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Pontos de Vista

Nº 104 | AGOSTO 2021 (MENSAL) | 4 Euros (CONT.)

CONTACT CENTERS

em tempos de Pandemia

CRUZ VILAÇA ADVOGADOS em Destaque

LETÍCIA SOARES,

Country Manager em Portugal da WEALINS, em grande entrevista

Associate Director da Blacktower Financial Management Group

O Rosto por detrás do Sucesso

FOTO: DIANA QUINTELA

Manuela Robinson


PONTOS DE VISTA SUMÁRIO

FICHA TÉCNICA Propriedade, Administração e Autor Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda. Administração | Redação Departamento Gráfico Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal Sede da entidade proprietária: Rua Oriental nrº. 1652 - 1660, 4455-518 Perafita Matosinhos

TEMA DE CAPA

22 A 27 ENTREVISTA

MANUELA ROBINSON, ASSOCIATE DIRECTOR DA BLACKTOWER FINANCIAL MANAGEMENT GROUP, E AS RAZÕES PARA UMA LIDERANÇA NO SETOR FINANCEIRO COM MAIS DE TRÊS DÉCADAS.

Outros contactos: +351 220 926 877/78/79/80 E-mail: geral@pontosdevista.pt redacao@pontosdevista.pt www.pontosdevista.pt www.facebook.com/pontosdevista Impressão Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas Distribuição Nacional | Periodicidade Mensal Registo ERC nº 126093 | NIF: 509236448 | ISSN: 2182-3197 | Dep. Legal: 374222/14 DIRETOR: Jorge Antunes EDITOR: Ricardo Andrade Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS: Ricardo Andrade Beatriz Quintal PAGINAÇÃO: Mónica Fonseca

SAÚDE E BEM ESTAR

6A7 RITA HORTA, COUNTRY MANAGER DA DANONE NUTRICIA PORTUGAL, E A IMPORTÂNCIA DE RECORRER A SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS.

GESTÃO DE COMUNICAÇÃO: João Soares FOTOGRAFIA: Diana Quintela www.dianaquintela.com Rui Bandeira www.ruibandeirafotografia.com Tiragem: 10.000 exemplares Detentores do Capital Social: Jorge Fernando de Oliveira Antunes: 100% Assinaturas Para assinar ligue +351 22 092 68 79 ou envie o seu pedido para: Autor Horizonte de Palavras – Edições Unipessoal, Lda Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal E-mail: assinaturas@pontosdevista.pt

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ALBERTO NAVIA, DIRETOR GERAL DA VIATRIS PORTUGAL, REVELA AS RAZÕES QUE LEVAM A MARCA A SER O PILAR DA QUALIDADE DE VIDA DOS DOENTES.

Preço de capa: 4,00 euros (Cont.)

Assinatura anual (11 edições): Portugal Continental: 44 euros

Editorial A Revista Pontos de Vista apresenta-se como uma publicação editada pela empresa de comunicação empresarial Horizonte de Palavras, sendo de frequência mensal, assume-se como um meio de comunicação que pretende elevar as potencialidades do tecido empresarial em Portugal. Assumimos o compromisso de promover paradigmas práticos e autênticos do que de melhor existe em Portugal, contribuindo decisivamente para a sua vasta difusão.

Os artigos nesta publicação são da responsabilidade dos seus autores e não expressam necessariamente a opinião do editor. Reservados todos os direitos, proibida a reprodução, total ou parcial, seja por fotocópia ou por qualquer outro processo, sem prévia autorização do editor. A paginação é efetuada de acordo com os interesses editoriais e técnicos da revista, exceto nos anúncios com a localização obrigatória paga. O editor não se responsabiliza pelas inserções com erros, lapsos ou omissões que sejam imputáveis aos anunciantes. Quaisquer erros ou omissões nos conteúdos, não são da responsabilidade do editor.

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MULHERES LÍDERES EM PORTUGAL QUE MARCAM A DIFERENÇA DIARIAMENTE. CONHEÇA EXEMPLOS DE MULHERES QUE “EMPRESTAM” EMOÇÃO, TRANQUILIDADE E SEGURANÇA NA SUA LIDERANÇA.


PONTOS DE VISTA SUMÁRIO

PORTUGAL COMO PAÍS DE ELEIÇÃO PARA VIVER E APOSTAR

58 A 61 LETÍCIA SOARES, COUNTRY MANAGER PORTUGAL DA WEALINS, UMA COMPANHIA DE SEGUROS QUE INOVA, DESENVOLVE NOVAS SOLUÇÕES E ENCONTRA O EQUILÍBRIO ENTRE A DIGITALIZAÇÃO E AS RELAÇÕES HUMANAS.

80 A 81 52 A 55

CONHEÇA PORQUE A SUSTENTABILIDADE É PARA A CLIMEX UMA PRÁTICA DIÁRIA NAS VÁRIAS VERTENTES”. SARA HIPÓLITO, DIRETORA DE MARKETING, INNOVATION & TRAINING DA MARCA, REVELA TUDO.

MARIA JOÃO DE FIGUEIREDO, É O ROSTO POR DETRÁS DESTA EMPRESA, A CIPHRA – CONTABILIDADE, GESTÃO E RECURSOS HUMANOS. CONHEÇA MAIS DE UMA MARCA QUE TEM VINDO A CONQUISTAR O MERCADO PORTUGUÊS.

89 A 91 86 A 88

ANTÓNIO FERREIRA DOS SANTOS, INSPETOR-GERAL DA INSPEÇÃO-GERAL DE FINANÇAS – AUTORIDADE DE AUDITORIA, ABORDA O TEMA DA CONTRATAÇÃO PÚBLICA.

A ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE CONTACT CENTERS ABORDA A IMPORTÂNCIA DOS CONTACT CENTERS EM TEMPOS DE PANDEMIA. AGOSTO 2021 | 5


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DANONE NUTRICIA PORTUGAL

Foco em disponibilizar e garantir o acesso a Soluções Nutricionais adequadas Quem está ou esteve doente pode não conseguir dar resposta às necessidades nutricionais com a alimentação habitual, por isso é importante recorrer a suplementos nutricionais orais para colmatar estas necessidades. Rita Horta, Country Manager da Danone Nutricia Portugal.

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ala-se cada vez mais de nutrição especializada, tanto para Adultos como no campo da Alimentação Infantil. De que forma a Danone Nutricia Portugal tem fomentado e promovido a importância desta temática? A missão da Danone Nutricia é “Nutrir Todas as Fases da Vida” e, por isso, o nosso foco está em ajudar a disponibilizar e garantir o acesso a soluções nutricionais adequadas aos vários grupos populacionais, desde os bebés saudáveis a bebés com desafios de saúde (alergias, doenças metabólicas entre outras), bem como à camada de população mais velha e pacientes com malnutrição associada à doença. Disponibilizamos para isso produtos nas várias áreas, como Aptamil e Fortimel, com evidência científica, estudos clínicos e composição avançada. Estamos também em contacto e damos suporte aos vários intervenientes, tanto profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos) como sociedades científicas, associações de pacientes e entidades decisoras, para implementar protocolos de tratamento, dar educação relativa aos benefícios dos vários produtos e interagir com outros intervenientes no sentido de aumentar a acessibilidade deste tipo de nutrição, tão impactante na vida de muitos pacientes. Quais os motivos pelos quais os suplementos nutricionais orais se têm tornado cada vez mais reconhecidos como um aspeto central no contexto da COVID-19? Doentes com polipatologia, com o sistema imunitário comprometido e/ou com malnutrição associada, são os que apresentam piores resultados clínicos e maior mortalidade associada. No seguimento do descrito foram criadas orientações Europeias precisas, referentes à gestão nutricional de doentes com COVID-19 pela ESPEN (Sociedade Europeia para a Nutrição Clínica e Metabolismo), e publicada uma norma da DGS em Portugal que visa a implementação das mesmas. Esta orientação prática, foca-se na prevenção e tratamento da malnutrição associada à COVID-19 no âmbito de Unidades de Cuidados Intensivos, ou na presença de idade avançada e polipatologia, uma vez que são os que apresentam um maior risco de malnutrição. A malnutrição associada à COVID-19, revela-se como um fator de risco independente no aumento da mortalidade.

RITA HORTA

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A Danone Nutricia Portugal trabalha diariamente, com médicos e profissionais de saúde, para juntos proporcionarem um melhor cuidado, sendo que os Su-


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plementos Nutricionais Orais fazem parte dos muitos temas a serem realçados. Para melhor entender, como nos pode descrever a importância dos mesmos no combate à malnutrição relacionada com doença? O papel da Nutrição Clínica é essencial na gestão da malnutrição associada à doença, tendo por isso um papel chave na recuperação das doenças, como por exemplo o cancro, AVC, COVID-19, doenças inflamatórias do intestino, entre muitas outras, aumentando a qualidade de vida e a sobrevivência dos doentes. Grande parte dos protocolos internacionais e nacionais de tratamento de doenças ou condições clínicas, como é o caso da oncologia, COVID-19, disfagia e internamento em UCI, inclui recomendação de uso da alimentação entérica e, nomeadamente, os suplementos nutricionais orais. Por exemplo, num doente oncológico é muito importante o uso deste tipo de alimentos, desde uma fase precoce da doença, para prevenir a perda de peso resultante do estado catabólico em que se encontra o organismo. Ao reforçarem o seu estado nutricional numa fase precoce da doença, os doentes vão conseguir suportar melhor os tratamentos, como a quimioterapia e radioterapia, impactando assim positivamente na sobrevivência destas pessoas. Em termos de recomendação e utilização dos suplementos nutricionais orais o que corre bem e o que falta fazer em Portugal? Neste último ano esta categoria tem crescido bastante e vemos um aumento substancial da sua relevância, potenciada pelo trabalho feito em termos de educação dos vários intervenientes, sensibilização junto dos doentes e acessibilidade aos produtos por parte da indústria. No entanto, ao contrário do que se passa noutros países europeus, em Portugal não existe comparticipação dos alimentos para fins medicinais específicos, que têm de ser usados para garantir

a correta nutrição em doentes que apresentam determinada condição ou doença. Acabam por estar apenas disponíveis para quem tem capacidade financeira para os adquirir. A falta de equidade no acesso à suplementação nutricional oral especializada faz com que haja vários doentes que não estejam a beneficiar do melhor tratamento para a sua condição clínica. A comparticipação destes produtos viria colmatar a equidade no acesso aos mesmos, impactar positivamente os resultados clínicos dos doentes e, contribuir para a redução dos custos do nosso sistema de saúde, uma vez que a malnutrição devido à doença, impacta muitas vezes o tempo de recuperação e leva a readmissões hospitalares, que poderiam ser evitadas Qual a posição da Danone Nutricia neste mercado? A Danone Nutricia é líder de mercado nesta categoria com marcas de referência como o Fortimel. Temos os nossos produtos disponíveis em meio Hospitalar, Farmácia e Parafarmácia. O facto da Danone Nutricia ser a 1ª empresa em Portugal a juntar debaixo da mesma gestão local o portfólio de alimentação infantil e nutrição clínica, permite-nos oferecer um portfólio e serviço mais abrangentes e completos, com respostas científicas inovadoras. Vários são os produtos que a Danone Nutricia Portugal oferece e, neste caso, o Fortimel traz vantagens comprovadas, com melhores resultados clínicos. Em que momento podemos optar por este Suplemento Nutricional? Fortimel é um suplemento nutricional oral indicado para a gestão nutricional de doentes malnutridos ou com risco de malnutrição associada à doença. Destaca-se por ter algumas gamas únicas no mercado como Fortimel Compact Protein Sabores Sensoriais, desenvolvido para doentes

oncológicos com alterações de paladar. Produto único e muito relevante, dado que 70% dos doentes oncológicos sofrem alterações de paladar e no olfato, na sequência dos tratamentos a que são sujeitos. E Fortimel Advanced, uma fórmula única desenhada para a recuperação funcional dos doentes com eventos agudos como as fraturas da anca ou AVC. O Fortimel Advanced é o único produto com indicação na sarcopenia, doença que se caracteriza pela perda de força e massa muscular. E quais os grandes sucessos que considera terem alcançado nos últimos dois anos, desde que chegou a Portugal e reestruturou a equipa? O maior sucesso é contribuir para crescimento a duplo dígito em Portugal, desta categoria tão importante, tanto junto dos prescritores, como também dos pacientes. Estamos neste momento a lançar uma campanha cujo embaixador é o Júlio Isidro, de 75 anos tendo sido ele próprio um doente COVID-19, agora recuperado. Em relação ao negócio estou muito satisfeita com o processo que liderei de integração de duas empresas em Portugal: a divisão de nutrição clínica e a divisão de nutrição infantil. Passámos a ter um Comité de Direção Local, que já não existia desde 2013. Por outro lado, criámos e reformulámos áreas que não existiam localmente de que é exemplo o Departamento Médico. Também o facto da nova organização resultar de uma junção e reorganização de equipas que antes existiam por separado, obrigou-nos a investir significativamente em formação, de que são exemplos as ações em: Desenvolvimento de equipas de Farmácia, de Direção e de competências digitais a nível transversal. Em dois anos criamos uma equipa local altamente experiente, ágil e motivada para trabalhar categorias e marcas, mas também impactar positivamente a sociedade com uma missão clara. ▪

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“É importante perceber que a EM é uma doença rara e que não tem um só sintoma ou um só meio de diagnóstico” A «voz» a quem sabe! Na procura por um especialista, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Ricardo Soares dos Reis, que abordou em entrevista o tema da Esclerose Múltipla (EM), desmistificando outros assuntos relativos a esta doença neurológica crónica.

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Esclerose Múltipla (EM) é uma doença neurológica crónica de evolução progressiva e incapacitante que afeta o sistema nervoso central. Estima-se que, em Portugal, esta doença atinja cerca de 60 indivíduos em cada 100 mil habitantes. Como nos pode descrever a evolução que a EM tem tido em Portugal, no que diz respeito ao conhecimento e suas consequências? Na realidade, as estimativas mais recentes apontam para mais de 80 pessoas com EM/100.000 habitantes, quando no início da década passada estaríamos a falar de 40-60/100.000. Este aumento deve-se, na minha opinião, ao diagnóstico cada vez mais precoce, facilitado pelo acesso a neurologista e a ressonância magnética, assim como critérios de diagnóstico mais precisos, que têm vindo a ser publicados internacionalmente nos últimos anos. Assim, diria que o conhecimento relativamente à doença, quer dos médicos, quer dos doentes tem vindo a aumentar. Este maior conhecimento da doença e dos seus critérios de diagnóstico poderá ajudar ao seu diagnóstico mais preciso e mais precoce. Considera que, em Portugal, a inovação para avançar no tratamento da EM e melhorar a eficácia dos resultados para os doentes é uma realidade? O que se tem vindo a fazer neste âmbito? Em Portugal temos, neste momento, acesso à maior parte dos tratamentos aprovados a nível mundial para a EM. Alguns dos medicamentos mais recentes estão ainda em processo de avaliação pelo INFARMED, do qual se espera con-

PERFIL

RICARDO SOARES DOS REIS

NEUROLOGISTA, CENTRO HOSPITALAR UNIVERSITÁRIO DE SÃO JOÃO ASSISTENTE CONVIDADO, DEPARTAMENTO DE NEUROCIÊNCIAS CLÍNICAS E SAÚDE MENTAL, FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DO PORTO

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clusão em breve. Desta forma diria que temos acesso a toda a inovação nesta área, o que se reflete numa elevada taxa de tratamento dos doentes em Portugal. Existem também vários grupos de investigação em Portugal a trabalhar nesta temática, do ponto de vista de caraterização da doença e do impacto de algumas terapêuticas, o que também é vantajoso para o melhor conhecimento da EM e acompanhamento dos doentes. A prevenção e o diagnóstico precoce são duas poderosas ferramentas no combate a diversas doenças e a EM não é exceção. Assim, quando se deve recorrer a exames de diagnóstico? Neste caso, qual é a ligação de um diagnóstico precoce na eficácia dos tratamentos? É importante perceber que a EM é uma doença rara e que não tem um só sintoma ou um só meio de diagnóstico. É uma doença que deve ser diagnosticada por Neurologista, idealmente com experiência nessa área específica, auxiliado de vários exames complementares: ressonância magnética, estudos do sangue e do líquido cefalorraquidiano e exames neurofisiológicos. Na suspeita de EM levantada por médico ou doente, deve ser procurada observação por neurologista que decidirá os meios de diagnóstico mais adequados. O diagnóstico precoce é importante já que permite o acompanhamento do doente desde cedo e a introdução, se indicada, de terapêutica dirigida à doença com o objetivo de reduzir a incapacidade por ela gerada tanto a curto como a longo prazo. Embora ainda não haja certezas relativamente ao impacto da introdução precoce de tratamento mais eficaz, a generalidade dos dados disponíveis até ao momento sugerem que quanto mais eficaz e mais precoce for o tratamento, menor o risco de progredir em termos de incapacidade. Sabemos que os sintomas divergem de pessoa para pessoa, contudo, de forma geral, que sintomas diria que podem servir como um alerta? Mais uma vez, a EM é uma doença rara e deve ser diagnosticada por Neurologista. Muitos dos sintomas mais frequentes (visão dupla, perda de visão num olho, falta de força ou sensibilidade num braço ou numa perna, dificuldade em caminhar) podem aparecer em muitas outras doenças neurológicas e oftalmológicas mais comuns que a EM. De qualquer forma, estes sintomas devem alertar as pessoas a procurarem um médico que, após avaliação, poderá referenciar para avaliação neurológica mais detalhada. Em tempos complexos como o que vivemos atualmente devido à COVID-19, como tem sido realizada a gestão do doente com EM? Que impacto tem tido a pandemia nos mesmos? Não posso falar sobre o país inteiro. No nosso

“DIRIA QUE TEMOS ACESSO A TODA A INOVAÇÃO NESTA ÁREA, O QUE SE REFLETE NUMA ELEVADA TAXA DE TRATAMENTO DOS DOENTES EM PORTUGAL. EXISTEM TAMBÉM VÁRIOS GRUPOS DE INVESTIGAÇÃO EM PORTUGAL A TRABALHAR NESTA TEMÁTICA, DO PONTO DE VISTA DE CARATERIZAÇÃO DA DOENÇA E DO IMPACTO DE ALGUMAS TERAPÊUTICAS, O QUE TAMBÉM É VANTAJOSO PARA O MELHOR CONHECIMENTO DA EM E ACOMPANHAMENTO DOS DOENTES” centro, o impacto da COVID-19 sentiu-se durante o ano de 2020 com a evicção de contactos presenciais e, portanto, muitas das avaliações foram realizadas telefonicamente, quando possível; e a medicação foi fornecida para períodos mais longos, evitando deslocações ao hospital. Existiram também tratamentos cujo calendário foi adaptado, sem perda de eficácia para os doentes. Foi ainda avaliado o início mais tardio de alguns tratamentos que interferem com o risco de COVID-19 ou com a eficácia vacinal, de forma a minimizar os seus riscos. Em 2021, diria que voltámos à quase normalidade, sendo agora o desafio principal gerir o calendário de vacinação de acordo com a medicação que o doente está a fazer. No entanto, a pandemia COVID-19 e o seu impacto não se reflete apenas nos cuidados hospitalares. O isolamento e evicção de atividades no exterior/sociais tem impacto físico e psicológico em todos nós, e os doentes com EM não são exceção. Além disso, baseados nos

doentes que sigo, diria que o acesso a serviços de reabilitação (fisioterapia), tão importante nestes doentes, ficou limitado neste período, quer por menor disponibilidade, quer por receio dos mesmo em frequentar estes serviços. Afirma-se que a capacidade de resposta que existia numa fase pré-pandemia é diferente daquela que existe hoje em dia. Passado todo este tempo, já é possível medir o real impacto da pandemia nos tratamentos dos doentes com EM? Para medirmos esse impacto era importante perceber o que queremos medir: evolução da doença, acesso a tratamentos, acesso a cuidados de saúde, bem-estar físico, bem-estar psicológico entre outros. Todos teremos a nossa impressão de qual foi o impacto mas, tanto quanto sei, não existe nenhum estudo quantitativo que nos possa dar uma avaliação precisa do que se perdeu/ganhou. Na minha impressão, e falando sobre os tratamentos que mencionam na questão, diria que o acesso hoje em dia está equivalente aos níveis pé-pandemia. Provavelmente ocorreram adiamentos, com base em questões de segurança, mas é-me impossível fornecer números. Gostaria de deixar uma mensagem de consciencialização sobre a importância do conhecimento da EM? Apesar de ser uma doença rara, deve ser do conhecimento geral que ela existe. Este diagnóstico tem frequentemente implicações na vida social, familiar, e laboral e acontece, com maior incidência, em indivíduos no pico do seu rendimento (20-40 anos de idade). Nestes casos, é necessária consciencialização de todos aqueles que fazem parte da vida dos doentes de forma que o impacto da doença seja o menor possível. ▪ As declarações do nosso interlocutor refletem as opiniões do mesmo e de forma alguma representam a visão ou opinião do CHUSJ ou da FMUP.

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PATRÍCIA LOPES, PORTADORA DE ESCLEROSE MÚLTIPLA E VOLUNTÁRIA DA SPEM - SOCIEDADE PORTUGUESA DE ESCLEROSE MÚLTIPLA

Esclerose Múltipla:

uma Luta contra o Tempo “Time is Brain” é o nome de uma Campanha que a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) lançou no Dia Mundial do Cérebro, este ano dedicado à doença. Nas redes sociais e na SPEM TV, podemos ver e ouvir o testemunho de pessoas extraordinárias que, com o seu talento (pintura, música, artesanato), procuram cuidar da sua saúde mental.

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stas atividades são, sem dúvida, um reforço positivo, em termos emocionais, para quem tem de viver com uma doença neurológica. Mas, “Tempo é cérebro” tem um significado ainda mais vasto e poderoso quando se fala de Esclerose Múltipla (EM). O termo foi mesmo utilizado pelo neurologista e presidente da Comissão Científica da Sociedade Portuguesa de Neurologia, José Vale, que ilustra assim a importância de um diagnóstico precoce e de um tratamento atempado para travar a progressão da Doença. Apesar dos avanços registados nas duas últimas décadas na divulgação, conhecimento e cuidados de saúde, o que é certo é que a EM continua a ser uma doença desconhecida para uma boa parte da população. E, ao contrário do que muitos (ainda) pensam, não é uma patologia dos ossos ou das articulações. É uma doença crónica e inflamatória do sistema nervoso central - constituído pelo cérebro e pela medula espinhal e responsável pelo controle de todas as nossas funções motoras, sensoriais e cognitivas. Quando se tem EM, não há, portanto, uma adequada comunicação entre o cérebro e o corpo, o que leva a que esta doença seja, em muitos casos, incapacitante. Não tem cura, é degenerativa e impossível de prever. Por outro lado, a EM é também a doen-

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ça das mil caras, ou seja, manifesta-se de diferentes formas em diferentes indivíduos, pelo que é normal dizer que cada um tem a sua. Dor, fadiga, alterações motoras, dormência, depressão, dificuldades cognitivas, incontinência. Esta diversidade de sintomas, muitas vezes comum a outras doenças, é com frequência desvalorizada por portadores e médicos, o que dificulta um diagnóstico atempado. O doente pode demorar, em média, até nove meses, até ser encaminhado para um neurologista. No meu caso, por exemplo, foi um ano e meio. Ora, isto significa uma perda de tempo. É que, apesar de não haver cura para a EM, hoje estão disponíveis fármacos que são modificadores da doença, podendo atrasar a sua progressão e, como tal, reduzindo a incapacidade e os défices cognitivos dos pacientes, a longo prazo. E não é por acaso que a primeira das 15 recomendações do Consenso Estratégico Nacional para a EM1 aponta para a promoção da formação “para os profissionais de saúde, em especial Médicos de Medicina Geral e Familiar, Oftalmologia e Ortopedia”. Mas não só. No documento, salienta-se igualmente que é importante prestar mais e melhor informação junto dos doentes, dos familiares, dos cuidadores e dos empregadores. ▪

E PORQUÊ Porque os espeEMPREGADORES? cialistas que chegaram a este Consenso consideram imperioso combater o estigma e a discriminação em contexto laboral. Em Portugal, há mais de oito mil portadores de EM. No mundo são cerca de 2.800 mil. A cada cinco minutos, uma pessoa é diagnosticada. E cada portador é um rosto da EM, com incapacidades e sintomas muitas vezes invisíveis. Por isso, é preciso que toda a sociedade aprenda, entenda e não discrimine!

1 O Consenso Estratégico Nacional para a Esclerose Múltipla, editado em 2020, juntou mais de 20 peritos e entidades relevantes para a gestão da doença, como a SPEM. É uma publicação do Instituto de Ciência da Saúde da Universidade Católica e foi coordenada pelo prof. Henrique Lopes.


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HIPÓLITO NZWALO, MEMBRO DA COMISSÃO CIENTÍFICA DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE AVC FACULDADE DE MEDICINA E CIÊNCIAS BIOMÉDICAS, UNIVERSIDADE DO ALGARVE UNIDADE DE AVC, CENTRO HOSPITALAR UNIVERSITÁRIO DO ALGARVE

Dia Mundial do Cérebro:

A importância de controlar os fatores de risco cerebrovascular O Dia Mundial do Cérebro, uma iniciativa da Federação Mundial de Neurologia, comemora-se anualmente no dia 22 de Julho. Este ano foi dedicado à Esclerose Múltipla, doença inflamatória do sistema nervoso central, que afeta mais de 2.8 milhões de pessoas a nível mundial. O contributo dos fatores de risco cerebrovascular no prognóstico da esclerose múltipla vem sendo progressivamente demonstrado.

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al como para a prevenção primária ou secundária do AVC, o tratamento adequado da hipertensão arterial, diabetes, a redução do peso, o exercício físico adequado e a cessação tabágica são de importância determinante para os doentes com esclerose múltipla. Um bom controlo destes fatores de risco está associado a redução da inflamação e da ocorrência de surtos ou agudizações nos doentes com esclerose múltipla. Contudo, importa realçar que, independentemente da presença dos tradicionais fatores de risco vascular, em indivíduos com mais de 40 anos, a

“ENTRE OUTROS, OS DOENTES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA DEVEM AVALIAR REGULARMENTE A SUA TENSÃO ARTERIAL, TER PELO MENOS 150 MINUTOS DE ATIVIDADE FÍSICA MODERADA SEMANAL, ADOTAR UMA ALIMENTAÇÃO EQUILIBRADA E, QUANDO INDICADO, CUMPRIR COM O TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO, DIABETES OU DISLIPIDÉMIA. O CÉREBRO AGRADECE, CONTRIBUI PARA O CONTROLO DA ESCLEROSE MÚLTIPLA E AJUDA A PREVENIR O AVC”

esclerose múltipla está associada a um risco maior de ocorrência do AVC. Numa meta-análise de nove estudos com cerca de 380 mil participantes, concluiu-se que em comparação com adultos do mesmo grupo etário, os doentes com esclerose múltipla tinham pelo menos o dobro do risco de sofrer um AVC num ano. Assim, sendo verdade que a promoção de estilos de vida saudáveis é uma arma universal para promoção da saúde do cérebro, pelo crescente aumento da sobrevida em qualidade dos doentes com esclerose múltipla, é fundamental uma atenção maior na prevenção primária de complicações vasculares, com particular enfase no AVC. Entre outros, os doentes com esclerose múltipla devem avaliar regularmente a sua tensão arterial, ter pelo menos 150 minutos de atividade física moderada semanal, adotar uma alimentação equilibrada e, quando indicado, cumprir com o tratamento da hipertensão, diabetes ou dislipidémia. O cérebro agradece, contribui para o controlo da esclerose múltipla e ajuda a prevenir o AVC. ▪

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VIATRIS

O Pilar da Qualidade de Vida dos Doentes Enquanto farmacêutica líder em Portugal – e presente em mais de 165 países e territórios – a grande vantagem da Viatris é, não só a dimensão do seu portefólio diversificado e diferenciado, mas também “porque se destina a tratar 10 das 10 principais causas de morte listadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”. Quem o garante é Alberto Navia, Diretor Geral desta empresa que hoje se orgulha do seu posicionamento no mercado global.

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ALBERTO NAVIA

Viatris é uma empresa global sendo que, em Portugal, é a uma marca farmacêutica líder, que trabalha para capacitar as pessoas em todo o mundo a viverem de forma saudável em todas as fases da vida, fornecendo soluções sustentáveis de cuidados de saúde. Qual tem vindo a ser o contributo da marca nos vários países onde atua e, especificamente, em Portugal? A Viatris está presente em mais de 165 países e territórios com um portefólio diversificado e diferenciado, que nos posiciona como um elemento chave para satisfazer as necessidades de saúde em evolução no mundo. Em Portugal, temos um portefólio de mais de 400 produtos compostos por medicamentos essenciais para os cidadãos, várias marcas icónicas indicadas para patologias agudas e crónicas, muitos destes essenciais, medicamentos genéricos, medicamentos biossimilares e medicamentos não sujeitos a receita médica. A Viatris lidera ainda as

abordagens nacionais de prevenção em Saúde, através da vacina contra a gripe. Devido à crença inabalável da Viatris de que um melhor acesso leva a uma saúde melhor, alavancam a v/ expertise de produção e comprovam competências comerciais, para disponibilizar medicamentos de qualidade aos doentes, quando e onde eles precisarem. Na prática, de que forma o concretizam? Como nos pode descrever o panorama no acesso aos tratamentos em Portugal? A sinergia entre a farmácia hospitalar e comunitária é essencial para garantir o acesso a medicamentos e tratamentos de elevada qualidade aos doentes. O acesso informado e atempado ao tratamento adequado garante um aumento da qualidade de vida dos cidadãos. Neste sentido, o mercado farmacêutico ambulatório é fundamental na gestão da doença crónica. Em Portugal, o grupo de empresas Viatris é líder, em unidades e em valor, no mercado farmacêutico de

“ESTAMOS EXTREMAMENTE ORGULHOSOS DO NOSSO POSICIONAMENTO, VISTO QUE REFLETE O NOSSO COMPROMISSO COM OS DOENTES, A CONFIANÇA NOS NOSSOS MEDICAMENTOS POR PARTE DOS MÉDICOS E DOS FARMACÊUTICOS E O RESPEITO POR PARTE DAS FARMÁCIAS COMUNITÁRIAS E ARMAZENISTAS”

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ambulatório. Em 2020, e no mercado de ambulatório nacional, vendemos 431 unidades por minuto o que espelha a confiança nos nossos produtos. Estamos extremamente orgulhosos do nosso posicionamento, visto que reflete o nosso compromisso com os doentes, a confiança nos nossos medicamentos por parte dos médicos e dos farmacêuticos e o respeito por parte das farmácias comunitárias e armazenistas. Numa época em que a população vive tempos complexos provocados pela pandemia da COVID-19, importa abordar temas ligados à saúde mental, como a depressão e a ansiedade. Sendo que a saúde mental é a base do bem-estar geral, qual a importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento destas condições? Podemos afirmar que, em Portugal, se promove o suficiente a saúde mental? Os problemas de saúde mental são uma das principais causas de deficiência nas sociedades atuais e daí a importância de uma promoção e sensibilização que permitam desmitificar temas considerados “tabu”. Portugal tem uma enorme prevalência de problemas de saúde mental, nomeadamente distúrbios de ansiedade e depressão2. A Viatris tem uma forte herança em saúde mental com marcas icónicas e mundialmente reconhecidas. O nosso portefólio atende às necessidades de pessoas que vivem com problemas de saúde mental (como a ansiedade, depressão e fobias a esquizofrenia) e oferece aos profissionais de saúde a solução para ajudar um amplo espectro de doentes a voltar para suas vidas, seus empregos, suas famílias, contribuindo ativamente para o bem-estar das suas comunidades. Também as doenças cardiovasculares têm tido uma forte componente prioritária para a Viatris. Acredita que a inovação que hoje se traduz em eficácia, tem sido um fator determinante e positivo nos tratamentos destas patologias? Que outras recomendações

daria no sentido de prevenir o surgimento das mesmas? As doenças cardiovasculares continuam a ser uma das principais causas de morte em Portugal. A Viatris é uma empresa de referência, na abordagem do risco e das doenças cardiovasculares e metabólicas, sendo a dislipidemia e a hipertensão os dois diagnósticos mais frequentes em doentes de cuidados de saúde primários em Portugal. A formação contínua aos profissionais de saúde por meio de congressos, webinars, entre outros é essencial para garantir uma assistência eficaz aos doentes com hipertensão, diabetes e dislipidemia prevenindo complicações e diminuindo as urgências hospitalares; Oferecemos uma variedade de opções de tratamento em toda a área terapêutica cardiovascular mas acima de tudo, pretendemos sensibilizar os cidadãos para hábitos de vida saudáveis e acompanhamento médico regular.

por parte da marca para o futuro? O objetivo é trabalhar para reforçar a presença da Viatris no mercado nacional. A nossa grande vantagem é o nosso portefólio não só pela sua dimensão, mas também porque se destina a tratar 10 das 10 principais causas de morte listadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Este ano pretendemos introduzir novos medicamentos no mercado nacional que proporcionem uma melhor qualidade de vida aos cidadãos. Encaramos a nossa missão e compromisso como sendo o de contribuir para preencher as necessidades farmacêuticas não satisfeitas por meio da ciência e da inovação. O objetivo é colocar no mercado terapêuticas importantes que ajudem os doentes em todas as fases da vida. Enquanto empresa global de cuidados de saúde qual o compromisso da Viatris para com a

responsabilidade social corporativa? Atuar de forma responsável é fundamental para a missão da Viatris. Por isso, trabalhamos diariamente para promover operações responsáveis ​​ e sustentáveis, reconhecendo que todas as nossas ações afetam os nossos parceiros e as comunidades que servimos. Os nossos esforços para aumentar o acesso à saúde por meio de uma liderança forte e de parcerias estratégicas são essenciais para ajudar a reduzir as barreiras no acesso à saúde de qualidade, com o objetivo de proporcionar um impacto duradouro e positivo nos doentes, famílias e comunidades em todo o mundo. ▪ 1: Source HMR, Portugal, Jan-Dez of 2020 2: Perturbação Mental em Números, Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental https://www.sppsm.org/informemente/guia-essencial-para-jornalistas/perturbacao-mental-em-numeros/ 7/2021/MYLAN/MI/464

Como tem sido o dia a dia da Viatris, no acompanhamento, inovação e investigação de todos os domínios mencionados, tendo como princípio a melhoria da qualidade de vida dos doentes? Somos uma empresa que se dedica a assegurar o acesso a cuidados de saúde por parte de todos os portugueses. Temos o grande objetivo de desenvolver soluções inovadoras e somos motivados em utilizar a experiência, o histórico e o conhecimento, provenientes das duas grandes empresas farmacêuticas que se fundiram, para melhorar os cuidados de saúde aos cidadãos. O nosso posicionamento reflete o compromisso com os doentes, a confiança dos profissionais de saúde e o respeito por parte das farmácias comunitárias e armazenistas. Defendemos ainda políticas que disponibilizam literacia entre a população por forma a alcançar um melhor estado de saúde dos portugueses. Uma vez que a Viatris se encontra numa posição única para melhorar o acesso a medicamentos para pacientes em todo o mundo, o que podemos esperar

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PONTOS DE VISTA SAÚDE

FOTO: NEWSFARMA ®

Desenvolver, Proteger e Promover a Saúde Digestiva

GUILHERME MACEDO

Recentemente eleito Presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, Guilherme Macedo contou-nos que o objetivo para este biénio, entre outros, é reforçar a imagem e o papel do especialista em saúde digestiva, sobretudo pela importância que apresenta na comunidade, e dotar as pessoas de informação imprescindível no que diz respeito à prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de doenças digestivas. Saiba como.

A

Sociedade que representa a especialidade médica e cirúrgica que trata a saúde digestiva dos portugueses tem agora como Presidente Guilherme Macedo. Enquanto médico, professor catedrático e ainda investigador clínico, o nosso entrevistado afirmou que os próximos dois anos espelham uma fase desafiante, tendo em conta a pandemia que os obrigou a reorganizar a prestação de cuidados e a definir prioridades. Por outro lado, acredita ser tempo de os sistemas de saúde público e privado reanalisarem a prestação de cuidados e equilibrarem a res-

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posta à população, investindo e amplificando a prevenção e a promoção de estilos de vida saudáveis. Entre as muitas adversidades conhecidas e provocadas pela pandemia que vivemos a nível mundial, segundo o inquérito realizado pela Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia no âmbito do Mês da saúde digestiva (que se assinala anualmente em junho), 69 por cento dos inquiridos acreditam que o período pandémico esteve na origem de atraso na realização de exames de diagnóstico. Por este motivo é, para Guilherme Macedo, urgente retomar a atividade, con-

tinuar a promover a sensibilização sobre a prevenção e não permitir que a situação atrase o diagnóstico destas doenças, particularmente as do domínio oncológico. “É possível ter, desde já, a perceção e o impacto negativo destes atrasos. Posso dizer que, por exemplo, houve uma redução de 150 mil procedimentos endoscópicos em todo o país durante o ano passado. Isto quer dizer que, em termos de rastreio, o número também diminuiu drasticamente. Mas temos outras constatações... embora no que diz respeito às consultas externas conseguíssemos de alguma forma substitui-las pela teleconsulta, é evidente


PONTOS DE VISTA SAÚDE

PREVENÇÃO, DIAGNÓSTICO PRECOCE E TRATAMENTO DAS DOENÇAS DIGESTIVAS A saúde digestiva ocupa um papel central nas nossas vidas. O aparelho digestivo, cujos órgãos são responsáveis pela absorção, mobilização e integração de nutrientes, é essencial para a sobrevivência humana e a elevada incidência de patologias digestivas junto dos portugueses justifica a seriedade da consciencialização para este tema. Em particular, é de extrema relevância sublinhar a importância do papel do Gastrenterologista na saúde digestiva no seu primeiro pilar fundamental: a prevenção. “De uma forma geral tem havido, ao longo dos anos, uma progressiva perceção pública da importância da identificação e diagnóstico precoce, em particular nos territórios da saúde digestiva. Mas essa crescente perceção ainda não é suficiente e está longe disso. Algo muito importante e que as pessoas deviam entender é a importância do rastreio e que é um pequeno esforço adicional que lhes permite ganhar anos de vida saudável. É um desafio que as nossas campanhas e a nossa capacidade de mobilização inteletual tem de superar e, nesse aspeto, penso que a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia tem sido um esteio decisivo para a melhoria da qualidade de saúde global dos portugueses”, salienta Guilherme Macedo, acrescentando que “1/3 da população portuguesa tem um problema digestivo para resolver, com menos ou mais gravidade, mas não deixa de ser um número muito elevado”. Exatamente para combater esta percentagem é que se deve, imprescindivelmente, assegurar a obtenção de melhores resultados de diagnóstico precoce, melhorando a gestão da saúde e, inclusive, a eficácia dos tratamentos. “É por isso que para nós é muito importante a questão do rastreio e a prevenção, por exemplo, do cancro colorretal por colonoscopia. Só este tipo de endoscopia, que é o nosso braço armado, di-

FOTO: NEWSFARMA ®

que é insubstituível o contacto personalizado entre o médico e o doente, sendo que houve uma redução global nesta área de cerca de 25 por cento no ano passado. Mas estamos a recuperar de todos esses atrasos”, afirma. A recuperar, assim, de meses longos de contratempos, importa agora reformular, reestruturar e olhar para o futuro com planos bem traçados e propósitos claros que vão ao encontro das principais missões da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia: promover o desenvolvimento da área ao serviço da saúde da população portuguesa, estimular a investigação, difundir ideias, desenvolver atividades educacionais, entre outras.

gamos assim, permite identificar uma lesão e, muito melhor do que isso, permite removê-la logo. Temos de reforçar esta mensagem forte de que a melhor estratégia de prevenção é com um procedimento endoscópico. É real, universal e adotada pelos países mais desenvolvidos”, sublinha o Presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia. Cabe a todos os indivíduos estarem atentos a determinados sintomas e, cabe, essencialmente, ao especialista da saúde digestiva ter a perceção do momento e oportunidade de utilização de meios de diagnóstico, sendo que, para Guilherme Macedo, a comunidade médica tem o reflexo certo, “quando há um sintoma ou uma dúvida que sugira um problema digestivo, a acessibilidade ao procedimento endoscópico tem de ser imediata. E neste momento, em Portugal, isso é possível. Não estamos a falar só de rastreio, estamos a falar também de acessibilidade, de diagnóstico e de terapêutica”. RECOMENDAÇÕES INDIVIDUAIS DE PREVENÇÃO A preocupação do ser humano com a saúde tem vindo a aumentar nos últimos anos. A consciência de que os hábitos prejudiciais (vícios comportamentais) devem ser substituídos por hábitos benéficos (virtudes), leva à diminuição do risco de desenvolver doenças digestivas. Segundo o nosso interlocutor, “quanto melhor nos nutrirmos, quanto melhor soubermos descansar e quanto melhor dotarmos o nosso organismo de capacidade física e circulatória, é evidente que estamos a criar condições para que a nossa saúde digestiva seja favorecida. Essencialmente, damos muitas recomendações na área nutricional, ou seja, comer bem, variado, não permitir sobrecarga de peso e ter uma saú-

de física regular - porque podemos garantir que esta encontra-se intimamente ligada a uma boa saúde digestiva”. OS PRÓXIMOS PASSOS DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE GASTRENTEROLOGIA Várias são as iniciativas pensadas e desenvolvidas para o futuro da atividade da Sociedade e, uma delas, passa pela proximidade com a população que assumirá um papel central de interpretar as necessidades da comunidade portuguesa, bem como sublinhar a importância do Gastrenterologista. Sendo uma entidade que tem como objetivo promover a saúde digestiva, a SPG desenvolve campanhas de sensibilização que estão orientadas para diferentes áreas deste domínio. “Temos momentos consagrados para as doenças do fígado, outros mais direcionados para a prevenção contra o cancro colorretal, outros relacionados com as doenças do pâncreas...”, certifica Guilherme Macedo e complementa que “um dos projetos específicos e que já iniciámos este ano tem a ver com a consagração do Mês da saúde digestiva (junho), um período em que abordamos muito especificamente toda a promoção da qualidade da saúde digestiva dos portugueses”. Inerentemente, a Sociedade tem um corpo de especialistas que está disponível para ajudar a população e os decisores políticos a formalizarem opções e a adotarem medidas para o futuro da saúde digestiva. Enquanto Presidente da SPG, Guilherme Macedo assume que é um privilégio poder ter a oportunidade de liderar uma equipa que deve influenciar positivamente a população, alguém que acompanha e apoia, nas diferentes fases da vida, a saúde digestiva dos portugueses. ▪

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PONTOS DE VISTA 70º ANIVERSÁRIO DA SPMI

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PONTOS DE VISTA 70º ANIVERSÁRIO DA SPMI

POR JOÃO ARAÚJO CORREIA, PRESIDENTE DA SPMI

O 27º Congresso Nacional de Medicina Interna assinala o 70º Aniversário da SPMI! Em Vilamoura, de 2 a 5 de Outubro de 2021, pela primeira vez, o Congresso Nacional de MI estará a cargo de um Hospital Privado, o Hospital da Luz de Lisboa, tendo como Presidente do Congresso, Alexandra Bayão Horta.

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maior cuidado da gestão no setor privado, cedo reconheceu aos Internistas a sua eficiência na assistência aos doentes, reduzindo as complicações e o tempo de internamento nos doentes cirúrgicos. Em Portugal, a Medicina Interna deve ao setor privado, o enorme desenvolvimento da sua atividade, na área da Co-Gestão do doente cirúrgico. Mas, a qualidade dos Serviços de Medicina Interna dos Hospitais Privados, tem vindo a impor-se em todo o País, sendo curioso referir ter sido o Hospital da Luz, em 2009, o primeiro a obter idoneidade formativa, concedida pelo Colégio de Especialidade de MI da Ordem dos Médicos, para a formação de Internos de Formação Específica de MI. A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), completa 70 anos de vida a 14 de dezembro de 2021. O 27º CNMI será a grande festa do início das comemorações deste aniversário, que enche de orgulho os Internistas Portugueses! A SPMI é a maior Sociedade Científica Médica Portuguesa, com cerca de 3200 associados, tendo constituídos 21 Núcleos de Estudo, cada um deles agregando Internistas que desenvolvem competências em grupos de patologias ou interesses específicos, que vão desde as Doenças Autoimunes, á Medicina de Urgência, á Diabetes, á Doença VIH, á Insuficiência Cardíaca, á Geriatria, á Medicina Obstétrica, á Doença Vascular Pulmonar, ao AVC, á Doença Respiratória, á Doença Hepática, á Hospitalização Domiciliária, aos Cuidados Paliativos, ao Risco Vascular, ou á Bioética. A Medicina Interna, é a especialidade do doente inteiro. Não só nos órgãos e sistemas e das suas apaixonantes interações, mas também do fundamental componente psicossocial da pessoa. Sem nunca esquecer a família, ou o cuidador diligente, que às vezes está tão envolvido na sua dádiva ao doente, que quase parece estar em processo de adoção. A sólida formação generalista do Internista, com uma longa experiência acumulada no tratamento da doença crónica complexa, confere-lhe a capacidade de resolução dos problemas dos doentes, com recurso ao menor número possível de exames subsidiários, muitas vezes sem necessidade do apoio de quaisquer outros especialistas. Mas, quando a resolução do problema do doente requer

a consultadoria de outra especialidade, ou a realização de uma técnica especifica, sabe orientar o doente de uma maneira precisa. Não o obriga a um périplo desgastante por várias especialidades, com a realização de múltiplos exames, tantas vezes sem resultados úteis para o diagnóstico. O Internista, é o gestor confiável do doente no hospital. É por isso, que acreditamos num Sistema de Saúde racional e seguro, em que seja possível a todos os cidadãos terem um Internista de referência. A SPMI tem feito uma campanha sistemática junto da população para que se perceba o papel da Medicina Interna, como a base confiável do Sistema Nacional de Saúde (SNS), no Hospital. Agora, com a terrível pandemia COVID-19, em que a Medicina Interna foi de longe a Especialidade que mais doentes moderados a graves tratou, e dissiparam-se as dúvidas. Os Internistas são fundamentais para uma resposta estruturada e competente a um problema grave de Saúde Pública, não só porque são os especialistas hospitalares em maior número, mas também porque os doentes mais graves são idosos, com múltiplas doenças e polifarmácia, que só eles sabem tratar. É notório que é necessária uma evolução do Sistema de Saúde, em que os hospitais respondam aos desafios dos dias de hoje, com a Medicina Interna na vanguarda dessa mudança. Podemos enumerar oito objetivos fundamentais: 1 O Hospital do Futuro responderá às necessidades da população e incorporará os novos valores de cidadania. 2 Envelhecimento e multimorbilidade – necessidade de equipas multidisciplinares. 3 Boa acessibilidade, com tempos de resposta adequados às necessidades dos doentes. 4 Cuidados de proximidade - internamento domiciliário e consultas abertas específicas. 5 Participação ativa do doente e dos cuidadores no tratamento. 6 Renovação tecnológica – teleconsulta e telemonitorização. 7 Envolvimento dos médicos hospitalares em campanhas de prevenção da doença e promoção da saúde. 8 Sustentabilidade económica e garantia de equidade no tratamento dos doentes. ▪

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PONTOS DE VISTA SAÚDE

LUIS GARDETE CORREIA, ENDOCRINOLOGISTA, PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO ERNESTO ROMA

Uma história sobre a Diabetes no Centenário da descoberta da Insulina Em 2021, assinalam-se os 100 anos da descoberta da insulina, uma das mais importantes descobertas da História da Medicina. Até 1921, as pessoas com diabetes morriam ao fim de dias, semanas e, em alguns casos, meses.

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"A DIABETES É UMA DOENÇA QUE JÁ ERA DESCRITA NO ANTIGO EGITO. O PAPIRO DE EBERS DATA DE CERCA DE 1550 ANOS A.C. E É O MAIS ANTIGO DOCUMENTO ENCONTRADO ATÉ HOJE, FAZENDO REFERÊNCIA A UMA DOENÇA QUE SE ASSEMELHA À DIABETES"

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stamos a falar, principalmente, da diabetes tipo 1, pois a diabetes tipo 2 tinha pouca expressão à época (a esperança de vida era curta, havia pouca obesidade e a alimentação era mais saudável e comedida). Como é característico da diabetes tipo 1, as pessoas perdiam muito peso, bebiam muita água e ficavam sem forças, obrigando-as a recolher a casa e mesmo à cama. Ao fim de algumas semanas, ficavam completamente desnutridas e num período mais ou menos curto, entravam em coma e acabavam por falecer. A diabetes é uma doença que já era descrita no Antigo Egito. O papiro de Ebers data de cerca de 1550 anos A.C. e é o mais antigo documento encontrado até hoje, fazendo referência a uma doença que se assemelha à diabetes. Durante o séc. XIX, o patologista alemão Paul Langerhans descreveu a anatomia e histologia de formações isoladas e dispersas no seio do pâncreas e denomina-as de ínsulas (de onde deriva o nome da insulina), mais tarde Ilhéus de Langerhans. No início do séc. XX, Eugène Gley, Georg Ludwig Zuelzer, e Nicolae Paulesco demonstraram que, ao se injetar extrato pancreático em cães pancreatectomizados (tornados diabéticos por extração do pâncreas) reduzia-se a glicosúria (açúcar na urina). Foi, no entanto, pouco tempo depois, que os canadianos Frederick Banting e Charles Best, sob a supervisão do escocês John James Rickard Macleod, diretor do laboratório de Fisiologia da Universidade de Toronto, e do bioquímico James Collip, isolaram e obtiveram um extrato com insulina. A 11 de janeiro de 1922, no Hospital Geral de Toronto, Leonard Thompson, um jovem de 14 anos com diabetes, em estado comatoso, recebeu o extrato pancreático produzido por Banting e Best e recuperou, em dias, para a vida. Leonard Thompson é considerado a primeira pessoa com diabetes a ser tratada com sucesso com insulina.

Por este feito, em 1923, Banting e Macleod receberam o Prémio Nobel em Fisiologia ou Medicina pela descoberta da insulina. No contexto português o destaque vai para o médico Ernesto Roma que, em 1926, cinco anos depois da descoberta da insulina, fundou a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, a primeira associação criada no mundo para apoiar as pessoas com diabetes. Roma criou uma escola de formação de pessoas com diabetes para melhor gerirem a doença e, também, um centro de formação de técnicos de saúde naquela especialidade, que perdura até hoje como uma clínica modelar nos cuidados às pessoas com diabetes. Para assinalar as comemorações dos 100 anos da descoberta da insulina, constituiu-se uma Comissão Executiva das Comemorações do Centenário da Descoberta da Insulina, com três elementos que acompanharam mais de meio século da história da insulina, José Luís Medina, endocrinologista e Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Medicina do Porto, Manuel Almeida Ruas, endocrinologista, Fundador e Ex-Diretor do Serviço de Endocrinologia dos Hospitais Universitários de Coimbra, e eu próprio. Organizámos uma exposição itinerante que se encontra a percorrer as diferentes Faculdades médicas do país. Já esteve na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. No próximo ano letivo poderá ser visitada na Universidade do Minho, na Universidade da Madeira e na NOVA Medical School, entre outras paragens ainda por programar. Com estas comemorações e com esta exposição em particular, pretendemos manifestar o nosso apreço pelos investigadores de todo o mundo, pelo seu contributo para que a diabetes seja combatida com sucesso. ▪


PONTOS DE VISTA BREVES

GATOS E CÃES VOLTAM A SER PROTAGONISTAS NO VERÃO DA ROYAL CANIN Esta é já a quinta edição desta iniciativa que tem como objetivo encontrar a melhor fotografia do verão de um gato e de um cão através do hashtag #GatoeCãodoVerão21. Entre todos os participantes, serão escolhidos dois vencedores, que terão direito a um ano de alimentação gratuita da Royal Canin. Além disso, os utilizadores registados na página My Royal Canin terão direito a mais um ano de alimentação da marca, obtendo um total de até dois anos de produto gratuito. Para participar no passatempo, os tutores terão de seguir a página @RoyalCanin_PT no Instagram e publicar aquela que consideram ser a melhor fotografia do seu animal de estimação (poderá ser até mais do que uma) usando o hashtag da campanha #GatoeCãodoVerão21. Pode participar até dia 5 de setembro, altura em que um júri selecionado pela Royal Canin irá decidir quais serão o gato e o cão vencedores deste ano. Os vencedores serão anunciados a partir de dia 20 de setembro, nas redes sociais da marca e respetivo site.

RENTING É A OPÇÃO MAIS COMPETITIVA E VANTAJOSA

PARA QUEM QUER TROCAR DE CARRO

DECO PROTESTE REVELA QUE DOIS EM CADA DEZ PORTUGUESES NÃO IRÁ DE FÉRIAS A DECO PROTESTE, organização de defesa do consumidor, criou um inquérito online, para perceber as escolhas dos portugueses no momento de marcar as férias de verão. Os resultados apurados confirmam que a maioria irá descansar em Portugal. Cerca de 20% ainda não decidiu e dois em cada dez portugueses não irá sair de casa. Portugal é o destino de eleição para as próximas férias de verão, sendo que o litoral irá receber perto de 40% dos portugueses que tencionam ficar em território nacional. As zonas serranas e rurais são a escolha de dois em cada dez portugueses e perto de oito por cento irá viajar dentro do País, para visitar cidades de norte a sul de Portugal. Perto de um quarto dos portugueses revelam não ter planos para o verão e 20% vai ficar em casa. Apenas 6%, sobretudo população jovem dos 25 aos 39 anos, planeia viajar para o estrangeiro. O estudo da DECO PROTESTE foi realizado a 1002 portugueses.

Um estudo divulgado recentemente revela que o renting é a opção mais vantajosa para quem quer trocar de carro. O estudo “Vários caminhos para a Mesma Viagem” – Compra, Leasing ou Renting? desenvolvido pela equipa de consultoria da LeasePlan, concluiu que o renting é 16% mais competitivo de que a compra para particulares, já para as empresas, onde se compara também o leasing, o renting surge também vencedor sendo 22% mais barato que a compra e 21% mais barato que o leasing. Estas são as conclusões do estudo “Vários cami-

nhos para a Mesma Viagem” – Compra, Leasing ou Renting?, um exercício que analisou os custos de utilização e que permitiu descrever cada modelo de gestão/aquisição - Compra, leasing ou renting -, desmistificando não só os elementos a ter em conta para uma efetiva comparação financeira entre os diversos modelos, mas sobretudo mostrando as vantagens e desvantagens de cada modelo de gestão. Esta análise veio confirmar que o renting é o modelo de gestão onde os custos totais de utilização são menores, tanto para clientes particulares como empresas.

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“NÓS VIVEMOS MUITO OS CLIENTES, CONHECEMO-LOS BEM E TENTAMOS AO MÁXIMO USAR A NOSSA “REDE” PARA “SERVIR”, PROPORCIONAR SINERGIAS ENTRE ELES E ACRESCENTAR-LHES VALOR” TIAGO SANTOS PAIVA


PONTOS DE VISTA UNIVERSO CRIATIVO

“Na WSA costumamos dizer que os projetos são de “A a Z + 1” Ao longo de dez anos, a WSA – agência criativa de produção de eventos e Brand Content – passou por várias mudanças. A entrega, o espírito de equipa e a relação com os clientes têm sido os pilares essenciais em todas as etapas. Certo é, estas mudanças impulsionaram-na no mercado e ajudaram a desenvolver e promover novas áreas de atividade em prol do universo criativo. Tiago Santos Paiva, CEO da marca, contou-nos tudo em entrevista.

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WSA é uma agência de produção de eventos e Brand Content, que celebrou dez anos em março de 2020 – mês em que a pandemia se instalou a nível mundial. Como nos pode descrever a evolução da marca ao longo desta década de história? Ao longo de dez anos a marca passou por várias etapas. Começou como uma empresa que apostava em projetos de design e reportagem fotográfica. Quatro anos depois já fazíamos campanhas integradas, seguindo-se a criação de um estúdio de fotografia e vídeo, que nos permitiu investir mais na área da fotografia de produto e de marca. Nos últimos anos, a empresa expandiu-se, integrando agora uma área dedicada à produção de eventos, com uma componente de agenciamento. Dez anos depois, a equipa da WSA está maior, mais sábia – tal como se afirma – e com uma vasta gama de possibilidades e soluções que orgulhosamente oferece aos clientes. Que fatores distinguem os serviços da marca e que projetos têm vindo a ser realizados em nome da mesma? Na WSA costumamos dizer que os projetos são de “A a Z + 1”. Nós vivemos muito os clientes, conhecemo-los bem e tentamos ao máximo usar a nossa “rede” para “servir”, proporcionar sinergias entre eles e acrescentar-lhes valor. Por exemplo, num jantar de apresentação de um automóvel que fizemos para a Caetano Baviera BMW, convidámos a Torres Joalheiro, nosso cliente, que apresentou também um modelo de relógio exclusivo. Convidámos também um Master Sommelier que acabou por trazer com ele um produtor de vinhos. Assim, num jantar de 40 pessoas, estes backgrounds distintos acabaram por gerar interessantes sinergias, resultando que, dos “nossos” convidados, saíssem duas vendas. Não era o nosso trabalho, mas é este “+1” que nos diferencia e fideliza o cliente. O setor que representa a WSA, tal como muitos outros, foi um dos mais afetados pela pandemia. Contudo, a resiliência e persistência desta empresa impulsionou-a a dar a voltar à crise conseguindo, assim, construir um pre-

sente e futuro de sucesso. Qual diria que foi a chave essencial para, neste processo complexo, seguir mais forte do que nunca? Sem dúvida que a chave do sucesso foi a união da equipa e a relação que temos vindo a construir com os clientes. Não houve uma única semana sem que um membro da WSA nos chegasse com uma ideia nova para uma marca. Podíamos inclusivamente não estar a trabalhar essa marca, mas havendo vontade e tempo, arranjávamos sempre algo inovador para apresentar. Também os clientes acreditaram em nós e conseguimos que muitas das marcas com quem “apenas” fazíamos eventos, transitassem também para o Brand Content. Este ano desafiante a todos os níveis mudou a dinâmica da Agência, levando-a a uma reorganização interna. É legítimo afirmar que, neste caso, das adversidades surgiram as oportunidades? Que estratégia resultou desta reorganização? Sem dúvida. Éramos uma empresa que tinha assumidamente três áreas de atuação (Eventos, Brand Content e o Lisboa.Studio) e agora somos uma empresa mais única porque todas as áreas precisam mais umas das outras. Hoje, praticamente não existem Eventos sem a componente de Estúdio/Digital, sendo que o Brand Content, no digital, ainda assume uma preponderância maior. A pandemia trouxe-nos uma micro-gestão ao mês e muitas vezes à semana. O que era verdade numa semana, mudava na seguinte e tínhamos de nos adaptar. Isso obrigatoriamente levou-nos a assumir que alguém teria de estar constantemente focado na estratégia, assim como alguém teria de estar focado no diálogo e descoberta de novos parceiros e fornecedores. Por fim, a direção criativa não poderia ser descurada. Daí surgir uma reorganização no que concerne aos cargos dos sócios: Eu, Tiago Santos Paiva, assumindo a posição de CEO, o Zé Diogo Lucena, a de Diretor Criativo e o Bernardo Villar, a de COO. Enquanto Agência Criativa, de que forma a pandemia e todas as suas controvérsias, vos

permitiu alargar horizontes para ideias futuras? Considera-se hoje uma empresa melhor preparada para qualquer eventualidade? O que a empresa perdeu financeiramente foi inversamente proporcional ao que ganhou em termos de horizontes. Estamos mais visíveis, e todo o investimento em propostas pró-activas, feito na primeira fase da pandemia, está agora a dar frutos. Temos muitos clientes novos e orgulhamo-nos de não ter perdido a confiança dos antigos. A recuperação do mercado tem sido lenta e conturbada, mas queremos acreditar que estamos muito sólidos e bem preparados para, quando o volume de trabalho aumentar, conseguirmos dar uma resposta com qualidade, conhecimento e criatividade, à altura de concorrentes que, antes da pandemia, estariam num patamar diferente. Que projetos estão a ser atualmente planeados e concretizados e que nos possa confidenciar? Neste momento penso que podemos falar de três grandes projectos, e que representam muito bem onde queremos estar. Para a Garcias, uma das maiores distribuidoras de bebidas portuguesas, criámos todo um novo site, com e-commerce, possibilitando uma adaptação às necessidades atuais dos consumidores, e estamos também a desenvolver o rebranding da marca. Para a Tabaqueira, estamos a desenvolver uma ação de sensibilização e responsabilidade ambiental, que irá percorrer o país durante o mês de agosto, visando passar a mensagem de que as praias não são cinzeiros, e que as beatas deverão ser descartadas em locais apropriados. No âmbito da cultura, em apenas três meses, já contamos com mais de 50 atuações de artistas ao vivo, o que muito nos orgulha, estando desde maio a desenvolver pequenos espetáculos de humor no Village Underground e no Teatro Tivoli, entre outros, para que os humoristas possam voltar a testar textos de stand-up em frente a um público. Numa palavra, como caracteriza a WSA? Acho que a palavra que nos caracteriza é: “Entrega”. ▪

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“ATRAVÉS DO NOSSO KNOW-HOW EM GESTÃO DE PATRIMÓNIO, PLANEAMENTO FISCAL E FINANCEIRO, NÃO SÓ ASSEGURAMOS A NOSSA POSIÇÃO DE TOPO, COMO CONSOLIDAMOS UMA RELAÇÃO DE CONFIANÇA COM OS CLIENTES, QUE SÃO A NOSSA PRINCIPAL PRIORIDADE” MANUELA ROBINSON


PONTOS DE VISTA ENTREVISTA

“O nosso foco primordial é garantir aos nossos Clientes Segurança Financeira no Futuro” A razão pela qual a Blacktower Financial Management Group é líder no setor financeiro há 35 anos, é devido ao seu know-how em gestão de património, planeamento fiscal e financeiro que, não só assegura a sua posição na liderança, como consolida uma relação de confiança e transparência com os clientes. Quem o garante é a Associate Director da marca, Manuela Robinson que, entre vários temas, nos confidenciou o sentimento de gratidão e reciprocidade que insiste e persiste desde 2013 – ano em que embarcou nesta aventura que é a BFM.

FOTO: DIANA QUINTELA

FOTO: DIANA QUINTELA

A

Blacktower Financial Management Group nasceu em 1986 para fornecer consultoria independente de gestão de património e um serviço personalizado para clientes individuais e corporativos, sendo que, passado 14 anos, expandiu-se abrindo o seu primeiro escritório no Algarve, em Portugal. Assim, qual tem sido o contributo da marca em Portugal e quais são as áreas/ serviços em que a mesma se distingue? Na Blacktower Financial Management (BFM) o nosso foco primordial é garantir aos nossos clientes segurança financeira no futuro, fornecendo um serviço informado e de excelência na resposta às suas necessidades. Nenhum país se apresenta sem desafios, mas temos que reconhecer que os benefícios de viver e investir em Portugal ultrapassam largamente qualquer obstáculo que se possa impor. Para além do clima, da segurança e do baixo custo de vida, os apoios do governo, nomeadamente através do estatuto de Residentes Não Habituais (RNH) – o qual atribui benefícios fiscais por dez anos consecutivos – garantem uma qualidade de vida aos investidores difícil de igualar fora de Portugal. O país conseguiu uma boa reputação entre os investidores que mobilizam grandes volumes de capitais. Nesse sentido, o nosso papel é precisamente de prestar um serviço de aconselhamento estratégico, pragmático e racional, sempre atentos à complexidade do setor e às expectativas dos investidores. O que nos distingue, e a razão pela qual somos líderes no setor financeiro, é a consideração pelo contexto global, onde a dimensão nacional e internacional se interligam. Através do nosso know-how em gestão de património, planeamento fiscal e financeiro, não só asseguramos a nossa posição de topo, como consolidamos uma relação de confiança com os clientes, que são a nossa principal prioridade.

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PONTOS DE VISTA ENTREVISTA

DA ESQUERDA PARA A DIREITA:

DIANE BRITTAIN, CLAUDIA LEISHER, JOÃO ANDRÉ, MANUELA ROBINSON, SALLY PINTO MARQUES, ANASTASIA FURMIE

“DESDE O INÍCIO DA PANDEMIA, TEMOS TRABALHADO ARDUAMENTE PARA CONTINUAR A ACONSELHAR OS NOSSOS CLIENTES. A PRESTAÇÃO DE TODOS OS NOSSOS SERVIÇOS A UMA ESCALA GLOBAL - CONTINUOU E A PROCURA DE INFORMAÇÃO SOBRE O ESTATUTO DE RESIDENTES NÃO HABITUAIS AUMENTOU NITIDAMENTE” A Blacktower Financial Management (BFM) afirma que qualquer cliente, em qualquer geografia, receberá um serviço que reflete não apenas quem é, mas também onde mora. Na prática, o que significa esta afirmação? Há uma razão pela qual uma das nossas primeiras perguntas é: “onde é residente fiscal”? Onde moramos é também uma grande parte de quem somos, é algo que nos afeta a nível fiscal, cultural e social. Os nossos clientes chegam até nós com expectativas elevadas e procuram um serviço que as reflita, ao mesmo tempo que pretendem tirar o máximo partido do sítio que escolheram para viver. Eu costumo dizer: “It is not just about the nationality, it is mainly about the residency”. É por isso que contamos com escritórios em múltiplas geografias, constituídos por pessoas que, não só têm um conhecimento da região onde atuam, mas também da legislação nacional em vigor. Não nos podemos esquecer que os clientes têm a possibilidade de escolher

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atuar em diversas localizações e/ou mudar a sua residência fiscal e para tal procuram sempre um aconselhamento adaptado às suas escolhas. Tendo a BFM profissionais espalhos pelo mundo fora com o know-how adequado torna-se tudo muito mais fácil para ambas as partes – podemos prestar um serviço flexível e ciente destas várias realidades, e só assim é possível oferecer aos nossos clientes e investidores o “melhor dos dois mundos”. É inevitável falarmos da pandemia da COVID19. Todos conhecemos os efeitos que a mesma tem tido a nível nacional e mundial. Mas olhando para temas como os Residentes Não Habituais, como nos pode descrever o impacto que a mesma tem tido? Desde o início da pandemia, temos trabalhado arduamente para continuar a aconselhar os nossos clientes. A prestação de todos os nossos serviços - a uma escala global - continuou

e a procura de informação sobre o estatuto de Residentes Não Habituais aumentou nitidamente. Esta pandemia obrigou-nos a trabalhar de forma diferente, tem havido um esforço incrível entre os vários stakeholders da BFM que exponenciaram os recursos disponíveis, sem descurar as regras de proteção que se impõem ainda hoje. À semelhança do que já era a nossa prática, mantivemos como prioridade a análise contínua e atenta do mercado, assim como o contato próximo e regular com todos os nossos clientes. E, devo dizer, foi uma dinâmica reconhecida com gratidão pelos nossos clientes e parceiros. De acordo com o Banco de Portugal, a procura nacional e internacional na componente residencial permaneceu sustentada. É legítimo afirmar que os Estrangeiros aproveitaram a pandemia para comprar e investir em força Portugal? Quais os motivos? De acordo com as autoridades portuguesas,


todas as grandes decisões de investimento em Portugal foram confirmadas, isto é, não foram adiadas pela pandemia. Mas decisões inesperadas foram tomadas, depois de a pandemia ter começado. Na componente residencial, a procura manteve-se e existem várias razões que a explicam. Portugal detetou o seu primeiro caso Covid19 a 2 de Março de 2020, um mês mais tarde do que países como a Espanha e a Itália, e 16 dias depois, com 642 casos detetados, declarou Estado de Emergência. Em comparação, Espanha demorou seis semanas a adotar medidas de confinamento, já com um número significativamente superior de casos. A rapidez com que atuamos passou uma imagem de eficiência e seriedade no combate à pandemia que, de certa forma, contribuíram para a manutenção da confiança dos investidores. Claro que o facto de Portugal ter uma única fronteira terrestre, um nível mais baixo de tráfego internacional e menos imigração foram fatores decisivos na gestão da primeira fase da pandemia. Uma gestão que figurou em capas de jornais internacionais, como o The New York Times, o Financial Times e a Forbes. A resiliência do Serviço Nacional de Saúde (SNS) português e a forte resposta política para lidar com o impacto social e económico da pandemia foram elogiadas. Esta publicidade veio reforçar a atratividade de Portugal como um país seguro para investir e viver. A forma como gerimos a pandemia na fase inicial conseguiu magnetizar investimentos e Portugal continua a apresentar vantagens e oportunidades. Os momentos de crise são momentos propícios ao investimento, mas não à venda. É necessário tranquilizar investidores, que deverão encarar o período como uma oportunidade para diversificar os portefólios. Como costumo dizer, “it is about time in the market, not timing the market”. Esta é a dimensão mais fundamental num mundo global caraterizado por um mercado dinâmico. Na BFM continuaremos a assegurar a confiança dos clientes, apresentando soluções práticas e diversificadas, enquanto nos mantemos atentos ao efeito socioeconómico da vacinação. A pandemia acabou também por determinar a adoção, por inúmeros Governos, de medidas de prevenção de combate e contenção da doença, que incluíram fortes restrições na circulação de cidadãos em todo o mundo. De que forma é que a Blacktower Financial Management tem, na sua atuação, contornado esta problemática, na gestão da carteira dos clientes Estrangeiros e seus serviços e acordos? Períodos de maior instabilidade funcionam também como períodos propícios à reflexão. Na prática, o que fizemos na BFM foi repensar o nosso propósito e perceber que

FOTO: DIANA QUINTELA

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estratégia de gestão de risco deveríamos seguir. Em períodos de maior incerteza a primeira preocupação é a desvalorização e a valorização dos portefólios. Por isso, estamos empenhados em fornecer informações que são atualizadas regularmente e que refletem as tendências mais recentes. O nosso objetivo é apoiar tanto os novos clientes como os mais experientes e os nossos parceiros – no sentido em que sempre o fizemos. Isto significará que os nossos clientes e parceiros poderão continuar a confiar em nós e, após a crise da COVID-19, estarão nas melhores condições possíveis para tirar partido das novas tendências de mercado. Promover a Literacia Financeira é promover a tomada de decisões financeiras mais conscientes e esclarecidas. Em tempos de pandemia, esta necessidade é ainda mais evidente? Porquê? De acordo com dados da OCDE sobre Literacia Financeira, Portugal está acima da média dos 26 países participantes no International Network on Financial Education mas, ainda existe uma falta de capacidade generalizada na população portuguesa para avaliar oportunidades de investimento ou até para antecipar e prever os riscos de crédito. A literacia financeira, ou a falta dela, desempenha um papel essencial no nosso quotidiano, independemente da faixa etária ou profissão. Este tema representa um desafio para o tecido financeiro e para o empresarial. No setor financeiro, e olhando para o nosso serviço na BFM, o que está em causa é a partilha de literacia financeira, sem a qual não é possível investir adequadamente, nem fazer as escolhas certas nos momentos certos. No setor empresarial, e principalmente com a chegada da pandemia da COVID-19, os novos desafios vêm exigir às empresas uma reorganização de prioridades de investimento, desde logo, no que concerne à transformação digital. As dificuldades e obstá-

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culos originados pela crise económica tornam imperativo um conhecimento fundamentado de conceitos do setor financeiro cruciais para a sobrevivência de determinados setores e para a continuidade do investimento. Com as constantes atualizações do governo sobre os apoios às empresas, importa planear a alocação destes fundos em prol da manutenção de empregos, promoção da competitividade e produção. O objetivo destes apoios não é apenas resistir aos desafios da crise, mas sim permitir que as empresas se tornem resilientes, contribuindo efetivamente para a recuperação económica do país. O setor financeiro tem estado alinhado com o regulador para contribuir para um incremento da Literacia Financeira. Assim, de que forma a Blacktower Financial Management tem promovido esta temática e incutido aos seus clientes, nesta fase mais complexa, a sua importância? A promoção da Literacia Financeira é uma das prioridades da BFM. Trata-se de um exercício exigente do ponto de vista orçamental, mas também gratificante nos resultados e um exemplo de cooperação e trabalho em equipa. Quanto maior o nível de conhecimento dos nossos clientes sobre cuidados e boas práticas de investimento, dos mecanismos que os protegem e dos produtos financeiros em que podem investir – maior a sua capacidade de tomar decisões ponderadas consoante os seus objetivos, perfil de risco e situação financeira. Exemplos da aposta da BFM em literacia financeira são os artigos com temas da atualidade que publicamos semanalmente em jornais nacionais, bem como os guias fiscais que produzimos por geografias, isto oferece insights valiosos e consultoria profissional, permitindo aos nossos clientes perceberem em detalhe os traços de cada país. Através destas publicações mostramos aos clientes que o processo de mudança de país não deve ser

simplesmente sobre a proteção daquilo que já se tem. Isto é, deve ser também orientado para o reconhecimento e capitalização das muitas oportunidades que existem para um expatriado de uma determinada geração e posição. Para além disso, temos a nossa revista anual, que vai na 14.ª edição, onde estão contributos de vários peritos da indústria, incluindo comentários e previsões para o ano seguinte. Sendo a Literacia Financeira uma necessidade transversal a todos os nossos clientes, criamos uma secção de notícias no interior do nosso website para um acesso rápido e atualizado sobre a evolução constante do setor financeiro. Para ajudar a difusão dos nossos serviços, a compreensão de termos e de expressões sobre o mercado de capitais e dos instrumentos financeiros, encorajamos, também, os nossos colaboradores a participarem em conferências e webinars na qualidade de oradores convidados. A Manuela Robinson, na qualidade de Associate Director da Blacktower Financial Management, partilha a sua paixão por ajudar os expatriados, que estão em vias de se mudar para Portugal ou que já estão sedeados no país. Quão gratificante tem sido este cargo na sua vida pessoal e profissional? Na BFM lideramos pelo exemplo e regemo-nos, acima de tudo, pelo princípio da reciprocidade e da gratidão. Tem sido muito gratificante contribuir para uma empresa que cultiva um ambiente positivo e atrativo nas comunidades em que se insere e dentro das equipas. A solidariedade e a inclusão são pilares basilares da nossa atuação. Profissionalmente, ser Associate Director na BFM é um desafio permanente às minhas capacidades de liderança, mas que me permite, diariamente, encontrar um propósito na relação com o Outro. Estar na BFM é uma aprendizagem constante e um enorme privilégio. Por fim, para Si e para Portugal, o que significa a Blacktower Financial Management? Excelência e rigor são as palavras que melhor definem a BFM. São 35 anos de sucessos que refletem a capacidade de responder, com pragmatismo, às exigências do setor. A BFM é um mediador entre Portugal e o Estrangeiro. Os nossos serviços atraem capitais valiosos para o país, ajudando, por isso, a dinamizar a economia; ao mesmo tempo que representam Portugal como um país seguro, com excelente nível de qualidade de vida e uma porta de entrada excecional para investimentos e oportunidades sólidas. E, para mim, trabalhar na BFM é uma oportunidade para crescer enquanto pessoa, mulher e líder. ▪


PONTOS DE VISTA ENTREVISTA

Conheça as «Viagens» de

Manuela Robinson

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Enquanto Pessoa, Mulher e Profissional, quais têm vindo a ser os maiores desafios ao longo do seu percurso e, de que forma, conseguiu ultrapassar e chegar até ao cargo que hoje ocupa na Blacktower Group? Quando não conseguimos mudar uma situação, somos desafiados a mudar-nos a nós próprios. Iniciar este processo requer uma autorreflexão e, frequentemente, um despojamento daquilo que não nos acrescenta, uma mudança das nossas próprias práticas. Esta é a premissa da qual parto sempre para enfrentar qualquer obstáculo. O setor financeiro é fundamentalmente dominado por homens, é um facto de que temos que ter consciência, mas isto não significa sermos complacentes com a

frente através de desafios, mas, por vezes, surge uma crise tão inédita e urgente à qual nenhum manual de liderança sabe responder. Nestas alturas, uma líder eficaz, que é também uma gestora e empreendedora, não se esconde nas sombras – é mais importante comunicar quando não temos respostas do que quando as temos. Saber ouvir. É gratificante ver o crescimento pessoal e profissional das pessoas que estão connosco no dia a dia, e saber que fizemos parte desse crescimento. Porque ser líder é saber ser empática, ter consciência do nosso impacto na vida do Outro, saber qual é o nosso propósito.

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Manuela Robinson é um poderoso exemplo de liderança e resiliência, tendo ao longo da sua carreira profissional passado por várias e grandes instituições internacionais. Queremos conhecê-la melhor. O que nos pode contar sobre a sua história? Depois de completar estudos em Economia na África do Sul, mudei-me para Portugal, onde trabalho no setor financeiro há mais de 30 anos. Passei por grandes Instituições Internacionais, como o Barclays Bank e o Deutsche Bank, e conheci pessoas e profissionais incriveis com quem aprendi muito, mas foi nesta último Instituição que tive o privilégio de ter como Administrador um lider excecional, Dr. Jaime Brugat, pois foi ele que viu o meu potencial e me deu o empurrão que necessitava para sair de um back office para a área comercial. Sem ele, tenho a certeza absoluta que não teria progredido na minha carreia como progredi e não estaria aqui. Mas foi e é na BFM, à qual me juntei em 2013 como International Financial Adviser, que sinto que realmente me realizei como líder e onde, hoje, sou Associate Director. Para mim sempre foi importante procurar oportunidades que me expusessem a desafios e me permitissem progressão na carreira. Isto só é possível, todavia, quando temos também a hipótese de retribuir de forma solidária às comunidades onde estamos inseridos, e foi nesse sentido que me juntei, já alguns anos, ao grande mundo Rotário, tendo sido Presidente do Rotary Club de Estoi Palace International em 2017/2018 e mais recentemente em 2020/2021 Governadora Assistente, é aqui que trabalho para promover e apoiar melhorias na saúde, no apoio à educação e alívio da pobreza na comunidade local. Sou também desde 2019, Presidente do Concelho Fiscal da Associação Talentos Unidos – TU, esta associação que tem um grande foco na educação, especialmente no apoio aos universitários, e que procura oferecer, todos os anos, bolsas de estudos – não consigo ser uma mera espectadora.

situação. É precisamente o contrário: só quando conhecemos os factos é que os podemos mudar. Se, outrora, o setor financeiro, pela exigência de tempo, obrigava mulheres a abdicarem de outros papéis em prol de uma carreira de sucesso, como o de mãe, nos últimos anos noto uma inversão neste destino. As empresas têm vindo a procurar e a realizar programas de mentoria e coaching para jovens mulheres a dar os primeiros passos no setor e há vários exemplos de mulheres que alcançam o seu lugar, conseguindo conciliar as esferas profissional e pessoal. Claro que continuam a existir barreiras e telhados de vidro, e, hoje, enquanto Associate Diretor, olho para os obstáculos que enfrentei e revejo-me noutras mulheres do setor. Percebo a importância de apoiar outras mulheres e partilhar conhecimentos e experiências – esta é a base que produz o maior sucesso, credibilidade e integridade. Na sua opinião, o que é mais complexo na arte de liderar pessoas? E o mais gratificante? Quando pensamos em líderes pensamos automaticamente em grandes figuras políticas, em estrelas do cinema ou do desporto, nas CEO’s das grandes organizações, mas raramente nos vemos como atrizes no palco da liderança, sendo essa visão algo desconfortável. Estamos habituadas a magnificar ou amplificar a liderança, quando por vezes esta está nos pequenos gestos e nos pequenos momentos. Eu quero que as minhas equipas, as pessoas das comunidades que apoio, se sintam líderes – e isso é um trabalho complexo. A liderança não deve ser considerada uma posição, mas, sim, um mindset e, por isso, acessível a todas. A Covid-19 tornou também esta “arte” mais intrincada: pensamos a grande líder como a capitã inabalável que nos guia em

A nível pessoal e profissional, o que ambiciona ainda alcançar? Que marca gostaria de deixar no mundo? A reforma "Sinceramente, sinto que já alcancei tudo a nível profissional, e estou grata à BFM por me ter permitido fazê-lo. Nesta fase da minha vida, o que pretendo é manter a minha motivação e continuar a motivar as equipas extraordinárias com as quais tenho o privilégio de trabalhar todos os dias. A nível pessoal, quero continuar a ser uma pessoa bem-disposta e, acima de tudo, cuidar da minha felicidade, tenho uma família maravilhosa que me apoia e motiva todos os dias. Se conseguir alcançar estas duas coisas, sinto que serei a melhor versão de mim e poderei contribuir ativamente para o bem-estar da minha família, dos meus amigos, dos meus colaboradores e da minha comunidade local. Não quero deixar uma “grande marca” no mundo, apenas deixar a “minha” marca junto daqueles com quem tenho o prazer de partilhar esta magnífica experiência que é viver. Que mensagem gostaria de deixar a todas as Mulheres para as suas vidas pessoais e profissionais? “Sit at the table”. Na prática, o que quero dizer é que as mulheres devem colocar-se no centro da ação, agir no presente com uma ideia clara do que querem alcançar no futuro. As mulheres tendem, regularmente, a subestimar as suas próprias capacidades e a atribuir o seu sucesso a fatores externos que não ao seu próprio esforço. De facto, não há uma solução perfeita para inverter esta situação, mas os meus principais conselhos para as mulheres, e que funcionam tanto a nivel profissional como a nível pessoal, são simples – escolham uma mentora ou um mentor, que admirem e com quem possam aprender – assumam as vossas responsabilidades e, acima de tudo reconheçam o vosso valor. Espero que a minha geração esteja a dar os primeiros passos num caminho mais justo, e acredito que um mundo onde há lugar para as mulheres gerirem de forma igual os nossos países e empresas – é um mundo melhor. ▪

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PONTOS DE VISTA RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

“Queremos contribuir ativamente para que a descarbonização aconteça” “Recentemente, tivemos a oportunidade de dar um importante passo para cumprir este objetivo de utilizar hidrogénio verde no concelho de Torres Vedras, com a assinatura do memorando de entendimento para a criação do Torres Vedras Living Lab Green Hydrogen”. Quem o afirma é Laura Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, que ao longo desta entrevista revela como o concelho tem sido um pilar na promoção da proteção do planeta.

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LAURA RODRIGUES

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Hidrogénio Verde assume um papel central, enquanto opção eficiente para promover, aprofundar e facilitar a transição energética e, em simultâneo, como oportunidade de desenvolvimento económico, industrial, científico e tecnológico no quadro europeu. Assim, quão importante tem sido para a CM de Torres Vedras promover e apostar na utilização do Hidrogénio, enquanto passo vital para a Neutralidade Carbónica do país? A aposta de Torres Vedras no combate e na mitigação das alterações climáticas já vem de longe, com particular destaque para as medidas tomadas na última década, que foram do investimento em medidas de eficiência energética, à aposta na mobilidade elétrica e à arborização do Concelho. Foi por isso que sempre acreditámos no hidrogénio e no papel que virá a ter para, precisamente, alcançarmos a neutralidade carbónica. Foi com muito agrado que assistimos ao desenvolvimento da Estratégia Nacional para o Hidrogénio, reflexo da aposta do Governo português na transição energética de que o país e o planeta necessitam. Queremos contribuir ativamente para que a


PONTOS DE VISTA RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

descarbonização aconteça com a rapidez e eficiência necessárias, utilizando os dados e meios que temos ao nosso dispor. E o hidrogénio surge, precisamente, como uma solução disponível e viável. Não termos dúvidas de que esse é o caminho a seguir, somos parceiros da Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio, com quem temos vindo a promover diversas iniciativas ao longo dos anos. Recentemente, tivemos a oportunidade de dar um importante passo para cumprir este objetivo de utilizar hidrogénio verde no concelho de Torres Vedras, com a assinatura do memorando de entendimento para a criação do Torres Vedras Living Lab Green Hydrogen. No decorrer da conferência “Torres Vedras rumo à Neutralidade Carbónica”, a qual se realizou no dia 30 de junho, no Parque Regional de Exposições, no âmbito da Feira de S. Pedro, foi assinado um memorando de entendimento para a criação do Torres Vedras Living Lab Green Hydrogen. Qual o objetivo deste projeto? O objetivo passa por concertar os esforços de uma rede de parceiros muito diversos, que podem dar um importante contributo para este processo de transição. Além de ser o elemento “agregador” desta plataforma, o papel do Município de Torres Vedras passa por promover e divulgar fontes de financiamento, alavancando a utilização do hidrogénio verde no nosso território. Estamos a falar de um grupo de 28 entidades, que vão de empresas regionais e nacionais à Câmara Municipal e aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Torres Vedras. Acreditamos que esta é a forma mais eficaz de ir ao encontro da Estratégia Nacional para o Hidrogénio, através de uma ação concertada e integrada que permita consubstanciar a transição para uma economia descarbonizada. Tendo em conta todas as iniciativas promovidas pelo Município de Torres Vedras no que

diz respeito ao Hidrogénio Verde, que impacto é que as mesmas terão nos cidadãos? Acredita que os portugueses já possuem sentido de responsabilidade e compromisso em relação a este tema? Os cidadãos do concelho de Torres Vedras assumem uma postura muito pró-ativa, dando um sinal muito saudável de como a participação ativa pode enriquecer as políticas públicas. Somos frequentemente desafiados e estimulados para novos projetos, como foi o caso do “Compostim”, um projeto-piloto que promove a compostagem e que resulta de uma parceria entre os SMAS de Torres Vedras e dois cidadãos. É claro que o inverso também acontece e que iniciativas como o Torres Vedras Living Lab Green Hydrogen acabam por ter um efeito de “contaminação”, mobilizando as comunidades para a importância do hidrogénio verde, mas também do combate às alterações climáticas. E é aqui que quero chegar, ao papel decisivo que é assumido pelas autarquias locais e que resulta da sua proximidade com os territórios e as comunidades. No fundo, é um profundo conhecimento da realidade e dos players que podem fazer a diferença para que se cumpra a Estratégia Nacional para o Hidrogénio. ▪

De que forma é que os cidadãos podem e devem contribuir para o sucesso de todas estas iniciativas sustentáveis apoiadas por Torres Vedras? Iniciativas com estas caraterísticas, que almejam algo tão ambicioso como a transição energética, só poderão contribuir para uma mudança efetiva se contarem com o envolvimento ativo dos cidadãos. A participação é um traço incontornável do sistema democrático que muito prezamos. Só com o envolvimento de todos poderemos mudar hábitos e estilos de vida com vista à proteção do planeta e das gerações que vão continuar a habitá-lo.

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PONTOS DE VISTA PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“Vale a pena ser Mulher na sensibilidade da alma, na emotividade calma, na serenidade de sofrer...” Mulher, Mãe, Médica e Escritora, são apenas quatro características que (muito) descrevem Filipa Carneiro. De que forma consegue, a nossa entrevistada, conjugar todas estas vertentes num só dia? A resposta é simples: entusiasmo e, sobretudo, paixão por tudo o que faz. Conheça a sua história e ainda o projeto “Confessável” – o seu primeiro livro editado e um “exercício de autoaperfeiçoamento no potencial como ser humano”.

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FILIPA CARNEIRO

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o percurso profissional da Filipa Carneiro fazem parte inúmeras atividades e causas ligadas à saúde, contribuindo diariamente para o bem-estar da população. Assim, e de forma a contextualizar o leitor, como nos pode descrever este trajeto até aos dias de hoje? Podemos afirmar que a arte de auxiliar o outro é o seu projeto de vida? O meu trajeto profissional iniciou-se pela licenciatura em Medicina Dentária e posteriormente em Medicina pela Universidade do Porto, especialização em Cirurgia Geral e Mestrado em Senologia pela Universidade Autónoma de Barcelona. Pela atratividade de conhecimento em cultura organizacional realizei pós-graduações em gestão de serviços de saúde e Controlo e melhoria de qualidade de cuidados nas organizações de saúde. Neste percurso fui desempenhando cargos de Coordenação e Direção no centro Hospitalar Tâmega-Sousa: Coordenação das unidades de Patologia Mamaria, Estomatologia e Medicina Dentaria, monitorização de prescrição de medicamentos, comissão de informatização clínica e telessaude, Direção de Serviço de Consulta Externa e de Departamento de Ambulatório. Na Direção do colégio de gestão de serviços de saúde defendi a importância de competências em gestão no pré e pós-graduado dos médicos para a melhoria da cultura organizacional e criação de medidores de saúde. Atualmente desempenho funções de Diretora Clínica, gerindo significados e delegando e empoderando líderes numa missão partilhada de criação de valor em saúde. O meu projeto de vida é dignificar e elevar o Outro, com ganhos em saúde (acesso, segurança, qualidade, promoção da literacia e melhoria de qualidade de vida). Em lema rotário “dar de mim” num desiderato de uma cultura organizacional mais humanista, prestando cuidados efetivos, compreensivos e respeitosos de forma compatível com valores e práticas do paciente numa linguagem ajustada


PONTOS DE VISTA PONTOS DE VISTA NO FEMININO

Várias são as responsabilidades que a Filipa Carneiro enfrenta enquanto líder clínica no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa. Como é ser uma Mulher decisora no âmbito hospitalar? É uma oportunidade e, simultaneamente, um desafio acrescido? Considero que a liderança no feminino atingiu a sua isonomia e a necessidade de demonstrar meritocracia será apenas colocada em situações excecionais de culturas organizacionais masculinizadas em que a mulher necessita de se mostrar mais capacitada do que seu concorrente masculino para ter as mesmas oportunidades de sucesso. A competência intercultural do líder feminino num sistema de saúde poderá ter um componente mais inclusivo e sensível à alteridade alavancando a cultura organizacional num desiderato de tratar o doente no seu habitat cultural de forma a ajustar outcomes. Gerir incertezas, como aconteceu na atual pandemia será um desafio e oportunidade para um progresso profissional consciencializado, despido de estereótipos apreendidos culturalmente, transformando cultura organizacional estruturada em justiça, autocontrolo, coragem e desígnio. Com o dia-a-dia naturalmente preenchido, de que forma consegue conjugar as suas responsabilidades profissionais, com as mudanças sociais que vivemos atualmente e ainda com a família? Inequivocamente ser mulher, dona de casa e mãe, simultaneamente sendo cirurgiã e diretora é um exercício de gestão de energias de aprendizagem diária. Confesso que todas estas funções exigem tempo para ser compartilhado, muito sacrifício, extrema dedicação, vivência intensa do momento com entusiamo e empolgamento na consciência do ato ser único e irreprodutível. Além da paixão por ajudar os doentes criando múltiplas iniciativas nesse sentido, existe a paixão pela escrita e, particularmente, pela poesia. Que mensagem procura transmitir a cada poesia escrita? Quais são os temas que lhe preenchem o coração e sobre os quais ambiciona partilhar conhecimento? Cada poema é uma viagem de profundidade de consciencialização autobiográfica onde se harmonizam o raciocínio e a sensibilidade que se intui a outra que contra intui num contraste, em oximoro, numa linguagem mais simbólica que literal. A minha temática é liberdade, fraternidade, equidade, bondade, essência, o paradigma da sensibilidade com vista duma elevação da humanidade com uma consciencialização da profundidade do conhecimento e sentimento de si. “Confessável” é o título do livro que já editou. O que faz dele belo, comovente, corajoso e escrito com espírito iluminado? É um exercício de autoaperfeiçoamento no potencial como ser humano, de desconstrução dogmática, na perspetiva solidária de elevar o

outro a encontrar referenciais humanistas para que o ato livre seja um ato construtivo e não uma licenciosidade de libertinagem. Um autoconhecimento coerente que respeita a si próprio e permite a liberdade para ser fraterno. A dinâmica ambivalência de vidas salvas em missão cumprida, de memórias e sofrimentos existencialistas, de mulher que inexoravelmente encontrou a fraternidade terna para esta minha inquietude frágil e irreverente de ousar conhecer os limites … Certo é, para conseguir alcançar todos estes objetivos, é necessário ter uma dose de persistência. O que a motiva diariamente? Do que mais gosta em cada detalhe do que faz, seja pessoal ou profissional? A minha motivação diária é o entusiasmo, paixão de gostar de saber, aprender, construir, melhorar processos organizativos, mudar cultura organizacional alinhada com objetivos de missão. Preservar a espontaneidade e autenticidade da curiosidade e criando intuição pela consciencialização diária do aprendizado vivencial ou literário. Gosto de iniciar o dia com um mote de estética, literatura, música, arte, filosofia que esteja constante em cada ato ao longo do dia. Como dizia Galeano “somos feitos de memórias“. Cada ação deverá ser vivida incorporando a harmonia sensorial. O que mais gosto é o entusiamo pelo próprio ato de fazer como se fosse a última oportunidade de o concretizar. É no mês de dezembro do presente ano que termina a função de Diretora Clínica no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa – continuando a exercer outras no mesmo. Assim, que novos projetos e/ou atividades profissionais tem planeados? A cirurgia continua a apaixonar-me, assim como a conclusão do programa doutoral de competências de comunicação interculturais no Sistema de saúde. Realizo-me em qualquer função das minhas competências pelo que o meu planeamento será a plenitude do seu desempenho adequada à sua circunstancialidade e propósito.

Por fim, e tendo o dom da palavra, gostaria de deixar uma mensagem a todas as mulheres que ambicionam marcar uma posição no universo do trabalho, tal como a Filipa Carneiro tem feito? Parafraseando Adelaide Cabete, médica-cirurgiã, numa assunção plena da luta pela igualdade de género: “A utopia de hoje é a realidade de amanhã. Quanta coisa que hoje existe não foi ontem considerada como utopia? Por isso, não poderá haver maior recompensa, maior consolação para o paladino de uma ideia do que poder assistir ainda à realização dela.» Assumir a feminilidade, a autenticidade consciente e coerente, autocontrolo de pensamento, vivacidade e ânsia pelo conhecimento técnico, curiosidade holística e espontaneidade para intuir aprendendo com o erro. Vale a pena ser mulher na sensibilidade da alma, na emotividade calma, na serenidade de sofrer... Focar as energias para a coerência com os nossos valores, disciplina absoluta para a gestão de tempo e energia em atos construtivos e fraternos em todas as vertentes da vida. E sobretudo nunca perder o encantamento pela VIDA. ▪

Encantamentos Encantam-me todos desencantos Papoilas brancas de risos amarelos  Margaridas coradas de céus belos  Rainhas descoroadas sem mantos  Encantam-me aleijões destes tempos Escrivães de livros de milagres virtuais Almanaques das utopias sensacionais  As vitórias ciclónicas de todos ventos   Encantam-me mães estéreis de bastardos Filhos vencidos de pais desencontrados  Donzelas cavaleiras em corcéis alados  Os arlequins reacionários desmascarados  Filipa Carneiro AGOSTO 2021 | 31


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“Sempre considerei que com Esforço, Perseverança e muito Trabalho tudo é possível” MARIA JOÃO ESCUDEIRO

Foi em fevereiro deste ano que Maria João Escudeiro abraçou a Vice-Presidência do Politécnico de Lisboa. Não tendo ao longo do seu percurso o objetivo total de liderar, a vida mostrou-lhe ser este o seu caminho. Numa instituição profundamente dedicada a formar cidadãos responsáveis e qualificados, apresenta-se como um espaço “de liberdade e de responsabilidade vocacionado para o ensino, a investigação e a criação artística”, tal como a nossa entrevistada afirma. Conheça mais.

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olitécnico de Lisboa, que desenvolve a sua atividade através de seis Escolas e de dois Institutos com oferta formativa diversificada, é um espaço de liberdade e responsabilidade e que oferece o seu contributo ao país através da formação de profissionais de reconhecida competência. Enquanto Vice-Presidente, como nos pode descrever os marcos mais importantes e fundamentais do mesmo até ao momento? É missão do Politécnico de Lisboa (IPL) a criação, transmissão e difusão de conhecimento nas suas áreas do saber - artes, comunicação, educação, saúde, engenharia e ciências empresariais, através de seis Escolas e dois Institutos: Escola Superior de Dança (ESD), Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC), Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), Escola Superior de Educação de Lisboa (ESELx), Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL), Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL). Enquanto instituição de ensino superior, os estudantes são uma prioridade para o IPL. Assim,

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as questões da inclusão, apoio social, sucesso escolar e empregabilidade, são áreas prioritárias. Complementarmente, procurando dar resposta às exigências e tendências atuais, estamos a dar início a um novo percurso em termos das competências transversais e do ensino a distância. Estamos também conscientes que, o crescimento e sucesso do ensino superior e da formação que nele é ministrada é indissociável das atividades ao nível da Investigação, Desenvolvimento, Inovação, Criação Artística e Empreendedorismo, por isso, temos vindo a trilhar um percurso neste âmbito. Complementarmente, o Politécnico de Lisboa está comprometido com o nosso planeta, que como sabemos, enfrenta enormes desafios económicos, sociais e ambientais, por isso, temos como mote da nossa ação a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, investindo nas áreas da Sustentabilidade Ambiental, Responsabilidade Social, Voluntariado e na Saúde da comunidade académica. Em síntese, com um foco nestas áreas complementares, o Politécnico de Lisboa apresenta-se como um espaço de liberdade e de responsabi-

lidade vocacionado para o ensino, a investigação e a criação artística. Com uma larga empregabilidade no espaço nacional e internacional, o IPLisboa encontra-se empenhado ainda em fortalecer as relações internacionais, em particular com os seus parceiros da União Europeia e dos países de expressão portuguesa. Quão importante é esta dinâmica para a credibilidade e sucesso do Politécnico de Lisboa? A internacionalização é um pilar estratégico do desenvolvimento do Politécnico de Lisboa, enquanto processo de integração da dimensão intercultural no ensino, na investigação e nos serviços da instituição, sendo que nos últimos anos temos vindo também a investir na captação de estudantes internacionais. O Politécnico de Lisboa participa no programa Erasmus desde 1987, tendo mais de 550 acordos interinstitucionais, que têm possibilitado não só a mobilidade de estudantes, docentes e não docentes, mas também o acolhimento de diversos encontros internacionais, vários workshops e MasterClasses, que permitem a partilha e a disseminação de conhecimentos e experiências,


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representando um complemento formativo para os nossos estudantes. Mais, as taxas de empregabilidade do Politécnico de Lisboa encontram-se, globalmente, acima dos 90%, sendo uma evidência da qualidade do nosso ensino. Os nossos alumni são o rosto do Politécnico de Lisboa em Portugal e no Mundo, sendo eles que elevam o nome desta instituição de ensino. É de extrema relevância conhecer um dos rostos que está por detrás do IPLisboa. O que nos pode contar sobre a Maria João Escudeiro e sobre o seu percurso pessoal e profissional até chegar à Vice-Presidência do Politécnico de Lisboa? Desde fevereiro de 2021 que tomei posse como vice-presidente do Politécnico de Lisboa, sendo para mim uma honra e uma imensa responsabilidade assumir estas funções. Sou natural de Tomar, tenho 39 anos, sou casada e tenho dois filhos, a Mariana e o Gonçalo. Quanto ao meu percurso académico, fiz a minha licenciatura em Direito na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa em 2005. Em 2014 concluí o meu doutoramento em Ciências Jurídico-Criminais na Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa. Relativamente ao meu percurso profissional, desde 2008 que sou docente do ensino superior, tendo passado por várias instituições. Em 2014 juntei-me ao o Politécnico de Lisboa, tendo desempenhado as funções de Pró-Presidente para a Internacionalização do ISCAL, de 2018-2021. Quão gratificante é para Si trabalhar neste projeto, que envolve tantas áreas e personalidades distintas? É extremamente gratificante e um desafio enorme. Tenho a meu cargo aquele que considero um relevante e desafiante pelouro do Politécnico de Lisboa, que é a área académica e que me faz acreditar que podemos contribuir para uma sociedade melhor, não tanto no anseio de melhores médias nas conclusões dos cursos, mas sim como poderemos contribuir para formar cidadãos mais responsáveis, ativos e com um verdadeiro sentido de respeito pelos outros. Não seja eu jurista, mas considero que a nossa marca pode passar por esta visão. O facto de trabalhar com personalidades que admiro, que considero altamente competentes e empenhadas tem sido uma aprendizagem que me tem proporcionado momentos de partilha de conhecimentos fundamentais para o meu enriquecimento pessoal. O sucesso deste projeto, que é um caminho que se faz caminhando, só é possível com a equipa da presidência que é extraordinária, muito por força da sua capacidade de trabalho e multidisciplinariedade. Soube, desde cedo, que a sua personalidade se encaixaria num cargo de liderança ou percebeu à medida que foi abraçando determinados desafios?

“É EXTREMAMENTE GRATIFICANTE E UM DESAFIO ENORME. TENHO A MEU CARGO AQUELE QUE CONSIDERO UM RELEVANTE E DESAFIANTE PELOURO DO POLITÉCNICO DE LISBOA, QUE É A ÁREA ACADÉMICA E QUE ME FAZ ACREDITAR QUE PODEMOS CONTRIBUIR PARA UMA SOCIEDADE MELHOR” Quando ingressei na carreira de docente do ensino superior em 2008 tinha como objetivo prosseguir e desenvolver a minha investigação na área jurídica e, nessa altura, não pensava em fazer parte de cargos de gestão. Com o passar dos anos, com a conclusão do meu doutoramento e com a minha chegada ao ISCAL – IPL comecei a estar mais ligada à Presidência. Juntando a isso o facto de ter ocupado os cargos de secretária e vice-presidente do Conselho Técnico-Científico, essa hipótese começou a florescer. Na realidade não pensava que aos 39 anos poderia ser vice-presidente de uma instituição com a grandeza do Politécnico de Lisboa, que conta com cerca de 14.000 alunos, mais de 1.000 docentes e mais de 400 funcionários não docentes, mas fico muito feliz e agradecida por reconhecerem a minha competência e as minhas capacidades e que poderia ser uma mais-valia para a Instituição. Licenciada em Direito, Doutorada em Ciências Jurídico Criminais – e mesma área de investigação, como é ser Mulher neste universo complexo e rigoroso? Considero que a concretização de objetivos não é fácil e no meu caso em particular, sempre trabalhei muito para atingir os meus, por exemplo, eu terminei o curso de Direito, que ainda era pré-bolonha e, portanto, de 5 anos, um semestre mais cedo ao mesmo tempo que fazia uma Pós-Graduação em Estudos Penitenciários, tendo concluído a licenciatura e a Pós-Graduação com diferença de um mês. Mais, aos 33 anos concluí o meu Doutoramento e estou muito orgulhosa do meu percurso académico e profissional que

penso que reflete o meu empenho e ambição. Sempre considerei que com esforço, perseverança e muito trabalho tudo é possível. Da minha parte nunca senti que por ser mulher houvesse mais ou menos entraves para concretizar os meus objetivos. Confesso que não gosto muito quando se limitam as questões do acesso a cargos de chefia ou de gestão a questões de género, considero muito redutor. Também não me identifico com as afirmações de que as mulheres são à partida prejudicadas ou discriminadas, não se pode generalizar desta forma. Eu, sou mulher, mãe e fiz o meu percurso com muito trabalho e mérito próprio, portanto, há espaço para cada um, independentemente do seu género fazer um caminho de sucesso. Daqui para a frente, o que se poderá esperar da Maria João Escudeiro, do IPLisboa e dos seus estudantes, enquanto futuros profissionais? Da Maria João poderemos esperar trabalho, empenho e foco na concretização de novos projetos com o propósito de construir uma instituição desenvolvida e mais inovadora, que deixe uma marca como instituição de ensino superior inclusiva, naquilo que acredito ser o mais importante - o respeito pelos Direitos Humanos e o cumprimento dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável da UNESCO. Dos nossos estudantes, enquanto o futuro do nosso país, estou certa que serão profissionais altamente qualificados, competentes e com sentido de responsabilidade, mas gostaria sobretudo que lhes fossem reconhecidas as skills pessoais, sendo isso que os distingue como cidadãos do mundo que podem de facto fazer a diferença. ▪

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“Gosto de novos desafios, de aprender e sair da minha zona de conforto” TERESA VIRGÍNIA

Numa altura em que a pandemia nos obrigou a mudar a nossa perspetiva em relação ao mundo, Teresa Virgínia acompanhou esta poderosa mudança dentro da Microsoft – empresa onde está há dez anos. Ocupando há um ano o cargo de CMO & PR Lead da marca, a nossa entrevistada contou à Revista Pontos de Vista de que forma, a sua personalidade inquietante e ativa, abraçou o desafio deste novo projeto. Conheça tudo.

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Teresa Virgínia conta com um vasto percurso profissional e afirma que “o melhor desafio é sempre o próximo”. Assim, que significado tem esta afirmação na sua história pessoal e profissional e o que nos pode contar sobre a mesma? A frase reflete a minha propensão para a mudança. Gosto de novos desafios, de aprender e sair da minha zona de conforto. Acredito que um olhar novo sobre as situações e questões nos ajuda a pensar e fazer diferente, e assim evoluir. No início da minha carreira mudei muito de empresa, em busca de novos desafios e de novas perspetivas. Na Microsoft encontrei uma empresa que naturalmente me proporciona essa mudança. Estou há dez anos na Microsoft

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e estou na minha quinta função, em áreas também diversas. Numa perspectiva pessoal, esta inquietação revela-se na minha paixão por viagens. Já viajei por mais de 70 países e já dei uma volta ao mundo durante seis meses. Sinto que ver outras realidades ajuda-nos a pensar de forma diferente nas diversas situações e até na própria vida. Ao longo dos anos foi ocupando diferentes cargos na Microsoft, sendo que atualmente é CMO & PR Lead da marca. Quão enriquecedor tem sido esta experiência na sua vida? Comecei esta função há cerca de um ano numa altura também muito distinta: já em modo remoto, onde todas as iniciativas de marketing

tinham de ser repensadas para um formato digital. E foi extraordinário fazer esse shift e ver como conseguimos aumentar os resultados e impacto das iniciativas com essa mudança. Foi também um momento único para uma empresa como a Microsoft e no marketing e comunicação estamos a vivê-lo intensamente. A transformação digital deixou de ser uma visão a longo prazo para ser uma necessidade urgente para as empresas continuarem a operar. Ajudámos as pessoas e as organizações a não parar e agora queremos ajudar na recuperação económica e na reimaginação do futuro. É inspirador. Numa empresa que promove o sucesso pessoal e organizacional, que tipo de líder con-


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“NO INÍCIO DA MINHA CARREIRA MUDEI MUITO DE EMPRESA, EM BUSCA DE NOVOS DESAFIOS E DE NOVAS PERSPETIVAS. NA MICROSOFT ENCONTREI UMA EMPRESA QUE NATURALMENTE ME PROPORCIONA ESSA MUDANÇA. ESTOU HÁ DEZ ANOS NA MICROSOFT E ESTOU NA MINHA QUINTA FUNÇÃO, EM ÁREAS TAMBÉM DIVERSAS” sidera que é, e que é preciso ser tendo em conta estes valores? Na Microsoft a gestão de pessoas é guiada por três princípios: “Model, Coach and Care”. Um manager deve ser um exemplo dos valores da empresa, deve garantir as condições para a sua equipa atingir os seus objetivos e que essa mesma equipa o faça de forma que se sinta valorizada e única. São princípios que nos guiam diariamente. Este último ano veio trazer uma complexidade acrescida à gestão de pessoas. Assumi uma equipa remotamente, fiz alterações e contratei pessoas online. Durante este ano estive apenas uma vez com a minha equipa. E não foi apenas uma experiência de trabalho remoto, foi uma situação onde as pessoas estavam em casa a tomar conta de crianças de colo, outros em idade escolar, com outras pessoas em casa também a trabalhar... Cada caso foi um caso, tivemos todos que aprender a trabalhar neste ambiente tão diferente e a empatia foi chave para que o fizessemos de forma os mais inclusiva possível. E mesmo longe, conseguimos sentir-nos perto e apoiar-nos mutuamente.

Sendo um exemplo de liderança, conquista e resiliência – e com tanto para partilhar - que marca gostaria de deixar no mundo? Quase que diria que gostaria de não deixar marca! Isto numa perspectiva de sustentabilidade e de conseguir deixar para as próximas gerações um planeta habitável. Temos assistido a uma evolução alarmante dos indicadores ambientais e 2020 foi novamente um ano de recordes climáticos, com temperaturas extremas e a concentração mais elevada de CO2 de sempre. Todos nós somos responsáveis e temos que alterar drasticamente como vivemos. Confesso que estou a mudar bastante, a pandemia também nos colocou numa situação em que valorizamos coisas diferentes, mais simples. Estou a fazer uma horta e a plantar árvores no Algarve, prefiro ir para lá do que pensar em mais uma viagem para o outro lado do mundo, ando mais a pé, evito o plástico, estou menos consumista... Mas preciso de fazer mais, todos precisamos. ▪

O que podemos continuar a esperar de Si e da Microsoft no futuro? A nossa missão é “empower every person and organization on the planet to achieve more”. É algo que está presente em tudo o que fazemos, a pensar nos sete biliões de pessoas em todo o mundo e com objetivos bem definidos: promover um crescimento

económico mais inclusivo, construir confiança, e criar um futuro mais sustentável. Do meu lado quero continuar a viver esta missão em tudo o que faço e torná-la uma realidade para os portugueses e organizações portuguesas.

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“ESTAR AO SERVIÇO DE UMA INSTITUIÇÃO COM MAIS DE 250 ANOS, E QUE É UM AUTÊNTICO MUSEU VIVO, É UMA RESPONSABILIDADE ACRESCIDA QUE SINTO DESDE O PRIMEIRO DIA. AQUI RESPIRA-SE HISTÓRIA, IDENTIDADE E CULTURA PRÓPRIAS, PESSOAS QUE SENTEM ESTA A SUA CASA E CONVIVEM COMO FAMÍLIA” RITA VELOSO


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“Invistam nas vossas Missões de Vida com Humildade, Sabedoria e Paciência” “Acho genuinamente que a minha missão é, à data, servir humildemente as Pessoas sob as quais direta ou indiretamente possa ter responsabilidade ou impacto positivo e proporcionar uma boa experiência a quem comigo priva”. Quem o afirma é Rita Veloso, Executive Board Member do Centro Hospitalar Universitário do Porto, e ainda Mulher, Mãe e uma Pessoa cheia de história, conhecimento e experiências para partilhar. Saiba tudo.

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Rita Veloso conclui a licenciatura em Psicologia na Universidade do Porto em 2004 e, desde então, tem multiplicado experiências e histórias para contar. Como nos pode descrever o se trajeto enquanto pessoa, mulher e profissional? Nunca soube estar quieta. Aliás, a mim inquieta-me estar quieta e sei que nem sempre terá sido fácil ser mãe ou pai, professor, amigo ou namorado, mais tarde marido ou filho, de uma alma em constante procura de algo novo para fazer. Faz parte do meu ADN natural. A escolha de um curso foi um desses momentos conturbados, tendo optado por Psicologia, fiel aos meus sentimentos, e que facilmente preencheu as minhas expectativas. Paralelamente à vida profissional, tinha outros sonhos e um deles era, sem dúvida, o de ser mãe jovem. E assim, aos 25 anos e com distância de apenas 11 meses, nascia o Ricardo e a Francisca. E passaria, inevitavelmente, a trabalhar por turnos e a viver diversos papéis em simultâneo. Tantos turnos quantos os diferentes papéis que viria a escolher ter. E foram, e são, alguns. Aos 27 anos, assumi a Direção de um dos maiores serviços do IPO do Porto. Como implementar uma mudança cultural profunda em Pessoas que não compreendiam a necessidade de mudar? Sucedeu-se o mesmo na minha primeira experiência como vogal de um hospital. Coerência, justiça, integridade, ética, foram a chave para formar equipas de excelência e que estiveram sempre ao meu lado. Equipas que me acompanham no coração até hoje. Houve claramente um antes e um depois e no meio estivemos todos nós. Todas estas experiências fazem de mim, humildemente, o que hoje sou. Atualmente é Executive Board Member do Centro Hospitalar Universitário do Porto. Quão gratificante e enriquecedor tem sido esta experiência na sua vida? Estar ao serviço de uma instituição com mais de 250 anos, e que é um autêntico museu vivo, é uma responsabilidade acrescida que sinto desde o primeiro dia. Aqui respira-se história, identidade e cultura próprias, Pessoas que sentem esta a sua casa e convivem como família. Pela sua dimensão, diferenciação e excelências das equipas, é sem dúvida o maior e mais exigente desafio profissional com que me

“COMO ALGUÉM QUE MUITO ADMIRO ME DISSE RECENTEMENTE “TU NÃO PASSAS POR LÁ, TU ESTÁS LÁ”, E ISSO FAZ A DIFERENÇA” defrontei. E já foram vários. Faz-me, a cada dia que passa, manter mais próxima das Pessoas, mais atualizada para que na verdade possa ser inspiradora para as minhas equipas que são compostas de Pessoas brilhantes, competentes e que desejam o melhor para esta nossa Instituição. E isso leva-nos muita da nossa energia, mas que facilmente é retribuída no ambiente saudável em que vivemos à volta dos nossos projetos com o propósito de melhorar a experiência das nossas Pessoas, dos nossos Doentes e proteger o dinheiro de todos os Contribuintes, que somos, no limite, todos nós. Do que mais gosta na sua atividade diária? É legítimo afirmar que a sua missão de vida é ajudar o próximo? Gerir a mudança e procurar inovação constante. Deixar à minha saída as instituições um pouco melhores do que encontrei quando cheguei. Acho genuinamente que a minha missão é, à data, servir humildemente as Pessoas sob as quais direta ou indiretamente possa ter responsabilidade ou impacto positivo e proporcionar uma boa experiência a quem comigo priva. Como alguém que muito admiro me disse recentemente “Tu não passas por lá, tu estás lá”, e isso faz a diferença. Numa sociedade em que ainda é necessário falar em igualdade de oportunidades, de que forma a Rita Veloso se tem destacado, tendo

em conta as suas potencialidades? O facto de ser mulher, tornou o desafio maior? Decerto as potencialidades foram sendo demonstradas naturalmente sem que nunca tivesse sequer assumido ou sentido nesta área que ser mulher fosse um obstáculo ou desafio maior porque na verdade nunca deixei transparecer qualquer diferença ou insegurança, muito pelo contrário, como tenho dito a liderança no feminino não se explica, sente-se. Mas trabalha-se muito e espera-se de nós muito carácter, resiliência, transparência, ética e lealdade. Independente de ser homem ou mulher. Esse é o maior dos desafios. ▪

Que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores, de esperança e motivação, para ultrapassarem da melhor forma o atual contexto pandémico que vivemos? Não desistam dos vossos sonhos. Não desistam dos vossos direitos. Não suspendam as vossas legítimas ambições. Invistam nas vossas missões de vida com humildade, sabedoria e paciência. Tudo o resto estará à vossa espera. Sem terem sequer de pedir. Eu acredito.

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“Sou muito focada nos resultados, quer pessoal quer profissionalmente”

SUSANA COSTA

Com objetivos claros, determinação e foco nos resultados, Susana Costa afirma que “são as histórias de sucesso que a motivam”. Histórias de sucesso essas que a própria ajuda a construir enquanto Country Manager de Moçambique e Angola da Sagaci Research – empresa líder na recolha de dados e análises do mercado africano. Conheça a história da nossa entrevistada bem como a missão desta empresa que, ao longo do tempo, tem trilhado o seu caminho a criar valor em todos os negócios.

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rimeiramente interessa conhecer melhor quem é a Susana Costa enquanto pessoa e profissional. O que nos pode contar sobre o seu percurso até chegar à liderança da Sagaci Research Mozambique? Sou psicóloga de formação. Fiz Psicologia Social e das Organizações com uma especialização em Comportamento do Consumidor. Desde cedo me interessou o entendimento das tomadas de decisão ligadas ao consumo. Por isso escolhi os estudos de mercado como área para trabalhar. Quando terminei o curso (e ainda antes da pós-graduação) iniciei um estágio na então empresa líder de estudos de mercado em Portugal. Achei que devia tentar a melhor “escola” para o fazer e não hesitei. Fiquei até ser técnica sénior na área de Estudos Qualitativos, os que vão buscar mais enquadramento teórico e prático à Psicologia. Aprendi nessa altura que devia sempre procurar ativamente trabalhar nas empresas que mais me inspirassem e não nas que simplesmente tivessem uma vaga para mim. E assim foi. Passados poucos anos aceitei criar um departamento de Estudos Qualitativos noutro grande grupo internacional. Depois desse passo fiquei também responsável pela área Quantitativa e foi como Head of Client Service que tive a minha primeira função de liderança.

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Numa fase em que o setor dos estudos de mercado foi um dos que sofreu devido à crise, surgiu a oportunidade de ir para África. Ao fim de 16 anos de experiência em Portugal reapaixonei-me pelo que já gostava muito de fazer, agora num contexto novo e profundamente desafiante. África era um mercado com características opostas ao do maduro mercado Europeu. O consumo estava a emergir e os consumidores com dinâmicas completamente diferentes. Foi, e continua a ser, uma interessante descoberta. Descoberta essa que partilhamos com os nossos clientes todos os dias. Juntei-me nessa altura à Sagaci Research que iniciava, tal com eu, um entusiasmante projeto em África. Fui responsável por iniciar o projeto em Moçambique e, mais tarde, em Angola. A minha história profissional teve um fio comum. Foram-me dadas oportunidades que muito me interessavam e eu agarrei-as com toda a motivação. Mais do que isso, foi-me depositada confiança através das funções de liderança que exerci e eu “retribuí” à medida. O percurso foi sempre exigente, mas foi ainda mais gratificante e, por isso, sobressai muito mais o lado positivo da viagem. Atualmente sou Country Manager de Moçambique e Angola. Mais tarde adicionei a função transversal de Qualitative Global Topic Leader, significando que sou responsável pelos proje-

tos qualitativos em todos os países Africanos em que a Sagaci Research opera. A Sagaci Research é líder na recolha de dados e análises do mercado africano, tendo uma poderosa presença em vários países. Quais diria que têm sido os fatores determinantes que trouxeram a empresa ao reconhecimento? Diria que se trata de uma combinação de vários fatores. África tinha uma dinâmica de consumo pouco desenvolvida e a atenção internacional estava focada noutras geografias, o que, entretanto, se alterou. África era um mercado “pouco servido” no que dizia respeito a pesquisas de mercado ao longo do continente. Muitos países/mercados eram pequenos e, per si, pouco interessantes do ponto de vista do negócio. O facto de nós trabalharmos muitos países de forma integrada trouxe outra perspetiva. Por outro lado, desenvolvemos uma oferta muito pragmática e adaptada a África e com uma forte componente tecnológica, diferente da abordagem mais “tradicional”. Fizemos uma grande aposta na recolha online. Com isso desenvolvemos metodologias de recolha modernas e facilmente escaláveis. Temos painéis online em grande parte dos países africanos.


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Também apostámos em algumas áreas vencedoras como as análises do retalho. Nesse âmbito, proporcionamos aos nossos clientes uma visibilidade muito clara sobre a performance das suas marcas nos pontos de venda, quer no mercado formal quer informal. Temos census e audits que mapeiam pontos de venda em cidades inteiras ao detalhe. Isso permite aos clientes terem um conhecimento completo e em tempo real da sua performance e, com isso, poderem desencadear reações rápidas e muito mais efetivas. Mas diria que o profundo respeito por África foi o fator mais diferenciador. Querendo com isso dizer, que não trazíamos um modelo feito noutros continentes. Construímos um modelo tendo em conta as especificidades dos mercados africanos e o valioso contributo das equipas locais que queremos que cresçam connosco. A Sagaci Research fornece aos seus clientes as ferramentas necessárias para navegarem com sucesso nos mercados africanos. Para melhor entender, como nos pode descrever os serviços que disponibiliza? Somos uma empresa que recolhe informação sobre o consumidor e os mercados de modo a ajudar os nossos clientes a tomarem decisões informadas em África. Na qualidade de Country Manager desta empresa, como é para a Susana Costa ocupar um cargo de liderança e, por sua vez, de extrema responsabilidade? Como se caracteriza enquanto líder? Gosto naturalmente de ocupar cargos desta natureza. O sentido de responsabilidade sempre foi um dos meus pontos mais fortes. Por outro lado, atravesso-me pelos objetivos e pelas pessoas. Penso que, em geral, tenho em conta as forças de cada elemento da equipa e trabalho isso em prol dos objetivos da empresa e do crescimento de cada um. Gosto de crescer pessoal e profissionalmente e de ajudar as pessoas que gostam do mesmo.

O que a motiva e inspira na sua atividade diária, quer a nível pessoal como profissional? Que marca gostaria de deixar no mundo? São as histórias de sucesso que me motivam. Os negócios e marcas dos nossos clientes que prosperam, tendo por base a informação e os insights que fornecemos. Motiva-me “fazer bem feito” e proporcionar aos outros, clientes e equipa, os resultados positivos que daí advêm. Sou muito focada nos resultados, quer pessoal quer profissionalmente. Tenho objetivos claros em ambas as esferas e, no dia-a-dia, trabalho em conformidade. Usufruo muito de momentos de pausa, adoro viajar e de muita aventura, mas sabem-me muito melhor esses momentos quando, pessoal e profissionalmente, “estou em dia” com aquilo a que me propus. Um dos meus filhos diz uma coisa com alguma piada... que eu sou a única pessoa que ele conhece que, em nenhum dia da sua vida, teve preguiça. Acho que essa é uma das minhas marcas que fica... Devido aos limites que a sociedade ainda impõe, é fácil para uma Mulher conciliar uma carreira profissional de sucesso com a vida pessoal? Ou é necessário abdicar ou descurar de uma em detrimento de outra? Parece que eu tenho uma experiência peculiar sobre isso. Para começar, tenho dificuldade em olhar para a carreira profissional e vida pessoal como “forças contrárias”. Para mim jogam ambas um papel importante e não estão dissociadas. Sempre dei muita importância a ambas e nunca senti grande pressão no equilíbrio, apesar do esforço real e inevitável que é necessário. Nunca senti que abdicasse ou que descurasse alguma delas... se não fiz melhor na minha vida profissional ou pessoal, foi porque não soube fazer melhor... e nunca por “culpa” uma da outra. Trabalhei inúmeras horas extra. Inúmeras vezes reprogramei férias. Se isso prejudicou a minha vida pessoal? Acho que não. É preciso não confundir estar muito tempo com a família com ter tempo

de qualidade com a família. Penso que é isso que é preciso saber gerir. Sem dúvida que a minha mudança para África teria constituído o momento de maior impacto na minha vida pessoal. Tinha filhos pequenos e uma vida organizada em Lisboa. Muita gente não teria ido pela dificuldade da decisão, por medo disto e daquilo, a incerteza, a mudança... para não abdicarem... Se eu abdiquei de alguma coisa? Abdiquei de ficar “quietinha” em Lisboa com a vida a correr sem alterações. Mas nunca foi isso que quis para mim... por isso não abdiquei de nada, pelo contrário. E hoje, os meus filhos, já adultos, são pessoas muito mais felizes e valiosas por terem tido essa incrível experiência. ▪

“DIRIA QUE O PROFUNDO RESPEITO POR ÁFRICA FOI O FATOR MAIS DIFERENCIADOR. QUERENDO COM ISSO DIZER, QUE NÃO TRAZÍAMOS UM MODELO FEITO NOUTROS CONTINENTES. CONSTRUÍMOS UM MODELO TENDO EM CONTA AS ESPECIFICIDADES DOS MERCADOS AFRICANOS E O VALIOSO CONTRIBUTO DAS EQUIPAS LOCAIS QUE QUEREMOS QUE CRESÇAM CONNOSCO”

PAÍSES COM PAINEL ONLINE. MAIS DE 200.000 MEMBROS EM 34 PAÍSES.

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“Queremos ser o Parceiro preferencial de research dos nossos Clientes” “Tem sido a nossa postura de parceiro de research, combinada com a experiência de projetos nacionais e internacionais que nos tem tornado uma empresa de referência”, afirma Fernanda Pereira, CEO da Equação Lógica® market research & insights, enquanto descreve este projeto que tem como missão acrescentar valor aos seus clientes. Saiba de que forma.

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FERNANDA PEREIRA

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Equação Lógica® market research & insights é uma empresa portuguesa de estudos de mercado e consultoria, fundada em 2010. De que forma, ao longo destes 11 anos de história, a marca se tem afirmado uma referência no setor de pesquisa no mercado em Portugal? Ao longo destes 11 anos temo-nos mantido fiéis às nossas origens de orientação para o cliente. Mais do que produtos ou serviços de research fechados, oferecemos soluções completas e flexíveis para as questões sobre as quais os nossos clientes nos consultam. Por outro lado, procuramos também proativamente acompanhar toda a evolução das necessidades das marcas em geral, bem como das técnicas de investigação, pois sabemos que os clientes com quem trabalhamos procuram soluções personalizadas, rápidas e acessíveis que lhes permitam o maior crescimento possível dos seus negócios, tanto em tempos de crise como de crescimento económico. Tem sido a nossa postura de parceiro de research, combinada com a experiência em projetos nacionais e internacionais que nos tem tornado uma empresa

de referência tanto para clientes portugueses como internacionais. A missão da empresa é acrescentar valor aos clientes, através do fornecimento de informação e insights que ajudem a reduzir a incerteza na tomada das suas decisões. Assim, que serviços disponibiliza para aumentar o sucesso dos vários negócios e a eficácia das suas ações? Queremos ser o parceiro preferencial de research dos nossos clientes e por isso disponibilizamos estudos de diferentes naturezas, quantitativos e qualitativos, bem como com diferentes técnicas recolha de dados, desde entrevistas pessoais, por telefone, por correio, on-line ou por e-mail sobre as mais diversas vertentes dos negócios. Realizamos estudos de usos e atitudes, de tendências e de penetração e segmentação de categorias. Apoiamos os nossos clientes no desenvolvimento e avaliação de comunicação, inovação, brand health, posicionamento, consumer journey, shopper/in-store, satisfação de clientes, entre outros. Ajudamos também à tomada de decisão com testes de conceito e de


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produtos, testes de embalagens com estudos em linear, elasticidade de preços, forecasting de volumes de vendas, entre outros. O que fomenta a ideia de que a cultura empresarial da Equação Lógica® assenta num forte espírito de equipa, boa comunicação e motivação dos seus recursos humanos? Na minha opinião o sucesso de uma empresa assenta em três fatores: Missão, Visão e Valores. A Missão é a razão de ser de uma empresa, o propósito pelo qual todos nos esforçamos, esta define a nossa identidade, a nossa existência e como nos apresentamos em cada projeto. Cada definição estratégica e cada tomada de decisão, deve estar alinhada com a missão da empresa. A Visão procura responder onde a empresa quer estar no futuro, até onde quer chegar, deve ser construída com a participação de todos os colaboradores, é importante para o sucesso de cada instituição a partilha de “sonhos”, que devem ser inspiradores, realizáveis e objetivos. Os valores são o princípio das nossas ações e comportamentos e fazem parte de todos os colaboradores da empresa, os nossos valores assentam na ética, honestidade, rigor e responsabilidade que visam a satisfação das necessidades dos nossos clientes. Fazer a diferença é uma das muitas características desta marca. Enquanto CEO, de que forma tem feito, efetivamente, a diferença no mercado nacional? Os deveres do CEO são o que ele realmente faz, as responsabilidades que ele não transfere, afinal, alguns processos não devem ser delegados. Construir uma equipa e estabelecer uma forte rede de relacionamentos é um dos processos mais importantes numa empresa, desta forma conseguimos ser persistentes na direção das nossas metas. Considero pontos chave ter autoconfiança e abertura para mudar e curiosidade na aprendizagem constante sem nunca perder o foco no nosso cliente.

“AO LONGO DESTES 11 ANOS TEMO-NOS MANTIDO FIÉIS ÀS NOSSAS ORIGENS DE ORIENTAÇÃO PARA O CLIENTE. MAIS DO QUE PRODUTOS OU SERVIÇOS DE RESEARCH FECHADOS, OFERECEMOS SOLUÇÕES COMPLETAS E FLEXÍVEIS PARA AS QUESTÕES SOBRE AS QUAIS OS NOSSOS CLIENTES NOS CONSULTAM”

Ao longo do seu percurso pessoal e profissional, fazer a diferença, é algo a que sempre se propôs? O que nos pode contar sobre as convicções e ambições que regem a sua vida e, neste caso, a forma como lidera a Equação Lógica®? O segredo para ser bem-sucedido numa profissão não está no acaso ou na sorte. Na minha opinião está nas estratégias de ação e de possibilidades que delineamos para nós mesmos. O meu percurso profissional teve e tem um processo de superação e de aprendizagem constante, sempre fui uma pessoa ambiciosa, mas com uma ambição sadia. A liderança de uma equipa só trará bons resultados se conseguirmos entender o perfil de cada colaborador para desta forma ajudarmos a desenvolver as suas competências, tento sempre agir com equilíbrio e ser um exemplo para que tenham confiança em mim e nas minhas decisões. É muito importante saber o que os nossos colaboradores esperam de nós e sabermos ouvir as diferentes opiniões, sugestões e ideias. Defendo uma gestão participada. Quem é a Fernanda Pereira na qualidade de líder? É legítimo afirmar que é uma das características naturais da sua personalidade ou, aprendeu e sê-lo, consoante os desafios que a vida lhe impôs?

Considero-me uma pessoa extrovertida, resiliente e confiante ou seja, uma líder natural, faz parte da minha personalidade. Claro que ao longo dos anos fui aprimorando certas características que um líder tem de ter, a experiência trouxe-me novas competências na agilidade da liderança. Para terminar, porque devemos escolher a Equação Lógica® para parceira de negócios e, particularmente, na fase complexa em que vivemos? Atualmente assiste-se a uma forte competição entre Marcas que lutam por objetivos iguais: vender os seus produtos e serviços, atrair e captar o maior número de consumidores. Neste contexto de grande competição as Marcas tomam consciência que mais que nunca é necessário exercer uma grande influência na sua reputação, a Equação Lógica consegue através das suas metodologias ad-hoc ser um grande impulsionador no crescimento das mesmas. É imperativo que os nossos clientes se posicionem e que promovam a sua imagem dando destaque aos seus atributos, sem esquecer os seus valores. Mas que acima de tudo o façam de forma sustentada por boas análises de dados do consumidor, minimizando assim o risco das suas decisões. É para isto que existe a Equação Lógica. ▪

Avenida República da Bulgária, Lote 15, 10º B, 1950-375 Lisboa Tlf. + 351 211938619 geral@equacaologica.com

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“ESTOU NO PROJETO DESDE 2016, ANTES DA ABERTURA, E É UM PROJETO QUE SEMPRE ME ENCHEU DE ORGULHO. AQUI ME FOI DADA A OPORTUNIDADE DE CRESCER, QUANDO EM 2020 (ANTES DA PANDEMIA) FUI PROMOVIDA A GENERAL MANAGER, UMA POSIÇÃO QUE PRETENDO HONRAR AO MÁXIMO” MARGARIDA ANTÃO


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“Sempre fui uma Pessoa de Paixões e com vontade de aprofundar Conhecimentos” Paixão e empenho são as duas qualidades que melhor descrevem Margarida Antão enquanto profissional. Atualmente a ocupar o cargo de General Manager do Verride Palácio de Santa Catarina – e já com três aberturas de hotéis no seu currículo – a própria afirma ser este o seu projeto mais especial. Com uma infinidade de conceitos distintos, este Hotel é considerado por muitos um verdadeiro “bastião da cidade de Lisboa”. Conheça todos os pormenores.

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Margarida Antão conta já com um vasto percurso no mundo da Hotelaria. Queremos conhecê-la melhor. Quem é enquanto pessoa, mulher e profissional? Nativa de peixes, sempre fui uma pessoa de paixões e com vontade de aprofundar conhecimentos. A área de hotelaria sempre foi muito atrativa, pois permite fazer algo que sempre gostei: acarinhar os outros e tocar a sua vida. Poder lidar com os clientes e proporcionar-lhes experiências inesquecíveis que ficarão para sempre na sua memória, é algo aliciante e é o que me move todos os dias, desde que trabalho em hotelaria há cerca de 15 anos. Paixão e empenho no que faço, são duas palavras que melhor me descrevem como profissional. Como mulher, pode ser difícil conjugar a ver-

“INCRIVELMENTE BEM LOCALIZADO, MESMO JUNTO AO MIRADOURO DE SANTA CATARINA E COM UMA VISTA PRIVILEGIADA SOBRE O RIO TEJO E TODA A ENCOSTA DO CASTELO, O PALÁCIO É SEM DÚVIDA UM PONTO A NÃO PERDER NA CIDADE DE LISBOA” tente profissional, sobretudo numa área tão exigente em dedicação e tempo, com a vertente familiar, mas devo confessar que o papel de mãe e mulher me orgulha e motiva todos os dias a fazer mais e melhor e que conto com o apoio de toda uma estrutura familiar que me possibilita o melhor dos dois mundos. Atualmente é o rosto por detrás do Verride Palácio de Santa Catarina. Além de ser um renovado Palácio histórico do Séc. XVIII no

coração de Lisboa – uma das cidades mais entusiasmantes da Europa -, o que distingue este hotel? O Verride Palácio de Santa Catarina prima pelo serviço e pelo conforto. A quando da sua reabilitação para transformação em hotel de 5 estrelas, a maior preocupação foi a criação de algo belo, mas ao mesmo tempo funcional e ímpar. O serviço pretende-se de luxo, mas um luxo discreto, atento, onde nos esforçamos para bem receber e acolher, sem impor. A ideia do mentor

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do projeto e dono, Mr. Kees Eijrond, sempre foi dar os visitantes um porto seguro quando em viagem, uma casa fora de casa. Com isso, apostámos no extremo conforto e num serviço o mais personalizado possível. O Verride Palácio de Santa Catarina inspira-se pelo melhor que Portugal tem para oferecer: ingredientes e receitas, materiais de madeira e porcelanas e a simpatia das pessoas. De que forma podemos encontrar tudo isto no v/ serviço? O nosso lema é “quiet, local and elegant”. Em cada detalhe do nosso serviço, evidenciamos essa preocupação: o serviço é discreto, mas atento, com a preocupação de servir, mas não incomodar ou ser maçador. Providenciado com os melhores produtos locais e nacionais, desde a confeção de todas as nossas iguarias, no restaurante SUBA e em todos os locais de comidas e bebidas, aos lençóis das camas, turcos das casas de banho, toalhas de mesa, talheres, tapeçarias, o nosso serviço pretende também exaltar a excelência da manufatura nacional, tantas vezes elogiada por todos os que nos visitam e têm o gosto de conhecer. A elegância de um bom serviço é conseguida com a conjunção de bons materiais com a excelência do bem receber por parte de toda a nossa equipa, a Família Verride. É com certeza o pilar de toda a existência e dia a dia do Verride Palácio de Santa Catarina, o orgulho e gosto em trabalhar para esta casa única, que se reflete na forma como damos as boas vindas e acolhemos os nossos clientes. Da mesma forma que a Capital de Portugal é uma inspiração para o Verride Palácio de Santa Catarina, podemos afirmar que o Hotel é, também ele, um ponto essencial para se conhecer e enriquecer a cidade de Lisboa? Incrivelmente bem localizado, mesmo junto ao Miradouro de Santa Catarina e com uma vista privilegiada sobre o Rio Tejo e toda a encosta do Castelo, o Palácio é sem dúvida um ponto a não perder na cidade de Lisboa. A preocupação de Mr. Kees Eijrond é a criação de beleza e retribuição à cidade do que a cidade lhe deu: um porto seguro depois de tantas viagens, uma segunda casa. De acordo com isso, o Hotel visa enriquecer a cidade e ser uma porta aberta para todos quantos a visitam ou habitam, também daí advém o cuidado de criar no Restaurante SUBA um produto de excelência, mas de preço médio acessível, para garantir que o maior número de pessoas consegue usufruir daquele espaço magnífico. Desde o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana, ao Prémio do Melhor Hotel Palácio de Luxo da Europa, vários são os destaques nacionais e internacionais. Que significado têm estes reconhecimentos na história do Verride Palácio de Santa Catarina? O Verride Palácio de Santa Catarina é relativamente recente, com uma história de pouco menos de quatro anos desde a sua abertura em 2018. No entanto, é um sonho de há mui-

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tos anos, que apenas com muita paciência e perseverança se tornou possível. É um orgulho muito grande, com tão poucos anos de história, termos já conseguido provar com o Hotel, mas também com o Restaurante SUBA, também ele reconhecido nacional e internacionalmente, que o que fazemos é diferenciador, bem feito e muito apreciado. Agradecemos a todos os que nos visitam os votos de confiança e apreço demonstrados. E é fantástico poder aliar isso a um edifício reconhecido arquitetonicamente, quer pelo Prémio Nacional de Reabilitação Urbana quer pela menção no Prémio Valmor, provas mais uma vez dadas do incrível trabalho realizado pelo gabinete de arquitetura Teresa Nunes da Ponte. A Hotelaria, como sabemos, tem sido um dos setores mais afetados da pandemia, pelas inúmeras consequências que todos conhecemos. Assim, de que forma o Verride Palácio de Santa Catarina tem ultra(passado) os meses mais complexos? A pandemia foi e está ainda a ser uma altura de muitos desafios, desde os financeiros aos da própria gestão diária de ativos, quer humanos quer materiais. Gosto de pensar que os desafios nos fazem crescer, obrigam-nos a cultivar o raciocínio rápido e a confiar mais na nossa resiliência e capacidade de avançar. O Verride Palácio de Santa Catarina está fechado há um ano e meio, desde março de 2020 (com uma breve abertura de um mês no verão de 2020), estando previsto a sua reabertura para setembro de 2021. Para uma casa tão recente, o impacto da pandemia foi brutal. No entanto, conseguimos também desenvolver laços importantes com parceiros, estreitados por esta altura desafiante e estamos confiantes que a hotelaria tem futuro, e que temos que ser positivos e acreditar que um melhor futuro virá. Esta fase serviu também para consolidar o nosso Restaurante SUBA, que se manteve aberto e tem cada vez uma presença mais marcante no panorama da restauração da capital portuguesa. Pessoalmente e profissionalmente, como é para a Margarida Antão estar à frente de algo tão valioso e grandioso? É com muita honra e entusiasmo que aceitei este voto de confiança da empresa e do conselho de administração. É incrível poder todos os dias ajudar a guiar o futuro de tão importante marca na cidade, no país e no Mundo. É uma casa recente, com muito potencial e é muito gratificante, como mulher e como profissional de hotelaria, poder ser General Manager deste incrível projeto.

visita. A arte de liderar pessoas está em saber equilibrar o que é a necessidade da empresa com o que são as necessidades das pessoas que connosco trabalham. Acredito numa liderança próxima, em conhecer as pessoas, os seus feitios, a sua vida, para que também a forma como lidamos com elas possa ser reveladora e adaptada a esse conhecimento. É um esforço diário, conseguir colaboradores felizes e realizados no seu trabalho, para que esse sentimento se reflita no serviço realizado ao cliente, mas é incrivelmente gratificante quando conseguimos e vemos o cliente reconhecer os colaboradores e reforçar que efetivamente o que distingue o Verride Palácio de Santa Catarina são as pessoas, a nossa Família Verride, e o amor e dedicação que colocam em tudo o que fazem. Sente que o Verride Palácio de Santa Catarina é um dos seus maiores projetos de vida? O que ambiciona ainda alcançar? Já conto com três aberturas de hotéis no meu currículo, mas esta sempre foi especial. Estou no projeto desde 2016, antes da abertura, e é um projeto que sempre me encheu de orgulho. Aqui me foi dada a oportunidade de crescer, quando em 2020 (antes da pandemia) fui promovida a General Manager, uma posição que pretendo honrar ao máximo. Há muito que alcançar, tanto eu como toda a equipa estamos empenhados na consolidação de uma jovem

marca com apenas quatro anos, queremos cimentar a marca no mercado internacional, alcançar o reconhecimento que este incrível projeto merece. ▪

A terminar, quer deixar um convite aos nossos leitores para conhecerem os encantamentos – por todos os visitantes admirados – do Verride Palácio de Santa Catarina? O Verride Palácio de Santa Catarina é efetivamente um bastião da cidade de Lisboa e toda a sua reconstrução foi feita de forma a honrar a sua história e a preservar todas as marcas de sua antiguidade (como por exemplo madeiras e painéis de azulejos). Convidamos a que venham ao nosso Hotel e ao restaurante SUBA para poderem admirar este palácio, existente na cidade desde o século XVIII, e usufruir de um serviço relaxado, discreto, mas ímpar na cidade. Estamos de braços abertos para vos receber!

Na sua opinião, o que é mais complexo na arte de liderar pessoas? E o mais gratificante? Para criarmos um produto único como o nosso, as pessoas são a base. É aí que reside toda a diferença, é no serviço prestado por elas que podemos marcar os nossos hóspedes, que conseguimos criar memórias positivas e duradouras e melhorar um pouco a vida de quem nos

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PELA VOZ DE ROSANA ALMEIDA, JORNALISTA E CEO DO INSTITUTO CABO-VERDIANO PARA A IGUALDADE E EQUIDADE DE GÉNERO

Entre duas Paixões:

FOTO: DÉCIO BARROS

Jornalismo e Igualdade de Género

ROSANA ALMEIDA

S

ou Rosana Almeida, licenciada em jornalismo pela escola superior do jornalismo do Porto, Portugal. Presido o Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género, ICIEG desde 2016. Durante quase duas décadas fui pivot do jornal da noite da Televisão de Cabo Verde (TCV), tendo sido galardoada pela afrosondagem com mais de 12 distinções, nomeadamente de melhor apresentadora de Televisão de Cabo Verde e jornalista de confiança dos cabo-verdianos. Fui também homenageada pelo Presidente da República de Cabo Verde, com a Segunda Classe da Medalha de Mérito “em reconhecimento pela valiosa contribuição para a informação e formação da sociedade de forma isenta e objetiva, contribuindo para o fortalecimento da liberdade, da independência e da democracia”. Sou membro da Rede de Mulheres Líderes da

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África junto das Nações Unidas e ponto focal de género da CPLP e da CEDEAO em Cabo Verde. Enquanto jornalista, liderei durante largos anos grandes debates políticos e cobertura eleitorais em Cabo Verde. A uma determinada altura quis crescer mais e evoluir profissionalmente. Sentia essa necessidade, mas nunca tinha colocado a hipótese de deixar a Televisão de Cabo Verde. Em 2016, recebi a proposta para liderar o Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG). Durante largos meses hesitei em responder. Na altura, perguntei a quem me tinha feito a proposta: porque eu? E a resposta pareceu-me ter alguma lógica... “a sua visibilidade, o facto de ter uma imagem com a qual muitas Cabo-verdianas se identificam levou-nos a convidá-la para este desafio. Acreditamos que na sua capacidade de trabalhar e, sobretudo na sua notória

entrega a causas sociais”. Porém, nem esses argumentos me convenceram logo a deixar a TCV. Sair da minha zona de conforto parecia algo impensável, assim como não estava nos meus planos deixar de fazer o que mais gostava na vida, estar em frente às câmaras de filmar, enfrentar políticos. Eram rotinas que, profissionalmente, enchiam a minha alma. Levei três meses para decidir até que acabei por aceitar a proposta e entrar no ICIEG em Defesa da igualdade entre homens e mulheres em Cabo Verde. Foi extremamente difícil no início. Entrar na máquina pública exigia de mim muita ousadia e coragem para uma mulher que estava habituada a questionar tudo e todos. De repente dei por mim a fazer o seguimento e a executar políticas que promovam a efetiva igualdade de género. A missão de desconstruir estereótipos numa sociedade machista, contri-


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EM POUCO TEMPO ACABEI POR DESCOBRIR UMA NOVA PAIXÃO A IGUALDADE DE GÉNERO! O facto é que sempre estive ciente de que não há desenvolvimento, sem uma aposta plena no ODS 5. A igualdade de género é um fator de desenvolvimento e o mundo precisa de assumir esta luta como sendo uma prioridade. Sempre defendi que a igualdade de género não pode ser o parente pobre do sistema e revolta-me sempre que constato uma resistência e uma propositada surdez que fazem com que os acessos ao poder continuem nas mãos dos homens. Se metade da população do mundo é constituída por mulheres, as decisões sobre como será o futuro que impacta homens e mulheres, meninas e rapazes, não podem continuar a ser determinadas sobretudo por homens. Repare que no mundo, 66% das mulheres são a força do trabalho, 50% produzem os alimentos, 10% tem acesso a esse rendimento e apenas 1% é proprietária desse rendimento. Há fossos gritantes que urgem ser corrigidos. Adotei um lema desde o início da minha entrada no ICIEG. A Hora é agora. Foi com esse lema que lutei, enquanto presidente do ICIEG, para que o país tivesse a lei da paridade e para que a igualdade entre homens e mulheres merecesse a centralidade da agenda pública, a ponto de fazer do meu país uma das referências em África em matéria de igualdade de género. Esta luta move-me ainda mais quando analiso o impacto da COVID-19 nas desigualdades de género no mundo. É preciso não perder de vista que a pandemia é uma crise que afeta profundamente as mulheres e que aumentou dramaticamente as desigualdades de género no mundo, empurrando milhares delas para fora do mercado de trabalho, arriscando as suas independências económicas tão cruciais para conseguir afastá-las de círculos viciosos da violência, sobretudo no próprio lar que se revelou o lugar mais perigoso para viver para muitas delas. Então, trabalhar para fazer de Cabo Verde uma referência no continente Africano em matéria de Igualdade de Género foi uma ideia que me fascinou, sobretudo por ter a responsabilidade de promover políticas sociais transformadoras. Ficamos com a sensação de estar a ser úteis para as gerações vindouras que precisam de caminhos abertos, outros desafios e igualdade de acesso e de oportunidades. 27 anos depois, temos um Cabo Verde com uma instituição responsável pelo seguimento e implementação das políticas de igualdade de género que iça a bandeira da transversalização do género nos setores chave de desenvolvimento do país, nomeadamente a educação. A introdução da igualdade de género no ensino,

FOTO: DÉCIO BARROS

buir para mudar mentalidade, promover uma sociedade mais igualitária e com justiça social sem deixar ninguém para trás, acabaram por ser uma luta que abracei com vigor.

“27 ANOS DEPOIS, TEMOS UM CABO VERDE COM UMA INSTITUIÇÃO RESPONSÁVEL PELO SEGUIMENTO E IMPLEMENTAÇÃO DAS POLÍTICAS DE IGUALDADE DE GÉNERO QUE IÇA A BANDEIRA DA TRANSVERSALIZAÇÃO DO GÉNERO NOS SETORES CHAVE DE DESENVOLVIMENTO DO PAÍS, NOMEADAMENTE A EDUCAÇÃO” na formação profissional, a orçamentação sensível ao género, assim como a desnaturalização da violência baseada no género, a classificação da VBG como crime de prevenção prioritária, a introdução da lei de VBG no Código Penal, a aprovação e implementação, com sucesso, da lei da paridade, são os ganhos mais visíveis registados nos últimos cinco anos. O Estado de Cabo Verde assumiu o compromisso de ser uma Nação promotora da igualdade de género e, em abril de 2020, foi eleito pelas Nações Unidas um dos quatro países campeões em igualdade de género no continente africano no combate a pandemia da COVID-19. Tenho o privilégio de estar na liderança de uma instituição que ratifica todos os compromissos internacionais em matéria de género, de deixar a minha assinatura enquanto Presidente do ICIEG na adesão de Cabo Verde à plataforma Equal Rigth Coalition (ERC) para direitos LGBTI, tornando-nos no primeiro país em África a subscrever a plataforma. Na verdade, o arquipélago apresenta marcos legais nesta matéria dignos de registo. A Constituição da República de Cabo Verde e o quadro legislativo são favoráveis à igualdade entre homens e mulheres. Verifica-se igualmente a integração consistente da abordagem de género, em vários diplomas nacionais, bem como a adoção de regulamentações específicas para eliminar normas discriminatórias e o recurso a medidas especiais temporárias para acelerar a igualdade entre mulheres e homens. A revisão de instrumentos legais para suprimir barreiras no sentido da promoção e proteção de seus direitos são notórias, nomeadamente a que estabelece as medidas de apoio social e

escolar para garantir a permanência de alunas grávidas, mães e respetivos pais, no sistema educativo. Cabo Verde que em África é o país com maior taxa de meninas no ensino e nas universidades, acabou por corrigir assim uma grande discriminação ao permitir que alunas grávidas permanecessem nos estabelecimentos de ensino. Com o objetivo de conhecer os desafios que elas enfrentam, fizemos um estudo diagnóstico intitulado “Ela estuda por dois”, que foi financiado pela Fundação “Mujeres por Africa”. Este estudo traçou algumas recomendações essenciais e que foram já partilhadas com o Ministério da Educação para o seguimento e a implementação. A ideia é acompanhar as alunas grávidas nas escolas, ao mesmo tempo que estamos na luta para travar a gravidez na adolescência. Estamos de olhos postos no impacto da Covid-19 nas desigualdades de género e o que não podemos aceitar são retrocessos. Cabo Verde tem tido grandes ganhos a nível da saúde sexual e reprodutiva e por isso, não nos podemos dar ao luxo de andar para trás. Na verdade, o diploma assume uma abordagem holística no tratamento da gravidez, da maternidade e da responsabilidade paternal e reconhece a relevância da coresponsabilização de homens e mulheres com o trabalho reprodutivo ou do cuidado. As mudanças registam-se também na orgânica do Ministério de Educação, onde foi criado um departamento que promove os direitos humanos, a cidadania e a igualdade de género e que coordena e segue a implementação do Decreto nas escolas. Ao mesmo tempo, tenho apostado fortemente

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FOTO: DÉCIO BARROS

“O ESTADO DE CABO VERDE TEM REGISTADO AVANÇOS NOTÁVEIS ​​NA ÁREA DA DEMOCRACIA E ESPECIFICAMENTE EM MATÉRIA DE IGUALDADE DE GÉNERO”

na promoção de uma cultura de tolerância e de não violência, levando a instituição que presido a trabalhar novas masculinidades, a começar pelos alunos de todos os liceus do país. Temas como violência no namoro, gravidez na adolescência, novas masculinidades, tem estado a merecer destaque nas intervenções do instituto cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género. A aposta, sem dúvida, recai por trabalhar com as ONG’s e com os poderes locais, particularmente com foco nos líderes comunitários e na promoção de uma agenda municipal de género, porque são os municípios que estão mais perto das populações e, por isso tem maior poder de influenciação para a mudança de comportamentos. Ainda reportando os marcos legais, destaco também a gratuidade na inscrição e frequência em estabelecimentos públicos e privados de educação e de formação profissional para pessoas com deficiência; o regime da Execução da Política Criminal que determina que os crimes contra a liberdade e a autodeterminação sexual, a VBG e os crimes praticados contra crianças, idosos e pessoas vulneráveis, são crimes de prevenção prioritária; a lei que Estabelece as Bases do Orçamento do Estado que define os princípios e regras que regulam a sua formulação, programação, aprovação, execução, avaliação, controle e responsabilização. Instituiu a utilização dos bens e recursos públicos de forma equitativa para ambos os sexos, através da obrigatoriedade de elaboração e execução de orçamentos sensíveis ao género, a Lei da Paridade na Política (2019), que assenta no reconhecimento constitucional da: (i) igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres; (ii) a importância da sua participação equilibrada para consolidar a democracia representativa; (iii) e a justiça

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a defender iguais oportunidades para mulheres e homens, reconhecendo as formas diretas e indiretas de discriminação que existem em razão do género; Instrumentos legais de suporte da proteção social, tal como a regulamentação do acesso às tarifas sociais de água e energia elétrica e habitação (2018 e 2019) adoção de critérios de discriminação positiva, a favor das mulheres chefes de família. Destaco ainda o Decreto-Lei (2020) que estabelece o Rendimento Social de Inclusão - institucionalizando uma nova prestação social, direcionada para a garantia de um rendimento mínimo, para os agregados familiares em situação de extrema pobreza, que responde a critérios de discriminação positiva dos agregados chefiados por mulheres; Decreto-Lei que cria a Alta Autoridade para Imigração (2020), com natureza de um Instituto Público de Regime Especial, com autonomia e responsabilidades para coordenar e implementar políticas e medidas no domínio da Imigração, com foco especial na instalação e monitoramento de um sistema integrado, a nível nacional, para o acolhimento e integração dos imigrantes; Resolução, que cria o Programa Cabo Verde Digital CVD (2020), que visa promover o Ecossistema de Empreendedorismo de Base Tecnológica (EBT). Assume a promoção da igualdade de género como missão e inclui nos objetivos a promoção da empregabilidade dos jovens, especialmente das mulheres; Regime Jurídico de Prevenção e Luta Contra o HIV (2020), que conta com artigos específicos sobre direitos humanos e perspetiva de género; mulheres que vivem com HIV, direitos de crianças e adolescentes com HIV e pessoas com deficiência. Inclui uma secção sobre praticas discriminatórias. As políticas traçadas nos últimos anos fizeram com que Cabo Verde fosse bem posicionado

na temática de género, pelo relatório do Banco Mundial “Women Business and the Law”, que analisa as leis e regulamentos que afetam as oportunidades económicas das mulheres, no qual o país tem uma pontuação de 86.3, numa escala de 100. O PEDS (2017-2021), que é o instrumento de planificação para a materialização do Programa do Governo, define a igualdade de género como uma dimensão fundamental para o desenvolvimento inclusivo e sustentável do país, e a igualdade de género figura como eixo programático chave na prossecução do Objetivo 3 - assegurar a inclusão social e a redução das desigualdades e assimetrias sociais e regionais, mas também de forma transversal e complementar em todos os outros três objetivos, sob forma de programas enquadrados no Pilar Social. O capítulo 5, sobre a “Operacionalização do PEDS”, inclui explicitamente a abordagem transversal da igualdade de género. Como resultado, 22 dos 34 programas do PEDS, distribuídos por três pilares (Economia, Social e Soberania); o quadro lógico do PEDS inclui alguns indicadores de impacto de género e 63% dos programas do PEDS integram a igualdade de género nos seus objetivos e indicadores, para além da existência de um programa específico de género, vinculado ao Objetivo 3. Nove Planos Municipais de Desenvolvimento também adotaram essa abordagem. VIOLÊNCIA BASEADA NO GÉNERO (VBG) EM QUEDA EM CABO VERDE Quando entrei no ICIEG em 2016, o índice da Violência Baseada no Género era mais elevado. Uma em cada cinco mulheres diz ter sido vítima da VBG em Cabo Verde. Uma aposta forte na educação, na comunicação para a mudança de comportamentos e formação dos magistrados, agentes da Polícia Nacional, alunos e professores, líderes comunitários e municipalização do atendimento às vítimas fizeram com que hoje o país registasse uma diminuição de 12% da VBG. A eliminação da violência baseada no género é uma das principais bandeiras da igualdade de género no país. Em 2018, a proporção de mulheres que sofreu violência física foi de 10,9% e 5,8% já sofreram violência sexual em qualquer momento da sua vida. Registou-se uma diminuição de 14,4% de mu-


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NA IMPLEMENTAÇÃO DA AGENDA NACIONAL PARA A IGUALDADE DE GÉNERO O Estado de Cabo Verde tem registado avanços notáveis ​​na área da democracia e especificamente em matéria de igualdade de género. De acordo com os dados do relatório Global Gender Gap Report 2020, do Fórum Económico Mundial, Cabo Verde passou a ocupar posição 52º, entre os 153 países avaliados, com um índice de 0,725 e uma variação positiva de 3,38%. Os índices mostram que o país estava prestes a eliminar as disparidades de género nas áreas da saúde e sobrevivência (0,974) e educação (0,970). Indicavam igualmente disparidades no que respeita às oportunidades económicas (0,790) e ao empoderamento político (0,160). Outros exercícios de monitorização internos e externos, realizados no período compreendido entre 2016 e 2021 e que se destacam, são, o Relatório Beijing +25, o Relatório do Comité da CEDAW, e os desafios identificados pelas instituições governamentais e não governamentais, durante o processo de elaboração do PNIG. APROVAÇÃO DA LEI DA PARIDADE FOI UM GRANDE DESAFIO, MAS GANHAMO-LA Uma das lutas que tive maior prazer de ter participado foi a elaboração e aprovação da lei da paridade. Aliás, foi uma das razões que me levou ao ICIEG. Quis fazer parte deste processo enquanto cidadã, enquanto jornalista e enquanto presidente do instituto, que teve responsabilidade de implementar todo o plano de advocacia com vista à aprovação da Lei da paridade. Posicionei-me várias vezes e, publicamente, sobre o seu agendamento e adiamento. Estava determinada em vencer o desafio que me tinha levado ao ICIEG e, por isso, não medi esforços num intenso plaidoyer, fazendo valer a minha veia jornalística para sensibilizar a opinião pública, os políticos e a sociedade civil. Nesse processo, um dos primeiros passos e bem ousado, aconteceu quando, por ocasião da preparação para a discussão e aprovação, propus enquanto presidente do ICIEG a introdução de algumas propostas: uma delas fazia toda a diferença e hoje consta como artigo 6 da lei da paridade de Cabo Verde. Cito: “efeitos da não corre-

ção das listas de candidatura aos órgãos colegiais do poder político, nos prazos e termos previstos na respetiva lei eleitoral, determina a sua rejeição pelo tribunal onde tenham sido depositadas e comunicadas no prazo de quarenta e oito horas à Comissão nacional de eleições.” Este era um dos artigos mais ousados e que mais temíamos. A articulação estreita com a Rede de Mulheres Paramentares e ONG’s e todo o trabalho de comunicação fizeram com a que a lei acabasse sendo votada no parlamento por maioria qualificada, com 62 votos favoráveis sendo 35 do MpD, 27 do PAICV e três votos contra da UCID. Presenciei o momento na galeria do parlamento cabo-verdiano. O que vi foi um parlamento onde todos os deputados estavam determinados, independentemente da cor política em fazer votar a lei da paridade. Esse dia foi, para mim, marcante de facto! Mas enquanto presidente do ICIEG, mais do que a lei era a responsabilidade que tinha na sua efetivação prática. Os resultados das eleições autárquicas, sob a égide da Lei de Paridade na Política (novembro de 2020) e das eleições legislativas (abril de 2021), mostram a extrema importância do desenvolvimento de um quadro específico e vinculante à promoção da igualdade de género. Os resultados obtidos constituem um marco histórico. Foi atingida a paridade fixada (40%) no poder autárquico, resultante de um aumento de 14%, (de 28% em 2016 para 42% em 2020) - o número de mulheres aumentou de 97, para 200. No poder legislativo registou-se um aumento da representação feminina de 13,9%, o número de mulheres eleitas passou de 17 (2016 - 23,6%) para 27 (37,5%). Para atingir a paridade teriam que ser eleitas mais três mulheres. O governo empossado em maio de 2021 não é paritário (9 mulheres e 19 homens). A representação das mulheres (32,1%) teve um apenas um

É meu desejo que todas as cabo-verdianas tenham o poder sobre elas mesmas a todos os níveis. Quando chegarmos a este ponto poderemo-nos vangloriar de termos atingido a plena autonomia. Enfrentei o desafio de liderar o ICIEG como uma oportunidade de crescer. Superei o meu medo de sair da minha zona de conforto, embora nunca me tivesse passado pela cabeça deixar a TCV. Televisão é a minha alma e igualdade de género a menina dos meus olhos.

acréscimo de 1,4 p.p. Para atingir a paridade seria necessário que o elenco governamental integrasse mais três mulheres. Neste momento estamos a centrar nos desafios e seguimento da lei. Os desafios estão já identificados: vamos aprofundar o trabalho sobre a mudança necessária nas relações de poder no espaço familiar. Entendemos ser na família onde se transmitem e reproduzem as assimetrias do exercício do poder; aprofundamento da desfamiliarização e corresponsabilização do trabalho de cuidados; continuar a ação para eliminar as desigualdades, nomeadamente a nível de chefias intermédias na administração pública, e o aumento da participação das mulheres nos espaços de tomada de decisão no setor privado e nas Organizações da Sociedade Civil. A minha vida agora segue guiada por duas paixões: jornalismo e género. Jornalismo continua a ser a minha maior paixão. Aliás, costumo dizer que se voltasse a nascer queria ser jornalista. Eu aprendi muito entrando num outro mundo, estar do outro lado de quem traça política, enfrenta desafios para implementá-las. Aprendi a colocar-me na pele de quem tem contas a prestar e não apenas no lugar de que quem questiona os resultados. Esta evolução é bonita e fez me crescer de uma forma intensa. Aprendi que a trabalhar para impulsionar mudanças de comportamentos, promover políticas de discriminação positiva por vezes a favor de rapazes e outras vezes a favor de meninas. Promover medidas que promovem a tolerância e aposta nas novas masculinidades para falar com homens sobre a mudança de comportamento e com os pais, apelando-os a repensarem a forma como estão a educar os filhos. A conciliação entre a vida familiar e laboral, o plano de cuidados são missões nobres e que mudam vidas. Sinto-me grata por ter estado na base do seguimento e avaliação dessas políticas. E como cresci! ▪

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lheres que sofrem violência física desde os 15 anos na faixa etária dos 15 aos 19 anos, sugerindo uma tendência de melhoria significativa das relações entre a população jovem. O país é signatário da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, sendo ainda relevante para o país o Samoa Pathway, e a Agenda Africana 2063. São referências no desenho e implementação das medidas de política, os instrumentos de direitos humanos regionais ratificados, nomeadamente o Protocolo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, sobre os Direitos das Mulheres em África (Protocolo de Maputo).

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PONTOS DE VISTA BREVES

EUROPCAR MOBILITY GROUP

A EDP VAI LIMPAR AS PRAIAS DE NORTE A SUL DE PORTUGAL

QUER QUE OS VEÍCULOS VERDES REPRESENTEM 10% DA SUA FROTA GLOBAL ATÉ AO FIM DE 2021

Numa iniciativa promovida no âmbito do Planeta Zero, a EDP Comercial vai percorrer 16 praias e desafiar as pessoas a ajudar, recolhendo todo o lixo que encontram ao longo do areal. Para ajudar basta dirigir-se a uma destas praias no dia correspondente, onde lhe será oferecido um saco para recolher todo o lixo. A partir de agosto, os locais são Praia Verde em Castro Marim (1 de agosto), Praia de Matosinhos (7 de agosto), Praia do Molhe no Porto (8 de agosto), Praia da Barra em Ílhavo (14 de agosto), Praia da Claridade na Figueira da Foz (15 de agosto), Praia dos Pescadores na Ericeira (21 de agosto), Praia Grande em Sintra (22 de agosto), Praia de Paço de Arcos (28 de agosto), Praia de Carcavelos (29 de agosto). No dia 4 de setembro o encontro está marcado na Praia de São João, em Almada; e no dia 5 de setembro, na Praia do Creiro, em Setúbal. Todo o lixo é pesado no final de cada dia e o seu peso será registado em nome de cada participante. Posteriormente, no fim da ação, as três pessoas que conseguirem recolher mais lixo serão premiadas. O primeiro classificado recebe uma bicicleta, o segundo uma trotinete e o terceiro um voucher no valor de 100€ para utilizar na dott.pt.

O Europcar Mobility Group reforça o seu compromisso para uma mobilidade mais sustentável com a adição de mais veículos elétricos e híbridos às suas frotas. Até ao fim de 2021, o grupo pretende que os veículos verdes representem 10% da sua frota global, estabelecendo a meta de alcançar 1/3 da mesma até 2023. Estes automóveis vão estar disponíveis nas novas modalidades de aluguer que o grupo tem vindo a apresentar e que refletem as necessidades das empresas ao mesmo tempo que permitem aos negócios testar soluções mais sustentáveis. Em Portugal, a Europcar prossegue o mesmo caminho e está também a reforçar a sua frota com veículos elétricos, contando atualmente com 82 veículos plug-in e 155 veículos elétricos. Esta oferta vai estar disponível no Porto (cidade, aeroporto, Maia), Lisboa (Aeroporto, Avenida António Augusto de Aguiar, Rua Rodrigues Sampaio, Rua Castilho e Prior

Velho) e Faro (Aeroporto e Montenegro), e a partir de setembro no Funchal/Madeira. Nuno Barjona, Head of Marketing do Europcar Mobility Group Portugal, explica a forte aposta da Europcar em promover o aluguer de veículos verdes a nível nacional: “Queremos que o aluguer de carros mais amigos do ambiente seja atrativo, que não existam entraves à utilização destas viaturas no dia-a-dia dos nossos clientes. Por isso, vemos o aumento de viaturas elétricas e híbridas nas nossas frotas, bem como a flexibilização da nossa oferta, como passos fundamentais para ajudar as empresas a enfrentar novas realidades, sobretudo nos tempos incertos que vivemos.” Estes objetivos vêm em linha com as metas para o aquecimento global definidas pelo Acordo de Paris. O grupo quer reduzir as suas emissões diretas de dióxido de carbono em 46% e as emissões indiretas produzidas pelos seus clientes em 13%, até 2030.

“VOAR NA BEIRA BAIXA” 6 DIAS A SOBREVOAR UMA DAS MAIS BONITAS REGIÕES DO PAÍS: A BEIRA BAIXA De 30 de agosto a 4 de setembro de 2021 aterram, em pleno coração da Península Ibérica, entre 15 a 20 equipas de pilotos oriundos de vários países do mundo, prontos para colorir os céus da Beira Baixa com gigantescos balões de ar quente, de várias formas e feitios, num inesquecível espetáculo de cor. Dezenas de balões de ar quente voarão sobre as estradas, os trilhos e as deslumbrantes paisagens, dos municípios da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa: Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão. Organizado pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB), com direção técnica da Windpassenger e o apoio de Cepsa Gás e da Renascença, o

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evento “Voar na Beira Baixa” será o “embaixador” da nova experiência que a Beira Baixa vai possibilitar a todos aqueles que visitam o seu território: conhecer a Beira Baixa a partir do céu num espetacular balão de ar quente. O evento inclui ainda uma Rota Gastronómica, uma iniciativa que pretende apoiar os vários restaurantes locais e evitar, assim, a aglomeração dos participantes, num único espaço fechado. No site www.voarnabeirabaixa.com e redes sociais Facebook e Instagram encontra toda a informação sobre o evento “Voar na Beira Baixa”. As inscrições para os voos de balão de ar quente e restantes atividades já iniciaram.


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PONTOS DE VISTA SUSTENTABILIDADE

“A Sustentabilidade é para a Climex uma prática diária nas várias vertentes” Hoje, mais do que nunca, a Climex está “empenhada em fazer do tema da sustentabilidade a bandeira dos próximos anos com medidas que terão um verdadeiro impacto na redução da pegada de carbono”. Quem o afirma é Sara Hipólito, Diretora de Marketing, Innovation & Training desta marca que, através das suas soluções de limpeza e higiene, tem contribuído para um planeta melhor.

A

Climex é uma empresa portuguesa de serviços de higiene e limpeza fundada em 1967, sendo líder em criação de valor, inovação e sustentabilidade. Quais têm vindo a ser os fatores fundamentais da marca e da sua consolidação no mercado ao longo dos mais de 50 anos de existência? A Climex distinguiu-se sempre como sendo uma empresa inovadora na sua área de especialidade e tem sido pioneira na implementação de novas tendências no setor. Num setor de atividade e serviço que se tem caraterizado praticamente como indiferenciado, a nossa aposta de diferenciação tem sido sempre a inovação.

SARA HIPÓLITO

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A Climex possui um Ecossistema completo de soluções, ao aplicar inovação tecnológica e robótica de serviços inteligentes de limpeza.

Para melhor entender, de que soluções estamos a falar e que valor aportam ao cliente? Desenhamos soluções à medida de cada cliente, de acordo com as necessidades e desafios da sua própria atividade. Ao combinarmos a tecnologia com a prestação de serviços de higiene, asseguramos que os níveis de higiene e de produtividade acordados são monitorizados em tempo real. Permite, quer ao cliente quer à equipa de gestão Climex, tomar decisões com base em dados objetivos, com elevados níveis de bem-estar e segurança para os colaboradores. A esta integração digital, a Climex dá o nome de “Intelligent Cleaning”, que disponibiliza ao cliente informação qualitativa e quantitativa em tempo real em relação ao cumprimento dos SLA’s (Service Level Agreement) acordados, permitindo utilizar essa informação através da sua


PONTOS DE VISTA SUSTENTABILIDADE

“A COVID-19 REVELOU O QUÃO CRUCIAIS SÃO OS PRESTADORES DE SERVIÇOS DE LIMPEZA, NO APOIO À MANUTENÇÃO DE CUIDADOS DE SAÚDE, ATIVIDADES DE NEGÓCIO E CADEIAS DE ABASTECIMENTO, AO PROPORCIONAREM CONDIÇÕES DE HIGIENE, LIMPEZA E DESINFEÇÃO” organização para criar valor no seu processo produtivo. É aqui que, a diferenciação, traz novas soluções para os desafios que surgem e tem sido preferida por inúmeros clientes industriais e corporativos. Considera que, atualmente, tendo em conta a pandemia que vivemos, a sociedade ganhou uma maior consciencialização no que diz respeito à higienização e limpeza? A Cli-

mex sentiu um maior impacto neste período? A COVID-19 revelou o quão cruciais são os prestadores de serviços de limpeza, no apoio à manutenção de cuidados de saúde, atividades de negócio e cadeias de abastecimento, ao proporcionarem condições de higiene, limpeza e desinfeção. Com a pandemia e surtos de infeção, por um lado, ficaram expostas as deficiências de alguns prestadores de serviços de Limpeza, onde o preço era o único atributo que tinham para se posicio-

nar no mercado. Por outro, o comprador deparou-se com respostas e soluções muito aquém do necessário para assegurar a continuidade do negócio e a saúde dos seus colaboradores. É inegável, que o preço, se utilizado como único critério de avaliação e escolha, promove más práticas de contratação, que num contexto de pandemia pode ter consequências graves em termos de saúde pública e colocar em risco o regresso seguro à atividade económica. Na Climex a forma como pensamos e executa-

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PONTOS DE VISTA SUSTENTABILIDADE

“A CRISE PANDÉMICA VEIO REALÇAR EM CADA UM DE NÓS A CONSCIÊNCIA AMBIENTAL, A CONSCIÊNCIA DE UMA MAIOR NECESSIDADE DE REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR. NA CLIMEX O FOCO TEM SIDO AO NÍVEL DO PRIMEIRO PATAMAR DA ECONOMIA CIRCULAR, O REDUZIR”

mos o serviço, com Intelligent Cleaning & Disinfection, permite assegurar um regresso seguro aos locais de trabalho, em que os colaboradores podem avaliar o que está a ser feito para manter o seu espaço de trabalho seguro. A pandemia veio valorar o serviço que está a ser prestado, criando proximidade e confiança, ou seja, relações win win. No que concerne ao Climex Mobile System, a marca utiliza como mote principal “o futuro

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começa hoje”. O que difere esta solução das restantes? O sistema de gestão digital CMS é a base do conceito de serviço Intelligent Cleaning que evoluiu para Intelligent Disinfection com a introdução do Robot de Desinfeção por UV-C. A Climex foi pioneira a introduzir no mercado português o mais avançado robot de desinfeção por UV-C. Garante uma eficácia de 99,9% no combate à pandemia, o aumento de segurança de pessoas e espaços e da confiança no processo de

desinfeção, sem recurso a produtos químicos. O CMS representa a digitalização de todo o processo de serviço. Este conceito recebeu um Prémio Europeu de Inovação. O CMS veio resolver uma lacuna relevante entre a perceção e a do cliente e a experiência que obtém relativamente aos serviços de limpeza e deste modo reforçar o foco no cliente, aumentando o valor acrescentado dos nossos serviços, criando uma diferenciação ao que existe no mercado ao nível da prestação de ser-


PONTOS DE VISTA SUSTENTABILIDADE

viços de limpeza e na forma como é organizado. Uma solução de gestão em tempo real abrangente, modular e totalmente integrada para planear, organizar e monitorizar o serviço de limpeza. Para clientes de todas as áreas de negócio, sejam clientes multisetores ou com apenas uma instalação, o CMS envolve o cliente ao longo do processo. Além da inovação, que é uma forte componente distintiva da marca Climex, também a responsabilidade ambiental é uma das v/ preocupações. Neste sentido - e na prática - que medidas sustentáveis são aplicadas quer nos serviços como na forma como atuam? A sustentabilidade é para a Climex uma prática diária nas várias vertentes, como sejam a vertente social, técnica e energética, associadas à prestação dos nossos serviços. Socialmente a Climex dispõe de políticas de integração e inclusão, de apoio social através de bolsas de estudo e de formação continua. Dispõe de um manual de conduta ética e de um provedor para denúncias de situações de irregularidades cumprindo com a diretiva Europeia (EU Whistleblower directive). Na vertente técnica, a utilização de recursos necessários à prestação de serviços de limpeza como produtos químicos, materiais duráveis, equipamentos, métodos e técnicas, percursos,

tecnologias, entre outros, é pensada para minimizar os respetivos impactes ambientais. A título de exemplo, algumas medidas que aplicamos passam pela seleção de produtos químicos de alternativa ecológica, equipamentos robóticos com garantia de eficiência no consumo de agua e detergente, rotas planeadas para evitar percursos redundantes, a utilização de sistemas de mobilidade digital, que permitem a redução substancial de resíduos de papel e de consumos de combustível e emissões atmosféricas, acompanhamento dos Fornecedores para influência da introdução de embalagens (de produtos) recicláveis e/ou incorporando materiais reciclados. Na vertente energética, dois dos aspetos mais relevantes são o novo edifício sede, pensado para minimizar o consumo energético, reflexo das práticas LEED adotadas, bem como a introdução progressiva de uma frota de carros elétricos. Sendo uma empresa de referência no mercado e com uma forte presença, tendo mais de 2.000 colaboradores, quão importante foi para a Climex ter adotado uma filosofia sustentável e de responsabilidade ambiental? Que mensagem pretende transmitir? A crise pandémica veio realçar em cada um de nós a consciência ambiental, a consciência de uma maior necessidade de reduzir, reutilizar

e reciclar. Na Climex o foco tem sido ao nível do primeiro patamar da economia circular, o Reduzir. As nossas campanhas de sensibilização têm tido maior foco neste aspeto. Sensibilizamos e influenciamos Clientes, Fornecedores, e Colaboradores a Reduzir. Quanto menos poluentes se colocar no mercado, menos será necessário reciclar ou reutilizar. No evento Lisboa Capital Verde Europeia 2020, iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, assumimos com a assinatura do Termo, Compromissos Ambientais de Ação Climática até 2030. Para o futuro, que outras iniciativas serão adotadas pela Climex, no sentido de tornar o tema da sustentabilidade mais sério, consciente e rigoroso? 2021-2030 está a ser lançada pela ONU como a ‘Década para a Restauração dos Ecossistemas’. A Climex está empenhada em fazer do tema da sustentabilidade a bandeira dos próximos anos com medidas que terão um verdadeiro impacto na redução da pegada de carbono, assentes na inovação e na tecnologia e direcionadas para a otimização do ciclo de vida. Em conjunto com os nossos Clientes, somos corresponsáveis pela preservação do Ambiente e pela proteção do Planeta para as gerações futuras. ▪

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PONTOS DE VISTA NOTÍCIA

EFACEC ASSOCIA-SE AO MANIFESTO “RUMO À COP26” EM DEFESA DO AMBIENTE Com a ambição de contribuir para que Portugal construa um modelo de desenvolvimento mais sustentável, a Efacec assinou o Manifesto promovido pelo BCSD Portugal – “Rumo à COP26” – que apresenta 11 objetivos para travar as alterações climáticas, que refletem os diferentes aspetos a considerar para aumentar a ambição da resposta global e coletiva, alinhada com o objetivo de limitar o aquecimento da Terra a 1,5⁰C, o que obriga a acelerar o processo de descarbonização em todo o mundo. O Manifesto alerta para a relevância e a necessidade de energias renováveis para a projeção da natureza bem como para a importância da redução em 50% das emissões de gases com efeito de estufa até 2030 e de emissões neutras em 2050. Neste contexto, a associação da Efacec ao Manifesto reforça o compromisso da Empresa em cumprir a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, cujo objetivo é

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conciliar Prosperidade com a Proteção do Planeta. A Efacec evidencia os seus pilares estratégicos – Energia, Ambiente e Mobilidade – nos quais assenta toda a sua actividade, contribuindo para um mundo mais sustentável. Para Ângelo Ramalho, Chairman e CEO da Efacec, “a associação ao Manifesto permite-nos reforçar o nosso posicionamento na defesa do ambiente bem como consolidar os nossos objetivos ancorados na inovação e na tecnologia. Queremos criar um futuro mais inteligente para uma vida melhor através do desenvolvimento de soluções integradas. 2021 é um ano de consolidação de projetos em curso com foco na digitalização, descarbonização, descentralização energética e otimização das cadeias de valor da Energia, Ambiente e Mobilidade.” João Castello Branco, Presidente da Direção do BCSD Portugal e Presidente do Conselho de Administração da The Navigator Company, sublinha a importância desta iniciativa, explicando

que “não podemos deixar que a ação climática se limite às políticas e iniciativas atualmente em curso, sob pena de isso resultar num aquecimento global no mínimo de 2,9⁰C” o que não é, de todo, compatível com a proteção que se ambiciona para o planeta e para a biosfera. O Secretário-Geral do BCSD Portugal, João Meneses, reforça: “As empresas têm um papel decisivo na ação climática, não só pelos impactos das suas cadeias de valor, mas sobretudo pelo seu potencial de investimento, conhecimento e inovação.” “Rumo à COP26” foi assinado por mais de 80 empresas portuguesas e surge três meses antes da reunião mundial sobre o clima (COP26), que decorrerá em Glasgow, de 31 de outubro a 12 de novembro, e é promovido pelo Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (“Business Council for Sustainable Development” - BCSD), a organização que junta mais de 100 empresas comprometidas com uma transição para a sustentabilidade.


PONTOS DE VISTA BREVES

VISA E ANDANTE

Em colaboração com a Visa, o Andante (sistema de bilhética intermodal da Área Metropolitana do Porto, gerido pelo TIP – Transportes Intermodais do Porto, ACE), a REDUNIQ, a Card4B, a Cybersource e a Littlepay, introduzem os pagamentos contactless nos transportes públicos do Porto, num projeto piloto, que integra a Linha Violeta (E) do Metro do Porto (que serve o Aero-

FOTO: © WIKIMEDIA COMMONS

TRAZEM A TECNOLOGIA CONTACTLESS PARA OS TRANSPORTES PÚBLICOS NO PORTO porto Internacional do Porto) e os autocarros da linha 500 da STCP.   Assim, os  turistas,  residentes  ou qualquer pessoa que  queira  utilizar os transportes públicos do Porto,  já  não  vão precisar  de carregar os seus cartões Andante cada vez que quiserem utilizar a Linha Violeta (E) do Metro ou os autocarros da linha 500 da STCP. Os utentes vão po-

der pagar a sua  viagem  tocando  simplesmente  com  o  seu  cartão de débito,  crédito, cartão pré-pago ou dispositivo de pagamento  contactless  nos  validadores  com o símbolo   . Isto significa que não é necessário ter dinheiro em numerário, esperar nas filas para adquirir títulos de transporte ou perder tempo a descobrir onde comprar. 

WONTHER

MARATONAS FOTOGRÁFICAS FNAC 2021 Nesta edição o tema é “Fotografar Por Um Planeta Mais Sustentável”. As inscrições já estão abertas e terminam a 31 de agosto. O concurso vai decorrer em várias zonas de Portugal: na Madeira (Fnac Madeira); no Alentejo (Fnac Évora); no centro (Fnac Leiria, Aveiro, Coimbra e Viseu); no norte (FNAC Norteshopping, Marshopping, Sta.Catarina, Gaia, Braga e Guimarães); no sul (FNAC Faro) e na região de Lisboa e Vale do Tejo (FNAC Colombo, Alfragide, Chiado, Vasco da Gama, Cascais, Oeiras e Almada). Na Madeira, o concurso irá acontecer a 4 de setembro, no Alentejo e no centro a 11 de setembro, no norte a 18 de setembro e no sul a 25 de setembro. Os candidatos terão de entregar no final da prova uma seleção de cinco fotografias aos cinco subtemas partilhados durante a Maratona. As inscrições têm um custo de 35€ e por cada participante será feita uma doação de 1€ deste preço para a Loving The Planet, uma ONG ligada ao ambiente. Os candidatos deverão inscrever-se nas lojas da sua região, existindo um limite de 20 pessoas por cada Fnac. Os vencedores serão anunciados em outubro, onde serão entregues prémios. Conheça todos os pormenores no site oficial da Fnac.

LANÇA COLEÇÃO EM OURO ÉTICO A marca de joalharia portuguesa ética e sustentável, Wonther, lança a sua nova coleção Golden Identity. Esta coleção foi desenhada para reproduzir a escrita manual, que é única, e desta forma celebrar a identidade de cada pessoa. A coleção é composta pelas letras de A a Z e feita num processo manual em ouro de 18 quilates. O ouro utilizado para esta coleção tem a peculiaridade de ser ouro ético e sustentável, sendo toda a coleção certificada pelo RJC (Responsible Jewelry Council) - responsável pela certificação de joias de marcas como a Cartier ou a Tiffany. O revivalismo de grandes ícones da moda dos anos 80 e do seu estilo intemporal, como a princesa Diana, que celebrizou o famoso colar com a sua inicial D tornando a peça extremamente popular, foi uma das inspirações para esta nova coleção. Olga Kassian, fundadora da marca sublinha: “Uma joia destas deve ser uma peça intemporal, por isso criámos esta coleção em ouro de 18 quilates. Quando se usa uma inicial, esta faz sempre parte da nossa identidade, não tem de ser especificamente o nosso nome, mas conta sempre uma história. Pode ser uma peça da nossa avó, uma celebração do nome dos nossos filhos, ou até do nosso melhor amigo. Esta é a joalharia mais personalizada que existe, e ser feita em ouro ético, por artesãos portugueses, torna tudo ainda mais bonito.” A coleção Golden Identity está disponível no site da marca em www.wonther.com, sendo composta por 26 peças criadas em ouro de 18 quilates.

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PONTOS DE VISTA PORTUGAL COMO PAÍS DE ELEIÇÃO PARA VIVER E APOSTAR

“A COMPANHIA DECIDIU COMPROMETER-SE COM O MERCADO PORTUGUÊS E ISSO TEM VINDO A CONSOLIDAR A NOSSA MARCA EM PORTUGAL. CONTINUAMOS A TER UMA GRANDE PROCURA POR PARTE DE CLIENTES ESTRANGEIROS QUE MUDAM A SUA RESIDÊNCIA PARA PORTUGAL, MAS TAMBÉM AUMENTAMOS A NOSSA BASE DE CLIENTES NACIONAIS” LETÍCIA SOARES


PONTOS DE VISTA PORTUGAL COMO PAÍS DE ELEIÇÃO PARA VIVER E APOSTAR

“Portugal está neste momento no Top 3 dos mercados com maior produção na WEALINS” Numa era em mudança, “inovar, desenvolver novas soluções e encontrar o equilíbrio certo entre digitalização e relações humanas”, tem sido a missão da WEALINS – uma companhia de seguros de vida sediada no Luxemburgo. Quem o assegura é Letícia Soares, Country Manager Portugal desta companhia que desenvolve a sua atividade criando “fatos à medida” para cada cliente e de acordo com as suas necessidades. Conheça mais sobre este setor e de que forma poderá, também ele, ter mudado com a pandemia.

FOTO: DIANA QUINTELA

FOTO: DIANA QUINTELA

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WEALINS é uma marca de seguros de vida sediada no Luxemburgo, especializada na conceção de soluções de seguros patrimoniais. Com quase 30 anos de experiência, está ativa em nove mercados europeus. Enquanto Country Manager da empresa em Portugal, como nos pode descrever o consolidar da mesma no mercado português ao longo dos tempos? Tal como diz, embora seja uma empresa com quase 30 anos de experiência neste tipo de soluções em vários países europeus, a WEALINS durante vários anos trabalhou o mercado português de uma forma indireta, ou seja, comercializava o produto português através dos seus parceiros internacionais. Em 2015 a companhia decidiu ter uma presença mais ativa em Portugal, trabalhando com parceiros nacionais, tal como alterou toda a documentação do seu produto para bilingue, ou seja, em inglês e português. A companhia decidiu comprometer-se com o mercado português e isso tem vindo a consolidar a nossa marca em Portugal. Continuamos a ter uma grande procura por parte de clientes estrangeiros que mudam a sua residência para Portugal, mas também aumentamos a nossa base de clientes nacionais. E a nossa produção de 2021 reflete isso mesmo: Portugal está neste momento no top 3 dos mercados com maior produção na WEALINS.

“A GAMA DE SOLUÇÕES DA WEALINS VISA A ESTRUTURAÇÃO, PRESERVAÇÃO E TRANSMISSÃO DO PATRIMÓNIO DO CLIENTE SEMPRE EM TOTAL SEGURANÇA, TENDO POR BASE AS SUAS EXPECTATIVAS E NECESSIDADES” AGOSTO 2021 | 59


PONTOS DE VISTA PORTUGAL COMO PAÍS DE ELEIÇÃO PARA VIVER E APOSTAR

“O GRUPO FOYER, E EM CONSEQUÊNCIA A WEALINS, FEZ DA INOVAÇÃO UM DOS SEUS EIXOS ESTRATÉGICOS E PRETENDE SER UMA EMPRESA TECNOLÓGICA ESPECIALIZADA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE SEGUROS DE QUALIDADE QUE VÃO AO ENCONTRO DAS EXPECTATIVAS DOS SEUS CLIENTES”

FOTO: DIANA QUINTELA

A WEALINS cria seguros de vida de gestão de património, considerando o país de residência do cliente, a sua situação familiar, bem como as suas necessidades e objetivos. Podemos afirmar que um – de muitos fatores – que distingue estas soluções é o facto de serem um “fato à medida”? Correto. Desenvolvemos aquilo que apelidamos de “fatos à medida” para cada cliente, tendo sempre em consideração as suas necessidades específicas, sejam elas a nível sucessório, proteção de capital ou planeamento do seu futuro e segurança da sua família. A gama de soluções da WEALINS visa a estruturação, preservação e transmissão do património do cliente sempre em total segurança, tendo por base as suas expectativas e necessidades. Incorporada no ADN da WEALINS, a inovação está no centro da estratégia de negócios. Que transformações e inovações têm sido possíveis aplicar para criar, cada vez mais, valor às suas soluções? O Grupo Foyer, e em consequência a WEALINS, fez da inovação um dos seus eixos estratégicos e pretende ser uma empresa tecnológica especializada na prestação de serviços de seguros de qualidade que vão ao encontro das expectativas dos seus clientes. A empresa decidiu implementar um sistema novo e tecnologicamente avançado que criou eficiência na estrutura de trabalho. Lançamos em fevereiro último o e-Wealins, a nova versão da nossa plataforma digital para os nossos parceiros. Esta plataforma apresenta novos recursos para oferecer um serviço mais rápido e eficiente. Para melhor atender às expectativas e necessidades dos nossos parceiros, a plataforma estará em constante desenvolvimento para oferecer mais funcionalidades. Com a integração da GB Life em 2020, alargamos a nossa oferta com o produto ePlatinum, para satisfazer as necessidades dos clientes que procuram uma solução 100 % digital que seja simples, rápida, fácil de usar e que ofereça preços únicos. Neste momento, o ePlatinum


PONTOS DE VISTA PORTUGAL COMO PAÍS DE ELEIÇÃO PARA VIVER E APOSTAR

Em tempos de mudança social e económica devido à pandemia que se vive atualmente, qual o perfil do consumidor português que contrata este tipo de seguros? É legítimo afirmar que também ele mudou? Não acho que o perfil do consumidor português que contrata este tipo de produto mudou. Considero sim, que os seguros de vida, assim como a transmissão de património, tornaram-se temas mais conscientes na sociedade global, tendo a pandemia despertado o sentido da sua importância. Principalmente na transmissão de património, em que as pessoas começaram a preocupar-se em salvaguardar o bem-estar dos seus familiares no futuro. A WEALINS garante que os instrumentos financeiros atendem ao princípio da precaução e ao caráter de longo prazo do seguro de vida. Como funciona a estratégia de investimento que, neste caso, é definida pelo segurado? Os seguros de vida são soluções a longo prazo, afinal grande parte dos clientes contratam este tipo de produto de forma vitalícia. A estratégia de investimento é definida pelo tomador da apólice no momento da sua contratação e executada pelo gestor de ativos profissional escolhido por este para fazer a gestão do seu portfólio. No entanto, uma das vantagens deste tipo de solução é que não é estanque, ou seja, o tomador da apólice pode alterar a estratégia de investimento ou mesmo o gestor nomeado a qualquer o momento durante a vigência do seguro. Muitos afirmam que Portugal tem um mercado de alto potencial para investir. Na sua opinião, o que fomenta esta ideia? São várias as razões: desde o facto de ser um dos países mais seguros do mundo, a qualidade de vida e estabilidade económica e social que temos conseguido manter nos últimos anos, mas acredito que ainda temos muitos desafios pela frente, enquanto país, para que possamos atrair mais investimento. Com todos os olhos postos em Portugal, tem sido considerado um país de eleição para viver e apostar. Acredita que a qualidade de vida que Portugal oferece, aliada a cidades cosmopolitas como Lisboa e Porto, tem sido um fator determinante para o investimento no mercado português? Porquê? Considero que o facto de Lisboa e Porto serem cidades cosmopolitas, que em nada ficam atrás a qualquer outra cidade europeia, a segurança, a qualidade da nossa gastronomia, bem como o facto de sermos um dos destinos mais ensola-

FOTO: DIANA QUINTELA

está apenas disponível no mercado belga. Lançamos ainda um novo produto digital para França, bem como passámos a disponibilizar uma nova solução para o Mónaco. E continuamos a analisar o desenvolvimento de novas soluções para todos os mercados onde estamos presentes, mas admito que este é um trabalho sempre ongoing na WEALINS.

rados da Europa têm ajudado muito sem dúvida. Os incentivos fiscais criados, como por exemplo o regime de residentes não habituais também têm fomentado essa eleição.

de vida conseguem combinar todas estas vantagens. A segurança que esta tipologia de produto encerra é fator diferenciador e os nossos parceiros reconhecem as vantagens para os seus clientes.

Para quem vem para Portugal, fica e reside, quão importante é ter de aplicar os seus bens e valores e, por outro lado, quão importante é o acompanhamento que a WEALINS oferece neste processo? Vivemos num mundo global, onde a movimentação de pessoas é cada vez mais natural, seja por razões profissionais, pessoais ou familiares, por isso a portabilidade de um contrato de seguro é de extrema importância. A WEALINS trabalha com uma rede independente de especialistas para que os nossos produtos estejam sempre em conformidade com a legislação do país de residência do cliente. Sempre que um Cliente já possua uma solução WEALINS contratada e decida mudar a sua residência fiscal, o nosso leque de serviços cobre exatamente a análise das eventuais alterações necessárias face à nova jurisdição, para que o produto contratado mantenha a sua classificação enquanto “seguro de vida”, totalmente adaptado como tal à lei vigente desse país, ou seja, com a blindagem necessária para tal. Um seguro de vida é um produto a longo prazo e por isso consideramos que a excelência do serviço pós-venda é vital

Que abordagem e estratégia tem sido aplicada pela WEALINS na promoção do mercado português para investir? As nossas abordagens de marketing são muito específicas. Normalmente com entrevistas e publicidade em revistas de referência, como é o caso da Revista Pontos de Vista, com patrocínio de eventos específicos realizados pelos nossos parceiros, quer sejam vocacionados para uma clientela mais internacional ou nacional ou palestras de informação sobre as alterações legais e fiscais no mercado, que podem ser digitais ou presenciais.

Com todas os desafios fruto da COVID-19, considera que os seguros de vida, enquanto produto de investimento, não só se mantiveram estáveis, como se impulsionaram e cresceram no mercado português? Como nos pode descrever o atual panorama? Os seguros de vida continuam a ser um mercado em crescimento, não apenas pela maior procura por esta gama de soluções de forma transversal, mas porque ao longo dos anos a procura de soluções flexíveis e de poupança tem vindo a aumentar. Os investidores pretendem não só salvaguardar o seu património, manter uma gestão de excelência deste, tal como decidir a sua transmissão, isto sempre de uma forma fiscal eficiente e os seguros

Todos os setores, de uma maneira ou outra, estão a mudar. Assim, que novas tendências acredita que ditarão o universo dos seguros de vida no futuro em Portugal? Antes de mais nada, teremos de perceber o que mudou no mercado, verificar o impacto causado pela pandemia e só aí será possível perceber quais as novas tendências para o futuro. Mas esta é uma análise diária no nosso tipo de negócio, realizada sempre em parceria com os nossos parceiros, sejam eles da área financeira, legal ou fiscal. A nossa prioridade continua a ser a manutenção de um serviço de excelência para nossos parceiros e clientes. O que podemos esperar da WEALINS para o futuro, no acompanhamento destas novas tendências e também no campo da inovação, mantendo sempre como pilar a proximidade com os clientes? Continuar a inovar, desenvolver novas soluções, encontrar o equilíbrio certo entre digitalização e relações humanas para atender às necessidades e expectativas dos parceiros e seus clientes, já que considero que a confiança e a presença física ainda são essenciais na construção de relacionamentos de longo prazo e neste tipo de negócio, mantendo sempre um serviço de excelência. ▪

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PONTOS DE VISTA PORTUGAL COMO PAÍS DE ELEIÇÃO PARA VIVER E APOSTAR

VRL Legal com foco na Assessoria em Direito de Imigração e Investimento Numa altura em que Portugal está no centro de várias atenções devido às suas potencialidades de mercado, interessa compreender, em diferentes vertentes, os motivos pelo qual é considerado um país de eleição para viver e investir. Assim, à conversa com a Revista Pontos de Vista esteve Vanessa Rodrigues Lima, Advogada, que foca a sua atuação em Direito de Imigração e Investimento, atividade aplicada através do seu projeto VRL Legal.

A

VANESSA RODRIGUES LIMA

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paixonada pela sua profissão, Vanessa Rodrigues Lima conta com um percurso de dez anos de experiência no universo do Direito, tendo trabalhado em três dos mais conceituados escritórios de advocacia em Portugal. Atualmente, exerce a sua atividade através do projeto do qual é Fundadora (VRL Legal) e ainda enquanto Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Imigração, Investimento e Relocalização (PAIIR). Apesar de em Portugal estas áreas - particularmente a da Imigração - serem recentes, é fundamental, pela sua complexidade e delicadeza, que existam profissionais dedicados e dispostos a lutar a favor dos seus clientes, sendo cada vez mais valorizado e procurado um Advogado totalmente vocacionado nestas vertentes do Direito. Primeiramente, e de forma a contextualizar, Vanessa Rodrigues Lima explicou como se encontra o atual panorama em Portugal do que diz respeito ao Investimento e à Imigração. “Tendo em conta que o Governo pretende alterar as regras aplicáveis ao Programa Golden Visa, a partir de janeiro do próximo ano, nomeadamente para excluir o investimento imobiliário em zonas metropolitanas e da costa, restringindo-o aos territórios do interior e ilhas, os Clientes, mesmo em tempo de pandemia, estão a recorrer às opções ainda em vigor este ano para realizar alguns investimentos nesses locais”, afirma, acrescentando que “na minha opinião, obviamente que vamos enfrentar alguns meses de adaptação quando as novas regras forem aplicadas, mas penso que o Golden Visa vai continuar a ser um dos programas de residência através de investimento mais atrativo da Europa, em comparação com outros programas”. É esta atratividade que aumenta as vantagens competitivas de Portugal comparativamente a outros países, bem como a sua captação de investimento que, apesar da pandemia que vivemos mundialmente, não só se mantêm intactas como foram reforçadas. Apesar do mercado imobiliário ser um forte impulsionador da economia portuguesa, para a nossa entrevistada, as mais-valias nacionais não têm apenas a ver com essa dinâmica. “Os clientes optam por Portugal também pelas caracte-


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rísticas que apresenta, como o sol, a segurança, o facto de estarmos em todos os rankings... é um país atrativo em vários sentidos”, realça. INVESTIDORES ESTRANGEIROS EM PORTUGAL Segundo inúmeros especialistas, é possível desde já verificar que a procura internacional na componente de investimento, nomeadamente na residencial, permaneceu sustentada, mesmo em tempos complexos como o que vivemos. Será este um sinal claro de que Portugal é, cada vez mais, um país de eleição? Vanessa Rodrigues Lima sustenta a ideia de que “o mercado de Imigração não é todo na vertente de Golden Visa. Existem outros programas que Portugal promove e que são um sucesso, como o StartUp Visa (um programa de acolhimento de empreendedores estrangeiros que pretendam desenvolver um projeto de empreendedorismo e/ou inovação no país), Tech Visa, residência para profissionais altamente qualificados, entre outros. Um mercado que está a mexer muito também são os nómadas digitais – penso que a pandemia potencializou esta perspetiva de residência porque as pessoas perceberam que em muitas profissões, o país de trabalho pode ser qualquer um. E Portugal mais uma vez encontra-se num dos destinos eleitos”. Por outro lado, é essencial que Portugal esteja preparado para receber esta comunidade – algo que, para a nossa interlocutora, para já, não acontece. “Pecamos muito pelo nosso sistema de Imigração não ser de qualidade. Neste momento, temos serviços que não dão resposta e os estrangeiros já começam a sentir esta carência. Para que Portugal dê um salto e realmente se afirme como um destino de Imigração, de empreendedorismo, de investimento, de tecnologia... o sistema tem de corresponder às expetativas”, esclarece exemplificando ainda que “quando um empreendedor quer vir para Portugal, inicia um processo de Visto de Residência, o Visto é emitido, ele desloca-se até aqui, troca-o por um título e, em regra, só depois é que ele pode fazer um pedido de reagrupamento familiar. O SEF não tem vagas nessa área. Na prática, isto significa que os investidores sabem que vai levar meses até conseguirem trazer as famílias para Portugal e isso é muito desencorajador”. Neste sentido, Vanessa Rodrigues Lima tudo tem feito, particularmente através da PAIIR, para chegar à fala com os decisores políticos e fazer entender a perspetiva dos profissionais que diariamente lidam com os investidores estrangeiros e com as suas dificuldades em obter, por fim, a expetativa que procuram.

“UM MERCADO QUE ESTÁ A MEXER MUITO TAMBÉM SÃO OS NÓMADAS DIGITAIS – PENSO QUE A PANDEMIA POTENCIALIZOU ESTA PERSPETIVA DE RESIDÊNCIA PORQUE AS PESSOAS PERCEBERAM QUE EM MUITAS PROFISSÕES, O PAÍS DE TRABALHO PODE SER QUALQUER UM. E PORTUGAL MAIS UMA VEZ ENCONTRA-SE NUM DOS DESTINOS ELEITOS” Especialmente no que concerne ao Direito da Imigração, muitas vezes, o primeiro contacto que as comunidades estrangeiras têm em Portugal é com o Advogado, “e não apenas para apoio jurídico, mas também para conselhos do dia a dia. A relação do Advogado com o cliente em Imigração é, e tem de ser, de proximidade e, por sua vez, de confiança”, garante Vanessa Rodrigues Lima. Promover esta dita confiança é, para a nossa entrevistada, primordial, logo desde o primeiro contacto com a pessoa que vai assessorar.

“Eu explico sempre de onde venho, quem sou e como trabalho, para que o cliente entenda quais são os valores por detrás da VRL Legal. Para mim, só assim faz sentido”. O projeto VRL Legal é recente, mas já tem vindo a deixar a sua marca positiva no mercado, tendo superado todas as expetativas da fundadora, tal como a própria confirma: “Iniciei esta jornada com os ideais que já descrevi e na prática surtiu efeito. Aquilo que eu achava que era o caminho, efetivamente está a ser e não podia sentir-me mais feliz com isso”, termina. ▪

VRL LEGAL NA VANGUARDA DO ACOMPANHAMENTO PERSONALIZADO É apesar de todos os contratempos que atualmente existem no mercado português, e por ser um dos eleitos para apostar, que a VRL Legal se dedica e disponibiliza a oferecer um serviço personalizado, de confiança, qualificado e transparente.

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“Portugal é sim uma porta aberta para os clientes estrangeiros” Portugal é, desde há muito, um destino turístico seja pelo clima, beleza, gastronomia ou história. O reconhecimento internacional e o aumento do número de turistas têm criado oportunidades de negócio, tornando-o num país de eleição para viver e investir. Do ponto de vista do investimento imobiliário, Joana Resende, CEO da Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar, admite que, o setor, tem ganho destaque e preponderância. Saiba porquê.

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ortugal tem conquistado o mundo nos últimos anos e está na mira de turistas e de investidores que, por sua vez, contabilizam para o aumento de negócios no setor imobiliário. A qualidade de vida que Portugal oferece, aliada a cidades cosmopolitas como Lisboa e Porto, tem sido um fator determinante para o investimento imobiliário português? Porquê? Nos últimos anos temos assistido efetivamente a uma procura crescente de clientes/investidores estrangeiros. Aliás, com base nos dados do Banco de Portugal, no primeiro trimestre deste ano houve um investimento estrangeiro na ordem dos 1,7 mil milhões de euros na economia Portuguesa, sendo que o grande impulso é a atividade imobiliária. Uma vez que durante a pandemia que vivemos não houve medidas de contenção na atividade da construção, manteve-se o interesse em novos projetos, principalmente no imobiliário residencial. Quer seja pelo investimento nessa área (com vista ao retorno certo), também o baixo custo de vida, o nosso clima e o nosso litoral, e a recetividade das nossas populações, são fatores preponderantes para captar cada vez mais clientes estrangeiros. Já em 2017, a Christie’s International Real Estate elencava Porto e Lisboa no grupo das 10 cidades mundiais com maior destaque, e ao longo destes anos esse destaque foi ganhando mais preponderância.

JOANA RESENDE

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De forma a contextualizar o leitor, quais são as vantagens de investir no imobiliário em Portugal e que diferem, essencialmente, de outros países? Não podemos dissociar esta questão das características que nomeei acima. A paisagem, o clima, as nossas gentes e a segurança, são fatores determinantes para Portugal estar no radar do interesse estrangeiro. Do ponto de vista económico, os investidores percebem que para os seus padrões os preços imobiliários são baixos, e os rendimentos do arrendamento são elevados. Por outro lado, assistimos nos últimos anos a um grande crescimento do setor to turismo que tem impacto direto no setor imobiliário. Reconhece-se em Portugal grandes oportunidades na abertura de empreendimentos turísticos, alojamentos locais e exploração de arrendamento turístico. Mesmo com o impacto


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da pandemia neste setor, o que sentimos é que os investidores estrangeiros sabem que haverá um retorno à normalidade (mais cedo ou mais tarde), e estão dispostos a esperar e a continuar a investir no nosso país. Em tempos de pandemia, muitos profissionais foram obrigados a aplicar o tema do teletrabalho, sendo que hoje é considerado como “o novo normal”. Assim, quão legítimo é afirmar que os Estrangeiros poderão fazer de Portugal o porto seguro do teletrabalho? Terá sido uma oportunidade e uma porta aberta para os Estrangeiros que queiram aqui residir? Sem dúvida que o teletrabalho veio para ficar, ainda que apenas para algumas atividades. Não nos podemos esquecer que somos humanos e a sociabilização, ainda que em contexto laboral, é fundamental para a nossa condição. É legítimo pensar que uma vez que se pode trabalhar a partir de casa, esta casa terá de ter outras condições. Conseguimos observar que há uma vontade de “fugir” da confusão das grandes cidades e com maior densidade populacional, para locais com melhor qualidade de vida. Mesmo considerando que Porto e Lisboa são cidades cosmopolitas, continuam a ser “cidades médias” comparadas com outras capitais mundiais. Há mais proximidade, mais sentido de vizinhança, e mais segurança. Replicando isto com mais impacto ainda nas cidades periféricas, Portugal é sim uma porta aberta para os clientes estrangeiros. Considera que Portugal tem potencial para agarrar esta oportunidade, adotando um sistema fiscal atrativo e simples, não só para os nómadas digitais, mas para todos os cidadãos? Estamos no caminho certo? Desde a criação do regime fiscal do Residente Não Habitual (RNH) em 2009, que assistimos a um crescimento anual constante de adesão a este programa. O mesmo se passou com os vistos gold. Este sistema fiscal de excepção ajudou a alavancar o investimento imobiliário, a reabilitação urbana, e até a criar mais emprego nas áreas da construção, imobiliário e turismo. Na minha opinião era o caminho certo. Será interrompido com as alterações que estão previstas para ambos os programas, quer seja pela tributação de taxa extra para os RNH, a limitação de prazo para os benefícios fiscais, e

mais impactante, a limitação aos vistos gold. A partir de janeiro de 2022, só haverá concessão destes vistos se a aquisição de imóveis for feita em território interior e nas regiões autónomas. Sentimos que há uma urgência dos clientes estrangeiros neste momento, porque estas restrições não são bem-vindas para eles. Penso que algumas destas alterações deveriam ser reconsideradas, principalmente numa altura pandémica, em que o investimento em Portugal é tão necessário. Há algum tempo que o tema da gestão da poupança tem sido alvo de escrutínio entre os profissionais de gestão de ativos, sendo que, os mesmos, dizem sentir hoje mais obstáculos e desafios no modo como gerem a poupança. Mas serão mesmo obstáculos, ou novas oportunidades de alocar melhor a poupança para otimizar os retornos a longo prazo? Qual é a sua opinião? Com esta crescente circulação de cidadãos (e neste tema, principalmente a circulação entre estados membros da União Europeia) tornou-se claro que deveria existir opções claras, simples e transversais para a gestão de ativos de poupança. Não obstante, penso que existirá sempre questões fiscais que devem ser pensadas em conjunto para que os programas possam funcionar em pleno. É evidente quanto a mim que, com a pandemia ainda não estabilizada, cresce a necessidade de haver uma maior atenção às dinâmicas do mercado e existir flexibilidade para alterar condições se assim for mais conveniente. Não só a gestão de poupança carece de mais flexibilização, como deve haver uma comunicação clara no sentido de captar a atenção dos mais jovens para essa questão. De que forma a Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar tem promovido Portugal, enquanto país de eleição para viver, bem como estas temáticas mencionadas? Quão importante é ter estes profissionais especializados a orientar caminho para quem acaba de chegar? Há duas ferramentas elementares e preponderantes na atividade imobiliária. Aliás, penso que o foco do gerente destas empresas deve estar nestas duas ferramentas: a formação e o marketing. Desde o início que tento apostar na formação da minha equipa nos mais variados temas, sendo que a fiscalidade imobiliária é uma das preocupações. Os nossos consultores

têm de estar preparados para os programas de RNH e vistos gold, e ter também ao seu serviço um leque de profissionais que os possam assessorar (sejam eles da estrutura ou avençados da empresa). Por outro lado, temos vindo a cimentar a nossa estratégia de marketing, também tendo em vista o cliente estrangeiro. A propósito, estamos neste momento a gravar spots publicitários com essa temática para lançar depois nos canais digitais privilegiados. Respondendo de uma forma mais direta, não é só importante que os nossos consultores saibam orientar quem chega a Portugal. É condição sine qua non para um profissional desta atividade. ▪

Na sua opinião, como estará Portugal e o mercado imobiliário dentro de 10 anos? É possível, desde já, traçar as transformações futuras? Daquilo que se pode prever, e considerando as flutuações económicas naturais do imprevisível, acho que neste momento só podemos falar da reinvenção do habitar e do trabalhar. Ou seja, dado o impacto desta pandemia, com toda a certeza vamos assistir a um reinventar da habitação e dos espaços de trabalho. Muito se tem falado sobre a tendência da “hotelização” em ambos os espaços, traduzindo um modo de vivência com base nos modelos da hospitalidade e hotelaria. Num contexto de trabalho, a fluidez e flexibilidade serão as palavras de ordem, e isso terá sempre muito impacto nos novos projectos e nas suas localizações. Do ponto de vista habitacional, deveremos assistir a novos empreendimentos já com serviço tipo concierge, que agilize questões práticas como a manutenção da casa, as compras de mercearia, lavandaria, etc. A par desta alteração ideológica, haverá certamente uma grande componente tecnológica, e com vista à sustentabilidade.

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“É essencial dar a conhecer a marca Portugal e Madeira pelo Mundo” A posição geográfica privilegiada da ilha da Madeira, aliada à beleza, ao clima e às suas tradições, tem colocado o bom nome de Portugal no topo das prioridades para viver e apostar. Tânia Castro, General Manager da TPMc International Management Solutions – empresa localizada no Funchal – garante que, por estes motivos e muitos mais, o país e os portugueses “têm mais consciência do seu potencial de atração de investimento”. Conheça o seu ponto de vista.

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TÂNIA CASTRO

“A TPMC, ALÉM DE, EM COLABORAÇÃO COM A SOCIEDADE DE DESENVOLVIMENTO DA MADEIRA, PARTICIPAR EM VÁRIAS SEMANAS DE PROMOÇÃO EM DIVERSOS PAÍSES AO LONGO DO ANO, TAMBÉM TENTA CHEGAR MAIS FUNDO NO TECIDO EMPRESARIAL”

TPMc caracteriza-se por ser uma estrutura pequena, porém incisiva, onde as atenções estão concentradas no cliente e nas suas necessidades, sejam elas de expansão de negócio, fiscais, administrativos, legais, entre outras. Sendo um elo de ligação entre vários países, quão importante tem sido o papel da empresa na promoção do investimento no mercado português? A TPMc, além de, em colaboração com a Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, participar em várias semanas de promoção em diversos Países ao longo do ano, também tenta chegar mais fundo no tecido empresarial. Temos participado em várias conferências organizadas pela Câmara de Comércio Luso-Britânica em Londres e pela Câmara de Comércio Luso Francesa em Portugal e França. Adicionalmente participamos em vários seminários de informação, junto das escolas e Universidades. É essencial dar a conhecer a marca Portugal e Madeira pelo mundo. Temos vantagens fiscais que se tornam únicas quando aliadas às restantes especificidades da Madeira, nomeadamente a qualidade de vida, o clima, a gastronomia, a qualidade dos nossos trabalhadores, o domínio de várias línguas e a excelente rede de telecomunicações. Ainda há muito a divulgar, muitos Países não nos conhecem, os empresários e grupos internacionais nunca ouviram falar em nós – daí julgarmos muito importante uma colaboração e esforço cada vez mais próximos das estruturas governamentais e privadas (como a nossa) na preparação e divulgação do nosso mercado. Sendo uma marca de consultoria e estruturação fiscal, a TPMc recolhe informações de

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cada um dos mercados e, mediante as necessidades do investidor, elabora o melhor acesso ao mercado pretendido. Assim, quais as vantagens de investir em Portugal e no que difere este mercado comparativamente a outros? Se considerarmos o acesso a todos os tratados de Dupla Tributação que Portugal assinou – cerca de 78- e todas as isenções previstas no CIRC (Código do IRC) para participações de capital, mais valias e dividendos, o nosso País reúne todas as condições para se tornar extremamente atrativo para investidores, empresários e grandes empresas que se queiram instalar cá para desenvolver o seu negócio. Se pensarmos que Moçambique apenas tem cinco tratados assinados no Mundo e um deles é com Portugal; que Cabo Verde apenas tem quatro tratados assinados no Mundo e um deles é com Portugal; que Portugal é o único País da Europa a ter um tratado assinado com o Peru e que acabámos de assinar um tratado com Angola – facilmente colocamos o nosso País estrategicamente versado para a poupança fiscal internacional.

E por último a nossa posição geográfica: nós estamos literalmente localizados entre Continentes – podemos ser a ponte ideal entre o mercado da América do Sul, África ou do mercado Asiático. No Oceano Atlântico a pouco mais de 90 minutos de Portugal Continental, a ilha da Madeira é conhecida por cativar o coração de todos aqueles que a visitam. O que fomenta a ideia de que a Madeira tem um dos regimes fiscais mais atrativos da Europa? Neste momento a Madeira tem duas das taxas de IRC mais competitivas da Europa: 5% na Zona Franca da Madeira e 14,7% no Regime Geral- o que nos coloca numa posição ímpar comparativamente aos restantes Países Europeus. Tendo em conta a sua visão e experiência, considera que os Estrangeiros aproveitaram a pandemia para comprar e investir em força em Portugal? Porquê? O paradigma mudou. E as pessoas estão a ser forçadas a mudar com ele. Hoje, com a pan-

“PRECISAMOS QUE OS TURISTAS NOS VISITEM, QUE CONSUMAM, QUE GOSTEM DE CÁ VIR. PRECISAMOS DE INVESTIDORES E DE INVESTIMENTO, QUE CRIEM NEGÓCIO, QUE CONTRATEM TRABALHADORES. PENSO QUE PARA UMA GRANDE MAIORIA DOS PORTUGUESES A PANDEMIA SERVIU PARA ALERTAR CONSCIÊNCIAS”

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demia, aprendemos que o País onde vivemos importa, que o sítio onde dormimos faz toda a diferença e que ter espaço para os nossos filhos brincarem é essencial. Enquanto antes da pandemia a nossa casa era um sítio para dormir, hoje já não é apenas isso. O valor do espaço, do clima, da qualidade das escolas, centros de saúde e da própria comida alterou. E os investidores têm consciência disso. Portugal é um País que consegue reunir todas as condições que acabei de falar. Tem qualidade e essa qualidade faz com que cada vez mais haja interesse em investir, viver e trabalhar em Portugal. A Madeira não é exceção. No ano 2020, apesar da pandemia, o mercado imobiliário aumentou 8%. Temos assistido a cada vez mais interesse da comunidade internacional na nossa ilha. Em que medida podemos afirmar que o teletrabalho tem sido um forte impulsionador para visitar, apostar e investir em Portugal, e em particular na Madeira? O teletrabalho é uma das vertentes desta mudança de mentalidade. E resulta. Com a pandemia fomos forçados a encontrar soluções, simplesmente porque parar de trabalhar não era uma solução em muitos setores da economia. E com o facto de hoje estarmos todos ligados globalmente conseguimos trabalhar particamente em quase todas as partes do Mundo. A Madeira, com todas as qualidades já referidas, tornou-se um Pólo de atração para este tipo de trabalhadores. Por norma, consultores das diversas áreas de negócio que conseguem trabalhar tendo um computador, WI-FI e pouco mais. O sucesso foi tanto que existe já uma comunidade na Madeira de teletrabalhadores, os chamados “nómadas-digitais”. Posso inclusive confirmar que já há lista de espera.

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Acredita que, atualmente, Portugal tem aproveitado melhor as suas potencialidades e capacidades, ao dispor do investimento estrangeiro? O que mudou? Acredito que Portugal e os Portugueses têm mais consciência do seu potencial de atracão de investimento. Do valor do nosso País. E acredito que o futuro vai ser determinante para comprovar isso mesmo. Mas também acredito que tomámos consciência, finalmente, que precisamos dos outros. Precisamos que os turistas nos visitem, que consumam, que gostem de cá vir. Precisamos de investidores e de investimento, que criem negócio, que contratem trabalhadores. Penso que para uma grande maioria dos Portugueses a pandemia serviu para alertar consciências. A economia não é unilateral. Para o Governo poder ajudar os cidadãos precisa de receita. A receita só pode ser criada se houver negócio. E o negócio só pode existir com investimento em todos os sectores. Estamos todos ligados. Já era altura de começarmos a dar valor a isso.▪

ANOS

Contando com 25 anos de conhecimento e experiência da TPMc, que evolução ressalva de Portugal e do seu potencial de mercado até então? Eu costumo dizer aos meus colegas de equipa, uma frase que caracteriza o nosso potencial: “se com todas as dificuldades que enfrentamos diariamente conseguimos desenvolver o nosso negócio, imaginem o que não conseguiríamos alcançar se houvesse uma consciência e vontade política e social para criar condições ideais?” Ainda nos falta muito para aprendermos que só com a união conseguimos chegar mais longe. Temos de ser um País, no todo, a lutar. A promover a Madeira e o resto do País. As entidades governamentais e os privados têm de aprender a trabalhar em conjunto- chega de egos. O único ego que deveria interessar é o do País. Só assim podemos criar condições que atraiam cada vez mais investidores, que promovam o emprego, que ajudem a melhorar as condições de vida para todas as pessoas que vivem em Portugal. E, de uma vez por todas, esclarecer que a Madeira é Portugal. E viva Portugal!


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O elo de ligação entre Portugal e o Reino Unido Em tempos incertos como o que vivemos, algo que ficou ainda mais percetível foi a relação e proximidade comercial entre Portugal e o Reino Unido. Em entrevista à Revista Pontos de Vista esteve Christina Hippisley, General Manager da Câmara de Comércio Portuguesa no Reino Unido que, não só comprovou este facto como garantiu que os longos laços entre os dois países permanecem hoje mais fortes do que nunca.

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CHRISTINA HIPPISLEY

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Câmara de Comércio Portuguesa no Reino Unido foi fundada em 1979 com o objetivo de promover o comércio e os negócios entre o Reino Unido e Portugal, sendo um importante canal de comunicação empresarial entre os dois países. Que resultados e conclusões têm vindo a surgir ao longo dos anos desta atividade? A principal conclusão a que cheguei é que a conexão comercial entre os dois países é extremamente forte. A Câmara procura promover as melhores práticas em ambos os países. Por um lado gostamos de ajudar as empresas portuguesas a aprenderem competências comerciais de empresas britânicas que irão beneficiar os trabalhadores portugueses e a economia. Também ajudamos as empresas portuguesas a

entrar no mercado britânico e a prepará-las para os desafios que irão enfrentar. Por outro lado, aconselhamos também muitos britânicos que pretendem deslocar os seus negócios ou residências para Portugal, através do nosso programa Moving to Portugal, onde organizamos eventos ao vivo e virtuais. Através do nosso novo programa Círculo de Investidores, podemos também aconselhar empresários britânicos que pretendam investir em PME’s portuguesas - apresentamo-los às empresas privadas em Portugal que procuram investimento externo.  Para melhor entender, de que forma aceleram e consolidam o rumo dos negócios entre os dois países? A melhor forma de ajudar a acelerar/promover


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“MUITOS INVESTIDORES EXTERNOS ACREDITAM – E COM RAZÃO - QUE PORTUGAL TEM UM GRANDE POTENCIAL INEXPLORADO. UMA GRANDE RAZÃO É PORQUE ELES VÊM QUE PORTUGAL TEM UMA FORÇA DE TRABALHO JOVEM EXCECIONALMENTE VERSÁTIL E TALENTOSA, MUITOS DOS QUAIS TAMBÉM SÃO EMPRESÁRIOS DINÂMICOS” e consolidar os negócios entre os dois países é adapta-los às novas formas de trabalho provenientes da COVID-19 e do Brexit. Os relacionamentos cara a cara ainda são os mais importantes, mas agora podem ser complementados com eventos virtuais e novas formas de marketing altamente eficazes. Muitos afirmam que Portugal tem um mercado de alto potencial. A seu ver, quais são os motivos que fomentam esta ideia? Muitos investidores externos acreditam – e com razão - que Portugal tem um grande potencial inexplorado. Uma grande razão é porque eles vêm que Portugal tem uma força de trabalho jovem excecionalmente versátil e talentosa, muitos dos quais também são empresários dinâmicos. Outras razões devem-se ao excelente trabalho de investigação que está a ser feito nas universidades portuguesas, com grande potencial comercial e ainda também com grande potencial no setor das energias renováveis e na Economia Azul.

determinados investidores que pretendam passar mais de 90/180 dias por ano em Portugal, ou que tenham interesse em residência e eventual cidadania, será uma opção atrativa. De acordo com o Banco de Portugal, a procura nacional e internacional na componente residencial permaneceu sustentada. É legítimo afirmar que os Estrangeiros aproveitaram a pandemia para comprar e investir em força Portugal? Quais os motivos? Durante a pandemia, notámos que aqui no Reino Unido havia uma demanda reprimida de pessoas que já decidiram mudar-se para Portugal, mas não puderam visitar o país para finalizar a compra do imóvel ou os detalhes legais. Muitos deles realizaram pesquisas online e participaram de nossos webinars, estando, por isso, prontos para partir assim que viajar for mais fácil. Muitos britânicos também me disseram que agora querem trabalhar remotamen-

te para seus empregadores no Reino Unido a partir de Portugal - por razões de estilo de vida e saúde Para o futuro, e tendo em conta as adversidades dos tempos em que vivemos, o que podemos continuar a esperar por parte da Câmara de Comércio Portuguesa no Reino Unido e no estreitar das relações de trabalho entre os dois países?  Dado os tempos de incerteza em que vivemos ainda temos um período de adaptação pela frente, à medida que navegamos por novas práticas de trabalho, restrições de viagens e as ameaças idênticas de inflação e reestruturação financeira para muitas empresas no Reino Unido e Portugal. Espero que, no futuro, a Câmara continue a ser flexível e dinâmica à medida que nos adaptamos a estes novos desafios. Os longos laços de negócios entre os dois países não merecem menos do que isso. ▪

Situado no extremo ocidental da Europa, Portugal é também considerado por muitos o melhor país para viver, tendo-se tornado num destino de sonho para muitos Estrangeiros. Como nos pode descrever o atual panorama nacional dos Vistos Gold e dos Residentes Não Habituais? Para os britânicos, o regime RNH de Portugal é muito atraente, especialmente para aposentados e empresários. A informação sobre os RNH é agora amplamente conhecida no Reino Unido e mais de 6.000 pessoas assistiram aos nossos eventos de Mudança para Portugal no Reino Unido no passado recente, o que também ajudou a espalhar a palavra. O programa Golden Visa só se aplicou a residentes britânicos desde o dia 1 de janeiro de 2021, quando deixamos a EU, e o caos da COVID-19 significa que só agora a opção Golden Visa está a começar de se tornar conhecida pelos britânicos que, efetivamente, podem tirar proveito disso. Para

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“Os beneficiários do RNH ao residirem em Portugal ajudam claramente a economia” João Santos Pinto, Partner da CVSP Advogados – um escritório de advocacia reconhecido pelos seus serviços jurídicos de alta qualidade - esclareceu aprofundadamente alguns temas como o estatuto do Residente Não Habitual (RNH), Vistos Gold, Rendimentos de Pensões de Reforma, entre outros. Saiba tudo ao pormenor.

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que é exactamente o estatuto do residente não habitual (RNH)? O RNH é um estatuto disponível para uma pessoa singular que se queria mudar para Portugal e que não tenha sido residente fiscal em Portugal nos últimos cinco anos anteriores. Com a atribuição desse estatuto passa a poder beneficiar, por um período de 10 anos, de isenção de determinados rendimentos de fonte estrangeira, bem como da aplicação de uma taxa de tributação autónoma para alguns rendimentos de trabalho dependente e/ou independente relativamente a determinado tipo de atividades denominadas de Elevado Valor Acrescentado (EVA), conforme lista aprovada por portaria. Apesar do estatuto se denominar de “não habitual” a manutenção dos respectivos benefícios pressupõe a residência permanente em Portugal? Reconheço que a denominação de residente “não habitual” em si mesma poderá levar a alguns equívocos. Creio que essa designação teve lugar para inculcar a ideia que a pessoa não tenha sido previamente residente fiscal em Portugal. Assim, uma vez que o interessado se torne residente fiscal em Portugal, de acordo com os critérios previstos no artigo 16.º do CIRS, nomeadamente pelo facto de ter uma residência permanente em território nacional, terá de mantê-la para que possa continuar a beneficiar do estatuto. Questão diferente é a pessoa que para além de continuar a viver e/ou trabalhar em Portugal, possa ter um contacto estreito com outras jurisdições, correndo o risco de aí também ser considerada residente fiscal.

JOÃO SANTOS PINTO

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Qual a diferença do RNH e o Visto Gold? Mais uma vez, o nome Residente Não Habitual também tem levado a alguns equívocos por ser, em alguns casos, também confundido com um visto de residência, nomeadamente por julgarem ser uma alternativa ao Visto Gold. De facto, são realidades totalmente distintas, mas potencialmente cumuláveis. Ou seja, o beneficiário do RNH tem que residir legalmente em Portugal para se poder tornar residente fiscal. Contudo, se o mesmo for cidadão da União Europeia, Islândia,


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Liechtenstein, Noruega e Suíça bastará efetuar o agendamento na Câmara Municipal do lugar da residência para obtenção do respetivo certificado de registo. Ao invés, se a pessoa for nacional de um país terceiro, terá que obter necessariamente um visto de residência que poderá eventualmente passar por um Visto Gold ou um outro que melhor se adeque às suas necessidades. Em suma, o RNH e o Visto Gold nada têm a ver um com outro, dado que são realidades totalmente distintas, uma vez que o primeiro tem a ver estritamente com benefícios fiscais e o segundo com visto de residência. Quem pode beneficiar do RNH? Uma vez preenchidos os respetivos requisitos qualquer um pode beneficiar e não existe qualquer tipo de restrições em função da nacionalidade. Inclusivamente um português pode solicitar a atribuição do estatuto. Se passar a ser não residente durante o período de 10 anos é possível interromper o estatuto? A interrupção no sentido de voltar a contar o tempo desde o momento da saída de Portugal não é possível, pelo que o período em que a pessoa estiver ausente do território nacional ficará necessariamente perdido. No máximo é apenas possível suspender, isto é, se a pessoa retornar a Portugal ainda no período dos 10 anos poderá, ainda assim, beneficiar do tempo que faltar. Quais são as vantagens que alguém com o estatuto de RNH pode beneficiar dos rendimentos de fonte estrangeira? O titular do estatuto do RNH poderá beneficiar de isenção de alguns rendimentos de fonte estrangeira, conquanto certas condições especificas se apliquem a cada uma dessas categorias. De uma forma resumida: - Rendimento do trabalho dependente se for efectivamente tributado no país da fonte, embora independentemente da taxa; - Rendimento do trabalho independente apenas se relativo a actividades EVA; - Rendimentos de capitais (dividendos, juros e royalties), rendimentos prediais e rendimentos derivados de mais-valias resultante da venda de imóveis em conformidade com as regras estabelecidas na convenção modelo OCDE, interpretado

de acordo com as observações e reservas formuladas por Portugal, nos casos em que não exista convenção para eliminar a dupla tributação celebrada por Portugal. No caso destes rendimentos os mesmos não podem ser provenientes de regimes de tributação privilegiada, claramente mais favoráveis de acordo com a portaria em vigor. E relativamente às vantagens dos rendimentos de fonte portuguesa? O único benefício disponível é relativo às atividades EVA referentes a atividades por conta de outrém ou independente. Essas actividades estão actualmente elencadas na portaria n.º 2302019 de 23 de Julho. Esta portaria, ao contrário da anterior, remete para a Classificação Portuguesa de Profissões, ainda que sem correspondência direta, em Códigos de Atividades Económicas, o que tornava mais difícil o seu enquadramento. Com esta nova abordagem o âmbito das profissões abrangidas até acabou por ficar mais alargado. Pode dar-nos alguns exemplos das actividades abrangidas? A lista é de facto bastante abrangente. Podem beneficiar atividades, tais como Diretores de diversos setores, Especialistas em tecnologias de informação e comunicação, Artistas criativos e das artes do espectáculo, entre outros. A este propósito assume com particular relevân­ cia para o interessado a prova das qualificações das atividades exercidas, que naturalmente variam dependendo da profissão. Recomendo vivamente a leitura da Circular N.º 4/2019 datada de 08.10.2019 que fornece algu­mas indicações. E quantos aos rendimentos de pensões de reforma? Atualmente, com a entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2020, as pensões de reforma de fonte estrangeira passaram a ser tributadas à taxa de 10%. Contudo, foi previsto ainda um regime transitório, para os anteriores beneficiários e quem tenha solicitado a inscrição, consoante o caso, como residente não habitual até 31 de março de 2020 ou 2021, em que é dada a possibilidade alternativa de optarem pela isenção ou pela aplicação desta nova taxa.

A propósito, como comenta a polémica de alguns países do Norte da Europa relativamente à isenção da tributação das pensões de reforma? A vantagem que este regime oferece foi tirar partido das regras estabelecidas nos ADTs em que, normalmente, o direito de tributar as pensões de reforma do setor privado pertence ao Estado da residência. No caso, Portugal, como Estado da Residência passou a ter o direito exclusivo de tributar, mas simultaneamente concedeu um benefício fiscal temporário. Sucede que, os países nórdicos são conhecidos pela tributação relativamente alta dos rendimen­tos dos seus residentes fiscais e que possivelmen­ te não ficaram agradados com a mudança da resi­dência fiscal dos seus nacionais para Portugal. Posteriormente, por pressão da Suécia e também da Finlândia, sob a ameaça de revogação dos ADTs. Portugal passou a prever a tributação destes rendimentos à taxa de 10%. Contudo, ao salvaguardar a hipótese de isenção para os já beneficiários do RNH, continua, ainda assim, a merecer a feroz oposição destes países. Sinceramente creio que esta oposição tem também contornos de carácter político. Embora relativo a outras determinadas categorias de rendimentos, estes países também oferecem benefícios fiscais, o que também não vejo como errado. Assim, com o devido respeito, esta reação parece-me francamente exagerada, ainda para mais tratando-se de benefícios de carácter temporário. Por último, continua a fazer sentido a existência deste regime? Sem dúvida. O RNH foi introduzido em 2009 e apesar de algumas alterações tem-se mostrado francamente estável, o que é particularmente invulgar no ordenamento jurídicos português em que as normas fiscais estão em constante mutação. Tenho constado pessoalmente a vinda de inves­ tidores e pessoas com talento que claramente vêm beneficiar o nosso país e que sem este incen­tivo muito possivelmente não viriam. Acresce que, os beneficiários do RNH ao residi­ rem em Portugal ajudam claramente a economia e acabarão sempre, de uma maneira ou de outra, por pagar impostos em Portugal. ▪

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PONTOS DE VISTA PORTUGAL COMO PAÍS DE ELEIÇÃO PARA VIVER E APOSTAR

JOSÉ LUÍS DA CRUZ VILAÇA, ATUAL PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DO DIREITO DA ENERGIA (APDEN) E ANTIGO JUIZ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA UNIÃO EUROPEIA, E PAULO SANDE, ADVOGADO E ANTIGO DIRETOR DO GABINETE EM PORTUGAL DO PARLAMENTO EUROPEU*

Como o Direito contribui para tornar Portugal Atrativo Não é apenas pela amenidade do clima, pela gastronomia ímpar ou por ser o português a sexta língua mais falada no mundo, que Portugal é um país atrativo para viver e investir. O direito português também contribui para isso. I. ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO

Antes de mais, o ordenamento jurídico português assenta no Estado de Direito democrático, consagrado na Constituição da República Portuguesa. Pertencendo à família da civil law, sistema jurídico cuja fonte imediata de direito é a lei, caraterizado pela forte codificação, o direito português respeita os princípios da segurança

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jurídica e da proteção da confiança, assegurando a todos o acesso ao direito e a uma tutela jurisdicional efetiva. Por outro lado, a administração da justiça acusa ainda alguma vetustez nos procedimentos, bem como uma preocupante lentidão. Esse facto tem levado ao crescimento da popularidade dos mecanismos de resolução alternativa de litígios, casos da arbitragem e da me-

diação, caraterizadas pela celeridade e reduzida burocracia.

II. MERCADO LIVRE

Portugal, membro da União Europeia (UE) desde 1986, integra-se no mercado interno europeu, o qual inclui a livre circulação de mercadorias, de capitais e de pessoas, para além da


PONTOS DE VISTA PORTUGAL COMO PAÍS DE ELEIÇÃO PARA VIVER E APOSTAR

liberdade de estabelecimento e prestação de serviços. Neste grande espaço integrado também é relevante o estatuto de cidadania comum a todos os nacionais dos 27 Estados-membros, estatuto que garante direitos complementares dos decorrentes das cidadanias nacionais – direitos políticos, liberdade de circulação, proteção não jurisdicional e direito ao uso da língua de cada um. Sobretudo para os europeus, este é um fator muito relevante.

III. INEXISTÊNCIA DE RESTRIÇÕES À ENTRADA DE CAPITAL ESTRANGEIRO

Um princípio fundamental do quadro legal português, relativo aos investimentos no país, é o da não discriminação com base na nacionalidade. Isso significa que não há limitações à distribuição no estrangeiro de lucros e dividendos gerados no país. Também não há controlos cambiais, podendo residentes e não residentes deter depósitos em qualquer moeda nos bancos portugueses. São princípios próprios de uma economia de mercado de um país membro da UE, mas que ainda assim merecem ser assinalados do lado das vantagens quando se equacionam os fatores que favorecem Portugal como destino de férias, de residência ou de investimento.

IV. DIREITO DA CONCORRÊNCIA

As regras da concorrência (e a previsibilidade da sua aplicação) são essenciais para o encoraja-

PORTUGAL FAZ PARTE DA ZONA EURO. A ESTABILIDADE ECONÓMICA ASSEGURADA PELA GOVERNAÇÃO COMUM DA UNIÃO ECONÓMICA E MONETÁRIA É UM ATRATIVO PARA EMPRESAS E EMPREENDEDORES QUE QUEIRAM INVESTIR NO PAÍS

mento do investimento, tanto nacional como estrangeiro. Há uma ligação indiscutível entre direito da concorrência e investimento - uma política de concorrência forte é fulcral à sua captação. No caso português, uma Autoridade da Concorrência ativa torna mais eficiente e justo o mercado, beneficiando portugueses e estrangeiros. Alguns excessos de voluntarismo do regulador, bem como eventuais erros de apreciação, são resolvidos através do recurso judicial, entregue a um tribunal especializado, ou pela via do reenvio prejudicial ao Tribunal de Justiça da UE pelos juízes dos diferentes tribunais do sistema judicial. Também neste caso o direito tem uma função corretora e propiciadora de justiça.

V. DIREITO DA PROPRIEDADE INTELECTUAL

Uma patente de invenção nacional é protegida pelo período máximo de 20 anos, a contar da data do pedido. O custo do pedido é reduzido e o de manutenção, nos primeiros quatro anos, inexistente. Para proteger uma invenção no estrangeiro através de uma patente europeia, pode ser vantajoso requerer uma patente ou modelo de utilidade (cuja duração máxima é de 10 anos) em Portugal: até aos 12 meses seguintes pode fazer o pedido da patente europeia, com a data do pedido aqui efetuado. Também pode ser feito um pedido internacional de patente através do Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

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PONTOS DE VISTA PORTUGAL COMO PAÍS DE ELEIÇÃO PARA VIVER E APOSTAR

VI. INVESTIR EM PORTUGAL: CRIAÇÃO DE EMPRESAS OU SUCURSAIS

Para contrariar a fama bem portuguesa de excesso de burocracia, o programa SIMPLEX procura simplificar os procedimentos e reduzir a burocracia associada à criação de uma empresa. Pode ainda ser criada uma sociedade unipessoal, através do regime “Empresa na Hora”, por um preço reduzido. Outro regime, o da “Sucursal na Hora” permite criar em Portugal representações permanentes de sociedades comerciais e civis sob forma comercial, cooperativas, agrupamentos complementares de empresas e agrupamentos europeus de interesse económico com sede no estrangeiro, de forma simples e com poucos custos associados. É ainda possível criar um agrupamento europeu de interesse económico, uma sociedade cooperativa ou europeia, quando se pretenda atuar em mais do que um país da União. Abrir uma nova empresa ou filial em Portugal, para um investidor estrangeiro, é um processo simples. Além disso, a estabilidade da economia e a força da moeda (o euro, visto do exterior, é uma divisa forte), reduzem o risco de investimento.

VII. INCENTIVOS E APOIOS AO INVESTIMENTO

O Estado Português aposta no incentivo ao investimento, atribuindo contribuições para o desenvolvimento dos negócios, benefícios fiscais e incentivos financeiros. Beneficia igualmente do apoio europeu, seja através dos programas e fundos do orçamento europeu ordinário, vulgo quadro financeiro plurianual, seja do plano de recuperação e resiliência, criado para ajudar a recuperação da economia europeia no pós-pandemia. Tem também vindo a ser feito um esforço para adotar medidas de simplificação dos procedimentos fiscais, por vezes ainda excessivamente complicados, e de algumas normas laborais, ainda assim demasiado rígidas.

VIII. PROGRAMA VISTOS GOLD

(AUTORIZAÇÃO DE RESIDÊNCIA PARA ATIVIDADE DE INVESTIMENTO)

Embora contestados e em mudança, os Vistos Gold continuam a ser um importante mecanismo de atração de investimento estrangeiro. Eles permitem a cidadãos estrangeiros entrar em Portugal com dispensa de visto de residência, obtendo uma autorização de residência temporária. Podem ser pedidos em contrapartida da transferência de capital de valor igual ou superior a 1 milhão de euros; da criação de 10 empregos, no mínimo; ou da aquisição de bens imóveis de valor igual ou superior a 500 mil euros. Só é exigido que residam em Portugal, por

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UM PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DO QUADRO LEGAL PORTUGUÊS, RELATIVO AOS INVESTIMENTOS NO PAÍS, É O DA NÃO DISCRIMINAÇÃO COM BASE NA NACIONALIDADE. ISSO SIGNIFICA QUE NÃO HÁ LIMITAÇÕES À DISTRIBUIÇÃO NO ESTRANGEIRO DE LUCROS E DIVIDENDOS GERADOS NO PAÍS um período mínimo de 5 anos, durante 7 dias no 1º ano e 14 em cada um dos anos seguintes. Com esta autorização é possível circular livremente no espaço Schengen, beneficiar de reagrupamento familiar ou, após 6 anos, requerer nacionalidade portuguesa. O novo regime dos Vistos Gold, que vigorará a partir de 1 de janeiro 2022, introduz limitações ao setor imobiliário residencial, restringindo a sua atribuição a investimentos nas regiões autónomas e em certas áreas do interior de Portugal continental.

IX. REGIME FISCAL DOS RESIDENTES NÃO HABITUAIS

Trata-se de um benefício polémico, que tem estado no centro de disputas políticas e judiciais com alguns países. Mas não deixa de ser uma vantagem, aproveitada por muitos cidadãos europeus, sobretudo os mais seniores, para dotar os seus anos de reforma de maior rendimento disponível (pagando menos impostos). Durante 10 anos, cidadãos estrangeiros cuja atividade tenha alto valor acrescentado ou possuam rendimentos da propriedade intelectual, industrial ou know-how, bem como beneficiários de pensões obtidas no estrangeiro, têm um tratamento fiscal vantajoso.

X. UNIÃO ECONÓMICA E MONETÁRIA: O EURO

Portugal faz parte da zona euro. A estabilidade económica assegurada pela governação comum da união económica e monetária é um

atrativo para empresas e empreendedores que queiram investir no país.

XI. NOVOS SETORES

Nos últimos anos, os portugueses têm demonstrado um interesse crescente pelas novas tecnologias e a sustentabilidade. São muitas as inovações e tecnologias, criadas em Portugal, que contribuem para melhorar a vida das pessoas, como é o caso da rede de multibanco, que permite executar quase todas as operações possíveis ou da via verde para passagem de portagens, invenção portuguesa hoje espalhada pelo mundo. O investimento nestas áreas é acompanhado a par e passo pela evolução das normas jurídicas, que visam regular, de forma eficaz e eficiente, o desenvolvimento tecnológico e as suas aplicações.

XII. QUALIDADE DOS SERVIÇOS JURÍDICOS

Por fim, existe uma enorme oferta de serviços jurídicos de qualidade, incluindo sociedades de advogados multinacionais e nacionais de renome, com profissionais dotados de competências desenvolvidas nas mais variadas matérias, incluindo o investimento estrangeiro. Aliado ao domínio generalizado da língua inglesa e de outras línguas estrangeiras, o acesso aos serviços jurídicos em Portugal tornar-se assim bastante fácil. Em resumo e em conclusão, o direito português contribui de forma decisiva para a atratividade do país. ▪ * Com a colaboração de Mariana Baptista


Pontos de Vista www.pontosdevista.pt


“NESTE CONTEXTO, A CCILF ASSUME UM PAPEL IMPORTANTE NAS RELAÇÕES ECONÓMICAS ENTRE OS DOIS PAÍSES, ACOMPANHANDO AS EMPRESAS FRANCESAS QUE DESEJAM FAZER NEGÓCIOS EM PORTUGAL (CRIAÇÃO DA SUA EMPRESA, PROCURA DE CLIENTES, FORNECEDORES...) OU AS EMPRESAS PORTUGUESAS QUE DESEJAM EXPORTAR PARA FRANÇA (ORGANIZAÇÃO DE MISSÕES PARA ENCONTRAR AGENTES COMERCIAIS) OU INVESTIR, TRABALHANDO EM PARCERIA COM A BUSINESS FRANCE”


PONTOS DE VISTA RELAÇÕES BILATERAIS PORTUGAL/FRANÇA

LAURENT MARIONNET, DIRETOR GERAL DA CCILF CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA LUSO-FRANCESA

O contributo do Investimento Francês no crescimento Português A presença económica francesa abrange vários setores de forma expressiva com cerca de 800 empresas, mais de 60.000 trabalhadores e um volume de negócios anual de cerca de 15 mil milhões de euros.

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o setor ambiental (Veolia e Suez) à energia (Engie e EDF) passando pela subcontratação automóvel (Faurecia, Renault, PSA, Norauto e MGI Coutier) pelo setor dos equipamentos elétricos e das instalações (Alcatel-Lucent, Legrand, Schneider Electric, Schlumberger, Alstom e Thales), pelo setor do gás (Air Liquide) e da aeronáutica (Lauak e Mecachrome) são quase 150 empresas industriais francesas estabelecidas no território, 20 das quais se encontram entre as 200 maiores empresas portuguesas. No setor dos equipamentos de construção, a Saint-Gobain, Vinci, Eiffage e SPIE são os representantes do “know-how” francês, tais como os laboratórios farmacêuticos Servier, Sanofi, Pierre Fabre e Uriage ou os grupos agroalimentares, como a Bonduelle, a Bel e a Lactalis. As empresas francesas estão também presentes em setores mais surpreendentes como o fabrico de alimentos para animais (Roullier e InVivo) e o fabrico de rolhas (Oeneo e Lafitteou). Além disso, nos últimos anos, a presença francesa ganhou mais expressão no setor dos serviços, incluindo o retalho (supermercados e lojas Auchan, Intermarché, E.Leclerc, Conforama, La Redoute, Fnac, Decathlon e Leroy Merlin), o turismo (grupo Accor), os transportes (Transdev), a logística (DPD) e os sistemas de informação (Altran, GFI/Inetum e Capgemini). O seu crescimento continua ascendente no setor dos serviços financeiros com a presença do BNP Paribas, Crédit Agricole, Natixis e Cofidis. Portugal é também o hub de muitos projetos franceses no setor digital. No setor imobiliário, a pandemia ainda não teve impacto nos investimentos franceses, particularmente no setor residencial de luxo, e a França permanece no ranking dos principais investidores estrangeiros em Portugal. Durante a crise, a França manteve o seu papel de parceiro comercial de relevo para Portugal. Assim, em 2020, França tornou-se, segundo a Embaixada Francesa, “o principal excedente co-

“POR FIM, PARA CELEBRAR ESTAS BOAS RELAÇÕES, A CCILF ORGANIZA A SUA CERIMÓNIA ANUAL DOS TROFÉUS. ESTA NOITE DE GALA REÚNE A COMUNIDADE EMPRESARIAL LUSO-FRANCESES CONTANDO COM A PRESENÇA DOS EMBAIXADORES DOS DOIS PAÍSES E REPRESENTANTES DO GOVERNO PORTUGUÊS" mercial de Portugal”. Foi já em período de crise na zona euro que a França ocupou o 1º lugar; tal facto pode ser interpretado como o resultado da resiliência dos laços económicos e humanos entre estes dois países. Neste contexto, a CCILF assume um papel importante nas relações económicas entre os dois países, acompanhando as empresas francesas que desejam fazer negócios em Portugal (criação da sua empresa, procura de clientes, fornecedores...) ou as empresas portuguesas que desejam exportar para França (organização de missões para encontrar agentes comerciais) ou investir, trabalhando em parceria com a Business France.

Por fim, para celebrar estas boas relações, a CCILF organiza a sua cerimónia anual dos Troféus. Esta noite de gala reúne a comunidade empresarial luso-franceses contando com a presença dos embaixadores dos dois países e representantes do Governo português. No decorrer da noite, serão atribuídos troféus em seis categorias (PME, Exportação, Startup, Investimento, Desenvolvimento Sustentável e Inovação), permitindo assim destacar empresas francesas e portuguesas (de todas as dimensões). Este ano, o evento terá lugar no dia 28 de outubro, em Lisboa. As candidaturas aos Prémios já se encontram abertas e é possível descarregar os ficheiros no website: www.ccilf.pt. ▪

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PONTOS DE VISTA CONTABILIDADE, FINANÇAS E AUDITORIA

Ciphra, enquanto Parceira de Confiança Confiança é a melhor palavra que define a Ciphra – Contabilidade, Gestão e Recursos Humanos. Uma confiança que, ao longo dos anos, foi conquistando clientes e parceiros e trilhando o seu caminho no mercado português em todas as suas frentes. Maria João de Figueiredo, o rosto por detrás desta empresa – de acordo com a sua experiência e know-how - contou à Revista Pontos de Vista, a sua perspetiva no que diz respeito à economia nacional, tendo em conta os tempos em que vivemos.

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endo uma empresa de natureza especializada, a Ciphra defende que a contabilidade não é, nem pode ser vista como um mero cálculo das obrigações fiscais, mas sim um meio para tomar decisões de extrema relevância. Quem o garante é Maria João de Figueiredo, CEO desta marca que visa, sobretudo, antecipar as crescentes exigências de prestação de serviços de aconselhamento financeiro, contabilidade, fiscalidade e ainda recursos humanos e novos investimentos. Enquanto parceira efetiva dos seus clientes, a grande missão da Ciphra passa por os ajudar a crescer, a inovar ou simplesmente consolidar o seu negócio. Para isso, existem recorrentemente iniciativas criadas pela empresa para que os mesmos conheçam a situação atual do seu negócio, tal como a nossa entrevistada afirma: “O cliente habituou-se a não tomar nenhuma decisão importante sem, primeiro, perceber com a nossa ajuda se é o momento ideal ou não. Para que esteja sempre a par de tudo, enviamos ainda informação mensal da posição da sua empresa e, a partir daí, qualquer decisão se torna mais clara e eficaz”. Certo é, este facto só é possível porque existe uma relação de confiança e transparência trabalhada e consolidada durante anos, não apenas com Maria João de Figueiredo, mas também com toda a sua equipa. Para a própria, a equipa é tão ou mais essencial nesta caminhada de sucesso. “Eu tenho uma forma de estar muito frontal no que diz respeito à liderança. Olho para isso como algo positivo, porque todos sabem com o que podem contar. Transparência é tudo e nesta área é essencial”, afirma a nossa entrevistada. Confiança, transparência e frontalidade são características que fizeram – e têm feito – toda a diferença em tempos complexos como o que vivemos, particularmente porque tem sido fundamental, com a ajuda e know-how da Ciphra, planear e equilibrar as contas da economia.

MARIA JOÃO DE FIGUEIREDO

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PROGRAMAS DE APOIO ÀS EMPRESAS O crescimento interrompido da economia devido à COVID-19 provocou um abanão às contas nacionais. Desde a restauração ao turismo, muitas foram as áreas de atividade que viram a sua capacidade de resiliência posta à


PONTOS DE VISTA CONTABILIDADE, FINANÇAS E AUDITORIA

“EU TENHO UMA FORMA DE ESTAR MUITO FRONTAL NO QUE DIZ RESPEITO À LIDERANÇA. OLHO PARA ISSO COMO ALGO POSITIVO, PORQUE TODOS SABEM COM O QUE PODEM CONTAR. TRANSPARÊNCIA É TUDO E NESTA ÁREA É ESSENCIAL” prova. Capacidade essa que, a economia portuguesa teve de resistir dentro das suas possibilidades. Ninguém melhor do que Maria João de Figueiredo para fazer uma análise mais profunda sobre o verdadeiro impacto dos tempos em que vivemos. Assim, a pergunta que se impõe é: em tempos de pandemia, como planear e equilibrar as contas? Para a nossa entrevistada, e de forma generalizada, “houve muitas empresas que rapidamente conseguiram adaptar-se e reinventaram o seu negócio. Por outro lado, houve outros vários setores que sofreram e continuam a sofrer com a situação. Posso dizer que as empresas que tinham uma contabilidade organizada, onde tinham

tudo naturalmente estipulado, puderam recorrer a inúmeras ajudas do Estado. Penso que esta questão trouxe, sem dúvida, uma consciencialização maior à sociedade sobre o tema. Cada vez mais, os empresários, têm de repensar a forma como estão a gerir as próprias empresas”. Neste contexto, várias foram as medidas excecionais de apoio às empresas e ao emprego por parte do Governo, como o layoff simplificado, a retoma progressiva, apoios dos salários pelo IEFP, as moratórias, entre outros, mas será que foram aplicadas a tempo de evitar o inevitável? A CEO da Ciphra afirma que “apesar de tudo ter acontecido depressa e sem avisar, na minha opinião, penso que

alguns destes apoios chegaram tarde e pouco fundamentados. Tudo devia ter sido melhor estruturado e aplicado no tempo certo”. Apesar de toda a incerteza, a Ciphra colocou à disposição dos seus clientes todas as informações referentes aos programas de apoio e manteve-se disponível para os acompanhar e ajudar a tomar as melhores decisões para o futuro dos seus negócios. Para fazer face à crise que se instalou em Portugal, a chamada Bazuca Europeia, ou seja, o Mecanismo de Recuperação e Resiliência ganhou força de lei, mas na prática o que mudou? De acordo com a sua experiência, e enquanto contabilista especializada, Maria João de Figueiredo assume que um dos grandes desafios com que se deparou aquando do anúncio do programa, foi a sobrecarga de

trabalho. “Muitos clientes, assim que ouviram a existência deste apoio quiserem desde logo obter mais informações – e o nosso dever é, obviamente, expor toda e qualquer situação referente a estas temáticas. Contudo, e depois de uma profunda análise, percebi que este apoio de que tanto falavam não era eficaz. Sou da opinião que houve bastante marketing por detrás deste programa e às vezes gerir a informação da comunicação social e, simultaneamente, transmitir a veracidade dos factos aos clientes, é complexo”. Aqui, é novamente essencial voltar a frisar a confiança que se vive e transmite no seio da Ciphra. Em toda e qualquer situação, há um aconselhamento real das informações que, muitas vezes com ruído, acabam distorcidas e mal interpretadas. ▪

INICIATIVAS CIPHRA De forma a chegar a todos os clientes e parceiros que se viam interessados em estar a par de diversos temas relacionados com a economia, como os programas de apoio já mencionados, a Ciphra recorreu a diversas iniciativas: “Fizemos vários workshops online, onde explicámos tudo o que tinha a ver com layoffs e com outros programas. Criámos ainda uma linha de apoio que chamámos de Get Help Here para empresas que eventualmente necessitassem de ajuda, entre outras. No fundo, tivemos de nos adaptar muito rapidamente ao que estava a acontecer, sem descurar, em momento algum, do acompanhamento diário aos que confiam

em nós”, assume Maria João de Figueiredo. “Outra iniciativa recente na Ciphra, é a formação criada à medida para os nossos empresários. A experiência de vários anos com centenas de clientes das mais diversas atividades, percebemos que os nossos empresários têm um know-how de excelência na sua área de negócio, mas a maioria tem pouco conhecimento ao nível da gestão e organização de empresas, assim, desenvolvemos 4 módulos de formação, essenciais para que o negócio dos nossos clientes evolua e cresça da melhor forma”. Hoje e no futuro, a Ciphra é e será o parceiro ideal para ouvir, aconselhar e apoiar nas tomadas de decisão.

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“O PRR É, PORTANTO, UMA OPORTUNIDADE ÚNICA DAS PMES NACIONAIS SUBIREM NA CADEIA DE VALOR, SEJA PELA INCORPORAÇÃO DE NOVAS COMPETÊNCIAS, UPGRADE TECNOLÓGICO OU DIGITALIZAÇÃO DOS MODELOS DE NEGÓCIO. É FUNDAMENTAL QUE ESTE CAMINHO SEJA PERCORRIDO, NÃO OBSTANTE O DESAFIO INERENTE” MILTON CABRAL


PONTOS DE VISTA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

Falar sobre o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) português O Conselho Europeu aprovou em junho o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) português. Foi sobre este tema e o seu impacto que quisemos conhecer a abordagem da Axians, a marca da VINCI Energies dedicada à Transformação Digital, em entrevista a Milton Cabral, Enterprise Sales Director, na Axians Portugal.

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e que forma, este instrumento financeiro será importante para a Transformação Digital do país e das empresas? O famoso PRR insere-se num mais vasto plano de investimentos, previstos para esta década, na qual a Transição Digital (2.5mM€) é um dos pilares estratégicos. No caso do PRR, temos ainda dois outros pilares estruturantes: a Transição Energética (3.0mM€) e a Resiliência (11mM€), que somados, totalizam mais de 16mM€ a serem investidos até 2026. Espera-se que a aplicação do PRR tenha um efeito positivo sobre a nossa economia: no final de 2025, é expectável que o PIB nacional se situe 3,5% acima do nível que se teria verificado num cenário sem o PRR1 . O PRR nacional foi criado tendo por base a atual estratégia de desenvolvimento sustentável da União Europeia, suportada na dupla transição digital e climática. Inclusivamente, a Comissão Europeia designou a década atual como a Década Digital, o que reflete a importância do digital na estratégia de desenvolvimento europeia. As metas estão traçadas e são ambiciosas. Entre elas, destaco o crescimento significativo de especialistas em TIC de 7.8 milhões em 2019 para 20 milhões em 2030; a digitalização integral dos principais serviços públicos e do cadastro médico; a generalização do 5G; ou a adesão significativa a serviços na nuvem, das empresas Europeias (pelo menos de 75%). Por tudo isto, a transformação será profunda. A estratégia europeia tem ainda uma importante componente externa. Até 2030, temos a ambição de consolidar a liderança e soberania europeia a nível global. E qual é a importância para as PMEs? 99.9% das empresas nacionais são PMEs. Em 2018, estas empresas representavam 60% da riqueza (VAB) nacional e empregavam 78% dos trabalhadores no ativo. Importante também reter que, em mais de metade dos municípios, o tecido económico é constituído exclusivamente por PMEs. O PRR reconhece a relevância social e económica das PMEs. 12 das 20 Componentes do PRR têm Investimentos direcionados ou dedicados às PMEs, com taxas de cofinanciamento muito atrativas. A título exemplificativo, o PRR prevê requalificar 36.000 trabalhadores e apoiar mais de 530.000 PMEs através de consultoria e outros apoios de natureza financeira. De uma forma mais específica, a Componente 16 prevê alavancar a transição digital de 30.000 PMEs do comércio e serviços de proximidade, e apoiar mais 8.500 através de programas de internacionalização e outros. É, ainda, espe-

rado um papel muito ativo das PMEs em redes de conhecimento e inovação, tal como, nas Agendas Mobilizadoras ou Agendas Verdes (Componente 5), ou na fileira do Mar (Componente 10). O PRR é, portanto, uma oportunidade única das PMEs nacionais subirem na cadeia de valor, seja pela incorporação de novas competências, upgrade tecnológico ou digitalização dos modelos de negócio. É fundamental que este caminho seja percorrido, não obstante o desafio inerente. Que desafios teremos pela frente para conseguirmos cumprir o plano definido até 2025? Existem alguns desafios, e a diferentes níveis. Desde a execução, passando pela eficiência, até à transparência na utilização destes recursos. Focando-nos nas empresas, no momento atual e, tal como anunciado pelo Primeiro Ministro, é cada vez mais urgente que estas se concentrem no PRR, que o estudem, e que preparem as candidaturas, porque vamos ter pouquíssimo tempo para o executar . Aliás, a escassez de tempo está bem patente nos primeiros Avisos do PRR, que saíram com prazos de submissão das candidaturas abaixo dos três meses. O problema é que, além do pouco tempo disponível, um processo de transição, seja digital ou energético, carece de preparação e conhecimento para ser convenientemente realizado. Ou seja, carece de um plano estratégico de transição que identifique os desafios e as oportunidades, as iniciativas digitais e energéticas que devem de ser alinhadas com os objetivos estratégicos da organização. O nível atual de digitalização das empresas portuguesas é ainda baixo, sobretudo nas PMEs. André de Aragão Azevedo, o Secretário de Estado para a Transição Digital, afirmou recentemente que “73% dos empresários portugueses não tem estratégia para o digital2” . Por outro lado, de acordo com a AEP3, 25% das PMEs indicam como principal dificuldade na sua digitalização, a falta de know-how específico, e apenas 12% a falta de capital. Depreende-se, portanto, que, além do incentivo, seja necessário desenvolver mecanismos no mercado que apoiem o tecido empresarial a colmatar a falta de conhecimento e a acelerar o processo de transição. Esta lacuna está claramente identificada no PRR, que dedica diversas componentes, tal como a 5, 16 ou a 20, à formação, e treino, de jovens e adultos no digital. E qual o papel e o compromisso da Axians com a Transformação Digital do nosso país?

A Axians Portugal é o braço digital do grupo VINCI Energies Portugal. O grupo tem precisamente na sua génese a aceleração digital e energética, estando, por motivos óbvios, plenamente comprometidos com a necessidade transformacional dos nossos clientes. Contudo, o momento e o contexto atual exigem medidas específicas: • Em primeiro lugar, é necessário desenvolver planeamento sobre a dupla transição, alinhado com os objetivos estratégicos traçados pela organização; • Depois, ter presente que esta dupla jornada está alicerçada na Inovação. Sem inovação as empresas não se tornam competitivas. É necessário continuar a desenvolver novas ideias, projetos, produtos, soluções, em ambientes de co-criação, fazendo pontes entre privados e públicos, entre empresas e instituições de I&D; • De seguida, capacidade de execução, que quanto mais integrada com o planeamento, mais eficiente se torna; • Finalmente, o conhecimento específico sobre os mecanismos de financiamento disponíveis, como recurso acelerador da dupla transição. Como resultado, lançámos este mês uma iniciativa que procura responder a estas necessidades, o Twin Transition Lab4. Este projeto reúne, numa única abordagem, as competências de planeamento e engenharia já existentes no grupo, tanto na sua vertente digital como energética, bem como o nosso mais recente investimento na aquisição de know how sobre os sistemas de financiamento disponíveis para Portugal, como o PRR, o Portugal 2030 e mesmo o Horizonte Europa. Nestes tempos em que, pelos piores motivos, o mundo e as empresas despertam para o tema da sustentabilidade – económica, social e ambiental – acreditamos que este pode ser um contributo importante para acelerar duas transições críticas, garantindo mais valor de longo prazo, no contexto de uma sociedade mais próspera e eficiente, mas acima de tudo mais humana. ▪ 1 https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/comunicacao/ noticia?i=as-verbas-do-prr-ou-sao-utilizadas-pelas-empresas-ou-serao-perdidas 2 https://expresso.pt/fb-instant-articles/2021-03-01-73-dos-empresarios-portugueses-sem-estrategia-para-o-digital 3 https://www.aeplink.pt/fotos/noticias/aep_link_diagnostico_as_necessidades_de_colaboracao_e_fornecimento_das_ pme_202003030_v1.1_4823853245ed92eec61b52.pdf 4 https://www.axians.pt/twin-transition-lab/

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PONTOS DE VISTA PENSAMENTO CRÍTICO

A PALAVRA DE HUGO LOURENÇO, FUNDADOR E CEO DO THE AGILE THINKER ® CONSULTING AND ACADEMY

Eficiência e Criatividade; Uma opção paradoxal O mais importante são os olhos e os pés. Temos de ser capazes de ver o mundo e ir ter com ele (Alfred Döblin médico - 1926)

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mbora Lean e Pensamento Crítico ambos partilhem conceitos como a melhoria contínua e a procura de através da eliminação do desperdício, a grande diferença decorre da atitude individual e voluntária do Pensamento Crítico, face a uma intervenção estruturada do Lean (manufactura). Este, com planos bem delineados e promovido pela Liderança com reorganização de estruturas produtivas, planos de intervenção, processos formativos e colaboração de especialistas com o propósito de ultrapassar mais facilmente a resistência processual. O Pensamento Crítico (mentofactura) evolui de uma visão individual na procura contínua de soluções criativas capazes de melhorar o fluxo e a forma de trabalhar. Apesar das aparentes semelhanças o Pensamento Crítico revela uma componente de análise contínua de pequenos problemas, promotora de atividades de colaboração entre profissionais e capaz de aumentar a Agilidade das organizações porque se reveste de um compromisso entre os colaboradores e a organização, tornando as mudanças mais uma aquisição coletiva e orgânica e menos uma imposição, promovendo diversidade intelectual. O PARADOXO Mas se o Lean faz a entrada nas organizações por imposição superior com recurso a especialistas facilitando a sua aceitação pela eficiência organizacional, porque razão devemos perder tempo com outras abordagens por regras mal definidas, falta de indicadores de performance, tangibilidade, programa com inúmeras iniciativas pré-definidas, e de mais difíceis de afirmação como é o Pensamento Crítico? Olhando para a Curva de Aceitação da Inovação proposta pelo sociólogo Everett Rogers (em

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HUGO LOURENÇO


PONTOS DE VISTA PENSAMENTO CRÍTICO

1962) evidencia-se a dificuldade da mudança (Inovadores 2.5% / Resistentes 16%) e a importância do apoio do grupo ou comunidade, porque esta depende de várias pessoas aceitarem mudar de tarefas de forma coordenada. Não basta identificar e estimular quem possui pensamento critico porque validar e experimentar antes da mudança ser implementada é tarefa importante. Uma cultura de Agilidade com estas características garante uma elasticidade ao nível da decisão que torna a mudança mais fácil de absorver porque ela é fruto de um contínuo trabalho coletivo e não individual. Infelizmente as mudanças no ambiente externo das organizações são inesperadas e o tempo de reação lento. O recurso ao Pensamento Critico de forma contínua permite estar mais atento às exceções, avalia diferentes perspetivas dos acontecimentos, estabelece conexões e aglutina eventos desagregados mais facilmente, permitindo uma reserva de ação entre a organização e o indivíduo, ao identificar sinais fracos de mudança e propostas de ação em tempo útil – considere com isto uma capacidade de adaptabilidade para o inesperado e forma de continuar a gerir riscos desconhecidos. A COMUNIDADE DE PRÁTICAS OU A AMPLIFICAÇÃO DE SINAIS FRACOS A Comunidade de Práticas (CdP) é muito usada como um repositório vivo de in/formação embora se evidencie em grupos verticais (médicos, enfermeiros, etc.), mas com pouca utilidade para identificar e amplificar sinais fracos por agravar o potencial de tensões internas. Para os amplificar necessitamos de uma difusão alargada (digital ou manual) de sugestões ou ideias, anónima e espaço de discussão (simples - sim/ não - ou comentada) para a primeira abordagem. Estes espaços de difusão permitem reduzir a tensão interna ao serem anónimos, sinalizar sinais fracos de mudanças, convidam à participação e identificam as sugestões mais participadas. Por esta razão os centros de excelência nunca foram mais excelentes do que aqueles que não são excelência, nomeadamente quando se formam silos de debate. Quando se agendam reuniões regulares, com tempo fixo e agenda prévia das ideias mais participadas, surgem as CdP Horizontais para desenvolver, testar e propor métricas de decisão para os constrangimentos, impedimentos, dependências, pois é sobre a entrega em todo o espectro que estamos a analisar nessa reunião. Ao valorizar e criar espaço para testar ideias em função da redução do desperdício, melhoria contínua e procura de valor, promove-se a construção de um ambiente de valorização individual e coletivo que transmite aos líderes a vivência nas diferentes áreas da organização.

A CONSTRUÇÃO DE CDP HORIZONTAIS VERSÁTEIS E ÁGEIS PRESSUPÕEM (BRIAN WALKER SOCIÓLOGO 2008): DIVERSIDADE de participantes e pontos de vista: maior participação, maiores contributos; muita diversidade, implica debate. DISPERSÃO de ideias avulso facilita e promove a interoperabilidade entre diferentes departamentos/ sectores. PENSAMENTO CRÍTICO incentiva o desenvolvimento de ideias de sucesso / fracasso.

LIDERANÇA para promover, encorajar e divulgar estes procedimentos com atitude e novos comportamentos. OBJETIVIDADE nas sugestões / ideias quando se decide reduzir o desperdício ou aumentar o valor nas ações/procedimentos ou reduzir o trabalho para ferramentas que não são o valor final. MÉTRICAS fundamentadas para avaliar as decisões, e evitar decisões com base em opiniões, sentimentos, julgamentos, estigmas ou dogmas.

“O PENSAMENTO CRÍTICO REVELA UMA COMPONENTE DE ANÁLISE CONTÍNUA DE PEQUENOS PROBLEMAS, PROMOTORA DE ATIVIDADES DE COLABORAÇÃO ENTRE PROFISSIONAIS E CAPAZ DE AUMENTAR A AGILIDADE DAS ORGANIZAÇÕES PORQUE SE REVESTE DE UM COMPROMISSO ENTRE OS COLABORADORES E A ORGANIZAÇÃO”

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PONTOS DE VISTA CONTRATAÇÃO PÚBLICA

ANTÓNIO FERREIRA DOS SANTOS

Contratação Pública em destaque

António Ferreira dos Santos, na qualidade de Inspetor-Geral da Inspeção-Geral de Finanças – Autoridade de Auditoria, contou à Revista Pontos de Vista tudo o que, enquanto cidadãos, podemos e devemos saber sobre o tema da Contratação Pública, desde a sua importância à inovação dos processos que, segundo o próprio, têm tido evolução globalmente positiva. Saiba tudo.

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o seu ponto de vista, e enquanto Inspetor-Geral de Finanças, qual é a importância da Contratação Pública? A contratação pública configura uma área estruturante da gestão pública, atento, desde logo, o peso que a respetiva despesa representa

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no orçamento das administrações públicas, calculando-se que o seu valor corresponda a mais de 16% do PIB da União Europeia. Em Portugal e tomando como referência o ano de 2019, para evitar enviesamentos decorrentes da pandemia decorrente do COVID-19, a aquisição de bens e serviços correntes e de bens de

capital nas entidades integradas no perímetro orçamental, superou os 18 mil milhões de euros (valores da Conta Geral do Estado), representando mais de 11% da despesa daquelas entidades. O quadro legal que rege esta matéria tem subjacente a prossecução de princípios essenciais ao funcionamento e consolidação do mercado


PONTOS DE VISTA CONTRATAÇÃO PÚBLICA

único europeu, v.g., a concorrência, a igualdade e a transparência, sendo igualmente de sublinhar o relevante papel de alavancagem de políticas transversais, designadamente nas áreas sociais e do ambiente. Acredita que, ao longo dos anos, se tem inovado positivamente os processos de Contratação Pública, de modo a atingir os níveis de desempenho desejados? O que se tem vindo a modificar? Sim, o quadro legal aplicável tem tido uma evolução que considero globalmente positiva, de onde ressaltam claramente os aspetos de inovação em matéria procedimental. Sem querer recuar demasiado no tempo, é incontornável o marco que representa a aprovação do Código dos Contratos Públicos, em que pela primeira vez foi concentrado num único diploma, a disciplina aplicável à contratação pública e o regime substantivo dos contratos públicos que revistam a natureza de contrato administrativo. Destaco ainda a inovação que representou a aposta no e-procurement, onde Portugal foi pioneiro, enquanto importante instrumento de maximização da transparência nos procedimentos pré-contratuais e que, em nossa opinião, deverá ser ainda alargado, tornando-o obrigatório mesmo nos procedimentos não concorrenciais, "O quadro legal pelo menos os de valor aplicável tem tido uma mais elevado. evolução que considero Ainda na ótica da transparência, não poderei globalmente positiva, deixar de referir o Porde onde ressaltam tal BASE, repositório da claramente os aspetos de grande maioria dos coninovação em matéria tratos públicos, tornando procedimental” tal informação acessível ao escrutínio de qualquer cidadão. Há, com certeza, ainda um caminho a percorrer, designadamente no que se refere à utilização de determinados tipos de procedimentos vocacionados para a inovação, naturalmente desde que verificados os pressupostos para o recurso aos mesmos, que atualmente têm uma expressão residual, desde logo, a relativamente recente parceria para a inovação mas, também, o já não tão recente diálogo concorrencial.

sendo prudente evitar generalizações que, em regra, não são desejáveis. Se é verdade que uma maior dimensão financeira consubstancia um fator de risco, tal não significa forçosamente que tal risco se concretize em procedimentos desconformes ou mesmo ilegais. Aliás, quanto maior o projeto, também maior será o escrutínio a que o mesmo está sujeito. Desde logo numa fase preliminar, através do controlo efetuado pelo Tribunal de Contas em sede de fiscalização prévia, mas também pela atuação dos órgãos de controlo da Administração Pública, não esquecendo a cada vez mais presente e salutar atenção por parte, por exemplo, da comunicação social e dos cidadãos em geral. O próprio Código dos Contratos Públicos tem vindo a densificar os mecanismos de acompanhamento e controlo da execução dos contratos, de que é exemplo a implementação da figura do gestor do contrato que, aliás, já configurava uma boa prática precisamente em grandes projetos públicos, ainda antes da sua consagração normativa. Por último, importa referir que a dimensão financeira não é, de forma alguma, o único fator de risco na contratação pública. Existem inúmeros sinais de alerta, que poderão ocorrer em procedimentos de menor expressão financeira, tais como explicado na nossa brochura sobre a Gestão dos Riscos em Contratação Pública, disponível em https://www.igf.gov.pt/aigf/primeirapagina/IGF_91_Anos_Gestao_dos_Riscos_na_Contratacao_Publica.pdf

Há quem afirme que existem dificuldades claras no que diz respeito ao formar e gerir os grandes Contratos, de forma eficaz e eficiente e, simultaneamente, imunizá-los em relação a problemas, como por exemplo, de corrupção. Concorda? Porquê? Desconhecendo o contexto em que foi proferida e a autoria da afirmação, torna-se difícil concordar ou discordar simplesmente da mesma,

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PONTOS DE VISTA CONTRATAÇÃO PÚBLICA

Que mitos ainda existem por desconstruir no que concerne ao Código dos Contratos Públicos? Vários, mas atrever-me-ia a dizer que a maioria deriva de um deficiente conhecimento do regime legal no mesmo contido. Este é, de facto, um dos principais problemas com que a área da contratação pública se debate, ou seja, a insuficiente capacitação dos trabalhadores que lidam com estas matérias, preocupação, aliás, partilhada por diversas entidades, com destaque para a Comissão Europeia. Destacaria ainda a ideia, a meu ver errada, de que o recurso reiterado a procedimentos não concorrenciais, é consequência da morosidade e complexidade dos procedimentos abertos ao mercado. Recordo, a título de exemplo, que um concurso público sem publicidade internacional pode ter um prazo de apresentação de propostas de apenas 6 dias e que a peça-chave de qualquer procedimento, o caderno de encargos, tanto tem de ser elaborado num concurso público, como num ajuste direto e um bom caderno de encargos é essencial para garantir a adequada execução do contrato e a qualidade, eficiência e eficácia de todo o processo. Ao não abrir ao mercado a possibilidade de apresentação de propostas, as entidades adjudicantes estão, na maioria dos casos, a comprar em condições mais desvantajosas, com evidente prejuízo para o interesse público. Recentemente foram aprovadas as alterações ao novo Código dos Contratos Públicos. Que medidas serão aplicadas consoante o novo CCP? Na prática, o que irá mudar? A revisão efetuada corrigiu algumas imprecisões de que padecia o articulado do Código, sendo de salientar igualmente o reforço dos aspetos relativos às garantias de imparcialidade e à adoção de medidas adequadas para impedir, identificar e resolver eficazmente os conflitos de interesses, a densificação e clarificação de determinados regimes, de que são exemplo

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os aspetos relativos ao gestor do contrato. No entanto, existem também alguns focos de preocupação, designadamente no que se refere à compatibilização com o Direito Comunitário de certas disposições, designadamente as relativas a preferências regionais e aos contratos reservados a PME’s. Para além disso, continuam a existir matérias que carecem de atenção do legislador, das quais salientamos a premente revisão do regi-

me de realização das despesas públicas, que ainda se rege por um diploma de 1999 (com os valores em contos) e a necessidade de incorporar no Código uma norma que imponha às entidades adjudicantes a elaboração de verdadeiros planos de compras, já que a ausência de planeamento, é, em nossa opinião, a causa esmagadoramente maioritária das desconformidades detetadas nos procedimentos de contratação pública. ▪

“AINDA NA ÓTICA DA TRANSPARÊNCIA, NÃO PODEREI DEIXAR DE REFERIR O PORTAL BASE, REPOSITÓRIO DA GRANDE MAIORIA DOS CONTRATOS PÚBLICOS, TORNANDO TAL INFORMAÇÃO ACESSÍVEL AO ESCRUTÍNIO DE QUALQUER CIDADÃO” Acredita que estas alterações vêm simplificar e acelerar os processos de Contratações Públicas? Quais são as expetativas para o futuro dos mesmos? A expectativa é essa. Contudo, como sabem, uma entidade de controlo desenvolve o seu trabalho com âmbitos temporais normalmente correspondendo aos 2/3 anos anteriores, pelo que só daqui a algum tempo poderemos efetivamente aferir quais os impactos que estas alterações tiveram na prática. Não obstante a questão que me é colocada se refira explicitamente às alterações ao CCP, julgo que, nas entrelinhas, estaria também presente a ideia de nos pronunciarmos sobre as medidas especiais de contratação aprovadas em simultâneo com estas alterações. Sobre estas, numa perspetiva puramente técnica, poderei dizer que, entendendo as razões de simplificação e agilização de procedimentos que subjazem à sua promulgação, as mesmas suscitam algumas dúvidas, fundadas numa eventualmente excessiva limitação da concorrência, que enquanto entidade de controlo não podemos ignorar.


“HOJE, MAIS DE 50% DOS CONTACT CENTERS TRABALHAM PARA OUTROS PAÍSES E ELEVARAM AS COMPETÊNCIAS DAS PESSOAS QUE TRABALHAM NO SETOR, COMO, POR EXEMPLO, O CONHECIMENTO DE LÍNGUAS” PEDRO MIRANDA


PONTOS DE VISTA INOVAÇÃO – CONTACT CENTER

“Os nossos Associados são criadores de riqueza, para as suas Empresas e para o País” Há 17 anos que a Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC) tem vindo a traçar a sua história no apoio, defesa e promoção dos seus Associados e de um setor que, cada vez mais, tem ganho destaque e reconhecimento enquanto impulsionador do mercado português. Entre outros temas, Pedro Miranda, Presidente da Associação, contou à Revista Pontos de Vista as tendências que se esperam para o futuro desta área. Saiba tudo.

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Associação Portuguesa de Contact Centers tem, desde a sua criação, assistido a um setor e a um mercado com inúmeras evoluções. Assim, como nos pode descrever o papel que a APCC tem tido até então, na sua missão de criar e fortalecer riqueza nacional? A APCC é uma Associação constituída há 17 anos, num período de profundas transformações desta atividade. Na nossa perspetiva, as Associações existem para defender e representar os seus Associados e para promover o desenvolvimento sustentável das atividades que representam. E isso é conseguido de diversas formas, mas começa sempre com uma vontade de acelerar mudanças, voluntariedade em participar nessa mudança e, não menos importante, ter uma estrutura que o possa fazer acontecer com mais efetividade A APCC fez esse caminho e hoje é uma Associação liderada por uma Direção composta por alguns Associados eleitos, que trabalham de forma voluntária e apoiada por uma estrutura orgânica leve, mas sólida e ativa. Atualmente com cerca de 100 Membros, Empresas e Instituições de setores de atividade económica como os Seguros, as Telecomunicações, a Banca, as Utilities, o Comércio e os Serviços, entre outros, a APCC representa não apenas Contact Centers, internalizados ou mistos, mas também fornecedores de serviços de Contact Center – Outsourcers, de Tecnologia, Consultoria, Formação e outros serviços.

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Esta Indústria, na qual trabalham mais de 100.000 profissionais, distingue-se pelas suas práticas organizacionais, gestão de equipas, gestão de Clientes, gestão de infraestruturas de suporte. Muito em particular, distingue-se pela utilização de Tecnologia, predominantemente desenvolvida por Empresas nacionais ou operando no nosso país, com um elevadíssimo nível, reconhecido internacionalmente. Os nossos Associados são criadores de riqueza, para as suas Empresas e para o País e cabe à APCC promover as suas atividades, fortalecer as condições envolventes para o seu sucesso e difundir as melhores práticas. Há sempre caminho e novas ações para desenvolver. Qual tem vindo a ser a estratégia e abordagem por parte da APCC, em criar condições para apoiar os seus associados em todos os processos que visem o desenvolvimento das suas atividades de Contact Center? Uma dimensão importante de esforço contínuo para o fomento de boas práticas e o crescimento do conhecimento do que melhor se faz no Setor começa com as ações que fomentam o contacto entre os Associados e eventos de divulgação, dos temas relativos aos fundamentais, mas também ao que mais importante se coloca no momento, ou como tendência crescente. Temos promovido eventos anuais regulares, como webinares, conferências anuais e entrega de prémios de reconhecimento.

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“ATUALMENTE COM CERCA DE 100 MEMBROS, EMPRESAS E INSTITUIÇÕES DE SETORES DE ATIVIDADE ECONÓMICA COMO OS SEGUROS, AS TELECOMUNICAÇÕES, A BANCA, AS UTILITIES, O COMÉRCIO E OS SERVIÇOS, ENTRE OUTROS, A APCC REPRESENTA NÃO APENAS CONTACT CENTERS, INTERNALIZADOS OU MISTOS, MAS TAMBÉM FORNECEDORES DE SERVIÇOS DE CONTACT CENTER – OUTSOURCERS, DE TECNOLOGIA, CONSULTORIA, FORMAÇÃO E OUTROS SERVIÇOS”


PONTOS DE VISTA INOVAÇÃO – CONTACT CENTER

“É, E SEMPRE FOI, UM SETOR MUITO TECNOLÓGICO. A CONECTIVIDADE COM OS CLIENTES FINAIS E O APOIO AOS SEUS PROFISSIONAIS, A TECNOLOGIA AO SERVIÇO DA ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DE EQUIPAS E TAMBÉM AO SERVIÇO DO PROFISSIONAL PARA DAR RESPOSTA AOS CLIENTES FINAIS, É EXTRAORDINÁRIA” E cabe aqui destacar, pela sua relevante importância, a certificação do Selo da Qualidade APCC, ferramenta fundamental para a difusão das boas práticas e para apoiar o procura pela excelência no desempenho das operações. Suportada em exigentes auditorias, que observam cerca de 178 diferentes indicadores de performance, esta certificação é o garante da manutenção de uma atitude de melhoria contínua nos mais variados aspetos da atividade de um Contact Center. Como parte muito importante no seu papel de representação dos Associados, não pode deixar de se destacar os contactos com a Tutela e com a Assembleia da República, sobre as questões e temas mais relevantes para a Indústria, como foi exemplo recente a audição acerca das discussões sobre teletrabalho e direito de desligar. A APCC afirma que este setor em Portugal, tem um potencial empregador muito elevado e que constitui um nicho de mercado competitivo a nível internacional. Que vantagens existem no mercado português, comparativamente a outros? O mercado português é atrativo a vários níveis. É sabido que várias Empresas instalam os seus serviços partilhados em Portugal, porque combinamos uma população com bom nível de formação, condições agradáveis de se trabalhar, profissionais disponíveis, salários e custo de vida relativamente mais baixos quando comparados com muitos países próximos, entre outros fatores com menor peso. Em simultâneo, cresceram os serviços de Contact Centers profissionais que prestam serviços em Portugal para o resto do mundo. Estas atividades são de facto importantes exportadores de serviços e tiveram um papel fundamental no crescimento do setor em Portugal nos últimos 10 anos, com especial impacto positivo para a nossa economia. Hoje, mais de 50% dos Contact Centers trabalham para outros países e elevaram as competências das pessoas que trabalham no setor, como, por exemplo, o conhecimento de línguas. Também isso fez elevar os salários, o que muito gostamos de assinalar. Quanto mais competências, mais valorizadas as pessoas são, e melhores salários auferem. É isso que é necessário fomentar. Os baixos salários são sinónimos indesejáveis de competências pouco relevantes ou indistintas. Educação e formação são fundamentais em qualquer setor e aqui também o é. É uma aposta que está na nossa agenda também.

Entre os vários desafios impostos pela pandemia que vivemos atualmente, o teletrabalho é um tema que tem destacado grande importância. Sendo que a APCC é hoje, mais do que nunca, um elo de ligação e comunicação entre empresas e colaboradores, quais diria que são as maiores dificuldades na adoção deste formato? O teletrabalho já era praticado no Setor antes da pandemia, com pouca expressão, é certo. O Setor é altamente suportado em tecnologia, muito organizado, como é natural em ambiente onde muitas pessoas trabalham, pelo que foi necessário e possível de forma, quase instantânea, que 90% do setor ficasse a operar em teletrabalho, por força da pandemia. Mas nem tudo se revelou ideal, como é natural. O tempo rapidamente trouxe necessidades que não eram evidentes logo nos primeiros tempos. Por exemplo, nem todas as pessoas têm condições físicas ideias para trabalhar em casa, nem todas as pessoas conseguem estar isoladas muitos dias sem iteração com outras pessoas, as Empresas perdem a iteração social e as ideias que surgem nas conversas, mesmo que informais, e que são um autêntico capital invisível que alimenta uma organização de ideias e conhecimento. As ferramentas de comunicação e colaboração entre os Operadores e as suas chefias não eram as ideais, em muitos casos, entre muitas outras considerações, nomeadamente a discussão dos custos e o direito ao desligamento, que é importante. Por isso, surge um equilíbrio, que é o teletrabalho parcial ou híbrido, que julgamos que veio para ficar, mesmo neste Setor. O teletrabalho a tempo integral serve um segmento mais restrito de profissionais e julgamos que assim continuará como tendência. Há muitas oportunidades de beneficiar ambas as partes num regime mais híbrido, com regras. Podemos afirmar que, apesar dos desafios existentes, o teletrabalho se tem revelado do agrado dos colaboradores? Que motivos fomentam esta ideia? Julgo que há unanimidade em sondagens de opinião que as pessoas que usufruíram ou ainda usufruem dessas condições forçadas de teletrabalho decorrente da pandemia, gostariam de continuar, num regime híbrido. A poupança de horas de deslocação é um enorme atrativo. Em Portugal e nos grandes centros urbanos, muitos profissionais de Contact Center gastam 2 ou mais horas por dia, apenas em deslocação. Penso que tudo o resto é relativamente secundário: as pessoas a consumirem 2 horas, que

seja por dia, é brutal. Multipliquem isso e resultam meses ou anos de vida perdidos. Quão importante é, para a APCC, enquanto voz e visão do setor dos Contact Centers, ter a oportunidade para a revisão da legislação e reconhecimento do seu importante papel na sociedade e em Portugal? É um enorme reconhecimento do trabalho de alinhamento e promoção pelo Setor que tem sido desenvolvido. Há sempre muito para fazer, é certo. Certo é, o mercado está cada vez mais exigente – e no setor dos Contact Centers não é diferente. Com a evolução tecnológica, os profissionais precisam de se adaptar à nova realidade e, para isso, é mandatório estar por dentro das tendências futuras. Assim, o que se pode esperar no futuro deste setor? É, e sempre foi, um setor muito tecnológico. A conectividade com os Clientes finais e o apoio aos seus profissionais, a tecnologia ao serviço da organização e gestão de equipas e também ao serviço do profissional para dar resposta aos Clientes finais, é extraordinária. Sem dúvida que há automações e processos muito mais evoluídos digitalmente nos últimos anos mas, com essa tendência, o fator humano ganha mais destaque porque fica com as questões mais complexas. Novas funções apareceram e não se vê um declínio de número de profissionais neste setor, que muitas vezes é apontado como tendência. Pode haver, pontualmente em setores tradicionalmente muito contacto intensivo, como é o caso das Telecomunicações, mas há efeitos substituição de novas necessidades que emergem, tanto por força de novas indústrias e negócios que exigem uma componente de relacionamento com o Cliente, como também é muito verdade que nem toda a digitalização envolve uma automação radical. É muito raro isso acontecer. Pode acontecer que a perceção seja essa, e é compreensível. Alguns destaques que são uma realidade: os chats bots, ou os assistentes virtuais, integrados com a utilização de produtos e serviços para melhorar a experiência do Cliente final, a utilização dos dados e modelização de grande volume de dados para o apoio à decisão, conhecimento, e que permite abordagens inteligentes de gestão de Clientes. Do lado da tecnologia de conectividade e funcionalidades de apoio à gestão dos próprios Contact Centers, nem preciso dizer dada a enorme visibilidade que têm: as Empresas portuguesas são referências internacionais, o que muito nos orgulha. Em suma, o caminho neste setor é continuar o alinhamento contínuo da tecnologia, que continuará a evoluir, como sempre aconteceu, com as práticas e as exigências de gestão de pessoas que são profissionais do Setor, que fazem parte de uma abordagem industrial, no seu sentido positivo, em que possibilita às empresas relacionarem-se com os seus Clientes, ou potenciais Clientes, e parceiros. ▪

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PONTOS DE VISTA INOVAÇÃO – CONTACT CENTER

“A pandemia veio reforçar ainda mais a importância capital deste setor” Para Ricardo Costa, Sales Director da GoContact, “a pandemia veio reforçar ainda mais a importância capital deste setor para as empresas e para as pessoas. Tendo sido um dos setores que mais rapidamente e melhor se adaptou ao teletrabalho, deu um sinal fortíssimo que está vivo e que é uma peça fundamental da evolução da economia”. Conheça uma marca inovadora e promotora de valor: a GoContact.

Q

ual tem vindo a ser a estratégia e abordagem por parte da GoContact, em criar condições para apoiar os seus colaboradores em todos os processos que visem o desenvolvimento das suas atividades de Contact Center? A estratégia da GoContact tem passado pela formação contínua e por dotar todas as nossas equipas com condições e ferramentas de trabalho de excelência. Outro vetor desta estratégia é integração de vários estudos junto dos nossos de clientes, sobre User Experience, Customer Experience no desenvolvimento das nossas soluções, para que todos os StakeHolders possam usufruir sempre de uma experiência de máxima qualidade.

RICARDO COSTA

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Podemos afirmar que, apesar dos desafios existentes, o teletrabalho se tem revelado do agrado dos colaboradores? Que motivos fomentam esta ideia? Sim, no caso da GoContact o teletrabalho tem-se revelado extremamente positivo para os nossos colaboradores. Momentos constantes de feedback 360º revelam que o teletrabalho permite um equilíbrio ainda maior e melhor

entre o trabalho e a vida pessoal. Este fator potenciou, ao mesmo tempo que aumenta o nível de satisfação pessoal, um aumento da produtividade. Naturalmente acreditamos que de futuro, irá prevalecer uma solução híbrida entre o trabalho remoto e o trabalho  presencial para, entre outros, fortalecer o espírito de equipa, uma maior partilha de conhecimento e o reforçar do que chamamos orgulhosamente de ADN GoContact.   Este setor em Portugal, tem um potencial empregador muito elevado e que constitui um nicho de mercado competitivo a nível internacional. Que vantagens existem no mercado português, comparativamente a outros e que a GoContact visualiza? O bem receber dos portugueses, sermos um país seguro (o quarto país mais seguro do Mundo), o nosso clima, alimentação e boas condições de vida, tornam-nos muito atrativos para atrair pessoas de outros países para virem trabalhar para este setor em Portugal. A qualidade no nosso capital humano é outra das nossas grandes vantagens competitivas! Um excelente exemplo dessa qualidade, veri-


PONTOS DE VISTA INOVAÇÃO – CONTACT CENTER

“NO CASO DOS NOSSOS CLIENTES, COMO TODAS AS NOSSAS SOLUÇÕES SÃO NATIVAMENTE CLOUD, A TRANSIÇÃO DO PRESENCIAL PARA O REMOTO FOI TOTALMENTE TRANSPARENTE, SEM QUALQUER DISRUPÇÃO DE SERVIÇO, MANTENDO TODAS AS FUNCIONALIDADE E MAIS VALIAS, NÃO SÓ PARA OS AGENTES MAS TAMBÉM PARA OS SUPERVISORES E RESPONSÁVEIS DAS OPERAÇÕES" ficou-se agora com a fusão da GoContact com a norte-americana Broadvoice, em que o centro de desenvolvimento do grupo vai ser em Portugal, em Aveiro. É uma clara evidência do reconhecimento Internacional das nossas capacidades.   Entre os vários desafios impostos pela pandemia que vivemos atualmente, o teletrabalho é um tema que se tem destacado. Sendo que a GoContact é hoje, mais do que nunca, uma organização internacional, quais diria que são as maiores dificuldades na adoção deste formato? Uma das grandes dificuldades para algumas empresas, resultou

da utilização de tecnologias que não permitiam que os seus colaboradores pudessem trabalhar em qualquer local, ficando obrigados a estar presencialmente nas instalações da empresa. No caso dos nossos clientes, como todas as nossas soluções são nativamente Cloud, a transição do presencial para o remoto foi totalmente transparente, sem qualquer disrupção de serviço, mantendo todas as funcionalidade e mais valias, não só para os agentes mas também para os supervisores e responsáveis das operações. Para a GoContact, mais do que as dificuldades, a pandemia foi um acelerador e um dinamizador da nossa internacionalização. O traba-

lho remoto e a adoção em pleno de ferramentas colaborativas, tornaram não só a integração de novos colegas, em novas geografias, muito mais direta e simples, como também tornou os processos comerciais muito ágeis, permitindo-nos chegar ao contacto com mais clientes de forma mais rápida. Quão importante é, para a GoContact, enquanto importante organização do setor dos Contact Centers, ter a oportunidade para a revisão da legislação do setor onde atua e reconhecimen-

to do seu importante papel na sociedade e em Portugal? Até por tudo o que já falámos, este ponto é de enorme importância. É muito relevante que o enquadramento legal permita agilizar cada vez mais a atuação dos vários intervenientes deste setor, desde os prestadores às tecnológicas como a GoContact, quer para a valorização do capital humano de grande qualidade que trabalha neste setor, quer também para ajudar na captação de investimento estrangeiro e no apoio à internacionalização das nossas empresas. ▪

Certo é, o mercado está cada vez mais exigente – e no setor dos Contact Centers não é diferente. Com a evolução tecnológica, os profissionais precisam de se adaptar à nova realidade e, para isso, é mandatório estar por dentro das tendências futuras. Assim, o que se pode esperar no futuro deste setor? A pandemia veio reforçar ainda mais a importância capital deste setor para as empresas e para as pessoas. Tendo sido um dos setores que mais rapidamente e melhor se adaptou ao teletrabalho, deu um sinal fortíssimo que está vivo e que é uma peça fundamental da evolução da economia. Relativamente ao futuro, que na verdade já é presente, a grande evolução é a incorporação da Inteligência Artificial nos processos e na relação com o cliente. Tecnologias como a IVR Natural e automação de processos estão a revolucionar a forma como as empresas comunicam com os seus clientes e lhes proporcionam experiências cada vez mais eficazes. Vão permitir também que os agentes de contact center se foquem cada vez mais em processos de valor acrescentado. O setor dos contact center está claramente na vanguarda tecnológica e será um dos grandes dinamizadores da recuperação económica no pós-pandemia!

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PONTOS DE VISTA NO MUNDO DA ESCRITA

“O certo e o errado para mim não existem. Se para mim faz sentido eu vou e faço” A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Maria Inês Rodrigues, uma jovem escritora que desde sempre viu na escrita uma forma de alcançar os seus sonhos. Venha conhecer uma Mulher que acredita que “sonhar é a primeira parte do processo e eu sou realmente muito sonhadora e acredito muito em mim”

Q

uem é a Maria Inês Rodrigues? A Inês Rodrigues é uma jovem mulher lutadora, ambiciosa de uma forma saudável e muito sonhadora, insisto todos os dias em fazer da minha meta o meu sonho com um prazo. Não sou feliz todos os dias. Os meus sorrisos nem sempre são verdadeiros, o meu olhar nem sempre transparece serenidade, o meu corpo nem sempre está onde quer estar, mas o meu coração… esse sempre esteve e estará onde ele quiser. Por essa mesma razão considero-me muito verdadeira. A verdade vem sempre do coração e esse tem o poder de bater por conta própria. Como surgiu o gosto pela escrita? O gosto pela escrita vem desde sempre, já desde muito novinha que escrevo os meus textos, mas só agora decidi tirar, entre aspas, esse sonho da gaveta e tentar alcançá-lo de uma forma positiva. Acredito que vem do potencial de cada um e diante disso encontrei meios para a prática da escrita ser completamente prazerosa para mim, apontando claro, a lucidez como um caminho a ser explorado para alcançar o objetivo. Fui aprendendo que é extremamente necessário escrever o mais possível como se falasse. Tenho ideia que nós jovens devemos cada vez mais expor as nossas ideias e opiniões, no meu caso realço claramente, a importância do amor próprio no livro. Acredito que o que é escrito não se perde e por isso torna-se mais fácil fazer os outros ouvir. Em relação à simpatia pela escrita sobre o amor, é porque acredito, e quero muito continuar a acreditar, que é o amor que nos mantém vivos e que nos move, seja ele de que natureza for. Neste livro existem frases que realmente martelam a mente de tão cheias que são, por isso é que para mim escrever é mágico, conseguir chegar a alguém, chegar à outra pessoa, servir de exemplo (ainda que seja fictício) é maravilhoso. Desde muito nova que ambiciono lançar um livro meu, dizem que os sonhos comandam a vida desde então deixei de ser eu a decidir, mas sim esses sonhos. A razão pela qual a escrevi passa mesmo pelo facto de ser apaixonada pelas palavras. Acho que elas têm um poder inferior aos gestos, mas não deixam de ter uma enorme importância. Sempre achei que ao escrever sentimos com

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MARIA INÊS RODRIGUES

mais verdade e acredito que do outro lado, os leitores, soletram cada letra e devagarinho vai entrando na cabeça. “Uma chance ao destino” será o primeiro de muitos projetos de vida e tal como o livro descreve a Maria decidiu renascer do passado e acho que todos nós devemos renascer do mesmo, não nos amarrarmos tanto ao que já foi, isso não nos acrescenta nada, só nos magoa, só faz com que juntemos nó por nó para que assim consigamos sobreviver e não é isso o especulado. Durante o processo de elaboração do livro cresci muito, a mulher que sou hoje já não é aquela menina que escreveu a primeira palavra no livro. Acho que á maneira que ia escrevendo, ia-me apercebendo da importância do amor, a importância de ter as pessoas certas ao nosso lado. A grande lição que eu tiro deste livro é: prefiro ter a carteira cheia de amor do que cheia de dinheiro. Prefiro ser do que ter. Vencer na vida é claramente ter o coração cheio de amor e paz. Quanto à história do livro, onde foi buscar a inspiração? O livro “Uma chance ao Destino” não relata nada pessoal. Relata a história de uma mulher

que como muitas outras, e sim posso dizer que a inspiração vem do que oiço de outras mulheres, aceitou uma mão cheia de nada a troco do seu coração quando subitamente aprende que o amor-próprio tem de prevalecer. Com o início da Pandemia e o recolhimento a que todos nós fomos sujeitos, a escrita acabou por ser o meu escape. Acabei por verter os meus sentimentos nas palavras e a história surgiu, como e se estivesse á espera de brotar, muito naturalmente e com algum despojamento. Mas, sendo eu muito realista, acredito que escrevi com a lucidez que me é natural, já com um objetivo traçado. O amor-próprio é a chave desta história, algo que na minha geração acaba por estar abafado. Sempre fui apaixonada por ler, sempre li muito e eu própria fui a minha professora no que diz respeito á escrita. Neste meu primeiro livro, porque acredito que este é apenas o início do trilho, lavei a minha alma. Acabei por me despojar da morte do meu tio, que faleceu quando eu ainda era criança e não estava preparada para a frieza da morte, principalmente de um ser que eu admirava, que era o sinónimo de ser boa pessoa. Morreu de uma doença que se revelou


PONTOS DE VISTA NO MUNDO DA ESCRITA

de amor-próprio. Se uma pessoa não se amar, dificilmente o outro conseguirá fazê-lo por ela, ou seja, por vezes aceitamos pouco com o medo de não termos nada pela razão óbvia... nem nós sabemos o quanto valemos quando o amor pelo outro se sobrepõe ao próprio. Não espero passar uma mensagem, mas sim várias com este livro. Fiz questão de em cada capítulo, pelo menos, conseguir transmitir uma mensagem clara e objetiva ao leitor. Posso é dizer que o amor-próprio é a chave desta história, algo que na minha geração acaba por estar abafado. Este título surgiu porque acredito muito no destino. Passei uma fase complicada da minha vida e do nada começou tudo a dar certo, até aquilo que eu achei mau na altura me trouxe até às coisas boas, por isso nada melhor que intitular o meu primeiro livro com “Uma chance ao Destino”

fatal e, com a criação deste livro e desta personagem, acabei por libertar todos os sentimentos, toda a angústia que ficou a obstruir o meu ser. Por essa mesma razão este livro é dele e para ele. Há pessoas que nunca vão embora da nossa vida mesmo que já tenham ido. A comunicação é uma área que a fascina também, de que forma? A comunicação fascina-me muito, sim. Na altura de ingressar no ensino superior eu estava em dúvida entre comunicação e solicitadoria. Optei pela segunda, mas sem nunca descartar a ideia que um dia iria tirar algo relacionado com a comunicação. A pandemia fez com que eu tivesse mais tempo livre, mais tempo para mim e foi mais por aí. Nessa altura vi que a Teresa Guilherme estava a abrir uma turma com pouquíssimas vagas onde também trazíamos o diploma e inscrevi-me. Felizmente consegui a minha vaga, foi um curso onde aprendi muito e sendo a Teresa, para mim, uma referência no que diz respeito á comunicação saí daquele curso muito mais realizada. Acredito que o maior segredo é voar sem ter medo de partir uma asa pelo caminho e eu voei. Só temos uma vida, mas temos várias chances para mudar o rumo da mesma, enquanto eu não souber o meu destino estarei sempre á altura de desafiar a vida e foi o que eu fi mais uma vez. Sonhar é a primeira parte do processo e eu sou realmente muito sonhadora e acredito muito em mim. O certo e o errado para mim não existem, se para mim faz sentido eu vou e faço. Quando escreve, qual é a parte mais fácil? E a mais difícil? Para mim escrever é muito fácil, aliás sou realmente feliz a fazê-lo. O mais difícil é mesmo trazer aquilo que escrevemos para o mercado, principalmente quando ainda se é anónima como eu nesta estreia. Tive de derrubar algumas barreiras pelo facto de ser jovem. Uma jovem de 21 anos. A lançar um livro foi novo para muitos editores e o medo deles era investir em alguém que não valesse a pena. Tive várias propostas, mas sendo eu uma pessoa ainda anónima, pediam preços sempre muito altos, por medo. Aponto ainda a falta de interesse pelos jovens talentos, refiro-me ao facto de muitas editoras me perguntarem se eu tinha algum antecedente escritor pelo tal receio de investir em novatos. O que trata o seu livro “Uma chance ao destino” e o porquê da escolha deste título? “Uma chance ao Destino”, relata a história de uma mulher e do seu destino, as reviravoltas da vida e o que aprendemos com ela. O leitor neste livro pode esperar verdade. Apesar de esta história não ser pessoal, relata a história verídica de muitas mulheres e homens na nossa sociedade, refiro-me claramente á falta

“ESTE TÍTULO SURGIU PORQUE ACREDITO MUITO NO DESTINO. PASSEI UMA FASE COMPLICADA DA MINHA VIDA E DO NADA COMEÇOU TUDO A DAR CERTO, ATÉ AQUILO QUE EU ACHEI MAU NA ALTURA ME TROUXE ATÉ ÀS COISAS BOAS, POR ISSO NADA MELHOR QUE INTITULAR O MEU PRIMEIRO LIVRO COM “UMA CHANCE AO DESTINO””

Tem recebido feedback bastante positivo sobre o seu livro, certo? Como se sentes? Esperava que tantas pessoas partilhassem e dessem a conhecer o seu livro? Sim, posso dizer que o feedback que tenho recebido tem sido positivo e por isso sinto-me realizada e feliz. Honestamente já esperava que muita gente fosse gostar, relata uma história comum, relata a dor de perder alguém que amamos e acho que muita gente comprou por se rever nesse sentimento. É bom sabermos que não “acontece só a nós” e quem comprou este livro, tenho a certeza que não se sentiu tao sozinha/o. Durante a escrita procurei ser o espelho das outras pessoas e acho que resultou bem. Conseguir ajudar alguém, ainda que de uma forma fictícia é maravilhoso. Aquilo que eu não esperava é que chegasse a outros países, pelo menos não tão rápido. O livro foi apresentado nas prateleiras portuguesas em maio e hoje, em junho, já está á venda em mais dois países (Espanha e Brasil). Estou muito feliz. Como se sente por, aos 21 anos, conseguir receber o título de escritora? Sinto-me grata. Estou muito grata à vida por me ter dado esta oportunidade e claro, estou grata a todos aqueles que acreditaram em mim e confiaram no meu trabalho. Por último, pensa continuar a escrever? Já há alguma ideia na forja? Continuar a escrever é uma certeza que eu posso assegurar, adoro escrever e não fazia sentido nenhum deixar de o fazer só porque já lancei um livro. Posso dizer que já tenho uma vaga ideia de como será o segundo, mas ainda com “muitas pontas soltas”. Neste momento quero viver este momento e não quero muito pensar já no próximo. Gosto de disfrutar de cada vitória da minha vida. ▪

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“LIDOS EM MOMENTOSCHAVE, ESTES LIVROS PROVOCARAM MUDANÇAS NA FORMA DE ESTAR E DE VER O MUNDO. COMO DIZIA HENRY DAVID THOREAU: «MUITOS HOMENS INICIARAM UMA NOVA ERA NA SUA VIDA A PARTIR DA LEITURA DE UM LIVRO». SUBSCREVO DE CORAÇÃO” ANALITA ALVES DOS SANTOS


PONTOS DE VISTA MARAVILHAS DA LEITURA

O QUE UM LIVRO PODE FAZER POR SI

«A Leitura engrandece a Alma» Voltaire

A

minha relação com os livros começou bastante cedo. Com a escrita também. Os livros e a escrita foram o refúgio quando tudo o que me rodeava parecia não fazer sentido. Olho para determinadas obras como marcadores existenciais, tal como aquela música que nos faz recordar um amor do passado que o tempo não fez esquecer. A trilogia que trago, para partilhar consigo, influenciou três momentos da minha vida pessoal e profissional (como se fosse possível destrinçar uma da outra). Lidos em momentos-chave, estes livros provocaram mudanças na forma de estar e de ver o mundo. Como dizia Henry David Thoreau: «Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro». Subscrevo de coração.

ça e entusiasmar os outros. «Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas» explicou-me a chave do êxito em qualquer atividade profissional: o relacionamento pessoal. Publicada em 1937, ainda hoje atual, esta obra começa com as três técnicas fundamentais para lidar com as pessoas, e logo a seguir propõe seis formas de fazer com que os outros gostem de nós, doze maneiras para convencer e nove para liderar. Pode parecer algo «frio ou calculista», mas o grande segredo para que estes ensinamentos funcionem é amar o que se faz, ser autêntico em todos os momentos, demonstrando as nossas forças e as nossas fraquezas, aprendendo a olhar, a escutar o outro de forma genuína, sem egos. Transporto estes conhecimentos comigo sempre que inicio uma nova turma, quando falo para uma ou para duzentas pessoas.

«QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO», DE SPENCER JOHNSON  Foi-me sugerido por um dos meus primeiros mentores no início da minha carreira, gestor francês de topo, que enxergou em mim potencial que eu desconhecia. Tinha vinte e cinco anos, acabadinha de sair da faculdade, total inexperiência para enfrentar o mundo empresarial… Com esta obra aprendi a gerir a mudança, as expetativas e a olhar para a realidade por um caleidoscópio diferente. A história? Muito simples: dois ratos e dois duendes vivem num labirinto, em eterna busca por um queijo, a metáfora perfeita daquilo que se deseja na vida, seja dinheiro, relacionamento amoroso, bom emprego, paz espiritual ou saúde, que nos alimenta e traz felicidade... «Quem mexeu no meu queijo» fez o clique, acabou por guiar toda a minha carreira profissional e conduziu-me de forma subliminar até onde desejava: a um cargo de direção.

«AS QUATRO VERDADES», DE DON MIGUEL RUIZ  Foi-me sugerido por uma das minhas formandas do IEFP, do módulo de Escrita Criativa. Pela forma entusiástica como falou, não hesitei em comprá-lo. Foi das minhas leituras mais recentes. Depois de ler, refleti bastante sobre o seu conteúdo e assimilei muitos dos conhecimentos. Partilho consigo parte da sinopse oficial: «Quando acabar de ler este livro, verá que o Universo vai continuar na mesma. Haverá injustiça, dor, sofrimento — como sempre houve. E também céu e estrelas e amor e felicidade. O seu mundo, porém, nunca mais será o mesmo. As Quatro Verdades vão crescer dentro de si, criar raízes e ficar na memória. A princípio nem notará. Mas em momentos inesperados, como uma discussão em casa, vai lembrar-se delas e sentir-se absolutamente livre. Vai perceber que todas as palavras que diz têm um enorme impacto — e dirá apenas as palavras certas (1.ª Verdade). Aprenderá a ficar imune aos sentimentos negativos das pessoas com quem se dá (2.ª Verdade). Passará a saber exatamente o que pretende dos outros e o que os outros esperam de si (3.ª Verdade), e aprenderá a dar sempre o seu melhor (4.ª Verdade).» Mais uma vez, o óbvio atinge-nos com uma força tremenda, quando espelhado nas páginas de um livro.

«COMO FAZER AMIGOS E INFLUENCIAR PESSOAS», DE DALE CARNEGIE  A leitura deste livro aconteceu há cerca de oito anos, na fase em que optei pelo empreendedorismo. Depois de ter chegado «ao topo» da carreira à custa de muitos sacrifícios pessoais, incluindo o adiado sonho da maternidade, este livro revelou-me um caminho que já estava em mim, mas carecia de ser consolidado: precisei de ler o óbvio para o óbvio se manifestar. Dale Carnegie demonstra-nos que o êxito tem pouco que ver com conhecimentos profissionais — o mundo pertence a quem consegue expressar as suas ideias, assumir a lideran-

Como afirmou Agostinho da Silva: «Escrevendo ou lendo nos unimos para além do tempo e do espaço, e os limitados braços se põem a abraçar o mundo; a riqueza de outros nos enriquece a nós. Leia.». Tudo isto — e muito mais — um livro poderá fazer por si. ▪

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PONTOS DE VISTA NOTÍCIA

Barómetro de Mobilidade da CarNext:

Procura por carros usados cresce em Portugal como resultado do aumento da confiança e da transparência dos consumidores

A

CarNext, um dos principais marketplaces digitais B2C e B2B de carros usados da Europa, apresenta mais resultados do seu primeiro Barómetro de Mobilidade, onde revela que Portugal é dos países onde mais condutores afirmam utilizar carros usados. A mudança de comportamento dos consumidores na compra de carros usados e o aumento nas compras online têm origem em mais confiança. Entre as principais conclusões do estudo sobre a compra de carros usados estão: • 61% dos condutores entrevistados em Portugal optariam por um carro usado no caso de quererem comprar um carro agora. Destes, 29% compraram um carro usado nos últimos 12 meses, uma percentagem que aumenta para 36% no caso dos condutores na faixa etária dos 18-23 anos de idade, com apenas uma pequena minoria dos entrevistados recorrendo a leasing (1%). • É possível observar um crescimento semelhante no uso de carros usados em todos os países, com até 71% dos portugueses, 61% dos franceses e 59% dos alemães a afirmarem que conduzem principalmente carros usados. • 44% dos entrevistados (53% no caso da faixa etária dos 46-55 anos) afirmaram terem considerado comprar um carro usado nos últimos 12 meses. Esse aumento reflete-se especialmente nos jovens entre os 18 e os 35 anos, em que quase 80% afirma utilizar um carro usado. • Entre os motivos para comprar um carro usado, a vasta maioria (78%) dos condutores afirmam que a razão principal é a maior conveniência. Já 16% afirmaram que a compra é motivada principalmente pelo desejo de fazer viagens de um dia ou escapadinhas de fim de semana, e

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3% comprariam um carro principalmente para utilização nos feriados mais longos. • 33% dos consumidores portugueses considerariam comprar um carro usado online. Mais de metade (60%) dos entrevistados afirmaram que essa escolha se deve principalmente à comodidade, considerando a possibilidade de comparar preços, ler avaliações e procurar informações sem sair de casa. • Em relação aos fatores que mais preocupam os consumidores na hora de comprar carro usado, 73% diz ter medo que o veículo avarie depressa, enquanto 34% teme que não venha de um vendedor reconhecido, e 33% foca-se na garantia. Segundo Luís Lopes, Managing Director da CarNext em Portugal, “o Barómetro de Mobilidade da CarNext mostra que quase metade dos consumidores são mais propensos a comprar um carro usado hoje, em grande parte graças ao aumento da confiança do consumidor na fiabilidade e qualidade que os usados oferecem atualmente. O estudo também mostra um nível mais elevado de entusiasmo pela compra online de carros entre os Millenials e a geração Z, fortalecendo ainda mais as competências da CarNext como o fornecedor melhor posicionado para responder a essa tendência, graças à sua plataforma de tecnologia disruptiva, e ao valor adicional que oferecemos aos consumidores”. E conclui: “O crescimento do comércio eletrónico, que foi despoletado pela pandemia Covid-19, especialmente entre os consumidores mais jovens, cria uma oportunidade de longo prazo para expandir a nossa posição como líderes num espaço que se encontra perfeitamente adequado às necessidades atuais e futuras de mobilidade do consumidor.” ▪


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Revista Pontos de Vista Edição 104  

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