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Arquitetura

decoração

Design

Arte...

Ano XIII Nº 91 distribuição gratuita W W W . R E V I ST A S I M . C O M . BR

escritórios


S I M ! 91

Diretor Executivo Márcio Sena (marciodesena@gmail.com)

50 coloridos!

pág.

lucas oliveira

Coordenação Gráfica e Editorial Patrícia Marinho (patriciamarinho@globo.com) Felipe Mendonça (felipe.bezerra@globo.com)

REDAÇÃO / DESIGN / FOTOGRAFIA Patrícia Calife (patriciacalife.sim@gmail.com) Erika Valença Beth Oliveira Edi Souza Germana Telles Raquel Monteath Vanessa Montenegro Diego Pires Micaele Freitas Sara Rangel

q u a t r o p r o j e t o s c o r p o r a t i v o s c h e i o s d e c r i a t i v i dad e

16 Design divulgação

Rápidas As novidades da seção Fique por Dentro

Ping-Pong Baba Vacaro conta sua vivência no design

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O lúdico na ambientação

84 Arte

Projeto LUCAS OLIVEIRA

Casas para trabalhar e morar

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Cerâmica e a expressão artística

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Mercado Formas e cores nas almofadas

lucas oliveira

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lucas oliveira

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Desmistificando as bromélias

Capa 94

foto de lucas oliveira Da fábrica arquitetura, no recife

Delícias

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a cozinha sofisticada de Rui paula

Arquiteto Colaborador Alexandre Mesquita (mesquitaita@gmail.com) Revisão Fabiana Barboza (fabiana_barboza@globo.com)

Operações Comerciais Márcio Sena (marciodesena@globo.com) Eliane Guerra (81) 9282.7979 (comercial@revistasim.com.br)

SIM! é uma publicação bimestral da TOTALLE EDIÇÕES LTDA Redação R. Rio Real, 49 - Ipsep - Recife - PE CEP 51.190-420 redacao@revistasim.com.br Fone / Fax: (81) 3039.2220

victor muzzi

pág.

Greg Danilo Galvão Lucas Oliveira Victor Muzzi

Comercial R. Bruno Veloso, 603 - Sl 101 Boa Viagem - Recife - PE CEP 51.021-280 comercial@revistasim.com.br Fone / Fax: (81) 3327.3639 Os textos e artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da revista.


EDITORIAL

Renovação é a palavra que representa todo o processo de criação desta Revista SIM!, desde a pauta até o envio para a gráfica. Esse sentimento e atitude é refletido no resultado final da publicação: conteúdo editorial e gráfico leve, colorido e delicioso de ler. Falando em cores, a matéria de capa traz ideias criativas de como proporcionar um clima alto astral a ambientes corporativos. Para isso, quatro escritórios de arquitetura apresentaram projetos arrojados provando que apostar numa paleta diversificada pode mexer com o dia a dia no trabalho. Ainda falando em espaços profissionais, dois arquitetos mostram que trazer o ofício para dentro de casa, pode ser prazeroso. Carmen Lúcia de Andrade Lima e Wandenkolk Tinoco abrem as portas de seus lares/ escritórios e revelam em detalhes como projetaram sua moradia, que também é seu espaço criativo. Em Arte, as cerâmicas de Christina Machado e Marina Mendonça vão além da decoração e dos utilitários. Ainda neste número, Baba Vacaro fala sobre sua relação com o design e mostra alguns de seus produtos mais significativos. A oficina Ethos recheou algumas de nossas páginas com suas peças lúdicas e conceituais para usar dentro de casa e o artesão restaurador Byll di Olinda apresenta o novo uso de madeiras descartadas, num trabalho ao mesmo tempo emocional e funcional. No mais, a coluna Jardins explora a desmistificação das bromélias, provando que as plantas cada vez mais raras podem ser utilizadas de forma consciente em áreas externas; em Mercado, a tendência no uso das almofadas com dicas de tecidos e estampas; e, claro, as novidades da seção Fique por Dentro.

Não perca tempo, leia a SIM! Patrícia Calife vic tor muz zi

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l u ca s o l i v e i r a

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1. A repórter Germana Telles entrevista o arquiteto e artista plástico Wandenkock; 2. O repórter Edi Souza, no C.E.S.A.R., com a arquiteta Gabriela Matos; 3. Momento inusitado no jardim da casa da arquiteta Carmen Lúcia de Andrade Lima

ERRAMOS! Na página 13, da última edição da Revista SIM! (90), o banco da linha Oslo é um produto da marca Tidelli, não Florense, como publicado.

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fique por dentro Fotos: Divulgação

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Tendência internacional, as grandes marcas de tintas elegem, através de estudos, a cor que irá predominar na decoração. Para 2014, a Coral apostou na Lagoa Particular, tom que fica entre o azul e o verde. E lançou o livro de 10 anos do Colour Futures 10 anos, fruto de pesquisas globais no assunto. Já a Iquine apostou no Amarelo Canjica.

Coral

www.coral.com.br www.tintasiquine.com.br

A CasaTua Presentes aposta em variadas opções de pratos com grafismos que causam sensações ópticas. Em diferentes materiais, cores e modelos, as opções são destaque para servir e decorar.

A Batedeira da Kenwood é a perfeita combinação de cores vibrantes, design retrô e qualidade. Facilmente usável, combinando eficiência e estilo. Pensando na segurança, foi desenvolvida com controle eletrônico de velocidade e para de funcionar assim que a parte superior é levantada. O produto está disponível nas cores branco, preto, vermelho, pink, azul e amarelo e com alumínio de alta qualidade, garantindo uma maior vida útil.

Quem gosta de uma boa decoração sabe que os objetos retrôs e as miniaturas estão super em alta. Quando dá pra juntar essas duas características então, é puro sucesso. Você vai se apaixonar pelos detalhes da Miniatura Fusca Conversível VW, em ferro e com a delicadeza de ter sido produzido e pintado à mão pela Zona Criativa.

CasaTua Fone: (81) 3040.1001 www.casatuapresentes.com.br

Kenwood Fone: (11) 3777.6771 www.kenwoodworld.com

Zona Criativa Fone: (11) 2958.7795 www.zonacriativa.com.br


fique por dentro

Fotos: Divulgação

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Versatilidade é sinônimo para a coleção Linhas, da Girona Design. Disponível na Villa Naro, as estantes possuem prateleiras multifuncionais, com orientações vertical e horizontal, além de brincar com formas geométricas.

Villa Naro Fone: (81) 3974.6400 www.villanaro.com.br

Inspirada na art decor, a nova coleção para salas de banho da Manhattan inspira elegância. O produto, que pode ser encontrado na Ornare Recife, apresenta puxadores exclusivos com acabamentos fosco ou alto brilho, além de ampla cartela de cores.

Ornare Recife Fone: (81) 3204.9888 www.ornare.com.br

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Após seis anos, a artista visual Dani Acioli retoma os trabalhos em pratos de porcelana. A primeira edição foi em 2007 e compôs sua exposição no Anjo Solto. Agora, ela fará dois novos desenhos que serão impressos em 200 unidades. Desta vez, haverá duas travessas exclusivas integrando a coleção limitada.

Dani Acioli Fone: (81) 9999.1358 daniacioli@aponte.com.br

Continua www.revistasim.com.br

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A arquiteta Márcia Nejaim trouxe novidades, diretamente de Paris, para a sua Particolare. O vaso para centros de mesa em madrepérola promete deixar salas de jantar e estar ainda mais sofisticadas e cheias de charme.

Particolare Fone: (81) 3032.3296 www.particolare.com.br


fique por dentro Fotos: Divulgação

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A Valox apresenta novidades nas coleções 2014 para as linhas corporativas. Entre elas, a cadeira giratória Aktiva é funcional, cheia de estilo, em cores vibrantes, base em metal, encosto e braços anatômicos.

Valox Fone: (81) 39726851 www.valox.com.br

A poltrona Pavão da Ió Brasil remete à tranquilidade. Imponente e robusta, traz conforto e sensação de paz, seja no por do sol da varanda, ou numa longa conversa com amigos. A peça faz leitura contemporânea de um clássico consagrado.

A Livre Decor traz papeis de parede em texturas diversificadas na coleção exclusiva Heliodor. As peças trazem prata, preto, dourado, vermelho, azul, marrom e bege.

A Espaço Casa se inspira nas tendências mundiais de decoração, unindo qualidade, sofisticação e bom gosto, dando um toque especial em cada ambiente. Destaque para a Poltrona Imperial em madeira envelhecida com laca e revestida em couro sintético.

Ió Brasil Fone: (81) 3019.1010 www.facebook.com/lojaiobrasil

Livre Decor Fone: (81) 3465.6275 www.facebook.com/livredecor

Espaço Casa Fone: (81) 3241.8598 www.espacocasahome.com.br


DESIGN

Lúdico e funcional Oficina Ethos explora o chame das peças de madeira para trazer ar contemporâneo aos ambientes Por: Germana Telles Fotos: Divulgação

“Tempus Fugit” (o tempo voa). É nisso que acredita o designer Rodrigo Calixto, que dá asas à imaginação e, num belo acordo com o tempo, evoca as memórias, reinventa e desfaz preconceitos. Aos 34 anos, com talento, criatividade e excelência, ele espalha arte funcional em casas e escritórios e mostra que o lúdico pode e deve ser redescoberto para preencher e dar vida aos ambientes. Peças de madeira que remetem à infância tornam-se mobília, buscando o eterno movimento da vida, ganhando destaque na decoração, transformando o antigo em contemporâneo. Ao lado de Rodrigo, o sócio Guilherme Sass, 24 anos, também refaz conceitos e vem conquistando cada vez mais credibilidade e sucesso, na Oficina Ethos, instalada num sobrado de 1918, na Zona Portuária do Rio de Janeiro.

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udo começou há quatro anos, quando uma amiga encomendou um escorrego para instalar no quintal. “Por erro de cálculos da arquiteta, depois de pronto ele não coube onde ela queria. Não pensamos em descartar. Sugeri transformar a madeira do brinquedo descartado numa gangorra e num balanço, instalamos na sala, deixando as peças bem mais conceituais. Fomos quatro vezes premiados”, lembra Rodrigo. A partir de então, gangorras, balanços e escorregos começaram a ter novos conceitos e utilidades. A liberdade de reinventar quebrou paradigmas com precisão técnica, privilegiando os encaixes, em detrimento de pregos e parafusos, e a diversidade de matéria-prima. Rodrigo chamou a atenção no mercado como um dos novos expoentes da marcenaria e do design da neomobília brasileira, com uma marca autêntica, jovem e traço marcante.

Sugeri transformar a madeira do brinquedo descartado numa gangorra e num balanço, instalamos na sala, deixando as peças bem mais conceituais. Fomos quatro vezes premiados Rodrigo Calixto

A habilidade e o amor pela madeira cresceram junto com os dois designers, sob a influência dos pais de ambos, artesãos das horas vagas. Carioca, filho de pernambucanos, Rodrigo deu início à relação apaixonada com o ofício quando ganhou um serrote, ainda menino. “Fui muito influenciado pelo meu pai. Entre os brinquedos da infância sempre havia algum com o traço familiar. Penso que isso é uma das grandes influências também no

Guilherme Sass

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rumo que o nosso trabalho tomou”, diz. Guilherme acaba de ingressar na profissão (concluiu Desenho Industrial no final de 2012, na UFRJ), mas faz parte do time da Oficina Ethos há três anos. Uma disciplina que tratava de design mobiliário despertou o interesse e abriu possibilidades. Um amigo indicou o estágio com Rodrigo, permitindo-lhe colocar a mão na massa na produção de uma grande encomenda. Após o trabalho, virou sócio. “Me apaixonei completamente”, confirma. Em 2012, a empresa montou uma exposição para comemorar os dez anos de existência, esbarrando num dilema que acabou apontando novos caminhos. “O curador nos pediu 50 banquetas e nós oferecemos dez, prometendo ocupar a área restante com novidades. Fizemos o balanço e instalamos no meio da galeria”, conta Guilherme. Era o que faltava para que a peça virasse um sucesso. “Os brinquedos só ganham vida quando alguém usa. As pessoas sentavam, balançavam e começaram a repensar além dos quintais e jardins”, conta Rodrigo.

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Coleção de prêmios O balanço batizado de Bilanx abriu caminho, com o prêmio do Museu da Casa Brasileira 2013. Feito em madeira Teca, é sustentado por cordas da marca francesa Cousin Trestec e custa entre R$ 2.150 e R$ 2.500. Também premiadas, a mesa Membeca traz 12 pequenas placas de encaixe feitas de amostras de madeira no tampo; a banqueta Lótus (1) faz parte da série produzida com madeiras recomendadas pelo IBAMA; e a mesa Ethos (2), vem com um tabuleiro de jogos. Destaque ainda para a mesa Diamante (3) — em peroba do campo e demolição — e o banco Gonzagão, finalista no Prêmio Macef Milano, feito em Ipê Tabaco e Peroba Mica. Todas as criações da Ethos são feitas completamente à mão, com madeiras certificadas ou de demolição. A produção é sob encomenda, com prazo de entrega de 30 dias para todo o Brasil. As peças são comercializadas na própria Oficina e na loja Mercado Moderno, na Lapa.

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Banco Gonzagão: De tiragem limitada, produzida a partir de madeiras de demolição, essa peça faz parte do processo de criação experimental dos designers. Os bancos são sempre produzidos aos pares alternando as cores das madeiras dos pés e assentos.

Cordas francesas Cousin Trestec: Dão sustentação ao balanço Bilanx, em cores e trançados variados.

Banco Ethos Xilogravismo: Parceria com o grafiteiro Mateu Velasco que resultou numa série de peças que trazem a cultura das ruas para dentro de casa. O desenho da mesa da foto são tentáculos de um polvo, uma extensão dos cartoons dos muros que Velasco sempre pintou.

Mesa Mambeca: Mesa infantil que se insere no contexto da fantasia. Rica em elementos e tons de madeira, destaca-se por suas diversas possibilidades de interação e significados lúdicos e didáticos.

Banco Gonzaguinha: O objetivo da série Gonzaguinha é fazer uso dos resíduos para a produção de pequenas peças de mobiliário.

Oficina Ethos Fone: (81) 2253.0885 www.oficinaethos.com.br

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Foto: Demian Jacob

Bancada de Marceneiro Lavoro: Em peroba do campo, muirapiranga e ipê tabaco. Encaixes proporcionam mobilidade no trabalho da marcenaria, com tábuas que se movem e se adaptam à largura e altura necessárias durante o manuseio.


ping pong

O “start” da criação O processo criativo é uma etapa primordial ao design. A Revista SIM! entrevistou a paulistana Baba Vacaro que, há 30 anos no mercado, está à frente da criação de algumas das mais imponentes grifes de decoração do País. Sem contar que é precursora no Brasil por viabilizar industrialmente a produção de projetos, em relação à forma, função e técnica. Formada pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP /SP), comanda o escritório Design Mix e é diretora de arte na Dominici e de criação na Dpot.

Por: Beth Oliveira Fotos: Marco Pimentel | Divulgação

HISTÓRIA – “Saí da faculdade em 1986, no meio do que se chama ‘década perdida’. Nesta época, não havia muitas oportunidades de trabalho para os designers nas indústrias, que sobreviviam a duras penas. Mundialmente, era um período de fetichização e falava-se muito em design assinado. Nossa indústria ainda não havia assimilado os benefícios de criar essa cultura dentro das empresas. Hoje, o cenário é diferente e há uma real valorização do papel do designer.” INSPIRAÇÃO – “Ela vem de tudo aquilo que vejo e faço, das pessoas, de tudo que me cerca. Cada dia aprendo uma coisa. Ou várias. Tenho muitos interesses e cada um deles me ensina alguma coisa nova todo dia.”

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CRIAÇÃO – “O design é feito para melhorar nossas vidas. Como vivemos cercados de objetos, é bom que possamos tirar algum prazer deste convívio. Eles atiçam nossos sentidos e a memória, real ou emprestada, que cada um deles desperta em nós. Como propõe Alain de Botton, na sua obra Arquitetura da Felicidade: ’Os objetos que descrevemos como belos são versões das pessoas que amamos. São, em essência, produtos que, de diversos modos, exaltam valores que pensamos valerem a pena. Por meio de seus materiais, formas ou cores, que evocam qualidades lendárias como amizade, bondade, sutileza, força, inteligência’.” MERCADO – “Meu escritório, Design Mix, é especializado em gestão de

design e desenvolvimento de produtos para fabricação seriada. Nossa atuação é no mercado premium de decoração/ casa. Como diretora de criação, meu trabalho vai além do design do produto em si. Valorizo o que é bom, incentivo a divulgação e o conhecimento sobre o design, além de lançar profissionais e conceitos em novos produtos. Gosto de juntar pessoas em torno de uma ideia, por isso minhas coleções envolvem muitos designers (tanto de móveis quanto de luminárias). Traduzo as ideias deles em produtos para cada ação que concebo. Penso as coleções, como elas se compõem (produtos e designers) e como se comunicam com o mercado.


O design ĂŠ feito para melhorar nossas vidas. Como vivemos cercados de objetos, ĂŠ bom que possamos tirar algum prazer deste convĂ­vio

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PRocesso – “É preciso conhecer todas as etapas para ter sucesso na fabricação, na adequação e nos custos. É necessário entender todas as nuances do mercado, para encaixar cada ideia e localizar novas demandas. Não existe design sem conhecer todas as fases de todos os processos que o envolvem.” PRODUTO – “Talvez a peça mais marcante seja a Mandacaru (1), criada em 2005 para uma das coleções de design brasileiro da Dpot. É uma poltrona simples, que sugere um jeito de levar a vida, casual e despretensiosa. É brasileira no sentido do simples, do improvisado, do criativo, do tirar leite de pedra. Por parecer com uma flor, batizei com esse nome, que é sinal de chuva quando brota no sertão.”

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L u mi n á r ia N u a g e: R e s u lt o u d a e x p e r i m e n ta ç ã o c o m fo r m as e téc n i c as da m o d a . Pa r t e d a g e o m e t r i a e d o m at e r i a l p l a n o pa r a criar o tridimensional . D eli cada , a lu minária d e m es a tem c ú p u l a em tec i d o 1 0 0 % n y lo n , est r u t u r a d o com difusor interno em v i d r o f o s c o e b a s e c o m a c ab a m e n t o e m a ç o i n o x n at u r a l

Para mim, a sustentabilidade permeia todos os aspectos da vida, assim como fazer um produto com o mínimo de recursos e o melhor resultado.


M e s a g elat i n a : A s m e s a s s ã o r e s u lta n t e s d e e x per i m en to s c o m s o b r a s d e m e ta c r i l at o e m d i v e r s a s c o r e s d e s c a r ta d a s . S uas pro priedad es d e c o r e t r a n s pa r ê n c i a , a g l u t i n a-

Os produtos atiçam nossos sentidos e também têm a memória, real ou emprestada, que cada objeto desperta em nós

d a s e m m o l d e , c r i a m n o va m at é r i a e f u n ç ã o

A p o i o d e tal h e r D o mi n ó : É u m a j o i a f e i ta e m p r ata e c o m pa s t i l h a s d e Ô n i x I ta a r t e , n at u r a l d a C o r d i l h e i r a d o s A n d es . É u m c o n j u n to d e s ei s d e s c a n s o s pa r a ta l h e r e s o u p r at o s q u e n t e s d a S t. J a m e s

Ba n c o Ri b s : Tr a n s pa r e c e o u s o r ac i o n a l d o s r ec u r s o s e p r o c e s s o s , at r av é s d a s i m p l i c i d a d e c o n s t r u t i va . A p e n a s t r ê s p eças , u sadas em repe ti ção, g ar antem fo rma e t r ava m e n t o . Cr i a d o e m 1 9 9 6 , g a n h a s u a p r i m e i r a r e e d i ç ã o a o c o m p l e ta r d e z a n o s . E l e é f e i t o e m m a d e i r a

Baba Vacaro www.babavacaro.com Facebook: Baba Vacaro_Design Mix Instagram: @babavacaro

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É SUSTENTÁVEL

Do lixo ao Byll di Olinda confere novo uso para madeira descartada Por: Raquel Monteah Fotos: Lucas Oliveira / Divulgação

O cheiro da serragem toma conta a partir do momento em que se abre a porta do atelier. É possível também visualizar os diversos tons dessa serragem, do dourado ao mogno, que vão colorindo o ambiente à medida em que a luz do sol ilumina o espaço. É assim que o atelier de Byll Di Olinda vai ganhando forma, delineada pelos diversos pedaços de madeira de demolição que ocupam a área, situada no bairro de Varadouro, em Olinda/PE. Há 40 anos Byll trabalha com a matéria-prima fazendo móveis, objetos, paineis para estabelecimentos comerciais, molduras de quadros e espelhos. O escultor, pintor e restaurador é o responsável por toda a estrutura de móveis, varandas, portas e janelas da Pousada Toca da Coruja, na praia de Pipa (RN), pela confecção de móveis para a Pousada do Amparo, em Olinda, móveis e peças decorativas do Nannai Beach Resort, em Porto de Galinhas, e pelos paineis de restaurantes como o Nakumbuka, no Parnamirim, e Capitania, na beira-mar de Olinda.

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Atelier Byll Di Olinda Fone: (81) 3429.6586


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É SUSTENTÁVEL

O cupim para mim é um escultor, ele é meu amigo, porque eu dependo do efeito que ele faz sobre a madeira para trabalhar

A origem do material, em si, não importa: oriundos de doações, negociações ou de resgates espontâneos no meio da rua, Byll reconhece cada um deles como se sempre estivessem lá, até o dia em que ganham vida e voltam a ter forma e funcionalidade. “Muita gente olha para o pedaço de madeira, cheio de rachaduras e de cupim, e onde elas enxergam lixo eu transformo em luxo”, brinca o artesão, que deixa transparecer a preferência pela estética irregular, resultado da ação do tempo e dos insetos. “O cupim para mim é um escultor, ele é meu amigo, porque eu dependo do efeito que ele faz sobre a madeira para trabalhar”, diz.

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Muita gente olha para o pedaço de madeira, cheio de rachaduras e de cupim, e onde elas enxergam lixo eu transformo em luxo

Além das madeiras, Byll vai colecionando pedaços de grades, azulejos portugueses e vitrais, que são bastante encontrados nas demolições pelas cidades do Recife e de Olinda. “As mesinhas de centro ou paineis, podem vir na madeira pura ou incrustadas com cerâmicas antigas e vitrais”, explica. Um de seus clientes, inclusive, é também seu compadre e uma das figuras marcantes de Olinda, o cantor e compositor Alceu Valença. Foi ele quem projetou o banheiro panorâmico do cantor, ao ar livre, além de diversos móveis. Byll, inclusive, pôs o nome da sua filha de Olinda, sugerido pelo próprio Alceu.

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projeto

O trabalho dentro de casa A comodidade e a possibilidade de esticar um pouco o horário, sem culpa e completamente à vontade no espaço criativo, fizeram os arquitetos Carmen Lúcia de Andrade Lima e Wandenkolk Tinoco aderirem à dobradinha “escritório-lar”. Os projetos ressaltam a identidade de cada um, preservando a intimidade, o conforto e o contato com o meio

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ambiente. Carmen partiu de uma estrutura em ruínas, no bairro de Casa Amarela, interferindo o mínimo possível nas instalações, buscando deixar intactos os traços históricos do imóvel. Wandenkolk foi na contramão, partindo do escritório para a casa, em meio à mata ciliar, no bairro da Várzea, onde a natureza é vizinha e sua maior inspiração.


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Estrutura preservada Moradia da Zona Norte tem linguagem uniforme para atividades distintas

Por: Edi Souza Fotos: Lucas Oliveira

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Ao definir o projeto de sua casa-escritório, a arquiteta Carmen Lúcia de Andrade Lima adianta: “Sou apegada à história das coisas, por isso a ruína não me incomoda”. Esse é o ponto de partida para conhecer uma estrutura de 300 m² repleta de contexto, em área de preservação ambiental, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife.

Procurava algo que pudesse preservar as instalações e que o entorno fosse bem cuidado Carmen Lúcia 38

“Procurava algo que pudesse preservar as instalações e que o entorno fosse bem cuidado. Quando encontrei este aqui na década de 1990, logo achei perfeito para morar e trabalhar”, explica Carmen. Razão para manter as duas entradas principais, além do acesso lateral da garagem, facilitando a separação de clientes e familiares. Por dentro, foram necessárias interferências com o engenheiro que analisou a fundação, as paredes, as fissuras e as possíveis infiltrações. “Meu projeto seguia o formato da casa, o que fiz foi prolongá-lo e criar o primeiro andar, mantendo as características principais”, lembra.

O vão que hoje é o escritório permanece original, com exceção do piso que passou a ser retraço dos mármores branco e travertino. A ideia era ter um chão único com jeito de calçada. O aspecto simples ainda aparece no janelão de madeira preservado com os desgastes. Ele mantém-se fechado por todo o tempo para que a luz da antiga luminária – pertencente aos antigos moradores – auxilie na rotina dinâmica do lugar.


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projeto Na área de espera fica uma grande escada helicoidal (1), que revela a divisão harmônica entre o escritório, a sala principal e os quartos do primeiro andar. “Além disso, coleciono quadros do meu irmão Romero de Andrade Lima, que tem ligação com o movimento armorial, e já expôs aqui em diferentes fases de sua carreira, sempre me agraciando com algumas de suas obras” (2), acrescenta a arquiteta. Por todos os lados surge o acervo composto por peças de barro e de madeira assinadas por nomes como mestre Abias, Fida, Luís Benício e Arnaldo Barbosa. Cada um dialogando muito bem com a atmosfera da casa. “Tenho paixão pelo artesanato pernambucano. Já atuei na Secretaria da Mulher e apoiei iniciativas que valorizam nossa cultura”, pontua. O acesso continua na ampla sala, repleta de livros antigos e suportes de madeira. Muito do mobiliário foi adquirido em antiquário, a exemplo da mesa de jantar e seu desenho tipicamente pernambucano (3). “Eu gosto de respirar o que já foi moda um dia e hoje não é mais. Adoro os objetos de design, mas esse outro contexto liga-se a mim de alguma forma”, ressalta Carmen, ainda lembrando que a rotina da casa em nada interfere o funcionamento do escritório. “Pelo contrário, quando estamos muito afogados, corremos para admirar essa área verde”.

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A lateral da casa é mesmo repleta de várias espécies de plantas, compondo um estilo rústico e natural. É um ponto onde os detalhes da estrutura lembram, até certo ponto, a moradia dos antigos engenhos do Nordeste. “É importante registrar que toda obra se alimentou do próprio entulho, em um processo marcante de reaproveitamento dos materiais utilizados”, diz. O contexto clássico segue no primeiro andar de quatro quartos. O principal explora bem a madeira presente na cama, no mobiliário e até nas dobraduras de janela. “O curioso é saber que as pessoas conseguem diferenciar o meu gosto pessoal daquilo voltado para o cliente que já me viu em projetos de padrão CASACOR”, arremata Carmen.

Carmen Lúcia de Andrade Lima Fone: (81) 3441.2325 E-mail: Clal.arquitetura@gmail.com

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Inspiração no quintal de casa Qualidade de vida e conforto foram fundamentais para o arquiteto Wandenkolk Tinoco unir o útil ao agradável Por: Germana Telles Fotos: Victor Muzzi

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orar e trabalhar num lugar planejado, cercado por árvores nativas e uma cidade na linha do horizonte provocando a inspiração. O arquiteto e artista plástico Wandenkolk Tinoco e a esposa, também arquiteta, Lijane, deram-se esse presente há 15 anos. O patamar da qualidade de vida, a tranquilidade e o conforto de estarem cercados por 4 mil m² de mata ciliar, no bairro da Várzea/PE, e ao mesmo tempo pertinho do centro urbano, trazem a certeza de que a escolha foi mais do que acertada.

Wandenkolk Tinoco Fone: (81) 9254.2323 wandenkolktinoco.blogspot.com

Eu trouxe a casa para o trabalho e foi uma maravilha. (...) Não tem como ficar cansado com esse cenário em volta Wandenkolk Tinoco 44

“Adoro a vida no campo, morei 30 anos em Aldeia e, quando meu filho veio morar aqui, me encantei. Comprei o terreno em frente à casa que ele construiu, com a desculpa de preservar a visão da mata. Fui ficando aos poucos e não saio mais daqui”, afirma. Para erguer a casa, Wandenkolk procurou interferir o mínimo possível no meio. Árvores foram preservadas e só precisaram ceder espaço para que duas edificações de médio porte surgissem, conectadas por varandas e jardins, proporcionando fluidez entre o interior e o exterior.


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Antes de morar no local, o arquiteto projetou um escritório. Aproveitando o terreno inclinado, ergueu uma laje sobre pilastras e sob a estrutura veio a sala para o trabalho. A laje transformou-se em esplanada que se debruça na mata, com mesas, espreguiçadeiras, plantas, carrancas e esculturas em chapas metálicas, criadas pelo dono da casa (1). O tempo de permanência só aumentava e então ficou decidido: o local de trabalho abriria espaço para o lar. A esplanada suspensa (2) passou a ser elemento central, em constante articulação do quintal com o projeto. A casa No braço direito, paredes foram erguidas em tijolos aparentes, com esquadrias de vidro de 2,3 m, “soltando o telhado da parede cega”, preservando a transparência. No canto da sala principal, destaque para o piso em cerâmica de Francisco Brennand (3). O teto em têlha-van (telhado sem forro) ressalta o desejo de manter o aspecto rústico e a preocupação com a melhor ventilação e iluminação.

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Ao lado da sala, está uma pequena cozinha casada com a copa (4), com parede em meio-círculo em azul. Mais uma vez, o tampo de vidro da mesa em metal (5), projetada pelo arquiteto, reforça a transparência como elemento de integração.

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Todos os ambientes são envoltos pela varanda, que segue o fluxo da esplanada. “Foi intencional. Queríamos integrar tudo. E aqui nos concentramos nos projetos, toda a inspiração é bem vinda”, explica Wandenkolk.

O escritório A recepção (6) traz paredes verdes, com listelos, onde o casal distribui projetos e recortes, exibindo orgulhosos os feitos profissionais dos cinco filhos. A sala de criação (7) traz estante em metal verde com mesas, pranchetas e bancadas dos

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computadores em branco, assim como as paredes e o teto. Aqui, ele aparece com forro, dando a sensação de um ambiente mais fechado. Como em toda a casa, telas e esculturas do artista ganham as paredes e os cantos das salas.

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“Este é o nosso paraíso. Muita gente diz que não gosta de levar trabalho para casa. Eu trouxe a casa para o trabalho e foi uma maravilha. Não tem como ficar cansado com esse cenário em volta”, garante.


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por todos os lados

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O ambiente corporativo precisa sempre de ambientação formal? A resposta vem dos arquitetos que estão substituindo a antiga aplicação de cores sóbrias por uma paleta vibrante, que estimula a criatividade e o surgimento de novas ideias. Para ilustrar essa nova tendência, apresentamos quatro projetos distintos. As arquitetas Ana Maria Freire e Camila tenório exploraram o contraste de tons mostrando que é possível unir o retrô ao moderno dentro de um escritório. Já Anderson Lula Aragão utilizou a composição múltipla, de olho nas atividades dinâmicas do seu Centro de Arquitetura e Design (CAD). Na sequência, o time de Juliano Dubeux trouxe o laranja, presente na marca do cliente, para a estrutura do Centro de Estudos Avançados do Recife (C.E.S.A.R.). Por fim, Rafael Tenório propõe ar descolado à empresa de tecnologia, através do bom uso de cores fortes.

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O estilo vibrante das Através do uso planejado de cores, escritório ganha identidade e atmosfera despojada

Por: Germana Telles Fotos: Lucas Oliveira

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um escritório, a cor pode entrar sem culpa e é muito bem vinda quando usada na medida e nos lugares certos. É o caso dos ambientes criados pelas arquitetas Ana Maria Freire e Camila Tenório, numa casa planejada para abrigar a Fábrica Arquitetura e mais dois escritórios, atualmente ocupados por fotógrafos. O “puxadinho” — como foi carinhosamente batizado — é anexo a um prédio comercial da família das sócias, no bairro da Madalena. Ele surgiu justamente da necessidade que elas sentiam em traduzir alegria e liberdade no processo de criação. Com isso, também mostram aos clientes as inúmeras possibilidades na execução dos projetos. A ideia foi colocada em prática tomando como base principalmente o amarelo,

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Fábrica Arquitetura Fone: (81) 8899.8086 contato@fabricaarquitetura.com.br

o verde e tons madeira, presentes na maioria dos ambientes, com a discrição necessária para dar o efeito proposto sem cansar o olhar. “A cor é fundamental quando se quer humanizar e fugir do aspecto puramente comercial, mas é preciso cautela para não deixar o ambiente over, com excesso de informação. Por isso, aqui o neutro predomina nas paredes, no piso e no teto. O colorido vem em pontos estratégicos e nos objetos, deixando o espaço leve e contemporâneo. Essa concepção permite entender onde os tons mais fortes podem entrar e quando a paleta clássica pode ser substituída por uma mais ousada.”, pontua Ana Maria. Fazendo o caminho de quem chega, a porta cor-de-rosa em madeira e vidro (1) se abre a um amplo corredor de acesso à casa e dá as boas vindas. No piso, mais

uma vez a madeira aparece, num deck desmontável (2) torneado por seixos brancos e plantas. As paredes trazem o branco e o chapisco a seco, trabalhando as texturas, ampliando e enriquecendo o ambiente.


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Ao lado da porta, na extremidade oposta, o cinza do sofá (by Marcelo Rosenbaum) se acende com as almofadas em detalhes coloridos. A peça é o ponto de partida para o corredor que leva ao núcleo do prédio e serve de base para todo o projeto. “Quando o encontramos imediatamente entendemos o que queríamos, a diversidade de estilos e a base neutra abrindo-se às cores fortes”, completa Ana Maria. Na recepção, paredes de vidro (3) ampliam, iluminam e integram o hall ao jardim. E já no primeiro ambiente, cores e formas se unem, com peças que passeiam entre o retrô e o moderno. As arquitetas apostam em uma paleta de cores mais intensas, onde figuram o azul (escuro e água), o vermelho, o terra, o amarelo vibrante e novamente a madeira. No entanto, o branco se faz presente, em luminárias e pequenos objetos, equilibrando as escolhas.

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A mesa futurista azul-água (4), desenhada pela Fábrica, ganha ainda mais destaque, compondo o cenário principal, ladeada por cadeiras brancas em metal (Bertoga). “A opção pelo branco foi justamente para não apagar a mesa e expandir o espaço. Além disso, o desenho retrô das cadeiras contextualiza bem com a mistura de estilos e a liberdade de ousar”, diz Camila. Ao fundo, quadros coloridos (5) foram sobrepostos ao aparador projetado pelas sócias, dando o toque mais vibrante e jovem, quebrando a ligeira sobriedade da sombra em madeira da parede e do piso.


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capa Personalidade O núcleo da Fábrica Arquitetura está no escritório das duas sócias, de onde se tem ampla visão da ideia de integração e humanização proposta por elas. “Tanto o tom como a saturação de uma cor, se ela é mais ou menos vibrante, são pensadas de acordo com cada cliente. Chegamos ao resultado pensando no conceito do espaço e no que acreditamos que impactará de forma mais positiva na vida dele. Não seria diferente com a nossa casa”, explica Ana Maria. A sala, ocupada por duas mesas em metal e tampo em madeira de demolição, restaurada de piso antigo, segue o mote do projeto, casando contrapontos – o neutro e o vibrante, o delicado e o rústico – e abre-se a uma imensa área de lazer e descanso. O espaço é uma paleta viva (com projeto paisagístico da Jardinaria) onde se tem o verde do gramado, o vermelho das flores e a iluminação natural destacando os detalhes da decoração. Mesas em madeira escura (Ferreira Costa) e cadeiras amarelas (Tramontina) convidam a momentos relaxantes e inspiradores (6). O piso traz o cinza contrastando com o branco das muretas que cercam a grama. Voltando ao interior, toda a ousadia foi permitida, para descontrair e criar um despojamento bem organizado. “Em toda a casa buscamos referências que se integram. Por isso, sempre teremos madeira, amarelo, verde e branco, por exemplo, de forma muito sutil. Tudo tem um porquê. O amarelo descontrai, ilumina e inspira. O branco traz a confiança, o azul e o verde trazem energia. Buscamos equilibrá-las justamente em pontos que podem ser trocados sem problema, para não cansar”, afirma Camila.

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Seguindo esse caminho, paredes, estantes, bancadas e poltronas brancas em metal e couro dividem espaço com cadeiras em acrílico, propondo quase a invisibilidade da estrutura física, diante da profusão das cores dos objetos de decoração e dos quadros, que transbordam tons variados e fortes no escritório.


Iluminação O cuidado com a iluminação é fundamental no resultado final, quando se propõe a valorizar o uso das cores na ambientação. Ana Maria e Camila optaram por luzes amarelas embutidas. (7) “Elas trazem a sensação de maior conforto, reproduzindo com mais fidelidade os tons exatos de cada cor. A luz branca geralmente impõe um tom mais azulado e acaba não reproduzindo com exatidão o que se quer”, argumenta Camila.

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Escritório de Thiago Freire O espaço ocupado pelo fotógrafo Thiago Freire é uma expressão ampliada de sua marca, em vermelho e grafite – numa decoração forte e masculina. As luzes seguem o conceito geral trabalhado pelo núcleo da Fábrica Arquitetura, já que o projeto também foi feito por Ana Maria Freire e Camila Tenório.

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Harmonia nos tons Casa da década de 1930 ganha cores vibrantes para se tornar um polo de arquitetura Por: Edi Souza Fotos: Lucas Oliveira

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s cores aplicadas ao Centro de Arquitetura e Design (CAD) reforçam a proposta múltipla da casa, localizada no Bairro da Boa Vista. O lugar é voltado para a articulação de trabalhos do segmento, abrigando salas de reunião, escritórios flexíveis e área para exposições de arte. Universos semelhantes, caracterizados por tons que prometem ser tendência em decoração nos próximos meses.

Neste projeto, assinado pelo arquiteto Anderson Lula Aragão, o primeiro impacto está na fachada grafitada por Júnior M.Eu. Ele preencheu a parede de amarelo, azul e laranja em contraste com o verde do jardim trabalhado pela Dália Paisagismo, que conduz o visitante ao terraço de cores intensas. “Até o ano passado o mercado explorava o nude e o fendi, agora entra a fase colorida. Por isso, utilizamos só os lançamentos da Sherwin-Williams”, diz. Anderson Lula Aragão Fone: (81) 3088.508 aragaoanderson@yahoo.com.br

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O hall de entrada anuncia a proposta do lugar de ser dinâmico como um todo. Móveis e objetos confeccionados por artistas da capital e do interior de Pernambuco pontuam a tonalidade. “Este é o primeiro ambiente do CAD, então não ousamos de olho no impacto visual que as pessoas teriam logo ao chegar”, defende. Entre os itens, chama atenção a chaise com camurça (1), de acervo pessoal do arquiteto, colocada em destaque no espaço.

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Mas é no escritório de Anderson que a atmosfera criativa e inquieta toma conta do projeto. Trata-se de uma sala onde o vermelho intenso sai da parede e continua no teto dando a impressão de movimento. A proposta ousada dialoga com elementos rústicos, a exemplo da cadeira de madeira fabricada no século passado, adquirida em antiquário (2). Duas cadeiras (3), da Living Interiores, arrematam a decoração com seu toque rosa choque. “Minha cor favorita é o verde musgo, além de outras opções dentro de uma paleta mais fechada. No entanto, são preferências que a gente adapta com relação ao mercado e à personalidade do cliente”, argumenta.

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A casa, erguida na década de 1930, possui área externa disponível para o encontro de arquitetos, clientes ou mesmo o público interessado em um café ao ar livre. “Aqui exploramos a sustentabilidade utilizando o palet e a cor marrom como propostas sóbrias. Chamamos de jardim das artes porque podemos fazer exposições dentro de uma atmosfera informal”, comenta Anderson.

As árvores foram decoradas com tecidos coloridos (4), que não agridem o caule e sugerem descontração. “É um resgate do que se fazia na Europa antiga em tempos de Carnaval, quando se decorava a cidade e as pessoas saiam fantasiadas”, completa o arquiteto. As cores surgem por todos os lados em meio ao mobiliário da Art Garden. Destaque para os vasos pintados em harmonia com o paisagismo (5).

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O laranja entre formas Prédio no Recife Antigo utiliza a cor de modo pontual e de olho na personalidade da marca

Por: Edi Souza Fotos: Victor Muzzi

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edifício do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.) é exemplo de que não é preciso uma paleta de cores diversificada para se obter um layout vibrante. Essa é a primeira característica do projeto executado pelo escritório do arquiteto Juliano Dubeux, que pontua o laranja, característico na marca do cliente, em harmonia com a estrutura complexa e neutra. O trabalho privilegia a ligação de dois blocos localizados no Bairro do Recife, na qual o segundo, voltado para a Rua Cais do Apolo, é totalmente assinado pela equipe de arquitetos. Ainda assim, a antiga entrada, situada na Rua do Brum, onde funciona a recepção, ganhou revestimento novo com destaque ao porcelanato aplicado na parede, que mistura cinza e cobre.

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Juliano Dubeux Arquitetos Fone: (81) 3424.3796 contato@julianodubeux.com


O desnível das lajes – com forro acústico – também permite que os andares se conectem visualmente e agreguem mais elementos à composição.


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Com o grafite foi possível descontrair os espaços e agregar mais cor, a exemplo do grande painel desenhado no ambiente da copa (2). O traço simboliza o mangue e o caranguejo como elementos principais da capital pernambucana. “Sua inspiração foi a Via Mangue, que é outro projeto nosso, e possibilitou a inclusão da tonalidade verde em seu grafite”, explica Juliano Dubeux, que esquematizou o croqui ao lado de Derlon. Outro detalhe que não passa despercebido é o dragão vermelho também grafitado pelo artista (3), localizado na recepção, em homenagem ao bloco carnavalesco Eu Acho é Pouco, que acompanha a extensão dos três pavimentos.

Na área de convivência é possível ter uma noção geral da nova instalação de 700 m², cujo pé direito triplo privilegia a escada em alusão ao estilo tridimensional do artista gráfico holandês MC Escher. “Seria difícil trabalhar com uma grande variedade de cores por se tratar de um projeto de formas marcantes que perderia sua informação visual em contraste a tons muito fortes”, defende a arquiteta colaboradora Gabriela Matos. Ela ainda pontua o verde do jardim vertical assinado pelo paisagista Marcelo Kozmhinsky. “As plantas humanizam e trazem conforto visual interessante a lugares onde circulam muita gente. Evoluímos essa proposta, combinando com as demais cores e a estrutura imponente das escadas”, diz Marcelo.

Nada é muito intenso, porque queríamos que os colaboradores dessem sua personalidade ao espaço, trazendo seu estilo próprio ao local onde passam grande parte do tempo Juliano Dubeux

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O laranja segue em destaque nas áreas de produção em que as baias (4), nesta tonalidade, caracterizam o estilo da marca C.E.S.A.R. e estimulam a criatividade. “Nada é muito intenso, porque queríamos que os colaboradores dessem sua personalidade ao espaço, trazendo seu estilo próprio ao local onde passam grande parte do tempo”, reforça o arquiteto.

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“Existia uma quantidade de pessoas que precisávamos acomodar, então imagine o número de informação em todos os aspectos que elas trariam, por isso um layout limpo formado por bancadas executadas pela Marelli”, reforça Juliano. Para auxiliar nessa proximidade das pessoas com a instalação, o escritório apostou na luz geral e padrão, que não interfere na arrumação desenvolvida. O hall de entrada não traz a monocromia presente em cada sala, ao contrário, ele privilegia o uso de cores através do artesanato. Prova disso é o trio pé de serra assinado pelo Mestre Heleno, de Trancunhaém-PE (5). Da recepção principal até a sala de trabalho são 50 m x 7 m. “O resultado foi muito satisfatório porque atendeu exatamente a necessidade do cliente, que queria ter a sua personalidade revelada no projeto”, completa a arquiteta colaboradora Paula Sotero.

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O ambiente de trabalho foi distribuĂ­do pelos pavimentos, sendo que no mezanino estĂĄ a sala de jogos onde os funcionĂĄrios se encontram em meio a puffs e cadeiras coloridas.

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descontraindo o ambiente Rafael Tenório ousa em empresa de tecnologia de informação e deixa o lugar mais criativo Por: Beth Oliveira Fotos: Lucas Oliveira

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o entrar no escritório de 120 m² de área total da Multinacional Liferay no Recife, logo se tem a impressão de estar em uma empresa de comunicação. No entanto, a ambientação foi pensada para profissionais de engenharia da computação e tecnologia. Prova de que a cor cai bem em qualquer ambiente comercial e, independente do segmento para o qual foi projetado, o trabalho assinado pelo arquiteto Rafael reflete personalidade e descontração. O sucesso foi tamanho, que as outras sedes no mundo, como a de Madrid, também querem aderir ao modelo local. Segundo o arquiteto, a ideia era mudar a configuração do lugar. ”Demos um jeito “brasileiro” de ele funcionar quebrando a predominância do azul da marca. Mesmo atendendo necessidades mais formais, a intenção era fazer um espaço que desse vontade de trabalhar e estimulasse a criatividade: um lugar descolado, quase como uma agência de publicidade”, contextualiza. Para isso, cores como roxo, amarelo, verde, laranja e azul deram o tom da ambientação.

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Rafael Tenório Fone: (81) 4101.9028 contato@amaraltenorio.com.br


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Logo na recepção, percebe-se a interferência das estampas da D.uas Design em composição com uma mescla de azul esverdeado (1) e o berinjela (na parede contrária). O logotipo da marca é representado pela mesa em forma de quadrados. Na circulação (2), comandam o laranja e o amarelo, que recebem iluminação amarelada num toque cênico. “Em vez do branco, uso tons de cinza porque é preciso neutralizar para que os detalhes apareçam. Diria que o uso da cor é um ponto focal, pois você escolhe para onde a pessoa vai olhar de acordo com o tom usado”, esclarece.

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Os vidros ajudam a integrar as três salas setorizadas onde a equipe trabalha (3). Neste espaço, predomina o cinza para manter a harmonia. Entretanto, paineis coloridos nos armários conferem descontração e imprimem ar mais leve. “Aqui, a grande questão é contrapor as cores com tons que trazem equilíbrio, já que a informação dela já foi passada durante a circulação”, acrescenta Rafael. De modo geral, a faixa etária das pessoas que trabalham no local não ultrapassa os 30 anos. Essa característica também permitiu que o projeto transmitisse jovialidade e fosse marcante. Segundo Rafael, a estratégia é colocar tons mais fortes nos lugares que as pessoas não ficam olhando muito tempo. Assim, explica-se a utilização moderada deste recurso. O lounge (4) foi pensado com o azul. “Como os funcionários ficam muitas horas por dia no local, fizemos uma área para descanso e para o trabalho de forma mais relaxada. Aqui, eles têm ideias, tocam violão e até chegam a soluções mais complexas para as programações de site”, complementa. Quanto aos fornecedores, o mobiliário ficou por conta da Living Interiores e da Florense, enquanto que as luminárias são de Kilder Menezes e as cortinas da Uniflex. O piso laminado é da Habitare e os revestimentos da Ultra.

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Em vez do branco, uso tons de cinza porque é preciso neutralizar para que os detalhes apareçam. Diria que o uso da cor é um ponto focal, pois você escolhe para onde a pessoa vai olhar de acordo com o tom usado

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A sala de reunião é singular em sua concepção. “Chegamos ao ponto de fazer a mesa amarela rompendo paradigmas. Em todas as sedes, o máximo de ousadia que havia era o uso do azul. E o amarelo é uma cor que se destaca e faz contraponto com outras. É solar e brilhante, para mim é a mais alegre. O piso amadeirado passa requinte e ajuda na acústica”, explica. Ele comenta, ainda, que os diretores participaram muito do processo criativo, o que facilitou a construção. O arquiteto defende o conceito de arriscar no décor. “Com a aplicação de cor é possível tirar a monotonia dos escritórios, até porque eles não estimulam a criatividade, nem o raciocínio lógico. No dia a dia os funcionários se relacionam com a cor e isso dá mais leveza”, finaliza.

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MERCADO

Almofadas Aliadas do conforto e do charme na decoração Por: Vanessa Montenegro Fotos: Danilo Galvão | Lucas Oliveira Com a forte tendência das pessoas ficarem cada vez mais em casa, aproveitando o conforto do lar para ver um filme ou receber amigos, tornar o ambiente acolhedor, intimista e até charmoso pode proporcionar uma estada mais agradável. E para encontrar esse aconchego, nada melhor do que encher o lugar de almofadas. No mercado, os mais variados estilos estão disponíveis: das clássicas às modernas, para ambientes internos e áreas externas, home de apartamento ou varanda de casa de praia.

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Assinadas pela marca francesa Losis, as almofadas com trabalho de tecelagem disponíveis na Bianco Quiaro conferem estilo arrojado a qualquer ambiente. A estampada com a Torre Eiffel é inspirada no Campo de Marte. Já a cinza de algodão, tem inspiração na tendência de penas. A branca é a única pintada. Hortênsias delicadas em tons de azul são o tema.

Bianco Quiaro Fone: (81) 3048.4820 www.biancoquiaro.com.br

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Da segunda coleção de estampas exclusivas criadas por Lia Tavares e Marina Viturino, da D.Uas Design, as almofadas coloridas feitas de sarja de poliéster com enchimento de fibra de silicone, saem em dois padrões de tamanhos: 40 x 40 cm e 50 x 25 cm. Em ambientes descontraídos, elas podem fazer conjunto com os puffs de mesmo material e pés de madeira timborana. D.Uas Design Fone: (81) 3204.6783 www.duasdesign.com

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MERCADO 2 1

Forte em estampas de bichos, a Maria Casa oferece inúmeras opções para a moda na decoração. O conjunto em veludo, de zebra, exclusivo da loja, pode compor com diferentes cores de sofá. O laranja de couro sintético imita cobra, já a que traz estampa de cobra é produzida em couro de boi. As almofadas redondas de veludo têm estilo retrô dos anos 50 e podem ser confeccionadas na cor de preferência do cliente.

A A. Carneiro Home traz almofadas para ambientes internos, externos e despojados. As de algodão com estamparia exclusiva são feitas pela designer Anna Milliet e as pintadas à mão (com impressão a laser), pela artista plástica Júlia Costa. A de camurça, lavável e com proteção especial para líquidos, está harmonizada com a de jacquard, que pode ser confeccionada por encomenda em diversas padronagens.

A. Carneiro Home Fone: (81) 3081.9192 www.acarneirohome.com.br

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Da marca Fridas, a coleção exclusiva de capas de almofada intitulada Viva La Vida é estampada com o colorido e flores tão presentes nas obras da artista mexicana Frida Kahlo. Além disso, estão como elementos principais mulheres que são personalidades fortes da cultura pop, como a modelo britânica Twigg e Marlyn Monroe. Feitas de cetim, as capas são ideias para harmonizar em ambientes mais descolados.

Maria Casa Fone: (81) 3327.6499 www.facebook.com/MariaCasaLoja

Fridas Fone: (81) 9337.4466 Facebook: fridasstore@gmail.com

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4 A loja SineQuaNon oferece opções que se encaixam em ambientes mais modernos. A bordada em traçado geométrico de tons azul turquesa e azul cobalto é importada da Índia, assim como a cinza de linho também bordada, e a de veludo amarela trançada, que por ser monocromática, compõe perfeitamente com diversas estampas. SineQuaNon Fone: (81) 3037.6237 www.sinequanon.art.br

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As almofadas 100% algodão da Estúdio Zero levam cor para espaços de decoração leve e alto astral. Os animais e as flores estão sempre presentes nas criações exclusivas da marca. As estampas das almofadas redondas têm inspiração no estilo art nouveau. Estúdio Zero Fone: (81) 3273.2077 www.lojazero.com

6 Na Nuvem, todas as almofadas são de brim, nas cores preto e cru. Elas têm enchimento de fibra de silicone sintética e antialérgica. Cada estampa é assinada por um artista diferente da cena pernambucana, com exceção da mulher que é do paraibano Thiago Verdeeee. O gato é de Simone Mendes, o menino de Dani Pessoa e o peixe de Derlon. A de cetim, estampada com elemento que dá nome à casa, também é de criação de Dani Pessoa.

Nuvem Fone: (81) 3052.4530 www.nuvemproducoes.com.br

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arte

Estética natural Por: Beth Oliveira Fotos: Lucas Oliveira

Usada como matéria-prima para artefatos desde a antiguidade, a cerâmica rompe as barreiras da decoração e dos utilitários. É, na verdade, mais um suporte de expressão artística, que possibilita formas, fazeres e intensidades. Curvas, repetições e intervenções são movimentos permitidos neste material que não se esgota em si. O encantamento e a necessidade de expor conceitos- sentimentos fez com que as artistas Christina Machado e Marina Mendonça encontrassem essência e expressividade nesse material natural e terroso. Argila, barro, cerâmica. Nomenclaturas que estimulam e ressignificam o fazer estético.

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arte

A poética de Christina Machado

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desejo de reconhecer-se artista foi um dos processos pelo qual Christina Machado passou ao longo de sua carreira. Nos anos 1980, período em que estava concluindo a formação em artes pela UFPE, descobriu a cerâmica e a argila. Materiais naturais e terrosos que desde então permeiam sua trajetória. “Quando conheci o material abandonei tudo, inclusive o curso de pintura acadêmica com modelo vivo, e fui pesquisar”. Nas memórias da infância, busca a afinidade com a expressão orgânica. “Lembro de ficar brincando no chão da rua com o barro e na areia da praia. Na faculdade não tinha quem desenvolvesse isso e fui atrás de cursos. O preconceito era muito grande em ser ceramista”, rememora a artista que no início chegou

a produzir obras de pintura aplicadas ao material e vitrificados. A necessidade de romper com algumas amarras e trocar experiências surgiu quando Joelson Gomes, Zé Paulo e Rinaldo Silva propuseram conhecer melhor suas técnicas de trabalho. “Senti que estava botando a minha energia de artista em outra história. Então começou essa coisa de colocar a cerâmica e a argila nas artes plásticas. Essa é uma matéria como outra qualquer”, argumenta.

Christina Machado Fone: (81) 9626.8989 christinalmachado@gmail.com

A partir daí, sua intensidade criativa se expande. “Sei que a argila ajudou muito no meu processo de vida,” reflete. O resultado foram várias exposições e criações de obras que se confundem com ela mesma. “Arte e vida estão super juntos. Não saio para buscar algo fora do meu sentimento. Tudo está ligado ao meu universo e a minha respiração”, pontua.

Faço o que vier na minha cabeça A artista se expressa de forma mais livre. “Uso argila pura, desenho e pintura. Faço formas que sinto naquele momento”.

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Eu, Tu, Nós “Esse trabalho surgiu a partir do convite de Camilo Soares para uma ação. O paredão da morte do cemitério de Santo Amaro me chamou atenção. Aquele volume cinza e triste me lembrou uma espécie de morte now”. Assim a artista entrou em processo criativo que iniciou com cartazes colados na parede do lugar. Essa experimentação transformou-se em peças com argila.

Terra, Carne, Relva Nesta série, Christina Machado retoma a pintura. “Entro no ambiente da natureza. Abstraio um pouco o coração, da série Artérias. Essa produção remete a uma decomposição e depois a um ciclo. O vermelho da carne em contraste com a relva e a terra acoberta tudo isso.”

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arte

S é rie A j untamentos : A g r u pa m e n t o c o m p e ç a s que se repetem

Marina Mendonça desvenda a matéria

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em sempre o contato inicial com a cerâmica é o processo mais importante para o artista que usa esse material. Prova disso, Marina Mendonça ligou-se bastante às outras etapas da produção. “Trabalhar com a matéria-prima é uma experiência de saber, por exemplo, que o mesmo pigmento pode variar a cor. Isso você vai sentindo com o tempo. Além de ter uma coisa muito gratificante que é a surpresa de abrir o forno e ter algo maravilhoso ou uma peça quebrada”, exemplifica. Chegando a um momento mais maduro do seu trabalho, há 15 anos optou por ser artista plástica. E a descoberta se deu ainda na escola, onde havia produção com argila. “Sou graduada em teoria da arte pela UFPE. Morei nos EUA e estudei lá. De volta, não sabia o que fazer no vestibular e estava estressada com isso. Então, entrei em um curso de porcelana, para ficar mais leve e me apaixonei”, relata. Da necessidade de criar novas formas e desenvolver uma

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Marina Mendonça Fone: (81) 8172.9994 www.facebook.com/marinamendonca

criação própria, veio a experimentação em cerâmica. De início, o processo de vitrificação foi uma prática que lhe ajudou a dominar a técnica. “Minha vontade é extrapolar os limites da matéria, criar coisas grandes, vivas, com movimento. As instalações são feitas com cerâmica, couro, vidro e madeira. O que me move é unir, ajuntar e proporcionar uma nova leitura, por isso cada montagem é única”, explica. Em nova fase, a artista conta um pouco do seu caminhar criativo. “Quando comecei, fazia apenas peças com pigmento. Hoje, faço duas queimas, uma na olaria e outra no meu forno. Isso é uma coisa particular no meu trabalho e na minha experiência. É no segundo processo que consigo essa cor meio alaranjada. Para chegar até aí levei alguns anos”, conta.

Em sua nova produção, Marina quer ir além da peça única. “Quero encontrar a minha maneira de usar o barro. É dai que surgem as várias séries. Geralmente, repito formas e vou fazendo ajuntamentos de vários elementos. Então, os possíveis resultados perseguem a ideia de usar o espaço como prolongamento da obra. Cada montagem é executada de acordo com o espaço físico e a arquitetura do ambiente”, finaliza.


S Érie P endentes : i n s ta l a ç ã o

E studo para no va s é rie : a i n d a sem nome

S é rie O ferendas : cer âmica com encaixe

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jardins

Desmistificando as bromélias

Marcelo Kozmhinsky Agrônomo e paisagista www.raiplantas.com marckoz@hotmail.com (81) 9146.7721

Fotos: Lucas Oliveira / acervo pessoal

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família Bromeliaceae, popularmente conhecida como Bromélias, possui milhares de espécies ­— quase metade nativa dos ecossistemas brasileiros como Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Caatinga, Campos de altitude e Restingas e podem ser terrestres, como o abacaxi e o gravatá, ou epífitas, como a Guzmania, a Tilândsia e Neoregélia. Diferente do que se pensa, os exemplares que vivem nas árvores não são parasitas pois, apesar de se fixar nos troncos e ramos das outras plantas para receber mais luz e ventilação, não se alimentam delas. Na evolução, as bromélias se adaptaram a ambientes desfavoráveis e se tornaram resistentes pela eficiente absorção de água e nutrientes, através de suas folhas recobertas por escamas e, em algumas espécies, nas rosetas (formação definida pelo arranjo das folhas) que armazenam água, protegida pelas folhas. Esse ambiente se transforma em um ecossistema, onde existe uma cadeia de organismos que competem entre sim numa interdependência ecológica, dificultando a sobrevivência de larvas de insetos. Estudos registraram cerca de 300 espécies de animais (especialmente inse-

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tos) associadas às bromélias da Mata Atlântica, apontando sua importância na manutenção da fauna do bioma do qual essa família faz parte. Segundo pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), em 2007 apenas 0,07% e 0,18% de um total de 2.816 formas imaturas de mosquitos coletadas nas bromélias (do Jardim Botânico/RJ) no período de um ano correspondiam ao Aedes aegypti e Aedes albopictus, sugerindo que as plantas não formam um problema epi-

demiológico como foco de propagação ou persistência desses vetores. No entanto, as bromélias lideram a lista de espécies ameaçadas da Mata Atlântica, devido à coleta indiscriminada para venda clandestina ou pelo medo de ser criatório de larvas da dengue. Belos espaços podem ser montados com essas plantas exuberantes, resistentes e de fácil cultivo em copas e embaixo de árvores.


Mas, antes de pensar em um jardim com bromélias, certifique-se sobre a sua procedência. Para ajudar a evitar a extinção, compre apenas exemplares cultivados em viveiros. Os cuidados são específicos para cada espécie, como as que não suportam sol e adaptam-se em apartamentos, não podendo receber substratos que armazenem muita água para não apodrecer. Nesse caso, a água deve ser oferecida em pouca quantidade e de preferência no copo que se forma com as folhas. Já quando amarradas em árvores com casca de coco deve-se ter o cuidado de lavar a casca muitas vezes para evitar que substâncias tóxicas do fruto façam-na morrer. Consulte um paisagista e pense na melhor forma de inserir as bromélias em seu jardim ou possuir uma coleção delas. Isso é possível e com muito pouco trabalho. O uso das bromélias no paisagismo além de decorativo pode ser uma forma de devolver à natureza o que foi retirado indiscriminadamente.

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delícias

Requinte

lusitano

Por: Edi Souza Fotos: Victor Muzzi

Chef Rui Paula concebe suas criações atento às raízes culturais

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rasil e Portugal nunca estiveram tão próximos quanto na gastronomia do chef Rui Paula, famoso pelos restaurantes DOC, no Douro, e DOP, no Porto. Vivência que agora se une aos insumos regionais explorados em seu empreendimento homônimo inaugurado no Recife, no Shopping Rio Mar. Uma experiência que vem mexendo na sua forma de conceber os pratos, de olho na concepção de cor, forma e estrutura do alimento. “Observei a cidade como um todo para, assim, en-

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tender a cultura. De um modo estético, chamou atenção a arquitetura, a cor do mar e, claro, o formato de frutas como mangaba, acerola e manga”, lembra Rui ao identificar os elementos que hoje influenciam sua cozinha. Sem esquecer as raízes e a grande concentração de estrangeiros na capital pernambucana, o chef incrementou a produção com elementos capazes de atrair gourmets de qualquer nacionalidade. O item indispensável para essa lingua-

gem universal é a louça. A maioria é importada e com detalhes que valorizam a receita. “Temos sempre um prato para determinada produção. E vou lhe dizer uma coisa, é a parte mais importante, porque quando você se depara com algo que dê movimento à mesa, surpreende e gera interesse pela comida”, argumenta. É assim na entrada feita com codorna, charque e purê de mandioquinha, feita em homenagem ao Recife, que exige suporte de base funda para abrigar os ingredientes rasos.


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Quando você se depara com algo que dê movimento à mesa, surpreende e gera interesse pela comida

A sequência revela a precisão do corte, através de um leitão fatiado de modo triangular. “É um prato mais português, muito comum na zona da Bairrada, trabalhado à minha maneira com batata gallet, que vai cru ao forno, combinando com o verde da vagem e o amarelo do molho de laranja”, completa. A composição traduz bem seu processo criativo, muitas vezes embasado pelos croquis definidos bem antes de o prato chegar ao cliente. “Algumas vezes eu desenho e em outras executo duas ou três vezes até ficar harmônico. Quando é algo mais técnico em corte e tamanho, é preciso ter base no design para que as medidas sejam respeitadas”, defende.

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É no momento da sobremesa, que Rui Paula prefere ousar no visual brincando com a forma dos ingredientes. “O último prato é o que as pessoas levam na memória, então é a hora em que se pode inovar com algo mais impactante e criativo”, sugere. Por isso, coloca em prática a experiência como patissière elaborando mousse de limão e merengue italiano, que lembram pequenos cogumelos ao redor de uma sopa de frutas ver-

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melhas e merengue francês. A estética lúdica e colorida é para encantar quem não dispensa ter uma experiência completa na hora da refeição. “Eu me preocupo com minha estética, a do restaurante e a dos meus funcionários. É um conjunto de fatores que vai além da composição da mesa. Você pode até oferecer um prato fashion, mas talvez ele não dure na lembrança do visitante, tem que combinar tudo para fazê-lo voltar”, conclui o chef.

Rui Paula Fone: (81) 3048.4293 ruipaularecife@ruipaula.com


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