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Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda. JUNHO 2019 | EDIÇÃO Nº 85 - Periodicidade Mensal | Venda por Assinatura - 4 Euros

ISS IBÉRIA

LÍDER E ESPECIALISTA NA GESTÃO EFICIENTE DE INSTALAÇÕES

SOLANGE ROCHA “PENSAMOS EM UNIDADES INTEGRADAS COMERCIAIS COM MODELOS DESENVOLVIDOS POR NÓS, COM CONCEITOS INOVADORES E ADAPTADOS À REGIÃO”

FOTO: DIANA QUINTELA

MANAGING PARTNER DA AKTUS


» A INOVAÇÃO COMO FATOR DE CRESCIMENTO EMPRESARIAL

A TECNOLOGIA AO SERVIÇO DA SOCIEDADE A IOTech – Innovation on Technology – nasceu há pouco mais de um ano na Famalicão Made INcubar e já está a agitar o mercado com soluções inovadoras e a contribuir para a resolução de problemas da sociedade com recurso a aplicações web/mobile. Filipe Portela é o Fundador da IOTech e conta-nos como surge este projeto focado nas pessoas e com o objetivo de trazer o mundo para o bolso dos cidadãos.

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novação, tecnologia e inteligência artificial são as palavras-chave desta empresa que quer marcar a diferença através do desenvolvimento de soluções focadas nas pessoas. Por sua vez, as soluções desenvolvidas na IOTech são transversais e adaptáveis a qualquer organização. És prestador de serviços? Procura mais clientes? O ioHub ajuda-o com a sua rede de serviços em tempo real e com todos os serviços numa só aplicação. Pretende melhorar o registo de presenças em eventos e atividades da sua organização? O ioAttend ajuda-o com a marcação de presenças através de smartphones. Sabe como tirar partido dos dados gerados pela sua empresa? O ioServ sabe, colocando o know-how da IOTech ao serviço da sua empresa.

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PONTOS DE VISTA

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Procura simplificar o processo de visitas e reuniões da sua empresa? O ioGuest é a porta de entrada dos seus visitantes. Como vê, todas as soluções são endereçadas para resolver problemas sociais, agregando serviços que estão ao alcance de todos através da tecnologia. Mas como surge, portanto, a IOTech? Filipe Portela confidencia-nos que o bichinho do empreendedorismo sempre esteve lá resultado, talvez, do facto de descender de uma família ligada aos negócios. “Tanto a minha mãe como a minha avó tiveram o seu próprio negócio durante muito tempo. Aliado a isso, passei pelo desafio de me candidatar à presidência de uma junta de freguesia, o que me fez olhar para a sociedade de outra maneira. Comecei a questionar-me de que forma poderia melhorar o dia-a-dia das pessoas e colocar a tecnologia ao seu serviço”, começa por nos explicar Filipe Portela. Para o nosso entrevistado a tecnologia não estava a ser devidamente aproveitada para ajudar, de facto, a sociedade. “Os problemas existem, a tecnologia existe, portanto esta é a altura de criar algo diferenciador para tentar resolver esses problemas. Somos, assim, desde a sua génese, uma startup diferenciadora com um projeto inovador e com o propósito de inovar no dia-a-dia”, acrescenta. A IOTech tem, assim, como foco os problemas da

FILIPE PORTELA

sociedade, os negócios e as pessoas. “Qualquer uma das nossas soluções tem de ser aplicada de forma a que as pessoas sejam beneficiadas. Antes de lançarmos o produto para o mercado fazemos sempre um trabalho de investigação, identificamos uma carência ou uma falha, contactamos as empresas e só depois de se mostrarem recetivas é que desenvolvemos uma solução completamente personalizada e adaptada à organização”, diz-nos Filipe Portela. Exemplo disso é a solução que a IOTech desenvolveu para a Riopele, a ioGuest, para solucionar problemas relacionados com todo o processo inerente desde a marcação de uma reunião à chegada das visitas à empresa. O principal objetivo é simplificar e automatizar todo o processo de agendamento, gestão e realização de qualquer visita que ocorra dentro da organização. Mais tarde, e sendo Filipe Portela professor universitário, a IOTech identificou um problema relacionado com a marcação de presenças o que resultou na criação de uma parceria com o Instituto Politécnico do Porto para a criação do ioAttend que tem como principal objetivo simplificar o processo de marcação de presenças, em determinado espaço, com autenticação tripla: pessoa, local e dispositivo (p. ex. smartphone). “Tudo isto são customizações à medida”, afirma Filipe Portela. “Em termos da IOTech não desenvolvemos produtos fechados, queremos ser antes um parceiro que acrescenta valor. Qualquer organização pode recorrer às nossas soluções que são facilmente adaptadas ao sistema que já exista na empresa”, diz-nos, ainda. Com uma plataforma de prestação de serviços, o ioServ, e com produtos customizados às

necessidades das empresas e focados nas pessoas, a IOTech assume-se como uma empresa de pessoas com ideias inovadoras, fora da caixa e que quer fazer algo diferenciador. “Não nos ficamos só pelo fazer. Aliamos a componente da investigação ao desenvolvimento das nossas soluções. A par disso, tenho uma equipa focada e dedicada que sabe onde queremos chegar”, adianta Filipe Portela. Resultado de outro problema detetado na sociedade foi a ioAcademy. “As empresas não estão preparadas para as universidades e as universidades não estão preparadas para as empresas. Por isso, aquando da criação da empresa foi fundada, simultaneamente, uma academia interna, a ioAcademy. Através de parcerias com as instituições de ensino superior são recrutados alunos em fase de aprendizagem. “Esses alunos não vêm trabalhar para a IOTech, vêm aprender. Para isso os nossos colaboradores têm definido um número de horas por semana para ajudar na sua formação. Com isto estamos a criar uma equipa muito forte como resultado da formação, experiência e know-how adquiridos na academia”, conclui Filipe Portela. ▪

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FICHA TÉCNICA Propriedade, Administração e Autor Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda. Administração Redação Departamento Gráfico Rua Rei Ramiro 870, 2º J 4400 - 281 Vila Nova de Gaia Telefone +351 220 926 879 Sede da entidade proprietária: Rua Oriental nrº. 1652 - 1660 4455-518 Perafita Matosinhos Outros contactos: +351 220 926 877/78/79/80 E-mail: geral@pontosdevista.pt redacao@pontosdevista.pt www.pontosdevista.pt www.facebook.com/pontosdevista Impressão Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas Distribuição Nacional / Periodicidade Mensal Registo ERC nº 126093 NIF: 509236448 | ISSN: 2182-3197 Dep. Legal: 374222/14

DIRETOR: Jorge Antunes

ÍNDICE DE TEMAS

EDITOR: Ricardo Andrade Rua Rei Ramiro 870, 2º J 4400 – 281 Vila Nova de Gaia PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS: Ana Rita Silva | Elisabete Teixeira PAGINAÇÃO: MÓNICA FONSECA GESTÃO DE COMUNICAÇÃO: João Soares | Miguel Beirão | Vítor Santos | Ana Carolina Durante FOTOGRAFIA: Diana Quintela - www.dianaquintela.com Rui Bandeira - www.ruibandeirafotografia.com Assinaturas Para assinar ligue +351 22 092 68 79 ou envie o seu pedido para Autor Horizonte de Palavras – Edições Unipessoal, Lda Rua Rei Ramiro 870, 2º J, 4400 - 281 Vila Nova de Gaia E-mail: assinaturas@pontosdevista.pt

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AIR CANADA CELEBRA O REGRESSO

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AXIZ E O PAPEL NO DESENVOLVIMENTO DE MOÇAMBIQUE

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KUDUMBA CELEBRA COM O GOVERNO MOÇAMBICANO

6 A 9 DA ROTA PORTO -TORONTO

24 A 27 ATRAVÉS DA TECNOLOGIA

30 A 32 UM CONTRATO DE CONCESSÃO PARA OS PRÓXIMOS 20 ANOS EM SERVIÇOS DE INSPEÇÃO NÃO INTRUSIVA

Preço de capa:

4,00 euros (iva incluído a 6%) Assinatura anual (11 edições): Portugal: 40 euros (iva incluído a 6%), Europa: 65 euros Resto do Mundo: 60 euros

Os artigos nesta publicação são da responsabilidade dos seus autores e não expressam necessariamente a opinião do editor. Reservados todos os direitos, proibida a reprodução, total ou parcial, seja por fotocópia ou por qualquer outro processo, sem prévia autorização do editor. A paginação é efetuada de acordo com os interesses editoriais e técnicos da revista, exceto nos anúncios com a localização obrigatória paga. O editor não se responsabiliza pelas inserções com erros, lapsos ou omissões que sejam imputáveis aos anunciantes. Quaisquer erros ou omissões nos conteúdos, não são da responsabilidade do editor.

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WEALINS: CONHEÇA A ESTRATÉGIA DE ABORDAGEM

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ANTICIMEX E OS FACILITIES MANAGEMENT NO CONTROLO DE

45 A 47 DIFERENCIADORA NO SETOR DOS SEGUROS

53 PRAGAS PARA UMA EFICIENTE GESTÃO DE EDIFÍCIOS

Editorial A Revista Pontos de Vista apresenta-se como uma publicação editada pela empresa de comunicação empresarial Horizonte de Palavras, sendo de frequência mensal, assume-se como um meio de comunicação que pretende elevar as potencialidades do tecido empresarial em Portugal. Assumimos o compromisso de promover paradigmas práticos e autênticos do que de melhor existe em Portugal, contribuindo decisivamente para a sua vasta difusão.

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» AIR CANADA

AIR CANADA VOLTA A LIGAR PORTO A TORONTO ATÉ OUTUBRO Maximiliano Campos, Country Manager da Air Canada Portugal e Espanha, em entrevista à Revista Pontos de Vista fala sobre a rota Porto-Toronto sazonal da Air Canada assim como das distinções que a companhia aérea recebeu, tais como: Melhor Classe Económica Premium, Melhor Entretenimento a Bordo e a distinção de Melhor Companhia aérea da América do Norte pelo terceiro ano consecutivo. Saiba tudo.

A MAXIMILIANO CAMPOS

Air Canada vai relançar os voos do Porto para Toronto, o que está na origem desta decisão? O nosso serviço sazonal do Porto a Toronto foi lançado no ano passado e, em resposta à procura que temos vindo a ter para esta rota, estamos muito satisfeitos por podermos operar este serviço mais uma vez no próximo verão. A Air Canada orgulha-se de servir Portugal desde o primeiro voo operado em 2015. Embora não possamos fornecer números específicos do mercado, podemos dizer que estamos satisfeitos com o nosso desempenho em Portugal. O setor de aviação é dinâmico e é importante que continuemos a ouvir os nossos clientes, fornecendo serviços premiados para o Canadá e além. O local escolhido para a celebração foi o Hotel Yeatman, em Vila Nova de Gaia. Porquê essa escolha? Queremos celebrar com a nossa indústria de viagens no Porto o relançamento do nosso voo em Toronto num local que oferece excelentes vistas para a cidade, numa atmosfera relaxante com boa comida e vinhos, para que possamos interagir e desfrutar da hospitalidade portuguesa que, na minha opinião, tem muito em comum com a hospitalidade canadiana.

PONTOS DE VISTA

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As recentes novas ligações do Porto vão disponibilizar que tipo de serviços aos passageiros? O serviço sazonal da Air Canada do Porto ao nosso hub de Toronto Pearson, permite que os clientes de Portugal se conectem convenientemente a uma ampla variedade de destinos em toda a nossa rede norte-americana e internacional. A Air Canada é a única operadora de rede internacional na América do Norte a receber um ranking de quatro estrelas de acordo com a Skytrax, firma de pesquisa independente do Reino Unido, que também nomeou a Air Canada como a Melhor Companhia Aérea 2018 na América do Norte. Esta nova operação traz novas oportunidades de tráfego de lazer e visitas familiares, mas também de negócios? A Air Canada Rouge, operadora de lazer da Air Canada, é uma ótima combinação para o mercado português e vemos uma mistura de clientes nessa rota. Os serviços da Air Canada Rouge oferecem uma ampla gama de produtos para atender às diferentes necessidades dos clientes e uma programação de voos que otimiza a conetividade de toda a


A Air Canada tem crescido e apostado em novos mercados internacionais, o Porto tem sido uma consequência natural deste crescimento? Como operadora nacional do Canadá, oferecemos aos viajantes um serviço de qualidade, bem como uma variedade sem precedentes de conexões do nosso hub em Toronto Pearson. O lançamento do nosso serviço do Porto em 2018 permitiu-nos ligar esta próspera região de Portugal diretamente à maior cidade do Canadá, incentivando o turismo e os negócios para ambos os países. Esperamos que o forte interesse nas nossas rotas portuguesas continue, o que reafirma o compromisso da Air Canada com Portugal. A Air Canada é a maior companhia aérea doméstica e internacional do Canadá, atendendo a mais de 200 aeroportos em seis continentes. A companhia aérea de bandeira do Canadá está entre as 20 maiores companhias aéreas do mundo e em 2016 atendeu cerca de 45 milhões de clientes. A Air Canada oferece serviço regular de passageiros diretamente para 64 aeroportos no Canadá, 57 nos Estados Unidos e 98 na Europa, Oriente Médio, África, Ásia, Austrália, Caribe, México, América Central e América do Sul.

2015 PRIMEIRO VOO

A Air Canada orgulha-se de servir Portugal desde o primeiro voo operado em 2015. Embora não possamos fornecer números específicos do mercado, podemos dizer que estamos satisfeitos com o nosso desempenho em Portugal.

Em 2018, os voos entre o Porto e Toronto eram sazonais, ocorrendo entre junho e outubro. Este ano será o mesmo? Por que esses meses especificamente? Este serviço sazonal está em linha com a demanda nesta rota nesta época do ano.

Faz parte dos planos da empresa tornar esta rota que, até agora tem sido sazonal, numa rota permanente? Continuaremos a concentrar-nos em servir os nossos clientes portugueses, proporcionando um serviço de primeira classe, maior escolha de viagens e possibilidades de ligação convenientes. Com a introdução de duas novas rotas de Portugal em 2018 (Porto-Toronto e Lisboa-Montreal), a Air Canada Rouge está agora a servir dois aeroportos em Portugal com voos programados para fornecer aos nossos clientes em Portugal ligações convenientes e rápidas através dos nossos hubs e uma extensa rede de destinos futuros nas Américas. Em 2018, o aeroporto Francisco Sá Carneiro recebeu quase 12 milhões de passageiros, tornando-se o aeroporto português que mais cresceu naquele ano. Na sua opinião, o que esses números revelam? Isto representa o trabalho bem feito que tem sido feito por parte de Portugal relativamente ao turismo. O Conselho de Aeroportos (ACI) elegeu o Aeroporto do Porto como o segundo melhor da Europa em 2018. Concorda? Por quê? Estamos muito satisfeitos com os serviços que recebemos dos aeroportos que servimos em Portugal. Recentemente, a Air Canada foi premiada com a eleição de Melhor Classe Económica Premium e Melhor Entretenimento a Bordo pelos 2019 Leisure Lifestyle Awards. O que você diria que vos diferencia e vos torna os preferidos dos passageiros nestes temas? Envolver os clientes e garantir uma excelência no serviço de atendimento são as prioridades-chave para a Air Canada. Estamos muito satisfeitos por termos recebido dois prémios de alto nível: para nossa classe Económica Premium e entretenimento a bordo, por parte dos mais exigentes leitores da Global Traveler, cujas extensas viagens idealmente as posicionam para avaliar a nossa indústria. Estamos satisfeitos que eles apreciem o trabalho árduo e dedicação dos nossos funcionários ao providenciar uma experiência superior ao cliente e os nossos investimentos contínuos nos nossos produtos para garantir que continuamos a presentear os nossos clientes com o melhor do setor. ▪

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rede através dos hubs da Air Canada em Toronto e Montreal. A Air Canada Rouge oferece duas classes de serviço: Classe Premium Economy (24 lugares na frente da cabine) com serviço diferenciado: poltronas mais largas, serviço personalizado, menú de refeições quentes, check-in exclusivo, prioridade de bagagem, prioridade no embarque / desembarque e Classe Económica na restante cabine, sendo que as quatro primeiras filas da Classe económica oferecem espaço alargado para as pernas. Estamos orgulhosos de oferecer o mais amplo assento Economy de qualquer Canadian Leisure Airline. O serviço de classe económica oferece tecnologia avançada de assentos para aeronaves com apoios de cabeça ajustáveis p ​​ ara ainda mais conforto, uma refeição quente de cortesia, bebidas não alcoólicas e lanches saborosos ao voar internacionalmente, filmes gratuitos, incluindo novos lançamentos e programas de TV, transmitidos diretamente para seu tablet, smartphone ou laptop. Para telemóveis e tablets, certifique-se de baixar o aplicativo da Air Canada na Apple Store ou no Google Play antes de embarcar.


» EVENTO

UM BRINDE AO REGRESSO DA ROTA

PORTO - TORONTO

F

oi no passado dia 18 de junho que a Air Canada organizou um cocktail para celebrar o segundo ano em que o Porto terá uma rota sazonal diretamente para Toronto. O Hotel Yeatman, em Vila Nova de Gaia, foi o palco escolhido para festejar este regresso da companhia ao Porto. Presentes estiveram agentes de viagens, convidados especiais e até para os curiosos houve espaço. O ambiente foi descontraído, animado e com um final marcado pelo sorteio de uma viagem para duas pessoas a Toronto.

PONTOS DE VISTA

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A Air Canada atravessa uma fase esplêndida em termos de resultados. A Skytrax atribuiu o prémio de melhor companhia aérea da América do Norte pela oitava vez em dez anos, sendo que em 2019 o prémio foi atribuído pela terceira vez consecutiva. Este é um prémio baseado em pesquisas de satisfação de passageiros de mais de 21 milhões de viajantes globais.

Os passageiros não se inibem de elogiar a companhia que opera a nível global e que com o passar dos anos não para de conquistar novos mercados. Ao viajar para os EUA com a Air Canada via Toronto, Montreal, Calgary ou Vancouver, os passageiros podem efetuar os procedimentos legais de entrada nos EUA em qualquer de um destes aeroportos no Canadá evitando as longas filas de entrada no país americano. À sua chegada, os passageiros apenas têm de levantar a bagagem e deixar o aeroporto, o que torna todo o processo muito mais célere e agradável. Este serviço é ainda desconhecido da generalidade do mercado mas é sem dúvida uma mais-valia que a Air Canada oferece aos seus passageiros. A Air Canada é a maior linha aérea do Canadá, atualmente é a décima nona maior linha aérea do mundo em número de passageiros transportados anualmente, possui ainda a décima segunda maior frota do mundo e emprega mais de 42 mil pessoas. ▪


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» TRANSFORMAÇÃO DIGITAL OPINIÃO DE CÍNTIA COSTA E PEDRO REBORDÃO, MARKETING E COMUNICAÇÃO DO LISPOLIS

PORQUE DEVEM AS EMPRESAS APOSTAR NA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL? O mercado tem vindo a mudar e as empresas portuguesas mostram sinais de transição para uma era mais conectada e dependente da tecnologia. Contudo, a mudança em Portugal é feita a um ritmo mais demorado.

PONTOS DE VISTA

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egundo dados do website IoT Analytics, registaram-se mais de 17 mil milhões de dispositivos conectados em 2018, sendo que entre estes estão 7 mil milhões dispositivos de IoT (Internet of Things), número que exclui smartphones, tablets, laptops e telefones fixos. Já em 2020, estima-se que o número de dispositivos IoT suba para 20 mil milhões e em 2025 para cerca de 22 mil milhões. O crescimento destes dispositivos tem impacto no dia-a-dia de pessoas, que aderem cada vez mais a veículos e casas conectadas, e de empresas, que têm de adaptar os seus processos e por vezes modelos de negócio aos novos paradigmas da tecnologia. Segundo a IDC, empresa líder mundial na área de market intelligence, advisory e eventos para os mercados das Tecnologias de Informação e Transformação Digital, o IoT será o principal catalisador de desenvolvimento para o país a curto prazo. Contudo, a consultora prevê que apenas 30% da economia portuguesa estará digitalizada em 2021, o que será um número baixo quando comparado com a previsão da digitalização da economia a nível mundial, que atingirá os 50%

A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL EM PORTUGAL

O estudo Maturidade Digital das Empresas em Portugal, realizado pela NovaSBE Center for Digital Business & Technology em parceria com a EY em outubro de 2018, indica que a transformação digital é um processo demorado: embora 41% das empresas garantam ter iniciado o seu processo de Transformação Digital há mais de 5 anos, apenas 35% afirmam ter um nível avançado de implementação nas novas tecnologias. O mesmo estudo refere que 75% das empresas que participaram explicam existir uma grande aposta na implementação dos processos de marketing digital e redes sociais nas suas organizações. Do universo de empresas inquiridas, 65% aposta em cloud computing, 61% em big data e analytics e pouco mais de 50% em IoT. Estas novas tecnologias têm vindo a ganhar cada vez maior importância no mercado de trabalho digital, e com o avanço tecnológico surge a necessidade de mais recursos especializados. O relatório The State of Application Development 2019 da Outsystems indica que 51% das organizações portuguesas investiram no cres-

cimento das suas equipas de desenvolvimento de software em 2018. Contudo, nem todas as necessidades são colmatadas e mais de 60% das empresas auscultadas no estudo da NovaSBE / EY reconhecem não ter habilitações e conhecimentos digitais adequados, o que pode gerar um aumento da procura pelo talento em Portugal. Esperamos assim assistir nos próximos anos a um aumento da contratação de colaboradores especializados e a um crescimento da aposta das empresas na formação de recursos já contratados.

O CONSUMIDOR NO CENTRO

A Transformação Digital vem também mudar a forma como os negócios olham para todo o processo de venda e o papel do seu consumidor. Enquanto anteriormente se baseava todo o planeamento de produto e de venda em ideias generalizadas e não comprovadas sobre os consumidores, existem hoje em dia um conjunto de metodologias, que incluem o UX Design e a utilização de Big Data para se chegar a conclusões com base em factos, que permitem decisões mais fundamentadas e adapta-


FOTO: SPARK2D / TANGÍVEL

LABORATÓRIO DE UX NO LISPOLIS

a partir da observação, do diálogo, daquilo que o utilizador está a fazer e do seu comportamento gestual e corporal, podemos inferir muitas coisas”, clarifica André. Empresas como Santander, SIBS, Critical Software, Médis, Cetelem, ANACOM e a Worten são já clientes da Tangível e percebem a potencialidade e o benefício da utilização de testes de usabilidade, uma vez que é através destes que conseguem inferir como podem melhorar continuamente as suas soluções para o utilizador final, ao obterem uma perceção real, adquirida através da observação, do funcionamento dos seus produtos do lado do consumidor.

uma lógica de jogo que permite a criação de missões e atribuição de prémios aquando do alcance dos objetivos, Tiago explica que transformou por completo a experiência dos colaboradores. “Na Worten, a gamification permitiu o aumento do feedback e transparência, assim como oportunidades de reconhecimento e recompensa para os outliers. A introdução de mecânicas de jogo para a operação, não só a tornou mais gratificante, com +80% dos colaboradores satisfeitos com o novo processo, como impactou positivamente os resultados, gerando um aumento de 6% de vendas por colaborador ao abrigo

HUMANIZAR A TRANSFORMAÇÃO

É importante envolver as pessoas no processo de transformação, uma vez que qualquer mudança gera alguma apreensão, nomeadamente por parte dos colaboradores das empresas. “A envolvência das pessoas no processo de transformação atinge dois grandes objetivos: por um lado, garante que a solução endereça um problema real das pessoas, que são o principal ativo da organização; por outro lado, reduz e em muitos casos elimina quase por completo a carga de um processo de gestão de mudança associado a iniciativas de transformação”, explica Tiago Perdigão, Business Devil & CEO da Fractal Mind, empresa especialista em processos de gamificação que tem vindo a ajudar as empresas portuguesas como a Worten a alcançar os seus objetivos internos ao envolver os colaboradores. “Se a solução foi construída pelas pessoas, não lhes está a ser imposto, há uma noção de ownership que deriva da participação no processo, aquilo a que chamamos o efeito IKEA”, complementa. No caso da WortenWinners, plataforma que fomenta a motivação da força de vendas através de

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ções das empresas em tempo real. Marta Lousada, E-commerce & Digital Manager da Sephora Portugal, afirmou durante o Expo Fórum Digitalks Lisboa 2019 que 93% das vendas de retalho em Portugal continuam a ser nas lojas físicas, mas mais de metade (63%) são influenciadas por touchpoints digitais antes da compra. Sabemos ainda que o consumidor português passa cerca de 6h38min por dia online, das quais cerca de um terço (2h27min) é passado em mobile. Estes dados, disponíveis no relatório Digital 2019 criado pela Hootsuite e We Are Social, são complementados com a informação de que mais de 7 milhões de portugueses (69% da população total) utilizam a internet via mobile. “Os consumidores têm novos hábitos e a transformação digital tem muito a ver com isso. Não é apenas porque chegaram tecnologias novas, é também porque os consumidores mudaram a sua forma de escolha: no passado a seleção de um produto ou serviço tinha muito a ver com preço e disponibilidade, mas hoje em dia está a ganhar cada vez mais importância a experiência”, refere André Carvalho, Partner da Spark2D e da Tangível. A questão dos testes de usabilidade ganha uma grande dimensão e impacto no mercado atual, e é por isso que a Tangível criou um Laboratório de UX no LISPOLIS, em que realiza testes com utilizadores reais. “O Laboratório é constituído por duas salas e um conjunto de equipamentos de teste, câmaras e outras tecnologias para registar tudo o que o utilizador faz. Por exemplo, se estivemos a trabalhar num browser, interessa-nos perceber o movimento do rato e os cliques, porque isso pode dar-nos pistas sobre hesitações, por exemplo, interessa-nos gravar tudo o que o utilizador diz, para onde olha, linguagem corporal, expressões faciais, entre outras, porque

da experiência gamificada, face ao grupo de controlo”, revela. A Gamification é um mercado em grande expansão em Portugal e no Mundo. Segundo dados do Mordor Intelligence, o mercado global de gamificação foi avaliado em US $ 5,5 bilhões em 2018, e estima-se uma taxa de crescimento anual composta de 30,31% ao longo do período 2019-2024. As vantagens da gamificação das empresas são cada vez mais difíceis de ignorar: a capacidade de envolver colaboradores e clientes, de obter feedback, de funcionar numa lógica de cocriação, de reconhecer esforços, de promover a competição saudável, de motivar, de oferecer autonomia aos colaboradores e de criar um novo mundo de ‘jogo’ que vem trazer algo de disruptivo à rotina. “A gamification é elemento diferenciador neste tipo de processos por uma simples razão: poucos fenómenos despertam emoções tão fortes quanto os jogos”, indica Tiago. “A utilização de mecânicas de jogo fornece às organizações uma ferramenta para despertar as emoções que mais movem os seus colaboradores, gerando a motivação necessária para as mudanças comportamentais que suportam os processos de transformação”, remata. ▪


» BIM - BUILDING INFORMATION MODELLING

COMO A TECNOLOGIA BIM ESTÁ A REVOLUCIONAR AS EMPRESAS A Global Geosystems é distribuidora oficial e exclusiva no norte da Espanha de instrumentos topográficos da marca Leica Geosystems. Antonio Santos, Portugal Country Manager da Global Geosystems, S.L., fala-nos da importância das adoção de soluções tecnológicas e do conceito BIM.

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ue principais marcos contam a história do vosso percurso? A Global Geosystems é uma empresa que conta com quase 20 anos de experiência na distribuição de equipamentos e software com aplicação nas áreas da topografia, construção, arquitetura, controlo de máquinas, e sistemas de informação geográfica, entre outros. Contamos com cinco escritórios no norte de Espanha, e procuramos agora marcar presença física também em Portugal, país onde já temos um volume assinalável de negócios, a partir da nossa loja online, topotienda.com. Nos últimos cinco anos, em estreita colaboração com a Leica Geosystems, temos vivido um período de crescimento muito significativo, que nos tem colocado num patamar de grande importância neste setor na Península Ibérica.

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ANTÓNIO SANTOS

Hoje, que papel a Global Geosystems assume no mercado? A Global Geosystems é o maior distribuidor da Leica Geosystems em toda a Península Ibérica, e um dos maiores a nível europeu. Disponibilizamos um serviço de assistência técnica com o nível de qualificação mais elevado que a marca outorga e reconhece. Para além da venda de equipamentos e software, contamos com um moderno e amplo parque de aluguer, em todas as vertentes de atividade a que nos dedicamos. Os nossos cerca de 20 profissionais têm uma elevada qualificação técnica, o que nos permite garantir aos nossos clientes o aconselhamento, formação e suporte técnico mais indicado para a sua realidade, de acordo com as suas necessidades e especificidades. O BIM (Building Information Modelling), mais que uma solução ou conjunto de ferramentas tecnológicas, é um conceito operacional que tem por base a integração, partilha, colaboração e verificação de um conjunto de processos inerentes à conceptualização e execução de uma determinada estrutura. Trata-se de um novo paradigma na digitalização da indústria? O conceito BIM visa principalmente a adoção de novos fluxos de trabalho na gestão de todo o ciclo de vida de qualquer edifício ou estrutura, seja novo ou preexistente. Isto porque estes fluxos de trabalho podem ser implementados imediatamente na fase de conceção e projeto, ou mais


A Global Geosystems é o maior distribuidor da Leica Geosystems em toda a Península Ibérica, e um dos maiores a nível europeu. Disponibilizamos um serviço de assistência técnica com o nível de qualificação mais elevado que a marca outorga e reconhece

Surge assim como uma solução para modernização e reestruturação da indústria, estimulando a colaboração, incentivando a desmaterialização e elevando a importância de melhores desempenhos e processos mais eficientes. De que forma o BIM se apresenta, portanto, uma mais-valia nas operações da Global Geosystems? Como distribuidor oficial da Leica Geosystems, a Global Geosystems tem acompanhado, desde o início, a adoção das soluções tecnológicas da marca nas necessidades de empresas e pessoas que implementam, ou pretendem implementar, todas, ou parte, das fases de um fluxo BIM. Estas soluções constituem já uma parte importante do nosso volume de negócios, com um rápido crescimento tanto no mercado espanhol, como no português. Temos capacidade de prestar serviços de venda, mas também de aluguer, formação e consultoria técnica, relativos às diversas solu-

ções tecnológicas que a marca tem desenvolvido para aplicação neste conceito. As soluções desenvolvidas pela Leica Geosystems, com aplicabilidade no conceito BIM, compreendem ferramentas de hardware como: laser scanners fixos ou móveis, estações totais robóticas, recetores GNSS, veículos aéreos não tripulados, e sistemas de deteção de elementos e estruturas subterrâneos; e ferramentas de software que se aplicam a todas as fases de trabalho do conceito BIM, como por exemplo: documentação do estado existente em todas as fases de vida do edifício ou estrutura; criação de modelos 3D de todos os elementos construtivos; verificação e validação de todas as fases de construção e reabilitação, em todas as especialidades; partilha de dados e apoio ao trabalho colaborativo sobre o modelo ou documentação da realidade; ou deteção de colisões, entre outros. Mas que desafios esta abordagem acarreta? Como resultado do nosso conhecimento técnico e comercial, e à nossa experiência no mercado da construção, temos a capacidade de apoiar os nossos clientes a superar todos os desafios que se coloquem no seu trabalho diário.

Sabemos que a adoção deste novo conceito produz a necessidade de identificar e implementar as ferramentas de hardware e software, e os fluxos de trabalho, que melhor se adequam à sua atividade, mercado, clientes e projetos, bem como de formar, de maneira suficiente e eficiente, os seus recursos humanos, para poder obter o maior benefício dessa adoção, minimizando o impacto inicial na sua produtividade. De qualquer maneira, a adoção deste conceito constitui uma necessidade para todas as empresas e profissionais ligados de alguma maneira aos setores da construção, manutenção, reabilitação e gestão de edifícios e estruturas, da qual não poderão mais prescindir, no curto ou médio prazo. Adiar a transição para este novo conceito coloca um risco elevado de perda de competitividade, tanto no mercado internacional, como no nacional. Em resumo, acreditamos que o risco de prescindir da adoção deste conceito é muito maior que o custo de superar os desafios que coloca a sua implementação. Desde que o conceito de BIM surgiu que o debate se prende em torno do seu valor e aplicação, mas mais do que isso o que se deve saber para ser implementado com sucesso e desbloquear o seu verdadeiro valor? Fundamentalmente, conhecer e recorrer aos serviços de empresas especializadas, como a Global Geosystems, que são capazes de suprir todas as necessidades de consultoria técnica e comercial, e de formação, que cada profissional e empresa possam sentir para a completa e eficiente implementação deste conceito no seu trabalho diário. ▪

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tarde, numa fase de utilização e exploração. Pode inclusive ser aplicado a edifícios históricos ou com interesse patrimonial, numa ótica de apoiar e melhorar a sua gestão, manutenção ou reabilitação. Compreende este conceito, sem dúvida, um paradigma totalmente novo nos processos de projeto, construção e manutenção de edifícios e estruturas, com especial ênfase na introdução do conceito de trabalho colaborativo, suportado na partilha de informação, utilizando como base um “gémeo digital” do edifício ou estrutura real, que replica, tanto quanto possível, todo o tipo de comportamentos e respostas do objeto real, na sua análise com recurso a software dedicado.


» BIM - BUILDING INFORMATION MODELLING

BIM, O MODELO QUE ESTÁ A REVOLUCIONAR O SETOR DA CONSTRUÇÃO

AEROPORTO CHILE

O Building Information Modelling (BIM) já existe há mais de uma década mas apenas mais recentemente se começa a expandir a sua utilização no setor da construção em Portugal. A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Romeu Simões e Bernardino Lima da TECHONIS, que nos explicaram de que forma esta metodologia de trabalho acrescenta valor a quem a utiliza. ROMEU SIMÕES E BERNARDINO LIMA

PONTOS DE VISTA

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I

magine-se a poder construir o mais complexo dos edifícios vários meses antes sequer das máquinas entrarem no terreno. Durante muitos anos a deteção de problemas com a exequibilidade dos projetos, coordenação das várias especialidades e também deteção de desvios nas previsões das quantidades de projeto apenas acontecia em fase de obra. Com a implementação do BIM essa “construção virtual” permite-nos tentar detetar e resolver esses

problemas em fases mais embrionárias dos empreendimentos.

O QUE É O BIM?

O conceito BIM passa pela modelação digital, não apenas na sua questão geométrica (3D), mas com muitas camadas adicionais de informação que vão desde especificações técnicas dos materiais, marcas, datas (planeadas, entrada em obra), durações de manutenção previstas,

etc. Estas várias camadas de informação transformam o que pode ser subvalorizado como apenas um modelo 3D num modelo nD (representando n as várias camadas de informação presentes em cada elemento). Com as várias equipas a trabalhar em BIM (mesmo que em softwares diferentes) permite trabalhar de uma forma mais colaborativa. Permite também olhar para o ciclo de vida de uma outra forma: a informação digital que vai, não só, acompanhar as fases de projeto e construção como a operação e manutenção. A adoção do BIM tem sido relativamente lenta em Portugal. Tudo começa na valorização que se dá à qualidade do projeto. Há alguns donos de obra que “ainda não percecionam a mais-valia de um projeto com BIM integrado”, conta Bernardino Lima. “No entanto, a nível internacional já existem exigências para que se utilize o BIM, pelo que a sua utilização permanente tornar-se-á algo inevitável”, elucida Romeu Simões. Em alguns países que a sua utilização é obrigatória já há alguns anos. Em Portugal, ainda não o é mas os nossos interlocutores acreditam que seja algo que acontecerá num futuro próximo. Mais importante que ser obrigatório será haver a perceção das suas vantagens evidentes: mais trabalho colaborativo e melhor comunicação são os pontos mais visíveis numa primeira fase. O BIM traz consigo uma capacidade de otimizar custos e de redução de erros. Os nossos entrevistados falam no papel das Entidades Públicas que será crucial para o


“A nível internacional já existem exigências para que se utilize o BIM, pelo que a sua utilização permanente tornar-se-á algo inevitável” Romeu Simões

O BIM NA TECHONIS

A TECHONIS é uma empresa de engenharia, criada em 2016, por fundadores com uma vasta experiência internacional. A génese da empresa é Engenharia de Estruturas mas a oferta estende-se a todas as especialidades de engenharia necessárias aos projetos de construção, de uma forma integrada. Grande parte do seu trabalho desenvolve-se a nível internacional estando já presentes em sete mercados e três continentes. A área de projeto e consultoria representa cerca

SANTIAGO-AEROPORTO

de 90% da atividade da empresa mas que também realiza trabalhos de fiscalização e coordenação de segurança em obra. Com uma equipa experiente nessa área oferece desde a sua génese consultoria e projeto baseado em BIM. Ainda não é de uso generalizado e em algumas obras em que intervêm onde a aplicação do BIM ocorre apenas em algumas especialidades e outros intervenientes não trabalham em BIM, a mais-valia que acrescentaria o modelo de algumas das especialidades é menor. Para reforçar a capacidade de integração e coordenação das diversas especialidades o BIM aparece como uma forma de aumentar a qualidade do projeto e a qualidade da própria coordenação. Numa fase inicial há sempre inevitavelmente uma fase de investimento de tempo em formação e aprendizagem mas em fase “cruzeiro” já se nota também optimização do tempo nas tarefas de projeto e coordenação. Neste momento um bom exemplo das mais-valias que representa o BIM pode ser visto num projeto em que a TECHONIS está envolvida a nível de projeto e de coordenação. A ampliação do aeroporto de Santiago do Chile

em que trabalha diretamente para o consórcio VINCI-ASTALDI está a ser desenvolvido integralmente em BIM. “Há equipas espalhadas pelos quatro cantos do mundo em vários fusos horários” referem os entrevistados. A vertente colaborativa baseia-se numa plataforma central para intercâmbio dos modelos das várias especialidades bem como para partilha dos modelos de coordenação. O BIM neste projeto é utilizado em várias vertentes, tendo começado no desenvolvimento dos anteprojetos, durante toda a fase dos projetos de execução e também para fabrico, construção e manutenção. Dos modelos BIM são extraídas todas as informações necessárias para se efetuar o fabrico e encomenda dos vários elementos que compõe a construção e, posteriormente, os mesmos modelos e informação extraída deles serve de apoio à construção propriamente dita. No final os modelos BIM terão a informação de projeto mas também toda a informação relativa à construção (modelo “as built”) que servirá de base a todas as operações de manutenção (“facility management”). ▪

15 JUNHO 2019

começo do uso do BIM: “Se estes organismos assumirem o papel de impulsionador será bom para que depois os investidores privados lhe sigam o exemplo.” Algumas entidades já estudam a sua aplicabilidade e obrigatoriedade de, por exemplo, submissão de projetos de licenciamento em algumas câmaras municipais em BIM. “Nas grandes obras o cliente não hesita em ter e exigir a modelação BIM pelas mais-valias que representa. Em Portugal, alguns projetos de alguma dimensão já estão a adotar o modelo” referem os nossos entrevistados. Em Portugal “ainda se pensa pouco na manutenção dos edifícios e mais apenas no investimento inicial”, diz Bernardino Lima. O BIM associado a outras ferramentas de facility management também acrescentam valor à fase de exploração e manutenção dos empreendimentos e não apenas às fases iniciais de projeto e construção.


» ÍNDICE DE INOVAÇÃO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

“O TALENTO ALIADO AOS NOSSOS VALORES, É FUNDAMENTAL PARA O SUCESSO NO CAMPO DA INOVAÇÃO” A Revista Pontos de Vista conversou com Vítor Papão, Diretor-Geral da Gilead Sciences Portugal, sobre o Índice de Inovação da Indústria Farmacêutica e como a Gilead lidera, pela primeira vez, o 2019 Pharmaceutical Innovation Index.

PONTOS DE VISTA

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ela primeira vez, a Gilead lidera o 2019 Pharmaceutical Innovation Index. Em que se traduz este Índice de Inovação da Indústria Farmacêutica? A Gilead tem tido um desempenho consistente desde 2016, ano em que integrou este índice, tendo subido um lugar por ano até primeiro da tabela. O Pharmaceutical Innovation Index avalia, pontua e celebra a capacidade das Empresas para entregar inovação aos doentes, avaliando objetivamente o seu desempenho com base num período de cinco anos (no caso, 20132018) e classificando-as quanto às suas competências para trazer produtos para o mercado e comercializá-los com sucesso. Permita-me também referir o lançamento do relatório global Corporate Reputation of Pharma 2018 (Reputação Institucional da Indústria Farmacêutica 2018), o qual avaliou a Gilead como a segunda companhia farmacêutica mais

reputada no mundo, de acordo com um estudo realizado junto de Associações de doentes. O relatório baseia-se nos resultados de uma pesquisa do PatientView, de novembro de 2018 a fevereiro de 2019, explorando a opinião de 1.500 Associações de doentes, de 78 países em todo o mundo, e avaliando 46 empresas farmacêuticas. Esta posição é sinónimo de orgulho, mas também de um acréscimo de responsabilidade? A Gilead, enquanto empresa biofarmacêutica especializada nas áreas do VIH/SIDA, das Hepatites Víricas e da Oncologia, tem investido em investigação e desenvolvimento para transformar e simplificar os tratamentos de pessoas com doenças potencialmente fatais em todo o mundo. Liderar o ranking da inovação farmacêutica e sermos reconhecidos pelas Organizações

de doentes no relatório anual de reputação da indústria farmacêutica deixa-nos naturalmente orgulhosos. A verdade é que farmacêutica integrou esta lista em 2016, tendo subido um lugar por ano, até chegar ao primeiro da tabela. O que tem vindo a ser feito durante estes anos? Qual tem sido a estratégia da Gilead Sciences? A Gilead integra no seu ADN a participação ativa e empenhada na busca de soluções que permitam potenciar as mais-valias da inovação que introduz no mercado. É o que acontece no apoio que tem prestado a instituições científicas e a associações de doentes para a definição de estratégias que permitam cumprir objetivos de saúde pública propostos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como a eliminação da hepatite C e controlo epidemiológico da infeção pelo VIH até 2030, plasmada no objetivo


VÍTOR PAPÃO

90x90x90 que traduz a meta, de nesse ano, 90 por cento da população infetada conheça a sua situação, que destes, 90% estejam a fazer tratamento e que destes, 90% não tenham carga viral detetável, interrompendo deste modo o ciclo da transmissão. Também na área da oncologia, a Gilead Sciences dispõe no seu pipeline de um conjunto de linhas de investigação muito promissoras, em diferentes estádios de desenvolvimento. O Pharmaceutical Innovation Index  avalia, pontua e celebra a capacidade das empresas para entregar inovação aos doentes e classifica-as quanto às suas competências para trazer produtos para o mercado e comercializá-los com sucesso. É cada vez mais desafiante trazer inovação para os doentes e para o mercado? Inovar e investigar em saúde requer resiliên-

cia e arriscar caminhos difíceis. E sabemos que esses caminhos são mais bem-sucedidos se os trilharmos em parceria com quem pesquisa, investiga e repensa soluções terapêuticas. Por isso mesmo, temos vindo a colaborar com as mais variadas instituições académicas de primeira linha, empresas de biotecnologia e farmacêuticas, centros de investigação e claro, unidades hospitalares de todo o mundo que nos permitem consolidar os resultados em verdadeira inovação para as pessoas. De acordo com o relatório global Corporate Reputation of Pharma 2018 a Gilead é avaliada como a segunda companhia farmacêutica mais reputada no mundo. Que fatores considera contribuírem para esta posição? Na Gilead Sciences o sucesso das descobertas é medido por diferentes métricas, três delas, fundamentais. A da dimensão do que se desen-

Vítor Papão realça que a Gilead, enquanto empresa biofarmacêutica especializada nas áreas do VIH/SIDA, das hepatites víricas e da Oncologia, tem investido em investigação e desenvolvimento para transformar e simplificar os tratamentos de pessoas com doenças potencialmente fatais em todo o mundo. O que importa saber sobre o mundo da indústria farmacêutica e da complexidade dos trabalhos de investigação, fulcrais para esta indústria? Como disse, e bem, a Gilead atua maioritariamente nessas áreas. E a investigação tem sido fundamental para a indústria, mas especialmente para milhões de pessoas em todo o mundo. A infeção pelo VIH passou de uma doença potencialmente fatal para uma doença crónica em pouco mais de três décadas; no campo das hepatites estivemos na linha da frente da cura e eliminação da doença. Na oncologia estamos a dar os primeiros passos, apostando em inovação de vanguarda, procurando trazer alguma esperança onde no passado não havia nenhuma. Mas existem tantos outros motivos de orgulho: a Gilead foi também responsável pelo desenvolvimento da molécula que curou a enfermeira inglesa em 2015 e o primeiro recém-nascido documentado como tendo sobrevivido à infeção congénita com o vírus do Ébola em 2017. E o nosso medicamento está neste momento a ser utilizado no combate ao surto de Ébola a decorrer na África Ocidental. A Gilead foi ainda a empresa que doou centenas de milhares de ampolas de um dos seus medicamentos para tratamento de 50 mil pessoas com leishmaniose visceral em países endémicos na sub-região de África Oriental e Sudeste Asiático, ajudando a mitigar esta doença que afeta trabalhadores rurais e que, se não tratada desta forma, pode ser potencialmente letal. Este é o nosso percurso. Afirma que há muito talento em Portugal. A captação e formação de talento é, sem dúvida, fulcral para a inovação nos tratamentos? Uma não existe sem a outra? A cultura de excelência da Gilead começou a ser construída há 32 anos. Na Gilead, sem exceção, trabalhamos e assumimos o compromisso de melhorar a vida das pessoas que usam os nossos medicamentos. Os nossos valores – integridade, inclusão, trabalho em equipa, responsabilidade e excelência – estão presentes em tudo o que fazemos. E por isso, tanto localmente como internacionalmente, estamos rodeados de talento. E sim, diria que o talento aliado aos nossos valores, é fundamental para o sucesso no campo da Inovação. ▪

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A cultura de excelência da Gilead começou a ser construída há 32 anos. Na Gilead, sem exceção, trabalhamos e assumimos o compromisso de melhorar a vida das pessoas que usam os nossos medicamentos

volveu, do quanto a inovação vem alterar, para melhor, o que existia até aí, independentemente da área terapêutica em que se integra a inovação. Outra medida é a do sucesso valorizado pela Gilead, ou seja, em saber se o medicamento inovador chegou efetivamente a quem dele necessita, independentemente da sua situação económica. Finalmente, enquanto empresa que investiga e desenvolve novos produtos, o reconhecimento dos profissionais de saúde e dos doentes, que são quem, no final da linha mais beneficia da inovação que trazemos ao Mundo.


Pensamos em unidades integradas comerciais com modelos desenvolvidos por nós, com conceitos inovadores e adaptados à região. Pesquisamos vários mercados para «pegar» nas boas práticas dos outros países e desenvolver um modelo que permita um retorno rápido para o investidor, que assente numa construção simples e bonita, com materiais económicos e com durabilidade e que prima pela inovação. Não queremos levar modelos fixos para os nossos projetos e sim apresentar ao investidor formatos de negócios de comércio integrados que o farão ter o retorno do seu investimento a curto prazo e que garantam uma boa gestão operacional e financeira corrente SOLANGE ROCHA


TEMA DE CAPA

AKTUS:

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A GESTÃO QUE GARANTE O SUCESSO DOS PROJETOS DE COMÉRCIO INTEGRADO E CENTROS COMERCIAIS EM ANGOLA Solange Rocha começou o seu percurso profissional em Portugal, como Diretora de Marketing no Fórum Aveiro, mas a busca por novos desafios levaram-na para o mercado angolano. Liderou vários projetos, projetos com uma forte amplitude, mas, uma vez mais, a ânsia por novos desafios e a vontade infinita de crescer e aprender colmataram na criação da sua própria empresa, a Aktus. Venha connosco saber mais.

FOTO: DIANA QUINTELA

FOTO: DIANA QUINTELA

T

to de projetos de grande dimensão que liderou e depois de uma análise que lhe permitiu perceber que, após um período de forte construção em Angola, o país precisava de empresas de gestão porque o mercado assim o iria exigir. Ademais, a isenção advinda de uma empresa sua iria permitir-lhe trabalhar de acordo com os seus valores e ideais. O resultado foi, portanto, a abertura de uma empresa, há quatro anos, especializada em gestão de empreendimentos. Na Aktus conta agora com uma equipa interna especializada, mas também com o trabalho de colegas através de parcerias externas para dominar todas as áreas necessárias, desde a engenharia à arquitetura, para projetos de grandes empreendimentos.

“O MEU FOCO E A MINHA PAIXÃO SEMPRE FORAM OS MEUS PROJETOS”

Solange Rocha confessa que durante o seu percurso profissional sentiu algumas dificuldades pelo facto de ser mulher, tanto em Angola como em Portugal. Dificuldades essas que se prenderam com a credibilidade e com o esforço para demonstrar as suas competências, mas também para chefiar equipas. “Sendo eu mulher senti alguma relutância nas equipas,

quer da parte dos homens como das mulheres. É preciso ter muita resiliência, mas também saber moldar-nos às circunstâncias”, afirma. Quanto à complexidade em conciliar a vida profissional com a vida pessoal, Solange admite que é possível conciliar ambas mas que, por vezes, é difícil pelo que constata à sua volta. “No entanto, no meu caso, o meu foco e a minha paixão sempre foram os meus projetos desde muito cedo. Por isso mesmo, lidar com o sucesso e conciliar tudo quando se tem 20/30 anos é muito duro. Depois, quando se é mais velho e se olha para trás, para os resultados e para o sucesso alcançados, percebemos que, de repente, a vida aconteceu”, diz-nos Solange Rocha. Explica, ainda, que uma carreira profissional não impede uma mulher de ser mãe, mas que uma carreira profissional que obriga a viajar constantemente, que ocupa muito tempo, que obriga a despender de horas nos fins-de-semana, já nos leva a ter de saber bem o que queremos.

LIDERANÇA

Solange Rocha acredita que o estilo de liderança está relacionado com o género e que a liderança feminina, seja em que papel for, ainda

19 JUNHO 2019

rabalha desde os 15 anos e sempre lutou para alcançar os seus objetivos. Hoje é uma mulher de negócios, é uma mulher empreendedora num país onde a cultura empresarial se distancia muita da cultura europeia. No entanto, não tem medo dos desafios, nem da mudança. Afirma mesmo que a nossa zona de conforto deve incluir a mudança. “Devemos sentir-nos bem a mudar senão, enquanto profissionais, não conseguimos posicionar-nos. Venho de uma família de comerciantes e, desde que me lembro, todos trabalhávamos juntos, por isso, sempre dei muito valor ao trabalho e ao esforço para alcançar qualquer objetivo. Nunca nada foi um dado adquirido, antes pelo contrário”, realça. Começou o seu percurso profissional como Diretora de Marketing no Fórum Aveiro e, quatro anos depois, é convidada pelo Grupo Amorim Imobiliária para inicialmente liderar a área de Marketing no Porto. Aqui, naquela que considera ser a sua verdadeira escola da vida, aprendeu o significado da palavra resiliência. “Esta fase da minha vida profissional foi das mais difíceis mas também foi das mais felizes até aqui. Abracei e liderei diferentes áreas ao mesmo tempo e, inclusive, aceitei o convite para dar aulas de marketing no IPAM”. Foi, ainda, responsável pela área de Market Corporate Center, que envolvia todas as áreas de negócio de imobiliário do grupo e um trabalho mais institucional e comercial com marcas e entidades, o que lhe permitiu desenvolver um trabalho muito mais estratégico para o grupo. É nesta altura, depois de alguns anos a ser contactada e desafiada para abraçar um projeto mixed-used do empreendimento Comandante Gika, o maior projeto imobiliário de Angola, que decide entrar numa nova aventura enquanto Diretora Geral do Luanda Shopping. “O projeto era desafiante e queria marcar a diferença. A gestão portuguesa e os profissionais portugueses são bastante valorizados neste mercado”, explica-nos Solange Rocha. “Apesar da minha decisão, orgulho-me de ter criado e de continuar a manter uma excelente relação com os amigos que fiz no Grupo Amorim”, acrescenta. Já passaram oito anos desde que foi convidada para trabalhar como especialista na área dos centros comerciais e se mudou para Angola. A Aktus surge depois de passar por um conjun-


» TEMA DE CAPA enfrenta alguma oposição social por parte do sexo masculino, o que, a seu ver, torna as mulheres muito exigentes. Contudo, admite que a sua vivência em Portugal foi muito feliz no que diz respeito à liderança e gestão de equipas. “Como líder sou muito de delegar e procuro ajustar as pessoas aos cargos de acordo com as suas competências. Independentemente do cargo da pessoa numa organização não nos podemos fixar às funções inerentes a esse cargo porque o perfil da pessoa pode ser uma mais-valia e acrescentar valor noutras áreas”, explica a nossa entrevistada. “A liderança para mim é isso, é saber olhar para as pessoas e perceber onde é que elas são uma mais-valia e, sobretudo, prepará-las para trabalhar em equipa. E ainda, a informação deve ser transparente, pois uma equipa que sabe plenamente para o que está a trabalhar, veste mais facilmente a camisola da casa e sente-se mais valorizado por se sentir incluído no foco, objetivos e estratégia da organização”, acrescenta.

UMA EMPRESA DE GESTÃO DE CENTROS DE COMERCIAIS QUE PENSA DIFERENTE

FOTO: DIANA QUINTELA

PONTOS DE VISTA

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Angola viveu um forte período de construção de infraestruturas e de investimento privado e público em estruturas comercias e hotelaria. No entanto, grande parte da construção e dos projetos, inclusive residenciais, careceram de acompanhamento e de uma gestão profissionalizada devido, em muito, à cultura empresarial bastante enraizada em Angola, onde os projetos são geridos pela própria equipa interna. “É preciso realçar a importância de se ter uma gestão profissional e a grande necessidade das empresas promoverem e perceberem que é essencial fazer uma aposta em gestores e em empresas de gestão profissional, assumindo esse custo como um investimento imprescindível para o sucesso dos projetos, à semelhança do que acontece na Europa e noutras economias desenvolvidas”, explica Solange Rocha. Durante todos esses anos verificou-se, portanto, um boom de construção de edifícios de vários níveis, mas chegou a altura de fazer a gestão desses empreendimentos para se tornarem rentáveis e possibilitar um rápido período de recuperação ao investidor. Esse é o foco da Aktus. A par da gestão de empreendimentos, a Aktus executa projetos de raiz, desde a compra do terreno até à sua gestão. “O nosso know-how e o nosso leque de serviços permite-nos abranger o ciclo de um empreendimento. Temos ido à procura dos melhores profissionais e de estabelecer relações com várias entidades nacionais e internacionais para complementar os serviços prestados. Além disso, conheço todos os projetos de centros comerciais em Angola, conheço os preços, os modelos, os sistemas, as dificuldades e os desafios, o que nos tem aberto portas para outros mercados”, esclarece Solange Rocha. Outro ponto que claramente diferencia a Aktus no mercado, é o facto de terem projetos comerciais e mix-used que são desenvolvidos propositadamente para África e para o cliente e Spot específico. “Pensamos em unidades integradas comerciais com modelos desenvolvidos por nós, com conceitos inovadores e adaptados à região. Pesquisamos vários mercados para «pegar» nas boas práticas dos outros países e desenvolver um


A ÁREA DO RETALHO

Apesar de considerar ainda não ser fácil para os estrangeiros investir em Angola devido a vários entraves e dificuldades, incluindo as administrativas para se constituir empresas, a Aktus decidiu apostar numa nova unidade de negócio, o retalho. Juntamente com o seu sócio, Paulo Silva, Solange Rocha iniciou a aposta no trading. “Recentemente fechamos um negócio que nos levará a ser os representantes oficiais da marca de cosméticos e suplementos alimentares «SUTA Spirulina Technology» em Angola e introduzir os seus produtos no país. Já temos uma experiência direta em retalho alimentar e não alimentar em Angola há cerca de seis anos o que nos permite alargar a oferta de produtos e criar e trabalhar nichos de mercado onde encontramos oportunidades”. Está, ainda, a trabalhar na atividade de venda para o mercado informal, tendo por base a experiência e o know-how da Aktus no desenvolvimento de centros comerciais e no setor do retalho. “De momento já temos duas lojas próprias e armazéns de logística para a sua distribuição”, realça a nossa entrevistada.

PROJETO MDC SHOPPING Com um portfólio de projetos em mãos, Solange Rocha mostra-se particularmente entusiasmada com o desafio de projetar um plano de expansão de um centro comercial integrado na apaixonante e alegre cultura africana, o MDC Shopping Center, um dos projetos da Aktus. “O projeto já existe como loja stand alone – a MDC Mundo da Casa – a qual também está a ser melhorada ao nível de layout, imagem e diversificação de produtos. A MDC Mundo da Casa vai crescer, nesta 1ª fase, cerca de 3.000 m2 o que consolidará, sem dúvida, a mesma como a maior e melhor ao nível de oferta de produtos para casa em Angola. Coube à Aktus proceder ao rebranding desta loja, que será a âncora principal do Centro Comercial, bem como prestar serviços complementares - category management, entre outros - de forma a obterem o upgrade desejado pelo cliente proprietário da estrutura. “O Centro Comercial que estamos a desenvolver à volta desta mesma âncora terá um espaço multiusos de Lazer com mais de 1.500 m2, com bares, restaurantes, área reservada para festas infantis, um espaço com mais de 300 m2 com um palco/ecrã gigante e auditório. Neste espaço haverá uma gestão de eventos com muita dinâmica e que abrangerá todos os públicos”, explica Solange Rocha. Por outro lado, o Shopping contará com a presença de vários serviços, entre os quais Bancos, Seguradoras, Beleza e Bem-Estar e Ginásio. Um espaço de 1.300 m2 está reservado para área de Supermercados. “A estratégia Comercial do MDC Shopping Center é claramente a de apoiar os lojistas. As lojas já estarão praticamente prontas para entrada dos mesmos, de forma a que o seu investimento inicial seja muito baixo e assim, até porque as próprias rendas são de muito baixo risco, o Lojista poderá começar logo a

ter uma excelente operação. Por estes motivos, vamos escolher bem quais os lojistas a entrar, para que o Tenant Mix seja o certo e o sucesso global do empreendimento seja imediato”, reforça a nossa entrevistada. A Aktus já deu início à comercialização no princípio do mês de junho, de forma a ter já o arranque da obra do Shopping a acontecer. “Já temos várias reservas, pois, mesmo numa fase em que o mercado está difícil, as condições que oferecemos são bastante vantajosas: já existe uma forte operação a decorrer (a Loja MDC com cerca de 8.000 m2), o que já garante um forte tráfego, a presença de Lojas com Fit Out praticamente pronto, e despesas mensais baixas para o Lojista”, adianta Solange Rocha. O MDC ficará localizado na Via Expresso, em Luanda, Angola, e estender-se-á por mais de 15.000 m2 de ABL total, com quase 1000 m2 de área de lazer e entretenimento para crianças e adultos, Drive In, tradicional e Fast Food restaurantes, e bares. A previsão é que este projeto esteja concluído até junho de 2020. Seguindo as oportunidades de mercado e a disposição de oferecer mais serviços aos seus clientes, o futuro plano de expansão da MDC inclui a criação de um Home Center no Shopping Center e a abertura de mais três Shopping Centers MDC nos próximos dois anos. Todos estarão baseados em Angola, dois em Luanda e um na cidade de Benguela, com a ideia principal de abranger outros países africanos num futuro próximo. A MDC faz parte do Grupo Yewhing e abriu as portas no mercado angolano há cinco anos. Este Home Center conta já com 45 mil clientes regulares, que estão fidelizados à marca e ofereceu soluções a mais de 250 mil famílias. Tendo em conta que a família angolana tem uma média de seis pessoas, este valor representa mais de de 1.5 milhões de angolanos e residentes. 21 JUNHO 2019

modelo que permita um retorno rápido para o investidor, que assente numa construção simples e bonita, com materiais económicos e com durabilidade e que prima pela inovação. Não queremos levar modelos fixos para os nossos projetos e sim apresentar ao investidor formatos de negócios de comércio integrados que o farão ter o retorno do seu investimento a curto prazo e que garantam uma boa gestão operacional e financeira corrente. Como exemplos temos os «Mercados», que são projetos com foco na venda de produtos alimentares, restauração lazer e serviços e os Car Shoppings que são projetos de enorme sucesso em vários países, especialmente na América do Sul”, adianta Solange Rocha.


O nosso know-how e o nosso leque de serviços permite-nos abranger o ciclo de um empreendimento. Temos ido à procura dos melhores profissionais e de estabelecer relações com várias entidades nacionais e internacionais para complementar os serviços prestados

PELES ACNEICAS/OLEOSAS

ANTI-AGING

PONTOS DE VISTA

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Outro projeto empolgante de Solange Rocha é a representação da marca de dermocosmética, SUTA Spirulina Technology, em Angola. “A aposta nesta marca, cujo sucesso está a superar qualquer expectativa, prende-se com o facto de a mesma ser 100% natural. Com excelentes resultados e a um preço médio bastante vantajoso, muitos angolanos já estão a render-se à marca e a comprar os produtos em Portugal. A vantagem é que agora poderão ter acesso aos produtos em Angola e comprá-los em Kwanzas”, afirma Solange Rocha. A marca entrou recentemente no mercado português e conta já com uma parceria com os Spas dos hotéis Pestana ao mesmo tempo que começa a marcar posição noutros países como Angola. Mirela Suta, médica dermatologista, é a criadora da marca e encontrou na Spirulina o elemento base da sua própria marca de dermocosméticos. A sua infância foi marcada por uma forte ligação à terra. O fascínio pelas plantas, e pelo que podia obter delas, levou a que Mirela Suta, e o irmão, transformassem a cozinha da mãe num laboratório de experiências. “Aos 9 anos de idade fiz o meu primeiro sabonete”, conta a mentora e criadora da marca Suta Spirulina Technology.   Na Roménia dos anos 80, na época comunis-

ta, as famílias tinham de produzir tudo o que necessitavam. Não era opção ir ao supermercado comprar sabonete, champô, detergente para a loiça ou outros artigos. Foi uma aprendizagem de vida que conduziu Mirela Suta a um sonho, ao sonho de querer criar uma marca diferenciadora e mundialmente reconhecida. Formou-se em Medicina e especializou-se em Dermatologia e, em 2000, mudou-se para Portugal, onde se tornou empresária na área dos dermocosméticos e cosméticos. Em abril de 2018, após nove anos de intensas pesquisas em busca de ingredientes diferenciados, ‘encontrou’ a Spirulina, o diferencial da SUTA - a primeira marca de dermocosméticos portuguesa com uma gama de cuidados para a pele à base de Spirulina. A marca entra no mercado e dá início à sua comercialização online, quer através da sua própria loja digital (sutacosmetic), quer dentro da sua rede de clínicas - as Clínicas Sorria. A consolidação da marca e o aumento das vendas permitiram que, desde maio deste ano, dois grandes sites de marketplace Sweet Care e Beauty Shop – passassem também a comercializar os produtos SUTA, bem como deram início ao processo de abertura de mais espaços físicos, nomeadamente na região norte do país. ▪

Sérum Anti-Aging

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Creme Anti-couperose Hidratante

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Ácido Hialurónico

FOTO: DIANA QUINTELA

» TEMA DE CAPA

Termolipo

Drenador


KEYSEARCH CELEBRA 14 ANOS

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“PESQUISAR E DESCOBRIR” COM ESPÍRITO INOVADOR A Keyresearch completa 14 anos desde a sua fundação em 2005, afirmando-se no top das melhores empresas de estudos de mercado e monitoramento de média em Angola.

PORTFÓLIO DE CLIENTES

Com mais de 250 projetos realizados, possuímos atualmente um portfólio de clientes bastante diversificado que inclui, entre outros, empresas multinacionais e grandes, médias e pequenas empresas angolanas, atuando em todos setores da economia, tais como, indústria alimentar, higiene e beleza, bebidas, produtos de limpeza, automóvel, farmacêutica; banca e seguros; agências de comunicação; distribuição; agricultura; saneamento básico; tecnologia e electrónica.

DECISÕES ESTRATÉGIAS AGREGARAM VALOR À EMPRESA

Como resposta à conjuntura em que evoluíamos, decorrente da situação económica do país, associada a acções compulsórias legais face a temáticas de promoção de emprego, desenvol-

UM MODELO DE GESTÃO ADAPTADO VIRADO PARA A QUALIDADE DOS SERVIÇOS

A filosofia sobre a qualidade de trabalho estende-se a todos os níveis da empresa abrangendo, inclusive, os parceiros prestadores de serviços. Tal política é suportada por amplas e específicas normas organizacionais, que estabelecem regras já introduzidas na cultura e no dia-a-dia dos stakeholders envolvidos com o ambiente organizacional. Possuímos uma grande vantagem em relação às outras empresas. Construímos uma rede de colaboradores locais qualificados de um total aproximado de 80 prestadores de serviço contratados. Em quase todo o país vivem pessoas que já trabalharam na nossa empresa. Temos do norte ao sul de Angola grupos de recrutadores, entrevistadores e auditores que nos possibilitam construir uma perfeita rede de apoio eficiente com mais de 14 anos de know-how da nossa empresa.

INVESTIMENTO TECNOLÓGICO

A empresa realizou investimentos tecnológicos destacando-se a migração de questionários em papel (PAPI) para a utilização de tablets

(CAPI): sendo a base na qual são desenvolvidos os produtos e processos, garantindo maior flexibilidade, eficiência, fiabilidade e, consequentemente, serviços diferenciados. Com o aumento da utilização dos meios digitais para aprimorar a comunicação e armazenamento de dados, surgiu a necessidade de garantir a manutenção da integridade da informação, um ativo que consideramos de elevada importância. Por isso, toda a rede da nossa empresa, dispõe de um sistema de Prevenção de Perda de Dados (DLP – Data Loss Prevention). Desta forma, garantimos que os dados dos nossos clientes permanecem confidenciais.

MAXIMIZAÇÃO DO VALOR DA EMPRESA

Tendo como filosofia básica a “convivência” do tripé: cliente, funcionário e empresa, maximiza-se o valor do empreendimento ao buscar incessantemente uma maior valorização da empresa e dos funcionários no mercado e oferecer um serviço de alto valor agregado para a satisfação dos nossos clientes. Somos uma empresa socialmente responsável, que pensa não somente no proveito, mas, acima de tudo, no investimento do seu Capital Humano, promovendo a cidadania empresarial, por meio de parcerias entre o universo corporativo, comunidades de prestadores de serviço e funcionários. 23 JUNHO 2019

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raças à influência governativa positiva de todos os stakeholders, particularmente na valorização dos funcionários, traduzida em priorização das oportunidades de treinamento e desenvolvimento pessoal e plano de carreiras, a Keyresearch é uma das pioneiras do ramo com um histórico de confiança de 14 anos. Através do comprimento das boas práticas internacionais e uma tecnologia adequada, transpõe as barreiras das competências locais e do pagamento dos serviços em moeda local, atuando com várias técnicas especializadas que vão desde os estudos de satisfação e fidelização, estudos de consumo e comportamento, estudos de perfil do cliente, indicadores de performance tais como o cliente mistério, segmentação baseada no valor do cliente, testes de conceito, estudos de notoriedade das marcas ou análises de campanhas de comunicação.

vemos um plano de valorização da diversidade de conhecimentos, a capacidade de aprender, criar e inovar, tornando-se num fator fundamental para promover a empresa num ambiente dinâmico e competitivo. Um dos principais vetores de gestão contínua da empresa é a valorização de um dos maiores patrimónios da empresa: as pessoas, o corpo de funcionários, uma equipa profissionalizada e dinâmica, com alto nível de capacitação e dedicação, em constante treinamento e aperfeiçoamento. Um dos programas que deu sustentabilidade à Keyresearch nesta última década foi o programa de desenvolvimento de competências que visa dividir responsabilidades e envolver todos os funcionários na busca dos objetivos estratégicos delineados pela empresa.

DECLARAÇÃO DE VALOR

Não nos limitamos a cumprir apenas os preceitos sobre os indicadores e métricas contractuais. Desenvolvemos ações e realizamos programas inovadores que buscam posicionar a Keyresearch como referência em matéria de estudos de mercado. Pretendemos ser o parceiro de escolha, fornecendo soluções eficientes e adequadas às necessidades do cliente e com custos flexíveis. Com orgulho temos um histórico de 14 anos de fundação e como pessoa jurídica, comprometemo-nos a atingir o objetivo de “Pesquisar e descobrir” com espírito inovador. ▪


» COOPERAÇÃO E NEGÓCIOS NA CPLP

AS NOVAS TECNOLOGIAS REVOLUCIONARAM O CONTINENTE AFRICANO NAS ÚLTIMAS DÉCADAS

Quem o afirma é Luís Rego, Diretor Regional e Portuguese-Speaking African Countries da AXIZ – uma empresa de tecnologia moçambicana -, que em entrevista aborda a importância do universo tecnológico e da educação para que haja uma melhor e maior cooperação CPLP. Saiba mais.

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PONTOS DE VISTA

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Luís é o Diretor Regional, em Moçambique, da Axiz. Quais diria que são os seus maiores desafios no exercício das suas funções? Há desafios que são comuns a todos os empresários e/ou diretores em Moçambique e há desafios que são específicos da nossa atividade e da nossa condição de líderes no mercado da distribuição de TIC na SADC. Em adição a isto, há igualmente o desafio de gerir à distância os outros mercados pelo quais tenho a responsabilidade direta, como Angola, Cabo Verde e São Tomé e Principe. A motivação permanente dos nossos colaboradores e a melhoria contínua das suas competências é a principal responsabilidade de qualquer líder. Especialmente num contexto onde é necessário gerir diferentes origens e culturas entre investidores, empresa e colaboradores. Em segundo lugar, temos o desafio de, num mercado pequeno e algo saturado, como o de Moçambique, explorar novas oportunidades, explorar o melhor possível a relação com parceiros, melhorar margens e reduzir barreiras ao negócio, quer o nosso quer o dos nossos clientes (revendedores). Depois existem desafios específicos da economia moçambicana como são a gestão dos riscos de crédito ou cambiais (desafios igualmente partilhados em Angola), que também são relevantes numa economia pequena e dependente do exterior como é Moçambique. E finalmente existem desafios relacionados com a estrutura e competição específicas do mercado de distribuição de TIC em Moçambique e que implicam uma permanente atenção à qualidade do serviços prestado pelos distribuidores e á satisfação dos clientes finais, a valorização das marcas e dos seus produtos originais, o combate à contrafacção (grey market) e a monitorização dos preços e margens praticados para garantir que superamos sempre as expectativas dos nossos clientes (revendedores). Moçambique atravessa uma fase menos boa do ponto de vista económico-social devido ao ciclone, porém, anteriormente, o crescimento era consolidado e esperavam-se ótimos números. Empresas como a Axiz podem estar na origem deste crescimento. Na sua opinião,

qual o contributo que a tecnologia teve e tem neste crescimento? Moçambique atravessou um período de menor crescimento, mas atenção, nunca entrou em recessão. No ano mais crítico da chamada crise cambial (porque foi sobretudo motivada por uma desvalorização significativa do metical face às principais moedas dos parceiros externos – USD, EURO e RAND), o país registou uma taxa de crescimento real de 3,2%. E espera-se que, nos próximos anos, se aproxime dos dois dígitos por ano, em grande medida motivado pelo investimento na indústria extrativa, especialmente por parte da Anadarko que, só na bacia do Rovuma investirá 22 a 24 mil milhões de USD nos próximos anos. Estas entradas de capital, a realizarem-se, são massivas face à dimensão da economia Moçambicana. E, na sua maioria, são investimentos em tecnologia de ponta na área da energia, construção naval, tecnologias de informação e comunicação, transportes e logística. O passado mostra, aliás, que foram investimentos semelhantes na área da energia, extração e logística que alavancaram o crescimento do país. No curto prazo, será o investimento em tecnologia o principal acelerador do crescimento em Moçambique. A sustentar este facto temos assistido a um boom acentuado de novas startups tecnológicas nos últimos anos. Em termos de soluções tecnológicas, quais são as necessidades mais emergentes no mercado moçambicano? Como é o panorama tecnológico atual em Moçambique? Moçambique tem um stock de capital físico e humano muito aquém do que conhecemos nas economias mais desenvolvidas da Europa e Ásia, ou mesmo quando comparando com outros países da África Austral. Estas necessidades não podem ser todas satisfeitas de repente, dado que o país tem uma capacidade limitada para investir em tecnologia e tem de qualificar o capital humano nacional para a sua absorção e utilização produtiva. Setores como a indústria extractiva, a construção, a logística e os serviços financeiros (banca e seguros) têm um potencial enorme de crescimento. Mas este crescimento será, sobretudo, satisfeito com recursos a tecnologia

importada e, por isso, o país estará limitado na sua satisfação. O Estado Moçambicano já está sobreendividado o suficiente e o país depende fortemente da ajuda de doadores para manter contas públicas equilibradas. E a importação em massa de tecnologia vai agravar os deficits externos do país, pelo que terá de ser feito dentro do quadro e possibilidades do país e, necessariamente, acompanhado por uma melhoria significativa das competências tecnológicas dos recursos humanos nacionais. Que papel pretende a Axiz assumir também no crescimento e desenvolvimento do país? A AXIZ tem um papel chave a três níveis: em primeiro lugar no apoio à transição do mercado para uma estrutura mais qualificada, recheada de operadores e empresas qualificadas, certificadas e promotoras de garantias aos clientes finais, capaz de oferecer soluções tecnológicas e financeiras adequadas a um mercado que carece sobretudo de confiança. Na qualidade dos produtos e na qualidade dos serviços. Para que ambos criem valor nas empresas que investem em tecnologia.

Queremos apoiar a melhoria contínua das competências e qualificações dos profissionais e utilizadores de tecnologia em Moçambique LUÍS REGO


Em segundo lugar no combate à contrafação e contrabando de produtos tecnológicos (grey market), sem que isso signifique o aumento de custos de investimento e exploração para as empresas nacionais e internacionais instaladas no país. Mas como representantes e distribuidores de marcas mundiais de confiança, temos de assumir um papel muito ativo neste domínio. Finalmente, queremos apoiar a melhoria contínua das competências e qualificações dos profissionais e utilizadores de tecnologia em Moçambique. Para isso temos contribuido anualmente com workshops e ações formação das marcas que representamos oficialmente em Moçambique. Porque é o caminho único para o desenvolvimento da procura de tecnologia em qualquer país e isso significa que estaremos a criar o nosso próprio mercado, mas também porque só com recursos humanos (e empresas) capazes de uma transformação tecnológica em valor, poderemos crescer de forma sustentada.

25 JUNHO 2019

O foco da empresa é concentrar-se no futuro das novas tecnologias em África, construindo ecossistemas. Num continente tão grande e diverso, estas soluções criam proximidade e rapidez nos negócios. Como descreveria a transformação tecnológica que aconteceu nos países africanos nos últimos anos e de que forma foram essas mudanças revolucionárias? As novas tecnologias revolucionaram o continente africano nas últimas décadas, nos mais diversos contextos e muitas vezes, mesmo em territórios e nações onde os desastres naturais e os conflitos ameaçavam de forma determinantes qualquer forma de progresso humano. Novas tecnologias no domínio agrícola, das comunicações, banca, saúde e saneamento levaram a que a esperança média de vida, a escolarização (especialmente das raparigas) e o poder de compra da classe média (que nem existia!) alcançassem níveis que julgaríamos inimagináveis há 30 anos. No setor das tecnologias de informação e comunicação, as transformações foram quase inacreditáveis. Em países como o Quénia a banca móvel chega à maioria da população e o país é hoje o recor-


» COOPERAÇÃO E NEGÓCIOS NA CPLP país o acesso a energia seria sempre impeditivo da sua utilização regular. (50% da população não tem acesso a energia regular, contra 33% na Nigéria ou 6% na África do Sul). Também devido a isto, a banca móvel ainda tem uma penetração limitada em Moçambique, mas está em acelerado crescimento nas zonas urbanas e peri-urbanas (63% dos utilizadores de telefones moveis têm uma conta de banca móvel nas cidades principais).

dista mundial nas transações móveis! À frente de todos os países de desenvolvimento elevado! As redes móveis garantem coberturas quase universais e permitem fazer chegar às populações rurais serviços bancários e de seguros, serviços informativos e serviços de pagamento como a água e a energia em contextos dificílimos e onde os países ocidentais demoraram séculos a encontrar soluções. Por isso, a tecnologia foi e é o principal criador de mercados em África. E têm sido as empresas que usam mais intensivamente tecnologia que têm conseguido criar e reter valor nestes novos mercados.

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Recentemente o BCI, juntamente com a Axiz assinaram um protocolo de parceria que formaliza o lançamento do cartão de crédito Private Label AXIZ. Que solução é esta e a quem se destina? O acesso ao crédito em Moçambique ainda não está ao nível de outros Países com economias mais estáveis, com exigências idênticas às práticas internacionais, a concessão de Crédito é condicionada ao cumprimento de regras e informações da actividade que muitas vezes as empresas não têm devidamente estruturadas e com isso , as empresas especialmente dedicadas ao comércio por grosso e a retalho de equipamento, registam dificuldades naturais na constituição de stocks ou elas próprias na criação de facilidades de crédito aos seus clientes para uma boa fluidez do seu negócio. A AXIZ sempre procurou apoiar os seus Clientes Revendedores (empresários em nome Individual, Micro, Pequenas e Médias, e Grandes Empresas) facilitando-lhes vendas a Crédito, mas esta é uma actividade que cabe ao sistema financeiro gerir e não a cada empresa individualmente. O que fizémos foi criar com o Banco Comercial de Investimentos de Moçambique (BCI), um produto de crédito que facilita a actividade dos nossos clientes revendedores e que lhes permite adquirir stock a Crédito sem custos, quando realizados os pagamentos dessa mercadoria até 40 dias, ou com custos quando o pagamento observa prazos superiores. Com esta solução, aumentamos o apoio de tesouraria a cada um dos nossos Clientes, permitindo maior fluidez nas vendas e na reposição de stocks, sem penalizar o sector por falta de meios. Esta parceria, que celebramos com o BCI, permite-nos dividir o risco associado a este apoio e assegurar uma cobertura nacional a qualquer empresa do sector que possa desenvolver a sua actividade entre o Sul ou o Norte de Moçambique, que tem no Crédito a sua principal área de negócio com vantagens para ambos pela troca de conhecimento que promove. É aquilo a que podemos chamar uma solução win-win-win (BCI-AXIZ-Revendedores). Dentro daquilo que é a vossa oferta, em que áreas têm apostado mais ao nível de soluções? Atualmente, estamos a ser impulsionados pelo crescimento do ‘’cloud computing’’, da transformação digital e de um papel (directo) menos abrangente desempenhado pelos fabricantes que representamos; o relacionamento entre estes fabricantes, os distribuidores e os revendedores, está a ser radicalmente alterado. Todos os grandes fabricantes, estão globalmente a mudar sua abordagem de negócio - de um

onde havia uma entidade “super ativa” em toda a cadeia de valor, para um onde estão a reduzir os seus principais negócios, direccionando muito das suas atividades, aos seus distribuidores de valor acrescentado (VAD). Estão a solicitar-nos para fazer (mais) marketing, para ter (mais) recursos técnicos altamente capacitados e fornecer (mais) serviços de suporte direto e indireto. E ao mesmo tempo, os revendedores e os seus clientes finais, estão a diminuir seus departamentos de TI. Tudo isto tem um grande impacto nas nossas margens de lucro, uma vez que o ecosistema que nos rodeia, perde as suas ofertas de serviços. Também afeta, como e onde devemos investir. Estamos focados na construção de ecossistemas que simplifiquem a forma como os clientes interagem com tecnologia, com soluções e entre si. Moçambique faz fronteira com a Tanzânia, Malawi, Zâmbia, Zimbabué, África do Sul e Reino de Eswatini. Na sua opinião, estes países estão alinhados com Moçambique em questões tecnológicas? Moçambique tem um mercado pequeno, estruturado em torno de um pequeno número de grandes compradores de tecnologia (empresas de minas e energia, telcos e bancos) e com um baixo nível de readiness (novos produtos e novas soluções) quando comparado com outros países da sub-região. A competição no setor das comunicações faz-se entre três grandes operadores (Vodacom, TmCel e Movitel), o que é normal em outros países vizinhos. Mas, no entanto tem algumas características raras. É dos poucos países onde existe competição interplataforma nas comunicações (a TV CABO compete com as operadoras moveis em todas as províncias). E a competição provocou que o preço de 1GB em Moçambique fosse (é) o 3º mais baixo entre 49 economias africanas, mais barato do que no Quénia, Gana ou África do Sul (fonte: Research ICT África). No entanto, a penetração das comunicações móveis e internet é ainda muito baixa face aos países vizinhos. E apenas 50% da população tem acesso a telefone móvel, havendo, especialmente, um significativamente baixo número de mulheres com acesso a telefone móvel (32%). O baixo poder de compra da população rural (Moçambique tem um poder de compra muito inferior à média dos seus vizinhos, especialmente em meio rural) leva a que muitos não possam sequer comprar equipamentos informáticos ou de comunicações. E na maioria das regiões do

Podemos dizer que os fortes laços de Moçambique com o motor económico da região, a África do Sul, sublinham a importância do seu desenvolvimento económico? A África do Sul é um parceiro económico de referência, especialmente no sul de Moçambique. Mas atenção que Moçambique tem parcerias económicas importantes com muitos outros países, tanto ao nível comercial como financeiro. Os principais mercados de exportação de Moçambique são a Índia, a África do Sul e a China (30,4%, 24,0 e 7,1% respetivamente), mas há um peso importante de países europeus neste domínio. É nas importações que se sente mais o peso da África do Sul, mas como o país vale “apenas” 23,1% das importações, não podemos falar exactamente de dependência. Moçambique é a porta de entrada das mercadorias importadas por quatro países na região que não têm acesso ao mar (Reino de Eswatini, Zimbabwe, Zâmbia e Malawi). Moçambique vende energia eléctrica de Cahora Bassa aos seus vizinhos da região e este já é um dos principais produtos de exportação do país. O que não quer dizer que a África do Sul não tenha uma importância muito grande. É uma das principais origens de investimento em áreas críticas como a agricultura e a agro-indústria. E o seu peso nas importações é suficiente para que se sintam intensamente as flutuações do Metical face ao RAND. Por vários motivos, Moçambique nunca foi uma prioridade do investimento das empresas sul-africanas, a que não é alheia o contexto da língua e cultura e a situação de conflito em Moçambique durante muitos anos. Há espaço para um grande crescimento da relação com a África do Sul. Como fornecedor de tecnologia mas também como origem de investimento, competências e formação e até mesmo como mercado de exportação para produtos de origem moçambicana. Numa dinâmica de cooperação entre os países pertencentes à CPLP, o que deveria, na sua opinião, ser prioridade dentro do universo das novas tecnologias? Educação, educação, educação. Esta deve ser a primeira, a segunda, a décima e a última prioridade da cooperação em matérias de novas tecnologias em Moçambique. Uma sociedade tecnologicamente avançada e inclusiva requer uma população qualificada na sua utilização, na sua transformação em valor e utilidade, na sua aplicação produtiva nas empresas nacionais e no desenvolvimento de novos produtos e serviços para o mercado, baseados nessas mesmas tecnologias. Sem acesso a educação, para todos, e a um ensino tecnologicamente avançado, não se podem cumprir as fundadas, mas muito exigentes, expectativas de desenvolvimento e fuga à pobreza da população no país. ▪


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BROLL MOÇAMBIQUE: “REINVENTAMOS O MERCADO (IMOBILIÁRIO)”

JOSÉ CASTILHO

A Broll Moçambique é uma empresa de gestão global das propriedades com foco nas propriedades comerciais e que, em joint venture com a Broll Property Africa, se rege por fortes padrões internacionais. José Castilho, CEO da Broll Moçambique, Lda, conta-nos mais.

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ue padrões são estes que têm contribuído para o crescimento e consolidação da marca? A Broll Moçambique, de direito Moçambicano, é participada pela Broll Property Group, que gere cerca de 41 milhões de m2 em propriedades, em 15 países africanos, a maior empresa de serviços imobiliários pan-africana. Adicionalmente representa em exclusivo a Cushman & Wakefield, para África. A atividade transfronteiriça é alicerçada na adoção de melhores práticas internacionais e no seguimento dos standards de indústria, por exemplo as regras do RICS. Adotámos desde início estes princípios de governação e impusemo-nos a obrigatoriedade de auditorias financeiras anuais, pela PWC, e gestão da qualidade, de modo a demonstrar a nossa integridade e independência no negócio imobiliário. Estes comportamentos potenciaram o acesso aos clientes corporativos. O nosso foco é nos serviços imobiliários corporativos, e isso obriga-nos a evoluir com uma rapidez acima da média, com colaboradores num nível de especialização que nos diferencia. A Broll Property Group, juntamente com as suas subsidiárias africanas, agregam valor a inúmeros investidores e negócios em toda a África Subsaariana. Qual é a visão do grupo e, logicamente, a visão da Broll Moçambique? A Broll não limita a sua participação apenas ao negócio, mas tem em conta a criação de empregos qualificados e oportunidades em

África. Enquanto negócio estabelecido neste continente, a visão é a de se posicionar, não como o melhor dos piores globalmente, mas de estar e participar a par dos grandes intervenientes no setor. A Broll Moçambique partilha esta ambição, atuando num país onde o imobiliário dá os primeiros passos. O nosso caminho é apenas mais longo. Somos uma força para a ação. Partilhamos a paixão por novas ideias. Somos aventureiros, mas especializados nas nossas atividades. Somos mentes inquiridoras, adoramos as nossas pessoas, e pomos o nosso cliente primeiro. Que mais-valias apresentam junto dos vossos clientes de forma a acrescentar valor aos seus negócios? Ao especializarmos neste segmento, trazemos a experiência que nos coloca muito à vontade quando assessoramos os nossos clientes nas regras que se aplicam. Quando estabelecemos e aconselhamos estratégias de comercialização. Quando demonstramos o nosso conhecimento profundo do mercado. Quando gerimos e operamos as propriedades criando diferenciação que potencia negócio, quer para os investidores quer para os ocupantes dos espaços. A nossa presença assenta num quadro de profissionais com experiência e com presença em Moçambique com muitos anos de atividade no setor imobiliário. Acumulamos um vasto conhecimento da legislação em vigor, de procedimentos contabilísticos e financeiros, experiência na montagem de operações de estruturação finan-


ceira de imóveis, incluindo o funcionamento de fundos imobiliários e operações em bolsa. Igualmente no dia a dia das operações dos imóveis, da manutenção à gestão das expectativas dos ocupantes dos edifícios e da maneira como potenciam o seu negócio neste ou naquele espaço imobiliário. Somos responsáveis pela gestão dos principais Centros Comerciais como o Baia Mall, e de alguns dos mais avançados edifícios de escritórios como o Platinum, um investimento português, ou o MBT. Trabalhamos para clientes internacionais, empresas como a ExxonMobil, ou a BHGE. Para investidores internacionais como a Actis. Para quase todos os bancos que operam em Moçambique, algumas seguradoras e empresas locais que detém portfólios imobiliários a necessitar de otimização como a TMCEL. Trabalhamos com dezenas de Prestadores de Serviços nacionais e internacionais. Os nossos clientes têm obrigações muito claras relativamente aos imóveis que detém ou onde se estabelecem. Estão sujeitos a regulamentação e conformidade internacional que ajudamos a observar. É isso que fazemos e é esse o valor que aportamos aos nossos clientes. Qual tem sido a estratégia da Broll Moçambique para relançar o mercado imobiliário moçambicano? Focámo-nos no imobiliário existente, essencialmente projetos lançados em 2013/14, dando-lhes vida. As Torres Rani, o Baia Mall, o edifício MBT e mais recentemente o Edifício Platinum e o Centro Comercial Marés necessitavam de um parceiro especializado quer na comercialização quer na gestão. E reinventamos o mercado. Literalmente. Por exemplo no comércio em centros comerciais, desdobramo-nos em contactos com as marcas internacionais e com clientes âncora, percebemos o seu negócio e investimos em parcerias com investidores locais de modo a criarmos franchisados. O ano passado ganhamos o concurso para otimização do portfolio da TMCell e fizemos toda a gestão da primeira fase desse concurso com enorme sucesso. Com o nosso posicionamento, acedemos a clientes internacionais em instalação em Moçambique. Agora, com a confiança restabelecida no setor, com melhores indicadores económicos e com o otimismo que nunca nos deixa desistir, assistiremos à retoma do mercado Imobiliário. Felizmente muito preparados para receber novos clientes, com o nosso conhecimento efetivo do Pais e dos subsetores em que atuamos.

A Broll não limita a sua participação apenas ao negócio, mas tem em conta a criação de empregos qualificados e oportunidades em África

A vossa presença no mercado moçambicano tem crescido e, hoje, apresentam um impacto na área onde se posicionam no setor do imobiliário. No entanto, com o crescimento, a responsabilidade e os desafios serão maiores certamente. Sentem isso? Quais são os verdadeiros desafios deste setor atualmente? Sentimos sim. Os nossos clientes confiam no nosso trabalho e exigem-nos performances que são comuns em países onde o setor está maduro e desenvolvido. Quando, por exemplo, temos a gestão total de um ativo como o Baia Mall, a nossa intervenção não envolve apenas as funções mais evidentes como os alugueres de lojas, ou a manutenção dos espaços. Implica assumirmos a responsabilidade de lidarmos com a contabilidade, as autoridades locais e os bancos financiadores. A nossa responsabilidade é inclusive para com os investidores internacionais que detém obrigações do imóvel e que esperam o rendimento projetado para o investimento que foi realizado. Estamos em todas as fases da operação. O desafio está na identificação de quadros moçambicanos que, não tendo sido expostos a este tipo de realidade, formamos para desempenharem funções especializadas. A formação na nossa empresa é continua e em áreas como HST, Gestão de Projetos, Sistemas de Informação, Contabilidade e Finanças e nas áreas especificas do imobiliário e gestão de propriedades. Outro desafio continuo é o conhecimento do mercado, que obtemos com a interação com os nossos clientes e realizando estudos de mercado em diferentes cidades do País. O desafio de crescimento é também muito importante pois sendo o mercado muito curto, cada aposta tem de ser ganhadora com pouco ou nenhum lugar a falhas. Com atividade em Moçambique - único país da CPLP onde operam a marca Broll – existe a possibilidade ou a perspetiva de promover a marca nos países-membros da comunidade tendo em conta que o foco da mesma é hoje promover a cooperação económica e empresarial dos países-membros? Quando começamos este projeto, em 2014, a nossa intenção era apenas a de trazer para este setor padrões internacionais de atuação, setor onde já atuávamos e onde sentíamos a necessidade. Com o início da JV com a Broll e em parceria com a representação internacional, tornamo-nos muito exigentes com o nosso desempenho no mercado local, o que contribuiu decisivamente para o nosso crescimento. No início de junho, fomos de novo o patrocinador principal da Conferência Anual do Setor Imobiliário, MozamReal, que contou com a presença do CEO do Grupo. O desafio que nos lançou foi exatamente esse. Sendo a Broll uma empresa de origem Sul-Africana, a penetração nos mercados Africanos de expressão inglesa é relativamente fácil, com regras de origem anglo-saxónica. A realidade tem sido diferente nos mercados francófonos e particularmente difícil nos mercados lusófonos. Poderá a Broll Moçambique constituir o núcleo a partir do qual se poderá expandir para os países da CPLP? Sim. Para a Broll Moçambique, isto constituirá uma possível expansão internacional, que até aqui não tínhamos no horizonte. Porém o nosso foco atual está ainda muito centrado no crescimento e consolidação local. ▪


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KUDUMBA: “SE QUISERMOS IR LONGE, VAMOS ACOMPANHADOS; SE QUISERMOS IR RÁPIDO VAMOS SOZINHOS” O provérbio africano tem sido uma das bases perpetuadas pela Kudumba – uma empresa ”orgulhosamente moçambicana” e responsável pelos Serviços de Inspeção Não Intrusiva no país. António Pedro Bonzo, Administrador, explica tudo em entrevista. Não perca!

ANTÓNIO PEDRO BONZO

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Kudumba é a concessionária de Serviços de Inspeção Não Intrusiva na Republica de Moçambique. De que tecnologias e serviços falamos especificamente? A Kudumba celebrou com o Governo Moçambicano um contrato de concessão em regime de BOOT-Build, Own, Operate, Transfer dos serviços de Inspeção Não Intrusiva (INI). Nos termos do referido contrato a Kudumba fornece os equipamentos e toda a infraestrutura dos serviços de INI nas fronteiras terrestres, marítimas e aeroportuárias e, complementarmente, nas linhas ferroviárias relevantes em termos de importação e exportação. Os nossos serviços têm ainda que garantir a permanente operacionalidade dos referidos equipamentos, incluindo a sua manutenção e substituição. O conceito de INI é muito abrangente e inclui tecnologias diversas, desde os chamados scanners de contentores, detetores de radiações, sistemas de CCTV, câmaras de vigilância sob os veículos, sistemas de reconhecimento de placas de matrícula, etc. Em termos aeroportuários, o

sistema implementado inclui scanners de bagagens de porão e de cabine, pórticos de deteção de metais, detetores de metais manuais, sistemas de CCTV com reconhecimento facial, scanners de corpo, detetores de estupefacientes e produtos perigosos, e sistemas biométricos de controlo de acessos. Trata-se, pois, de uma prestação de serviços ambivalente, com recurso a equipamentos e tecnologia de excelência, que foi desenhada (e é constantemente ajustada) para fazer face às necessidades do Governo de Moçambique. Quais são os grandes desafios que as fronteiras representam nos dias de hoje? A INI é de particular importância quer para o controlo das importações e, por consequência, da arrecadação de receita fiscal, quer para a verificação, nas exportações e nos trânsitos, da legalidade das matérias e produtos enviados para outros países. Adicionalmente, os desafios de segurança atuais, nomeadamente no que se refere ao terrorismo e ao tráfico de estupefacientes, tornam

A INI é de particular importância quer para o controlo das importações e, por consequência, da arrecadação de receita fiscal, quer para a verificação, nas exportações e nos trânsitos, da legalidade das matérias e produtos enviados para outros países


os serviços de INI de particular relevância para a segurança do comércio internacional, assim como, para a própria segurança nacional. Como tive oportunidade de referir a responsabilidade da Kudumba, no âmbito do contrato de concessão, não é a de efetuar a INI propriamente dita, mas antes garantir que as autoridades, aduaneiras, de segurança, de controlo da fauna e flora bravia e aeroportuária estão dotadas da mais moderna tecnologia para fazer face a estes desafios e que estão devidamente formadas para a sua utilização.

98%, numa base anual, o que excede a nossa obrigação contratual de 95% e que é, conjuntamente com o elevado profissionalismo de todos os nossos colaboradores, o nosso maior motivo de orgulho. A Kudumba é uma empresa Moçambicana que trabalha com equipamentos de tecnologia de ponta. Como é que foi a introdução e adaptação a essa tecnologia? Somos sim uma empresa Moçambicana, orgulhosamente Moçambicana, como gostamos de dizer, e orgulhosamente porque construímos de raiz uma empresa de standard internacional, com serviços de alta qualidade, cumprindo escrupulosamente as nossas obrigações contratuais e indo mesmo mais longe do que

A INI é de particular importância quer para o controlo das importações e, por consequência, da arrecadação de receita fiscal, quer para a verificação, nas exportações e nos trânsitos, da legalidade das matérias e produtos enviados para outros países

31 JUNHO 2019

Falou de formação, em que medida a Kudumba contribui para a formação de profissionais Moçambicanos habilitados a operar estes equipamentos? O contrato de concessão tem dois aspetos particularmente relevantes – a manutenção de níveis de operacionalidade (uptime) acima de 95% e a formação das entidades oficiais, e outras por estas indicadas, para a utilização e operação de todos os equipamentos anteriormente descritos. E refiro estes aspetos porque os mesmos estão intimamente ligados entre si. De facto, a formação das entidades oficiais, sejam elementos das Alfândegas, da Polícia, dos Aeroportos, ou outras, é permanente, com cursos nas diversas áreas relevantes e que incluem uma componente teórica, uma componente de on-the-job training e uma componente de renovação anual. Adicionalmente, a Kudumba forma os seus colaboradores nas mesmas áreas, bem como na manutenção dos equipamentos, garantindo desta forma uma transferência de know-how muito importante para os serviços de INI no País. São estes nossos colaboradores, com o suporte último dos fabricantes dos equipamentos, que nos permitem garantir um uptime acima de


» COOPERAÇÃO E NEGÓCIOS NA CPLP o que nos é requerido. Toda a estrutura de INI presente no país foi idealizada e implementada pela Kudumba, sendo a nossa empresa uma referência neste sector. Construímos um nome assente numa equipa de colaboradores, na sua grande maioria nacionais que, demonstraram o seu comprometimento, quer com o projeto, quer com os objetivos de segurança nacional, no seu sentido mais lato, definidos no contrato de concessão. Ao longo destes 13 anos implementámos, gerimos e aperfeiçoámos as recomendações da Organização Mundial das Alfândegas, da ICAO-International Civil Aviation Organization e contribuímos, de forma indelével, para que Moçambique, nesta área, tenha o reconhecimento de estar dotado de todas as ferramentas necessárias e adequadas. É, por isso, com enorme satisfação que vemos a Kudumba e o modelo de atividade por nós desenvolvido reconhecido a nível internacional.

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Como vê os custos da INI face aos custos suportados pelos operadores económicos? Naturalmente, que a INI deve ter um custo, tendo em consideração o tipo e qualidade de serviços prestados. Poderíamos analisar se o custo atual da INI é muito elevado ou muito baixo, mas devolvo-lhe uma pergunta – Quando, há 14 anos atrás, o tempo médio para o desembaraço aduaneiro de um contentor era de 15 dias e hoje é de um par de horas, qual é o ganho efetivo para os operadores económicos da existência da INI? E com esta pergunta que lhe devolvi, falo-lhe apenas do custo de tempo, mas posso falar-lhe de vantagens competitivas, por exemplo, determinados países exigem que todas as mercadorias por si importadas tenham sido previamente objeto de INI no país de origem, essencialmente por razões de segurança e, quando tal não acontece, essas mercadorias deverão ser objeto de transbordo noutro estado onde essa inspeção possa ser feita. Penso que será clara a vantagem competitiva de as exportações de Moçambique poderem sair do país já com esse selo de “garantia”. Por último, gostaria apenas de lhe dar mais um exemplo de como o custo da INI na prática se revela um ganho para os operadores económicos – a garantia de que as Alfândegas podem efetuar ações de INI em todas as importações efetuadas e, com base na mesma, realizar inspeções físicas de todas aquelas que apresentem potenciais discrepâncias, garante uma maior equidade entre todos os operadores económicos, reduzindo substancialmente a possibilidade de concorrência desleal por via da fuga às imposições aduaneiras.

segurança, apenas para mencionar alguns destes importantes desafios que, ao longo destes 13 anos, nos têm acompanhado e permitido reinventarmo-nos para estar sempre na linha da frente da tecnologia, da operacionalidade e da qualidade dos serviços.

Quais são os grandes desafios que a Kudumba enfrenta atualmente? Os nossos grandes desafios são permanentes e são de natureza eminentemente operacional - manutenção dos níveis de uptime acima dos mínimos contratualmente definidos, por forma a garantir a permanente operacionalidade dos equipamentos, permanente atualização tecnológica e assim permitir mais e melhor serviço (como exemplo, hoje em dia já nos é possível efetuar o scan de um comboio em movimento a uma velocidade entre os 40km/h e os 50km/h), identificação de serviços de valor acrescentado que permitam às autoridades melhor desenvolverem as suas competências de inspeção e de

Sendo Moçambique parte da CPLP, vê alguma vantagem e/ou possibilidade de expansão da Kudumba nesta Comunidade de Língua Portuguesa? Se nos fizesse essa pergunta há alguns anos atrás a nossa resposta seria inequívoca, não ambicionávamos fazê-lo, nem na CPLP, nem em qualquer outra região. O nosso objetivo foi solidificar a nossa experiência e conhecimento, criar equipas multidisciplinares que respondessem em tempo útil e de forma eficaz às nossas obrigações contratuais em Moçambique. Hoje, sabemos que estamos em condições de olhar e explorar oportunidades noutros mercados e, naturalmente, a proximidade linguística

Se quisermos ir longe, vamos acompanhados; se quisermos ir rápido vamos sozinhos”, como diz o provérbio africano e nós, definitivamente, queremos ir longe e por isso olhamos com muito interesse para o estabelecimento de parcerias com aqueles que melhor conhecem as realidades dos seus respetivos países

será para nós uma grande vantagem; temos os procedimentos, temos a cultura, temos o know-how que nos permite de forma rápida, mas estruturada, replicar as nossas operações em qualquer país. Tendo dito isto, temos consciência de que as realidades variam de país para país, que os desafios não são os mesmos, que as necessidades diferem, mas sabemos que temos uma longa aprendizagem que nos permite olhar com confiança para esses desafios e, principalmente, sabemos que “se quisermos ir longe, vamos acompanhados; se quisermos ir rápido vamos sozinhos”, como diz o provérbio africano e nós, definitivamente, queremos ir longe e por isso olhamos com muito interesse para o estabelecimento de parcerias com aqueles que melhor conhecem as realidades dos seus respetivos países. Vemos hoje, por isso, com muito bons olhos estender a actividade da Kudumba para outros países. ▪


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“NENHUMA ECONOMIA SE DESENVOLVE DE FORMA SUSTENTÁVEL SEM AS EMPRESAS” José Severino, Presidente da Associação Industrial Angolana (AIA), tem tido um papel bastante interventivo no que diz respeito ao futuro da economia em Angola. Quanto à relação deste país com Portugal, reconhece o mérito aos empresários portugueses e afirma que Portugal ganha um bom parceiro, pois “Angola já mostrou ser um lugar muito aliciante para o investimento”. Venha connosco saber mais.

JOSÉ SEVERINO

O que muda com a nova Lei do investimento Privado? O privado estrangeiro deixa de ficar constrangido à obrigação de ter sócios angolanos sendo tal uma opção do investidor, já não há a obrigação do valor mínimo de USD 1,0 milhão. A condição para as transferências de dividendos tem um regime mais claro bem como há agora legislação para transparência como a da Concorrência e a forte flexibilização de vistos de entrada e de permanência. O Presidente da Associação Industrial Angolana (AIA) chama, ainda, a atenção para a entrada de Angola na zona de livre comércio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Quais são as mais-valias para Angola e para os empresários? Vendo o importante papel que os investidores estrangeiros podem desempenhar, o nosso alerta é de que o mercado regional e face à livre circulação de bens os que não investirem cá dificilmente sobreviverão com a concorrência de países da região, com destaque para a África do Sul até com custos de transporte muito reduzidos pela proximidade e num regime, em muitos casos, de camionagem “porta a porta”. Claro

que também perde a possibilidade de se inserir nesse mercado de USD 250 milhões de consumidores. José Severino tem-se demonstrado preocupado com o futuro da economia em Angola por falta de micros, pequenas e médias empresas. Por onde pode ou deve passar a mudança? O que deve ser feito? Nenhuma economia se desenvolve de forma sustentável sem as empresas e por isso a coerência do Executivo ter aceitado as nossas propostas atrás referidas (embora tardiamente) e colocadas logo à nascença da então lei e aqui a eliminação da obrigação do mínimo de USD 1,0 milhão. Para isso, e no domínio interno, o Executivo está a implementar uma série de medidas no domínio do Crédito. Que relação gostaria de ver entre Portugal e Angola, a par de um maior investimento por parte dos empresários? Os empresários portugueses, em quem reconhecemos méritos, verão a sua influência económica minimizar-se a médio prazo e, consequentemente, perda de influência geopolítica na região. Angola, bem como os restantes países-membros da CPLP, está a aproveitar devidamente o potencial da comunidade no que diz respeito à cooperação económica e empresarial? Negativo, mas ainda assim os líderes políticos deverão trabalhar muito mais na análise das vantagens comparativas que os seus recursos naturais, suas posições geográficas e os seus mercados oferecem. Devia ser feito mais por parte da CPLP? Sim, mas sem sobranceria dos ditos mais fortes e sem complexos de ditos menos fortes, pois isso são questões meramente subjetivas, onde por vezes o que parece poder oferecer menos, será um gigante propulsor das vantagens dos demais. ▪

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osé Severino apela aos empresários portugueses a investir em Angola ao invés de verem o país como um destino das exportações. Estão reunidas as condições para o investimento direto? Os empresários que se remetam sistematicamente à área de conforto perdem oportunidades, e quem as perde corre o risco de ser ultrapassado na competitividade e Angola já mostrou ser um lugar muito aliciante para o investimento até porque o seu mercado tem uma expansão natural para países vizinhos encravados e que somam cerca de 100 milhões de consumidores.


» COOPERAÇÃO E NEGÓCIOS NA CPLP

“O CIMENTO YETU ESTÁ PRONTO PARA FAZER PARTE DO QUOTIDIANO DE TODOS OS PAÍSES DA CPLP” Emanuela Bernardett Afonso Vieira Lopes, Presidente do Conselho de Administração da FCKS, em entrevista, fala sobre o crescimento da empresa e do cimento que fabricam: “hoje já não é possível falar-se em cimento em Angola sem mencionar o seu cimento de superior qualidade, Yetu”. Saiba mais.

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cimento é um dos materiais mais utilizados na construção civil devido à sua grande aplicabilidade. A FCKS foi fundada em 2003, numa época em que Angola tinha apenas duas fábricas de cimento com capacidades insignificantes diante de uma demanda considerável e crescente. Como descreveria o crescimento e consolidação da empresa no país até aos dias de hoje? A FCKS, como bem disse, foi fundada em 2003, depois de muitos anos de pesquisa e prospeção para comprovar a existência das principais matérias-primas que garantissem a produção de cimento. Em 2008 iniciou a construção da fábrica. O seu comissionamento teve lugar em Fevereiro de 2014. Desde então a Fábrica de Cimento do Kwanza Sul, FCKS, tem progressivamente garantido exponencialmente o seu segmento de mercado. Em Angola começou por conquistar o mercado centro-sul tendo já adquirido uma parte do mercado de Luanda. A sua marca Yetu está já disseminada por todo o país estando também a ser comercializada em países vizinhos. Felizmente hoje já não é possível falar-se em cimento em Angola sem mencionar o seu cimento de superior qualidade, Yetu, propriedade da FCKS, garantia dos padrões mais conceituados do globo.

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Mesmo em tempos de crise, nomeadamente quando houve uma desvalorização da moeda, o cimento foi dos poucos produtos que não terá sofrido alterações significativas. Porquê? Acreditamos que em Angola todos os setores de atividade têm sido afetados e a indústria cimenteira não é exceção. O período de crise que começou em 2015 está a ter uma influência muito negativa na demanda de cimento em Angola, como é óbvio. É bem patente a retração da construção civil no país. Como exemplo, em 2014 a procura total do produto era de 4,9 milhões de toneladas e em 2017 baixou para 2,5 milhões, uma redução de cerca de 50%. Essa desaceleração da comercialização do produto doméstico teria sido mais catastrófica se não fosse proibida a importação de cimento nos últimos anos. Dentro dos valores que perpetuam, o ambiente é um aspeto muito considerado. Qual é a vossa atuação nesta temática? Toda a indústria deve respeitar os requisitos que defendam a preservação do ambiente e a FCKS não foge à regra. Exploramos calcá-

Em 2015, o Governo angolano proibiu a importação de cimento. Considera que esta foi uma decisão vantajosa? Porquê? Com certeza. Se a capacidade instalada de Angola é superior a 8 milhões de toneladas/ ano e o consumo de pouco mais de 5 milhões de toneladas/ano, na altura não fazia qualquer sentido empregar meios financeiros que pudessem ser utilizados em outros sectores. De notar que presentemente o consumo nacional é de apenas cerca de dois milhões de toneladas/ano.

EMANUELA BERNARDETT AFONSO VIEIRA LOPES

Acreditamos que em Angola todos os setores de atividade têm sido afetados e a indústria cimenteira não é exceção. O período de crise que começou em 2015 está a ter uma influência muito negativa na demanda de cimento em Angola, como é óbvio. É bem patente a retração da construção civil no país.

rio, argila e sílica e todo o tratamento está de acordo com as regras e normas padronizadas. Por outro lado, tratando-se de uma fábrica de cimento de via seca não tem emissão de gases poluentes à atmosfera.

Da vossa futura carteira de clientes existem intenções de exportar para países tais como o Japão, a Finlândia ou Portugal, ou ainda outros países de expressão oficial portuguesa? Devido à alta qualidade do cimento da FCKS, já foi solicitada a exportação do cimento Yetu por vários países, entre os quais a RDC, S. Tomé e Príncipe e Namíbia. Para outros países isso não foi possível na altura devido aos elevados encargos alfandegários e aduaneiros. No entanto, acreditamos que as nossas autoridades estejam atentas a esse constrangimento e que em benefício da almejada diversificação da economia encontrem meios seguros para que essa situação seja ultrapassada. Acredita que, pela língua comum aos países pertencentes à CPLP, os negócios são concretizados de forma mais direta ou isto é uma ilusão? Existem vários fatores que contribuem para que o negócio tenha benefícios mútuos para o vendedor e o comprador. No entanto, fazendo parte de uma comunidade é provável que possam vir a existir acordos que facilitem os procedimentos. A FCKS está atenta e caso esse desiderato seja transformado em realidade o cimento Yetu está pronto para fazer parte do quotidiano de todos os países da CPLP. No ano passado tiveram problemas na produção devido à falta de combustível, paralelamente, a banca também vos dificultou pela falta de divisas. Em que escala este tipo de problemas afetou a FCKS? A fábrica ainda não tem energia elétrica da rede e isso leva-a a consumir cerca 400 toneladas de Heavy Fuel Oil (HFO). No entanto, devido a interesses estranhos à mesma foi forçada à uma paralisação ao longo de seis meses por aumento drástico do preço do combustível, HFO. A falta de divisas é um problema que afecta a generalidade do país, mas a FCKS acredita


FÁBRICA DE CIMENTO

A Fábrica de cimento do Kwanza-Sul, tem capacidade para produzir 4.200 toneladas por dia de Clinker e 5.600.000 toneladas/dia de cimento Portland, num total de cerca de 1.4 milhões de toneladas de cimento por ano. O Cimento Yetu é o único cimento integralmente produzido em Angola. A FCKS produz dois tipos de Cimento: Cimento Portland de calcário CEM II /A-L 32.5 N | CEM II /A-L 42.5 N

Quais são, neste momento, as prioridades da empresa a curto-prazo? De momento, as prioridades da FCKS são: •Ter energia elétrica da rede nacional, pois desse modo irá diminuir consideravelmente os custos de produção; •Ter a possibilidade de maior expansão nos mercados nacional e internacional, com base em taxas para o benefício da nossa economia; • Sendo produtor excedente de clínquer de qualidade, fornecer esse produto ao mercado nacional de modo a que outras cimenteiras deixem de o importar, para que as divisas do país possam ser empregues em setores de maior prioridade. Neste momento, que projetos têm em curso e que merecem destaque? Existem, de facto, projetos ambiciosos, os quais aguardam por momento oportuno. O setor do cimento mostrou ser capaz de se adaptar a todas as situações e com a contínua produção apesar de todos os obstáculos. Que análise faz sobre a posição que o sector tem vindo a marcar ao longo do tempo? Num país como Angola, com recursos naturais para a produção de cimento tanto de via seca como de via húmida, essa indústria é estratégica para o seu desenvolvimento. O mercado doméstico está a fazer face a algumas dificuldades devido à crise, mas essa fase transitória dará lugar ao ressurgir de novas necessidades do produto. No entanto, tendo em conta as necessidades além-fronteiras esse segmento terá de ser devidamente explorado. ▪

FÁBRICA DE CLINKER

Com a capacidade instalada de 4200.000 toneladas por dia. PROCESSO: (i) A Argila, o Calcário e a Areia são triturados, doseados e entram no forno de queima a 1450 Cº, transformando os três componentes em Clinker. (ii) O Clinker, após ser formado no forno rotativo entra no resfriador. Esta fase do processo tem uma dupla finalidade: resfriar o clinker e recuperar a energia em forma de calor para o processo de fabrico, representando uma menor utilização de combustíveis e redução de custos. (iii) O Clinker após resfriado é transportado em esteiras mecânicas até ao silo de estocagem onde aguarda a sua utilização no processo de moagem de cimento.

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que essa situação poderá ser ultrapassada com o apoio de quem de direito.

CENTRAL DE ENERGIA

FÁBRICA DE SACOS


» ALTO-COMISSARIADO PARA AS MIGRAÇÕES

“À SUA ESCALA, PORTUGAL ORGULHA-SE DE ESTAR A FAZER A SUA PARTE” Pedro Calado, Alto-Comissário para as Migrações, em entrevista à Revista Pontos de Vista, aborda os atuais desafios que a migração representa neste momento na Europa e no mundo. Não perca!

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um país que se tem mantido distante da onda de intolerância que domina na Europa, o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) tem desempenhado um papel determinante na integração dos imigrantes que chegam a Portugal. Desta forma, quais são os grandes desafios que se colocam ao Alto Comissariado para as Migrações de momento? A gestão das migrações forçadas trouxe, a todos os países solidários com o acolhimento e a integração de pessoas refugiadas, novos desafios e Portugal não é exceção, a começar pelo seu posicionamento humanista, manifestando a sua solidariedade ativa no âmbito dos diversos programas, para além dos pedidos de asilo espontâneos: recolocação, reinstalação, barcos humanitários e acordos bilaterais. Este envolvimento tem levado o ACM, I.P., desde finais de 2015, a assumir a coordenação do acolhimento e integração, na sociedade portuguesa, dos requerentes e beneficiários de proteção internacional ao abrigo de todos aqueles programas de apoio, em cooperação com municípios e entidades da sociedade civil, adaptando respostas já existentes às necessidades do novo público-alvo e investindo na conceção de outras, de modo a contribuir para percursos migratórios humanitários sustentáveis. Este é um desafio de que nossa orgulhamos, em particular quando, recentemente, dados do Eurobarómetro Standard revelaram que alguns dos temas que mais inquietam os povos europeus, como as migrações, o crime e o terrorismo, são quase ignorados pelos portugueses/as. O caso das pessoas migrantes é o mais paradigmático, dado que, em Portugal, é citado apenas por 3% de inquiridos/as como a sua maior preocupação, enquanto no restante do velho Continente chega aos 21%, apenas superado pelo problema do desemprego. Contudo, este é sempre um trabalho inacabado, onde, permanentemente, surgem novos desafios. O Plano Estratégico para as Migrações (PEM), como instrumento de política pública de âmbito nacional, visa preparar o país e responder de forma articulada, eficaz e transversal a esses desafios. Assim, se é verdade que houve

avanços muito significativos no combate transversal ao défice demográfico e no equilíbrio do saldo migratório, revertido em 2017 depois de seis anos de saldos negativos. Se, igualmente, é evidente que se registaram grandes avanços na capacidade de melhorar os instrumentos legais de apoio à integração das comunidades migrantes e seus descendentes (que superam as 500.000 atribuições da nacionalidade portuguesa na última década), continuaremos a aprofundar o nosso trabalho ao nível do acolhimento e integração das pessoas refugiadas, mas também do ponto de vista mobilidade internacional, na perspetiva da captação de migrantes e da valorização das migrações e do talento, no alinhamento com os setores de atividade que mais carecem de população ativa, assegurando uma solução eficiente e justa, desde logo, para as próprias pessoas migrantes, no enquadramento do Pacto Global para as Migrações. Não há sucesso nas políticas migratórias se não forem consideradas, com toda a prioridade, as políticas de acolhimento e integração de migrantes na sociedade de acolhimento. Portugal está no bom caminho neste sentido? O modelo de governação integrada desenvolvido em Portugal tem merecido inúmeros reconhecimentos e prémios internacionais. Esta ideia original portuguesa, que designamos de one stop shop, desenvolvida e inspirada nas Lojas do Cidadão, permite ter, no mesmo edifício, todos os serviços que respondem de forma integrada às necessidades de migrantes, sejam imigrantes, refugiados ou cidadãos da UE em mobilidade. Estes Centros Nacionais de Apoio à Integração de Migrantes (CNAIM) são estruturas de apoio fundamentais no processo de integração em Portugal, disponibilizando para o efeito vários tipos de serviços, da responsabilidade do ACM, I.P., e de outras instituições públicas de diferentes ministérios. Para além dos diversos serviços públicos aí presentes, os CNAIM têm diversos Gabinetes que se complementam, designadamente o Gabinete de Acolhimento e Triagem, o Gabinete de Apoio Jurídico, o Gabinete de Assuntos Sociais e Inclusão e o Gabinete de Apoio à Inserção Pro-

PEDRO CALADO

fissional, Ensino Superior e Qualificação. Numa lógica de atendimento integrado, estes gabinetes articulam-se entre si e com os demais ministérios presentes nos CNAIM, de forma a desbloquear as situações apresentadas pelas pessoas migrantes, potenciando assim o seu processo de integração. Os CNAIM de Lisboa, Norte e Algarve, articulam-se, por sua vez, e de forma descentralizada, com 99 Centros Locais de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM) disponíveis por todo o país, fazendo jus ao princípio de que a integração se faz a nível local e, como tal, articulando em parceria com inúmeras câmaras Municipais e entidades da sociedade civil de norte a sul do país e regiões autónomas que por sua vez constroem,


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nos seus territórios, projetos em rede com escolas, centros de saúde, centros de emprego, associações de migrantes, entre outros parceiros, de modo a responderem de forma integrada às necessidades de migrantes do ponto de vista do atendimento e dos respetivos processos de integração . Além do trabalho desenvolvido pelos CNAIM e CLAIM, é de realçar o aumento de pedidos de informação na Linha de Apoio a Migrantes (808257257) e a utilização crescente da app MyCNAIM, lançada em 2017, enquanto medida Simplex +, que permite desmaterializar o apoio prestado presencialmente. A crescente replicação, no estrangeiro, destas e de outras práticas portuguesas de apoio

à integração mostra-nos que estamos a fazer bem um trabalho que, noutras geografias, infelizmente, não encontra a mesma determinação e consenso. Sente que em Portugal a integração é vista como o motor de desenvolvimento e coesão social da sociedade? Em finais de 2018, a OCDE confirmou Portugal como um dos poucos países europeus onde a perceção sobre a imigração evoluiu mais favoravelmente nos últimos 12 anos (a par do Reino Unido e da Noruega), considerando o nosso país como uma “notável exceção”, reforçada pelo facto de Portugal (a par do Luxemburgo) ser um país onde as pessoas que têm raros con-

O modelo de governação integrada desenvolvido em Portugal tem merecido inúmeros reconhecimentos e prémios internacionais


» ALTO-COMISSARIADO PARA AS MIGRAÇÕES nas pessoas como nós em busca de um projeto de felicidade. Qual tem sido o papel do Alto Comissariado para as Migrações na adaptação e integração dos muitos imigrantes, oriundos dos mais diversos países, que têm chegado a Portugal? O Alto Comissariado para as Migrações é o organismo, em Portugal, responsável pelas políticas de acolhimento e integração de migrantes, assente em 4 pilares, em torno dos quais de desenvolve o trabalho levado a cabo pelo ACM: Pilar I - Integração de proximidade, através da Rede Nacional de Apoio à Integração de Migrantes, pioneira desde 2003 e composta por: 3 Centros Nacionais e 99 Centros Locais, porque a integração se faz a nível local; Pilar II - Parceria e Cooperação com Municípios e Sociedade Civil, desde 2003, fomentando a construção bottom up de políticas municipais com o envolvimento direto de migrantes, na procura de soluções conjuntas, através das Associações de Migrantes e de Refugiados, para a conceção de Planos Municiais para a Integração de Migrantes (desde 2014), numa lógica de cooperação, porque a diversidade é uma vantagem competitiva; Pilar III - Participação e representatividade das Comunidades Migrantes no Conselho para as Migrações, dinamizado pelo ACM, I.P., onde estão representadas as principais comunidades migrantes, afrodescendentes e de refugiados, a par dos diferentes serviços públicos (desde 1998) e cujo modelo tem vindo a ser replicado a nível local, através de Conselhos Municipais para a Interculturalidade, ou outras designações semelhantes;

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tactos com imigrantes têm mais probabilidade de afirmar que a imigração é uma oportunidade. Estes são dados que o Eurobarómetro confirmou, ao mostrar que a perceção portuguesa sobre a integração de migrantes na sociedade suplanta largamente a média europeia (fixada nos 54%), sendo que 77% dos portugueses/ as consideram que a integração de migrantes é bem-sucedida, um número só superado pela Irlanda (80%). Em dezembro de 2018, e como nos últimos quatro anos, o ACM, I.P., através do seu Observatório das Migrações, lançou o Relatório Anual “Imigração em Números”. Trata-se de uma bateria de mais de 200 indicadores de integração, o que nos permite medir os níveis de integração dos estrangeiros em Portugal com rigor científi-

co, e nos permite responder, pragmaticamente, às dúvidas que, muitas vezes, surgem ao redor deste tema: os estrangeiros contribuem para o nosso mercado de trabalho? E para a segurança social ou a demografia? As nossas respostas a estas questões partem da evidência dos dados robustos que são trabalhados, e que permitem responder favoravelmente. A título de exemplo, em 2017, os estrangeiros contribuíram positivamente para a nossa Segurança Social com 514M€. Estes são factos que mais do que responder à questão inicial, permitem combater medos e mitos. Não perdermos estes resultados de vista permitir-nos-á continuar a pautar a narrativa sobre as migrações com um olhar pragmático, complementado por um olhar humanista que deve sempre relembrar que, ao final do dia, são ape-

Pilar IV - Modelo intercultural de gestão da diversidade, onde mais do que a mera coexistência das diferentes comunidades em presença no território nacional, se promove a interação das comunidades entre si e destas com a sociedade de acolhimento, na base da valorização da diversidade, do diálogo intercultural e inter-religioso. Neste sentido, o papel do ACM, I.P. passa, desde logo, pela concretização plena do Plano Estratégico para as Migrações onde 13 Ministérios, Municípios e Sociedade Civil são envolvidos diretamente na concretização de 106 medidas para o apoio à integração. Complementarmente, o ACM desenvolve inúmeros projetos e iniciativas que asseguram respostas diretas aos seus públicos-alvo. Entre essas iniciativas, destacamos as campanhas, o Observatório e um conjunto alargado de ações, tais como o Programa Escolhas, a Rede de Escolas Interculturais, a Carta para a Diversidade, o apoio ao Associativismo Migrante ou o Programa de Apoio ao Empreendedorismo Migrante. São, de facto, centenas de iniciativas que, no seu todo, ajudam a consolidar a ideia-chave que lhes subjaz: a ideia de uma sociedade portuguesa intercultural e inter-religiosa. A promoção da igualdade de tratamento de todas as pessoas, como é exemplo o combate à discriminação racial, é fundamental. Desta forma, sente que a nível estatal tem sido realizado um esforço ao nível de investimento nesta área? Que lacunas ainda identifica?


Ao nível da União Europeia, Portugal tem estado na linha da frente das melhores políticas de resposta a migrantes e refugiados, recebendo merecido destaque como um dos países com uma abordagem positiva e construtiva, cumpridora dos mais elementares Direitos Humanos. Na sua opinião, quais são as principais razões para os imigrantes escolherem Portugal? À sua escala, Portugal orgulha-se de estar a fazer a sua parte. Numa Europa onde alguns Estados-Membros substituíram a solidariedade por muros, Portugal tem merecido o destaque da UE, do Conselho da Europa e das Nações Unidas. Para tal, contribuiu o enorme consenso político nesta matéria, mas também o consenso social, como comprova o European Social Survey 2018 ao considerar Portugal como o país europeu onde mais desceu oposição à imigração, defendendo o acolhimento de refugiados e valorizando os benefícios da diversidade cultural e o contributo dos migrantes. Solidário com a causa dos refugiados na Europa, Portugal acolheu 1550 pessoas refugiadas ao abrigo do Programa da Recolocação da UE, 142 no âmbito do Acordo UE/Turquia; 112 de Barcos Humanitários (estando para chegar mais 10 do navio Alan Kurdi) e recebeu já 194 pessoas através do Programa da Reinstalação, na relação direta com o ACNUR (de 1010 para os anos de 2018 e 2019). Paralelamente, foi o primeiro EM a celebrar com a Alemanha um Acordo Bilateral para efeito das Retomas a Cargo e celebrou um outro com a Grécia para mais 100 pessoas em 2019. A estes números acrescem os pedidos de

asilo espontâneos que, em 2018, abrangeu mais de 1300 pessoas. Atualmente, Portugal conta com novas comunidades, fruto dos mecanismos de proteção internacional, como é o caso das comunidades síria, eritreia e iraquiana. Entre elas, em sede de acompanhamento é possível identificar, entre os testemunhos das próprias pessoas refugiadas, a sua valorização no que se refere: à segurança, à hospitalidade, ao acesso a recursos como por exemplo a educação e a saúde. Atualmente, quais são os principais programas de integração de imigrantes disponibilizados pelo Alto Comissariado para as Migrações? À resposta integrada que o ACM, I.P. disponibiliza através dos CNAIM e dos CLAIM, a necessidade constante de adaptação e criação de novas respostas, tem levado o ACM, I.P. a oferecer novos recursos de que são exemplo mais recente: O Serviço de Tradução Telefónica, atualmente com 60 tradutores e 57 idiomas, entre eles árabe, curdo e tigrínia, para responder às necessidades das novas comunidades de pessoas refugiadas em Portugal; A Plataforma de Português Online, que apresenta conteúdos para a aquisição do Português europeu por adultos falantes de outras línguas, através de módulos traduzidos para inglês, espanhol e árabe (+ de 11.000 utilizadores/166 nacionalidades); A Plataforma Refujobs, que tem por objetivo potenciar as competências profissionais das pessoas refugiadas, associando-as às oportunidades de emprego disponíveis em entidades e empresas portuguesas; O Protocolo com a Plataforma Global de Apoio aos Estudantes Sírios, para atribuição de bolsa de estudo a estudantes refugiados de todas as nacionalidades no acesso ao ensino superior; O Protocolo com todas as Associações de Refugiados que existem em Portugal para dinamização conjunta de atividades e cedência de espaço o que se verifica no CNAIM de Lisboa; Portugal vive atualmente uma melhoria económica evidente. Sente que isso é fundamental para retomar saldos migratórios positivos que assegurem condições para um desenvolvimento sustentável do país? O crescimento da economia e do emprego, assim como da recuperação da credibilidade internacional de Portugal que levou à redução do défice de 2018 para 0.5, são seguramente bons indicadores. A par destes, o Relatório Estatístico Anual 2018 do Observatório das Migrações (OM) dá conta, não só de um conjunto de indicadores que revelam uma contribuição muito positiva das pessoas migrantes para o país, mas também dos impactos das políticas migratórias de integração. De facto, os migrantes foram os primeiros a sinalizar os primeiros sintomas da crise e foram, depois, os primeiros a assinalar a retoma económica. Os dados apresentados apontam para o facto de Portugal apresentar, em 2017, um saldo migratório positivo (+4.886), invertendo a trajetória de declínio verificada desde 2010, revelando-se, assim, um número de imigrantes (36 639, +22% do que em 2016) superior às pessoas que saíram do país (31  753, -17% do que em 2016). A população estrangeira com títulos de

residência voltou a ultrapassar os 400 mil indivíduos, traduzindo um crescimento face ao ano anterior de +6%, vivendo em Portugal 421.711 pessoas estrangeiras, o que representa 4,1% do total de residentes do país. Contrariando a tendência de envelhecimento da população portuguesa, as pessoas imigrantes são tendencialmente mais jovens, concentrando-se nos grupos etários em idades férteis e em idades ativas, facto verificado no contributo das mulheres de nacionalidade estrangeira para o nascimento de 10% do total dos nados-vivos em Portugal. A terminar, quais devem continuar a ser as políticas portuguesas de integração de migrantes e pessoas refugiadas, e o que podemos esperar no futuro por parte do ACM? No final de 2018, Portugal subscreveu o Pacto Global para as Migrações, pelo que a assunção dos compromissos daí decorrentes representam um desafio relativamente ao qual queremos estar à altura. É nesse caminho que a experiência do ACM, I.P. no acolhimento e integração de refugiados tem constituído uma aprendizagem que queremos aprofundar, assim como desejamos que o lugar de Portugal no MIPEX (Migrant Integration Policy Index), evolua para patamares ainda mais além do já conquistado até aqui. Recorde-se que, em 2015, no MIPEX IV, Portugal manteve-se como o segundo melhor país do mundo em termos de políticas de acolhimento e integração de migrantes. Isto não significa, porém , que tudo esteja perfeito e há sempre muito trabalho para fazer e aprofundar. Desde logo no árduo trabalho de garantir que passamos da Lei à prática com os mesmos resultados. A esse nível, destacamos os desenvolvimentos recentes na vertente da saúde, área genericamente menos bem cotada no MIPEX em 2015. A esse nível é de salientar o trabalho que temos vindo a fazer em parceria com a Direção-Geral de Saúde (DGS) e a OIM , procurando assegurar a efetiva concretização pelos serviços dos direitos dos estrangeiros em acederem aos serviços de saúde, independentemente de Portugal ser um dos raros países europeus que assegura o acesso à saúde a todos os estrangeiros, independentemente da sua condição legal. Neste domínio o ACM tem colaborado com a DGS e a OIM, através do projeto EquiHealth, formando centenas de médicos, enfermeiros e assistentes, procurando garantir que esta boa vontade se concretiza no terreno. Por outro lado, e se é verdade que na vertente da educação importa destacar que Portugal tem melhorado bastante os resultados no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), sendo o país da UE que mais aproximou os diferenciais nas taxas de sucesso e insucesso escolar dos alunos portugueses e estrangeiros, há, porém, determinadas nacionalidades que apresentam maior prevalência de abandono escolar e dificuldades escolares. Percebermos, no entanto, que não estamos perante deficits causados por serem migrantes, mas por contextos de classe social e de baixos níveis de qualificação dos pais que se tendem a reproduzir nas gerações seguintes, é fundamental. É neste domínio que o ACM, através do seu programa Escolhas, tem vindo a intervir, garantindo que, na corrida da vida, ninguém fica para trás. ▪

39 JUNHO 2019

Portugal tem, desde agosto de 2017, um novo enquadramento legal para a prevenção e combate à discriminação em razão da origem racial e étnica, cor, nacionalidade, ascendência e território de origem. Estas duas últimas caracteríticas “ascendência e território de origem” decorrem precisamente da nova lei, assim como o reforço de poderes da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial – CICDR, a atribuição de poderes de instrução ao ACM, I.P., a simplificação de procedimentos na formalização de queixas; decisões sujeitas a publicação; o ônus da prova passou a permitir a presunção da intenção discriminatória, cooperação entre entidades com competência em matérias de discriminação e com os tribunais que agora informam CICDR das decisões proferidas, mediação ante acompanhamento da CICDR, como forma resolução de litígios e proibição da discriminação por associação, e discriminação múltipla. Fruto deste importante impulso legislativo e verificando-se um maior conhecimento dos direitos e dos mecanismos da CICDR que o ACM, I.P. tem desenvolvido, através de campanhas e inúmeras iniciativas, o n.º de queixas em 2018 foi de 346, maioritariamente impulsionadas pelas próprias vítimas: 214 queixas= 61,8%. Temos, felizmente, um novo enquadramento legal que veio reforçar os mecanismos de sanção à discriminação étnica e racial e tivemos, igualmente, um reforço no Código Penal para as tipologias de crimes de ódio racial que procuraram melhor responder a este desafio civilizacional. Mas, simultaneamente, há que continuar uma permanente sensibilização para uma pedagogia e cidadania que importa sempre reforçar.


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SANDRA BENTO

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Bâloise Vie Luxembourg, filial do Grupo suíço Bâloise, propõe soluções de investimento inovadoras e personalizadas. Um dos vossos fatores diferenciadores é que tais soluções podem ser moldadas consoante as necessidades dos clientes. Pode explicar-nos melhor este método? Somos especialistas em seguros de vida no

JOÃO MARMELO

Luxemburgo e possuímos um verdadeiro know-how através das nossas equipas que possuem um vasto conhecimento jurídico e fiscal a nível internacional sobre os vários produtos oferecidos pela nossa empresa. Assistimos os nossos clientes na implementação de soluções tailor-made e que vão ao encontro da situação de vida dos mesmos bem como das suas necessidades.

Os seguros oferecidos pela Bâloise são, assim, seguros flexíveis, associados a ter uma poupança a médio e longo prazo através de um contrato de seguro e que possibilitam a escolha de estratégias de investimento diferenciadas. Os nossos clientes podem encontrar no Luxemburgo um leque de possibilidades tais como os fundos internos dedicados, fundos externos, fundos de seguro especializado bem


Os seguros oferecidos pela Bâloise são, assim, seguros flexíveis, associados a ter uma poupança a médio e longo prazo através de um contrato de seguro e que possibilitam a escolha de estratégias de investimento diferenciadas

Além de personalizarem contratos para os clientes, a vossa atuação também sofre mutações de acordo com o país de atuação. Estando presentes em 12 países, de que forma articulam os vossos serviços? Quais são as principais diferenças entre eles? Temos equipas multidisciplinares organizadas por países e que são especializadas no suporte de contratos de seguros de um ponto de vista comercial, jurídico, fiscal e planeamento patrimonial e sucessório. Não obstante existirem diferenças entre os diversos países onde atuamos, todos os nossos contratos têm como fator comum a legislação luxemburguesa, diferenciando-se no respeito pelo direito local de cada jurisdição. Quais diria que são, atualmente, as tendências de mercado e evolução do mercado segurador em Portugal e em Luxemburgo? Cada vez mais se verifica uma preocupação sucessória e uma procura de soluções de planeamento patrimonial, pelo que a procura de soluções como o seguro de vida Luxemburguês tem vindo a desempenhar sem dúvida um papel importante no planeamento patrimonial porque permite uma proteção acrescida dos ativos e uma distribuição equitativa entre os beneficiários da apólice. Que análise faz acerca da economia portuguesa e respetiva conciliação com os seguros unit linked do Luxemburgo? O país tem vindo a ter alguma recuperação

económica tendo em conta que toda a economia mundial está de boa saúde, mas o receio dos nossos clientes tem sido o abrandamento da economia considerando que são empresários ou particulares com uma faixa etária elevada e que têm como objetivo a preservação do património. O Luxemburgo oferece aos subscritores uma proteção e uma segurança únicas na Europa, através de um contrato de seguro de vida subscrito numa Companhia de seguros luxemburguesa, o triângulo de segurança. Em Portugal, uma medida assim seria popular? Com certeza, porque é uma preocupação dos particulares que é a segurança do seu património. O Grão-Ducado do Luxemburgo oferece uma proteção única na Europa: através do seu famoso “triângulo de segurança” que assegura a separação jurídica e física entre os ativos dos tomadores, por um lado, e os ativos dos acionistas e outros credores da Companhia de seguros, por outro. A segregação dos ativos é controlada trimestral-

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como fundos internos coletivos, para não falar do acesso a uma vasta gama de ativos, como OICVM, ações e obrigações cotadas ou produtos estruturados, mas também todos os fundos públicos ou não públicos, emitidos em diferentes jurisdições europeias ou mundiais. Podemos ainda dizer que um acompanhamento jurídico e fiscal constante aliado às nossas competências técnicas e linguísticas, recetividade na abordagem e implementação de soluções tradicionais e inovadoras que vão ao encontro das necessidades dos clientes e parceiros para a criação de valor acrescido fazem igualmente parte da nossa metodologia.

O Grão-Ducado do Luxemburgo oferece uma proteção única na Europa: através do seu famoso “triângulo de segurança” que assegura a separação jurídica e física entre os ativos dos tomadores, por um lado, e os ativos dos acionistas e outros credores da Companhia de seguros, por outro


» RELAÇÕES COMERCIAIS PORTUGAL-LUXEMBURGO

mente pelo Commissariat aux Assurances, o organismo regulador e de supervisão de seguros no Luxemburgo. A principal vantagem deste regime de proteção dos investimentos reside na obrigação legal de confiar todos os ativos do tomador a um banco depositário independente da Companhia de Seguros de Vida e aprovado pelo Commissariat aux Assurances do Luxemburgo. Os tomadores luxemburgueses dispõem de um privilégio especial que lhes confere a qualidade de credores privilegiados de primeira linha da companhia de seguros. Graças a este privilégio, o tomador tem prioridade sobre todos os credores, inclusive o Estado. O capital também é protegido em caso de falência da Seguradora. É considerado um privilégio absoluto para os credores de seguros por prioridade sobre outros credores muitas vezes considerados privilegiados. Evidentemente, este é exatamente o tipo de mecanismo de proteção de ativos que os clientes procuram ao abrigo de uma apólice de seguro de vida luxemburguesa.

PONTOS DE VISTA

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Na sua opinião, os portugueses são pessoas consciencializadas sobre a importância dos seguros? Hoje, muito mais do que antes, a apólice de seguro de vida é uma ferramenta essencial para efeitos da gestão patrimonial familiar, pelo que temos visto que as pessoas têm desenvolvido os seus conhecimentos e, nesse sentido, temos dado o nosso contributo para dizer que é um produto com uma vertente de organização patrimonial e não um produto de índole fiscal. De modo a contribuirmos para o desenvolvimento do setor de seguros, em março de 2019 a Bâloise Vie Luxembourg lançou o primeiro livro branco 100% digital (Life-insurance360.com https://lu.linkedin.com/company/baloise-international), cujo objetivo é reinventar a forma como as pessoas aprendem os seguros de vida, decifrando o setor de uma nova maneira. Constatamos que, em geral, não é fácil encontrar informação nas páginas Web das companhias de seguro, pelo que desenvolvemos uma plataforma moderna na sua conceção e filosofia, com conteúdos escritos por especialistas da Bâloise Vie Luxembourg, mas também aberta a colaboradores externos (empresas de auditoria,

advogados, family offices, private bankers, intermediários e personalidades do centro financeiro). Estamos muito satisfeitos com o feedback entusiasta que temos recebido. A escrita do livro digital testemunha, sem dúvida, o lugar predominante que a companhia de seguros ocupa hoje em dia. Com uma excelente classificação (A +), experiência multi-mercado e uma gama muito diversificada de produtos ligados a unidades de participação, queremos ir ao encontro das necessidades dos nossos clientes contribuindo para uma maior consciência da importância dos seguros. Que tipos de seguros são os mais contratados em Portugal? Essencialmente seguros de vida e de capitalização. Quais são as diferenças mais evidentes entre Luxemburgo e Portugal quando o assunto é seguros? Credibilidade da praça através do profissionalismo que se encontra associado à mesma, pela essência da área financeira, a existência de bons profissionais, boas empresas e naturalmente a segurança oferecida pela proteção em caso de catástrofe. Outro elemento diferenciador tem sido o sigilo profissional, que apesar de só poder ser excluído em determinadas situações, tem sido considerado pelos clientes como um nível adicional de segurança em termos da sua própria proteção, mas também da proteção dos seus bens e ativos. A médio e longo prazo, quais são os planos do Grupo Bâloise em Portugal? Em conjunto com o mercado Francês, Belga e Itália, Portugal sendo um dos mercados prioritários da Bâloise Vie Luxembourg, a médio e longo prazo os planos passam pelo desenvolvimento do mercado através de novas soluções e otimização de soluções existentes mas ainda proceder ao reforço da equipa (já temos sete pessoas dedicadas ao mercado português), visto esta ser uma preocupação que existe no mercado, isto é, ter um suporte que entenda as necessidades do tomador na sua língua materna. ▪

Hoje, muito mais do que antes, a apólice de seguro de vida é uma ferramenta essencial para efeitos da gestão patrimonial familiar, pelo que temos visto que as pessoas têm desenvolvido os seus conhecimentos e, nesse sentido, temos dado o nosso contributo para dizer que é um produto com uma vertente de organização patrimonial e não um produto de índole fiscal


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“NUM MUNDO CADA VEZ MAIS DIGITAL, DAMOS VALOR ÀS RELAÇÕES E AO CONTACTO PERSONALIZADO COM OS NOSSOS PARCEIROS E CLIENTES” Letícia Soares é Country Manager em Portugal da Wealins, uma companhia com sede no Luxemburgo detida a 100% pelo Grupo Foyer, em entrevista fala sobre o mercado dos seguros em Portugal e que expectativas e estratégias tem o grupo para o território português. Não perca!

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Letícia é Country Manager em Portugal da WEALINS,SA – a nova marca da companhia de ramo vida internacional do Grupo Foyer, que surge em 2017, após a fusão da Foyer internacional com a IWI – International Wealth Insurer, antiga BIL-Vie. O que mudou com esta fusão? Na realidade não mudou muita coisa. O Grupo Foyer decidiu comprar em 2016 a IWI e considerando que a atividade desta era similar à da Foyer Internacional, que trabalhava o mercado internacional em ramo vida, aquando da fusão legal das duas companhias, o grupo decidiu lançar uma nova marca exclusiva para o mercado internacional. A WEALINS continua a ser uma companhia com sede no Luxemburgo detida a 100% pelo Grupo Foyer, o maior grupo financeiro privado no Luxemburgo. Passamos a ter soluções noutros mercados onde não estávamos tão ativos, como por exemplo a Itália e o Reino Unido, aumentámos a nossa eficiência e expertise, bem como ganhámos sinergias com esta fusão. No entanto, os valores do grupo continuam a ser os mesmos (Confiança, Excelência, Inovação, Integridade e Independência), bem como o ADN único que o Grupo Foyer tem no Luxemburgo. Para além disso, com esta fusão passamos a fazer parte do Top 5 de companhias de seguros de vida a operar no Luxemburgo através do regime da livre prestação de serviços, com quase nove mil milhões de ativos sob gestão.

PONTOS DE VISTA

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LETÍCIA SOARES

Que tipo de seguro comercializa a WEALINS e qual o perfil do consumidor português que contrata este tipo de seguros? Com mais de 25 anos de experiência, a WEALINS disponibiliza “soluções à medida” de seguros de vida e capitalização. Na realidade, criamos soluções via seguros de vida de gestão de património, considerando o país de residência do cliente, a sua situação familiar, bem como as suas necessidades e objetivos. Este tipo de produto destina-se a uma clientela internacional de elevado património que procura estruturar, preservar e transmitir o seu património em total segurança bem como em um ambiente fiscal mais favorável.


A WEALINS está registada na ASF como uma companhia de seguros luxemburguesa a operar em Portugal em livre prestação de serviços. No entanto, a WEALINS reporta e é supervisionada pelo regulador no Luxemburgo – CAA: Commissariat aux Assurances

Quais as condições para um cliente ter acesso a este tipo de seguro? Existe uma idade máxima, prazo mínimo? As condições são muito simples para o nosso produto português: ser nacional português ou residir em Portugal. Esta é um dos requisitos que o cliente tem que preencher obrigatoriamente. Não existe idade máxima para subscrever este tipo de seguro, tal como o cliente não é obrigado a manter o seguro durante um prazo mínimo. Pode resgatar quando entender. Existe uma idade mínima, porque a legislação portuguesa não permite que um menor de 14 anos seja pessoa segura. Nada mais. Em 2018, segundo estatísticas da ACA, Associação de seguradoras e resseguradoras do Grão-ducado do Luxemburgo, o setor de seguros no Luxemburgo teve uma produção superior a 27 mil milhões de euros. Qual a divisão por seguros de vida e não vida e quanto representa Portugal como mercado? O ramo não vida representa 3,7 mil milhões de euros (14%) e o vida mais de 23 mil milhões de euros (86%). O mercado nacional representa 10% deste volume, sendo 6% seguros ramo vida e 4% seguros ramo não vida. Em ramo não vida internacional, estamos a

falar de 2,7 mil milhões de euros (10%) e ramo vida internacional mais de 21 mil milhões de euros (80%). Por esse motivo o Luxemburgo é considerado o maior centro de distribuição de seguros da Europa. O maior mercado deste tipo de produto é a França, com um peso de 35% na produção, seguida pela Itália com 26%. Portugal representa 3% como mercado. Por isso se considerarmos o tamanho do nosso país em comparação com a vizinha Espanha, que representa 2%, podemos concluir que o mercado português é forte neste tipo de produto. A WEALINS trabalha em livre prestação de serviços. O que significa isso? Significa que com o passaporte europeu WEALINS pode ter atividade e distribuir seguros em outros países da União Europeia sem a presença física de uma sucursal. A WEALINS está registada na ASF como uma companhia de seguros luxemburguesa a operar em Portugal em livre prestação de serviços. No entanto, a WEALINS reporta e é supervisionada pelo regulador no Luxemburgo – CAA: Commissariat aux Assurances. Todos os nossos produtos estão sempre em conformidade com as regras da CAA, mas também com a lei tributária do país onde são comercializados. No caso de Portugal, o nosso produto respeita a lei fiscal portuguesa. No Luxemburgo, o mecanismo do “triângulo de segurança” oferece ao tomador de um contrato de seguro de vida ou um título de capitalização, um dos modelos de segurança mais robustos da Europa. Poderia explicar-nos em que consiste este mecanismo? O mecanismo do “triângulo de segurança” é único na Europa. Nenhum outro país na Europa tem na sua legislação este sistema de proteção dos tomadores de seguros de vida. Tal mecanismo é tão importante, que a loi du 10 août 2018 veio reforçar esta proteção. A lei luxemburguesa obriga a que todos os ativos referentes a estas apólices sejam segregados no balanço das companhias de seguro, o que significa que estes ativos (chamados de provisões técnicas) tem que estar separados e geridos de forma diferenciada dos ativos próprios da companhia.

Estas provisões técnicas devem ser obrigatoriamente depositadas em um banco. Esse banco, chamado de “depositário” tem que assinar um acordo tripartido com o regulador e a seguradora e só após autorização expressa do regulador, o banco pode receber estes ativos. O regulador faz um controlo deste tripartido, bem como um controlo trimestral do montante desses ativos e da forma como estão a ser investidos e geridos. Este tripartido permite a CAA poder intervir nestas contas para assegurar que os ativos não são usados para pagar a nenhum outro credor em caso de insolvência da companhia de seguros. Para além disso, os tomadores de seguros são credores privilegiados relativamente a estes ativos, o que significa que nenhum credor da companhia de seguros, em caso de insolvência desta, pode ter acesso aos mesmos, nomeadamente o Estado, os organismos de segurança social, os acionistas ou mesmo os colaboradores da empresa. A estratégia de abordagem Wealins é diferenciadora. Pode explicar-nos como funciona a mesma? Em todos os mercados onde desenvolvemos atividade, trabalhamos em B2B2C, ou seja, trabalhamos em articulação com grandes parceiros internacionais líderes: private bankers, gestores de património, family offices, consultores financeiros e profissionais do setor financeiro. Ao fazer parte das abordagens e dos processos dos seus parceiros, a WEALINS oferece a melhor solução possível, garantindo o respeito pela natureza exclusiva e privilegiada da relação entre o cliente e o parceiro em questão. Com vista a dar resposta às necessidades específicas de cada cliente, a WEALINS adota uma abordagem personalizada de alto nível, assente numa vasta gama de serviços e numa rede independente de especialistas. Para além disso, sabemos o quanto a qualidade de serviço é importante neste tipo de mercado, por isso estamos a investir em um novo sistema informático, bem como na formação dos nossos colaboradores, para que possamos sempre apresentar o melhor nível de serviço aos nossos parceiros e clientes. Num mundo cada vez mais digital, damos valor às relações e ao contacto personalizado com os nossos parceiros e clientes. ▪

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Cada vez mais verificamos que a mobilidade é um facto muito importante na gestão da vida profissional e familiar. Esta solução permite ao cliente não só decidir como pretende transmitir e preservar o seu património, mas também alterar a sua residência fiscal a qualquer momento, sem ter que se preocupar com o seguro. Apenas tem que informar a WEALINS antes da mudança e nós confirmamos se as características do seguro atual estão em conformidade com a legislação do novo país de residência. Caso contrário, faremos as alterações necessárias para que o produto mantenha a classificação de seguro de vida. A WEALINS beneficia do conhecimento de colaboradores multilingues que representam 11 nacionalidades diferentes. Compostas por profissionais experientes, as equipas multidisciplinares conhecem ao pormenor as expectativas e as situações de cada um dos seus clientes. Além disso, têm um conhecimento aprofundado do quadro legal em vários países europeus.


» FACILITIES MANAGEMENT

“O CRESCIMENTO DOS FACILITY SERVICES DEVE-SE A UMA EVOLUÇÃO NATURAL DAS TENDÊNCIAS” Javier Urbiola, Presidente Executivo da ISS Ibéria em entrevista à Revista Pontos de Vista, fala sobre a atividade dos Facility Services como suporte para uma gestão eficiente de instalações e do papel que a ISS quer assumir perante esta nova realidade. Saiba mais.

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PONTOS DE VISTA

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ideia, em Portugal, de que o edifício em que a empresa está inserida é parte importante para o sucesso da organização é relativamente recente. Na sua opinião, foi a crise financeira que levou a que os empresários começassem a encarar a atividade dos dos Facility Services como suporte para uma gestão eficiente das suas instalações? A ISS Ibéria considera que o crescimento dos Facility Services deve-se a uma evolução natural das tendências que procuram que o setor avance com eficiência. O outsourcing de serviços é um valor agregado para o cliente, que deixa nas mãos de especialistas a gestão integral dos seus serviços de manutenção para poder concretizar o que realmente quer: focar-se no seu negócio. Somos líderes e especialistas na gestão eficiente das instalações e, neste sentido, as empresas portuguesas têm cada vez mais em conta a grande utilidade que supõe a contratação dos nossos serviços. Temos recursos humanos altamente qualificados, em constante formação e que desenvolvem tarefas de todos os tipos: serviços integrados, manutenção, restauração, jardinagem e limpeza. Além disso, recorrer aos Facility Services permite uma redução de custos para a empresa, contribuindo para a sustentabilidade e aumentando a produtividade dos seus colaboradores. Adicionalmente, estamos também a apostar na especialização da gestão de espaços de trabalho de um ponto de vista mais tecnológico, ou seja, aderir aos Facility Services da ISS Ibéria significa que as empresas usufruirão dos benefícios da tecnologia de ponta para alcançar a máxima eficiência comercial. A estratégia da ISS (The ISS Way) mantém a mesma linha dos últimos anos: oferecer aos clientes serviços de forma integrada (IFS).

empresa, a verdade é que o seu estado afeta diretamente a empresa do ponto de vista económico ou empresarial. O Facility Management supõe, não só uma redução de custos e aumento da rentabilidade, mas também a tranquilidade de saber que uma empresa especializada está a gerir todos os pontos de manutenção da sua organização. Essa integração permite que o cliente possa, sem distrações, focar-se nos seus negócios.

JAVIER URBIOLA

Como pode ser explicado este conceito? A integração de serviços visa proporcionar e agregar valor aos nossos clientes através de três pilares: excelência em atendimento, eficiência, compliance e redução de riscos. Além disso, a integração também é benéfica para os nossos colaboradores, uma vez que lhes proporciona a oportunidade de crescer profissionalmente, por terem a oportunidade de desempenhar funções nas mais diversas áreas e serviços; o que lhes poderá permitir alcançar novas possibilidades de promoção. Há vários anos que vimos a desenvolver a nossa estratégia, The ISS Way, o que prova

que a integração não é o futuro, mas sim o presente dos Facility Services. Além disso, poder-se-á dizer que a integração já é uma realidade e que as empresas agora procuram a gestão total dos locais de trabalho, uma área na qual estamos atualmente a obter excelentes resultados. A atividade de gestão de edifícios, precisamente por se tratar de uma área não core business da empresa, é muitas vezes secundarizada pelas empresas. Explique-nos o porquê desta visão estar errada. Apesar de a atividade da gestão de edifícios não representar muitas vezes uma prioridade para a

Quais diria que são as principais ferramentas necessárias para colocar em prática a gestão estratégica dos edifícios, ou seja, uma gestão alinhada com os objetivos e as necessidades do negócio principal? Na ISS Ibéria trabalhamos para que os nossos serviços estejam alinhados com os objetivos do nosso cliente. Acreditamos que seguir a sua linha de ação e partilhar os seus valores são dois dos pontos estratégicos, que nos tornam líderes em gestão de instalações. Ouvir as necessidades do cliente é fundamental para que o nosso serviço seja da melhor qualidade. Se o cliente considera a sustentabilidade como um elemento básico da sua identidade corporativa, a ISS Ibéria procura produtos de limpeza que sejam menos nocivos para o ambiente. Por outro lado, a nossa equipa de receção passa a adotar e a incorporar o estilo e o tom da empresa à qual presta serviço. Em suma, acabamos por nos envolver com a empresa com a qual trabalhamos, através da absorção dos seus valores como se fossem nossos. Desde 2002 que têm recebido vários prémios em Portugal, entre eles o prémio Municipal de Integração de Pessoas com Deficiência - menção Honrosa (atribuída pela Câmara Municipal do Montijo) ou o prémio de Mérito de Primeira Categoria na modalidade grandes empresas e enti-


dades do setor público (2009), atribuído pelo IEF. O que refletem estes prémios? Encaramos os prémios como um reconhecimento de que estamos no caminho certo, sem esquecer, claro, a satisfação que os nossos clientes demonstram com os serviços que recebem. Somos socialmente responsáveis e o facto de muitos dos nossos prémios resultarem disso mesmo, não é um acaso. Na ISS, quer a nível ibérico quer global, estamos intensamente comprometidos com a sociedade em todas as suas formas, abraçamos e apostamos na diversidade. A evidência mostra que a ISS Ibéria é uma empresa socialmente responsável com a sua realidade. As ações da empresa no âmbito da Responsabilidade Social Corporativa giram em torno de três pilares: aspetos sociais, ambientais e económicos. Tratamos as pessoas como uma das prioridades estratégicas do nosso plano de RSC, bem como a minimização do impacto ambiental e em tudo o que envolve a sociedade. A inovação é um conceito muito enraizado na empresa. Sendo que elevaram o nível dos Facility Services utilizando até robótica avançada. Fale-nos sobre isto. Na ISS Ibéria queremos oferecer os melhores serviços aos nossos clientes, e neste momento significa colocar à sua disposição os últimos avanços tecnológicos. Uma vez que alcançamos a integração total das instalações, na ISS Ibéria apostamos na gestão do ambiente de trabalho, que se traduz na integração da Internet of Things ou IoT e o seu processamento através do Big Data. Apostar em inovação permite à empresa ser mais eficiente, ambientalmente mais sustentável, reduzir custos, entre muitos outros benefícios. A título de exemplo, se colocarmos um sensor numa máquina, podemos saber em tempo real o estado da peça, e se será substituída quando necessário. Podemos também ser mais eficientes na limpeza dos edifícios, sabendo quais as áreas que foram mais usadas do que outras, através de registos. Mostrando que a opinião dos vossos colaboradores também é importante para o crescimento da empresa, criaram o Corporate Garage, que boas ideias já saíram desta iniciativa? Estimulando os nossos colaboradores na procura de ideias que possam transformar a maneira como nós, e o resto da indústria, fornecem os serviços. Neste sentido, uma equipa da ISS

Portugal criou uma aplicação para um dos nossos clientes e que já está a ser implementada. Trata-se da aplicação “Aviation”, uma aplicação especializada na segurança da aviação que mantém o cliente informado sobre o desenvolvimento e a conclusão do serviço, bem como a ocupação dos aviões pela nossa equipa operacional. Além disso, o nosso projeto internacional mais recente é o Corporate Garage, através do qual agrupamos as melhores ideias dos nossos colaboradores para depois transformá-las em ferramentas valiosas para os nossos negócios em todos os países nos quais operamos. Um exemplo de uma iniciativa que emergiu do Corporate Garage é o Teamboard, uma ferramenta de comunicação para manter os objetivos da equipa alinhados com os objetivos do cliente, que está neste momento a ser implementada em Portugal e em Espanha. Estão presentes em 74 países: Europa, Ásia, América (Norte e Sul)   e Austrália, são a empresa número um no ranking mundial de empresas de Outsourcing de serviços: ‘The Global Outsourcing 100 list’- pela revista Fortune. Em Portugal estão presentes de Norte a Sul, e Ilhas. Quais são os planos num futuro próximo em terras lusas? O nosso plano para o futuro e o que nos permitirá continuar a crescer, tanto em Portugal como em Espanha, é a aposta na integração de serviços e a criação de ambientes de trabalho mais eficientes e sustentáveis, tanto para o cliente como para o colaborador, no conceito de local de trabalho. Na ISS Ibéria, promovemos a nossa cultura através da inovação. O mundo está em constante mudança e todos os dias nos esforçamos para estar um passo à frente, explorando novos caminhos e sendo pioneiros nos territórios desconhecidos, desde o desenvolvimento de métodos de limpeza do início do século XX até ao teste de utilização de sensores e robôs no local de trabalho atual. Apesar de sermos uma empresa global, damos grande importância ao serviço personalizado, ou seja, a adaptação à realidade de cada um dos países, com o intuito de prestar um melhor serviço aos nossos clientes e levar adiante a nossa estratégia e cultura de negócio adequadas a cada território. Neste sentido, em Portugal contamos com Rui Gomes, Managing Diretor da ISS Portugal, uma peça fundamental para a gestão e desenvolvimento empresarial da companhia em Portugal. ▪


» FACILITIES MANAGEMENT

NEXTBITT ASSET & FACILITIES MANAGEMENT: A TECNOLOGIA COMPLETA PARA GERIR EDIFÍCIOS Miguel Salgueiro, sócio da NextBITT, explica em entrevista, o sistema desenvolvido pela empresa e que veio revolucionar o método de gestão de edifícios. Saiba mais.

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NextBitt, uma plataforma que desenvolve software e uma solução que se adapta aos modernos requisitos de gestão de edifícios. Como funciona a mesma? A Tecnologia NextBITT Asset & Facilities Management é uma solução flexível para monitorizar e gerir tudo o que diz respeito aos ativos físicos de uma empresa. O sistema desenvolvido pela NextBITT pode ser implementado numa infraestrutura em cloud, como o Microsoft Azure, e é parametrizado de acordo com as necessidades do cliente, permitindo-lhe ter informação e controlo de uma forma rápida e eficaz. Um processo típico tem início com o cadastro de todos os ativos, seguindo-se a sensorização de edifícios/máquinas ou ligação a sistemas de sensorização já existentes. O controlo de operações é feito com recurso à aplicação da NextBITT, que é acessível em equipamentos móveis. A solução que desenvolvemos também pode ser integrada com sistemas empresariais (como o ERP ou CRM), garantindo a comunicação e o fluxo de informação na organização, sem tarefas redundantes.

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Que tipo de serviços, necessários na gestão de edifícios como a limpeza, controlo de pragas, pragas, catering ou segurança, abrange a NextBitt FM? Na plataforma NextBITT é possível fazer a gestão de todos os serviços relacionados com assets & facilities management. A solução existe para a monitorização e gestão de todos os ativos da empresa, permitindo o seguimento das operações de manutenção corretivas e preventivas, mas também a gestão de todos os serviços de limpeza, segurança, estafetagem, gestão de pragas, vending, arquivo, auditorias, mudanças entre muitos outros. Por exemplo, no caso da sensorização dos edifícios podemos extrair informação sobre a qualidade do ar, a temperatura e a energia e, a partir dessa informação, gerir sistemas como os de ar condicionado, ventilação, aquecimento e iluminação. De forma objetiva, podemos dizer que na plataforma NextBITT é possível gerir o ciclo de vida de todos os ativos, bem como todos os serviços que lhes estão associados. Sendo a NextBitt uma empresa que desenvolve software focada em todas as áreas da gestão de ativos, quais diria que são as principais preocupações dos empresários sobre este assunto? As organizações têm, cada vez mais, a preocupação de tomarem decisões com base em informação e em indicadores, também nestas áreas não core, para terem uma gestão mais eficiente dos seus recursos. Nenhuma organização trabalha bem sem controlar meios fundamentais como a segurança, a energia ou o conforto dos espaços. A solução desenvolvida pela NextBITT torna possível, ainda, garantir a melhor execução dos serviços contratados, bem como o controlo de SLAs.

MIGUEL SALGUEIRO

Quando os processos são definidos e integrados na plataforma NextBITT, os custos tornam-se visíveis, de uma forma detalhada, e a sua gestão pode dar origem a poupanças globais que podem atingir os 40%. O facility management é essencial para garantir que tudo funciona de forma adequada e que existe uma sinergia entre os diferentes membros da equipa de manutenção. Quais são os maiores desafios de “desenhar soluções” que “pensem” nisto tudo? O maior desafio é sempre encontrar as soluções que são as mais adequadas para cada cliente. Por isso, as soluções da NextBITT são desenvolvidas de acordo com as melhores práticas do mercado, resultam de uma aliança entre o conhecimento consolidado das operações aliado à capacidade tecnológica, para garantir flexibilidade, escalabilidade e capacidade para o cliente otimizar a sua operação. Quais são, na sua opinião, os maiores desafios que os facilities management representam? Estamos a falar de uma mudança de paradigma. Hoje, algumas empresas já estão a automatizar e a digitalizar processos e a investir na mobilidade, ou seja, na capacidade de gerir todas e quaisquer necessidades operacionais a qualquer momento, onde quer que esteja, e sem “complexidade alguma”. Tudo isto passa por uma nova dinâmica dos serviços, sem residentes fixos. A solução NextBITT consegue, por exemplo, monitorizar se o serviço foi ou não prestado, se as equipas iniciaram o trabalho à hora contratualizada e quanto tempo demoraram, quanto gastaram na execução do serviço; consegue rastrear e evidenciar toda a operação, tornando assim fácil a sincronização do contrato inicialmente efetuado com a sua concretização.

Este fluxo exige uma maior profissionalização dos interlocutores do FM. Qual acredita que será o caminho, em Portugal, na área dos facilities services/management e que papel pretende assumir a NextBitt nesta temática? Portugal está a tornar-se uma referência neste sector. Isto acontece pelo nível avançado dos prestadores de serviço, pois grande parte sentiu necessidade de adotar rapidamente a tecnologia como meio diferenciador do seu negócio, mas também pela exigência de serviços por parte das grandes empresas, que hoje usam, por exemplo, a NextBITT para gerir os seus ativos. Quando um edifício está em processo de venda, por exemplo, é valorizada a capacidade de “clicar numa tecla” e espelhar todo o histórico operacional do ativo, manutenções, consumos de energia, de água, ou toda a documentação afeta ao edifício ou aos diferentes equipamentos, etc. Ou seja, a tecnologia NextBITT é, cada vez mais, uma solução transversal e flexível, assente no Asset Management, mas que desde início estendeu o seu negócio para todo o tipo de facilities. Estamos na saúde, nas telecomunicações, no retalho, na indústria, nos combustíveis, nas autoestradas, na ferrovia. Temos capacidade para estar em todos os sectores em que exista a necessidade de monitorização e gestão de ativos e de monitorização e gestão de serviços. É esta capacidade que nos permite ambicionar ser cada vez mais forte em Portugal, mas também noutros mercados. O prémio que a NextBITT conquistou a nível internacional, como parceiro do ano da Microsoft, é o reconhecimento do trabalho já realizado e também um fator motivacional para toda a equipa, que percebe que tem capacidade para competir no mercado global. ▪


BREVES BREVES

ECONOMIA

Complemento extraordinário de pensões mínimas será pago em julho

UNESCO

Palácio de Mafra e Bom Jesus:

Candidaturas a Património Mundial analisadas O Palácio Nacional de Mafra e o Santuário do Bom Jesus, em Braga, estão entre os 36 locais candidatos à classificação de Património Mundial da UNESCO, que o comité da organização irá analisar em julho, no Azerbaijão. Os dois monumentos portugueses fazem parte “das 36 indicações para inscrição na Lista do Património Mundial”, reveladas hoje pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que irão ser avaliadas a partir de 05 de julho, no âmbito da 43.ª Sessão do comité do património, a decorrer em Baku, no Azerbaijão, de 30 de junho a 10 de julho. Mandado construir por D. João V, o Palácio Nacional de Mafra é um conjunto arquitetónico barroco formado por um Paço Real,

uma Basílica e um Convento. Foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e foi um dos finalistas da iniciativa Sete Maravilhas de Portugal, em 2007. O Santuário do Bom Jesus do Monte (também conhecido como Santuário do Bom Jesus de Braga) é um conjunto arquitetónico paisagístico integrado por uma igreja, um escadório, onde se desenvolve a Via Sacra do Bom Jesus, uma área de mata e um funicular. Está classificado desde 1970 como Imóvel de Interesse Público e foi publicada em Diário da República a proposta de ampliação da classificação do Santuário, de forma a integrar os terrenos da Confraria do Bom Jesus do Monte e o Elevador do Bom Jesus, assim como “a reclassificação como conjunto de interesse nacional/monumento nacional”.

O complemento extraordinário para pensões de mínimos, previsto no Orçamento do Estado desde o início do ano, será pago em julho com retroativos a janeiro, disse à Lusa fonte oficial do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. “Os pagamentos do complemento extraordinário para pensões de mínimos serão efetuados no próximo mês de julho (incluídos já no processamento deste mês de junho), com os correspondentes retroativos a 1 de janeiro de 2019”, afirmou fonte oficial. O complemento e os respetivos retroativos serão pagos em julho tanto aos pensionistas que recebem pela Segurança Social como aos da Caixa Geral de Aposentações (CGA). “Por se tratar de uma nova prestação social, com regras específicas de determinação, exigiu que se efetuassem desenvolvimentos de alguma complexidade nos sistemas de informação, desenvolvimentos esses que já foram concluídos”, explica o Ministério liderado por Vieira da Silva.

MUNDO

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Polícia resgatou mais de mil mulheres estrangeiras vendidas na China A polícia chinesa resgatou 1.130 mulheres estrangeiras na China, na segunda metade de 2018, em diferentes operações coordenadas com as autoridades de cinco países do Sudeste Asiático, anunciou hoje o Ministério da Segurança Pública chinês. Na ope-

ração, foram detidos 1.322 suspeitos, incluindo 262 estrangeiros, por alegadamente atraírem e raptarem mulheres, depois de lhes prometer emprego ou casamento com locais, detalhou o ministério, no que parece ser a maior operação deste género na China,

até à data. “Nos últimos anos, locais e estrangeiros conspiraram para sequestrar mulheres de países vizinhos e vendê-las como esposas na China”, revelou o porta-voz do ministério, Guo Lin, numa conferência de imprensa, em Pequim. “Trata-se de uma violação grave dos direitos e dos interesses dessas mulheres”, realçou. A procura por noivas estrangeiras na China aumentou nos últimos anos, alimentada, em parte, pela política de filho único. Fruto da tradição feudal que dá preferência a filhos do sexo masculino, aquela política, que vigorou entre 1980 e 2016, gerou um excedente de 33 milhões de homens na China.


FACILITIES MANAGEMENT

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“A NOSSA VISÃO É SERMOS LÍDERES GLOBAIS NO CONTROLO PREVENTIVO DE PRAGAS” Paulo Coelho, Diretor Geral da Anticimex Portugal, em entrevista fala sobre a visão da empresa em tornar-se líder no país e no trabalho que têm realizado na área dos facilities services para a prevenção de pragas, algo que está intimamente ligada ao bom ambiente e qualidade no trabalho. Saiba mais.

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Anticimex apresenta-se como uma empresa moderna no controlo de pragas. Tal modernização implica que fatores e a que níveis? A Anticimex tem o orgulho de se caracterizar como a mais moderna empresa na área da prestação de serviços de controlo de pragas e essa é uma das suas imagens de marca. É com esse objetivo que estamos constantemente a desenvolver novos equipamentos e tecnologias, no nosso centro de inovação baseado na Dinamarca, que nos permitem fazer pensar que estamos no caminho certo. Vivemos num mundo em constante mudança e em que a tecnologia avança a um ritmo assustador, no entanto, na nossa área de negócio muito pouca coisa mudou desde há muitos anos a esta parte e a grande maioria das empresas, sejam elas grandes multinacionais ou pequenas empresas familiares, continuam a prestar serviços de uma forma não muito diferente de há vários anos atrás. Em Portugal e ao contrário da grande maioria dos países europeus, a regulamentação para a prestação de serviços de controlo de pragas, é bastante mais permissiva no que toca à utilização de produtos tóxicos e este é para nós o fator que seguramente nos diferencia no mercado. Na prevenção poderá estar o ganho? A Anticimex criou o Anticimex Smart - Controlo de pragas

inteligente “around the clock”. Pode explicar-nos como funciona o mesmo e qual o seu nível de eficácia? A nossa visão é sermos líderes globais no controlo preventivo de pragas, colocando assim a prevenção em lugar de destaque. A razão pela qual o fazemos é exactamente pela importância que damos à prevenção. Com esse objetivo em mente, desenvolvemos continuamente soluções únicas, no mundo, que permitem aos nossos clientes nos vários segmentos de negócio, desde a indústria alimentar, farmacêutica, hotéis, entre outros, ter acesso a uma serie de equipamentos que permitem a monitorização e a captura de roedores e insetos 24/7. Existem equipamentos para utilização acima do solo que nos permitem a monitorização e captura, seja ela, única ou múltipla, bem como abaixo do solo onde desenvolvemos o sistema Smart Pipe que é instalado no sistema de esgotos Em Portugal, e não só, têm vindo a crescer de forma consolidada e já fizeram aquisições importantes desde a entrada em Portugal em 2013. Esta foi uma solução para colmatar que lacunas? A nossa estratégia de crescimento não foi pensada para colmatar quaisquer lacunas, mas sim para possibilitar atingirmos o nosso objetivo em nos tornarmos na empresa líder em Portugal. O mercado do controlo de pragas em Portugal é bastante fragmentado existindo mais de 160 empresas nesta área, no entanto, mais de 50% da cota de mercado está com as 5 maiores empresas. Enquanto multinacional e com um leque diverso de serviços, que soluções põem em prática no âmbito da redução/otimização de custos? A otimização de custos é uma preocupação constante dentro das empresas, ainda mais com o aumento da concorrência e a necessidade de se tornarem mais competitivas.

Por esse facto, na nossa área de negócio a utilização de novas tecnologias como o sistema Smart em conjunto como a IoT, torna-se na forma eficiente de ajudar os nossos clientes a tomar decisões baseadas em dados e não em pressupostos. Entre os principais objetivos está a recolha de dados para verificação e melhoria de processos quer da nossa prestação de serviços, quer até mesmo dos processos dos nossos clientes. Através de sensores instalados nos mais diversos equipamentos e comunicação sem fios, é possível obter informações valiosas para a uma gestão mais eficiente e que permita aos nossos clientes uma gestão mais assertiva.

O vosso core business – controlo de pragas – está intimamente ligado aos Facilities, neste âmbito, qual é o posicionamento da Anticimex? Infelizmente, não sendo uma área em que se dê grande destaque quando se fala em Facility Services é seguramente, uma das mais importantes quando se fala em qualidade dos ambientes de trabalho. Hoje em dia, a área dos Facilities está bastante focada em garantir a qualidade dos ambientes de trabalho e é nesse aspecto que penso estarmos em boa posição para em conjunto com as empresas de Facilities encontrarmos soluções diferenciadoras para os seus clientes. ▪

53 JUNHO 2019

PAULO COELHO


» INCENTIVOS À REABILITAÇÃO URBANA

“NÃO PODEMOS ESQUECER QUE NAS CIDADES VIVEM PESSOAS E CULTURAS” Com a crescente tomada de consciência da importância da reabilitação dos núcleos urbanos, a Reabilitação Urbana tem ganho cada vez mais terreno. Neste sentido, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Filipe Dourado, Branch Manager da S&P Clever Reinforcement Iberica, para nos falar sobre este setor e sobre um dos líderes mundiais em tecnologias de reforço de estruturas com materiais compósitos, a S&P.

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m primeiro lugar, reabilitar é muito mais do que tornar bonito, correto? É um facto, reabilitar vai muito para além do aspeto estético. Diria mesmo que reabilitar é na sua essência um ato de intervir de forma inteligente em que a estética é uma parte importante, mas nem sempre a que comanda as decisões. É no integrar das várias vertentes de um projeto de reabilitação e no equilíbrio de todas áreas do conhecimento, quer seja o conhecimento técnico e de materiais, o histórico e arquitetónico, a integração paisagística e outros, que se encontra a chave de uma reabilitação responsável.

PONTOS DE VISTA

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Como é que deve ser encarada, portanto, a reabilitação urbana em Portugal? Tenho olhado para a reabilitação urbana com um misto de contentamento, esperança, mas também muita preocupação. Contentamento por ver finalmente as nossas grandes cidades, que tinham efetivamente edifícios muito degradados, de “cara lavada”. É notória e evidente que as ruas estão mais bonitas, que os edifícios estão ocupados e a vida voltou aos centros urbanos das grandes cidades com uma pujança e vitalidade nunca vista. Esperança pois me parece que o mercado da reabilitação, alavancado pelo crescimento do interesse imobiliário e turístico, se encontra estável e com previsões de crescimento para os próximos anos. Com muita preocupação, vejo também que estamos muitas vezes esquecer que reabilitar é essencialmente adotar estratégias de intervenção que levem ao aumento da resiliência dos edifícios. Não é “fachadismo” ou aumento de áreas uteis e de vãos para usos mais condizentes com os interesses económicos. Estamos muitas vezes a negligenciar a ameaça de uma catástrofe com efeitos devastadores em Lisboa por exemplo, onde pouco ou nada se tem feito de forma

estratégica e organizada na reabilitação sísmica dos edifícios. Vejo também com alguma preocupação a desmotivação na reabilitação dos nossos monumentos históricos e edifícios de valor patrimonial, embora se tenham feito algumas intervenções nos últimos anos, existe ainda muito por fazer. Não esquecer já agora, que as nossas infraestruturas também fazem parte do urbanismo, e aqui parece-me claramente que se não se tem investido o suficiente.

FILIPE DOURADO

Tenho olhado para a reabilitação urbana com um misto de contentamento, esperança, mas também muita preocupação. Contentamento por ver finalmente as nossas grandes cidades, que tinham efetivamente edifícios muito degradados, de «cara lavada»

Como é que a própria S&P encara a reabilitação? A S&P desenvolve materiais inovadores para reforço de estruturas, materiais compósitos de elevadas prestações quer mecânicas quer de durabilidade. Nesse ponto de vista vemos a reabilitação urbana como o promover as condições necessárias para a resiliência estrutural e durabilidade dos edifícios e estruturas em geral. Esta área tem que começar a ser olhada como uma impreterível necessidade e não apenas como um negócio imobiliário. Nos centros das cidades a grande aposta é hoje a reabilitação urbana. Qual tem vindo a ser o papel da S&P nesta demanda? Temos vindo a ajudar projetistas a especificar soluções mais amigas do ambiente, por exemplo recorrendo a materiais de reforço leves, de alta resistência, pouco intrusivos e praticamente imutáveis, aproveitando ao máximo as estruturas existentes. Nos edifícios antigos ou de valor patrimonial temos conseguido promover soluções que reabilitam sem desvirtuar, que aumentam a capacidade de carga sem comprometer a resiliência dos edifícios face as ações sísmicas, por exemplo. De que forma a S&P tem procurado manter a diferença neste mercado? Para além da inovação que outros fatores devem sobressair? A S&P tem participado em diversas ações técnicas de divulgação e esclarecimento, quer sejam seminários técnicos, formações ou participações em cursos Universitários de pós-graduação. Temos também uma presença assídua na discussão normativa técnica e organizações do setor, como o Gecorpa ou a PTPC, onde estes temas e preocupações são abordados e discutidos Portugal oferece um dos melhores incentivos fiscais à reabilitação urbana. Mas são suficientes ou adequados para estimular a reabilitação urbana?


REFORÇO DE ASFALTO REFORÇO DE PAVIMENTOS COM GRELHAS PRÉ REVESTIDAS DE BETUME OXIDADO

S&P ARMO-SYSTEM SOLUÇÃO COM MALHAS DE CARBONO E ARGAMASSAS ESPECIAIS PARA PROJEÇÃO

FX-70 SYSTEM SISTEMA DE PROTEÇÃO E REPARAÇÃO ESTRUTURAL

REPARAÇÃO E PROTEÇÃO DE BETÃO SOLUÇÕES DE ARGAMASSAS, RESINAS E PINTURAS PARA A REABILITAÇÃO DE ESTRUTURAS

REABILITAÇÃO DE ESTRUTURA PASEO MARÍTIMO – CASTRO URDIALES, ESPANHA

REABILITAÇÃO DOS PILARES DO VIADUTO SUL DA PONTE VASCO DA GAMA - LISBOA, PORTUGAL

REABILITAÇÃO DE TAXIWAY – AEROPORTO INTERNACIONAL – COPENHAGA, DINAMARCA

Tem vindo a melhorar, mas nunca é suficiente quando olhamos para as necessidades. Como disse, devia já existir um programa sério de incentivos à reabilitação sísmica dos edifícios nas zonas de risco como a grande Lisboa e Algarve.

mercado em conjunto com outros interesses mais nobres, que são os de todos nós. De facto, não consigo dissociar a reabilitação num horizonte mais amplo, histórico, arquitetónico, segurança, paisagísticos e urbanísticos, etc. Não podemos esquecer que nas cidades vivem pessoas e culturas. Parece-me que este é o maior desafio, manter o mercado a funcionar por si, o que é sempre necessário, mas apelar a outros valores de integração de politicas que resolvam efetivamente alguns problemas graves que ainda existem. ▪

REABILITAÇÃO ESTRUTURAL – EDIFÍCIO DA DEUTSCHE BANK AG, FRANKFURT , ALEMANHA

Depois de muitos anos de construção nova, a reabilitação urbana é agora o setor que está a gerar milhões. Que desafios podem advir deste boom no setor? O maior desafio é manter este interesse do

55 JUNHO 2019

SISTEMA DE REFORÇO FRP REFORÇO ESTRUTURAL COM COMPÓSITOS EM FIBRA


» ARRENDAMENTO OPINIÃO DE LUÍS MENDES, MEMBRO DA DIREÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DOS INQUILINOS LISBONENSES

ARRENDAMENTO (IN)ACESSÍVEL? Não obstante a atenção recente que a questão da habitação tem ganho no discurso governamental, tal não significa que se traduza na aposta por parte do governo em atribuir ao setor da habitação a dotação orçamental que expresse inequívoca intenção de realmente melhorar o acesso e as condições de habitação em Portugal.

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PONTOS DE VISTA

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m boa verdade, a Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH) e a Lei de Bases da Habitação proposta pelo Partido Socialista faz depender o financiamento para a execução da política nacional de habitação de múltiplas engenharias financeiras, inclusive com recurso a fundos de investimento e à captação de investimento privado, o que desresponsabiliza o Estado de verdadeira e expressiva afetação de capital, deixando esta questão, que é de suma importância, dependente e refém das vontades e interesses da iniciativa privada e do mercado, contribuindo para agravar as condições permissivas da financeirização da habitação. E ainda que se reconheça no discurso oficial e nos preâmbulos das leis, o imperativo de dinamizar o mercado de arrendamento, a verdade é que entre o discurso, a legislação, e os atos e as práticas, evidenciam-se múltiplas contradições e uma grande falta de vontade política para realmente alterar o quadro existente nesta matéria. Ao invés da sua dinamização, do aumento da oferta, de melhor qualidade e de rendas comportáveis, optou-se e manteve-se uma política que não pretende regular o mercado, sendo manifesto e estando demonstrado que esta resposta, como era expectável, resulta numa oferta insuficiente e em rendas elevadas. O Programa de Arrendamento Acessível (PAA) foi lançado no âmbito da NGPH com o intuito de estimular o setor privado a colocar no mercado fogos com rendas mais acessíveis para os arrendatários, em troca de benefícios fiscais para os senhorios. O programa permite que os senhorios beneficiem de uma isenção total de impostos sobre os rendimentos prediais resultantes de contratos de arrendamento ou subarrendamento habitacional enquadrados no PAA, em sede de IRS e de Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRC), desde que a renda seja inferior a 20% dos preços de mercado e os arrendatários não tenham de suportar uma taxa de esforço superior a 35%. O grande problema é que o mercado se encontra de tal forma sobreaquecido, que mesmo valores 20% abaixo do mercado, continuam a ser inacessíveis para a família média portuguesa. Os tetos máximos para os valores das rendas praticadas

ao abrigo do PAA são sensíveis à diferenciada geografia do país, mas quando o salário médio mensal em Lisboa ronda os 950 euros, não é compatível com “acessível” que o teto máximo para arrendar um T1 na capital seja de 900 euros. Extrai-se que os nossos sucessivos Governos insistem em não cumprir as suas obrigações de definir e praticar uma política de habitação em conformidade com a Constituição da República, claramente demonstrado na insuficiência de propriedade pública para arrendamento, na indefinição e aplicação de políticas de intervenção no mercado e de programas de reabilitação e construção públicas com vista a uma maior oferta para arrendamento e a um preço comportável para as famílias. Temos insistido em medidas que reforcem o papel de intervenção do Estado, não como mero gestor e incentivador, mas como construtor e executor, como principal agente na promoção do mercado de arrendamento, por exemplo, evitando a alienação de propriedade pública com vocação habitacional, alocando a existente, mesmo que dispersa, a bolsas de arrendamento acessível dirigido às populações mais vulneráveis.

PERFIL

LUÍS MENDES

MEMBRO DA DIREÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DOS INQUILINOS LISBONENSES

No sentido de uma fiscalidade sobre as rendas habitacionais mais adequada à função social da habitação arrendada, propusemos que se adotasse um escalonamento e taxas idênticos ao escalonamento e taxas do IRS que incidem sobre os rendimentos do trabalho e pensões. Para o efeito, passaria a calcular-se a renda sobre o metro quadrado da casa, escalonando esse valor. Exemplificando, uma renda de dois euros o m2 poderia estar isenta de IRS, uma renda de 30 euros o m2 poderia pagar a taxa máxima de IRS que é de 48%. Sem a vontade política e a tomada de decisão séria e esclarecida necessária para alterar as regras do mercado e implementar estas medidas que propomos, o mais provável é que o PAA acabe por morrer na praia e assim continuemos com um mercado de arrendamento instável, precário e desacreditado. ▪


BREVES BREVES

TECNOLOGIAS

Huawei vai continuar a promover 5G em Portugal de “forma ativa” O diretor comercial da área de consumo da Huawei Portugal, Tiago Flores, disse hoje, em entrevista à Lusa, que a multinacional vai continuar a promover a tecnologia 5G (quinta geração móvel) em Portugal de “forma ativa”.

Tiago Flores falava à Lusa depois da Huawei ter publicado na quinta-feira à noite o seu compromisso para com os consumidores, os quais, refere no ‘site’, estão “em primeiro lugar, independentemente dos desafios que enfrenta”.

Só em Portugal, de acordo com o responsável, foram registadas “40 mil interações de consumidores através das redes sociais desde ontem [quinta-feira] à noite”e o impacto “foi muito positivo”. A empresa tem sido alvo de restrições da parte dos Estados Unidos, sendo que em maio último o Presidente norte-americano emitiu uma ordem executiva a proibir empresas do país de usarem equipamentos de telecomunicações de empresas estrangeiras consideradas de risco, uma medida que visa a China e a Huawei. Esta pressão sobre a Huawei tem vindo a aumentar de tom, nomeadamente devido ao lançamento do 5G. “Durante o decorrer deste ano vamos continuar de forma ativa a promover a demonstração do 5G ao consumidor final e ao setor empresarial”, disse Tiago Flores, referindo que, apesar de Portugal ainda não ter a tecnologia, a Huawei vai ter um equipamento de quinta geração móvel para realizar as demonstrações.

CULTURA

Português distinguido pela Academia Francesa das artes, ciências e letras 57 JUNHO 2019

O artista bracarense Oscar Casares recebeu o prémio da Académie Française Arts-Sciences-Lettres, que distingue anualmente figuras nacionais e internacionais do domínio das artes, das letras e das ciências. “Este prémio significa um reconhecimento profissional e também um estímulo para continuar a esforçar-me ainda mais e para fazer melhor. Isto não é o fim da carreira, para mim é mais um estímulo para lutar mais”, afirmou Oscar Casares, em declarações à Agência Lusa. A Académie Française Arts-Sciences-Lettres distingue todos os anos várias personalidades no âmbito das artes, ciências e letras não só em França, mas em todo o Mundo. Oscar Casares foi nomeado e distinguido este ano pelo seu trabalho como pintor, recebendo o prémio numa cerimónia que decorreu no passado 22 de junho, nos Salons Opéra, Ravel et la Verrière, em Paris. O artista, oriundo de Braga, conta entre as suas obras com o retrato oficial do Papa Francisco, que figura no Museu do Vaticano, assim como o retrato de João Paulo II e da atriz Nicole Kidman.


» RELAÇÕES BILATERAIS PORTUGAL – ALEMANHA

“PORTUGAL E ALEMANHA ESTÃO ENTRE OS APOIANTES MAIS EMPENHADOS DA INTEGRAÇÃO EUROPEIA” Christof Weil, Embaixador da Alemanha, em entrevista fala sobre as relações entre Portugal e a Alemanha. Relações essas que como o próprio descreve: “Mais do que nunca, na Alemanha contamos com os portugueses do nosso lado: um povo convictamente próeuropeu com que partilhamos a visão de uma Europa soberana, segura e assente em valores democráticos”.

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o representante da República Federal da Alemanha em Portugal, tendo assumido oficialmente as suas funções em setembro 2016. Como têm sido estes anos em Lisboa? Qual é a sua impressão sobre Portugal? Os portugueses destacaram-se pela sua hospitalidade e cordialidade desde que cheguei. A cerimónia comovedora e digna que acompanhou a entrega da minha missiva de acreditação ao Presidente da República, estabeleceram também desde logo a forma e o tom característicos para o meu trabalho. Ao tomar posse em Lisboa, a questão que dominava os media era a das sanções no contexto do procedimento por défice excessivo. Agora, após uma performance impressionante da economia portuguesa, encontramo-nos numa situação completamente diferente. O Governo alemão, em várias ocasiões, expressou o seu louvor em relação aos enormes progressos que os nossos amigos portugueses conseguiram, após os sacrifícios árduos que fizeram para superar a crise. Olhando para trás, nem quero deixar de referir igualmente as minhas viagens que enriqueceram substancialmente a minha visão de Portugal. Até hoje continuo a descobrir novas facetas fascinantes do vosso belíssimo país.

PONTOS DE VISTA

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Portugal e a Alemanha mantêm tradicionalmente uma relação estreita de amizade em termos políticos, económicos e culturais. Atualmente, como descreveria a relação entre os dois países? Foi um belo testemunho da nossa amizade que dentro de um prazo de apenas 12 meses, Portugal contou recentemente com as visitas do Presidente Federal Frank-Walter Steinmeier, da Chanceler Angela Merkel e do Ministro das Relações Externas Heiko Maas além do Vice-chanceler e Ministro das Finanças Olaf Scholz. No dia 22 de maio em Berlim, os dois governos assinaram um “plano de ação” com o intuito de desenvolver posições comuns e identificar projetos conjuntos dentro do quadro europeu. Um enfoque particular está em tópicos como a digitalização, a política industrial e uma Europa social e sustentável. Uma tal cooperação reforçada facilitará igualmente o desenvolvimento de um programa conjunto no âmbito do Trio de Presidências da UE para 2020-21. Que objetivos comuns diria que as duas nações partilham? Tradicionalmente, Portugal e Alemanha estão entre os apoiantes mais empenhados da integração europeia. Assim, como europeus realistas, podem dar um contributo importante

CHRISTOF WEIL

para a União. Sabemos que os nossos cidadãos, independentemente de onde vivem, esperam que o modelo europeu seja preservado e desenvolvido, servindo como garante da nossa liberdade e prosperidade bem como do equilíbrio social. É defensor do multilateralismo. De que forma acredita que a Europa lida com este conceito? O que tem sido feito neste âmbito? Para todos os desafios que enfrentamos – económicos, ambientais e de migração, por exemplo – não há ninguém na Europa que consiga lidar com essas questões com sucesso apenas em base nacional. Precisamos então de respostas europeias. Aliás, o multilateralismo é a própria essência da integração europeia, ou seja: temos um projeto que tem algo a oferecer para o nosso mundo dominado por conflitos. Quem senão a União Europeia poderá estabilizar a ordem multilateral baseada em regras? E Portugal, que posição assume neste contexto? Mais do que nunca, na Alemanha contamos com os portugueses do nosso lado: um povo convictamente pró-europeu com que partilhamos a visão de uma Europa soberana, segura e assente em valores democráticos. Até porque só unidos, conseguimos fazer valer com sucesso os nossos interesses e valores num mundo globalizado! E só unidos será possível defender com êxito a liberdade dentro e fora da Europa!

Tradicionalmente, Portugal e Alemanha estão entre os apoiantes mais empenhados da integração europeia. Assim, como europeus realistas, podem dar um contributo importante para a União

Sobre investimento empresarial, o que tem de melhor Portugal a oferecer à Alemanha e vice-versa? Um fator importante para os investidores alemães é a confiança que se instalou, graças às nossas excelentes relações económicas de longa data. Eles valorizam, igualmente, a estabilidade política, a paz social e o elevado nível de segurança pública, assim como a boa formação dos licenciados no ensino superior português – enquanto os custos laborais se mantêm relativamente baixos. Além disso, Portugal tem cada vez mais a oferecer no sector das tecnologias inovadoras. É impressionante o desenvolvimento de soluções de software, para todo o tipo de aplicações no sector dos serviços e na indústria. Na Alemanha segue-se atentamente essa evolução que, de fato, já trouxe vários investimentos de destaque para cá. ▪


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Revista Pontos de Vista Edição 85  

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