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Pontos de Vista Nº 106 | NOVEMBRO 2021 (MENSAL) | 4 Euros (CONT.)

OPCO Creating Solutions – Transição Digital na Indústria

Teva apoia os Cuidadores com Prémios Humanizar a Saúde REDSHIFT CONSULTING A importância da Ciber-Resiliência

Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais

VGP

Sustentabilidade nos Parques Logísticos

GRUPO WM

no espaço Lusófono

Celso Lascasas CEO E FUNDADOR DO GRUPO LASKASAS

A Marca Portuguesa que “decora” a Vida




PONTOS DE VISTA SUMÁRIO

FICHA TÉCNICA Propriedade, Administração e Autor Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda. Administração | Redação Departamento Gráfico Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal Sede da entidade proprietária: Rua Oriental nrº. 1652 - 1660, 4455-518 Perafita Matosinhos Outros contactos: +351 220 926 877/78/79/80 E-mail: geral@pontosdevista.pt redacao@pontosdevista.pt www.pontosdevista.pt www.facebook.com/pontosdevista Impressão Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas Distribuição Nacional | Periodicidade Mensal Registo ERC nº 126093 | NIF: 509236448 | ISSN: 2182-3197 | Dep. Legal: 374222/14 DIRETOR: Jorge Antunes EDITOR: Ricardo Andrade Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS: Ricardo Andrade Beatriz Quintal Ana Rita Paiva PAGINAÇÃO: Mónica Fonseca GESTÃO DE COMUNICAÇÃO: João Soares

TEMA DE CAPA

38 A 43 ENTREVISTA

CELSO LASCASAS, FUNDADOR E CEO DA LASKASAS, REVELA DE QUE FORMA REVOLUCIONOU O MERCADO DO DESIGN MOBILIÁRIO ATRAVÉS DO IMPÉRIO QUE CRIOU.

REDSHIFT CONSULTING EM DESTAQUE

6 A 10

JOÃO MANSO, CEO DA REDSHIFT CONSULTING, ABORDA DIVERSOS PONTOS A TER EM CONTA NO QUE DIZ RESPEITO À CIBERSEGURANÇA EM PORTUGAL E NO UNIVERSO EMPRESARIAL, SEM ESQUECER O CONCEITO DE CIBER-RESILIÊNCIA.

FOTOGRAFIA: Diana Quintela www.dianaquintela.com Rui Bandeira www.ruibandeirafotografia.com Tiragem: 10.000 exemplares Detentores do Capital Social: Jorge Fernando de Oliveira Antunes: 100% Assinaturas Para assinar ligue +351 22 092 68 79 ou envie o seu pedido para: Autor Horizonte de Palavras – Edições Unipessoal, Lda Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal E-mail: assinaturas@pontosdevista.pt Preço de capa: 4,00 euros (Cont.)

Assinatura anual (11 edições): Portugal Continental: 44 euros

Editorial A Revista Pontos de Vista apresenta-se como uma publicação editada pela empresa de comunicação empresarial Horizonte de Palavras, sendo de frequência mensal, assume-se como um meio de comunicação que pretende elevar as potencialidades do tecido empresarial em Portugal. Assumimos o compromisso de promover paradigmas práticos e autênticos do que de melhor existe em Portugal, contribuindo decisivamente para a sua vasta difusão.

Os artigos nesta publicação são da responsabilidade dos seus autores e não expressam necessariamente a opinião do editor. Reservados todos os direitos, proibida a reprodução, total ou parcial, seja por fotocópia ou por qualquer outro processo, sem prévia autorização do editor. A paginação é efetuada de acordo com os interesses editoriais e técnicos da revista, exceto nos anúncios com a localização obrigatória paga. O editor não se responsabiliza pelas inserções com erros, lapsos ou omissões que sejam imputáveis aos anunciantes. Quaisquer erros ou omissões nos conteúdos, não são da responsabilidade do editor.

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COMPETITIVIDADE E TRANSIÇÃO DIGITAL

12 A 27

CONHEÇA CASOS DE SUCESSO EM DIFERENTES SETORES DE ATIVIDADE, ONDE A DIGITALIZAÇÃO E A INOVAÇÃO TÊM SIDO FORTES ALIADOS NA EVOLUÇÃO DAS SUAS ORGANIZAÇÕES.


PONTOS DE VISTA SUMÁRIO

33º ANIVERSÁRIO DA SAFETYKLEEN

52 A 54

O DIRETOR GERAL DA SAFETYKLEEN, ANTÓNIO PEDRO PINHEIRO, DÁ A CONHECER AS CONQUISTAS E OS DESAFIOS AO LONGO DE 33 ANOS DE HISTÓRIA.

ESPAÇO LUSÓFONO

90 A 91

FILIPE PESCADA, CEO DO GRUPO WM CONTA O QUE TEM VINDO A SER FEITO NO SEU COMPROMISSO COM A DIVERSIDADE E AINDA, DE QUE FORMA, A UNIÃO E A COOPERAÇÃO ENTRE A CPLP SÃO UMA MAIS-VALIA NO MERCADO.

80 A 88

A PALAVRA DE MULHERES LÍDERES E DISPOSTAS A CONQUISTAR DIFERENTES SETORES DE ATIVIDADE.

Pontos de Vista

Pontos de Vista

no femini no

2010|2020

10º ANIVERSÁRIO

SAÚDE E BEM-ESTAR

61 A 71

TESTEMUNHOS SOBRE O PAPEL INSUBSTITUÍVEL QUE OS CUIDADORES INFORMAIS ASSUMEM PERANTE A SOCIEDADE E AINDA A IMPORTÂCIA DA SAÚDE OCULAR.

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“A SEGURANÇA É UM FATOR IMPORTANTE EM TODAS AS ÁREAS DE ATIVIDADE. É A FORMA COMO TEMOS DE DEFINIR QUE MODELOS DEVEMOS TER EM CONTA PARA GERIR O RISCO, INTRODUZINDO OS PROCESSOS E A TECNOLOGIA NECESSÁRIA, PARA QUE O RISCO SEJA REDUZIDO, MINIMIZADO, MAS ACIMA DE TUDO MONITORIZADO E CONTROLADO. EM CIBERSEGURANÇA É EXATAMENTE O MESMO” JOÃO MANSO,

FOTO: DIANA QUINTELA

CEO DA REDSHIFT CONSULTING


PONTOS DE VISTA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E CIBER-RESILIÊNCIA

“Não pode haver Cibersegurança, sem Ciber-Resiliência” “A resiliência é a capacidade de sobreviver ou minimizar o impacto num incidente. A cibersegurança, pode impedir ataques a um sistema, mas se este não tiver a resiliência suficiente, quando um ataque for bem-sucedido, o sistema irá falhar”, revela João Manso, CEO da Redshift Consulting, que, numa longa entrevista à Revista Pontos de Vista, abordou diversos pontos a ter em conta no que concerne à Cibersegurança em Portugal e no universo empresarial, sem esquecer o conceito da Ciber-Resiliência.

FOTO: DIANA QUINTELA

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abemos que a Redshift Consulting é uma marca presente no mercado há mais de dez anos, e que atua em diversas áreas, - banca, saúde, telecomunicações, transportes, - tendo assim um crescimento exponencial e de relevo. Qual é o segredo para todo este sucesso, ainda que o país esteja numa fase difícil a nível económico e social fruto das vicissitudes provocadas pela pandemia? O que distingue a Redshift Consulting das restantes marcas? A marca Redshift e não apenas a empresa Redshift Consulting, identifica-se no mercado pela inovação, capacidade e qualidade das soluções que representa e mais ainda pela qualidade de serviço e profissionalismo diferenciador que os nossos técnicos garantem e que é reconhecido pelos clientes. Nestes 18 meses de pandemia, nós decidimos por nós, com alguma ajuda do estado e da banca, reinvestir em novas soluções, criar serviços inovadores, alargar a nossa equipa e dar-lhe condições quer de infra-estruturas quer de formação, tornando-a mais forte. Isto permitiu-nos na fase inicial difícil com a economia totalmente parada e dedicada quase exclusivamente à saúde e apoio social, continuar a operar normalmente com recurso à capacidade financeira que tínhamos conseguido consolidar e com um planeamento atempado e coordenado entre a nossa equipa diretiva e os clientes, para não ter quebras significativas de negócio. Passada a fase inicial, retomámos os nossos planos, agora mais restritos a Portugal, e continuamos a crescer. Retomámos o plano de expansão internacional para os PALOP e Espanha. Com muito esforço e dedicação da equipa de gestão, administrativa e operacional conseguimos entrar na pandemia a crescer e estamos a sair da pandemia a crescer ainda mais. Entrámos com 49 colaboradores, estamos agora com mais de 70, terminamos 2020 a crescer dois dígitos e estamos a terminar 2021 com um muito forte investimento, mas ainda assim a crescer outra

vez acima dos 20%. No mercado da Cibersegurança o crescimento onde tivemos o maior investimento de sempre em pessoas e infra-estrutura, estamos com crescimento a rondar os 40%. E a juntar a isto e para aumentar ainda mais a confiança dos nossos clientes e parceiros, fizemos um extraordinário esforço de normalização e certificação da empresa no âmbito total e estamos a terminar a certificação de toda a operação em ISO 9001:2015 e ISO 27001:2013, com um sistema de gestão de Segurança de Informação, Qualidade e Privacidade, robusto e com uma estrutura dedicada à sua sustentação. O que nos distingue é todo este investimento em qualidade de serviço e dedicação ao cliente e à inovação.

O objetivo da Redshift Consulting passa por se tornar uma referência em Redes de Dados, Segurança da Informação, Gestão da Informação e Consultoria Ágil de Desenvolvimento de Software Empresarial no mercado português, dando apoio aos clientes na escolha e implementação das melhores soluções neste sentido. Porque é que a cibersegurança é cada vez mais importante, não só para o universo empresarial como para a generalidade das pessoas? Considera que as tecnologias podem realmente tornar-se perigosas se não lhes dermos o devido acompanhamento ao nível da segurança? A segurança é um fator importante em todas as áreas de atividade. É a forma como temos de definir que modelos devemos ter em conta

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PONTOS DE VISTA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E CIBER-RESILIÊNCIA

“TUDO COMEÇA EM AJUDAR AS PME A CONHECEREM MELHOR OS SEUS PROBLEMAS, AJUDAR A PRIORITIZAR A SUA MITIGAÇÃO, DARLHE VISIBILIDADE E OS MECANISMOS DE APOIO QUE POSSAM RECORRER COM MAIOR FACILIDADE. BASICAMENTE NÃO DEIXAR QUE ELAS FIQUEM PERDIDAS NO MEIO DO OCEANO NO MEIO DA TEMPESTADE, SEM SABER QUE TÊM UM PROBLEMA, SABEREM O QUE FAZER E A QUEM PEDIR AJUDA” para gerir o risco, introduzindo os processos e a tecnologia necessária, para que o risco seja reduzido, minimizado, mas acima de tudo monitorizado e controlado. Em Cibersegurança é exatamente o mesmo. Tudo o que é tecnológico e principalmente tudo o que comunica ou que está exposto pode ser atacado. A cibersegurança, sendo a segurança aplicada ao mundo cibernético, são os métodos, processos, pessoas e tecnologia aplicada em defender os sistemas das ameaças à sua integridade, disponibilidade e confidencialidade, garantindo que estes continuam ao serviço de quem deles necessita. A Redshift implementa desde o seu início o lema de “Security by default” em todos os modelos e implementa esforços continuados para que todos os seus clientes percebam a necessidade de investir em cibersegurança (ou segurança de forma genérica) para defender e reforçar a maturidade de todos os seus processos e modelos de negócio, seja no desenvolvimento de aplicações (desde o seu desenvolvimento e durante todo o seu ciclo de vida e de forma continuada e sistemática), seja na proteção da informação nos processos de transformação digital, seja na proteção dos seus processos de produção. Hoje temos o governo a falar e a dedicar recursos para investir na transformação digital do país. Agora, finalmente, com a cibersegurança como um dos

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temas essenciais, a Redshift tem tido uma ação consultiva para auxiliar os clientes a implementar essa transformação segura, ou a corrigir a transformação mal implementada há mais de cinco anos. Todos os desenvolvimentos tecnológicos necessitam de modelos de segurança, para que possam ser utilizados corretamente. A Inteligencia Artificial e o Blockchain são áreas de intervenção, também elas e principalmente elas, da cibersegurança, para que esta esteja presente e possa tirar partido também destas novas capacidades e conhecimento, desenvolvendo novas tecnologias que possam estar a par da necessidade de segurança de novas soluções que apareçam no mercado. Sabemos que as pequenas e médias empresas (PME) estão tão ou mais expostas quanto as grandes empresas, principalmente pela falta de recursos especializados na hora de lidar com a segurança digital (ou a falta dela). Quais são as maiores dificuldades que as PME encontram no que concerne à cibersegurança? As PME são atualmente o principal problema para a cibersegurança, pois as suas fragilidades, são utilizadas como o elo mais fraco nas cadeias de abastecimento e na capacidade de penetrar nas defesas das grandes empresas. A Redshift, muito embora não tenha no seu

modelo trabalhar para PMEs, pois isso requeria um esforço muito maior do que a sua capacidade permite, tem desenvolvido ao logo dos últimos anos um conjunto de atividades para ajudar a identificar, enquadrar e melhorar a maturidade das PMEs. Temos de forma continuada comunicado esta extrema fragilidade do nosso tecido empresarial e sempre que possivel, junto de instituições do estado, demonstrar a preocupação e apoiar atividades que possam contribuir para a visibilidade do problema e instigar o estado a desenvolver políticas que possam trazer melhorias. Junto das empresas nossas clientes, tipicamente grandes empresas e o estado, mostrar o risco de exposição à fragilidade das PME do seu tecido operacional, e apresentar opções para as ajudar a reduzir o risco, mas acima de tudo identificar as suas fragilidades de forma que possam ser intervencionadas, ou instigadas a investir na sua maturidade. Nos últimos dois anos, a Redshift juntou-se a um conjunto de pessoas e empresas (PME) que desenvolveram um projeto de Cibersegurança para PME a nível europeu. Um projeto ambicioso e inovador que pretende criar um modelo para aumentar a maturidade de cibersegurança das PME em rede, com tecnologias inovadoras, de forma dedicada, mas acima de tudo tendo em conta um modelo financeiro adaptado à capacidade das PME, evitando ao


PONTOS DE VISTA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E CIBER-RESILIÊNCIA

FOTO: DIANA QUINTELA

sistema, mas se este não tiver a resiliência suficiente, quando um ataque for bem-sucedido, o sistema irá falhar.

máximo impor um esforço financeiro desequilibrado. Este projeto está na sua fase inicial de lançamento e financiamento e achamos que será algo muito importante para as PMEs, para as grandes empresas, mas também para os países. Estamos obviamente muito alinhados e associados ao esforço que o estado e principalmente o CNCS tem feito nesta área. As tecnologias de informação estão profundamente enraizadas na vida de todas as pessoas, como também na vida profissional das mesmas. E por isso é que a Redshift Consulting se torna essencial, para que as empresas consigam estar preparadas para lidar com ameaças desta natureza. Para si, o que vem em primeiro lugar no mundo empresarial: a Ciberseguranca ou a Ciber-Resiliência? O que as diferencia e o que as une? Nada consegue ser seguro se não for resiliente. Por isso não pode haver Cibersegurança, sem Ciber-Resiliência. São duas características de qualquer modelo que se pretende que tenha a maturidade necessária para estar exposto a qualquer tipo de ameaça, seja ela um ciberataque, uma falha ou um erro, seja de tecnologia, seja humano. A resiliência é a capacidade de sobreviver ou minimizar o impacto num incidente. A cibersegurança pode impedir ataques a um

Porque é que a Ciber-Resiliência se tem tornado cada vez mais importante? E de que forma é que o universo das PME podem melhorar a sua Ciber-Resiliência, de maneira a livrarem-se da falta de segurança a que estão habitualmente expostas? A Ciber-Resiliência como conceito, é ter um sistema, infra-estrutura ou organização, preparada para sobreviver a ou, de forma mais genérica, a ameaças que se possam concretizar, através da sua exposição ao mundo cibernético, por utilizarem comunicações, mais ou menos abertas. As PMEs ou qualquer organização por maior que seja, estando exposta, não consegue “livrar-se” da falta de segurança, mas todas conseguem investir em melhorar a segurança, reduzindo ao máximo a “insegurança” (o risco). As PMEs podem melhorar, se tiverem a capacidade de investir de forma direcionada e adequada à sua dimensão e operação na segurança que mais impacto tenha em reduzir o seu risco, as suas fragilidades, e apoiar a sua melhoria de resiliência e capacidade de impedir, detetar e responder a um incidente. Tudo começa em ajudar as PME a conhecerem melhor os seus problemas, ajudar a prioritizar a sua mitigação, dar-lhe visibilidade e os mecanismos de apoio a que possam recorrer com maior facilidade. Basicamente não deixar que elas fiquem perdidas no meio do oceano no meio da tempestade, sem saber que têm um problema, saberem o que fazer e a quem pedir ajuda. A Redshift Consulting detém uma equipa altamente especializada em áreas como Comunicação e Tecnologia da Informação, Segurança da Informação e Gestão da Informação. Considera que o facto de ter um leque de profissionais com toda esta especialização e experiência, faz toda a diferença no momento de realizar um trabalho exímio e de excelência no contacto com as empresas? De que forma? As empresas como a nossa são principalmente as pessoas que a compõem. A Redshift é o resultando da fórmula que multiplica o somatório da capacidade da equipa, pelo somatório do seu profissionalismo e elevado ao valor mínimo da ética dos elementos da sua equipa. Por isso temos que trabalhar em contínuo na promoção da capacidade da equipa, do seu conhecimento e potencial, mas também temos que cultivar e promover a melhoria constante das pessoas da equipa, das suas softskills, e manter um nível elevado de formação, acompanhamento e monitorização pois uma qualquer quebra de ética pode levar ao colapso total do mérito obtido pela organização como um todo. Por isso, investimos sempre nas pessoas, na sua capacidade, satisfa-

ção e disponibilidade. Os nossos profissionais são dos melhores que se podem encontrar, não só em Portugal, nas suas áreas de atuação. Nós temos a confiança como equipa que conseguimos enfrentar qualquer desafio com a segurança necessária de que iremos atingir os objetivos. É essa confiança que tem permitido aos nossos clientes, manterem-se nossos clientes e reconhecerem a nossa capacidade de entrega. É inevitável abordar o assunto mais falado dos últimos dois anos. Sabemos que a pandemia da Covid-19, infelizmente, afetou um pouco todas as áreas. Que impacto é que esta pandemia aportou à Redshift? Uma vez que todas as empresas tiveram que começar a lidar ainda mais com as tecnologias, houve uma maior procura por parte das mesmas no sentido de garantirem uma maior segurança nos negócios e gestão dos mesmos? Passados 18 meses, pode dizer-se que o caos inicial, dos primeiros seis meses, que se notou de forma transversal nas empresas públicas e privadas, se calhar muito mais do que seria aceitável, mas infelizmente não de forma inesperada, está agora a transformar-se, lentamente, num esforço em resolver problemas antigos para ultrapassar dificuldades do presente. O problema é que parece que está tudo a achar que o futuro será diferente (ou seja, que isto já não se vai repetir) e por isso não estão a fazer o esforço de forma metódica para se conseguir resistir a eventos similares. A Redshift reagiu e preparou-se antecipamente e por isso conseguimos não só reduzir o impacto como crescer. O investimento na preparação da resposta para a retoma foi o ponto mais importante. Considera que a eficiência do trabalho da Redshift Consulting, aliado ao menor custo nas operações e a conformidade com as normas de Privacidade e Segurança de Informação, faz com que cada vez mais as empresas procurem este tipo de “apoio”? Atualmente a mente dos líderes das empresas já permite aceitar que vivemos num mundo onde a segurança tem que estar no topo das prioridades na hora de gerir uma empresa? É importante uma empresa de cibersegurança demonstrar que cumpre, internamente, de forma alargada, as normas internacionais para a Gestão de Segurança de Informação e Privacidade, assim como as de qualidade. A Redshift está a associar essa característica às suas capacidades, demonstrando a todos os seus clientes e aos novos clientes, que pode contar com uma empresa preparada e gerida de acordo com as mais exigentes normas. Isto dá confiança aos gestores/líderes das empresas que nos avaliam, para sermos ou continuarmos a ser parceiros. Nas empresas portuguesas a aceitação da

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PONTOS DE VISTA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E CIBER-RESILIÊNCIA

O QUE SIGNIFICA ESCOLHER A REDSHIFT?

FOTO: DIANA QUINTELA

A escolha da Redshift tem perspetivas diferentes dependendo do prisma em que a analisamos. Para os clientes, significa, sem falsa modéstia, escolher o melhor que o mercado tem para oferecer nas nossas áreas de especialização. Para os parceiros, significa escolher quem melhor pode promover, integrar e sustentar o que de melhor tem cada uma das soluções. Para os colaboradores, significa o melhor local para potenciar e melhorar as capacidades técnicas e humanas e para desenvolver a atividade profissional nos projetos mais desafiantes.

cibersegurança como uma necessidade e principalmente como um investimento, ainda é muito frágil. Temos visto uma melhoria de perceção, mas muitos ainda consideram a cibersegurança como um custo, que em alguns casos nem se compara a um seguro... depois vemos o discurso do desespero quando a tempestade os ataca e nem seguro, nem preparação para a tempestade. Continua a faltar muito para que os líderes e gestores, na sua generalidade e o ideal seria a maioria, deixarem de olhar para a cibersegurança como uma “chatice” necessária, mas como um fator de conetividade e de reconhecimento no mercado de que os seus serviços/produtos foram e estão desenhados com a segurança em mente e que não irão ser postos em causa por causa de uma pequena perturbação que poderia ser evitada. Mas algumas empresas, mais empurradas pela regulação e em alguns casos pelas leis, começam a incluir, em esforço, a cibersegurança e a segurança de informação genericamente, como um fator critico para o negócio, desde o início. Essas, são ainda poucas, mas são um exemplo a seguir. Temos algumas, poucas infelizmente, que são recentes e já incluíram a cibersegurança no desenho do negócio e na estrutura da empresa, desde a sua génese. Estas são o exemplo de excelência. Mas ainda existe um deserto de ideias e uma cegueira muito grande, nas empresas e em algumas áreas do estado. A Redshift tem a sua atividade repartida em

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duas empresas: A Redshift Consulting e a Redshift II Solutions. Estas duas empresas atuam em conjunto? O que as diferencia? A Redshift Consulting é a empresa mais antiga e opera principalmente em tecnologias de informação (Networking, Computação, Datacenter, Cloud, entre outros.) e cibersegurança, seja na vertente de integrador, consultor ou prestador de serviços e a Redshift Solutions na vertente de Sistemas de Informação, ou seja, desenvolvimento, fornecimento, implementação, gestão de sistemas e soluções de gestão de informação. São empresas distintas, mas não muito diferentes, pois têm muitos pontos e valores comuns. Partilham da mesma gestão e de processos integrados, concorrendo em conjunto a projetos e partilham recursos técnicos. São empresas separadas para haver um posicionamento claro para o mercado onde operam e haver um maior enfoque nas equipas que as compõem. Há alguma área em que a Redshift gostasse de atuar e que ainda não atue? Se sim, qual e de que forma está a ser preparada esta estratégia? A Redshift continua a alargar a sua oferta, quer na área de Cibersegurança e infraestruturas, alargando o seu modelo de negócio de Managed Services, seja principalmente no modelo as-a-service com a introdução no mercado do seu NSOC. Está também a alargar a sua especialização para outras áreas da Cibersegurança como é o caso da "Intelligence", com o desenvolvimento de parcerias fortes com soluções de referência no mercado, promovendo soluções especializadas, mas também desenvolver um “as-a-service”

que possa endereçar o nosso mercado de forma mais alargada. Do outro lado, e por pressão dos nossos clientes, iniciamos uma unidade de negócio especializada em fornecer recursos humanos especializados, geridos por uma equipa altamente reconhecida e conceituada e que promete inovar na oferta ao mercado. Também temos feito um investimento adicional na investigação, com a criação do uma equipa especializada e dedicada apenas ao desenvolvimento com recurso a novas tecnologias de soluções e produtos a introduzir no mercado. A Redshift está em constante evolução, não só empurrada pela exigência do mercado e dos nossos clientes, mas também pela ambição da equipa, que quer sempre melhor e mais longe. A terminar, relembre-nos porque a Ciber-Resiliência é hoje, cada vez mais, um conceito a ter em consideração? Tal e qual como vacinarmo-nos é importante para resistirmos (sermos resilientes à doença) à ameaça dos vírus e nomeadamente no caso do COVID-19 permitir que a sociedade possa retomar a sua atividade “normal”, a Ciber-Resiliência é o conjunto de ações necessárias para protegermos a nossa organização, empresa, família e a nossa informação, de ameaças que a possam colocar em perigo. Por isso necessitamos de vacinas para reforçar a Ciber-Resiliência. A Cibersegurança é uma das mais importantes, quase tão importante como sabermos bem qual o nosso objetivo, missão, negócio. Se não soubermos o que estamos a fazer dificilmente saberemos o que precisamos para continuar a cumprir a nossa missão. ▪



PONTOS DE VISTA COMPETITIVIDADE E TRANSIÇÃO DIGITAL

O Futuro da Tecnologia na Visão da Crossjoin João Modesto, CEO da Crossjoin garante que a marca “é líder de mercado na área de Performance e Otimização de Sistemas de Informação”. Saiba de que forma o sucesso nas maiores organizações tem sido concebido e como a CrossMind Academy é um fator-chave no futuro da empresa.

JOÃO MODESTO

O

objetivo da Crossjoin passa por tornar-se líder a nível global, oferecendo soluções inovadoras de forma a otimizar os sistemas digitais, quais considera que são as características fundamentais da empresa? A Crossjoin não tem concorrentes diretos. Atua em todos os setores do mercado. Tem um track acumulado durante mais de uma década, com referências e casos de sucesso, nas maiores organizações internacionais, entre outras: telecomunicações, banca, saúde e instituições governamentais. A Crossjoin distingue-se, com fortes competências humanas/técnicas, com os seus únicos e próprios aceleradores/ferramentas de diagnóstico e métodos sistemáticos de análise. A nível internacional, a Crossjoin tem conquistado de forma notória um elevado contributo na aplicação dos seus métodos, sobretudo com a colaboração e liderança em projetos que envolvam Cloud Computing e Transformações Digitais. Se o driver é resolver um problema de disponibilidade do serviço, lentidão ou ameaça devido a falhas de segurança técnica ao nível de infraestrutura, sistemas de base, repositório de dados, redes, aplicações ou integração de sis-

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A verdade é que a tecnologia é um universo que está em constante mutação, sendo cada vez mais uma necessidade no mundo profissional, tornando-se, assim, mais competitivo. De que forma é que a automatização robótica de processos, pode tornar mais eficiente os métodos de negócio nas empresas? Quais os maiores desafios com que se depara na competição com outros projetos? Em linha com a nossa missão, a oferta de Automatização Robótica de Processos está a ser desenvolvida para que se possam agilizar as tarefas mais repetitivas que são feitas por humanos. Esta solução permitirá poupar muito tempo e ser utilizada para outras áreas dentro da organização nas quais seja possível “A Crossjoin acrescentar valor. Estiestará sempre ma-se que 30% das disponível para atuar tarefas que fazemos em qualquer desafio técnico no dia a dia possam e tecnológico, de acordo com ser automatizadas, assim, é possível tortemas, e é necessária a nossa missão e visão para nar os processos de uma resposta imediao futuro do país negócio das empreta ou num espaço de e do mundo” sas mais eficientes. tempo relativamente Esta tecnologia não tem curto, a Crossjoin é a como objetivo substituir o empresa especializada papel desempenhado pelas que melhores condições tem pessoas, mas sim criar tempo para aplicar o método analítico para outras tarefas. O nosso objetivo dos dados existente e endereçar este desafio. A Crossjoin tem como missão implementar a tecnologia em praticamente todo o tipo de negócios, de forma a facilitá-los. Quais são as maiores dificuldades que encontra nesse sentido? Acha que ainda está longe de conseguir esse feito? Quando a Crossjoin ou o nosso cliente não são detentores do ônus de implementação ou manutenção dos sistemas alvos de otimização, existem sempre barreiras de acessos aos sistemas produtivos e implementação das nossas recomendações por parte de parceiros que trabalhem diretamente com os nossos clientes. Contudo, o nosso princípio/espírito “Joiner” permite conquistar a confiança de todos os parceiros envolvidos e focar esforços num objetivo comum: a satisfação de um cliente comum.


PONTOS DE VISTA COMPETITIVIDADE E TRANSIÇÃO DIGITAL

“EM LINHA COM A NOSSA MISSÃO, A OFERTA DE AUTOMATIZAÇÃO ROBÓTICA DE PROCESSOS ESTÁ A SER DESENVOLVIDA PARA QUE SE POSSAM AGILIZAR AS TAREFAS MAIS REPETITIVAS QUE SÃO FEITAS POR HUMANOS” é garantir que estas três dimensões trabalhem em sintonia para garantir uma solução ótima. Focando agora na questão da facilidade em analisar currículos, por exemplo, considera crucial o fator poupança de custos e tempo, aquando da adesão a este processo por parte das empresas? A mentalidade dos CEO já está suficientemente avançada, no sentido de aceitarem que seja um robô a selecionar os candidatos? Sim, está comprovado que a Automatização Robótica de Processos permite poupar tempo e custos às empresas. A nossa equipa preparou uma demonstração onde é possível perceber que com a aplicação de RPA num processo manual de análise de currículos que demore vários dias, este pode ser automatizado e passar a demorar apenas alguns minutos. Deste modo será percetível que o passo seguinte na transformação digital da sua organização seja crítico para conseguir acompanhar as alterações do mercado em que se enquadram. Esta nova área de aposta da nossa empresa enquadra-se na nossa visão e posiciona-se como parte fundamental do nosso futuro. A Crossjoin detém também

uma academia: a Crossmind. Um centro de excelência para quem está a integrar o mercado de trabalho. Com que expetativas é lançado este projeto? E, dada a situação atual de pandemia em que vivemos, como é realizado o processo de aprendizagem dos candidatos? O projeto Crossmind Academy enquadra-se naquilo que é a visão da Crossjoin para o futuro. A nossa empresa é um centro de excelência e a nossa Academia permite que os jovens adquiram uma forte componente técnica e assimilem as nossas metodologias e organização, para encarar os desafios que encontramos com um espírito muito Crosser e Joiner. O processo de aprendizagem não foi impactado pela pandemia, continuamos a apostar na contratação de jovens recém-licenciados/recém-mestres em todas as universidades do nosso país. A nossa empresa adaptou-se rapidamente a um modelo híbrido, tanto em formato presencial, quando foi possível fazê-lo no nosso Pólo Tecnológico, como online. O facto de cada plano de aprendizagem ser feito à medida de cada um dos jovens talentos que se juntam a nós permite-nos ter uma abordagem focada no objetivo de uma rápida aprendizagem alinhada com os projetos e desafios que o mercado e o nossos clientes nos colocam.

ção de novos talentos para integração na nossa empresa e para providenciar uma base de conhecimento tecnológico avançado, de modo para respondermos aos desafios com que somos confrontados diariamente. A nossa abordagem tem sido pró-ativa, junto das universidades e associações para que possamos realizar várias iniciativas que nos tem permitido acompanhar de perto o que é feito diariamente nos principais centros de formação nacionais. A proximidade do nosso Pólo Tecnológico em Almada e dos restantes espaços de trabalho das principais faculdades, permite atuar como centro de partilha de conhecimento. A aposta num modelo híbrido permite responder a algumas oportunidades que o mercado nos coloca, daí a aposta da nossa empresa em localizações estratégicas um pouco por todo o país e por outras geografias.

A Crossjoin é ainda pioneira no tipo de serviços que oferece. Quais são os projetos futuros? E qual considera que vai ser a evolução da transição digital em Portugal a médio e longo prazo? A Crossjoin é líder de mercado na área de Performance e Otimização de Sistemas de Informação e para além disso, quer continuar o seu crescimento com a aposta em áreas que se continuarão a destacar no futuro como a Automatização Robótica de Processos, a área de Cloud e com o alargamento da nossa oferta na área de cibersegurança. A nossa aposta nestes serviços está a ser feita com os técnicos especialistas e com os jovens talentos que são formados diariamente na nossa Crossmind Academy. A Crossjoin estará sempre disponível para atuar em qualquer desafio técnico e tecnológico, de acordo com a nossa missão e visão para o futuro do país e do mundo. ▪

Contam já com localização em Lisboa, Almada, Porto e Santiago do Chile, e o principal foco é continuar a expandir pelo país, de forma a implementar competências futuras nesta área onde ainda existem lacunas entre as necessidades do mercado e os licenciados. Quais são, para si, as que precisam de ser colmatadas? De que forma ainda é possível fazer uma transição digital no que toca a estas necessidades? A Crossjoin tem feito uma aposta crescente naquilo que é a forma-

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PONTOS DE VISTA COMPETITIVIDADE E TRANSIÇÃO DIGITAL

WeDoStuff

Na vanguarda do Poder da Comunicação A comunicação é, nos dias que correm, uma chave essencial para abrir várias portas de sucesso – e quem defende esta teoria é a WeDoStuff. Sendo uma marca especializada em Marketing Digital e Performance, vive e «respira» os resultados que, com a ajuda desta poderosa ferramenta, transformam e elevam todos os negócios a um patamar global. José Sobral, CEO da empresa conta-lhe tudo.

MARIA JOÃO SOBRAL E JOSÉ SOBRAL

A

WeDoStuff é uma marca especializada em Marketing Digital e Performance. Num mercado que é cada vez mais competitivo, o que diferencia a mesma das restantes? O que fomenta a ideia de que é parceira ideal na comunicação dos clientes e, consequentemente, no seu crescimento organizacional? Provavelmente irá soar a chavão, mas na WedoStuff “cada cliente é um cliente” pois existem vontades e necessidades próprias. Aquilo que nos distingue dos demais é a proximidade com o nosso cliente. Somos o verdadeiro departamento de comunicação e marketing mas sem ocupar um espaço físico nas suas empresas, seja o pequeno negócio de rua ou a grande empresa que fatura milhões. Preocupamo-nos que o cliente consiga confiar

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no nosso trabalho, apresentando-lhe resultados consistêntes. Vivemos disto! Costumamos dizer aos nossos clientes que o nosso compromisso com eles é que estes consigam “vender”, não só o produto mas a sua marca. Chegar ao final do mês e perceberem que o que nos pagam é o valor justo e que será uma parceria para continuar durante vários anos é a nossa maior vitória. Os nossos clientes falam por nós! Certo é, a WeDoStuff tem como artéria principal o facto de analisar cada projeto com detalhe e rigor. Que serviços e soluções disponibilizam no mercado para o efeito? Que valor aportam as mesmas nos negócios dos seus clientes? Somos especialistas em estratégia digital e como tal explicamos que o processo de come-

çar a comunicar por eles tem diversas etapas. Escrever nas redes sociais todos podem fazer. Comunicar, passar mensagem, tocar no cliente e conseguir resultados é algo completamente diferente. Cada cliente que chega até nós, garantidamente é alvo de um enorme estudo de mercado. Não só o seu posicionamento atual, o seu potencial digital, mas igualmente é efetuada uma analise ao pormenor dos seus concorrentes mais diretos (produtos, processos e desempenhos). Queremos fazer melhor que a concorrência e como tal, estamos em cima dela. Procuramos também perceber a nível global o que está a acontecer no seu setor pois só assim podemos fazer um trabalho competente e profissional. É o chamado benchmarking digital que levamos de forma muito séria.


PONTOS DE VISTA COMPETITIVIDADE E TRANSIÇÃO DIGITAL

Vivemos num mundo global onde todos estamos ligados” é o mote pelo qual a WeDoStuff se rege. Olhando para o mercado e para cada setor de forma generalizada, acredita que existe hoje uma maior consciencialização da importância e das vantagens que a comunicação – e o seu poder – traz ao plano estratégico de uma empresa? O que mudou? Passou a ser essencial estar “posicionado”, estar vivo nas redes sociais pois os utilizadores (que podem vir a ser clientes) valorizam isso. Basta olhar para o que aconteceu há semanas com o apagão de cinco horas das redes sociais, com o mundo a parar, onde diversas empresas tiveram prejuízos. Além do mais, algo que a pandemia trouxe foi mostrar às pessoas que às vezes é preciso ter planos “B e C” na sua vida e negócios. Em momentos de maior pressão, muitos clientes foram obrigados a expandir o seu negócio para o digital, outros que arrancaram projetos que talvez há muito estivessem na gaveta. Qual tem vindo a ser o contributo da WeDoStuff no esclarecimento e fomentação da importância da comunicação nos dias que correm? Como costumamos dizer aos clientes, “isto é um comboio que está a passar a uma grande velocidade e só quem o apanhar é que estará preparado para os próximos desafios”. Vamos ser sinceros... estamos todos cansados de ver publicidade. Só reagimos ao que nos toca, ao que nos chama a atenção. Porque é que todos falam nas publicidades da “Control”, do “Licor beirão”, ou das “Aguas Frize” por exemplo? A sua forma de chegar até nós, independentemente do canal, marca pela diferença. É isto que procuramos para os nossos clientes. O tema da transição digital está na ordem do dia e, com ele, todas as oportunidades e desafios que poderá acarretar. Considera que existe em Portugal um clima favorável à inovação e ao conhecimento, independentemente da dimensão de cada negócio? Quais os principais desafios que se poderão esperar neste processo? Considero que sim. Normalmente

“PASSOU A SER ESSENCIAL ESTAR “POSICIONADO”, ESTAR VIVO NAS REDES SOCIAIS POIS OS UTILIZADORES (QUE PODEM VIR A SER CLIENTES) VALORIZAM ISSO. BASTA OLHAR AO QUE ACONTECEU HÁ SEMANAS COM O APAGÃO DE CINCO HORAS DAS REDES SOCIAIS, COM O MUNDO A PARAR, ONDE DIVERSAS EMPRESAS TIVERAM PREJUÍZOS” o nosso país tenta “copiar” o que lá fora se faz e os bons exemplos vêm (na minha opinião), principalmente do norte da Europa. Em Portugal há cada vez mais apoios para a inovação digital e isso é algo que nos deixa satisfeitos. Se queremos ser competitivos, internamente e externamente, temos de “digitalizar” os nossos negócios.

mos apresentar já, mas a revista “Pontos de Vista” pode vir falar connosco em janeiro que teremos novidades (risos). Posso também afirmar desde

No universo do Marketing Digital e da Performance, é sempre possível inovar e adaptar às constantes mudanças da sociedade? Podemos afirmar que é o que distingue a WeDoStuff? Fazemos um esforço enorme dentro da nossa estrutura para estarmos preparados a todas as mudanças. Se não o fizermos quem fará? Eu não acreditaria há um ano que hoje estariamos a gerir contas de TIK TOK de clientes empresariais… Mas estamos.

já, que no primeiro trimestre de 2022 iremos abrir novo escritório, agora no sul do país, onde já temos clientes e continuamos a ser muito requisitados. ▪

Uma das inúmeras vantagens da transição digital que temos vindo a assistir é o aumento da competitividade das empresas o que, por consequência, traz novos serviços e produtos aos consumidores. Deverá a digitalização ser um lema comum no tecido empresarial? Que outras oportunidades poderão surgir? Sem sombra de dúvidas. Há mercados digitais que estão a abrir, há comparadores de tudo e mais alguma coisa. Hoje posso comprar um forno em Lisboa, em Madrid ou Toulouse. Bastam dois ou três cliques. Já não faz sentido existir a ideia de que “vou criar um negócio aqui na minha rua”. Hoje tudo pode ser global, se assim quisermos, claro. Por isso mesmo, considero que hoje este tema já é algo falado e compreendido por uma boa parte do tecido empresarial. Num futuro próximo, que novidades e projetos estão a ser desenhados para incluir no vasto portefólio da WeDoStuff? Temos excelentes projetos a ser concluídos até ao final do ano. Por motivos de contratos não pode-

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PONTOS DE VISTA COMPETITIVIDADE E TRANSIÇÃO DIGITAL

“O foco primordial

do projeto Conecta Pyme 4.0, é a Transformação Digital em curso” A transformação digital é um assunto que já não passa despercebido e cada vez mais fomenta a sua importância e é precisamente nesse sentido que o Conecta Pyme 4.0 acontece. Quem nos revelou detalhes sobre o mesmo foram os Professores da Universidade de Évora a entidade que lidera o projeto - Paulo Resende Da Silva e Jacinto Vidigal Da Silva. Saiba tudo.

PAULO RESENDE DA SILVA E JACINTO VIDIGAL DA SILVA

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realização de um projeto como o Conecta Pyme 4.0 assume um papel primordial aquando do avanço da digitalização? Porquê? Essencial. O foco primordial do projeto Conecta Pyme 4.0 é a transformação digital em curso. Um projeto com estas características, caso as empresas o saibam também aproveitar, contribuirá, pela possibilidade de colaboração mútua entre academia e empresas, para a melhoria do potencial de aplicação do conhecimento e um melhor ajustamento às necessidades das empresas. Por vezes existe a ideia de que o investimento em transformação digital é só para as grandes empresas; nada mais de errado existe nesta leitura. A transformação digital está acessível a qualquer empresa, desde que saiba o que precisa, o que pretende fazer e exista a motivação e a capacidade para fazer as mudanças necessárias. É possível e profundamente desejável porque estamos a vivenciar uma verdadeira revolução e não existe alternativa. Sendo que o maior foco deste projeto passa por promover a transformação digital e a adaptação das empresas aos requisitos dos negócios digitais, de que forma pode ajudar a mudar a mentalidade das instituições no sentido daquilo que é o futuro da Transição Digital

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e ajudar na moldagem das mesmas a este novo contexto? Sempre que uma dada instituição, seja ela uma empresa, organização, organismo público ou do terceiro setor, invista na transformação digital, de forma planeada e integrada, três consequências ocorrem: responde melhor aos seus “clientes”; reajusta os seus processos e ferramentas de gestão e torna-se mais aberta à inovação e à mudança de mentalidades. Por norma existe medo. Medo do que advém daí. Medo pelo emprego, medo pelo não conseguir corresponder às expetativas. São naturais estes medos. Temos de saber lidar com eles. Contudo, sabemos algo bastante curioso. Em alguns projetos o emprego acabou por se manter e, ocasionalmente, até melhorou, novos desafios mais estimulantes foram solicitados, melhorando o nosso próprio sentimento de pertença e compromisso para com a instituição. Existem riscos, existem impactos negativos, mas os positivos existem também e nalguns casos surpreendem. Quão importante é para as empresas da região da EUROACE a realização de uma iniciativa como esta? O “apelo” à competitividade está implícito? Para a Região da EUROACE e para todas as regiões de baixa densidade empresarial e com elevados índices de trabalho rotineiro e mecâni-

“PARA A REGIÃO DA EUROACE E PARA TODAS AS REGIÕES DE BAIXA DENSIDADE EMPRESARIAL E COM ELEVADOS ÍNDICES DE TRABALHO ROTINEIRO E MECÂNICO, A IMPLEMENTAÇÃO DE PROJETOS DE TRANSFORMAÇÃO DIGITAL É CRUCIAL” co, a implementação de projetos de transformação digital é crucial. Vivemos num mundo aberto, onde os nossos concorrentes estão na proximidade de um acesso de dados, rede wi-fi, onde podemos encontrar tudo através de um ecrã de telemóvel. Isto muda a perceção. Contudo, por outro lado, a transformação digital tem um impacto enorme nos processos produtivos, bem como em todas as etapas desse processo, a montante e a jusante. É extraordinário o potencial, as


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vantagens e os impactos nas estruturas de custos, do uso de determinadas ferramentas, equipamentos e tecnologias digitais na agricultura, no agro-negócio, na indústria extrativa, na indústria transformadora. O conhecimento é mais aberto, a capacidade de utilização dos dados é mais simples e isso é bastante impactante e pode melhorar significativamente os desempenhos a todos os níveis, inclusive na proteção ambiental e social. Acreditam que o sucesso da Conecta Pyme 4.0 trará uma otimização na organização, nos produtos, nas infraestruturas e nas estratégias das empresas? Até que ponto a competitividade nesta transição digital poderá ser benéfica? Temos de acreditar, apesar das dificuldades (e oportunidades) da pandemia; o que é um paradoxo. A transformação digital e a transição sendo digital, ela só se torna bastante efetiva existindo as relações de carbono. Vamos usar uma frase do cineasta Sérgio Tréfaut, em entrevista recente ao Negócio: “Para «estar com» é preciso chegar, estar e ouvir”; precisamos estar com as pessoas, nas empresas, num primeiro momento, para nos escutarmos e contribuirmos para a construção de soluções otimizadas, encontrar as melhores soluções para aquela realidade. Esta forma de estar é essencial, para não se cair em dois erros: comprar sem o critério ajustado à realidade organizacional, e não

proceder às mudanças necessárias (processos, percursos informacionais, gestão de dados e qualificação do potencial humano e do talento da organização) para potenciar o seu uso em prol dos desempenhos organizacionais. Sabendo que caminhamos a passos largos para um mundo totalmente digital, quais são os aspetos positivos que esta transformação acarreta? E quais as consequências pelas quais as empresas também poderão ter que passar com tamanha reviravolta? É toda uma alteração da sociedade humana ainda não totalmente compreensível e que nós ainda temos grande dificuldade em entender. A maioria da população, a residente e a laboral, é bastante digital, mesmo não tendo essa perceção, mas ainda tem pensamento e modos de estar maioritariamente analógicos. O mundo laboral vai sofrer profundas alterações, nos modelos de trabalho, nos modelos relacionais, nos modelos de decisão, nos modelos de pertença. Em alguns domínios é algo ainda complexo entendermos o como será; noutros já temos os primeiros indicadores dos potenciais benefícios. Faz sentido hipotecarmos uma vida mais saudável com o garrote do custo dos transportes? Entre o deve e o haver, ter alguns bens materiais é um desperdício de recursos e os mesmos só existem porque vivemos num modelo laboral da primeira revolução industrial;

a academia devia estar a trabalhar na apresentação (e está) de soluções para os novos modelos laborais e sociais; novas profissionais, competências mais tecnológicas, novos horários de trabalho; novas infraestruturas laborais, estas são, entre outras, alterações em curso. Sobre a reviravolta, será simples: quem não se adaptar nos próximos anos poderá ter o futuro comprometido. As empresas de sucesso no futuro serão aquelas que estão atentas às mudanças em curso; não as têm de liderar, mas têm de estar a preparar-se para alterar o seu modelo orgânico, funcional e de negócio. Por fim, qual é a mensagem que pretendem deixar ao fazer parte de um projeto deste cariz? Depois de terminado o Conecta Pyme 4.0, podemos esperar um próximo? O que nos podem adiantar sobre projetos futuros? Estamos a trabalhar para criar

novas dinâmicas no apoio às empresas, através da nossa Universidade. A semente está lançada. Saibamos, usando os equipamentos e as ferramentas ajustadas, alterando comportamentos e processos, fazer germinar essa semente em algo mais profícuo, sustentável, aprazível. Somos académicos e no nosso caso estamos focados em três domínios: no ensino (já está em curso proposta neste âmbito para a cooperação no espaço da lusofonia com a Universidade das Nações Unidas na área do eGov, a Universidade do Minho e o Instituto Politécnico de Santarém; e estamos a trabalhar num novo plano e modelo de ensino para a região Alentejo, por plataforma digitais); na investigação com a continuidade de trabalho em novas frentes de estudos e aplicação do conhecimento, em curso já algumas; na extensão, na colaboração com as empresas e com os profissionais. ▪

Conecta Pyme 4.0 O Conecta Pyme 4.0 é um projeto que visa melhorar a competitividade das empresas do território da EUROACE através da incorporação de conhecimentos e tecnologias. O que significa para a Universidade de Évora liderar um projeto transfronteiriço como este? Estar inserido numa equipa, no âmbito do programa INTERREG, envolvendo vários parceiros, sendo três portugueses, e liderados pela Junta da Extremadura, é um estímulo. Liderar todo o trabalho a realizar na Região

Alentejo, é um desafio e uma oportunidade. Um desafio pela imensidão e pela diversidade do território, com dinâmicas e particularidades próprias de cada local, com uma diversidade de atividades económicas muito distintas, mas simultaneamente com fragilidades organizacionais, tecnológicas e de competências de negócio e de recursos humanos; como oportunidade pretendemos contribuir para a resolução de parte destas fragilidades, potenciando o próprio território a ser mais competitivo.

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PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO E TRANSIÇÃO DIGITAL

“A Transição Digital é um dos instrumentos essenciais da estratégia de Desenvolvimento do país” De acordo com o Presidente do Programa Operacional Capital Humano, a qualificação da população é de importância estratégica para Portugal. É exatamente sobre esta matéria, nomeadamente no âmbito da transição digital que Joaquim Bernardo, Presidente do POCH, perspetiva a sua evolução para (e com) o país.

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Programa Operacional Capital Humano tem vindo a apoiar as políticas de desenvolvimento dirigidas à educação e formação, às competências, sem esquecer a competitividade para a transição digital no Ensino. Como nos pode descrever a evolução que, ao longo dos tempos, Portugal tem conhecido nestas áreas específicas? O Programa Operacional Capital Humano tem vindo, ao longo do período de programação 2014-2020, a apoiar a qualificação de jovens e adultos no nosso país. Esses apoios têm-se traduzido de várias formas, distribuídos pelos quatro eixos do programa, que apoiam a formação de jovens, a formação avançada, a aprendizagem ao longo da vida e projetos inovadores para a qualidade na educação. Diminuir a taxa de abandono escolar precoce é um dos principais objetivos das ofertas formativas que o POCH tem vindo a apoiar, nomeadamente através das ofertas de dupla certificação dirigidas à população jovem. Este indicador atingiu, no final de 2020, os 8,9%, valor histórico e que efetivamente é um motivo de orgulho porque trabalhamos diariamente para contribuirmos em conjunto para este resultado. No início do período de programação 2014-2020 estava nos 18,9%, o que significa uma redução de 10 p.p. neste espaço de tempo. Note-se que no fim do primeiro trimestre de 2021 o abandono escolar precoce ficou nos 6,5%. Eventualmente os números ainda podem vir a subir, mas são já indicativos do bom prosseguimento do trabalho. No que diz respeito ao ensino superior, Portugal atingiu praticamente a meta europeia de 40% para 2020, traçada na Estratégia Euro-

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PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO E TRANSIÇÃO DIGITAL

pa 2020 e no Programa Nacional de Reformas, com um valor de 39,6%. No início de 2014, esta taxa era de 31,3%, registando assim um progresso durante o período de vigência do PO CH de 8,3 pontos percentuais. Em relação à qualificação da população adulta também podemos verificar que a população entre os 25 e os 64 anos, com o ensino secundário completo atingiu, no fim do ano de 2020, a taxa de 56,1%, o valor mais alto alguma vez alcançado e que espelha tendência de crescimento do indicador nos últimos anos. Desde o início deste período de programação

até ao fim do mês de junho de 2020, o investimento total aprovado do PO CH chegou aos 4 336 milhões de euros (M€), com 3 700 M€ de investimento do Fundo Social Europeu. Ultrapassámos as 865 mil pessoas apoiadas. Sem os apoios resultantes de todo este investimento a situação da educação seria deveras diferente em Portugal. Prova disso são as avaliações já levadas a cabo ao longo deste período de programação, como a recente Avaliação do Contributo do Fundo Social Europeu para a promoção do sucesso educativo, redução do abandono escolar precoce e empregabilida-

de dos jovens. Conclui-se nesta avaliação que, em média, em cada 100 alunos, 87 alunos dos Cursos Profissionais completaram o ensino secundário contra apenas 57 dos Cursos Científico Humanísticos. O nível de empregabilidade/prosseguimento de estudos dos alunos que conclui o ensino secundário através da via profissional é de 72%, seis meses após a conclusão dos cursos. Por outro lado, em cada 100 alunos, 54 dos Cursos Profissionais e 36 dos Cursos Científico Humanísticos encontram o seu primeiro trabalho entre seis a nove meses depois da conclusão da sua formação de nível secundário. Ainda antes da pandemia da COVID-19 atingir Portugal, foram planeados objetivos para a legislatura com medidas que visavam projetar o país no mundo através da capacitação digital das pessoas, da transformação digital das empresas e dos seus Recursos Humanos e da digitalização do Estado, o maior empregador de todos. De que medidas estamos a falar? Até ao surgimento da pandemia, a intervenção do POCH neste domínio passava por duas componentes distintas: i) por um lado, considerando que a generalidade das formações que apoiamos são de longa duração (exemplo, cursos profissionais e cursos de aprendizagem, com em regra três anos de formação, ou cursos de educação e formação de adultos), em percursos que asseguram no final da formação uma certificação escolar e profissional, as mesmas integram em regra a aquisição de competências digitais básicas ou mesmo já mais do que básicas; ii) por outro lado, entre esses percursos formativos encontramos uma grande proporção que se inserem em saídas profissionais no final dessa formação associadas à transformação digital em curso. De facto, os cursos nas áreas de educação e formação associadas ao desenvolvimento de competências mais especializadas na área digital para o mercado de trabalho, surgem sistematicamente na segunda ou terceira posição em matéria de recursos alocados ao conjunto das ofertas formativas que apoiamos.

JOAQUIM BERNARDO

“O PROGRAMA OPERACIONAL CAPITAL HUMANO TEM VINDO, AO LONGO DO PERÍODO DE PROGRAMAÇÃO 2014-2020, A APOIAR A QUALIFICAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO NOSSO PAÍS”

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PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO E TRANSIÇÃO DIGITAL

“AS PESSOAS SÃO O PRINCIPAL PILAR DE UM PAÍS. É PARA ELAS E A PENSAR NELAS QUE O PO CH E O FUNDO SOCIAL EUROPEU TRABALHAM E É POR ELAS QUE AS TRANSFORMAÇÕES VERDE E DIGITAL ESTÃO EM CURSO”

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Esta Transição Digital tem sido uma poderosa ferramenta no processo da Educação e Formação do Capital Humano? Porquê? A transição digital é um dos instrumentos essenciais da estratégia de desenvolvimento do país, em linha com os objetivos políticos dos investimentos da União Europeia. As tecnologias digitais associadas à inteligência artificial, robótica e biotecnologias, têm potencial para criar inúmeras oportunidades de negócios, empregos e crescimento económico sustentável em toda a União Europeia, incluindo Portugal. Esse desenvolvimento implica uma transformação na forma como as pessoas trabalham, como o trabalho é organizado e nos processos de aprendizagem. O sistema educativo tem vindo a acompanhar a transição digital da sociedade portuguesa e europeia. A ambição nacional é colocar o país na linha da frente do digital. Para isso, em Portugal trabalha-se arduamente em medidas como a digitalização das escolas, o programa de inclusão digital dos adultos “Eu Sou Digital”, o “Upskill”, o programa “Jovem + digital”, e a tari-

fa social de acesso a serviços de Internet. Os cursos de dupla certificação em Portugal, com a sua aposta na formação prática em contexto de trabalho, e a sua consequente proximidade às empresas, propiciam também o ambiente naturalmente favorável ao desenvolvimento das competências adequadas às novas necessidades do mercado. Mas as aprendizagens não podem ser vistas hoje em dia com algo estático. As linhas de fronteira entre a Educação e formação Profissional para jovens e adultos tendem a desaparecer e a aprendizagem ao longo da vida deve tornar-se a norma, para uma atualização constante de competências. Em que medida estes objetivos concretos tiveram de ser reorganizadas com o impacto da pandemia? Considera que a mesma impulsionou a concretização das medidas já pensadas bem como a criação de outras? Em primeiro lugar, a pandemia veio obrigar a acelerar e muito os processos de ensino e aprendizagem, fruto também da necessidade de mobilização sem precedentes de soluções


PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO E TRANSIÇÃO DIGITAL

de formação à distância, para evitar a completa interrupção dos processos formativos em curso ou planeados. Foi nesse contexto que foi realizada uma reprogramação em tempo recorde dos Programas Operacionais do Portugal 2020, entre os quais o POCH, para suportar uma implementação mais acelerada do Plano de Transição Digital da Educação, inserido no Plano mais global do país para esse efeito. Por outro lado, tornou ainda mais visível a necessidade do país não só manter, como reforçar seriamente o investimento no desenvolvimento de competências digitais, seja de nível mais básico, para a generalidade dos cidadãos, seja competências especializadas, que sustentem mais e melhor o processo de transição digital que estamos a viver e que a pandemia também implicou acelerar em muitos domínios, do trabalho (designadamente a distância), à vida familiar e profissional. Nesta fase complexa como a que vivemos, Portugal soube afirmar-se e alcançar bons resultados no que diz respeito à Educação Mais Digital, comparativamente ao resto da Europa? Portugal está a traçar o seu caminho e a investir nas soluções para o problema, que a pandemia também ajudou a identificar. Com o investimento do Fundo Social Europeu o PO CH apoia a qualificação de jovens e adultos, canalizando-os para as ofertas formativas onde há maior necessidade de competências, entre as quais as digitais, inegavelmente. O investimento na Escola Digital é fundamental para ajudar a criar as bases da educação pela via digital, válida tanto para o ensino presencial como para ensino à distância, caso volte a ser necessário, e sobretudo para a sua democratização, não deixando ninguém para trás. Dito isto, Portugal continua a precisar de melhorar o desempenho em matéria de capital humano e de competências básicas para a utilização de tecnologias, se comparado com os padrões europeus. Em 2019, a percentagem de população portuguesa que não possuía, pelo menos, as competências digitais básicas diminuiu de 50% para 48%, mas cerca de 26% do total não tinha qualquer competência digital. Estes são dados do Índice de Digitalidade da Economia e da Sociedade 2020, publicado o ano passado pela Comissão Europeia. Quão importante é para Portugal – um país repleto de oportunidades e sempre um alvo para investidores, novos residentes e turismo - esta aceleração da transição digital na Educação e Capital Humano? Que mais-valias existem e que apoios europeus tivemos para o efeito? A necessidade de uma população com mais competências digitais não despoletou com a pandemia, foi apenas evidenciada por esta e forçando a uma aceleração ou intensificação do investimento nesta área. Portugal mobilizou para o efeito mais investimento do Fundo Social Europeu do que o inicialmente previsto, como está à vista de todos: Ao nível do Capital Huma-

no, e englobando também os Programas Operacionais Regionais, os apoios do FSE já chegaram aos 185 M€ para acelerar a transição digital da educação. No âmbito dos apoios prestados pelo PO CH, num total de 115 milhões, 96 M€ foram usados para a compra de 174 mil computadores, com as respetivas ligações à internet, priorizando os alunos que beneficiam de ação social escolar, e 80 mil para os docentes, em ambos os casos em regime de empréstimo. 2,3 M€ foram destinados ao financiamento dos equipamentos e serviços de conectividade já adquiridos pelos municípios das regiões de Lisboa e Algarve, que se adiantaram a esta medida para os fazerem chegar às escolas, o mais rapidamente que lhes foi possível. Por outro lado, estamos a investir na capacitação de cerca de 80 mil docentes e outros agentes de educação com competências digitais, que permitam ao sistema tirar o melhor partido do investimento tecnológico, envolvendo um investimento adicional de cerca de 18 M€. No âmbito deste projeto, também foi financiado com 1,2 M€, o reforço das condições de coordenação e acompanhamento das escolas na mobilização dos recursos digitais e do ensino a distância, através da Direção Geral da Educação. Estas medidas que continuarão a ser implementadas, contribuirão sobremaneira para uma população mais qualificada e um país mais bem preparado para enfrentar as mudanças em curso geradas por esta acelerada digitalização da nossa sociedade, que implica evitar riscos de exclusão de parte da nossa população que não esteja habilitada a tirar partida das vantagens que este processo pode trazer a todos. Poderei responder ainda com mais dados à sua pergunta após o primeiro semestre de 2022 em que está prevista a realização de uma avaliação que vai permitir perceber o impacto do investimento do Fundo Social Europeu no Plano para a Transição Digital da Educação. No contexto da necessidade de novas competências na realidade das transições e da sociedade pós-pandemia, o PO CH lançou em maio deste ano a E.volui - Mostra de Educação e Formação do PO CH, em formato digital, cujo mote é precisamente as transições Digital e Verde. Na mostra é possível conhecer projetos vários de formandos apoiados e a oferta formativa, adaptada à nova realidade, de entidades formadoras apoiados pelo PO CH no âmbito dos seus eixos de apoio: Formação inicial de jovens, Aprendizagem ao longo da vida e Qualidade e inovação na educação. A mostra tem crescido e contará em breve com a presença de 27 entidades formadoras e cinco projetos inovadores. Olhando para Portugal a médio e longo prazo é possível desde já prever o futuro do PO CH nesta perspetiva da transição digital? Quais são as metas? Apesar de ainda existirem aspetos por definir para o próximo período comunitário 21-27, o financiamento dos cursos de dupla certificação

na formação inicial de jovens e nas medidas que promovam o sucesso escolar, certamente prosseguirá tendo em conta a importância destas ofertas de formação para a promoção de transições verde e digital justas, designadamente em matéria de mundo do trabalho. Esta é ainda uma medida essencial para a diminuição da taxa de abandono escolar precoce que na Estratégia Portugal 2030 se pretende reduzir para 5%. Também os apoios à aprendizagem ao longo da vida serão fundamentais para esse efeito, porque esta é imprescindível no âmbito das transições que vivemos. Por um lado, os adultos precisam de adquirir competências específicas, enquadradas nas transições verde e digital, que terão em si grande parte dos empregos do futuro, obrigando em alguns casos a processos sempre difíceis de reconversão profissional, de empregos que deixam de ser viáveis, nalguns casos até em função ou como consequência dessas transições. Por outro lado, a posse de um nível básico ou mais do que básico de competências digitais por parte de todos, em particular dos adultos, constitui hoje uma ferramenta necessária não só para a integração profissional na generalidade dos setores da economia, como para a sustentação de um plena cidadania, sendo que, como já referido, Portugal apresenta ainda um grande défice nesta matéria na população adulta. Para terminar, não estamos perante a possibilidade com tamanha mudança da perda de mais “contacto”, de mais “calor”, de mais “convívio humano”, perspetivando uma relação mais “fria” e tecnológica com esta nova “etapa” do Capital Humano?! As pessoas são o principal pilar de um país. É para elas e a pensar nelas que o PO CH e o Fundo Social Europeu trabalham e é por elas que as transformações verde e digital estão em curso. Para a transformação digital de um país ser bem-sucedida as pessoas, as grandes impulsionadoras desta transformação, têm de estar bem preparadas e munidas de ferramentas para adequar os processos e bem utilizar as mais-valias da tecnologia. Assim, não se trata de desvirtuar o “contacto” ou de retirar o “calor” às relações interpessoais que se desenvolvem no local de trabalho, mas sim de as adequar ao novo âmbito digital. Não há tecnologia sem pessoas, elas são essenciais para a pensar, criar, desenvolver e pôr em prática e também para tirar partido dela. São novos conceitos e novas abordagens, mas isso já se passa hoje em dia ao nível das relações pessoais. Os mais jovens já interagem socialmente de forma completamente diferente dos seus pais e nem por isso pior, nem melhor... simplesmente diferente. Nas relações sociais dos jovens de hoje o meio digital é uma constante. É lá que comunicam, trocam ideias, criam grupos, conversam, jogam, vêm filmes, ouvem música, e não deixam estabelecer relações e de criar amizades por isso. Na educação e no trabalho, teremos que acompanhar essa mudança. ▪

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OS APOIOS DO POCH FORMAÇÃO DE JOVENS

Através do seu eixo prioritário 1, o Programa apoia percursos de dupla certificação de nível básico e secundário, em que se destacam os cursos profissionais. Estes percursos permitem a aquisição de uma certificação escolar e também profissional. Dessa forma o PO CH contribui para o combate ao abandono escolar precoce e para a oferta de quadros intermédios para o mercado de trabalho, embora os formandos possam prosseguir estudos para o ensino superior. Desde o início do programa até 30 de junho de 2021, o PO CH já investiu na formação inicial de jovens um total elegível aprovado de 2435 milhões de euros (M€). Destes, 2069 M€ são investimento FSE. Estas verbas permitiram apoiar a qualificação de cerca de 272 mil jovens.

FORMAÇÃO SUPERIOR E AVANÇADA

No eixo 2, que para a formação superior e avançada, o PO CH começou por apoiar a realização de CTeSP - Cursos Técnicos Superiores Profissionais, bolsas para alunos carenciados frequentarem o ensino superior e bolsas de doutoramento e pós-doutoramento. Em 2018 foi necessário realocar verbas dentro do PO CH para outras medidas e os apoios ao ensino superior passaram a ser financiados através de outros Progra-

mas Operacionais. Neste momento, o PO CH só apoia a concessão de empréstimos bancários para estudantes do ensino superior, em condições mais favoráveis. Com este apoio o estado funciona como fiador em caso de dificuldade no reembolso do empréstimo concedido o que poderá fazer a diferença entre frequentar e não frequentar o ensino superior, promovendo mais igualdade de oportunidades. Até ao fim do primeiro semestre de 2020, o POCH apoiou o ensino superior, num montante total elegível de 669 milhões de euros, que abrangeram mais de 127 mil estudantes.

APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA

Na área da formação de adultos, que corresponde ao eixo 3 do PO CH, financiamos a rede de Centros Qualifica, que apoia e encaminha os adultos para as ofertas formativas que melhor se adequem. É também aqui que os adultos podem certificar as suas competências escolares e profissionais, adquiridas com a experiência do trabalho e da vida, e que lhes dá equivalência a um nível de ensino ou qualificação. Nesta área da aprendizagem ao longo da vida, o PO CH apoia os cursos de educação e formação de adultos de nível básico e secundário e os cursos de aprendizagem, específicos para que jovens adultos, normalmente entre os 18 e os

24 anos, possam completar o ensino secundário e adquirir uma qualificação profissional. O investimento total elegível aprovado nesta área, a 30 de junho, ascende aos 962 M€, dos quais 817 M€ são investimento FSE. Estes apoios já chegaram a mais de 400 mil adultos.

QUALIDADE E INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO

No eixo 4, o PO CH financia projetos inovadores e muito diferenciados entre si, que elevam a qualidade e fomentam a inovação no sistema de educação, como a formação contínua dos docentes e outros agentes educativos, ações de inovação social, reforço da rede de serviços de psicologia e orientação nas escolas públicas entre outros. É neste eixo que estão inseridos os novos apoios ao Plano de Transição Digital da Educação, onde o PO CH, através do FSE, investiu 115 milhões de euros, entre a aquisição de computadores e conectividade para alunos e docentes (100 Milhões de Euros), formação em competências digitais de docentes e outro pessoal (15 Milhões de Euros) e ainda a coordenação e acompanhamento das escolas pela Direção Geral da Educação na mobilização dos recursos digitais e do ensino a distância. Neste eixo, com tipologias de ação tão diversificadas, o montante total elegível aprovado ascende aos 227 milhões de euros.

“PARA A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL DE UM PAÍS SER BEM-SUCEDIDA AS PESSOAS, AS GRANDES IMPULSIONADORAS DESTA TRANSFORMAÇÃO, TÊM DE ESTAR BEM PREPARADAS E MUNIDAS DE FERRAMENTAS PARA ADEQUAR OS PROCESSOS E BEM UTILIZAR AS MAIS-VALIAS DA TECNOLOGIA” 22 | PONTOS DE VISTA |



“A NOSSA MISSÃO É GARANTIR QUE TODO O PAÍS COMUNICA, SEM RESTRIÇÕES OU LIMITAÇÕES. SEM COMUNICAÇÕES NÃO HÁ NEGÓCIOS, EMPRESAS, RELAÇÕES PESSOAIS E PROFISSIONAIS, OU SEJA, NA BASE DA ECONOMIA TEMOS A TECNOLOGIA COMO ALAVANCA” MARIA JOÃO ESCREVENTE, DIRETORA DE RECURSOS HUMANOS DA UNITEL


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Pelas Pessoas, pela Marca, pelo Propósito: uma ambição Unitel Maria João Escrevente, Diretora de Recursos Humanos da Unitel garante “a nossa visão de empresa pretende desenvolver na comunidade serviços cuja tecnologia que temos ao nosso dispor pode e deve ser disponibilizada como forma de alavancar a sociedade nos temas mais sensíveis”. Fique a par daquilo que diferencia a marca, bem como de alguns detalhes da sua evolução no mercado.

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oncebida há 20 anos em Angola, e sendo atualmente a maior operadora móvel do mesmo país, quem é hoje a Unitel? Qual o segredo para todo o sucesso alcançado até à data? A Unitel é uma empresa extraordinária, com uma dinâmica única e que muito contribui para o estímulo do mercado empresarial angolano, sendo sempre uma referência a seguir. O segredo, não sei se é um segredo ou uma atitude diferenciadora. Diria que, e faço parte desta equipa há quase dez anos, está no acreditar que podemos ser melhores e uma ambição muito clara de que a UNITEL deve ser a marca com que todos os angolanos se identificam. Pelas pessoas, pela marca, pela mensagem, pelo propósito. Essa ambição traduz-se numa exigência permanente e consistente na necessidade de mudança, inovação e de transformação. Os Angolanos têm muitos sonhos, e um deles é poder vir a fazer parte da família Unitel. É assim que nos designamos e assim que assumimos a nossa caminhada, somos (uma grande) família. A Unitel é uma empresa líder no mercado de telecomunicações móveis em Angola. Investe em infraestruturas e democratiza o acesso ao telemóvel, com o objetivo de aproximar os angolanos de norte a sul. Quais são os serviços que a empresa oferece e que a diferencia num mercado tão competitivo? A nossa diferença passa pela cobertura de rede 2G, 3G, 4G e em breve 5G, pela maior rede de distribuição de agentes e de lojas, de norte (Cabinda) a sul (Cunene) do país. São 20 anos a investir em tecnologia de suporte ao negócio que nos permite estar munidos do que de melhor existe no mundo. Angola tem cerca de 33 milhões de habitantes e uma área total de 1 246 700 km² (representa 14 vezes a área de Portugal), ter investido em implementar fibra ótica em todo o país e até à fronteira, foi um investimento incrível, assente na ambição de que a Unitel deve ser uma referência enquanto empresa de telecomunicações. Pela dimensão do país, pela dispersão geográfica e pela predominância das zonas rurais que ainda dominam o país, a capilaridade da Unitel permite que os nossos clientes tenham acesso aos nossos produtos em qualquer zona do país. Diria que antes dos serviços, são as infraestruturas e a tecnologia de suporte que são os pilares para que possamos criar os produtos que

a utilizar a AI (Artificial Inteligence) como ferramenta de suporte aos processos. Apostamos na inovação e na criação de valor ao serviço do nosso Cliente Interno. Projeto desenvolvido e implementado em contexto de teletrabalho que ajudou a tornar ainda mais evidentes as reais necessidades de suporte ao cliente e a qualidade de serviço que queremos ter independentemente da zona do país em que se encontram, da atividade que realizam. Apostamos na nossa capacidade de responder a qualquer questão on- time.

servem o Cliente. O Cliente é diferente de província para província, logo as suas necessidades são distintas. Primeiro o Cliente! A missão da Unitel não deixa margem para dúvidas: cimentar um país sem barreiras de comunicação, onde todos possam dispor de uma chave para se ligarem a qualquer parte do mundo. Certo é que cada vez mais se atravessa um processo de digitalização. Quão importante é, para uma empresa como a Unitel, dispor de um Chatbot? Quais os maiores desafios na adaptação a este novo processo? A UNIKA (Unitel Knowledge Assistant), o nome que demos ao nosso chatbot, foi a ferramenta que implementamos na Direção de Recursos Humanos em abril 2021 para servir o nosso cliente interno. Foi a forma que encontramos para melhorar a nossa qualidade de serviço, o cumprimento de SLA´s, a de uniformização de respostas, e aumentar a capacidade da equipa para se dedicar ao RH analits, pois muita informação de report podemos extrair da ferramenta. A próxima fase é fazer um inquérito de satisfação interna para podermos avaliar de que forma a ferramenta corresponde às expectativas dos nossos clientes e quais as correções que podemos introduzir. Fomos a primeira direção na UNITEL

Um dos pilares da Unitel assenta na inovação. Para além de ter revolucionado a área das telecomunicações, tem vindo a introduzir no mercado serviços como: chamadas no estrangeiro, acesso a internet em LTE 4G, e mais recentemente, o Mobile Money. Pode dizer-se que toda esta evolução se deve ao facto de contar com uma equipa jovem e especializada na área? De que forma? Acredita que cada vez mais é fundamental investir em Capital Humano? A evolução do negócio da Unitel tem de ser compatível com a evolução da tecnologia. O negócio das telecomunicações não é compatível com delays ou negócio em dois tempos. Ou estamos na cronologia ou estamos fora desta corrida no sector. Sendo a Unitel uma empresa de ambições muito claras, e com um sentido de missão para com o país, tem de ser capaz de se adaptar rapidamente. A nossa missão é garantir que todo o país comunica, sem restrições ou limitações. Sem comunicações não há negócios, empresas, relações pessoais e profissionais, ou seja, na base da economia temos a tecnologia como alavanca. Em suma, a evolução faz parte do nosso DNA. Contudo, só existe negócio com pessoas e só conseguimos ter as competências do negócio com formação. A Academia UNITEL tem desenvolvido um papel preponderante neste processo de desenvolvimento de competências. O nosso plano de carreiras tem um modelo assente no W: Banda Gestão, Banda Técnica e Banda Especializada. Para que seja possível gerir o conhecimento dentro da organização, e para cada uma destas estruturas de conhecimento (Gestão, Técnica e Especializada), foram criados percursos formativos capazes de dar resposta a necessidade do domínio do conhecimento dentro da empresa para o negócio que temos hoje e para o negócio que queremos ter amanhã, antecipando e projetando a preparação dos nossos key

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PONTOS DE VISTA DIGITALIZAÇÃO, RECURSOS HUMANOS E CAPITAL HUMANO

– o consumidor dos produtos Unitel (individual ou empresa). O meu Cliente Interno tem de ter um serviço de excelência, orientada às suas necessidades de acompanhamento, esclarecimento, formação e comunicação. Tem de ser uma relação profissional, orientada a colaboradores esclarecidos, motivados e a compreenderem a sua missão na organização em geral e na sua função em particular. Colaboradores com o suporte adequado às suas necessidades contribui em muito para a qualidade do serviço que prestam na organização. Acredito que o ambiente que se vive na empresa reflete a qualidade de serviço que prestamos para fora da empresa e que prestamos aos nossos Clientes Externos. Ou seja, a missão da DRH também é “vender” os produtos da Unitel. É um meio para atingir um fim. E somos todos embaixadores da Marca. Na minha missão enquanto responsável pelos recursos humanos da organização, sempre posicionei a minha visão com e para o negócio.

users do conhecimento. É fundamental a criação de clusters de conhecimento em níveis de proficiência que consigam ser a chave para o futuro da Unitel. Acredito e defendo que a gestão do conhecimento interno nos dá uma robustez e confiança de alavancar o negócio de forma independente. Angola tem uma formação escolar (em todas as suas vertentes) ainda muito frágil o que promove licenciados com pouco conteúdo. A Unitel sempre assumiu a responsabilidade de formação de base para recém-licenciados, que promove a integração no mercado de trabalho e a identificação do nosso negócio, bem como a evolução dos colaboradores em conhecimento na empresa. Temos um link direto entre formação/competência/carreira/progressão. Temos uma responsabilidade social e cultural e, assumimos na empresa a formação dos colaboradores como a base de sucesso da nossa empresa. De que forma é que o Mobile Money veio facilitar a vida a pessoas que não têm acesso a qualquer tipo de produto financeiro? O que tem de melhor este serviço? O lançamento do Mobile Money está a dar os

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primeiros passos. Depois de um ano de projeto foi lançado finalmente no dia 23 de Agosto. Nestes dois meses de operação, e tendo em conta que temos produtos no mercado que se assemelham, a capacidade de resposta do nosso produto permite ir muito além. O facto de termos as lojas e os agentes ao serviço do Mobile Money (que mais nenhuma entidade tem à disposição) com cobertura nacional e que garante transferências, depósitos e levantamentos com o telemóvel como ferramenta de suporte, em qualquer momento e em qualquer local irá transformar a sociedade em Angola. O MoMo, como designamos, é o futuro da sociedade em termos de transações financeiras em todo o país de forma rápida, eficaz e segura. Sendo a Maria João Escrevente, a Diretora dos Recursos Humanos da empresa, qual é o papel que assume perante os clientes? Acredita que em cada parceria nasce também uma relação? Quais os maiores desafios com que se depara ao assumir este cargo? Na minha função eu tenho dois tipos de Clientes: o Cliente Interno – Colaborador - e o Cliente Externo

A Unitel prima por uma filosofia assente na sustentabilidade em várias áreas: saúde, educação, cultura, inclusão digital, entre outras. Qual o impacto que esta missão tem na população angolana? Quais são as maiores lacunas que pretendem colmatar? Referiu exatamente os quatro pilares do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido ao nível da Responsabilidade Social Corporativa. Toda a nossa visão de empresa pretende desenvolver na comunidade serviços cuja tecnologia que temos ao nosso dispor pode e deve ser disponibilizada como forma de alavancar a sociedade nos temas mais sensíveis. Programas de referência: Em parceria com a People In Need com vista à melhoria da qualidade da saúde materno-infantil a Unitel implementou em Março de 2016 o projeto de envio de mensagens de voz para 60.000 mães sobre cuidados de saúde neonatal, alimentação saudável e vacinação, com vista diminuir os índices de mortalidade materno-infantil no país. Numa primeira fase o projeto abrangeu mães de três províncias, Bié, Benguela e Huambo. A sua extensão a outras províncias tem vindo a ser progressiva. O Clube da Criança pretende reunir o maior número possível de crianças, a fim de proporcionar momentos inesquecíveis – lúdicos e educativos, com desenvolvimento de atividades contínuas que visam a motivação, reconhecimento, contribuição para melhoria no ensino académico nacional a nível de matemática, assim como identificar jovens talentosos com altas habilidades, em Olimpíadas de matemática e o Concursos de leitura da SADC em parceria com o Ministério da Educação, cinema ao ar livre, entre outros. A Parceria com a Unicef: O objetivo do programa de cooperação é apoiar os esforços governamentais destinados a reduzir as disparidades existentes nos indicadores sociais, com especial foco na população infantil de Angola. Para tal, o programa de cooperação mantém um foco sistemático sobre as intervenções que demonstraram que iriam beneficiar potencialmente as pessoas, famílias e comunidades mais vulneráveis. A Parceria com a USAID no suporte de comunicação para a campanha nacional de distribuição de mosquiteiros e apoio na transição para a digitalização dos dados estatísticos no âmbito da malária


PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO E TRANSIÇÃO DIGITAL

e outras doenças tropicais em Angola para atingir alguns objetivos, nomeadamente: o aumento do número de pessoas que tem e usam mosquiteiros tratados com inseticida (MTI) em Angola; Melhorar a qualidade dos serviços de malária, cadeia de abastecimento e vigilância de doenças em Angola; Institucionalizar uma cultura de tomada de decisão baseada em dados no Sistema de Saúde de Angola. A Unitel implementa a possibilidade de todos os utilizadores de internet da rede Unitel (small e large), aceder ao link do Portal Luso Academia com rating 0. O Programa Mulheres para o Futuro, visa a atribuição de 50 bolsas anuais para mulheres que queriam ingressar na universidade e em áreas de telecomunicações. Pretendemos promover a excelência da prestação escolar, aumentar o número de mulheres nas TIC e a continuidade da sua formação de forma a promover a equidade do género em áreas ainda tipicamente associadas ao sexo masculino. São inúmeros os programas que poderia identificar e que visam desenvolver os pilares que acreditamos fundamentais para o desenvolvimento da sociedade, da igualdade de oportunidades e da geração de valor. Acima de tudo acreditamos que estes pilares são os que criam a sociedade do futuro e o nosso contributo e ajudar nessa construção. Sabemos que a evolução das conexões está a marcar o início de uma nova era de oportunidades no uso das tecnologias. De que forma o 5G está a influenciar o mundo dos negócios? Quais as oportunidades que pode trazer à Unitel? E desafios? O que significa o 5G? Na prática é o sucessor do 4G permitindo Velocidade, Tempo de Resposta, Conetividade e Fiabilidade. Com uma maior velocidade que pode ir até ao 10 Gbps o que abre um novo mundo de oportunidades para Clientes e Empresas. Vídeos, videoconferências, jogos, todo o mundo do virtual e on line ganha outra dinâmica na velocidade e qualidade na experiência do cliente. Desta forma, o tempo de resposta em tempo real será extraordinário. Por exemplo efetuar e-medicina será uma realidade efetiva (cirurgias, exames) e sempre em tempo real. Pela qualidade que o 5G oferece poderemos ter vários dispositivos ligados em simultâneo, em que o tratamento de grandes volumes de informação será muito simplificado. Assim, teremos uma rede mais robusta e fiável passando a ter muito mais eficiência e de performance elevada para o utilizador. Ou seja, o 5G é um upgrade das anteriores versões, focada no segmento dos dados e que nos permite enquanto clientes ter um conjunto de soluções infinitas e melhoradas em relação ao que conhecemos hoje. A Unitel vai lançar o 5G em Novembro, primeiro em Luanda e, posteriormente e de forma gradual será alargado às restantes províncias de Angola. Significa um investimento que prevemos ser proporcional às opções que nos trás em termos de negócio, especialmente ao nível do sector empresarial. Com uma grande diversidade geográfica e com grandes percursos a percorrer entre capitais província, a capacidade de podermos fazer, por exemplo cirurgias, com acompanhamento remoto e em tempo real, será uma grande evolução nos serviços de saúde em Angola e que certamente salvará muitas vidas. Os desafios

estão sempre diretamente ligados ao investimento e tempo de retorno desse mesmo investimento. A Unitel sempre esteve na vanguarda e estarám, pois esse é o seu DNA, pelo que terá de ter uma resposta imediata em termos de serviço a oferecer ao mercado e garantir o retorno desse mesmo investimento o meias rapidamente possível. Em relação à pandemia que ainda atravessamos, sabemos que afetou todos os setores de atividade. O que mudou na Unitel com a covid-19? Podemos afirmar que impulsionou o maior uso das tecnologias em Angola? Ainda nos encontramos a preparar o regresso ao escritório e a planear os diversos modelos híbridos que teremos na empresa que iremos testar e ajustar em relação ao que for necessário. Neste regresso gradual, continuamos focados na segurança das Pessoas e do Negócio. Faremos essa avaliação mais concreta quando contexto for mais estável. Contudo, a minha expectativa passa por termos uma maior capacidade de liderança de pessoas e processos e numa lógica de maior eficiência operacional. Nestes 18 meses em que estiveram 2000 pessoas em regime presencial e 1200 pessoas em regime de teletrabalho, algo nunca sequer imaginável antes da Pandemia, a necessidade emergente de desenvolvimento de competências tecnológicas/digitais, alterou as nossas disponibilidades, acessos a informação, comunicação, partilha de experiências e vivências. As distâncias ficaram mais curtas. Não teremos mais que nos deslocar para uma reunião, ganhando tempo e eficiência a atuando muito mais em tempo real. Por exemplo, todo o nosso acolhimento e integração tem um plano de acompanhamento 100% virtual que tem duração de nove meses. Os primeiros três meses é dedicado aos temas associados a indução e integração de um novo colaborador e os restantes seis formações de caracter obrigatório e que assegura a formação base transversal à organização como por exemplo, Código Ética, Segurança de Informação, Introdução Sistemas Telecom, Produtos e Serviços. Conseguimos de uma forma mais rápida e ágil garantir a formação num formato quase inexistente em março 2020. Fazia parte do plano, mas a realidade acelerou de forma extraordinária e a aceitação foi natural. Este é por exemplo um processo que não irá recuar. De que forma é que a valorização do Capital Humano, pode influenciar o sucesso de uma marca como a Unitel? O Capital Humano, as pesSoas, são a única garantia

de que temos rede, tecnologia operacional, negócio. A única certeza que tenho é que sem a dedicação, esforço, empenho, agilidade e flexibilidade para a mudança de paradigma, a cada desafio que nos é colocado à Unitel, não seria possível estarmos onde estamos. Como uma empresa de referência! O nosso employee branding é fortíssimo e viu-se reforçado com o distanciamento obrigatório. Os nossos comportamentos são alicerçados no compromisso, confiança e colaboração. Com a pandemia evoluímos para o 4ºC, o da conexão. A conexão quer tecnológica quer emocional passou a estar muito mais vincada. A preocupação genuína no bem-estar e na saúde mental das nossas equipas e colegas é uma prioridade. Caminhando cada vez mais para um mundo digital, e sabendo todos os perigos que a internet pode trazer à população, qual é, para si, o cenário mais complexo com que alguém se pode deparar neste universo? O caminhar para a evolução digital não é uma opção. É um caminho cujas velocidades e maturidades organizativas são distintas quer seja dentro de Angola, quer no mundo em geral. Mas também sabemos que quem não acompanhar a corrida perde o “momentum” e isso pode significar a saúde, sobrevivência e desenvolvimento de cada negócio. O setor das telecomunicações de uma forma geral estão na vanguarda dessa mudança e na necessidade de desenvolvimento de uma cultura digital. Nem tudo é fácil, nem tudo é simples. A tecnologia pode estar disponível, mas se a cultura da empresa e dos clientes não estiverem preparados nada é vinculativo. Não se pode fazer uma coisa sem a outra. O cenário mais complexo é por um lado, a resistência a mudança (ou porque não se tem velocidade ou porque se adia o início do processo por receio do seu impacto) o que significa, como referi acima, a perca do “momentum”. Por outro lado, sem a cultura digital a acompanhar podemos comprometer o que a tecnologia nos dá. Aqui continuamos a apostar na educação na empresa e fora dela. É preciso elevar a iliteracia digital e criar necessidade/dependência para uma eficiência e progresso que só a tecnologia nos permite. Por fim, sendo já uma marca líder com quase 12 milhões de clientes, o que ainda falta alcançar? O que podemos esperar da Unitel nos próximos tempos? Temos muitos projetos para concretizar. Diria que as tendências tecnológicas não nos dão limite para o que ainda podemos fazer. Contudo, a tecnologia ao serviço da Saúde e da Educação em Angola seria a chave para eliminar as graves deficiências em ambos os sectores. Acredito que o futuro dos jovens, e por consequência, o futuro do país passa por uma educação forte, estruturada e focada na qualidade de ensino. Assim, como o setor da saúde, com serviços de qualidade e acessível para todos. Não sendo o core business da empresa, é um segmento que tem muito espaço de desenvolvimento em Angola, mas também em todo o continente Africano. Gostaria de ver a Unitel como a pioneira nesta área de negócio. ▪

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PONTOS DE VISTA A ESSÊNCIA DA ESCRITA


PONTOS DE VISTA A ESSÊNCIA DA ESCRITA

ANALITA ALVES DOS SANTOS

«O homem surdo à voz da poesia é um bárbaro.» - Goethe

O que a Poesia pode fazer por si

O

primeiro encontro que tive com a poesia foi na adolescência. Nem me recordo pelas mãos de quem, provavelmente, das bibliotecárias da minha cidade, já que em casa a poesia era inexistente. O amor sofrido de Florbela Espanca foi meu, a ousadia de Ary dos Santos pertenceu-me, a indefinição de Ricardo Reis, minha. Os meus desejos não se cumpriram e mais não me foi dado; o Fado impôs-se à minha vontade, mas sobrevivi. Com Ricardo Reis descobri aquele que desde então passou a ser o meu lema de vida.

a maravilhosa Ana Luísa Amaral e o seu «Ágora» e «Mundo»; Márcia e «As estradas são para ir»; e o «Regresso a Um Cenário Campestre», de Nuno Júdice. Li as «Cartas a um jovem poeta», de Rainer Maria Rilke. Como atrás de uma sugestão literária vem sempre outra, entrei pela mão gentil de Ana Luísa Amaral no universo de Emily Dickinson. A poesia nem tão cedo será excluída do que leio. Reconheço todo o seu poder nestes tempos em que tudo corre e é tão pouco, o que nos faz refletir, olhar para cá. Desejo tremendamente que se sinta tentado em conhecer os poetas mencionados. Sei o que a poesia poderá fazer por si. ▪

Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.

PRECE NO MEDITERRÂNEO

Julguei-me poeta de amores errantes, destinos cruzados por cumprir. As palavras atropeladas, gritos de alma, libertavam-me. Escrevi páginas e páginas que não resistiram a uma cave húmida e a dentes roedores. Melhor assim. Não tenho a certeza se me reconheceria nessas palavras. A poesia pode ser um clamor adolescente derramado nas folhas, mas é mais. Muito mais. Os poemas são sementes de esperança feitas de vontade, fazem eco, apertam-nos a garganta, trazem-nos as memórias do que sempre fomos, pois nem sempre o espelho mostra lírios brancos. A verdadeira poesia é intemporal, lê-se em nós. Quando entramos no poema o tempo estagna, o silêncio instala-se, os pensamentos estancam num só friso. É preciso escutar as palavras, parar, ficar no silêncio do outro, que também somos nós e, aí, aprendemos a ser mais. A poesia amplia o nosso lado intelectual e afetivo. Traz-nos novas metáforas, engrandece-nos a alma, amansa-nos — no bom sentido. A poesia inspira-nos a procurar significação, identificação nas palavras que se tornam tão mais do que meros símbolos ou sons. O mais belo é que a poesia entra na nossa vida quando menos se espera. Comigo foi assim, na juventude. Passados tantos anos, a poesia recomeçou a espreitar de mansinho na estante literária. A primeira achega veio em 2020, com «A Íris Selvagem», de Louise Glück e o seu prémio Nobel da Literatura. As suas «Matinas» e «Vento em fuga» transformaram-se em bétulas do meu jardim. Recentemente descobri Adília Lopes e a minha história começou a ser outra. Não resisti em incluir no clube de leitura «Encontros Literários O Prazer da Escrita», um ciclo dedicado à poesia contemporânea portuguesa e o deslumbramento não mais parou. Graças ao clube de leitura (é esta a magia dos clubes de leitura), descobri

Em vez de peixes, Senhor, dai-nos a paz, um mar que seja de ondas inocentes, e, chegados à areia, gente que veja com coração de ver, vozes que nos aceitem É tão dura a viagem e até a espuma fere e ferve, e, de tão alta, cega durante a travessia. Fazei, Senhor, com que não haja mortos desta vez, que as rochas sejam longe, que o vento se aquiete e a vossa paz enfim se multiplique Mas depois da jangada, da guerra, do cansaço, depois dos braços abertos e sonoros, sabia bem, Senhor, um pão macio, e um peixe, pode ser, do mar que é também nosso Ana Luísa Amaral

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PONTOS DE VISTA AED DAYS 2021

POR JOSÉ NEVES, PRESIDENTE DA AED CLUSTER

AED DAYS 2021,

a maior edição de sempre do Evento Para além do número recorde de participantes (mais de 800) e empresas presentes (mais de 370, de 30 países diferentes), foi também a edição com mais dias e atividades, deste que é o principal evento anual para as indústrias da aeronáutica, do espaço e da defesa em Portugal.

O

evento decorreu durante os dias 28 de setembro a 1 de outubro e, após uma edição totalmente digital em 2020, a expectativa e entusiasmo para um reencontro físico era grande. Felizmente, com a evolução positiva do contexto pandémico, foi possível à AED Cluster Portugal ter uma dinâmica híbrida que em muito contribuiu para o sucesso desta edição. A 8ª edição dos AED Days 2021 foi realizada num novo formato, tendo-se dividido o evento em três módulos diferentes, com atividades e propósitos distintos. O módulo TALKS (Conferência e Workshops), o módulo CONNECT (reuniões B2B) e a grande novidade deste ano, que foi o módulo CAREERS, com um dia totalmente dedicado a estimular a relação entre a Indústria e a Academia, de todo o território nacional, e às ofertas de emprego e formação nestes setores. Um dos grandes objetivos para este ano era a aproximação e diálogo entre os grandes decisores políticos (nacionais e europeus) e o ecossistema da aeronáutica, do espaço e da defesa português. O Cluster tem vindo a reforçar o seu trabalho de acompanhamento e comunicação contínua com as entidades governativas, no sentido de garantir a representatividade dos seus setores no PRR e a adequabilidade nos financiamentos programados e também de fazer notar o contributo que estes setores podem dar à economia do país. Particularmente neste ano de 2021, em que as palavras de ordem são “recuperação “Um dos e resiliência” e em que grandes objetivos Portugal assumiu um para este ano era a lugar de destaque aproximação e diálogo entre com a Presidência do Conselho da União os grandes decisores políticos Europeia no primeiro (nacionais e europeus) e o semestre do ano, esta ecossistema da aeronáutica, ligação entre o Cluster do espaço e da defesa e os Ministérios com

português”

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PONTOS DE VISTA AED DAYS 2021

“A MISSÃO DO EVENTO É CONTRIBUIR PARA A CONTÍNUA EVOLUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA PORTUGUESA, CATALISANDO A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E ECOLÓGICA NECESSÁRIA, AO MESMO TEMPO QUE ALAVANCA A SUA CONSOLIDAÇÃO COMO UM ATOR RELEVANTE NO MERCADO INTERNACIONAL, ASSINALANDO A BOA IMAGEM DE PORTUGAL NO EXTERIOR” as tutelas afetas às suas indústrias e as Agências públicas de investimentos e inovação foi de sobeja importância. Pretendeu-se que o evento deste ano fosse também uma oportunidade para discutir o que foi feito neste âmbito, perceber os problemas e soluções e que caminho temos ainda pela frente. A resposta foi muito positiva por parte das altas entidades presentes, com as intervenções da Comissária Europeia para a Coesão e Reformas, Drª Elisa Ferreira, do Chefe de Unidade da DG-DEFIS (Defence Industry and Space) da Comissão Europeia, do Ministro da Defesa Nacional, Dr. João Gomes Cravinho, dos Secretários de Estado da Economia, Dr. João Neves, da Internacionalização, Dr. Eurico Brilhante Dias, e da Transição Digital, André de Aragão Azevedo, e do Embaixador José Costa Pereira, da REPER. Ficou patente, de forma transversal a todas estas intervenções, a crescente relevância destes setores para a economia nacional, o impacto cada vez maior que têm no presente e futuro da sociedade e a disponibilidade absoluta dos vários intervenientes em continuar o caminho de colaboração estreita e assertiva que se tem vindo a construir. Outro dos objetivos para a edição deste ano era a consolidação da reputação internacional das

capacidades e competências das nossas empresas. Nas últimas edições dos AED Days, têm marcado presença os maiores atores da indústria internacional, com a intenção de melhor se enquadrarem no contexto do ecossistema português. Para esta edição, voltámos a contar com uma participação muito ativa de entidades como a Airbus, Bell Flight, Boeing, Embraer, Leonardo ou até mesmo a ESA (European Space Agency), a EDA (European Defence Agency) e a Clean Sky JU, algo que é um claro reflexo da escalada que a indústria nacional tem vindo a fazer no mercado e cadeias de valor. A missão do evento é contribuir para a contínua evolução e desenvolvimento da indústria portuguesa, catalisando a transformação digital e ecológica necessária, ao mesmo tempo que alavanca a sua consolidação como um ator relevante no mercado internacional, assinalando a boa imagem de Portugal no exterior, como um país que tem investido fortemente na qualificação dos seus recursos humanos e que possui empresas e institutos com capacidade de competir ao mais alto nível, através do desenvolvimento de produtos inovadores e de elevada qualidade. Estamos certos que cumprimos, uma vez mais, esse desígnio. ▪

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PONTOS DE VISTA AED DAYS 2021

“Já existe um ecossistema de Inovação Aeronáutica em Portugal” “Neste momento cerca de 70% dos projetos da Almadesign são na área Aeronáutica, pelo que para nós é um setor fundamental”. Quem o afirma é José Rui Marcelino, CEO da Almadesign, que em entrevista à Revista Pontos de Vista, abordou um pouco mais sobre a importância deste setor para a marca e para o país, assumindo que o desafio primordial passava por ganhar escala a nível internacional, desiderato esse, alcançado com sucesso.

S

abemos que a Almadesign combina perspetivas de praticamente todas as áreas, tendo como principal foco a inovação ao utilizar o design como uma ferramenta capaz de unir pessoas e capacidades. De que forma o setor da indústria aeronáutica tem vindo a assumir-se cada vez mais como um setor indispensável na promoção da inovação, formação especializada, entre outros? Acreditamos que o design pode efetivamente unir pessoas e capacidades, pela sua capacidade de ouvir - as necessidades dos utilizadores, dos operadores e dos fabricantes - e de materializar novas soluções, tangibilizar o futuro dos novos produtos e serviços. O setor aeronáutico sempre foi pioneiro no desenvolvimento tecnológico com um forte efeito de contaminação em setores afins. Na Almadesign, para além de um longo trabalho com a TAP no design de todos os interiores de cabina da frota, estamos a contribuir para a sustentabilidade do setor, com projetos na área da aviação regional e Urban Air Mobility. Quão importante é para a Almadesign promover a área da Aeronáutica, e do Espaço e Defesa, não só em Portugal, como também além-fronteiras? Quais os maiores desafios que encontra neste sentido? Neste momento cerca de 70% dos projetos da Almadesign são na área Aeronáutica, pelo que para nós é um setor fundamental. O mercado português é muito interessante, mas principalmente porque foi a experiência em projetos nacionais que nos abriu portas para o mercado internacional cada vez mais importante para nós. Por outro lado, na última década temos conseguido reunir muitas empresas em associações, clusters e projetos que têm promovido a indústria portuguesa de forma articulada, demonstrando que já existe um ecossistema de inovação aeronáutica em Portugal. O maior desafio tem sido sempre o de unir esforços para ganhar

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AED para o aperfeiçoamento do modelo híbrido, que nos parece o melhor.

JOSÉ RUI MARCELINO

escala internacional. Mas hoje, já podemos considerar esse processo bem-sucedido. Estando a inovação marcada no ADN da Almadesign, como foi participar na Conferência dos AED Days 2021 em formato híbrido? Acredita que este pode ser um ponto de viragem na ótica da evolução tecnológica? Que aspetos positivos esta “mudança” acarreta para a empresa? O modelo híbrido é provavelmente o mais produtivo, ao permitir a participação em múltiplos eventos de forma remota ou presencial. Ao retirarmos o tempo de viagem entre locais, temos uma otimização de tempo e a hipótese de participar num maior número de eventos (estamos presentes ao mesmo tempo, em diversos locais...) e consequentemente aumentamos a produtividade. No entanto, também notamos que este excesso de participação / informação leva a um maior cansaço das equipas e colaboradores, e a falta de contacto presencial, resulta na perda de oportunidades e experiências fundamentais para chegar a resultados inovadores. Depois da experiência totalmente digital de 2020, estamos a trabalhar na

Certo é que caminhamos para um mundo cada vez mais digital. Considera que a valorização do Capital Humano poderá ser prejudicada, tendo em conta a Transição Digital com a qual nos deparamos? Na Almadesign temos uma equipa muito competente e motivada e procuramos sempre manter o melhor talento. Com a transição digital procurámos adaptar as melhores metodologias de trabalho, como um modelo híbrido entre trabalho no escritório e em casa, de modo a permitir à equipa uma melhor gestão pessoal, familiar e profissional. A utilização de plataformas de trabalho colaborativo online permitiram simplificar alguns processos, mas trouxeram também grandes desafios. Na verdade, na Almadesign também acreditamos que as interações informais decorrentes do trabalho presencial têm um papel muito importante na inovação e criatividade. Neste momento, com o “pó a assentar”, estamos a procurar manter o melhor dos dois mundos. Um dos principais objetivos da marca passa por estimular a criatividade da equipa, desenvolvendo assim uma cultura de excelência. Numa empresa como a Almadesign, quão desafiador se torna encontrar profissionais capazes de elevar a marca a um patamar superior? O que a diferencia das restantes? Temos uma estreita relação com a Academia e uma grande rede de empresas e institutos parceiros nos quais recrutamos os nossos profissionais. Mas é sempre um desafio encontrar os colaboradores certos, com as características pessoais e técnicas que se adaptem à cultura da empresa. Mas podemos dizer, sem falsa modéstia, que o trabalho desenvolvido pela Alma e o reconhecimento internacional demonstra que temos conseguido reunir uma equipa excelente.


PONTOS DE VISTA AED DAYS 2021

“NA ALMADESIGN, PARA ALÉM DE UM LONGO TRABALHO COM A TAP NO DESIGN DE TODOS OS INTERIORES DE CABINA DA FROTA, ESTAMOS A CONTRIBUIR PARA A SUSTENTABILIDADE DO SETOR, COM PROJETOS NA ÁREA DA AVIAÇÃO REGIONAL E URBAN AIR MOBILITY” A pandemia da covid-19 afetou todas as áreas. Julga que pode ter sido um marco importante no caminho da evolução tecnológica e inovação do design aeronáutico? De que forma? Claramente a pandemia afetou toda a sociedade e a indústria. A indústria da aviação, em particular, sofreu enormes quebras no número de passageiros e terá de se reinventar para recuperar o mercado perdido. Uma melhor experiência de passageiro, um serviço mais eficiente, mais seguro, mais confortável, irá diferenciar as empresas com futuro promissor. A pandemia também nos mostrou que certos problemas são globais o que nos levou a acelerar a transição para uma mobilidade mais sustentável. Nesse sentido estamos a trabalhar em diversas frentes no projeto de soluções inovadoras para a aviação com zero emissões, recorrendo a materiais mais sustentáveis e a soluções mais confortáveis e seguras. Desde a aviação regional à Mobilidade Aérea Urbana. De uma maneira geral, qual é, para si, o atual cenário deste setor em Portugal? Atualmente existe um ecossistema com mais de cem empresas de excelência no setor, as quais contribuem para uma percentagem considerável do nosso PIB. As provas dadas por estas empresas a nível internacional permitiram o aumento da confiança junto dos grandes OEM na indústria

nacional, o aumento de colaboração em projetos internacionais, a maior participação na definição de políticas públicas locais e europeias e a fixação de alguns grandes players em território nacional. Para terminar, o que podemos esperar da Almadesign daqui para a frente? Quais serão os próximos passos? O nosso foco está na utilização do Design como ferramenta de apoio à transição energética sustentável, no caso da aeronáutica, no desenvolvimento de soluções de zero emissões para a aviação - projetos como a Alice para Eviation, ou o FLY-PT, uma aeronave para Urban Air Mobility- para a rodovia – e em outras áreas, projetos como os autocarros urbanos elétricos e a hidrogénio para a Caetanobus, ou o projeto MOBINEXT para uma scooter elétrica desenvolvida e fabricada em Portugal. Nestes segmentos, a nossa intervenção tem passado não só pelo design dos veículos, mas também pela infraestrutura de apoio e carregamento. Ainda no setor náutico desenvolvemos produtos como o Catamaran elétrico da Sunconcept ou, mais recentemente, um ferryboat elétrico para Aveiro, que deverá iniciar operação em 2022. Em complemento, temos outros projetos internacionais em curso, envolvendo produtos e serviços mais sustentáveis e de que daremos conta em breve. ▪

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PONTOS DE VISTA AED DAYS 2021 – CAPITAL HUMANO E TRANSIÇÃO DIGITAL

“As Pessoas são o mais importante, mas são também o fator mais desafiante, e são realmente fundamentais”

PEDRO SILVA

A Revista Pontos de Vista foi à «boleia» da Conferência dos AED Days 2021, realizada entre os dias 28 de setembro e 1 de outubro, e esteve à conversa com Pedro Silva, Managing Partner da OPCO, uma marca de excelência no seu mercado de atuação, onde, entre outros assuntos, abordamos esta união fundamental entre o Capital Humano e a Transição Digital. Saiba mais.

A

OPCO pretende, desde a sua criação, apostar fortemente na excelência do seu serviço, rompendo com o tradicional conceito de consultoria. Sendo atualmente uma referência no setor onde atua, quais têm sido os fatores diferenciadores que trouxeram a marca à liderança no mercado? Efetivamente, sempre foi nosso objetivo proporcionar um serviço diferenciador, fosse pelas temáticas, fosse pelas qualificações associadas, fosse pela orientação prática e para a implementação, que sempre tivemos. Ao longo destes anos, em particular nos últimos cinco a seis anos, construímos um portefólio de serviços bastante abrangente. É um facto que muitos clientes ainda nos associam principalmente às formações ligadas à indústria automóvel alemã, mas, o que é certo é que, desde a realização de auditorias internas, desde projetos completos de apoio, passando pelas áreas da qualidade, produtividade, ambiente, segurança,

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segurança de informação, apenas para citar algumas, temos vindo a diversificar cada vez mais a nossa atuação. Voltando ao tema de sermos referência ou liderança do mercado, felizmente não somos nós que o dizemos mas sim os nossos parceiros de negócio, em particular os nossos clientes, que nos transmitem essa confiança. A missão da OPCO é providenciar serviços state of the art aos seus clientes. Assim, como nos pode descrever os serviços e soluções que a empresa apresenta e o valor que aporta nas suas indústrias? Sim, no seguimento do que comentava anteriormente. Este serviço não é fruto do acaso ou “só porque o dizemos”. O ponto principal passa pelos nossos colegas, formadores, consultores ou auditores, sejam internos ou externos. Passa essencialmente pelas qualificações iniciais, muitas delas validadas pelas entidades internacionais aplicáveis e, depois, pelo nosso processo interno

de manutenção dessas qualificações. Tudo isto, claro, tendo como base os vários anos de experiência prática na implementação daquilo que partilhamos com os nossos clientes. Assim, partindo dessas experiência e conhecimento prévio, validados por quem de direito, e tendo sempre como linha orientador, o encontrar o profissional adequado para o serviço em causa, têm sido estes os fatores que nos garantem a qualidade do serviço prestado. No que diz respeito à formação – uma das áreas mais relevantes da OPCO – de que forma, em tempos de COVID-19, a marca deu continuidade a esta solução? Quão impactante foi a mesma na sua atividade? Claro que a Covid-19 teve impacto na nossa atuação. Depois de três ou quatro anos a crescer a dois dígitos tivemos uma quebra nos nossos resultados. Aliás, conseguimos claramente identificar os picos de Covid-19 a nível dos nossos indicadores. Mesmo assim, tendo em


PONTOS DE VISTA AED DAYS 2021 – CAPITAL HUMANO E TRANSIÇÃO DIGITAL

“EFETIVAMENTE, SEMPRE FOI NOSSO OBJETIVO PROPORCIONAR UM SERVIÇO DIFERENCIADOR, FOSSE PELAS TEMÁTICAS, FOSSE PELAS QUALIFICAÇÕES ASSOCIADAS, FOSSE PELA ORIENTAÇÃO PRÁTICA E PARA A IMPLEMENTAÇÃO, QUE SEMPRE TIVEMOS” conta as alterações rapidamente introduzidas - formação online, diversificação das atividades, incluindo a partilha, livre de custos, de conhecimento através de plataformas digitais, conseguimos controlar e limitar essa quebra. Neste momento, em que todos queremos e cremos estar a entrar numa fase pós Covid-19, várias dessas alterações mantêm-se na nossa atividade, contribuindo assim, mais uma vez, para a qualidade do nosso serviço. E também não nos ficaremos por aqui. Um dos objetivos que temos para 2022 passa por levar aquilo que foi construído nas indústrias automóvel e aeronáutica para outras áreas industriais e, estamos certos, as lições aprendidas durante a pandemia servirão para nos ajudar neste alargamento de âmbito do serviço. A transição digital é hoje um tema recorrente em diversos setores e no da formação não tem sido diferente uma vez que esta passou, em muitos casos, a ser desenvolvida pelo meio digital. Na sua perspetiva, que melhorias e desafios foram sentidos durante este processo? Considera que, atualmente, a formação é mais eficiente? Na minha perspetiva sim, muita coisa foi feita, mesmo olhando para o nosso caso em particular. Estamos, contudo, a trabalhar para melhorar ainda mais estes processos. Creio que também ainda estamos todos a aprender. Uma das coisas que a pandemia trouxe foi o aproximar entidades e indivíduos que se encontravam longe, geograficamente, e uma dessas aproximações resultou em larga medida no que foi o nosso Automotive Summit de 2021, onde alguns resultados foram apresentados. O Summit do próximo ano terá um formato híbrido, com sessões presenciais e sessões online. Cremos que esse será também o futuro nas áreas da formação e, porque não, da auditoria ou consultoria. Vamos a um exemplo, no que diz respeito a auditoria internas, um modelo que funcionou muito bem foi este modelo híbrido: parte da auditoria em remoto, de modo a minimizar os contactos, seguido de parte presencial, para todas as atividades mais operacionais. Tendo esta pandemia sido (ou estando ainda a ser) algo de trágico, temos pelo menos o dever

de retirar alguns ensinamentos e creio que este modelo híbrido será um desses exemplos. A Conferência dos AED Days 2021 teve lugar entre os dias 28 de setembro e 1 de outubro, em formato híbrido. De que forma é que este evento conseguiu cimentar o setor da indústria da Aeronáutica, Espaço e Defesa e, assim, assumi-lo como um mercado expert na promoção da inovação, da formação especializada, entre outros? Como referido, atuamos nas indústrias automóvel e aeronáutica, mas com um rácio, diria, de 85% para 15%, isto nos últimos tempos. Todas estas iniciativas e as respetivas entidades promotoras têm um papel fundamental na promoção do setor a todos os níveis, não só na atração de investimento como na fixação de técnicos e quadros qualificados, contudo, principalmente a nível da aeronáutica, muito mais há que fazer e passa também pela promoção do país no estrangeiro. Temos boas indicações, como a participação no projeto e a compra do KC 390, contudo a aposta na respetiva cadeia de fornecimento tem que ser levada de um ponto de vista estratégico e não pontual, com abordagens diretas aos principais players, criação de condições atrativas e o garantir de concretização de projetos. Mesmo sendo em formato híbrido, acredita que não só foram alcançados os objetivos principais deste evento, como o tornaram mais enriquecedor e eficaz? Creio sinceramente que sim. Infelizmente não conseguimos participar, dado compromissos previamente assumidos, contudo o modelo híbrido acaba por trazer o melhor de dois mundos: a possibilidade de contacto direto entre os envolvidos, mas também a participação de quem está longe e, em áreas como esta, é fundamental “aparecer lá fora”, mostrar dentro e fora de portas o que de bem se faz. Neste sentido, a componente remota é fundamental, assim como outro tema antes discutido, a digitalização, o uso das plataformas virtuais e a promoção destas atividades junto de decisores, mesmo que não se possam deslocar ao nosso país.

A médio e longo prazo, que papel a OPCO irá continuar a assumir na fomentação e divulgação do setor a nível nacional e internacional? A nível nacional, a resposta é muito simples, da mesma forma que temos vindo a fazer. Existem, dento da nossa rede de contactos, várias organizações que mostram interesse em se apresentar ao setor e, um dos primeiros passos é, claro, conhecer as regras de funcionamento do mesmo e novamente é aí que podemos fazer a diferença, tendo connosco profissionais oriundos dessa área, que detêm não só o conhecimento teórico como também toda a componente prática que vai permitir distinguir o serviço. Como comparação, quando comecei na indústria automóvel, ainda nos anos 1990, muito havia a fazer, eventualmente esse poderá ser um ponto de comparação com o atual panorama aeronáutico em Portugal. ▪

Por fim, como perspetiva a evolução da transição digital da OPCO, bem como do setor onde atua e, de que forma, o capital humano irá mudar em consequência dessa mesma evolução? Torna-se um cliché dizer que as pessoas são o mais importante, mas são também o fator mais desafiante, e são realmente fundamentais. Se as pessoas não mudarem, evoluírem, se não “comprarem” essa digitalização dificilmente a mesma poderá dar os resultados esperados. Internamente temos em curso várias atividades, sejam ligadas à parte de gestão, gestão da formação em particular, sejam ligadas às formas de comunicação remotas e, estando ainda em curso, posso afirmar que são atividades realmente de alteração de paradigma. Mas como comentava há algum tempo com um colega (outro cliché), o que nos trouxe até aqui, não é o que nos levará ao nível seguinte pelo que, na realidade, não há alternativa sequer a este evoluir constante.

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PONTOS DE VISTA ANO EUROPEU DO TRANSPORTE FERROVIÁRIO

“O Ano Europeu do Transporte Ferroviário serviu para dar uma grande visibilidade à importância da Ferrovia em toda a Europa” É de conhecimento geral que o transporte ferroviário é o modo de transporte mais sustentável ambientalmente. Assim, Jorge Delgado, Secretário do Estado das Infraestruturas revelou à Revista Pontos de Vista todo o investimento que tem vindo a ser feito, e tudo o que ainda há por realizar neste sentido.

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Ministério das Infraestruturas e Habitação tem por missão formular, conduzir, executar e avaliar as políticas de infraestruturas, nas áreas da construção, do imobiliário, dos transportes e das comunicações. No que diz respeito ao transporte ferroviário, como nos pode descrever a evolução do setor nos últimos anos em Portugal? Numa primeira fase, aquilo que era necessário fazer, era estabilizar a operação da CP. Isso foi conseguido com o esforço enorme por parte da antiga EMEF, agora parte da CP, para resgatar material circulante que estava abandonado por todo o país, recuperá-lo, modernizá-lo e colocá-lo ao serviço. No fundo, usar aquilo que temos para resolver o problema imediato com que nos defrontávamos. Isso foi conseguido, o que se verifica, desde logo, pela redução drástica das supressões de comboios. Por isso, hoje, no caso da operação ferroviária, já passámos à fase seguinte, de planear e colocar em marcha a aquisição do material circulante novo de que vamos precisar na próxima década. Do lado do investimento na infraestrutura, tínhamos uma situação análoga. O país chegou a 2016, já com o quadro de Fundos Europeus pronto a executar, mas sem projetos ferroviários maduros prontos a entrar em obra. Foi preciso um esforço muito grande por parte da IP para contratar e realizar todos esses projetos, depois lançar os concursos para obra e, finalmente, pôr as obras no terreno. Ainda para mais, num contexto em que o país tinha perdido muitos dos seus quadros especializados que, sem investimentos em curso, tinham ido à procura de trabalho noutros setores ou noutros países. Hoje, também posso dizer, que temos todas as obras mais importantes no terreno e não iremos deixar por executar fundos europeus destinados à ferrovia.

JORGE DELGADO

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Em que medida o transporte ferroviário tem inovado e, por consequência, elevado o nome do país no exterior? Deixe-me dar dois exemplos de como em Portugal se trabalha ao nível dos melhores do mundo na indústria ferroviária. O trabalho de recuperação de material circulante


PONTOS DE VISTA ANO EUROPEU DO TRANSPORTE FERROVIÁRIO

que temos estado a fazer, nas oficinas de Guifões e noutras, é do melhor que se faz em qualquer parte do mundo e tem mesmo ganho alguma visibilidade no exterior pela excelência deste trabalho. Às vezes somos criticados porque estamos a recuperar “sucata”, mas isso não faz qualquer sentido. Os países mais avançados e mais ricos do mundo, como a Suíça, mantêm algum do seu material circulante a funcionar ao longo de décadas, com sucessivas modernizações e reconstruções. Além de ser um exemplo de Economia Circular, é uma opção racional na utilização de ativos que ainda podem prestar um serviço de elevada qualidade. Outro exemplo que lhe posso dar é a metodologia de manutenção (Condition Based Maintenance), inspirada na filosofia da manutenção da indústria aeronáutica, que foi desenvolvida na antiga EMEF para a frota dos Alfa Pendular. É mais um exemplo de como em Portugal, na nossa indústria ferroviária, se desenvolveu um processo que aumentou em muito a disponibilidade e a eficiência da manutenção e que depois acabou por ser reproduzido noutro países, noutras frotas semelhantes, com formação dada pelos engenheiros portugueses. Este ano de 2021 foi nomeado pela UE como o “Ano Europeu do Transporte Ferroviário” para promover o uso dos comboios como modo de transporte seguro e sustentável. Que vantagens têm surgido – e irão continuar a surgir – deste ano dedicado ao setor? O Ano Europeu do Transporte Ferroviário serviu para dar uma grande visibilidade à importância da ferrovia em toda a Europa. Isso envolveu políticos, envolveu o setor, a indústria, mas envolveu também grupos de cidadãos que, nos diferentes países, se têm vindo a mobilizar para exigir mais opções para poderem deslocar-se de forma ambientalmente sustentável. Houve ainda a coincidência de Portugal ter a presidência da União Europeia durante o primeiro semestre de 2021. Isso deu-nos a oportunidade de também colocar a ferrovia no centro do debate europeu, levantando algumas questões que não tinham ainda sido colocadas e promovendo o debate sobre a avaliação das políticas europeias para o setor das últimas décadas. A pandemia da COVID-19 demonstrou que o transporte ferroviário é um bem essencial na sociedade e para inúmeras atividades. Neste sentido, qual a importância das ferrovias para o desenvolvimento socioeconómico? Desde logo pela melhoria da eficiência do transporte que induz, quer de passageiros, quer de mercadorias, bem como a melhoria da qualidade de vida. Se pensarmos de um ponto de vista socioeconómico, de facto, as empresas precisam de um transporte fiável, de baixo custo e ambientalmente sustentável, e isso é aquilo que a ferrovia pode oferecer. É claro que não o pode fazer sozinha, porque o comboio nunca chegará à porta de cada fábrica, mas em complementaridade com o trans-

nização e eletrificação de toda a rede ferroviária, eliminar os estrangulamentos no acesso às áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e criar um eixo de alta velocidade e alta capacidade entre o Porto e Lisboa, que formará a espinha dorsal da futura rede ferroviária. O conjunto destes investimentos vai permitir uma verdadeira revolução na forma como as pessoas se movimentam no país, desde logo, ao colocar o Porto e Lisboa a 1h15m de distância.

“PORTUGAL ESTÁ, NESTE MOMENTO, A EXECUTAR O PROGRAMA MAIS AMBICIOSO DE INVESTIMENTO NA FERROVIA DAS ÚLTIMAS TRÊS DÉCADAS. SÃO CERCA DE DOIS MIL MILHÕES DE EUROS E TEMOS OBRAS EM TODOS OS PRINCIPAIS CORREDORES FERROVIÁRIOS DO PAÍS” porte rodoviário. Portanto, do lado das mercadorias, falamos, essencialmente, de redução de custo, aumento de fiabilidade e de eficiência. No caso do transporte de passageiros, há enormes ganhos em tempo, que tem em si mesmo um valor económico, que ainda podemos obter com a expansão do transporte ferroviário. Quão legítimo é poder afirmar que Portugal está “empenhado” em investir neste setor? O que está a ser desenhado para o futuro? Portugal está, neste momento, a executar o programa mais ambicioso de investimento na ferrovia das últimas três décadas. São cerca de dois mil milhões de euros e temos obras em todos os principais corredores ferroviários do país. Neste ciclo, até 2023, vamos resolver os constrangimentos que existiam ao transporte de mercadorias; vamos aumentar em quatro vezes a capacidade de transporte de mercadorias por ferrovia. Ora, se este plano foi ambicioso, o que temos planeado para a próxima década é um investimento quatro vezes superior, já com um foco também no transporte de passageiros. De forma resumida, aquilo que estamos a planear assenta em três prioridades: completar a moder-

De que forma o Ministério das Infraestruturas e Habitação irá continuar a promover este setor a nível nacional e internacional? Continuaremos a fazer o nosso trabalho, a modernizar a infraestrutura, a começar a construir novas linhas, expandir a rede, renovar o material circulante e aumentar a oferta. Além de tudo isso, não queremos deixar de aproveitar este grande impulso que estamos a dar à ferrovia para criar oportunidades à indústria portuguesa de trabalhar neste setor. Isso já está a acontecer em grande medida na recuperação das carruagens existentes, onde uma parte muito significativa dos fornecimentos são feitos por empresas portuguesas. Agora que vamos comprar uma quantidade grande de novos comboios, isso cria uma oportunidade de que Portugal volte a criar uma indústria ferroviária que possa dar resposta às necessidades do país e, também exportar. Trabalhamos todos os dias nessas várias frentes: investimentos, obras na infraestrutura, melhoria dos serviços e promoção da indústria e economia nacional. O setor ferroviário tem um elevadíssimo valor, seja enquanto indústria e empreendimentos de obra pública, mas também como serviço à economia, a transportar os produtos das nossas empresas, e como serviço público por excelência. ▪

Muitos afirmam que o transporte ferroviário é o transporte do futuro. Para melhor entender, o que fomenta esta ideia? Esta ideia é de facto muito simples de transmitir: o transporte ferroviário é o modo de transporte mais sustentável ambientalmente. É aquele que tem a maior eficiência energética e é aquele que já não tem nenhuma barreira tecnológica à sua total eletrificação. Além da eficiência energética e ambiental, também é o mais eficiente em termos de ocupação do solo e aquele que permite uma maior capacidade de transporte. Não só pela ação climática, mas também pela nossa qualidade de vida, o futuro do transporte terá de ter muito mais transporte coletivo. O comboio estará sempre no centro das redes de transportes coletivos. Só assim conseguiremos libertar as nossas cidades da dependência do automóvel.

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“ALGO QUE, DESDE O PRIMEIRO DIA, É MUITO IMPORTANTE PARA MIM, É O FACTO DE NÃO ABDICAR NEM POR UM SEGUNDO DA MINHA MARCA. NÃO HÁ NENHUM PRODUTO NEM NENHUMA COLEÇÃO QUE SAIA DA FÁBRICA SEM A REFERÊNCIA LASKASAS” CELSO LASCASAS

CEO E FUNDADOR DO GRUPO LASKASAS

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LASKASAS

A conquistar o Mundo Tendo progresso e ambição como nome do meio, a Laskasas nasceu em 2004 na cidade do Porto. Inicialmente com uma equipa de quatro pessoas, após 16 anos de história, a marca de design de mobiliário conta hoje com 440 colaboradores, 11 lojas no mercado nacional, quatro a nível internacional, um portefólio vasto, criativo e 100% português – e um percurso preenchido de vitórias consecutivas. Celso Lascasas, o rosto por detrás desta reconhecida e prestigiada empresa, partilhou com a Revista Pontos de Vista os marcos mais importantes (e tão necessários) da vida da mesma, dando a conhecer ainda qual tem vindo a ser a chave crucial do seu império: as pessoas que nele trabalham.

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MARCA LASKASAS COMO TUDO COMEÇOU Num meio onde (quase) já não havia espaço para mais uma marca de mobiliário, o mesmo abriu horizontes para a Laskasas. Não é uma qualquer, nem com um qualquer Fundador: os ingredientes estavam reunidos. De uma loja com 150m2 em Ermesinde passou para a Maia, de seguida para Famalicão e, por fim, para a cidade do Porto. Posteriormente, o grande passo para o sucesso maior, deu-se quando a marca abriu uma loja em Alfragide. A partir daí tudo começou a fluir naturalmente. Passado quatro anos de abrir a empresa, come-

FOTO:RUI BANDEIRA

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esde cedo Celso Lascasas debruçou-se perante a sua ambição maior e começou a trilhar o seu caminho rumo ao grande objetivo que a vida (inconscientemente) lhe propôs: ter uma marca própria. Destinado a concretizar essa mesma missão, começou por trabalhar numa empresa de mobiliário enquanto aprendiz, mas rapidamente percebeu que não seria suficiente para tudo aquilo que ambicionava construir. Juntamente com um sócio abriu uma pequena empresa, porém, ao fim de dois anos – tal era o seu mérito – foi convidado a gerir um outro projeto, também dentro do mesmo setor. Nesta experiência conseguiu colocar em prática a sua liderança e fazer jus ao que sempre acreditou ser: um líder nato. Durante sete anos cresceu profissionalmente e, por fim, decidiu arriscar naquela que é a criação da sua vida, a Laskasas.

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De modo a contornar este grande desafio, a Laskasas começou a focar-se noutra área de negócio – a exportação. Nesse momento, reanimou e continuou a traçar a seu caminho. “A crise de 2010 fez-me abrir horizontes. Percebi que se queria que a minha marca fosse grande, tinha de pensar globalmente. A partir daí criei um departamento de exportação e coleções viradas para outros mercados. Começamos com feiras internacionais, nomeadamente duas das mais importantes, a de Paris e a de Milão. Esse passou a ser o nosso grande foco e tudo começou a acontecer a partir daí”, afirma orgulhosamente Celso Lascasas. Atualmente a Laskasas conta com três polos distintos: o primeiro é onde se produz todo o mobiliário, o segundo é dedicado à produção de estofos e o terceiro destina-se à produção de metal e serralharia. Além disso, são 11 as lojas espalhadas pelo território nacional e quatro a nível internacional: em Luanda, Punta Cana, Marbella e Moscovo.

çou a produzir as suas próprias coleções tendo, para o efeito, construído uma fábrica que correspondesse às suas expectativas e mais importante do que isso: que fornecesse capacidade de resposta às inúmeras encomendas que surgiam. Com uns percalços naturais provocados pelo

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tempo, surgiu a chamada «pedra no sapato» desta marca. Estando em fase de crescimento, a crise com que Portugal se deparou em 2010 estagnou esse mesmo impulso, uma vez que grande parte da população diminuiu, por consequência, o seu poder de compra.

IDENTIDADE DO DESIGN LASKASAS Se dúvidas restassem, a Laskasas consolidou-se no mercado e hoje é uma empresa líder no setor do design de mobiliário. Sendo uma marca de mobiliário com curadoria que une designers de interiores contemporâneos, arquitetos, decoradores, showrooms e comerciantes, é tudo cuidadosamente feito à mão nas suas fábricas (made in Portugal), transportando, assim, para cada projeto, o sentimento e a unicidade que a torna distinta e única dentro do seu universo. Com paixão e excelência, os serviços da Laskasas são de A a Z. Dentro do grupo pertencem todos os serviços que complementam o setor, como a Domkapa – create confort, a SERRALUX – produtos metálicos, a Laskasas Kontract, a Kapa Go – Transports & Logistics, entre outras. Desde mobiliário personalizado, projetos de decoração 2D e 3D, impermeabilização de estofos, ou remodelação de interiores e exteriores, a marca concretiza sonhos que se traduzem em chave-na-mão. As peças estão disponíveis em todo o mundo. A reinterpretação contemporânea tem influências da funcionalidade escandinava, do luxo italiano e do glamour francês. Mas o que a diferen-


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“CLARAMENTE QUE A PANDEMIA FOI, TAMBÉM PARA NÓS, UM CHOQUE INICIAL MUITO GRANDE, TODOS TÍNHAMOS RECEIO DO QUE VIRIA AÍ. CONTUDO, QUANDO PUDEMOS RETOMAR A NOSSA ATIVIDADE EM SEGURANÇA, EM PORTUGAL E LÁ FORA, FOI UM BOOM EXTRAORDINÁRIO”

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cia na sua plenitude é o facto das suas coleções de mobiliário e estofos honrarem e elevarem, diariamente, o património português de artesanato – cada peça é uma nova perspetiva do design tradicional, desafiando as leis de silhuetas, materiais e combinações de texturas. Além disso “algo que, desde o primeiro dia, é muito importante para mim, é o facto de não abdicar nem por um segundo da minha marca. Não há nenhum produto nem nenhuma coleção que saia da fábrica sem a referência Laskasas”, garante o CEO e Fundador da empresa. Mas não fiquemos por aqui, o lema da mesma é Decorar a Vida. Assim, a Laskasas investe frequentemente em projetos sociais para proporcionar a inúmeras famílias uma melhor qualidade de vida. PANDEMIA DA COVID-19 – A IMPULSIONADORA DO ONLINE Com uma estrutura sólida fruto da dedicação de Celso Lascasas e da sua equipa, é legítimo afirmar que, a marca, estava mais do que preparada para enfrentar (e ultrapassar com distinção) a pandemia que impactou o prazo de vida de tantos negócios.

“Claramente que a pandemia foi, também para nós, um choque inicial muito grande, todos tínhamos receio do que viria aí. Contudo, quando pudemos retomar a nossa atividade em segurança, em Portugal e lá fora, foi um boom extraordinário e é muito fácil de explicar: os nossos hábitos e estilos de vida mudaram. De um momento para o outro fomos obrigados a usufruir do nosso espaço em casa, hora após hora, diariamente, durante meses. O espaço e o conforto começaram a ser valorizados como nunca”, confirma o nosso entrevistado, acrescentando ainda que “chegamos a ter equipas a trabalhar à noite porque tínhamos, de alguma fora, de dar resposta ao que nos chegava”. Porém, as tendências do mobiliário não foram as únicas a mudar com a pandemia que ainda atravessamos. A transformação digital, há muito em progresso, teve um impulso desmedido com as consequências dos tempos em que vivemos. Se antes a digitalização era (quase) como uma novidade a dar passos pequenos, hoje é uma realidade conhecida por todos. Desta forma, a Laskasas teve, de igual forma, de acompanhar estas mudanças e – uma vez mais – adequar a sua estratégia. O online, anterior-

mente pouco ou nada utilizado, deu lugar a um foco imenso e fundamental para a continuidade do sucesso da marca. Importa referir que, a mesma, não se reinventa apenas nas suas coleções icónicas. Também se adapta a mudanças, sejam elas repentinas ou não, estando assim um passo à frente de qualquer eventualidade. “Quando me apercebi que o online poderia ser uma mais-valia muito grande para a Laskasas, comecei a acelerar o processo. Colaboradores de outros departamentos ajudaram inicialmente, porém, rapidamente, começamos a contratar mais pessoas para se dedicarem exclusivamente a esta área. Hoje, esta equipa, conta com 16 pessoas. Para já o online shop está presente em Portugal e Espanha e pensamos, obviamente, em atingir outros mercados”, reforça Celso Lascasas. A CHAVE DE TODO O SUCESSO: A EQUIPA Ao todo são 440 pessoas que, diariamente, se dedicam à missão Laskasas. Esta força conjunta impulsionadora de todo o sucesso da marca, influenciada pela herança única de décadas de experiência em mobiliário português, faz a magia acontecer.

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PONTOS DE VISTA TEMA DE CAPA

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“DÁ-ME UM GOSTO ENORME OLHAR À MINHA VOLTA E OBSERVAR O CRESCIMENTO DESTE GRUPO DE PESSOAS. O SUCESSO DA LASKASAS DEVE-SE (E MUITO) À EQUIPA QUE A CONSTITUI. SÃO PROFISSIONAIS DE MÃO CHEIA, NÃO SÓ PELA QUALIDADE DO SEU TRABALHO, MAS PORQUE SÃO AMBICIOSOS COMO EU”

Cada vez mais os Recursos Humanos representam uma peça fundamental na história de vida de cada empresa, uma vez que são as pessoas que alcançam os resultados pretendidos, sob uma liderança justa e impactante, e honram os seus valores. «Vestir a camisola» é o que diferencia a qualidade dos seus representantes. Para Celso Laskasas, liderar uma equipa como esta é um trabalho que, embora complexo, lhe permite saborear todas as conquistas de forma completa. “Dá-me um gosto enorme olhar à minha volta e observar o crescimento deste grupo de pessoas. O sucesso da Laskasas deve-se (e muito) à equipa que a constitui. São profissionais de mão cheia, não só pela qualidade do seu trabalho, mas porque são ambiciosos como eu. Posso dizer que sou uma pessoa extremamente exigente, mas eles sabem que todo o esforço que dedicam a esta casa é muito valorizado”, reconhece. Prova disso mesmo – e além do reconhecimento diário que é tão importante para a motivação individual – são os prémios que, regularmente, são atribuídos quando determinadas metas são alcançadas. “Em diversas empresas há prémios que são distribuídos no final de cada ano, a quem

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tenha o mérito de os receber. Eu não sou assim. Não sinto que tenha de haver essa obrigatoriedade. Dou quando tudo corre bem, seja quando for. Para mim, aquilo que me dá verdadeiramente prazer é olhar para um colaborador e perceber que conseguiu crescer a nível pessoal, fruto do seu trabalho. Quando conseguem comprar um carro ou uma casa, quando podem oferecer o melhor aos filhos e à família. Digo-lhes muitas vezes que não precisam de ser como eu, mas têm de ser pessoas à altura deste desafio”, reforça o nosso interlocutor. A proximidade é o fator fulcral na relação que se constrói internamente. Apesar de ser humanamente impossível dedicá-la aos 440 funcionários, Celso Lascasas garante que tenta o máximo que consegue chegar a todos os que por lá passam, seja de que maneira for. “Mesmo quando as coisas correm menos bem, eu dou a cara, para qualquer situação. Está na minha essência, para bem ou para o mal, resolver diretamente. Só assim é que faz sentido. Tenho a consciência de que as pessoas são o fator mais importante de uma organização. A Laskasas tem crescido muito, é um facto impossível de negar, mas cresce devido a esta união incondicional. Sou muito grato por tudo”.

A DESENHAR UM FUTURO PROMISSOR As perspetivas para os próximos anos estão em cima da mesa e não podiam ser melhores. Mais forte do que nunca, a Laskasas vai fechar o ano a crescer no que diz respeito à faturação, mas não só. A sua visibilidade será também uma forte aposta para o futuro. O objetivo primordial é, para já, consolidar a vertente online na Península Ibérica. Já na área da exportação, estando a trabalhar desde já com mais de 60 países – tendo como o melhor mercado o Médio Oriente – continuará a ser um foco intensivo. Está a ser planeada a feira internacional Maison & Objet Paris 2022 e a Salone del Mobile Milão, para o mesmo ano, mas as novidades não ficam por aqui. Ainda para o próximo ano estão em vista dois novos projetos: abrir um showroom em Londres e outro em Nova Iorque. “Para já estamos a ver os custos, mas essa é a minha ideia. Se não a conseguir concretizar em 2022, será com toda a certeza a seguir. O mercado da América do Norte é um passo importantíssimo na nossa caminhada. Além disso, quero chegar a 2024 e ter 50% da minha faturação para a exportação. Nesse ano a Laskasas faz 20 anos de história”, sustenta Celso Lascasas. O projeto Laskasas Home está em processo já desde 2019, contudo a ideia é consolidá-lo nos próximos tempos, abrindo duas lojas físicas a nível nacional, totalmente dedicadas a peças decorativas, como velas, toalhas, louça… tudo que acaba por dar um último toque à casa. Com os objetivos bem definidos, sem receio de arriscar e com ambição por triunfar, a missão desta marca é, sem qualquer dúvida, conquistar o setor a nível mundial. ▪


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PONTOS DE VISTA TEMA DE CAPA

16 ANOS

APÓS 16 ANOS DE HISTÓRIA, QUAL É O SENTIMENTO QUE FICA AO OBSERVAR O IMPÉRIO QUE CRIOU?

Inevitavelmente teríamos de terminar com esta questão. Uma empresa que, não tendo vindo de qualquer geração, foi criada com dedicação e resiliência desde a sua raiz. De 2004 até então, o caminho pertence às inúmeras conquistas que se vão somando, sem nunca descurar do que, no fim do dia, é o mais importante: as pessoas que a sustentam. “Desde que me lembro, sempre desejei ter um projeto meu. Mas nunca pensei, mesmo a sonhar muito alto, conseguir tudo o que consegui. Quando comecei tinha um estilo de vida bastante confortável e muitas pessoas acharam que seria demasiado arriscado abdicar de algo que, à data, era estável. Mas para mim o que é verdadeiramente bom é tudo aquilo que construí. É muito melhor do que eu algum dia imaginei e sinto-me extremamente feliz por isso”, termina Celso Lascasas.

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PONTOS DE VISTA DECORHOTEL 2021

JARDINS DE ADÓNIS

JOÃO ADÓNIS E MARISA VICENTE DIAS

Jardins de Adónis

e o Compromisso com a Sustentabilidade Inspirar o mundo através de espaços verdes de luxo e sustentáveis, é a missão da Jardins de Adónis. Em conversa com a Owner da marca, Marisa Vicente Dias, observamos a importância nos dias de hoje da renovação de ambientes cada vez mais naturais e relaxantes.

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PONTOS DE VISTA DECORHOTEL 2021

F

undada em 2002 enquanto Jardins de Adónis, a sua atividade económica era maioritariamente projeto e execução de jardins ornamentais. Em 2016 a empresa abriu novos horizontes com a construção de um dos mais emblemáticos jardins de cobertura em Lisboa no edifício do Santander. Passado 19 anos de atividade, quem é hoje esta marca? A nossa empresa tem vindo a percorrer um caminho de crescimento e progressivamente temos vindo a conquistar o reconhecimento do nosso trabalho nas várias áreas de negócio onde atuamos e a ganhar importância na nossa atividade na área do paisagismo e “design” de exteriores com uma especialização muito forte em jardins verticais e de cobertura. promovendo ativamente a melhoria da qualidade do ar reduzindo a poluição atmosféHoje há rica e redução de uma grande ruído nas áreas consciencialização de urbanas.

FILOSOFIA E MISSÃO No universo da decoração existe sempre um toque especial que distingue a marca de quem concretiza cada projeto. No caso dos Jardins de Adónis, qual é a filosofia e a missão com que abraça cada trabalho? A nossa filosofia é trazer a natureza para dentro dos espaços que criamos, através de soluções sustentáveis e amigas do ambiente. Está comprovado que a harmonia dos verdes contribui para um melhor ambiente de trabalho ou de lazer. Realizamos o sonho de cada cliente!

toda a comunidade sobre

sustentabilidade e tornaQue compepostas de soluções amitências e outros gas da natureza. A utilise mais fácil serem aceites projetos têm zação, sempre que posas nossas propostas de vindo a marcar a sível, de recursos naturais, soluções amigas da história e o sucescomeçando na seleção do natureza so da empresa? elenco vegetal, na utilizaTemos uma equipa ção de espécies autóctones, altamente qualificada e o evitando as espécies exóticas, investimento em formação permitem a gestão dos recursos e desenvolvimento é uma priorihídricos e a redução da necessidade de utilização de tratamentos fitossanitários. Felizdade para nós. Temos no nosso portefólio projetos de pequena, média e grande dimensão, mente os cidadãos estão mais esclarecidos e sendo os jardins verticais e de cobertura uma decidem abraçar com naturalidade o caminho aposta certeira no que toca a melhoria de qualide um mundo mais verde. dade de vida e do ambiente que nos rodeia. Quão legítimo é afirmar que as tendências da decoração estão constantemente a mudar A visão que se traduz nos projetos dos Jare/ou a evoluir? De que forma os Jardins de dins de Adónis é inspirar o mundo através de Adónis têm acompanhado as mudanças na espaços verdes de luxo e sustentáveis. De que sociedade e as necessidades da população? forma a sustentabilidade tem ganho imporTudo é mudança! O nosso objetivo é a melhotância na realização e concretização dos proria dos ambientes e isso significa que cada espajetos da empresa? ço necessita de renovação e de novos ambienHoje há uma grande consciencialização de tes cada vez mais naturais e mais relaxantes, em toda a comunidade sobre sustentabilidade e contraponto com o stress do dia a dia. torna-se mais fácil serem aceites as nossas pro-

Considera que a pandemia da COVID-19 ditou uma nova tendência? O que mudou no meio da decoração? A COVID-19 só veio realçar a importância dos espaços verdes, quer exteriores, quer interiores, como espaço de relaxamento e tranquilidade de forma a proporcionar à mente tempo de bem-estar. Penso que a nossa atividade foi das mais valorizadas devido à necessidade de “recolha” a que as pessoas foram obrigadas e por conseguinte, a utilização dos espaços verdes interiores ou exteriores, que por vezes se encontravam relegados para segundo plano. A empresa irá marcar presença na DECORHOTEL 2021, de 21 a 23 de outubro, na FIL. Que novidades podemos esperar desta participação? Na DECORHOTEL vamos estar presentes com várias soluções de jardins verticais e iremos apresentar uma tendência de jardins em musgo preservado, com muitas opções de cores, e que devido às suas propriedades de absorção acústica, garante um espaço “clean” e sem manutenção acrescida. ▪

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PONTOS DE VISTA SCORING EDIÇÃO 2021

Scoring lança edição 2021 da certificação “TOP 5% Melhores PMEs de Portugal” Num mercado em que cada vez mais a conquista e manutenção de clientes está assente em pequenos detalhes, a afirmação da idoneidade da empresa e do reforço da reputação da marca no mercado que esta certificação representa, geram confiança nos clientes e assim potencial para ter um impacto positivo nas vendas. Em entrevista à Revista Pontos de Vista, Carlos Gouveia, CEO da SCORING, explica como funciona a certificação e quais as garantias de rigor e isenção que esta classificação apresenta.

CARLOS GOUVEIA

A

avaliar pelo número de empresas certificadas, esta certificação está a ter muita aderência junto das empresas nacionais? É verdade. No último ano, certificámos mais de 1.250 empresas, cuja soma do volume de negócios ultrapassa 1% do PIB. Trata-se de uma certificação com mais-valias claras para as empresas, alicerçada num método validado cientificamente e aplicado com rigor e isenção (inclusive com auditoria anual Bureau Veritas). Como foi o percurso para chegar até aqui? A SCORING foi criada em 2018, 100% nacional, e esteve praticamente dois anos em investigação para o desenvolvimento do “ScorePME”, o método de classificação económico-financeira que está na base da certificação Top 5% Melhores PME de Portugal. Este projeto teve o apoio financeiro Portugal 2020 e contou com a participação de doutorados em gestão e de consultores na área financeira e marketing.

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Como funciona a certificação? A SCORING, a partir da IES (que é a informação das contas anuais), determina quais são as empresas que estão no Top 5% Melhores PME de Portugal, em termos de desempenho e solidez financeira. Sem qualquer intervenção das empresas, baseamo-nos nos indicadores económico-financeiros que avaliam os dois principais objetivos empresariais, neste domínio: gerar resultados e ter solidez financeira. As empresas que cumprem determinados requisitos (volume de negócios mínimo, entre outros), são classificadas em comparação umas com as outras, pelo método ScorePME, sendo atribuído um Índice de Desempenho e Solidez Financeira (IDS). Ora, só 5% das PME nacionais cumprem simultaneamente os requisitos e têm uma notação SCORING/IDS “Excelente”. Quais as garantias de rigor e isenção? São várias. Desde logo, como os dados são

1.250 EMPRESAS

NA ÚLTIMA EDIÇÃO FORAM CERTIFICADAS MAIS DE 1.250 EMPRESAS, ABRANGENDO TODO O TERRITÓRIO NACIONAL E UMA GRANDE ABRANGÊNCIA DE SETORES DE ATIVIDADE. O VOLUME DE FATURAÇÃO DAS PMES CERTIFICADAS JÁ ULTRAPASSA 1% DO PIB NACIONAL.


PONTOS DE VISTA SCORING EDIÇÃO 2021

"AS EMPRESAS, AO FAZEREM A ADESÃO, RECEBEM UM CONJUNTO DE RECURSOS QUE LHES PERMITEM COMUNICAR E PARTILHAR ESTA DISTINÇÃO COM OS SEUS PÚBLICOS E ASSIM GERAR AS MAIS-VALIAS SUBJACENTES" obtidos de fonte oficial (IES), ficam asseguradas a independência face às empresas e a veracidade dos dados. Depois, o rigor e a isenção da aplicação do método ScorePME são confirmados pela Bureau Veritas (multinacional acreditada junto do IPAC). Pode ler-se no texto do certificado da BV que a «base de dados é fiável com os dados contidos no IES», que o «algoritmo utilizado para determinar o IDS cumpre o método» e que a notação «ScorePME foi comprovada matematicamente e por métodos alternativos». Um parecer científico, emitido por docentes do ensino superior doutorados em gestão, atesta a validade do modelo face à teoria de gestão e que o mesmo tem aptidão explicativa face ao que avalia. Finalmente, as classificações são depositadas na ASSOFT – Associação Portuguesa de Software, reforçando os direitos de autor e a integridade das classificações. Certamente entregam um Selo de Certificação às empresas. E que mais? Sim. As empresas, ao fazerem a adesão, recebem um conjunto de recursos que lhes permitem comunicar e partilhar esta distinção com os seus públicos e assim gerar as mais-valias subjacentes. Desde logo, selos Top 5% Melhores PME de Portugal, personalizados com o NIF e designação da empresa. As empresas podem usá-los na assinatura de email, site, redes sociais, estacionário, viaturas, entre outros. Um certificado comprovativo da classificação atribuída, subscrito por docentes universitários doutorados em gestão, acompanhado de relatório financeiro explicativo. Página própria e personalizada em toppme.pt (plataforma digital para divulgação das empresas certificadas), incluindo testemunho com foto para quem o pretenda. E, finalmente, ações de divulgação das empresas certificadas, em diversos meios de comunicação especializados na área de economia e empresas. Quais as mais-valias desta certificação? Num mercado em que cada vez mais a conquista e manutenção de clientes está assente em pequenos detalhes, a afirmação da idoneidade da empresa e do reforço da reputação da

marca no mercado que esta certificação representa, geram confiança nos clientes e assim potencial para ter um impacto positivo nas vendas. Também os colaboradores se sentem mais motivados: o orgulho de pertencerem a uma equipa ganhadora e a uma empresa estável. Em particular, aqueles que participam mais ativamente nas vendas e fidelização, têm ao dispor mais uma “ferramenta” de trabalho e comunicação para atingirem os seus objetivos. Como é que as empresas podem ser certificadas? É complicado? Muito simples. É um processo em três passos. Como já dispomos dos dados financeiros disponíveis na IES, não solicitaremos nenhuma informação ou documentação. O que é necessário? 1- Preenchimento do formulário de elegibilidade/adesão, disponível no site da SCORING (scoring.pt); 2- Se a empresa apresentar sustentabilidade financeira “Excelente”, recebe e-mail com essa informação, acompanhado de orçamento de adesão (sem qualquer compromisso de fidelização); 3- No prazo de três dias úteis após confirmação da adesão, a empresa recebe o certificado, o selo e os outros recursos de comunicação para fazer a divulgação (sem limite temporal de utilização). ▪

Uma palavra final para as empresas que ainda possam estar indecisas? Tal como fomos dizendo ao longo desta entrevista, afirmar a sustentabilidade financeira, reforça a reputação da empresa, e isso gera confiança em clientes e colaboradores, com potencial para aumentar as vendas e a produtividade. Comunicar uma certificação financeira SCORING é uma excelente forma de o fazer: é simples, é factual, independente e com garantias de rigor.

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PONTOS DE VISTA SUSTENTABILIDADE E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

VGP

Aposta na Sustentabilidade, Tecnologia e Eficiência Energética A Sustentabilidade está, cada vez mais, na ordem do dia. Neste sentido, entre outros assuntos, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Miguel Figueiredo, Diretor Comercial para Portugal da VGP Construção Industrial Unipessoal Lda, que nos deu a conhecer os desafios e a forma de atuação que a marca aporta no que concerne às questões relacionadas com a sustentabilidade, a eficiência energética e a responsabilidade com o planeta.

C

omo promotor pan-europeu, proprietário e gestor de propriedades logísticas e semi-industriais de alta qualidade, a VGP concentra-se no desenvolvimento de grandes parques industriais e logísticos com múltiplos inquilinos. Com atividade em 12 países europeus, como pode descrever o crescimento da marca em Portugal? Portugal é um país estratégico para a VGP. Os fundamentos da economia são fortes - ostentando uma mão-de-obra qualificada e de língua inglesa no meio de sistemas políticos e sociais bem ancorados. Além disso, a economia está no bom caminho para uma forte recuperação após a pandemia, como se pode ver em dados concretos sobre o volume de negócios da produção industrial e vendas a retalho que refletem a procura reprimida dos consumidores portugueses. Entrámos em Portugal em 2019 e temos atualmente três projetos em curso. Um em Santa Maria da Feira, no Porto, com 30.000 m2 totalmente arrendados à Rádio Popular. Adquirimos um terreno em Sintra, Lisboa, e temos uma linha de visão sobre outro projeto na região de Lisboa. A nossa ambição é que estes projetos sejam totalmente arrendados nos próximos meses e estamos a procurar ativamente oportunidades adicionais. A VGP procura criar valor e ser um parceiro de confiança para os seus clientes e para as comunidades em que opera. Então, é possível dizer que investir na inovação tem sido uma das principais prioridades da empresa? É sempre possível e constante a possibilidade de inovar nesta área? Como? Procuramos otimizar continuamente os nossos edifícios de acordo com as exigências do mercado e com as últimas inovações tecnológicas. A eficiência energética e a sustentabilida-

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MIGUEL FIGUEIREDO

de estão entre as nossas principais prioridades. Sabemos que é possível construir, desenvolver, renovar e transformar as propriedades logísticas de uma forma sustentável e tecnologicamente avançada. Isto é benéfico tanto para o ambiente como para o bem-estar das pessoas que trabalham nas nossas instalações.   Aplicamos um padrão de construção de alta qualidade e certificado para criar valor sustentável para os acionistas, inquilinos e comunidades locais e para assegurar uma utilização mais eficiente dos recursos naturais ou da energia.  Os elementos de conceção e gestão de edifícios tipicamente aplicados incluem: - Utilização de materiais altamente qualificados e certificados de acordo com a norma ISO 14001 - Utilização sustentável de materiais, incluindo

a reciclagem de grânulos de entulho - Utilização de betão pré-fabricado de qualidade altamente durável - Iluminação LED dentro e fora - Instalação de painéis solares, sempre que possível - Telhados e fachadas verdes, a pedido do cliente  - Instalações de arrefecimento energeticamente eficientes, quando necessário - Instalações com baixo nível de ruído devido a fatores ambientais - Instalações sanitárias de poupança de água - Gestão eficaz dos resíduos para promover a reciclagem - Gestão sustentável da água (chuva) e paisagismo do sítio


PONTOS DE VISTA SUSTENTABILIDADE E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

- Instalação de refrigeração/congelamento com sistemas de deteção de fugas e válvulas automáticas in-block, se aplicável - Portas e câmaras de ar eficientes do ponto de vista energético para as docas de carga e descarga - Instalações de carregamento de carros elétricos e camiões adaptadas às necessidades do cliente - Rotas de tráfego logístico através do parque e no interior dos edifícios concebidas para otimizar o transporte e o tratamento do tráfego de mercadorias - Sistema central de monitorização, controlo, regulação e otimização de energia, adaptado às necessidades do cliente - Gestão e reciclagem de resíduos Estamos também a investigar edifícios neutros em termos de CO2 e estamos a realizar dois projetos-piloto para o efeito na Alemanha. Como descreveria a importância que os parques industriais e logísticos têm tido para o universo empresarial? Considera que hoje em dia eles são reconhecidos como essenciais? Devido à situação da COVID-19, vimos uma importância crescente de uma gestão eficiente da cadeia de abastecimento, com a necessidade de as empresas investirem em novos armazéns com novas tecnologias em automação e robótica. Ao mesmo tempo, a tendência existente para o crescimento do comércio eletrónico recebeu um impulso extra ao alterar o comportamento dos consumidores. Vemos também a indústria automóvel a investir em novas plataformas industriais, dada a evolução para a e-mobilidade. Para além do universo empresarial, estes Par-

ques também desempenharam um papel de liderança em termos de sustentabilidade para o ambiente. Quão relevante é a preocupação com as questões ambientais nesta área? Para além da tecnologia de ponta, a sustentabilidade e a eficiência energética são parâmetros-chave para as propriedades comerciais desenvolvidas pela VGP. A empresa está empenhada em tornar-se neutra em carbono até 2025 para as suas próprias operações e, além disso, está ativamente empenhada no campo da certificação BREEAM (Building Research Establishment’s Environmental Assessment Method) e na geração de energia verde para a sua carteira de edifícios. Como resultado, 35% da carteira já foi certificada e a capacidade de produção de energia verde da divisão de Energia Renovável da VGP foi aumentada para 62 MWp, com mais 71 MWp no gasoduto. A nossa unidade de negócio separada “VGP Renewable Energy” oferece uma vasta gama de soluções de energia renovável, incluindo solar, eólica e térmica, bem como integradores para armazenamento e distribuição. Oferecemos energia verde através de sistemas montados em telhado fotovoltaico ou em terra fotovoltaica e providenciamos a instalação e gestão de baterias. Além disso, ajudamos os nossos inquilinos a identificar a otimização da utilização de energia verde através do controlo de energia em processos industriais e de produção para maximizar o potencial de consumo fotovoltaico/eólico. Para além da nossa oferta de energia verde, apoiamos os nossos clientes na sua transição para uma frota verde (empilhadora) de camiões e automóveis, fornecendo estações de carregamento de carros elétricos e camiões. Estamos ainda a aumentar o número de pro-

jetos de construção em terrenos industriais abandonados para a reutilização de terrenos industriais e integramos áreas verdes nos nossos parques para promover a biodiversidade. Em 2019, foi criada a Fundação VGP cuja missão é encorajar a conservação da natureza, ter impacto nas comunidades locais através de projetos sociais e conservar e proteger o património cultural da Europa. A Fundação VGP identificou os primeiros 29 projetos a serem apoiados e foi dotada até à data com sete milhões de euros pela VGP. De uma perspetiva VGP, o foco no design sustentável eleva a sua área a um nível de desempenho crucial para o sucesso organizacional? Como prevê os próximos anos? Sim. Esperamos uma importância crescente dos padrões de construção sustentável com edifícios mais circulares/edifícios neutros em carbono e um importante crescimento da e-mobilidade (automóveis e carrinhas/ camiões). ▪

Para a marca, que pilares fazem parte do círculo de compromissos e objetivos a médio e longo prazo em Portugal? Que novidades se podem confiar? A VGP tem uma clara ambição de trazer para o mercado português os melhores locais, os melhores padrões, e os edifícios mais sustentáveis. Não nos esforçamos por ser os maiores, mas pretendemos ser os melhores dentro deste setor.

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PONTOS DE VISTA ALENTEJO – SUSTENTABILIDADE E CRESCIMENTO

“A Sustentabilidade é um caminho que nunca termina” Apolónia Rodrigues, Presidente do Dark Sky® Alqueva afirma que este “não é apenas um destino de astro turismo, mas sim um conceito e marca destino assentes num modelo integrado de desenvolvimento sustentável que foi desenvolvido e aprimorado desde 98”. Saiba de que forma, o mesmo, tem impulsionado o Alentejo no seu crescimento e reputação ao longo dos tempos.

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urante esta última semana de setembro foram divulgados os International Travel Awards 2021 e o Dark Sky® conquistou mais dois prémios. Enquanto Presidente do mesmo, como nos pode descrever a evolução e os valores desta marca que têm contribuído para a sua distinção ano após ano? Em primeiro lugar está sem dúvida a estratégia que foi criada em 2007 e melhorada ao longos dos tempos, sem contudo perder o seu foco na sustentabilidade e na qualidade. A falta de apoios que este projeto teve desde o seu início ditaram atrasos em algumas componentes importantes como a regular implementação do ETIS, Sistema Europeu de Indicadores de Sustentabilidade, que ajudariam a perceber com mais precisão algumas mudanças comportamentais, mas com mais trabalho e outras técnicas foi possível ir colmatando estes percalços. O modelo que implementei no Dark sky® Alqueva nasceu em 1998 com o projeto Learning Sustainability e desde esse momento foi sendo aprimorado. A sustentabilidade é um caminho que nunca termina e por isso a metodologia a implementar num destino tem de estar assente numa estratégia de longo prazo, mas flexível o suficiente para incorporar melhorias, mudanças, ou adaptações decorrentes de mais ou menos apoio ao seu desenvolvimento. Mas isto tudo sem alterar a base em que o projeto foi desenvolvido e pensado, os elementos que o tornam robusto, coerente e alinhado com aquilo que foi idealizado a longo prazo. Sempre trabalhei o desafio das tendências futuras da procura porque é o que nos permite preparar o destino antecipadamente, mas naturalmente o meu foco não passa por qualquer produto turístico, mas sim aqueles que contribuem para o desenvolvimento sustentável do destino. Algo que seja bom para os residentes e para quem nos visita. O Dark Sky® Alqueva nasceu com estas bases e pressupostos enquanto projeto e evoluiu para uma marca destino a par do crescimento da reputação, que se foi consolidando e recolhendo reconhecimentos a nível internacional, com mais notoriedade desde 2019. Estes prémios exigem cada vez mais de nós pois geram no consumidor grandes expetativas. É com esse pensamento

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seja noturnas pois é o nosso foco, mas também diurnas, dado que a Rede de Parceiros Dark Sky® Alqueva oferece atividades diurnas e noturnas. E no que respeita o Observatório Oficial Dark Sky® Alqueva, demonstra que as atividades específicas desenvolvidas e criadas por nós respondem aos mais latos padrões de qualidade, seja no atendimento, seja na experiência turística. E especialmente no nosso caso, ainda acrescentamos dois pontos fundamentais: a mensagem Dark Sky® onde mostramos que é possível conjugar o objetivo de proteção do céu noturno com a melhoria da qualidade de vida dos residentes e a importância do desenvolvimento sustentável para o turista e para os residentes.

APOLÓNIA RODRIGUES

que olhamos para estes reconhecimentos e isso ajuda-nos a que do outro lado, de quem atribui, sintam que fazemos por merecer e nos esforçamos verdadeiramente por melhorar a nossa performance. É preciso muito trabalho para chegar ao nível do reconhecimento, mas garantir que continuamos a merecer esses reconhecimentos é uma tarefa ainda mais árdua. Mas esses reconhecimentos são uma ferramenta de divulgação e que atribuem mais segurança aos consumidores quando estão na fase de escolha e têm de decidir qual o destino a visitar. No que diz respeito aos dois mais recentes prémios, o Dark Sky® Alqueva recebeu o troféu de Europe’s Best Tourism Destination 2021, enquanto que o seu Observatório Oficial Dark Sky® Alqueva, localizado na Aldeia da Cumeada, em Reguengos de Monsaraz, recebe o troféu de Europe’s Best Tourism Attraction 2021. De forma estes reconhecimentos contribuem para fortalecer a marca? Estes dois reconhecimentos permitem garantir ao consumidor que irá encontrar neste território um destino preparado para o receber e que proporciona experiências de grande qualidade,

O progresso e reconhecimento constante do Dark Sky® pretende também, com todo o seu sucesso, contribuir para fortificar o território onde está inserido no Alentejo. Hoje podemos afirmar com total certeza de que esta região se tem desenvolvido e crescido muito mais pela cooperação com o Dark Sky®? Sim, sem dúvida. O crescimento da reputação do destino, a par do seu reconhecimento é um ativo que valoriza o território por inteiro, e isto inclui quem não pertence à Rede de Parceiros Dark Sky® Alqueva. O trabalho que temos vindo a desenvolver desde 2007 permite a cooperação e integração de atores locais, organizações públicas e privadas e empresas num ambiente que valorize a sustentabilidade e qualidade do destino pois este destino é sem dúvida um sistema dinâmico que, para nós, envolve o território e o céu envolvente, a atmosfera que está acima das nossas cabeças e faz parte do nosso destino. A criação da Rede de Parceiros Dark Sky® Alqueva contribui para esse desenvolvimento, mas acima de tudo para sensibilizar e consciencializar as organizações e empresas que não basta criar um produto, fazer ações, projetos e esperar que venham os resultados. É preciso que a cooperação seja criada e trabalho sob um código de ética e responsabilidade, que os seus membros estejam nela para a beneficiar e não apenas para se beneficiarem autonomamente e acima de tudo que valorizem o trabalho associado ao Dark Sky® Alqueva, seja pela sustentabilidade como pela qualidade inerente a tudo o que é feito e promovido dentro deste conceito Dark Sky®.


PONTOS DE VISTA ALENTEJO – SUSTENTABILIDADE E CRESCIMENTO

Certo é, o ano de 2020 já tinha mostrado a importância dos destinos rurais e de natureza, cuja base de trabalho assenta na sustentabilidade, diferenciação e inovação. Considera que durante 2021 essa tendência saiu reforçada? Acredita que hoje, temas como a sustentabilidade e a natureza, são olhados enquanto prioritários? Porquê? Sim, sem dúvida que esta tendência saiu reforçada e deve ser usada para melhorar os destinos em vez de se tornar mais uma moda em que se tenta que tudo seja marcado como sustentável, banalizando e enviesando o conceito. Ao nível dos destinos existem produtos que podem ser mais sustentáveis que outros e devemos apostar nesses, mas isso não impede ou obriga a que os outros produtos sejam abandonados. Terão de se fazer escolhas bem fundamentadas e não apenas alicerçadas no benefício imediato ou de curto prazo, mas no benefício de longo prazo. Esta aposta na maior parte das vezes pode não trazer benefícios imediatos e visíveis, mas demonstrar o seu benefício a médio prazo, como aconteceu no nosso caso, pois tratava-se da preparação de um destino para uma procura futura. No entanto e aquilo que não foi entendido a nível local e regional são os benefícios de curto prazo que estes projetos proporcionam para os destinos e que na verdade contribuem fortemente para a sua sustentabilidade e melhoria de vida dos residentes. Os turistas procuram espaço e natureza, as emoções do reencontro com a mesma, a ruralidade, o silêncio, a beleza sem pressão, a liberdade, um misto entre aquilo que sentem, que precisam de sentir e aquilo que “veem”. Mas do nosso lado enquanto planeadores e gestores de

destino, temos de olhar para o território e perceber que estas tendências estão associadas a uma forma de gerir, planear e desenvolver que tem obrigatoriamente de valorizar o equilíbrio entre desenvolvimento e aquilo que é procurado, valorizado e responde aos desejos de turistas e comunidade. E aqui entra a vocação do território, a sua capacidade de carga, a valorização dos recursos endógenos, a diferenciação e acima de tudo a capacidade de ver mais longe e de perceber o conceito de sustentabilidade, a sua essência e a sua filosofia. ▪

De que forma o Dark Sky® Alqueva contribui para a sustentabilidade da região e a diferencia das demais? O Dark Sky® não é apenas um destino de astro turismo, mas sim um conceito e marca destino assentes num modelo integrado de desenvolvimento sustentável que foi desenvolvido e aprimorado desde 98, com base na prática diária associada à criação e gestão de destinos, na evolução da sociedade, mas também do pensamento científico. A proteção do céu noturno surge como o elemento agregador e capaz de representar a estratégia de sustentabilidade pensada e desenvolvida para este território, pois é necessário ter uma linha condutora que integra todos os elementos. O Dark Sky® Alqueva centra-se assim nos pilares da sustentabilidade e, dentro das suas capacidades, implementa o que está ao seu alcance e tem consciencializado para o que falta fazer e que sai fora das suas competências. E aqui entra a vocação do destino face à visão de longo prazo. No nosso entender, o recurso que mais potencia os restantes recursos endógenos e proporciona grandes mais valias ao nível da sustentabilidade é sem dúvida o céu noturno protegido desenvolvido sob o conceito Dark Sky®.

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PONTOS DE VISTA 33° ANIVERSÁRIO

Celebrar os

33 anos

de Safetykleen Originalmente americana, a Safetykleen celebra este ano o seu 33° aniversário. O Diretor Geral, António Pedro Pinheiro, deu-nos a conhecer a evolução da prestigiada empresa que comanda, bem como alguns desafios com a qual se viu obrigado a lidar perante a pandemia da Covid-19.

A

ANTÓNIO PEDRO PINHEIRO

“A SOLUÇÃO QUE A SAFETYKLEEN APRESENTA NO MERCADO TEM COMO PRINCIPAL OBJETIVO “MANTENHA-SE FOCADO NO SEU NEGÓCIO”, NÓS CUIDAMOS DA LIMPEZA TÉCNICA DE PEÇAS, SEMPRE COM O COMPROMISSO DUM PLANETA MAIS SEGURO E MAIS LIMPO”

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Safetykleen opera em 11 países europeus, além do Brasil, China e Turquia e presta serviços de soluções para limpeza de peças e suporte ambiental a uma grande variedade de clientes de diferentes setores. A celebrar 33 anos de história, como nos pode descrever a evolução da marca no setor e, particularmente no mercado português? A Safetykleen tem na sua génese, uma empresa de origem americana, que no distante ano de 97 vendeu a sua atividade na Europa dando origem à Safetykleen Europe, que opera primordialmente no mercado europeu, mas também no Brasil, China e na Turquia da qual sou também presidente. Portugal é um dos países referencia onde operamos, e pretendemos continuar a investir. As soluções de limpeza de peças da Safetykleen combinam experiência com equipamentos de última geração. Como nos pode descrever mais aprofundadamente estes serviços e soluções? A solução que a Safetykleen apresenta no mercado tem como principal objetivo “mantenha-se focado no seu negócio”, nós cuidamos da limpeza técnica de peças, sempre com o compromisso dum planeta mais seguro e mais limpo. A prestação de serviço Safetykleen tem quatro pilares determinantes: o Equipamento, que colocamos sem necessidade de investimento por parte do cliente, a Solução Química de limpeza, que anos de experiência e parcerias com as maiores indústrias do setor, nos per-

mitem oferecer a mais ampla gama de soluções adaptadas a diferentes áreas da atividade industrial e automóvel, um Serviço, organizado e estruturado mas flexível para cumprir com total transparência com as necessidades contratadas com os nossos clientes, e a conformidade e sustentabilidade, rigoroso cumprimento das obrigatoriedades legais e ambientais. Desde a sua criação, a empresa sempre procurou inovar as soluções que disponibiliza podendo, assim, distinguir-se no mercado. Considera que é exatamente a questão da inovação e da tecnologia que tornou a Safetykleen líder mundial no fornecimento de serviços de lavagem de peças? Em que medida? É verdade que um longo percurso existe deste a primeira solução de limpeza de pequenas peças automóveis em circuito fechado de base solvente, para a limpeza técnica de micropeças ou enormes componentes das indústrias aeronáuticas ou ótica, mas o fator determinante é sempre a qualidade da solução de limpeza, adequada à utilização e condições específicas de cada cliente, por forma a garantir otimização de processos, ganhos de produtividade, redução de custos, entre outros. A máquina é somente um veículo que incorpora uma solução global, mas é no conhecimento técnico e no serviço pós-venda que reside o verdadeiro processo de inovação contínua. Além disso, a marca assume um forte


PONTOS DE VISTA 33° ANIVERSÁRIO

compromisso na redução do impacto ambiental. Neste sentido, que novos sistemas e iniciativas foram aplicadas no dia a dia da mesma? Sempre que um equipamento com serviço Safetykleen é colocado no mercado ao serviço de uma atividade económica, é sempre mais uma situação onde o risco ambiental fica reduzido de forma significativa. Porque todas as nossas máquinas funcionam em circuito fechado, fazemos o levantamento do resíduo por elas produzido e encaminhados para reciclagem ou tratamento nas melhores unidades do país, sempre em cumprimento escrupuloso com a lei. Por outro lado, desenvolvemos há alguns anos Serviços de Assessoria Ambiental, que nos permitem suprir necessidades constantes dos nossos clientes na área ambiental, ajudando a formar, avaliar e cumprir com requisitos legais na área ambiental.

"TEMOS EM PORTUGAL UMA EQUIPA FANTÁSTICA, QUE CONFIOU SEMPRE NA GESTÃO E ACUDIU SEMPRE QUE POSSÍVEL ÀS NECESSIDADES DE CADA CLIENTE. FOI AÍ QUE SAÍMOS MAIS FORTES, COM EQUIPAS UNIDAS, FOCADAS E RESILIENTES"

É legítimo afirmar que estes 33 anos de experiência, combinados com uma diversidade de clientes a nível internacional, permite à Safetykleen responder dos mais simples aos mais complexos desafios e requisitos exigidos nas diferentes áreas de negócio? Podemos orgulhar-nos de sermos parceiros de algumas das indústrias de referência europeia. Esse conhecimento permite-nos crescer nas geografias onde ambos temos atividade económica. Como Portugueses e Europeus podemos estar contentes, por estarmos na vanguarda do crescimento ambientalmente sustentável, é talvez o mercado mais exigente em termos ambientais, o que origina custos e obriga a reengenharia constante de clientes e fornecedor para manter a competitividade. Assim, crescendo com os melhores e num mercado de referência, deixa-nos muito bem preparados para avançarmos noutras áreas do globo. A pandemia que vivemos impactou negativamente vários setores de atividade. De que forma a Safetykleen ultrapassou a crise pandémica e contribuiu para um setor forte e resiliente? A Sefetykleen respira com a economia, e como tal também foi “contaminada” pelo vírus que mudou o mundo. Tivemos redução de atividade, recorremos a lay-off, renegociamos contratos e tomamos medidas de cariz particular face a pandemia. Temos em Portugal uma equipa fantástica, que confiou sempre na gestão e acudiu sempre que possível às necessidades de cada cliente. Foi aí que saímos mais fortes, com equipas unidas, focadas e resilientes. O futuro? Os efeitos do Covid ainda estão a chegar, mas já se começam a fazer sentir: escalada de preços, escassez de alguns recursos, aumento de preços, inflação entre outros. Mas se pensarmos que conseguimos garantir todos os postos de trabalho, parece-nos um dado muito positivo. Qual é o papel que a Safetykleen poderá as-

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PONTOS DE VISTA 33° ANIVERSÁRIO

sumir no mercado em Portugal atualmente, de forma a contribuir para o fortalecimento da recuperação económica do país? Estamos agora a contratar mais profissionais e esperamos investir de forma significativa nos próximos anos, em pessoas como em ativos, penso ser uma boa forma de ajudar e contribuir para a economia Nacional. Após ter alcançado a liderança no seu setor em todos os países onde atua, quais diria que são agora as próximas metas e desafios da marca a médio e longo prazo? Diria que temos de olhar para o crescimento orgânico dos países onde estamos presentes, e inorgânico nos países onde não estamos, mas pretendemos estar. Existe, no entanto, um dado determinante, nos países onde somos líderes, mais de 70% do mercado potencial continua por explorar, é aí que devemos focar atividade no curto prazo. ▪

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33° ANIVERSÁRIO

A TERMINAR, GOSTARIA DE DEIXAR UMA MENSAGEM AOS LEITORES E CLIENTES DA SAFETYKLEEN, DE FORMA A CELEBRAR ESTE 33° ANIVERSÁRIO? Muitos deles são seguramente nossos clientes, aproveito para lhes agradecer a confiança. Todos aqueles que já ouviram falar de nós, mas não nos conhecem, liguem-nos, perguntem-nos como e o que fazemos, seguramente podemos construir um Planeta mais limpo e seguro.



PONTOS DE VISTA CLIMEX CMS +

CLIMEX INTELLIGENT CLEANING CMS+, SMART ANALYTICS & SUSTENTABILIDADE SMART ANALYTICS LIMPEZA E DESINFEÇÃO DE PONTOS DE CONTATO

Sem dúvida que existe neste regresso ao trabalho presencial a necessidade de um foco maior nas atividades de limpeza e higiene.

S ão precisas formas de assegurar a segurança e o bem-estar de todos os utilizadores de qualquer espaço público. Em particular, assegurar a limpeza e desinfeção de pontos de contato frequente.

A aplicação da Climex CMS +, permite que sejam identificadas as frequências de limpeza e desinfeção de pontos de contato executadas pelo técnico de limpeza.

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QUALIDADE DO AR INTERIOR

DESINFEÇÃO 360°

A pandemia evidenciou a importância da qualidade do ar que respiramos em espaços fechados e tornou-se um dos aspetos críticos quando se deseja implementar soluções de limpeza e higiene a transmissão e disseminação de vários vírus.

R emover todas as partículas macro ou micro que possam entrar em suspensão.

A solução Climex de desinfeção robótica por UV-C 360° é complementada pelo uso de sensores que registam a eficácia da radiação produzida e consequentemente desinfeção executada. Fica a garantia de que todas as superfícies e o ar contido no espaço, ficam livres de qualquer fonte de contaminação microbiológica.


PONTOS DE VISTA CLIMEX CMS +

WORKING SMARTER

SUSTENTABILIDADE Na climex, acompanhamos permanentemente os mais modernos avanços tecnológicos, cocriando soluções inovadoras com os nossos clientes e colocando-as ao seu serviço, com excelentes resultados de mútuo benefício e sempre com uma visão de sustentabilidade.

A complexidade e quantidade de tarefas de limpeza e de higienização que os técnicos de limpeza executam não tem comparação com o que acontecia até há alguns anos atrás.

A Hoje é critico o como, o com e o quê, quando se quer abordar o tema da limpeza e higienização.

P ara os ambientes industriais em que existe necessidade de criar ecossistemas robóticos de shopfloor automation, em que a produção, picking & delivery estão integrados. As soluções e equipamentos robóticos Climex integram-se nesse ecossistema automatizando as tarefas repetitivas, e criam um elevado nível de standardização, de qualidade e de segurança.

Com a aplicação Climex CMS + toda a informação que é necessária à realização do serviço, e toda a informação resultante, está centralizada num único ponto de acesso quer por parte de quem executa o serviço, mas também para o cliente final.

A As soluções Climex CMS + respondem aos desafios de sustentabilidade. A gestão racional do uso dos recursos humanos, químicos e mecânicos, a diminuição do uso dos recursos não renováveis, uma gestão racional da energia, melhoria da capacidade de autonomia dos técnicos de limpeza, e maior inclusão social, são exemplos de como o Climex Intelligent Cleaning com smart analytics e a Robótica lideram os caminhos da sustentabilidade na prestação de serviços de limpeza.

Para saber como pode desenvolver e implementar um programa de limpeza e desinfeção, desenhado para proteger os utilizadores das suas instalações, fale connosco, podemos ajudá-lo!

Juntos podemos criar hoje o futuro de amanhã. O momento é agora. https://pt.linkedin.com/company/climex--controle-de-ambiente-sa https://pt-pt.facebook.com/climex.SA

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PONTOS DE VISTA SETOR DO VINHO E BIODIVERSIDADE

Por uma Região mais Unida e Sustentável

Situada em Figueira de Castelo Rodrigo, a Quinta da Extrema - pertencente às Colinas do Douro, Sociedade Agrícola - integra a propriedade do Parque Natural do Douro Internacional, que tem enorme riqueza cinegética e relevância imensa para a região. Diogo Mexia de Almeida, Diretor Geral desta marca, assume que a mesma, sendo focada na criação de valor através da produção de uvas e vinhos de elevada qualidade, promove ainda a biodiversidade local, cujo valor pretende ser honrado e cada vez mais valorizado. Saiba de que forma.

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iogo Mexia de Almeida, atual Diretor Geral das Colinas do Douro, abraçou este projeto em 2014. O seu conhecimento sobre a região era pouco, mas suficiente para querer, desde logo, dinamizá-la. Para si, à época, a jornada que acaba de iniciar era extremamente desafiante e digna de toda a atenção e ambição. Numa terra com uma

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riqueza imensa de fauna e flora inacreditável, “percebi que além do projeto da vinha, seria redutor não aproveitar aquele ativo, com um capital natural incrível e animais diversos, como morcegos, aves, entre outros, para estimar”, começa por afirmar o próprio. Algo que o levou a percorrer um caminho de sucessivas vitórias, passando da produção de 80 mil garrafas, para

quase 800 mil, num espaço de sete anos de história. As quatro quintas (pertences à Extrema), têm as suas encostas predominantemente viradas para norte e são fustigadas por invernos rigorosos. Atravessada pela marcante transição geológica Granito/Xisto, que separa o Planalto Beirão e os Primeiros Vales da Bacia Hidrográfica do Rio


PONTOS DE VISTA SETOR DO VINHO E BIODIVERSIDADE

Douro, reúne condições únicas para a produção de vinhos com perfil singular: elegantes, frescos, minerais e com longevidade. A marca Colinas do Douro, respeitando e cimentando a riquíssima biodiversidade local, pretende que os seus vinhos expressem este terroir que a distingue. Em desenvolvimento está ainda o projeto da nova Adega, cujos valores estão orientados para a sustentabilidade, utilizando um equilíbrio entre as necessidades técnicas e a natureza envolvente, garantindo o mínimo de impacto ambiental e a máxima eficiente energética. BIODIVERSIDADE LOCAL O que marca fortemente as Colinas do Douro e a região onde se insere, é o capital natural que se inspira e respira por lá. “Além de desenvolvermos as vinhas, também tentamos criar um equilíbrio e entender o que se pode realizar para manter a produção agroindustrial, respeitando simultaneamente a natureza e sem repercussões para os animais que a sustentam. Após um diagnóstico, rapidamente percebemos que tínhamos em mãos uma “pérola”. Aí começamos logo a fortalecer um plano de ação para promover o desenvolvimento e preservação dessas espécies”, sustenta Diogo Mexia de Almeida, acrescentando ainda que “em primeiro lugar anunciámos que seria proibido caçar. Depois fizemos uma instalação de “casas” para os morcegos ao longo das vinhas para que eles pudessem habitar. Por último criamos também um pombal para que as aves rapinas se alimentassem”. Este projeto abriu horizontes para que o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas propusesse às Colinas do Douro a adesão à Plataforma Europeia Business & Biodiversity, onde se partilham e divulgam projetos como os que a marca defende. “No norte da Europa, valorizam imenso empresas que tenham esta preocupação com a sustentabilidade e com a biodiversidade. Se um dia vierem a esta região quero que entendam o nosso papel na promoção da consciência cívica da nossa pegada ecológica. Além disso, falando da sociedade em geral, gostava muito que, no futuro, tivesse esta consciência também – não podemos ser individualistas”, reconhece o Diretor Geral das Colinas do Douro.

DIOGO MEXIA DE ALMEIDA

PROJETO BIOD’AGRO O projeto BioD’Agro é um dos vencedores da terceira edição do Concurso Promove, lançado pela Fundação “la Caixa” e pelo BPI, em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, para apoiar a dinamização das regiões de fronteira do interior de Portugal, sendo que, será desenvolvido por um consórcio liderado pelo Instituto Superior de Agronomia, em conjunto com a Universidade da Beira Interior, a Spaceway, a Sinergiae Ambiente, as Colinas do Douro, Sociedade Agrícola e o Município de Figueira de Castelo Rodrigo. O principal objetivo da BioD’Agro é dar resposta aos grandes desafios do território, através da criação de um laboratório de inovação numa vinha pertencente às Colinas do Douro. Neste espaço, será desenvolvido um sistema inteligente de alerta e informação que permitirá aos agricultores da região monitorizar, de forma remota, as suas culturas e tomar decisões que incentivem a biodiversida-

de local e a sustentabilidade ambiental sem colocar em causa a produtividade agrícola. “Este projeto vai aproveitar aquilo que nós temos no terreno, nomeadamente no que diz respeito aos morcegos – importa referir que os mesmos são animais benéficos e até necessários da Terra. São muito importantes para o equilíbrio da vida, uma vez que comem toneladas de insetos, o que faz deles animais polinizadores, não só de flores, mas também de frutos e árvores. Assim, irão ter um papel preponderante neste processo. Para mim tem sido muito engraçado comunicar tudo isto. Como envolve tantas empresas, ainda para mais numa região tão inóspita, faz todo o sentido aderir a projetos como o BioD’Agro. Além de pouparmos dinheiro em recursos, somos mais eficientes, muito mais ecológicos e sustentáveis e estamos a contribuir uma vez mais para o aumento da biodiversidade no terreno”, confessa Diogo Mexia de Almeida.

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PONTOS DE VISTA SETOR DO VINHO E BIODIVERSIDADE

PROMOVER A REGIÃO DO DOURO SUPERIOR É UMA PRIORIDADE Que o Douro seja uma região vínica especial pelas inúmeras características que detém não é uma novidade. Mas será que, tendo em conta as suas qualidades, é suficientemente reconhecida? Para Diogo Mexia de Almeida o fator da promoção da região tem de vir muito antes da venda dos seus produtos. “Por exemplo, nos Estados Unidos existe uma estratégia muito eficaz, o que é claramente visível a todos: eles souberam vender muito bem as suas regiões, criando diversas atrações para que os turistas se interessassem em visitar. “Obrigaram” todos os Viticultores as falarem a mesma língua e a trabalharem juntos naquilo que é a sua essência. O que é que se comunica internacionalmente? A região. No Douro isso não acontece e é algo pelo qual tenho vindo a debater regularmente”. Ao fim de sete anos na gestão das Colinas do Douro, existe hoje um reconhecimento frutuoso no mercado. Contudo, esta é uma lacuna que, segundo o nosso entrevistado, precisa de ser colmatada. “É um erro crasso não haver união entre as Autarquias, Produtores, Adegas, Artesanatos… Precisávamos de nos sentar e conversar sobre a melhor solução para colocar o Douro no mapa do mundo pela qualidade dos seus vinhos. Nós temos um ativo que mais ninguém tem. E é uma pena porque, apesar de termos muitos projetos turísticos, é tudo demasiado individual”, garante o Diretor Geral, acrescentando que “não existem apoios estatais, por exemplo, para a reabilitação da estrada de acesso à quinta – e que serve tantas outras explorações e empresas. Fiquei perplexo quando me deparei com aqueles cinco quilómetros de estrada. A sua reconstrução realmente consta nos programas eleitorais, mas as promessas infelizmente não se cumprem”. Este é a grande missão das Colinas do Douro: criar sinergias e atrações diversas nas suas vinhas, para que o valor acrescentado da sua força conjunta ande lado a lado com a qualidade dos produtos da região.

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COLINAS DO DOURO A DESTACAR-SE NO SETOR DOS VINHOS O seu crescimento ao longo dos tempos – e com todos estes projetos a acontecer – tem vindo a ser (cada vez mais) acentuada, quer a nível de produção, como a nível de exportação. No ano de 2020 a marca cresceu 18% e o balanço para este está a ser “agradavelmente positivo, com um aumento de 55%. Tem sito muito motivante para toda a equipa porque temos observado todo o nosso esforço rumar ao destino que tanto ambicionamos. Os nossos vinhos estão a ser muito consumidos e as exportações estão também em crescimento, o que faz com que tudo seja extremamente dinâmico”, reconhece o nosso interlocutor. A pandemia trouxe ao setor novos consumidores a nível mundial e os indicadores assim o registam. “Tem sido realmente um caminho muito interessante e estou otimista com o que poderá vir. Mudamos este ano para a GARCIAS – uma das principais empresas focadas e especializadas na comercialização de vinhos, bebidas espirituosas e também com portefólio alimentar – e passamos de sete vendedores para 65. O que tem feito toda a diferença. Posso concluir que, apesar de ser um projeto desafiante, todos os dias há novidades e tem sido, por isso, muito bom de experienciar”, finaliza Diogo Mexia de Almeida. ▪

“ALÉM DE DESENVOLVERMOS AS VINHAS, TAMBÉM TENTAMOS CRIAR UM EQUILÍBRIO E ENTENDER O QUE SE PODE REALIZAR PARA MANTER A PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL, RESPEITANDO SIMULTANEAMENTE A NATUREZA E SEM REPERCUSSÕES PARA OS ANIMAIS QUE A SUSTENTAM. APÓS UM DIAGNÓSTICO, RAPIDAMENTE PERCEBEMOS QUE TÍNHAMOS EM MÃOS UMA “PÉROLA”


PONTOS DE VISTA DIA MUNDIAL DO CUIDADOR INFORMAL

JORGE GONÇALVES, MEMBRO DA DIREÇÃO DA ANCI - ASSOCIAÇÃO NACIONAL CUIDADORES INFORMAIS

Para quando a Regulamentação do Estatuto do Cuidador Informal... Enquanto se aguarda pacientemente a publicação da regulamentação que tornará extensível a todo o Continente, as medidas de apoio ao Cuidador Informal, validadas em 30 concelhos do projeto piloto concluído em 31 de maio de 2021, está a decorrer o processo de reconhecimento do Cuidador Informal junto do Instituto da Segurança Social, em todo o País.

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egundo o “ponto de situação” de 12/9/2021, foram registados 5.076 pedidos de reconhecimento, dos quais 3.828 são Cuidadores Informais Principais e 1248 são Cuidadores Informais não principais. Deram entrada 2.843 pedidos de subsídio ao Cuidador Informal. De todo este universo de movimentos, foram deferidos 478 casos, o que diz tudo da dificuldade e da burocracia criadas, para quem cuida com afeto e está isolado e limitado para se poder deslocar junto dos balcões de atendimento ou, muitas vezes, até por não ter literacia digital para utilizar o “site” da Segurança Social Direta (há muitos idosos a cuidar). É sabido, segundo estatísticas de há alguns anos, que existem 872.000 Cuidadores Informais em Portugal. No entanto, porque o ISS exige para o reconhecimento, que a pessoa cuidada seja beneficiária de Complemento por Dependência (1º ou 2º grau) ou Subsídio por Terceira Pessoa, o universo de potenciais Cuidadores Informais reduz-se para 142.000. Ou seja, é necessário ir ao detalhe das faltas de resposta locais, para que o País mude o paradigma e informe e abranja toda a população em causa. Tem faltado vontade política para que o Estatuto do Cuidador Informal cumpra o seu desiderato principal multidisciplinar, de encontrar respostas numa base holística, que pretende cruzar a Segurança Social, a Saúde, as leis laborais e mesmo a Educação. Entretanto, os serviços de segurança social e até os estados maiores das forças políticas, confortavelmente instalados nas suas sedes, estão a levar demasiado tempo a compreenderem que o incremento das políticas sociais de combate à pobreza, às desigualda-

des sociais, à degradação inerente ao envelhecimento das populações, só conhecerão um progressivo êxito, quando se dispuserem no terreno e na proximidade. Este fenómeno ficou patente nas recentes eleições autárquicas, com as forças políticas a apostarem à última hora em nomes sonantes, por exemplo do parlamento, sem qualquer aderência local. Claro que a consequência destas delongas de falta de compreensão das abordagens locais, levam à captação do descontentamento das populações, por movimentos inorgânicos e populistas. A divulgação correta do Estatuto do Cuidador Informal, tem sofrido com essas anomalias, a que se poderá acrescer o agravamento da pobreza e falta de assistência a todos os níveis, devido à pandemia. Muitos cidadãos julgam que este Estatuto não passa de um subsídio e, na realidade, o que se pretende é que ele seja um instrumento de dignificação da nobre função do Cuidador Informal, com os imprescindíveis apoios de proximidade. Praticar essa proximidade não é enveredar por um discurso inútil e desmotivador de “vencedores e perdedores”, mas sim, para além do necessário subsídio ao cuidador, criar condições descentralizadas para que o Estatuto do Cuidador Informal cumpra o seu desiderato de este receber capacitação e informação de boas práticas, por parte de profissionais de saúde referenciados na zona de residência, em apoio no domicílio. Para além desse apoio próximo, está também previsto o apoio psicológico ao cuidador, dos serviços de saúde, bem como o descanso do cuidador no domicílio ou recorrendo à rede de cuidados continuados integrados. O Estatuto do Cuidador Informal

também prevê, aguardando-se a respetiva regulamentação, conciliar a prestação de cuidados com a vida profissional, bem como beneficiar do regime de trabalhador-estudante, frequentando o cuidador um estabelecimento de ensino. Há, portanto, um longo caminho a percorrer, mas que precisa que sejam dados os passos adequados no caminho certo, que passa por haver vontade política para o efeito. É essa a tarefa principal da Associação Nacional de Cuidado-

res Informais- Panóplia de Heróis, de contribuir para um País mais justo, solidário e decente. No dia 5 de novembro de 2021, Dia do Cuidador Informal, realizaremos o nosso 3º Encontro de Cuidadores Informais, na cidade de Évora. Será mais uma oportunidade para nos encontrarmos e ouvirmos o tanto que há para dialogar, aliás, na sequência também das nossas iniciativas que organizamos semanalmente, nas nossas “Conversas Informais”. ▪

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PONTOS DE VISTA DIA MUNDIAL DO CUIDADOR INFORMAL

“O TRABALHO DE CUIDADOS NÃO REMUNERADOS DÁ UM IMPORTANTE CONTRIBUTO PARA AS ECONOMIAS DOS PAÍSES, BEM COMO PARA O BEM-ESTAR INDIVIDUAL E DA SOCIEDADE. OS PRESTADORES DE CUIDADOS NÃO REMUNERADOS SATISFAZEM A GRANDE MAIORIA DAS NECESSIDADES DE CUIDADOS EM TODO O MUNDO”

FOTO: DIANA QUINTELA

MARTA GONZALEZ CASAL

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PONTOS DE VISTA DIA MUNDIAL DO CUIDADOR INFORMAL

“Queremos que Teva represente autenticamente as Comunidades em que vivemos e os Pacientes que servimos” Para a Teva, empresa especializada na área da saúde em Portugal, é de extrema importância valorizar e dar reconhecimento aos Cuidados Informais. É precisamente sobre o Dia do Cuidador Informal e outras questões relacionadas com o mesmo que Marta Gonzalez Casal, Diretora Geral da Teva, perspetiva a relevância desta temática para com a comunidade.

Este tema é cada vez mais abordado atualmente, contudo, vários testemunhos comprovam que as respostas a vários desafios continuam a ser insuficientes. Considera que, hoje em dia, o papel do Cuidador Informal ainda é pouco reconhecido na sociedade? Se sim, porque é que isso acontece? O trabalho de cuidados não remunerados dá um importante contributo para as economias dos países, bem como para o bem-estar individual e da sociedade. Os prestadores de cuidados não remu-

FOTO: DIANA QUINTELA

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no próximo dia 5 de novembro que se celebra o Dia Mundial do Cuidador Informal. Neste dia, recordam-se todos aqueles que muitas vezes se esquecem de cuidar de si porque têm outra pessoa de quem cuidar 24 horas por dia, sete dias por semana. Assim, na sua perspetiva, qual é a importância deste dia e de debater temas como este? A maior parte do trabalho de prestação de cuidados em todo o mundo é realizado por prestadores de cuidados não remunerados, na sua maioria mulheres e raparigas de grupos socialmente desfavorecidos. Embora o trabalho de cuidado possa ser gratificante, quando é realizado em excesso e quando envolve um elevado grau de dificuldade, dificulta as oportunidades económicas e o bem-estar dos prestadores de cuidados não remunerados, e prejudica o seu gozo global dos seus direitos humanos. Ter um dia que se concentre nestas pessoas parece-me ser de enorme importância. Uma das principais necessidades expressas por estas pessoas é precisamente a visibilidade do seu trabalho, visibilidade e reconhecimento, pois estão a abdicar de parte das suas expectativas de vida pelo seu trabalho. E é isso que pretendemos fazer dentro das nossas possibilidades, para lhes dar visibilidade e reconhecimento pelo grande trabalho humano que fazem. O apoio institucional é ainda insuficiente e, embora os cuidadores profissionais sejam uma ajuda fundamental, há falta de recursos para facilitar a situação destas famílias porque, atualmente, não há ninguém que cuide suficientemente do cuidador.

nerados satisfazem a grande maioria das necessidades de cuidados em todo o mundo. No entanto, o seu trabalho de cuidados não remunerados permanece em grande parte invisível e não reconhecido, e não é tido em conta na tomada de decisões. Estimativas baseadas em dados de inquéritos sobre o uso do tempo provenientes de 64 países (representando 66,9% da população mundial em idade ativa) mostram que 16,4 mil milhões de horas são gastas todos os dias em trabalho não remunerado de assistência. Isto corresponde a dois mil milhões de pessoas que trabalham oito horas por dia sem remuneração. Se estes serviços fossem avaliados com base num salário mínimo, representariam 9% do PIB global, o que corresponde a 11 triliões de dólares americanos (correspondente à paridade do poder de compra em 2011). A maior parte do trabalho de cuidados não remunerados consiste em tarefas domésticas (81,8%), seguida por cuidados pessoais diretos (13,0%) e trabalho voluntário (5,2%).

“CUIDAR DA COMUNIDADE ONDE ESTAMOS PRESENTES COMO EMPRESA É TAMBÉM CUIDAR DE QUEM SE PREOCUPA. E ESTES SÃO OS CUIDADORES. SER UM CUIDADOR É UM TRABALHO, E É UM TRABALHO QUE RESULTA EM COMPETÊNCIAS INESTIMÁVEIS” NOVEMBRO 2021 | 63


Para melhor entender, na sua perspetiva, que mudanças deveriam ser incutidas para melhorar a vida dos Cuidadores Informais? É do interesse de todos assegurar boas condições para a prestação de cuidados de saúde, tanto sob a forma remunerada como não remunerada. Políticas transformadoras e trabalho de cuidados decentes são fundamentais para assegurar um futuro de trabalho que seja sustentado pela justiça social e promova a igualdade de género para todos. A sua implementação exigirá uma duplicação do investimento na economia dos cuidados, o que poderá conduzir a um total de 475 milhões de empregos até 2030, ou seja, 269 milhões de novos empregos. A pandemia da Covid-19 viu duplicar o número de prestadores de cuidados não remunerados, e as tendências demográficas em mutação mostram que o número muito provavelmente continuará a crescer devido ao aumento dos custos dos cuidados de saúde, ao envelhecimento da população e aos casais que atrasam a criação dos filhos (fazendo com que as pessoas na faixa dos 20 e 30 anos assumam o papel de prestadores de cuidados). A menos que estas necessidades adicionais de cuidados sejam satisfeitas por políticas de cuidados adequadas, esta procura adicional de trabalho, é provável que continue a limitar a participação das mulheres na força de trabalho, impondo um fardo adicional às mulheres. Podemos afirmar que a missão da Teva é muito mais do que ser líder global em medicamentos genéricos e medicamentos biológicos, melhorando a vida dos doentes em todo mundo, é também apelar ao sentido de consciencialização de vários temas, como por exemplo, para a importância do Cuidador Informal? O que tem sido concretizado pela marca neste sentido? Na Teva Portugal estabelecemos que a nossa principal missão como empresa, bem como o foco de toda a nossa comunicação e relacionamento tanto interna como externamente é precisamente apoiar e ajudar os cuidadores em Portugal a serem visíveis, recuperar a sua posição fundamental na nossa sociedade e dar ferramentas para que o seu trabalho não seja o pesado fardo que reconhecem. Isto inclui reconhecer os mais de um milhão de portugueses que são prestadores de cuidados, que fazem o trabalho incansável e quotidiano de prestação de cuidados. Queremos ajudá-los com as suas próprias notícias, incluindo desafios de saúde, uma vez que eles ajudam os seus entes queridos. É por isto que em Portugal desenvolvemos um plano ambicioso para nos tornarmos um parceiro valioso com os prestadores de cuidados e doentes no nosso país. Mas este plano não teria feito sentido se não tivesse sido desenvolvido em colaboração com as principais associações portuguesas de prestadores de cuidados. Tivemos estreitos contactos e numerosas conversas com “Cuidadores”, a maior associação do país. Com eles pudemos identificar as necessidades não satisfeitas deste grupo e trabalhar em conjunto para as satisfazer. E com base neste trabalho conjunto, nesta colaboração, desenvolvemos um plano de ações a levar a cabo para ajudar os doentes, os seus cuidadores e profissionais de saúde, que também cuidam de todos nós, como ficou mais do que demonstrado nestes meses complicados que tivemos de viver. Um plano de ação que inclui o lançamento de uma

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nova plataforma online dentro do nosso website corporativo, onde os prestadores de cuidados podem encontrar informações para o autocuidado tão importantes e reclamadas por eles próprios, ferramentas práticas, informações fiáveis sobre o cuidado de pessoas com condições muito específicas, bem como informações sobre legislação e um inquérito que queremos desenvolver entre os prestadores de cuidados no nosso país para que possam dar visibilidade às suas necessidades e exigências de todos nós para os seus cuidados. Que o cuidado com os prestadores de cuidados, a redundância à parte, que esquecemos em tantas ocasiões. Já registámos seis testemunhos de prestadores de cuidados que creio que terão um grande impacto em tornar visível este papel fundamental na nossa sociedade, bem como os problemas com que eles vivem diariamente. Estes testemunhos estão cheios de emoção, mas também muito realistas para mostrar que se trata de algo que diz respeito a todos nós que somos membros desta sociedade em tempos tão complicados como os que vivemos. Além disso, como parte da nossa ânsia de trabalhar para melhorar a situação dos cuidadores, juntamente com as principais sociedades de cuidadores, participámos ativamente na recente reunião anual da Associação de Cuidadores, um evento que teve lugar no Auditório da Biblioteca Municipal de Almeida Garrett. Um dia com uma participação muito elevada onde poderíamos discutir sobre a situação dos prestadores de cuidados no nosso país, como esta pandemia os afetou ou, mais especificamente, sobre o Estatuto do prestador de cuidados informais, um projeto-piloto que pode ajudar muito a melhorar as condições dos nossos prestadores de cuidados. E agora que a situação pandémica melhorou, acreditamos que o contacto interpessoal é muito importante. Conectar pessoas e diferentes pontos de vista para abordar os problemas dos prestadores de cuidados no nosso país. Por conseguinte, organizámos dois dias de discussão para abordar esta questão. Serão as TEVA TALKS, conferências em que tentamos, precisamente como mencionei anteriormente, ligar estes papéis, tornando o cuidado de pessoas e pacientes muito mais interdisciplinar, muito mais colaborativo. Haverá duas conferências, uma no Porto a 28/10 e a outra em Lisboa a 10/11. Onde teremos a participação de representantes dos cuidadores, claro, da Farmácia, da Enfermagem e das Autoridades. Queremos reunir os principais interessados para debater, sob a moderação de Ana Sofia Cardoso, os pontos de maior preocupação, procurando soluções em conjunto. Porque não podemos continuar a sobrecarregar os prestadores de cuidados sozinhos com a responsabilidade mais importante na nossa sociedade. Esperamos que esta conferência seja um ponto de partida interessante para procurar soluções para estes problemas e, claro, convidamos-vos a segui-los a todos. E, no final do ano, iremos celebrar a primeira edição dos Prémios Humanizar a Saúde. Estes são prémios com os quais queremos, anualmente, dar visibilidade a cinco projetos, programas que são desenvolvidos no nosso país onde a figura dos cuidados é primordial e chave. Estes cinco projetos serão votados e selecionados pelos nossos colaboradores aqui em Portugal e terão uma dotação económica significativa para que possam continuar a desenvolver o seu louvável trabalho de assistência aos doentes e a si próprios. ▪

FOTO: DIANA QUINTELA

PONTOS DE VISTA DIA MUNDIAL DO CUIDADOR INFORMAL

A Teva afirma que “a nossa cultura é sobre não só o que fazemos, mas como o fazemos”. Assim, que relação a marca tem com os Cuidadores Informais e tem, de alguma forma, impulsionado para o seu reconhecimento e valorização? Queremos que Teva represente autenticamente as comunidades em que vivemos e os pacientes que servimos. Mas cuidar da comunidade onde estamos presentes como empresa é também cuidar de quem se preocupa. E estes são os cuidadores. Ser um cuidador é um trabalho, e é um trabalho que resulta em competências inestimáveis. Criar um processo para os prestadores de cuidados não remunerados falarem e obterem crédito pelas competências muito reais que cultivaram neste papel não remunerado pode ser uma vantagem para a sociedade. E porque está principalmente no ADN da nossa empresa. Tanto a nossa missão que desde o estabelecimento da Teva em 1901 em Jerusalém, a nossa liderança tem sido marcada por tenacidade, espírito empreendedor e uma aspiração a melhorar a vida das pessoas, como nos nossos valores, sendo um deles o valor de cuidar: cuidar dos nossos “colaboradores”, cuidar dos nossos pacientes, dos nossos intervenientes. Assim, Teva também se reconhece como um cuidador.



PONTOS DE VISTA DIA MUNDIAL DO CUIDADOR INFORMAL

Unidos para dar Voz aos Cuidadores Informais POR MERCK PORTUGAL

Dar voz aos cuidadores informais, peça insubstituível, mas ainda invisível nos cuidados de saúde, é a grande missão do Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais, uma iniciativa que conta com o apoio da Merck Portugal e que integra já 30 associações.

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uando, em 2019, foi aprovado e publicado em Portugal o Estatuto do Cuidador Informal, muitos dos portugueses que, por força das circunstâncias, por opção ou por inevitabilidade tinham a seu cargo o cuidado de pais, filhos ou outros familiares acreditaram que iriam ver, finalmente, reconhecido o seu papel. O mesmo é dizer, que teriam acesso aos apoios há tanto reclamados. Mas não foi assim. Apesar de um passo importante, o Estatuto continua a ignorar muitas das reais necessidades destes cuidadores, o que motivou a criação do Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais, uma iniciativa que conta com o apoio institucional da Merck. São já 30 as associações de doentes e organizações que integram o Movimento. Um número que tem vindo a aumentar, acompanhando o crescimento do grupo, não só em dimensão, mas sobretudo em força. “O Movimento desem-

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penha já um papel importante”, confirma Pedro Moura, Diretor-Geral da Merck Portugal. “Aquilo que se pretende com esta iniciativa é dar voz aos cuidadores informais e fazer com que essa voz chegue cada vez mais longe, para que, em breve, estes cuidadores possam ter acesso aos apoios de que realmente necessitam”. Quantos são ou quem são os cuidadores informais em Portugal? A pergunta, que durante muito tempo não passou disso mesmo, ganhou resposta com uma das primeiras tarefas do Movimento, que passou pela auscultação da população nacional. E que confirmou que, para a esmagadora maioria (97,5%) dos portugueses inquiridos, não há dúvidas sobre a necessidade de mais apoios para os cuidadores informais, apoios estes que deveriam ser proporcionados pelo Estado. Neste inquérito, realizado em outubro do ano passado, mais de metade dos inquiridos (52%)

revelava conhecer algum cuidador informal, com quase três em cada dez (28,5%) a confirmarem que este papel era ou já tinha sido também seu - 14% eram cuidadores e 14,5% já o tinham sido, dados surpreendentes, sobretudo tendo em conta o que se julgava ser o número de cuidadores informais em Portugal. “A ideia existente, com base em estimativas, era de que o número destes cuidadores no País era muito inferior. Este inquérito veio esclarecer que estamos a falar de uma realidade muito maior do que o esperado. Ou seja, também a tarefa que temos em mãos é superior ao que se supunha”, acrescenta Pedro Moura. Nada que assuste o Movimento que, já este ano, voltou a ouvir a população, mas desta vez aquela a quem o Estatuto do Cuidador Informal diz mais: os próprios cuidadores. E foi através de um novo inquérito que se percebeu que, mais de um ano depois do lançamento do Estatuto,


PONTOS DE VISTA DIA MUNDIAL DO CUIDADOR INFORMAL

cerca de seis em cada dez (59,1%) cuidadores informais desconheciam a sua existência. E, dos 40% dos inquiridos que de facto eram conhecedores do documento, a maioria (77,2%) considerou-o incompleto. FALTA DE PREPARAÇÃO, FALTA DE AJUDA, FALTA DE APOIO Ao todo, 22,1% dos cuidadores informais definem o documento como pouco abrangente, criticando o acesso aos apoios nele definidos, que consideram muito burocrático e limitado (21,3%), apoios esses que são ainda, para 20,1%, considerados insuficientes. A falta de regulamentação e apoio na carreira profissional e contributiva do cuidador (13,3%) e a falta de apoio financeiro (9,8%) são outros dos aspetos que merecem destaque. O estudo permitiu também conhecer melhor os cuidadores informais, revelando que a maioria cuida da mãe ou do pai (51,4%), do cônjuge (18%) ou dos filhos (12,7%), sendo as principais limitações ou doenças que justificam a necessidade de cuidados as relacionadas com o foro mental e psíquico: doença de Alzheimer/Demência (32,6%), AVC (12,4%) e diabetes (6,4%). E confirma que a maioria (56,8%) destas pessoas não se encontrava preparada para assumir o papel de cuidador, que traz consigo vários desafios: falta de apoio emocional/psicológico (64,6%), de apoios relacionados com Estado (59,1%), de apoios financeiros (51,8%), entre outros. São, por isso, muitos (41,2%) os que salientam a necessidade de receber formação específica em algum aspeto do processo de cuidar. Sobre as respostas sociais e os serviços à sua disposição, 81,3% consideram-nos insuficientes, realçando a necessidade de auxílio na prestação de cuidados (46,9%), apoio financeiro (39,6%) e apoio psicológico (13,5%). O que justifica também que 90,5% dos cuidadores manifestem o desejo de ter mais tempo para voltar às rotinas existentes antes de se tornarem cuidadores. Contas feitas, 75,4% das famílias dos cuidadores sofreram alterações na sua dinâmica/rotinas a partir do momento em que o cuidador começou a exercer essa função, com 48,7% dos cuidadores obrigados a abandonar ou alterar o seu trabalho/profissão e 87,1% a confirmarem a necessidade de descanso/férias, impossível pelo facto de não existir resposta social que o permita. Um trabalho difícil, agravado pela pandemia, que se traduziu numa sobrecarga emocional, teve impacto na qualidade de vida e bem-estar e na saúde mental. CUIDAR DOS CUIDADORES PARA MELHORAR O CUIDADO AOS DOENTES Tendo como máxima ‘As One for Patients’, a Merck é uma companhia farmacêutica que, na busca por melhorar a vida dos doentes, procura enquadrar todas as dimensões que o possam afetar e ao seu bem-estar. É aqui que entram

“NÓS SOMOS UMA EMPRESA DA ÁREA DA SAÚDE, PELO QUE A TAREFA DE CUIDAR DIZ-NOS MUITO. E SABEMOS QUE OS CUIDADORES SÃO UMA PARTE ESSENCIAL DA JORNADA DO DOENTE, AINDA QUE MUITAS VEZES NÃO SEJAM VISTOS COMO TAL OU NÃO TENHAM UM PAPEL NA TOMADA DE DECISÃO QUE É, OU DEVERIA SER, PARTILHADA” os cuidadores informais. “Não podemos falar da melhoria dos cuidados aos doentes sem contemplar aqueles que estão ao seu lado e que, muitas vezes, são responsáveis por proporcionar esses mesmos cuidados”, refere Pedro Moura. “Na Merck Global foi, por isso mesmo, criado um projeto que visa ajudar estes cuidadores, o Embracing Carers, mas em Portugal percebemos que tínhamos de ir mais além, tendo em conta as dificuldades que enfrentam os cuidadores nacionais”. Até porque, como afirma o Diretor-Geral da Merck, “nós somos uma empresa da área da saúde, pelo que a tarefa de cuidar diz-nos muito. E sabemos que os cuidadores são uma parte essencial da jornada do doente, ainda que muitas vezes não sejam vistos como tal ou não tenham um papel na tomada de decisão que é, ou deveria ser, partilhada. São, muitas vezes, pessoas que enfrentam desafios físicos e emocionais enormes, abdicando do seu tempo, da sua atenção e também da sua saúde para cuidar de alguém que amam”. A ideia de lançar um Movimento que pudesse

ajudar, não só ao nível da sensibilização para as dificuldades dos cuidadores, mas também da comunicação das suas necessidades, da divulgação de informação e da concretização de ajudas a nível mais prático, foi ganhando adeptos e é hoje realidade, consubstanciada num trabalho que promete continuar. Mais recentemente, o Movimento lançou a 1ª edição da Rede de Autarquias que Cuidam dos Cuidadores Informais (RACCI), um projeto que reconhece os municípios e as freguesias do território nacional português com as melhores práticas e as medidas de apoio em benefício dos cuidadores informais, cuja distinção se materializa na atribuição de selos de mérito. Foram, nesta primeira edição, 24 as autarquias locais distinguidas por apresentarem medidas destinadas a facilitar a vida aos milhares de cuidadores informais através de práticas inclusivas, medidas de apoio, respostas sociais, dinamização ou financiamento de projetos, existência de recursos humanos dedicados aos cuidadores informais ou inovação/importância estratégica para estes cuidadores. ▪

Agora, a propósito do Dia do Cuidador Informal, que se assinala a 5 de novembro, o Movimento prepara-se para lançar uma campanha que volta a apelar à necessidade de ouvir os cuidadores informais, sobretudo quando se trata de fazer leis a estes dirigidas: “Oiçam as nossas necessidades, sempre que criarem os nossos direitos”. Até porque é cada vez mais evidente a necessidade de uma revisão do Estatuto, que deve começar por ouvir o que pensam os cuidadores informais, quais as suas necessidades, a melhor forma de os ajudar a ultrapassar os desafios inerentes à atividade que desempenham. Com o vídeo que será partilhado em diferentes meios, são eles os protagonistas, é a eles que é dada voz.

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PONTOS DE VISTA MOVIMENTO CUIDAR DOS CUIDADORES INFORMAIS

"O Balanço deste Movimento tem sido muito Positivo" A ANEM (Associação Nacional de Esclerose Múltipla) juntou-se ao Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais, alertando para a importância de também cuidar daqueles que cuidam, e de como ainda existem algumas lacunas por colmatar neste sentido, quem o afirma é Lurdes Silva, Coordenadora da ANEM.

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ANEM (Associação Nacional da Esclerose Múltipla), é uma associação que intervém a nível nacional, onde os associados são na sua maioria portadores de Esclerose Múltipla e doentes de foro neurológico. Juntou-se recentemente ao Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais, e nesse sentido, gostaríamos de saber quais são, na opinião da ANEM, os maiores desafios que os cuidadores têm que enfrentar? Os maiores desafios dos cuidadores nos dias de hoje relaciona-se com a falta de apoio psicológico e emocional sobretudo no último ano, apoios sociais e problemas financeiras que o seio familiar enfrenta diariamente. A falta de tempo para cuidar de si também representa uns dos grandes desafios e ainda a falta de compreensão pela entidade patronal que nem sempre se encontra sensibilizada para estas questões. A falta de formação de como cuidar em diversos aspetos da pessoa de quem cuidam também constitui um problema. Certo é, que esta é uma problemática que deve ser vista cada vez mais como uma prioridade em Portugal. Que apoios mais necessitam de forma a conseguirem dar resposta aos cuidadores? Todos os apoios nunca serão suficientes para responder a todas as necessidades dos cuidadores. Os cuidadores necessitam de apoio social, não só monetariamente, necessitam ainda de alternativas e que exista de facto uma entidade a que possam recorrer para que possam responder às suas questões e encontrar uma resposta social adequada para o seu problema. Por exemplo, sabem aonde podem recorrer para requerer o auxílio na prestação de cuidados, disponibilização de ajudas técnicas, entre outros. Muitos afirmam que os Cuidadores Informais não são suficientemente reconhecidos. De que forma se pode (e deveria) melhor a vida dos mesmos? O que falta? Faltam respostas especializadas como locais onde os cuidadores possam descansar, residên-

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sente nas ruas para que se possa passar a mensagem e consciencializar a sociedade para este tema tantas vezes esquecido. A rede de Autarquias que Cuidam dos Cuidadores Informais (RACCI) é uma iniciativa que de certa forma tenta alertar o poder local para a importância de investir em projetos e iniciativas que promovam a saúde e qualidade de vida dos cuidadores, numa esfera de contacto próximo e ajuda mútua. Espero que na próxima edição, exista um maior número de autarquias que aderiram ao movimento, pois significa que a “nossa voz se fez ouvir.”

LURDES SILVA

cias autónomas ou projetos que promovam a capacitação de cuidadores enquanto as pessoas de quem cuidam estão a beneficiar de terapias. Disponibilização de mais apoios financeiros para estes cuidadores e suas famílias. Na opinião da Lurdes Silva, que alterações devem ser introduzidas ao Estatuto tendo em vista esse objetivo? Existe ainda um grande desconhecimento e dúvidas em relação ao estatuto do cuidador informal. Com vista à melhoria de vida dos cuidadores, o estatuto deveria ser mais abrangente e deveria existir um maior financiamento e apoio monetário a estes cuidadores. Deveria de existir uma regulamentação laboral e apoio para os cuidadores. Este é um Movimento que possui uma mensagem muito importante nos dias que correm. Qual é o balanço que faz do trabalho feito até ao momento? O balanço tem sido positivo, mas ainda é necessário comunicar e divulgar esta causa. Estar pre-

Qual é o papel que a ANEM e todas as organizações do género podem vir a ter no futuro, no que diz respeito à melhoria da vida dos cuidadores informais? Este grupo poderá ser crucial para sensibilizar a sociedade para a questão dos cuidadores, do papel que desempenham e a sua importância. Um papel muitas vezes desconhecido e ingrato para quem é cuidador. Como associação, temos o dever de zelar pela saúde e qualidade de vida de quem cuida dos nossos doentes, colocando-se a si em segundo lugar, deixando para trás sonhos e objetivos de vida. O nosso papel passa por desenvolver iniciativas que ajudem ao descanso do cuidador por exemplo, em ser o primeiro contacto para apoio em todas as vertentes mostrando-lhes que não estão sozinhos. ▪

O que levou a ANEM a juntar-se ao Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais? A ANEM associou-se a este movimento para “ouvir quem cuida”, lutar pelos direitos e bem-estar dos cuidadores é um dos objetivos da ANEM. Ajudar e esclarecer todas as dúvidas que nos chegam diariamente, lutando em conjunto para melhores condições de vida sua vida e de quem cuidam.


PONTOS DE VISTA MOVIMENTO CUIDAR DOS CUIDADORES INFORMAIS

Cuidador Informal Compreensão e Ação Atualmente verifica-se que a atenção sobre temas relacionados com a saúde está em constante evolução – e com ela a preocupação em melhorar os seus cuidados. No mesmo patamar desta importante abordagem está também o papel dos Cuidadores Informais, mas será que os mesmos são hoje suficientemente reconhecidos e valorizados? O conhecimento deste Estatuto será uma realidade entre a população? Filomena Pereira, enquanto Cuidadora Informal, esclareceu-nos no que diz respeito a estas (e outras) questões.

O

cuidar de um familiar é uma realidade que muitas pessoas experienciam ao longo da sua vida. Quando se fala em saúde em todas as suas frentes, importa abordar (e frisar) também a importância que o papel do Cuidador Informal desempenha na sociedade e o quão indispensável é para quem, diariamente, necessita do seu apoio. Filomena Pereira, Cuidadora Informal (juntamente com o irmão) da sua mãe, afirma que quem assume esta posição “é alguém que tem de acrescentar à sua vida um papel, que até à data é invisível, de cuidar e proteger o outro em momentos de grande fragilidade, seja de doença ou de outra condição”. O ato de cuidar não é uma tarefa simples, uma vez que muitas vezes se reveste de dificuldades com os quais o Cuidador Informal tem de lidar, tornando-se uma atividade cada vez mais exigente à medida que se perpetua no tempo – outras vezes, o próprio Cuidador Informal, abdica e “interrompe” a sua vida, para que reúna as condições necessárias para o efeito. A questão que se impõe é, como é que uma posição tão nobre muitas vezes se traduz em esquecimento? É efetivamente de esquecimento que estamos a falar, uma vez que atualmente ainda não existem “apoios ou medidas suficientes e as que existem não abrangem metade daquilo que o cuidado necessita. Nós, os Cuidadores Informais, precisávamos de apoio de continuidade e, além do apoio financeiro e meios adequados, devíamos ter formação ou preparação para sabermos lidar com estas situações. Não é de todo um processo fácil”, reconhece a nossa entrevistada, acrescentando ainda que “cheguei à conclusão de que o Estatuto do Cuidador Informal é um projeto de intenções. Muito se fala da necessidade que há e do papel

importante que possui, mas não passa disso mesmo: intenções. Têm de passar à ação”. Apoio, compreensão e ação são as palavras de ordem que devem ser seguidas e acreditadas por todos os que almejam um futuro melhor, seja para os que necessitam de cuidados, como para os que cuidam. MOVIMENTO CUIDAR DOS CUIDADORES INFORMAIS Apesar de um importante avanço social, este Estatuto que falamos, continua incapaz de travar por completo as dificuldades sentidas pelos Cuidadores Informais. É por este motivo que a Merck Portugal decidiu lançar em Portugal um Movimento que tem como missão “Cuidar dos Cuidadores Informais”, no qual Filomena Pereira dá a cara e a voz pela por esta causa maior. Com início a 5 de novembro, o objetivo deste Movimento é ajudar os Cuidadores Informais a tornar visível e reconhecido o seu contributo, nas mais diversas áreas e doenças em que esta figura tem um papel preponderante e insubstituível. Composto por uma parceria entre várias associações de doentes, esta campanha pretende melhorar a qualidade de vida dos Cuidadores Informais e, consequentemente, a de todos os doentes nacionais. “É urgente darmos voz a este tema. Temos de demonstrar o que é cuidar de alguém e de tudo o que isso implica e a perspetiva tem de evoluir nos próximos tempos porque, até ver, o Serviço

FILOMENA PEREIRA

Nacional de Saúde não tem espaços nem respostas dignas para receber os doentes, nomeadamente os que sofrem de Alzheimer – como é o caso da minha mãe. Tem de haver condições para que possamos decidir a melhor maneira de cuidar destas pessoas. E, claro está, as campanhas de sensibilização podem ser uma preciosa ajuda”, termina Filomena Pereira. ▪

“NÓS, OS CUIDADORES INFORMAIS, PRECISÁVAMOS DE APOIO DE CONTINUIDADE E, ALÉM DO APOIO FINANCEIRO E MEIOS ADEQUADOS, DEVÍAMOS TER FORMAÇÃO OU PREPARAÇÃO PARA SABERMOS LIDAR COM ESTAS SITUAÇÕES. NÃO É DE TODO UM PROCESSO FÁCIL” NOVEMBRO 2021 | 69


PONTOS DE VISTA DIA MUNDIAL DA VISÃO

Saúde ocular: uma Prioridade

Foi no passado dia 14 de outubro que se comemorou o Dia Mundial da Visão. Sabendo a urgência que o tema tem para toda a população, Cidália Ferreira, Optometrista e Fundadora da Esonor – Olhar Longo, revelou-nos alguns detalhes acerca da importância que existe na prevenção dos problemas associados à visão e como a mesma deve ser uma prioridade.

CIDÁLIA FERREIRA

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Dia Mundial da Visão comemora-se anualmente na segunda quinta-feira de outubro, sendo este ano marcada a dia 14. A data, criada pela Organização Mundial da Saúde, chama a atenção para os perigos da visão, como cegueira e a deficiência visual. Na sua perspetiva, quão importante é esta efeméride? São sempre muito importantes, na minha perspetiva, as comemorações das efemérides, porque são dias que procuram sensibilizar as pessoas para um assunto específico. No caso específico do Dia Mundial da Visão, procura-se não só sensibilizar, como motivar as pessoas para a necessidade de verificarem regularmente a saúde dos olhos, algo que tendemos a descurar, por vezes até ser demasiado tarde e já não permitir o diagnóstico precoce de doenças oculares. Por outro lado, um dia efeméride é sempre uma forma de assegurar que os assuntos da visão não caem no esquecimento e estão na ordem do dia da agenda política. Neste dia realizam-se inúmeras iniciativas

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com o objetivo de prevenir problemas visuais, proteger e tratar a visão da população. Tendo em conta a sua experiência, qual a melhor forma de prevenção para problemas visuais? Em que aspetos as pessoas se deviam focar mais? Trabalhamos muito na gestão dos problemas depois de ocorrerem e ainda muito pouco na prevenção dos mesmos. É cada vez mais importante trabalhar na prevenção, na consulta regular a um profissional da visão para perceber se está tudo bem com a saúde visual. Mais importante e regular deverá ser esta visita se estivermos a falar de crianças/jovens ou pessoas com mais idade porque as necessidades e cuidados visuais serão ainda maiores. E por outro lado, a preocupação das pessoas ainda vai muito para os óculos graduados e ainda temos um longo caminho a percorrer no que diz respeito aos óculos de sol e há necessidade de usar lentes escuras que tenham um bom filtro UV. E, claro, atualmente, a questão dos ecrãs, telemóveis, televisões, tablets, entre outros, que fazem parte dos agregados familiares e que em tanto contribuem para a degradação da saúde visual das

“É cada vez mais importante trabalhar na prevenção, na consulta regular a um profissional da visão para perceber se está tudo bem com a saúde visual”

famílias e cujos danos poderiam ser minimizados pela utilização de lentes com um filtro da luz azul. Já vamos tendo algumas campanhas de sensibilização para todos estes assuntos, mas creio que ainda temos um longo caminho a percorrer no que à saúde ocular diz respeito. Nas sociedades modernas de hoje a visão desempenha um papel importantíssimo na aquisição de conhecimento, no desempenho das tarefas diárias e consequentemente na produtividade de cada um de nós. No que diz


PONTOS DE VISTA DIA MUNDIAL DA VISÃO

respeito aos tratamentos da visão, como nos pode descrever a evolução e inovação que se tem vindo a concretizar ao longo dos anos? Ao longo dos anos houve um desenvolvimento muito grande a nível de produtos oftálmicos a nível mundial. A constante formação dos nossos colaboradores e a disponibilização da melhor tecnologia a nível de consultório e na parte técnica. Disponibilizamos ao consumidor final os melhores produtos e marcas oftálmicas de top a nível mundial. Há mais de 20 anos que a Opticália – Esonor - Olharlongo está de forma consolidada no mercado. Assim, qual o papel que tem vindo a desempenhar em assuntos como a prevenção e tratamento enquanto escolha número um dos consumidores? Não vivemos sozinhos. O ambiente que nos rodeia, os negócios e as pessoas que nos permitem crescer e fazer parte duma comunidade são uma parte vital da nossa vida. Por isso, acredito que sempre que possamos devemos retribuir de alguma forma, ajudar a trabalhar nas soluções dos problemas, para que possamos todos crescer e ser melhores como um todo. Claro que nem sempre conseguimos chegar onde gostaríamos, porque infelizmente ainda há muito para fazer, mas sempre que nos for possível estaremos envolvidos em acções em prol da comunidade. Na Opticalia – Esonor - Olharlongo já há muitos anos que fazemos e promovemos rastreios visuais com alguma regularidade nas praças onde estamos presentes para consciencializar as pessoas para a importância da prevenção.

E atualmente estamos também a trabalhar nas nossas lojas e redes sociais na divulgação da importância da protecção da luz dos ecrãs, principalmente nas crianças que sabemos que estão constantemente ligadas a um dispositivo electrónico. Tendo em conta a sociedade cada vez mais eletrónica (tendo, por exemplo, o computador como meio essencial para trabalhar), quão legítimo é afirmar que, por essa e outras razões, se vai dar um boom de problemas visuais? Tendo em conta a sua experiência, de quanto em quanto tempo deveríamos recorrer a um rastreio? É incontornável a realidade atual. Estamos rodeados de ecrãs constantemente no nosso dia a dia. No trabalho e por lazer rodeamo-nos de computadores, telemóveis, tablets, televisores e a verdade é que esta utilização massiva dos mesmos tem influência, mais cedo ou mais tarde, na nossa acuidade visual. Queixas como olhos secos, dores de cabeça, visão turva ou desfocada, vista cansada ou dificuldade em focar são comuns para os utilizadores diários de dispositivos digitais, e daí também a importância de nos protegermos. Aconselhamos sempre a que os clientes façam pausas (de 20/20 m) e que olhem para objetos que estão mais distantes. Estas pausas são importantes, ir piscando os olhos para manter o olho hidratado. Tentar trabalhar em locais com uma luz homogénea e que não seja demasiado intensa. Usar lentes com um filtro para a luz azul dos dispositivos digitais é também uma das formas de precaução contra os efeitos

nocivos da mesma. Os rastreios são importantes fazer com a periocidade de um um ano, tendo em conta o desgaste visual que detetamos pós pandemia covid. Que novidades e projetos estão a ser desenvolvidos pela Opticália – Esonor - Olharlongo para o futuro dos melhores cuidados de visão da população? Vamos continuar a trabalhar sempre no sentido de fazer chegar a informação à população sobre cuidados a ter com a visão. Mantemos o compromisso da organização de rastreios e disponibilidade para trabalhar com as autoridades com-

petentes na promoção da saúde visual. Temos diariamente consultas de optometria e contatologia efetuadas por profissionais licenciados para oferecer, um exame completo a quem recorrer as nossas instalações, assim como aconselhamento técnico e estético. ▪

Para este Dia Mundial da Visão, que iniciativas a Opticália – Esonor - Olharlongo vai desenvolver ou promover? Qual o mote com que podemos contar? Estamos a desenvolver vídeos e informação para partilhar nas redes sociais, na medida de informar e alertar para os problemas visuais e suas soluções.

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PONTOS DE VISTA BREVES

Anantara Vilamoura Algarve Resort acolhe Portugal Masters O Portugal Masters, prestigiado torneio de golfe, está de volta ao Algarve, de 4 a 7 de novembro. O Dom Pedro Victoria Golfe Course recebe a 15ª edição já no próximo mês e o Anantara Vilamoura, situado em frente ao campo de golfe, é novamente um dos parceiros oficiais do evento. O resort convida a celebrar a paixão pelo golfe com a oferta de bilhetes para o Portugal Masters em reservas de 4 ou mais noites de 3 a 8 de novembro. Esta é a oportunidade perfeita para rumar até um dos mais sofisticados resorts do país e, como cortesia do hotel, aproveitar para assistir às brilhantes tacadas da elite dos profissionais do golfe mundial, desfrutando de um portefólio de ofertas ímpares. Integrado no Circuito Europeu da PGA, a competição tem recebido nos corredores da luxuosa unidade algarvia nomes de atletas consagrados como Gearge Coetzee, Steven Brown, Tom Lewis e Lucas Bjerregaard, campeões das edições dos últimos anos. Na edição deste ano, esperam-se 40 mil espectadores para assistir ao torneio. “É com enorme satisfação que voltamos a receber o Portugal Masters, uma iniciativa que apoiamos com muito carinho desde a sua primeira edição em Portugal. Como um dos parceiros oficiais da competição, iremos receber atletas e amantes de golfe com o serviço de qualidade e excelência que nos caracteriza”, afirma Marta Mota Pinto, Hotel Manager do Anantara Vilamoura Algarve Resort. Quer sejam profissionais ou principiantes, o Anantara Vilamoura oferece as melhores condições para explorar os fairways da região, destacando a posição privilegiada do Algarve e de Portugal como um dos melhores destinos de golfe do mundo. Acordar com uma vista inesquecível sobre os fairways, deliciar-se com um sumptuoso pequeno-almoço com a assinatura Anantara e ser o primeiro a pisar o green com acesso direto ao campo de golfe, são alguns dos benefícios exclusivos de que os hóspedes poderão usufruir. Para os que pretendem melhorar o seu swing, o Anantara Vilamoura oferece a possibilidade de reservar treinos personalizados. Quem quiser relaxar e aumentar a sua flexibilidade, tem no Anantara Spa o melhor aliado, com tratamentos adaptados aos golfistas, independentemente do seu nível.

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Exportações de vestuário recuperam 364 milhões de euros No conjunto do período de janeiro a agosto de 2021, as exportações de vestuário recuperaram 364 milhões de euros em relação ao ano anterior, mas estão ainda cerca de 58 milhões de euros abaixo do valor registado em 2019. Os números preliminares do INE para o conjunto dos primeiros oito meses de 2021 revelam um crescimento acima dos 21% nas vendas de vestuário ao exterior em comparação com o mesmo período de 2020, ficando estas cifradas nos 2,07 mil milhões de euros. Esta tendência continua a ser dinamizada pelo vestuário de malha, com o vestuário de tecido ainda muito aquém dos valores de 2019. Entre os principais mercados de destino das exportações de vestuário, destaca-se

Espanha que, apesar de permanecer 22,4% abaixo do valor de 2019, já recuperou 17,7% das exportações em relação a 2020. Também de salientar o desempenho do mercado francês, com crescimentos de 13,8% em relação a 2019 e de 22,7% em comparação com 2020. Nos oito primeiros meses do ano, as exportações de vestuário de malha evidenciaram um desempenho muito mais dinâmico do que os produtos de vestuário de tecido, acumulando um crescimento de 29,3% em relação a 2020 e de 6,9% quando comparadas com 2019. No caso do vestuário de tecido, assiste-se a um ligeiro crescimento em relação a 2020 (aumento de 2,3%), mas as exportações permanecem ainda muito abaixo do verificado em 2019 (descida de 23,6%).

Florence + The Machine e Jorja Smith confirmados no NOS Alive de 2022 O festival regressa ao Passeio Marítimo de Algés entre 6 e 9 de julho de 2022. Florence + The Machine voltam ao Passeio Marítimo de Algés para atuar no Palco NOS a 7 de julho de 2022. Além disso, a organização confirmou o nome de Jorja Smith, que vai atuar no mesmo dia. Já estavam confirmados no NOS Alive atuações de alt-J, Caribou, Da Weasel, Dino D’Santiago, Faith No More, Florence + The Machine, Fontaines D.C., Glass Animals, Hobo Johnson and The Lovemakers, Imagine Dragons, Inhaler, Jorja Smith,

Manel Cruz, Metallica, Modest Mouse, Moses Sumney, Parcels, Phoebe Bridgers, Royal Blood, Seasick Steve, St. Vincent, The Strokes, Tom Misch, Two Door Cinema Club e Parov Stelar. Os bilhetes adquiridos para as edições dos dois anos anteriores são válidos para os dias de semana correspondentes da próxima edição. Em alternativa, pode trocar o bilhete para outro dia mediante disponibilidade de lotação, ou por um vale no ponto de venda onde o mesmo foi adquirido, apresentando o bilhete e comprovativo de compra.


PONTOS DE VISTA BREVES

Conheça os 8 benefícios deste fruto Para o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a castanha é "um fruto saudável". Vale a pena recordar o quão bem a castanha pode fazer à sua saúde. Tome nota. COMBATE A DEPRESSÃO Por ser rica em minerais, a castanha é indicada para fortalecer o cérebro e melhorar todas as funções intelectuais do ser humano reduzindo o risco de depressão. REDUZ O STRESS As quantidades apreciáveis de vitamina B e fósforo sugerem que castanha ajuda a manter saudável o sistema nervoso. Está altamente recomendada a pessoas sujeitas a stress físico e psicológico.

FOTO: DIREITOS RESERVADOS

Já provou castanhas este ano? COMBATE A HIPERTENSÃO A ingestão de castanhas é recomendada a pessoas com hipertensão ou problemas cardíacos pela riqueza em potássio e pobreza em sódio. No entanto, a quantidade ingerida deve ser moderada e associada ao desgaste calórico de cada pessoa. PURIFICAM O ORGANISMO As castanhas são ricas em vitamina A, B e E, cálcio, fósforo, ferro e contêm substâncias alcalinizantes que neutralizam o excesso de ácidos no sangue, facilitando a sua eliminação através da urina.

MELHORA O SONO O aminoácido triptofano presente na castanha ajuda a relaxar e a conciliar o sono com o dia a dia.

FAVORECEM O DESENVOLVIMENTO DO CORPO O fósforo é um mineral essencial, desempenhando um papel importante no desenvolvimento de ossos e dentes. Por outro lado, a sua riqueza em elementos importantes ao funcionamento do sistema nervoso central ajuda a reduzir as sensações de cansaço e esgotamento.

PROMOVE A DIGESTÃO FÁCIL São também uma grande fonte de fibra, permitindo a redução dos níveis de colesterol no sangue, bem como de ácidos gordos monoinsaturados que reduzem o mau colesterol (LDL) e aumentam os níveis do bom colesterol (HDL).

APESAR DE SAUDÁVEIS, PROVOCAM MAL-ESTAR INTESTINAL Apesar de serem muito saudáveis, a fermentação deste fruto no intestino pode causar desconforto intestinal, sobretudo quando ingerido cru, pelo que a sua ingestão deve ser moderada.

Aqua Leve, o jarro que filtra a água de forma segura, barata e sustentável Portugal tem uma excelente rede de água pública, com o indicador de segurança deste bem essencial a manter-se nos 99% no nosso território. No entanto, muitos portugueses continuam a optar por comprar garrafas de plástico e de vidro. Se sente que a água que lhe chega a casa é segura, mas não gosta do sabor, o segredo é muito simples: filtrá-la. É precisamente essa a função do Jarro Aqua Leve da KASA: retira qualquer sabor ou impu-

reza. Outras das vantagens deste jarro é a sua poupança aliada à sustentabilidade. Para melhorar o produto, a marca em parceria com a Universidade do Porto, desenvolveu uma versão com tampa fixa dando assim uma maior estabilidade, e diminuindo a possibilidade de entornar água. O grande objetivo do produto passa por ajudar nas contas, e claro, uma maior poupança ambiental.

70% dos pais portugueses acreditam que sorrir é importante para a autoestima dos adolescentes A autoestima dos adolescentes é uma grande preocupação para a maioria dos pais portugueses. Sete em cada dez pais estão determinados em melhorá-la da forma que puderem - segundo um estudo recente promovido pela Align Technology. 80% dos pais portugueses estão preocupados com a autoestima dos seus filhos adolescentes de acordo com um estudo recente junto de 1.000 pais revela que as críticas e comentários de outras pessoas afetam a forma como os adolescentes se sentem. Aproximadamente 7 em cada 10 estão dispostos a ajudá-los a melhorar a sua autoestima da melhor forma que puderem, enquanto 81% dos pais acreditam que o seu papel é fundamental para desenvolver o otimismo dos adolescentes. Passar tempo com os seus filhos e ter mais experiências com eles, num parque temático ou no cinema, foram também consideradas as melhores formas de fazer os adolescentes sentirem-se melhor. Mais de um quarto dos pais acreditam que a aparência tem um impacto significativo, enquanto 74% acreditam que o sorriso pode ter também elevada influência na autoestima e na confiança dos jovens. De acordo com os resultados do inquérito, o impacto da aparência na confiança é generalizado em todo o país e é ligeiramente superior na região do Alentejo (41%), enquanto que a relação entre o sorriso e a confiança é considerada mais elevada em Lisboa do que no resto do país. O PODER DE UM SORRISO 27% dos pais inquiridos acreditam que os seus adolescentes sorririam mais se tivessem os dentes melhor alinhados e foram abordados por eles para iniciar tratamentos de alinhamento dentário. Quase metade dos pais sente também que o alinhamento dos dentes dos seus adolescentes é muito importante para a autoestima. Enquanto mais famílias tomam estas decisões em conjunto, 69 por cento dos pais consideram que ainda é da sua responsabilidade ajudar os seus adolescentes a obter um tratamento de alinhamento dentário. Para os adolescentes que nesta idade querem ter poder de escolha e flexibilidade, o sistema Invisalign tem transformado milhões de sorrisos em todo o mundo. Este sistema é cada vez mais popular entre os adolescentes e pais devido ao impacto mínimo no seu quotidiano. Baseado em princípios e pontos fortes da ortodontia, este sistema clinicamente comprovado proporciona resultados clínicos mais previsíveis, o que é a chave para ajudar todos os adolescentes a desfrutarem de uma melhor saúde oral e de um sorriso mais confiante. Informação que tem por base os dados do inquérito da Align Technology que foram ordenados pelas seguintes regiões: Norte, Centro, região de Lisboa, Alentejo, Algarve.

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PONTOS DE VISTA DIA EUROPEU DA ESTATÍSTICA

“Estatística, uma Vacina para proteger a Democracia e combater o vírus da Desinformação”

TERESA ALPUIM E LISETE SOUSA

A Estatística é cada vez mais uma ciência fundamental, sendo utilizada de uma forma intensiva em praticamente todas as áreas de negócio, o que torna o Dia Europeu da Estatística, - 20 de outubro – numa celebração tão marcante. Teresa Alpuim, Presidente do Departamento de Estatística e Investigação Operacional da Faculdade de Ciências, e Lisete Sousa, Coordenadora do Centro de Investigação em Estatística e Aplicações, ambas da Universidade de Lisboa, contam-nos mais sobre a importância desta data.

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o Dia Europeu da Estatística – celebrado a 20 de outubro – realizaram-se, maioritariamente atividades como conferências, exposições, entre outras iniciativas interativas, tendo, todas elas, a estatística como base. Tendo em conta a v/ experiência, quão importante é esta efeméride? Lisete Sousa (LS) - Esta efeméride é de extrema importância, pois tem como objetivo sensibilizar a sociedade civil e a comunidade científica para o papel relevante das estatísticas oficiais. A existência de dados com qualidade bem como a sua análise rigorosa são fundamentais para a definição de políticas públicas, tanto no que respeita ao desenvolvimento económico, como ao bem-estar social, ao combate à pobreza e promoção da saúde pública. A comunidade estatística europeia celebra o Dia Europeu da Estatística anualmente, nos anos intercalares ao Dia Mundial da Estatística (assinalado a cada cinco anos). Consideram, assim, que o

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intuito de dar a conhecer (e reconhecer) a importância e o contributo da estatística na sociedade são hoje conscientes entre todos? De que forma esta consciencialização tem vindo a evoluir? LS - Essa consciência conquista-se a cada dia e ainda há muito a fazer. As empresas estão cada vez mais conscientes da importância da estatística, nomeadamente da necessidade de ligação ao meio académico, o que permite uma transferência de conhecimento de alto nível. Esta consciência evolui por vezes como consequência de situações que não controlamos. A COVID-19 veio mostrar a importância de estar bem informado e de produzir dados e modelos adequados para basear decisões políticas. Que mote acreditam que se deve defender este ano pelo universo estatístico para celebrar, refletir ou debater no Dia Europeu da Estatística – e que a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa abraçou?


PONTOS DE VISTA DIA EUROPEU DA ESTATÍSTICA

LS - O mote foi definido pelo Comité Consultivo Europeu da Estatística (ESAC): “Estatística, uma vacina para proteger a democracia e combater o vírus da desinformação.” O cerne desta mensagem é a “necessidade de derrotar a desinformação, reforçando a produção e a utilização de informação estatística de alta qualidade com os mais elevados padrões de transparência e responsabilidade, como meio vital de proteção da liberdade e da democracia.”. A Faculdade de Ciências, através do Centro de Estatística e Aplicações (CEAUL), também tem feito um esforço para atuar junto dos meios de comunicação social. O CEAUL colabora neste momento na rubrica Dados Contados, do programa Europa Minha, da RTP, certificando a informação e validando a sua apresentação. Os resultados de pesquisas estatísticas estão presentes em todo o momento na sociedade, sendo bastante comum observar pesquisas de diversas naturezas que nos trazem dados para interpretação e realização de inferências sobre as mesmas. Para melhor entender, qual a verdadeira importância da estatística nos mais diversos assuntos do dia a dia? Teresa Alpuim (TA) - Uma das principais origens da Estatística é a recolha, organização e interpretação de dados económicos e sociais, isto é, toda a informação quantitativa relacionada com os assuntos do Estado, palavra que deu o nome a esta ciência tão

“UMA DAS PRINCIPAIS ORIGENS DA ESTATÍSTICA É A RECOLHA, ORGANIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE DADOS ECONÓMICOS E SOCIAIS, ISTO É, TODA A INFORMAÇÃO QUANTITATIVA RELACIONADA COM OS ASSUNTOS DO ESTADO, PALAVRA QUE DEU O NOME A ESTA CIÊNCIA TÃO IMPORTANTE”

importante. Hoje em dia, a Estatística e a Ciência de Dados são utilizadas de uma forma intensiva em quase todas as áreas de negócio, entre as quais destaco as companhias de seguros, principalmente através do Atuariado mas não só, e o setor bancário, sobretudo na área de risco de crédito e na deteção de fraude. O marketing é também uma área onde a decisão de lançar novos produtos ou o conhecimento das preferências e do perfil dos consumidores utilizam intensivamente análise de dados e estatística. Em particular, as vendas pela internet são ampliadas e otimizadas recorrendo a procedimentos estatísticos. Na indústria farmacêutica, a análise estatística é fundamental nos ensaios clínicos, tendo também um papel muito relevante na medicina. Por exemplo, no estudo comparado entre tratamentos, na epidemiologia, ou na prevenção, através da identificação dos fatores que aumentam o risco de certas doenças.

De que forma a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa tem promovido o máximo de rigor possível que hoje se exige no mundo da estatística? TA - Para além da qualidade do ensino, a que já me referi, esta deve ligar-se de uma forma estreita à investigação, tanto de natureza fundamental como aplicada, e à inovação. Somos um grupo de académicos bastante diverso, com conhecimentos e capacidades diferentes, mas complementares, e procuramos colaborar, interagir e aprender uns com os outros, de modo a que todos vão ganhando mais experiência e capacidades nas diferentes vertentes da atividade académica. Estabelecemos várias parcerias com boas empresas e instituições públicas, com quem trabalhamos em assuntos inovadores, o que nos permite encontrar os temas mais atuais e adequados à criação de valor e, simultaneamente, ajudar essas empresas a desenvolver produtos e processos de gestão inovadores com rigor científico.

A terminar, como perspetivam o futuro desta temática em Portugal, no que diz respeito à investigação e inovação? LS e TA - O desenvolvimento das tecnologias digitais coloca novos e apaixonantes desafios à Estatística, tal como a melhor forma de organizar e extrair informações decisivas a partir de grandes quantidades de dados. Na nossa visão, o futuro da investigação numa ciência com uma tão gran- de diversidade de aplicações, deverá desenvol- ver-se em estreita colaboração com a inovação, na perspetiva da resolução dos problemas do dia a dia das muitas organizações públicas e privadas que com ela podem beneficiar. Como se costuma dizer, “a necessidade é a mãe do engenho” e o registo diário de milhões de dados através dos múltiplos canais de informação põe-nos questões difíceis, mas intrigantes, promovendo novas perspetivas para a da Estatística e para a Ciência de Dados. ▪

O mercado de trabalho tem vindo a registar uma procura cada vez maior de especialistas em estatística e é neste segmento que a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, através do Departamento de Estatística e Investigação Operacional se destaca. De que forma este ensino se diferencia pela qualidade e excelência? TA - O nosso departamento fundou-se em 1981 e é o único no país exclusivamente dedicado a estas áreas do conhecimento. Já com 40 anos de experiência, os nossos métodos de ensino baseiam-se na integração das principais três vertentes da ciência estatística: a rigorosa fundamentação matemática, o que garante um conhecimento profundo das características das ferramentas que utilizamos; bons conhecimentos de programação e de software de estatística, permitindo respostas eficientes e a possibilidade de organizar e tratar grandes quantidades de dados; e, finalmente, algum conhecimento das áreas a que são aplicadas as análises estatísticas e da natureza dos dados em análise. Além disso, procurámos sempre um ensino centrado nas necessidades de aprendizagem dos estudantes, não nos limitando a expor com rigor e profundidade as matérias, mas procurando que o aluno aprenda por ele próprio através da resolução de casos de estudo e de problemas tão próximos quanto possível da realidade.

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PONTOS DE VISTA DIA DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA – 17 DE NOVEMBRO

JOÃO MARTINS, MEMBRO DOS ÓRGÃOS SOCIAIS DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA PARA OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (APPSIG)

Valorização do Território, Inovação, Formação e Projetos de I&D Começamos por resumir aquilo que o “Dia dos Sistemas de Informação Geográfica”, GIS Day, representa enquanto movimento global de divulgação e partilha de experiências geoespaciais, cabendo a cada um de nós, demonstrar a transversalidade que os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) têm no quotidiano das pessoas.

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este contexto, verificamos que nos últimos anos, os SIG têm tido uma evidente evolução, nomeadamente nas soluções de software open source, web e mobile, as quais nos permitem, de uma forma mais expedita e eficiente, capturar, reunir, analisar e visualizar dados geográficos que nos ajudam a tomar melhor decisões. Atualmente os SIG têm aplicação em vários domínios com elevada influência na sociedade, assumindo-se como uma ferramenta transversal, como já o havíamos afirmado. Esta tecnologia é adotada nos mais diversos domínios, desde o ordenamento do território, ambiente e recursos naturais, alterações climáticas, transporte e infraestruturas, proteção civil e segurança, à saúde, educação, justiça, marketing... Um excelente exemplo da transversalidade dos sistemas de informação geográfica, hoje na ordem do dia, é ao nível da sua aplicação na saúde pública, designadamente, no apoio ao combate à pandemia da doença COVID-19, permitindo o acompanhamento espacial da evolução da doença e consequentes tomadas de decisão. É, porém, com enorme facilidade, que podemos identificar outras áreas de aplicação que se encontram na agenda do quotidiano português, designadamente, no âmbito dos resultados eleitorais das autárquicas 2021, onde, através dos SIG,

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JOÃO MARTINS joao.martins@appsig.pt

é possível definir a distribuição espacial dos resultados e, desse modo, contribuir para uma análise mais aprofundada dos mesmos. Nos últimos anos, em Portugal, têm sido desenvolvidos um conjunto de projetos de I&D em diferentes áreas associadas aos SIG, nomeadamente, no âmbito das infraestruturas de informação geográfica e na participação dos cidadãos e informação geográfica voluntária. Neste âmbito, destacamos a Direção-Geral do Território como a instituição de referência na valorização do território e da informação geográfica, sendo o Sistema Nacional de Informação Geográfica (SNIG), infraestrutura de informação geográfica colaborativa, sustentada numa política de dados abertos, que permite partilhar, pesquisar e aceder a informação geográfica produzida por entidades públicas e privadas em Portugal, a concretização da aposta da Administração Pública na partilha, sem custos, da informação geográfica por si produzida ou detida por entidades sob a sua alçada.

“CONSIDERANDO O ESTADO ATUAL DE DESENVOLVIMENTO DAS SOLUÇÕES SIG, O PROJETO DE INOVAÇÃO PELO QUAL OS UTILIZADORES DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA SE DEVEM DEBRUÇAR É A FORMAÇÃO/CAPACITAÇÃO DA POPULAÇÃO EM GERAL PARA A PRODUÇÃO E EXPLORAÇÃO DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA, NUM CONTEXTO DE MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DAS POPULAÇÕES E NA PROMOÇÃO DA SOCIEDADE DIGITAL”


PONTOS DE VISTA DIA DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA – 17 DE NOVEMBRO

Destacamos igualmente o trabalho desenvolvido pela Administração Local, no que diz respeito à divulgação e partilha de informação geográfica, bem como na promoção da participação dos cidadãos na produção dessa informação, conforme se pode constatar no elevado número de autarquias que possuem plataformas websig, nas quais é disponibilizada, para consulta, informação geográfica aplicável ao seu território ou para discussão pública, informação geográfica respeitante a planos municipais de ordenamento do território em fase de elaboração, revisão ou alteração. Podemos assim afirmar, que o processo de produção de informação geográfica dos municípios portugueses, em especial o relacionado com a valorização do território se baseia numa concreta relação de proximidade entre os próprios municípios e os cidadãos, tendo esta informação geográfica um efeito decisivo no processo de tomada decisão dos respetivos municípios. Destaque ainda, para outra plataforma de informação geográfica com especial foco na valorização do território e que não podemos deixar de mencionar nos dias de hoje, o OpenStreetMap, projeto colaborativo de uso livre para criação de um “mapa mundo gratuito e editável”, no qual se representam características/elementos dos territórios, desde vias e edificado a linhas de água, e que nos últimos anos em Portugal tem tido um considerável envolvimento da comunidade, sendo que a participação nesta plataforma por parte dos utilizadores é efetuada através da recolha de dados GPS, ortofotos ou do seu próprio conhecimento do território, tendo em vista a integração de novos elementos ou a correção/edição de dados incorretos/incompletos. Assim sendo, no contexto da produção da informação geográfica em Portugal, podemos facilmente constatar que nos últimos anos tem existido um enorme compromisso de todos os intervenientes/ utilizadores, seja da população em geral, empresas, organizações, seja da administração pública, na colaboração para partilha de informação geográfica, da qual tem

resultado um maior acesso e utilização desta informação no nosso país, passando, desta forma, todos os intervenientes/utilizadores a estar mais próximos da decisão, fundamentalmente o cidadão, promovendo-se a democratização, a cidadania ativa, e a transparência. Considerando o estado atual de desenvolvimento das soluções SIG, o projeto de inovação pelo qual os utilizadores dos sistemas de informação geográfica se devem debruçar é a formação/capacitação da população em geral para a produção e exploração de informação geográfica, num contexto de melhoria da qualidade de vida das populações e na promoção da sociedade digital. Neste âmbito, destaque-se a Associação Portuguesa para os Sistemas de Informação Geográfica (APPSIG), associação sem fins lucrativos, que tem como missão promover o ensino, a formação profissional e projetos de I&D, a qual já atua neste domínio, nomeadamente, através da criação de uma série de artigos denominados “de forma simples”, disponibilizados na sua página da internet, nos quais oferece aos leitores uma visão geral dos conceitos básicos de cartografia e sistemas de informação geográfica, tendo a mesma como destinatário as pessoas que desejam dar os primeiros passos no “mundo” dos sistemas de informação geográfica. Adicionalmente, a APPSIG prevê a curto/médio prazo a criação de um conteúdo mais alargado neste domínio, bem como a sua divulgação através de outros meios de comunicação, nomeadamente a partir de outras plataformas da internet, designadamente, o Youtube, ações de divulgação junto da população escolar ou através de cursos online gratuitos ou a baixo custo. Por último, e regressando ao nosso “local” de partida, é um imperativo, celebrar o “Dia dos Sistemas

“NOS ÚLTIMOS ANOS, EM PORTUGAL, TÊM SIDO DESENVOLVIDOS UM CONJUNTO DE PROJETOS DE I&D EM DIFERENTES ÁREAS ASSOCIADAS AOS SIG, NOMEADAMENTE, NO ÂMBITO DAS INFRAESTRUTURAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA E NA PARTICIPAÇÃO DOS CIDADÃOS E INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA VOLUNTÁRIA” de Informação Geográfica”, GIS Day, a 17 de novembro, porque não, solicitando a todos os intervenientes/utilizadores dos SIG que dediquem o seu esforço e tempo, na promoção e divulgação do seu conhecimento sobre as potencialidades desta tecnologia no quotidiano das pessoas, na realização

de iniciativas junto das escolas, comunidades ou organizações. Este dia torna-se assim uma oportunidade espe(a)cial para nós, amantes da ciência geoespacial, partilharmos os nossos trabalhos, projetos e estudos nesta área e inspirarmos outras pessoas a descobrir e utilizar os SIG. ▪

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PONTOS DE VISTA DIA DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA – 17 DE NOVEMBRO

“Continuamos a receber do mercado a Confiança que nos estimula a sermos cada vez Melhores” Foi na dinâmica e relevância do Dia dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG), que este ano se comemora a 17 de novembro, que a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Maria do Carmo Lucas, Sócia-Fundadora da GISMÉDIA, uma marca que tem promovido a qualidade, a excelência e o rigor no setor, e que quer continuar a figurar no pelotão da frente na promoção de soluções e propostas verdadeiramente inovadoras.

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MARIA DO CARMO LUCAS

“PARTICIPAR NO DIA DOS SIG É UMA FORMA DE PARTILHA MÚTUA DO ESFORÇO A QUE NOS TEMOS DEDICADO, DAS NOSSAS AMBIÇÕES E DE ALARGAR O ÂMBITO DA NOSSA INTERVENÇÃO NA ECONOMIA. ACREDITAMOS NO CRESCIMENTO DA EMPRESA, NO ENTUSIASMO DOS COLABORADORES E NO POSICIONAMENTO COMO EMPRESA DE REFERÊNCIA”

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m vésperas de comemorar 25 anos de atividade, a GISMÉDIA continua a ser uma empresa de consultoria informática com capital totalmente português que oferece desenvolvimento e implementação de soluções inovadoras, com enfoque em Sistemas de Informação Geográfica (SIG), serviços de localização, entre outros. De que forma a marca, além da qualidade dos seus serviços, se distingue no setor? A GISMÉDIA entende os SIG como plataformas de apoio à totalidade dos sistemas de informação de qualquer instituição. Temo-nos distinguido, nos últimos anos, fundamentalmente no setor da mobilidade. Implementamos sistemas sobre qualquer plataforma geográfica, integrando informação alfanumérica à medida dos nossos clientes com o objetivo de proporcionar soluções que apoiam serviços públicos de utilidade pública, nomeadamente nas redes de telecomunicações e de transportes. Complementamos sistemas de gestão ambiental para o poder local com bases georreferenciadas e análises espaciais. O facto de respondermos às necessidades específicas dos nossos clientes, determina a especificidade de cada solução e a sua independência de sistemas pré-definidos, quase sempre onerosos, exigentes em configurações e adaptações. O uso de estruturas de dados organizadas disponíveis nos clientes, facilita a pesquisa, a análise e a representação dos fenómenos

à medida do cliente, privilegia os objetivos e concentra na atividade concreta. A qualidade dos seus recursos técnicos e a sua constante atualização são a garantia das propostas inovadoras das soluções que a GISMÉDIA desenvolve para a total satisfação dos seus clientes. Fazemos questão de integrar equipas multidisciplinares, sempre com total colaboração de elementos operacionais do cliente, que se preocupam em conhecer os desejos de quem acredita em nós e espera mais-valias para o seu negócio. Mantemo-nos atentos aos novos desafios e à permanente manutenção da utilidade do investimento realizado pelos clientes. O Dia dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) comemora-se este ano a 17 de novembro sendo que, o objetivo desta comemoração, passa por destacar a sua importância no quotidiano da população, divulgando assim as suas potencialidades. Para melhor entender, qual o verdadeiro contributo dos SIG à comunidade? O uso dos SIG, mais propriamente sistemas georreferenciados, é para a GISMÉDIA banal. A oferta, mais ou menos democrática, de plataformas geográficas permite o alargamento de soluções que entendem as empresas como unidades integradas e dependentes da sua geografia em todas as vertentes da gestão e apoio à decisão. A incorporação e interoperabilidade com as várias ofertas de dispo-


PONTOS DE VISTA DIA DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA – 17 DE NOVEMBRO

sitivos móveis à disposição das instituições conduzem a responder à transformação digital da forma como as empresas hoje pretendem gerir a sua atividade (redes de trabalhadores com o uso de equipamentos eletrónicos diversificados em ambientes fora das instalações, com acesso à informação empresarial e contacto em tempo real com outros colaboradores, chefias, clientes). As modernas plataformas de Inteligência Artificial oferecem outras componentes que enriquecem e facilitam a tomada de decisão. Por isso, a sua integração nos sistemas de informação é essencial, onde quer que se encontrem os seus utilizadores, sem que a localização das bases de dados seja determinante, mas com acesso aos modelos de análise espacial e permitindo a tomada de decisão em tempo real e de forma sustentada. Considera que nos últimos anos a utilização dos SIG tem evoluído de uma forma cada mais consciente, aumentando a importância que estes têm como base sólida de conhecimento e de informação de suporte para várias decisões? Como se encontra atualmente o panorama em Portugal sobre a temática e a sua evolução? O mercado português não é, salvo o contributo de algumas empresas fornecedoras de soluções, transparente na divulgação da aplicação deste tipo de sistemas. As instituições usam-nos intramuros. Poucas vezes os divulgam. Algumas exigências da Comissão Europeia obrigaram a esforços no sentido da adoção de standards integradores de sistemas dos vários países em sistemas globais (europeus) em matéria de representação do território, redes de telecomunicações, redes de transportes. Estes dois últimos anos foram, pelas circunstâncias sanitárias, um desafio à contratação de novos projetos e adoção de plataformas eletrónicas para as apresentações e sua discussão em toda a amplitude empresarial. Se, por um lado, constituiu valor acrescentado, também ele, um contributo à transformação digital, por outro diminuiu a interação dos interessados. A discussão presencial ainda faz a diferença. O mercado foi-se apercebendo, com o tempo, de que os SIG se adequam a quase todas as áreas de intervenção de uma sociedade. Nes-

te sentido, que impacto têm os mesmos para Portugal e as suas atividades? Que exemplo nos pode dar de um antes e um após utilização destes sistemas? Até há alguns anos, havia a queixa do acesso aos dados. Não estavam disponíveis, em formato aberto, que se esperavam públicos quer pelo custo da sua produção quase sempre por financiamento público quer pela utilidade a que podiam ser associados. Portugal passou a disponibilizar muita dessa informação para utilização mais ou menos livre. Isto provocou o surgimento de novos sistemas, nomeadamente para a mobilidade, para entidades públicas que até aí não dialogavam entre si, tem, quanto a nós, o inconveniente se proliferarem soluções que nem sempre são alternativa, por não demonstrarem novidades úteis no que oferecem, assim como a duplicação de esforços, diga-se custos, com a produção de sistemas que poderiam ser partilhados, designadamente na administração pública. Em termos de outras áreas de intervenção, os SIG tornaram-se úteis num leque alargado de setores: na saúde, educação, transportes, telecomunicações, gestão autárquica, gestão do território (a gestão da floresta e a prevenção de incêndios, a ajuda à produção do Cadastro Predial). Que passos devem ser dados para que o setor dos SIG e, consequentemente, da GISMÉDIA, continue a receber um elevado nível de reconhecimento? Acredita que o Dia dos SIG fortalece este reconhecimento? Continuamos a receber do mercado a confiança que nos estimula a sermos cada vez melhores. Participar no dia dos SIG é uma forma de partilha mútua do esforço a que nos temos dedicado, das nossas ambições e de alargar o âmbito da nossa intervenção na economia. Acreditamos no crescimento da empresa, no entusiasmo dos colaboradores e no posicionamento como empresa de referência. Qual o papel que a GISMÉDIA tem desempenhado na promoção da importância desta temática e, por sua vez, na valorização do território, inovação, formação e projetos I&D? A GISMÉDIA tem tido a preocupação de fazer parte de fóruns de discussão, nacionais e inter-

No que diz respeito à inovação, que novidades estão a ser pensadas para o futuro a médio e longo prazo da GISMÉDIA? Estamos atentos às novas ofertas do mercado, particularmente na recente tecnologia das redes de telecomunicações. Falamos do 5G, na gestão de infraestruturas de acessibilidade e mobilidade de capilaridade fina no território, necessariamente associadas a digitalização de cadastro rural e florestal, na disponibilidade de medida e divulgação, em tempo real, de coberturas de redes de comunicações eletrónicas no contexto dos investimentos dispersos com base em sistemas sensores/detetores. Tirar ainda partido das comunicações básicas em 5G na gestão integrada de ativos imobiliários dispersos ao serviço de várias funções de entidades multi-localizadas, a digitalização dos cadernos de campo para registo e controlo de atividades silvo-agro-pecuárias. Acompanharemos o estádio da arte na oferta de equipamentos, dotados com cada vez maiores funcionalidades facilitadoras do uso alargado nas empresas, propiciadores de soluções que dão vida aos dados acumulados, quantas vezes adormecidos, nas instituições. Responderemos com a qualificação contínua dos nossos técnicos. Seguiremos a evolução tecnológica servindo-nos dela como geradora de soluções inteligentes, que rentabilizam os investimentos dos nossos clientes.

nacionais, integrando instituições como a APDSI - Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade de Informação, a HERE MAPS, a ITS- Portugal Associação para o Desenvolvimento da Mobilidade e Transportes Sustentáveis. Por outro lado, integra projetos de I&D promovidos e financiados pela Comissão Europeia, contribuindo para a partilha de experiências e investigação entre equipas tecnologicamente avançadas. ▪

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PONTOS DE VISTA PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“Estou na ANI e é esta a Missão à qual estou totalmente dedicada” Promover a inovação em Portugal é o foco da ANI – Agência Nacional de Inovação. Foi nesse sentido que a mais recente Presidente do Conselho de Administração, Joana Mendonça, nos deu a conhecer a sua missão e a relevância da mesma.

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ANI – Agência Nacional de Inovação tem por objetivo o desenvolvimento de ações destinadas a apoiar a inovação tecnológica e empresarial em Portugal, contribuindo para a consolidação do Sistema Nacional de Inovação e para o reforço da competitividade da economia nacional nos mercados globais. Neste sentido, que iniciativas têm vindo a ser realizadas? Vejo a ANI como uma one-stop shop, uma espécie de balcão único, que acompanha todo o ciclo de vida da inovação, desde que sai do espetro da ciência fundamental que é desenvolvida nas instituições de ensino superior e centros de investigação, até que passa aos domínios da chamada inovação mais incremental. A nossa missão centra-se nesse intervalo entre a criação de conhecimento e o mercado, ajudando a minimizar o risco da inovação e apoiando a transformação do conhecimento em valor económico. Esta missão concretiza-se em três pilares fundamentais. Por um lado, promovemos e acompanhamos os projetos nas empresas, nomeadamente através da gestão dos mecanismos de apoio e de instrumentos de incentivo à inovação, através dos incentivos às empresas no âmbito do Portugal 2020 ou do Portugal 2030 para o desenvolvimento de projetos de I&D em colaboração com os centros de investigação e as instituições de ensino superior. Em segundo lugar, pela valorização do conhecimento, desenvolvendo as áreas de interface, através de mecanismos como os sistemas de compras de inovação, a valorização de tecnologia e o apoio às instituições de interface. No terceiro, promovendo a participação das instituições portuguesas em programas internacionais como o Horizonte Europa, entre outros. É este leque de instrumentos que devemos ser capazes de oferecer de forma integrada às empresas. Estes três pilares da atuação da ANI não estão isolados uns dos outros. Idealmente, há uma visão transversal que permite, por exemplo, que uma tecnologia comece a ser desenvolvida no âmbito dos apoios nacionais, mas acabe por crescer e por ser candidata a apoios internacionais.

JOANA MENDONÇA

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Como se encontra o atual panorama do país no que diz respeito à inovação empresarial e, por conseguinte, à competitividade nos mercados globais? Estamos a entrar num período de grande impor-


PONTOS DE VISTA PONTOS DE VISTA NO FEMININO

tância estratégica para Portugal, com inúmeros desafios. Neste contexto, a inovação é chave para promover alterações e permitir o aumento da competitividade das empresas, nomeadamente ao nível do desenvolvimento de produtos e serviços diferenciados de alto valor acrescentado e atuação nos mercados internacionais. Por outro lado, Portugal foi reconhecido pela OCDE como um dos países que mais respostas deu à pandemia pela inovação, com diversas soluções a serem desenvolvidas por várias instituições e empresas. Em Portugal, temos uma grande diversidade de setores a inovar. Atualmente, 52% do investimento em I&D é feito pelas empresas, mas a meta já definida é que a fatia das empresas passe a representar pelo menos dois terços. Efetivamente, o investimento feito pelas empresas está a aumentar e estas começam a aparecer com soluções inovadoras, interessantes e competitivas, não só a nível nacional como a nível internacional, mas ainda temos uma larga margem de crescimento. Compete também à ANI a divulgação, a nível nacional e internacional, em colaboração com outras entidades, de casos de sucesso da inovação em Portugal. É legítimo afirmar que o país tem sido pioneiro no que concerne à inovação e, por aí, se tem destacado? Na verdade, essa não é propriamente uma competência da ANI. Mas temos trabalhado no sentido de divulgar e acompanhar casos de sucesso. De que forma o ensino e a formação, através da associação dos conceitos de Engenharia, Gestão e Empreendedorismo são importantes para o processo de inovação das empresas? Nada é feito sem pessoas e, por isso, é crítico termos níveis de formação cada vez mais elevados nas empresas. Efetivamente, essa realidade é cada mais visível e a tendência é que estes níveis aumentem. Apesar disso, aproximar estes conceitos é um processo que leva o seu tempo. Tipicamente, há uma grande oferta nas áreas de empreendedorismo nas escolas de gestão, muito importante para os processos de inovação nas empresas. No entanto, essas formações de excelência, não con-

templam o conteúdo da tecnologia. É importante reconhecer que gerir tecnologia e levar tecnologias para o mercado requer outras competências e conhecimentos. É por isso que é mais difícil para os profissionais destas áreas compreenderem conteúdos tecnológicos de áreas altamente especializadas como a Biotecnologia, as Tecnologias Digitais, o Espaço e os Oceanos, por exemplo. Portanto, temos de garantir que pessoas das áreas técnicas, que estão a gerir o desenvolvimento de novos produtos e serviços, têm ferramentas que os tornem capazes de olhar para quem os está a desenvolver. Foi por este motivo que, no Departamento de Engenharia e Gestão do IST, lançámos o Mestrado em Engenharia e Gestão da Inovação e Empreendedorismo. A Universidade do Porto também tem uma formação idêntica. Os produtos e os serviços devem ser pensados a partir das pessoas, não o inverso. Joana Mendonça, Professora Associada do Instituto Superior Técnico, foi recentemente nomeada Presidente do Conselho de Administração da ANI. Em funções desde maio de 2021, que desafios são esperados para o próximo triénio? A tomada de posse desta administração coincide com um momento muito desafiante, tendo em conta os fundos europeus e o PRR que teremos de gerir nos próximos anos, e o relançamento da economia num período pós- pandemia. Assim, o próximo triénio representa vários desafios para a ANI. Temos realizado muito trabalho no terreno focado na promoção da colaboração e na criação de redes e parcerias entre as empresas e as instituições científicas, num esforço de aproximação aos diferentes stakeholders do sistema de inovação. Quanto mais parcerias conseguirmos promover, maior se tornará a capacidade das empresas de absorver o conhecimento gerado nos centros de saber. Mas também as próprias instituições do sistema científico e tecnológico nacional estão cada vez mais sensibilizadas para as necessidades do mercado. Estes princípios de reciprocidade e colaboração são críticos para o processo de transformação da ciência em economia. Na ANI, tanto atuamos com instrumentos próprios, como através de contactos que viabilizam a colaboração. Como sabemos, a

“DO PONTO DE VISTA DA PRÓPRIA ORGANIZAÇÃO DA ANI, QUEREMOS ABRAÇAR O DESAFIO DA TRANSIÇÃO DIGITAL, QUE É FUNDAMENTAL PARA NOS PERMITIR DAR RESPOSTA A ESTES DESAFIOS. É UM PROCESSO MUITO DIFÍCIL, MAS TEMOS DE O FAZER” inovação tem um potencial gerador de maior crescimento económico. Já há muito trabalho feito em Portugal, que queremos capitalizar no atual contexto de recuperação. É essa a nossa maior prioridade. Do ponto de vista da própria organização da ANI, queremos abraçar o desafio da transição digital, que é fundamental para nos permitir dar resposta a estes desafios. É um processo muito difícil, mas temos de o fazer. Ainda que a desempenhar funções há pouco tempo, quão importante é para a Joana Mendonça estar no topo de uma organização como esta? Que mais-valias lhe traz, não só para a sua carreira profissional, como para a vida pessoal? Eu gosto de desafios e este é o grande desafio. Temos, nesta fase, a resiliência como questão fundamental, e eu estudo inovação há

quase 20 anos, com muitos contactos com as empresas, pelo que esta é uma oportunidade para pôr em prática o know-how que tenho vindo a acumular num contexto em que é absolutamente crítico. O facto de eu ser a primeira mulher à frente da ANI também tem um certo simbolismo. Temos de mostrar às nossas filhas que as mulheres podem alcançar este tipo de cargos. A terminar, que outros objetivos ainda tem por concretizar nesta ou em outras áreas distintas? O que lhe falta fazer? Neste momento estou a trabalhar neste desafio, e é nele que me concentro. Felizmente, há ainda muito que me falta fazer e estou certa de que terei no futuro mais desafios pela frente. Mas agora estou na ANI e é esta a missão à qual estou totalmente dedicada. ▪

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PONTOS DE VISTA PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“Continuarei, da minha parte, a incentivar o Empreendedorismo Feminino” Assumidamente apaixonada pelo setor alimentar, a nossa entrevistada, Isabel Faria, CEO da Palmeiro Foods, em conversa com a Revista Pontos de Vista, revelou alguns detalhes acerca da sua carreira, bem como alguns obstáculos e ainda como o empreendedorismo em Portugal tem vindo a crescer.

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ISABEL FARIA

endo já diretora executiva há mais de 20 anos com uma vasta experiência na área alimentar, quando e como surgiu esta paixão pela alimentação? A paixão pela alimentação, e mais concretamente pelo setor alimentar, vem já desde o início da minha carreira. Nos meus tempos de auditora financeira, uma das coisas que mais me fascinava era visitar unidades de produção alimentares e conhecer todo o processo produtivo e de transformação dos alimentos. E agarrei logo a primeira oportunidade numa empresa do setor alimentar assim que surgiu. Mesmo tendo começado na área financeira o que mais me entusiasmava era a ligação com o negócio e o impacto que poderia ter na alimentação humana. No grupo multinacional americano onde trabalhei durante alguns anos sempre me identifiquei muito com a ideia de “Alimentar o Mundo” e o impacto que poderia ter o meu envolvimento nesse processo. Atualmente estamos num ponto de viragem incrível da alimentação humana onde cada vez mais somos conscientes do impacto no mundo e no futuro das novas gerações da forma como nos alimentamos. Intitula-se, - e bem – como uma “game changer” com um forte impulso para a estratégia e claro, os resultados. Quais os maiores obstáculos que encontra enquanto CEO de uma empresa como a Palmeiro Foods? Os desafios como CEO têm vindo num crescendo ao longo do tempo. Os últimos dois anos foram de uma aceleração extrema a todos os níveis e agora, mais do que nunca, sentimos o fenómeno da globalização tocar-nos muito de perto. Desde a crise sanitária, às alterações climáticas, à aceleração da digitalização, aos aumentos sucessivos dos preços de bens e serviços essenciais e a forma como tudo isto impactou a cadeia de abastecimento trouxe-nos desafios nunca antes vistos. Com toda esta dinâmica de fecho e reabertura da economia a gestão da

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cadeia de abastecimento tornou-se bastante mais complexa e obrigou a trabalhar um conjunto de soluções de mais dificil decisão e de forma mais acelerada. O planeamento de produção, o MRP e a gestão de stocks tornaram-se mais desafiantes e obrigaram-nos a desenvolver nas equipas mais capacidade de adaptação e resiliência. E tudo isto é um processo de aprendizagem constante para todos. Implementou iniciativas de reestruturação à escala global e local. O que faria de diferente se pudesse recuar no tempo? O ter passado por diferentes dimensões de empresas e projetos com impacto global e local de reestruturação, trouxe-me uma visão mais clara do impacto das minhas decisões e como melhor lidar com determinadas situações. As reestruturações são muito importantes do ponto de vista de resultados mas têm um impacto grande em toda a organização. Quanto mais localmente se reestrutura, mais perto estamos de lidar com as consequências dessas decisões e o impacto na vida dos colaboradores. E é muito diferente estar numa holding de um grupo a dar instruções sobre como se deve fazer uma reestruturação comparado com ter de fazer essa reestruturação localmente. É muito mais desafiante a última e toca-nos muito mais profundamente. Essa é sempre a parte mais difícil. O lidar com a mudança e o impacto que estamos a causar na vida das pessoas. O lidar com pessoas tem sido sempre o maior desafio. Quando penso no que poderia ter feito melhor, acabo sempre por achar que poderia ter lidado de forma diferente com aquela situação e/ou aquela pessoa. Tento sempre que isso me sirva de aprendizagem para liderar com mais humildade e tendo a consciência do impacto que tenho na vida das pessoas. Sem dúvida tenho aprendido muito em ter experienciado diferentes dimensões de empresas, em diferentes países, com diferentes culturas. É tão importante perceber a história por detrás de cada pessoa para melhor enquadrar uma decisão e ajudá-la no sentido do processo ser um pouco mais fácil, mais humano. Multifacetada como é, levou os seus conhecimentos mais longe desenvolvendo estudos em Gestão de Empresas e Marketing e experimentando diferentes funções. O objetivo foi chegar ao seu próprio negócio? Tirando o setor alimentar, existe mais alguma área onde sonha laborar? Qual? Eu estudei Gestão de Empresas e, inicialmente, tinha muito o foco de seguir na área de mercados financeiros pois era a minha paixão. Mas o que é facto é que acabei por seguir para auditoria financeira e apaixonei-me pelo mundo das empresas e pelo impacto que poderia ter no mundo. Ingressei depois na indústria alimentar e pela forma entusiasmante como me dedicava ao que fazia foi mais fácil para mim ir evoluindo

“A APOSTA NOS PRODUTOS ALIMENTARES DESIDRATADOS FOI EVOLUINDO AO LONGO DOS ANOS PARA ATENDER A SOLUÇÕES MAIS VIRADAS PARA A NUTRIÇÃO E SAÚDE. HOUVE UMA APOSTA FORTE NO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS SERVINDO OS CANAIS DE FOOD SERVICE E RETALHO COM UMA GAMA BASTANTE COMPLETA” pelas diferentes áreas da empresa e saltar para funções internacionais. Ambicionei ao longo de muitos anos crescer dentro de um grupo internacional e isso aconteceu naturalmente. Desde auditoria financeira, ao controlling e direção financeira, à gestão de processos globais, à direção de desenvolvimento de negócio, à consultoria e agora a direção geral de uma empresa foi um processo fascinante. O ter criado o meu próprio negócio pelo meio foi, para mim, mais um sonho concretizado. Mas é o todo do que experienciei que me fascinou à medida que ia avançando. Foi o caminho que fiz e não propriamente o fim que me deu mais gozo. Eu trabalho com paixão por tudo o que faço. Como gosto muito de coisas novas e ainda tenho muito para dar neste momento nunca sei onde o caminho me leva e se poderei experimentar outras áreas. Mas a minha “casa” é a área alimentar. A Palmeiro Foods tem vindo a acompanhar as tendências no setor alimentar, contando com uma visão atenta antecipando as necessidades do público. Onde e como começa o processo criativo dos produtos que oferecem? De que forma a procura por soluções equilibradas e de qualidade, é um dos principais focos na hora de lançar um novo produto? Acredita que a excelência é o que diferencia a Palmeiro Foods das restantes marcas? Eu estou na Palmeiro Foods há cerca de um ano, mas a empresa já está há mais de 20 anos no setor alimentar. A aposta nos produtos alimentares desidratados foi evoluindo ao longo dos anos para atender a soluções mais viradas para a nutrição e saúde. Houve uma aposta forte no desenvolvimento de produtos servindo os canais de food service e retalho com uma gama bastante completa. O potencial na área alimentar é tremendo e conseguimos ter sem-

pre muitas alternativas que vão surgindo para poder incorporar e desenvolver novos produtos. As novas tendências estão a exigir-nos um processo de renovação da empresa e por isso também estamos em processo de simplificação e alinhamento do nosso portefólio com as novas tendências, com um rebranding completo das nossas marcas e a certificação da nossa unidade industrial para efeitos de IFS. Contamos que estas mudanças nos permitirão capitalizar o nosso posicionamento como player num mercado cada vez mais global e competitivo. A empresa tem apostado nos últimos anos nas marcas próprias, mas queremos, cada vez mais, potenciar as nossas marcas de uma forma mais contemporânea e sustentável com um propósito claro na forma como contribuímos para a alimentação. Ao longo da sua carreira tem ganho diversos prémios pelo trabalho desenvolvido. É este reconhecimento que a move? O que inspira a Isabel Faria? Os prémios ganhos anteriormente são sempre uma forma de reconhecimento. A mim o que me move é poder contribuir para o crescimento e a sustentabilidade de uma organização. Poder fazê-lo como CEO de uma empresa no setor alimentar com tanto potencial de crescimento é algo que me fascina. É assumir esta posição numa empresa e poder transformá-la e posicioná-la de uma forma competitiva e sustentável num mercado e contexto atuais tão desafiantes. O que me move a mim são os desafios e o poder construir algo para o futuro com uma equipa. E neste momento posso dizer que temos uma equipa fantástica para o poder fazer e com muita vontade de construir o que possa ser esta empresa no futuro no sector alimentar. Por fim, acredita que o empreendedorismo feminino em Portugal está a crescer? Em relação ao futuro da sua empresa, da criação de novas marcas, o que nos pode adiantar? O empreendedorismo feminino em Portugal cresceu bastante mas não sei se foi sempre motivado pelas melhores razões. Com a pandemia, as mulheres foram mais prejudicadas do que os homens e viram-se em muitos casos a ter de criar soluções para a sua vida profissional. E arriscar mais em negócios próprios. Por um lado, é positivo quando somos “forçados” a encontrar novos caminhos e a arriscar mas, por outro lado, reflete uma realidade que ainda está muito presente. Nas alturas de crise ainda são as mulheres as mais prejudicadas. De qualquer forma há uma ascensão, cada vez maior, nas empresas das mulheres a cargos de direção e isso é bastante positivo e abre muito o caminho às futuras gerações. Na nossa empresa temos dado muitas oportunidades a mulheres e o número de colaboradoras já é muito superior. Continuarei, da minha parte, a incentivar o empreendedorismo feminino. ▪

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“Estou Comprometida com a firma em continuar com o conceito de prestação de Serviços Personalizados” Começou pelo México, mas hoje chefia a área internacional de consultoria de imigração na JR Bacalhau. A nossa entrevistada, Alicia Treviño, conta-nos como a ambição certa pode mesmo levar a bom porto e tudo o que ainda falta alcançar.

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JR Bacalhau é um escritório especializado em todas a áreas do Direito, com ênfase em Direito Tributário, Trabalhista, Empresarial e Societário. Como e quando nasceu esta paixão pela Advocacia? Alguns anos antes de trabalhar em Portugal, trabalhei numa empresa internacional na Cidade do México como responsável pelos clientes e contas internacionais e aí foi onde desenvolvi o gosto pelos serviços profissionais e a gestão de clientes, relações internacionais e consultoria. Quando cheguei a Portugal em 2017 e comecei a trabalhar na JR Bacalhau, nasceu uma especial paixão pelas questões jurídicas, que pude complementar com as competências adquiridas anteriormente, o que resultou neste momento na chefia da área internacional de consultoria de imigração do escritório. Sabemos que o mundo do Direito – como tantos outros – pode trazer vários desafios e/ ou oportunidades. Como é, para a Dra. Alicia Treviño, ser a Diretora de Operações Globais de uma empresa como a JR Bacalhau? Quais as maiores dificuldades que enfrentou? Para mim é uma honra ser Diretora de Operações Globais e pertencer a uma firma como a JR Bacalhau, pois é uma firma com muitos anos de experiência, com pessoas que têm um grande valor e com as quais adquiri muito conhecimento poder chegar onde estou e tenho o compromisso pessoal com a firma de dar o melhor de mim e ter sempre a melhor disposição para enfrentar as dificuldades, como nos últimos anos para todos, em que a maior dificuldade em geral é manter um departamento com crescimento linear ascendente mesmo em meio à calamidade global que tem sido este vírus.

ALICIA TREVIÑO

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Tem atualmente um cargo que lhe permite dirigir as operações da empresa, desenvolver planeamentos estratégicos, monitorizar e implementar políticas e processos, entre outros.


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“PARA MIM É UMA HONRA SER DIRETORA DE OPERAÇÕES GLOBAIS E PERTENCER A UMA FIRMA COMO A JR BACALHAU, POIS É UMA FIRMA COM MUITOS ANOS DE EXPERIÊNCIA, COM PESSOAS QUE TÊM UM GRANDE VALOR E COM AS QUAIS ADQUIRI MUITO CONHECIMENTO”

Quais são mais-valias que esta responsabilidade lhe confere enquanto profissional? Tenho o compromisso com a firma para continuar a criar e gerir as operações em crescimento. Crescer neste contexto não é fácil, a firma tem um perfil internacional e eu enquanto mexicana tenho também essa vocação internacional e os meus contactos e a confiança dos sócios depositada em mim cria uma responsabilidade acrescida. Mas o meu perfil pessoal e percurso profissional que começou na banca privada e passando pala gestão de grandes contas internacionais na área da consultoria de negócios no México dá-me o know-how e a experiência necessária para continuar este projeto. Sinto que tenho a motivação, experiência e confiança para criar uma mais-valia aos projetos e desafios da firma. O que diferencia a JR Bacalhau? Qual é o papel que pretende assumir juntos dos clientes? A JR é uma boutique de consultoria legal internacional e do ponto de vista pessoal é um sentimento de realização pessoal e profissional, depois de tantos sacrifícios e anos de esforço pessoal e profissional que vem desde a banca privada em México e um percurso sempre dedicado à consultoria e aos clientes. Estou comprometida com a firma em continuar com o conceito de prestação de serviços personalizados, garantindo que cada pessoa, cada família que necessita dos nossos serviços, seja tratada como uma pessoa, com necessidades específicas e únicas e não como um número de arquivo e esta é a posição que me permite implementá-

-lo de uma forma mais tangível. É um compromisso e uma responsabilidade. O objetivo de Alicia Treviño ao ingressar na JR Bacalhau sempre foi chegar à função que hoje assume? Que novos projetos podemos esperar daqui para a frente no seio desta marca? O meu objetivo não foi alcançar a posição que hoje assumo, sempre fui uma pessoa ativa e em constante crescimento, por isso espero ter a honra de ir mais longe dentro da firma. O desenvolvimento desta nova área de migração, como departamento autónomo dentro da firma para todos os estrangeiros interessados ​​em viver, ter negócios ou investir em Portugal foi um desafio e entendo com sucesso, mas estão a surgir novos projetos que serão igualmente desafios constantes, com parceiros estratégicos em diferentes partes do mundo para o crescimento da firma de uma forma global. Já somos membros da BLITA INTERNACIONAL desde 2016 que nos dá presença em 17 países da Europa, Américas e China, o que já nos permite uma presença global e um serviço personalizado em 17 países. Sente que ao assumir o cargo de Diretora de Operações Globais, foi como atingir uma meta a nível pessoal e profissional? O que falta ainda alcançar? O céu é o limite? Definitivamente alcancei um objetivo a nível pessoal e profissional, mas não é o fim do caminho, há muitas ideias e projetos a desenvolver, sei que posso contribuir com novas formas de ver o mundo da consultoria jurídica e tenho a

Entre março de 2017 e abril do presente ano, tinha como cargo Especialista em relação de clientes. Quatro anos depois de integrar a JR Bacalhau, qual é o sentimento que fica ao observar que se desenvolveu enquanto líder? Existe aqui um desafio acrescido? É um sentimento de realização pessoal e profissional que anda de mãos dadas com anos de esforço e sacrifício para chegar até aqui. Claro que a responsabilidade é grande neste tipo de serviços profissionais, há muita responsabilidade nas questões jurídicas em geral e, no meu caso, que estou na área de imigração, sei que o projeto de vida das pessoas e sua mudança de vida está de alguma maneira nas minhas mãos.

certeza que servirá para o crescimento contínuo da firma nos próximos anos. Posso adiantar que já estamos com escritórios próprios da firma no México, em Queretaro e Monterrey, assim como em Miami nos Estados Unidos. Além de que a presença global da BLITA permite que a firma tenha operações globais e aí está um novo desafio. E felizmente, os sócios confiaram em mim para liderar o projeto global de expansão internacional da firma e gerir as operações globais. Assim como outros projetos que estão pensados, mas estamos a desenvolver os projetos de forma consciente e com os pés no chão. ▪

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Liderança Feminina: um Compromisso e uma Missão

Líder em Consultoria e Serviços Tecnológicos, a Glintt é uma marca que tem vindo a marcar a diferença na área da saúde. Num discurso inspirador, Filipa Fixe, revela-nos alguns detalhes acerca da evolução da empresa e ainda sobre o seu percurso enquanto Administradora Executiva da mesma.

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Glintt é uma empresa de referência na Península Ibérica em Consultoria e Serviços Tecnológicos, contando já com mais de 20 anos de existência. De que forma a marca consegue manter este posicionamento? Quais são as características que a distingue das restantes? Para a Glintt, uma multinacional tecnológica com mais de 20 anos de experiência com provas dadas na área da saúde e da tecnologia, é fulcral continuar a evoluir e a reinventar-se. Os cuidados de saúde estão a evoluir e nós queremos fazer parte desta (r)evolução, mas só o conseguiremos fazer se combinarmos estratégia com tecnologia, inovação e equipas multidisciplinares de modo a proporcionarmos novas soluções e abordagens aos nossos clientes e parceiros e – muito importante - em cocriação com eles. Assim, em abril de 2020 a Glintt desenvolveu, juntamente com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) e em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma ferramenta gráfica - ADAPTT Planning Support Tool - que permite aos especialistas seniores em planeamento de cuidados de saúde e decisores políticos, de vários países, inserirem os seus dados epidemiológicos e variarem os cenários de mitigação, ao usar o modelo epidemiológico ilustrativo da ferramenta. Já em junho de 2021, lançámos o Viewer, uma plataforma pioneira criada em conjunto com os profissionais de saúde, que pretende oferecer à Saúde o foco que ela precisa, disponibilizando uma visão rápida e integrada do utente, investindo no cuidado, na prevenção da doença e no bem-estar. A génese do Viewer assenta em três grandes focos, que prometem facilitar o dia a dia e acompanhar o profissional de saúde: mobilidade, informação certa no momento certo, transformando a informação em conhecimento. É uma empresa que desenvolve, implementa e suporta um conjunto diversificado de produtos próprios na área da saúde, tornando-a líder neste mercado. Como é ser administradora executiva de uma marca desta dimensão? Quais os desafios que enfrenta ao assumir este papel? O mercado da tecnologia ainda não é muito marcado pela presença feminina. Apesar dos

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Quanto aos desafios que enfrento ao assumir o papel de administradora executiva da Glintt, um dos maiores é claramente garantir a motivação das diferentes equipas e que cada uma entende o propósito do que faz no seu dia a dia. O outro desafio é procurar, de forma contínua, que a inovação que a saúde e a tecnologia podem proporcionar é adotada pelos nossos colaboradores e incorporada pelos nossos clientes através das nossas soluções. Acreditamos que a tecnologia é um dos alicerces para melhores cuidados de saúde, com mais equidade a custos controlados. Esta pandemia trouxe-nos uma realidade diferente em que o ecossistema mais alargado da saúde tem de efetivamente ser centrado nas pessoas e na gestão da saúde e não na gestão doença. Como diz Michio Kaku (físico americano): “As próximas duas grandes indústrias a serem impactadas pelo mundo digital são a medicina e a educação. Teremos mais poder num smartphone do que um hospital universitário e moderno tem hoje. Apesar dos rápidos avanços da tecnologia, os humanos continuarão a ser fundamentais na tomada de decisão”. FILIPA FIXE

grandes passos que já foram dados, outros existem para dar e cabe-nos a nós mulheres criar a abertura para discutir estes temas. Segundo um estudo do Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), em 2020, os homens representavam 83% das pessoas empregadas na área das TIC na União Europeia, sendo que Portugal está em linha com este valor. Tal significa que mais de quatro em cada cinco trabalhadores formados em TIC são homens. E é precisamente nas tecnologias que está a aposta ao nível de crescimento económico na União Europeia. O tema das mulheres, da sua vida pessoal e profissional, tem muito a ver com o tema Cultura e a forma como cada sociedade encara este grande tema. Temos vários exemplos de sociedades inclusivas e outras ainda em fase de evolução, mas importa garantir que mulheres e homens estão em igualdade do ponto de vista pessoal e profissional para que os seus objetivos e ambições possam ser alcançados com mesma equidade.

Sustentabilidade é um tema que vos diz muito. Promovem por isso uma cultura empresarial que incentiva ao cumprimento de planos como, o Plano de Sustentabilidade, de Igualdade e do Código de Ética. Qual tem vindo a ser o papel da Glintt neste sentido? Que marca querem deixar? Através da inovação, pretendemos ajudar a transformar as organizações e melhorar a vida das pessoas. Acreditamos que através da tecnologia podemos promover melhores cuidados de saúde, com mais equidade e garantindo a sustentabilidade financeira do sistema de saúde. Existem várias estratégias ao nível corporativo que podem ser implementadas para despertar a curiosidade, a criatividade e o talento feminino, como os programas de mentoria, que permitirão criar histórias de sucesso e assim, ajudar a nascer ícones femininos nas tecnologias digitais. É fundamental partilhar estas histórias de sucesso pelas quais jovens mulheres podem guiar-se e inspirar-se a si mesmas, dando-lhes a oportunidade de conhecer role models e fazendo acreditar de que é possível. Assim se quebram preconceitos e é possível


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desenvolver uma cultura digital disponível para todos, numa perspetiva muito mais sustentável e duradoura. E é com esta visão que, em 2021 mantemos o foco em quatro grandes pilares: Pessoas, Clientes, Inovação e Crescimento. Dos nossos projetos, destaco a Academia Glintt que recebe anualmente recém-licenciados e mestrados e os Summer Trainees, em que recebemos estudantes durante os meses de verão e concedemos uma formação on the job, oferecendo uma verdadeira imersão no seio empresarial; a Academia de Liderança, um projeto interno de formação e desenvolvimento de líderes; e o Plano de Formação Comum, para o desenvolvimento contínuo de competências, que é um pilar estratégico na gestão dos nossos recursos humanos. Outro evento interno que gostaria de destacar – no que à equidade diz respeito - são as Glintt Women Tech Talks. Foi no seguimento do Dia da Mulher de 2019 que demos o pontapé de saída do nosso Programa Tech Women com a iniciativa - Glintt Women Tech Talks (GWTT). Estas são conversas que surgem da vontade de dar a conhecer histórias e experiências inspiradoras e de sucesso, em contexto corporativo, contadas na primeira pessoa por mulheres que são autênticos role models. No final, o objetivo é criar momentos de networking e de maior descontração entre os colaboradores e colaboradoras da Glintt, e os oradores(as) convidados(as). Em 2020 e atualmente as GWTT têm sido em formato online em consequência da pandemia, mas acredito que - agora com a melhoria da situação pandémica que temos observado – a próxima GWTT já será em formato presencial. Em 2018 nasceu a Glintt Inov onde o objetivo passa por desenvolver, inovar e promover o empreendedorismo por meio da tecnologia e dos novos modelos de negócio, para que de forma sustentável consigam melhorar a qualidade de vida da comunidade. Este projeto, nasce como e porquê? Qual a importância de traçar cada vez mais um caminho inovador aliado à sustentabilidade? A Glintt INOV nasce em 2018 como uma marca dentro do universo Glintt dedicada a ser um Hub de Inovação na área de Digital Health, como uma estrutura independente e desafiadora das mentes inquietas que constituem o maior ativo da Glintt, o capital humano. A sua missão é a de conseguir uma maior interoperabilidade entre os diferentes sistemas que operam neste setor, centrado na saúde e no bem-estar das pessoas. O seu objetivo é incentivar a que todos os colaboradores da Glintt, clientes, parceiros académicos e empresariais sintam que podem e devem contribuir, com ideias e com o seu espírito crítico, para inovar ou melhorar até o que funciona bem, pois nada nos diz que não pode funcionar melhor. O investimento em projetos inovadores é um dos mais estruturantes da empresa para os próximos anos. Acreditamos que este é o caminho para garantirmos que a Glintt acompanha o

ritmo acelerado da sociedade digital e consegue entregar soluções tecnológicas eficientes e sustentáveis e, que no final do dia, possam melhorar a saúde de todos. O futuro da saúde passa por tratar dos saudáveis antes que fiquem doentes através da descentralização, da miniaturização e da personalização, capacitando o cidadão e habilitando os profissionais saúde. A tecnologia assegura a sustentabilidade e a proximidade dos sistemas de saúde e o caminho é este. A equação do bem-estar e da saúde centrada no cidadão só pode ser resolvida através de tecnologia e de processos bem definidos. O nosso dia a dia é transformado pela tecnologia através do digital, da mobilidade e do virtual. Cada um de nós enquanto cidadão procura cada vez mais tecnologia na relação com os profissionais de saúde e com as instituições de saúde. Este momento deve ser encarado como uma oportunidade para continuar e acelerar a implementação de inovação e de tecnologia para que os cuidados de saúde e a relação utente-profissionais de saúde possa ser realizada à distância de um click. O momento pandémico que atravessamos permitiu que as diferentes instituições de saúde e não saúde centrassem os seus serviços no cidadão tendo por base tecnologia e inovação de processos. Já Milton Friedman dizia que apenas uma crise real ou percebida – é capaz de produzir mudanças reais. Quando essa crise acontece, as ações tomadas dependem das ideias que circulam, daquilo em que acreditamos serem as soluções. Por isso acredito que nos cabe desenvolver alternativas às soluções existentes, mantê-las vivas e disponíveis até que o impossível do passado se torne o inevitável do presente e construa o novo futuro normal.

assim como o é o fator Networking! Enquanto os homens o têm enraizado, nós mulheres precisamos de treinar mais. Mas já assistimos a claras mudanças na sociedade portuguesa. Mais mulheres em cargos de gestão e de topo, e mais homens a estenderem as suas licenças de paternidade. E esta evolução é importante tanto para a vida profissional, como pessoal, ganhando os homens uma relação muito mais próxima com os filhos desde tenra idade. Segundo, um estudo da Harvard Business School – “The Old Boys’ Club” (2020) as interações sociais entre os colaboradores e os seus líderes podem constituir uma vantagem. O estudo incide sobre os dados de uma grande instituição financeira e conclui que homens liderados por homens têm promoções mais frequentes na carreira do que as mulheres lideradas por homens. Quando as mulheres são líderes a percentagem de homens e mulheres que são promovidos é muito semelhante. O networking nas “pausas sociais” ou fora do ambiente de trabalho são fatores com impacto na evolução da carreira dentro das organizações. Tal como no episódio da série “Friends”, quando Rachel começou a fumar porque percebeu que as decisões críticas aconteciam nas pausas para fumar. Por outro lado, na grande maioria dos lares portugueses, a mãe ainda continua a ser a figura central na dimensão familiar. Existe ainda muito preconceito relacionado com o papel e responsabilidade de mãe, que importa contrariar ou que, pelo menos, não deve constituir uma bar-

Falando sobre empreendedorismo. Para si, existe realmente alguma diferença entre a liderança feminina e masculina ou não é, de facto, uma questão de género? Nós mulheres somos muito autocríticas. Por exemplo, lemos as funções exigidas num anúncio de emprego e se vemos algo com o qual não estamos 100% à vontade, riscamos da equação. Enquanto os homens são muito mais confiantes, se a primeira linha de exigências está preenchida, então siga, vamos lá. Arriscar é importante,

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reira na progressão da carreira. Desta forma, está do lado das organizações criar condições para um maior equilíbrio, através de ações concretas e direcionadas como o acesso facilitado a formação especializada ou, simplesmente, promovendo boas práticas como “proibir” a marcação de reuniões a partir de determinada hora, não obrigando nunca a pessoa a optar por uma ou outra dimensão da sua vida (profissional versus pessoal/familiar). Qual é o sentimento da Filipa Fixe ao saber que assume um cargo tão importante numa empresa de renome como a Glintt? O que a inspira diariamente? Sentimento de orgulho o de pertencer a uma equipa e a uma empresa que todos os dias confia nos seus recursos e se desafia de forma permanente com o objetivo de incorporar inovação tecnológica no dia a dia das instituições de saúde e de cada cidadão, promovendo o bem-estar e a saúde da sociedade em geral. Todos os dias devemos trabalhar de forma próxima com as nossas equipas, com humildade, capacidade de ouvir e garantir que avançamos de forma sustentável e com foco nos nossos clientes e parceiros. O que é mais desafiante para a Filipa Fixe enquanto administradora executiva da Glintt? O que é para si, um dia mau no trabalho (se é que eles existem)? O dia a dia nunca há-de ser fácil, seja no mundo académico, como no profissional, mas se gostarmos do que fazemos nunca há-de ser difícil o levantar e ir trabalhar naquilo que gostamos. Isto é já 50% da energia que precisamos para o resto do dia! Certamente que teve (e continua a ter) um percurso marcado por muitas vitórias bem como obstáculos. Consegue referir-nos algumas? As vitórias devem ser vistas todos os dias e com a equipa com quem trabalhamos. Nada se concretiza de forma isolada ou apenas com uma perspetiva. Tenho trabalhado com equipas que se complementam, tanto do ponto de vista social como profissional, e tal permite que a liderança se torne cada vez mais uma relação bidirecional e de aprendizagem contínua. Uma das maiores vitórias que pautaram o meu

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percurso profissional foi quando eu decidi que ia olhar para o mundo empresarial como uma opção de futuro, em vez do mundo académico. A outra vitória foi o Doutoramento. Se me perguntassem se não teria sido preferível ter entrado logo no mundo empresarial, antes de fazer o doutoramento, diria que não. Ainda bem que o fiz. Cresci muito, foi-me muito útil este percurso tanto ao nível pessoal, como profissional. Acredito que não teria crescido tanto se tivesse logo entrado numa empresa em Portugal, porque me abriu portas para um conjunto de novas áreas. Fez-me estudar, aprender, ser mais curiosa e mais resiliente. Nem sempre tive sucesso, mas aprendemos com os erros. São lições de vida. Estes foram os dois momentos-chave que decidiram o meu percurso profissional. Numa altura em que cada vez mais se debatem questões relacionadas com a (des)igualdade de género, como nos pode descrever o seu percurso profissional neste sentido? Na área onde labora, a desigualdade de género é uma realidade? Fiz uma licenciatura, mestrado e Doutoramento em áreas relacionadas com a Engenharia e as Ciências da vida. A interdisciplinaridade e a vivência noutro país nunca me fez sentir desigualdade ou sequer pensar muito no tema. Fui sempre prosseguindo um sonho, uma ambição e penso que isso faz a diferença. Nem sempre corre da forma planeada, mas isso faz parte do percurso de cada um de nós e é independente do género. Os mentores/líderes ao longo do percurso académico e profissional foram fundamentais para me inspirarem no dia a dia e de aprender muito, mas muito, com cada um deles. E continuam a ser uma referência no meu percurso de hoje em dia. Embora se verifique na Glintt alguma disparidade que resulta, em grande medida, pela natureza tradicionalmente masculina na área tecnológica, orgulhamo-nos dos serviços que prestamos e da qualidade que imprimimos nos mesmos. Acreditamos que o nosso sucesso se deve ao trabalho de uma equipa competente e dedicada. Apostamos da retenção e captação de novos talentos, sendo inquestionável que – para nós – ter talento não tem género. Para terminar, o que a define enquanto profissional e mulher? Que mensagem gostaria

de deixar ao público feminino em seu nome e em nome da Glintt? Na minha resposta anterior falei de “natureza tradicionalmente masculina na área tecnológica”, mas Importa desmistificar a ideia pré-concebida de que existem profissões e cargos distintos a assumir por homens e mulheres e este é um trabalho que deve ser iniciado logo desde a infância ao quebrar o estigma de que existem brincadeiras diferentes para as crianças dependendo do seu género. É preciso expor desde muito cedo as crianças, independentemente do seu género, ao contacto com tecnologias digitais para que possam facilitar o seu caminho de descoberta quanto às suas verdadeiras vocações, independentemente do que a sociedade impõe como certo e errado. É, efetivamente, preciso calar as nossas vozes internas dentro das nossas cabeças que nos fazem desacreditar nas nossas próprias competências. Se temos estudos que apontam que, ao contrário dos homens, as mulheres só se candidatam a novas oportunidades de trabalho se sentirem que cumprem 100% das qualificações divulgadas nos anúncios, então esta realidade leva-nos a crer que o síndrome da impostora existe, o que faz com que as mulheres não valorizem a sua experiência, a sua individualidade e aquilo que têm para oferecer de único. Capacidade de ouvir, curiosidade e resiliência são para mim fatores chave em qualquer área de atuação da sociedade. A todas as raparigas e mulheres gostaria de dizer que é muito importante estudarem sobre um tema que as inspire, desenvolvam as suas capacidades pessoais dentro e fora da escola e arrisquem, ou seja, saiam da vossa zona de conforto. Viajar e viver noutros países é também uma “bagagem para a vida”. Por outro lado, também as organizações atuais têm um papel fundamental na desmistificação de preconceitos. É preciso que as organizações criem as condições para promover cargos de liderança assumidos pelas mulheres. Não para simplesmente cumprir a tão conhecida lei da paridade entre mulheres e homens, mas porque efetivamente, organizações com maior diversidade representam uma capacidade de inovação muito forte. Uma força de trabalho mais diversa permite explorar outros horizontes, tomar melhores decisões alinhadas com os desafios atuais e futuros conduzindo a negócios mais sustentáveis. Assim, acredito que o segredo para as mulheres é acreditarem e terem confiança nas próprias capacidades. Se acreditamos, se gostamos e ambicionamos, vamos em frente. Pode não correr sempre como gostaríamos, mas aprendemos, melhoramos e nunca devemos desistir. A diversidade é fundamental, tanto na nossa vida pessoal como na profissional. Se pudesse dar um conselho, diria: sigam o vosso sonho e a vossa ambição e arrisquem! E gostaria de rematar com uma célebre frase de Albert Einstein – “A mente é como um paraquedas, só funciona se estiver aberta”. ▪


PONTOS DE VISTA BREVES

Alimentos que previnem constipações Há determinados alimentos que poderão fazer toda a diferença na promoção da sua saúde nesta altura do ano. Siga as recomendações da nutricionista Catarina Sofia Correia. Com a chegada do outono, chegam também as temperaturas incertas: ora está frio, ora está calor, de manhã chove e à tarde o sol brilha. Com estas irregularidades é importante reajustarmos a nossa alimentação, de forma a protegermo-nos das indesejadas gripes e constipações tão típicas desta época. Há determinados alimentos que poderão fazer toda a diferença na promoção da sua saúde nesta altura do ano, se estiverem inseridos numa dieta equilibrada e adequada: 1. ESPINAFRE Por ser um vegetal de folha verde-escura, é rico em vitamina E e C, essenciais para o bom funcionamento do sistema imunitário. Consuma-o num batido e adicione frutas como laranja, kiwi, por exemplo, ou em cru numa salada com um pouco de azeite e limão enquanto estiver doente para melhorar os sintomas. 2. GENGIBRE Uma chávena quente de chá de gengibre é exatamente aquilo que precisa quando está com uma constipação. Este tem um poderoso poder anti-inflamatório que ajuda a limpar o congestionamento do nariz e da garganta. Alguns estudos demonstram ainda que tem também um poder antiviral que poderá prevenir o aparecimento da constipação ou gripe. 3. ALHO O alho estimula o sistema imunitário e possui propriedades antivirais, anti-inflamatórias e antibacterianas. Tanto previne o aparecimento de constipações e gripes como ainda poderá melhorar os sintomas. Adicione alho durante a confeção das suas refeições.

4. PIMENTO VERMELHO O pimento vermelho é um alimento rico em vitamina C, que tem um papel muito importante no sistema imunitário, principalmente quando já se encontra doente. No entanto o pimento poderá ser indigesto para algumas pessoas, se esse é o seu caso então deverá evitá-lo. 5. SOPA Preparada com legumes, hortaliças e leguminosas, é uma ótima opção para combater as baixas temperaturas, saciar a fome e ainda enriquecer-nos com fibra, vitaminas e minerais. A fibra contribui para o bom funcionamento intestinal e regulação do colesterol sanguíneo, e as vitaminas e os minerais, essenciais ao organismo, podem ajudam a prevenir gripes e constipações. Além disso, a ingestão de sopa ajuda a hidratar o organismo e todos sabemos o quão difícil é beber, pelo menos, 1,5 L de água diariamente nesta época do ano.

O César Mourão e o lixo eletrónico vão dar que falar nas e-Waste Talks A ERP Portugal e a LG Portugal voltam a dar palco aos Resíduos Elétricos e Eletrónicos, desta vez através de podcasts com as principais entidades do setor para sensibilizar e alertar os portugueses para a problemática do e-waste. A era moderna e a evolução digital têm vindo a contribuir para uma sociedade cada vez mais dependente do consumo de tecnologia, aumentando de forma proporcional o lixo eletrónico. Ano após ano, os Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE) constituem uma questão com graves consequências a nível ambiental, social e económico, especialmente quando apenas 15 a 20% deste “lixo” produzido é reciclado ou devidamente encaminhado. Parte do problema prende-se com o desconhecimento, por parte da população, sobre o que devemos ou não fazer aos nossos REEE, para onde devem ser encaminhados, quais os impactos no dia-a-dia, nas empresas, nos retalhistas, no ambiente e até na carteira de cada um – estas são algumas das dúvidas que assolam o cidadão e que vão estar em debate nas quatro e-Waste Talks conduzidas pelo apresentador e humorista César Mourão. Disponíveis a partir de hoje nos canais de YouTube da ERP Portugal e da LG Portugal, as e-Waste Talks apresentadas por César Mourão vêm, assim, dar uma nova luz sobre a forma como os cidadãos e consumidores portugueses podem lidar com o telemóvel que não tem arranjo, com as lâmpadas que se fundiram ou com a torradeira obsoleta que teimam em ficar guardados lá em casa.

6. AVEIA Quando estiver doente, experimente fazer papas de aveia quentes. Os flocos de aveia são uma excelente fonte de vitamina E, que estimula o sistema imunitário. Por outro lado, contém polifenóis (antioxidantes) e fibras que também fortalecem o sistema imunitário e promovem a saciedade. 7. CURCUMA A curcumina, o composto natural da curcuma é um potente composto anti-inflamatório. Foi demonstrado que aumenta a atividade das células imunes e melhora a ação dos anticorpos (os “soldados” do seu corpo). Certifique-se que combina a curcuma com pimenta preta de forma a aumentar significativamente a absorção de curcumina. Experimente fazer a bebida “Golden Milk” - adicione a uma bebida vegetal (bebida de amêndoa, por exemplo), adicione gengibre, curcuma, pimenta preta, canela e óleo de coco.

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PONTOS DE VISTA LUSOFONIA EM DESTAQUE

FÁBRICA RAÇÃO ANIMAL KN, CUANZA NORTE

“Sabemos que Diversificar é um caminho que muito eficazmente nos conduz ao Crescimento” Há 29 anos no mercado pelas mãos do Fundador Rogério Martins Leonardo, o Grupo WM – uma marca angolana que nasceu da construção assume-se hoje como um forte player, tendo em conta o seu portefólio diversificado e impulsionador de vários setores de atividade. Entre vários temas, Filipe Pescada, CEO do Grupo, contou à Revista Pontos de Vista de que forma o mesmo analisa e contribui para um espaço lusófono mais uno e defensor de si próprio. Saiba mais.

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e no início da longa caminhada de 29 anos o Grupo WM dava largos passos apenas na construção, atualmente conta ao todo com 12 empresas distintas no seu vasto leque de oportunidades. Desde o setor da construção, imobiliário, indústria transformadora e comércio à agricultura e pecuária, as atividades desta marca complementam-se entre si e abrem horizontes para uma imensa janela contemplada pela diversidade. Filipe Pescada, CEO da marca, assume que foi “através do setor da construção e da empresa WM Construções que o Grupo se impulsionou uma vez que permitiu que entrássemos no universo do ramo imobiliário. Assim, surgiu o betão pronto com a Base Sólida e as madeiras e derivados com a Hipermaco. Já na indústria, derivamos para três segmentos completamente distintos. A transformação de chapa em condutas de AVAC, com a Condutek, a produção de derivados asfálticos com a empresa SOIDA e, recentemente, uma fábrica de ração animal no Cuanza Norte, com a Gestpec. No que diz respeito ao comércio e em Luanda, temos a Expogarden nos paisagismos e os serviços especializados para a indústria madeireira, com a Mundifer. Por fim, na agricultura e pecuária, temos duas fazendas diferenciadas, uma na Provincia do Bengo e outra Cuanza Norte. A primeira vocacionada para a fruticultura, como a banana, mamão ou maracujá, com a Turiagro e a segunda para cultivo em regadio de cereais como o milho e a soja, com a Lucalagro”. Como facilmente se entende, o Grupo WM tem registado um crescimento

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nardo conquistou até aos dias de hoje, tendo conseguido diversificar os serviços de forma inquestionavelmente maravilhosa. Ele é, sem qualquer dúvida, o pilar desta marca”. Contudo, o CEO e a sua equipa de gestão que o acompanha desde sempre, tem também uma «mão cheia» de responsabilidade, quando se fala do sucesso e reconhecimento desta empresa. Resiliente por natureza, representa o Grupo há 15 anos. A paixão é o que o move quando o desafio parece ser maior – mas nunca suficientemente grande para o nosso entrevistado.

FILIPE PESCADA

diversificado desde a sua fundação, expandindo a sua atuação em várias setores de atividade da economia angolana. Mas nada disto seria possível sem a capacidade de empreendedorismo do Fundador do Grupo WM, Rogério Martins Leonardo. Sendo luso-angolano, voou até Angola com apenas 21 anos de idade à procura de desafios que satisfizessem a sua imensa vontade de criar. Aos poucos, e alguns anos depois, foi estabelecendo a sua marca tornando-a autossuficiente e senhora de si própria, o que permitiu ultrapassar as inúmeras lacunas que sempre existiram no mercado, tal como o nosso entrevistado, Filipe Pescada, reconhece: “É realmente de louvar tudo aquilo que o Fundador Rogério Leo-

LACUNAS NO MERCADO ANGOLANO Embora o Grupo WM empregue 1024 colaboradores, tendo como máxima a valorização das pessoas, há determinadas condições que, segundo Filipe Pescada – e por muito que se esforcem para as solucionar – são difíceis de colmatar. “Além dos problemas transversais, há dificuldades no dia a dia como aquelas que a maioria da população passa para chegar ao local de trabalho por exemplo – muitas deles sem qualquer qualidade de vida, não se alimentam e dormem em condições deploráveis – sendo que lhes é exigido que produzam de igual forma a outros colegas que têm efetivamente melhores condições. Muitos estão a sair do país à procura de um contexto melhor, o que é perfeitamente normal. À semelhança da maioria das empresas hoje em dia, tentamos apostar cada vez mais nos quadros nacionais, o que requer qualificações, sendo a formação um dos maiores obstáculos. Quem conhece a realidade de Angola sabe que é um problema estrutural que precisa de ser resolvido”.


PONTOS DE VISTA LUSOFONIA EM DESTAQUE

EDIFÍCIO CHICALA MAR, ILHA LUANDA

É SEMPRE POSSÍVEL DIVERSIFICAR? A diversidade é um fator com o qual o Grupo WM se compromete desde o dia em que foi consumado. Mas será que, e tendo em conta as questões anteriormente faladas, é sempre possível fazê-lo? Para o nosso entrevistado, é sim possível, mas nem sempre é uma tarefa simples. “Sabemos que diversificar é um caminho que muito eficazmente nos conduz ao crescimento. Por este motivo, a nossa estratégia passa por criar sinergias – nomeadamente no setor da ração animal, produção de milho e fruticultura – para que juntos consigamos aumentar o nosso investimento e evoluir para um patamar superior. Angola tem um enorme potencial a nível demográfico e apesar da crise que se vive, ambicionamos ter connosco os parceiros certos para tornar esta diversificação cada vez melhor e inovadora”. Estas relações de parceria passam por identificar entidades a nível nacional ou internacional, sendo que uma eventual internacionalização ou exportação – tendo em vista o continente africano - dependerá do resultado das mesmas. ESPAÇO LUSÓFONO A Lusofonia é um termo onde se almeja afirmar uma identidade comunitária, para além da questão linguística e onde, cada vez mais, é utilizada para um desenvolvimento estratégico dos países de língua portuguesa. Desta forma – e sabendo que o Grupo WM pertence, também ele, a esta comunidade – apesar de não ter relações ou parcerias, em nada retira o potencial e interesse da marca em estratégias futuras e benéficas para todos. A língua portuguesa é e será sempre o elo de ligação entre os países lusófonos e por isso extremamente valorizada. Mas como estará o panorama atual de cooperação entre esta comunidade? Filipe Pescada reconhece que “estamos a atravessar uma fase complicada a nível mundial com a pandemia, verificando-se um natural afastamento físico, determinante em qualquer tipo de cooperação. Contudo, acredito que nos possamos voltar a encontrar rapidamente. Todos sabemos que a

FAZENDA LUCALA, MILHO EM PIVOT, CUANZA NORTE

cooperação dos países membros da lusofonia é extremamente vantajosa”. No entanto, no seu entender, deveriam ser analisadas algumas questões que considera determinantes e que beneficiassem os mesmos, nomeadamente “a facilitação na livre circulação das pessoas. Ter este processo simplificado é fundamental para que as relações prevaleçam e cresçam. Embora saibamos que, mais uma vez devido à pandemia, se tenham levantado agora novas questões no que diz respeito aos certificados, às vacinações e outras exigências internacionais. Se antes estávamos num ótimo caminho, esta problemática deixou-nos novamente às escuras”, afirma o nosso interlocutor. Existe por isso um importante caminho a percorrer no sentido da recuperação das relações que se perderam e da união a nível empresarial que muito diz à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e que, o CEO do Grupo WM

gostaria de ver restabelecida. “O empresariado lusófono junto conseguirá sinergias únicas”, reconhece o próprio. OS PASSOS SEGUINTES DO GRUPO WM Está na génese do Fundador Rogério Martins Leonardo e do CEO Filipe Pescada assumir cada negócio com paixão e dedicação – tal como se tem vindo a concretizar ao longo de três décadas de história. Assim, além de manter a qualidade e a diversidade que tem marcado o percurso do Grupo, um dos objetivos passará pela exportação – concretamente no setor da fruta e da ração animal – mas não sem antes do processo de certificação concluído. “Queremos, acima de tudo e como já referi, identificar parceiros para que juntos possamos desenvolver algumas áreas de negócio e assim partilhar conhecimento. No fim pretendemos ser melhores”, termina Filipe Pescada, CEO do Grupo WM. ▪

“É REALMENTE DE LOUVAR TUDO AQUILO QUE O FUNDADOR ROGÉRIO LEONARDO CONQUISTOU ATÉ AOS DIAS DE HOJE, TENDO CONSEGUIDO DIVERSIFICAR DE FORMA INQUESTIONAVELMENTE MARAVILHOSA. ELE É, SEM QUALQUER DÚVIDA, O PILAR DESTA MARCA”

CENTRAL BETÃO BASE SOLIDA, LUANDA

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PONTOS DE VISTA DIREITO E JUSTIÇA

ANGELINA LIMA, ADVOGADA

O Acordo de Mobilidade na CPLP E agora? O Acordo de mobilidade na CPLP foi aprovado na XIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).Contudo à data da escrita do presente artigo ainda não entrou em vigor.

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PERFIL

ANGELINA LIMA ADVOGADA

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ecorreu em Luanda, nos passados dias 16 e 17 de Julho de 2021, a décima terceira Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que conta já com 25 anos de existência. O grande cartão-de-visita da Cimeira era a outorga do muito aguardado Acordo de mobilidade entre os nove Estados-Membros da Comunidade, o qual se esperava ser uma espécie de “espaço Schengen” da CPLP. De facto, o Acordo que visa prima facie estreitar os laços e a cooperação entre os povos de Língua Portuguesa para o desenvolvimento comum enquanto comunidade, pretende igualmente fomentar a mobilidade, turismo e investimento privado através da livre circulação dos cidadãos dos Estados-Membros dentro da CPLP. Contudo, e se quando aprovaram o referido Acordo, os representantes presentes na Cimeira igualmente se comprometeram a promover de forma célere

as diligências necessárias para transpor o acordo para os respectivos ordenamentos jurídicos, o que é certo é que, volvidos três meses, o mesmo ainda não entrou em vigor. Na verdade, é o próprio Acordo que ambiciona, na teoria, a sua aplicação geral a todos os cidadãos dos Estados - Membros. Contudo, na prática este acordo apenas define como obrigatória a dispensa de vistos para titulares de passaportes diplomáticos, oficiais, especiais e de serviço (e para estadias até 90 dias), deixando ao critério de cada Estado a sua extensão gradual a outras categorias e a sua subdivisão em função das actividades que os Requerentes exerçam, atendendo às particularidades de cada ordenamento. Não se olvida que os Estados-membros que compõem a comunidade têm em comum a língua, mas possuem realidades e circunstâncias distintas, o que justifica a flexibilidade do Acordo. No entanto essa maleabilidade torna-o discricionário, correndo-se o risco de


PONTOS DE VISTA DIREITO E JUSTIÇA

comprometer o seu intuito, levando a uma adesão progressiva a nove velocidades distintas. Vejamos: um cidadão Guineense que pretende instalar-se temporariamente em Angola, ainda que o seu país de origem transponha em pleno todas as modalidades do presente Acordo, fica dependente das regras implementadas no país de acolhimento que podem ou não ser mais restritas. Além disso, o Acordo continua a exigir autorização prévia para estadias temporárias superiores às que os Estados- Membros estipulem para as estadias de curta duração, mas inferiores a 12 meses. Aqui caberão os actuais vistos de trabalho, uma vez que o documento apenas diferencia os vistos consoante a duração das estadias (curta, temporária, ou para residência) e não pelas finalidades (à excepção dos passaportes específicos suprareferidos), deixando quiçá essa distinção para os respectivos ordenamentos jurídicos. Assim, aqueles que provavelmente iriam usufruir mais da facilitação à livre circulação continuarão a passar pelos mesmos constrangimentos burocráticos, quer para a aquisição, quer para a renovação dos vistos. Porque não apenas garantir a segurança documental a que alude o artigo 9.º do Acordo, através da verificação da autenticidade e veracidade dos documentos de identificação e outros que relevem para a mobilidade selecionada pelo cidadão da CPLP, através do MIREX de cada país de acolhimento? Do mesmo modo a salvaguarda da saúde, ordem e segurança pública – artigo 10.º- já é actualmente realizada nos postos dos serviços de fronteiras e estrangeiros nas entradas de cada país, pelo que, igualmente não necessitaria para esse fim do crivo adicional de um visto. Ademais, permanece a necessidade de visto de residência prévio para obtenção de autorização de residência, continuando-se a ignorar aqueles que já se encontram no país de acolhimento ao abrigo de outra modalidade de visto. Encontra-se ainda prevista no Acordo, a possibilidade das partes optarem por um período transitório com a duração máxima de cinco anos, durante o qual possa ser exigido aos requerentes do visto e autorização de residência a qualificação em áreas ou a titularidade de projectos de investimento credíveis que assegurem a aquisição de meios de subsistência no país de acolhimento, findo o qual será aplicável a todos os cidadãos desde que não exista nenhuma interdição ao Requerente ou ameaça à ordem, segurança e saúde públicas pela sua entrada no país de acolhimento . Já os prazos para decisão sobre os pedidos de visto de duração temporária e de residência serão de 90 e 60 dias, respectivamente. Este último, igualmente aplicável aos requerimentos de autorização de residência. Prazos ainda muito alargados quando comparados com os oito dias úteis e 30 dias úteis

“DECORREU EM LUANDA, NOS PASSADOS DIAS 16 E 17 DE JULHO DE 2021, A DÉCIMA TERCEIRA CONFERÊNCIA DE CHEFES DE ESTADO E DE GOVERNO DA COMUNIDADE DE PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA (CPLP), QUE CONTA JÁ COM 25 ANOS DE EXISTÊNCIA” para concessão de vistos para fins académicos, desportivos, culturais, científicos, tecnológicos, incluindo também tratamentos médicos ou para trabalhadores envolvidos em projectos de investimento de longa duração, respectivamente, dados pelo recentíssimo Decreto- Presidencial n.º 240/21 de 29 de Setembro, que aprovou o Protocolo Bilateral entre a República de Angola e de Portugal para facilitação de vistos nacionais, mas que no entanto, mais uma vez peca por não referir em que medida os aludidos vistos serão facilitados, uma vez que em termos de documentação, conforme melhor se alcança pelo anexo ao Decreto, serão praticamente os já exigíveis, com o adicional da contratação de um seguro de viagem ou médico consoante os casos. Volvidos três meses, o Acordo para a mobilidade na CPLP apenas foi ratificado por Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. O mesmo só entrará em

vigor no mês seguinte à ratificação, por, no mínimo, três Estados- Membros. Assim a celeridade na transposição para os respectivos ordenamentos jurídicos, na qual os representantes dos Estados-Membros se comprometeram na Cimeira, é, tal como o próprio documento, flexível, o que já de si permite antever o ritmo da sua aplicação. Desta feita, o “espaço Schengen” da CPLP, mesmo tendo em conta as condicionantes e vicissitudes próprias da sua circunstância, será portanto ainda uma realidade longínqua e a livre circulação anunciada, uma quimera, afectando os milhões que dela iriam usufruir. E o que se ganhou em flexibilidade perdeu-se em ambição. ▪

A Autora escreve segundo a antiga ortografia

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PAOLA VITALI E DIANA RIBEIRO

FOTO:RUI BANDEIRA

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PONTOS DE VISTA DIREITO E JUSTIÇA

A Excelência da Giambrone na Península Ibérica Tornou-se uma Sociedade de Advogados de referência na Península Ibérica e tem vindo cada vez mais a dar uma resposta eficiente aos clientes ao mesmo tempo que acompanha a evolução tecnológica. É desta forma que as Advogadas, Diana Ribeiro e Paola Vitali caracterizam aquela que é a sua segunda casa: a Giambrone. Saiba de que forma.

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Giambrone é um prestigiado escritório de advocacia internacional que opera numa vasta rede de escritórios com sede em Itália, UK, Alemanha, França, Espanha e claro, em Portugal. Como e quando surge a Giambrone na vossa vida? Falem-nos sobre o vosso percurso até aqui. Paola Vitali (PV) - A Giambrone apareceu na minha vida há cinco anos, num momento em que eu precisava de mais crescimento e incentivo para minhas perspetivas de carreira. Hoje, posso afirmar que foi um “casamento” perfeito na medida em que eu com a Sociedade e a Sociedade comigo, reciprocamente contribuímos com o que precisávamos para crescer a nível profissional e territorial. Diana Ribeiro (DR) - Eu queria estar envolvida com um escritório de advocacia dinâmico que partilhasse a minha vontade e determinação de estar presente em vários mercados. Já tinha um amplo e diverso círculo de clientes e contactos em todo o

mundo e a Giambrone foi-me sugerida pelo Gonzalo Butori, com quem já trabalhava há muitos anos. Ele tinha conhecimento das minhas aspirações para desenvolver uma presença vigorosa e influente em Portugal, trazendo para as empresas um conhecimento legal de excelência, que desse um apoio mais completo aos clientes na Europa, Reino Unido bem como na Africa Subsariana. Este corresponde ao programa de contínua expansão da Giambrone. Para além de liderar o território ibérico, também prestam assistência a clientes noutras partes do mundo, fazendo com que viajem entre os vários escritórios da empresa. Qual é o vosso compromisso para com a Giambrone? Quais os maiores desafios que esta responsabilidade acarreta? PV - Há cinco anos que a Giambrone consolida a sua trajetória na Península Ibérica, onde temos escritórios em Barcelona, ​​Madrid e Gran Canária. Desde o início o nosso objetivo tem sido o de nos

“A GIAMBRONE TEM A VANTAGEM DE PODER AJUDAR EMPREENDEDORES DE UM VASTO NÚMERO DE PAÍSES EUROPEUS A CRIAR EMPRESAS SEM TER DE CONTACTAR COM UM NACIONAL DESSE PAÍS OU OUTRA SOCIEDADE DE ADVOGADOS”

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FOTO:RUI BANDEIRA

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afirmarmos e crescermos a nível territorial. Em 2021 iniciamos em Portugal. DR - O programa de expansão e crescimento da Giambrone corresponde às minhas expetativas e estou empenhada em ajudar e apoiar o crescimento da base de clientes em Portugal e no estrangeiro. Como Portugal é uma nova iniciativa, o desafio consiste em continuar a motivar a equipa a cumprir as elevadas ambições da nossa Sociedade. É uma Sociedade de renome internacional que assume especialidades tanto para empresas como para pessoas. Fazem parte do Departamento Cross-Border. Qual é a especialidade que vos dá gosto trabalhar? Porquê? PV - Trabalho principalmente com questões internacionais. Acredito firmemente que a proximidade entre Espanha e Portugal nos permitirá desenvolver de forma muito adequada e satisfatória as necessidades dos clientes que têm questões transfronteiriças entre os dois países, para além de os acompanhar em outros projetos internacionais. DR - Trabalhamos maioritariamente com questões cross-border, ou seja, que tem contacto com várias jurisdições, nomeadamente na área da tributação. Saber qual a entidade e país que a empresa deve usar para contratar. Qual é em termos fiscais, um trabalho criativo, onde visamos assegurar o sucesso e sustentabilidade das organizações. Quais os maiores obstáculos que surgiram na hora de trazer para Península Ibérica uma Sociedade como a Giambrone? E quais ainda são preciso colmatar? PV - A Giambrone associa-se sempre a advogados de excelência a nível académico. Contudo, é igualmente importante, quando se entra num novo mercado, aprender a lidar com uma cultura diferente. É necessário contar com uma equipa multidisciplinar e multilinguística, que seja capaz de compreender e dominar questões conexas com várias jurisdições. Todos os advogados da Giambrone falam no mínimo três línguas. Qualquer empresa Portuguesa, por

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exemplo, tem um atendimento em Português em Espanha, Reino Unido, França, Itália, Alemanha. A Giambrone é já distinguida com vários prémios e está entre os principais gabinetes de advogados a operar em Portugal. Quão gratificante é ver o império que em conjunto com a restante equipa construiu? Qual o segredo? DR - O segredo é simples: ter uma excelente equipa e ter a dedicação e a ambição para alcançar e ultrapassar os obstáculos o mais rapidamente possível para permitir que a Sociedade cresça. Quais foram as maiores mudanças que a Giambrone veio trazer a Portugal, por exemplo no que diz respeito à abertura de novas empresas e na facilidade em fazer negócios? DR - A Giambrone tem a vantagem de poder ajudar empreendedores de um vasto número de países europeus a criar empresas sem ter de contactar com um nacional desse país ou outra sociedade de advogados. Nós temos os conhecimentos, a experiência e a capacidade jurídica necessária toda debaixo do mesmo teto. A Giambrone permite que as empresas possam ultrapassar quaisquer questões o mais rapidamente possível para que possam iniciar a sua atividade de forma breve. Para Portugal, trazemos agora empresas que de outra forma teriam escolhido outro país onde a Giambrone tivesse presença para se instalar. Agora têm mais possibilidades. Nos últimos anos, o escritório tem feito um investimento significativo em tecnologias, de forma a garantir cada vez mais um serviço eficiente e economicamente sustentável. Acredita que para a Giambrone, só acompanhando as tendências a nível tecnológico conseguem garantir uma melhoria continua dos serviços que oferecem? Porquê? PV - Entendemos que a tecnologia tem um papel fundamental no fornecimento rápido, e de forma sustentável, de informações aos nossos clientes. O

“A GIAMBRONE ASSOCIA-SE SEMPRE A ADVOGADOS DE EXCELÊNCIA A NÍVEL ACADÉMICO. CONTUDO, É IGUALMENTE IMPORTANTE, QUANDO SE ENTRA NUM NOVO MERCADO, APRENDER A LIDAR COM UMA CULTURA DIFERENTE”

investimento em novas inovações deve ser sempre feito tendo em vista o melhoramento da nossa prestação de serviço. A tecnologia é uma ajuda à eficiência que, por sua vez, auxilia e contribui para a melhoria dos serviços da empresa e não substitui o aconselhamento jurídico de boa qualidade e o aconselhamento e conhecimento pessoal que os nossos advogados acumulam, permitindo-lhes ter uma compreensão dos negócios dos nossos clientes e dos prováveis requisitos legais que os nossos clientes vão precisar para o seu progresso. Futuramente, o que podemos esperar da Giambrone em Portugal? DR - Expansão contínua que reflita a crescente globalização que tem ocorrido nos mercados globais para permitir aos nossos clientes as vantagens em novos setores e em novos mercados. Outro objetivo será a abertura de outros escritórios em outras cidades no País onde exista uma confluência de clientes estrangeiros que possam necessitar dos nossos serviços para que o acompanhamento seja mais estreito e eficaz. ▪

Foi a experiência que a Giambrone detém nas questões legais transfronteiriças, o que fez com que transformassem o escritório internacional numa referência na Península Ibérica. Atualmente, qual é o papel que a Giambrone assume na Península Ibérica? E de que forma? PV - A Giambrone tornou-se uma Sociedade de Advogados de referência na Península Ibérica, tanto para empresas como para os clientes individuais. O facto de a Sociedade ter um vasto leque de escritórios próprios em vários países europeus permite-nos prestar um serviço completo ao cliente.


PONTOS DE VISTA BREVES

SAÚDE

Como ingerir (mais) água sem a beber.

Há alturas da nossa vida em que sentimos que é tempo de mudar, tempo de agir, ou melhor, de reagir Combinando leituras diárias, tarefas simples, meditações e reflexões escritas, a coach Bárbara Ruano Guimarães desenvolveu um livro de autoestima e amor-próprio que o irá acompanhar ao longo de seis semanas e ao qual pode voltar sempre que sentir necessidade. Este livro parte da experiência pessoal da autora, mas foi escrito a pensar em si. Durante essas semanas, dedicadas a temas como a coragem, a autoestima, a resiliência, o perdão, a afirmação ou a motivação, a autora propõe-lhe reflexões diárias de manhã e à noite, a fim de que resgate o seu poder pessoal através de um percurso gradual e tranquilo. Para este livro ser transformador, deve escrever os exercícios propostos. O hábito de escrita diária dá-lhe uma maior consciência da sua realidade, daquilo que quer, dos seus limites e dos seus objetivos, permite que organize os seus pensamentos e que não sobrecarregue a mente com ideias que acabam por ser nocivas para si.

AS ESCOLHAS ALIMENTARES QUE DEVE FAZER Muitas pessoas passam o dia inteiro sem se hidratar, apesar dos especialistas defenderem um consumo diário mínimo de um litro e meio de líquidos para garantir um nível de hidratação satisfatório. Também é o seu caso? Descubra formas saborosas de corrigir esta situação. É absolutamente essencial ao organismo. É graças à água que assimilamos nutrientes, recebemos oxigénio através do sangue, eliminamos toxinas e regulamos a temperatura do corpo. Para isso, necessitamos de ingerir, em média, cerca de dois litros de água por dia. Por vezes, beber água simples em quantidade pode torna-se pouco agradável e monótono. Mas lembre-se que, desses dois litros de que o organismo precisa, metade pode estar na água propriamente dita e, a outra metade, nos alimentos que ingere. Os alimentos mais ricos em água são, por esta ordem, os legumes, a fruta, o leite, o peixe, o marisco e a carne. Para garantir uma hidratação natural efetiva, deve privilegiá-los no seu dia a dia. Siga, por isso, estas saborosas e nutritivas formas de se hidratar e nutrir alternativas ao precioso líquido, que também não pode deixar de ingerir. Abaixo encontra a percentagem de água contida nalguns dos principais alimentos que fazem parte da nossa alimentação diária e que não se deve esquecer de ingerir diariamente:

BÁRBARA RUANO

O sumo natural que combate o colesterol (perigosamente) elevado

Abóbora: 96,6% Alface: 95,9% Pepino: 95,1% Aipo: 94,4% Melancia: 96,6% Tomate: 93,5% Sopa juliana: 93,2% Leite magro: 90,5%

Limão: 90,1% Sumo de laranja: 88,8% Maçã: 86% Cerejas: 82,6% Uva branca: 80,6% Camarão: 79,2% Gelatina: 78,5% Ovo cozido: 75,3%

Os níveis de colesterol alto podem levar ao entupimento das artérias, privando assim o coração de oxigénio e podendo levar ao desenvolvimento de doenças coronárias e à incidência de enfartes - potencialmente fatais. Tendo esta preocupação em mente, o site Tua Saúde divulgou uma receita de sumo caseiro que ajuda a diminuir a quantidade de gordura acumulada no sangue: INGREDIENTES 4 cenouras 1 copo de sumo de limão COMO PREPARAR .B ata todos os ingredientes no liquidificador e coe de seguida. . Se desejar, adoce com um pouco de stevia.

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