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VALENTINA PELEGGI direção musical CAETANO VILELA encenação e iluminação FAUSE HATEN figurinos DUDA ARRUK cenografia EDU VONGOMES caracterização

MAIO Dias 4, 9, e 11 às 20h Dias 6 e 13 às 17h


Um dos eventos mais marcantes do século XVIII foi a Revolução Industrial inglesa, entre cujas consequências se coloca o fortalecimento de uma emergente classe média constituída de industriais e comerciantes que, após acumular capital, passa a consumir arte, como até então só o faziam os monarcas, a aristocracia em geral e a igreja. É nesse período que floresce a carreira de William Hogarth (1697-1764), quem, além de excelente pintor, foi também gravurista e ilustrador, com um olho clínico para a sátira política e social principalmente dirigida contra os nobres. Hogarth se notabiliza historicamente por ter sido um dos introdutores, na Inglaterra, da chamada sequential art (arte sequencial) , cujo escopo era criar uma série de telas que, apreciadas em uma ordem definida, contavam uma história com começo, meio e fim, sendo assim a ilustre precursora das tiras de jornais com histórias em quadrinhos do século XX. Para ampliar o mercado e popularizar sua arte – que denota influências das escolas francesa e italiana – Hogarth, usando suas habilidades gravuristas e gráficas, criou, a partir de suas obras, coleções de gravuras, vendendo as estampas a preços extremamente acessíveis

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a qualquer membro de classe média que não se preocupava em ter um original na parede, mas queria enfeitar sua casa com um pouco de arte. Entre 1738 e 1751, Hogarth produziu seis sequências, que, se por um lado são satíricas, por outro carregam uma mensagem moral do tipo tão caro à classe média britânica daquele momento. A segunda delas, composta por seis quadros – hoje expostos na National Gallery de Londres – recebeu o sugestivo título de Marriage à-la-mode, juntando, ao substantivo inglês que significa casamento um adjetivo francês com o qual Hogarth quis denunciar os matrimônios de conveniência – verdadeiros escambos, onde o amor era extremamente secundário – que vinham acontecendo com frequência nas grandes cidades inglesas. No Casamento à-la-mode, Hogarth conta a história de um casamento arranjado entre o filho de um conde arruinado e a filha de um comerciante rico e avarento. Na ânsia de o nobre obter dinheiro e de o comerciante se tornar aparentado com uma casa de sangue azul, eles esquecem de consultar os filhos, que ao final da sequência de seis quadros, após uma vida infeliz, morrem arruinados e doentes. O primeiro quadro desta sequência, The Marriage Settlement (literalmente, "O Acordo Matrimonial") – onde o contrato de casamento é discutido entre os pais e por eles firmado

–, nos interessa particularmente porque esta tela, embora de forma indireta, é a fonte primitiva de O Matrimônio Secreto, a mais famosa das oitenta óperas compostas por Domenico Cimarosa (1749-1801). As gravuras de Hogarth eram tão conhecidas dos ingleses na segunda metade do século XVIII que, à cata de um argumento para uma nova peça teatral, dois conhecidos dramaturgos ingleses, George Colman e David Garrick, resolveram transformar The Marriage Settlement em uma saborosa comédia que estreou no Theatre Royal Drury Lane em 1766, cujo argumento adicionava uma deliciosa variante, ao contrato original entre o conde falido e o comerciante em busca de rápida ascensão social, fazendo com que, antes que as cortinas se abrissem para o primeiro ato, a filha do comerciante ansioso já se tivesse casado, secretamente, com seu verdadeiro amor o qual, lógico, era um rapaz sem um tostão furado no bolso. Foi por isso que Colman & Garrick batizaram sua peça de O Casamento Clandestino (The Clandestine Marriage). O expressivo êxito obtido em Londres por O Casamento Clandestino levou a peça a cruzar o Canal da Mancha. Não demorou para que surgissem em Paris duas edições simultâneas em francês, uma traduzida pela Baronesa de Vasse e a outra por Marie-Jeanne Laboras de Mèzieres, cujo pseudônimo era Madame Riccoboni.

E como sempre acontecia, tanto na França quanto na Itália, peças teatrais de sucesso acabavam sendo reduzidas para o palco de ópera. Em Paris, a comédia de Colman & Garrick deu origem a duas óperas: ainda no mesmo 1766, Sophie ou Le Mariage Caché (Sophie ou O Matrimônio Oculto), com libreto da própria Riccoboni e musicada pelo tcheco Joseph Kohaut; em 1790, foi a vez de Le Mariage Clandestin (O Matrimônio Clandestino) , música de François Devienne, poema do Visconde de Ségur. Baseando-se neste segundo libreto, o poeta Giovanni Bertati (1735-1815) criou para Cimarosa, em 1792, O Matrimônio Secreto. Naquele período em que a Itália exportava compositores de ópera para toda a Europa, Domenico Cimarosa, já um compositor famoso, foi convidado pela Imperatriz Catarina II da Rússia para atuar como diretor musical e compositor da corte em São Petersburgo, onde ele viria a criar uma quantidade enorme de obras musicais. Após quatro anos no cargo, a forte crise financeira que se abateu sobre a Rússia teve entre seus efeitos uma drástica redução da atividade musical da corte, que redundou na dispensa do compositor. Cimarosa resolveu voltar a Nápoles, sua pátria artística. No caminho fez uma breve parada na Polônia para depois dirigir-se à Viena, cidade que reunia um grande número de artistas italianos dedicados à ópera, entre os quais Giovanni Bertati, que havia substituído o

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famoso Lorenzo da Ponte no posto de poeta cesareo, ou seja, o libretista oficial escolhido pelo imperador para escrever os textos das óperas encomendadas para o seu teatro. Cimarosa tinha 42 anos quando chegou à capital austríaca em fins de 1791. Veio precedido por sua fama e logo aceitou o convite feito pelo Imperador Leopoldo II para incorporar-se a seu serviço como compositor. Permaneceria em Viena durante um ano e meio, compondo duas óperas em parceria com Bertati: O Matrimônio Secreto (1792) e Amor Rende Sagace (1793). Dizer que a estreia de O Matrimônio Secreto foi um êxito sem precedentes é dar apenas uma esquálida idéia da maneira de como a ópera foi recebida e de como o compositor foi triunfalmente consagrado. Na noite de 7 de fevereiro de 1792, o público vienense que lotava o Teatro Imperial aplaudiu enlouquecidamente cada número, e fez com que os intérpretes se repetissem a maioria das árias e números de conjunto. Após o espetáculo, o imperador, entusiasmado com o que ouvira e vira, convidou os artistas para jantar com ele em sua mesa, e cumulou-os de tantas gentilezas que os cantores não souberam resistir – ou acharam mais prudente atender sem discutir – ao insistente pedido de Sua Majestade Imperial e, depois da ceia, encenaram toda a ópera de novo, para o imperial deleite da

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família real. Era o início de uma trajetória vitoriosa, que viu a ópera ser repetida em Viena setenta vezes nos sete anos seguintes e ser representada 110 vezes em Nápoles apenas em 1793. Além da beleza e da leveza da partitura, podemos creditar uma parcela importante do êxito de O Matrimônio Secreto à qualidade do poema de Bertati, que na ocasião acumulava uma experiência de mais de vinte anos como libretista e conhecia muito bem o público vienense. Ele sabia – como também o sabia Cimarosa, e por isso trabalharam tão bem juntos – que o público de óperas bufas preferia argumentos já conhecidos ou ao menos previsíveis, sem ter de se preocupar demasiado em entender a trama. O desejo da maioria dos frequentadores, ao ir ao teatro, era se divertir, dando boas risadas e ouvindo boa música. Libretista e compositor proporcionaram ao público exatamente isso, cuidando, ao mesmo tempo, de não superar os limites que a censura imperial impunha à sátira e a ironia, já que conheciam perfeitamente a regra segundo a qual a fronteira divisória entre a aristocracia e a classe burguesa jamais deveria ser desrespeitada no palco. Numa distribuição equilibrada de personagens, o libreto tem três figuras femininas e três masculinas. Também são três os personagens mais idosos, Fidalma, Geronimo e o Conde, assim

como os jovens Carolina, Elisetta e Paolino, aos quais, para que nenhuma dúvida pairasse sobre sua pouca idade, o libretista atribuiu a seus nomes os sufixos diminutivos -ina, -etta e -ino. Paolino, o marido secreto de Carolina e apaixonado por ela é, como dizem os italianos, l’amoroso da trama, e, portanto, tenor; as duas jovens irmãs são sopranos; Fidalma, tia e mais velha, um contralto; Geronimo e Robinson, baixos, conforme a tradição de se utilizar muito mais vozes graves masculinas na opera buffa do que na chamada opera seria. Esta típica distribuição vocal, facílima de se encontrar na maioria dos teatros de ópera europeus dedicados à comédia, foi, ao lado da alta qualidade musical da partitura, um dos fatores que contribuíram para a rápida aceitação e disseminação internacionais de O Matrimônio. Inspirada e elegante, a partitura de Cimarosa é rica de invenção melódica envolvida em impecável orquestração. É um dos mais perfeitos exemplos da música do período do classicismo, alternando passagens de alegria vocal plena, como é o final do quarteto Tu mi dici che dal Conte, com trechos de puro lirismo como a bela ária de Paolino, Pria che spunti in ciel l’aurora, enquanto passagens como o dueto de baixos Se fiato in corpo avete são um merecido tributo à escola cômica napolitana.

Além disso, basta examinar o finale do primeiro ato para perceber que lá já estão presentes o concertato di stupefazione, o crescendo, o sillabato e o uso da onomatopeia, enfim todos os elementos que, poucos anos depois, se transformarão na assinatura musical de Rossini em suas comédias. A obra-prima de Cimarosa – louvada tanto por Stendhal (“estas melodias são as mais belas que foi dado ao espírito humano conceder”) quanto por Verdi, que afirmou uma vez “aquela é a verdadeira comédia musical, e ali está tudo que uma ópera bufa deve conter” – é, com a aura que a circunda e vem encantando as plateias do planeta desde a sua criação, um dos mais fortes símbolos não apenas do estilo da ópera bufa, mas também do chamado Settecento, o século XVIII italiano, época da espontaneidade criativa e da inocência.

SERGIO CASOY, pesquisador e escritor

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O C EN

EL

JEAN WILLIAM Paolino CAROLINE DE COMI Carolina PEPES DO VALLE Geronimo ANA LUCIA BENEDETTI Fidalma MICHEL DE SOUZA Conde JOYCE MARTINS Elisetta

SINOP SE O MATRIMÔNIO SECRETO A ação se passa em Bolonha durante o século XVIII. ANTES DE A ÓPERA COMEÇAR: Geronimo, um rico comerciante, avarento e um pouco surdo, é pai de Elisetta e Carolina. Para melhorar o status social da família, Geronimo concordou em pagar um grande dote ao Conde Robinson para que se case com Elisetta, a mais velha. Enquanto isso, Carolina e Paolino, o jovem empregado de Geronimo, se apaixonaram e casaram-se secretamente. Na casa vive ainda Fidalma, a irmã de Geronimo.

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ATO I Numa sala na casa da família, Carolina e Paolino tentam encontrar uma maneira de contar ao velho Geronimo que se casaram secretamente. Temem a reação do pai da moça, cujo gênio é forte. Paolino conta com um trunfo: foi ele quem arranjou o casamento entre o Conde Robinson, seu protetor, e Elisetta, a irmã mais velha de Carolina, satisfazendo assim o desejo de Geronimo. Todos se preparam para a chegada do Conde Robinson, que vem conhecer Elisetta. O nobre, ao chegar, se apaixona por Carolina, a qual tenta inutilmente convencê-lo que tem mais defeitos do que qualidades. Enquanto isso, Geronimo, encantado com o suposto interesse do Conde por Elisetta manda organizar um banquete em honra do futuro genro. Mas o ato termina em grande confusão quando Elisetta, vendo o Conde cortejar Carolina, imagina que sua irmã quer roubá-lo dela.

ATO II O Conde propõe a Geronimo casar-se com a filha mais nova em vez de Elisetta, e, para isso, se dispõe a renunciar a metade do dote. O velho comerciante vê aí um bom negócio, pois seu parentesco com uma família nobre lhe custará agora a metade do previsto. Paolino, desesperado, vai pedir ajuda à Fidalma, a irmã de Geronimo. Esta interpreta mal as palavras do jovem, imaginando que ele esteja apaixonado por ela, e também confessa seu amor recíproco por Paolino, deixando-o mais desnorteado ainda. Fidalma e Elisetta, ambas com medo de que os encantos de Carolina consigam roubar-lhes os namorados, se unem e conseguem convencer Geronimo a mandar a pobre jovem para um convento. Ao saber disso, Paolino e Carolina decidem fugir na calada da noite. Escutando um rumor, eles se escondem no quarto de Carolina. Entra Elisetta. Ouvindo vozes no quarto da irmã, conclui que ela está lá dentro sozinha com o Conde, e começa a gritar chamando o pai e a tia. Os três, na porta do quarto, gritam impropérios contra o Conde, que sai tranquilamente de seu quarto e repreende todos. Carolina e Paolino saem do quarto, confessam que se casaram secretamente e pedem a benção de Geronimo, o qual, muito ofendido, se recusa. Mas, aconselhado pelo Conde, Geronimo acaba cedendo. O Conde promete então casar-se com Elisetta, e tudo termina em alegria geral.

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O T E R B

LI

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ATTO PRIMO (Sala che corrisponde a vari appartamenti)

rosa a m i C o ) menic -1801

Do

(1749

Dramma giocoso em dois atos Libreto de Giovanni Bertati (1735-1815) Estreia em 7 de fevereiro de 1792, no Teatro Imperial de Viena GERONIMO, rico comerciante de Bologna | baixo ELISETTA, filha mais velha de Geronimo | soprano CAROLINA, filha mais nova de Geronimo | soprano FIDALMA, irmã de Geronimo | mezzo-soprano CONDE ROBINSON | baixo PAOLINO, jovem empregado de Geronimo | tenor Tradução: Irineu Franco Perpetuo

Editor: Casa Ricordi SRL, Milano Representante: Melos Ediciones Musicales S.A. Buenos Aires (www.melos.com.ar)

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ATO I (Sala que leva a vários aposentos)

N. 1 – INTRODUZIONE

N. 1 – INTRODUÇÃO

PAOLINO Cara, non dubitar, mostrati pur serena. Presto avrà fin la pena che va a turbarti il cor.

PAOLINO Querida, não tenha dúvidas, mostre-se serena; logo terá fim a dor que lhe incomoda o coração.

CAROLINA Caro, mi fai sperar. Mi mostrerò più lieta. Ma sposa tua segreta nasconderò il dolor.

CAROLINA Querido, você me dá esperança, vou me mostrar mais alegre; a sua esposa secreta esconderá a dor.

PAOLINO Forse ne sei pentita?

PAOLINO Por acaso está arrependida?

CAROLINA No, sposo mio, mia vita.

CAROLINA Não, meu esposo, minha vida.

PAOLINO Dunque perché non mostri il tuo primier contento?

PAOLINO Então por que não mostra sua alegria de antes?

CAROLINA Perché ogn’or più pavento quello che può arrivar. T’affretta, deh! t’affretta l’arcano a palesar.

CAROLINA Porque a cada instante tenho mais medo do que poderá acontecer. Se me ama, ah, apresse-se a revelar o segredo. Querido!

PAOLINO Sì, sposa mia diletta, ti voglio contentar. CAROLINA, PAOLINO Se amor si gode in pace non v’è maggior contento; ma non v’è egual tormento se ognor s’ha da tremar.

PAOLINO Sim, minha esposa amada, quero deixá-la contente. CAROLINA, PAOLINO Quando se desfruta do amor em paz não há alegria maior; mas não há tormento igual quando se está sempre com medo.

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Recitativo CAROLINA Lusinga, no, non c’è. La nostra unione lungo tempo segreta non può restar. Il padre mio è un uom rigido è ver; ma finalmente è d’un ottimo cor. In sulle furie monterà al primo istante che saper gliel farai; ma dopo qualche dì certa poi sono,che pien d’amor ci accorderà il perdono. PAOLINO Sì; questa sicurezza la sola fu che a stringere c’indusse il nodo clandestino. Ma senti: oggi la sorte occasione propizia a me presenta di svelare il segreto con meno di timore. CAROLINA Dimmi, su, presto. Ah!, mi consoli il core. PAOLINO Mi è riuscito alla fine di poter soddisfare all’ambizione del signor Geronimo, che fanatico ognor s’è dimostrato d’imparentarsi con un titolato. CAROLINA E così? PAOLINO Sarà sposa del Conte Robinson, mio protettore, tua sorella maggiore con cento mille scudi. Or io d’entrambi avendo gl’interessi maneggiati, spero così d’avermeli obbligati.

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Recitativo CAROLINA Não, não há ilusão. Nossa união não pode ficar muito tempo secreta. Verdade que meu pai é um homem rígido; mas, no fim, é um homem de ótimo coração. Ficará colérico no primeiro instante em que descobrir; mas, depois de alguns dias, tenho certeza de que, cheio de amor, nos concederá o perdão. PAOLINO Sim, apenas essa certeza nos levou a atar o nó clandestino. Mas escute; hoje a sorte apresenta-me a ocasião propícia para revelar o segredo com menos temor. CAROLINA Diga-me logo, rápido. Ah, console-me o coração! PAOLINO Finalmente consegui satisfazer a ambição do senhor Geronimo, que sempre se mostrou fanático por ficar parente de alguém com título de nobreza. CAROLINA E então? PAOLINO A sua irmã mais velha será esposa do Conde Robinson, com cem mil escudos. Como manejei os interesses de ambos, espero que me sejam gratos.

CAROLINA Bene, sì, bene assai Ma quando egli verrà? PAOLINO Non è lontano. Lo spero in questo giorno, anzi a momenti. Ecco qua la sua lettera che al signore Geronimo io devo presentar. Ma parmi appunto di sentir la sua voce. A casa è ritornato.

CAROLINA Muito bem, muito bem. Mas quando ele virá? PAOLINO Não está longe. Espero-o no dia de hoje, em instantes. Aqui está a carta dele, que devo apresentar ao senhor Geronimo. Acho que estou mesmo escutando sua voz. Voltou para casa.

CAROLINA È vero, è vero.

CAROLINA Verdade, verdade.

N. 2 – DUETTO

N. 2 – DUETO

CAROLINA Io ti lascio perché uniti che ci trovi non sta bene... (per partire, poi ritorna) Ah, tu sai ch’io vivo in pene se non son vicina a te! PAOLINO Vanne, sì, non è prudenza di lasciarci trovar soli... (per partire, poi ritorna) Ah, tu sai che il cor m’involi quando vai lontan da me. CAROLINA No, non viene... Sì, sì, adesso. PAOLINO Dammi, dammi pria un amplesso. CAROLINA, PAOLINO Ah! pietade troveremo se il ciel barbaro non è. (Carolina parte)

CAROLINA Ah, deixo-o, porque não fica bem que nos encontre juntos... (está para sair, depois volta) Ah, você sabe que vivo penando se não estou perto de você! PAOLINO Vá, sim, não é prudente deixar que nos encontrem a sós... (está para sair, depois volta) Ah, você sabe que me rouba o coração quando vai para longe de mim. CAROLINA Não, não está vindo... Sim, sim, agora. PAOLINO Dê-me, dê-me antes um abraço. CAROLINA, PAOLINO Ah! Encontraremos piedade se o céu não for bárbaro. (Carolina sai)

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Recitativo PAOLINO Ecco che qui se n’ vien. Bisogna intanto ch’io mi avvezzi a parlare in tuon sonoro per farmi intender bene. Di sordità patisce assai sovente; ma dice di sentir s’anche non sente. GERONIMO (ad alcuni servi) Non dovete sbagliar, gente ignorante. Che cos’è questo «lei signor Geronimo»? Oh! Paolino caro.

PAOLINO Está vindo para cá. Preciso me acostumar a falar em voz alta para me fazer entender direito. Padece de grande surdez, e diz que está escutando, mesmo quando não escuta nada. GERONIMO (a alguns criados) Não devem se enganar, gente ignorante, sobre quem é esse “cavalheiro senhor Geronimo”. Oh! Meu caro Paolino!

PAOLINO Ecco una lettera del Conte Robinson, che, per espresso inclusa in una mia, venuta è adesso.

PAOLINO Aqui há uma carta do Conde Robinson, que por via expressa, junto com uma minha, chegou agora.

GERONIMO Sì, son venuto adesso. E questa lettera di chi è? Chi la manda?

GERONIMO Sim, cheguei agora. E essa carta, de quem é? Quem mandou?

PAOLINO (forte) Il Conte Robinsone. GERONIMO Il Conte Robinson: sì, sì, ho capito. La leggo volentieri. (legge sottovoce) Ah, ah... comincia bene... oh, oh... seguita meglio... ih ih! ih ih!... di gioia mi balza il cor nel petto! PAOLINO Ah ah, oh oh, ih ih, così ha già letto. GERONIMO Venite, Paolino, venite ch’io vi abbracci. È vostro merito la buona riuscita. Io vi sono obbligato della vita.

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Recitativo

PAOLINO (alto) O Conde Robinson. GERONIMO O Conde Robinson; sim, sim, entendo. Leio com prazer. (lê em voz baixa) Ah, ah... começa bem... oh, oh... continua melhor... ih ih! Ih ih! O coração me salta de alegria no peito!

GERONIMO Bene. Andate dunque a stare in attenzione dell’arrivo del Conte; ed ordinate tutto quel che vi par, che vada bene per poterlo trattar come conviene. (Paolino parte) GERONIMO Orsù, più non si tardi a dar sì lieta nuova alla famiglia. Elisetta! Fidalma! Carolina! Figlie, sorella, amici, servitori, quanti in casa vi son vengano fuori. CAROLINA Signor padre?... ELISETTA Signor?... FIDALMA Fratello amato?... CAROLINA Che avvenne? ELISETTA Cosa c’è? FIDALMA Che cosa è stato?

GERONIMO Pois bem. Fique atento à chegada do Conde; e dê todas as ordens que achar adequadas para tratá-lo da forma devida. (Paolino sai) GERONIMO Bem, não demoremos mais em dar a notícia alegre à família. Elisetta! Fidalma! Carolina! Filhas, irmã, amigos, criados, saiam todos que estiverem em casa. CAROLINA Senhor pai? ELISETTA Senhor? FIDALMA Irmão amado? CAROLINA O que foi? ELISETTA O que tem? FIDALMA O que aconteceu?

PAOLINO Ah ah, oh oh, ih ih, já leu! GERONIMO Venha, Paolino, venha ganhar um abraço. O bom resultado é mérito seu. Sou-lhe grato pela vida.

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N. 3 – ARIA GERONIMO Udite, tutti udite, le orecchie spalancate, di giubilo saltate, un matrimonio nobile concluso è per lei già. Signora contessina quest’oggi ella sarà, via bacia, mia carina, la mano al tuo papà. Che saltino i denari, la festa si prepari, godete tutti quanti di mia felicità. Sorella mia, che dite? Che dici tu, Elisetta? (a Carolina) Con quella bocca stretta per cosa tu stai là? Via, via, che per te ancora tuo padre ha già pensato: un altro titolato sua sposa ti farà. E stai col ciglio basso? Non movi ancor la bocca? Che sciocca! Oimè, che sciocca! Fai rabbia in verità. Invidia fai conoscere che dentro il sen ti sta. (parte) Recitativo ELISETTA Signora sorellina, ch’io le rammenti un poco ella permetta, ch’io sono la maggior, lei la cadetta: che perciò le disdice quell’invidia che mostra; e che in questa occasion meglio faria se mi pregasse della grazia mia.

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N. 3 – ÁRIA GERONIMO Ouçam, ouçam todos, abram as orelhas, saltem de júbilo, um matrimônio nobre para ela já foi concluído. Senhora condessinha ela hoje será, venha, beije, queridinha a mão do seu papai. Que o dinheiro corra, prepare-se a festa, que todos desfrutem da minha felicidade. Minha irmã, o que diz? O que diz, Elisetta? (a Carolina) Por que você está com a boca cerrada? Vamos, vamos, que em você o seu pai já pensou; de um outro com título de nobreza você será esposa. E abaixa os olhos? Ainda não mexe a boca? Que boba! Ai, que boba! Na verdade, está com raiva. Está revelando a inveja que leva dentro do peito. (sai) Recitativo ELISETTA Senhora irmãzinha, permita-me recordá-la que sou a mais velha, a senhora, a caçula; elimine, portanto, a inveja que está mostrando; e, nessa ocasião, faria melhor se pedisse a minha graça.

CAROLINA Ah, ah! della sua grazia, quantunque singolare, in verità non ne saprei che fare. ELISETTA Sentite la insolente? Io son contessa, e siete voi un niente. FIDALMA Eccoci qua: noi siamo sempre a quella. Tra sorella e sorella, chi per un po’ di fumo, chi per voler far troppo la vivace, un solo giorno qui non si sta in pace. ELISETTA Qual fumo ho io? Parlate. CAROLINA Qual io vivacità, che condannate? ELISETTA Non ho fors’io ragione? FIDALMA Sì: deve rispettarvi. CAROLINA Ho dunque torto io?

CAROLINA Ah, ah! Com a sua graça, por mais singular que seja, eu não saberia o que fazer. ELISETTA Sente a insolência? Eu sou condessa, e você um nada. FIDALMA Nós, aqui, estamos sempre na mesma. Irmã contra irmã, uma mais vaidosa do que a outra, uma quer ser mais viva do que a outra, e não ficamos em paz nem por um dia. ELISETTA Que vaidade eu tenho? Diga. CAROLINA Que vivacidade tenho a condenar? ELISETTA Por acaso não tenho razão? FIDALMA Sim, ela deve respeitá-la. CAROLINA Então estou errada?

FIDALMA No; non deve incitarvi.

FIDALMA Não, ela não deve provocá-la.

ELISETTA Che? forse io la incito?

ELISETTA O que? Por acaso eu provoco?

CAROLINA Che? fors’io la strapazzo? FIDALMA No, niente, no: non fate un tal schiamazzo.

CAROLINA O que? Por acaso mexo com ela? FIDALMA Não, nada, não; não façam escândalo.

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CAROLINA Io di lei non ho invidia; non ho rincrescimento del di lei ingrandimento: sol mi dispiace che in questa occasione ha di sé stessa troppa presunzione. (per partire) ELISETTA Il voltarmi le spalle a questo modo è un’altra impertinenza. CAROLINA Perdoni se ho mancato a sua eccellenza. N. 4 – TERZETTO CAROLINA Le faccio un inchino, contessa garbata. Per essere dama si vede ch’è nata, per altro, per altro, da rider mi fa.

CAROLINA Não tenho inveja dela; não fico ressentida com seu crescimento; só me desagrada que, nessa ocasião, fique tão pretensiosa. (prepara-se para sair) ELISETTA Dar-me as costas desse jeito é mais uma impertinência. CAROLINA Perdoe-me se falhei com sua excelência... N. 4 – TERCETO CAROLINA Faço-lhe uma reverência, gentil condessa, vê-se que nasceu para ser dama, Por outro lado, faz-me rir.

ELISETTA Strillate, crepate, son dama e contessa. Beffar se volete, beffate voi stessa. Per altro, per altro, or or si vedrà.

ELISETTA Grite, morra, sou dama e condessa. Tire sarro, se quiser, tire sarro de si mesma, Por outro lado, logo veremos.

FIDALMA (a Elisetta) Quel fumo, mia cara, è un poco eccedente.

FIDALMA (a Elisetta) Essa vaidade, minha cara, é um pouco demais.

(a Carolina) Voi siete, mia bella, di troppo insolente. Vergogna! Vergogna! Finitela già.

(a Carolina) Minha cara, a senhorita é insolente demais. Vergonha! Vergonha! Parem já!

CAROLINA Sua serva non sono. ELISETTA Son vostra maggiore.

ELISETTA Sou a mais velha!

CAROLINA Entrambe siam figlie d’un sol genitore.

CAROLINA Nós duas somos filhas do mesmo pai.

ELISETTA Stizzosa... CAROLINA Fumosa. (Insieme) FIDALMA Finiam questa cosa, tacetevi là. CAROLINA, ELISETTA Non posso soffrire la sua inciviltà. FIDALMA Codesto garrire fra voi ben non sta. (Carolina parte) Recitativo FIDALMA Chetatevi e scusatela. Tra poco voi già andate a marito, ella qui resta; così non vi sarà mai più molesta. Io mi consolo intanto del vostro matrimonio; e voi fra poco... ma zitto... a voi il confido... Ah! No ‘l diceste, per carità. ELISETTA Fidatevi, fidatevi che segreta son io. FIDALMA Ve ne consolerete ancor del mio.

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CAROLINA Não sou sua criada!

ELISETTA Impertinente! CAROLINA Vaidosa! (Juntas) FIDALMA Vamos acabar com isso, calem-se já! CAROLINA, ELISETTA Não posso aguentar sua grosseria! FIDALMA Esses xingamentos entre vocês não ficam bem. (Carolina sai) Recitativo FIDALMA Acalme-se e desculpe-a. Dentro em breve você vai se casar, e ela ficará aqui; assim, não vai mais aborrecê-la. Consolo-me, contudo, com o seu matrimônio; e a senhorita, em breve... mas calada... confio na senhorita... Ah! Não diga nada, por caridade! ELISETTA Confie, confie, que sou sigilosa. FIDALMA A senhorita se consolará também com o meu.

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ELISETTA Del vostro? Posso saper chi sia? FIDALMA No, è troppo presto. Ancor con chi vogl’io non mi sono spiegata. ELISETTA Ditemi questo almeno: è giovinotto? FIDALMA Giovane affatto affatto. ELISETTA È bello? FIDALMA Di Cupido egli è un ritratto. ELISETTA È nobile? FIDALMA Non voglio spiegarmi d’avvantaggio. ELISETTA È ricco...? Rispondete. FIDALMA Troppo curiosa, o cara mia, voi siete. (fra sè) Se mi stuzzica ancora un pocolino, vado or ora a scoprir ch’è Paolino.

ELISETTA Com o seu? Posso saber quem é? FIDALMA Não, é muito cedo. Ainda não conversei com quem quero. ELISETTA Diga-me, pelo menos; é jovenzinho? FIDALMA Jovem, bem jovem. ELISETTA É bonito? FIDALMA Um retrato de Cupido! ELISETTA É nobre? FIDALMA Não quero explicar tudo de antemão. ELISETTA É rico? Responda. FIDALMA A senhorita é muito curiosa, minha cara. (para si) Se me provocar mais um pouquinho, vai descobrir que é Paolino.

N. 5 – ARIA FIDALMA È vero che in casa son io la signora, che m’ama il fratello, che ognuno mi onora; è vero ch’io godo la mia libertà... Ma con un marito via meglio si sta.

FIDALMA É verdade que, em casa, eu sou a senhora, que meu irmão me ama, que todos me honram; é verdade que tenho minha liberdade... Mas com um marido estaria bem melhor.

Sto fuori di casa? Nessun mi dà pena; all’ora ch’io voglio vo a pranzo, vo a cena; a letto me n’ vado se n’ho volontà... Ma con un marito via meglio si sta.

Estou fora de casa? Ninguém me incomoda Na hora que quiser, Vou almoçar, vou jantar, vou para a cama quando tenho vontade. Mas com um marido estaria bem melhor.

Un qualche fastidio è ver che si prova: non sempre la moglie contenta si trova, bisogna soffrire qualcosa, si sa... Ma con un marito via meglio si sta.

Uma certa chateação é verdade que se sente; nem sempre a mulher está contente, tem que sofrer um pouco, sabe-se... Mas com um marido estaria bem melhor.

Mia cara ragazza, che andate a provarlo, saprete fra poco se il vero vi parlo, voi meco direte, son certa di già: che con un marito via meglio si sta.

Minha cara garota, vá experimentar, em breve saberá se estou dizendo a verdade, você me dirá, já tenho certeza; Que com um marido está bem melhor.

(partono) (Il signor Geronimo e Carolina entrano)

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N. 5 – ÁRIA

(saem) (O senhor Geronimo e Carolina entram)

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Recitativo GERONIMO Prima che arrivi il Conte io voglio rallegrarti. Vuol da tutte le parti oggi felicitarmi la mia sorte. Senti... Sposa d’un cavalier tu pur sarai: ora mi venne la proposizione, e in oggi esser vi dée la conclusione. Ridi, ridi, ragazza. CAROLINA (fra sè) Oh, me meschina! Qui nasce una rovina se Paolin non fa presto.

GERONIMO Antes que o Conde chegue, quero alegrá-la. Quero que todos hoje felicitem minha sorte. Escute... Você também será esposa de um cavalheiro; a proposta chegou agora, e hoje deve acontecer o desenlace. Ria, ria, menina! CAROLINA (para si) Oh, coitada de mim! Aqui começa minha ruína, se Paolino não se apressar.

GERONIMO E perché mo non ridi, e te ne stai con quella faccia tosta?

GERONIMO Por que não está rindo, e fazendo essa cara feia?

CAROLINA Ho dolore di testa.

CAROLINA Estou com dor de cabeça.

GERONIMO (ascolta e capisce sbagliato) S’egli è un signor di testa? È un cavaliere, e non vuoi che sia un uom ch’abbia talento? CAROLINA (fra sè) Ah! Mi manca il consiglio in tal momento. PAOLINO (forte) Signore, ecco qua il Conte. GERONIMO Il Conte? Oh! Presto, presto... rimettiamo il discorso... andiamo ad incontrarlo.

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Recitativo

GERONIMO (escuta e entende errado) Se ele é bom da cabeça? É um cavalheiro, você não vai querer que tenha talento! CAROLINA (para si) Ah! Sinto falta de conselho numa hora dessas! PAOLINO (alto) Senhor, o Conde está aqui! GERONIMO O Conde? Oh! Rápido, rápido... voltaremos a nos falar... vamos lá encontrá-lo.

PAOLINO Ecco che ha più di noi veloce il passo. N. 6 – CAVATINA

PAOLINO Ele anda mais rápido do que nós! N. 6 – CAVATINA

CONTE Senza, senza cerimonie, alla buona vengo avanti. Riverisco tutti quanti non s’incomodin, non voglio: complimenti far non soglio. Sol do al suocero un abbraccio, (a Fidalma) servitore a lei mi faccio. (ad Elisetta) Dal dover non n’allontano: bacio a lei la bella mano... (a Carolina) Vengo a lei, sì vengo a lei, che ha quegli occhi così bei... Paolino, amico mio, regna sol qui grazia e brio. Bravo padre! Brave figlie! Siete incanti, meraviglie, siete gioie... ma scusate... ch’io respiri almen lasciate, o il polmon mi creperà.

CONDE Sem cerimônia, sem cerimônia, estou chegando com simplicidade, Saudações a todos! Não se incomodem, não quero, não costumo fazer reverências. Só um abraço no sogro (para Fidalma) Sou seu servo... (para Elisetta) Não me afasto do dever; beijo sua bela mão... (para Carolina) Venho à senhorita, sim, venho à senhorita que tem olhos tão belos... Paolino, meu amigo, aqui reina apenas a graça e o brio. Belo pai! Belas filhas! São encantos, maravilhas, são alegrias... mas perdão... deixem-me respirar ou meu pulmão vai rebentar.

ELISETTA, CAROLINA, FIDALMA Prenda pure, prenda fiato, seguitare poi potrà.

ELISETTA, CAROLINA, FIDALMA Tome fôlego então, e depois poderá continuar.

PAOLINO (fra sè) Che fa troppo il caricato non s’avvede, e non lo sa. GERONIMO (fra sè) L’ho sentito l’ho ascoltato ma capito non l’ho già.

PAOLINO (para si) Não percebe nem vê que está muito caricatural. GERONIMO (para si) Ouvi, escutei, mas não entendi nada.

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ELISETTA, CAROLINA, FIDALMA GERONIMO, PAOLINO (fra sè) Che un tamburo abbia suonato mi è sembrato in verità. CONTE (fra sè) Senza essere affettato mi distinguo in civiltà. Recitativo GERONIMO Certo sarete stanco, io ve lo credo, Conte genero amato. Ehi! Da sedere.

CONDE (para si) Sem ser afetado, distingo-me pela educação. Recitativo GERONIMO Com certeza, deve estar cansado, Conde, genro amado. Ei! Façam-no sentar!

CONTE No, no, non dico questo: non vo’ seder. Son fresco e son robusto, e il correr per le poste a me non nuoce.

CONDE Não, não, não quero sentar. Sou disposto e sou robusto, e correr não me faz mal.

PAOLINO Convien che alziate un poco più la voce.

PAOLINO É bom levantar um pouco a voz.

CONTE Con vostra permissione vado appresso alla sposa per farle un conveniente complimento.

CONDE Com vossa permissão, vou para junto da esposa, para fazer o devido cumprimento.

GERONIMO Oh, servitevi pure, che questo, Conte mio, ci va de jure. Ed io che so che in tali incontri il padre importuno diventa, me ne andrò con Paolino a far qualche altra cosa. La sorella e la zia stian con la sposa. (parte con Paolino)

GERONIMO Oh, fique à vontade, meu Conde, que isso é “de jure”. E sei que, nesses encontros, o pai se torna inoportuno. Vou embora com Paolino, para fazer outras coisas. A irmã e a tia ficam com a esposa. (sai com Paolino)

CONTE (accostandosi a Carolina) Permettetemi dunque, cara la mia sposina...

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ELISETTA, CAROLINA, FIDALMA, GERONIMO, PAOLINO (para si) Na verdade, tenho a impressão de que um tambor tocou.

CONDE (aproximando-se de Carolina) Permita-me então, minha querida esposinha...

CAROLINA Oh, no signore. Sbagliate. Io non son quella; quella che ha tanto onore è mia sorella. CONTE Sbaglio? FIDALMA Sicuramente. CAROLINA Di là, di là convien che vi voltiate. FIDALMA Di qua, di qua. CONTE (a Fidalma) Signora mia, scusate. Voi dunque... FIDALMA Non signor: sbagliate ancora. CONTE Sbaglio ancora? ELISETTA Sicuro. Ma che il faccia da scherzo io mi figuro. Quella son io che il ciel vi diede in sorte: quella son io che merita l’onore di stringervi la man, di darvi il core. CONTE (fra sè) Diamine! (Ad Elisetta) Voi la sposa? ELISETTA Che vuol dir tal sorpresa? Io, sì, signor, son quella. E vi par forse ch’io...

CAROLINA Oh, não senhor. Está enganado. Não sou eu; quem tem tamanha honra é minha irmã. CONDE Estou enganado? FIDALMA Com certeza. CAROLINA Para lá, para lá deve se encaminhar. FIDALMA Para cá, para cá. CONDE (para Fidalma) Desculpe, minha senhora. Então você... FIDALMA Não senhor; ainda está enganado. CONDE Estou enganado ainda? ELISETTA Com certeza. Mas acho que está de brincadeira. Sou aquela que o céu lhe deu como destino; sou a que merece a honra de apertar a sua mão, de lhe dar o coração. CONDE (para si) Diacho! (para Elisetta) A esposa é a senhorita? ELISETTA Por que tanta surpresa? Sim, senhor, sou eu! O senhor por acaso acha...

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CONTE No... ma... scusatemi... voi dunque certamente? ELISETTA Certo.

ELISETTA Com certeza.

FIDALMA Sicuro!

FIDALMA Com segurança.

CAROLINA Indubitatamente. CONTE Il core m’ha ingannato e rimango dolente e sconsolato. N. 7 – QUARTETTO

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CONDE Não... mas... perdão... A senhorita, com certeza?

CAROLINA Indubitavelmente. CONDE O coração me enganou; estou doído e desconsolado. N. 7 – QUARTETO

CONTE (Fra sè) Sento in petto un freddo gelo che cercando mi va il cor. Sol quell’altra, giusto cielo, può ispirarmi un dolce ardor.

CONDE (para si) Sinto no peito um gelo frio que vem me cercando o coração. Só a outra, oh céus, pode me inspirar um justo ardor.

ELISETTA (Fra sè) Tal sorpresa intendo appieno cosa vuol significar. Sento in petto un rio veleno, che mi viene a lacerar.

ELISETTA (para si) Mal entendo tamanha surpresa, o que quer dizer? Tenho no peito um veneno perverso que me está dilacerando.

CAROLINA (Fra sè) Freddo, freddo egli è restato: lei confusa se ne sta. Così un poco castigato il suo orgoglio resterà.

CAROLINA (para si) Frio, ele ficou frio; ela está confusa. Assim o seu orgulho será um pouco castigado.

FIDALMA (Fra sè) In silenzio ognun qui resta, e so ben quel che vuol dir. Una torbida tempesta già mi sembra di scoprir. ELISETTA, CAROLINA FIDALMA, CONTE (fra sè) Un orgasmo ho dentro il seno, palpitando il cor mi va. Più non vedo il ciel sereno, più non so quel che sarà. (partono) Recitativo PAOLINO Più a lungo la scoperta non deggio differir. Il Conte alfineè un uom di mondo, un uomo di esperienza, mi vuol del bene, e mi darà assistenza.

FIDALMA (para si) Todos ficaram em silêncio, sei bem o que isso quer dizer. Acho que já estou vendo uma tempestade turbulenta. ELISETTA, CAROLINA, FIDALMA, CONDE (para si) Tenho uma ânsia dentro do peito, meu coração palpita; Não vejo mais o céu sereno, não sei mais o que será. (saem) Recitativo PAOLINO Não devo adiar muito a revelação. O Conde, afinal, é um homem do mundo, um homem de experiência, quer-me bem, e me dará ajuda.

CAROLINA Ah, Paolino mio...

CAROLINA Ah, meu Paolino...

PAOLINO Sposa mia cara...

PAOLINO Minha querida esposa...

CAROLINA Di poterti aver solo io non vedeva l’ora. Sappi che ogni dimora è omai precipitosa: mio padre a un cavalier va a farmi sposa. PAOLINO Ci mancava ancor questa per più inasprirlo al caso! Ma non perdo il coraggio. Al Conte subito vado a raccomandarmi.

CAROLINA Não via a hora de poder vê-lo a sós. Saiba que qualquer demora agora é perigosa; meu pai quer me fazer esposa de um cavalheiro. PAOLINO Só faltava essa para piorar o caso! Mas não perco a coragem. Vou logo pedir auxílio ao Conde.

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CAROLINA In qualunque maniera non devi differir. Vedi là il Conte. Cogli questo momento datti coraggio. Io mi ritiro intanto tutta, tutta agitata. T’assista amor, che la cagion n’è stata. (Caronina parte) PAOLINO Sì, coraggio mi faccio giacché solo qui viene. CONTE Amico mio, io vo di te cercando smanioso, ansioso, ch’è di già mezz’ora. Ho di te gran bisogno. PAOLINO Ed io di voi. CONTE Sentitemi dunque. Sia com’esser si voglia, o per l’una o per l’altra delle ragioni che non si comprendono, o sia come si sia, perché fare gran chiacchiere non soglio, la sposa non mi piace e non la voglio. PAOLINO Che cosa dite mai? CONTE Dico assolutamente che non la voglio. PAOLINO E come mai potreste oggi disimpegnarvene?

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CAROLINA De qualquer maneira, você não deve tardar. Olha lá o Conde. Aproveite o momento, tenha coragem. Enquanto isso, vou me retirar, toda agitada. Que o amor te ajude, a oportunidade foi dada. (Carolina se retira) PAOLINO Sim, vou me armar de coragem, já que ele está sozinho! CONDE Meu amigo, estou procurando-o aflito, ansioso, há uma meia hora. Preciso muito de você. PAOLINO E eu de você. CONDE Escute-me então. Seja como quiser, por essa ou aquela razão incompreensível, seja como for, como não estou acostumado a grande falatório, não gosto da esposa, e não a quero. PAOLINO O que está dizendo? CONDE Digo absolutamente que não quero. PAOLINO E como poderia se descomprometer?

CONTE Facilissimamente. Invece di sposare la maggiore sposerò la cadetta: dei centomila invece per la dote, sol di cinquanta mille io mi contento: ecco tutto aggiustato in un momento. Quella, quella mi piace, quella m’ha innamorato. Ora, da bravo: vanne, fa’ presto, al padre ciò proponi, sciogli, concludi, e poi di me disponi. PAOLINO (fra sè) Me infelice! CONTE Cos’hai? PAOLINO Niente, signore. CONTE Va’ dunque, va’, fa’ presto. PAOLINO (fra sè) Misero me, che contrattempo è questo! N. 8 – DUETTO PAOLINO Signor, deh, concedete... sdegnarvi io non vorrei. Pensate, riflettete... il dispiacer di lei, la civiltà, l’onore, di tutti lo stupore... (fra sè) Ah! Che mi vo a confondere, ah! più non so che dir.

CONDE É facílimo. Em vez de me casar com a mais velha, caso-me com a caçula; dos cem mil de dote, contento-me com apenas cinquenta mil; e tudo está ajustado em um momento. Daquela, daquela eu gosto, por aquela me apaixonei. Agora, em frente: vá logo, proponha ao pai, termine, conclua, e depois disponha de mim. PAOLINO (para si) Sou um infeliz! CONDE O que você tem? PAOLINO Nada, senhor. CONDE Vá, então, vá, ande logo. PAOLINO (para si) Coitado de mim, que contratempo! N. 8 – DUETO PAOLINO Senhor, ah, permita, não desejo desagradar-lhe, Pense, reflita... O desgosto dela, a polidez, a honra, o espanto de todos... (para si) Ah! Vou me confundir! Ah! Não sei mais o que dizer!

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CONTE Tu cosa vai dicendo? Tu cosa vai cercando? Non star più discorrendo. A te mi raccomando: l’amabile cadetta mi stimola, m’affretta, non posso più resistere mi sento incenerir!

CONDE O que você está dizendo? O que está buscando? Pare de ficar discorrendo. Ajude-me: a amável caçula me estimula, me apressa, não posso mais resistir, sinto-me incendiar!

PAOLINO Quel foco che v’accende un altro forse offende. (fra sè) Ah, sento proprio il core che in sen mi va a languir!

PAOLINO Esse fogo que te incendeia talvez ofenda um outro! (para si) Ah, sinto o meu coração murchando no peito!

CONTE Quel foco che mi accende da me più non dipende. Non sposo la maggiore se credo di morir. (partono)

CONDE Esse fogo que me queima Não depende mais de mim. Não me caso com a mais velha Nem se estiver para morrer. (saem)

Recitativo CONTE Oh, Carolina! La sorte è a me propizia, perché lontani dall’altrui presenza io vi posso parlar con confidenza... CAROLINA Ah! Questo è quello appunto che bramava ancor io. CONTE Io son venuto per sposar Elisetta. Ma che serve che venuto io ci sia quando non ho per lei che antipatia? E quando a prima vista m’avete fatto voi vostra conquista? CAROLINA Io! Cosa avete detto?

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Recitativo CONDE Oh, Carolina! A sorte me é propícia, pois, longe dos outros, posso lhe falar confidencialmente... CAROLINA Ah, isso é justo o que eu também queria. CONDE Vim para me casar com Elisetta. Mas de que adianta, se só sinto antipatia por ela? E se, à primeira vista, a senhorita me conquistou? CAROLINA Eu! O que disse?

CONTE Voi cosa avete inteso? CAROLINA È questo solo quel che avete da dirmi? CONTE Questo, sì, questo. E voi che ben sapete compatir l’amore, scusando il mio trasporto, darete all’amor mio qualche conforto. CAROLINA E nel momento istesso di dover adempiere a un sacro impegno manchereste di fede? Io scuso bene chiunque si lascia trasportar d’amore, ma non uno che manca al proprio onore. CONTE Oh, oh! Voi date in serio. All’onor si rimedia sposando voi per lei. CAROLINA Questa cosa accordar mai non potrei. N. 9 – ARIA CAROLINA Perdonate, signor mio, s’io vi lascio, e fo partenza. Io per essere eccellenza non mi sento volontà. Tanto onore è riservato a chi ha un merto singolare, a chi in circolo sa stare con buon garbo e gravità. Io, meschina, vo alla buona, io cammino alla carlona, son piccina di statura, io non ho disinvoltura, non ho lingue, non so niente; farei torto certamente alla vostra nobiltà. Se un mi parla alla francese, che volete ch’io risponda?

CONDE O que entendeu? CAROLINA É só isso o que tinha a me dizer? CONDE Isso, sim, isso. E a senhorita, que sabe partilhar do amor, desculpando meu arrebatamento, dará ao meu amor algum conforto. CAROLINA E bem na hora em que deveria cumprir um compromisso sagrado, o senhor não vai ter fé? Desculpo quem se deixa arrebatar pelo amor, mas não quem falta para com a própria honra. CONDE Oh, oh! A senhorita está levando a sério! A honra fica remediada ao me casar com a senhorita, no lugar dela. CAROLINA Jamais poderei concordar com isso. N. 9 – ÁRIA CAROLINA Perdoe, meu senhor, se o deixo, e vou embora, pois, de ser uma excelência, não tenho vontade. Tamanha honra está reservada a quem tem um mérito singular, a quem sabe se portar em sociedade, com elegância e gravidade. Eu, coitadinha, ando à vontade, caminho de forma descuidada, sou de baixa estatura, não tenho desenvoltura, não falo bem, não sei nada, com certeza não estaria à altura da sua nobreza. Se alguém me fala em francês, quer que eu responda?

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Non so dire che Monsiù. Se qualcuno mi parla inglese, ben convien ch’io mi confonda, non intendo che Addidù. Se poi vien qualche tedesco, vuol star fresco, oh, vuol star fresco! Non intendo una parola: di buon fondo, e niente più. (parte) N. 10 – FINALE I GERONIMO Tu mi dici che del Conte malcontenta sei del tratto. Quello è un uomo molto astratto, lo conosco, e ben lo so. ELISETTA Ma un’occhiata un po’ graziosa ottenuta pur non ho. FIDALMA Trattar peggio co’ la sposa veramente non si può.

Tutto... quanto... è preparato... nella... sala... del banchetto... con gran lustro... e proprietà.

Tudo... foi preparado... na sala... do banquete... com grande lustro... e propriedade.

GERONIMO Vanne al diavolo, balordo! Qua si crede ch’io sia sordo? Non patisco sordità. (Insieme)

GERONIMO Vá para o diabo, imbecil! Acha que estou surdo? Não padeço de surdez. (Juntos)

N. 10 – FINAL I

ELISETTA, FIDALMA, PAOLINO Andiam subito a vedere la gran tavola e il dessere, che onor grande vi farà.

GERONIMO Você me diz que está descontente com o tratamento do Conde. É um homem muito distraído, conheço-o, e sei bem. ELISETTA Mas não consegui nem uma olhadinha graciosa. FIDALMA Tratar pior a esposa, na verdade, não é possível.

GERONIMO Voi credete che i signori faccian come li plebei: voi credete che gli sposi faccian come i cicisbei, nossignore, tante cose, che si dicon smorfiose, non le fanno, signor no.

GERONIMO Vocês acham que os fidalgos fazem como os plebeus: vocês acham que os esposos fazem como os galanteadores, não, senhoras, todas essas coisas, essas frases, essas caretas, eles não fazem, não senhoras.

PAOLINO Mio signore, se vi piace di vedere l’apparato, tutto quanto è preparato con gran lustro e proprietà.

PAOLINO Meu senhor, caso queira, ver todo o aparato, tudo aqui foi preparado com grande lustro e propriedade.

GERONIMO Come? Come? Cos’ha detto? PAOLINO (parola per parola, forte)

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Só sei dizer Messiê. Se alguém me fala em inglês, é bem possível que me confunda, só entendo A-dú-iú-dú. Se depois vier uma em alemão, quero distância, quero distância! Não entendo uma palavra de bom coração, e nada mais. (sai)

GERONIMO Como? Como? O que disse? PAOLINO (palavra a palavra, alto)

GERONIMO Andiam subito a vedere la gran tavola e il dessere, che onor grande mi farà. (partono) CAROLINA Lasciatemi, signore, non state a infastidirmi. CONTE Se libero è quel core vi prego sol di dirmi. CAROLINA Che non ho amante alcuno vi posso assicurar. CONTE Voi dunque la mia brama potete contentar. CAROLINA Lasciatemi, vi prego, lasciatemi, deh! andar. CONTE Non lasciovi, mia bella, partir da questa stanza se un raggio di speranza non date a questo cor. (in questo, Elisetta in disparte)

ELISETTA, FIDALMA, PAOLINO Vamos logo ver a grande mesa e o banquete que lhe trará muita honra. GERONIMO Vamos logo ver a grande mesa e o banquete que me trará muita honra. (saem) CAROLINA Deixe-me, senhor, não me irrite. CONDE Só peço que me diga se seu coração está livre. CAROLINA Que não tenho amante posso lhe assegurar. CONDE Então o meu desejo você pode realizar. CAROLINA Deixe-me, peço-lhe, deixe-me ir! CONDE Não deixo, minha bela, você sair desse quarto, se um raio de esperança não der a meu coração. (Elisetta chega e fica à parte)

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CAROLINA Tornate, deh!, in voi stesso.

CAROLINA Ei, volte a si mesmo!

CONTE Mio ben, v’amo all’eccesso.

CONDE Meu bem, amo-te demais!

CAROLINA Pensate a mia sorella. CONTE Per lei non sento amor. S’io sposo voi per quella non manco già al mio onor.

CONDE Não sinto amor por ela. Se me casar com você, em vez de com ela, não estarei faltando com a palavra.

ELISETTA No, indegno, traditore. No, anima malnata! No, trista disgraziata, mai questo non sarà. Per questo tradimento che mi si viene a fare. Io voglio sussurrare la casa e la città.

ELISETTA Não, traidor indigno. Não, alma danada! Não, maligna desgraçada, isso nunca ocorrerá. Pois essa traição que aprontaram contra mim vou espalhar pela casa e pela cidade.

CONTE Strillate, non m’importa.

CONDE Pode vociferar, não importa.

CAROLINA Sentite...

CAROLINA Escute...

ELISETTA No, fraschetta.

ELISETTA Não, vadia.

CAROLINA Ma prima...

CAROLINA Mas antes...

ELISETTA Vo’ vendetta. (Insieme)

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CAROLINA Pense na minha irmã.

ELISETTA Quero vingança! (Juntos)

ELISETTA Che nera infedeltà!

ELISETTA Que traição nefasta!

CAROLINA In me non c’è reità.

CAROLINA Não tenho culpa.

FIDALMA Che cosa è questo strepito? ELISETTA Di fede il mancatore con essa fa all’amore, ed or li ho colti qua. FIDALMA Uh! uh! Che mancamento! Non credo a quel che sento. (Insieme)

FIDALMA O que é essa balbúrdia? ELISETTA Aquele que falta com a palavra está namorando com essa e eu os peguei aqui! FIDALMA Uh! Uh! Que grave! Não acredito no que estou escutando. (Juntos)

ELISETTA Io voglio sussurrare la casa e la città.

ELISETTA Vou espalhar pela casa e pela cidade.

FIDALMA Io voglio esaminare il fatto come sta.

FIDALMA Quero examinar a coisa como ela é.

CAROLINA (a Fidalma) Deh, fatela acchetare che il vero ella non sa. CONTE Lasciamola strillare: non me ne curo già. FIDALMA Silenzio, silenzio che vien mio fratello. Usate prudenza, abbiate cervello. L’affare delicato è troppo da sé. GERONIMO Sentire mi parve un strepito, un chiasso. Che fate? Gridate? Ovvero è per spasso? Che cosa è accaduto? Ognun qui sta muto? Di dirmi vi piaccia che diavolo c’è.

CAROLINA (a Fidalma) Faça com que se cale, que ela não sabe a verdade. CONDE Deixem-na vociferar, que não me importo. FIDALMA Silêncio, silêncio que meu irmão vem aí. Usem prudência, tenham cabeça. O assunto, em si, é muito delicado. GERONIMO Tive a impressão de ouvir um estrépito, um barulho. O que estão fazendo? Gritando? Ou é por diversão? O que aconteceu? Todos ficaram mudos? Tenham a bondade de dizer que diabos acontece.

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PAOLINO (fra sè) La cara mia sposa dal capo alle piante mi sembra tremante. Oh povero me! (Insieme)

PAOLINO (para si) Minha querida esposa dos pés à cabeça parece tremer. Oh, pobre de mim! (Juntos)

ELISETTA, CAROLINA FIDALMA, CONTE (fra sè) Che tristo silenzio! Così non sta bene. Parlare conviene: parlar si de’.

ELISETTA, CAROLINA, FIDALMA, CONDE (para si) Que silêncio funesto! Assim não está bem. Há que se falar, deve-se falar.

GERONIMO, PAOLINO (fra sè) Che tristo silenzio! Sospetto mi viene. Vi son delle scene: saperlo si de’.

GERONIMO, PAOLINO (para si) Que silêncio funesto! Estou desconfiado. Ocorreu uma cena; devo apurar o que foi.

GERONIMO Orsù, che cosa è stato? Lo voglio saper bene. CAROLINA La cosa sol proviene da certo mal inteso (additando Elisetta) equivoco ha lei preso, e il Conte il motivò.

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GERONIMO Então, o que foi? Quero saber direito! CAROLINA O fato foi causado por certo mal-entendido. (apontando para Elisetta) Ela foi vítima de um equívoco causado pelo Conde.

ELISETTA No, non è vero niente. La cosa è differente. Parlate con mia zia, che anch’io poi parlerò.

ELISETTA Não, nada disso é verdade! O caso é diferente. Fale com minha tia que também falarei depois.

FIDALMA Sappiate, fratel mio, che qui ci sta un imbroglio; ma adesso dir no ‘l voglio, che bene ancor no ‘l so.

FIDALMA Fique sabendo, meu irmão, que isso é uma confusão; mas não quero dizer agora, pois ainda não sei bem.

GERONIMO Io non capisco affatto. CONTE (tirandolo da una parte) Sappiate, con sua pace, la sposa non mi piace la sua minor sorella è assai di lei più bella. Ma poi, ma poi con comodo il tutto vi dirò. GERONIMO Eh! Andate tutti al diavolo, ba, ba, ce, ce, sì presto... (Insieme)

GERONIMO Não estou entendendo nada! CONDE (puxando-o de lado) Fique sabendo, por favor, que a esposa não me agrada, a irmã mais nova é muito mais bonita. Mas depois, mas depois, com sossego, vou lhe dizer tudo. GERONIMO Ah! Vão todos para o diabo! Blá-blá-blá, sim, logo! (Juntos)

GERONIMO Un balbettare è questo, chi intendere lo può?

GERONIMO Isso é uma balbúrdia, quem consegue entender?

PAOLINO Ma che mistero è questo, chi intendere lo può?

PAOLINO Mas que tamanho mistério, quem consegue entender?

ELISETTA, CAROLINA FIDALMA, CONTE Le orecchie non stancate, affanno non vi date. Da me, da me saprete qual sia la verità.

ELISETTA, CAROLINA, FIDALMA, CONDE Não tapem os ouvidos, não fiquem ansiosos. De mim, de mim saberão qual é a verdade.

GERONIMO La testa m’imbrogliate. La testa mi fendete. Tacete, deh, tacete! Andate via di qua. PAOLINO Per imbrogliar la testa che confusione è questa. Capite, se potete, qual sia la verità.

GERONIMO Estão me embaralhando a cabeça, estão me partindo a cabeça. Calem-se, ah, calem-se! Vão embora daqui! PAOLINO Que confusão é essa de embaralhar a cabeça! Entendam, se puderem, qual é a verdade.

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ATTO SECONDO Recitativo GERONIMO Questa è ben curiosa! Che si siano accordati in masticar parole perché io non intenda? Ma voglio ben capir questa faccenda. Venite pur, venite o Conte amato. Mi volete ora dir quello ch’è stato? CONTE Anzi, apposta me n’ vengo, per dichiararvi il tutto senza riguardo alcuno. GERONIMO {ascolta e capisce sbagliato} No, non c’è alcuno. CONTE Alcun riguardo, ho detto. Non ho di dirvi il tutto, e il dirò schietto. Vi dirò in primo luogo in stil laconico, Che Elisetta sposar più non intendo. GERONIMO Che? Cosa avete detto? CONTE Ho detto che non trovo cosa in lei che mi piaccia, e che più non la voglio. GERONIMO Non la volete più! Mia figlia? Quella per cui steso è il contratto? Non la volete più? Voi siete un matto. La vorrete benissimo. La sposerete, signorsì. A Geronimo non se ne fan di queste. E non è un uomo Geronimo da prendersi per un qualche babbeo. E Geronimo dice e vi ripete, che la vorrete, e che la sposerete.

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ATO II Recitativo GERONIMO Essa é bem curiosa! Será que combinaram de mastigar palavras para que eu não entenda? Mas quero compreender bem esse caso. Venha, então, venha, oh Conde querido. Quer me dizer agora o que aconteceu? CONDE Vim justamente para isso, para explicar tudo muito bem. GERONIMO (escuta e entende mal) Não, não tem ninguém. CONDE Disse que vou explicar bem. Não vou contar tudo, farei um resumo. Direi primeiro, em estilo lacônico, que não pretendo mais me casar com Elisetta. GERONIMO O quê? O que disse? CONDE Disse que não vejo nela nada que me agrade, e que não a quero mais. GERONIMO Não quer mais! Minha filha? Aquela pela qual fez o contrato? Não quer mais? Está louco. O senhor quer muitíssimo. Vai se casar com ela, sim senhor. Não se apronta uma dessas a Geronimo. E Geronimo não é homem para ser feito de bobo. E Geronimo diz e repete que o senhor quer e vai se casar com ela.

CONTE Ed al signor Geronimo io pur dico, e ripeto che non la sposerò: ma che lo prego di mostrarsi contento che fra noi segua un accomodamento. GERONIMO Ed io vi torno a dire in brevi accenti che non si parli d’accomodamenti. N. 11 – DUETTO GERONIMO Se fiato in corpo avete, sì, sì, la sposerete. Un bambolo non sono. Veder ve la farò. CONTE Se mi ascoltate un poco, si calmerà quel foco, ma poi se v’ostinate, anch’io mi ostinerò. GERONIMO La sposerete, amico.

CONDE E ao senhor Geronimo eu digo então, e repito, que não me caso com ela: mas peço que fique contente, que entraremos em acordo. GERONIMO E eu volto a dizer, curto e grosso, que não se fale de acordo. N. 11 – DUETO GERONIMO Se o seu corpo respira, vai se casar com ela, sim, sim. Não sou palhaço, você vai ver! CONDE Se me escutar um pouco acalmará esse fogo mas, se teimar, também teimarei. GERONIMO Vai se casar com ela, amigo.

CONTE Io non la sposerò.

CONDE Não vou.

GERONIMO Sì, sì, sì, sì, io dico.

GERONIMO Sim, sim, sim, sim, estou dizendo.

CONTE Io dico no, no, no.

CONDE Eu digo não, não, não.

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GERONIMO, CONTE Con questo uom frenetico sfiatare non mi vo’. (Si mettono a sedere, uno da una parte e l’altro dall’altra.)

GERONIMO, CONDE Não vou perder o fôlego com esse homem frenético! (sentam-se, cada um de um lado)

GERONIMO (fra sè) Ora vedete che bricconata! Chi se l’avrebbe mai immaginata? Questa è un’azione da mascalzone, ed al suo impegno non dée mancar.

GERONIMO (para si) Vejam só que malandragem! Quem teria imaginado? Esse ato é de um patife ele não deve faltar à sua obrigação.

CONTE (fra sè) Ora vedete che uom bilioso! Come s’accende! Com’è impetuoso! Non vuol sentire quel che vo’ dire, d’aggiustamenti non vuol parlar!

CONDE (para si) Vejam só que homem genioso! Como se exalta! Como é impetuoso! Não quer ouvir o que vou dizer, não quer ouvir falar de acerto.

GERONIMO (fra sè) Vediamo un poco se ci ha pensato. (si alza) CONTE (fra sè) Proviamo un poco se si è calmato. (si alza) GERONIMO Ebben, signore? La sposerete? CONTE Ebben, signore? M’ascolterete? Il mio discorso vi può calmar.

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GERONIMO (para si) Vamos ver se repensou. (levanta-se) CONDE (para si) Vamos testar se se acalmou. (levanta-se) GERONIMO Então, senhor? Vai se casar com ela? CONDE Então, senhor, vai me escutar? Minha fala pode acalmá-lo.

GERONIMO Via, dite pure quel che vi par. CONTE Se invece di Elisetta mi date la cadetta, cinquantamila scudi vi voglio rilasciar. GERONIMO Quest’è per quel ch’io sento quell’accomodamento che voi vorreste far...? (Insieme)

GERONIMO Vá, diga o que quer. CONDE Se em vez de Elisetta, o senhor me der a caçula, cinquenta mil escudos vou lhe deixar. GERONIMO Esse é, pelo que entendo, o acordo que queria fazer? (Juntos)

GERONIMO (va di nuovo a sedere) Lasciatemi, mio caro, lasciatemi pensar.

GERONIMO (vai se sentar de novo) Deixe-me, meu caro, deixe-me pensar.

CONTE (va di nuovo a sedere) Vedete qual denaro potete risparmiar.

CONDE (vai se sentar de novo) Veja que dinheiro pode economizar.

GERONIMO (fra sè) Qua risparmio del bell’oro, così si salva anche il decoro con un baratto l’affare ho fatto. Io non ci trovo difficoltà. CONTE (fra sè) Va l’amico ruminando, al risparmio va pensando. È il boccone da ghiottone né scappar se ‘l lascerà.

GERONIMO (para si) Vou economizar um bom dinheiro e salvar também o decoro, fecho o negócio com uma troca, não vejo dificuldade. CONDE (para si) O amigo está ruminando está pensando na economia. É uma bocada que o glutão não vai deixar escapar.

GERONIMO Ci ho già pensato. (si alza)

GERONIMO Já pensei. (levanta-se)

CONTE Vi ascolto attento. (si alza)

CONDE Escuto atento. (levanta-se)

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GERONIMO Io del baratto sarò contento, s’anche Elisetta lo accorderà. CONTE Non dubitate: farò in maniera, che avanti sera mi aborrirà. GERONIMO, CONTE Siamo, siamo accomodati, ritorniam di buon’umore. Abbracciamoci di core, e speriam felicità. (Geronimo parte) Recitativo CONTE Per fare ch’Elisetta mi ricusi il modo è facilissimo. Oh, Paolino, Paolino! PAOLINO In che posso servirvi?

CONDE Não duvide; farei de um jeito que, antes do anoitecer, vai me odiar. GERONIMO, CONDE Estamos, estamos de acordo, voltemos ao bom humor. Abracemo-nos de coração e esperemos felicidade. (Geronimo parte) Recitativo CONDE É facílimo fazer que Elisetta me recuse. Oh, Paolino, Paolino! PAOLINO Em que posso servi-lo?

CONTE Da me stesso ho fatto tutto. Il padre è contentissimo ch’io sposi Carolina.

CONDE Fiz tudo sozinho. O pai está contentíssimo por eu me casar com Carolina.

PAOLINO Ma... Lo dite davvero?

PAOLINO Mas... Está falando sério?

CONTE Certamente. Consolati, e tu stesso va’ a darle questa nuova. Dille che ogni riguardo è omai finito; e che disponga il core ad ubbidir con gioia al genitore. (parte)

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GERONIMO Ficarei contente com a troca se Elisetta também concordar.

CONDE Certamente. Alegre-se, e vá dar-lhe a notícia em pessoa. Diga-lhe que todo impedimento agora acabou; e que disponha o coração a obedecer ao pai com alegria. (parte)

PAOLINO Ecco che or ora scoppia da sé la cosa. Io sono rovinato, scacciato co’ la sposa, e disperato. Ma no. Mi resta ancora una speranza nel buon cor di Fidalma. A lei me n’ volo benché tutto tremante... ma Fidalma qui giunge... Ecco l’istante. FIDALMA (fermandosi in disparte) Egli è qua solo; e questo salattino è un luogo adattissimo per parlar di segreti.

PAOLINO A coisa vai logo arrebentar. Estou arruinado, afastado da esposa, e desesperado. Mas não. Resta-me ainda uma esperança, no coração bom de Fidalma. Acudirei a ela, mesmo cheio de tremor... mas Fidalma está vindo. Esse é o momento. FIDALMA (detendo-se, à parte) Ele está sozinho; e essa sala é o lugar mais adequado para falar de segredos.

PAOLINO (fra sè) Ella mi sembra che volga in sé qualche pensier molesto. Ah, che son disgraziato ancora in questo!

PAOLINO (para si) Ela parece estar com alguma ideia perturbadora. Ah, sou azarado nisso também.

FIDALMA (fra sè) Mi ha guardato sott’occhio, e ha sospirato.

FIDALMA (para si) Olhou-me de soslaio e suspirou.

PAOLINO (fra sè) È turbata senz’altro. Il cor mi manca. Se mi è permesso... FIDALMA Addio, caro Paolino. Non mi avete veduta altro che adesso? PAOLINO Vi vidi pensierosa, e non mi parve di dover disturbarvi. FIDALMA Voi non mi disturbate. Pensieroso, però, se non m’inganno, eravate anche voi?

PAOLINO (para si) Está perturbada, sem dúvida. Haja coração! Com licença... FIDALMA Olá, Paolino, só me viu agora? PAOLINO Vi que estava pensativa, e não achei que devia incomodá-la. FIDALMA Não me incomoda. Mas, se não me engano, o senhor também estava pensativo?

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PAOLINO Questo è ben vero. FIDALMA Paolino?

FIDALMA Paolino?

PAOLINO Signora?

PAOLINO Senhora?

FIDALMA I pensier nostri da un’istessa cagion per avventura sarebbero prodotti? PAOLINO È ciò impossibile. FIDALMA Non pensavate a me? PAOLINO Non so negarlo. FIDALMA Ed io pensava a voi. Femmina esperta dal più menomo indizio ancor s’avvede di quel che non si pensa e non si crede. PAOLINO (fra sè) Che se ne sia avveduta? FIDALMA Via non vi confondete parlatemi con tutta confidenza. PAOLINO (fra sè) Se n’è accorta senz’altro. (a Fidalma) Ah! Signora... FIDALMA Mi avrete pietosa, e non crudel.

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PAOLINO É bem verdade.

FIDALMA Por acaso nossos pensamentos têm a mesma causa? PAOLINO É impossível. FIDALMA Não estava pensando em mim? PAOLINO Não posso negar. FIDALMA E eu pensava no senhor. Uma mulher experiente, com uma mínima dica, percebe o impensável e o inacreditável. PAOLINO (para si) Será que ela percebeu? FIDALMA Vamos, não se confunda, fale com toda a confiança. PAOLINO (para si) Já se deu conta, sem dúvida. (para Fidalma) Ah, senhora!

PAOLINO La bontà vostra il mio merito eccede, e mi consola. Ma con vostro fratello?

PAOLINO Sua bondade excede meu mérito, e me consola. Mas e o seu irmão?

FIDALMA Il fratel mio deve ben accordar quel che vogl’io.

FIDALMA Meu irmão deve concordar com o que eu quero.

PAOLINO Oh mio conforto! Dunque quando?

PAOLINO Ah, estou confortado! Então quando?

FIDALMA Prestissimo. PAOLINO Anzi senza dimora. FIDALMA Ebbene: in questo punto vi do la mia parola che sarete mio sposo. PAOLINO Sposo? FIDALMA Sì, caro mio. PAOLINO Io? FIDALMA Sì, mio bene. Consolati, consolati... ma di color ti cangi? E che cos’hai? PAOLINO (fra sè) Qual nuovo contrattempo è questo mai!

FIDALMA Rapidíssimo. PAOLINO Então sem demora. FIDALMA Pois bem: nesse momento, dou-lhe a palavra de que será meu esposo. PAOLINO Esposo? FIDALMA Sim, meu querido. PAOLINO Eu? FIDALMA Sim, meu bem. Alegre-se, alegre-se. Mas está mudando de cor? O que você tem? PAOLINO (para si) Que novo contratempo é esse!

FIDALMA Serei piedosa, e não cruel.

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N. 12 – DUETTO FIDALMA Non è niente, sposo amato: quest’è effetto del piacer. PAOLINO Per pietà, che in svenimento io mi sento già cader. (siede) FIDALMA Quest’è effetto del contento: passerà: no, non temer... Mio caro Paolino... ma certo è svenuto. Porgiamogli aiuto, c’è alcuno di là? FIDALMA (a Carolina) L’amore e il contento vedete che fa.

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N. 12 – DUETO FIDALMA Não é nada, esposo amado; isso é efeito do prazer. PAOLINO Por piedade, já me sinto desmaiar. (senta-se) FIDALMA Isso é efeito da alegria; passará; não, não tema... Meu querido Paolino... Desmaiou, com certeza. Busquemos socorro, tem alguém aí? FIDALMA (a Carolina) Veja o que fazem o amor e a alegria.

CAROLINA Ma cosa è accaduto? Ma cos’è stato?

CAROLINA Mas o que aconteceu? O que houve?

FIDALMA Il povero giovine di me innamorato per gioia in deliquio vedete che sta. Io vado a pigliare un certo elisire; non state a partire, restatevi qua. (parte)

FIDALMA O pobre jovem, apaixonado por mim, veja, desmaiou. Vou pegar um certo elixir; não vá embora, fique aqui. (sai)

CAROLINA (fra sè) Che creder, che dire da me non si sa. Giusto cielo! Qual affanno! Qual sospetto mi martella! (a Paolino) Su, ti scuoti. Su, favella, ch’io mi sento lacerar.

CAROLINA (para si) No que acreditar, o que dizer, não sei. Céus! Que aflição! Que suspeita me martela! (para Paolino) Vamos, mexa-se. Vamos, fale, que estou dilacerada.

PAOLINO (s’alza) Carolina...! Deh, va’ via.

PAOLINO (levanta-se) Carolina! Ah, vá embora!

CAROLINA Tu invaghito di mia zia! E mi vieni ad ingannar (Insieme)

CAROLINA Você, apaixonado pela minha tia! E foi me enganar! (Juntos)

PAOLINO Taci, taci, che per ora non mi posso qui spiegar. CAROLINA Ci mancava questa ancora per più farmi delirar! FIDALMA (entrando) Son qua pronta, son qua lesta... ma già in piedi ti ritrovo. Dal contento che ne provo questa man ti do a baciar. PAOLINO (imbarazzato) Non mi prendo tanto ardire.

PAOLINO Cale-se, cale-se que, por enquanto, não posso me explicar aqui. CAROLINA Só faltava essa para me enlouquecer! FIDALMA (entrando) Vim logo, vim rápido... mas já te vejo de pé. Estou tão contente que dou minha mão para beijar. PAOLINO (embaraçado) Não aspiro a tamanha ousadia.

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CAROLINA Mia signora, pian pianino.

CAROLINA Minha senhora, devagar, devagarinho.

FIDALMA Bacia, bacia Paolino. Non ci avete voi da entrar. (Insieme)

FIDALMA Beije, beije, Paolino, não se faça de rogado. (Juntos)

CAROLINA, PAOLINO Questa certa confidenza di fanciulle alla presenza che stia bene non mi par.

CAROLINA, PAOLINO Não acho que essa confiança fique bem na presença de donzelas.

FIDALMA Di qualunque alla presenza posso dar tal confidenza a colui che ho da sposar. (Fidalma parte; Carolina e Paolino mostrano di partire, ma poi si arrestano) Recitativo CAROLINA Vanne, vanne: la séguita... No, arrestati. Dimmi, tristo, su, dimmi: quante pensi sposarne? Ora comprendo perché a svelar non pensi il nodo clandestin che ci ha legati. Lo fai per il piacere di tradire due donne a un solo istante, me come sposa, e l’altra come amante. PAOLINO No, Carolina, no: chetati, e ascoltami. CAROLINA Io mi sento morir! PAOLINO Calmati un poco. CAROLINA (piangendo) Così resterai libero; così la sposerai.

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FIDALMA Posso dar confiança a quem vou desposar na presença de qualquer um. (Fidalma sai; Carolina e Paolino estão por sair, mas param) Recitativo CAROLINA Vá, vá, siga-a: não se detenha... Não, pare. Diga, infeliz, diga: quer se casar com quantas? Agora entendi porque não quer revelar o laço clandestino que nos uniu. Faz isso por gosto de trair duas mulheres ao mesmo instante, a mim como esposa, a ela como amante. PAOLINO Fique, fique, peço-lhe... CAROLINA Sinto que estou morrendo! PAOLINO Acalme-se um pouco.

PAOLINO Or sappi, sposa mia, per salvar il decoro; e a noi non resta che di fuggir. Co’ buoni uffizi il padre farem poi che si plachi. Quel ch’è fatto è già fatto; ed alla fine presto o tardi lo sdegno ha il suo confine. N. 13 – ARIA PAOLINO Pria che spunti in ciel l’aurora cheti cheti, a lento passo, scenderemo fin abbasso che nessun ci sentirà. Sortiremo pian pianino dalla porta del giardino: tutta pronta una carrozza là da noi si troverà. Chiusi in quella il vetturino per schivar qualunque intoppo, i cavalli di galoppo senza posa caccerà. Da una vecchia mia parente buona donna, e assai pietosa, ce n’andremo, cara sposa, e staremo cheti là. Come poi s’avrà da fare penseremo a mente cheta. Sposa cara, sta pur lieta, che l’amor ne assisterà. (parte) ELISETTA Qua nulla si conclude, qua ognuno sta in silenzio; ed io mastico intanto amaro assenzio.

PAOLINO Mas saiba, minha esposa, que, para salvar o decoro, só nos resta fugir. Depois, com bons ofícios, faremos o pai se acalmar. O que está feito, está feito; mais cedo ou mais tarde, o despeito há de acabar. N. 13 – ÁRIA PAOLINO Antes que a aurora desponte no céu, quietos, a passo lento, desceremos até lá embaixo, ninguém nos escutará. Sairemos de fininho pela porta do jardim: Uma carroça pronta estará à nossa espera. Ficamos fechados nela, e o cocheiro, para evitar qualquer percalço botará os cavalos para galopar sem pausa. À casa de uma velha parente minha, mulher boa, e muito piedosa, nós iremos, querida esposa, e ficaremos quietos lá. O que faremos depois pensaremos com a mente calma. Querida esposa, fique alegre, que o amor nos ajudará. (sai) ELISETTA Aqui nada se conclui; todos aqui estão em silêncio; e eu fico sorvendo o absinto amargo.

CAROLINA (chorando) Assim você vai ficar livre; assim vai se casar com ela.

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CONTE (fra sè) Qui la trovo alfin. Voglio provarmi se la posso ridurre a ricusarmi. (Ad Elisetta) Servo, servo umilissimo

CONDE (para si) Enfim encontrei-a. Verei se consigo fazer que me rejeite. (para Eliseta) Seu servo, servo humilíssimo!

ELISETTA Venite come sposo o mancatore?

ELISETTA Está vindo como esposo ou como devedor?

CONTE Vengo qual mi volete. Conoscitor del vostro merito singolar degno d’un soglio, sol dal vostro piacer dipender voglio. ELISETTA Voi parlate d’incanto. CONTE E più v’incanterò se mi ascoltate. ELISETTA Benissimo. Parlate. CONTE In primo luogo creder voi mi dovete il più sincero, il più ingenuo di tutti: che ho il core sulle labbra: e che son tale che di me pur io dico il bene e il male. ELISETTA Vediamone una prova. Per esempio: quel di far all’amor con mia sorella, essendo a me promesso, lo dite male o bene?

CONDE Venho como a senhorita quiser. Conhecedor do seu mérito singular, digno de um trono, quero ser dependente apenas do seu prazer. ELISETTA Fala que é um encanto. CONDE Encantarei ainda mais se me der ouvidos. ELISETTA Muito bem. Fale. CONDE Em primeiro lugar, deve acreditar que sou o mais sincero, o mais ingênuo de todos; que tenho o coração na boca; e que digo a meu respeito o bem e o mal. ELISETTA Façamos um teste. Por exemplo: namorar minha irmã, estando comprometido comigo, é bom ou mau?

CONTE Male, male, malissimo. Ecco ch’io lo confesso. In certi incontri sono di un naturale facile a sdrucciolar. Ma meglio udite s’è ver ch’io son sincero. In me sicuro che c’è del buon; ma prima che i lacci d’imeneo fra noi sian stretti, io vi avverto di aver dei gran difetti. ELISETTA Quando li conoscete, è cosa facile che possiate emendarvi. CONTE Oh! Lo credo impossibile. Sempre ho sentito a dire che co’ la vita si mantiene e dura quel vizio che nell’uom passa in natura. ELISETTA Voi mi sgomentereste se vi credessi in tutto. CONTE Basta... credete pure quello sol che vi piace. Io con voi tratto da galantuomo, e in termini assai schietti io vi avverto di aver dei gran difetti. ELISETTA Poiché me lo avvertite. Obbligata vi son. Ma non temete. Cercherò di adattarmi. CONTE Oh! Questo poi sarà difficilissimo: ELISETTA (fra sè) A mettermi comincia un poco in apprensione. (A Conte) Orsù, signore,

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CONDE É mau, malíssimo. Confesso. Em certas ocasiões, minha natureza comete deslizes facilmente. Mas é melhor ouvir, se é verdade que sou sincero. Certamente tenho o bem em mim; mas, antes de atar os laços de Himeneu, advirto-a que tenho grandes defeitos. ELISETTA Como o senhor os conhece, é fácil emendar-se. CONDE Oh! Acho impossível. Sempre ouvi dizer que o vício que o homem carrega por natureza se conserva e dura ao longo da vida. ELISETTA Eu ficaria desanimada se acreditasse em tudo. CONDE Basta... acredite apenas no que quiser. Trato-a de acordo com um cavalheiro, e em termos tão francos, aviso-a que tenho grandes defeitos. ELISETTA Obrigada por me avisar. Mas não tema. Buscarei me adaptar. CONDE Oh! Mas isso será dificílimo! ELISETTA (para si) Começa a me deixar apreensiva. (ao Conde) Pois bem, senhor.

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giacché siete sincero, anche vi piaccia di dirmi quali sono per poter regolarmi. (Fra sè) Alla fine non vorrei sacrificarmi. CONTE Sentite: io ve li dico perché voi lo volete, e vi ubbidisco; per altro in verità che ne arrossisco. N. 14 – ARIA CONTE Son lunatico bilioso. Son soggetto all’emicrania: ho sovente certa smania che in delirio mi fa andar. Son sonnambulo perfetto che dormendo vo a girar. Sogno poi, se sono a letto, di dar calci, e di pugnar.

CONDE Escute; estou dizendo por que a senhorita quer, e eu obedeço. Na frente de outra pessoa, na verdade, eu ficaria vermelho. N. 14 – ÁRIA CONDE Sou lunático genioso, sujeito a enxaqueca, tenho uma perturbação frequente que me faz delirar. Sou um perfeito sonâmbulo e saio andando dormindo. E sonho, quando estou na cama, a dar chutes e bater.

ELISETTA Tutto questo? Bagatelle! (Fra sè) Qui ci va della mia pelle... ma saprommi riguardar.

ELISETTA Isso é tudo? Bagatelas! (para si) Com respeito à minha pele, saberei me resguardar.

CONTE Piano, piano. Non è tutto, per gli amori ho un gran trasporto. Per le donne casco morto; e di questo che vi par?

CONDE Calma, calma. Não é tudo, os amores me arrebatam, caio morto pelas mulheres; o que acha disso?

ELISETTA Questo è un vizio troppo brutto... ma il potrete un dì lasciar.

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Como é sincero, diga-me, por favor, quais são, para eu poder me ajustar. (para si) No fim, não quero me sacrificar.

ELISETTA Esse é um vício muito feio... que um dia poderá abandonar.

CONTE Ma aspettate, mia signora: tutto detto non ho ancora. Son vizioso giocatore, crapulone, bevitore: mi ubriaco spesso spesso, che vo fuori di me stesso, casco in terra, oppur traballo: son più strambo di un cavallo. Vado tutti a maltrattar. ELISETTA Ora poi non credo niente, voi lo dite per scherzar. CONTE Quando poi non lo credete, dico questo, e ve lo giuro: che a me nulla voi piacete, che non v’amo, e non vi curo, non vi posso tollerar. (parte) Recitativo

CONDE Mas espere, minha senhora; ainda não disse tudo. Sou viciado em jogo, crápula e beberrão; fico tão bêbado, tão bêbado, que saio de mim, caio na terra, fico cambaleando, sou mais monstruoso que um cavalo, e vou maltratar a todos. ELISETTA Ora, bem, não acredito em nada, está dizendo de brincadeira. CONDE Por mais que não creia, estou dizendo, e juro: que você não me agrada em nada, que não te amo, não gosto de você, nem te posso tolerar. (sai) Recitativo

ELISETTA Potea parlar quell’anima incivile con più di scandescenza!

ELISETTA Esse mal-educado podia falar com maior moderação!

FIDALMA Elisetta mia cara, vi trovo ben turbata!

FIDALMA Elisetta, minha cara, estou achando-a bem perturbada!

ELISETTA Se dagli occhi del Conte non si toglie ad un tratto Carolina, qui nasce una rovina. Convien togliergli affatto ogni speranza di poterla sposar.

ELISETTA Se não tirarem Carolina imediatamente da vista do Conde, aqui vai começar um escândalo. Devemos eliminar logo toda esperança de poder se casar com ela.

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FIDALMA Dite benissimo. Ma se voi la credete invaghita del Conte, io poi vi dico, che forse, forse con ragion fondata la credo di Paolino innamorata. ELISETTA Di quello non mi curo.

ELISETTA Não ligo para ele.

FIDALMA Me ne curo ben io: né più mi sento di tenerlo celato.

FIDALMA Mas eu ligo bastante, e não escondo.

ELISETTA Dunque facciam che debba passar in un ritiro acciò non ci disturbi.

ELISETTA Então vamos fazer com que seja enviada para um convento, para que não nos perturbe.

FIDALMA Ottimamente. Questo è il pensier che anch’io volgeva in mente. Lasciate far a me: la fraschettina mandata vi sarà doman mattina.

FIDALMA Ótimo! Essa é a ideia que eu também tinha. Deixe comigo: a malandrinha será enviada amanhã de manhã!

GERONIMO Ebben? Sei persuasa di rinunziar a questo matrimonio?

GERONIMO E então? Está convencida a renunciar a esse matrimônio?

ELISETTA Non sarà vero mai ch’io vi rinunzi perché poi mia sorella debba sposar il Conte.

ELISETTA Não renunciarei jamais para que minha irmã depois se case com o Conde.

GERONIMO Si può fare un baratto per te vantaggiosissimo.

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FIDALMA Está dizendo muito bem. Mas se a senhorita acha que ela está apaixonada pelo Conde, digo-lhe que talvez, com razão bem fundamentada, acho que está apaixonada por Paolino.

GERONIMO Pode-se fazer uma troca muito vantajosa para você.

FIDALMA Non si fanno baratti. Anzi mi meraviglio, che un uomo come voi prudente e saggio proponga ad essa un altro maritaggio. GERONIMO Sì, un altro maritaggio. Ecco, tua zia è della mia opinione. FIDALMA Anzi, dico di no. Si deve togliere la causa del disordine. Carolina fomenta la passione del Conte; onde si deve farla sparir, mandarla in un ritiro; E se questo non fate, il mio decoro non vuol che in questa casa io me ne resti più. Voi mi farete de’ capitali miei restituzione, e così finiremo ogni questione. N. 15 – TERZETTO FIDALMA Cosa farete? Via, su, parlate.

FIDALMA Não faremos trocas. Fico espantada que um homem prudente e sábio como o senhor proponha-lhe um outro casamento. GERONIMO Sim, um outro casamento. Veja, sua tia é da minha opinião. FIDALMA Na verdade, digo não. Deve-se acabar com a causa da desordem. Carolina provoca a paixão do Conde; portanto, devemos fazê-la desaparecer, mandá-la para um convento. E, se não fizer isso, meu decoro não permitirá que eu continue nessa casa. O senhor me devolverá meu capital, e assim encerraremos a questão. N. 15 – TERCETO FIDALMA O que vai fazer? Vamos, diga.

ELISETTA Via, risolvete; via non tardate.

ELISETTA Vamos, resolva; vamos, não demore.

ELISETTA, FIDALMA Presto, anzi, subito si deve far.

ELISETTA, FIDALMA Rápido, vamos, tem que ser logo.

GERONIMO Ma non strillate tutte due unite. Sento che il timpano voi mi ferite. Parlate piano senza gridar.

GERONIMO Mas não gritem as duas juntas. Sinto que estão me ferindo o tímpano. Falem baixo, sem gritar.

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ELISETTA, FIDALMA (piano ) Diremo dunque, diremo piano, che in un ritiro di qua lontano per metter ordine al gran disordine la Carolina si dée mandar... Voi ci sentite? GERONIMO Che cosa dite?

GERONIMO O que estão dizendo?

ELISETTA (forte, all’orecchio) Abbiam parlato...

ELISETTA (alto, no ouvido) Falamos...

FIDALMA Vi abbiamo detto...

FIDALMA Dissemos...

GERONIMO Sia maledetto questo strillar! ELISETTA In un ritiro ~ la Carolina... GERONIMO Già v’ho capito ~ cara signora.

GERONIMO Maldita gritaria! ELISETTA Para um convento, a Carolina. GERONIMO Já entendi, cara senhora.

FIDALMA Mandar dovete ~ doman mattina...

FIDALMA Deve mandar, amanhã de manhã.

GERONIMO Già v’ho capito ~ ch’è un quarto d’ora.

GERONIMO Já entendi, há um quarto de hora.

ELISETTA, FIDALMA O che fracasso di satanasso tutta la casa farà tremar. GERONIMO Senza far chiasso, senza fracasso si può ben dire, si può parlar. (Fidalma ed Elisetta partono)

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ELISETTA, FIDALMA (baixo) Então falaremos baixo que, para um convento, longe daqui para botar ordem na grande desordem, Carolina deve ser enviada... Ouviu?

ELISETTA, FIDALMA Ah, que estrondo de Satanás! Toda a casa vai tremer! GERONIMO Dá para falar direito Sem fazer barulho, sem estrondo. (Fidalma e Elisetta saem)

Recitativo GERONIMO In un ritiro? E perché in un ritiro la devo far passar, se il mio interesse anzi vuol ch’io permetta che il Conte se la sposi! No. Piano. E mia sorella se sdegnata perciò, dal mio negozio leva i suoi capitali? Ella è una scossa ch’oggi io non so se sostener la possa... dunque andrà in un ritiro. Pensiamo or dunque in qual miglior maniera devo darle la nuova innanzi sera. CAROLINA Son risoluta io stessa di vincere il rossor. Io sudo... io gelo... ma farlo, oddio!, convien... M’aiuta, o cielo...! (Don Geronimo entra) Ah, signore! Ai piè vostri ecco una figlia... GERONIMO Che cos’hai? Che cos’è? Cos’è accaduto? Alzati, e parla in piedi... CAROLINA Ah, no signore... GERONIMO Alzati ed ubbidisci al genitore. Io però ti prevengo in quello che vuoi dirmi. Tua sorella e tua zia t’hanno già detto che devi in un ritiro passar doman mattina: e tu ten vieni tremante e sbigottita, quasi ci avessi da restar in vita.

Recitativo GERONIMO Para um convento? E por que devo mandá-la para um convento, se meu interesse deseja que eu deixe que ela se case com o Conde? Não. Calma. E se minha irmã, despeitada, retirar seu capital dos meus negócios? Não sei se aguento esse baque. Então irá para o convento. Pensemos então na melhor maneira de dar-lhe a notícia antes de anoitecer. CAROLINA Estou decidida a vencer o rubor. Estou suada... Estou gelada... Mas tenho que fazê-lo, meu Deus! Ajude-me, oh céu! (Don Geronimo entra) Ah, senhor! Tem uma filha a seus pés... GERONIMO O que tem? O que foi? O que aconteceu? Levante-se, e fale de pé... CAROLINA Ah, não senhor... GERONIMO Levante-se, e obedeça seu pai. Mas já te previno sobre o que quer me dizer. Sua irmã e sua tia já disseram que, amanhã de manhã, você deve ir para um convento; e agora você vem, trêmula e aturdida, como se estivesse para morrer.

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CAROLINA Io in un ritiro? Ah! mio signor... GERONIMO Tu devi far la mia volontà.

GERONIMO Você deve fazer a minha vontade.

CAROLINA Fuori di tempo è un ritiro per me.

CAROLINA Passou o tempo do convento para mim.

GERONIMO Orsù, mi secchi signora fraschettina. Nel ritiro anderai doman mattina. (parte)

GERONIMO Pois bem, está me aborrecendo, senhora malandrinha. Vai para o convento amanhã de manhã. (sai)

CAROLINA E possono mai nascere contrattempi peggiori! Il padre mio sedotto, mia sorella e mia zia con me alterate, tutti in orgasmo: e come mai poss’io svelar in tai momenti il fallo mio? (segue con strumenti)

CAROLINA E poderiam nascer contratempos piores? Meu pai, enganado, minha irmã e minha tia, alteradas contra mim, todos excitados; como poderei, em um momento desses, revelar a minha falha? (continua, com instrumentos)

N. 16 – RECITATIVO ACCOMPAGNATO

N. 16 – RECITATIVO ACOMPANHADO

CAROLINA Come tacerlo poi, se in un ritiro ad entrar son costretta...? Misera...! In qual contrasto di pensieri mi trovo! Io son smarrita... cielo, deh, tu m’addita il consiglio miglior. Qualche speranza rendi al cor mio... Ma il core, oddio! mi dice: Carolina infelice, pietà di te non sente il ciel tiranno... Ah! Disperata io vo a morir d’affanno... (per partire disperatamente, s’incontra nel Conte che la trattiene)

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CAROLINA Para um convento? Ah, meu senhor...

CAROLINA Mas como calar, se em um convento sou forçada a entrar? Coitada! Em que conflito de pensamentos encontro-me! Estou perdida...ceu, ah, dite-me o melhor conselho. Dê alguma esperança ao meu coração... Mas o coração, oh Deus, me diz: Carolina infeliz, o céu tirano não sente piedade de você... Ah! Desesperada, vou morrer de aflição! (está por sair desesperadamente, encontra o Conde, que a detém)

Recitativo CONTE Dove, dove mia cara con tanta agitazione? Oimè! Parlate, che avete? Che chiedete? Io son per voi col cor, col sangue, co’ la vita istessa; più di voi nulla al mondo or m’interessa. CAROLINA Ah, potessi parlar! CAROLINA Giuratemelo, Conte. (in questo Elisetta, Fidalma ed il signor Geronimo che osservano) CONTE Io ve lo giuro sull’onor mio, su questa bella mano ch’io vo’ baciar. Sentiamo ora l’arcano. ELISETTA Còlti vi abbiam. FIDALMA Còlti vi abbiam sul fatto. ELISETTA (a Geronimo) Vedete la sguaiata? FIDALMA Vedete la fraschetta? Tutti gli uomini alletta: e la mano si lascia baciar da ognun che amore a lei protesta. GERONIMO Ora da dubitar più non mi resta.

Recitativo CONDE Onde vai, onde vai, minha querida, com tanta agitação? Ai de mim! Diga, o que tem? O que quer? Estou contigo com o coração, com o sangue, com a própria vida; nada no mundo me interessa, além de você. CAROLINA Ah, se eu pudesse falar! CAROLINA Jure-me, Conde. (nessa hora, entram Elisetta, Fidalma e o senhor Geronimo, que observa) CONDE Juro por minha honra, por essa bela mão que quero beijar. Vamos ouvir o segredo... ELISETTA Pegamos vocês. FIDALMA Pegamos no ato! ELISETTA (para Geronimo) Está vendo a sem-vergonha? FIDALMA Viu a malandrinha? Atrai todos os homens, e deixa qualquer um que lhe jure amor beijar a mão. GERONIMO Agora não tenho mais dúvidas.

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CAROLINA Ma signor... GERONIMO Taci là. Domani nel ritiro. E voi, signore, o doman sposerete quella cui prometteste, o dell’affronto noi la vedrem se mi farò dar conto. CONTE Ma se... GERONIMO Non vi do ascolto. CAROLINA Ma io... ELISETTA Voi in un ritiro. FIDALMA In un ritiro. CAROLINA Ah, ch’io pazza divento! Io già deliro! N. 17 – QUINTETTO CAROLINA Deh, lasciate ch’io respiri, disgraziata, meschinella! Io rival di mia sorella no, non sono, ed il ciel lo sa. Incolpata son a torto. (al Conte) Deh, parlate voi, signore: sincerate il genitore, che a voi più si crederà. CONTE Quest’amabile ragazza...

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CAROLINA Mas, senhor... GERONIMO Cale-se. Para o convento, amanhã. E o senhor ou vai se casar com quem prometeu, ou farei com que me preste contas pela afronta. CONDE Mas se... GERONIMO Não lhe darei ouvidos! CAROLINA Mas eu... ELISETTA Vai para um convento! FIDALMA Um convento! CAROLINA Ah, estou ficando louca! Estou delirando! N. 17 – QUINTETO CAROLINA Ah, deixem-me respirar, desgraçada, coitadinha! Rival da minha irmã eu não sou, e o céu sabe. Fui acusada sem razão. (para o Conde) Ah, fale o senhor, convença meu pai, que no senhor ele vai acreditar. CONDE Essa amável garota...

FIDALMA È un’astuta, è una sguaiata. ELISETTA Siete parte interessata. ELISETTA, FIDALMA, GERONIMO Nel ritiro andar dovrà. CAROLINA Sol tre giorni alla partenza io vi chiedo per pietà. Palesar la mia innocenza qualche cosa vi potrà.

FIDALMA É uma astuta, uma sem-vergonha! ELISETTA Você é parte interessada! ELISETTA, FIDALMA, GERONIMO Tem que ir para o convento! CAROLINA Só três dias antes de partir eu lhes peço, por piedade. Algo poderá demonstrar minha inocência.

FIDALMA No: il ritiro è destinato.

FIDALMA Não; o convento está destinado.

ELISETTA No: il ritiro è preparato.

ELISETTA Não; o convento está preparado.

GERONIMO No: il ritiro è pronto già.

GERONIMO Não; o convento já está pronto.

CAROLINA Ma voi siete tanto cani senz’amor né carità! (fra sè) Io mi perdo, mi confondo, il cervel da me se n’ va! CONTE (fra sè) Io divengo furibondo s’anche un poco resto qua. (Carolina, il Conte ed il signor Geronimo partono per diverse parti) N. 18 – ARIA ELISETTA Se son vendicata contenta già sono.

CAROLINA Mas vocês são uns cachorros, sem amor nem caridade! (para si) Eu me perco, me confundo, minha cabeça está indo embora! CONDE (para si) Vou ficar furioso se continuar mais tempo aqui. (Carolina, o Conde e o senhor Geronimo partem, por saídas diferentes) N. 18 – ÁRIA ELISETTA Se fui vingada já estou contente.

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Al Conte perdono la sua infedeltà. Se tolto è l’oggetto che il cor gl’incatena, con faccia serena la man mi darà. N. 19 – DUETTO

Perdoo o Conde pela infidelidade. Se tiraram o objeto que lhe prendia o coração com o rosto sereno vai me dar a mão. N. 19 – DUETO

CONTE (fra sè) Il parlar di Carolina penetrato m’è nel seno. Ah, saper potessi almeno il segreto del suo cor! Per sì amabile ragazza io non so quel che farei: e salvarla ben vorrei dal domestico livor.

CONDE (para si) O que Carolina disse entrou no meu peito. Ah, se pelo menos eu pudesse saber o segredo de seu coração! Por uma garota tão amável eu não sei o que faria; e gostaria de salvá-la da inveja doméstica.

ELISETTA (fra sè) Ritirato io lo credeva e lo trovo or qui vagante un sospetto stravagante mi fa nascere nel sen.

ELISETTA (para si) Achei que tivesse se retirado e o encontro vagando por aqui. Uma suspeita extravagante faz nascer no meu peito.

CONTE (fra sè) A trovarla me ne andrei se credessi di far ben. ELISETTA Signor Conte, serva a lei; che vuol dir che qui la trovo? CONTE Vuol dir questo, ch’io mi movo. ELISETTA Che stia solo non convien.

CONDE (para si) Iria atrás dela se achasse que estou fazendo bem. ELISETTA Senhor Conde, a seu dispor; por que está por aqui? CONDE Porque estou caminhando. ELISETTA Não deve ficar sozinho.

CONTE Grazie, grazie, mia signora: vada pur, ch’io vado ancora. Tempo è già di riposar. (si prendono un lume per cadauno) ELISETTA Buona notte al signor Conte.

ELISETTA Boa noite ao senhor Conde.

CONTE Dorma bene. Madamina. (Insieme)

CONDE Durma bem, madamezinha. (Juntos)

ELISETTA (fra sè) Finché venga domattina in sospetto devo star.

ELISETTA (para si) Até que chegue o amanhecer ficarei desconfiada...

CONTE (fra sè) Questa furba sopraffina non vo’ farla sospettar. (Si ritirano nelle proprie stanze, resta la scena oscura.) N. 20 – FINALE II PAOLINO Deh, ti conforta, o cara. Seguimi piano piano. CAROLINA Stendimi pur la mano che mi vacilla il piè. CAROLINA, PAOLINO Oh, che momento è questo d’affanno e di timore! Ma qui dobbiam far core, ch’altro per noi non c’è. (s’avviano per partire) PAOLINO Zitto... Mi par sentire... Sì, sento un uscio aprir.

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CONDE Obrigado, obrigado, minha senhora; vá embora, que eu também vou. Está na hora de descansar. (cada um pega uma luminária)

CONDE (para si) Não quero que essa espertalhona fique desconfiada. (retiram-se para seus próprios quartos. O palco fica no escuro) N. 20 – FINAL II PAOLINO Console-se, oh querida. Siga-me devagarinho. CAROLINA Estique a mão para mim que meu pé está vacilando. CAROLINA, PAOLINO Oh, que momento é esse de aflição e de temor! Mas aqui devemos ter coragem pois não temos alternativa. (preparam-se para sair) PAOLINO Calada! Acho que ouvi... Sim, uma porta está abrindo.

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CAROLINA, PAOLINO Potrebbe alcun venire: si tardi un po’ a partir. (rientrano nella stanza) ELISETTA (con lume) Sotto voce qua vicino certo intesi a favellar. Una porta pian pianino ho sentito poi serrar... Ho sospetto... Vo’ scoprire. (va ad ascoltare alla porta di Carolina) A parlar pian pian si sente... vi sta il Conte certamente... io li voglio svergognar. (va a battere alla porta di Fidalma) Sortite, sortite. Venite qui in fretta! FIDALMA (di dentro) Chi batte? Chi chiama? ELISETTA Son io, Elisetta... (va a battere alla porta del signor Geronimo) Aprite, deh, aprite, sortite signore! GERONIMO (di dentro) Chi picchia sì forte? Chi fa tal rumore? ELISETTA Venite qua fuori: si tratta d’onor. (sortono Fidalma ed il signor Geronimo con lume in mano) FIDALMA Che cosa è accaduto?

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CAROLINA, PAOLINO Alguém pode estar vindo; vamos atrasar a partida. (voltam a entrar no quarto) ELISETTA (com a luminária) Ouvi falatório aqui perto em voz baixa. Uma porta, devagarinho, ouvi fechar depois... Estou desconfiada... Vou descobrir... (vai escutar a porta de Carolina) Escuto que falam baixinho... o Conde está aí, com certeza... vou cobri-la de vergonha. (vai bater na porta de Fidalma) Saia, saia! Venha cá, depressa! FIDALMA (de dentro) Quem bate? Quem chama? ELISETTA Sou eu, Elisetta. (vai bater na porta do senhor Geronimo) Abra, ah, abra, saia, senhor! GERONIMO (de dentro) Quem bate tão forte? Quem faz tamanho barulho? ELISETTA Saia; trata-se de honra. (saem Fidalma e o senhor Geronimo, com luminárias nas mãos) FIDALMA O que aconteceu?

GERONIMO Che cosa è mai nato? FIDALMA Io sono tremante.

GERONIMO O que houve? FIDALMA Estou tremendo.

GERONIMO Io son sconcertato.

GERONIMO Estou desconcertado.

ELISETTA Il Conte sta chiuso con mia sorellina. Si faccia rovina di quel traditor.

ELISETTA O Conde está trancado com minha irmãzinha. Causemos a ruína daquele traidor!

ELISETTA, FIDALMA, GERONIMO (gridando alla porta di Carolina) Conte perfido, malnato! Conte indegno, scellerato... fuori, fuori vi vogliamo, che scoperto siete già. CONTE (esce il Conte dalla sua stanza) Qui dal Conte che si vuole? Quai indegnissime parole? Ecco il Conte: eccolo qua. ELISETTA, FIDALMA, GERONIMO Quale sbaglio! Qual errore! Perdonate, mio signore; qui un equivoco ci sta. CONTE Ubriachi voi sarete.

ELISETTA, FIDALMA, GERONIMO (gritando na porta de Carolina) Conde pérfido, malvado! Conde indigno, celerado... saia, saia, exigimos, pois já foi descoberto! CONDE (o Conde sai de seu quarto) O que querem do Conde? Que palavras tão indignas! Vejam o Conde. Estou aqui. ELISETTA, FIDALMA, GERONIMO Que engano! Que erro! Perdoe, meu senhor, aqui há um equívoco. CONDE Vocês estão bêbados.

FIDALMA, GERONIMO Io no certo: (indicando Elisetta) Sarà lei.

FIDALMA, GERONIMO Eu é que não! (apontando para Elisetta) Ela sim!

ELISETTA No signor: lo giurerei: qualcun altro vi sarà.

ELISETTA Não, senhor; posso jurar; tem outra pessoa aí.

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FIDALMA, GERONIMO, CONTE Stando in piedi questa sogna. Qua confonderla bisogna. GERONIMO Carolina, fuori, fuori... Anche questa si vedrà. (All’uscio di Carolina, la quale sorte con Paolino, e vanno ad inginocchiarsi ai piedi del signor Geronimo.) CAROLINA, PAOLINO Ah, signore, ai vostri piedi a implorar veniam pietà! ELISETTA, FIDALMA GERONIMO, CONTE Or che vedo io resto estatico! Quest’è un’altra novità.

GERONIMO Carolina, saia, saia, vamos vê-la também. (Na porta de Carolina, que sai com Paolino, e ambos vão se ajoelhar aos pés do senhor Geronimo) CAROLINA, PAOLINO Ah, senhor, aos seus pés viemos implorar piedade! ELISETTA, FIDALMA, GERONIMO, CONDE Oh, o que vejo, estou estático! Isso é que é novidade!

GERONIMO Cosa s’intende?

GERONIMO O que estou ouvindo?

FIDALMA Cosa vuol dire?

FIDALMA O que significa?

CAROLINA, PAOLINO Vi supplichiamo di compatire, che d’amor presi... Son già due mesi... il matrimonio fra noi seguì.

CAROLINA, PAOLINO Suplico que se compadeça, que, tomados de amor... Já faz dois meses que contraímos matrimônio.

FIDALMA, GERONIMO Il matrimonio!

FIDALMA, GERONIMO Matrimônio!

CAROLINA, PAOLINO Signori sì.

CAROLINA, PAOLINO Sim, senhor.

GERONIMO Ah, disgraziati! Qual tradimento! Andate, o tristi: pietà non sento. Più non son padre: vi son nemico. Io vi discaccio, vi maledico, raminghi andate lontan da me.

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FIDALMA, GERONIMO, CONDE Essa aí sonha acordada, temos que despertá-la.

GERONIMO Ah, desgraçados! Que traição! Vão embora, miseráveis; não sinto piedade. Não sou mais pai; sou um inimigo, estão expulsos, sejam malditos, vagabundos, vão para longe de mim.

CAROLINA, PAOLINO Pietà, perdono. Colpa è d’amore.

CAROLINA, PAOLINO Piedade, perdão. É culpa do amor.

FIDALMA Pietà non s’abbia d’un traditore.

FIDALMA Não vamos ter piedade de um traidor.

ELISETTA, CONTE Deh! Vi calmate. Deh! Vi placate, rimedio al fatto più già non c’è. FIDALMA Sian discacciati. Sian castigati. Azion sì nera punir si de’. CONTE Ascoltate un uom di mondo, qui il gridar non fa alcun frutto: ma prudenza vuol che tutto anzi s’abbia d’aggiustar. Il mio amor per Carolina m’interessa a suo favore. Perdonate a lor di core. Ch’io Elisetta vo a sposar. ELISETTA M’interesso anch’io signore, deh! Lasciatevi placar.

ELISETTA, CONDE Ei! Acalmem-se. Ei! Sosseguem. Não há como remediar o que está feito. FIDALMA Sejam expulsos. Sejam castigados. Um ato tão negro deve ser punido. CONDE Deem ouvidos a um homem do mundo, gritar aqui não dá resultado, mas a prudência determina que tudo deva se ajustar. Meu amor por Carolina interessa-me em seu favor. Perdoem-na de coração que me caso com Elisetta. ELISETTA Também me interesso, oh senhor! Deixe-se acalmar.

GERONIMO (a Fidalma) Voi che dite?

GERONIMO (para Fidalma) O que você diz?

FIDALMA Voi che fate?

FIDALMA O que você vai fazer?

ELISETTA, CAROLINA CONTE, PAOLINO (tutti inginocchiati) Perdonate, perdonate.

ELISETTA, CAROLINA, CONDE, PAOLINO (todos ajoelhados) Perdoe, perdoe.

FIDALMA Già che il caso è disperato, ci dobbiamo contentar.

FIDALMA Já que a causa é perdida, devemos nos contentar.

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GERONIMO Bricconacci! Furfantacci...! Son offeso, son sdegnato... ma... vi voglio perdonar.

GERONIMO Salafrários! Pilantras! Estou ofendido, estou indignado, mas... quero perdoar.

ELISETTA, CAROLINA CONTE, PAOLINO Che trasporto d’allegrezza! Che contento! Che dolcezza! Io mi sento giubilar!

ELISETTA, CAROLINA, CONDE, PAOLINO Que arrebatamento de alegria! Que felicidade! Que doçura! Sinto-me regozijar!

TUTTI Oh che gioia! Oh che piacere! Già contenti tutti siamo! Queste nozze noi vogliamo con gran pompa celebrar. Che si chiamino i parenti, che s’invitino gli amici, che vi siano gli strumenti. Che si suoni, che si canti. Tutti quanti han da brillar.

TODOS Oh que alegria! Oh que prazer! Estamos todos contentes! Estas bodas nós queremos celebrar com grande pompa. Que se chamem os parentes, que se convidem os amigos, que se tragam os instrumentos. Que se toque, que se cante, todos hão de brilhar!

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O MATRIMÔNIO SECRETO Regente Assistente Juliano Dutra Assistente de Direção Cênica Mayra Terzian Diretor de palco Andre di Peroli Assistente de Iluminação Pâmola Cidrack Assistente de Cenografia Luiza Strauss Assistente de Figurino Anna Abe Assistentes de Visagismo Marcio Merighi Valéria Velloso Atores Figurantes Amanda Zucchi Camila Rocha Hudson Moreira Pianista Preparador Cecília Moita Yuri Pingo Camareiras Elizabete Roque Marineide de Lima Correia ESTAÇÃO DA LUZ Programação de Operação de Luz Paulo Giobi Voinichs Técnico de Luz Sidney Sérgio Rosa Execução de Cenários TKceno Cenografia e Produção Coordenação Dilson Diniz Tavares Soraya Kolle Vergara Marques Cenotécnica Paulo Rogério Miuzzi Rubens Tavares Jr. Evenilson Barbosa Santos Jonathan José Dias

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Pintura Hélio Alexandre Samuel Tavares Silva Serralheria Daniel Carlos de Faria Renato Rocha da Silva Fábio Augusto Ribeiro Peterson Campos Sinésio Christiano Filho Eric Neves da Silva

Aprendiz Administrativo Isabelle Andrade Juliana dos Santos

Contrabaixo Fernando de Freitas - chefe de naipe Fernando Tosta*

Chefe de Maquinário Rodrigo do Nascimento

Flautas Marco André dos Santos - chefe de naipe Filipe de Castro - solista

Maquinistas Antônio Carlos da Silva Júlio de Oliveira Wellington Nunes Pinheiro Assistente de Palco Guilherme Monteiro

EXECUÇÃO DE FIGURINOS

Técnico de Iluminação Carlos Eduardo Silva

Costura Pilotista Matilde Jorge

Técnico de Sonorização Almir Agustinelli

Modelagem Maria do Socorro Silva

Montadores da Orquestra Alessandro Neves Francimar Rodrigues

Tradução do Libreto Irineu Franco Perpetuo Sinopse e Mota de Programa Sergio Casoy Editoração e Operação de Legendas Piero Schlochauer THEATRO SÃO PEDRO Coordenação Artística Ricardo Appezzato Supervisora de Elenco Sandra Lacal Analistas Artístico-Pedagógicos Gilberto Ferreira Renata Borges Arquivo Musical Jean Guilmer Graziela Gomes Coordenação de Produção Anna Patrícia Araujo Produção Márcio Branco Ana Vanessa Analista Administrativo Fátima Oliveira

Copeira Silvia Aparecida P. Nascimento ORQUESTRA DO THEATRO SÃO PEDRO 1ºs Violinos Renan Gonçalves - spalla Anderson Santoro - solista Maria Emília Paredes Cléber Albuquerque Indira Torres Nikolay Iliev Iliev* 2ºs Violinos Mariela Giovanini Micheletti - solista Jair Almeida Hugo Leonardo Jonathan Cardoso Mayra Pezzuti* Violas Fabio Schio - chefe de naipe Diogo Guimarães - solista Edmur Mello

Oboés Alexandre Bocalari - chefe de naipe Renato Mendes Sales - solista Clarinetas Daniel Oliveira - chefe de naipe Paula Roberta Pires - solista Fagotes Marcos Fokin* Clarissa Oropallo - solista Trompas Tayanne Sepulveda - chefe de naipe Rafael Nascimento - solista Trompetes Fabio Simão - chefe de naipe Danilo Henrique Oliveira - solista Trombones Agnaldo Gonçalves - chefe de naipe Ricardo Pacheco - solista Maurício Martins - chefe de naipe Harpa Rafaela Oliveira - chefe de naipe Cravo Cecília Moita* Tímpanos Rubens de Oliveira - chefe de naipe Percussão Carlos dos Santos - solista Gilberto Rodrigues*

*Músicos convidados

Violoncelo Fabrício Rodrigues - chefe de naipe Camila Hessel - solista Denise Piotto*

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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO GOVERNADOR DO ESTADO | Márcio França SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA | Romildo Campello COORDENADOR DE UNIDADE DE FORMAÇÃO CULTURAL | Dennis Alexandre Rodrigues de Oliveira

SANTA MARCELINA CULTURA PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO | Irmã Edimar Zanqueta DIRETORA-PRESIDENTE | Irmã Rosane Ghedin ADMINISTRADOR GERAL | Odair Toniato Fiuza DIRETOR ARTÍSTICO-PEDAGÓGICO | Paulo Zuben GESTORA PEDAGÓGICA | Giuliana Frozoni COORDENADORES PEDAGÓGICOS | Adriana Schincariol Vercellino, Edu Ribeiro, Mauro Wrona, Narayani Sri Hamsa de Freitas e Paulo Braga COORDENADOR ARTÍSTICO | Ricardo Appezzato COORDENADORA DA ÁREA SOCIAL | Marta Bruno COORDENADOR DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL | Mauricio Cruz COORDENADORES DE PRODUÇÃO | Anna Patrícia Lopes Araújo Marcelo Silva COORDENADORA DE RECURSOS HUMANOS | Marcia Almeida

CRÉDITOS DO PROGRAMA SUPERVISORA DE COMUNICAÇÃO | Renata Franco ANALISTAS DE COMUNICAÇÃO | Marina Panham e Rafael Zanatto ASSISTENTE DE COMUNICAÇÃO VISUAL | Juliana Azevedo DESIGN | Prata Design

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Profile for Santa Marcelina Cultura

Libreto O Matrimônio Secreto  

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