Caminhos para a docência

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Caminhos para a docência Projeto de vida e profissão docente: como apresentar a carreira docente como possibilidade de projeto de vida para estudantes do Ensino Médio?

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ofissão do Projeto de vida e profissão docente Olá, professora! Olá, professor! Este material faz parte do projeto Segue os Profes, realizado pelo Movimento Profissão Docente. Nosso objetivo é apoiá-la e apoiá-lo para que você contribua com a construção do projeto de vida de seus estudantes, apresentando a carreira docente como uma possibilidade para o futuro. Este material servirá como suporte para você planejar e aplicar um projeto que mobilize e engaje os alunos nos caminhos da docência, e contará com ações dentro e fora da sala de aula, incentivando o protagonismo dos estudantes.

Como apresentar a carreira docente como possibilidade de projeto de vida para estudantes do Ensino Médio? Profa. Dra. Hanna Cebel Danza¹

Construir um projeto de vida é uma tarefa complexa, que demanda a mobilização de recursos afetivos e cognitivos para que os jovens façam escolhas responsáveis, com base em seus interesses, e que contribuam para a construção de uma sociedade mais justa e digna para todos. Para isso, é necessário que, além de mobilizar os recursos pessoais, os jovens contem com apoios sociais, que os convidem a explorar diferentes possibilidades para o futuro e que lhes concedam suporte e oportunidades para materializar seus sonhos.

¹ Hanna Cebel Danza é doutora em Psicologia e Educação pela Universidade de São Paulo, professora da pós-graduação do Instituto Singularidades e do curso de Aprimoramento em Competências Socioemocionais do Instituto Sedes Sapientiae e especialista de conteúdo do Programa Pleno de Aprendizagem Socioemocional.


Nesse sentido, a escola desempenha um papel importante, ofertando espaços de discussão sobre esse tema, estimulando o processo de exploração do mundo interno, mediante propostas voltadas para o desenvolvimento do autoconhecimento, e do mundo externo, promovendo experiências sociais que coloquem os jovens em contato com diferentes formas de ser e estar no mundo. Essas diferentes possibilidades são representadas por projetos de vida inovadores, empreendedores, intelectuais, familiares, missionários, entre uma série de outros caminhos que os jovens podem trilhar. Contudo, chama-nos a atenção o fato de que as veredas da educação não costumam cativar tanto assim nossos estudantes. Entre os fatores que podem gerar o baixo engajamento com a carreira docente, destaca-se o desejo de conhecer novos mundos para além do ambiente escolar. Contudo, é importante questionar a familiaridade que os estudantes têm com essa carreira, de modo a abandonar possíveis pressupostos e estereótipos e a se permitir explorar aquilo que lhes é desconhecido sobre o universo dos professores. Assim como muitos de nós, eles também podem se descobrir na docência. A carreira docente pode compor projetos de vida de jovens com diferentes perfis: daqueles

que têm apreço pelo conhecimento e anseiam por uma profissão que lhes permita estar em íntimo contato com os estudos; daqueles que apreciam as relações interpessoais e desejam estar sempre cercados por outras pessoas; daqueles que visam contribuir para a construção de um mundo melhor por meio da formação ética das novas gerações; daqueles que são carismáticos, têm habilidade para falar em público e gostam de ensinar; entre outros. É por isso que convidamos você, professora e professor, a desenvolver um projeto de investigação com os estudantes de sua escola sobre a profissão docente, de modo a apresentála como possibilidade para o projeto de vida deles. Essa é uma forma de valorizar a sua profissão e de apresentar os bastidores desse universo para aqueles que geralmente ocupam o lugar de expectadores. Vamos lá? .

A aprendizagem baseada em projetos é uma metodologia ativa que consiste na elaboração de perguntas a serem respondidas pelos estudantes a partir da análise de dados coletados na realidade. Essa metodologia favorece a contextualização do ensino, a cooperação, a autonomia e o protagonismo dos estudantes. Você pode saber mais sobre a aprendizagem baseada em projetos no livro A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio, escrito por Fernando Hernández e Montserrat Ventura.

Nas próximas páginas você encontrará orientações sobre como realizar esse projeto de investigação, além de sugestões de atividades que podem ser realizadas de forma concomitante a ele, com o objetivo de gerar reflexões, insumos e repertório para o seu desenvolvimento.


Atividade:

Projeto de investigação Objetivo do projeto de investigação

Etapa 1: Levantamento de perguntas

Explorar a profissão docente como uma possibilidade de escolha profissional para compor o projeto de vida de estudantes do Ensino Médio.

Todo projeto de investigação começa com uma pergunta para a qual ainda não se tem respostas. Assim, a primeira etapa consiste no levantamento de perguntas ou dúvidas que os estudantes têm sobre a profissão docente, que pode ser feita mediante a realização de uma tempestade de ideias em pequenos grupos ou com toda a turma. O professor pode fazer o registro dessas ideias no quadro, enquanto os alunos as compartilham oralmente, ou pedir que os próprios estudantes o façam usando uma ferramenta digital, como o Padlet.

Sugestão de implementação Sugerimos que o projeto de investigação seja implementado de forma interdisciplinar, com o envolvimento de docentes de diversos componentes curriculares, que poderão trazer diferentes perspectivas sobre a profissão docente. Sua duração pode variar de 6 a 8 semanas, a depender da quantidade de aulas que serão disponibilizadas para que os estudantes trabalhem em grupos. Para começar, você e seus alunos podem criar um nome para esse projeto, que pode ser algo como: “Descobrindo o mundo docente”, “O professor no bastidor”, “Profissão docente: do que se trata, afinal?”, entre outras possibilidades. Estimule a criatividade dos alunos para que eles atribuam um nome ao projeto, de modo que essa seja uma construção deles. Contar com a participação dos estudantes nas decisões sobre o projeto de investigação estimula a autonomia e incentiva o protagonismo juvenil. Após nomear o projeto, é hora de começar a investigar. Para isso, apresentamos algumas etapas que vão ajudá-lo a estruturar o projeto e a orientar os alunos.

Padlet é uma ferramenta digital que permite registrar e organizar informações em um mural digital colaborativo. Essa é uma forma interessante de organizar o trabalho em equipe, pois todos podem visualizar as tarefas e/ou ideias que foram levantadas pelo grupo.

O que eu não sei sobre a profissão docente?


É importante que as perguntas sejam elaboradas pelos estudantes, mas, a título de exemplo, apresentamos algumas possibilidades que podem despertar o interesse deles:

o i r á s s e c e n é e u Oq m u r a n r o t e s a r a p ? r o s s e f pro

Como fazer para se tornar um professor da rede p ública?

Como os professores preparam suas aulas?

Como os p rofessores se sentem com a sua profissão?

s e r o s s e f o r p s Como o a n i l p i c s i d n i a lidam com dos alunos?

s e r o s s e f o r p s o ? s Como e õ ç a i l a v a s a criam

Ao final, os alunos escolhem uma pergunta que gerou mais curiosidade e cuja resposta será aprofundada durante a próxima etapa, a da investigação. Sugerimos que esta etapa de levantamento de perguntas do projeto de investigação seja concluída em até uma semana, para que os estudantes permaneçam curiosos e engajados com a temática ao longo do processo.

Etapa 2: Investigação Na segunda etapa do projeto, os estudantes investigam a pergunta escolhida na etapa anterior, de modo a coletar dados que contribuam para que eles encontrem respostas sobre ela. A investigação pode ser feita mediante diferentes estratégias para a coleta de dados, tais como entrevistas com professores e demais funcionários da escola, pesquisas bibliográficas, análise de materiais disponíveis nas mídias, entre outras possibilidades, a depender da pergunta escolhida. É interessante que a investigação ocorra no modelo da sala de aula invertida. Nesse sentido, sugerimos que sejam disponibilizadas uma ou duas semanas para o trabalho investigativo, que deve ser acompanhado de perto pelo professor, por meio de registros feitos pelos alunos em seus cadernos, em um mural na sala de aula ou em ambientes virtuais de aprendizagem.

A sala de aula invertida tem como premissa que os estudantes realizem o trabalho de investigação e estudo fora do ambiente escolar, de modo a destinar as aulas para discussões, resolução de dúvidas e trabalhos em equipe. Conheça mais sobre essa metodologia ativa no livro Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática, organizado por Lilian Bacich e José Moran.


Etapa 3: Análise e sistematização Na terceira etapa, os estudantes analisam os dados coletados de modo a construir uma leitura crítica sobre a realidade. Para realizar a análise, é preciso orientá-los a estabelecer conexões entre os dados coletados e suas vivências escolares. Já a sistematização pode ser feita mediante a elaboração de textos, vídeos, podcasts, infográficos e demais recursos que permitam aos estudantes criar uma ou mais respostas para a questão geradora do projeto. Nessa etapa, o papel do professor é validar as informações coletadas e as análises feitas pelos alunos. Essa validação pode ser feita mediante a verificação da veracidade dos dados coletados e da pertinência das análises realizadas. Depois, seu papel será o de orientálos para que façam o uso adequado dos recursos para a sistematização. Sugerimos que sejam dedicadas ao menos duas aulas para a análise e uma aula para a sistematização dos dados coletados.

Etapa 4: Socialização Por fim, a última etapa do projeto consiste em compartilhar as descobertas feitas com outros estudantes, a fim de socializar o conhecimento e favorecer a construção de uma visão mais complexa sobre a profissão docente, sejam eles de outros grupos, sejam de outras turmas ou anos. Essa atividade favorece a troca de ideias e de perspectivas sobre o tema, o que será

fundamental para que os alunos criem uma visão cada vez mais abrangente e aprofundada sobre o tema e, assim, possam ter mais elementos para considerar ou não a carreira docente na escolha profissional. Esse momento também pode contar com a presença de estudantes de outras turmas, anos e até mesmo de outras comunidades escolares, de modo a favorecer que eles também ampliem sua visão sobre a carreira docente. Outra possibilidade é compartilhar as descobertas com toda a comunidade escolar, convidando funcionários da escola e familiares para uma roda de conversa. Essa etapa favorece a troca de ideias e perspectivas sobre o tema. Para contar com a presença da comunidade escolar, é interessante que a socialização ocorra em um evento escolar, organizado pelos alunos com o apoio da equipe gestora. Nesse formato, os alunos ficam responsáveis por organizar a programação do evento e sua estrutura, convidar os membros da comunidade, buscar os recursos necessários, fazer a divulgação do evento e oferecer apoio no dia da realização. Essa é uma forma eficaz de favorecer o protagonismo estudantil.

Para apoiar o desenvolvimento deste projeto de investigação, ofertando aos estudantes atividades que instiguem sua curiosidade e reflexão, apresentamos a seguir algumas sugestões de práticas que podem ocorrer de modo concomitante ao projeto.


Atividade:

Identidade docente Por que abordar esse tema? O projeto de vida é entendido por alguns estudiosos como a dimensão futura da identidade, isso porque, ao criá-lo, revelamos que tipo de pessoa desejamos ser no futuro. Por isso, é importante que os estudantes possam reconhecer que a profissão docente é constituída pelas identidades pessoal, social e profissional, revelando quem é a pessoa por trás da figura do professor, a que ela se dedica e como contribui com a sociedade.

Objetivos Reconhecer pensamentos e sentimentos a respeito da profissão docente; relacionar a profissão docente com os próprios valores.

Como fazer? Sugerimos que esse tema seja trabalhado por meio da estratégia denominada perguntas clarificadoras, que é voltada para a reflexão pessoal, e permite, como o nome sugere, clarificar os próprios pensamentos, sentimentos, crenças e valores sobre determinado tema, favorecendo o autoconhecimento e a tomada de consciência sobre como o estudante se relaciona

com ele. Sugerimos que os alunos façam o registro das perguntas e das respostas em um caderno que funcione como um diário de bordo, no qual eles possam registrar outras perguntas clarificadoras sobre seu projeto de vida.

Como organizar os alunos? É importante que essa atividade seja realizada de forma individual, pois exige uma reflexão autônoma por parte dos estudantes, de modo a favorecer a elaboração das próprias ideias e a desenvolver o autoconhecimento. Ao final da atividade, eles podem ser convidados por você para socializar suas reflexões, o que favorece a troca de ideias e o desenvolvimento da empatia.

Qual a duração da atividade? O tempo previsto para essa atividade varia de acordo com o número de perguntas realizadas. Sugerimos que sejam feitas 8 a 10 perguntas, que levam, aproximadamente, 20 minutos para serem respondidas.


Sugestões de perguntas clarificadoras 🙂 Se você fosse professor, quais seriam suas principais características? 🙂 De qual componente curricular você seria professor? 🙂 Seria conhecido por seus alunos como... 🙂 Quais seriam suas maiores preocupações? 🙂 O que seria, para você, desafiador? 🙂 O que seria fácil? 🙂 O que você acha que faria bem? 🙂 O que você acha que não faria tão bem? 🙂 Como acha que se sentiria? 🙂 Teria orgulho de sua profissão?


Atividade:

Como se tornar um bom professor Por que abordar esse tema? Modelos de conduta são fundamentais ao longo do desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, pois lhes oferecem referências positivas sobre como agir em diversas circunstâncias da vida e como autorregular o comportamento, caracterizando-se, assim, como importantes fontes de inspiração e motivação para o aperfeiçoamento pessoal. Reconhecer modelos de conduta de um professor contribui para que os estudantes criem relações positivas com a carreira docente, entendendo-a como uma via para o aprimoramento pessoal e profissional.

Como fazer? Sugerimos a estratégia denominada, no idioma inglês, de role-model, a qual poderíamos traduzir como modelo de conduta. Ela consiste na busca ativa por reconhecer pessoas que são referências de conduta em algum campo, como o pessoal, o cidadão, o profissional, entre outros. Para isso, é necessário não apenas reconhecer a pessoa, mas, também, argumentar por que ela é uma referência, de modo a clarificar essa escolha para si mesmo e ampliar o repertório de pessoas inspiradoras com as quais os demais colegas possam se identificar. Essa argumentação pode ser feita por meio da construção de um texto narrativo, uma história em quadrinhos ou até mesmo memes que retratem de forma bemhumorada as características da professora ou do professor escolhido.

Como organizar os alunos? Essa atividade pode ser realizada individualmente ou em pequenos grupos, de aproximadamente quatro estudantes. Caso a escolha seja pelo trabalho em grupo, é importante que o modelo de conduta escolhido seja validado por todos os membros, mesmo que eles valorizem aspectos diferentes do mesmo modelo. Após essa etapa, é importante que os trabalhos sejam compartilhados com toda a turma, de modo a ampliar as referências dos estudantes.

Qual a duração da atividade? O tempo previsto para essa atividade é de, aproximadamente, 50 minutos.

Sugestões de modelos de conduta role-model É desejável que os estudantes reconheçam exemplos de bons professores ao longo da própria escolarização. Contudo, caso não sejam capazes de fazê-lo, é possível que apresentem exemplos de outras pessoas que possuem características que consideram que seriam positivas em um professor. Essas pessoas podem ser tanto de seu convívio pessoal quanto públicas, que lhes sirvam de inspiração.


Atividade:

Carreira docente e objetivos profissionais Por que abordar esse tema? Existem muitas razões para que uma pessoa opte pela carreira docente: desde a contribuição social que ela oferece ao formar as novas gerações até o próprio aprimoramento intelectual, necessário para manter as aulas atualizadas em relação aos conhecimentos que são abordados. É importante que os estudantes conheçam os variados objetivos profissionais que a carreira docente possibilita conquistar, de modo a investigar se eles se identificam com algum deles e se essa pode ser uma opção para sua realização profissional.

Objetivo Identificar professores que possam ser modelos de conduta inspiradores para que os estudantes se vinculem à profissão docente.

Como fazer? Sugerimos que esse tema seja trabalhado por meio de uma estratégia de aprendizagem conhecida como entrevista empática, que consiste em criar um roteiro de perguntas para uma entrevista e realizá-la de modo a explorar os sentimentos, as emoções e os desafios enfrentados pelo entrevistado, de maneira empática, utilizando como recurso a escuta ativa e estimulando o compartilhamento de histórias pessoais. Solicite que os estudantes escolham um professor considerado como um modelo de bom profissional, seja pelos seus

conhecimentos, seja pela sua didática, seja pela sua forma de interagir com os alunos etc. Depois, sugira que eles criem o roteiro da entrevista e marquem uma data para realizá-la. Por fim, é importante que as entrevistas sejam compartilhadas e analisadas com a turma, de modo que os estudantes possam ampliar o repertório de referências positivas. Outra possibilidade é convidar os professores para serem entrevistados em uma roda de entrevista na sala de aula, por toda a turma, seguindo um roteiro construído previamente de forma coletiva.

Como organizar os alunos? Para que todos consigam participar e propor questionamentos, é interessante que os alunos sejam organizados em duplas ou em trios para a realização da entrevista empática.


Qual a duração da atividade? O tempo previsto para a criação do roteiro da entrevista e para a entrevista é de cerca de 60 minutos.

Sugestões para a elaboração do roteiro da entrevista empática Os estudantes podem começar a entrevista convidando o profissional escolhido para compartilhar a sua história profissional, abordando desde o momento da escolha até seus planos futuros. Em um segundo momento, é interessante que os estudantes questionem quais eram/são seus objetivos profissionais e como a profissão docente o ajudou/ajuda a conquistá-los.

Atividade:

O que significa ser professor?

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Por que abordar esse tema?

Como organizar os alunos?

Anteriormente, abordamos nosso receio de que os estudantes acreditem que conhecem tudo sobre a profissão docente. Contudo, certamente há reflexões mais profundas a que eles ainda não tiveram acesso e que podem ressignificar a visão que têm sobre a profissão.

Os alunos podem ser organizados em grupos de quatro a seis pessoas, sendo que cada uma delas estará responsável pela leitura de uma parte da obra escolhida.

Objetivo Conhecer especificidades sobre a atuação e a função dos professores.

Sugerimos que essa atividade seja dividida em duas aulas, sendo que a primeira é dedicada à leitura e estudo do texto e a segunda, à socialização.

Como fazer?

Sugestão de leitura

Sugerimos que essa atividade seja feita por meio da estratégia denominada painel integrado, que consiste na leitura e discussão de textos de forma coletiva e integrada pelos estudantes.

Sugerimos que seja feita a leitura do livro Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, do educador Paulo Freire. A recomendação desse livro se deve ao menos a três fatores: 1) é uma obra clássica sobre educação, que inspira a atuação de docentes no mundo todo; 2) é constituída por pequenos subcapítulos, o que facilita a leitura pelos estudantes; 3) aborda exatamente o tema proposto por essa atividade. Os alunos devem escolher quais subcapítulos desejam ler, de acordo com aquilo que mais desperta sua curiosidade. No entanto, apresentamos a seguir algumas sugestões de subcapítulos que abrangem diferentes facetas da prática docente:

Primeiramente, os alunos são divididos em grupos de quatro a seis integrantes. Cada membro do grupo ficará responsável pela leitura e pelo estudo de uma parte do texto selecionado. Os estudantes devem ser orientados a grifar as partes mais importantes do texto e a fazer registros sobre reflexões que possam surgir. É importante destacar o senso de responsabilidade que essa atividade exige, já que cada estudante terá que apresentar as ideias que foram lidas para os outros integrantes do pequeno grupo, que não leram a mesma parte do texto. Na próxima aula, os alunos se reúnem no pequeno grupo e cada um apresenta o que foi lido. No final da aula, é aberto um espaço de discussão coletiva, orientado pela pergunta: o que significa ser professor?

Qual a duração da atividade?

→ Ensinar exige pesquisa → Ensinar exige criticidade → Ensinar exige estética e ética → Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando → Ensinar exige alegria e esperança → Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível → Ensinar exige curiosidade → Ensinar exige liberdade e autoridade → Ensinar exige querer bem aos educandos


Atividade:

Modalidades de ensino e segmentos da educação Por que abordar esse tema?

Objetivo

Cada modalidade de ensino e nível de escolarização tem suas particularidades e demanda diferentes competências, experiências e formação dos docentes. Se, por um lado, um professor dos anos iniciais da educação básica precisa conhecer aspectos do desenvolvimento psicológico da criança e estratégias lúdicas de ensino-aprendizagem, por outro, um professor do ensino médio precisa ter conhecimentos sobre o adolescente e as características de suas ações e pensamentos. Dessa forma, as diferentes modalidades de ensino e segmentos da educação proporcionam experiências que podem se alinhar a diferentes perfis profissionais e corresponder aos interesses de estudantes com objetivos profissionais diversos.

Conhecer as diversas modalidades de ensino nas quais os professores atuam.

Como fazer? Essa atividade requer que os estudantes realizem pesquisas sobre as diferentes modalidades de ensino (regular, técnicoprofissionalizante, de jovens e adultos, educação especial) regulamentadas pelo Ministério da Educação e sobre os diferentes níveis de escolarização (da educação infantil à pós-graduação). Essa pesquisa pode ocorrer por meio de levantamento bibliográfico, entrevistas e trabalho de campo.

Como organizar os alunos? Sugerimos que os estudantes realizem a pesquisa individualmente, fora do horário escolar, e compartilhem suas descobertas em pequenos grupos, na sala de aula.

Qual a duração da atividade? O tempo previsto para esta atividade é de, aproximadamente, 50 minutos.


Portal MEC

Sugestões de sites e portais para a pesquisa

Educa Brasil Porvir

Atividade:

Regência de uma aula Por que abordar esse tema? Preparar e ministrar uma aula são atividades que exigem diversas habilidades que são mobilizadas cotidianamente pelos professores, como a criatividade, o planejamento, a didática e a síntese. A experiência de ministrar uma aula favorece a percepção da rotina de trabalho do professor e contribui para que os estudantes percebam como podem colocar suas capacidades à serviço dessa atividade. Essa experiência prática pode ser muito enriquecedora para aproximar ainda mais os jovens da possibilidade de adotar a carreira docente como parte de seu projeto de vida.

Objetivos Preparar e ministrar uma aula.

Como fazer? Converse com a equipe gestora da sua escola sobre essa proposta e peça auxílio para definir

para quais turmas os seus alunos poderão aplicar a aula. Explique ao grupo de estudantes que irá ministrar a aula aspectos sobre a faixa etária da turma e como isso influencia a preparação da aula. Peça para que eles escolham um componente curricular de interesse e verifiquem, na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), quais são as habilidades e os objetos de conhecimento previstos para essa faixa etária. Oriente-os a escolher quais habilidades e objetos serão o foco da aula. Incentive-os a pesquisar sobre as diferentes metodologias ativas de aprendizagem e a escolher uma que seja condizente com a habilidade escolhida para a aula. Solicite que eles façam o planejamento da aula e mostrem a você, que poderá dar dicas, sugestões e fazer correções. Recomende que eles treinem como irão conduzir a aula com seus colegas ou familiares. É importante que você acompanhe os estudantes nessa atividade, durante todo o tempo em que estiverem na sala de aula da turma selecionada. No dia da aula, apresente


o estudante para a turma que participará da atividade e peça para que todos ajam com respeito, empatia e compreensão, pois essa é a primeira vez que o aluno encara esse desafio. Caso haja indisciplina por parte da turma, você poderá intervir, auxiliando seu aluno a lidar com essa situação. Concluída a aula, peça para que o estudante realize uma autoavaliação, respondendo o que foi positivo e o que pode ser melhorado na aula, além de como ele se sentiu realizando a atividade. Depois, convide o grupo de alunos que passou por essa experiência para uma conversa, na qual todos possam compartilhar suas impressões.

Como organizar os alunos? Essa atividade exige uma organização complexa do tempo e do espaço escolar. Por isso, sugerimos que você verifique junto aos estudantes quais deles estão interessados em realizá-la, de modo que não seja uma tarefa obrigatória para toda a turma. Após selecionar os interessados, é importante conversar com eles de modo a esclarecer aspectos da proposta, verificando, uma vez mais, se o interesse na

atividade permanece. Nessa explicação é importante contemplar aspectos éticos, tais como a importância de respeitar os alunos, adotar uma linguagem apropriada, acolher suas recomendações e estar comprometido com a atividade. Com o grupo de interessados selecionado e a proposta devidamente esclarecida, é preciso organizar um calendário com as datas e horários nos quais os alunos realizarão a atividade. Conte com a ajuda da equipe gestora de sua escola nesta etapa.

Qual a duração da atividade? Essa atividade pode ser realizada em aproximadamente 40 minutos.

Sugestões Antes de iniciar o planejamento da aula, sugira aos estudantes que façam uma lista de aspectos que eles consideram importantes em uma boa aula. Eles também podem consultar seus colegas e demais professores para coletar relatos que os inspirem a preparar a aula.


Esperamos que essas sugestões contribuam para que você consiga lançar olhares curiosos sobre a profissão docente e como ela pode ser integrada ao projeto de vida dos estudantes.

Referências DANZA, Hanna Cebel. Conservação e mudança dos projetos de vida de jovens: um estudo longitudinal sobre Educação em Valores. 2019. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. doi:10.11606/T.48.2020.tde-11122019165812. Acesso em: 17 nov. 2021. PUIG, Josep Maria. La educación moral en la enseñanza obligatoria. Barcelona: Editorial Horsoni, 1995. SILVA, Marco Antonio Morgado. Integração de valores morais à representação de si de adolescentes. 2019. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019. doi:10.11606/T.48.2020.tde-29092020-162754. Acesso em: 17 nov. 2021.

Cré ditos_

Antonieta Megale Coordenação de formação continuada Hanna Cebel Danza Autoria Patricia Bernardo de Almeida Edição e revisão Thayran Melo Diagramação e projeto gráfico Idealização: Segue Os Profs Realização: Profissão Docente Parceria técnica: Instituto Singularidades ©Instituto Singularidades


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