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NR 07

Ano: 2010 . nr 06 . Mês: Agosto . Mensal . Director: António Serzedelo . Preço0,01 €

www.jornalosul.com

Arrábida, Arrábida, a candidatura da utopia? a candidatura da utopia?

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alta da Europa, que se está a esboroar para ao mar devido às constantes explosões causadas pela extracção de pedra. Com a actual conjuntura política e económica é uma uto-

e uma silhueta impar. Contudo, um olhar mais atento à Serra da Arrábida, em especial à zona do Portinho, aquela que é certamente a baía mais bonita de Portugal e a zona

cia e acessos pedonais des- através de um passeio náumoronados, são os primei- tico como descreveu Hans ros obstáculos encontra- Christian Andersen no seu dos. A mata mediterrânica livro viagem a Portugal, junto ao mar e mais acima corre-se o risco de nada ver, na Serra as tais as interdimatas do Solições colocadas tário e Coberta, à navegação. Montagens Por fim, lixo e únicas matas no real pré-glaciares mais lixo comna Europa, que põem o resto por acaso tem o desta desolaacesso interdito ao público, dora fotografia, que se quer estão seriamente doentes poster das tão faladas canapós anos de abandono didaturas. que as deixaram cobertas Perante tão desolador de mato e prontas a arder a panorama e se na realidade qualquer momento. Destas se deve reconhecer a Arrámatas onde antes se viam bida como Património da centenas de coelhos, gine- Humanidade, ou se muda tes e raposas, saem agora a atitude e acção do patrimatilhas de cães vadios que mónio humano que dela só não metem medo aos eactualmente cuida ou então raposas, saem agora matimais visitada de toda a Arrámais revela corajosos. Do areal, lhas teremos mais uma de cães vadios queutopia só não bida, um panorama que João Benard Costa em cima da aos mesa. medo mais corajodesolador fruto deda anos de metem descreveu como “quilómepoliticas irracionais do Par- sos. Do areal, que João Benard trosNatural de praia à da Costa descreveu Pedrocomo Vieira que dadeserta, Arrábidaaté e de duna imensa completo do Creiro em organizador Happy Hour deda praia deserta, desinteresse das “quilómetros frente da autoridades Pedra da Anicha”, Luto pela Arrábida do Creiro restantes publi- até à duna imensa hojelocais, devido aoque desassoreacas mas estranha- em frente da Pedra da Anicha”, mentoégalopante mente escondido que pelasafecta asso- hoje devido ao desassoreaa zona, resta um mar infinito ciações ambientalistas que mento galopante que afecta a de calhaus. Da duna, nada zona, resta um mar infinito de tanto mediatismo procuram resta. Se por outro lado se calhaus. Da duna, nada resta. nestas candidaturas. quiser admirar o Portinho Se por outro lado se quiser

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As candidaturas da Serra como será possível que nem da Arrábida a Património da nas áreas onde as autoridaHumanidade e às 7 Mara- des podem e devem actuar, vilhas Naturais de Portu- nada façam deixando-as gal, são excelentes apostas chegar ao actual abandono e trunfos para a região, mas profundo? O leitor interrocom intenções pouco cla- gar-se-á sobre o que digo, ras, dando a sensação de se pois um olhar de longe para estar a construir uma casa a Serra revela uma paisagem pelo telhado. Não passa de aparentemente luxuriante e uma aberração candidatar a uma silhueta impar. Contão ambicionados galardões, tudo, um olhar mais atento à uma área natural afectada Serra da Arrábida, em espepor dois monstruosos can- cial à zona do Portinho, cros; pedreiras de Sesimbra aquela que é certamente a e cimenteira da Secil, assim baía mais bonita de Portucomo por uma praga de inú- gal e a zona mais visitada de meros problemas negligen- toda a Arrábida, revela um ciados pelas autoridades panorama desolador fruto locais há anos. Da Secil, já de anos de politicas irraciotudo foi dito, pena só se lem- nais do Parque Natural da brem dela para fazer agenda Arrábida e de desinteresse politica como foi o cpiao quem As candidaturas caso da co-incinepleto das rer acabar da Serra da ArráInglaterra ração. pedreirestantes com estes bida a Das Património chega-se ao rasHumanidade pouco háe às a autoridacancros, da basta Natuver o des pelotão u m publipaís 7dizer, Maravilhas tamanho descocas de locais, tanga rais de Portugal, são perseguidor munal daapostas ferida mas que não pode excelentes estranhaque eaberta trunfosperto para a da região, mas pagar as indemnizações Serraintenções do Risco,pouco a falésia cal- aparecerão mente é escondido em cima dapelas mesa. com claras, cária mais alta dadeEuropa, associações ambientalisisto, como e para quê dando a sensação se estar Por se está auma esboroar tas que tanto mediatismo as candidaturas? Não aque construir casa para pelo fazer ao mar devido às constanprocuram candidalógiconestas sanar estes protelhado. Não passa de uma seria tes explosões causadasapela turas. e após mostrar traaberração candidatar tão blemas extracção de galardões, pedra. Com a balho Visitar Portinho num feito,omerecer então as ambicionados uma actual conjuntura fim-de-semana de verão, área natural afectadapolítica por dois atribuições? e económicacancros; é uma pedreiutopia é uma experiência para monstruosos querer acabar ecom estes nunca mais repetir. EstaMas, partindo do princíras de Sesimbra cimenteira cancros, um país tanga cionamento falta aberrante caótico, que se avança da Secil, assim comode por uma pio não pode pagar as indem- com de policiamento, a situação talsupressão qual está, praga de inúmeros problemas nizações que aparecerão em como de corredores de emergênserá possível que nem negligenciados pelas autoridacima da mesa. Por isto, como des locais há anos. Da Secil, já nas áreas onde as autoridae para fazer assó candidatudo foiquê dito, pena se lem- des podem e devem actuar, turas?dela Nãopara seriafazer lógicoagenda sanar nada façam deixando-as chebrem estes problemas e após mospolitica como foi o caso da gar ao actual abandono protrar trabalho feito, co-incineração. Dasmerecer pedrei- fundo? O leitor interrogarentão as atribuições? ras pouco há a dizer, basta ver se-á sobre o que digo, pois Mas, partindo do princío tamanho descomunal da um olhar de longe para a pio aberrante queda seSerra avança ferida aberta perto do Serra revela uma paisagem com a asituação tal qual está, Risco, falésia calcária mais aparentemente luxuriante

Visitar o Portinho num fim-de-semana de verão, é uma experiência para nunca mais repetir. Estacionamento caótico, falta de policiamento, supressão de corredores de emergência e acessos pedonais desmoronados, são os primeiros obstáculos encontrados. A mata mediterrânica junto ao mar e mais acima na Serra as matas do Solitário e Coberta, únicas matas préglaciares na Europa, que por acaso tem o acesso interdito ao público, estão seriamente doentes após anos de abandono que as deixaram cobertas de mato e prontas a arder a qualquer momento. Destas matas onde antes se viam centenas de coelhos, ginetes

admirar o Portinho através de um passeio náutico como descreveu Hans Christian Andersen no seu livro viagem a Portugal, corre-se o risco de nada ver, tais as interdições colocadas à navegação. Por fim, lixo e mais lixo compõem o resto desta desoladora fotografia, que se quer poster das tão faladas candidaturas. Perante tão desolador panorama e se na realidade se deve reconhecer a Arrábida como Património da Humanidade, ou se muda a atitude e acção do património humano que dela actualmente cuida ou então teremos mais uma utopia em cima da mesa.

Pedro Vieira organizador da Happy Hour Luto pela Arrábida


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Um verão com sexo seguro -lhes felicidade e juventude . Além disso há todo esse grupo de homens e mulheres libertos do peso da tradição católica e dos preconceitos e que não são monogâmicos. Não o sendo, devem ter cuidado consigo e com os outros.

António Serzedelo, activista pelos direitos das minorias sexuais desde 13 de Maio de 1974, no primeiro "Manifesto pelas minorias sexuais," publicado então no “Jornal de Notícias” e no extinto “Diário de Lisboa”. Foi co-fundador da Opus Gay em 1999, sendo o seu Presidente. É uma das ONG´s que luta contra a discriminação sexual e étnica, sem apoios governamentais. É um dos activistas vivos mais respeitado e ouvido sobres estes temas. Em entrevista a O SUL alerta para a campanha que a Opus está a levar a cabo neste Verão, tendo em vista uma sexualidade segura e responsável, até porque o HIV, como afirma, não deixou de existir, e não olha a orientações sexuais. O Sul - Será que ainda faz pre com cuidados para si e sentido, com a informação para os outros, sempre com o disponível, lançar campanhas preservativo, seja parceiro ou em relação a uma sexualidade parceira, seja heterossexual, seja homossexual ou seja bissegura? António Serzedelo - Faz todo sexual. Ninguém pode pensar o sentido e todas as campa- que a pessoa que se deseja é nhas não são demais. Porque muito bonita, é muito boa, tem há muita informação, mas não um excelente aspecto e apaé assimilada. As pessoas têm renta estalar saúde por todos os lados, tendo de meter na cauma pele lisísbeça o preservaMuita sima, que, apetivo, e entendam a nas por isso, cabeça como qui- gente despreza o não possa ser serem entender. preservativo. (...) portadora de Porque de facto, As pessoas têm de uma doença não sendo a co- meter na cabeça sexualmente bertura a 100%, é o preservativo, e transmissível, a melhor garantia porque pode que há para evitar entendam a cabeça mesmo não o as doenças sexu- como quiserem saber. almente trans- entender. missíveis. Muita S - A campagente despreza o nha da Opus preservativo. Há quem diga que pôr o preser- Gay é destinada a todas as vativo é como “comer a bana- pessoas e não apenas à sua na com casca”, mas têm de se área habituar, senão apanham uma mais específica de acção? grande indigestão. No Verão, AS - Sim, é para todos. Curas pessoas baixam defesas; tições todos gostam de ter baixam as defesas porque desde a adolescência, até à mudam de terra e deixam de idade sénior. Antigamente ser reconhecidas, conhecem havia a ideia que só a partir pessoas novas e deixam de da idade adulta haveria sexuestar sob tensão podendo en- alidade. Hoje, todos sabemos tão recentrar as suas atenções que os jovens, rapazes ou rana própria sexualidade. Tudo parigas, a partir dos treze e isso se pode fazer, mas sem- catorze anos, começam a ter

S - Depois da vitória no Parlamento do casamento homossexual, que espaço existe para as ONG’s dos direitos das minorias sexuais? AS - A luta pelos direitos nunca acaba e tem de ser sempre S - Será Setúbal uma cidade exercida. Se ela não se faz e particularmente preocupan- os direitos não são exercidos, te dentro do espírito dessa acaba por haver um recuo dos mesmos. Vejamos as conquiscampanha? AS - Em primeiro lugar há tas de Abril que se julgavam muita exclusão social e a ex- que eram imutáveis. Como se clusão leva sempre à promis- vê, por não terem sido bem exercidas, não cuidade. Essa terem sido bem promiscuidade praticadas, hoje revela-se na Não só temos estão em forte falta de cuida- preservativos para recuo. No âmbito dos de higiene distribuir, como das lutas sexuais e de cuidados também temos não se acabou. de saúde. É Há a questão também uma alguns preservativos da paternidade, cidade onde há femininos. da inseminação muita imigraar tificial, mas ção, onde há principalmente, muita droga e, por último, onde há muito há a questão da mentalidadesemprego. Todos estes fac- de, que não se muda por lei, tores conjugados permitem que é uma questão cultural, dizer que Setúbal corre ris- que é a homofobia contra a cos graves e é bom alertar as qual temos sempre de lutar, tal pessoas todas para esta pro- como contra o racismo . Esse blemática, para que um Verão preconceito está inculcado na não se torne no inferno. Nós cabeça das pessoas, formatouas ao longo dos últimos 500 não nos limitamos a falar. Temos preservativos para anos, mesmo que elas contem distribuir. Nós não nos limi- apenas 30 ou 40 anos. tamos a dizer para os irem comprar à farmácia. Tam- S - Setúbal é homofóbica? bém devem ir comprar. Mas o AS - Bom, eu não posso dizer preço desencoraja quem está que é, nem que não é. Eu prodesempregado. Uma caixa de pus à Câmara que colocasse preservativos para quem pou- um cartaz à entrada da cidade co ou nada tem, pode fazer dizendo: “Setúbal é uma cidadiferença, e tende a facilitar. de livre da homofobia”, aberta às diversidades, mas até hoje a relação. Não só temos preservativos não consegui. para distribuir, como também Seria bom que houvesse um temos alguns preservativos cartaz nesse sentido, para refemininos. Certamente não laxar as pessoas. Claro que daremos cem a um indivíduo, levantava problemas. Dentro mas uns quatro ou cinco para do PCP há militantes conser-

VASCO LEMOS

uma vida sexualmente activa. Todos sabemos que os senio-

res podem, devem e queremna ter, seja com parceiros ou

parceiras, pois isso depende do gosto de cada um.,mas traz

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FICHA TÉCNICA: Propriedade e Editor: Prima Folia - Cooperativa Cultural, CRL Morada: Largo António Joaquim Correia, nr 7 1º Dto, 2900-231 Setúbal Telefone: 96 388 31 43 NIF: 508254418 Director: António Serzedelo Subdirectores: Anita Vilar e José Luís Neto Consultor Especial: Fernando Dacosta e Raul Tavares Conselho Editorial: Catarina Marcelino, Daniel Correia, Fernanda Rodrigues, Hugo Silva, Leonardo da Silva, Luís Paixão, Maria Madalena Fialho, Patrícia Trindade Coelho, Paulo Costa e Regina Bronze Directora de Arte: Rita Oliveira Martins Consultor Artístico: João Raminhos Morada da redacção: Rua Fran Pacheco n.º 176 1.º andar 2900-374 Setúbal E-mail: info@jornalosul.com Site: http://www.jornalosul.com Registo ERC: 125830 Depósito Legal: 305788/10 Periodicidade: Mensal Tiragem: 10.000 exemplares Impressão: Tipografia Rápida de Setúbal Morada da tipografia: Travessa Gaspar Agostinho, nr 1 - 2º - 2900-389 Setúbal Telefone: 265 539 690 Fax: 265 539 698 E-mail: trapida@bpl.pt

uma festarola mais quente.

vadores, como os da Igreja, outras questões. A garantia da Lisboa e eu sou um cidadão mas também os há progres- casa, da saúde, dos préstimos de Lisboa. Interessa-me viver que lhes fazem para os levar bem em Lisboa. sistas. No próximo mês de Outubro, aos hospitais é o que os pre- Porém, os políticos como em Barcelona, patrocinado e ocupa, e não a sexualidade. António Costa, não brincam promovido pela União Eu- Mas a juventude de Setúbal, em serviço. Por consequência, ropeia, vai realizar-se um que é uma juventude promis- se por um lado, ele defende os direitos encontro precisamente para sora e criativa, não das minodiscutir o papel das autarquias tem de se conforA luta pelos rias sexuais, na luta contra a Homofobia, mar em exclusivo direitos nunca acaba por outro, o onde estarei. Quando um Pre- com as questões panorama sidente da autarquia tem um dos idosos. É igual- e tem de ser sempre eleitoral, discurso homofóbico dá um mente lamentável exercida. Se ela não muito fragmuito mau exemplo; quando que o PCP e o BE, se faz e os direitos mentado à tem um discurso liberal e in- ponderando a sua não são exercidos, esquerda, clusivo é um símbolo de aber- prestação sobre o acaba por haver um implicava tura para os munícipes. Aqui, tema das sexualirecuo dos mesmos. lutar voto em Setúbal, haverá cerca de 8 dades, tenha sido a voto. Em 000 a 10 000 homossexuais. zero. Não há uma Lisboa, a coMuitos vão para Lisboa, por- referência ao tema que aqui não há locais onde nos seus programas eleitorais. munidade homossexual, dos se possam reunir e exprimir Isso não se devia ter passado. seus amigos e simpatizantes, a sua identidade sexual em Sobretudo estes, que a nível tem força e tem peso. Não se liberdade. Quando se criam nacional apregoam distintas pode prescindir desse voto, e esses espaços comerciais eles formas de fazer políticas. São António Costa, sagazmente, não resistem, não por má ges- jogos estratégicos, são jogos percebeu-o atempadamente. tão, mas pela frequência baixa. políticos, não têm perdão! Esperemos que outros lídeSetúbal é bem conhecida peres camarários aprendam isto los meios homos por ser uma S - Em Lisboa apoiou Antó- com ele. cidade sexualmente bastante nio Costa nas últimas eleiactiva, mas essa actividade ções autárquicas a Lisboa, S - Que mensagem para os exerce-se em Lisboa, nos ba- integrando até a lista para leitores de O SUL? a Câmara Muni- AS - Eu penso que os leitores res, nos cafés, cipal, sendo um de O SUL, devem começar a nas saunas, nas No próximo possível verea- aceitar as questões das oriendiscos, centros dor. Porquê? comerciais aí mês de Outubro, tações sexuais. EncararemAS Só com um existentes. nas com flexibilidade, com em Barcelona, tsunami político eles próprios e com os ouN e n h u m patrocinado e teria de pensar tros, tenham uma abertura de candidato às promovido pela nisso de ser ve- mentalidade para os outros últimas eleireador. Sim, fui e para si próprios e tenham ções sadinas União Europeia, convidado pelo os cuidados necessários, indirigiu uma vai realizar-se António Costa e dependentemente de serem palavra a esta um encontro aceitei por duas solteiros ou casados, heteros, comunidade e precisamente para razões. Por um bis ou homos, porque há moeu lamento-o discutir o papel das lado, porque An- mentos em que as pessoas vivamente. O autarquias na luta tónio Costa é um se distraem e esquecem as PS aqui em claro exemplo de regras. Setúbal, que contra a Homofobia. um autarca acér- Todos os cuidados são bons, tem responsarimo defensor das porque nenhuma coisa é mebilidades nesta diversidades e lhor que ter saúde! matéria, calouse. Bem sei que estamos numa anti-homofóbico e, por outro cidade onde parte da popula- lado, porque me parece que José Luís Neto ção é idosa. Interessam-lhes tem um bom projecto para jose.neto@jornalosul.com


A culminar uma onda de ata- Interior de Angola na cidade ques à comunidade imigrante do Uíge; na Suíça, proibição e cigana, e para não se atrasar de mais minaretes; no Brasil, em relação aos seus parceiros Boniface O. Nkama impedido europeus, vem agora a Ingla- de entrar no país para partiterra limitar a entrada de imi- cipar num Simpósio Internagrantes. Cameron, o dirigente cional; o debate sobre o Véu e do partido conservador, tinha a Burka (um pouco por toda colocado a imigração entre as a Europa); as perseguições à suas prioridades... ganhou as Comunidade Cigana e Imigrante, em Itália e no Estado eleições. Sarkozy, a 20 meses das Espanhol; ou a lei mais dura eleições e com a populari- e repressiva aprovada (pardade no mais baixo patamar cialmente) no Arizona, sem desde que, ascendeu à presi- esquecer os jovens ciganos e dência em França (também africanos que vão sendo abaà custa dos ataques às e aos tidos em Portugal. Ainda a vaga de violência imigrantes), volta a usurpar as ideias de Le Pen e decide avan- policial ocorrida em Maio e çar com legislação que retira a Junho na Grande Lisboa não nacionalidade a cidadãs e cida- assentou (no Areeiro, a semana dãos de “origem estrangeira” passada mais um acto de vioque tenham atentado contra lência gratuita perpetrada por 7 qualquer pessoa possuidora de agentes da PSP a um atleta olímautoridade pública. Ao mesmo pico de Cabo-Verde) e já vemos tempo, anuncia a destruição as Câmaras (Amadora e Sintra) dos “acampamentos ilegais” de a tentar enxotar estas minorias ciganos, nos próximos meses. ou a escondê-las dos olhares de Após o descalabro da selec- outros munícipes construindo ção francesa e com a derrota muros como em Beja (e antes na Volta à França (há dezenas Montemor-o-Novo), ou mande anos que nenhum súbdito tendo-os em condições de habifrancês, mesmo “nacionali- tação degradantes (apesar das zado” a consegue ganhar), eis os promessas) como às portas de bodes expiatórios do costume. Bragança. Os ciganos têm que Lá como cá, a polícia assassina pagar o dobro para velar os seus um jovem cigano (Saint Aig- mortos ou são vítimas de vannan, centro da França), ou mas- dalismo como em Elvas. Se tivesse sacra cerca de 60 sido ao conimigrantes e seus (...) mais altrário...quanfilhos. tos directos e Eis mais alguns guns factos a juntar reportagens factos a juntar aos aos actos de racismo actos de racismo e e discriminação, que não estaríamos a ver de discriminação, que infelizmente, se têm Elvas, quaninfelizmente, se tos artigos têm multiplicado multiplicado por de opinião por este mundo este mundo fora não teriam já fora: na África do surgido? Sul, perseguições Também o Ministério da aos imigrantes moçambicanos e não só; em Angola, decla- Saúde não se quer deixar rações do Vice-ministro do ultrapassar nesta onde racista,

Nasceu atrás da Escola de que faz com que eu agora seja Aranguez uma Horta Solidá- a Camélia! Esta senhora, que ria. Quando a fui conhecer defende e participa no projecto, deu-me a sensação de chegar explicou-me também que há a um pequenito oásis no meio vozes dissonantes, como “as de um deserto de betão. Não críticas do setubalense e de 2 estava à espera de encontrar vizinhas daqui”. Resolvi investigar um pouco uma coisa bonita ali! Um rectângulo considerável de espaço e li, com asco mas não com público que estava abando- muita surpresa, o artigo de nado, encontra-se agora flo- jornal que refere, logo no rido e cuidado. Nota-se que título, esta Horta Solidáo esforço empregue naquele ria como um amontoado de espaço não é camarário nem lixo…! Ao princípio nem comprivado, mas sim de indivíduos preendi. Aconselho uma visita com os seus recursos, porque à pequena horta/jardim para as coisas não estão uniformes, que cada um@ julgue por si, com plantas todas iguais, dis- em vez de estar aqui a rebapostas em formas geométricas ter aquilo que, para mim, é idênticas, rodeadas por uma uma posição medíocre, tenrede compassada- como nos denciosa e demagógica. Gostava, no entanto, de pôr acostumaram com os jardins “normais” nas quais abunda a cá para fora, a título de desarelva sem sombras e a pedra bafo, algumas reflexões resulestéril. Aqui há um emaranhado tantes do conflito entre o artigo de verdes, com cores de flores e do setubalense e a minha senvegetais. Aparentemente pode sação ao visitar o espaço em parecer que estão plantados questão: O artigo reproduz e ao acaso, mas se passearmos defende esta sociedade indusdentro do jardim vemos que trializada, que especifica as os canteiros estão cuidadosa- tarefas até ao extremo, promente delineados, que há pla- duzindo especialistas de tudo e cas com os nomes das plantas mais alguma coisa- para intere, até, um canto à sombra com vir no espaço público só as pessoas cujas cadeiras e material profissões são de leitura, onde essas! naturalmente me E digo-vos, Uma sociedeixei estar a con- dentro da miséria dade de massas versar com amigos que quase sempre que cria hierardurante 1 hora! me parecem ser a quias em todo Segundo o que o lado, permite consegui perce- maior parte dos que, quando ber, enquanto ali espaços nas cidades, planto uma estive, esta inicia- este é precisamente jovem Yucca tiva partiu de pou- um daqueles ilhéus n o ca n teiro cas pessoas, mas “pirata” que eu vou triste que vejo tem envolvido defender! da janela do muita gente. Falei meu prédio ─ com uma vizinha dos prédios em frente, que me naquilo que resta do suposto explicou que quem traz uma espaço verde que estava preplanta para o jardim adopta o visto no PDM para aquela zona nome dessa planta como seu, o ─ os trabalhadores da câmara

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xenófoba e discriminatória e continua a colocar entraves à Comunidade LGBT no que diz respeito à doação de sangue. É assim muito interessante ver que a Comissão Europeia, quando confrontada com estes atentados aos direitos humanos (França) remeta a responsabilidade para o estado em questão...pois é, quando se trata de ataques aos direitos humanos, por exemplo em Cuba, já a UE não se coibe de tomar posição (e muito bem)... mas quando se trata de imigrantes ou cigan@s no espaço

europeu... lava as mãos como o outro... Nem o recente (12 de Julho) Relatório (Internacional Migration Outllok) que a OCDE divulgou, onde se confirma o efeito negativo das políticas restritivas de imigração para a economia (com menos imigração, menos crescimento dos países mais desenvolvidos) é suficiente para que os governos percebam e as políticas repressivas sejam travadas. Os governos estão fartos de entender, mas continuam a ser a imigrantes e as minorias

étnicas, um bom instrumento para fazer esquecer os erros de gestões ruinosas e dá sempre jeito uma ou outra medida repressiva, sobre estes segmentos da população, para subir nas sondagens e tentar ganhar eleições. Então e os Direitos Humanos? “Bom isso já é pedir muito... entretenham-se com a Volta a Portugal e ainda bem que o campeonato está a começar...” José Falcão SOS Racismo

RITA OLIVEIRA MARTINS

Jardins rebeldes

CARLOS PIMENTEL

Inglaterra chega-se ao pelotão perseguidor

cortem e arranquem tudo o que está plantado por outros sem serem eles. Dialogar é difícil porque eles “só estão a cumprir ordens”. Tento então falar com alguém supostamente responsável pelos espaços verdes... “Oh menina, se quer ter plantas compre uma vivenda” e também a bela tirada, o lugar-comum por excelência, “Já viu o que é que seria se todos quisessem plantar uma árvore?!”. Realmente, que mundo terrível seria esse, em que todos quisessem plantar uma árvore. Desculpem-me, mas não

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tenho paciência. Vivemos sob burocratas imbecis, à nossa volta impera uma mentalidade mesquinha e pouco exigente, num sistema onde qualquer iniciativa de autonomia, qualquer experiência de novas relações sociais ou é criminalizada ou aproveitada politicamente. Não é que pense que participar numa horta popular ou num jardim-que-não-pede-permissão seja um grande combate a esta sociedade. Cada um terá os seus motivos para querer ter plantas ou legumes

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perto de si. Uns dirão que é pela sustentabilidade dos centros urbanos, uma resposta à crise, o empowerment dos cidadãos, ... Só consigo encolher os ombros com o desconforto que estes termos me produzem... a vontade simplesmente existe. Plantar à minha volta sai-me mais das entranhas do que do neocórtex! Mas, sim, sinto que estou a agir por mim e a (re) tomar a vida nas minhas próprias mãos. Será por isso que plantar na cidade também já me trouxe alguns conflitos com a autoridade, precisamente porque é uma afronta à lógica capitalista, à ordem hierárquica e burocrata que nos rodeia. Pois, “na realidade, ou reinventamos uma vida social assente em bases mais pequenas- do pequeno ao grande, através de uniões horizontais-, sobre técnicas mais simples, ou caminharemos cada vez mais em direcção à desintegração de toda a autonomia individual e ao colapso ecológico. É urgente dissolvermos os laços massificados- fonte de conformismo, de poluição e de angústia existencial-, para experimentarmos outros, mais adequados às necessidades e desejos de cada um” (A céu aberto - decidindo os nossos próprios passos, Raividições, 2010). Dá-me alento ver que outr@s têm a rebeldia de plantar umas sementes contra o conformismo e a inércia. E digo-vos, dentro da miséria que quase sempre me parecem ser a maior parte dos espaços nas cidades, este é precisamente um daqueles ilhéus “pirata” que eu vou defender! Ana Guerra


Montagens no real Em finais de 1910, Lev Kulechov, um dos pioneiros na montagem cinematográfica, experimentou apresentar ao público um pequeno filme fora do normal para a época, fez exibir a imagem de um actor (Ivan Mozzhukhin) alternada com as imagens de um prato de sopa, de uma rapariga e de um caixão de criança. Toda a gente que assistiu ao filme conseguiu ver a alteração do semblante do actor: a fome perante o prato de sopa; a paixão pela rapariga e a tristeza diante do caixão da criança. Toda a gente viu aquilo que não aconteceu, já que a imagem do actor que o realizador usou na montagem era sempre a mesma. O realizador russo demonstrou que um plano (imagem) seguido de outro pode alterar o significado do primeiro. No dia 1 de Agosto deste ano entraram em vigor algumas das medidas do PEC (Plano de O homem da câmara de filmar, documentário de Dziga Vertov, 1928 Estabilidade e Crescimento) aprovadas pelo governo PS contos para a segurança social rix aos romanos) que resisjuntamente com o PSD “para para se ter acesso ao subsídio tem ainda e sempre aos sacrinos retirar da crise finan- de desemprego que era de 365 fícios. Os “heróis” deste nosso ceira, económica e social”. “É dias e passou a 450 dias, assim cantinho à beira-mar plantado o caminho!”, disseram-nos, como a eliminação de mais apresentaram recentemente 10% de subsídio as contas do primeiro semespara reduzir o de desemprego tre de 2010. O BES, por exemdéfice de 9,3% para os desem- plo, apresentou lucros a rondar para 2% do PIB Os poderes pregados com os 300 milhões de euros, e o até 2013. destes bafejados dependentes a BPI, outro exemplo, quase 100 A p r i m e i r a pela sorte de terem seu cargo. Em milhões arrecadados. Obra de medida do caído no caldeirão suma, o Governo alguma poção mágica? CapaciGoverno foi afirmou que “os dade de carregar “menires” que acabar com as da “poção mágica” sacrifícios têm foge à falta de iniciativa dos medidas toma- governamental são de ser distribu- “malandros” que recebem o das anterior- mais simples e têm ídos e assumi- subsídio de desemprego como m e n t e p a r a pouco a ver com os c o m b a t e r a simpáticos heróis da dos por todos” acusa Paulo Portas? Os poderes destes bafejados e começou logo crise, entre as banda desenhada pelos mais des- pela sorte de terem caído no quais as medifavorecidos e em caldeirão da “poção mágica” das extraordinárias de apoio aos desempre- maior dificuldades, como é no governamental são mais simples e têm pouco a ver com gados: prorrogação por mais caso os desempregados... Sacrifícios para todos? Não! os simpáticos heróis da banda seis meses do subsídio social de desemprego inicial, redu- Existem uns “irredutíveis” (tal desenhada: toda a banca a ção do número de dias de des- como a aldeia gaulesa de Asté- operar em Portugal paga ape-

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nas 4% de IRC quando qualquer empresa ou mercearia de bairro paga 25% e muito menos do que qualquer trabalhador paga de IRS. Todo este banquete da banca é alimentado pela lei fiscal que temos, tal como a isenção de impostos sobre os lucros da tão badalada venda da Vivo pela PT à Telefónica. Seis mil milhões de euros de lucro com a venda das acções da Vivo isentadas de imposto, tudo em defesa do “interesse nacional” segundo Sócrates. Com que moralidade ou com que autoridade vem o governo aumentar impostos, reduzir os apoios sociais e baixar os salários? Em nome de todos? Em nome de Portugal e dos portugueses? Quais portugueses? Os bancos? Os accionistas maioritários da PT?

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Sonhos numa noite de Verão Os habituais comentadores das televisões, das rádios e dos jornais fazem eco da “gravidade da situação” repetem e repetem... “o problema é a crise”, “isto está mau para todos”, “todos temos de fazer sacrifícios” e mais a costumeira “falta de produtividade”... coisa de que, pelo esforço dispendido, serão os únicos que nunca poderão ser acusados... e repetem e repetem. Fazem um tal chinfrim que até parece que os meios de comunicação não passam de gaiolas de papagaios com o objectivo de nos ensurdecer ao ponto de ficarmos mudos. Como é? Os bancos não pagam ao Estado os impostos que deviam pagar... isso mesmo, o que deviam pagar! O governo PS, concubinado com o PSD e CDS, não exige que eles cumpram a sua obrigação perante o país e perante os sacrifícios que são pedidos aos demais e tem a soberba de passar a factura dos tanques, submarinos, gestores a peso de ouro, de todo o despesismo, aos mais pobres, aos desempregados e a quem trabalha. Tal como a experiência de montagem cinematográfica do início do século passado, a imagem da “crise para todos” que o governo projecta é enganadora, porque há outra que é determinante: a crise só é paga por quem necessita de trabalhar para ganhar o pão. O filme é outro: o objectivo deste governo, que se diz socialista, é continuar a proteger os lucros de poucos exigindo sacrifícios à maioria. “As nossas vidas valem mais que os lucros deles!” é o “filme” que temos de realizar. Leonardo da Silva leonardo.silva@jornalosul.com

Óscar Wilde dizia que o progresso reside na concretização de sucessivas utopias. A utopia, o sonho, a esperança num mundo novo são o cruzeiro do sul que guia a humanidade. Por isso, os conservadores e reaccionários não têm utopias e chamam, com desprezo, utopia (como irrealizável) a tudo que projecte algo de novo. Eles estão instalados e instalados querem estar. A ideologia, ao contrário do que se diz vulgarmente, opõe-se à utopia. A ideologia é um sistema para impor e eternizar as ideias, justificar a permanência, dar boa consciência aos que dominam,alienar os que desejam a transformação ou dela precisam: os trabalhadores explorados, os excluídos, os tolhidos na sua liberdade. A frase que mais me impressionou, naquela bela noite de debate e excelente polémica(«O fim das ideologias?») na PRIMA FOLIA foi: «Vamos intervindo no bairro, criando ideologia». Como? Para quê? A ideologia arregimenta. A ideologia cria exclusões. A ideologia é o sonho da burocracia; a dogmática, encantadora, do poder. A resposta adequada aos interesses económicos, sociais, culturais, políticos do povo forja-se no movimento real através da mais ampla participação democrática. É Sportsmen (1928-32), Malevich o oposto da ideologia. Abordar esta questão dum só há caminhos no sentido ponto de vista teórico é hoje de que chegados ali logo crucial para a esquerda. A temos que prosseguir); ou esquerda tem uma ideolo- a luta concreta com base no gia? Precisa de uma ideo- conhecimento e na realidade material? logia? ou várias? Todo o proComo nascem, gresso se deve quem as «cria»? Todas estas ao conheciO que pode unir questões não podem mento. Todo as esquerdas? A ser respondidas com o retrocesso ideologia ou a está ligado política? Um sis- base numa relação ao predomítema de «princí- desigual - os que nio da ideopios», de ideias sabem e os que não logia. A URSS feitas, pré-con- sabem desintecebidas (Engels grou-se pordizia que não que a revoluhá princípios, ção proletária há conclusões decorrentes da observação, foi travada e liquidada pela do estudo e da vivência da ideologia imposta: o marxisrealidade; o escritor brasi- mo-leninismo. Na China a leiro Vasco Pinto de Maga- revolução foi liquidada pela lhães que não há soluções, ideologia m-l maoista, por

mais que Mao tivesse uma da exploração para o lucro visão avançada da luta social máximo? É preciso explorar e da luta de classes. A ide- bem para depois construir o ologia (comunista, dizem socialismo, em que os que eles) hoje serve de cobertura exploram estão à frente do ao capitalismo na China, em partido que dirige o progresso para o que os melhosocialismo? res capitalistas A esquerda Todas estas – enriquecer é questões não glorioso, disse tem uma ideologia? podem ser T s e n g C h i a o Precisa de uma iderespondiPing, o funda- ologia? ou várias? d o r d a C h i n a Como nascem, quem das com base numa relação moderna – são as «cria»? desigual - os escolhidos para que sabem e o Comité Cenos que não tral do PCC. Na sabem - um China enriquepraticismo ce-se de forma diferente? A mais-valia do dirigido que vai «criando operariado chinês não é ideologia»; de esquerda apropriada da mesma forma pressupõe-se!. A bússula da esquerda pelo capital? Na China o capital não cresce na base é a realidade viva, mate-

rial e social, as necessidades e interesses dos trabalhadores que determinam, no movimento real, o programa político que dá solidez às ideias A «ideologia» serve para tentar suprir a real incapacidade de enfrentar a ideologia do capital (seja ela catolicismo, neoliberalismo ou fascismo) com o programa político muito amplo mas radical que a sociedade de hoje exige. A necessária luta ideológica contra o capital tem de fazer-se com base no movimento social e na elaboração das ideias que daí emanam, ideias que consubtanciam o conhecimento real da realidade. Mário Tomé


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08 PERIFERIAS

Liberdade, igualdade e fraternidade, onde estão? A Cidade é a expressão ros periféricos, com os seus lhe mudaram os nomes ou física da Politica. Esta afir- centros comerciais, e circula- será que houve uma súbita e mação poder-nos-ia levar res CREL ou CRIL, perdendo, conveniente amnésia? Qualmuito longe na identificação infelizmente, a possibilidade quer que tenha sido o caso, dos males e dos bens da vida de lhes ocorrer as perguntas não deixa de ser relevante em sociedade e da sua cor- iluminantes: O que aconte- que a tríade haja sido ampurespondência na fisionomia, ceu de importante nesta data? tada de dois termos, o que Quem eram e por retira sentido ao que ficou, nas feridas ou que eram notá- porque nenhum deles pode nas cicatrizes A I República, veis? O que sig- ser vivido e pensado sem os da urbe. Não nificam aquelas outros dois. é esta, con- não obstante todas Por centelha patriótica à palavras, aquetudo, a inten- as vicissitudes, está laia dos primeiros republiles conceitos? ção do pre- bem expressa em O movimento canos, não posso deixar de sente escrito. Lisboa, em Setúbal centrifugo que realçar que a criação desta Quero apenas, levou ao aumento tríade de carácter cristão foi e por agora, e noutras cidades da população nas atribuída pelo ilustre escrideter-me nal- – nas designações p e r i f e r i a s d a s tor francês Osvaldo Wirth ao guma topo- de ruas, praças, cidades e à con- português Pascoal Martins, nímia ligada avenidas e edifícios. à Republica, Sejam elas evocati- sequente deserti- obscuro judeu de modesta ficação do centro, profissão (reparava carruapara vos dizer vas de datas (...) ou de e ao qual Lisboa, gens), autor de um luminoso ao que venho: Setúbal e outras e difícil livro que se intitula A I Repú- figuras notáveis cidades não esca- Tratado de Reintegração dos blica, não obstante todas as vicissitu- param, conduziu àquilo que Seres Viventes…, editado entre des, está bem expressa em modernamente se designa por nós em 1979 com tradução e Lisboa, em Setúbal e noutras efeito “donut”, forma que é prefácio de Manuel J. Gandra cidades – nas designações de de certo modo o inverso da nas Edições 70. Esta obra de ruas, praças, avenidas e edifí- esfera e que evoca um pre- carácter completamente espicios. Sejam elas evocativas de ocupante vazio no centro. ritual parte da constatação de que homens datas: Rua 31 de Janeiro, Ave- Ocorre-me a e mulheres nida 5 de Outubro, Rua 2 de primeira frase O que são anjos caíAbril; ou de figuras notáveis: de um poema aconteceu de dos e aspiram Almirante Reis ou Cândido de David Mounas suas vidas, dos Reis, Braamcamp, Elias rão-Ferreira a importante nesta como o titulo Garcia, dos Combatentes ou, propósito de data? Quem eram indica, a esse por último, da própria Repú- Lisboa: “Capi- e por que eram estado idílico e blica em Lisboa e em Sesimbra tal! Ó Capital! notáveis? O que inicial vivido no (antiga Rua Direita) e dos seus Capital decasignificam aquelas Paraíso. valores: as várias avenidas da pitada”. Seja palavras, aqueles O autor, nasLiberdade. Estas designações ela capital de cido em 1715 (?) estão presentes nas conver- um País ou de conceitos? e falecido em sas do dia-a-dia dos cidadãos, um distrito. Entre a baixa do Marquês 1779 em Port au Prince, já apenas por razões de orientação, porque poucos serão de Pombal com as suas ruas adulto saiu de Portugal com aqueles que sabem os aconte- Augusta, da Prata e do Ouro destino a França, provavelcimentos que evocam, os fei- de altíssimo valor simbólico, mente em busca de melhor tos das figuras públicas ou o e a rotunda onde se entrin- vida. Passou uma má tempoverdadeiro sentido dos valo- cheirou e combateu Machado rada em Toulouse, e fixou-se Santos nos dias depois por um longo período res ou institui3 e 4, comemo- em Bordéus, onde foi muito ções nomeaEsqueceu-se rando a vitória bem recebido e fez escola, dos. Pelo que me diz res - quão difícil é a liber- no 5 de Outubro vindo a exercer significativa peito, sou mais dade emotiva, de co- de 1910 existe a influencia nos meios intelecf a vo r á v e l à ração limpo, sujeitos avenida da Liber- tuais e da maçonaria francedade, valor que, ses atraindo discípulos e prod e s i g n a ç ã o que estamos muitas com outros dois, sélitos, entre os quais estão d o s v a l o r e s vezes à antipatia, à faz parte dessa nomes como Saint-Martin, o ou ideias uniinveja, ao ciúme, à tríade luminosa abade Fourier, Balzac, Joseph versais, como por exemplo tristeza e quão difícil da LIBERDADE, de Maistre e o muito ilustre IGUALDADE E maçon francês da cidade de a s r e f e r ê n - é a liberdade de FRATERNIDADE Lyon, Jean Baptiste de Willercias nas ruas pensamento. tão do agrado dos moz. Terá criado uma ordem medievais às republicanos. Já designada por Les Elus Cohen, virtudes teologais. Estes nomes, que existem por várias vezes me interro- que virá a ter decisiva influênno centro antigo da cidade, guei onde estariam as duas cia na criação da maçonaria deixaram de fazer parte do outras avenidas que faltam: cristã do Rito Escocês Rectifiléxico de muitos dos jovens será que ficaram pelo cami- cado, da qual terá feito parte o que já nasceram nos bair- nho, será que existiram e nosso ilustre mártir, o General

autorização da acção, do apetite, ao movimento físico, à expressão. Pouco se pensou, se essa liberdade de expressão era porventura expressão dessa mesma liberdade. Esqueceu-se quão difícil é a liberdade emotiva, de coração limpo, sujeitos que estamos muitas vezes à antipatia, à inveja, ao ciúme, à tristeza e quão difícil é a liberdade de pensamento, presos que estamos no preconceito, na ignorância e na estupidez. Quanto à igualdade, a realidade desmente a abstracção aritmética, porque nunca poderemos pôr entre dois indivíduos o sinal de igual. Poderão os regimes tentar tornar o estatuto do ter com menos diferenças, mas esta louvável redução das diferenças não deve ser extrapolada para o estatuto do saber ou do ser, porque, naturalmente, aqui lidamos com as diferenças e qualificações do que é inato, da sorte de cada indivíduo e também do que ele virá a obter da vida por mérito, talento ou génio. A igualdade só é possível de raciocinar perante alguém que nos é transcendente. A adopção exclusiva deste ideal retirado da tríade harmónica originou os regimes totalitários ditos de esquerda que têm vindo a soçobrar no Ocidente nas últimas décadas.

Gomes Freire de Andrade. Segundo estes dados biográficos, não estava seguramente no espírito do nosso Pascoal

Martins a utilização das palavras da tríade para propósitos ou bandeiras de divulgação de estreito positivismo ou mate-

rialismo. Com efeito, quanto à liberdade, ficou em muitos casos limitada aos seus aspectos mais grosseiros: à

Quanto à fraternidade, que vive intimamente ligada com as duas outras, é a linha horizontal, o grande abraço entre os seres humanos, que cruza com a vertical da liberdade e da igualdade, sendo impossível meditar neste valor sem se pensar na irmandade, na família natural, porque é daqui que partem os conceitos, as vivências e, também, a certeza das dificuldades em torná-la possível e efectiva na humanidade. Caim, Abel e Seth estão presentes em cada momento. Se a humanidade deverá caminhar para uma grande irmandade, onde estão? Quem são? Os progenitores, os encarregados de educação dessa grande família? A resposta a cada um. Luís Paixão Arquitecto

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Santa Casa da Misericórdia de Setúbal Área de Saúde: CLÍNICA DE MEDICINA FÍSICA E REABILITAÇÃO Área Social: CENTRO DE APOIO A IDOSOS DEPENDENTES LAR ACÁCIO BARRADAS LAR DR. PAULA BORBA APOIO DOMICILIÁRIO Área de Património Histórico: FUNDO DOCUMENTAL (Mais de 1700 documentos do Séc. XVI a XX depositados no Arquivo Distrital de Setúbal para Consulta) Sede: Rua Acácio Barradas n.º2, 2900-197 Setúbal . Tel. 265 520 964


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10 CULTURA

Gregorio Gonzalez y Briz [1904-1984] uma visão cosmopolita em Algeruz Industrial, Gregorio Gonzalez Briz foi o fundador do modelo agro-industrial implementado na Herdade de Algeruz, de que foi co-proprietário e gerente técnico. Como enólogo distinguiu-se no panorama da vinificação nacional ao intorduzir, em Algeruz, uma tecnologia de vinificação, conhecida por “sistema de ânfora argelina”, exemplo singular de inovação que distinguiu aquela adega como “a mais moderna” do seu tempo.

moderna, onde estudou agri- árias: silos, capoeiras, estácultura e se especializou em bulos, currais e malhadas, e enologia. Com uma formação a “casa de malta” (destinada à sólida enriquecida pela esta- permanência sazonal dos randia temporária em Londres, chos), cocheira, eiras e forja. Com uma área de 3000 onde aperfeiçoou o domínio desse idioma, o jovem Gre- ha (incluindo a colónia agrígorio Gonzalez Briz passou a cola de 596 ha com 80 cologravitar no triângulo geográ- nos-rendeiros), a Sociedade fico delineado pelas cidades Agrícola de Algeruz explorava cerca de 1000 ha, dos quais de Cadiz, Bordéus e Lisboa. Com o seu regresso a 400 eram ocupados por vinha. Portugal (obteve autoriza- Caracterizada pela diversifição de residência em1925, cação das culturas, e modelada pela coincidente com mecanizaa data de compra Mas é a função em finais da Herdade de de cinquenta, Alger uz, admi- dação do conjunto este modelo nistrada por sua de equipamentos agro-indusmãe, Maria Briz industriais da trial tinha Garcia), inicia-se Adega [1931-1935] o seu priprofissionalmente e a instalação de mado na culnas actividades tura vitiviníem que se havia uma tecnologia de vinificação inovacola (expanespecializado. são da área Dat a daquele dora, denominada A par dos estudos, partide vinhedo, cipou nas várias actividades ano, a primeira sistema de ânfora renovação de desportivas, como futebol e lavra sob a sua argelino, que fez de cepas improbasebol, patrocinados pela direcção e a viniAlgeruz um exemplo dutivas e Sociedade Desportiva San Luis ficação, nas antisingular de invesintrodução de Gonzaga, que os considerava gas “adegas” da novas castas) fundamentais ao bom desen- propriedade, do timento e progresso volvimento físico dos jovens vinho tipo “Mos- regional, distinguin- para a produção de vinho adolescentes. A parte religiosa catel de Setúbal”, do-a como a mais que represene espiritual não era descui- licoroso que ao “moderna adega”. tava 80% do dada pelos jesuítas. Perten- longo de décadas rendimento ceu igualmente à Congrega- orgulhou particuda propriedade. A par desta ção Da Imaculada, San Luís larmente a região. Já no final do quinquénio cultura outras fizeram a sua Gonzaga e San Estanislao De (anos 30), nomeado sócio-ge- riqueza, como a cultura oriKostka. Ao longo da sua instrução, rente por sua mãe, empreen- zícola e o montado de sobro, sucederam-se os passeios em deu e planeou os fundamen- as áreas de pinheiro bravo grupo e as visitas de estudo tos do seu modelo desenvol- para produção de resina e (as chamadas "excursões ins- vimentista assente no "valor as madeiras muito apreciatrutivas"), que focavam, entre da terra" e no capital gerado das pela qualidade; a cortiça outras tem��ticas, a áreas eco- pelas explorações agrícolas. e os rebanhos. Somou-se a nómicas mais importantes Alterada a paisagem fundiária, isto, a instalação da cultura com a criação cítrica com um pomar de ou em expansão, do Monte, Gre- 8000 árvores. como a economia A par dos esMas é a fundação do congorio Gonzaagrária e as vinícolas de grande tudos, participou nas lez Briz gizou junto de equipamentos indusum conjunto triais da Adega [1931-1935] e dimensão (socie- várias actividades de estruturas a instalação de uma tecnolodades e empre- desportivas, como patrimoniais, gia de vinificação inovadora, sas produtoras futebol e basebol, composto pela denominada sistema de ânfora de vinhos, vinapatrocinados pela casa de resi- argelino, que fez de Algeruz um gres e conhaSociedade Desportidência e escri- exemplo singular de investiques), que fizetório, familiar- mento e progresso regional, ram a riqueza da va San Luis Gonzaga, que os considera- mente identi- distinguindo-a como a mais região de Cadiz. ficados pela “moderna adega”. Após a con- va fundamentais ao Apostado na economia do clusão dos estu- bom desenvolvimen- d e s i g n a ç ã o de hacienda, vinho, Gregório Gonzalez Briz dos colegiais, to físico dos jovens inscritos num estuda e aperfeiçoa o método prosseguiu a sua adolescentes. pátio, elo de de vinificação em função do formação supeligação ao con- perfil de vinho. Com uma rior em Direito, junto de insta- capacidade média anual na e em 1922 matriculou-se na Escola de Bor- lações térreas para assalaria- ordem dos três milhões de déus, então considerada o dos permanentes, e das aco- litros (vinho Branco da casta “tubo de ensaio” da enologia modações agrícolas e pecu- Fernão Pires, e maioritaria-

Educado no Colégio Jesuíta de San Luiz Gonzaga, situado na cidade do Puerto de Santa Maria, na província de Cadiz, em Espanha, Gregorio Gonzalez y Briz fez a sua formação escolar nos princípios da companhia, onde primava o ensino das latinidades, gramática e artes, matérias importantes na formação da sua personalidade. Aluno de mérito, foi distinguido com o primeiro prémio nas várias disciplinas do 4º e 5º ano [1919-1920], tendo igual aproveitamento na arte artística. Ascendeu ao honroso título de Príncipe do Colégio, tendo recebido os maiores louvores pela aplicação e conduta, com a distinção de excelência no quadro de honra da instituição.

D. Gregorio Gonzalez y Briz, Príncipe do Colégio, Porto de Santa Maria, Cadiz - 1920

De nacionalidade espanhola, Gregorio Gonzalez y Briz nasceu em Badajoz, a 16 de Outubro de 1904. Era filho de Leandro Gonzalez Blasquez e Maria Briz Garcia, proprietários e residentes em Cadiz. Com uma formação em Direito, estudou Agricul-

tura e Enologia na Escola de Bordéus em França [19181922] e dedicou-se desde muito jovem ao trabalho em Algeruz, herdade da qual foi co-proprietário e onde desempenhou as funções de gerente técnico e enólogo [1931-1984].

D. Gregorio Gonzalez Briz, Herdade de Algeruz (anos 30)

mente, 90% da produção de vinho tinto tipo Castelão), a adega de Algeruz produz “o melhor vinho da região”, ideal para consumo interno e do mercado das colónias. Com as características dum vinho diferenciado, o vinho da casa de Algeruz afirma-se no mercado da viticultura dos vinhos correntes pela qualidade: um vinho estável, encorpado, com uma correcta acidez e um bom

teor alcoólico, na ordem dos 12,5 a 13º. D. Gregório Gonzalez Briz, frequentador regular de exposições industriais e feiras internacionais, com lugar privilegiado para Bordéus, é expoente de um empreendedor local ilustrado e cosmopolita. Maria Leonor Campos Investigadora de história local e património vitivinícola


A música em Setúbal mudou bastante nos últimos anos. As bandas cresceram com a cidade e deram-lhe uma nova dimensão. Setúbal foi sempre uma cidade ligada às artes. A pintura e o teatro foram sempre as artes dominadoras. Mas surgiu também a música de Setúbal, tanto nos instrumentos do conjunto Xico da Cana, com um instrumento único no mundo, como na voz de cantores mais populares como Toy ou Clemente. Contudo, a música evoluiu bastante nos últimos Steps, Banshee, Ella Palmer dez anos. Os Hands On Approach e Hills Have Eyes, que venem 1996, conseguiram um deram discos pelas fnac’s e sucesso raro na música por- derem imensos concertos fora e dentro tuguesa, criando do país. assim condições Esta onda de para que outras Setúbal bandas de Setúbandas surgis- é actualmente bal surgiu com sem. uma das cidades um movimento As várias banque produz mais de amigos, que das que marcaformaram ram o panorama música e que a várias bandas da música em Por- consegue fazer de rock e metal. tugal, não a uma crescer e ter Esta união crese s c a l a c o m e r - sucesso por todo ceu por todo o cial, mas de uma o país. país e nos dias forma subterrânea, que correm os criando pequenos núcleos de fãs que se foram More Than A Thousand são solicitados para tocar em tudo espalhando pelo país. Apareceram os More Than quanto é sítio, desde o Rock A Thousand, One Hundred in Rio ao Super Bock Super

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JOÃO FILIPE

Setúbal vigora actualmente como uma das cidades mais importantes a nível nacional de produção de música. Bandas como More Than A Thousand, The Doups ou Hills Have Eyes têm carregado o nome da cidade de Norte a Sul do País. A par destas bandas, outras têm surgido e crescido, tornando Setúbal numa cidade de peso para a música em Portugal!

Rock. O seu videoclip faz furor na MTV e os seus discos são vendidos por todo o lado. A banda é um fenómeno em Portugal e no estrangeiro, transmitindo a verdadeira alma nacionalista. Estas cinco bandas criaram imensos fãs em Portugal e no estrangeiro, carregaram o nome de Setúbal por todo o lado e deram a cidade a conhecer às pessoas de fora. Setúbal ficou assim associado a um movimento musical que impulsionou Portugal, tornando-o um país exportador de música, ao contrário do habitual importador. Os More Than A Thousand têm conseguido evoluir e estão a tornar-se uma das

bandas com maior peso em Portugal, tornando o Metal algo mais fácil de ouvir, para quem não está habituado. Setúbal ficou conhecida por ser uma cidade do Metal, da música pesada de Portugal. Como contradição, nos últimos 4 anos, Setúbal fabricou novas bandas que nada têm a ver a ver com o metal que tornou a cidade famosa musicalmente. Os setubalenses The Doups (rock alternativo/indie rock) cresceram devido ao seu mérito, e após terem participado num festival internacional, foram convidados para tocar no Festival Rock One, abrirem o concerto dos ingleses Franz Ferdinand e estrea-

rem o seu videoclip na MTV. E tantos novos talentos surgiram pela cidade! Desde os Porn Sheep Hospital, como seu mathcore; aos Blackout Noize, banda de funk e rock psicadélico; aos Mothership e o seu Rock/Metal progressivo; aos Gone In A Day, pegando nas matrizes do metal, mas tentando criar algo mais screamo; aos Chaos Led to Quiet, com o seu post-rock (algo raro em Portugal); e aos Red Smoking Indians, que têm espantado a crítica, praticando um indie rock bastante festivo e alegre. Artistas como Marco Alonso, com a sua participação no Festival de Flamenco de Lisboa, que com o seu trio, tem-nos feito delirar com o seu flamenco, e Nuno Aleluia, um jovem com enormes capacidades musicais, tanto na voz como na guitarra. Setúbal está, neste momento, num dos principais lugares de fabricantes de música nacional. Setúbal é, actualmente uma das cidades que produz mais música e que a consegue fazer crescer e ter sucesso por todo o país. Este é um sinal claro de que existem cada vez mais condições para que Setúbal retome um importante papel na cultura portuguesa. Os More Than A Thousand, Hills Have Eyes, Ella Palmer e The Doups já deram o mote para o sucesso! Agora resta ver o que a nova fornada de bandas setubalenses pode fazer. Há talento em Setúbal, imenso talento. Por favor, deixem-no crescer! João Miguel Fernandes cultura.activa10@gmail.com

O culto da Música em Sines Chegamos ao pico do Verão, sentimos os nossos corpos e espíritos assolados por uma onda de agitação e libertação. Tanto se procura o relaxamento durante o dia como uma longa noite carregada de energia vibrante. Em Sines, pequena cidade virada para o mar e para o mundo, entre os dias 28 e 31 de Julho, onde se realizou o Festival de Músicas do Mundo, encontrei esses dois estados de espírito. Se existe uma palavra comum a todos aqueles que tiveram o privilégio de lá estar, e que descreve o ambiente na perfeição, essa será “Mágico”! Durante quatro dias tive a oportunidade de desligar a ficha do nosso pequeno e complexo mundo, para poder ligar uma outra, aquela que nos liga ao mundo da música e a alegria de partilharmos a libertação do corpo e da alma. O que torna o FMM realmente especial prende-se com o facto de que a grande como revela grande amplitude, maioria dos milhares de pes- não se negando ao apelo do soas que recebe, vir num Rock, da Pop e do Jazz, pasespírito de entrega total ao sando mesmo pelo experimenculto da música, e ao contrá- talismo. É através desta fascinante mescla que rio do acontece se abrem novos na maioria dos (...) o que se horizontes e se grandes festivais vê em Sines não é enriquece a edude música que se de forma alguma cação musical. realizam pelo país Se muitos que já fora, que osten- vulgar e podem conhecem o contam um cartaz contar com uma com nomes liga- agradável surpresa. ceito do FMM não se surpreendem dos a um meio com o que vão musical mais industrializado e imposto por ver, outros há que vão pela priinteresses comerciais, o FMM meira vez e sofrem uma autênconvida-nos à descoberta da tica revolução auditiva, pois o música no seu estado mais que se vê em Sines não é de intrínseco e valioso, a assistir forma alguma vulgar e podem contar com uma agradável surà sua criação e recriação. A World Music, conceito presa. De facto, a World Music musical em constante mutação, tanto nos transporta às raízes caracteriza-se cada vez mais da música tradicional e do Folk, pela fusão, um caldeirão

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DANIEL CORREIA

Panorama musical em Setúbal

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CULTURA 13

CULTURA

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enorme e riquíssimo em ingredientes, uma delícia para os apreciadores de instrumentos tradicionais, onde é frequente encontrarmos um djembê e um n´goni em perfeita harmonia com um violino, um contrabaixo, um saxofone e um acordeão. Foi o que vimos com N´Ddiale-Jacky Molard Quartet & Founé Diarra Trio, uma espécie de fusão afro-celta, um dos melhores concertos que Sines nos presenteou. Houve muitas e agradáveis surpresas, sendo o último concerto dentro das muralhas do castelo realmente marcante, não só pela energia contagiante e hipnótica, tão característica de África, que nos trouxeram os Congoleses Staff-Benda Bilili, como também pela mensagem que traziam. Este grupo formado por músicos de rua,

na maioria deficientes moto- certos dentro do castelo e a res, vieram ensinar-nos um folia dos concertos na praia pouco sobre a admirável capa- não havia espaço para o tédio, cidade Humana de transmitir durante o dia não faltaram actialegria, isto através da música, vidades paralelas como exposições, feira do livro, e, espantem-se… workshops para da dança! No (...) a World crianças, animamínimo, arreMusic caracteriza- ções de rua, enfim, batador! um leque variaP u d e m o s -se cada vez mais díssimo de opções tanto sentir a pela fusão, um de entretenimento d o c e e n vo l - caldeirão enorme que caracterizam vência dos rit- e riquíssimo em o propósito deste mos sul-ameriingredientes verdadeiro festival canos, como a de cultura. melodia judaica Ao final senti a plenitude com contornos de jazz, música clássica e rock, tal como nos de uma experiência valiosa, trouxeram os Barbez, ou Yas- de compreender mais uma min Levy, a israelita, que nos forma de expressão univermostrou como a música do sal capaz de unir o mundo… Médio Oriente se embeleza viva a música!... Viva Sines! com o Flamenco. E, se ao longo da noite, entre Daniel Correia o ambiente místico dos conCidadão do Mundo


CULTURA

Guilherme Augusto de Vasconcelos Abreu A sua descoberta cultural da Índia - II Vasconcelos Abreu, de acordo com as notas biográficas feitas por sua filha aquando das comemorações do seu nascimento, «estudou em Coimbra e no Porto, indo depois para o Rio de Janeiro. Voltou a Portugal e, na Universidade de Coimbra, formou-se em Matemática, com três distinções; entrou depois na Escola de Guerra, matriculando-se no curso de artilharia, que não terminou; na Escola Naval, concluiu o curso de engenheiro naval. Simultaneamente, estudava tudo o que dizia respeito à história e às tradições gloriosas de Portugal, com especial relevo para a Índia. Pareceu-lhe por bem que, sem o conhecimento pleno das línguas, literaturas e religiões dos povos que habitavam o Império Português, não se poderia ter acerca deles um conhecimento completo. Estudando detalhadamente Os Lusíadas, verificou que Camões, só conhecendo as línguas hindus, poderia conhecer e descrever as lendas d’aquelas regiões. Foram, portanto, as Línguas Orientaes que tomou por base para os seus trabalhos de investigação. Funda uma instituição para os Estudos Orientaes, para o que se associou ao Marquez d’Ávila e Bolama e ao Conselheiro Possidónio da Silva. Na sala das Ciências Médicas de Lisboa, Vasconcellos de Abreu apresentou as suas ideias numa exposição feita perante os membros da Comissão Nacional Portuguesa do Congresso Internacional dos Orientalistas. A referida Comissão fora convocada para constituir uma Associação Promotora dos Estudos Orientalistas e Glóticos em Portugal.»

cadeira de Sanskrito no Curso prémios em diversos ConSuperior de Letras e como era gressos Orientais e a ele se impossível encontrar outro pro- deve a introdução em Porfessor, foi aberta uma excepção. tugal dos caracteres tipográEm documento arquivado na ficos em Sânscrito.” Em 1903, reconhecendo Torre do Tombo, lê-se: “Parece o único meio con- a sua extrema importância, veniente que o Professor o Ministro do Reino decidiu em questão, conforme se iniciar o Estudo do Sanskrito presta, dê aulas aos alunos na Univerdade de Coimbra, em sua casa. Prevendo todas nomeando Vasconcellos de as hipóteses, se algum aluno Abreu professor nessa Universidade. não compareContudo, o cer, não haverá A sua desseu estado de outro recurso saúde agrasenão admiti-lo coberta cultural da va-se. a o e x a m e d a s Índia, as suas obras A geração restantes cadei- monumentais em de Guilherme ras e abrir a sua Sanskritologia, têm Vasconcellos matrícula no ano um significado acade Abreu idenseguinte. Deve tificava-se proporcionar-se démico e histórico com um certo aos alunos, em perpétuo nas relamovimento de todos os casos, ções seculares entre Renascimento o meio de cursa- Portugal e a Índia. em Portugal, rem a disciplina cujo espírito de Sânskrito, que, no quadro do Curso Superior continha elementos provede Letras, é considerada como nientes de diferentes correntes do pensamento, aos quais indispensável.” se juntavam o Budismo e a Na Índia, a extraordinária Sanskritologia da Índia. contribuição de Vasconcellos Para Vasconcellos de Abreu de Abreu, quer como Sanskritologista quer como Professor vai o mérito de ter começado de Sânskrito, foi reconhecida. em Portugal o ensino em Em Abril de 1893, o “Times of Sanskritologia a nível oficial. India” afirmava claramente o Para ele, vai também o crédito de ter levado a importância seguinte: e o prestígio de Portugal aos “ (…) Embora Portugal tenha vários Congressos Internacioestabelecido com a Índia uma nais de Orientalistas. relação de 400 anos, esse país A sua descoberta cultural não produziu nenhum estudioso do Sanskrito de relevo. da Índia, as suas obras monuEntre os poucos portugueses mentais em Sanskritologia, que tardiamente se devota- têm um significado académico ram ao estudo do Sanskrito e e histórico perpétuo nas relaà Literatura Antiga nessa lín- ções seculares entre Portugua, um lugar distinto deve gal e a Índia. Na verdade, na ser atribuído a Vasconcellos História do Orientalismo no de Abreu. O seu nome não Ocidente. é desconhecido dos outros Oryentalistas europeus. Foi Anil Samarth distinguido com numerosos Professor

A contribuição de Vasconcellos de Abreu, no contexto dos Estudos Orientais, foi reconhecida por diferentes governos: o Governo Português homenageou-o com a Ordem de Santiago, o Governo da Suécia com a Ordem da Comenda da Ordem de Wasa e a Turquia com a Insígnia de Grande Oficial da Ordem de Mejidie. Guilherme era apreciado e respeitado, ao mais alto nível, pelos seus contemporâneos europeus, a tal ponto de a sua presença ser frequentemente requerida nos vários congressos internacionais de Orientalistas. Tendo sido o primeiro Professor de Sânscrito em Portugal, teve de começar pelo princípio. Por esta razão, uti-

lizou os seus próprios livros como textos de apoio para os seus alunos, tais como: 1- Carácter da Civilização Arya-Hindu; 2- Importância do Sãoskrito Clássico; 3- Manual para o Estudo do Sãoskrito Clássico; 4- Exercícios de Sânscrito: Cadernos dos Temas e dos Feitos segundo método. Guilherme teve muitos alunos brilhantes, entre os quais se contam José Francisco de Bettencourt e João de Sande Maria Salema Ayres de Campos. Entretanto, Vasconcellos adoece devido ao seu problema diabético. Fica impossibilitado de sair de casa para leccionar. Devido à importância da sua

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NR 07

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A festa continua - XII festa do Teatro Celebram os 25 anos de existência, o que é raro num grupo de teatro. Para além disso têm um historial de reportório extremamente aliciante e representações marcantes que por muito tempo perdurarão na memória do seu público. O que fazem, fazem-no com saber e com amor. O Sul foi entrevistar Graziela Dias e José Maria Dias para uma antevisão do maior evento teatral de Setúbal, que no final do mês de Agosto estará na rua. São os organizadores da Festa do Teatro, evento internacional que tem grande repercussão junto dos meios culturais do país e projectam Setúbal para uma visibilidade cultural que não costuma ter. O programa este ano não os deslustra, misturando audácia e apostas certas, com uma companhia catalã e outros mais habituais, que já encontraram o seu público nesta cidade. O Sul - Celebram este ano 25 anos de existência do Teatro Estúdio Fontenova. Que nos podem dizer sobre a sua história? Teatro Estúdio FontenovaFizemos muitas coisas, muitas mesmo, pelo que é difícil sintetizar a sua história. Contudo, se há quinze anos nos dissessem que estaríamos nas actuais circunstâncias, com dificuldades enormes ao nível dos materiais de cena e da infraestrutura, nós não acreditaríamos. A nossa relação com o público é forte e duradoura, mas o reconhecimento institucional é muito tíbio. Relembramos, por exemplo, que o material de luz que temos é o herdado ainda de outros grupos de teatro que nos antecederam, ou seja, tem já trinta e tal anos. É impensável continuarmos a fazer o que fazemos com material tão antigo. Isto é muito básico. É a mesma coisa que funcionar na internet com uma ardósia e uma pena. S - Trata-se de um dos três grupos de teatro profissionais de Setúbal. Focaram-se num teatro para um público adulto e com referências teatrais. Estarei correcto? TEF - Sim e não, não e sim. Nós fazemos teatro para um público abrangente. Agora, a estéticas que apresentamos é que é exigente, o que pode fazer com que um público menos avisado, ou até de um nível cultural muito baixo, possa não compreender, de imediato, o que estamos a fazer. Porém, não temos qualquer dúvida que o essencial é sempre apreendido. Depois, no

final das peças, estamos sempre à disposição das pessoas e com elas falamos e interagimos. Parece-nos que, efectivamente, a nossa estética não é populista e não é brejeira. Podemos ter abertura a qualquer público e não descurar as coisas, não deixarmos

de ser exigentes. Para além de divertirmos as pessoas, também queremos que elas aprendam alguma coisa. Isso é cultura! Creio que a diversidade de autores que temos no repertório confirma esta ideia. Não, não cremos que sejamos elitistas. S - Neste ano de celebração, antecedendo a Festa do Teatro, tiveram já um conjunto numeroso de peças em cena. Como conseguiram fazê-lo, atendendo à dimensão do grupo e aos problemas financeiros? TEF – Com muito esforço e muito boas vontades. Os apoios que temos mal dão para viver o dia-a-dia. Não conseguimos um pé-de-meia para nos apetrecharmos. Recorremos à “prata da casa” e temos actores externos que connosco colaboram pelo pra-

zer de aqui trabalharem, pois S - A Festa do Teatro vai para a se fossemos pagar o preço 12.ª edição. Que surpresas para de mercado, pura e simples- este ano? mente não podíamos. Nisso TEF - A Festa que pensámos também temos culpa, pois as para a celebração deixaria a instituições habituaram-se a cidade muito diferente. Contudo que nós nos fossemos desen- a Direcção-Geral das Artes do rascando. Tal não invalida que Ministério da Cultura, não nos deveriam pensar melhor nos atribuiu a verba. Estamos zangados e estamos apoios que tristes. Pedimos nos atribuem, Parece-nos 200 000€ para ao invés de, as celebrações das por exemplo, que a nossa estética bodas de prata, o gastarem em não é populista e que permitiria um brutais sardinão é brejeira festival de um nível nhadas, que nunca antes visto, afinal sempre têm custos. A nossa vontade um festival à altura de Setúbal. é a de apresentar um serviço Ao invés vamos fazer a Festa público a esta cidade, com com 20 000€, o que faz com sacrifícios pessoais grandes, que o TEF, neste ano, nem vá fez-nos chegar aqui. Agora, apresentar peça própria. Quería nossa razão de existência amos repor “As mãos de Abraão é apresentarmos os nossos Zacut”, uma das mais emblemátrabalhos e fazermos a Festa ticas peças na história do grupo, mas tal implicaria muitos actodo Teatro. res, que não temos como pagar. Quando Mata Cáceres decidiu avançar com a Festa do Teatro tivemos 15 000€, dez anos corridos pouco mais temos. Aliás, este ano reduziram a verba em 800€, o que nos cria algumas dificuldades. É ridículo! É, no entanto, o evento cultural local com maior projecção na imprensa nacional. Tal atesta da qualidade que tem. Agora imaginem pagar aos grupos, os respectivos alojamentos e comida. Há instituições que ainda agora não pagaram o apoio prometido no ano transacto. Já demos provas que não estamos a construir vivendas com piscina à conta do dinheiro dos contribuintes. E, como habitualmente, vamos satisfazer o público, pois apesar de tudo isto fizemos o melhor que pudemos e sabemos, para não o desiludir.

S - Correm alguns comentários nos meios culturais da cidade, que não posso deixar de vos colocar. É verdade que o Teatro Estúdio Fontenova está de saída de Setúbal? TEF - Essa pergunta já nos anda a perseguir. Não, não queremos sair. Contudo, neste momento, o grupo reestrutura-se com uma nova geração e como se costuma dizer, “o futuro só a Deus pertence”. José Luís Neto jose.neto@jornalosul.com


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