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ÍNDICE 04

EDITORIAL

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NOTÍCIAS AGTECH Inovações mais próximas da sua lavoura

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OPINIÃO Luiz Tângari: vencemos a barreira da adoção

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#PORDENTRODOAGRO Do Instagram para as páginas da Revista

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SAFRA RECORDE, RENTABILIDADE NEM TANTO

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STRIDER ENTREVISTA ALMIR ARAUJO SILVA O programa Agrostart é uma das iniciativas de fomento ao agronegócio, saiba mais

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MANEJO DE PRAGAS É ESSENCIAL PARA GARANTIR A PRODUTIVIDADE DOS CANAVIAIS Saiba quais são os impactos das principais pragas da cana na produtividade da lavoura

Produtor colheu mais, mas lucrou pouco. E agora?

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TECNOLOGIA PARA O AGRONEGÓCIO: INVESTIMENTO INEVITÁVEL E RETORNO CERTO Entenda porque investimentos em tecnologia não devem ser encarados como gastos

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5 TECNOLOGIAS QUE AJUDAM OS PRODUTORES A ALCANÇAR SEUS OBJETIVOS Tecnologias para um trabalho mais eficiente e sustentável

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PILARES DA ALTA PRODUTIVIDADE: COMO PRODUZIR MAIS SEM ALTERAR A ÁREA DE PLANTIO? A questão é complexa, mas três pilares se destacam

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COLUNISTA CONVIDADO Dib Nunes: gestão de plantas daninhas em grandes lavouras

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AGRO EM PAUTA Confira a programação dos eventos pelo Brasil

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MUNDO AFORA: AÇAÍ - O FRUTO SAGRADO DO POVO ITAKI Fruto garante renda para comunidades tradicionais e agricultores familiares

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CAFÉ CERTIFICADO E TECNOLOGIA: UMA PARCERIA ESSENCIAL Entenda porque a agricultura de precisão é imprescindível no processo de certificação

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TECNOLOGIAS DE SENSORIAMENTO REMOTO ESTÃO MUDANDO A HISTÓRIA DA AGRICULTURA Como funciona essa tecnologia que está revolucionando o agronegócio?

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ALERTA FITOSSANITÁRIO INCENTIVA MANEJO REGIONAL E USO DA TECNOLOGIA Unidos, citricultores utilizam sistema no combate ao Greening

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STRIDER NA ESTRADA: TRÊS DIAS EM TERRAS MEXICANAS Rafael Malacco e os campos de batatas de Los Mochis

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ENERGIA, PAPEL, CARVÃO E ASFALTO: COMO REAPROVEITAR O BAGAÇO DA PALHA DE CANA Subprodutos da cana-de-açúcar abrem novos mercados no Brasil

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CARTA AO LEITOR

Ana Attie e Flora Viana - Comunicação e Marketing da Strider

Caros Leitores,

Chegamos à segunda edição da revista muito satisfeitos com a repercussão e aprovação que tivemos em nosso primeiro número. Recebemos muitos elogios ao conteúdo, sugestões de pautas relevantes e críticas construtivas de produtores e instituições ligadas ao agronegócio em todo o Brasil. A busca por inovação e qualidade sempre fez parte do DNA da Strider em tudo o que fazemos. 2017 não está sendo diferente: seguimos desenvolvendo novas tecnologias focadas em auxiliar o produtor na tomada de decisão e profissionalização da gestão. Participamos dos principais eventos pelo Brasil, lançamos um novo blog e um canal com vídeos educativos - focado em assuntos relevantes no universo agro. Para continuar desenvolvendo soluções e conteúdos relevantes, queremos que a revista seja um espaço de compartilhamento de experiências e ideias. Sobre quais assuntos você quer saber mais? Tem um outro ponto de vista sobre uma de nossas reportagens? Conte pra gente! Marque sua foto com nossa hashtag #pordentrodoagro e veja ela publicada no Instagram e na próxima edição da nossa revista! Nós, da equipe de marketing da Strider, estamos à disposição!

Quer receber a Revista Strider? Envie seu endereço de correspondência para o e-mail revista@strider.ag.

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E XPE D I E NT E

DIRETORIA

DIREÇÃO GERAL PROJETO GRÁFICO E EDITORIAL COLUNISTAS CONVIDADOS

REDAÇÃO

Luiz Tângari Gabriela Mendes Carlos Neto Ana Attie Willian Tavares Dib Nunes JR. José Antonio Rossato JR. Osania Emerenciano Ferreira Luiz Tângari Danielle Gláucia Rafael Malacco Bárbara Caldeira

APOIO EDITORIAL

Rafael Malacco Flora Viana Mariana Morais

REVISÃO

Danielle Gláucia

A REVISTA STRIDER Ano 1 - número 2. É uma publicação trimestral e de distribuição gratuita. Seu conteúdo foi desenvolvido com o apoio e colaboração de colunistas e especialistas. Os artigos de opinião não refletem, necessariamente, a opinião da Strider, sendo de inteira responsabilidade de seus autores. A reprodução do conteúdo publicado só poderá ser feita mediante autorização, previamente solicitada por escrito à revista, citando créditos e fonte. É vedada a venda desta publicação. IMPRESSÃO E ACABAMENTO GRÁFICA EDITORA CEDABLIO LTDA. l Tiragem: 3000 Exemplares

ANUNCIE revista@strider.ag Rua Inconfidentes, 1190, 7º andar - Belo Horizonte - MG Cep: 30140-120. Telefone: 0800 940 0020 @strideragro

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NOTÍCIAS AG TECH Planet compra Terra Bella Mudanças à vista no mercado de geotecnologia mundial. A Planet fez um acordo para a aquisição da Terra Bella - subsidiária da Google que fornece imagens comerciais de alta resolução de observação da Terra - incluindo a constelação de sete satélites SkySat. Segundo a Planet, a constelação é altamente complementar à frota existente hoje da empresa. Recentemente, a Planet lançou ao espaço 88 satélites de uma só vez. Agora, a constelação da empresa passa a contar com 149 satélites em órbita (144 como a missão de captar imagens da Terra em média resolução, e cinco para imagens de alta resolução). Foto: Planet Imagens da Flórida (USA) gerada por satélites da Planet

Qualcomm Snapdragon Flight Foto Divulgação YING, o primeiro drone comercial que incorpora o Qualcomm Snapdragon Flight

O Snapdragon Flight, novidade lançada pela Qualcomm, é uma placa menor do que um cartão de crédito (58x40mm), altamente integrada e com poder de processamento avançado. A tecnologia foi desenvolvida para gerar sistemas autônomos de planejamento e navegação, permitindo que drones e rôbos se movam com segurança em ambientes internos e externos. Durante o planejamento do caminho autônomo, o drone constrói um roteiro 3D (mapa voxel) de waypoints seguros e bordas sem colisões entre eles. Assim, ele escolhe o caminho mais curto para a meta em seu gráfico, mas pode alterar o caminho se surgir algum obstáculo. O sistema atualiza o mapa a cada 100 milissegundos e verifica o caminho planejado para evitar colisões.

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Tecnologia LoRa

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A inovação da Semtech, a LoRa Technology (Long Range Radio), oferece uma mistura atraente de longo alcance, baixo consumo de energia e transmissão segura de dados. Seu funcionamento se baseia em uma rede similar a de telefonia celular (topologia estrela) com aplicações em sistemas de IoT (Internet das Coisas), como sensores e monitores remotos, como luz, on-off, temperatura e outros. As principais características da tecnologia LoRa e do protocolo LoRaWAN são: geolocalização, baixo custo, padronização, baixo consumo de energia, longo alcance, segurança e alta capacidade. Dependendo das condições de instalação em áreas urbanas - levando em consideração bloqueios por prédios, topologia de terrenos, e outros ruídos - podese conseguir um alcance de três a quatro quilômetros. Já em áreas rurais esse alcance pode ultrapassar 12 quilômetros. A patente da LoRA pertence à empresa norte-americana Semtech, mas a IBM e outras empresas como a Cisco, Orange e Flashnet são patrocinadoras da LoRa Alliance, uma associação sem fins lucrativos que tem como missão padronizar a tecnologia por meio da especificação LoRaWAN. No Brasil, os padrões de aplicação da LoRa estão sendo estabelecidos pela Associação Brasileira de Internet das Coisas - ABINC.


OPINIÃO AgTech quebra a barreira de adoção no Brasil por Luiz Tângari

T

ecnologia de informação no agronegócio deixou de ser um modismo (uma ideia) e já se tornou parte da realidade diária dos produtores em todo o Brasil.

A tendência de empresas trazerem ferramentas de inovação digital para a agricultura (como ocorreu em táxis, bancos e educação) já é bem conhecida. Produtores por todo o Brasil já experimentam ofertas sofisticadas de tecnologia combinando sensores, drones, tablets e satélites. Estas ofertas, no entanto, tiveram uma característica predominantemente experimental. Os produtores, já habituados a fazer testes com novidades em sementes e moléculas em pequenas áreas em suas fazendas, replicaram o mesmo comportamento com a tecnologia digital. O fato é que até pouco tempo, apesar de um grande volume de produtores terem experimentado algum tipo de tecnologia, era muito raro ver algum destes produtos realmente incorporados à rotina da fazenda. Este fenômeno, chamado de “barreira de adoção” (soft adoption) era o principal gargalo para o desenvolvimento do setor.

Mas esta realidade mudou e estamos conseguindo quebrar esta barreira”

Nossa experiência aqui na Strider mostra que para vencer essa barreira é preciso que a empresa seja realmente útil e entregue informações que possam ser usadas na tomada de decisão diária no campo, facilitando o gerenciamento operacional.

Também descobrimos como os produtores são pragmáticos e fazem questão de medir a relação custo/benefício do seu investimento na ponta do lápis. Por isso, a empresa deve oferecer uma maneira clara de mensuração de resultados, mostrando o impacto que sua ferramenta causa em produtividade e redução de custo. Ser simples de usar e acessível é quase que obrigatório. As pessoas não querem perder tempo tentando decifrar sistemas complexos. Um bom exemplo é a plataforma “myJohnDeere” que permite aos produtores extraírem mapas de plantio diretamente das plantadeiras. Uma ferramenta simples e acessível, compatível com outros sistemas. No tablet ou no computador, os produtores têm acesso rápido às informações ainda durante o plantio e podem tomar ações corretivas rapidamente. Acredito que o diferencial também se faz no pós-venda. Uma empresa que se preocupa com a experiência e com o sucesso do cliente em campo, e que dá suporte às suas dificuldades, sem dúvida sempre estará à frente de seus concorrentes. À medida que as empresas de AgTech forem se tornado capazes de quebrar a barreira de adoção, veremos mais e mais produtores incorporando tecnologias em suas rotinas. Os mais otimistas, acham que essa pode ser uma nova revolução verde, similar à que tivemos na década de 1970, com a adoção maciça de mecanização que permitiu ao Brasil se tornar referência em agricultura no mundo.

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SOJA

SAFRA RECORDE, rentabilidade nem tanto M

uitos fatores contribuíram para que a soja, principal grão do agronegócio brasileiro, tivesse uma safra recorde em 2016/2017. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) a produtividade da soja em grão deve alcançar a marca de 110,70 milhões de t (projeção de abril/2017) - números que refletem o avançado padrão tecnológico da cultura, além das condições climáticas favoráveis. Conforme explica Henry Sato, Coordenador Técnico do Comitê Estratégico Soja Brasil - CESB, a produtividade foi resultado da convergência dos fatores de clima, solo e manejo sustentado pela genética. “A atual safra que estamos vendo é fruto de todos esses fatores, sendo que ela foi construída ao longo de outras safras. Os ajustes das práticas feitos safra após safra também permitiram o resultado que estamos vivendo. Dessa forma, os produtores fizeram a parte deles e o clima trouxe condições para auxiliar na manifestação desse potencial produtivo”, esclarece.

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No entanto, mesmo com os números positivos, a rentabilidade do produtor deixou a desejar. Houve um grande volume de grãos produzidos, mas fatores como baixos preços pagos pela soja, altos custos de produção e logística estão fazendo com que os agricultores saiam desse momento histórico no campo brasileiro com o bolso praticamente vazio. O câmbio, a baixa demanda por grãos - com a crise na produção e exportação de carnes - a redução das exportações e aumento dos preços dos insumos engrossam a lista dos fatores que influenciaram a pouca rentabilidade do produtor nesta safra.

Alto custo de produção

Baixa de preços

De acordo com o Coordenador Técnico do CESB é difícil avaliar em poucas palavras o que falta para que os produtores de soja alcancem maior viabilidade econômica, mas destaca algumas variáveis importantes para uma lavoura campeã: “olhar para solos em perfil é obrigatório, semente de boa qualidade, posicionamento do material genético, distribuição de plantas - principalmente quando o clima nos traz condições de luz boa há uma expressão muito grande de produtividade -, a proteção de plantas contra doenças e pragas, lavoura limpa de plantas daninhas, manejo nutricional da parte aérea e muito cuidado na dessecação de soja”, enumera.

De acordo com Claudeir Pires, Consultor em Agronegócio e Consultor de Investimentos, os preços praticados hoje estão 30% menores do que em outubro de 2016, momento em que o agricultor começou o seu plantio. Levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento - Conab, apontam que as exportações contraíram e os principais motivos são as baixas comercializações - em razão dos baixos preços internacionais e da desvalorização da moeda nacional frente ao dólar. Isso fez com que a venda de soja caminhasse em ritmo lento, principalmente nos estados de Mato Grosso (MT) e Paraná (PR), dois grandes produtores do país. Com os preços baixos, as negociações ficaram travadas e a soja estocada nos armazéns.

Henry Sato explica que os custos de uma lavoura de alta produtividade e de baixa produtividade não são tão diferentes. Os critérios do produtor é que fazem com que ela seja produtiva e lucrativa. “Ele decide onde investir tempo e energia e até mesmo o seu dinheiro. O investimento desses três fatores, nos locais que a lavoura precisa é que trazem resposta em produtividade. O contrário, também é verdadeiro, e isso é o que torna a agricultura cara. A reflexão deve ser onde investirmos nosso tempo, energia e capital”, salienta.

Caso não haja aumento nos números de exportações e consumo, os estoques de soja devem ser de 4,44 milhões de toneladas, o segundo valor mais alto dos últimos dez anos, segundo a Conab. Ed 2

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SAFRA RECORDE, rentabilidade nem tanto

Logística Na visão de Luiz Antonio da Silva, Diretor Executivo do Comitê Estratégico Soja Brasil - CESB, um dos grandes gargalos na produção é a logística. Ele avalia que os produtores brasileiros sabem produzir soja, mas eles precisam se organizar melhor e principalmente entender como melhorar a logística da produção. “Se for comparar os números de quanto custa para um agricultor do Mato Grosso colocar soja no Porto de Paranaguá - uma das principais portas de saída dos grãos para o exterior - e quanto custa para um agricultor norte-americano colocar soja em um dos portos do país, a diferença será gritante”, analisa o Diretor Executivo.

Os produtores brasileiros sabem produzir soja, mas eles precisam se organizar melhor e principalmente entender como melhorar a logística da produção”

Para Silva, trabalhar com rentabilidade e viabilidade econômica é essencial. Também é importante que o produtor adote boas práticas de cultivo e entenda como capilarizar o sistema produtivo de modo geral para atuar com sustentabilidade econômica e social.

Abiove estima safra de 110 milhões de toneladas de soja em grão

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ENTREVISTA Strider entrevista

Almir Araujo Silva Ele faz isso através de cocriação, preparando melhor o empreendedor para que ele consiga solucionar pontos-dores do agronegócio, e os grandes desafios que o setor enfrenta.

Almir Araujo é responsável pelo programa AgroStart

A

s novas soluções e tecnologias oferecidas pelas agtechs aos produtores criaram uma nova era no campo. Neste contexto, nasceram programas como o Agrostart, para ajudar a criar no agronegócio um ecossistema que atue tanto na preparação do empreendedor, quanto na entrega de soluções que de fato agreguem valor à cadeia agrícola. Para falar sobre o assunto, a Strider conversou com Almir Araujo Silva, Gerente de Marketing Digital da BASF - Marketing Regional América Latina - responsável pelo programa Agrostart. Confira a entrevista.

O que é o AgroStart, como ele funciona e consegue agregar valor ao agronegócio? O Agrostart é um programa de aceleração de startups focado no agronegócio. Para desenvolvê-lo, a BASF fez uma parceria com a ACE, considerada a melhor aceleradora da América Latina pela LatAm Founders. O programa foi criado para trazer soluções que de fato impactam o agricultor e a cadeia agrícola.

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Pensando nisso, entregamos ao empreendedor o conhecimento e a expertise em agro da BASF, por meio de mentoria e acesso à infraestrutura da organização, além do investimento financeiro. A ACE, que é a aceleradora, dá suporte com toda a metodologia de como fazer uma startup ser acelerada. Temos alguns desafios de mercado, que são agricultura de precisão, gestão da lavoura, automação, gestão de estoque e rastreabilidade. A partir desses desafios, os empreendedores realizam a inscrição no site (agrostart. basf.com) e passam pelas etapas de avaliação. Desde agosto de 2016, já recebemos mais de 200 startups no programa e o engajamento está muito bom. Recebemos inscrições de diversos países e todas as startups recebem feedbacks de retorno para que consigam dar seus próximos passos.

Como vocês distinguem um bom projeto em meio às tantas ofertas e ideias que surgem hoje no mercado? Costumamos brincar que o cemitério está cheio de boa ideias. Por que, às vezes, se tem várias boas ideias, mas poucas são aplicáveis à prática do agro. Muito mais do que a ideia, levamos em consideração a qualidade do time. Como são as pessoas que estão por trás dessa startup? Como são as pessoas que fazem parte desse time?


São perfis que se complementam e vão conseguir atender tanto tecnicamente quanto buscar escala para essa solução? Se for, muito mais do que uma boa ideia, significa que os empreendedores vão conseguir sucesso nessa jornada.

No último Word Agritech, realizado na Califórnia/EUA, tivemos o primeiro painel LATAM que reuniu grandes líderes em agritech no mundo. Na sua visão, qual o papel da América Latina no desenvolvimento de tecnologia para agricultura no mundo? A América Latina já tem há algum tempo um papel fundamental no desenvolvimento de tecnologia para a agricultura. Não é a toa que o Brasil é um grande exportador de vários tipos de cultivos. Já está na hora de a região ser protagonista também na tecnologia digital - e esse também é um dos objetivos do Agrostart. Isso ficou muito claro no painel LATAM realizado no Word Agritech. Sempre dizemos que o Brasil tem vocação para o agro, então porque não ter vocação também para criação de startups voltados para o agro? No ano passado, um cálculo da Associação Brasileira de Startups, revelou que de quatro mil startups no Brasil, somente 1% era focada em agronegócio. Então, precisamos fomentar esse ecossistema, para que as startups se desenvolvam e se preparem para o que a gente chama de “o maior trabalho da terra”, que é a agricultura.

Quais principais desafios precisamos superar no setor AgTech? Passamos por algumas mudanças e revoluções tecnológicas na agricultura que não necessariamente tinham a ver com agtechs, mas acreditamos que elas estão aí para dar um impulso na nova agricultura, e claro, como toda nova tecnologia existem desafios a ser superados, como barreiras relacionadas à infraestrutura, à adoção e outras. O primeiro desafio é saber como gerar soluções que de fato trarão resultados no campo, resolvendo problemas reais dentro da fazenda - e para isso é preciso colocar a botina no campo e testar as soluções criadas.

Já o segundo é em relação à preparação do empreendedor - ele precisa estar melhor preparado para conseguir atingir resultados de forma rápida.

O que um produtor, que começa a investir em inovação, deve olhar nas empresas de tecnologia para que não se perca no mercado e saiba escolher exatamente um produto que agregue valor ao seu negócio? Um produtor que avalia uma solução digital deve olhar o quanto aquilo vai trazer de facilidade para o dia a dia dele e não complexidade. Então, uma solução tem que ser fácil e proporcionar uma boa experiência, não só de uso, mas também de resultados. Seja na digitalização de algo que ele faça hoje manualmente, sejam modelos que o ajudem a avaliar melhor a provisão de safra ou a produtividade, ou no controle de pragas e doenças. Eu acho fundamental que ele analise os benefícios dessa solução de fato, se ela tem integração com as soluções que ele já utiliza e se vai ser para ele um facilitador - e não um complicador que será esquecido um tempo depois. Por outro lado, as startups precisam entender que quando elas oferecem uma solução elas precisam ser parceiras do produtor e ter a visão de “vamos caminhar juntos?”. Elas têm que se comprometer a levar para o produtor não só ganhos financeiros e lucro, mas também em sustentabilidade, certificações, melhor qualidade no produto para exportações, melhor qualidade de vida para o produtor e seus funcionários e outras melhorias. Para os empreendedores eu aconselharia a ver o agro como oportunidade. Diria para se prepararem melhor, porque quanto mais estiverem preparados, mais soluções eles trarão.

Outras informações no site: agrostart.basf.com

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CANA

Potencial produtivo da planta de cana pode ser prejudicado por pragas

Manejo de pragas

é essencial para garantir a produtividade dos canaviais por José Antonio Rossato Jr.

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José Antonio Rossato Jr. é docente e pesquisador de ensino superior do curso de Agronomia e da Pós-graduação na Faculdade “Dr. Francisco Maeda” - Fafram, em Ituverava-SP. Possui experiência internacional em pesquisa, por meio de estágio de graduação no Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) na University of California, doutorado sanduíche na University of Nebraska e Pós-Doutorado na University of Alberta.

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Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar com 645 milhões de toneladas processadas na safra 2016/17 (Orplana, 2017). Essa produção poderia ser ainda maior, porém há fatores do ambiente que diminuem a expressão plena do potencial produtivo da planta de cana-de-açúcar. Dentre eles, as pragas agrícolas que podem prejudicar a produção de forma quantitativa e qualitativa e, portanto, devem ser bem manejadas a fim de preservar a produtividade da lavoura.

Atualmente, os três principais insetos-pragas de ocorrência nas áreas de cana-de-açúcar na região Centro-Sul e com alto potencial em causar prejuízos significativos são: a broca-da-cana, Diatraea saccharalis (Lepidoptera: Crambidae), a cigarrinha-das-raízes, Mahanarva fimbriolata (Hemiptera: Cercopidae) e o bicudo-da-cana, Sphenophorus levis (Coleoptera: Curculionidae).


A broca-da-cana pode causar a morte da gema apical (sintoma também conhecido como “coração morto”), quebra da cana, enraizamento aéreo, brotação das gemas laterais, encurtamento dos entrenós e perda de produtividade. Os danos não se limitam ao campo, pois as galerias construídas pelas lagartas facilitam a penetração de fungos oportunistas nos colmos, responsáveis pela inversão da sacarose e redução do rendimento industrial. Prejuízos segmentados por produto mostram redução de 1,5% na produtividade de colmos, 0,49% no rendimento de açúcar e 0,28% no rendimento de etanol (Arrigoni, 2002). Para o seu controle, a técnica mais usual é a liberação do parasitóide larval Cotesia flavipes (Hymenoptera: Braconidae). No entanto, em áreas com alta pressão da população da praga, há inseticidas químicos, bem como o entomopatógeno Bacillus thuringiensis, que são indicados para o controle da larva antes de sua penetração no colmo. Ainda, o parasitoide de ovos Trichogramma galloi (Hymenoptera: Trichogrammatidae) tem sido testado como uma ferramenta de controle adicional da broca-da-cana.

Já a cigarrinha-das-raízes, tem aumentado de forma considerável a sua população nas áreas de cana-de-açúcar em decorrência da redução da prática de queima das plantas para colheita. Com a introdução da cana-crua, a colheita dos colmos é realizada sem a necessidade do fogo, o que preserva os ovos da praga e permite que a sua população se desenvolva e atinja níveis elevados no campo. Tanto a fase jovem do inseto (ninfa) como o adulto podem atacar as plantas. As ninfas se alimentam das raízes, podem comprometer o fluxo de água e nutrientes, causar desidratação, desnutrição e queda na fotossíntese (Rossato, 2010) com necrose nas folhas (Mendonça et al., 1996). Consequentemente, os colmos adquirem diâmetro reduzido, murcham a partir do ápice e podem se tornar secos e enrugados. A cada 10% de colmos com este sintoma, a redução na produtividade pode atingir 8 toneladas por hectare. Para o controle da cigarrinha-das-raízes, há disponível a tática biológica através do fungo Metarhizium anisopliae, bem como o químico com vários inseticidas registrados.

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Manejo de pragas é essencial para garantir a produtividade dos canaviais

Diferente da broca-da-cana e da cigarrinha-das-raízes, o bicudo-da-cana impacta na longevidade do canavial, haja vista que a morte da touceira não é recuperada e ocorre a diminuição da população de colmos no campo (stand). A cada 1% de rizoma atacado, há redução de 1% na produtividade de colmos (Pires et al., 2014). Para manejar esta praga, uma das premissas é o plantio de amendoim ou soja nas áreas de reforma, o que contribui sobremaneira com a quebra do ciclo do inseto. Ainda, o plantio de cana-de-açúcar com a utilização de muda com boa qualidade fitossanitária, incluindo a téc-

Broca-da-cana pode matar gema apical e causar mal conhecido como “coração morto”

Recentemente, a praga que tem se destacado em decorrência do aumento da sua infestação nos canaviais é o bicudo-da-cana. O principal motivo desta expansão é o plantio com a presença de formas biológicas do inseto na muda. A fase larval do seu ciclo biológico se alimenta do rizoma (caule subterrâneo) da planta, provoca o amarelecimento das folhas mais velhas e necrose (morte de tecido).

nica MPB (Muda Pré-Brotada) e a aplicação de inseticida químico no plantio. Caso seja identificada a presença da praga na lavoura, o fungo Beauveria bassiana, bem como inseticidas químicos registrados podem ser utilizados para o seu controle nas áreas de soqueira. Independentemente de qual destas três pragas esteja ocorrendo na lavoura, é fundamental a realização de amostragens periódicas para constatar a magnitude da população do inseto-praga no campo. E através destes levantamentos, realizar a análise dos dados coletados, e com gerenciamento, tomar a decisão com rapidez e eficiência.

A QUALIDADE DA CANA Novos indicadores de qualidade para a matéria-prima

Desenvolvimento da Strider, só é possível estar atento à

começaram a ser analisados nos últimos anos. Hoje,

todos os detalhes que impactam a produtividade inves-

pesquisadores e usinas conseguem dimensionar muito

tindo em ferramentas adequadas.

bem o impacto da qualidade da cana sobre o rendimento industrial, insumos e na qualidade do açúcar produzido.

Conforme explica Souza, tecnologias para monitoramento de pragas, sensoriamento remoto e gestão de fro-

Indicadores como o ATR (Açúcares Redutores Totais),

ta são quase indispensáveis para quem deseja manter

por exemplo, podem sofrer impactos catastróficos de-

os índices de qualidade elevados.

vido a danos físicos e ataque de pragas e microorganis-

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mos. Por isso, tanto se fala sobre rapidez na tomada de

Outros fatores que afetam a qualidade da matéria-prima

decisão e a eficiência em campo - são fatores determi-

são a temperatura, frequência e quantidade de chuvas,

nantes para a saúde e rendimento das safras na cana-

contaminação por bactérias ou fungos, acidez do caldo

-de-açúcar. De acordo com Rafael Souza, Coordenador

- ocasionado por microorganismos, quantidade de palhi-

de Desenvolvimento de Produto do setor de Pesquisa e

ço, concentração de amido e outros.

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ECONOMIA

Tecnologia para o agronegócio:

investimento inevitável e retorno certo por Bárbara Caldeira

S

e há um consenso entre os produtores rurais e todos os profissionais que atuam na cadeia do agronegócio é que essa é uma área que demanda investimento. Mas há um tipo específico de investimento que requer visão estratégica para ser compreendido como um esforço que vale à pena: o que envolve tecnologia. Sistemas, softwares, soluções tecnológicas que prometem otimizar os processos no campo e resolver problemas de produtividade despertam o interesse dos gestores das fazendas, mas também a desconfiança quanto ao retorno proporcionado.

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Para o professor de finanças empresariais da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Aureliano Bressan, os investimentos em tecnologia, em qualquer atividade produtiva e em especial no agronegócio, devem ser encarados como, de fato, investimentos, e não como gastos. Mas, como todo investimento, o tecnológico também deve ser bem planejado e executado. Investimento em tecnologia é visto como elemento de diferenciação entre propriedades competitivas e não competitivas.

Para Bressan, é fundamental, de início, que o produtor rural identifique quais os gargalos que impedem o aumento de sua produção. Ele sugere que, de posse dessa informação, o produtor procure sua associação de classe ou institutos de pesquisa, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para buscar parcerias na implementação de um programa de desenvolvimento de novas tecnologias em sua lavoura.

“Há uma medida para estimar o tempo de recuperação de um investimento, conhecida como payback. Ela nos mostra, em um único número, a quantidade de meses ou anos que são necessários para recuperar, com as novas receitas, ou mesmo redução de custos gerada pela nova tecnologia, os desembolsos feitos na implantação do projeto”, explana Bressan. “Dessa forma, se o payback de um projeto é 25 meses, por exemplo, é de se esperar que em aproximadamente dois anos o investimento se pague, ou seja, o valor empregado na nova tecnologia seja compensado pelos benefícios que ela trouxe para a empresa”, completa. O professor considera interessante recorrer aos profissionais e consultores especializados para elaboração de estudos de viabilidade técnica e econômica do investimento, que indicam os desembolsos ao longo do tempo e os resultados esperados na adoção da nova tecnologia, fazendo projeções de rentabilidade e risco.

67% das “propriedades

agrícolas do Brasil fazem uso de algum tipo de tecnologia”

Investimento decisivo A Secretaria Executiva da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP) estima que cerca de 67% das propriedades agrícolas do Brasil fazem uso de algum tipo de tecnologia, seja na área de gestão dos negócios ou nas atividades diretas de cultivo e colheita. Aureliano Bressan elucida que investimento em tecnologia abarca todo aquele que faça uso de algum processo visando aumentar a produção, ou mesmo reduzir custos ou o tempo de execução de uma tarefa na empresa. “Se um empresário do agronegócio utilizar um sistema de coleta de dados por meio de softwares com GPS instalado em suas máquinas agrícolas, não apenas monitora com detalhes o tempo gasto na atividade, mas também identifica regiões que são mais produtivas para determinado tipo de lavoura, ou ainda aquelas que precisam de correção específica do solo” exemplifica. “Os investimentos em tecnologia auxiliam o empresário na redução da incerteza que é inerente ao processo produtivo, sendo úteis na sistematização de informações que, em muitos casos, estão espalhadas por diversos setores da empresa”, defende o especialista, que cita a agricultura de precisão, com o uso de softwares que monitoram a produção em tempo real, como uma tendência estratégica que vem ganhando espaço no setor.

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Tecnologia para o agronegócio: investimento inevitável e retorno certo

Aureliano argumenta que a aposta em tecnologia tende a aumentar a produtividade ao facilitar o processo de tomada de decisão - como a implementação de sistemas computacionais para organizar a rotina produtiva - e a alocação de insumos, como fazem, por exemplo, ferramentas de gestão e controle de processos e estoques. Ele conta que, mais que qualquer outra atividade, o agronegócio moderno faz uso intensivo de big data, que fornece informações minuciosas sobre o processo produtivo. “Esses dados são analisados em tempo real por softwares capazes de diagnosticar, em um curto espaço de tempo, quais são as ameaças ao processo produtivo e quais correções devem ser implementadas, de modo a potencializar ganhos de produtividade no campo”, explica.

em tecnologia “A aposta tende a aumentar a produtividade ao facilitar o processo de tomada de decisão”

O professor acredita que o investimento em tecnologia é decisivo para o agronegócio brasileiro, sendo, em um futuro próximo, o principal elemento de diferenciação entre as propriedades competitivas das não competitivas. Por esse motivo, Bressan, que é doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), recomenda que os produtores rurais estejam mais atentos e abertos a esse tipo de investimento. O cientista ressalta que é muito importante que a mudança implementada pela tecnologia seja transmitida a todos os profissionais diretamente envolvidos nos novos processos, com programas de treinamento e requalificação. “Tanto empresários quanto colaboradores devem se atualizar regularmente com as novas tendências e oportunidades que as tecnologias relacionadas ao uso massivo de dados podem trazer para o agronegócio”, finaliza.

Adesão a soluções tecnológicas é apontada como principal elemento que irá diferenciar as propriedades competitivas das não competitivas em um futuro próximo.

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5 tecnologias que ajudam os produtores a alcançar seus objetivos

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Sistemas de Gestão Empresarial

ERP (Enterprise Resource Planning, em português, pode ser traduzido como Planejamento de Recursos Corporativos). É um sistema empresarial que atua como hub de informações sobre o funcionamento do negócio. Por meio dele, conseguimos avaliar, de maneira centralizada, toda a cadeia operacional do empreendimento, identificando quais são os processos mais eficazes e quais áreas possuem gargalos a serem eliminados. Com todas as informações em mãos, obtemos números precisos para a otimização de processos.

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Operações com Drones

Os drones vêm ganhando cada vez mais espaço na agricultura. Eles nos auxiliam em dezenas de operações e serviços, como o monitoramento de pragas, infestações pontuais de ervas daninhas, carência de adubações, estresse hídrico, levantamento topográfico e outros. Através do processamento de imagens, acompanhamos todos estes pontos. Com apenas um drone dotado de câmeras e sensores, é possível produzir uma radiografia completa de uma área de 1200 hectares de cultivo em quatro voos programados, o que necessitaria de aproximadamente 12 diárias de uma pessoa. Com a tecnologia, ganhamos eficiência nos monitoramentos e diminuímos os custos. Combatemos as pragas nas lavouras e usamos a ferramenta para fazer pulverizações de alta precisão, reduzindo a quantidade de defensivo utilizado. O importante é trabalhar com o equipamento entre 2 e 3 metros acima da plantação para que o produto seja aplicado exatamente nos locais mapeados.

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Software de Gestão e Monitoramento de Pragas

Auxilia para execução de um monitoramento com qualidade. Por meio dele conseguimos identificar as pragas e as doenças da lavoura com mais assertividade. Os mapas de calor também informam onde há infestação, assim, conseguimos mais agilidade no controle - em muitas situações não havendo necessidade de controle em área total e somente na área da infestação. Dessa forma, economizamos na aplicação de defensivos e também no operacional. Outro ponto positivo da ferramenta são as informações que nos ajudam a saber se as aplicações estão sendo eficientes. Por meio de gráficos, conseguimos medir facilmente se a aplicação foi eficiente ou não.

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Sistema de Gestão de Frota

Com esse tipo de ferramenta, desenvolvida para o rastreamento das operações mecanizadas nas lavouras, conseguimos visualizar a posição atual das máquinas em tempo real de onde estivermos - se o local oferecer acesso à internet. Dessa forma, resolvemos situações de máquinas quebradas na lavoura com agilidade e também acompanhamos se a operação está sendo executada da forma como foi planejada, na velocidade ideal. Isso facilita a gestão do trabalho e permite identificar imediatamente onde estão os gargalos das operações, contribuindo para uma tomada de decisão mais assertiva.

Agricultura de Precisão

Um dos objetivos da Agricultura de Precisão é a uniformidade da lavoura. Por meio das análises de solo é gerado um mapa para identificar onde é preciso fazer correção. Com isso há um aumento de produtividade com menor custo, pois além de aplicar a quantidade certa no local certo, é possível obter mais uniformidade na lavoura. 24

Com a necessidade de produzir mais alimentos em menor área e utilizando o mínimo possível de recursos, torna-se cada vez mais necessário o uso de tecnologias para facilitar o trabalho com sustentabilidade. Para citar as tecnologias que fazem a diferença na vida do produtor, nada melhor do que perguntar para quem vive o dia a dia no campo. Por isso, conversamos com Juenes Afonso, Gerente de Produção da Baú, que citou cinco tecnologias indispensáveis para um trabalho produtivo e eficiente. Confira!

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Vale ressaltar que as tecnologias não tomam decisões, elas organizam as informações e geram dados para que o produtor tome uma decisão consciente.


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CAPA

Pilares da alta produtividade:

como produzir mais sem alterar a área de plantio? por Bárbara Caldeira

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grande salvação para a economia brasileira, é assim que o setor agropecuário está sendo encarado em 2017. Com estimativa de crescimento de 2%, de acordo com dados da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio, que representa um quarto do PIB nacional, tem apresentado desempenho três vezes melhor do que o de outros setores. De acordo com os números divulgados pela Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 8,73 bilhões no mês de março, correspondendo a 43,5% do valor total das vendas externas do país no período. Diante de tamanha responsabilidade, uma questão que já preocupava o produtor rural ganha novas proporções. Como garantir a alta produtividade no agronegócio? Como fazer com que uma fazenda produza mais e tenha mais retorno financeiro, otimizando os recursos e sem alterar a área da lavoura? 26

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Manter o negócio competitivo significa evoluir para patamares mais sustentáveis de produtividade

Embora a questão seja complexa, três pilares se destacam nesse desafio: a eficiência dos procedimentos, que devem observar as especificidades de cada cultivo; o investimento em tecnologia, equipamentos e materiais; e os recursos humanos, que viabilizem o gerenciamento inteligente dos sistemas. “O planejamento do ambiente, para alcançar alta produtividade, deve considerar a interdependência dos fatores de produção”, afirma o engenheiro agrônomo Marihus Altoé Baldotto, professor permanente da Universidade Federal de Viçosa (UFV), com licenciatura plena em Química e pós-doutorado em Solos e Nutrição de Plantas. Para o cientista, o aumento da produtividade no agronegócio reduz a demanda por novas áreas de plantio a partir da melhor gestão dos fatores de produção, melhorando a relação entre custo e benefício dos recursos naturais e preservando florestas. Nessa equação, todos saem ganhando, pois há a garantia da qualidade dos produtos e conservação da natureza, resultando em condições mais saudáveis para o cultivo. Baldotto defende que, quando se fala em alta produtividade no agronegócio, é imprescindível o levantamento,

descrição, classificação e mapeamento dos solos, para que os processos sejam adequados às suas capacidades de uso e aptidão agrícola. “Várias restrições podem ser verificadas neste momento, possibilitando decisões tanto para implantação da lavoura, quanto para a condução do projeto, envolvendo providências para a correção do solo quando existem tecnologias que contornam as limitações”, afirma. Guilherme Gouveia de Oliveira, engenheiro agrônomo e supervisor agrícola da Agrodoce, concorda. “É fundamental conhecer a planta e alocá-la no solo e ambiente recomendados, trabalhando para que ela atinja, a cada nova safra, produtividades mais expressivas”, diz. Baldotto explica que cultivos implantados em solos profundos, com capacidade de retenção de umidade equilibrada, boa aeração (renovação do ar) e sem outras limitações para a sua nutrição tendem a apresentar produtividade mais elevada. “Com essas qualidades ambientais, associadas ao manejo adequado e tratos culturais, os genótipos desenvolvidos pelo melhoramento genético, um dos aliados da alta produtividade, podem expressar suas características fenotípicas desejáveis”, argumenta. Ed 2

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Pilares da alta produtividade

No entanto, as aptidões dificilmente são encontradas em um solo ao mesmo tempo, demandando investimentos, cuidado e um corpo técnico maduro para conduzir as intervenções nos argissolos e latossolos, tipos predominantes na fronteira agrícola brasileira, especialmente nas áreas produtoras de cana. “Tenho proposto o uso de argissolos para projetos de integração de lavoura, pecuária e floresta, prioritariamente. Os latossolos precisam ter a sua fertilidade construída e necessitamos realizar esse esforço integralmente. O preparo ideal do solo é aquele que otimiza os atributos químicos, físicos e biológicos inter-relacionados”, elucida, ressaltando que a “fertilidade do solo também depende do ecossistema em que ele se insere”. Oliveira considera que a potente produtividade da Agrodoce está ligada à boa adubação, calagem - adição de calcário ou cal virgem ao solo para diminuição da acidez e fornecimento de nutrientes para as plantas, como os íons cálcio e magnésio - e gessagem de base - especialmente para fornecimento de cálcio, enxofre e correção de solos salinos e sódicos. Para o professor da UFV, um forte componente do sucesso das culturas é a garantia do potencial de crescimento radicular - desenvolvimento das raízes das plantas -, que depende diretamente do correto preparo do solo. 28

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“Um sistema radicular bem formado é imprescindível para lavouras produtivas, melhorando a absorção de água e de nutrientes, garantindo maior tolerância a competidores, pragas, doenças e condições adversas”, explica. Porém, a coesão natural de alguns solos e o processo de compactação e descompactação decorrente de sucessivos ciclos da cultura agravam ou promovem a desagregação, prejudicando essa dinâmica. “O empobrecimento da estrutura do solo e o desprendimento das partículas facilita o seu arrastamento pela água da chuva, acelerando o processo de erosão, limitando a produtividade”, expõe. Assim, é preciso atenção redobrada para evitar o inadequado dimensionamento do preparo do solo, uma vez que a erosão pode ser potencializada, principalmente se o terreno permanecer descoberto no período de maior intensidade de chuvas. O professor recomenda que o agricultor verifique constantemente a necessidade de práticas de controle da erosão. “Na maior parte das vezes, as lavouras são instaladas em solos de relevo suave a ondulado, com declividade inferior a 20%. Mas, com a mecanização intensa, problemas físicos podem acontecer e desencadear alterações químicas e biológicas limitantes para a produtividade”, pondera.


Manter o agronegócio competitivo significa evoluir para patamares mais sustentáveis de produtividade”

O professor recomenda que o agricultor verifique constantemente a necessidade de práticas de controle da erosão. “Na maior parte das vezes, as lavouras são instaladas em solos de relevo suave a ondulado, com declividade inferior a 20%. Mas, com a mecanização intensa, problemas físicos podem acontecer e desencadear alterações químicas e biológicas limitantes para a produtividade”, pondera. As causas e as consequências da erosão, para Baldotto, são questões preocupantes e urgentes para a agropecuária, devendo a tecnologia ser apropriada para os solos tropicais, respeitando “a busca contínua dos cientistas por práticas conservacionistas, sempre planejando o uso do solo em convergência com o resultado de levantamento de solos para alocação de sua capacidade de uso dentro de correta aptidão agrícola”. O especialista da UFV lembra, ainda, que manter o agronegócio competitivo significa evoluir para patamares mais sustentáveis de produtividade, sendo a reciclagem a nova realidade para a produção dos insumos agropecuários, “um salto qualitativo para minimizar o uso de recursos naturais não renováveis e a destinação inadequada de rejeitos”. Os passivos ambientais, tornados matérias-primas e produtos secundários das atividades principais, como para a produção de adubos orgânicos e organominerais, exemplificam o aproveitamento máximo de recursos e a criação de valor agregado que incrementam a produtividade do agronegócio.

Pragas: uma das grandes inimigas da alta produtividade Para o engenheiro agrônomo da Agrodoce, pragas, doenças e ervas daninhas podem derrubar a produtividade de uma propriedade. Ele conta que os problemas atuais do canavial que supervisiona são a broca (Diatraea saccharalis), bicudo-da-cana (Sphenophorus levis) e cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata), nessa ordem de importância. “O manejo mais complexo é o da broca, pois começamos com armadilhas para pegar machos, em que o nível de controle é de dez machos por armadilha. Feito isso, determinamos a aplicação de inseticida e controle biológico. O monitoramento continua até um pouco antes da colheita”, relata Guilherme. Para combater o bicudo-da-cana, a Agrodoce analisa as soqueiras logo após a colheita, tendo como nível de controle o percentual de 2,5% de tocos atacados, recorrendo ao controle químico. Para a cigarrinha, o monitoramento é feito a partir das primeiras chuvas de setembro ou do período quente, sendo associados para o controle métodos químicos e biológicos. “Todos os monitoramentos são feitos a partir de plataforma específica da Strider. Abolimos as fichas de campo e os papéis, passamos a utilizar os tablets. Assim, ganhamos em agilidade e facilidade de enxergar onde estão os problemas de fato”, afirma o supervisor agrícola, que considera o investimento em tecnologia um dos passos mais certeiros rumo à produtividade.

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Pilares da alta produtividade

Recursos humanos para alavancar a produção Guilherme chama atenção para o fato de que os recursos humanos de um agronegócio são decisivos para a produtividade da lavoura, unindo conhecimentos teóricos e técnicos para o diagnóstico de problemas, implantação de ações e acompanhamento dos resultados. “Os membros da equipe são os olhos dos gestores no campo, são sensores. Se o sensor não estiver bem calibrado e treinado, podem ocorrer discrepâncias no monitoramento, seja de pragas ou plantas daninhas.

membros da “ Osequipe são os

olhos dos gestores no campo, são sensores”

Assim, os dados coletados serão superestimados ou subestimados, e o que realmente está acontecendo no campo será uma incógnita”, nota. Por isso, ele acredita que treinamentos técnicos, palestras, reuniões e estabelecimento de manuais de identificação de pragas, doenças e ervas daninhas são essenciais para garantir bons resultados. Com investimento em pessoas e em um sistema de monitoramento que fornece condições de precisão e agilidade nas ações estratégicas da Agrodoce, o canavial viu crescer sua produtividade. “Com a sinergia entre o sistema e a equipe, estamos alcançando surpreendente eficiência e rapidez na informação”, finaliza Guilherme. Baldotto emenda defendendo que o agronegócio precisa seguir com seus já notáveis esforços de aprimoramento rumo à alta produtividade responsável. “Se há uma coisa concreta em nossa agropecuária, é que nunca ficamos parados. Somos dinâmicos, adaptamo-nos e progredimos. Aceitamos críticas, trabalhamos sobre elas e avançamos com novas tecnologias cada vez mais sustentáveis”, finaliza. Atenção às condições do solo e especificidades da cultura, investimento em tecnologia e recursos humanos são os pilares para boas safras e otimização da produção

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COLUNISTA CONVIDADO por Engº Agrº Dib Nunes Jr. Grupo IDEA I dib@ideaonline.com.br

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conceito norte americano de produção em grande escala, conhecido como “Plantation”, trouxe novos desafios aos produtores de milho, soja, cana-de-açúcar e outras plantações que se utilizam de extensas áreas com estas culturas. Os produtores, na medida em que ampliam suas áreas de plantio, encontram enormes desafios para realização da fertilização adequada, controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Quanto maior é a lavoura, maiores são as desuniformidades e problemas encontrados. Para realizar o controle da lavoura e ainda obter boas produtividades, os produtores estão aperfeiçoando cada vez mais suas tecnologias de produção e a gestão do seu negócio. Hoje em dia, os agricultores precisam utilizar tecnologias e métodos de gestão, além de serem bons executivos para administrar cada detalhe das várias etapas de produção e ter sob controle, todos os fatores redutores de produtividade. Para entender tudo isso vamos dar um exemplo de como se deve proceder para gerenciar a infestação das plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar. Esta cultura tem ciclo semiperene e depois de implantada, permanece no campo por mais cinco a seis anos, em média. Neste período passa por situações climáticas extremamente diferentes, pois suas lavouras demandam controle de infestações o ano todo. Os produtores têm que se preocupar com as condições ambientais e com as espécies de plantas daninhas infestantes, considerando, inclusive, o estágio de desenvolvimento das mesmas. Nesse caso, os responsáveis pelo controle das plantas invasoras vão encontrar na cultura da cana períodos climáticos úmidos, semiúmidos e secos. Para ter uma adequada visão do que ocorre com as infestações de daninhas nas grandes lavouras, recomendamos a adoção do GCM – Grupo de Combate ao Mato, 32

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GESTÃO DE PLANTAS DANINHAS EM GRANDES LAVOURAS que é uma estratégia operacional cujo objetivo é impedir que o mato concorra com a cana, principalmente nas fases iniciais do seu desenvolvimento. O GCM deve ser formado por técnicos experientes para realizar levantamentos periódicos em toda a lavoura antes e depois da aplicação dos herbicidas, principalmente nos períodos mais críticos da matocompetição, de modo a obter informações suficientes para tomar decisões sobre as áreas que se apresentam com mais problemas, evitando assim que a cultura sofra com a concorrência do mato e perca produtividade. Os levantamentos semanais de campo devem seguir um critério de notas de zero a 5, onde são considerados a intensidade de infestação e o tamanho do mato para priorizar onde controlar o mato, sendo que as áreas com notas mais altas terão prioridade de controle. Todas as semanas, os responsáveis pelos levantamentos, devem se reunir e atualizar as informações para elaborar novas programações. Aquelas áreas que já receberam herbicidas devem ter acompanhamento pós aplicação. Assim, os resultados de controle serão avaliados quanto ao espectro dos produtos, plantas daninhas escapes e as controladas, interferências de fatores externos como umidade, palha, seca, etc. e o período residual dos produtos. Desta forma, a lavoura estará sendo monitorada antes e depois da aplicação e o agricultor terá uma correta análise dos efeitos dos produtos aplicados. Os melhores resultados devem ser repetidos e os ruins deverão ser revistos e evitados na mesma condição em que foram aplicados. É um aprendizado permanente que vai ajudar os gestores a conseguir bons resultados e a garantir a produtividade agrícola. Este sistema dará uma nova dinâmica ao controle de plantas daninhas e trará um constante aprimoramento aos técnicos envolvidos nesta importante etapa do sistema produtivo. Este método pode ser adotado para todas as culturas.


EVENTOS (Fazenda Iberê), Evaldo Takizawa (Ceres Consultoria) e Pedro Selegato (Grupo El Tejar).

Farm Show MT 2017 Durante a 3ª edição da Farm Show, maior feira de negócios agrícolas do sul do Mato Grosso, a Strider promoveu uma mesa de debates para discutir a “Revolução Tecnológica na Agricultura”. A reunião foi um sucesso e contou com a presença de grandes nomes do agronegócio, como Cid Reis (Grupo Bom Futuro), Fábio Sabó

A Diretora Comercial da Strider, Vanessa Nogueira, participou da mesa de debates e ficou muito satisfeita com os resultados alcançados durante a feira. “A Farmshow foi, sem dúvida, uma excelente oportunidade para conversar com clientes, além de produtores e consultores interessados em tecnologia. Ter conseguido atrair mais de 100 pessoas para o auditório do evento para debater sobre a Revolução Tecnológica na agricultura mostrou que o mercado está curioso, atento e com demanda por tecnologias que resolvam problemas reais nas operações agrícolas”, contou Nogueira.

1° Encontro Brasileiro de Produtores de Abacate e Avocado Luiz Tângari, CEO da Strider, e Paulo Tsuge, Presidente do Grupo Tsuge e da Associação Brasileira dos Produtores de Abacate se encontraram durante o 1° Encontro Brasileiro de Produtores de Abacate e Avocado. Além de ser um dos maiores produtores de abacate do Brasil, Tsuge também é cliente Strider.

Cultivar

Nosso CEO, Luiz Tângari, foi um dos palestrantes do evento do Programa Cultivar, da Raízen. Ele apresentou as tecnologias desenvolvidas pela Strider aos principais parceiros e produtores de cana-de-açúcar do grupo.

Próximos Eventos World Agri-tech A Strider marcou presença, representada pelo CEO Luiz Tângari, na terceira edição do World Agri-Tech, que aconteceu em São Francisco (EUA). Na ocasião, Tângari teve a oportunidade de se reunir com grandes líderes do agronegócio, investidores de capital de risco e inovadores em agrotecnologia para o 1º workshop LATAM dentro do evento - inteiramente dedicado às inovações na América Latina.

Quando

Onde

Agroshow

18 a 20 de Mai

PA

Expocafé

16 a 19 de Mai

MG

Herbishow

24 a 25 de Mai

SP

Canatech

26 de Mai

MG

Farmshow

30 de Mai a 3 de Jun

BA

Etganol Summit

26 a 27 de Jun

SP

Insectshow

26 a 27 de Jul

SP

FEACOOP

31 de Jul a 3 de Ago

SP

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MUNDO AFORA

Açaí: o fruto sagrado do povo itaki

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eza a lenda que o Açaí começou a ser utilizado como alimento muitos anos atrás, depois que o cacique Itaki teve sérios problemas para alimentar seu povo - uma nação indígena que vivia na Floresta Amazônica. A história tem um desfecho trágico, mas foi o “fruto sagrado do povo de Itaki” - como ficou conhecido o fruto da palmeira açaizeiro, que venceu a fome e deu uma nova esperança ao povo da região.

Talvez o cacique não soubesse quantos benefícios estava proporcionando para a alimentação de seu povo. Hoje, sabemos que aquela frutinha de cor roxa-escura é rica em vitaminas do complexo B e C, além de oferecer sais minerais, como o ferro, cálcio e potássio. O açaí também favorece a circulação sanguínea, já que é rico em antocianinas. A exemplo do sábio povo Itaki, que incluiu essa fruta com tantos benefícios nutricionais em sua dieta, o povo brasileiro também soube aproveitar e começou a produzir de tudo com o açaí: sucos, creme, licor, geleia, mingau, óleos, sorvetes, doces e até pimenta. 34

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Renda e qualidade de vida Em muitos lugares do país, o açaí não perdeu seu status de fruto sagrado. Aliás, ele continua sendo uma das principais fontes de alimentação para populações ribeirinhas. Na região amazônica, o suco feito com a polpa do fruto ganha o nome de “vinho de açaí” e faz parte da alimentação local. Na Amazônia, usa-se o açaí também para fazer pirão com farinha. Na região de Marajó, uma ilha localizada no Pará, por exemplo, a bebida preparada à base de açaí é um item importante na dieta alimentar de seus moradores. Para fabricar a bebida, os frutos da palmeira são colhidos maduros e colocados em água morna para amolecer, depois, são macerados com mais água.

O açaí também garante renda para comunidades tradicionais e muitos agricultores familiares. Os frutos são vendidos, compondo grande parte da renda monetária das famílias da região.

Da terra do açaí O açaí que conhecemos no sudeste é bem diferente do açaí consumido ao norte do Brasil. Por aqui, ele já chega envolvido em algumas misturas, como água, açúcar ou xarope de guaraná. Para completar o prato que na maioria das vezes é servido como sobremesa, mistura-se cereais, frutas e outros tipos de cremes.

“Ele é preparado em lugares chamados Batedeiras e o mais curioso é que essas batedeiras são sinalizadas com bandeiras vermelhas na frente, sempre bem visíveis, ou nas esquinas próximas, para dizer que ali tem açaí. Quando a fruta acaba, retira-se as bandeiras”, conta Matos.

De acordo com Pedro Matos (27), um amapaense que hoje vive em Belo Horizonte, isso pode ser até ofensivo aos olhos de um nortista tradicional, que cresceu comendo açaí junto à sua refeição principal. “As combinações mais famosas do açaí são com camarão e peixe. De um lado, a sua tigela de açaí, com açúcar e farinha e ao lado um prato de camarão. Lá se come açaí com peixe, frango, carne, churrasco, charque e por aí vai”, explica.

O açaí consumido no norte é integral, conforme esclarece a paraense Kamila Nogueira (21). “Compramos açaí moído na hora, ou seja, a gente come ele como um creme, é um caldo bem grosso e com um gosto terroso!”, completa. Ela conta ainda que as combinações com açaí no Pará são muito diferentes das que vemos em outras regiões do país. “A gente toma com farinha puba (uma farinha de mandioca bem grossa), ou com farinha de tapioca (uma bolinha que parece isopor). Os paraenses mais tradicionais, chegam a tomar acompanhado do almoço. É uma colher no prato de comida e outra no açaí!”, completa.

No Amapá come-se açaí bem fresco e na maioria das vezes o creme é feito na hora com a fruta do açaí.

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Açai: O Fruto Sagrado do Povo Itaki

CURIOSIDADE O fruto é considerado uma iguaria exótica e já conquistou consumidores exigentes no Brasil e em outras cidades ao redor do mundo, como Los Angeles, Nova Iorque (EUA) e Paris (França). Ele também é encontrado em outros países como Venezuela, Colômbia, Equador e Guianas.

Se perguntar para a jovem Amanda Furukawa (16), que nasceu em Minas Gerais, mas viveu grande parte da infância com a família no Pará, qual a principal diferença entre o açaí do Pará e o de Minas, ela vai responder: “a aparência é totalmente diferente. Nosso açaí é bem forte. Parece café quando não é coado, sabe?. Também não tem essa história de comer com banana ou leite condensado, a gente compra por litro nas feiras ou na orla e toma puro”, esclarece.

Tecnologia do cultivo O açaí é cultivado principalmente em estados como Pará e Amazonas, que são os maiores produtores da fruta no país e responsáveis por mais de 85% da produção mundial. Ele também é produzido no Amapá, Maranhão e Tocantins. O fruto apresenta crescimento de demanda no mercado nacional e internacional, sendo considerado um importante produto de desenvolvimento da economia Amazônica.

Como a palmeira é nativa de área de várzea, onde passa a maior parte do tempo em solos inundados, o cultivo de açaí em terra firme requer investimento tecnológico em irrigação. Para maximizar a produção, é necessário que o produtor invista em Agricultura de Precisão (AP) e conheça o perfil hídrico das diferentes espécies - dessa forma conseguirá adequar racionalmente o consumo de água nas plantações.

Fonte também para a extração de palmito, o açaizeiro pode atingir até 30 metros de altura. A palmeira se desenvolve mais facilmente em locais próximos aos ribeirões, rios e várzea. Seu fruto conquista cada vez mais mercado no mundo inteiro - demanda que fez com que alguns produtores começassem a plantar em terra firme.

Em área de várzea, o Brasil produz hoje cerca de seis toneladas por hectare ao ano, com o manejo. E em área de terra firme com adubação e irrigação, o produtor consegue fazer de 15 a 17 toneladas de frutos por hectare ao ano.

Para manter um açaizal produtivo e saudável e necessário preservar o equilíbrio ambiental da região de cultivo. Por isso, o manejo é uma tecnologia recomendada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A instituição pesquisa alternativas para aumentar a produção brasileira de açaí e ao mesmo tempo manter a diversidade florestal das regiões, melhorando as condições de produção do fruto.

DEPOIMENTOS

“Gosto mesmo é com farinha de tapioca!” Amanda Furukawa Eu AMO açaí com charque, pra mim é o mais gostoso! Kamila Nogueira “Minha combinação preferida é de açaí com camarão e só de contar já deu água na boca.” Pedro Matos

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CAFÉ

Café certificado e tecnologia: uma parceria essencial O

s cafés especiais conquistam cada vez mais mercado no Brasil e exterior. Nos primeiros meses de 2017, as exportações de cafés diferenciados - que têm qualidade superior ou são certificados com selos de práticas sustentáveis - representaram 14,8% do total de café embarcado para outros países. Os cafés diferenciados são cultivados nas mais variadas regiões cafeeiras do Brasil, mas a maior parte vem do Cerrado Mineiro. O aumento da demanda é reflexo da exigência do consumidor, que está cada vez mais disposto a pagar pela experiência de saborear um café de melhor qualidade. Atentos a essa tendência, os cafeicultores brasileiros buscaram incorporar melhores práticas agrícolas e gestão sustentável às produções. Esse movimento, por sua vez, rendeu ao Brasil o título de maior produtor e fornecedor de café sustentável certificado no mundo. A cadeia produtiva do café, uma das mais organizadas do agronegócio brasileiro, conta com vários programas de certificação, cada um com normas e códigos diferentes para atender requisitos específicos e exigências de empresas e consumidores de todo o mundo. Mas, para atender aos critérios da maioria dos programas, os cafeicultores precisam se empenhar muito e investir em tecnologias de precisão.

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Para se adequar ao programa Certifica Minas Café, por exemplo, os produtores recebem orientações em mais de 100 itens, que devem ser obedecidos para se obter a aprovação. Esses itens levam em consideração a legislação trabalhista, uso correto e controlado de insumos e rastreabilidade do produto final - que significa a identificação registrada de todo o café produzido. “Todas as atividades realizadas precisam ser registradas, garantindo segurança ao consumidor e possibilitando ao produtor um registro e análise dos seus custos, um melhor conhecimento da sua atividade e detecção de pontos de melhoria”, explica Bernardino Guimarães, Coordenador Técnico Estadual de Cafeicultura da Emater-MG, responsável pelo programa.

Sem tecnologia, sem certificação De acordo com Wagner Ferrero, sócio diretor do Grupo Famiglia Ferrero, que coleciona prêmios pela qualidade de seus cafés Bourbon Amarelo (LC30-10), UVA (IAC 125) e Paraíso 2, a demanda no mercado brasileiro por cafés especiais gourmets ainda é baixa, mas o consumidor começou a aprender sobre café de verdade. “Surgiram várias boutiques e cafeterias especializadas no Brasil, isso foi bom para a educação do brasileiro em relação aos cafés especiais”, relata. Ferrero esclarece que são vários códigos de conduta que levam em consideração licenças ambientais e vários pré-requisitos a cumprir para conseguir colocar um café certificado no mercado. “Você prova que usou os defensivos corretos e permitidos, que seus trabalhadores têm condições adequadas de trabalho, são registrados e que a empresa está atenta às leis trabalhistas”, explica. O cafeicultor conta que não tem como pensar em certificação sem investir em tecnologia. “As certificações pregam a melhoria constante na produção.

Esses itens abrangem a implantação da lavoura, adotando-se práticas de conservação do solo e água, de forma que a propriedade seja também uma produtora de águas limpas, retendo o máximo de águas das chuvas”, esclarece Guimarães. Para isso, devem ser adotadas práticas de produção, controle de pragas e doenças - levando em consideração a eliminação ou redução do uso de agroquímicos, a contaminação do solo e do ambiente. São observadas ainda práticas como a proteção à biodiversidade, redução de CO2 e destinação adequada dos resíduos gerados nas propriedades. O investimento para obter as certificações não é baixo. É preciso adaptar a propriedade às normas das certificações que são bem rígidas. “As relações entre os trabalhadores envolvidos na atividade devem respeitar a legislação vigente e os operadores de máquinas e equipamentos devem ser capacitados, minimizando o risco de acidentes”, relata o Técnico Estadual.

Utilizando uma tecnologia de monitoramento de pragas, por exemplo, você consegue detectar exatamente onde está tendo problemas com pragas, doenças e inimigos naturais. Então, você aplica defensivos apenas neste local específico. Se você tem uma área de 1000 hectares, por exemplo, e consegue aplicar exatamente no local com problema, deixa de aplicar na área total e começa a aplicar em apenas 10%. Isso é uma grande melhoria”, esclarece Ferrero.

CURIOSIDADE Países que mais importam cafés especiais brasileiros: nos primeiros meses do ano, os EUA lideraram o ranking, levando para casa 19% da produção, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). A Bélgica ficou em segundo lugar, com 15%, seguida pela Alemanha (13%), Itália (11%) e Japão (11%).

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Café certificado e tecnologia: uma parceria essencial

Ele conta que para atender todas as normas, a fazenda precisava de um instrumento para análise de pragas, doenças e inimigos naturais, então, optaram por uma tecnologia de monitoramento de pragas. “É uma ferramenta espetacular. Com ela eu consigo saber o local exato em que preciso combater as ameaças e aplicar os defensivos apenas naquele local. Antigamente, era preciso aplicar na fazenda inteira, hoje aplicamos apenas no talhão em que há necessidade. Com esse controle, reduzimos em 30% as aplicações”, relata.

O Café Ferrero é reconhecido internacionalmente por sua qualidade, excelência e produção sustentável. As fazendas do grupo possuem inúmeras certificações e prêmios. O cuidado começa desde a seleção dos melhores grãos de cafés 100% arábica, cultivados em duas das melhores regiões produtoras de cafés finos do Brasil: Cerrado Mineiro (Fazenda Pântano) e Alta Mogiana. No processo, os grãos são eletronicamente selecionados, torrados e moídos, cuidadosamente embalados em um processo de alta tecnologia e sem contato manual.

Dessa forma, o cafeicultor economiza com as aplicações e investe em outras melhorias para atender às normas das certificadoras. O investimento não para por aí. Para conquistar suas seis certificações, Certifica Minas Café; Rainforest Alliance Certified; Associação 4C; Nespresso AAA; Starbucks C.A.F.E; Practices e Utz Certified, o Grupo Famiglia Ferrero precisou investir ainda mais em cafeicultura de precisão. Utilizam sistemas de irrigação (com aproveitamento da água da chuva), aplicação de fertilizantes entre outros.

“Hoje, nossa operação produz cinquenta mil sacas de café por ano em duas fazendas. 80% da produção é exportada para países como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Espanha, Itália, Reino Unido e Austrália”, diz o sócio diretor.

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Várias tecnologias de precisão auxiliam o cafeicultor para a tomada de decisão no campo. Isso interfere diretamente na qualidade do café produzido e em consequência nos processos de certificação do produto.


CURIOSIDADE Conforme explica Rafael Souza, Coordenador de Desenvolvimento de Produto que atua no setor de Pesquisa e Desenvolvimento da Strider, para além das tecnologias de monitoramento de pragas e irrigação, indispensáveis para otimizar o trabalho na lavoura de café, o sensoriamento remoto também contribui para análises inteligentes e combate de ameaças no plantio. Com imagens geradas por meio de satélites ou de drones, é possível identificar exatamente onde estão os problemas no meio da lavoura. “Em um local totalmente remoto, a probabilidade de uma pessoa conseguir diagnosticar problemas de biomassa, de praga ou de planta daninha é pequena. Mas se você tem uma imagem de satélite que te aponta esses problemas, pega as coordenadas e vai agir naquele foco”, conta. Utilizando drones, por exemplo, é possível fazer aplicações praticamente cirúrgicas. “Você aplica determinado produto naquela plantação e resolve o problema de uma vez, sem precisar gastar uma fortuna de dinheiro em máquina ou em defensivos, o que pode refletir negativamente lá na frente, na certificação”, esclarece. A tecnologia possibilita ao cafeicultor ter produções maiores e mais saudáveis. Se ele tem uma produção de café certificado, como o Bourbon, por exemplo, cheia de grãos brocados, isso significa que ele terá de dispensar vários grãos daquela colheita, ou vender por um valor inferior. Ferramentas de gestão também são indispensáveis e, sem elas, o cafeicultor não consegue fazer o registro adequado das informações para cumprir as normas das certificadoras. É preciso investir em um sistema que arquive todos os movimentos do agricultor em cada talhão ao longo da safra. Ele deve ter todas as informações processadas, mapas de calor, índices por pontos de população de praga e lançar também a quantidade de aplicações e tipo de defensivo utilizado.

No ano de 2016 foram certificadas 1.205 propriedades e 650 estão em processo de certificação, isto é, adaptando o sistema produtivo às exigências do programa Certifica Minas. Utz Certified, Rainforest Alliance, Certificação Orgânica, FairTrade, Certifica Minas Café, Associação 4C, Nespresso AAA e Starbucks C.A.F.E. Practices são certificações de destaque no mercado atual.

Com isso, e o monitoramento adequado, ele terá base para tomar decisões com mais precisão e de maneira mais ágil, evitando pulverizações em excesso - com todos esses dados registrados no painel é só apresentar para a certificadora. Outra forma de trabalhar a assertividade no café é a gestão de frota. Por meio do monitoramento de máquinas, o produtor consegue acompanhar a eficiência de uma colheita. Saber se a máquina está colhendo na velocidade adequada e a quantidade de café que está ficando no chão. Se a colhedora não estiver trabalhando de forma ideal, a quantidade do café de varredura será maior e esse café, que só será recolhido do chão dias depois do primeiro, com certeza perderá valor de mercado. “Por isso, a tecnologia de monitoramento está diretamente ligada à eficiência de colheita. Ela influencia no volume que o produtor vai conseguir de café certificado em determinada safra e de maneira geral agrega qualidade para a lavoura,” reflete Souza.

CURIOSIDADE O programa de certificação FairTrade - conhecido também como “Comércio Justo e Solidário” é específico para cafeicultores familiares - exige-se que a maior parte do volume comercializado seja proveniente da agricultura familiar. Para participar, os produtores devem estar organizados em grupos ou cooperativas.

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TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

Tecnologias de sensoriamento remoto estão mudando a história da agricultura O

campo hoje é um lugar tecnológico e conectado. Foram incorporadas ferramentas e maquinário de ponta à gestão das propriedades agrícolas, e isso está mudando a história da agricultura. As evoluções na área de sensoriamento remoto - com a utilização de satélites, drones e aeronaves, por exemplo, permitiram colocar à disposição dos produtores um universo de informações e possibilidades, para trabalhar com mais assertividade e lucratividade. Há 20 anos, grande parte dos produtores jamais imaginou ter disponível esse tipo de tecnologia para seu negócio, mas nos últimos anos, as tecnologias se tornaram mais acessíveis e agora já são uma realidade na vida dos agricultores.

Não era possível ontem, mas hoje é Na visão de Rafael Almeida, Arquiteto de Software do setor de Pesquisa e Desenvolvimento da Strider, três fatores foram essenciais para que o sensoriamento remoto, especialmente o uso de satélites, se tornasse uma tecnologia mais acessível ao agronegócio: a redução do custo, melhora nas resoluções das imagens e o aumento da frequência temporal. A tecnologia ficou mais acessível. Hoje, as imagens de satélite são mais baratas a ponto de o produtor conseguir comprar e esse é o grande marco.

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Algumas invenções como os “microssatélites”, por exemplo, marcaram uma baixa de custo deste tipo de tecnologia. “Mesmo que tenham vida útil menor, porque depois de um tempo eles caem na terra de novo, enquanto estão no ar eles conseguem enviar muitas imagens para a base”, afirma. O Arquiteto conta que para desenvolver alguns softwares agrícolas são utilizados os serviços de duas classes de satélites, o projeto Landsat - da Agência Espacial Americana e que é dedicado à observação dos recursos naturais terrestres - e da Planet, uma provedora de satélite comercial. Os investimentos da Planet, que possui várias constelações em órbita, possibilitaram uma melhora considerável na resolução das imagens geradas pelos satélites.

O QUE É SENSORIAMENTO REMOTO? É uma tecnologia que permite a obtenção de imagens e dados da superfície terrestre através da captação e registro da energia refletida/emitida pela superfície sem que haja contato físico entre o sensor e a superfície. Assim, utiliza-se um dispositivo aéreo, que pode ser um avião, satélite, drone e outros para tirar fotos de uma área específica.


Conforme explica Rafael Souza, Coordenador de Desenvolvimento de Produto da Strider, as imagens facilitam a apuração de problemas em lugares remotos. “Se tem uma imagem de satélite com problema de biomassa, praga, ou planta daninha em um local totalmente remoto, que a probabilidade de uma pessoa passar ali é pequena, consegue diagnosticar e agir naquele ponto”, relata.

Revoluções em sensoriamento remoto permitiram novas aplicações para a agricultura

Dessa forma, o aumento da frequência temporal, a baixa de custo e a melhor resolução das imagens foram algumas das revoluções que permitiram aplicações que antes não eram possíveis na agricultura. Por último, a resolução temporal também é um dos fatores que contribuíram muito para o uso dos satélites na agricultura. “Com a maior quantidade de satélites em órbita, a frequência de revisitação aumentou. As imagens do Landsat chegam em média a cada 16 dias, sincronizado com o horário da terra. Já no caso da Planet varia porque a empresa tem muitos satélites, então pode ser a cada um dia ou a cada dois dias - no caso do tempo de revisitação”, conta Rafael. “Quando falamos em constelação significa que a empresa tem vários satélites de um mesmo projeto e que foram lançados ao mesmo tempo em órbita”, explica Almeida.

Assim, o produtor sabe que está acontecendo algum problema e faz um levantamento para quantificar a praga e qualificar o potencial de destruição dela. Em um terceiro momento, ele consegue utilizar o drone para fazer uma aplicação localizada, se for o caso. “O drone faz uma aplicação praticamente cirúrgica. Aplica-se determinado produto naquele local e resolvese o problema de uma vez, sem precisar gastar uma fortuna de dinheiro em máquina ou em defensivos”, relata Souza. Além da funcionalidade e economia que o sensoriamento remoto representa para a agricultura, existe também o fator praticidade. Não é preciso alocar um operador, ou uma máquina que consome muito combustível, não precisa de ter toda a mecânica para uma aplicação específica. É possível pegar um drone e fazer tudo automático. Imagens de drones facilitam a apuração de problemas em lugares remotos

Porque a tecnologia de sensoriamento remoto se tornou uma poderosa aliada do agronegócio? As vantagens variam de cultura para cultura, mas na cana-de-açúcar, por exemplo, é bem difícil andar pela lavoura para fazer um monitoramento adequado. Por meio de imagens geradas por satélites e drones, os produtores conseguem ver exatamente o que está acontecendo na lavoura. Com a análise das imagens em mãos, ele pega as coordenadas e vai agir só naquele foco. Ed 2

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CITRUS

Alerta Fitossanitário incentiva manejo regional e uso da tecnologia na citricultura

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trabalho coletivo e a tecnologia são poderosos aliados no controle de pragas. Prova disso é o Alerta Fitossanitário do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). O sistema se tornou uma importante ferramenta para os citricultores no manejo regional do Greening (HLB), a mais destrutiva doença dos citros no Brasil. O Alerta foi criado para monitorar a presença de psilídeo Diaphorina citri, o inseto transmissor de HLB (huanglongbing/greening), a pior doença que afeta os pomares de laranja. Ele organiza informações sobre a população do inseto e da presença de brotações nas propriedades e nas regiões monitoradas. Desde abril de 2017 a ferramenta cobre 61,9% do parque citrícola no Brasil - que engloba municípios de São Paulo e Minas Gerais, principal área produtora de citros do país. Com medidas mais efetivas e aplicadas de maneira conjunta e coordenada pelos citricultores, o manejo regional se tornou uma eficiente arma no combate às bactérias responsáveis por causar a doença - Candidatus Liberibacter asiaticus e Candidatus Liberibacter americanus que são transmitidas para as plantas de citros pelo psilídeo.

Como funciona? Armadilhas adesivas amarelas georrefenciadas são instaladas nas áreas monitoradas e, a partir da análise dessas armadilhas, que é feita quinzenalmente, são gerados relatórios sobre a flutuação populacional do psilídeo. Os citricultores das regiões também abastecem um sistema online com informações sobre a população de psilídeos encontrados nas armadilhas de suas propriedades e com avaliações e perspectivas de suas lavouras.

Produtores alimentam sistema com informações e perspectivas de suas propriedades

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São Paulo e Minas Gerais são os principais produtores de citros no Brasil

Junta-se esses dados aos relatórios gerados pelas armadilhas instaladas nas regiões pelo próprio Fundecitrus. A partir dessas informações são gerados relatórios que mostram a situação de cada propriedade e das regiões participantes, indicando quais os locais críticos de presença do inseto e onde é necessário fazer o controle Quando há necessidade de controle, o Fundecitrus envia um alerta para os produtores cadastrados informando os picos da população de psilídeo, indicando a necessidade de pulverização conjunta em toda a região. Dessa forma, o alerta potencializa o manejo regional de HLB, já que o combate e controle são feitos em larga escala e ao mesmo tempo, eliminando as plantas com sintomas da doença. A participação na ferramenta é gratuita e mostra como os esforços integrados podem potencializar os resultados na guerra contra a perda de produtividade. Citricultores que utilizam o alerta estão satisfeitos com o resultado. “Não adianta atuar isolado em minha propriedade sem olhar para o entorno e isso se tornou mais fácil e prático com o uso do sistema”, diz Humberto Francisco Nucci, da região de Lins. As vantagens do sistema são inúmeras, e uma das mais expressivas impacta o bolso do produtor, que acaba economizando com defensivos. “Sei qual é o momento certo de realizar as aplicações e o efeito delas dura mais tempo quando todo mundo da região também faz”, afirma Sebastião Zeulli, da regional de Frutal.

Além da redução no número de aplicações, a tendência é que as pulverizações tenham seu efeito potencializado, quando feitas integradas em várias propriedades ao mesmo tempo. Isso porque a ação conjunta evita a migração do inseto entre pomares não pulverizados para outros recém-pulverizados, aumentando o período entre as infestações. Além do fator econômico e da possibilidade de atuar em conjunto com outros produtores no combate à praga, o alerta fornece informações exclusivas para os citricultores cadastrados no sistema. Eles contribuem com dados atualizados de suas propriedades, o que permite que se tenha uma visão mais clara sobre o momento e locais de entrada do psilídeo nas lavouras. Essas informações geram conhecimento dos momentos críticos de aumento populacional e migratório da praga nas regiões monitoradas.

Manejo integrado O Alerta Fitossanitário é uma das importantes ferramentas de apoio ao controle do inseto transmissor de HLB, mas o manejo integrado ainda é a forma mais eficiente de combate ao greening. Ele inclui outras iniciativas como o monitoramento adequado, que deve ser feito simultaneamente por todos os citricultores de uma mesma região. De acordo com orientações do Fundecitrus, é recomendado realizar, no mínimo, seis inspeções em todas as plantas cítricas durante o ano. Entre os meses de fevereiro e setembro os sintomas são mais visíveis, o que facilita a detecção das plantas doentes, mas as inspeções devem ser frequentes em todas as plantas do pomar. Para saber outras informações, acesse www.fundecitrus.com.br

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STRIDER NA ESTRADA

Três dias em terras mexicanas por Rafael Malacco

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uando me disseram que eu seria responsável pela implantação do PROTECTOR no primeiro cliente da Strider no México, me senti honrado. Em primeiro lugar, pela oportunidade de realizar o trabalho e, em segundo, porque é gratificante saber que a nossa tecnologia está se expandindo e ganhando novos mercados. Então, me preparei para a viagem, estudei as formas de monitoramento utilizadas nas culturas que ia visitar, pragas, doenças e problemas encontrados na região. Os desenvolvedores da Strider também trabalharam para personalização do software, para que ele fosse bem aceito e facilmente incorporado na rotina dos novos clientes. Parti para a cidade de Los Mochis, no estado de Sinaloa, noroeste do México, uma cidade agrícola no litoral do pacífico. Mesmo confiante, por já ter realizado trabalhos similares, senti uma pontinha de ansiedade. A responsabilidade de representar a empresa em um novo país não é pouca e exige bastante preparação. No primeiro dia, fui recebido por Juan e Hirvin, ambos funcionários da Syngenta - uma empresa de atuação global especializada em produtos para o agronegócio. Com sorrisos abertos logo me perguntaram: tienes hambre? Vamos a comer unos tacos?

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Juan e Hirvin trabalham nos campos de batatas em Los Mochis

Eles tinham dúvidas em relação à nova tecnologia: ¿funcionará?. Logo os tranquilizei e tratei de entender sobre a safra de batata na região. Com as malas ainda na carroceria fomos para o campo (logo ali, ao lado da cidade). Eles me explicaram tudo, desde o plantio até colheita e poucas vezes pude ver uma equipe tão entusiasmada com o que faz. Percebi então que não seria um trabalho difícil, afinal, eles são apaixonados pelo que fazem - exatamente como nós! No segundo dia, mostrei as principais funções de nosso software. Eles ficaram encantados ao descobrir que a tecnologia solucionaria muitos dos problemas enfrentados em campo. Daí em diante a minha função foi deixar Juan e Hirvin experts em Strider para que eles pudessem repassar aos demais técnicos e gestores que iriam utilizar o tablet, como coletar os dados e ter acesso às inúmeras análises, gráficos e relatórios que a plataforma proporciona. E não há melhor lugar para aprender do que o campo!

Rafael Malacco acompanhou o trabalho de colheita no México

Ao fim do dia, aproveitei para acompanhar de perto a colheita. Havia áreas em estágios evolutivos avançados e tive a sorte de estar lá nessa etapa! Confesso que fui tão bem acolhido que neste momento me senti entre parceiros. Conversamos sobre nossas culturas, carnaval, e o estilo de vida no Brasil. Também me contaram um pouco sobre a região de Sinaloa, música e a tão conhecida culinária mexicana! No terceiro e último dia, acertamos os últimos detalhes e minha tarefa estava concluída. Juan me levou ao aeroporto, ao som do Norteño, um ritmo regional e nos despedimos. Voltei ao Brasil feliz pelos novos amigos e principalmente, pelo trabalho realizado! E, claro, por contar com mais um cliente da Strider satisfeito pelo mundo! ¡Misión cumplida!

No México, o PROTECTOR foi contratado pela Syngenta para complementar o trabalho realizado no programa “Incrementa Papa”. O programa foi criado para auxiliar o monitoramento e orientar aplicações no cultivo de batata. Ed 2

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SUSTENTABILIDADE

Energia, papel, carvão e asfalto: como reaproveitar o bagaço da palha de cana

Subprodutos da cana podem ser empregados em diversos produtos

por Osania Ferreira

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urante a cadeia produtiva da cana-de-açúcar são gerados inúmeros subprodutos, entre eles a palha ou palhiço e o bagaço. O palhiço compreende todo o material remanescente sobre a superfície do talhão, após a colheita da cana, principalmente a mecanizada, constituída de folhas verdes, palhas, ponteiros, colmos, raízes, ervas daninhas e/ou partículas de terra aderidas a ela. Já o bagaço é resultante do processo de extração do caldo da cana. Ambos são constituídos por celulose, hemicelulose e lignina, dentre outros constituintes.

Prof. Dra. Osania Emerenciano Ferreira - Graduada em Ciências Biológicas, Doutora e Mestre em Microbiologia Agropecuária pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2015). Atualmente é Coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Produção Sucroalcooleira da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG/ Unidade de Frutal), onde atua como docente e pesquisadora.

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Até alguns anos atrás o bagaço de cana e a palha eram subaproveitados. Parte era queimado em caldeiras para geração de energia e a palha ficava no campo. Mas esse cenário mudou nos últimos anos e o subproduto agroindustrial ganhou valor econômico e ambiental. Hoje, essas matérias são utilizadas para fins como: produção de papel, carvão vegetal e até para composição de massa asfáltica e produção de pellets (biocombustível que usa como matéria-prima resíduos como a serragem ou maravalha).


O Brasil já tem instalado duas fábricas que produzem etanol a partir do bagaço e palha de cana nos estados de Alagoas e São Paulo. Abrindo um novo mercado, as usinas sucroenergéticas já estão empregando o bagaço e a palha de cana para fabricação de pellets, que podem servir como carvão para churrasqueiras e lareiras, como material combustível para alimentar caldeiras em fábricas e geradores de energia elétrica. A vantagem da utilização destes pellets vai desde o fato de ocuparem pouco espaço, pois o bagaço ou palha passam por um processo de secagem e pressão, até o fato de serem obtidos de matéria vegetal renovável, substituindo o carvão e outras fontes poluidoras. A utilização de bagaço de cana para produção de papel não é novidade. Já existe há mais de 60 anos! Atualmente, várias empresas internacionais utilizam essa matéria-prima para produção de diversos tipos de papel, inclusive o sulfite. Em 2017 foi instalada na cidade de Lençóis Paulista (SP) a primeira fábrica do Brasil a produzir matéria-prima para o papel a partir da palha da cana-de-açúcar. De acordo com a empresa todo o processo produtivo que envolve a obtenção da pasta base para produção do papel é sustentável, sem emissão de poluentes e os produtos obtidos são biodegradáveis.

Também está sendo testada no Brasil uma nova tecnologia que emprega o bagaço de cana como um aditivo estabilizante para produção de mistura de asfalto, do tipo SMA (Stone Matrix Asphalt). Um grupo de pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF), da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Grande Rio (Unigranrio), desenvolveram um tipo de SMA que utiliza o bagaço em sua composição, reduzindo os custos de produção deste tipo de mistura asfáltica, já que as fibras normalmente empregadas para produção SMA têm custo mais alto quando comparadas às fibras do bagaço de cana.

SMA (Stone Matrix Asphalt)

A massa asfáltica SMA foi desenvolvida na Alemanha no final da década de 1960, sendo composta de fibras de celulose ou de vidro. Sua principal característica é a grande resistência, sendo utilizada como revestimento de rodovias e aeroportos europeus e americanos.

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Energia, papel, carvão e asfalto: como reaproveitar o bagaço da palha da cana

O laboratório Nacional de Tecnologia, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNNano/ CNPEM) começou a testar o bagaço de cana para produção de carvão vegetal. A nova tecnologia pode ser uma revolução na fabricação de filtros (de água e de ar) no Brasil e no mundo, uma vez que o carvão vegetal obtido do bagaço e da palha de cana possuem a mesma eficiência do utilizado tradicionalmente.

O carvão vegetal produzido a partir do bagaço tem custo inferior em até 20%, quando comparado ao carvão disponível no país, que geralmente é importado e proveniente de madeira, ossos de animais e/ ou casca de coco. Por isso, a nova tecnologia torna o país mais autônomo na produção dessa matéria-prima, sem dependências de preços e flutuações de mercados internacionais.

Geração de energia O Brasil necessita da cogeração a partir da cana-de-açúcar. O setor sucroenergético é responsável por 80% da capacidade de geração de energia a partir de biomassa do país. Porém, esses valores podem ser aumentados, pois resta ainda muito bagaço excedente, além do potencial de uso da palha, uma vez que poucas unidades industriais recolhem a palha do campo. Em 2015, a oferta de energia obtida a partir da biomassa cresceu 7%, gerando mais de 22 TWh, o que equivale ao abastecimento de 11 milhões de residências durante um ano inteiro. A energia gerada nas usinas a partir do bagaço e da palha da cana contribui em termos de capacidade instalada, em quase 10% da matriz energética, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), ocupando a segunda posição na matriz, atrás apenas das fontes hídrica e fóssil, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). Assim, toda a biomassa responsável pela geração de energia elétrica e térmica - bagaço e palhiço - passa a ser de fundamental importância aos novos projetos e também nas ampliações das plantas existentes. Além da importância para geração de energia elétrica, tanto o bagaço quanto a palha podem ser utilizados também como matéria prima para produção de etanol de segunda geração (2G) e de terceira geração (3G). Por meio da hidrólise química ou enzimática, as frações de celulose e hemicelulose são convertidas a hexoses e pentoses e após processos de pré tratamento, a solução obtida pode ser fermentada e produzir etanol.

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Safra brasileira Nos anos de 2015 e 2016 a safra brasileira ultrapassou 666 mil toneladas, segundo estimativa da UNICA. Deste total, cerca de um terço virou bagaço, obtido após o processo de moagem da cana nas usinas, além da palha que vem sendo recolhida do campo por várias unidades industriais. Diante deste cenário, o bagaço e a palha de cana, ganharam importância e valor comercial para o setor sucroenergético, como matéria prima para vários produtos e processos. Mesmo após queimado, o bagaço de cana ainda tem valor comercial. As cinzas recolhidas das caldeiras é um rico composto utilizado na lavoura como insumo completar a adubação da cana ou como aditivo para produção de tijolos, fabricação de produtos como telhas, caixas d’água e divisórias. Porém, existe ainda um grande gargalo que precisa ser corrigido. Atualmente o produtor não recebe pelo bagaço entregue na usina. Inúmeros estudos têm sido feitos para tentar remunerar o produtor de cana pelo bagaço entregue, mais nada ainda em fase de implantação.

Estima-se que para cada tonelada de cana-de-açúcar processada, 260 quilos são transformados em bagaço. Este valor está condicionado à variedade e estágio de corte podendo gerar entre 10 a 15 toneladas de matéria seca por hectare de cana-de-açúcar, com teor de umidade de 10%.


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Revista Strider Ed 2 - 2017  
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