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Médico

Ano XX - N° 124 MARÇO/ABRIL 2018 Tiragem: 12 mil exemplares Distribuição gratuita e dirigida


NO LABORATÓRIO EXAME TEM NOVIDADE ATÉ NO JEJUM. Em muitos casos, ele não é mais necessário. Recentemente um grupo de sociedades científicas publicou o consenso que é pautado em evidências científicas para flexibilização do jejum na avaliação do Perfil Lipídico, especialmente o Triglicérides. Acompanhando as boas práticas e a evolução do conhecimento em Medicina Diagnóstica, o Laboratório Exame ampliou o portfólio de exames que podem ser realizados sem jejum e os nossos laudos já apresentam os novos valores de referência de acordo com o Consenso Brasileiro para Normatização da Determinação Laboratorial.

EXAME Proteína ligadora de IGF Polipeptídeo pancreático Homocisteína Haptoglobina Peptídeo C Tolerância a lactose Tolerância a glicose Ácidos graxos de cadeia ramificada Vitamina B6 Absorção de xilose Vitamina C Glicemia Gastrina Adiponectina Ácidos graxos Ácidos graxos de cadeia longa Absorção de triglicérides Leia o estudo completo em: laboratorioexame.com.br/medico

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Responsável Técnico: Dr. Sandro Pinheiro Melim CR M-DF 1238 8

Veja os exames que ainda precisam de jejum:


Editorial

Expediente Presidente: Dr. Gutemberg Fialho Vice-presidente: Dr. Carlos Fernando da Silva Secretário-geral: Dr. Emmanuel Cícero Dias Cardoso 2º Secretário: Dr. Ronaldo Mafia Cuenca Tesoureiro: Dr. Luis Sales Santos Diretor Jurídico: Dr. Antonio José Francisco Pereira dos Santos Diretor de Ação Social: Dr. Eloadir David Galvão Diretor de Relações Intersindicais: Dr. Augusto Dê Marco Martins Diretor de Assuntos Acadêmicos: Dr. Jair Evangelista da Rocha Diretora de Imprensa e Divulgação: Dra. Adriana D. Graziano Diretora de Cultura: Dra. Lílian Suzany Pereira Lauton Diretor de Medicina Privada: Dr. Francisco Diogo Rios Mendes Diretores adjuntos: Dr. Antônio Evanildo Alves Dr. Antônio Geraldo da Silva Dr. Baelon Pereira Alves Dr. Bruno Vilalva Mestrinho Dr. Cezar de Alencar Novais Neves Dr. Filipe Lacerda de Vasconcelos Dr. Flávio Hayato Ejima Dr. Gustavo Carvalho Diniz Dr. Paulo Roberto Maranhas Meyer Dr. Ricardo Barbosa Alves Dr. Tiago Neiva Conselho Fiscal: Dr. Cantídio Lima Vieira Dr. Francisco da Silva Leal Júnior Dra. Josenice de Araujo Silva Gomes Dr. Jomar Amorim Fernandes Dr. Regis Sales de Azevedo Revista Médico Conselho Editorial: Dra. Adriana Graziano Dr. Carlos Fernando Dr. Emmanuel Cícero Dias Cardoso Dr. Gutemberg Fialho Coordenação Geral: Viés Marketing Estratégico Coordenação de produção: Adriano Mariano Textos: Carla Rodrigues e Nicolas Bonvakiades Fotografia: José Roberto da Câmara Belmont Direção de arte e editoração: Luís Henrique Medeiros Fale com a redação: imprensa@sindmedico.com.br +55 (61) 3244-1998 Contato comercial: Rogério Mendes +55 (61) 3244-1998 gerencia@sindmedico.com.br Tiragem: 12.000 exemplares Ed. Centro Clínico Metrópolis SGAS 607, Cobertura 01 CEP: 70200-670 Tel.: +55 (61) 3244-1998 sindmedico@sindmedico.com.br www.sindmedico.com.br

Tragédias omitidas e mentiras anunciadas Dr. Gutemberg, presidente do SindMédico-DF

a tentativa tresloucada de entregar a gestão dos hospitais públicos do DF a Organizações Sociais: instituições que, em outros estados do país, promoveram somente a paralisação do atendimento. De uma cidade modelo, planejada para que todos os seus habitantes vivessem bem, para um lugar aos pedaços. Essa é parte da história de Brasília, que nunca viveu antes, em qualquer outro governo, o sucateamento de hoje. Isso fica evidente a cada nova capa de jornal. As manchetes variam entre a inércia do GDF, a falta de investimentos, o desmonte dos serviços públicos e o abandono da população. E, em quase todo o mês de fevereiro, a queda do viaduto da Galeria dos Estados foi o principal assunto em todos os noticiários, sempre com uma frase em comum: “o desabamento era uma tragédia anunciada”. Após o dia 06 de fevereiro, por meio de uma estrutura sem reparos, ficou evidente que o Distrito Federal se transformou no lugar das tragédias anunciadas. Na saúde, na segurança e na educação: em todas essas áreas há o rastro da omissão e da inoperância, as mães das tragédias anunciadas. Mal havíamos nos recuperado do susto da queda do viaduto da Galeria dos Estados e, dias depois, o metrô saiu dos trilhos: literalmente. O motivo? Negligência na manutenção. Ou seja, outro incidente que poderia ter sido evitado. Mas não foi. Porque esse é o resultado de um governo que não estabelece prioridades e nem mesmo metas. A falta de objetivos, por exemplo, se reflete claramente na saúde. Há três anos e três meses os pacientes do SUS-DF e os servidores da Secretaria de Saúde são reféns de uma série de tragédias anunciadas. Primeiro, ainda nos primeiros meses do governo de Rodrigo Rollemberg, com

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Depois, vieram as mudanças na Atenção Primária. Muito antes de a “nova política” tentar ser implantada já havíamos falado sobre os riscos e, como prevíamos, a situação nas Unidades Básicas de Saúde só piorou com a suposta reformulação. Hoje, nos postos de saúde do DF, o que comanda é a informalidade, o desperdício de capacidade de trabalho e, como consequência, a desassistência à população. Também no ano passado, o governador Rollemberg e o atual secretário de Saúde, Humberto Fonseca, decidiram lançar uma nova modalidade de terceirização, com um “arranjo jurídico administrativo”, conhecido também como Instituto Hospital de Base (IHBDF). Outra tragédia anunciada. Com aproximadamente cem dias, as mudanças anunciadas no maior hospital do DF não saíram do papel e, de janeiro para cá, o “milagre” ainda não aconteceu: problemas de repasse têm, literalmente, paralisado os serviços na unidade. Faltam desde lençóis até ar-condicionado no local. O perigo das tragédias anunciadas está por toda a parte no DF: algumas podem ser vistas a olho nu, como a degradação do SUS-DF. Outras, silenciosas, como as estruturas sem manutenção que, a cada ano, envelhecem mais e podem matar centenas de pessoas. Mas, se temos a chance de mudar essa realidade neste ano, nas urnas, é isso que deve ser feito. Caso contrário, com o mesmo governador frente ao Buriti nos próximos quatro anos, seremos, novamente, reféns da nossa maior tragédia anunciada.

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Sumário Entrevista

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Freio em desmandos na assistência psiquiátrica – entrevista com Quirino Cordeiro Junior

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Sindicais

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Sindicato Itinerante está de volta e revela abandono do HRT, HRC, UPA de Ceilândia e HRP

Destaque

Aconteceu

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Academia de Medicina ganha novos membros e diretores

Capa Além de viadutos, hospitais e unidades básicas de Saúde também precisam de atenção

Regionais Saúde mental na mira do desmonte de Rollemberg

Médicos e pacientes protagonizam curta-metragem

Jurídico Sindicatos tentam evitar desconto indevido de imposto

Especial Expansão de cobertura da atenção primária no DF é “Fake News”

Crônica O cangaço e seus principais personagens

bastidores da política

25 Política Depois de segurança pública, saúde ocupa a pauta do Congresso Nacional


SAÚDE MOVIMENTO EM DEFESA DA SAÚDE PÚBLICA DO DF

O movimento popular Saúde Agora tem como objetivo ouvir e identificar os problemas da saúde pública de todo o Distrito Federal por meio de relatos dos usuários do SUS e dos profissionais da saúde pública, denunciando e expondo o cenário atual.

Faça parte desse movimento e acompanhe as nossas redes sociais:

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Entrevista

Saúde mental – mudanças locais terão de seguir padrão nacional Entrevista - Quirino Cordeiro Junior

Boatos sobre mudanças no funcionamento do Instituto de Saúde Mental do Distrito Federal motivaram desconfiança, queixas e até protestos no início de fevereiro – mais um capítulo no obscurantismo que se tornou prática de gestão na Secretaria de Saúde do Distrito Federal, que chamou a eventual mudança de “reprogramação” baseada em um Plano Diretor de Saúde Mental contestado até por quem participou em sua elaboração e, até então, não aprovado pelo Conselho de Saúde do Distrito Federal. Tudo isso em sequência às mudanças nas políticas nacionais sobre drogas e de Atenção à Saúde Mental. Atento à situação, o coordenador geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Quinino Cordeiro Junior, esteve com a responsável pela Diretoria de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde do DF, Giselle de Fátima Silva, e participou de discussão com psiquiatras realizada pelo SindMédico-DF. À frente da Coordenação há um ano, Quirino é graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), onde cursou residência e doutorado em psiquiatria e duas especializações na área de saúde, em bioética e medicina legal. Em sua carreira profissional, sempre atuou em serviços públicos ou vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em entrevista à Revista Médico, o psiquiatra detalhou a nova Política Nacional de Atenção à Saúde Mental. Segundo Quirino, o DF não pode fechar hospitais psiquiátricos e, como os demais entes federativos, tem que aumentar a oferta de leitos psiquiátricos em hospitais gerais, mas a partir de agora, em enfermarias e com mão de obra especializada – diferente do que ocorre atualmente.

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Entrevista

Revista Médico – O que determinou a formulação de uma nova política de atenção à saúde mental pelo Ministério da Saúde?

... a oferta de leitos de saúde mental em enfermarias de clínica médica, cirurgia, pediatria e obstetrícia vai ser em enfermarias especializadas e, obrigatoriamente, com equipes especializadas em saúde mental...

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Quirino – Assim que assumi a coordenação da Saúde Mental, há um ano, eu comecei a identificar algumas inconsistências na condução da política de saúde mental. Havia serviços custeados pelo ministério, mas que não existiam. Não eram situações isoladas, ocorriam em diversas localidades do país. Diante disso, decidi fazer um diagnóstico situacional nas várias frentes de ação. Revista Médico – O que foi detectado nesse diagnóstico? Quirino – Identificamos situações em que municípios receberam incentivos financeiros para criação de serviços, os quais não foram criados - estamos falando de mais de 400 Capes, de cerca de 600 leitos, de mais de 60 Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs). Estou falando de mais de 60 Unidades de Acolhimento (UAs). A gente tinha outro cenário, no qual tivemos que cancelar mais de 170 obras de Capes de UAs em municípios para as quais o MS enviou recursos entre 2013 e 2014. Perderam todos os prazos legais e não executaram as obras. Tivemos problemas com inconformidades, como, por exemplo, no Programa de Volta para Casa (incentivo dado a indivíduos que ficaram muito tempo internados). Verificamos que havia quase 300 mortos que recebiam dinheiro desse programa. Revista Médico – E em relação aos serviços que eram executados, houve problemas? Quirino – Identificamos uma situação bastante preocupante, especialmente em relação aos

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Entrevista

leitos psiquiátricos em hospital geral. Verificamos que a taxa de ocupação desses leitos era muito baixa, menos de 20% de ocupação. E o problema é que o Ministério paga como se todos os leitos estivessem ocupados permanentemente, um gasto por volta de R$ 80 milhões ao ano. A gente também tem algumas centenas de Capes pelo Brasil a fora que nos últimos três meses não registraram produção, quase 200 Capes que, no ano passado inteiro, não registraram nenhum atendimento. A gente também tem déficits na notificação de produção dos SRTs e das UAs. Tudo isso mostra problemas graves nesse cenário. Muitos de nossos serviços estavam pouco efetivos. Outra situação bastante delicada que a gente identificou foi na prestação de contas do repasse de um volume de recursos bastante grande para o município do Rio de Janeiro, R$ 94 milhões, entre 2013 e 2015, para o tratamento de pessoas com dependência química, especialmente crack. Encaminhamos isso para o DENASUS e o Ministério Público. Revista Médico – Os programas na área de prevenção ao consumo de álcool e outras drogas também foram analisados? Quirino – Elos, Famílias Fortes e #TamoJunto. Este último, por incrível que pareça, apresentou resultados iatrogênicos - os adolescentes submetidos ao programa passavam a fazer uso precoce do álcool. No Elos, os resultados eram inconsistentes - algumas variáveis aparentemente melhoravam, outras pioravam substan-

cialmente. No Famílias Fortes, não tínhamos dados de efetividade. Por incrível que pareça, esses programas continuavam sendo executados pelo Ministério da Saúde. Por isso, suspendemos a expansão e estamos reformulando esses programas para que a gente possa, então, reutilizá-los futuramente para uma prevenção efetiva ao consumo de álcool e drogas.

e passaram a acolher indivíduos que estão em outras situações de vulnerabilidade, como, por exemplo, indivíduos com transtornos mentais que estão em situação de rua. Criamos outra modalidade de Capes, que é o Capes AD4, que vai funcionar 24 horas, contar com uma equipe especializada para trabalhar especificamente dando suporte a regiões de cracolândias.

Revista Médico – O que propõe a nova política nacional de atenção à saúde mental?

Revista Médico – E como fica o atendimento na parte não especializada da rede?

Quirino – Basicamente, aumentamos o número de serviços da rede – aos leitos em hospital geral, os Capes, as UAs e os SRTs, unidade de atenção básica e unidades de pronto atendimento (UPAs), acrescentamos hospitais psiquiátricos especializados, ambulatórios e hospitais dia, para que a gente possa ter uma rede mais potente, que possa dar um tratamento mais efetivo para os pacientes e seus familiares nos mais diferentes momentos da doença do indivíduo desde o momento mais tranquilo, quando pode ser acompanhado na atenção básica, até o momento em que ele apresenta um quadro mais agudizado, em que vai precisar ser acompanhado em um hospital psiquiátrico especializado. Reajustamos as diárias dos hospitais psiquiátricos, que estavam congeladas há quase 10 anos em pouco mais de R$ 30. Para incentivar atendimento ambulatorial, criamos equipes ambulatoriais multiprofissionais. Os SRTs deixaram de ser exclusivos para os egressos de longas internações em hospitais psiquiátricos

Quirino – Vamos fazer a expansão de leitos da saúde mental nos hospitais gerais. Mas, a partir de agora, a oferta de leitos de saúde mental em enfermarias de clínica médica, cirurgia, pediatria e obstetrícia vai ser em enfermarias especializadas e, obrigatoriamente, com equipes especializadas em saúde mental – vai precisar ter médicos, psicólogos, enfermeiros especializados, para oferecer um cuidado efetivo e de qualidade para os pacientes. Não pode mais ser como era feito antigamente, com leitos espalhados e cuidado não especializado.

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Revista Médico – São necessários ajustes nos planos de atenção à saúde mental dos entes federativos? Quirino – Agora, com novas diretrizes de ação, o que esperamos é trabalhar junto com os estados, municípios e Distrito Federal para que haja um alinhamento das políticas locais com a política nacional, até porque é uma política do SUS, discutida e pactuada entre os gestores em todos os níveis


Entrevista

de governo. O Ministério da Saúde está acompanhando. Inclusive aqui, no DF, tivemos uma reunião com a coordenadora local de saúde mental para discutir o novo plano diretor. Esperamos que haja um alinhamento e harmonização do que foi pactuado nacionalmente para que seja trazido para a realidade do Distrito Federal. Revista Médico – O que as novas diretrizes representam para o psiquiatra e demais profissionais que estão na ponta da assistência? Quirino – A antiga política nacional de saúde mental e também a sobre drogas acabaram dificultando a atuação do médico psiquiatra na ponta. Acabou desenvolvendo um preconceito muito grande em relação à atuação dele. A ideia, agora, é resgatar o papel dele. É óbvio que é impossível fazer saúde mental com a presença única do médico psiquiatra, mas é impossível fazer saúde mental com a ausência desse profissional. Revista Médico – Quando se fala em criação de vaga de internação, logo se ouve protestos contra um suposto retorno ao modelo manicomial... Quirino – Temos que lembrar que o Brasil é um dos países que apresenta a menor taxa de leitos psiquiátricos do mundo e isso impacta de maneira desfavorável a assistência aos pacientes. Não há interesse do Ministério da Saúde no fechamento dos leitos existentes em hospitais psiquiátricos e, sim, de qualificar esses hospitais para o atendimento apropriado. No entanto, não existe também a pre-

tensão de expandir esses leitos. O Ministério faz uma diferenciação muito grande entre o que é manicômio – uma instituição que oferta cuidado inapropriado e aparta o paciente do convívio social para o resto de seus dias - do hospital psiquiátrico, que tem de ser uma instituição moderna, capaz de receber o paciente, ofertar um cuidado humanizado, tirar o paciente da faze aguda e reabilitá-lo para que ele possa voltar para o convívio social o mais rápido possível. Nesses dois anos do atual governo, criamos 40% de todos os Serviços Residenciais Terapêuticos do país, que são justamente os serviços que recebem os egressos dos hospitais psiquiátricos, mostrando de fato o nosso compromisso. Vamos tirar os moradores que restam nesses hospitais, modernizá-los e trabalhar para que não criemos novos pacientes moradores. Revista Médico – Além dessa internação perpétua, portadores de transtornos mentais estão submetidos a outras situações inadequadas. Quirino – É verdade. A antiga política de saúde mental trouxe três consequências bastante danosas aos pacientes: o aumento de pacientes em situação de rua que apresenta transtornos mentais graves e problemas relacionados ao uso de álcool e drogas, com expansão de cracolândias Brasil a fora. Também temos uma prevalência muito grande de indivíduos com transtornos mentais no cárcere – indivíduos que, por um sistema de saúde pública ineficaz na saúde mental, sem o tratamento adequado, ficaram em situação de

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vulnerabilidade, entraram em conflito com a lei e foram presos. Outra situação é que temos no Brasil uma mortalidade aumentada por conta de problemas relacionados a transtornos mentais - tanto suicídio quanto outros problemas como o paciente não saber se cuidar e o serviço médico não identificar a situação. A expectativa de vida de pacientes portadores de transtornos mentais no país é alta quando comparada com pessoas que não se encontram nessa situação. É degradante o cidadão ficar apartado do convívio social a vida inteira internado em um manicômio. No entanto, é igualmente degradante ficar morando nas ruas das cidades porque não encontrou tratamento de saúde apropriado para o seu problema. Revista Médico – A implementação plena das novas políticas implica na necessidade do aumento de profissionais atuando na área? Quirino – Sim. Temos necessidade do aumento do número de profissionais e de qualificação desses profissionais. Pactuamos na nova política de saúde mental a criação de protocolos clínicos e linhas de cuidado na rede, com a devida capacitação dos profissionais para que se possa atuar de forma apropriada e, para isso, será necessária a qualificação. Hoje não temos protocolos clínicos na rede. Até pela alta prevalência dos transtornos mentais, você não vai ter especialista para tratar todo mundo. Agora, para quadros moderados e graves, é obrigatória a oferta de atendimento especializado.

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Sindicais

Sindicato Itinerante de volta aos hospitais do DF No mês de março, o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, e o vice, Carlos Fernando, percorreram três hospitais públicos do DF, o HRT, HRC e o HRP. Além deles, os médicos foram ainda à UPA de Ceilândia e ao Centro de Saúde 7. Todas as denúncias relatadas pelos servidores dessas unidades foram encaminhadas ao CRM e aos órgãos de fiscalização.

HRT O programa Sindicato Itinerante, do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), recomeçou, primeiro, no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Nele, o presidente da instituição, Dr. Gutemberg, e o vice-presidente, Carlos Fernando, visitaram o pronto-socorro do Hospital Regional de Taguatinga (HRT),

onde verificaram situações adversas de trabalho e assistência à população agravados pela insegurança, em função da greve dos vigilantes.

uma série de reclamações. Do hospital, Dr. Gutemberg seguiu para o Centro de Saúde 7, no Setor O, e para a UPA da cidade.

HRC, CS 7 e UPA de Ceilândia

HRP

No Hospital Regional de Ceilândia, Dr. Gutemberg e Carlos Fernando voltaram a encontrar corredores lotados de macas e ouviram

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Um hospital com muitos pacientes, poucos médicos e estrutura física precária. Essa é a situação do Hospital Regional de Planaltina (HRP) hoje.


Sindicais

Principais problemas encontrados HRT de acesso na Não há controle enndo tanto paci unidade, coloca ; co ris ssionais em tes quanto profi icos na clínica Déficit de méd gia; atria e ginecolo médica, na pedi itos: segundo Há falta de le ficar entes chegam a relatos, os paci s; da cadeiras de ro internados em há demora Na ortopedia, omde próteses de para obtenção mo joelho, bem co bro, quadril e ternos; de fixadores ex o de risco A classificaçã da ndo pacientes está encaminha iões para os cirurg clínica médica gerais; não é possíNa cardiologia, mo es de cateteris vel fazer exam O a. m ra ocardiog cardíaco e ec a vi de e copia, qu aparelho de es ag di precisão em oferecer maior ra rgias, está queb nósticos e ciru do há um ano.

HRC

CS 07

Faltam vagas em UTI infantil e casos graves acabam ficando sem assistên cia especializada, o que aumenta o risco para os pacientes e coloca os profissionais em situação de insegurança profissional, étic a e jurídica; Na ginecologia, segundo relatos, há casos de óbito fetal por falta de capacidade de atendimento e superlotação;

No dia da visita, na sala vermelha havia dois infartados graves que não fora m removidos por falta de vaga no Instituto do Coração do Distrito Federal; Há, assim como no HRT, relatos de falta de materiais e insumos para o exer cício pleno da medicina.

UPA de Ceilândia Faltam médicos e outros profi

ssionais; Pacientes amarelos se espalha m pelos corredores e a sala vermelha funciona contrariando regras sanitárias.

médicos e, Equipes sem unidade recebe ainda assim, a que não conpacientes graves mento nem no seguem atendi UPA; hospital e nem na s e insumos Falta de remédio na unidade.

HRP principalDéficit de médicos a, na clínica mémente na pediatri e na ortopedia; dica, na ginecologia unidade Nenhuma área da abandono no que foge da regra do o: com estrutura diz respeito à gestã s nas paredes e, precária, infiltraçõe m sequer macas segundo relatos, se s; ideais para cirurgia posta pela Após a mudança im s de Saúde, a SES-DF nos centro os pacientes não situação piorou: recorrer. sabem mais a quem

Cirurgia geral: nova política nos pronto-socorros do SUS-DF causa transtornos A má aplicação das Portarias 386/2017 e 408/2017 (que tratam da reorganização dos prontos-socorros) tem gerado inúmeras denúncias sobre a realização arbitrária e compulsória de mudanças de especialidade. Segundo relatos, apenas no Gama, 17 dos 26 cirurgiões foram removidos para as emergências. Por isso, os protocolos impostos pelo GDF foram tema de reunião com o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, o vice, Carlos Fernando, e médicos da área. Agora, o SindMédico-DF deve ampliar o debate e convocar novas reuniões com os cirurgiões gerais da SES-DF.

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Aconteceu

SindMédico-DF e SBACV-DF SindMédico-DF @sindmedico

SindMédico-DF @sindmedico

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Em busca da excelência

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O presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, recebeu os novos presidente e secretário geral da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Distrito Federal (SBACV-DF), Rodolpho Alves dos Reis e Leonardo Pires de Sá Nobrega, na sede do sindicato, para tratar de assuntos de interesse dos especialistas da área. A nova diretoria segue à frente da Sociedade até 2019. 10:10 -28 fev 2018

O vice-presidente do SindMédico-DF, Carlos Fernando, prestigiou a inauguração da Afetus Clínica e Imagens Médicas, antiga Perfile, em Planaltina, no dia 17 de março. Agora, a unidade de saúde, comandada pelo ginecologista Arlindo Moreira Queiroga, cresceu, se modernizou, aumentou a capacidade de atendimento e incorporou novos exames como tomografia computadorizada, mamografia digital, ultrassonografia de última geração e densitômetria óssea e de corpo inteiro para avaliação de massa muscular e cálculo metabólico. Para Carlos Fernando “a busca da excelência na assistência tem que ser uma constante tanto na medicina pública quando nos estabelecimentos particulares de saúde.” 12:10 - 17 mar 2018

SindMédico-DF @sindmedico

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AMeB tem nova diretoria No dia 15 de março, a nova diretoria da Academia de Medicina de Brasília (AMeB) tomou posse. O acadêmico Marcus Vinicius Ramos substitui Renato Maia Guimarães na presidência, ladeado por Leonardo Esteves Lima, Augusto Cesar de Farias Costa, José Ulisses Manzzini Calegaro e Nasser Simão Sarkis. Na mesma cerimônia, tomaram assentos os acadêmicos Carlos Alberto de Assis Viegas e Mário Pedro dos Santos. Dr. Gutemberg e Carlos Fernando prestigiaram o evento. 20:00 - 15 mar 2018

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Aconteceu

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Saúde da Mulher em palestra do SindMédico-DF A saúde da mulher foi tema de duas palestras ministradas pelo vice-presidente do SindMédico-DF, Carlos Fernando, no Centro de Ensino Médio 304, de Samambaia, em março. Nas exposições, que contaram com a presença de professoras da escola, ele salientou a importância de resgatar o SUS-DF para que todas as mulheres possam cuidar plenamente da saúde.

11:40 - 13 mar 2018

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Carnaval da AMBr é um sucesso Nos dias 11 e 13 de fevereiro a Associação Médica de Brasília (AMBr) promoveu a famosa matinê para as crianças curtirem o carnaval e o Sambô Dotô para os médicos curtirem a época mais festiva do ano. O sucesso dos eventos foi total e aconteceu logo após a posse da nova diretoria da entidade, que tem mostrado competência e seriedade frente à AMBr.

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O CineMédico está de volta

11:00 - 13 fev 2018

A primeira sessão do CineMédico deste ano ocorreu no dia 08 de março, com o filme Projeto Flórida, que fala das situações de vida de famílias que vivem em motéis baratos na beira da rodovia de Orlando. Na mesma noite, médicos e outros espectadores assistiram ao lançamento do documentário, produzido pelo movimento Saúde Agora, “Profissão Médico no DF: Entre o Caos e a Esperança”. O curta-metragem, que trata da rotina dos profissionais e dos pacientes na rede pública de saúde do DF, chamou a atenção do público, que elogiou o projeto. 20:30 - 08 mar 2018

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Capa

ESTRUTU REVELAM O O

s destroços de Brasília, ou o que Rodrigo Rollemberg chama de “legado”, começam a aparecer agora, após três anos de uma gestão que não soube estabelecer prioridades. Entre elas, a manutenção e reparação de vias, estruturas e prédios antigos do Distrito Federal. E isso ficou claro com a queda do viaduto da Galeria dos Estados: uma tragédia anunciada, que poderia ter sido evitada caso a equipe de governo tivesse feito o dever de casa. O problema maior, no entanto, é que mesmo diante do desastre, a rede pública de Saúde, por exemplo, continua sendo negligenciada pelo Buriti.

Após a queda do viaduto da Galeria dos Esta

mais pilastras para o governo de Rodrigo Rolle

grandes obras da capital que estão ruin

hospitais e unidades básicas de saúde também De 2015 a 2017, o GDF autorizou despesa de R$ 62 milhões para a conservação de hospitais e unidades de saúde. Porém, efetivamente, só foram gastos R$ 39 milhões. Os dados são do Sistema Integrado de Gestão Governamental (Siggo). E o resultado disso,

NEM O PRÉDIO DA SES-DF RESISTE Em outubro do ano passado, também em um período de chuvas, a água empoçou o teto do prédio da sede da SES-DF, que fica no fim da Asa Norte, e ele desabou parcialmente.

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por exemplo, é que em fevereiro deste ano, parte do teto da sala de medicação de um posto do Saúde da Família da Cidade Estrutural desabou durante as chuvas. E ele não foi o único: no dia 07 do mesmo mês, o Centro de Saúde nº 2 do Núcleo Bandeirante amanheceu


Capa

URAS QUE O DESCASO

ados, no Eixão Sul, ficou evidente que não há

emberg sustentar sua farsa. E não são apenas

ndo junto com a incompetência do GDF:

m sofrem com a falta de reparos e restaurações. com uma infiltração no teto que inundou boa parte do local. Em novembro do ano passado, foi a vez do Hospital Regional do Gama: a estrutura não suportou as chuvas e o local ficou completamente alagado. Houve queda de energia, vazamentos e vários leitos tiveram

de ser fechados. Já no de Ceilândia (HRC), em setembro de 2017, teve parte do teto da pediatria e da biblioteca da unidade comprometida após o rompimento de um cano de água. E a verdade é que, a olho nu, dá para ver a ausência de manutenção em todos os hospitais públicos

do DF, especialmente aqueles que sofreram alterações com a criação de puxadinhos, como o de Taguatinga, por exemplo. Enquanto isso, população e servidores sofrem com o descaso diariamente. “É uma vergonha. Venho falando disso há anos. As estruturas de diversos hospitais e unidades de saúde precisam, urgentemente, de reformas e manutenção. É uma questão de segurança. Se toda vez que chover, uma ou outra estrutura ficarem comprometidas e os serviços forem interrompidos, não dá. E o governador deveria estar atento a isso. Mas, como não estabelece prioridades, sequer sabe por onde começar”, avalia o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg.

DE OLHO NA SAÚDE No fim do ano passado, o SindMédico-DF, por meio do seu representante no Conselho de Saúde do Distrito Federal, pediu um relatório da situação da infraestrutura dos centros de saúde e postos de Saúde da Família em todo o DF.

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Regionais

MAPA DO

KPC de volta No Hospital Regional do Guará (HRGu), cinco pacientes foram isolados, no início de março, para serem medicados contra a bactéria multirresistente Klebsiella (KPC), de acordo com informações da imprensa local. Já no IHBDF, segundo denúncia feita ao SindMédico-DF, aproximadamente 50% dos pacientes da ortopedia também foram contaminados pela bactéria.

Grávidas no chão no HRC Sem leitos, as gestantes que aguardavam a hora do parto no HRC ficaram deitadas em colchões no chão do corredor do hospital, no fim do mês de fevereiro. As imagens das mulheres no chão foram divulgadas pela imprensa local. Na tentativa de justificar o absurdo, a SES-DF informou que o recebimento de grávidas em trabalho de parto na unidade está acima da média habitual.

Hran - mulher dá à luz em sala de espera No mês da mulher, uma gestante de 20 anos deu à luz na sala de espera do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). O caso aconteceu no dia 20 de março. Segundo pacientes que acompanharam a cena, a gestante chegou à unidade com fortes contrações, mas não conseguiu ser atendida a tempo por conta do déficit de médicos no hospital.

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Regionais

O CAOS

Organização da sociedade civil se queixa do IHBDF De acordo com Associação Maria Vitória de Doenças Raras e Crônicas, desde janeiro deste ano, quando o Hospital de Base do Distrito Federal virou instituto (IHBDF), pelo menos 60 pacientes, que faziam a Terapia de Reposição Enzimática (TER), ficaram desassistidos. Segundo a denúncia, o motivo está ligado à retirada de serviços e de medicamentos específicos do instituto.

Surto de dengue novamente? Segundo dados da própria SES-DF, o Distrito Federal tem seis Regiões Administrativas com risco de surto de dengue e outras 14 em estado de alerta. Fercal, Lago Norte, Lago Sul, Park Way, Sobradinho II e Varjão compõem a lista. Em Sobradinho II, região com dados mais preocupantes, foi encontrado um foco do Aedes aegypti a cada nove casas visitadas.

Agressão no HRT O caos instalado na saúde pública do DF rendeu mais um triste episódio na madrugada do dia 17 de março: três pessoas foram presas após confronto com vigilantes do Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Segundo uma testemunha, os envolvidos ficaram revoltados com a demora no atendimento na área de pediatria e começaram, então, a empurrar os vigilantes da unidade.

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Regionais

De o l h o n a p s iq u iat r ia : desarticulação do ISM é questionada por servidores e pacientes O presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, e o vice, Carlos Fernando, receberam psiquiatras da rede pública de saúde do Distrito Federal e autoridades, no fim de fevereiro, na sede da instituição, para discutir os problemas que surgiram em decorrência de mudanças em curso na assistência psiquiátrica no DF.

crianças portadoras de transtornos mentais e de gestantes dependentes químicas. “Não há área de isolamento para atendimento de pacientes em surto e os técnicos não são treinados para atuar em situações nas quais é necessária a contenção”, disseram os profissionais em reunião.

Entre os problemas elencados estão a desarticulação do Instituto de Saúde Mental e o atendimento psiquiátrico a crianças e adolescentes por psiquiatra geral. Também foi apontado o fechamento de leitos no Hospital de Base do DF por falta de profissionais.

De acordo com os relatos, também está sendo imposto aos profissionais da especialidade, nas diversas unidades de saúde da cidade, que elaborem pareceres durante o horário de atendimento ambulatorial – o que prejudica tanto o atendimento aos pacientes quanto a qualidade dos pareceres.

No Hospital Materno Infantil de Brasília, por exemplo, a situação é bastante complicada com falta de profissionais e instalações adequadas para atendimento de

Os representantes do Conselho Federal e Conselho

Regional de Medicina enfatizaram que o psiquiatra geral pode ser alvo de denúncia caso o atendimento à criança ou adolescente seja insatisfatório. Uma consulta sobre o assunto, bem como denúncia das situações apresentadas na reunião seriam encaminhadas ao CRM-DF.

Luta na CLDF A Comissão de Saúde da Câmara Distrital tentará sustar os efeitos da Ordem de Serviço (OS) n˚ 16, que instituiu um Grupo de Trabalho para levar adiante a “reformulação” do Instituto de Saúde Mental do Distrito Federal (ISM) e ainda barrar novas decisões que envolvem a política de Saúde Mental do DF sem, antes, passar por um amplo debate com a sociedade civil e entidades da área. Desde que começaram as discussões sobre a ten-

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tativa de mudanças no ISM o SindMédico-DF vem participando dos debates e prestando total apoio aos pacientes e servidores que querem e precisam participar da “reformulação”. Isso porque as mudanças colocam em risco o atendimento feito no local há mais de 30 anos. Para o vice-presidente do SindMédico-DF, Carlos Fernando, o principal problema é que, tanto pacientes quanto profissionais da área, não participaram do debate. “Não houve uma ampla divulgação do que se pretende fazer. Estamos lidando com a vida das pessoas”, afirmou, após participar de reunião na CLDF com o presidente da Casa, Joe Valle, o presidente da Comissão de Saúde da Casa, Wasny de Roure, e outros representantes da saúde.


Destaque

Médicos e pacientes protagonizam documentário Produzido graças ao apoio do movimento Saúde Agora, documentário “Profissão Médico no DF - Entre o Caos e a Esperança” foi lançado na primeira sessão do CineMédico deste ano

Ao fim da sessão, médicos e outros espectadores elogiaram o documentário e salientaram a importância de mostrar a situação para toda a população do DF. “O caos está instituído. Não há dúvidas. Para o governo, o que acontece na rede pública parece normal. Mas, nós, como representantes da saúde, não podemos deixar que isso se banalize. Por isso, o documentário veio na hora certa, na hora de mudar o que está aí”, salientou o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, que é um dos idealizadores do movimento Saúde Agora, que pretende resgatar a saúde do DF.

“E se eu precisar da Saúde? Eu me sinto totalmente desamparada”. A frase, do documentário “Profissão Médico no DF - Entre o Caos e a Esperança”, é um resumo das várias histórias que o curta-metragem levou aos espectadores do 1º CineMédico do ano, no dia 08 de março: uma síntese, de aproximadamente 20 minutos, da atual situação da Saúde Pública do Distrito Federal. O documentário é narrado pelos próprios personagens que enfrentam o dia a dia caótico dentro dos hospitais e unidades de saúde, ou seja, médicos e pacientes. Por isso, o curta convidou os espectadores a uma reflexão sobre o papel do poder público no que diz respeito ao resgate do SUS.

Saúde Agora

SAÚDE

O movimento Saúde Agora foi criado a partir da união e apoio de diversas entidades médicas, do direito, empresariais, veículos de imprensa e da sociedade civil, entre elas o SindMédico-DF, a Fenam, a CNM, a ANMB, a Record DF TV, o Jornal Brasília Capital e o Jornal Ceilândia em Foco. A ideia é resgatar o SUS-DF e a dignidade de pacientes e de profissionais que sofrem com o caos instituído. Somente graças ao suporte do projeto foi possível a realização do documentário “Profissão Médico no DF - Entre o Caos e a Esperança”.

Médico

MOVIMENTO EM DEFESA DA SAÚDE PÚBLICA DO DF

(61) 99939-7245 facebook. com/s au d e ago ra d f

“Não tenho dúvidas que se você tiver um governante preocupado e comprometido com a assistência à saúde, que tenha capacidade de trabalho, planejamento estratégico avaliação de desempenho, cumprimento de metas e, acima de tudo, compromisso com os servidores, com a sociedade e com o cidadão, as coisas vão melhorar ”, ressalta, no documentário, Dr. Gutemberg.

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Jurídico

A guerra do imposto sindical Até o fechamento desta edição, a atuação do SindMédico-DF impediu que os médicos sofressem desconto do imposto sindical em favor do SindSaúde. Para isso, foram reunidos os sindicatos de outras categorias da Saúde e foram tomadas medidas administrativas e judiciais diversas. O desconto foi determinado pelo Superior Tribunal de Justiça, em recurso de ação iniciada em 2009 e julgada pela 6ª Turma do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDF). Uma ação contra o GDF, que tramitou sem que nenhum sindicato fosse notificado. O desconto foi evitado pelo presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, em 2014, com intervenção do governo da época. A mesma 6ª Turma emitiu decisão em outro processo, no qual o

SindSaúde pleiteava ser a entidade sindical representativa de todos os servidores da Saúde. A defesa do SindMédico-DF derrubou o argumento e a 6ª Turma deu ganho de causa às categorias com representações próprias e declarou que a decisão referente ao processo de 2009 reconhecia a obrigação de pagamento do imposto sindical, mas não reconhecia o SindSaúde como beneficiário. A 2ª Vara de Fazenda Pública, mandou, então, deixar fora do desconto os médicos, odontologistas, enfermeiros, auxiliares e técnicos em enfermagem e radiologia. Em reação, o SindSaúde conseguiu liminar do STJ mandando fazer o débito, mas o magistrado determinou que, em vez de repassado ao SindSaúde, o que fosse debitado de profissional representado por outro

Concessão da GTIT deve observar data de requerimento Quem protocolou requisição de concessão de Gratificação de Titulação antes do dia 24 de fevereiro de 2017, tem direito à concessão dela em acordo com as previsões legais vigentes à época – ou seja, com direito a acúmulo de títulos de mesma natureza e consideração de títulos como previsto até a publicação da Portaria 94 da SES-DF. O

artigo 13 da Portaria 141/2017, que mudou as regras para concessão da GTIT, é muito claro ao determinar que ela será concedida um mês após a publicação, mas retroativa à data do requerimento. O médico que tiver seu direito desrespeitado na concessão dessa gratificação deve entrar em contato com o Departamento Jurídico do SindMédico-DF.

Plantões de 18 horas O Secretário de Saúde, Humberto Fonseca, simplesmente lavou as mãos em relação à decisão do Tribunal de Contas do Distrito Federal que manda suspender os plantões de 18 horas e que altera os intervalos entre plantões. A assessoria jurídica do SindMédico-DF vai recorrer à Justiça para evitar desassistência à população e prejuízo aos médicos que a medida provoca.

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sindicato seja depositado em juízo. “Estamos tentando reverter decisões judiciais em processos nos quais não somos parte, para evitar esse abuso da direção do SindSaúde, que, inexplicavelmente ataca os servidores dessa forma”, destaca Dr. Gutemberg. A questão ainda segue para decisão judicial final. Use o leitor de query code do seu celular e veja, em vídeo, a explicação do advogado Luiz Felipe Buaiz sobre a questão do imposto sindical:

Revista interativa Fotografe com seu aplicativo QR CODE!

Você tem precatórios para receber? Os médicos sindicalizados com mais de 60 anos de idade ou portadores de doença grave e que têm crédito de precatório a receber do Governo do Distrito Federal devem procurar o departamento jurídico para, caso não o tenham feito, pedir prioridade no recebimento.Os que preenchem esses requisitos têm direito a pagamento pelo regime de Requisição de Pequeno Valor (RPV), o montante de até 60 salários mínimos, o que hoje corresponde a R$ 57.240,00. Para tanto, é necessário o preenchimento de formulário específico, à disposição na secretaria do Departamento Jurídico do sindicato. Mais informações podem ser obtidas pelo 3244-1998, com a secretária Raquel.


Especial

Expansão na cobertura da Atenção Básica é

Na contramão da tentativa de combate às fake news, um problema que ameaça diretamente a democracia, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e seu fiel escudeiro, o secretário de Saúde Humberto Fonseca, lançaram, no fim de fevereiro, mais um boato de forma oficial: em entrevista coletiva, eles anunciaram que a mudança no modelo da Atenção Primária dobrou a cobertura populacional em um ano.

bertura se destaca o Riacho Fundo II. Lá, segundo as contas duvidosas dos atuais gestores do Buriti, as alterações no modelo de assistência da atenção básica expandiram em 128,1% a cobertura. Porém, não é o que o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg, e o vice, Carlos Fernando, viram in loco em novembro do ano passado, após a implantação da nova política da Atenção Básica.

No entanto, basta uma rápida visita ao site do Ministério da Saúde, porém, para verificar que os números repassados pelo GDF são uma fake news. Quando comparados com os dados da pasta, os índices levados para a imprensa local por Rollemberg e por Fonseca tornam-se, no mínimo, duvidosos. No que diz respeito à Estratégia Saúde da Família, os números do ministério mostram uma cobertura populacional, em janeiro deste ano, de apenas 36,55% e não de 69,1% como afirma o GDF.

Segundo servidores da UBS 01, do Riacho Fundo II, muito provavelmente ela não chega nem a 30%. Isso porque, para calcular a área de abrangência, o GDF teria utilizado como parâmetro dados populacionais de 2013. O problema é que, de acordo com a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad), apenas de 2013 a 2015 o número de habitantes na região aumentou 14,53% ao ano, saltando de 39,4 mil para 51,7 mil pessoas. “Mais uma vez, o governo lança uma fake news à população. Por isso, é imprescindível que estejamos alertas, como venho falando desde o início desta suposta “conversão” de modelo na Atenção Básica”, afirma o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg. “E a próxima fake news que deve vir à tona, podem acreditar, é o Instituto Hospital de Base, outra empreitada sem rumo do GDF”, complementa.

Em números literalmente populacionais, em vez de uma assistência a mais de 2 milhões de habitantes do DF, como propagam Rollemberg e Fonseca, os dados do Ministério da Saúde revelam que o novo modelo chega a, no máximo, 1,1 milhão de pessoas. Ainda de acordo com os dados distribuídos pelo GDF, entre as regiões que ultrapassam 100% de co-

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Política

Ele acha mesmo que esse é o rumo certo?

Saúde nas Comissões do Congresso Nacional A partir de abril, a prioridade das duas casas legislativas do Congresso Nacional são projetos relacionados ao segmento da saúde. Não é pouca coisa. Só na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, tramitam 205 projetos de lei. Na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados o número é mais que quatro vezes maior. A análise dos projetos esbarra em uma série de dificuldades. Este ano, o primeiro atropelo é a demora na definição dos presidentes das comissões, que deveriam ter sido substituídos no início do ano legislativo.

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Na presidência da Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados, o deputado Hiran Gonçalves contabilizou mais de 1 mil projetos na área da Saúde.

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Política

A

Avaliação Nacional Seriada dos Estudantes de Medicina (Anasem) está na mira no Congresso Nacional. Essa avaliação foi prevista pela Lei do Mais Médicos, em 2013, para, a cada dois anos, avaliar os estudantes no segundo, quarto e sexto anos dos cursos de medicina em Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras. Foi aplicada pela primeira vez em 2016, quando 98,71% dos estudantes de 2º ano avaliados tiveram desempenho considerado “adequado”. No entanto, a nota do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) é que tem sido reconhecida na classificação dos cursos de medicina. Esse exame tem um componente, o Conceito Preliminar de Curso (CPC), que avalia a qualidade dos cursos de graduação. Mais de 50% dos cursos de medicina avaliados pelo Ministério da Educação no Enade tiraram nota 3 e 36,7%, nota 4. Nenhum curso tirou nota 1, que é a mais baixa do CPC.

Secretários na mira de auditores e vice-versa O Sindicato Nacional dos Auditores do SUS (UNASUS) alegou perseguição política que resultou na exoneração do chefe da Seção de Auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS no Piauí, após ter indicado o desconto de R$ 132 milhões de recursos destinados à Média e Alta Complexidade para o custeio de atividades indeterminadas e sem prestação de contas do CONASS e do CONASEMS. Quem ocupa uma das vice-presidências no CONASS é o secretário de Saúde do DF, Humberto Fonseca, que por aqui faz ouvidos moucos às queixas de assédio e abusos dessa ordem.

Quem avalia a avaliação?

Estudantes do 2º ano de Medicina, do Centro Universitário Municipal de Franca (Uni-FACEF) fazendo a prova do Anasem.

O relatório analítico do Anasem indicou haverem diferenças na organização das matrizes curriculares dos cursos. Em questionário respondido pelos participantes da avaliação, 41,3% apontaram desconhecimento de conteúdos como a maior dificuldade encontrada na prova. Segundo o presidente da Frente Parlamentar da Medicina, deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS), com a alteração, o ministro Mendonça Filho, da pasta da Educação, pode criar um grupo de

trabalho para elaboração de uma proposta de avaliação. Isso porque no final do ano passado, o Art. 12 da Lei n° 13.530/17 alterou o Art. 9 da Lei do Mais Médicos. Também com intuito de fazer ajustes no sistema de avaliação, um projeto de lei do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-RN) propõe alteração na Lei do Mais Médicos, com previsão de que o Conselho Federal de Medicina assuma papel de supervisão nos processos de avaliação dos cursos de medicina.

Distribuição de médicos e de cursos de medicina A imprensa repercutiu a edição da Demografia Médica 2018 alardeando a concentração de médicos nos grandes centros urbanos brasileiros. O relatório, de fato, aponta que 30,2% da população vive em 42 cidades com mais de 500 mil habitantes, onde atuam 60,2% dos médicos brasileiros. Ao relacionar esse fato com a expansão da oferta de cursos de medicina, a imprensa deixou de analisar que, segundo dados da Avaliação Nacional dos Estudantes

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de Medicina de 2016, 57,4% das Instituições de Ensino Superior (IES) existentes à época estavam concentradas nas regiões Sul e Sudeste, onde também se localizam 21 das 42 maiores cidades do país. Pesquisa realizada entre setembro de 2014 e outubro de 2015 mostra que três estados do Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) concentram 46,99% dos 16.323 médicos recém-formados inscritos nos 27 Conselhos Regionais de Medicina.

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Política

Gente saindo pelo ladrão,

só que não

Quem não acompanha de perto a realidade da saúde pública do Distrito Federal fica até tonto com tanto anúncio de contratações e liberação de verba. Em outubro de 2017 anunciaram a contratação de 1,2 mil servidores, em dezembro anunciaram liberação de R$ 107 milhões para contratações e, em fevereiro, novo anúncio de contratações de 1,4 mil profissionais para atuar nas unidades públicas de saúde.

A verdade é que mesmo com 2.309 contratações de médicos aprovados no concurso de 2014 pela Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) chegamos a janeiro deste ano com 5.310 postos de trabalho médico ocupados, 236 a menos do que em abril de 2014. Foram nomeados 772 clínicos, que hoje são 29 a menos do que havia há quatro anos. Os pediatras, mesmo sem haver um único profissional a espera de nomeação, são 94 a menos.

“Com as péssimas condições de trabalho, cortes de gratificação, assédio moral no trabalho e os ataques à previdência dos servidores, quem tem condição se apressa em se aposentar e os novatos resolvem não ficar. A política de gestão de pessoas do governo socialista de Rollemberg é estratégia de terra arrasada”, aponta o presidente do SindMédico-DF, Dr. Gutemberg.

Pré-candidaturas médicas em evidência Ao longo dos anos, além das atividades do sindicato, o auditório do SindMédico-DF é cedido aos médicos associados para realização de atividades acadêmicas e de interesse da categoria médica sem interesse econômico. Com essa prerrogativa foi ele o palco da filiação do presidente da entidade, Dr. Gutemberg, ao PR, o partido do pré-candidato ao governo do Distrito Federal Jofran Frejat. Diante de uma plateia cheia, Dr. Gutemberg e Frejat reafirmaram o compromisso de resgatar a saúde pública do Distrito Federal.

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Aquele bolo Kit Kat saiu caro Servidora da Saúde avaliando o comportamento de uma sindicalista da área da Saúde.

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Direto ao ponto


bastidores da política Depois da segurança, saúde é a bola da vez Desde o início deste ano, o Poder Executivo vem saindo discretamente do centro do palco e o Congresso Nacional assume o protagonismo da cena política brasileira. A agenda é temática: em março, o foco é a segurança pública, depois disso a saúde ocupa os holofotes. Muita calma e atenção nessa hora! Só na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara dos Deputados existem mais de 1 mil projetos referentes

ao segmento. A maioria deles contraria interesses de médicos. É o caso do relatório do deputado Ricardo Marinho (PSDB-RN) ao Projeto de Lei (PL) 7419/2016, que altera a Lei dos Planos de Saúde. Vantajoso só para as operadoras de planos de saúde. Depois de analisar esse projeto e os 155 outros a ele apensados (juntados), o relator parece muito favorável a elas. Até colocou em cheque a autonomia de médicos e dentistas para a indicação de determinados procedimentos e utilização de órteses, próteses ou outros materiais. Entidades que defendem os usuários têm criticado fortemente o projeto. As entidades representativas de médicos e outros profissionais da saúde engrossam o coro dos descontentes. Em relação a estes últimos, o relator descartou qualquer dispositivo que garantisse uma relação justa de remuneração pelos serviços prestados aos pacientes ligados a operadoras. Outro projeto que também foi bater na CSSF e que continua em discussão é aquele sobre cursos a distância na área da saúde. Aquele (vejam o absurdo!) que foi aprovado sem nenhum votante além do deputado Caio Narcio (PSDB-MG) em uma sessão de 2 minutos e 27 segundos da Comissão de Educação.

Carlos Fernando, vice-presidente do SindMédico-DF

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Outros assuntos, como a facilitação da revalidação de diplomas obtidos no exterior – ou nos países fronteiriços, para ser mais exato – fazem uma legião de assombrações que passeiam pelos gabinetes e corredores do Parlamento. A questão da criação da Carreira Médica, que depende de Proposta de Emenda à Constituição, está descartada neste momento, por conta da intervenção militar no Rio de Janeiro. Até o piso salarial, o Piso Fenam, pode não ter sustentação para discussão. A recém-criada Frente Parlamentar da Medicina (FPMed), vai concentrar esforços para incluir os interesses dos médicos na alteração da Lei dos Planos de Saúde e para reforçar o Revalida. Só a existência da Frente já é um ganho resultante de meses de trabalho, do qual nós, do SindMédico-DF, participamos com afinco, para reunir entidades e conseguir as assinaturas necessárias de parlamentares que a integram. Se tivéssemos uma bancada e capacidade de pressão maiores, poderíamos almejar voos mais altos. Só teremos perna para mais, se trabalharmos pela eleição de representantes comprometidos com a classe médica para ocupar espaços no Legislativo e se investirmos individualmente e por meio de nossas entidades no fortalecimento do Instituto Brasil de Medicina, que é o elo das entidades com a FPMed e dá suporte às ações dela. Sem isso, estaremos condenados a ser coadjuvantes de nossas próprias histórias.

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Crônica

LAMPIÃO E MARIA BONITA, TERROR, AMOR E MARKETING NA CAATINGA Por Dr. Evaldo Alves de Oliveira – Pediatra

Quando falamos ou pensamos no cangaço, surge o nome ou a imagem de Lampião. Por quê? O bando de Lampião não foi o primeiro a atuar no sertão nordestino. Antes dele, José Gomes, o Cabeleira, aterrorizava a zona da mata pernambucana desde Vitória de Santo Antão até o centro de Recife pelos idos de 1775. Levado à forca no Forte das Cinco Pontas, em 1776, Cabeleira era um bandido sanguinário e cruel e entrou na vida do crime por influência do pai, um homem de má índole que cedo ensinou a arte de matar e sangrar as pessoas indefesas apenas por prazer. Em 1875 nascia em Afogados da Ingazeira – PE, o mais famoso líder cangaceiro antes de Lampião. Arrancou trilhos, sequestrou engenheiros da Great Western, prendeu funcionários. Aprisionado em 1914 na Casa de Detenção de Recife, teve um exemplar comportamento, sendo libertado em 1937 por indulto do presidente Getúlio Vargas, e morreu em 1944, em Campina Grande. Nenhum desses cangaceiros, no entanto, conseguiu criar em torno de si algo que pudesse perpetuar seus nomes na história do crime. Lampião, ao contrário, firmou-se no anedotário popular e nos registros históricos como o homem que conseguiu espalhar o terror , originando fama, ódio, respeito, idolatria, temor e admi-

ração. Nascido, em 1898, em Serra Talhada – PE, em 1930 foi citado no The New York Times. Virgulino Ferreira da Silva passou a fazer parte de um bando depois que a polícia assassinou seu pai a tiros, em 1921. Lampião tinha muita destreza, era inteligente, sabia ler e escrever, além de ser bom de mira. Tornou-se líder do bando em 1922. O apelido surgiu de sua temida habilidade no manejo do rifle. Ao fazer disparos em sequência, mais parecia um candeeiro iluminando a caatinga. Uma de suas primeiras ações foi matar o informante que entregara seu pai à polícia. Ainda em 1922, realizou um dos maiores assaltos da história do cangaço, ao atacar uma senhora de mais de noventa anos, a Baronesa de Água Branca. Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, nasceu em Paulo Afonso, também em Pernambuco, em de 1911, e passou a fazer parte do bando aos 18 anos, a convite de Lampião, com quem havia iniciado um romance em 1929. As vestimentas de Lampião eram espalhafatosas, chamativas, com chapéu de couro e coletes com moedas e medalhas de ouro, além do lenço de seda que trazia no pescoço, preso por anéis de ouro. Em 1928, o grupo de Lampião cometeria um engano que lhe cus-

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taria muitos dissabores, ao atacar Mossoró, à época uma cidade de médio porte. A desastrada invasão marcaria o início do fim do bando. Os cangaceiros perderiam, a partir de então, a fama de invencibilidade. O grupo ficou com apenas 16 a 20 homens, e Massilon, que havia encorajado Lampião a invadir a cidade, por ser próspera e possuir bancos, desertou. Lampião jamais concordou com essa invasão. Corria o ano de 1937, e Lampião, aos 39 anos, andava irritado com a perseguição das volantes. Reclamava de que sua visão tornara-se precária, depois de um ferimento no olho direito em um espinho. Seu corpo se ressentia com os maus tratos produzidos pelo sol, a pele ressecada, além das más condições de higiene e dos ferimentos mal curados. Em 1938, os cangaceiros, acampados na Grota de Angicos, em Poço Redondo – SE, foram atacados de surpresa pela polícia armada oficial, a volante. Maria Bonita foi degolada ainda viva, assim como Lampião, já morto, além de nove cangaceiros. Suas cabeças foram cortadas e fotografadas pelos soldados, como prova da derrocada do bando de Lampião.

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CLIDIP

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Sabe aquele paciente que precisa de tratamento medicamentoso mas dispensa internação?

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O médico prescreve e nós cuidamos do paciente com segurança, desde a liberação junto ao convênio até a aplicação da medicação.

Dra. Eliana Bicudo Responsável Técninca CRM DF 6162

710|910 Sul, Centro Clínico Via Brasil, Sala 536 | 61 3442-8186 | www.clidip.com.br


Revista médico n° 124 março abril web  
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