, Relações Exteriores e Indústria e Comércio, por exemplo. “Acredito que só é possível fazer isso com o entendimento do governo federal. Vejo uma possibilidade de articulação intergovernamental e da sociedade civil”, diz Diamante. Quanto aos trabalhos feitos até o momento e em processo sobre as FCs, Diamante afirma que está realizando um estudo sobre as FCs, com o objetivo de criar uma massa crítica, para então desenhar a forma de atuação da Ancine para esse segmento. “Além das pesquisas que estamos realizando, estou organizando uma agenda de conversas no sentido de definir qual seria o modelo de operação de uma FC nacional”, conta o superintendente de desenvolvimento econômico, que lembra que a superintendência de registro e a assessoria internacional da Ancine também estão envolvidas com o processo.


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( produção)

Conteúdo patrocinado

Produtoras e canais viabilizam produções em parceria com os anunciantes, sem depender necessariamente de leis de incentivo.

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fotos: Divulgação

nquanto parte do mercado de produção audiovisual brasileiro e os canais nacionais aguardam a definição sobre o projeto de lei que cria o Fundo Setorial do Audiovisual, e mais especificamente o artigo 3º A da Lei do Audiovisual (que possibilita às empresas de radiodifusão e programadoras nacionais de TV por assinatura benefício semelhante ao das programadoras internacionais, com a utilização de parte do imposto de renda devido sobre a remessa de recursos enviados ao exterior na co-produção de projetos audiovisuais brasileiros de produção independente), alguns canais nacionais e produtoras têm encontrado na associação com os anunciantes uma maneira de produzir sem depender desse tipo de mecanismo. O incentivo para esses anunciantes é a possibilidade de aliar a sua marca a um conceito e para os produtores é poder realizar os seus programas sem depender de atuais e futuras leis. O exemplo mais recente deste tipo de parceria é a série de dramaturgia “Mothern”, produzida pela RadarTV Mixer e exibida pelo GNT. A série de 13 episódios de 22 minutos cada, baseada em um blog de sucesso sobre mães modernas, foi idealizada pela produtora e oferecida ao canal, que buscou junto à sua programadora, Globosat, os meios para viabilizar a produção.

“O programa tem tudo a ver com o canal, o problema era o custo de produção, que era muito alto”, conta Fred Müller, diretor comercial da Globosat. O caminho encontrado pela programadora e pelo canal para viabilizar “Mothern” foi dividir os custos de produção entre os patrocinadores. Enquanto o GNT entrou com uma parte da verba, os quatro patrocinadores — Bristol Myers-Squibb, Johnson & Johnson, Nestlé e Unilever — ratearam a maior parte do custo entre eles. Em resumo, o plano de patrocínio continha não apenas o plano de mídia, mas também o custo de produção já rateado por igual entre os quatro. Para os patrocinadores, o pacote inclui o

“Mothern” do GNT: produção inaugurou modelo de negócios na Globosat.

envolvimento comercial (com chamadas no início e no término do programa, além de breaks de 30 segundos) e ações de merchandising, que, segundo Müller, não atingem mais de quatro por episódio. Ele diz ainda que a escolha dos patrocinadores foi realizada com base no conteúdo do programa, buscando marcas que pudessem se adequar ao tema. “As ações de merchandising são sutis, bem contextualizadas. Não tivemos de mudar em nada o conteúdo da série para inseri-las”, afirma Müller. O diretor comercial da Globosat diz ainda que os anunciantes envolvidos acreditaram no projeto baseados apenas em um conceito, já que não havia nem mesmo um

“O modelo de negócios que apresentamos aos anunciantes era diferente de tudo o que fazíamos até então.” Fred Müller, diretor comercial da Globosat.

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piloto para mostrar. “Embora essas empresas já fossem anunciantes do canal, o modelo de negócios que apresentamos a eles era diferente de tudo o que fazíamos até então”, afirma. Parceria que deu certo Nem todas as produções, no entanto, necessitam ter os seus custos rateados. Alguns programas são pagos apenas por um patrocinador. É o caso dos programas patrocinados pela Oi, empresa do grupo Telemar, uma das mais expressivas quando o assunto é investimento em produção de programas. Com produção da KN Vídeo, a empresa coloca o seu nome e a sua contribuição financeira em programas como “Parada Oi”, no Multishow; “Oi Mundo Afora”, no GNT; e “Caminhos da Aventura Oi”, no SporTV. Além desses, a operadora ainda patrocina o “Oi Rolé”, este com produção (e todos os recursos para isso) do próprio SporTV, onde é exibido. No caso de “Parada Oi” e “Oi Mundo Afora”, a parceria já está na terceira temporada. O “Parada Oi”, exibido pelo Multishow, foi criado há cerca de dois anos pelo produtor da KN Vídeo Jorge Nassaralla. Desde que a idéia foi aceita pela operadora, o programa já passou por diferentes canais. No primeiro ano, foi exibido pela Band; no segundo, pelo SporTV;e atualmente,

Mel Lisboa, do “Oi Mundo Afora” (acima à esq.); Dani Monteiro, do “Caminhos da Aventura Oi” (acima); e Lívia Lemos, do “Parada Oi” (ao lado): programas que levam o nome da operadora têm produção totalmente patrocinada.

em sua terceira temporada, é exibido pelo Multishow. O programa, que conta com 52 episódios por temporada, já sofreu mudanças de formatos e hoje traz conteúdo especialmente sobre turismo e cultura, levando jovens a diversos lugares do mundo gastando pouco, com uma apresentadora diferente por temporada.

No caso de “Oi Mundo Afora”, também em sua terceira temporada, são 26 episódios por temporada, cada uma apresentada por uma personalidade diferente. Já o “Caminhos da Aventura Oi”, no SporTV, conta com a apresentadora fixa Daniela Monteiro, que também apresenta um bloco do “Esporte Espetacular”, na Rede Globo, que leva o mesmo nome do programa do SporTV. Nassaralla explica que as apresentadoras de cada temporada dos programas

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foto: Divulgação

( produção ) “Parada Oi” e “Oi Mundo Afora” são escolhidas com a participação da operadora e do canal onde o programa é exibido. Já as ações de merchandising e compra de mídia são negociadas diretamente entre patrocinador e os canais. “A minha relação com os canais acontece no âmbito do conteúdo”, diz o produtor. Além do programa de TV, o “Parada Oi” rende outros frutos aos parceiros: a Oi FM (emissora de rádio transmitida no Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Nordeste) veicula programetes de dois minutos sobre viagens, com o mesmo nome do programa do Multishow.

“Claro que é Rock”, exibido pelo Multishow, com a apresentação de Frejat (centro), é uma produção viabilizada pela mistura de lei de incentivo municipal e patrocínio.

programa é evidente: o ‘Claro que é Rock’ na rua acabou e o programa não”, diz.

De outras fontes Algumas produtoras não utilizam apenas a verba dos anunciantes para a realização de seus programas. Com a mistura de lei de incentivo e “dinheiro bom”, a Raccord Produções realiza há dois anos o programa “Claro que é Rock”, exibido pelo Multishow. Idealizado pela produtora inicialmente com o nome de “Papo Jam”, o projeto foi levado à operadora Claro em 2002. Apenas em 2004 a Claro chamou os produtores para conversar sobre o projeto. Segundo Hilton Kauffman, da Raccord, a idéia da troca do nome não foi uma imposição da Claro, apenas um acordo entre eles. “O nome anterior era ruim. O que fizemos foi levar o nome do festival que já existia para a televisão”. Segundo Kauffman, a Claro participa das reuniões para a escolha dos artistas que irão participar do programa, mas respeita a criação feita pela produtora. A produção do “Claro que é Rock” é realizada por meio da lei de ICMS do Rio de Janeiro, com a Claro como única investidora do programa. Os anúncios são negociados pela operadora diretamente com o canal. Kauffman acredita na continuidade do programa (em negociação para uma terceira temporada), em razão de sua qualidade. “O sucesso do

Break: para que te quero? Com o investimento em conteúdo e não diretamente em publicidade, não só as produtoras saem ganhando, mas também os anunciantes, que firmam as suas marcas e, principalmente, os seus conceitos. É uma das formas da propaganda não convencional que se mostra como alternativa ao break de 30 segundos. Embora ainda não seja possível afirmar que a propaganda como é conhecida hoje corre o risco de desaparecer, pode-se observar as mudanças em curso, com a busca de associação das marcas a conceitos. “Acredito que exista um movimento dos anunciantes de procurar formatos diferenciados. Eles têm buscado aproximar-se projetos que tenham o perfil da marca”, afirma Fred Müller, diretor comercial da Globosat. Além dessa, Jorge Nassaralla, da KN Vídeo vê outras alternativas aos 30 segundos convencionais. Em sua produtora, ele tem realizado programetes de 1,5 minuto inseridos nos intervalos comerciais, que trazem conteúdo variado, com a marca do anunciante presente apenas em uma parte do vídeo. “Fizemos programetes de 1,5 minuto para a Nova Schin. Gravamos eventos de surf e outros temas relacionados ao verão e colocávamos a marca apenas no final”, diz o produtor que também trabalha no “Trip 21”, programetes sobre 44

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viagem para a Embratel. E qual é o resultado desse tipo de ação, conceitual, para os anunciantes? Para a Oi, por exemplo, o retorno tem sido positivo. Além de incidir na aceitação e venda dos serviços da empresa, permite a interatividade dos serviços de dados, como SMS e MMS, que, segundo informações oferecidas pela Oi, têm apresentado aumento contínuo de receita nos resultados financeiros da empresa. É evidente, porém, que para um anunciante aceitar entrar nesse negócio, o conteúdo deve ser próximo ao conceito que a empresa procura promover. No caso da Oi, a idéia é investir em ações de entretenimento, especialmente nas áreas de música, esporte e moda. A Claro, também focada no público jovem, colocou o foco de suas ações em cinema e música, durante o ano de 2006. Segundo Cristina Duclos, diretora de comunicação da Claro, esse tipo de iniciativa é uma tentativa de se aproximar do cliente. “O mercado está inundado de mídia. Buscamos, com esse tipo de iniciativa, tornar a marca parte da vida das pessoas”, afirma. Fred Müller lembra que para que esse tipo de parceria dê certo, porém, é necessário que aconteça uma união perfeita, na qual os anunciantes sejam adequados ao conceito que o programa quer transmitir. “O caso de ‘Mothern’ foi vencedor, com quatro patrocinadores dividindo o custo de produção, por causa da adequação entre o conteúdo e os produtos em questão. Para que outros projetos tenham sucesso, é preciso um encontro como esse: parceiros e conteúdo de qualidade”, conclui. Daniele Frederico


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( cinema )

Edianez Parente

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Em todas as janelas Majors apostam nos blockbusters nacionais patrocinados desde a produção, para faturar lá adiante também no DVD.

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produções locais”. que não é nada novo. Na mesma mesa de Segundo ele, isso é apresentações, estava sentado feito no Brasil desde a o secretário do audiovisual expansão do rádio. do Ministério da Cultura, o cineasta Orlando Senna. Distribuição O consultor Thierry Peronne, “Não somos coda Investimage, é taxativo: “Fora produtores passivos”, dos EUA não existe indústria de afirmou José Carlos cinema sem incentivo fiscal”. Oliveira, da distribuidora Para ele, o que falta é uma de cinema Warner. Ele distribuidora forte de cinema conta que a empresa nacional, pois não é do interesse participou ativamente das majors fortalecerem nossa desde a fase de “Cada vez mais, os indústria. “Além disso, o Brasil desenvolvimento de seu estúdios procuram tem três vezes menos salas atual hit das telas, “Zuzu possibilidades de de exibição do que o México”, Angel”. Oliveira explica produzir filmes latidiz, lembrando do déficit de que houve concorrência nos.” salas de cinema no País, onde desde a fase inicial, de teriam de ser construídas pelo Steve Solot, da MPA roteiro. Para ele, não menos mil novas salas por ano, há linha editorial que diante das atuais 150 anuais. Peronne crê norteie o trabalho da distribuidora haver dinheiro de fora pronto para entrar enquanto co-produtora: “Queremos no mercado brasileiro. “Fala-se tanto da um filme que dê resultado comercial”. Argentina; os argentinos produzem mais do Ele crê que 2006 não foi tão feliz que nós e não há motivo. Não é nem tanta assim para o cinema nacional, mas produção, nem tanto talento”. para ele, não se trata de uma crise Para o diretor Daniel Filho, da Globo local, mas sim do cinema mundial, que Filmes, no Brasil atualmente nenhum filme está se posicionando e procurando se paga na bilheteria: “Fora dos Estados outros modelos. Unidos e da Índia, todos precisam de Segundo Carlos Eduardo Rodrigues, patrocínio”, afirmou. Ele diz o Cadu, da Globo Filmes, desde 98 que obviamente se procura a empresa está envolvida em meia apoio do Estado, mas centena de projetos, entre produções também é necessário que se e co-produções. “Destes, 97% foram encontrem patrocinadores feitos com produtoras independentes, fora das estatais — ele diz com 41 diretores diferentes. Em 2003, que sempre está atrás de a Globo Filmes atingiu a marca de 21 empresas privadas e que a milhões de ingresso vendidos”. Cadu meta é estabelecer parcerias explica que o modelo de co-produção com os anunciantes, o da empresa é o de apoio, e que o difícil fotos: andres.com

á um consenso no setor do audiovisual: o mercado de cinema nacional se acostumou aos investimentos ligados a algum tipo de benefício fiscal. O governo, nas esferas municipal, estadual e federal, tem feito a sua parte. Produtores, coprodutores, investidores e diretores esperam cada vez mais patrocínios — quer da esfera pública ou privada. As distribuidoras, a maioria delas braços das majors internacionais que dominam o mercado no Brasil, por sua vez, celebram o fato de cada vez mais terem títulos nacionais de peso incentivados. Isto porque, a partir de sua boa carreira no cinema nacional, filmes de sucesso também geram receitas nas demais janelas fora da tela grande, rentabilizando toda a cadeia. Sem dúvida, o fato de haver incentivo fiscal beneficiando investidores para o cinema nacional é um fator relevante. O assunto foi pauta dos debates do Fiicav, evento que aconteceu em São Paulo no final de agosto. Steve Solot, vice-presidente da poderosa MPA (Motion Pictures Association) da América Latina, que defende os interesses dos estúdios de Hollywood, constatou que o cinema nacional tem se mostrado interessante para as majors, dentro de um contexto panregional: “Cada vez mais os estúdios procuram possibilidades de produzir filmes latinos”, disse ele. Segundo ele, nesta área o Brasil tem um lugar de destaque. “O México, por exemplo, oferece menos possibilidades para

“Não somos co-produtores passivos. Queremos que o filme dê resultado comercial.” José Carlos Oliveira, da Warner

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no mercado brasileiro é achar o filme médio para o país, com público de cerca de 200 mil — a média de público para os títulos da Globo Filmes está em 50 mil espectadores. “Falam tanto do cinema argentino; lá a média de público por filme está em 60 mil”. José Carlos, da Warner, disse que ainda a grande vitrine do mercado é mesmo o cinema: “A distribuição tem mesmo alguns conflitos internos. E há filmes dos quais não se tem certeza que devam ser lançados no cinema”. Para ele, a grande agência de propaganda do filme é o cinema, sua mais adequada janela. Cadu, da Globo Filmes, também acredita que, para um filme brasileiro fazer carreira internacional, tem de primeiro fazer público no seu país de origem. Assim, conforme explica, tanto a Miramax, no caso de “Cidade de Deus”, quanto a Sony Classics, com “Carandiru”, investiram para levar o filme ao mercado externo. Para Cadu, o raciocínio é simples: os filmes que têm

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participação das mídias nas receitas das majors Fonte: MPA — Motion Pictures Association Latin America

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maior público no cinema são também os que terão melhor desempenho nos sistemas de pay-per-view. Ainda, pelas suas contas, o resultado para os produtores é melhor no cinema do que no DVD: o produtor fica com 15% a 20% da receita bruta do cinema. “Já o mercado de vídeo/DVD dá entre 40% e 50% da receita líquida do produtor de cinema”, o que acaba sendo um valor menor. No caso de filmes autorais, diz José

Cinema

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Carlos, da Warner a regra de que “quanto maior o resultado no cinema, melhor resultado no homevideo” não se aplica. Independentes Entre as dificuldades para a distribuição independente de cinema no Brasil, Ugo Sorrentino, da Art Films, citou a tendência dos filmes

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( cinema ) Saturnino Braga, da Columbia: aposta no crescimento do número de salas.

no Brasil, Ugo Sorrentino, da Art Films, citou a tendência dos filmes nacionais de maior bilheteria estarem nas mãos das majors, por conta do maior volume de recursos que as grandes distribuidoras internacionais conseguem levantar através do mecanismo do Artigo 3º da Lei do Audiovisual. Além disso, outro problema apontado por Sorrentino foi a concentração da bilheteria em poucos filmes, causando uma performance abaixo da esperada nos filmes médios. “A queda de bilheteria do filme médio provoca um retardo na chegada das cópias no cinema de interior”, justificou. Patrícia Kamitsuji, da Fox Film, levantou vários pontos importantes que afetam a distribuição “theatrical” (em salas de cinema). Mesmo com a maioria das salas do País localizadas nas regiões Sul e Sudeste (76%), a concentração não é

tão grande quanto em outros países latino-americanos, o que torna necessário investir em várias capitais para a boa distribuição de um título. Patrícia lembrou ainda que número de salas vem crescendo no Brasil, embora o público tenha diminuído no último ano. “Há uma demanda por mais títulos”, diz. Além disso, “os custos de distribuição crescem ano a ano, mas o preço do ingresso não acompanha”. Rodrigo Saturnino Braga, da Columbia, aposta na construção de novos shoppings e na modernização dos já existentes para o crescimento da distribuição no Brasil. Atualmente, existem 727 complexos exibidores no País, dos quais apenas 93 são multiplex. O executivo aposta na digitalização da exibição para o aumento da oferta de títulos no mercado. Segundo ele,

a digitalização não cortaria o custo da publicidade na distribuição dos filmes, mas a redução dos custos com o fim das cópias poderia incentivar o risco em uma volume maior de títulos. Saturnino Braga lembrou ainda que 70% da receita líquida dos filmes atualmente vem da janela homevideo. A expectativa de crescimento neste setor é grande. Segundo Clayton Oliveira, da Warner, a penetração do DVD player no Brasil deve chegar a 36% até o final deste ano. Além disso, os distribuidores apostam em outros meios de distribuição para o usuário final. Wilson Feitosa, da Europa, aposta que até 2013 não haverá mais um suporte físico para a distribuição de vídeo. Segundo ele, as operadoras de telecom já procuram as distribuidoras para montar plataformas de distribuição de conteúdo em redes IP. “Nós (a Europa) já fomos procurados pela Brasil Telecom”, afirmou.

as visões do governo

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ais uma vez chamou atenção a posição contrária aos incentivos fiscais manifestada pelo secretário municipal de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Machado Calil, que participou do Fiicav. Ele lembrou que desde 2003, quando os filmes nacionais foram responsáveis por um aumento de 22% do público de cinema, há uma corrida das majors na disputa pela distribuição do produto brasileiro, em contraponto ao que ocorria num passado recente quando havia um certo “estigma do cinema nacional” e o Estado tinha um papel mais compensatório. “Isso mudou completamente o horizonte do nosso trabalho”, disse, lembrando que é muito ruim quando os incentivos fiscais passam a substituir o mercado. “As políticas de incentivo devem visar a autonomia da produção, e não o benefício estatal”, afirmou o secretário. Por exemplo, Calil diz que prefere ver a contribuição do BNDES à atividade de outra forma que não o de ser mais um agente de financiamento público. “Corremos o risco de produzir negócios que não alcancem o mercado. Os projetos têm de encontrar seu público, não se pode opor a indústria de projetos à indústria de conteúdos”, disse. No mesmo painel, Manoel Rangel, diretor da Ancine, afirmou que a meta é manter o Brasil como

João Batista de Andrade, secretário de Cultura de São Paulo. um centro produtor de audiovisuais, pois no cenário internacional, os países se distinguem entre os que produzem e os que não produzem. Ele atentou para as possibilidades de viabilização das produções que há e do conjunto de novas possibilidades que virão com o recém-criado Projeto de Lei 7.193, que seguiu para o Congresso e que dará a possibilidade de as TVs comerciais investirem parte do IR pago sobre remessas aos exterior em produção nacional independente. Reforçou a importância das iniciativas como a da Apex na exportação da produção nacional independente e o incentivo à produção de publicidade em território nacional. Abordou o avanço do BNDES ao criar a linha de financiamento para construção de salas de

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exibição, mas lembrou que nesse segmento o banco estatal de financiamento encontrou empresas em situação de fragilidade na própria constituição jurídica para obtenção de financiamento. Tudo isso, diz Rangel, torna-se importante quando se levam em conta todas as novas plataformas de distribuição que se vislumbram no mercado. Em outro painel sobre as formas de marketing e incentivo fiscal, o secretario estadual de Cultura de São Paulo, João Batista de Andrade, falou sobre os recursos do Estado e mais especificamente sobre o incentivo dado no ICMS, onde é possível a empresa abater 3% “Tivemos apoio da área econômica e a lei pegou depois de um intenso debate”, conta Andrade, que levou a discussão à Assembléia Legislativa e, aprovado, o apresentou também à Fiesp. Dos recursos orçamentários do tesouro do Estado, um edital publicado para projetos de curta-metragem recebeu 250 projetos, de onde sairão 20 selecionados. “É correto que os estados tenham políticas de fortalecimento de sua produção local”, justifica o secretário estadual, lembrando que uma empresa nacional como a Petrobrás destina até dez vezes mais à área cultural do que uma estadual, como a Sabesp, por exemplo (da ordem de R$ 3 milhões para R$ 30 milhões, segundo ele).


( evento )

Fernando Lauterjung

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Vitrine na transição Com a digitalização em vista, fornecedores aproveitam a Broadcast & Cable para exibir suas soluções para a televisão nacional. fotoS: marcelo kahn

Grass Valley (acima à esquerda), Sony (acima) e Panasonic (ao lado) disputam o mercado com diferentes formatos de produção “sem fita”.

vezes, podem ser convertidos para HD no futuro com um upgrade de software ou de hardware. Entre as novas câmeras, estavam os lançamentos da NAB deste ano, como a linha XDCam HD, da Sony, a Infinity, da Grass Valley, mostrada ainda numa versão beta, já que o produto final será mostrado somente na IBC, a linha P2, da Panasonic, e os equipamentos baseados em disco rígido da Ikegami. São as quatro famílias de camcorders que hoje disputam o mercado de produção “tapeless” (sem fitas), mais adequado a um ambiente baseado em TI. A Grass Valley também levou este ano a câmera de cinema digital Viper, capaz de gravar sem nenhuma compressão de cor. Pela primeira vez o equipamento veio para a feira brasileira acompanhada do servidor e do magazine de memória em estado sólido, necessários para gravar o conteúdo. Segundo a fabricante francesa, a Globo já conta com dois exemplares do equipamento. A TV Cultura também comprou a câmera de cinema digital, mas ela está parada na alfândega brasileira há cerca de um ano, aguardando o foto: Divulgação

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hegou o momento da digitalização e nenhum canal poderá escapar de um alto investimento em tecnologia. Mesmo aqueles que já contam com infra-estrutura de produção moderna, terão que investir na compra da ponta final do processo, a transmissão. A feira Broadcast & Cable, que acontece junta ao Congresso da SET, trouxe para São Paulo entre os dias 23 e 25 de agosto as principais novidades tecnológicas para o setor. A expectativa dos fornecedores de equipamentos pode ser sentida pela área ocupada na feira, um pouco maior que nos anos anteriores. Todos apostam no investimento maciço em tecnologia, lembrando que nem todo o setor de produção está digitalizado. Entre as empresas que já investiram na aquisição de equipamentos mais modernos, a maioria ainda conta com parte do parque de equipamentos antiquado, e a parte já digital não opera necessariamente em alta definição, algo que será importante na nova realidade da televisão. Do que foi mostrado no evento, destaca-se a completa migração da produção para soluções baseadas em TI (tecnologia da informação) e uma variedade grande de produtos voltados para diferentes usos e, principalmente, bolsos. Os fornecedores estão preparados para atender a demanda dos mais exigentes, com equipamentos de alta definição de ponta, e também àqueles buscando investimentos mais modestos, ou talvez mais cautelosos, com equipamentos SD que, muitas

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desembaraço aduaneiro. A Sony apresentou a nova versão da estação portátil de produção Anycast, a AWS-G500, que agora trabalha em alta definição. Conta com várias entradas e saídas AV e TI, incluindo vídeo analógico composto, S-video, SDI, DV e RGB. Para emissoras que não querem converter todo o material arquivado em fita, a fabricante japonesa mostrou o VTR DCVAM DSR-1800A. Com interface SDI e a nova placa DSBK1820, pode se integrar a ambientes SDI e ainda fazer o upconverter do conteúdo automaticamente. Outra novidade que chamou atenção no estande da Sony foi o switcher DFS800. Trata-se de uma mesa low end, que trabalha em SD e custa US$ 20 mil FOB. Substitui o modelo DFS700, que não contava com preview, solucionado no novo modelo. O destaque para emissoras na área da Grass Valley foi o controle mestre Maestro, que trabalha em SD, bastando um upgrade por software 49

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( evento) DFS-800, da Sony: switcher de baixo custo para produção SD.

A Video Systems levou os produtos da Omneon, com destaque para o sistema de armazenamento MediaGrid e para o servidor de vídeo Spectrum. O primeiro, que veio pela primeira vez ao Brasil, foi criado especificamente para ambientes que precisam armazenar e trafegar grandes arquivos de mídia. Trabalha com servidores interconectados, porém independentes, ligados a um servidor compartilhado escalável em capacidade, banda e capacidade de processamento de mídia. O Spectrum HD combina playout em HD com funcionalidades para os que estão migrando para a alta definição. Os módulos de playout em HD MediaPort suportam um ou dois canais HD MPEG a 4:2:0 e 4:2:2, com bit rates de até 78 Mb/s. A Videodata apresentou uma mini mesa que trabalha com o servidor para exibir clipes e transições, que chamava atenção pela simplicidade de uso e pelo tamanho: a 2044CL, da DNF Controls. Trata-se de um equipamento de baixo custo com 30 botões que facilita a vida do operador sem a necessidade de grandes investimentos. Para configurar os botões, basta selecionar um vídeo no servidor, nomeá-lo, marcar os pontos de início e final e escolher o botão que dará o play no clipe. Automaticamente, o nome dado ao vídeo aparece na tecla, não sendo necessário memorizar a localização de cada clipe na mesa. A AD Line mostrou um ambiente de trabalho totalmente baseado em Apple, com rede Gigabit Ethernet, servidores XServer e ilhas G5 (a nova estação Dual Core foi anunciada pela Apple poucos dias antes do evento, não chegando ao Brasil a tempo) com o Final Cut Pro HD. Da Front Porch, a AD Line mostrou a

para operar também em alta definição. O equipamento necessita de um roteador externo, trabalha com 16 até 48 canais e conta com suporte para áudio Dolby e AES. Podem ser usadas com ele três diferentes mesas, configuráveis pelo usuário. A Grass Valley vem investindo para entrar no mercado Pro AV. Em seu estande, mostrou os softwares desenvolvidos pela recém comprada Canopus, com oito aplicativos de edição de diferentes níveis, para atender todo tipo de usuário. Com a última aquisição, a única linha de equipamentos que falta para atender esse mercado é a de câmeras. Uma aposta da empresa, segundo Arnault Lannuzel, diretor de vendas para a América Latina e África, é na venda de encoders MPEG-4. Segundo ele, existem poucos fabricantes que contam com modelos baseados na compressão que será usada no Brasil. Variedade As catarinenses Mediasoft e 4S lançaram no evento um sistema inédito de exibição de boletim meteorológico para emissoras de televisão, o TempoTV. O software dispensa a renderização dos gráficos em 3D, poupando tempo e processamento. De forma simplificada, é possível criar seqüências de cenas em mapas 3D, assim como animações de câmera, edição de textos e painéis de exibição das informações meteorológicas. O sistema com as informações sobre o clima pode ser atualizado pela Internet de forma automática ou manual.

Primeira versão do Anycast a trabalhar em alta definição.

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aplicação DIV Archive, que permite a interoperabilidade de dispositivos de armazenamento, sistemas de edição e aplicações de workflow de mídia. Com o uso da solução da Front Porch, é possível expandir a capacidade de armazenamento agregando novos servidores mantendo o gerenciamento do conteúdo. A novidade apresentada pela CIS e a Tacnet foi a mais nova versão do upconverter Quasar Ph.C, da Snell & Wilcox, que fez sua estréia mundial no evento em São Paulo. Trata-se do primeiro a trazer a tecnologia de estimação de movimento integrada. O equipamento combina quatro tecnologias premiadas no Emmy em uma única caixa de um RU: a estimação de movimento Ph.C, a correção de cadência DEFT 3:2, a compressão e pré-processamento Prefix, e a conversão HDTV FormatFusion. Graças à tecnologia Ph.C, segundo o fabricante, o equipamento entrega o dobro da resolução entregue por outros conversores. O equipamento pode trabalhar com vídeo, filme, gráficos e mídia de diferentes fontes para converter vídeo SD de 525 e 625 linhas entrelaçadas para 720p e 1080i. Uma novidade na feira foi a presença da JustEdit. A empresa apresentou o VSN News XL, software para jornalismo que permite editar texto, vídeo e áudio no mesmo aplicativo. A solução integra criação, edição, ingestão de vídeo, armazenamento e catalogação, edição, narração e teleprompter.

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( evento) A CAD Technology, distribuidora autorizada da RealViz para o Brasil, apresentou o software Movimento. Através de pequenos pontos fixados em um ator, ele captura os movimentos e os transfere para personagens 3D animados. Usando a partir de duas câmeras, que podem ser de diferentes frame rates e definições, a solução capta os movimentos de corpo e faciais de pessoas e animais sem a necessidade de um estúdio de captura (chroma key). O resultado pode ser gravado em arquivos fbx, trc, 3ds Max, Maya, XSI. O CTO da Realviz, Luc Robert, fez as demonstrações no estande da representante. A Floripa Tecnologia mostrou a mesa de controle mestre digital Lumyon, disponível em dois modelos, Compact e Extendend. O equipamento conta com 16 canais principais, mais seis vídeo auxiliares para DSK e três áudios auxiliares para over. Com duas saídas principais e dois BUS auxiliares digital, possibilita saída em vídeo componente e composto NTSC ou PAL-M. A mesa tem memória interna para armazenar vários logos, podendo gerar e inserir, simultaneamente, até quatro logos, inclusive animados, independentes por canal. Além disto, dispõe de mais seis DSKs independentes para inserção de sinais externos por linear key, luma key ou chroma key. Também tem, como opcional, a capacidade de gerar e inserir relógio, informando a hora certa durante a programação. A Ross apresentou o switcher Synergy SD, que chegou à 16ª versão do software. Com isso, passou a suportar outros equipamentos, como o Avid Airspeed e servidor EVS maXS, câmeras robóticas Canon e Sony, e uma série de roteadores. Entre as melhorias operacionais está o acesso a VTRs e DDRs através do teclado numérico. O software é gratuito para os clientes da empresa. A Victor do Brasil deu destaque para o DigiSpot Pro, um servidor de vídeo (DV25, DV50 e MPEG), com entradas e saídas analógica e digital e integração com ilhas de edição.

AD Line levou ao evento um ambiente de produção Apple, com servidor Xserve e ilha Final Cut Pro.

Transmissão A Linear demonstrou em seu estande, entre outros, a família de transmissores Linea Digital TV, que apresenta como característica básica o gerenciamento de todo o equipamento por meio de microcontroladores. Assim, as leituras, os alarmes e as configurações do equipamento são microprocessados e administradas por estes componentes. Além disso, permitem acesso remoto ao gerenciador por uma linha telefônica (física ou celular). Outra característica nos equipamentos é a dupla conversão em altíssimas freqüências para o translado FI - Canal de TV, eliminando a interferência provocada pelo oscilador local do transmissor. Os transmissores têm potência entre 15 W e 15000 W e usam filtros SAW. A Kathrein Mobilcom Brasil apresentou antenas banda larga em VHF e UHF para

sistemas compartilhados em radiodifusão. São usadas para transmissão de televisão e FM, que compartilham diversos canais em uma mesma antena, reduzindo custos. Embora o compartilhamento de antena não seja tendência no Brasil, a fabricante defende que diferentes emissoras podem usar uma única antena de transmissão, reduzindo também o impacto visual nas cidades. A Teclar apresentou o link móvel de microondas de 2,5 GHz e de 7,5 GHz, que conta com rádio microcontrolado, alinhamento do enlace por som, ajustes externos de áudio e vídeo e uma interface opcional para supervisão remota. A RFS - Radio Frequency Systems anunciou no evento que foi escolhida pela TV Globo para fornecer antena de transmissão VHF, bem como a infra-estrutura UHF para atender às necessidades dos futuros serviços de televisão digital no mercado de São Paulo. A nova antena será usada na realocação de suas instalações de radiodifusão do Pico do Jaraguá para um prédio localizado na Alameda Santos, em São Paulo. A solução da RFS está baseada em uma antena VHF especificamente desenvolvida para o novo site, a 611CP VHF. A antena deverá estar operacional ainda no segundo semestre de 2006. A Dielectric também anunciou contrato com radiodifusor brasileiro durante o evento. Trata-se da instalação de antena de banda larga para a afiliada da Globo no interior de São Paulo TV Vanguarda. A antena será usada para enviar programação em um canal analógico e outro digital para as cidades de São José dos Campos, Jacareí, Caçapava e Igaratá.

Importadores retomam ritmo As empresas importadoras de equipamentos broadcast e instaladores de projetos estão voltando ao ritmo normal de trabalho após algums mudanças na legislação que afetaram o setor no primeiro trimestre. Começou com a cobrança da alíquota de 17% de IPI, que passou a incidir sobre as importações. Segundo uma importadora, foi difícil repassar o custo aos clientes, mas o mercado já está se acomodando à situação. Outra questão foi a exigência pela Receita federal de uma autorização para importar conhecida como Radar. O processo de emissão da licença atrasou alguns projetos, mas as empresas regularizaram sua situação.

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( upgrade )

Tudo estático foto: marcelo kahn

Toshiba lança servidor baseado em memória em estado sólido, sem o uso de discos rígidos.

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Toshiba apresentou em agosto, na Broadcast & Cable, que aconteceu em São Paulo, um servidor de vídeo com armazenamento baseado em memória em estado sólido. O On-Air Max, justamente por não trabalhar com discos, seria, segundo a fabricante, mais confiável que qualquer outro servidor disponível no mercado. Além disso, apresenta um tempo resposta (para encontrar e acessar o conteúdo) mais rápido e consumo de energia mais baixo. Destaca-se no equipamento a flexibilidade. O servidor conta com seis diferentes placas (para

armazenamento, processamento e portas de comunicação) para compor os 12 slots disponíveis. Assim, é possível maximizar a capacidade de armazenamento (usando mais placas com memória) ou a quantidade de portas. Cada placa de memórias conta com 256 chips de 4 GB cada, podendo armazenar quatro horas de vídeo em HD ou dez horas de vídeo SD. O equipamento pode ter até oito portas de entrada e quinze portas de saída de vídeo, em HD ou SD. Além disso, trabalha com até 12 canais de áudio por vídeo. O servidor também é capaz de converter de SD para HD. As entradas e as saídas de vídeo

Lente Prime

podem ser HDTV (SMPTE 292M em 1080i ou 720p) ou SDTV (SMPTE 259M em D1). A gravação é feita com compressão MPEG-2 MP/HL, 422P/ HL (18-80 Mbps) para conteúdo HDTV, ou, para conteúdo SDTV, em MPEG-2 MP/ML, 422P/ML (4-50 Mbps). O On-Air Server, quando usado como servidor de exibição, pode receber o vídeo de um VTR através de uma das portas de vídeo ou por transferência de arquivo. Nesse caso, pode trabalhar com vários sistemas de automação, como Harris ou Sundance Digital. Outro uso indicado para o equipamento é como servidor para produção de esportes. Neste caso, o conteúdo pode vir diretamente das câmeras (até oito). O controle fica por conta de qualquer mesa de controle externa. Segundo a Toshiba, a tendência é que a capacidade de armazenamento do servidor aumente com o tempo, acompanhando a evolução dos chips de memória. Assim será possível, no futuro, trocar as placas de memória por outras com maior capacidade. A expectativa é que a capacidade dos chips de memória quadruplique no próximo ano.

Chip MPEG-4

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Band Pro lançou na IBC, no início de setembro, as lentes Zeiss DigiZoom 17-112 mm (T1.9). A lente é a primeira zoom teleobjetiva da Zeiss desenhada especificamente para câmeras com três CCDs de 2/3. O novo modelo conta com design “clássico” das lentes de cinema, para cair no gosto diretores de fotografia. Acompanhando a família de lentes para cinema digital da Zeiss, o novo modelo conta com abertura a partir de 1,9, permitindo trabalhar em diversas condições de luz. 56

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STMicroelectronics (STM) está trazendo para o mercado brasileiro um modelo de chip para set-top box com suporte para H.264/ AVC (MPEG-4) de alta definição e especificações. O componente pode ser usado em equipamentos de consumo para TV a cabo, satélite, DVDs, entre outros. Vale lembrar, a codificação H.264 é a que será usada no SBTVD-T. •

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Novo Maya Software de composição 3D chega à oitava versão com suporte a processamento 64 bits. O núcleo de renderização Mental Ray apresenta desempenho superior, otimizando a utilização de memória. O software conta ainda com visualização interativa de shaders nativos ou personalizados. O plugin Autodesk FBX também foi aprimorado para oferecer uma integração mais eficaz entre o Maya e aplicativos tais como Autodesk 3ds Max e Autodesk MotionBuilder. A versão de 64 bits do Maya 8 poderá ser executada em sistemas Windows ou Linux. A versão de 32 bits poderá ser executada em Windows, Linux e Mac OS X. O preço sugerido no varejo é de US$ 1,99 mil para o Maya Complete e de US$ 6,99 mil para o Maya Unlimited. O preço de atualização do Maya 7 Complete para Maya 8 Complete é de US$ 899 e a atualização a partir do Maya 7 Unlimited para Maya 8 Unlimited é de US$ 1,249 mil.

fotos: Divulgação

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software de modelagem, animação e reprodução em 3D Maya chega à oitava versão. Apresentado durante a Siggraph 2006, que aconteceu no início de agosto em Boston, traz agora suporte a 64 bits, além de multithreading e otimização algorítmica, que possibilitam aos artistas carregar conjuntos de dados em grande volume e interagir com eles com maior eficiência. As áreas centrais do software, incluindo o uso de texturas de pele, marchetado e malhas de polígono, agora trabalham em escala com o número de processadores ou núcleos disponíveis, acelerando tarefas que antes consumiam mais tempo. O software possibilita aos artistas fazer um melhor gerenciamento de dados quando da utilização de vários pacotes de 2D e 3D na linha de produção, graças ao meio de extensões em nível de API (interface de programação de aplicativos), aprimoramentos na tecnologia de intercâmbio de arquivo Autodesk FBX, inclusão do recurso de cache de geometria intercambiável entre o software Maya e o software de animação Autodesk 3ds Max, e uma nova interoperabilidade com o software de composição colaborativa Autodesk Toxik.

Os softwares de efeitos visuais e edição da Autodesk, como o Flint, também foram atualizados. Os produtos chegam à versão 2007 ainda este mês.

e um gerenciamento de dados aperfeiçoado, incluindo suporte à interface do aplicativo Wiretap 2007. O Wiretap permite gerenciamento remoto de projetos e troca de arquivos por terceiros, fornecendo acesso independente de plataforma à mídia e aos metadados. Os artistas digitais agora podem aproveitar o networking com Infiniband, com velocidade de transferência de 400 MB por segundo ou mais. Além disso, os sistemas de edição e acabamento da Autodesk dão um novo suporte a AAF, facilitando a adequação a projetos de sistemas offline Avid, além de um suporte maior ao Apple Final Cut Pro XML.

Outros lançamentos A AutoDesk lançou, também em agosto, novas versões dos seus sistemas de efeitos visuais e edição Inferno, Flame, Flint, Fire e Smoke, que chegam agora à versão 2007. As novas versões simplificam o fluxo de trabalho e dão aos artistas mais tempo para explorar a criatividade. Para resolver a necessidade de conectividade, os novos sistemas oferecem agora maior interoperabilidade

Etapas da construção de modelo 3D na nova versão do Maya.

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( agenda ) SETEMBRO 19 a 24 7ª Mostra Taguatinga — Festival de Cinema e Vídeo, Brasília, DF. Tel.: (61) 3225-9998. Web: www.mostrataguatinga.com.br 20 a 24 Ottawa International Animation Festival, Ottawa, Canadá. Tel.: (613) 232-8769. Web: ottawa.awn.com 21 e 22 1º Congresso Latino-americano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (11) 3120-2351. E-mail: info@convergeeventos.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br. 21 a 5/10 Festival do Rio, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 2543-4968. E-mail: info@estacaovirtual.com. Web: www.festivaldoriobr.com.br. 25 a 29 IV Curta Santos. Santos, SP. Tel.: (013) 3219-7456. E-mail: curtasantos@gmail.com. Web: www.tvtribuna.com/curtasantos

OUTUBRO 6 a 8 FiaeRio2006 — Festival Internacional de Animação Erótica, Rio de Janeiro, RJ. E-mail: fiaerio@gmail.com. Web: www.fiae.com.br 7 e 8 Mipcom Junior. Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580.

E-mail: justask@reedmidem.com. Web: www.mipcomjunior.com. 9 a 13 Mipcom. Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: justask@reedmidem.com. Web: www.mipcom.com. 10 a 15 6ª Goiânia Mostra Curtas, Goiânia, GO. Tel.: (62) 3218-3780. E-mail: icumam@icumam.com.br. Web: www.goianiamostracurtas.com.br 11 a 14 I Festival Nacional de Cinema, Vídeo e Televisão de Pacoti, com foco no meio ambiente. Pacoti, Ceará. Tel.: (85) 3221-5416. Web: www.festcinepacoti.oi.com.br. 13 Encerramento do prazo de inscrições para a 6ª Mostra do Filme Livre — MFL, Rio de Janeiro, RJ. Tel. : (21) 2539-7016. E-mail: curadoria@ mostradofilmelivre.com. Web: www. mostradofilmelivre.com 13 a 22 MostraMundo — Festival da Imagem em Movimento, Recife, PE. Tel.: (81) 3426-9797, r. 213. E-mail: mostramundo@aeso.br. Web: www.mostramundo.com.br

(11) 3141-2548. E-mail: info@mostra.org. Web: www.mostra.org.

NOVEMBRO 1° a 8 AFM — American Film Market. Santa Monica, Califórnia, EUA. Tel.: (1-310) 446-1000. E-mail: Afm2005@ifta-online.org. Web: www.ifta-online.org. 15 a 18 Cine Amazônia — Festival de Cinema e Vídeo Ambiental, Porto Velho, RO. Web: www.cineamazonia.com 17 a 23 5º Ecocine - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, São Paulo, SP. Tel.: (12) 3892-1439/4186. Web: www.ecocine.com.br

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Brasília, DF. Tel.: (61) 3325-7777/6212/6215. E-mail: festbrasilia@sc.df.gov.br. Web: www.sc.df.gov.br.

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26 a 29 Festival Fuse Movies 2006, Suzano, SP. Tel: (11) 4726-1644. E-mail: info@fusemovies.com.br. Web: www.fusemovies.com.br

1° a 7 Mostra Amazônica do Filme Etnográfico, Manaus, Amazonas. Tel.: (92) 3647-4380. E-mail: mostraetnografica@ufam.edu. br. Web: www.mostraetnografica.ufam. edu.br

20 a 2/11 Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, São Paulo, SP. Tel.:

5 a 15 Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, Havana, Cuba.


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Revista Tela Viva 164 - setembro 2006  
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