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EDIÇÃO 1

2017

BLAYNE REED FECHAMENTO AUTORIZADO E PODE SER ABERTO PELA ECT

ENTREVISTA EXCLUSIVA:

a importância do manejo integrado de pragas e da tecnologia de precisão agrícola

DESAFIOS DO

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AGRONEGÓCIO Falta mão de obra, sobra trabalho. Por que é tão difícil conseguir a adesão de profissionais qualificados no campo?

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POR TRÁS DO QUE VOCÊ POR TRÁS DO QUE VOCÊ POR TRÁS DO QUE VOCÊ CONSOME ALGUÉM ESTÁ CONSOME ALGUÉM ESTÁ CONSOME ALGUÉM ESTÁ PRODUZINDO CERTO! PRODUZINDO CERTO! PRODUZINDO CERTO!

POR TRÁS DO QUE VOCÊ CONSOME ALGUÉM ESTÁ PRODUZINDO CERTO!

ÍNDICE

E nós estamos com eles! Com o aplicativo Produzindo Certo, o produtor rural pode coletar informações socioambientais e produtivas da fazenda, de forma rápida e eficiente. Os relatórios de performance da propriedade serão gerados instantaneamente e poderão ser compartilhados com diversos elos da cadeia produtiva, criando novas oportunidades de negócios e contribuindo para a transparência da cadeia produtiva no Brasil.

NOTÍCIAS AG TECH. As notícias e curiosidades do setor Agro

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#INTEGRAÇÃO

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PERFIL A importância do uso de tecnologias de precisão

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CAFÉ Mecanização torna processos mais eficientes

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IRRIGAÇÃO Automatização gera mais eficiência na irrigação

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EXPECTATIVAS Mercado Agro: olhar de quem acompanha de perto

STRIDER NA ESTRADA Gabriel Praxedes em um dia de trabalho no campo

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INTERNACIONAL Strider oficializa parceria na América do Sul

EVENTOS Confira a programação dos eventos Agro no Brasil

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MUNDO AFORA Amantes do vinho apreciam famosas festas vindimas

DRONES Drones ganham espaço na pulverização de lavouras

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POLÍTICA EUA: nova gestão afetará agronegócio no Brasil?

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CAPA Como driblar a falta de mão de obra qualificada

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MUNDO FUTURO Saiba o que esperar em inovações para o campo

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MANEJO BIOLÓGICO Práticas são opção ecológica contra as pragas

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TECNOLOGIA A sua grande aliada na gestão do agronegócio

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DIVULGAÇÃO SKYDRONES

Com o aplicativo Produzindo Certo, o produtor rural pode Com oo aplicativo Produzindo Certo, oo produtor rural pode Com aplicativo Produzindo Certo, produtor rural pode coletar informações socioambientais e produtivas da fazenda, coletar informações socioambientais e produtivas da fazenda, coletar informações socioambientais e produtivas da fazenda, de de forma rápida e eficiente. Os Os relatórios de de performance da dada forma rápida ee eficiente. relatórios performance de forma rápida eficiente. Os relatórios de performance propriedade serão gerados instantaneamente e poderão ser propriedade serão gerados instantaneamente ee poderão ser propriedade serão gerados instantaneamente poderão ser compartilhados com diversos elos da cadeia produtiva, compartilhados com diversos elos da cadeia produtiva, compartilhados com diversos elos da cadeia produtiva, criando novas oportunidades de de negócios e contribuindo criando novas oportunidades negócios ee contribuindo criando novas oportunidades de negócios contribuindo para a transparência da cadeia produtiva no Brasil. para a transparência da cadeia produtiva no Brasil. para a transparência da cadeia produtiva no Brasil.

CARTA AO LEITOR

FOTO DE CAPA: AVALON_STUDIO/ISTOCK

E nós estamos com eles! EEnós estamos com eles! nós estamos com eles!

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CARTA AO LEITOR

EXPEDIENTE

DIRETORIA LUIZ TANGARI, GABRIELA MENDES, CARLOS NETO

DIREÇÃO GERAL ANA ATTIE

LUIZ TANGARI, CO FUNDADOR E CEO DA STRIDER

PROJETO GRÁFICO E PROJETO EDITORIAL ANDERSON ALMEIDA

CARO(A) LEITOR(A),

COLABORADORES PARTICIPARAM DESTA EDIÇÃO: ÂNGELA DINIZ CAMPOS (PESQUISADORA DA EMBRAPA), JOSÉ AUGUSTO TOMÉ (COORDENADOR DE PESQUISA DA AGTECH GARAGE), EONIL MEDRADO ALQUEMIN (DIRETOR COMERCIAL DA DRONECENTER), ULF BOGDAWA (CEO DA SKYDRONES), FLÁVIO PIMENTA (DOUTOR EM ENGENHARIA AGRÍCOLA), CARLOS SANCHES (ENGENHEIRO AGRÔNOMO DA NETAFIM), ROBERTO RODRIGUES (EX-MINISTRO DA AGRICULTURA E COORDENADOR DA FGV AGRO), ANTÔNIO ALVARENGA (PRESIDENTE DA SNA), ALINE VELOSO (COORDENADORA DE ASSESSORIA TÉCNICA DA FAEMG), CELSO CARLOS DOS SANTOS JUNIOR (DIRETOR DA AGROINGÁ), CRISTIAN KOCHEMBORGER (GERENTE DE CAMPO DA AGROINGÁ), JOSE CARLOS GROSSI E MATHEUS GROSSI (PRODUTORES RURAIS), JUENES AFONSO (GERENTE OPERACIONAL DA BAÚ), PEDRO FARIA JUNIOR (PRESIDENTE DA ABCBIO), FERNANDO TEIXEIRA DE OLIVEIRA (ENGENHEIRO AGRONOMO DO INSTITUTO EMATER), DANIEL RICARDO SOSA GOMEZ (PESQUISADOR DA EMBRAPA SOJA), CLOVOVEU FRANCIOSI (PRODUTOR RURAL), BLAYNE REED (CONSULTOR DA TEXAS AGRILIFE), THAYNÁ BOSCARINO (REDATORA), EURICO MARTINS (JORNALISTA), MICHELE LAO (JORNALISTA), LEANDRO LAO (JORNALISTA), BÁRBARA CALDEIRA (JORNALISTA), LUANA CRUZ (JORNALISTA), MARINA RIGUEIRA (JORNALISTA), GABRIEL PRAXEDES (CONSULTOR DE CAMPO DA STRIDER), CARLOS ALBERTO MORESCO (PRODUTOR), EDSON VENDRUSCOLO (DIRETOR DE OPERAÇÕES DO GRUPO EL TEJAR).

stamos muito felizes em inaugurar este novo canal Eagronegócio com nossos clientes, parceiros e a comunidade do no Brasil. Durante 2016 vimos a Strider partir de uma startup com um produto inovador e começar a se transformar em um parceiro de tecnologia dos produtores. À medida que vamos nos integrando às rotinas das fazendas, ficamos mais próximos e nos sentimos mais à vontade para conversar com os produtores sobre o que chega de novidade em tecnologia e como eles podem tirar proveito delas. 2017 reserva muita coisa, e esperamos: mais integração das máquinas com uma oferta crescente de conectividade, aumento de popularidade nos serviços de satélite e drone, mais ferramentas para mitigar riscos climáticos e uma infinidade de sensores para os mais diversos fins. Estaremos aqui para te ajudar a entender como navegar neste novo mundo tecnológico que está nascendo. Esta revista é uma das iniciativas!

APOIO EDITORIAL RAFAEL MALACCO REVISÃO DANIELLE GLÁUCIA

PARA ANUNCIAR REVISTA@STRIDER.AG, RUA INCONFIDENTES, 1190, 7º ANDAR - BELO HORIZONTE - MG CEP: 30140-120, TELEFONE: 31- 35642867 A REVISTA STRIDER – ANO 01, NÚMERO 01 É UMA PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL E NÃO PODE SER VENDIDA. SEU CONTEÚDO FOI DESENVOLVIDO POR COLABORADORES. OS ARTIGOS PUBLICADOS COM ASSINATURA SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DOS AUTORES E NÃO REPRESENTAM, NECESSARIAMENTE, A OPINIÃO DA REVISTA E DE SEUS RESPONSÁVEIS. A REPRODUÇÃO DAS MATÉRIAS E DOS ARTIGOS SOMENTE SERÁ PERMITIDA SE PREVIAMENTE AUTORIZADA POR ESCRITO PELA PUBLICAÇÃO, COM O CRÉDITO DA FONTE.

Muito obrigado e muito sucesso em 2017!

IMPRESSÃO E ACABAMENTO ARW EDITORA GRÁFICA EIRELI, TIRAGEM: 2 000 EXEMPLARES

Envie sugestões de reportagens, dúvidas e ideias para a próxima edição da revista. revista@strider.ag 4•

/STRIDERAGRO @STRIDERAGRO

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NOTÍCIAS AG TECH.

CENSO MOSTRA QUE O NÚMERO da ideia: DE STARTUPS AGTECH ESTÁ Origem daOrigem ideia: Origem21% da ideia: escola/universidade CRESCENDO NOescola/universidade BRASIL 21%21% escola/universidade

ORIGEM DA IDEIA:

21% Escola/universidade 21% empresa onde atuou Origem da ideia: 21% Empresa onde atuou 21% empresa onde atuou 21%estão empresa onde As empresas Agtechs avançando no atuou 20% observação de outros mercados 21% escola/universidade 20% Observação de 20% observação de outros mercados Brasil, apesar de ainda 20% encontrarem observação deonde outros mercados 15%empresa demanda nãoatuou atendida comooutros consumidor mercados 21% dificuldades 15% com 15% investimentos. Essa é a demanda não atendida como consumidor 15% Demanda 11% outros demanda não atendida como consumidornão 20% observação de outros mercados principal conclusão do 1º Censo Agtechs atendida como 11%11% outros 6% Hobby outros 15% demanda não atendida como consumidor Startups Brasil, realizado pela Esalq/USP consumidor 6% Vivência com negócios familiar 6% Hobby 11% outros 6% Hobby 11% Outros e Agtech Garage, de Piracicaba, SP. 6% voltadas Hobby 6%76Vivência com negócios familiar 6% Vivência com negócios familiar6% Hobby Foram ouvidas empresas para 6% Vivência 6% Vivência com tecnologia agrícola, que traçaram um com negócios familiar

ÓCULOS PROMETE FACILITAR USO DE DRONES EM LOCAIS ABERTOS POR LEANDRO LAO

Cada vez mais usado nas lavouras (ver matéria na página 24), os drones chegaram com tudo ao mundo rural. Porém, os usuários sempre enfrentaram dificuldades para pilotar os equipamentos em locais abertos, como plantações. Isso porque a claridade causa reflexos na tela do aparelho por onde se controla o drone, atrapalhando a visibilidade e, por muitas vezes inviabilizando o uso. Para diminuir o problema, uma parceria entre a Epson e a DJI lançou um óculos, no estilo Google Glass, que projeta imagens na lente. Quando usado pelo piloto do drone, os óculos permitem que ele controle o equipamento sem sofrer com reflexos ou excesso de luz. Com a tela funcionando diretamente na frente dos olhos é possível guiar os drones com mais segurança e facilidade. Ainda não há previsão de lançamento do produto no Brasil. 6•

NOVA TECNOLOGIA TESTA “FILME MINERAL” PARA PROTEGER PLANTAÇÕES Um produto desenvolvido por pesquisadores gaúchos promete facilitar a vida dos produtores rurais quando o assunto é prevenção de pragas e doenças. Eles desenvolveram uma espécie de filme que aumenta a resistência e o metabolismo das plantas, aderindo às folhas e reduzindo a reaplicação de agrotóxicos. A tecnologia já foi testada com sucesso em fruteiras de clima temperado como pêssego, maçã, pera e uva, além de feijão. O produto é um líquido feito à base de quitosana, uma estrutura molecular que forma a carapaça de siris e caranguejos. Ela é extraída do exoesqueleto de insetos e crustáceos e, por isso, uma substância renovável e abundante. A aplicação é feita através de um pulverizador que lança o produto sobre as folhas, ramos e frutos. Depois de secar, o filme forma uma película brilhante, flexível, porosa, visível a olho nu e que resiste à geadas, chuvas e temperaturas de até 60°. Os testes

detectaram que não há alteração na fotossíntese e o filme não é tóxico, podendo ser ingerido pelo consumidor. A expectativa é que a utilização de filmes à base de quitosana na agricultura possa aumentar a eficácia dos agrotóxicos, racionalizar seu uso e manter eficiência no controle de pragas. A Revista Strider conversou com a coordenadora do projeto, a pesquisadora Ângela Diniz Campos, da Embrapa. Ela afirmou que o uso do biomaterial pode tornar a aplicação de inseticidas mais efetiva. “Como o filme tem forte aderência e não é levado pela chuva, a aplicação de inseticidas e fertilizantes fica mais eficiente. Nem mesmo as fortes chuvas levariam o produto embora, sem necessidade de reaplicações”. O efeito da adição de minerais ao líquido tem sido testado tanto do ponto de vista nutricional quanto do controle de pragas. “Ao adicionar silício, boro, molibdênio, manganês, zinco, cálcio e cobre ao biomaterial, o filme pode ter mais uma função: fertilizante”, revela Ângela. O projeto foi desenvolvido no Laboratório de Fisiologia Vegetal da Embrapa Clima Temperado.

negócios familiares panorama do setor. A maioria, 56%, trabalha desenvolvendo tecnologias de suporte à decisão. A soja, principal PRINCIPAIS produto do agronegócio brasileiro, é alvo Principais dificuldades: DIFICULDADES: de 49% das Agtechs. A pesquisa mostra 66% Capital inicial para investir na ideia 66% Capital inicial para também que a idade média dos Principais dificuldades: 49% Conquista dos primeiros clientes Principais dificuldades: dificuldades: investir na ideia fundadores é entre 31 e 40Principais anos. Apenas inicial para investir ideia 48% Não dedicação eminvestir tempo integral 66% Capital inicial para na ideia 66%66% Capital para investir nana ideia 49% Conquista dos 24% delas possuem maisCapital de 6 inicial 49% Conquista primeiros clientes 18% Encontrar cofundador e clientes montar equipe primeiros clientes funcionários. 49% Apesar do setor doConquista 49% dos primeiros Conquista dosdos primeiros clientes 12% Falta de conhecimento de administração 48% Não dedicação em agronegócio movimentar bilhões de reais dedicação tempo integral 48% Não dedicação em tempo integral 48%48% NãoNão dedicação emem tempo integral tempo integral no Brasil, essas empresas ainda têm muita 18% Encontrar cofundador e montar equipe 18% Encontrar cofundador e montar equipe 18% Encontrar cofundador e montar equipe 18% Encontrar dificuldade para atrair investidores. As 12% de Falta de conhecimento de administração 12% Falta conhecimento de administração cofundador e startups que participaram pesquisa 12% Faltadade conhecimento de administração montar equipe apontam que o maior problema foi 12% Falta de conseguir o capital inicial e 42% conhecimento afirmaram que precisaram de recursos próprios ou levantados comFaturamento por ano em reais de administração financiamentos bancários. O dinheiro da 55% não fatura nada família foi a salvação para 25%. Para um 18% até 50 mil Faturamento por ano em reaisFATURAMENTO dos coordenadoresFaturamento da pesquisa, Josépor ano em 12%não mais de 300 milreais POR ANO EM REAIS 55% fatura nada Augusto Tomé, da Agtech Garage, a Faturamento por ano em 55% não fatura nada 10% de 50 100 a 300reais mil 18% até mil 55% Não fatura nada maioria das startups ainda não está 55% não fatura nada 18% até 50 mil 2% de 50 a 100 mil. 12%aportes mais de 18% Até 50 mil preparada para receber grandes de 300 mil 18%12% até 50 mil mais de 300 12% Mais de 300 mil dinheiro. “A principal conclusão é que estáamil 10% 100 300 mil 10% De 100 a 300 mil tudo nascendo12% agora. Existe demanda de mais de 300 mil 10% de a 300 milmil. 2%100 de 50 a 100 2% De 50 a 100 mil. fundos de investimentos, mas a maior parte 50aa300 100mil mil. 10%2% dede 100 delas ainda não está preparada, com 2% de 50 de a 100 mil. produtos validados a ponto receber aporte de fundos”. E depois de aberta, o dinheiro continua sendo um problema já que, segundo a pesquisa, 55% das empresas Mercados atingidos MERCADOS ATINGIDOS não têm nenhum faturamento. “ÉSoja uma 49% 49% Soja questão de tempo. É novidade, ainda tá 46% Milho Mercados atingidos 46% Milho nascendo. Boa parte das startups de Agtech 41%Soja Cana-de-açúcar 41% Cana-de-açúcar ainda está em processo de 49% amadurecimento Mercados atingidos 32%Milho Café 46% 32% Café sólido, natural e, no próximo ano já devera 49% Soja 28%Cana-de-açúcar Pecuária 41% 28% Pecuária de corte estar prontas Mercados para receber aporte de capital de corte atingidos 46% Milho 32% Café de risco e realmente crescer e faturar. “, 49% Soja completa Tomé. 41% Cana-de-açúcar 28% Pecuária de corte

46% Milho 32% Café 41%28% Cana-de-açúcar Pecuária de corte 32% Café 28% Pecuária de corte

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PERFIL BLAYNE REED

STRIDER ENTREVISTA B

layne Reed, agente de extensão de manejo integrado de pragas, é formado em entomologia e agronomia pela Universidade Estadual de Tarleton (Tarleton State University), localizada no Texas, Estados Unidos. Reed é especializado em entomologia aplicada ao campo e colheita nas culturas de algodão, sorgo, milho, trigo, alfafa e girassol, nas quais desenvolveu várias pesquisas de campo com aplicações entomológicas, estudos de resistência e de limiar econômico. Reed possui ainda especialização em agronomia, controle de pragas e ervas daninhas, e irrigação. Tamanha experiência e dedicação ao manejo integrado de pragas deu a Reed o prêmio de excelência como consultor dos produtores de milho de três Condados do Texas — Hale, Swisher and Floyd — na reunião anual da Texas A&M AgriLife, que aconteceu em julho do ano passado. A premiação se deve ao notável trabalho de Reed no auxílio aos produtores em relação às decisões das áreas pré-plantadas, da seleção de híbridos, do gerenciamento de insetos e da fertilidade das colheitas. Introdução O mercado tecnológico de agricultura de precisão é resistente ao cenário de instabilidade econômica brasileira e vem apresentando crescente demanda no país. As empresas que oferecem softwares de gestão para agricultura estão confiantes em 2017 e acreditam que a busca por tecnologias rurais deve crescer ainda mais a partir da recuperação econômica esperada para o ano, principalmente aquelas voltadas para o controle biológico de pragas nas lavouras. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Controle biológico (ABC Bio) mos-

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tram que o mercado do manejo biológico deve ter um incremento de pelo menos 15% ao ano no Brasil nos próximos anos, acima da média mundial. Os produtores devem estar atentos ao uso dos recursos tecnológicos agrícolas a fim de aprimorar a gestão no campo e garantir o sucesso operacional das safras. Blayne Reed realiza eventos educacionais no Texas para conscientizar produtores sobre a gestão dos insetos nas operações, a gestão da água, dentre outras questões estratégicas, que podem afetar áreas de plantio. Os resultados das ações mostram que os programas desenvolvidos por Reed ajudaram a aumentar os conhecimentos dos produtores em 36% com programas presenciais e 79% dos produtores que participaram dos programas disseram que adotam as práticas ensinadas em suas culturas. Blayne conversou com a Revista Strider sobre a importância do manejo integrado de pragas e do uso de tecnologias de precisão nas culturas norte-americanas.

Aqui no Brasil temos uma grande dificuldade em encontrar pessoas qualificadas para trabalhar na agricultura. Você acha que essa situação é a mesma para todos os agricultores nos EUA? Você pode nos dizer um pouco sobre sua experiência de formação e encontrar mão de obra qualificada? R. Bem, a resposta curta é sim, é um pesadelo achar pessoas bem qualificadas e, na maioria das vezes, nós precisamos treiná-las e desenvolvê-las nós mesmos.Podemos ter um entendimento mais profundo sobre isso quando olhamos para as diferenças entre as infraestruturas de uma fazenda brasileira e americana. Eu estou apenas começando a entender como o produtor brasileiro funciona no seu dia a dia e, para mim, parece que os médios produtores brasileiros têm uma estrutura mais corporativa, enquanto

99.8% das fazendas americanas ainda são tradicionais e familiares. Sendo assim, os pequenos agricultores familiares aqui nos Estados Unidos não contratam técnicos de campo. A maioria contrata consultores de culturas independentes. Eu estimo que, dependendo da localização, 40-80% dos produtores contratam estes entomologistas e agrônomos altamente qualificados e treinados. A maioria destes consultores independentes têm de 6 a 30 clientes produtores, e fazendas de 20.000 a 80.000 acres sob a sua consultoria. Nesses casos, cabe ao consultor independente achar essas pessoas qualificadas para atender às necessidades de entomologia e agronomia de seus clientes. Já os pequenos produtores dos Estados Unidos optam por não contratar um consultor, e o produtor mesmo supre essas demandas. Em 2015, o USDA, Instituto Nacional de Alimentação e Agricultura e Purdue, estimou que nos próximos 5 anos, será esperada a abertura de 60.000 vagas de trabalho agrícolas altamente qualificados, mas há apenas 35.000 pessoas graduadas e teriam os requisitos necessários para preenchê-las. Localmente, entre Liberal, Kansas e Lamesa, Texas, há apenas 70 consultores independentes, e já não conseguem assumir novos clientes por falta de mão de obra. Nós, na extensão e na indústria, temos posições de gestão de M.I.P. abertas há muitos anos, que não conseguem ser preenchidas pela falta de pessoas qualificadas. Em meus 25 anos de experiência no de controle de pragas como verificador de campo trabalhando verões através da faculdade, estudante de pós-graduação conduzindo pesquisa de campo, consultor de colheita independente e

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O Instituto Nacional de Alimentação e Agricultura e Purdue estimou que nos próximos 5 anos será esperada a abertura de 60.000 vagas de trabalho agrícolas altamente qualificados” como Agente de Extensão - M.I.P, eu já treinei centenas de técnicos e produtores. E, ao longo do meu emprego, apenas 15% tiveram sucesso, e cerca de 75% destes quinze se apaixonaram por esta indústria maravilhosa, mudaram seus cursos universitários. Eu certamente tento e continuarei tentando orientar esses jovens o melhor que posso, e sugiro que todos nós façamos o mesmo. Vamos olhar mais atentos para essas oportunidades de fazer diferença no mundo! Outro ponto interessante que você pode dizer aos nossos leitores é um pouco sobre o processo de erradicação do Bicudo do algodão, você sabe que é um grande problema aqui no Brasil, quais foram os passos para os EUA fazerem isso? Qual é a grande e nova ameaça à agricultura nos EUA, na sua opinião? R. Ahh ... o malvado bicudo! Tivemos muitas batalhas legais sobre o estabelecimento de processo de

erradicação aqui e eu não esperaria que a situação fosse diferente para nossos amigos no Brasil. Embora os direitos de propriedade devam ser protegidos e o meio ambiente deva ser respeitado, a criação de um programa de erradicação do bicudo foi única coisa que nos permitiu acabar com esta praga nos EUA, exceto na extremidade sul do Texas. No Texas High Plain descobrimos uma fraqueza em seu ciclo de vida, no qual nos permitiu atacá-lo. Devido aos nossos invernos frios, não tinha uma fonte de comida do meio de outono até o início do verão, isso significava que a praga tinha que ajustar seu ciclo de vida para viver aqui, e logo se adaptou para entrar em um estado de diapausa. Esta necessidade de engordar no outono nos deu oportunidade para atacar a praga. Isoladamente, nunca conseguimos o controle, mas quando o programa foi aprovado pelo voto do produtor, todos os produtores de algodão no Texas começaram a pagar uma taxa para o programa unificado de erradicação do Bicudo. O programa foi economicamente capaz de realizar a sua erradicação na maioria das cidades em um intervalo entre 5 a 7 anos. No Brasil, eu não acho que essa fraqueza no ciclo de vida do Bicudo existe, mas, ainda assim, acredito que uma plantação melhor unificada, planejada e com uma data de término de colheita possa limitar o acesso do Bicudo no algodão. A ideia é que fora dessa “janela de cultivo de algodão” não se pode cultivar algodão e todas as plantas voluntárias deveriam ser destruídas. Isso faz com que durante vários meses a única fonte

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PERFIL BLAYNE REED

de alimento do Bicudo seja apenas o algodão “selvagem”. Essas plantas de algodão selvagem também devem ser tratadas de alguma forma, ou tratando-as ou destruindo-as. Ambos as opções teriam de ser cuidadosamente consideradas e, com certeza, é um situação muito mais difícil do que aqui no High Plains de Texas. Como são os incentivos do governo para o setor agrícola? Como estão as perspectivas para este novo ano? R. Os incentivos do governo para o setor agrícola não são bons, e a perspectiva parece sombria. Com os preços das commodities bem abaixo do nosso custo de produção, os produtores estão empregando métodos para apenas sobreviver. Além disso, enfrentamos muitos novos problemas com pragas e resistência a herbicidas em nossas espécies de ervas daninhas. Ou seja, o entusiasmo do setor de agricultura é baixo, mas colocamos nossas botas, apertamos o cinto, e vamos trabalhar.. No que diz respeito às culturas, provavelmente cresceremos mais no algodão, não devido ao preço, mas devido à sua melhor tolerância à seca comparado com milho e à soja. Você acha que o tamanho das fazendas influencia a quantidade ou velocidade

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Dentre os benefícios estão a confiabilidade dos dados gerados pelas plataformas tecnológicas e a verificação de que o planejado e o realizado se convergem”

de adoção da tecnologia? Quero dizer, se a fazenda é grande, ela adota mais tecnologia? R. Eu não sei, eu acho que esses gastos têm um impacto menor quando a área produtiva é maior, ou sua cultura é de maior valor. Além disso, uma fazenda que possui uma gestão empresarial mais robusta, tem mais facilidade em adotar tecnologias mais recente. Por outro lado, a necessidade de inovação pode acontecer em uma fazenda familiar menor, onde existe a necessidade de resolver problemas pontuais. Então, eu acho que o grande problema é, a nova tecnologia é boa? Qual é o seu valor para o grande produtor e/ou o pequeno? A resposta real vem ano após ano através do uso prático, até ser provado como um investimento confiável. Quais as vantagens da gestão agrícola através de um software para o produtor? R. Dentre os benefícios estão a confiabilidade dos dados gerados pelas plataformas tecnológicas, a verificação de que o planejado e o realizado se convergem, a possibilidade de o produtor, que não está 100% do tempo na fazenda, ter um visão geral, em tempo real, de tudo o que acontece via aplicativos, sem necessariamente precisar estar fisicamente presente, e ainda melhor suporte para a tomada de decisão final, ou seja, dados e informações que constituem uma base mais confiável para decisões mais assertivas.

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CAFÉ

TECNOLOGIA DE PONTA É A NOVA ALIADA DOS

CAFEICULTORES DO CERRADO

INVESTIMENTOS EM TECNOLOGIA PROMOVEM REDUÇÃO DE CUSTOS E AUMENTO DA PRODUTIVIDADE NO CULTIVO DO CAFÉ POR BÁRBARA CALDEIRA PIXABAY

O

cerrado brasileiro, que durante décadas se destacou como grande produtor de soja, milho e algodão, entre outros produtos agrícolas, vem a cada dia sendo ocupado por uma nova e importante cultura: o café. Boa terra para isso é o que não falta em estados como Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. O bioma abrange mais de 200 milhões de hectares, em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Bahia, Piauí e Maranhão, além do Distrito Federal. Conforme especialistas do setor, a cafeicultura nesta região é caracterizada por apresentar produtividade acima da média nacional, graças ao uso mais eficiente de toda a tecnologia disponível, que inclui insumos agrícolas de última geração, irrigação adequada, genótipos apropriados, grande índice de mecanização e, mais recentemente, softwares de monitoramento das lavouras. Porém, para se chegar a este estágio de desenvolvimento, muitos desafios tiveram que ser superados ao longo dos anos, como lembram José Carlos Grossi e seu filho Matheus Grossi, cafeicultores em Patrocínio (região do Alto Paraíba). José Carlos conta que iniciou a produção do grão em 1972, num clima de muita desconfiança. Passados quase 45 anos, eles produzem diversas variedades de café, exportadas para diferentes países da América do Norte, Ásia e Europa. Além de ter que superar todos os desafios impostos pelo clima e pelo mercado, Matheus explica que a empresa enfrentava dificuldades no monitoramento de pragas e doenças. Por isso, adotaram, em 2016, softwares de monitoramento, evitando desperdício de defensivos e aumentando a produtividade.

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À esquerda, Juenes Afonso, gerente operacional da Baú, à direita, a colheita do café na fazenda Ouro Verde

A nova ferramenta, segundo eles, facilita a análise dos dados e permite o acesso às informações através de qualquer dispositivo móvel. Por meio de tablets, por exemplo, os agricultores conseguem fazer análises mais consistentes sobre os dados medidos e visualizar os índices com total clareza e confiabilidade. “Nossa empresa estava debilitada na área de monitoramento de pragas e doenças, já que o sistema era muito manual, ultrapassado e pouco confiável. Por isso, resolvemos buscar uma solução tecnológica para termos uma melhor segurança”, afirma Matheus, que ocupa o cargo de Gerente de Produção. Diante disso, ele faz previsões otimistas em relação aos resultados futuros. “Como o café é uma planta perene, ainda não completamos um ciclo para podermos analisar o ganho em produtividade que a ferramenta proporcionou. Porém, já podemos observar uma economia em algumas pulverizações. E fomos capazes de direcionar alguns talhões, focando aqueles onde existiam danos mais severos”, enfatiza Matheus. Outro benefício, de acordo com ele, diz respeito à sustentabilidade. Isso porque um dos principais desafios para alcançar certificação do café é agredir minimamente o meio ambiente e comprovar as ações sustentáveis executadas. Outra propriedade rural que apostou no potencial do cerrado na produção de cafés especiais foi a Baú, que atribui o sucesso da iniciativa à aliança bem sucedida do investimento em tecnologia com o treinamento de mão de obra, que se mostrava como um dos principais obstáculos a serem superados. Atualmente, ela produz, em 1.050 hectares, 50 mil sacas por

ano, das variedades Catuaí, Catucaí, Mundo Novo, Mundo Novo Acaiá, Bourbon, Maragogipe, Sarchimor, Típica, Icatu, Topázio e Acauã. E exporta todas elas para países da Ásia, América do Norte e Europa, principalmente para o Japão, Bélgica e Estados Unidos. A tecnologia de ponta chegou há cinco anos na Baú, quando ela começou a trabalhar com sistemas de agricultura de precisão, com o objetivo de reduzir custos com os procedimentos de correção das manchas do solo. “Você aplica a quantidade certa de produto no local certo. Hoje, 100% da correção da base do solo na Baú é feita em taxa variável”, afirma o Gerente Operacional da propriedade, Juenes Afonso. Outra importante inovação ocorreu em junho de 2015, quando a fazenda passou a adotar o sistema de monitoramento de pragas. A informatização trouxe mais precisão na identificação dos proble-

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mas e na implantação de medidas corretivas necessárias, com o mínimo impacto possível nas áreas saudáveis. “Em muitos casos, controlamos a área onde está a infestação, sem necessidade de aplicação do produto em todo o talhão”, diz Juenes, que destaca os melhores índices de sustentabilidade e de produtividade alcançados desde então. Já para superar os desafios impostos pela carência de mão de obra qualificada, a Baú apostou no treinamento de pessoal. “Ainda não temos máquinas eficientes para colheita de café de primeira safra e em algumas variedades até na segunda. Em função disso, temos uma alta demanda de mão de obra para executar esta atividade. A contratação de funcionários, especialmente para este serviço, além de ter um custo muito elevado, a cada ano se torna mais difícil em razão da pequena disponibilidade de trabalhadores”, conclui Juenes.

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IRRIGAÇÃO

Chuva mecanizada: pivô central irriga área de cultivo de cenouras

TECNOLOGIA

NOVOS MÉTODOS DE AUTOMATIZAÇÃO DA IRRIGAÇÃO PROMOVEM MELHORIA DA EFICIÊNCIA E EVITAM DESPERDÍCIOS

PARA VENCER OS DESAFIOS DA

IRRIGAÇÃO

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POR LEANDRO LAO

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crise hídrica é um assunto que não sai da cabeça dos brasileiros. Algumas cidades, inclusive capitais, já sofrem com racionamento. Em tantas outras, a ameaça da falta de água é constante e economizar virou obrigação na maioria dos municípios. Mas, e no campo? Na produção de alimentos, o líquido é imprescindível para fazer as lavouras crescerem. Ou seja, para termos comida nas mesas, precisamos jogar água - e muita - nas plantações. Os números impressionam. O último levantamento do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento, do Ministério das Cidades, mostrou que o Brasil tem um consumo médio anual de 10,4 trilhões de litros. Desse total, cerca de sete trilhões são destinados à agricultura. E o alarme soa quando vemos que o setor acaba desperdiçando uma média de três trilhões de litros por ano. Segundo a ONU, aproximadamente 70% de toda a água doce disponível no mundo é utilizada para a irrigação. No Brasil, este índice chega a 72%. De acordo com a FAO, órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentação, cerca de 60% da água utilizada em projetos de irrigação é desperdiçada. Mas como reduzir essa perda sem comprometer o setor que movimenta quase R$ 300 bilhões por ano no Brasil? Uma das principais maneiras é a automatização dos sistemas de irrigação, usando a água de forma mais racional e evitando o desperdício. “O sistema automatizado funciona com sensores que indicam o momento certo de ligar a irrigação, baseado na umidade do solo. A automatização nos dá condições de saber a quantidade de água e o momento em que devemos aplicar essa quantidade de água”, afirma o doutor em engenharia agrícola Flávio Pimenta, especializado em sistemas de irrigação. “Um manejo correto pode garantir até 20% de economia no uso da água e da energia, diminuindo o desperdício e os custos da safra”, garante Flávio. TECNOLOGIA CONTRA O DESPERDÍCIO Desenvolver novas tecnologias de irrigação virou meta de muitas empresas e pesquisadores. Fundada em Israel e presente em mais de 40 países, a Netafim é uma das que buscam conquistar esse mercado. O engenheiro agrônomo Carlos Sanches, que há 13 anos trabalha na empresa, garante:

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Irrigação por aspersão no cultivo de amendoim

é possível usar a tecnologia para ser mais sustentável. “Desenvolvemos um software que coleta informações como umidade do solo. A cada 15 minutos, eu recebo uma leitura do campo. Monitoro em tempo real e isso me permite tomar a melhor decisão. O produtor só vai irrigar se realmente precisar. Se eu tenho um determinado nível de umidade do solo, que já está dando condição da planta se desenvolver da forma plena, eu não preciso ligar o sistema e gastar água.” Ele garante que as decisões se tornam muito mais técnicas e, assim, o resultado fica mais claro. “Não é mais o “botinômetro”, aquele sistema que você vai lá, põe a botina na terra e, se tiver saindo poeira, é preciso irrigar. Não tem isso mais. Na irrigação moderna, você só vai irrigar se for necessário”. Carlos também aponta outro efeito causado pela automatização: a racionalização do uso de funcionários. “A gente vê uma necessidade muito grande de reduzir a mão de obra. Com a automatização, os operadores, ao invés de ficar ligando e desligando o sistema, podem fazer outras atividades na propriedade, porque funciona sozinho”. Tudo isso acaba fazendo com que o custo da implementação de um sistema automatizado compense no final das contas, pois acaba se pagando. “O custo não é alto e compensa sim. O preço médio para implantação de uma irrigação automatizada fica em torno de R$ 7.000 a R$ 10.000 por hectare. Se contar o que representa a economia de 20% em água e energia, viabiliza a colocação”, afirma o engenheiro Flávio Pimenta. Segundo cálculos de mercado, em uma plantação de café, por exemplo, o sistema se paga na primeira colheita.

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IRRIGAR E NUTRIR Os sistemas mais modernos de irrigação podem atingir outros objetivos, além da economia. Alguns projetos utilizam a água que vai ser jogada nas plantas para alimentá-las. “Por que não colocar também os nutrientes que a planta precisa pra se desenvolver? É isso que a gente faz. Mistura na água e cada vez que faço irrigação coloco esses nutrientes pra planta se desenvolver”, destaca Carlos Sanches. Esses métodos trazem ainda mais vantagens para o produtor rural, que vê a possibilidade de aumentar sua produção, desenvolvendo lavouras mais fortes e resistentes a pragas e doenças.

Estruturas de irrigação por pivô central em diferentes cultivos

do. Se todos esses produtores migrassem pra irrigação por gotejamento, a economia de água seria suficiente para abastecer quase 20 vezes Porto Alegre, por um ano”. E completa: “a gente fica feliz, cada vez mais, de ver que os produtores estão conscientes de que a água é um bem finito. Então por que não usar esse bem da melhor forma possível? A gente viu uma conscientização muito forte nos últimos anos”.

MÉTODOS MAIS EFICIENTES As primeiras técnicas de irrigação surgiram no Egito, há cerca de sete mil anos. Os agricultores sempre souberam que, para melhorar a colheita, era necessário “fazer chover”, trazendo água de outros lugares para as lavouras. Com o passar do tempo, os métodos tornaram-se fundamentais para a sobrevivência da agricultura e foram se aperfeiçoando. Cada um deles mostrou ser mais ou menos eficiente, com vantagens e desvantagens. Entre os mais utilizados no Brasil está o pivô central, que tem uma eficiência média de 70 a 75%. Segundo a Agência Nacional de Águas, entre 2006 e 2014 houve crescimento de 43,3% na área irrigada pelo sistema que, hoje, é o método que detém a maior proporção de novas outorgas emitidas pela ANA: 30,1%. Outro sistema com alto índice de eficiência é o gotejamento, que tem 5% de desperdício. É o método usado por Carlos Sanches para automatização de irrigação. “Para irrigar um pé de ca-

fé, que precisa de seis litros de água por dia, eu preciso colocar apenas 6,2 litros diários. Se a gente compara com os métodos tradicionais, é possível produzir muito mais com um consumo de água bastante reduzido”, afirma o engenheiro. Ele dá um exemplo claro de como a escolha do método pode contribuir para a economia de água. “No Rio Grande do Sul, a cultura do arroz é irrigada 100% por inundação, um método que tem de 40 a 45% de eficiência. Passamos a irrigar por gotejamento, que é eficiente em 95%. Aí fizemos uma conta simples: o RS tem um milhão e cem mil hectares de arroz inunda-

10,4 TRILHÕES DE LITROS 72% DESSE TOTAL É USADO PARA IRRIGAÇÃO 60% DA ÁGUA USADA EM IRRIGAÇÃO É DESPERDIÇADA FONTES: ONU, ANA

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CONSUMO DE ÁGUA ANUAL NO BRASIL:

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STRIDER NA ESTRADA

PÉ NA ESTRADA Gabriel Praxedes: Consultor de Campo da Strider relata sua experiência em um dia de implantação

Estrada em meio à soja: foto tirada durante uma implantação realizada no MT

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oje o dia começa cedo aqui no interior de Goiás. Às 6h da manhã quando o relógio desperta. Pela janela do quarto, ao abrir a cortina, já se pode ver o dia nascendo de uma forma alaranjada como se fossem nuvens de areia do deserto. Mas, é somente o indício de que mais um dia no campo está começando. Ao atravessar a rua para o café da manhã, a simplicidade do senhor de chapéu ao cruzar meu caminho de bicicleta com seu cachorro o acompanhando a passos lentos, fazem com que a calmaria da vida no campo se transforme em cheiro, cheiro do café que acaba de ser “passado” e do pão quentinho que é servido. A tranquilidade do ambiente, com o som das moscas só é interrompido pelo barulho da televisão com aquela boa e velha esponja de aço na antena para sintonizá-la na chiada imagem da menina com a previsão do tempo. O desejar de um bom dia com o sotaque bem definido vem

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acompanhado de um “Deus te acompanhe” pela atendente e então é hora de pegar estrada rumo à visita de hoje. O caminho até a fazenda é retomado com nuvens alaranjadas, mas não aquelas do nascer do sol e sim da poeira na estrada de terra. O som da TV agora é substituído pelo sertanejo típico da região, e não importa qual estação de rádio tenha sintonia, todas no mesmo ritmo, o sertanejo tipicamente brasileiro. A recepção na fazenda, com os olhares curiosos e uma boa prosa de qual estágio se encontra a lavoura, qual tipo de maquinário possuem e o que esperam da próxima colheita, faz com que os laços sejam criados e as risadas dos “causos” acabem para então começarmos a conhecer mais do nosso software, nossas funcionalidades e tudo que nossa tecnologia traz para automatizar o manejo integrado de pragas. Todos os monitores de campo começam a se

Soja na estrada: muitas vezes, o acesso às fazendas é feito por estradas em meio à plantação

sentir à vontade com a utilização do tablet, que vai substituir os papéis e pranchetas. O interessante é como eles passam a gostar e enxergam na prática todos os benefícios de hoje trabalharem com um método completamente tecnológico. A parte da manhã é destinada à etapa de aprendizado da tecnologia. Todas as informações dadas serão colocadas em prática após o almoço. E é durante o almoço, quando a conversa fica mais leve, que as dúvidas surgem de uma forma mais suave, e em ca-

da fala percebo a empolgação para começar logo o monitoramento. O almoço na fazenda, aquela comida com um tempero de gosto do nosso Brasil, traz a sensação de estarmos almoçando na sala de casa. E são estes detalhes que fazem toda a diferença no nosso dia a dia. Chega a hora de ir para o campo e colocar em prática tudo o que aprendemos. Todos posicionados com seus tablets, encontramos o local previamente definido e o método escolhido é o Pano de Batida. Insetos contados, informações alimentadas no software e os monitoramentos foram realizados com sucesso. Voltamos à sede da fazenda para sincronizar os dados e a curiosidade em saber como serão visualizados os resultados é substituída pela certeza que todos terão os seus trabalhos reconhecidos por tudo que executaram em seu dia de trabalho - de uma forma segura e rápida, em poucos segundos, na tela dos computadores dos gestores responsáveis. Depois que estamos ambientados corretamente com o software, é hora de ir embora, com a certeza de que a implantação facilitará a vida de todos que se empenharem para utilizar corretamente a tecnologia. E, como se o sentimento de dever cumprido já não bastasse, como forma de realização em saber todos os benefícios que a minha vinda até aqui trouxe hoje, sou presenteado com um pôr do sol maravilhoso acompanhado com um casal de araras azuis namorando na praça da cidade enquanto realizava a última refeição, antes de voltar para o hotel.

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Estrada de terra: também chamada de estrada de chão, é a grande companheira de nossos consultores de campo, muitas vezes, acompanhados de pivôs parados à beira da estrada

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EVENTOS

AGRONEGÓCIO EM PAUTA AS TENDÊNCIAS DO

AGRONEGÓCIO PARA 2017

PROGRAMAÇÃO: 18:00h Abertura e boas-vindas

18:30h

DIVULGAÇÃO FARMSHOW

SEMINÁRIO

Prof. Adalberto Bião (AgroGente) Posicionamento estratégico

19:30h Mateus Claver (Strider) 20:30h

DIVULGAÇÃO TECNOSHOW

POR RAFAEL MALACCO

Incorporando tecnologia de ponta

Coquetel de encerramento

Evento FarmShow em Primavera do Leste

Palestra no Evento Tecnoshow em Rio Verde

CALENDÁRIO apoio:

realização:

FUNDAÇÃO

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Strider realizou em dezembro passado um seminário sobre as tendências do agronegócio para 2017. O evento aconteceu em Primavera do Leste e contou com a presença do Professor Adalberto Bião, presidente da Fundação AgroGente e do Consultor de implantação da Strider, Mateus Claver. Também participaram do evento os representantes de grandes grupos agrícolas, produtores de grande e médio porte, além de acadêmicos e pessoas influentes no mercado do agronegócio. Os produtores puderam ver no encontro as previsões para 2017. A importância do monitoramento, a influência da política Norte Americana, fatores climáticos e questões econômicas, como a variação cambial, foram destacados durante a apresentação. O professor Adalberto também evidenciou a importância do investimento em tecnologia, e como esse investimento pode ajudar o produtor a extrair oportunidades e aumentar sua

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lucratividade, desde que essa escolha seja feita de maneira assertiva, a partir de uma análise da viabilidade e do real retorno que a mesma traria ao produtor. Os convidados também puderam conferir como deve ser feita uma implantação de tecnologia com sucesso e conheceram mais sobre dois produtos da Strider, o Strider Protector e a novidade, o Strider Space. Trata-se de uma ferramenta que complementa o monitoramento presencial através de fotos fornecidas por satélites, nas quais os produtores terão análises da fazenda disponíveis em um clique e sem precisar se preocupar com o processo de aquisição e processamento das imagens. São apontadas anomalias avaliando perdas na biomassa e levando em consideração não só a foto analisada, mas também as fotos históricas dos talhões disponíveis para acesso na plataforma (em média dois anos de análises históricas).

EVENTO

DATA

CIDADE \ ESTADO

SHOW SAFRA

21 A 24 MARÇO

LUCAS DO RIO VERDE\MT

FARMSHOW

28 A 31 MARÇO

PRIMAVERA DO LESTE/MT

TECNOSHOW RIO VERDE

3 A 7 ABRIL

RIO VERDE\GO

PARECIS SUPERAGRO

11,12 E 13 ABRIL

CAMPO NOVO DO PARECIS/MT

AGRISHOW

1 A 5 MAIO

RIBEIRÃO PRETO\SP

AGROBRASÍLIA\COOPA-DF

16 A 20 MAIO

BRASÍLIA/DF

FARMSHOW BAHIA

30 MAIO A 03 JUNHO

LUIS EDUARDO MAGALHÃES

FEACOOP-FEIRA DE AGRONEGÓCIOS COOPERCITRUS

31 JULHO A 03 AGOSTO BEBEDOURO/SP

FENASUCRO E AGROCANA

22 A 25 AGOSTO

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SERTÃOZINHO/SP

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DRONES

Pássaro? Avião? drone modelo Pelicano da Skydrones, utilizado para pulverização de lavouras

DUELO NOS CÉUS DRONES GANHAM ESPAÇO NA PULVERIZAÇÃO DE LAVOURAS POR EURICO MARTINS

ada vez mais comuns nas grandes cidades, principalmente em eventos esportivos, serviços de fotografias e filmagens aéreas, entre outros, os Veículos Aéreos Não-Tripulados (Vants), mais conhecidos como drones, vêm conquistando espaço também no agronegócio brasileiro. O uso se iniciou na demarcação da área de plantio, acompanhamento da safra e das pastagens, monitoramento de desmatamentos, localização de nascentes, contagem da boiada e localização de animais perdidos. Agora, os equipamentos começam a ser testados e usados, de forma ainda tímida, na pulverização de lavouras, principalmente de cana-de-açúcar, complementando o trabalho dos aviões agrícolas, que despejam pesticidas nas plantações. Segundo especialistas e fabricantes do setor, entre as vantagens do uso dos drones na pulverização de lavouras destacam-se a possibilidade de aplicar o produto em regiões de risco – como aquelas próximas à rede elétrica e árvores – e de difícil acesso, como encostas, montanhas e áreas onde não é possível a entrada de homens, máquinas e o sobrevoo do avião, além do fato de que o aparelho direciona os defensivos para baixo, reduzindo a dispersão do produto e melhorando a eficiência da aplicação.

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DEMONSTRAÇÕES Uma das empresas de tecnologia agrícola que já oferece o serviço de pulverização com Vants é a Dronecenter, sediada em Ribeirão Preto (SP). Criada em 2013, a companhia iniciou os testes com os equipamentos em 2015 e, após diversas experimentações em campo, começou a disponibilizar o aparelho para o mercado. “Atualmente, estamos fazendo demonstrações para plantadores de cana-de-açúcar, mas já temos solicitações de várias culturas como banana, capim, laranja e outros”, revela o diretor comercial da empresa, Eonil Medrado Alquemim. “Oferecemos aos nossos clientes a possibilidade de aquisição e treinamento técnico operacional, além da proposta de locação mensal ou anual do equipamento, com profissional capacitado para operação em campo”, completa. Por questões estratégicas, ele não revela quem são seus clientes. Diz apenas que “são aqueles que necessitam de pulverização de pontos específicos, com economia de produto e material humano, de profissionais especializados em agricultura de precisão que buscam soluções práticas e econômicas”. Segundo Alquemim, a demanda acontece em todos os meses do ano. “Por haver muita diversidade e rodízio de culturas, a procura só tem aumentado a cada mês, influenciada pela própria necessidade do mercado”, explica.

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MOVIMENTAÇÃO NA INDÚSTRIA No setor industrial, a movimentação também é grande. Uma das empresas que aposta alto na nova tecnologia é a SkyDrones, sediada em Porto Alegre (RS). Recentemente lançou o multirotor Pelicano, também movido à bateria, já em fase de testes por alguns produtores rurais ligados a grandes players do mercado. Segundo a empresa, o aparelho pode carregar até sete litros de pesticida, suficientes para pulverizar uma área de um hectare em um voo de vinte minutos. “O voo é totalmente automático, sem a necessidade de pilotagem. O piloto apenas acompanha a realização da missão e os parâmetros do voo.” explica, o CEO da companhia, Ulf Bogdawa. Ainda segundo a SkyDrones, o voo é feito entre um e três metros acima da cultura, evitando assim contaminações de plantações e de áreas vizinhas, gerando economia de até 60% no volume de defensivos aplicados. O modelo de comercialização adotado pela SkyDrones prevê a venda de um pacote que contempla o equipamento – que deve custar entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, dependendo das diversas opções de customização possíveis – e o treinamento de pessoal. HELICÓPTERO Outra fabricante nacional de Vants que está de olho no potencial da tecnologia é a XMobots, sediada em São Carlos (SP), que está em fase de pré-lançamento do helicóptero não tripulado Daxi 10A, desenvolvido para realizar a pulverização de lavouras em manchas previamente definidas. O CEO da empresa, Giovani Amianti, cita três grandes benefícios no uso do aparelho: a possibi-

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lidade de realizar a aplicação em áreas de risco e de difícil acesso, a ausência de contato humano com agrotóxicos e o fato de que, ao contrário de bombas costais, tratores de pulverização e aviões, os helicópteros geram um fluxo de ar que direciona os defensivos para baixo, reduzindo a dispersão do produto e melhorando a eficiência da deposição do agrotóxico. “Culturas de alto valor agregado, como café e frutas, muitas vezes, estão localizadas em áreas de encostas, onde não é possível utilizar tratores e aviões. Por isso, a aplicação de fungicidas e pesticidas é feita manualmente, trazendo grande risco à saúde humana. Nossos helicópteros facilitam este tipo de aplicação”, explica. Além disso, ele lembra que “o Daxi 10 é movido à gasolina comum, tornando a operação mais simples. “Quando acabar o combustível, é só trazer de volta e abastecer em campo mesmo”, acrescenta a diretora Comercial da XMobots, Thatiana Miloso. O Daxi 10A pesa 25 quilos e pode levar dez litros de defensivo por voo. Seu preço estimado de venda é de R$ 250 mil.

Avião agrícola: os equipamentos complementam o trabalho dos aviões agrícolas, principalmente em áreas de risco e de difícil acesso

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Apesar disso, o setor ainda enfrenta alguns obstáculos. “As maiores dificuldades continuam sendo o alto custo de aquisição do equipamento e falta de informação por parte de agricultores, que desconhecem as vantagens financeiras da tecnologia, além da falta de linhas de crédito para aquisição destes aparelhos”, diz Alquemim. De acordo com o diretor comercial, “não existe um preço médio para a locação dos drones, já que o custo irá depender do tamanho da área a ser trabalhada, da localização da propriedade e do tempo de aluguel”. Já para comercialização, o preço médio do pulverizador vendido pela empresa, o modelo AGRAS MG1, movido à bateria e importado da China, com capacidade de cobrir de três a quatro hectares por hora, é de R$ 150 mil.

FOTOS GRAZIELE DIETRICH/SINDAG

DRONES

(SP). “As próprias empresas de aeronaves não tripuladas estão procurando o setor aeroagrícola, tanto para vislumbrar oportunidades como para discutir em conjunto a normatização do setor. E o quadro deve se repetir no próximo congresso, marcado para agosto deste ano em Canela (RS). Essa proximidade para se criar um ambiente seguro para ambos é estratégica para o sindicato aeroagrícola. Baseado em indicativos de outros países, acredito que a expansão do setor deve se acelerar bastante nos próximos anos”, completa o diretor do Sindag. Colle reforça que a entidade não é contra o uso dos drones no monitoramento das lavouras. E diz acreditar que os veículos remotamente tripulados venham a se tornar uma ferramenta tecnológica a mais na aviação agrícola. Em complemento às operações feitas por aviões ou helicópteros, por exemplo, em áreas menores, de relevo mais acidentado ou em “arremates” de recortes de áreas menores.“Nesse sentido, os próprios operadores aeroagrícolas poderão ter drones para complementar a sua frota para esses casos. Por isso, acreditamos que a ferramenta tenha muito mais um potencial de apoio do que de ameaça ao setor aeroagrícola”, reitera o presidente do Sindag. Como exemplo, ele cita o caso da norte-ame-

DRONES X AVIÃO Ao contrário do ocorrido nos Estados Unidos, onde o uso de drones foi alvo de muita polêmica, no Brasil as relações entre os setores de aviação e de aeronaves remotamente tripuladas são de cooperação e aproximação, inclusive no que diz respeito ao agronegócio e a pulverização de lavouras. “Lá, entre agosto de 2015 e janeiro de 2016, a Federal Aviation Administration (FAA), equivalente à Anac, registrou 190 casos de quase colisão entre drones e aviões em geral. Mas a grande maioria de aparelhos não operados profissionalmente era destinada ao lazer” explica o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola, (Sindag), Gabriel Colle. Para comprovar sua tese, Colle lembra que em junho do ano passado duas empresas de aeronaves não tripuladas - a Sky Drones e a Avionis participaram pela primeira vez, como expositoras, do Congresso Nacional de Aviação Agrícola (Congresso Sindag), realizado em Botucatu

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ricana Air Tractor, líder mundial na fabricação de aviões agrícolas que adquiriu em maio do ano passado uma startup de drones. A estratégia anunciada pela empresa foi apostar em aparelhos complementares ao trabalho das aeronaves e gerar, a partir dos drones, tecnologias para serem incorporadas às aeronaves convencionais. Mesmo assim, ele ressalta o protagonismo dos aviões nos serviços de pulverização. “Em primeiro lugar devido à capacidade de aplicação, velocidade e o volume de tarefas que a aviação agrícola pode realizar. O avião tem a vantagem de conseguir cobrir grandes áreas em pouco tempo, transportando volumes que vão de 600 a 3,1 mil litros, no caso das pulverizações”, justifica. “Os drones estão muito longe dessa capacidade de carga. A velocidade no campo é fundamental para se conseguir realizar as operações a tempo de evitar a disseminação de pragas e mesmo antes que as condições meteorológicas se alterem, o que garante o controle da deriva”, completa. Ele também lembra o importante papel desempenhado pelo piloto. “O olhar do piloto, de dentro da aeronave, sentindo as condições do voo, ainda é essencial para um melhor controle da segurança operacional e ambiental das missões”, conclui.

Da esquerda para a direita: Gabriel Colle (Sindag), helicóptero Daxi 10a da Xmobots e modelo pelicano da Skydrones

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BUSCA POR MÃO DE OBRA

SETOR PROMISSOR ENFRENTA ESCASSEZ DE PESSOAL E PRECISA REVER SUAS PRÁTICAS DE GESTÃO DE PESSOAS PARA FORMAR EQUIPES DE ALTA PERFORMANCE

QUALIFICADA DESAFIA O

AGRONEGÓCIO 28 •

POR BÁRBARA CALDEIRA

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ntra safra, sai safra, e algumas preocupações se impõem de forma constante ao produtor rural. Dos inúmeros desafios que se fazem presentes no dia a dia do agronegócio, um parece ser unanimidade: o de encontrar pessoas qualificadas e engajadas para o trabalho no campo. As dificuldades vão além da seleção desses profissionais. Fazê-los permanecer parece ser a tarefa mais árdua. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a população mundial, em 2050, deve ultrapassar 9 bilhões de pessoas. Para suprir a demanda, a produção de alimentos precisa de um aumento de 60% até lá. O Brasil, segundo essa projeção, tem potencial para conquistar o topo do ranking das exportações globais de produtos agrícolas. Números da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o setor liderou a economia brasileira em 2016, aumentando de 21,5% para 23% sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) e passando a representar 48% das exportações totais do país. O cenário é, então, dos mais promissores, o que deixa os produtores rurais ainda mais intrigados: se está na cara que esse é um bom negócio para se trabalhar, porque é tão difícil conseguir a adesão de profissionais qualificados no campo? Para a coordenadora da Área de Formação Inicial e Continuada do Departamento de Educação Profissional e Promoção Social (DEPPS) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Fabiana Márcia de Rezende Yehia, a evasão de pessoas do campo para a cidade é um dos fatores que explicam tal escassez. “O êxodo rural é um fenômeno observável, o que culmina no envelhecimento e redução da população que reside e atua no campo”, afirma. Fabiana acredita que a contínua redução da população rural, associada às migrações e à queda da taxa de fecundidade, diminui os sucessores para a atividade agrícola em todas as regiões. Ela destaca, porém, que os desafios para acessar mão de obra qualificada não estão restritos ao agronegócio, mas também se fazem presentes em outros setores produtivos, como a indústria, o comércio, a prestação de serviços. “Há um descompasso entre os ritmos de geração e adoção de tecnologia nos processos produtivos e a formação compatível e adequada das pessoas para as demandas dos novos postos de trabalho”, explica. Para o professor e administrador Adalberto Bião, diretor da unidade de Mato Grosso da Proativa Brasil, que atua na área de educação organizacional, e cofundador do Grupo AgroGente, a abordagem dessa dificuldade de encontrar mão de obra qualificada para o campo é responsável por grande parte da falta de competitividade das empresas, inibindo o desenvolvimento organizacional. “Um gestor que procura mão de obra qualificada se isenta do seu principal papel na organização, que é o de desenvolver pessoas, ou seja, ser líder” argumenta. Adalberto ressalta que os principais grupos empresariais não procuram soluções prontas no mercado, mas desenvolvem as suas próprias. “O maior gerador de valor de qualquer negócio são as pessoas que o representam. Por essa razão, o recurso humano também precisa ser trabalhado pelas organizações, juntamente com a sua cultura e modelo de negócio”, expõe. Desenvolvendo talentos: como identificar os perfis férteis

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ADALBERTO BIÃO Para o professor e administrador Adalberto Bião, recurso humano deve ser trabalhado pelas organizações junto com sua cultura e modelo de negócio

Brasil é responsável pela comercialização de cerca de 1,5 mil produtos diferentes para mais de 200 mercados na Europa, Ásia, África, Américas e Oriente Médio

Encontrar profissionais prontos é praticamente impossível. Cada agronegócio, com sua série de particularidades, demanda uma qualificação que muitas vezes só pode ser desenvolvida quando aliada à experiência na função, principalmente por conta da significativa presença da tecnologia, muitas vezes bem específica, no dia a dia da fazenda. “As empresas que disparam na frente para obter tecnologia de ponta são as mesmas que buscam profissionais qualificados e interessados para lidar com essas constantes transformações”, nota Aline Gabriel Barroso, supervisora de Recursos Humanos com atuação no agronegócio. Para a especialista em Gestão Estratégica de Pessoas, existem características positivas que são bons pontos de partida. Ela revela que, em geral, as organizações buscam profissionais que tenham comprometimento, capacidade de adaptação às mudanças, sejam pontuais e apresentem vontade e curiosidade para aprender. A competência de trabalhar em equipe também é valorizada, já que muitas das vagas disponibilizadas são para atuar e morar em fazendas. “A convivência fora do expediente faz com que os colegas de trabalho se encontrem nos refeitórios e alojamentos, criando um vínculo maior e mais afetivo. Saber lidar com as diferenças é primordial para um bom convívio na zona rural”, afirma Aline. Essa habilidade é destacada por Adalberto: “em todos os segmentos, vemos pessoas altamente qualificadas sendo descontinuadas nas empresas pelo comportamento. A inteligência emocional é a base para qualquer ser humano ter o autoconhecimento e a estrutura para absorver essas demandas constantes de aprimora-

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ALINE GABRIEL BARROSO De acordo com Aline Barroso, especialista em Gestão Estratégica de Pessoas, saber lidar com as diferenças é primordial para um bom convívio no campo

mento e lidar com a pressão”, diz. Essa habilidade deve não apenas ser procurada nos colaboradores no momento da seleção e fomentada durante seu tempo na organização, mas praticada pelo próprio agronegócio na gestão de pessoas. Aline, que veio de São Paulo, onde atuou por sete anos em uma empresa que lidava com diversas áreas de atuação, exceto agronegócio, sentiu as diferenças e teve que se adaptar quando passou a supervisionar o RH de uma companhia agropecuária em Mato Grosso. Acostumada a usar palavras formais comuns no mercado paulistano, ela rapidamente percebeu que quem trabalha no meio rural prefere uma comunicação mais simples e afetiva, seja qual for o cargo ocupado. “As pessoas que estão no campo, debaixo do sol, muitas vezes longe de suas famílias, desejam acolhimento de um jeito descomplicado”, comenta. Para ver seu negócio crescer, o produtor rural deve investir em desenvolvimento de pessoas, entendendo o que os colaboradores anseiam, para conseguir fidelizar seu pessoal em um mercado no qual a mão de obra é cada vez mais disputada, já que o agronegócio tem sido destaque na geração de postos de trabalho. Fabiana Yehia lembra que o Brasil conquistou o posto de maior exportador mundial de café, carne bovina e de aves, sucos, açúcar e álcool. “Temos uma pauta diversificada de produtos agropecuários e uma extensa lista de clientes. O país comercializa cerca de 1,5 mil produtos diferentes para mais de 200 mercados na Europa, Ásia, África, Américas e Oriente Médio”, pontua. Para ela, mesclar as demandas do setor com as necessidades de qualificação torna-se imprescindí-

vel. “Os processos agrossilvipastoris são complexos, com níveis variados de sofisticação de suas operações. O setor precisa de novos talentos, de gente qualificada, com espírito empreendedor e disposição para contribuir e aprender”, defende. Fabiana acredita que, nesse cenário, perdem espaço a mão de obra meramente operacional e automática e os profissionais de bagagem somente técnica. Ganham terreno, por sua vez, as funções de caráter estratégico, com visão gerencial e mercadológica, em cada uma das escalas de produção. “Os requisitos de profissionalização da cadeia produtiva, desde o laboratório de pesquisa até o ponto de venda no supermercado, além inúmeras outras atividades ao longo de todas as etapas, demandam novas habilidades, competências e atitudes”, afirma. A alta rotatividade: múltiplos prejuízos para o agronegócio A situação é frequente: um colaborador foi admitido na fazenda para determinada função. Na fase de adaptação, foi aprendendo mais sobre o negócio, os processos, adquirindo experiência. No momento em que ele começa a entregar resultados, pede demissão. A alta rotatividade de pessoal no campo é um fenômeno perceptível que afeta o agronegócio como um todo. “Além das consequências financeiras por conta das constantes admissões e desligamentos, provoca perda da motivação entre os colaboradores, o que acaba gerando problemas de produtividade”, explica Aline. O agronegócio precisa, assim, reter as pessoas que conseguiu qualificar e qualificar quem permanece. Para Bião, o primeiro passo do produtor diante desse problema é enxergar pessoas como talentos.

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Para essa compreensão e para tomar decisões estratégicas a partir dela é imprescindível, de acordo com o especialista, que o produtor rural responda a alguns questionamentos. “É preciso pensar: o que a empresa considera como talento? O que cada pessoa deve entregar de valor para o negócio? Qual investimento adequado para fomentar o desenvolvimento interno? Como criar um ambiente estimulante para a inovação?”, lista. De acordo com Adalberto, para isso, o agronegócio deve contar com um setor de Recursos Humanos estruturado, entendido não apenas como porta de entrada e saída de colaboradores, mas como a área de desenvolvimento humano e organizacional da fazenda. “Ocupando uma posição estratégica na tomada de decisão, esse departamento é provedor de ferramentas para o monitoramento da performance individual e coletiva dos trabalhadores, auxiliando na definição e manutenção de metas e objetivos pessoais e globais”, analisa. Ele ressalta que existe um papel fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento, que deve ser conduzido pelo RH, mas que ainda tem pouca adesão das organizações: o endomarketing. “O agronegócio deve se promover internamente, qualificando os canais de comunicação, a gestão de conflitos e os feedbacks internos”, afirma, destacando que a comunicação é a principal ferramenta para o líder planejar, orientar, conduzir, corrigir e desenvolver pessoas nos processos diários. Qualificação dos funcionários: investimento, e não custo, para o produtor rural Para garantir que mão de obra qualificada atue no seu negócio, o produtor rural deve, então, estar dis-

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Agronegócio tem dificuldade de encontrar pessoas qualificadas e engajadas para o trabalho no campo. Retenção dos profissionais é outro grande desafio.

posto a desenvolver pessoas, qualificando-as para que exerçam suas atividades com excelência. Para Adalberto, há a necessidade de desenvolver programas de aprimoramento com enfoque na alta performance das equipes visando a formação de novos líderes, e não apenas oferecer treinamentos isolados. “Assim, iremos atacar os inimigos da produtividade que às vezes não percebemos, como desperdício, retrabalho, ociosidade, má utilização de equipamentos e recursos, além de falta de engajamento”, diz. Para Aline Barroso, treinamentos, cursos e palestras são importantes para qualificar e desenvolver ainda mais os profissionais do agronegócio, sobretudo considerando o fato de que muitas funções não possuem cursos de graduação ou especialização específicos. “Além de atender à necessidade de qualificação, os treinamentos são pontes para uma estratégia de retenção e competitividade, embora muitas organizações ainda sigam pecando neste item”, pondera. Para a especialista, é necessário olhar com cuidado para cada equipe e cada integrante do negócio, com o objetivo de identificar o que falta, e oferecer alternativas para suprir essas carências, sejam técnicas ou comportamentais. Adalberto ressalta o trabalho de entidades como a CNA e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) no esforço de qualificação do setor no Brasil, além das ações do SENAR e dos sindicatos rurais. Fabiana explica que, para investir na capacitação contínua de si mesmos e de seus trabalhadores, muitos produtores buscam no SENAR ou nos fornecedores de maquinário e insumos a qualificação necessária para o atendimento de quesitos previstos em legislação ou as mudanças tec-

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nológicas que chegam às fazendas. “Em cada estado, os produtores contribuintes, por meio do sindicato regional, ou em contato direto com a instituição, podem acessar o portfólio de ofertas previstas ou solicitar a customização que atenda às suas necessidades”, elucida. Ou seja: os produtores rurais podem contar com uma ampla rede para auxiliá-los na missão de qualificar sua mão de obra e desenvolver pessoas dentro do agronegócio. Ela conta que o SENAR oferta cursos e treinamentos classificados como Educação Não Formal e Educação Formal no intuito de contribuir para um cenário de crescente desenvolvimento da produção sustentável, da competitividade e de avanços sociais no campo. A formação inicial consiste na educação profissional destinada a qualificar jovens e adultos, independentemente de escolaridade prévia, compreendendo aprendizagem rural e qualificação profissional básica. A formação continuada é o processo educativo que se realiza ao longo da vida, com a finalidade de desenvolver competências complementares, incluindo, quando necessário, a elevação da escolaridade básica do cidadão. Já os cursos de educação formal técnica são habilitações de nível médio que buscam formar o aluno com conhecimentos teóricos e práticos nas diversas atividades do setor produtivo, garantindo acesso imediato ao mercado de trabalho. A educação formal tecnológica, por sua vez, engloba cursos de graduação e pós-graduação, na modalidade presencial e a distância. Fabiana frisa que, somente em 2015, mais de 4,5 milhões de produtores, trabalhadores rurais e pessoas inseridas no agronegócio participaram dos cursos, treinamentos e atividades ofertados pelo SENAR em todo país.

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MANEJO BIOLÓGICO

OPÇÃO ECOLÓGICA CONTRA AS PRAGAS O MANEJO BIOLÓGICO SE DESTACA COMO OPÇÃO NO COMBATE ÀS PRAGAS DEVIDO AO SEU CUSTO REDUZIDO E ALTA EFICIÊNCIA POR MARINA RIGUEIRA

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Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que na safra 2015/2016 a cultura ocupou uma área de 33,17 milhões de hectares, o que totalizou uma produção de 95,63 milhões de tonela‑ das. Esses números demonstram a grandiosidade do produto para a agricultura brasileira e confirmam o potencial da soja na alimentação. Por isso, pesqui‑ sadores investem em pesquisas de práticas de ma‑ nejo integrado que proporcionem o desenvolvi‑ mento de cultivares mais adequados ao consumo humano e elevem a qualidade do produto. O manejo biológico é uma das práticas defendidas, já que a cultura da soja está sujeita ao ataque de inse‑ tos desde a germinação até à colheita. Sendo assim, é importante que os agricultores que cultivam a soja realizem o manejo integrado da produção, que envol‑ ve as práticas biológica, química, cultural e hormo‑ nal. Segundo dados da Associação Brasileira das Em‑ presas de Controle Biológico (ABCBio), atualmente, no cultivo da soja no Brasil, os agentes biológicos mais empregados no combate a pragas são: Bacillus thuringiensis, Trichogramma pretiosum, Beauveria bassiana, Trichoderma spp e Bacillus subtilis. O pre‑ sidente da ABCBio, Pedro Faria Jr., explica que tais agentes são propícios para o combate de lagartas em geral, mosca branca, diversas doenças de solo e ne‑ matoides de galha. “Em geral, a forma de aplicação varia desde a pulverização foliar, nos casos do Bacillus thuringiensis e da Beauveria bassiana; a libe‑ ração de pupas ou adultos, no caso do Trichogramma pretiosum; tratamento de sementes, indicado para do Trichoderma spp; e por meio da inoculação de sulco de plantio, para o uso do Bacillus subtilis”.

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Monitoramento de pragas: técnica do pano de batida aplicado na soja

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O engenheiro agrônomo do Instituto Emater (Para‑ ná) e mestre em entomologia, Fernando Teixeira de Oliveira, lembra que o manejo biológico é uma das práticas usadas dentro do manejo integrado de pragas nas culturas de soja. De acordo com Fernando de Oli‑ veira, são duas as principais técnicas usadas nesse ti‑ po de manejo que visa o controle biológico da cultu‑ ra. “O produto mais conhecido pelos agricultores é o Baculovírus usado para o combate da lagarta Helicoverpa Armigera, que foi descoberto na década de 80 e até hoje é um princípio de controle biológico muito difundido nas lavouras. O produtor da soja pode comprar o Baculovírus ‑ organismo vivo para aplicar na lavoura e controlar as pragas ‑ no mercado, que é vendido pelas biofábricas, ou produzir por conta pró‑ pria. Há ainda a técnica de controle via parasitóides, que são pequenas vespas capazes de parasitar os ovos de lagartas e/ou percevejos. Essa técnica de manejo biológico é mais moderna e atua no combate às pra‑ gas ainda na fase do ovo”, salienta. Fernando de Oli‑ veira defende o uso no manejo biológico da soja, já que o químico gera grande desequilíbrio ambiental, além da contaminação do meio ambiente e dos pró‑ prios agricultores que trabalham no manejo, mas lembra que, dependendo do cenário de pragas exis‑ tentes na cultura, o produtor da soja pode precisar de utilizar outras técnicas para combatê‑las. Os produtores do Paraná ‑ segundo maior estado pro‑

dutor de soja no Brasil, que perde a liderança para o Mato Grosso ‑ vêm sendo monitorados nas últimas cin‑ co safras por uma parceria entre a Embrapa Soja e o Instituto Emater (Paraná), e os resultados revelam uma economia superior a 55% no uso de inseticidas nas áre‑ as de cultura da soja que adotam o Manejo Integrado de Pragas (MIP). De acordo com o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja, Daniel Ricardo Sosa Gomez, o MIP é uma tecnologia que busca manter o ecossistema da soja o mais próximo possível do equilí‑ brio. “Esse manejo colabora com a sustentabilidade da lavoura e a preservação do meio ambiente no longo prazo, evitando o uso abusivo de inseticidas. Fazemos o acompanhamento em Unidades de Referência (UR), instaladas em 163 propriedades agrícolas do Paraná, para avaliar o impacto do uso das técnicas de manejo biológico integral”, explica Gomez. O número médio de aplicações de inseticidas nas propriedades paranaen‑ ses que cultivam soja e utilizaram o MIP na safra 2015/2016 foi de 2,1 aplicações, enquanto a média es‑ tadual foi de 4,5 entre os produtores que não utilizam a tecnologia. “É um número bastante expressivo, pois mostra uma redução na aplicação de inseticidas supe‑ rior a 55% nas áreas que adotam o MIP”, destaca o pesquisador da Embrapa. Ainda de acordo com Daniel Gomez, o manejo in‑ tegrado das pragas deve se basear na desfolha e na população da praga. “É importante que os agriculto‑

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res não subestimem o momento da desfolha, quando as pragas estão mais visíveis, e avaliem com precisão o tamanho da população de cada uma delas e a capa‑ cidade que elas terão de provocar estragos. Vale lem‑ brar que a desfolha não pode ser superior a 30%, quando a cultura ainda se encontra na fase vegetativa – antes da floração – nem inferior a 15% na fase em que aparecem as primeiras flores”, ressalta. Gomez alerta que o agricultor deve monitorar a plantação se‑ manalmente e ao identificar as pragas, aplicar as tec‑ nologias no momento exato, considerando a densida‑ de da lagarta ou percevejo, ou seja, a quantidade de 20 lagartas maiores de 1,5 centímetro por metro da plantação ou dois percevejos maiores de 3 milímetros por metro de linear da cultura. “Muitos agricultores aplicam os produtos antecipadamente, repetidamente ou mesmo aumentam a dose para o combate às pra‑ gas, e isso não vai resolver o problema. As consequ‑ ências da aplicação equivocada seja no momento, no número de vezes ou na dose erradas pode fazer com que a população da praga ressurja, até mesmo em maior intensidade, principalmente quando se usa produtos de amplo espectro”. Na safra 2015/16 constatou‑se uma mudança de ce‑ nário na ocorrência das principais pragas da soja, espe‑ cialmente lagartas. A ocorrência de lagarta‑da‑soja (A. gemmatalis) voltou a ser maior que da lagarta‑falsa‑ ‑medideira (C. includens) que predominou nas duas

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MANEJO BIOLÓGICO safras anteriores. Lagartas dos grupos Spodoptera e Heliothinae mantiveram baixo percentual de ocorrência, semelhante às últimas safras. Ainda de acordo com os resultados do manejo integrado de pragas da soja na safra 2015/16 no Paraná, entre os percevejos, o E. heros continuou predominando nas URs, reduzindo sua participação em relação à safra passada de 82,2 para 63,9% e abrindo espaço para a espécie N. viridula que duplicou sua participação no complexo de percevejos.

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na própria lavoura e escolher a melhor forma do manejo biológico de acordo com o cenário encontrado. Ele pode ser natural ou induzido através de inimigos naturais que o sojicultor vai liberar ou aplicar na área da cultura. O Baculovírus, que age contra a lagarta da soja, é aplicado via equipamento de pulverização. Já a técnica de insetos em dormência ocorre por meio da liberação de cartelas ou cápsulas na lavoura, assim eles já nascem no meio da plantação e buscam as presas – inimigos naturais – para se alimentar e sobreviver”. Fernando de Oliveira destaca ainda que o produtor deve observar a química dos produtos seletivos, optando pelos que não matam os inimigos naturais úteis para o combate às pragas. “É preciso certificar de que os produtos seletivos vão atingir apenas as pragas, ou seja, o alvo do prejuízo da lavoura”.

Pano de batida: uma das técnicas mais comuns para a realização do MIP.

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CUSTO REDUZIDO O custo operacional do controle de pragas também é reduzido quando o agricultor opta pelo manejo biológico e dispensa ou ameniza a utilização de agrotóxicos. Para transformar os custos em sacos de soja por hectare, foi considerado o preço médio praticado no Paraná na safra 2015/16, de R$ 67,00 por saco de 60 quilogramas. Dados da Embrapa Soja mostram que quando foram usadas estratégias de MIP nas lavouras de soja no Paraná, o custo médio de controle de pragas correspondeu a dois sacos por hectare, representando 3,6% da produtividade média. Este custo nas quatro macrorregiões analisadas no estado ficou entre 2,5 e 4,8% da produtividade média da soja. Além disso, a produtividade foi superior à média do Paraná para a presente safra, segundo dados do IBGE. O engenheiro agrônomo da Emater, Fernando de Oliveira, conta que nas últimas três safras, a produtividade aumentou entre 3 e 4% nas Unidades de Referência com aplicação do MIP. Já os custos de controle de pragas onde constatou-se o elevado número de aplicações de inseticidas, em média 3,8, levou a um custo médio entre as macrorregiões de quatro sacos de soja por hectare, o que equivale a 7,8% da produtividade média obtida nestas regiões, que foi de 58,6 sacos por hectare. “Considerando o custo total para o agricultor, há uma redução de 4,2% para os que usam o Manejo Integrado de Pragas”, confirma Gomez. Outro indicador de sucesso da tecnologia foi o aumento do tempo necessário até a primeira intervenção com inseticidas para o controle de pragas. Enquanto a média para a primeira aplicação de inseticidas nas Unidades de Referência foi de 66,8 dias, nas áreas comerciais a média foi de 36 dias. O engenheiro agrônomo da Emater, Fernando de Oliveira destacou o atraso de 30 dias para a primeira intervenção química. “As práticas do MIP também contribuem para a elevação do rendimento econômico de 5 sacas de soja a mais por hectare. Não há aumento da produção, mas sim da rentabilidade e da renda do produtor”. Dessa forma, o engenheiro agrônomo da Emater e mestre em entomologia, Fernando de Oliveira, dá algumas dicas para o produtor de soja combater as pragas na lavoura, com foco no manejo biológico. “O produtor deve se preocupar em ter uma visão ampla do que acontece

Falsa Medideira: praga comumente encontrada nas lavouras de soja.

SOJA ORGÂNICA É importante lembrar que o consumo de produtos orgânicos também vem crescendo consideravelmente no Brasil. Segundo a Organics Brasil, o mercado deve crescer entre 30% e 35% este ano, com um faturamento acima dos R$ 3 bilhões, frente aos R$ 2,5 bilhões no país movimentados no ano passado. A soja é um dos destaques desses produtos que vêm conquistando os consumidores brasileiros. Livre de produtos químicos, como herbicidas, fungicidas e inseticidas, o cultivo da soja orgânica, direcionada principalmente ao consumo humano é uma ótima alternativa para agricultura familiar, considerando que o custo de produção também é menor que o convencional. E para os pequenos que pretendem começar a cultivar a soja orgânica, nada melhor que se espelhar nos grandes sojicultores. Clodoveu Franciosi é considerado o maior produtor de soja orgânica do Brasil e um dos maiores do mundo. Sua produção abastece os exigentes mercados da Europa, Japão e Estados Unidos. Ele cultivou a soja orgânica durante 14 anos e passou 12 sem usar uma única gota de defensivo químico. São seis mil hectares em três áreas produtivas

nos municípios de Sapezal, Brasnorte e Tangará da Serra, localizados no Mato Grosso. “Durante todo o tempo em que produzimos a soja orgânica, evitamos ao máximo produtos de choque que façam um desequilíbrio no sistema de produção. Herdamos várias práticas dos anos que cultivamos a soja orgânica e continuo aplicando tudo que aprendemos naquele período. Todo nosso controle de pragas é feito principalmente através do manejo biológico. Caso essas práticas não deem o resultado esperado, o que não é comum, passamos para o controle fisiológico com produtos químicos, e esporadicamente, se esses não funcionarem pensamos em utilizar produtos com efeito de choque. É importante que o agricultor retarde ao máximo o uso dos produtos químicos tóxicos”, explica Franciosi. De acordo com Clodoveu Franciosi, o custo da produção cai significativamente quando o agricultor opta pelo manejo biológico da soja. “Sempre será mais barato, até porque o próprio sojicultor pode produzir os herbicidas, fungicidas e inseticidas, que serão usados no combate às pragas, como é o nosso caso. Realizamos a coleta de fungo selvagem e aplicamos no campo. Capturamos microorganismos – fungos e bactérias – de ecossistema instável, através de substrato, e aplicamos na soja que é um grão homogêneo e por isso costuma perder facilmente o equilíbrio”, revela. Devido ao clima quente e úmido da região, os municípios Mato- grossenses possuem alta incidência de fungos.

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Franciosi também recomenda o uso da tecnologia Bacillus thuringiensis (Bt). Ela é considerada uma ferramenta para agricultura sustentável, comprometida com a preservação dos recursos naturais e por isso é um método alternativo que deve ser usado para o controle integrado, seletivo, econômico e adaptado de pragas. É uma técnica adicional, como bem explicou Franciosi, que usa plantas geneticamente modificadas, ou seja, com genes Bt isolados a partir da bactéria Bacillus thuringiensis que codificam as proteínas letais a determinados insetos. A seletividade diante dos inimigos naturais é um dos principais benefícios da Tecnologia Bt. No entanto, o sojicultor destaca que como qualquer outra tecnologia, a “Bt” não será eficiente no combate às pragas se for usada de forma isolada. Ela deve ser adotada pelos agricultores integrada a outras práticas de controle efetivo. A proteína Cry1Ac, comumente encontrada nos solos, apresenta forte proteção contra as principais lagartas encontradas nas lavouras de soja. Quando as lagartas, principal alvo dessa tecnologia, se alimentam das plantas de soja, por meio da raspagem das folhas, elas ingerem a proteína Cry1Ac que conecta a receptores específicos no tubo digestivo do inseto, provoca a quebra da membrana do intestino médio dessas pragas e a consequente morte. A tecnologia BT garante a proteção contra as principais lagartas da cultura da soja, durante todo o ciclo produtivo: lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens / Rachiplusia nu), broca das axilas (Crocidosema aporema), lagarta-das-maçãs (Heliothis virescens), lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) e complexo helicoverpa (Helicoverpa spp.). Além da tecnologia BT, Franciosi também faz uso do Baculovírus nas propriedades e alerta que o produtor também deve se preocupar em usar técnicas de manejo biológico para segurança própria e dos funcionários que trabalham no manejo. “É importante evitar ao máximo produtos químicos tóxicos que desequilibrem o sistema de produção”.

MERCADO MUNDIAL DE DEFENSIVOS BIOLÓGICOS CRESCE 10% AO ANO

2016 – FATURAMENTO MUNDIAL DE US$ 3 BILHÕES – 5% DO TOTAL DO MERCADO DE DEFENSIVOS

Brasil –

GASTO TOTAL COM DEFENSIVOS EM 2015:

R$ 9,6 BILHÕES – 2% MANEJO BIOLÓGICO

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TECNOLOGIA

5 MOTIVOS PARA INVESTIR EM TECNOLOGIA NO

AGRONEGÓCIO

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que leva um produtor agrícola a investir em tecnologia? Por que dedicar uma verba especialmente para essa área? Teria mesmo a tecnologia grandes funcionalidades para o agronegócio? Não é preciso ir muito longe para se encontrar fazendas usando algum tipo de tecnologia. Seja para gestão, monitoramento de pragas ou nas demais áreas. Mas, qual é o sentido disso? Vivemos numa sociedade em que o tempo é artigo de luxo. As pessoas se tornaram imediatistas e a tecnologia tem muita culpa nisso. As últimas gerações aprenderam que é possível ter o mundo na palma das mãos. Então, porque não ter todo o controle dos processos da fazenda nas mãos? Para entender melhor como isso é possível, abaixo estão 5 grandes benefícios de usar tecnologia na fazenda.

1.

PLANEJAR E ORGANIZAR Não há como chegar a um destino sem saber para onde está indo. O caminho se torna muito mais difícil assim. Quais são os objetivos a curto, médio e longo prazo? Seja aumentar a produtividade ou reduzir o custo com defensivos, esses passos precisam ser previamente pensados. É preciso sonhar com caneta e papel na mão. Pensar antes de agir. Contudo, é muito mais fácil montar um planejamento quando você tem os resultados da última safra em uma ferramenta que os gera automaticamente. Boas tecnologias ajudam a fazer bons planejamentos que, de tão bem organizados, podem alavancar os resultados.

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2.

CONTROLE DE PROCESSOS De nada adianta ter um planejamento bem feito se ele não for bem executado. Porém, não é segredo para ninguém que, mesmo que tente incansavelmente, o proprietário da fazenda não consegue acompanhar todos os processos de perto se não contar com ajuda tecnológica. Um software pode possibilitar o acompanhamento de perto de todo o processo, desde o técnico até o gerente. Assim, ele acompanha de forma segura e consegue entender se tem ou não sido funcional. Usar tecnologia otimiza os processos e aumenta a confiabilidade e segurança da tomada de decisão.

processos e com isso, diminuir muito os seus custos.

5.

3.

CONFIABILIDADE Falando em confiabilidade, como a tecnologia pode contribuir neste aspecto? Um processo amparado pela tecnologia torna-se muito mais confiável. Nele, você precisa de dados que comprovem as ações, o que muda a realidade da lavoura, onde antes, tudo era tratado na base da confiança. Uma fazenda é um negócio como qualquer outro, totalmente vulnerável às falhas humanas e deve ser tratada com seriedade. Assim, um apoio tecnológico aumenta a confiabilidade dos processos.

FOTOS PEXELS

4.

REDUÇÃO DE CUSTOS O uso de tecnologia na fazenda pode diminuir de forma expressiva os custos de produção. Isso porque, ela pode te dar muito mais previsibilidade na safra, o que te ajuda a trabalhar com mais inteligência nos

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CÁLCULO DE RESULTADOS Depois de planejar, executar e economizar com tecnologia, agora é hora de calcular. Saber quanto realmente foi a economia, entender sobre lucros e prejuízos, receitas e déficits. Além de conseguir identificar quais têm sido os resultados das safras, também é possível gerar análises através destes números, o que possibilita a solução de problemas que não seriam identificados em sua origem caso não houvesse uma análise bem feita. À primeira vista, usar tecnologia na agricultura pode gerar certa desconfiança, mas os resultados são inúmeras vezes maiores do que o valor investido. Claro, quando se faz uma boa escolha na hora de adquirir a tecnologia. Ter um sistema que auxilia na tomada de decisão, na simplificação e automatização dos processos traz rapidez e precisão para o dia a dia da lavoura. Experimente trocar a caderneta por um tablet, por exemplo. Experimente acabar com as pilhas de papéis. Experimente automatizar e deixar sua gestão mais inteligente, deixando a tecnologia fazer o trabalho pesado! Quem usa aprova. Bem-vindo ao futuro da agricultura!

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EXPECTATIVA 2017

CARLOS ALBERTO MORESCO

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Produtor de algodão, soja, milho e sorgo em Luziânia - GO, Presidente da AGOPA e 2º Tesoureiro da ABRAPA

EDSON RODRIGO VENDRUSCOLO

Diretor de Operações no grupo El Tejar em Primavera do Leste - MT Sempre criamos boas expectativas na virada de cada ano, seja na ordem familiar social ou profissional. Na ordem profissional, acredito que em 2017 teremos bons desafios, principalmente na área administrativa, testando nossa governança. Ponto que, ao meu ver, pode e deve ser um diferencial no Agro, pois, estamos com indefinições no cenário político brasileiro e mundial. Um exemplo é a surpresa nas eleições dos EUA, onde pode haver um protecionismo ao agro americano, abrindo oportunidades às nossas exportações. Na área econômica seremos ainda mais cobrados, já que a macroeconomia ainda está confusa com relação ao bloco europeu e às ondas de terrorismo, reforçando oportunidades ao nosso agro. Penso que nosso governo irá abrir novamente a condição de estrangeiros adquirirem terras no Brasil, reescrevendo a lei de estrangeirização de terras do país, e é neste momento que, quem estiver bem definido e sólido em seu modelo de governança vai estar à frente na disputa por estes investimentos. Aqui, fica uma oportunidade a quem possui diferencial de controle em sistemas interligados (monitoramento da lavoura (Strider), uso e conservação de máquinas (Sisma), Gestão de Custos (BI) e etc.). Em termos produtivos, tenho boas expectativas no que diz respeito aos ganhos de produtividade pelo avanço genético, porém, receio um pouco pela falha cultural de parte da cadeia Agrícola, que está alicerçada apenas na genética sem preocupação com resistência (pragas, ervas e doenças), limitando a um curto período tais tecnologias. Enfim, tenho boas expectativas para o Agro Brasileiro, mas, como aprendi que “nossas frustrações são diretamente proporcionais às nossas expectativas, quanto maior minhas expectativas, maior pode ser minha frustração”. Por isso, vejo um ano de “cautela e decisões baseadas em controles internos e validação das informações externas.”

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O agronegócio vive um momento de grandes expectativas com relação à políticas internas, políticas externas, economia mundial, clima e recessão dos mercados. O produtor vem de um ano de perdas de produção devido ao clima da safra passada, aumento de juros e diminuição da oferta de crédito, mas mesmo assim vivemos a agricultura plena. Produzir é um meio de vida para os agricultores. Mesmo com todos estes obstáculos estamos otimistas com relação ao clima neste novo ano. No Centro Oeste, as previsões mostram normalidade. Não há previsão de grandes veranicos e a pluviosidade aparentemente normal. Nesta safra, conseguimos fazer uma lavoura mais barata em relação ao ano passado devido à queda do dólar, além disso, os custos com fertilizantes e defensivos também estão mais baixos. Grande parte dos produtores aproveitaram os preços mais altos da soja no segundo semestre de 2016 e fixaram o valor em média 8 a 10% maior que no primeiro. Este aspecto deixa a soja com uma rentabilidade muito boa. Mesmo com boas expectativas, os investimentos foram menores do que nos últimos anos devido à escassez de oferta de recursos por parte dos bancos e também à dificuldade de acesso a estes recursos. A exigência aumentou muito depois que o país perdeu o grau de investimento por parte das agências de risco. Os produtores podem perder oportunidade de produzir mais mesmo se o clima favorecer, por deixar de lado alguns investimentos básicos em correção de solo, e também na aplicação de um pacote tecnológico mais modesto.

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INTERNACIONAL

EXPANSÃO NA AMÉRICA LATINA STRIDER IMPLEMENTA TECNOLOGIA NA BOLÍVIA E VISA EXPANSÃO POR BÁRBARA CALDEIRA

O

estado de Minas Gerais é reconhecido nacionalmente por uma peculiaridade: a hospitalidade. Mas, no mês de novembro, a situação se inverteu e foi a vez dos mineiros serem acolhidos de forma afetuosa pelos paranaenses e bolivianos. Oficializando sua parceria com o primeiro cliente da América do Sul e rompendo de vez as fronteiras do Brasil, a Strider, representada por Rafael Malacco, viajou até o país vizinho para implementar a tecnologia Strider Protector na fazenda Agroingá. A propriedade, que produz soja para abastecer o mercado interno da Bolívia, é comandada por um grupo de empresários de Maringá. De acordo com o diretor da Agroingá, Celso Carlos dos Santos Júnior, a tecnologia desenvolvida pela empresa é diferenciada por reunir, em um sistema informatizado, todos os dados imprescindíveis relativos à sanidade da lavoura. “Com essa organização é possível fazer uma gestão mais eficaz e econômica do uso dos defensivos agrícolas”, explica. Cristian Kochemborger, gerente de campo da propriedade, diz que já investiu em tecnologia para outros processos e aposta em maquinário de ponta, mas o monitoramento de pragas e doenças na fazenda ainda era feito de forma manual. “O software da Strider entra como ferramenta importantíssima para compor nosso banco de dados com informações especificas sobre pragas, doenças, e também inimigos naturais que serão decisivas para definirmos o momento ideal de realização dos controles”, afirma. Acumulando mais de 20 anos de atividades, a Agroingá é uma propriedade de grande porte que apresenta uma das maiores produtividades por hectare da região de Santa Cruz. “Nós, da Strider, recebemos com muito entusiasmo a solicitação de compra e o interesse na utilização de nosso produto na Bolívia, pois temos planos de expansão na América Latina”, relata Malac-

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co. Comemorar a entrada no país faz sentido. De acordo com dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), o PIB da Bolívia deve crescer 4,8% em 2017, uma das projeções mais otimistas entre os países latino-americanos. A visita de implantação durou três dias deixou e Rafael bem impressionado. “A equipe da Agroingá acompanhou todo o meu trajeto, desde a chegada ao aeroporto ao embarque de volta para o Brasil. Fui muito bem recebido por todos, desde os gerentes até as cozinheiras da fazenda”, conta. Ele relata, ainda, que percebeu em sua experiência na propriedade o quanto a convivência entre brasileiros e bolivianos é produtiva: “O clima de trabalho é excelente, todos parecem amigos. A organização também chama atenção”. Personalização do software: as especificidades do agronegócio na Bolívia A maior diferença do agronegócio na Bolívia e no Brasil, de acordo com Kochemborger, está na fertilidade da terra. “O solo boliviano é rico em nutrientes essenciais, por isso não temos a necessidade de aplicação de corretivos de base, como fósforo ou potássio”, explica o gerente de campo. Outras condições naturais foram decisivas para a customização do produto, prática da qual a Strider não abre mão. Após apresentação da interface do Strider Protector para um grupo formado por gerentes e agrônomos, uma simulação de monitoramento in loco garantiu que novas adaptações fossem feitas. “Nossa tecnologia já estava disponível em português e inglês, mas tão logo a Agroingá nos procurou, desenvolvemos uma versão em espanhol para facilitar o cotidiano dos profissionais do campo, o que foi apenas um dos aspectos da personalização”, afirma Rafael. A versão customizada conta, por exemplo,

com indicadores de manchas de sal no campo, devido à alta salinidade da água na região. Pelo mesmo motivo, sistemas de irrigação não funcionam para a lavoura, de forma que toda a produção depende das chuvas, o que também demandou o cadastramento de um pluviômetro com informações precisas para auxiliar na decisão de qual o melhor período para o plantio. Afinal, apesar da boa fama da terra boliviana, agricultura exige investimento e monitoramento. “Em uma região na qual se explora a atividade de grãos por décadas, sem a necessidade de uso de adubo, é comum se deparar com o entendimento de que basta plantar e rezar para chover”, comenta Celso, que aguarda para verificar, em breve, os impactos da utilização do software na propriedade.

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Com a bota na terra: equipe da Strider e da Agroingá em treinamento de campo

EXPANSÃO NA AMÉRICA LATINA:

UM PLANO EM EXECUÇÃO Presente em 1 milhão dos 60 milhões de hectares agricultáveis do Brasil e em outros 100 mil localizados nos Estados Unidos, a Strider quer expandir o alcance de sua tecnologia, que é líder de mercado no território nacional. Após a implantação do Strider Protector na Bolívia, um novo contrato foi fechado no México, provando que a América Latina está na mira da empresa. “É um mercado novo, com suas particularidades, mas confiamos em nossos produtos por terem altíssima qualidade e funcionalidades que realmente atendem às necessidades dos produtores rurais”, defende Malacco. Ele ressalta, ainda, o processo de customização como grande atrativo. “Independente do país, nosso produto será inovador e valorizado como tal, pois é desenvolvido para oferecer soluções ao que cada agronegócio demanda”, conclui.

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MUNDO AFORA

WINE O’CLOCK!

PARREIRAS LOTADAS, PAISAGENS MARAVILHOSAS, PRODUÇÃO A TODO VAPOR. NÃO IMPORTA SE O DESTINO É ARGENTINO OU CHILENO, PREPARE AS MALAS: É TEMPO DE VINHO! POR MICHELLE LAO

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nquanto a Argentina disputa, a cada novo gole, o reinado absoluto da Malbec, o Chile consagra a Carménère como uva ícone do país, mesmo não sendo a mais plantada por lá. De um lado, a completa Mendoza. De outro, um leque de opções ao entorno de Santiago. É nesse clima que os dois países, maiores produtores e exportadores de vinho da América Latina, se preparam para receber turistas do mundo todo. Na temporada das colheitas, que vai de fevereiro a maio, as famosas festas das vindimas são excelentes oportunidades para amantes da bebida darem um pulinho ali, em nossos vizinhos. A boa notícia é que as vinícolas hermanas não perdem em nada para as europeias, tanto se comparadas ao charme dos pequenos produtores quanto à tecnologia nas plantações em grande escala. E ainda contam com uma boa vantagem: com moedas mais baratas em relação ao real, os preços tanto das garrafas quanto da própria viagem são muito mais atrativos. ARGENTINA Mendoza, no oeste argentino, é a principal região vinícola e concentra 70% da produção do país. São mais de 1.200 vinhedos, distribuídos em quatro subregiões de destaque: Luján de Cuyo e Maipú, no centro, e Vale de Uco e San Rafael ao sul. Lujan de Cuyo é o berço da Malbec. Com altitude acima de mil metros, tem alta incidência de sol e grande amplitude térmica, o que proporciona vinhos concentrados, com sabores e aromas fortes. A província, que fica cerca de 30 quilômetros do centro mendocino e aos pés da Cordilheira dos Andes, abriga 40% das bodegas argentinas abertas à visita-

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ção. Entre as mais conhecidas estão Catena Zapata, com arquitetura inspirada nas pirâmides maias, Alta Vista, Chandon, Luigi Bosca e a Norton, onde o visitante pode criar seu próprio blend, como se fosse enólogo por um dia. A região de Maipú apresenta um clima mais quente, está a apenas 16 quilômetros de Mendoza e trabalha uvas com sabor marcante. A dica por lá é visitar a bodega La Rural (Rutini), uma das mais antigas do país, que também conta com um museu da bebida. Por ali, também está a tradicional Família Zuccardi, uma das poucas que abrem para visitação aos domingos. Outras boas opções são as Bodegas López e a Trivento (do grupo Concha y Toro). Vale de Uco, a área mais promissora, fica 80 quilômetros ao sul de Mendoza. Com investimento de companhias estrangeiras, a região utiliza de técnicas modernas como produções orgânicas e biodinâmicas, que se destacam no cenário internacional. Em altitudes entre 900 e 1,5 mil metros e temperaturas mais amenas, as uvas de ciclo curto e médio, como merlot, pinot noir, malbec, sauvignon blanc, semillón e chardonnay se destacam. As vinícolas mais disputadas são: Fournier, Andeluna, Salentein e Diamandes. E San Rafael, a subregião mais ao sul, a 150 quilômetros da cidade, tem altitudes mais baixas, entre 450 a 800 metros. A temperatura elevada, principalmente no verão, favorece a produção de malbec, syrah e cabernet sauvignon, entre as tintas, e a chenin blanc. As principais bodegas, abertas à visitação, são: Suter, Valentin Bianchi, Balbi e Jean Rivier.

Produção de uva: as parreiras de uva, distribuídas simetricamente se destacam em meio à planície

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CHILE Nas terras chilenas, as primeiras videiras chegaram com os colonizadores espanhóis, na metade do século 16. A posição geográfica privilegiada, entre o Pacífico e a Cordilheira dos Andes, proporcionou um isolamento da região e poupou o país do ataque de pragas. Com o clima favorável ao cultivo e uma grande amplitude térmica, o Chile se destacou com a riqueza de sabores e aromas dos vinhos. Aliando tradição e tecnologia, atualmente, já ocupa o oitavo posto entre os maiores produtores do mundo. A facilidade de acesso às bodegas é um incentivo a mais ao enoturismo da região. As principais áreas vinícolas do país estão a, no máximo, duas horas de carro de Santiago. Para alguns vinhedos mais próximos, o trajeto pode ser feito até de transporte público. Organize seu roteiro, distribuindo os dias entre as regiões dos vales de Maipo, Colchagua e Casablanca, onde são produzidos os melhores vinhos do Chile. No Vale do Maipo, área mais próxima da capital, a protagonista é a uva cabernet sauvignon. Lá está a vinícola mais famosa do país, a Concha y Toro. Em atividade desde 1873, chega a quase ser um programa obrigatório, já que está apenas a 20 minutos de metrô da capital. E não desanime com a quantidade de visitantes: você vai conhecer a casa da família de Don Melchor e a

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À sombra das parreiras

história do Casillero del Diablo. Reza a lenda que, para evitar que seus melhores vinhos fossem roubados, o dono da vinícola espalhou a notícia de que o diabo se escondia ali dentro. E, sim, há uma imagem bem macabra por lá. Também na região, está a Cousiño-Macul, a única que, desde o século 19, continua nas mãos da família fundadora. As visitas guiadas têm duração de 45 minutos e dão direito à degustação de três vinhos. Outras opções são a Viña Santa Rita e a bodega Santa Carolina, datada de 1875 e declarada Monumento Histórico do Chile em 1973. Apesar de 75% das uvas chilenas serem de variedade tinta, a região de Casablanca é famosa pela produção dos vinhos brancos, em especial os chardonnay e sauvignon blanc. O vale fica no caminho entre Santiago e as cidades de Valparaíso e Viña del Mar. A vinícola mais moderna e procurada por lá é a Matetic, que abriga, inclusive, um hotel boutique. Além da visita e degustação, os turistas podem caminhar até ao Morro Bahamontes, que tem vista para o oceano e para a Cordilheira. Por ali, a Casa Marin também é disputada com uma programação que inclui neve e vinho, em parceria com a estação de esqui de Valle Nevado. Já os amantes da boa gastronomia não podem deixar de conhecer a Viña Indomita, que além das bebidas tem um dos mais bem cotados restaurantes do país.

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FESTAS DA VINDIMIA COLHEITA DAS UVAS ARGENTINA: a maior festa do país é realizada na própria cidade de Mendoza e, em 2017, acontece no dia 4 de março. Mais informações em: mendozaholidays.com

CHILE: várias celebrações acontecem em todo o país, sendo a mais importante, na região de Colchagua, no dia 1 de março. Um mês depois, no primeiro final de semana de abril, é a vez da festa do vinho de Pirque, no vale de Maipo. E, na região de Casablanca, o evento está agendado para o dia 27 de abril. O cronograma completo das festas chilenas, você confere em: chile.travel/pt-br/eventos

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POLÍTICA

IMPACTO TRUMP NA AGRICULTURA

ELEIÇÃO DO NOVO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS GERA INCERTEZAS NO CENÁRIO AGRONEGÓCIO. POR LUANA CRUZ

A

eleição do bilionário Donald Trump à presidência dos Estados Unidos deixou um cenário mundial de incertezas para vários setores da economia, entre eles a agricultura e o agronegócio. O republicano atraiu eleitores interessados em seu discurso ultraconservador - principal marca de Trump - o que deixa pistas sobre possíveis mudanças a serem implantadas. O novo presidente indicou tendências protecionistas, além de declarar intenções de abandonar a Parceria Transpacífico (TPP) - megacordo que envolve cerca de 40% da produção mundial. Na lista de exportações do Brasil para os EUA estão café, açúcar, etanol, tabaco, frutas e cacau, por isso há grande expectativa entre produtores e gestores. O ex-ministro da Agricultura e coordenador da FGVAgro, professor Roberto Rodrigues, acredita que algumas alterações podem prejudicar e, outras, beneficiar o Brasil. “Os EUA deixarem a TPP, a princípio, é uma vantagem porque poderíamos expandir o mercado de exportação de carne e açúcar para a Austrália, além de produtos para o Japão, Canadá e para os próprios americanos”, afirma. A assinatura da TPP foi uma jogada para enfraquecer a China no eixo Ásia e com o fim da parceria, Trump poderá endurecer as ações comerciais com esse país. Segundo o professor, o radicalismo do novo presidente na relação com o oriente deve provocar queda de preços no mercado mundial, o que prejudica o Brasil, ou deixar espaço para que a China compre mais soja, milho e carne brasileiros - um ganho excelente para nossa exportação. Para Rodrigues, a eleição de Trump transcende às questões firmadas pelo bilionário em discursos de campanha. Regiões rurais dos EUA votaram em peso nele, comprando a ideia de incentivo e proteção. O professor acredita que a vitória dele é um sinal do mundo em oposição à globalidade econômica. “Países estão aumentando o protecio-

nismo e esta é uma tendência internacional. A Itália está se movendo nesta direção e o Reino Unido também mostrou isto como a Brexit. Outros países já falam até em desmanche da União Europeia”, explica Rodrigues. O protecionismo americano pode ser visto como oportunidade de aprendizado, conforme explica a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Aline Veloso. “Sobre protecionismo e seguro rural americanos, podemos tomar como referência para melhoria de estratégia de política publica agrícola brasileira, guardadas as devidas proporções e características de produção. O agro é muito importante para nossa economia, sendo um setor que – mesmo com turbulências e adversidade climáticas – foi pouco impactado no cenário internacional”, afirma. “O Brasil era visto como país perigoso pelo potencial competitivo, mas agora o mundo nos pede para aumentar a oferta de alimentos e energia. Não estamos atentos a este processo. Independente de Trump, essencial é cuidar do nosso quintal e manter a competitividade”, reforça o professor Roberto Rodrigues.

DIVULGAÇÃO STRIDER

Texas à vista: paisagem agrícola à beira de estrada no Texas

ções comerciais com Trump. No geral, as mudanças do novo comandante americano afetam a cotação do dólar, que causa impacto no agronegócio. Uma das preocupações de produtores brasileiros é o etanol. Trump disse, ainda na fase dos caucus das eleições primárias, em que o partido decide quem deverá representá-lo -, que apoiaria subsídios aos produtores de milho para impulsionar a produção a partir do grão. Os produtos do complexo sucroalcooleiro estão em segundo lugar no ranking das nossas exportações para o mercado americano. Mesmo assim, o professor Roberto Rodrigues acredita que em médio prazo não há impactos para o Brasil. O mesmo prevê o presidente da SNA, Antonio Alvarenga: “Trump pode até incentivar o milho para etanol, mas os EUnão têm muito mais capacidade de produção”. PODEROSO, MAS NEM TANTO Mesmo que Trump queira praticar o discurso radical de campanha, não será fácil. Tudo que o

novo presidente decidir, passará pelo aval do Congresso americano. “Trump vai ter maioria no Congresso e ainda apoio da Suprema Corte, que é conservadora. Mas, os republicanos não vão embarcar em qualquer aventura que o Trump venha a implementar. Ele vai ser controlado e mesmo se conseguir fazer qualquer manobra, não haverá tanto impacto para o agronegócio brasileiro”, prevê Antonio Alvarenga. Trump trouxe para o governo aliados que compartilham o discurso conservador, mas a linha conservadora não deve alterar uma das prioridades americanas: liderar tecnologias na produção mundial. “O tema tecnologia não é mais um fantasma. Só se sobrevive no mercado se for competitivo e, para isso, é necessário inteligência e sustentabilidade. Tecnologia todo mundo quer, mas gestão poucos produtores têm. É por isso que a grande revolução para mim é o surgimento das startups de gerenciamento e monitoramento da produção”, afirma o professor Roberto Rodrigues.

EXPORTAÇÃO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO PARA OS EUA EM 2016

TUDO NOVO, MAS NEM TANTO O governo de Barack Obama passou ao mundo a mensagem de um país com maior abertura comercial e que promoveu mais integração política, haja vista as reconsiderações sobre Cuba. No entanto, segundo professor Rodrigues, na prática, não foram mandatos de tantos avanços em relações de importação e exportação. Rodrigues não acredita que Trump irá muito além daquilo que já praticava Obama. O presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). Alvarenga afirma que a próxima safra brasileira está muito boa e acredita que outros países, como México e China, podem sofrer mais nas rela-

VALOR (US$)

CAFÉ COMPLEXO SUCROALCOOLEIRO SUCOS CARNES FUMO E SEUS PRODUTOS DEMAIS PRODUTOS DE ORIGEM VEGETAL DEMAIS PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL FRUTAS (INCLUI NOZES E CASTANHAS) CACAU E SEUS PRODUTOS

908.180.192 553.454.524 392.214.999 270.827.461 243.182.481 163.154.243 123.852.876 123.528.818 110.757.193

FONTE: AGROSTAT - ESTATÍSTICAS DE COMÉRCIO EXTERIOR DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, AGROPECUÁRIA E ABASTECIMENTO)

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MUNDO FUTURO ROBÔS NO CAMPO

LUIZ TANGARI, CO FUNDADOR E CEO DA STRIDER

Em 2016 os robôs começaram a chegar nos campos de HF da Califórnia. A falta de mão de obra e a necessidade de intervenções cada vez mais precisas estão criando toda uma indústria. Uma das empresas mais bacanas desta vertical é a BlueRiver que produz um robô que é atrelado ao trator para aplicar um óleo herbicida seletivamente no campo, com precisão de centímetros a partir de câmeras montadas apontando para o solo. Este robô realiza o ajuste da densidade do plantio da alface nos produtores da região de salinas. Uma atividade que antes consumia muita mão de obra.

IRRIGAÇÃO E FERTILIZAÇÃO DE PRECISÃO

Zero.agri é uma empresa de sensores, IoT, e automação do Japão focada em otimizar e automatizar irrigação e fertilização em fazendas. Os sensores no solo detectam as condições químicas e a quantidade de luz, mandando os dados a nuvem. O sistema calcula a quantidade ideal de água (e fertilizantes nela diluídos) que é necessária para otimizar a produtividade, aplicando os volumes indicados através de uma unidade de controle ligada às bombas de irrigação. Os produtores podem acompanhar o funcionamento do sistema por um tablet.

CHEGA UM ROBÔ CAPAZ DE COLHER UM PÉ DE LARANJA MAIS RÁPIDO QUE UM HUMANO • Chega mais um protótipo da Energid para colher laranjas. • Este robô, usa braços pneumáticos montados sobre um caminhão a diesel. • Os braços usam quatro eixos hidráulicos para posicionar o colhedor na frente de cada laranja, passando pela folhagem. • Várias câmeras posicionadas no trator e nos braços permitem localizar as frutas dentro da copa das árvores. O teste de campo foi feito na Flórida. Veja os dados: • 2 a 3 segundos por laranja • Conseguiu tirar aproximadamente 50% das laranjas da copa. • O sucesso por tentativa foi próximo a 80% • Os resultados são animadores e poderemos ver colhedores nos campos em poucos anos.

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Revista Strider Ed 1 - 2017  
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