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ÍNDICE

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CARTA AO LEITOR Luiz Tângari CEO da Strider

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OPINIÃO

Vanessa Nogueira: Quero parar de andar a pé, mas não preciso de uma Ferrari

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EVENTOS

Agrishow 2018: 5 dias de inovação

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Da web para as páginas da revista

ECONOMIA

Paulo Vicente: Quatro cenários para o futuro do agronegócio

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#PORDENTRODOAGRO

HERÓIS DO AGRO Conheça os verdadeiros heróis do agro

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COLUNISTA CONVIDADO Abimael Cereda: O “agronegócio do hoje”

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CANA

SJC Bioenergia e os desafios do setor sucroenergético

Nova variedade promete ser resistente à broca

STRIDER INDICA

4 processos indispensáveis na gestão financeira do seu agronegócio

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SOJA

Descubra como a chuva pode influenciar no desenvolvimento da cultura

Investir em macadâmia é retorno certo?

Qual o real valor gasto por hectare nos principais plantios do país

TECNOLOGIA E INOVAÇÃO A inteligência artificial chegou ao campo

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STRIDER ENTREVISTA

MUNDO AFORA

VOCÊ SABIA?

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CAFÉ

Abelhas aumentam a rentabilidade da cultura em até 30%

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ESPECIALISTA CONVIDADO Bernardo Lopes: Boas práticas na sucessão familiar

SUSTENTABILIDADE A nova moda da indústria têxtil

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CARTA AO LEITOR Luiz Tângari CEO da Strider

Caros Leitores, Estamos orgulhosos em anunciar a assinatura do contrato de aquisição da Strider pela Syngenta. Sob o guarda-chuva da Syngenta, a Strider inicia um novo ciclo de crescimento, melhor posicionada para, através das sinergias com o acesso ao mercado da Syngenta, servir melhor aos seus clientes e ampliar sua base de atuação. Reiteramos o compromisso em continuar atendendo todos os nossos clientes cada vez melhor. A Strider segue como uma empresa em separado, mantendo o time executivo e a visão de transformar a agricultura, usando tecnologia da informação, que todos conhecem e que nos trouxe até aqui. Estamos animados com todas as possibilidades que se abrem com a união das empresas e com quanto acreditamos poder realizar juntos.

Abraços!

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E XPE D I E NT E

DIRETORIA

DIREÇÃO GERAL PROJETO GRÁFICO E EDITORIAL COLUNISTAS CONVIDADOS

REDAÇÃO

APOIO EDITORIAL

REVISÃO

Carlos Neto Gabriela Mendes Luiz Tângari Ana Attie Willian Tavares

Abimael Cereda Bernardo Lopes João Castro Luiz Tângari Paulo Vicente Vanessa Nogueira Alice Dutra

Beatriz Esteves Bruno Trivellato Flora Viana Luciana Botelho Luisa Gonçalves Patricia Sales Lígia Braga

A REVISTA STRIDER Ano 2 - número 6 é uma publicação trimestral e de distribuição gratuita. Seu conteúdo foi desenvolvido com o apoio e colaboração de colunistas e especialistas. Os artigos de opinião não refletem, necessariamente, a opinião da Strider, sendo de inteira responsabilidade de seus autores. A reprodução do conteúdo publicado só poderá ser feita mediante autorização, previamente solicitada por escrito à revista, citando créditos e fonte. É vedada a venda desta publicação. IMPRESSÃO E ACABAMENTO Gráfica e Editora O Lutador l Tiragem: 5.000 Exemplares

ANUNCIE revista@strider.ag Rua Inconfidentes, 1190, 7º andar - Belo Horizonte - MG Cep: 30140-120. Telefone: 0800 940 0020 @strideragro

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OPINIÃO

Quero parar de andar a pé, mas não preciso de uma Ferrari

por VANESSA NOGUEIRA

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roponho lançarmos um olhar sobre o processo de adoção de tecnologia. No agro, este fenômeno tem acontecido de forma particularmente rápida. Em um curto espaço de tempo saímos de um cenário em que a tecnologia era vista como arriscada e experimental para outro, no qual prevalece a visão de tecnologia como elemento indispensável.

Aos meus olhos, a rapidez da adoção tecnológica no agro é um reflexo de que o produtor tem pressa. Há uma urgência cada vez maior em produzir mais e melhor para manter o negócio lucrativo e a tecnologia é o jeito mais rápido de fazer isso acontecer. Não há espaço para amadores, o que faz com que todas as fazendas, independentemente do tamanho ou nível de complexidade operacional, estejam buscando modernizar os seus processos.

Do outro lado, as empresas respondem a este fenômeno oferecendo tecnologias que resolvem problemas operacionais em diferentes níveis: desde ferramentas simples de controle, que apontam, por exemplo, onde e quando foi feita qualquer coleta no campo, até ferramentas robustas de gestão, que permitem comunicação com tratoristas para interferir na operação em tempo real. Ganha a corrida pela produtividade o produtor que escolhe o fornecedor de tecnologia que compreende as etapas de um processo de adoção e oferece soluções adequadas para o tamanho dos seus problemas.

VANESSA NOGUEIRA

Diretora comercial da Stridrer

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EVENTOS

No último mês a Strider marcou presença na Agrishow, feira em Ribeirão Preto (SP) que reúne soluções agrícolas para todos os tipos de culturas e produtores.

Henrique Prado foi um dos convidados da Arena do Conhecimento. No painel Climashow, do parceiro ClimaTempo, o diretor de sucesso do cliente da Strider falou sobre tecnologia, digitalização e impactos climáticos no agronegócio.

Henrique Prado/Diretor de sucesso do cliente da Strider

A data marcou também o lançamento de uma nova ferramenta para o produtor rural: o Strider TRENDS. Ao lado do Canal Rural, a Strider apresentou o aplicativo que permite ao produtor comparar sua produção com a produtividade média da sua região, avaliar cultivares e defensivos mais usados e gerar insights para melhorar sua operação. O app serve como uma bússola para o gestor moderno e, além de ser 100% gratuito, garante o sigilo de dados para seus usuários. Strider TRENDS no Agrishow

Espaço Strider no Pulse

A Agtech também esteve presente no stand do Pulse, que reuniu startups associadas e aceleradas pelo Hub de inovação. Estiveram representadas por lá empresas que contribuem para fortalecer o ecossistema de modernização no agronegócio.

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@strideragro Para ver sua foto publicada aqui, siga o nosso perfil no Instagram e marque as imagens de sua autoria com a hashtag #pordentrodoagro.

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FIQUE POR DENTRO DAS NOVIDADES DO AGRONEGÓCIO! Leia, assista e acompanhe as tendências que estão aumentando a produtividade de milhares de fazendas do país. CONFIRA OS VÍDEOS MAIS RECENTES DO NOSSO CANAL: youtube.com/striderag

Jornada de Sucesso

SLC Agrícola

Como a IoT pode revolucionar seu negócio?

CONHEÇA AS MATÉRIAS MAIS LIDAS DO NOSSO BLOG: pordentrodoagro.strider.ag

Os 3 piores erros que você pode cometer na gestão agrícola

Como o clima favorece a multiplicação da mosca branca?

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ECONOMIA

Q U A T R O

C E N Á

O FUTU AGRONE

por PAULO VICENTE

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agronegócio tem sido fundamental para manter o crescimento do PIB brasileiro. No geral, o quadro do setor é de otimismo, mas existem algumas preocupações. A população humana provavelmente continuará crescendo a um ritmo de cerca de 100 milhões de pessoas por ano nas próximas décadas. Além disso, os níveis de consumo devem subir na medida em que tentamos erradicar a miséria do planeta. A pergunta que fica é: como iremos subir o nível de produção de recursos alimentares para atingir os futuros níveis de consumo de maneira sustentável?

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N Á R I O S

P A R A

URO DO NEG ÓCIO Avanços tecnológicos Uma revolução tecnológica em biotecnologia, robótica e engenharia genética está se formando e vai mudar o agronegócio. No nível de robotização e inteligência artificial estão surgindo tratores e colheitadeiras robotizadas, mas também o uso de drones e adubadoras está criando o que se convencionou chamar de agricultura de alta precisão.

A biotecnologia e a engenharia genética permitem hoje não só a melhoria genética de plantas e animais, mas também a criação de novos organismos contendo modificação e defensivos agrícolas capazes de reduzir, em muito, o número de pragas e ineficiência no processo. Fazendas verticais para horticultura - e potencialmente fruticultura e floricultura - estão sendo testadas. Sua viabilidade econômica ainda é duvidosa, mas em locais com pouca terra e grande demanda elas podem ser competitivas.

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Quatro cenários para o futuro do agronegócio

Cenários para o futuro Forma-se assim uma corrida entre o aumento de consumo e o aumento da capacidade de produção via novos territórios, produtividade e tecnologia. Com tantas incertezas, o recomendável é fazer um estudo de cenários de duas dimensões em que, ao colocar as variáveis opostas, surgem quatro cenários:

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ZONA DE DESCONFORTO:

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COLAPSO:

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Combina um avanço lento da tecnologia com um crescimento lento da demanda, gerando um desconforto global. Podemos dizer que atualmente vivemos neste cenário.

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A demanda avança mais rápido do que a tecnologia. É o grande medo de boa parte da comunidade científica.

ZONA DE CONFORTO: Avanço da tecnologia e o crescimento da demanda foram rápidos e se equilibram. É um cenário pouco provável e provavelmente instável.

ABUNDÂNCIA: Tecnologia avança mais rapidamente do que o crescimento de demanda. Este cenário prevaleceu logo após cada uma das revoluções tecnológicas e não é impossível. Alguns autores, inclusive, acreditam que estamos à beira dele.

ABUNDÂNCIA

TECNOLOGIA

Rápido

ZONA DE CONFORTO

Lento

Rápido

ZONA DE DESCONFORTO

DEMANDA

TECNOLOGIA

DEMANDA

Lento

COLAPSO

O mercado do agronegócio irá mudar fortemente nas próximas décadas e existem oportunidades e ameaças para toda esta cadeia. É preciso ficar atento às novas tecnologias, bem como aos novos entrantes vindos de outras partes do mundo.

PAULO VICENTE DOS SANTOS PhD, Prof. Fundação Dom Cabral

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SINDAG

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STRIDER ENTREVISTA e n t revis t a

c om

SJC José Geraldo Machado/Gerente corporativo agrícola da SJC

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rescimento sustentável com alta eficiência, baixo custo e produtos de maior valor agregado. É desta forma que a SJC Bioenergia pretende produzir açúcar, etanol de cana e milho e seus coprodutos nos próximos anos. Localizada em Goiás, a empresa possui 120 mil hectares de cana-de-açúcar e mais de 3,5 mil colaboradores. Para a Revista Strider, José Geraldo Machado, gerente corporativo agrícola da SJC, falou sobre produtividade, inteligência agrícola e capacitação de mão de obra.

QUAIS SÃO OS MAIORES DESAFIOS ENCONTRADOS HOJE PELO SETOR SUCROENERGÉTICO E COMO A SJC FEZ PARA SUPERÁ-LOS, TORNANDO-SE REFERÊNCIA DE ATUAÇÃO? Redução de custos de produção e aumento da produtividade são os focos da SJC. Neste sentido, iniciativas para a padronização dos processos, capacitação dos empregados, modernização da frota e melhores práticas agronômicas tem sido pauta mandatória nas decisões gerenciais. Passamos a investir também na produção própria de mudas pré-brotadas (MPB), no uso de piloto automático nas operações agrícolas e de imagens de satélite para acompanhar o desenvolvimento do canavial. 14

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Estamos enxergando operações mais integradas, com maior eficiência e qualidade, variedades mais resistentes, produtivas e mais ricas em ATR.” QUANDO A SJC NOTOU QUE SERIA NECESSÁRIO INVESTIR EM NOVAS TECNOLOGIAS E EQUIPAMENTOS? A nossa operação era praticamente toda terceirizada, nos últimos anos trilhamos um caminho para verticalizar e atualmente temos uma operação totalmente própria e muito mais produtiva. Por exemplo, nossas colhedoras que antes tinham média de 400 t/maq.dia hoje estão acima de 800 t/maq.dia.

COM ESTA MUDANÇA FOI NECESSÁRIA UMA ADAPTAÇÃO NO PERFIL DOS FUNCIONÁRIOS? Com a internalização dos serviços, passamos a ter um maior quadro de funcionários, o que nos levou a fazer um forte investimento em capacitação e treinamento. Implantamos, por exemplo, o programa Operador Mantenedor, em que o operador ou motorista realiza pequenas intervenções mecânicas no seu equipamento. Hoje temos frentes que não precisam mais da atuação de mecânicos e máquinas que foram reformadas pelos próprios operadores.

O QUE É O PROJETO C.I.A.? O Centro de Inteligência Agrícola (C.I.A.) é uma área que monitora todas as atividades da SJC em tempo integral, controlando as operações, tornando-as mais eficientes e seguras. Ele inclui computadores de bordo, softwares de última geração e pessoas capacitadas para operar a nova tecnologia 24 horas por dia.

O SETOR ESTÁ OTIMISTA COM OS AVANÇOS DO RENOVABIO? Estamos bastante otimistas! É uma cadeia de desenvolvimento sustentável, que implicará diretamente em benefícios ao meio ambiente, com um maior consumo de combustíveis sustentáveis, com grande destaque para o etanol.

NA SUA OPINIÃO, COMO SERÁ A USINA DO FUTURO? Estamos enxergando operações mais integradas, com maior eficiência e qualidade, variedades mais resistentes, produtivas e mais ricas em ATR. Estas tecnologias nos permitirão uma recuperação de 8% a 10% maior na indústria.

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Eles não usam capa, não têm superpoderes e nem são invencíveis. Mas existem alguns profissionais que estão revolucionando a agricultura com uma visão fora da caixa e a vontade de produzir cada vez com mais qualidade! Aqui, esses heróis são pessoas reais, que amam e respeitam o campo e que desejam construir um futuro sustentável. Conheça, a seguir, 5 nomes para se inspirar no agronegócio brasileiro:

João Leite - 61 anos Coord. de operações

Iniciação: De família com origem no interior, mas criado na cidade grande, foi estudar Agronomia para retomar o contato com o campo e ficar longe dos escritórios e empregos tradicionais. Rotina: Entre os meses de outubro e março fica de segunda a segunda em campo, coordenando a safra de soja da Agropecuária Mafra. Nos meses seguintes gerencia a safra de milho e tira um tempo para estar com a família. Motivação e sonhos: “Adoro fazendas, adoro trabalhar com alimentos. Ser coordenador de agricultura me permitiu ter mais tempo para olhar para o campo, isso me motiva todos os dias. Espero cada dia encontrar formas de produzir mais e com mais qualidade”.

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Maurício Nicocelli - 30 anos Consultor em tecnologia Marcelo Vieira Ribeiro - 30 anos Agrônomo

Iniciação: A paixão pela agronomia veio de seu avô, que é engenheiro agrônomo. Em 2013 tornou-se trainee na Adecco, uma das principais empresas produtoras de alimentos e energia renovável da América do Sul. Rotina: Atualmente gerencia uma equipe de 25 pessoas, fornecendo índices de produtividade e ajudando na tomada de decisão da empresa. Motivação e sonhos: “Quanto mais aumentamos a eficiência em campo, melhor nossa imagem profissional no mercado. O que me motiva hoje é o crescimento!”

Delmo Jose da Mota - 39 anos Monitor de pragas

Iniciação: Começou a trabalhar com monitoramento de pragas aos 18 anos. Na época, usava planilhas e fazia o monitoramento todo a pé. Rotina: Responsável pelo monitoramento das fazendas do Grupo Eduardo Campos. Suas rotas hoje são feitas de moto e as análises reportadas em softwares. Motivação e sonhos: “Tenho paixão pelo campo e não quero outra coisa para minha vida. Nesta profissão todo dia surgem imprevistos, mas sempre encontramos soluções. Vejo um futuro em que a agricultura está caminhando para melhor”.

Iniciação: Escolheu ser engenheiro agrônomo pensando na produção de alimentos, em mudar a vida das pessoas. Rotina: Após coordenar projetos de agricultura de precisão e plantio em grandes empresas, hoje ensina profissionais do agro a trabalhar com tecnologia. Motivação e sonhos: “Hoje meu maior desejo é tornar a tecnologia difundida e acessível para todo tipo de produtor”.

Nildeni Novaes - 27 anos Auxiliar de técnico agrícola Iniciação: Filha de pequenos agricultores, sempre esteve envolvida no meio agrícola. Em 2010 formou-se em Técnica em Agropecuária e no ano seguinte foi contratada como auxiliar de técnico agrícola da Fazenda Horichapada. Rotina: É responsável pelo monitoramento de pragas e doenças, por trabalhos que avaliam desde o plantio até a colheita da cultura e por atividades relacionadas ao setor ambiental da empresa. Motivação e sonhos: “Produzir alimentos é algo encantador e o número de pessoas que precisam de alimentos aumenta a cada dia. Meus sonho é continuar fazendo diferença por onde passo, com respeito e dedicação sempre!”

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CANA

FIM DA DA CANA? Nova variedade promete ser resistente à praga e gerar economia para o setor

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broca da cana é a principal praga que ataca a cultura da cana-de-açúcar no Brasil e causa prejuízos estimados em R$ 5 bilhões anuais ao setor sucroenergético. Mas a aprovação do uso comercial de uma nova variedade de cana-de-açúcar desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a primeira cana geneticamente modificada, marca o início de uma economia bilionária para o setor.

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A Cana Bt é uma variedade que torna a planta resistente à broca. Seu plantio é feito por meio da multiplicação de mudas, com a cana dos primeiros anos sendo usada para expansão da área plantada. “O processo de propagação da Cana Bt é similar ao de introdução de uma variedade convencional. Desde outubro, o CTC trabalha junto aos produtores no processo de distribuição e multiplicação de mudas da variedade”, conta Viler Janeiro, diretor de assuntos corporativos do CTC.

Qualidade comprovada Qualquer produto transgênico, para ser aprovado, segue padrões internacionais de avaliação definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ ONU). “No caso específico da cana, foi comprovado que o açúcar e o álcool obtidos a partir da variedade geneticamente modificada são idênticos aos produtos da cana convencional”, explica Viler. Recentemente a Health Canada, responsável por avaliar a segurança e o valor nutricional de alimentos no Canadá, aprovou o açúcar produzido a partir da cana desenvolvida pelo CTC. O órgão canadense reiterou a qualidade da descoberta brasileira, abrindo portas para novas variedades oriundas da transgenia.

Diversidade genética por recombinação de genes é um mercado em expansão e movimentará cifras milionárias nos próximos anos.” Futuro certo

Muda CTC CTC/Divulgação

Para Osania Emerenciano, coordenadora do curso superior de tecnologia em produção sucroalcooleira da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), para os próximos anos espera-se um crescimento na oferta de variedades geneticamente modificadas não só para serem resistentes à broca, como também resistentes a herbicidas e outros insetos-praga de interesse agrícola. “O desenvolvimento de novas variedades e processos através da criação de diversidade genética por recombinação de genes é um mercado em expansão e movimentará cifras milionárias nos próximos anos”, completa. Ed 6

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STRIDER INDICA

processos indispensáveis na gestão financeira do Gerir fluxo de caixa seu agronegócio

Fluxo de caixa é a relação das entradas e saídas de recursos financeiros em determinado período.

Controlar os custos de produção Nos custos de produção devem ser inseridos custos fixos - como máquinas, equipamentos e impostos - e custos variáveis - como sementes, fertilizantes e mão-de-obra.

Com o fluxo, o gestor pode programar os períodos em que terá que captar recursos extras ou que poderá tomar decisões que envolvem maior uso de capital.

Controlando estes custos o gestor passa a tomar decisões financeiras de forma estratégica e aumenta sua margem de lucro.

Criar cenários e elaborar estratégias Ao fazer um planejamento de safra é importante simular diferentes cenários e elaborar táticas para lidar com fatores que podem influenciar no balanço final das atividades, como alterações climáticas e queda de preço de mercado. As projeções realistas, otimistas e pessimistas criam cenários reais do futuro do negócio.

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Utilizar um software de gestão Devido ao grande número de dados e informações, o uso da tecnologia é fundamental para acompanhar em tempo hábil todos os elementos que compõem a gestão do agronegócio. Os softwares de gestão deixam mais ágil,segura e organizada a tomada de decisão. Com a tecnologia é possível ter acesso fácil a safras passadas, gerando informações mais consistentes para tomadas de decisões futuras.


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SOJA

A influência das chuvas

NA CULTURA D por JOÃO CASTRO

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oje a principal commodity brasileira é, sem dúvidas, a soja. O sucesso do sistema de produção brasileiro é reflexo de vários fatores como genética, solos férteis, manejo e clima adequado. Destes fatores, o único em que não é possível adotar técnicas agronômicas com o objetivo de controle é o clima.

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Condições ideais de solo

DA SOJA O clima é importante durante todo o ciclo de desenvolvimento e crescimento da cultura, uma vez que sob uma condição de baixa temperatura média do ar, o ciclo da soja é atrasado. Esse atraso pode resultar em problemas sérios relacionados à disponibilidade hídrica, principalmente no final do ciclo, à medida que o final do período chuvoso se aproxima. Mas a falta ou excesso de chuvas é o principal fator que afeta a produção brasileira de soja. O regime de precipitação exerce papel fundamental para a cultura, uma vez que esta espécie apresenta uma demanda hídrica importante, chegando a alcançar um pico de consumo de 8mm/dia/planta no período reprodutivo.

Por conta da pressão pela melhor produtividade das duas possíveis safras no país (três em algumas regiões), é comum que os produtores brasileiros se arrisquem mais e acabem plantando a soja “no pó”. Essa prática consiste em realizar o semeio mesmo em condições de umidade do solo longe das ideais, o que representa um sério risco, já que a semente de soja precisa absorver, no mínimo, 50% do seu peso em água para que a germinação ocorra de forma adequada. Por outro lado, o excesso de chuvas, principalmente no final do ciclo, traz problemas sérios relacionados ao apodrecimento de grãos e germinação dentro das vagens. Sucessivos dias nublados e com alta umidade relativa do ar também afetam a produtividade, tendo em vista que ambientes úmidos representam uma condição favorável à maior pressão por doenças, especialmente a ferrugem asiática. Passado o desafio do clima da safra 2017/2018, as atenções se voltam ao planejamento da próxima safra. Com ele vem a pergunta que vale ouro: o que vem por aí, El Niño, La Niña ou neutralidade? Ainda não temos esta resposta, mas em breve começarão as especulações. É preciso planejar o próximo ciclo agrícola e é muito importante realizar o semeio na janela ideal, evitando problemas como os observados nesta safra.

JOÃO CASTRO

Meteorologista e product owner na Climatempo

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CAPA

UMA NOVA

DINÂMICA para a

Agricult Syngenta e Strider rumo à digitalização do campo

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tura

aior performance em campo e aumento da produtividade na mesma área plantada. Estes são os maiores desejos e desafios de quem vive do agronegócio. Além da necessidade de produzir mais, quem convive e conhece o solo sabe que até 2050 será necessário dobrar a produtividade agrícola para suprir a demanda da população. A escassez de água e de terras chegará junto com um número exorbitante de habitantes no mundo: 10 bilhões.

Parece tarefa impossível alavancar esta produção sem arruinar o que resta do nosso planeta. Mas uma tendência tem despertado a atenção dos produtores e das empresas que fornecem ferramentas para estas fazendas: a agricultura digital. A digitalização tem grande papel nesta jornada, permitindo o uso mais inteligente de recursos por parte do produtor. Dentro desta nova dinâmica do agronegócio, algumas empresas líderes de mercado compreenderam o potencial que softwares, dados e novas plataformas têm para ajudar a melhorar a operação agrícola e criar ainda mais eficiência no campo.

Em pé/Ronaldo Giorgi e Andre Savino. Sentados/Luiz Tângari e Dan Burdett.

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Uma nova dinâmica para a agricultura

DNA Mineiro Em 1934 Noel Rosa lançava Feitiço da Vila. Seus versos diziam: “São Paulo dá café, Minas dá leite e a Vila Isabel dá Samba”. Passados 84 anos - e deixando um pouco de lado a poesia - nos vemos obrigados a contrariar o saudoso sambista. A dinâmica do país mudou e a terra do pão de queijo, dos bares e das montanhas recebeu nos últimos anos um título novo, moderno e merecedor: polo da inovação. Belo Horizonte tornou-se referência em ecossistemas de startups e Minas Gerais ganhou destaque internacional no desenvolvimento da economia criativa. Foi justamente neste cenário positivo para o empreendedorismo que em meados de 2013 surgia em Belo Horizonte uma empresa focada em transformar a agricultura. Como? Por meio da digitalização. Luiz Tângari, Carlos Neto e Gabriela Mendes uniram expertise de mercado a uma tecnologia inovadora para solucionar problemas reais que os produtores enfrentam no dia a dia do campo.

Luiz Tângari, Gabriela Mendes e Carlos Neto/ sócios fundadores da Strider.

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Existe uma sinergia real entre Syngenta e Strider. É uma união entre duas empresas complementares para apoiar o crescimento e desenvolvimento da agricultura.”

A Strider, que começou como startup e com um único produto, hoje combina soluções tecnológicas para todos os formatos de operação agrícola. A empresa está ativa em mais de 3 mil fazendas, monitorando 4 milhões de hectares e expandiu sua operação para Colômbia, Bolívia, México, EUA e Moçambique. Essa vontade de revolucionar o agronegócio despertou o olhar de uma gigante global, parceira de longa data e comprometida com os mesmos valores que a Strider. Em abril de 2018 a Syngenta, multinacional suíça, líder em desenvolvimento para o mercado agrícola, adquiriu a Strider, enfatizando que a digitalização é o futuro da agricultura e a força das Minas Gerais. “Existe uma sinergia real entre Syngenta e Strider. É uma união entre duas empresas complementares para apoiar o crescimento e desenvolvimento da agricultura na América Latina, levando ao aumento da produção e eficiência para o agricultor”, conta André Savino, diretor de marketing da Syngenta Brasil.


Andre Savino/ Diretor de marketing Brasil da Syngenta

Dan Burdett/ Global Head - Digital agriculture da Syngenta

Apesar do grande investimento, os envolvidos deixam claro que a compra vai além da injeção de capital por parte da multinacional. O grande objetivo da aquisição é o de aumentar a capacidade das duas empresas em agregar maior valor aos seus clientes, fornecendo soluções digitais que vão gerar altos níveis de produtividade. “Hoje os agricultores não procuram comprar produtos químicos ou softwares isoladamente, eles estão focados em uma agronomia bem-sucedida. Não se compra mais produtos, compram-se resultados”, enfatiza Tângari.

Em busca dos melhores resultados O desejo em construir uma plataforma digital global fez com que a Syngenta buscasse investir em parceiros que trouxessem conhecimento de mercado agrícola, novas tecnologias e plataformas. “Tanto a competência quanto as ferramentas (da Strider) vão nos ajudar a construir uma plataforma digital global e, sem dúvida, o Brasil é uma de nossas prioridades”, enfatiza Savino. Nesta nova era, a Syngenta reforça sua visão de que as soluções digitais estão totalmente integradas à sua oferta de negócio. A Strider, por sua vez, reafirma sua gestão independente e com a mesma cultura de agilidade e busca de excelência que sempre teve. De acordo com Luiz Tângari, CEO da Strider, o desejo da empresa é o de continuar desenvolvendo tecnologias para servir cada vez melhor ao agricultor, fazendo com que ele seja mais eficaz e cause menos impacto ao meio ambiente.

Tablet/ferramenta do Strider PROTECTOR para coletas em campo.

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Uma nova dinâmica para a agricultura

Futuro do agro

Brasil ainda trata mal a privacidade de dados, mas não é algo que irá acontecer nesta negociação. Os dados são propriedade do cliente.”

Novos ciclos, mesma excelência Presente em mais de 90 países e com 28 mil colaboradores, a Syngenta encerrou o ano de 2017 com faturamento na casa dos 12 bilhões de dólares. A magnitude da empresa deixou apreensivo, em primeiro momento, quem soube da aquisição. Um receio de que, com a compra, a empresa mineira poderia perder seu DNA, a “receita de casa” que vem funcionando tão bem. Mas foi justamente este DNA que encantou os novos parceiros. “Nós fomos atraídos pela Strider por inúmeros fatores. Além da capacidade operacional para nos ajudar a melhorar as operações agrícola, fomos atraídos pela equipe, pela cultura organizacional. Queremos garantir que a Strider vai permanecer como uma empresa separada, desenvolvendo a cultura que já existe por aqui”, reforça Dan Burdett, líder digital global da Syngenta. Além de reforçar o apoio à cultura, outro ponto enfatizado pelos líderes da multinacional foi em relação à segurança de dados dos clientes da Agtech. Para eles o Brasil ainda trata mal a privacidade de dados, mas não é algo que irá acontecer nesta negociação. “Os dados são propriedade do cliente”,completa Savino.

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Assim como em outros setores da economia, o agronegócio passa por uma revolução em que será necessária a adaptação para determinar quem continua sendo competitivo. Abraçar o novo ainda gera estranhamento para o produtor conservador, que é cético em relação a eficiência das tecnologias no campo. Também causa restrições para pequenos produtores, que consideram as ferramentas investimentos muito altos para seus modelos de negócio. Mas estes gargalos para adoção da digitalização estão com dias contados. O produtor tradicional está renovando sua forma de gerir, uma vez que percebe aumento de lucro quando experimenta a agricultura digital. Os de pequeno porte, por sua vez, encontram cada vez mais ofertas disponíveis e customizadas para seu formato de operação. Nesta caminhada, Strider e Syngenta afirmaram que vão estar lado a lado com o agricultor por melhores resultados. “Vamos ajudá-los a buscar um novo patamar de performance, sendo mais sustentável e produzindo mais”, finaliza Savino.

Mapa de calor do Strider PROTECTOR


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COLUNISTA CONVIDADO

AGRONEGÓCIO D por ABIMAEL CEREDA JUNIOR

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m artigo em 2018 focado na revolução proporcionada pela disrupção tecnológica e a transformação digital poderia ser iniciado com infográficos sobre o impacto da Internet das Coisas (IoT) no campo, a importância da mobilidade em atividades agrícolas e de logística e, sem dúvidas, os famosos drones. Contudo, possivelmente em alguns anos (meses?) ele estaria não só desatualizado, mas inexpressivo.

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O DO HOJE O acadêmico e empreendedor Damian Gessler, estudioso do real sentido da computação, afirma que a mudança transformacional, ou seja, a mudança de cultura, é possibilitada pela simplificação das tecnologias passadas. Desde a produção de grãos, 7000 a.C. no Antigo Egito à imagens de satélite e processamento de dados na nuvem, o agronegócio sempre esteve à frente das inovações. Métodos e técnicas condizentes com seu período histórico sempre existirão e irão avançar em alta velocidade. O real desafio é produzir diferente utilizando novas técnicas.

Sendo essencial a busca pela eficiência e produtividade em suas múltiplas dimensões, temos tecnologias já disponíveis e acessíveis que auxiliam na gestão e planejamento, unindo indústria, campo e distribuição, não pelo viés de uma marca, ideologia ou software específico, mas por meio de plataformas tecnológicas digitais. Agora, pequenos e médios também podem aderir, pois propõem-se tecnologias em seus processos e não processos moldados às tecnologias. Chamada de Agricultura Digital 4.0, Smart Farming ou Fazendas Inteligentes, a inovação tecnológica – e seus resultados financeiros – estão sendo alcançados no “agronegócio do hoje” e o Brasil pode - e deve - ser protagonista, com o desenvolvimento, expansão e internacionalização de seus produtos. Empresas investem neste momento milhões de dólares em novas plataformas e o movimento AgTech traz força e velocidade. E então? Você irá supervisionar um enxame de implementos robóticos operados a qualquer momento, de qualquer lugar e em qualquer dispositivo. Tudo isto aliado ao respeito ao capital humano, meio ambiente e sustentabilidade econômica.

ABIMAEL CEREDA JUNIOR

Geógrafo, especialista em geoprocessamento, consultor e palestrante da Georesults (Geografia das Coisas)

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MUNDO AFORA

DELICADAS, ESPECIAIS E SUPER VALORIZADAS Segunda noz mais cara do mundo, macadâmia é aposta para consórcio com café

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e origem australiana, uma noz especial está conquistando o coração - e as terras - dos produtores de todo o mundo. Usada em preparos culinários e até mesmo no mercado da beleza, seu interior possui sabor adocicado, amanteigado, e concentra altos teores de gordura saudáveis, que reduzem o nível de colesterol ruim.

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Plantio em consórcio Uma pesquisa desenvolvida pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) mostrou que a macadâmia é o melhor material para o plantio em conjunto com o café. Os resultados apontaram que o consórcio entre as culturas aumentou em 10% a produtividade do café e em 176% da macadâmia. A explicação está na proteção dos pés de café contra a ação do vento e do calor, proporcionada pelas árvores de macadâmia. Elas, por sua vez, resgatam nutrientes que já estavam perdidos com suas raízes profundas, aumentando matéria orgânica e nutrientes disponíveis. Com o processo, a noz aproveita as condições de fertilidade e sombreamento do solo, atingindo maior crescimento.

O cultivo da macadâmia é recomendado para quem busca investimento a longo prazo. “Para a planta começar a dar frutos são necessários cinco anos”, explica Roberval Cruz, técnico agrícola da Macs in Moz empresa localizada em Moçambique, que desde 2009 planta e revende a noz para a África do Sul, Europa e China. Na Macs in Moz as nozes são vendidas sem serem processadas, ou seja, ainda com parte da casca. Após a colheita, uma máquina retira apenas a primeira camada rígida, que depois é reutilizada para adubar o solo da própria planta. Neste formato, o quilo do produto é vendido por até quatro dólares. Mas a saborosa noz fica ainda mais cara se passar pelo processo completo. “O valor final pode chegar a dezesseis dólares se ela estiver sem a casca”, afirma o técnico. Geralmente, uma noz de macadâmia é formada por 75% de casca e 25% de amêndoa.

Condições favoráveis Apesar do elevado período de retorno, o Brasil possui praticamente a mesma latitude da Austrália, país de origem da noz, facilitando a sua adaptação. A árvore não exige plantio em solos específicos, mas necessita que sejam profundos, para suas longas raízes, e possuam uma boa drenagem. Quando adulta e saudável, cada planta pode produzir até 15 quilos de macadâmia, tornando este um investimento lucrativo.

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O custo médio por hectare varia, e muito, em função da cultura plantada

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nsumos, mão de obra, defensivos, sementes e ciclo de maturação. Estes são alguns dos fatores que fazem a produção de algumas culturas serem mais caras que outras. Mas você sabe qual o real valor gasto por hectare nos principais plantios do país?

Alho R$100 mil/ha

Cenoura R$34 mil/ha

Batata R$30 mil/ha

Milho R$3.5 mil/ha

Cana R$1.8 mil/ha

Algodão R$8.2 mil/ha

Cebola R$34 mil/ha

Café R$12 mil/ha

Soja R$3.5 mil/ha

Fonte: Maíra Bernardes - Agrônoma

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CAFÉ

Abelhas,

Café

Maior presença do inseto nos cultivos aumenta a rentabilidade em até 30%

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pós um ano com equipamentos parados em um galpão da sua fazenda, Acácio Cordeiro, um produtor de café da Chapada Diamantina (BA), notou que abelhas haviam feito uma colmeia no maquinário abandonado. Ele então decidiu iniciar um experimento de que ouvira falar e cuidadosamente retirou a colmeia, realocando os favos dentro de uma caixa para apicultura. O produtor instalou a caixa a cerca de 10 metros de seu cafezal. Com a abelha rainha criou outras quatro caixas ninho e o sistema experimental passou a atingir seu propósito: aumentar a rentabilidade no plantio do café.

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Pequenas operárias A maioria das plantas silvestres e cultivadas depende em algum grau de polinizadores, ou seja, de animais capazes de realizar a transferência de grãos de pólen entre diferentes flores. Esse processo, denominado de polinização, é que garante a produção de frutos e sementes. O café é uma cultura que tem dependência parcial de vetores de pólen, pois as suas flores também podem ser autopolinizadas. Contudo, os estudos na Chapada Diamantina, conduzidos pela pesquisadora Blandina Viana, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sinalizam que uma única visita da abelha Apis mellifera - ou abelha africanizada - nas flores do café já é suficiente para produzir frutos mais pesados e com tamanhos mais homogêneos. “Já as flores não visitadas, apesar de serem capazes de produzir frutos através da autopolinização, geram frutos menores, com tamanhos variados, diminuindo a produtividade”, afirma a pesquisadora.

A história de Acácio Cordeiro e seu pai, Nelson Cordeiro, produtores de café orgânico na Fazenda Florestal, se assemelha a de outros 30 produtores que participam do estudo com abelhas na Bahia. Os resultados das pesquisas mostram que a presença de mais abelhas nos cultivos de café aumentam a rentabilidade em até 30%.

O experimento com a população extra de abelhas já completa três anos na Fazenda Florestal e agora deve ganhar mais investimento. “Nestes primeiros anos usamos apenas as quatro caixas de apicultura, mas já deu para perceber uma padronização dos frutos e diminuição dos grãos menores. Agora queremos inserir pelo menos mais 20 caixas ninho”, conta Acácio. Além do aumento na qualidade dos grãos, o produtor viu na apicultura uma outra forma de rentabilidade para seu negócio. “Cada colmeia produz 8kg de mel”, completa o produtor.

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Mais abelhas, mais café

A união entre cultivo de café e abelhas está se mostrando altamente positiva para a produção agrícola e para a biodiversidade.”

Atraindo boas práticas Para produtores interessados em fazer associação entre cultivo de café e abelhas, o processo pode ser como o da Fazenda Florestal, com animais nativos, ou com a introdução de espécies manejadas. “Em ambientes que preservam a biodiversidade, há maior diversidade de recursos alimentares, garantindo a sobrevivência de populações de várias espécies de abelhas. Porém, em áreas isoladas, com grandes extensões de áreas cultivadas, a introdução das abelhas manejadas é recomendável,” conclui Blandina Viana. Práticas de baixo impacto ao ambiente, como sistemas agroflorestais, manejo integrado de pragas, redução do uso de agrotóxicos e manutenção de áreas naturais no entorno dos cultivos, além de favorecerem a manutenção de maior número de espécies de abelhas, também proporcionam maior rendimento dos cafezais. Manejadas ou nativas, a união entre cultivo de café e abelhas está se mostrando altamente positiva para a produção agrícola e para a biodiversidade.

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TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

chegou ao campo

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á faz algum tempo que os filmes e livros de ficção científica retratam o futuro como um tempo em que máquinas vão agir com inteligência e serão capazes de realizar tarefas com mais eficiência e agilidade que o ser humano. Ao que tudo indica, este futuro chegou! A Inteligência Artificial (AI) aos poucos foi inserida no nosso cotidiano e já estamos nos beneficiando dela. As redes sociais já são capazes de compreender as preferências dos usuários e sugerir temas e contatos que fazem parte da rede de amigos. No trânsito os aplicativos conseguem prever as melhores rotas enquanto outros, de música, sugerem as melhores playlists de acordo com o estilo do ouvinte. Não existe uma atividade da economia que escape à revolução digital e agora é a vez do campo!

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O futuro da informação Em cada mercado que é inserida, a AI tem o propósito de melhorar algum tipo de experiência ou serviço. Na agricultura, a inovação surge com o desafio de aumentar a rentabilidade do negócio agrícola, reduzindo o custo de insumos e operações. Produtores e grandes grupos agrícolas já estão utilizando modelos preditivos (uma função matemática que consegue identificar padrões e prever o que poderá ocorrer no negócio) e algoritmos que auxiliam na escolha dos insumos com melhor custo benefício. “Essas novas tecnologias possibilitam a combinação de diversas variáveis agronômicas com ferramentas de desempenho, muito superiores a sistemas de gestão tradicionais. Surge a possibilidade de ver tendências, ter insights e melhorar a tomada de decisão”, conta Gustavo Lunardi, diretor de produção e suprimentos da SLC Agrícola.

Para Lunardi, outra tendência em ascensão é a utilização de veículos autônomos na agricultura, mas esta inovação ainda dependeria da introdução da tecnologia pelas indústrias.

Não acredito em um modelo que opere de forma 100% autônoma, e sim em conjunto com todos os sistemas auxiliando operadores e gestores.”

Investimento certo Por parte das empresas de tecnologia, a ascensão da AI no campo é um caminho sem volta. Focado na produção de algodão, soja e milho, o Grupo SLC se uniu com empresas parceiras para desenvolver o sistema de AI, criando algoritmos voltados para otimização do planejamento agrícola e para gestão dos insumos nas lavouras. Gustavo Lunardi, diretor de produção e suprimentos da SLC Agrícola

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A Inteligência artificial chegou ao campo

Para Henrique Prado, diretor de sucesso do cliente na Strider, o volume de dados disponível para o produtor está crescendo exponencialmente e é impossível para o ser humano usufruir de toda essa disponibilidade de informações apenas com seus conhecimentos. “Para aproveitar ao máximo esse volume de dados é imprescindível colocar um pouco do conhecimento humano operacionalizado”, afirma.

Cenário promissor O movimento da AI exige também alta qualificação dos profissionais, que terão seu perfil de trabalho alterado. “Na SLC alguns funcionários passaram a ser chamados de cientistas de dados”, conta Lunardi. Mas se engana quem pensa que a chegada da inovação vai extinguir a força humana no campo. Neste novo modelo, a inteligência das máquinas auxilia na mão de obra especializada e na gestão de negócios. “Não acredito em um modelo que opere de forma 100% autônoma, e sim em conjunto com todos os sistemas auxiliando operadores e gestores”, completa Prado.

SLC/Divulgação

Nos próximos anos o Machine Learning, ou aprendizado automático, estará mais acessível para os consumidores. As ferramentas que potencializam dados estão sendo aperfeiçoadas em um ritmo extremamente veloz e serão insumo para o agro. E o Brasil, como grande potência agrícola, tem força para ser protagonista desta nova etapa. SLC/Divulgação

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ESPECIALISTA CONVIDADO

GOVERNANÇA NO AGRONEGÓCIO: boas práticas na sucessão familiar

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evidente que o agronegócio brasileiro se desenvolveu muito nos últimos anos, tornando-se ainda mais importante para a sustentabilidade da economia brasileira. Por outro lado, com raras exceções, as famílias de agricultores e fazendeiros ainda não possuem uma organização empresarial tão sofisticada como veem se tornando seus negócios. É fato que os membros das primeiras gerações construíram o que possuem hoje com muito esforço e dedicação e seus filhos assistiram a tudo de perto, mas nem todos possuem vocação para suceder. Chegou o momento de refletir sobre como criar condições para que os negócios continuem lucrativos e iniciar um processo gradativo de aprendizado que integre as novas gerações.

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Para dar início a este processo, recomendam-se utilizar 5 estratégias básicas:

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Realizar um diagnóstico de todo o patrimônio da família, compreendendo o que é parte dos ativos empresariais e o que pertence às pessoas físicas dos sócios e/ou herdeiros;

Procurar negociar um acordo entre os membros da família, deixando documentado, de forma bem clara, as regras de convivência para temas como responsabilidade financeiras de cada sócio e/ou diretor e regras para sucessão;

Propor a criação de procedimentos voltados à preparação das novas gerações, além de pré-requisitos para cargos de diretoria e conselhos, considerando as práticas que criaram condições para o sucesso;

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Implantar melhores práticas de governança, envolvendo os principais setores da empresa, criando uma cultura responsável que vá assegurar segurança jurídica não apenas ao sócios, mas também aos administradores;

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Criar condições para que a inovação e o empreendedorismo possam ter lugar na organização.

A construção do futuro da empresa familiar do agronegócio brasileiro precisa levar em conta a história e a dinâmica que a permitiu chegar até aqui, sem perder de vista a realidade das novas tecnologias que estão revolucionando não apenas as técnicas agrícolas, mas também o seu modo de gestão. Preparar as novas gerações para assumir o seu papel é fundamental e a hora de começar a fazer isto é agora!

BERNARDO PORTUGAL

Advogado especialista em direito societário e sócio do escritório Portugal Vilela Almeida Behrens

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SUSTENTABILIDADE

SUSTENTABILIDADE ESTÁ NA MODA

Assim como em outros setores, a indústria têxtil está atenta às boas práticas de produção

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os últimos anos o Brasil tem se mantido entre os cinco maiores produtores mundiais de algodão, ao lado de países como China, Índia, EUA e Paquistão. Na safra 2016/2017, 78% do algodão produzido por aqui foi certificado pelo programa Algodão Brasileiro Responsável, criado pela a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

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Mas afinal, o que é algodão sustentável? Nesta mesma safra, 69% da produção nacional recebeu certificado da Better Cotton Initiative (BCI), programa global referência em licenciamento de algodão produzido sob os parâmetros da sustentabilidade. Com estes números, o Brasil tornou-se o maior fornecedor mundial de algodão sustentável, licenciado pela BCI. Todos os setores da economia vivem uma demanda crescente por produtos que façam uso racional dos recursos durante sua produção. A indústria têxtil, que possui 29 mil empresas formais em todo o país, não poderia ficar de fora deste movimento pró sustentabilidade. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e da Confecção (Abit), o Brasil confecciona ao ano 9,4 bilhões de peças, sendo destas, cerca de 5,3 bilhões em peças de vestuário! Para Arlindo Moura, Presidente da Abrapa, dizer que um algodão é sustentável significa dizer que a legislação ambiental e trabalhista foram cumpridas e que houve retorno econômico para o produtor. O cotonicultor que deseja ter sua produção sustentável reconhecida no mercado deve aderir ao programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e cumprir vários pré-requisitos. Caso deseje um selo internacional, além do ABR, pode optar também pelo licenciamento BCI. “Decidir ser sustentável não é algo fácil, que se conquista da noite para o dia, mas o engajamento será maior à medida que o produtor se conscientiza das vantagens que a sustentabilidade representa”, afirma Moura.

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Sustentabilidade está na moda

Conseguir a certificação pode não ser um processo simples, mas o presidente da Abrapa explica que existem técnicas consideradas sustentáveis e que podem ser um primeiro passo. “O Plantio Direto na palha evita o revolvimento do solo, erosão e contribui para o acúmulo de matéria orgânica. Outra prática recomendada é a rotação de culturas que, além de quebrar o ciclo de pragas, faz com que a lavoura aproveite o que sobrou dos insumos no solo e deixe a sua contribuição para o próximo plantio.”

Vale a pena certificar? Adotar boas práticas de produção agrícola impacta positivamente na valorização do produto no mercado. Assim como em outros setores, a indústria da moda está atenta. Grandes marcas do varejo, a exemplo da Nike e a C&A, estão caminhando para o consumo exclusivo de algodão certificado pela BCI. Quem produz certo também gera harmonia entre capital e trabalho, além de desenvolvimento para a região onde a fazenda está estabelecida e seu entorno.

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