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FILIPA REBELO DE ANDRADE,

HEAD DA BONHAMS PORTUGAL EM DESTAQUE

Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda. OUTUBRO 2020 | EDIÇÃO Nº 96 - Periodicidade Mensal | Venda por Assinatura - 4 Euros

DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL GOCONTACT

EMPOWERING OPERATIONS

JOANA RESENDE

“AO CARACTERIZAR A CENTURY 21 ARQUITETOS, ESCOLHO A PALAVRA «UNIÃO». E ESSA UNIÃO É A MESMA QUE A LEVA A SER A NÚMERO 1 NO NORTE DE PORTUGAL”

FOTO: RUI BANDEIRA

CEO E BROKER DA CENTURY 21 ARQUITETOS PORTO E GONDOMAR


ÍNDICE DE TEMAS PÁGINA 26 A 40

DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL. A IMPORTÂNCIA CRESCENTE DESTE DIA MUNDIAL NA DEFESA E PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL, ASSIM COMO NA SENSIBILIZAÇÃO PÚBLICA PARA O TEMA ASSUME NOVA DIMENSÃO

PÁGINA 42 A 47 PÁGINA 4 A 20

MAIS UMA VEZ FOMOS PROCURAR MULHERES LÍDERES E ENCONTRAMOS UM CONJUNTO DE MULHERES QUE DIARIAMENTE ULTRAPASSAM OBSTÁCULOS E NUNCA SE DÃO POR VENCIDAS PERANTE QUALQUER DESAFIO

OS AÇORES SÃO O PRIMEIRO ARQUIPÉLAGO DO MUNDO E A ÚNICA REGIÃO DO PAÍS CERTIFICADA COMO DESTINO TURÍSTICO SUSTENTÁVEL, RECONHECIMENTO ALCANÇADO AO ABRIGO DOS RIGOROSOS CRITÉRIOS DA GLOBAL SUSTAINABLE TOURISM COUNCIL (GSTC). QUAL O IMPACTO DESTA CERTIFICAÇÃO?

PÁGINA 60 A 61

MÁRCIA MACHADO, DIRETORA COMERCIAL DA GOCONTACT PORTUGAL, REVELA AS RAZÕES QUE LEVAM A MARCA A SER UM GENUÍNO E VALIOSO PARCEIRO DE NEGÓCIO

PÁGINA 70 A 72

DIA INTERNACIONAL DA ARQUITETURA. PARCEIROS DE EXCELÊNCIA REVELAM A IMPORTÂNCIA DESTA EFEMÉRIDE E COMO TÊM VINDO A MARCAR A DIFERENÇA NA VIDA DAS PESSOAS E DAS CIDADES

PÁGINA 36 A 37

ISABEL HENRIQUES, DIRETORA CLÍNICA E PSICÓLOGA DA MENTAL HEALTH CLINIC ISABEL HENRIQUES, EM ENTREVISTA REVELA QUE É VITAL FALAR ABERTAMENTE SOBRE O QUE SIGNIFICA TER PROBLEMAS PSICOLÓGICOS

PÁGINA 49 A 59

PLAYERS REVELAM COMO TÊM FEITO FRENTE AOS IMPACTOS CAUSADOS PELA PANDEMIA DA COVID-19. ENTIDADES QUE NUNCA DESISTIRAM E CONTINUAM A PERPETUAR UM DINAMISMO CONVICTO EM PROL DO PAÍS

PÁGINA 66 A 67

RAQUEL MOTA PINTO, CEO DA RMP – MANAGEMENT PARTNER, REVELA PORQUE A MARCA É UM PARCEIRO DE EXCELÊNCIA NO ÂMBITO DA GESTÃO E ORGANIZAÇÃO DO NEGÓCIO

PÁGINA 73 A 77

PORTUGAL E LUXEMBURGO - UMA PARCERIA SUSTENTADA EM CONFIANÇA, TRANSPARÊNCIA E RIGOR

FICHA TÉCNICA

Administração | Redação | Departamento Gráfico Rua Rei Ramiro 870, 2º J 4400-281 Vila Nova de Gaia Sede da entidade proprietária: Rua Oriental nrº. 1652 - 1660, 4455-518 Perafita Matosinhos Outros contactos: +351 220 926 877/78/79/80 E-mail: geral@pontosdevista.pt; redacao@pontosdevista.pt www.pontosdevista.pt www.facebook.com/pontosdevista Impressão Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas Distribuição Nacional | Periodicidade Mensal Registo ERC nº 126093 NIF: 509236448 | ISSN: 2182-3197 | Dep. Legal: 374222/14 DIRETOR: Jorge Antunes EDITOR: Ricardo Andrade Rua Rei Ramiro 870, 2º J 4400-281 Vila Nova de Gaia

PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS: Ricardo Andrade | Beatriz Quintal PAGINAÇÃO: Mónica Fonseca GESTÃO DE COMUNICAÇÃO: João Soares | Luís Silva FOTOGRAFIA: Diana Quintela - www.dianaquintela.com Rui Bandeira - www.ruibandeirafotografia.com Tiragem: 26.500 exemplares Detentores do Capital Social: Jorge Fernando de Oliveira Antunes: 100% Assinaturas Para assinar ligue +351 22 092 68 79 ou envie o seu pedido para: Autor Horizonte de Palavras – Edições Unipessoal, Lda Rua Rei Ramiro 870, 2º J, 4400 - 281 Vila Nova de Gaia E-mail: assinaturas@pontosdevista.pt Preço de capa:

4,00 euros (iva incluído a 6%) Assinatura anual (11 edições): Portugal: 40 euros (iva incluído a 6%) Europa: 65 euros Resto do Mundo: 60 euros

Editorial A Revista Pontos de Vista apresenta-se como uma publicação editada pela empresa de comunicação empresarial Horizonte de Palavras, sendo de frequência mensal, assume-se como um meio de comunicação que pretende elevar as potencialidades do tecido empresarial em Portugal. Assumimos o compromisso de promover paradigmas práticos e autênticos do que de melhor existe em Portugal, contribuindo decisivamente para a sua vasta difusão. Os artigos nesta publicação são da responsabilidade dos seus autores e não expressam necessariamente a opinião do editor. Reservados todos os direitos, proibida a reprodução, total ou parcial, seja por fotocópia ou por qualquer outro processo, sem prévia autorização do editor. A paginação é efetuada de acordo com os

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3 OUTUBRO 2020

Propriedade, Administração e Autor Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda.


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“A BONHAMS CONTINUARÁ RESILIENTE E CRIATIVA A PROCURAR SERVIR OS SEUS CLIENTES SEGUNDO OS SEUS PRINCÍPIOS” O mundo vive atualmente num novo «normal», levando pessoas e empresas a adaptarem-se a uma nova realidade e isto acontece em todos os setores. A Bonhams, a leiloeira mais antiga do mundo, também tem enfrentado essa realidade, mas desistir é palavra que nunca fez parte do dicionário desta marca de renome e prestígio. A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Filipa Rebelo de Andrade, representante da Bonhams em Portugal, que revelou que a marca rapidamente soube fazer frente às dificuldades provocadas pela pandemia da COVID-19, e que esta continuará a servir todos os clientes com a elegância e transparência que perpetuam a marca desde a sua génese.

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endo uma referência nacional e internacional, a Bonhams é a leiloeira mais antiga do mundo, perpetuando um legado de prestígio e reconhecimento. Neste sentido, qual o segredo da marca que ano após ano se mantém no topo e continua a ser um verdadeiro exemplo para o mercado português e mundial? Creio que é a sua flexibilidade, habilidade para responder rapidamente à mudança e inovação. A Bonhams foi a primeira leiloeira do mundo a ter website e é pioneira em novas áreas de colecionismo como Arte Moderna do Médio Oriente, Arte Africana Moderna e Contemporânea e Cerâmica Britânica Moderna - mas sobretudo, fiabilidade e a qualidade dos nossos especialistas e demais recursos humanos. Apesar da sua longevidade, a Bonhams chegou a Portugal somente em 2015. Ao longo destes cinco anos, qual é o balanço que se pode perpetuar da vossa atuação no nosso país e de que forma é que acreditam que aportaram valor acrescentado ao vosso setor e ao mercado? Na verdade, em 2015 foi o ano em que abrimos um escritório ao público. Antes dessa data, já operávamos em Portugal há muitas décadas, primeiro numa fase mais informal, e depois com a minha contratação como Representante em 2010. O balanço só pode ser muito positivo. De um desafio de lançar um nome, uma marca, provedora de um serviço tão sensível como é o de nos confiarem bens para transacionar, até ganhar a confiança, bom nome e reconhecimento por parte de quem em nós confia, foi um caminho já considerável, e muito gratificante. Gosto de pensar que a Bonhams veio para evidenciar que uma leiloeira internacional não é inacessível às pessoas, que está próxima e que representa uma possibilidade concreta para transacionar bens internacionalmente. Isto de uma forma segura, transparente, confidencial e profissional. O ano passado fomos distinguidos com o Prémio “Export Growth Award“ o que é o melhor testemunho do valor acrescentado que aportamos ao mercado.

PONTOS DE VISTA NO FEMININO

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FILIPA REBELO DE ANDRADE

Demonstrando a vossa capacidade inovadora, realizaram o vosso primeiro leilão online em 2016. Neste sentido, vivemos hoje um


No entanto, algumas tipologias necessitam de ser verificadas pessoalmente, como é o caso de pedras de cor, nas quais a saturação da cor e a tonalidade são fatores integrantes do seu valor, e o futuro comprador necessita de as ver. São por isso muito mais adequadas aos leilões tradicionais.

novo «normal», provocado pela pandemia da COVID-19 e que afetou todos os setores, inclusive a vertente dos leilões. Como é que se adaptaram a esta nova forma? Sente que o facto de se terem antecipado e apostado nesta vertente digital no passado recente vos tem ajudado nos dias que correm, com as condicionantes provocadas pela pandemia? Efetivamente, há já alguns anos que realizamos leilões online com bastante sucesso e, sem dúvida, que esta experiência se revelou fundamental para enfrentar as exigências decorrentes da pandemia. A experiência destes últimos meses, revelou um crescente apetite por vender e comprar neste formato. Nesta fase pandémica, de que forma é que tiveram de se readaptar e reajustar na vossa orgânica? Quais são hoje as dificuldades que enfrentam que não existiam no pré-Covid-19? A nossa adaptação foi muito rápida. Quando se deu o lockdown, tínhamos vários leilões agendados que tiveram de ser adiados enquanto – num momento inicial – se dispunham novas estratégias e se assegurava que tínhamos os suportes tecnológicos para as implementar. Num breve espaço de tempo, e graças a um grande esforço de equipa, iniciámos o sistema “live behind closed doors“. Basicamente, o leiloeiro encontra-se no rostrum como habitualmente, e a licitação é feita remotamente, pelo telefone, pela internet, ou através de ofertas prévias. A grande diferença para os licitadores, foi o facto de não poderem estar presentes fisicamente. Este sistema deu-nos uma flexibilidade muito grande e permitiu-nos, por exemplo, continuar a ter leilões em Nova Iorque ou em Los Angeles – numa altura em que nestes locais as restrições à mobilidade eram muito mais severas do que no Reino Unido – que eram de facto conduzidos a partir de Londres ou de uma sala especialmente preparada para o efeito em Oxford. Acredita que o setor dos leilões vai ter de se reinventar e apostar mais fortemente nos domínios das tecnologias, do digital e da inovação? Sente que o setor está recetivo a estes novos modelos? Numa perspetiva mais abrangente houve de facto uma mudança de atitude face ao online, quer para os registos, quer para as licitações. Atravessou-se uma fronteira onde agora existe um sentimento de maior segurança para licitar em lotes de valor elevado sem os ter visto fisicamente.

Existe uma confiança muito grande na marca Bonhams e nos nossos condition reports que transmitem essa segurança para a licitação. Com a exceção de poucos e excecionais, a nossa produção de catálogos nos últimos quatro meses foi quase toda online. Esta mudança no mundo dos leilões para o digital já se iniciara há algum tempo, sendo que o lockdown a veio acelerar, mas ficámos satisfeitos com a resposta dos compradores à nova situação. Para algumas categorias, como o vinho, por exemplo, onde já é tradicional uma forte participação online, a surpresa não foi grande. Ainda assim, as estatísticas do nosso leilão de junho de Fine Wine em Londres de 86% de vendidos por lote e 92% por valor foram particularmente fortes. Já noutras áreas - como os relógios por exemplo – que se carateriza por um cariz de colecionismo mais clássico, notou-se também um forte comportamento de 77% vendidos por lote e 83% por valor. Nas joias, por exemplo, antes do Covid, tínhamos leilões online, mas estes representavam apenas cerca de 5% do nosso calendário anual. Daqui em diante, tornar-se-ão uma parte integrante do calendário geral. Constatamos que o aumento de vendas online atraiu uma nova clientela para este segmento, em particular abaixo dos 50 anos. Algumas peças são exemplarmente adequadas ao formato online, como por exemplo a peças de joalharia moderna e contemporânea de grandes casas – estas assumem um comportamento excecional no espaço digital.

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Fale-nos um pouco do seu percurso até à sua chegada à Bonhams Portugal e como é ser líder face a todas as condicionantes provocadas pela pandemia? Como tem lidado com estas adversidades, tendo o cuidado de continuar a motivar os colaboradores e a manter a marca numa posição cimeira? A minha formação é de História da Arte, e passei por Instituições Académicas cá e em Inglaterra, tendo enveredado pela especialização em Arte Oriental. Dei aulas na Universidade, e trabalhei na Fundação Oriente muitos anos, bem como brevemente na concorrência (em Londres) até ser convidada para representar a Bonhams. No que refere a palavra liderança, prefiro sempre substitui-la por serviço. Ajuda porque nos descentra de nós próprios. Em relação a quem depende de mim hierarquicamente, tento proteger, mas também me considero exigente. Nesta fase de pandemia vi que é de uma grande responsabilidade tentarmos manter os postos de trabalho de quem depende de nós – da mesma forma que os meus superiores fizeram comigo. Isto fez-se motivando, mas também sacrificando. Foram meses de ajustes e de sacrifícios em termos de custos para que se possa continuar a funcionar, mas sobretudo para preservar emprego. Isto faz-se à custa de sacrifícios que são pedidos internamente. É difícil pedir sacrifícios e motivar, mas é necessário e já deu frutos todos dependemos uns dos outros. ▪

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PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“PRECISAMOS DE MAIS MULHERES NOS LUGARES DE DECISÃO, TANTO NA ESFERA POLÍTICA E PÚBLICA COMO NO SETOR PRIVADO”

PONTOS DE VISTA NO FEMININO

6 MARIA DA GRAÇA CARVALHO

Maria da Graça Carvalho, Deputada do Parlamento Europeu afirma que a sua maior ambição é poder trabalhar até ao último dia da sua vida e o seu objetivo é, - nas diversas áreas em que está envolvida - tentar contribuir para tornar o mundo num sítio melhor. Saiba o que a motiva.

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ara contextualizar e dá-la a conhecer ao público menos informado, interessa perceber quem é a Maria da Graça Carvalho enquanto pessoa e profissional. O que é que nos pode contar sobre o seu percurso? Nasci em Beja e fiz lá toda a escola pública, até ao Liceu. Em 1972, no Liceu Nacional de Beja, ganhei o Prémio Nacional do “melhor aluno do país, de Caminha a Timor”. Depois vim para Lisboa estudar Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico. Fui uma das duas únicas mulheres a entrar no curso nesse ano, entre dezenas de homens. Fiz o doutoramento no Imperial College, de Londres. Pelo meio fui

fazendo outros cursos, à noite, como o curso de Cinema do National Film Theatre. Acho que já deu para perceber que sempre gostei de estudar. Vem de pequena. Quando estava a crescer, em Beja, não havia muito que fazer. Por isso, lia imenso! Nas férias de Verão não era invulgar ler uns 40 livros. Chegava a ficar à espera de que chegassem livros novos, próprios para a minha idade, à porta da biblioteca de Beja. Já os tinha lido todos. Mas regressando à minha formação, depois do Imperial College, fiz toda a carreira no Técnico, onde cheguei a professora catedrática, ainda na casa dos trinta anos. Julgo que fui a primeira professora catedrática de Engenharia Mecânica na Península Ibérica. A vida política

veio mais tarde. Na verdade, tornei-me política por acidente, ao ser convidada pelo doutor Durão Barroso para ser ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior no XV Governo Constitucional. A Maria da Graça Carvalho é, atualmente, Deputada do Parlamento Europeu. Entre muitas outras funções que desempenha, presta um papel importante nas áreas de Ciências, Ensino Superior, Inovação, Investigação, Energia, Ambiente e Mudanças Climáticas. Como nos pode descrever o seu verdadeiro papel perante toda uma comunidade? Qual é a marca que pretende deixar na sociedade?


Faz ainda parte da Comissão dos Direitos das Mulheres e da Igualdade de Géneros. Quão importante ainda é, hoje em dia, abordar este tema? Comparativamente a outros países, como se situa Portugal? É extremamente importante! Não podemos cair no erro de pensar que as batalhas pela igualdade de género já foram todas travadas e vencidas. Mesmo na Europa, onde consideramos estar na linha da frente, as mulheres continuam a receber salários inferiores por trabalho igual, e continuam a ter dificuldade em aceder a determinados cargos, sobretudo no setor privado. As mulheres representam menos de 30% dos membros dos conselhos de administração das principais sociedades cotadas europeias, e apenas 8% dos CEO. Por isso é que existe a diretiva Women on Boards, com a qual estou envolvida enquanto relatora-sombra do Partido Popular Europeu, que defende a criação de condições para que as mulheres nas administrações cheguem pelo menos aos 40%. E há novas formas de desigualdade, com a questão das competências digitais. As mulheres, por questões culturais, têm menos tendência para optarem por percursos profissionais ligados às novas tecnologias. E isso é negativo, desde logo porque é nessas áreas que estão os melhores empregos.

“NÃO PODEMOS CAIR NO ERRO DE PENSAR QUE AS BATALHAS PELA IGUALDADE DE GÉNERO JÁ FORAM TODAS TRAVADAS E VENCIDAS. MESMO NA EUROPA, ONDE CONSIDERAMOS ESTAR NA LINHA DA FRENTE, AS MULHERES CONTINUAM A RECEBER SALÁRIOS INFERIORES POR TRABALHO IGUAL, E CONTINUAM A TER DIFICULDADE EM ACEDER A DETERMINADOS CARGOS, SOBRETUDO NO SETOR PRIVADO”

Ao longo do seu imenso percurso, alguma vez sentiu que o facto de ser mulher lhe criou maiores obstáculos e desafios? Desempenhando variados cargos e estando à frente dos mesmos, como decidiu lidar com esse estigma? Acredita que, defendendo os seus direitos, se fortaleceu enquanto a profissional que é atualmente? Pessoalmente não posso dizer que tenha sentido que o meu género tenha sido um obstáculo, talvez porque sempre fui muito decidida em relação aos meus objetivos. No entanto, basta olharmos à nossa volta – e isso aplica-se também ao Parlamento Europeu – para percebermos que este ainda é um mundo muito masculino. Precisamos de mais mulheres nos lugares de decisão, tanto na esfera política e pública como no setor privado. O que falta, na sua opinião, para que a igualdade de oportunidades seja cada vez mais uma realidade?

A igualdade consegue-se com massa crítica. Até se chegar a essa barreira é muito difícil, porque as mulheres chegam a certos ambientes e não se sentem bem – por serem minoritárias – acabando muitas vezes por sair. É também por isso que as quotas são importantes, ainda que de uma forma transitória. A realidade atual ainda é muito a “old boys network”. Nem sempre há uma discriminação consciente, mas esta acaba por existir indiretamente. Tem que ver com a forma como certas coisas funcionam. Mesmo as decisões que se tomam, as prioridades que se identificam, a forma de agir, é muito masculina. Até em pormenores aparentemente inócuos. Por exemplo, é comum os homens juntarem-se a uma mesa, a um jantar, para tomarem decisões. Se calhar, a maioria das mulheres não gostam particularmente desse modo de trabalhar. Assumindo diariamente um papel de liderança, considera que as características fundamentais para se ser um líder são inatas ou desenvolveu-as à medida que foi enfrentando tais desafios? Quais são os seus maiores alicerces no que concerne a uma gestão positiva? No que respeita à minha forma de estar e atuar na vida, poderá haver uma pequena parte que é inata, mas a maior parte é adquirida, sobretudo pela educação e pelo trabalho. Guio-me muito pelo meu método e o meu raciocínio científico, que vêm da minha formação, e que aplico a tudo. Não apenas às grandes decisões e opções profissionais, mas até a pequenas coisas, da minha vida privada. Raramente tomo decisões ao acaso. É tudo pensado, seguindo a mesma linha de raciocínio. A Maria da Graça Carvalho tem vindo a receber diversos prémios e títulos de reconhecimento. Qual foi, para si, o mais gratificante? Talvez o Prémio Maria de Lurdes Pintassilgo tenha sido o mais gratificante. Porque ela era uma mulher, política, engenheira, que se dedicava muito à Educação e que tinha um conjunto sólido de valores. Diria, esperando não parecer imodesta, que ela, na política, tinha áreas de interesse que também são as minhas, por isso revi-me particularmente neste prémio. Foi um orgulho ter sido associada ao seu nome. Em tom de curiosidade, se pudesse mudar ou melhorar algo no mundo, começaria por onde? Há duas coisas que me fazem particular impressão: a falta de acesso à saúde e à educação por grande parte do mundo, sobretudo nos países em desenvolvimento. Inquieta-me pensar que há zonas do globo onde os miúdos andam quilómetros para irem a uma escola onde nem luz elétrica têm. Outros que nem têm a sorte de ter uma escola. Pessoas que vivem em zonas sem médicos. A Saúde e a Educação são fontes da igualdade de oportunidades. Sem elas, fica-se cortado, limitado. Infelizmente, há ainda uma grande parte do mundo que não as tem garantidas. O que lhe reserva o futuro? Quais são os seus planos mais ambiciosos? A minha maior ambição é poder trabalhar até ao último dia da minha vida. Se não puder trabalhar e estudar fico muito triste. Ler, aprender, trabalhar, fazer coisas. É isso que me motiva. ▪

7 OUTUBRO 2020

Em relação às áreas que refere, acrescentaria ainda as questões de género e de mercado interno e a digitalização. É difícil descrever um papel específico porque, como refere, estou envolvida em diversas áreas. Em todas elas existem objetivos que gostaria de ajudar a atingir. Na questão ambiental, que é uma área à qual sempre estive muito ligada, nomeadamente como investigadora. Na Educação. Nos direitos dos consumidores. Nas questões de género. Essencialmente, se tivesse de resumir a minha atividade e os meus objetivos, diria que estes passam por tentar contribuir para tornar o mundo num sítio melhor. Pode parecer uma resposta um pouco simplista, mas, no fundo, resume-se a isso. Estou muito ligada à ciência, defendo muito o investimento em ciência, não porque esta seja um fim em si mesmo, mas precisamente pelo que pode trazer de melhoria para os nossos cidadãos, as nossas sociedades, as nossas empresas e o nosso planeta.


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“HÁ AINDA MUITO TRABALHO PARA AS MULHERES FAZEREM E O MEU ÚNICO CONSELHO É: FAÇAM-NO!” Considera-se uma mulher privilegiada, mas desengane-se quem pensa que alguma coisa lhe foi dada de mão beijada, pois teve sempre, ao longo da sua carreira, de ultrapassar e alcançar desafios para chegar onde chegou hoje. Falamos de Márcia Martins, CEO & Diretora Clínica do Albufeira Health Institute ® by Clínica Dentária Dr. Cris Piessens, Lda., que nos deu a conhecer o seu lado profissional e pessoal, e deixou um lembrete às mulheres, “Há ainda muito trabalho para as mulheres fazerem e o meu único conselho é: façam-no”.

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omecemos pelo início, o nascimento deste novo projeto de saúde no Algarve. Porquê a escolha da região, de Albufeira, e as mais valias que trará à saúde dentária dos cidadãos. Este é, acima de tudo, um projeto de continuidade de uma clínica que já opera em Albufeira desde 1994 e da qual já é esperado um padrão de qualidade elevado, que em 2018 nos valeu um prémio de melhor clínica dentária. Aliada à filosofia de trabalho em que os nossos pacientes já confiam há 26 anos, a nova marca acrescenta um novo foco na especialização das diferentes áreas da Medicina Dentária com um corpo clínico de renome.

MÁRCIA MARTINS

Esta é uma marca que nasce num ano completamente atípico e que decerto não estaria na vossa men-

te quando tudo começou a acontecer. Sentiram de alguma forma o impacto? Não sendo o ano ideal para novas apostas sentimos que a natural evolução da clínica, nomeadamente no sentido da especialização da sua oferta, era inevitável, com ou sem os constrangimentos que 2020 impôs por todo o Mundo. O que tem realizado a Clínica neste contexto de Covid-19 para proteger e assegurar as melhores condições de segurança e qualidade sanitária dos trabalhadores e seus utentes? Para além de todas as regulamentações obrigatórias que, entre outros, incluem a redução do número de pessoas na sala de espera, o uso obrigatório de máscaras pelos pacientes e de EPI completos e descartáveis pela equipa clínica,


Passemos à Márcia Martins. O que acha que a diferencia, que a faz ser reconhecida internamente na equipa e o porquê de ser dentista e de ter aceitado o desafio de assumir a direção e continuidade da clínica? Não serei a melhor pessoa para fazer esse juízo, contudo, devo frisar que aposto no trabalho de equipa. Não só pela interdisciplinaridade promovida entre os clínicos das várias áreas, mas também pelo reconhecimento da importância que todos os colaboradores têm no sucesso da clínica. Aceitei o desafio de assumir uma estrutura desta envergadura pois ao fim de quase uma década a trabalhar ao lado de todas estas pessoas é realmente um privilégio poder crescer com elas. A paixão pela Medicina Dentária começou cedo, aliando o meu gosto pela construção artística e

pela saúde, é uma profissão de desafios diários e de extrema exigência. Sentiu na pele ao longo da sua carreira algum desconforto ou entrave por ser Mulher e, ao mesmo tempo atualmente, como Diretora Clínica? Considero-me uma Mulher bastante privilegiada e com a sorte de poucos entraves terem sido colocados graças ao meu género. Posso dizer que no início alguns pacientes julgaram uma Mulher ser porventura demasiado delicada e preferiram consultar a “mão masculina” do Dr. Cris Piessens, anterior Diretor Clínico. Contudo ao longo dos anos os pacientes vieram a reconhecer o meu trabalho e dedicação diária, pelo que a transição para Diretora Clínica em 2020 foi já vista com

naturalidade por todos, atualmente não sendo notória qualquer evasão dos pacientes a serem tratados por uma Médica Dentista. Que desafios podemos esperar no futuro da Albufeira Health Institute, algum reforço das áreas de saúde ou será apenas e só uma marca especializada no âmbito da saúde dentária? Atualmente o nosso foco é na oferta de tratamentos de saúde dentária especializados e de qualidade, sendo nossa pretensão a permanente evolução nesse sentido embora não seja inconcebível uma expansão da nossa filosofia de trabalho a outras áreas da saúde. No âmbito do empoderamento e liderança empresarial, que conselho dá às mulheres que estão no

mercado em vários setores de atividade, para seguirem o seu bom exemplo? Passaram já 33 anos desde que Simone de Beauvoir escreveu que “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separa do homem”, mas há ainda muito trabalho para as mulheres fazerem e o meu único conselho é: façam-no. Finalmente aos Algarvios, o que lhes têm a dizer sobre o projeto/ marca e que conselhos/referências lhes deixa no que concerne à v/ atividade/espaço? Aos milhares de pessoas que já nos conhecem: podem continuar a procurar-nos no mesmo espaço onde vão encontrar o atendimento e padrões de qualidade a que se habituaram, agora com uma maior variedade de serviços aliados às mais recentes tecnologias permitindo maior conforto e previsibilidade nos tratamentos. A todas as outras pessoas que morem ou estejam “de passagem” pelo Algarve: caso pretenda reestabelecer e/ou manter a sua Saúde Oral pode vir conhecer um staff experiente, dedicado e multilingue no Albufeira Health Institute. ▪

9 OUTUBRO 2020

instituímos várias outras medidas como a redução do número de consultas em simultâneo, o recurso a teleconsultas, a rotação das salas de trabalho para mais eficiente arejamento das mesmas, registo da temperatura de todos os funcionários e pacientes, entre outros.


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

"TER ORGULHO NO QUE SE FAZ É UM MOTOR IMPORTANTÍSSIMO PARA A MOTIVAÇÃO E SUCESSO” “Tudo se resolve e “nunca se desiste” são as máximas que Célia Crato, HR & Quality Manager do Wyndham Grand Algarve, aplica no seu dia a dia laboral e enquanto membro da managing team de uma equipa que, segundo a própria, é um dos pontos fortes desta unidade hoteleira.

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lém de pertencer àquela que é a maior empresa de franchise de hotéis do mundo, quais são os pontos diferenciadores do Wyndham Grand Algarve – o primeiro Wyndham Grand na Península Ibérica -, tendo a região do sul de Portugal um mercado hoteleiro competitivo dado à procura constante de turistas? O Wyndham Grand Algarve localiza-se numa das mais bonitas zonas da região do Algarve: no coração da Quinta do Lago, em pleno Parque Natural da Ria Formosa, onde os valores paisagísticos e ambientais são inestimáveis e dispensam apresentações. A par da localização, o WGA possui condições únicas que o tornam num espaço fantástico. As suas 132 suites, espaçosas e bem equipadas foram recentemente renovadas, possuindo agora uma decoração bastante atual que as tornam ainda mais atrativas. Os restaurantes e espaços comuns vão também passar por este processo de renovação, o que nos permitirá tirar o máximo proveito dos espaços já existentes, atualizando-os e elevando-os em concordância com o nível de serviço que queremos prestar aos nossos clientes, já a partir de janeiro de 2021, altura em que se prevê que estes trabalhos estejam e mês durante o qual o Wyndham Grand Algarve planeia a sua soft opening. Salas de conferências, piscinas, ginásio e spa vêm complementar a oferta e dotar o Wyndham Grand Algarve de fatores competitivos interessantes e diferenciadores em relação ao existente nas proximidades, constituindo motivos de seleção por parte dos clientes. Mas não poderia terminar sem referir as pessoas que aqui trabalham como um dos principais fatores diferenciadores. Pessoas que todos os dias dão o melhor de si para ir ao encontro das expectativas dos nossos clientes, mesmo em tempos difíceis como os que atravessamos. Falemos da Célia Crato. Sendo Diretora de RH, como se cruzou a sua vida profissional com o turismo e como chegou ao Wyndham Grand Algarve? Em janeiro de 2000 comecei a trabalhar na Marina de Vilamoura, S.A., empresa que na altura fazia parte do Grupo André Jordan (grupo que reunia, entre outras, as empresas responsáveis pela gestão dos campos de golfe e por toda a gestão urbanística e desenvolvimento imobiliário de Vilamoura). Recém-licenciada em engenharia do ambiente, pela Universidade Nova de Lisboa, comecei a exercer gestão ambiental primeiro na marina e mais tarde nas restantes áreas de negócio do grupo. Desde essa época, desenvolvi sempre a minha atividade profissional na área do turismo. Mas foi em 2007 que, ao juntar-me à equipa do Monte da Quinta Resort (anterior nome desta unidade hoteleira), iniciei a minha atividade em hotelaria, inicialmente nas áreas de gestão ambiental e da qualidade e desenvolvimento organizacional e, desde 2014, como gestora de RH. Em janeiro deste ano, após a venda do hotel e alteração da entidade gestora, o Monte da Quinta Resort deu origem ao atual Wyndham Grand Algarve. É caso para se afirmar que foi o Wyndham Grand Algarve que chegou até mim e não eu que cheguei ao Wyndham Grand Algarve.

Como líder, o que acha que a diferencia, que a faz ser reconhecida internamente e o que os seus RH’s seguem como uma linha condutora no dia a dia laboral? Bem, não sei se é o que me diferencia, talvez seja mais o que caracteriza. Tenho um enorme respeito por todos os colaboradores e que é idêntico, independentemente do cargo que ocupam ou grau de responsabilidade das respetivas funções. Tratar todos com respeito e dignidade durante o seu ciclo de vida na empresa, desde o recrutamento à saída, é um dos meus princípios. Sou uma pessoa muito determinada e resiliente e quem trabalha comigo sabe que aplico as máximas “tudo se resolve” e “nunca se desiste”. Interesso-me genuinamente pelo bem-estar de todos, por poder contribuir para que tenham as melhores condições para poderem dar o seu máximo contributo para a empresa e para que se sintam orgulhosos por isso. Ter orgulho no que se faz é um motor importantíssimo para a motivação e sucesso! Penso que seja isto, mas a resposta mais acertada a esta questão seria a dada pelas pessoas que comigo trabalham. Sentiu na pele ao longo da sua carreira algum desconforto ou entrave por ser Mulher e, ao mesmo tempo atualmente como DRH? Aqui, tenho de confessar que não. Talvez seja a exceção que, infelizmente, ainda confirma a regra. Mas a verdade é que sempre me senti tratada com respeito, reconhecida pelo meu desempenho e nunca experienciei qualquer tipo de desconforto, entrave ou injustiça que possa atribuir ao facto de ser Mulher. Que desafios podemos esperar no futuro da Wyndham Grand Algarve e que fatores diferenciam trabalhar nesta unidade hoteleira de outras? O Wyndham Grand Algarve partilhará desafios semelhantes em relação aos seus concorrentes e empresas ligadas ao setor. Do ponto de vista operacional, e a braços com o imprevisto pandémico, o desafio será o de proporcionar estadias únicas e experiências memoráveis, não obstando as medidas e regras sanitárias restritas seguidas pelo hotel. Do ponto de vista estratégico, o desafio atual e futuro será o de estimular a procura e aumentar a quota de mercado. Cingindo-nos apenas às variáveis que conseguimos controlar, o Wyndham Grand Algarve aposta e apostará sempre em aumentar o nível de serviço, através da crescente formação dos seus colaboradores e da criação de ofertas que acrescentem valor e proporcionem experiências únicas ao hóspede. Neste sentido, novas parcerias serão estabelecidas e o suporte da marca Wyndham será crucial nesta nova fase. O facto de pertencermos a um dos grupos hoteleiros de referência a nível internacional, do hotel estar a passar por uma profunda renovação que irá deixar todos os espaços (interiores e exteriores) mais atuais e ainda mais agradáveis e a equipa que aqui trabalha são, em minha opinião, os principais fatores diferenciadores. Fazer parte de uma cadeia internacional permite ter acesso a

CÉLIA CRATO


formações e conhecimento que constituem uma mais valia-importante para quem pretende desenvolver a sua carreira nesta área. Trabalhar num hotel, totalmente renovado, numa localização fantástica como a nossa, é algo que nos enche de orgulho e esse orgulho, como já referi, é um importante fator de motivação e de atração de novos membros para a equipa ou talentos, se quisermos utilizar uma expressão mais atual. Enquanto equipa, temos uma ligação muito forte e um grande espírito de entreajuda. Temos gosto em receber, como não poderia deixar de ser nesta área de atividade, e acolhemos muito bem os novos team members, sejam eles colaboradores ou estagiários, profissionais ou estudantes. Temos uma equipa que se motiva com projetos agregadores e que tem um forte sentido de compromisso e uma ligação fortíssima ao hotel. O desafio que se coloca atualmente é, precisamente, manter esta essência nestes tempos em que somos obrigados a tomar decisões difíceis, mas necessárias.

Que mensagem deixa ao nosso leitor e ao público em geral num momento tão conturbado em que todos vivemos e às mulheres no âmbito do empoderamento e liderança empresarial? Temos que ser inteligentes e tirar o melhor partido de tudo o que nos acontece. O contexto de desaceleração ou, até mesmo, de paragem que vivemos é o momento indicado para fazermos a pausa, que nunca tivemos tempo, e para fazer um balanço das nossas vidas. E na sequência do resultado desse balanço deveremos agir. Agir para alterar o que não gostamos, para encontramos soluções criativas e inovadoras para os nossos desafios, para reforçar a nossa rede de contactos e as nossas relações pessoais, para aumentarmos as nossas competências, para dedicarmos tempo àquilo que nos dá prazer e nos faz falta, para sermos melhores pessoas, melhores profissionais. Temos a obrigação de sair melhores e mais fortes de tudo isto, com uma capacidade redobrada para resolver desafios e ultrapassar obstáculos. ▪

11 OUTUBRO 2020

O que tem realizado o v/ Grupo Hoteleiro neste contexto de Covid-19 para proteger e assegurar as melhores condições de segurança e qualidade sanitária dos trabalhadores? Desde o primeiro momento que seguimos as diretrizes que foram sendo publicadas e revistas pela autoridade de saúde. Assim como as orientações da Direção Geral da Saúde, também as nossas medidas foram sendo revistas e ajustadas, sempre com o objetivo de salvaguardar a saúde dos nossos colaboradores, dos nossos hóspedes e restantes stakeholders que interagem connosco. Disponibilização de soluções para desinfeção de mãos e de máscaras de proteção (as quais são de utilização obrigatória em espaços comuns e sempre que não é possível assegurar o distanciamento físico), medição de temperatura corporal à entrada do local de trabalho, estabelecimento de capacidade máxima na utilização de espaços comuns, como o refeitório ou os balneários, e no transporte providenciado pela empresa são algumas das medidas implementadas. Para além destas, promovemos sessões de esclarecimento e divulgamos várias informações que têm como objetivo manter os nossos colaboradores consciencializados para a importância da prevenção e para o impacto desta doença nas nossas vidas, no nosso hotel. Por último, gostaria de destacar e, na sequência das diretrizes recebidas por parte da Wyndham, a nomeação da nossa Hygiene Hero: colaboradora que tem como missão garantir que todas as medidas definidas estão a ser efetivamente implementadas no terreno, trabalhando de perto com todos os colaboradores, reforçando a consciencialização para esta temática, esclarecendo dúvidas e ajudando a rever metodologias de trabalho, entre outros.


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

FENG SHUI

COMO FORMA DE VIDA

SOFIA LOBO CERA

PONTOS DE VISTA NO FEMININO

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A primeira lei da termodinâmica diz-nos que aquilo que não está a crescer está a morrer e se deixarmos de evoluir enquanto pessoas ou entidades estamos a aproximar-nos do fim. É partindo deste princípio que podemos compreender melhor o conceito de Feng Shui, uma «arte» que, sem qualquer dúvida, irá proporcionar uma vida melhor.

M

as quem melhor que Sofia Lobo Cera para nos dar a conhecer um pouco mais das valias do Feng Shui, essa arte de harmonizar os espaços com o desiderato de melhorar a energia vital nos seres e ambientes, sejam eles privados ou empresariais. Assim, fomos conhecer a nossa entrevistada, Sofia Lobo Cera, uma consultora profissional de Feng Shui que decidiu abrir o seu próprio espaço, «Sofia Lobo Cera, Consultora de Feng Shui», decorria o ano de 2009, naquele que, segundo a própria, “foi a melhor decisão que tomei na minha vida”, afirma, a nossa interlocutora, reconhecida internacionalmente como consultora acreditada pela Feng Shui Society e que conta com uma larga experiência em todo o tipo de projetos de Feng Shui. Pode parecer estranho, mas a aventura da nossa entrevistada começou na arte das engenharias, mais concretamente em Química. E como se cru-

zam estas duas áreas que, à vista menos atenta, podem parecer tão distantes? “Não são tão diferentes assim. As pessoas, inúmeras vezes, associam o Feng Shui a questões mais esotéricas e espirituais, mas para dizer a verdade, o estudo do Feng Shui passa pelo fluir da energia e essa mesma energia é a que conhecemos em química e física”, salienta, relembrando que o caminho nesta arte começou após a sua mãe ter comprado uma enciclopédia sobre a temática, e que foi literalmente devorada pela nossa entrevistada, tendo sido este o momento que a chama da paixão se acendeu. “Tive uma sensação em que parecia que já tinha estudado tudo aquilo e tudo me fazia sentido”, salienta, lembrando que foi nesta fase em que terminou o curso em engenharia e prosseguiu a sua carreira, “que comecei a ter a sensação que não estava realizada e não achava que fosse aquele o meu caminho”, afirma convicta. Neste sentido, a nossa entrevista-

da, decidiu iniciar uma busca com a ajuda de um coacher para perceber o rumo que pretendia dar à sua vida, “até porque esta é demasiado curta para ficarmos somente com o que não nos traz valor e foi nesse processo que percebi que uma das coisas que pretendia era criar um negócio próprio, algo que aportou outras dúvidas. O quê? Onde? Dúvidas normais, mas que me levaram à conclusão que procurava, ou seja, era este o rumo que pretendia seguir, com os meus horários, com a minha gestão, até porque eu sentia que já ajudava tanta gente a mudar de vida através do Feng Shui num domínio mais pessoal, porque não fazer o mesmo comigo?”, questionou-se na altura Sofia Lobo Cera, que deu o «pontapé de saída» do seu negócio em 2009, e com resultados evidentemente muito positivos. “Têm sido 11 anos repletos de conquistas e, naturalmente, fico imensamente feliz por saber que ajudo a contribuir para a melhoria da vida das pes-


“AS PESSOAS COMEÇARAM A ACORDAR E, NÃO FALANDO OBVIAMENTE EM QUESTÕES DE SAÚDE, PERCEBO QUE ESTA PANDEMIA VEIO AJUDAR AS PESSOAS A PARAREM E A PENSAREM PARA ONDE QUEREM IR E O QUE PRETENDEM. AS PESSOAS FICARAM MUITO MAIS DISPONÍVEIS E ABERTAS E COMEÇARAM A PENSAR EM ALTERNATIVAS PARA SALVAR AS SUAS EMPRESAS E MESMO MELHORAR AS SUAS VIDAS PESSOAIS”

PANDEMIA? «WAKE-UP CALL» E ainda existe algum estigma ou desconhecimento por parte do mercado relativamente às mais valias do Feng Shui? A nossa interlocutora não tem dúvidas em afirmar que atualmente o panorama é bastante positivo, isto se fizermos uma comparação, por exemplo, com o final dos anos 90. E hoje? Qual o nível de aceitação? “Em Portugal está mais desenvolvido e mais aceite, mas muito longe dos países mais desenvolvidos. Se formos, por exemplo, ao Reino Unido, as grandes empresas, as pessoas com poder, sucesso, dinheiro e estatuto, todos eles não dispensam um consultor de Feng Shui para qualquer negócio ou casa e apostam sempre num estudo aprofundado de Feng Shui”, reconhece Sofia Lobo Cera, reconhecendo que em Portugal ainda há um grande caminho a fazer, “principalmente a nível empresarial”, realidade que pode ser mudada mais celeremente pela vaga de jovens empresários que cada vez mais começam a surgir. “Acredito que essa realidade possa ser uma alavanca, até porque os mesmos começam a ter maior sensibilidade para estas práticas, ou seja, para a importância do bem-estar dos colaboradores, para o equilíbrio do espaço onde as pessoas trabalham, pois compreendem que havendo bem-estar e harmonia as pessoas produzem mais, com impactos evidentes em termos de volume de negócios e da consolidação dos mesmos”, refere a nossa entrevistada. Fruto da pandemia da COVID-19, o mundo vive atualmente um novo «normal», tendo provocado uma série de mudanças na vida de todos. Mas de que forma é que esta nova realidade veio mudar o panorama? Para a nossa entrevistada, “as pessoas começaram a acordar e, não falando obviamente em questões de saúde, percebo que esta pandemia veio ajudar as pessoas a pararem e a pensarem para onde querem ir e o que pretendem. As pessoas ficaram muito mais disponíveis e abertas e começaram a pensar em alternativas para salvar as suas empresas e mesmo melhorar as suas vidas pessoais. O indivíduo, estando em teletrabalho, apercebeu-se de quanto a sua casa influencia o seu humor, o bem-estar e o conforto. Isto abriu uma janela enorme, principalmente na nossa vertente de negócio e

posso afirmar que aumentei o volume de trabalho, tudo porque as pessoas e as empresas começaram a ganhar essa sensibilidade, onde o Feng Shui é fundamental”. O FENG SHUI FAZ UMA DIFERENÇA ABISMAL A nossa entrevistada assume que gosta de liderar e que adora responder a todos os desafios que vai impondo a si mesma e que lhe vão impondo. Apelidar Sofia Lobo Cera de «Mulher dos sete ofícios», é um cunho que lhe assenta bem, ela que é autora do Livro “Mude a Sua Casa Enriqueça a Sua Vida” e do Projeto Digital “Casa Organizada Vida Equilibrada”. “Adoro este lado do desafio e de os superar. Trabalho em prol da excelência e de ajudar mais vidas, pessoais ou empresariais. Quero que tenham uma vida melhor em todos os aspetos”, assevera convicta a nossa entrevistada. Mas o que falta alcançar? Muito sinteticamente, Sofia Lobo Cera, assume que gostava de ver o panorama ao nível da construção civil e da arquitetura a mudar, principalmente a primeira área. “As pessoas deviam de estar mais sensibilizadas para as questões relacionadas com o Feng Shui e construírem ou desenharem habitações com um bom Feng Shui. Temos de assimilar e compreender, que quando projetamos um espaço com boa energia, o mesmo fará uma diferença abismal na sociedade e temos de ser capazes de alterar esse paradigma, “assegura a nossa entrevistada, que iniciou os seus estudos profissionais na Escola Nacional de Feng Shui, em Portugal, tendo obtido o seu primeiro diploma profissional em 2010, lembrando que a mesma já faz esse papel diariamente. “Tento sensibilizar as pessoas e, felizmente, já vejo algumas mudanças, já vejo projetos habitacionais com essas preocupações, mas é preciso continuar, principalmente ao nível de empresas de raiz, em que vejo muito poucas com esse género de sensibilidade e preocupação”. ▪

PARA QUEM NÃO CONHECE O FENG SHUI. O QUE POSSO GANHAR? A saúde e o equilíbrio do seu negócio, o bem estar dos seus colaboradores e clientes e, com tudo isto, um maior potencial de consolidação, tanto de crescimento, como financeiro, recebendo ainda o reconhecimento do exterior e de quem trabalha na sua empresa.

13 OUTUBRO 2020

soas através do Feng Shui, até porque é importante referir que nunca parei de estudar. Temos de perceber que o Feng Shui é um mundo vastíssimo com muita informação e detalhe. As pessoas acham que esta arte é algo relacionado somente com decoração ou que são coisas generalistas. Nada mais errado. O Feng Shui é muito mais do que isto, porque quando estamos a estudar a energia, estamos a trabalhar com precisão e é isso mesmo que perpetua um sentido de diferença nos resultados da vida de uma pessoa ou de uma empresa”.


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

SUPERAR DESAFIOS, PROSPERAR CARREIRAS PROFISSIONAIS Natacha Sommer trabalhava no setor financeiro, mas rapidamente percebeu que é no coaching que se sente realizada. Galardoada no início de 2020 com o prémio “Top Executive Coach and Owner”, pela IATOP – Internacional Association of Top Executives, a nossa entrevistada vê o seu trabalho reconhecido.

A

ntes de a Natacha Sommer – Executive Coach - ser edificada, tendo um ano de existência, o seu percurso passou – e deixou a sua marca – por vários projetos e lugares. Conte-nos um pouco mais sobre si, no âmbito pessoal e profissional. Como se pode descrever? Tenho a sorte de ter uma família que me apoia em tudo aquilo a que me dedico e um círculo pequeno de amigos com os quais sei que posso contar sempre, o que me reforça a auto-confiança e fomenta o desenvolvimento de causas mais arrojadas, diferenciadoras e que são muito importantes para mim. No âmbito profissional, sempre gostei de estar dedicada a projetos onde esteja em constante aprendizagem e crescimento. Sempre quis desenvolver uma carreira internacional e adoro abraçar novos desafios. Do setor financeiro, passou também a ter a missão de alcançar mais sustentabilidade no que na igualdade de género diz respeito, capacitando mulheres executivas para acelerar o crescimento da sua carreira. De que forma surgiu o projeto Natacha Sommer Executive Coach? Que programas foram desenvolvidos para garantir que tal missão seja cumprida e quais são os benefícios que realça? Em 2017 participei num curso do IMD de liderança e nessa altura, trabalhei com uma Coach. A

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NATACHA SOMMER

"Sempre gostei de estar dedicada a projetos onde esteja em constante aprendizagem e crescimento. Sempre quis desenvolver uma carreira internacional e adoro abraçar novos desafios"


caminho a percorrer e acredito que as empresas também têm de ter um papel mais ativo, assumindo o compromisso com a diversidade e inclusão, onde benefícios são reconhecidos por todos. De acordo com um estudo do Credit Suisse “Gender 3000”, em 2019 as ações das empresas com mais de 20% de executivas em cargos de gestão superaram em quase 4% empresas com menos de 15%. Acredito que não existem apenas benefícios financeiros, como os atrás referidos, mas também que as mulheres têm muito para contribuir tornando-se referências de liderança para outras mulheres com os seus atributos naturais de inteligência emocional e com a sua capacidade de criar parcerias construtivas.

Ter algo seu foi sempre um sonho ambicionado? Quão gratificante é poder contribuir com o seu conhecimento para algo que certamente renova vidas? Mais importante do que a forma como desenvolvo a minha missão, o que é fundamental para mim é ter a certeza de que estou a ter maior impacto e a chegar a um grande número de executivas que se querem desenvolver como líderes. É extremamente gratificante contribuir com a minha experiência e ver a transformação que as minhas clientes têm.

Em tom de curiosidade, se pudesse mudar ou melhorar algo no mundo, começaria por onde? Começaria por dar prioridade máxima à agenda da alteração climática. Com a pandemia, infelizmente, toda a agenda de sustentabilidade ficou suspensa e quanto mais tarde atuarmos mais difícil vai ser reverter os efeitos da mesma. Na minha opinião falta um compromisso sério em termos de sociedade para tornarmos o nosso planeta uma prioridade e tomarmos as decisões e ações necessárias de forma urgente.

A Natacha Sommer tem especial atenção ao tema da desigualdade de géneros. Na sua opinião, como o observa atualmente comparativamente há uns anos? Considera que a evolução, no que concerne à igualdade de oportunidades, é notada ou o caminho a percorrer ainda é longo? Os estudos demonstram que comparativamente há uns anos, o progresso tem sido positivo, mas ainda há um caminho longo a ser percorrido. Eu vejo a questão de desigualdade de géneros na carreira sob duas vertentes:

"ACREDITO QUE NÃO EXISTEM APENAS BENEFÍCIOS FINANCEIROS, COMO OS ATRÁS REFERIDOS, MAS TAMBÉM QUE AS MULHERES TÊM MUITO PARA CONTRIBUIR TORNANDO-SE REFERÊNCIAS DE LIDERANÇA PARA OUTRAS MULHERES COM OS SEUS ATRIBUTOS NATURAIS DE INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E COM A SUA CAPACIDADE DE CRIAR PARCERIAS CONSTRUTIVAS"

- “Gender Gap Pay” – ainda temos um gap salarial entre 20% e 30% entre homens e mulheres na indústria financeira. Na indústria financeira na Suíça, de acordo com o Federal Statistical office em 2016, em média as mulheres ganham menos 4,000 CHFs brutos por mês que os homens; - Mulheres em cargos de liderança – estudo da Mckinsey “Women in the Worplace” demonstra que o maior obstáculo que as mulheres encontram é em serem promovidas para o primeiro cargo como gestoras. Em 2019, nos EUA, apenas 38% das mulheres tinham

cargos de gestão. Esta disparidade nos primeiros anos de carreira impede que as mulheres progridam para cargos de mais elevados de liderança até ao C-suite (administração). Tendo estudado em Portugal e vivendo de momento na Suíça, onde exerce a sua atividade profissional, sente algumas diferenças entre os dois países, quanto ao facto de ser mulher e consequentemente suas oportunidades? Na minha opinião, em ambas as sociedades ainda há um longo

Quais são os seus planos mais ávidos para o futuro? Há novidades a caminho? A novidade mais recente é que fui convidada para prestar serviços como Executive Coach para uma empresa em São Francisco que está focada em desenvolver a inteligência emocional na liderança. Um desafio que gostaria de abraçar mais tarde seria expandir o foco para todos os outros sustainability development goals (SDG) da União Europeia e não estar apenas focada na igualdade de género (SDG 5). ▪

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aprendizagem e exposição que tive no curso veio a ser decisiva para potenciar o meu reconhecimento na empresa e, nessa sequência, fui convidada a liderar projetos institucionais no Banco. O meu projeto surgiu dois anos depois, quando decidi que me queria dedicar a uma missão com maior impacto. Desenvolvi um curso online com estratégias para maior visibilidade e reconhecimento dentro das organizações e um programa de coaching onde as minhas clientes são apoiadas para alcançar o objetivo profissional que estabelecem para si mesmas. O maior benefício das minhas clientes é conseguirem melhorar a sua liderança e posicionarem-se dentro das suas organizações de forma mais estratégica.


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“LUGAR DE MULHER É EM TODO LADO”

PONTOS DE VISTA NO FEMININO

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JACILDA SANTOS FROTA

Determinada e Destemida. Estas são duas das caraterísticas de Jacilda Santos Frota, Fundadora do escritório Jacilda Santos Frota Advocacy, e que, em entrevista à Revista Pontos de Vista, nos deu a conhecer um pouco mais da sua vida, da forma como ultrapassa todos os desafios diários, sem esquecer que o Lugar de Mulher é em todo o lado.

F

oi a pensar nos milhares de portugueses e luso-descendentes espalhados pelo mundo que o escritório Jacilda Santos Frota Advocacy foi edificada, de forma a oferecer uma variedade de serviços vocacionados para o atendimento desses cidadãos. Esta ideia surgiu porque, de alguma forma, sentia carência efetiva, deste tipo de serviços, especificamente para os cidadãos que não residem em Portugal? Nem todos os serviços são prestados pelos consulados portugueses, como por exemplo, as revisões e confirmações de sentenças estrangeiras. Por outro lado, nem todos conseguem ter acesso fácil aos consulados. Os serviços que nos são solicitados são os mais diversos, desde uma simples certidão aos pedidos de nacio-

nalidade portuguesa, revisões de sentença, partilhas de herança, pesquisa de bens, investimentos em imóveis, entre outros. Uma situação comum refere-se aos emigrantes portugueses que têm filhos nos países onde residem. Muitos querem que os seus descendentes obtenham a nacionalidade portuguesa para que não se rompa esta ligação entre as gerações. Certa vez fui procurada por uma senhora, cuja sogra com mais de 90 anos ainda sonhava ser portuguesa, porque crescera a ouvir as histórias dos pais portugueses. A família não queria que partisse sem a realização desse desejo. Foi muito emocionante ouvir o relato da sua nora quando lhe mostrou a certidão de nascimento portuguesa.

criterioso, procuram tratar todas as questões recebidas da maneira mais célere e transparente possível? Que aspetos diferenciados aponta aos serviços prestados? Procuramos ter uma relação mais interativa e próxima, utilizando diversos meios de comunicação para que os clientes se sintam seguros. Gosto de saber que a pessoa que está do outro lado sente confiança e segurança na advogada que está a contratar. É claro que não é fácil, há um desgaste físico grande. Mas é recompensador quando alguém nos procura porque foi indicada por outra, o que entendo como uma avaliação positiva do meu trabalho e o da minha equipa de apoio.

De que forma, através de um trabalho sério e

Falemos agora da Jacilda Santos Frota. Quem


é, enquanto pessoa e enquanto a profissional empreendedora que hoje se dedica totalmente aos cidadãos portugueses e luso-descendentes? Se eu me fosse definir em duas palavras, seriam: determinada e destemida. A vida é exigente e é importante sabermos onde queremos chegar. Ter uma meta e foco nos objetivos que se pretendem alcançar é indispensável ao sucesso. Sempre fui corajosa. Herdei essa característica da minha querida mãe que me ensinou o valor da resiliência.

17 OUTUBRO 2020

“PROCURAMOS TER UMA RELAÇÃO MAIS INTERATIVA E PRÓXIMA, UTILIZANDO DIVERSOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, PARA QUE OS CLIENTES SE SINTAM SEGUROS. GOSTO DE SABER QUE A PESSOA QUE ESTÁ DO OUTRO LADO SENTE CONFIANÇA E SEGURANÇA NA ADVOGADA QUE ESTÁ A CONTRATAR. É CLARO QUE NÃO É FÁCIL, HÁ UM DESGASTE FÍSICO GRANDE. MAS É RECOMPENSADOR QUANDO ALGUÉM NOS PROCURA PORQUE FOI INDICADA POR OUTRA, O QUE ENTENDO COMO UMA AVALIAÇÃO POSITIVA DO MEU TRABALHO E O DA MINHA EQUIPA DE APOIO”

Ao longo da sua carreira, que momentos é que considera fundamentais para ter alcançado o patamar em que está atualmente? Quando me tornei mãe. A maternidade deu-me uma força espantosa. Sempre fui forte, mas nada que se comparasse a este Lembro-me de despertar que se revelou quanuma frase: “O homem do vi a minha mata um boi por dia. filha pela priA mulher mata um meira vez. A ços. Lugar de mulher é em boi, tempera, cozinha e partir desse todo lado, porque em todo ainda lava a loiça.” momento lado se necessita da corapassei a tragem, inteligência e sensibiNa simplicidade desta lidades femininas. balhar incansafrase está uma velmente. Sem grande verdade Alguma vez sentiu algum cenunca preterir ticismo, ou viu o seu caminho a família, passei a tornar-se mais longo e complexo, dedicar cada segunpor ser mulher no âmbito do direito? do que me restava ao desenvolvimento do meu Acho que todas as mulheres já passaram por trabalho. Temos clientes que estão algo assim. No entanto, no exercício da minha connosco desde o início e esta confiança vai pasprofissão, nunca deixei de praticar nenhum ato por sofrer algum tipo de preconceito. sando para outros membros da família. Este ano temos outro grande objetivo: estender os nossos serviços aos ítalo-descendentes. Por fim, o que podemos continuar a esperar da sua parte e qual a mensagem que gostaria de transmitir ao universo feminino que, dia Num passado não muito distante, o mundo após dia, continua a mostrar a sua força? da advocacia parecia estar direcionado apenas Lembro-me de uma frase: “O homem mata um ao género masculino, algo que, felizmente, foi boi por dia. A mulher mata um boi, tempera, sendo ultrapassado ao longo dos tempos. Quão cozinha e ainda lava a loiça.” Na simplicidade importante é para a profissão que as Mulheres desta frase está uma grande verdade. Eu trabaassumam maior relevância no setor? lho 14 horas por dia para atender as exigências Não consigo imaginar as dificuldades enconda vida pessoal e profissional e para que nada tradas pela Regina Quintanilha, a primeira falte a nenhum desses sectores. Tenho a sorte mulher licenciada em direito e advogada em de ter um marido que reconhece o meu valor Portugal. Corajosas mulheres souberam desae quero que a minha filha sinta orgulho de ser fiar os paradigmas sociais das suas épocas, pelo mulher. ▪ que temos a obrigação de honrar os seus esfor-


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“NÃO SINTO A DESIGUALDADE DE GÉNEROS DENTRO DOS TRIBUNAIS” “Mais do que uma aventura no meio do Direito e das leis, tem sido uma aventura no meio das pessoas de diferentes origens e culturas”. Quem o afirma é Adelina Barradas de Oliveira, Juíza Desembargadora da 3ª Secção do Tribunal da Relação de Lisboa, e que, em entrevista à Revista Pontos de Vista, abordou como tem sido esta viagem, tendo deixado uma mensagem simples, mas poderosa a todas as Mulheres: “Nós vamos até onde quisermos”.

P

rimeiramente, quem é Adelina Barradas de Oliveira enquanto Mulher e Pessoa? Nascida em novembro, signo de Escorpião, 61 anos, 35 anos de carreira, um Mestrado em Comunicação Media e Justiça, a frequência de um Doutoramento. “Guerreira” como me chama o filho, “pedacinho de céu e de mau feitio” como me chama a filha. Gosto do mar de música e poesia, de escrever, ler e dançar. Com vontade de construir mais além da carreira.

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Conte-nos um pouco sobre como tem sido a sua «aventura» no universo do direito e das leis em Portugal. Em que momento da sua vida é que chegou aquele ponto em que disse “é isto que quero seguir”? Eu e as matemáticas resistimos sempre a um convívio criativo. A Psicologia e a Filosofia e as Palavras eram muito o meu Mundo de descoberta e criatividade. O Direito era o sonho a cumprir. Licenciei-me e, porque ser Juiz se abriu às Mulheres do meu País e chegou a minha hora, eu não hesitei. Não queria que ninguém decidisse Direitos por mim. Gostava e gosto de pessoas e de as ouvir. Mais do que uma aventura no meio do Direito e das leis, tem sido uma aventura no meio das pessoas de diferentes origens e culturas. Percorri o País de Norte a sul. Aprendi tanto, meu Deus! Não imaginam o que aprende uma (jovem) juíza pelo País fora desde 1985 até hoje. Num passado não muito distante, o universo do direito, tribunais e leis em Portugal estava mais destinado ao universo masculino, algo que, felizmente, tem sofrido alterações. Na sua opinião, a que se deveu esta capacidade das Mulheres estarem mais presentes no universo do direito em Portugal? Não foi uma questão de capacidade. As mulheres não eram Juízas e ponto. Foi depois do 25 de Abril que as mulheres puderam sê-lo. Lado a lado com os homens. Lembro-me de que na altura em que fui para a minha 1ª Comarca (onde fui a primeira Juíza), ainda só eramos cerca

mesmo quando, olhavam para o meu marido quando chegávamos às Comarcas, e pensavam que eu era a mulher do Juiz.

ADELINA BARRADAS DE OLIVEIRA

“TIVE E TENHO A SORTE DE TER UM MARIDO QUE SEMPRE DIVIDIU TAREFAS COMIGO, DE IGUAL PARA IGUAL. NÃO SOU A MELHOR PESSOA PARA ME QUEIXAR DE DESIGUALDADE DE GÉNERO PORQUE, PARA MIM, HÁ MUITO TEMPO QUE “A TRADIÇÃO JÁ NÃO E O QUE ERA”

de 46 em Portugal. Hoje somos muitas, e mais. Sente que hoje vivemos um período mais positivo para as Mulheres que pretendem alcançar maior visibilidade e posições de relevo, como por exemplo a sua? A posição de Juíza pode ser para os outros uma posição de relevo, ou destaque. Para quem o é, é uma

posição de serviço. Ao Juiz, à Juíza, tudo lhe é exigido e, quanto mais poder tiver, maior é o seu dever. É verdade que hoje em dia as diferenças e os obstáculos não são os mesmos. Mas, eu mesma há 35 anos, não senti obstáculos. Licenciei-me em Direito, concorri à Escola de Magistrados, - CEJ - prestei provas e fui admitida. Exercer nunca foi para mim caminho de dificuldades

Como pode descrever a desigualdade de géneros dentro dos tribunais? Considera que, apesar dessa mesma desigualdade, existe algum tipo de evolução entre os tempos? Não sinto a desigualdade de géneros dentro dos tribunais. Nunca senti. Onde ela se pode sentir é fora dos Tribunais. Tive e tenho a sorte de ter um marido que sempre dividiu tarefas comigo, de igual para igual. Não sou a melhor pessoa para me queixar de desigualdade de género porque, para mim, há muito tempo que “a tradição já não e o que era”. Mas, também é verdade que, a nossa vida dupla de “gestoras da família”, se reflete na velocidade de resposta no trabalho, e isso pode refletir-se nas inspeções e classificações de algumas de nós. Acredita que a reflexão e partilha de experiências entre Juízas são algo significativas? De que forma promovem esta cooperação mútua entre colegas da mesma profissão? Mais do que partilha de experiências e dificuldades entre juízas, será importante que, homens e mulheres que aplicam o Direito e defendem os Direitos, se preocupem com a cooperação mútua e procurem ser um exemplo na área das Igualdades de Direitos a todos os níveis em todos os campos. Que mensagem lhe aprazaria deixar a todos as mulheres? Lutar contra todos os receios e estigmas é absolutamente essencial ou basta acreditar em si próprias? Não ter receios, nem de estigmas. Nós vamos até onde quisermos. Sabemos isso, é intuitivo. Sabemos do nosso valor e das nossas fraquezas e como contorná-las, sabemos da nossa sagacidade e da nossa vontade, naturalmente, sem sobressaltos. É tudo uma questão cultural. E sabemos ensinar isso aos nossos filhos e filhas, às gerações do amanhã. Não chegámos aqui por acaso. Não abdicamos do que somos. É a nossa natureza.▪


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“EMPRESAS FELIZES SÃO MAIS PRODUTIVAS” Liliana Sequeira caracteriza-se sobretudo por uma profissional apaixonada. Com formação em Engenharia Civil, é ao coaching que hoje se dedica e se sente totalmente realizada. Conheça mais sobre o seu percurso.

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A sua experiência profissional passa por várias vertentes: é Engenheira Civil, mas também ajuda líderes bem-sucedidos a transformar as suas empresas mais felizes e produtivas. De que forma se dá este “salto”? Quando é que o Coaching apareceu na sua vida? Com o aproximar dos meus 40 anos entrei num processo de introspeção e análise da minha vida: o caminho que percorri e onde quero chegar. Sentindo-me feliz e realizada com o já alcançado: Mãe dedicada e orgulhosa de dois filhos gémeos, profissional reconhecida na minha área de formação e acima de tudo Mulher plena, encontro-me nesta fase com o coaching e apaixono-me. O coaching traz um novo estímulo a esta fase

cidade no Trabalho”? Qual é o caminho que se deve percorrer até atingir este patamar? Para mim, a Felicidade no Trabalho assenta em três pilares fundamentais: 1. equilíbrio entre o bem-estar físico e emocional; 2. segurança física e psicológica; 3. conciliação entre a vida profissional e pessoal. A FELICIDADE conduz ao sucesso: motiva, aumenta a produtividade e inibe o stress. Reduz ainda a rotatividade, o absentismo e o presentismo. Proporcionar um ambiente de trabalho atrativo, investindo no colaborador como um todo, proporcionando-lhe Felicidade no Trabalho é a melhor forma de intervenção.

LILIANA SEQUEIRA

da minha vida e vem repleto de respostas e ferramentas que aplico no meu dia a dia. Concretiza aquilo que eu sempre senti que fui: ouvinte atenta e disponível para ajudar os outros sem fazer juízos de valor. A Marshall Goldsmith Stakeholder Centered Coaching dedica-se a melhorar de forma mensurável a eficácia de liderança de forma global. Quão gratificante é para si, pertencer à maior organização mundial de Coaches? Muitos dos meus primeiros clientes enquanto coach ICC eram empresários e isso despertou em mim a consciência da mais-valia do meu percurso profissional que, aliada à minha necessidade nata de adicionar alguma racionalidade ao processo me direcionou para a área do Executive & Team Stakeholder Centered Coaching. Ser certificada pelo Marshall fez todo o sentido para mim. Partilhamos ideais e valores. Partilhamos ainda o mesmo dia de aniversário, que coincidentemente é o Dia Internacional da Felicidade. Para si, qual é a verdadeira definição de “Feli-

Considera que o seu caminho, enquanto profissional, até esse mesmo patamar já foi percorrido ou sente que ainda há mais para aprender e conhecer? Aprender é fundamental para um crescimento sustentado em qualquer área. Aliar o Coaching à Segurança e Saúde no Trabalho e à Felicidade Organizacional implica inovar e criar novos modelos. Já frequentei mais de 40 formações, destacando o MBA Ibérico em Gestão da Felicidade e do Capital Emocional nas Organizações e a Certificação com o Sir John Whitmore, co-criador do GROW Model. Esta minha visão culmina na marca Mighty Mind que engloba Engineering Mindset, Executive & Team Coaching e Corporate Safety, Health & Happiness. O que podemos esperar da sua parte para o futuro? Quais os desafios para a Mighty Mind? Desenvolver novos modelos enquanto Business Partner Portugal do Marshall Goldsmith. Globalizar a marca, ajudando cada vez mais organizações bem sucedidas a alcançar o bem estar físico e emocional, a segurança psicológica e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional das suas pessoas. Empresas Felizes são mais Produtivas. ▪

19 OUTUBRO 2020

omecemos por falar sobre a Liliana Sequeira. Quem é, enquanto pessoa e profissional? O que nos pode contar sobre o seu percurso? Mãe, mulher e profissional apaixonada e dedicada às causas que me cativam e motivam, desde cedo me interessei pelo bem-estar dos que me rodeiam. Tendo crescido “no meio” das obras e dos materiais de construção, fui sendo direcionada no meu ambiente familiar para essa área de trabalho. Com 7/8 anos já questionava sobre a segurança na construção civil (de forma inconsciente e intrínseca face à idade) quando visitava uma obra e me deparava com obstáculos à minha segurança e sensação de bem-estar. Acredito que para um bom desempenho no que quer que seja, devemo-nos sentir naturalmente bem. Terminado o curso de engenharia civil, ingressei na primeira formação de Técnicos Superiores de Higiene e Segurança no Trabalho que decorreu na zona norte, em 2001. Desde então dedico-me fervorosamente à segurança no trabalho, essencialmente como Coordenadora de Segurança em projeto e em obra tendo, até à data, orgulhosamente zero mortes e zero acidentes graves nas “minhas obras”! Fui pioneira e sinto que faço a diferença.


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“ESPERO DAQUI A 30 ANOS AINDA ESTAR A EVOLUIR, A MUDAR E A CONSEGUIR TER NOVOS PROJETOS” “Experimentar coisas novas, ouvir diferentes experiências e modos de vida”. Foi assim que Ana Fragoso de Matos se descobriu enquanto a profissional que é hoje. Em conversa com a Revista Pontos de Vista, dá-nos a conhecer as suas ambições, bem como o seu mais recente projeto: a Herdade Fonte Paredes.

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Paredes, é Consultora e líder independente em diversos projetos. De que projetos estamos a falar? Planos de negócios e avaliação de riscos são neste momento que vivemos as avaliações que faço.

omecemos por falar sobre a Ana Fragoso de Matos. Quem é, enquanto pessoa e profissional? O que nos pode contar sobre o seu percurso? A Ana é mãe, mulher e trabalhadora. Assertiva nas suas escolhas e decisões. Detesta relógios e horários e quem os inventou de certeza que não tinha nada para fazer. Tentou ainda horários, secretária com horário fixo, mas tudo isso a tornava extremamente infeliz. Fazer o que nos faz feliz. Tentar e procurar onde nos sentimos realizados. Não conseguir. Tentar de novo. Nova forma. Nova procura. Saber quem sou e acreditar em mim. Chegar onde se deseja. Trocar vida agitada nas grandes cidades e ir viver para o Alentejo. Saber onde se pertence, onde se foi mais feliz e fazer o que se gosta. Tenho 39 anos e sou feliz e realizada pessoal e profissionalmente. Afirma que foi nas pessoas e em viagens pelos cinco continentes que construiu uma carreira de Gestão de Projetos, embora seja licenciada em Psicologia. O que descobriu nessa jornada, que a fez rumar num sentido profissional distinto? Existe um mundo cheio de novas possibilidades, as diferenças culturais e modos de vida ensinam-nos um autoconhecimento que é libertador. Experimentar coisas novas, ouvir diferentes experiências e modos de vida. Foi assim que as oportunidades foram surgindo, a compreensão comigo própria fizeram-me tomar conta da minha vida e qual o caminho a seguir, a vocação como lhe chamam.

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O que lhe acrescentou, enquanto a profissional que é hoje e enquanto personalidade empreendedora, ter conhecido pessoas e destinos diferentes? Foi, sem qualquer dúvida, uma mais-valia? Perceber que sou eu quem controla o rumo que a minha vida toma, quem sou, foi o meu maior feito. Muitas pessoas passam a vida apenas conformadas com o que a vida lhe ofereceu, com medo de procurar algo diferente, de sair da zona de conforto, tornando-as conformadas. Jamais conseguiria viver assim. A posição que tomamos com as oportunidades ou com as derrotas que a vida nos apresenta é determinante para acontecimentos que se seguem. Não tenho medo da vida e nem da morte, tenho pena de parar de viver. Espero daqui a 30 anos ainda estar a evoluir, a mudar e a conseguir ter novos projetos. Abraçou a Herdade Fonte Paredes no início de 2020, como Diretora Comercial. Como está a ser esta experiência e como nos pode descrever o seu dia-a-dia de trabalho? Quando iniciei esta nova etapa, num mundo totalmente novo para mim, achei que tinha obje-

ANA FRAGOSO DE MATOS

tivos, um plano e que não seria difícil alcança-los. As minhas metas e objetivos estão longe de conseguirem serem alcançados. Temos uma nova conjuntura social e mundial e estamos todos a tentar encontrar uma nova forma de viver os nossos dias e de conseguir concretizar negócios. Ser gestor comercial é uma tarefa muito difícil e pode ser subestimada. O nosso dia-a-dia tem que ser estimulado, para conseguirmos encontrar novas formas de concretização. Determinação neste momento é fundamental. A Herdade Fonte Paredes tem, ao longo dos (largos) anos de existência consolidado a sua marca no mercado. De que forma a vossa oferta prima pela capacidade de diferenciação? A tradição, a família e uma paixão pelos vinhos que está nos genes da família Cerejo. A Herdade parere ter sido meticulosamente criada ali, onde a fauna e a flora criam tranquilidade e uma harmonia vista com raridade. As vinhas estendem-se ao longo de cerca de uma centena de hectares e, no entanto, não se perdem de vista os sobreiros, as azinheiras e oliveiras. Temos a Barragem, onde as vinhas bebem e refrescam. Cerca de 1 milhão de litros do melhor vinho, a cada ano. Um desafio que tem sido conseguido, como atestam os prémios já conquistados. Sobretudo porque todos os anos o vinho recebe características diferentes, ao sabor do clima que, mesmo sendo o ideal, oscila de ano para ano. É a aliança entre o progresso e a tradição que se vive na Herdade e na produção das uvas que criam vinhos de elevada qualidade e complexidade única. Além de Diretora Comercial da Herdade Fonte

Como considera que o empreendedorismo se encontra em Portugal? Acredita que, atualmente, a sociedade está mais disponível e tem melhores acessos a projetos diferenciadores, especialmente quando se vê uma mulher à frente dos mesmos? O empreendorismo já se vive em Portugal há algumas décadas. Todos os empreendedores têm que ter consciência que em Portugal não é fácil implementar negócio quando recursos são escaços, muitas vezes não é tanto o caminho que é sinistro, é manter a liderança, a diferença e o volume de negócio que se torna o verdadeiro desafio. Ser mulher, no ano de 2020 continua a ter as suas diferenças. Por exemplo, uma mulher estar presente numa reunião torna-a mais agradável, há coisas que não se dizem quando uma senhora está presente (gargalhadas). Ainda existe estereótipo que a mulher deveria estar com os filhos e não a jantar com parceiros de negócios ou a ausentar-se semanas de casa. As vozes na cabeça das pessoas e o seu julgamento falam tão alto que se ouvem pela forma como nos olham. Gostaria de deixar uma mensagem a todas as mulheres que queiram começar uma carreira empreendedora sem receios? Construir o plano de vida com aquilo que faz sentido para elas! Não se deixarem desencorajar por uma sociedade de falsas moralidades ou por preguiça de vencer vários obstáculos. Todas conseguimos. Olhar-nos ao espelho e lutar todos os dias por nos sentirmos realizadas e deitar a cabeça na almofada e saber que não somos perfeitas, mas somos o que precisamos. Para o futuro, que desafios tem reservados? Ser líder de mercado é o desejo que tenho. A ambição não me causa angústia, sei esperar e tenho consciência do tempo em que vivemos e do mercado em que me encontro, mas a competição é para mim uma motivação. Conseguimos sempre atingir metas que não imaginamos e espero que o futuro me guie nesse sentido. Temos que ser realistas no que de novo o mundo se transformou e definir metas reais na nossa vida pessoal e profissional. Continuar a inovar e pensar fora da caixa e ter a coragem de assumir o risco, a vitória e a derrota. Aceitar que mudar é a única coisa constante que temos e perceber que o mundo muda e as ideias de ontem já não funcionam na manhã de hoje. ▪


PONTOS DE VISTA

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“NO INÍCIO DESTE ANO, APERCEBI-ME DA EXISTÊNCIA DAS VISITAS 3D – VISITAS QUE OS CLIENTES PODIAM CONCRETIZAR ATRAVÉS DOS SEUS MEIOS TECNOLÓGICOS. ESTE SISTEMA CHAMA-SE MATTERPORT E, APESAR DE SER ALGO DISPENDIOSO, SOUBE DESDE LOGO QUE DEVIA SER IMPLEMENTADO EM TODO O TIPO DE IMÓVEIS, PORQUE SE QUEREMOS PROFISSIONALIZAR O SETOR, TEM DE HAVER UMA MUDANÇA TOTAL DAQUILO QUE SÃO OS SERVIÇOS PRESTADOS” JOANA RESENDE CEO E BROKER DA CENTURY 21 ARQUITETOS PORTO E GONDOMAR


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DEFINIÇÃO DE UNIÃO: CENTURY 21 ARQUITETOS PORTO E GONDOMAR A gestão positiva de Recursos Humanos é fundamental para a sustentabilidade de todo e qualquer negócio, tendo por isso, impacto direto na satisfação e motivação dos colaboradores, na sua produtividade, criatividade e inovação. Quem defende com garra e determinação este conceito é Joana Resende, CEO e Broker da Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar, uma agência caracterizada pelo espírito de união que nunca, em momento algum, é posto em causa.

FOTO: RUI BANDEIRA

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FOTO: RUI BANDEIRA

Century 21 Portugal é orientada pela missão de oferecer continuamente uma cultura de serviço de excelência ao cliente. Pode-se inclusivamente afirmar que é uma verdadeira adjuvante e interessada no sucesso dos negócios. Para acrescentar à lista, a Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar, é ainda mais especial do que isso. À frente destas duas agências está Joana Resende, Arquiteta de formação que, embora não esconda a sua paixão pela área, é neste projeto que se sente realizada pessoal e profissionalmente. Abraçou há cinco anos a de Gondomar e passados mais quatro tomou as rédeas da loja do Porto, cujo foco para ambas é totalmente a equipa que lidera. A nossa entrevistada afirma que a estagnação é algo que não tem lugar na sua vida e tal é refletido na ambição determinada e no progresso que persiste em cada projeto seu, nomeadamente na dinâmica que procura proporcionar àquela que é a sua família mais aplicada: a equipa Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar. Primeiramente, é uma equipa que, ao todo, tem 60 pessoas. As mesmas que acabaram por se tornar em 60 profissionais cujo empenho e dedicação não é medível. Algo que tem, obviamente, uma razão de ser: a nossa entrevistada, Joana Resende. Citando as suas palavras, “há um profissionalismo muito vincado na Century 21, que os clientes compreendem logo após começarem a trabalhar connosco. A aposta foi sempre – e continua a ser - a formação dos consultores”. Aprovada e certificada pela DGERT (Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho), está a formação da rede Century 21 Portugal, mas não é a única. Formações aparentemente simples, como estudos comportamentais de saber estar ou saber agir, estão incluídas no seu variado leque e no qual é marcada pela presença obrigatória dos novos consultores. Além disto, ainda existem as formações desenvolvidas dentro das quatro paredes de cada agência, uma vez que, embora a Century 21 seja uma marca, cada loja é jurídica e financeiramente independente. Assim, é viável que cada uma delas encontre a sua própria essência. No caso de Joana Resende, o seu foco, como já referimos, é a equipa e consequentemente as formações internas. Tendo já, na opinião da nossa interlocutora, “uma maturidade consistente, não sentindo por isso tanta necessidade em insistir nas formações, embora haja sempre formação contínua”. Assim, o seu foco para o ano de 2020 centrar-se-ia – algo que, na sua maioria, se tornou difícil de concretizar – na notoriedade do projeto. Para a CEO, é um orgulho que em apenas cinco anos, a Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar seja já uma referência em ambas as regiões, mas seria também importante, na sua perspetiva, apostar em deter-

minados eventos, como feiras nacionais e internacionais, tendo por isso marcado presença na SIL (Salão Imobiliário de Lisboa) e no InPortugal – Salão do Imobiliário e Investimento, em Paris, este ano num formato inteiramente virtual. Para este ano, Joana Resende adquiriu também novas e inovadoras ferramentas, algo que facilita o trabalho dos profissionais na sua (re)conhecida qualidade. “No início deste ano, apercebi-me da importância das visitas 3D – visitas que os clien-

tes podiam concretizar através dos seus meios tecnológicos. Este sistema chama-se Matterport e, apesar de ser algo dispendioso, soube desde logo que devia ser implementado em todo o tipo de imóveis, porque se queremos profissionalizar o setor, tem de haver uma mudança total daquilo que são os serviços prestados”. Sem saber, obviamente que, em março desse mesmo ano seria declarado Estado de Emergência por parte do Governo, para combater uma pandemia mundial


FOTO: RUI BANDEIRA

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– não que afetasse diretamente o sistema Matterport, no entanto coincidiu com o mês em que começou a ser utilizado, algo que apenas realçou as suas mais-valias por se tornar fundamental em período de confinamento. Face a este equipamento evoluído, de momento, a Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar, também já faculta estas visitas personalizadas em exteriores.

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JOANA RESENDE ENQUANTO LÍDER O sentido de liderança é uma característica que não lhe foi incutida, não foi (só) desenvolvida com o ultrapassar de determinados desafios, nem descobriu que a continha ao abraçar o projeto da Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar. Ser líder, é algo que desde criança se manifestou nos mais inocentes traços da sua personalidade. Tomar as rédeas de todos os desafios é, para si, natural. Quando quisemos perceber mais aprofundadamente como era a Joana Resende, enquanto gestora de pessoas, rapidamente nos respondeu que não conseguia traduzir para palavras, mas que, no caso da sua equipa, se traduzia na forma como é tratada: “chefinha” ou “querida líder” que, segundo a própria, está carregada com uma conotação carinhosa. Há muito união entre nós”, explica a nossa entrevistada. E exemplo disso mesmo foi o facto de, em pleno confinamento, terem todos uma ânsia e vontade enormes de regressar ao trabalho. “Lembro-me do Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal, me ter perguntado o que é que eu fazia para motivar os colaboradores para voltarem à sua atividade. Respondi que não era preciso fazer absolutamente nada, porque era ao contrário. Eu tentava que eles não viessem, queria que estivessem em segurança”, acrescentando ainda que “é uma atividade de pessoas e estas têm de ser preservadas”. Ao caracterizar a Century 21 Arquitetos, Joana Resende escolheu a palavra “união”. E essa união é a mesma que a leva a ser a número 1 no norte de Portugal. OS RECURSOS HUMANOS CONTINUARAM A SER A PRIORIDADE EM PLENA COVID-19 Muitas foram as empresas que viram os seus alicerces serem estremecidos em consequência da pandemia do coronavírus, aquando dos primeiros casos confirmados. Na Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar, entende-se como alicerces, as pessoas que lá trabalham. Mesmo antes de Portugal parar, a 11 de março, as agências de Joana Resende fecharam portas, salvaguardando desde logo a segurança e saúde pública. Segun-

mente o mercado imobiliário na recuperação da crise. Ao abordarmos os Vistos Gold, Joana Resende explicou-nos que estes serão fundamentais no nosso País, tendo a lei que limitava os mesmos aos grandes centros urbanos, canalizando-os para as periferias, já voltou ao orçamento de Estado e vai mesmo para a frente. “Nós temos território, mar e clima, e é disso que temos de nos valer. Associando esses fatores à boa prestação de Portugal face à pandemia, é natural que a procura aumente”. Confirmando essa procura, “Se eu mudo a “temos fechado negóminha vida cios com franceses, e as pessoas que belgas, brasileiros e trabalham comigo também temos sentido um acréscimo substanmudam, não há atividade cial no interesse por melhor do que esta. parte de americanos”. Sou muito feliz Será então o mercado a nossa entrevistada, no meu trabalho” “estando todos os dias do imobiliário vencecom dezenas de pessoas dor da crise? Questionádiferentes, acabámos por mos a nossa entrevistada, nos tornar um grupo com eleao que responde que “esta, não sendo uma crise bancária, as vado risco de contágio, sendo que pessoas vão continuar a ter poder de a minha primeira prioridade foi preservar compra, e este, que é um investimento seguro, a segurança de todos aqueles que trabalham será com toda a certeza um vencedor”, acrescencomigo”. Já em confinamento, a Century 21 Portugal protando que, “no caso da construção civil, tendo sido uma das atividades que menos parou durancurou, desde o primeiro dia, dar alento a todos os que estavam obrigatoriamente em casa, tendo te o confinamento, terá com certeza daqui a uns sido criadas formações e atividades diversas. tempos novos produtos, o que trará confiança ao “Sabiam que às nove e meia começava o dia, setor imobiliário”, o mesmo que “tem uma capacomo se de um dia normal se tratasse. Tentei cidade de adaptação e agora não será diferente”. sempre acompanhá-los, procurei manter o conCom isto, Joana Resende admite considerar que os preços no mercado se ajustem, mas apenas tacto direto, até porque a minha preocupação vai um ou dois por cento, não só como consequênalém da profissão”, garantiu Joana Resende. Após a reabertura, houve uma preocupação cia da pandemia, mas porque estabilizar já seria máxima em cumprir tudo aquilo que foi exigido uma tendência natural expetável. pela Direção-Geral da Saúde, algo que continua a ser posto em prática. Foram implementadas O FUTURO DE BRAÇO DADO linhas de segurança nas agências do Porto e GonCOM O POSITIVISMO A equipa é, e será sempre o seu maior foco. domar, os afastamentos necessários tornaram-se Assim, o seu primeiro objetivo será melhorar os habituais, assim como a desinfeção das mãos e a serviços da Century 21 Arquitetos Porto e Gondoutilização das máscaras de proteção. Kit para as visitas aos imóveis e pés cirúrgicos nesse âmbimar, facilitar os procedimentos, apoiando-se em optar por oferecer as melhores ferramentas no to foram também adotados. “Depois tentamos mercado. “Quero continuar a aumentar a própria ter horários rotativos da equipa, dentro de cada equipa e para captar os melhores, eu tenho de ter agência. O meu staff – os colaboradores efetio melhor serviço”, clarifica Joana Resende. vos da empresa, como os gestores processuais Apesar de não existir muita rotatividade no que à – trabalham por escalas, assim como os direequipa diz respeito, o recrutamento fará também tores comerciais e os responsáveis pela área do parte dos seus planos, até porque, segundo a marketing. Quanto aos consultores, uma vez que nossa interlocutora há mais procura pela profisa maior parte do seu trabalho é essencialmente no exterior, tentamos sensibilizá-los para que me são. “Há um ano tínhamos muita dificuldade na avisem sempre que quiserem passar na agência, questão do recrutamento porque não havia cande modo a evitar um ajuntamento de pessoas”, didaturas espontâneas, o número de desempreafirma a CEO. go era muito baixo, eramos nós que tínhamos de procurar”, algo que, entretanto, mudou significatiUM OLHAR ATENTO vamente, uma vez que desde o período de conPARA O MERCADO IMOBILIÁRIO finamento até ao momento “há muita iniciativa e Com o devido conhecimento de causa, a nossa interesse em fazer parte do universo Century 21”. entrevistada confidenciou-nos que na agência Tal é, aos olhos de Joana Resende, extremamende Gondomar, não se notou uma diferença sigte gratificante porque sabe, efetivamente, que ali as pessoas conseguem melhorar a sua vida. “Se nificativa no que concerne ao mercado imobieu mudo a minha vida e as pessoas que trabaliário até porque, segundo a própria, “trata-se de uma região periférica, sendo que a procura que lham comigo também mudam, não há atividade observo continua a ser a mesma, ao contrário da melhor do que esta. Sou muito feliz no meu traagência do Porto que tinha muitos investidores balho”, garante. estrangeiros – algo que, de momento já se voltou Assim, podemos também afirmar que, para o a sentir bastante”. Interessa compreender, de que futuro, o amor e a união da família Century 21 forma estes investidores estrangeiros terão um Arquitetos Porto e Gondomar, vão continuar a ser papel importante em Portugal e consequentecultivados e preservados. ▪


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O QUE ELES DIZEM...

DIRETOR COMERCIAL

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omo é trabalhar na Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar? No fim do dia, qual é que sensação que permanece? Trabalhar na Century21 cria em nós uma sensação muito positiva. O ambiente é extremamente agradável e quando assim é, o fim do dia chega muito rápido. Existe alegria no trabalho e as pessoas são espetaculares, existindo um sentido de entreajuda muito grande. Sentem uma grande aposta nos Recursos Humanos da empresa? O que fomenta esta ideia? Um dos fatores avaliados nos recursos humanos são as pessoas e o humanismo existente entre elas e no ambiente criado. Aqui as pessoas têm nomes, não são números. Digo isto com conhecimento de causa, porque trabalhei em algumas empresas em que as pessoas eram «apenas» isso, números. Números mecanográficos ou números de faturação. Não encontrei isso na Arquitetos, e, aqui, todos têm a sua oportunidade, faturem muito ou pouco, são tratados como pessoas, e, independente das alegrias e das tristezas, vivemos todos juntos os reconhecimentos e as frustrações porque para o bem e para o mal estamos todos juntos. Assim, naturalmente que sinto que aqui existe uma grande aposta por parte da empresa ao nível dos recursos humanos e do seu bem-estar. Uma gestão positiva de Recursos Humanos é fundamental para a sustentabilidade de qualquer negócio. Assim, como podem descrever a equipa, que é liderada pela Joana Resende? A equipa foi criada à imagem e à semelhança da nossa querida chefinha. Penso que é o segredo do sucesso da Arquitetos. A Joana é uma líder nata, não só pela alegria recorrente, (as suas gargalhadas contagiantes), e a sua presença constante, mas também porque tem sempre a palavra certa nos momentos oportunos, criando uma atmosfera de humildade e humanidade essenciais para o bom ambiente. Em relação à equipa, existe um sentimento de enorme alegria e de prazer em trabalhar na empresa e aqui, como se costuma dizer, vestimos mesmo a camisola e temos orgulho em pertencer a esta Família. Dou um exemplo, percebi que muitos elementos da equipa da Century 21 Arquitetos estavam a torcer por uma determinada equipa de voleibol e tudo porque nas camisolas estava o nome da empresa. É visível que existe um enorme prazer em trabalhar nesta grande família, ▪

ZÉLIA SILVA,

DIRETORA COMERCIAL

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omo é trabalhar na Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar? No fim do dia, qual é que sensação que permanece? Trabalhar na Century 21 Arquitectos é saber que estamos a trabalhar com pessoas que gostam do que fazem e, só por isso, a nossa tarefa fica logo simplificada. No fim do dia a sensação de fazer o melhor por quem nos procura enquanto vendedor ou comprador é das coisas mais gratificantes. Por isso mesmo o meu objetivo é manter a motivação da equipa para que se sintam realizados e possam fazer isso mesmo pelos seus clientes. Se o conseguir então sim, sei que desempenhei bem o meu papel dentro do projeto que é a Arquitetos. Sentem uma grande aposta nos Recursos Humanos da empresa? O que fomenta esta ideia? Os Recursos Humanos são sempre, pelo menos para mim, a mais valia de qualquer empresa. As pessoas ligam-se cada vez mais às empresas não só pelo aspeto financeiro, mas igualmente por aquilo que ela lhes pode fornecer do ponto de vista das relações humanas. Sentirmo-nos bem onde estamos, identificarmo-nos com o ADN da empresa é fundamental e mais ainda se tivermos em conta que um Consultor Imobiliário não tem um horário formal, quer em termos de horas de trabalho quer na ocupação do chamado tempo livre. Uma gestão positiva de Recursos Humanos é fundamental para a sustentabilidade de qualquer negócio. Assim, como podem descrever a equipa, que é liderada pela Joana Resende? A liderança é fundamental pois dela depende criar formas de incentivar e reconhecer quem consigo trabalha. É também devido a essa liderança que quem se encontra na empresa tem um nível de motivação que leva a que os seus colaboradores se mantenham e, mais ainda, atraiam outros colaboradores. Acho que será esta a forma de descrever a liderança da Joana Resende que se traduz numa equipa proativa, motivada e sempre disposta a chegar mais longe nos objetivos que lhe são propostos. ▪

MARIA JOÃO GRAF, DIRETORA COMERCIAL

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omo é trabalhar na Century 21 Arquitetos Porto e Gondomar? No fim do dia, qual é que sensação que permanece? Na Century21 Arquitetos, conseguimos encontrar o melhor dos dois mundos: uma equipa de trabalho e uma outra família. Todos os dias, saímos de casa, em direção não só àquele que será ao nosso posto de trabalho, mas também ao local onde nos sentimos realmente realizados. Chegados à agência, o planeamento de tarefas, é executado da forma mais natural possível sem pressão o que se traduz no final do dia, a um sentimento de realização, quer pela motivação espelhada nos comportamentos de cada elemento da equipa, quer pela vontade de querer voltar no dia seguinte. Sentem uma grande aposta nos Recursos Humanos da empresa? O que fomenta esta ideia? Os Recursos Humanos da Century21 Arquitetos, são sem sombra de dúvida a chave do nosso sucesso. Cada consultor sente-se e é tratado como parte integrante de um todo, alinhado para um objetivo comum. As suas necessidades são ouvidas e as opiniões valorizadas. Trabalhamos para que as nossas equipas se sintam altamente motivadas e predispostas a cooperar. Investimos constantemente, nas mais competitivas ferramentas, sempre em prol da oferta das melhores condições de trabalho. Conseguimos desta forma uma equipa que vibra com o sucesso do outro como se seu fosse, porque no final o que interessa é que todos somos Century21 Arquitetos. Uma gestão positiva de Recursos Humanos é fundamental para a sustentabilidade de qualquer negócio. Assim, como podem descrever a equipa, que é liderada pela Joana Resende? A equipa da Joana Resende é composta por consultores com família, com problemas e emoções e não por números. Cada um deles age de forma gratuita e genuína porque acredita no projeto com o qual se comprometeu, mas acima de tudo porque segue uma Líder. A Joana não precisa de pedir favores ou esforços a ninguém… está-lhes no sangue, na Raça que tão bem caracteriza a Century21 Aquitetos. Será sempre “Um por todos e todos por um!” ▪

25 OUTUBRO 2020

RICARDO COUTINHO,


» DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL

ISABEL SANTOS MELO

PONTOS DE VISTA

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“ADOTAR UMA ATITUDE POSITIVA E OTIMISTA É FUNDAMENTAL PARA ULTRAPASSARMOS OBSTÁCULOS E SEGUIR EM FRENTE” No passado dia 10 de outubro, celebrou-se o Dia Mundial da Saúde Mental, tendo sido este o mote para uma conversa com Isabel Santos Melo, CEO do Grupo Mentaur, uma Líder que fundou esta marca. Decorria o ano de 1988 e que é hoje, cada vez mais, um verdadeiro exemplo de saber estar no mercado e, acima de tudo de contribuir para quem mais precisa, até porque, tal como refere a nossa interlocutora, “é preciso ser especial para trabalhar nesta área e valores como a compaixão e o respeito pelo outro enquanto indivíduo são fundamentais e, felizmente, continuam a ser os que prevalecem neste meio”.

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Grupo Mentaur tem dedicado, desde 1988, todo o seu tempo a pessoas vulneráveis na sociedade, oferecendo uma ampla variedade de serviços e cuidados especializados, abraçando assim uma causa que requer muita dedicação. Quão gratificante e importante isto significa e que valores acredita que prevalecem neste meio? No decorrer dos últimos 30 anos, tenho um orgulho imenso ao olhar para o nosso percurso e constatar os inúmeros casos em que as pessoas, com o nosso apoio efetivo, conseguiram atingir plenamente as suas aspirações. Em

muitas situações ao progredirem para formas de vida mais independentes, mas igualmente ao concretizarem sonhos de vida como por exemplo casar, ter um filho, ter um emprego, viajar pelo Mundo ou simplesmente ir a Lisboa para nadar com golfinhos. Como anteriormente referido, nós oferecemos uma ampla variedade de serviços e isso implica que muitas das pessoas que apoiamos têm bastantes limitações e requerem um apoio substancial em todas as áreas, desde cuidados básicos de higiene até problemas comportamentais severos. Nestes casos de maior complexidade, algo tão simples como uma ida ao cabeleireiro pode ser um

verdadeiro desafio difícil de ultrapassar. Essas aparentemente pequenas vitórias, são muitas vezes verdadeiros feitos para quem as vive diretamente e para mim igualmente gratificantes. É preciso ser especial para trabalhar nesta área e valores como a compaixão e o respeito pelo outro enquanto indivíduo são fundamentais e, felizmente, continuam a ser os que prevalecem neste meio. A 10 de outubro celebrou-se o Dia Mundial da Saúde Mental, cuja pretensão passa, obviamente pela sua sensibilização, mas também por identificá-lo como uma causa comum


“O OBJETIVO É SEMPRE ASSOCIARMO-NOS A UMA INICIATIVA QUE SE RELACIONA DIRETAMENTE COM A NOSSA ÁREA DE ATUAÇÃO. AS EXPETATIVAS VÃO DESDE APROVEITAR A OPORTUNIDADE PARA PROPORCIONAR UM LEQUE DE ATIVIDADES VARIADO E DIFERENTE AOS NOSSOS UTENTES E, TAMBÉM, CONTRIBUIR PARA UMA SENSIBILIZAÇÃO ALARGADA DO TEMA”

Abordando a atual situação de pandemia global da COVID-19, acredita que a saúde mental ganhou maior consciencialização na vida da comunidade? De que forma todas as consequências desta nova realidade afetaram a saúde das pessoas? A excecional e estranha forma de vida atual causada pela pandemia fez emergir um aumento acentuado de ansiedades e depressões diretamente relacionadas com o stress. Por outro lado, devido ao confinamento a que nos vimos forçados em nossas casas, tivemos igualmente a oportunidade de examinar o nosso estilo de vida e descobrir todas aquelas coisas que realmente importam – uma autorreflexão com o potencial de proporcionar mudanças positivas. De forma mais generalizada, acredita que há hábitos que podem ser cultivados para amenizar sentimentos de ansiedade ou angústia durante um período de vida mais complexo? Que hábitos o Grupo Mentaur recomendaria? O Grupo Mentaur sugere que aquelas pessoas que tiveram a oportunidade de auto refletir, de

abraçar novos projetos, de fazer exercício físico, de ter uma alimentação saudável, de dormir adequadamente, de usar técnicas mentais como por exemplo mindfulness e meditação, de manter o contato com outros e talvez renovar relacionamentos com amigos e familiares, sofrerão menos ansiedade durante períodos de vida complexos como os que vivemos neste momento. Convém recordar que o stress e a ansiedade reduzem a nossa imunidade e deixam-nos mais vulneráveis a doenças. Na sua opinião, pedir ajuda ou ir a um rastreio relacionado com saúde mental, ainda provoca algum estigma? Existe atualmente maior abertura de pensamento? À medida que a sociedade e as comunidades se abriram a quem padece de problemas mentais, o estigma da saúde mental reduziu significativamente nos últimos 50 anos. Para isto contribuiu também o facto de muitas celebridades começarem a tornar públicos os seus próprios problemas de saúde mental. No entanto, o estigma está ainda presente. Devemos continuar a discutir abertamente estas questões, incentivar mais campanhas de saúde pública e produzir mais legislação nestas matérias para

“A EXCECIONAL E ESTRANHA FORMA DE VIDA ATUAL CAUSADA PELA PANDEMIA FEZ EMERGIR UM AUMENTO ACENTUADO DE ANSIEDADES E DEPRESSÕES DIRETAMENTE RELACIONADAS COM O STRESS. POR OUTRO LADO, DEVIDO AO CONFINAMENTO A QUE NOS VIMOS FORÇADOS EM NOSSAS CASAS, TIVEMOS IGUALMENTE A OPORTUNIDADE DE EXAMINAR O NOSSO ESTILO DE VIDA E DESCOBRIR TODAS AQUELAS COISAS QUE REALMENTE IMPORTAM – UMA AUTORREFLEXÃO COM O POTENCIAL DE PROPORCIONAR MUDANÇAS POSITIVAS”

27 OUTUBRO 2020

mundialmente. Como pode descrever a evolução do tema ao longo dos anos? Acredita que, atualmente, a questão da saúde mental ultrapassa barreiras nacionais, culturais, políticas e socioeconómicas? Até ao encerramento dos asilos psiquiátricos em finais do seculo XX, as questões de saúde mental e os doentes psiquiátricos eram na sua grande maioria mantidos por detrás de um manto de invisibilidade. Desde que as pessoas com problemas psiquiátricos lutaram pelos seus direitos em viver socialmente e em igualdade, gerou-se uma maior visibilidade, mais discussão e ativismo acerca destas matérias. Exceptuando alguns síndromes específicos em certas culturas, as questões de saúde mental normalmente transcendem quaisquer barreiras nacionais e culturais. Exemplos disto são as perturbações bipolares e do espetro do autismo. O uso e abuso da saúde mental com objetivos políticos ainda persiste em algumas nações com deficit democrático e infelizmente aqueles que vivem em condições socioeconomicamente mais desfavoráveis têm uma probabilidade mais acentuada de virem a sofrer com problemas de saúde mental devido ao stress de que são vítimas.


» DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL questão refere-se a um guia de indicadores de qualidade de vida em pessoas com autismo que foi desenvolvido e validado por nós no Reino Unido. Em setembro de 2019 participámos igualmente no XII Congresso Autism-Europe em Nice, França onde apresentámos um poster referente a um dos nossos mais recentes serviços. Em 2020 fomos selecionados para fazer uma apresentação oral na 28th European Social Services Conference em Hamburgo, Alemanha. A apresentação será acerca do tema da Proteção de Adultos Vulneráveis. Devido a atual situação internacional esta conferência foi, entretanto, adiada para junho de 2021, mas a nossa apresentação mantém-se.

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finalmente erradicarmos por completo o estigma da saúde mental.

nossos utentes e, também, contribuir para uma sensibilização alargada do tema.

O Grupo Mentaur ajuda os utentes que acompanha a chegar até ao seu potencial máximo, sendo que o lema passa por acreditar que nada é impossível. De que forma transmitem esta positividade? Partindo do princípio de personalização dos apoios prestados, a nossa crença de que nada e impossível baseia-se na convicção de que um servico especializado tem, acima de tudo, de ser especial. E o que torna um serviço especial é: Uma abordagem individualizada e que atribui mais importância à pessoa do que ao seu diagnóstico clínico; Uma abordagem aos técnicos de apoio que os identifica como contribuintes ativos dessa positividade pelas suas características pessoais e não apenas pelas suas competências profissionais.

Sabemos que se dedicam igualmente em produzir e disseminar conhecimento nas áreas em que atuam, desenvolvendo inclusive programas dinâmicos de conferências ou eventos. Nesse sentido, atualmente estão a desenvolver algum projeto que nos possam relevar? O Grupo Mentaur foi recentemente galardoado em Bruxelas com o Prémio de Melhor Projeto Europeu de Pesquisa Científica em Serviço Social na sequência de um evento organizado pela European Social Network – os Prémios Europeus de Serviço Social 2019. O projeto em

Acredita que praticar esta positividade de que se fala, melhora em muito a saúde mental? Faz diferença até nas situações mais adversas? Em termos da população que apoiamos diariamente nos nossos serviços, não tenho a menor dúvida. Ser positivo e fazer as pessoas acreditarem em si próprias não é possível se nós próprios não acreditarmos nelas. Em muitos casos esta positividade implica uma avaliação cuidada dos riscos inerentes, mas é importante que se tomem riscos pois ninguém cresce à sombra e sem sair da sua zona de conforto. A positividade das nossas equipas técnicas transfere-se de uma forma natural para as pessoas que apoiamos impulsionando o desenvolvimento da sua autoestima e autoconfiança. O Grupo Mentaur participa regularmente na Mental Health Awareness Week. Quais são as expetativas e objetivos desta iniciativa? O objetivo é sempre associarmo-nos a uma iniciativa que se relaciona diretamente com a nossa área de atuação. As expetativas vão desde aproveitar a oportunidade para proporcionar um leque de atividades variado e diferente aos

QUE MENSAGEM GOSTARIA DE DEIXAR SOBRE FORMA DE ENCORAJAMENTO E INCENTIVO? QUAL É O LEMA QUE GOSTARIA QUE PERCORRÊSSEMOS? É importante continuarmos a acreditar e nao baixarmos as nossas expetativas em relação a futuros projetos e conquistas pessoais. Encarar estes tempos como uma oportunidade de crescimento e de mudança. O ser humano é resiliente por natureza, mas adotar uma atitude positiva e otimista é fundamental para ultrapassarmos obstáculos e seguir em frente. Penso que isto se aplica não só aos tempos difíceis que todos nós estamos a atravessar, mas também às lutas interiores de cada um de nós e nomeadamente daqueles que sofrem com problemas de saúde mental.

Para o Dia Mundial da Saúde Mental, o Grupo Mentaur irá dedicou alguma iniciativa? O Reino Unido celebra a semana da saúde mental em maio e este ano o tema subjacente foi a “Bondade”. Nesse âmbito encorajamos as nossas equipas técnicas e utentes a idealizarem simbolicamente pequenos gestos de bondade entre eles. Algumas ações exemplificativas foram o design e envio pelos nossos utentes de postais a familiares e amigos simplesmente para lhes lembrar o quanto são queridos. Pequenos gestos como por exemplo surpreender outra pessoa ao preparar-lhe uma refeição ou uma bebida sem esta estar à espera. Foram também criados certificados de bondade que foram depois atribuídos pelos utentes a quem eles nomearam. Estas atividades, entre outras, geraram uma onda de positividade e satisfação que se tem prolongado desde maio até hoje. Para outubro, temos planeado um reavivar das iniciativas implementadas em maio, bem como uma série de formações específicas internas em torno das questões de Saúde Mental. ▪


DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL

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OBJETIVO APSA:

UM FUTURO COM EQUIDADE Apoiar, desmistificar, explicar, sensibilizar, são alguns dos conceitos a que a APSA- Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger se dedica há 17 anos. Quão importante isto significa na sociedade? Que caminho falta ainda percorrer para que a igualdade de oportunidades seja uma realidade? A Presidente Piedade Líbano Monteiro responde e explica de que forma o projeto Casa Grande promove e aceita a diferença.

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PIEDADE LÍBANO MONTEIRO

assentamos. Mesmo que não seja necessário, andamos ali a pairar”. Ao todo são já 23 as Empresas Recetivas, que dão condições de trabalho sustentáveis. Quer isto dizer que, muitos são os jovens que começam com formações ou estágios profissionais e acabam com contratos de trabalho. “Tudo isto está ligado à saúde mental. Estamos a falar de jovens que há dois ou três anos não saíam de casa e hoje estão, por exemplo, nos quadros do Santander”, afirma orgulhosamente Piedade Líbano Monteiro. Assim, não estando clinicamente ligada à saúde mental, a APSA age na sua prevenção e em defesa da mesma, na medida em que previne determinadas comorbolidades que podem muitas vezes desenvolver-se sem o devido acompanhamento, como por exemplo a depressão. “TEMOS DE COLOCAR O CORAÇÃO NO BEM-ESTAR COMUM” «Resiliência» é a palavra de ordem quando se fala na equipa APSA. A nossa interveniente não conseguiu esconder quão gratificante é, para si, trabalhar com pessoas que se dedicam a 100 por cento a este projeto, ainda que em tempos mais adversos como o que atualmente atravessamos. Para Piedade Líbano Monteiro “a pandemia foi uma forma de nos redescobrirmos e de percebermos a força que temos”. No que concerne às consequências da COVID-19, desde logo, adotaram as diretrizes da Direção-Geral de Saúde, tendo sido criada uma sala de isolamento e claro está, foram implementados todos cuidados de distanciamento e higienização contemplados no plano de contingência da APSA. Contudo, com o passar dos dias a Presidente da Associação, percebeu que, para garantir a segurança de todos seria necessário fechar as portas das instalações – mais concretamente, no dia 13 de março, antes da vontade governamental.

Interessa compreender de que forma os jovens e as suas famílias continuaram a ser acompanhadas e podemos referir que o cenário não podia ser mais positivo uma vez que, não só não pararam com as atividades habituais como nasceram outras: ateliês de teatro, expressão plástica, música, informática, são alguns dos exemplos. Tudo isto, obviamente, em cada residência, via online e com total dedicação e disponibilidade da equipa técnica da APSA. Às famílias que não tinham possibilidade de fornecer aos seus filhos as condições necessárias para a prática destas atividades, foi dividido todo o material incorporado na Casa Grande, e rapidamente entregue às mesmas. Nas mensalidades, foi feito ainda um desconto de 5 por cento. Nunca – e em qualquer situação - as famílias deixaram de ser uma prioridade. “Nós moldamos a vela ao sabor do vento”, afirma Piedade Líbano Monteiro, e é verdade. Em plena pandemia, a APSA editou e publicou um livro intitulado por “Super Aspie” – uma história que fica na memória, mas principalmente no coração. ▪

29 OUTUBRO 2020

APSA abraça a missão de promover o apoio e a integração social das pessoas com Síndrome de Asperger – uma perturbação do espetro do autismo, na qual não há défice cognitivo e que se manifesta, sobretudo, por alterações na interação social -, facultando as condições necessárias para uma vida autónoma e digna. Todas as classes etárias são obviamente dignas de pertencer a esta Associação, no entanto, Piedade Líbano Monteiro, explicou-nos que o projeto Casa Grande, tendo um espaço único, inovador e diferenciador, capacitando pessoas com Síndrome de Asperger para a sua autonomia, empregabilidade, inclusão social e comunitária, é direcionado para o jovem adulto uma vez que, para a nossa entrevistada, há uma lacuna de respostas. “O nosso grande objetivo é o futuro. Sentimos que não há resposta em Portugal para casos de passagem de escola para a vida ativa, o que me leva a crer que ainda temos um longo caminho a percorrer”, esclarece. Assim, a APSA fornece o apoio e as ferramentas fundamentais para os encaminhar à empregabilidade e à vida ativa. Não sendo uma entidade clínica, a APSA oferece um plano de aconselhamento, nomeadamente com o projeto Gaivota, que tem por base a divulgação e sensibilização do tema nas escolas, no âmbito nacional. “É necessário ir às escolas explicar do que se trata a Síndrome de Asperger, apoiar os pais nos seus direitos e deveres, o que se fazer e onde”, afirma Piedade Líbano Monteiro, acrescentando ainda que “se realizam nas primeiras quintas-feiras de cada mês – de dois em dois meses – um "Encontro de Pais", onde prevalece o apoio por parte da Associação e posterior esclarecimento de dúvidas”. Além deste plano, está implementada ainda a consulta “Escutar e Orientar”, sendo também ela um acompanhamento aos jovens e às suas famílias de cariz mais técnico, e todas as segundas-feiras, a Presidente da APSA dá um “Tempo de Pais” estando disponível para ouvir toda e qualquer pessoa e então direciona-la para o seu caminho. Porque, para Piedade Líbano Monteiro, há sempre um melhor e mais bonito caminho, cintando a própria “basta querer e acreditar”. Dar um futuro positivo a estes jovens é a prioridade e muitos são os casos de sucesso que a nossa entrevistada nos confidenciou. “Alguns, hoje em dia, já têm a carta de condução e vêm até à Casa Grande no seu próprio carro”, mas não só. Várias são as parcerias que a APSA mantém, no que ao Programa Empregabilidade diz respeito. “Cabe-nos a nós criar segurança às empresas – nossas parceiras -, explicar-lhes do que se trata a Síndrome de Asperger e lembrá-las de que nunca estarão sozinhas. Costumo dizer que somos como um drone, quando precisam de nós,


» DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL OPINIÃO DE SOFIA MOREIRA, PSICÓLOGA CLÍNICA, VIVAMAIS

QUANDO AS COISAS NÃO ANDAM BEM NAS CABEÇAS, TALVEZ NÃO ANDEM BEM EM LADO NENHUM A SAÚDE MENTAL É UMA PRIORIDADE A saúde é essencial para o bem-estar geral das pessoas, das sociedades e dos países, e deve ser universal e transversalmente encarada sob uma nova perspetiva.

PERFIL

SOFIA MOREIRA

PSICÓLOGA CLÍNICA, VIVAMAIS, N.º OPP 7274

FOTO: DIANA QUINTELA

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pandemia trouxe-nos o dever de olharmos para nós como um todo e talvez nos tenha capacitado para a adversidade e o constrangimento das rotinas invertidas. Trouxe-nos também a capacidade de integrar a mudança, de recriar novos hábitos, de encontrar soluções para as dificuldades que surgem sem aviso prévio e sem limite para o seu término. A importância crescente da promoção da saúde mental, assim como a sensibilização pública para o tema, é um dos focos da OMS, que a considera como uma das prioridades em saúde, ocupando os lugares preponderantes nos desafios das ações a empreender. Mitigar o preconceito e o estigma à volta da saúde psicológica é outro dos objetivos.  Várias são as entidades que têm, de forma hercúlea, trazido o tema a debate, de forma a dignificar todo o trabalho efetivo na área da saúde psicológica, nomeadamente a Ordem dos Psicólogos Portugueses, o Ministério da Saúde, a DGS, a Ordem dos Médicos, entre outras, para que estas questões se tornem visíveis aos olhos de todos e assegurar à população portuguesa o acesso a serviços habilitados e promotores de saúde e capazes de ter uma visão holística, integrada e acessível.  SERÁ QUE ESTAMOS A OLHAR E A VER? A sociedade civil precisa de vontades públicas e privadas e carece não só de envolvimento, mas também de comprometimento e de ação – não esperar que tudo tenha um ponto de partida alheio às ditas vontades. Precisa do conhecimento médico, psicológico, social e do correlato com a vida real. O tecido empresarial está a acolher, passo a passo, o tema da saúde com o propósito de trazer boas práticas neste âmbito, tendo como objetivo a valorização dos aspetos relacionados com o bem-estar emocional dos seus colaboradores e clientes, não só para que a produtividade seja mais competitiva, mas também para que as suas pessoas se sintam realizadas, reconhecidas, valorizadas, comprometidas e, porque não, felizes.  As pessoas otimistas e felizes são mais resilientes e têm menos risco de desenvolver doenças psicológicas. No entanto, é impor-


FOTO: DIANA QUINTELA

corporais. Neste momento pandémico em que o presente já o é e o futuro se avizinha repleto de situações extremadas como a pobreza e o desemprego, é necessário e urgente o foco na saúde, que precisa de ser criterioso, realista, corajoso e claro. Carece de visão, missão e orientação política congruente, alinhada com o SNS, que deve validar com genuinidade, autenticidade e verdade as necessidades das pessoas, delineando planos estratégicos de prevenção – que passem do papel à ação efetiva e concertada - através de uma abordagem à saúde pública, cujo objetivo seja encontrar soluções para a desigualdade e a pobreza, empoderando e capacitando as pessoas para a aquisição de competências sociais como a resiliência e promoção de vínculos, influindo na conexão de relações saudáveis e evitando o recurso massivo, quando desnecessário, aos medicamentos – como é do conhecimento público, Portugal é um dos países da OCDE com maior consumo de ansiolíticos, hipnóticos e sedativos. É imperativo que, num mundo acometido por questões para as quais ainda não temos uma

“AS PESSOAS OTIMISTAS E FELIZES SÃO MAIS RESILIENTES E TÊM MENOS RISCO DE DESENVOLVER DOENÇAS PSICOLÓGICAS. NO ENTANTO, É IMPORTANTE QUE FIQUE CLARO QUE OS SORRISOS NÃO SÃO POR SI SÓ CURATIVOS E QUE ESTAR FELIZ NÃO É UM TRATAMENTO”

resposta 100% eficaz, se pare para refletir, analisar e, sobretudo, agir no que às questões da saúde mental em Portugal dizem respeito. Depois desta amálgama de fatores e variáveis assimétricas e desprovidas de ilusões, talvez consigamos perceber: quando as coisas andam bem nas cabeças, mais facilmente poderão andar bem em todo o lado. ▪

31 OUTUBRO 2020

tante que fique claro que os sorrisos não são por si só curativos e que estar feliz não é um tratamento. Devemos questionar-nos sobre toda a literatura em abundância que se cristalizou nas redes sociais relativamente à autoajuda e ao pensamento positivo. Simplesmente porque quase nada na vida depende unicamente de nós. Não devemos aceitar uma certa autocracia da felicidade. Cada estado emocional tem a sua função e, por vezes, perante circunstâncias complexas, sentir medo, ansiedade e tristeza é absolutamente adequado. Porque os problemas não se resolvem, neste campo, de modo rápido e ligeiro. Ainda assim, é fator protetor do bem-estar psicológico rodearmo-nos de ajuda especializada e pedir ajuda quando necessário. Ter e manter por perto pessoas esperançosas, crentes, alegres e, sobretudo, não tóxicas. Sermos gratos, apesar das contrariedades. A vida pode e deve ser vivida em plenitude. Nada é eterno. Se as coisas boas passam, também as menos boas têm o mesmo destino. A integração da saúde como um todo deverá propiciar à estrutura que promove conhecimentos e ações, a construção de realidades vividas com os olhos postos no bem-estar, na empatia, na compaixão, que resultará, consequentemente, em mais eficácia no desempenho profissional – contribuindo de forma mais próspera para que as empresas sejam locais saudáveis e profícuos em concretizações de sucesso, para que se mantenham ativas, vivas, e para que assim consigamos contornar este momento de grandes complexidades e darmos contributos válidos para a economia e vitalidade de um país.  Não podemos esquecer que as questões da saúde mental são maioritariamente invisíveis e silenciosas. Não são feridas ou fraturas expostas. Mas existem. O que não se vê é mais difícil de ser mensurado e validado, é certo, por isso compete-nos a máxima atenção aos sinais verbais e


» DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL

“NÃO HÁ SAÚDE SEM SAÚDE MENTAL” A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com, Rui Coelho, uma das personalidades mais respeitadas e reconhecidas ao nível do país sobre a vertente da Saúde Mental. Ao longo desta conversa, temos o privilégio de «ouvir» um verdadeiro especialista sobre uma patologia que ainda sofre com o estigma em que está envolvida por parte da sociedade e que urge colmatar. Mas saiba mais e venha numa «viagem» que tem como ponto de partida o passado dia 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental.

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o passado dia 10 de outubro celebrou-se o Dia Mundial da Saúde Mental, sendo que o grande desiderato passou e passa pela sensibilização do tema, identificando-o como uma causa comum e bem visível. Na sua opinião, quão importante é marcar este dia e de que forma é vital continuar a promover uma linha preventiva e de atenção perante a vertente da Saúde Mental? Marcar o dia da Saúde Mental é, acima de tudo, afirmar que não há saúde sem saúde mental. É também refletir na especificidade dos determinantes da saúde mental, psicológicos, biológicos e sociais e na interação complexa dos mesmos, exigindo um cuidadoso planeamento na implementação das diferentes estruturas que cuidam da saúde mental de uma população. A promoção da saúde mental é fundamental com Programas que desenvolvam a resiliência e outros recursos pessoais e/ou atuam em diversos determinantes sociais que promovam a saúde mental das populações, como por exemplo: Programas de apoio às relações parentais na primeira fase da vida; Programas de desenvolvimento da resiliência e autoestima nas escolas e Programas de prevenção nos locais de trabalho. Assim, é imperiosa a promoção da literacia em saúde mental em Portugal e prevenção da doença, através de programas de sensibilização da população portuguesa nos canais informativos e dos profissionais de saúde, de acordo com Caldas de Almeida (anterior Coordenador Nacional para a Saúde Mental e responsável pela Implementação do Plano Nacional de Saúde Mental, 2008/2011).

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A saúde mental é a base do bem-estar geral. É este o sentido da expressão “mente sã em corpo são” ou, noutra formulação, que “não há saúde sem saúde mental”. Neste sentido, não lhe parece que em Portugal ainda não damos a devida atenção ao impacto da saúde mental? A saúde mental é habitualmente subfinanciada, nos Orçamentos de Estado. Na Europa a proporção do Orçamento da Saúde alocada à saúde mental figura entre os 2 e os 13,6%. Os custos diretos dependem do investimento que cada país faz nos cuidados de saúde mental. Em Portugal, os dados apontam para orçamentos de saúde nos 5,2% do Orçamento Geral da Saúde, ou seja, um pouco abaixo da mediana europeia. Contudo, salienta-se que os custos diretos representam apenas uma pequena parte dos custos totais associados às doenças mentais. Os estudos mostram que os custos indiretos são extremamente elevados nestas doenças, inúmeras vezes até superior aos custos diretos. Aliás, o tema proposto pela Federação Mundial para a Saúde Mental no “Dia Mundial da Saúde Mental 2020” é “Saúde Mental Para Todos: Maior investimento – Maior acesso”.

PERFIL

RUI COELHO • PSIQUIATRA NO CENTRO HOSPITALAR UNIVERSITÁRIO DE SÃO JOÃO; • DIRETOR DA UNIDADE AUTÓNOMA DE GESTÃO DE PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL DO CENTRO HOSPITALAR UNIVERSITÁRIO DE SÃO JOÃO • PROFESSOR CATEDRÁTICO DE PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL NA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DO PORTO • DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE NEUROCIÊNCIAS CLÍNICAS E SAÚDE MENTAL NA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Assim, é desejável a modificação do modelo de gestão, financiamento e organização dos serviços de saúde mental, baseada num conjunto de indicadores adequados à avaliação dos serviços, e tendo em conta a introdução de valências com orientação comunitária. Em 2020 foram criadas dez Equipas Comunitárias de Saúde Mental nas áreas de Adultos, de Infância e Adolescência, com projetos-piloto nas cinco regiões de saúde, equipas multidisciplinares com objetivos bem definidos. Entretanto, este ano, a pandemia da COVID-19 promoveu um novo «normal», e muitos dos problemas de saúde mental vieram à tona de água e, com eles, as fragilidades do sistema de saúde. Sente que devemos encarar este grande problema provocado pela pandemia como um sinal de alerta ao nível da saúde mental? Em que sentido? Essa realidade exige uma discussão mais alargada das questões da saúde mental. Isto é, a carga das doenças mentais, as dificuldades de

acesso a cuidados de qualidade e as desigualdades sociais na vertente da saúde mental. É obrigatório valorizar a importância dos fatores sociais na génese e evolução dos problemas da saúde mental. Existe uma associação significativa e independente entre pior saúde mental e variáveis sociais e económicas a nível individual, como por exemplo, a pobreza, o baixo estatuto social e económico, o baixo nível da educação, o desemprego, as preocupações financeiras, o isolamento social, a exclusão social e a habitação. Estas constituem variáveis cuja influência na saúde mental está completamente comprovada. Por outro lado, salienta Caldas de Almeida, os cuidados de saúde mental na comunidade, em conjunto com os cuidados de internamento, em hospitais gerais, podem assegurar um acompanhamento à quase totalidade das situações de doença mental grave e apoiar os serviços de cuidados primários no manejo das situações clínicas de gravidade ligeira a moderada. Na saúde mental é essencial “a gestão integrada de casos” e “modelos colaborativos” entre cuidados especializados e cuidados primários, sem esquecer uma preocupação crescente com a prevenção das doenças e promoção da saúde. É obrigatório assumir a saúde mental da Infância e da Adolescência como uma área prioritária da saúde e prosseguir com o reforço da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental. Quarentena, confinamento, teletrabalho, burnout. Estes foram alguns dos termos que ouvimos bastante nos últimos tempos devido à pandemia da COVID-19. De que forma é que, na sua opinião, os mesmos vieram mediatizar e aprofundar problemas relacionados com a saúde mental? Esses termos, na sequência da situação pandémica instalada, exigiram uma adaptação abrupta da pessoa, o que acarretou inúmeros desafios para a saúde mental, desde logo porque o ser humano é relacional por excelência e, portanto, o contacto social é essencial para a saúde do ser humano, e sua saúde mental. Mas essa manifestação social foi claramente diminuída, o que colocou à prova a presença de mecanismos psicológicos e fisiológicos que quando presentes poderão facilitar a capacidade de superação da pessoa. Mas tais mecanismos psíquicos e físicos quando não existentes ou insuficientes, poderão facilitar a sintomatologia depressiva, acompanhada de ansiedade, promovendo dificuldades mentais. Sabemos da importância dos fatores sociais na génese e evolução do sofrimento em saúde mental. Ora, a pandemia, indubitavelmente, provoca maior insegurança e, de um modo geral, agrava a saúde mental das populações. Um dos grandes obstáculos, pelo menos


Acredita que em Portugal é necessário continuar a promover e a fomentar ainda mais uma rede entre entidades responsáveis no domínio da saúde, da investigação e educação em prol da saúde mental? Nesta área da saúde mental, é essencial haver uma autêntica task force que reúna os contributos da saúde, da investigação e da educação. Mas não podemos esquecer outros pilares, como a justiça, a segurança social e o emprego. As complexidades dos determinantes de saúde mental assim o exigem. Da minha experiência no hospital onde trabalho, o Hospital de São João no Porto, e na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, sempre existiu essa interface permanente entre clínica, investigação e docência. Por sua vez, o Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de São João, Fernando Araújo, e a Diretora Clínica, Maria João Baptista, são, , médicos doutorados e professores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. O Centro Académico Clínico do Porto é um projeto que emergiu da vontade dessas estruturas com a vertente assistencial, docente, investigacional no seu horizonte. No campo da investigação em saúde mental é também obrigatório a substituição do modelo biomédico estrito, por uma abordagem mais abrangente em função da interação complexa dos determinantes biológicos, psicológicos e sociais. Assim, a investigação na área da saúde mental deve ser apoiada, não só para aumentar o conhecimento sobre os determinantes da saúde mental, mas também para identificar áreas de maior vulnerabilidade e fatores protetores. Naturalmente que a perfeição não existe em nenhum cenário, mas se pudéssemos estar um pouco mais perto da mesma, que futuro devemos seguir no domínio da Saúde Mental? As “Recomendações do Conselho Nacional de Saúde Mental” (Presidente António Leuschner) e da “Comissão Técnica de Acompanhamento da Reforma da Saúde Mental”, são essenciais quanto ao futuro da saúde mental. Em junho passado, um Despacho conjunto entre os Ministérios

da Saúde e da Justiça, mandatou um grupo de trabalho para apresentar uma proposta no prazo de um ano sobre a revisão da “Lei de Saúde Mental” e legislação subsidiaria. Por outro lado, o “Relatório do Conselho Nacional de Saúde” (Presidente Henrique Barros), em finais de 2019, propôs que a Saúde Mental fosse assumida como o compromisso da próxima década. Assim, no futuro será claramente necessário recentrar os cuidados de saúde mental cada vez mais numa abordagem integrada dos doentes, reconhecendo a individualidade própria e as necessidades específicas de cada um, promovendo o diálogo científico entre as diversas perspetivas teóricas e clínicas, utilizando de forma racional as potencialidades terapêuticas existentes. Como podemos fazer isso? É fundamental incluir cada vez mais cuidados de saúde na comunidade, programas psicoeducacionais envolvendo o doente e familiares, programas focados na reabilitação psicosso-

"ESSE CETICISMO, DE MODO ALGUM, FOI ULTRAPASSADO. ISTO É, CONTINUA A EXISTIR UM ESTIGMA EM RELAÇÃO À DOENÇA MENTAL, AO DOENTE MENTAL E MESMO EM RELAÇÃO AOS PROFISSIONAIS DESTA ÁREA. MAS SALIENTASE QUE FOI ATRAVÉS DO PROGRESSO CIENTÍFICO, QUE COM MELHOR COMPREENSÃO DA NATUREZA E DAS CAUSAS DAS DOENÇAS MENTAIS, VEIO SUBLINHAR QUE OS PRECONCEITOS E OS RECEIOS QUE ALIMENTAM ESSE ESTIGMA ASSOCIADO ÀS DOENÇAS MENTAIS, NÃO TÊM FUNDAMENTO"

cial do doente, sem esquecer, por exemplo, o reforço de intervenção que será necessário fazer em “Pessoas em situação de sem abrigo”, fomentando uma ligação entre saúde mental e setor social, conforme salienta Miguel Xavier, diretor do Plano Nacional de Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde. Nesse sentido também, a “Estratégia Municipal da Cidade do Porto 2020/2023, para a Integração das Pessoas em Situação de Sem Abrigo”, foi aprovada em junho deste ano. A demência na população assume uma relevância crescente em Portugal, posicionando o nosso país em quarto lugar entre os países da OCDE no que concerne a esta doença. Assim, é prioritário a implementação dos “planos regionais de saúde para as demências”, dando resposta a essas pessoas, às suas famílias e cuidadores. É importante concluir a transferência da resposta de internamento de doentes agudos nos hospitais gerais, nomeadamente nos Centros Hospitalares do Médio Ave, Entre Douro e Vouga, , e Oeste e no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca,. É perentório acompanhar a implementação do regime de “Maior Acompanhado”. O Estatuto do Cuidador Informal, necessita de ser regulamentado para garantir os direitos das pessoas com doentes mentais e com incapacidade que estejam a seu cargo. Assegurar os direitos dos cuidadores, é também defender o bem-estar das pessoas com doença, prevenindo o burnout dos cuidadores, algo que é inúmeras vezes silenciado, pois estes, sofrem um enorme desgaste físico e psicológico. São alguns dos aspetos emergentes e obrigatórios na implementação no país salientados quer pelas “Recomendações do Conselho Nacional de Saúde Mental” e da “Comissão Técnica de Acompanhamento da Reforma da Saúde Mental”, quer pelo “Conselho Nacional de Saúde”. ▪

33 OUTUBRO 2020

num passado próximo, passava e passa pelo estigma do cidadão relativamente a problemas de saúde mental. Acredita que de alguma forma já ultrapassamos esse cenário? Esse ceticismo, de modo algum, foi ultrapassado. Isto é, continua a existir um estigma em relação à doença mental, ao doente mental e mesmo em relação aos profissionais desta área. Mas salienta-se que foi através do progresso científico, que com melhor compreensão da natureza e das causas das doenças mentais, veio sublinhar que os preconceitos e os receios que alimentam esse estigma associado às doenças mentais, não têm fundamento. Por outro lado, os avanços registados ao nível da epidemiologia psiquiátrica mostraram que as doenças mentais são frequentes em todas as partes do mundo, e uma das principais causas de incapacidade, com uma enorme carga para a sociedade. Os problemas de saúde mental devem ser abordados nas escolas, nos locais de trabalho e nos meios de comunicação social de forma inclusiva, tendo como valores a justiça, a equidade, o respeito e a dignidade, de acordo com Caldas de Almeida.


» DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL

VIVER HOJE, SUSTENTAR A ESPERANÇA

TERESA SUTHERLAND E ELISABETE CARVALHO

A Clínica das Horas nasceu em 2013 pelo olhar atento de Elisabete Carvalho. Passados sete anos, conta com uma equipa que, segundo a própria é “muitíssimo bem formada do ponto de vista académico e profissional”, mas não só. A boa formação humana sempre tão importante, nesta área é fundamental. A nossa entrevistada diz ter tido trabalho e sorte, nós dizemos que é empenho e dedicação. PONTOS DE VISTA

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vasta experiência de Elisabete Carvalho levou-a a desempenhar vários lugares como Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta. Contudo o seu desejo era fazer mais e melhor, assim surgiu a Clínica das Horas – aqui, através duma prática séria e eficiente, é valorizada a relação humana e pessoal, entre profissionais, pacientes e famílias. Integridade, dever, confiança, dedicação e respeito pela individualidade são os valores que estão bem assentes na dinâmica desta clínica. À conversa com a Revista Pontos de Vista, esteve Teresa Sutherland, também ela Psicóloga e Psicoterapeuta com formação em Aconselhamento Parental. Ambas partilham estes valores como fundamentais para o funcionamento da equipa, “o que torna o nosso trabalho gratificante”, diz Elisabete Carvalho. Na Clínica das Horas prevalece o espírito de equipa, centrado na coesão e na prática de clínica séria, uma forma de trabalhar, segundo Elisabete Carvalho, eficaz e consistente, já que tem como suporte uma complementaridade

de saberes. “Na psicologia, temos um grupo de terapeutas de diferentes formações: dinâmica, totalmente enraizada na psicanálise, cognitivo comportamental, sistémica, de casal, familiar e sexual. Temos a consulta integrada da criança e do adolescente, com atendimento aos pais, sempre que necessário. Acompanhamos adultos com diferentes problemáticas porque contamos com psiquiatras dedicados a diferentes áreas, como por exemplo a adictologia, comportamentos de risco e o suicídio. Já para a terceira idade, e em Neurologia, temos uma consulta específica de demências, com recurso a treino neurocognitivo, que pode ser realizado presencialmente ou em casa e que, neste caso monitorizamos à distancia. O coaching é habitualmente solicitado por parte de empresas embora também surjam pedidos individuais.”, explicam as nossas entrevistadas. Todos estes temas – e numa fase pré pandemia – eram abordados, em reuniões de intervisão clínica “onde podemos falar dos nossos casos, partilhá-los com a equipa e integrar a multiplicidade

dos nossos saberes. Temos efetivamente, formações muito diferenciadas, e um olhar diferente sobre cada caso clínico, é algo que pode ajudar e muito os nossos pacientes”, realça Teresa Sutherland. Estas reuniões deram lugar a tertúlias, sendo um projeto suspenso uma vez que o objetivo seria alargar esta partilha de conhecimentos a outras instituições e a outros colegas, algo que não é possível concretizar devido à fase atípica que atravessamos, com a COVID-19. No entanto, o funcionamento da Clínica das Horas, não foi afetado, embora tenha fechado as portas durante três meses. “Adaptámo-nos rapidamente. Continuámos a dar consultas online, vínhamos pontualmente e de forma isolada à clínica, sempre que havia um pedido – porque quando se trata da primeira consulta, os técnicos e na sua maioria, os pacientes, preferem que esta seja presencial. Mas, essencialmente, o suporte foi online. Houve uma adesão muito grande e tivemos um acréscimo de primeiras consultas, o que por outro lado coloca em evidência as


necessidades que as pessoas sentiram neste período conturbado”, afirma Elisabete Carvalho, acrescentando que “mantivemos o contacto e o suporte entre os elementos da equipa”.

“TUDO AQUILO QUE INSTITUIRMOS COMO UMA REGRA RÍGIDA NÃO É SAUDÁVEL. A RIGIDEZ É UM GRANDE INIMIGO DA SAÚDE MENTAL, AO INVÉS DA PERMEABILIDADE E DA FLEXIBILIDADE QUE SÃO PALAVRAS-CHAVE DA RESILIÊNCIA PSÍQUICA"

queixarem-se da culpa de não poderem cuidar dos pais”. Perante o emergir de sentimentos como ansiedade e angústia, as nossas entrevistadas realçam a importância de fatores como “manter as rotinas de higiene, trabalho, refeições, distribuir tarefas por todos e cumpri-las, preservar a privacidade dos elementos da família, reconhecer que todos temos momentos de irritação e de tristeza, procurar o riso, perdoar o outro, manter a esperança. Procurar o lugar seguro das pequenas alegrias: ler, ouvir música, caminhar, pintar, ver o mar, rezar”. Curiosamente – e tendo em conta que vivemos na era digital - uma das atividades que voltou, segundo as próprias, foi a escrita de cartas por correio. Leva a crer que recordar os tempos antigos traz uma sensação de pertença e quietude ao coração. Praticar a positividade, pode ser benéfico, porém com bom senso. Citando as nossas interlocutoras, “tudo aquilo que instituirmos como uma regra rígida não é saudável. A rigidez é um grande inimigo da saúde mental, ao invés da permeabilidade e da flexibilidade que são palavras-chave da resiliência psíquica. Não há soluções. Há tentativas ajustáveis a cada um e as suas particularidades. Estamos a viver um tempo novo, a fazer história. As pessoas têm de se permitir sentir esta turbulência, mas, ao mesmo tempo importa saber que podem fazer escolhas benéficas para a sua saúde mental: podem pedir ajuda”.

Na Clínica das Horas, onde é permitido sentir, é também essencial cuidar ao tempo de cada paciente. Esse cuidado será sempre a prioridade, tal como tem sido ao longo destes sete anos. São muitos os projetos de Elisabete Carvalho, para um futuro já próximo: criar uma consulta integrada da saúde da mulher, particularmente ligada à menopausa, aliada à nutrição funcional, questões da sexualidade e do envelhecimento. Uma outra consulta com psicoterapia de suporte ao luto e ainda (ainda por desenhar) ligada às temáticas do género, com a colaboração de investigadoras da UNL. “Queremos melhorar a área da estimulação/treino cognitivo, participando numa experiência piloto na área da Robótica e da inteligência artificial aplicadas a crianças e idosos”, afirmam Elisabete Carvalho e Teresa Sutherland. A concluir, a Fundadora da Clínica das Horas assegura que “reconheço o enorme valor profissional e humano de cada elemento desta equipa, que pretendo reforçar em determinadas valências, terminando ou iniciando formações específicas de e para cada elemento, na procura constante do conhecimento, sem nunca abandonar os valores que diferenciam a Clínica das Horas. E é assim que nos sentimos a participar ativamente na resposta aos desafios psicológicos relacionados com o momento que vivemos. Sabendo que quando encaramos a dificuldade, descobrimos a força - seguramente sairemos deste momento mais fortes”. ▪

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“AS PESSOAS TÊM DE SE PERMITIR SENTIR” Será que se dá a devida importância à questão da saúde mental? Particularmente agora, já conseguimos saber qual o impacto da pandemia sobre o bem-estar psíquico? “Damos habitualmente importância quando falha”, responde Elisabete Carvalho. “No entanto, neste tempo crítico, obviamente que a questão da saúde mental se tornou fundamental pela repercussão a vários níveis, que a COVID-19 tem tido sobre grande parte da população. Houve uma enorme mobilização de recursos de combate a um inimigo comum - o vírus - e a saúde mental foi aí considerada. Em tempos difíceis, as estruturas mais frágeis abanam e há o risco do colapso. A perda da noção de controlo, o medo da doença e da morte, surgem mascarados sob diversas formas de doença”. Entre as faixas etárias mais lesadas como os idosos e as crianças, a camada adolescente e jovem adulto tem sido recorrente na Clínica das Horas. Teresa Sutherland explica que “ouço-os muitas vezes a dizer «eu só tenho 20 anos, os meus melhores anos estão a passar, como vai ser a minha vida agora?». Porque a vida quotidiana mudou, tínhamos estratégias montadas para nos distrairmos quando algo corria mal. Mas se estamos fechados em casa, não temos outra hipótese senão confrontarmo-nos com o sofrimento, muitas vezes sem ajuda e por isso temos tantos casos de depressão e mal-estar instalado”. Sabemos que a redução da socialização e ao mesmo tempo o aumento do recurso à tecnologia pode potenciar sentimentos de solidão, mais graves na adolescência. “O tempo de trabalho passou a ser vivido em casa, com a sobrecarga do acompanhamento aos filhos e das rotinas domésticas. Esta proximidade, às vezes tão desejada, revelou crises familiares e colocou em evidência problemáticas dos casais. Tivemos um aumento significativo das consultas de terapia familiar e de casal, e da consulta específica para casais bi-culturais, muitas vezes com pedido de estratégias concretas para sobreviverem à proximidade agora sentida como excessiva”, explica Elisabete Carvalho. “Com os idosos assistimos precisamente ao contrário: a ausência de contacto físico com os familiares, tem sido uma provação difícil e claramente lesiva da saúde mental. Nos dois sentidos: ouvimos os filhos


» DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL

“VALORIZAMOS O CUIDADO E A ATENÇÃO PARA COM A PESSOA QUE NOS PROCURA” A Mental Health Clinic Isabel Henriques tem cumprido o seu papel de apoio ao indivíduo, fomentando a importância da saúde mental na sociedade. Para Isabel Henriques – Diretora Clínica e Psicóloga, é vital falar abertamente sobre o que significa ter problemas psicológicos e sobre os impactos que estes podem trazer à nossa vida. necessita, ao mesmo tempo que não nos permitimos emaranhar com a sua história ao ponto de deixarmos ver com clareza soluções e metas. Dentro da casa Mental Health Clinic Isabel Henriques podemos contar com espaços terapêuticos, pautados por confiança, conforto e harmonia. Que serviços têm ao dispor de quem vos procura e de que forma estes espaços têm tremendo destaque? Os nossos espaços foram desenhados para que tanto nós como os nossos pacientes nos sintamos confortáveis e bem acolhidos. É a nossa segunda casa e esperamos que também seja um local seguro para os pacientes - um local que permite uma pequena cisão no reboliço do seu dia-a-dia, uma pausa para reflexão e trabalho no “Eu”. Destacamo-nos de tantos outros provedores de Psicologia Clínica mais tradicionais estabelecidos nos Países Baixos - onde se situa a nossa sede - e em Portugal, no sentido em que trazemos para os pacientes um sentimento de lar que pensamos que se transmite não só nos nossos espaços físicos, mas também na nossa forma de os receber. Procuramos colocar o nosso calor humano em cada interação e isso é notado e apreciado pelos pacientes. Os nossos serviços incluem a Psicoterapia Individual do Adulto, Psicoterapia Infantil, Terapia de Casal, Terapia de Família, avaliação (neuro) psicológica e Mindfulness. Ademais, procuramos organizar workshops e fomentar a criação de um sentido de união e de ensinamentos a partir do grupo - a terapia de grupo está neste momento suspensa devido à situação atual em que nos encontramos (covid-19), porém esperamos poder retomá-la no próximo ano.

PONTOS DE VISTA

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ISABEL HENRIQUES

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Mental Health Clinic Isabel Henriques tem como missão desenvolver e oferecer um serviço de qualidade técnica e humana, visando o bem-estar e felicidade de cada um. Como nos pode descrever a vossa metodologia de trabalho e que valores vos fazem primar pela diferença? O nosso trabalho é desenvolvido tendo como prioridade o bem-estar de quem nos procura. Se tivermos que nos lembrar do princípio básico de Hipócrates transmitido aos médicos de “primeiro que tudo, não causar qualquer dano”, nós gostaríamos de pensar que o nosso pilar é fazermos algum bem estabelecendo uma relação com o paciente. O sentimento que gostamos de transmitir a uma pessoa que nos procura, depois do primeiro encontro, é a esperança. Esperança que haja uma solução,

que haja possibilidade de tudo melhorar. Uma expectativa positiva é vital para que os resultados sejam positivos, mesmo que a esperança esteja a ser canalizada do simples facto de alguém se preocupar com ela, de alguém a estar a ouvir. Na maioria dos casos, uma relação terapêutica forte e bem cultivada é a melhor base para resultados terapêuticos eficazes. Mas, claro, nós podemos oferecer muito mais do que isso e assim o fazemos a partir dessa base segura. Valorizamos o cuidado e a atenção para com a pessoa que nos procura. Tentamos procurar a humanidade em cada um. Ver o outro apenas como outro humano que sofre, fica confuso e perdido muitas vezes, perde o sentido da vida, ri, chora, tem sonhos, frustrações e ressentimentos e sente-se um falhado de tempos em tempos. Tendo a capacidade de assim ver o outro, conseguimos projetar a compaixão que este

A 10 de outubro celebra-se o Dia Mundial da Saúde Mental, cujo objetivo é, além da sensibilização do tema, identificá-lo como uma causa comum. Na sua perspetiva, como considera que está a saúde mental dos portugueses? É de notar uma evolução sobre o tema ao longo dos tempos? A criação de um Dia Mundial da Saúde Mental permite que a discussão sobre a saúde psicológica seja colocada em cima da mesa. Dar oportunidade e diminuir a discriminação das pessoas com problemas de saúde psicológica através da criação de um espaço onde podemos partilhar sem vergonha e culpa as nossas experiências. Apesar da comunidade estar cada vez mais atenta para as questões de saúde mental é, ainda, notório que existem noções e atitudes


Tendo em conta a atual situação pandémica da COVID-19, é de salientar as suas fortes consequências económicas, mas não só. Acredita que é inegável afirmar que está a ter também um impacto extremamente negativo na saúde mental das pessoas? Na sua opinião, o tema ganhou maior consciencialização na sociedade? É completamente inegável o impacto negativo na saúde mental das pessoas. Nós sabemos que para que uma pessoa esteja “saudável” ela necessita de ter satisfeitas várias necessidades básicas humanas, entre elas, a necessidade de suporte e de uma rede social/familiar, a necessidade de um lar, de um porto seguro, de um propósito para a sua vida, objetivos, significado e atividades que os cultivem. Julgo que a situação pandémica ajudou a que o tema da saúde mental tenha conquistado maior consciencialização na sociedade, dado nós termos todos apercebido o quão frágil o nosso sentido de controlo e de previsão do mundo realmente é. O quanto pode ficar abalado de um momento para o outro e o quanto nos pode deixar sem chão. Nestes momentos, a clareza de uma perspetiva externa treinada pode providenciar um insight ao problema e apresentar soluções que a pessoa não considerou por se encontrar tão envolvida emocionalmente. Ainda assim, penso que demorará o seu tempo

até que medidas reais sejam tomadas no sentido dos psicólogos terem um papel mais ativo na sociedade e na promoção da saúde. As prioridades não deixarão de estar na recuperação económica e no fomento do emprego e ajuda às empresas, assim como na valorização do trabalho médico. Talvez depois haja espaço para ser lançado um olhar atento ao papel dos psicólogos e ele seja promovido nos sistemas de saúde. Existem hábitos que podem ser cultivados para atenuar sentimentos de angústia e ansiedade, durante um período de tempo mais complexo, como o que vivemos atualmente? O que recomendaria? Mais do que nunca, diria ser indispensável cultivarmos os nossos bons hábitos de auto-cuidado. Conseguirmos escutar o nosso corpo, os sinais que ele envia, assim como, escutar e compreender as raízes dos nossos sentimentos é uma capacidade que todos nós devemos desenvolver - essa capacidade não nasce connosco e, incrivelmente, nós somos capazes de estar totalmente inconscientes de grande parte das coisas que se passam dentro de nós ou mesmo de (tentar) mentir a nós próprios. Assim sendo, se formos capazes de nos entender a um nível profundo, vamos saber quando estamos a abusar das horas de trabalho, quando estamos a descurar tempo com a família e amigos, quando o momento presente se está a tornar demasiado avassalador e quando talvez seja hora de fazer uma pausa. O que vejo é que uma e outra vez, as pessoas têm uma capacidade de adaptação extraordinária, e se os primeiros meses de pandemia foram algo caóticos enquanto tentávamos ajustar a uma realidade diferente, agora sinto que grande parte das pessoas tomou as rédeas da sua vida e vê até alguns benefícios nesta nova forma de viver. Claro que, ainda assim, existem muitos condicionamentos e toda esta adaptação está de certa forma dependente de um controlo apertado das nossas rotinas. Incentivo as pessoas a manterem horários bem estabelecidos de sono, trabalho, exercício físico e alimentação, sendo essa a base para um dia-a-dia vivido com saúde. A partir daí, apostar nos momentos de relaxamento, no autocuidado (não esquecermos de nos vestir da forma que nos faça sentir bem, por exemplo) e nos momentos com pessoas significativas. São estas pequenas coisas que nos ajudam a viver o momento presente de forma mais intensa. É igualmente importante procurarmos ativamente estar envolvidos nesses momentos, não permitindo que os nossos pensamentos voem para o que poderá acontecer no futuro ou não.

Como todos podemos concluir, poucas coisas estão efetivamente sob o nosso controlo e, portanto, é imperativo libertarmo-nos do peso de todas as outras que não estão. Que papel a Mental Health Clinic Isabel Henriques pretende assumir nesta fase controversa, no que diz respeito à forma de atuar junto dos pacientes? A Mental Health Clinic Isabel Henriques pretende continuar a cumprir o seu papel de apoio ao indivíduo e ao sistema familiar, fomentando a importância da saúde mental e providenciando as ferramentas necessárias para a atingir de modo sustentável. A nossa forma de atuar também sofreu adaptações durante os passados meses deste ano, tendo nós apostado mais fortemente nas consultas online que até então eram escassas. Neste momento, muitos dos nossos pacientes procuram ainda este meio de consulta, evitando o rebuliço de pessoas que os grandes centros urbanos acabam sempre por acarretar. Esta mudança permitiu-nos também alargar o nosso raio geográfico de atuação, sendo que conseguimos passar a receber novos pacientes de vários pontos da Europa, portugueses - emigrantes ou não - e estrangeiros. Também durante o período de confinamento procurámos diferentes formas de chegar ao máximo número de pessoas possível de forma gratuita. Desenvolvemos o Fórum Psicológico nas nossas redes sociais, onde duas vezes por semana umas das nossas psicólogas apresentava em direto um tema relacionado com a Psicologia e a saúde mental e onde estas respondiam a perguntas colocadas pelos nossos seguidores. O objetivo foi poder ajudar aqueles que não são pacientes e que não têm um fácil acesso a consultas de Psicologia, dando-lhes espaço para colocarem dúvidas e sugerirem temas a abordar no fórum seguinte. Sentimos que cumprimos o nosso papel como promotores de saúde mental num período em que todos sentimos uma espécie de sentimento global de união na incerteza. A vossa voz é fundamental neste processo de adaptação, assim, gostaria de deixar uma mensagem de incentivo aos nossos leitores? Não deixem de procurar ajuda psicológica se notarem que o que vos impede são as possíveis opiniões alheias. Porventura, será útil olharem para dentro de vós e se perguntarem se não serão vós mesmos quem se está a julgar logo à partida. Libertem-se dos estigmas e pré-conceções e garanto-vos que a Psicologia vos poderá surpreender. Permitam-se essa oportunidade de crescimento. ▪

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de discriminação e estigma. Principalmente entre os portugueses, notamos que é com dificuldade que uma pessoa admite a si própria e aos outros que pode estar a precisar de ajuda psicológica. Infelizmente, esta procura ainda é vista demasiadas vezes como uma fraqueza. E mesmo procurando essa ajuda, não é comum ouvirmos alguém comentar que vai ao psicólogo da mesma forma que comenta que vai ao fisioterapeuta. É vital falar abertamente sobre o que significa ter problemas psicológicos, o impacto que isso tem nas nossas vidas e em quem nos rodeia. É necessário fazê-lo sem medo, vergonha, culpa ou com a sensação de que estamos a falhar de alguma forma. Temos de fomentar uma visão diferente da saúde, ultrapassar o dualismo entre saúde física e mental, e a melhor forma de o fazer é através de uma educação para a saúde no seu todo e encorajar a procura de ajuda a um acesso precoce, disponível para todos. É com esperança e simultaneamente com frustração que vamos observando as mudanças que se vão operando na sociedade quando de fala de saúde mental. Frustração pela morosidade das mudanças. Esperança por percebermos as pequenas transformações.


» DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL

“É URGENTE TER SAÚDE MENTAL” O Dia Mundial da Saúde Mental, celebrou-se no passado dia 10 de outubro e, num mundo em mudança, promover a importância e a relevância da Saúde Mental, mais que uma obrigação, é um rasgo de esperança. Sobre estes e outros assuntos, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Sónia Soares Coelho, Directora Clínica da Mentanalysis, Psicologia e Saúde Mental, uma profissional com conhecimento profundo sobre todas estas matérias.

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PONTOS DE VISTA

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SÓNIA SOARES COELHO

Mentanalysis inaugurou a sua primeira clínica em 2005, na cidade de Aveiro, uma vez que SSC sentia uma carência relativa aos serviços de saúde mental e, neste momento, actua em mais duas cidades. De que forma estes serviços e partilha de saber, permitiram ajudar a população e quais são os serviços personalizados que promovem? Do ponto de vista histórico, a Mentanalysis nasce em 1995, de modo individualizado, e só em 2005 é que se constitui enquanto clínica, em Aveiro. Em 2007, começa a apostar na população de Coimbra, uma vez mais, de modo individualizado. Em 2015 abre instalações em Lisboa e em 2017 estende-se à população, em geral, em Coimbra. Temos o prazer de anunciar, em primeira mão, que a Mentanalysis vai abrir novas instalações na cidade do Porto, muito brevemente. Assim, em qualquer das quatro cidades onde se localiza, a Mentanalysis oferece um trabalho em Equipa, possui um corpo clínico que partilha um mesmo espaço e, essencialmente, a mesma postura profissional de competência, exigência e rigor, promovendo um tratamento personalizado, “à medida de cada Paciente”, orientado e eficaz, de forma a abranger todas as necessidades de quem procura os seus serviços. Reunindo vários serviços, na área da saúde mental, num mesmo espaço, a Mentanalysis pretende oferecer diversificadas valências e a partilha de saber. Desde cedo, percebemos que, mesmo na clínica privada, seria necessário criar estratégias e formas de chegar à população que nos procura, mas não possui as condições financeiras necessárias para suportar os custos inerentes aos processos terapêuticos, fornecendo-lhe condições vantajosas que permitam usufruir-nos. Desta forma, desenvolvemos redes de colaboração com múltiplas instituições e celebramos vários protocolos / parcerias que permitem um acesso mais inclusivo das populações a cuidados de saúde mental especializados. Por outro lado, desenvolvemos também uma vertente de apoio social e comunitário, nomeadamente, através dos programas “Mentanalysis para Todos” e “Mentanalysis Segura”. Colocando todas estas condições em evidência, colocámos ao dispor da população serviços de alta qualidade, com uma equipa técnica especializada nas mais diversas áreas da Saúde Mental, o que habilita a empresa a prestar cuidados de saúde nas seguintes áreas: Psicanálise; Psicoterapia Individual (Infantil, Juvenil e de Adulto); Psicologia Clínica; Psicologia Forense; Terapia Familiar e de Casal; Neuropsicologia; Sexologia; Avaliação Psicológica; Orientação Escolar e Profissional; Psicodrama e Grupos terapêuticos; Pedopsiquiatria; Pediatria; Psiquiatria; Terapia da Fala; Desenvolvimento Infantil; Dificuldades de Aprendizagem; Psicomotricidade; Autismo no Adulto (NOVO) e Supervisão Clínica.


Abordando a actual situação de pandemia global da COVID-19, acredita que a saúde mental ganhou maior consciencialização na vida da comunidade? De que forma todas as consequências desta nova realidade afetaram a saúde das pessoas? Acreditamos que sim. A situação actual veio

demonstrar a importância da saúde mental, uma vez que as pessoas foram colocadas numa situação limite que apela para uma enorme necessidade de adaptação. Ao longo destes últimos meses, as pessoas têm sido colocadas perante inúmeros desafios emocionais, i.e., a pandemia exige saber lidar com uma série de emoções e medos, alguns deles muito arcaicos e precoces (ex. angústia de morte), para além de toda uma realidade externa e ameaçadora, impossível de controlar e em constante mudança. Depois, urge saber lidar com a situação de distanciamento e isolamento dos outros, com a impossibilidade do afecto (na sua vertente física) e com a actual perigosidade do mesmo.

“A SITUAÇÃO ACTUAL VEIO DEMONSTRAR A IMPORTÂNCIA DA SAÚDE MENTAL, UMA VEZ QUE AS PESSOAS FORAM COLOCADAS NUMA SITUAÇÃO LIMITE QUE APELA PARA UMA ENORME NECESSIDADE DE ADAPTAÇÃO. AO LONGO DESTES ÚLTIMOS MESES, AS PESSOAS TÊM SIDO COLOCADAS PERANTE INÚMEROS DESAFIOS EMOCIONAIS, I.E., A PANDEMIA EXIGE SABER LIDAR COM UMA SÉRIE DE EMOÇÕES E MEDOS, ALGUNS DELES MUITO ARCAICOS E PRECOCES (EX. ANGÚSTIA DE MORTE), PARA ALÉM DE TODA UMA REALIDADE EXTERNA E AMEAÇADORA, IMPOSSÍVEL DE CONTROLAR E EM CONSTANTE MUDANÇA”

Qual é a linha de pensamento que gostaria que todos nós percorrêssemos, enquanto cidadãos a viver numa fase de incertezas? No nosso entendimento, sob o ponto de vista da saúde mental, urge atentar e prevenir as consequências absolutamente nefastas da mensagem errónea de que “O AFECTO MATA”. Nós, adultos, temos que ser muito capazes de explicar a pandemia às nossas crianças, acompanhando-as bem de perto e atentando para as nossas próprias angústias e medos, que não devem ser, nelas, projectados. Outra questão, verdadeiramente importante, prende-se com o modo como a população idosa e institucionalizada tem vindo a ser “tratada”, ao longo de todo este processo: é imprescindível encontrar novos modos de gestão do contágio e de acompanhamento destes indivíduos que sentem e sofrem, sós, todo este processo. Outra dimensão maior consiste em reflectir sobre a paradoxalidade dum tempo em que todos estão infinitamente próximos (ligados online), mas infinitamente longe (com a imposição da impossibilidade de algo tão “simples” como um abraço ou um beijo), reinventando novas formas afectivas, de toque e relacionais. Torna-se imperativo perceber que esta é uma problemática complexa, apesar da multivariância de aspectos da pandemia (psicológicos, de saúde pública, epidemiológicos, económicos, entre outros), a pandemia é só uma e torna-se imperativo, para além das suas especificidades, enveredar na sua meta compreensão, sob pena de se tomarem as partes, pelo todo. Para finalizar e aqui entre nós, que ninguém nos ouve, não temos a menor dúvida de que toda a comunidade política, nas suas tomadas de decisões poderosíssimas e de magnânimo impacto na humanidade, se deveria rodear de técnicos de saúde mental competentes: É URGENTE TER SAÚDE MENTAL! ▪ *Este texto nao foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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A 10 de outubro celebrou-se o Dia Mundial da Saúde Mental, cujo objectivo passa, obviamente pela sua sensibilização, mas também por identificá-lo como uma causa comum mundialmente. Como pode descrever a evolução do tema ao longo dos anos? Acredita que actualmente, a questão da saúde mental ultrapassa barreiras nacionais, culturais, políticas e socioeconómicas? A Mentanalysis dedica-lhe, anualmente, alguma iniciativa especial? No último século muita coisa mudou relativamente à visão e ao tratamento das doenças mentais. Esta evolução relaciona-se com a evolução dos conhecimentos, na área das doenças mentais, e com a evolução dos cuidados de saúde, em geral. Todavia, ainda existe um caminho muito extenso a percorrer, uma vez que a saúde mental continua a ser “o parente pobre” da saúde em Portugal, mantendo a estigmatização e o preconceito de que “só os malucos” precisam deste tipo de acompanhamento, o que é, completamente falso! A Psicanálise/Psicoterapia, para além de um tratamento, consiste num processo de crescimento pessoal, infinitamente rico e profundo. Todos os anos, a Mentanalysis tenta que, de alguma forma, o DMSM não passe completamente despercebido, de modo a promover a reflexão, a sensibilização e a combater o estigma associado a esta área da saúde. No ano passado, por exemplo, montámos um “setting terapêutico” num espaço público, nas cidades de Aveiro e Coimbra, e convidámos as pessoas a conversar com terapeutas especializados para esclarecer algumas questões relacionadas com o desenvolvimento humano e a saúde psíquica, bem como desmistificar o estigma associado às mesmas. A intenção foi promover a compreensão e valorização da saúde mental, incluindo todos os aspectos de um desenvolvimento pleno e saudável ao longo da vida. No entanto, acreditamos que é importante atentar para esta temática SEMPRE, pelo que, ao longo dos anos, temos vindo a desenvolver várias iniciativas de partilha de conhecimento, gratuitas, tais como conferências, workshops e tertúlias. Mais do que transmitir, receber e partilhar informação, pretende-se proporcionar um espaço de debate e convidar à reflexão de Todos, interligando várias áreas de Saber.


» DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL

SOLUÇÕES QUE MUDAM VIDAS Com mais de 20 anos de experiência em Psicoterapia Dinâmica, a Learn2Be conjuga a essas soluções, as ferramentas mais poderosas do Coaching. Para melhor promover estes recursos, vários são os workshops e formações que a clínica disponibiliza. Quem nos conta mais é Miguel Gonçalves, CEO da mesma.

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ransmitir valor, clarificar direções, promover segurança, são alguns dos conceitos que prevalecem no dia-a-dia da Lean2Be – uma clínica que se dedica totalmente às pessoas e à sua essência. Quão importante isto significa na sociedade? O trabalho que fazemos no projeto Learn2be, tem como objetivo e propósito, o aumento de consciência das pessoas que nos procuram. A nossa vida atual, a qualidade das nossas relações, do nosso pensamento, a nossa forma de sentir, tem só a ver com o grau de consciência que temos atualmente. Aumentando o nosso grau de consciência, a clareza da nossa visão e pensamento e a eficácia da nossa ação aumenta exponencialmente, e todas as áreas da nossa vida são impactadas de forma positiva e com crescimento efetivo. Citando Albert Einstein: “Nós não podemos resolver um problema, com o mesmo estado mental que o criou”. O nosso objetivo é promover que cada indivíduo encontre as ferramentas e recursos necessários para se tornar no Melhor de Si. Trabalhar em nós próprios e no nosso desenvolvimento, além de ser realmente a única coisa que está nas nossas mãos e sobre o nosso controlo, é algo que impacta também todos os outros que se relacionam connosco e todo o nosso mundo em redor. Nesse sentido, quanto melhor estivermos, fisicamente, psicologicamente e emocionalmente, mais positivamente iremos contribuir para os que nos estão mais próximos e para a sociedade em geral.

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A Clínica de Psicologia e Coaching Learn2Be está espalhada por várias cidades, e nelas trabalham “as melhores equipas de terapeutas de Portugal”, segundo se lê. O que fomenta esta ideia? A nossa missão de transmitir o máximo valor possível, não se destina só para as pessoas que nos procuram, mas também para a nossa própria equipa de profissionais. O investimento que fazemos na equipa, na sua formação, supervisão e desenvolvimento é imenso e esse investimento é transversal à cultura interna da empresa, fazendo com que cada um de nós Psicoterapeutas, Psicólogos e Coachs do projeto Learn2be façamos todos os dias por ser melhor a nível profissional e pessoal, garantindo às pessoas que nos procuram, uma experiência de sessão de Psicologia e/ou Coaching, altamente impactante e super construtiva. Aliás, estamos tão seguros disso, que se a pessoa que tem uma sessão de Psicologia ou Coaching connos-

MIGUEL GONÇALVES

co não ficar totalmente satisfeita, recebe o seu investimento de volta. Além dos serviços já mencionados, a Learn2Be aposta em Workshops e formações. De momento, um que está a decorrer é intitulado por “Workshop online de como atingir objetivos”, quais são os alicerces deste conteúdo e as suas mais-valias? O Workshop Online de Como Atingir Objetivos (link: https://psicologiaecoaching.pt/comoatingirosobjetivos/) é fundamental para quem quer realmente levar a sua vida a sério e atingir aquilo a que se propõe. Este Workshop é baseado no estudo da vida de inúmeras pessoas que atingem o sucesso nas diferentes áreas da sua vida, nos trabalhos realizados por vários estudiosos sobre o tema e nas teorias, ferramentas e recursos da Psicologia e do Coaching, relacionadas com o atingir objetivos de forma eficaz e duradoura. Atingir os nossos objetivos, não tem a ver tanto com o que se faz, mas sim com a forma como se faz. Tem a ver com o fazermos as coisas de uma certa maneira que promove o sucesso. Neste Workshop, o leitor encontra as ferramentas e hábitos mais eficazes para clarificar o seu propósito, comprometer-se com os seus objetivos e atingir os resultados pretendidos. Acredita que há hábitos que podem ser cultivados, por um lado para amenizar sentimentos negativos e por outro aumentar a motivação pessoal e consequentemente atingir os objetivos? O que é que a Learn2Be recomendaria? Todos nós temos 24 horas por dia e o nosso dia é composto por centenas de grandes e peque-

nos hábitos que nos colocam em movimento desde o nosso acordar até ao nosso deitar. A questão aqui é que movimento não é igual a progresso. Um jeep atolado na lama tem imenso movimento, mas não vai a lado nenhum. A qualidade de vida que temos e o sucesso que conseguimos atingir em todas as áreas da nossa vida, está intimamente ligada à qualidade dos nossos hábitos atuais. Temos hábitos que nos ajudam a andar para a frente, temos hábitos que nos bloqueiam e temos hábitos que nos fazem andar para trás. É importante o leitor analisar bem o seu dia a dia e observar os seus grandes e pequenos hábitos, não só de comportamento, mas também de pensamento, e investir a sua energia naqueles que provocam crescimento, e fazer por alimentar menos aqueles que não levam a lado nenhum, ou só atrapalham. A 10 de outubro celebra-se o Dia Mundial da Saúde Mental, cujo objetivo passa pela sensibilização do tema, mas também por identifica-lo como uma causa comum. A Learn2Be dedica alguma iniciativa especial para este dia? É importante marcar este dia para que as pessoas deem conta da importância de cuidarem e investirem na sua saúde mental. Aliás, penso que nem deveria haver a separação entre saúde física e saúde mental, faz tudo parte do mesmo. Para termos uma vida plena temos de garantir o máximo de saúde possível, física e mental, perante a nossa situação atual. De forma a promover e facilitar a iniciativa das pessoas quebrarem as suas resistências e investirem em si próprias, não só oferecemos um desconto de 50% nas nossas formações, bastando para isso o formando utilizar o cupão “inscricaoexclusiva” na sua inscrição, como também um desconto de 20% em todas as nossas consultas online. A terminar, qual é a mensagem que gostaria de deixar a todos nós, enquanto cidadãos a viver numa fase de incertezas? Esta situação da pandemia global, veio deitar por terra a ideia e a ilusão de que as coisas não mudam. Na verdade, nunca nada está igual, nunca nada está completamente controlado ou nas nossas mãos, está sempre tudo em movimento, crescimento ou degeneração. O que está a acontecer é uma fase de processo de mudança global a nível pessoal e social e mesmo económico. É uma mudança de paradigma ou paradigmas, que nos irá levar a uma vida em sociedade diferente, mais evoluída. Todos os processos de mudança e crescimento implicam perdas, dores, alterações de hábitos e realidades, mas provocam sempre evolução. Por outras palavras o que está a acontecer tem os seus custos, mas é importante que as pessoas acreditem que o que tudo isto irá provocar, a médio longo prazo, será bom para todos nós. ▪


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MARTA GUERREIRO

PONTOS DE VISTA

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“SOMOS UMA DAS DUAS ÚNICAS REGIÕES DO MUNDO QUE POSSUI TODAS AS CLASSIFICAÇÕES ATRIBUÍDAS PELA UNESCO” A Secretaria Regional alia setores como a Energia, o Ambiente e o Turismo dos Açores, marcando de forma vincada, a preocupação em salvaguardar as características que tornam as suas ilhas especiais a nível mundial. Marta Guerreiro, Secretária Regional, dá a conhecer mais sobre essas particularidades.

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território Açoriano tem uma multiplicidade de recursos naturais, históricos e culturais que o tornam único. Além disso e das paisagens indescritíveis que todos consideramos, porque é que os Açores são um dos destinos favoritos? Os Açores assumem-se, de forma vincada, como um destino com uma vivência europeia, no meio do Atlântico, reconhecidos internacionalmente como ilhas vulcânicas preservadas, de natureza exuberante e beleza mística, com importantes índices de exclusividade, segurança e tranquilidade, disponibilizando uma boa e diversificada rede de atividades em terra e no mar. A par disso, somos uma das duas únicas regiões do mundo que possui todas as classi-

ficações atribuídas pela UNESCO: quatro Reservas da Biosfera, 13 Sítios Ramsar, um Geoparque, que compreende 121 Geossítios dispersos por todas as ilhas, e dois designações de Património Mundial. Têm sido privilegiadas iniciativas que conduzem à preservação dos Açores, o que tem levado ao desenvolvimento contínuo de políticas de sustentabilidade. Quais são as áreas de proteção chave e que medidas têm sido implementadas? Há muito que defendemos políticas conciliatórias de boas práticas ambientais, sociais e económicas, salvaguardadas, legalmente, para que se possa preservar a identidade, os ecossiste-

mas e a qualidade de vida dos açorianos, nunca descurando o progresso da Região. Neste âmbito, desenvolvemos ações de educação para o ambiente, para a eficiência energética, para a redução do desperdício, para a reciclagem, mas também para a importância do turismo no desenvolvimento económico da Região, bem como a criação de uma Cartilha de Sustentabilidade, que envolve mais de cem entidades em todas as ilhas com compromissos de desenvolvimento sustentável (mais informações em: https://sustainable.azores.gov.pt/cartilha/). Estas medidas de que falamos foram as que conduziram os Açores até ao certificado de destino turístico sustentável pelo Global Sus-


Anualmente recebem turistas de todo o mundo, com os típicos olhares curiosos que pretendem comprovar todas as qualidades visivelmente apresentadas. Nestas visitas, é importante incutir as boas práticas de preservação? Qual é o plano que utilizam para os sensibilizar e, assim, adotarem uma postura consciente e responsável na sua estadia? O perfil de turista que escolhe os Açores já o faz sendo conhecedor do destino, com a consciência de que o património natural deve ser preservado. Apesar disso, temos os agentes do setor despertos para estas questões, comunicando a importância de práticas sustentáveis aos seus diversos níveis. Como exemplo, destaco o facto de o Governo dos Açores disponibilizar, em todas as ilhas, terrenos integrados na Rede de Áreas Protegidas dos Açores, destinados à realização de ações de plantação de flora endémica ou autóctone, a concretizar por meio de acordos de Custódia da Natureza com as empresas de animação turística, ficando estas responsáveis, com a intervenção dos seus clientes, pela plantação de espécies ecologicamente adequadas, mas também pela sua manutenção e gestão da parcela atribuída, incluindo a reposição de plantas mortas e o controlo de espécies invasoras, permitindo, assim, que os nosso visitantes possam compensar a sua pegada ecológica na sua visita aos Açores. Esta é uma forma de sensibilizar para a redução da respetiva Pegada Ecológica, enquanto indicador que permite medir e consciencializar sobre o impacto das atividades humanas nos recursos naturais e pode ser compensada por via da realização de ações, já referidas, de plantação de flora natural dos Açores para recuperação de habitats degradados ou renaturalização de determinadas áreas. Afirmam que muita da notoriedade internacional positiva se deve a um trabalho plenamente alinhado com os padrões internacionais de sustentabilidade. De que padrões estamos a falar e de que forma os atribuem ao dia-a-dia do arquipélago?

Estamos a falar de critérios exigentes das entidades mais rigorosas a nível mundial: EarthCheck, a nossa certificadora, acreditada pelo Conselho Global do Turismo Sustentável (GSTC), completamente alinhados com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas e pretendemos envolver todo o tecido empresarial dos Açores a integrar os ODS no seu core business. Por esta via reforçamos o posicionamento estratégico internacional e a notoriedade do Destino Açores, alinhando-o a uma crescente consciência internacional dos consumidores, já bem visível nas novas gerações e na sua capacidade de influência sobre as demais. Com uma natureza transversal, pretendem que os Açores se assumam como uma marca global de referência, quer a nível de promoção turística, quer a nível da divulgação dos seus produtos e serviços. Que estratégia está a ser cumprida de momento, no sentido de reforçar o seu posicionamento a nível mundial? A certificação dos Açores como Destino Turístico Sustentável, enquanto processo contínuo, contribui – e muito - para o sucesso da nossa notoriedade a nível internacional. Faz-nos estar num núcleo restrito de países e de Regiões associadas a altos padrões de sustentabilidade internacional e, essa, é a nossa melhor estratégia. Mais em concreto e, para o efeito, foi elaborado um Plano de Ação, transversal a várias áreas, que aglutina um conjunto de desafios em diversas temáticas, desde a energética, à conservação da natureza, à qualidade ambiental, até à sensibilização para uma cidadania cada vez mais ativa. De que forma podemos colaborar no processo de sustentabilidade dos Açores? Há alguma iniciativa a decorrer? Um dos critérios mais importantes no âmbito da certificação, ao qual devemos demonstrar conformidade, é o de promover ativamente o envolvimento da comunidade local, dos vários stakeholders, e dos turistas neste processo. É

“SOMOS O PRIMEIRO ARQUIPÉLAGO DO MUNDO E A ÚNICA REGIÃO DO PAÍS CERTIFICADA COMO DESTINO TURÍSTICO SUSTENTÁVEL. É INEGÁVEL O ORGULHO QUE SINTO POR ESTARMOS NA LINHA DA FRENTE NESTAS MATÉRIAS, POR TERMOS ACREDITADO QUE ERA POSSÍVEL, POR TERMOS SABIDO ENVOLVER A NOSSA COMUNIDADE NO PROCESSO E POR CONTRIBUÍRMOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA NOSSA REGIÃO”

por isso que no nosso website https://sustainable.azores.gov.pt/ encontram toda a informação sobre o processo de certificação de uma forma clara e transparente, e de fácil acesso. Temos ainda uma área dedicada somente à participação da comunidade (ver separador “Colabore”) por onde recebemos comentários, sugestões, pedidos de apoio para estudos, por vezes criticas, mas também muitos elogios, relativamente ao processo de certificação. Para além disso, temos algumas iniciativas de caracter social e ambiental a decorrer na região, em todas as ilhas, nas quais os cidadãos e os turistas podem participar. Para saber que iniciativas estão a decorrer, podem consultar o calendário dos Parques Naturais de Ilha, aqui: http:// parquesnaturais.azores.gov.pt/pt/parque-aberto. A Direção Regional dos Assuntos do Mar tem ainda promovido ao longo do ano um conjunto ações de limpeza da orla costeira, onde todos podem participar: www.azores.gov.pt/Gra/Lixo+Marinho+-+DRAM Podem ainda seguir-nos nas redes sociais, onde partilhamos algumas dessas iniciativas. ▪

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tainble Tourism Council? Quão importante este título significa no meio onde a sustentabilidade é prioridade? Somos o primeiro arquipélago do mundo e a única região do país certificada como Destino Turístico Sustentável. É inegável o orgulho que sinto por estarmos na linha da frente nestas matérias, por termos acreditado que era possível, por termos sabido envolver a nossa comunidade no processo e por contribuírmos para o desenvolvimento da nossa Região. Esta é uma estratégia que se assume como um compromisso de liderança pelo exemplo e pela responsabilidade com o futuro, onde o turista sinta que os Açores são efetivamente uma referência, num destino cujo desenvolvimento económico é feito com respeito e em comunhão com o ambiente e com a cultura, mas principalmente, através da valorização das pessoas: os açorianos e os turistas.


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PONTOS DE VISTA

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“CINCO SÉCULOS DE HISTÓRIA NUM DOS MELHORES DESTINOS PARA AVENTURAS EM TERRA, AR E MAR” A mãe natureza conseguiu dar origem aos mais inquestionáveis paraísos. Os Açores, conhecidos por muitos e por muitos outros ainda por descobrir, são um exemplo de um destino turístico de “pureza, de verdade, de verde puro e azul seguro”. Quem o diz é Luís Botelho, CEO da Associação de Turismo dos Açores. Saiba porquê.

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a imensidão do Oceano Atlântico estão os Açores: um destino turístico com uma natureza intacta. Quais são as características que o tornam tão

LUÍS CAPDEVILLE BOTELHO

especial? Natureza intacta é uma ótima expressão, que se aplica com todo o rigor aos Açores e àquilo que associamos à nossa terra. Somos especiais, desde logo, pelo facto de termos uma oferta diversificada, que pode ser explorada em qualquer altura do ano. São nove ilhas diferentes, cada uma com a sua atmosfera e com possibilidades de atividades distintas, para todos os gostos e preferências. No presente, o facto de ser um destino seguro, em que toda a gente é testada antes de entrar no arquipélago, é uma grande mais-valia. E, claro,

a reconhecida faceta sustentável dos Açores, o primeiro arquipélago do mundo a ser certificado como destino turístico sustentável, pelas políticas de respeito, preservação e valorização da natureza e do meio envolvente, fazem dos Açores um destino inquestionavelmente único e especial. Para além de que se come sempre muito bem e que ninguém sabe receber tão bem como os açorianos. Que roteiro propunha aos visitantes – e até aos residentes - para explorar os Açores? Como disse, cada ilha é um mundo diferente. Quantas mais visitarmos, mais ricos voltamos para casa. É impreterível, nem que seja uma vez na vida, passar pelas praias de Santa Maria, pelas


Defendem que o turismo só é bom para os Açores, se for bom para os açorianos. Qual é a mensagem que quer isto transmitir? Isso está intimamente relacionado com a visão sustentável com que olhamos para a nossa ação, para o nosso território e para a gestão que fazemos da mensagem que queremos passar: só é positivo se estiver em consonância com o meio e com todas as suas partes integrantes. Não faz sentido um crescimento abrupto, que não respeite as tradições, o bem-estar dos açorianos e a preciosidade que são a fauna e a flora das nossas ilhas. Queremos um turismo crescente, claro, mas estruturado e consciente, para que daqui a 50 anos possamos conseguir continuar a mostrar os Açores ao mundo com aquilo que tem de melhor preservado e conservado, e com as suas gentes felizes e de portas abertas para todo o mundo.

É fundamental que os Açores continuem a ganhar notoriedade junto dos segmentos de mercado que procuram destinos comprometidos com todas as vertentes da sustentabilidade. Assim, que estratégia imperativa utilizam, no sentido de reforço do seu posicionamento? O que tentámos sempre fazer foi mostrar ao mundo que a sustentabilidade é um elemento que não é negociável no nosso crescimento. E os turistas sentem isso quando nos visitam. Açores é sinónimo de pureza, de verdade, de verde puro e azul seguro, como diz a nossa campanha que criámos para o verão deste ano, depois do confinamento. Sermos irredutíveis nesse sentido é o reforço de posicionamento mais consequente que podemos ter: queremos sempre continuar a receber mais e novas pessoas, mediante aquilo que nos é possível em termos de estruturas, protegendo sempre a nossa terra e as nossas pessoas. Aumentar as atividades de internacionalização e a competitividade nos mercados externos é também uma das máximas? Sim, porque temos todo o potencial para estar ao lado de destinos mundialmente muito acorridos, com soluções que agradam e cativam vários públicos, que procuram coisas diferentes. Somos muito fortes nas atividades de natureza e náuticas, em tudo o que é outdoor, mas também em tradi-

ção, na arte, na cultura. Queremos que o mundo conheça os Açores, cinco séculos de história num dos melhores destinos para aventuras em terra, ar e mar, que fiquem a saber mais sobre quem nós somos, a nossa cultura, a nossa gastronomia, tão rica e especial. A segurança também foi, desde sempre, uma prioridade. Considerado um dos destinos mais seguros da Europa, que medidas são realizadas diariamente e que marcam a diferença? Os testes feitos na chegada (ou ate 72h no destino de origem), bem como a repetição ao sexto dia tem se revelado uma medida muito eficaz para combater/controlar a disseminação do Coronavírus em territorial açoriano. Temos espaço para todos, atividades ao ar livre e a calma necessária para desligar de um momento tão atribulado como o que atravessamos. E não descuramos de todos os cuidados diários normais que todos devemos ter na atualidade. O que irão continuar a implementar, para que o sucesso dos Açores, enquanto destino turístico de referência mundial, continue? Temos várias novidades planeadas para o final deste ano e arranque de 2021, mas que não podemos revelar até porque o clima de incerteza em redor de todos nós a isso nos obriga. O principal compromisso será sempre mostrar os Açores ao mundo, e convidar a que todos nos venham conhecer, de forma segura e tranquila, sempre em comum acordo com o melhor que temos para oferecer: o nosso património natural e as nossas gentes. ▪

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Furnas, em São Miguel, ou pela cidade de Angra do Heroísmo, na Terceira, Património Mundial da Unesco desde 1983. Mas há também que ir à Graciosa beber um licor de Andaia, a São Jorge fazer um trilho e provar um queijo, subir ao Pico e beber um vinho vulcânico… No Faial podemos recordar e saber mais sobre as erupções vulcânicas, no Centro Interpretativo do Vulcão dos Capelinhos, no Corvo visitar a Lagoa da Caldeira, alojada numa cratera, e nas Flores assistirmos ao pôr-de-sol no último sítio de onde é visível na Europa. Há muito para descobrir nos Açores, e o bom das nossas ilhas é que podemos sempre voltar para visitar o que não conseguimos na viagem anterior.

A sustentabilidade já é há muito, um tema olhado com especial atenção. Que medidas tomaram para que os Açores se tornassem no primeiro arquipélago do mundo com certificado de destino turístico sustentável, pelo Global Sustainable Tourism Council? A avaliação positiva resulta do compromisso entre o Governo dos Açores, a comunidade e as indústrias, nomeadamente o turismo no que toca à preservação da cultura e dos ecossistemas terrestres e marinhos. Pela mestria com que temos sabido conciliar o crescente fluxo turístico e o interesse sobre os Açores de uma forma geral com a preservação da sua riqueza patrimonial, o arquipélago afirma-se enquanto destino prioritário num momento em que o universo apela à nossa consciência ambiental, e em que valorizamos, mais do que nunca, a relação com o meio que nos rodeia. O turismo sustentável será sempre uma missão para os Açores: mostrar o que torna a região tão única e preservar essa riqueza, homenageando-a.


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NONAGON: REFERÊNCIA AÇORIANA Arnaldo Machado, Presidente do Conselho de Administração da Associação Nonagon e Teresa Ferreira, Vice-Presidente da mesma, confidenciaram à Revista Pontos de Vista a ambição em promover o processo de internacionalização da ciência e tecnologia que se produz nos Açores, mas não só. Conheça mais.

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Nonagon aposta na transformação do tecido empresarial dos Açores, promovendo uma cultura focada em competências e dinâmicas empreendedoras sustentada no conhecimento, na tecnologia e na inovação. Quais têm sido os desafios diários que ajudam na concretização desta aposta? Um dos desafios prende-se com criar condições para a dinamização de um ecossistema de inovação que potencie o desenvolvimento da capacidade de investigação aplicada, permitindo, através da proximidade e uso intensivo de novas tecnologias, otimizar o estreitamento das relações colaborativas entre os diversos atores. O Nonagon procura trabalhar, sustentado na sua missão e nas iniciativas que desenvolve, em prol do fomento de novos paradigmas de liderança, da promoção da interação entre empresas, centros de conhecimento e entidades públicas e da dinamização e estabelecimento de parcerias.

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De que forma se assumem como uma organização estruturante na dinamização tecnológica e na formação de capital humano qualificado no domínio dos sistemas de informação e das comunicações, na monitorização e observação da terra, do espaço e do mar? O que vos distingue e quais as mais-valias que apresentam? O business core são as TIC, alinhadas com as áreas constantes da RIS 3 Açores: Agricultura, Pecuária e Agroindústria; Pescas e Mar; Turismo. Enquanto Business Innovation Center certificado pela EBN, o Nonagon desde cedo potenciou, através de serviços de valor acrescentado, tais como mentoring tecnológico, facilitação do acesso a financiamento, ou mesmo formação, a digitalização dos seus clientes e a adoção das tecnologias englobadas na designada indústria 4.0. Mais recentemente, o Nonagon integrou o projeto INTERREG MAC FiiHUB que se destina a criar e implementar o primeiro Centro de Inovação Digital dedicado às tecnologias da Internet do Futuro, para a aceleração tecnológica das Pequenas e Médias Empresas da Macaronésia e que beneficiará as empresas dos Açores.

ARNALDO MACHADO E TERESA FERREIRA

O Nonagon, ciente da necessidade de transformação digital e fomento das áreas chave da indústria 4.0, pretende coordenar um Azores Digital Innovation Hub, ainda numa fase embrionária de implementação, que ambiciona constituir-se como um centro de competências para a Inteligência Artificial, a Cibersegurança, a Supercomputação e a Literacia Digital. Aumentar as atividades de internacionalização e a competitividade nos mercados externos é também uma das máximas? Sem dúvida. Ambicionamos promover o processo de internacionalização da ciência e tecnologia que se produz no arquipélago, mais propriamente nas empresas da área do digital e das TIC, em benefício, não só das entidades que compõem o Sistema Científico e Tecnológico dos Açores, mas sobretudo de uma maior competitividade do tecido empresarial. Para além de parcerias de que são exemplo a IASP (International Association of Science Parks), a EBN (European Business Innovation Network), a West to West e a SERN (Startup Europe Regional Network), disponibilizamos um programa de soft-landing que garante acesso gratuito a um espaço de trabalho e acompanhamento na identificação de parceiros, a empresas de qualquer país, que pretendam fixar-se na Região ou explorar o mercado existente. Sendo o primeiro Parque de Ciência e Tecnologia dos Açores – uma região que prima sobretudo pela sustentabilidade - de que forma unificam estas três características? A Nonagon integrou, em 2017, o

primeiro grupo de organizações que assinou a cartilha de sustentabilidade dos Açores assumindo assim um compromisso público de trabalhar de forma colaborativa para posicionar a região como destino sustentável de excelência a nível global. Todos os anos fazem um plano de atividades e relatórios de gestão, sendo que o de 2020 se centrou em reunir um conjunto de atividades que contribuam para reforçar a missão do Nonagon, num contexto de crescimento e expansão. Atendendo à pandemia de COVID-19, quão “beliscadas” saíram as expetativas para este ano? Tiveram de mudar/acrescentar novos objetivos estratégicos? Desde 2015 que o Nonagon tem vindo a realizar inúmeras iniciativas, de caráter presencial, em prol da promoção do empreendedorismo e da inovação, algumas com reconhecido impacto junto do tecido empresarial. No contexto atual, e para que fosse possível continuarmos a nossa atividade com uma dinâmica adequada, temos vindo a realizar webinars, sobre diversas temáticas que proporcionam uma maior proximidade com o meio empresarial e, de forma mais lata, com a comunidade em geral. A Associação Nonagon tem procurado assim dar continuidade ao cumprimento dos seus objetivos estratégicos, atuando de forma a contribuir para aquela que será com certeza uma das soluções para ultrapassarmos os desafios com que estamos confrontados nesta pandemia: a digitalização da economia. Enquanto entidade empreendedora e responsável, a Associação

Nonagon desenhou um Plano de Gestão de Sustentabilidade. De que forma o têm concretizado? O Plano de Gestão de Sustentabilidade (PGS) representa um ato de resolução para a mudança do comportamento organizacional da Associação Nonagon, tendo como principal objetivo a adoção de soluções de gestão mais sustentáveis e que influenciam positivamente toda a comunidade empresarial na implementação de práticas similares. A implementação do PGS, tem permitido questionar criticamente, todos os comportamentos, não só os respeitantes ao desenvolvimento da atividade da equipa de gestão da Associação Nonagon como de todo o funcionamento da infraestrutura do Parque nas suas várias valências funcionais e operacionais e a adoção de medidas que resultem numa redução do desperdício e uso de energia, contribuindo proactivamente para a manutenção e restauração do ambiente natural. O Nonagon dispõe ainda de excelentes condições para a realização de eventos, prioritariamente de caráter científico e tecnológico, na ótica da dinamização do turismo de congressos e dos grandes eventos de demonstrações tecnológicas. Que iniciativas têm já calendarizadas? De entre os diversos eventos programados, destacaria a 5ª edição do Startup Weekend Azores, worshop dinâmico e interativo de promoção do empreendedorismo, que possibilitou, até ao momento, a cerca de 250 participantes, provenientes dos Açores, do continente português e da Universidade de Massachusetts Dartmouth, com o apoio de coaches e mentores, trabalharem em ideias de negócio, no sentido de as transformarem em realidade, a realização da iniciativa "Angels Go-on", que permite a empresas e/ou projetos regionais, apresentarem as suas ideias a um conjunto de investidores e business angels, ou ainda o "Empreender com Sucesso", que traz ao NONAGON, num ambiente descontraído, a partilha de casos de sucesso no contexto empresarial. Pretendemos dar continuidade a todas aquelas iniciativas o mais brevemente possível, quando ficarem reunidas as condições que permitam a sua realização. ▪


AÇORES - CERTIFICAÇÃO COMO DESTINO SUSTENTÁVEL

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FOR EXCELLENCE PROMOVER VALOR

Como o próprio nome indica, a For Excellence tem marcado a sua dinâmica e atuação seguindo pressupostos intrínsecos e visíveis de valor desde a sua génese, ou seja, 2016, momento em que esta marca surgiu no mercado no Arquipélago dos Açores, tendo como mote a perpetuação de serviços de elevado valor, de qualidade e de transparência, tudo em prol da excelência que consegue fomentar na relação que mantem com todos os parceiros e o mercado.

ADIAR PROJETOS, MAS NUNCA PARAR Sendo a For Excellence uma entidade consciente da evolução das empresas, a marca procura constantemente formas de suprir as necessidades dos atuais e potenciais clientes, assumindo sempre a qualidade como pilar de gestão de forma a garantir a competitividade da empresa. Conscientes da evolução das empresas e de forma a suprir as necessidades dos atuais e potenciais clientes, assumimos a Qualidade como uma ferramenta basilar de gestão de forma a assegurar a competitividade da empresa com uma política totalmente orientada para a completa satisfação dos clientes. Assim, existe sempre uma busca incessante por novos serviços, novas áreas que respondam às exigências e necessidades dos clientes e parceiros da marca. Foi precisamente seguindo essa lógica, que a For Excellence acrescentou o serviço de Coaching ao seu leque de serviços prestados, sendo que este conceito do Coaching surgiu na capacidade de “nos anteciparmos a alguma necessidade do mercado, porque importa referir que trabalhamos como um todo, ou seja, em equipa e temos de ser líderes ativos para conseguirmos implementar os projetos, liderando também as equipas da empresa e as equipas dos próprios clientes”, afirma a CEO da For Excellence, Aida Ferreira. Desta forma, a entidade decidiu abraçar, corria o ano de 2018, uma área que nos Açores apresen-

AIDA FERREIRA

tava um vasto leque de lacunas e que necessitava de algo mais, que passava pela formação para os profissionais de saúde. “Demos esse passo dando início a ações de formação na área da Fisioterapia e tem sido um sucesso tremendo”, assume a nossa interlocutora, assegurando que em apenas cinco formações “acabamos por abranger um leque de cerca de 80% dos fisioterapeutas nos Açores, e isto em apenas um ano. Digo apenas um ano, porque neste ano, 2020, e fruto das condicionantes provocadas pela pandemia da COVID-19, apenas conseguimos realizar uma das diversas ações que tínhamos previstas”, salienta, esclarecendo este ponto. “Naturalmente que sofremos um vasto conjunto de contingências no ano corrente devido à situação pandémica, e, neste caso, de profissionais de saúde, os mesmos têm de estar completamente disponíveis para dar resposta à situação atual e não para ações de formação, algo que compreendemos perfeitamente e assim tivemos de colocar este projeto em stand by, embora sem nunca cessar a nossa atuação”, afirma. Mas poderia este projeto avançar seguindo moldes mais inovadores, ou seja, através do digital? Aida Ferreira acredita que este modelo mais tecnológico é completamente viável, mas no caso concreto dos profissionais de saúde, de fisioterapia, isso “torna-se mais complicado e não é aconselhável, até porque estamos a falar de fisioterapeutas e das técnicas dos mesmos e tem de ser efetivamente realizado de forma presencial e não digitalmente”. A APOSTA NO UNIVERSO DIGITAL A pandemia da COVID-19 afetou todos a nível mundial, criando diversas dificuldades e obstácu-

los e cabe assim às empresas ter essa capacidade de readaptação e renovação. A For Excellence disso não foi exceção, até porque alguns dos projetos pensados e delineados para este ano tiveram de ser colocados em stand by. Apesar de alguma frustração, Aida Ferreira compreende este novo normal, “até porque hoje, fruto destas contingências, perdemos a capacidade de decidir por nós, pois estamos sempre dependentes das decisões que possam vir a ser tomadas pelas autoridades vigentes e que podem influenciar ou não o que temos definido. Mas temos de compreender que toda e qualquer decisão é sempre por um bem comum e temos de ter capacidade de adaptação". Mas se a pandemia provocou dificuldades, não é menos verdade que este é um período de busca por novos meios, ferramentas e caminhos. A For Excellence apostou, portanto, numa dinâmica mais digital, de aposta na inovação e novas tecnologias e, por exemplo pela primeira vez, realizou auditorias remotas. “É um novo cenário, ao qual nos soubemos adaptar perfeitamente até porque as tecnologias permitem-nos estar, por exemplo, nos Açores a ministrar formação a formandos no Algarve”, realça, lembrando que tudo é um processo de adaptação a ferramentas para que “no futuro a nossa estratégia possa estar mais consolidada e adaptada à realidade atual”. DAR VALOR AO QUE É NOSSO A finalizar, Aida Ferreira é hoje uma líder satisfeita com o que foi alcançado e conseguido ao longo destes quatro anos da For Excellence. “Começamos a ver os problemas como oportunidades e lançamos novos serviços, como por exemplo o coaching, mas também temos outra virtude, vamos até onde podemos ir e até onde podemos garantir um serviço de excelência ao cliente. Se o mesmo nos requisitar um serviço no qual sabemos que não temos o know how suficiente para que fique agradado, então preferimos não avançar e encaminhar o mesmo para parceiros que sabemos serem os mais indicados para realizar esse serviço de excelência”, realça Aida Ferreira, que tem apenas um lamento e que passa por uma vertente cultural dos Açores, ou seja, uma alusão ao velho chavão, “o que vem de fora é que é bom. Sentimos muito que grandes grupos, mesmo empresas públicas, preferem contratar serviços das nossas áreas a empresas externas, porque seguem essa filosofia, «se é de cá, não é bom o suficiente» e isso acaba por ser um pouco frustrante e até irónico se pensarmos que nós, For Excellence, até nos destacamos a trabalhar internacionalmente com diversas empresas de renome mundial. Temos de começar a dar mais valor ao que temos dentro de portas, porque de facto existe muita qualidade, rigor e excelência e nós somos disso exemplo”, conclui a nossa entrevistada. ▪

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E

dificada há cerca de quatro anos, a For Excellence, tem vindo a marcar a diferença numa vasta gama de serviços, como serviços de consultoria, coaching, auditoria e formação nas áreas da Segurança Alimentar, da Qualidade, da Segurança e Higiene no Trabalho, do Ambiente, da Responsabilidade Social, entre outros e o lema é sempre o mesmo. A satisfação total e completa dos seus clientes. A Revista Pontos de Vista foi conhecer a marca e conversou com a mentora e fundadora do projeto, Aida Ferreira, CEO da For Excellence, e que nos deu a conhecer um pouco mais de uma entidade inovadora, dinâmica e que procura sempre ultrapassar os desafios impostos por quem procura os diversos serviços «made in» For Excellence. E como tem sido esta verdadeira «aventura»? Segundo a nossa entrevistada, a marca hoje está bem alicerçada no mercado açoriano, “fruto da confiança que fomos criando com os nossos clientes, pois são sempre eles o nosso foco”, advoga Aida Ferreira, assegurando que o marketing realizado pela marca passa, acima de tudo, por essa mesma satisfação dos clientes, quase numa lógica de «passa a palavra» “e isso é algo que nos deixa satisfeitos e orgulhosos, pois significa que estamos a realizar um trabalho meritório e de enorme relevância”, salienta convicta a nossa entrevistada.


BREVES BREVES FOTO: DIREITOS RESERVADOS

HALLOWEEN

PRÉMIO NOBEL

Prémio Nobel da Paz atribuído ao Programa Alimentar Mundial O Prémio Nobel da Paz foi atribuído ao Programa Alimentar Mundial (PAM) pelos esforços para combater a fome e para melhorar as condições para a paz em zonas de conflito, anunciou o Comité Nobel Norueguês. O anúncio foi feito em Oslo pela presidente do comité, Berit Reiss-Andersen, que justificou a distinção do PAM com “os seus esforços para combater a fome, o seu contributo para melhorar as condições para a paz em áreas afetadas por conflitos e por agir como uma força motriz nos esforços para prevenir o uso da fome como uma arma de guerra e de conflito”.

O Porto aposta no Halloween 2020 O Halloween na cidade do Porto veio para ficar. A CLIVEON a maior plataforma de streaming em Portugal vai apresentar no próximo dia 31 de Outubro, às 21h30 um grande espetáculo de data única e de cariz familiar. Este espetáculo que terá como base o Halloween estará a cargo dos “be-dom”, o mais internacional grupo Português de artes performativas. O espetáculo dos “be-dom” foi destacado pela BBC (Reino Unido) como um dos espetáculos a não perder no Edinburgh Festival Fringe (o maior festival de artes performativas do Mundo). Recentemente os be-dom estiveram em destaque nos media Portugueses com a sua versão de “Sereia Louca” e que é cantado pela própria Capicua. Este é um espetáculo para todas as idades e

que junta áreas tão diversas como música, teatro e humor e que têm a particularidade de neste Halloween ser também a celebração do 20º aniversário dos “be-dom” neste regresso aos palcos da sua cidade. Este evento vai-se realizar na sala de espetáculos Hard Club Porto e poderá ser assistido presencialmente (bilhete físico 15€) ou em simultâneo via streaming (bilhete online 5€). Em todos os espetáculos da CLIVEON existe a possibilidade de interagir via chat com os artistas através da plataforma. Pela CLIVEON já passaram alguns dos maiores artistas nacionais e internacionais, tais como: Pedro Abrunhosa, Carolina Deslandes, Fafá de Belém, António Raminhos, Maurício Meirelles, entre outros.

COVID-19

PONTOS DE VISTA

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Teste de antigénio rápido da BioJam permite detetar Covid-19 em 15 minutos A BioJam, em conformidade com a legislação para Dispositivos Médicos de Diagnóstico In Vitro, já notificou o INFARMED para a distribuição dos testes rápidos antigénico NADAL® COVID-19 Ag, um teste que permite detectar, desde as primeiras 24 horas de contágio, uma proteína do vírus que permite determinar a infecção, preenchendo assim uma lacuna de diagnóstico rápido na fase inicial da infecção, já que este teste dispõe de uma janela de detecção similar à dos testes PCR. Os resultados dos testes são obtidos em apenas 15 minutos, sem a necessidade de instrumentação, o que reduz significativamente os falsos positivos gerados por contaminação de outros

testes. Fabricados na Alemanha, os testes rápidos de antigénio fornecem informações essenciais no momento do período de infecção em que há um risco mais elevado de transmissão da doença. O teste rápido NADAL® constitui uma ferramenta fiável e acessível para detectar focos de infecção em grande escala reduzindo, assim, a propagação da doença. Esta é uma ferramenta de diagnóstico que, baseada num sistema de fluxo lateral, não necessite de instrumentação, ou seja, o teste é feito com um dispositivo simples que detecta a presença de uma substância numa amostra líquida sem a necessidade de equipamentos especializados e dispendiosos.


IMPACTOS E DESAFIOS DA COVID-19

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ALENTEJO DE SONHOS E MEMÓRIAS A beleza da paisagem e a qualidade do seu património arqueológico, monumental, arquitetónico e etnográfico e excelência gastronómica, são - entre tantas outras - particularidades únicas que o Alentejo tem para oferecer. À conversa com a Revista Pontos de Vista esteve António Lacerda, Diretor Executivo da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo que, a par de outros temas, nos confidenciou como é que a região mostrou a sua resiliência face à pandemia da COVID-19.

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raias fantásticas, planícies intermináveis, gastronomia única, tanto para ver, viver e saborear”, é assim que o Alentejo é caracterizado. Como nos pode descrever a singularidade alentejana e porque razão esta é tão especial? Exatamente por tudo isso que enunciou e porque só aqui pode ser encontrada. O Alentejo é um mosaico de identidades, de unidades de paisagem e de produtos turísticos que primam pela singularidade e que só aqui podem ser encontrados. Este é um destino uno mas que, dentro da diversidade que encerra, se revela numa complementaridade de produtos capazes de satisfazer, por um lado, as motivações mais específicas dos turistas, bem como e por outro, permitir experiências mais globais, mas igualmente autênticas.

crise e como a descarbonização pode ajudar a diminuir os custos de contexto e fomentar a rentabilidade do negócio.

Se pudesse propor aos visitantes um roteiro específico para um fim-de-semana, qual é que seria? O que é que o Alentejo tem de melhor para visitar? Essa é uma questão sempre difícil de responder, tantos são os motivos que justificam a viagem. Eu aconselharia a que as pessoas sigam os seus sonhos e desejos, se deixem ir à descoberta seja de locais, da cultura, da natureza, da paisagem, de sabores e aromas, de estórias suspensas na memória, de vivências… Seguro que não se irão sentir defraudadas.

Enquanto destino seguro, o Alentejo conta com a certificação “Saúde & Segurança Sanitária”. Que mudanças foram obrigados a implementar, sem descurar a privilegiada cultura do Alentejo? No fundo tratou-se de adotar um novo conjunto de procedimentos, de novas rotinas, que aconteceram sobretudo a nível interno dos estabelecimentos, sem que isso alterasse a realidade dos locais que fazem o Alentejo. Os motivos que atraem os turistas não mudaram e

puderam continuar a ser fruídos, ainda que sob um conjunto de novas regras. Uma das vossas máximas é a promoção, não só das terras alentejanas, mas também das suas empresas em mercados externos. Quais foram os maiores desafios para as mesmas, no que concerne ao investimento publicitário? Reforçar as dinâmicas do trabalho em rede. Perceber como a digitalização do negócio turístico é, agora, ainda mais importante, como mais importante é saber focar melhor os públicos alvo, numa ótica de potenciação do investimento. Que estratégias foram e estão a ser utilizadas pelas empresas da região, para atenuar os prejuízos face às consequências da pandemia? Por estranho que possa parecer, a maioria das empresas que não encerrou ou suspendeu a sua atividade, tendo menos clientes, praticou preços mais elevados e esperamos apenas os dados do Banco de Portugal, que serão divulgados já a partir do próximo dia 15 de outubro, para verificar qual o comportamento dos proveitos no tempo decorrido de janeiro a agosto, para obtermos a confirmação desta nossa expetativa. Mas e ao mesmo tempo, entenderam como a economia circular pode ajudar a combater a

Que eventos futuros – de acordo com as normas estabelecidas pela Direção-Geral de Saúde - estão marcados no calendário da região? Não irei falar nos inúmeros casamentos que foram adiados e se estão agora a realizar, ou na apresentação de novos modelos de automóveis, mas irei colocar em destaque dois eventos, que pela sua carga simbólica e dimensão merecem todo o destaque: o Congresso da Associação de Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP), que se realiza no Alentejo entre os dias 15 e 18 de outubro e o congresso mundial “A World For Travel – Évora Forum”, a decorrer nos dias 5 e 6 de novembro, com participações confirmadas das primeiras figuras mundiais do turismo, seja na dimensão institucional, empresarial ou cientifica. O que irão continuar a realizar, para que o Alentejo continue a preservar “a pequena dimensão e a qualidade dos ambientes urbanos, a escala humana, o silêncio, a paz, a liberdade, o ar limpo e o ar que se respira”? Iremos continuar na senda do esclarecimento aos investidores, na captação dos melhores clientes e que são aqueles que respeitam a natureza, a cultura e as identidades locais, contribuindo para revitalização económica da região e para a fixação das populações. ▪

49 OUTUBRO 2020

Mundialmente vive-se um momento atípico, desafiante e instável, provocado pela COVID-19. De que forma a Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo viu a sua capacidade de resiliência posta à prova? Noutras situações de crise, como as que resultaram do 11 de Setembro, ou da crise económica de 2008, este setor soube resistir e até crescer. Com esse legado, também agora se está a procurar mudar o paradigma do negócio, adaptando-o para que viva a par da pandemia e os resultados, por agora, não sendo os desejáveis, têm permitido a sobrevivência da grande maioria das empresas, como o revela a quebra da atividade nos alojamentos turísticos à data de 31 de agosto, que se situa nos -15%.

Considera que todas as mudanças e soluções que nos dias de hoje permanecem na realidade do Alentejo, serão uma mais-valia mesmo numa fase pós pandemia? Em boa verdade não lhe sei dizer. O que se fez pode ser bem diferente do que aquilo que o futuro nos obrigará a fazer. A realidade muda de dia para dia, quase se podendo dizer que muda de hora para hora. Em boa verdade, penso que ninguém terá respostas seguras a essa questão.


» IMPACTOS E DESAFIOS DA COVID-19

MAGIA

ASTRONÓMICA A qualidade do céu noturno do Alqueva concedeu oportunidade ao Dark Sky® de se erguer perante a magia celeste. Segundo Apolónia Rodrigues, Presidente deste universo com uma beleza sem fim, há quem nunca tenha admirado um céu repleto de estrelas. No Observatório Oficial Dark Sky®, não só é possível admirá-lo, como ver “objetos do céu profundo, que apenas um céu contrastado permite revelar”. Saiba mais.

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PONTOS DE VISTA

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lqueva é uma região muito rica no património natural, cuja baixa poluição luminosa fornece uma oportunidade única de observar aquilo que o céu tem. De que forma surgiu o Dark Sky® Alqueva? O meu percurso profissional na área teve início em 1998 numa entidade pública regional onde estive até 2007, passando depois para a Genuineland. Nesse mesmo ano e na sequência do trabalho que estava a desenvolver desde 2005, no Tourism Sustainability Group da Comissão Europeia, surge a ideia de criar o Dark Sky® Alqueva. Em 2008, o Dark Sky® Alqueva passa também a incorporar os desafios da Genuineland e surge o conceito e marca Dark Sky® como ferramenta de desenvolvimento integrado e sustentável de destinos. O conceito passa por considerar o destino em termos globais, ou seja, todos os elementos que estão na terra e todos os elementos que estão acima dela, desde a atmosfera terrestre até ao Universo. Assim, este conceito de sustentabilidade integra também a defesa do céu noturno, pela diminuição da poluição luminosa ou de outras formas de poluição que afetem a atmosfera que nos rodeia enquanto destino. Com o conceito a crescer e o primeiro território definido, avancei então para a certificação da qualidade do nosso recurso diferenciador, o céu noturno. Depois de um trabalho complexo, o qual contei com a ajuda de várias organizações e pessoas individuais, que, com os seus conhecimentos técnicos contribuíram assim para o objetivo final. Finalmente em 2011, o Dark Sky® Alqueva foi certificado e passou a ser o primeiro Starlight Tourism

lidade, algo que sempre esteve e estará presente na nossa essência. E assim nasceu o Observatório Oficial Dark Sky® Alqueva, instalado numa antiga escola primária da Aldeia da Cumeada, recuperada pela Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz para receber a sede e esta infraestrutura do Dark Sky® Alqueva.

APOLÓNIA RODRIGUES

Destination do mundo. Para tal, contribuiu a qualidade de partida do céu noturno dos seis concelhos iniciais que integravam o Alqueva e a média de 286 noites de céu limpo por ano, mas também o trabalho na criação de produtos noturnos, tais como as observações astronómicas, a canoagem, os passeios pedestres e a cavalo e as provas de vinho. A partir da certificação seguiram-se anos de desenvolvimento, crescimento territorial e implementação da rede de parceiros, chegando hoje a um território nacional de 7.087,40

km2 que se junta a uma área de 2.609,00 km2 em Espanha e uma rede diversificada de parceiros oficiais que constam no website www. darkskyalqueva.com. Desde a criação do Dark Sky® Alqueva optou-se pela utilização de um observatório móvel para garantir a realização das sessões de observação astronómica, mas houve sempre o desejo de criar um espaço físico que permitisse receber as pessoas com mais conforto e proporcionar sessões mais completas, sem, contudo, perder a mobi-

Sendo o primeiro Destino Turístico Starlight do mundo, como nos pode descrever o universo e a mágica experiência que rodeia a Dark Sky®? O território Dark Sky® Alqueva é bastante vasto e rico em património e a sua rede de parceiros oferecem diversas atividades de observação astronómica, tanto a olho nu como com o auxílio de telescópios, que podem ser realizadas no Observatório Oficial Dark Sky®, na Cumeada, ou em qualquer zona do território certificado sempre guiadas por um Guia Dark Sky®. Para além destas atividades, foram desenvolvidas outras complementares que podem ser realizadas à noite, mas também de dia, tais como passeios pedestres que combinam património e natureza, canoagem, yoga do Sistema Solar, passeios a cavalo, passeios e workshops fotográficos, passeios vínicos e provas de vinho normais e cegas, team building, orientação, bird watching, wildlife watching, entre outras sob consulta. Das atividades que podem ser realizadas de noite, destacamos os workshops de astrofotografia privados ou em grupo, liderados pelo astrofotógrafo internacional Miguel Claro. Das experiências de carácter diurno, destacamos os passeios de barco pelo Alqueva, a pesca, o Sunset Dark Sky® com observação do sol através de telescópio solar acompanhado de aperitivo Gin


Sharish ou Cocktail não alcóolico, e ainda o balonismo ao nascer ou ao por do sol. Mas para ficarem a conhecer melhor o Observatório Oficial Dark Sky® Alqueva e a nossa rede de parceiros oficiais, o ideal é visitarem o nosso website em www. darkskyalqueva.com ou colocarem as vossas questões para o nosso email info@darkskyalqueva.com.

O Dark Sky® foi já reconhecido e merecedor de alguns prémios. Qual é aquele que, para si, tem maior significado e importância? Na verdade todos são importantes pela sua diversidade, o que demonstra a própria diversidade do destino Dark Sky® Alqueva e das temáticas trabalhadas, mas também o reconhecimento internacional por organizações que operam em diversos setores de atividade. Entre maio de 2019 e setembro deste ano tivemos a honra de ver o nosso trabalho premiado a nível internacional pelo Instituto COTRI (CN), pelos World Travel Awards (UK), pela Fundação Starlight (Espanha), pela WorldCob (EUA), pelo Business Intelligence Group (EUA), pela ACQ5 (UK), pelos Corporate Travel Awards (UK) e Green Destinations (NL).

Neste momento o Dark Sky® Alqueva está nomeado em duas categorias nos World Travel Awards, sendo estas o World’s Responsible Tourism Award 2020 e World’s Leading Tourism Development Project 2020. A votação decorre até 25 de outubro. Estes prémios são muito importantes e são considerados os “Óscares do Turismo”. Além do céu que é comum a todos os cantos do mundo, também uma nova realidade intitulada por coronavírus passou a fazer parte das nossas vidas de forma desafiante e incerta. Qual foi o impacto que esta pandemia teve nas atividades do vosso dia a dia? O grande impacto aconteceu com o estado de emergência e com o impedimento de viagens internacionais. Passámos ao teletrabalho e aproveitámos para desenvolver algum trabalho que estava pendente. Mantivemos o contacto com os nossos seguidores da página de facebook e instragram através das maravilhosas fotografias do astrofotógrafo Miguel Claro, captadas no território Dark Sky® Alqueva. Foi uma maneira de manter a ligação a este céu e transmitir a sua beleza para quem não podia viajar e até sair de casa, durante o confinamento. Que mudanças e soluções foram obrigados a realizar face às consequências que se instalaram? A nossa forma de trabalhar no Observatório Oficial antes da pandemia tinha em conta um conjunto de princípios para uma melhor experiência turística e por esse motivo apenas tivemos de fazer pequenos ajustes face às diretrizes da DGS. As nossas sessões sempre tiveram um número máximo de participantes e por isso era necessário fazer reserva prévia. Mantivemos o mesmo procedimento, apenas diminuímos ainda mais os grupos para garantir que havia mais conforto e introduzimos os requisitos adicionais de higienização associados ao combate ao COVID-19. Numa sociedade em que o turismo é essencial para o desenvolvimento económico, considera que

a COVID-19 foi impactante neste setor? No Dark Sky®, quais foram os principais efeitos da mesma? Sim, sem duvida. O turismo e toda a atividade económica direta e indireta foram afetados pela pandemia e a recuperação vai ser lenta. Contudo e quando se começou a poder viajar, pelo menos a nível interno, os destinos rurais com menos pressão turística foram aqueles que sentiram numa primeira fase a retoma. A necessidade de distanciamento social levou as pessoas a afastarem-se de potenciais aglomerados normais nas zonas mais turísticas em plena época alta. Mas neste ponto é importante refletir que as zonas mais turísticas ficaram quase desertas e mesmo com esse cenário tornado público não houve inversão da procura. A procura continuou a crescer nos locais onde há um maior contacto com a natureza, mais paisagem, menos pessoas, mais espaço. O território Dark Sky® Alqueva, bem como o Observatório Oficial, sentiram esse aumento da procura, a qual permitiu compensar as perdas anteriores decorrentes do confinamento. E, passámos a um mercado quase exclusivamente nacional, incluindo estrangeiros a viver em Portugal. Com uma visão mais alargada, que soluções prevê que possam combater a crise no setor do turismo? O que aconteceu e está a acontecer com esta pandemia e a forma como as pessoas reagiram ao consumo turístico deve ser analisado numa perspetiva mais alargada. Quando iniciei o Dark Sky® Alqueva, o conceito desenvolvido teve como base um conjunto de critérios de análise que estavam assentes na evolução da procura futura, aliada ao desenvolvimento da sociedade no seu conjunto, ou seja sem segmentação do mercado. Estes pressupostos mostravam a necessidade de viagens com mais valor acrescentado e significado pessoal, mas também a necessidade de um maior contacto com a natureza. Estas mudanças ocorrem num determinado ritmo, situação que a pandemia acabou

por acelerar. Alguns dos locais que anteriormente sofriam com excesso de turismo, estão agora praticamente vazios, e infelizmente ainda não conseguiram contrapor a quebra para voltarem a cativar o público. No caso de Portugal é importante investir no interior, mas não com a visão que temos de passar a oferta turística para as regiões menos afetadas com a quebra da procura turística. Porque é natural existir maior interesse em investir nas zonas rurais, mas se perdermos aquilo que nos diferenciou agora, então ficamos com um país sem alternativas. Naturalmente existe espaço para melhorar, qualificar e crescer, mas de forma sustentável e que aconteça a par da qualificação dos territórios em termos globais. Se ainda existem territórios em Portugal que possam aplicar o verdadeiro conceito de sustentabilidade, então é agora que temos de garantir que é esse o caminho seguido. O crescimento da confiança para viajar começará pelos destinos considerados - antes da pandemia - como menos massificados e por isso deveria haver um consenso alargado e trabalho conjunto com os vários intervenientes, públicos e privados, para garantir essa confiança que posteriormente se alastrará aos outros destinos. Aos visitantes, que rota pelo universo Dark Sky® gostaria de sugerir? Tem alguma sugestão? O Universo Dark Sky expandiu-se e foi alargado ao centro do país, com o Dark Sky® Aldeias do Xisto, resultado da parceria entre as marcas Dark Sky® e a ADXTUR, e ao norte do país com o Dark Sky® Vale do Tua, fruto de outra parceria entre o Dark Sky® e Parque Natural Regional do Vale do Tua, assim não haverá experiência mais completa que experimentar o céu escuro desde o Grande Lago Alqueva, passando pelas montanhas da Pampilhosa da Serra que circundam a barragem de Santa Luzia e terminando na riqueza megalítica por entre os bonitos vales que serpenteiam o Tua. Tudo isto, sob um céu incrivelmente estrelado, e repleto de magia celeste. ▪

51 OUTUBRO 2020

O Dark Sky® oferece a majestosa profusão de planetas brilhantes, constelações e rios de estrelas. Afirmam que é “sem dúvida um Back to Black de emoções”. O que quer isto transmitir? O crescimento da poluição luminosa tem-nos afastado da contemplação do céu noturno. O Dark Sky® Alqueva permite mostrar o que existe para além daquilo que nos impede de observar o céu noturno noutros locais, que é essencialmente a poluição luminosa pois nalgumas zonas do globo acresce a poluição do ar. Recebemos muitas pessoas que nunca viram um céu noturno cheio de estrelas e quando olham para cima sentem uma grande emoção. Ao longo destes anos temos assistido em primeira mão a esta emoção provocada pelo nosso céu noturno e que invade quem olha para ele pela primeira vez, ou até por aqueles que já deixaram de olhar para cima, pois cada vez observam menos e menos estrelas e perdem gradualmente a ligação com o Cosmos. Mas o “Back to Black” de emoções acontece quando observamos um céu noturno de grande qualidade e temos alguém que nos explica aquilo que vemos e para além disso ainda nos mostra os objetos de céu profundo, que apenas um céu contrastado permite revelar, e que a olho nu são impossíveis de observar.


» IMPACTOS E DESAFIOS DA COVID-19

“O MEU OLHAR SOBRE O FUTURO É DE OPORTUNIDADE E EMPENHO” Com intuito de dinamizar as pequenas e médias empresas a ABF – Angola Business Fórum cria um ambiente de partilha e interação entre empresários, fomentando o networking – a ferramenta mais poderosa para a concretização de negócios. Ana Cristina Costa, Diretora do Fórum conta tudo à Revista Pontos de Vista.

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ABF – Angola Business Fórum pretende trocar experiências, partilhar know-how, oportunidades e desenvolver parcerias que promovam a melhoria da produção das empresas. De que forma as dinamizam e fomentam o networking entre os empresários? A primeira edição foi um sucesso, por duas vias, primeira pelo número de empresas e associações participantes no espaço de exposição, segunda pela partilha de informação e formação disponibilizada ao longo de dois dias, com palestrantes de três nacionalidades diferentes: Angolana, Brasileira e Portuguesa, enriquecendo em termos de conhecimento e experiências em cinco setores de atividade extraordinariamente importantes para o desenvolvimento de Angola. Deste evento existiram parcerias que até ao momento vigam e se mostraram frutíferas, com um aumento de performance das intervenientes. Por outro lado, houve uma componente lúdica que fizemos questão de incorporar como forma de demonstrar talentos que vivem da atividade de informar, que mostram a cultura deste país através do vestuário, de artigos decorativos, pintura e artes plásticas. Fantástica a sinergia deste evento, que juntou vários empresários num grupo de networking onde há constante busca de interajuda, criação de novos negócios, partilha de legislação dos vários países da CPLP e concretizam negócio entre si.

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ANA CRISTINA COSTA

Mundialmente vive-se um momento atípico provocado pela Covid-19 e muitos foram os negócios postos em causa. Como nos pode descrever o impacto que o mesmo perpetuou nas empresas? Angola não está alheia a este fenómeno, envolvida numa recessão económico-financeira, agravou-se. Muitos pequenos negócios acabaram por não se reerguer desta limitação de atividade imposta pelas regras de confinamento. Acumularam dívidas com os seus colaboradores, senhorios, banca, entre outras que não serão capazes de reabrir portas. Recordar que na lei angolana, não foi possível introduzir qualquer política de layoff (como Portugal o fez), não houve pagamentos efetuados a títulos de subsídios às empresas e as obrigações fiscais continua-


Neste contexto, quão importante foi o papel da ABF – Angola Business Fórum na sociedade enquanto fórum empresarial? Continuam as empresas organizadoras e os seus sponsers a cooperar com todos aqueles que nos procuram. Como anteriormente disse, há um grupo de cerca de 150 empresários que diariamente partilham oportunidades, conhecimentos, know-how, ativando as forças emocionais e intelectuais para que juntos se possa retomar os percursos de sucesso dos nossos negócios. Neste momento a direção do ABF – Angola Business Fórum, está a desenvolver a criação da Associação de Desenvolvimento Empresarial para os CPLP, de forma a criar condições legislativas, operacionais e financeiras para novos negócios e a internacionalização. Permitirá criar cadeias de valor espalhadas por todos os países compõem o espaço do CPLP. A associação visa viabilizar o apoio, divulgação e criação de oportunidades para os seus membros através da criação de parcerias, aproveitamento de sinergias e know-how entre os membros da mesma cadeia de valor económico, e alancar as oportunidades de financiamento através dos projetos sérios e de elevado valor pelas linhas de financiamento internacionais apropriadas para o

“NESTE MOMENTO A DIREÇÃO DO ABF – ANGOLA BUSINESS FÓRUM, ESTÁ A DESENVOLVER A CRIAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL PARA OS CPLP, DE FORMA A CRIAR CONDIÇÕES LEGISLATIVAS, OPERACIONAIS E FINANCEIRAS PARA NOVOS NEGÓCIOS E A SUA INTERNACIONALIZAÇÃO. PERMITIRÁ CRIAR CADEIAS DE VALOR ESPALHADAS POR TODOS OS PAÍSES QUE COMPÕEM O ESPAÇO DO CPLP”

efeito, especificamente para o setor primário e secundário. O setor do turismo foi um dos mais afetados pelas mudanças obrigatoriamente efetuadas face à pandemia que se instalou. Qual foi o impacto do mesmo em Angola, comparativamente a Portugal? Quais as principais diferenças que realça? Duas realidades completamente distintas. O turismo em Portugal tornou-se nos últimos anos uma fonte de rendimento para o país extraordinária e muito bem explorada pelo turismo familiar, religioso e aventura, embora o empresarial tenha vindo a crescer. O turismo de Angola, atualmente, maioritariamente está a ser suportado pelo turismo de negócio. O país inclusive organizou uma feira internacional de turismo com presença de vários players internacionais do setor, mas que a concretização das parcerias e/ou do investimento ainda não se refletiu favoravelmente. Angola é um país lindíssimo, de uma beleza natural ímpar, de uma diversidade de culturas e costumes inigualável, mas de um acesso quer terrestre, quer ferroviário muito limitado e há belezas que o turista não consegue chegar nas condições apropriadas. Há muito por se fazer neste setor, a atual ministra fez um trabalho reconhecido internacionalmente no que concerne às descobertas bio ambiente Okavango. Espera-se que a mesma, nas políticas estratégicas crie uma força com os outros Ministérios (nomeadamente obras públicas, energia e transportes) para que de forma integrada e concisa possa fazer o alinhamento necessário para o investimento de tempo e infraestruturas e criar as devidas condições de apoio aos operadores turísticos. O turismo em Angola já era muito limitado e não foi pelo impacto COVID-19, mas essencialmente, na minha opinião, ainda não existir um plano estratégico de curto e médio/longo prazo integrado para o setor. O ponto positivo é, desburocratização de acesso ao país, quer por visita de turismo em geral, quer por via do turismo de negócio, que proporciona ao país investimento estrangeiro, que muito faz falta na diversificação económica e industrialização do país.

Que análise faz atualmente do tecido empresarial destes dois países? Que soluções encontra para que recuperem das perdas dos últimos meses? Portugal neste momento está a lidar com um segundo surto a nível nacional, o número de casos por dia é elevadíssimo, mal visto aos “olhos” dos países da europa. Por palavras do Governo, o país não tem condições para parar mais economicamente, um país que vive essencialmente de um turismo que está de porta fechada aos seus clientes, é não ter a receita que precisa. Em Angola, segundo os dados oficiais, o contexto e o número de casos ainda dá conforto e estabilidade aos cidadãos. Há uma forte aposta quer do setor privado, quer do setor público em desenvolver a oferta e satisfação das necessidades pelas plataformas online, ainda há limitações com estado de calamidade, por exemplo os ginásios ainda continuam encerrados, mas uma forte aposta na venda online. Por isolamento demográfico, a COVID-19, em Angola, há municípios onde nem chegou até à data. A recuperação da crise epidémica poderá em Angola ser mais ágil pelo número menor e pelas condições demográficas e climáticas do país. Com um olhar positivo no futuro, que mensagem gostaria de deixar aos empresários angolanos? Mais que uma mensagem, dou exemplo: portuguesa de identidade, mas angolana de coração, realço que hoje o que fazemos será essencial para o futuro, quer por via empresarial, quer por via educacional. Neste país ainda há muito por explorar, e oportunidades não faltarão, as economias têm ciclos e não perduram para sempre na recessão. Os empresários com projetos sérios, terão com certeza a sua oportunidade. Estamos a passar por uma fase em que o esforço, o profissionalismo e a competência começam a ser o ponto diferenciador. As mudanças são difíceis, mas já se verifica algumas em concreto, caminhamos por um país mais liberto de más práticas a nível de gestão e espera-se com maior igualdade de oportunidades em substituição do anterior elevado nível de corrupção. O meu olhar sobre o futuro é de oportunidade e empenho, acredito piamente nisso, porque em Angola no setor primário e no secundário está quase tudo por se fazer. Para o futuro, o que podemos esperar da ABF – Angola Business Fórum? Programada a segunda edição para junho de 2021, esperamos que a situação epidémica permita. No momento, fazemos um acompanhamento claro dos empresários que nos procuram, temos várias dinâmicas a decorrer, formações online, lives, partilhas de informações úteis para a reprodução e reinvenção dos negócios. Sozinhos vamos mais depressa, mas juntos vamos longe, eu levo esta dica pessoal e profissionalmente muito a peito. Por isso criei o grupo networking com mais de 150 participantes com mais de um ano, que tem funcionado muito bem. O sucesso dos meus amigos, parceiros, clientes e fornecedores são o meu sucesso, e festejo com mais alegria do que se fosse o meu individual ou das minhas empresas. As empresas chegam, onde os seus líderes permitem! ▪

53 OUTUBRO 2020

ram em vigor sem qualquer alteração, houve um alívio em termos de atividades administrativas, mas não mais do que isso. Temos uma exceção que foi o pagamento de todo o contexto aduaneiro, à posteriori, com data limite prevista mediante pedido ao Administração Geral Tributária. Sem dúvida, permitiu uma melhor gestão de tesouraria, mas para um nicho muito redutor, as empresas importadoras. Temos um programa de financiamento para a criação e desenvolvimento de novos projetos, mas de cariz muito burocrático e limitativo para as PME`s e Microentidades, mas a verdade é que o ambiente de negócios está muito hostil. O desemprego aumentou imenso, a informalidade ganhou ainda mais atuantes, essencialmente o cidadão angolano quer garantir a sua subsistência familiar. Esta situação prevalece assim desde março, já lá vão seis meses, os impactos económicos e sociais estão a ser devastadores, com elevados números de pessoas desempregadas, pessoas com atividades empresarias individuais inativas, crianças e jovens (sem aulas e sem locais seguros para se manter) andam à deriva nas ruas (pedindo esmolas). Tem havido um esforço, mesmo assim, de evolução tecnológica e desburocratização das principais instituições de forma a que os cidadãos e os empresários possam de uma forma mais agilizadora, confortável e menos morosa de poder tratar dos seus assuntos. Dou três exemplos que muito tem facilitado; a criação do portal da criação da empresa online (baixo custo e baixo nível de complexidade na utilização) e portal contribuinte (tem vindo a alargar os serviços que disponibiliza) e muito recente o portal de leilão online (qualquer cidadão com acesso ao portal do contribuinte de forma ágil e transparente tem acesso ao leque vasto de produtos a serem leiloados). Estamos num país africano, numa economia em recessão que esta epidemia veio criar maior dificuldade de o país reagir, após a queda abrupta do petróleo, tem sido difícil encontrar equilíbrio nas contas públicas.


» IMPACTOS E DESAFIOS DA COVID-19

MERCADO IMOBILIÁRIO: RESILIÊNCIA E SUPERAÇÃO

Em plena pandemia interessa saber como se encontra de momento o mercado imobiliário e se este terá um papel fulcral na recuperação da economia em Portugal. Para melhor entender, esteve à conversa com a Revista Pontos de Vista, Anabela Guerreiro, Consultora Imobiliária da Keller Williams Portugal. Saiba mais.

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impacto da pandemia COVID-19 rapidamente se propagou a todos os setores de atividade, obrigando a uma rápida mudança de práticas. De que forma a KW Portugal atuou perante o atual cenário? O imobiliário reinventou-se e logo se adaptou a uma realidade que exigia ferramentas, que até então eram de segunda linha, embora há muito esperadas. Especial enfoque para a figura do consultor imobiliário digital, alavancada pela crise, com ferramentas tecnológicas como as visitas e open house virtuais, os vídeos promocionais, de entre outras, que permitiram aos profissionais do sector, sobretudo nos meses iniciais da pandemia, manter a sua atividade. A aposta contínua da KW Portugal na formação aliada à tecnologia foi a estratégia. Tal como se pode ler em variados sítios, o investimento imobiliário será, provavelmente, um dos vencedores da crise? Se nos dois iniciais meses da pandemia se assistiu uma forte quebra, sobretudo em abril, com uma descida de 30%, face a período homólogo de 2019, esta tendência celeremente é invertida. O índice de resiliência do imobiliário, é sinal claro de que constitui um dos efetivos vencedores da mesma, contudo, há que ressalvar que o enquadramento do sector na economia geral, não permite dissociar a ideia de que tenderá a sofrer também os efeitos da pandemia. A redução de preços, por muitos prevista, numa fase inicial da pandemia, não se verificou, tendo-se somente assistido a reajustes.

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Comparativamente a uma fase pré-pandemia, quais foram as principais mudanças quanto à oferta e vendas de imóveis? O confinamento conduziu à procura de imóveis fora de contextos habitacionais de índices populacionais elevados, com tendência notória para moradias com espaço exterior e interiores mais amplos, espaços verdes, priorizando-se o bem-estar, em detrimento do fator localização e proximidade aos

ANABELA GUERREIRO

grandes centros urbanos e locais de trabalho. Já em franco crescimento, mesmo na fase pré-pandemia, a procura por imóveis com construções de melhor qualidade e de maior eficiência energética, como consequência da consciência ambiental e sustentabilidade, é agora impulsionada nesta nova fase pós-crise sanitária, que de alguma forma justifica a continuidade da atividade da construção durante a crise pandémica. Como explica que o investimento através dos Vistos Gold tenha (quase) triplicado face ao ano anterior e que os cidadãos estrangeiros mantenham o interesse no nosso mercado. O programa ARI tem constituído uma forma inegável de investimento estrangeiro no imobiliário e reabilitação dos centros urbanos. O investimento triplica, de 50 milhões de euros em Maio de 2019, para 146 milhões de euros em Maio de 2020. Em agosto dá-se uma quebra no investimento captado de 30%, face a igual período em 2019. Até final de agosto, 2020 apresenta uma quebra de 10% face a 2019, que, tendo em conta o cenário económico atual, se pode considerar uma performance positiva. Portugal, tradicionalmente um país atrativo, pela suas condições naturais e segurança, assume um papel dianteiro no investimento imobiliário estrangeiro pelo eficaz combate da pandemia. A alteração do programa do ARI, que retiraria pro-

tagonismo às apelativas Lisboa e Porto, em prol das CIM, Comunidades Intermunicipais do Interior, das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, visando aliviar a pressão do mercado imobiliário destas cidades e apontar o investimento para zonas com menor densidade populacional, acaba por impulsionar o investidor. Perante uma economia debilitada, a alteração ao programa creio não irá ocorrer, por ora, pois desviaria o indispensável investimento estrangeiro. As medidas embora só previstas vigorar no início de 2021, tudo indica, pela evolução da pandemia, que não deverá avançar a alteração de regime, situação reclamada por todos os operadores imobiliários. Quais são as principais tendências para o mercado imobiliário após a pandemia? Apesar do clima pessimista, acredita que é legitimo referir que ainda há espaço para expectativas positivas? Os segmentos do imobiliário mais afetados pela pandemia foram os imóveis comerciais e de escritórios, fruto de fecho de estabelecimentos e do trabalho remoto, assumindo-se como verdadeiro sobrevivente o segmento dos imóveis residenciais. Com o incentivo da Banca, na baixa das taxas de juros, o segmento dos imóveis residenciais, a garantia de retorno do investimento, perante a instabilidade do mercado financeiro em geral, é campo seguro para os investidores. A Keller Williams Portugal traduz nos seus resultados mais recentes índices de crescimento, tendo registado um aumento de vendas de 46% a 61%, respetivamente nos meses de julho e agosto, tendo sido julho o mês com maior número de angariações. Os preços das casas refletem a resiliência e superação do sector imobiliário, tendo registado subidas de 1,6%, 0,5% e 1% respetivamente no primeiro, segundo e terceiro trimestre de 2020. Com a exportação e turismo, motores da economia durante largos anos, com fortes quebras, o imobiliário surge agora, contra as previsões, como um sector reativo e preponderante na recuperação económica. ▪


IMPACTOS E DESAFIOS DA COVID-19

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“A EXPORTAÇÃO CONTINUA A SER UM DOS PONTOS FORTES DA NOSSA EMPRESA” Foco na inovação e na qualidade é o lema da Ferpinta Moçambique. Assim, pretende edificar a sua posição no mercado africano e ser uma referência na produção e comercialização de produtos siderúrgicos. Conheça ainda quais foram os desafios que a pandemia da COVID-19 trouxe a esta empresa que, em pleno plano de contingência – e segundo o COO Ricardo Ribeiro - conseguiu aumentar a exportação.

Sabemos que asseguram soluções personalizadas e adaptadas para cada cliente. Que serviços podemos encontrar na Ferpinta Moçambique? Dentro da área siderúrgica, uma das grandes mais valias da Ferpinta é, além da elevada qualidade dos produtos produzidos (tubo, chapa e calha), a capacidade de adaptação de cada um deles à necessidade do cliente no que diz respeito a medidas. Além da produção de produto standard, dispomo-nos à execução do produto adaptado à medida do cliente. A quantitativa compra de matéria-prima da Ferpinta Moçambique permite-nos ser grandemente competitivos mesmo em quantidades reduzidas. No que diz respeito às Alfaias Agrícolas temos a capacidade de adaptar produtos à necessidade do mercado/cliente partindo de um modelo standard. Sobre as estruturas metálicas, elaboramos projetos totalmente “taylor made”, desde pavilhões industriais a tendas para eventos, mobiliário e hospitalar. O Grupo Ferpinta pauta-se pela flexibilidade e capacidade de resposta imediata aos novos desafios. Atendendo ao atual momento excecional provocado pela pandemia COVID-19, de que forma se reinventaram e ajustaram a vossa metodologia de trabalho? Em Moçambique, como sabemos, a realidade é bastante díspar daquilo que é a realidade Europeia. Concerne à Ferpinta Moçambique transpor aquilo que é a realidade Europeia para África. Pautamos por conceder a todos os colaboradores as ferramentas essenciais para que se protejam quer dentro da empresa, quer fora dela. Facultamos luvas, máscaras e soluções desinfetantes, quer para uso interno quer para levarem para suas casas. Criamos barreiras físicas por forma a proteger o

RICARDO RIBEIRO

"A VISÃO EMPREENDEDORA DO COMENDADOR FERNANDO PINHO TEIXEIRA (FUNDADOR DA FERPINTA) É HOJE CONTINUADA PELA SEGUNDA E TERCEIRA GERAÇÃO DA FAMÍLIA. ÁFRICA NUNCA FOI VISTA PELO GRUPO COMO UM “OÁSIS”, MAS SIM COMO UM MERCADO COM ENORME POTENCIAL FUTURO”

pessoal administrativo, e construímos marcações para que os colaboradores fabris evitem o contacto social entre eles e trabalhem em segurança. Apesar da grande quebra no volume de negócios, mantivemos até hoje 100% dos postos de trabalho. A Ferpinta emprega mais de 1100 colaboradores, espalhados por Portugal, Espanha, Angola e Moçambique. Garantir a segurança e saúde pública dos mesmos foi uma prioridade? Que soluções implementaram nesse sentido? No que concerne ao tema da COVID-19, na Ferpinta desde cedo definimos o plano de contin-

gência, formação sobre o mesmo, dinamizamos campanhas de informação e sensibilização, procedemos à distribuição de máscaras e suportamos um sistema de desinfeção permanente das instalações industriais. Medidas que nos permitiram estar mais bem preparados quando o estado de emergência foi decretado. Após esse período, desenvolvemos um elevado conjunto de ações, preparamos gabinetes e chão de fábrica e implementamos o teletrabalho onde era possível ou necessário. Mais do que tudo assumimos também como prioridade o “acompanhamento” de forma transversal da COVID-19 na vida dos colaboradores, o que passou pela criação de uma linha telefónica de apoio permanente a colaboradores e família para apoiar em questões sobre o tema ou que se encontrassem em quarentena, campanhas de informação/ sensibilização de boas práticas a adotar dentro e fora da empresa e, mais recentemente, lançamos uma campanha de vacinação contra a gripe, sendo os cultos totalmente suportados pela empresa. Atingir novos mercados e consequente aumento de exportações faz parte da estratégia do crescimento da empresa, apoiada na sua forte capacidade de produção. No atual contexto em que vivemos, esta estratégia foi alvo de reavaliação? Quão impactante o coronavírus se tornou, no que concerne à exportação e diversificação do mercado? A exportação continua a ser um dos pontos fortes da nossa empresa. Com a COVID-19 tivemos, definitivamente, que nos reinventar e procurar novos mercados, mercados esses onde por motivos de escassez de produto, encerramento de fábricas, portos em “quarentena”, entre outros motivos, conseguimos integrar o nosso produto, aumentando assim a exportação. Considera que abordaram toda esta situação como uma oportunidade, adaptada e com uma perspetiva inovadora? Que ideias surgiram? Como na maioria dos negócios, o precípuo da Ferpinta Moçambique é comprar bem e vender melhor. A queda de valores de “commodities” foi transversal e o aço não escapou a uma descida. Comprar nesse momento pode ser uma oportunidade, mas aporta, como é óbvio, algum risco (continuar a descer o valor do aço, ou falta de consumo). A Ferpinta Moçambique procurou gerir da melhor forma esse período por forma a colher no futuro maior competitividade. Fazendo jus à sua cronologia de sucesso, o que podemos continuar a esperar da Ferpinta Moçambique? Crescimento sustentável e entrada em novos mercados Africanos nos próximos anos. ▪

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Ferpinta Moçambique tem sido, desde 1997, exemplo no mercado empresarial, com atividades em diversos setores, sempre com um olhar empreendedor. Que balanço faz de todos estes anos de história e de que forma primam pela diferença? A Ferpinta Moçambique advém de um investimento do Grupo Ferpinta nos mercados de África remontando aos anos 90. Não apenas na área siderúrgica, onde é líder de mercado, como também na área das alfaias agrícolas com a Herculano, ou em construção de estruturas metálicas pela Fermóvel. A visão empreendedora do Comendador Fernando Pinho Teixeira (fundador da Ferpinta) é hoje continuada pela segunda e terceira geração da família. África nunca foi vista pelo grupo como um “oásis”, mas sim como um mercado com enorme potencial futuro.


» IMPACTOS E DESAFIOS DA COVID-19

“VALORIZAMOS OS ALUNOS NA SUA VERDADEIRA ESSÊNCIA ENQUANTO PESSOAS, COM TODAS AS SUAS CAPACIDADES” Saber, ser, estar e fazer, é o lema da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Alter do Chão. Citando Vera Tita, Diretora da mesma, encontra-se num espaço prestigiado e renomado, tendo outras características que a diferencia. Fique a conhecê-las.

VERA TITA

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EPDRAC – Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Alter do Chão tem uma história de largos anos, contando com a capacidade para desenvolver o seu projeto educativo, tendo por isso características específicas. Quais são as particularidades e princípios que fomentam esta ideia?

PONTOS DE VISTA

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O primeiro ponto forte desta escola está relacionado com a sua privilegiadíssima localização – a centenária Coudelaria de Alter. Não só usufruímos de um espaço prestigiado e renomado, como dispomos das infraestruturas adequadas ao desenvolvimento dos vários cursos. A beleza do local inspira-nos para o nosso dia a dia. Outra característica que nos diferencia tem a ver com o espírito de corpo que nos une. Somos uma escola pequena, todos vivemos os problemas uns dos outros de forma, mais ou menos, intensa e juntos tentamos ultrapassar as barreiras que se nos interpõem. Com a vontade de todos as coisas acontecem. Partimos do princípio que o projeto EPDRAC é de todos e para todos; em equipa chegamos sempre mais além!

base a formação profissional baseada no saber, ser, estar e fazer. Qual é a mensagem que quer isto transmitir? O que pretendemos transmitir com o nosso lema é que apostamos no indivíduo como um todo; valorizamos os alunos na sua verdadeira essência enquanto pessoas, com todas as suas capacidades enquanto seres pensantes mas também como seres sociais e membros de uma comunidade vasta, com a qual têm e terão de conviver, trabalhar e crescer. Os nossos jovens adultos serão o futuro, por isso é tão importante conferir-lhes bons conhecimentos técnicos e práticos, lembrando sempre que para além de bons profissionais devem também ser boas pessoas e trabalhar com afinco, dedicação e lealdade ao próximo.

Um dos vossos lemas tem por

Entre as várias ofertas formativas da EPDRAC, qual é a que tem mais procura? Que qualidades aponta? Os cursos profissionais mais procurados são o Técnico de Gestão Equina e o Técnico de Produção Agropecuária; penso que a razão desta preferência prende-se, por um lado, com o facto de serem os cursos há mais tempo em lecionação na escola, mas também pelas condições físicas que oferecemos e que já mencionei acima; e também devido às parcerias firmadas, algumas de longa data, que conferem grande credibilidade a estas ofertas formativas, pois de parceiros passam, muitas vezes, a empregadores. Vivemos atualmente um “novo normal” intitulado por coronavírus – algo que provocou no mundo consequências e desafios que deixarão certamente as suas marcas. Quão impactante este se tornou no ensino da EPDRAC? Quais foram (e serão neste ano letivo), os principais desafios? Penso que todos sentimos os efeitos deste inimigo invisível. Se é difícil lidar com o que conhecemos, combater o desconhecido coloca-nos numa posição melindrosa e desgastante. Perante o medo ficamos todos mais vulneráveis e gerir toda esta orgânica é mesmo muito difícil. No entanto, e à boa maneira do que defendemos na

EPDRAC, há que acreditar que depois da pandemia virá a acalmia; o mundo ficará ligeiramente diferente e todos nós teremos aprendido alguma coisa nova. Que nunca percamos a força e a fé num mundo melhor! Que mudanças e soluções foram obrigados a realizar face aos efeitos da pandemia que se instalaram? As mudanças passam pelo que foi emanado pelo Ministério de Educação e pela DGS e que é do conhecimento público. As soluções encontradas giram em torno de uma aposta nas disciplinas de caráter mais prático e com aulas ao ar livre. Tendo em conta esta realidade inconstante e cíclica, quais são as suas expetativas para o ano letivo 2020/21? Acredito firmemente que “não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe”, por isso havemos de ultrapassar este infortúnio. Será um ano difícil, atípico e com muitos problemas que exigem respostas imediatas e que deixará as suas marcas em todos nós. A sociedade como a conhecíamos não será mais a mesma, espero que se aprenda alguma coisa com esta “desgraça”; a adversidade ensina-nos a ser mais resilientes. Aguardo ansiosamente tempos mais calmos e procuro diariamente a força necessária para lutar pela minha escola. O que se poderá esperar de si, da EPDRAC e dos estudantes enquanto futuros profissionais? De mim, podem contar com dedicação e crença de que o projeto EPDRAC faz parte da minha vida. Há 22 anos iniciei funções como docente na EPDRAC e, desde então, o meu projeto de vida profissional confunde-se com a história desta instituição. Se a escola cresceu e se consolidou, também eu com ela cresci, pessoal e profissionalmente. Quanto aos alunos só posso dizer que são profissionais de excelência com provas dadas em Portugal e além-fronteiras. O seu espírito de trabalho, temperado de alguma abnegação, fazem deles elementos a contemplar em qualquer equipa que se preze. ▪


» IMPACTOS E DESAFIOS DA COVID-19

“A GARVETUR NUNCA DESCUROU A QUALIDADE DOS SERVIÇOS” O período pandémico em que vivemos atualmente trouxe um conjunto vasto e complicado de desafios para todos os setores, colocando a sobrevivência de inúmeros players em causa. Contudo, interessa nunca desistir e dar resposta aos desafios que diariamente vão surgindo. A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Reinaldo Teixeira, CEO da Garvetur, uma marca que tem continuado a lutar para oferecer o melhor que tem aos seus clientes, até porque a mesma nunca descurou a “qualidade dos serviços, numa irrepreensível postura de transparência, na formação, aquisição de know how e na criação de oportunidades para trabalhar em rede”. Saiba mais.

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PONTOS DE VISTA

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o mercado desde 1983, a Garvetur, já teve com certeza de enfrentar diversas adversidades, mas talvez nenhuma como a que hoje atravessamos, denominada por COVID-19. Tendo sido propagada a todos os setores de atividade, as empresas sentiram-se obrigadas a uma rápida mudança de práticas. Assim, como nos pode descrever o vosso reajustar, perante o atual cenário? A primeira medida que desenvolvemos perante a crise sanitária que atingiu todo o Mundo, foi instituir boas práticas de funcionamento que salvaguardassem a segurança dos nossos clientes e dos nossos colaboradores. O nosso departamento de Recursos Humanos elaborou um Guia de Boas Práticas, abrangendo todas as empresas da Enolagest, SGPS, da qual a Garvetur é a empresa âncora. Nesse guia estavam indicadas todas as medidas recomendadas pelas autoridades de Saúde Pública, bem como indicações específicas para cada um dos campos de atividade das empresas participadas, já que o Grupo Garvetur | Enolagest oferece um modelo inédito de serviços em Portugal, ao criar sinergias entre as dezenas de empresas associadas, desde a consultoria e abrangendo todo o parque imobiliário de investimento, mediação, compra, venda, construção, reabilitação, manutenção, remodelação, decoração de interiores e espaço exterior, assim como a gestão de imóveis e a área de seguros, bem como a de aluguer e venda de viaturas. O grupo diversificou ainda as suas atividades para as áreas de educação, formação e trabalho temporário. Temos consciência que só teremos uma retoma das atividades económicas se cada um de nós agir de forma responsável para conter a crise sanitária.

A Garvetur possui uma vasta experiência na comercialização de empreendimentos nos segmentos residencial e turístico. Interessa perceber como se encontra atualmente este setor, atendendo às consequências que se instalaram. Quão impactante a pandemia se tornou no mercado imobiliário e no setor do turismo? Mais do que uma opinião, cito aqui o balanço da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), organismo do qual sou vice-presidente, relativo à atividade turística de 2020: “A época turística, (abril a outubro), a que verdadeiramente conta para os resultados das empresas, apresenta os piores resultados turís-

REINALDO TEIXEIRA

ticos de sempre no Algarve”. Contudo, há que destacar o comportamento notável do mercado interno, que nos meses de agosto e setembro, subiu 32%, ou seja, mais 615 mil dormidas e 143 mil hóspedes. Assim, o mercado nacional representou 62,3% das dormidas totais verificadas nos hotéis e empreendimentos turísticos classificados oficialmente no Algarve, (3,07 milhões de um total de 4,9 milhões de dormidas até ao final do mês de setembro). No entanto, no mesmo período de 2019, o Algarve registou 15,2 milhões de dormidas e 3,2 milhões de hóspedes nacionais e estrangeiros. Entre os meses de abril e outubro, a região registou uma taxa média de ocupação de 27,5%, uma descida de 65,5%, enquanto o volume de negócios baixou 68,7%, face ao período homólogo. Em termos gerais os hotéis e empreendimentos turísticos do Algarve registaram, entre abril e outubro, menos 10,3 milhões de dormidas do que em 2019, tendo as receitas baixado 635,8 milhões de euros no mesmo período.  Para estes resultados contribuíram, sobretudo, as quebras na procura dos principais mercados externos, com realce para o nosso maior fornecedor de turistas, o  Reino Unido de menos 88,9%, traduzidas em menos 626 mil hóspedes e 3,8 milhões de dormidas.  Por outro lado, os mercados emissores mais importantes também apresentaram descidas assinaláveis nos fluxos turísticos para o Algarve durante esta época turística, designadamente Alemanha (-77,4%), Holanda (67,3%), Irlanda (-94,7%) e França (-73,2%).  No aeroporto de Faro, porta principal de entrada de turistas no Algarve, o tráfego de passa-

geiros regista uma descida de 82,5%, menos 5,3 milhões de passageiros, sendo 2,8 milhões oriundos do Reino Unido. Cerca de 20% dos empreendimentos turísticos permaneceram encerrados  durante a época turística, correspondendo a mais de 26 mil camas. As perspetivas apontam para que  70% dos estabelecimentos encerrem durante a próxima estação baixa (novembro a março).  O Golfe turístico, um dos segmentos que mais contribuem para o esbater da sazonalidade, acompanhou, no essencial, o verificado nos estabelecimentos classificados oficialmente, apresentando quebras da ordem dos 70%, uma consequência direta da  não existência de corredores aéreos com o Reino Unido, maior fornecedor de turistas de golfe ao longo do ano. Face a este novo contexto, acredito que, por exemplo a mediação imobiliária, tal como muitos outros setores, designadamente a Imobiliária Turística, precisarão de se adaptar, e uma das vias é intensificar e até redescobrir outras ferramentas que nos permitam uma maior proximidade aos clientes, mas também nos obrigarão a ter melhores ferramentas de trabalho à distância. Este setor implicava até agora um estreito contacto presencial, e embora esta perspetiva não possa ser totalmente ignorada, nos tempos mais próximos, teremos de introduzir formas de trabalho alternativas. Até ao momento a imobiliária e a imobiliária turística mostraram capacidade de resiliência, os preços não foram afetados. Contudo, teremos, eventualmente, de considerar que o mercado em alguns segmentos poderá sofrer alguma correção. Numa economia aberta e em especial nas atividades da indústria Turística, essa é uma inevitabilidade. Se a nossa vida mudou, se o país e o mundo mudaram, a nossa região vai ter igualmente fatores de mudança a que teremos de responder. Em variados sítios pode-se ler que o investimento imobiliário será, provavelmente, um dos vencedores da crise. Concorda com esta afirmação? Sobre o crescimento sustentado da ampla fileira das atividades imobiliárias, creio que a postura mais adequada será a de um otimismo cauteloso. Há que apostar sempre na qualidade dos serviços, numa irrepreensível postura de transparência, na formação e na aquisição de knowhow, na criação de oportunidades para trabalhar em rede. Neste novo normal e perante a recessão que se


Comparativamente a tempos anteriores – mais estáveis e seguros –, quais são as principais mudanças que realça, no que diz respeito à oferta e venda de imóveis? Consideramos essencial intensificar e até redescobrir outras ferramentas que nos permitam uma maior proximidade aos clientes, mas também nos obrigarão a ter melhores ferramentas de trabalho à distância. Importa ainda um olhar atento às novas exigências dos investidores, alavancadas por diferentes realidades sociais, pela emergência de outros mercados de procura, mas também à adequação da oferta imobiliária já que, atualmente, para lá do preço, os nossos clientes exigem qualidade de vida e conforto, preocupam-se com a segurança e pretendem práticas ambientais sustentáveis. Por exemplo, a equação tradição versus inovação no turismo: assim como devemos continuar a apostar nos valores seguros do sol, praia e golfe, importa igualmente diversificar por outras ofertas na área da cultura e ambiente. Creio que a equação tradição/inovação já tem vindo a ser resolvida pelos empresários. Contudo, acredito que só terão sucesso os promotores e com eles as mediadoras que assumirem a necessidade de garantir o crescimento sustentável das suas atividades, tendo em conta as alterações socioeconómicas e as atuais exigências dos viajantes. A crise sanitária mundial veio acelerar ainda mais o alargamento da Base Motivacional das viagens, e este novo imaginário tem inevitavelmente provocado o nascimento de novas formas de Turismo. É essencial identificar as várias componentes dum ramo emergente de negócios turísticos muito diversificado, e nestes, os que melhor criem valor, tendo em conta as especificidades e mais-valias do Algarve. Em minha opinião, chegou a altura de começar a delinear estratégias e definir projetos concretos de como fazer, agora que há uma maior consciência das alterações que têm surgido nos últimos anos. Articular tradição/inovação é um elemento-chave para promover a dissociação entre o crescimento económico e o aumento no consumo de recursos, até aqui uma relação tradicionalmente vista como inexorável. Serão importantes novos projetos, mas com diferentes valências, para atrair investidores, de forma a termos uma resposta competitivamente forte, quando se regularizarem as acessibilidades aéreas. E para esta nova oferta, há territórios até aqui não considerados, que nos permitirão diversificar, como por exemplo a reabilitação nos núcleos históricos das cidades, os condomínios direcionados para a procura de residência na reforma, que permitiriam e promotores e às empresas gerar maior impacto económico. Creio ser determinante em termos de crescimento sustentado, impulsionar propostas urbanas prestigiantes, como tem feito a Garvetur em

cidades, entre outras, como Faro e Tavira, que valorizem uma imagem de singularidade, tendo em conta o mercado do Turismo Residencial e a promoção de novos projetos, para captar investidores cuja vinda terá forte impacto na economia regional e nacional. O selo Clean & Safe pretende incentivar a retoma do turismo em Portugal, tendo já inúmeras empresas sido reconhecidas como tal. Na sua opinião, é legítimo afirmar que haverá um aumento no empreendimento de luxo com novos conceitos de qualidade? Sem negar a importância do selo Clean & Safe, cujo objetivo é qualificar o nosso país enquanto destino seguro, não associaria de forma tão perentória a iniciativa Clean & Safe, como uma tendência marcante para novos produtos imobiliários destinados ao mercado prime. O surgimento de ativos, designadamente no mercado prime, é uma tendência que se começou a delinear logo que se esgotaram as propriedades remanescentes da crise financeira mundial (2008/2013). A Garvetur iniciou de imediato a estratégia de antecipar o investimento onde têm surgido novas ofertas dos promotores nos diversos segmentos, habitacional ou comercial. Esta tendência, não descarta todavia a maior atenção por parte das instituições para a importância do país manter fatores como o alto nível de segurança, leis fiscais favoráveis e, no caso do Algarve, maior investimento no setor da saúde, de extrema importância para o mercado sénior, assim como um reforço na promoção, para que se concretize a alta rendibilidade do investimento imobiliário e se mantenha e reforce a animação do mercado. Quais são as tendências para os mercados que a Garvetur engloba após a pandemia? Apesar do clima insatisfatório, acredita que é possível afirmar que ainda há espaço para expetativas positivas? Ter uma perspetiva clara sobre as tendências dos mercados após a pandemia, seria a pergunta cuja resposta acertada valeria um milhão de dólares. Descontando a ironia, no atual contexto de grande instabilidade será avisado aguardar o estabilizar da situação e evitar tanto as especulações, quanto as opiniões alarmistas, ou mesmo as previsões, que em nada contribuem para se encontrarem estratégias que nos permitam responder às alterações futuras. Como já referi em perguntas anteriores, a Garvetur | Enolagest, SGPS antecipou estratégias para as empresas participadas, já o que mais nos motiva é a capacidade da nossa organização em desenvolver planos que se mostram adequadas ao crescimento sustentado das nossas atividades. Em termos de Recursos Humanos, por exemplo, as empresas do Grupo Enolagest têm em posições de chefia mais mulheres do que homens, reconhecendo não o género, mas a sua capacidade de trabalho e dedicação. Estamos ainda apostados na melhoria da qualidade dos serviços complementares prestados aos nossos clientes em diversas áreas diretamente ligadas à imobiliária, como a gestão e rentabilização do imóvel, ou ainda a decoração interior e exterior, renovações e remodelações dos imóveis, aconselhamento fiscal e jurídico, além de disponibilizar outras soluções solicita-

das pelos nossos proprietários. Continuamos nesta crise tão aguda cautelosamente otimistas, prevendo um crescimento sustentado, ainda que num prazo mais alargado. Um objetivo que é possível alcançar em função da consolidação das alterações introduzidas na gestão e objetivos das empresas, numa conjuntura de retoma da economia mundial, nacional e regional, em particular da atividade turística, cujo ciclo de investimento e serviços as nossas empresas abrangem na totalidade. Porém, não posso deixar de acentuar que para lá da crise sanitária mundial que se fará sentir em todas as economias, teremos ainda de enfrentar o Brexit, embora os estudos já realizados, nomeadamente pelo Banco de Portugal e o Turismo de Portugal, entre outros, Portugal não será dos países mais afetados. O processo de saída do Reino Unido da União Europeia, iniciado em 2016 e só parcialmente concluído, embora já esteja formalmente decidido com a saída do Reino Unido (RU) desde 31 de janeiro de 2020, entra agora na fase de negociação das futuras relações entre o RU e a União Europeia. Com efeito e em função do clima de indecisão e da desvalorização da libra, o Brexit influenciou já os resultados da indústria turística e do Turismo residencial, considerando a importância que o mercado britânico tem tido tradicionalmente, em especial no Algarve (e igualmente na Madeira). Manteve-se, no entanto, o crescimento do setor, embora se tenha registado um abrandamento, pelo que eu arriscaria afirmar que o setor soube encontrar soluções. Com impacto ainda não quantificado, a desvalorização da libra e as perspetivas de quebra da economia do Reino Unido que irão tirar poder de compra aos britânicos, é uma das questões para a qual teremos de contrapor uma estratégia de promoção e notoriedade do nosso País, a par das vantagens em investir. É habitual dizer-se que “das adversidades surgem as oportunidades”, assim, no que concerne ao meio envolvente da Garvetur e aos serviços que prestam, surgiram novas ideias e oportunidades? O que nos pode revelar? Como não me canso de referir, se juntarmos as qualidades há muito reconhecidas do país, e em especial do Algarve, que asseguram qualidade de vida, comparativamente a outros destinos, temos um pacote imbatível, quando se trata de atrair o interesse dos investidores internacionais em comprar casa, quer seja para habitação própria, residência de férias ou rendimento. Concluo reafirmando que temos, enquanto País e em especial no Algarve, uma oferta competitiva, favorável à retoma da economia na ampla fileira de atividades abrangidas pelo imobiliário, com um desafio que permita não só fazer mais, como fazer melhor: Entre acelerar o processo de inovação e diferenciação de produtos e serviços, simplificar processos e criar recursos para comunicar com o investidor no momento e local de decisão de compra, a Garvetur nunca descurou a qualidade dos serviços, numa irrepreensível postura de transparência, na formação, aquisição de know how e na criação de oportunidades para trabalhar em rede. ▪

LER NA INTEGRA EM WWW. PONTOSDEVISTA.PT

59 OUTUBRO 2020

prevê mundial, empresas, promotores, instituições públicas e financeiras não podem ignorar a importância de se considerarem essenciais medidas inovadoras na estratégia empresarial e decisões concretas, que tenham por objetivo o crescimento sustentado da ampla fileira das atividades imobiliárias.


» CONTACT CENTER – A GARANTIA DE QUALIDADE NA RELAÇÃO COM O CLIENTE

“MAIS DO QUE UM PARCEIRO TECNOLÓGICO, SOMOS UM PARCEIRO DE NEGÓCIO” Se pretendemos falar sobre marcas que oferecem soluções robustas de continuidade de negócio e que realmente funcionam, e mesmo em momentos de crise como os que vivemos atualmente, então é completamente obrigatório falar da GoContact, um parceiro tecnológico e de negócio do universo das soluções integradas de Contact Center, e que tem como principal desiderato a satisfação total e completa dos seus clientes e parceiros. Desta forma, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Márcia Machado, Diretora Comercial da GoContact Portugal, e que nos deu a conhecer como a marca tem continuado numa senda positiva, assegurando que a mesma tem vindo a evidenciar a sua missão, mesmo num contexto pandémico como o atual em que vivemos.

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PONTOS DE VISTA

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GoContact é hoje um dos principais players no domínio de soluções integradas e especializadas de Contact Center, promovendo uma dinâmica inovadora e promotora de tecnologia ao mercado. De que forma é que a marca tem vindo a assumir-se como um legítimo líder neste segmento e de que forma marcam a diferença perante o mercado? A GoContact é uma empresa especializada em soluções integradas de Contact Center (CPaaS + CCaaS + AI), que desenvolveu de raiz uma plataforma de voz e Contact Center em arquitetura IP, baseada na cloud. Está no mercado desde 2013 para garantir a segurança e robustez das operações e reduzir a complexidade tecnológica na gestão dos Contact Centers, eliminando as barreiras entre as pessoas e a tecnologia. Com presença internacional, está a operar em mercados tão distintos como Portugal, Espanha, Marrocos, Angola, Colômbia, entre outros. Entre outros fatores de diferenciação destacamos: a aposta numa solução cloud nativa, o forte know-how e consultoria em operações, e o papel que a GoContact está a desempenhar, na continuidade de negócio de diferentes empresas apresentando-se como uma solução robusta para o trabalho remoto e com um grande sentido de inovação nas áreas de AI. Uma das vossas mais valias, é que conseguem fornecer e oferecer todas as funcionalidades de uma plataforma de Contact Center de última geração, completa, robusta e integrada. De que forma é que esta capacidade vos permite ser um parceiro de excelência do mercado, dos vossos parceiros e clientes? A nossa solução Omnicanal integrada permite aos nossos clientes gerir centenas de interações com os clientes finais sem perder controlo operacional e ganhando em experiência de cliente. Ainda mais, quando na situação actual, muitas empresas viram-se obrigadas a eliminar ou reduzir drasticamente o seu atendimento presencial. Com a nossa solução puderam potenciar os canais de voz, email, chat e redes sociais, tudo integrado numa única plataforma. Foi também uma forma de garantir postos de trabalho tornando trabalhadores presenciais, em colaboradores remotos. Por outro lado, a Gocontact desde março que ajudou a migrar todos os seus clientes nacionais

ses de produto, mas antes vamos de “mão dada” com o nosso cliente ouvindo o seu feedback para desenhar o produto e apaziguando as suas dores, no dia-a-dia operacional. Queremos ser verdadeiros parceiros e isso está patente no nosso slogan “empowering operations”. Sente que hoje o setor dos Contact Centers tem uma relevância muito maior no domínio do negócio do mercado e das empresas? O empresário luso já compreende essa necessidade? Não cremos que essa visão fosse exclusiva do nosso mercado… na realidade e até há bem pouco tempo os contact centers eram meras válvulas para conter pressão no atendimento de clientes e vistos pelos departamentos financeiros ou Direcção-Geral como centros de custos. O panorama hoje é bastante diferente, porque se percebeu os benefícios que um contact center bem organizado e com a tecnologia correta podem trazer às organizações. E aqui falamos de ser os primeiros polos de tecnologia, de melhoria da experiência do cliente, de geração de inteligência de negócio, de gerarem vendas… bom os benefícios são incontáveis. Quando bem geridos são polos extraordinários de geração de valor para a organização.

MÁRCIA MACHADO

e internacionais para uma solução de teletrabalho. No final de março, 90% dos nossos clientes operavam em teletrabalho e os remanescentes não o faziam por decisão estratégica. Quer isto dizer que oferecemos uma solução robusta de continuidade de negócio que realmente funciona em situação de crise como a que vivemos. É legítimo afirmar que um dos vossos principais desideratos passa por reduzir a complexidade tecnológica na gestão dos Contact Centers, removendo as barreiras entre beneficiários da tecnologia e a tecnologia em si? Como o perpetuam? Através do nosso ADN de Operações e Consultoria. Todos os colaboradores da GoContact passaram em algum momento da sua vida por um Contact Center, isso permite que falemos o mesmo idioma dos nossos clientes. Não somos uma software house que se limita a lançar relea-

No domínio dos Contact Centers, de que forma é que esta pandemia da COVID-19 veio alterar e mudar a dinâmica e orgânica dos CC? Como é que a GoContact tem vindo a lidar a reajustar-se perante esta nova realidade? Para a GoContact tem sido a oportunidade de evidenciar a sua missão. Estar ao lado das operações e apoiá-las independente do trabalho ser realizado nas suas instalações ou em remoto. Para a GoContact enquanto empresa, realmente existiram poucas alterações no nosso produto, porque já estava preparado para a realidade que agora vivemos. O que temos podido é chegar a cada vez mais clientes quer nacional, quer internacionalmente, que veem na nossa solução cloud para contact centers, a resposta para operar durante esta pandemia e ao mesmo tempo conduzir a transformação digital nas suas empresas. Será que o futuro dos Contact Centers vai, tendencialmente, passar por ter em trabalho remoto um a dois terços dos colaboradores? Este novo panorama vem, de alguma forma,


alterar a vossa orgânica e forma de atuação perante o mercado? Na linha da pergunta e resposta anterior, a Go Contact permite às empresas optarem estrategicamente por qualquer organização de trabalho que entendam: seja nas instalações, misto ou totalmente remoto. O Covid19 para a GoContact funcionou apenas como um acelerador na procura da nossa oferta, dentro e fora de Portugal. Desafio que estamos a encarar com grande entusiamo e vontade de vencer.

não só para resolver situações que carecem de suporte, mas também para aconselhar nas melhores práticas sobre como tirar o melhor partido da aplicação GoContact em função das necessidades operacionais do negócio dos nossos clientes. Quais são os grandes desafios da GoContact para o futuro? O que podemos continuar a esperar da vossa parte? A GoContact está a cimentar a sua posição como player ibérico, tendo já clientes com operações em Portugal e Espanha. Como consequência deste crescimento e de um reposicionamento estratégico orientado a grandes players (BPOs) avança num projeto de internacionalização, entrando definitivamente e com

prioridade, no mercado da América Latina e Europa. No plano do produto, estamos continuamente a ouvir os nossos clientes para desenvolver a nossa plataforma e continuaremos a apostar na parceria que temos com a Google para melhorar o nosso produto de Inteligência Artificial. Para quem não conhece, o que significa e o que é escolher a GoContact? Mais do que um parceiro tecnológico, somos um parceiro de negócio. Temos um indicador de negócio, do qual falamos desde a fundação da empresa, que é o de nunca termos perdido um cliente. Quem confia em nós, fica satisfeito e não pensa em sair. ▪

61 OUTUBRO 2020

Fale-nos um pouco das vossas principais soluções no domínio dos CC e da forma como conseguem fornecer uma solução vertical para a gestão dos mesmos. O que conseguem garantir aos vossos clientes, além de inovação e tecnologia de vanguarda. A GoContact é uma solução nativa cloud Contact Center as a Service, com soluções integradas de omnicanalidade e inteligência artificial. Ambos os produtos web based assentam em arquitetura IP e foram desenvolvidos de raiz para funcionamento em cloud. A GoContact fornece todas as funcionalidades de uma plataforma de Contact Center de última geração, completa, robusta e integrada, tais como IPBX, IVR, Serviços de Inbound/Outbound, Scripts, Tickets, Chat, CRM, Reporting/ Analytics, Qualidade, E-learning, SMS, Text to Speech, e outras funcionalidades. Por outro lado, o que nos diferencia é uma equipa de consultoria dedicada aos nossos clientes 24/7,


BREVES BREVES

Universidade de Aveiro é a melhor portuguesa em ranking europeu

Festival de Cinema de Cannes em outubro Integrado no programa Cinéfondation, estão dois filmes portugueses: “O Cordeiro de Deus”, de David Pinheiro Vicente, selecionado para a competição de curtas-metragens, e “Corte”, dos realizadores Afonso Rapazote e Bernardo Rapazote. As quatro longas-metragens escolhidas para esta edição são “Un triomphe”, de Emmanuel Courcol; “True Mothers”, de Naomi Kawase; “Beginning”, de Dea Kulumbegashvili; e “Les Deux Alfred”, de Bruno Kiberlain.

Ao todo foram escrutinadas 563 instituições de ensino superior e a Universidade de Aveiro encontra-se na 17ª posição no ranking de 2020 “Studocu World University”. No total foram escrutinadas 563 instituições de ensino superior europeu e a classificação resulta da avaliação dada por mais de 45 mil estudantes e diplomatas a 15 tópicos, que vão desde a qualidade dos cursos às instalações, passando pelas oportunidades de emprego e oferta de atividades culturais e desportivas. A lista europeia, liderada pela Glosgow Caledonian University, coloca à frente da Universidade de Aveiro mais nove universidades do Reino Unido, duas francesas, duas suecas, uma italiana e uma alemã. “É com satisfação que a Universidade de Aveiro se vê qualificada na 17º

posição a nível europeu e obtém a primeira posição a nível nacional no ranking “Studocu World University ranking que analisa, do ponto de vista dos estudantes, as diversas condições oferecidas pelas instituições de ensino superior” afirmou o vice-reitor Luís Castro. De acordo com Luís Castro, a Universidade de Aveiro obteve “muito elevada pontuação” nos parâmetros relativos à qualidade dos cursos, qualidade de vida, instalações e correspondente acessibilidade, segurança, alojamento, desporto e alimentação. Além da Universidade de Aveiro, está em 39º lugar europeu a Universidade Nova de Lisboa, em 44º o Instituto Universitário de Lisboa, em 119º a Universidade do Minho e em 168º a Universidade da Beira Interior.

63 OUTUBRO 2020

CANNES 2020

A edição que teria sido em maio foi adiada devido à pandemia da COVID-19, tendo passado para outubro, com uma versão reduzida a três dias. Em comunicado, a direção do festival anunciou que a próxima edição de Cinema de Cannes será reduzida, entre os dias 27 e 29 de outubro. Terá exibição em sala de quatro longas-metragens da “seleção oficial de Cannes 2020”, das curtas-metragens em competição e ainda dos filmes do programa Cinéfondation.

AVEIRO


» REVISORES OFICIAIS DE CONTAS – REVISÃO DO REGIME JURÍDICO EM FOCO

INTEGRIDADE, INDEPENDÊNCIA E COMPETÊNCIA Sabemos que a intervenção dos Revisores Oficiais de Contas inspira confiança aos agentes económicos, prevenindo riscos, antecipando problemas e encontrando as devidas soluções. À conversa com a Revista Pontos de Vista, esteve José Rodrigues de Jesus, Bastonário da Ordem dos ROC, que nos confirmou a sua recandidatura às próximas eleições para ver assim continuidade ao seu trabalho.

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PONTOS DE VISTA

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omo Bastonário da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (ROC), abraçou a missão de tornar os revisores oficiais de contas reconhecidos pelo mercado como uma referência. Como nos pode descrever a evolução da profissão tendo em conta as medidas que implementou no seu mandato? Os ROC exercem uma profissão altamente qualificada, reconhecida pela sociedade pelas suas características de exigência, rigor, aptidão para lidar com matérias complexas, elevada postura ética, competência, independência e neutralidade. Enquanto entidades que exercem funções de interesse público, têm sido chamados a aplicar as suas competências em áreas cada vez mais complexas, note-se a responsabilidade dos ROC no contexto da prevenção do branqueamento de capitais e combate à corrupção. O papel da Ordem é, assim, de extrema relevância tendo sido característica deste mandato, a prossecução de iniciativas de diálogo com os órgãos de poder e os reguladores para defesa dos seus interesses, bem como da garantia da competência dos seus membros, através da oferta de formação multidisciplinar, técnica e não técnica, de qualidade reconhecida, necessária para as boas práticas profissionais e para a melhoria contínua da qualidade. Desde os mais elevados padrões de integridade, independência e competência, o diálogo frequente com os poderes e autoridades públicos, foi uma das prioridades da Ordem. Considera que a vossa posição foi eficazmente melhorada como parceiro dos mesmos? Neste mandato, desenvolvemos contactos e colaborámos com a Assembleia da República, com o Governo, com autoridades públicas (Tribunal de Contas, Procuradoria Geral da República, Inspeção-Geral de Finanças) e com os reguladores financeiros (CMVM, Banco de Portugal, ASF), visando contribuir para adequadas soluções legislativas e permitir maior conhecimento da atividade do ROC, não limitada à revisão de contas, e seu contributo para o interesse público. A Ordem

sos sujeitos ao Código de Contratação Pública com fases muito definidas e inultrapassáveis. Com efeito, gastou-se tempo com o lançamento de procedimentos concursais para aquisição de serviços de empreitada, visando a adaptação das futuras instalações da sede, e de serviços de consultoria para apoio na definição de um adequado sistema informático que sirva melhor os interesses da Ordem e dos seus membros.

JOSÉ RODRIGUES DE JESUS

“NESTE MANDATO, DESENVOLVEMOS CONTACTOS E COLABORÁMOS COM A ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, COM O GOVERNO, COM AUTORIDADES PÚBLICAS (TRIBUNAL DE CONTAS, PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA, INSPEÇÃO-GERAL DE FINANÇAS) E COM OS REGULADORES FINANCEIROS (CMVM, BANCO DE PORTUGAL, ASF), VISANDO CONTRIBUIR PARA ADEQUADAS SOLUÇÕES LEGISLATIVAS E PERMITIR MAIOR CONHECIMENTO DA ATIVIDADE DO ROC, NÃO LIMITADA À REVISÃO DE CONTAS, E SEU CONTRIBUTO PARA O INTERESSE PÚBLICO”

foi convidada a pronunciar-se sobre diversas propostas legislativas e regulamentares, bem como a colaborar em outras iniciativas. Destacam-se as interações com o Departamento de Supervisão de Auditoria da CMVM, tendo sido reforçado o diálogo e colaboração em aspetos como o controlo de qualidade e de atividade. Para o exercício de 2020 estavam

previstos alguns investimentos, como a mudança de sede e reimplementação do sistema informático. Considera que a pandemia tornou este plano de orçamento difícil? Que medidas foram realizadas para ultrapassar as adversidades? É verdade. A crise sanitária condicionou significativamente os objetivos para o ano, designadamente a mudança da sede e o ajustamento do sistema informático. São proces-

Olhando para o vindouro, que expectativas apresenta no que concerne às próximas eleições? Os próximos anos serão muito exigentes no plano económico e social, e também técnico quanto ao exercício da atividade dos ROC. Os agentes económicos vão ter de se ajustar e garantir o emprego, a sustentabilidade e a recuperação da economia. Vai haver dinheiros públicos à disposição da economia e há que garantir que são bem aplicados. Os ROC são profissionais preparados para prestar esse serviço público. A informação financeira credível vai ser fundamental para a estabilização financeira e para a dinâmica dos mercados. Continuar a contar com os ROC para aquele objetivo será necessário e determinante, ajudando a esbater a iliteracia financeira e a promover as melhores práticas de governo societário, em entidades públicas e privadas. Acredita que ser reeleito Bastonário é uma forte possibilidade, de modo a dar continuidade ao trabalho feito nestes anos à frente da OROC? Sem dúvida. É também por isso que me candidato. É de interesse para os membros haver essa continuidade para alcançar os melhores resultados para a nossa classe profissional, potenciando e ampliando as importantes “conquistas” já conseguidas. Mas candidato-me também por respeito ao repto lançado por muitos e muitos ROC para me apresentar a um novo mandato, conjuntamente com a equipa atual, designadamente os Colegas do Conselho Diretivo, que me apoiou e vai apoiar no que há a fazer, como nós bem sabemos como realizar. ▪


DIA DO CONTABILISTA

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OPINIÃO DE PAULA FRANCO, BASTONÁRIA DA ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

OS «SÓCIOS INVISÍVEIS» DOS EMPRESÁRIOS Amortecedores, catalisadores ou…ventiladores. Os adjetivos e qualificativos foram vários e especialmente elogiosos para caracterizar o inesgotável trabalho dos contabilistas certificados (CC) nos últimos meses. Mas a melhor homenagem que podem fazer a estes infatigáveis e abnegados profissionais é a sua preparação e maturidade para lidar com uma enorme multiplicidade de temas, que vão desde a contabilidade, a fiscalidade, o direito, a segurança social e até – pasme-se – a informática. E foram estes homens e mulheres dos «sete instrumentos» que deram, e continuam a dar o melhor de si, no complexo contexto que vivemos desde março.

S

e contributiva para os cofres do Estado. Para os empresários em nome individual e profissionais liberais, não pouparam igualmente esforços na obtenção dos apoios ao dispor e assegurando, igualmente, o cumprimento das obrigações fiscais e contributivas regulares. Muitos passaram a fazer candidaturas a apoios e incentivos e, portanto, a interagir com a gestão da empresa a um nível mais aprofundado do que o da mera preparação de informação financeira e fiscal. Por tudo isto, pode-se afirmar, com toda a propriedade, que os CC foram não só contabilistas, mas, sobretudo, consultores e parceiros da gestão, além de um pilar de confiança para todos os agentes económicos. No dia 21 de setembro comemorou-se o Dia do Contabilista. No próximo dia 17 de outubro completam-se 25 anos de regulamentação da profissão no nosso país. São duas efemérides de grande significado. Contudo, os tempos não estão para festas. São de trabalho, com a mesma qualidade até aqui demonstrada, e continuar a evidenciar a quem ainda olha os CC de soslaio que estes desempenham uma profissão de excelência. As provas de competência e conhecimento são robustas e diárias. ▪

PERFIL

PAULA FRANCO

BASTONÁRIA DA ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

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e os profissionais de saúde foram (e são) justamente apelidados de heróis destes tempos conturbados, os contabilistas são, à sua maneira – discreta, mas plena de eficiência – uma espécie de «sócios invisíveis» dos empresários. O seu papel em dezenas de milhares de pequenas e médias empresas é central e insubstituível. Os contabilistas certificados assumem um compromisso profissional que não sofre interrupções ao longo do ano e que foi reforçado em tempos de pandemia. São uma classe profissional que nunca para, não há períodos de interrupção, as declarações e demais obrigações são sempre devidas. Contudo, durante a pandemia os profissionais foram chamados a intervir em áreas onde, tipicamente, não era exigida a sua participação. Em particular, os CC tiveram de intervir em grande parte do processo de candidatura ao layoff simplificado, preenchendo e certificando os motivos de situação de crise empresarial, efetuando todos os processamentos salariais em conformidade e gerir as múltiplas e nem sempre claras alterações legislativas, quase diárias, para assegurar o correto cumprimento das obrigações a nível fiscal e de Segurança Social. Nas empresas, os CC foram o único apoio dos empresários ou o ponto de ligação com os advogados, num contexto de enorme instabilidade legislativa e dificuldades na obtenção de esclarecimentos por parte das autoridades. Tiveram de ajudar as empresas a planear a gestão de tesouraria dos impostos e contribuições e, podemos dizê-lo sem margem para dúvidas, evitaram que muitas empresas, na ansiedade provocada pelo contexto e aumentada pela instabilidade legislativa, avançassem para despedimentos. Salienta-se que a sua intervenção foi legalmente reforçada, tendo sido solicitada a sua certificação de indicadores económico-financeiros, junto das autoridades fiscais e contributivas, institutos públicos gestores de apoios e incentivos e da banca. Em relação à banca, tiveram ainda de enfrentar práticas menos éticas por parte desta, afirmando-se como garante da fiabilidade e veracidade da informação financeira, que é afinal o cumprimento da sua missão de interesse público. Num cenário fortemente adverso, souberam ser um farol para as empresas, continuando a assegurar a correta arrecadação de receita fiscal


» DIA DO CONTABILISTA – FORMAÇÃO, INOVAÇÃO E PROFISSÃO DE EXCELÊNCIA

“TRABALHAMOS EM PARCERIA PORQUE JUNTOS SOMOS MELHORES” Ter um parceiro de prestígio, confiança e rigor é, cada vez mais, fundamental no universo dos negócios. Escolher esse parceiro nunca é um processo simples, mas existem alguns presentes no mercado que perpetuam essa dinâmica de valor e diferenciação positiva. Neste sentido fomos conversar com Raquel Mota Pinto, CEO da RMP – Management Partner, uma marca que acredita no trabalho em parceria, na união de forças em prol de um determinado desiderato, sem nunca esquecer que na RMP, compromisso, lealdade e proximidade são pilares dos quais nunca se abdica.

RAQUEL MOTA PINTO

PONTOS DE VISTA

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RMP – Management Partner assume-se como um parceiro de excelência no âmbito da gestão e organização do negócio. No sentido de contextualizar o nosso leitor, de que forma é que a marca tem vindo a promover uma dinâmica de propostas de valor em prol dos vossos clientes? A RMP Management Partner, promove a oferta das melhores soluções adaptadas às necessidades específicas dos nossos parceiros. Tal adaptação vai gerando ao longo dos anos muita cumplicidade permitindo antecipar as necessidades e as soluções ideais para os objetivos de cada negócio. Na definição da estratégia de atuação vários fatores são tidos em conta: tipo de negócio, perfil do empresário, caraterísticas da equipa dentro do parceiro e como não poderia deixar de ser os seus valores. Acompanhamos os nossos clientes, que denominamos de parceiros, em todos os momentos. É legítimo afirmar que na RMP cada cliente é um cliente, ou seja, conseguem oferecer pro-

postas e soluções devidamente personalizadas, fugindo assim ao modo standard? Essa é porventura uma das nossas mais valias, ou seja, simplificar, antecipar e organizar propostas mediante as necessidades e exigências dos vossos clientes? Cada parceiro tem necessidades específicas. A mesma atividade gerida por pessoas diferentes tem necessidades distintas. Na RMP Management Partner valorizamos a necessidade do parceiro. Nesse sentido sempre que apresentamos uma proposta para uma eventual prestação de serviço ela é moldada à necessidade e expetativa de cada parceiro contextualizando a história e o cenário atual. Trabalhamos em parceria desde o início porque acreditamos que juntos somos melhores. De entre os vossos diversos serviços, a vertente da contabilidade é um dos principais da marca. Quão importante é esta vertente da contabilidade e dos seus ramos no domínio da gestão de um determinado negócio? O papel do Contabilista Certificado assume um

“Estamos na Era Digital da Contabilidade e a RMP Management Partner preparou-se antecipadamente para novos desafios e já está tecnologicamente apta a disponibilizar todas as soluções, disponíveis no mercado”

caráter relevante na organização de cada negócio pois o output da informação contabilística e fiscal vai garantir a fiabilidade da informação. Essa fiabilidade é essencial para no desenvolvimento do negócio as tomadas de decisão serem atempadas e fundamentadas. O know how do Contabilista Certificado, complementado por uma equipa multidisciplinar com formação específica e suportados pela disponibilização regular de informação, são as melhores ferramentas de apoio à gestão de um negócio. Uma informação contabilística fiável auxilia nas diversas decisões que a empresa tem de tomar, tanto a nível interno como externo. A fiabilida-


No dia 21 de setembro comemorou-se o Dia Nacional do Contabilista, uma profissão nobre e fundamental para o país. Sente que esta profissão e estes profissionais são devidamente reconhecidos na praça pública em Portugal? A profissão de Contabilista Certificado tem vindo, ao longo dos anos, a evoluir e a especializar-se. A evolução tecnológica e a elevada qualificação dos profissionais têm permitido dedicar mais tempo à consultoria para os negócios e à gestão. O Contabilista Certificado é um consultor experiente e abrangente. Consideramos que estamos perante uma mudança de paradigma em que está a ocorrer um reconhecimento da sociedade por esta profissão de interesse público. O atual Executivo da Ordem dos Contabilistas Certificados, na nossa opinião, em muito tem contribuído para este reconhecimento na sociedade. Hoje vivemos num mundo «novo», fruto da pandemia da COVID-19 e que aportou um conjunto de dificuldades económicas e sociais. Sabendo das dificuldades que esta pandemia provocou no universo empresarial, é legítimo afirmar que o papel do contabilista e de marcas como a RMP ganharam um novo fôlego e uma dimensão superior pois estão mais próximos dos problemas das empresas? Na RMP Management Partner existe uma comunicação constante com os nossos parceiros, nomeadamente através de reuniões mensais com os órgãos de gestão. Desde o início da pandemia acompanhamos todas medidas que foram publicadas e fizemos uma análise crítica, parceiro a parceiro, no sentido de cada um tirar o melhor partido das mesmas. Tudo feito obviamente em tempo útil. Mais uma vez, neste contexto conturbado, a equipa da RMP superou-se no apoio a todos os parceiros e os mesmos reconheceram o mérito dos serviços prestados e do apoio incondicional da nossa equipa. Na vossa relação com o Cliente, disponibilizam ferramentas que visam a organização, sistematização e uniformização dos processos operacionais. De que forma o perpetuam e qual a importância da inovação na vossa dinâmica e orgânica? Sentem que são hoje uma

"DA RMP PODEM CONTINUAR A ESPERAR A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE QUALIDADE. GARANTO QUE A RMP TERÁ UMA EQUIPA ALTAMENTE QUALIFICADA E QUE TUDO FAREMOS PARA CONSEGUIR ALAVANCAR OS NEGÓCIOS DOS NOSSOS PARCEIROS"

empresa bem preparada do ponto de vista da inovação e tecnologia? Na RMP disponibilizamos aos parceiros, com a regularidade por eles definida no contrato de prestação de serviços, os instrumentos de gestão para a tomada de decisão. Para além da informação normal, como é o caso de balancetes, balanços e demonstrações de resultados, disponibilizamos outras ferramentas, como é o caso da demonstração dos fluxos de caixa e também uma estimativa de resultados e impostos para que o empresário possa tomar decisões. Somos uma empresa que investe na formação contínua dos colaboradores, até porque esse ponto é fundamental para nós, ou seja, para podermos continuar a oferecer serviços completamente integrados e providos de valor e conhecimento. Este setor da gestão, organização e contabilidade em Portugal soube readaptar-se às novas tecnologias e à inovação em prol de dinâmica e contributo ao mercado mais eficaz? Estamos na Era Digital da Contabilidade e a RMP Management Partner preparou-se antecipadamente para novos desafios e já está tecnologicamente apta a disponibilizar todas as soluções disponíveis no mercado. Estão mais direcionados para pequenas e médias empresas, sendo estas as principais penalizadas pelas dificuldades provocadas pela pandemia da COVID-19. Que conselho

deixaria às mesmas no sentido de perceberem a importância de terem um parceiro que as apoie como a RMP? A RMP tem o serviço direcionado para Micro, Pequenas e Médias Empresas. No âmbito dos desafios provocados pela pandemia, as organizações têm de estar particularmente atentas a todas as alterações e apoios que existem e possam ser enquadráveis. É aqui que a RMP se distingue da concorrência, pois conhecendo o negócio do parceiro, conseguimos rapidamente verificar se o mesmo é enquadrável em alguma medida e assim garantir que consegue obter os melhores apoios disponíveis para o seu negócio. O conselho é, Reinventem-se! O que podemos continuar a esperar por parte da RMP – Management Partner para o futuro? Que desafios podemos esperar da vossa parte? Da RMP podem continuar a esperar a prestação de serviços de qualidade. Garanto que a RMP terá uma equipa altamente qualificada e que tudo faremos para conseguir alavancar os negócios dos nossos parceiros. ▪

ESCOLHER OS SERV IÇOS E A QUALIDADE DA RM P É…? Contar com uma eq uipa especializada, que ga rante que as opções que são propostas são as me lho para as necessidade res s concretas. O nosso compromisso de lea ldade e proximidade é para perdurar no tempo.

67 OUTUBRO 2020

de é ainda uma garantia para os stakholders que se relacionam com a entidade.


» SIG - VALORIZAÇÃO DO TERRITÓRIO E DA INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA OPINIÃO DE PEDRO GONÇALVES, DIREÇÃO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA PARA OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

A NOVA DIMENSÃO DA INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA A facilidade e velocidade de acesso à internet, permitiu uma autêntica revolução no acesso à informação por parte de qualquer utilizador ou entidade. Com efeito, e principalmente nos dias de hoje, tendo em consideração a situação de pandemia na qual vivemos, torna-se crítico o acesso, cada vez mais democratizado, a fontes e bases de dados espaciais.

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PERFIL

PEDRO GONÇALVES

DIREÇÃO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA PARA OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

PONTOS DE VISTA

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e facto, esta é uma tendência que se ceito que será uma norma necessária na interatem vindo a consolidar a nível Europeu, ção entre, por exemplo, o munícipe e a autarquia e Portugal já conta com um crescente ou agentes de proteção civil. número de instituições, que começaTorna-se desta forma, evidente a alteração de paradigma na interação com a informação georam a disponibilizar informação geográfica, sem custos, a utilizadores, com base em protocolos gráfica. Este facto permite afirmar, que, neste de dados abertos, como WMS e WFS (Web Map momento, os sistemas de informação geográfica, Service e Web Feature Service). Estamos a falar são ferramentas absolutamente essenciais na dide instituições estatais que atuam a nível nacionamização do território, pois permitem o acesso a dados e conhecimento sobre o território de nal como a DGT, LNEG, IPMA, INE, CiGeoE (entre uma forma eficaz e eficiente, promovendo, por outras de paralela importância), e outras, a nível um lado, comunidades mais informadas e resilocal, como autarquias que cada vez mais apostam em standards e políticas de dados abertos lientes e, por outro lado, uma maior transparênna recolha, tratamento e partilha dos seus dados cia nos processos de apoio e tomada de decisão. geográficos. Estas instituições, basilares na orAs alterações promovidas pelas instituições e empresas não serão suficientes caso não exista o ganização e valorização do nosso território, são reconhecimento da importância dos dados de ínassim um bom exemplo da dinâmica geográfica crescente em Portugal e tornam-se positivamendole geográfica, que permitem um maior conhete impactantes para a melhor e mais eficiente cimento sobre questões ligadas à expressão de gestão e ordenamento do território. determinada variável no território e das plataforNo caso de autarquias, o acesso a fontes de damas por onde esta informação é disponibilizada. Acompanhando dos e possibilidade de estas mudanças reporting em tempo “POR SER PRECISAMENTE UM DOS é igualmente nereal por parte dos cidadãos influencia, de cessária uma caOBJETIVOS PRIMÁRIOS QUE ESTEVE NA forma extremamente pacitação transefetiva, o paradigma versal, através de ORIGEM DA SUA CRIAÇÃO, A ASSOCIAÇÃO no qual a comunicação ações de sensientre utilizadores e insbilização e forP O R T U G U E S A PA R A O S S I S T E M A S D E tituições é conduzida. mação à medida, Isto possibilita uma eleajustada aos obINFORMAÇÃO GEOGRÁFICA - APPSIG, TEM vada interação e consjetivos de cada utilizador ou enciencialização sobre PROMOVIDO E CONTINUARÁ A PROMOVER potenciais problemas tidade, seja em DIFERENTES ENCONTROS E FORMAÇÕES que possam existir ou termos de softnecessidades de interware, técnicas de ONLINE NO ÂMBITO DA UTILIZAÇÃO DE processamento, venção em determinatratamento de do local, e discussão de DIFERENTES SISTEMAS DE INFORMAÇÃO dados e disponieventuais soluções. Outra tendência que bilização de inGEOGRÁFICA” se tem vindo a observar formação. é a criação de observaNeste sentido, e por ser precisatórios de cidadãos, que permitem a colaboração de uma rede de utilizamente um dos objetivos primários que esteve na origem da sua criação, a Associação Portuguesa dores com incidência no ambiente e território. para os Sistemas de Informação Geográfica - APPSão baseados em plataformas que permitem abordagens inovadoras ao nível da observação SIG, tem promovido e continuará a promover dida Terra, acessíveis através de aplicativos inteferentes encontros e formações online no âmbito da utilização de diferentes sistemas de informagrados, por exemplo, em dispositivos móveis. A questão da democratização do acesso a este tipo ção geográfica. de plataformas é revolucionária, dado que posFicando o leitor interessado em saber mais insibilita a interação, em tempo real, do utilizador formações acerca das atividades da APPSIG, não com determinada instituição. A validação de dahesite em consultar o nosso sítio web e acompados ou reporting feito por utilizadores é um connhar-nos através das nossas redes sociais. ▪


SIG - VALORIZAÇÃO DO TERRITÓRIO E DA INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

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“O CRESCIMENTO DOS SIG É, NA REALIDADE, NOTÁVEL” Com 15 anos de experiência, a TerraGes – Novas Tecnologias para a Gestão Agroflorestal e Ambiente - é referenciada no fornecimento e soluções modernas para gestão de recursos naturais, mas não só. Pedro Fernandes, CEO da empresa, explicou à Revista Pontos de Vista a importância dos SIG na sociedade atual e o que motivou a evolução da mesma ao longo dos tempos.

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TerraGes é conhecida por fornecer as mais modernas ferramentas tecnológicas de apoio à gestão de recursos naturais. De forma a contextualizar, de que ferramentas estamos a falar e quais são as mais-valias que aponta na funcionalidade das mesmas? A TerraGes tem uma forte presença no mercado de equipamentos profissionais GNSS para SIG Móvel e fornece uma vasta gama de soluções como equipamentos GPS Profissionais de alta precisão para SIG Móvel, Instrumentos para Dendrometria e Inventário Florestal, Resistógrafos e Tomógrafos para avaliação de risco de queda de árvores em ambiente urbano assim como Software de Informação Geográfica e Drones Profissionais para produção de cartografia aérea. Nas últimas décadas temos assistido a uma crescente procura pela informatização da informação de caráter geográfico. O que motivou, na sua opinião, esta evolução? O crescimento dos SIG é, na realidade notável, e vem ao encontro de uma necessidade de sabermos, com elevada precisão e de uma forma atualizada, “onde estão as coisas”. Esta evolução foi motivada pela necessidade de se conhecer com precisão o local onde se encontram os mais variados elementos em campo, desde mobiliário urbano, sistemas de água e saneamento, perímetros florestais, sinalética vertical, entre outras.

Falando da tecnologia SIG – Sistemas de Informação Geográfica, que tem sido definida como conjuntos integrados de hardware e software capazes de desempenhar funções diversas, considera que é já uma estrutura coesa e bem definida?

Que passos devem ser dados para que o setor continue a receber um elevado nível de reconhecimento? Consideramos que o conjunto de tecnologia atualmente disponível – software e hardware – é uma estrutura coesa e perfeitamente definida. As necessidades estão perfeitamente identificadas e a tecnologia adaptou-se de forma bastante eficiente a elas, criando conjuntos de equipamentos e soluções informáticas que servem os propósitos dos profissionais de campo e de gabinete nos SIG. Comparativamente a outros países, como se situa Portugal no que concerne à utilização dos SIG? Que impacto têm os mesmos para o país?

Pode dizer-se que Portugal está numa excelente posição em relação aos outros países. A democratização da utilização destas tecnologias permite atualmente encontrar muitas das soluções e tecnologia que se utilizam lá fora, também em Portugal. Tem-se verificado um aumento da utilização de drones e UAV para obtenção de imagens aéreas georreferenciadas de alta resolução e precisão, em virtude dos preços destas tecnologias terem descido consideravelmente nos últimos anos assim como da facilidade em encontrar software especifico que permite o tratamento de dados. ▪

LER NA INTEGRA EM WWW. PONTOSDEVISTA.PT

69 OUTUBRO 2020

PEDRO FERNANDES

Hoje em dia, quase todos os municípios possuem informação georreferenciada. Porque razão este sistema moderno é importante nestes segmentos? Quais são as vantagens para os mesmos? Os municípios são das entidades mais bem equipadas com estas ferramentas e, nos últimos anos, tem havido uma série de aquisições importantes de equipamentos GPS de elevada precisão para dar apoio aos sistemas de informação geográfica. A facilidade de utilização do nosso software MobileMapper Field Android, que permite a georreferenciação, de forma simples e rápida, de elementos em campo e a posterior introdução dos dados em aplicações de gabinete, é um desses exemplos. A vantagem de possuir informação georreferenciada com precisão é a de rapidamente se poder identificar elementos em campo para que os Municípios possam atuar de forma eficaz na resolução de problemas – por exemplo na substituição de sinalização vertical danificada, na identificação de caixas de visita enterradas ou na reparação de mobiliário urbano. Estes dados geográficos associados à correta caracterização dos elementos em campo são fundamentais para uma eficiente gestão das existências num Concelho. A rapidez com que o trabalho de campo é desempenhado, a versatilidade do formato de dados e padronização do sistema de coordenadas, que se pretende ser o mesmo em todos os Municípios, tornou o trabalho em ambiente SIG mas fácil e no qual a curva de aprendizagem é extraordinariamente rápida. Mais recentemente, e em virtude da implementação do sistema de informação cadastral simplificado bem como o balcão único do prédio – BUPI, os SIG e a utilização de equipamentos GPS profissionais sofreram um novo impulso.


» DIA MUNDIAL DA ARQUITETURA

“NÃO EXISTEM LIMITES ENTRE O COMEÇO E O TÉRMINO DO TRABALHO DO ARQUITETO”

FOTO: DUARTE NETTO

António Ferreira, Fundador da AF Architecture, afirma que o trabalho do arquiteto é constante – 24 horas por dia, 365 dias por ano -, sendo que cada projeto é desenvolvido com a mesma intensidade e respeito. A premissa que honra o seu estúdio baseia-se na compreensão de cada cliente e na perceção da sua história. Conheça mais.

ANTÓNIO FERREIRA

PONTOS DE VISTA

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m todos os projetos idealizados e concretizados pela AF Architecture, existe sempre orientação para a vida, sendo um meio de realizar sonhos, desenvolver histórias e experiências. Além da qualidade, credibilidade e excelência, são estes os conceitos que definem a marca? A AF Architecture tem como premissa a compreensão de cada projeto, de cada cliente, de cada história de vida. Numa realidade tão multifacetada de culturas, o respeito por cada história e por cada sonho é fundamental para que o cliente consiga o melhor possível chegar aos seus sonhos, baseados nas suas memórias que irão dar vida ao espaço que está a ser projetado. Não há duas pessoas iguais, há muitas vezes histórias parecidas e aí a memória individual tem de ser a nossa base de trabalho. Seguindo os seus sonhos e vontades. É nosso dever ético e moral o aconselhamento responsável para a melhor orientação possível para com estas premissas. Articulando orçamentos, condições construtivas e condicionantes jurídicas. Consideramos a qualidade, a credibilidade e a excelência nos serviços prestados, valores fundamentais e linhas diretrizes mestras para o bom êxito do nosso trabalho.

Além dos projetos de arquitetura – e devido à experiência nos diversos mercados em que atuam – também oferecem serviços de consultoria. Este é, certamente, um dos aspetos diferenciadores que vos marcam no mercado. De que forma aliam estes dois serviços? A realização de Projeto e Consultadoria são ações distintas, mas não indissociáveis. Através da experiência e de uma busca constante sobre questões políticas, sociológicas, económicas, históricas e associado ao nosso “Savoir-Faire” dos mercados, conseguimos exercer os dois serviços muito bem articulados. O cliente que procura os nossos serviços de consultadoria tem conhecimento da nossa experiência, do nosso portefólio, do nosso carácter, e conta com o nosso bom senso e espírito crítico para o melhor orientar a ajudar a planificar os seus projetos e Investimentos Imobiliários. Edificada em 2013, quais foram os projetos mais emblemáticos da AF Architecture? Cada projeto, independentemente da sua dimensão ou expressão, é para nós desenvolvido com a mesma intensidade e respeito. Houve e há projetos que por questões diversas, culturais, religiosas e pessoais foram mais intensos.

Intervir em culturas distintas e países com tradições diferenciadas, devem ser encaradas com profundo respeito e conhecimento pela história do local e dos preceitos quotidianos de quem habitará aquele espaço. Destacaria a Mesquita Hadja Oumou KOUMA, nas proximidades do Rio Niger em Bamako, Mali. Para melhor entender, onde começa e acaba o trabalho do arquiteto? Uma excelente questão! Falarei apenas da minha perceção pessoal do entendimento da profissão. Não existem limites entre o começo e o término do trabalho do Arquiteto. É uma coisa única. Vive-se 24 horas por dia, 365 dias por ano, com as mesmas inquietudes, pensamentos, reflexões! Questões espaciais, económicas, técnicas/construtivas, relações humanas ou jurídicas. O trabalho do arquiteto é constante. Muitas questões são resolvidas durante o sono, pois a noite auxilia na clareza de soluções da profissão. Considera que a arquitetura é suficientemente valorizada na sociedade? Qual é a importância desta profissão para o futuro das cidades, por exemplo? Considero sim a arquitetura muito valorizada


Nos nossos projetos há uma grande atenção pela história da arquitetura em geral. Dependendo dos clientes, das suas memórias de “habitar” os espaços, acho sim importante aplicar conceitos nacionais em projetos internacionais. Mais do que aplicar conceitos nacionais, considero que a reflexão da nossa história da arquitetura portuguesa no nosso trabalho é algo constante e que nos permite fazer pontes com preocupações idênticas em culturas diferentes. O livro “Casas Portuguesas” do Arquiteto Raúl Lino é uma leitura constante de base para reflexões e problemáticas de caráter internacional.

e de extrema importância para um futuro mais sustentável e ecológico com um tecido urbano mais coerente e bem distribuído. As cidades do futuro têm de enfrentar a resolução de problemas que surgem como a evolução da espécie. A arquitetura é uma disciplina que aglomera em si muitas outras disciplinas e que necessita de colegas nas mais diversas áreas para uma intervenção positiva. Sendo a cidade uma malha urbana em cons-

O António Ferreira tem dado cartas em prol de uma arquitetura positiva. Como é ser arquiteto no Luxemburgo? Quais são as principais diferenças comparativamente a Portugal? Exercendo atualmente a profissão em Portugal e Luxemburgo, e intervindo nos dois países, não considero haver grandes diferenças. São dois países com uma visão e desenvolvimento urbano notáveis, ambos com técnicos e profissionais excecionais e com os quais tenho muito gosto em colaborar e trabalhar. Existem algumas questões culturais onde a forma de habitar o espaço difere, mas unicamente por questões geográficas e climáticas. Podemos afirmar que nos seus projetos, há sempre uma inspiração portuguesa? Acha importante aplicar conceitos nacionais em projetos internacionais?

A AF Architecture dedica anualmente alguma iniciativa especial para o Dia Mundial da Arquitetura? A AF Architecture colabora pontualmente com iniciativas culturais, com algumas revistas e jornais, para homenagear e prestigiar a profissão e os colegas que dedicam as suas vidas em prol de uma arquitetura positiva. Que projeto estão a desenvolver atualmente? Alguma novidade para o futuro da AF Architecture? Atualmente temos alguma diversidade nos programas em desenvolvimento, habitação, comércio, office e turismo. Sim, vários projetos muito interessantes que nos momentos oportunos serão publicados e divulgados por nós e pelos respetivos promotores. ▪

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tante vivência e mudança, deverá ter a visão e análise atenta não só dos arquitetos como dos historiadores, dos sociólogos, psicólogos, engenheiros, entre muitos outros colegas para uma intervenção rentável e positiva.

O mês da arquitetura celebra-se em outubro, por ocasião do Dia Mundial da Arquitetura, sendo que o mote de 2020 é Toward a Better Urban Future. Qual é a mensagem que quer isto transmitir? Uma mensagem muito importante que sublinha uma transição socio-ecológica no nosso planeta. Em que a articulação com a mobilidade e a criação de novos espaços de trabalho, de habitar, de comércio, de zonas agrícolas e reservas ecológicas, oferecerão qualidade aos seus intervenientes para um melhor espaço público.


» DIA MUNDIAL DA ARQUITETURA

“TEMOS TRATADO COM MUITO CUIDADO E ATENÇÃO OS PEDIDOS DE CADA CLIENTE” O Dia Mundial da Arquitetura comemora-se ao longo do mês de outubro. Assim, à conversa com a Revista Pontos de Vista, esteve Eudes Aguiar, Arquiteto e Managing Director do EA STUDIO, que nos explicou a importância desta arte.

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uando é que foi edificada o EA STUDIO, e de que forma é que tem vindo a promover um serviço de excelência e qualidade no domínio da arquitetura. Porquê a aposta neste projeto/ desafio e que balanço é possível perpetuar destes anos de atividade? A EA STUDIO foi edificada em agosto de 2009 e consolidada em outubro de 2013, ao longo desses anos temos vindo a promover serviços de excelência na área através da qualidade do conteúdo que é disponibilizado ao cliente e o seguimento que é dado, e a forma como é tratado cada desafio que temos no nosso escritório. A aposta neste setor é devido à sua demanda e atendendo à peculiaridade do mercado santomense, temos tratado com muito cuidado e atenção os pedidos de cada cliente. No domínio da arquitetura, que conceito é que apostam e promovem e de que forma o tentam implementar no vosso quotidiano? O nosso quotidiano é atender

PONTOS DE VISTA

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Como profissional e como ser humano qual tem sido o impacto desta nova realidade? A Covid-19 veio mostrar uma nova forma de lidar e conviver com as situações afetas à nossa atividade, por exemplo as supervisões foram reduzidas, o número de visitas e as reuniões começaram a ser feitas através das plataformas digitais na internet (Zoom, Go to Meeting). No domínio da orgânica e do volume de negócios da EA STUDIO, que impacto é que esta nova realidade teve? De que forma é que tiveram de se adaptar a um novo cenário? Em termos de volume de negócio vai mais de encontro com a vertente de adaptação à situação, uma vez que os trabalhos continuaram - a ritmo reduzido, mas continuaram - e conseguimos cumprir as nossas metas.

EUDES AGUIAR

“DEVEMOS PENSAR EM CIDADES SUSTENTÁVEIS E CADA VEZ MAIS HIGIÉNICAS E QUE GARANTA SEGURANÇA NA MOBILIDADE DAS PESSOAS” diversos clientes, fazer assistência técnica às obras, elaborar projetos e fazer fiscalização das obras. Perpetua a sua orgânica e criação no mercado de São Tomé e Príncipe. Que análise perpetua da «arte» da arquitetura no país e de que forma é que a mesma tem sido um pilar importante no desenvolvimento do mesmo? Que lacunas ainda identifica no setor? A arte da arquitetura em S. Tomé tem estado a degradar-se porque o nosso país é um país tropical e nos últimos tempos temos assistido à transferência de estilo europeu para São Tomé e o nosso clima não permite ter muitas edificações com envidraçados. Falemos da atualidade e da pandemia da Covid-19 existente a nível global. Como tem sido lidar com este novo cenário no país?

O mês da arquitetura celebra-se em outubro, por ocasião do Dia Mundial da Arquitetura, sendo que o mote de 2020 é Toward a Better Urban Future. Que mensagem é importante transmitir sobre esta efeméride e que opinião tem sobre o mote deste ano? Esta efeméride vem em bom momento porque nós planificamos as cidades para viver, circular, realizar atividades lúdicas e, de repente, aparece a pandemia que nos impõe o distanciamento social, algo para o qual as nossas cidades não foram preparadas, daí esta minha reflexão: devemos pensar em cidades sustentáveis e cada vez mais higiénicas e que garanta segurança na mobilidade das pessoas. Quais são os principais projetos e desafios da EA STUDIO para 2020? Os principais projetos e desafios para 2020 são: a nível de projetos é a aposta na decoração de interiores e exteriores a nível de desafios é explorar outras áreas a nível de formação em Mobilidade Urbana. ▪


COOPERAÇÃO PORTUGAL/LUXEMBURGO

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PORTUGAL E LUXEMBURGO INTERLIGADOS

António Gamito explicou à Revista Pontos de Vista qual é a missão a que se propõe enquanto Embaixador de Portugal no Luxemburgo e de que forma a ligação entre os dois países é (cada vez mais) visível e fundamental.

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abe ao Ministério dos Negócios Estrangeiros assegurar a representação do Estado português junto de outros países e de organizações internacionais, através da sua Rede Externa de embaixadas, missões permanentes e postos consulares. Deste modo, qual é a missão a que se presta diariamente na Embaixada de Portugal no Luxemburgo? A missão desta Embaixada é a de velar e promover os interesses bilaterais, com incidência europeia e com expressão internacional do Estado português, que se formalizam através de textos políticos ou jurídicos sobre diversas matérias não cobertas pela União Europeia; é a de organizar visitas de alto nível ou negociar acordos para atingir fins específicos. Posso dizer, neste quadro, que a relação entre os governantes e os povos dos dois países é excelente, sem qualquer “irritante”. A existência da maior Comunidade Portuguesa “por metro quadrado”, mais de 100.000 mil nacionais que aqui residem e trabalham há várias gerações e de diferentes origens, é a outra grande área de atuação e interesse deste posto diplomático, pois importa defender os seus direitos de integração aqui, sobretudo ao nível dos direitos à educação e sociais, assim como aproveitar o seu dinamismo e sucesso para reforçar a ligação com Portugal em vários domínios. Elevar a relação bilateral da sociedade civil portuguesa, luso-descendente e luxemburguesa é um dos maiores objetivos. Como a pode descrever atualmente e que

De que forma a promoção da cultura portuguesa é reforçada no Luxemburgo, ao mesmo tempo que ajudam a internacionalizar agentes culturais nacionais? A promoção da cultura portuguesa é um trabalho conjunto entre a Embaixada, o Instituto Camões (através do Centro Cultural e da Coordenação de Ensino), as Associações locais com cariz cultural e os diferentes agentes culturais das Comunidades Portuguesa e Luxemburguesa que participam nas nossas atividades. Por um lado, tentamos trazer de Portugal atores culturais consagrados e outros que pretendemos internacionalizar, apoiando gente mais jovem e, por outro, tentamos aproveitar o

que de melhor a Comunidade Portuguesa e luso-luxemburguesa aqui tem, divulgando o seu trabalho num contexto de um plano de atividades anual. A crise sanitária provocada pela COVID-19 fez aliás com que tenhamos recorrido mais à Comunidade Portuguesa devido às dificuldades em viajar na Europa. Que vantagens aponta ao trabalho desenvolvido no apoio aos empresários, quer em Portugal, quer no Luxemburgo? O apoio aos empresários é, infelizmente, distante, porque não é feito a partir desta Embaixada, mas pela delegação da AICEP em Bruxelas. O contato torna-se mais difícil e os conflitos positivo ou negativo de competências podem ser um problema. Por outro lado, a maioria dos empresários portugueses esquece-se ou não conhece que o Luxemburgo é a capital económica da Grande Região (que engloba, para além do Grão-Ducado, o Leste da França, o Sul da Bélgica e o Oeste da Alemanha), área geográfica onde vivem 11,6 milhões de consumidores, sendo responsável por 25% do PIB da União Europeia. Para além das exportações para o mercado étnico, existe um enorme caminho a percorrer para levar o relacionamento económico bilateral a novos patamares, como o digital, os serviços financeiros, o ambiente, a saúde e o turismo. Esperemos que uma próxima visita de alto nível, que esteve agendada para maio do ano passado, mas que foi cancelada devido à COVID-19, se concretize e que ela fixe na agenda económica bilateral estes novos domínios. Ao nível do Luxemburgo, sei que um conjunto de empreendedores portugueses estão a constituir uma estrutura flexível, desburocratizada e dinâmica para poder fazer de interface entre o Luxemburgo, a Grande-Região e Portugal. Atualmente, muitos são os portugueses a ocupar cargos de gestão e liderança no Luxemburgo, fazendo com que a ligação com Portugal se torne mais visível e fulcral. Que benefícios analisa, considerando tal vínculo? Considero fundamental esta inserção de portugueses ou luso-des-

cendentes em cargos de direção e liderança neste país, pois dão uma imagem mais moderna da nossa emigração, acabando com estereótipos que ainda existem, influenciam os nossos interesses e promovem uma maior aproximação do Grão-Ducado ao nosso país. Infelizmente ainda são poucos. Mas são muito mais e em áreas mais diversificadas do que em 2011. Contudo, ao nível político, é preciso mais unidade por parte da Comunidade Portuguesa que, como disse, deve participar mais no plano cívico e do exercício dos seus direitos de cidadania, no contexto da vida politica luxemburguesa. O ex-VPM e Ministro da Justiça, Félix Braz, é um exemplo a seguir. Vivemos atual e mundialmente um momento atípico estabelecido pela Covid-19. Fazendo uma análise mais profunda, qual foi impacto que a pandemia causou nos negócios entre os dois países e que soluções prevê no futuro? A pandemia desacelerou todas as atividades económicas e turísticas, assim como as visitas dos emigrantes às suas famílias em Portugal. As informações alarmistas sobre o coronavírus, o restabelecimento de fronteiras, a introdução de corredores aéreos (com muitas companhias aéreas no “chão”) e listas negras ajudaram muito a dificultar e a diminuir a circulação de pessoas e bens. Uma quantidade enorme de “fake news” contribuíram também para agravar esta situação. As relações entre Portugal e o Luxemburgo não escaparam a este ambiente. Mas são mais resilientes pela existência de uma grande Comunidade Portuguesa e por uma vontade genuína da parte dos dois Governos em abordar em comum problemas sobre os quais não têm divergências, nomeadamente ao nível da União Europeia. A recuperação será lenta e depende de incógnitas que os diferentes atores não conhecem – como o aparecimento de uma vacina ou de um antiviral – mas penso que já se percebeu que a economia e as empresas não podem parar e que o pilar social tem que se proteger e reforçar. ▪ LER NA INTEGRA EM WWW. PONTOSDEVISTA.PT

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ANTÓNIO GAMITO

evolução realça no que concerne à proximidade entre as mesmas? Sim, é um dos dois maiores objetivos, mas não é exclusivo da ação desta Embaixada, que é complementada pela existência de um Consulado-Geral que trata dos problemas consulares da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo. Questões como a integração dos nacionais portugueses, nomeadamente através de um processo de os levar a participar civicamente e a exercer a sua cidadania no Grão-Ducado, que muitos luso-descendentes conseguiram, sem esquecer as suas raízes, de forma a que a Comunidade Portuguesa possa ter um papel localmente proporcional ao seu número, são fundamentais na ação da Embaixada. Mas é preciso ter presente que os interesses e a composição da Comunidade Portuguesa – os que trabalham para as instituições europeias, os que trabalham no setor dos serviços e os que trabalham nos setores da construção civil, limpezas e restauração – nem sempre coincidem, dificultando o objetivo acima enunciado, sendo este último segmento o mais desprotegido e o que merece a nossa maior atenção. A relação com os luxemburgueses é boa, mas ainda algo estereotipada em relação a alguns segmentos de portugueses, que tentamos alterar, envolvendo a nossa Comunidade em atividades luxemburguesas e promovendo acções culturais conjuntas.


» COOPERAÇÃO PORTUGAL/LUXEMBURGO

“PORTUGAL E O LUXEMBURGO PARTILHAM A VISÃO FASCINANTE DE SE TORNAREM NO LOCAL PERFEITO PARA INICIAR OU DESENVOLVER NOVOS NEGÓCIOS” Em conversa com José Soares, Partnership Development Officer do Centro Interdisciplinar de Segurança, Fiabilidade e Confiança (SnT) da Universidade do Luxemburgo, ficamos a conhecer um pouco mais dos desideratos da instituição e como a relação entre a investigação e as empresas tem sido fundamental para o desenvolvimento da economia Luxemburguesa. Saiba mais.

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Universidade do Luxemburgo destaca-se pela sua projeção internacional e pelo seu enfoque na investigação, e o seu Centro Interdisciplinar de Segurança, Fiabilidade e Confiança (SnT) é uma grande parte disso. Que papel desempenha o SnT? O SnT é um dos três centros de investigação da Universidade do Luxemburgo, e o nosso foco particular é a inovação tecnológica de ponta. Acreditamos que a melhor investigação tecnológica provém da resolução de desafios que existem no mundo real, pelo que nos relacionamos com parceiros do sector privado e público. Os nossos investigadores vêm de todo o mundo para trabalhar em desafios científicos com estes parceiros. O nosso trabalho em conjunto garante aos nossos parceiros uma vantagem competitiva, enquanto nos ajuda a impulsionar a inovação tecnológica numa direção que faz sentido para o mercado. Desde o nosso lançamento em 2009, temos estabelecido parcerias com mais de 45 organizações. Somos também reconhecidos pela nossa excelência científica, tendo a Universidade do Luxemburgo ocupado o 90º lugar no ranking mundial de Ciências da Informação e Tecnologia pelo Times World University Rankings. Em 11 anos, o SnT recebeu quatro prestigiosas bolsas ERC e 80 projetos UE/ESA. Concentramo-nos em seis campos diferentes de inovação tecnológica: Fintech, Sistemas Espaciais, Veículos Autónomos, Conformidade e Gestão Segura de Dados, Cibersegurança, e Internet das Coisas (IoT). Porque é que as empresas fazem parcerias com o SnT? A disrupção tecnológica é atualmente comum, e as empresas reconhecem a vantagem competitiva que a inovação lhes pode proporcionar na incerteza económica de hoje. Ao estabelecerem parcerias com o SnT, as empresas podem ter acesso a trabalho científico de ponta, bem como ao nosso banco de talentos. Trabalhar em conjunto abre-lhes as portas a conhecimentos científicos novos e emergentes, e à propriedade intelectual, enquanto nos proporciona conteúdo para a nossa investigação e um feedback contínuo da indústria. No entanto, os benefícios vão para além da investigação e acesso a talento. Durante o tempo que trabalhamos em conjunto, os nossos parceiros podem aceder às nossas instalações de investigação, e impulsionar iniciativas de investigação em projetos comerciais, financiados pela UE ou por organismos nacionais.

JOSÉ SOARES

Na minha experiência, as relações mais produtivas entre as nossas equipas de investigação e a indústria resultam de colaborações a longo prazo, em vez de projetos curtos e pontuais. Embora a cultura e a missão de um centro público de investigação como o SnT e de uma empresa possam variar consideravelmente, estas parcerias de investigação a longo prazo criam um ciclo positivo de colaboração, em que as duas partes partilham recursos, a que de outra forma não teriam acesso. Valorizamo-nos enquanto os nossos investigadores se expõem a questões do mundo real e a projetos comerciais, e a empresa ganha conhecimento que pode mudar a sua estratégia empresarial, talento para alimentar o seu sucesso, e inovação que lhe permite traçar um novo caminho no seu sector. Como é que as parcerias com certas empresas internacionais, nomeadamente empresas portuguesas, se enquadram na sua agenda de investigação? O nosso enfoque nas parcerias industriais distingue-nos de outras instituições de investigação Europeias, pelo impacto do nosso trabalho no mundo real. Empresas de todo o mundo recorrem à nossa excelência científica para resolver desafios industriais com soluções viáveis, exclusivas e escaláveis.

No Luxemburgo, concentramo-nos em áreas que são relevantes para a economia local, tais como fintech e espaço, e desempenhamos um papel crucial no ecossistema de R&D ao potenciar sinergias entre investimentos públicos e privados. No campo internacional, o nosso trabalho destaca-se pelo compromisso na excelência académica. Os parceiros industriais procuram-nos para aceder a equipamento ou dados especializados, encontrar talento, desenvolver novas tecnologias, ou beneficiar de novas fontes de financiamento de R&D. Por sua vez, estas parcerias internacionais ajudam-nos a diversificar a nossa investigação, e a criar ligações entre o Luxemburgo e o mundo. Para nós, Portugal é um destino atrativo para R&D, devido ao enfoque que o país tem no crescimento empresarial. Houve melhorias notáveis nos últimos anos para criar um ambiente que potencie este crescimento. É um centro atrativo para o investimento estrangeiro, talento e inovação disruptiva em domínios-chave como a digitalização, economia circular ou eficiência energética. Como Portugal e o Luxemburgo já têm laços significativos entre si, vemos um manancial de oportunidades de colaboração com instituições e empresas locais. Como é iniciada uma parceria com o SnT? Vemos as nossas parcerias como colaborações, investindo nelas tanto quanto os nossos próprios parceiros. Por conseguinte, é fundamental trabalhar em conjunto de forma a identificar um primeiro projeto que cumpra todos os objetivos. Estes projetos abordam um desafio específico da indústria e visam resultados que terão um valor científico significativo. Uma vez identificada essa área de interesse mútuo, passamos por um processo de elaboração da parceria, que abrange detalhes como confidencialidade, propriedade intelectual, orçamento e financiamento externo. Então o trabalho começa, e o nosso modelo de parceria é definido por dois elementos que nos ajudam a manter o rumo. Primeiro é um comité diretivo que acompanha e avalia o projeto, assegurando que as atividades se mantêm em linha com os objetivos. Em segundo lugar são os nossos peritos em gestão de propriedade intelectual que identificam e protegem os resultados da investigação com potencial valor comercial.


Quem é o investigador português mais notável no SnT? É um privilégio termos o Professor Paulo Veríssimo a liderar as nossas atividades em computação resiliente, cibersegurança e fiabilidade durante os últimos seis anos. O Paulo é um cientista extremamente respeitado na sua área e tem gerido no SnT um dos nossos primeiros grupos de investigação, tendo recebido uma bolsa PEARL do FNR. Trata-se de uma prestigiada bolsa luxemburguesa, para investigadores reconhecidos internacionalmente, realizarem atividades científicas importantes para o país. O Paulo está agora a terminar o seu tempo connosco para se tornar o diretor fundador de um novo centro de investigação sobre computação resiliente e cibersegurança numa Universidade de renome fora do espaço europeu. Ele foi fundamental para colocar o SnT no mapa da investigação europeia e internacional, e temos agora atividades de investigação competitivas em resiliência graças à sua contribuição. Portugal e o Luxemburgo estão cada vez mais concentrados na inovação tecnológica. Como vê a colaboração dos dois países em tais projetos? Portugal e o Luxemburgo já beneficiam de excelentes relações bilaterais, e ambos partilham a visão fascinante de se tornarem no local perfeito para iniciar ou desenvolver novos negócios. O Luxemburgo, tendo uma economia classificada como AAA e tecnologia de ponta, oferece um ambiente ideal para o desenvolvimento de qual-

quer negócio. O país investe com múltiplas subvenções públicas e privadas em atividades de R&D e inovação tecnológica. É atualmente uma das principais economias mundiais, e profissionais de mais de 170 países diferentes fazem dele um local perfeito para a realização de negócios. Portugal está também muito bem cotado no que diz respeito a inovações tecnológicas. O governo Português está empenhado no apoio a start-ups e à formação de novos talentos, removendo obstáculos ao investimento externo. Em muitos aspetos, as empresas portuguesas estão numa posição única para atrair investimento Luxemburguês, alimentando parcerias público-privadas, centradas na inovação, tecnologia e R&D. Como é que a equipa do SnT está envolvida no combate à pandemia do coronavírus? A comunidade de investigação luxemburguesa reagiu rapidamente em março, a nível nacional, ao surto de COVID-19, e o SnT fez parte disso. Temos participado em múltiplos projetos interdisciplinares para combater a propagação da pandemia. Mais de sete projetos europeus dependem da vasta capacidade de processamento e de armazenamento do nosso supercomputador, de forma a acelerar a investigação, especialmente no processamento de dados. Também apoiamos os decisores políticos na recuperação económica sustentável, desenvolvendo modelos estratégicos para a saída do confinamento, através de novas tecnologias de gestão de dados e aprendizagem automatizada. ▪

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Qual foi a estratégia determinante do SnT para criar um centro líder de investigação? Em todas as nossas atividades, concentramo-nos sempre no talento. Damos prioridade ao nosso pessoal para que, quando as nossas equipas colaboram, o façam ao mais alto nível. Isto começa recrutando os melhores alunos de mestrado de todo o mundo para entrar no nosso programa de doutoramento, e atraindo cientistas de topo ao nível ou acima de Postdoc. Fazemo-lo proporcionando um ambiente de investigação ideal. As nossas iniciativas de investigação são lideradas por cientistas conceituados, e apoiadas pela FNR, a agência nacional de financiamento do Luxemburgo. Atualmente, o SnT emprega mais de 300 cientistas, de 62 nacionalidades diferentes, incluindo Portugal. O nosso maior desafio é garantir que dispomos das competências certas para cumprir os nossos objetivos atuais e futuros. Contamos, porém, com o privilégio do Luxemburgo ser multicultural e atrativo para profissionais altamente qualificados. Os portugueses, em particular, podem sentir-se bastante à vontade no Luxemburgo, uma vez que 20% da população é portuguesa, e uma em cada cinco pessoas na rua fala português. É claro que Portugal também tem uma longa história de Universidades muito conceituadas, e não é uma surpresa ver tanto talento tecnológico fluir para o Luxemburgo, bem como para outros países da Europa.


» COOPERAÇÃO PORTUGAL/LUXEMBURGO

“PORTUGAL AND LUXEMBOURG SHARE AN EXCITING VISION OF BECOMING THE PERFECT PLACE TO START OR SCALE NEW BUSINESS” In a conversation with José Soares, Partnership Development Officer at the Interdisciplinary Centre for Safety, Reliability and Trust (SnT) of the University of Luxembourg, we learned a little more about the goals of the institution and how the relationship between research and companies has been fundamental to innovation in Luxembourg. Learn more.

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PONTOS DE VISTA

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he University of Luxembourg stands out because of its international outlook and focus on research, and its Interdisciplinary Centre for Security, Reliability and Trust (SnT) is a big part of that. What role does SnT play? SnT is one of three research centres at the University of Luxembourg, and our particular focus is on cutting-edge technology innovation. We believe that the best technology research comes from solving challenges that exist in the real-world, so we engage with partners in the private and public sector. Our researchers come from all over the world to work on scientific challenges with these partners. Our work together helps our partners maintain a competitive edge in the market, while it helps us push technology innovation forward in a direction that makes sense for the market. Since our launch in 2009, we have established partnerships with more than 45 organisations. We are also recognised for our scientific excellence, with the University of Luxembourg ranked 90th globally in Computer Science by the Times World University Rankings. In 11 years SnT has received four prestigious ERC grants and 80 EU/ESA projects. We concentrate on six different fields of technology innovation: Fintech, Space Systems, Autonomous Vehicles, Secure and Compliant Data Management, Cybersecurity, and Internet of Things. Why do companies partner with SnT? Technology disruption is now commonplace, and companies recognize the competitive advantage that innovation can give them in today’s uncertain economy. By partnering with SnT companies can gain access to cutting-edge scientific work, as well as our talent pool. Working together opens doors for them to new and emerging scientific knowledge and intellectual property, while it gives us context for our research by providing constant industry feedback. The benefits go beyond research and talent though. During the time we work together our partners are able to access our research facilities, and leverage EU and/or nationally funded research initiatives in commercial projects. In my experience, the most productive relationships between our research teams and industry come out of long-term collaborations, rather than short one-off projects. Even though the cultures and missions of companies and a public research center like SnT can vary consi-

equipment or data, find talent, develop new technologies, or benefit from new sources of R&D funding. In turn these international partnerships help us diversify our research, and build connections between Luxembourg and the world. For us Portugal is a compelling R&D destination because of the focus the country has on business development. There have been noticeable improvements in the recent years to create an environment that nurtures business. It is an appealing hub for foreign investment, talent, and disruptive innovation in key domains such as digitalisation, circular economy or energy efficiency. As Portugal and Luxembourg already have significant ties to each other, we see a wealth of opportunity for us to collaborate with local institutions and businesses.

JOSÉ SOARES

derably, these long-term research partnerships create a positive feedback loop as the two parties are able to share resources that they would not otherwise have access to. We benefit as our researchers get exposure to real-world issues and commercial projects; and the company gains insights that can change their business strategy, talent to feed their success, and innovations that enable them to trailblaze a new path in their sector. How do partnerships with certain international companies, namely Portuguese companies, fit into your research agenda? Our focus on industrial partnerships sets us apart from other research institutions in Europe because of the real-world impact of our work. Companies from across the EU and abroad tap into our expertise to solve industrial challenges with solutions that are viable, exclusive, and scalable. In Luxembourg, we focus on areas that are relevant to the local economy, such as fintech and space, and we play a crucial role in this ecosystem by leveraging synergies between public and private R&D investments. When engaging with actors beyond Luxembourg our work stands out because of our commitment to academic excellence. Industrial partners come to us to access specialised

How is a partnership with SnT initiated? We see our partnerships as collaborations, investing in them as much as our partners themselves. Therefore, it is key for us to come together and identify a first project that will fulfill all our goals. These projects address a specific industry challenge and target results that will have a significant scientific value. Once we have identified that area of mutual interest, we go through an established path to partnership that covers details such as confidentiality, intellectual property, budget, and external financing. Then the work begins, and our partnership model is defined by two elements that help us stay on course. First is a steering committee that monitors and evaluates the project, ensuring that activities remain in line with project goals. Second is our experts in Intellectual Property management who work with a partner to identify and protect research results with potential commercial value. What was the core of SnT’s strategy to create a leading research centre? In all of our activities we always focus on talent. We prioritise our people so that when our teams collaborate they do so at the highest level. This starts by recruiting the best Master’s students from around the world to enter our PhD programme, and attracting top scientists at the Postdoc level and beyond. We do this by providing an ideal research environment. Our research initiatives are led by respected senior scientists, and we are supported by funding from the national funding agency in Luxembourg, the FNR.


Who is your most notable Portuguese researcher? We have been fortunate to have Professor Paulo Verissimo spearhead our activities in resilient computing, cybersecurity and dependability for the past six years. Paulo is extremely well-respected in his field and while at SnT managed one of our first research groups, and held an FNR PEARL Chair. This is a prestigious Luxembourgish grant for established and internationally recognized researchers to run exten-

sive scientific activities in the country. Paulo is now wrapping up his time with us to become the founding director of a new research centre on resilient computing and cybersecurity at a renowned university outside the European space. He was instrumental in putting SnT on the European and international research map, and we now have competitive research activities in resilience thanks to his contribution. Portugal and Luxembourg are both focusing more and more on technological innovation, how do you see the two countries collaborating on such projects? Portugal and Luxembourg already benefit from excellent bilateral relations, and they both share an exciting vision of becoming the perfect place to start or scale new businesses. Luxembourg, with an AAA-rated economy and focus on cutting-edge technology, offers an ideal environment for the development of any business. The country also invests in its vision, with many public and private grants for R&D activities and technology innovation. It is one of the world’s leading economies now, and professionals from more than 170 different countries make it a vibrant place to do business. Portugal

is also in the limelight when it comes to technological disruption. It is committed to incubating start-ups and talent, demonstrated by the government removing obstacles to external investment. In many ways, Portuguese companies are uniquely positioned to attract investment in Luxembourg, by fuelling public-private partnerships focused on innovation, technology and R&D. How is the team at SnT involved in fighting the coronavirus pandemic? The Luxembourg research community reacted rapidly to the outbreak of COVID-19 nationally in March, and SnT was part of that. We have been participating in multiple interdisciplinary projects to fight the spread of the pandemic. More than 7 European projects rely on our supercomputer’s vast computing power and storage capacities for accelerating COVID-19 research, especially data processing. We have also assisted policy makers with modelling exit strategies by developing new machine learning techniques and data science projects that focus on how to enable a sustainable economic recovery. ▪

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Today, SnT employs more than 300 scientists, from 62 different nationalities, including Portugal. But ensuring we have the right skills in place to meet our current and future research goals can be the most challenging. That is why we are lucky that Luxembourg is very multicultural and attractive for highly skilled professionals. Portuguese people in particular can feel quite at home in Luxembourg, since 20% of the population is Portuguese, and one in five people in the street speaks Portuguese. Of course, Portugal has a long history of well-respected universities, and it does not come as a surprise to see so much tech talent flowing to Luxembourg, as well as other countries in Europe.


» AERONÁUTICA, ESPAÇO E DEFESA – INOVAÇÃO, TECNOLOGIA E FORMAÇÃO

“A AERONÁUTICA É UMA PAIXÃO DA ALMADESIGN”

Se existe marca que personifica a aposta concreta na Inovação, nas Novas Tecnologias e na Sustentabilidade, essa entidade é a Almadesign, pois a mesma, desde a sua génese, tem vindo a promover valor e valias através do design, principalmente no domínio da aeronáutica, uma área que é bafejada por um sentimento de paixão por parte da equipa da Almadesign e do seu CEO, José Rui Marcelino, que, em entrevista à Revista Pontos de Vista, abordou um pouco mais sobre o crescimento da empresa, e como esta se tem dedicado a continuar a contribuir, através do seu know how especializado, para um setor que foi fortemente afetado pela pandemia da COVID-19, a aeronáutica.

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JOSÉ RUI MARCELINO

Almadesign perpetua desde a sua génese uma forte componente inovadora e de base tecnológica junto do mercado. No sentido de contextualizar junto do nosso leitor, de que forma é que o Estúdio tem vindo a promover uma integração e contribuição forte para os mercados em que atua? A Almadesign promove a “inovação através do design”, significando que procuramos implementar processos de inovação com os nossos parceiros com base no design de novos produtos e serviços de base tecnológica. As soluções que desenvolvemos, nomeadamente para a área dos transportes, são forçosamente de base tecnológica porque precisamos de integrar soluções leves, mas resistentes, esteticamente apelativas, mas funcionais, com custos controlados, mas com baixo impacte

ambiental. Todos estes fatores, aparentemente contraditórios, requerem uma forte componente inovadora e uma estratégia fortemente colaborativa. A vertente de transportes é uma nas quais a marca tem centrada a sua atenção, mais concretamente na vertente da aeronáutica. O que tem aportado a Almadesign a este setor e de que forma é que sua contribuição é importante para o mesmo? Desde sempre que a aeronáutica é uma paixão dos designers da Alma, pela sua componente de inovação e tecnologia. É uma área de grande complexidade que traz enormes desafios como a segurança, a redução do peso, o conforto do passageiro ou a sustentabilidade e cujas soluções procuramos fazer migrar para outras áreas como a ferroviária, rodoviária ou náutica.


No domínio da vertente, em que projetos está a marca envolvida de momento e de que forma é que os mesmos revelam um sentido de melhorar a experiência de viagem do passageiro e tripulação? Neste momento estamos a trabalhar em diversos projectos aeronáuticos, desde o design de configurações mais eficientes e sustentáveis (aviões eléctricos ou híbridos-eléctricos), sistemas de mobilidade aérea urbana, aviação regional eléctrica, entre outros. Nestes projetos de design, é fundamental envolver todos os stakeholders, sejam os passageiros pelo conforto e experiência de viagem, sejam os operadores pela facilidade de manutenção, durabilidade das soluções ou a tripulação cujo “local de trabalho” é parte do nosso projeto. Por exemplo, no caso dos projetos de renovação de cabine da TAP, com as equipas da transportadora e fornecedores, foi possível aumentar a lotação dos aviões, reduzir o peso total (e consumo de combustível), aumentar o conforto e serviços prestados aos passageiros e aumentar a incorporação nacional em projetos aeronáuticos. Para o setor da mobilidade, quão importante é fomentar a inovação através do design? Sente que este conceito é bem assimilado pela indústria da aeronáutica nos dias que correm e que o mesmo é essencial?

O design por definição é uma área de não-especialistas, conseguindo por isso ter a capacidade de ver a “árvore”, mas também “a floresta”, dependendo do contexto. As metodologias utilizadas permitem o mapeamento das necessidades de todas as partes interessadas e a rápida geração de conceitos e protótipos para testar diferentes soluções. É necessário ter um conhecimento geral sobre as tecnologias e constrangimentos técnicos do projeto, mas conseguir ter o distanciamento necessário para integrar, de forma holística, as necessidades de todos, sejam os utilizadores finais, os operadores, a indústria, mas também o governo e as entidades do sistema científico. Em projetos de grande complexidade o design ajuda a materializar as soluções e a criar um campo de trabalho comum, sobre o qual todos podem contribuir. O setor da aeronáutica foi dos mais afetados pela pandemia da COVID-19. De que forma é que esta nova realidade vos obrigou a uma readaptação e, também, a um contornar dos obstáculos para continuar a promover os vossos produtos de valor? Sem dúvida. É necessário trabalhar para tornar as viagens aéreas ainda mais seguras (porque o registo de segurança já é excelente na aviação). A capacidade de utilizar materiais facilmente

A AED, o Cluster Português para as Indústrias de Aeronáutica, Espaço e Defesa, promoveu os AED Days, que se realizaram nos dias 6, 7 e 8 de outubro. Na sua opinião, quão importantes são este género de eventos para o setor? Os AED Days juntaram mais de 600 participantes de todo mundo das Indústrias de Aeronáutica, Espaço e Defesa. Tivemos apresentações de projetos das maiores empresas do setor e uma participação fundamental da indústria

portuguesa. É destes eventos que nascem futuros projetos colaborativos, pelo que são foruns essenciais para discutir problemas e propor parcerias para o desenvolvimento de novas soluções. Quais são os principais desafios que a Estúdio aporta para o futuro? Que novidades podemos continuar a esperar por parte da Almadesign? O desafio da sustentabilidade – económica, ambiental, social – é o grande desafio dos próximos anos pelo que a Alma irá continuar focada em contribuir através da inovação pelo design. Sejam autocarros a hidrogénio, embarcações movidas a energia solar ou aviões elétricos. Para isso, esperamos poder continuar a trabalhar na criação de projetos e redes colaborativas que, em conjunto, contribuam para um futuro melhor. ▪

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higienizáveis, a qualidade do ar da cabine, a distribuição dos lugares promovendo uma maior privacidade serão fundamentais no curto prazo. Temos de olhar para o problema como uma oportunidade de implementar mudanças que, numa situação normal, seriam de introdução mais incremental.


» AERONÁUTICA, ESPAÇO E DEFESA – INOVAÇÃO, TECNOLOGIA E FORMAÇÃO

“APOSTAMOS MUITO NA ESPECIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO” A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Luís Santos, Coordenador de Ciências Aeronáuticas do ISEC Lisboa, sobre a dinâmica que a instituição perpetua numa das áreas mais tecnológicas, reguladas e exigentes a nível mundial, a Aeronáutica. Conheça mais de uma entidade que perpetua uma oferta nesta área que assenta no rigor, na excelência e no prestígio.

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ISEC Lisboa assume-se atualmente como uma das instituições de ensino e formação em Portugal e não só mais prestigiadas, promovendo sempre uma dinâmica inovadora, diferenciadora e promotora de valor nas suas ofertas formativas. Para dar a conhecer ao nosso leitor, quais são os principais pilares da marca no que concerne ao assumir-se como um pilar ao nível da Educação em Portugal? O ISEC Lisboa disponibiliza formação académica superior muito variada, e tem vindo a apostar cada vez mais na diferenciação. Tem como principais pilares a Qualidade de ensino, onde nunca descorando a vertente teórica, procurar sempre estar alinhado com as espectativas e tecnologia do mercado de trabalho. Outro pilar importante, e ao qual damos muita relevância, é a experiência profissional não académica dos docentes, que transmitem aos alunos todo o tipo de cenários passiveis de se encontrar num contexto real de trabalho. A flexibilidade académica, onde providenciamos aos alunos justamente o que eles procuram numa instituição de ensino superior, sempre num contexto académico e com muita incidência nas necessidades da indústria. E por fim a inovação, quer curricular, quer tecnológica quer também ao nível de condições laboratoriais. De salientar que temos vindo a apostar cada vez mais nos conteúdos em Inglês com o objetivo de adaptarmos à realidade de mercado e também com vista na expansão e internacionalização da marca ISEC Lisboa. A licenciatura em Ciências Aeronáuticas é uma das mais prestigiadas e reconhecidas no seio da instituição. Quais são as valias apresentadas por esta oferta formativa para este setor? Pautamos muito pela exigência, quer a nível curricular do curso, quer ao nível da gestão do mesmo. Sendo o setor aeronáutico um dos mais regulados do mundo, é extremamente importante todos os conteúdos estarem alinhados com os reguladores. Outro desafio é a de estar sempre atualizados com as tecnologias emergentes. Pautamos por apresentar e desenvolver nos alunos, ainda num contexto académico, as ferramentas necessárias para se apresentarem no mercado laboral com todas as valências necessárias ao desenvolvimento profissional destes. Apresentamos também uma série de aproximações à indústria que visam a promoção das vertentes mais técnicas dos

LUÍS SANTOS

alunos, bem como de diminuir o gap existente entre as instituições de ensino superior e as reais necessidades da indústria. Explique-nos um pouco como é que a esta oferta, em Ciências Aeronáuticas, se desenvolve e como é que a mesma prepara os alunos para o universo do trabalho e emprego no âmbito da aeronáutica? O curso de Ciências Aeronáuticas tem duas vertentes, a primeira é o ramo da Manutenção e a segunda o ramo da Pilotagem e Oficial de Operações de Voo. Ambas preparam os alunos quer na vertente teórica, quer na vertente prática, muito perto do contexto real de trabalho. Apostamos muito na especialização do conhecimento. Estamos também a apostar muito ao nível de equipar com as mais recentes tecnologias as nossas instalações. Estamos a finalizar a construção de um hangar que irá ser equipado com o que mais recente se faz ao nível laboratorial no ensino da aeronáutica, tudo para que

“O CURSO DE CIÊNCIAS AERONÁUTICAS TEM DUAS VERTENTES, A PRIMEIRA É O RAMO DA MANUTENÇÃO E A SEGUNDA O RAMO DA PILOTAGEM E OFICIAL DE OPERAÇÕES DE VOO. AMBAS PREPARAM OS ALUNOS QUER NA VERTENTE TEÓRICA, QUER NA VERTENTE PRÁTICA, MUITO PERTO DO CONTEXTO REAL DE TRABALHO. APOSTAMOS MUITO NA ESPECIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO. ESTAMOS TAMBÉM A APOSTAR MUITO AO NÍVEL DE EQUIPAR COM AS MAIS RECENTES TECNOLOGIAS AS NOSSAS INSTALAÇÕES”


o contexto formativo seja o mais próximo possível do mercado de trabalho. Quer no ramo da manutenção, quer no ramo da pilotagem. Além de todas as condições existentes, temos também diversos parceiros na indústria. Damos muito valor a estas simbioses porque providenciam aos alunos todas as condições de crescerem academicamente e profissionalmente.

Que dimensão e importância assume hoje a Indústria Aeronáutica em Portugal? Que lacunas ainda identifica na mesma e que urgem ser ultrapassadas? Felizmente a dimensão da indústria AED em Portugal está em crescendo. É importante para a economia nacional continuar a apostar no desenvolvimento da AED, uma vez que é uma indústria tradicionalmente exportadora, com impacto positivo no PIB, e que pode impulsionar o nome de Portugal e da indústria Portuguesa. No entanto ainda existe vários pontos que temos de melhorar, principalmente ao nível de recursos. É crucial haver uma formação adequada e profissionalizada de quem trabalha na aeronáutica, é um sector que está em constante evolução do estado do conhecimento, e, portanto, é determinante as empresas fomentarem o desenvolvimento e retenção dos seus ativos humanos, desde os quadros técnicos até aos cargos de gestão. Outro ponto a ter em conta são os apoios às pequenas empresas. São estas que tendencialmente trazem as ideias tecnologicamente mais inovadoras, no entanto, como o setor é altamente regulado, a burocracia por detrás é enorme e com processos confusos e lentos. É necessário que quem supervisione esteja mais perto destes projetos, facultando linhas dedicadas de apoio. Vemos que isso aconteceu noutros países, com resultados muito animadores. Seria muito interessante replicar esse modelo no nosso país. Nos últimos cinco/seis anos, Portugal formou mais de 2.000 quadros técnicos e 300 engenheiros que estão a trabalhar neste cluster, mas a indústria aeronáutica, espacial e de defesa estima que seja necessário formar mais 2.000 novos técnicos qualificados e mais 200 novos engenheiros nos próximos três anos. Concorda? Que outros fatores são, igualmente, cruciais para este setor? Com a pandemia, o setor irá certamente sofrer num curto prazo um decréscimo de atividade e levar a um certo ajustamento do mercado laboral. Vejo com algum ceticismo essa previsão macro, no entanto será necessário esperar um pouco mais para perceber qual irá ser a tendência. O último trimestre de 2020 e primeiro de 2021 serão crucias para perceber se vai existir uma inflexão ou a continuação de retoma. No

“EXISTEM AGORA TECNOLOGIAS EMERGENTES QUE NUM CURTO PRAZO SE VÃO TORNAR MAINSTREAM. É CRUCIAL AGIR AGORA PARA GARANTIR A ADOÇÃO DESTAS LOGO NUMA FASE INICIAL. ASSIM QUE ESTE DESAFIO TAMBÉM É DE CRUCIAL IMPORTÂNCIA, DE MODO A GARANTIR A SUSTENTABILIDADE E CRESCIMENTO DO SECTOR. TERÁ DE HAVER SINERGIAS E PARCERIAS ENTRE PARCEIROS DA INDÚSTRIA, INSTITUIÇÕES ACADÉMICAS E START-UPS PARA FOMENTAR O DESENVOLVIMENTO E ADOÇÃO TECNOLÓGICA”

entanto, prevejo que assim que a pandemia for ultrapassada, voltar aos valores de crescimento de 2018 e 2019. Existem agora tecnologias emergentes que num curto prazo se vão tornar mainstream. É crucial agir agora para garantir a adoção destas logo numa fase inicial. Assim que este desafio também é de crucial importância, de modo a garantir a sustentabilidade e crescimento do sector. Terá de haver sinergias e parcerias entre parceiros da indústria, instituições académicas e start-ups para fomentar o desenvolvimento e adoção tecnológica. Acredita que é vital continuar a apostar neste setor para que Portugal seja mais forte neste sentido e nestas áreas e consiga ter uma maior preponderância a nível internacional? Certamente que sim. A indústria aeronáutica tem tudo para se tornar uma das indústrias de peso no PIB nacional. É relevante continuar a cativar indústria estratégica nesse sentido, continuar a formar recursos e sobretudo apoiar as pequenas empresas que vão nascendo com forte apetência para a AED. É também importante não baixar os braços e pensar que o crescimento enorme que houve neste setor é suficiente, temos de prosseguir e continuar a investir. Basta olhar para os nossos parceiros europeus, a percentagem de investimento no setor AED é muito superior ao nosso. Temos que continuar com o excelente trabalho feito até aqui, seguir fomentando esta indústria e dar-lhe condições para que possa crescer e atrair cada vez mais investimento. Hoje vivemos num novo «normal», provocado pela pandemia da COVID-19. De que forma é que esta dificuldade veio alterar os planos previstos e modificar a dinâmica no domínio da formação em aeronáutica? A pandemia veio alterar muitas das rotinas que tínhamos adquirido, principalmente ao nível formativo. A nossa formação antes da pandemia era 100% presencial. No atual contexto, tivemos que adaptar rapidamente todos os conteúdos académicos às plataformas digitais. Podemos afirmar com muito orgulho que hoje estamos adaptados a este novo contexto. Os alunos têm dado ótimo feedback de todas as ferramentas

de E-Learning e B-Learning, bem como das várias plataformas pedagógicas colaborativas que temos implementado. A AED, o Cluster Português para as Indústrias de Aeronáutica, Espaço e Defesa, promoveu os AED Days, que se realizaram nos dias 6, 7 e 8 de outubro. Na sua opinião, quão importantes são este género de eventos para o setor? São cruciais porque são como uma montra do que de melhor se faz em Portugal neste âmbito. Deveria até haver mais iniciativas semelhantes na indústria, fomentando a captação de público, indústria e interesses estrangeiros para o nosso país. ▪

O QUE PODEMOS CONTINUAR A ESPERAR DA VOSSA PARTE PARA O FUTURO E QUAIS OS VOSSOS DESAFIOS? 81

As nossas linhas para o futuro são a de crescimento. Crescimento na qualidade da oferta formativa e crescimento nas tecnologias abordadas. É crucial abordar as tecnologias emergentes nos planos curriculares. Num futuro não muito distante, novas tecnologias irão dominar o mercado e é crucial preparar os recursos nesse sentido. Tecnologias como inteligência artificial, realidade aumentada, realidade virtual, big data, blockchain irão certamente fazer parte do vocabulário aeronáutico. Posteriormente, o desenvolvimento de novas aeronaves elétricas e a hidrogénio certamente trarão novos desafios que já estamos preparados para os encarar.

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Qual é o índice de sucesso que tem tido e que números podem ser apresentados no domínio da empregabilidade do mesmo? Segundo os últimos dados da Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, o índice de empregabilidade dos alunos de Ciências Aeronáuticas é de 100%. Muito devemos estes números à equipa docente e às condições que nos são facultadas pela direção do ISEC Lisboa. No entanto, o que mais nos motiva é continuar com esta marca de excelência, sempre com o foco em melhorar a nossa capacidade técnico-pedagógica e qualidade de ensino.


» AERONÁUTICA, ESPAÇO E DEFESA – INOVAÇÃO, TECNOLOGIA E FORMAÇÃO A PALAVRA DE JOSÉ NEVES, PRESIDENTE DO AED CLUSTER PORTUGAL, SOBRE OS AED DAYS 2020

NÚMEROS RECORDE NA EDIÇÃO DIGITAL DOS AED DAYS 2020! A organização dos AED Days num formato digital foi para a AED Cluster Portugal um grande desafio e superado com sobejo sucesso. Tivemos a participação de +760 participantes (quase o dobro da edição anterior) a representar +300 empresas, oriundas de 24 países diferentes, desde o Canadá à Coreia do Sul!

P PERFIL

JOSÉ NEVES

PRESIDENTE DO AED CLUSTER PORTUGAL, SOBRE OS AED DAYS 2020

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ara quem não sabe, os AED Days são o evento anual do Cluster Português da Aeronáutica, do Espaço e da Defesa que, nesta 7ª edição, se realizaram de forma 100% digital, devido ao contexto de pandemia que, infelizmente, ainda nos condiciona. O evento teve lugar nos dias 6, 7 e 8 de outubro, através de uma plataforma inovadora e dinâmica que nos permitiu replicar a essência e atividades do formato físico neste contexto online. O desafio do formato digital estava em chegar a toda a indústria – Nacional e Internacional –, pois como sabem o mercado dos eventos digitais está sobrecarregado e as empresas atravessam ainda um período delicado no seu dia-a-dia. A nossa missão era, portanto, envolver todo o ecossistema nacional dos setores AED, juntamente com os principais atores (industriais e institucionais) mundiais, no evento e garantir-lhes que os AED Days, mesmo ocorrendo num formato digital, mantinham a sua essência e a sua mais-valia para todos os participantes. Como gosto de referir, temos de transmitir valor para que o tempo despendido no evento seja, efetivamente, um valor acrescentado para cada participante. E assim o fizemos. Obtivemos o maior número de participantes que tivemos nos AED Days (769 participantes!) e conseguimos cumprir o que prometemos a todos: um evento que serviu de trampolim para uma retoma da nossa indústria. No primeiro dia do evento, cuja abertura foi feita pelo Ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, tivemos uma Conferência onde, numa abordagem macro, pudemos discutir temas como a geopolítica e o seu impacto na indústria aeroespacial, as transformações no corrente mercado e como os setores da AED podem contribuir para uma maior sustentabilidade. No segundo e terceiro dias, as discussões continuaram, com uma abordagem mais técnica e aprofundando temas específicos, como por exemplo: o impacto da COVID-19 nos setores e as oportunidades decorrentes desta pandemia; a evolução dos mercados de microlançadores e microssatélites; os desafios presentes e futuros da força naval; a indústria

4.0; como melhorar a competitividade na aviação; a utilização da tecnologia aeroespacial no contexto de prevenção e combate aos fogos florestais; entre outros. Paralelamente a estas sessões, tivemos ainda disponível um Fórum de Exposição Virtual, com stands em 3D, e também a possibilidade de se agendarem reuniões B2B entre os vários participantes. Estas são atividades que conferem ao evento um dinamismo único e que abrem muitas portas de negócio direto para quem participa. A nossa visão é que o evento possa contribuir também a médio-longo prazo para a contínua evolução e desenvolvimento da indústria portuguesa e a sua consolidação como um ator relevante nos mercados internacionais da Aeronáutica, do Espaço e da Defesa. A prova de que temos vindo a ser bem sucedidos neste processo é a de que conseguimos, uma vez mais, a presença de grandes OEMs como a Airbus (bastante envolvida em todas as atividades do evento), a Bell Flight, a Embraer, a Eviation Aircraft, a Thales ou a Northrop Grumman, bem como decisores políticos a representar a Comissão Europeia, como o Diretor da DG-DEFIS (Defence Industry and Space) e o Responsável da Política de Aviação da DG-R&D (Research and Development). É sinal que a indústria portuguesa está viva e os grandes atores internacionais contam connosco para a retoma que o setor precisa. A imagem de Portugal no exterior é de um país que tem investido fortemente na qualificação dos seus recursos humanos, e de que possui empresas e institutos com capacidade de competir ao mais alto nível, através do desenvolvimento de produtos inovadores e de elevada qualidade. Sublinhe-se que a presença contínua de Portugal em eventos e missões internacionais, dinamizada pela AED e suas congéneres nos últimos anos, tem contribuído inegavelmente para a criação de uma imagem consistente do setor AED nacional em todo o mundo e os AED Days 2020 foram mais um marco que cimentou esta reputação. ▪


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Revista Pontos de Vista Edição 96  

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