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eles NÃO

JORNAL‐LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO UFU ANO 03 Nº 16 JUNHO‐JULHO/2013

estão

estão

na capa

CONSTRUINDO

UM NOVO PAÍS

4 5 8 9

games ‐ bolsas em atraso? ‐ paquera vir tual ‐

música em festivais ‐


2 opinião

senso

comum junho/julho de 2013

EDITORIAL

VOZES

Genética revolucionária

Faz a diferença?

O país assistiu com espanto e orgulho, no último mês, a uma multidão de pessoas, na maioria jovens estudantes, que saiu às ruas para protestar. As pautas eram muitas, mas o que os uniu foi a indignação com a situação do país e o desejo de construir um lugar melhor para viver, com serviços públicos de qualidade, mais ética na política e respeito à educação. Esse grito de "vem pra rua" chegou a Uberlândia e o Senso não podia deixar de registrá-lo. Mais do que palavras, dedicamos a ele o espaço da Fotorreportagem, com registros de uma data histórica para o país: 20 de junho de 2012. Mas, tomando esse gancho, também queremos convidar você, leitor, a uma reflexão. Segundo as palavras de ordem que ouvimos nesses dias de agitação, o Gigante, que estava eternamente deitado em berço esplêndido, acordou. Será? Nesta edição 16, vamos mostrar que temos muito perto de nós alguns jovens que nunca dormiram, que há tempos se organizam para reivindicar seus direitos e lutar por um país mais justo e uma universidade com maior qualidade. Por isso, abrimos espaço de destaque para discutir, na nossa matéria de capa, o movimento estudantil na UFU, suas características e diversidade. Você vai perceber que essa história é longa, começou no início do século XX, e cheia de conquistas que não podem ser ignoradas. O que o Senso pretende mostrar é que os jovens que compõem as diferentes correntes desse movimento, assim como aqueles que pela primeira vez saíram às ruas para se fazer ouvir, são duas faces da mesma moeda, marcadas pela “genética revolucionária" da juventude brasileira. A eles nosso respeito e admiração. Que sigam erguendo suas bandeiras e mostrando que os filhos do Brasil não fogem à luta. Boa leitura!

n°16

Arthur Franco

No dia 20/6 Uberlândia saiu às ruas. Como por todo o Brasil, manifestantes foram às ruas reivindicar pelas mais diversas causas. E eu estava lá, junto de mais de 40 mil manifestantes. E a pergunta que não saia da minha cabeça antes da manifestação começar: vale a pena? As pessoas saíram às ruas no último mês não só por 20 centavos. As bandeiras levantadas eram várias: a busca pelo fim da corrupção (e nesse ponto os debatentes devem se perguntar: como a corrupção é fundada no sistema político brasileiro), da impunidade política

(aprovação da PEC 37), da opressão policial e do abuso de poder. São 20 centavos que podem comprar a melhoria do transporte coletivo e do sistema público de saúde, uma educação de base e de qualidade. É uma discussão iniciada sobre o papel de uma constituição “democrática” no cotidiano de uma família que vive com menos de um salário mínimo, sobre a participação real das pessoas nos processos de decisão política, sobre a dominância econômica de oligopólios. Confesso. Nunca fui propriamente politizado e interessado na política de

Bazinga!

forma geral. Mas, nas últimas semanas, estou lendo tudo que sai acerca dos protestos e dos seus desdobramentos. Fui buscar conceitos e como funciona verdadeiramente a política nos bastidores. Quero saber qual a origem dos nossos problemas sociais e como eles podem ser alterados. Como o meu simples voto afeta toda a máquina política e o que esperar daqui pra frente, tanto das manifestações quanto do rumo político do país. Durante a manifestação, conversando com uma amiga que, como eu, não se interessava tanto por política antes da onda de protestos, vi que não estou sozinho. Ela me disse: agora estou lendo muito mais sobre política, tentando entender como o “jogo” acontece e o que eu posso fazer para melhorar o panorama geral. Durante o dia escrevo para o Senso (in)Comum e a noite sou garçom em um bar. Ao servir as mesas, é claro que se ouve um ou outro pedaço de conversa dos clientes. E o que eu mais ouço são pessoas conversando sobre as manifestações e as suas motivações. Ouço muita bobagem, claro, mas uma vez ou outra escuto frases ditas com bom senso. O importante é perceber que o tema está sendo debatido. As pessoas estão expondo os seus pontos de vista, procurando conhecer mais, saber mais, estar informadas. E é com o diálogo que construímos um país mais justo e igualitário. É pela discussão de idéias que vemos o que pode (ou deve) ser mudado e como essa mudança deve ocorrer. Isso me mostra que as manifestações fazem, sim, a diferença. Pode ser que não mudemos de uma hora para outra. Pode ser que a maioria dos manifestantes nem saiba pelo que está protestando. Mas se ao menos uma pessoa (e eu sei que não é só uma) mudar a sua forma de pensar, já é uma vitória.

Expediente O jornal-laboratório Senso (in)Comum é produzido por discentes, docentes e técnicos do curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo da Universidade Federal de Uberlândia, como projeto de graduação e atividade curricular.

instituição Reitor: Elmiro Santos Resende Diretor da FACED: Marcelo Soares Pereira da Silva Coordenador do curso de Jornalismo: Gerson de Souza

equipe Editora-chefe: Ana Spannenberg (MTb 9453) Reportagem, redação e edição: Arthur Franco, Emílio Lins de Sá Vieira e Marcos Vinícius Reis Arte e Diagramação: Ricardo Ferreira de Carvalho

colaboração Reportagem e redação: Aline Pires, Carlos Gabriel Ferreira, Isley Borges, Larissa Rosa, Leandro Fernandes, Letícia Daniela Gonçalves Medeiros, Neimar Alves, Taís Bittencourt Opinião: Arthur Franco, Daniela Malagoli, Guilherme Gonçalves, Isley Borges e Neimar Alves

Fotografia: Ana Luiza Honma, Carlos Gabriel Ferreira, Isley Borges, Neimar Alves e Taís Bittencourt Tiragem: 2000 exemplares Impressão: Imprensa Universit./Gráfica UFU E-mail: sensoincomumufu@gmail.com Blog: sensoincomumufu.blogspot.com Twitter: @_sensoincomum Telefone: (34) 3239-4163


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ciência e tecnologia

SAÚDE

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Pesquisa aponta problemas de postura recorrentes em estudantes

Excesso de peso carregado, sedentarismo e maus hábitos ao sentar podem trazer prejuízos à saúde

Neimar Alves Repórter

Manter uma postura adequada deve ser um hábito cultivado desde a infância. É o que demonstra uma pesquisa desenvolvida pelo curso de Fisioterapia da UFU, que correlacionou o peso de 124 crianças da Escola de Educação Básica (ESEBA) com a quantidade de materiais carregados nas mochilas. O projeto, que contou com o apoio dos pais e da instituição, faz parte do Programa de Extensão Integração UFU/Comunidade (PEIC) e foi desenvolvido durante todo o ano de 2012. A professora e coordenadora do curso, Eliane de Carvalho, explica que o estudo serve de alerta. “Nós observamos que essas crianças acabam carregando diariamente de dez a 20% do peso corporal e isso é um valor grande, que vai levar a uma alteração postural, tanto da parte óssea como da muscular”, explica. As crianças são as mais prejudicadas por estarem em fase de crescimento. Outros fatores associados foram considerados, como os tipos de calçado e de transporte utilizados. O estudo

indicou que a maioria dos escolares vai às aulas de chinelo, além de haver mais relatos de dores entre os que vão de carro próprio. “A criança que tem uma vida mais saudável, se movimenta mais, brinca e tem outras atividades se sente melhor”, comenta Carvalho, condenando o sedentarismo.

cessidade de transportar muitos objetos por todo o lado como um mal da vida moderna, e sente o desgaste físico. “Sempre tive problema de dores e de postura. Quando preciso carregar muitas coisas acaba doendo e, no final do dia, tem que tomar remédio”, conta.

Alinhamento corporal

Prevenção

É comum que, cotidianamente, alunos não mantenham o correto alinhamento do corpo. Sentar-se no canto da sala de aula e torcer o corpo para enxergar melhor o quadro, por exemplo, é um hábito que pode levar a alterações na curvatura da coluna, além de provocar dores. Mas as orientações não devem se restringir ao ambiente escolar. “Não adianta ter um bom posicionamento na escola se, quando chega em casa, faz outras atividades em que mantem uma má postura”, ressalta a fisioterapeuta e professora Viviane Peixoto. Dores decorrentes de uma postura inadequada não são exclusividade dos pequenos. O estudante universitário Victor Albergaria classifica a ne-

Peixoto destaca que a orientação postural é o primeiro passo para a prevenção e dá como exemplo o trabalho feito na ESEBA: “A gente percebe que as pessoas carregam muita quantidade

Evite dores - O encosto da cadeira existe para apoiar as costas. Use-o! - Nunca se sente na borda do assento com as costas projetadas para frente. Apoie a lombar e o glúteo entre o assento e o encosto. - Os pés devem sempre estar apoiados ao chão para não gerar sobrecarga no processo de circulação das pernas.

de peso nas mochilas, que é o material acima do que deveriam carregar”. A conscientização deve envolver a família, a escola, o profissional da área da saúde e o próprio estudante. A pesquisadora sugere que pais e professores fiscalizem o peso das mochilas e que sejam criados escaninhos nas escolas para que os alunos não precisem transportar todo o material para casa. “Existe um projeto de lei, que foi criado em 2012, que determina que o peso que os escolares devem carregar não pode exceder 15% do peso corporal”, conta. - Deixe a tela dos monitores ao nível dos olhos, sem que haja necessidade de movimentar o pescoço. - Distribua os pesos das mochilas, bolsas e sacolas igualmente entre os dois braços. - Nunca leve tablets ou notebooks a cama. Coloque-os sobre uma superfície que ofereça apoio para os braços e não gere sobrecarga para os ombros.

Realidade virtual facilita operação em subestações de energia elétrica Projeto da UFU em parceria com a Cemig foi apresentado no principal evento internacional da área Neimar Alves Repórter

Dois professores da UFU e um engenheiro da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) criaram uma réplica virtual de subestação de energia elétrica. A aplicação permite que operadores visualizem o ambiente em três dimensões e executem ações como se estivessem caDivulgação

Modelo de sub‐estação em 3D

minhando por ele. Entre os benefícios da ferramenta estão a redução de gastos com deslocamento, a melhoria da segurança e a agilidade das operações. Subestações de energia elétrica, como as da Cemig, são controladas por um painel em duas dimensões. Os equipamentos localizados na subestação executam as ordens enviadas por uma central. O novo sistema permite realizar essas tarefas com uma aparência próxima à real e sem sair da sala de comando. A pesquisa é desenvolvida pelos professores da Faculdade de Engenharia Elétrica (FEELT) Alexandre Cardoso e Edgard Lamounier e pelo engenheiro da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Paulo Prado. A tecnologia é inédita no mundo e

coloca a UFU em posição de destaque, devendo ser colocada em prática pela Cemig em breve. O projeto foi apresentado na IEEE Virtual Reality, prin-

cipal conferência internacional e exposição sobre realidade virtual. A edição de 2013 aconteceu em março, em Orlando (Flórida), nos EUA. FOTO: Neimar Alves

Para Lamounier, os conhecimentos técnicos devem se aproximar da prática


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INOVAÇÃO

Mercado de games chama atenção de público universitário Estudantes da UFU investem em minicursos e competições para o desenvolvimento de jogos digitais Repórter

Os jogos eletrônicos vêm ganhando espaço no cenário nacional. Entre as apostas brasileiras para os investimentos na área, está a produção de games. Desde 2010, estudantes de Ciência da Computação da UFU se dedicam à competição denominada “Batalha de Games”. Unindo diversão e preparação para o mundo profissional, o evento organizado pelo PET do curso de Ciência da Computação – CompPET, tem como objetivo promover o desafio intelectual e computacional para a comunidade acadêmica. A terceira edição do evento está prevista para ocorrer em 2013 e todos os alunos da UFU podem participar. Inscritos em grupos de até três participantes, os estudantes desenvolvem games em conformidade com um tema proposto. Fabiano Dorça, doutor em Inteligência Artificial e professor do curso, que foi jurado da segunda edição, conta que a avaliação é rigorosa. “A criação dos jogos deve levar em consideração uma série de recomendações sobre a qualidade gráfica, facilidade de uso, diversão e entretenimento”, explica.

Como forma de preparação, o CompPET oferece dois minicursos: criação de jogos para Android e Pygame, sendo o primeiro na categoria mobile e o segundo, desktop. De acordo com a secretaria de Relações Públicas do grupo, o intuito de ambos é despertar o interesse e a competição, a fim de trazer mais participantes para a Batalha. O estudante Vitor Carvalho pretende participar da competição, de preferência nas duas categorias. Apesar da maior dificuldade na criação para o sistema Android, Carvalho diz que esta é a modalidade mais divertida. “Com certeza, o melhor dos benefícios será a experiência e, quem sabe, se meu time vencer

possamos conseguir uma visibilidade no mercado para algum estágio”, aponta. Para a secretaria de Relações Públicas do CompPET, a “Batalha de Games” tem uma recepção positiva na UFU, o que pode ser notado pelo crescimento do número de participantes entre a primeira e segunda edição, em 2010 e 2011.

O número de pessoas que participaram do júri popular também foi muito expressivo, contando com 190 votos na 2ª Batalha. ARTE: Mariana Molina / Ricardo Carvalho‐ FOTOS: Reprodução

Letícia Daniela Gonçalves Medeiros

História dos jogos digitais

O primeiro jogo para computador foi criado em 11958 95 8 e, desde então, os games começaram a ganhar força, aparecendo em diversas versões e, posteriormente, migrando para os portáteis. Um levantamento de dados feito pelo Ibope mostra que um a cada cinco brasileiros são jogadores assíduos ou eventuais, o que coloca o Brasil como o segundo lugar no ranking mundial de viciados em games.

Sustentabilidade em casa, no trabalho e na universidade UFU investe em ações sustentáveis, construções que preservam meio ambiente e formação consciente Taís Bittencourt

FOTO: Taís Bittencourt

Repórter

Você já deve ter reparado que a UFU está com diversos blocos recéminaugurados e vários em construção. Muitos deles destacam-se por serem as chamadas edificações verdes, que visam proteger e conservar o meio ambiente. De acordo com a arquiteta responsável por algumas obras da UFU, Leonor Maria Tavolucci, a sustentabilidade é uma questão primordial nos projetos, pois apesar de elevar os custos, traz um retorno econômico muito rápido. O bloco 8C no campus Umuarama, inaugurado em 2012, foi o projeto pioneiro para vários recursos sustentáveis. O telhado verde, as chaminés de ventilação e a captação de água pluvial ajudam a diminuir os gastos com energia e água, além de promoverem a preservação do meio ambiente.

Sistemas de ventilação integrados reduzem os gastos com energia elétrica

Sustentabilidade é uma palavra que tem aparecido bastante na mídia, mas seu significado ainda não está claro para muitos. Na universidade, disciplinas sobre o tema são ministra-

das em vários cursos. A professora da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design, Juliana Cardoso, afirma que o mais importante é despertar consciência, não só na vida profissional, co-

mo no cotidiano. Para o profissional, Juliana diz que a sustentabilidade é um ciclo que começa na escolha da matéria prima. Depois, o designer deve atentar para o processo de produção, a logística de transporte até o consumidor final e o descarte futuro do produto. Observando todas as fases, um profissional pode ter atitudes menos invasivas e uma postura mais conservacionistas dos recursos naturais. A aluna do 4º ano do curso de Design, Camila Gonçalves, reforça essa ideia. “O tema nos mostra meios de se fazer algo de forma a criar menos impacto no ambiente”. Já o aluno do 3º ano de Arquitetura e Urbanismo, Edmundo Neto destaca o impacto para a sociedade. “Bons projetos englobam ações sustentáveis, que irão gerar economia e conforto ambiental à população”, resume.


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atualidades

ASSISTÊNCIA

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Estudantes e Diase divergem sobre atraso nas bolsas Alunos relatam demora na distribuição de auxílios e o setor responsável nega problema

Emílio Lins Repórter

A quantidade de bolsas concedidas pela Divisão de Assistência ao Estudante (Diase) cresceu, nos últimos anos, com a expansão do número de vagas oferecidas pela UFU. As políticas de ações afirmativas implantadas pelo governo contribuíram para o quadro, visto que os auxílios para transporte, moradia e alimentação são dedicados a alunos que estejam em situação de vulnerabilidade econômica. Mas possíveis atrasos no pagamento dos valores têm sido narrados pelos beneficiados. A estudante F.D.B. (que não quis se identificar) questiona a demora no

recebimento da bolsa-moradia. “O maior atraso foi quando uma bolsa caiu no começo do mês e, no mês seguinte, foi depositada no final. Foi complicado porque teve um intervalo muito grande entre o depósito das duas bolsas”, declara. A aluna diz que tenta pagar as contas com o dinheiro dos pais, deixando o auxílio para outras despesas, pois não sabe quando o pagamento será feito. Segundo os atendidos pelos benefícios, não saber ao certo quando o depósito será realizado prejudica a gestão das contas. A estudante de Psicologia N.F. sente dificuldades para lidar com essa questão. “O maior problema nisso é que a maior parte

das contas que precisamos pagar é até dia 10. Sendo assim, o banco fica negativo e precisamos arcar com os juros”, afirma. A assistente social da Diase, Marilza Helena explica que a bolsa não atrasa. Ela conta que o pagamento pode ser efetuado com antecedência, criando a ilusão de que o depósito seguinte será feito na mesma data. Para ela, o que ocorre é um equívoco dos alunos: “o setor financeiro processa e, às vezes, paga antes. O estudante acha que ele recebe entre o dia 10 e 12, mas não é real. É entre o dia 20 e 25. O pagamento é feito sempre dentro do prazo”. Marilza explica que começo e final de ano são períodos conturbados para

o departamento financeiro da universidade. Mas, segundo a assistente social, o pagamento tem data limite. “Passar do dia 25, não passa. Nos últimos anos não passou. Estou aqui há sete anos. Desde que a gente tem esse sistema definido, não tem atraso”, afirma.

Mais informações: Entre em contato com a Diase pelo telefone: (34) 3230-9556 ou o e-mail diase@proex.ufu.br. A Diase está localizada no bloco 3Q do Campus Santa Mônica.

Psicologia auxilia pais e educadores na formação escolar Desenvolvimento da aprendizagem das crianças deve ser vista com atenção, porém sem fórmulas Neimar Alves Repórter

A interação professor e aluno envolve questões emocionais e a Psicologia auxilia nesse processo. Segundo a psicóloga e professora do curso de Pedagogia da UFU, Arlete Miranda, o homem é composto de razão e emoção. Para ela, o fator emocional está muito ligado à aprendizagem e é importante que o professor compreenda o aluno. “A relação que você tem com o seu professor é mais importante até que os conteúdos que são passados”, afirma. A psicóloga destaca casos extremos de conflito entre docentes e discentes culminando até mesmo em agressão física e verbal, vistos de maneira corriqueira nos veículos de comunicação, porém acredita no diálogo como melhor método para compreender o outro, as raízes do problema e conseguir confiança. Segundo Miranda, é preciso que o professor use de autoridade, mas sem ser autoritário.

A família também possui papel essencial na formação e no aprendizado das crianças enquanto o papel da escola é a instrução, a formalização do conhecimento. É o que pensa a pedagoga Adriana Carolina, mas destaca que essa relação não é perfeita e que, em sala de aula, na maioria dos casos, não são encontrados somente alunos considerados ideais: “Para uma relação ser ideal, presume-se que as condições também teriam que ser, o que é utópico”. Adriana arrisca a dizer que sua profissão talvez seja uma das mais difíceis e que não acredita em fórmulas para ser professor, mas se mostra otimista. “O magistério é uma profissão antes de tudo, e deve ser respeitada dessa forma. Mas acredito que, em qualquer profissão, a pessoa tem que gostar do que faz e se sentir feliz fazendo aquilo, só assim terá resultados realmente bons”, completa.

O curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) dispõe de duas disciplinas voltadas para o estudo da Psicologia aplicada à Educação. Durante todo o segundo ano, os futuros pedagogos aprendem e discutem conceitos e teorias dessa outra área do conhecimento. Arlete explica a importância de o futuro professor conhecer esses conteúdos. “Eles têm que saber o que podem fazer levando em consideração essa teoria. Uma criança de cinco anos ainda não tem noção de reversibilidade, de seriação, de classificação, então o professor não pode pedir atividades que usem esses conceitos porque a criança não vai saber responder”, exemplifica. A professora também ressalta que a Psicologia não regulamenta rigidamente dizendo para os pedagogos o que eles têm de fazer. “Não é uma receita”, finaliza.


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Isley Borges

Repórter

Gonzaguinha já havia nos alertado para o poder de transformação que a juventude tem. Para ele, “essa rapaziada que segue em frente e segura o rojão, que não foge da fera e enfrenta o leão, que não corre da raia a troco de nada, que não ta na saudade”, tem o poder de construir a manhã desejada. Com pautas como educação, cultura popular e combate às opressões, essa juventude se organiza em grupos, nos centros e diretórios acadêmicos, nos diretórios centrais dos estudantes (DCE’s), sempre articulando suas lutas com os movimentos sociais presentes na cidade. O movimento estudantil se inicia no Brasil com a Federação dos Estudantes Brasileiros, fundada em 1901. Essa organização convoca em 1910 o I Congresso Nacional dos Estudantes, realizado em São Paulo. Entretanto, a União Nacional dos Estudantes (UNE), principal entidade representativa dos estudantes, só foi criada em 1937. As reivindicações foram variadas até então, mas deixam perceptível a genética revolucionária dos jovens brasileiros. Essa juventude de luta e paixão é muito plural na UFU. O movimento estudantil da universidade é composto por seis grupos organizados, além dos indivíduos independentes. O diálogo entre esses grupos, muitas vezes, não se dá com facilidade. Todavia, o desejo de mudar o mundo é um objetivo comum entre eles.

A entrada no movimento

Eles querem mudar o mundo comum

comum

Seja no ensino secundarista ou no superior, o movimento estudantil agrega todas as pessoas que se sentem sensibilizadas por alguma causa. Alguns adentram por admiração pelas conquistas que a juventude teve no decorrer da história, outros porque quando ingressaram na universidade puderam consta-

tar as debilidades na organização de determinados grupos que estavam na entidade geral. E ainda existem aqueles que querem mudar a realidade de seus cursos que, vez ou outra, são atingidos por problemas estruturais ou por currículos ultrapassados. Gabriela Araújo, estudante de Ciências Sociais e militante do coletivo “Vamos à Luta”, conta que até entrar na universidade não teve contato com o movimento estudantil. Segundo ela, a decisão de participar deu-se pelo seu deslumbramento pelo que a juventude já tinha conquistado ao longo da história. “Nós precisamos ocupar nosso espaço na política, caso contrário alguém o ocupará por nós”, comenta. A inserção se deu de forma um pouco diferente para Fátima Carvalho, estudante de Geografia e militante da “União da Juventude Socialista”, que teve seu primeiro contato com a entidade ainda no meio secundarista. “Ninguém da minha família é ligada a política, mas decidi, junto com um amigo, montar um grêmio na minha escola”, declara. A cada ano a eleição para a diretoria executiva do Diretório Central dos Estudantes (DCE) é convocada. Todos os estudantes matriculados na UFU podem votar nas chapas que concorrem. Ana Luísa Machado, estudante de Ciências Contábeis e militante do coletivo “Kizomba”, diz que seu interesse pelo movimento surgiu quando ela ingressou na universidade e ficou insatisfeita com a gestão daquele momento no DCE. Ela é taxativa quando diz que “a galera não conseguia se aproximar dos estudantes, que não eram representados e ficavam à margem dos acontecimentos”. E ainda revela que entrou no movimento estudantil com o desejo de mudar tal situação. Anderson Santiago e Márcia Felisburgo conheceram o poder de organi-

“O ‘Levante Popular da Juventude’ é um movimento social que foi nacionalizado no ano passado. Ele faz um debate sobre projeto popular pra edu‐ cação e quer colocar na universidade aquele estudante que está no campo, que está na periferia, que sofre, às vezes, muitas opres‐ sões. Fazemos política através da arte, do tea‐ tro, da cultura, e não aquela coisa quadrada, sem alegria.” (Anderson Santiago)

“O ‘DialogAção’ é um coletivo local, fundado em 2008. Ele veio da necessidade que a gestão do DCE daquele ano tinha de dialogar com os es‐ tudantes. Era um momento de redefinição das forças no movimento estudantil, porque eram os grupos ligados ao PT que tinha a hegemo‐ nia naquela época. Hoje, nacionalmente, com‐ pomos o campo 'Rompendo Amarras', junto com outros coletivos.” (Flávia Franco)

“O ‘Vamos à Luta’ não passa despercebido. Nossa galera consegue colocar a nossa política com muita clareza e objetividade. Ele nos apresenta uma nova maneira de conversar com os estudantes. Às vezes, aceitamos tudo com muita pacificidade e nós não somos assim. Queremos desorganizar para reorganizar. Não queremos estar apenas do lado dos estudantes, mas, também, dos trabalhadores.” (Arthur Santana)

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A juventude que segura a batida da vida conta o porquê e como intervém na universidade e na sociedade.

zação da juventude através de suas irmãs, que participaram do Estágio Interdisciplinar de Vivência e Intervenção (EIVI), espaço do qual eles também participaram anos depois. Os dois são militantes do “Levante Popular da Juventude” e asseguram: “estamos na luta pela construção de uma universidade menos desigual”. Anderson completa dizendo que, com sua entrada na universidade, percebeu o quanto ela era para poucos. Se esses jovens entraram no movimento estudantil é porque acreditam nas suas pautas, que variam de acordo com o grupo que estão construindo, e no seu poder de transformação. Mas, afinal, o que eles querem?

Sonhos em realidade “A ‘União da Juventude Socialista’ está em Uberlân‐ dia há 12 anos. Nós queremos envolver o povo, as massas, no nosso processo de mudança, no projeto de sociedade que defendemos. Nós não acreditamos que a revolução será feita por meia dúzia de revolucionários. Queremos conquistar muitas mentes e co‐ rações. A UJS está em todo lugar: com o secundarista, com o universitário e com o trabalhador.” (Fátima Carvalho)

FOTOS: Isley Borges

“A ‘Kizomba’ quer uma nova cultura política. Nós acreditamos que a universidade precise estar a serviço do povo e não seja um espaço de re‐ produção do machismo, do racismo e da homofobia. A gente luta por um projeto popular de educação e queremos pintar a universidade de povo. Mudando a univer‐ sidade conseguiremos mudar a sociedade. A juventude é a panela de pressão de qual‐ quer sociedade.” (Diego Aguirre)

“O ‘Juntos!’ surge da necessidade que temos de que o jovem protagonize as lutas no Brasil. Nós temos cinco princípios básicos: a luta pelo meio ambiente, o combate às opressões, a emancipadora, a mídia educação alternativa e o internacionalismo. Somos um coletivo nacional e lutamos, sobretudo, por um novo sistema econômico, pois não conseguiremos um novo futuro com o sistema que está posto.” (Samara Castro)

Che Guevara certa vez disse que ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética. Num contorcionismo quase poético, muitos estudantes nos contaram que conciliar disciplinas da faculdade, espaços de debate, reuniões de construção e conselhos pode ser muito difícil, mas o fardo fica mais leve quando se entende que transformar a realidade é necessá-

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rio e que a luta deve ser diária, orgânica e incansável. Flávia Franco, estudante de História e militante do coletivo DialogAção, diz que “a juventude é fruto de uma época” e que “ela tem o papel de questionar, de ir às ruas, e, não, simplesmente de ser mera reprodutora do sistema que está colocado”. Ainda segundo ela, a juventude apresenta a possibilidade de mudança e construção de novos projetos para a sociedade. Samara Castro, estudante de Direito e militante do coletivo “Juntos!” reitera: “a juventude não precisa só da universidade. Ela precisa de luta, de paixão”. O movimento estudantil da UFU não se restringe aos grupos organizados. A estudante de Jornalismo e diretora de comunicação do Centro Acadêmico da Comunicação Social, Maria Tereza Borges, não participa de nenhum coletivo. Ela diz que muita gente não sabe qual o papel do movimento. “As pessoas acham que os estudantes que estão nos centros acadêmicos ou no DCE por passatempo. Elas dizem: ‘esse povo não estuda, só fica por conta de política’”, lamenta.

Pautas concretas Os estudantes estiveram, também, nas últimas manifestações populares propondo pautas concretas. Quiseram protestar contra a corrupção? Eles defenderam a reforma política no Brasil. Quiseram protestar por mais saúde pública? Eles defenderam o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, o SUS. Quiseram protestar por educação de qualidade? Eles defenderam os 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública. Disseram “Abaixo a Rede Globo” e eles responderam exigindo a democratização dos meios de comunicação. Apesar de ninguém do movimento estudantil se considerar liderança dessas manifestações, os militantes fazem intervenções e propõem espaços de debate. Exemplo disso foi a Assembleia Popular realizada na Praça Tubal Vilela, no dia 29 de junho, e a Assembleia Estudantil, realizada

pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) no dia 04 de julho. Além disso, os estudantes estão compondo, significativamente, comissões executivas, que são os pilares das manifestações. As suas bandeiras estão erguidas há tempos e a sua luta não tem prazo de validade. Eles entendem a responsabilidade que o movimento exige e se fazem ver em meio a massa. Como os caras-pintadas, saem às ruas para viverem a política em sua forma mais plena, a diferença, agora, é contextual: vivemos em uma democracia consolidada que respeita a liberdade de expressão. E isso faz toda a diferença. Os estudantes e toda a juventude de luta acredita que é a hora de se conquistar corações e mentes. De se viver a essência da política, de se pensar no bem comum. E é com o “gás” das manifestações que eles travam as lutas na universidade e na sociedade.


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SPOTTED:

novo correio elegante virtual Páginas ganham repercussão como meio de interação entre “paqueras” Emílio Lins e Leandro Fernandes Repórteres

Febre virtual em várias universidades do Brasil e do mundo, o Spotted também chegou à UFU. Para quem não conhece, a proposta é bastante simples. O aluno ou aluna vê uma pessoa mais "interessante" pela faculdade, mas não sabe seu nome. Então, envia uma mensagem para a página contendo características dessa pessoa e a página publica de forma anônima, com o fim de descobrir quem é, ou simplesmente para avisá-la que ela está sendo observada na faculdade. Assim como o nome, essas páginas não têm raízes brasileiras. O criador de uma delas, que prefere se manter anônimo, explica que "importou" a proposta. "Bom, a ideia do Spotted não é originalmente nossa. Nós só tomamos a iniciativa. É uma tendência na Europa há um tempo, o pessoal da PUC-Rio que trouxe pro Brasil. Como eu e minha sócia passamos um tempo considerável na internet, vimos a novidade e resolvemos trazer pra UFU", explica o administrador da página. Fato é que a modalidade já fazia sucesso ao redor do mundo e, no início de 2013, começou a aparecer na timeline do brasileiro. A paquera 2.0

é novo correio elegante, virtual e anônimo. A versão da UFU já tem cerca de 4.300 likes (curtidas). Amanda Cristina, aluna do curso de Administração, acompanha a página e até percebe efeitos do fenômeno Spotted no dia-a-dia dos universitários. “Eu acho que esse clima de romance virtual

Spotted's por todos os lados: A nova modalidade de comunicação está ultrapassando, inclusive, os objetivos de paquera. Além do Spotted UFU (http://goo.gl/YTEz2) para declarações amorosas, também existe o Spotted UFU – VSF (http://goo.gl/THBji), uma versão para desabafo, xingamentos e críticas sobre o que acontece na universidade. Fora da faculdade, temos outras páginas como as das boates: “Spotted Ooze” (http://goo.gl/q54wb) e “Spotted 185” (http://goo.gl/4XmAL). Nem o transporte público da cidade escapa: “Spotted Ônibus UDI” (http://goo.gl/DaV1z), página que ainda não possui nenhuma postagem.

tá mudando até a forma de andar pelo campus. Já percebi as pessoas falando e observando as características de alguém só pra mandar pro Spotted”, explica a estudante. Ela também conta que já enviou mensagens para a página, mas só conseguiu achar um alvo que já estava em um relacionamento. Breno Faquim, aluno do curso de Direito, é outro estudante que já interagiu com a página. Ele já foi descrito por uma pessoa anônima em um post e revela que isso o fez sentir bem com sua auto-estima, embora ele também tenha uma ressalva à proposta. "O lado ruim é que muita gente não aparece nisso, o que gera certa 'seletividade' no meio da galera, diferenciando pela aparência", critica. Além disso, Faquim também questiona que poucas vezes a personalidade das pessoas é valorizada, tornando a ferramenta um pouco superficial.

Em alguns casos, pessoas mencionadas nos posts estão namorando, o que causa ciúmes e incomoda o parceiro. Sobre esse assunto, o administrador da página acredita que deve existir compreensão por parte dos comprometidos. "Nós esperamos que eles entendam que ninguém é dono de ninguém e que isso sirva para os dois se valorizarem ainda mais", sintetiza. De qualquer modo, explica que há possibilidade de apagar qualquer postagem que seja inconveniente para as pessoas em questão. Também existem muitos comentários críticos na página quando uma mulher se refere ao homem pelo carro que ele dirige. O administrador do Spotted critica tal atitude. "Eu, pessoalmente, não gosto que chamem as mulheres de 'maria gasolina'. O carro do cara é só uma característica que a mulher lembrou para que ele seja identificado. É tão injusto quanto chamar a mulher Atritos que identifica o homem como sendo Como era de se esperar, uma página 'forte' como 'maria bomba'. Vamos culcom um alcance tão grande falando sobre par o cara por ter um carro e ir com ele relacionamentos causa certo incômodo. pra faculdade agora?", questiona.

Times de beisebol e softbol representam UFU em campeonatos nacionais Larissa Rosa Repórter

FOTO: Larissa Rosa

A estudante do curso de Engenharia Elétrica da UFU e atleta do TIGRES há quase um ano, Bianca Barbieri, destaca a importância do esporte. “O intuito do grupo é, além de competir, disseminar o esporte na cidade e região." afirma. Guilherme Uehara, estudante do curso de Engenharia Elétrica e capitão do time masculino de beisebol, ressalta as dificuldades que o time enfrenta para treinar. “O que prejudica é a falta da infraestrutura adequada para treinos mais específicos e também para coletivos”, analisa.

Desde 2011, estudantes de diversos cursos da UFU se reuniram com um único objetivo: formar um time de beisebol e softbol que representasse a Universidade. O TIGRES é hoje o segundo time desta categoria na cidade de Uberlândia, sendo que 70% dos atletas são das áreas de Engenharia e Ciências Exatas. De acordo com a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), atualmente há cerca de 30.000 praticantes, 120 times por todo o país e aproximadamente 55 campeonatos nacionais e internacionais por Competições ano. A equipe da UFU é composta por Mesmo com apoio limitado, o TIcerca de 60 pessoas. GRES se mobiliza e participa de grandes

Treino no campo da EDUCA

torneios no país, como o Campeonato Brasileiro de Beisebol e Softbol Universitário (CBBSU), no qual o time masculino conseguiu a 4ª colocação na série B no ano de 2012 e a Taça Universitária de São Carlos (TUSCA), conquistada pelo time feminino de softbol. Para dar sequência a essa dinâmica

de campeonatos e treinar cada vez mais seus atletas, a equipe pretende realizar ao menos um campeonato por semestre. Em setembro o time irá representa o estado de Minas Gerais, pela segunda vez consecutiva, no CBBSU, contando com a participação do time masculino e feminino. Danielle Gonzalez, 21, é pitcher do time de softbol e irá disputar a prova junto a equipe. Para ela, participar de torneios como esse é fundamental para adquirir experiência, além de avaliar o desempenho do time. “Nesses campeonatos os treinadores dão dicas a jogadores de outros times, o que ajuda cada um a evoluir em suas respectivas posições”, relata.


senso

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n°16

cultura e lazer

#Partiufestival

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Novas opções de eventos musicais ganham popularidade entre os brasileiros FOTO: Ana Luíza Honma

Aline Pires e Arthur Franco Repórteres

Pessoas de vários lugares do país reunidas com o mesmo propósito. Sentindo a grama no sapato e a ansiedade de uma multidão que espera por esse momento há dias, semanas, meses. Bandas adoradas há muitos anos, outras descobertas naquele momento, todas ali a uma platéia de distância. John, Joel, Michael e Artie foram os idealizadores do famoso festival Woodstock, precursor dessa onda de festivais. Esses quatro jovens conseguiram planejar “Três dias de Paz, Amor e Rock and Roll” que entraram para a história da música, em 1969. O Woodstock, além se tornar um megaevento de proporções inimaginadas inicialmente, foi responsável pela ascensão de vários nomes do rock, como Jimmy Hendrix, Janis Joplin e Bob Dylan. Seguindo a façanha dos americanos, foi feito aqui no Brasil o Rock in Rio, cuja primeira edição aconteceu entre 11 e 20 de janeiro de 1985. O festival foi uma grande oportunidade para os brasileiros assistirem ao vivo a grandes nomes da música que dificilmente viriam ao Brasil em outras condições. Um milhão e meio de pessoas assistiram os internacionais Queen, AC/DC e Iron Maiden tocarem no mesmo palco que os nacionalíssimos Paralamas do Sucesso, Ivan Lins e Barão Vermelho. Com o grande sucesso, o festival te-

ve sua segunda edição realizada no Brasil em 1991 e, dez anos depois, em 2001, a terceira. Mais tarde, outras edições movimentaram Portugal e Espanha. Foi apenas em 2011 que o Rock in Rio voltou a acontecer no Rio de Janeiro. Em 2013 mais uma edição promete movimentar a cidade, entre os dias 13 a 22 de setembro. A estudante uberlandense Luísa Magalhães foi ao Rock in Rio em 2011 para ver especificamente o show da banda Red Hot Chilli Peppers e ficou muito impressionada com a estrutura do evento. Ela acredita que esses eventos “trazem reconhecimento para os músicos e lazer para população” e, além disso, “é do perfil do povo brasileiro curtir esse tipo de evento musical”. A abertura de espaço para que bandas e músicos novos ganhem visibilidade, e a possibilidade de interação maior entre público e ídolo em diferentes países do mundo são duas consequências geradas pelos festivais. Depois da segunda edição do Rock in Rio, o Brasil teve um momento de calmaria que durou até pouco tempo, com a volta do filho pródigo e a realização de outros eventos, como Lollapalooza, SWU e Planeta Terra. Fernanda Alencar, estudante de Relações Internacionais da UFU, esteve no Lollapalooza, em São Paulo, em 2012, e afirma que “os festivais agregam muito para quem vai, porque você aca-

FOTO: Divulgação London Pub

A banda Funk como legusta foi uma das atrações do Grito do Rock 2013 em Uberlândia

Festival Lollapalooza 2013, em São Paulo, oportunidade de conhecer novas bandas

ba conhecendo novos sons. Você pode ir interessado em algumas atrações específicas, mas quando chega lá tem o dia todo para assistir vários shows”. Para ela, essa oportunidade de conhecer bandas diferentes traz mais cultura musical para o país.

música como uma atividade cultural que possa crescer muito no país, pois, em sua opinião, “ninguém vive sem a música e todos nós somos movidos sentimentalmente, independentemente do gênero musical”.

Grito Rock

Outro evento regional que reúne artistas independentes em um palco com nomes já consagrados é o Festival Goma. A sua quinta edição aconteceu dos dias 12 a 16 de junho e trouxe à cidade diversas atrações. O evento, que foi aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura é promovido em conjunto com a Diretoria de Cultura da UFU (Dicult-UFU). Em 2013, trouxe mais de 20 atrações, entre elas Gaby Amarantos e o rapper Criolo. Além disso, debates, intervenções visuais, performances e oficinas fizeram parte da programação. Naiara Duarte foi uma das que marcaram presença. Ela destaca a organização do festival e a programação bem montada, trazendo “tanto os artistas já conhecidos do público de Uberlândia, quanto abrindo espaço pra novos artistas se apresentarem aqui”. Naiara acredita que um festival como esse abre um espaço para as pessoas mostrarem sua arte, dando “visibilidade ao trabalho dos artistas que não têm fácil acesso à grande mídia, além de criar um momento de encontro para o público de Uberlândia e região.”

Além das megaproduções internacionais, acontecem também os festivais regionais de música, como o Triangulo Music que foi promovido por vários anos em Uberlândia. Também existem os festivais de música mais alternativos, com atrações ainda frescas e pouco divulgadas pela grande mídia. No início de março deste ano foi realizado o Grito Rock Uberlândia 2013, que trouxe as bandas Black Drawing Chalks; Dry; Muñoz; Funk como legusta e Tarso Miller and the wild comets. O Grito Rock é um festival em rede que acontece paralelamente em várias cidades de diversos países desde 2007. Tudo é organizado com ajuda de produtores regionais e as bandas que desejam participar devem se inscrever no Portal “Toque no Brasil”. Flávia de Oliveira assistiu ao show da banda “Funk como legusta”, que tocou no London Pub. Para ela, o festival “é ótimo para estar criando shows diferenciados, trazendo uma agenda cultural diferente para a cidade que estiver recebendo esse evento”. Flávia acredita no potencial desse tipo de evento e da

Festival Goma


10cultura e lazer

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Drinks uberlandenses e afins

n°16

FOTO: Carlos Gabriel Ferreira

Arthur Franco e Carlos Gabriel Ferreira Repórteres

A tradicional “loira” gelada tem certamente o seu lugar determinado em um cardápio dos apreciadores de bebidas. Mas nada impede que outros coquetéis caiam no gosto dos que freqüentam bares e não negam um drink exótico. Percorremos diversos bares em busca de algo que satisfizesse o nosso paladar exigente. Narramos abaixo o que encontramos no caminho.

Brasil com gostinho do Pará

O drink foi criado em Uberlândia, mas a inspiração vem do Pará. O Gaby Amarantos, feito com catuaba e licor de banana, é o carro-chefe do Flag Bar (Rua Barão de Camargos, 193, Centro). O nome é uma homenagem a musa paraense do tecnobrega, que gravou sucessos como Xirley e Ex Mai Love. Na coqueteleira, o barman adiciona catuaba, licor de

A caipirinha de jabuticaba do Mercado Municipal é um drink tradicional em Uberlândia

banana e gelo, que são misturados e servidos em seguida em uma taça de Martini. Para o toque final, mais um pouco de licor de banana, que assenta no fundo da taça e cria um efeito heterogêneo. A escolha das bebidas para a composição do drink vem da proposta do bar: um cardápio diferente a cada temporada, com um preço bacana. Atualmente, a culinária brasileira é a escolhida.

Curso ensina Escrita Criativa Alunos pretendem lançar livro de contos Arthur Franco Repórter

A Central de Línguas da UFU, já conhecida por oferecer cursos de inglês, alemão e francês, está ofertando, desde o início do semestre, um curso de Escrita Criativa. Ao longo das aulas, os alunos aprendem a reconhecer marcas deixadas pelos autores e diversas técnicas utilizadas na escrita literária e como aplicá-las na prática. Leonardo Gedraite é um dos participantes. Segundo ele, a leitura sempre ocupou uma posição central no seu entretenimento. A vontade de fazer um curso de escrita criativa veio “da admiração pelos escritores e da curiosidade

sobre o processo de criação”, relata. Pedro Monteiro, doutor em escrita criativa pela State University of New York at Albany, teve a iniciativa de introduzir a disciplina. Para ele, os alunos “aprendem a fazer críticas construtivas que ajudam seus colegas a melhorarem seus textos.” O professor explica que a escrita criativa pode tomar várias formas, mas de maneira geral o curso é dado em formato de oficinas de poesia, de prosa e de teatro. “Os alunos escrevem e lêem a produção dos colegas”, relata. A idéia é que, ao final do curso, os estudantes publiquem um livro com os contos produzidos.

Um irlandês criado por americanos

Cerveja, licor e uísque, tomados em um só gole. Essa mistura é o Irish Car Bomb, bebida que faz sucesso no Rock’n Beer Irish Pub (Av. Floriano Peixoto, 18). Para compor o drink, coloca-se ¾ de cerveja Guinness em um copo de pint (uma medida inglesa, que equivale a 665 ml) e mistura-se uísque e creme irlandês (geralmente Baileys) em um copo de shot. Ai é só mergulhar o copo de shot na cerveja e mandar pra dentro. O segredo é beber rápido, se não a bebida talha e perde seu sabor. Apesar do nome, o drink foi inventado por um americano e não é muito difundido na Irlanda. Muitos acreditam que a inspiração para o nome vem dos “carros bomba” utilizados em manifestações separatistas na Irlanda, por isso alguns irlandeses consideram o nome ofensivo. Já outros acreditam que o nome vem da mistura de três bebidas irlandesas usadas para compor o drink.

A típica brasileira do Mercado Municipal

Na Rua Olegário Maciel, número 255, com destaque arquitetônico de cores fortes, encontra-se um lugarzinho histórico desta região da farinha podre. O Mercado Municipal, fundado em 1944, é marcado pelos seus produtos caseiros, caminhando entre os doces tradicionais e queijos fabricados por

mãos mineiras. E não para por aí, o local também conta com restaurantes de comida árabe, japonesa e, até mesmo, uma sapataria. O Bar do Mercado oferece um dos drinks mais bem feitos desta cidade: a caipirinha de jabuticaba, servida de quarta a sábado das 17h às 23h. A fruta pretinha é tipicamente brasileira, encontrada nativamente nas terras da Mata Atlântica e que, aqui, descobre o seu par perfeito com a cachaça mineira – uma das melhores do país. Uma doçura que só.

O estrangeiro com Canela

A história desse tal de Alexander é complicada, viu?! Mas já garanto: é um clássico. Sabemos que ele surgiu por volta de 1922, que foi uma das épocas mais gloriosas para a invenção de drinks. Seu contexto de criação é dicotômico, ambíguo e, até mesmo, bipolar. Não se sabe ao certo se foi homenagem a uma princesa, a esposa de um cliente assíduo que tinha o nome do coquetel ou a Alexandre, o Grande e suas guerras. Independente de suas origens, o que mais agrada na bebida é o toque suave do licor de cacau, junto ao gim, contraposta à calda de morango salpicada de canela. O drink é uma das pedidas do Beco da Canela, próximo à UFU, na Avenida João Naves de Ávila. Por um preço bacana, o coquetel ainda é acompanhado por uma porção satisfeita de felicidade.


cultura e lazer

senso

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Velhos do Restelo não merecem a nossa atenção

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Robin Hood do futuro Guilherme Gonçalves

Isley Borges

Divulgação

Na cidade de Lisboa, em Portugal, existiu um velho bastante pessimista. Todos os dias, sem falhar, o homem acordava e ia até a Praia do Restelo. Era de lá que saíam as caravelas que iriam até as Índias ou Brasil. O Velho do Restelo dizia que tudo ia afundar, que ninguém chegaria vivo, que tudo seria desastre. Eram sempre assim as suas palavras. Por isso, talvez, os pessimistas são apelidados de Velho do Restelo até os dias de hoje em Portugal. Culpa do Camões. Entretanto, as caravelas estavam lotadas de gente ousada, apaixonada e dedicada. Por isso, não afundavam, não morriam os aventureiros. Os que ousaram atravessar o oceano, são aqueles que lutam, há anos, por um país mais justo e democrático. São, também, os que se organizam em partidos políticos, os que estão no cotidiano dos movimentos sociais e populares. E os que estão nas últimas manifestações populares. Eu vivo cercadíssimo de Velhos do Restelo. Maniqueístas. Dizem que agora o gigante acordou, que o Brasil deixou de ser bobo, que tudo está uma merda e tal. Essas pessoas só podem se informar diariamente por veículos de comunicação conservadores, direitosos e com o “rabo preso”. O gigante nunca esteve adormecido. Nós vivemos em uma democracia consolidada, temos uma história de conquistas – principalmente nos últimos anos – e indivíduos que nos representam (se não, porque os elegemos?). Alguns criados a leite-com-pera e iogurte estão se levantando contra a política, reduzida à imagem da corrupção. A maioria é filha da classe média e não experimenta a violência do cotidiano experimentada pelos fi-

lhos da classe trabalhadora. Não tenham dúvida: os vitoriosos não foram os que ficaram com o Velho do Restelo, e, sim, os que acreditaram no novo e na utopia. Os vitoriosos somos nós que temos propostas concretas para muitas pautas vagas reproduzidas nos cartazes das últimas manifestações populares. Os vitoriosos somos todos nós que entendemos a importância de se pensar uma política sem corrupção, de se inventar uma nova cultura política. Os vitoriosos somos nós, que não nos recolhemos em casa em tempos de primavera. Camões, em “Os Lusíadas”, reproduz o que sai da boca dos Velhos: "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça / Desta vaidade, a quem chamamos Fama! / Ó fraudulento gosto, que se atiça / C'uma aura popular, que honra se chama! / Que castigo tamanho e que justiça / Fazes no peito vão que muito te ama! / Que mortes, que perigos, que tormentas, / Que crueldades neles experimentas!”. Vamos deixar os Velhos do Restelo de lado. Eles são de outro lugar, de outra realidade, de outro tempo histórico. Eles não merecem a nossa atenção. Conheçam a história de seu país. Fujam dos chavões. Sua pátria percorreu, e ainda percorre, belos caminhos de luta. Seus irmãos são aguerridos e, independente da forma como se organizam, merecem respeito. Abandonem a ideia de que a política pode ser feita sem mediações institucionais. Entendam o que é a reforma política. Não deixem que suas ações sejam reduzidas a um evento das redes sociais. E o mais importante: deixem de ser Velhos do Restelo.

A boa nova da rede

Em “O preço do amanhã” o tempo virou moeda. As pessoas param de envelhecer aos 25 anos e a partir daí precisam trabalhar para ganhar em troca horas de vida. Todos os produtos

Vila Experimental Neimar Alves Divulgação

Um retrato em tamanho reduzido da podridão humana, assim pode ser definida o drama protagonizado por Nicole Kidman. Na fictícia cidade de Dogville (que dá nome ao filme) moram excêntricas pessoas cujos desvios de caráter são evidenciados com a chegada de Grace (Kidman). Fugindo

Sucesso absoluto no Youtube, o canal de humor Porta dos Fundos vem chamando a atenção na internet. Praticando um humor novo e ousado que

vai contra os padrões “Zorra Total”, o grupo de atores posta seus vídeos duas vezes por semana sempre com muita repercussão nas redes sociais. Com um elenco recheado de humoristas talentosos e diferenciados, o projeto vem ganhando cada vez mais visualizações, fãs e atenção da mídia. Em uma fórmula adaptada para a web, com produções curtas e chamativas, eles parecem ter entendido como entreter e trazer qualidade para o público virtual.

de um gangster, a personagem se refugia no local com a condição de trabalhar para os residentes em troca de proteção. Mal sabia Grace que iria pagar um preço cada vez mais caro para ser mantida acobertada. O aclamado diretor Lars von Trier apresenta a crueldade e mesquinhez humana e conturbadas relações interpessoais em um cenário experimental, em que não há paredes, dando ênfase aos exemplos desnudos de seres humanos perversos. O filme, com estilo narrativo de livro, apresenta dez partes e é ideal ao espectador que gosta de se envolver com a trama ato a ato.

Revigorante nosso de cada dia Daniela Malagoli Divulgação

Emílio Lins Divulgação

são comprados descontando-se minutos, horas e até anos da vida da pessoa. Will Salas e Sylvia Weis inconformados com a segregação social, na qual os pobres morrem aos milhares para garantir a vida eterna e a luxúria aos ricos, os dois passam a roubar o tempo dos ricos para dar aos pobres lembrando a clássica história de Robin Hood. Ambos lutam para que o “sistema” seja destruído e ninguém morra covardemente. A história é meio clichê, mas o roteiro foi muito bem feito e gravado.

“Nietzsche para estressados” consegue ajudar as pessoas sem ser imperativo como alguns livros de auto-ajuda. Reúne 99 máximas do gênio alemão Friedrich Nietzsche, seguidas da inter-

pretação do autor, especialista em desenvolvimento pessoal, Allan Percy, buscando soluções para as angústias cotidianas. Entre os aforismos presentes no livro, merecem destaque: “O homem que imagina ser completamente bom é um idiota” e “A potência intelectual de um homem se mede pelo humor que ele é capaz de manifestar”. Este livro enriquece e revigora nossa alma com pensamentos grandiosos de um filósofo que não deixou de contribuir mesmo estando à beira dos abismos da loucura.


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fotorreportagem

A participação, elemento fundamental para a consolidação da democracia, está sendo levada a sério por um povo que clama por mudanças.

senso

comum junho/julho de 2013

, a u r a r p m ! e a i V d n â l r e b U

n°16

Uberlândia, Créditos: Carlos Gabriel Ferreira Isley Borges

20 de junho

de 2013


Senso incomum 016 - junho/julho 2013 2013