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edição 214

Sebrae sem sair do seu negócio Casal de empresários, Rosely Lira e Miguel Tolentino, usou o serviço gratuito de consultoria a distância

ENTREVISTA – EDUARDO TEVAH

ECONOMIA CRIATIVA

Liderança inspiradora e qualidade no atendimento

Showroom Brasil Original destaca artesanato baiano


Expediente Publicação do Sebrae Bahia nº 214, agosto de 2016 Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Bahia Antônio Ricardo Alvarez Alban Diretor-superintendente Adhvan Novais Furtado Diretores Franklin Santana Santos Lauro Alberto Chaves Ramos Unidade de Marketing e Comunicação Gerente Adriana Mira Jornalista Responsável Vanessa Câmera (DRT/RJ 28363) Equipe Alice Vargas, Isabela Oliveira, Mauro Viana, Pedro Soledade, Rafael Pastori e Vanessa Câmera. Estagiários: Alana Caiusca, Edemilton Souza, Fernanda Leal e Weverson Silva Agência Sebrae de Notícias (Varjão & Associados Comunicação) Aloísio Pontes, Carla Fonseca, Carlos Baumgarten, Cristhiane Castro, Fernanda Barros, Isabel Tavares, Laiana Menezes, Luciane Souza, Lucilene Santos, Maria Clara Lima, Nara Zaneli, Raul Golinelli, Renata Smith, Tamara Leal e Virgínia Mercês

Consultoria a distância Empreendedores baianos já estão usando a nova ferramenta do Sebrae. Uma das maiores novidades da instituição para o atendimento aos empreendedores baianos, a Consultoria a Distância permite o agendamento gratuito com consultores das áreas de finanças, marketing, planejamento, tributação e legislação. E esse será o tema da reportagem especial desta edição da Revista Conexão. Até o final de junho, mais de 500 empreendedores participaram da consultoria a distância e 95% se mostraram satisfeitos. Feira de Santana tem o primeiro centro de distribuição de moda do estado da Bahia: o Polo de Confecções da Bahia (Polimoda). Esse é outro assunto da publicação. Com mais de 70 lojas, sendo 55 fábricas de Feira, Ipirá e Salvador, e uma es-

trutura de serviços gerando cerca de 1,5 mil empregos diretos e indiretos, o centro tem como finalidade promover o fortalecimento do segmento de couro e confecções. Na revista, o leitor também tem acesso à entrevista com Eduardo Tevah. O consultor e conferencista falou sobre liderança inspiradora e qualidade no atendimento, além de indicar atitudes positivas para os empresários vencerem os desafios impostos pela crise. A importância de ter um fluxo de caixa na empresa, ações desenvolvidas pelo Projeto de Beleza e Estética do Sebrae para diminuir o desperdício em salões de beleza e a exposição do artesanato da Bahia, no Showroom Brasil Original, são outros assuntos apresentados na publicação. Boa leitura! Foto: RAUL GOLINELLI

Revisão Carla Fonseca e Carlos Baumgarten Edição Carla Fonseca Edição de Fotografia João Alvarez e Raul Golinelli Capa Raul Golinelli Projeto Gráfico Original Solisluna Editora Editoração Objectiva Impressão Qualigraf Serviços Gráficos e Editora Ltda Tiragem 10.000 exemplares Cartas Sebrae – Unidade de Marketing e Comunicação Rua Horácio César, 64, Dois de Julho Salvador, Bahia. CEP: 40.060-350. marketing@ba.sebrae.com.br Telefones 71 3320.4558/4367 Agência Sebrae de Notícias www.ba.agenciasebrae.com.br

Os empresários baianos, Miguel Tolentino e Rosely Lira, receberam consultoria a distância na área de marketing A utilização da marca Sebrae é de uso exclusivo do titular da mesma. Seu uso por terceiros, sem autorização prévia, expressa e formal da Unidade de Marketing e Comunicação do Sebrae Bahia, é passível de punição, conforme previsto pela Lei da Propriedade Industrial nº 9.279/96.


Foto: RAUL GOLINELLI

Sumário 6 COMÉRCIO E SERVIÇOS Menor desperdício e maior produtividade

27 Foto: ISTOCK

9 POLÍTICAS PÚBLICAS Gestão empreendedora premiada

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15 INOVAÇÃO E TECNOLOGIA Empresas inovadoras

18 EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA Empreender nas pequenas cidades

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MERCADO Capital para girar

AGRONEGÓCIO Do Vale do São Francisco para o mundo

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CAPA – APENAS UM CLICK Conhecimento a um click de distância

ECONOMIA CRIATIVA Artesanato baiano ganha espaço nobre para exposição e vendas

27 INDÚSTRIA Inovar está na moda

38 ENTREVISTA – EDUARDO TEVAH Liderança inspiradora e qualidade no atendimento

31 Moda da Bahia

Foto: LUIZ TITO

42 MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL Carnê online

44 Semana do MEI 2016

45 EMPREENDEDORISMO Congelados com excelência

46 SEBRAE PERTO DE VOCÊ

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Errata: 1. Na edição 213, página 4, houve um erro na identificação da foto. O nome da empresária é Isadora Alves, da marca Com Amor, Dora. 2. Na edição 213, as fotos nas páginas 5 e 33, da Avatim, foram cedidas pela assessoria de imprensa da marca.


Foto: MÁRIO LUNA

COMÉRCIO E SERVIÇOS

Sandra Alves, do salão Studio Canto da Beleza, no município de Filadélfia, Centro-Norte baiano, adotou o HairSIZE, método de padronização e métrica para salões de beleza

Menor desperdício e maior produtividade Sebrae oferece capacitações empresariais e ações de acesso a mercado para o segmento de beleza e estética Com muito trabalho e qualificação, a cabeleireira Sandra Alves, que é microempreendedora individual (MEI), comanda o salão Studio Canto da Beleza, no município de Filadélfia, Centro-Norte baiano. Há 12 anos à frente do negócio, ela participa, desde 2013, do Projeto Beleza e Estética, desenvol-

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vido pelo Sebrae Jacobina. “Graças aos ensinamentos adquiridos por meio das Soluções Sebrae, cresci nesses dois anos mais do que consegui crescer em dez. Pensar o meu salão como um negócio, planejar ações e colocá-las em prática está fazendo toda a diferença”, completa.

O Projeto Beleza e Estética atende empreendedores na região Centro-Norte da Bahia, nas cidades de Senhor do Bonfim, Campo Formoso, Jacobina, Filadélfia, Ponto Novo, Itiúba e o Distrito de Pilar, da cidade de Jaguarari. O primeiro contato desse grupo com o Sebrae foi em


De acordo com Guanais, o Sebrae tem apostado em duas estratégias específicas e complementares para o segmento de beleza e estética. “Uma é a questão da produtividade, fazer mais com menos. Nesse sentido, estamos trabalhando com o mapeamento e desempenho da produção e com os indicadores de resultados. A outra questão é a da sustentabilidade, com uma produção mais limpa e redução de desperdício e descarte”, explica o coordenador.

Como acontece o método HairSIZE Funciona como uma consultoria coletiva. Os empreendedores e colaboradores de salões de beleza participam de uma capacitação de oito horas. Além do conteúdo teórico, há uma parte prática, e os participantes saem cada um com um kit de medidas. A ideia é aumentar a produtividade do salão e reduzir o impacto ambiental.

O setor na Bahia Dados da Associação Baiana de Salões de Beleza e Estética (Abasbe) apontam que, atualmente em Salvador, existem aproximadamente 50 mil salões de beleza, e a estimativa é de que na Bahia esse total ultrapasse 100 mil empreendimentos. Conforme explica a presidente da Abasbe, Sarah Pires, a maior parte dos associados e dos mercados soteropolitanos, feirenses e dos demais municípios baianos é formada por pequenos negócios. Além disso, o setor da beleza é o segundo maior em

número de microempreendedores individuais formalizados na Bahia, com mais de 24 mil cabeleireiros e manicures (dados do Portal do Empreendedor/ fevereiro de 2016). Sarah explica que, apesar da crise financeira, o mercado da beleza ainda é um dos grandes e promissores setores da economia no Brasil, especialmente na Bahia. “Para quem tem um bom produto com preço acessível, a Bahia é um celeiro de oportunidade. O consumidor baiano é ávido por novidades e preço acessível, mesmo em tempos de crise e, principalmente, com a inserção do público masculino”, conta. Para a presidente, os empresários baianos tiveram que buscar alternativas criativas e minimizar os efeitos da crise econômica. “Muitos buscaram se especializar em gestão administrativa, aprendendo a enxugar gastos e otimizar a venda de produtos em seus salões para aumentar a sua receita”, afirma. Foi exatamente o que fez Sandra Alves. Além de adotar o método HairSIZE, a empreendedora também participou de missões empresariais, em Salvador e São Paulo, e de cursos de Formação de Preço e Atendimento ao Cliente. “As caFoto: MATEUS PEREIRA

2012, quando empreendedores do setor de Beleza e Estética de Senhor do Bonfim buscaram a instituição para desenvolver ações de acesso a mercado e de gestão. “Depois a demanda ampliou para outros empresários e municípios dessa região”, afirma o coordenador de Comércio de Serviços do Sebrae, Ítalo Guanais. O Projeto conta com o apoio local de entidades de representação empresarial. Empreendedores da região Sul do estado, em Itabuna e Ilhéus, também recebem atendimento. Como resultado do trabalho, iniciado em 2006, foram formadas a Associação dos Profissionais de Beleza e Cosméticos de Ilhéus (Asbelc) e a Associação dos Profissionais de Beleza e Cosméticos de Itabuna (Asbeles). Entre as atividades desenvolvidas com os dois grupos, estão: implementação das práticas de inovação para o segmento, ações de acesso a mercado e de acesso a crédito, fomento ao associativismo e cooperação, e capacitações e consultorias empresariais. Uma dessas atividades foi o HairSIZE, método de padronização e métrica para salões de beleza. A ação é subsidiada pelo programa Sebraetec e, a partir do conjunto de ferramentas de diagnóstico e técnicas de aplicação de produtos, é possível verificar uma diminuição de desperdício de até 30%, além de aumento na produtividade da equipe. Sandra, que participou do HairSIZE, conta que a qualificação serviu como ferramenta de trabalho e deu um direcionamento profissional à empresa. “O HairSIZE me possibilitou padronizar serviços e a trabalhar com estoque”, conta.

Associação Baiana de Salões de Beleza e Estética estima que existam 100 mil salões de beleza na Bahia

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pacitações me ajudaram com a gestão. Já nas feiras conhecemos tendências, novidades de equipamentos, técnicas, produtos e tudo de melhor que podemos oferecer aos clientes. Comecei a trilhar um caminho de conquistas. Bati laje na

minha casa e construí o meu salão. Com as mudanças, tive um aumento de 10% no número de clientes”, destaca Sandra. Atualmente, o Studio Canto da Beleza atende de segunda-feira a sábado e conta com o trabalho de

cinco profissionais: Sandra, uma auxiliar de cabeleireira, uma manicure e dois esteticistas. “Hoje, consigo pagar as contas do salão (fornecedores, produtos, contas fixas), tenho meu salário/pró-labore e planejo o futuro da empresa”, comemora.

Dicas para conquistar novos clientes e fidelizar atuais

1.

Fazer um instagram;

5.

Enviar mensagem de texto oca-

9.

Investir em uma boa fachada.

sional para seus clientes – pode ter um grande impulso em reservas; fazer uso de e-mail marketing e newsletters;

2.

Uma fanpage no Facebook;

10. Construir parcerias locais com associações de bairros, sindicatos, associações empresariais, 6.

Investir em anúncios pagos;

escolas/universidades, clubes, e grandes empresas ou mesmo rede de lojas e estabelecimen-

3.

tos da sua cidade ou bairro.

Incentivar clientes a postarem nas redes sociais;

7.

4.

Construir um website;

11. Atualizar-se com as tendências

Criar um blog anunciando os

mais quentes do segmento de

serviços com tendências do segmento;

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beleza e estética, uma vez que 8.

Vender seus serviços online.

muda muito rapidamente.


Foto: RAUL GOLINELLI

POLÍTICAS PÚBLICAS

Sete prefeitos baianos venceram a etapa estadual e um deles teve destaque nacional

Gestão empreendedora premiada A 9ª edição do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor, que acontece a cada dois anos, reconheceu a gestores municipais Com o objetivo de incluir o empreendedorismo na agenda da gestão municipal, a exemplo da saúde, educação, segurança e infraestrutura, o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor reconheceu as ações desenvolvidas em cidades de todo o país. Nessa edição, as unidades do Sebrae nos estados receberam mais de 1,8 mil inscrições, superando a meta de 1,5 mil. Desse total, saíram 148 vencedores estaduais para disputar a etapa nacional, realizada em maio, em Brasília, que reconheceu 12 prefeitos. Um

deles foi Jeferson Andrade, gestor de Madre de Deus. As ações voltadas para o desenvolvimento do município renderam a Jeferson o prêmio na categoria Inovação e Sustentabilidade, com o projeto “Madre Total”. A iniciativa busca a construção de uma plataforma de Gestão Compartilhada, com base na ciência, tecnologia e inovação. Entre as ações do projeto, estão: a instalação de uma Infovia Municipal, para disponibilizar internet gratuita

à população e apoiar as equipes de campo da prefeitura; o projeto “Madre Mais Segura”, implantando um sistema de videomonitoramento em toda a cidade e investimentos em novos equipamentos e infraestrutura de segurança; a construção da Unidade de Gestão Integrada, que contempla, entre outras ações, a formatação de um ambiente tecnológico e de integração dos sistemas das secretarias; o projeto “Acelera Madre”, executando atividades de qualificação das vocações econômi-

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cas da cidade para, posteriormente, consolidar investimentos em melhorias estruturais de aparelhos urbanos; e o projeto “Madre Cidade Criativa”, com investimento em cultura e esporte. “Sempre acreditei que se pensarmos na gestão municipal com foco em profissionalismo e inovação os resultados seriam, além de prêmios como este, a melhoria dos indicadores que têm impacto na qualidade de vida da população. Madre anda em firmes trilhos para se tornar uma cidade referência. Essa é a nossa missão”, disse o prefeito de Madre de Deus, Jeferson Andrade.

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à ordem pública, do equilíbrio das contas ao fortalecimento do ambiente de negócios. O projeto foi lançado em novembro de 2015, e é composto por ações voltadas ao desenvolvimento do empreendedorismo e para gerar emprego e renda na cidade. Entre elas, estão a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim) e a implementação do Programa Município Empreendedor, que tiveram os convênios assinados pelo prefeito com a Juceb e o Sebrae, respectivamente. “Uma série de ações já está sendo realizada pela prefeitura para faciliFoto: SÉRCIO FREITAS

Foto: SÉRCIO FREITAS

Jeferson Andrade, prefeito de Madre de Deus

Antes mesmo de vencer o prêmio, o projeto já tinha alcançado resultados, como a diminuição do índice de homicídio, a integração de todos os estabelecimentos municipais, o sistema de telefonia passou a ser por ramais, economizando R$ 120 mil por ano, a qualificação dos empresários locais e a captação de uma empresa de grande porte, no ramo da indústria de telesserviços, o que abriu uma nova vocação econômica na cidade e gerou 1,6 mil empregos diretos, além de promover um aumento na circulação de moedas no comércio local de, aproximadamente, R$ 20 milhões. Para chegar à final nacional, Jeferson Andrade venceu a mesma categoria na etapa baiana do prêmio. Assim como ele, outros seis prefeitos também foram reconhecidos pelo trabalho de gestão e desenvolvimento local em seus municípios. Nas páginas a seguir, confira os demais vencedores da etapa baiana do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor.

Melhor Projeto Municípios Integrantes do G100 O prefeito ACM Neto venceu a categoria Melhor Projeto Municípios Integrantes do G100, com a iniciativa “Salvador Capital Empreendedora”. Para alcançar o objetivo de enfrentar a vulnerabilidade social e promover o desenvolvimento sustentável de Salvador, o projeto realizou intervenções desde cidadania à mobilidade, da educação

ACM Neto, prefeito de Salvador


Melhor projeto O projeto “Guanambi – Empreendedorismo como Potencial de Desenvolvimento Econômico e Social no Sertão Produtivo” levou o prefeito Charles Fernandes a vencer, pela terceira vez, a etapa baiana do Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor. Nessa nona edição, o gestor foi premiado na categoria Melhor Projeto. A iniciativa busca a simplificação, desburocratização e aplicação de políticas públicas para os pequenos negócios para estimular o desenvolvimento local, a partir

Foto: RAUL GOLINELLI

tar a vida do empreendedor. E agora, com essa parceria com o Sebrae e a Juceb, a nossa expectativa é de que esse ambiente de negócios seja ainda mais impulsionado e facilitado, de maneira que Salvador tenha esse diferencial e possa sair na frente”, avaliou ACM Neto. No total, o projeto atua em dez áreas temáticas: Ambiente de Negócios; Turismo e Cultura; Ordem Pública; Mobilidade; Ambiente Urbano; Educação; Saúde; Justiça Social; Gestão; e Equilíbrio das contas públicas. Entre outras ações contempladas na iniciativa, estão a criação do Centro Empreendedor Municipal (CEM); a elaboração de um Plano Anual de Compras (governamentais), sendo que no planejamento dos órgãos para registro de preços está contemplada a participação especial dos pequenos negócios; e a capacitação de comerciantes informais do Pelourinho, Mercado Modelo e Igreja do Bonfim.

O superintendente do Sebrae, Adhvan Furtado, entregou o troféu ao secretário de Indústria e Comércio de Guanambi, Fabrício Lopes, que representou o prefeito Charles Fernandes

da implementação de nove ações complementares. São elas: Fundo de Aval; CrediBahia; Centro de Treinamento Municipal; Qualificação e capacitação no comércio; Distrito Industrial Municipal; Sala do Empreendedor; Cidade Digital; Políticas Inovadoras; e Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim). O projeto já alcançou uma série de resultados. Entre eles está a ampliação das compras públicas de 50%, em 2009, para quase 90%, no primeiro semestre de 2015; a melhoria no atendimento da Sala do Empreendedor, que hoje atende

uma média de três mil empreendedores por semestre; e a aprovação de um projeto de lei para a implantação de um distrito comercial. “Desenvolver o comércio e indústria local sempre foi um foco estratégico trabalhado em nossa gestão. O fato de estarmos investindo fortemente em políticas públicas empreendedoras na cidade de Guanambi é pautada no vetor de crescimento dos pequenos negócios, onde fornecemos o suporte financeiro, passando pela intermediação de mão de obra e qualificação, e investindo no atendimento ao pequeno empresário, com a sala do empreendedor”, detalha.

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Foto: SÉRCIO FREITAS

A gestão municipal de Ribeira do Pombal, administrada pelo prefeito Ricardo Maia, foi reconhecida com o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor, na categoria Implementação e Institucionalização da Lei Geral. O projeto premiado “Ribeira do Pombal, Terra Empreendedora” tem como objetivos a promoção do desenvolvimento local, fortalecendo a economia por meio

Ricardo Maia, prefeito de Ribeira do Pombal

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de ações de inovação, geração de oportunidades e inclusão dos pequenos negócios nas compras públicas. A atuação se deu em dois eixos: Compras Públicas e Desburocratização e Formalização. No primeiro, a principal iniciativa foi a implantação da Lei Municipal nº 554/2010, que regulamenta a Lei Geral e cria incentivos e benefícios para os pequenos negócios. Já no aspecto Desburocratização e Formalização, se destacam a capacitação de servidores públicos sobre a Lei Geral; a implantação da Sala do Empreendedor com o Agente de Desenvolvimento nomeado e treinado com serviços de informação e assessoria em gestão, crédito e tecnologia; e a implantação da Redesimples. “Uma administração empreendedora não se faz sozinho, precisamos de parceiros internos e externos que fomentem a economia local, proporcione aperfeiçoamento dos empresários, incentive o emprego e renda no município e, principalmente, que busque a criatividade e comprometimento com o desenvolvimento sustentável”, analisa o prefeito Ricardo Maia. Entre os resultados já alcançados, estão a desburocratização para abertura de empresas; o convênio com a Receita Federal e uso da certificação digital de toda a equipe fiscal, o que agiliza o processo de adesão das micro e pequenas empresas ao Simples Nacional; a criação do Polo Industrial; e a regulamentação de legislações e normas na área de compras públicas.

Inclusão Produtiva com Segurança Sanitária O prefeito Jabes Ribeiro, de Ilhéus, venceu o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor na categoria Inclusão Produtiva com Segurança Sanitária. O projeto “Gestão de Segurança Sanitária e Inclusão Produtiva de Negócios Alimentícios e Centrais de Abastecimento” tem como principais objetivos a excelência na aplicabilidade dos procedimentos referentes à resolução RDC 49/2013, Foto: SÉRCIO FREITAS

Implementação e Institucionalização da Lei Geral

Jabes Ribeiro, prefeito de Ilhéus


dor e de outras iniciativas, principalmente junto aos pequenos comerciantes, no sentido de estimular práticas voltadas à economia criativa, sempre com a participação popular”, disse.

Desburocratização e Formalização Com o objetivo de facilitar ao cidadão empreendedor a formalização Foto: SÉRCIO FREITAS

da Anvisa, a implementação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além da busca para alcançar os objetivos do milênio da ONU. Entre as iniciativas do projeto, estão a fiscalização e monitoramento das indústrias de gelados comestíveis, das feiras livres, panificadoras, manicures, consultórios odontológicos, drogarias, supermercados e mercearias; a atuação sobre as fábricas de gelados clandestinas e sobre as praças de alimentação e quiosques; a realização de capacitações e cursos educativos de boas práticas sanitárias; a chamada pública para aquisição de alimentos com recursos do PNAE; e a aquisição de alimentos do PAA. Com o PNAE, 70 produtores da agricultura familiar passaram a fornecer alimentos à prefeitura, sendo necessária a adequação sanitária estabelecida em leis federais e municipais, para implementação da política de segurança alimentar vinculada a aspectos de desenvolvimento sustentável. Com o PAA, somente em 2015, foram adquiridos alimentos de 337 agricultores de 35 associações e atendidas 30 entidades socioassistenciais. Nessas 30 entidades foram beneficiadas mais de 11 mil pessoas numa aquisição de 220 mil quilos de alimentos. “Uma gestão empreendedora só se estabelece com o exercício da cidadania e da corresponsabilidade pública entre governo e comunidade. Aqui em Ilhéus, buscamos incentivar a atividade empresarial através do Balcão do Empreende-

O diretor do atendimento do Sebrae, Franklin Santos, entregou o troféu ao prefeito de Itabuna, Claudevane Leite

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município. “Plantamos essas ideias e agora estamos colhendo. Esse número tão grande de empreendedores fez com que se garantisse uma ocupação e renda para os profissionais, e isto contribui para movimentar o comércio local, a economia de Itabuna”, afirmou o prefeito.

Pequeno Negócio no Campo Com o projeto “Trilhando Caminhos Construindo Histórias”, o prefeito de Tucano, Igor M. Nunes, venceu o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor na categoria Pequeno Negócio no Campo. A ação busca Foto: SÉRCIO FREITAS

do seu negócio, o prefeito Claudevane Leite, de Itabuna, foi reconhecido com o projeto Empreendedorismo Itinerante, na categoria Desburocratização e Formalização. As principais ações do projeto, lançado em 2013, foram a instalação da Sala Itinerante do Empreendedor e da nova Sala do Empreendedor, atendendo aos microempreendedores individuais (MEI) de forma unificada e desburocratizada. As equipes itinerantes vão ao encontro dos já formalizados e instalados em praças públicas no sentido de fortalecer seus negócios. Entre as ações, estão o incentivo ao associativismo, reordenamento de espaços públicos, oferta de cursos e oficinas, exposição de produtos do MEI, formalização de empreendimentos que estão instalados e funcionando na informalidade, realização de oficinas de crédito, e reordenamento da Feira do São Caetano. Também será finalizado, neste ano, o segundo Shopping Popular, para abrigar mais 140 microempreendedores individuais com mais estrutura e segurança para o desenvolvimento de sua atividade comercial. Outras iniciativas do projeto foram a desburocratização da atividade de mototaxistas na condição de MEI, beneficiando cerca de 700 profissionais; apoio aos microempreendedores individuais na realização de eventos sazonais para atrair clientes e oxigenar as vendas de seus produtos; e revitalização do espaço público voltado para o comércio. Dos resultados alcançados, talvez o mais expressivo seja o aumento da formalização, com um incremento de 573% no número de MEI no

Prefeito de Tucano, Igor M. Nunes

fortalecer os empreendimentos da agricultura familiar e da economia solidária, tendo como foco de atuação a compra de produtos para o cardápio da alimentação escolar e o apoio ao fortalecimento das organizações. Entre as principais iniciativas do projeto, estão a garantia mínima de aquisição de 30% de produtos da agricultura familiar para o cardápio da alimentação escolar, o apoio a cooperativas da agricultura familiar para que concorressem às Chamadas Públicas da Alimentação Escolar, a estruturação da Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura, e o fortalecimento da rede municipal dos grupos produtivos da agricultura familiar. O projeto já alcançou diversos resultados, como a existência de cooperativas qualificadas e aptas para concorrer nas Chamadas Públicas do PNAE; o aumento da contrapartida municipal com recursos próprios para ampliação das compras da agricultura familiar; o apoio e estimulo à organização da rede municipal dos grupos produtivos da agricultura familiar, também com capacitações; e a ampliação do atendimento aos agricultores, com a instalação nas dependências da Feira Livre do município. “A importância de uma gestão empreendedora está justamente nesse contexto, de interação e motivação da sociedade, ofertando assistência técnica, e dando exemplo na administração pública municipal através desse reconhecimento pelo Sebrae, com a finalidade de desenvolver o município ao longo dos anos”, disse o prefeito.


Foto: JOÃO ALVAREZ

INOVAÇÃO E TECNOLOGIA

Sócios do Grupo Neurofuncional de Atendimento e Pesquisa (GNAP), os fisioterapeutas Rafael Catramby, Antonio Prazeres e Fábio Carvalho recebem incentivo do Sebrae para inovar em seus serviços

Empresas inovadoras Sebrae investe em projetos de 29 empresas baianas Os números crescentes nos relatórios do Grupo Neurofuncional de Atendimento e Pesquisa (GNAP), especializado em reabilitação neurológica, são motivo de comemoração para o trio de sócios e fisioterapeutas Antonio Prazeres, Fábio Carvalho e Rafael Catramby. “A média de admissões mensais é de 20 novos pacientes. No

ano passado era de 13”, conta Antônio, acrescentando que hoje são realizados cerca de 2,4 mil atendimentos mensais. Mas, para o ritmo do negócio não atropelar os processos internos, é preciso estar alerta. Atentos a essa realidade, os sócios decidiram que era o momento de agir e inovar.

O GNAP integra o grupo de 29 empresas com projetos de inovação selecionados na chamada pública do Sebraetec Diferenciação, iniciativa pioneira lançada por meio de edital, em agosto de 2015. Os projetos vencedores foram avaliados entre 64 inscritos, e tiveram o seu potencial inovador e de mercado analisado por

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Foto: RAUL GOLINELLI

A maca portátil ortoestática teve auxílio do Sebrae para registro de patente

banca examinadora composta por especialistas do Sebrae, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado da Bahia (Secti-BA). Com orçamento máximo de R$ 125 mil, os projetos participantes têm até 80% do valor do projeto subsidiados pelo Sebrae Bahia, ficando os outros 20% a cargo do empresário. Ao todo, o Sebrae está investindo aproximadamente R$ 1,8 milhão, apoiando financeiramente os empresários de micro e pequenas empresas baianas que decidiram apostar na inovação para transformar os seus negócios. Entre essas empresas, está o GNAP. Com a demanda crescente de pacientes, os sócios notaram que o controle realizado com planilhas já não mais atendia às necessidades do negócio. Era preciso ter um sistema infor-

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matizado que permitisse o agendamento das consultas de forma mais organizada. Até então, esse seria um projeto comum de desenvolvimento de sistema. Mas Antonio, Fábio e Rafael queriam algo mais. Ao conhecer Letícia Lisboa, diretora da Dossier Digital, empresa desenvolvedora de sistemas, o trio de fisioterapeutas encontrou o parceiro ideal para dialogar e descobrir como atender às demandas da empresa de forma inovadora. Começaram, então, a traçar o projeto de um sistema que permita o acesso de pacientes e fisioterapeutas pelo celular, solucionando os entraves existentes no agendamento dos atendimentos domiciliares. Além disso, através da nova ferramenta, um prontuário eletrônico do paciente poderá ser alimentado até mesmo com vídeos das sessões,

fornecendo aos familiares um melhor acompanhamento de seu desenvolvimento. A parceria também rendeu a criação de uma pulseira de monitoramento, que, junto com o sistema, integra o projeto de inovação da empresa contemplado pelo edital do Sebraetec Diferenciação. “A pulseira vai estar linkada com o prontuário eletrônico do paciente, registrando o nível de frequência cardíaca e atualizando diretamente o sistema”, exemplifica Fábio. Além de atender ao desejo dos sócios de oferecer um acompanhamento cada vez mais completo ao paciente, a novidade proposta pela Dossier desponta como uma oportunidade para ampliar a atuação da empresa, que em 2016 está investindo em novos núcleos, como o atendimento pediátrico e cardiológico. “O cardiologista terá acesso online à frequência cardíaca do paciente, número de passos que ele deu naquele dia. São medidas importantes para a reabilitação e o acompanhamento contínuo”, explica. Não é a primeira vez que o GNAP busca caminhos ainda não percorridos no mercado. Com a inovação em seu DNA, a empresa nasceu como pioneira no atendimento domiciliar especializado em Salvador, em 2010. Em 2012, criou uma maca portátil ortoestática, em substituição a outro equipamento, que é pesado e de difícil mobilidade. Patenteada com o auxílio do Sebrae, a criação permite que o paciente fique de pé. Os sócios contam que buscam sempre encontrar onde é possível desenvolver uma inovação. “Às vezes está na aplicação de alguma atividade, como um aten-


dimento que fazemos ao paciente na praia, no stand-up (prancha), para mostrar ao paciente que ele pode sair de casa”, conta Antônio. Para exercitar essa visão inovadora, os fisioterapeutas apostam em capacitações, como o seminário Empretec, que tem metodologia desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e é aplicado no Brasil pelo Sebrae. “É o melhor curso que eu já fiz na minha vida. E observamos que, depois dele, tivemos um crescimento grande na empresa”, analisa Antônio, que quer disseminar esse conhecimento. Segundo ele, todos os colaboradores que estão chegando à equipe este ano também passarão pelo Empretec. “A gente precisa de pessoas empreendedoras para desenvolver os núcleos”, conta. A atitude de “pensar fora da caixa” foi o que chamou a atenção da Dossier Digital, empresa credenciada pelo Sebraetec, que está desenvolvendo o projeto do GNAP. “É muito difícil encontrar empresários com esse senso de inovação. Exige um

“É o melhor curso que eu já fiz na minha vida. E observamos que, depois dele, a gente teve um crescimento grande na empresa” Antonio Prazeres, sobre o Empretec

conhecimento muito grande do negócio”, elogia Sebastião Cartaxo, desenvolvedor de software da Dossier, que vem trabalhando no novo sistema da microempresa.

Fomento à inovação baiana Leandro Barreto, gerente da Unidade de Acesso à Inovação do Sebrae Bahia, explica que o edital foi lançado para permitir uma inovação de produtos, processos ou serviços de micro e pequenas

empresas. “E além de apoiarmos o cliente final, estamos apoiando o fornecedor, que também é uma pequena empresa”, observa, destacando que ainda há startups de base tecnológica envolvidas com os projetos. “A gente quer que, de fato, empresas baianas tenham produtos melhorados, inovadores, para torná-las mais competitivas no mercado”, conta Leandro. Ele aponta, ainda, que esse pode ser um primeiro passo para as empresas contempladas alçarem voos maiores, como a ampliação da atuação para outros estados, e até mesmo a internacionalização. Aliás, essa é a intenção do GNAP. Com a conclusão do sistema prevista para o fim de outubro, quando todas as empresas contempladas apresentarão ao Sebrae os seus projetos prontos, o objetivo dos sócios é fazer dessa experiência mais um degrau. “Queremos ter um modelo para, futuramente, desenvolver franquias”, adianta Antonio, já de olho na próxima inovação.

Inovação em toda parte E se engana quem pensa que a inovação só acontece em empresas de cunho tecnológico. Na lista dos projetos selecionados, estão empreendimentos de diversos setores e segmentos, como serviços de comunicação, produção de acessórios em couro, e até mesmo o desenvolvimento de pipocas gourmet. Há também empresas da capital e do interior. A chave para compreender o que une esses perfis tão diversos é a ousadia de fazer diferente. Conheça as empresas que tiveram projetos selecionados: 3i Consultoria; ADSS Presença Digital; Agroindustrial Theobroma; Aloeh Bolsas e Acessórios de COURO;

BML Consultores; Centro de Assistência Domiciliar Especializado em Saúde – CADES; Desenvolva Tecnologia; Editora Viva Ltda.; Engpiso Engenharia & Soluções Integradas; ESL Desenvolvimento Empresarial; Exitum Consultoria; G.O.F Industrialização; Goya Comércio; Gráfica DPI; H1 Estatística Ltda.; Kleber Ramos Alves ME; Las Palomitas; Leão de Ouro Comercial; LifeTech; Marcanti Indústria Comércio de Plásticos Ltda.; MidiaClip; MLCA Soluções em Marketing; Optifocus produtos oftalmológicos; Performers Consultoria; Potelo Sistemas de Informação LTDA; Realce Industrialização; Rede+; Teleplanej Comércio; e Workout Comunicação e Marketing.

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Foto: RAUL GOLINELLI

EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

Após participação no curso Crescendo e Empreendendo, jovens planejam voltar à sua cidade natal e empreender

Empreender nas pequenas cidades Programa do Sebrae dissemina conceitos de empreendedorismo entre jovens do ensino médio, e permite que eles vislumbrem caminhos para crescer em suas próprias cidades No caminho entre Salvador e a região do Piemonte da Chapada Diamantina, percorrendo cerca de 250km, está o município de Baixa Grande. Entre os seus 21 mil habitantes está Caíque Costa, de 19 anos. Caíque, aluno do 3º ano do ensino médio, é mais um

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entre tantos jovens que vão deixar a cidade para cursar uma faculdade no ano que vem. Mas, comprovando uma nova realidade dos pequenos municípios brasileiros, ele pretende voltar à sua terra para abrir um negócio próprio.

O plano: uma sorveteria. “É um projeto futuro, que depende de planejamento, mas a minha ideia é voltar para Baixa Grande e empreender.” Na família de Caíque, o empreendedorismo é uma característica marcante. “Meu pai e meus


irmãos possuem pizzarias em Feira de Santana e região. E aqui em Baixa Grande, um primo meu também comanda uma pizzaria”, conta. O ingrediente a mais está no conhecimento. Caíque participou, em 2015, do curso Crescendo e Empreendendo, que integra o Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sebrae. Para o estudante, o curso ampliou os horizontes. “Percebi a importância de ter uma visão empreendedora.” Dentro de um novo contexto social e econômico, um jovem nascido e criado em uma pequena cidade do interior está em busca de oportunidades na sua própria terra natal, e o empreendedorismo pode se tornar uma alternativa. “Depois de participar do curso, minha ideia se concretizou. Se você vive em uma cidade pequena, precisa ser visionário para entender como funciona a economia local e saber o que e como investir”, diz Caíque, que é aluno da Escola Estadual Nuclear de Baixa Grande. Segundo a analista da Unidade de Educação Empreendedora do Sebrae Bahia, Janaína Neves, a solução tem por objetivo ofertar aos participantes estímulos à adoção de atitudes empreendedoras, apoiadas sobretudo na responsabilidade, na concepção de criatividade, na inovação e na sustentabilidade ambiental. “A proposta atual é trabalharmos em parceria com instituições de ensino ou instituições não governamentais que atuam na formação de jovens”, explica. Para a atuação em Baixa Grande, o Sebrae contou com a articulação do Sicoob/Sertão (Sistema

de Cooperativas de Crédito). O programa passou por outros dez municípios: Pintadas, Várzea da Roça, Pé de Serra, Ipirá, Rui Barbosa, Piritiba, Boa Vista do Tupim, Utinga, Itaberaba e Capela do Alto Alegre. Nessa articulação, mais de 1,2 mil jovens foram capacitados nas 11 cidades, em 2015. Alguns municípios solicitaram novas turmas diante da demanda. O contato é feito a partir das secretarias municipais de Educação ou também via centros de formação técnica. Moisés Rios, analista de formação cooperativista do Sicoob/Sertão, destaca que a iniciativa contribui para que o jovem encontre oportunidades através do empreendedorismo sem precisar sair de sua cidade. “O programa mostra que é possível empreender e encontrar oportunidades sem ter que se mudar para uma cidade grande. Temos exemplos de jovens hoje que já desenvolvem uma atividade empreendedora e puderam incrementar a renda de suas famílias.” Pelo que conta Caíque, ele será o próximo a compor essa realidade. “Só vou cursar faculdade em outra cidade, porque aqui em Baixa Grande não temos instituições de ensino superior”, revela. “Vou voltar já sabendo o que quero fazer e onde vou investir.” O estudante afirma que, acima de tudo, o curso traz benefícios para a organização do seu dia a dia. “As aulas me mostraram a forma de trabalhar, e pude desenvolver pensamentos sobre como agir, não apenas quando abrir meu próprio negócio, mas no cotidiano”, finaliza.

Método A ideia é que o programa contribua de algum modo para a realização pessoal ou profissional do participante. Para disseminar o conhecimento entre os estudantes, o Sebrae repassa o conteúdo para os professores ou instrutores de projetos sociais, e estes realizam o repasse em sala de aula. O programa desenha um processo de ensino e aprendizagem voltado para o reforço da autonomia, a partir de uma construção coletiva com a participação do jovem e do educador como autores desse processo. Nessa referência, o conhecimento é construído mediante um processo contínuo baseado nas experiências pessoais, por meio de atividades vivenciais e interativas, com exercícios individuais e em grupos e discussões. O Crescendo e Empreendendo tem 12 horas de duração, distribuídas em três encontros de quatro horas, em dias separados e sequenciais. O público-alvo são adolescentes e jovens do Ensino Médio ou participantes de projetos sociais, desde que já tenham concluído o Ensino Fundamental. Vale ressaltar que também podem ser alunos da modalidade Educação Jovens e Adultos (EJA). “Desde 2014 atuamos com a metodologia e já capacitamos cerca de três mil jovens. Para 2016, a nossa meta é, por meio das parcerias, chegarmos também a três mil jovens”, revela a analista Janaína Neves. As instituições interessadas em firmar parcerias para a realização do programa devem entrar em contato com a Unidade de Educação Empreendedora do Sebrae Bahia pelo telefonte 71 3320-4432.

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Foto: MAURÍCIO MARON

MERCADO

Danilo Abreu de Souza, proprietário da IPSoft Sistemas, em Ilhéus, é um dos empresários beneficiados pela contração de capital de giro

Capital para girar Empresário pode buscar crédito para capital de giro, mas, muitas vezes, o dinheiro está dentro do próprio negócio, a partir do controle financeiro Assim como o combustível movimenta complexas engrenagens mecânicas, no ambiente empresarial o capital de giro é o que faz a máquina de trabalho ter a movimentação necessária para atingir suas metas. Ou seja, é o recurso financeiro que

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“gira”, circula, mantendo as operações da empresa, como o financiamento aos clientes nas vendas a prazo, manutenção de estoques, pagamento a fornecedores, impostos, salários e outras despesas operacionais.

O Sebrae é parceiro da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia) na oferta de soluções para as empresas que precisam de crédito para crescer, aproximando instituições financeiras, públicas e privadas, empreendedores individuais


e pequenas empresas para ampliar o acesso e reduzir custos do crédito. “É essencial que o empresário saiba calcular o capital de giro necessário para sua empresa”, destaca o técnico da Unidade Regional do Sebrae em Ilhéus, Michel Lima. Através do acordo de cooperação mútua entre as duas instituições, um gerente da Desenbahia dá plantão nos pontos de atendimento do Sebrae prestando orientação, participando de eventos e realizando visitas nas empresas. Os escritórios regionais da Desenbahia funcionam dentro das agências do Sebrae em Ilhéus, Teixeira de Freitas, Vitória da Conquista, Irecê, Feira de Santana, Juazeiro e Barreiras. Na parceria, o Sebrae entra com a capacitação do empresário e a Desenbahia com o financiamento dos recursos necessários para a empresa. “As taxas são subsidiadas e abaixo das praticadas no mercado. O capital de giro responde por grande parte dos atendimentos, princi-

palmente nos setores de comércio e serviços”, explica o gerente de negócios da Desenbahia na região Sul, Thales Quadros. O primeiro canal de informações e solicitação de Capital de Giro pela Desenbahia é a internet, através do site www.desenbahia.ba.gov.br. Na opção Portal de Negócios, o empresário pode se cadastrar e preencher os formulários online, recebendo a resposta de forma imediata. Para mais informações e atendimento personalizado, a Desenbahia disponibiliza o telefone 0800 285 1626. Em Ilhéus, um dos empresários beneficiados pela contratação de capital de giro é Danilo Abreu de Souza, formado em Ciência da Computação, com especialização em Gestão de Produtos pela Fieb/ Senac. Ele é proprietário da a IPSoft Sistemas, fundada há dez anos para atender, inicialmente, ao Polo de Informática de Ilhéus. “Já no terceiro ano de operação, atendíamos indústrias fabricantes de computa-

dores e equipamentos de infraestrutura de redes do Sul e Sudeste, tornando-nos líder de mercado no segmento de software para gestão da produção de computadores”, afirma o empresário. O financiamento de R$ 90 mil foi usado no desenvolvimento de aplicativos móveis, onde a empresa visualizou uma grande oportunidade de negócio. “Aumentamos e qualificamos a equipe de produção de aplicativos para smartphones e tablets para Shopping Center, concessionárias como o grupo de vendas da Kia no Brasil, o ViaBarra e artistas, como Anitta, que usa um App oficial desenvolvido pela IPSoft”, completa o empresário. Hoje, a IPSoft vem se especializando em ações de marketing digital com a criação de campanhas para o Google e Facebook, além de fechar parcerias estratégicas com agências de publicidade de Salvador e do Sudeste, para expandir a sua atuação no mercado nacional.

O dinheiro para capital de giro pode estar dentro do negócio “Muitas vezes o empresário acha que necessita de um empréstimo de capital de giro, mas o dinheiro está dentro do próprio negócio, faltando, na verdade, a administração desse capital”, destaca Michel Lima. Por isso, além da parceria com a Desenbahia para oferta do empréstimo, o Sebrae também disponibiliza algumas soluções que ajudam o empresário no controle e cálculo da necessidade deste capital, como a Consultoria Online, o Treinamento Gerencial Básico (TGB), o curso Gestão

Financeira Na Medida e a Oficina de Crédito. Através do Sebrae, o empresário tem ainda acesso a manuais que auxiliam no processo de controle. Como elaborar Controles Financeiros – O manual ajuda a evitar decisões impulsivas que podem comprometer a saúde da empresa (migre.me/tyEqJ). Cálculo do capital de giro – Caderno de Gestão – Mostra como o empreendedor pode antecipar as necessidades de recursos extras para a manutenção das operações periódicas da empresa, tanto presentes quanto futuras (migre.me/tyEru).

Análise e Planejamento Financeiro – O curso a distância fornece conhecimentos sobre ferramentas de controle financeiro para aumentar a eficiência do empreendimento (migre.me/tyEsZ). Programa Varejo Fácil – Controles Financeiros – Também online, o curso desenvolve habilidades de controle financeiro para melhorar o processo de tomada de decisões cotidianas nos pequenos negócios (migre.me/tyEtO). Os links para os manuais estão disponíveis no site do Sebrae.

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Fotos: RAUL GOLINELLI

CAPA

Casados há 11 anos, os empresários baianos Miguel Tolentino e Rosely Lira, donos do pet shop 4Pets 4You, se capacitam sem sair de casa

Conhecimento a um click de distância Unindo qualidade e comodidade, consultoria a distância conquista empreendedores de todo o estado SEBRAE BAHIA

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Casados há 11 anos, a química Rosely Lira e o biólogo Miguel Tolentino se conheceram trabalhando juntos em um laboratório. Agora, voltam a experimentar a parceria no ambiente de trabalho, desta vez em empreendimento próprio, a pet shop 4Pets 4You, inaugurada em abril, no bairro da Pituba. Desde dezembro de 2015, o casal sempre esteve na microempresa para acompanhar de perto a reforma antes da inauguração. Em fevereiro deste ano, eles tiveram acesso a uma nova solução oferecida pelo Sebrae: a consultoria a distância. Uma das maiores novidades da instituição para o atendimento aos empreendedores baianos este ano, a ferramenta permite o agendamento gratuito com consultores das áreas de Finanças, Marketing, Planejamento, Tributação e Legislação. Até o fim do ano, a instituição espera realizar 62 mil atendimentos a distância, alcançando 50% do total de atendimentos a empresas na Bahia. Com a ferramenta online, o casal não precisou alterar a rotina para expandir os conhecimentos. Para garantir que inaugurariam a pet shop aproveitando todo o potencial do negócio, eles recorreram à consultoria a distância na área de marketing. “Na conversa com a gente, o consultor só tratou do nosso negócio. Então é uma consultoria personalizada, e isto foi muito interessante”, conta Rosely. “E o consultor pode mudar a abordagem conforme ele perceba em que ponto daquele assunto a gente já está: se muito atrasado ou se já tem conhecimento”, acrescenta o marido, Miguel.

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A empresária já aponta na loja, em meio a produtos variados para animais, um dos frutos do serviço. “Uma coisa importante que a gente acabaria não fazendo e que foi decisivo na conversa com o consultor foi a ideia de criar um espaço para o cliente”, explica. Hoje, quem leva o seu pet à loja pode encontrar uma área especial, onde inicialmente seria um depósito. No vão embaixo da escada, para o segundo andar do estabelecimento, uma saleta foi montada com móveis para garantir o bem-estar de quem leva o seu animal de estimação ao local. “O cliente pode sentar com mais conforto, carregar o celular, ter acesso ao wi-fi”, enumera Rosely. “O consultor falou que muitos pet shops são pequenos e não oferecem condições para o cliente se sentir confortável. Essa dica mudou a forma de ver a loja”. Durante a consulta online, Rosely e Miguel aproveitaram para amadurecer outras ideias que povoavam a cabeça do casal. Uma delas é a busca de parcerias e ações de fidelização. Pensando nisso, eles já desenvolveram um cartão fidelidade para conceder condições especiais aos clientes. Também fecharam parceria com a delicatessen vizinha da loja, que incluiu a nova pet shop na lista de estabelecimentos em que é possível resgatar pontos acumulados no Cartão Perini. A comodidade da quilometragem poupada vem atraindo usuários da nova ferramenta. Entre a casa de Itamar Oliveira, em Itaberaba, e a sede do Sebrae Bahia, em Salvador,

há 282km de estrada, um pedágio e mais de três horas de viagem. Essa distância poderia ser um empecilho para a consultora, Laira Lopes, encontrar Itamar e aconselhar o microempreendedor individual (MEI) sobre os melhores caminhos a seguir no planejamento de sua empresa. Poderia ser, mas não foi. Através da tela do computador, os dois conversaram durante uma hora sobre os rumos da agência de marketing digital. Para isso, Itamar não precisou pagar qualquer taxa ou percorrer um metro de asfalto sequer. Além da ajuda da tecnologia, o feito foi possível devido a consultoria a distância. Para Itamar, um fã assumido de cursos online, a solução facilita não só a questão da distância, mas a comodidade de agendar o compromisso em meio às demais obrigações que os empresários enfrentam. “As pessoas colocam na cabeça que não têm tempo para aprender, estudar, se divertir. Temos uma epidemia de pessoas desmotivadas e, às vezes, não veem que a oportunidade está ali no computador”, destaca o empreendedor. “Não existe mercado parado. Existe empresa parada.” A trajetória de Itamar é um exemplo de quem nada contra a corrente de desmotivação. Com apenas 25 anos e 24 clientes fixos, Itamar conta que amadureceu a ideia do próprio negócio em 2013, quando esteve na Feira do Empreendedor, realizada pelo Sebrae, em Salvador. Desde então, vem desenvolvendo o seu trabalho na agência, sempre buscando o conhecimento que estivesse ao seu alcance, como capa-


Os empresários criaram um espaço diferenciado e com acesso à internet, pensando no conforto dos clientes

citações das Oficinas SEI, disponíveis online. Quando viu a novidade sobre a consultoria a distância na fanpage do Sebrae Bahia no Facebook, tratou de garantir um horário para seu atendimento. Destacando como diferencial a possibilidade de tirar as dúvidas com o consultor na hora, ele diz que agora está se debruçando sobre um planejamento semestral, a partir de diagnóstico realizado com base no modelo Canvas, indicado pela consultora. “A consultoria online está valendo muito a pena”, elogia.

Facilitando o acesso a orientações especializadas, a consultoria a distância vem fazendo sucesso entre os empreendedores de cidades distantes da capital, como Itamar. “A gente achava que o interior não iria aderir muito, mas na primeira semana que o serviço foi lançado 90% dos clientes eram do interior”, conta Renata Marins, gerente adjunta da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae Bahia. “Normalmente, não há muita disponibilidade de cursos nessa região. Então o EAD (Ensino a Distância) chegou lá mais rápido que na própria capital.”

Ferramenta tem mais de 95% de aprovação Até o mês de junho, mais de 500 empreendedores participaram da consultoria a distância. Os resultados não poderiam ser melhores: o nível de satisfação dos clientes passa de 95%. Diretor de atendimento do Sebrae Bahia, Franklin Santos conta que esperava que a nova ferramenta representasse 4% do total de atendimentos no seu mês de lançamento, fevereiro. A demanda real, no entanto, quase dobrou o ín-

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dice: 7% dos atendimentos foram a distância naquele mês. “Esse serviço tem um valor especial, porque conseguimos levar consultores com conhecimento sobre questões específicas a todos os pontos do estado”, conta Franklin. “A frase que ouvimos com mais frequência é: ‘por que o Sebrae não inventou isso antes?’”, diverte-se, apontando a comodidade e o alto nível de qualidade e profundidade da consultoria como características que vêm atraindo os clientes.

É justamente esse tipo de atendimento personalizado que a nova ferramenta busca oferecer. Consultora do Sebrae que atendeu o empreendedor Itamar Oliveira, Laira Lopes conta que já busca saber quais são as dúvidas do cliente antes do encontro online. Assim, já prepara o material que pode ser interessante para o empreendedor, de forma a tornar a consultoria de uma hora a mais produtiva possível. Depois, o empreendedor recebe o relatório sobre o atendimento e os arquivos indicados pelo con-

sultor, como planilhas e manuais de plano de negócio. A produtividade do novo modelo de atendimento tem sido alta, segundo Laira. “Se eu fosse visitar cada cliente, mesmo em Salvador, em uma tarde atenderia um ou dois, com o trânsito que a gente tem. Pela internet, consigo fazer quatro. E as pessoas realmente precisam disso”, diz, lembrando que já atendeu empreendedores de diversas cidades, como Feira de Santana, Itabuna, Jacobina e da própria capital.


Foto: LUÍZ TITO

INDÚSTRIA

Dilma Portugal e seus filhos, entre eles Andreia e Adriana, lideram a empresa de moda praia e fitness Anaport, que conta com mais de 40 colaboradores

Inovar está na moda Fábrica feirense investe em inovação no segmento de moda praia e fitness, reduz custos em 20% e aumenta a produtividade e organização SEBRAE BAHIA

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Quando Dilma Portugal decidiu ampliar seu negócio ela não imaginava que daria tão certo. Após 15 anos trabalhando em Feira de Santana com confecção de fardamentos, foi em 1994 que optou por um novo nicho no mercado: a moda praia e fitness. “Iniciamos com a moda praia, que o mercado aqui na região estava precisando. Mas era um negócio sazonal com produção de junho a dezembro, e eu precisava manter os funcionários. Foi aí que entramos com o fitness, intercalando e complementando os períodos de produção”, lembra a empresária, proprietária da marca Anaport. Se hoje a procura é grande por cores vibrantes, recortes, estampas atuais, detalhes e transparências em macaquinhos, blusas, leggings e shorts-saia, quando Dilma criou a Anaport o cenário era bem diferente. “Naquela época não era comum usar roupa fitness, as pessoas usavam camiseta velha e bermuda para ir à academia. A tendência foi mudando aos poucos e nós fomos acompanhando esse comportamento”, recorda a filha de Dilma e responsável pela gestão comercial da empresa, Adriana Portugal. Segundo ela, a parceria com o Sebrae foi fundamental para a ampliação do negócio. “A empresa começou de forma muito empírica por meio do pouco conhecimento que tínhamos, mas através do Sebrae obtivemos o olhar técnico para a fábrica”, conta. A Anaport faz parte do Projeto de Moda do Sebrae, que atua nos setores de confecções, abrangendo empresas de Feira de Santana e região, e coureiro, nos municípios de Ipirá e Tucano. “A iniciativa oferece o Plano

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de Melhoria do Desempenho Empresarial (MEDE), uma ferramenta de acompanhamento que faz o levantamento de dados em cada empresa e disponibiliza um consultor para estabelecer indicadores avaliados, constantemente, e mensurar o desenvolvimento”, explica Luiz Eduardo Xavier, gestor do projeto, que tem o objetivo de atender, inicialmente, 40 empresas do segmento. Entre os avanços lembrados por Adriana, destacam-se as orientações do Sebrae sobre metodologia de produção. Nos anos 2000, ao colocar a empresa em contato com a cronometragem dos processos e criação de células dentro da fábrica, através do Planejamento e Controle da Produção (PCP), foi possível facilitar as práticas de planejamento e padronização. Com isso, o retorno financeiro da Anaport rendeu aumento de produtividade, organização da empresa e redução de custos, que girou em torno de 20%. “A partir da peça piloto nós já estimamos um tempo de produção, e assim calculamos que dia aquele lote vai estar pronto, até então não havia essa mensuração. Começamos a trabalhar com as células, criando um sistema motivacional de competição entre elas, oferecendo premiações, fazendo com que a equipe ficasse mais motivada”, detalha Adriana, que afirma ter aprendido isso ao longo do apoio oferecido em palestras e cursos da instituição

O valor das capacitações O negócio perdura no molde familiar. Dilma atua na parte de criação,

desenvolvimento de produto e modelagem, e, além de Adriana, conta também com os filhos Luciano e Andreia, que cuidam, respectivamente, do setor financeiro e da gestão da loja. A Anaport possui 43 colaboradores, somando fábrica e loja, além das contratações pontuais para períodos de alta temporada. E família que cresce unida se capacita unida também. Mãe e filha já perderam a conta de quantos cursos e consultorias fizeram no Sebrae. “Empretec, Sebraetec, Projeto Estruturante, fazemos parte do programa de Agentes Locais de Inovação (ALI), e temos um deles nos apoiando”, pontuam. “Quando há um incentivo à organização interna de cada setor, naturalmente nós estamos ganhando e há um crescimento”, completam. Para agregar à moda praia foi incorporada a linha resort, com peças leves, como saídas de praia e outros itens, para momentos à beira-mar. Há ainda a demanda de encomendas personalizadas, solicitadas por academias, grupos de corrida, organizadores de eventos e associações esportivas. Tudo isso resulta em uma demanda mensal de encomendas que gira em torno de 5 a 8 mil peças de moda praia e fitness. “Oferecemos um produto com qualidade e durabilidade. Temos esse diferencial de acompanhar o mercado. Fomos conhecendo o que o cliente queria e adaptamos as tendências ao nosso estilo”, comenta Dilma. Com o tempo, novas linhas de produtos foram sendo incorporadas pela fábrica. A Anaport ficou restrita à linha feminina e a Portner foi criada para o público masculino,


complementando o mix de produtos com um design mais arrojado.

Potencial de consumo Um diagnóstico sobre o setor de moda, feito pelo Sebrae, revela que a Bahia representa 25,8% do potencial de consumo de todo o Nordeste no mercado fitness. No mundo, o Brasil ocupa a segunda posição em

negócios voltados aos esportes e atividades físicas. O varejo esportivo tem faturamento anual de R$ 4,7 bilhões, ficando atrás apenas dos EUA, líder do segmento até então. O crescimento do número de academias no Brasil, que são cerca de 30 mil empreendimentos, segundo dados da Associação Brasileira de Academias (Acad), e a busca maior por saúde, beleza e bem-estar im-

pulsionam o segmento da Anaport. Na procura contínua pela inovação, a empresa encontrou parceiros para investimento no lifestyle fitness. “Estamos trabalhando com tecidos com trama tecnológica de efeito termostático e bacteriostático, com conforto térmico e proteção solar. São tecidos que proporcionam alto desempenho a práticas esportivas”, explicam.

Sebrae também apoia na exportação Toda a distribuição das peças

tação de moda praia, o Bahia Beach,

dutos e serviços apresentados

prontas no atacado e varejo é fei-

nos anos 2000, com missões no Bra-

pela marca, sendo um estímulo

ta na loja, localizada no centro de

sil e exterior.

para o aprimoramento do trabalho em relação ao mercado e a concor-

Feira de Santana. A empresa conta

“Fomos a Milão, Madrid, Pana-

com 55 representantes que aten-

má, África e Portugal, e chegamos

dem o interior do estado com lo-

a vender ao El Corte Inglés e mais

O próximo passo envolve a inser-

jas em cidades como Santo Ama-

dois clientes, em Madrid e Portu-

ção em outros mercados com o lan-

ro, Alagoinhas, Serrinha e Ipirá. Há

gal. Hoje, estamos fazendo alguns

çamento de produtos em parceria

também uma franquia, a primeira

investimentos e contatos com

com outras marcas. “A chave é ficar

da marca, localizada no 2º piso do

clientes de fora, aproveitando a

atento para o que está acontecen-

Shopping Bela Vista, em Salvador.

alta do dólar”, conta, e ainda des-

do e de alguma forma diversificar.

“É uma experiência muito inte-

taca a importância de participar

O que você perde da venda de um

ressante, e estamos abertos para

de feiras, que funcionam como

produto pode ganhar com outro”,

outras propostas de franqueados”,

termômetro de avaliação dos pro-

elucida Adriana.

rência.

Fotos: LUIZ TITO

pontua Adriana. Diante do cenário de instabilidade econômica, as empresárias buscaram aliar medidas cautelares com a inovação. Por meio de um curso oferecido pelo Sebrae sobre exportação e com experiências internacionais em feiras do setor, a Anaport já participou de vários eventos, como Feira Baiana de Negócios (FEBAN), Feira do Empreendedor, Made in Bahia, Espaço Sebrae – dentro do Rio Fashion Week, e Bahia Moda Design, além de consórcio para expor-

A Anaport tem franquia em uma loja do Shopping Bela Vista, em Salvador

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INDÚSTRIA

Foto: LUÍZ TITO

Moda da Bahia Sebrae desenvolve ações de auxílio aos empresários na gestão do centro Polo de Confecções da Bahia (Polimoda) tem mais de 70 lojas

Feira de Santana tem o primeiro centro de distribuição de moda do estado da Bahia. O Polo de Confecções da Bahia (Polimoda), lançado em maio, é uma iniciativa capitaneada pelo Sindicato da Indústria do Vestuário de Feira de Santana e Região (Sindvest) com o apoio do Sebrae, Prefeitura de Feira de Santana, Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). O centro tem como finalidade promover o fortalecimento do segmento de couro e confecções, por meio da potencialização das vendas diretas, em atacado e varejo, que agora estão reunidas em um prédio na Avenida Senhor dos Passos, centro da cidade. São mais de 70 lojas, sendo 55 fábricas de Feira, Ipirá e Salvador, e uma estrutura de serviços, gerando cerca de 1,5 mil empregos diretos e indiretos. “Além de um equipamento que permite ampliar a capacidade de vendas, o polo é como um importante indutor da competitividade dessas empresas. Atuamos diretamente com esses empresários por meio de ações de melhoria na gestão e apoio à inovação”, afirmou o superintendente do Sebrae Bahia, Adhvan Furtado. “Percebemos que a indústria de confecções da Bahia precisava de algo que pudesse escoar os produtos produzidos aqui, então este primeiro polo é muito importante para o desenvolvimento. Todos têm a ganhar”, considera Edison Nogueira, presidente do Sindvest. Oportunidade para Natália Duarte e Maria Eunice Santiago, donas,

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respectivamente, das marcas Gilt, de acessórios e Maria Flor, de moda feminina. Suas histórias se cruzam no instante em que montam suas lojas pela primeira vez, no Polimoda. “É o que sempre quis fazer e agora encontrei o lugar e o momento certos”, comemora Eunice, que trabalhou por mais de 20 anos atendendo clientes em casa. “Aqui temos lojas de bolsas, bijuterias, confecções, sandálias, moda íntima, é um mix, e uma loja complementa a outra”, diz Natália, que desenvolveu a sua marca há seis meses.

Apoio do Sebrae Apoiador da iniciativa, o Sebrae está desenvolvendo ações de auxílio aos empresários na gestão do centro. Uma delas foi o acesso à consultoria para elaboração do planejamento estratégico e operacional do Polimoda, criação do estatuto e regimento interno. Todos os trabalhos acontecem de forma participativa, por meio da contribuição de um comitê gestor escolhido pelos integrantes do empreendimento. A instituição também está sensibilizando empresas para adesão à iniciativa. Em abril, foi realizada uma missão técnica aos polos de confecções de Toritama, Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco, para empresários representantes do setor de confecções buscarem as boas experiências vividas na região de grande destaque nacional como centro atacadista. Acompanhados de representantes do Sebrae de Feira de Santana e Caruaru, os empresá-

rios observaram como é feita a gestão do espaço. Em Santa Cruz do Capibaribe, que tem cerca de 10 mil pequenas indústrias, por exemplo, foi possível ver a aplicação do sistema de condomínio. Ações de consultoria na área de inovação serão ofertadas através do Projeto de Moda do Sebrae, que oferece às empresas ferramentas de acompanhamento de desempenho, permitindo que os empresários tenham indicadores para mensurar e impulsionar o desenvolvimento do negócio. Posteriormente, novas consultorias em tecnologia, gestão e mercado serão oferecidas, buscando atender às necessidades do grupo. “Nós acreditamos que o Polimoda vem contribuir com duas demandas do setor de confecções em Feira de Santana. Uma é a necessidade de integração entre as empresas e a outra é a ampliação de mercado”, destaca o gerente do Sebrae em Feira de Santana, Isailton Reis.

Incentivo Segundo o presidente da Fieb e presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Bahia, Antonio Ricardo Alban, o Polimoda é fruto do trabalho de vários atores em ações combinatórias. “E o Sebrae aqui tem um papel importante, não só dando todo suporte ao micro e pequeno empreendedor, para garantia de sucesso dos pontos de venda, mas também na tração e enriquecimento desse polo. São ações como essa que nós precisamos cada vez mais, principalmente no momento de crise: fazer a diferença”, defende.


Fotos: MARCOS SANTIAGO

AGRONEGÓCIO

Há 40 anos, Pedro Bernardino investiu no agronegócio do Vale do São Francisco, e hoje colhe quase dez hectares de manga, banana, acerola e limão

Do Vale do São Francisco para o mundo A região é a maior produtora de frutas irrigadas do país, e responsável por 95% das exportações brasileiras de uvas e mangas As altas temperaturas e luz intensa, aliadas à abundância das águas do Velho Chico, criaram o ambiente propício para transformar o Submédio Vale do São Francisco no maior

produtor de fruticultura irrigada do país. Unidos pela ponte Presidente Dutra, o município de Juazeiro, do lado baiano, e a cidade de Petrolina, do lado pernambucano, têm

uma produção anual de mais de 1 milhão de toneladas de frutas. Do volume total, a maioria é formada por uvas de mesa e mangas, responsáveis por, aproximadamente,

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80% da área de frutas plantadas no local. Foram nesses pomares que Pedro Bernardino depositou esperança de uma vida melhor para toda a sua família. Há 40 anos, o produtor rural investiu na plantação de manga, banana, acerola e limão, em quase dez hectares no Projeto Mandacaru, zona rural de Juazeiro, no Norte da Bahia. “Minha vida é lidar com a terra. Produzir alimento foi o que eu aprendi a fazer. Quando se une a vontade de trabalhar com as condições climáticas favoráveis, água na medida certa o ano inteiro, graças às águas do Rio São Francisco, só tenho a prosperar”, conta. A produção de Pedro Bernardino é destinada ao mercado interno, onde as frutas do Submédio Vale do São Francisco têm uma representação significativa no cenário nacional. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), o mercado brasileiro de uva fresca está estimado em 1.450.000 toneladas, sendo que a produção do Vale do São Francisco detém 20% do mercado interno, concorrendo com uma grande produção, principalmente de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Já com a produção de mangas, o Vale ganha ainda mais destaque, com a participação de consideráveis 54% do volume do mercado brasileiro. A região também ocupa um lugar representativo no cenário internacional. Há cerca de dez anos, 90% das frutas exportadas pelo país, principalmente para a Europa e Estados Unidos, saem do Submédio Vale do São Francisco. Segundo dados da Associação dos Produtores e

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Exportadores de Hortifrutigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport), em 2015 foram exportadas 190 toneladas de manga e uva para Europa, Ásia, América do Norte e América do Sul, o que movimentou US$ 256 milhões.

190 toneladas de frutas exportadas movimentaram US$ 256 milhões em 2015

Instituto da Fruta Para manter o ritmo de crescimento, ter maior representatividade e conquistar novos mercados nacionalmente e no exterior, os produtores rurais e instituições afins buscam a formalização do Instituto da Fruta, entidade de apoio ao desenvolvimento do agronegócio da fruticultura e agricultura irrigada no Vale do São Francisco, na Bahia, que será instalado em Juazeiro. O instituto será constituído e conduzido por representações de produtores rurais, empresários e por instituições do setor, que já estão mobilizados, se reunindo mensalmente desde agosto de 2015 para estruturar o órgão. A expectativa é que o instituto comece a atuar como ferramenta de apoio ao fruticultor e produtor rural até o final deste ano, com o objetivo de unificar os interesses econômicos, sociais e ambientais e promover representatividade da categoria. Além disso, a instituição vai oferecer aos integrantes serviços contínuos nas áreas de assistência técnica, mercado, gestão empre-

endedora, inovação, tecnologia, associativismo, acesso ao crédito e a serviços financeiros e de autogestão com sustentabilidade. O Sebrae Juazeiro é um dos incentivadores do processo e está auxiliando na formalização da entidade. Para o técnico Carlos Robério Araújo, com a constituição do Instituto da Fruta, a classe produtora vai ter maior participação e poder nas decisões do setor, além de abrir perspectivas de parcerias para interesse direto do produtor rural. “A formação legal do instituto vai organizar e viabilizar a cadeia produtiva da fruticultura e agricultura irrigada e fortalecer todos os grupos do negócio – produtores rurais, empresários, empresas de insumos e de beneficiamento da produção, associações e cooperativas agrícolas. O Sebrae e o instituto serão grandes parceiros, podendo ter ações conjuntas de orientação técnica, certificação de produtos e execução de atividades que elevem a produção local”, ressalta. O gerente comercial da Cooperativa Agrícola de Juazeiro (CAJ), Júnior Silveira, avalia a criação do Instituto de forma positiva. Mesmo diante da expansão do Vale do São Francisco, segundo ele, o setor precisa de mais articulação. “Temos boas condições climáticas, mão de obra e tecnologias no campo, mas falta unidade. O produtor é quem precisa gerenciar todas as etapas da cadeia produtiva e comercial, assumindo sozinho os riscos e prejuízos, que são inerentes ao negócio.” Para ele, o Instituto da Fruta será um veículo de aproximação e organização dos mais diferentes agentes do agronegócio local, e vai garantir


visibilidade na esfera nacional e internacional. “Organizados, vamos conseguir maior representatividade e gerir políticas de fomento ao negócio, projetos de irrigação mais técnicos e competitivos, traduzindo isto em um impacto positivo em toda a cadeia”, prospecta.

Associativismo Na região, os produtores também buscam o associativismo como alternativa de ganhar mais mercados. A Cooperativa Agrícola Juazeiro (CAJ), criada em 1994, organizou o cultivo e comercialização de frutas, como uva,

manga, melão e goiaba de pequenos produtores que não têm, sozinhos, estrutura para desenvolvimento em larga escala. A associação reúne 49 produtores de pequeno porte do Vale do São Francisco, que vivem em Juazeiro, Petrolina, Casa Nova e Sobradinho, e produzem o ano inteiro. Somente em 2015, foram 12 milhões de quilos de uva produzidos pelos associados da CAJ. O gerente comercial da cooperativa, Júnior Silveira, explica que a meta do grupo é manter o ritmo de crescimento médio de 15% ao ano, mesmo em um cenário desfavorável economicamente, já que eles

estão exportando seus produtos, e até o final devem enviar para a Europa quase três mil toneladas de frutas. “A organização é a essência de qualquer negócio. Com planejamento e empenho de todos, faturamos R$ 120 milhões em 2015”, conta Junior Silveira. Segundo ele, a ideia também é de diversificar o negócio, com a inserção de novos produtos. “Queremos atingir uma nova fatia do mercado consumidor, já que possuímos estabilidade comercial com os produtos que atualmente comercializamos, com penetração em todo o território nacional e no exterior”, detalha.

O gerente comercial da Cooperativa Agrícola de Juazeiro (CAJ), Júnior Silveira, acredita que, mesmo diante da expansão do Vale do São Francisco, o setor precisa de mais articulação

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Fotos: ISTOCK

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REVISTA CONEXÃO


Fotos: SÉRCIO FREITAS

ECONOMIA CRIATIVA

Integrantes do Projeto de Artesanato do Sebrae expõem e comercializam seus produtos no Shopping Barra

Artesanato baiano ganha espaço nobre para exposição e vendas A loja conceito do Showroom Brasil Original – Artesanato da Bahia comercializa mais de cinco mil peças Pelo segundo ano consecutivo, a

Showroom Brasil Original – Artesa-

No espaço, são comercializadas

parceria entre o Sebrae e o Shopping

nato da Bahia funciona, até setem-

peças produzidas com diversas téc-

Barra garante um espaço diferen-

bro, no quarto piso da área expan-

nicas, como cerâmica e tecelagem,

ciado para o artesanato baiano. O

são do shopping.

por mais de 100 artesãos exposi-

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No último balanço realizado na segunda semana de julho, os resultados em vendas já estavam em R$ 90 mil

tores, entre microempreendedores individuais (MEI), associações e cooperativas, que receberam consultorias e capacitações do Sebrae, por meio do Projeto de Artesanato. A expectativa era atrair 30 mil visitantes, comercializar mais de seis mil itens e movimentar R$ 150 mil durante o período de funcionamento da loja. No entanto, no último balanço realizado na segunda semana de julho, os resultados já estavam em R$ 90 mil, indicação de que a meta será superada. Na loja, um grupo de comercialização, composto por três pessoas, é responsável por representar o conjunto de artesãos. Uma delas é a artesã Marialba Gomes, que participou de todas as edições do Showroom. Com 12 anos de atuação profissional no setor, Marialba trabalha com pintura em madeira e tecido, e tem como carro-chefe delicados relicários. Com capacidade para produzir cerca de 100 peças por mês, a arte-

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sã garante que o negócio ficou muito mais profissionalizado depois de passar por diversas qualificações oferecidas pelo Sebrae. “Tudo melhorou. Desde o design dos produtos, a organização, a precificação até a comercialização”, conta. So-

bre o Showroom, as expectativas são as melhores possíveis. “Acho que podemos abrir novos mercados, ter contato com lojistas e trabalhar também o pós-evento”, avalia a artesã. Para a gestora do Sebrae, Idimara Dantas, um dos diferenciais dessa edição do Showroom Brasil Original é que a gestão de todo processo está sendo feita pelos próprios artesãos. “Essa autogestão é um sinal claro do amadurecimento do grupo que, com as capacitações e a experiência de outras edições, conquistou a plena autonomia e estão à frente, inclusive, da comercialização dos produtos”, avalia Idimara. A consultora do Projeto de Artesanato do Sebrae, Tatiana Martins, ressalta a constante evolução dos artesãos tanto na qualidade dos produtos quanto na gestão. “Os artesãos baianos estão, cada vez, mais profissionalizados, o que pode ser visto na qualidade dos produ-

A artesã Marialba Gomes, que participou de todas as edições do Showroom, aposta também nos resultados pós-evento


Desenvolver a cadeia produtiva e introduzir artesãos e seus produtos no mercado são objetivos do Projeto de Artesanato do Sebrae

tos, no design e na criatividade, fatores que têm atraído os consumidores, tanto os turistas quantos os próprios baianos”, avalia Tatiana. “Outro diferencial tem sido a qualificação da gestão. O grupo, que representa todos os artesãos, responsável pela comercialização, tem se mostrado cada vez mais profissional, o que resultou na superação da meta ainda no meio do período do Showroom”, acrescenta a consultora. Para o superintendente do Sebrae, Adhvan Furtado, o Showroom agrega todo o processo de qualificação dos artesãos. “Comercializar

os produtos numa loja como esta oferece aos artesãos a possibilidade de mostrar seus trabalhos para mais compradores. É um espaço diferenciado, em um piso movimentado do shopping, o que amplia a divulgação”, analisa. O diretor de Atendimento do Sebrae, Franklin Santos, afirma que a loja conceito valoriza, ainda mais, o trabalho dos artesãos. “Eles qualificaram seus produtos, levando o artesanato a outro patamar. Agora, pelo segundo ano, têm a oportunidade de expor e comercializar em um espaço diferenciado para um público qualificado”, avalia.

O Projeto de Artesanato do Sebrae tem como objetivo desenvolver a cadeia produtiva e introduzir artesãos e seus produtos no mercado. O Showroom Brasil Original valoriza e divulga o artesanato em seu aspecto cultural e de expressão popular. Com essa ação, o Sebrae ajuda a despertar nas comunidades o entendimento e aplicação de ferramentas de desenvolvimento, como o associativismo e cooperativismo, inovação, tecnologia, gestão empresarial e ações mercadológicas, tornando visível, economicamente, a atividade artesanal e mudando a vida de tantos talentosos baianos.

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ENTREVISTA

Eduardo Tevah

Fotos: DIVULGAÇÃO

“A liderança eficaz é aquela que, em primeiro lugar, inspira pelo exemplo do líder que vai na frente e mostra como se faz”

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Liderança inspiradora e qualidade no atendimento Com mais de 30 anos de atuação no mercado de gestão e administração de empresas, Eduardo Tevah, não é mais um conferencista internacional premiado, ele é o consultor que une experiência de vida e habilidade para transmitir ideias que auxiliam a manter uma empresa competitiva. Formado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com especialização nos Estados Unidos e Europa e autor de quatro livros com mais de 200

mil exemplares vendidos, Tevah tornou-se um nome reconhecido internacionalmente quando o tema é liderança e motivação de pessoas. Em entrevista exclusiva à Revista Conexão, o consultor dá dicas para o empreendedor sobreviver ao momento de recessão econômica, explica como investir no atendimento, aspecto que mais faz as empresas perderem clientes, e fala sobre a liderança eficaz para os colaboradores motivados.

Quais atitudes deve ter um empreendedor, levando em consideração o momento atual de recessão econômica?

Segundo estudo global, realizado pela empresa americana de pesquisa e consultoria Deloitte, 86% dos líderes de negócios acreditam não possuírem uma gestão de liderança motivadora adequada para atual situação mundial. Que tipo de liderança é eficaz para esse momento?

Digo sempre em minhas palestras que todo ser humano tem uma área chamada “zona de preocupação” e outra área chamada “zona de influência”. A “zona de preocupação” consiste em todas as coisas que inquietam você, mas que não estão ao seu alcance mudar, como, por exemplo, inflação, taxa de juros, câmbio etc. A “zona de influência” consiste em todas as coisas que só dependem de você para melhorarem, pois são variáveis internas da empresa. É hora de diminuir a “zona de preocupação” e atacar a “zona de influência”, dando um verdadeiro show de trabalho. É hora da excelência em atendimento, gestão de pessoas, marketing para atrair e manter clientes, boa gestão financeira e de custos. Me assusta ver tantos empresários no Brasil quase paralisados porque vivem na “zona de preocupação”.

“É preciso ainda que a meta seja colocada em um lugar onde as pessoas vejam todos os dias e saibam se a empresa está indo bem ou mal”

O empreendedor, por natureza, é uma pessoa que conhece profundamente o produto ou serviço que comercializa, mas em geral conhece pouco de gestão de pessoas. Ele sabe como fazer, no entanto não sabe como fazer os outros agirem da maneira certa. É a hora de o empreendedor estudar liderança, fazer bons cursos, porque para a empresa vencer o atual momento vai precisar demais das pessoas que atuam ao lado dele. A liderança eficaz é aquela que, em primeiro lugar, inspira pelo exemplo do líder que vai na frente e mostra como se faz. Em segundo lugar, a liderança que sabe ouvir e valorizar a opinião das pessoas que trabalham ao seu lado. Em terceiro lugar, que saiba elogiar e reconhecer tudo que as pessoas fazem acima da média.

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Quais os desafios das lideranças para comprometer a equipe com as metas e resultados da empresa?

Como manter um atendimento de qualidade com uma equipe desmotivada?

O caminho passa por estar mais perto das pessoas e fazê-las vibrar ou sofrer quando os objetivos são ou não atingidos. É preciso ainda criar um padrão de remuneração variável para todas. Isso mesmo. Todas as pessoas que atuam na empresa, mesmo que elas não estejam diretamente ligadas às vendas. Se a empresa vai bem e minha vida não muda nada, não faz a mínima diferença se ela está bem ou mal, assim pensam as pessoas. Entretanto, afirmo por experiência própria que se essa pessoa puder ganhar R$ 100 no final do mês se a empresa bater sua meta, ela já começa a ter algum tipo de comprometimento. É preciso ainda que a meta seja colocada em um lugar onde as pessoas vejam todos os dias e saibam se a empresa está indo bem ou mal. Quando o empresário passa a compartilhar com as pessoas as metas que precisam ser alcançadas, neste momento nasce um maior comprometimento.

O primeiro passo diz respeito ao sistema de remuneração que já falei anteriormente, pois pessoal de atendimento precisa ter um tipo de remuneração variável. Uma pessoa, por exemplo, que ganha R$ 1 mil por mês, se a empresa vencer a meta ou não, o nível de desmotivação aumenta muito. Experimente, nesse caso, acrescentar R$ 200 (este número é só um exemplo) se a empresa vencer seus desafios e começa a mudar radicalmente o nível de motivação das pessoas. Em segundo lugar, o líder precisa ser uma pessoa motivadora, que elogia, apoia e cria um ambiente de trabalho onde as pessoas se sentem bem. Digo sempre em minhas palestras: “Só funcionários felizes fazem clientes felizes”. O terceiro passo é o treinamento, variando a parte técnica com a parte motivacional. Junte tudo isso e a desmotivação vai sumir.

Pesquisas mostram que atendimento continua sendo o maior motivo de perda de clientes. Onde os empresários têm falhado? Acredito que na incapacidade de treinar e motivar as pessoas que trabalham diretamente com o público. Conheço empresas que ao abrir gastaram um bom dinheiro para comprar as instalações, compraram um bom computador, fizeram uma boa propaganda de lançamento, mas quando você pergunta quanto gastaram ou como treinaram as pessoas que vão trabalhar com o público, fica um silêncio no ar. Atendimento é responsável por 63% dos clientes que não retornam a comprar, e não pode existir uma informação mais importante do que esta para todos entenderem que atendimento não é mais um assunto secundário. Atendimento é assunto estratégico que deve ser cuidado pelo dono da empresa. Poucos donos de empresas cuidam do atendimento, eles cuidam do financeiro, do produto e pouco do cliente. Precisamos reverter esse quadro urgentemente.

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Qual tipo de atendimento é capaz de fidelizar um cliente? O atendimento encantador. O atendimento que não tem uma pessoa vendendo e, sim, uma pessoa ajudando o cliente a comprar. O atendimento que trata o cliente pelo nome. O atendimento que entende a necessidade do cliente e oferece a ele uma solução. O atendimento feito por pessoas simpáticas e com prazer em servir. O atendimento encantador dado por todos na empresa e não apenas pelos vendedores. O atendimento rápido para um mundo em que as pessoas não têm mais tempo. O atendimento que continua depois que o cliente compra. Não é milagre, é só muito trabalho e foco.

“O líder precisa ser uma pessoa motivadora, que elogia, apoia e cria um ambiente de trabalho onde as pessoas se sentem bem”


Com o cenário competitivo cada vez maior, como diferenciar uma empresa? Fazendo a pergunta mais importante do mundo dos negócios: por que alguém deveria comprar comigo e não com meus concorrentes? Sem diferenciais competitivos, o fim está próximo, é só uma questão de tempo. Você tem um produto/serviço com mais qualidade? Entrega mais rápida? Tem uma garantia maior? Oferece um atendimento diferenciado? Tem um preço atraente? Incrível como vejo empresas fechando suas portas porque o dono demorou demais para entender que o mercado mudou tão rapidamente que talvez os diferenciais que existiam antes desapareceram e é preciso encontrar novos. O segundo passo é perguntar: nosso cliente percebe esses diferenciais? Estamos comunicando bem isso? A última pergunta é: nossos colaboradores sabem que a empresa está aberta graças a esses diferenciais? Por exemplo, se o maior diferencial de uma empresa é a rapidez na entrega, todos precisam atuar focados na questão tempo. Se for qualidade, todos têm que estar preocupados com esse aspecto, e assim por diante. Resumindo, ter diferenciais, saber comunicar e compartilhar com a equipe para gerar uma atitude nesse diferencial.

Como manter um negócio lucrativo e rentável mesmo em tempos de crise? Acredito que seja equacionando diversos aspectos. Do lado das vendas, mais ousadia para fazer ofertas que atraiam clientes, mix de preços mais heterogêneos (o brasileiro está mais pobre em 2016) com opções mais acessíveis. Dar-se conta que prazo de pagamento é uma grande fonte de vendas, mais prazo pode significar mais vendas, e o uso da propaganda de uma forma acessível e eficaz. Do outro lado, uma forte gestão de custos, renegociar com fornecedores e ter uma operação extremamente enxuta. Com isso, não posso garantir que a empresa vai ter lucro, mas que, provavelmente, ela vai sobreviver à crise, isso ela vai!

Por que a grande maioria das empresas têm dificuldade em focar em rentabilidade e não em vendas? Acredito que seja o fato de as vendas serem mais facilmente visíveis do que a rentabilidade. Em meus workshops, pergunto quantos empresários sabem quanto venderam mês passado, e 100% deles levantam as mãos. Aí pergunto, quantos sabem se ganharam dinheiro mês passado, e menos de 10% deles se manifestam. É preciso mudar essa cultura. Brinco que precisamos de menos emoção e mais Excel. Precisamos das empresas de contadores fazendo contabilidade gerencial e não fiscal. Conheço empresas que vendiam muito e quebraram. Aliás, se os custos estão mal calculados, quanto mais você vender mais perto estará de fechar as portas.

“Atendimento não é mais um assunto secundário, é assunto estratégico”

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MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL

Carnê online

Boletos vencidos também podem ser impressos pela internet

Foto: RAUL GOLINELLI

A designer, Juliana Guimarães, está entre os mais de 359 mil Microempreendedores Individuais (MEI) baianos que já contam com mais agilidade para ficar em dia com suas obrigações. É que eles não estão mais recebendo em casa o boleto de contribuição mensal e podem baixar os documentos pela internet quando quiserem. Para imprimir o Documento de Arrecadação Simplificada (DAS), o MEI pode acessar o Portal do Empreendedor ou fazer o download do aplicativo Qipu, que, dentre outras funcionalidades, permite baixar os carnês pelo celular, inclusive os vencidos. Os boletos vencidos serão emitidos com nova data. Ele contemplará as multas e os juros, para recolhimento até o último dia útil do mês, conforme data impressa no DAS. “A ferramenta dá mais independência e otimiza nosso trabalho. Até pelo celular podemos imprimir o DAS. Só precisamos ficar atentos a data para providenciar a impressão e pagamento”, destaca Juliana. O DAS tem custo fixo, que varia de acordo com o setor de atuação do empreendedor. Mas é importante lembrar ainda que, com o reajuste do salário

Para imprimir o Documento de Arrecadação Simplificada (DAS), o MEI pode acessar o Portal do Empreendedor ou fazer o download do aplicativo Qipu

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mínimo no início do ano, os valores a serem pagos pelo MEI também mudaram: R$ 45, para empreendedores do comércio ou indústria; R$ 49, para prestação de serviços; e R$ 50, para empresas que atuam nos dois setores: comércio e serviços. O pagamento precisa ser feito até o dia 20 de cada mês.

Fique atento a cobranças indevidas Para manter os benefícios da formalização, os microempreendedores individuais devem estar em dia com o pagamento do DAS. O valor máximo de pagamento mensal é de R$ 50, relativos aos tributos e à contribuição com a Previdência Social. Qualquer outro valor cobrado não tem nenhuma relação com a manutenção do registro, como MEI e dos benefícios adquiridos com a formalização. Outra obrigação do MEI é o envio da Declaração Anual (Dasn-Simei) à Receita Federal. Caso o empreendedor não envie a documentação até o final do prazo, que este ano se encerrou em maio, precisa pagar uma multa de R$ 50. A declaração é feita gratuitamente via Portal do Empreendedor. O documento deve conter o faturamento registrado pela empresa em 2015, a descrição da despesa, além de informar se houve contratação de funcionário. Cobranças indevidas de associações que dizem representar a categoria do MEI, além de outras falsas correspondências que se referem a entidades como a Fecomércio, o INPI e o Sebrae, têm sido registradas ao longo dos anos

em alguns estados do Brasil. Essas cobranças não devem ser levadas em consideração pelos empresários, e é importante denunciar esse tipo de golpe. Outras informações podem ser obtidas na Central de Relacionamento do Sebrae (0800 570 0800).

Faturamento O MEI deve estar atento também ao teto de seu faturamento, que é de R$ 60 mil anual. Ao ultrapassar esse limite, ele deixa de ser enquadrado como MEI e migra para microempresa. Assim, o pagamento dos impostos passará a ser de um percentual do faturamento por mês, que varia dependendo do tipo de negócio e do montante faturado.

Mantenha sua adimplência O MEI inadimplente está sujeito ao cancelamento da inscrição e perda total dos benefícios da formalização. A eliminação ocorrerá quando ele estiver com duas declarações anuais em aberto e inadimplente em mais de uma contribuição no DAS, no período de dois anos. Em abril deste ano, a Rede Nacional para Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (CGSIM) regulamentou o Artigo 18-A e 15-B da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, ficando acordado o cancelamento automático da inscrição do MEI, independentemente de notificação. Essa medida visa reduzir a taxa de inadimplência, que chega a 54%.


Confira aqui as principais dúvidas sobre o Carnê da Cidadania 1.

2.

O Carnê da Cidadania será enviado

O vencimento dos impostos (DAS)

pelos Correios por instituições, as-

para endereço do MEI?

ocorre no dia 20 de cada mês,

sociações e/ou sindicatos.

Não.

passando para o dia útil seguinte

Se não vou receber o Carnê, como

caso incida em final de semana

(inativo) deve fazer o quê para

ou feriado.

não gerar novos débitos?

Para o MEI que não pagou o Carnê

Solicitar o encerramento (baixa)

Portal do Empreendedor na aba

do MEI – DAS no vencimento, é

gratuitamente do registro como

Carnê MEI – DAS e informe o nú-

possível utilizar a guia vencida

MEI no Portal do Empreendedor,

mero do CNPJ para imprimir os

para pagamento em atraso?

na aba Baixa, e também preen-

boletos. Ou baixe gratuitamente

Não. O MEI deve imprimir uma

cher a Declaração de Extinção.

o aplicativo Qipu para obter os

nova guia para recolhimento em

Para saber suas pendências, aces-

boletos pelo smartphone. Você

atraso. Ela contemplará as multas

se o Portal do Empreendedor.

tem a opção de imprimir todos

e os juros para recolhimento até o

10. Como deve proceder o MEI que

os boletos (DAS mensais de ja-

último dia útil do mês, conforme

neiro a dezembro) para realizar

data impressa no DAS.

faço para gerar os boletos e pagar? Você tem duas opções: Acesse o

os pagamentos durante o ano. O

3.

6.

Quais são as vantagens que

pagamento pode ser realizado em

obtenho ao me formalizar?

qualquer agência da Caixa Eco-

A vantagem para o MEI é o direi-

nômica Federal, Banco do Brasil,

to aos benefícios previdenciários,

bancos estaduais, casas lotéricas

como aposentadoria por idade,

e/ou bancos conveniados.

licença-maternidade,

Quanto devo pagar? Quais impostos

ença, dentre outros, depois de obe-

devem ser pagos?

decidos os prazos de carência, que

O valor mensal a ser pago pelo

começa a contar a partir do paga-

MEI varia de acordo com o setor

mento do primeiro boleto na data

econômico.

de vencimento. A contribuição ao

Com o registro, o MEI passa a ter a

INSS é reajustada sempre que hou-

obrigação de contribuir para o INSS/

ver aumento do salário mínimo.

auxílio-do-

O MEI que está sem movimento

efetuou o pagamento do DAS em duplicidade? Tendo em vista que o DAS pode conter até três tributos distintos, Contribuição Previdenciária (competência federal), ICMS (competência estadual) e ISS (competência municipal), o MEI poderá solicitar a restituição do DAS pago indevidamente, até cinco anos após a data do seu recolhimento, diretamente ao respectivo órgão público federado, conforme citamos acima e observada a respectiva competência tributária. Exemplo: o MEI

O MEI deve pagar algum boleto de

com atividade de comércio e servi-

o valor do salário mínimo (conforme

cobrança que chega pelos Correios?

ços recolhe um DAS indevidamente.

Decreto nº 8.618, de 30/12/2015, o

Não. O único pagamento que o

Nesse caso, deverá solicitar a resti-

salário mínimo é de R$ 880,00), mais

MEI deve fazer é o do DAS, emiti-

tuição da Contribuição Previdenci-

R$ 1,00 de ICMS para o estado (ati-

do, exclusivamente, pelo Portal do

ária na unidade da Receita Federal

vidades de indústria, comércio e

Empreendedor desde 2016.

do Brasil; do valor de ICMS perante a

Caso eu receba algum boleto, o

Secretaria de Fazenda Estadual; com

cipal e interestadual) e/ou R$ 5,00

que devo fazer?

relação ao ISS, na Administração

ISS para o município (atividades de

Caso receba algum tipo de cobran-

Tributária Municipal. Como os pro-

Prestação de Serviços e Transportes

ça, não efetue o pagamento, uma

cedimentos e documentos a serem

Municipal).

vez que é indevida. O MEI não é

apresentados podem variar, o MEI

Em que dia do mês vencem os

obrigado a se filiar a nenhuma ins-

deve procurar maiores informações

impostos (DAS)?

tituição ou pagar boletos enviados

diretamente nos respectivos órgãos.

Previdência Social, sendo de 5% sobre

transportes de cargas intermuni-

4.

5.

9.

7.

8.

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Foto: RAUL GOLINELLI

MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL

Cerca de 300 eventos foram realizados em toda a Bahia

Semana do MEI 2016 Apenas em Salvador, foram mais de 5 mil participações em eventos realizados no Shopping da Bahia Foram seis dias de uma intensa maratona em prol do empreendedorismo, durante o mês de maio, em todo o estado. A 8ª edição da Semana do MEI somou 10,2 mil atendimentos de orientação empresarial ou participação em capacitações em todo o estado e realizou cerca de 300 eventos. Apenas em Salvador, foram mais de 5 mil participações em eventos realizados no Shopping da Bahia. “Contamos com importantes inovações no atendimento em termos de infraestrutura, ampliação de eventos, vendas online e apoio de

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REVISTA CONEXÃO

parceiros estratégicos. O engajamento das equipes regionais contribuiu de maneira relevante com o desenvolvimento do microempreendedor individual (MEI) e com o planejamento dos potenciais empresários”, disse a gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae, Fernanda Gretz, ao frisar que “a Semana do MEI de 2016 foi mais uma edição de grande sucesso em todo o estado”. A Semana do MEI terminou, mas o atendimento do Sebrae a empresários e potenciais empreendedores baianos permanece o ano todo,

incluíndo uma agenda mensal de capacitações que envolvem diversos temas de gestão, a exemplo de oficinas de crédito, como comprar, formar preço, crescer e elaborar um modelo de negócio. Todas as capacitações que têm como público-alvo o microempreendedor individual (MEI) são gratuitas. Os interessados em receber atendimento ou participar de cursos oferecidos pelo Sebrae podem procurar o ponto de atendimento mais próximo, a Central de Relacionamento (0800 570 0800) ou o site: www.ba.sebrae.com.br.


EMPREENDEDORISMO

Congelados com excelência referência em alimentação congelada em Salvador, até o final deste ano. Ela investe em conhecimento por reconhecer que essa é a palavra-chave para o sucesso. No Sebrae, a empresária já participou de capacitações na área de gestão, buscou o Empretec, para despertar seu espírito empreendedor, e recebeu consultoria financeira, para recorrer a crédito de maneira responsável e segura.

Foto: RAUL GOLINELLI

A relação com o Sebrae já dura dez anos, tempo que a história da empresa só fez mudar. E para melhor. A ideia da Levecook Congelados Caseiros Premium nasceu dentro da cozinha do primeiro empreendimento de Débora Peixoto. Durante o período de transição entre os negócios, ela fez gastronomia, reformou o espaço, estudou o mercado e buscou o apoio do Sebrae para elaborar o plano de negócios. O resultado disso tudo é um produto diferenciado e inovador: alimentos embalados a vácuo, que garantem a conservação, a textura e o sabor. Com mais de 150 clientes e com a meta de, a cada trimestre, aumentar em 50% esse número, Débora definiu como missão se tornar

Débora Peixoto, proprietária da Levecook Congelados Caseiros, participou de capacitações que despertaram seu espírito empreendedor

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O Ponto de Atendimento do Sebrae em Jacobina fica localizado na Rua Senador Pedro Lago, 100, Centro. Funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h.

Foto: MARIO LUNA

Sebrae perto de você O Sebrae possui uma estrutura de atendimento presencial em diversas cidades na Bahia, disponibilizando aos micro e pequenos empresários orientação, formalização, consultoria, capacitação e informação.

Pontos de Atendimento na Bahia Além do Centr Centro o de Atendimento ao Empreendedor Empr eendedor,, o Sebrae Bahia possui 27 eendedor Pontos de Atendimento, distribuídos em dez unidades regionais. regionais. Unidade Regional 01 – Salvador / Mercês Centro Centr o de Atendimento ao Empreendedor Empreendedor Av. Sete de Setembro, 261 – Mercês. CEP 40060-000. Tel.: (71) 3320-4526 Salvador / Boca do Rio - SAC Empresarial Av. Otávio Mangabeira, 6929, Multishop – Boca do Rio. Rio. CEP 41706-690. Tel.: (71) 3281-4154 Salvador / Itapagipe Rua Direta Direta do Uruguai, 753, Bahia Outlet Center,, Lojas 134/135 – Uruguai. Center CEP 40454-260. Tel.: (71) 3312-0151 Alagoinhas Rua Rodrigues Lima, 126-A – Centro. Centro. CEP 48010-040. Tel.: (75) 3422-1888 Camaçari Rua do Migrante Migrante ante,, s/nº – Centro. CEDAP – Casa do Trabalho. CEP 42800-000. Tel.: (71) 3622-7332

Unidade Regional 03 – Feira de Santana Rua Barão Barão do Rio Branco Branco anco,, 1225 – Centro. CEP 44149-999. Tel.: (75) 3221-2153 Euclides da Cunha Rua Dom Jackson Jackson Berenguer Prado, 325, Centro. Centr o. CEP. 48500-000. Tel.: (75) 3271-2010 Itaberaba Rua Rubens Ribeiro, Ribeiro, 253, Ed. Tropical Center, salas 22/23 – Centro. CEP 46880-000. Tel.: (75) 3251-1023 Unidade Regional 04 – Ilhéus Praça José Marcelino, 100, Térreo – Centro. CEP 45653-030. Tel.: (73) 3634-4068 Itabuna Rua Paulino Paulino Vieira, 175, Ed. Lizete Mendonça – Centro. Centro. CEP 45600-100. Tel.: (73) 3613-9734 Unidade Regional 05 – Jacobina Rua J. J. J. Seabra, 69 – Estação. CEP 44700-000. Tel.: (74) 3621-4342

Unidade Regional 07 – Santo Antônio de Jesus Av. Governador Roberto Santos, 31 – Centro. CEP 44572-000. Tel.: (75) 3631-3949 Valença Rua Barão Barão de Jequiriçá, Jequiriçá, 297, Galeria Central, Central, Centro. Centr o. CEP 45400-000. Tel.: (75) 3641-3293 Unidade Regional 08 – Irecê Rua Coronel Coronel Terêncio Dourado, 161 – Centro. Centr o. CEP 44900-000. Tel.: (74) 3641-4206 Seabra Rua Horácio Horácio de Matos, 25, salas 01 e 02 – Centro. Centr o. CEP 46900-000. Tel.: (75) 3331-2368 Unidade Regional 09 – Teixeira de Freitas Av. Presidente Getúlio Vargas, 3986 – Centro. Centr o. CEP 45995-002. Tels.: (73) 3291-4333/4777 Eunápolis Rua 5 de Novembro, Novembro, 66, Térreo – Centro. CEP 45820-041. Tel.: (73) 3281-1782

Senhor do Bonfim Rua Benjamin Constant, 12 – Centro. Centro. CEP 48970-000. Tel.: (74) 3541-3046

Lauro de Freitas Lot. Varandas Tropicais, nº 279, Q. 3, Lote 16, Rua A, Galpão 01 – Pitangueiras. CEP 42700-000. Tel.: (71) 3378-9836

Porto Seguro Praça ACM, 55 – Centro. CEP 45810-000. Tel.: (73) 3288-1564

Unidade Regional 06 – Juazeiro Praça Dr. José Inácio da Silva, 15 – Centro. CEP 48903-430. Tel.: (74) 3612-0827

Unidade Regional 10 - Vitória da Conquista Rua Coronel Coronel Gugé, Gugé, 221 – Centro. CEP 45000-510. Tel.: (77) 3424-1600

Unidade Regional 02 – Barreiras Av. Benedita Silveira, 132, Ed. Portinari, Térreo – Centro. CEP 47804-000. Tels.: (77) 3611-3013/4574

Paulo Afonso Rua São Francisco, Francisco, 233 – Centro CEP: 48601-270. Tel.: (75) 3281-4333 / 4223

Brumado Rua Marechal Marechal Deodoro da Fonseca, 89, Térreo – Centro. CEP 46100-000. Tels.: (77) 3441-3699/3543

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Revista Conexão Bahia 214 - Sebrae  

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