Page 1

VP VALORES PRÓPRIOS REVISTA DO INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO MAGAZINE NOVEMBRO/DEZEMBRO NOVEMBER/DECEMBER 2015


Editorial

Um Ecossistema Empreendedor / An Entrepreneurial Ecosystem PT Quando me perguntam se o Técnico tem uma incubadora, tenho por hábito responder que sim e que se chama StartUp Lisboa, Fábrica de Startups, Beta-i, Lispolis, Taguspark, TechLabs, Biocant, etc. Todas estas entidades têm ou já tiveram, equipas de alunos, docentes ou investigadores que foram encaminhados pelo Técnico. O conceito de incubadora de ideias de negócio nasceu nos EUA e estendeu-se à Europa nos anos 80 do século passado. Refere-se a uma organização que oferece espaço para alojamento e serviços de apoio à aceleração de ideias de negócio. Mais recentemente, surgiu o conceito de aceleradora que, normalmente, se foca nas fases mais iniciais da ideia de negócio com programas de duração mais curta. Tal como noutras atividades, as incubadoras e aceleradoras procuram especializar-se em áreas de negócio, oferecendo vantagens adicionais para as equipas de empreendedores que recebem apoio mais especializado, podendo beneficiar da partilha de conhecimentos e soluções entre todas as equipas envolvidas em cada programa. Faz por isso pouco sentido que o Técnico, uma instituição de ensino superior que cobre múltiplas áreas do saber, ofereça serviços de aceleração horizontal quando o ecossistema em que se insere dispõe já de múltiplos aceleradores verticais. O papel do ensino superior deverá ser o de integrar e desenvolver e não o de competir ou duplicar o que já existe. Se compararmos um ecossistema empreendedor com um grafo, o Técnico pode ser visto como um vértice que fornece talentos e conhecimento. As arestas ligam-no não só às incubadoras e aceleradoras atrás referidas mas também a investidores e a empresas já estabelecidas, em particular, aquelas cuja génese está de alguma forma ligada ao Técnico. A Comunidade IST SPIN-OFF é um instrumento para diminuir a distância entre os seus membros e entre estes e o Técnico. O fundo de capital de risco ISTART I criou caminhos diretos não só para a sociedade gestora do fundo mas, também, para os restantes co-investidores das startups do seu portefólio. A forte ligação internacional do Técnico é uma enorme vantagem para a internacionalização do ecossistema. Os nossos parceiros internacionais estão eles próprios ligados ao seu ecossistema empreendedor local que fica mais acessível por esta via. Um exemplo disso é o consórcio KIC Innoenergy onde as localizações espalhadas pela Europa se especializam no suporte à inovação e aceleração em áreas específicas dentro do domínio dos problemas energéticos. Para aumentar o seu valor como fonte de talentos para o ecosistema, tanto como potenciais fundadores como para o fortalecimento de startups existentes, o Técnico deve promover não só ensino de competências específicas para este fim mas deve, também, levar os seus alunos a pensar e a agir de forma empreendedora. Este é o objetivo dos novos modelos de ensino do empreendedorismo que estamos a ensaiar. Retomando a analogia com a teoria dos grafos, se usarmos o número de caminhos mais curtos que passam por um vértice como medida da sua centralidade, o Técnico não estará certamente muito longe do centro do ecossistema empreendedor onde se insere.

EN When I am asked if Tecnico has an incubator, I often answer yes and say that it is called StartUp Lisboa, Fábrica de Startups, Beta-i, Lispolis, Taguspark, TechLabs, Biocant, etc. All these entities have or have had, teams of students, teachers or researchers that were referred to them by Técnico. The concept of business incubator was born in the US and spread to Europe in the 80s of last century and it refers to an organization that provides office space and services to help the acceleration of business ideas. More recently came the concept of business accelerator which usually focuses earlier stages of the business idea with shorter duration programs. As with other activities, incubators and accelerators seek to specialize in business areas offering additional advantages to the teams of entrepreneurs who receive more specialized support and can benefit from shared knowledge and solutions among all teams involved in each program. It makes little sense that Tecnico, a higher education institution covering multiple disciplines, offers horizontal acceleration services when the ecosystem in which it operates already has multiple vertical accelerators. The role of higher education should be to integrate and develop and not to compete or duplicate what already exists. If we compare an entrepreneurial ecosystem with a graph, Técnico can be seen as a vertex that provides skills and knowledge. Its edges connect it not only with the incubators and accelerators mentioned above but also with investors and established companies, particularly those whose genesis is somehow connected with Tecnico. The IST SPIN-OFF Community is a tool to bridge the gap between its members and between them and Técnico. The ISTART I venture capital fund created direct paths not only to the fund’s management society but also to other co-investors of the startups in its portfolio. The strong international connections of Técnico is also a huge advantage for the internationalization of the ecosystem. Our international partners are themselves connected to their local entrepreneurial ecosystem that become more accessible. An example is the KIC InnoEnergy consortium in which the locations spread around Europe are specialized in supporting innovation and acceleration in specific areas within the field of energy problems. To increase its value as a source of talent for the ecosystem, both as potential founders and for the strengthening of existing startups, Técnico must promote not only the training in specific skills for this purpose but must also to lead its students to think and act entrepreneurially. This is the goal of the new models for teaching entrepreneurship that are being tested. Going back to the graph theory analogy, if we use the number of shortest paths that go by a vertex as a measure of its centrality, Técnico will not be far from the center of the entrepreneurial ecosystem in which it operates.

Luís Caldas de Oliveira Vice-Presidente para o Empreendedorismo e Ligações Empresariais Vice-President for Entrepreneurship, Corporate Relations and Technology Transfer

3


Instantâneos/Snapshots 2015

Parceria/Partnership

Evento/Event

Fnac mais pequena do mundo inaugurada no Técnico / The world’s smallest Fnac opened at Técnico PT A Fnac mais pequena do mundo foi inaugurada em setembro no Pavilhão Central do Instituto Superior Técnico, com uma pequena cerimónia que juntou vários membros da direção da Fnac e do conselho de gestão do Técnico. “Este momento é uma honra para nós”, afirmou Cláudia Almeida e Silva, CEO da Fnac para a Europa do Sul. “É uma pequena aventura para a Fnac abrir uma loja num espaço tão emblemático como o Técnico. Não sabíamos que valor acrescentado podíamos trazer, mas acho que ficou claro que temos dois grandes objetivos: corresponder, em termos de livro técnico, ao que nos é pedido pela comunidade escolar e garantir a aproximação da Fnac a este meio académico e juventude.” O vice-presidente do Técnico para as Instalações e Equipamentos, professor João Gomes Ferreira, também esteve presente e foi convidado a falar depois de ter sido considerado, pelo professor Rogério Colaço, uma “peça-chave” de todo o processo. “Somos uma escola de engenharia, somos um bocado quadrados, e acho que esta parceria nos vai ajudar a ficar mais redondos”, afirmou o docente, antes de acrescentar que se trata de uma “parceria cultural”. “Queremos ser também, e cada vez mais, uma escola de cultura.” !

4

EN The world’s smallest Fnac was inaugurated in September at the Pavilhão Central of Instituto Superior Técnico with a small ceremony that brought together several members of Fnac’s management and Técnico’s management board. “This moment is an honour for us”, said Cláudia Almeida e Silva, Fnac’s CEO for Southern Europe. “It’s quite an adventure for Fnac to set up a shop in a place as emblematic as Técnico. We didn’t know what added value we could bring, but it became clear that we have two major objectives: to respond in terms of technical books to what is requested by the school community, and to ensure Fnac’s closeness to this academic environment and to these young people.” Técnico’s vice president for Facilities and Equipment, professor João Gomes Ferreira, was also present and was invited to speak after being named by professor Rogério Colaço a “key piece” in the whole process. “We are an engineering school, we are a bit square, and I think that this partnership will help us become more round”, said the professor, adding that it is a “cultural partnership”. “We also want to be, increasingly more, a school of culture.” !

PT O CONPAT 2015, que agrega o XIII Congresso Latino-Americano de Patologia da Construção, o XV Congresso de Controlo de Qualidade no Construção e o Congresso Luso-Africano da Construção, decorreu em setembro no Centro de Congressos do Instituto Superior Técnico, e abordou temas tão diversos como a Reabilitação, Construção Sustentável ou Física das Construções. Para o vice-presidente do Técnico, professor Luís Miguel Silveira, presente na sessão de abertura do evento, foi uma “honra e uma responsabilidade” para a escola receber este evento. “É uma responsabilidade acrescida porque - soube-o agora - é a primeira vez que esta conferência se realiza fora da América Central e do Sul.” O docente aproveitou ainda a oportunidade para falar da qualidade dos formados do Técnico, dos quais todo o corpo docente tem “um grande orgulho”, pelo “importante papel que têm tido em Portugal e no mundo”. “Estamos neste momento a receber os novos alunos, e temos um número muito apreciável de alunos internacionais - isso corresponde a um esforço de internacionalização muito grande que temos vindo a fazer para virar a escola, cada vez mais, para fora.” !

EN CONPAT 2015, which joined together the thirteenth Latin American Congress on Construction Pathology, the fifteenth Congress on Quality Control in Construction and the Luso-African Congress on Construction, was held in September at Instituto Superior Técnico’s conference centre, and addressed issues as diverse as rehabilitation, sustainable construction and building physics. For the vice president of Técnico, professor Luis Miguel Silveira, who was present at the event’s opening session, it was an “honour and a responsibility” for the school to host this event. “There’s an added responsibility because - I was just informed - it’s the first time that this conference is held outside Central and South America.” The professor also used the opportunity to talk about the quality of Técnico’s graduates, in which the entire faculty has “great pride” due to the “important role they have been having in Portugal and the world”. “We are currently welcoming our new students, and we have a very significant number of international students - this corresponds to a very large internationalization effort that we have been doing to make the school, increasingly, more visible and open to the outside.” !

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

CONPAT junta no Técnico especialistas na área da Construção / CONPAT joins engineering experts from the field of construction


Instantâneos/Snapshots 2015

Mobilidade/Mobility

Cerimónia/Ceremony

“É importante alertar as pessoas para as alternativas que existem”/ “It is important to let people know about the existing alternatives” PT A Semana da Mobilidade no Técnico decorreu entre 21 e 25 de setembro e começou oficialmente com uma tertúlia sobre “Partilhar a Rua”, com apresentações sobre as alterações ao código da estrada e a partilha do espaço público entre ciclistas e automobilistas. O professor Fernando Nunes da Silva foi convidado a abrir a sessão, aproveitando para “felicitar a iniciativa”: “Esta é uma escola muito inovadora em muitas áreas, mas extremamente conservadora ao nível da mobilidade. É importante alertar as pessoas para as alternativas que existem”. “Este tipo de iniciativas é muito útil, e os poucos que aderem funcionarão, penso eu, como apóstolos: no início seremos poucos, mas vamos passar a mensagem”, referiu Fernando Nunes da Silva. “O objetivo é que o espaço público possa ser usado de uma forma muito mais exigente e partilhada. Para isso, temos que criar um sentimento de experimentação junto das pessoas, e a Semana da Mobilidade pode ter um enorme papel.” Ao longo da semana houve a possibilidade de alugar bicicletas gratuitamente, mas também participar em tertúlias sobre mobilidade sustentável ou workshops. !

EN The Mobility Week at IST was held between the 21st and the 25th of September and officially began with a meeting about “Sharing the Road”, with presentations on the changes to the road traffic regulations, and the sharing of public space between cyclists and motorists. Professor Fernando Nunes da Silva was invited to open the session, taking the opportunity to “congratulate the initiative”: “This is a very innovative school in many areas, but extremely conservative at the mobility level. It is important to let people know about the existing alternatives.” “This kind of initiative is very useful, and the few that adhere to it will function, I think, as apostles: in the beginning we will be few, but we’ll get the message across”, Fernando Nunes da Silva said. “The goal is for the public space to be used in a much more rigid and shared manner. For this, we have to create an interest in experimenting in all kinds of people, and the Mobility Week can have a huge role in that.” Throughout the week it was possible to rent bikes for free, as well as participate in gatherings on sustainable mobility or in workshops. !

PT A cerimónia oficial de receção aos novos alunos decorreu a 14 de setembro no Salão Nobre do Técnico, e contou com a presença dos vice-presidentes do Técnico, professor Rogério Colaço e professor Jorge Morgado, da presidente do Conselho Pedagógico, professora Raquel Aires-Barros, e do vice-presidente aluno, João Ribeiro, e ainda do presidente da Associação dos Estudantes, Rodrigo do Ó. “Esta é uma nova fase da vossa vida, e penso que é um orgulho para todos vocês estarem aqui neste dia”, começou por dizer a professora Raquel Aires-Barros, lembrando que estes serão anos de “muito trabalho”, mas que é fundamental garantir “um equilíbrio” entre a vida no Técnico e fora dele. “Só assim vão conseguir ter sucesso em todas as áreas da vossa vida.” No final da sessão, o professor Rogério Colaço tomou a palavra. “Todos os anos o Técnico renova-se, em setembro, com a chegada de 1500 novos alunos. É a chegada destes novos alunos que permite que uma escola tão antiga, com 104 anos, seja sempre nova. Para vocês, este é o início de uma vida nova.” !

EN The official welcoming ceremony for new students took place on the 14th of September at the Salão Nobre of Instituto Superior Técnico and was attended by the vice presidents professor Rogério Colaço and professor Jorge Morgado, by the president of the Pedagogical Board, professor Raquel Aires-Barros, by the student vice president, João Ribeiro, and by the president of the Students’ Association, Rodrigo do Ó. “This is a new phase of your life, and I think it is a proud moment for all of you to be here today,” professor Raquel Aires-Barros started, adding that these will be years of “hard work”, but is essential to ensure “a balance” between life at Técnico and life outside. “Only then will you be able to succeed in all areas of your life.” At the end of the session, professor Rogério Colaço took the floor. “Every year Técnico renews itself in September with the arrival of 1500 new students. It is the arrival of these new students which enables such an old school, 104 years old, to always be new. For you, this is the beginning of a new life.” !

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

“Todos os anos o Técnico renova-se” / “Every year Técnico renews itself”

5


Instantâneos/Snapshots 2015

Investigação/Research

Evento/Event

Docentes do Técnico são Highly Cited Researchers 2015 / Técnico professors are on the “Highly Cited Researchers” 2015 list PT Os professores Mário Figueiredo e José Bioucas Dias, que são também investigadores no Instituto de Telecomunicações (IT), integram a recentemente divulgada lista ISI Thomson Reuters “Highly Cited Researchers”, na categoria de Engenharia. Apenas cinco investigadores a trabalhar em Portugal fazem, em 2015, parte desta lista, que refere os cientistas cujos artigos são mais citados em publicações científicas. A base de dados dos “Highly Cited Researchers” é elaborada pelo Institute for Scientific Information (ISI), e a inclusão destes docentes tem grande relevância para o Técnico e para a Universidade de Lisboa, já que é um dos critérios utilizados para elaborar rankings de instituições de Ensino Superior. Já em 2014 o professor Mário Figueiredo tinha integrado esta lista, na categoria de Engenharia, pelo seu trabalho nas áreas de processamento de sinais e imagens, otimização, reconhecimento de padrões e aprendizagem automática. !

6

EN Mário Figueiredo and José Bioucas Dias, professors who are also researchers at Instituto de Telecomunicações (IT), are part of the recently released list ISI Thomson Reuters “Highly Cited Researchers”, in the category of engineering. Only five researchers working in Portugal belong to this list in 2015, which Includes scientists whose articles are the most frequently cited in scientific publications. The database of “Highly Cited Researchers” is prepared by the Institute for Scientific Information (ISI), and the inclusion of these professors has great relevance for Técnico and Universidade de Lisboa, since it is one of the criteria used to compile rankings of higher education institutions. In 2014 professor Mário Figueiredo had already been included in this list in the category of engineering for his work in the areas of signal/image processing, optimization, pattern recognition and automated learning. !

PT Foi inaugurada, no dia 11 de setembro, a residência U.hub Alameda, que resulta de uma parceria entre a empresa e o Técnico, que cedeu a exploração do edifício. Para o professor João Gomes Ferreira, vice-presidente para as Instalações e Equipamentos, “a parceria estabelecida entre o Técnico e a U.hub permite aumentar a oferta de alojamento de qualidade para alunos universitários de Lisboa e, em particular, do Técnico”. “O protocolo estabelecido está em linha com a estratégia do Técnico para a captação de alunos estrangeiros e alunos nacionais de fora de Lisboa”, referiu ainda o docente, antes de felicitar a U.hub “pela qualidade da reabilitação do edifício, que se encontrava fortemente degradado, contribuindo assim também para a regeneração urbana desta zona da cidade”. No U.hub Alameda, o primeiro do grupo, os estudantes têm à disposição um total de 32 espaços - 16 quartos e 16 estúdios. Mais informações podem ser encontradas no site da U.hub. !

EN The residence U.hub Alameda was inaugurated on the 11th of September, a partnership between the company and Técnico, which made possible the rehabilitation of the building. For professor João Gomes Ferreira, vice president for Facilities and Equipment, “the partnership between Técnico and U.hub can increase the supply of quality housing for university students in Lisbon and, in particular, at Técnico”. “The established protocol is in line with Técnico’s strategy for attracting foreign students and domestic students from outside of Lisbon”, added the professor, before congratulating U.hub “for the quality of the rehabilitation of the building, which was heavily degraded, thereby contributing also to the urban regeneration of this area of the city”. At U.hub Alameda, the first in the group to open, students have available a total of 32 spaces - 16 rooms and 16 studios. More information can be found at the U.hub website. !

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

MÁRIO FIGUEIREDO / IT

U.hub inaugura residência em parceria com o Técnico / U.hub inaugurates residence in partnership with Técnico


Instantâneos/Snapshots 2015

Alunos/Students

Evento/Event

Técnico Solar Boat é o novo projeto do IST / Técnico Solar Boat is IST’s newest project PT Um grupo de oito alunos do Técnico juntou-se e, em março deste ano, lançou o Técnico Solar Boat, cuja finalidade é construir um barco movido a energia solar, de 8 metros de comprimento, para participar em competições internacionais. Manuel Simas, que integra a área de Logística e Marketing, explica que o objetivo para o próximo ano é conseguir competir no Dutch Solar Challenge, uma competição internacional de embarcações deste tipo que decorre no verão. Ainda assim, assume que tal pode só acontecer em 2017. Hoje com 14 elementos, o grupo está em processo de expansão e pretende ter membros de todas as áreas. “Precisamos de mais pessoas com interesse e que queiram trabalhar. O projeto ocupa algum tempo”, diz, garantindo que há espaço para alunos de todas as áreas. Segundo este aluno de Engenharia Eletrónica, o Técnico Solar Boat “é um projeto inovador, único no país, com reconhecimento internacional e com uma tecnologia [a energia solar] que é, realmente, o futuro”. !

EN A group of eight students from Téxnico joined forces and in March this year launched Técnico Solar Boat, a project with the purpose of building an 8-metre-long solar-powered boat to participate in international competitions. Manuel Simas, who is part of the logistics and marketing team, explains that the goal for the next year is to be able to compete in the Dutch Solar Challenge, an international competition in this boat category, that takes place during the summer. Yet, he assumes that this may only happen in 2017. Currently with 14 members, the group is in the process of expanding and wants to include members from all backgrounds. “We need more people interested and willing to work. The project is going to take some time”, he says, ensuring that there is room for students from all fields. According to this electronic engineering student, Técnico Solar Boat “is an innovative project, unique in the country, with international recognition, that uses a technology [solar energy] that truly is the future”. !

PT O IDay, International Day do Técnico, realizou-se no final de setembro no campus Alameda e contou, pela primeira vez, com uma forte presença da América Latina. Graça Pereira, do Núcleo de Mobilidade e Cooperação Internacional, explica que a proximidade com a 11.ª Assembleia Geral da rede Magalhães, que este ano se realizou no Técnico nos dias 21 e 22 de setembro, fez a diferença. “A América Latina é a próxima África, é o local para onde todos os recursos e esforços vão ser direcionados e temos um enorme investimento nestes países”, lembrou. Este ano, o IDay contou com participantes da Argentina, Peru, Colômbia, Venezuela, Panamá ou Brasil, além das já tradicionais visitas de parceiros da Europa. Ao longo do dia, os estudantes puderam informar-se sobre os vários programas de intercâmbio, programas duais e estágios, ficando a conhecer algumas das opções para quem quer passar um período a estudar lá fora. O interesse pelos países da América do Sul foi notório, com especial foco nas universidades brasileiras. Como afirma Celso Morooka, da Universidade Estadual de Campinas, em tom de brincadeira, “os alunos portugueses integram-se bem, até porque falam muito bem português”. !

EN IDay, the International Day of Técnico, was held in late September at Alameda campus and had, for the first time, a strong presence from Latin America. Graça Pereira, from the Centre for Mobility and International Cooperation, explained that the proximity of the event to the 11th General Assembly of the Magalhães Network, which this year was held at Técnico on the 21st and the 22nd of September, made the difference. “Latin America is the next Africa, the place where all resources and efforts will be directed, and we have a huge investment in these countries”, she said. This year, IDay received participants from Argentina, Peru, Colombia, Venezuela, Panama and Brazil, in addition to visits from the traditional European partners. Throughout the day, students were able to learn about the various exchange programs, dual programs and internships, getting to know a few of the options for those who want to spend a period studying abroad. Interest in the countries of South America was very strong, with a special focus on the Brazilian universities. As Celso Morooka, from the State University of Campinas, joked, “the Portuguese students adapt well, since they speak Portuguese very well”. !

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

MANUEL SIMAS / TÉCNICO SOLAR BOAT TEAM

IDay com forte presença da América Latina / IDay with a strong Latin American presence

7


Alunos/Students

“Aprendi ali coisas que vou levar para a vida” / “I’ve learned things that I will carry with me for the rest of my life” Fomos conhecer as expectativas e opiniões dos alunos sobre as cadeiras de Empreendedorismo / We questioned the students about their opinions and expectations regarding entrepreneuship classes Texto/Text Sarah Saint-Maxent Tradução/Translation Unbabel

8

PT “Acho que esta disciplina ‘abre’ muito a visão dos alunos que a frequentam em relação às suas opções de trabalho”: as palavras são da professora Luísa Coutinho, uma das docentes que leciona a cadeira de Empreendedorismo, Inovação e Transferência de Tecnologia no Técnico. Aliás, essa é uma das razões por que a disciplina – opcional ou obrigatória consoante os cursos – tem sido, constantemente procurada pelos alunos. “Deve haver atenção e desmistificar a ideia de que toda a gente tem que ir trabalhar para uma empresa existente”, concorda Ricardo Amendoeira, aluno de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (MEEC), e que está este semestre a fazer a cadeira. “Também é preciso diminuir o receio que há de tentar criar um novo negócio.” Ainda assim, nem todos os alunos que escolhem fazer cadeiras nesta área a relacionam com o seu futuro imediato. Carolina Baptista, que frequenta o quinto ano de Engenharia Química, diz que gostava de trabalhar na área de processos, pelo menos nos primeiros anos no mercado de trabalho, e que a sua opção foi tida a pensar no longo prazo: “A maioria dos engenheiros químicos hoje trabalha na área da gestão e achei que


DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

quantos mais bases tivesse, melhor”, afirma. Depois de um semestre de aulas, a expectativa que tinha foi superada. “Aprendi ali coisas que vou levar para a vida. (…) Vejo-me, um dia mais tarde, a trabalhar na área da gestão, e se tiver uma boa ideia acho que sim, queria abrir um negócio e trabalhar por minha conta.” Mariana Marçal, do mesmo curso, tem uma opinião semelhante. “Não tenho planos para o futuro a longo prazo, e diria que a cadeira não influenciou isso. O que sei é que caso surja alguma oportunidade de me envolver num negócio, ou tenha alguma ideia, agora estou muito mais bem preparada.” João Lourenço também esteve inscrito na cadeira no último ano. Para ele, “Empreendedorismo, Inovação e Transferência de Tecnologia” funciona como um complemento às matérias que são dadas no curso. “É necessário perceber aquilo que verdadeiramente interessa aos clientes e utilizadores do produto que pretendes conceber. Isso era algo que ainda não tinha sido abordado ao longo do curso.” A cadeira, que tem uma base muito prática é alicerçada em sessões teóricas que abordam, por exemplo, as áreas de análise de mercado, R

“O empreendedorismo pode ser uma alternativa viável ao emprego por conta de outrem, um desafio e um projeto de vida”

“Entrepreneurship can be a viable alternative to employee jobs, a challenge and a life project”

EN “I think this subject really widens the understanding of the students as far as their employment options are concerned”: are the words of professor Luisa Coutinho, one of the entrepreneurship, innovation and technology transfer lecturers at Técnico. In fact, this is one of the reasons why the subject - optional or compulsory, depending on the program - remains much sought-after among students. “One must create awareness of the subject and demystify the idea that everyone has to work for a company that already exists”, claims Ricardo Amendoeira, a student of electrical and computer engineering (MEEC), who enrolled in the class this semester. “It is also necessary to reduce the fear of creating a new business.” Still, not all students who choose to attend classes in this area associate it with their immediate future. Carolina Baptista, who is now in her fifth year of chemical engineering, says that she would like to work in the processes area, at least during her first years in the labour market, and that her interest in the class came out of long-term perspective thinking: “Most chemical engineers today are working in the management sector and I thought that the more back-

ground I have the better”, she says. After the first semester of the class, her expectations had been exceeded. “I’ve learned things that I will carry with me for the rest of my life. (…) I see myself working in management someday, and if I have a good idea, I think I’d like to start a business and become self-employed.” Mariana Marçal, who is in the same degree program, has a similar opinion. “I don’t have long-term plans for the future, and I would say that the class didn’t change that for me. What I do know is that if I come across an opportunity to be involved in a business, or if I have an idea, I am now much better prepared for that.” João Lourenço enrolled in the class last year. For him, “entrepreneurship, innovation and technology transfer” complement the subjects that are taught in his program”. One must understand what the customers and users of the product you wish to conceive really care about. This is an issue that had not been addressed throughout the degree program yet.” The class, which has a very practical philosophy rooted in theoretical sessions that address, for instance, areas such as market analysis, marketing plans, R

9


R PT plano de marketing, plano financeiro e case-study, implicam sempre o desenvolvimento de um produto em todas as suas fases. Essa foi, para Carolina, a parte mais complicada do processo. “Achava que o problema seria arranjar financiamento para montar um negócio, mas depois de acabar a cadeira fiquei com a ideia contrária: o problema é arranjar uma boa ideia, acreditar nela e transmitir essa crença às outras pessoas.” Cada aluno tem uma expectativa diferente do que serão as suas aulas: para João, por exemplo, seria importante “perceber exatamente quais os passos a tomar” para criar um negócio viável, adaptando-os a “uma realidade de projeto concretos”. Francisco Lemos, por sua vez, considera que “o empreendedorismo é um conto de fadas”. “É tudo muito bonito e especial, mas abrir uma empresa e ver as dificuldades afunda esse sonho”, explica o estudante de MEEC, que já por duas vezes tentou vingar com o seu próprio negócio. E, ao contrário de outros alunos que já completaram a cadeira, considera que “o empreendedorismo não se ensina”. O professor Miguel Amaral, também ele docente da disciplina, considera no entanto que “os inúmeros exemplos de empresas de base tecnológicas inovadoras e de sucesso criadas por alunos, investigadores e docentes ligados ao Técnico demonstram que o empreendedorismo pode ser uma alternativa viável ao emprego por conta de outrem, um desafio e um projeto de vida”. Na área de Eletrotecnia e Computadores, por exemplo, trata-se de uma alternativa bastante viável, na opinião de Ricardo Amendoeira. “Acho que há uma relação direta entre o empreendedorismo e a minha área de estudos, uma vez que a engenharia é excelente para trazer inovação e resolver problemas.” O estudante ainda não tem a certeza do que quer fazer no futuro, mas tem como “objetivo principal” fazer algo que lhe permita “trabalhar em vários projetos diferentes ao longo dos anos e aprender em cada novo projeto”. Por isso, garante, ser empreendedor não é uma ideia posta de parte, ainda que provavelmente fora do país: “Há países que prometem muito melhores condições para pessoas da minha área, como o norte da Europa ou os Estados Unidos”. Além das bases de gestão, saber como fazer um plano de negócios ou de marketing e ter uma ideia “bem clara” daquilo que se quer fazer, a maioria dos alunos aponta como arma para conseguir vingar na ca-

10

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

Alunos/Students

“Achava que o problema seria arranjar financiamento para montar um negócio, mas (...) fiquei com a ideia contrária: o problema é arranjar uma boa ideia, acreditar nela e transmitir essa crença às outras pessoas”

“I thought that the problem would be to obtain the funds to set up a business, but (...) I ended up with the opposite idea: the problem is to find a good idea, to believe in it and convey that belief to other people”

deira a comunicação. “É preciso ser-se um bom comunicador, conseguir transmitir muito bem a nossa ideia de forma a conseguir apoios”, refere Carolina. Até porque durante estes meses de trabalho se contactam empresas e fornecedores – e esses são contactos que poderão fazer a diferença no futuro. Ainda assim, garante quem já a fez, a cadeira é desafiante e trabalhosa. “Acho que deviam apostar neste tipo de cadeira, aprendemos muita coisa de uma forma fácil. É quase uma injeção de motivação semanal”, garante Carolina. !

R EN financial plans and case studies, always involves all stages of the development of a product. For Carolina, this was the most complicated part of the process. “I thought that the problem would be to obtain the funding to set up a business, but after completing the class I ended up with the opposite idea: the problem is to find a good idea, to believe in it and convey that belief to other people.” Each student has a different expectation of the classes: for João, for instance, it would be important to “understand exactly what steps to take” in order to create a viable business, adapting them to “the reality of a specific project”. In turn, Fran-

cisco Lemos believes that “entrepreneurship is a fairy tale”. “It’s all very pretty and special, but starting a business and experiencing the difficulties will demolish that dream,” explains the MEEC student, who has twice tried to succeed with his own business. And, unlike other students who have completed the class, he believes that “entrepreneurship is not something you can teach”. However, professor Miguel Amaral, who is also a lecturer on entrepreneurship, considers that “the countless examples of successful innovative technology-based companies created by students, researchers and professors associated with Técnico prove that entrepreneurship can be a viable alternative to being Employed in someone else’s company; a challenge and a life project”. In the electrical engineering and computers area, for example, it is a quite a viable alternative, in the opinion of Ricardo Amendoeira. “I think there is a direct relationship between entrepreneurship and my field of study, since engineering is excellent to stimulate innovation and solve problems.” This student is still unsure about his plans for the future, but his “primary goal” is to do something that will allow him to “work on several different projects over the years and learn with each new project”. He says, therefore, that the idea of being an entrepreneur has not been ruled out, though he knows that he would probably have to move abroad: “There are countries that promise much better conditions for people from my area, such as Northern Europe or the United States”. In addition to having a management background, knowing how to create a business or marketing plan, and having a “very clear” idea of what one intends to do, most students single out communication as a crucial resource to succeed in the class. “You must be a good communicator, be able to convey your idea very clearly in order to obtain support”, Carolina maintains. Especially because throughout these months students must contact several companies and suppliers - and these are the contacts that can make a difference in the future. Those who completed the class say that it is very challenging and demanding. “I think others should invest in this kind of class; we learn a lot of things in an easy way. It’s almost like a weekly shot of motivation”, Carolina asserts. !


Técnico Learning Center. Um espaço de aprendizagem ativa e de ligação entre os estudantes e a cidade. learningcenter.tecnico.ulisboa.pt

TECNICO.ULISBOA.PT

FOTOGRAFIA © IST_LEARNING_CENTER

Técnico Learning Center reconversão da Gare do Arco do Cego


Entrevista/Interview Renato Braz

KIC InnoEnergy Highway, um programa para a área da energia / KIC InnoEnergy Highway, an energy sector program Falámos com Renato Braz, Business Creation Manager em Portugal, para conhecer o trabalho da KIC InnoEnergy junto do ecossistema empreendedor / We spoke with Renato Braz, business creation manager in Portugal, to get to know KIC InnoEnergy’s work within the entrepreneurial ecosystem Texto/Text Sarah Saint-Maxent Tradução/Translation Unbabel


Entrevista/Interview Renato Braz

Em que áreas atuam? Começamos na fonte do conhecimento, as Universidades, onde temos mestrados e doutoramentos em parceria com Universidades de topo em toda a Europa. Depois temos uma fase de aproximação ao mercado em que apoiamos o desenvolvimento de tecnologias e inovações através do que chamamos projetos de inovação: projetos necessariamente em consórcio internacional, onde está o investigador e a empresa que será a comercializadora da tecnologia e que vai apoiar o seu desenvolvimento até chegar ao mercado. Na ponta final deste percurso temos a área de criação de negócio, onde o que fazemos é apoiar startups a desenvolver-se, através de um programa de aceleração, o KIC InnoEnergy Highway. Quais as diferenças do KIC InnoEnergy Highway para outros programas? É um programa exclusivamente dedicado à área da energia e investimos capital semente nos projetos para um desenvolvimento inicial dos projetos. Além disso, temos um foco muito grande: encontrar o primeiro cliente. A dimensão europeia da KIC também é uma vantagem… Sim, essa dimensão europeia é completamente basilar no que fazemos. Assim como o é o foco na questão da energia, como é o foco na questão do primeiro cliente - procurar um cliente para o projeto, que esteja disposto a pagar e que depois alavanque o crescimento. Acho que a questão do capital semente também é interessante: atuamos numa fase onde conseguimos financiar projetos que as capitais de risco ainda não consideram.

brir Portugal, mas não era um foco. Em 2014 começámos a trabalhar com a RVE.Sol e a ISGreen, e nesse ano também entrou a ProDrone. Hoje já apoiam quatro startups. Sim, com a entrada da IonSeed. Infelizmente ainda nenhuma do Técnico. É fácil ser-se empreendedor na área da energia e tecnologias limpas? Não é fácil ser-se empreendedor em área nenhuma, mas cada vez menos assistimos ao panorama tradicional em que a energia é só para as grandes empresas. O problema é enorme e vão ser pequenas disrupções tecnológicas em diferentes áreas que vão fazer com que consigamos evoluir no sentido certo. Por exemplo, é muito complicado estar a pensar numa nova maneira de gerar energias renováveis, mas como são indústrias e tecnologias relativamente recentes há muito que se pode fazer para aumentar a sua competitividade. A inovação que a KIC procura desde a sua criação não pode, então, dissociar-se do empreendedorismo? As grandes empresas são uma parte inquestionavelmente importante do puzzle, mas não são a única. Se calhar precisamos de reforçar as competências de outra espécie de empreendedores, independentes, mais ágeis, para complementar o trabalho que as grandes empresas fazem e assim conseguir vencer este desafio que é enorme. Perspetivas para o futuro da KIC em Portugal? Queremos começar a ter um impacto mais visível, porque começámos em 2012 e isto é um trabalho que demora tempo a começar a arrancar: ainda há muita gente que não nos conhece e há muitos empreendedores que não nos conhecem. !

How do you do it? We work with the developer and with a network of mentors who regularly work with developers to come up with a map of activities, with clearly identified goals and the necessary steps to achieve them. Therefore, what we do is directly fund the resources needed to allow these activities to happen, in a very gradual manner.

In which areas do you act? We start at the source of knowledge, universities, where we have Master’s and PhD programs in partnership with leading local universities across Europe. Then we have an open market approach phase in which we support the development of technologies and innovations through what we call innovation projects. Those are necessarily international projects, where the company that will be commercializing the technology supports the researcher and the product’s development until it reaches the market. At the end of this journey, we have the business creation area, where we support the development of startups through an acceleration program called KIC InnoEnergy Highway.

In Portugal you started supporting companies in 2014... Actually, support was already available through our office in Spain, which also had the mission to cover Portugal, although not as its main focus. We started working with RVE. Sol and ISGreen in 2014, ProDrone came along that year as well. Today you’re supporting four startups. Yes, with IonSeed. Unfortunately none from Técnico, yet.

What are the differences between KIC InnoEnergy Highway and other programs? This program is dedicated exclusively to the field of energy, and we invest seed capital in the projects in order to allow an initial project development. In addition, we have one very big focus: finding the first customer.

Is it easy to be an entrepreneur in the energy and clean technologies field? It’s not easy to be an entrepreneur in any field, but the traditional scenery where energy is only dealt with by large companies is increasingly rare. The problem is huge and the small technological disruptions that will appear in different areas are the ones that will be helping us evolve in the right direction. For example, it’s very complicated to think of a new way of extracting renewable energy, but as they are relatively new industries and technologies, there’s a lot that can be done to increase their competitiveness.

The European dimension of KIC is also an advantage... Yes, the European dimension is quite fundamental in what we do. As is the focus on the energy issue, as is the focus on the first customer challenge - looking for a customer who will be willing to pay and leverage growth. I think the issue of seed ca-

Como fazem isso? Trabalhamos com o promotor e com uma rede de mentores que trabalha regularmente com os promotores no sentido de traçar um mapa de atividades, com os objetivos claramente identificados e as atividades necessárias para os atingir. Depois, o que fazemos é financiar diretamente os recursos necessários para que essas atividades existam, de uma forma muito gradual. Em Portugal, começaram a apoiar empresas em 2014… Na realidade já estava disponível através do nosso escritório em Espanha, que também tinha o mandato de co-

pital is also interesting: we operate at a stage where we can fund projects that venture capital don’t consider yet.

EN What is KIC InnoEnergy? KIC InnoEnergy is a European company whose objective is to stimulate the innovation and entrepreneurship in the energy and clean technologies sectors, which we consider a vital area for society.

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

PT O que é a Kic InnoEnergy? A KIC InnoEnergy é uma empresa europeia cujo objetivo é estimular a inovação e o empreendedorismo no setor na energia e tecnologias limpas, que consideramos uma área vital para a sociedade.

A equipa da KIC InnoEnergy em Portugal / KIC InnoEnergy’s team in Portugal

The innovation that KIC is looking for since its creation can’t, therefore, dissociate from entrepreneurship? Large companies are an unquestionably important part of the puzzle, but they are not the only parts. Maybe we need to strengthen the skills of another kind of entrepreneur, independent, more agile - to complement the work that large companies do and thus win this tremendous challenge. What are the perspectives for the future of KIC in Portugal? We want to start having a more visible impact because we started in 2012 and this is a business that takes its time to rise: there are still many people and entrepreneurs who haven’t heard of us yet. !

13


Fotorreportagem/Photoreport

Técnico ocupa 99% das vagas na primeira fase de acesso ao Ensino Superior / Técnico fills 99% of vacancies in the first phase of access to Higher Education Fotografia/Photography Débora Rodrigues Texto/Text Sarah Saint-Maxent Tradução/Translation Unbabel

14


Fotorreportagem/Photoreport

4239

Número de candidaturas na primeira fase do concurso / Number of candidates in the first phase of applications

185.0

Média do último colocado em MEAer / Grade point average of last student entering MEAer

PT O Técnico garantiu uma taxa de ocupação de 99% das vagas na primeira fase de acesso ao Ensino Superior para este ano letivo. Dos 18 cursos de primeiro ciclo (ou ciclo integrado) ministrados na escola, apenas Engenharia Civil ficou com vagas por preencher - 18, num total de 145. O Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica, a Licenciatura em Engenharia Informática e de Computadores (campus Alameda) e o Mestrado Integrado em Engenharia Aeroespacial (MEAer) foram dos que mais procura tiveram, sendo que este último registou mesmo a segunda melhor média de entrada (classificação do último colocado) a nível nacional, 185.0, depois de Medicina na Universidade do Porto. Ainda no top 10 das classificações de entrada mais elevadas encontram-se o Mestrado Integrado em Engenharia Física e Tecnológica (5.º lugar, com 182.3) e o Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica (10.º lugar, com 179.3). O Técnico teve, nesta primeira fase de acesso ao Ensino Superior, um total de 4239 candidaturas, para as 1494 vagas disponíveis. !

EN Técnico filled 99% of all available positions during the first phase of access to higher education for this school year. Of the 18 first cycle degree programs (or integrated degree programs) taught at the school, only civil engineering remains with unfilled vacancies - 18 from a total of 145. The integrated master’s program in mechanical engineering, the bachelor’s in computer science and engineering (campus Alameda) and the integrated master’s in aerospace engineering (MEAer) were the most sought after, with the latter even recording the second best entry average (rating from the lowest ranking position) at the national level, 185.0, second only to medicine at Universidade do Porto. Also in the top 10 of the highest entry ratings are the integrated master’s in Physics engineering and technology (5th place with 182.3) and the integrated master’s in biomedical engineering (10th place with 179.3). In this first phase of access to higher education, Técnico received a total of 4239 applications for the 1494 openings available. !

15


Destaque/Highlight

Incubar e acelerar startups em Lisboa é possível / Incubating and accelerating startups is possible in Lisbon Falámos com algumas das mais relevantes instituições na área para medir o pulso ao estado do ecossistema empreendedor em Portugal / We talked to some of the most relevant institutions in the area to take the pulse of the entrepreneurial ecosystem in Portugal Texto/Text Sarah Saint-Maxent Tradução/Translation Unbabel

PT Beta-i, LISPOLIS, Fábrica de Startups, Startup Lisboa e Incubadora do Taguspark são alguns dos nomes mais conhecidos do ecossistema empreendedor nacional. De alguma forma, todas elas estão ligadas ao Técnico, e fazem questão de manter com a universidade relações “essenciais para a criação de novos projetos verdadeiramente inovadores”, como explica Pedro Rocha Vieira, presidente da Beta-i. Cada uma destas instituições tem áreas de atuação diferentes e, talvez por isso, até complementares. A Startup Lisboa e a Incubadora do Taguspark assumem-se, claramente, como incubadoras de startups. A Fábrica de Startups acrescenta a essa valência a de ser uma aceleradora, o que, de certa forma, é o foco da Beta-i, com os seus vários programas de aceleração e eventos dedicados ao empreendedorismo. Já o LISPOLIS, através do seu Centro de Incubação e Desenvolvimento (CID), funciona como uma incubadora de startups em níveis mais avançados de desenvolvimento. “O tipo de empreendedor que opta pelo LISPOLIS não é propriamente o mesmo que se encontra noutro tipo de incubadoras de Lisboa”, explica o engenheiro Cândido

16

“Para um empreendedor, há poucas coisas mais importantes do que conhecer as pessoas certas ou ter uma rede de contactos de qualidade”

“For an entrepreneur, few things are more important than knowing the right people or having a network of quality contacts”

dos Santos, diretor geral do LISPOLIS. “Nós achamos isso normal, somos complementares de outras áreas de acolhimento. (…) Há um fenómeno que também começa a acontecer: algumas empresas que começaram noutras incubadoras de Lisboa passarem para aqui, sem perderem as ligações que tinham.” São essas ligações que, na opinião de Pedro Rocha Vieira, têm um papel vital no sucesso de um negócio. “Para um empreendedor, há poucas coisas mais importantes do que conhecer as pessoas certas ou ter uma rede de contactos de qualidade. Construir relações relevantes com influenciadores-chave é uma preocupação desde o primeiro dia da startup”, afirma. Por isso mesmo, muito do que a Beta-i faz, seja nas iniciativas que traz a Portugal ou nos seus programas de aceleração, como Lisbon Challenge ou o Beta-start, é ajudar os promotores a criar uma rede de contactos relevante. Na Startup Lisboa, como em todas as incubadoras, essa também é uma preocupação fundamental, explica Bruno Gomes, communication & community assistant da incubadora: “O que fazemos é prestar suporte às empresas através de parcerias, programas de mentores, R


DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

EN Beta-i, LISPOLIS, Fábrica de Startups, Startup Lisboa and Incubadora do Taguspark are some of the best known names in the domestic entrepreneurial ecosystem. All of them, in one way or the other, are linked to Técnico, and they make a point of maintaining relations with the university that are “essential for creating truly innovative new projects”, explains Pedro Rocha Vieira, president of Beta-i. All these institutions have different and, perhaps because of that, even complementary spheres of action. Startup Lisboa and Incubadora do Taguspark clearly perceive themselves as startup incubators. Fábrica de Startups adds the mission of an accelerator, which, in a way, is the focus of Beta-i, with its numerous acceleration programs and entrepreneurship-themed events. Through its Incubation and Development Centre (CID), LISPOLIS in turn functions as an incubator for startups in more advanced stages of development. “The kind of entrepreneur who chooses LISPOLIS is not exactly the same we find at other incubators in Lisbon”, explains engineer Cândido dos Santos, managing director of LISPOLIS. “We think that’s normal, we complement other hosting areas. (…) Something is starting to happen now: some companies that started with other incubators in Lisbon come here without severing the connections they had.” These connections have, according to Pedro Rocha Vieira, a crucial role in the success of a business. “For an entrepreneur, few things are more important than knowing the right people or having a network of quality contacts. Building relevant relationships with key influencers is a concern starting from the moment a startup comes into being”, he says. Therefore, much of what Beta-i does, either through the events it brings to Portugal or through its acceleration programs, such as Lisbon Challenge or Beta-start, is to help developers create a relevant contact network. At Startup Lisboa, as at all incubators, this is also a key concern, explains Bruno Gomes, communication & community assistant for the incubator: “What we do is to support companies through partnerships, mentoring programs, workshops... It’s always about connecting businesses to people who can help them develop their business”. The importance of a good team Created by Antonio Lucena de Faria in 2012, Fábrica de Startups applies Lean Startup methodologies: the fundamental mistake that “many people” make when they want R

17


Destaque/Highlight

R PT workshops… é sempre conectar as empresas a pessoas que as podem ajudar a desenvolver o negócio”. A importância de uma boa equipa Na Fábrica de Startups, criada por António Lucena de Faria em 2012, são aplicadas as metodologias Lean Startup: o erro fundamental que “muitas pessoas” fazem quando querem começar um negócio, explica Shannon Graybill, é “não validar as hipóteses que suportam a ideia”. “Ficam emocionalmente agarrados às ideias e muitas vezes fazem-no sem sequer terem falado com um cliente”, critica. Para a coordenadora do programa, há duas coisas vitais para o sucesso: conhecer o cliente e criar uma boa equipa. “No final, criar uma empresa resume-se às pessoas – a equipa e o cliente. Construam uma equipa sólida e dinâmica e conheçam o vosso cliente.” É também para garantir que as startups que atuam na área tecnológica tenham as melhores hipóteses de sucesso, suprindo as suas necessidades mais técnicas, que a Incubadora do Taguspark faz gala da sua ligação ao Técnico. “Ainda hoje, empreendedores que não são do Técnico e não estavam ligados ao Técnico procuram-nos pela ligação e proximidade com o campus Taguspark e pela possibilidade de aqui termos

18

“O Técnico (...) é um parceiro muito interessante para as aceleradoras na área tecnológica, dado o talento que sai da universidade”

“Técnico (...) is a very interesting partner for accelerators in the technology area, given the talent coming out of the university”

engenheiros formados pelo Técnico”, explica Miguel Matos, responsável pela incubadora. A Incubadora recebe exclusivamente startups de base tecnológica, com uma área de laboratórios dedicada à biotecnologia. Porquê? “A ideia é ter aqui tecnologia, e usar tecnologia portuguesa para resolver problemas de mercado.” A ideia parece estar a ter resultado: a Talkdesk, que tem dado cartas a nível mundial, nasceu dentro das paredes da incubadora, e a HeartGenetics, criada por uma uma professora do Técnico e recentemente considerada uma das melhores empresas na Cimeira Mundial da Saúde, foi também incubada aqui. Empreendedorismo e a Universidade O que falta ao ecossistema empreendedor português? Bruno Gomes considera que fundamental é perceber que “nem todos os projetos vão ter sucesso”. “Não é tudo um mar de rosas e há coisas que acabam por não correr tão bem, é normal. O normal é falhar, não é acertar à primeira.” Já Miguel Matos considera que é uma questão de volume: “Apresentem-nos mais ideias, mais projetos. Quanto mais projetos apresentarem, e muitos vão falhar, mais forte vai ser o nosso ecossistema de empreendedorismo”.

Pedro Rocha Vieira resume: “É preciso haver mais casos de sucesso, é preciso mais colaboração, investimento sério nas fases de crescimento e uma maior internacionalização das nossas startups e investidores. É também preciso olhar para o empreendedorismo não como algo passageiro, mas como uma aposta estratégica, em que a ligação às universidades é essencial”. E as universidades estão a fazer o seu papel? Para Cândido dos Santos, sim: “Há uma grande sensibilidade por parte das universidades para esta área, e até há muitas cadeiras que dão ferramentas adequadas e necessárias aos alunos”. Shannon Graybill concorda, e afirma que “os estudantes são a chave para um crescimento sustentável da cena empreendedora em Portugal”. “O Técnico, em particular, é um parceiro muito interessante para as aceleradoras na área tecnológica, dado o talento que sai da universidade.” Por pensarem o mesmo, associações como a Beta-i trabalham ativamente para estreitar relações com a escola. “Esperamos que o novo espaço da Beta-i [na Av. Casal Ribeiro], possa gradualmente funcionar como uma extensão natural do Técnico, onde alunos possam integrar uma comunidade verdadeiramente vibrante e fazer parte da próxima geração de empreendedores globais”, assegura Pedro Rocha Vieira. !


DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

Destaque/Highlight

R EN to start a business, explains Shannon Graybill, is “not validating the hypotheses that support the idea”. “People become emotionally attached to ideas and often do so without ever having spoken to a customer”, she criticizes. According to the program coordinator, there are two crucial things needed to succeed: knowing the customer and creating a good team. “In the end, creating a company comes down to people - the team and the client. Build a strong and dynamic team and know your customer.” To make sure that startups working in the technology area have the best chances of success, while meeting their most technical needs, is why Incubadora do Taguspark underlines its connections with Técnico. “Even today, entrepreneurs who are not from Técnico and who do not have any Técnico connections come to us because of our links and proximity to the Taguspark campus, and because we may have Técnico graduated engineers here”, explains Miguel Matos, the incubator’s manager.

50

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

Número de empresas que o CID da LISPOLIS pode acolher / Number of companies LISPOLIS’ CID can host

2012

Ano da fundação da Startup Lisboa / Startup Lisboa’s foundation year

The incubator only hosts technology-based startups, and has a laboratory area dedicated to biotechnology. Why? “The idea is to have technology here, and use Portuguese technology to solve market problems.” The idea seems to be working: Talkdesk, which is an important name worldwide, was born within this incubator’s walls, and HeartGenetics, created by a Técnico professor and recently considered one of the best companies at the World Health Summit, was also incubated here. Entrepreneurship and the university What does the Portuguese entrepreneurial ecosystem lack? Bruno Gomes believes that it is very important to realize that “not all projects will succeed”. “It is not a bed of roses and there are things that end up not going so well, it’s normal. What’s normal is failing, not hitting the spot at the first attempt.” Miguel Matos in turn believes that it is a matter of volume: “Present us with more ideas, more projects. The more projects that are presented, and many of them will fail, the stronger our entrepreneurial ecosystem will be”. Pedro Rocha Vieira sums it up: “We must have more success stories, we need more collaboration, serious investment in the growing stages and further internationalization for our startups and investors. We must also look at entrepreneurship not as a transient thing, but as a strategic investment, in which the connection with universities is crucial”. And are the universities doing their part? According to Cândido dos Santos, yes: “Universities are quite sensitive to this area, and there are many classes that provide students with the appropriate and necessary tools.” Shannon Graybill agrees and says that “students are the key to sustainable growth of the entrepreneurial scene in Portugal.” “Técnico, in particular, is a very interesting partner for accelerators in the technology area, given the talent coming out of the university.” Since they think the same way, associations like Beta-i actively work to strengthen relations with the school. “We hope that the new Beta-i location [at Av. Casal Ribeiro] can gradually become a natural extension of Técnico, where students can integrate into a truly vibrant community and be part of the next generation of global entrepreneurs”, says Pedro Rocha Vieira. !

19


Comunidade/Community IST SPIN-OFF

IST SPIN-OFF, uma comunidade que promove a colaboração / IST SPIN-OFF, a community that promotes collaboration Este é o fórum que junta algumas das mais bem-sucedidas empresas de base tecnológica em Portugal / This is the forum that brings together some of the most successful technology companies in Portugal Texto/Text Sarah Saint-Maxent Tradução/Translation Unbabel


Comunidade/Community IST SPIN-OFF

PT A comunidade IST SPIN-OFF foi criada em 2009 pelo Instituto Superior Técnico, para entre outras razões, dar a conhecer os casos de sucesso no mundo empresarial que começaram, de alguma forma, dentro das paredes da escola. Priberam, Link Consulting, Omnidea ou VoiceInteraction são apenas alguns dos nomes sonantes criados por investigadores, alunos ou docentes do Técnico e que hoje fazem questão de ser considerados, oficialmente, uma spin-off do Técnico. Fomentar a colaboração e o relacionamento entre empresas cujas origens estejam ligadas à escola, estreitar a sua ligação com o Técnico e estimular alunos e investigadores a criarem ainda mais empresas são outros dos objetivos desta comunidade: a ambição do Técnico é tornar-se uma referência internacional na área do empreendedorismo de base tecnológica. A Priberam Informática, S. A. é um bom exemplo de sucesso, nacional e internacionalmente: lançada em 1989, é hoje uma das referências na área da tecnologia aplicada à linguagem, tendo no FLiP (Ferramentas para a Língua Portuguesa) um dos mais requisitados produtos. Este serviço inclui corretores ortográficos, dicionários, corretores sintáticos e estilísticos, auxiliares de tradução, etc, e está disponível em português europeu e português do Brasil, o que aumentou exponencialmente a visibilidade internacional da empresa. Segundo a Priberam, “a inovação permanente é essencial para tornar os produtos e serviços os melhores disponíveis no mercado, contribuindo assim para o sucesso das pessoas que os utilizam”. “Move-nos uma motivação constante para melhorar os nossos produtos e serviços, incorporando neles o estado da arte da tecnologia, conteúdo e funcionalidades de uma forma criativa.” Este mote serve a muitas das empresas que fazem parte da comunidade, que têm na sua génese a criação de tecnologia inovadora, muitas vezes desenvolvida em contexto académico, aplicada a problemas assumidos pelo mercado. Outro exemplo é a VoiceInteraction, que, com “uma base sólida” de Investigação e Desenvolvimento (I&D), apresenta soluções inovadoras centradas nas tecnologias de processamento da fala. O objetivo é melhorar a interface com o utilizador, por exemplo no acesso a conteúdos, já que os fundadores consideram que “a fala será, no futuro, a interface privilegiada no acesso às tecnologias de informação”.

47

3

Curiosamente, ambas as empresas surgiram dentro das paredes do INESC-ID, um laboratório associado do Instituto Superior Técnico que atua em áreas variadas: processamento computacional do português falado, sistemas de informação e apoio à decisão, ambientes virtuais interativos, sistemas eletrónicos embebidos e redes de comunicações e mobilidade. Há, no entanto, muitas empresas da comunidade IST SPIN-OFF a operar noutras áreas: a Terraprima, por exemplo, tem como atividade principal a inventariação e quantificação dos impactos ambientais das atividades humanas e a criação de sistemas de compensação destes impactos; a HeartGenetics aplica inovações computacionais e genética, com o objetivo de alterar a prática da medicina; a Lusospace fornece tecnologia espacial à Agência Espacial Europeia. Todos os anos, a comunidade tem um encontro formal no Técnico, para o qual são convidados todos os membros e ainda os interessados dentro da comunidade escolar, reforçando os objetivos de estreitar a ligação com a escola e promover a cooperação entre empresas. É também este o momento em que, anualmente, são integrados os novos membros IST SPIN-OFF, numa cerimónia oficial que conta com a presença do presidente do Instituto Superior Técnico. Este ano, o encontro será no dia 18 de novembro, pelas 18 horas, no Centro de Congressos – uma breve apresentação das empresas que tomarão posse como membros da comunidade pode ser consultada nas próximas páginas. !

EN The IST SPIN-OFF community was established in 2009 by Instituto Superior Técnico, to publicize success stories in business that began in some manner within the school’s walls among other reasons. Priberam, Link Consulting, Omnidea or VoiceInteraction are just some of the big names created by researchers, students or teachers of Técnico who are proud to be considered, officially, a spin-off of Técnico. To promote collaborations and relationships between companies with school-related origins, to strengthen these companies’ links with Técnico, and to encourage students and researchers to create even more companies are other goals of this community: the ambition of Técnico is to become an international reference for technologybased entrepreneurship. Priberam Informática, SA is a good example of national and international success: launched in 1989, today it is one of the references in the field of language technology, with FLiP (Ferramentas para a Língua Portuguesa -Tools for the Portuguese Language) being one of their most sought-after products. This service includes spell checkers, dictionaries, syntactic and stylistic correctors, translation aids, etc., and is available in European as well as Brazilian Portuguese, which dramatically increased the international visibility of the company. According to Priberam, “permanent innovation is essential to make products and services the best available in the market, thus contributing to the success of the people who use them”. “What moves us is a constant motivation to improve our products and services, incorporating in them state-of-the-art technology, content and functionality in

Número de membros atuais / Number of current members

Número de novos membros em 2015 / Number of new members in 2015

a creative way.” This motto applies to many of the companies that are part of the community, which has its origins in the creation of innovative technology, often developed within an academic context, applied to market-oriented problems. Another example is VoiceInteraction, that with “a solid base” of research and development (R & D) presents innovative solutions centred on speech processing technologies. The goal is to improve the user interface, for example in access to content, because the founders believe “that speaking will be, in the future, the preferred interface in access to information technology”. Interestingly, both companies have emerged from within INESCID’s walls, an associate laboratory of Instituto Superior Técnico, which operates in various areas: computational processing of spoken Portuguese, information and decision support systems, interactive virtual environments, embedded electronic systems and communications and mobility networks. There are, however, many companies of the IST SPIN-OFF community that operate in other areas: Terraprima, for example, is primarily engaged in the inventory and quantification of the environmental impacts of human activities and the creation of systems to compensate such impacts; HeartGenetics applies computational and genetic innovations in order to change the practice of medicine; Lusospace provides space technology to the European Space Agency. Every year, the community has a formal meeting at Técnico, to which all members are invited as well as those interested from within the school community, reinforcing the objectives of strengthening the connection with the school and promoting inter-business cooperation. This is also when, every year, new IST SPIN-OFF members are integrated, in an official ceremony attended by the president of Instituto Superior Técnico. This year, the meeting will take place on November 18, at 6pm, at the congress centre - a brief presentation of the companies that will become members of the community can be found on the following pages. !

21


Comunidade/Community IST SPIN-OFF

Conheça os novos membros da comunidade IST SPIN-OFF / Meet the new members of the IST SPIN-OFF community Seedrs, Action Modulers e Magnomics serão integrados oficialmente no próximo dia 18 de novembro / Seedrs, Action Modulers and Magnomics will be officially integrated on November 18th Texto/Text Sarah Saint-Maxent & Inês Valente Tradução/Translation Unbabel

22

PT A comunidade IST SPIN-OFF acolherá, no seu encontro anual, três novos membros: a Seedrs, uma plataforma de equity crowdfunding, a Action Modulers, que atua na área da consultoria de segurança, e a Magnomics, uma startup que se encontra a desenvolver um novo dispositivo de diagnóstico com base numa tecnologia inovadora de deteção de ADN. Fique a conhecê-los um pouco mais. Seedrs A Seedrs é uma plataforma de equity crowdfunding que permite a empresas com elevado potencial de crescimento fazer o levantamento de capitais, ao mesmo tempo que permite que qualquer pessoa invista neste tipo de empresas. Fundada em 2012 por Jeff Lynn e Carlos Silva, antigo aluno do Técnico, a empresa nasceu quando os seus próprios fundadores se defrontaram com os problemas e limitações existentes no mercado de levantamento de capitais, nomeadamente a sua ineficácia, a concentração geográfica em dois ou três espaços e a pouca inovação na área ao longo dos anos.


DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

A Seedrs foi a primeira plataforma deste género, a nível mundial, a obter a autorização de um regulador de mercado financeiro (Financial Services Authority - FSA) para poder operar – permitindo a qualquer pessoa obter uma participação no capital social de uma empresa num marketplace regulado, ideal para startups e investidores. Neste momento, a empresa conta com escritórios em três localizações: Lisboa, Londres e São Francisco – este último é o mais recente, e será o pilar para o início das operações nos Estados Unidos. Dos 33 colaboradores que trabalham na Seedrs, a maioria são oriundos do Técnico, que Carlos Silva considera dar uma “garantia de qualidade”. O antigo aluno de Engenharia Informática faz questão de manter uma forte ligação e presença na instituição, colaborando em diversas iniciativas que visam promover o empreendedorismo. Em 2014 foram investidos através da Seedrs mais de 30 milhões de euros em 110 empresas, e o ritmo de crescimento da companhia mantém-se muito acentuado. Carlos Silva é também um dos membros fundadores da Beta-i. R

Com a entrada da Seedrs, Action Modulers e Magnomics, a comunidade IST SPIN-OFF passará a ter 50 membros

With the entry of Seedrs, Action Modulers and Magnomics, the IST SPIN-OFF community will have 50 members

EN The IST SPIN-OFF community will welcome three new members at their annual meeting: Seedrs, an equity crowdfunding platform, Action Modulers, which operates in the field of security consulting, and Magnomics, a startup that is developing a new diagnostics device based on innovative DNA detection technology. Read on to get to know them a little more. Seedrs Seedrs is an equity crowdfunding platform that allows companies with high growth potential to raise capital, allowing simultaneously for anyone to invest in such companies. Founded in 2012 by Jeff Lynn and Carlos Silva, a former student of Técnico, the company was born when their founders were confronted with the problems and limitations that existed in the capital raising market, namely its ineffectiveness, the geographic concentration in two or three places and the limited innovation in the area over the years. Seedrs was the first worldwide platform of its kind to obtain au-

thorization from a financial market regulator (Financial Services Authority - FSA) to be able to operate - enabling anyone to participate in the social capital of a company in an ideally regulated marketplace for startups and investors. At this moment, the company has offices in three locations: Lisbon, London and San Francisco - the latter is the newest, and will be the foundation for the start of operations in the United States. Most of the 33 employees working at Seedrs come from Técnico, a fact that Carlos Silva believes provides a “quality assurance”. The former student of computer science and engineering ensures the maintenance of a strong connection to the institution, collaborating on many initiatives aimed at promoting entrepreneurship. In 2014, more than 30 million euros were invested in 110 companies through Seedrs, and the company’s growth momentum remains very strong. Carlos Silva is also one of the founding members of Beta-i. R

23


MAGNOMICS

Comunidade/Community IST SPIN-OFF

A Magnomics utiliza nanopartículas magnéticas nas suas soluções / Magnomics develops solutions using magnetic nanoparticles

R PT Action Modulers A Action Modulers é uma empresa de consultoria de segurança, focada principalmente em serviços de tecnologias de informação, modelação numérica e planeamento de segurança. Surgiu no início de 2004 tendo como missão a prestação de serviços de consultoria de elevada qualidade. Através de uma forte ligação ao meio universitário, faz questão de manter o seu foco no desenvolvimento tecnológico e científico, o que lhe permite obter um elevado nível de competências nesta área. A Action Modulers tem atualmente duas áreas de negócio, Investigação e Desenvolvimento e Proteção e Segurança, e três sócios: Frank Braunschweig, Carlos Ferreira de Castro e Luís Fernandes. Todos são antigos alunos do Técnico (de Engenharia Civil, Engenharia Eletrotécnica e Engenharia do Ambiente, respetivamente) e fizeram questão de manter uma estreita relação com a instituição. Ao longo dos anos, têm contribuído com atividades docentes pontuais e trabalhos em grupos de investigação, e participado, em conjunto com o Técnico, numa série de projetos de investigação e desenvolvimento, nacionais e internacionais. A Action Modulers aposta fortemente no desenvolvimento de produtos de software e de serviços relacionados com a modelação numérica. Muitos destes produtos e serviços são relacionados com o MOHID – um sistema de modelos numéricos, inicialmente desenvolvido pelo grupo MARETEC-IST, liderado pelo professor Ramiro Neves.

24

Magnomics A Magnomics é uma startup portuguesa que desenvolve neste momento um novo dispositivo de diagnóstico rápido e fácil utilização, com base numa tecnologia inovadora de deteção de ADN utilizando nanopartículas magnéticas. Apostando no conceito de “lab on a chip”, a Magnomics pretende apresentar uma solução para a identificação de bactérias em qualquer tipo de amostra biológica. Esta solução tem várias aplicações possíveis: a primeira será a utilização deste produto no mercado de saúde animal, um mercado em franco crescimento. A tecnologia de deteção de ADN com nanopartículas magnéticas foi desenvolvida no INESC-MN e no INESC-ID ao longo de uma década de investigação. Depois de sentirem que esta tecnologia estava madura o suficiente para se tornar a base de um produto comercial, foi criada a Magnomics, em 2013 como spin-off de ambos os institutos, que se mantêm como sócios da empresa. Não só a tecnologia base teve a sua origem em institutos afiliados ao Técnico, também todos os cinco fundadores (Filipe Cardoso, José Germano, Sofia Martins, Verónica Romão, João Pereira) passaram pela instituição na sua formação, através de licenciaturas, mestrados ou doutoramentos. O objetivo da Magnomics é ser, dentro de poucos anos, a referência de diagnóstico em saúde animal, com uma presença internacional sólida. Depois desta entrada no setor de saúde animal, outras aplicações e mercados poderão ser explorados, nomeadamente em segurança alimentar e saúde humana. !

A Action Modulers tem atualmente três sócios: Frank Braunschweig, Carlos Ferreira de Castro e Luís Fernandes. Todos são antigos alunos do Técnico e fazem questão de manter uma estreita relação com a instituição

Action Modulers currently has three partners: Frank Braunschweig, Carlos Ferreira de Castro and Luís Fernandes. All are former Técnico students and they make sure to keep a close relationship with the institution R EN Action Modulers Action Modulers is a security consulting firm, focused primarily in IT, numerical modelling and security planning services. It emerged in early 2004 with the mission to provide high-quality consulting services. Through a strong connection to academia, Action Modulers maintains its focus on technological and scientific development, which maintains a high level of expertise in this area. Action Modulers currently has two business areas, research and development, and protection and security, and three partners: Frank

Braunschweig, Carlos Ferreira de Castro and Luís Fernandes. All are former Técnico students (civil engineering, electrical engineering and environmental engineering, respectively) and they keep a close relationship with the institution. Over the years, they have contributed with occasional educational activities and research group projects, and participated in conjunction with Técnico in a series of domestic and international research and development projects. Action Modulers focuses strongly on the development of software products and services related to numerical modelling. Many of these products and services are related to MOHID - a system of numerical models initially developed by the MARETEC-IST group led by professor Ramiro Neves. Magnomics Magnomics is a Portuguese startup that is developing a new diagnostic device that is quick and easy to use, based on an innovative technology of DNA detection using magnetic nanoparticles. Betting on the concept of “lab on a chip”, Magnomics intends to present a solution for the identification of bacteria in any type of biological sample. This solution has several possible uses: the first is the use of this product in the animal health market, a market that is growing fast. The DNA detection technology with magnetic nanoparticles was developed at INESC-MN and INESC-ID throughout a decade of research. Once they felt that this technology was developed enough to become the foundation of a commercial product, Magnomics was created in 2013 as a spin-off of both institutes, which remain partners of the company. Not only the founding technology has its origins in institutes affiliated with Técnico, but also all five founders (Filipe Cardoso, José Germano, Sofia Martins, Verónica Romão, João Pereira) attended the institution for professional training, obtaining undergraduate, Master’s or doctorate degrees. The plan of Magnomics is to be the reference in animal health diagnostic with a strong international presence in a few years. Following this entry in the animal health sector, other applications and markets may be explored, particularly food safety and human health. !


A IST PRESS É A EDITORA UNIVERSITÁRIA DO INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO

criada com o propósito de colocar à disposição de alunos e docentes do ensino superior, bem como do público em geral, textos didáticos de elevada qualidade científica e pedagógica, nas áreas da engenharia, ciência e da tecnologia, das artes e outros domínios da cultura. Com 13 obras traduzidas para inglês, francês e castelhano, a qualidade científica dos livros da IST Press é reconhecida pelas mais prestigiadas editoras internacionais, tais como a Springer,Willey, MIT Press, Elsevier, Cambride University Press, EDP Sciences, Delta Publicaciones, Livraria da Física, Martins Fontes Editora e Universidade Presbiteriana Mackenzie.

LOJA | ONLINE

istpress.tecnico.ulisboa.pt

Garantimos a venda de livros para todo o mundo através de servidor seguro.

IST PRESS | DISTRIBUIÇÃO

Rede de distribuição própria. Os livros estão disponíveis nas principais livrarias, em especial, junto aos estabelecimentos de ensino universitário e politécnico, em Portugal, Brasil, Angola e Moçambique. Instituto Superior Técnico • Av. Rovisco Pais • 1049-001 Lisboa • Portugal • Tel.: +351 21 841 76 86 /59 • Fax: +351 21 841 76 14 ist-press@tecnico.ulisboa.pt • www.facebook.com/istpress


DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

Loja/Store Merchandising

Direção Editorial / Editorial Direction: Arlindo Limede de Oliveira, Luís Miguel Silveira, Luís Caldas de Oliveira, Palmira Ferreira da Silva Editores / Editors: André Pires, Sarah Saint-Maxent Direção de Arte / Art Direction: Tiago Machado Designers: Patrícia Guerreiro, Telma Baptista Assinaturas e Publicidade / Subscriptions and Advertising: Sofia Cabeleira scabeleira@tecnico.ulisboa.pt Website: valoresproprios. tecnico.ulisboa.pt

Caneca / Mug 6 euros

Editora / Publisher: Instituto Superior Técnico Av. Rovisco Pais, 1 1049-001 Lisboa Tel: (+351) 218 417 000 Fax: (+351) 218 499 242 Impressão / Printing: Jorge Fernandes, Lda Rua Q.ta Conde de Mascarenhas N9 Vale Fetal 2825-259 Charneca da Caparica Tel.: 212 548 320 Fax: 212 548 329

Porta-chaves Cortiça / Cork Keychain 5 euros

Edição / Edition: 11 Novembro/Dezembro 2015 November/December 2015 Periodicidade / Periodicity: Bimestral/ Bimonthly Tiragem / Circulation: 10.000

Caneta Tinta Permanente / Foutain Pen 25 euros

Bloco de Notas / Notebook 5 euros

Lista completa dos artigos de merchandising / Full list of merchandising products gcrp.tecnico.ulisboa.pt/relacoes-publicas

26


CAMPANHA DE ANGARIAÇÃO DE NOVOS SÓCIOS ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS HTTP://AAAIST.PT/MEMBROS/

Francisco de la Fuente Sánchez Presidente da AAAIST

“Junte-se aos que reconhecem o valor que o Técnico trouxe às suas vidas. A sua quota da Associação de Antigos Alunos do IST vai ajudar a reforçar a nossa ligação aos atuais alunos do Técnico. Não é apenas uma questão de gratidão, é também responsabilidade e orgulho.” “Join those who recognize the value that Tecnico brought to their lives. Your IST Alumni Association membership fee will help to reinforce our connection to current Tecnico students. It is not just a matter of gratitude, it is also responsibility and pride.”

João Taborda

Cristina Fonseca

“A função do Técnico é preparar as pessoas, e fá-lo como muito poucas escolas.”

“O Técnico foi o meu pilar. Saem daqui verdadeiros engenheiros e não tenho dúvidas de que é a melhor escola em Portugal.”

“Técnico’s role is to prepare its students, and it’s doing it as very few schools.” Diretor de Relações Externas da Embraer e Membro da Associação de Antigos Alunos do IST. Embraer’s External Relations Director and Member of IST Alumni Association.

“Técnico was my pillar. Top engineers come from here and I have no doubt that it is the best school in Portugal.” Co-Fundadora da Talkdesk e Membro da Associação de Antigos Alunos do IST Talkdesk Co-Founder and Member of IST Alumni Association

AAAIST.PT


NOVEMBRO/DEZEMBRO NOVEMBER/DECEMBER 2015

DÉBORA RODRIGUES / TÉCNICO

VALORES PRÓPRIOS REVISTA DO INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO MAGAZINE

Profile for Técnico Lisboa

Valores Próprios 2015-011  

Revista do Instituto Superior Técnico. Edição de Nov/Dez de 2015.

Valores Próprios 2015-011  

Revista do Instituto Superior Técnico. Edição de Nov/Dez de 2015.

Advertisement