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"A ilha das árvores perdidas" TAG Curadoria - Setembro/2022

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28 ENTREVISTA

verdade é que muitos de nós nos sentimos sem voz. As pessoas sentem que suas vozes não são ouvidas. A necessidade de gritar é uma necessidade universal. Embora Ada seja muito cética, tal como sua mãe, ela parece simpatizar gradualmente com os costumes e as superstições de Meryem, sua tia. Que lições podemos aprender com o relacionamento delas, considerando o conflito de tradições e gerações? Acredito que o trabalho de um romancista é fazer perguntas, incluindo as difíceis. Quero abrir um espaço, um espaço inclusivo onde uma variedade de opiniões possa ser ouvida, uma multiplicidade de perspectivas seja compartilhada, uma abordagem diferenciada possa ser encorajada e a empatia possa ser nutrida com compaixão. Eu sempre deixo as respostas para o leitor, porque cada leitor vai apresentar suas próprias respostas. Também adoraria que minha escrita fosse uma ponte — entre Oriente e Ocidente, cultura escrita e cultura oral, passado e presente… Sinto que conheço a tia Meryem porque fui criada por mulheres como ela — minha mãe e minha avó. A casa de vovó estava cheia de superstições, histórias, magia, irracionalidade... Ela lia xícaras de café ou derretia chumbo na água para afastar o mau-olhado, entre outras coisas. Ela também era uma contadora de histórias, e aquele mundo ficou comigo, com todas as suas cores e complexidades. No fim do romance, descobrimos que o espírito de Defne se transmutou na figueira. Foi algo calculado desde o início? Não foi calculado de forma alguma. Aconteceu organicamente e veio a mim quando eu estava mergulhada no romance. Enquanto escrevia, percebi que o “mundo dos humanos” e o “mundo das árvores” se aproximavam cada vez mais. Eles estavam conectados. Na parte do mundo de onde venho, existem mitos sobre mulheres que se transformaram em plantas e árvores — mitos antigos que foram em grande parte esquecidos. Parecia muito natural que uma mulher como Defne se transformasse em uma árvore.

MINHA ESTANTE O primeiro livro que você leu: O primeiro que teve um imenso impacto para mim quando criança foi Um conto de duas cidades, de Charles Dickens. O livro que você está lendo: Out of the Sun: On Race and Storytelling, de Esi Edugyan. O livro que mudou a sua vida: Orlando, de Virginia Woolf. O livro que você gostaria de ter escrito: São tantos, mas os que me vêm à mente agora são O mestre e Margarida, de Bulgákov; People of the Book, de Geraldine Brooks; e Middlesex, de Jeffrey Eugenides. O último livro que a fez chorar: Open Water, de Caleb Azumah Nelson. O último livro que a fez rir: A escrita de Shalom Auslander, um soberbo humor fatalista que se faz próximo do coração de quem vem de culturas feridas. O livro que você dá de presente: Nos últimos tempos, adoraria dar a coletânea Poetry Unbound, de Pádraig Ó Tuama. O livro que você não conseguiu terminar: Os poemas de Rumi. Você não pode terminá-los, você só pode tomar um golinho, matar a sede, ler, fechar o livro e depois voltar de novo, beber de novo…


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