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nº 1 Revista-Laboratório | Jornalismo | UFOP | Ano 1 | Novembro de 2011

. . . s n e i p a S o m o H , s ó N Revista-Laboratório | Jornalismo | UFOP | Ano 1 | Novembro de 2011

dezembro 2011

nº 1

Pausa para o café p.26  Sorrir é coisa séria p.22 O Brasil que cabe no seu bolso p.10 Corpo e voz: além do ensino p.12 Vá se foder com Amadeu Roselli p.6 Poltrona, Prólogo e Refrão p.28

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Carteado ade ificuld d e m enor ra de Tenho ida “fo v a m ma er u omo u c em viv o t o me sin ue nã casa”, ízes q a r m co minha arvore em, a v o não. m o orpo c se loc u e ivênsim, m sobrev mente a h in ara m so me Mas p air e is s o is c cia pre ito. u dói m Maria Fátima

a ler um ria de a t s ib s o s iliG re ace b o ria s ia to. Se matér ro Pre u O o r em er Ou dade onhec c l e e v d possí deira ma ca u n o t Pre béns rodas? e para a d a ig Obr . evista pela r ha o N ron Flávia

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Para comentar as matérias desta edição ou sugerir pauta para a nossa próxima Curinga, envie e-mail para revistacuringa@ufop.br

Matérias completas

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Sem Cortes Sem Edição

www.revistacuringa.ufop.br dezembro 2011


Curinga é uma publicação da disciplina Laboratório Impresso II - Revista produzida pelos alunos do curso de Jornalismo da Ufop - Universidade Federal de Ouro Preto. Editor-geral e jornalista responsável Ruleandson do Carmo - 12440/MG Editora de planejamento visual Priscila Borges Editor de fotografia Anderson Medeiros

Projeto Gráfico: Allãn Passos Lucas Lameira Luiza Lourenço Simião Castro

Equipe: Capa, sumário e expediente - Diagramação: Enrico Mencarelli | Direção de Arte: Thales Lelo | Edição de fotografia e Revisão: Lorena Caminhas TROCANDO CARTAS COM - Produção: Rodolfo Gregório | Texto: Luana Viana e Marcelo Quintino| Edição de Texto: Marcelo Quintino | Fotografia: Fernando Gentil | Diagramação: Allãn Passos | Edição de fotografia: Leidiane Vieira | Direção de Arte: Amanda Rodrigues | Revisão: Leidiane Vieira MOCHILÃO - Produção e Texto: Enrico Mencarelli, Lorena Caminhas, Raísa Geribello e Thales Lelo | Edição de Texto: Lorena Caminhas | Fotografia: Enrico Mencarelli | Diagramação e Revisão: Mayara Gouvea | Edição de fotografia e Direção de Arte: Rayanne Resende OUTRO CAMPUS - Produção e Texto: Sabrina Carvalho, Sara Oliveira, Tábatha Barbosa e Yumi Inoue | Edição de Texto: Sara Oliveira | Diagramação: Marcelo Quintino | Edição de Fotografia e Direção de Arte: Fernando Gentil | Revisão: Luana Viana MATÉRIA DE CAPA - Produção: Ana Cláudia Garcêz e Mari Fonseca | Texto: Ana Beatriz Noronha, Giulle da Mata e Paulo Dias | Fotografia: Ana Beatriz Noronha | Edição de Texto: Ana Beatriz Noronha | Diagramação: Yumi Inoue | Edição de Fotografia: Tábatha Barbosa | Direção de Arte: Sabrina Carvalho | Revisão: Sara Oliveira TRANSBORDA - Produção: Leidiane Vieira | Texto: Allãn Passos e Luiza Lourenço | Fotografia: Amanda Rodrigues | Edição de Texto: Olívia Mussato | Diagramação: Paulo Dias | Edição de Fotografia: Mari Fonseca | Direção de Arte: Ana Cláudia Garcêz | Revisão: Ana Beatriz Noronha RETINA - Produção e Edição: Rayanne Resende | Texto: Douglas Gomides | Fotografia: Douglas Gomides, Lucas Borges, Mayara Gouvea e Sophia Figueiredo | Diagramação: Dalila Carneiro | Edição de Fotografia : Rodolfo Gregório | Direção de Arte: Mateus Fagundes | Revisão: Rodolfo Gregório REFRÃO, POLTRONA e PRÓLOGO - Produção e Edição: Fábio Seletti | Texto: Lucas Lameira, Mateus Fagundes e Simião Castro | Fotografia: Simião Castro | Diagramação, Direção de Arte e Revisão: Raísa Geribello, Olívia Mussato e Sophia Figueiredo | Edição de Fotografia: Lucas Borges Supervisor de diagramação e arte: Simião Castro | Supervisor de Edição de Fotografia: Fábio Seletti | Supervisora de Revisão: Luiza Lourenço | Produção de Imagens: Lucas Lameira Endereço Rua do Catete 166, Centro, CEP 35420-000, Mariana-MG Tiragem: 1.500 exemplares Novembro 2011 Impressão: Gráfica Conceito Cartas do leitor: Para comentar as matérias ou sugerir pautas para a nossa próxima edição, envie e-mail para revistacuringa@icsa.ufop.br

e x p e d i e n t e

empo. De quanto em quanto tempo você nota a falta dele? Você corre para entregar o trabalho, corre para não faltar, tenta dar conta de tudo e enquanto isso caminha, ou melhor, caminhamos, a passos lentos de um entendimento, de uma reflexão. A gente responde o e-mail apressado e entende tudo errado, fica de ligar depois para aquele amigo e depois nem percebe que nos tornamos alguém que não se importa mais. Além do tempo que nos falta para lermos as palavras de gentileza, como compôs e cantou Marisa Monte, tem nos faltado tempo para sermos gente, não só gentis. E é em busca da reflexão do tempo que nos tem faltado e da consequência disso que a segunda edição da Curinga chega. Nossa matéria de capa aponta contradições que nós vamos encontrar no Brasil em 2012 e pergunta: por onde caminham os nossos direitos humanos? Em “Trocando cartas com”, convidamos você a se despir de preconceitos e encarar o sexo de frente (ou de costas). “Outro campus” mostra professores que arranjam um tempo para atividades que os realizam além das aulas. “Retina” traz aquele cafezinho que nos traz momentos diversos, tempos femininos, tempos de encontro ou nos dá mais tempo adiando um pouco o sono. “Mochilão” te ensina a viajar pelas cinco regiões do país gastando pouco dinheiro. Em “Transborda” vamos refletir sobre o papel social do humor. “Poltrona” traz os filmes que parecem, mas não são documentários. “Prólogo” apresenta um tipo de literatura que tem ganhando respeito: história em quadrinhos. E “Refrão” fala sobre aquele que te faz cantar mesmo sem você conhecê-lo (ou vê-lo): o compositor. Que em 2012 a gente tenha mais tempo para se entender e se estender. Um novo ano cheio de ideias na manga! Boa leitura!

T

Ruleandson do Carmo Editor-geral da Revista Curinga

E d i t o r i a l


Tamanho de gente, passo de formiga

16 p.

Sexo e corpo com Amadeu Roselli

Por detrรกs do sorriso

dezembro de 2011

22

p.

6 p.


Refrão

Para além do ensino

12 p.

Poltrona

Café, foto e prosa

p.

Prólogo

Viaje com pouca grana

p.

30

10

p.

29

26 p.

28 p.


Trocando cartas com Amadeu Roselli

vá se

arquivo pessoal

FODER!

Texto Luana Viana e Marcelo Quintino Edição gráfica Allãn Passos

Entre quatro paredes (ou não) um casal hétero transa. O homem pede à parceira para fazer sexo anal. Ela, inicialmente, se esquiva, mas o parceiro resolve esclarecer as coisas. Ele quer que a parceira faça sexo anal, nele. Não, você não leu errado, ele quer ser penetrado. O estranhamento e o questionamento da nossa mocinha talvez sejam iguais aos seus agora: “mas ele é gay?”. Não, não é! Nesta segunda edição da Revista Curinga, conversamos com o Dr. Amadeu Roselli Cruz sobre os tabus do sexo. Nosso entrevistado é professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Doutor em Lingüística – Análise do Discurso e Mestre em Psicologia. Se prepare, se desnuda de seus preconceitos, toque e olhe de perto nossa entrevista e vá se foder (no bom sentido, é claro!).

fotos: fernando gentil

6

ilustração: simião castro

dezembro 2011 dezembro 2011


CURINGA: Há algum tempo houve uma abertura nos assuntos relacionados ao sexo, mas ainda há um preconceito e certo medo de falar sobre o assunto, como se um tabu estivesse implícito no termo. Para o senhor, até onde é válido e importante falar de sexo? ROSELLI: Sempre, enquanto houver vida, será necessário falar sobre sexo. Sexo é vida. E é um dos principais prazeres da humanidade. Por isso é também fruto de repressão. E mitos e preconceitos. Por isso, educar, tratar e praticar com segurança e oportunidade o sexo será sempre importante. C: O senhor acha que as crianças devem, desde cedo, conhecer “termos sexuais” como: masturbação, menstruação, gozo, homossexualidade, etc, e saber o real significado disso tudo? R: Não. Esse conhecimento só deve ser fornecido para as crianças na medida em que elas se interessem pelo tema.

Enquanto houver vida, será necessário falar sobre sexo

C: Essas crianças e adolescentes vivem cada vez mais cedo a autodescoberta e a descoberta do outro, no sentido físico. Isso pode parecer precoce e de certa maneira vulgar. O senhor acha que esse “vasculhamento“ do corpo alheio ajuda no crescimento pessoal, social e intelectual dos pequenos? R: A mídia antecipa o conhecimento da sexualidade mais precocemente do que seria saudável. Assim, a educação sexual, o conhecimento do outro e de si próprio acabam sendo necessariamente antecipados. No caso é melhor informar do que abandonar o assunto com os mais jovens. C: Os adolescentes, ainda precisam de ajudas externas e experiências na fase da descoberta do sexo, provindas, por exemplo, da falta de dialogo em casa, ou timidez. Acredita que o anseio de “conhecimento”, resulta em problemas como gravidez precoce ou infecção com algumas doenças? R: Na medida em que a informação sexual chega muito precoce ao jovem, esta o pegará cada vez mais em situação de imaturidade corporal, afetiva e sexual. Com isso, aumentará a possibilidade de problemas de compreensão quanto à sua sexualidade.

7 dezembro 2011


C: O movimento homossexual vem se destacando no que diz respeito à conquista de espaço e respeito. Essa luta ajuda, também, os adolescentes que se descobrem gays e vivem reprimidos, escondendo sua orientação da sociedade? Esses jovens estão abarcados na causa gay? R: Os movimentos homossexuais têm ajudado muito os jovens que ainda não assumiram sua sexualidade com responsabilidade e certeza. C: Muito se fala da generalização do gênero, como se fosse necessário um “rótulo” para cada um se identificar a alguma tribo. Mas o que se vê são pluralidades cada vez menos harmônicas. O que você pensa sobre isso? R: A sociedade se divide em tribos. Cada tribo porta uma característica. E as características sexuais podem ser determinantes para o pertencimento a tribos. E isso é saudável se houver respeito para com as outras tribos e critérios de convivência entre elas. C: É possível uma relação saudável entre a religião e o sexo? Até as mais extremistas? Como isso pode acontecer? R: Sim... é possível. Depende da religião. Elas têm as mais variadas posturas quanto à sexualidade.

C: Você acha que um relacionamento sério deve vir acompanhado pela monogamia? Quando a busca pelo prazer invade a fidelidade? R: Cada um sabe o que lhe é melhor. E deve buscar por um companheiro que compartilhe essa filosofia. Não há modelos corretos e modelos errados. Há apenas modelos a serem compartilhados. A fidelidade deve ser devotada a si mesmo e ao modelo adotado.

Em sexo tudo é possível

C: Algumas pessoas têm certo pudor em falar de assuntos como o sexo anal. Quando um casal deve entrar nesse assunto? E quando acontece o contrário, o parceiro que pede o “fio terra”, isso está ligado à homossexualidade ou não? R: O casal deve discutir isso sempre que achar necessário. Em sexo tudo é possível desde que não haja dor nem humilhação. Isso vale para sexo anal e fio terra. Fio terra não tem nada a ver com homossexualidade. É apenas mais uma exploração do corpo em busca do prazer. Homossexualidade é desejar alguém do mesmo sexo.

8 dezembro 2011


C: Muitos pensam que não se pega ou se transmite Doenças Sexualmente Transmissíveis – DSTs pelo sexo oral. Como há o contágio de DSTs por meio do sexo oral? R: Bactérias e vírus presentes no órgão sexual podem contaminar a gengiva e a língua, laringe, faringe do parceiro. A falta de higiene pode gerar isso. C: Qual é a diferença entre orientação sexual e identidade de gênero? R: As duas expressões se confundem na população. Identidade de gênero diz do aspecto observável das atitudes sexuais de alguém como heterossexual, homossexual ou ambíguo. Diz daquilo com que a pessoa se identifica. A orientação sexual é um processo externo ao indivíduo. Diz respeito à educação que é dada a ele pela família e escola quanto às identidades que podem ser assumidas. C: É possível engravidar tomando a pílula do dia seguinte? Se sim, como? R: Sim, dependendo do tempo em que ela foi tomada após uma relação desprotegida.

C: Existe o ponto G? Como encontrá-lo? R: Não, ele não existe. Nunca foi encontrado. Não é científico referir-se a ele. O agradável da história é procurá-lo no corpo da mulher. Isso dá muito prazer para ambos. C: Qual é a dúvida mais freqüente entre os jovens sobre sexo? R: Entre os homens é saber sobre o tamanho “normal” do pênis. Entre as mulheres é saber sobre se há dor na primeira relação sexual. C: E quais são as respostas para estas dúvidas? R: O pênis médio do homem brasileiro tem entre 12 e 14 cm. Um pênis de seis cm já é capaz de manter relações sexuais satisfatórias. Pênis acima de 20 cm já podem começar a ter problemas para penetração. A vagina é um órgão muito elástico que se distende com a excitação sexual e se acomoda para envolver o pênis. Há posições sexuais onde a mulher pode comandar o quanto do pênis ela quer que penetre nela e assim não haverá problemas. Dor poderá ou não haver. Em primeiro lugar é raro sentir dor e, depois, a mulher se for bem excitada nas preliminares, e souber escolher as melhores posições para a penetração nela, não haverá dor nenhuma. Para isso é necessário ter educação sexual na família e na escola.

Rapidinhas O Brasil aparece em segundo lugar no ranking dos que perdem a virgindade mais cedo, com 17,4 anos, em média. O País fica atrás apenas da Áustria, onde a primeira relação sexual acontece com 17,3 anos, segundo a pesquisa The Face of Global Sex 2007. Os Indianos tinham a crença de que a masturbação acarretava perda de energia vital e evitavam a prática para se sentirem mais fortes. No Império Romano, era comum o homem se masturbar horas antes da relação sexual para retardar a ejaculação no coito com a parceira. A prática é indicada até hoje para o tratamento da ejaculação precoce.

A entrevista na íntegra está no disponível em curinga.ufop.br

9 dezembro 2011


Mochilão

Conheça o Brasil

Fotos: divulgação

Viajar é uma das formas de lazer mais importantes no país. No entanto, os altos preços das passagens e das atrações turísticas podem tornar inviáveis uma viagem, principalmente para o jovem universitário. Com algumas dicas da Curinga você verá que é possível ir para qualquer destino do Brasil a um preço razoável.

te nica -AM-Nor

Floresta Amazô

Créditos da reporta gem TEXTO En rico Menca relli, Lor ena Caminhas e Thales Le lo EDIÇÃO G RÁFICA M ayara Gou vea

Na região Norte está a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo. Uma tendência é o desenvolvimento do turismo sustentável e do ecoturismo. Aos interessados em conhecer esse paraíso, o passeio será de barco. Durante a estação da cheia é possível passear de voadeira - uma lancha de pequeno porte - pelos Igarapés de terra firme do Parque Nacional do Jaú, onde os visitantes também poderão se surpreender com as Ariranhas que vivem por lá. Durante a seca, uma boa pedida é o turismo pelo rio Pauini e suas cachoeiras. Para os mais aventureiros são comuns os passeios noturnos com focagem de jacarés e outros animais.

Floresta Amazônic

a -AM-Norte

A região Centro-Oeste é caracterizada pelas paisagens naturais ricas em diversidade de fauna e flora. Por isso o turismo na região é focado no ecoturismo e na prática de esportes de aventura. No Mato Grosso, os principais atrativos são os paredões rochosos, grutas, cachoeiras e as águas termais e cristalinas. Em Goiás, os destinos mais comuns são o Parque Nacional das Emas e da Chapada dos Veadeiros. O Mato Grosso do Sul é procurado pela região do Complexo do Pantanal e pelo Parque Nacional da Serra da Bodoquena.Para aproveitar a natureza exuberante desta região a baixo custo é necessário se atentar a dicas importantes. Como o ecoturismo exige o contrato de um guia, procurar o portal turístico é uma ótima opção, pois os preços são tabelados. Passeios para grupos também costumam ser mais baratos nestas regiões. Com relação à hospedagem, as pousadas e fazendas costumam ser mais baratas que os hotéis e resorts.

10 dezembro 2011

Bonito-MS-Cen

tro-Oeste

tro-Oeste

Bonito-MS-Cen


...gastando pouco

carelli

No Sudeste encontramos desde o famoso Corcovado, no Rio de Janeiro, até os museus de Ouro Preto, em Minas Gerais, onde o patrimônio cultural é muito vasto, com igrejas e vários pontos históricos, muitos deles com visitação gratuita. Recentemente, está funcionando, a todo vapor, o Parque Horto dos Contos, uma espécie de oásis natural que atravessa e percorre o centro de Ouro Preto.Há várias alternativas para hospedagem. Além dos hotéis, pousadas e hostels, as repúblicas estudantis oferecem abrigo a um preço razoável, com uma média de R$ 50,00 a diária. Os aventureiros podem desfrutar das várias cachoeiras do município e seus distritos, como a dos Namorados e Três Pingos, localizadas em Lavras Novas. Outra opção é o Parque do Itacolomi, onde podem ser admirados vários tipos de vegetação e uma fauna muito rica.

rico men

Vil

- Nordeste

Foto: en

ntônio - BA a de Santo A

Desviando de Salvador, esconde-se entre dunas e coqueirais um lugarejo pertencente ao município Mata de São João, a vila de Santo Antônio, um paraíso no litoral norte da Bahia, que conta com a hospitalidade dos moradores para acomodar os visitantes em aconchegantes chalés ou na área para camping. No sudeste do Piauí está um dos mais importantes patrimônios culturais pré-históricos, o Parque Nacional Serra da Capivara. A preservação da caatinga faz cenário para a majestosa geologia local, saltando aos olhos chapadas e cânions.

Ouro Preto-

MG-Sudeste

-Sul

Blumenau-RS

Mais dicas em www.revistacuringa.ufop.br

O frio característico do Sul é um convite aos jovens que pretendem conhecer as delícias de cidades marcadas pelas imigrações italiana e germânica e por tradições derivadas principalmente da cultura europeia. Dentre as muitas opções de viagem, uma interessante dica é Blumenau, em Santa Catarina, sede de uma das mais clássicas festas da cerveja do país, a Oktoberfest, realizada todos os anos no mês de outubro. Hospedando-se na cidade, o turista poderá conhecer Brusque e Pomerode, redutos da cultura alemã que ficam a aproximadamente 40 km de distância de Blumenau. Saindo de ônibus, as passagens para estes dois municípios saem em torno de R$8,00. No quesito valores de hospedagem, Blumenau também tem preços razoáveis para o bolso do viajante, com diversos hotéis com diárias entre R$75,00 e R$100,00.

11 dezembro 2011


Outro Campus Não

haverá aula.

Hoje

Motivo:

é dia de hobby, bebê!

TEXTO Sabrina Carvalho EDIÇÃO GRÁFICA Fernando Gentil, Luana Viana e Marcelo

Ricardo Frei e o Aparelho Um docente da Universidade Federal de Ouro Preto que divide seu tempo entre as salas de aula e as atividades paralelas é professor de jornalismo Ricardo Lima Frei. Formado pela Universidade Federal de Minas Gerais em Comunicação Social, seu currículo acadêmico inclui mestrado em História e passagem pelo Conservatório de Músicas da UFMG, pela Fundação de Educação Artística de Minas Gerais e pelo Centro de Formação Artística do Palácio das Artes. Criado em uma família de músicos, seu interesse pela arte veio antes da decisão de se tornar professor, influenciado por seus pais quando ainda era

criança em Belo Horizonte. Quando resolveu dar aulas, Ricardo conciliou as duas carreiras e leva as duas profissões até hoje. Hoje, o professor que é vocalista de uma banda chamada Ricardo Frei e o Aparelho. O grupo musical toca canções brasileiras com pitadas de jazz e rock, seguindo influencias de Arnaldo Antunes, Chico Buarque, Ary Buarque, Ary Barroso, Roberto Carlos, Los Hermanos e outros nomes conhecidos. Na Ufop, Frei se tornou conhecido dos alunos por suas aulas de teorias, ética, jornalismo cultural e técnicas de expressão vocal. Mas também é conhecido pelos vários festivais e eventos em que ele se apresenta. Quando perguntado qual das duas paixões seria a escolhida, caso houvesse que optar por apenas uma delas, o professor não sabe responder. “Ainda não precisei me decidir entre as salas de aula e os palcos, mas confesso que não saberia o que fazer. Ambas se tornaram uma espécie de necessidade”, afirma Ricardo, que espera nunca precisar fazer essa escolha.

12 dezembro 2011


A licenciatura é uma profissão marcada pela paixão daqueles que a praticam. A carreira necessita de tempo e dedicação em período quase integral para que as aulas ganhem qualidade. Isso sem contar os anos de estudos com pós-graduação, mestrado e, na maioria das vezes, até o doutorado, no caso dos professores universitários. Mesmo com tanto tempo de dedicação à profissão, muitos docentes ainda encontram espaço em seus dias para se dedicarem a outras paixões. O esporte, a musica, o artesanato e o serviço voluntário são apenas alguns exemplos de atividades exercidas com excelência por esses profissionais nas horas vagas. Na Universidade Federal de Ouro Preto, assim como em outras instituições, vários professores conciliam a rotina sala de aula, a dedicação a família e essas paixões paralelas. Conheça agora alguns exemplos dessa “jornada dupla” dentro da Ufop.

foto: Lucas Lameira

Conhecendo o mundo Praticar uma atividade diferente de lecionar é possível principalmente quando proporciona bem estar, além de oferecer a oportunidade de conhecer novos lugares. É o caso da professora de jornalismo Sônia Pessoa, que pratica trekking há 15 anos. O esporte é constituído de provas onde os participantes percorrem trilhas preestabelecidas em planilhas que fornecem informações como figuras representativas sobre o caminho, direções para navegação por bússola, velocidade de caminhada e comprimento dos trechos. Os desenhos ajudam a identificar o percurso a ser seguido, além de ajudar o atleta a não se perder.

Sônia iniciou as caminhadas de longa distância em 1996, por influência do marido, Márcio Santos, que é pesquisador. Por causa da profissão, ele fez inúmeras caminhadas pela Estrada Real, sendo que algumas delas duraram um mês. As primeiras caminhadas da professora foram mais curtas e em locais próximos a Belo Horizonte, como a Serra do Cipó, Caraça, Glaura e Acuruí, próximo a Ouro Preto, entre outros. De acordo com Sônia, a oportunidade de realizar caminhadas em locais conhecidos mundialmente e considerados paraísos do trekking, surgiu entre 98 e 99. Nesse período, o casal esteve no Kings Canyon, na Austrália, e no Milford Sound, na Nova Zelândia.

A professora cita a trilha do Monte Anapurna, na Cordilheira do Himalaia como a mais inesquecível das trilhas. Foram quatro dias de caminhadas. Lá, se hospedaram na casa de moradores que já possuíam uma logística para receber os caminhantes. ‘’Nas paisagens maravilhosas, alternavam dias de sol forte em meio a montanhas nevadas’’, descreve Sônia. Seu objetivo é fazer a trilha Inca no Peru, sonho que pretende realizar assim que possível. ‘’Cada um escolhe o trekking por um motivo especial; pode ser esportivo, espiritual ou simplesmente por curiosidade. O fato é que, independentemente do motivo, o trekking faz bem para o corpo e para a alma’’, afirma Sônia.

13 dezembro 2011


fotos: arquivo pessoal

De mãe para filha A professora de rádiojornalismo, Nair Prata, não tem intimidade com o microfone apenas nos estúdios. A ex radialista tem a música como seu principal hobby. Desde a adolescência, ela se dedica à atividade, aprendendo a cantar e a tocar violão sozinha. O gosto pela música está no sangue da família. Além dela, o marido e as duas filhas tocam algum instrumento. Aliás, foi exatamente a música que uniu o casal. Eles participavam de um grupo de jovens de Belo Horizonte, onde sempre se apresentavam. E foi assim que começou o romance. A história da família com a música só estava começando. O talento de Nair não se restringe a interpretação. Ainda no grupo de jovens, ela e o marido ganharam o primeiro lugar em um festival de música com uma composição própria. Nem no dia do casamento, eles deixaram a música de lado. Foi o próprio noivo que tocou piano para ela entrar na Igreja. Devido ao envolvimento dos pais, as filhas tiveram contato com a música desde cedo. “Desde criança, minha filha mais nova levantava a tampa do piano e tocava”, lembra. Apesar de ser um hobby, a música é levada a sério. Há dois anos, a professora voltou a ter aula de canto. “Meu objetivo não é ser profissional, é aprender a cantar” afirma Nair, que segue a atividade porque se sente bem. Prova disso é que no ano passado apresentou o show Explícita na escola em que faz aulas. E ela não pretende parar por aí. Para o primeiro semestre do ano que vem, Nair planeja fazer uma participação especial no show que a filha mais velha, Yasmim, de 19 anos, esta produzindo. Além disso, a professora pretende programar

Nair em apresentação do show Explícita

outra apresentação quando as atividades acadêmicas estiverem mais tranqüilas. Além de cantar, Nair também adora ouvir música, mas diz não ter um estilo preferido, sendo muitas vezes influenciada pelo gosto das filhas. “Tem fases em que gosto de MPB, já em outras de ouvir e cantar Amy Winehouse. Canto e ouço o que estou a fim”, explica.

Nair e Yasmim Prata dividem o palco em apresentação

14 dezembro 2011


Arquitetura e Rugby Em alguns casos, essas atividades paralelas são levadas tão a sério, que são quase consideradas uma segunda profissão. É o caso do professor de Arquitetura e Urbanismo Alfio Conti. Nascido e criado na Itália, ele conheceu o rugby aos 14 anos por meio de um vizinho. Gostou tanto que treinou com um time da segunda divisão do país por dois anos, até decidir se dedicar aos estudos e seguir a carreia acadêmica. Abandonou a prática do esporte para estudar em um colégio de tempo integral, mas nunca deixou de acompanhar os resultados dos campeonatos. “O rugby me cativou desde o começo por ser um esporte único. A prática acaba formando as pessoas, já que os valores praticados no campo servem para a vida toda”, analisa. Mesmo com tanta paixão pelo jogo, ser jogador profissional não era uma opção, já que naquele tempo, o jogo ainda era considerado apenas amador. Quando mudou-se para o Brasil em 2000, o rugby era um esporte praticamente desconhecido. Depois de cinco anos no país, Conti começou a

treinar com o Belo Horizonte Rugby Clube. Pelo time, participou de dois torneios a convite da Federação Fluminense, já que ainda não havia campeonato estadual em Minas Gerais. Das duas vezes, alcançaram o segundo lugar. Mas mesmo com o sucesso, Alfio teve que deixar o time em 2010 quando se mudou para Ouro Preto. Como professor da Ufop, Conti não desistiu do esporte. Sabendo que na Universidade havia estudantes de outros estados como São Paulo, onde o esporte é um pouco mais difundido, começou a procurar pessoas interessadas pelo jogo. Encontrou um grupo de alunos e juntos montaram o Inconfidentes Rugby, time em que é o treinador até hoje. Em pouco tempo, o time começou a participar de competições, como o Segundo Campeonato Mineiro de Rugby, conseguindo a oitava colocação, num total de dez equipes. Ainda participaram da copa Cidades Históricas e do Campeonato Mineiro de Seven, composto de duas rodadas. Originário da Inglaterra, o esporte é coletivo e marcado por intenso contato físico. No Brasil, o jogo ainda não é considerado profissional e segundo Alfio, ainda levará algum tempo até que a situação mude. Mas para o professor, o que se aprende no campo é mais importante do que as conquistas de títulos em si. “Pessoalmente, o rugby serviu para me formar como pessoa, para enfrentar os desafios da vida da mesma forma que se enfrentam os adversários no campo.” Alfio crê que o esporte pode contribuir para a formação das novas gerações, pregando valores valiosos como a lealdade e o respeito.

Talentos reconhecidos Em Juiz de Fora já existem eventos que divulgam as atividades paralelas de docentes. A Mostra Professor Também Faz Arte, recebe cerca de 80 profissionais anualmente. A iniciativa, visa a valorização do professor e a divulgação de suas produções para o grupo acadêmico e ao público em geral. O evento recebe trabalhos divididos em cinco categorias: artes visuais, dança, literatura, música e teatro. É uma forma de valorização e reconhecimento da atividade extracurricular exercida pelos profissionais. Nas Olimpíadas de Língua Portuguesa, evento conhecido em todo o Brasil, também existe um espaço para apresentação de talentos dos professores que levam seus colégios para participarem do evento.

15 dezembro 2011


Capa

16 dezembro 2011


N ’ HOMO SAPIENS TEXTO Beatriz Noronha EDIÇÃO GRÁFICA Yumi Inoue

fotos: beatriz noronha

“E serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma” (Eduardo Galeano em Direito ao delírio) Direito ao delírio. Talvez seja esta a forma mais justa de olhar adiante, para o cenário dos direitos humanos no Brasil, com os mesmos anseios d’alma que guiaram a ode de Eduardo Galeano ao pensar no novo milênio que se aproximava. Quer o mundo acabe ou não, para além do misticismo das proféticas teorias, mais assustadores são os alarmantes casos de desrespeito aos direitos humanos mais fundamentais, estes sim, parecem sinalizar com mais força qualquer espécie de apocalipse.

“Eu hoje represento a cigarra Que ainda vai cantar Nesse formigueiro quem tem ouvidos Vai poder escutar Meu grito!” Rita Lee

17 dezembro 2011


A cada quatro anos, a Organização das Nações Unidas – ONU avalia a situação dos direitos humanos nos países. O Brasil vai assim, em 2012, passar por este processo chamado Mecanismo de Revisão Periódica Universal das Nações Unidas. Desde 2006, o Conselho dos Direitos Humanos busca um diálogo entre Estados, sociedade civil e os departamentos da ONU. Este mecanismo avaliativo constitui ação de análise fundamental para a identificação das violações dos direitos humanos. Mas é importante tomar cuidado com a precipitação da análise qualitativa, ou da utilização deste mecanismo de avaliação como via principal para a manutenção da preservação de direitos. Respeito e reflexão sobre os direitos humanos passam além de provas ou avaliações. Reconhecimento e preservação dos direitos não é ação que entre em jogo de concessões ou que seda por medo de alguma forma de coerção. Ao menos assim firma a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e tão naturalmente deveria ocorrer.

extremismo, casos de violência aumentam seu aspecto mais indigesto. São Paulo recebe todos os anos expressiva mobilidade de pessoas na Parada Gay, considerada a maior do mundo. Em contrapartida, na cidade em específico e no Brasil em geral, aumentam os casos de violência contra homossexuais. De acordo com o grupo Gay da Bahia, em relatório anual, mais de 3.500 assassinatos por homofobia aconteceram nos últimos 30 anos.Somente em 2010 foram 260 homicídios. Desses, aproximadamente 70% eram gays, 25% eram travestis e 5%, lésbicas. Um homossexual é morto a cada 36 horas no país. Este tipo de crime aumentou 113% nos últimos cinco anos. Conforme dados do grupo, em 2011, até agosto, foram registradas 144 mortes de gays, lésbicas e travestis.

Evolução? Homo Ardipitecus Ramidos. Homo habilis. Homo erectus. Homo sapiens arcaicus. Homo sapiens sapiens. Uma linha dita evolutiva, se a espécie humana não demonstrasse com pensamentos e ações de violência e intolerância o quanto parece estar perdendo a capacidade mínima da percepção dos limites de sua estupidez. A mesa posta, o Brasil oferece um prato cheio de contradições. Há longas datas, em ações de

Con (tradição) A preocupação incide no seio destas contradições. Embora a união estável entre pessoas do mesmo sexo tenha sido apro-

18 dezembro 2011


vada pelo Supremo Tribunal Federal – STF neste ano, o índice de crimes hediondos e intolerâncias exacerbadas contra a comunidade gay aumentam de forma alarmante. Não há lógica possível a ser tateada neste contexto, e a dificuldade da aprovação do Projeto de Lei 122/2006 que criminaliza a homofobia soa e se configura como ação inconseqüente. Segundo representante do grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, “a decisão do STF foi incrível por reconhecer as uniões gays como núcleos familiares, que são de fato. Acho curioso porque o beneficio veio de onde menos se esperava que é o Judiciário, considerando conservador por demais”. Cerqueira disse ainda que embora o país tenha caminhado neste entendimento, o Legislativo e o Executivo não conseguem avançar, “os deputados não querem comprar essa briga com as bancadas conservadoras”, ressaltou. E se manifestou contra os casos de assassinato, “a cada dia um homossexual é assassinado no Brasil e não podemos pagar

com a vida o preço dessa orientação sexual”. Outra questão segue no panorama de assuntos velados política e socialmente, até que se denuncie. A relatora especial da ONU para a Moradia Adequada, a urbanista brasileira Raquel Rolnik, em boletim oficial, alerta sobre a violação dos direitos humanos no processo de remoção de comunidades em função das obras da Copa do Mundo de Futebol a ser realizada no Brasil, em 2014, e das Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro. As denúncias vieram da falta de transparência do Poder Público de cidades como São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Natal e Curitiba. O documento apresentado por Raquel considera como limitadas as indenizações oferecidas às comunidades afetadas pelas obras, que, ou já foram efetuadas, ou já estão em andamento. A relatora da ONU aponta como consequência o surgimento de novas favelas e regiões marginalizadas, com aumento do número de pessoas sem teto, sem que se providenciem os serviços e meios de subsistência nas áreas de realocação dessas famílias. Há o pedido oficial para suspensão das remoções previstas e das obras em andamento até que se instaure um diálogo de fato transparente com a sociedade sobre todo o processo.

‘Mas tinha que respirar!’ O lirismo dos poetas quem sabe possa ser mais resolutivo que a lógica das leis. A simbologia da náusea social alimentada pelas violências físicas e simbólicas, talvez se rompa, feito flor de

19 dezembro 2011


Drummond, e de cada morte, cada dor, cada violação desumana dos direitos mais individuais. É assim que parece começar a funcionar, em São Paulo, a Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania, que instaurou neste ano, até o momento, 40 processos por desrespeito à Lei Estadual 10.948 de 2001 que proíbe a discriminação por orientação sexual. O número já é maior do que os 33 processos iniciados em 2010. Como quem atravessa “o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”, como diria Drummond, há momentos em que a sociedade rasga e rompe seus asfaltos. Deveria, pela nossa dita capacidade de razão e sensibilidade, bastar uma boa leitura da Declaração dos Direitos Humanos, e sua real vivência. A parte todos os direitos há muito negligenciados – quando não negados – sobrevive o direito inalienável ao delírio, como quem em prece, acredita. A luz do artigo I da Declaração “Todas as pessoas nascem livres

e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade” e ponto (pronto)

(Re) velar o chumbo esquecido ao longo dos anos Certa ocasião o escritor Ivan Lessa constatou: “A cada 15 anos, o Brasil esquece o que aconteceu 15 anos atrás”. Em certos momentos nenhuma outra frase é tão propícia: frequentemente políticos descambam na pilantragem, aparecem em escândalos, são linchados pela população inconformada, mas, dali alguns anos, são reelegidos por essa mesma massa que se mostrava perplexa. Em contraponto, há vezes em que nosso país não se mostra tão passivo de desabar no esquecimento, ou pelo menos tenta não fazê-lo. No que se refere aos direitos humanos, há aqueles que compreendem que o seu futuro deve estar profundamente relacionado ao passado e a memória. Já existente em mais de duas dezenas de países – a Comissão da Verdade, órgão federal que investiga crimes de violações de direitos humanos durante a ditadura militar, o correspondente a um impacto positivo nesse frágil cenário nacional. Já aprovada pelo Senado, e agora passando pela sanção presidencial, a Comissão da Verdade será composta por sete integrantes, escolhidos pela presidenta da República. Em dois anos ele tem que entrar em vigor. Através de depoimen-

20 dezembro 2011


tos de testemunhas e pesquisa documental, o órgão buscará levantar informações sobre torturas, desaparecimento e mortes ocorridas entre 1946 e 1988, além de identificar os responsáveis pelas violações. De acordo com o relato do texto oficial, a Comissão da Verdade não possui um perfil punitivo, e as provas obtidas durante o processo poderão ser utili-

zadas no Judiciário por qualquer pessoa. Busca-se, a partir da compreensão de algumas lacunas do passado, substituir impunidade e esquecimento por um pouco de conforto àqueles que foram traumatizados pela violência, arquitetando um futuro no qual os direitos humanos sejam realmente exercidos, e qualquer violência passe a ser, de fato, condenável.

Sobre futuro, direito e moralidade Giulle Vieira da Mata

Quando nos é proposto refletir sobre o futuro, e em especial sobre a relação entre futuro e respeito à dignidade humana, devemos começar pelo deve-ser. O homem não nasceu para o que é. Está destinado a superar o dado; destinado a buscar o que deve-ser, a refletir sobre o que é moral, ou seja, a se impor limites em nome do reconhecimento de um valor maior: a dignidade do outro. O raciocínio vale para quem coloca o som alto, pratica bullying, racismo, homofobia, preconceito de classe, escravidão, aquele que desrespeita as regras de trânsito (ou qualquer regra acordada que vise à proteção do bem-comum), que está sempre disposto à violência de qualquer tipo. Por que a moralidade é necessária? Simplesmente porque o ser humano não existe diante de personalidades incapazes de impor limite social ao próprio comportamento. O império do desejo as comanda, as autoriza a conduzir-se como poder capaz de neutralizar qualquer um que tente se defender. Quem cruza o caminho de personalidades assim é sempre vítima; tem roubada sua dignidade. E quando falta dignidade o que resta é a sobrevivência. Todavia, a sociedade em que vivemos quer nos convencer de que nosso direito máximo é o direito à sobrevivência. Salário mínimo, emprego mínimo, justiça mínima, cesta básica, saúde básica e educação básica. Neste tipo de sociedade aprendemos a nos ver como seres que valem pelo têm e não pelo que fazem. Se tenho o mínimo, meu valor é praticamente nenhum. Acontece que o homem em seu sentido pleno

(digno!) não se define pelo que tem. Um homem se reconhece em suas ações. Por isso a palavra trabalho é tão importante para o homem; este ser que se define pelo direito de colocar suas habilidades, seus talentos a serviço do mundo. O verdadeiro homem é reconhecido por essa sua capacidade de transformação pública do mundo. Sua dignidade se constrói na ação; na autonomia da ação. Mas vivemos tempos de autonomia denegada. Tempos de “colapso moral”. As ameaças ao bem-comum se tornaram tão freqüentes que a consciência do que é bem-comum se perdeu. Quase coração nenhum se inflama em seu nome. Acontece que, sem consciência do significado de responsabilidade pública não há garantias para os direitos das pessoas. Nos últimos anos, no Brasil, ideias poderosas têm sido movidas no sentido de esclarecer a importância da defesa dos direitos das pessoas enquanto projeto comum, de todos nós: erradicação da pobreza, distribuição de renda, combate à desigualdade social, ao racismo, à violência no lar, à homofobia; defesa da qualidade da vida urbana, do meio ambiente, da saúde pública, da educação (também pública!), da justiça para todos. Essas ideias merecem eco. Merecem ser colocadas em prática. A verdade da imagem de homem como ser capaz de agir em nome do que tem valor para além dele, em nome da moral, em nome do coletivo cada vez mais amplo, em nome do futuro daqueles que ele nem conhece. Mais que nunca é preciso que essa verdade se inscreva em nós.

21 dezembro 2011


Transborda

Tá rindo

TEXTO Allãn Passos e Luiza Lourenço EDIÇÃO GRÁFICA Paulo Dias

Rir movimenta 40 músculos da cabeça e do pescoço. Rir também aumenta a oxigenação das células, tecidos e órgãos, intensifica a circulação sanguínea e diminui o risco de doenças cardíacas. E até mesmo eleva os níveis do bom colesterol no sangue e reduz a pressão arterial.

de

quê?

Mas você ri de quê? Certamente, o humor é um dos responsáveis pelo seu sorriso. A Curinga te convida a pensar no humor de uma maneira mais séria.

Foto: Amanda rodrigues

22 dezembro 2011


Humor para se pensar O termo humor surgiu na Grécia Antiga e era associado aos quatro fluidos corporais humanos: sangue, fleuma, bile amarela e bile negra – responsáveis pela saúde física e emocional da pessoa. Mais tarde, ganhou o significado que carrega até hoje: a veia cômica que se disfarça sob uma aparência de coisa séria. Mas, a representação dele vai além. O humor pode ser encarado como um mecanismo de compreensão de religiões, culturas, grupos sociais e profissionais. São três as teorias gerais sobre os motivos que provocam o riso: a da incongruência afirma que rimos de situações que fogem do contexto lógico e que são inesperadas; a da superioridade sugere que o riso é provocado por situações que focam a estupidez ou o erro do outro, ou seja, rimos porque nos sentimos mais inteligentes.; a do sufoco, que coloca o riso como uma

Também apresenta a figura do Bobo da Corte, que traduz no Ocidente a importância do humor na sociedade. O personagem surge no carnaval, quando há a suspensão dos poderes do rei e é ele quem comanda a corte. E todos tem o passe livre para ser ou fazer coisas fora do cotidiano. Essa representação é criada para a proteção do Bobo da Corte, já que “ele diz coisas com a intenção de fazer com que as pessoas pensem e reflitam sobre a verdade do mundo, mas sem ser punido, pois, teoricamente, ele é um bobo”, explica a professora. O humor tem como principais mecanismos a ironia, a retórica, a metonímia e a metáfora. São formas de construção do discurso que estabelecem mais afinidade com o humor, e das quais ele recorre. A socióloga ressalta a necessidade de entender que o humor deveria mover primeiro o raciocínio e depois então o sentimento.

forma de alívio em situações de nervosismo, tensão ou até de dor. Porém, os conceitos de humor variam de acordo com o contexto, a época e o lugar. O filósofo francês Henri Bergson afirma que o riso só é compreendido junto do contexto social em que ele surgiu, dependendo sempre do contato de uma pessoa com outras. Não há fórmula para definir o que é ou não engraçado. Você pode gargalhar de uma piada que ouviu durante um papo com os amigos no bar e, ao reproduzi-la no seu local de trabalho, ninguém esboçar sequer um sorriso de canto de boca. Antes de ficar desapontado, lembre-se de que essa variação pode acontecer até mesmo com você de um dia para o outro, dependendo das coisas que você fez, do lugar onde está ou de quem está acompanhado. A socióloga Giulle da Matta acrescenta que o humor surge no poder de esclarecimento.

Anatomia do riso O estudo fisiológico do riso tem nome próprio: gelotologia

Localizados no cérebro, o córtex e o lobo frontal, são responsáveis por mandar estímulos ao seu corpo, avisando que algo é engraçado. Um dano nessa região e você será mal-humorado para sempre

Rir cem vezes equivale a dez minutos remando

Quando a risada é intensa, os dutos lacrimais são ativados e você chora de rir Músculo Zigomático Maior é o nome do músculo que levanta seu lábio superior na hora da risada

A epiglote fecha a laringe e e o seu sistema respiratório é interrompido, fazendo você ficar sem ar de tanto rir Fonte: HowStuffWorks Brasil, por Marshall Brain. Em http://saude.hsw.uol.com.br/riso.htm

Dir. Arte: Luiza Lourenço | Ilustração: Lucas Lameira | Foto: Amanda Rodrigues

23 dezembro 2011


Foto: Lincon zarbietti

Nariz, traje, cor: Furreca e o universo lúdico do palhaço

E o palhaço, o que é? O palhaço é uma das mais simples e tradicionais expressões do humor. Dia dez de dezembro comemora-se o dia dessa figura que fascina através de uma arte modesta que busca apenas extrair um sorriso. “Uma arte pobre, com pouco recurso traz a beleza. É a simplicidade e o belo”, diz Eduardo Dias, o palhaço Furreca. O fascínio de Eduardo pelo personagem o levou a arquitetar um plano para fugir com um circo que visitou em Belo Horizonte, sua cidade natal. A fuga frustrada não diminuiu o deslumbre pelo nariz vermelho e os sapatos largos. Foi então que em 1994, ele começou a trabalhar com Teatro. A carreira como palhaço teve seu início somente oito anos depois. De lá para cá, foi aluno e professor, apresentou-se em diversos lugares: desde pequenos circos até praças e teatros da Europa. O longo tempo de atuação o fez acreditar em uma função social do palhaço. “A sociedade está um pouco doente. É muita violência, depressão, agressividade.

O palhaço vem para amenizar isso e mostrar que nem sempre é preciso levar tudo tão a sério”, afirma Eduardo. No circo, o palhaço chega para vencer a história do supra-humano, personificado pelos acrobatas, malabaristas e equilibristas. Essas figuras realizam “coisas impossíveis” e elevam o corpo para um nível acima de sua capacidade natural. Já o personagem de nariz vermelho expressa a fragilidade humana, passível de erro. Eduardo aponta uma super valorização da figura, a partir do momento em que as pessoas generalizam o termo equivalendo-o à tolice. “Ser palhaço não é ser tolo. Há um treinamento, mas não se ensina. Só se aprimora aquilo que você nasceu para fazer”, conclui. Um dos artifícios que aprendeu em seu trabalho foi o de se inserir no contexto em que apresenta: sempre caminhando entre a plateia antes do espetáculo, para aprender as expressões locais, os costumes e os diversos trejeitos, a fim de transmití-las na sua apresentação.

24 dezembro 2011

O ator cita também os tipos de representação da figura do palhaço. Há o palhaço Augusto, aquele que é o bobo, ingênuo e atrapalhado. Quase sempre quem se aproveita desta ingenuidade é o palhaço Branco, o mais astuto e autoritário. Os dois atuam em performances que se completam para gerar o humor. Exemplo clássico é O gordo e o magro, representados por Oliver Hardy (o gordo) e Stan Laurel (o magro). O outro perfil é o do palhaço Tramp, que simula a imagem do vagabundo, do malandro. Esse modelo de atuação ficou imortalizado através do personagem Carlitos, de Charles Chaplin e em nível nacional com o grupo Os Trapalhões, especialmente com o personagem de Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum. Furrecas, Risadinhas, Brancos, Augustos, Tramps, Bozzos, Carequinhas e Trapalhões, ser palhaço é uma máscara. A menor máscara do mundo, que mesmo pequena é capaz de sacrificar um momento de tristeza do artista em prol de uma conquista: o sorriso da plateia.


“Nem todo mundo ri, mas tem sempre alguém que vai rir”, conta Eduardo Guimarães, comediante adepto do standup. Du, como é conhecido, faz parte da nova geração que aposta no formato comédia de cara limpa e nas redes sociais como instrumento de divulgação e de termômetro do trabalho. O Stand-up Comedy ou Comédia em Pé é um gênero de se fazer comédia que surgiu nos Estados Unidos, caracterizado pela fuga das piadas tradicionais para o uso de análises cômicas do cotidiano. Segundo o site Stand Up Comedy do Brasil, esse tipo de atuação tem algumas regras. É proibido ao comedian (aquele que faz o stand-up) o uso de maquiagem, figurino, e cenário elaborado ou efeitos de som. Só resta ao comediante o palco, o microfone e, claro, o público. “É preciso muita observação, muitos textos e testes em rodas de amigos ou via redes sociais. Um método eficaz é usar o exagero para trazer o humor”, revela. A maior aposta desse gênero é satirizar as questões rotineiras, inclusive características físicas ou comportamentais dos próprios comediantes. Os precursores desse formato no Brasil são Zé Vasconcelos e Chico Anysio. Hoje, fica impossível enumerar todos os comedians, prova da disseminação do estilo. Entretanto, o resultado desse tipo de apresentação nem sempre são gargalhadas. Com o crescimento do stand-up, intensifica-se a discussão entre o que é humor e o que é ofensa. Um dos casos mais recentes, envolvendo o humorista Rafinha Bastos e suas declarações sobre a cantora Wanessa e o filho dela, divide opiniões entre

população, mídia, críticos e não há um consenso até mesmo entre os comediantes. Afinal, cada um carrega suas impressões do que vem a ser engraçado ou não. Para a socióloga Giulle da Matta, “o humor é uma crítica social que deve ser levada com responsabilidade e, quando foge dessa característica, ele se torna agressivo e grotesco”. Já Eduardo acredita que essas situações são levadas muito a sério. “Todo mundo quer defender todo mundo. O preconceito está mais na cabeça de quem ouve e usa a piada para acusar, do que na de quem conta. Não é à toa que chama piada. É uma situação inventada que às vezes nem mesmo o próprio comediante faria”, ressalta. Os Eduardos parecem lidar naturalmente com a missão de fazer as pessoas rirem e se sentem responsáveis e gratificados por oferecer um passaporte ao imaginário. As pessoas, mesmo que por poucos instantes, são desconectadas do mundo real e dos problemas cotidianos. E é isso que buscamos por instinto na televisão, no cinema, no teatro, no circo ou mesmo em um grupo de amigos. Algo que nos cure das sequelas do cotidiano, pois, como vovó dizia, “rir é o melhor remédio.”

Sem fantasia: Du e a comédia escancarada do Stand-up.

Fotos: Luiza Lourenço e leandro sena

De cara limpa

25 dezembro 2011


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EDIÇÃO GRÁFICA Dalila Carneiro

TEXTO Douglas Gomides

Retina

dezembro 2011 dezembro 2011

FOTO: SOPHIA FIQUEIREDO


SOPHIA FIQUEIREDO SOPHIA FIQUEIREDO

DOUGLAS GOMIDES

LUCAS BORGES

DOUGLAS GOMIDES

LUCAS BORGES

dezembro 2011 dezembro 2011

Mais fotos em revistacuringa.ufop.br27


Refrão

Compositor:

o homem sem rosto

texto Simião Castro Edição Gráfica Raísa Geribello

recerem é um processo natural. Muitas vezes eles nem querem ‘estar na frente’. Acho que a maioria dos compositores se realiza por serem interpretados por grandes intérpretes”, completa. As maneiras de compor variam. Enquanto Makely aceita encomendas, Olavo compõe para si mesmo. “Não consigo me sentar e falar: ‘agora vou fazer uma música’. Tem que ser feeling puro”, confidencia. No entanto, para ele, outro cantor interpretar suas letras é uma contribuição significativa. “Às vezes a música não tem o brilho que o intérprete consegue colocar”, explica. Makely lembra que muito mais do que ser reconhecido na rua, o que pode incomodar o compositor é não ter seu trabalho valorizado. “Eu vejo insatisfação por não receber os direitos autorais devidos. Ou insatisfação momentânea por que a sua música tocou no rádio e seu nome não foi citado”, argumenta. No Brasil, o órgão responsável pela distribuição dos direitos autorais é o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição - Ecad.

28 dezembro 2011

Uma sociedade civil, de natureza privada, instituída pela Lei Federal nº 5.988/73 e mantida pela atual Lei de Direitos Autorais brasileira – 9.610/98. A qual Makely contesta. “Essa lei é completamente obsoleta. É de dez anos atrás. Não dá conta da realidade”, indigna-se. Entusiasta da cultura livre, Makely defende que, se quiser, o músico deve poder disponibilizar seu conteúdo da maneira que bem entender. “É um absurdo essa lógica da grande indústria de penalizar as pessoas que estão ouvindo a minha música. Elas não estão me roubando nem me causando prejuízo”, protesta.

Fotos: Simião Castro

Milhares de pessoas fazem aniversário todos os dias. Enquanto você lê este texto, em algum lugar do Brasil, sem dúvidas, alguém está cantando “Parabéns a você”. Pode-se afirmar sem medo que esta deveria ser a música número um no Hot 100, ranking da Billboard. Mas a pergunta é: você sabe quem compôs a canção? A melodia foi criada em 1875 por duas professoras americanas, as irmãs Mildred e Patricia Smith Hill. No início da década de 1940 a Rádio Tupi, de Pindamonhangaba, SP, realizava um concurso para eleger a versão brasileira da canção. A vencedora foi Bertha Celeste Homem de Mello. Mas por que estamos falando disso mesmo? Ah, sim! Você conhecia alguma dessas pessoas? Aliás, você conhece os compositores das suas músicas preferidas? Para o cantor e compositor da cidade de Lagoa da Prata, região central do estado de Minas Gerais, Olavo Lhyz, essa “invisibilidade” do compositor é inevitável. Já o compositor belo-horizontino, Makely Ka, vai além. “Eu acho que eles [os compositores] não apa-


Poltrona

pseudo DOC TEXTO mateus fagundes EDIÇÃO GRÁFICA sophia figueiredo

Imagens “reais” são costuradas por falas de especialistas. A narração e a forte marcação temporal descortinam os fatos, desconstruem opiniões, informam o espectador. Um tipo de ficção que se apropria desta forma de relato, seja para brincar com o espectador ou mesmo jogar com os limites da sétima arte. Um pseudodocumentário.

O controverso Atividade Paranormal (2009), dirigido por Oren Peli, é mais um filme de suspense/terror que tem linguagem documental. Na trama, o casal Micah (Micah Sloat) e Katie (Katie Featherston) filma o que seriam manifestações de um ser sobrenatural em sua casa. Todas as cenas são registros do casal com a “câmera na mão” ou em cima de algum móvel. Nem o aviso “agradecemos ao departamento de polícia local e as famílias do casal”, muito menos os dois finais propostos, salvam o suspense do tédio. Até tenta, mas não convence, sequer, como pseudodocumentário. Como documentário, então... Já Zelig (1983), de Woody Allen, cumpre bem o que promete. Traz o clássico narrador que tudo sabe e tudo vê somado a cenas de “arquivo” (encenada por atores, obviamente) e depoimentos de

personalidades reais, como a ensaísta Susan Sontag, e o vencedor do Nobel Saul Bellow. Tudo para contar a história de Leonard Zelig (o próprio Allen), que sofre de um distúrbio que o faz absorver as características das pessoas próximas a ele, um efeito camaleão. A trajetória desse histérico personagem passa por fatos históricos como a crise de 1929 e a ascensão do Nazismo na Alemanha. Para convencer ainda mais, o diretor fez uso de chroma-key, a técnica de sobrepor duas imagens para gerar apenas uma, inserindo os personagens da trama em cenas de filmes reais, além de produzir sequências com técnicas iguais às usadas tipicamente na década de 1980.

Atividade Paranormal (2009) e Zelig (1983) são exemplos opostos de como a estética e a técnica documental podem ser utilizadas por filmes de ficção. A obra de Allen é convincente não apenas no aspecto histórico, mas também no narrativo, diferente de Atividade Paranormal, que não tem trama plausível. Mesmo diferentes, os filmes mostram como a arte sempre foi uma tentativa de reproduzir a verdade. Convincentes ou não, evidenciam que o cinema pode, de diferentes formas, provocar questionamentos no público da poltrona. O principal deles é: qual o limite entre realidade e ficção? 29

dezembro 2011


Prólogo

QUADRINHOS E LITERATURA TEXTO Lucas Lameira

EDIÇÃO GRÁFICA Olívia Mussato

Houve um tempo em que as histórias em quadrinhos eram vistas como leitura de lazer que causavam “preguiça mental”. Essa visão foi bastante difundida no Brasil durante parte do século XX quando algumas escolas consideravam as HQs leituras de conteúdo superficial e, por isso, inapropriadas para a formação do individuo. Estes parâmetros mudaram no Brasil e no mundo à medida que o meio acadêmico e a mídia passaram a reconhecer os quadrinhos como um relevante veículo de produção de conhecimento.

No Brasil, a visão das HQs como “veículo alienador” vem enfraquecendo bastante, não só pelo reconhecimento da capacidade informativa do veículo, mas também pelas políticas de incentivo governamentais. Em 2006, o Programa Nacional Biblioteca na Escola distribuiu HQs e livros ilustrados para escolas públicas, enfatizando as adaptações de obras clássicas da literatura universal ao público da educação infantil e do ensino fundamental. Essa iniciativa aqueceu o mercado editorial brasileiro e, na última década, até mesmo editoras que nunca haviam públicado HQs, passaram a participar de uma corrida desenfreada pela publicação de adaptações de obras literárias em quadrinhos. O jornalista Paulo Ramos, em seu livro “Quadrinhos na educação”, relata algumas das consequências da explosão da produção deste gênero, como a redundância das publicações, atentando que muitas editoras estão produzindo este gênero somente para lucrar com o incentivo do governo.

Entretanto, algumas destas obras ganharam reconhecimento por sua qualidade, com destaque para uma das adaptações de “O Alienista”, vencedora de um prêmio Jabuti de literatura em 2007, que foi feita pelos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon. Ainda que, como conta Paulo Ramos, o Governo continue tateando no sentido de descobrir qual o papel efetivo das obras em quadrinhos nos programas de incentivo a leitura, as adapatações literárias estão criando um novo rumo para o mercado das histórias em quadrinhos no Brasil. Um mercado editorial que conta com um público apaixonado, porém ainda escasso no país.

3030 dezembro 2011


Esportes na Idade Mídia é o tema do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação em 2012. O encontro anual é organizado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinas da Comunicação (Intercom) e promove a troca do conhecimento e estimula a produção científica entre mestres, doutores, alunos e profissionais da área.

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www.revistacuringa.ufop.br

32 dezembro 2011

Revista Curinga 01  

Segunda edição da Revista Curinga - revista-laboratório do Curso de Jornalismo da Ufop - Universidade Federal de Ouro Preto. Atuei como mem...

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