Revista Pontos de Vista Edição 113

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Pontos de Vista Nº 113 | JUNHO 2022 (MENSAL) | 4 Euros (CONT.)

MICHELIN

Concentra esforços de Inovação em ser 100% Sustentável

CRN CONTABILIDADE

Parceiro de Excelência

SOFTFINANÇA

Pagamentos Digitais em Destaque

ASSIMAGRA Presente na STONE

CRIOESTAMINAL 19 Anos de Compromisso com as Famílias

FOTO: DIANA QUINTELA

As One for Diversity, Equity & Inclusion




PONTOS DE VISTA SUMÁRIO

FICHA TÉCNICA Propriedade, Administração e Autor Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Unipessoal Lda. Administração | Redação Departamento Gráfico Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal Sede da entidade proprietária: Rua Oriental nrº. 1652 - 1660, 4455-518 Perafita Matosinhos Outros contactos: +351 220 926 877/78/79/80 E-mail: geral@pontosdevista.pt redacao@pontosdevista.pt www.pontosdevista.pt www.facebook.com/pontosdevista Impressão LiderGraf - Sustainable Printing Distribuição Nacional | Periodicidade Mensal Registo ERC nº 126093 | NIF: 509236448 | ISSN: 2182-3197 | Dep. Legal: 374222/14

TEMA DE CAPA

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MERCK PROMOVE UMA CULTURA DIVERSIFICADA, IGUALITÁRIA E INCLUSIVA. COMO PERSONALIDADE DE CAPA, PEDRO MOURA, O DIRETOR GERAL DA COMPANHIA EM PORTUGAL, REVELA AS RAZÕES DA APOSTA NESTES TRÊS PILARES: DIVERSIDADE, EQUIDADE E INCLUSÃO.

Distribuição Vasp - Distribuidora de Publicações, SA DIRETOR: Jorge Antunes EDITOR: Ricardo Andrade Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS: Ricardo Andrade Beatriz Quintal Ana Rita Paiva PAGINAÇÃO: Mónica Fonseca GESTÃO DE COMUNICAÇÃO: João Soares FOTOGRAFIA: Diana Quintela www.dianaquintela.com Rui Bandeira www.ruibandeirafotografia.com

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Tiragem: 10.000 exemplares Detentores do Capital Social: Jorge Fernando de Oliveira Antunes: 100% Assinaturas Para assinar ligue +351 22 092 68 79 ou envie o seu pedido para: Autor Horizonte de Palavras – Edições Unipessoal, Lda Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal E-mail: assinaturas@pontosdevista.pt Preço de capa: 4,00 euros (Cont.)

Assinatura anual (11 edições): Portugal Continental: 44 euros Estatuto Editorial A Revista Pontos de Vista apresenta-se como uma publicação editada pela empresa de comunicação empresarial Horizonte de Palavras, sendo de frequência mensal, assume-se como um meio de comunicação que pretende elevar as potencialidades do tecido empresarial em Portugal. Assumimos o compromisso de promover paradigmas práticos e autênticos do que de melhor existe em Portugal, contribuindo decisivamente para a sua vasta difusão. Os artigos nesta publicação são da responsabilidade dos seus autores e não expressam necessariamente a opinião do editor. Reservados todos os direitos, proibida a reprodução, total ou parcial, seja por fotocópia ou por qualquer outro processo, sem prévia autorização do editor. A paginação é efetuada de acordo com os interesses editoriais e técnicos da revista, exceto nos anúncios com a localização obrigatória paga. O editor não se responsabiliza pelas inserções com erros, lapsos ou omissões que sejam imputáveis aos anunciantes. Quaisquer erros ou omissões nos conteúdos, não são da responsabilidade do editor.

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JOAQUIM BERNARDO, PRESIDENTE DA COMISSÃO DIRETIVA DO PO CH – PROGRAMA OPERACIONAL DE CAPITAL HUMANO, QUE EM GRANDE ENTREVISTA, REVELOU O PAPEL PRIMORDIAL DO PO CH EM PORTUGAL.

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FOMOS CONHECER A EQUIPA DA CMA – CARLA MONTEIRO & ASSOCIADOS, SOCIEDADE DE ADVOGADOS, RL. CONHEÇA COMO O CAPITAL HUMANO DA MARCA É ESSENCIAL PARA O SEU SUCESSO.

NOS DIAS 29 E 30 DE MAIO, A REDE DE SUPERMERCADOS AQUI É FRESCO REALIZOU A SUA XI CONVENÇÃO, SOB O MOTE “AQUI QUEREMOS UM FUTURO MAIS SUSTENTÁVEL” E QUE CONTOU COM MAIS DE 700 RETALHISTAS, 17 GROSSISTAS, 84 FORNECEDORES E MAIS DE 50 CONVIDADOS. CARLA ESTEVES, DIRETORA EXECUTIVA DA SOCIEDADE AQUI É FRESCO, REVELA O BALANÇO DO EVENTO E AINDA AS TENDÊNCIAS FUTURAS DO SETOR DO RETALHO.


PONTOS DE VISTA SUMÁRIO

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REALIZOU-SE, ENTRE OS DIAS 1 A 4 DE JUNHO, A STONE – FEIRA DA PEDRA NATURAL EM PORTUGAL, NA EXPOSALÃO DA BATALHA. A REVISTA PONTOS DE VISTA MARCOU PRESENÇA NESTA QUE É UMA DAS CONVENÇÕES MAIS IMPORTANTES PARA O SETOR E REVELOU O QUE ACONTECEU NESTE CERTAME DE EXCELÊNCIA.

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SÃO MULHERES. SÃO LÍDERES. SÃO EXEMPLOS CLAROS DE PERSONALIDADES NO FEMININO DE SUCESSO E QUE CONTINUAM A DEMONSTRAR A SUA COMPETÊNCIA, EXCELÊNCIA E DINAMISMO. CONHEÇA ALGUMAS MULHERES DESTE «CALIBRE».

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O PLANO DE RECUPERAÇÃO E RESILIÊNCIA (PRR) E A CONTRATAÇÃO PÚBLICA. O IMPACTO E AS MAIS VALIAS QUE DAÍ PODEM ADVIR. FALAMOS COM ALGUNS ESPECIALISTAS SOBRE ESTAS MATÉRIAS E SOBRE A IMPORTÂNCIA DE CONTINUARMOS A CONTRIBUIR PARA UMA CONTRATAÇÃO PÚBLICA TRANSPARENTE E EFICIENTE.

O DIA NACIONAL DO LUXEMBURGO É CELEBRADO ANUALMENTE A 23 DE JUNHO. TENDO COMO LINHA ESTA EFEMÉRIDE, A REVISTA PONTOS DE VISTA QUIS CONHECER PLAYERS QUE FOMENTAM ESTA LIGAÇÃO ENTRE PORTUGAL E LUXEMBURGO, COOPERANDO E CONTRIBUINDO PARA UMA RELAÇÃO PRÓSPERA, DINÂMICA E POSITIVA PARA AMBOS OS PAÍSES.

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O CONHECIMENTO E A FORMAÇÃO SÃO UMA DAS MAIS IMPORTANTES “ARMAS” DOS PROFISSIONAIS DO SETOR IMOBILIÁRIO. NUMA ALTURA EM QUE A INFORMAÇÃO CIRCULA A UMA VELOCIDADE ESTONTEANTE, É FUNDAMENTAL MANTER-SE A PAR DE TODAS AS MUDANÇAS LEGISLATIVAS, TECNOLÓGICAS E NOVAS TÉCNICAS PARA EXPLORAR O MERCADO IMOBILIÁRIO.

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PLAYERS DO UNIVERSO DA CPLP ABORDAM A IMPORTÂNCIA DO CRESCIMENTO DAS RELAÇÕES E DA COOPERAÇÃO NESTE UNIVERSO EM DIVERSOS SETORES. COMO É QUE ESTES «ATORES» TÊM CONTRIBUÍDO PARA O DESENVOLVIMENTO DE TUDO O QUE CONCERNE AO ESPAÇO DA CPLP? SAIBA MAIS.

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PONTOS DE VISTA MEIOS DE PAGAMENTO DIGITAIS

FOTO: DIANA QUINTELA

“Tenho a plena convicção que irá chegar o dia em que seremos cashless”

LUÍS TEODORO

A utilização de meios de pagamentos digitais cresceu com a pandemia sendo que, mais de metade dos portugueses recorreram a apps, plataformas ou cartões virtuais nas suas transações. Contudo, outros mantiveram-se fiéis à vertente tradicional, por não estarem confortáveis com a tecnologia inerente aos meios digitais. A este respeito, Luís Teodoro, Administrador da SoftFinança, uma marca fortemente consolidada em soluções tecnológicas de transformação digital, deu a conhecer o seu ponto de vista sobre o tema e ainda, de que forma, o cashless será uma tendência futura.

É

do conhecimento geral que a pandemia que ainda atravessamos impulsionou e muito a utilização dos meios de pagamento digitais. A generalidade do mercado teve, neste processo, uma panóplia de soluções ao seu dispor, como o mbway, por exemplo, que mostrou ser essencial a longo prazo. Desde logo, é possível verificar que estas fun-

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cionalidades ditarão os próximos anos e é exatamente sobre esta aceleração que Luís Teodoro, Administrador da SoftFinança, afirma que “iremos iniciar um processo lado a lado com novas funcionalidades no mundo digital, assentes em inovação e na posterior consolidação do crescimento tecnológico, que vão tornar a utilização dos meios de pagamento mais intuitiva”.

Certo é, no seguimento desta consolidação «vive» a SoftFinança ao assumir um papel preponderante, uma vez que, com mais de 30 anos de experiência no mercado, apresenta soluções de pagamentos móveis, monitorização e controlo, soluções de segurança e partilha de informação, que têm resultado em inúmeros casos de sucesso, nomeadamente no setor financeiro.


PONTOS DE VISTA MEIOS DE PAGAMENTO DIGITAIS

“ESTAMOS NUMA FASE EM QUE AS FUNCIONALIDADES QUE EXISTEM SÃO SUFICIENTEMENTE INOVADORAS PARA AS CONTINUARMOS A APERFEIÇOAR”

A SEGURANÇA DOS MEIOS DE PAGAMENTO DIGITAIS A verdade é que, embora a utilização dos meios de pagamento digitais tenha registado um aumento no primeiro ano de pandemia, muitos portugueses continuaram a optar pelos meios tradicionais, não sendo por isso uma tendência transversal a toda a sociedade. O principal motivo pelo qual esta percentagem da população não tenha aderido, ainda, ao digital, é o receio com a segurança das suas transações. Mas será que, observando de momento este setor, existem motivos que fomentem tais apreensões? Luís Teodoro acredita não existirem motivos adicionais nos meios de pagamento digitais face às restantes áreas tecnológicas. “É claro que este é um setor que obviamente está mais suscetível de enfrentar desafios ao nível de ataques informáticos. Mas é precisamente por lidar, há muitos anos, com essa preocupação, que convive com uma dinâmica forte de proteção. É, além disso, um setor imensamente inovador nos seus métodos de segurança e com particular maturidade para enfrentar os desafios inerentes à tecnologia, por isso não creio de todo que exista motivo de preocupação, antes pelo contrário”. À medida que a digitalização avança, avançam também os mecanismos associados à segurança, sendo claro, para o Administrador da SoftFinança, que existirem pessoas mais resistentes a esta adoção é um fator normal, uma vez que qualquer mudança implica, muitas vezes, uma adaptação acentuada.

FOTO: DIANA QUINTELA

Atualmente, é ainda através do Embedded Payment que se materializa a mentalidade inovadora que a marca perpetua diariamente. “Este sistema é uma agregação dos diversos produtos inseridos na experiência do utilizador, quando confrontado com a ausência de meios para realizar determinada compra. O mesmo vai sugerir, de forma automática, a possibilidade de contratar uma linha de crédito específica para a aquisição que pretende”. Assim, a própria SoftFinança, que é pioneira nas suas soluções e líder de mercado há três décadas, tem de estar em constante inovação e a par das inclinações do mercado. Desta forma, o nosso entrevistado é da opinião que “não estamos à espera que a indústria traga inovação do ponto de vista de novos formatos. Vamos provavelmente assistir, por exemplo, a uma massificação da substituição do pin por códigos biométricos ou reconhecimento fácil, entre outros. Penso que estamos numa fase em que as funcionalidades que existem são suficientemente inovadoras para as continuarmos a aperfeiçoar”. O objetivo da marca é, claro está, tornar as organizações mais inteligentes, competitivas e inovadoras para que mantenham, também elas, o seu posicionamento no mercado.

SOCIEDADE CASHLESS Face a estas mudanças é legítimo afirmar que, um futuro assente numa sociedade cashless, isto é, sem dinheiro físico, é um passo que, embora demore a ser dado, será inevitável. “Tenho a plena convicção que irá chegar o dia em que seremos cashless, o que trará inúmeras vantagens, não só ao nível da segurança, da redução da fraude e do furto de dinheiro físico, mas também pelo facto de o mecanismo de eficiência de processamento digital tornar o processo muito simples. Por exemplo, para um comerciante, a compensação entre a emissão de uma fatura de pagamento passa a ser completamente automatizada. São ganhos de produtividade muito grandes que abrange a generalidade dos setores”, assume o Administrador da SoftFinança. Assim, cabe aos diversos intervenientes deste ecossistema, sejam os comerciantes, os bancos, as marcas, entre outros, massificarem esta realidade, explicando à população as vantagens deste processo que, no fundo, é desenvolvido de forma global. Porém, e analisando o momento atual, o nosso interlocutor assegura que “nos podemos orgulhar do percurso até agora, ainda que tenhamos a consciência de que ainda há um caminho a percorrer e componentes a melhorar. A expressão de sucesso já é muito grande”.

SOFTFINANÇA LADO A LADO COM A EVOLUÇÃO DO MERCADO Há 30 anos que a SoftFinança consolida parcerias com os seus clientes, fundadas na experiência e know-how acumulados em projetos de sucesso e soluções tecnológicas nos diferentes setores de atividade onde atua. Atualmente, e após, como já mencionado, inúmeros casos de sucesso, a marca está por detrás de diversos projetos inovadores e disruptivos em Portugal e lado a lado no setor dos meios de pagamento eletrónicos, através de soluções que permitam acelerar a adoção destas transformações digitais. “Seguimos a tendência daquilo que se considera um movimento da FINTECH 2.0, em que procuramos disponibilizar não um conjunto de métodos de pagamento, mas sim agregar as necessidades, dando ao cliente uma visão centrada nele. Desta forma, o mesmo, vai conseguir utilizar os meios de pagamento disponíveis na mesma interface e, assim, optar pela solução que mais se adequa em cada desafio com que se poderá deparar”, termina Luís Teodoro. Como em todas as fases anteriores do processo de inovação, a SoftFinança irá continuar a agregar valor às soluções que disponibiliza, quer aos comerciantes, quer às instituições financeiras. ▪

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FOTO: DIANA QUINTELA

EQUIPA PLM


PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO

“O sucesso da Crossjoin é perpetuado através da partilha da sua cultura, estado de espírito e mentalidade perante os desafios tecnológicos” A equipa PLM (Product Line Manager) da Crossjoin - empresa especialista na otimização dos sistemas de informação - é quem está na linha da frente a liderar os projetos da empresa e é, por isso, uma das maiores chaves do sucesso da mesma. Desta equipa faz parte Rodrigo Garcia, Mauro Farracha, André Simões, Bruno Ribeiro, Pedro Coimbra, André Bela e Paulo Cunha que, em entrevista à Revista Pontos de Vista, confidenciaram as suas potencialidades, tanto a nível interno, como no mercado nacional e além-fronteiras.

O

s Product Line Manager (PLM’s) são, internamente, os líderes e responsáveis das diversas áreas da Crossjoin. Analisando o sucesso alcançado pela empresa até ao momento, em que medida esta equipa tem reunido vantagens que favoreçam o alcance dos objetivos e metas da mesma? André Simões (AS) - A equipa de PLM’s da Crossjoin é quem, de facto, tem estado na linha da frente dos projetos na empresa. Todos os nossos PLM’s são colaboradores com um grande nível de experiência nas áreas que lideram e acabam também por ter um papel fundamental na entrega ativa de projetos, o que garante uma entrega sempre com a mais alta qualidade. Parte da função de PLM na Crossjoin está na pré-venda e no iniciar os projetos da Crossjoin em conjunto com os nossos clientes para garantir que não só a identificação da missão/problema é a correta, como também a identificação do roadmap e/ou das tecnologias a serem utilizadas para os atingir. Internamente, o PLM é quem lidera uma área de negócio e garante que a Crossjoin se mantém atualizada e competitiva tecnologicamente, tanto ao nível das ofertas, como da procura de mercado. Assegura também que a equipa tem não só a formação adequada como a entrega com a qualidade suprema que a Crossjoin tem vindo a fazer desde a sua criação. O lema “Perform to Perfection” está enraizado em tudo o que fazemos desde os nossos processos internos. Importante também acrescentar que o “ser PLM” é incutido em todos os nossos colaboradores desde a sua entrada na Crossjoin para que todos possam participar nesta evolução ativa e contínua que é a entrega da Crossjoin. São todos estes fatores que contribuem para que, independentemente de qual a equipa que esteja a fazer uma entrega representando a Crossjoin, seja movida pelos mesmos objetivos e sempre extremamente alinhada em fazer uma entrega eficiente de qualidade.

Considera que o PLM tem impulsionado o valor competitivo e o reconhecimento da empresa além-fronteiras, sendo, por si só, um forte fator distintivo da mesma? Qual a estratégia do grupo PLM para lidar com o mercado além-fronteiras? Bruno Ribeiro (BR) - Sem dúvida! O PLM permite a agregação e reconciliação das experiências nacionais e além-fronteiras, resultando na análise de highlights e lessons learned. Cada país tem a sua cultura e cada cliente a sua maneira de comunicar as suas metodologias de trabalho, os seus métodos de controlo (Project management). Estas variáveis são importantes serem comparadas com o nosso knowledge base quando se aborda um novo cliente/país a fim de otimizar e personalizar a solução/ serviço de forma a que o cliente veja o fator “joiner” (trabalhamos juntamente com a equipa do cliente) e o consultor “Crosser” (adaptamo-nos às metodologias do cliente). A componente de Workforce Management permite que o PLM redirecionar esforços (Recrutamento, Academia, Marketing, entre outros) de uma forma prioritária e compatível (cultura ou forma de trabalhar) com as experiências acima indicadas. Adicionalmente o PLM tem a componente de inovação que permite analisar as tendências do mercado juntamente com as tendências dos clientes por forma a criar produtos e serviços inovadores que melhor respondem às necessidades futuras além-fronteiras. Assim, esta equipa tem sido um vetor de mudança no reconhecimento da empresa. De que forma a visão inovadora da mesma tem resistido aos processos de transformação, do ponto de vista interno e externo, traduzindo-os em oportunidades a longo prazo? Pedro Coimbra (PC) - Os PLM’s são responsáveis por analisar as tendências no mercado de IT e ajustar a estratégia e visão de cada área tendo em consideração estes elementos. Só assim é possível conciliar e ajustar os nossos processos de trabalho,

formação e inovação juntamente com os nossos Crossers, bem como estarmos melhor preparados para responder aos novos desafios tecnológicos que os nossos clientes nos apresentam. Certo é, a Crossjoin não quer ter apenas bons especialistas em tecnologia. Quer Crossers orgulhosos de entregar no tempo e com qualidade. Nesta perspetiva, de que forma os PLM’s permitem que a engenharia, a fabricação e todas as equipas acelerem os processos dos serviços com rigor? AS - De facto, um dos grandes desafios que temos internamente é como continuar a crescer e manter a qualidade de entrega pela qual a Crossjoin é conhecida no mercado. Temos feito nos últimos anos um grande investimento interno na melhoria dos nossos processos desde: O recrutamento, para que possamos continuar a selecionar os melhores profissionais para se juntarem à nossa equipa; A nossa academia, para introduzir não só a aprendizagem técnica mas também incutir o espírito Crosser e Joiner nos nossos colaboradores desde o início, para que todos procurem fazer mais e melhor não só internamente como nas equipas com o cliente; O nosso processo de inovação, para que possamos organicamente continuar atualizados e incutir ativamente este desafio de missão e procura em todos os colaboradores; A formação ativa, para ter a certeza que continuamos todos competitivos até ao nível pessoal, todos os Crossers fazem a diferença; O controlo e auditoria, para que possamos ativamente saber o que corre bem e mal nos projetos e poder atuar pró-ativamente. Adicionando a este investimento nos processos internos, temos fomentado cada vez mais o espírito “One team”, em que todos os colaboradores são incentivados a de alguma maneira poder participar em diferentes áreas de negócio/técnicas para que a nossa resposta seja cada vez mais flexível e elástica.

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PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO

“O “SER PLM” É INCUTIDO EM TODOS OS NOSSOS COLABORADORES DESDE A SUA ENTRADA NA CROSSJOIN PARA QUE TODOS POSSAM PARTICIPAR NESTA EVOLUÇÃO ATIVA E CONTÍNUA QUE É A ENTREGA DA CROSSJOIN”

“O PLM PERMITE A AGREGAÇÃO E RECONCILIAÇÃO DAS EXPERIÊNCIAS NACIONAIS E ALÉM-FRONTEIRAS, RESULTANDO NA ANÁLISE DE HIGHLIGHTS E LESSONS LEARNED” BRUNO RIBEIRO

“OS PLM’S SÃO RESPONSÁVEIS POR ANALISAR AS TENDÊNCIAS NO MERCADO DE IT E AJUSTAR A ESTRATÉGIA E VISÃO DE CADA ÁREA” PEDRO COIMBRA

ANDRÉ SIMÕES

“(PARA O FUTURO) PODEMOS CONTAR COM A QUALIDADE QUE NOS CARACTERIZA, COM APRENDIZAGEM CONTÍNUA ASSEGURADA PELA CROSSMIND ACADEMY PROMOVENDO A PARTILHA DE CONHECIMENTO NAS MAIS RECENTES TECNOLOGIAS E GARANTINDO QUE AS NOVAS CONTRATAÇÕES SÃO FORMADAS NO MESMO MÉTODO, CULTURA E DNA CROSSJOIN” PAULO CUNHA

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Não é um caminho fácil, mas tem tido um impacto significativo na nossa capacidade de resposta rápida a pedidos dos nossos clientes. Os PLM’s como mencionado anteriormente são o principal catalisador para a evolução destes processos e nesta procura incessante de entregar mais e com qualidade que tanto caracteriza o nosso serviço. O sucesso do serviço da Crossjoin é conseguido, assim, através de metodologias aperfeiçoadas ao longo dos anos através de experiência em consultoria e recursos humanos com elevadas competências tecnológicas. Face aos serviços que a marca apresenta e aos desafios que inevitavelmente surgem, é sempre possível garantir disponibilidade, curto tempo de resposta, segurança e fiabilidade? De que forma? André Bela (AB) - Para isso contamos com a diversificada e grande experiência tecnológica que temos no nosso Competence Center. O papel do PLM não é “saber tudo”. A cada desafio que nos é colocado, o PLM é responsável por identificar necessidades e montar uma equipa “Client Facing” adequada para as necessidades do projeto e, todos os projetos sem exceção, são apoiados pelo Competence Center. Este é o segredo que nos faz nunca perder um desafio e garantir todas essas frentes e que nos permite responder um SIM a esta questão. Na Crossjoin não existe um projeto sem Competence Center. Existe, claro, o fator “Metodologia” que pertence ao DNA de cada Crosser. Estas metodologias estão já intrínsecas em


PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO

"NÃO NOS AUTOLIMITARMOS É A CHAVE DO SUCESSO. ASSIM, PREPARAMOS OS NOVOS ELEMENTOS QUE INGRESSAM NA CROSSJOIN, NA ARTE E METODOLOGIA ÚNICA QUE NOS CARACTERIZA NA ENTREGA DOS NOSSOS SERVIÇOS" MAURO FARRACHA

“A ENTREGA DE UM SERVIÇO MULTIDISCIPLINAR ORIENTADO À QUALIDADE E PERFORMANCE, FAZ COM QUE QUALQUER COLABORADOR DA CROSSJOIN, OS NOSSOS CROSSERS, SE DESTAQUEM EM TODAS ESTAS MISSÕES COM OS NOSSOS CLIENTES”

“A CADA DESAFIO QUE NOS É COLOCADO, O PLM É RESPONSÁVEL POR IDENTIFICAR NECESSIDADES E MONTAR UMA EQUIPA "CLIENT FACING" ADEQUADA PARA AS NECESSIDADES DO PROJETO E, TODOS OS PROJETOS SEM EXCEÇÃO, SÃO APOIADOS PELO COMPETENCE CENTER” ANDRÉ BELA

RODRIGO GARCIA cada PLM e naturalmente são passadas a cada um dos nossos consultores, o que nos permite manter a dinâmica e qualidade na nossa entrega. Sendo pioneira no tipo de serviços que oferece, qual diria que será o próximo passo a dar no sentido de implementar tecnologia em praticamente todo o tipo de negócios, no sentido de tornar a Crossjoin – cada vez mais – no parceiro estratégico para as empresas? BR - Tem havido um investimento muito grande do nosso lado, especialmente no desenvolvimento de competências nas áreas de foco tecnologicamente nos últimos anos para que os nossos clientes possam contar connosco para todos os tipos de desafios em sistemas de IT. Neste momento a Crossjoin já é o parceiro estratégico para alguns dos nossos clientes no planeamento, desenvolvimento e acompanhamento de todo o ciclo de desenvolvimento de sistemas complexos de IT. Temos ajudado clientes nossos a melhorar os ciclos de entrega de software, participando em todas as fases deste, apontando, melhorando e participando nas iniciativas que permitem melhorar e otimizar toda a entrega. Rodrigo Garcia (RG) - Parte deste investimento culminou também em certificações como a

ISO27001 que obtemos em 2022 e na formação da nossa área interna de inovação, onde damos oportunidade aos nossos crossers de participarem na exploração tecnológica e desenvolvimento de produtos, que nos permitam ter contacto com as tecnologias e desafios prementes dos próximos 5 anos. AS - A entrega de um serviço multidisciplinar orientado à qualidade e performance, faz com que qualquer colaborador da crossjoin, os nossos crossers, se destaquem em todas estas missões com os nossos clientes. Os clientes da Crossjoin podem contar sempre com serviços e soluções inovadoras, que vão ao encontro das necessidades do seu negócio. Assim, o que podemos continuar a esperar da equipa daqui para a frente? Paulo Cunha (PC) - Podemos contar com a qualidade que nos caracteriza, com aprendizagem contínua assegurada pela CrossMind Academy promovendo a partilha de conhecimento nas mais recentes tecnologias e garantindo que as novas contratações são formadas no mesmo método, cultura e DNA Crossjoin. Do Board, atualmente, integram três elementos. Contudo, no futuro, os PLM’s serão

incorporados, constituindo, desta forma, um executivo que, por mérito de competências e experiência, enriquecem a contribuição na direção e dinâmica da empresa. Assim, sendo uma «equipa-exemplo» e o futuro da casa Crossjoin, que passos serão dados no sentido de fazer jus aos valores que a caracterizam no mercado? Mauro Farracha (MF) - PLM é sinónimo de líder, responsável pela concretização da visão estratégica da Crossjoin, o líder de hoje e que acreditamos continuará a ser o de amanhã. Lado a lado na entrega e liderança, passam o seu testemunho e experiência acumulada ao longo de anos de histórias e aprendizagens dentro das equipas. O sucesso da Crossjoin é perpetuado através da partilha da sua cultura, estado de espírito e mentalidade perante os desafios tecnológicos, o Kendo (“Can Do”). Não nos autolimitarmos é a chave do sucesso. Assim, preparamos os novos elementos que ingressam na Crossjoin, na arte e metodologia única que nos caracteriza na entrega dos nossos serviços. Um novo desafio, uma nova tecnologia, não são e não devem ser encarados como problemas, mas sim novas oportunidades de ganharmos conhecimento e de crescermos corporativamente em novos negócios. ▪

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PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO

“No PO CH trabalhamos para as Pessoas” A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Joaquim Bernardo, Presidente da Comissão Diretiva do PO CH – Programa Operacional de Capital Humano, que, em grande entrevista, revelou o papel primordial do PO CH em Portugal, assumindo claramente que o ponto principal da sua atuação passa pelas Pessoas.

O

Programa Operacional Capital Humano (PO CH) visa contribuir para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo e para a coesão económica, social e territorial. Tendo, por isso, uma génese missionária, como tem vindo a ser o concretizar dos seus objetivos até ao momento? Ao apoiar a qualificação ou requalificação da população das regiões em desenvolvimento do Norte, Centro e Alentejo, através do investimento do Fundo Social Europeu (FSE) e do Estado Português, o PO CH está alinhado com o modelo social europeu, solidário, em que todo o crescimento económico é desejado, desde que acompanhado de coesão social. Os apoios prestados pelo PO CH à formação inicial de jovens, à qualificação de adultos e ao ensino superior promovem a efetiva igualdade de oportunidades, numa perspetiva de eliminação drástica da iliteracia e promovendo todos os direitos de uma cidadania plena, sem que ninguém fique para trás. São mais de 921 mil pessoas apoiadas pelo

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PO CH em programas de educação e formação até ao fim do primeiro trimestre deste ano e um investimento total nessas medidas que ascende a 4 622 milhões de euros (M€), sendo que 3 944 M€ são financiados pelo FSE. Na área da formação inicial de jovens, o POCH apoia os cursos profissionais e os cursos de educação e formação de jovens, ambos de dupla certificação, que permitem a conclusão de um ciclo de ensino ao mesmo tempo que munem os jovens das competências necessárias para o exercício de uma profissão, mantendo em aberto a possibilidade de prosseguirem estudos. Os jovens apoiados são já mais de 292 mil, até ao fim de março de 2022, dos quais 245 mil no âmbito dos cursos profissionais, uma modalidade particularmente relevante nas vias de conclusão do ensino secundário. Os cursos profissionais, de dupla certificação, alargam o leque de opções para que os jovens concluam este nível de ensino, o que tem sido determinante para reduzir a taxa de abandono escolar precoce, que no fim de 2021 estava nos 5,9%, menos 13 pontos per-

centuais do que em 2013, no início do período de programação 2014-2020. Na área do ensino superior e formação avançada, até 2018, o PO CH apoiou as bolsas de ação social, os cursos TeSP - Técnicos Superiores Profissionais e as bolsas de doutoramento e pós-doutoramento. A partir da sua primeira reprogramação, que teve lugar nesse ano, e devido à necessidade de canalizar verbas para outras áreas de atuação, o PO CH passou a apoiar apenas um instrumento financeiro. Na prática é um apoio a empréstimos concedidos aos estudantes que só terá de ser reembolsado após a ingressão destes no mercado de trabalho, não carecendo de garantia e com condições mais favoráveis. Os apoios ao ensino superior passaram, a partir dessa altura, para outros programas operacionais. Apesar desta mudança de rumo em 2018, o PO CH apoiou, até março de 2022, 128 mil pessoas na área dos estudos superiores e avançados, dando assim a sua contribuição para o aumento da taxa de população, na faixa 30-34 anos, com o ensino superior que, em


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“OS BENEFÍCIOS QUE UMA POPULAÇÃO MAIS QUALIFICADA, SEJAM ELES DE ORDEM ECONÓMICA OU SOCIAL, SÃO RECONHECIDOS POR TODOS. A EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO SÃO MECANISMOS PRIVILEGIADOS DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E DE APRENDIZAGEM, MAS TAMBÉM DE PARTICIPAÇÃO E CIDADANIA”

ações de formação contínua, incluindo formação em competências digitais. São 297 M€ de investimento total (268 provenientes do FSE), que alavancam globalmente e transversalmente a melhoria da qualidade da educação e da formação em Portugal.

JOAQUIM BERNARDO

2021, chegou aos 43,2%, acima da meta definida pela Europa para 2020, de 40%. Formar adultos com baixas qualificações e requalificá-los durante a sua vida ativa, de forma inclusiva e com qualidade, numa área que lhes permita abrir os horizontes profissionais, é outra importante e estratégica missão do PO CH. Para a concretizar, o Programa apoia os Centros Qualifica, onde os adultos são informados e encaminhados para as modalidades formativas que melhor se ajustem ao seu caso concreto. É nestes centros que podem reconhecer competências escolares e profissionais com equivalência a um nível de ensino, básico ou secundário. O Programa apoia também os cursos de educação e formação de adultos e os cursos de aprendizagem, ambas modalidades formativas de dupla certificação, que permitem a conclusão de um nível de ensino e a obtenção de uma certificação profissional. Na área da aprendizagem ao longo da vida, já foram apoiados cerca de 434 mil adultos, que correspondem a quase 9,5% da população, entre os 25 e os 64 anos, sem o

ensino secundário. O PO CH orgulha-se, por isso, de ter contribuído de forma significativa para o aumento da taxa de população, nessa faixa etária, com o nível de ensino secundário. Em 2021, essa taxa atingiu os 60,2%, a mais alta de sempre no nosso país, 20 pontos percentuais acima do valor no início do período de programação em 2013. No entanto, esta tendência de crescimento precisa de ser incrementada porque o país está ainda longe do nível médio europeu. Para promover a qualidade e a inovação do sistema de educação e formação e assim aumentar o sucesso educativo, o PO CH apoia ainda uma grande diversidade de projetos numa área dedicada. É aqui que entram, por exemplo, os apoios à digitalização da educação, no âmbito dos quais já foram entregues 174 mil computadores a alunos e 80 mil a docentes e não docentes. É nesta área que são apoiados os serviços de psicologia e orientação escolar, tendo sido integrados 306 novos psicólogos nos estabelecimentos de ensino, até março de 2022. Foram também apoiados 148 mil docentes e não docentes em

O PO CH gere, assim, os apoios do Fundo Social Europeu (FSE) através de projetos que visam a qualificação da população. Quão gratificante tem sido assistir ao percurso das pessoas apoiadas e a projetos de entidades formadoras que são casos de sucesso? Os benefícios que uma população mais qualificada, sejam eles de ordem económica ou social, são reconhecidos por todos. A educação e formação são mecanismos privilegiados de integração social e de aprendizagem, mas também de participação e cidadania. A educação e a formação profissional e o consequente desenvolvimento de competências são um importante motor para o crescimento social e económico e para as transições em curso. Isto é a visão panorâmica. Se afunilarmos, o que conta na prática, é a vida das pessoas, a mudança que cada uma delas consegue e o benefício que tiram do nosso trabalho. É para transformar vidas que estamos aqui e são essas histórias de vida que nos impulsionam a continuar com ainda maior empenho. Ao longo de todo o período de programação, o PO CH tem vindo a recolher testemunhos de jovens e adultos que viram a sua vida impactada pelas formações que fizeram, apoiadas pelo PO CH. A partilha dessas histórias é tão importante como ajudar a construí-las. São fonte de

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PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO

“A ADEQUAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DOS ADULTOS É, NO ENTANTO, MATÉRIA MAIS SENSÍVEL. HÁ AINDA ALGUMA RESISTÊNCIA AOS PLANOS DE FORMAÇÃO, SOBRETUDO AOS MAIS LONGOS, QUE É PRECISO CONTORNAR. É ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO MOBILIZAR AS PESSOAS NESTA MISSÃO, PARA QUE POSSAM EVOLUIR, AJUSTAR-SE ÀS NECESSIDADES DAS EMPRESAS E PARA QUE CONSIGAMOS ATINGIR A META EUROPEIA PARA 2030, DEFINIDA NO PLANO DE AÇÃO DO PILAR EUROPEU DOS DIREITOS SOCIAIS, DE 60% DA POPULAÇÃO ADULTA A FREQUENTAR CURSOS DE FORMAÇÃO TODOS OS ANOS” 14 | PONTOS DE VISTA |

inspiração e motivação para outros jovens e adultos. As entidades formadoras são naturalmente uma parte fundamental do processo. A adaptação tem sido a palavra de ordem. É fundamental que ajustem os seus projetos pedagógicos e a sua oferta formativa à constante evolução do mercado de trabalho, e que o comuniquem bem. Há excelentes projetos no conjunto das entidades beneficiárias do PO CH, alguns dos quais reconhecidos através do Prémio Capital Humano. Promovido em 2020 pelo PO CH, premiou os melhores projetos nas categorias de entidades formadoras de jovens e de adultos. Este prémio também agraciou os melhores percursos formativos de jovens e de adultos, contribuindo para dar visibilidade a essas histórias que nos enchem de orgulho. Em maio de 2021, o PO CH lançou a E.volui, a mostra de educação e formação digital, que é uma montra das atividades desenvolvidas pelas entidades formadoras beneficiárias do PO CH e de projetos criados pelos formandos que frequentam a oferta formativa apoiada pelo Programa. A mostra tem tido bastante sucesso entre o seu público-alvo, de tal forma que, no passado mês de maio, foi lançada a segunda fase, com mais expositores e outros ambientes. Também no mês passado, e para assinalar o dia da Europa, foi editado um e-book que é uma compilação das histórias de sucesso que fomos divulgando ao longo de todo o período de programação. Vale a pena ler as histórias e conhecer o sucesso pessoal e profissional alcançado por todas as pessoas que partilham a mesma vontade: aprender e crescer pessoal e profissionalmente. Certo é, o PO CH renova-se e apresenta a E.volui - uma mostra de educação e formação - que pretende divulgar projetos de sucesso

alinhados com as prioridades em matéria de desenvolvimento das competências digitais e ambientais. Que mais-valias emergem desta iniciativa? Em consequência da pandemia, o PO CH não participou nos últimos anos nas duas principais feiras anuais de educação e formação do país, a Qualifica e a Futurália, como tinha acontecido em anos anteriores, o que constituía uma grande oportunidade de comunicação com um dos mais importantes públicos e destinatário final dos seus apoios, os jovens. Para colmatar essa falta, a mostra de educação e formação em formato digital apresentou-se como a solução ideal. O mote da E.volui, que nasceu em 2021 durante a pandemia, é as transições verde e digital. Estas são uma realidade que afeta todos os espectros da vida social e económica. A educação não é exceção, muito menos a formação profissional, tida como uma das áreas formativas com maior impacto na qualificação de mão-de-obra ajustada às novas necessidades do mercado de trabalho. Por isso, pretendemos que a nossa mostra virtual estivesse focada em projetos destas áreas sem, no entanto, descurar as restantes áreas de competências para o futuro. Na mostra estão presentes, neste momento, 36 entidades formadoras de jovens e de adultos que exibem muitos e variados projetos de formandos apoiados. Estão também patentes na exposição sete projetos na área da qualidade e inovação da educação, exemplos da diversidade de apoios que temos vindo a disponibilizar. A E.volui possui um auditório, onde estão em cartaz apresentações de formandos na área das artes, restauração, mecatrónica, entre outros. É também no auditório que é possível ver ou rever todos os eventos que o PO CH promoveu em 2021 e 2022. Numa época em que os eventos híbridos e digitais se impõem, a E.volui, que já foi visitada por mais de 44 mil utilizadores, revela-se como uma verdadeira alternativa às feiras de educação, substituindo-as como canal de comunicação com os jovens, com os adultos e com as entidades formadoras. A verdade é que, analisando o mercado de trabalho atualmente, percebemos que o paradigma das pessoas e das entidades mudou. O que é que, na sua perspetiva, se destaca mais na ligação entre empresas e colaboradores? Já vai longe o tempo em que o mercado de trabalho era comparativamente mais estável e previsível do que nos dias que hoje vivemos. Há umas décadas, quem tirava um curso estaria mais seguro, também porque o número dos que terminavam uma formação era muito inferior ao que hoje registamos. As competências adquiridas, eram suficientes para conseguir um emprego relativamente estável ao longo dos anos. Hoje em dia não é assim. Os empregos


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não são para a vida e, sobretudo, as competências também não. A aprendizagem ao longo da vida, passou a ser imprescindível em qualquer área formativa. O mercado de trabalho está em constante atualização e revela sistematicamente novas necessidades de competências. É essencial que as pessoas se mantenham atualizadas perante essa mudança e é indispensável que as entidades formadoras estejam em permanente sintonia com as necessidades do mercado, de modo a ajustar a sua oferta à procura de competências. Este ajuste é necessário tanto para a formação inicial dos jovens, como para a formação contínua. A adequação das competências dos adultos é, no entanto, matéria mais sensível. Há ainda alguma resistência aos planos de formação, sobretudo aos mais longos, que é preciso contornar. É absolutamente necessário mobilizar as pessoas nesta missão, para que possam evoluir, ajustar-se às necessidades das empresas e para que consigamos atingir a meta europeia para 2030, definida no Plano de Ação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, de 60% da população adulta a frequentar cursos de formação todos os anos. Existe, em termos nacionais, uma visão estratégica para a recuperação social e económica do país pós pandemia e essa engloba uma necessidade urgente de olhar para a qualificação e a formação dos cidadãos como pilares fundamentais de desenvolvimento económico e social e de recuperação. A aposta é no aumento das qualificações dos jovens e dos adultos, sobretudo ao nível das competências digitais. O sistema de educação e formação deverá proporcionar aos cidadãos a possibilidade de aprenderem ao longo de toda a sua vida para que estejam sempre atualizados perante a mudança. Considera que as empresas conseguem consolidar-se mais vincadamente no mercado ou setor, se reconhecerem a importância das suas pessoas? Neste sentido, como é, para o PO CH, trabalhar e contribuir para o crescimento de uma determinada organização? No PO CH trabalhamos para as pessoas. No entanto, como não há empresas ou organizações sem pessoas, e empregos sem empresas e outras entidades empregadoras, o nosso trabalho acaba por contribuir para o sucesso coletivo, ou seja, para a evolução do país. Por seu lado, as empresas tomam cada vez mais consciência do poder das organizações centradas em pessoas, que valorizam a felicidade dos trabalhadores, como instrumento aliás para a obtenção de melhores resultados. O próprio PO CH é um exemplo disso. Em março de 2020, com a pandemia, colocou todos os seus trabalhadores em casa, em regime de teletrabalho. Com a evolução favorável da situação pandémica e o regresso faseado aos locais de

“COMO É DO CONHECIMENTO GERAL, O PO CH ESTÁ A TERMINAR A SUA ATUAÇÃO NO ÂMBITO DO PORTUGAL 2020. EM BREVE DARÁ LUGAR AO NOVO PROGRAMA DO PORTUGAL 2030 QUE PERSEGUIRÁ OBJETIVOS IDÊNTICOS ÀQUELES QUE TÊM SIDO O ALVO DESTE PROGRAMA" trabalho, o PO CH deixou ao critério dos seus trabalhadores e com o devido aval dos respetivos dirigentes, a possibilidade de se manterem no regime de trabalho à distância, para uma melhor conciliação entre a vida pessoal e profissional. Esta possibilidade agradou à maior parte das pessoas que ainda hoje se mantém nesse regime. Os resultados do PO CH não sofreram com essa opção, antes pelo contrário. A satisfação dos trabalhadores é visível em qualquer um dos inquéritos de satisfação que já se realizaram sobre essa matéria. O domínio da qualificação é central e estruturante para o país, uma vez que o retorno sobre este investimento permite corrigir desequilíbrios estruturais. Enquanto impulsionador desta importância, que passos serão dados a curto/médio prazo pelo PO CH? Como é do conhecimento geral, o PO CH está a terminar a sua atuação no âmbito do Portugal 2020. Em breve dará lugar ao novo programa do Portugal 2030 que perseguirá objetivos idênticos àqueles que têm sido o alvo deste Programa. O tempo é de mudança de programa, mas não dos grandes objetivos nesta área, porque muito caminho já foi feito de progresso, mas ainda há muito para fazer. Será dada continuidade à aposta na formação inicial de jovens, nas modalidades de dupla certificação, para aumentar o crescimento da

mão-de-obra de nível intermédio e para continuar a melhorar os níveis de sucesso escolar, como temos vindo a fazer até aqui e como demonstra a avaliação levada a cabo sobre a contribuição do Portugal 2020 para o sucesso educativo, redução do abandono escolar precoce e empregabilidade dos jovens. Esta avaliação permite concluir, por exemplo, que em cada 100 alunos com perfis comparáveis, 87 alunos dos cursos profissionais completaram o ensino secundário face a 57 nos cursos científico-humanísticos. Também será dado prosseguimento aos apoios ao ensino superior, para fazer crescer o número de diplomados com esse nível de ensino. Nesta matéria as avaliações realizadas permitem consolidar a convicção que os apoios fizeram de facto a diferença entre os estudantes. É possível verificar que a atribuição de Bolsas de Estudo tem contribuído para que os estudantes desistam menos no início do percurso académico, para aumentar o número dos que transitam para o segundo ano e também dos que concluíram com sucesso o curso superior. As Bolsas de Doutoramento e Pós-Doutoramento também se têm revelado fundamentais para elevar os níveis de sucesso dos processos formativos. A qualificação e requalificação de adultos, sobretudo ao nível das competências digitais, será o grande desafio para o próximo período de programação. Nesta esfera, é imprescindível a atualização de competências, mas também a requalificação profissional, uma vez que muitas profissões serão extintas e outras reformuladas, face às transições verde e digital, à revolução tecnológica, às alterações demográficas e à própria pandemia. O PO CH promoveu uma avaliação para aferir o impacto dos apoios à qualificação e empregabilidade dos adultos, no período de programação 2014-2020, que demonstra que os adultos desempregados que concluem formação têm uma probabilidade 18 vezes superior de aceder a emprego. Também os adultos empregados que terminaram formações têm uma probabilidade cinco vezes superior de trabalhar um ano completo, no ano seguinte ao da formação e uma probabilidade duas vezes superior de se manterem empregados no segundo e terceiro ano após a formação. Os resultados da avaliação ilustram bem a necessidade de continuar a desenvolver novas competências ao longo da vida, sobretudo digitais, numa perspetiva de fazer corresponder a oferta à procura de competências e assim prosperar profissionalmente. O investimento do Fundo Social Europeu tem sido e vai continuar a ser imprescindível para colmatar os problemas estruturais do nosso país, designadamente nas áreas da formação de jovens e da aprendizagem ao longo da vida. Sem ele, a distância percorrida nos últimos anos teria sido significativamente mais curta. Com ele, o futuro estará indubitavelmente facilitado. ▪

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CMA – CARLA MONTEIRO & ASSOCIADOS, SOCIEDADE DE ADVOGADOS, RL, ONDE AS PESSOAS SÃO O EXPOENTE MÁXIMO DA EXCELÊNCIA, COMPETÊNCIA E QUALIDADE


EQUIPA DA CMA

(ESQUERDA PARA DIREITA)

ATRÁS - LEANDRO REIS GOMES, CARLA MONTEIRO, ÉRICO DUARTE, DÉCINEIDA BRITO E WILLIAN LUZ FRENTE - SUELY MENDES, SUZILENE ÉVORA, ALICE SIMONI, MARIA JOÃO BRITO E MARIA JESUS DELGADO


PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO

“A CMA não investe em profissionais, mas sim em Pessoas com valores e princípios” Qual o papel do Capital Humano numa Sociedade de Advogados? Carla Monteiro, Sócia Fundadora da CMA – Carla Monteiro & Associados, Sociedade de Advogados, RL, revela como um dos expoentes máximos do sucesso da marca, são as Pessoas.

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culminar de um processo de consolidação e afirmação resultou na constituição da sociedade CMA – Carla Monteiro & Associados, Sociedade de Advogados, RL, em 2015. Após sete anos de história, quem é hoje a empresa? A CMA é actualmente uma sociedade de advogados, com escritórios na Ilha do Sal e na Boa Vista mas com cobertura nacional, composta por sete advogados e três advogados estagiários bem como por consultores externos em áreas especializadas, devidamente assessorados por uma equipa administrativa e financeira empenhada, que lhe permite assegurar o trabalho que lhe é adjudicado de forma eficiente. A CMA atingiu uma dimensão que lhe atribui o estatuto de grande sociedade de advogados a nível do nosso mercado nacional. A aposta nas parcerias internacionais e associação em ligas e plataformas de advogados internacionais serve para também garantir um serviço de maior qualidade aos clientes estrangeiros, principalmente na área do investimento, turismo e imobiliária, de forma sólida e estribada nos princípios deontológicos que regem a advocacia. Através da sua atuação profissional, a CMA – Carla Monteiro & Associados visa objetivamente espelhar nos resultados obtidos a prossecução de valores como empenho e excelência no trabalho. Enquanto Sócia Fundadora desta marca, considera que esta missão é concretizada por aliar conhecimento vasto na área, com a determinação que, a nível pessoal, lhe é característica? De que forma o tem feito? Acredito que sim. A CMA não investe em profissionais mas sim em pessoas com valores e princípios, que aliados aos seus conhecimentos técnicos, conseguem formar um profissional de excelência. Procuro concretizar esta missão incutindo

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fissional devem sempre estar balanceadas, pelo que a CMA preocupa-se muito com a vida pessoal da sua equipa, ajudando lá onde puder.

CARLA MONTEIRO, SÓCIA FUNDADORA DA CMA

nos colegas que lidero a importância da ética na nossa profissão bem como da constante aprendizagem em prol do melhor resultado para o cliente. Como profissional, sou determinada, prática, empenhada e bastante exigente, tanto comigo como com os meus colegas. Mas, o que mais prezo é a solidariedade entre colegas dentro da empresa, por forma a olharmos na mesma direção, trabalhando sempre em prol do bem comum da CMA, que é o cliente. A verdade é que, ainda assim, não seria possível caminhar sozinha. As pessoas são veículo mais

valioso para alcançar resultados nas organizações. De que forma a CMA – Carla Monteiro & Associados tem investido no desenvolvimento e felicidade das suas pessoas? O crescimento profissional está sempre associado à necessidade de crescer também a equipa, assim sendo sozinha seria impossível dar resposta eficiente e eficaz às demandas que me foram surgindo. Assim, a CMA investe na sua equipa, motivando-lhe tanto a nível financeiro, corporativo, da formação técnica e pessoal. Um profissional não consegue ser rentável se não estiver feliz. A componente pessoal e pro-

Considera que a promoção da felicidade dos colaboradores, é a fórmula do sucesso da CMA – Carla Monteiro & Associados? Para si, que valor possuem estes Recursos Humanos? Esta é sem dúvida a fórmula do sucesso de qualquer empresa pois o trabalho flui melhor quando as pessoas estão felizes e realizadas no seu posto de trabalho. A relação com o cliente é mais agradável e estamos mais aptos a ouvir e melhor encontrar uma solução para os nossos clientes. A CMA é uma família e como tal prima pela felicidade dos seus membros. Os recursos humanos são o valor mais precioso da CMA pois sem eles não existiria a empresa e, por conseguinte, os clientes. Nem sempre se consegue agradar a todos, mas a CMA é exigente em tudo, tanto na cobrança do trabalho e da qualidade deste, como a si mesma para que possa proporcionar aos seus recursos humanos boas condições de trabalho, motivando-os a serem leais com a empresa e sentirem-se recompensados pelo seu trabalho. Tendo todos os elementos reunidos, a que patamar gostaria de elevar a CMA – Carla Monteiro & Associados, para o seu sucesso a longo prazo? Gostaria que a CMA, mantendo o seu nível de atendimento ao cliente, melhorasse sempre a sua capacidade de resposta, por forma a garantir a fidelidade do cliente e potenciar o seu crescimento. Atuamos a nível nacional, contudo, o meu objetivo a longo prazo é estabelecer presença física a nível nacional, com abertura de escritórios com advogados residentes nas restantes ilhas de Cabo Verde, de forma a dar respostas particulares de cada uma das ilhas. ▪


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“Temos feito de tudo para que os colaboradores se sintam realizados e valorizados” Para Érico Duarte, Sócio na CMA – Carla Monteiro & Associados, a proximidade que o escritório tem com os seus clientes, é uma das razões do sucesso, criando assim relações de confiança que valorizam o serviço prestado pela marca.

S

abemos que a CMA – Carla Monteiro & Associados assegura um atendimento profissional, sustentado por princípios de continuidade e consolidação dos objetivos inicialmente traçados pelo cliente. Considera que esta relação de proximidade com o cliente é o que mais diferencia a marca no mercado? Quais os motivos? De facto, a proximidade entre a CMA – Carla Monteiro & Associados e o cliente tem um papel importante e fundamental para o sucesso da relação com o cliente, o que, por consequência, valoriza o serviço prestado pela CMA – Carla Monteiro & Associados e logo a sua marca no mercado, quanto mais sabendo das características próprias do nosso país, que por ser pequeno faz com que quase todos se conhecem. Contudo, a referida relação de proximidade é um dos fatores que diferencia a marca da CMA – Carla Monteiro & Associados no mercado, sendo que não podemos desconsiderar a qualidade técnica do serviço prestado pela CMA – Carla Monteiro & Associados, a postura e o posicionamento dos colaboradores da CMA – Carla Monteiro & Associados durante a relação com o cliente, e ainda a confiança transmitida pelos mesmos aos clientes. Além disso, a Sociedade também utiliza preferencialmente tecnologias inovadoras na consolidação dos resultados. Quão importante é esta aposta constante em inovação no universo do Direito? Sim, trata-se de uma aposta de fulcral importância e que por isso a CMA – Carla Monteiro & Associados vem dando uma particular atenção, pois, em qualquer área da nossa sociedade, em que a área do Direito não foge à regra, é preciso acompanhar as modernizações, inovações e

e valorizados, tanto na parte pessoal como na parte profissional, de forma a garantir a envolvência dos mesmos, mantendo a referida diferenciação da sua marca no mercado. De que forma, assim, a CMA – Carla Monteiro & Associados tem «celebrado» firmemente a importância das suas pessoas? Preparando e dando aos seus colaboradores a possibilidade de avançarem profissionalmente, proporcionando-lhes tudo aquilo que é possível, tanto a nível pessoal como a nível profissional, para o efeito, demonstrando-lhes o apreço e o valor que cada um tem no funcionamento da organização. Pois, o coletivo apenas funcionará se as peças individuais estiverem todas a funcionar na totalidade das suas capacidades. Facto do inteiro conhecimento da CMA – Carla Monteiro & Associados, que vem sido trabalhado com cautela e muita atenção.

ÉRICO DUARTE, SÓCIO NA CMA

avanços tecnológicos, sob pena de ficar desatualizado e, com isso, em desvantagem em relação à concorrência do mercado. Ora, tendo em conta as características do mercado de advocacia a CMA – Carla Monteiro & Associados não pode dar o luxo de “oferecer” essa vantagem à concorrência. Pelo que a CMA – Carla Monteiro & Associados estará sempre na linha da frente em relação às inovações na área do Direito. Sabemos que a aposta em inovação e tecnologia é, sem dúvida, essencial para garantir a compe-

titividade no mercado, mas não só. Em que medida promover o bem-estar dos Recursos Humanos impulsiona os resultados finais de uma empresa? Mais uma vez, estamos perante um aspeto de grande relevância, dado que para que um trabalhador, independentemente da sua área, possa produzir, produzir bem e com qualidade, é preciso que o mesmo se sinta bem e satisfeito no seu ambiente de trabalho. Por conseguinte, a CMA – Carla Monteiro & Associados tem feito de tudo para que os seus colaboradores se sintam realizados

Internamento e externamente, que novidades podemos esperar da marca no mercado? Trabalho, engajamento, dedicação e empenho total dos colaboradores da CMA – Carla Monteiro & Associados para que o trabalho que tem sido feito até agora seja cada vez melhor, tendo como objetivo primordial a satisfação das necessidades dos clientes. Assim, é meta da CMA – Carla Monteiro & Associados abranger cada vez mais todas as áreas do Direito, por modo a que o serviço prestado seja cada vez mais satisfatório. Ademais, a CMA – Carla Monteiro & Associados estará atenta às mudanças no que respeita às exigências do nosso mercado em parte provocado pelos recentes acontecimentos mundiais, adequando-se atempadamente às possíveis mudanças e, como isso, garantir a sua marca no mercado. ▪

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PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO

“Na CMA, estamos todos a remar no mesmo sentido” Que não existam dúvidas, para Leandro Reis Gomes, Sócio da CMA – Carla Monteiro & Associados, “a razão do sucesso de cada um dos elementos da equipa é o sucesso da equipa e vice-versa”, afirma, assegurando que na marca todos estão unidos por um bem comum, que passa pela promoção da excelência da CMA.

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dedicação que existe no seio da CMA – Carla Monteiro & Associados, tem vindo a ser um dos elementos cruciais do seu sucesso. De que forma, este fator diferenciador, impacta no relacionamento com os clientes e, internamente, inspira a atividade profissional? Por mais conhecimento técnico que qualquer profissional possa ter, seja na advocacia seja noutras áreas, se não se dedicar com afinco e com paixão não conseguirá sobressair perante os demais. A advocacia é uma profissão que já se massificou e nos dias de hoje a oferta é vasta, pelo que, o empenho e o profissionalismo que colocamos em cada caso, em cada desafio, no atendimento a cada cliente, aliado sempre ao conhecimento técnico é, sem dúvida, um dos elementos diferenciador. Na nossa profissão lidamos diariamente com pessoas e quando somos procurados para auxiliá-los na resolução de uma determinada questão temos sempre que ter em mente que, por mais corriqueiro que a questão possa ser para nós, para o cliente poderemos estar a lidar a questão mais importante da sua vida naquele momento, pelo que, a dedicação, para além de ser um elemento diferenciador tem de ser diária e contínua. Nós advogados não somos médicos, mas lidamos igualmente, numa outra vertente, com a vida das pessoas. Internamente tentamos sempre motivar uns aos outros, apoiando os colegas naquilo que for necessário e, principalmente, aprendendo uns com os outros. A verdade é que a CMA – Carla Monteiro & Associado apresenta uma equipa multifacetada de profissionais especializados nas diferentes vertentes jurídicas. Assim, é sempre possível responder

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clientes e os demais agentes que interagimos diariamente mesmo que estejam em posição contrária à nossa. A meu ver a competitividade é de salutar e vejo-a sempre com bons olhos porque nos obriga a evoluir e dar o melhor de nós a cada dia perante os desafios que nos são colocados e por isso é tão importante a dedicação, a constante busca pelo conhecimento técnico-científico que aliado à prática nos permite estar em constante crescimento.

LEANDRO REIS GOMES, SÓCIO DA CMA

eficazmente aos diversos desafios que são confiados e que implicam uma resposta pluridisciplinar? Em que medida? Já diz a frase, quem sabe um pouco de tudo, não sabe muito de nada. O Direito está em tudo, neste sentido, a especialização é fundamental e nos permite dar respostas mais assertivas aos desafios que os nossos clientes nos colocam e de forma célere. Lidamos diariamente com clientes de diversas nacionalidades, culturas e formas de pensar sendo uma das nossas funções enquadrar as ideias, visões e pretensões dos nossos clientes nos ditamos do nosso sistema jurídico

e nesse aspeto é fundamental que tenhamos profissionais especializados nas diferentes vertentes jurídicas, mas que se complementam entre si em prol da eficiência na resposta aos desafios que nos são confiados. Tendo como áreas de atuação o Contencioso Geral, Seguros e Bancário, Societário, entre outros, como se tem a Sociedade destacado num mercado que é – cada vez mais – competitivo? A Sociedade se destaca pelo seu empenho, pela sua dedicação, pelo seu profissionalismo e, principalmente, pela lealdade para com os

Quão gratificante é, enquanto Sócio de Indústria, observar o muito que já se conquistou a nível interno e externo? Nestas duas vertentes, quais diria que foram os marcos mais importantes até ao momento? É extremamente gratificante. Fazendo uma retrospetiva ao meu percurso na Sociedade este tem sido em constante evolução fruto de muito trabalho individual e coletivo porque as conquistas são apenas consequência do trabalho. Os marcos mais importantes foram, são e continuaram a ser a satisfação dos nossos clientes. Lidamos diariamente com pessoas e conseguir cumprir os desafios que nos são colocados para, posteriormente, ver e sentir o sentimento de satisfação dos nossos clientes continuará a ser o marco a ser alcançado dia após dia. O resto será sempre consequência do trabalho. Se pudesse definir a equipa que compõe a CMA – Carla Monteiro & Associados, o que diria? Definiria a equipa da CMA como coesa, dedicada, comprometida e responsável, cada um com objetivos individuais, mas sempre em prol do objetivo coletivo. O sucesso de cada um dos elementos da equipa é o sucesso da equipa e vice-versa. Estamos todos a remar no mesmo sentido. ▪


PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO

“Tenho crescido como Pessoa e Profissional”

SUELY MENDES, ASSOCIADA SÉNIOR

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Suely Mendes é Associada Sénior na CMA – Carla Monteiro & Associados. De que forma destaca o ambiente corporativo que se vive, diariamente, no seio desta empresa? Tratando-se a CMA de uma equipa com múltiplas valências quer pelas áreas de atuação, quer pelos integrantes da equipa, o ambiente corporativo destaca-se pela versatilidade, proatividade, competência e espírito de competitividade em prol dos interesses dos clientes e dos valores/ deveres intrínsecos à nossa profissão. A nível pessoal e profissional, que mais-valias emergem do facto de integrar a equipa desta empresa? Como descreve a mesma? Uma das mais-valias, mais

“É um prazer fazer parte da equipa CMA”

DÉCINEIDA BRITO, ASSOCIADA JÚNIOR

impactantes, a nível pessoal por integrar a equipa da CMA tem sido o meu o crescimento gradual como pessoa, a minha capacidade de ouvir o outro e de colocar-se no seu lugar. Estas mais-valias têm refletido diretamente na minha forma de interagir com a equipa reforçando, desta feita, a sua união, bem como têm contribuído na consolidação de uma relação profissional coesa com os clientes da CMA. A nível profissional descrevo como mais-valias, primeiro, o meu crescimento profissional através do estudo, trabalho e direção de dossiês jurídicos, segundo, o know how, experiência e habilidades adquiridos na posição de integrante da equipa, terceiro, a visibilidade profissional enquanto integrante da equipa da CMA e quarto o espírito da competitividade. ▪

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a CMA – Carla Monteiro & Associados desde 2018 e tendo sido, inicialmente, Advogada Estagiária, considera que esta casa/escola de integração no mercado de trabalho é singular? Que fatores fomentam esta ideia? Estou na CMA- Carla Monteiro & Associados desde 2018, foi o meu primeiro contacto com a vida profissional, inicialmente como Advogada Estagiária e considero que a CMA é singular no mercado de trabalho. Os fatores desta ideia são que na CMA eu me sinto realmente parte da empresa o que me motiva a produzir mais. Além disso a equipa de trabalho na CMA está sempre em sintonia, aumentando o sucesso no que é feito. É um prazer fazer parte da equipa CMA que é também a família CMA. Hoje, enquanto Associada Júnior,

quais são as principais emoções e sensações permanecem após um dia de trabalho na empresa? Atualmente como Associada Júnior, as emoções e sensações que permanecem são as de querer contribuir cada vez mais para a CMA e progredir dentro dela. Após um dia de trabalho tenho o sentimento de gratidão por fazer parte de uma grande equipa com vários colegas onde posso aprender e desenvolver as minhas capacidades intelectuais. Um outro sentimento é o de dever cumprido naquele dia e de saber que no outro dia darei novamente o melhor de mim. Pois o que se aprende na CMA é que devemos colocar o máximo de nós em qualquer trabalho que fazemos independente do grau de complexidade, tratando os colegas, clientes e todos com os quais tenhamos qualquer relacionamento durante o nosso trabalho com urbanidade. ▪

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PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO

“O capital humano constitui um dos bens mais valiosos da CMA”

MARIA JOÃO BRITO, ASSOCIADA JUNIOR

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uma altura em que as incertezas predominam devido às constantes alterações da sociedade e do mercado, de que forma a CMA Carla Monteiro & Associados tem motivado os seus colaboradores a desempenhar um papel de inovação e dedicação? Sem sombra de dúvidas que variadas são as alterações que têm tido a nível social e de mercado, e essas alterações fazem-se sentir no nosso cotidiano. No que tange ao exercício da advocacia faz-se necessário acompanhar a evolução dessas alterações de modo que as prestações dos nossos serviços correspondam com as necessidades dos nossos constituintes e com as demandas do mercado que está cada vez mais competitivo. Na era digital em que vivemos, que veio quebrar fronteiras, onde tudo acontece de forma rápida, e estamos constantemente conetados com informações a todo o segundo, onde o acesso ao que acontece no mundo diariamente está à distância de um clique, há que saber utilizar as ferramentas que a mesma nos faculta, fazer o uso das novas tecnologias, de modo inteligente e inovador. Nessa senda a CMA tem apostado fortemente no incentivo dos seus colaboradores a debruçarem-se sobre temas atuais e pertinentes de modo a atender às mais variadas exigências com agilidade, qualidade e dedicação.

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"A CMA garante a segurança e estabilidade que qualquer profissional necessita”

ALICE SIMONI, ASSOCIADA JÚNIOR

Considera que no seio da CMA – Carla Monteiro & Associados existe uma grande aposta nos Recursos Humanos? Quão importante é, na sua perspetiva, esta aposta? Com certeza, a CMA - Carla Monteiro & Associados aposta em grande nos Recursos Humanos, reflexo dessa aposta está no número de colaboradores que hoje são parte integrante da equipa, constituída por sete advogados, três advogados-estagiários e complementada com uma seção financeira e administrativa. Na minha perspetiva o capital humano constitui um dos bens mais valiosos da CMA e essa aposta é uma das principais chaves da dinâmica, crescimento e sucesso da empresa, o verdadeiro motor que conduz a CMA a alcançar os diferenciais competitivos que tem alcançado. Sem dúvidas que a gestão de recursos com foco no capital humano traz muitos benefícios para a empresa, tais como, melhoria da qualidade e produtividade, equilíbrio entre as expetativas dos clientes e da empresa, elevação do grau de comprometimento da empresa. Pelo que, mensurar as potencialidades desse recurso na empresa é importante e fundamental para criar estratégias e maximizar o desempenho individual e coletivo dos colaboradores, e, com isso, eleva-se a performance de toda a CMA – Carla Monteiro & Associados. ▪

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nquanto Associada Júnior, acredita que a CMA – Carla Monteiro & Associados adota um compromisso permanente com as suas pessoas e com a sua evolução? De que forma? Acredito que sim. Desde o primeiro dia que entrei para a CMA – Carla Monteiro & Associados senti-me em casa, tive e continuo a ter um bom relacionamento com todos os meus colegas e funcionários, neste sentido a própria empresa adota medidas no sentido de termos uma boa comunicação de forma a resolver qualquer litígio que possivelmente possa surgir no seio desta. A CMA garante a segurança e estabilidade que qualquer profissional necessita, além de investir no nosso aprendizado contínuo. Para o nosso desenvolvimento profissional a mesma aposta na política do feedback, que pode ir desde um elogio a uma crítica construtiva, sendo que a empresa sempre está disponível para ouvir também o que temos a dizer. Os trabalhos que nos são pedidos são sempre desafiadores e propícios à exploração das nossas habilidades e competências, incentivando-nos a ser uma equipa produtiva e capaz de buscar e gerar avanços significativos e sair daquilo que é óbvio. Além disso, a CMA investe em infraestruturas e ferramentas de trabalho adequadas de forma a melhorar os resultados de trabalho.

Estando há três anos nesta empresa, quão gratificante tem sido a sua evolução profissional na mesma? Entrei na CMA – Carla Monteiro & Associados como advogada-estagiária, ainda verde, mas com grande vontade de aprender e explorar este novo mundo, o mundo da advocacia, o mundo que desde pequena já queria. Vestir a toga e ajudar os que se sentissem injustiçados e violentados nos seus direitos seria a concretização de um sonho, e graças à CMA o pude concretizar. Perceber como funcionava a estrutura desta grande empresa, desde o simples atendimento aos clientes até a elaboração da peça mais complexa, eram as minhas grandes curiosidades. Comecei a trabalhar diretamente com os advogados desta empresa, efetuando ainda pequenos trabalhos, mas que ao mesmo tempo exigiam grande cuidado. Depois, com o passar do tempo, peças mais complexas e que exigiam tempo e dedicação, me foram facultadas. Iniciei a trabalhar em várias áreas de direito explorando minuciosamente cada uma delas, o que enriqueceu e muito os meus conhecimentos. Tive e continuo a ter o apoio e orientação necessário em absolutamente tudo o que necessito nesta empresa. Todos os dias, uma nova lição, novos conhecimentos são transmitidos. Não tem nada mais gratificante em saber que a nível profissional se está a alcançar tudo aquilo que se queria. ▪


PONTOS DE VISTA CAPITAL HUMANO

“A CMA tem sido uma mais-valia para a minha vida”

“Sinto-me honrado em fazer parte e aprender com os melhores”

WILLIAN LUZ, ADVOGADO ESTAGIÁRIO

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SUZILENE ÉVORA, ADVOGADA ESTAGIÁRIA

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abemos que, no seio das organizações, a chave do sucesso e reconhecimento é ter uma equipa coesa e dedicada. Ao integrar há dois meses a CMA – Carla Monteiro & Associados, que mais-valias acredita que esta união traz aos clientes e ao mercado? Trabalhar num escritório de renome tal como a CMA é uma grande responsabilidade, pois é necessário ter muita atenção aos nossos trabalhos, o escritório é bastante exigente e isso ajuda-nos a aperfeiçoar as nossas peças processuais, a forma de estar e de conferenciar com os clientes, e também como se comportar numa audiência. Mas o melhor de tudo é que como estagiária não me sinto sozinha, pois existe toda uma estrutura de advogados mais experientes por detrás, que nos dá todo suporte sempre com muito rigor e muita generosidade. E é desta forma que a equipa CMA se destaca no mercado, garantindo aos seus clientes um trabalho de excelência, rigor ético e principalmente lealdade aos princípios, onde toda a equipa se compromete a resolver os litígios dos seus clientes com a máxima competência e dedicação. Enquanto Advogada Estagiária, o que significa trabalhar na CMA – Carla Monteiro & Associados? Tem sido uma mais-valia tanto para minha vida pessoal e principalmente para o meu crescimento profissional, pois aqui há uma dinâmica de trabalho bastante satisfatória, onde estamos sempre a aprender sobre as diversas áreas do direito. Também é sinónimo de muito aprendizado, pois trabalhamos com os mais variados processos, ou seja, estamos constantemente a ser desafiados para estudar mais e assim aumentar o nosso leque de conhecimento e ganhando assim maior gosto pela advocacia. ▪

endo integrado recentemente a CMA – Carla Monteiro & Associados, quais os frutos que, face à qualidade da empresa e ao rigor dos seus serviços, espera ver cumpridos a curto/médio prazo? Como o mais recente membro da CMA – Carla Monteiro & Associados, só tenho a agradecer e orgulhar-me por fazer parte de uma equipa jovem, qualificada e liderada por Carla Monteiro. Sinto-me honrado em fazer parte e aprender com os melhores, e, portanto, pela qualidade, rigor e pelo profissionalismo de cada membro, com certeza, a curto/medio prazo, terei as bases técnico-científicas, deontológicas e humanas para crescer, enquanto profissional, e desenvolver com sucesso a atividade de Advocacia. A verdade é que, na CMA – Carla Monteiro & Associados, a ideia de abrir as portas do escritório a jovens candidatos a Advogados é apostar na renovação e no crescimento das equipas. Porque é que tem vindo a ser importante, enquanto Advogado Estagiário, desenvolver este processo no seio desta entidade? Que mais-valias existem, no seu entender? Integrar a CMA – Carla Monteiro & Associados, enquanto uma família, tem sido uma experiência única e gratificante. É uma sociedade de advogados referência e com uma presença forte em Cabo Verde e a nível internacional, sendo uma mais-valia pertencer e partilhar os valores desta equipa, e, pessoalmente, o melhor sítio para se estar, senão o único de momento, para aprender e crescer enquanto Advogado Estagiário. O ambiente e a boa relação profissional que se vive no seio do escritório é propício para a minha integração, e agradeço a forma como fui e continuo a ser recebido por todos. Além disso, é uma equipa de advogados dedicada, de profissionais de excelência cuja base de atuação é orientada para a satisfação dos interesses dos clientes e acima de tudo, extremamente humana, que procura ser melhor todos os dias, permitindo que cada membro dê o seu contributo da melhor forma e assim colaborar para que a sociedade cresça e atinja os seus objetivos. ▪

“Sinto-me orgulhosa por pertencer a uma marca de renome”

MARIA JESUS DELGADO, ADVOGADA ESTAGIÁRIA

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CMA-Carla Monteiro & Associados conta com uma eficiente equipa que está sempre disponível para receber e auxiliar os seus clientes. Na qualidade de advogada estagiária, qual a missão a que se propõe de forma a contribuir também para esta ligação e qualidade? Tendo em conta que ainda estou no processo da adaptação e de aprimorar conhecimentos, a minha missão no escritório é dedicar ao máximo para que possa adquirir conhecimentos práticos da melhor forma possível. Em simultâneo, tenho que me submeter aos planos de estágio que vierem a ser definidos pelo escritório. Ademais tento manter uma colaboração com o escritório sempre que me seja solicitado a efetuar os trabalhos que me sejam determinados, colaborar com empenho, zelo e competências em todas as atividades e trabalhos. Tendo integrado a marca no passado mês de Abril o que tem sido realizado neste curto espaço de tempo para fazer a diferença num setor que exige devido a sua competição, uma dinâmica vanguardista? Sinto-me orgulhosa e contente por pertencer a uma marca de renome e tão valorizada na nossa ilha e mundo fora. Neste curto espaço de tempo, tive a oportunidade de perceber que a CMA é composta por uma equipa competente. Vale a pena dizer que procuro adquirir conhecimentos mais aprofundados para além de interagir com os meus colegas com o objetivo de trocar ideias e vivências enquanto juristas. Isso porque o espírito de equipa é uma das competências-chave para poder manter um serviço de qualidade num mercado competitivo e dinâmico. Indubitavelmente neste curto espaço de tempo procuro prestar um serviço de elevado valor para o cliente, ao qual passa-se com uma boa capacidade de trabalho e organização. Por último, sempre que possível, vou com a Carla Monteiro para as audiências de julgamento, pois assim tenho a oportunidade de conhecer os nossos clientes e criar pontes de relacionamento e confiança, indispensáveis para a qualidade que prestamos, e onde a proximidade é um dos fatores de sucesso. ▪

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PONTOS DE VISTA ANO EUROPEU DA JUVENTUDE 2022

“Realizar projetos e ficar de coração cheio é, e deve ser, o nosso dia a dia como profissionais” O Ano Europeu da Juventude é uma iniciativa da Comissão Europeia, Conselho da EU e Parlamento Europeu que impulsiona a importância dos jovens enquanto agentes de mudança e peças essenciais para construir um futuro pacífico e democrático e que está a ser coordenado em Portugal pelo IPDJ (Instituto Português do Desporto e da Juventude). A este projeto especial está associada a SmartKISS – uma Agência de Marketing Digital, onde é possível «romper» com o comum e, mesmo assim, obter resultados líderes no mercado. Adriana Carneiro, CEO da marca, aborda esta ligação que convida todos os jovens a participarem e a desafiarem-se.

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ma das marcas que a SmartKISS tenta deixar no mercado, passa pela sua capacidade em promover a diferença, ou seja, aportar algo que seja distinto na relação que tem com o mercado e com os clientes em prol da liderança no digital. Sabendo disto, como é que a SmartKISS responde de forma acertada aos pedidos dos clientes, promovendo assim a sua liderança no domínio digital? A SmartKISS tenta estar próxima dos seus Clientes de forma disponível, em que surgindo um problema, ou uma campanha, ou seja o que for, o Cliente sabe que vai ser resolvido ou que faremos tudo para o fazer na hora. Errar é humano, só não erra quem não trabalha, mas assumir o erro e resolvê-lo na hora, não é para todos. O Cliente, da mesma forma que os colaboradores, são a maior matéria-prima que uma empresa possui, se nos contratam e não sentem que têm um parceiro para os ajudar quando precisam, então deixa de fazer sentido as parcerias. Como costumo dizer, o Marketing é muito imediato, ou se ama ou se odeia, porque não é um emprego das 9:00 às 18:00, pode ser fora de horas e surgirem circunstâncias, imputáveis a nós, ou não, ou algo que o Cliente necessite, e devem ser salvaguardas, haja o que houver. Esta é a postura da SmartKISS e se alguém vai para o Marketing e não o entende assim, o melhor é não ir. Hoje vivemos, mais do que nunca, uma espécie de revolução digital. Desta forma, como é que a SmartKISS analisa este setor de mercado e como é que as empresas lusas

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causa o que fazemos. Temos que viver com isso infelizmente. A estrutura de uma Agência não é um freelancer, envolve custos de recursos, estado, operacionais, entre outros, mas com isso, também envolve prestar um serviço de qualidade, inovação, diferenciação e a qualidade tem que ser reconhecida. Numa gestão empresarial, já temos que “esmagar” muitas vezes para se conseguir crescer, são decisões comerciais e faz parte, mas ser comercial é uma coisa, colocar em causa o que somos e fazemos é outra coisa. Continuo a acreditar que o “caminho faz-se caminhando” e que as coisas acabarão por mudar e sermos reconhecidos pelo que somos e na forma como o fazemos. Um dia de cada vez.

ADRIANA CARNEIRO

começam a vislumbrar o domínio digital como um pilar do seu sucesso? Sente que ainda temos de alterar mentalidades no sentido de se perceber a relevância do digital no universo dos negócios? Acredito que cada vez mais as empresas começam a perceber a importância do Digital para as suas marcas e posicionamento no mercado, contudo, infelizmente, continuam a não valorizar o trabalho realizado, sua diferenciação e qualidade. Quando vamos a um médico ou a

um advogado, pagamos um serviço. Então, porque é que o serviço de Marketing não é valorizado de igual forma bem como, o serviço e atendimento que é prestado sendo diferenciador e de excelência? Não me assusta a concorrência, pois ela só me faz querer evoluir dia a dia e ser cada vez mais e melhor. O que não gosto é assistir a concorrência desleal, em que fazem um template igual para todos, só mudam imagens, prestam menos serviços e levam valores ridículos, em que depois à parte até ficam bem superiores e colocam em

2022 marca o Ano Europeu da Juventude, sendo, portanto, um período essencial para continuar a dar voz aos mais jovens no sentido de personificarem um espírito de cocriação jovem, pertinente, dinâmico e aberto. Qual a ligação que a SmartKISS pretende ter com o Ano Europeu da Juventude e de que forma é que a marca olha para os mais jovens na sua orgânica e dinâmica? O Ano Europeu da Juventude, é uma iniciativa da Comissão Europeia, Conselho da UE e Parlamento Europeu e que está a ser coordenado em Portugal pelo IPDJ (Instituto Português do Desporto e da Juventude). Este projeto, constituiu um enorme orgulho para a SmartKISS. Estar associado a este projeto, às pessoas e entidades que o representam tem sido um desafio gratificante a nível humano e profissional. Vemos a Juventude como os jovens do futuro, tenho dois filhos e o puder


PONTOS DE VISTA ANO EUROPEU DA JUVENTUDE 2022

partilhar com eles o site do IPDJ e do AEJ e mostrares-lhe tudo o que têm à sua disposição e que o futuro não para e que temos que lutar, pois, as oportunidades não faltam, é de facto fantástico. A relação que pretendemos ter, é uma relação de seriedade, profissionalismo, boa disposição e entrega de grandes resultados. O objetivo é levar o IPDJ e este projeto e todas as fantásticas oportunidades e atividades que criam ao maior número de jovens possível e tudo faremos para o garantir e dar o máximo de nós. A nossa Juventude merece saber e conhecer o que tem à sua disposição. Tem tudo aqui: www. https://ipdj.gov.pt/ e https:// anoeuropeujuventude.ipdj.gov.pt/. Em 2021, a SmartKISS celebrou uma parceria com o IPDJ – Instituto Português do Desporto e Juventude, aquando da Semana Europeia do Desporto. Porquê esta aposta e parceria e quais as valias que retiraram da mesma? Pode parecer cliché, mas quem me conhece e conhece os princípios que pauto a SmartKISS, independentemente de ter sido um projeto muito importante para a empresa sem dúvida, e o termos provado de que somos capazes de assumir e realizar grandes projetos e concretizar grandes resultados, a maior valia foi sem dúvida a parte relacional e emocional. Trabalhar com a Equipa do IPDJ, pessoas profissionais, cordiais, bem-dispostas, que amam o que fazem, líderes bem formados e conscientes das suas funções e responsabilidades perante o desporto e Juventude em Portugal, conhecer as entidades que desenvolvem coisas extraordinárias no apoio ao Desporto e Juventude, dá um prazer especial e essa foi uma grande riqueza. Realizar projetos e ficar de coração cheio é, e deve ser, o nosso dia a dia como profissionais. Uma empresa só cresce, se os seus líderes e colaboradores crescerem como pessoas e como profissionais e sim, estas foram sem dúvida as mais valias que retiramos. Continuando a pautar o nosso caminho com estes princípios e valores, os projetos e o dinheiro virão também. O que envolveu essa parceria e de que forma é que a vossa atuação e participação contribuiu para a Semana Europeia do Desporto?

Envolveu a presença total na Gestão do social media, Gestão de ads, participação em eventos de Norte a Sul do Pais, criação de vídeos e muito mais. A nossa função para todos os Clientes é colocar as marcas no mercado com alcance, notoriedade e reconhecimento, fazendo com que as suas mais valias sejam reconhecidas, aproveitadas e valorizadas pela Sociedade. No Ano Europeu da Juventude, este ano, qual será o contributo e a integração da SmartKISS com o IPDJ? Voltamos a ser convidados pelos excelentes resultados alcançados na Semana Europeia do Desporto de 2021 e somos muito gratos por isso, sou muito grata por isso. A contribuição da SmartKISS será de igual forma a gestão de toda a presença online do projeto, eventos, vídeos e tudo o que o Cliente precisar. Como referi, tudo faremos para continuar a colocar a marca IPDJ e o projeto Ano Europeu da Juventude no mundo do digital. Os jovens portugueses têm muita sorte na entidade que os representa e recorram a ela pois marcam de facto a diferença no que tem para oferecer ao Desporto e à Juventude Portuguesa. O que podemos continuar a esperar por parte da SmartKISS de futuro? Quais serão os grandes desafios da marca? Acredito, que o dia a dia de uma empresa deve ser crescer, ser mais e melhor. O grande desafio da SmartKISS é inovar, ser disponível, ser “fora da caixa” e crescer em clientes para demonstrar que somos capazes e que merecemos o benefício da dúvida. Continuar a ter IMAGE. Inovação, criar sempre diferente e acompanhar de forma diferente. Mestria, ser mestre no que fazemos e no que damos aos Clientes, ser Mestre em cada função que desempenhamos. Autenticidade, ser autênticos connosco, com a Equipa e com os Clientes. Garra, só com garra e vontade de ser mais e melhor é que marcamos a diferença. Podemos querer muito ser, mas cada colaborador também tem que querer ser mais e melhor e ser comprometido. Ética, haja o que houver, ser sempre éticos no que somos e fazemos. Se conseguirmos manter esta linha os projetos vêm e vamos

continuar o nosso crescimento, só assim continuo a acreditar e a lutar dia após dia. Uma das coisas que marca a SmartKISS é que se autodenominam de diferentes, ou seja, fogem à normal e aos preconceitos, procurando ir sempre mais além. É por esta “quase” irreverência salutar, que o Ano Europeu da Juventude vos diz tanto? Sim, é esta irreverência que nos diz tanto, pois os Jovens são irreverentes e eu quase com 50 anos continuo a ser irreverente e uma criança grande, e adoro ver a irreverência diária dos meus jovens colaboradores. Ter estado no Estádio do Jamor no final da Taça feminina e ver alegria daquela juventude é de facto único, só lamento não ter conseguido a foto com o Presidente da Républica com a nossa placa do Ano Europeu

da Juventude, mas ainda o vamos conseguir…não sou de desistir. Num Ano Europeu da Juventude, não existem eventos de Desporto, ou eventos da Juventude, eles são indissociáveis e parte integrante de um todo, pois Desporto é Juventude e Juventude é Desporto. Viver com irreverência, crença e sorrir para a vida. Como se costuma dizer “Rir de tudo é coisa de tontos, mas não rir de nada é coisa de estúpidos” e um dia sem rir é um dia desperdiçado e não vivido. Aos Jovens deste País volto a reiterar, participem, informem-se, pois têm coisas fantásticas à vossa disposição neste Ano Europeu da Juventude e o IPDJ está cá para vos orientar. Desafiem-se, o vosso futuro só depende de cada um de vós! Ao mercado, Keep IT Simple and Smart. Cá estaremos para vos receber e dar mais e melhor à sua marca! ▪

www.smartkiss.net

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PONTOS DE VISTA AGENDA DO TRABALHO DIGNO

“É necessário compreender que este Setor contribui para a Colocação, Formação e Requalificação de Trabalhadores” Afonso Carvalho, Presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Setor Privado de Emprego e de Recursos Humanos (APESPE-RH), revela, em entrevista à Revista Pontos de Vista, a sua visão acerca da Agenda do Trabalho Digno, bem como o que continuará a ser realizado pela entidade no futuro. Saiba tudo.

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Conselho de ministros aprovou a Agenda do Trabalho Digno. O objetivo é a valorização dos trabalhadores e, em particular, dos jovens no mercado de trabalho, mas também a competitividade e a produtividade das empresas. Primeiramente, qual a sua visão sobre este conjunto de medidas? No geral, há diversas medidas com as quais a APESPE-RH concorda no documento. Alguns pontos estão em linha com o que a própria associação considera essencial fazer para fortalecer e legitimar o setor, como por exemplo definir as condições de acesso e abertura de empresas de Trabalho Temporário, Recrutamento e Seleção e Outsourcing; refletir sobre as entidades de tutela e emissão de alvarás; ou ainda desenvolver um código de conduta em parceria com as entidades regulamentares e fiscalizadoras. No entanto, consideramos que a Agenda do Trabalho Digno tem algumas propostas que são contrárias à essência jurídica e operacional do Trabalho Temporário o que é um contrassenso no estado atual da economia, das necessidades das empresas e do mercado de trabalho. É necessário compreender que este setor contribui para a colocação, formação e requalificação de trabalhadores que, de outra forma, teriam mais dificuldade em aceder ao mercado laboral. A Associação Portuguesa das Empresas do Setor Privado de Emprego e de Recursos Humanos (APESPE-RH), tem sido uma das vozes mais críticas da Agenda do Trabalho Digno. Quais as razões que levam a instituição a discordar desta agenda? Como referido, discordamos dos pontos que consideramos que são prejudiciais ao setor privado de emprego, à competitividade e à empregabilidade a longo prazo. Algumas das medidas, inclusive, parecem prejudicar mais os trabalhadores temporários que as próprias empresas de Trabalho Temporário. A contratação para Trabalho Temporário em Portugal

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“A AGENDA DO TRABALHO DIGNO TEM ALGUMAS PROPOSTAS QUE SÃO CONTRÁRIAS À ESSÊNCIA JURÍDICA E OPERACIONAL DO TRABALHO TEMPORÁRIO O QUE É UM CONTRASSENSO NO ESTADO ATUAL DA ECONOMIA, DAS NECESSIDADES DAS EMPRESAS E DO MERCADO DE TRABALHO” representa menos de 2% dos trabalhadores ativos e está absolutamente em linha com a média europeia, sendo estas empresas são agentes económicos que contribuem para o bom funcionamento do mercado de trabalho, criando emprego. A APESPE-RH reprova sobretudo três pontos essenciais que considera impraticáveis, sendo que o principal passa pela previsão de introdução de um requisito de uma percentagem dos trabalhadores das empresas de Trabalho Temporário terem vínculos mais estáveis de modo a assegurar um reforço da estabilidade dos quadros destas empresas. Quais as razões que vos levam a não concordar com esta medida? A possível colocação de qualquer trabalhador e respetivo motivo justificativo não é determinada pelas empresas de Trabalho Temporário, mas sim pelas empresas utilizadoras que requerem os serviços. Em segundo lugar, passar o ónus de responsabilidade de contratação para empresas de Trabalho Temporário e criar vínculos permanentes faria com que

os trabalhadores ficassem sujeitos a tarefas independentemente das suas competências e qualificações, pois as necessidades de contratação dependem das empresas utilizadoras. Por fim, a medida teria um impacto negativo na competitividade das empresas utilizadoras ou nos seus níveis de serviço, pois deixariam de ter a atual flexibilidade existente e que tão determinante é para a viabilidade de boa gestão de muitas empresas, com particular destaque para o setor primário e secundário. Adicionalmente, mais do que um aumento de limitações ou proibições, considera-se que o grande impulso a um trabalho digno passará por incentivar a contratação sem termo, não afetando a livre iniciativa e outras formas de organização do trabalho, através de, por exemplo, reforço dos incentivos à manutenção de contratos sem termo (e não a proibição de contratos a termo ou temporários) ou reforço das possibilidades de as empresas poderem, de forma expedita e com custos controlados, adequarem os recursos humanos às efetivas necessidades de trabalho. Porque é que é um erro crasso aproximar as regras do contrato de trabalho temporário às regras da contratação a termo? Sente que é isso que estamos a fazer neste ponto? Sente que estamos a fazer perigar a existência e a continuação no mercado dos players do setor do Trabalho Temporário? A aproximação dos contratos de Trabalho Temporário dos contratos a termo não tem em conta as necessidades de flexibilidade do mercado de trabalho e de criação de emprego que é suposto serem potenciadas pelas ETT. Este objetivo de desvirtuação do Trabalho Temporário parece-nos ir contra as vantagens que a OIT e a EU conferem ao Trabalho Temporário, nomeadamente o papel que as agências de emprego privadas podem desempenhar no bom funcionamento do mercado de trabalho, demonstrando uma postura favorável ao seu funcionamento. A legislação laboral prevê dife-


PONTOS DE VISTA AGENDA DO TRABALHO DIGNO

rentes formas de contratação e todas elas servem um propósito muito específico, delimitado e facilmente inspecionável, pelo que tentar aproximar diferentes tipologias de contratação é diminuir as ferramentas de gestão que estão à disposição das empresas e, cada vez, mais dos trabalhadores. Tudo o que o mercado não precisa é de colocar mais carga administrativa, financeira e sobretudo de perder flexibilidade porque não nos podemos esquecer que estamos a sair de uma crise pandémica, estamos em guerra e todos os sinais macroeconómicos são tudo menos tranquilos. Precisamos de estabilidade a este nível, caso contrário afugentamos investimento de empresas internacionais e mesmo as nacionais pensarão duas vezes antes de avançarem.

AFONSO CARVALHO

Não teme que entidades críticas como a APESPE-RH e pelo facto de não concordarem com estas medidas, possam passar a ser um alvo das críticas da sociedade portuguesa? Diversas entidades e confederações patronais discordam de pontos na Agenda do Trabalho Digno, que está a avançar sem acordo da concertação social. Numa questão tão importante como alterações à legislação laboral, que vão afetar diversos setores e o mercado de trabalho, é importante que exista maior consenso nas medidas que devem avançar, bem como diálogo e análise de propostas que possam fornecer um caminho alternativo e positivo, de entidades mais experientes nos seus respetivos setores, que estão a antecipar possíveis resultados negativos de algumas das propostas que estão a avançar e que podem prejudicar a própria empregabilidade. O que irá continuar a fazer de futuro, sobre esta agenda, a APESPE-RH? Que mensagem gostaria de deixar aos vossos associados? A APESPE-RH, enquanto entidade que representa empresas de Recrutamento e Seleção, Formação, Coaching, Consultoria, Outsourcing e Trabalho Temporário, continuará a participar e a assumir um papel ativo no diálogo, consultas e discussões sobre a legislação laboral. Trabalhamos continuamente na análise interna destas mesmas áreas, sobre as quais elaborámos um documento (M7), já apresentado ao Secretário de Estado Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissional, com diversas medidas que nos parecem essenciais para credibilizar, regularizar e fortalecer o setor privado de emprego.▪

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FOTO: DIANA QUINTELA


PONTOS DE VISTA TEMA DE CAPA

Merck

Uma Cultura Diversificada, Igualitária e Inclusiva Diversidade, Equidade e Inclusão, são três prioridades fundacionais que, aos dias de hoje, movem as mentes curiosas daqueles que, com muito orgulho, integram o Universo Merck. Presente nas áreas de Healthcare, Life Science e Eletronics, esta é a marca que em Healthcare ajuda a criar, melhorar e prolongar vidas. Foi sobre estes pilares basilares e tantos outros, que se conduziu a entrevista a Pedro Moura, o Diretor Geral da Companhia em Portugal. Desfrute deste tão valioso exemplo.

FOTO: DIANA QUINTELA

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undada em 1668 a Merck é a farmacêutica mais antiga do mundo e, atualmente, uma empresa vibrante de ciência e tecnologia. Presente em Portugal desde 1934, a nível Global a empresa atua em três áreas essenciais: Healthcare, onde lidera os tratamentos de infertilidade, ajudando à nascença de cerca de mil bebés por ano em Portugal e quatro milhões em todo o mundo. Ainda dentro deste setor, a organização foca-se em patologias com grande relevo em termos de peso económico e social – hipertensão arterial, diabetes, insuficiência cardíaca e disfunção da tiroide. Também na vertente oncológica e imunológica, desenvolvem terapêuticas que visam prolongar a vida dos doentes. E finalmente na área de Neurologia & Imunologia onde tem um historial rico na esclerose múltipla, uma patologia que está no centro da sua atenção. No que diz respeito à área de Life Science, Pedro Moura sustenta que “na Merck fortalecemos a comunidade científica. A nossa plataforma digital e os nossos produtos e serviços simplificam a investigação, tornando a pesquisa mais precisa e ajudando a alavancar descobertas revolucionárias. As nossas soluções aceleram o acesso à saúde e garantem a precisão das análises e a fiabilidade das nossas soluções terapêuticas”. Finalmente na área de Eletronics, a Merck é a empresa que está por detrás das empresas, fazendo avançar o canal digital. A ciência está presente em tecnologias que estão a mudar a forma como acedemos, armazenamos, processamos e apresentamos informações e este é o setor de atividade na empresa que para isso contribui. ”As nossas inovações despertam o poder e o potencial dos dados para criar novas possibilidades de moldar e transformar a vida como hoje a vivemos. Temos pois por isso, um conjunto de áreas de atividade que são na área da ciência, mas também

PEDRO MOURA

na da tecnologia e temos o propósito de contribuir com o melhor que a ciência e a tecnologia têm para o bem da humanidade”, inicia o interlocutor. “De facto, acreditamos que a investigação científica e o empreendedorismo responsável são fundamentais para os avanços tecnológicos com benefício para a Humanidade. É assim que a Merck prospera há mais de 350 anos e continuaremos a desafiar os limites das possibilidades para criar oportunidades para todos. Isso é o que nos motiva e é para isso que trabalhamos. Este é o nosso futuro. Somos mentes curiosas dedicadas ao progresso humano” acrescenta Pedro Moura.

“AS ONE FOR DIVERSITY, EQUITY & INCLUSION” Não restam dúvidas: a cultura da Merck baseia-se na diversidade, equidade e inclusão. Por esse motivo, lançou a iniciativa “As One for Diversity, Equity & Inclusion”, em parceira com a AESE Business School, onde pretende debater e alertar para a necessidade de praticar valores tão necessários como estes. No seio da Merck, este é já um desígnio de longa data, daí a existência e defesa de equipas com diversas culturas, nacionalidades e géneros. Segundo Pedro Moura, “apostamos também na equidade que é o

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PONTOS DE VISTA TEMA DE CAPA

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como é saudável e inteligente”. Mas certo é que, factualmente, serão ainda precisos mais de 30 anos para que o salário médio em Portugal seja o mesmo para mulheres e homens, e inegavelmente, para erradicar e mitigar esta realidade, é crucial que se mudem mentalidades, sublinhou, novamente, Pedro Moura, acrescentando que, “precisam de existir mudanças nas vidas das pessoas e nas organizações, e isso leva tempo a ser posto em prática”.

FOTO: DIANA QUINTELA

reconhecimento dos direitos de cada um e o pleno exercício desses direitos com justiça, e ainda na inclusão porque a diversidade é um dado adquirido, já a inclusão é uma opção. Isto é, pode optar-se ou não por ter inclusão dentro das organizações e, portanto, acreditamos que a diversidade, a equidade e a inclusão são fontes de energia, fortalecimento e inovação, porque a singularidade de cada um nestas várias vertentes da diversidade acrescentam valor às organizações e fortalecem também esse ângulo tão importante”. A realidade é que a Merck se caracteriza, orgulhosamente, por ser uma equipa de mentes curiosas, mentes estas que são enriquecidas com as particularidades das várias presenças nos mais diversos ângulos, que seguramente acrescentam valor às organizações. “Em 2021, a Forbes considerou a Merck no top10 das empresas mais amigas das mulheres, e, portanto, estamos não só a defender algo no papel, como a fazer realmente acontecer. Em Portugal, metade da liderança é feminina e temos a convição de que de facto as empresas não se podem dar ao luxo de terem desequilíbrio de género. Restringir as mulheres nas organizações significa coartar as mesmas da diversidade, da curiosidade e do talento que as mulheres - uma vez em paridade - aportam às organizações. De facto, as mulheres têm menos acesso e não têm as mesmas oportunidades que os homens. Isto porque sabemos que as tarefas de cuidar de ascendentes e descendentes, são maioritariamente das mulheres. E, portanto, olhando para estes factos, não podemos dizer que mulheres e homens têm o mesmo acesso às oportunidades. Aliás, nós sabemos que as mulheres são educadas no sentido que têm que ser close to perfection para conseguirem atingir um fim, os homens são educados mais numa perspetiva de alta competição e por causa disso, não precisam de ser perfeitos porque apenas sendo bons, conseguem competir e chegar exatamente ao mesmo fim”, confidencia o Diretor da Merck. Porque o caminho para a equidade ainda é longo, é fulcral e urgente, aos dias de hoje, adotar hábitos nesse sentido, nomeadamente no

“A EQUIDADE E A INCLUSÃO SÃO FONTES DE ENERGIA, FORTALECIMENTO E INOVAÇÃO, PORQUE A SINGULARIDADE DE CADA UM NESTAS VÁRIAS VERTENTES DA DIVERSIDADE ACRESCENTAM VALOR ÀS ORGANIZAÇÕES” que diz respeito à mudança de mentalidades tanto a nível corporativo como pessoal, uma vez que é precisamente nessa vertente que toda a mudança começa. É importante que, no seio das organizações, exista uma chamada de atenção para uma problemática como esta. Apostar numa cultura organizacional de inclusão, não por ser “moda”, mas pela constatação – como já referido - de que a singularidade que cada uma das diversidades aportam valor acrescido às mesmas. Por esse motivo, esta parceria com a AESE, “visa que mais setores de atividade para além da farmacêutica, estejam alertas para a realidade da falta de paridade. Estamos absolutamente convencidos de que se os CEO das várias organizações forem alertados e sensibilizados para esta questão, mais facilmente poderão chegar a bom porto. Não se trata de aparecer, mas sim de colocar

estas questões nas agendas das empresas”, garante Pedro Moura. Questionado acerca de quais, na sua perspetiva, são as maiores disparidades que ainda existem entre homens e mulheres, profissional e pessoalmente, o entrevistado assegurou que a Merck levou a cabo um estudo, onde foi possível constatar a situação atual desta problemática: “Há um gap muito grande entre homens e mulheres em cargos de liderança, há também um gap salarial entre homens e mulheres para funções semelhantes, e isto tem que ver precisamente com o acesso que não é igual, assim como a igualdade de oportunidades, que não existe”. No seio da Merck Portugal, estes são já desafios ultrapassados, uma vez que metade da liderança é ocupada por mulheres, isto porque, esta é uma marca cultural que para além de defender os valores, fá-los acontecer, “não só é possível,

MOVIMENTO CUIDAR DOS CUIDADORES INFORMAIS O Movimento Cuidar dos Cuidadores Informais – o qual a Merck apoia - tem como missão ajudar os cuidadores informais. Perceber o que ainda falta fazer pelos cuidadores informais em Portugal é uma prioridade para todas as associações que integram esta iniciativa, melhorando, assim, a sua qualidade de vida e dos “seus” doentes. Da parte da Merck, a luta é já longa e bem feita. “Tivemos há dois anos a publicação do Estatuto do Cuidador Informal, aprovado pela Assembleia da República, o que foi um importantíssimo passo, mas também um passo que precisa de todos os que vêm a seguir, no sentido da sua materialização”, garante o interlocutor. A farmacêutica realizou, neste âmbito, um inquérito que mostra que cerca de 12% da população portuguesa são cuidadores. Cuidadores esses que se dedicam de forma não remunerada, abdicando das suas férias, dos seus empregos e da sua vida social, para cuidar de outros. Por este motivo, Pedro Moura sustentou que, “foi também já criada uma rede de Autarquias que Cuidam dos Cuidadores Informais onde estão reunidas já 24 Câmaras Municipais, que têm projetos que, na prática, significam tornar mais fácil a vida dos cuidadores”. Para além disso, foi desenvolvida também uma campanha e apelo para que sejam ouvidas as necessidades dos Cuidadores Informais, tendo em conta que segundo as indicações do mesmo inquérito, foi possível perceber que os cuidadores não se sentem ouvidos, particularmente no que diz respeito às suas necessidades. E porque a luta é e será necessária e longa, a Merck, ainda no decorrer


PONTOS DE VISTA TEMA DE CAPA

MERCK, UM GREAT PLACE TO WORK Depois de ter conquistado o reconhecimento de Great Place to Work, a farmacêutica, passou a integrar também a lista restrita de Best Workplaces, este ano. O que para o Diretor e toda a equipa, é um motivo de orgulho sem igual. E já que se trata de reconhecimento, é importante sublinhar que o mesmo se deve às boas práticas das quais a empresa nunca prescinde e que diariamente são cultivadas. Pedro Moura garante que, “sempre nos preocupámos em criar iniciativas que visam proximidade e colaboração. Sabemos que independentemente da área funcional que representamos, estamos todos dentro de uma organização que tem um propósito comum que é estarmos todos virados para os doentes, patient directed, e de mãos dadas com eles. Para que esta vivência se aprofunde na Organização, colocámos em prática várias iniciativasnomeadamente reuniões internas informais onde temos a oportunidade de uma forma absolutamente transparente e sem agenda, debater e discutir aquilo que vai na alma de cada um sem qualquer barreira. Temos também outra iniciativa que move pessoas de áreas diferentes a aprenderem uma com a outra de forma a puderem ajudar-se. E ainda o nosso “cup of talk” que começou na pandemia e permite-nos fazer um check in. Isto é, um momento onde todos nos sentamos à volta de uma mesa e falamos de tudo, menos de trabalho”. Para além das várias atividades que inevitavelmente tornam a Merck numa referência e exemplo de união, têm ainda uma política de trabalho flexível, que permite

FOTO: DIANA QUINTELA

do ano de 2022, irá envolver cerca de dez autarquias que juntamente com o Movimento vão dar sessões de esclarecimento Cuidadores Informais de norte a sul do país. Isto porque, “um estudo realizado em 2021 demonstrou que mais de metade dos cuidadores portugueses se queixa da falta de ajuda a nível administrativo e da formação de que tanto precisam. O trabalho de capacitação dos cuidadores vai continuar e este passo de envolvimento das autarquias vai ser importante”.

EQUIPA MERCK PORTUGAL

“AQUI EM PORTUGAL, METADE DA LIDERANÇA É OCUPADA POR MULHERES E TEMOS A CONVICÇÃO DE QUE DE FACTO AS EMPRESAS NÃO SE PODEM DAR AO LUXO DE TEREM DISPARIDADE DE GÉNERO” aos colaboradores usufruírem de um equilíbrio entre a vida familiar, social e laboral. O COMPROMISSO COM A SUSTENTABILIDADE E AS MENTES CURIOSAS E INOVADORAS O compromisso, preocupação e sensibilidade com as questões da sustentabilidade é também uma das prioridades da farmacêutica, uma vez que esta vertente é um pilar estratégico da mesma, para além de ser uma questão dos dias de hoje. Sabemos que atualmente se debate tudo o que está relacionado com alterações climáticas, perda de biodiversidade, poluição e pobreza: todos estes são fatores de insustentabilidade. Portanto, nesta vertente, existem metas muito claras, como é o exemplo do progresso científico capaz de contribuir para o aumento da sustentabilidade. O Diretor confessa mesmo que, “estamos obviamente preocupados com a proteção ambiental, temos dados muito concretos sobre como estamos a evoluir nesta ótica de alcançar a neutralidade de carbono, temos um compromisso em ajudar a Organização das Nações Unidas a alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável, e, portanto, mais uma vez, uma con-

tribuição que é mensurável. Queremos chegar à neutralidade climática já em 2040, e obviamente, que estamos interessados também em substituir o plástico pelo cartão reciclável, em aumentar o consumo de recursos de energia elétrica renováveis, em olhar para aqueles que são os nossos fornecedores ou intermediários e refletir sobre as suas próprias políticas de sustentabilidade, para que possamos escolher os que estão em comunhão com estes nossos valores que tanto defendemos”. A realidade é que por ser uma marca líder na área da saúde, tem uma responsabilidade acrescida ao oferecer tecnologias que permitam um maior acesso e maior qualidade de vida à população que não dispõe do mesmo, daí a sustentabilidade e inovação caminharem de mãos dadas. Certo é que os doentes são, inegavelmente, o centro de todos os esforços de investigação e desenvolvimento da Merck, o que a torna numa marca pioneira na inovação e tecnologia, principalmente porque, como sabemos, o setor da saúde é um dos que mais carece destes meios. Segundo Pedro Moura, “as necessidades que hoje se colocam ao nível da saúde são progressivamente diferentes por-

que se vive felizmente mais, e de uma forma diferente, o que despoleta novas doenças em maior quantidade, que sempre existiram, mas que agora afetam mais pessoas porque se vive mais. Portanto, torna-se necessário na vertente tecnológica ligada à saúde, encontrar formas de prevenção mais adequadas que façam virar o objetivo estratégico de uma ótica de tratamento para uma ótica de evitar que aconteça, e por outro lado oferecer tecnologias que permitam aceder mais rapidamente e de uma forma mais eficaz a essas soluções terapêuticas e ainda desenvolver na área de Healthcare, soluções mais avançadas para tratar doenças que já existam há muito tempo e que infelizmente ainda não têm cura”. É importante ter a consciência de que a ciência e tecnologia devem estar ao serviço da profilaxia, instituindo mecanismos que tornem a vida mais saudável, sustentável e compaginável com vidas mais longas, mas “sabemos que as doenças vão continuar a existir e a existir em maior escala porque se vive mais”, portanto são, cada vez mais, necessárias soluções terapêuticas adaptadas a esta realidade: mais eficazes, com menos efeitos secundários, e também sustentáveis do ponto de vista económico A ARTE DE AJUDAR A CRIAR, MELHORAR E PROLONGAR VIDAS Melhorar todos os dias e elevar à excelência os serviços que prestam, é um desiderato das mentes curiosas que integram a equipa Merck. Quem o admite é o próprio Diretor, “ajudar a criar, melhorar e prolongar vidas está no nosso propósito de Healthcare”, portanto têm no coração da sede em Darmstadt na Alemanha um centro de inovação onde estão interligadas uma série de iniciativas que permitem o contacto com empresas visionárias de todo o mundo, com o intuito de criar soluções revolucionárias. “Temos vindo a desenvolver um papel que se caracteriza por uma procura incessante de inovação com as nossas mentes curiosas no sentido de conseguirmos soluções cada vez mais sustentáveis, inovadoras e eficientes”, termina Pedro Moura. ▪

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PONTOS DE VISTA INVESTIGAÇÃO & DESENVOLVIMENTO

iBET um centro de referência em Biotecnologia a nível internacional A Revista Pontos de Vista foi conhecer o iBET - Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, tendo conversado com Paula Alves, Diretora Executiva da instituição, que lembrou a importância de continuarmos a apostar fortemente em I&D, até porque o desiderato principal passa por continuar a apostar e a fomentar colaborações e parcerias que permitam avanços científicos. Prova disso mesmo, é a recente parceria entre o iBET e a Merck, num novo laboratório dedicado ao desenvolvimento de ensaios bioquímicos e ao estudo de interações moleculares, pois esta é mais uma parceria em prol da ciência em Portugal.

O

PAULA ALVES

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iBET é uma marca de investigação intensiva na área da Biotecnologia e Ciências da Vida. 33 anos após o início da sua atividade, quais os motivos que fomentam o facto de hoje ser a maior instituição privada portuguesa dedicada a estas áreas? Criado há 33 anos, o iBET é uma entidade privada sem fins lucrativos que faz a ponte entre a investigação académica e as necessidades da indústria, quer nacional, quer internacional. Na última década crescemos muito graças a um forte investimento na translação do conhecimento gerado em I&D em prestação de serviços de investigação à indústria, maioritariamente internacional. Somos certificados pelo Infarmed em boas práticas de fabrico (GMP), o que diferencia a qualidade dos serviços que prestamos. Atualmente, exportamos mais de 90% da nossa atividade de investigação. Temos investido muito em áreas estratégicas do desenvolvimento de biofármacos, que incluem plataformas para produtos de terapia celular, terapia génica e vacinas, plataformas para descoberta de novas moléculas biológicas e anticorpos, e ainda o desenvolvimento de modelos celulares complexos para testes pré-clínicos. Ao procurar equilibrar a investigação mais fundamental com a aplicação de conhecimento

na indústria, temos aumentado competências e a diversidade de áreas de especialização que nos posiciona estrategicamente a nível internacional. Saliento, por exemplo, a existência de quatro laboratórios satélite dedicados em exclusivo a projetos de I&D para a Merck, Bayer, Novartis e Sanofi que identificaram no iBET uma enorme mais-valia para a extensão das suas atividades de drug discovery. Esta organização trabalha numa gama ampla de vertentes que abrangem abordagens multidisciplinares que vão desde pesquisa básica, tecnológica ou clínica, desde o desenvolvimento de biofármacos e novas terapias, até áreas de alimentação e saúde. Em todos estes campos, de que forma o iBET garante a ambição, o compromisso, a procura por conhecimento e a inovação que o caracteriza? Em todas as áreas de atuação do iBET seguimos altos padrões de qualidade e rigor científico. Para avançarmos precisamos de inovar constantemente e acompanhar os desenvolvimentos nessas mesmas áreas. Buscamos constantemente por novo conhecimento e combinamos experiência com inovação para estar na fronteira da ciência e acompanhar o mercado. Somos conhecidos como instituição ambiciosa e de confiança, que não tem medo de arriscar e ir


PONTOS DE VISTA INVESTIGAÇÃO & DESENVOLVIMENTO

mais longe para abraçar novos desafios e desenvolver os melhores produtos e terapias inovadoras para o mundo. Aprendemos sempre algo novo com qualquer projeto e colaboração. É assim que asseguramos este espírito inovador e de confiança. Na prossecução da sua missão, um dos objetivos do iBET é impulsionar a utilização mais rápida das novas ferramentas Biotecnológicas nas atividades empresariais. Quão importante é a sua concretização e de que forma tem sido propagada? Para nós sempre foi prioritário investir em áreas de interesse para as empresas, maximizando a utilização do nosso conhecimento e contribuindo para valorizar os produtos dos nossos associados e parceiros. Atuamos na área da saúde e na área agro-alimentar, em que estudamos também o impacto da alimentação na saúde. Para alargar a nossa resposta a pedidos vindos do exterior, inaugurámos, em 2019, duas novas instalações: a Unidade Late-Stage R&D, dedicada ao desenvolvimento de bioprocessos para a produção de moléculas terapêuticas inovadoras, e a Unidade de Bioprodução, para produzir em larga escala e purificar estas mesmas moléculas. Este aumento de escala é essencial para passarmos da fase de I&D para a manufatura e posterior teste e comercialização dos produtos que ajudamos a desenvolver. Um bom exemplo da nossa transferência de tecnologia para o mercado foi a criação, em 2006, da spin-off GenIbet, especializada no desenvolvimento de lotes GMP (good manufacturing practices) para ensaios clínicos. Assim, conseguimos ter todo o ciclo da produção de biofármacos que precedem a fase de ensaios clínicos dentro do iBET. É uma oferta abrangente e única em Portugal. A GenIbet foi recentemente adquirida pela Recipharm. Será muito importante atrair para Portugal mais investimento para alavancar e aumentar a competitividade nestas áreas, abrindo espaço para a criação de novas instituições científicas que alarguem o hub científico que temos construído. A verdade é que a investigação e a aposta na inovação na área da saúde, são dois pontos basilares para o bem-estar humano. Assim, em que medida é fundamental continuar a promover valor científico e tecnológico no domínio da Biotecnologia? As nossas áreas prioritárias são o desenvolvimento de produtos biológicos para terapias génica e celulares, assim como vacinas, que têm procura crescente neste mercado. Nestes processos estão incluídas as áreas computacionais, data science, e técnicas Ómicas, cuja importância é crescente no design e caracterização de qualquer produto de terapias de precisão. Saliento ainda a nossa especialização em fornecer serviços de investigação tailor-made, que satisfazem necessidades específicas dos nossos parceiros. Este conjunto de abordagens é muito valorizado e é nelas que continuaremos a investir, no contexto da rede internacional de parcerias que temos construído. Uma prova concreta do nosso investimento e compromisso de expansão é a construção do novo edifício iBET Biofarma, com início de atividade previsto para início de 2023. Este edifício terá cerca de 5500 metros quadrados,

distribuídos em 25 novos laboratórios de I&D, que incluirão laboratórios para manufatura de lotes de biológicos para ensaios clínicos e um laboratório elevado grau de segurança (nível 3) para manuseamento de vírus patogénicos humanos. O investimento de mais de 20 milhões de euros permitirá alavancar a investigação no desenvolvimento de vacinas e de outros medicamentos biológicos, continuando com grande foco nas parcerias internacionais. Com este investimento ambicionamos criar ainda mais valor científico e tecnológico no domínio da Biotecnologia, com grande impacto na saúde humana, ao mesmo tempo que aumentamos a massa crítica nesta área em Portugal. Fazendo uma análise a Portugal, como tem vindo o país a apostar nestes âmbitos, promovendo soluções de Biotecnologia com impacto na saúde humana? A inovação é encarada como um recurso crítico – que serve os interesses de todas as partes - para a saúde pública? Porque o IBET desenvolve tais soluções na sua grande maioria em parcerias internacionais, não temos conhecimento específico das políticas portuguesas, incluindo aprovações e financiamentos necessários para implementação de tais políticas. Parece-nos, do que observo como cidadã, que a atitude é globalmente positiva. De forma a incentivar a inovação e investigação, sabemos que o iBET forma, ainda, pesquisadores e desenvolvedores interdisciplinares e criativos nas suas interfaces críticas para o desenvolvimento Biotecnológico. É legítimo afirmar que a organização tem o propósito de «criar» a geração de amanhã, consolidando a importância da inovação e da investigação na área da saúde humana? Que impacto este posicionamento trará ao futuro? Faz parte da missão do iBET o investimento nas

nossas pessoas. Apesar do nosso crescimento, mantemos uma cultura bastante familiar que é valorizada pelos nossos parceiros. Empregamos atualmente cerca de 110 doutorados, num total de 270 colaboradores, dos quais 70% são mulheres, e média de idades de 37 anos. Procuramos constantemente atrair jovens talentos junto das nossas Universidades, que formamos cá dentro ao nível de Mestrados e Doutoramentos, e temos recrutado também vários investigadores com experiência internacional que constituem uma mais-valia na formação desta geração de amanhã. De forma a reter este talento, temos uma preocupação clara em cuidar das nossas pessoas e oferecer-lhes as melhores condições de trabalho. Procuramos criar equipas multidisciplinares em biologia, bioquímica, bioengenharia, ciências computacionais, data science com as quais procuramos estimular os nossos cientistas e técnicos a colaborar e aprender entre si. É um investimento contínuo e a longo-prazo na formação de pessoas, quer a nível científico como também em competências interpessoais e de liderança, cada vez mais importantes para criar equipas de sucesso. Investimos também muito em políticas salariais com base na meritocracia e em condições de ponta ao nível das nossas instalações e equipamento. É a construir um caminho de parceria, de colaboração e de inovação que se pode almejar salvar vidas de forma equitativa. Neste sentido, qual continuará a ser o papel do iBET para um futuro otimista da sua área? O sucesso do iBET sempre passou pela criação de parcerias e colaborações, tanto nacionais como internacionais. A nossa estratégia de aposta na investigação em paralelo a uma ligação privilegiada ao tecido empresarial permitiu-nos antever necessidades e posicionar-nos estrategicamente. No global, foi esta sinergia que tornou o iBET um centro de referência em biotecnologia a nível internacional e nos permitiu estar mais perto de parceiros através dos quais levámos mais longe o conhecimento científico e novas tecnologias que desenvolvemos. Continuaremos a apostar e a fomentar colaborações que nos permitam continuar esta estratégia, sempre focada nos nossos parceiros e no avanço científico, com o objetivo de criar mais emprego qualificado e de atrair mais investimento para Portugal na área da biotecnologia. ▪

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PONTOS DE VISTA SAÚDE E INOVAÇÃO

Danone

Por uma Alimentação Saudável A nossa alimentação é essencial para usufruirmos de uma boa qualidade de vida e mantermos níveis de saúde elevados. E quem melhor do que a Danone, que é, provavelmente, a empresa de alimentação com o portfólio de produtos mais saudável do mercado, para nos apoiar neste desiderato de uma alimentação salutar, até porque a mesma, a Danone, tem vindo a edificar o seu negócio apenas com categorias saudáveis e com produtos que se vão continuamente reformulando para serem cada vez mais saudáveis, acompanhando as necessidades dos consumidores. Sobre estas matérias, fomos conversar com Paulo Maçãs Santos, Danone Nutricia Portugal Lead, que contou os «segredos» de uma alimentação rica e positiva.

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missão da Danone é levar a saúde através da alimentação ao maior número de pessoas, inspirando-se na convicção de que o bem-estar depende precisamente deste fator, bem como da nutrição. Para melhor compreendermos, qual tem vindo a ser, ao longo dos anos, o papel desempenhado pela marca nesta “luta”? A Danone é provavelmente a empresa de alimentação com o portfólio de produtos mais saudável do mercado. Desde o início da década de 90 que, inspirados pela nossa missão, fomos alienando os negócios que tínhamos de produtos menos saudáveis e fomos construindo o nosso portfólio em redor de um conjunto de categorias que levassem saúde ao maior número de pessoas possível e que atualmente são: produtos lácteos frescos (onde temos, por exemplo, as marcas Activia e Yopro), alternativas vegetais aos lácteos (com a marca Alpro), alimentação para bebés (através das marcas Aptamil e Blédina) e nutrição especializada para que as pessoas que têm doenças e limitações importantes possam nutrir-se adequadamente (onde temos por exemplo os produtos da marca Fortimel). Sabemos que a nutrição e alimentação são vistas hoje como uma questão determinante da sociedade moderna e na sua qualidade de vida. De que forma a Danone promove e sensibiliza esta vertente perante a sociedade? Somos aquilo que comemos. E a

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nuindo o GAP entre a publicação científica e implementação na prática clínica. Este apoio à formação é muito relevante em nas categorias de leites infantis, em que, cada vez mais, a oferta de produtos é adequada aos desafios de cada bebé, ou na categoria de adultos que sofrem de malnutrição derivada de doença, através de que produtos que são adaptados a cada doença.

PAULO MAÇÃS SANTOS

Danone promove isto ao construir o seu negócio apenas com categorias saudáveis e com produtos que se vão continuamente reformulando para serem cada vez mais saudáveis, acompanhando as necessidades dos consumidores. Além da oferta de produtos, trabalhamos também na educação alimentar através de programas de sensibili-

zação. Exemplo disso é Programa de Alimentação Saudável nas Escolas Primárias que tivemos nos últimos anos em que se ensinava as crianças a comerem melhor. Outro exemplo, agora na área da Nutrição Especializada, é o continuo apoio à formação que fazemos aos Profissionais de Saúde, através de cursos, simpósios e outros eventos, dimi-

Esta é uma marca atenta às necessidades do mercado, realizando continuamente estudos do consumidor e troca de informações com profissionais. Quão importante é, na área da alimentação e nutrição, acompanhar as tendências? É fundamental e as marcas que não o façam estarão a comprometer a sua continuidade. Na Danone estamos permanentemente atentos às necessidades do consumidor, do paciente, os inputs dos profissionais de saúde, líderes de opinião e demais relevantes stakeholders. É por isso que vão aparecendo constantemente novos produtos. Por exemplo, nos produtos de grande consumo, assistimos a uma grande procura nas gerações mais jovens por produtos com alto teor de proteína ou produtos mais amigos do ambiente como são os de base vegetal, o que explica o crescimento de marcas como Yopro e Alpro. Já na unidade de Nutrição Especializada, no que toca aos leites para bebés, tentamos aproximar-nos sempre o mais possível das características do leite materno, tendo lançado há cerca de um ano, com enor-


PONTOS DE VISTA SAÚDE E INOVAÇÃO

me adesão dos profissionais de saúde e país, Aptamil Profutura, que é o nosso leite com mais componentes idênticos aos do leite materno. Sendo Portugal um dos países da Europa com maior taxa de nascimentos por cesariana (cerca de 36%) acabámos de alargar a gama Profutura com o lançamento do Aptamil Profutura Care, um leite pensado para bebés que nascem por cesariana ou outros desafios imunitários, e cujo produto, por ter o probiótico B. breve, promove o equilíbrio da microbiota intestinal e ajuda ao desenvolvimento do sistema imunitário. É legítimo afirmar que, no caso da Danone, a inovação tem um impacto positivo na qualidade e vice-versa? De que forma? Sem dúvida, é o que denominamos de círculo virtuoso. Os exemplos já mencionados impactam positivamente a qualidade, que vai sendo cada vez maior e mais exigente, o que por sua vez faz continuamente elevar o nível das inovações. A Danone Nutricia é pioneira na resolução de patologias como o nascimento prematuro, desafios nutricionais e alergias alimentares. Prestes a celebrar o Dia Mundial da Criança, qual diria que é a melhor forma de implementar bons hábitos alimentares na vida dos mais pequenos? Por incrível que possa parecer, os bons hábitos alimentares começam mesmo desde o início das suas vidas, quando a escolha ainda é dos pais. No caso da Danone Nutricia, efetivamente preocupamo-nos em nutrir todas as fases da vida, mesmo quando a mesma começa cedo demais cá fora – no caso dos bebés prematuros, mas também dos que nascem de termo através

de parto por cesariana – que têm desafios imunitários acrescidos e é importante, na impossibilidade de amamentarem, que consigam ter um leite que ajude a equilibrar da microbiota intestinal, ou até mesmo dos que desenvolvem alergia às proteínas do leite de vaca já que é uma limitação grave que tem de ser colmatada. É através da oferta de soluções que respondem a cada uma destas e de outras necessidades que trabalhamos para ajudar os bebés desde cedo a crescerem e a desenvolver-se para a vida. De que forma a Danone Nutricia incentiva as crianças e os pais a criar bons hábitos alimentares? Quais os maiores desafios, neste que também é um desiderato da marca? Falando especificamente da unidade de Nutrição Especializada, o nosso principal desafio junto dos pais e dos profissionais de saúdes, tem sido colocar cada bebé na jornada certa, ou seja, que cada bebé que não possa ser amamentado, possa consumir o produto que melhor se adapta à sua necessidade específica. Isso é extremamente importante, não só para a saúde do bebé, mas também para o bem-estar de toda a família, pois quando o bebé não está bem, se chora, se não dorme, o impacto que isso tem no bem-estar da família é enorme. E, para ilustrar o que é isto da jornada certa e do produto certo para cada bebé, já aqui falámos do novo lançamento do Aptamil Profutura Care, um leite pensado para bebés que nascem por cesariana ou outros desafios imunitários, por ter o probiótico B. breve para o equilíbrio da microbiota intestinal, ajuda ao desenvolvimento do sistema imunitário, prevenindo futuras complicações. Mas podemos falar de outros exemplos como o Aptamil Confort para a obstipação, cólicas e

distúrbios gastrointestinais ou das fórmulas para os bebés com alergia às proteínas do leite de vaca (APLV). Nesta área existem fórmulas para a alergia severa (são fórmulas que em lugar de proteína têm os aminoácidos que as constituem), como o Neocate LCP e o Neocate Junior, produtos inclusivamente comparticipados pelo estado, e fórmulas para a alergia moderada (fórmulas em que as proteínas estão extensamente hidrolisadas), onde temos produtos como o Aptamil Pepti Syneo que, infelizmente, ainda não são comparticipados. Este é um exemplo em que a política de saúde pública não está a contribuir para que cada bebé esteja na jornada certa, pois sabemos que, por uma questão de acessibilidade, existem bebés com APLV moderada (que são inclusivamente a maior parte) consomem fórmulas para a APLV severa, que são inclusivamente mais caras podendo por isso prejudicar financeiramente o estado. É urgente atualizar esta política e alargar a comparticipação também às fórmulas extensamente hidrolisadas. A APLV é um dos melhores exemplos da relevância do apoio à formação dos profissionais de saúde, porque o diagnóstico em muitos casos demora meses, a saúde do bebé e o bem-estar da família são colocados em causa. A terminar, com os olhos postos no futuro, que novos produtos e campanhas inovadoras estão a ser desenhadas nesta problemática tão necessária a todos? Ainda não podemos revelar, mas podemos garantir que novos produtos e novas campanhas virão, perseguindo esta nossa obsessão de colocar cada bebé na jornada certa disponibilizando o produto que mais se adapta às suas necessidades específicas. ▪

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PONTOS DE VISTA SAÚDE – 19 ANOS CRIOESTAMINAL

Crioestaminal -

19 anos de Compromisso com as Famílias Portuguesas Fundada em 2003, a Crioestaminal comemora este ano 19 anos de existência, sendo uma organização que se tem destacado quer ao lado das famílias que escolhem guardar as células estaminais dos seus filhos, quer no âmbito da Investigação e Desenvolvimento de novas terapias. A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Mónica Brito, Diretora Geral da Crioestaminal, que revelou um pouco mais do crescimento daquele que é o Banco de Células Estaminais com mais experiência e tratamentos realizados em Portugal.

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Crioestaminal integra o maior Grupo Europeu da área das células estaminais, que conta com a confiança de mais de 500 mil famílias e que já contribuiu para mais de 100 tratamentos com células estaminais do sangue do cordão umbilical, 19 dos quais realizados em crianças portuguesas. Completando agora 19 anos de conquistas, como nos pode descrever a sua evolução da até ao momento? Quando iniciamos a atividade em 2003 começava a falar-se em Portugal da importância das células estaminais do sangue do cordão umbilical, para mais tarde poderem ser usadas no tratamento de doenças. Nesta altura, existiam cerca de 2000 transplantes realizados em todo o Mundo com sangue do cordão umbilical. Desde então, o conhecimento sobre as células estaminais tornou-se mais vasto existindo hoje mais de 45.000 transplantes realizados, mais de 80 doenças tratadas e centenas de ensaios clínicos em curso, algo que não acontecia há 19 anos. O percurso da Crioestaminal acompanhou a evolução da área das células estaminais e sem dúvida que as nossas maiores conquistas foram os tratamentos realizados com as células estaminais armazenadas no nosso Banco. O primeiro transplante realizado em Portugal, com células estaminais do sangue do cordão umbilical guardadas num banco familiar, teve lugar no IPO do Porto, em 2007, numa criança de 14 meses com Imunodeficiência Combinada Severa, uma doença rara e fatal quando não

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MÓNICA BRITO

tratada, tendo-se recorrido às células estaminais do irmão mais velho, criopreservadas aquando do nascimento, na Crioestaminal. A criança ficou totalmente curada. Seguiram-se outras utilizações de células estaminais do sangue do cordão umbilical: um caso de leucemia mieloide aguda (Hospital Niño Jesus, em Espanha) e oito utilizações no âmbito da paralisia cerebral (sete nos EUA e uma em Espanha), todas elas com as células estaminais do próprio que estavam guardadas no nosso Banco. Recentemente, libertamos mais duas amostras para tratamentos no âmbito de ensaios clínicos

para patologias do espectro autista, realizados na Universidade de Duke, nos EUA. Nos casos de crianças com paralisia cerebral e com síndrome do espetro autista, os pais e os prestadores de cuidados, identificaram melhorias após a infusão de sangue do cordão umbilical, sendo que nestas patologias não podemos falar de cura propriamente dita. Mais recentemente, foi utilizada uma amostra de sangue do cordão umbilical do próprio dador, no âmbito de uma anemia aplástica grave, o transplante aconteceu em abril de 2019 no IPO de Lisboa e até hoje a doença encontra-se em remissão.

A missão da Crioestaminal é participar de forma ativa no desenvolvimento e disponibilização das mais avançadas tecnologias da medicina preventiva e personalizada. Em tempo de aniversário (e, com certeza, de alguma reflexão), podemos afirmar que este laboratório é hoje uma referência na medicina do futuro? De que forma? Desde muito cedo na vida da Crioestaminal que a perspetiva de ser mais do que um banco de células estaminais está presente na sua visão. Ao longo destes 19 anos temos promovido o desenvolvimento de novas terapias com células estaminais, atra-


PONTOS DE VISTA SAÚDE – 19 ANOS CRIOESTAMINAL

vés de um investimento continuo em projetos de Investigação & Desenvolvimento (I&D), aos quais dedicamos cerca de 10% do nosso volume de negócios. Além das quatro patentes internacionais registadas, com o objetivo de desenvolver novos produtos terapêuticos com base em células estaminais, em 2020 obtivemos o licenciamento pelo Infarmed de uma nova área laboratorial com vista à produção de medicamentos para terapias avançadas, tendo já dois medicamentos aprovados para utilização hospitalar em contexto experimental e três ensaios clínicos em fase de submissão e aprovação pelo Infarmed. Com estes avanços a Crioestaminal tem de facto vindo a posicionar-se cada vez mais como uma referência na área das terapias avançadas e na medicina do futuro. Outro aspeto importante é o de termos um Banco de Células Estaminais dedicado à I&D, isto é, todas as famílias que optem por não guardar as células estaminais do cordão umbilical, podem doá-las, sem qualquer custo, à Crioestaminal. As amostras doadas são incluídas nos projetos de investigação que temos em curso e nos desenvolvimentos de novos produtos terapêuticos, por esta via acreditamos contribuir para o desenvolvimento da ciência em Portugal e para o avanço da medicina, colaborando com a descoberta de novas terapias para doenças atualmente sem tratamento ou com opções terapêuticas limitadas. Sabe-se que a Crioestaminal aposta continuadamente em Investigação e Desenvolvimento, o que tem possibilitado que a equipa de I&D da mesma, bem como os seus parceiros, desenvolvam um conjunto de projetos que visam alargar a aplicação clínica das células estaminais. Quais as soluções inovadoras que têm feito a diferença nas aplicações terapêuticas de células estaminais? De facto, a Crioestaminal está focada em alargar a aplicação de células estaminais para além das doenças atualmente tratadas, possibilitando o acesso a terapêuticas personalizadas baseadas em células estaminais, sendo este o foco dos projetos de I&D que temos vindo a desenvolver em conjunto com os nossos parceiros e que deram já origem a quatro patentes internacionais. O conhecimento gerado e a experiência da nossa equipa de I&D permitiu-nos reunir recentemente uma nova equipa de produção de medicamentos para terapias avançadas. Esta área, neste momento, encontra-se a produzir vários medicamentos inovadores à base de células estaminais, para serem aplicados em ensaios clínicos que estamos a desenvolver com vários hospitais portugueses. De entre estes ensaios clínicos destacaria, o StrokeTherapy, em que vão ser usadas células estaminais da medula óssea para tratar sequelas resultantes de situações de Acidente Vascular Cerebral; o RescueCord, em que através da administração de células estaminais do sangue do cordão umbilical a recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquémica, vamos procurar minorar os efeitos da privação de oxigénio durante o parto.

Mais recentemente, no âmbito da COVID-19 desenvolvemos um medicamento experimental (SLCTmsc02) à base de células estaminais expandidas a partir de amostras de tecido do cordão umbilical, para tratar os casos mais graves de infeção por SARS-CoV-2. O nosso objetivo é disponibilizar este medicamento aos hospitais, para utilização em contexto de ensaio clínico ou em tratamentos com isenção hospitalar, não só em doenças do foro respiratório mas também em doenças auto-imunes e do foro neurológico, onde estas células estaminais mesenquimais podem ter efeitos benéficos em doentes graves ou que não respondem às terapias convencionais. Importa ainda referir que, a Crioestaminal, é o Banco de Células Estaminais com mais experiência e tratamentos realizados em Portugal, tendo sido distinguida, este ano, com os Prémios Cinco Estrelas e Escolha do Consumidor, pelo 9º ano consecutivo. Atendendo à conjuntura pandémica que o mundo atravessa há dois anos, quão desafiante tem sido manter esta dinâmica de ambição e rigor? As conquistas, que refere, Prémio Cinco Estrelas e Escolha do Consumidor são o resultado de 19 anos de experiência em Portugal, quer ao lado das famílias que escolhem guardar as células estaminais dos seus filhos, quer no âmbito da Investigação e Desenvolvimento de novas terapias. De facto, manter a ambição e o rigor, nestes últimos dois anos tem sido desafiante. A nossa prioridade tem sido desde o início garantir a prestação do serviço de criopreservação de células estaminais do cordão umbilical, respeitando todos os critérios de qualidade que garantam uma eventual utilização futura da amostra, facto que foi recentemente reconhecido com a renovação da acreditação pela AABB quer para o processamento do sangue quer do tecido do cordão umbilical. A nossa ambição é podermos disponibilizar, o serviço de criopreservação de células estaminais ao maior número de famílias possível. Nos últimos dois anos, as dificuldades que todos atravessamos foram muitas, pelo que disponibilizamos um conjunto de possibilidades facilitadoras do acesso ao serviço, desde logo sem obrigatoriedade de um grande investimento financeiro inicial. As novas terapias com células estaminais, são outro grande pilar da nossa ambição, prova disso mesmo foi termos produzido, em tempo record, um medicamento experimental constituído por células estaminais para o tratamento de doentes graves com COVID-19. Todos os dias, nas diferentes áreas da organização, contamos com as nossas equipas de excelência que adaptam as suas atividades e iniciativas ao contexto em que nos encontramos em cada momento, sempre com vista à inovação e à prestação do melhor serviço ao cliente. Por outro lado, possivelmente, estes desafios resultaram numa reorganização estruturada

das suas ações, ainda que já fosse (re)conhecida como a opção mais segura para guardar as células estaminais. Assim, hoje, mais do que nunca, a Crioestaminal é uma marca mais firme e resiliente? Neste processo, que oportunidades surgiram? Sem dúvida que somos uma organização mais firme e resiliente e, por conseguinte, uma marca mais consolidada, também. Muitas vezes é nos contextos adversos, devido às necessidades de adaptação que surgem as oportunidades, por exemplo, antes da pandemia realizávamos muitos eventos, de modo a fazer chegar informação útil sobre as células estaminais aos futuros Pais. Naturalmente, que estes eventos em formato presencial tinham uma capacidade de presenças limitada. Com a suspensão dos eventos presenciais, conseguimos disponibilizar, muito rapidamente, eventos online, que se mantêm, até hoje, e nos possibilitam chegar a um número mais significativo de Pais. Surgiram também oportunidades ao nível das terapias celulares que já tive oportunidade de mencionar, e que se traduzem num medicamento passível de ser utilizado no âmbito de doenças respiratórias graves, mas que despertou também interesse noutras áreas da medicina, quer em Portugal quer noutros países. Assinalar o 19º aniversário é, para a Crioestaminal, comemorar um caminho de compromisso com o futuro das famílias? Que passos serão dados daqui para a frente? O apoio aos futuros pais na fase mais importante das suas vidas que é a gravidez e a chegada de um bebé continuará a ser o principal foco da Crioestaminal, com a promoção de diversas iniciativas que pretendem acompanhar e guiar as famílias portuguesas neste momento especial. Naturalmente que o desenvolvimento da área de novas terapias celulares será outro grande foco, de modo a contribuirmos ativamente para a medicina personalizada do futuro e, desta forma, darmos acesso a cada vez mais opções de tratamento com células estaminais, algo que sabemos ser de extrema importância para os Pais que esperam agora pelo nascimento de um filho, mas também para a sociedade em geral. Gostaria, por fim, de deixar uma mensagem especial à equipa, parceiros e todos os intervenientes associados à Crioestaminal, pelos 19 anos de uma atividade notável e de extrema importância na vida das comunidades? Estes 19 anos não teriam sido possíveis sem o compromisso, dedicação e rigor de todos, fundadores, colaboradores, famílias, fornecedores, entidades reguladoras, parceiros institucionais entre tantos outros que são imprescindíveis para que a Crioestaminal cumpra o seu propósito. É do compromisso de todos que resultam os 19 tratamentos efetuados em 11 crianças, e que resultarão muitos mais momentos marcantes no percurso da Crioestaminal.▪

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MÓNICA RIUS AYMAMÍ


PONTOS DE VISTA INOVAÇÃO & SUSTENTABILIDADE

“A Michelin, definiu objetivos ambiciosos para reduzir a sua pegada ambiental e ter um impacto positivo no planeta” Mónica Rius Aymamí, Diretora de de Comunicação e Marcas da Michelin Espanha e Portugal, foi a «condutora» da viagem que levou a Revista Pontos de Vista a conhecer um pouco mais de uma mais prestigiadas marcas a nivel mundial, a Michelin, um grupo que se carateriza por ser pioneiro, sustentável e resiliente, e que tem na Inovação o fio condutor que faz da mesma uma Marca de Excelência.

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Michelin sempre partilhou e defendeu um sólido conjunto de valores profundamente arraigados. Qual diria que foi, ao longo do tempo, a “coluna vertebral” imutável e a razão do sucesso da marca, no mercado? Há mais de 130 anos que o grupo Michelin se caracteriza por ser pioneiro, sustentável e resiliente mas, talvez a característica mais destacada, seja a capacidade de inovação ao serviço dos clientes. Os cinco valores da empresa mantiveram-se inalteráveis desde o seu início: respeito às pessoas, respeito ao ambiente, respeito aos clientes, respeito aos fatos e respeito ao acionista. A Michelin encontra-se entre as maiores marcas do mundo, com um capital de confiança e afinidade extraordinário. Como se refletem nas suas ações e atividade os valores que a caracterizam - audácia, dedicação e generosidade? Hoje em dia o grupo Michelin é o primeiro fabricante de pneus do mundo com 15% do mercado. A cultura da empresa e os valores partilhados começam pela estrutura de governação e transmitem-se a todas as ações e atividades. Temos um Comité Ético que verifica especialmente a difusão destes valores e princípios éticos. A nossa visão do futuro baseia-se principalmente nas realidades do presente e do amanhã.

Os critérios para o crescimento e o desenvolvimento económico mudaram drasticamente. Para garantir a sustentabilidade, as empresas devem ser capazes de tomar decisões que considerem os problemas sociais, económicos e ambientais. A qualidade sem concessões é o compromisso e a prioridade da Michelin e, sendo assim, a marca assume o desenvolvimento pessoal e profissional dos seus empregados. Na sua opinião, a que ponto esta aposta nos Recursos Humanos promoveu um padrão de reconhecimento e distinção no setor em que opera? A Michelin é reconhecida como uma das melhores empresas mundiais relativamente a segurança no trabalho e em compromisso do seu pessoal, e estamos a trabalhar para ser uma referência em todas as diversidades e a sua inclusão. Não costumamos falar de “Recursos humanos”, pois consideramos que o ser humano não é apenas mais um recurso no processo produtivo. Preferimos falar de “Gestão de Pessoal” para ajudar as pessoas, dado que o nosso pessoal é o nosso maior valor. Investimos anualmente XX% da massa salarial na formação do nosso pessoal. Mais importante do que tudo isto é a inovação, pois a Michelin situa-a no centro da sua estratégia. Poder-

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PONTOS DE VISTA INOVAÇÃO & SUSTENTABILIDADE

-se-ia dizer que a qualidade da marca e a inovação que perpetua caminham lado a lado para consolidar a sua liderança? Como une ambas as partes? Oferecer a todos a melhor maneira de avançar é a nossa razão de ser. Inovamos com paixão para torná-lo em realidade. O nosso sonho partilhado é sermos reconhecidos como um líder em inovação que ajude a humanidade a conquistar novas fronteiras. A Michelin, ao longo da sua vasta história, atingiu um profundo conhecimento sobre as propriedades físico-químicas dos materiais de alta tecnologia, a sua simulação, os seus processos de produção, os seus processos de engenharia e as suas aplicações, cujo valor ultrapassa os pneus e abrange novas áreas de crescimento e novos mercados. As equipas da Michelin trabalham constantemente para desenvolver os produtos, promoções e serviços do futuro, para uma mobilidade mais segura, acessível, limpa e conectada. Visando este fim, como procura a marca diversificar as suas fontes de inovação a todos os níveis? O nosso modelo de negócio baseia-se em criar crescimento sustentável em três grandes áreas: No pneu: o nosso produto histórico, em que somos líderes mundiais. Em redor do pneu: oferecendo serviços e soluções para ajudar os nossos clientes profissionais a melhorarem as suas performances. Para além do pneu: valorizando o nosso know-how nos materiais de alta tecnologia como os componentes flexíveis sustentáveis, as aplicações médicas, a impressão 3D metal ou a mobilidade baseada no Hidrogénio (H2)

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Além disso, o papel da Michelin no desenvolvimento garante que a sua investigação esteja «aberta» ao mundo exterior e às novas tecnologias, principalmente através de parcerias com laboratórios de investigação universitários. Que importância tem esta contínua pesquisa de conhecimento para a sua estratégia de inovação e as necessidades do mercado? A Michelin tem acordos de investigação e desenvolvimento com mais de 300 instituições. O nosso objetivo é acelerar a inovação para: ▶A mpliar o campo de aplicação dos nossos conhecimentos e experiência e promover novas inovações para além do pneu. ▶A proveitar o nosso poder de inovação para acelerar o tempo de comercialização expandindo as nossas redes, libertando a energia dos empreendedores, mobilizando novas organizações, métodos e meios digitais. ▶C olocar os materiais e serviços relacionados no centro do nosso progresso futuro mantendo a liderança nos pneus. Internamente, o Grupo implementou uma série de recursos e processos para fortalecer as suas dinâmicas inovadoras e incentivar os empregados a exprimirem as suas ideias. Que impacto têm estas ações em Recursos Humanos e, por consequência, nos clientes? A abordagem pioneira da Michelin para a inovação participativa (1927), chamada agora “Enfoque InnovaGo”, oferece a possibilidade a cada empregado da Empresa, em qualquer momento e espontaneamente, de participar no progresso da Empresa, propondo uma Ideia de Progresso ou uma Ideia de Inovação.

deram pelo menos uma ideia em 2021, o que representa uma participação de 32% nos centros em que a dinâmica está implementada. Em 2021 o Grupo registou um total de 57950 ideias, das quais mais de 18800 se realizaram durante o ano, o que permite o progresso em áreas importantes para o Grupo tais como: a segurança, a qualidade, as condições de trabalho, a economia, a diversidade ou o ambiente.

A Ideia de Progresso permite propor uma solução para melhorar a maneira de fazer as coisas, ou para resolver um problema; a Ideia de Inovação propõe um novo serviço ou produto para o cliente externo. Incentivam-se os chefes para que promovam o surgimento dessas ideias pelos membros das suas equipas, bem como as suas realizações. Os resultados provam a dinâmica de Ideias para o Progresso dentro do Grupo: mais de 23200 pessoas

De igual modo, e como é bem sabido, a Michelin foi sempre pioneira em comunicação. Como diretora deste departamento, como nos pode descrever os fatores que levaram a comunicação da marca à notoriedade? Desde o seu início, os Irmãos Michelin foram uns génios que se adiantaram à sua época, por exemplo, com a criação do Ícone mundialmente reconhecido como é o nosso Bibendum. Ou a criação do Guia Michelin, no início das viagens por estrada, para acompanhar, com informação prática ao condutor, para o animar a viajar e a usar o veículo. Ou a utilização do Posto de Turismo (Paris e Madrid) para aconselhar pessoalmente sobre os itinerários que iam ser realizados pelos clientes, preparavam-lhes uns itinerários personalizados e enviavam-nos para casa… Tudo isto acontecia no princípio do séc. XX. Penso que isso marca totalmente um espírito, uma forma de ser da nossa marca que, obviamente, tem a sua tradução na comunicação da mesma.

“A ESTRATÉGIA “TUDO SUSTENTÁVEL” DO GRUPO MICHELIN BASEIA-SE NA PROCURA DO MELHOR EQUILÍBRIO ENTRE O DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS, A CONSERVAÇÃO DO PLANETA E OS RESULTADOS ECONÓMICOS E FINANCEIROS. “PEOPLE, PROFIT, PLANET”


PONTOS DE VISTA INOVAÇÃO & SUSTENTABILIDADE

CRESCIMENTO E INOVAÇÃO O crescimento e a inovação são uma parte integral do ADN e da estratégia do Grupo, o que significa que a Michelin continuará a investir em produtos e serviços em que as suas tecnologias sejam valorizadas por marcarem a diferença. Sendo assim, que notícias podemos esperar para o futuro a curto ou médio prazo? Vamos continuar a trabalhar em muitas áreas mas, talvez as mais apelativas sejam a generalização da roda sem ar: Uptis ou a nossa solução para ajudar a descarbonização do transporte marítimo com a nossa vela insuflável e telescópica para aproveitar a energia limpa e gratuita do vento nos barcos mercantes. Projeto WISAMO. A responsabilidade social da Michelin incorpora-se à sua estratégia de Desenvolvimento Sustentável e Mobilidade. Podemos dizer que o objetivo é fazer da marca uma das empresas mais inovadoras, responsáveis e de alto rendimento do mundo em todas as suas responsabilidades: económicas, ambientais e sociais? Como equilibra as três? Como bem diz, a estratégia “Tudo sustentável” do grupo Michelin baseia-se na procura do melhor equilíbrio entre o desenvolvimento das pessoas, a conservação do planeta e os resultados económicos e financeiros. “People, Profit, Planet” Concretamente: Um projeto que ajudará a promover o crescimento económico da região, torná-lo mais atraente e ampliar a sua abrangência (Resultados). Um compromisso para apoiar o crescimento constante do desenvolvimento pessoal, a criação de emprego e as relações sociais (Pessoas). Uma mudança para novas áreas prometedoras, com impacto limitado no ambiente e nas pessoas (Planeta). Resumindo, criar valor social e ambiental mensurável e, simultaneamente, reduzir o impacto negativo sobre as pessoas e o ambiente, sem comprometer a sua viabilidade económica.

▶ Economia

circular: chegar a 40% de materiais sustentáveis nos pneus em 2030 e 100% em 2050. ▶ Água: reduzir o consumo de água em 33% para 2030 e não ter impacto na disponibilidade de água para as comunidades locais em 2050. ▶ Biodiversidade: proteger a biodiversidade em toda a cadeia de valor e atingir os objetivos da sua folha de rota Biodiversidade 2020-2030. ▪

De certo modo, para o mercado, para as pessoas e para o planeta, o que significa Michelin hoje? Michelin, hoje, é Sustentabilidade. A prosperidade do amanhã será sustentável ou não existirá, e isso deve ser construído hoje, com uma transição para uma economia mais verde, mais inclusiva e que crie um crescimento forte sustentável e rentável.

A Michelin está segura de que, além das questões financeiras, o futuro de uma empresa também dependerá da sua capacidade para colocar as questões ambientais e sociais no centro das suas decisões. Neste sentido, quais são os objetivos claros e ambiciosos que assume o balanço «Tudo Sustentável» da marca? O Grupo definiu objetivos ambiciosos para reduzir a sua pegada ambiental e ter um impacto positivo no planeta: ▶ Neutralidade de Carbono: reduzir para a metade em 2030 as emissões de CO2 ligadas às suas atividades de produção e consumo de energia, e conseguir a neutralidade de carbono em 2050.

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PONTOS DE VISTA INOVAÇÃO & SUSTENTABILIDADE

“O mercado pode contar com o contributo da MIDAS para uma Mobilidade Sustentável” É uma das marcas mais prestigiadas e reputadas em Portugal. Falamos da MIDAS, líder de reparação rápida de automóveis multimarca, e que tem sido um exemplo perfeito da promoção da sustentabilidade e em tudo fazer para assegurar um futuro mais limpo e saudável em prol do planeta. Ricardo Simões, Chief Operating Officer da Midas Portugal, foi o rosto desta entrevista, onde ficamos a compreender as razões que levam a MIDAS a ser hoje, cada vez mais, uma referência para os portugueses. ciclo em parceria com o Grupo Salvador Caetano, que ficou responsável pela sua gestão exclusiva em território nacional. O que mudou com esta «aliança» e que oportunidades, através da mesma, já surgiram? Essencialmente, o que mudou com esta aliança foi a estratégia definida para a marca e a forma de a implementar no mercado e junto do público. Destaco o foco na responsabilidade que assumimos perante o cliente, a abertura de portas a empreendedores parceiros que se queiram juntar a nós, a preocupação com as nossas equipas, a evolução de cada colaborador e o investimento no reposicionamento da marca.

RICARDO SIMÕES

"A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL DA MIDAS FAZ PARTE DO SEU ADN E É ASSUMIDA COMO PARTE DO COMPROMISSO QUE ESTABELECEU COM O MERCADO E COM OS SEUS COLABORADORES, PARCEIROS E CLIENTES"

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tualmente, a MIDAS continua a ser líder de reparação rápida de automóveis multimarca, com uma presença nos cinco continentes e com mais de 2200 oficinas em todo o mundo. Em Portugal desde 2001, como tem vindo a ser a ascensão da marca neste mercado? Em 2022, a MIDAS é uma marca de referência no mercado português, com forte notoriedade Top of Mind junto do público. Sem deixar de reconhecer o trabalho feito desde o seu lançamento no nosso país, fará mais sentido pronunciar-me sobre o percurso a partir de 27 de outubro de 2020, data em que o Grupo Salvador Caetano (GSC) assumiu a gestão a nível nacional. Esta nova fase da MIDAS em Portugal iniciou-

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-se em plena pandemia, situação que se manteve durante o recrutamento e formação da equipa do projeto, bem como na abertura das primeiras oficinas da nova rede da marca. Apesar disso, os meses iniciais de atividade apresentaram indicadores muito positivos em várias vertentes: no compromisso e envolvimento das equipas com o projeto, na satisfação dos clientes e no valor da marca. Terminámos 2021 com 10 oficinas ativas e mais de 60 colaboradores recrutados e arrancámos para 2022 com o objetivo de continuar a crescer rápido e de integrar de franchisados na rede. Apesar de estar em Portugal há 21 anos, foi apenas há dois que a MIDAS iniciou um novo

A MIDAS possui um compromisso claro, uma oferta de serviços ampla e variada, um conhecimento técnico avançado e o desejo de cuidar de cada um dos seus clientes, todos os dias. De que forma estes princípios e convicções a diferenciam num mercado altamente competitivo? Não temos a diferenciação como um objetivo em si mesmo, mas é natural que ela se afirme no mercado. Na MIDAS, colocamos o foco nas pessoas: nas equipas, parceiros e cliente, num plano de continuidade e longo prazo. Com este ponto de partida, desenvolvemos os processos, ferramentas e relações para elevar os colaboradores a um nível de excelência de serviço e de competência técnica superior. Percorremos o caminho lado a lado com as nossas equipas oficinais e com cada parceiro, formando uma organização alinhada, competente e responsável, com o objetivo de acompanhar o cliente de forma continuada. Trabalhamos para que o cliente nos veja como um porto seguro, tornando a sua mobilidade mais cómoda: estaremos no local mais conveniente para assistir a sua viatura, fá-lo-emos com a rapidez desejada e a qualidade obrigatória, por um valor justo, num processo absolutamente transparente, sem fricções. É nesta relação de proximidade que o cliente vai, eventualmente, valorizar a diferença entre a MIDAS e outros operadores do mercado. Sabemos que a inovação, a sustentabilidade e a descarbonização são uma preocupação cada vez mais presente na forma de estar das empresas. No seio da MIDAS, o facto de poder


PONTOS DE VISTA INOVAÇÃO & SUSTENTABILIDADE

assegurar o futuro do nosso planeta, cuidando dele, é ponto assente? Qual a importância de a marca assumir e se reger por uma política direcionada ao meio ambiente? Na MIDAS é ponto assente que tudo deve ser feito para assegurar um futuro mais limpo e saudável ao nosso planeta e a quem nele habita. Sabemos também que, pela visibilidade que podemos ter no setor, existe a obrigação de dar o exemplo, de motivar e contribuir para uma mudança ou reforço de atitudes por parte do mercado. Por isso, assumimos uma postura ativa na implementação de novas soluções e estratégias ambientais, conforme as normas existentes e, sempre que possível, mais além. Assim, e tendo como linha orientadora o Compromisso Lisboa Capital Verde Europeia 2020 – Ação Climática Lisboa 2030, qual a perspetiva e o papel que a MIDAS assume ao nível da responsabilidade ambiental? A perspetiva da MIDAS ao nível da responsabilidade ambiental vai ao encontro deste Compromisso em vários pontos. Especificamente, podemos indicar que as nossas oficinas contemplam já: luminárias led; reciclagem ativa dos resíduos produzidos; consumo residual de papel por via dos processos digitalizados; certificação em curso das equipas no serviço a viaturas elétricas e híbridas; carregadores EV nas oficinas; utilização de viaturas EV na frota da empresa e promoção de alteração de comportamentos nos colaboradores. Mas sabemos que podemos fazer mais e estamos empenhados em descobrir as melhores formas de aumentar o nosso contributo, sem ter em vista qualquer vantagem direta, mas tão somente porque tem de ser. Quão fundamental é, para o meio ambiente e pegada ecológica, a MIDAS recolher e transportar os resíduos perigosos gerados pela sua atividade para centros de reciclagem específicos? Que impacto é que esta ação traz? É simplesmente obrigatório fazê-lo. Asseguramos que 100% dos resíduos perigosos gerados na nossa atividade são recolhidos e transportados para centros de reciclagem certificados para tal. Partindo do pressuposto que a tecnologia automóvel é uma constante, é possível unificar a sustentabilidade à inovação e mobilidade inteligente? De que forma? Parece-me que esta unificação é um caminho que os fabricantes automóveis e muitos outros novos operadores de mobilidade já iniciaram e têm vindo gradualmente a concretizar. Mas sabemos que a necessária mudança do paradigma da mobilidade passa pela participação significativa de muitos outros intervenientes, desde governos centrais e locais, equipas projetistas e definidoras das áreas urbanas, diferentes fornecedores de infraestruturas e abastecimento à mobilidade, entre outros. Há também uma componente comportamental e pedagógica determinante na forma como entendemos e vivemos

a mobilidade, como estamos dispostos a ponderar soluções alternativas à viatura unipessoal. Na MIDAS, estamos atentos a estas alterações e já estamos a preparar o caminho do serviço de manutenção à micro-mobilidade, por exemplo. Além de todos estes cuidados, em que sentido a MIDAS forma regularmente os seus colaboradores para garantir hábitos ecológicos alinhados com os valores da empresa? Envolvemos regularmente as nossas equipas nesta temática. Desde logo, no ‘onboarding’, altura em que os compromissos de sustentabilidade do Grupo Mobivia e do GSC são passados às pessoas que estão connosco. Depois regularmente, por via de uma e-newsletter interna, passamos sugestões práticas de atuação. Também ainda convidamos as equipas a juntarem-se em formações, workshops ou atividades como, por exemplo, a recente ação ‘O Bosque comVIDA’, realizada no contexto da celebração do Dia Mundial da Terra, durante a qual os colaboradores foram convidados a viver e conviver no Bosque Ser Caetano e a acolher 3 novos animais. Na MIDAS acredita-se que criar um mundo mais verde é tarefa de todos. Que sugestões de hábitos ambientais com os quais podemos contribuir no nosso dia a dia gostaria de deixar? Mantendo os conselhos dentro da nossa área de atividade, posso deixar duas sugestões. A primeira, bem simples e fácil de colocar em prática, seria conduzir de forma mais calma, já que a travagem e aceleração repentinas aumentam o consumo de combustível entre 5% e 40%. A segunda implica um pouco mais de gestão pessoal, mas ajuda a reduzir a taxa de emissões de gases poluentes: tentar partilhar o carro nas viagens de e para o trabalho. Por outro lado, importa também reconhecer que as empresas que se afirmam responsáveis ambientalmente estão a ganhar espaço, vantagem competitiva e licença para operar na economia do futuro. É legítimo afirmar que a MIDAS também atua com esta linha de pensamento, daí a sua expansão? A responsabilidade ambiental da MIDAS faz parte do seu ADN e é assumida como parte do compromisso que estabeleceu com o mercado e com os seus colaboradores, parceiros e clientes. Acreditamos que atualmente não há lugar no mercado para empresas que atuem de outra forma ou que ignorem a sua responsabilidade no futuro do planeta. Considera que, em Portugal, os incentivos à responsabilidade ambiental – além dos óbvios, também os que andam lado a lado com a liderança no mercado – são, genericamente, reconhecidos? As empresas saberão, hoje, o poder que este posicionamento acarreta? Considero que o reconhecimento desses incentivos existe. Já relativamente ao poder ou

Certo é, todos os produtos e serviços MIDAS são concebidos segundo a missão “cuidar de todos os condutores de uma forma sustentável”. Neste sentido, que projetos e novidades a curto/médio prazo podemos contar por parte da marca, de forma a asseverar os valores que a caracterizam? Temos vários projetos previstos no sentido de consolidar a nossa vertente sustentável, mas um dos que mais nos entusiasma prende-se com as novas opções de mobilidade. Além de sermos perfeitamente capazes de servir as inovações híbridas e elétricas a que o mercado tem vindo a aderir com crescente entusiasmo, a MIDAS tem já na calha a implementação de serviços direcionados para cuidar dos clientes que optem por outras viaturas, nomeadamente motociclos. O mercado pode contar com o contributo da MIDAS para uma mobilidade sustentável.

vantagem que esse posicionamento implica, julgo que gradualmente vai sendo percecionado de forma mais clara, mas que ainda não é evidente. Há, no entanto, audiências jovens bem sensíveis a esta temática. São as que cresceram num contexto de planeta ameaçado e necessidade de uma economia de baixo carbono, tendo já incutidos hábitos e visão mais ‘verdes’. Estas gerações serão as grandes promotoras do reconhecimento e valorização dos operadores com maior responsabilidade ambiental. ▪

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PONTOS DE VISTA SUSTENTABILIDADE NA HOTELARIA E ENSINO

ADMINISTRAÇÃO LES ROCHES

Les Roches:

O Futuro passa pelo Turismo Sustentável

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arte do Grupo Sommet Education, grupo suiço de educação superior especializado em Gestão Hoteleira, a Les Roches é uma instituição de ensino privada internacional líder no seu segmento. Na Les Roches Global Hospitality Education, os estudantes têm a oportunidade de receber formação segundo o modelo suiço de educação e aprender em vários campus universitários em todo o mundo. A escola oferece cursos e especializações que refletem a natureza do local onde são mestrados e permitem aos estudantes a possibilidade de terem formação e trabalharem com estudantes de mais de 90 nacionalidades, aprendendo várias línguas e culturas de negócio.

CAMPUS LES ROCHES CRANS-MONTANA

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LES ROCHES GLOBAL HOSPITALITY EDUCATION Fundada em 1954, a Les Roches é atualmente uma das mais prestigiadas instituições de ensino superior do mundo, ocupando o Top 3 do ranking para melhor instituição ao nível da Gestão Hoteleira e Turismo e ao nível da reputação junto dos empregadores segundo o QS World University Ranking By Subject 2021. O modelo de educação combina aulas teóricas e práticas com a possibilidade de seleção pelos vários Campus – Suiça, Marbella e Shangai - e estágios nas


PONTOS DE VISTA SUSTENTABILIDADE NA HOTELARIA E ENSINO

melhores cadeias hoteleiras internacionais e empresas da área de serviços e luxo, sendo uma das instituições de ensino com maior taxa de empregabilidade dos seus alunos – cerca de 90% dos alunos têm entre uma a três ofertas de emprego durante o curso. A Les Roches orgulha-se de promover o espírito empreendedor junto dos alunos e os conteúdos das várias formação mestradas têm por objetivo formar para a liderança e dar soluções inovadoras para potenciar uma mudança global ao nível da indústria hoteleira e de lazer, algo que a pandemia acelerou colocando no centro temas como a sustentabilidade e a digitalização dos setores da hotelaria e turismo. Os cursos e pós-Graduações da Les Roches refletem as mudanças a apontam tendências numa das indústrias que mais tem mudado nos últimos anos. A Licenciatura em Gestão Hoteleira Global é um dos ex-libris da instituição de ensino e integra especializações em Empreendedorismo Hoteleiro; Estratégias de Marketing Digital e Gestão Financeira aplicada à Hotelaria, Pós-Graduação em International Hospitality Management e Master of Business Administration (MBA) in Global Hospitality Management, são alguns dos cursos mais reconhecidos da instituição.

Recentemente, a Les Roches em Crans-Montana criou uma especialização em Desenvolvimento Sustentável, fazendo jus a esta reputação de instituição de ensino de vanguarda. O último semestre do Bachelor of Business Administration (BBA) in Global Hospitality Management é agora dedicado à sustentabilidade, uma das quatro especializações, que os estudantes podem escolher no campus de Crans-Montana, juntamente com Empreendedorismo, Estratégias de Marketing Digital e Gestão de Performance Financeira. Contribuindo para 10% do PIB mundial, o setor da hotelaria e turismo é proporcionalmente um dos ecossistemas mais preocupados com as questões de desenvolvimento sustentável e os instrumentos de controlo como os critérios ambientais, sociais e de governação têm um impacto direto na sociedade e no ambiente. Em resposta a isto, está em curso a criação de uma indústria de turismo sustentável que promova iniciativas significativas e ciclos eficientes em termos de recursos. De acordo com a sua filosofia académica de fomentar um espírito de inovação e criatividade, a Les Roches pretende, desta forma, reforçar a capacidade dos futuros líderes para impulsionar a sustentabilidade e a mudança. A nova especialização foi concebida para do-

tar os estudantes de competências de gestão e conhecimentos necessários para transformar a hospitalidade, o turismo e a economia da experiência. Os cursos cobrem as exigências em mudança dos clientes, interessados e comunidades, eco-turismo, design e questões de ética e gestão empresarial. Outras especializações são oferecidas no último semestre dos programas BBA, tanto nos campus de Crans-Montana como de Marbella: Empreendedorismo, Estratégias de Marketing Digital e Gestão do Performance Financeira. O campus da Les Roches, em Marbella, tem uma especialização adicional em desenvolvimento e gestão de resorts e centra-se na gestão de resorts de luxo e negócios diretamente relacionados. A especialização “Desenvolvimento e Práticas Sustentáveis” será oferecida no campus de Crans-Montana a partir de Setembro próximo, com cursos ministrados por membros de destaque do corpo docente, tais como Dr. Dimitrios Diamantis, Decano Académico Executivo, um visionário cuja tese de doutoramento já abordava o Envolvimento do Consumidor e o Ecoturismo. O programa incluirá também master classes ministradas por especialistas externos à instituição de ensino. ▪

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PONTOS DE VISTA HIDROGÉNIO EM PORTUGAL

“O Hidrogénio viabiliza um novo paradigma energético inesgotável e sustentável” Quais as reais vantagens do Hidrogénio? De que forma é que será positivo continuar a apostar no mesmo? Está Portugal no bom caminho neste sentido? Muitas questões sobre a importância da economia do Hidrogénio em Portugal. Campos Rodrigues, Presidente da AP2H2 - Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio, em entrevista à Revista Pontos de Vista, esclareceu tudo e deu-nos a visão da AP2H2, uma instituiçao reconhecida como um interlocutor com um contributo importante na definição das políticas de transição energética e sustentabilidade.

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CAMPOS RODRIGUES

undada em 2003, a Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio (AP2H2) é uma entidade sem fins, cujas atividades estão direcionadas para a promoção e facilitação do hidrogénio como vetor energético em Portugal. Após 19 anos de história, como tem vindo a ser o consumar do propósito da sua criação? É hoje genericamente valorizado o contributo da AP2H2 na colocação do Hidrogénio na Agenda política, meta atingida em 2020 com a publicação a 14 de agosto da Estratégia Nacional para o Hidrogénio (ENH2). Foi a conclusão de uma tarefa perseverante de divulgação realizada através de workshops, seminários, estudos e ações de formação que contribuíram para informar e formar opinião sobre a inevitabilidade do Hidrogénio como vetor energético, face aos desafios enfrentados da sustentabilidade climática e mais recentemente da autonomia energética, permitindo antever o términus da dependência dos hidrocarbonetos como fonte energética. A AP2H2 é hoje reconhecida como um interlocutor com um contributo importante na definição das políticas de transição energética e sustentabilidade, enquanto porta-voz dos seus 134 associados. Contamos com a participação dos principais players nacionais na economia do Hidrogénio. Desta forma, promover a introdução do hidrogénio como vetor energético, apoiar o desenvolvimento das tecnologias associadas

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e incentivar a utilização do mesmo em aplicações comerciais e industriais em Portugal é a missão da AP2H2. Fazendo uma análise ao panorama nacional, acredita que Portugal já possui sentido de responsabilidade e compromisso em relação ao hidrogénio? A adesão da comunidade nacional à Economia do Hidrogénio é um facto inquestionável, como provam as candidaturas apresentadas aos concursos que foram lançados no quadro do PRR. A descarbonização da indústria é a aplicação que suscita nesta fase um número mais significativo de projetos, nomeadamente através de projetos PtG, com a injeção de H2 nas redes locais de GN e com a produção de amónia verde. A mobilidade é outra aplicação que suscita igualmente o interesse dos investidores na economia do hidrogénio embora haja ainda que ultrapassar as limitações que decorrem da inexistência da infraestrutura logística para abastecimento dos veículos, esperando-se que em breve essa infraestrutura esteja disponível. Com um – cada vez mais – profundo conhecimento, o uso do hidrogénio ainda tem potencial para surpreender. Assim, que vantagens identifica na sua utilização? São essencialmente três os drivers atuais da economia do Hidrogénio verde e que explicam e justificam o interesse suscitado. O Hidrogénio associado a fontes de energias renováveis vai permitir eliminar as limitações características destas formas de energia: intermitência, aleatoriedade e sazonalidade. É, pois, um novo para-


PONTOS DE VISTA HIDROGÉNIO EM PORTUGAL

digma energético que se está a construir, que se caracteriza por ser: ▶Inesgotável; ▶ Sustentável, não emitindo gases poluentes que contribuem para o efeito de estufa ▶ Autónomo, cada comunidade terá capacidade para produzir a sua própria energia. Certo é, Portugal comprometeu-se em assegurar a neutralidade carbónica até 2050, traçando uma visão clara relativamente à descarbonização profunda da economia nacional. De que forma se destaca o papel do hidrogénio no processo em direção à descarbonização e sustentabilidade? Como se conclui da resposta anterior o hidrogénio viabiliza um novo paradigma energético inesgotável e sustentável. Serão eliminados os gases com efeito de estufa, maximizando o recurso a fontes energéticas renováveis. A descarbonização da economia, do consumo privado e da mobilidade está, pois, ao nosso alcance. Considera que é expetável que vejamos um impacto significativo em alguns setores – indústria, transportes, energia – posicionando o hidrogénio como uma solução custo-eficaz a médio prazo? Que desafios se avistam, neste sentido?

A AP2H2 pretende observar e apoiar a implementação do hidrogénio como novo vetor energético, nomeadamente a produção de combustíveis e a sua utilização como fonte de energia, o desenvolvimento das tecnologias associadas, bem como a investigação e o ensino. No que concerne a estas vertentes, como perspetiva o ritmo de mudança e o futuro do panorama nacional? O REPOWEREU dá já uma indicação para o ritmo das mudanças. 2030 representa uma meta para a independência energética da EU, obrigando a acelerar os planos para a produção do H2 e sua

A otimização das tecnologias, o scale-up dos equipamentos e a produção a uma escala industrial permitem antever a produção de H2 a um custo inferior a 2€/kg, viabilizando a produção de H2 a um valor competitivo face aos valores atuais dos combustíveis fósseis. Scale-up e produção industrial são, pois, os principais desafios que a economia do hidrogénio tem à sua frente. A meta para os ganhar é 2030. A versatilidade do hidrogénio, aliada à ambiciosa estratégia portuguesa, confere a esta solução uma centralidade no processo de descarbonização, contudo, para isso, é necessária inovação tecnológica. Sendo que a AP2H2 apoia as tecnologias associadas ao hidrogénio, de que forma esta inovação será um importante motor de transformação? As tecnologias atuais já são, por si, soluções eficazes. Mas a inovação tecnológica mantém-se como desafio, e novas tecnologias estão emergentes em toda a cadeia de valor o que virá reforçar o posicionamento competitivo do hidrogénio como solução energética. Portugal está a participar nesse esforço coletivo de inovação. Temos uma posição privilegiada no quadro europeu para a produção de H2 e já temos empresas que dominam parte relevante da cadeia de valor. ▪

“PORTUGAL ESTÁ A PARTICIPAR NESSE ESFORÇO COLETIVO DE INOVAÇÃO. TEMOS UMA POSIÇÃO PRIVILEGIADA NO QUADRO EUROPEU PARA A PRODUÇÃO DE H2 E JÁ TEMOS EMPRESAS QUE DOMINAM PARTE RELEVANTE DA CADEIA DE VALOR”

utilização. Os objetivos do FIT 55 tornaram-se insuficientes e esperamos que possam ser antecipados. O desafio para a indústria europeia é o de ter capacidade para responder à procura de mercado, quer na cadeia logística da economia do hidrogénio, quer na adaptação do consumo a esta nova realidade energética. A ENH2 terá de ser atualizada para enquadrar estas novas metas, e a AP2H2 está disponível para colaborar nessa revisão. Esperamos em breve apresentar ao governo a nossa proposta de plano de curto prazo para a mobilidade, com a criação de uma infraestrutura de abastecimento de viaturas ligeiras e pesadas.

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“MAIS DO QUE NUNCA O HIDROGÉNIO VERDE DEVE SER ENCARADO COMO UMA POSSÍVEL E VIÁVEL SOLUÇÃO PARA ACELERAR A DESCARBONIZAÇÃO DOS CONSUMOS DE ENERGIA, GARANTIR UM LEQUE MAIS ALARGADO DE TECNOLOGIAS NO MIX ENERGÉTICO E CONTRIBUIR PARA A SEGURANÇA E SOBERANIA ENERGÉTICA” PEDRO AMARAL JORGE

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PONTOS DE VISTA HIDROGÉNIO EM PORTUGAL

PEDRO AMARAL JORGE, CEO DA APREN - ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ENERGIAS RENOVÁVEIS

Hidrogénio Verde:

acelerador da descarbonização e da autonomia energética Uma análise da BloombergNEF, do início deste ano, previa que até 2030 o hidrogénio verde, produzido a partir de energias renováveis, seria mais competitivo que o hidrogénio azul, este último gerado a partir do gás natural e acoplado a sistemas de captura e armazenamento de carbono sem, no entanto, evitar alguns riscos ambientais e de saúde pública.

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análise apontava para uma descida dos custos de produção de hidrogénio verde na ordem dos 75% até ao final da década à medida que diminuísse o preço dos eletrolisadores, aumentasse a experiência na sua operação e aumentasse a potência renovável disponível em termos capacidade e horas/ano de funcionamento disponível. O potencial desta solução estava, portanto, a ser equacionado muito antes da ilegítima invasão da Ucrânia por parte da Rússia, que veio gerar uma revolução do paradigma energético a nível global pressionando a aceleração da transição energética. O aumento do preço do gás natural e a subida do preço das licenças de emissão de carbono, aliados a questões geopolíticas e a metas de descarbonização, já tinham levado muitos países a olhar para esta opção. Não admira, por isso, que a estratégia REPowerEU, apresentada a 18 de maio pela Comissão Europeia, que pretende pôr fim à dependência europeia do gás natural proveniente da Rússia, traga novidades nesta área. O foco é impulsionar a implementação e o consumo das energias verdes e dos gases renováveis, como o hidrogénio verde e os combustíveis sintéticos de origem não biológica, mas está também prevista uma forte aposta no aumento substancial da eficiência energética e diversificação geográfica de abastecimento de gás natural. Uma das metas previstas neste plano aponta para a produção interna anual de 10 milhões de toneladas de hidrogénio renovável e para a importação anual de 10 milhões de toneladas até 2030, a fim de substituir o gás natural, o carvão e o petróleo em setores industriais e dos transportes difíceis de descarbonizar. Para acelerar o desenvolvimento do mercado do hidrogénio será necessário chegar a acordo sobre submetas mais exigentes para setores muito específicos. A Comissão Europeia pretende assegurar também que a produção de hidrogénio verde conduz a uma descarbonização líquida. Para acelerar os projetos no setor do hidrogénio está reservado um financiamento adicional de 200 milhões de euros para investigação. A Comissão Europeia já anunciou que quer concluir a avaliação dos primeiros projetos interesse europeu comum (IPCEI) até ao Verão. Com a reorganização da geopolítica energética, ao nível global, novas superpotências energéticas poderão emergir em países tradicionalmente dependentes de combustíveis fósseis. China e Estados Unidos da América encabeçam a lista dos grandes pro-

motores. Outros 22 países manifestaram intenção de adotar estratégias para o hidrogénio em 2022 juntando-se a outros 26 países com planos apresentados já em 2021. Portugal tem as condições para continuar a aproveitar os seus recursos endógenos - o sol, a água e o vento - para a produção de eletricidade a partir de energia solar, hídrica e eólica onshore e offshore, mas deve apostar também nos gases renováveis, como o hidrogénio verde, fundamentais para apoiar áreas onde a eletrificação direta é mais difícil. Sines, em particular, está a posicionar-se neste domínio, assumindo uma nova centralidade na transição energética enquanto ponto de conetividade com o mundo. Os projetos para produção de hidrogénio e outros gases renováveis poderão ser apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PPR), na vertente de transição climática, que tem associada uma verba de três mil milhões de euros. Estes projetos, de acordo com a nova estratégia da União Europeia serão considerados de interesse público, o que poderá constituir uma "via verde" para acelerar esta transição. O primeiro aviso para a produção de hidrogénio e gases renováveis, no âmbito do PRR, lançado pelo Fundo Ambiental ainda em 2021, recebeu 41 candidaturas que totalizam um investimento de 380 milhões de euros. Os promotores apresentaram projetos para apoios diretos na ordem dos 204 milhões de euros, embora o aviso tenha uma dotação prevista de 62 milhões de euros. Mais do que nunca o hidrogénio verde deve ser encarado como uma possível e viável solução para acelerar a descarbonização dos consumos de energia, garantir um leque mais alargado de tecnologias no mix energético e contribuir para a segurança e soberania energética. O hidrogénio verde pode ser a solução mais económica para indústrias consumidoras intensivas de energia onde a eletrificação direta é mais difícil ou mesmo inexequível com as tecnologias hoje disponíveis comercialmente. A indústria pesada liderará a procura de hidrogénio, nomeadamente a indústria química e a do aço. Não existe segurança sem autonomia energética. Só apostando em energias verdes e gases renováveis conseguiremos colocar um travão no aumento da temperatura média do planeta impedindo a multiplicação de eventos climáticos extremos, que já são sentidos em várias partes do mundo, potenciados pelas consequências das alterações climáticas. ▪

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PONTOS DE VISTA ÁGUA & AMBIENTE

RUI GODINHO, PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETIVO DA APDA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE DISTRIBUIÇÃO E DRENAGEM DE ÁGUAS MEMBRO DO BOARD OF GOVERNORS E DO BUREAU DO WORLD WATER COUNCIL

Compromisso para Adaptação e Mitigação das Alterações Climáticas nos Serviços de Águas

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o extraordinário avanço no conhecimento, patente nos mais importantes eventos sobre as “alterações climáticas”, resulta que a água é o mais importante fator a ter em conta na definição e aplicação das políticas para enfrentar os efeitos devastadores para a vida humana que aquelas já provocam, emergindo como o mais relevante no âmbito de “Os Nove Limites do Planeta” 1 que, segundo o Centro de Resiliência de Estocolmo, mantêm o equilíbrio na Terra: - Esgotamento da camada de ozono; integridade da biosfera; poluição química; concentração de CO2; acidificação dos oceanos; consumo de água doce; alteração do uso da terra (agricultura intensiva e super intensiva); fluxos e consumos de azoto e fósforo (implicações graves na qualidade das disponibilidades e reservas de água por “eutrofização”); carga de aerossóis na atmosfera. Como ficou também evidente na pandemia de

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COVID-19, a água desempenha um papel central (como recurso absolutamente vital para os seres humanos) nesta abordagem. Aliás, a emergência da “centralidade da água” foi uma das principais lições a ser retirada da “crise sanitária” que nos atingiu, lançando sérios fatores de incerteza na vida humana. Os últimos trabalhos e relatórios oficiais das Nações Unidas e do IPCC - Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (COP26 - Glasgow, novembro 2021)2 confirmam, entretanto, que as secas e a escassez de água se tornaram numa “ameaça sistémica”, em consequência da aceleração generalizada da transformação do clima, que se intensificou sem precedentes nas últimas décadas, sendo indiscutível que as alterações que observamos têm origem na atividade humana e afetam já todas as regiões da Terra. O clima a que estaremos sujeitos no futuro depende, portanto, das nossas decisões agora. As Ciências do Sistema Terrestre deverão estudar o Planeta e


PONTOS DE VISTA ÁGUA & AMBIENTE

atuar sobre ele como um “Sistema Único, Integrado e Suporte de Vida”, e que as decisões a tomar, aos diferentes níveis, assentem neste princípio integrador, “tornando-se urgente a assunção de um novo Contrato Global para estabelecer a harmonia nas relações entre a Humanidade mas também nas interações com o Planeta, porque infelizmente tomamos a natureza (e a água!!!), e os seus ciclos como garantidos e um adquirido sem limites e sem fim”.3

“COMO FICOU TAMBÉM EVIDENTE NA PANDEMIA DE COVID-19, A ÁGUA DESEMPENHA UM PAPEL CENTRAL (COMO RECURSO ABSOLUTAMENTE VITAL PARA OS SERES HUMANOS) NESTA ABORDAGEM" Urge, portanto, a sua generalização a todas as regiões já afetadas por secas, escassez de água e desertificação no Mundo, incluindo Portugal e Espanha, países integrados numa das regiões mais críticas (Bacia do Mediterrâneo) e que vivem em forte interdependência e partilha de recursos hídricos nas principais Bacias Hidrográficas Internacionais da Península Ibérica (Douro, Tejo e Guadiana). Deste modo, e no que toca ao nosso País na obtenção de segurança hídrica, a criação de reservas estratégicas de recursos superficiais e subterrâneos, associadas à aplicação de princípios e práticas de boa governança sobre as disponibilidades ainda existentes e sobre os serviços de água e saneamento, bem como a promoção do uso eficiente em todos os setores consumidores, deverão constituir as bases fundamentais das políticas ambientais e da ação climática. Ciente deste complexo e perigoso contexto, a APDA, através da sua Comissão Especializada de Adaptação às Alterações Climáticas, desafiou todos os Municípios e Entidades Gestoras do setor a subscreverem a “Declaração de Compromisso para Adaptação e Mitigação das Alterações Climáticas nos Serviços de Águas”,4 o que ocorre, simbolicamente, no momento em que se celebra em Estocolmo o 50.º aniversário da primeira reunião internacional sobre “Ambiente”, que aí teve lugar em 1972. Este “Compromisso”, que visa “impulsionar os esforços necessários para a Adaptação e a Mitigação às Alterações Climáticas, em particular no que se refere aos serviços de águas, para garantia das gerações futuras”, já foi assinado por mais de uma centena de entidades (municipais, intermunicipais, públicas e privadas) em muitas regiões do Continente, estando também previstas sessões públicas com esse objetivo nas Regiões Autónomas dos Açores e Madeira. Diferentes atores públicos e privados do setor desenvolveram nos últimos anos medidas de luta

contra as alterações climáticas, expressos em estudos e trabalhos, visando construir medidas que impulsionem a obtenção de eficiência hídrica e outros indicadores recomendados pela ERSAR. Contudo, para nos adaptarmos eficazmente devemos aplicar o melhor conhecimento e experiência em diagnosticar e prever os impactos que se geram nas disponibilidades de água, tanto em qualidade como em quantidade, e em fenómenos extremos que, aumentando de frequência e intensidade, porão em causa os serviços de abastecimento de água e saneamento. Foi com esses objetivos que foi criada em 2017, a Comissão Especializada de Adaptação às Alterações Climáticas da APDA, onde elementos de organizações representativas de várias regiões do país, desde Entidades Gestoras, Proteção Civil e Academia, debatem este tema e desenvolvem ferramentas de apoio à adaptação por parte do setor. Promovem-se igualmente a implementação de medidas de mitigação, entre as quais se destacam as relacionadas com a economia circular, melhoria da eficiência energética e hídrica, bem como com o aproveitamento dos recursos naturais, para diminuir a pegada de carbono. O setor dos serviços de abastecimento de água e saneamento pode, no entanto, ir mais longe na sua ação de apoiar, propor e operacionalizar estratégias e medidas para o combate eficaz à emergência climática, como aliás esteve em debate no ENEG 2021 da APDA, em novembro último, no Tivoli Marina Hotel de Vilamoura, com a presença de mais de 1000 participantes e expositores. De sublinhar também que o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, tem afirmado que a luta contra as “Alterações Climáticas” é seguramente o “grande combate das nossas vidas”, falando em “emergência climática”, quando comenta o estado de incumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), designadamente o número 6, que visa “garantir disponibilidade e gestão de água e saneamento sustentáveis para todos”. No Prefácio ao Relatório de Situação dos ODS de 2019, referiu, a propósito, que “só com boas políticas, novo pensamento e novos paradigmas se poderão alterar/neutralizar estas tendências”. Acrescentou que “os impactos mais negativos recairão, obviamente, sobre os mais pobres, dependentes da agricultura alimentada pelas chuvas, e vivendo em zonas mais vulneráveis a secas, inundações, águas contaminadas e falta de saneamento básico provocando mais migrações (refugiados da água e da seca) e mais conflitos”. O Secretário-Geral das Nações Unidas acentuou também, de forma clara, que os “custos da inação são (e serão) sempre mais onerosos que os investimentos a realizar” e que na ação futura “no more business as usual". Sigamos, pois, estas avisadas palavras de António Guterres. ▪

1 Os Nove Limites do Planeta: Centro de Resiliência de Estocolmo - Universidade de Estocolmo 2 GAR Special Report on Drought 2021 - UNDRR Office for Disaster Risk Reduction, November 2021; 6th Climate Change Report of the IPCC, November 2021 3 Maria Fernanda Espinosa: Ex-Ministra do Governo do Equador e Ex-Embaixadora das Nações Unidas para o Ambiente - Expresso, 20 de setembro de 2020 4 Declaração de Compromisso para Adaptação e Mitigação das Alterações Climáticas nos Serviços de Águas” - APDA Website

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PONTOS DE VISTA XI CONVENÇÃO “AQUI É FRESCO”

“Ano após ano, temos vindo a demonstrar a pertinência do Comércio de Proximidade” Com o mote “Aqui queremos um futuro mais sustentável”, a rede de supermercados Aqui é Fresco realizou, nos dias 29 e 30 de maio, a sua XI Convenção, que «abraçou» mais de 700 retalhistas, 17 grossistas, 84 fornecedores e mais de 50 convidados. Sobre estes dois dias especiais, Carla Esteves, Diretora Executiva da Sociedade Aqui é Fresco, confidencia à Revista Pontos de Vista, o balanço do evento e ainda as tendências futuras do setor do retalho.

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SARA MATOS - FOTÓGRAFA CONVENÇÃO

rede de supermercados de proximidade Aqui é Fresco realizou, a 29 e 30 de maio, a sua Convenção anual, no Altice Forum Braga. Que balanço faz desta 11ª edição da iniciativa? Após dois anos com eventos online, regressámos finalmente aos eventos presenciais, reunindo, durante dois dias, mais de 700 retalhistas, 17 grossistas, 84 fornecedores e mais de 50 convidados com interesse em aderirem ao projeto “Aqui é Fresco”. O evento contou ainda com mais de 1500 convidados do setor do retalho e não só, dez stands Premium e 74 Standard, onde estiveram representadas as principais marcas da indústria do grande consumo, pertencentes a setores como a alimentação, bebidas, higiene pessoal e lar. Em termos de faturação, atingimos um total de 4.720.000€, pelo que, o balanço não podia ter sido melhor. Ano após ano, temos vindo a demonstrar a pertinência do Comércio de Proximidade e, uma vez mais, os resultados desta XI Convenção, falam por si.

CARLA ESTEVES

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Há 11 anos que se promove esta Convenção que reúne players chave do setor do retalho e, sempre com o objetivo de proporcionar aos Fornecedores parceiros Aqui é Fresco o contacto pessoal com mais de 700 retalhistas integrados na rede. Neste sentido, face aos dois complexos anos de pandemia, em que o contacto físico era escasso, qual a importância desta iniciativa «próxima»? Somos um negócio de pessoas e para pessoas, pelo que, foi muito importante para todos, Retalhistas, Grossistas, Fornecedores Parceiro e equipa Unimark e AeF, o regresso a este formato. As edições anteriores foram igualmen-

te pautadas por excelentes resultados, mas faltaram a relação, os afetos, o convívio a troca de ideias, as sugestões, que tão bem caracterizam as habituais Convenções da Sociedade Aqui é Fresco. O mote desta edição foi “Aqui queremos um futuro mais sustentável”. Como é ser um comércio de proximidade, assente em valores sustentáveis e com foco no crescimento local? Efetivamente assim foi, na XI edição, o tema da Convenção Aqui é Fresco destacou a importância da sustentabilidade, em várias áreas, social, ambiental e económico-financeira. Mas o exemplo começou em nós, com a redução significativa no consumo de papel com a eliminação dos dossiers com as notas de encomendas, através da informatização de todo o processo de negócio. Neste momento tudo é digital. Os sacos utilizados no nosso evento a serem alvo de uma criteriosa escolha, ao serem reconhecidos com o selo Blue Angel, a mais antiga certificação de produtos e serviços ambientalmente corretos. Mas o nosso compromisso foi mais além. Promovemos workshops com a presença de fornecedores como a Too Good To Go, onde se deu a conhecer medidas para o combate ao desperdício alimentar e redução da emissão de 10% dos gases de efeito de estufa. Também a GS1 deu a conhecer a plataforma europeia Lean & Green, a maior plataforma europeia de colaboração para a Sustentabilidade, que pretende ajudar as empresas na redução das emissões de CO2 associadas aos processos logísticos. Também os fornecedores presentes, como a Bluesun, Delta, Nestlé, Schweppes, Sumol Compal, e tantos outros, estão apostados em contribuir para


PONTOS DE VISTA XI CONVENÇÃO “AQUI É FRESCO”

Após dois dias em que mais de 700 Retalhistas se uniram com o objetivo de melhor servir os consumidores, quais as perspetivas e as tendências para o futuro deste setor e, em particular, para a Aqui é Fresco? O futuro do Aqui é Fresco, assenta essencialmente em quatro pilares: Serviço de Excelência. Estamos focados no desenvolvimento e consolidação da nossa marca UP, do nosso Cartão de Fidelização AeF e na melhoria da performance dos nossos folhetos quinzenais, por serem uma grande mais-valia na nossa atividade e para a nossa rede de lojas de proximidade. Queremos melhorar não só em termos de preço, como oferta de produtos. Número de Lojas com Imagem AeF. Pretendemos ampliar, a curto prazo, o número de lojas existentes com a nossa imagem corporativa e consequentemente obter uma maior notoriedade da rede. Digitalização. Neste novo normal, os consumidores estão também cada vez mais exigentes sendo por isso muito importante, incorporar a tecnologia no nosso dia a dia. As nossas redes sociais são exemplo deste nosso empenho, com atualizações diárias e inovadores. Sustentabilidade. Por último, mas não menos importante, o nosso quarto pilar, a sustentabilidade. Acreditamos que as empresas têm um papel

CARLA ESTEVES, JOÃO VIEIRA LOPES E RITA BAPTISTA MARQUES

SARA MATOS - FOTÓGRAFA CONVENÇÃO

Além do tema da sustentabilidade, a Convenção primou também pela oportunidade dos dez stands premium e dos 74 standarts presentes desmontarem a inovação e a transformação digital que, cada vez mais, fará parte do setor do retalho. Assim, a este respeito, quão importante é reforçar o posicionamento digital do Aqui é Fresco e, consequentemente, dos Associados e Parceiros? Devido à concorrência crescente entre mercados, consideramos que inovar e ser criativo, são dois fatores fundamentais para o sucesso da Sociedade Aqui é Fresco. Atualmente temos já cerca de 60% de retalhistas com capacidade de cumprir as encomendas online, de forma flexível, eficiente e rentável. Tais medidas contribuíram para que atualmente, já a viver o “novo normal”, exista uma maior flexibilidade na utilização dos meios digitais à nossa disposição e hoje conseguimos reagir e adaptarmo-nos de forma mais célere, a mudanças repentinas da indústria que tem sido, igualmente, uma componente vital para o nosso sucesso, nos últimos meses. A evolução é notória. Um exemplo recente é o processo de Encomendas referido acima. Anteriormente, eram produzidos dossiers, em papel, com encomendas tripartidas de todos os fornecedores. Neste momento, tudo é digital. Mesmo aqueles que têm mais dificuldades com estas ferramentas, contaram com a colaboração do Associado e/ ou fornecedor na utilização do software existente para o efeito.

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um mundo melhor, dando a conhecer as várias medidas implementadas.

ENTREGA DO TROFÉU CARREIRA AEF A MANUEL SOUSA PINTO DE ALMEIDA, ANTERIOR ADMINISTRADOR DA SOGRAPE

“É UM ORGULHO ENORME CONSEGUIR ANO APÓS ANO, FAZER CRESCER ESTA REDE DE LOJAS DE PROXIMIDADE TANTO A NÍVEL DE ADESÕES, VOLUME DE NEGÓCIO, PARCERIAS AO NÍVEL DA INDÚSTRIA E DOS SERVIÇOS, E AO NÍVEL DAS FERRAMENTAS QUE LEVA A UM INCREMENTO DA FIDELIZAÇÃO – CHAVE DO NOSSO NEGÓCIO” fundamental na construção de uma sociedade saudável e próspera à qual se exige uma maior aposta no desenvolvimento sustentável a longo-prazo. Estamos comprometidos e envolvidos nesta obrigação que é de todos! Por fim, sabendo que a rede Aqui é Fresco surgiu de uma grande determinação e ambição por parte da Carla Esteves, Diretora Executiva da mesma, como é olhar para trás e percecionar tudo o que se tem vindo a conquistar, ano após ano? É um orgulho enorme conseguir ano após ano, fazer crescer esta rede de lojas de proximidade tanto a nível de adesões, volume de negócio, par-

cerias ao nível da indústria e dos serviços, e ao nível das ferramentas que leva a um incremento da fidelização – chave do nosso negócio. O nosso foco sempre foi o crescimento sustentado e equilibrado, com o propósito de melhor servir os nossos associados e clientes. O desenvolvimento pessoal e profissional tem sido muito importante para o Sucesso. Tenho crescido ano após ano na liderança, dou o exemplo o melhor que sei e encorajo a minha equipa vencedora a crescer cada vez mais. Só conseguimos ter sucesso com uma boa equipa a caminhar lado a lado. Tenho um lema sempre presente no meu dia a dia - tentar ser sempre melhor que no dia anterior. Vamos continuar a fazer acontecer! ▪

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PONTOS DE VISTA XI CONVENÇÃO “AQUI É FRESCO”

Rita Baptista Marques,

Secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços

Pedro Portugal Gaspar, Inspetor Geral da ASAE

“Penso que estes eventos são momentos muito importantes entre os agentes económicos. Pessoalmente gosto de vir a estas iniciativas, não como Inspetor Geral da ASAE, mas sim para observar a dinâmica do setor, uma vez que é aí é que também nos é possível compreender o nosso impacto enquanto entidade de fiscalização e de atuação no mercado. Estes são momentos em que existe um contributo para a autorregulação e para as boas práticas entre os operadores, e mesmo para trocas comerciais, que faz parte do objetivo das empresas. Tendo como foco o consumidor, esta Convenção vai ao encontro de diversas componentes que eu diria que são interessantes para um futuro próximo”. ▪

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João Vieira Lopes,

Presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal “Este projeto mostra duas coisas claras: primeiro, apesar do certificado de morte que durante muitos anos foi dado ao comércio de proximidade independente, ele existe. Existe e mostrou na pandemia que os consumidores conseguem neste momento reavaliar a importância de todo este setor. Os comerciantes têm uma grande responsabilidade, por um lado pelo prestígio e a credibilidade que ganharam durante o período da pandemia, e por outro de sustentarem e dinamizarem os seus negócios. Já na perspetiva dos consumidores, muitos foram os que abandonaram este mercado e que voltaram. E hoje, continuam a estar connosco porque temos uma oferta clara e adequada às suas necessidades. A segunda vertente tem a ver com a prova que esta organização implica, em como Portugal está, pela primeira vez em muitos anos, a ir tomando cada vez mais consciência de que as pequenas e médias empresas têm um futuro neste país, mas que terão de trabalhar em conjunto para o fortalecer”.▪

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“Desde logo é um ponto de encontro, estivemos dois anos todos afastados a tentar promover os negócios na maioria das vezes virtualmente e, portanto, é uma oportunidade que não devemos desperdiçar. Além disso há aqui uma mensagem muito importante, que é a sustentabilidade que se prima nesta Convenção e que é muito importante para o consumidor. Neste momento vivemos talvez o maior desafio de todos os tempos, que tem a ver justamente com as alterações climáticas e a sustentabilidade, seja na componente ambiental, seja na componente social, abordagem cada vez mais valorizada pelo consumidor. Desta forma, os Fornecedores têm de se adaptar a esta realidade sendo que, a narrativa deste evento, ao reclamar um futuro mais sustentável lembra-nos, a todos nós, que se não houver sustentabilidade não haverá planeta. Com toda a certeza que o mercado português está muitíssimo bem posicionado no que diz respeito a estas questões, desde os Fornecedores de pequena dimensão aos de grande estrutura, existe uma noção fortemente vincada da importância da sustentabilidade e, sobretudo, de a materializar em projetos concretos, que é o que se tem vindo a fazer”. ▪

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A Visão dos Convidados

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PONTOS DE VISTA XI CONVENÇÃO “AQUI É FRESCO”

A Visão de algumas Marcas Presentes Mário Marques, Diretor Comercial na A Poveira “Esta Convenção significa, primeiro que tudo, uma oportunidade de estar presente num sítio onde podemos ter todos os interlocutores juntos. É importante para nós comunicarmos a nossa marca “Capitão Poveiro”, que está a ser lançada no mercado e, ainda, darmos a conhecer aos inúmeros pontos de venda e lojas presentes”.

João Veredas, Gestor de Clientes na Coca-Cola “Acima de tudo o mais importante é o contacto com os nossos clientes e este evento permite-nos exatamente isso, o que é extremamente vantajoso. Aqui, temos a oportunidade de dar a conhecer as nossas marcas e de que forma as inovamos no mercado”.

Rui Pinto Mendes, National Account Manager no Grupo Delta Cafés “Penso que esta Convenção tem vindo a construir algo que é muito importante ao criar a oportunidade de apresentarmos os nossos produtos e as promoções e, por acréscimo, podermos contactar presencialmente com os clientes. É um networking relacional fundamental para o nosso setor”

Pedro Correia da Silva, Departamento Comercial - Gestor Regional Sogrape Distribuição "A Sogrape Distribuição marcou, mais uma vez, presença nesta convenção organizada pela Aqui é Fresco porque acredita no modelo relacional como forma eficaz de divulgar as suas marcas e de contactar com centenas de retalhistas. Esta edição foi muito positiva, pois alem de comemorarmos os “80 Anos” da Marca Mateus com muito sucesso, atingimos os n/ objetivos à semelhança dos eventos anteriores. É importante podermos voltar a contactar com o universo de retalhistas e atingirmos os objetivos a que nos propusemos com a participação nesta convenção. O modelo digital foi excelente para responder aos desafios da pandemia, no entanto os negócios são feitos de relações e nada como o formato presencial para estarmos mais próximos do mercado, sentirmos melhor as suas necessidades e dar a conhecer os nossos vinhos".

Filipe Antunes, Customer Business Manager da Nestlé Portugal

Victor Oliveira, Key Account Manager na área dos detergentes da Unilever

"Este é um evento de referência e de elevada qualidade para o comércio de proximidade! E representa, para a Nestlé, um espaço muito relevante no desenvolvimento do nosso negócio: na exposição e promoção das nossas marcas, degustação da inovação, dinamização de workshops, networking junto dos nossos parceiros de negócio e interação direta com centenas de Retalhistas".

“Integramos esta Convenção desde o início com uma presença bastante vincada. É uma boa altura para que, junto das pessoas que normalmente nos é difícil estar, aproveitemos para as ouvirmos e para lhes mostrarmos que, as nossas marcas, apesar de não serem recentes, continuam a ganhar reconhecimento no mercado”.

Rui Cordeiro, Chief Operation Officer na XD Portugal “Somos uma marca de software e desenvolvemos soluções para a área do retalho alimentar que, no fundo, é a grande maioria dos presentes e por isso uma perspetiva muito positiva no que diz respeito ao contacto com os mesmos. Realço que a retoma da Convenção presencial ficou acima das nossas expetativas”.

Hélder Pessoa, Key Account Manager na Unicer, Super Bock “Entendemos que este evento é um reencontro. O nosso negócio é muito relacional e, portanto, é importante haver estas iniciativas para que estejamos em contacto com a indústria e percebermos as novidades que hoje, mais do que nunca, têm uma visão sustentável”.

Rui Rebelo, Key Account Manager na área alimentar da Unilever “Nós, Unilever, achamos que estar junto dos nossos parceiros e dos nossos clientes é a verdadeira mais-valia deste tipo de Convenção. Tivemos dois anos no digital que correram bastante bem, acabaram por ser uma surpresa positiva, mas valorizamos bastante o regresso ao presencial para divulgarmos as três marcas que representamos”.

Sandro Lopes, Key Account Manager na área de higiene pessoal da Unilever “O presencial é importante para nós porque, além de sermos líderes de mercado, aproveitamos estas iniciativas para criar interatividade com os retalhistas e darmos a conhecer a inovação da Unilever e tudo aquilo que lançamos no mercado. Não basta ser grande, também é preciso perceber as necessidades das pessoas e de quem opera no mercado”.

Manuel Ventura, Account Executive Manager na Procter & Gamble “Procurámos trazer algumas novidades para esta Convenção que consideramos de extrema relevância e, essencialmente, quisemos dar a conhecer o nosso portefólio ao trazermos aquilo que muitas das vezes o próprio retalhista numa caixa de vendas não consegue ver. Valorizamos muito este tipo de eventos”.

Jorge Simões, Named Account Manager na SUMOL+COMPAL “Desde o início que a SUMOL+COMPAL apostou nesta Convenção, estamos presentes em todas as edições e valorizamos bastante a nossa proximidade com o retalhista independente”.

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PONTOS DE VISTA XI CONVENÇÃO “AQUI É FRESCO”

“Queremos que os clientes sintam que a Margão tem de facto qualidade” A McCormick Portugal marcou presença na XI Convenção Aqui é Fresco, que se realizou nos dias 29 e 30 de maio, no Altice Forum Braga. A este respeito, a Revista Pontos de Vista conversou com Carlos Alves, Sales Field Manager da marca, que nos indicou, entre outros temas, a importância do regresso a esta iniciativa presencial.

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m função daquilo que é a parceria da McCormick Portugal com a rede de supermercados Aqui é Fresco, o que é que nos pode transmitir sobre os dois anos de pandemia que passaram? Quão importante é voltar à realidade do contacto presencial? Sem dúvida que estávamos a precisar deste contacto direto com o público. Estávamos a precisar de sentir os nossos clientes mais próximos. A nossa empresa tem uma visibilidade bastante boa, tem uma liderança de mercado absoluta, mas isso nada diz se não estivermos próximos, se não estivermos juntos de todos esses nossos clientes e amigos. De facto, este tempo em que estivemos afastados fez com que realmente o negócio não perdesse muito, mas podia-se ter ganho muito mais e não se ganhou. Portanto, acho que a pandemia não foi um problema muito grande no que toca a vendas, gerou até oportunidades no nosso caso, mas sinceramente acho que faz falta termos os nossos clientes por perto, para desfrutarmos com eles, quer das coisas boas, quer das coisas más. Sabemos que a Aqui é Fresco tem vindo a evoluir nos últimos anos, nomeadamente no que diz respeito a esta Convenção. A expetativa é que este facto se mantenha nas próximas edições? Há um ponto em que a Aqui é Fresco está a chegar e que já é uma vitória muito grande. Se calhar havia muito poucas pessoas a acreditarem que a marca chegasse onde chegou e tivesse a quota de mercado e a projeção que tem atualmente. Mas, sinceramente, acho que ainda tem muito para dar, acho que as pessoas que estão a liderar o projeto, nomeadamente a Carla Esteves, é uma pessoa muito conhecedora do mercado, tem um know-how imenso, é alguém que se entrega muito ao projeto e, sem dúvida que, se não fosse ela, desconfio que mais alguém conseguisse gerir este barco da forma como ela o faz. Não digo que o seu caminho vá a meio, porque penso que irá um pouco mais do que a meio, mas ainda tem muito para crescer. Em relação à Margão, o que é que podemos esperar nos próximos tempos? Inovação e manutenção de qualidade. Vamos estar do lado dos consumidores, a ajudá-los a ter uma boa mesa, um excelente prato e um ótimo sabor. Queremos que os clientes sintam que a

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SÓNIA OLIVEIRA, CARLOS ALVES E ROSALINDA FERNANDES

Margão tem de facto qualidade. É aquilo que eles esperam, quando vão temperar um bife, quando vão fazer uma sopa, seja o que for, esperamos que se lembrem da Margão pela sua qualidade. Tendo origem americana, como tem vindo a ser a integração da marca no mercado português? Nós temos muita autonomia. A empresa dá muita liberdade às regiões e dá realmente espaço à Direção portuguesa para que consiga espraiar ao máximo as suas capacidades. É uma marca que deixa trabalhar, que aposta nas pessoas, que aposta muito na formação e no desenvolvimento humano e de facto é uma empresa que eu tenho muito orgulho e muito prazer em trabalhar, porque trabalharmos numa empresa que consegue transportar este nível de qualidade para o consumidor deixa-me muito agradado e muito feliz. Para terminar, o que é que os clientes podem fazer pela marca e, inversamente, o que é que a marca pode fazer pelos mesmos? A única coisa que espero por parte dos clientes é que continuem a comprar e a consumir Margão e que desfrutem de todos os sabores que a marca tem - são milhares de sabores diferentes -, e que acreditem, porque nós vamos estar sempre do lado deles a transportar a qualidade aos seus pratos. ▪

Curiosidade Os Segredos da Margão foram premiados em 2006 com o prémio “Produto do Ano”, na categoria de condimentos e temperos. Em 12/07/2006 a empresa altera o nome e passa de Ducros-Margão para McCormick Portugal, mantendo o seu bem mais precioso, a marca Margão. Desde esta data têm sido lançados novos produtos com embalagens inovadoras e de forma a corresponder ao gosto e sabores preferidos dos portugueses. Hoje, a Margão continua a ser a principal marca de especiarias em Portugal. É líder incontestável no seu segmento.



PONTOS DE VISTA XI CONVENÇÃO “AQUI É FRESCO”

“A ADIPA está sempre a aprender” Defender os interesses das empresas associadas, ajudar ao seu progresso e fomentar a sua solidariedade é a missão da ADIPA - Associação dos Distribuidores de Produtos Alimentares. Para que melhor se entenda um setor tão fundamental quanto o da distribuição alimentar, a Revista Pontos de Vista conversou com Luís Brás, Secretário Geral da organização, abordando diversas temáticas, nomeadamente sobre o verdadeiro papel da Associação, bem como a importância das negociações coletivas com os sindicatos. Saiba tudo.

"É MUITO IMPORTANTE QUE AS EMPRESAS ESTEJAM ALERTA SOBRE O QUE É VERDADEIRAMENTE IMPORTANTE PARA O CRESCIMENTO DO SEU NEGÓCIO, POR FORMA A SENTIREM MENOS DIFICULDADES NO DESENVOLVIMENTO DA SUA ATIVIDADE” LUÍS BRÁS

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ormalmente constituída em 1975, a ADIPA representa as empresas privadas que se dedicam à distribuição alimentar, vertentes grossista e retalhista. Apesar de completar este ano 47 anos de existência, a verdade é que a sua história remonta à constituição do Grémio dos Armazenistas de Mercearia, em 1939. Conforme nos contou Luís Brás, “na génese da constituição da ADIPA estiveram as empresas grossistas que, na sequência da extinção dos grémios, em 1975, sentiram a necessidade de criar uma estrutura que continuasse a assegurar a sua representação institucional. Foi assim que as empresas que integravam o Grémio se associaram e constituiram esta associação patronal”. Criaram, dessa forma, uma estrutura ímpar, que conhece na perfeição o tecido empresarial que representa, graças à ligação direta que mantém com os empresários do setor. Com quase 50 anos de história, muitos foram os momentos que marcaram o caminho da organização, tal como a elaboração das convenções coletivas que regulam as condições de trabalho para o setor, nos canais grossista e retalhista. Tal vertente representa a importância que a associação atribui ao diálogo social com os seus parceiros sociais, nomeadamente as estruturas representativas dos trabalhadores. De destacar, igualmente, o papel preponderante da associação na organização do movimento associativo, lembrando o papel desempenhado na constituição da CCP, a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, através da fusão das Federações Grosssista e Retalhista. “Integrámos desde o início este movimento, contribuindo com o nosso conhecimento para o trabalho desenvolvido pela direção da CCP, no seio da qual estivemos sempre representados. Fazer valer a voz deste setor junto de um organismo que congrega centenas de associações que representam os mais variados setores do comércio e serviços, constitui um pilar do desenvolvimento da nossa atividade”, sublinha o Secretário-Geral. Conforme refere Luís Brás, “a ADIPA tem evoluído por forma a acompanhar as mudanças do mercado. Se num primeiro momento, na década de 80, os empresários eram maioritariamente grossistas, com


PONTOS DE VISTA XI CONVENÇÃO “AQUI É FRESCO”

a evolução do mercado percebemos que, de facto, é cada vez mais ténue a linha que separa o comércio grossista do retalhista. Foram as próprias empresas grossistas que, a certa altura, sentiram a necessidade de chegar ao consumidor final através da abertura de retalho próprio. Por essa razão e após uma reflexão interna, entendeu-se adaptar os estatutos da associação por forma a dar expressão a esta nova realidade, nomeadamente ao nível da representatividade das empresas retalhistas da distribuição alimentar. Com esta alteração quisemos também dar representação ao retalho alimentar em geral e ao de proximidade em particular". O setor retalhista assume atualmente para a associação, a par do grossista, uma importância preponderante, e uma das missões atuais passa por “apresentar a associação às empresas retalhistas para que estas tenham conhecimento de que existe uma organização com inúmeras valências e que se encontra totalmente disponível para prestar todo o apoio de que estas necessitam”, assegura Luís Brás. O PAPEL E IMPORTÂNCIA DA ADIPA A ação da ADIPA desdobra-se em diversas áreas de intervenção, quer na vertente institucional, de representação do setor perante as instâncias oficiais, quer na vertente associativa, através da sua inclusão na CCP, quer ainda no âmbito do apoio técnico prestado às empresas associadas. Na componente institucional, uma das áreas mais importantes, destaca-se o papel de representação das empresas associadas no diálogo permanente que mantém com os diversos membros do Governo, quer diretamente, quer através da CCP. No entanto, “para podermos desenvolver este papel na sua plenitude, obviamente que é necessário estudar aquilo que é o enquadramento económico-social e o desenvolvimento da atividade, assim como estarmos na posse de todos os dados que se prendem com as dificuldades sentidas pelas empresas no seu dia a dia. Por outro lado, a política e a visão estratégica da ADIPA passa por encarar as estruturas de representação sindical como um parceiro e não como um adversário e, por essa razão, ano após ano esforçamo-nos por lograr a obtenção dos acordos de revisão das CCT's para o setor com essas estruturas”, refere Luís Brás.

Segundo Luís Brás, “tão importante como todas as outras valências, é o fato da ADIPA estar sempre ao lado das empresas prestando-lhes todo o apoio informativo de que necessitam nas áreas laboral, jurídica, económica, entre outras que balizam o desenvolvimento da sua atividade, sendo esta uma mais-valia extremamente relevante e diferenciadora do trabalho desenvolvido. Prestar um apoio direto e personalizado é, no fundo, o pilar essencial da associação”. “ESTAMOS PRESENTES EM TODOS OS EVENTOS ORGANIZADOS PELOS NOSSOS ASSOCIADOS” A rede “Aqui é Fresco”, associada da ADIPA, irá reunir novamente este ano mais de 2000 convidados na sua convenção anual, à qual a associação representativa do setor não faltará. Isto porque “estamos presentes em todos os eventos organizados pelos nossos associados. A rede “Aqui é Fresco” é um excelente exemplo de uma estrutura dinâmica. Não só a "Aqui é Fresco", mas todas as empresas nossas associadas fazem um excelente trabalho a todos os níveis. Como o nosso lema é caminhar ao lado dos nossos associados, fazemos sempre questão de estar presentes neste tipo de eventos”. A verdade é que este género de eventos é muito importante para manter a coesão das estruturas económicas. São precisamente as convenções realizadas tanto pelas empresas, como pela própria associação, que diferencia pela positiva o ambiente empresarial que se vive em Portuugal, “porque junta as pessoas, fá-las dialogar, aprender e partilhar conhecimentos”. Neste âmbito, o Secretário-Geral da ADIPA não prescindiu de saudar a excelência da rede “Aqui é Fresco” pela dinamização da atividade, para além de que esta foi uma das primeiras empresas a realizar uma convenção totalmente digital, tendo sido mesmo a primeira no retalho alimentar, motivada pelo período pandémico que atravessávamos, o que, segundo Luís Brás, “é de louvar. Quando, em plena pandemia, uma empresa é capaz de realizar um encontro digital com um nível de qualidade exímio, significa que a organização, muito antes da pandemia, já estava a preparar a transição digital. Podemos ainda referir inúmeros outros exemplos do trabalho de excelência desenvolvido pelas empresas associadas, nomeadamente as 71 que ga-

nharam o estatuto PME Líder 2021, e que muito orgulharam a associação". Depois de dois anos atípicos para todos os setores económicos, não há dúvida de que a realização destes eventos contribui para o conhecimento do comportamento do consumidor e do mercado no seu todo, aportando inúmeras mais-valias aos novos desafios que se avizinham. “Este tipo de eventos porporcionam, num ambiente informal e fora do trabalho diário, espaços de reflexão e debate com personalidades de reputado reconhecimento no meio empresarial e político português. Ninguém consegue prever o futuro com rigor, mas podemos procurar desvendar algumas possibilidades a partir desta troca de conhecimentos. Estas convenções ajudam as empresas a analisar o passado e o presente, estimulando-as na procura de soluções que lhes permitam encarar a mudança com confiança”, sublinha Luís Brás. ▪

O FUTURO DE UM SETOR INDISPENSÁVEL O comércio retalhista e grossista enfrentou um período dos mais desafiantes da sua história, pelo que agora é fundamental estar com os olhos postos no futuro. Segundo Luís Brás, “a ADIPA está sempre a aprender”. Marcar presença nos eventos do setor é fundamental. Perceber o "estado da arte" do mundo empresarial, bem como conhecer as suas principais preocupações, constitui um ponto essencial para desenvolver estratégias que assegurem as suas expetativas futuras. A organização de seminários e de outras iniciativas similares constitui um meio para atingir aquele desiderato. "É muito importante que as empresas estejam alerta sobre o que é verdadeiramente importante para o crescimento do seu negócio, por forma a sentirem menos dificuldades no desenvolvimento da sua atividade”, termina o Secretário-Geral da ADIPA.

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Super Tradição

Uma marca com propósito A Revista Pontos de Vista conversou com o Presidente da Direção da Soprei, Carlos Marçal, e com o respetivo Diretor Executivo, Rui Pires, acerca da aposta da marca no “Super Tradição”, o primeiro supermercado da marca, localizado em Pedrogão Grande. Para além disso, confidenciaram a importância da realização da Convenção Anual da Rede Aqui é Fresco. Fique a par.

RUI PIRES E CARLOS MARÇAL

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Soprei celebra no próximo ano 50 anos de história, tendo sido fundada por pessoas com vontade de unirem as suas forças e, assim, obter as melhores condições comerciais junto da Indústria. Esta é uma marca que se caracteriza por, desde sempre, se ter mantido na linha da frente das centrais de negociação que englobam grossistas do mesmo ramo, como a Unimark e a Sociedade Aqui é Fresco. Em outubro do ano passado, a Cooperativa Abastecedora de Produtos Alimentares com sede na Sertã, abriu a sua primeira loja de retalho, a “Super Tradição”, no centro histórico de Pedrogão Grande. “Decidimos apostar nesta localização porque a loja era já de um cliente da Soprei, portanto achámos interessante não perder a identidade, mas sim, pelo contrário, reforçar

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as vendas. Portanto, comprámos a loja, fizemos uma grande remodelação na mesma, e está agora a funcionar na perfeição. É uma loja apropriada ao seu espaço, à sua população, e é no centro histórico de Pedrogão, portanto tem tudo para ter sucesso”, inicia o Presidente da Direção. A verdade é que, como em todos os modelos de negócio, os primeiros meses são um “estágio”, e para os novos proprietários da Super Tradição, não foi diferente. Rui Pires garante que “foi bom ter sido inaugurada numa época baixa porque nos permitiu consolidar estratégias que usamos no supermercado e fazer com que agora, prestes a entrar em época alta, estejamos já com uma evolução sustentada e segura. Portanto as nossas expectativas são bastante animadoras em relação aos tempos que se aproximam”.

A IMPORTÂNCIA DE MODERNIZAR Esta é uma loja que surge com uma nova imagem, completamente modernizada, sem nunca perder aquilo que durante tantos anos a identificou. Uma nova imagem que advém da união das pessoas com o crescimento e o florescer das sementes que criam raízes, daí o nome “Super Tradição”. Quem o sustenta é o Diretor Executivo, “esta loja está aberta há dezenas de anos, portanto a nossa política ao adquiri-la foi manter a alma da mesma. Isto é, manter funcionários e os produtos a que as pessoas estavam habituadas, para que não se perdesse aquela que era a essência da loja. Mas por outro lado, tentámos modernizá-la e colocar-lhe tudo o que existe de mais inovador na distribuição alimentar, até para servir de loja modelo para os nossos restantes sócios e clientes”.


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A verdade é que a Soprei conta com cerca de 900 clientes em toda a Região Centro, e enquanto entidade com uma responsabilidade de peso, o objetivo passa por dar o exemplo aos seus associados. “Tentar ser um exemplo, com etiquetas eletrónicas, a máquina automática de pagamentos, com iluminação própria... até para nós termos uma montra própria, porque muitas vezes os clientes também nos pedem conselhos neste sentido. Se forem seguindo este exemplo, vão conseguir também eles modernizar e elevar as suas lojas a outro paradigma, sem nunca deixar de ser um comércio de proximidade”, asseguram os entrevistados. Mas quais são, de verdade, os maiores desafios a assolar o setor do retalho atualmente? O Diretor Executivo da Soprei admite que “a pandemia, no início, assustou-nos e trouxe-nos grandes transtornos, mas para o

retalho de proximidade acabou por trazer mais benefícios. A guerra, outro grande desafio, é totalmente o oposto, naturalmente. Porque traz um aumento muito grande de preços e uma inflação nunca antes vista. Os consumidores, a curto prazo, sabemos que vão ter dificuldades em adquirir o seu cabaz de produtos e isso vai criar uma tensão muito grande a nível de tesouraria a muitas empresas”. De forma a combater as lacunas que ao longo dos anos se vão atravessando no caminho da empresa, existem hábitos indispensáveis: “transformar os problemas em oportunidades”. No que diz respeito à inflação que Portugal enfrenta, “estamos muito atentos na parte comercial de forma a adaptar a estratégia a toda a hora, porque a realidade é que não podemos chegar ao final do ano e ter prejuízo. Temos mesmo essa preocupação e, portanto, estamos

“ESTA LOJA ESTÁ ABERTA HÁ DEZENAS DE ANOS, PORTANTO A NOSSA POLÍTICA AO ADQUIRI-LA FOI MANTER A ALMA DA MESMA” sempre atentos. É obvio que tentamos trabalhar com margens cada vez mais pequenas e cada vez mais eficientes, para que possamos desenhar objetivos concretizáveis, e de alguma forma, o retalhista não sinta a impossibilidade de continuar a lucrar”, confidencia Rui Pires.

CONVENÇÃO AQUI É FRESCO A rede de supermercados de proximidade Aqui é Fresco, realizou, nos dias 29 e 30 de maio, a sua Convenção anual, no Altice Fórum Braga, sendo esta a 11ª edição da iniciativa, na qual a Soprei esteve,

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obviamente, presente. Para Carlos Marçal, “a realização desta convenção ao vivo, onde as pessoas podem trocar ideias pessoalmente, é uma grande mais-valia. Ela nunca deixou de ser feita, mas, nos últimos dois anos foi virtual, portanto penso que não é a mesma coisa. A convenção correu muito bem, os nossos sócios também puderam tirar o melhor partido da mesma”. Na realidade, este é de facto um encontro presencial importante para o setor do retalho, uma vez que se encontram a trabalhar num conceito de proximidade e, “sendo presencial, vem trazer-nos novamente essa proximidade também, até porque além dos negócios que se fazem, e de toda a parte comercial envolvida, a ligação entre os associados todos da Aqui é Fresco, é

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essencial para esta indústria”, assegura Rui Pires. O mote desta edição foi “Aqui queremos um futuro mais sustentável”, uma vez que o evento pretendeu promover boas práticas de gestão, bem como a concretização de negócios. Aos dias de hoje, ter um comércio de proximidade assente em valores sustentáveis e com foco no crescimento local, é cada vez mais um fator decisivo do sucesso de qualquer marca. Por isso mesmo, a Soprei, na sua nova loja, a Super Tradição, tentou adaptar em tudo o que pode à sustentabilidade. Os interlocutores garantem, “tudo o que é frutas e legumes, adquirimos um grossista desta região, e temos muitos produtos locais, de queijos e padaria por exemplo. Temos sempre obviamente as marcas nacionais, mas

também não dispensamos de ter as regionais para que entre todos consigamos levar a região a bom porto. As etiquetas eletrónicas são também um exemplo disso, porque não estamos constantemente a imprimir papel, até porque elas atualizam-se, a pilha dá para sete anos, e, portanto, é notório que temos vindo a minimizar o consumo excessivo de recursos que nos são tão preciosos”. Após dois dias em que mais de 700 retalhistas se uniram com o objetivo de melhor servir os consumidores, foram superadas todas as expectativas. A partir daqui o futuro, ainda que incerto, desenha-se positivo. Principalmente porque no seio da Soprei, “não paramos de trabalhar nele”. “Não prescindimos de acompanhar as evoluções do mercado e as suas estratégias comerciais. Sabemos que não podemos estar adormecidos porque as tendências mudam todos os dias e aquilo que hoje é bom amanhã já não é, e vice-versa”, afirmam. Certo é, que este é um dos setores mais competitivos no mercado, e infelizmente, a grande distribuição cada vez mais se implementa em locais estratégicos. O que torna todo e qualquer trabalho, redobrado. O Diretor Executivo assegura que “trabalhamos bastante no sentido de aumentar a nossa eficiência, aumentar a nossa capacidade de negociação com a indústria, para podermos dar aos nossos clientes e sócios, competitividade suficiente para conseguir lutar contra isso”.

UM FUTURO POSITIVO E COMPETITIVO Como já referido, a localização do Super Tradição no emblemático centro histórico de Pedrogão Grande, não é meramente estratégico. Até porque, os entrevistados reforçam que “para nós é importante não entrar em conflito com a concorrência, porque nós próprios sofremos as dores dos nossos clientes, e vamos aprendendo muito com eles também”. Mas a verdade é que estamos a falar de um dos setores mais competitivos do mercado, portanto, torna-se imprescindível objetivar mais e melhor. “Claro que o nosso objetivo é abrir mais lojas, mas não temos datas, para já. Porque este tem que ser um trabalho paulatino. Se por várias motivações, estivermos num sítio onde pode aparecer uma boa oportunidade de negócio, mas se tivermos sócios ao lado, temos que respeitá-los e não o vamos fazer”, garantem. Esta é a única cooperativa a nível nacional, precisamente porque desde sempre se regeram por valores que nunca a desviaram do propósito principal: ter sucesso sem nunca esquecer o respeito para com os clientes, e com os colaboradores, que são também parte fundamental deste êxito. Há dois anos atrás, e fruto de muito sucesso que marcou a trajetória da marca, foi o momento ideal para reinventar a estrutura. “Fizemos um pavilhão novo, novos armazéns, novos escritórios, e mudámos mesmo de sítio. O que é muito importante porque permite-nos prestar um serviço muito mais eficiente ao cliente e o cliente sabe disso”, sustenta Rui Pires. Com os olhos postos no futuro, as expectativas são elevadas e em muito revelam positivas, pois o Presidente da Soprei não hesita ao afirmar que “as lojas vão permanecer bem posicionadas no mercado, com uma imagem cada vez mais solidificada”. Para além disso, muitas são também as novidades a ser desenhadas, “a questão da marca própria é algo que estamos mesmo a tentar implementar e a trabalhar muito nela, até porque a aderência tem sido significativa. Queremos trabalhar a Rede Aqui é Fresco da melhor maneira que conseguirmos. Fazemos regularmente o levantamento em todas as nossas lojas de quais são as necessidades, para que possamos todos os dias melhorar e alavancar ainda mais a nossa marca e o nosso setor”, terminam. ▪



PONTOS DE VISTA NEGÓCIOS E MARCAS COM SELO NACIONAL

Escolha do Consumidor Transparência, Isenção e Qualidade A Escolha do Consumidor representa, cada vez mais, um papel fundamental no mercado, uma vez que é, na sua génese, um sistema de avaliação de marcas, que testa naturalmente o que os consumidores pensam das mesmas e da relação que se estabelece. Neste sentido, José Borralho, CEO da Escolha do Consumidor, revela de que forma este selo nacional marcará a diferença no presente e no futuro dos negócios. base nessa prescrição acabaram por reforçar a sua posição no mercado. Através da sua atuação, a Escolha do Consumidor contribui para melhores marcas. Sem pré definições, de que forma, a mesma, se destaca por ser o único sistema de avaliação que tem em conta o que é importante para o consumidor? Ter sempre em conta o que é importante para o consumidor e a sua opinião, faz parte do nosso ADN e por isso nos destacámos logo no primeiro ano de operação e ao segundo atingimos a liderança de mercado. Essa transparência, isenção e qualidade levou-nos à atribuição de uma certificação ISO9001. Além de contribuir para melhores marcas, contribuímos igualmente para um melhor consumidor, mais informado e mais participativo.

JOSÉ BORRALHO

“TER SEMPRE EM CONTA O QUE É IMPORTANTE PARA O CONSUMIDOR E A SUA OPINIÃO, FAZ PARTE DO NOSSO ADN E POR ISSO NOS DESTACÁMOS LOGO NO PRIMEIRO ANO DE OPERAÇÃO E AO SEGUNDO ATINGIMOS A LIDERANÇA DE MERCADO”

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om presença no mercado há dez anos, a Escolha do Consumidor lidera os índices de notoriedade dos prémios em Portugal, sendo a sua metodologia e a credibilidade das avaliações amplamente reconhecidas. Qual tem vindo a ser o impacto da mesma no universo empresarial ao longo destes anos? Ao longo destes 10 anos, avaliámos centenas de categorias e milhares de marcas, pelo que, creio, que o nosso primeiro maior contributo tem vindo a ser, seguramente, a informação que proporcionamos às marcas. Transmitindo-lhes avaliação e opinião dos consumidores, oferecemos-lhe informação para poderem melhorar os seus produtos e serviços, a forma como se relacionam como o consumidor, seja no atendimento, serviço e até mesmo na forma como comunicam e muitas vezes até para a identificação de oportunidades. Em segundo, contribuímos para a sua reputação, particularmente, para todas as que foram eleitas “Escolha do Consumidor” e também “Escolha dos Profissionais” e que com

Sabemos que o consumidor é o verdadeiro júri de cada produto ou serviço. Assim, é legítimo afirmar que, através da Escolha do Consumidor, as marcas desenvolvem uma credibilidade superior para um público cada vez mais exigente? É hoje, mais do que nunca, fundamental haver negócios e marcas certificados exatamente devido a esta exigência? É uma realidade que, através da Escolha do Consumidor, as marcas desenvolvem uma credibilidade superior, precisamente porque o consumidor sabe que essa avaliação vem dele. Como consumidores não ficamos alheios a estes fenómenos das marcas certificados ou sistemas de avaliação, como os chamo. Um dos pontos de reforço para este tipo de projetos, desde que envolvam consumidores, tem sido a contínua descredibilização da política, das entidades oficiais e que leva o consumidor a confiar unicamente nos seus iguais e, por isso, desde que o endorsement venha do consumidor já há uma base de confiança estabelecida. Chamamos a isso “Autoridade Comprovada”. Significa que se confia apenas naqueles cuja autoridade é provada e reconhecida – o consumidor. Praticamente todos os relatórios mundiais sobre tendências incorporam a menção ao aumento visível das certificações, bem como da sua crescente importância – para as marcas, para os seus clientes e consumidores.


PONTOS DE VISTA NEGÓCIOS E MARCAS COM SELO NACIONAL

há um grande aproveitamento das marcas em torno da Escolha do Consumidor, nomeadamente envolvendo as equipas com os resultados, em particular a opinião dos consumidores com as áreas que afetam essas equipas diretamente. Somos muitas vezes solicitados para ações de sensibilização e formação com vista à melhoria ou identificação de oportunidades.

Estamos a caminhar para uma sociedade cada vez concorrencial, com marcas certificadas com gestão de qualidade, preparadas para oferecer os seus melhores produtos e serviços. Desta forma, enquanto CEO da Escolha do Consumidor, quais os grandes desafios e oportunidades que se esperam no mercado para os próximos tempos? Um dos maiores desafios dos últimos anos e que se irá manter é conseguir acompanhar as expetativas dos consumidores, em contínua evolução, a par também evolução tecnológica. Isso implica agilidade e resiliência, mas igualmente trans-

Há cerca de 20 anos que estou neste mercado e tenho assistido ao crescente aumento do mesmo, cada vez mais com mais players, até internacionais. Mesmo a nível internacional observamos uma mudança de estratégia de negócio de muitas entidades, que até à data se dedicavam à informação para o consumidor, para projetos de avaliação com enfoque ou em experts ou no próprio consumidor. Segundo um estudo recentemente realizado, é possível observar que um em cada quatro consumidores portugueses opta sempre por produtos com selo Escolha do Consumidor. Acredita que estes resultados se devem ao facto de este mesmo selo ter por base a imparcialidade? Sim, mas não só devido à imparcialidade, incluindo o facto de o consumidor saber que não há experts ou outros alheios ao processo de avaliação. Avaliarmos

parência, qualidade e propósito. Neste caminho para o futuro vamos encontrar, tal como outras empresas, também oportunidades e que podem passar pelo aumento do nosso negócio central nos mercados existentes (Portugal, Roménia e Espanha) ou pelo desenvolvimento através da entrada em novos mercados. As marcas são parte integrante da vida das pessoas, são motores de emprego e de crescimento económico. O ambiente em que operamos está a mudar e ao ajudar marcas e, estamos a ajudá-los a alcançar uma relação de sucesso e a suportar o nosso propósito.

É certo que, independentemente de vivermos tempos mais rigorosos no que diz respeito à informação, a Escolha do Consumidor continua a contribuir para melhores consumidores e marcas, com novas ferramentas. Quão determinante é para a Escolha do Consumidor estar sempre a par das tendências e inovar as suas metodologias de avaliação? Diria que é essencial para o nosso negócio. Temos de acompanhar as tendências por forma a acompa-

nhar o mercado e a sua evolução de dois pontos de vista: dos mercados e das marcas para melhor acompanhar e perceber os nossos clientes e potenciais; dos consumidores para perceber os seus comportamentos de consumo. E com essa observação também percebemos como inovar ao nível das metodologias de forma a que sejam cada vez mais fidedignas ao comportamento de consumo. Um exemplo disso é como evoluímos das tradicionais provas de degustação de bens alimentares em laboratório para consumo em ambiente real, deixando que todo o contexto familiar, de lazer ou outro fizesse parte do habitat natural de consumo de determinado produto, até porque em muitos casos o contexto de avaliação do produto não se resume ao sabor, mas à praticidade da embalagem, preparação, conservação, entre outros. ▪

todas as marcas, com técnicas adequadas a cada categoria, envolvermos consumidores em todo o processo, o processo de comunicação e exposição da forma como avaliamos, a experiência positiva com a aquisição de marcas que são Escolha do Consumidor, tudo isso contribui para esse comportamento dos portugueses. Já do ponto de vista das empresas, recorrem, muitas vezes, a meios publicitários para demonstrarem o selo de qualidade aos consumidores. Contudo, a nível interno, em que medida estas mesmas marcas também conseguem aproveitar este reconhecimento? Quem, na sua perspetiva, beneficia mais? Marcas ou consumidores? Quer marcas, quer consumidores beneficiam mutuamente e por todas as razões anteriormente explicadas. A nível interno, embora seja um trabalho pouco visível do exterior,

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PONTOS DE VISTA STONE – FEIRA DE PEDRA NATURAL EM PORTUGAL

A Exposição de Pedra Natural em Portugal A Stone, exposição de Pedra Natural, aconteceu entre os dias 1 a 4 de junho no Exposalão da Batalha. A Revista Pontos de Vista marcou presença neste que é um dos eventos mais importantes para o setor da Pedra. Fique a par.

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sta é uma feira que se realiza de dois em dois anos, destinada ao setor da Pedra Natural e Nacional, com inovações em todos os segmentos, desde a tecnologia, os equipamentos, a transformação e a extração. Ao longo dos anos tem vindo a tornar-se um dos encontros entre as empresas da indústria mais importantes, com importadores vindos de todo o mundo. Todos sabemos que este é um setor chave para a economia nacional, uma vez que Portugal representa o 8º lugar de produtor mundial de Pedra Natural. Já no contexto nacional, é, sem dúvida, uma fileira crucial. Há cerca de 2300 empresas e mais de 24 mil trabalhadores na indústria das rochas ornamentais em Portugal. A verdade é que todas as empresas expositoras na Stone não têm dúvidas da importância do certame quer para alavancar os seus negócios, como para o crescimento da economia. Isto porque a dinâmica do evento promove a competitividade neste mercado, devido à proximidade com as pedreiras locais. PRESENÇA DAS PERSONALIDADES MAIS IMPORTANTES DO SETOR Esta foi uma edição muito ansiada pelos profissionais do setor e pelos órgãos sociais, e por esse motivo, quem também não prescindiu de marcar a sua presença foi João Neves, Secretário de Estado da Economia, que a convite da Assimagra visitou a feira, e teve a oportunidade de estar em contacto direto com as empresas da indústria da pedra. “Um evento desta dimensão, localizado onde a indústria da pedra pulsa mais forte, com a presença de muitos dos agentes que têm feito o sucesso da trajetória recente do setor. Esta feira será mais uma grande oportunidade de partilhar conhecimento, promover sinergias e dar visibilidade ao setor. Serão, certamente, dias de celebrar a trajetória de crescimento e discutir

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os desafios futuros da nossa economia e do setor da pedra natural”, destacou o João Neves. Em declarações acerca dos maiores desafios atuas que o setor enfrenta, Miguel Goulão, Presidente da Assimagra não hesitou: a falta de mão de obra. Segundo o mesmo, “podemos apostar em desenvolvimento e inovação, mas o fator humano é determinante para a boa execução da atividade. O setor tem de saber captar recursos humanos mais adequados e ser mais competitivo. Logo a seguir, os custos energéticos, onde o Estado também tem um papel a cumprir. Os combustíveis são taxados ao setor ao mesmo preço de quem utiliza os seus veículos para passear. Isso não faz sentido nenhum. A tributação da utilização deste recurso pelo setor tem de ser feita de uma forma estratégica. Não podemos achar que taxamos as empresas com determinado tipo

“UM EVENTO DESTA DIMENSÃO, LOCALIZADO ONDE A INDÚSTRIA DA PEDRA PULSA MAIS FORTE, COM A PRESENÇA DE MUITOS DOS AGENTES QUE TÊM FEITO O SUCESSO DA TRAJETÓRIA RECENTE DO SETOR”


PONTOS DE VISTA STONE – FEIRA DE PEDRA NATURAL EM PORTUGAL

de percentagens e depois querermos que elas sejam competitivas num mercado global, onde os outros competidores são taxados de forma diferenciada”. Pelo que a Revista Pontos de Vista apurou, as reações às exposições revelaram-se bastante positivas e pode destacar-se a diversidade de oportunidades ao dispor dos visitantes e potenciais clientes. Jorge Vala, Presidente do Município de Porto de Mós, esteve a convite da Assimagra, no segmento “À conversa com o Presidente”, onde revelou que “o setor dos recursos minerais é muito importante, quer pela extração da pedra natural, quer pela transformação. Este é um concelho que tem como motor da sua economia estes dois importantes recursos”. A Associação Cluster Portugal Mineral Resources teve a oportunidade de, em palestra, apresentar o “Global Stone Congress 2023 – Start Up”, que foi moderada por Luís Martins, Presidente da Cluster e Luís Lopes, Membro do Comité Organizador Internacional GSC. Quem assinalou o término do certame foi a Assimagra, com uma ação onde o objetivo era alertar para a necessidade e a importância da formação neste setor, uma vez que as tecnologias estão cada vez mais enraizadas neste mercado. No último dia, a feira contou com a visita de vários empresários e não só, que fizeram questão de se deslocar à Batalha, pois “a região Centro é de onde a pedra pulsa e tem muito futuro”, assegurou Miguel Goulão. ▪

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PONTOS DE VISTA STONE – FEIRA DE PEDRA NATURAL EM PORTUGAL

STONE e Batalha Uma Ligação de Sucesso

A propósito da 5ª edição da STONE - Feira da Pedra Natural, que se realizou de 1 a 4 de junho, na EXPOSALÃO, na Batalha, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Raul Castro, Presidente da Câmara da Batalha, que lembrou que a autarquia será sempre um parceiro do tecido empresarial deste setor e de outros.

O

Concelho da Batalha apresenta um tecido empresarial de referência com empresas líderes nos mais diversos setores, quer em Portugal como no estrangeiro. Enquanto Presidente da Câmara Municipal, de que forma tem vindo a promover esta dinâmica mostrando-se um parceiro ativo das empresas com o intuito de elevar esta região a outro patamar? Efetivamente, neste concelho contamos com um tecido empresarial de grande dinamismo, com empresários de grande qualidade e que têm sabido inovar, mesmo em momentos de grande dificuldade. A capacidade de exportação tem vindo a aumentar, em setores de atividade como a cerâmica utilitária, os moldes e a metalomecânica, para citar apenas alguns exemplos. A Câmara Municipal será sempre um parceiro dos empresários, desde que os projetos apresentados não violem os normativos legais e não seja lesivo do interesse dos Batalhenses. Registamos com grande satisfação a procura que tem havido por empresários de outras regiões que, olhando para as potencialidades deste território, aqui querem investir. Para tal, vamos ampliar a Zona Industrial da Jardoeira, cuja capacidade de instalação de empresas se encontra há muito esgotada e construir uma nova ZI em S. Mamede. Este tem sido um processo a que temos atribuído grande atenção e que continuará a merecer todo o nosso empenho. A STONE, feira de referência no setor da pedra natural escolhida como palco para os fornecedores do setor apresentarem ao mercado as suas soluções e propostas, irá acontecer este ano no Exposalão, na Batalha. Quão importante é realizar este cer-

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pessoa para responder a essa questão. Contudo, estou em crer que para as empresas do Concelho da Batalha, esta é uma oportunidade para reforçar o conhecimento.

RAUL CASTRO

tame neste Concelho? Em que medida atrai pessoas ao mesmo? Os certames setoriais são sempre uma oportunidade para os players do mercado, aprofundarem o conhecimento de técnicas inovadores e trocarem ideias. A escolha da Exposalão resulta certamente das suas excelentes condições para a realização de eventos a que se adiciona a existências de muitas empresas do setor na nossa Região. Quais diria que são as maiores vantagens em participar e visitar este evento? Para os visitantes, a STONE reveste-se como uma feira onde se dão as conhecer as últimas tendências de um setor que, há muito, soube inovar e criar valor acrescentado.

Esta é já a 5ª edição da STONE Feira da Pedra Natural. Assim, qual é o contributo e o papel da Câmara Municipal da Batalha neste evento? Quais as expectativas acerca do mesmo, depois de dois anos de paragem? As expetativas do Município são, naturalmente, de que após dois anos de interregno devido à pandemia, possamos voltar a contar com feiras de excelência na EXPOSALÃO, com grande capacidade de atração junto do público, tal como sucede com a STONE. Em que medida a aposta na STONE continua a ser uma mais-valia para as empresas do setor, nomeadamente as do Concelho da Batalha? Não serei certamente a melhor

Certo é, que Portugal é um dos principais players mundiais no negócio da pedra. Com que olhos o Raul Castro vê o futuro deste setor no Concelho que preside? Vejo claramente como um enorme desafio e necessidade óbvia, mesmo imperativa diria, quanto à capacidade de compatibilização que deverá existir entre a preservação dos recursos naturais e um setor empresarial de relevo que gera inúmeros postos de trabalho. Este é um fator que tem sido difícil de gerir, porque alguns exemplos de incumprimento estão bem evidentes na paisagem do concelho. Mas acrescento também que do ponto de vista dos empresários, essa mesma consciência da necessidade da preservação dos recursos tem vindo a aumentar nos últimos anos. Por fim, em que novidades, projetos e outros eventos, está a Câmara Municipal da Batalha a trabalhar atualmente? Estamos a trabalhar para que possamos contar na Batalha com eventos de qualidade ao longo do ano. O realce vai para a XXX FIABA – Feira de Artesanato e Gastronomia da Batalha, de 15 a 19 de Junho, um dos certames de referência da região centro. De 12 a 15 de agosto, voltaremos a contar com as tradicionais Festas da Batalha e com um programa de concertos e atividades bastante diversificado. Haverá certamente boas surpresas para anunciar, no momento certo. ▪



PONTOS DE VISTA STONE – FEIRA DE PEDRA NATURAL EM PORTUGAL

“Este é um Setor Economicamente muito Importante” Jorge Vala, Presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, que pertence ao distrito de Leiria, marcou presença na STONE – Feira de Pedra Natural em Portugal, que aconteceu de 1 a 4 de junho, na Exposalão da Batalha. Entre outros assuntos, reforçou a importância deste certame quer para os empresários do setor, bem como para a região onde o mesmo acontece. Saiba mais.

JORGE VALA

O

Município de Porto de Mós é, como sabemos, essencialmente industrial, predominantemente na indústria da calçada portuguesa – a que tem levado, ao longo dos anos, o seu nome a percorrer mercados internacionais. Mas a realidade é que tais conquistas, em muito se devem ao facto de Jorge Vala, se mostrar um parceiro ativo das empresas promovendo a sua dinâmica. O mesmo garante que, “este é um setor economicamente muito importante. A exploração e transformação da Pedra são fatores determinantes para o desenvolvimento económico e social do Concelho, portanto, temos naturalmente que estar ao lado destes empresários”. E como é que a entidade acompanha estes empresários? “Num primeiro momento no setor da extração, definindo bem as zonas que podem ser exploradas, de que forma explorar, e durante

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quanto tempo é que o podem fazer. Este processo está concluído, que são os chamados Planos de Intervenção em Espaço Rural, e não nos podemos esquecer que aqui estamos a trabalhar dentro de um parque natural com rede natura 2000, com reserva ecológica, e ainda assim, o setor da pedra tem condições para poder explorar com potencial. Sob o ponto de vista da transformação temos algumas empresas de topo nacional que são as principais exportadoras, algumas delas aqui do concelho”, sustenta. A verdade é que este é um município que está em fase de ampliação da sua zona industrial, um investimento de cerca de 5 milhões de euros, com o propósito de instalar várias empresas quer do setor da Pedra, mas também da sua vertente tecnológica e da sua transformação. O que, para quem trabalha na área, significa um grande alento e apoio da parte

da Câmara Municipal, até porque, “temos efetivamente algumas empresas que estão interessadas em adquirir os lotes para se poderem instalar e expandir nesta zona industrial que é geograficamente muito interessante porque estamos ligados aos principais eixos rodoviários do país e esta ligação abre portas para que rapidamente esta zona industrial tenha a totalidade dos seus lotes ocupados”, afirma o interlocutor. No reverso da moeda, o maior desafio do setor, continua a ser a falta de mão de obra, o que levou a que as suas grandes apostas, nos últimos anos, tenham vindo a ser na vertente tecnológica, criando laços com a academia, com o intuito de tornar o setor mais atrativo sob o ponto de vista daqueles que têm formação académica, porque a verdade é que “a evolução leva a que os equipamentos sejam cada vez mais digitais e necessitem de especialização”.


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STONE – FEIRA DA PEDRA NATURAL A STONE, é a feira de referência no setor da Pedra Natural, escolhida como palco para os fornecedores do setor apresentarem ao mercado as suas soluções e propostas, o que beneficia não só os mesmos, mas a região onde se realiza, uma vez que atrai pessoas ao local. Jorge Vala assegura que, “a dinâmica do setor está muito aqui, na região centro, portanto faz todo o sentido que a feira se realize aqui. É fundamental sobretudo porque atrai novos visitantes, novas pessoas para a economia local, naturalmente que trazendo empresários ligados ao setor, quer estrangeiros, quer do país. Estamos com certeza, a acrescentar valor ao nosso território”. Depois de dois anos de paragem, o acontecimento do evento em 2022, torna-se fulcral, não apenas para “se mostrar”, mas principalmente, porque se vive uma altura em que é essencial discutir o futuro do setor, as sua políticas de win-win, a economia circular, e ainda, “para se debater a conjugação de um setor que é altamente estigmatizado pela sociedade sobretudo sob o ponto de vista ambiental e poder, de alguma forma, desmitificar esta problemática e trazer o setor até ao comum cidadão”, sustenta Jorge Vala. Certo é, que o percurso do setor da Pedra Natural, se mostra longo. Principalmente porque ainda hoje, não é tão valorizado quanto devia. Para o Presidente da Câmara de Porto de Mós, “esse percurso tem que ser feito essencialmente pelos empresários, que precisam de se unir e de abrir portas de dentro para fora, mostrar às pessoas que o impacto deste setor pode ser negativo durante o período de exploração, mas a partir de determinado momento podemos dar-lhe uma vida diferente, corporizar arte através da pedra, e integrar a arte no todo do território. A arte pode mesmo ser o ponto de viragem do setor”.

como expositor, quer como visitante, é sempre algo de importante porque acabamos por estar aqui todos a abrir as portas a todos”, sustenta o entrevistado.

“O SETOR TEM, INEVITAVELMENTE, QUE ESTAR TODO LIGADO PORQUE SE NÃO ESTIVER TODO LIGADO, O FUTURO É MAIS COMPLICADO, ATÉ PORQUE OS RECURSOS SÃO ESGOTÁVEIS, O TERRITÓRIO É GERADOR DE CADA VEZ MAIS CONDICIONANTES” Esta é já a 5ª edição do certame e a verdade é que a aposta, anualmente, no acontecimento do mesmo, em muito contribui como alavanca ao setor da Pedra. Isto porque, “o setor tem sempre a ganhar quando mostra, sobretudo quando mostra a mais, do que apenas aos seus clientes e esta é a oportunidade para fazê-lo e sobretudo é um momento importante em que todos se conhecem. Todos conhecem o produto de todos e as suas inovações, e, portanto, participar numa feira, quer

O FUTURO É de conhecimento geral que Portugal é um dos principais players mundiais no negócio da Pedra, o que incita a perspetivar um futuro risonho. “Penso que o setor está a evoluir caminhando para processos de economia circular, em que todo o produto extraído pode ser rentabilizado e tem mesmo que ser assim. Porque cada vez mais os custos de exploração aumentam e, portanto, os processos têm que tendencialmente, melhorar. O setor tem, inevitavelmente, que estar todo ligado porque se não estiver todo ligado, o futuro é mais complicado, até porque os recursos são esgotáveis, o território é gerador de cada vez mais condicionantes. É necessário que estejam juntos e empenhados em ter um ponto de vista comum e é a partir daí que se iniciam processos conjuntos”, garante Jorge Vala. No que diz respeito ao Município de Porto de Mós, as novidades também não tardam, e os próximos tempos, prevêem-se de uma positiva agitação. Orgulhosamente, o Presidente, confidenciou que “temos mais alguns projetos culturais ligados a esta arte da Pedra. O grande projeto que temos é a inauguração da central das artes, que é uma antiga central termoelétrica que foi reabilitada para um espaço ligado à cultura. A inauguração irá acontecer no dia 25 deste mês, junho, com uma exposição precisamente de pedra, do escultor Luís Amado”. Com a certeza de que este é um caminho inesgotável, “é este o trajeto que estamos a delinear, sem nunca deixar de ser um parceiro ativo do setor e de todos”, termina. ▪

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“A Marmetal tem como objetivo tornar-se uma das maiores Empresas de Extração” Em conversa com a Revista Pontos de Vista, Josué Bacalhau, Administrador Executivo da Marmetal e João Grilo, Presidente do Conselho de Administração da empresa, abordaram o panorama geral do setor onde a mesma se insere, bem como os desafios e as oportunidades que marcarão o vindouro deste mercado.

A

JOSUÉ BACALHAU E JOÃO GRILO

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Marmetal é uma empresa de extração de mármore em Portugal, que conta com mais de 50 anos de história. Como nos pode descrever a evolução da empresa, bem como os marcos mais importantes que sublinharam o sucesso da mesma no mercado? A empresa Marmetal é, efetivamente, uma empresa de extração de mármore, com mais de 50 anos. É, e foi, uma das empresas mais importantes do setor dos mármores, no mercado nacional e internacional. O sucesso no mercado nacional e internacional da empresa Marmetal tem, efetivamente, a ver com a qualidade do mármore que é, extraordinariamente, cristalino, de qualidade rosa, único no mercado e uma outra qualidade de mármore de fundo branco com vários tipos de vergada, muito bem aceite no mercado. Além de que a empresa desde a sua criação tem operado na extração e até há uns anos começou a ter uma operação vertical, desde a


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extração à transformação em ladrilho standard ou corte à medida para os projetos imobiliários. As conquistas da Marmetal não trazem só reconhecimento à empresa, mas também ao concelho que a abraça. Qual o impacto que diria que esta atividade de longos anos tem acarretado a Vila Viçosa, Évora? Na verdade, a empresa Marmetal, tem reconhecimento no Concelho onde está sediada, mas, tem impacto, claro, nos concelhos limítrofes e em todo o setor dos mármores, quer nacional quer internacional, tendo no seu portfólio clientes nacionais e internacionais. Não podemos esquecer que o anticlinal de Estremoz, onde a Marmetal opera com três pedreiras, é uma das zonas do mármore mais reconhecida internacionalmente. Os concelhos de Vila Viçosa e limítrofes têm um reconhecimento global no setor dos mármores e da construção. Recentemente a Marmetal adquiriu um novo equipamento que já está, de momento, no ativo e que irá ajudar na sua atividade. Para melhor entender, de que forma este equipamento facilita e ao mesmo tempo impulsiona o trabalho da empresa? A Marmetal, com esta nova administração, tem procurado inovar com sustentabilidade ambiental, assumindo, claramente, a inovação de exploração de mármore, com a compra de uma máquina de galeria que faz extração subterrânea de mármore e uma britadeira que tem como função “destruir” as escombreiras de resíduos de extração de mármore. Desta forma, a Marmetal tem como objetivo tornar-se uma das maiores empresas de extração, de forma a abastecer o mercado que é altamente carente de matéria prima. A exploração em galeria vai permitir aumentar substancialmente a matéria prima de qualidade disponível para o mercado, o que permitirá um desenvolvimento mais acelerado do grupo Marmetal. Além disso, a Marmetal tem na sua posse o projeto da criação de uma Exploração em Galeria. No que consiste esta iniciativa e o que irá trazer à empresa e ao concelho? Como já foi dito, a exploração em galeria, já não é um projeto, é uma realidade, uma vez que a máquina de galeria já está a funcionar e a abrir a galeria de extração subterrânea, sendo certo que as estimativas, de exploração, em galeria, o mármore é de extrema qualidade e quantidade, irá sustentabilizar a empresa e colocar no mercado o mármore de que todo o setor está carecido, estimando-se, que a faturação líquida, excluindo custos de exploração da empresa Marmetal, está em cerca de mais ou menos 7.5 milhões de euros nos próximos cinco anos e tendo reservas para cerca de mais

“O SUCESSO NO MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL DA EMPRESA MARMETAL TEM, EFETIVAMENTE, A VER COM A QUALIDADE DO MÁRMORE QUE É, EXTRAORDINARIAMENTE, CRISTALINO, DE QUALIDADE ROSA, ÚNICO NO MERCADO E UMA OUTRA QUALIDADE DE MÁRMORE DE FUNDO BRANCO COM VÁRIOS TIPOS DE VERGADA” de 40 anos só nesta pedreira. Não podemos esquecer que a Marmetal explora esta pedreira e três mais, neste caso, mais duas na zona de Borba e uma outra em Viana do Alentejo que tem uma pedra chamada Verde Viana e que é um mármore bastante bonito e de desenho, impressionante para projetos e único daquela zona. Sabemos que, à partida, o trabalho neste setor é complexo e de grande responsabilidade, contudo, aponta-se uma grande evolução e modernização do mesmo. Considera que é, de facto, um setor em crescimento? Nesta altura de crise, os custos de energia têm sido um desafio? Os custos de energia e outros custos associados à crise da guerra da Ucrânia, poderá levar algumas empresas do setor do mármore a uma crise financeira, resultante dos aumentos dos combustíveis e energia elétrica. São desafios que estão aqui e temos que lidar com eles, todos no setor e nos setores indiretos ao mármore esperam conseguir superar estes desafios. Apesar de estar em constante inovação e cada vez mais mecanizado, é fundamental assegurar mão de obra. Face à experiência da Marmetal, como analisa a facilidade (ou não), em arranjar Recursos Humanos que acrescentem valor à marca e ao setor? Os recursos humanos, para trabalhar no setor das pedreiras ficou altamente prejudicado com a reforma antecipada dos trabalhadores, aos 50 anos de idade. Esta decisão política levou a que os mesmos sejam altamente escassos pondo em causa a exploração de pedreiras no setor dos mármores, levando já ao fecho de algumas explorações por falta de mão de obra. A deci-

são política não teve em conta a realidade do setor e foi um erro crasso. Para se ter uma ideia, neste momento as empresas do setor estão a contratar trabalhadores da India, da Europa de Leste e da América Latina, é um momento difícil para os administradores e a gestão de recursos humanos para as pedreiras e fábricas. Existe falta de trabalhadores, é um facto, mas por ser um trabalho duro não é fácil captar trabalhadores. Aos trabalhadores do Grupo Marmetal, os acionistas e administradores agradecem a dedicação, faça chuva ou faça sol, de todos os que todos dias trabalham para criar valor. Obrigado. Certo é, os Recursos Humanos têm um papel primordial uma vez que, se todo o processo de extração exige equipamentos adequados, exige também uma equipa muito bem preparada para o fazer. Neste sentido, quão importante é a formação constante dos profissionais neste setor de atividade e de que forma a Marmetal promove esta dinâmica? A formação profissional na Marmetal, está a ser coordenada e efetuada por empresas especializadas. A formação é essencial para o bom desempenho profissional dos trabalhadores e capacidade produtiva da empresa e por isso a empresa aposta nessa formação, já que esta é essencial para o desempenho do trabalho dos profissionais que trabalham nas pedreiras e fábricas do grupo. ▪

Por fim, como perspetiva o vindouro da Marmetal? Que desafios e oportunidades acredita que o futuro trará ao setor? A empresa Marmetal, pertence ao Grupo Marble Project Participações SGPS, que é constituído pela Marmetal, empresa de extração, Margrimar SA, empresa de Transformação e ALA ALMEIDA empresa de transformação, tendo desta forma o ciclo completo no setor dos mármores: Extração e Transformação, uma operação vertical e dedicada ao cliente empresarial, de projetos e distribuidores. Neste momento sentimos que a recuperação na área da construção está a avançar e como estamos no mercado internacional, para nós, procurar a otimização de recursos permitirá avançar e colocar o grupo Marmetal como referência nacional e internacional para o setor dos mármores.

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“Nós precisamos de internamente demonstrar a nossa Força” Realizou-se, entre os dias 1 a 4 de junho, a STONE – Feira da Pedra Natural em Portugal, da qual a ASSIMAGRA foi, obviamente, parceira. A Revista Pontos de Vista marcou presença nesta que é uma das convenções mais importantes para o setor, e em entrevista, Miguel Goulão, Presidente da ASSIMAGRA, revelou os maiores desafios desta fileira, bem como qual está a ser o trabalho da entidade que lidera.

MIGUEL GOULÃO

A

ASSIMAGRA é a entidade que nasce com o objetivo de apoiar, representar e defender a indústria extrativa e transformadora dos recursos minerais, contribuindo, desta forma, para um desenvolvimento tecnológico, económico e para uma melhoria da sua competitividade. A realidade é que, atualmente, a sociedade e consequentemente os inúmeros setores de atividade, evoluem à velocidade da luz, o que acaba por exigir respostas céleres e eficazes aos desafios. No setor da Pedra Natural, não é diferente. Por esse motivo, a ASSIMAGRA entende que o seu principal foco deve ser nas áreas em que as empresas têm mais necessidades. “O nosso processo de especialização foi sobretudo no acesso ao território e no processo de internacionalização, isto numa primeira fase. Numa segunda, estão inseridas questões ligadas à inovação, formação e recrutamento”, inicia Miguel Goulão. A importância do acesso ao território

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não deixa dúvidas a ninguém que neste setor trabalha, porque sem o mesmo, a atividade não tem como funcionar. Segundo o entrevistado, “precisamos do território como instrumento de trabalho, éramos um setor que, inicialmente, tinha uma fraca relação com quem geria o território, com quem decidia o território”, e aquele que foi e continua a ser o papel da associação – que é reconhecido por todos – é compatibilizar usos do solo, hoje é possível abrir uma pedreira em Portugal em Rede Natura por exemplo, no passado era impossível. Foi uma aposta clara, e que, aos dias de hoje, já se encontra consolidada, mas esse facto não nos pode demitir de continuar a intervir ativamente pela compatibilização do Setor com outras atividades, pois no dia que isso acontecer, o Setor deixa de ter Voz ativa no processo de decisão. Por outro lado, existe também uma indispensável necessidade das empresas do setor, em algum momento do seu percurso, se internacionalizarem. “Precisam

de uma ajuda para abordarem os mercados de uma forma mais consolidada, mais refletida, com uma estratégia adequada a cada um dos mercados e nós damos, nesse sentido, uma ajuda, não só no co-finaciamento das suas iniciativas de internacionalização, mas também de aconselhamento sobre os mercados. Não é ao acaso que o setor tem crescido todos os anos de uma forma sustentada”, garante o Presidente da ASSIMAGRA. Para além disso, existe ainda um fator essencial e que, em muito dita o sucesso de qualquer empresa: a união. Para o interlocutor, “um setor que não esteja unido, não consegue vencer todos os desafios que se lhe colocam”, acrescentando que “no processo de internacionalização, é mais fácil, porque cada um tem a sua estratégia, a sua marca, os seus clientes, e eventualmente estratégias individuais resultam. Mas, no caso do território se não houvesse união por parte do setor, seria impossível atingirmos resultados como os que conse-


PONTOS DE VISTA STONE – FEIRA DE PEDRA NATURAL EM PORTUGAL

guimos atingir, reconhecidos a nível internacional, a própria comissão europeia reconhece o nosso bom exemplo no e daí também julgo eu, existir um reconhecimento, hoje, maior sobre aquilo que é o papel da ASSIMAGRA, precisamente porque as pessoas perceberam que só estando unidas e com uma só voz, é que conseguimos atingir os objetivos”. COMO SE ENCONTRA O ATUAL PANORAMA DO SETOR? Certo é, que apesar de todas as valências do setor da Pedra Natural e de toda a evolução que o mesmo tem vindo a ter ao longo dos últimos anos, muitos são ainda os desafios por ultrapassar. Questionado acerca de quais as maiores lacunas, Miguel Goulão não hesita: a falta de mão de obra, “não apenas no nosso setor em particular, mas em toda a nossa economia no geral. Portugal tem por isso, que refletir muito sobre aquilo que quer ser no futuro, quer do ponto de vista industrial, mas não só. Mas falando da nossa indústria que é disso que estamos a tratar: a verdade é que a indústria não tem tido um plano para ela em Portugal pelo menos há 20 anos. Nós defendemos claramente uma aposta na Indústria como motor de desenvolvimento económico, e na nossa em particular, pois estamos a falar dos setores com mais valor acrescentado na nossa economia, os nossos salários dobram os salários médios por exemplo do setor do Turismo, duplicamos o rendimento médio declarado de toda a atividade económica em Portugal, e somos o maior Pais exportador do mundo na nossa dimensão territorial, o sétimo em termos globais. Contudo e apesar destes números temos de reconhecer se nada for feito esta trajetória de crescimento será colocada em causa. Hoje em dia é muito difícil fazer recrutamento de mão de obra, porque somos um país que tem uma fraquíssima taxa de natalidade há muitos anos. Se não começarmos a corrigir essa nossa trajetória, o que está a acontecer hoje, vai agravar-se no futuro em proporções que inviabilizarão qualquer setor industrial em Portugal, porque cada vez nascem menos pessoas. Há menos população no ativo e cada vez mais reformados, portanto isto carece de uma reflexão

muito mais transversal do que setorial, é obvio que no nosso setor em particular, sofre com isto, e ainda têm a agravante de ter reformas aos 50 anos de idade”, assegura. Assim, de forma a combater esta carência, o fator imigração torna-se fundamental, uma vez que pode ajudar a inverter este processo. Ainda que, nesta realidade, a questão da habitação seja também um problema. “Trazer pessoas de fora e não ter locais onde as pessoas possam viver, torna tudo mais difícil. Isto são várias equações que estão em cima da mesa que não têm propriamente a ver com o nosso setor, mas tocam naquilo que são as nossas necessidades”, sustenta o interlocutor. Já a energia, é outro fator crítico, principalmente porque o setor, continua a pagar o combustível para trabalhar ao mesmo preço que uma pessoa que circula na via pública, e a ótica de Miguel Goulão é que, “há aqui alguma coisa que não tem lógica, principalmente porque os nossos principais concorrentes e também parceiros Europeus, como a Itália e Espanha, usufruem de um combustível diferenciado. Deveria também em Portugal existir um combustível industrial, precisamente para alavancar uma indústria que por essa via fiscal pudesse libertar mais margem para chegarmos mais longe”. Nos últimos anos, muito se tem falado sobre a importância da inovação no tecido empresarial e no quanto se deve investir em estratégias diferenciadas para se destacar no mercado. No en-

“A INOVAÇÃO É UM FATOR MUITO IMPORTANTE PARA QUE OS SETORES POSSAM SER CONCORRENCIAIS, SEM INOVAÇÃO É MUITO DIFÍCIL QUE UM SETOR POSSA CONTINUAR NO FUTURO A ESTAR NO MERCADO” tanto, mais do que novas ideias, existe também a necessidade da aplicação de novos processos tecnológicos. “A inovação é um fator muito importante para que os setores possam ser concorrenciais, sem inovação é muito difícil que um setor possa continuar no futuro a estar no mercado. É fundamental que a inovação continue sempre a existir e é por isso que nós desenvolvemos muitos projetos nessa área. Aqui a questão da inovação não tem apenas que ver com a questão dos equipamentos, mas sim com a introdução de designs, novos padrões, novas maneiras de trabalhar a pedra, novos produtos, dar inteligência artificial à pedra natural porque no futuro é nesta base concorrencial que temos

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que concorrer”, assegura o Presidente. A guerra de Putin contra a Ucrânia, tem vindo a impactar gravemente a Europa, o que implica que qualquer setor de atividade olhe com alguma desconfiança para a forma como o mundo está a funcionar. Segundo o interlocutor, “a guerra tem dois grandes afetados: a Ucrânia e a Europa. A Ucrânia pela vasta destruição a que tem estado sujeita e a Europa porque do ponto de vista económico todos os dias diminui a sua competitividade. Esta guerra já dura há demasiado tempo e é um tempo que só está a ajudar algumas economias como por exemplo, e exemplificando apenas as maiores, a China e a Índia, passaram a comprar a energia três vezes mais barata do que a Europa comprava antes da guerra. Os Estados Unidos estão a crescer a um ritmo superior à China, o que não acontecia há mais de 46 anos, incrível não é! Alguns estão a conseguir lucrar com esta guerra. Mas a Europa e a Ucrânia não, portanto julgo que precisamos de olhar com muita profundidade para o que vai resultar daqui”. STONE – FEIRA DE REFERÊNCIA NO SETOR DA PEDRA NATURAL A Batalha acolheu compradores e fornecedores de Pedra Natural vindos de todo o mundo. Depois de dois anos de paragem, este ano, o certame surge como uma alavanca ao setor. A verdade é que, a geografia onde a feira se realiza, não é a mais habitual, isto porque, normalmente eventos desta dimensão, acontecem no Porto ou Lisboa. No entanto, “essa realidade é contrariada sobretudo porque tem havido aqui muita resiliência por parte das empresas que entendem que têm que ter uma expressão mais perto da sua realidade local para poder demonstrar ao poder político e aos seus clientes as suas potencialidades, mas aqui ainda estamos longe do que o Setor precisa, necessitamos de conseguir envolver mais empresas, faltam aqui muitos e importantes players do setor, se queremos um setor forte a afirmar-se temos obrigatoriamente de em conjunto vencer este desafio de mobilizarmos mais para a próxima feira Stone, que acontecerá em 2024, a organização da feira também tem de fazer mais pelas empresas que aqui investem muitos dos seus recursos, é necessário trazer mais visitantes internacionais ao certame, é necessário focar mais a promoção do evento junto dos prescritores, nós precisamos de demonstrar a nossa força, reconheço que este evento que ocorre de dois em dois anos pode ser esse sinal de demonstração da vitalidade do setor”, garante Miguel Goulão. Esta é já a 5ª edição da STONE, na qual o contributo da ASSIMAGRA é, desde sempre, fundamental. A entidade procura dinamizar iniciativas paralelas de forma a tornar este certame mais interessante e apelativo, trazendo debates que potenciem os empresários na sua participação com temas que os inquietem, com

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“O DESAFIO QUE TEMOS PELA FRENTE É MUITO EXIGENTE PORQUE NÃO ALBERGA SÓ O SETOR, POIS TEMOS DE CONSEGUIR MOBILIZAR TAMBÉM OS DECISORES E AS PESSOAS DE UMA FORMA GERAL, DIRIA QUE TEMOS DE MOBILIZAR PORTUGAL PARA A IMPORTÂNCIA DESTE SETOR QUE ESTÁ MAIS PRESENTE NA NOSSA VIDA DO QUE TODOS IMAGINAMOS” o intuito de prosperar por um futuro cada vez mais enriquecido para o setor. O Presidente da ASSIMAGRA acredita bastante nesta fileira, “se souber fazer bem as coisas”, porque a verdade é que, como referido, muitas são ainda as lacunas por colmatar. “Temos desafios tremendos. Sabe-

mos que normalmente, a indústria extrativa está presente em países menos desenvolvidos, é normal assim no mundo inteiro. Em Portugal, temos sido uma exceção que queremos continuar a manter no panorama Mundial, mas há questões que nos inquietam, o combate por exemplo que hoje se faz à exploração de lítio em Portugal, mas identificamos com clareza a necessidade de efetuarmos uma transição energética, esta mesma discussão se passa nos países ditos desenvolvidos, que têm uma afirmação perante o mundo de um egoísmo tremendo e que dizem que os recursos para serem explorados têm que sê-lo em África ou em locais longe das nossa portas, onde se calhar praticamente nada é respeitado, onde o trabalho infantil existe, onde não há responsabilidade nenhuma ambiental... é urgente dizer: Basta! nós não podemos olhar para o mundo com este egoísmo, como temos olhado”, garante. Por isso, é importante que o setor extrativo saiba realizar bem o seu trabalho no mundo desenvolvido. Fundamentalmente criar condições de convivência sã e de compatibilidades com outros usos, de forma a que as pessoas não combatam a industria extrativa. Isto porque, “cada vez mais em Portugal, vemos a existência de manifestações contra a indústria extrativa, e isso existe porque as pessoas não estão para suportar uma indústria que não consegue cumprir com o seu papel. O desafio que temos pela frente é muito exigente porque não alberga só o setor, pois temos de conseguir mobilizar também os decisores e as pessoas de uma forma geral, diria que temos de mobilizar Portugal para a importância deste setor que está mais presente na nossa vida do que todos imaginamos. Estou certo que vamos conseguir vencê-lo e, por isso, acredito que o setor vai ter um futuro muito positivo”. ▪

PROJETO PRIMEIRA PEDRA Acerca do futuro, a ASSIMAGRA está a desenhá-lo ao pormenor. Já dia 23 deste mês, às 22 horas, inaugura no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, a exposição “Primeira Pedra”. Miguel Goulão confessa, “este projeto no Museu dos Coches é o culminar de todo um trabalho que foi feito de muitos anos. Na altura quando nos propusemos fazer algo arrojado, o desafio era de saber se o setor conseguia cumprir com a missão de realizar os projetos de quem nunca tinha pensado a pedra. Tivemos arquitetos e designers que nunca tinham feito nada na sua vida profissional com a pedra. O mais incrível é que não houve nada que ficasse por fazer, e isso revela que o setor consegue fazer tudo o que lhe propõem. Tivemos projetos muito difíceis, em que nos colocaram claramente à prova”. Portanto, no dia 23, irão ser visualizados documentários que revelam o desenvolvimento de criações artísticas que estarão expostas. “Somos o único setor em Portugal, em que a tecnologia é fabricada em Portugal e que simultaneamente a mesma é de nível mundial. Conseguimos simultaneamente aliar neste projeto a tecnologia ao design e á capacidade de estarmos junto de quem pensa - arquitetos e designers – foi fundamental no processo, são eles que pensam e planeiam mas são as nossas empresas que fizeram tudo acontecer, tenho um orgulho enorme nas empresas”, termina o Presidente da ASSIMAGRA.


PONTOS DE VISTA BREVES

Há boas razões para não correr com o telemóvel Embora ainda não existam estudos científicos sobre o assunto, os especialistas alertam para os riscos de termos o telemóvel na mão durante a corrida. Para muitos de nós, o telemóvel é um acessório indispensável para quando vamos correr. Há quem o guarde numa bolsa à cintura, há quem o leve no braço e - o que não deve fazer - há quem o leve simplesmente na mão. Ainda não sabe, mas este é um hábito que prejudica o desempenho da sua corrida de múltiplas formas – para segurar no telemóvel terá de contrair o braço e o ombro, o que irá contribuir para o aumento geral do cansaço. Outro pormenor a ter em conta é a per-

turbação do equilíbrio. O dispositivo "irá criar um peso extra num dos lados do corpo, o que irá dar mais força a essa mão e, assim, causará um desequilíbrio entre os dois lados", explicou a médica Victoria Tchaikovski em entrevista ao site da revista Madame Figaro, embora ainda não existam estudos científicos que comprovem a previsão. Isto pode levar a dores nas articulações, principalmente dos ombros, e nas ancas, joelhos e costas. No pior caso, a tensão muscular pode conduzir a uma tendinite. "Se correr duas ou três vezes por semana durante uma hora, o corpo pode inclinar-se alguns milímetros para

o lado onde segura o telemóvel", avisou Cécile Bertin, especialista em jogging. As consequências não ficam por aqui. Na verdade, até fazem um trio. A esta primeira juntam-se a perda de velocidade e a falta de concentração. As explicações são simples. Para se correr bem, é necessário usar as mãos para dar impulso e, assim, ganhar velocidade. Porém, o telemóvel apenas irá atrapalhar o movimento e o ritmo do corpo. Além disso, será motivo de distração se receber uma mensagem ou uma chamada enquanto faz o seu jogging diário, o que pode conduzir a acidentes e entorses.

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PONTOS DE VISTA SUDOESTE RETAIL PARK

SUDOESTE RETAIL PARK Marcar pela diferença A Revista Pontos de Vista esteve presente no Evento Institucional de Inauguração do Sudoeste Retail Park, no dia 9 de junho. Conduzida por Marta Leite Castro, a sessão contou com as palavras orgulhosas de todos os envolvidos no projeto, passando pelo descerramento da Placa Inaugural, e terminando – em bom – com um cocktail.

É

caso para dizer, quem espera sempre alcança! No passado dia 10 de junho, foi inaugurado o Sudoeste Retail Park, localizado junto à rotunda de Alcantarilha na EN125 e ao lado de um dos acessos à Via do Infante, e que promete marcar a diferença, sendo hoje um dos maiores empreendimentos similares em Portugal e o maior da Região Algarvia. É um projeto que conta com um ABL (área bruta locável) de 14 500m2, onde estão presentes 19 grandes marcas, nacionais e internacionais, dos mais variados setores de atividade. Para além disso, conta com um investimento a rondar os 25 milhões de euros, estando prevista a criação de 620 postos de emprego. Desde o Continente, Rádio Popular, Hôma, Espaço Casa, Burger King e outras, são algumas das prestigiadas marcas que fazem parte deste que é o maior Retail do Algarve. Se o seu nível de pioneirismo é elevado, ao analisarmos somente os valores de investimento, é legítimo afirmar que o mesmo se torna num

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caso ímpar, quando olhamos para o mix comercial diversificado existente pela qual é composto este empreendimento, uma vez que conta com marcas de enorme relevância, prestígio e reputação do panorama nacional e internacional, o que demonstra e evidencia a atratividade e qualidade do projeto. Já com uma taxa de comercialização acima dos 80%, o Sudoeste Retail Park conta com 532 lugares de estacionamento e funciona diariamente entre as 9 horas e as 22 horas. De salientar que este complexo comercial tem no consumidor e na sua experiência de consumo um dos seus principais focos, o que se reflete no seu design e layout, bem como na diversidade de lojas, fazendo do Sudoeste Retail Park uma verdadeira referência tanto na região como a nível nacional. A construção, a cargo da Telhabel Construções SA, a gestão de projeto feita pela Work3 Engenharia & Consultoria Lda e a iniciativa, desenvolvimento e comercialização a cargo da RETAIL MIND, compõe o trio de empresas

100% Portuguesas que estiveram envolvidas neste projeto, que teve início em Janeiro de 2020. UM PROJETO FUNDAMENTADO EM CRITÉRIOS ESG (ENVIRONMENT, SOCIAL, GOVERNANCE) Este empreendimento é um dos maiores de Portugal e o maior da região do Algarve na sua tipologia, e será, portanto, um ponto de referência e interesse para todo o país. Este projeto considerou critérios ESG (Environment, Social, Governance) que se refletem em compromissos pensados, tanto para a fase de construção, como de operação. São disso exemplo a utilização de iluminação em LED, a vegetalização com 4.500 plantas, a reutilização da totalidade das terras escavadas, o uso aço com 80% de matéria reciclada, bem como a criação de 120 postos de trabalho em fase de obra e cerca de 500 postos de trabalho com o empreendimento em operação. ▪


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As palavras orgulhosas das entidades envolvidas...

MÁRCIO MONTEIRO, Telhabel - Promoção e Construção do Projeto “É verdade que tivemos alguns constrangimentos, mas é um orgulho hoje estarmos a inaugurar o Sudoeste Retail Park. Agradecer a todos aqueles que conseguiram que este projeto se tornasse realidade.”

SANDRA CALDAS, CEO da Work 3 – Elaboração e Direção de Projeto “É com grande orgulho que hoje concluímos este processo, estamos seguros de que será um importante marco para Alcantarilha, um absoluto sucesso. Acho que em Portugal faz falta mais gente como a Senhora Presidente, Rosa Palma, mais líderes assim.”

VÍTOR ROCHA, CEO da Retail Mind – Projeto e Comercialização “A Retail Mind olhou para este projeto há sensivelmente quatro anos. Quando percebemos a localização do mesmo ficámos completamente enamorados, conseguimos desde cedo captar atenção de várias marcas. Acreditamos que este é um projeto, que dentro da sua localização é uma referência para o Algarve e, portanto, é com muito gosto que estamos aqui hoje.”

JOSÉ APOLINÁRIO, Presidente da CCDR “Quero sublinhar que aquilo que nos motivou a envolver neste projeto foi o facto de em plena pandemia, estar a existir um investimento significativo de 25 milhões de euros, de uma expectativa positiva, de que afinal valia a pena continuar e ter esperança, por isso é com o maior gosto que estou aqui hoje sublinhando que este investimento para além de criar emprego, promove muito a transição climática.”

ANDRÉ LEAL, Responsável de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios na Retail Mind – Pré-Gestão e Gestão Operativa “É com grande satisfação e com um enorme sentimento de satisfação pessoal e profissional que hoje estamos na inauguração deste projeto, que começou por ser um sonho para muitos, mas que hoje é o resultado do envolvimento e de uma enorme dedicação. Foram mais de 300 pessoas que diariamente trabalharam para dignificar um projeto de excelência como este.”

ROSA PALMA, Presidente da Câmara Municipal de Silves “Na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Silves é um honra e privilégio participar nas cerimónias da inauguração do Sudoeste Retail Park. Ainda sob o efeito da pandemia, mas sobretudo sob um pano de fundo trágico da guerra na Ucrânia e das sanções económicas, é sempre de louvar a coragem dos empresários que apostam no investimento e no relançamento da economia. É uma prova de confiança nas capacidades da economia nacional e nos agentes económicos que revela esperança para um futuro melhor.”

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“O ano de 2022 e o Futuro serão, certamente, de Expansão e muito Sucesso” A Revista Pontos de Vista rumou até Monção, no norte do país, para conhecer a Work3 - Engenharia & Consultoria, empresa edificada em 2017 e gerida desde então por Sandra Caldas, a nossa interlocutora desta entrevista que revelou como a marca tem sido alvo de um crescimento exponencial e exemplar. Foi também essa a data em que a nossa entrevistada ficou a cargo de um projeto que tem um significado especial para a história da sua marca: o Sudoeste Retail Park. Nas próximas linhas vamos conhecer mais sobre o percurso de uma Empreendedora e de uma Personalidade Líder, que não abre mão das suas raízes e luta dia a dia ao lado e com a sua equipa – sendo esta capacidade uma das principais razões que marcam a diferença da empresa que fundou.

SANDRA CALDAS

A

primeira lei da termodinâmica diz-nos que aquilo que não está a crescer está a morrer e se deixarmos de evoluir enquanto pessoas ou entidades, estamos a aproximar-nos do fim. É partindo deste princípio que podemos compreender melhor o conceito da Work3 Engenharia & Consultoria, e que foi criada pelas mãos de Sandra Caldas, que depois de fazer um percurso na sua área fora do país, decidiu que era o momento de criar algo digno da sua identidade, e que

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traduzisse o espírito empreendedor que traz consigo desde que se conhece. Neste sentido, “juntamente com o meu marido, fundei a empresa. O nosso desiderato inicial, foi criar uma marca que tivesse técnicos em Portugal, mas que desenvolvesse o seu trabalho exclusivamente para o estrangeiro, daí termos vindo para Monção, pois sabíamos que o facto de estarmos no interior poderia ser – e foi – uma alavanca fundamental ao desenvolvimento da marca. Já tinha passado, anteriormente, pelo

mercado Moçambicano e, em 2014, abri portas em Angola. Posso dizer que somos uma empresa pouco convencional, porque o nosso percurso aconteceu ao contrário: primeiro no mercado externo e só mais tarde no interno”, confidencia a nossa interlocutora. Enquanto empresa que se rege por valores como a satisfação e fidelização do cliente, rigor e qualidade ao abrigo dos mais altos princípios de ética, com uma equipa de profissionais coesa e inovadora, sem nunca prescindir de uma


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conduta responsável e competente no que diz respeito ao desenvolvimento económico, social e ambiental, esta é a marca que começou “lá fora”, o que para a Sócia-gerente, significou um orgulho transcendente, porque “a realidade é que quando trabalhamos de fora para dentro conseguimos trazer projetos de maior envergadura, e fomos capazes de trazer técnicos das grandes metrópoles para o interior. Principalmente porque esta zona do país tem mais-valias que nenhuma outra tem. Sabemos que aqui é possível ter qualidade de vida, serenidade e tempo para o trabalho, sem nunca prescindir da família, que é também essencial”, garante, acrescentando que “a certa altura percebemos que era importante trabalhar em Portugal, e há uma fase da minha vida que me obrigou a acalmar, que foi o facto de ter sido mãe, em 2014. Foi uma altura da minha vida bonita e que senti que devia ser desfrutada da melhor forma. Em 2017, comecei a pensar no meu segundo filho e reduzi ainda mais as viagens e foi quando, também pela oportunidade que me foi dada, me decidi fixar no mercado português. Até porque, o mesmo, nos últimos anos, tem estado em completa ebulição, portanto justifica-se perfeitamente estarmos cá”. UMA MARCA POUCO CONVENCIONAL Ser uma empresa de prestação de serviços nas áreas da Arquitetura e Engenharia reconhecida nacional e internacionalmente pela competência profissional, qualidade e valores, é o objetivo da Work3. Na realidade, este não é, de todo, um desafio inalcançável, precisamente pelo facto de esta ser uma marca, que em tudo se diferencia das restantes. Segundo Sandra Caldas, “a nossa empresa não é uma empresa convencional, também porque tem imensas mulheres em cargos de direção, e as mulheres têm uma grande vantagem porque são extremamente persistentes e perspicazes. As mulheres, quando têm um projeto vão até ao fim, são muito focadas. O nosso objetivo aqui é sempre a satisfação do cliente, e isso tem sido o grande trunfo na nossa afirmação enquanto empresa e ainda no reconhecimento dos nossos clientes”. Paralelamente, é também uma empresa que adota uma estratégia de diversificação: geográfica e em áreas de negócio. Isto é, além de se localizarem no interior, procuram estar presentes em nichos de mercado como é o caso da construção de postos de combustível, Retail Parks, reabilitação de edifícios, área hoteleira, entre outros - e que bem que tem funcionado ser diferente. “A verdade é que tem resultado muito bem, até porque o grosso do nosso sucesso tem sido precisamente o facto dos nossos clientes nos recomendarem, e nos darem como uma referência”, revela a fundadora da marca. Não é ao acaso que “um cliente nosso ganhou em Joanesburgo um prémio de desenvolvimento de logística industrial do Continente Africano

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com um projeto da Work3”, o que para a nossa entrevistada, é um enorme motivo de orgulho. No seio da Work3 não há dúvidas: a missão é que através da equipa de profissionais altamente motivados, seja possível corresponder às expetativas dos clientes, promovendo soluções inovadoras e alternativas, enquanto abraçam elevados padrões de excelência e rigor. É caso para dizer que este é um propósito cumprido e que continuará a ser realizado, até porque, “estamos sempre abertos a tudo o que são sugestões”, sustenta Sandra Caldas. “Uma das políticas internas que temos é pedir em média duas vezes por ano que os nossos técnicos sugiram as formações que devem ser feitas. Normalmente fazemos muito mais horas de formação do que as que são exigidas, porque faz muita diferença. Fazemos formações em diversos segmentos, muitas delas efetivamente nas nossas áreas de trabalho, mas também em outras que são complementares e nos ajudam a trabalhar como equipa”, acrescenta. A verdade é que, quando se é diferente, os desafios são acrescidos. Questionada acerca de quais os maiores com que se debate enquanto Diretora da marca, a mesma não hesita, explicando que “o maior desafio que temos é estarmos no interior porque - apesar de termos também escritório no Porto e, futuramente, também em Lisboa - existe ainda muita resistência à contratação de técnicos”. Precisamente porque se por um lado estar no interior em muito se revela positivo, por outro, há, ainda hoje, um certo estigma que “tem de ser ultrapassado rapidamente”. Sandra Caldas e a sua equipa sentem o desafio na pele e a mesma garante que “esforçamo-nos muito mais para conseguir o mesmo objetivo das consultoras que estão nas grandes cidades”.

Foi muito relevante integrar um projeto com esta envergadura porque demonstra que os promotores – com uma sensibilidade enorme e gosto pelo projeto - têm confiança na nossa capacidade técnica e de resolução

PROJETO SUDOESTE RETAIL PARK O Sudoeste Retail Park, que foi inaugurado a 9 de junho, cujo espaço alberga 20 marcas, localiza-se junto à rotunda de Alcantarilha na EN125 ao lado de um dos acessos à Via do Infante. Este é o primeiro projeto que a Work3 levou a cabo, não só elaborando a arquitetura, como as especialidades, a obtenção da licença económica junto do Ministério da Economia, como também todo o licenciamento junto das entidades no decorrer de toda a empreitada. Não só por ser o seu primeiro projeto, mas também pela complexidade do mesmo, sendo, portanto, um importantíssimo marco para a Work3. “Foi muito relevante integrar um projeto com esta envergadura porque demonstra que os promotores – com uma sensibilidade enorme e gosto pelo projeto - têm confiança na nossa capacidade técnica e de resolução. Revela também que a nossa equipa tem qualificações técnicas e que está à altura de desenvolver um projeto desta dimensão e complexidade. Portanto, há muitas vertentes a ter em

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“A realidade é que quando trabalhamos de fora para dentro conseguimos trazer projetos de maior envergadura, e fomos capazes de trazer técnicos das grandes metrópoles para o interior”

conta e a serem trabalhadas. É evidente também que este processo nos traz uma visibilidade muito grande e nos tem aberto imensas portas, portanto há vários fatores sobre o mesmo que o tornam único”, sustenta Sandra Caldas. A verdade é que, além do projeto ter integrado uma mão cheia de excelentes profissionais, muito do sucesso também se deve “ao facto de todos os intervenientes estarem focados no êxito do mesmo e das negociações com o promotor que foi extremamente sensível ao reforço de infraestruturas solicitados pela autarquia e pela Work3”, garante. No decorrer da obra, em momento algum a equipa Work3 prescindiu de marcar presença e acompanhar todo o processo. “Fizemos acompanhamento técnico do trabalho, validação de soluções, negociámos juntamente com o promotor e com a Câmara uma série de condições para que o projeto esteja enquadrado em Alcantarilha, mas que também os cidadãos da freguesia possam usufruir de algumas dessas vantagens, nomeadamente a questão das infraestruturas de abastecimento de água, de saneamento e arruamento”, assegura a Engenheira. Assim, na realidade, foi feita por parte da Work3 uma série de obras complementares que permitem a melhoria da qualidade de vida dos munícipes, o que para a nossa interlocutora é um motivo

de grande orgulho e segurança, principalmente porque “houve uma sinergia entre todas as entidades envolvidas. Desde a work3, os projetistas, até à empresa que promoveu a comercialização, a construtora ou o município, a verdade é que esteve sempre toda a gente unida e muito focada, e isso foi fundamental”, assegura satisfeita a nossa entrevistada. Após alguns dias da inauguração deste projeto, que demonstra ter um papel preponderante em Silves, Sandra Caldas assevera que “o Sudoeste Retail Park vai ser, sem dúvida, um sucesso. Pela localização, pelo facto de não ter nada similar nas imediações e também porque é um espaço que não tem aquele conceito de armazém low cost. Pelo contrário, é um espaço com design, agradável, atrativo e devidamente enquadrado na sua envolvente”. A realidade é que Alcantarilha carece de um espaço como este, o que torna crucial para o seu desenvolvimento a presença do Sudoeste Retail Park. A nossa interlocutora acredita que este será uma alavanca ao crescimento de uma série de outros empreendimentos na zona, até porque “a oferta de serviços está diretamente ligada à criação de postos de trabalho. No caso deste projeto, estamos a falar de cerca de 300 postos de trabalho diretos, o que vai atrair e fixar pessoas em Alcantarilha”, garante. ▪

FUTURO – PESSOAS – SUCESSO Questionada acerca do futuro da marca, a interlocutora assegura que o foco continuará a ser no mesmo segmento, ampliando geograficamente a sua área de atuação, com a abertura de um escritório em Lisboa. Confidenciou ainda que já estão a ser desenvolvidos outros projetos do mesmo género. “Posso dizer que neste momento estamos a trabalhar em sete Retails. Além disso, estamos a trabalhar também com a área da hotelaria e dos postos de combustível. Portanto, o ano de 2022 e o futuro serão, certamente, de expansão da marca e espera-se muito sucesso, êxito esse sempre sustentado pelas Pessoas que fazem parte deste projeto, pois sem elas não seria possível alcançar este nível de excelência”, termina Sandra Caldas.

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Município de Silves Da Serra ao Mar O Município de Silves, Presidido por Rosa Palma, acaba de abraçar o projeto com maior dimensão e complexidade da região do Algarve e um dos maiores a nível nacional: o Sudoeste Retail Park. A Revista Pontos de Vista entrevistou a Presidente da Câmara, que confidenciou qual a importância desta implementação e qual o papel da Autarquia no envolvimento ao projeto. Saiba tudo.

O

Sudoeste Retail Park inaugurou no passado dia 10 de junho ao público, representando um investimento de 25 milhões de euros, permitindo, assim, a criação de cerca de 620 postos de trabalho, o que para o Município de Silves significa uma alavanca ao seu desenvolvimento. Segundo Rosa Palma, “o facto deste empreendimento albergar cerca de 20 marcas, vai gerar emprego, que desejamos, seja justamente remunerado. Tudo isto vai mexer com o território em termos económicos e sociais. O que nós pretendemos de certa forma é que toda esta dinâmica

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ROSA PALMA

e investimento sejam sustentáveis e tenham continuidade”. A verdade é que para além de este ser um espaço que conta com muitas e boas novidades, tem ainda uma localização privilegiada, uma vez que se encontra junto à saída 7 da A22. Portanto, não só os munícipes acabam privilegiados, como também quem por ali passa. Desde passeios, a férias... o Sudoeste Retail Park tornou-se paragem obrigatória. “Este local está muito centralizado, de certeza que irá ser muito visitado. Relativamente à população local, o novo empreendimento vai afetar diretamente

as suas dinâmicas de consumo, hábitos de lazer e acesso a novas oportunidades de trabalho”, confidencia a Presidente da Autarquia. O ENVOLVIMENTO DA AUTARQUIA NO PROJETO SUDOESTE RETAIL PARK Certo é que existe um objetivo estratégico para o Município de Silves em promover o desenvolvimento sustentável do concelho, o aumento da riqueza produzida e a criação de emprego. Portanto, “o Município de Silves valoriza a construção do Retail Park que representa um importante investimento no Concelho de Silves


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"O QUE NÓS PRETENDEMOS DE CERTA FORMA É QUE TODA ESTA DINÂMICA E INVESTIMENTO SEJAM SUSTENTÁVEIS E TENHAM CONTINUIDADE” na ordem dos 25 milhões de euros, que criou 120 postos de trabalho em fase de obra, prevendo-se agora, em funcionamento, a criação de mais de 500 postos de trabalho. A Freguesia de Alcantarilha, o Concelho de Silves e a Região do Algarve têm tudo a ganhar com a construção desta infraestrutura ampla e moderna. Considero que se trata de um empreendimento inegável que fortalecerá a economia local. Foi gratificante para o Município de Silves colaborar ativamente com o investidor da realização deste importante empreendimento”, assegura a nossa interlocutora. Durante todo o processo da implementação do projeto, a colaboração da Autarquia foi um fator decisivo e fundamental para o sucesso do mesmo. Isto porque “a Autarquia tenta agilizar a vontade de concretizar”. Mas a verdade é

que, apesar de todos os entraves que se foram colocando ao longo de todo o processo, a Presidente da Câmara não deixa de congratular o sucesso do mesmo, porque “na realidade em que vivemos, estarmos hoje aqui, é um grande feito”, garante. Este é um complexo comercial que tem no consumidor e na sua experiência de consumo um dos seus principais focos, o que se reflete no seu design e layout, combinado com a variedade de lojas, o que torna o Sudoeste Retail Park uma verdadeira referência na região. Para além de por si só, ser um projeto de tamanha envergadura, torna-se ainda mais fundamental por ser em Alcantarilha/Silves. Isto porque, a verdade é que o Município carecia de uma dinâmica que mexesse com a população, portanto, podemos mesmo afirmar que este será mais um ponto de

viragem para Silves. A Presidente não esconde as suas expectativas no que diz respeito ao sucesso do projeto, “um investimento desta envergadura terá sempre impacto na economia local, esperando-se que se estabeleça uma conexão e relação comercial com os produtos e produtores locais, nomeadamente a laranja, os citrinos, os vinhos e os hortofrutícolas, onde o concelho de Silves é líder, no sentido da consolidação e densificação do aparelho produtivo concelhio.” ▪

MUNICÍPIO DE SILVES: O FUTURO Além do Sudoeste Retail Park, esta é uma Autarquia que em momento algum prescinde de dinamizar a região. Por isso mesmo, a Presidente adiantou à Revista Pontos de Vista que “estamos a lançar-nos numa iniciativa conjuntamente com mais dois Municípios que é o Geoparque Algarvensis, tendo em vista o reconhecimento e valorização do território, cultura e património, que são nossos, levando as pessoas a ter esse sentimento de pertença. Neste projeto queremos ter o selo da UNESCO. Também está em curso o processo de classificação do Parque Natural Marinho do Algarve que abarca a baía de Armação de Pêra, visando a preservação da biodiversidade e a sustentabilidade da pesca artesanal.” Espera-se, portanto, um futuro dinâmico e harmonioso nesta região, o que para a nossa entrevistada, é o mais importante.

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PONTOS DE VISTA PONTOS DE VISTA NO FEMININO

A importância da Igualdade de Oportunidades entre Homens e Mulheres Filomena Rosa é a atual Presidente do Conselho Diretivo do IRN - Instituto dos Registos e do Notariado e, em entrevista à Revista Pontos de Vista, abordou como é liderar esta instituição e a sua visão sobre os desafios que existem diariamente pelo facto de ser Mulher, assegurando que atualmente a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres ainda não é uma realidade em Portugal.

O

Instituto dos Registos e do Notariado é um Instituto público integrado na administração indireta do Estado, dotado de autonomia administrativa, com jurisdição sobre todo o território nacional. Enquanto Presidente do IRN, como nos pode descrever a evolução do mesmo e da sua atuação até ao momento? O IRN, tal como hoje existe, foi criado em 2007. Reflete a reorganização do Ministério da Justiça desse mesmo ano, com a missão de executar e acompanhar as políticas relativas aos serviços de registo, tendo em vista assegurar a prestação de serviços aos cidadãos e às empresas no âmbito da identificação civil e do registo civil, registo predial, registo de bens móveis, registo comercial, registo de pessoas coletivas e no âmbito da nacionalidade. São 15 anos dedicados à prestação de serviço público, sempre com o objetivo de fazermos mais e melhor, adaptando-nos a todas as circunstâncias, mesmo às mais desafiantes, superando obstáculos e respondendo com eficiência e eficácia a todos os que recorrem aos nossos serviços de identificação civil e de registo. Tendo presente toda a valiosa herança histórica do IRN, penso que temos conseguido acompanhar os avanços e as transformações sociais, legislativas e tecnológicas verificadas no nosso País e no Mundo. Nas ultimas duas décadas foi possível disponibilizar soluções e respostas verdadeiramente catalisadoras de mudanças no modo de vida em Portugal, das quais destaco: a substituição do Bilhete de Identidade pelo Cartão de Cidadão, a implementação de balcões únicos de atendimento como o Casa Pronta, o Balcão de Heranças e Divórcio com Partilha e o Balcão Nascer Cidadão; a criação dos serviços Empresa na Hora, Associação na Hora e Sucursal na Hora, entre outros. No meu mandato tenho procurado respeitar o legado da tradição ao mesmo tempo que procurei, conjuntamente com o restante Conselho Diretivo, lançar as fundações do futuro, que passa pelo aprofundamento da transformação digital, de todos os sistemas de suporte à atividade registal, aproveitando os benefícios da melhor tecnologia disponível, como por exemplo a vídeo conferência, preparando a revisão da organização dos serviços e do seu modelo de atendimento, bem como a gestão da mudança. Com o esforço e dedicação de todos e de cada um dos trabalhadores do IRN, continuamos e queremos continuar sempre presentes na vida dos cidadãos e das empresas, pensando nos seus momentos de vida, projetando, por exemplo, os ciclos de vida de

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FILOMENA ROSA

cidadãos e empresas, apostando na renovação dos canais online, melhorando a sua usabilidade para que sejam cada vez mais a opção dos cidadãos e mantendo a presença no território do atendimento presencial para os casos em que ele se revela mais necessário. A missão do IRN é, portanto, executar e acompanhar as políticas relativas aos serviços de registo, tendo em vista a prestação de serviços aos cidadãos e às empresas em diversas áreas de negócio. Quão importante tem demonstrado ser o papel do Instituto naquilo que defende, participa, assegura e apoia? Desde logo, os serviços de registo, pelas funções únicas que a Lei lhes atribui, desempenham um papel fundamental como garantes da segurança jurídica dos cidadãos e do comércio jurídico em geral. Julgo que todos reconhecemos a importância e a grande vantagem da existência de um sistema de registo confiável, que proporcione informação rigorosa, essencial para o planeamento de medidas legislativas e para a organização da sociedade. O IRN, enquanto entidade máxima dos registos no nosso país, assegura o rigor e a veracidade dessa informação, ao assumir elevados padrões profissionais, defendendo a legalidade e a transparência e garantindo a confiança nos atos registais. Os serviços de registo são igualmente agregadores das populações, pelas relações de proximidade e de acessibilidade que estabelecem com os cidadãos; basta pensar que todos nós, sem exceção, e pelo menos uma vez na vida, temos contacto com os serviços de registo. Também neste sentido, o IRN tem pugnado por garantir a existência de uma rede de serviços de proximidade física e, simultanea-

mente, promover e potenciar o desenvolvimento de tecnologias e soluções inovadoras que permitam a interação com os cidadãos numa lógica de “a qualquer hora” e “em qualquer lugar”. Outro dos valores defendido pelo IRN é a valorização dos seus recursos, quer humanos, quer materiais, como não poderia deixar de ser, numa instituição com mais de 4.700 trabalhadores. Neste âmbito, somos parceiros do programa governamental “3 em Linha”, que pretende conciliar a vida profissional, pessoal e familiar dos trabalhadores da administração pública. Trata-se de medidas que abrangem a possibilidade de prestação de teletrabalho, ou outros regimes alternativos de prestação de trabalho (isenção de horário e jornada contínua, por exemplo) e o aumento de formação profissional à distância. A nível material, temos em prática um novo modelo de atendimento presencial, com a preocupação de acomodar trabalhadores e cidadãos em espaços condignos e aprazíveis, dotados de novo mobiliário e equipamento, mais inclusivos e com maior proximidade para o cidadão, mas sem descurar as exigências de privacidade e o respeito pela proteção de dados. Quero também destacar o trabalho de cooperação e parceria que o IRN tem efetuado com outras entidades nacionais ou estrangeiras, como a Rede Iberoamericana de Cooperação em Matéria Registal (IBEROREG), a European Land Registration Association (ELRA), o Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), a Rede Judiciária Europeia em Matéria Civil e Comercial (RJECC), o Grupo de peritos sobre a interconexão dos registos de testamentos E-Justice, e nos projetos GESTDOC, EUCARIS, BRIS, Interoperability Model for Land Registers (IMOLA), Legal Entity Identifier (LEI), bem como a cooperação que temos mantido com os Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP e Timor Leste), colaborando há vários anos na formação de conservadores e oficiais dos registos e notariado e na elaboração de legislação destes países e, mais recentemente, promovendo a criação de uma União de Registos da Lusofonia. Saliento ainda que o IRN esteve entre as primeiras instituições a demonstrar preocupação em auxiliar os refugiados da guerra na Ucrânia que se deslocaram para Portugal, pondo à disposição destes cidadãos canais de atendimento e balcões dedicados, com vários serviços online, telefónicos e presenciais, para que pudessem resolver as suas situações documentais e jurídicas, individuais ou das suas empresas. Além disso, o IRN fomenta ainda a inovação e a modernização da prestação dos serviços


PONTOS DE VISTA PONTOS DE VISTA NO FEMININO

públicos através do recurso intensivo às novas tecnologias de informação. De que forma, assim, esta «mentalidade» potencia soluções originais e pioneiras para o setor? Desde há cerca de 15 anos a esta parte, o Ministério da Justiça iniciou um amplo processo de modernização dos registos. o fim da competência territorial tornou possível a qualquer cidadão ou empresa poder praticar atos de registo em qualquer serviço, de acordo com a sua conveniência. Agora pretendemos uma nova revolução, fundada no desenvolvimento tecnológico de sistemas informáticos mais inteligentes, mais amigáveis para o utilizador e para o cidadão. Queremos automatizar algumas funções mais burocráticas e repetitivas, e obter maior interoperabilidade nos sistemas de registo e destes com os demais serviços da administração pública. O desafio da pandemia impulsionou a necessidade desta transição digital, especialmente em serviços fundamentais para os cidadãos, como o cartão de cidadão. Reinventámo-nos e implementámos medidas alternativas ao atendimento presencial, com recurso às novas tecnologias, que nos permitiram manter em funcionamento os nossos serviços. A renovação automática do Cartão de Cidadão, para maiores de 25 anos, permitiu que mais de um milhão de portugueses fizessem a renovação automática do seu documento de identificação, sem sair de casa, porque o podem receber através dos CTT, desde que o serviço foi disponibilizado, em maio de 2021; O nascimento online, criado em abril de 2020 (que permitiu, em parte, ultrapassar os constrangimentos provocados pela necessidade de fecho dos balcões Nascer Cidadão) foi sucessivamente alargado aos países da União Europeia e a países fora da Europa, abrangendo atualmente um total de 58 países. Atualmente, os pais solicitam online o 1.º Cartão de Cidadão dos seus filhos; e a implementação de novos serviços através de videoconferência, designadamente o atendimento informativo (para esclarecimento de dúvidas) e orientado (para apoio na utilização dos serviços online) e, desde abril último, a possibilidade de realização por videoconferência de atos autênticos, termos de autenticação de documentos particulares e reconhecimentos. O desafio estratégico do IRN para o futuro, em matéria de inovação e modernização, e para o qual temos que aproveitar ao máximo os recursos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), é continuar a diversificar os canais alternativos ao atendimento presencial, com maior desmaterialização de processos e procedimentos; continuar a investir na renovação dos sistemas informáticos de suporte à atividade dos registos, com vista a torná-los mais ágeis, mais amigáveis para os nossos trabalhadores e para os cidadãos em geral; e continuar a promover a interoperabilidade entre sistemas, assente no princípio “uma vez apenas”, contribuindo para uma imagem mais positiva da Justiça, nos planos nacional e internacional. Como já mencionado, a Filomena Rosa é a atual Presidente do IRN. Tendo um percurso vasto e um portefólio ainda maior de conhecimento, que mais-valias este cargo de extrema importância trouxe à sua vida profissional?

A função de Presidente do Conselho Diretivo do IRN proporciona uma maior partilha de conhecimentos entre entidades, dentro e fora de Portugal, partilha essa, promotora de um enriquecimento pessoal e, consequentemente, de um fortalecimento profissional, que se afigura crucial num cargo com responsabilidades ao nível do desenho e desenvolvimento de Políticas Públicas. Por outro lado, é de salientar o impacto que a situação social e de saúde pública vivida em Portugal nos últimos anos surtiu na procura e criação de soluções inovadoras para os serviços prestados ao cidadão e às empresas, na área dos registos. Com a entrada e execução do PRR, outro marco histórico na nossa sociedade, daremos continuidade ao avanço tecnológico já alcançado e consolidaremos o crescimento tão almejado. Espero assim que o IRN possa continuar a contribuir fortemente para a realização da Justiça e para a construção da Sociedade que todos queremos: mais humana, mais inclusiva e com maior igualdade entre todos os cidadãos. Fazendo uma retrospetiva ao caminho imenso que já traçou, considera que a liderança que hoje desenvolve com agilidade, é algo com que sempre ambicionou e inerente à sua personalidade? Este cargo, que exerço com muito orgulho, foi um desafio que abracei com espírito de missão. Sendo conservadora, a possibilidade de influir no futuro dos registos foi a motivação que me moveu desde o primeiro momento, acreditando que posso beneficiar da minha experiência pessoal da prática das conservatórias. Não considero que seja inerente à minha personalidade. Entendo que a capacidade de liderança, atenta a complexidade e responsabilidade inerentes ao cargo que ocupo, tem sido uma aprendizagem desenvolvida diariamente na relação com os outros. Gostaríamos de a conhecer melhor. Como se descreve enquanto pessoa, mulher e profissional e que meta/marca, nestas três vertentes, ainda espera cumprir/deixar? Considero-me uma pessoa íntegra, uma mulher que defende a flexibilidade e o equilíbrio na conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional e que pontua a sua prática profissional com tolerância, resiliência e transparência. Enquanto cidadã, mulher e profissional tenho como desiderato contribuir para o desenvolvimen-

to de uma sociedade assente nos valores da vida, justiça, liberdade e segurança. A Filomena Rosa é um exemplo de que a liderança nada tem a ver com género, mas sim com profissionalismo. Neste sentido, durante o seu percurso, considera que surgiram desafios maiores pelo facto de ser mulher? Acredita que a igualdade de géneros/oportunidades ainda não é uma realidade? Sim, surgiram desafios maiores pelo facto de ser mulher, sobretudo atendendo à particularidade de a área jurídica ser historicamente marcada pelo masculino e só recentemente terem sido incluídas na gestão de recursos humanos medidas que favorecem a conciliação da vida pessoal, familiar e profissional, indispensáveis para a participação das mulheres de forma mais equilibrada em todas as esferas das suas vidas. Por outro lado, a igualdade no mundo do trabalho depende muito do equilíbrio na vida familiar. Neste campo considero que tive a sorte de encontrar alguém que compreende essa necessidade, permitindo-me encarar este desafio profissional sem ter de assumir, ao mesmo tempo, como muitas mulheres, uma maior responsabilidade na família. A igualdade de oportunidades entre homens e mulheres ainda não é uma realidade em Portugal, o que se expressa na baixa representatividade das mulheres em lugares de gestão ou liderança e, por exemplo, na necessidade de definir um dispositivo legal como é o caso das quotas na Assembleia da República ou nos Conselhos de Administração que, através da discriminação positiva, procura reestabelecer a longo prazo uma paridade, até agora inexistente. O IRN é um organismo marcado pela ação no feminino; 80% dos nossos trabalhadores são mulheres e 60% destas têm habilitações académicas iguais ou superiores ao 12º ano de escolaridade. Para terminar, que mensagem gostaria de deixar a todas as mulheres que, tal como a Filomena Rosa pretendem traçar um caminho de sucesso? A tomada de decisão, que se reflete em escolhas efetuadas ao longo da nossa vida, deve ser efetuada com seriedade, consciência e empenho, tendo por base a premissa de que é sempre possível recomeçar e fazer melhor. E esta mensagem é válida tanto para mulheres como para homens. ▪

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PONTOS DE VISTA PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“Temos de acabar com a estigmatização e preconceitos neste setor”

FOTO: DIANA QUINTELA

Edificada em 2017, a CBWEED conta atualmente 18 Lojas abertas em Portugal e com mais de 90 Franquias CBWEED na Europa. Num momento em que vemos diversas movimentações no sentido de tornar a Cannabis legal, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Nerea Reche e Carina Bernardes, Sócias Fundadoras da CBWEED, assegurando que é fundamental acabar com a estigmatização e o preconceito relativamente a este setor.

NEREA RECHE E CARINA BERNARDES

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onstruído em Itália, o CBWEED foi criado em 2017, tendo a Cannabis como ponto comum no seu crescimento nos seus usos mais diferentes. No sentido de contextualizar juntamente com o nosso leitor, como é que a marca assume a sua dinâmica e se tornou bem-sucedida no nosso país? Nerea Reche (NR) Esta marca nasceu de uma paixão pela utilização desta planta de um ponto de vista terapêutico e saudável. A planta de Cannabis é uma grande desconhecida e vítima de estigmatização social. O facto de ter sido criminalizada e o seu acesso à investigação ter sido limitado durante tantos anos gerou uma falta de informação e, como resultado, aversão social e desconfiança. É por isso que a nossa missão é mostrar e informar sobre a realidade de que tem múltiplas utilizações (têxtil,

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ambiental, terapêutica, cosmética, entre outros) e inúmeras propriedades benéficas. Existe uma tendência mundial, especialmente em Portugal, para estilos de vida mais saudáveis e naturais que favorece o uso da planta Cannabis e envergonha esta estigmatização sem sentido, razão pela qual está a ter um acolhimento tão grande neste país. Seguindo os exemplos de países como os EUA e o Canadá, cada vez mais pessoas estão a usufruir dos benefícios desta planta. Sempre com a missão de partilhar os benefícios e alta qualidade da nossa Cannabis, a CBWEED atravessou fronteiras e é agora um dos líderes europeus com mais de 50 franchisados em toda a Europa e mais de 800 retalhistas. Como tem sido realizado este processo de expansão e que im-

pacto tem hoje a marca no mercado português? NR - Neste momento já temos mais de 90 Franquias CBWEED na Europa, existe uma procura muito grande generalizada que acompanha a tendência europeia para a legalização. Em Portugal abrimos a primeira loja no final de 2020 em Carcavelos e, desde então, a expansão tem sido exponencial. Tem sido um grande desafio e aprendizagem poder acompanhar e participar neste processo até hoje e acima de tudo uma fonte de orgulho e satisfação ter alcançado uma grande parte da sociedade com os valores defendidos pela marca. O facto de termos a nossa própria produção biológica e controlarmos todo o processo de cultivo para garantir a qualidade do produto final é algo que nos tem diferenciado e favorecido a nossa expan-


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Malta tornou-se o primeiro país da União Europeia a legalizar a cannabis para cultivo e uso pessoal. A recente aprovação desta fábrica tem sido objeto de debate em Portugal. Qual é a sua opinião sobre esta questão e de que forma poderia esta ser uma excelente oportunidade para a CBWEED? NR - Para nós a tendência é absolutamente clara. Malta foi um dos primeiros a captar e regular esta realidade, mas todos os países estão a avançar de uma forma ou de outra no sentido da legalização e regulação do uso e cultivo de cannabis. Os governos não podem continuar a evitar esta questão e têm de começar a trabalhar numa regulamentação real e eficaz do uso e cultivo do Cannabis que reflita a sociedade portuguesa. Ignorância e falta de informação creio ser os nossos maiores inimigos nesta área, a educação sobre esta questão é necessária para que não continuemos com a estigmatização e preconceitos sem sentido. Tudo o que está a ser defendido tem uma base científica, e os estudos estão ao alcance de todos. Para nós e para todas as pessoas deste setor é não só uma oportunidade de continuar a crescer, neste caso com segurança jurídica, mas também no nosso caso um grande passo para a realização do nosso sonho, um sonho que é fruto de uma paixão, e que nos levou a arriscar e apostar em seguir e defender a nossa visão numa sociedade. Uma das apostas da marca é no franchising. Então, quais são os bens mais valiosos de um franchisado CBWEED? Como é que a marca apoia e acompanha os seus franchisados? Quantos espaços existem em Portugal “feitos em” CBWEED? NR - Neste momento temos 18 CBWEED Lojas abertas em Portugal desde que abrimos a primeira em novembro de 2020. Gostamos de falar de Família, porque é muito mais do que o franchising que nos une. A partir do momento em que nos contactam para informações, acompanhamo-lo e aconselhamo-lo sobre o negócio. Passamos então à montagem da loja através da montagem, formação e fornecimento de produtos. Este aconselhamento e apoio também se estende à vertente de marketing do negócio, que é essencial nos dias de hoje. CBWEED é sinónimo de qualidade e inovação, o facto de termos as nossas próprias plantações, permite ao nosso departamento de Investigação e Desenvolvimento melhorar as estirpes ano após ano, bem como cuidar da qualidade desde o início até ao fim da produção. Graças a este trabalho e dedicação, ganhámos vários prémios internacionais, como o mais recente para a melhor marca de Cannabis Light 2022. Outra atração do nosso modelo é não só ter a nossa própria marca mas também ter uma vasta gama de produtos naturais que estão constantemente a aumentar com o lançamento de novos

FOTO: DIANA QUINTELA

são. Temos também excelentes colaborações e a nossa própria vasta gama de produtos, incluindo cosméticos naturais, alimentos, cultivo, acessórios, entre outros.

produtos que respondem às necessidades dos nossos clientes e do mercado. Carina Bernardes é um dos líderes e mentores do projecto CBWEED em Portugal. O que o levou a ser acreditado no projeto e de que forma a sua capacidade de liderança foi essencial para levar este projecto ao “sucesso”? Carina Bernardes (CB) - Sempre tive muita curiosidade sobre o mundo do cânhamo, de uma forma ou de outra. Adoro ler e como tal sempre li muito sobre este assunto e durante muitos anos tenho viajado, o que me permitiu conhecer diferentes países e culturas e a sua relação com a Cannabis. Sempre senti que tinha muito a contribuir para este mundo e que tinha muito a oferecer à sociedade. Assim, quando o dia chegou e senti a necessidade de me dedicar a algo que realmente me inspirou, não hesitei duas vezes e arrisquei com os meus parceiros para fazer parte deste movimento. Passar à gestão do negócio tem sido um grande desafio, especialmente com o crescimento que temos tido e penso que o mais importante de tudo isto é tudo o que aprendi e a experiência que adquiri. Gerir e dirigir pessoas dentro de uma organização é um dos trabalhos mais importantes e difíceis, mas também um dos mais gratificantes no meu caso. Que análise perpetua da mulher no universo dos negócios e das empresas nos dias que correm? Sente que ainda existe aqui um longo caminho a desbravar para que a equidade seja cada vez mais uma realidade? CB - Felizmente, acredito que a presença de mulheres no mundo empresarial está a tornar-se mais comum e importante e o nosso papel mais relevante. A um nível geral sinto que estamos no caminho certo, embora seja verdade que existem setores totalmente controlados ou liderados por homens onde ainda há muito trabalho a ser feito. No nosso caso, temos orgulho em ter mais mulheres em posições de responsabilidade e esta é uma questão totalmente normalizada. Também temos cada vez mais mulheres à frente das nossas franquias. Sinto que o caminho está a ficar cada vez mais curto para alcançar esta verdadeira equidade.

Ser mulher, em algum momento da sua vida e carreira, foi impeditivo ou colocou entraves à realização de um objetivo? Se sim, de que forma isso alterou a sua trajetória? CB - Tanto no meu caso como no caso de Nerea tivemos a sorte de não ter tido de enfrentar este tipo de situação. E digo sorte porque estamos conscientes de que muitas mulheres têm sofrido estas dificuldades. Na sua opinião, existe uma Liderança Feminina e uma Masculina, ou a Liderança positiva, inclusiva e promotora de valor não tem género? CB - Sem dúvida, a liderança positiva não tem género. Acredito que são as qualidades e competências inerentes ao género que moldam esta figura de líder. Sendo um exemplo claro de liderança feminina, e tendo consigo uma quota imensa de determinação, que mensagem gostaria de deixar a todas as mulheres, que tal como a vocês, gostariam de trilhar um percurso de sucesso? CB - Penso que o mais importante é ser claro sobre para onde se quer ir, ter um objetivo e acreditar no que se faz. Ter uma paixão e defendê-la. A partir daí é uma corrida de longa distância onde terá muitos solavancos, mas estes também ajudam a crescer. Dar o passo não é fácil e envolve riscos, o que, por sua vez, gera medo. Por conseguinte, penso que também é importante saber relativizar nesta vida e dar importância às coisas que realmente importam. A terminar, o que podemos esperar de si e da CBWEED de futuro? Quais são os grandes desafios para o vindouro? NR - Temos muitos projetos em curso tanto internacionalmente como aqui em Portugal, não podemos revelar demasiados detalhes, mas este ano trará definitivamente muitas surpresas. Em Portugal continuaremos a fazer crescer a marca e a melhorar a nossa estrutura e organização para sermos mais eficientes a cada dia. Penso que o nosso maior desafio é continuar a adaptarmo-nos ao mercado e continuar a crescer. ▪

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PONTOS DE VISTA PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“O que tornará a Equidade uma Realidade é a Mudança na forma de Pensar” Diz que acredita na liderança positiva e baseada na confiança mútua entre Líder e Liderado e sente-se uma mulher privilegiada por tudo o que a vida lhe foi dando. De quem falamos? Falamos de Juliana Azevedo, uma jovem advogada que exerceu a sua profissão maioritariamente no setor empresarial, e que é hoje responsável Jurídica da Biocom Companhia de Bioenergia de Angola, uma subsidiária do Grupo Odebrecht, que em entrevista à Revista Pontos de Vista, levantou o véu sobre o seu trajeto e carreira, e deixou uma poderosa mensagem a todas as Mulheres: “sejam éticas, confiem em vocês mesmas e garantam os resultados nas vossas posições”.

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o sentido de contextualizar junto do nosso leitor, quem é Juliana Azevedo e que análise perpetua da sua carreira e do seu trajeto desde o início até aos dias de hoje? Que momentos é que acredita terem sido essenciais no seu crescimento? Aos leitores da Revista Pontos de Vista, Juliana Azevedo é uma jovem advogada que exerceu a sua profissão maioritariamente no setor empresarial, como jurista interna de empresa e que é apaixonada pelo seu ofício. Entretanto, considero como o início da minha carreira o período em que trabalhei num escritório de advocacia e frequentei os Fóruns e Tribunais da cidade de São Paulo, a maior capital do Brasil. Essa experiência foi essencial para a minha formação e trago comigo até hoje as lições aprendidas durante esse início de carreira, especialmente pela necessidade de ser ágil na busca de soluções para questões de baixa e alta complexidade, à época. Após esse início, também considero como momentos essenciais para o meu crescimento profissional a minha transição para a trading do Grupo Odebrecht e as experiências internacionais que o exercício desta função me propiciou, assim como a minha vivência em Curitiba antes, durante e depois do Grupo Odebrecht formalizar o maior acordo de leniência do país. Neste momento, é responsável Jurídica da Biocom Companhia de Bioenergia de Angola, subsidiária do Grupo Odebrecht, que opera a primeira Unidade Agroindustrial produtora de açúcar, etanol e energia elétrica renovável

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JULIANA AZEVEDO, EM UMA DAS SUAS PRIMEIRAS VISITAS A ANGOLA

“POR TODOS OS LUGARES POR ONDE PASSEI PROCUREI FAZER COM QUE AS MINHAS EQUIPAS FOSSEM CAPAZES DE LIDAR COM TODAS AS SITUAÇÕES DE TRABALHO, CONFIANDO QUE OS CAMINHOS E SOLUÇÕES POR ELES PROPOSTOS ERAM OS MELHORES POSSÍVEIS” em Angola. Qual foi e tem sido a motivação para liderar este projeto? Que balanço é possível perpetuar pela sua presença na marca? Dos países que visitei como advogada da trading, Angola sempre me marcou antes mesmo de eu vir trabalhar para a Biocom, em razão das inúmeras oportunidades que este país africano “em reconstrução” traz para quem quer compartilhar experiências e conhecimento. Isso sem falar da sua história, cultura e conexão com os países lusófonos. E com a Biocom não foi diferente, sendo a minha motivação neste projeto o seu potencial para a geração de riquezas para o país e para o desenvolvimento da Província

em que a Unidade Agroindustrial da Biocom está localizada, a Província de Malanje. Para além disso, a Biocom já superou inúmeros desafios e vem crescendo a cada ano. Aqui, temos o costume de dizer que só realmente conhece a Biocom quem visita a referida Unidade, pois o trabalho lá desenvolvido é de facto impactante. Do meu ponto de vista, o balanço positivo que deixarei para a marca é o espírito de servir, o foco na solução de problemas e a orientação para a obtenção de resultados. É uma personalidade com uma vasta experiência. Basta ver que possui 15 anos de experiência na

área jurídica do Grupo Odebrecht, com foco em contencioso para a definição de estratégias e elaboração de defesas nas empresas da Engenharia e Construção, do Brasil e do exterior. Por um período de oito anos foi a responsável pela área jurídica da Odebrecht Serviços de Exportação, a trading do Grupo, que operou a exportação de bens e serviços brasileiros para 18 países na América Latina e em África, liderando os temas jurídicos relacionados ao comércio exterior e a mobilização internacional de trabalhadores entre as diversas empresas do Grupo. Como é que carateriza o seu estilo de liderança e de que forma é que foi moldando a mesma com a sua experiência e vivências? Reconheço o meu estilo de liderança como “diretiva e assertiva”. Isso porque tenho, em regra, opiniões bem definidas e um caminho já visualizado para a solução de problemas e controvérsias que giram em torno do dia a dia das empresas. Contudo, reconheço também a importância de procurar um equilíbrio ouvindo o ponto de vista das outras pessoas envolvidas neste dia a dia, sejam parceiros, colaboradores, líderes ou liderados. Essa é a maior lição que extraí das minhas vivências e experiências até hoje: saber comunicar e ouvir. Que análise perpetua da mulher no universo dos negócios e das empresas nos dias que correm? Sente que ainda existe aqui um longo caminho a desbravar para que a equidade seja cada vez mais uma realidade? Sim. Acredito que esse ainda é e será por um bom tempo um desafio a ser enfrentado pelas empre-


PONTOS DE VISTA PONTOS DE VISTA NO FEMININO

sas. Sinto que já evoluímos bastante, mas que ainda há um grande caminho a percorrer. Na minha opinião, o que tornará a equidade uma realidade é a mudança na forma de pensar, começando pela nossa própria, ou seja, das mulheres que estão no universo dos negócios. A semente precisa de ser plantada por nós, acima de tudo. Está em Angola e, portanto, será interessante perceber de que forma é que neste país são dadas oportunidades às personalidades femininas. Crê que o país está no bom caminho nesta dinâmica da equidade no que concerne às oportunidades concedidas às Mulheres? Sim. Creio que, embora aqui também ainda haja um longo caminho a percorrer, existem alguns movimentos organizados incentivando o crescimento das personalidades femininas e com grande potencial. E como exemplo de liderança de personalidades femininas em Angola, gostaria de citar as das mulheres que ocupam atualmente as cadeiras de dois dos principais Ministérios do País, as Doutoras Vera Daves e Silvia Lutucuta. Por esse motivo, incentivo todas as mulheres com quem tenho oportunidade de interagir no sentido de que procurem estudar e capacitar-se, sem perder de vista o papel

relevante que as angolanas assumem no âmbito de seus lares. Que impacto é que acredita que o seu estilo de liderança tem nas equipas que lidera? De que forma é que é essencial ser uma “voz” motivadora, dinâmica e promotora do crescimento e desenvolvimento das pessoas que tem consigo? Força e confiança, acima de tudo. Por todos os lugares por onde passei procurei fazer com que as minhas equipas fossem capazes de lidar com todas as situações de trabalho, confiando que os caminhos e soluções por eles propostos eram os melhores possíveis. Isso não é fácil, pois exige conhecimento e comprometimento e uma posição mais exigente da minha parte, mas hoje tenho a satisfação de já ter recebido alguns feedbacks positivos de liderados que sinalizaram ter evoluído com essa minha forma de liderar. Ser mulher, em algum momento da sua vida e carreira, foi impeditivo ou colocou entraves à realização de um objetivo? Se sim, de que forma isso alterou a sua trajetória? Não. Vejo-me como uma mulher prestigiada neste aspeto. Na sua opinião, existe uma Liderança Feminina e uma Masculina,

ou a Liderança positiva, inclusiva e promotora de valor não tem género? Acredito mais na liderança positiva, baseada, principalmente, na confiança mútua entre Líder e Liderado. Acho que a inclusão, o

A terminar, o que podemos esperar de si e da Biocom de futuro? Quais são os grandes desafios para o vindouro? No que se refere à Biocom, o que sinceramente espero é o seu crescimento de forma sustentável, superando as dificuldades que o produtor nacional ainda enfrenta actualmente em Angola e com isso gerar cada vez mais empregos, em especial para

crescimento e a geração de valor são reflexos que vêm naturalmente quando isso acontece. Sendo um exemplo claro de liderança feminina, e tendo consigo uma quota imensa de determinação, que mensagem gostaria de deixar a todas as mulheres, que tal como a Juliana Azevedo, gostariam de trilhar um percurso de sucesso? Quero deixar a seguinte mensagem: sejam éticas, confiem em vocês mesmas e garantam os resultados nas vossas posições, seja quais forem, e assim não haverá espaço para qualquer questão de diferença de género nas vossas trajetórias profissionais. ▪

as mulheres angolanas. Da minha parte, o que espero do futuro é poder fazer a transição de meu programa para um advogado nacional que possua uma liderança positiva, inclusiva e promotora e que venha a aproveitar o trabalho que hoje realizo no Gabinete Jurídico da Biocom, criando ainda mais oportunidades neste setor da empresa.

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PONTOS DE VISTA XXXXX E ESCRITA LEITURA

“ESPREITE O SEU AGREGADOR DE PODCAST E ENVIE UMA MENSAGEM PARA

INFO@OPRAZERDAESCRITA.COM

CASO HAJA UM LIVRO OU TEMÁTICA RELACIONADA COM A ESCRITA QUE GOSTARIA DE VER ABORDADA NUM DOS PRÓXIMOS EPISÓDIOS DO «LIVROS A TRÊS»”

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PONTOS DE VISTA LEITURA E ESCRITA XXXXX

ANALITA ALVES DOS SANTOS

«LIVROS A TRÊS», O NOVO PODCAST PARA SABER MAIS SOBRE LITERATURA E ESCRITA Todos temos pouco tempo livre, mas gostamos de estar informados e aprender mais, de preferência naqueles momentos que consideramos «mortos» como enquanto se lava a louça, se está no trânsito, almoça sozinho ou aguarda por uma consulta médica.

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podcast é uma forma leve e descontraída de consumir conteúdos e de levar a nossa voz ao mundo. Por isso, o podcast está a crescer em todo o mundo e Portugal não é exceção. Os produtores de conteúdo veem neste formato mais um canal de divulgação de informações. Um grupo de amigos pode utilizar o formato como meio de expressão sobre um determinado assunto. Já as empresas consideram que esta pode ser uma oportunidade de produzir conteúdo de qualidade e de se tornarem referência num determinado nicho. As razões pelas quais se cria um podcast são incontáveis. No meu caso, o objetivo foi promover a leitura e a escrita. Desde o dia 10 de junho, o mundo conta com uma novidade nas principais plataformas agregadoras de podcast como o Spotify, Deezer, Apple Podcast, Podcast Addict. Chama-se «LIVROS A TRÊS» e trata-se de um projeto desenvolvido por três mulheres: eu, a Cláudia Passarinho e a Inês Pinto, com o apoio de Liliana Marques, especialista em podcast. Conhecemo-nos num dia de chuva, ou não — diz a Cláudia Passarinho e eu acredito, que a minha memória é um pouco fugidia. Mas, isso não interessa. O que importa é que de

alguma forma as nossas vidas se cruzaram e fomos abraçando projeto atrás de projeto (a revista literária PALAVRAR — Ler e escrever é resistir, é outro exemplo no qual colaboramos), sempre unidas pelo amor às palavras, à promoção da leitura e da escrita. Com periodicidade semanal, o podcast «LIVROS A TRÉS» abordará temáticas relacionadas com a literatura, o cinema, pinceladas de curiosidades, dicas de escrita, com convidados especiais, temas relacionados com o desenvolvimento pessoal, algumas banalidades (só «algumas», que isto de levar a vida muito a sério não dá saúde a ninguém) e três dedos de conversa. Eis o que pode esperar deste podcast que promete revolucionar a forma como olhamos para o «objeto livro» (e tudo o que o medeia) em Portugal. Todas as semanas será demonstrado que ler é mais que um virar de páginas e escrever vai além de juntar palavras. Espreite o seu agregador de podcast e envie uma mensagem para info@oprazerdaescrita. com caso haja um livro ou temática relacionada com a escrita que gostaria de ver abordada num dos próximos episódios do «LIVROS A TRÊS». ▪

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PONTOS DE VISTA IMOBILIÁRIO E FORMAÇÃO

“A minha Missão na APEMIP passa, principalmente, por fazer Crescer a Associação” Ana Avelar, Secretária Geral da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, revelou em entrevista à Revista Pontos de Vista os passos que a APEMIP tem dado no sentido de aumentar a notoriedade do seu setor, bem como as metas que almeja chegar para que esta posição vincada seja cada vez mais reconhecida.

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pós terminar os estudos na área do Direito e concluir o exame na Ordem dos Advogados, a Ana Avelar abraçou inúmeros projetos enriquecedores até ao momento. O que nos pode contar sobre esta jornada rica em projetos e conhecimento? Após concluir o curso, fiz o estágio de advocacia, tendo inicialmente feito o meu percurso na área penal. Após os primeiros anos de atividade de advocacia na área criminal, foquei-me e centralizei a minha atividade na área de insolvências e recuperações de empresas, onde concentrei a maioria da minha atividade profissional, até 2011. Simultaneamente, fui também diretora de uma empresa na área de Eletrónica e Telecomunicações e, posteriormente, integrei a Deco Proteste a partir de 2012, onde prestava assessoria na área de direito do consumo. A partir de 2011, passo a ter escritório em nome próprio, sendo simultaneamente procuradora-geral de um grupo económico da área da construção civil. Ao longo dos anos assessorei empresas, presidi assembleias gerais e conselhos fiscais das mais diversas áreas. Em 2014, decido abraçar novos projetos, tornando-me assessora jurídica da direção da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). Passado seis meses, sou convidada a subir ao cargo de Secretária Geral, que passei a acumular com o cargo de Diretora de Serviços. Presentemente, para além disto, mantenho a atividade de advocacia, apesar de ter reduzido a mesma drasticamente a partir de 2019, por indisponibilidade de agenda. Sou também diretora da Revista APEMIP e gerente de uma empresa, a qual detém uma Academia de Formação certificada pela DGERT e pelo Banco de Portugal.

ANA AVELAR

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Há precisamente oito anos abraçou o desafio de Assessoria Jurídica da Direção Nacional da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), tendo sido promovida a Secretária Geral um ano depois – cargo que atualmente ocupa. Nesta qualidade, que missão tem vindo a almejar cumprir? A minha missão na APEMIP passa, principalmente, por fazer crescer a Associação, captar novos Associados e dinamizar e credibilizar o setor imobiliário. Neste sentido, uma das minhas principais preocupações e apostas passa pelo grande foco na formação contínua. Na APEMIP, pretendemos ter uma oferta


PONTOS DE VISTA IMOBILIÁRIO E FORMAÇÃO

formativa atual e adequada às necessidades e expetativas dos profissionais do setor. Para que os nossos formandos tenham as melhores condições possíveis, no início deste ano renovámos o espaço da Academia APEMIP, em Lisboa, que agora se situa no mesmo edifício da sede da associação. O novo espaço é moderno, clean e atrativo e conta com duas salas de formação totalmente equipadas e um espaço outdoor excelente para networking durante os coffee break. Acresce que tenho como preocupação acrescentar valor ao capital humano da associação, assim como dinamizar uma série de eventos que se mostrem relevantes para o setor e associados (estes sim o nosso core business), quer através de salões, conferências, workshops ou trade missions. A APEMIP ocupa hoje uma posição reconhecidamente destacada no mercado imobiliário nacional, quer pela aposta, já ganha, da afirmação do papel do profissional de mediação imobiliária, quer pela conquista de uma maior quota no mercado deste setor. De que forma esta entidade representa e defende os legítimos interesses das empresas suas associadas? A Associação tem como uma das suas missões aumentar a notoriedade do setor da mediação imobiliária, acentuando a sua diferenciação e procurando tornar o papel do mediador imobiliário indispensável nos processos de transação imobiliária, inclusivamente para a própria proteção e defesa do consumidor. Neste âmbito, um dos atuais objetivos passa por salvaguardar os direitos das empresas que exercem a atividade de mediação imobiliária, cumprindo todos os requisitos legais. Além disso, a profissionalização do setor é outra das nossas preocupações. Temos realizado um empenhado trabalho de desenvolvimento na Academia APEMIP que nos possibilite ter uma formação à altura dos desafios do mercado. Além disso, procuramos colaborar com o Órgão Regulador do setor da mediação imobiliária, o IMPIC - Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, em tudo o que é possível à associação: seja em formação, seja em contributos que poderão ser relevantes no sentido de melhorar a regulamentação afeta a este setor, e temos uma preocupação constante com a formação profissional e deontologia. Neste sentido, em que medida a APEMIP é um parceiro-chave na fileira da construção do imobiliário, contribuindo, pela sua ação, para encontrar as melhores soluções para todos os problemas que afetam o setor? A APEMIP é uma associação de direito privado que ocupa hoje uma posição reconhecidamente destacada no mercado imobiliário nacional, quer pela aposta, da afirmação do papel do profissional de mediação imobiliária, quer pela conquista de uma maior quota neste mesmo mercado. Desde a sua criação que a sua principal preocupação se foca na defesa dos interesses legítimos do grupo de profissionais que representa, protegendo a atividade que desenvolvem, assegurando a cres-

profissional que me realiza. Ser responsável pelos vários pelouros da Associação, obriga-me a uma agilidade mental e dinâmica que me preenchem os dias, respondendo no meu caso melhor em situações de stress e de necessidade de tomada de decisões rápidas.

“É MUITO GRATIFICANTE CONTRIBUIR PARA A CREDIBILIZAÇÃO DO SETOR IMOBILIÁRIO, PRINCIPALMENTE NUMA ASSOCIAÇÃO TÃO PRESTIGIADA COMO A APEMIP” cente confiança que o público tem na atividade imobiliária, promovendo a proteção dos direitos e assegurando sempre os mais elevados padrões de ética e profissionalismo. Parceiro-chave na fileira da construção e do imobiliário, a APEMIP contribui, pela sua ação, para procurar soluções para problemas que afetam o setor imobiliário, e promove por exemplo a presença das empresas associadas em feiras internacionais, através de parcerias estratégicas, continuando a demonstrar por esta via que o investimento no imobiliário também é um produto de exportação pela captação de IDE (Investimento Direto Estrangeiro). Através da partilha de conhecimento, a APEMIP tem conquistado prestígio junto das suas congéneres, e tem assegurado a respetiva presença em fóruns internacionais de interesse para o desenvolvimento dos negócios das PME. A missão da APEMIP tem vindo a evoluir como parceiro da fileira do imobiliário e a ajustar-se às necessidades de promoção de Portugal como país que oferece segurança, diversidade e oportunidades. Quão gratificante é, para a Ana Avelar, ser Secretária Geral numa entidade que prima pela defesa do setor imobiliário através de ética, transparência e competência? É muito gratificante contribuir para a credibilização do setor imobiliário, principalmente numa associação tão prestigiada como a APEMIP. A atual direção da APEMIP tem elementos que nas suas atividades profissionais têm diferentes modelos de negócio e experiências, o que permite que consigamos conquistar mais proximidade com a atividade imobiliária e com os nossos associados. No cumprimento da sua função institucional e no apoio permanente que dá à classe, na APEMIP queremos encontrar respostas e soluções adequadas para o setor. Tem sido um processo de crescimento pessoal e

Tendo, convictamente, diversas ambições ainda por cumprir quer a nível pessoal, quer profissional, que marca – em qualquer uma das vertentes – gostaria de deixar no mundo? A nível pessoal, só me encontro realizada se também o estiver profissionalmente e vice-versa. Ambas as vertentes são indissociáveis. Tenho a certeza de que não seria tão feliz se não trabalhasse e não me sentisse realizada profissionalmente. Sempre apostei no progresso e na evolução da minha carreira e faço formação continuamente (além de Advogada, tenho dois cursos de Gestão de Recursos Humanos, formação em RGPD e inúmeras formações que vão da área jurídica a aulas privadas de francês). No âmbito profissional, gostaria de deixar as instituições ou entidades no meu percurso, melhor do que os encontrei. Tenho ainda como referência o empoderamento feminino e seria importante para a sociedade termos mais mulheres a assumir cargos de liderança, bem como sermos uma sociedade mais inclusiva. No campo mais pessoal desejo que os meus filhos sigam o percurso que os fizer mais felizes e acima de tudo sejam bons seres humanos e cidadãos do mundo. A família é de facto o pilar da sociedade e a minha obviamente é o meu suporte existindo uma enorme entreajuda entre todos. Gostaria de manter o voluntariado e serviço à Igreja e ser lembrada como uma pessoa íntegra e de bem com a vida e que contribuiu com algo de bom para a sociedade. Já do ponto de vista da APEMIP, sabemos que, ao longo dos últimos anos, tem conhecido uma acentuada evolução em número de adesões, em serviços prestados aos que a ela se associam e em credibilidade junto do público e de todos os intervenientes. Assim, como perspetiva o futuro a curto/médio prazo da entidade? Perspetivo um futuro bastante positivo. No início deste ano, renovámos as instalações da Academia em Lisboa, para que os nossos Associados possam ter aulas presenciais com as melhores condições possíveis. Estamos também a realizar um refresh nas restantes instalações e Academias (Vilamoura, Porto e Coimbra). Recentemente, lançámos a Revista APEMIP, que tem o propósito institucional de ser um veículo de comunicação privilegiado entre a associação e os associados, bem como com os stakeholders, incluindo parceiros de negócio, governos central e local e outros organismos públicos. A APEMIP será promotora e organizadora de vários eventos como o Salão Imobiliário que realizaremos na Madeira (com o JM), no Porto (em negociação), assim como realizará ainda este ano Trade Missions ao Brasil e aos E.U.A. Temos ainda outras novidades que serão vantajosas para os nossos Associados e para o setor e que iremos divulgando ao longo do tempo. ▪

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PONTOS DE VISTA IMOBILIÁRIO E FORMAÇÃO

“Apostar na Formação sempre foi o melhor caminho para qualquer Área da Sociedade” A Formação no Setor Imobiliário desempenha, como sabemos, um papel fundamental para todos os profissionais que pretendem destacar-se neste setor e elevá-lo a outro paradigma. Quem não prescinde desta aposta constante no desenvolvimento e melhoria de competências da sua equipa é Joana Resende, CEO da Century 21 Arquitectos, que em entrevista com a Revista Pontos de Vista garantiu que “pessoas formadas são pessoas mais aptas, mais esclarecidas e mais motivadas para cumprirem os seus propósitos”.

JOANA RESENDE

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CENTURY 21 Arquitectos caracteriza-se por ser uma equipa de consultores imobiliários com vasta experiência profissional, que prestam um serviço de excelência a todos os que procuram imóveis. Enquanto CEO, qual o balanço que faz, aos dias de hoje, da marca no mercado e da sua intervenção no mesmo em prol da satisfação do cliente? Como descreve a sua evolução? A rede CENTURY 21 Portugal comemorou recentemente 15 anos. Durante este tempo, penso ser claro para todos que tem vindo a acontecer um enorme crescimento, mas crescimento esse sustentado e planeado. Desde que os nossos franqueadores trouxeram a marca para Portugal (e logo de seguida para Espanha também), que a sua preocupação é que nos vejam como verdadeiros profissionais

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da atividade de mediação imobiliária. A aposta da marca, que se estende como é obvio às suas lojas e aos seus gerentes, é a formação de verdadeiros profissionais, altamente qualificados, preparados e concentrados em dar ao cliente o melhor serviço. A mediação não é vista como um part-time, como algo que se pode ir fazendo nas horas vagas. São profissionais dedicados exclusivamente à sua profissão de consultores imobiliários, com formação contínua, e munidos de todas as ferramentas para concretizarem em pleno as suas funções. Considerando o caminho que a marca tem feito, consolidando-se neste momento como o segundo maior player do mercado imobiliário nacional, só posso descrever este percurso como de grande sucesso. Continuando este foco, sem alterações ao mais importante (que é a atividade dos seus

consultores), rapidamente chegaremos ao lugar que almejamos. Certo é que vivemos num mundo que exige constantes adaptações por parte das empresas. Neste sentido, o que concretiza, a CENTURY 21 Arquitectos, para acompanhar as mudanças e se diferenciar neste mercado tão competitivo? Na CENTURY 21 Arquitectos estamos sempre muito atentos às alterações, e às adaptações que as empresas devem fazer para acompanhar as dinâmicas de mercado. Seja a reforçar as equipas de Gestão Processual e de Intermediação de Crédito, que hoje são espinha dorsal de qualquer empresa de mediação, seja a investir nas mais variadas ferramentas e inovações de Marketing, a CENTURY 21 Arquitectos estará sempre na linha


PONTOS DE VISTA IMOBILIÁRIO E FORMAÇÃO

da frente. Paralelamente a isso, e desde o início, a formação contínua dos nossos consultores é a base e premissa da nossa empresa. Acompanhando as dinâmicas da atividade, e com a enorme ajuda do nosso Master, vamos criando e adaptando toda a oferta formativa, para continuarmos a ter os profissionais mais preparados do mercado. No seio da CENTURY 21 Arquitectos, toda a equipa é formada e preparada para realizar um trabalho exímio e inovador. Porque é que é tão importante esta aposta na formação para um setor como o imobiliário? Como já tive oportunidade de referir noutras edições da vossa revista, eu venho de uma atividade com muito prestígio. A mediação imobiliária ainda não ganhou esse prestígio ao nível nacional, e uma das principais razões é o facto de durante anos as pessoas que operavam no mercado não terem qualquer formação ou orientação que fosse. Cometiam-se muitos erros, e a maioria deles por total desconhecimento. Ser Consultor Imobiliário é uma profissão tão importante e com a mesma relevância que as demais. Os agentes têm de ter a formação necessária (diria até obrigatória) nas várias áreas que integram a atividade imobiliária. Sem essa aposta forte na formação, as agências não têm profissionais, nem podem oferecer um serviço de eleição aos seus clientes. Podemos afirmar que a formação no setor imobiliário, tem, de facto, um papel preponderante no seu crescimento e evolução? Em que medida? Quase 100% dos profissionais da atividade imobiliária vieram de outras áreas profissionais. Por essa razão, chegam às nossas agências com total desconhecimento daquilo que fazemos, como fazemos e da relevância da nossa atividade na vida dos nossos clientes. Para que possam ser profissionais, e garantirem um serviço de excelência, têm obrigatoriamente de serem formados pelas empresas que os acolhem. É responsabilidade deles, mas acima de tudo é obrigação nossa (empresa). Esta formação não se pode esgotar na base inicial, onde recebem as bases do negócio e o saber-fazer. Os consultores ganham experiência, vão sendo confrontados com novas dinâmicas, com a própria necessidade de evolução, pelo que essa formação contínua é essencial, digo até obrigatória.

“NA CENTURY 21 ARQUITECTOS ESTAMOS SEMPRE MUITO ATENTOS ÀS ALTERAÇÕES, E ÀS ADAPTAÇÕES QUE AS EMPRESAS DEVEM FAZER PARA ACOMPANHAR AS DINÂMICAS DE MERCADO”

Sabemos que para a Joana Resende, a formação dos consultores é uma prioridade, acreditando que só assim se alcança os melhores resultados. Como perpetua esta “mentalidade” nas suas equipas? Tenho a sorte de ter uma equipa de profissionais altamente qualificados e dedicados a esta atividade. Assim, não sou eu apenas que vejo a prioridade da formação. Eles próprios sentem e pedem, quando surge a necessidade de orientações em algum tema. Com aquilo que vou sentindo da dinâmica do mercado, bem como as solicitações deles, vou criando um plano de formação ajustado a estas necessidades, sempre muito apoiada pela CENTURY 21 Portugal.

De que forma, a aposta contínua em formação, não só dos consultores imobiliários, bem como dos restantes colaboradores, se reflete no sucesso da marca? Em que peculiaridades é possível observar esta dedicação? Ao longo destes mais de 15 anos da marca em Portugal, não foi apenas o grande investimento em marketing que elevou a rede ao patamar onde está hoje. Foi a forma como sempre se posicionou no mercado, e essa dependeu sempre do facto de ter a formação na base de tudo. Fomos a primeira rede a ter a nossa oferta formativa certificada pela DGERT, e graças a parceiros nas mais variadas áreas, os nossos consultores têm a possibilidade de fazer formação naquilo que mais importante é para o seu trabalho, e nas várias necessidades que possam surgir. Apostar na formação sempre foi o melhor caminho para qualquer área da sociedade. Pessoas formadas são pessoas mais aptas, mais esclarecidas e mais motivadas para cumprirem os seus propósitos. Por fim, quais os principais desafios da marca para o futuro e o que podemos continuar a esperar da CENTURY 21 Arquitectos? O maior desafio que se impõe neste momento é a incerteza. Com o que vivemos na atualidade, estão algumas variáveis em questão e que impactam a nossa atividade. A anunciada subida das taxas de juro, aliadas à imposição do Banco de Portugal na convergência para prazos de 30 anos em novos contratos, vão diminuir o poder de compra de casa dos portugueses, aumentando a procura pelo arrendamento. Por outro lado, e face à ainda maior pressão da procura, vai haver uma clara opção pelas freguesias da AML e AMP, fugindo dos valores praticados nos grandes centros. A oferta continuará a não acompanhar a procura, não se prevendo por isso baixa de preços. Agrava também o aumento dos preços de matérias-primas na construção e a escassez de mão de obra, que não vão permitir a entrega de novas habitações ajustadas às necessidades dos Portugueses, e interferem ainda no índice de rotatividade das habitações. Por outro lado, a escassez de mão de obra em vários setores cria novas oportunidades de trabalho, permitindo suporte aos jovens e famílias para iniciar o seu processo de compra de casa. Em suma, continuamos com um mercado dinâmico, com valores em alta, e claramente com muita procura face à oferta existente. ▪

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PONTOS DE VISTA IMOBILIÁRIO E FORMAÇÃO

“A nossa Profissão é extremamente Apaixonante” A Imomirita começou a traçar a sua história em 1996 e, desde então, tudo tem feito para oferecer uma experiência excecional de profissionalismo no acompanhamento aos seus clientes no mercado imobiliário em Portugal. Tendo a marca completado recentemente 26 anos de vida, Joaquim Magalhães Duarte, CEO da mesma, abordou em entrevista não só a evolução deste caminho, como as «chaves-mestras» que a impulsionaram até às conquistas que somam, nomeadamente a formação. Conheça a importância desta vertente para o setor. faz emergir a confiança; o conhecimento vasto que a equipa possui, transmite segurança; a criatividade e a inovação, fomentam e dinamizam as práticas; o profissionalismo e a disponibilidade, premeiam a prestação dos serviços; e, por fim – e mais importante -, a paixão e a dedicação, que se materializam em eficácia. Tendo, por isso, um «portefólio de valores» devidamente alinhado com o serviços que existem neste seio, a missão é, diariamente, fazer crescer o número de clientes satisfeitos e famílias felizes. E assim, ano após anos, o tem cumprido.

JOAQUIM MAGALHÃES DUARTE

“OPTAMOS POR ADOTAR COMO ESCOLA DE FORMAÇÃO AQUELA QUE É DADA PELA NAR – NATIONAL ASSOCIATION OF REALTORS®, QUE É A MAIOR ASSOCIAÇÃO DE AGENTES IMOBILIÁRIOS DO MUNDO”

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om 26 anos de experiência no mercado imobiliário em Portugal, a Imomirita conta com Agentes Imobiliários devidamente habilitados para, de forma dedicada, tratar da venda, compra ou arrendamento dos imóveis. Contudo, o segredo aqui é o lema pelo qual a marca se rege até hoje: “Trabalhamos com imóveis, mas para pessoas”. Quer isto dizer que, mais do que o negócio, este ramo é, para a Imomirita, puramente relacional, onde as pessoas querem ser ouvidas, compreendidas e ajudadas. Esta proximidade tem sido, de facto, um fator determinante nesta história de sucesso, mas não é só. Também a lealdade com que atua,

CONSTANTE ADAPTAÇÃO AO MERCADO Certo é, todas estas ambições só têm sido possíveis de concretizar uma vez que, desde a sua fundação, a Imomirita procura ser uma agência imobiliária inovadora e orientada para os clientes. A marca, ao longo dos anos, «vive» focada em entregar um serviço profissional, com vista a responder às necessidades dos clientes. Partindo do pressuposto que o setor imobiliário é competitivo e sabendo que está em constante atualização e evolução, é necessário que as empresas reconheçam as tendências e se ajustem, para que possam garantir o seu posicionamento na linha da frente das premências do mercado. Assim, de que forma a Imomirita se tem adaptado a este mundo em constante mudança? Joaquim Magalhães Duarte, CEO da marca, afirma que “de facto temos conseguido ajustarmo-nos bastante bem e com rapidez. Por exemplo, nós já tivemos quatro lojas e já fomos uma equipa com dezenas de pessoas. Em tempos, fizemos um ajuste e optamos por ter connosco uma equipa menor, em que a proximidade entre a Direção e os Agentes é muito grande. Posso dizer que, por esse motivo, a qualidade do serviço que prestamos melhorou substancialmente”, acrescentando ainda que “além disso, o facto de adotarmos uma formação de excelência, que surge do sítio do mundo onde a mediação imobiliária está mais desenvolvida, que


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é os Estados Unidos da América, enriqueceu-nos profissionalmente e, por isso, hoje estamos muito maduros no atendimento, quer a clientes vendedores, quer a clientes compradores”. Esta perceção remonta-nos a uma analogia: a Imomirita é como um Alfaiate, em que, ao preencher todos os requisitos, a sua roupa serve para a vida. Para a marca, a «roupa» dá lugar às «casas» que, também elas, serão, muitas das vezes, para a vida. Para isso, a marca faz um trabalho de representação do cliente e de assessoria em todos os âmbitos que englobam uma transação imobiliária. “Quando falamos de imóveis, falamos de arquitetura, de construção, de toda a parte legal, comercial, entre outras. Para mim, a nossa profissão é extremamente apaixonante porque não se foca numa área só. Tem uma diversidade de assuntos, de conhecimentos, que nos enriquece todos os dias”, assume Joaquim Magalhães Duarte. Falamos de paixão, novamente. Porque, de facto, é o amor que move a Imomirita. Muitas vezes, neste meio, é dos sonhos das pessoas que se trata, não de um simples negócio. E só o afeto, a emoção e o coração no lugar certo, conseguem lidar com este processo que, embora complexo, é extremamente gratificante. A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO NO SETOR IMOBILIÁRIO Numa altura em que a informação circula a uma velocidade estonteante, é fundamental estar a par de todas as mudanças legislativas, tecnológicas e novas técnicas para explorar o mercado imobiliário. Desta forma, os profissionais mais reconhecidos e bem-sucedidos são aqueles que detêm mais conhecimento derivado da experiência profissional e de muito estudo. É certo que a prática é uma escola que traz know-how, ou conhecimento empírico na profissão, porém acaba por ser limitada à experiência individual. Já a formação, por outro lado, possibilita a aquisição do conhecimento através da experiência coletiva dos mais variados profissionais. A formação é, por isso, vital para os que ambicionam ser melhores profissionais, mas também para os que querem per-

manecer nesta área nos próximos anos e estar na linha da frente quanto às suas novidades. Neste sentido, a Imomirita aposta na formação constante da sua equipa. Faz parte de associações nacionais e internacionais de agentes imobiliários, obtendo vantagens importantes para os seus clientes ao nível das melhores práticas existentes no mercado imobiliário em Portugal e no estrangeiro. “Optamos por adotar como escola de formação aquela que é dada pela NAR – National Association of REALTORS®, que é a maior Associação de Agentes Imobiliários do mundo e, por conseguinte, temos a designação CIPS, que comprova que estamos habilitados a realizar transações internacionais de forma integrada e com riscos reduzidos. Ainda através da NAR, em Portugal, desenvolvem-se diversas formações sendo que, a próxima será realizada a 30 de junho e tem como tema «Luxury Real Estate Specialist» e nós já estamos, naturalmente, inscritos”, assegura o CEO da Imomirita. Além disso, Joaquim Magalhães Duarte também já apostou em formações como a «Green», que aborda o tema da sustentabilidade no imobiliário, algo que lhe despertou interesse neste estudo e que servirá, no futuro a curto/médio prazo para prática de intervenção da marca, uma vez que, será uma tendência no setor.

“QUANDO FALAMOS DE IMÓVEIS, FALAMOS DE ARQUITETURA, DE CONSTRUÇÃO, DE TODA A PARTE LEGAL, COMERCIAL, ENTRE OUTRAS. PARA MIM, A NOSSA PROFISSÃO É EXTREMAMENTE APAIXONANTE PORQUE NÃO SE FOCA NUMA ÁREA SÓ" A PROXIMIDADE QUE MARCA O FUTURO DA IMOMIRITA São 26 anos de vitórias e adversidades, de alentos e desalentos, de risos e de união. A proximidade, garante Joaquim Magalhães Duarte, é “o fator distintivo que continuará a ser parte integrante de todos os intervenientes da marca”. Esta mesma proximidade irá continuar a impulsionar ainda o sucesso da sua atuação no mercado e a mantê-la a par face às novidades que surgirão no setor. ▪

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PMR IMOBILIÁRIA

A Formação como «Motor» de Crescimento Atualmente reconhecida no mercado pelos clientes e outros players do setor, a PMR Imobiliária é especializada na venda e arrendamento de imóveis na Grande Lisboa. Segundo Paula Moreira, Gerente e Diretora Comercial da marca, a formação e o aperfeiçoamento constante são o verdadeiro «motor» deste sucesso, que tem vindo a conquistar os clientes que muitas vezes se tornam amigos, face à relação próxima que – quase sempre – resulta de um processo de mediação imobiliária. Saiba de que forma.

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ituada no Lumiar, em Lisboa, a PMR Imobiliária tem quatro anos de existência, mas conta com uma equipa com duas décadas de experiência na mediação imobiliária, cuja qualidade é amplamente reconhecida por aqueles com quem tem trabalhado ao longo dos tempos, sejam os clientes ou outros players do setor. Reconhece que cada cliente tem diferentes necessidades e objetivos, apostando, por isso, no acompanhamento personalizado, assente na prestação de serviços diferenciados e adequados à especificidade de cada desafio que por ali passa diariamente. Paula Moreira, Gerente e Diretora Comercial da marca, é a «voz» e a «alma» dedicada que procura inspirar todos os intervenientes para a arte do bem-fazer, não se acomodando aos seus largos anos de vivência neste meio. “A nossa atuação hoje é muito orientada para aquilo que o cliente pretende, para a missão pela qual nos contacta, para o que quer que o ajudemos a cumprir. Assim, a nossa estratégia passa muito mais por irmos à procura das melhores soluções e, felizmente, temos o orgulho de afirmar que hoje muitos dos nossos clientes chegam até nós através de referenciação”, começa por desvendar a nossa entrevistada. Muitos são também os clientes que voltam. E a palavra «voltar», neste meio, tem um significado especial. Exprime a satisfação dos mesmos num processo que pode ser complexo uma vez que implica não só a gestão dos bens materiais mais valiosos, mas também dos bens imateriais, que se traduzem em emoções e em sentimentos profundos ou até mesmo em sonhos que muitos tendem a adiar por circunstâncias inerentes às suas vidas. Por este motivo, o Consultor Imobiliário da PMR, não é apenas um comercial mas sim um consultor ao longo de todo o processo.

PAULA MOREIRA

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A FORMAÇÃO COMO FORMA DE ADAPTAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO CONSTANTE NO MERCADO A verdade é que, embora esta proximidade que tanto se fala impulsione (e muito) as relações duradouras de confiança com os clientes, esta pode não ser suficiente num setor cada vez mais competitivo. Em função disto, a formação ganhou hoje em dia uma nova e poderosa forma, não só de conhecimento, mas também de distinção.


PONTOS DE VISTA IMOBILIÁRIO E FORMAÇÃO

“A aposta na formação, a meu ver, é fundamental para continuarmos a crescer em todas as vertentes. Há sempre novas metodologias, temáticas e conteúdos a desenvolver”, sustenta Paula Moreira. Dessa forma, a PMR Imobiliária dedica grande parte do seu tempo a apostar na formação interna e externa da sua equipa. Tal como a nossa entrevistada refere: “Apostamos em formações internas e fazemos com muita regularidade também formações externas com entidades de referência nas suas áreas, com as mais diversas temáticas: comunicação, negociação, prospeção, avaliação imobiliária, marketing de conteúdo, posicionamento online, fotografia & vídeo, fiscalidade, legislação, entre muitas outras. Na PMR todas estas formações são dinamizadas e custeadas pela empresa, facilitando assim o acesso de toda a equipa. O nosso objetivo é dar aos nossos consultores todas as ferramentas de aprendizagem que lhes permitam alcançar os melhores resultados, com um serviço de excelência ao cliente”. O plano anual de formação da PMR permite que os consultores elejam trimestralmente as formações que pretendem frequentar, analisando com a sua direção comercial as opções que melhor se enquadram no seu desenvolvimento profissional. Além das formações teóricas, o acompanhamento prático que as direções comerciais prestam aos consultores torna-se essencial não só no seu dia a dia, mas sobretudo no momento de integração de novos consultores na empresa. CREDIBILIDADE DO SETOR IMOBILIÁRIO EM PORTUGAL Nos diversos desafios que o setor imobiliário tem vindo a enfrentar, a formação pode ser encarada como um pilar fundamental, uma vez que oferece aos colaboradores a oportunidade de explorarem o seu potencial e desenvolverem as suas competências de forma eficaz. Contudo, não é só ao nível dos Recursos Humanos que

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PONTOS DE VISTA IMOBILIÁRIO E FORMAÇÃO

Se pensarmos bem sobre o assunto, percebemos que, se para irmos a Tribunal precisamos de um Advogado, então para vender uma casa, com toda a complexidade do processo, não faria sentido estarmos acompanhados de um profissional da área? Acredito que, mesmo em centros urbanos onde há muita mediação imobiliária, o cliente ainda nos vê como um custo e a profissionalização poderia ajudar a colmatar esta mentalidade”.

“PARA QUE CONSIGAMOS DAR RESPOSTA A TODAS AS PESSOAS QUE NOS CHEGAM E PORQUE QUEREMOS CRESCER ENQUANTO MARCA, ESTAMOS DE MOMENTO NUM PROCESSO DE RECRUTAMENTO DE UM(A) DIRETOR(A) COMERCIAL, QUE IRÁ CONSTITUIR UMA NOVA EQUIPA”

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a formação se mostra ser uma peça essencial – também é importante para o crescimento do próprio mercado. “Quando eu me iniciei no setor imobiliário, em 2008, existia muito a mentalidade, já na altura errada, que enveredar por este setor era uma segunda opção, normalmente uma alternativa depois de outras não terem corrido bem, e hoje felizmente já não é essa a mentalidade. A formação que existe atualmente, em comparação com aquela que existia há dez anos, é completamente diferente, não só na quantidade, nas temáticas, como na qualidade dos formadores. Penso que esta evolução tem dado credibilidade ao setor, até mesmo além-fronteiras”, confessa Paula Moreira. Assim, além da formação impulsionar o crescimento do setor em Portugal, gera valor para o negócio e rima com ética e credibilidade. Certo é que este mercado tem, por isso, sofrido transformações nos últimos anos e temos vindo a assistir a uma crescente profissionalização. Estamos, contudo, perto de chegar a uma verdadeira cultura do imobiliário? A nossa interlocutora garante que “algo muito importante que se diz que irá acontecer este ano é a profissionalização do setor. Há muito que se fala da necessidade de uma carteira profissional para desenvolver esta atividade e muitas Associações do setor lutam por essa realidade.

OS PRÓXIMOS PASSOS A DAR A paixão que circula na PMR Imobiliária é (quase) palpável. Isto porque, além do olhar atento e dedicado de Paula Moreira, existe uma equipa incansável no que ao seu conhecimento profissional diz respeito. Apesar de serem apenas quatro anos de história com a marca PMR, são muitos mais os de experiência e inúmeros os casos de sucesso. Os meses que se seguem já estão planeados e não há margem para dúvidas em relação à certeza que paira sobre a sua evolução. “Para que consigamos dar resposta a todas as pessoas que nos chegam e porque queremos crescer enquanto marca, estamos de momento num processo de recrutamento de um(a) Diretor(a) Comercial, que irá constituir uma nova equipa. Temos mercado, temos estrutura, temos espaço físico, portanto esta parece-nos a altura ideal para concretizar este projeto”, sustenta a nossa entrevistada, acrescentando ainda que “no que concerne à equipa atual, temos em desenvolvimento a figura do Top Producer – um comercial que tem outros a trabalhar com ele”. Para terminar, e não menos importante, a pedra basilar continuará, no futuro, a reger-se pela proximidade. Apesar de os meios digitais terem chegado para facilitar os processos e a inovação passe por isso mesmo, a PMR Imobiliária prima pelo contacto presencial com os seus clientes, uma vez que este negócio, mais uma vez, é muito mais do que isso: é, muitas vezes, uma relação eterna. ▪


PONTOS DE VISTA COOPERAÇÃO CPLP

“Os Seguros assumem um papel importante como catalisador indispensável para o Desenvolvimento Económico” Parcerias estratégicas, conhecimento e capital humano, suporte tecnológico e solidez financeira são algumas das fortes componentes que têm marcado o caminho da NOSSA Seguros e que muito contribuem para o desenvolvimento do mercado angolano. Por este motivo, Alexandre Carreira, PCE da empresa, aborda, entre outras questões, as grandes potencialidades do setor segurador neste meio.

ALEXANDRE CARREIRA

A

NOSSA Seguros (Nova Sociedade de Seguros de Angola, S.A.) foi constituída em 2004, sendo que, atualmente, faz parte das seguradoras pioneiras a iniciar negócios em Angola, após a independência do país. Após 18 anos de atividade, quem é hoje esta marca? A NOSSA Seguros surge após a liberalização do mercado angolano de seguros que teve lugar no ano de 1998, após um período de duas décadas em que o mercado foi dominado por um monopólio. Apesar de termos iniciado o processo de constituição em 2004, abrimos as portas ao público em 2005. A NOSSA hoje posiciona-se entre as três maiores seguradoras a operar em Angola,

num mercado com mais de 20 seguradoras. Oferecemos soluções dos ramos vida, não vida e fazemos a gestão de fundo de pensões. A seguradora serve particulares, empresas e instituições. Estamos presentes em todo o território angolano através de agências próprias ou do banco BAI (o nosso accionista maioritário) e remotamente através do nosso Contact Center e da nossa mobile app. Diferenciamo-nos com base na experiência que proporcionamos aos clientes, na proximidade e relação que desenvolvemos, bem como através da promoção da esfera digital e do compromisso que temos com a sociedade. O nosso desempenho, que tem sido marcado por um forte crescimento e uma excelente rentabi-

lidade, tem sido influenciado por quatro pilares fundamentais, nomeadamente: parcerias estratégicas, conhecimento e capital humano, suporte tecnológico e solidez financeira. Certo é, ao longo da sua existência, a NOSSA Seguros tem trilhado a sua trajetória vincada por um sólido crescimento e pleno sucesso. Nos segmentos Vida e Não Vida, de que forma a entidade atenta às diversas necessidades dos clientes, adaptando-se, ainda, às constantes transformações do mercado? Nos últimos quatro anos a NOSSA Seguros apresentou uma média anual de crescimento de prémios (a sua receita) superior a 40% e o ROE

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PONTOS DE VISTA COOPERAÇÃO CPLP

manteve-se acima dos 30% durante o mesmo período. A NOSSA Seguros apresenta um vasto leque de soluções de seguros nos ramos vida e não vida. Com o suporte dos nossos parceiros locais e internacionais apoiamos os nossos clientes a selecionarem as coberturas mais adequadas às suas necessidades específicas. O nosso painel de resseguradoras, de notável capacidade financeira, permite-nos fazer face aos riscos de capitais elevados e de grande exposição. Posicionamo-nos como uma empresa ágil e que se esforça no sentido de encontrar soluções eficazes para que os seus clientes façam uma boa gestão dos riscos a que estão sujeitos, nomeadamente os relativos a perdas ou danos patrimoniais, perdas de receitas/lucros, responsabilidade civil, perda de dados (cyber insurance), doenças, danos corporais e perda de vidas, dentre outros. A verdadeira missão da NOSSA Seguros é contribuir para o desenvolvimento do mercado de seguros angolano, promovendo a inclusão, a inovação e a qualidade dos serviços. Para atingir estes objetivos, a marca une-se a que valores corporativos? Os valores da NOSSA Seguros são o Foco no Cliente, Respeito pelo Próximo, Valorização do Capital Humano, Responsabilidade Social, Sustentabilidade Empresarial e Ética Profissional. Entendemos que estes valores são fundamentais para cumprirmos a nossa Missão, pois definem e reforçam a identidade e a personalidade da NOSSA Seguros, pelo que devem reger sempre o comportamento de todos os nossos colaboradores no dia a dia das suas vidas profissionais. Destaco, apenas a título de exemplo, a dimensão Foco no Cliente, uma vez que estes são a razão da nossa existência e o foco da nossa atenção, num contexto de mercado altamente competitivo e desafiante. Posicionamo-nos, servindo os clientes com entusiasmo, de forma persistente, contínua e sustentada para garantirmos a adesão aos nossos Produtos e Serviços, correspondendo às expetativas e necessidades. É esperado, portanto, que os nossos colaboradores conheçam os nossos clientes, os sirvam com dedicação e empenho e evidenciem disponibilidade, interesse e vontade de os servir. A importância de desenvolvermos uma cultura corporativa alinhada

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“AS SEGURADORAS, ENQUANTO ENTIDADES QUE DISPONIBILIZAM MECANISMOS DE PARTILHA DE RISCOS, TÊM CONTRIBUÍDO PARA UMA UTILIZAÇÃO EFICIENTE DOS RECURSOS FINANCEIROS DA ECONOMIA” com a nossa visão e missão levou-nos a desenvolver e a implementar um programa de transformação cultural, no âmbito do nosso atual plano estratégico, que dentre vários aspetos trabalha com profundidade a questão dos nossos valores corporativos. Hoje, mais do que nunca, é sabido e é notória a importância que os seguros acarretam na vida das famílias e das empresas, na qualidade de atuar como uma fonte de equilíbrio e tranquilidade. Ainda que Angola leve quatro anos consecutivos de recessão, de que forma o setor segurador tem contribuído para o desenvolvimento do país? Apesar das repetidas recessões e de um ano de 2021 de estagnação (crescimento quase nulo) a que Angola teve recentemente exposta, o mercado segurador tem crescido, atenuando em certa medida o impacto negativo da crise nos níveis de atividade económica e na geração de empregos. Desde 2019 que o mercado tem apresentado taxas de crescimento anuais superiores a 20%, embora nem sempre se situando acima das taxas anuais de inflação. Acho que os seguros assumem um papel importante como catalisador indispensável para o desenvolvimento económico, pela sua contribuição na redução dos riscos a que os agentes económicos estão expostos, substituindo perdas incertas por custos previsíveis, garantindo a estabilidade financeira e o futuro das empresas e das famílias. As seguradoras, enquanto entidades que disponibilizam mecanismos de partilha de riscos, têm contribuído para uma utilização eficiente dos recursos financeiros da economia, determinando de forma científica as reservas técnicas associadas aos ris-

cos e gerindo de forma profissional os investimentos que cobrem essas provisões. Por fim, para além da importante função social e económica dos seguros obrigatórios vigentes, realço a relevância do setor segurador como veículo de acesso a serviços críticos tais como a saúde e o crédito, dentre outros.

que temos vários países da região austral de africa com taxas acima de 1%. Os micro seguros são também vetores importantes para o desenvolvimento dos seguros em Angola, tendo em conta que é um país de rendimentos médios baixos, com um rendimento per capita ainda modesto, apesar do seu enorme potencial de crescimento.

Podemos afirmar que a importância do setor segurador na economia de Angola e no seu financiamento é já elevado, mas pode ser muito mais significativo? Que oportunidades acredita que surgirão? A taxa de penetração dos seguros, isto é, a relação entre os prémios de seguros e o PIB, em Angola situa-se abaixo de 1%. Essa taxa é baixa, mesmo comparada com a de outras realidades africanas. Existem, portanto, oportunidades por aproveitar. O desenvolvimento da cultura dos seguros e da literacia financeira pode jogar um papel importante, contribuindo para a inversão dessa situação. Destaco igualmente a importância de uma maior fiscalização à adesão aos seguros obrigatórios. Sabemos, por exemplo, que menos 20% dos veículos automóveis circulam com um seguro de responsabilidade civil automóvel válido. O ramo vida é um dos que possui enormes potencialidades, pois apresenta uma taxa de penetração demasiado baixa, próxima de 0%, enquanto

Sabemos que Angola tem procurado criar condições para cativar investidores estrangeiros, de forma a inverter o caminho de contração contínua da economia nos últimos seis anos. Para melhor entender, na sua perspetiva, o investimento estrangeiro é fundamental para a aceleração do crescimento da economia angolana? De que forma? O investimento estrangeiro é muito importante para o crescimento do PIB e para a criação de empregos no contexto angolano. Através do investimento estrangeiro Angola pode obter recursos financeiros, conhecimento, competências e tecnologia. Na perspetiva dos investidores estrangeiros as vantagens podem estar no desenvolvimento das suas redes de distribuição, no acesso a recursos variados e na melhoria das perspetivas de crescimento. O setor dos seguros em Angola já tem beneficiado de recursos financeiros, conhecimentos, competências e tecnologia fornecidos por players internacionais, mas há espaço para


PONTOS DE VISTA COOPERAÇÃO CPLP

“QUER INDIVIDUALMENTE, QUER EM PARCERIA COM OUTRAS ENTIDADES, CONTINUAMOS A OLHAR COM ATENÇÃO PARA AS SOLUÇÕES QUE VISAM A EXPANSÃO DO NOSSO NEGÓCIO DOS SEGUROS, ADAPTANDO INOVAÇÕES À NOSSA REALIDADE LOCAL” que essa cooperação internacional se intensifique. Apenas a título de exemplo, posso afirmar que desde as áreas de peritagens, averiguações e gestão de salvados, até às áreas de gestão de sinistros, actuarial e de tecnologia de informação, Angola é um terreno bastante fértil para a cooperação internacional. A terminar, qual continuará a ser o papel da NOSSA Seguros no apoio ao importante investimento em Angola e, consequente desenvolvimento do mercado no mundo? No sentido de proporcionar a melhor experiência

e satisfação aos nossos clientes, temos estado a investir nas várias componentes do nosso negócio. Os investimentos abrangem, por exemplo, o desenvolvimento de produtos, a rede de distribuição, os recursos humanos, os processos de negócio, o desenvolvimento organizacional, aplicações informáticas e a infra-estrutura de tecnologias de informação. Em 2020 aprovamos o nosso atual plano estratégico que contempla um investimento superior a 12 milhões de euros. Realço, por exemplo, o facto de termos recebido, por dois anos consecutivos, a certificação Great Place to Work que reafirma a NOSSA Seguros como

uma referência em Angola relativamente ao investimento faz nos seus colaboradores. Quer individualmente, quer em parceria com outras entidades, continuamos a olhar com atenção para as soluções que visam a expansão do nosso negócio dos seguros, adaptando inovações à nossa realidade local. Enquanto investidores institucionais somos uma plataforma para a colocação de fundos sobretudo nos mercados financeiros e imobiliário. A nossa carteira de investimentos supera os 30 mil milhões de kwanzas. Esses recursos têm certamente beneficiado projetos da economia real. ▪

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PONTOS DE VISTA COOPERAÇÃO CPLP

“A Prossecução do nosso Diálogo e do nosso trabalho conjunto deve ser uma Prioridade para podermos Crescer” No ano em que a CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, comemora 26 anos, a 17 de julho, Zacarias da Costa, Secretário Executivo da CPLP, esteve à conversa com a Revista Pontos de Vista, onde abordou esta data marcante e simbólica, e outros temas, onde compreendemos qual tem sido a importância da CPLP e quais os avanços que têm sido realizados. Desta forma, 26 anos passados, temos uma CPLP com uma estrutura institucional muito mais robusta, mais abrangente e mais eficiente. E isso tem contribuído claramente para a nossa afirmação internacional, plano em que captámos a atenção de um número cada vez maior de atores que pretendem estabelecer connosco uma parceria reforçada, como tão bem demonstram os 32 observadores associados da CPLP, entre os quais contamos com 28 países das mais diversas regiões do Globo, e quatro organizações internacionais.

ZACARIAS DA COSTA

A

17 de julho de 2022, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa comemora 26 anos de vida. Enquanto Secretário Executivo desta instituição, como analisa a evolução da mesma ao longo desta história, desenhada para fortalecer os países membros? Em primeiro lugar, é necessário colocar em perspetiva que 26 anos de existência, apesar de significar mais de um quarto de século, é um período relativamente curto na vida de uma organização internacional. Veja-se o caso de organizações congéneres, de base linguística, como é o caso da Commonwealth ou da Francofonia, que foram criadas em 1949 e 1970, respetivamente. No caso da CPLP, olhando para trás, considero que a Organização tem conseguido adaptar-se ao espaço e ao tempo em que se move, através da criação de mecanismos de cooperação para corresponder aos desafios com que os Estados-Membros se deparam. É disto exemplo a inclusão de novas áreas de cooperação que não estavam inicialmente previstas nos Estatutos da Organização: aconteceu em matéria de Defesa; no setor da Energia, Mares e Oceanos; na Gover-

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nação Eletrónica; Agenda digital, ou até mesmo com a criação de uma Estratégia de Segurança Alimentar, aprovada em 2012 e que continua a ser uma prioridade da nossa ação. Mais recentemente, a Presidência Angolana elegeu como prioridade a cooperação económica, absolutamente fundamental na estratégia de recuperação pós-COVID. Nestas e em outras matérias, como a Saúde, a Educação, a Ciência, Tecnologia e Ensino Superior; o Turismo ou o Ambiente, a CPLP trabalha com planos estratégicos e planos de ação que fixam objetivos e definem estratégias para os alcançar. Ou seja, a Organização tem vindo, por um lado, a alargar as suas áreas de intervenção e, por outro, a aprofundar o seu trabalho através da criação de instrumentos estratégicos e de planificação. Outro exemplo claro desta capacidade de se reconfigurar perante os desafios é a adoção da Nova Visão Estratégica, para o período 20162026, que veio estabelecer os domínios prioritários da organização, precisamente aqueles a que me referi, e que constitui o compromisso renovado dos Estados-Membros no fortalecimento da ação da CPLP.

Sabemos que o potencial da CPLP está, sobretudo, na cooperação económica e empresarial. Assim, do ponto de vista da dinâmica da instituição, em que medida a união entre os países, traz reconhecimento às empresas e players destes mercados? Acredito que a CPLP tem ainda por aprofundar e explorar diversas áreas, todas elas com grande potencial. Sendo a cooperação económica e empresarial o objetivo geral mais recentemente adotado, os seus mecanismos e instrumentos de cooperação estão ainda a ser definidos, mas queremos que as empresas sejam cada vez mais capazes de corresponder às exigências para competir no mercado global, o que significa um compromisso com a capacitação e a formação, a garantia da qualidade, a melhoria do ambiente de negócios, o apoio ao acesso ao financiamento e à internacionalização. Será igualmente importante garantir que o trabalho conjunto tem um foco no desenvolvimento das cadeias de valor, gerando condições de melhor integração no comércio global e de criação de novos negócios, de postos de trabalho sustentáveis para a nossa juventude, e de maior competitividade para as nossas economias. De igual modo, é do interesse de toda a Comunidade a adoção de medidas e a implementação de iniciativas promotoras do empreendedorismo, da inovação e do desenvolvimento industrial e tecnológico no espaço da CPLP. Nesse sentido, a cooperação económica na CPLP será tão mais proveitosa quanto mais alargada, concorrendo para tal as ações das autoridades e instituições públicas dos Estados-Membros, bem como as ações de parceiros do setor


PONTOS DE VISTA COOPERAÇÃO CPLP

privado, e da sociedade civil, nomeadamente dos Observadores Consultivos da CPLP. Os Estado-Membros da CPLP, juntos, tornam-se mais fortes no plano internacional uma vez que a sua voz, multilateral, faz-se ouvir com mais impacto. Qual diria que é a importância e a força desta Comunidade, não só para os seus países, mas também a nível mundial? A força da Comunidade encontra-se nos mais de 260 milhões de falantes da língua portuguesa, que vivem, estudam e trabalham em todos os continentes do globo. E estima-se que, até o final do século, com o crescimento demográfico de países como Angola e Moçambique, o português será a língua de mais de 500 milhões de pessoas. Os fóruns e as organizações multilaterais como a CPLP propõem-se a encontrar soluções concertadas para os desafios globais. Fenómenos como a crescente conexão global, a mudança nos modos de produção e distribuição, a globalização dos mercados, o desafio demográfico e a evolução científico-tecnológica cada vez mais acelerada, colocam aos nossos países a árdua tarefa de traçar novos caminhos para o desenvolvimento, num ambiente internacional caracterizado pela complexidade, volatilidade e incerteza crescentes. Perante estes desafios, as respostas mais adequadas serão aquelas que, traçadas de forma conjunta e concertada, permitam atender não só ao novo paradigma da era da transformação digital, como também às metas da sustentabilidade ambiental, que encerram o desígnio maior da sobrevivência do nosso planeta. Tomemos, como exemplo, a promoção da língua portuguesa, domínio em que os progressos da nossa Comunidade são notórios. Assiste-se tendencialmente a melhores níveis nos valores de literacia em língua portuguesa das populações. O número crescente de falantes de português de diferentes perfis linguísticos – sendo simultaneamente língua materna para um grupo cada vez maior, e língua segunda para um outro número significativo de cidadãos – ilustra bem a dinâmica de progresso do nosso idioma comum no contexto intracomunitário. No plano externo, a CPLP está na mira da política externa de um número crescente de Estados e capta a atenção de diversas Organizações internacionais, conforme demonstra o número crescente de observadores Associados. As motivações destes países e organizações na aproximação à CPLP são diversas: temos, por um lado, a CPLP como plataforma de concertação política e diplomática, relevante até em termos de reforço das relações entre o Associado e os Estados-membros; mas também como plataforma linguística, de cooperação cultural e contacto entre diásporas. Além disso, os países associados veem a CPLP como uma potencial plataforma facilitadora de parcerias económicas, cabendo-nos, também a nós, desenvolver os instrumentos que nos permitam tirar maior partido dessa atratividade da nossa Organização.

Um dos vetores estratégicos de atuação da CPLP é a promoção e defesa da língua portuguesa. Podemos afirmar que a promoção do nosso idioma comum tem conseguido progressos importantes, tanto no plano do seu ensino nos Estados-Membros como na sua utilização internacional? Quais diria que foram os mais relevantes? Sendo a pedra basilar da Comunidade e o seu traço identitário mais proeminente, recordo que já desde antes da constituição da CPLP, em 1996, a promoção e difusão da língua portuguesa era um objetivo para a cooperação entre os Estados-Membros. No contexto internacional, a língua portuguesa afirma-se como uma língua comunicação global, em franca expansão. Está presente na criação artística e literária, destaca-se nas redes sociais, inspira a inovação e a investigação, e incentiva, também, o desenvolvimento de parcerias económicas. A língua portuguesa alcançou uma importante e merecida conquista, ao ver proclamada pela UNESCO, em 2019, a data de 5 de maio como o dia Mundial da Língua Portuguesa. Esta consagração traduz o crescimento que o português tem conhecido aos mais diversos níveis: É a língua mais falada do hemisfério Sul, a 4.ª língua mais falada no planeta e uma das mais utilizadas na internet. É também a língua oficial e/ou de trabalho em 32 organizações internacionais. A crescente aproximação dos países lusófonos através da solidariedade, do diálogo e da cooperação, de forma que possam atuar em conjunto com vista à prosperidade coletiva e defender, com voz ampliada, os interesses comuns no cenário internacional, tem sido o grande objetivo da CPLP ao longo dos seus 26 anos de existência. Quais diria que serão as prioridades daqui para a frente? As prioridades da Organização devem responder a dois objetivos fundamentais: contribuir para o desenvolvimento duradouro e sustentável dos Estados-Membros, e, ao mesmo tempo, promover a aproximação da Organização aos seus cidadãos, de maneira a gerar um maior sentimento de pertença e de comunidade. E para isso, temos de definir claramente as prioridades. Neste sentido, a cooperação económica, a que já me referi, e sem descurar a ação noutras áreas, será um dos setores que vamos aprofundar. Outro aspeto, prende-se com a resposta a situações de emergência, tão premente no contexto das alterações climáticas, e que tem posto à prova a resiliência de diversos Estados-Membros da CPLP. Estamos a trabalhar num documento estratégico, enquadrador, que nos permita reforçar a cooperação neste contexto, assegurando a necessária ligação intersetorial que o tema requere. No que diz respeito à aproximação aos cidadãos, demos um passo importantíssimo com a celebração do Acordo sobre a Mobilidade na CPLP, celebrado por ocasião da Cimeira de Luanda, em julho passado, e já ratificado pela

maioria dos Estados-Membros, num assinalável curto lapso de tempo. Este Acordo vem criar um quadro normativo multilateral, ao abrigo do qual os Estados-Membros podem agora estabelecer, caso a caso, mecanismos que irão facilitar a circulação de pessoas, podendo, inclusivamente, escolher determinadas categorias para o efeito. Temos também trabalhado no sentido de favorecer a mobilidade académica e a mobilidade do conhecimento científico. Outro tema que por certo permitirá aos cidadãos reverem-se na CPLP diz respeito à Cultura, tendo a Presidência em exercício acolhido a Capital da Cultura da CPLP – Luanda 2022, que contou com inúmeras atividades culturais como a Feira do Livro, uma mostra de cinema, espetáculos musicais, entre outras. Esta iniciativa, para além de projetar a imensa diversidade cultural que tanto nos enriquece enquanto comunidade, constituiu um espaço de encontro e de circulação de agentes, bens e serviços culturais, abrindo renovadas perspetivas de cooperação neste setor. Do mesmo modo, a agenda da CPLP para o setor da Juventude e Desportos conta com iniciativas como a Bienal de Jovens Criadores e os Jogos Desportivos da CPLP, eventos mobilizadores da atenção de um público cada vez mais diversificado. Por último, esta aproximação aos cidadãos é complementada com o trabalho estruturado que temos vindo a fazer com os nossos Observadores Consultivos, entidades dos mais diversos setores da sociedade civil, que ultrapassam já uma centena e com os quais trabalhamos de maneira estruturada e complementar. A terminar, sendo agora tempo de aniversário e, por isso, de comemoração, que mensagem gostaria de deixar aos países membros da CPLP? No final de 26 anos da vida da CPLP, cabe-nos relembrar os enormes avanços já alcançados. Enquanto cidadão timorense, não posso deixar de sublinhar o imenso potencial de concertação político-diplomática que a CPLP encerra. Antes da adesão de Timor-Leste à CPLP, que ocorreu em 2002, todos os países da CPLP uniram-se numa só voz para apoiar a luta do povo timorense. Esta capacidade de união solidária, não obstante as nossas diferenças, é para mim o elemento que melhor caracteriza a Comunidade de Países de Língua Portuguesa. O mundo viu, nos últimos 26 anos, mudanças de grande magnitude e sabemos que o contexto internacional atual é, verdadeiramente, complexo e incerto. E por isso mesmo, o papel da CPLP é mais do que nunca relevante. A mensagem que gostaria assim de transmitir aos Estados-Membros é de que a prossecução do nosso diálogo e do nosso trabalho conjunto deve ser uma prioridade para podermos crescer e fazer face aos inúmeros desafios que os nossos países ainda têm pela frente. ▪

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PONTOS DE VISTA CPLP – DIREITO E ADVOCACIA

“A Advocacia em Moçambique acompanha o processo de Desenvolvimento e Crescimento do País” A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Isálcio Mahanjane, Partner e Advogado da Isálcio Mahanjane Advogado e Associados, a propósito dos 26 anos da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que se celebram no dia 7 de julho, onde foi ainda abordada a vertente da advocacia em Moçambique, que, na visão do nosso interlocutor, “acompanha o processo de desenvolvimento e crescimento do país”

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Isálcio Mahanjane Advogado e Associados (IMAA) é uma sociedade de direito moçambicana, parceira estratégica de firmas internacionais com representações e acordos à escala planetária. Assim, como nos pode descrever qual tem vindo a ser o papel da IMAA na promoção da proximidade dos países que compõem a CPLP? Na esteira dos acordos de parceira e da qualidade de membro da Andersen Global, a promoção de proximidade dos países da CPLP é feita pela interação de escritórios de advogados e cidadãos com domicílio nos países da comunidade. O que por sua vez aproxima pessoas e empresas no domínio das relações jurídicas. É importante frisar que essa teia não é estanque, porquanto, pode gerar outras redes de interação para além dos sujeitos primários e ordinários e para lá do objeto do negócio do Direito. Deste modo, queremos contribuir, indubitavelmente, para a promoção da CPLP. Reconhecemos, no entanto, não ter, ainda, qualquer ligação com Timor-Leste e a Guiné Equatorial. A 7 de julho do presente ano, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), comemora 26 anos de história. Neste domínio, de que forma a Advocacia na Lusofonia tem vindo a evoluir ao longo dos anos? 26 anos são um marco na nossa história. É uma idade que revela desafios, ganhos e alguma cumplicidade entre os povos, que não escapam a advocacia e o próprio ensino do Direito na CPLP. A advocacia tem vindo a evoluir, de tal forma que hoje é possível prover serviços para além dos países de origem. Hoje, a oferta de serviços é feita também numa base comunitária, quer seja para atender a interesses instalados ou pretendidos instalar. Outrossim, há sujeitos e grupos de sujeitos que operam em simultâneo na comunidade. ISÁLCIO MAHANJANE

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Perante a crescente cooperação e desenvolvimento das relações empresariais entre os


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EQUIPA DA ISÁLCIO MAHANJANE ADVOGADO E ASSOCIADOS

países lusófonos, é legitimo afirmar que após dois anos de crise pandémica, estas parcerias se tornaram ainda mais vitais para a recuperação económica e social? Em que medida? Eu penso que a pandemia freou uma locomotiva que se galvanizava de forma considerável. Pelo que o retorno a normalidade é um imperativo natural e sim, acredito que as parcerias existentes e a firmarem-se têm capital importância para a recuperação da vida económica e social dos povos. Na medida que veremos retomadas, reinventadas e firmadas as relações económico-sociais dos povos e empresas da CPLP. A realidade é que a relação entre Moçambique e Portugal tem uma dinâmica única fortalecida por valores semelhantes e parcerias económicas. Como nos descreve a evolução desta ligação entre ambas as nações? De que forma a IMAA tem contribuído para a mesma? É sabido que Moçambique e Portugal têm uma relação que perdura no tempo, são séculos. E que nesse universo temporal há muita coisa que é partilhada entre os dois países. Pese embora, tenha ocorrido dentro desse universo um processo de má memória, o colonialismo. Mas, e como disse, isso não condiciona os laços de amizade, valores e ligações socioculturais, nem as relações, hoje, entre os povos, nos vários domínios da vida. A IMAA ao promover o negócio jurídico entre pessoas coletivas e singulares dos dois países está a contribuir para que as relações se possam aprofundar ainda mais e durar mais tempo.

Assim, como descreve o atual panorama da Advocacia em Moçambique? Por que marcos importantes está a ser pautado? A advocacia em moçambique acompanha o processo de desenvolvimento e crescimento do país. Gostávamos que estivesse em patamares invejáveis e de dimensão de outros países com mais história e tradição no negócio, mas não nos deixamos vencer por isso. Quanto aos marcos, todos os aqueles que marcam a evolução do país não estão longe dos que marcam o negócio da advocacia, entre eles a luta pela erradicação da pobreza, o melhoramento da qualidade do ensino e a promoção da capacidade e qualidade produtiva. Hoje, é quase possível estruturar todo um processo ou negócio jurídico usando apenas capacidade interna. Quais os maiores desafios que enfrenta, atualmente, o setor da Advocacia dentro da comunidade dos países lusófonos? De que forma a IMAA os contorna? O maior dos desafios há de ser a harmonização de procedimentos e do quadro legal e o desnível socioeconómico que ocorrem dentro da mesma comunidade. Mas, há ciência de que isso mexe com as estruturas de cada país e do correspetivo ordenamento jurídico. A saída tem sido a harmonização possível e a IMAA contorna isso contribuindo para um maior debate a respeito e propondo algumas reformas.

de se encontram em constante mudança fruto da digitalização que a todos acarreta novos desafios. Em que medida a transformação digital está a revolucionar o setor da Advocacia? A transformação digital também revoluciona a advocacia, por exemplo por intermédio da disponibilização imediata e pouco onerosa de materiais de trabalho (livros, códigos, jurisprudência), contacto em tempo real com sujeitos de e em diferentes pontos, bem como optimiza o próprio processo de trabalho. O que antes era feito em dias, meses ou anos, é hoje feito numa fração de minutos, horas ou dias. ▪

Por fim, enquanto sociedade que prima pela qualidade dos serviços jurídicos que oferece, bem como por um conjunto de inovações, quais diria que são as próximas metas a cumprir e projetos a desenvolver, nomeadamente no âmbito da Advocacia da Lusofonia para a CPLP? Penso que o reforço das parcerias, o melhoramento da qualidade aumento do número de clientes são metas a ter sempre em linha de conta. Isso passa por uma maior interação e troca de saberes e comerciais mais acentuadas.

Sabemos que os inúmeros setores de ativida-

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PONTOS DE VISTA CPLP – DIREITO E ADVOCACIA

“A HSSM pretende ser um dos Maiores e Melhores escritórios de Advocacia em Cabo Verde” Qual a importância da Advocacia da Lusofonia no âmbito da CPLP? Para ter resposta a esta e a outras questões, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Sérgio Veiga Monteiro e Hernâni de Oliveira Soares, Sócios Fundadores e Managing Partners da HSSM Advogados, uma Sociedade Cabo-Verdiana em profundo crescimento e que aspira ser um dos maiores e melhores escritórios de advocacia em Cabo Verde”.

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HSSM Advogados é uma Sociedade Cabo-Verdiana, que conjuga os mais elevados padrões de qualidade, com um profundo conhecimento da realidade em causa, que permite prestar um serviço completo e rigoroso aos clientes mais exigentes. Quais diria que são, atualmente, os fatores diferenciadores da marca no mercado? Sérgio Veiga Monteiro (SVM) Esta é uma pergunta difícil, pois dizer o que nos torna diferentes é desafiante. Somos uma sociedade de advogados que se destina essencialmente às empresas ou pessoas que queiram investir, mas também lidamos com assuntos privados. Prestamos serviços jurídicos de acordo com os standards internacionais, marcado pelo rigor e excelência profissional, com abrangência global, sem descurar da componente local e cultural, que nos permite acrescentar valor ao mercado nacional. Colaboramos com investidores externos e estabelecemos parcerias com escritórios dos países da CPLP e outras geografias. Conforme resulta do nosso slogan, procuramos sempre uma abordagem de parceria com os nossos clientes, tornando os seus objetivos a nossa missão. Na HSSM procuramos resolver as situações de forma mais simples possível e respeitando sempre o tempo dos clientes, ou seja, procuramos a celeridade sempre. Embora a HSSM Advogados seja uma sociedade de advogados full service, a nossa equipa é constituída por profissionais com reconhecida experiência em áreas altamente especializadas, nomeadamente, Direito Fiscal, Direito

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HERNÂNI DE OLIVEIRA SOARES E SÉRGIO VEIGA MONTEIRO

Bancário e Valores Mobiliários, Regulação, Anti – Money Laundering & Counter Terrorism Financing Compliance, Tecnologia, Média e Telecomunicações, entre outros. Aliado aos princípios acima referidos, a nossa sociedade privilegia o uso de ferramentas tecnológicas com vista a aumentar a qualidade da prestação dos serviços jurídicos. Somos uma sociedade de advogados 100% digital no que toca à organização interna, através da utilização da tecnologia “cloud” para arquivo e gestão documental, bem como ferramentas de gestão de processos, clientes e outros assuntos. Na nossa sociedade respeitamos na diversidade e o género, com tratamento de todos como nossos iguais. É isso que nos distingue e nos aproxima das outras sociedades e é a assinatura da HSSM. A Sociedade disponibiliza, assim, um vasto leque de serviços jurídicos, personalizados, que valorizam as características únicas de cada cliente, procurando sempre as melhores soluções

para cada caso. Tendo em conta as constantes alterações no universo do Direito, como tem a HSSM Advogados acompanhado as tendências sem descurar da proximidade que a caracteriza? Hernâni de Oliveira Soares (HOS) - A pandemia provocada pelo vírus COVID-19 acelerou o desenvolvimento tecnológico de forma significativa, com impacto transversal em todos os setores da economia, incluindo a advocacia, que é um setor altamente conservador. Neste sentido, as alterações tecnológicas, as disrupções no setor da justiça e os impactos económicos e sociais provocados pela pandemia, revelaram-se, naturalmente, como desafiantes ao exercício da profissão, o que exigiu uma elevada capacidade de adaptação dos advogados. Para nós, no entanto, os desafios foram vistos com uma oportunidade de implementar princípios e novas práticas de valor acrescentado, aumentando assim a eficiência e qualidade dos serviços jurídicos, designadamente através de utiliza-

ção de ferramentas informáticas e adesão à transformação digital. Esta abordagem permitiu acompanhar a dinâmica de evolução dos nossos atuais e potenciais clientes, estando à altura dos desafios. Com efeito no nosso escritório as realidades como smart contracts, blockchain, crypto currency, metaverso, compliance, ESG, fazem parte do nosso dia a dia e como dissemos, podemos prestar aos nossos clientes serviços independentemente do lugar onde estivermos, por sermos 100% digital. Mas também a tecnologia jurídica está a revolucionar a forma como os advogados trabalham. Assistimos hoje à automação de contratos, resolução de litígios online, softwares que ajudam a fazer due dilligence... Tudo isso traz desafios a advocacia, mas também ganhos de eficiência e produtividade. Além disso, consagra a Responsabilidade Social como uma parte integrante e fundamental da sua gestão, assumindo o compromisso de visar o equilíbrio entre os seus objetivos comerciais, criação de valor e o respeito pelas pessoas. Quão importante esta dinâmica é, não só para a Sociedade, como para o mercado? SVM - O advogado tem uma função social. Os seus constituintes ou consulentes são pessoas (individuais ou em sociedade) que a eles confiam a defesa dos seus direitos, liberdades e garantias. A HSSM Advogados está empenhada na função social da advocacia, procurando promover a sua sustentabilidade económica com base em valores éticos, com total independência, integridade e res-


PONTOS DE VISTA CPLP – DIREITO E ADVOCACIA

peito mútuo por clientes, colaboradores e concorrentes, contribuindo assim para a defesa e desenvolvimento de uma sociedade mais justa e sustentável. Neste sentido, assente na estratégia de responsabilidade social da HSSM Advogados, inclui a participação em diversas iniciativas e projetos na área de desenvolvimento social e proteção do ambiente, pois ao sermos 100% digital evitamos o consumo de papel. Incentivamos os nossos colaboradores a participarem em diversas iniciativas, designadamente, na prestação de consultoria jurídica Pro Bono e ações de voluntariado. O escritório também tem procurado ajudar uma outra associação de cariz social. Sendo um escritório sedeado em Cabo Verde, um dos Estados-Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como analisa, de forma geral, o fortalecimento dos países lusófonos ao longo dos anos? HOS - Pensamos que a advocacia se desenvolve melhor com base no mérito e em prática societária, ou seja, é preciso mais constituição de sociedades de advogados. A advocacia no mercado da CPLP tem várias velocidades, sendo o Brasil e Portugal dois países com uma advocacia madura e bastante competitiva. Já os restantes países vão fazendo o seu caminho de evolução constante, estando os mercados de Angola e Moçambique a fazer percursos interessantes derivado dos mercados económicos bastante atrativos. Enquanto Cabo Verde e São Tomé tem também escritórios de elevada qualidade e que já deram mostras de poderem trabalhar em cooperação com escritórios estrangeiros, pois hoje o mercado já não é mais apenas os nossos países, mas sim há um mercado global. Por exemplo já trabalhamos com escritórios nos EUA, Londres, Brasil, Portugal, entre outros. Há muito que se fala da importância e do relevo da união dos países lusófonos e dos fatores imprescindíveis para a participação na vida internacional, o que constituiu um contributo de reforço da afirmação destes países. Neste sentido, qual diria que é o

principal papel da Advocacia na CPLP? SVM - Ora bem, como é sabido o espaço da CPLP representa cerca de 1/3 dos advogados do mundo, devido a grande força do Brasil que conta com mais de um milhão de advogados. Por conta disso o Brasil viu-se obrigado a ter um mercado de advocacia bastante maduro com escritórios de grande dimensão. Por isso, penso que deveria haver maior sinergia dos países para fortalecer o mercado de advocacia e poder competir com os grandes escritórios de EUA e Londres. Com a crescente cooperação e desenvolvimento das relações empresariais entre os países lusófonos, acredita que, perante os últimos dois anos de crise pandémica, estas parcerias – nomeadamente entre escritórios de Advogados – são vitais para a recuperação económica? De que forma? HOS - Sem dúvida. Quem não acompanhar a tendência da globalização em que o mercado de advocacia deixou de ser apenas a localidade onde está localizado o escritório do advogado, ficará necessariamente para trás e a longo prazo o mercado irá fazer o seu trabalho. Temos consciência que estamos perante uma revolução no mundo dos negócios, na tecnologia e o Direito também, portanto, isso traz desafios aos advogados e novas áreas de negócio. Em Portugal todos os grandes escritórios já têm parcerias estabelecidas com escritórios nacionais, o que demostra que eles cedo perceberam que alianças com escritórios fora de Portugal é fundamental para a internacionalização como também para aumentar receitas. Uma coisa é certa, o setor da Justiça na CPLP, nuns países mais que outros, precisa urgentemente de apostar na tecnologia. Acreditamos que com a tecnologia haverá melhoria na gestão processual e produtividade dos juízes e oficiais de justiça e também dos advogados. Pois a celeridade e da justiça é questionada em todos os países da CPLP, e isso trará certamente mais confiança nos negócios e investimentos para ajudar na recuperação económica.▪

Por fim, que passos serão dados no futuro pela HSSM Advogados, não só que permitam manter a história de sucesso, como o papel que tem desenvolvido no âmbito da CPLP? SVM - A HSSM pretende ser um dos maiores e melhores escritórios de advocacia em Cabo Verde. Temos um plano de crescimento bem estruturado para cinco a dez anos. Como parte do crescimento, queremos reforçar as nossas parcerias com escritórios em todos os países da CPLP, pois só assim poderemos assegurar uma boa internacionalização do nosso escritório. Temos vários objetivos a serem cumpridos no nosso plano. Já estamos a cumprir o nosso plano, e o primeiro dos objetivos que é a prote-

ção do ambiente ao desmaterializarmos o escritório transformando-o 100% digital, onde desde a constituição da HSSM aderimos de imediato às novas tecnologias: tudo digitalizado, bom uso da internet e softwares, cloud, usufruto das capacidades do google workspace, e muitas outras ferramentas. Temos especial estima aos nossos clientes que apostam nas energias e financiamentos ecológicos, ou como dizem hoje em dia “verdes”. Estamos atentos ao processo de descarbonização da economia. O nosso escritório respeita os princípios fundamentais do Direito, ou seja, a ética e a deontologia profissional. Respeitamos as regras de compliance internacionais.

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PONTOS DE VISTA CPLP – DIREITO E ADVOCACIA

CARINA SOARES, ADVOGADA NA CARINA SOARES ADVOGADOS

Investimentos Portugal – Angola

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o âmbito de uma política de atração de capital e desenvolvimento da sua economia, o Governo angolano tem desencadeado algumas reformas legislativas e fiscais, desde a alteração da Lei do Investimento Privado, aos benefícios fiscais, num modelo de investimento estrangeiro por outra forma que não seja a exploração de recursos naturais, a par de um quadro fiscal estável e de confiança, procurando reduzir os riscos dos investidores e dos operadores. Procurando a diversificação da economia e numa valorização e exploração sustentada de outros recursos disponíveis, nomeadamente no setor mineiro, na agricultura e na indústria, está, também, em vigor o Acordo sobre Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos Portugal – Angola assinado em Luanda a 16 de julho de 2021, o qual assegura proteção dos investimentos para ambas as partes, incluindo disposições relativas à livre transferência de capitais, indemnização em caso de expropriação ou compensação por danos, garantindo que a resolução de litígios entre investidores e os Estados recetores dos investimentos possa

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ser feita em instâncias arbitrais internacionais. Neste cenário, a Lei dos Benefícios Fiscais (Código dos Benefícios Fiscais) prevê um quadro fiscal de redução do imposto sobre capitais e os benefícios fiscais atribuídos aos investimentos privados em regime de declaração prévia (sendo o regime de Declaração Prévia aplicável aos investimentos privados realizados fora dos setores considerados prioritários, e o Regime Especial aos investimentos realizados nos setores de atividade prioritários) além de outros de caráter fiscal atribuídos às empresas que contribuam para a redução de emissões de carbono, com destaque para a agroindústria, energias renováveis, transformação digital, logística e infraestruturas de água. Com efeito, é de atender que os benefícios fiscais são realizados em função da zona de desenvolvimento em que estão inseridos. Verifica-se, assim, um Quadro Legal do Investimento Privado (Lei n.º 10/18, de 26 de Junho com a alteração da Lei nº 10/21 de 22 de abril de 2021 e Decreto Presidencial nº 271/21 de 16 de novembro), que prevê medidas de melhoria do ambiente de negócios, de facilitação


PONTOS DE VISTA CPLP – DIREITO E ADVOCACIA

na atribuição de benefícios e vantagens para os investidores, a dispensa de obtenção de licenças provisórias e demais autorizações dos órgãos da Administração Pública para a implementação dos projetos de investimento, bastando para o efeito o Certificado de Registo de Investimento Privado. Nas situações em que é considerado indispensável a emissão de pareceres, aprovações, autorizações ou a prática de outros atos ou formalidades nos procedimentos aplicáveis aos projetos de investimento, a entidade competente fica obrigada a praticar tais atos nos prazos estabelecidos no cronograma de execução e implementação do projeto

acordado com o investidor. Caso a entidade competente não cumpra esses prazos, considera-se que houve deferimento tácito, ou seja é como se tivesse sido concedida a autorização. Quadro este aplicável, independentemente do montante a investir ou dos investidores serem nacionais ou estrangeiros, no qual todo o investimento pode obter uma redução das taxas de imposto industrial, dos direitos aduaneiros, do Imposto de SISA, do Imposto sobre a Aplicação de Capitais e do Imposto de Selo, sendo estes benefícios de aplicação imediata. Relativamente aos investidores estrangeiros, estes, por sua vez, têm o direito de repatriamento de dividendos, do produto da liquidação e das indemnizações, não existindo atualmente qualquer obrigatoriedade de parcerias com cidadãos angolanos ou com empresas de capital angolano, à exceção de determinados setores de atividade, como o petróleo e gás. Importa referir que, para além do Regime de Declaração Prévia e do Regime Especial, foi introduzido pelo Decreto Presidencial nº 271/21, de 16 de novembro um Regime Contratual aplicável a projetos de investimento privado, realizados em qualquer setor de atividade, cujo montante de investimento seja o valor em Kwanzas equivalente a USD 10.000.000,00 (dez milhões de dólares norte-americanos) e que criem pelo menos 50 postos de trabalho para os nacionais. A concessão de incentivos e facilidades aos projetos inseridos no regime contratual é mediante um processo negocial entre o investidor e o Estado angolano, representado pela AIPEX (Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola) e a AGT (Administração Geral Tributária). A AIPEX pode, no entanto, solicitar que participe nas negociações o Ministério que superintende a atividade do projeto. A AIPEX é o órgão encarregue da promoção, captação, tramitação de registo legal, acompanhamento e fiscalização dos investimentos realizados nos termos da lei do investimento privado. Para esse efeito, a AIPEX disponibiliza

a Janela Única do Investimento (“One Stop Center”) com vários serviços de apoio ao investidor, nomeadamente emissão de licenças, alvarás, suporte para obtenção de vistos ou autorização de residência, quando se trate de investidores estrangeiros. Com efeito, face a este contexto de investimento externo, no âmbito cambial foram simplificados os regulamentos para o registo de entradas de capitais e clarificados os requisitos para o pagamento de remunerações aos investidores (por exemplo, distribuição de lucros), e quanto à fiscalidade aplicável aos investidores externos, além dos incentivos fiscais e aduaneiros, verificou-se uma redução das taxas de imposto industrial. Por fim, neste paradigma de investimento externo direcionado para o setor produtivo invés da base de exportação de petróleo e importação de bens, é de destacar o Acordo de Facilitação de Investimentos Sustentáveis (em negociação), no âmbito do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (“PRODESI”). ▪

“A CONCESSÃO DE INCENTIVOS E FACILIDADES AOS PROJETOS INSERIDOS NO REGIME CONTRATUAL É MEDIANTE UM PROCESSO NEGOCIAL ENTRE O INVESTIDOR E O ESTADO ANGOLANO, REPRESENTADO PELA AIPEX (AGÊNCIA DE INVESTIMENTO PRIVADO E PROMOÇÃO DAS EXPORTAÇÕES DE ANGOLA) E A AGT (ADMINISTRAÇÃO GERAL TRIBUTÁRIA). A AIPEX PODE, NO ENTANTO, SOLICITAR QUE PARTICIPE NAS NEGOCIAÇÕES O MINISTÉRIO QUE SUPERINTENDE A ATIVIDADE DO PROJETO” JUNHO 2022 | 113


PONTOS DE VISTA COOPERAÇÃO CPLP

“A Sagaci Research é a empresa de pesquisa com Maior Presença em África” João Terlica, Managing Director da Sagaci Research, conversou com a Revista Pontos de Vista no sentido de explorar mais aprofundadamente o tema dos Estudos de Mercado, bem como conhecer o posicionamento da marca na Lusofonia. Conheça tudo.

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Sagaci Research é uma marca de pesquisa de mercado em África e com escritórios ainda em Barcelona, Paris e Hong Kong. Assim, com uma experiência internacional alicerçada com o conhecimento local, quais diria que são os fatores diferenciadores da empresa no seu setor? A combinação da experiência técnica de estudos de mercado com o conhecimento do contexto local, uma aposta muito forte na adaptação de metodologias que funcionem nas realidades económicas dos países e a aposta na recolha primária de informação, são três dos fatores diferenciadores da nossa oferta. África era um mercado “pouco servido” no que dizia respeito a pesquisas de mercado ao longo do continente. Muitos países/ mercados eram pequenos e, per si, pouco interessantes do ponto de vista do negócio. O facto de nós trabalharmos muitos países de forma integrada trouxe outra perspetiva. Por outro lado, desenvolvemos uma oferta muito pragmática e adaptada a África e com uma forte componente tecnológica, diferente da abordagem mais “tradicional”. Desde empresas multinacionais a players locais, centenas de organizações confiam na Sagaci Research para as ajudar a medir, entender e expandir os seus negócios. De que forma, através das suas soluções, a marca impulsiona o crescimento dos seus clientes? Dois pilares da nossa oferta de estudos. Por um lado, o conhecimento profundo do consumidor e,

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tos cerca de 30 países em África com uma comunidade de cerca de 200.000 consumidores, alcançando assim uma representatividade da população nos vários países. Também apostamos em algumas áreas vencedoras como as análises do retalho. Nesse âmbito, proporcionamos aos nossos clientes uma visibilidade muito clara sobre o desempenho das suas marcas nos pontos de venda, quer no mercado formal, quer informal. Temos censos e auditorias que mapeiam pontos de venda em cidades inteiras ao detalhe. Isso permite aos clientes terem um conhecimento completo e em tempo real do seu desempenho e, com isso, poderem desencadear reações rápidas e muito mais efetivas.

JOÃO TERLICA

“OS ESTUDOS DE MERCADO SÃO UMA FERRAMENTA ESSENCIAL E ESTABELECIDA NAS GRANDES EMPRESAS, QUER EXISTA UM DEPARTAMENTO DEDICADO, QUER ESTEJAM INTEGRADOS NA DIREÇÃO DE MARKETING E/OU COMERCIAL” por outro, a medição da realidade nos pontos de venda. Para o conhecimento do consumidor, a nossa oferta assenta em painéis de consumidores que contribuem diariamente com inquéri-

tos sobre consumo e preferências. Estas comunidades de consumidores e o diálogo gerado são a base para responder às questões a que os nossos clientes procuram dar solução. Atualmente temos cober-

O setor de pesquisa e estudos de mercado permite planear e analisar dados e insights. O seu objetivo é gerar conhecimento sobre um mercado e o seu público, identificar oportunidades e reduzir o risco na tomada de decisões. Para melhor entender, face às constantes transformações do mercado, como se encontra atualmente este setor? O setor está em constante evolução. Distinguiria dois tipos de motores que levam a esta evolução. Por um lado, a realidade do negócio dos nossos clientes evolui naturalmente pela necessidade de inovação e pela preocupação constante com a adaptação das suas ofertas aos gostos locais. Por outro lado, a indústria de estudos de mercado também evolui integrando possibilidades tecnológicas, tanto na recolha como na análise e disseminação dos dados. A evolução que deriva das neces-


PONTOS DE VISTA COOPERAÇÃO CPLP

sidades dos nossos clientes leva a que a velocidade de resposta seja cada vez mais necessária. A inovação em produtos de consumo é impressionante, com versões adaptadas aos vários segmentos de clientes. Todos estes lançamentos de novos produtos passam normalmente por algum tipo de estudo para validar a sua aceitação antes do lançamento. No que respeita à indústria de estudos de mercado em si, assistimos à evolução tecnológica que permeia toda a sociedade. Ressaltaria o uso generalizado de smartphones como última grande mudança de paradigma. Nos últimos dez anos a penetração de smartphones é generalizada, inclusive em indivíduos com baixo nível de rendimento. É difícil apreciar a magnitude desta mudança quando vivemos rodeados por tecnologia e acostumados a estar conectados desde antes da existência de smartphones. Relembramos que o iPhone foi introduzido em 2007 e atualmente existem cerca de seis mil milhões de dispositivos mundialmente, para uma população de cerca de sete mil milhões. Para a indústria de estudos de mercado esta evolução permite um canal direto de diálogo com o consumidor. Em países de África, esta evolução é especialmente relevante porque o nível de conetividade anterior era relativamente baixo. Estas duas grandes tendências levam a que a indústria de estudos de mercado esteja em constante adaptação para encontrar formas de trazer insights de uma forma mais rápida e eficiente. Se há poucos anos fazíamos entrevistas em pessoa ou por telefone, hoje em dia recebemos milhares de respostas a inquéritos online em dois dias. Em que medida, o mesmo, é fundamental para quem pretende exportar, internacionalizar-se, investir e procurar os melhores canais de Trading no exterior? Para os nossos clientes, sobretudo empresas de grande consumo, a internacionalização é um processo que pode assumir várias configurações. Desde a simples exportação de produtos, diretamente ou através de distribuidores, até a uma presença local com fábricas, canais de distribuição, entre outros. Este processo é dinâmico e não neces-

sariamente num só sentido. Numa fase inicial as empresas que buscam internacionalizar-se buscam novos mercados para os seus produtos. Neste processo de expansão algumas empresas continuam a evoluir, tanto por aquisição como criação de negócios com parceiros locais, assumindo uma identidade própria local. Finalmente, em alguns casos, o que eram inicialmente mercados de exportação tornam-se numa fonte de inovação fundamental em produtos e oferta nos vários mercados onde a empresa está presente. Considera que, atualmente, os estudos de mercado são suficientemente reconhecidos como uma ferramenta essencial para identificar oportunidades de negócio? Neste sentido, o que urge estabelecer? Sim, os estudos de mercado são uma ferramenta essencial e estabelecida nas grandes empresas, quer exista um departamento dedicado, quer estejam integrados na direção de marketing e/ou comercial. Os tipos de estudos evoluíram, sobretudo com as possibilidades tecnológicas que temos disponíveis. O exemplo mais paradigmático tem sido a migração para entrevistas online versus telefónicas ou cara a cara nos últimos anos. A questão não é tanto o reconhecimento ou não da necessidade de estudos, mas uma questão de custo e tempo. A tomada de decisões nunca é perfeita, os clientes buscam um estudo suficiente para uma decisão razoavelmente segura, não perfeita. Tendo em consideração o valor que os estudos de mercado acarretam ao mercado e às suas organizações, de que forma a Sagaci Research tem vindo a promover ainda um sentido de modernização e inovação das suas soluções? O nosso posicionamento de especialistas em mercados onde tradicionalmente existe uma oferta de estudos limitada, devido à dimensão económica, leva-nos naturalmente a procurar a inovação. A inovação contínua e integrada é fundamental para dar resposta aos nossos clientes que buscam melhor informação, mais rápida e a um menor custo.

Desde grandes apostas, como a recolha de informação primária por smartphone através de comunidades de consumidores, a pequenas formas de trabalhar que melhorem a eficiência e qualidade, fazemos um esforço contínuo de evolução. Por exemplo, estudos que tradicionalmente demoram um mês a realizar, devido ao processo de recolha de informação, hoje em dia

Para terminar, qual continuará a ser o posicionamento da Sagaci Research no seu setor de atividade, bem como na Lusofonia? Que novidades e projetos estão a ser desenhados para o futuro? A Sagaci Research é a empresa de pesquisa com maior presença em África e queremos continuar a reforçar essa nossa posição e acompanhar o crescimento dos mercados. Continuaremos a desenvolver a nossa operação onde já nos encontramos e entraremos noutros países que sejam relevantes para os nossos clientes. Continuaremos a desenvolver a nossa missão, em que nos propomos a fornecer serviços de market research desenhados especificamente para o mercado africano, sempre com

conseguimos reduzir este período a dois dias. Adicionalmente, a forma atual de comunicar com o consumidor abre novas possibilidades. Se tradicionalmente num inquérito ao consumo fazíamos perguntas clássicas, hoje em dia podemos pedir fotos, vídeos, descrições muito mais ricas do dia a dia dos consumidores, expandindo com isto a riqueza dos resultados dos estudos. ▪

standards internacionais em mente. A qualidade de execução será sempre algo que não comprometeremos e manteremos sempre um controlo apertado sobre a qualidade de todo o processo de recolha, independentemente da técnica de recolha que utilizarmos. Continuaremos a investir fortemente nas nossas equipas locais. Atualmente, contamos com cerca de 120 colaboradores de diversas nacionalidades e backgrounds, espalhados por todo o continente. O que esta equipa tem em comum é que todos nós partilhamos uma paixão por África e por conhecer as suas especificidades e acompanhar o seu desenvolvimento económico e social. Esse espírito irá sempre fazer parte da nossa essência.

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PONTOS DE VISTA COOPERAÇÃO CPLP

CENFIM

Um Parceiro de Excelência na CPLP Qual tem sido o papel do CENFIM no domínio da CPLP? Luciano Santos responsável pelos projetos de cooperação em África, pelo CENFIM, revelou, em entrevista à Revista Pontos de Vista, como é que a marca, que tem como estratégia fundamental procurar responder às necessidades de formação das empresas do setor metalomecânico, tem vindo a assumir-se como um parceiro de excelência na promoção das relações e cooperação na CPLP.

S

endo um centro protocolar, o CENFIM diligencia a formação, orientação e valorização profissional dos Recursos Humanos do Setor Metalúrgico, Metalomecânico e Eletromecânico. Tendo, atualmente, 13 Núcleos de Formação, como tem vindo o Centro a diferenciar e a inovar as suas competências ao longo dos tempos? O CENFIM – Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica foi instituído em janeiro de 1985, por Acordo Protocolar do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), a Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP) e a Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Eletromecânicas (ANEME). A formação ministrada pelo CENFIM, tem por objetivo a promoção e apoio de ações formativas de curta, média e longa duração nos domínios da aprendizagem, qualificação e especialização, no setor metalúrgico e metalomecânico. Tem vindo a desenvolver a sua atividade a nível nacional, através de 13 Núcleos de Formação localizados em Amarante, Arcos de Valdevez, Caldas da Rainha, Ermesinde, Lisboa, Marinha Grande, Oliveira de Azeméis, Peniche, Porto, Santarém, Sines (com polo em Grândola), Torres Vedras e Trofa. Como se pode inferir, as localizações dos nossos Núcleos de Formação, seguem uma estratégia de implantação geográfica nas zonas de maior concentração das empresas do setor metalúrgico, metalomecânico e eletromecânico. Isto permite-nos não só um contacto muito próximo e dinâmico com

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as empresas do setor, mas também um elevado conhecimento das suas necessidades e expetativas. Aliás, um dos grandes reconhecimentos desta nossa dinâmica e interatividade é a elevadíssima taxa de empregabilidade dos nossos formandos, acima dos 95%. Cumulativamente, todo o nosso trabalho resulta de uma aposta firme num elevado know-how técnico, tecnológico e técnico-pedagógico em todos os domínios do processo formativo, numa perspetiva de inovação e desenvolvimento dos nossos métodos e processos de formação. Complementarmente à aposta na realização de uma formação profissional direcionada para o setor, prestamos também consultoria e apoio técnico e organizacional na implementação de planos integrados de formação e de desenvolvimento estratégico e organizacional. Apostamos também em parcerias consolidadas com Empresas, Organismos e Instituições, Escolas, Politécnicos e Universidades, tanto a nível nacional como internacional, em particular na coordenação e desenvolvimento de projetos de cooperação inovadores. A nossa aposta constante na melhoria contínua dos nossos serviços e processos, permitiram-nos obter diversas certificações nacionais e internacionais, nomeadamente no âmbito dos Sistemas de Gestão da Qualidade, Ambiente, Higiene, Segurança e Saúde, Recursos Humanos e Responsabilidade Social, para alem, naturalmente, de todas as certificações técnicas ligadas às profissões do setor.

Assim, o CENFIM promove formação contínua para trabalhadores, bem como o desenvolvimento organizacional das empresas. Em ambas as vertentes, de que forma se materializa esta missão? Desde a sua criação, o CENFIM tem como estratégia fundamental procurar responder às necessidades de formação das empresas do setor metalomecânico. Neste sentido, promovemos Formação Contínua para Trabalhadores, na dupla ótica da melhoria das suas qualificações e da manutenção da sua empregabilidade, bem como o desenvolvimento organizacional das Empresas, através de intervenções especificamente dirigidas às PME’s, na ótica da sua modernização e aumento da sua produtividade e competitividade. Para além da vertente ligada à formação contínua de trabalhadores, garantimos também não só a formação e promoção da inserção profissional dos jovens, através da formação desenvolvida no âmbito do Sistema de Aprendizagem, Qualificação Inicial, Cursos de Especialização Tecnológica - CET e de Educação e Formação de Jovens-CEF, como também ministramos cursos de Educação e Formação de Adultos e Desempregados sempre com o objetivo de responder adequadamente às solicitações das empresas do setor da metalomecânica. Sabemos que, além de ser uma entidade de âmbito nacional, também desenvolve a sua atividade nos países pertencentes à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).


PONTOS DE VISTA COOPERAÇÃO CPLP

Como analisa o caminho do CENFIM no espaço lusófono? Quão importante é, para o Centro, posicionar-se também neste meio? Para além da atividade formativa o CENFIM tem participado ao longo dos anos em inúmeros projetos internacionais, não só na Europa, mas também na grande maioria dos países pertencentes à CPLP, em particular desde 1992, em países africanos de língua oficial portuguesa, nomeadamente Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé, sendo que esta cooperação, de extrema importância para nós, tem vindo a crescer de forma sustentável ao longo dos anos, existindo da nossa parte e dos nossos parceiros, a vontade e o empenho na criação de condições não só para a sua manutenção, mas também para o seu crescimento e desenvolvimento futuros. As áreas em que se têm desenvolvido os projetos de cooperação entre o CENFIM e as diversas instituições parceiras nos países da CPLP, têm abrangido todas as atividades ligadas à formação profissional, não só as atividades formativas, mas também as atividades de apoio técnico relacionadas com a organização e gestão das organizações, nomeadamente: ▶ Apoio técnico à implementação, gestão e coordenação de instituições de formação profissional; ▶ Formação profissional em diversas áreas, de acordo com as necessidades detetadas tanto em empresas/organizações como nas regiões onde estão inseridas, nomeadamente nas áreas da: Produção (soldadores, caldeireiros, tubistas, operadores de máqui-

nas, entre outros.), Organização e Métodos, Orçamentação, Gestão e acompanhamento de Projetos, Recursos Humanos, Manutenção (Eletricidade, Mecânica, Eletromecânica/Mecatrónica, entre outros.), Higiene e Segurança no Trabalho, Sistemas de Gestão (Qualidade, Ambiente, Higiene e Segurança e Recursos Humanos), Comportamental, Tecnologias de Informação, entre outros.; ▶ Apoio técnico à gestão e organização da formação em empresas/ organizações, através da realização dos respetivos diagnósticos de necessidades de formação e da consequente elaboração e implementação dos seus planos de formação. A CPLP, por sua vez, comemora 26 anos de vida a 17 de julho de 2022. Estando o CENFIM a par destes anos percorridos, qual tem vindo a ser o papel desta Comunidade e da sua união empresarial e formativa, não só para os países integrantes, mas também a nível mundial? Sendo objetivos da CPLP a concertação política e a cooperação nos domínios social, cultural e económico, onde, para além de outras áreas, há um foco importante na Educação, sendo a língua comum uma vantagem e um veículo por excelência no estreitamento dos laços não só afetivos e culturais, mas também na implementação de projetos de desenvolvimento social e económico, em que os pilares da Educação e Formação Profissionais, são vetores fundamentais. Naturalmente que a dimensão e alcance da língua portuguesa no Mundo complementada com

“O CENFIM TEM PARTICIPADO AO LONGO DOS ANOS EM INÚMEROS PROJETOS INTERNACIONAIS, NÃO SÓ NA EUROPA, MAS TAMBÉM NA GRANDE MAIORIA DOS PAÍSES PERTENCENTES À CPLP” a importância político-económica do universo lusófono e com o papel agregador da CPLP no aprofundamento da cooperação entre os Países integrantes, tem permitido uma maior visibilidade internacional e o potenciamento do seu valor estratégico tanto no plano político, como no plano económico. Considera que as relações es-

tabelecidas entre os países de língua portuguesa têm vindo a crescer de forma sustentada? No que concerne ao CENFIM e ao setor onde se insere, que resultados têm emergido desta cooperação de longos anos? Sem dúvida. Apesar de todas as contingências que nos últimos anos têm vindo a afetar o desenvolvimento de planos e estratégias ao nível das relações internacio-

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PONTOS DE VISTA COOPERAÇÃO CPLP

nais, seja na implementação de projetos económicos, ou nas áreas da Educação e Formação Profissionais, essas relações não têm sido afetadas, estando neste momento a notar-se uma retoma já bastante visível de antigos e novos projetos, que permitem ter boas expetativas relativamente ao futuro das relações entre os Países da CPLP. Em relação ao CENFIM, apesar das dificuldades e de alguns ajustamentos aos projetos em curso, estes de facto nunca foram suspensos e, neste momento, temos já em fase de implementação novos projetos, nomeadamente com países integrantes da CPLP. Em que medida a inovação que o CENFIM estabelece como pedra basilar da sua atividade, tem vindo a ser um valor acrescentado para o sucesso e reconhecimento da CPLP? De facto, toda a atividade formativa do CENFIM, tem como pilar fundamental, entre outros natural-

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mente, a Inovação tanto ao nível técnico e tecnológico, procurando acompanhar o que de melhor e mais avançado se projeta e pratica no setor, como ao nível de métodos e processos formativos, nomeadamente: Através da sistematização, interna dos seus processos de I&D, que já decorriam desde a sua origem, criando as Equipas de Conceção e Desenvolvimento (EC&D), com o objetivo de, num trabalho contínuo e integrado, acompanhar, estudar, rever e elaborar novos referenciais de formação, manuais e materiais pedagógicos, desenvolvimento de processos RVCC em consonância com as entidades oficiais, nomeadamente, entre outras, com a ANQEP (através dos CSQ – Conselhos Setoriais de Qualificação); Como resultado de um projeto internacional (a nível europeu) em que o CENFIM foi a entidade coordenadora, que permitiu desenvolver projeto designado OIF- Oficina Individual de Formação, numa primeira fase direcionado para o CNC, estando a ser alargado a outras áreas técnicas e tecnológicas. De salientar que este projeto está já em pleno funcionamento nos Núcleos do CENFIM. De forma sucinta a abordagem OIF (Oficina Individual de Formação) permite assegurar que cada Formando encontrará as condições próprias para a sua aprendizagem, escolhendo os seus horários e adequando-os, dia a dia, à sua disponibilidade. Permite também que progrida na sua formação ao seu próprio ritmo, de forma individualizada, utilizando recursos inovadores, baseados em contextos reais de fabrico, que são introduzidos através de casos de estudo e kits práticos. Salientamos que, apesar de o formando desenvolver a sua formação de forma autónoma, tem sempre que necessário e/ ou requerido o apoio de técnicos e formadores do CENFIM. Relativamente à CPLP, o CEN-

FIM tem procurado, em todos os projetos internacionais em que participa, integrar sempre as melhores práticas e os métodos e processos formativos e tecnológicos mais avançados, da mesma forma que os implementa nos seus Núcleos de Formação em território nacional. Por fim, que projetos a nível nacional e ainda nos países de língua portuguesa estão a ser planeados para o futuro do CENFIM? Quanto ao futuro, o CENFIM continuará a trabalhar, como tem sido o seu historial, plenamente focado em procurar melhorar continuamente os seus métodos e processos, tanto ao nível organizativo, como dos serviços que presta, tentando inovar e implementar sempre o que de melhor e mais avançado se produz no setor. Naturalmente que não descuraremos nunca a proximidade e a colaboração com o setor empresarial em particular e com todas as organizações em geral (tanto a nível nacional como internacional), seja na formação dos seus quadros e na inserção de novos profissionais qualificados, seja no apoio à organização e inovação, nos projetos para os quais formos solicitados. Quanto a projetos em que estamos envolvidos a nível nacional, destacamos, entre outros, a revisão dos currículos formativos do Quadro Nacional de Qualificações, em colaboração com a ANQEP, e a ampliação da OIF a outras áreas formativas, para alem dos trabalhos das nossas equipas de EC&D. Naturalmente que, a nível internacional, para alem dos projetos com os países lusófonos que referiremos em seguida, continuaremos com os nossos projetos no espaço europeu. Ao nível dos Países integrantes da CPLP, continuaremos com os nossos Projetos, nomeadamente com Moçambique cujo Acordo de Cooperação estabelecido e homologado pelos Governos de Moçambique e Portugal tendo como objetivo o apoio à reconversão e funcionamento do Centro de Formação Profissional da Metalomecânica (CFPM), em Maputo, assinado no ano 2000, continua em pleno desenvolvimento.

Ainda em Moçambique destacamos também o nosso Acordo de Implementação do projeto + Emprego – Parceria Público-Privada para o Emprego dos Jovens em Cabo Delgado assinado com o Instituto Camões que teve início em 2021 que consiste em dois tipos de atividades: diagnóstico em termos de laboratórios, equipamentos de formação disponíveis e caraterização dos formadores e respetivas competências e Formação Técnica de Formadores das instituições moçambicanas envolvidas (IFPELAC, IICP, UNILURIO) nas áreas da Soldadura, Eletricidade Industrial e Manutenção Industrial/Eletromecânica. Relativamente a Angola, para alem da colaboração com o setor empresarial, temos em curso vários projetos de cooperação no âmbito do RETFOP – Revitalização do Ensino Técnico e da Formação Profissional de Angola, cuja entidade promotora é o Instituto Camões, para apoio ao desenho de ofertas formativas de dupla certificação e apoio à melhoria das instalações e equipamentos laboratoriais/oficinais em instituições angolanas abrangidas pelo projeto. Com Cabo Verde temos em curso um Protocolo de Parceria Técnica e Científica para a Formação na área da metalomecânica e CNC, para formação de Jovens cabo-verdianos em instituições de formação em Portugal, celebrado em 2019 com o Governo de Cabo Verde, sendo um dos subscritores o CENFIM, estando planeado o seu início com a realização de duas ações de formação na área do CNC, no CENFIM da Marinha Grande, destinadas a 20 Formandos. Quanto a este projeto realçamos aqui a grande dificuldade e o enorme papel que a CPLP pode ter no âmbito da Mobilidade dos Jovens selecionados, visto que a questão dos vistos tem sido o fator principal no protelar do início das formações previstas. Também com Cabo Verde, o CENFIM mantem desde 2015 um Protocolo de Parceria com o Centro de Energias Renováveis e Manutenção Industrial – CERMI (renovado em 2019), para colaboração nos mais variados domínios da formação profissional em áreas técnicas do interesse das duas instituições. ▪



PONTOS DE VISTA DIREITO – CONTRATAÇÃO PÚBLICA

FERNANDO BATISTA

“Deve-se almejar a criação de uma Contratação Pública estratégica” “O grande desafio colocado é transformar a contratação publica como um instrumento de alavancagem da prossecução de políticas públicas, como sejam a sustentabilidade ambiental e económica, a competitividade das PMEs, a inclusão social e a promoção da inovação”, revela Fernando Batista, Presidente do Conselho Diretivo do IMPIC - Instituto dos Mercados Públicos do Imobiliário e da Construção, que em entrevista à Revista Pontos de Vista, abordou a importância da criação de uma contratação pública estratégica e os desafios que irão surgir com o PRR - Plano de Recuperação e Resiliência.

O

Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, I.P. (IMPIC) tem na sua génese uma história com mais de meio século. Ao longo da sua existência, de que forma, o mesmo, tem vindo a perpetuar um cenário de rigor, isenção e credibilidade para o setor? O atual IMPIC, I.P. tem uma longa história, com nascimento em 1956 apenas atribuindo alvarás para obras públicas. Ao longo dos anos foi aumentando a sua capacidade regulatória na atividade da construção, e em 1992 o seu âmbito de atuação foi alargado à atividade da mediação imobiliária. Só em 2015 ficou materializada a sua missão de regular igualmente a contratação pública. Assim, a missão do IMPIC é a de regular e fiscalizar o setor da construção e do imobiliário, dinamizar, supervisionar e regulamentar as ativi-

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dades desenvolvidas neste setor, produzir informação estatística e análises setoriais e assegurar a atuação coordenada dos organismos estatais no setor, bem como a regulação dos contratos públicos. Os valores do IMPIC, independentemente da sua área de atividade, são claros: O Rigor, a Isenção e a Credibilidade. A forma de os implementar passa por capacitar os recursos humanos do IMPIC, monitorizar permanentemente os indicadores da sua atividade, da apreciação crítica dos questionários de satisfação – e das queixas efetuadas – por parte das empresas e cidadãos que interagem com este Instituto, e colaborar de forma equidistante com os todos os stakeholders da atividade do IMPIC. Segundo o IMPIC, a Contratação Pública tem um peso significativo na economia, represen-

tando cerca de 14% do PIB europeu. Neste sentido, quais têm vindo a ser as mudanças que mais impactaram esta área em Portugal? A contratação pública, em qualquer Estado da União Europeia, tem um peso significativo, pois estamos numa trajetória clara das administrações públicas serem cada vez mais contratualizantes, ou seja, as necessidades públicas são prosseguidas, em grande medida, através de contratos públicos. O grande desafio colocado é transformar a contratação publica como um instrumento de alavancagem da prossecução de políticas públicas, como sejam a sustentabilidade ambiental e económica, a competitividade das PMEs, a inclusão social e a promoção da inovação. Em síntese, deve-se almejar a criação de uma contratação pública estratégica. É do conhecimento geral que o Plano de


PONTOS DE VISTA DIREITO – CONTRATAÇÃO PÚBLICA

“A CONTRATAÇÃO PÚBLICA PODE, E DEVE, SER UTILIZADA COMO UMA FERRAMENTA DE ALAVANCAGEM DA PROSSECUÇÃO DE POLÍTICAS HORIZONTAIS E, NESSA MEDIDA, É UMA ÁREA QUE QUALQUER ESTADO NÃO PODE DESCURAR” Recuperação e Resiliência (PRR) é um instrumento no contexto pós-pandemia. No que diz respeito à Contratação Pública, dado a sua preponderância, de que forma é abrangida por esta componente e que metas, assim, se pretendem alcançar? O PRR é um plano financeiro, de cariz europeu, que implica a atribuição de subvenções e empréstimos, o que irá permitir que a economia portuguesa possa recuperar, de forma sustentada, da estagnação provocada pela pandemia Covid-19. Este plano será determinante para uma mudança estrutural, com impacto em áreas relevantes nos domínios da inovação e da transição digital, da demografia, qualificações e inclusão, da transição climática e sustentabilidade e da coesão territorial. Sobretudo as transições climática e digital são assumidas como os principais motores para a recuperação económica e social, às quais devemos acrescer a resiliência (social, económica - e do tecido produtivo - e territorial). Sendo grande parte das verbas atribuídas a entidades públicas, que para fazer uso delas têm de contratualizar, parece óbvia a importância que a contratação pública irá ter na sua concretização. Em que medida é possível assegurar que a Contratação Pública é uma área nuclear de intervenção do Estado, nomeadamente em alturas de crise, uma vez que tem potencial para impulsionar o tecido económico e o desenvolvimento das comunidades? Com os investimentos do PRR, que desafios poderão surgir? Como já referi, a contratação pública pode, e deve, ser utilizada como uma ferramenta de alavancagem da prossecução de políticas horizontais e, nessa medida, é uma área que qualquer Estado não pode descurar. A esmagadora maioria do investimento processa-se através da contratação pública, e como tal, havendo disponibilidades financeiras, como ocorre com os investimentos do PRR, os grandes desafios são

os de priorizar e planear os processos aquisitivos, de forma mais robusta possível, para permitir que, em tempo, se possam celebrar e executar, de forma exata e pontual, o maior número de contratos possíveis, dentro das necessidades identificadas e programadas. Certo é, recentemente, o Conselho de Ministros discutiu um projeto de Decreto-Lei que cria um regime excecional, facultativo e temporário, para permitir a revisão de preços nas empreitadas de obras públicas e nos contratos de aquisição de serviços, por forma a assegurar que não existam interrupções no investimento público que está a ser feito em Portugal. Como analisa este projeto e que impacto trará? O Decreto-Lei nº 36/2022, de 20 de maio, veio efetivamente estabelecer um regime excecional e temporário de revisão de preços, desde logo aplicável às empreitadas de obras públicas, mas aplicável igualmente, com as necessárias adaptações, aos contratos de aquisição de bens e de serviços. Este diploma visa fazer face aos aumentos abruptos dos preços das matérias-primas, dos materiais e da mão-de-obra, que têm gerado graves impactos na economia, criando-se medidas extraordinárias, urgentes e indispensáveis para garantir as condições de execução e conclusão dos contratos, sob pena, por um lado, da prossecução do interesse público ficar comprometida pela não realização ou conclusão das obras programadas, e por outro ser posta em crise a própria sustentabilidade e viabilidade dos operadores económicos. Este regime aplica-se aos contratos públicos, em especial de empreitadas, que venham a ser celebrados ou já em execução, durando até 31 de dezembro de 2022. Nesta medida, analiso este diploma como uma ferramenta útil e eficaz para permitir que a execução dos planos e programas de apoio financeiro instituídos para a recuperação da economia não seja prejudicada pela conjuntura desfavorável resultante das várias crises que perduram desde 2019.

Face a todas as mudanças, desafios e oportunidades que se irão manifestar, como perspetiva a área da Contratação Pública no futuro a curto/ médio prazo? O que urge, na sua perspetiva, estabelecer? Na esteira do que disse, a contratação pública tem tendência para se tornar mais complexa, tendo como finalidade não apenas satisfazer a necessidade nuclear que está na base do contrato, mas também com o cumprimento de metas de sustentabilidade, independentemente da sua natureza, algumas delas impactando não no presente, mas num futuro mais ou menos próximo. Para que todo este ecossistema da contratação pública dita “estratégica” possa funcionar de forma harmoniosa, urge, sobretudo, melhor planear as aquisições e proceder a uma maior profissionalização de todos os que, de uma forma ou de outra, do lado da Administração Pública, participam nos procedimentos pré-contratuais e na execução contratual. Neste processo, qual continuará a ser o posicionamento do IMPIC no mercado, com a finalidade de contribuir para uma Contratação Pública transparente e eficiente? O IMPIC pretende continuar a recolher e tratar os dados da contratação pública, para melhor ser possível definir as políticas públicas, aumentar os campos de informação na área pública do portal BASE, permitindo, assim, uma mais abrangente transparência e “accountability” e, está nos seus planos, capacitar “o comprador público”, quer por mecanismos internos, como sejam linhas de apoio no esclarecimento de dúvidas e na disseminação de boas práticas, mas também dando formação, tendo para isso celebrado protocolos, destacando-se o INA, I.P. e o IGAP, bem como associando-se como parceiro em cursos pós-graduados com a Academia, tendo terminado agora um curso pós graduado com a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. No âmbito do seu Centro de Competências Procure+i, em parceria com a ANI, pretende capacitar as entidades com interesse nas compras públicas de inovação (CPI) ▪

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PONTOS DE VISTA DIREITO – CONTRATAÇÃO PÚBLICA

PEDRO COSTA GONÇALVES

“Estou convicto de que a Economia deve ser Fortalecida, mas em ambiente de Liberdade e de Igualdade” No seio da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra está o CEDIPRE, um Centro de Estudos de Direito Público e Regulação e uma referência em Portugal na investigação destas áreas. Pelo valor acrescentado que proporciona ao seu universo, Pedro Costa Gonçalves, Professor Catedrático daquela Faculdade e Presidente do CEDIPRE, aborda em entrevista diversos temas, nomeadamente no que diz respeito à Contratação Pública e aos seus desafios vindouros. 122 | PONTOS DE VISTA |


PONTOS DE VISTA DIREITO – CONTRATAÇÃO PÚBLICA

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á 22 anos que o CEDIPRE – Centro de Estudos de Direito Público e Regulação, tem como missão dedicar-se à investigação e ao ensino pós-graduado na área do Direito Público. Como tem o CEDIPRE vindo a perpetuar um caminho de sucesso até ao momento? Creio que o sucesso do CEDIPRE se deve, em larga medida, à escolha das pessoas certas que connosco colaboram e à competência que estas colocam na lecionação dos nossos cursos. Por outro lado, a forte ligação pessoal que se desenvolveu entre as várias categorias de membros do CEDIPRE (direção, pessoal técnico e colaboradores externos) é seguramente um fator que induz o sucesso, pois os objetivos são prosseguidos com empenho e gosto pessoal e não apenas como cumprimento de um dever funcional. Ao longo destes 22 anos, temos percorrido um caminho consistente na investigação dos temas relevantes do direito público da atualidade. Depois de uma primeira fase mais focado na regulação pública, o CEDIPRE estendeu a sua missão para a investigação, o ensino e a publicação em outras áreas do direito, como a contratação pública, a justiça administrativa, a justiça fiscal e o emprego público. A verdade é que o CEDIPRE tem promovido a realização de diversos estudos e assumido um papel empenhado e fundamental na elucidação das questões que se vêm colocando nas suas áreas de intervenção. Atualmente, e face a todas as mudanças que temos vindo a assistir, qual o valor acrescentado que o CEDIPRE proporciona ao universo do Direito em Portugal? O valor que o CEDIPRE acrescenta revela-se sobretudo na qualidade dos cursos pós-graduados frequentados por centenas de auditores, de Portugal, mas também dos países de língua portuguesa, com relevo especial para o Brasil,

Angola e Moçambique. Muito relevantes para o desenvolvimento dos estudos são as conferências, colóquios e encontros que, além do mais, têm permitido manter um conhecimento atualizado e têm também contribuído para a evolução do pensamento jurídico sobre essas matérias. Há alguns anos, o CEDIPRE tem vindo dar especial enfoque ao tema da Contratação Pública. De que forma se tem materializado o resultado desta dedicação? É verdade que, nos últimos anos, nos temos ocupado do tema da contratação pública: além dos cursos de pós-graduação, que temos realizado com grande sucesso, publicamos vários textos na plataforma CEDIPRE ONLINE e, porventura tão ou mais relevante, publicamos a Revista de Contratos Públicos que irá este ano para o seu 30.º volume. Mas seria redutor circunscrever a nossa atividade ao domínio da contratação pública. Com efeito, a produção científica promovida pelo CEDIPRE estende-se às áreas que já referi há pouco e, em todas elas, temos resultados muito positivos. Para melhor entender, em que medida podemos afirmar que, atualmente, a Contratação Pública tem potencial para, em alturas de crise, impulsionar o tecido económico e o desenvolvimento das comunidades? A contratação pública em si mesma diz respeito à realização de compras (de bens, de serviços e de obras) pelas administrações públicas. O aumento da importância da contratação pública nos últimos anos resulta de o setor público comprar mais do que nunca (“comprar fora em vez de produzir dentro”) e, só por si, isso já representa um elemento poderoso de alavanca da economia. Mas a sua questão leva-me a referir uma das tendências da atual regulamentação jurídica europeia e portuguesa, cada vez mais aberta e até promotora da designada utilização estratégica da contratação pública: utilização

“AO LONGO DESTES 22 ANOS, TEMOS PERCORRIDO UM CAMINHO CONSISTENTE NA INVESTIGAÇÃO DOS TEMAS RELEVANTES DO DIREITO PÚBLICO DA ATUALIDADE”

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PONTOS DE VISTA DIREITO – CONTRATAÇÃO PÚBLICA

das compras públicas para a realização de objetivos que transcendem as compras em si mesmas, como é o caso da proteção do ambiente (“compras públicas verdes”), da promoção de políticas sociais (“compras públicas socialmente responsáveis”) e da promoção da inovação de produtos e serviços.

“O CEDIPRE IRÁ CERTAMENTE CONTINUAR A SUA MISSÃO, PROCURANDO CONTRIBUIR COM AS NOSSAS REFLEXÕES PARA A MELHORIA DO FUNCIONAMENTO DO ESTADO CONTRATANTE E PARA UMA CONTRATAÇÃO PÚBLICA JUSTA E EQUILIBRADA”

Perante os graves impactos da pandemia na economia, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) visa acelerar a recuperação da mesma, promovendo reformas e investimentos estruturais que validem o aumento da competitividade da economia e a sua resiliência futura. Tendo em conta a preponderância da Contratação Pública para Portugal, de que forma foi abrangida por este programa? O PRR e, em geral, os fundos europeus foram os responsáveis pela aprovação, pela Assembleia da República, de uma lei que consagrou as designadas medidas especiais da contratação pública: não me parece que esse constitua um marco positivo e merecedor de aplauso na evolução da regulamentação da contratação pública em Portugal, pois o sentido dessas medidas consiste, em termos práticos, em eliminar a concorrência e em substituir concursos por convites. É claro que isto só foi possível fazer para contratos com certo valor (abaixo dos limiares de aplicação das diretivas europeias), mas o que se pode dizer é que o legislador português quis afastar a concorrência até onde pôde (ou achou que podia). Estou convicto de que a economia deve ser fortalecida, mas em ambiente de liberdade e de igualdade e não em contexto de redes de amiguismos e de favores entre agentes políticos e agentes económicos.

assegurar a continuidade do investimento público que está a ser realizado em Portugal. Tendo em conta a situação excecional atual, que impacto este regime trará? O novo regime da revisão de preços nas empreitadas de obras públicas e contratos de serviços é a resposta necessária à exigência de manutenção da equidade e equilíbrio interno dos contratos públicos: o aumento súbito e descontrolado dos custos que os contratantes das administrações públicas tiveram e têm de enfrentar provoca a distorção da economia interna dos contratos. O novo regime legal permite “facilitar” a revisão e atualização dos preços contratuais, e espera-se que possa ajudar a evitar a paralisação da execução dos contratos e o atraso na implementação dos programas financiados pelo PRR e outros fundos europeus.

Recentemente, o Conselho de Ministros discutiu um regime excecional, facultativo e temporário, para permitir a revisão de preços nas empreitadas de obras públicas e nos contratos de aquisição de serviços, que visa

Estando agora em tempos de adaptação, quais são as suas expetativas para o futuro a curto/médio prazo da Contratação Pública? O que urge, na sua perspetiva, estabelecer? Não é fácil antecipar o que esperar do futu-

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ro da contratação pública, mas, tudo o indica, perspetiva-se um contínuo crescimento das compras públicas e do “Estado consumidor”. Isso provoca o aumento das interações e das interdependências entre setor público e agentes económicos e exige maior atenção de todos ao respeito da concorrência e à transparência. Certo é, ao longo deste processo, o CEDIPRE irá contar com vários especialistas para darem conta dos melhores procedimentos de Contratação Pública. Qual o objetivo final destas iniciativas e o que é que, neste sentido, irá ser realizado? O CEDIPRE irá certamente continuar a sua missão, procurando contribuir com as nossas reflexões para a melhoria do funcionamento do Estado contratante e para uma contratação pública justa e equilibrada. O trabalho que tem sido desenvolvido pelo CEDIPRE nas suas áreas de intervenção é, com certeza, para continuar com a qualidade e o reconhecimento que o tem distinguido. Assim, que planos estão a ser «desenhados» para que o seu sucesso se prolongue? Como já tive oportunidade de dizer, o CEDIPRE não circunscreve a sua atividade aos temas da contratação pública. É nossa intenção – minha e, entre outros colegas, em especial do Professor Licínio Lopes Martins, que tem uma dedicação irrestrita ao CEDIPRE – continuar a focar a nossa atividade em outros setores, como a regulação pública, o emprego público, a justiça administrativa e a justiça tributária. Para este efeito, estamos a desenvolver um processo de distribuição interna de competências e de atribuição de responsabilidades de organização e de coordenação de cursos e realizações a outros colegas, como os Professores Vieira de Andrade, Casalta Nabais, Bernardo Azevedo e João Pedro Rodrigues. ▪



PONTOS DE VISTA DIREITO - CONTRATAÇÃO PÚBLICA

Contratação Pública e os Desafios do Plano de Recuperação e Resiliência Paulo Linhares Dias, Sócio da Borges da Ponte, Linhares Dias & Associados (BPLD), abordou a importância da Contratação Pública, principalmente no que concerne ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), uma componente de resposta essencial para a concretização da Estratégia Portugal 2030 no contexto pós-pandémico. Saiba mais. sua constituição, tendo sido essa a matriz imprimida pelos sócios fundadores: o Dr. Victor Borges da Ponte e eu próprio e que procuramos transmitir às gerações seguintes.

PAULO LINHARES DIAS

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nquanto Sociedade de Advogados, a Borges da Ponte, Linhares Dias & Associados (BPLD) caracteriza-se por ser um projeto cujo objetivo prioritário é a resposta cabal e eficaz dos clientes. Tendo como premissa o exercício da Advocacia em exclusividade, como tem a marca vindo a perpe-

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tuar um cenário de profissionalismo e valor para o setor? A BPLD tem conseguido manter essa matriz de profissionalismo e respeito pelo cliente apostando fortemente na transmissão do conhecimento, não só do conhecimento técnico, mas sobretudo no plano dos valores que sempre informaram a sociedade desde a

O mercado e, consequentemente, os inúmeros setores de atividade estão em constante evolução. Com uma visão centrada da Advocacia atual, quais foram, para si, as mudanças que mais impactaram o universo do Direito em Portugal, nomeadamente no âmbito da Contratação Pública? A Contratação Pública é, no universo do Direito, um nicho muito específico, quer pelo número, relativamente reduzido, dos advogados que a ela se dedicam, quer por exigir uma grande dedicação, pela necessidade de acompanhamento da sua constante evolução, ora pela celeridade dos procedimentos e processos a ela associados. Basta recordar que os processos de contencioso pré contratual são urgentes, com prazos de impugnação curtos e prazos processuais reduzidos e a correrem em férias judiciais. Porém, tendo em conta que o Código dos Contratos Públicos, que data de 2008, já sofreu 13 alterações, duas das quais apelidada de “reformas”, designadamente em 2017 e 2021, vários são os temas que causaram

impacto, contudo destaco aqueles que estão associados à realidade recente causada pela Pandemia e pela guerra e as consequentes interrupção das cadeias de fornecimento e aumento dos preços. Refiro-me em concreto às medidas especiais de contratação pública e ao muito recente regime excecional e temporário da revisão de preços, este último como forma de reação à subida abrupta dos preços dos materiais. Acredita que, ao longo dos anos, se tem inovado positivamente os processos de Contratação Pública, de modo a atingir os níveis de desempenho desejados? Como analisa, de momento, esta área no país? Como referi anteriormente, muitas foram as alterações ao Código dos Contratos Públicos ao longo da sua vigência, umas decorrentes da reforma do Direito Europeu da Contratação Pública, outras decorrentes de puras opções políticas e outras ainda de correção de soluções menos bem conseguidas em anteriores alterações. Porém, o momento atual é de particular complexidade, fruto de “causas de força maior”, que pensamos que nunca passariam de exemplos escola dos bancos da faculdade, como uma pandemia ou uma guerra. E nesse quadro as medidas excecionais e temporárias que


PONTOS DE VISTA DIREITO - CONTRATAÇÃO PÚBLICA

“O PRR é um poderosíssimo instrumento financeiro de financiamento da economia e em particular da contratação pública”

têm sido tomadas procuram responder às dificuldades porque passam os agentes económicos que dependem em grande medida da contratação pública. É claro que poderemos sempre discordar de uma ou outra solução, mas também temos que dar o benefício da dúvida ao legislador que é chamado a atuar em quadros de emergência, não tendo por isso o tempo para a devida maturação, nem tão pouco a existência de histórico sobre estas matérias.

Sabemos que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) é uma componente de resposta essencial para a concretização da Estratégia Portugal 2030 no contexto pós-pandémico. Assim, no que diz respeito à Contratação Pública, de que forma é abrangida por este instrumento de financiamento e que metas se pretendem alcançar? O PRR é um poderosíssimo instrumento financeiro de financiamento da economia e em particular da contratação pública, contudo sendo de louvar a reação da UE ao momento muito difícil que se vivia (e vive), acho que a sobreposição entre os eixos de atuação do PRR e do quadro plurianual 2030, torna reduzido o âmbito de aplicação do mesmo, confinados aos eixos já existentes no PT 2030. Por outro lado, e não obstante a agilização de procedimentos de contratação pública, para os projetos financiados por fundos europeus, acho que se perdeu uma oportunidade de ir mais longe na reforma da administração pública, como por exemplo fez a vizinha Espanha, aproveitando os apoios à transição digital. Muitos afirmam que a Contratação Pública é uma área nuclear

de intervenção do Estado, sobretudo em alturas de crise, uma vez que alavanca o tecido económico e o desenvolvimento das comunidades locais e regionais. Considera que é, atualmente, entendida como um recurso ao serviço dos interesses de Portugal? Com os investimentos do PRR, que desafios são esperados? A contratação pública é cada vez mais “europeia”, por resultar da transposição das Diretivas relativas à adjudicação de contratos públicos. Nessa medida, ultrapassou-se a fase da quase exclusiva salvaguarda da concorrência como forma de concretização do mercado único, para se afirmar a “contratação pública estratégica”. Estamos hoje perante um importante momento de utilização da contratação pública para a prossecução de políticas públicas, de onde avulta a “contratação pública sustentável”, mas também a proteção das economias locais e regionais e das PME. É um marco importante, que, contudo, terá de ser usado com o respeito pelos princípios básicos da contratação pública, designadamente a garantia da concorrência, o que nem sempre é fácil de articular.

equilíbrio financeiro dos contratos, permitindo “salvar” muitos contratos, com especial incidência nos contratos de empreitadas de obras públicas. O regime agora em vigor, ao deixar de ser facultativo, como previa o anteprojeto submetido à discussão, impõe aos contraentes públicos a revisão dos preços desde que verificados os pressupostos cumulativos previstos naquele diploma. Assim, sem dúvida que irá ter um impacto significativo para os contraentes privados (com consequente aumento de custos para os contraentes públicos). Como já teve oportunidade de ser referido por dois colegas meus: os Drs. Joana Brandão e Diogo Duarte Campos, em entrevista a outro OCS, apenas pecou por não prever mecanismos alternativos de litígios, para os muitos diferendos que se anteveem quanto à discussão das fórmulas de revisão de preços aplicáveis. Ora, ao

remeterem-se as discussões para a justiça administrativa que leva largos anos a resolver os litígios, não resolve, antes pelo contrário, só agrava as dificuldades dos empreiteiros e fornecedores. Neste processo, qual é o papel que a BPLD vai assumir, uma vez que é uma Sociedade de Advogados que conta com uma estrutura coesa, capaz de atuar nas mais diversas áreas do Direito? A equipa de direito público da BPLD tem vindo a acompanhar de perto a problemática da necessidade de reposição do equilíbrio financeiro dos contratos, na sequência das causas suprarreferidas, quer no plano prático de acompanhamento direto ao cliente, mas também através da participação em conferências e formações sobre o tema e alguma intervenção no plano doutrinário. ▪

O Conselho de Ministros discutiu, recentemente, um projeto de Decreto-Lei que cria um regime excecional, facultativo e temporário, para permitir a revisão de preços nas empreitadas de obras públicas e nos contratos de aquisição de serviços, por forma a assegurar que não há interrupções no investimento público que está a ser feito em Portugal. Que impacto este projeto trará ao futuro do setor? O regime excecional e temporário da revisão de preços é uma medida muito importante na reposição do

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PONTOS DE VISTA DIREITO – WHISTLEBLOWING

Whistleblowing A «Voz» aos Especialistas Em dezembro do ano passado foi publicada a lei que estabelece o regime geral de proteção de denunciantes de infrações, isto é, a lei de Whistleblowing. A que é que se refere concretamente? Para conhecer mais e de uma visão mais ampla deste tema ao leitor, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com dois especialistas da RSA – Raposo Subtil e Associados, especificamente com João Luz Soares, Advogado Associado Principal, e Tiago Marques, Advogado Coordenador. Saiba mais.

TIAGO MARQUES

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RSA – Raposo Subtil e Associados/ Sociedade de Advogados, é uma sociedade de advogados portuguesa, líder em operações e litígios complexos em diversas temáticas e jurisdições. Assim, de que forma têm vindo a privilegiar o tratamento personalizado de quem vos procura e a promoção da dignificação do mundo do Direito em Portugal e além-fronteiras? Tiago Marques (TM) – A RSA - Raposo Subtil e Associados orgulha-se de ser a sociedade de advogados fundadora da RSA-LP, Rede de Sociedades de Advogados de Língua Portuguesa, pelo que, tem presente, o peso do Direito na sociedade, quer em Portugal, quer nos países de língua portuguesa onde a RSA-LP está inserida, nomeadamente, Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Brasil. A dignificação do Direito come-

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JOÃO LUZ SOARES

ça com a exigência interna de cada advogado envolvido neste projeto além-fronteiras, sendo uma honra sentir que fazemos a diferença nos vários projetos em que participamos. O crime de branqueamento de capitais e a utilização de provenientes ilícitos desse ato para financiamento de ações consideradas por lei como terrorismo é cada vez mais recorrente. Sendo esta uma das vossas áreas de atuação, qual consideram que é a melhor forma de prevenir e combater o mesmo? Qual o papel da RSA nesta vertente? João Luz Soares (JLS) – A prevenção do fenómeno do branqueamento de capitais, entendida num espetro mais lato de combate à criminalidade económica, consubstanciou-se como uma das áreas essenciais na organização jurídica sustentável de qualquer entidade. De facto, mais do

que uma abordagem jurídica conjuntural a esse fenómeno é necessário, apostando numa formação constante dos ativos, construir mecanismos de identificação e sinalização de operações potencialmente suspeitas, sedimentando aquilo que é uma cultura mais profunda e estrutural de abordagem de compliance, integridade e transparência nas próprias organizações. Obviamente, também, que tal só será possível se as entidades tiverem condições (jurídicas) para acompanhar este paradigm shift que tem um pressuposto basilar: quando falamos em BCFT, temos que falar obrigatoriamente, também, nas pontes lógicas de contacto que estabelece com outros regimes igualmente estruturantes. Destacamos, a esse propósito, o regime da corrupção, a nova lei do whistlwblowing, entre outros. O fenómeno é, por isso e hoje, poliédrico e exige uma resposta presente, mas, sobretudo, multidisciplinar. É


PONTOS DE VISTA DIREITO – WHISTLEBLOWING

essencial, por isso, que as entidades e os seus responsáveis pelo cumprimento normativo estejam preparadas para lidar com redes legais complexas1, exigentes tecnicamente, mas que partilham um desiderato comum de combate aos fenómenos de criminalidade. Tal esforço assenta na compreensão e aplicação concreta de instrumentos e autênticas políticas de compliance, através de programas de cumprimento normativo, os quais deverão incluir os planos de prevenção ou gestão de riscos, os códigos de ética e de conduta, programas de formação, os canais de denúncia assim como a designação de um responsável pelo cumprimento normativo. Todos estes regimes legais, incluindo, especialmente, o da prevenção de branqueamento de capitais estipulam modelos sancionatórios próprios (aqui concretamente ao nível contraordenacional) que, afastando-se da batuta geral, preveem coimas pesadas para as entidades obrigadas que não cumpram com as obrigações ali ínsitas. Por isso, o nosso papel é também desafiante. Passa, sobretudo, neste âmbito, pelo apoio jurídico às entidades obrigadas, de forma que estas conheçam e percebam as medidas que devem ser adotadas com o intuito de prevenir situações de criminalidade financeira e respetivas contraordenações. Concomitantemente, é também essencial perspetivar, num nível subsequente, aquilo que é uma umbrela de serviços especializados de aconselhamento jurídico e patrocínio forense em todas as instâncias penais e contraordenacionais, bem como junto das diversas entidades reguladoras as quais têm vindo a assumir cada vez maior relevo. No entanto, parece-me que a intervenção da RSA é também fundamental num momento prévio de aconselhamento comportamental preventivo para as atividades das empresas e instituições, perspetivando as suas características definidoras e propondo programas e veios de compliance que possam ser eficazes. 1 Vide (i) Lei n.º 83/2017, de 18 de agosto que estabelece medidas de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, transpõe parcialmente as Diretivas 2015/849/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho; (ii) DecretoLei n.º 109-E/2021 de 9 de dezembro, que cria o Mecanismo Nacional Anticorrupção e o regime de geral de prevenção da corrupção; (iii) A Lei n.º 93/2021, consagra o regime geral de proteção de denunciantes de infrações, através da transposição da Diretiva de Whistleblowing.

Sabemos que em dezembro do ano passado foi publicada a lei que estabelece o regime geral de proteção de denunciantes de infrações, isto é, a lei de Whistleblowing. Para melhor compreendermos, do que trata mesma? Qual o seu propósito? Que lacunas ainda lhe identificam? (JLS) – A Lei n.º 93/2021, consagra o regime geral de proteção de denunciantes de infrações, através da transposição da designada “Diretiva de Whistleblowing”, aplicando-se ao setor público e privado, sujeitando as entidades/ pessoas coletivas obrigadas a construir, por um lado, canais de denúncia internos e, por outro lado, a concretizar medidas específicas de confidencialidade, tratamento de dados pessoais, conservação de denúncias e de proteção e apoio do whistleblower (do denunciante). Este mecanismo, previsto num espetro mais largo de uma política de compliance enquanto instrumento de mudança de paradigma de organização das entidades obrigadas, insere-se numa preocupação com a prevenção e luta de fenómenos de criminalidade económica. Pretendendo-se defender a essência da democracia e os seus princípios fundamentais, designadamente os da igualdade, transparência, livre concorrência, imparcialidade, legalidade, integridade e a justa redistribuição de riqueza. Sendo ainda precípuo fazer uma análise da implementação da lei, das suas características e possíveis fragilidades, parece que existem ainda alguns desafios de implementação prática. Por um lado, apontaria, desde logo, um desafio de (i) sistematização jurídica – esta obrigação de construção de canais de denúncia internos não é nova e existia, já, naquilo que eram os alguns regimes setoriais (como por exemplo, no regime de prevenção de branqueamento de capitais). No entanto, agora, existe mesmo uma remissão expressa em alguns regimes para a Lei do Whistleblowing (veja-se o caso do Regime Geral de Prevenção da Corrupção) que parecer garantir uma aplicabilidade lata da Lei 93/2021. Assim, é importante garantir uma leitura harmoniosa e equilibrada entre os diferentes

regimes de forma a assegurar, também, uma eficaz implementação e preenchimento dos objetivos da Lei do Whistlwblowing. Em segundo lugar, um óbvio desafio de (ii) implementação junto daquilo que são algumas das entidades obrigadas. Relembramos, a este propósito, que este Lei do Whistleblowing se aplica também ao setor privado, a empresas com 50 ou mais trabalhadores, sendo que esta poderão ter alguma dificuldade de adaptação imediata às exigências legais, nomeadamente naquilo que é a criação dos mecanismos de canais de denúncia interna. E aqui as dificuldades de implementação não são só, leia-se, a um nível operacional, mas também a um nível jurídico de compreensão das próprias exigências legais e de efetivação de medidas Práticas que garantam a Confidencialidade, tratamento de dados

e confidencialidade de denúncias. Em terceiro lugar, apontaria para uma certa (iii) necessidade de desenvolvimento conceptual subsequente. Este vetor é especialmente visível naquilo que é a definição do responsável pelo cumprimento normativo na Lei de Whistleblowing, uma vez que não é definido qualquer âmbito competencial ou funcional específico. Ainda que tal fragilidade possa ser suprida por remissão para a figura do RCN noutros regimes setoriais – nomeadamente no regime de BCFT- a verdade é que ainda é necessário trilhar esse caminho de complementaridade. Neste sentido, quais as suas “novas” regras e exigências? Por quem devem ser cumpridas? (JLS) – Este regime é aplicável às denúncias em matéria de (i) contratação pública; (ii) mercados

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PONTOS DE VISTA DIREITO – WHISTLEBLOWING

financeiros e prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo; (iii) segurança dos alimentos para consumo humano e animal, saúde animal e bem-estar animal; (iv) saúde pública; (v) proteção da privacidade e dos dados pessoais e segurança da rede e dos sistemas de informação; (vi) criminalidade violenta e organizada, entre outras. No entanto, e tendo em conta, até, aquilo que é o espectro largo de entidades obrigadas no âmbito desta nova Lei, parece ser claro que esses canais de denúncia interna podem, no limite, ser também utilizados para denunciar quaisquer outros âmbitos temáticos tradicionais de denúncia, naquilo que é o espectro normal de atividade de uma empresa, desde que possam constituir comportamentos contra legem. Para efetuar a denúncia, a lei prevê a existência de canais internos, canais externos (geridos pelas autoridades competentes e supervisoras) e mecanismos de divulgação pública. Foquemo-nos nos canais de denúncia internos uma vez que constituem a face mais visível de preocupação para as respetivas entidades obrigadas. Os canais internos de denúncia são obrigatórios para as entidades do setor privado e do setor público que empreguem 50 ou mais trabalhadores e ainda para as pessoas coletivas que desenvolvam a sua atividade nos domínios dos serviços, produtos e mercados financeiros e prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo (‘’entidades obrigadas’’). Ficam, porém, excluídas desta obrigação as autarquias locais que, não obstante empregarem 50 ou mais trabalhadores, tenham menos de 10.000 habitantes. Os canais de denúncia interna têm de obedecer a determinados requisitos: (i) têm de garantir a apresentação e o seguimento seguros de denúncias, a fim de garantir a exaustividade, integridade e conservação da denúncia; (ii) têm de assegurar a confidencialidade da identidade ou o anonimato dos denunciantes e a confidencialidade da identidade de terceiros mencionados na denúncia; e (iii) têm de impedir o acesso de pessoas não autorizadas. Em que medida esta lei afetará as empresas? Porque é tão importante que as mesmas estejam alerta? (JLS) – Estamos a falar de um conjunto muito transversal de empresas que se encontram obrigadas no âmbito desta Lei, pelo que o primeiro e mais óbvio impacto é, precisamente, esse: possibilitar que ambientes e organismos empresariais com realidades diametralmente diferentes, com características e obstáculos/desafios de crescimento diferenciados, e, sobretudo, com perfis também eles específicos, se possam ambientar e adaptar a toda a panóplia de obrigações que, agora, sobre si, irão impender. Depois, veja-se que essa panó-

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plia é, em si mesma, um desafio constante e dinâmico. As entidades terão que construir os já mencionados canais de denúncia internos, com requisitos apertados, mas também terão que ter objetivos e mecanismos claros quanto a procedimentos de receção de denúncias, para o registo e conservação de denúncias e, sobretudo, para a proteção do denunciante. A face visível será, aqui, o regime contraordenacional consagrado, sendo que as entidades que violem alguma das obrigações referidas podem praticar i) contraordenações muito graves, puníveis com coimas de 1 000 € a 25 000 € ou de 10 000 € a 250 000 € consoante o agente seja uma pessoa singular ou coletiva; ou ii) contraordenações graves, puníveis com coimas de 500 € a 12 500 € ou de 1 000 € a 125 000 €, consoante o agente seja uma pessoa singular ou coletiva. Por isso, as entidades devem conhecer profundamente as obrigações decorrentes desta Lei e conformar, desejavelmente (a um nível de prevenção jurídica), os seus comportamentos. Com esta nova lei, está proibida a prática de atos de retaliação contra o denunciante. A mesma enumera atos que, se praticados até dois anos após a denúncia ou a divulgação pública, se presumem constituir retaliação. Consideram este período suficiente? (TM) – Este prazo, pese embora esteja expresso na lei, é evidente que a proteção do denunciante vai mais além. Ou seja, caso haja alguma retaliação por parte de uma entidade patronal relativamente a um trabalhador, este poderá sempre agir contra a empresa com outras ferramentas, como seja o caso da denuncia de assédio (bulling), que possibilita o acionamento da apresentação da respetiva queixa, numa primeira fase, a nível interno, com obrigação das empresas em proceder a um inquérito prévio para averiguar da veracidade das acusações, quer mesmo pela via judicial, intentando a ação judicial competente. Assim, as entidades do setor público e privado que empreguem 50 ou mais trabalhadores, passam a estar obrigadas a dispor de canais de denúncia interna a partir de 18 de junho de 2022. Podemos afirmar que, neste caso, as pequenas empresas foram esquecidas? Não faria também sentido que as mesmas estivessem englobadas? (TM) – É uma excelente pergunta, até porque, devemos ter em consideração que o grosso do tecido empresarial português é constituído quase exclusivamente por pequenas e médias empresas que não terão os ditos 50 trabalhadores. Aqui, julgo que terá que haver uma afinação por parte do legislador, fazendo a retificação da transposição da Diretiva para a realidade portuguesa. Até porque, nos procedimentos inter-

nos das empresas já há vários procedimentos que obrigam à implementação da confidencialidade, nomeadamente, os casos de assédio, mesmo os casos de procedimentos disciplinares em que as empresas são obrigadas em ter referidos os processos em sigilo, bem como todas as normas de proteção no âmbito de proteção de dados dos trabalhadores. Logo, existindo já à partida várias obrigações de confidencialidade ao nível de Recursos Humanos, estamos perante uma oportunidade única de aproveitar o canal de denuncia aqui em apreço para o aplicar às questões elencadas. Ainda, é preciso não esquecer que a questão de fundo que aqui estamos a falar (a denuncia) não tem, nem pode ter um número certo de trabalhadores. Porque é que se aplica só a empresas com 50 trabalhadores? Então e as empresas que têm 49 trabalhadores? E as empresas que têm um número mais reduzido de trabalhadores, mas que porventura lidam com matérias mais sensíveis do que por exemplo fábricas com um grande número de trabalhadores? Aqui o legislador deverá ter a oportunidade de retificar esta questão, abrangendo, de facto, toda e qualquer relação laboral de forma mais lata. Por fim, que consequências/impactos a médio e longo prazo esta lei poderá ter no contexto português? (JLS) – Esta Lei insere-se num esforço mais profundo de combate à criminalidade económica que, sucintamente, já caracterizámos. Ainda assim, o que resulta deste novo quadro legal relaciona-se com a necessidade premente de uma harmonização entre os ditos regimes setoriais, diminuindo as diferenças existentes que possam dificultam o seu estudo, desenvolvimento e a sua operacionalização. No fundo, e em contravenção com aquilo que é um adn hiperlegislativo português de quase transposição acrítica de instrumentos de Direito Internacional e da União Europeia, com possíveis sobreposições assinaláveis em relação a diplomas nacionais ou – o que é mais grave – com soluções legislativas opostas, torna-se urgente encarar estes novos instrumentos legislativos como um contributo de mudança de paradigma de organização nas entidades obrigadas. Com esse quadro em mente, a Lei de Whistleblowing desempenha um papel importante na sedimentação de uma esfera de direitos (e correlatos deveres, é certo) dos vários intervenientes numa realidade empresarial ou institucional, permitindo-lhes ser (também) agentes de mudança no processo de denúncias de comportamentos violadores da lei, apostando, concomitantemente, na sua proteção de espectro total. É mais um passo a uma mudança que se pretende total de consagração de uma cultura de compliance nas próprias instituições. ▪


PONTOS DE VISTA BREVES

Este pão de banana leva manteiga de amendoim e chocolate e é uma delícia Lidl volta a vender coleção de roupa interior produzida com algas marinhas Depois do primeiro lançamento em outubro de 2020, volta às lojas Lidl a coleção de roupa interior da linha de marca própria Esmara, que é feita em fibra Seacell, uma matéria-prima produzida com algas marinhas. Composta por soutiens, cuecas e tops de alças finas para senhora, está disponível em loja em vários tamanhos e tons, que vão desde o azul, ao rosa e ao branco. A linha distingue-se pela sua sustentabilidade, já que as peças são biodegradáveis, e pelo seu processo de produção ecológico, que não tem libertação de produtos químicos. Esta nasce através de um processo patenteado que incorpora as algas marinhas firmemente dentro de uma fibra natural de celulose, que permite manter as propriedades positivas das algas mesmo após vários ciclos de lavagem, tornando os têxteis extremamente confortáveis e com um efeito antioxidante sobre a pele. As roupas são ainda confecionadas com algodão. O Lidl refere que apenas são utilizadas as partes das algas marinhas capazes de se regenerar, garantindo a sua preservação.

Para o pequeno-almoço, snack a meio da manhã ou lanche da tarde. Uma fatia de pão de banana sabe sempre bem — e o melhor é quando a receita consegue ser deliciosa e saudável. Veja a sugestão da nutricionista Catarina Paulino. A moda do banana bread (pão de banana, em bom português) veio para ficar. Esta espécie de bolo doce, e, na maioria das vezes, saudável, tornou-se uma receita de perdição para os amantes de banana. Apesar de já existirem centenas de versões e formas diferentes de o confecionar, é difícil não darmos de caras com novidades enquanto navegamos pela internet. Para aqueles que adoram a junção dos sabores de banana, manteiga de amendoim e chocolate, esta receita é capaz de ser a mais tentadora que já viu.

Modo de preparação: Pré-aqueça o forno a 180°C. Misture todos os alimentos secos e reserve. De seguida, esmague duas bananas e reserve a terceira para decorar. Numa taça, adicione as bananas esmagadas, os ovos e a manteiga de amendoim. Depois junte o iogurte, a água e a baunilha e mexa. Após esta etapa concluída, adicione os alimentos secos e envolva e, por fim, as pepitas de chocolate. Por cima, coloque a banana e leve ao forno por 50 minutos a 180°C.

Para a confecionar, vai precisar de dez ingredientes e nenhum deles é açúcar. - 3 bananas - 50g de manteiga de amendoim - 1 iogurte skyr aroma coco - 2 ovos - 200g de farinha de espelta - 2 colher de sopa de linhaça triturada - 1 colher de chá de fermento (5g) - 1 colher de café de canela (3g) - Gotas de baunilha (opcional) - Pepitas de chocolate >70% de cacau - 50ml de água

Esta receita é da página "Nutritruques".

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PONTOS DE VISTA “ANÓNIMOS” E O MUNDO

"A dádiva voluntária é a única forma de salvar a vida" ALEXANDRA COSTA, 26 ANOS, INVESTIGADORA

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Dia Mundial do Dador de Sangue é comemorado anualmente a 14 de junho. O objetivo desta efeméride é homenagear os dadores de sangue e ainda sensibilizar sobre a importância deste ato responsável por salvar vidas. Considera que, em Portugal, existe consciencialização suficiente para esta questão? O que urge estabelecer? No geral, penso que sim. O nosso país é autossuficiente a nível de reservas de sangue, ou seja, tem sido possível garantir a quantidade necessária para o nível de transfusões. No entanto, nos últimos anos tem-se verificado um número bastante inferior de colheitas devido à pandemia. O processo de recolha de sangue está em pleno funcionamento e, em todo

o país, existem diversos locais onde é possível realizar a doação. Para assegurar a autossuficiência, o fundamental é sensibilizar os potenciais dadores para a importância da dádiva de sangue e esclarecer as dúvidas que possam ter em relação ao processo. Na sua perspetiva, quão importante é, enquanto cidadãos, estarmos dispostos à dádiva voluntária? A dádiva voluntária é a única forma de salvar a vida de quem precisa de uma transfusão. Não há maior motivação do que pensar que um ato tão simples tem um impacto tão grande. Enquanto cidadãos é essencial refletirmos sobre isto, pois a realidade é que não sabemos se no futuro poderemos ser nós a necessitar de uma transfusão.

“O sangue é elemento fundamental na prática da atividade hospitalar e não só” CARLOS EDUARDO ESTEVES, 31 ANOS, JORNALISTA

"Dar sangue é, sem dúvida, um ato nobre" PATRÍCIA FERREIRA, 25 ANOS, DIGITAL MARKETEER

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Dia Mundial do Dador de Sangue é comemorado anualmente a 14 de junho. O objetivo desta efeméride é homenagear os dadores de sangue e ainda sensibilizar sobre a importância deste ato responsável por salvar vidas. Considera que, em Portugal, existe consciencialização suficiente para esta questão? O que urge estabelecer? Dar sangue é, sem dúvida, um ato nobre. Penso que em Portugal há pouca divulgação e incentivos à dadiva de sangue. Maioritariamente, só ouvimos falar quando se trata de apelos por falta de sangue nos bancos de reserva. Não deveria ser só em casos de emergência que comunicamos a importância de doar sangue. Deveria ser mais divulgado nos meios de comunicação tradicionais como televisão, rádio e jornais, mas também nas redes sociais. Sendo que hoje em dia, a maioria da população ativa se encontra nas redes sociais, estas podem ser um importante mecanismo de divulgação e incentivo para os cidadãos que ainda não o fazem, ou até para relembrar os que já o fizeram. Quanto aos atuais dadores de sangue, que o fazem com a regularidade possível, acho que o simples facto de saberem o bem que estão a fazer, lhes traz a homenagem que pretendem. Mas isso não

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quer dizer que não possamos agradecer mais vezes publicamente, usando essa homenagem para também incentivar outras pessoas a fazer o mesmo. E mais uma vez usando os diferentes canais de comunicação a que agora temos acesso e que permitem fazer chegar a mensagem a um número maior de pessoas. Na sua perspetiva, quão importante é, enquanto cidadãos, estarmos dispostos à dádiva voluntária? Muito importante, sem dúvida. Mas primeiro será necessário avaliarmos se temos as condições necessárias para o fazer, e nesse sentido temos toda a informação disponível no site do nosso serviço nacional de saúde, de forma simples e prática. Depois de confirmarmos que reunimos todas as condições necessárias para fazer a doação, então devemos doar sempre que possível. É importante termos a consciência que a nossa dádiva voluntária pode salvar vidas, e mais do que isso, não afeta em nada a sua saúde. Ou seja, saímos todos a ganhar. Enquanto cidadãos devíamos estar sempre prontos para ajudar o próximo, sendo que isso pode ser feito com um simples gesto, neste caso. E que pode fazer a diferença na vida de outra pessoa.

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Dia Mundial do Dador de Sangue é comemorado anualmente a 14 de junho. O objetivo desta efeméride é homenagear os dadores de sangue e ainda sensibilizar sobre a importância deste ato responsável por salvar vidas. Considera que, em Portugal, existe consciencialização suficiente para esta questão? O que urge estabelecer? Na verdade, não. A mensagem pode ainda não ter passado sobretudo à juventude. Faltam campanhas mais incisivas. Mais apelativas. Com frases fortes. O propósito toda a gente aplaude e reconhece, falta torná-lo prática por todos os que conseguem garantir por mais tempo a dádiva. As pessoas ainda não perceberam bem o real impacto de uma dádiva de sangue para o bem comum. Há uns anos havia garantias que os dadores tinham, como isenção da taxa moderadora e um ‘melhor’ reforço do pequeno almoço logo após a dádiva. Não será por isso que a dádiva aumente. A dádiva não pode só aumentar. Tem de tornar-se constante, ou seja, aumentar dadores e aumentar o número de vezes que cada um dá sangue. Na sua perspetiva, quão importante é, enquanto cidadãos, estarmos dispostos à dádiva voluntária? Total. O sangue é elemento fundamental na prática da atividade hospitalar e não só. Diria da área da saúde no seu todo. Ora captar cada vez mais esse elemento é essencial para não termos por exemplo de comprar plasma no estrangeiro. Portanto acho que por si, cada um de nós, capaz de o fazer, deveria ter logo essa iniciativa. E assim quebrava por si o mito de que dói, que é muito doloroso, que demora muito tempo. É um sentimento tão especial o de pensar que podemos, num gesto simples, ajudar amigos (ou não), família (ou não), numa situação delicada, que eu, pessoalmente, lá vou até ao Hospital de Viseu sempre que posso. E tenho feito tudo para ‘esgotar’ o número de dádivas possível por ano. E, como já o fiz, deixo um apelo a cada dador: ‘Traz um amigo também’. Não há melhor forma de passar a mensagem do que ir dar sangue pela primeira vez com alguém da nossa confiança.


PONTOS DE VISTA “ANÓNIMOS” E O MUNDO

“Dar sangue é dar vida” RITA PONTE, 25 ANOS, INTÉRPRETE DE LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA

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Dia Mundial do Dador de Sangue é comemorado anualmente a 14 de junho. O objetivo desta efeméride é homenagear os dadores de sangue e ainda sensibilizar sobre a importância deste ato responsável por salvar vidas. Considera que, em Portugal, existe consciencialização suficiente para esta questão? O que urge estabelecer? Cada vez mais, no nosso país, é salientada a importância das dádivas de sangue nos diversos meios de comunicação, e ainda bem. Apesar disso, considero que temas como este nunca é demais o reforço que se possa dar, principalmente perto dos jovens. Trabalho em ambiente escolar e tenho a perceção de que, por vezes, a falta de informação é o motivo pelo qual não existem tantas dádivas. Fazer chegar a informação às escolas e realizar dádivas nas mesmas é um passo que já se começa a dar e que ao longo do tempo irá dar mais frutos. Na sua perspetiva, quão importante é, enquanto cidadãos, estarmos dispostos à dádiva voluntária? Dar sangue é dar vida. Nunca sabemos se algum dia nós, ou alguém dos nossos irá precisar deste gesto e é importante pensarmos que pode ser hoje por eles, amanhã por nós. Um simples ato de solidariedade pode dar a alguém um empurrãozinho para lutar para uma vida melhor. E o que é que custa realizar uma dádiva? Trinta minutos da nossa vida. Vivemos numa sociedade em constante evolução e atos como este fazem verdadeiramente a diferença na vida do nosso vizinho. O sangue não pode ser obtido de outra forma que não pela dádiva voluntária e é esta a importância que cada dador tem no objetivo comum que é construirmos um mundo melhor a cada dia.

“Hoje os outros, mas amanhã podemos ser nós” MARIA DA CONCEIÇÃO ANDRADE, 60 ANOS, REFORMADA

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Dia Mundial do Dador de Sangue é comemorado anualmente a 14 de junho. O objetivo desta efeméride é homenagear os dadores de sangue e ainda sensibilizar sobre a importância deste ato responsável por salvar vidas. Considera que, em Portugal, existe consciencialização suficiente para esta questão? O que urge estabelecer? Acho que é uma data muito importante e nos dias que correm passou a ter maior destaque e relevância, até pela vertente da sensibilização da própria sociedade e das pessoas para este problema, ou seja, da escassez de sangue nos bancos do mesmo, tão fundamental para salvar vidas. Olhando um pouco para a sociedade em si, dá ideia que este sentimento de entreajuda, solidariedade e cidadania se perdeu um pouco, algo que me entristece bastante, até porque nos passaram a mensagem, aquando da pandemia e dos respetivos confinamentos, que a nos iriamos tornar em pessoas mais saudáveis e despertas para os problemas dos outros. Por isso, temo que hoje não exista essa consciência para a importância

do Dia Mundial do Dador de Sangue, embora reconheça que ainda temos muitas pessoas que tentam lutar contra esta maré mais obscura da humanidade e espero sinceramente que possamos chegar a um ponto mais positivo na nossa sociedade. Permitam-me um elogio a todos aqueles que tiram um pouco de si e são dadores de sangue para ajudar outros. Não sei o que podemos fazer, mas sei que se cada um de nós pensar um pouco mais no seu próximo, então estamos mais perto dessa harmonia para o bem de todos. Na sua perspetiva, quão importante é, enquanto cidadãos, estarmos dispostos à dádiva voluntária? É fundamental. Hoje os outros, mas amanhã podemos ser nós. Nunca nos podemos esquecer disso. Temos de saber dar para poder receber e dar sangue, é dar vida, logo, espero que sejamos capazes, como já referi, de nos unirmos por uma causa meritória e de enorme valor para a Humanidade.

“Um simples gesto de generosidade que salva vidas” ANTÓNIO CARLOS FERNANDES, 43 ANOS, EMPREGADO DE ARMAZÉM

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Dia Mundial do Dador de Sangue é comemorado anualmente a 14 de junho. O objetivo desta efeméride é homenagear os dadores de sangue e ainda sensibilizar sobre a importância deste ato responsável por salvar vidas. Considera que, em Portugal, existe consciencialização suficiente para esta questão? O que urge estabelecer? Penso que em Portugal existe muitas pessoas que ajudam neste gesto tão nobre. Mas acho que nunca é demais criar campanhas de consciencialização. Não sei se existe isso, mas talvez inserir

mesmo no programa educacional escolar, pois assim acaba por educar as crianças/jovens a praticar atos altruístas, coisa cada vez mais difícil de se ver nos dias de hoje. Na sua perspetiva, quão importante é, enquanto cidadãos, estarmos dispostos à dádiva voluntária? O fato de termos a capacidade de salvar vidas, de pessoas que nunca vimos na vida, com um simples gesto de generosidade, já mostra o tamanho da sua importância, da sua nobreza.

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FOTO: DIANA QUINTELA


PONTOS DE VISTA DIA NACIONAL DO LUXEMBURGO

“Estamos comprometidos em Apoiar os nossos Parceiros e Clientes não apenas hoje, mas também amanhã” Sabemos que a inovação tem vindo a ser uma peça essencial na história de sucesso da WEALINS. Para vincar ainda mais esta mesma posição, a marca potencializou um rebranding, cujo objetivo é refletir a sua essência, valor acrescentado e vantagem competitiva. Quem o garante é Letícia Soares, Country Manager Portugal que, em entrevista à Revista Pontos de Vista, aborda ainda o 30º aniversário da companhia e as razões que marcam a sua longevidade no mercado.

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A verdade é que, esta mesma história de sucesso, completa este ano o seu 30º aniversário. Quais as razões que considera que têm vindo a ser para a sua longevidade e de que forma alcançou a liderança no setor dos seguros patrimoniais ao longo dos anos? Na WEALINS sempre acreditamos que as relações humanas são essenciais para criar uma relação de confiança a longo prazo com os nossos parceiros e clientes. Pelo que privilegiamos uma abordagem centrada no cliente e fazemos do nosso público-alvo o centro de todas as nossas decisões estratégicas e comerciais. Paralelamente, os nossos colaboradores desenvolveram uma relação privilegiada com os nossos parceiros e partilham com eles diariamente a sua experiência e know-

-how, de forma a prestar-lhes o melhor apoio possível em termos de gestão e estruturação de património. Esta relação de confiança também se explica pelo facto de os colaboradores da WEALINS serem particularmente leais à empresa, que apresenta uma baixa rotatividade de pessoas.

FOTO: DIANA QUINTELA

evolução da WEALINS tem sido uma história de sucesso. Sendo que, nos últimos anos, a companhia tem vindo a aumentar a sua quota nos vários mercados onde está presente, de que forma fortalece a manutenção de um serviço de excelência para os parceiros e clientes e o poder de adaptação às mudanças no setor dos seguros? É verdade que nos últimos anos conseguimos reforçar a nossa posição como uma das principais companhias de seguros de vida do Luxemburgo a operar sob o regime de Livre Prestação de Serviços. Nos últimos dois anos, duplicámos o nosso volume de negócios, de mil milhões de euros no final de 2019 para mais de 2 mil milhões de euros no final de 2021. De facto, na WEALINS somos flexíveis, resilientes, desafiamo-nos todos os dias, procuramos constantemente inovar e não damos nada por garantido. Os nossos colaboradores esforçam-se diariamente pela excelência, e a prestação de um serviço de qualidade aos nossos parceiros e clientes continua a ser a nossa prioridade. Por isso, estamos constantemente atentos à evolução e tendências do setor, mas também às expectativas dos nossos parceiros e clientes, a fim de os apoiar e construirmos juntos o seguro de gestão de património do amanhã.

LETÍCIA SOARES

“ESTAMOS CONSTANTEMENTE ATENTOS À EVOLUÇÃO E TENDÊNCIAS DO SETOR, MAS TAMBÉM ÀS EXPECTATIVAS DOS NOSSOS PARCEIROS E CLIENTES, A FIM DE OS APOIAR E CONSTRUIRMOS JUNTOS O SEGURO DE GESTÃO DE PATRIMÓNIO DO AMANHÔ

Certo é, a WEALINS tem caminhado lado a lado com o desenvolvimento de seguros e soluções de capitalização à medida. Além disso, o conceito de apoio à gestão de património parece ser um elemento-chave para a empresa. Quais os motivos que fomentam esta ideia? Com efeito, colocamos a noção de apoio de gestão ao património no centro da nossa atividade. Estamos comprometidos diariamente em apoiar e colaborar com nossos parceiros para melhor atender às aspirações e expectativas dos nossos clientes finais. E desenvolvemos uma visão mais moderna de seguro de gestão patrimonial onde desejamos apoiar os nossos parceiros não apenas hoje, mas também amanhã. É esta noção de suporte de gestão patrimonial aliada à expertise e colaboração que a WEALINS pode trazer aos seus parceiros e clientes, que também tem sido a ideia principal por trás do reposicionamento da nossa marca este ano por ocasião do nosso 30º aniversário. Com o passar dos tempos, e face às alterações que se dão continuamente no mercado, as organizações têm de encontrar ideias inovadoras para afirmar a sua competitividade. Para isso, a WEALINS – tendo na sua génese a inovação potencializou, recentemente, um rebranding. Em que medida este momento se mostrou ser o ideal para este «renascer» de imagem? São várias as razões que explicam a nossa decisão de reposicionar a marca WEALINS. Em primeiro lugar, o crescimento que a WEALINS tem experienciado nos últimos anos, a nossa intenção de ganhar ainda mais notoriedade e de ter uma marca forte em todos os mercados onde estamos presentes. Paralelamente, quisemos refletir neste reposicionamento a própria essência da WEALINS,

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FOTO: DIANA QUINTELA

PONTOS DE VISTA DIA NACIONAL DO LUXEMBURGO

o seu valor acrescentado e a sua vantagem competitiva face aos nossos principais concorrentes. Quão legítimo é afirmar que, após este rebranding, podemos esperar uma dinâmica diferente da WEALINS? Que elementos destaca nesta nova identidade? Queríamos que a nova identidade da WEALINS transmitisse o nosso suporte de gestão de património aos nossos parceiros e seus clientes. Assim, através da nova identidade WEALINS, contamos com dois elementos: água e reflexão. A fluidez da água representando a fluidez relacional e operacional da WEALINS com os seus parceiros e clientes. Desta nova identidade resulta também a imagem de alguém que representa o nosso público-alvo (parceiros e clientes). Queremos que a WEALINS seja simbolizada por um caminho de ouro cuja liderança é do público-alvo e nós somos o suporte que fortalece e concretiza as suas expectativas na gestão do seu património. Pretendemos que a nossa abordagem colaborativa simbolize que caminhamos lado a lado na procura diária de uma solução TaylorMade para os nossos parceiros e clientes. O nosso novo slogan “You lead, We empower” também destaca as expectativas de nosso público-alvo através da primeira parte do slogan, “You lead”, e “ We empower” enfatiza o suporte na gestão patrimonial da WEALINS, bem como procurarmos constantemente concretizar as suas expectativas e encontrar uma solução para a sua situação patrimonial, muitas vezes complexa. Globalmente, a nossa visão representa a relação que a WEALINS tem com a sua comunidade empresarial: uma relação de colaboração e de empoderamento mútuo, inspiração e crescimento. A WEALINS, como se sabe, pertence ao Grupo Foyer, líder no setor segurador do Luxemburgo e o primeiro grupo privado do país, tendo por isso,

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um papel crucial no desenvolvimento do país. Desta forma, como analisa a evolução deste mercado, nomeadamente no setor onde a empresa atua? O facto de pertencermos ao Grupo Foyer permite-nos apresentar-nos como um puro player luxemburguês e sermos independentes de qualquer instituição financeira. Somos financeiramente estáveis e sólidos, o que nos permite reagir rapidamente às mudanças no setor e apoiar o nosso desenvolvimento. Estamos comprometidos em apoiar os nossos parceiros e clientes não apenas hoje, mas também amanhã. Nos últimos anos, temos observado um interesse crescente no contrato de seguro de vida no Luxemburgo devido às múltiplas vantagens que oferece, nomeadamente em termos de flexibilidade, segurança e portabilidade. O contrato de seguro de vida do Luxemburgo tornou-se uma ferramenta essencial na gestão de património e no planeamento sucessório. Como vê o futuro do setor em que WEALINS opera? A inovação continuará a desempenhar um papel importante nos próximos anos, já que os clientes de elevado património desejam cada vez mais ter acesso a uma gama de produtos e serviços que combinam uma abordagem digital e hiperpersonalizada. As companhias de seguros como a WEALINS terão, portanto, que ter em conta essas expectativas no desenvolvimento das suas ofertas futuras de produtos e serviços. A experiência e o suporte que podemos fornecer aos nossos parceiros e seus clientes agora e no futuro continuam a ser cruciais. As companhias que farão a diferença no futuro serão aquelas que conseguirem demonstrar agilidade, reinventar-se perante os novos desafios e atrair novos talentos com expertise internacional para preservar sua atratividade nos próximos anos. ▪

Por fim, sendo este um momento de reflexão face ao 30º aniversário que se avizinha, quais são os próximos passos a dar para que, a juntar a estas três décadas, emerja uma contínua duração de sucesso? Que novidades nos pode confidenciar? Temos consciência que muitos desafios nos aguardam, novas tendências também moldarão as expetativas e exigências dos nossos parceiros e clientes. Ao mesmo tempo, sabemos que devemos lidar com o aumento das restrições regulatórias (por exemplo, o Regulamento SFDR - Sustainable Finance Disclosure Regulation). A nossa intenção é estarmos atentos a estas evoluções, mas também antecipá-las e responder-lhes da melhor forma possível. A inovação continuará a desempenhar um papel fundamental nos próximos anos e continuará a transformar a forma como intervimos e colaboramos com os vários parceiros do setor de seguros e gestão de património. Desenvolvemos uma visão e orientação de longo prazo. Estamos comprometidos em trabalhar lado a lado com os nossos parceiros e clientes para concretizar as suas expectativas de gestão de património atuais e futuras e construir com eles o seguro de gestão de património do amanhã.


PONTOS DE VISTA DIA NACIONAL DO LUXEMBURGO

“O TAMANHO DO PAÍS PARECE-ME SER A PRINCIPAL FORÇA DO LUXEMBURGO. O LUXEMBURGO É EXTREMAMENTE BEM ORGANIZADO ADMINISTRATIVAMENTE E O SEU TAMANHO PERMITE-LHE UMA FLEXIBILIDADE IMPORTANTE EM TERMOS DE MUDANÇAS ESTRUTURAIS” PATRÍCIA OLIVEIRA


PONTOS DE VISTA DIA NACIONAL DO LUXEMBURGO

A força de uma Advogada Portuguesa no Luxemburgo Tendo desenvolvido o seu percurso universitário em Portugal, Patrícia Oliveira é, atualmente, Advogada e Partner na JuRIDex, Avocats à la Cour, no Luxemburgo. Conheça a história da profissional portuguesa que enfrentou desafios diversos naquela que é hoje a sua casa primária, mas que demonstraram ser essenciais para o caminho e sucesso que a mesma e a sua empresa têm traçado no mercado.

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dificada em 2014, a JuRiDex, Avocats à la Cour é uma Sociedade de Advogados sediada no Luxemburgo, dedicada ao contencioso empresarial, bem como à criação e assessoria de pequenas e médias empresas. Ao longo destes oito anos de atividade, de que forma a mesma tem vindo a perpetuar valor ao mercado e aos seus clientes? A criação da associação de advogados JuRiDex, Avocats à la Cour partiu de duas constatações relativamente ao mercado luxemburguês: 1) havia uma clara falta de escritórios de advogados especia-

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lizados em contencioso empresarial, sendo que os escritórios de advogados dedicados ao direito empresarial ou não tinham departamento dedicado ao contencioso ou entravam rapidamente em conflito de interesses e 2) havia uma necessidade crescente das pequenas e médias empresas de conselho jurídico adaptado à sua estrutura. Na primeira vertente de atividade, a experiência passada dos sócios em escritório de advogados especializado em direito empresarial era um trunfo importante, sendo que o domínio da linguagem empresarial permitia criar uma

mais-valia no mercado, permitindo a gestão de casos complexos em todas as áreas do direito empresarial (dos conflitos de sócios a contestações de contratos de financiamento). Este domínio, em conjunto com um bom conhecimento dos procedimentos judiciais, permitiu desenvolver parcerias com escritórios luxemburgueses e estrangeiros que necessitavam de um apoio contencioso. Na segunda vertente, o escritório colaborou rapidamente com a House of training e a House of entrepreneurship para apoiar estes organismos na ajuda aos empreendedores na criação de empresa e resolução de conflitos jurídicos. Aquando da criação de uma empresa, o empreendedor negligencia o aspeto jurídico para economizar os custos relativos a tal apoio. A nossa intervenção permite, por um lado, demonstrar a utilidade de procurar um apoio jurídico desde o início da atividade e, por outro, dar bagagem jurídica a estas empresas para que comecem a atividade da melhor forma possível. Para as empresas que queiram um acompanhamento jurídico suplementar, criamos “pacotes” de criação de empresa que permitem alguma flexibilidade para permitir a todos os empreendedores lançarem a atividade com um “mínimo” jurídico. Estes “pacotes” são compostos, por exemplo, por modelos de contratos de base, de condições gerais, de estatutos para a empresa ou acordos entre sócios, por exemplo. Com garra e determinação, a JuRiDex, Avocats à la Cour presta assessoria de qualidade, com o objetivo de desenvolver estratégias eficazes e oferecer soluções pragmáticas. De que forma, na prática, desenvolvem estas es-

tratégias e o que as diferencia no setor onde atua? A nossa principal diferença é termos um bom conhecimento do direito empresarial ao mesmo tempo que do procedimento judicial. Estes conhecimentos permitem definir uma estratégia de fundo para chegar à melhor solução possível para o cliente. Somos também muito complementares no escritório, guardando todos um conhecimento geral de todos os domínios de intervenção do escritório. As áreas de competências abrangem mesmo todas as áreas do direito empresarial, indo do direito de trabalho ao direito das sociedades. Esta forma de pensar o direito permite-nos intervir mais eficazmente nos casos, sendo que tentamos ao máximo analisar todas as vertentes do caso antes de determinar a estratégia, nomeadamente a aplicação que os tribunais fazem das leis. Esta flexibilidade permite proporcionar uma análise em várias áreas do direito sem que o cliente tenha que voltar a explicar o caso a vários advogados em função da área de especialização de cada um. Isto, claro, para depois poder aplicar no domínio contencioso. A Patrícia Oliveira integra a JuRiDex, Avocats à la Cour há (quase) oito anos. Chegada ao Luxemburgo de Portugal, como tem vindo a ser esta jornada de transformações pessoais e profissionais até ao momento? Na realidade, cheguei ao Luxemburgo com dez anos, mas depois fiz o percurso universitário em Portugal, na Faculdade de Direito da Universidade do Porto. Na altura, todos diziam que não iria voltar para o Luxemburgo depois dos estudos, mas rapidamente me apercebi que teria mais oportunidades profissionais no


PONTOS DE VISTA DIA NACIONAL DO LUXEMBURGO

Luxemburgo. No fim do curso, ingressei então no Cours Complémentaire de Droit Luxembourgeois, formação obrigatória para integrar a Ordem dos Advogados no Luxemburgo. A formação é muito orientada para a prática da profissão e foi aí que nasceu a vontade de prosseguir a profissão. O curso de direito é extremamente teórico e permite dificilmente entrever o que é realmente a profissão de advogado na prática. A principal dificuldade em integrar a Ordem de Advogados aqui no Luxemburgo é o domínio das três línguas oficiais. Tendo estudado na escola europeia, falava fluentemente português e francês, mas foi preciso melhorar o inglês e o alemão que eram muito básicos em relação ao nível exigido. Depois, aprender o luxemburguês foi mais um desafio. Embora seja a língua nacional do Luxemburgo, temos poucas ocasiões para a falar, sendo que a língua de trabalho acaba por ser o francês ou o inglês. Ainda que esteja a ser uma experiência de vida enriquecedora, dificilmente esquecemos as raízes. Que ligação ainda mantém a Portugal? A ligação a Portugal é dupla: - Por um lado é uma ligação obviamente familiar; grande parte da minha família vive em Portugal, o que cria muitas ocasiões para ir a Portugal; - Por outro lado, tendo estudado na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, ainda mantenho um contacto próximo com os meus amigos da universidade, tendo a sorte de por vezes termos casos a tratar em conjunto. Esta é claramente uma vertente do meu trabalho que ainda pretendia desenvolver, sendo que existem claramente ligações a desenvolver entre o mercado luxemburguês e o mercado português. Quão gratificante é, enquanto Advogada portuguesa, trabalhar numa Sociedade de Advogados luxemburguesa? Que desafios e oportunidades surgiram? Ser advogada portuguesa no Luxemburgo é certamente uma força, tendo em consideração a comunidade portuguesa que reside e/ou trabalha no Luxemburgo. Os portugueses estão muito bem integrados, de forma geral, na socie-

dade luxemburguesa, mas sempre mantiveram a cultura portuguesa bem viva. Aqui no Luxemburgo é muito difícil encontrar um português que não fale português por exemplo. Perceber a cultura portuguesa é, por isso, uma força na área profissional, que abre portas em termos de desenvolvimento. Posso dizer que ser advogada portuguesa me proporcionou claramente a possibilidade de lançar o meu próprio projeto de escritório de advogados, sendo que existe uma clientela portuguesa que gosta de poder comunicar na língua materna. O principal desafio é mudar a imagem tradicional dos portugueses no Luxemburgo. Embora já não corresponda à realidade, ainda existe muito a crença que todos os portugueses trabalham na construção civil ou nas limpezas. Já os clientes internacionais ficam positivamente curiosos por falarmos tantas línguas e trabalharmos num país diferente do nosso país de origem. As áreas de atuação da Patrícia Oliveira na JuRiDex, Avocats à la Cour são Contencioso Civil e Comercial, Direito do Trabalho, Direito Imobiliário e ainda Direito Europeu. Analisando estas áreas no Luxemburgo, como se encontra atualmente o mercado? As minhas áreas de atuação dizem respeito tanto ao conselho jurídico como ao contencioso. Senti obviamente um travão no desenvolvimento das atividades de conselho em resultado da crise da Covid-19, mas em termos de contencioso foi sobretudo o procedimento que mudou. Com a crise sanitária, as jurisdições foram obrigadas a repensar o modo de funcionamento e passámos enfim a poder comunicar com os tribunais por email, o que pedíamos há muito tempo. A área de direito do trabalho cresceu bastante ao longo dos últimos anos, com as mudanças impostas pela crise sanitária que levaram a várias mudanças na regulamentação jurídica (nomeadamente no que diz respeito ao teletrabalho). Também a área de direito europeu tem crescido, sendo que temos cada vez mais pedidos orientados para esta área. A localização do Luxemburgo e o seu tamanho levam à existência de muitos conflitos de leis, o que nos coloca numa posição privilegiada no conhecimento do direito comunitário.

O Luxemburgo é, há alguns anos, um dos países mais competitivos da União Europeia pertencendo, assim, ao grupo de países de alto desempenho. Na sua perspetiva, qual é a força económica deste mercado na Europa? O tamanho do país parece-me ser a principal força do Luxemburgo. O Luxemburgo é extremamente bem organizado administrativamente e o seu tamanho permite-lhe uma flexibilidade importante em termos de mudanças estruturais. O país está em constante adaptação ao mercado e reage rapidamente para não perder a sua posição. A 23 de junho celebra-se, anualmente, o Dia Nacional do Luxemburgo. Tendo raízes lusas, como vive esta efeméride e o que significa para si? Enquanto portuguesa não é possível ficar indiferente à monarquia luxemburguesa que tem sangue português. Com efeito, em 1893 o Grão-Duque herdeiro casou com a Princesa de Bragança e tiveram seis filhas, entre as quais a querida Grã-Duquesa Charlotte, muito apreciada pelos luxemburgueses. Entretanto, adquiri também a nacionalidade luxemburguesa e tenho um carinho muito especial pela monarquia luxemburguesa. ▪

Para terminar, como perspetiva a evolução e o reconhecimento da JuRiDex, Avocats à la Cour no futuro a curto/médio prazo? O nosso principal objetivo a curto/ médio prazo é continuar a assegurar um alto nível de qualidade nos serviços oferecidos pelo escritório JuRiDex, Avocats à la Cour. Não temos como objetivo crescer muito mais, sendo que queremos guardar a nossa independência, assegurando um grau de flexibilidade elevado aos nossos colaboradores e aos nossos clientes. O futuro a curto/medio prazo passa, então, por consolidar as nossas áreas de intervenção.

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PONTOS DE VISTA DIA NACIONAL DO LUXEMBURGO

“A escolha de uma companhia Luxemburguesa como a Cardif Lux Vie tem várias vantagens para os Clientes residentes em Portugal” Elisabeth Cordeiro, Sales Manager International Markets da Cardif Lux Vie (CLV), conversou com a Revista Pontos de Vista, onde deu a conhecer o seu ponto de vista acerca das relações bilaterais entre Portugal e o Luxemburgo e a importância das mesmas. Para além disso, revelou de que forma a CLV tem vindo a consolidar a sua posição no mercado.

“A CARDIF LUX VIE É UMA DAS ÚNICAS COMPANHIAS DA PRAÇA LUXEMBURGUESA A OFERECER, PARA ALÉM DE UMA VASTA GAMA DE INSTRUMENTOS DE INVESTIMENTO, A POSSIBILIDADE DE INVESTIR PARTE DOS ATIVOS NUM FUNDO COM GARANTIA DE CAPITAL” ELISABETH CORDEIRO

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Cardif Lux Vie é uma companhia de seguros luxemburguesa que oferece soluções de gestão e preservação de património via seguros de vida. Enquanto Sales Manager International Markets, como é que a marca CLV consolidou a sua presença internacionalmente e está a responder às principais preocupações do setor? A Cardif Lux Vie opera no Grão-Ducado do Luxemburgo desde 1994 e é líder incontornável no mercado dos seguros de vida. Faz parte do Grupo BNP Paribas, uma instituição financeira reconhecida internacionalmente. A Companhia beneficia de uma estrutura acionista sólida e empenhada para responder a todas as atuais preocupações sociais e ambientais, que já não podem ser dissociadas de uma atividade económica responsável. Enquanto Sales Manager dedicada, nomeadamente, ao mercado português, orgulho-me de poder satisfazer as exigências de cada cliente, propondo soluções personalizadas de seguros de vida, desenvolvidas com especialistas patrimoniais e jurídicos. Acompanhamos os clientes que, por razões profissionais ou pessoais, são levados a deslocalizarem-se a nível internacional. Disponibilizamos-lhes todo o nosso conhecimento e oferecemos-lhes soluções em seis países do EEE (Portugal, França, Luxemburgo, Itália, Espanha, Bélgica) e 12 fora do EEE (Mónaco, Reino Unido, Dubai, Singapura, entre outros). Nesta cena internacional, somos movidos por um «espírito de parceria» que é a nossa força. Se o seguro de vida luxemburguês constitui uma plataforma de soluções única neste setor, a nossa missão é torná-lo acessível através do estabelecimento de parcerias de grande qualidade. Trabalhamos em arquitetura totalmente aberta com corretores, banqueiros privados, gestores de ativos e bancos depositários internacionais. Isso faz parte do nosso ADN e da nossa proposta de valor, tanto quanto a proteção dos interesses do cliente e a qualidade do serviço oferecido. Quais são as particularidades dos contratos de seguro de vida luxemburgueses e porque apelar aos conhecimentos especializados da CLV em particular?

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PONTOS DE VISTA DIA NACIONAL DO LUXEMBURGO

A Cardif Lux Vie trabalha em regime de Livre Prestação de Serviços, o que significa que os contratos são reconhecidos internacionalmente, sendo aplicada a lei do país de residência do tomador do seguro. Os investimentos nos produtos estão sujeitos às regras prudenciais do país onde a seguradora está estabelecida. A Companhia propõe as suas soluções a clientes de elevado património, a maioria dos quais tem interesses financeiros além-fronteiras e desejam encontrar alternativas à gestão do seu património, com os principais objetivos de otimização, transmissão e proteção do mesmo. Em contextos económicos e sociais de grande incerteza, como os que temos vivido nos últimos anos, a necessidade de planear o futuro e de antecipar a transmissão intergeracional adquiriu um novo significado. A escolha de uma companhia luxemburguesa como a Cardif Lux Vie tem várias vantagens para os clientes residentes em Portugal. Em primeiro lugar, a estabilidade política, económica e financeira do Grão-Ducado é algo que os clientes apreciam. A reputação do setor foi também construída graças a uma supervisão rigorosa que soube impor a si mesmo, nomeadamente, o mecanismo «Triângulo de Segurança» bem conhecido pela proteção oferecida aos tomadores de seguros, ou ainda a sua neutralidade fiscal (apenas se aplica a tributação do país de residência do subscritor). Por último, a diversidade dos suportes de investimento propostos no âmbito dos contratos é uma vantagem verdadeiramente competitiva. Neste âmbito, a Cardif Lux Vie é uma das únicas companhias da praça luxemburguesa a oferecer, para além de uma vasta gama de instrumentos de investimento, a possibilidade de investir parte dos ativos num fundo com garantia de capital (excluindo comissões de gestão), denominado Fundo Geral, que é gerido diretamente a partir do Luxemburgo. Para além de poder oferecer excelentes produtos, estou rodeado de equipas compostas de profissionais que evoluem num ambiente multicultural e centrado no cliente. O nosso empenho junto dos nossos parceiros e clientes é total. Falar de seguros de vida e compreendê-los nem sempre é fácil. Pode descrever as vanta-

gens dos produtos e serviços que oferecem aos clientes residentes em Portugal? Em 2021, o Commissariat aux Assurances, a autoridade luxemburguesa responsável pela supervisão do setor, registou um volume recorde de prémios recebidos de 27,5 mil milhões de euros em seguros de vida internacionais, dos quais 766 milhões de euros de residentes portugueses. Este valor é 29% superior ao de 2020. Estes dados demonstram que o seguro de vida luxemburguês tem o seu lugar no espectro das soluções «intraterritoriais» disponibilizadas aos clientes residentes em Portugal que desejem beneficiar de um quadro jurídico estável e protetor. A Cardif Lux Vie acompanha-os estando atenta à regulamentação fiscal em vigor em Portugal e a quaisquer particularidades relacionadas com o seu estado civil ou os beneficiários que desejem nomear. Sem entrar em detalhes, as principais vantagens do seguro de vida para um residente português que regularmente transmito aos parceiros e clientes são: ▶ Instrumento de planeamento sucessório para transmitir património sem imposto sucessório; ▶ Subscrição por vários tomadores e sobre a vida de vários segurados; ▶ Designação livre dos beneficiários; ▶ Não pagamento de imposto de mais-valias na ausência de resgates; ▶ Tributação favorável para resgates após cinco e oito anos. Todos os setores de atividade, por mais diversos que sejam, estão em constante evolução. Quais são, na sua opinião, as tendências que irão ditar o desenvolvimento futuro do seguro de vida no Luxemburgo e em Portugal? O seguro de vida, como muitos outros setores, está a acelerar a sua transformação num contexto económico totalmente novo. Os intervenientes devem adaptar-se rapidamente para aproveitar todas as oportunidades e satisfazer as necessidades de uma clientela cada vez mais exigente. Na minha opinião, o primeiro desafio é a aceleração da digitalização. No início do ano, a Cardif Lux Vie lançou a sua plataforma de operações em linha, com a assinatura eletrónica e o carregamento de documentos, inicialmente para clientes residentes em França, Luxemburgo e Bélgica (empresas

e particulares). Este espaço será progressivamente enriquecido com todas as outras geografias onde operamos. Além disso, os tempos conturbados que atravessamos exacerbaram a sensibilidade de todos os intervenientes face às questões sociais e climáticas. A partir de agora, as seguradoras e os investidores devem dar respostas sustentáveis aos clientes que desejam dar sentido às suas poupanças, conciliando rendimento, segurança e impacto positivo. Na Cardif Lux Vie, isso significa integrar nas nossas estratégias e processos de investimento critérios ambientais, sociais e de governação. Mas, de forma mais abrangente, é o nosso papel enquanto cidadão empresarial que temos de repensar. A crise sanitária recordou-nos a importância de agir no interesse coletivo e de integrar o controlo dos riscos e dos impactos a longo prazo no desenvolvimento das nossas atividades. ▪

É sabido que o número de emigrantes portugueses está a aumentar todos os anos. Isso reforça as relações entre os dois países? Segundo dados do STATEC, o instituto nacional de estatísticas e estudos económicos, no dia 1 de janeiro de 2022, o Luxemburgo tinha 645.397 habitantes, 47% dos quais estrangeiros. Os portugueses são a maior comunidade estrangeira do país. A ligação entre estes dois países é historicamente muito forte e, como filha de emigrantes, tenho testemunhado pessoalmente este facto. E disso também prova a visita do casal Grão-Ducal no último mês de maio, que se fez acompanhar de uma importante delegação representativa da economia luxemburguesa. A convite do Presidente Marcelo Rebelo Sousa, o objetivo era aprofundar os laços económicos bilaterais entre os dois países e reforçar mutuamente os ecossistemas financeiros. Esta missão foi um sucesso!

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“O nosso objetivo continuará a ser investir no Desenvolvimento de novas Soluções Tecnológicas” Patrícia Pereira, Product Owner na LOSCH DIGITAL LAB, aborda em entrevista à Revista Pontos de Vista a evolução que a marca tem tido entre os mercados português e luxemburguês, nomeadamente no que diz respeito às transformações tecnológicas que têm potenciado o seu setor. Saiba tudo.

“NESTE MOMENTO PORTUGAL OFERECE AO LUXEMBURGO O AMBIENTE IDEAL PARA EXPANDIR NO SETOR TECNOLÓGICO” PATRÍCIA PEREIRA

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LOSCH DIGITAL LAB, foi fundada em 2018 como a filial portuguesa da empresa luxemburguesa Losch, fundada à data de 1948 como um dos primeiros importadores da Volkswagen AG, tendo sindo estabelecida, com o passar dos anos, como uma marca líder neste setor. Neste sentido, como descreve a evolução do trabalho que tem vindo a ser feito pela marca entre Portugal e o Luxemburgo? Com os novos desafios da indústria automóvel, a procura de inovação e diversificação levou a Losch a estabelecer-se em Portugal através da criação de um departamento para desenvolvimento de software e data engineering, o Digital Lab. Desde então o objetivo tem sido tornarmo-nos numa referência no desenvolvimento de soluções para o setor automóvel, procurando parcerias com empresas com os mesmos desafios, usando o sucesso da Losch como exemplo na digitalização do setor. Ao fim de três anos, o impacto desta nova geração de soluções é já uma realidade dentro da Losch, que queremos levar mais longe e a mais mercados. Que balanço faz da relação entre os dois países, económica e socialmente? É legítimo afirmar que Portugal e Luxemburgo têm cada vez mais potencial para trabalhar juntos? Portugal e Luxemburgo sempre tiveram uma relação próxima, visível na Segunda Guerra Mundial tendo Portugal servido de porto de abrigo para os refugiados luxemburgueses, bem como mais tarde na década de 60 quando o Luxemburgo acolheu portugueses à procura de melhores condições de vida, sendo hoje a maior comunidade estrangeira no país. Neste momento Portugal oferece ao Luxemburgo o ambiente ideal para expandir no setor tecnológico. Há cada vez mais investimento nos polos tecnológicos como é exemplo de Braga, Lisboa ou o Porto de onde já surgiram vários unicórnios portugueses. Graças às nossas universidades classificadas como das melhores a

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empresas de ambos os lados. Existem cada vez mais casos de sucesso de parcerias entre Portugal e Luxemburgo e todas elas acabam por se tornar embaixadoras e facilitadoras de novas parcerias pela sua própria experiência.

nível europeu, existem cada vez mais profissionais altamente qualificados e com grande facilidade tanto na língua inglesa como francesa o que facilita as conceções entre ambos os países. Com o talento dos dois países, combinado o potencial de sucesso, é cada vez mais elevado e temos tido várias provas disso. Sabemos que, inevitavelmente, todos os setores de atividade enfrentam uma mudança através da digitalização contínua, e na indústria automóvel não é diferente. O que tem vindo a ser feito pela LOSCH DIGITAL LAB nesta vertente? Quais os maiores desafios? Muitos processos na Losch Luxembourg eram antiquados, com base em papel e não centralizados. Com o crescimento da empresa, tornou-se complicado acompanhar os processos de trabalho e encontrar a informação necessária à velocidade requerida pelas demandas da nova era digital. O papel da Losch Digital Lab tem vindo a ser analisar os processos atuais da Losch e traduzi-los em soluções digitais que promovem a agilização dos mesmos e uma maior produtividade. Estes produtos vão desde Sistemas de Gestão de Importadores e Fornecedores e Serviços de Mobilidade (Mobility-on-Demand) a E-commerces. Por outro lado, as decisões de negócio de uma empresa devem ser data-driven e para isso é indispensável ter fontes de informação fiáveis e com excelentes sistemas de relatórios, o que se tornou um dos maiores objetivos para a Losch Digital Lab. Em estrita parceria com a Losch Luxembourg, conse-

guimos reunir e organizar toda a informação dos diferentes departamentos (como vendas, serviços ou gestão de armazéns) em relatórios uniformizados, interativos e centralizados. Embora à distância e com foco em software, procuramos estar em contacto permanente e direto com o setor, seja através de gestores de garagens ou mesmo dos próprios mecânicos que serão os utilizadores das nossas soluções. A mudança para um paradigma mais digital tem os seus desafios, especialmente numa empresa com tantos anos de sucesso no setor automóvel, com tantos setores diferentes e processos há muito estabelecidos. No entanto é compreendido por toda a Losch que não existem muitas soluções especializadas para a gestão diária do setor automóvel tornando-se uma missão de todos, e em especial do Digital Lab, trazer novas e melhores soluções para o mercado tirando partido do sucesso da Losch no setor automóvel e das valências de desenvolvimento de software do Digital Lab.

Por fim, para além da digitalização, que novas tendências acredita que ditarão o universo automóvel a médio e longo prazo? Como está a ser desenhado o futuro da LOSCH em Portugal e no Luxemburgo? A crescente presença dos carros elétricos já obrigou a uma mudança na abordagem a oportunidades de negócio pós-venda. As empresas começaram a procurar novas ofertas e novas dinâmicas, expandindo os seus negócios, e, como é o caso da Losch, a investir cada vez mais em soluções de mobilidade mais sustentável.

A sustentabilidade e eficiência na mobilidade urbana são uma preocupação do consumidor atual e os carros autónomos são cada vez mais uma realidade. A Losch tem investido nesse sentido tanto a nível operacional interno e de oferta de serviços aos seus clientes, como no software que desenvolve procurando trazer para o mercado soluções de gestão de frotas e rotas de transporte que ajudem outras empresas a reduzir a sua pegada ecológica enquanto aumentam a sua eficiência. Em Portugal, o nosso objetivo continuará a ser investir no desenvolvimento de novas soluções tecnológicas, apostando e retendo o talento português de forma a crescer e maturar as nossas equipas multidisciplinares e procurando cada vez mais parcerias com empresas portuguesas. ▪

Foi recentemente assinado um acordo entre a Luxembourg House Of Financial Technology e a Portugal Fintech. Acredita esta será uma alavanca ao desenvolvimento da ligação entre os dois países? Porquê? A visita económica no passado mês de maio e a larga delegação económica que a acompanhou foi prova de que quanto mais empresas e parcerias forem estabelecidas entre os países, e quanto mais visibilidade estas parcerias tiverem (especialmente sendo enquadradas neste tipo de iniciativa) mais interesse surge por parte de novas

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“Adoramos o nosso Trabalho, e é por isso que continuamos a ser Atores e não Espetadores da nossa Companhia” O Dia Nacional do Luxemburgo é celebrado no dia 23 de junho e, por isso, fomos conversar com Paula Castro, Diretora da Royal Kids e João Ferreira, Diretor Adjunto da Royal Kids, um espaço onde todas as crianças são tratadas de igual forma, promovendo o seu crescimento enquanto alunos e pessoas. Conheça mais de um espaço de excelência para os mais novos.

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Royal Kids é uma creche que trabalha para a inclusão, sediada no Luxemburgo, onde as crianças adquirem natural e gradualmente três línguas oficiais deste país: luxemburguês, alemão e francês. Para melhor entender, qual é o verdadeiro papel da Royal Kids no crescimento e evolução dos mais novos? No Luxemburgo, uma semana normal de trabalho é constituída por 40 horas, distribuídas por cinco dias (segunda a sexta-feira, entre as 6h30m e as 19h30m). As crianças dos zero aos quatro anos devem, portanto, ser cuidadas pelo menos oito horas por dia, porque os pais trabalham e não têm muitas vezes horários escalonados. Trabalhamos com crianças durante grande parte da sua infância. O nosso papel é ensiná-los a crescer desenvolvendo a sua linguagem, sociabilidade, emoções, contacto social, jogos e outros. Temos um grande papel a desempenhar, porque as crianças entendem, aprendem, reproduzem muito do mundo que as rodeia. Estamos aqui para estimulá-los, dar-lhes regras, ensiná-los a crescer com um pessoal que ama o seu trabalho e este contacto com as crianças. Podemos dizer que o facto de se tratar de uma creche que permite às famílias das mais variadas nacionalidades envolverem-se na “vida” dos mesmos, reportando as suas origens, contribui para uma aprendizagem e desenvolvimento mais coerentes das crianças? Até que ponto? Claro que sim. Podemos primeiro

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vidades por ano a diferentes culturas. Os pais são os principais atores nesta implementação, porque trazem pratos típicos do seu país, vêm à creche para mostrar danças e canções de casa, às vezes com roupas tradicionais, entre outros. Temos uma grande riqueza cultural dentro da nossa escola e a usamos para enriquecer o conhecimento e a abertura ao mundo das crianças.

PAULA CASTRO E JOÃO FERREIRA

“DESDE A ABERTURA DA ESTRUTURA, ACOMPANHAMOS AS FORMAÇÕES, TENTAMOS MELHORAR, CONHECEMOS NOVAS PESSOAS, APRENDEMOS A ADAPTAR-NOS A VÁRIAS SITUAÇÕES, ENCONTRAMOS PARCERIAS... TUDO ISTO NUMA LINHA CRESCENTE” mencionar a sociabilidade, a linguagem e a curiosidade das crianças. Na verdade, se duas crianças falam duas línguas diferentes, por exemplo uma fala inglês e outra português, encontrarão técnicas de comunicação para entender e ser compreendidas pelo interlocutor. Usarão gestos, mímicas, imagens, som, entre outros. Damos as boas-vindas às crianças japonesas que, para se despedirem, dão as mãos e se inclinam para a frente. Sem usar a linguagem, outras crianças entendem o que significa. Há alguns que só conhecem a

cidade, e outros o campo. Através do jogo, as crianças desempenham papéis em diferentes universos/temas, como animais de fazenda, por exemplo. Através destas observações e interações, as crianças aprendem coisas novas, que não existem necessariamente para elas, porque ainda não estão cientes delas. Cada criança desenvolve-se de forma diferente de acordo com a sua educação, o seu país, a sua cultura, mas também de acordo com os diferentes hábitos trazidos pelos seus colegas. Dedicamos duas semanas de ati-

O Dia Nacional do Luxemburgo é celebrado todos os anos no dia 23 de junho, sendo marcado por várias festividades. O que significa esta data para Paula Castro e João Ferreira, como portugueses, que vivem e investem num país como o Luxemburgo? No dia 23 de junho, o Luxemburgo celebra o aniversário do Grão-Duque. Este dia de festividades mistura a alegria de toda uma população com costumes mais tradicionais: desfile militar, (Te Deum), retiro de tochas e fogos de artifício. Para nós, parece óbvio e importante aprender e conhecer as tradições e a história do país em que vivemos. Somos pessoas de mente aberta que adoram aprender e descobrir coisas novas. É com isto em mente que abrimos a Royal Kids, que é uma creche multicultural e um centro de dia. Quando chegámos ao Luxemburgo, só falávamos português. Fomos ajudados por pessoas abertas e acolhedoras, que nos permitiram integrar o melhor possível. Por conseguinte, pareceu-me óbvio que o nosso sonho em conjunto reflete também uma parte da nossa história, isto é, para acolher quem quer instalar-se


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no Luxemburgo ou já ali se instalou, sem fazer qualquer distinção entre cultura, nacionalidade, entre outros. Temos uma equipa que fala as línguas habituais do país, bem como outras línguas como o inglês, que é uma língua internacional. Isto permite-nos comunicar com pais/ filhos de muitos países diferentes. Quais foram os principais fatores que vos motivaram a desenvolver o projeto Royal Kids no Luxemburgo? Encontramo-nos no Luxemburgo em relação ao contexto familiar. Quando cheguei ao Luxemburgo, aprendi a falar francês e inglês. Trabalhei em diferentes setores de atividade (principalmente no setor da primeira infância e na administração), os meus filhos foram para a escola no Luxemburgo, aprenderam luxemburguês e outras línguas. O João e eu já tínhamos discutido a abertura de um centro de acolhimento de crianças. Ambos amamos o setor da primeira infância e num momento da nossa vida, decidimos embarcar nesta aventura, que hoje nos enche de realização. Trabalhamos arduamente e continuamos a trabalhar todos os dias para melhorar a Royal Kids

diariamente. Melhoramos o nosso equipamento, os nossos jogos, treinamos a nossa equipa e a nós mesmos. Temos esta empresa e uma equipa, mas apesar disso, como diretores, todos os dias nos levantamos e vamos trabalhar, porque é muito importante estarmos presentes diariamente para pais, filhos e os nossos colaboradores. Adoramos o nosso trabalho, e é por isso que continuamos a ser atores e não espetadores da nossa companhia. É inevitável que falemos do impacto da pandemia que todos temos vivido nos últimos dois anos. Atualmente, no período pós-pandemia, qual é a avaliação do trabalho realizado? Como corre o regresso à normalidade na Royal Kids? Como todos os outros, não sabíamos como a situação iria evoluir e que medidas seriam aplicadas. Aprendemos sobre as novas regras o mais rápido possível, seguimo-las e aplicámo-las diariamente. Consideramo-nos sortudos porque temos uma verdadeira ligação de confiança com os pais. Comunicámo-nos muito, eles seguiram-nos e apoiaram-nos, esperaram e puseram em prática as regras à medida que a pandemia pro-

gredia (isolamento, quarentena, encerramento da estrutura) com compreensão... Esta comunicação relativa às alterações das medidas e dos diferentes procedimentos permitiram tranquilizá-las. O regresso à “normalidade” veio rapidamente. A remoção da máscara foi um alívio para nós, primeiro para o conforto das crianças, pais e funcionários, e também para a compreensão oral. Na verdade, quando falamos com bebés e crianças, articulamos fortemente e usamos muitas mímicas faciais. Com a máscara, as crianças não tinham acesso a esta informação, o que poderia impedir uma boa compreensão e aquisição de linguagem não-verbal. Tentámos com máscaras transparentes, mas perturbou as crianças. A remoção da máscara é, portanto, um ponto positivo no que diz respeito ao modo de aprendizagem. Podemos dizer que Portugal está agora e cada vez mais a assumir um papel de liderança na economia e no crescimento do Luxemburgo? Até que ponto? A língua portuguesa é uma língua amplamente falada no Luxemburgo. Há muitos portugueses que vêm trabalhar para o Luxemburgo e, de facto, a economia do país está melhor. Quando vamos à cidade, a um restaurante, a uma loja de roupa, a uma loja de comida, há pelo menos uma pessoa que fala português. Esta é uma observação que pude fazer e que é notada por cada vez mais pessoas. ▪

Finalmente, como vê o futuro da Royal Kids e como é projetado? Desde a abertura da estrutura, acompanhamos as formações, tentamos melhorar, conhecemos novas pessoas, aprendemos a adaptar-nos a várias situações, encontramos parcerias... tudo isto numa linha crescente. Estamos a tentar visualizar o futuro da Royal Kids ao longo de vários anos. Gostaríamos de construir uma irmã mais nova para esta estrutura. Sabemos que nada é dado como certo e que teremos de redobrar todos os dias os nossos esforços para manter e melhorar a nossa estrutura. Analisamos situações, criamos iniciativas, criamos projetos... Não podemos dar-nos ao luxo de descansar sobre os louros, porque isso não faz parte da nossa política. Cada dia é um novo desafio que tentamos enfrentar, de bom humor, com uma equipa escolhida pelas suas capacidades.

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CCLBL

Uma ponte entre Portugal e Luxemburgo “Sem dúvida que nos últimos anos as relações entre os dois países se têm vindo a fortalecer. Isto deve-se a um grande esforço, compromisso e interesse de diversas instituições quer em Portugal quer no Luxemburgo”. Quem o afirma é Chantal Sohier, Presidente da Câmara de Comércio Luso-Belga-Luxemburguesa (CCLBL), que revelou o papel da CCLBL nesta promoção e como é importante continuar a criar redes de ligação entre ambos os países.

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Câmara de Comércio Luso-Belga-Luxemburguesa (CCLBL) é uma entidade que visa promover as relações comerciais entre os mercados português, belga e luxemburguês. Prestes a celebrar o Dia Nacional do Luxemburgo, qual o balanço que faz das atividades desenvolvidas em parceria com este país? A CCLBL tem vindo a desenvolver uma série de projetos e parcerias em colaboração que visam reforçar a relação entre ambos os países. É o caso da Câmara de Comércio do Luxemburgo (CCLU), com a qual a Câmara mantem um contacto próximo, colabora e apoia na organização de eventos (e.g. webinar realizado em parceria com a CCLU e Embaixadas dos respetivos países com o objetivo de introduzir o mercado Português a empresas Luxemburguesas e vice-versa, introduzindo ainda a missão económica que se realizaria mais tarde e a qual a CCLBL de igual modo apoiou). Um outro contributo que não pode deixar de ser mencionado é o da AICEP. Esta instituição desempenha um papel fundamental no desenvolvimento e aprofundamento nas relações económicas, trazendo investimento para Portugal e alavancando projetos portugueses no exterior nos países onde está presente, tendo tido um contributo importante na organização e sucesso da Missão Económica do Luxemburgo a Portugal. Ademais, a CCLBL organizou ainda atividades com os seus membros de origem Luxemburguesa, com o intuito de dar a conhecer o mercado Luxemburguês de uma forma generalizada ou dependendo do evento, com foco num setor mais específico. Dito isto, acreditamos que a CCLBL tem contribuído ativamente para apoiar os seus membros a alcançarem os seus objetivos nos dois mercados e simultaneamente para o desenvolvimento das relações bilaterais. CHANTAL SOHIER

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É legítimo afirmar, aos dias de hoje, que cada vez mais as relações entre Portugal


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e o Luxemburgo têm vindo a fortalecer-se? Qual o papel da CCLBL neste propósito? Sem dúvida que nos últimos anos as relações entre os dois países se têm vindo a fortalecer. Isto deve-se a um grande esforço, compromisso e interesse de diversas instituições quer em Portugal quer no Luxemburgo. A CCLBL tem como missão dar a conhecer o mercado Português a empresas Luxemburguesas interessadas em investir e/ou expandir em Portugal e vice-versa. Isto torna-se ainda mais relevante quando se percebe que Portugal e Luxemburgo têm um elevado nível de atividade e interesse em diversos setores em comum como é o caso da indústria espacial, indústria da saúde, economia digital ou mesmo em tópicos como a sustentabilidade e economia circular, entre outros. Para além dos mais, uma tendência crescente visível em ambos os países é a forte aposta na inovação e investimento em Startups, tendo estes já recebido reconhecimento internacional identificando-os como referência nas áreas de inovação, tecnologia e ecossistema ideal para startups. Nesse sentido, a Câmara procura estabelecer ligações entre empreendedores, permitindo assim uma partilha de conhecimentos, experiências e know-how, procurando igualmente em simultâneo informar de oportunidades interessantes que surjam nas diferentes áreas relevantes aos nossos membros. É de conhecimento geral o quanto o Luxemburgo é um país com estabilidade económica e social. Assim, em que medida esta “segurança” contribui para as relações com Portugal e Bélgica? Historicamente, a Bélgica e o Luxemburgo partilham uma longa tradição de relações económicas, sociais e culturais, o que por si só contribui para uma relação boa e estável entre Portugal e os dois países. Acreditamos ser igualmente correto afirmar que os três países partilham muitas características a nível social e cultural o que vem reforçar a relação entre ambos. No que diz respeito ao fator económico, essa conhecida estabilidade do Luxemburgo traduz-se num contributo para a confiança e credibilidade na realização de investimentos e negócios entre as partes envolvidas. Finalmente, é também necessário reforçar que os três países mencionados beneficiam de uma estabilidade social contribuindo ativamente para a concretização do objetivo Europeu. Sabemos que o Grão-Duque visitou Portugal recentemente. Em que medida este foi e é um instrumento chave para alavancar as relações bilaterais entre Portugal e Luxemburgo? A visita do Grão-Duque, que decorreu em paralelo da missão económica, foi de elevada importância para alavancar as relações bilaterais entre Portugal e Luxemburgo pois permitiu esclarecer a ambos os países a realidade e características dos seus mercados, com especial enfoque no real potencial já existentes neles. Esse conheci-

mento irá certamente resultar num maior interesse e abertura para negócios futuros. Durante a visita, foram abordados diversos temas que são prioridade em ambos os países, nomeadamente a importância da digitalização, ‘green transition’, ‘sustainable finance’, entre muitos outros o que veio reforçar a ideia de que uma maior colaboração e cooperação entre estes países não só faz todo o sentido, mas também antevê que sejam bem-sucedidas. Finalmente, esta visita permitiu colocar frente a frente empresas e indivíduos relevantes e com interesses em comum, criando laços e parcerias para o futuro.

“UM DOS PRINCIPAIS OBJETIVOS DA CÂMARA É DE CAPTAR O INTERESSE DE EMPRESAS LUXEMBURGUESAS NO MERCADO PORTUGUÊS, PROCURANDO DE IGUAL MODO ATRAIR UM MAIOR INVESTIMENTO POR PARTE DAS MESMAS NO PAÍS” Podemos considerar que o caminho, no que diz respeito a estas relações, é ainda longo? Porquê? É impossível negar que apesar da comunidade Portuguesa ser bastante expressiva no Luxemburgo, existe ainda uma vasta lista de oportunidades a serem exploradas no que diz respeito às relações económicas entre ambos os países. Nosso ponto de vista, o potencial das relações bilaterais não ter sido ainda explorado a fundo pode-se dever a uma falta de conhecimento profundo sobre as indústrias de cada país e como estas se podem complementar e apoiar mutuamente ou mesmo devido a uma certa falta de atenção não intencional dos mercados como aposta relevante ao crescimento e sucesso a nível de exportações de parte a parte. Contudo, é de igual modo necessário salientar que nos últimos anos os esforços que visam o aumento e melhoramento das mesmas são notáveis por parte de instituições pertencentes a ambas as partes. Assim sendo, se por um lado se pode afirmar que efetivamente existe um longo percurso para otimizar a relações bilaterais, é preciso ter em conta que por outro os primeiros passos já foram dados e que a caminhada se encontra já em marcha determinada e focada em ter sucesso. A Missão Económica realizada no mês passado é sem dúvida um exemplo claro disto, tendo isto dado um contributo inestimável no reforço das relações bilaterais destes países.

Assim, quais os principais desafios a ultrapassar neste “trabalho conjunto” entre os dois países? Um dos principais desafios que será necessário ultrapassar é o de gerar uma melhor perceção da realidade e as oportunidades em cada mercado. Formular uma estratégia que permita dar a conhecer concretamente a realidade económica de Portugal a Luxemburgo e vice-versa e apresentar as oportunidades de investimento e negócio às empresas e indivíduos relevantes será certamente um desafio que requer empenho de ambas as partes. Um outro desafio a ter em conta não é exclusivo apenas de Portugal, Luxemburgo ou Bélgica, mas sim de todo o mundo: fatores externos e geopolíticos, tendo sido estes colocados em grande evidência nos últimos anos.

Numa altura marcada por vários acontecimentos importantes e que à CCLBL tanto dizem respeito, o que podemos esperar da mesma? Qual é, agora e no futuro, o desiderato? Um dos principais objetivos da Câmara é de captar o interesse de empresas Luxemburguesas no mercado Português, procurando de igual modo atrair um maior investimento por parte das mesmas no país. Para isso, um dos primeiros passos que a CCLBL tem vindo a desenvolver é a o de aumentar a representatividade de indivíduos e empresas Luxemburguesas nos seus quadros de administração e desse modo assegurar um equilíbrio e conhecimento da realidade dos três países representados pela Câmara. Tal como já mencionado neste artigo, a Missão Económica do Luxemburgo a Portugal teve uma grande importância e a Câmara está empenhada em dar continuidade às relações iniciadas durante a mesma. Nesse sentido, procuramos manter contacto com os diferentes empreendedores e empresas que expressaram vontade em conhecer mais sobre o país e as oportunidades neste disponíveis. Para além disso, a CCLBL irá dar continuidade ao projeto de expandir o número de membros cuja origem seja o Luxemburgo com o intuito de reforçar a interação e dinamização entre a comunidade de membros, consequentemente contribuindo para o desenvolvimento não apenas das relações bilaterais Portugal-Luxemburgo, mas contribuindo inevitavelmente também para as relações Bélgica-Luxemburgo-Portugal. Finalmente, a CCLBL tem como compromisso dar continuidade à já existente relação de proximidade com a Embaixada do Luxemburgo em Portugal que desempenha igualmente um papel crucial em todos os eventos e intervenções entre ambos os países, permitindo ainda à Câmara uma maior proximidade e interação com empreendedores Luxemburgueses. ▪

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PONTOS DE VISTA CONTABILIDADE – DIGITALIZAÇÃO

“Um dos grandes objetivos da CRN-Contabilidade é a Globalização” No mundo em que vivemos atualmente, é necessário que as empresas tomem consciência da necessidade de estarem em constante processo de inovação. Tendo esta visão bem assente no seu meio, a CRN – CONTABILIDADE tem vindo a apostar vincadamente na digitalização das suas metodologias, ganhando espaço para conquistar um estatuto significativo e reconhecimento no mercado. Ruben Nunes, CEO da marca, aborda em entrevista a conjuntura que rodeia este setor, nomeadamente o impacto que a transição digital tem aportado ao mesmo.

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CRN – CONTABILIDADE é, como o nome indica, uma empresa de Contabilidade e Consultoria. Sendo uma marca com experiência no mercado com 11 anos de existência, de que forma, a mesma, tem vindo a perpetuar valor e dinamismo no setor onde atua? Nos últimos anos, graças à formação, determinação e estudos constantes de novas soluções e readaptações de acordo com o estado pandémico que o país viveu, a CRN-Contabilidade reuniu os seus valores e conquistou, com a satisfação dos empresários, um estatuto significativo que tem resultado em crescimento mútuo. As novas tecnologias têm sido uma aposta no que diz respeito à transição digital, sendo que a experiência se tornou mais dinâmica, com processos mensurados e aplicados num foco primordial na voz do cliente, nos quais, os serviços mais destacados são Contabilidade, Consultoria, Planos de negócio, BPO Financeiro e o acesso a fundos de investimento. RUBEN NUNES

Destacamos ainda a abertura recente da nova delegação da CRN – CONTABILIDADE, num edifício construído pela Teixeira Duarte. Que novidades este projeto especial alavanca à marca? Acreditamos que o foco no cliente e capital humano é o caminho a percorrer, no que diz respeito a condições na sua generalidade, incentivando um regresso à retoma da atividade, bem como

“ACREDITAMOS NA EXISTÊNCIA DE IMENSOS FATORES PARA CONTRIBUIR NA OBTENÇÃO DE UM MAIOR ESTATUTO, CONTUDO, CONCORDAMOS QUE PREPARAR A NOSSA CAPACIDADE DE RESILIÊNCIA ÀS NECESSIDADES DO MERCADO NOS DISTINGUE” 148 | PONTOS DE VISTA |

ampliar a comodidade nos acessos e aumentar a facilidade de chegar até nós. Promovemos a segurança e a qualidade dos serviços prestados com a maior satisfação do capital humano. Temos perfeita perceção de que nada está feito, ainda há um longo caminho a percorrer no crescimento internacional. No novo espaço, as principais novidades são a possibilidade de reunir a equipa em eventos formativos em auditório, promovendo a atualização de conhecimentos, tal como a obtenção de novos conhecimentos e promoção a interligação entre as equipas. O objetivo primordial da empresa é, assim, fortificar o apoio que os seus clientes necessitam, proporcionando um aumento da eficiência e eficácia das empresas. De que forma, esta missão, é diariamente concretizada com rigor e excelência? Acreditamos no capital humano e na responsabilidade que cada profissional possui. Estes são ingredientes de progressão de carreira, acompanhamento diário a todos os níveis para garantir rigor e excelência através de novas tecnologias que nos auxiliaram bastante, sendo um alicerce no confinamento. Também aprendemos a aprender mais rápido. Hoje, sem as barreiras comuns que as empresas atravessaram, fazemos mais e melhor, e sempre com a qualidade que nos é exigida. Além disso, a CRN – CONTABILIDADE assegura apoio constante na inovação e formação dos Contabilistas Certificados, Técnicos de Contabilidade e Administrativos. Quão importante é, neste setor, existir inovação contínua? Efetivamente é muito importante inovar, e a transformação digital é a inovação da atualidade.


PONTOS DE VISTA CONTABILIDADE – DIGITALIZAÇÃO

EQUIPA CRN – CONTABILIDADE

As inúmeras reuniões livres assistidas e disponibilizadas para formação do staff à distância nos últimos anos foram uma alavanca para os contabilistas conseguirem informar, de forma atempada, os empresários sobre as legislativas dos apoios que saíam diariamente. Com mais este incremento ao processo, no seio das obrigações, a necessidade de mensurar e distribuir processos com uma maior dinâmica com envolvimento da equipa, efetuámos investimentos importantes em prol da inovação. Podemos afirmar que esta dinâmica de inovação destaca a marca no mercado? Acreditamos na existência de imensos fatores que contribuem para a obtenção de um maior estatuto, contudo, concordamos que preparar a nossa capacidade de resiliência às necessidades do mercado nos distingue. Salientamos que também acreditamos que os estudos efetuados de forma atempada com dados concretos e sem pressupostos nos auxilia a identificar quais os indicadores em que intervir e criar novas métricas. Logo, a inovação na CRN-Contabilidade é lançada no momento certo. Certo é, diariamente, assistimos a mudanças tecnológicas que influenciam a forma como os profissionais e as organizações desenvolvem as suas atividades. Na sua perspetiva, em que medida a tecnologia e a digitalização está a mudar o setor da Contabilidade e da Consultoria Fiscal? O desenvolvimento de novas métricas financeiras e de comunicação lançam um desafio de implementação de projetos internos e a necessidade de consultoria à implementação de metodologias de qualidade. Os empresários procuram cada vez mais aperfeiçoar os conhecimentos nestas matérias e identificam a qualidade como um fator-cha-

ve, contudo, a mudança do setor está a ser feita gradualmente, mantendo a responsabilidade e a qualidade que lhe é exigida. A digitalização é um dos grandes impactos – por muitos visto como positivo – da pandemia que só agora parece estar a ser ultrapassada. Assim, de que forma a aposta na inovação tem tido um impacto no relacionamento com o mercado e que vantagens emergem desta transformação tecnológica? Esse impacto tornou-se um juízo de valor, vai dependendo do valor que cada indivíduo, enquanto cidadão e profissional, idealizou como vantagem ou desvantagem no mercado, face à mudança. Contudo, acreditamos que um misto de métricas pré-pandemia e pós-pandemia resultará numa união de indicadores que culminará em processos reavaliados e aperfeiçoados, adequando à realidade de cada momento do mercado e à necessidade dos empresários e objetivos das organizações. Sabemos que a internacionalização é um fenómeno frequente nas empresas, impulsionado pela globalização, pela necessidade de crescimento e de sobrevivência face a um mercado cada vez mais competitivo. Considera que o papel da digitalização tem impulsionado o processo de internacionalização? Em que sentido? Um dos grandes objetivos da CRN-Contabilidade é a globalização. A digitalização tem sido um ingrediente que contribui para sinergias globais de forma mais constante nas organizações. Efetuámos parcerias importantes na realização de webinars com parceiros do Brasil e da Polónia, que alavancam os diversos parceiros nos diferentes mercados, passando informação pertinente aos empresários em diferentes contextos e aprimo-

www.crncontabilidade.pt

rando necessidades. No global, quer isto dizer que com a digitalização as empresas têm uma janela aberta para a globalização, contudo, passar de janelas a portas abertas em breve poderá ser uma certeza. ▪

Num mundo em constante movimento, qual continuará a ser a posição da CRN – CONTABILIDADE, de forma a estar continuamente na vanguarda da inovação e oferecer, assim, o melhor e mais adequado serviço aos seus clientes e ao mercado? A CRN-Contabilidade procurará fazer a diferença na necessidade dos empresários, medindo diariamente as necessidades do mercado e sendo identificadas métricas no momento certo, no qual o empresário necessita de uma inovação nos nossos processos. Somente com um estudo primordial e antecipado saberemos ao certo a necessidade dos parceiros no que diz respeito à procura de inovação e adequar os serviços prestados com ferramentas dinâmicas e inovadoras e proporcionar um valor acrescentado à atividade das organizações, como por exemplo, hoje o empresário consegue conectar-se a informações contabilísticas 24 horas por dia. O lema da CRN-Contabilidade é adequar-se à necessidade do empresário (Parceiro), logo, o nosso sucesso é o sucesso dos nossos clientes.

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PONTOS DE VISTA CONTABILIDADE – DIGITALIZAÇÃO

O reconhecimento do Capital Humano da CRN – Contabilidade Numa visão que demonstra claramente a importância do capital humano da CRN – Contabilidade, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Miguel Oliveira e Jael Mendes, recentemente promovidos a chefe de Polo de Contabilistas da marca e deram a sua visão sobre este novo desafio que têm em mãos, não esquecendo a responsabilidade que é assumir a «camisola» da CRN – Contabilidade.

"A CRN-CONTABILIDADE CRIA NOVOS POSTOS DE TRABALHO E DE CHEFIA INTERNA E PROPORCIONA MELHOR QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS"

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"UMA DAS APOSTAS É A DIGITALIZAÇÃO" MIGUEL OLIVEIRA

CRN – CONTABILIDADE visa, por princípio, valorizar os profissionais que a constituem. Tendo sido, recentemente, promovido a Chefe de Pólo de Contabilistas, como analisa os resultados que emergem deste reconhecimento, a nível interno e externo? Miguel Oliveira (MO) - Com esta promoção a chefe de Polo de Contabilistas, vejo o reconhecimento do meu trabalho prestado à CRN-Contabilidade, o que se torna uma motivação para mim. Podemos ver o crescimento dentro da organização, que cada vez mais cria novos postos de trabalho e de chefia interna, para uma melhor qualidade de serviços prestados aos clientes. A nível externo poderei ver uma valorização no mercado e um reconhecimento maior do meu esforço, trabalho e dedicação. Isto tudo também é possível e alcançado com a evolução e crescimento que a CRN-Contabilidade tem vindo a mostrar. Através de uma equipa altamente qualificada e experiente, a CRN – CONTABILIDADE assegura o apoio que os seus clientes necessitam. Enquanto Chefe de Pólo de Contabilistas, que passos serão dados para dar continuidade ao suporte que temos vindo a assistir, tanto da equipa como dos clientes? Jael Mendes (JM) - A CRN procura estar sempre disponível para o apoio dos seus clientes, desta forma pretendemos apostar cada vez mais na rapi-

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JAEL MENDES

dez e eficiência do atendimento telefónico e promovemos a possibilidade de os clientes se conectarem à contabilidade das suas empresas 24 horas por dia através de um smartphone ou computador.

porada na totalidade, conseguiremos reduzir, muito em breve, a quantidade de economato utilizado, ajudando assim o ambiente e promovendo uma redução dos custos das empresas.

Quando refletimos sobre as mudanças tecnológicas e a vertiginosa velocidade a que acontecem, importa refletir também no que é necessário fazer para acompanhar estas tendências. No setor da Contabilidade, qual é, no seu entender, o impacto da digitalização? MO - No setor da contabilidade, a digitalização cada vez é mais importante. Vemos uma evolução nesta área cada vez maior e na maioria das situações para melhor. A importância abrange a implementação de novas tecnologias de modo pioneiro. A CRN tem recebido, nos últimos anos, os documentos digitalmente, pois não iremos “correr atrás do prejuízo” que nos poderia sair caro no futuro. Apostamos na rapidez de execução. Com isto, conseguimos reduzir tempos, ou seja, tornamo-nos mais eficientes, mantendo a eficácia que nos distingue. Para além disso, proporcionamos uma redução de custos e promovemos o bem ambiental. Como é transversal a este setor e outros que possuem um departamento administrativo, um dos maiores custos é o economato, nomeadamente o papel na impressão dos documentos a serem lançados na contabilidade e os dossiers para arquivo. Com o crescimento da empresa e a digitalização incor-

O processo de inovação está relacionado com a característica humana de procurar incessantemente sempre mais e melhor. Este fator, aliado à vontade de inovar da CRN – CONTABILIDADE, tem permitido um serviço mais eficiente? De que forma? JM - A CRN tem procurado sempre inovar os seus serviços sendo uma das apostas a digitalização, o que tem tornado o nosso trabalho mais eficiente. No que diz respeito à digitalização num modo geral temos, por exemplo, aconselhado os clientes em vez de enviarem as faturas físicas pelo correio que digitalizem e disponibilizem numa pasta partilhada. Desta forma reduzimos drasticamente o tempo de envio da documentação ao nosso escritório e isto traduz-se numa maior rapidez na contabilização da empresa. A CRN também irá investir no arquivo digital o que consequentemente irá provocar uma diminuição do consumo dos materiais de escritório, nomeadamente papel e tinteiros, e o tempo de pesquisa. Ao aderirmos ao arquivo digital, poderemos consultar a documentação das empresas a partir de qualquer lugar e iremos diminuir o espaço físico que esta documentação costuma ocupar. ▪


PONTOS DE VISTA BREVES

TheFork leva 420 milhões de clientes a restaurantes em 15 anos

• O The Fork revoluciona o setor da restauração há já 15 anos, otimizando a gestão de reservas, tornando o serviço mais eficiente e aumentando a visibilidade e a receita • Por ocasião deste aniversário, o TheFork faz um balanço da evolução da indústria através de um estudo realizado em parceria com a Euromonitor, e apresenta as próximas tendências e inovações. Líder europeu em reservas de restaurantes online, o TheFork celebra este ano o seu 15º aniversário, tendo contribuído em larga escala para a indústria em todo o mundo. De 2007 até aos dias de hoje, já trabalhou com 60 mil restaurantes em 12 países e obteve 30 milhões de downloads da app, 20 milhões de avaliações e mais de 20 milhões de acessos mensais, sentando mais de 420 milhões de clientes em restaurantes1. Ao longo destes 15 anos, o setor passou por muitas mudanças, sobretudo durante a pandemia de Covid19, e por isso o TheFork, em parceria com a Euromonitor, revela as principais conclusões de um estudo2 que analisou o setor e a sua evolução durante este período na Europa.

Casa da Música anima o Porto até setembro No mês de julho, destacam-se da programação os concertos de Ema Ruth Rundl (dia 6, na Sala 2), e do artista norte-americano Robert Glasper (dia 19, na Sala Suggia). Fora de portas, ou seja, em recintos ao ar livre, a Orquestra Sinfónica vai atuar no parque de Serralves no dia 8. Em agosto, o Fado e a guitarra portuguesa dominarão as sonoridades. Em setembro, a agenda musical conti-

nuará com um concerto da Orquestra Sinfónica da Casa da Música, desta feita na Avenida dos Aliados (dia 10). O pop/rock dos Exit North, com Steve Jansen (fundador da banda Japan) e Thomas Feiner sobem ao palco da Sala 2 do equipamento cultural, no dia 3 de setembro. Nos dias 16 e 17 haverá concertos com plateia em pé para divulgar as novas tendências da música rock.

No que diz respeito à evolução económica, o setor dos serviços de alimentação contribuiu com mais de 326.4 mil milhões de euros em volume de vendas para a economia do continente em 2019, registando um crescimento de cerca de 7% no período 2013-19. O volume de vendas diminuiu cerca de 38% no período 2019-20, sobretudo devido à Covid-19. No período 2020-21, com o alivio das restrições, o setor cresceu cerca de 23% para 250 mil milhões de euros em vendas em 2021, empregando mais de 6.4 milhões de pessoas. De um ponto de vista mais abrangente da categoria, a preferência recai nos restaurantes de serviço completo, que contribuíram em 2021 com 97 mil milhões de euros em volume de vendas (cerca de 39% da quota do valor total), com mais de 326 mil pontos de venda. Já os restaurantes de serviço limitado (fast food e 100% delivery/takeaway) subiram cerca de 10% da quota de valor em 2007-21. Com 91% de share, os restaurantes independentes foram, no entanto, suplantados pelos restaurantes de redes (9%), graças à sua solidez financeira, forte exposição internacional e melhor adaptação às novas tendências.

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PONTOS DE VISTA ESTUDOS DE MERCADO EM PORTUGAL

“O compromisso da APODEMO é o de continuar a fomentar a Cooperação e Colaboração dos nossos Associados” João Marques, Vogal da Direção da APODEMO – Associação Portuguesa de Empresas de Estudo de Mercado e Opinião, abordou em entrevista à Revista Pontos de Vista de que forma este setor assume hoje, cada vez mais, um papel preponderante na missão de ajudar as empresas a tomarem melhores decisões, reduzindo os riscos associados à sua evolução. Conheça tudo.

A

JOÃO MARQUES

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APODEMO é a Associação Portuguesa de Empresas de Estudo de Mercado e de Opinião, constituída em 1993 por um conjunto de empresas do setor, com o objetivo de defender e representar esta atividade em Portugal. Como analisa a evolução da organização ao longo dos seus 29 anos de existência? A APODEMO nasceu nos anos 90, época que Portugal registava níveis de crescimento económico consideráveis, com a abertura ao estrangeiro pós-adesão à comunidade europeia em 1986, nomeadamente na área dos serviços. Havia empresas locais fortes e as multinacionais iam ganhando peso, nomeadamente na área dos estudos de mercado. A APODEMO surge com o objetivo de criar alguma “disciplina” nesse crescimento e representar institucionalmente um setor que se pretendia que crescesse com qualidade. Com a primeira crise financeira de 2008 e a consequente retração dos investimentos de clientes multinacionais, iniciou-se um movimento de reorganização económica, que teve um forte impacto no setor dos estudos de mercado, levando à contração, extinção e integração de operadores e que durou até 2015.

Atualmente, com a expansão da área digital nos estudos de mercado, fortemente impulsionada pela pandemia, a APODEMO começou a considerar uma mudança de âmbito de atuação que pudesse dar melhor resposta à nova realidade, nomeadamente a um conjunto de profissionais ligados à atividade que não estão integrados nas “tradicionais” estruturas empresariais de estudos de mercado que estiveram na génese da associação. Assim, no final de 2021, a APODEMO alargou o seu âmbito de atuação aos profissionais, sejam produtores ou utilizadores de estudos de mercado, aos académicos e a todo um conjunto de novos operadores na área digital, aos quais a associação não estava aberta anteriormente. A Associação tem como missão promover a importância do setor num contexto de ótica de mercado, reforçando a confiança junto dos seus utilizadores e do público em geral. Sendo um setor preponderante em Portugal, qual o panorama atual do mesmo? O setor encontra-se numa fase de redefinição, com cada vez mais e diversos operadores, que trabalham na área de business intelligence que, no fundo, é uma outra forma de dizer estudos de


PONTOS DE VISTA ESTUDOS DE MERCADO EM PORTUGAL

mercado. De facto, com o advento do “mundo” digital e dos correspondentes metadados, há, cada vez mais, entidades que trabalham esta nova matéria e que, consequentemente, operam no nosso setor se o entendermos como o da produção de insights a partir de fontes de informação. Pela cada vez maior complexidade das fontes e das ferramentas, torna-se particularmente importante a credibilização dos vários operadores de forma a manter a confiança dos utilizadores e do público, no nosso setor. Nesse sentido, iniciativas como o SAC, um serviço automático de controlo de qualidade dos participantes em estudos qualitativos, mais conhecidos como Focus Groups, é extremamente importante e deveria ser exigido pelos nossos clientes, na medida em que garante que os participantes recrutados são genuinamente os que se pretendem e não outros. Sabe-se que um estudo de mercado contribui para estimular uma cultura de inteligência comercial nos pequenos negócios. Do ponto de vista da APODEMO, como define a importância de um estudo de mercado? O estudo de mercado continua a ser, no nosso entender, uma peça fundamental de qualquer atividade dirigida a um público, seja ela comercial ou outra, pois hoje mais do que nunca, despender recursos escassos, sem a orientação e os objetivos claros que nos dá o estudo de mercado é economicamente insustentável e não faz sentido. É, no entanto, de fundamental importância que esse estudo de mercado seja bem feito e cumpra os mais rigorosos requisitos de qualidade, sob pena de ser contraproducente se for enganador. É aqui que a APODEMO entra, enquanto promotora da qualidade e das boas práticas no setor, respondendo pelos seus associados a quem é exigido o maior rigor e profissionalismo.

Certo é, a Associação contribui ainda para a modernização da indústria dos estudos de mercado e de opinião, fornecendo aos associados os meios, competências e conhecimentos que sejam relevantes para o desenvolvimento do setor. Quão importante é a aposta contínua na inovação e modernização do setor? Uma das apostas mais importantes da APODEMO, desde sempre, e em particular nestes tempos de grande dinamismo, é a área da formação e do conhecimento, quer sobre novas técnicas e ferramentas de estudos de mercado, quer sobre legislação e regulamentos aplicáveis ao nosso setor, nomeadamente no que toca ao regulamento geral de proteção de dados. Claramente, o objetivo último destas iniciativas é o de fomentar a inovação e modernização do setor, como um todo, respeitando sempre os regulamentos aplicáveis e protegendo a privacidade dos participantes nos estudos que são peças fundamentais para o desenrolar da nossa atividade. Neste sentido, como tem vindo a APODEMO e o mercado a promover um sentido de aposta na inovação e digitalização? Numa primeira análise quisemos de uma forma clara abrir a nossa associação aos operadores digitais que queremos que estejam próximos para fomentar os intercâmbios. Por outro lado, queremos abrir-nos, em particular, às áreas de Data Science, Analytics e até da inteligência artificial, que acreditamos fazerem parte de um futuro que está mais próximo do que pode parecer. Além disso, procuramos estabelecer protocolos com outras associações nacionais e estrangeiras que nos permitam estar a par do que melhor se faz no mundo, no nosso setor. ▪

Como perspetiva os estudos de mercado e opinião no futuro a curto/ médio prazo, bem como o posicionamento da APODEMO na defesa dos interesses dos seus associados? Acreditamos que o futuro passa pela capacidade das nossas empresas e dos nossos profissionais se adaptarem às novas realidades “aumentadas” e de integrarem, com o know-how de investigação que possuem, as muitas novas fontes de dados disponíveis. Procuramos construir conhecimento junto dos nossos associados, pois acreditamos que continua a ser atual a distinção entre ideias, dados e informação. Na APODEMO continuamos a defender que as ideias são “os óculos” necessários para olhar os dados e conseguir obter informação. O compromisso da APODEMO é o de continuar a fomentar a cooperação e colaboração dos nossos associados, no sentido de desenvolver novas ideias para, de uma forma cada vez mais eficaz e produtiva, obter informação de qualidade, a partir da cada vez maior quantidade de dados disponíveis.

“UMA DAS APOSTAS MAIS IMPORTANTES DA APODEMO, DESDE SEMPRE, E EM PARTICULAR NESTES TEMPOS DE GRANDE DINAMISMO, É A ÁREA DA FORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO, QUER SOBRE NOVAS TÉCNICAS E FERRAMENTAS DE ESTUDOS DE MERCADO, QUER SOBRE LEGISLAÇÃO E REGULAMENTOS APLICÁVEIS AO NOSSO SETOR” JUNHO 2022 | 153


PONTOS DE VISTA METROLOGIA NA SAÚDE

JOÃO DURÃO CARVALHO, PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA GERAL DA ASSOCIAÇÃO DE TÉCNICOS E ENGENHEIROS HOSPITALARES PORTUGUESES

A Metrologia na Saúde A JOÃO DURÃO CARVALHO PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA GERAL DA ASSOCIAÇÃO DE TÉCNICOS E ENGENHEIROS HOSPITALARES PORTUGUESES

Metrologia enquanto ciência da medição, enquadra a teoria e a prática da medição de grandezas mensuráveis, nomeadamente as utilizadas na prestação de cuidados de saúde. Os instrumentos e os processos de medição, por razões de boas práticas e garantia de qualidade dos serviços prestados, são sujeitos a ensaios e calibrações assegurando rigor e confiança nos resultados obtidos. A Metrologia na Saúde, ocupa hoje um lugar de relevo e acompanhou o desenvolvimento do direito à saúde, das estruturas da prestação de cuidados de saúde e da vertente científica e tecnológica. Apresenta-se legalmente enquadrada no Sistema Português de Qualidade, coordenado pelo Instituto Português de Qualidade (IPQ), com uma intervenção ativa na saúde, salientando-se a elaboração e publicação de Guias de Boas Práticas Metrológicas. A metrologia na saúde surge com a preocupação dos profissionais e das organizações na Qualidade em Saúde, conceito este com abordagens diversas, nem sempre coincidentes. Isto pressupõe que os processos de prestação de cuidados de saúde devem ser avaliados de forma cíclica e constante, na relação entre prestadores e utentes, no que se refere à satisfação das necessidades e expetativas destes. A avaliação tem de ser integrada quanto a recursos, processos e resultados. É neste contexto de gestão da qualidade, que depois de 1990 são tomadas várias decisões relevantes, nomeadamente o estabelecimento de protocolos com o King’s Fund Health Quality Services (KFHQS),

“A SATISFAÇÃO DESTAS EXIGÊNCIAS, TRADUZIU-SE NA OBRIGATORIEDADE DO SIE APRESENTAR PARA CADA AUDITORIA TODA A DOCUMENTAÇÃO REFERENTE À MANUTENÇÃO PREVENTIVA E CORRETIVA DAS INSTALAÇÕES E DOS EQUIPAMENTOS DO SERVIÇO AUDITADO, BEM COMO OS CERTIFICADOS DE ENSAIO E CALIBRAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DE MEDIDA"

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mais tarde com a Joint Commission International (JCI) e por último, com a Agência de Calidad Sanitária da Andalucía (ACSA), com adesão de vários hospitais ao modelo de acreditação. Trata-se de uma avaliação externa da conformidade da prestação de cuidados de saúde, com padrões de qualidade elevada, desenvolvidos por especialistas internacionais e reconhecidos por entidades de referência. O modelo de certificação, de acordo com as normas da International Standard Organization (ISO), também adotado em alguns hospitais, avalia a conformidade de processos com as boas praticas de gestão e de melhoria contínua, assegurando que o hospital exerce a sua atividade de acordo com padrões internacionais, nomeadamente a norma ISSO 9001:2008. Adotadas as ferramentas de avaliação, quer nos modelos de acreditação, quer nos modelos de certificação, as auditorias realizadas exigem que as instalações e os equipamentos dos serviços prestadores de cuidados se mantenham em boas condições de utilização e, para o efeito, seja garantida a execução em tempo útil das tarefas de manutenção. A responsabilidade do Serviço de Instalações e Equipamentos do Hospital passa a ser definida nos “procedimentos em situação de avaria ou incidente na utilização das instalações e dos equipamentos de diagnostico e terapêutica” que têm como objetivo “definir como registar as ocorrências com o Serviço de Instalações e Equipamentos (SIE), responsável pela operacionalidade das instalações e dos equipamentos de diagnóstico e terapêutica, através da manutenção preventiva ou de reparação em situação de avaria ou incidente na sua utilização, de forma a garantir que se encontram operacionais sempre que for necessária a sua utilização”. A satisfação destas exigências, traduziu-se na obrigatoriedade do SIE apresentar para cada auditoria toda a documentação referente à manutenção preventiva e corretiva das instalações e dos equipamentos do serviço auditado, bem como os certificados de ensaio e calibração dos equipamentos de medida. Assim, a metrologia passou a ser desenvolvida de forma continuada


PONTOS DE VISTA METROLOGIA NA SAÚDE

nos serviços de saúde e integrada na atividade de manutenção. A metrologia na saúde garante que os resultados de medições e leitura de parâmetros fisiológicos são exatos, comparáveis e adequados ao processo de decisão clínica, seja de diagnóstico ou de tratamento. São exemplos de parâmetros mensuráveis a temperatura corporal, a pressão sanguínea sistólica e diastólica, a saturação de oxigénio no sangue, o fluxo sanguíneo, a frequência cardíaca e a respiratória, o fluxo de ar inspirado e expirado, a energia aplicada na desfibrilhação, potenciais elétricos e o peso, entre outros. As grandezas físicas destes parâmetros fisiológicos são quantificadas por unidades de medida do Sistema Internacional de Unidades (SI). Exemplifica-se a medição de algumas grandezas e a sua relação e importância na decisão clínica. O parâmetro fisiológico temperatura corporal, medido pela grandeza temperatura e unidade de medida ºCelcius, influencia a decisão clínica na medida em que temperaturas elevadas geram degradação das proteínas. Do valor da temperatura medida depende a agressividade da medicação. O parâmetro fisiológico pressão sanguínea sistólica e diastólica, medido pela grandeza pressão e unidade de medida mmHg, influencia a decisão clínica na medida em que, em situação crítica, é grave o erro de medição por excesso. Do mesmo modo, o erro de medição da pressão de perfusão, que tem de ser superior a 65mmHg, pode conduzir à não tomada de decisão adequada. O parâmetro relativo ao caudal de perfusão de uma bomba, medido pela grandeza indireta caudal do volume de fluido, que é administrado ao longo de um período de tempo, tem como unidade habitual o ml/h. Um erro na infusão de fármacos com concentração elevada e potencial farmacológico muito ativo, pode ter consequências gravosas para o doente. De um modo geral, podemos afirmar que as medições em contexto clínico requerem rigor e garantia da conformidade dos requisitos metrológicos dos equipamentos de medição.

O erro e a incerteza associada às medições, dependem da condição dos equipamentos utilizados. Condição, garantida pela manutenção, que de acordo com a norma europeia EN 13306, é “a combinação de todas as ações técnicas, administrativas e de gestão durante o ciclo de vida de um bem, destinadas a mantê-lo ou repô-lo num estado em que possa cumprir a função requerida”.

ENSAIO DE UM DESFIBRILHADOR NO HSM

Os modelos de manutenção tradicionais assumem a natureza corretiva e preventiva, aquela tão reduzida quanto possível e esta planeada de forma sistemática ou executada de acordo com a condição dos ativos em causa. Nos hospitais, é prática corrente a contratação da manutenção, com relevo para um modelo integrando a manutenção preventiva com a corretiva, podendo incluir o ensaio dos equipamentos. A situação gerada pelos Sistemas de Qualidade adotados e as exigências das auditorias, denunciaram a inutilidade dos relatórios de

ensaio elaborados no âmbito dos modelos tradicionais de manutenção. Efetivamente, a certificação de ensaios e calibração de equipamentos só é admissível por entidades acreditadas para o efeito pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC). Por outro lado, constatamos que grande parte do equipamento médico é compacto, com falhas e avarias típicas, sujeitos a planos de trabalho que não vão além da inspeção e com custos de manutenção tradicional contratada relevantes. Estas duas questões e a importância da rastreabilidade das medições na qualidade final dos serviços de saúde prestados, conduziu ao desenvolvimento da atividade metrológica sistemática na manutenção dos ativos de saúde. Esta metodologia teve início no Centro Hospitalar Lisboa Norte - Hospital de Santa Maria, com a contratação em 2015 do ensaio e calibração de 238 equipamentos, encontrando-se em 2022 neste modelo de manutenção 1214 equipamentos. Salienta-se que a redução de custos foi significativa face ao modelo tradicional de manutenção, com redução de cerca de 50% para monitores e oxímetros, 20% para eletrobisturis e desfibrilhadores, entre outros. A complexidade da atividade clínica cresce com as tecnologias envolvidas e cresce o risco clínico com as decisões cada vez mais dependentes de medições. A atividade metrológica na saúde é um fator de minimização do risco clínico, pelo que a sua integração na manutenção e o desenvolvimento de uma metodologia de manutenção baseada no ensaio e na calibração, tem vantagens na fiabilidade dos equipamentos e nos custos da sua manutenção, relativamente aos modelos tradicionais, entendidos os erros de medição como falhas resolvidas no ensaio e na calibração. Por outro lado, importa ter em consideração que a participação da manutenção nos processos de acreditação e certificação, gera fluxos de informação elevados com os serviços clínico, só exequíveis em papel com elevados custos de mão de obra ou, em alternativa, com a transição digital aplicada à gestão de ativos das instituições prestadoras de cuidados de saúde. ▪

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PONTOS DE VISTA BREVES

Worten dá um Super Boom ao Worten Game Stage

Brisa Beach Party O verão de 2022 traz de volta a Brisa Beach Party, a maior Beach Party da Europa, que no primeiro fim de semana de julho vai reunir em Matosinhos os nomes grandes da dance scene mundial. Dias 1, 2 e 3 de julho, todos os amantes da EDM vão rumar à Praia do Aterro Norte, em Leça da Palmeira, Matosinhos, para celebrar o regresso do Festival, tão aguardado, ano após ano. São mais de duas dezenas de DJs no cartaz da edição deste ano: a nova promessa que chega da Escócia, KC Lights, produtor e DJ que se tem destacado nos últimos tempos pelas suas produções house;

um dos nomes cimeiros da eletrónica ‘made in Brasil’, Chapeleiro; e sem esquecer o contributo dos acts nacionais, representado pelos Karetus e Kevu, ambos os projetos já bem conhecidos do público da Brisa Beach Party. Este festival apresenta-se como uma das opções dedicadas aos fãs de música eletrónica em Portugal, com um cartaz a trazer alguns dos maiores nomes da música mundial ao nosso país. Dimitri Vegas & Like Mike, Martin Garrix e Armin Van Bureen são os headliners desta autêntica festa que promete fazer-nos tirar os pés da areia.

António Variações vai regressar aos palcos em holograma António Variações foi um dos grandes artistas portugueses que revolucionou não só a música nacional, mas também a própria sociedade graças à sua atitude confiante e visuais irreverentes, numa altura em que as mentalidades ainda não eram tão abertas à diferença. Morreu em 1984 e quatro décadas depois, continua a ser um ícone intemporal. A 5 de julho, o artista volta aos palcos em versão holograma, com uma atuação no Capitólio, em Lisboa. Será acompanhado por Sérgio Praia, ator que o interpreta no filme “Variações”, juntamente com a banda que tocou os temas. No repertório não podiam faltar alguns dos principais êxitos do artista como “A Canção do Engate” O concerto irá depois tornar-se num filme-concerto, cujas imagens serão recolhidas pelo próprio público com a ajuda de um telemóvel Samsung Galaxy S22, aparelho que vai conseguir captar perfeitamente o holograma de António Variações. Os bilhetes para o espetáculo custam 10 euros e o concerto começa por volta das 21 horas.

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Marca está no Rock in Rio Lisboa 2022, com ativações e muito conteúdo • De regresso ao Rock in Rio Lisboa 2022, Worten ativa o seu palco de gaming com um super BOOM, em que mistura jogos, entretenimento e, claro, conteúdos relevantes para os fãs • Worten Game Stage recebe, nos dias 18, 19, 25 e 26 de junho, a partir das 16h30, uma competição de Super MarioKart com karts reais, que será transmitida live no canal de Twitch Worten Game Ring e nas restantes redes sociais da Worten • Uma ativação que promete elevar o gaming a outro nível e levar muita animação ao Worten Game Stage • Streamer MoraisHD será o host digital de serviço e terá um papel de dínamo das ativações da marca em palco (e fora dele) • Mas há mais: Worten Game Ring Cosplayer Arcades vão circular pelo recinto com jogos de arcade portáteis, para desafiar o público, que poderá ganhar vários prémios-surpresa • Presença da Worten neste festival assinalada ainda por uma loja, localizada junto ao Worten Game Stage, com muitas oportunidades em termos de produtos, aos melhores preços, e garantia de entregas rápidas em casa Já todos sabem que a Worten está de regresso à Cidade do Rock com o gaming, um dos eixos de ativação mais importantes e emblemáticos da marca. Este ano, a presença é feita através do Worten Game Stage, que recebe, diariamente, a mais variada programação ligada, claro, ao gaming. O destaque vai, sem dúvida, para o horário das 16h30, com a ativação MarioKart BOOM, que vai invadir o palco para desafiar o público a jogar Super Mariokart 8 na Nintendo Switch, mas num formato “agitado”. Literalmente. Em palco vão estar dois karts, acompanhados de dois promotores caracterizados com cor croma. Cada jogador vai estar no seu kart, enquanto joga, e os cromas vão acompanhar os movimentos nos ecrãs, para que os karts reais façam o mesmo movimento que os karts do jogo. Os jogadores podem ainda ativar BOOMs, para boicotar os seus adversários com tartes de chantilly ou latas de fumo. O vencedor de cada jogo ganha um desconto de 50%, na marca Nintendo, para utilizar, no próprio dia, na loja que a Worten vai ter no Game Square do Rock in Rio, mesmo junto ao Worten Game Stage.