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Pontos de Vista Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda. | ABRIL 2021 | EDIÇÃO Nº 101 - Periodicidade Mensal | Venda por Assinatura - 4 Euros

myPOS

O FUTURO DOS MEIOS DE PAGAMENTOS ELETRÓNICOS

MERCK PORTUGAL

INOVAÇÃO EM SAÚDE

BIM - BUILDING INFORMATION MODELING EM DESTAQUE

NORAUTO

SUSTENTABILIDADE E MOBILIDADE VERDE

JOÃO MARMELO, “HOJE SOMOS UMA MARCA DE REFERÊNCIA NO MERCADO PORTUGUÊS”

FOTO: DIANA QUINTELA

SALES DIRECTOR DA BÂLOISE, AFIRMA:


ÍNDICE DE TEMAS PÁGINA 4 A 5 FICHA TÉCNICA Propriedade, Administração e Autor Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda. Administração | Redação | Departamento Gráfico Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal Sede da entidade proprietária: Rua Oriental nrº. 1652 - 1660, 4455-518 Perafita Matosinhos Outros contactos: +351 220 926 877/78/79/80 E-mail: geral@pontosdevista.pt redacao@pontosdevista.pt www.pontosdevista.pt | www.facebook.com/pontosdevista Impressão Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas Distribuição Nacional | Periodicidade Mensal Registo ERC nº 126093 | NIF: 509236448 | ISSN: 2182-3197 | Dep. Legal: 374222/14

FILIPE COSTA, CEO DA AICEP GLOBAL PARQUES, EM ENTREVISTA. PLATAFORMA PORTUGAL SITE SELECTION EM DESTAQUE. CONHEÇA MAIS

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A VISÃO DE HUGO LOURENÇO, FUNDADOR E CEO DO THE AGILE THINKER®, SOBRE A ECONOMIA DIGITAL

DIRETOR: Jorge Antunes EDITOR: Ricardo Andrade Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” |4455-565 Matosinhos, Portugal PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS: Ricardo Andrade | Beatriz Quintal PAGINAÇÃO: Mónica Fonseca GESTÃO DE COMUNICAÇÃO: João Soares FOTOGRAFIA: Diana Quintela - www.dianaquintela.com Rui Bandeira - www.ruibandeirafotografia.com Tiragem: 24.500 exemplares Detentores do Capital Social: Jorge Fernando de Oliveira Antunes: 100% Assinaturas Para assinar ligue +351 22 092 68 79 ou envie o seu pedido para: Autor Horizonte de Palavras – Edições Unipessoal, Lda Rua dos Transitários Nº 182, Fração “BG” 4455-565 Matosinhos, Portugal E-mail: assinaturas@pontosdevista.pt Preço de capa:

4,00 euros (iva incluído a 6%) Assinatura anual (11 edições): Portugal: 40 euros (iva incluído a 6%) Europa: 65 euros | Resto do Mundo: 60 euros Editorial A Revista Pontos de Vista apresenta-se como uma publicação editada pela empresa de comunicação empresarial Horizonte de Palavras, sendo de frequência mensal, assume-se como um meio de comunicação que pretende elevar as potencialidades do tecido empresarial em Portugal. Assumimos o compromisso de promover paradigmas práticos e autênticos do que de melhor existe em Portugal, contribuindo decisivamente para a sua vasta difusão.

Os artigos nesta publicação são da responsabilidade dos seus autores e não expressam necessariamente a opinião do editor. Reservados todos os direitos, proibida a reprodução, total ou parcial, seja por fotocópia ou por qualquer outro processo, sem prévia autorização do editor. A paginação é efetuada de acordo com os interesses editoriais e técnicos da revista, exceto nos anúncios com a localização obrigatória paga. O editor não se responsabiliza pelas inserções com erros, lapsos ou omissões que sejam imputáveis aos anunciantes. Quaisquer erros ou omissões nos conteúdos, não são da responsabilidade do editor.

PÁGINA 52 A 53

MAFALDA FLORES, CEO DA BLOOD.COM E LUÍS SIMÃO, OWNER & COACH EXECUTIVO DA GREATBOOM, ABORDAM A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO, LIDERANÇA E REPUTAÇÃO

PÁGINA 14 A 15

JOSÉ PINTO HESPANHOL, MANAGING PARTNER DA YES. CRÉDITO, E A IMPORTÂNCIA DA CREDIBILIZAÇÃO E DA TRANSPARÊNCIA NO SETOR FINANCEIRO

PÁGINA 56 A 65 PÁGINA 25

PEDRO MOURA, DIRETOR GERAL DA MERCK PORTUGAL E A IMPORTÂNCIA DA INOVAÇÃO, INVESTIGAÇÃO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE

MULHERES QUE DIARIAMENTE FAZEM A DIFERENÇA. MULHERES LÍDERES QUE NOS DEIXAM O SEU PONTO DE VISTA

PÁGINA 36 A 50

DIGITAL CONSTRUTION & BIM EM DESTAQUE. CONHEÇA PLAYERS QUE REVELAM A IMPORTÂNCIA DO BIM – BUILDING INFORMATION MODELING, NA CONSTRUÇÃO, ENGENHARIA E ARQUITETURA

PÁGINA 66

JORGE CASAL, DIRETOR GERAL DA NORMAX E A IMPORTÂNCIA DA INOVAÇÃO NO VIDRO CIENTÍFICO

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INVESTIMENTO E INTERNACIONALIZAÇÃO

“COLOCAR PORTUGAL NO

MERCADO INTERNACIONAL

DE LOCALIZAÇÕES PARA INVESTIMENTOS” Em constante evolução, a aicep Global Parques assume-se como um pilar potenciador de valor e de crescimento, apresentando constantemente diversos projetos e desafios. A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Filipe Costa, CEO da aicep Global Parques, onde, de entre outros assuntos, abordamos a vertente da plataforma Portugal Site Selection, uma plataforma de atração e apoio à instalação de investimento em Portugal e que tem como desiderato principal, colocar Portugal no mercado internacional de localizações para investimentos.

A

aicep Global Parques é uma empresa do Setor Empresarial do Estado especialista em gestão de parques empresariais e na prestação de serviços de localização para investimento nos setores da indústria, energia, logística e serviços em Portugal. Como tem sido a evolução da empresa? Muito positiva, de 2019 para 2020 cresceu a taxa de ocupação em todos os parques empresariais sob gestão, em Sintra, Setúbal e Sines. O volume de negócios cresceu 3,7%. O aumento das taxas de ocupação na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) e no BlueBiz – Parque Empresarial da Península de Setúbal significam crescimento económico, da produção industrial e do emprego nas respetivas regiões. Afirmam que os Parques industriais e logísticos são muito mais do que edifícios industriais, armazéns logísticos, pipelines e estradas de acessos. Assumem, no âmbito desta atividade, a necessidade de garantir um desenvolvimento sustentável, tendo como prioridade as questões ambientais e de sustentabilidade económica e social das regiões onde se inserem estes Parques. Este foco tem sido um fator crucial de diferenciação? Neste sentido, que elementos são tidos em conta no processo de disponibilização dos espaços? A aicep Global Parques é ciosa da sua política de Responsabilidade Social Corporativa. Procura fazer a sua parte para garantir um desenvolvimento sustentável, tendo como prioridades o Ambiente e a Eficiência Energética; a Segurança e a Proteção; e também a Qualificação dos Recursos Humanos, o Empreendedorismo e a Cultura. Nomeadamente, as nossas preocupações e investimentos em sustentabilidade e eficiência energética, na gestão florestal e manutenção de espaços verdes e nos planos de monitorização e mitigação ambiental, são fatores decisivos na escolha das localizações sob gestão da aicep Global Parques por parte dos investidores, mas também na nossa alocação da localização e na definição das condições para o acolhimento de cada projeto. Em 2020 a área da segurança e da proteção mereceu especial envolvimento com as comunidades locais, nas ações de resposta à crise sanitária. Com apoios a aquisições de equipamentos pelo Hospital do Litoral Alentejo e a Santa Casa da Misericór-

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dia de Sines; e pelas corporações de bombeiros dos municípios onde os nossos ativos se localizam, Sintra, Setúbal, Santiago do Cacém e Sines.

GALP, ou as fábricas petroquímicas, da Repsol e Indorama. A ZILS está integrada com o Porto de Sines, com o qual compõe o Complexo Portuário, Logístico e Industrial de Sines, estando assim cada vez mais conectada a todo o globo; tem acessos rodoferroviários ao hinterland nacional e ibérico em franco desenvolvimento, no âmbito do “Corredor Atlântico” da RTE-T Rede Trans-Europeia de Transportes. Para além disso a ZILS tem um Plano de Urbanização próprio, que facilita o licenciamento e instalação das empresas podendo acolher toda a classe de produção de energia e indústria. Outra das vantagens é a oferta de lotes tailor-made e infraestruturados; e a grande disponibilidade de utilidades, tando de eletricidade desde 30kV a 400kV, incluindo de fontes renováveis como de água industrial e tratamento de esgotos. Tem ainda um Centro de Negócios para empresas de serviços de apoio à atividade industrial; e disponibilidade de mão-de-obra especializada e centros de formação adequados. Muito importante hoje em dia o facto de a ZILS ter um Plano de Monitorização Ambiental para controlo do ar e das águas superficiais e subterrâneas, sendo realizados relatórios periódicos e implementadas medidas de mitigação.

No portefólio de Parques Empresariais, está incluído o maior Parque Industrial e Logístico em Portugal, a ZILS em Sines. Quais são as suas vantagens competitivas? A Zona Industrial e Logística de Sines é a maior área de localização empresarial de Portugal, com 2.375 hectares, estrategicamente localizados junto ao Porto de Sines, destinado a atividades industriais, logísticas e de serviços, tendo várias das maiores empresas nacionais e estrangeiras instaladas, tais como a maior refinaria do país, da

Em que medida a gestão do mesmo promove e reforça o investimento na infraestrutura elétrica para uma maior eficiência energética, na produção de energia de fontes renováveis e na monitorização e recuperação ambiental? Neste domínio, qual tem sido a vossa dinâmica no que concerne ao Hidrogénio? A nossa aposta na ZILS é consubstanciada num esforço permanente de melhoria das suas condições para manter e expandir as atuais indústrias instaladas e captar novos investimentos.

FILIPE COSTA

“A NOSSA APOSTA NA ZILS É CONSUBSTANCIADA NUM ESFORÇO PERMANENTE DE MELHORIA DAS SUAS CONDIÇÕES PARA MANTER E EXPANDIR AS ATUAIS INDÚSTRIAS INSTALADAS E CAPTAR NOVOS INVESTIMENTOS. ISTO PASSA EM MUITO PELO REFORÇO DA CAPACIDADE DAS INFRAESTRUTURAS EM GERAL E DAS DE ELETRICIDADE EM PARTICULAR”


INVESTIMENTO E INTERNACIONALIZAÇÃO

Isto passa em muito pelo reforço da capacidade das infraestruturas em geral e das de eletricidade em particular. Para compatibilizar os desígnios nacionais, e europeus, de por um lado reindustrializar e por outro descarbonizar, temos que eletrificar a economia. Por isso, investimos nas interligações elétricas e trabalhamos na criação de uma CER - Comunidade de Energias Renováveis, que é desde logo útil para a produção de hidrogénio “verde”. Nesse sentido, temos acompanhado a evolução da Estratégia Nacional para o Hidrogénio, em particular os projetos apontados para Sines, procurando antecipar os vários impactos positivos que podem potenciar. Desde logo os contributos para a nossa balança comercial; para a descarbonização das grandes indústrias ‘energívoras’ que temos em Sines, da refinação e da petroquímica; e a atração de outras empresas químicas que se venham a instalar por termos um cluster de hidrogénio “verde”. O Sines Tech é um Hub Atlântico, tecnológico que oferece ligações seguras, de alta velocidade e baixa latência, ideal para projetos de TI&T e Data Centers. Que outras mais-valias apresenta e de que forma promove os fatores de atração para a tecnologia – alvo de foco pela aicep? O produto Sines Tech - Innovation & Data Center Hub é dirigido às empresas globais de telecomunicações e internet, para a amarração de cabos submarinos de telecomunicações, instalação de estações de amarração de cabos e centros de dados. Sines é um local excecional para a amarração de cabos submarinos. Pela sua localização geográfica como porta atlântica da Europa, a reduzida atividade humana e os seus fundos profundos marinhos, que garantem uma grande segurança na amarração de cabos. Complementamos essas vantagens para a amarração de cabos com as vantagens que já oferecemos para a instalação de centos de dados, nomeadamente a disponibilidade de áreas de grande dimensão devidamente infraestruturadas, essenciais para estes equipamentos escalarem rapidamente e sem constrangimentos. Bem como a possibilidade de fornecimento elétrico dedicado em Alta Tensão e Muito Alta Tensão e de acederem a fluxos de alto débito de água de uso industrial ou mesmo do mar. Estamos a criar novas vantagens competitivas, como a já referida constituição de uma Comunidade de Energia Renovável, a certificação dos 210 hectares por nós pré-alocados para data centres e o desenvolvimento de um mecanismo articulado de licenciamento da amarração de cabos submarinos de telecomunicações. O Sines Tech está alinhado com a estratégia europeia que permitirá aumentar a conectividade global, a importação de mais dados, a expansão do mercado de armazenamento e processamento de dados e o desenvolvimento de tecnologias estratégicas e serviços digitais. O Sines Tech quer desempenhar um papel nas EU Data-Gateway Platforms, nomeadamente na EU Atlantic Data-Gateway Platform, infraestrutura fundamental da política digital da União Europeia e para o desenvolvimento socioeconómico do nosso país.

Ainda incluído no vasto portefólio da aicep está o Parque Empresarial da Península de Setúbal BlueBiz. Quais são as suas ofertas, infraestruturas e pontos de interesse? O BlueBiz é uma área privilegiada para a localização empresarial, tanto pelas condições infraestruturais proporcionadas como pela sua inserção em Setúbal e excelentes acessos. Localizado na grande área metropolitana de Lisboa, a 40 km da capital, o BlueBiz disponibiliza naves industriais, escritórios e amplas áreas descobertas ideais para setores como a indústria, logística e serviços num contexto de parque fechado com serviços de condomínio associados numa envolvente agradável dotado de espaços verdes. Por estes motivos é um espaço muito acolhedor para se trabalhar e que proporciona aos investidores uma oferta competitiva. O BlueBiz tem capacidade para receber todo o tipo de empresas de um amplo universo de setores, como é exemplo a aeronáutica com a presença da Lauak e Mecachrome; na metalomecânica de precisão com a Mectop; a agroindústria como é o caso da Vitas Portugal, filial do Grupo Roullier em Portugal e a Clever Leaves que é uma referência na transformação da planta de Canábis; da logística automóvel, com a Gefco e CAT; da reparação e manutenção de máquinas, Grupo Entreposto; a TUV Áustria, grupo internacional que é uma referência na consultoria e gestão de processos de qualidade industrial ou, a Euronavy Engineering, uma empresa industrial e de serviços cross market que desenvolve, produz e comercializa tintas e revestimentos de alto desempenho, assim como serviços de engenharia. O BlueBiz disponibiliza ainda um centro de escritórios para empresas de serviços, em condições competitivas, posicionando-se como uma vantajosa alternativa na grande área metropolitana de Lisboa. A Aeronáutica é um cluster em ascensão em Portugal. De que forma a aicep tem vindo a apoiar este importante setor de atividade económico nacional (integrado no projeto BlueBiz)? A aicep Global Parques associou-se em 2020 ao AED - Cluster Português para as Indústrias da Aeronáutica, Espaço e Defesa, colocando no radar a sua oferta no BlueBiz, que tão bem respondem às elevadas exigências deste setor. No entanto inescamoteável que a aviação comercial é provavelmente a atividade económica proporcionalmente mais afetada pela COVID-19. O tráfego aéreo civil e o fabrico de aviões quase pararam. Temos de apoiar a indústria aeronáutica presente em Portugal para que ela não se deslocalize neste momento crítico e para que possamos, pelo contrário, ser um país recetor da inevitável consolidação que o fabrico de aeronaves e componentes aeronáuticos terá nos próximos anos, na Europa e no mundo. É, sem dúvida, um setor muito importante para o Sul do país e em concreto para o BlueBiz - Parque Empresarial da Península de Setúbal, sob nossa gestão. A plataforma Portugal Site Selection desenvolveu novas funcionalidades recentemente. Qual o objetivo desta plataforma?

O Portugal Site Selection é uma plataforma de atração e apoio à instalação de investimento em Portugal. Recentemente alargou o seu âmbito de logística e indústria em parques empresariais, para abranger também edifícios de escritórios para serviços e um cadastro de ativos para passar a incluir a oferta de áreas greenfield e brownfield fora de parques empresariais, por vezes devolutas que possam proporcionar oportunidades para investimentos. A sua abrangência foi expandida do território continental para incluir o todo nacional, ou seja, também a Madeira e os Açores. O Portugal Site Selection destina-se em primeiro lugar aos investidores que procuram o melhor local para instalar o seu projeto, e a quem lhes presta serviços de site selection, como a AICEP e as suas congéneres estrangeiras e os multiplicadores de negócio como consultoras, banca de investimento, advocacia de negócios. É uma forma de colocar Portugal no mercado internacional de localizações para investimentos. Do lado da oferta, também os gestores de áreas de localização empresarial nacionais utilizam a ferramenta para apresentar e promover os parques sob sua gestão. ▪

A terminar, que outros projetos estão planeados para o futuro da aicep Global Parques? São vários os desafios que se colocam à aicep Global Parques num futuro próximo, onde destacaria: Na transição energética temos a emergência do cluster de hidrogénio, que tem potencial para impulsionar reforços de investimento das indústrias refinadora e petroquímica já em presença e, sinergeticamente, atrair nova indústria química. Na transição digital estamos a promover este nosso novo produto Sines Tech - Innovation & Data Center Hub junto de empresas de telecomunicações, com vista à instalação de estações de amarração de cabos transoceânicos; e das tecnologias de informação, procurando atrair centros de dados. Na criação de uma Associação Portuguesa de Parques Empresariais em que o principal objetivo é estimular a cooperação entre as entidades gestoras das áreas de localização empresarial e dos parques empresariais situados em Portugal Continental e nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, beneficiando de ações e vetores de atuação comuns, de sinergias e recursos conjuntos, promovendo a eficiência do investimento público e privado. Como empresa queremos continuar a crescer em 2021, superando o volume de negócios de 2020.

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MODERNIZAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

A TECNOLOGIA ENQUANTO CATALISADOR DA MUDANÇA

FOTO: DIANA QUINTELA

A Brighten – Consultores em Sistemas de Informação, anteriormente conhecida por Procensus, tem hoje a missão de simplificar o negócio dos seus clientes, estando totalmente focados “em resolver os desafios reais da indústria através das soluções tecnológicas mais adequadas”. Quem o afirma é Jorge Carvalho e André Coutinho, Partners desta marca que promove e apoia na transformação digital das organizações.

ANDRÉ COUTINHO E JORGE CARVALHO

C

om uma experiência e conhecimentos adquiridos ao longo de um percurso traçado a partir de 1998, a Brighten ajuda a alinhar as empresas e os objetivos em soluções de IT escaláveis, flexíveis e ajustadas às necessidades de cada um. Tendo em conta dos desafios que se impõem no setor – e depois de mais de 20 anos de atividade – quem é hoje esta empresa? A Brighten é hoje uma empresa com a missão de simplificar o negócio dos nossos clientes. Estamos focados em resolver os desafios reais da indústria através das soluções tecnológicas adequadas. A Brighten conta mais de 150 clientes espalhados pelo mundo, sendo que exporta 65% do seu negócio para o mercado Europeu. Atualmente, soma cerca de 100 consultores com a combinação certa entre conhecimento de indústria e tecnologia, seguindo todas as metodologias comprovadas para fazer qualquer projeto on-time, on-quality e acima das expectativas tendo, também, a flexibilidade e agilidade que nos permite estabelecer parcerias de longo prazo com nossos clientes.

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A Brighten é uma empresa 100 por cento nacional, com projetos e clientes espalhados pelo mundo, e que contribui para uma experiência internacional determinante no apoio ao crescimento e expansão de cada negócio. Quais são os serviços e soluções que a empresa apresenta? Como se dá o processo de transformação digital de um negócio? A construção da nossa oferta tem por base a nossa missão de simplificar o negócio dos nossos clientes. A oferta de Strategy & Operations surge como uma unidade de advisory a C-levels das organizações que procurem apoio nos desafios que atravessam. Deste trabalho surgem um conjunto de propostas de soluções que hoje em dia passam pela transformação digital de processos ou negócios. Tendo as necessidades claras sobre qual a respostas aos desafios, procuramos estruturar uma oferta com as competências e parceiras nas tecnologias mais adequadas a essas necessidades. Neste sentido desenhamos as ofertas de Enterprise Solutions, enfocada na implementação de soluções package, onde enquadramos as nossas competências de SAP e SAGE, e Digital,

enfocada na implementação de tecnologias que visam responder a necessidades especificas, onde enquadramos as competências de automação, desenvolvimento à medida e inteligência. A brighten é neste momento parceiro e revendedor de soluções SAP, SAGE e UIpath. O processo de transformação digital de um negócio não é mais do que a concretização de um conjunto de iniciativas estruturadas e estratégicas que tem por base a tecnologia e que visam potenciar os pontos fortes das organizações, aproveitar oportunidades existentes ou mesmo atuar sobre riscos potenciais e fraquezas reconhecidas. Requer por isso um bom diagnóstico do estado atual da organização e uma visão clara do seu foco e dos seus objetivos a longo prazo. A partir destes dois inputs, existe uma clareza sobre quais os desafios e finalmente a tradução destes em iniciativas que visam resolver cada um dos desafios com a implementação da tecnologia certa para cada um deles. A priorização destas iniciativas e a definição temporal da implementação das mesmas corresponde ao programa


MODERNIZAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

natura que resume ainda hoje a razão de ser da brighten: simplify your business together. Tal como prescrevemos aos nossos clientes, o diagnóstico da Procensus de 2015 revelava uma necessidade de mudança, passando de um foco de implementar tecnologia e vender recursos competentes aos seus parceiros, para um foco de conhecimento de negócio aliado a tecnologia, um foco no desenho de processos e metodologias internas que garantissem a qualidade dos nossos projetos e por fim e mais importante um foco no cliente, nos seus desafios, nas suas necessidades, que nos permitisse estabelecer verdadeiras relações de parceria.

Atualmente vivemos num mundo em que a tecnologia é, cada vez mais, enraizada no dia a dia das comunidades, dos consumidores, dos utilizadores, das micro, pequenas, médias e grandes empresas. Assim, qual tem vindo a ser a visão, o papel e o envolvimento da Brighten na importância da transformação digital no mercado empresarial? A brighten acredita que a tecnologia é hoje, mais do que tudo, uma grande oportunidade por um lado e por outro uma ameaça, e como tal um catalisador de mudança. Acreditamos que esta mudança está hoje ao alcance, cada vez mais, de todas as organizações e o nosso papel é o de as conduzir nesse percurso de transformação. A brighten existe para simplificar o negócio dos nossos clientes, isto implica ter um grande conhecimento funcional sobre os principais desafios dos setores onde atuamos aliado a uma grande competência tecnológica nas soluções que podem contribuir para essa simplificação. Nesse sentido, o nosso investimento é direcionado por um lado para as nossas pessoas, dotando-as de conhecimento funcional e técnico atual e relevante, e por outro lado na procura e concretização de parcerias que nos permitam levar aos nossos clientes as melhores e mais adequadas soluções. Porque é que é tão importante que as organizações acelerem os processos de modernização? Quais são as mais-valias para o futuro? A modernização, aqui interpretada, como mudança ou transformação com base em tecnologias atuais, é mais do que tudo uma necessidade conforme referimos na ultima questão. As empresas estão cada vez mais conscientes desta necessidade e como tal procuram acelerar a implementação de iniciativas que visam a sua modernização. Este sentido de urgência depende muito da realidade da empresa e sector onde atua. Para umas é algo que as vai permitir sobreviver, para outras é algo que as vai permitir crescer. Em qualquer uma das situações é uma mudança inevitável. Esta modernização, quando bem executada, irá permitir as organizações dotarem-se de competências, processos e informação que as permitam melhor continuar a executar a sua visão e a serem relevantes para os seus clientes. O último ano ficará marcado na história do mundo, como aquele que trouxe até às nossas vidas uma pandemia global totalmente desconhecida e com ela as mais diversas consequências. Considera que as soluções digitais ganharam agora maior consciencialização por parte das pessoas e empresas devi-

FOTO: DIANA QUINTELA

de transformação digital das empresas. A transformação digital não é só eliminar o papel ou implementar tecnologia mais atual, é na nossa opinião muito mais, é usar a tecnologia mais atual para conseguir uma vantagem competitiva, para reduzir desperdício, para reduzir trabalho sem valor acrescentado, para ligar toda a cadeia de valor ou para reinventar o seu modelo de negócio.

do às dificuldades que se instalaram no que à comunicação diz respeito? A pandemia que ainda vivemos é de facto um daqueles eventos catalisadores de mudança. Para além das consequências na sua maioria nefastas que todos temos a lamentar, seja o número de vidas humanas perdidas, seja a o abalo na economia real cujas consequências ainda estamos longe de apurar, veio por outro lado desafiar a forma como trabalhamos, como vivemos, como comunicamos e os principalmente os modelo de negócio tradicionais. As soluções digitais mais do que nas empresas que em parte já as usavam entraram na casa de todos: desde professores a alunos, de avós a netos, de feirantes a consumidores tradicionais, todos foram obrigados a comunicar de forma diferente, adotando as videochamadas ou os canais de venda digital. A Iliteracia digital teve rapidamente de ser ultrapassada por muitos e isso é algo que definitivamente contribui para uma maior consciencialização e adoção do digital. O depois da pandemia será sem dúvida um país mais digital com diferentes formas de interação e até de trabalho. Foi no ano de 2015 que a Brighten, na altura ainda enquanto Procensus, apresentou uma nova imagem de marca bem como a nova assinatura, que reforça sobretudo a visão de um novo futuro, mais desafiante, mais global, mas também mais próximo. É legítimo afirmar que a empresa já estava um passo à frente aquando do aparecimento da pandemia com as suas soluções altamente eficazes de comunicação? De forma nenhuma antecipávamos uma pandemia com as proporções históricas da que estamos a viver atualmente. 2015, foi o ano que em iniciamos um processo de transformação interno do qual resultaria a brighten de hoje. Em 2015 a então Procensus mudou toda a sua gestão, decorrente de uma aquisição, e lançou então uma nova imagem que incluía uma assi-

Tendo em conta todas estas mudanças que temos vindo a assistir na sociedade e mesmo no mundo das tecnologias, como prevê que seja o futuro das tecnologias em Portugal, comparativamente aos mais de 30 países onde a Brighten atua? Quais diria que são os principais desafios? Na nossa opinião a adoção da tecnologia em Portugal tem todo o potencial para continuar a crescer em linha, ou até mais rápido que os demais países onde atuamos (Europa essencialmente). Para atingir esse potencial, no entanto, e na nossa opinião, será necessário em primeiro lugar garantir que os fundos que se avizinham sejam devidamente utilizados tanto no sector público, com a implementação de iniciativas que nos tornem mais eficientes e permitiram a diminuição da nossa carga fiscal, como no sector privado, para promover a inovação e a criação de valor para todos os stakeholders (gestores, colaboradores, sociedades e ambiente). Em segundo lugar e ligado ao primeiro, garantir o correto e idóneo funcionamento do das instituições com especial enfoque para a justiça. Em terceiro e mais importante a implementação de uma estratégia de educação/formação que promova a criação das competências tecnológicas adequadas nas futuras gerações. A terminar, que projetos estão determinados para o futuro da Brighten? O que nos pode confidenciar? A brighten tem hoje muito claro o seu caminho. Neste momento, e depois de finalizarmos a certificação na ISO27001, que nos colocou entre os melhores em termos de práticas de gestão de segurança de informação, temos delineadas um conjunto de iniciativas internas que visam melhorar e sistematizar os nossos processos e sistemas de forma também a dar resposta ao nosso crescimento. No que diz respeito a oferta, reforçamos o mês passado a nossa parceira com a SAP, para ser para além de um parceiro de serviços, um revendedor do portfólio das suas soluções em Portugal. Estamos continuamente a procurar a criação de novas competências que contribuam para a nossa causa, e será expectável que ainda este ano surja uma nova linha de serviços. No que diz respeito a mercados, continuamos focados na Europa e a médio prazo temos o objetivo de ter mais um escritório numa capital europeia num dos países onde atuamos. Esta vertente internacional é para nós muito relevante. ▪

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UMA VISÃO SOBRE A ECONOMIA DIGITAL A PALAVRA DE HUGO LOURENÇO - FUNDADOR E CEO DO THE AGILE THINKER®

A ERA DO AGILE NA ECONOMIA DIGITAL

NÃO SE PODE IGNORAR; GESTORES NO SÉCULO XXI

Acreditamos genuinamente que as disrupções acontecerão mais rapidamente e com maior frequência. Frequentemente, vemos gigantes dos negócios a ser derrotados por pequenas start-ups. Alguns estudos concluem que a inovação é uma inerência casual de uma empresa e da sua idade.

A

tecnologia mudou a forma como a inovação acontece em todas as empresas! A próxima onda de disrupção surge da Inteligência Artificial (IA), tornando as boas previsões acessíveis ou gratuitas. Sabia que o capital de mercado da Garmin em 2007 era de 16 biliões de dólares e, depois de o Google maps estar disponível, foram para a faixa dos 2 biliões de dólares? Foram necessários 12 longos anos para recuperar 14 biliões de dólares. Considerando a lei de Moore, veremos que (IA) duplicará a sua presença todos os anos, enquanto o custo efetivo de acesso à mesma será reduzido. A tecnologia está a tornar-se tão barata que podemos ter a IoT em quase todo o lado e recolher dados, pelo que a previsão da I.A. será a próxima vaga de disrupção. O Agile promove organizações/economias exponenciais, tal forma de pensar e trabalhar torna possível novas aplicações e permite a criação de novas indústrias à custa das mais antigas. Pequenas Equipas, Redes, e Clientes, as três leis do Agile - Steve Denning. OS PONTOS FORTES DA EQUIPA SÃO OS SEUS MEMBROS MAIS FRACOS A tecnologia está obviamente a alterar o status quo nos negócios, mas é a forma como utilizamos os dados para fornecer necessidades preditivas em novos produtos e serviços que irá gerar novos mercados, não porque compramos tecnologia, mas sim o que se faz com a tecnologia e não o fato de termos mais ferramentas e processos.

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CONSIDERAR ALGUMAS IDEIAS SOBRE A MUDANÇA DO JOGO:

4. O  poder passou de vendedor para comprador; construir lealdade através de valor e inovação - ou é o fim do jogo

1. D  ois jovens numa garagem podem estar a construir a próxima tecnologia emergente

5. A  confiança nos indivíduos é mais valiosa do que a confiança nas organizações

2. A  inovação num modelo de negócio triunfa sobre a inovação em produtos, e as plataformas triunfam sobre os modelos de negócio

6. C  omando e controlo não impulsionarão a inovação, melhores formas de trabalhar e pensar sobre a causa e a razão

3. A  adoção de tecnologia mais cedo não o leva a disrupções, mas aqueles que não levam à mudança tornam-se as suas vítimas

7. O  coletivo, pode resolver problemas - ou criá-los, as suas pessoas é que os fazem acontecer


UMA VISÃO SOBRE A ECONOMIA DIGITAL

8. A  derir a uma empresa em fase de arranque, em vez de uma grande e estabelecida, já não é tão arriscado 9. A  inovação é um processo de baixo para cima, não um processo de cima para baixo. 10. A  confiança é um bom exemplo. A confiança pública em sistemas como o Google maps ou Uber, assenta no reconhecimento social que pode ser eficaz, talvez até mais eficaz do que os sistemas de reputação herdados. Então, o que reduz a inovação nas grandes empresas e as impede de gerar novas linhas de negócio? Do livro Lead and Disrupt, Charles O’Reilly da Universidade de Stanford e Mike Tushman de Harvard, a hipótese sobre o que torna as grandes organizações tão incapazes de abraçar a mudança e o risco, é o que eles chamam nas suas observações os “Oito Pecados Mortais da Stasis”; 1. Incapacidade de ouvir 2. Falta de paciência 3. Falta de distância 4. Falta de recursos (não pessoas) 5. P  essoas erradas e papéis errados

NÃO COMPRE

< MAIS UM CURSO > PORQUE ESTÁS A FAZER O QUE FAZES? Os dias de hierarquias rígidas de trabalho desapareceram. Os trabalhadores, por seu lado, odeiam hierarquias, e o mesmo acontece com a maioria dos diretores gerais. Os CEO inteligentes compreendem que as hierarquias forçadas os separam do que realmente se passa na organização, muitas vezes em seu detrimento ou perigo, e sabem que são mais eficazes em ajudar, apoiar e estabelecer parcerias do que meramente liderar do topo. Os gestores no século XXI são treinadores/orientadores e não patrões. Como irão aprender essas novas competências se têm todo o seu sistema educativo baseado nos

últimos 200 anos de gestão e não nos últimos 20 anos de novas formas de trabalhar e pensar? A boa notícia é que qualquer empresa pode melhorar fazendo as mudanças certas, abraçando novas formas de trabalhar a partir daquelas que praticam e trabalham em equipa. Desconfie para trabalhar com aqueles que não praticam o que apregoam. A propósito, se estiver em Portugal, compre a empresas portuguesas e apoie a nossa economia, os nossos empregos, as nossas empresas, aja com mais ambição, e torne os seus sonhos em realidade! ▪

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(aqui estão as pessoas)

6. Falta de responsabilização 7. Cultura inapropriada 8. Falta de apoio político A inovação é sexy e divertida. Mas demasiadas empresas encaram os objetivos de inovação como projetos de estimação em vez de iniciativas sérias. Políticas internas venenosas, regras aplicadas de forma inconsistente ou pouco claras, e paralisia devido ao medo de bloquear qualquer progresso empresarial. Permitir a inovação requer recursos (aqui não me refiro a pessoas), pessoas, paciência, distância, e vontade de liderar. Os orçamentos empresariais são alocações políticas tão disputadas como os orçamentos governamentais. O exemplo da Cisco demonstra isto indiretamente porque tantos executivos estavam ocupados a tentar patrocinar e a orientar tantos esforços de inovação diferentes, e todos eles sofreram de uma falta coletiva de apoio político. As TI foram uma tragédia da inovação comum, mas isso trouxe-nos o Zoom! DEMASIADO LONGE É TÃO MAU COMO DEMASIADO PERTO Recalibrar todas estas configurações numa base constante para assegurar que uma organização mantenha o equilíbrio certo representa um desafio de gestão significativo. Trazer conselheiros autênticos e únicos para fazer perguntas e desafiar o status quo para manter a dinâmica. Ter consultores que sejam “mais do mesmo”, não trará inovação, mas sim as mesmas estratégias, produtos, projetos e serviços que os seus concorrentes.

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“O MERCADO PORTUGUÊS EVOLUIU DE UMA FORMA MUITO SURPREENDENTE PARA QUALQUER UM DE NÓS, HOJE É O PRINCIPAL MERCADO EM VOLUME SOB GESTÃO DA BÂLOISE E REPRESENTA UM QUINTO DO TOTAL SOB GESTÃO NA SEGURADORA. CONSEGUIMOS ULTRAPASSAR MERCADOS COMO O BELGA E O FRANCÊS E NO TOTAL DAS DUAS SEGURADORAS QUE ESTÃO NO UNIVERSO INTERNACIONAL DA BÂLOISE APENAS ITÁLIA TEM UM VOLUME SUPERIOR SOB GESTÃO” JOÃO MARMELO

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TEMA DE CAPA

“QUEREMOS TER SEMPRE UM ROSTO E UMA VOZ DISPONÍVEL PARA OS NOSSOS CLIENTES”

Se no início o nome da Bâloise em Portugal era algo desconhecido, hoje em dia esse cenário é raro, até porque o nome entrou de uma forma bastante natural no mercado, sendo hoje uma marca de referência no mercado português. Numa longa entrevista, João Marmelo, Sales Director da Baloise Vie Luxembourg em Portugal, revelou à Revista Pontos de Vista como a marca é hoje um player de sucesso internacional e no nosso país no domínio do ramo de seguros de vida ou de banca privada e que a grande mais-valia desta companhia de seguros de génese suíça, entre outras, passa pela abordagem única que tem, ou seja, personalizada e de proximidade, criando um sentido enorme de confiança e segurança no cliente.

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FOTO: DIANA QUINTELA

Quais são aqueles que considera terem sido os marcos mais importantes até ao dia de hoje no percurso do Grupo? O Grupo começou por ser uma companhia de seguros de incêndio em 1863 e só em 1960 iniciou a comercialização de seguros no ramo vida, porque nessa altura a maioria dos países do centro da Europa começaram a procurar soluções complementares de reforma às soluções mais tradicionais das caixas de previdência. Talvez o marco mais importante tenha sido a Bâloise ter apostado na sua internacionalização além-fronteiras suíças e luxemburguesas quando a partir de 1996 o Luxemburgo cria o quadro prudencial que permite a seguradoras estabelecidas no grão-ducado poderem comercializar seguros dentro da UE com um passaporte europeu recorrendo à livre prestação de serviços. Este formato não obriga a ter representantes locais em cada país da UE onde a seguradora decida distribuir as suas soluções. Esta solução

FOTO: DIANA QUINTELA

Grupo Bâloise é um fornecedor europeu de soluções de seguros e pensões e posiciona-se como uma seguradora com um conceito inteligente de prevenção de riscos, intitulando-se como “o mundo da segurança”. Tem sido, sobretudo, um player de prestígio e reconhecimento. Mais aprofundadamente, como nos descreve os elementos-chave para a (merecida) notoriedade da Bâloise nos mercados onde atua? A Bâloise optou por criar equipas dedicadas por mercado com elevada especialização. O exemplo de Portugal é o melhor, dado que no início a equipa contava apenas com o responsável comercial. Pouco depois ficou claro que tínhamos de apostar em quadros com experiência em Portugal e com formação em áreas de economia e gestão, mas também com formação jurídica, dado que o mercado assim o exigia. E assim formou-se uma equipa mais dedicada ao operacional e outra de suporte comercial. Foi assim que uma equipa de uma pessoa rapidamente se transformou numa equipa de 8 pessoas, maioritariamente vinda de Portugal, para melhor compreender as necessidades do mercado. Esta foi a estratégia vencedora e que fez sem dúvida a diferença no crescimento do mercado português. Igual abordagem tem sido utilizada em cada mercado em que operamos, principalmente em França, Bélgica, Itália e Espanha, bem como noutros mercados de menor dimensão, mas que também têm sido uma aposta nossa.

“A ABORDAGEM É DE TAL FORMA PERSONALIZADA QUE É QUASE ÚNICA CLIENTE A CLIENTE. ESSE É POR SUA VEZ O GRANDE DESAFIO TÉCNICO. DAÍ SER UM TRABALHO MUITO EXIGENTE PORQUE NÃO EXISTE UM CASO IGUAL A OUTRO. NO MERCADO PORTUGUÊS O TRABALHO É FEITO NA SUA GRANDE MAIORIA EM CONTACTO DIRETO COM O CLIENTE FINAL” ABRIL 2021 | 11


TEMA DE CAPA

é o seguro de capitalização unit-linked que distribuímos em Portugal desde 2006 e que tanto sucesso tem tido neste mercado. Como é para si ser Diretor de Vendas em Portugal de um projeto com tamanho sucesso e solidez? É gratificante? Tem sido muito gratificante porque estive na fundação do projeto e nem eu imaginava que o mesmo iria ter a dimensão que tem em todos os seus aspetos. Principalmente pelas pessoas que pude conhecer desde o início e que são hoje os nossos parceiros no mercado português e que são pessoas excecionais que gerem patrimónios com uma entrega total e que têm um profissionalismo muito acima da média. Conhecer todas estas pessoas e poder ajudá-las com os seus clientes que também passaram a ser nossos clientes tem sido o trabalho mais gratificante. O nome da Bâloise em Portugal no início era desconhecido e obrigava-me muitas vezes a ter que acrescentar que era uma companhia de seguros suíça para ser mais familiar aos clientes. Hoje em dia é muito raro falar com uma pessoa que esteja ligada ao ramo de seguros de vida ou de banca privada e nunca terem ouvido falar na Bâloise. O nome entrou de uma forma muito natural no mercado ao longo deste percurso de mais de 10 anos e hoje é uma marca de referência no mercado português. Para a Bâloise, Portugal foi sempre visto como um mercado com potencial. Assim, e depois de uma cronologia já (bem) consolidada no país, quão importante e representativo é este mercado para uma marca como a vossa? O mercado português evoluiu de uma forma muito surpreendente para qualquer um de nós, hoje é o principal mercado em volume sob gestão da Bâloise e representa um quinto do total sob gestão na seguradora. Conseguimos ultrapassar mercados como o belga e o francês e no total das duas seguradoras que estão no universo internacional da Bâloise apenas Itália tem um volume superior sob gestão. Foi uma evolução apenas possível pelo trabalho de todos os intervenientes na Bâloise, dos nossos parceiros e pelo interesse demonstrado pelos nossos clientes. A longo prazo, quais são os planos do Grupo em Portugal? A longo-prazo queremos continuar na liderança do mercado neste tipo de seguros e apostar na digitalização dos nossos serviços para que os clientes se sintam cada vez mais integrados nas nossas soluções. Queremos ter sempre um rosto e uma voz disponível para os nossos clientes, mas também queremos que tudo o que possam fazer pela via eletrónica seja o mais simples possível, de modo a otimizar todos os tempos de resposta na solicitação dos nossos serviços. E temos em mente outros projetos. Se Portugal evoluísse no seu quadro legal e nos seus processos regulatórios, quem sabe se o nosso país não poderia suscitar o mesmo interesse do Luxemburgo? Temos tudo o que é necessário para tal e melhor clima até. Se Portugal começasse a projetar o país para o exterior, procedendo a reformas fiscais e regulamentares podia atrair estes investimentos para o território português. Os tratados fiscais europeus e internacionais deveriam ser o modelo de referência a ter em conta nas reformas que os próximos governos têm pela frente. As empresas e organizações destacam-se também – e essencialmente – pela equipa que as constituem. A

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TEMA DE CAPA

FOTO: DIANA QUINTELA

gestão positiva de Recursos Humanos é fundamental para a sustentabilidade de qualquer negócio, uma vez que terá impacto direto na satisfação e motivação dos colaboradores, na produtividade, criatividade e inovação da metodologia de trabalho. Para a Bâloise, este papel/função dos mesmos tem sido determinante para o aperfeiçoamento da empresa? Sem dúvida, o capital humano é a chave do sucesso. Os salários são superiores no Luxemburgo, embora o custo de vida também seja muito elevado, e como tal conseguimos atrair recursos com mais qualificações e competências. Bons recursos são sempre mais fáceis de gerir em qualquer equipa. E Portugal tem ótimos recursos quando os comparamos com outros com formação idêntica vindos de outros países. E no Luxemburgo, as empresas não têm a mesma assimetria salarial, o que também evita que os colaboradores sintam que existe injustiça com quadros de topo muito bem pagos face a quadros intermédios mal pagos. É por isso que incentivo sempre todos os portugueses que queiram procurar emprego neste mercado a fazerem-no. O país é muito calmo e tem uma qualidade de vida muito acima da média. Claro que o frio e a falta de luz no Inverno são a maior diferença face a Portugal. Mas um país que tem pelo menos 18% da sua população de nacionalidade portuguesa nunca vai deixar um português sentir-se longe de casa. Daí que muitas vezes recordo pessoas com quem fui trabalhando ao longo dos anos e imagino como teria sido uma experiência interessante se nos primórdios das nossas carreiras tivéssemos podido crescer profissionalmente neste meio profissional luxemburguês. Que projetos poderíamos ter desenvolvido juntos ao longo de mais de 20 anos em que, aos poucos, os melhores foram saindo do país. Como nos pode apresentar e descrever os recursos da equipa responsável pelo mercado português? A equipa, na sua maioria, é constituída por portugueses que trabalharam antes em Portugal. Num total de 10 pessoas que trabalharam em bancos e seguradoras, mas também em empresas de consultoria fiscal ou escritórios de advogados. Temos duas exceções à nacionalidade portuguesa, mas ter trabalhado em Portugal tem sido sempre uma exigência. A razão é muito simples, só conseguimos entender as necessidades das outras pessoas se em alguma fase das nossas vidas tivermos sentido essas necessidades ou pelo menos convivido com pessoas que as sentiram. Este tem sido o grande segredo do nosso sucesso, perceber todo o quadro mental dos nossos clientes e entendermos as suas necessidades porque já vivemos no país. O grande desafio para qualquer um destes recursos tem sido explicar isto mesmo aos seus colegas e desta forma cada um destes colaboradores é um embaixador do seu país e dos seus clientes no seio da sua empresa. Presente em 12 países com «personalidades» diferentes, a Bâloise tem, em todos eles, uma visão prioritária focada nos clientes. Todos

os colaboradores estão mobilizados e ativamente empenhados em oferecer o melhor e mais adequado serviço. É legítimo afirmar que oferecem uma abordagem personalizada, de acordo com a área geográfica? De que forma a v/ oferta prima pela capacidade de diferenciação? A abordagem é de tal forma personalizada que é quase única cliente a cliente. Esse é por sua vez o grande desafio técnico. Daí ser um trabalho muito exigente porque não existe um caso igual a outro. No mercado português o trabalho é feito na sua grande maioria em contacto direto com o cliente final. Então quando conhecemos os clientes temos que perceber de que forma uma solução de seguro de capitalização unit-linked encaixa nas suas necessidades. Depois ver como é que faz sentido organizar o seu património, ou seja, não só o que acontece durante a vida dos clientes, mas também o que vai ocorrer após a sua morte. E de imediato também o impacto que tudo isto tem na sua família. Se existem membros na sua família que ficam mais desprotegidos caso ocorra algum imprevisto. Se precisamos de acautelar o risco de o cliente poder querer viver mais tarde noutro país. Se existem filhos menores no seu agregado familiar e se faz sentido constituir reservas que lhes sejam destinadas. É um pouco como um fato ou um vestido feito à medida das suas necessidades. Se os patrimónios são mais elevados as soluções podem ser mais complexas. E ainda mais complexas são se envolverem o património empresarial dos clientes, que tem sido a aposta mais recente da empresa. A Bâloise é caracterizada pelos serviços de qualidade, tendo como atributos a confiança, transparência e respeito. Tendo em conta a atual conjuntura derivada à COVID-19, de que forma se reinventaram sem comprometer tais particularidades? No Luxemburgo foi definida uma limitação da capacidade presencial no escritório para evitar o contágio, quase desde o início da pandemia, por isso recorremos muito à videoconferência para conseguirmos estar juntos como equipa. Cada colaborador só pode estar pessoalmente presente 25% das suas 40 horas semanais. A complexidade da pandemia que vivemos nos dias de hoje rapidamente se propagou aos mais diversos setores de atividade, obrigando a uma rápida mudança de práticas. Assim, de que forma a Bâloise atuou perante tal cenário? Como continuaram a promover um formato distinto, com as mudanças impostas pela pandemia no que diz respeito, por exemplo, ao relacionamento com o cliente? Recorremos muito mais do que antes à videoconferência e em simultâneo acelerámos projetos que estavam a ser desenvolvidos que permitem que os documentos contratuais possam ser assinados à distância. Embora este último seja um processo em que ainda temos de investir mais tempo, porque as soluções feitas à medida têm que ser muito bem explicadas logo desde o início. Daí que o nosso tempo despendido na fase de venda tenha aumentado muito.

Por outro lado, diminuíram as viagens porque os países europeus tiveram que implementar estratégias nacionais e como tal nem sempre os períodos de confinamento coincidiram nos 12 países em que operamos. Têm sido tempos desafiantes. Perpetuando uma análise mais geral, de que forma o setor dos seguros e as suas tendências irão mudar face ao atual panorama? Como toda a economia mundial será um setor ainda mais digital do que nunca. Sinto que os clientes querem que tudo esteja à distância de um dedo num ecrã ou de uma chamada e esperam que do outro lado esteja alguém durante as 24 horas do dia, a trabalhar cada minuto do seu tempo disponível apenas para responder às suas necessidades. As empresas que perceberem isto e que consigam alcançar este patamar de qualidade e se mantenham rentáveis serão os únicos vencedores desta nova fase. E se também quiserem competir com as empresas que hoje em dia já dominam este panorama digital, então aí têm que estudar as necessidades dos seus clientes para criar novas soluções que lhes suscitem interesse. Considera que os seguros, e mais especificamente os de vida, se tornaram atualmente um tema mais consciente na sociedade? Acredita que a situação pandémica despertou o sentido da sua importância? Sem dúvida. Talvez o lado mais difícil nesta pandemia tenha sido as pessoas terem percebido quão frágeis somos numa economia globalizada em que por um lado a informação circula mais depressa, mas em simultâneo o mesmo ocorre com as pessoas e com elas também circulam as doenças. E que embora a Europa e os EUA ainda sejam as duas grandes potências tecnológicas, por estas serem as únicas fundadas por democracias liberais e por integrarem povos multiculturais, o tempo de desenvolvimento de vacinas ou de medicamentos que combatem estes surtos ainda demora o suficiente para que muitas vítimas ocorram. E nesse sentido muitas pessoas começaram a preocupar-se mais com a sua morte. Ou pelo menos com a proteção da sua família em caso de ficarem incapazes. 2020 foi um ano em que muitas pessoas que antes não consideravam fazer seguros de capitalização, pela primeira vez, olharam para estas soluções nesta perspetiva. A terminar, quais são os principais desafios do Grupo Bâloise para 2021 e de que forma podemos continuar a esperar da mesma os compromissos que, desde sempre, assumem na sociedade? O grande desafio é o mesmo de toda a Humanidade, vencer esta pandemia. Os principais desafios serão sairmos ainda mais próximos dos nossos clientes e mais conscientes de como a proximidade aos mesmos numa economia cada vez mais global é o grande fator de diferenciação. Se agora essa proximidade se faz à distância segura de uma videochamada que seja, mas gostávamos que os clientes sentissem que somos como se fôssemos parte da família. ▪

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ECONOMIA & FINANÇAS

“ESTAMOS NO MERCADO COM UM

MODELO DE NEGÓCIO

VIRADO PARA O FUTURO”

JOSÉ PINTO HESPANHOL

Marcar a diferença assume-se como um ponto fulcral de qualquer entidade que pretenda entrar e estar no mercado, tendo como dinâmica a sua capacidade de credibilidade, de rigor e de transparência, perpetuando assim um sentido de prestígio e de credibilidade perante o cliente. Esta forma de estar e atuar assume-se como um vetor essencial para que uma marca possa singrar e perpetuar valor no mercado.

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ão diversos os exemplos de marcas, entidades e organizações que perpetuam isso mesmo, ou seja, distinguem-se pela forma como conseguem chegar ao cliente, com uma personalização e proximidade bastante elevados, que, naturalmente, criam um sentido de segurança e confiança. A Revista Pontos de Vista foi conhecer o paradigma disso mesmo, e conheceu a Yes. Crédito, tendo estado à conversa com José Pinto Hespanhol, Managing Partner da marca que nasceu em plena pandemia, em 2020, e que hoje já é um exemplo claro de credibilidade e notoriedade no mercado de intermediação financeira, mais especificamente no setor de financiamento automóvel. Mas como começou esta «aventura»? De que forma é que o nosso interlocutor e o seu sócio, Pedro Van Zeller (em representação do Acionista Caravela Gest GPS), decidiram aportar ao mercado uma marca que marcasse pela diferença também na

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sua forma de atuação? Para compreendermos este cenário, José Pinto Hespanhol, assumiu que a edificação da Yes. Crédito foi sustentada por uma postura de inovação, rigor e transparência em cumprimento das regras existentes. “Temos de perceber que este mercado cresceu, durante muitos anos, sem regulamentação específica, algo que o Banco de Portugal veio mudar, pois introduziu, e bem, um conjunto de regras no sentido de tornar o setor mais regulado e controlado”, salienta, assegurando, contudo, que não basta que existam regulamentos, é necessário fazer cumprir os mesmos. “O que acontece é que o Banco de Portugal transpôs essa normativa, de cariz europeu, mas algumas empresas que já se encontravam instaladas no mercado continuam a atuar com o mesmo modus operandi, sendo absolutamente necessário, em benefício da transparência e da equidade de oportunidades, que o Banco de Portugal fiscalize no sentido de

averiguar se os procedimentos estão de acordo com a nova regulamentação, evitando assim descredibilização do setor, e uma concorrência desleal". Analisando este panorama, é vital acrescentar que também aqui a Yes.Crédito marca a diferença, até porque foi criada seguindo e segundo um molde de negócio virado para o futuro, “no sentido de adotar os procedimentos necessários para um estrito cumprimento das regras. Enquanto algumas das empresas no mercado funcionavam de uma forma pouco profissionalizada e com hábitos e comportamentos desatualizados, nós preparamos o nosso futuro aportando ao mercado um sentido de credibilidade bastante forte e rigoroso a esta área da intermediação financeira que estava completamente desregulada, acrescida de ferramentas de tecnologia de ponta". Essa mentalidade da Yes.Crédito, é também consolidada por uma estrutura acionista robusta e por um corpo dirigente que possui um profundo conhecimento do mercado, oferecendo, naturalmente, uma mais-valia enorme para o sucesso da marca, até porque, e segundo o nosso entrevistado, “a Yes.Credito surge no mercado para preparar o negócio para esta nova geração, que mais tarde ou mais cedo irá ser o futuro. Quem não se adaptar não tem futuro". Recusando o cenário de concorrência desleal, para José Pinto Hespanhol é importante que não se prejudique quem cumpre e quem aporta credibilidade e transparência ao mercado. “Temos de perceber que quem cumpre com as regras, tem, naturalmente, uma estrutura de maior exigência e isso aporta custos superiores, relativamente aqueles que ainda se encontram no mercado sem cumprir as regras. Isso, obviamente, não é correto, principalmente para uma entidade como a nossa que tem vindo a cumprir todas as normativas de uma forma rigorosa”. Mas que outras valias apresenta a Yes.Crédito ao mercado? De que forma é que esta consegue oferecer ao cliente um conjunto vasto de soluções? Segundo o nosso entrevistado, na Yes.Crédito a mais valia passa pela capacidade em olhar para o mercado num todo e para o universo de produtos que existem para satisfazer as necessidades dos clientes. “O cliente deve ter ao seu alcance o maior numero possível de soluções, que lhe permita optar por aquela que lhe for mais conveniente. Assim, propomos rigor, transparência e conhecimento, e encontramos sempre a solução que mais se adequa a quem nos consulta. Temos inúmeras soluções em que enquadramos as di-


ECONOMIA & FINANÇAS

versas especificidades de cada negócio, ou seja, o perfil do cliente, as caraterísticas do produto, prazos a contratar, entre outros itens importantes, ou seja, de todas as componentes que compõem uma necessidade de solução de financiamento, somos completamente transparentes e tudo fazemos para que o resultado final se traduza na melhor solução de crédito”, assevera o Managing Partner da Yes. Crédito. INOVAÇÃO VS TRADIÇÃO A inovação e a capacidade tecnológica de usar soluções de ponta, nos dias que correm, assumem-se como absolutamente vitais para quem está presente no mercado, principalmente no atual contexto pandémico em que vivemos, pois todos fomos obrigados a diversos ajustamentos e mudanças. Naturalmente que a Yes.Crédito não «escapou» a esse desígnio e hoje o negócio tornou-se muito mais tecnológico, apresentando uma componente virtual muito mais exigente, direcionada cada vez mais para um público mais jovem e mais informado, sem que isso interfira com o cumprimento das regras. "Asseguramos que a tecnologia e a inovação permitiram à Yes. Crédito abranger uma área geográfica no território nacional muito mais vasta e assim “conseguimos dar a resposta a todos os clientes, mesmo à distância e em tempo útil", assegura o nosso entrevistado, lembrando que existe sempre o reverso da moeda, pois se a inovação é algo positivo e, cada vez mais, incontornável, esta também pode criar uma sensação de perda de proximidade, “pois este é um negócio de relações pessoais e de proximidade com as pessoas e continuo a achar que é essencial a nossa presença no terreno. Mas, não sendo possível, porque objetivamente nenhuma empresa consegue estar em todo o lado, nomeadamente em locais geográficos mais remotos, ao mesmo tempo. Apesar de tudo temos de ter a capacidade de continuar a estar fisicamente presentes, dando a oportunidade às pessoas de perpetuar os seus negócios e se não o conseguimos, então vamos continuar a apostar na presença tecnológica que nos permita informar, fazer o negócio e sempre com toda a segurança para o cliente e para nós”.

financeira, algo que tem sido essencial para fazer face às dificuldades provocadas pela pandemia. “Sem dúvida que esse know how tem sido determinante e continuamos a acreditar que podemos ultrapassar este cenário e continuar a dar provas da qualidade do nosso trabalho, até porque, quando começamos, tínhamos a ideia clara de que não seríamos somente mais um player de mercado, pois sabemos que vamos aportar algo novo ao mercado e quando isso acontece, então estamos a criar o nosso próprio espaço, até porque o espaço que está neste momento ocupado é precisamente o que não queremos, pois aí estão empresas com uma visão demasiado retrógrada daquilo que é o negócio de futuro”, assume convito, José Pinto Hespanhol. Mas estará o nosso entrevistado satisfeito com o que foi realizado ao longo deste ano na Yes. Crédito? “Sem dúvida. Podemos ter de esperar um pouco mais, fruto das atuais circunstâncias, para atingirmos os objetivos que projetamos no nosso business plan, mas continuamos muito otimistas quanto ao alcance dos mesmos. Aportar algo de novo e diferente ao mercado através de tecnologias de informação mais avançadas e da prestação de um serviço de excelência, serão certamente mais valias determinantes para o alcance desses objetivos”, afirma o nosso interlocutor, que, numa visão distinta, consegue até vislumbrar nesta pandemia um conjunto de oportunidades para o mercado se clarificar. “Quando há uma retração do mercado, acontece o fenómeno de seleção natural, em que as empresas mais bem preparadas se destacam em detrimento

do desaparecimento das menos robustas, e em simultâneo obriga-nos a procurar novas alternativas e novas abordagens que muitas das vezes não ocorreriam sem esse tipo de pressão conjuntural. Reinventarmo-nos é o desafio que cada vez mais se põem às empresas e a todos nós". Vivemos tempos de grandes e rápidas mudanças, que não dão espaço a quem não esteja preparado para as aceitar e se adaptar. CRESCER EM FASE DE PANDEMIA A terminar, José Pinto Hespanhol assumiu que o primeiro trimestre de 2021, “foi fantástico, face às circunstâncias, sendo necessário continuar a fazer mais e melhor”, afirma, assegurando que o desiderato da marca para o futuro passa por duas vertentes: "minimizar todos os fatores de risco", porque a marca está em fase de crescimento e assim é necessário continuar a conquistar quota de mercado. O segundo desafio passa por continuar a atrair quadros de qualidade e recursos humanos de valor, mesmo em plena pandemia, como revela o nosso entrevistado. “No primeiro trimestre de 2021 já incorporamos sete novos colaboradores na empresa e isso revela que estamos a investir em pessoas e a acrescentar valor. Apostamos imenso em pessoas de qualidade, porque acreditamos que só com os melhores conseguiremos vencer, e afirmarmo-nos como uma referência no setor do financiamento automóvel e da intermediação de crédito. Somos uma marca voltada para o futuro e com capacidade de criar valor”, conclui José Pinto Hespanhol. ▪

A EXPERIÊNCIA QUE APORTA RESULTADOS Uma das grandes mais valias da Yes.Crédito passa pela equipa de gestão que tem no seu management dois gestores/empreendedores altamente qualificados. Falamos, naturalmente, do nosso entrevistado, José Pinto Hespanhol, que tem mais de três décadas de experiência no setor do crédito automóvel e do seu sócio, Pedro Van Zeller, Managing Partner, Sócio-Gerente da Bluemint Capital, foi membro dos Conselhos de Administração do Banco Primus, do qual foi co-fundador, e do BBVA Portugal. Deteve também cargos seniores no Grupo Espírito Santo, Deutsche Bank e BCP. Fundou a Absolut Midas, que mais tarde se tornou parte da Bluemint Capital. Desde 1994 que é um empreendedor ativo investindo em setores tão diversos como os bens de consumo ou a tecnologia. Assim, é legítimo afirmar que existe aqui um conhecimento acumulado de inúmeros anos e experiências na área

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MEIOS E SOLUÇÕES DE PAGAMENTO ELETRÓNICOS

myPOS

O FUTURO DOS MEIOS DE PAGAMENTOS ELETRÓNICOS É desde 2014 que a myPOS tem revolucionado os meios de pagamentos eletrónicos, mas é apenas desde o ano passado que, em Portugal, a marca reestruturou significativamente a sua atividade e a relançou. Pedro Osório de Castro, Country Manager da marca no país, contou-nos, entre outros assuntos, a importância destas soluções digitais, particularmente em contexto de pandemia.

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PEDRO OSÓRIO DE CASTRO

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edro Osório de Castro iniciou o seu percurso – sendo este relativamente diversificado – a trabalhar na Banca, no setor de empresas. Mais tarde, entre outros projetos, foi Country Manager do Grupo CPP, onde esteve durante dez anos a trabalhar na área dos seguros. Certo é, todas as suas experiências profissionais realçaram as mais fortes características que um líder deve assumir: inovador, flexível, persistente e resiliente. Foi pela sua vasta experiência em vendas, forte capacidade de liderança e mudança de mentalidade que lhe surgiu a oportunidade de fazer parte da família myPOS. É desde o início deste ano de 2021 que o nosso entrevistado é responsável pelo negócio em Portugal. A myPOS fornece soluções de pagamento integradas e acessíveis, revolucionado a maneira como as empresas aceitam pagamentos em cartão por todos os canais – no balcão, online ou por dispositivos móveis. A missão é proporcionar a cada empresa os maiores benefícios que a inovação e a tecnologia moderna é capaz de oferecer e, assim, solucionar desafios e liquidez dos pagamentos. “De facto a nossa solução é bastante completa dado que servimos todos os canais que o comerciante (merchant) tem. Não é só o presencial – em que oferecemos os terminais de pagamento – mas também o canal online. O nosso cliente usufrui de uma conta específica connosco, tal e qual como se fosse uma conta bancária, que lhe permite estar ligada aos terminais de pagamento presenciais, mas também interligar a conta ao seu site e receber pagamentos online”, começa por afirmar Pedro Osório de Castro. Para o efeito, a myPOS disponibiliza várias funcionalidades, sendo que, entre as quais, o nosso entrevistado destaca os pedidos de pagamento: com esta solução pode enviar um pedido de pagamento aos seus clientes por e-mail ou SMS a partir da sua conta myPOS, da aplicação ou diretamente a partir do seu terminal de pagamentos com cartão. De seguida, são enviados os relatórios detalhados sobre os seus pedidos de pagamento com informações relevantes, como por exemplo, se o cliente viu o pedido e a frequência com que foram efetuadas tentativas de pagamento. “Houve, nos últimos meses, um conjunto de comerciantes que só tinham lojas físicas e acabaram por se virar mais para as redes sociais. A funcionalidade dos pedidos de pagamento é muito útil por isso mesmo. Além de a myPOS disponi-


MEIOS E SOLUÇÕES DE PAGAMENTO ELETRÓNICOS

bilizar as informações em tempo real, as transações são creditadas instantaneamente”, explica o nosso entrevistado, acrescentando ainda que “temos outro fator diferenciador e muito inovador, que é a myPOS Glass, uma aplicação que quando instalada no telemóvel, permite que esse mesmo dispositivo receba pagamentos como se fosse um terminal. Esta solução está em teste em vários países e posso garantir que em breve estará disponível em Portugal. É uma solução com um grande potencial”, permitindo que até o mais pequeno comerciante aceite pagamentos. A inovação, para a marca, tem um papel relevante e uma posição extremamente ativa. “Nós estamos sempre a par da inovação e da tecnologia moderna e só assim nos faz sentido trabalhar. Posso também já confirmar que vamos ter em breve – e que até já está no nosso site – um terminal que tem uma dimensão aproximada de um telemóvel e que funciona também na leitura de código de barras. É um aparelho bastante inovador. Não nos limitamos a ter uma solução de pagamentos, queremos sempre que seja abrangente e que contenha vários componentes de tecnologia”, assegura o nosso interlocutor. A myPOS chegou ao mercado com o objetivo de colmatar diversas falhas existentes no que respeita aos meios de pagamentos, simplificando a sua gestão. A IMPORTÂNCIA DESTAS SOLUÇÕES EM CONTEXTO DE PANDEMIA É legítimo afirmar que as funcionalidades da myPOS já estavam mais do que preparadas para a pandemia que vivemos há um ano em todo o mundo. Como é do total conhecimento, acabou por se privilegiar, ao longo dos meses, os pagamentos eletrónicos uma vez que existia um possível contágio através do dinheiro físico. “As pessoas têm adotado mais as soluções digitais e há alguns indicadores interessantes

como o caso do uso do pagamento através do contactless. É possível verificar uma subida muito significativa tal como nos pagamentos online. Há, de facto, uma procura muito maior por soluções completas e que não tenham custos fixos, que é o caso da myPOS – não temos mensalidades nem taxas de instalação. O cliente pede o seu terminal, abre uma conta gratuita e usa-a de igual de forma gratuitamente e o único custo que terá é o subordinado às transações”, confirma Pedro Osório de Castro. As conclusões do estudo realizado pela Mastercard, comprovam isso mesmo: «mais de 90 por cento dos portugueses têm, em média, 22 euros na carteira, o que terá justificado o incentivo dos pagamentos eletrónicos de baixo valor – até 50 euros». O estudo conclui ainda que «70 por cento dos portugueses têm um cartão de débito que, em 55 por cento dos casos, são equipados com a tecnologia contactless». Assim, houve uma série de tendências que a pandemia veio acelerar, nomeadamente e naturalmente o digital e a compra à distância, mas ninguém melhor do que o nosso entrevistado para abordar o tema. “A indústria dos meios de pagamento tem estado a sofrer grandes transformações que são fruto das necessidades que os clientes têm, como a rapidez e a simplicidade de pagamento. As nossas soluções caminham nesse sentido. Um dos grandes desafios que assistiremos em breve será uma mudança no retalho, nomeadamente no processo de pagamento que é feito numa loja, num supermercado ou num restaurante. Já temos vários retalhistas que querem poder receber pagamentos em qualquer ponto da sua loja, em vez de ter uma caixa onde as pessoas, depois de escolherem as suas peças de roupa, por exemplo, vão para um fila de dez pessoas. Isto é um constrangimento muito grande que o comércio tem. Seria muito mais simples se as pessoas escolhessem as suas peças e qualquer um dos

colaboradores da loja, pudessem concretizar a venda e receber o pagamento. Para isso são precisas soluções que permitam concretizar o processo. E a myPOS tem essas soluções”. Sendo que o online se está a tornar uma opção cada vez mais popular e a recomendação é tocar o mínimo possível em dinheiro físico, é importante também abordar e há quem alerte, para eventuais burlas. Estaremos assim, mais suscetíveis ao engano? Pedro Osório de Castro afirma que não. “Mesmo ao nível das Diretivas Europeias, como é o caso da PSD2 (Payments Services Directive), introduziu um reforço muito grande de um processo chamado autenticação forte, em que obriga, quando realizamos uma compra online, a fazer uma dupla verificação, que passa muitas vezes por colocar um código. Tem havido essa preocupação por parte, inclusivamente de todos os Reguladores Europeus e locais para que as compras online sejam mais seguras. O pagamento eletrónico é sempre mais seguro, para o consumidor e para o comerciante”, explica. Com soluções 100 por cento seguras, simples e eficazes, a pandemia veio impulsionar a restruturação da myPOS em Portugal. O futuro da mesma passa por uma multiplicidade de abordagem, seja ao mercado diretamente, seja através de parceiros – que apresentem a marca, que tenham soluções de faturação que permitam levar a cabo determinadas integrações e parceiros tecnológicos. Para já, a myPOS posiciona-se no pequeno e médio comerciante, contudo, o objetivo, é chegar aos negócios com maior complexidade, com vários pontos de venda e que precisem da ferramenta de gestão que a marca oferece. ▪

Agradecimento especial à Avila Spaces pela cedência do espaço para as fotos.

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PARCERIAS DE SUCESSO

“ESTA PARCERIA DÁ AO EMPRESÁRIO MAIOR FOCO NO SEU NEGÓCIO” A Ciphra, uma empresa de natureza especializada, oferece uma gama completa de serviços financeiros que ajudam os seus clientes a desenvolver a sua atividade de forma mais eficaz. Contudo, desta eficácia, resulta também a parceria com a Gestão Efectiva, que se desenvolveu para que estes mesmos clientes usufruam da vantagem de prevenir incumprimentos e obter, por fim, resultados positivos. Para melhor entender, Maria João de Figueiredo, CEO da Ciphra e Rui Sanches, CEO da Gestão Efectiva, abordam, em entrevista todas as qualidades desta sinergia.

MARIA JOÃO DE FIGUEIREDO E RUI SANCHES

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arantir a excelência dos serviços, promovendo, assim, o crescimento sustentado dos clientes, tem sido a missão da Ciphra ao longo da sua atividade. Que serviços e soluções são desenvolvidos pela empresa? Maria João de Figueiredo (MJF) - A Ciphra tem crescido muito e temos apostado numa equipa cada vez mais experiente, com formação permanente e com liberdade para inovar nos procedimentos internos, de forma a cada vez mais podermos agir por antecipação. Desta forma, a equipa está preparada para dar as melhores e mais rápidas respostas ao nível dos recursos humanos, fiscalidade, gestão, dedicar-se às diferentes atividades dos clientes, para que daí resultem benefícios fiscais adaptados aquela realidade. E como os clientes crescem

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connosco, estamos sempre atentos à melhor situação para que isso aconteça, como é o caso agora das candidaturas ao Portugal 2030. De igual forma, na Gestão Efectiva, a prioridade é garantir o sucesso dos clientes, oferecendo assim, soluções extra judiciais através dos serviços de cobrança de dívida amigável. A quem se destinam estes serviços e que valor aportam aos clientes? Rui Sanches (RS) - A pequenas e médias empresas com problemas de liquidez por incumprimento de pagamento da parte dos seus clientes, tendo como principal objetivo a recuperação de esses créditos e o apoio na formação dos quadros da área financeira dos nosso clientes. MJF - A Gestão é Efetiva é uma parceria para

acrescentar valor aos nossos clientes, com os anos percebemos que muitas vezes o que não resulta em determinada empresa é a tesouraria e a sua gestão, e não o negócio em si, então ao oferecermos esta solução contribuímos para o sucesso do cliente, e isso traz naturalmente sucesso à Ciphra. A Ciphra e a Gestão Efectiva trabalham, atualmente, em parceria – parceria essa que se desenvolveu para que seja um sucesso. Qual é a ligação que as une? MJF - A Ciphra e a Gestão Efetiva é uma parceria profissional para acrescentar valor aos nossos clientes, a Ciphra vê os clientes como parceiros e quer os sucesso dos mesmos, a tesouraria é um dos desafios dos empresários, a Ciphra quer fazer parte dessa solução. A liga-


PARCERIAS DE SUCESSO

“O SONHO DE QUALQUER EMPRESÁRIO É PODER TRABALHAR O SEU NEGÓCIO COM PARCEIROS QUE O AJUDEM NO CRESCIMENTO DA SUA EMPRESA, E CONSEGUIR NUM REGIME DE OUTSOURSING CONTRATAR UM CONTABILISTA, DIRETOR FINANCEIRO E DE RECURSOS HUMANOS” ção é comum, dar ferramentas aos nossos empresários para gerirem melhor as cobranças e assim existir maior liquidez, cada vez é mais importante em microempresas e pequenas e medias empresas. RS - A dinâmica do sector e a vontade de incorporar mais serviços que satisfaçam as necessidades das empresas fizeram com que a Gestão Efectiva e a Ciphra procurem melhorar a sua oferta e nesse sentido esta parceria é o ideal, já que os clientes preferem relacionar-se com a mesma entidade para resolver os seus problemas. Sendo que a Ciphra trabalha faturação, contabilidade, as faturas para os clientes e os pagamentos de IVA, e a Gestão Efectiva dedica-se à negociação amigável da recuperação de créditos, que vantagens e mais-valias são retiradas destes trabalhos em cooperação? MJF - Esta parceria dá ao empresário maior foco no seu negócio. O sonho de qualquer empresário é poder trabalhar o seu negócio com parceiros que o ajudem no crescimento da sua empresa, e conseguir num regime de outsoursing contratar um contabilista, diretor financeiro e de recursos humanos. Esta é a missão da Ciphra, a parceria com a Gestão Efectiva era a parte que nos faltava, o nosso cliente tem o controlo do seu negócio, até mesmo nos recebimentos de clientes e podem ser acompanhados de diversas formas.

RS - Esta parceria tem como vantagem a agilidade na ação para prevenir incumprimentos e obter resultados positivos na tesouraria dos nossos clientes, que recorrer a estes serviços podem ganhar tempo para a sua atividade, reduzir custos e estrutura, otimizando recursos. Num mercado cada vez mais exigente, é possível que esta parceria tenha vindo colmatar algumas lacunas? O mesmo exigia esta medida? RS - Do controlo e gestão da faturação até ao acompanhamento extrajudicial na parte do incumprimento. Uma solução de serviço completo, alivia as empresas da tarefa de acompanhar os processo de cobrança, libertando tempo e recursos para que se dediquem ao seu negócio. MJF - Sem dúvida, o mercado exige cada vez mais do empresário, a Tesouraria numa empresa é sem dúvida um assunto cada vez mais importante, o prazo médio de recebimentos pode ditar em alguns casos o futuro saudável da empresa. Nesta fase em que tudo serve como desculpa, como “o Covid”, e em alguns casos a gravidade desta pandemia, muitos empresários precisam de soluções. Esta parceria Ciphra e Gestão Efetiva, a missão é ajudar, orientar e criar soluções para os nossos empresários. E é isso que esperamos esclarecer que no nosso webinar, onde vamos dar respostas a muitas destas questões. ▪

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SUSTENTABILIDADE E AMBIENTE

“O BEI É UM LÍDER CLARO E DESTACADO NO CAMINHO A PERCORRER NESTA DÉCADA CRÍTICA PARA O NOSSO PLANETA” nio afirmar-se como alternativa competitiva aos combustíveis fósseis. O BEI terá um papel importante neste quadro. Em particular, na mobilização de investimento. A capacidade do BEI em enfrentar desafios tecnológicos e, ao mesmo tempo, financiar projetos inovadores com risco e retorno a longo prazo é fundamental para os promotores, permitindo mobilizar fundos privados e implementar estratégias públicas mais impactantes.

RICARDO MOURINHO FÉLIX

Ricardo Mourinho Félix, Vice-Presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI), contou à Revista Pontos de Vista – entre outros temas – que, “nenhum banco está tão comprometido com a sustentabilidade ambiental e a descarbonização da economia como o BEI”. Saiba o que tem vindo a ser feito ao longo da última década, e o que ainda há por concretizar.

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Banco Europeu de Investimento (BEI) tem sido um parceiro para Portugal e, consequentemente, para as suas empresas. Como a instituição tem vindo a apoiar o país e o parque empresarial português? O BEI atua em Portugal desde 1976. Desde então, investimos mais de 52 mil milhões de euros em mais de 470 projetos. Temos desempenhado um papel importante no financiamento de projetos de infraestruturas produtivas e sociais, assim como no financiamento ao setor produtivo. Em 2020, assinámos 27 operações em Portugal no valor de 2 330 milhões de euros, um aumento de mais de 40% face a 2019. Foi o maior volume de atividade anual desde a crise financeira, reforçando a natureza contra cíclica do BEI. A nossa atividade torna-se mais relevante quando a economia necessita de apoio. Em 2020, Portugal foi o quarto país que mais beneficiou de financiamento, cerca de 1,2% do PIB. O BEI tem sido um parceiro relevante em termos de financiamento de projetos de hidro-

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génio. Porquê essa aposta do BEI e como tem sido esse caminho positivo? O hidrogénio verde tem potencial para desempenhar um papel muito relevante para que se atinja a neutralidade carbónica até 2050, reduzindo emissões de gases com efeito de estufa, principalmente as provenientes de transportes e do setor industrial, que são as mais difíceis de eliminar. Ao longo da última década, apoiámos cerca de 2 000 milhões de euros de projetos relacionados com o desenvolvimento da cadeia de valor do hidrogénio. De células de combustível a transportes movidos a hidrogénio, mas também a sua utilização na indústria. O sucesso dos projetos que apoiamos deve-se, em grande parte, aos nossos economistas, engenheiros, analistas financeiros e especialistas ambientais que asseguram as melhores práticas internacionais. Os nossos projetos são reconhecidos pela sua qualidade técnica. Essa reputação permite atrair investidores privados para tomar risco nos projetos que financiamos. Mas há muito por fazer. É preciso desenvolver o mercado do hidrogénio na UE, para que se torne mais profundo e permita ao hidrogé-

O BEI diz ser o banco climático da UE, o maior financiador de projetos ambientais e sustentáveis. É legítimo dizer que o BEI é uma instituição totalmente comprometida na luta contra as alterações climáticas? O BEI é o banco climático da EU. Que não haja dúvidas! Nenhum banco está tão comprometido com a sustentabilidade ambiental e a descarbonização da economia com o BEI. Financiámos mais de 25 000 milhões de euros de projetos com impacto na ação climática e na sustentabilidade ambiental em 2020 e aumentaremos esse valor para cerca de 35 000 milhões de euros até 2025. Nenhum banco pôs tanto do seu dinheiro onde está a sua missão, no que respeita à sustentabilidade ambiental, como nós o fizemos. O BEI é o maior financiador multilateral no combate às alterações climáticas. O Roteiro do Banco do Clima estabelece bem o nosso compromisso e deixa claro que todas as novas operações estão alinhadas com o Acordo de Paris. O BEI é um líder claro e destacado no caminho a percorrer nesta década crítica para o nosso planeta. Como tem o BEI financiado a inovação e a investigação na área da produção de hidrogénio verde? Quais são as potencialidades do hidrogénio e porque é que Portugal não pode perder esta oportunidade? O hidrogénio verde desempenhará um papel importante na transição energética. Para tal, é necessário desenvolver a tecnologia e torná-la tecnicamente viável para a produção numa escala economicamente competitiva. São necessários mais e melhores investimentos. Um financiador paciente e disposto a partilhar o risco no desenvolvimento de novas tecnologias é essencial para dinamizar a inovação e a investigação, mas também a produção em larga escala. O BEI oferece soluções abrangentes, que se estendem de serviços de apoio técnico e consultoria financeira até ao financiamento de projetos públicos e privados. Oferecemos financiamento tradicional, mas também soluções de project finance, garantias, quase-capital e capital de risco. Ao nível dos projetos recentes destacaria o apoio


SUSTENTABILIDADE E AMBIENTE

técnico aos promotores de projetos com associação francesa de hidrogénio, mas também a assessoria ao Hydrogen Council, onde identificamos estruturas de financiamento adequadas aos projetos de hidrogénio. Estamos a desenvolver projetos de financiamento para estações de reabastecimento de hidrogénio na Dinamarca e o Corredor H2 na Região da Occitanie em França. Portugal encontra-se numa posição privilegiada face a outros países. Portugal já apresentou uma estratégia nacional com prazos definidos e projetos-chave bem identificados. O BEI começou a trabalhar com o Governo português na implementação dessa estratégia. No passado dia 7 de abril, assinámos um memorando de entendimento com a República Portuguesa para apoiar e acelerar os investimentos no sector. De que forma o BEI tem estado atento às questões de financiamento para as empresas portuguesas em questões mais relacionadas com a digitalização e o investimento em inovação durante a pandemia? O processo de transformação digital é incontornável. Em conjunto com a descarbonização, é um dos pilares centrais do projeto europeu. A Europa aposta na digitalização para aumentar a competitividade das empresas e criar emprego de qualidade nessa área. Neste contexto, o aces-

“É PRECISO DESENVOLVER O MERCADO DO HIDROGÉNIO NA UE, PARA QUE SE TORNE MAIS PROFUNDO E PERMITA AO HIDROGÉNIO AFIRMARSE COMO ALTERNATIVA COMPETITIVA AOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS. O BEI TERÁ UM PAPEL IMPORTANTE NESTE QUADRO. EM PARTICULAR, NA MOBILIZAÇÃO DE INVESTIMENTO” so a financiamento à inovação desempenhará um papel muito importante na recuperação. O processo de transformação digital e inovação tem um papel primordial e o BEI oferece instrumentos financeiros adequados para apoiar a inovação e a criação de emprego qualificado.

Quais são os principais objetivos do BEI para o futuro, e como continuará a ser um player fundamental na economia europeia enquanto um importante financiador de investimentos relacionados com as energias limpas e a ação climática? O cenário atual exige do BEI a manutenção de uma forte aposta no financiamento da recuperação sustentável no período pós-pandémico. A recuperação tem que assentar em investimento produtivo e reprodutivo que promova a descarbonização da economia e a transição digital. Mas é também essencial manter financiamento para conter os impactos da pandemia. É necessário assegurar que as empresas economicamente viáveis, em particular PMEs, têm financiamento e a capital para manterem a sua solvabilidade e a sua atividade. Para preservar valor e emprego e, ao mesmo tempo, investir na transformação digital e na transição climática. Só empresas viáveis, dinâmicas e inovadoras podem ser competitivas e promover o crescimento inclusivo e sustentável. Só assim podemos assegurar a coesão social e melhorar a vida de todos os cidadãos. Não deixando ninguém para trás. O futuro começa agora. Nunca nos esqueçamos disso. ▪

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COMPROMISSO COM A ENERGIA VERDE - INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

“TEMOS UM COMPROMISSO COM A SUSTENTABILIDADE E COM O DESENVOLVIMENTO DA MOBILIDADE VERDE” “Estamos comprometidos em melhorar o nosso desempenho utilizando para isso os recursos de forma mais eficiente e sendo proativos na procura de soluções que nos permitam criar valor em três eixos fundamentais: Pessoas, Mobilidade e Planeta”. Quem o afirma é José Luis Barbajosa, Diretor Geral da Norauto Portugal, que em conversa com a Revista Pontos de Vista, abordou um pouco mais do universo da Norauto e como a mesma é hoje um exemplo positivo e claro de como se deve estar e atuar no mercado em prol do cliente e do planeta. O SOS Baterias, em que vamos até ao cliente e fazemos o diagnóstico e substituição da bateria, o Norauto DriveR, um serviço chave na mão em que não precisa sair de casa, os nossos profissionais recolhem e entregam a viatura e ainda um serviço em parceria com a Uber no qual o cliente deixa a sua viatura na Norauto e recolhe no dia seguinte, utilizando o serviço Uber para regressar a casa.

JOSÉ LUIS BARBAJOSA

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NORAUTO é hoje um dos principais players de mercado, sendo uma marca de enorme prestígio, reconhecimento e excelência. No sentido de contextualizar junto do nosso leitor, de que forma é que a marca tem vindo a promover uma dinâmica de valor e qualidade em prol da satisfação do cliente? Para a Norauto a transformação cultural e digital é o principal eixo estratégico da empresa e pretende responder a uma estratégia Client e Employee Centric. Por isso mesmo, em outubro de 2019 iniciou a sua transformação interna com o objetivo de criar uma organização mais ágil, sempre com o foco no colaborador e no cliente. Desta forma, através da metodologia agile, os colaboradores estão organizados de forma multidisciplinar, em prol de um objetivo comum: proporcionar a cada cliente uma experiência diferenciadora, que vá de encontro às suas necessidades e expectativas. Os excelentes resultados de satisfação e recomendação cliente, a notoriedade mais alta do mercado Nacional em centros de manutenção automóvel e os prémios recebidos ao longo destes últimos anos, como o Prémio Escolha do Consumidor 2021, Prémio Cinco Estrelas 2021 e Marca Con-

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fiança 2021 são o reflexo do empenho diário de cada colaborador Norauto na busca pela inovação e qualidade. Vamos continuar a inovar no nosso setor, a apresentar produtos e serviços diferenciadores, e que facilitem a vida dos automobilistas com um objetivo bem claro: ser uma plataforma de soluções na mobilidade. No âmbito da sua atuação e orgânica, de que forma é que a NORAUTO aposta fortemente na vertente da inovação e de que forma é que isso se reflete no serviço prestado ao mercado? A Norauto está atenta às necessidades dos clientes e das suas expetativas, desenvolvendo serviços e produtos diferenciadores no mercado bem como aliando-se a parceiros estratégicos para procurar novas soluções e oportunidades de negócio. A nossa aposta mais recente e vendo também a pandemia como uma oportunidade de criar novas soluções, a Norauto em linha com a sua transformação interna e com as equipas a trabalhar em projetos no método agile, permitiu de forma eficaz e rápida colocar no mercado novos serviços de proximidade para o cliente:

Uma das premissas da marca passa pelo compromisso assumido com as vertentes da sustentabilidade e da energia verde. Em que moldes é que vemos esta dinâmica ambientalmente responsável e porque é que sentiram esta necessidade? Como empresa do Grupo Mobivia, assumimos como fundamental o nosso compromisso com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e é por este compromisso que nos empenhamos e nos reinventamos. Estamos comprometidos em melhorar o nosso desempenho utilizando para isso os recursos de forma mais eficiente e sendo proativos na procura de soluções que nos permitam criar valor em três eixos fundamentais: Pessoas, Mobilidade e Planeta. Pessoas, porque no nosso ADN somos uma empresa que coloca as pessoas no centro da organização; Mobilidade, porque existimos para que a mobilidade dos portugueses seja acessível e sustentável para todos. Procuramos desenvolver e entregar cada vez mais soluções ecológicas, integrando a sustentabilidade como parte do plano de negócios; e Planeta, porque desenvolvemos a nossa atividade procurando minimizar o nosso impacto ambiental e simultaneamente integrar e promover o desenvolvimento das comunidades locais. É possível aliar Inovação com Sustentabilidade e proteção do meio ambiente? Se sim, como perpetuam essas duas vertentes, ou seja, de aposta na inovação com responsabilidade e respeito pelo meio ambiente? Aliar inovação à sustentabilidade torna-se cada vez mais uma necessidade, não só por uma questão de proteção do meio ambiente, mas também como uma forma de alcançar novas oportunidades de mercado. Para o futuro temos uma visão simples e ambiciosa: assegurar que a Mobilidade seja cada vez mais sustentável e


COMPROMISSO COM A ENERGIA VERDE - INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

acessível a todos e para cumprir esta visão estamos empenhados em: Tornar as novas tecnologias de veículos acessíveis através de equipamento e serviços de manutenção sempre adaptados; Agir no sentido de prolongar a vida útil dos veículos atuais para os tornar mais seguros e mais económicos, mais respeitadores das pessoas e do ambiente, e, em última análise, mais sustentáveis; Permitir que todos os condutores tenham acesso a todas as utilizações possíveis do automóvel, quer este seja propriedade plena, alugado, partilhado, emprestado, para todos os dias e para ocasiões especiais; Fornecer soluções alternativas a cada automobilista para os apoiar em todas as suas necessidades de mobilidade. Comprometemo-nos assim em garantir que a nossa atividade, os nossos produtos e os nossos serviços oferecem soluções inovadoras e eficientes que satisfazem as expectativas dos nossos clientes, do público em geral, das pessoas e do planeta. No trajeto da energia verde, a NORAUTO apresenta atualmente um serviço completo e vasto no que concerne à manutenção de veículos elétricos, cada vez mais em voga em Portugal. Pelo facto deste setor de mercado, dos veículos elétricos, estar em crescimento, sentiram que tinham a obrigação de apresentar soluções fiáveis e eficientes neste domínio? Como o fizeram? Como resultado dos nossos compromissos, na Norauto sentimos a necessidade de ser um dos atores da transição para uma mobilidade mais sustentável. O nosso objetivo é reduzir a nossa pegada de carbono em 30% até 2022. No entanto, as viagens feitas pelos nossos colaboradores, fornecedores e clientes têm um impacto definitivo em termos de emissões de CO2. Por conseguinte, é nosso dever oferecer-lhes o maior número possível de soluções para limitar estes impactos. Isto pode ser visto, por exemplo, na nossa gama de scooters elétricas, trotinetes e bicicletas de assistência elétrica, para satisfazer as novas exigências dos utilizadores. Uma das mais recentes novidades neste setor e para responder às necessidades dos nossos clientes, é a parceria entre a Norauto e a Power Dot, disponibilizando no estacionamento do centro Norauto de Cascais, carregadores para os veículos elétricos, assumindo uma vez mais o nosso compromisso com a sustentabilidade e contribuindo para o desenvolvimento da mobilidade verde. De que forma é que a NORAUTO é hoje um parceiro seguro e viável no domínio da mobilidade elétrica em Portugal? A Mobilidade assume um papel essencial na sociedade, é mais do que uma necessidade, é um direito humano natural, que cria laços e nos permite exercer a nossa liberdade. A Norauto trabalha diariamente no desenvolvimento de novos serviços e gamas de produtos alinhados com a estratégia Client e Employee Centric, de forma que, quer o cliente

quer os colaboradores tenham uma experiência positiva e inovadora. Esta aposta nos veículos elétricos é uma forma a contribuir para uma mobilidade urbana e sustentável através da oferta de uma vasta gama de soluções de mobilidade que se adaptam ao consumidor em função das suas necessidades. Paralelamente a Norauto, trabalha continuamente na formação das nossas equipas de forma a termos técnicos especializados e garantir a satisfação dos nossos clientes. As questões relacionadas com a vertente do compromisso sustentável e verde começam hoje, cada vez mais, a estar na dinâmica diária das marcas, mas a NORAUTO tem sido um exemplo claro dessa aposta há alguns anos. Sente que a marca, também neste sentido, foi capaz de se antecipar ao mercado com uma visão futurista e de proteção da sociedade e do meio ambiente? Apostada em contribuir para a sustentabilidade do Planeta e para minimizar a sua pegada ecológica, a Norauto oferece fácil acesso a uma mobilidade mais limpa e mais acessível, sendo esta a base estrutural à implementação de uma ambiciosa estratégia de Desenvolvimento Sustentável destinada a tornar a empresa e todo o Grupo Mobivia, progressivamente num ecossistema de empresas com um impacto positivo no Homem e no Ambiente. Consciente da poluição causada pelo seu setor de atividade no qual está inserida, a Norauto tem estado empenhada em reduzir o seu impacto ambiental, particularmente através da criação de canais de reciclagem. Para cada tipo de resíduo, quer seja perigoso ou não, criámos um canal específico de triagem, recolha e reciclagem. Como parte da nossa melhoria contínua, criámos um roteiro de “economia circular” cujo objetivo é produzir bens e serviços de forma sustentável, limitando o consumo e desperdício de recursos (matérias-primas, água, energia), bem como a produção de resíduos. Isto representa, no ano fiscal de 2020, mais de 785 toneladas de resíduos reciclados nos centros. Paralelamente a estas preocupações a Norauto tem investido em serviços inovadores, produtos eco friendly, redução do packaging e no ecodesign de produto, apostando na conceção ecológica e na preservação dos recursos naturais. De que forma é que esta preocupação ambiental, de sustentabilidade e inovação tem impacto no momento em que o consumidor/ cliente, escolhe um espaço para tratar do seu veículo? Sente que hoje os portugueses estão mais recetivos e sensíveis a marca que demonstram essas preocupações? Entendemos que o atual consumidor não se foca apenas em produtos, serviços e preços, procura experiências com significado e o que as tendências de consumo nos mostram é que a sustentabilidade está no topo. O compromisso da marca Norauto com o desenvolvimento sustentável é um caminho que percorremos há já vários anos, que está integrado na nossa estratégia de desenvolvimento e é visível nas ações e decisões que tomamos. Por isso, acreditamos

que quando o cliente escolhe um espaço para tratar do seu veículo deve fazê-lo tendo em conta as preocupações ambientais das empresas, garantindo por exemplo a reciclagem dos produtos. Analisando o momento atual, de pandemia, tem sido mais difícil fomentar estas dinâmicas em torno da sustentabilidade, da inovação e do compromisso verde? Pelo contrário. Acreditamos e vivemos o momento atual como uma oportunidade para fazer mais e melhor e principalmente inovar na nossa abordagem Client e Employee Centric, tornando-nos mais ágeis, mais competitivos e mais sustentáveis. A mobilidade elétrica cresceu neste momento atual e tivemos a oportunidade de acompanhar os nossos clientes na sua transição. A terminar, o que podemos continuar a esperar por parte da NORAUTO de futuro? Que novidades, no domínio da sustentabilidade e da inovação, é que podemos esperar da vossa parte? Para o futuro o que esperamos é continuar a percorrer o mesmo caminho com um modelo de negócio circular e sustentável, construído com base na confiança e na transparência da Marca. Pretendemos que esta transformação seja visível de forma a envolver parceiros, sensibilizar clientes e comunidade envolvente, e assim poderemos fazer mais e melhor pois acreditamos que mais do que nunca estamos todos despertos para a necessidade e para a importância de fazer negócio e criar valor de forma sustentável e duradoura. ▪

Escolher NORAUTO, é…? É permitir ao cliente ter uma experiência de compra positiva, omnicanal e diferenciadora, sendo a escolha certa para o consumidor! Na Norauto pretendemos, cada vez mais, estar mais próximos dos clientes, procurando responder às suas necessidades tendo como foco a experiência do cliente e a sua satisfação. Estamos atentos às expectativas dos clientes e pretendemos ser reconhecidos pelos consumidores como uma plataforma de soluções de mobilidade, disponibilizando ao cliente serviços inovadores e de proximidade. Acreditamos que ao sermos esta plataforma de soluções, estaremos 15 minutos à frente e continuaremos a facilitar a vida dos automobilistas, contribuindo, assim, para a sua satisfação e confiança na Norauto bem como para uma mobilidade segura e sustentável.

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SOLUÇÕES DE ENSINO À DISTÂNCIA

“A DECUNIFY PROCURA ESTAR À FRENTE, CRIANDO E DESENVOLVENDO SOLUÇÕES INOVADORAS” Fruto da pandemia em que vivemos, o Ensino à Distância assume-se como um vetor essencial, sendo que é importante salientar as Soluções de Ensino à Distância que assumem um cariz central na promoção da Educação, munidas de um cariz inovador próprio e impulsionador. Neste sentido, a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Rui Águas, Coordenador Pré-Venda & Gestor de Projetos da Decunify, que revelou como a marca assenta sempre a sua dinâmica pela vertente da inovação em prol da satisfação dos seus clientes. car processos, poupar recursos e melhorar investimentos. De que forma se apresentam ao mercado e como procura, em cada solução, satisfazer as necessidades dos vossos clientes? A Decunify aposta no acompanhamento contínuo dos seus clientes, conhecendo a missão individual de cada um, posicionando-se como consultor na definição da estratégia de TIC, que melhor se ajuste a cada área de negócio.

RUI ÁGUAS

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Decunify promove e implementa soluções tecnológicas com o desiderato de simplifi-

De entre as diversas soluções tecnológicas apresentadas pela Decunify, uma das que realça, passa pela Solução de Ensino à

Distância. Fale-nos um pouco deste projeto e das mais valias da mesma. O Ensino à Distância tornou-se numa necessidade e é já hoje uma realidade. A Decunify apresenta soluções que reduzem os constrangimentos apontados a este tipo de ensino, procurando capacitar as instituições de ensino com soluções adequadas. No fundo, a aprendizagem em rede e as potencialidades das plataformas de software atuais, trouxeram novos e estimulantes desafios ao sistema educativo, tornando-se imprescindível uma nova didática para a docência. As nossas soluções incluem níveis de interatividade, aliados a inovação tecnológica, que tornam o processo de aprendizagem mais interativo e muito perto da realidade da sala de aula. É legítimo afirmar que este género de soluções ganha maior destaque pelo atual período pandémico em que vivemos e que tem provocado inúmeras condicionantes, por exemplo, ao nível do ensino, da formação ou de reuniões à distância? Obviamente que o período pandémico impulsiona a procura de novas soluções no mercado, principalmente porque obriga a que todos se reinventem e saiam da zona de conforto para responder às necessidades de ensino, de formação ou de reuniões à distância. A utilização de soluções colaborativas está a mudar o paradigma educacional e empresarial, simplificando a interação com recurso à tecnologia e ajustando os conteúdos às novas necessidades. Do ponto de vista empresarial e educacional, de que forma é que esta solução tem tido recetividade por parte de empresas, muitas delas em teletrabalho, e de entidades de educação e formação? Como proporciona experiências de aprendizagem

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dinâmicas e colaborativas? As empresas e instituições reconhecem as vantagens do teletrabalho e do ensino à distância, não só pela economia de custos diretos, como pelos benefícios pessoais e familiares, principalmente pelo elevado nível de flexibilidade. As soluções que já implementamos melhoraram a produtividade das empresas e instituições, envolvendo uma série de interações entre elas: videoconferência, partilha de ficheiros, ligações a equipamentos externos e aplicações. No atual contexto de pandemia, as soluções deste género podem assumir um papel vital no futuro? A Decunify está preparada para dar essa resposta ao mercado? Torna-se uma exigência alterar o paradigma educacional, bem como o de trabalho. É importante que as tecnologias passem a fazer parte das ferramentas de trabalho na transmissão de conhecimentos, criando contextos de aprendizagem dinâmicos e potenciando competências nos intervenientes. A Decunify assume um papel preponderante neste contexto, porque acompanha o desenvolvimento da sociedade e disponibiliza soluções adaptadas, procurando antecipar a necessidade efetiva nos seus clientes e, deste modo, procurando disponibilizar-lhes as ferramentas que são “o estado da arte”, em cada momento. No domínio da Inovação e da Tecnologia, o que podemos continuar a esperar por parte da Decunify? A Decunify procura estar à frente, criando e desenvolvendo soluções inovadoras, por forma a que os seus parceiros e colaboradores estejam capacitados em termos tecnológicos, para as necessidades atuais e futuras, garantindo desta forma o sucesso de todos os intervenientes.▪


DIA MUNDIAL DA SAÚDE – INOVAÇÃO, INVESTIGAÇÃO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE

MERCK PORTUGAL

UM OLHAR REPLETO DE ESPERANÇA Com 353 anos de história, a Merck é a empresa farmacêutica e química mais antiga do mundo. Por um lado, (re)conhecida pela proeza dos feitos ligados à saúde, por outro, prestigiada por ser vibrante na área da ciência e da tecnologia. Pedro Moura, Diretor Geral da Companhia em Portugal, contou à Revista Pontos de Vista quão gratificante é para a mesma ter um impacto direto e tangível na vida das pessoas, melhorando-a, prolongando-a e, até mesmo, criando-a.

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edro Moura conta com percurso vasto e consolidado de 32 anos na indústria farmacêutica. Há oito anos, quando iniciou a sua viagem na Merck, começou nesta empresa global enquanto Líder Regional da Europa na área da oncologia, contudo é desde 2017 que representa Portugal no cargo de Diretor Geral. “Se há de facto organização onde nos podemos orgulhar de trabalhar e onde nos sentimos absolutamente motivados e energizados todas as manhãs é a Merck”, começa por afirmar o nosso entrevistado. Consciente da responsabilidade que é representar uma marca tão poderosa, é com total certeza de que vale a pena abraçar o risco da falha – um lugar comum – e a traduzir em importantes melhorias na vida de milhões de pessoas. Espalhados por todos os continentes (com presença em 66 países), a missão da Merck assenta em três pilares distintos: a Healthcare – uma área que ajuda a criar e a melhorar vidas através de tratamentos líderes e eficazes, nomeadamente de infertilidade, no combate à Esclerose Múltipla, na Imuno-Oncologia, mas também em áreas como a Diabetes que afeta cerca de um milhão de portugueses, entre outras; a Life Science – uma área que opera intimamente com as principais comunidades científicas, dando-lhes ferramentas laboratoriais que permitem aos investigadores concretizar descobertas revolucionárias, como é, por exemplo, o caso do diagnóstico in vitro; e a Electronics – um setor que está por detrás de empresas na área digital e que assenta em quatro subpilares: os Semi-condutores, as Display Solutions, as Soluções de revestimento e os Delivery Sistems. Estes três setores, Healthcare, LifeScience e Electronics têm a ciência como denominador comum sendo a alavanca para as descobertas que fazem e as tecnologias que criam, acabando por se refletir no serviço do bem individual e/

PEDRO MOURA

ou coletivo e fazendo a diferença na vida diária de milhões de pessoas de uma forma sustentada. Entre aproximadamente 58000 colaboradores, estão as «mentes curiosas» que permitem a concretização das ideias chamadas brilhantes. “Nós acreditamos que a curiosidade é, de facto, a nossa força motriz. A força motriz do progresso e do desenvolvimento humano. O futuro está cada vez mais repleto de desafios e incertezas e a curiosidade permite-nos navegar nesses terrenos desconhecidos com maior confiança e otimismo e ter uma voz ativa na modificação dessa realidade. Nós impulsionamos, também em Portugal, a criação de soluções inovadoras e não o fazemos sozinhos. Procuramos, desde há muitos anos, desenvolver parcerias e sinergias com várias instituições relevantes como o Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET), o Instituto Gulbenkian de Ciência ou o Instituto de Medicina Molecu-

lar (IMM)”, assegura Pedro Moura. É de extrema importância referir ainda que hoje, e cada vez mais, o futuro na Merck passa crescentemente por desenvolver fármacos potenciados através do desenvolvimento de Biomarcadores – e dessa forma alavancar o benefício terapêutico mitigando em paralelo as reações adversas com impacto positivo também do lado do custo. DIA MUNDIAL DA SAÚDE Esta efeméride é celebrada anualmente a 7 de abril e, como outras datas importantes, foi criada com a finalidade principal de consciencializar a população a respeito da importância de manter o corpo e a mente saudáveis, abordando alguns problemas de saúde que atingem a população mundial, alertando sobre os riscos e para a prevenção, sendo que num ano em que se vive uma pandemia global é de extrema relevância que diariamente se faça uma reflexão

profunda sobre a magnitude desta problemática. “É necessário que essas datas se mantenham vivas. Na Merck realizamos inúmeras atividades com o objetivo de melhorar a vida dos doentes e a vida dos cuidadores – não nos esqueçamos que são muitos os portugueses que dedicam grande parte do seu tempo a cuidar dos que mais precisam. Potenciamos por isso diversas ações de comunicação e sensibilização, podendo destacar a campanha Make Sense que incide na importância de reconhecer à priori os sinais de cancro da cabeça e pescoço, que é uma patologia desconhecida para a maioria da comunidade”, afirma o nosso entrevistado. Apesar das graves consequências e do impacto negativo da pandemia que vivemos, Pedro Moura reconhece ser um «otimista por natureza». Assim, termina deixando uma mensagem de esperança para continuarmos a enfrentar a luta que hoje conhecemos como COVID-19: “Primeiramente, e porque hoje faz mais sentido do que nunca, não hesitem nem por um segundo, em seguir as recomendações dos médicos de família ou outros no que diz respeito à vacinação. Estamos a falar da vacina contra a COVID-19 mas podemos falar de todas as outras também. Os benefícios compensam imensamente os riscos. Gostava de dizer também para não terem medo de se dirigirem até às instituições de saúde, de ir ao médico. Pró-ativamente, contactem os médicos de família, os especialistas, quem os seguiu no passado e que pode seguir no presente. Voltem rapidamente aos rastreios, às consultas de diagnóstico e de despistagem de potenciais patologias. Por fim, quero deixar uma palavra de esperança. A indústria farmacêutica mostrou mais uma vez que soube dar resposta a mais este grande desafio. Com toda a certeza que mais desafios virão e só uma sociedade organizada, consciente e orientada para o mesmo propósito poderá resultar num cenário vitorioso". ▪

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DIA MUNDIAL DA SAÚDE – INOVAÇÃO, INVESTIGAÇÃO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE

“TODOS OS DIAS SÃO DIAS DE PENSAR NA SAÚDE” O Dia Mundial da Saúde celebrase anualmente a 7 de abril e tem como foco principal despertar a consciência mundial sobre diversos aspetos da saúde, seja mental ou física. Neste sentido, à conversa com a Revista Pontos de Vista, esteve Lívia Sousa, Médica no Centro Hospital e Universitário de Coimbra que, entre outros temas, relembrou o quão importante é a prevenção na sociedade. LÍVIA SOUSA

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DIA MUNDIAL DA SAÚDE – INOVAÇÃO, INVESTIGAÇÃO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE

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e numa fase anterior a saúde era (e bem) valorizada, será que com a problemática que vivemos atualmente e com os constantes desafios impostos ao bem-estar da sociedade, este tema ganhou uma relevância nunca antes sentida? Lívia Sousa ajudou-nos a melhor compreender. Médica no Centro Hospital e Universitário de Coimbra e Especialista na área da Neurologia, contou-nos primeiramente - de forma a enquadrar - a evolução dos tempos no que à prevenção diz respeito. “Os tempos mudaram muito desde que comecei a estudar medicina. Na altura, praticamente não se falava da prevenção. Não havia tanta a noção de que a doença podia ser prevenida, do impacto que a alimentação tem na nossa saúde ou o estilo de vida que levamos. A medicina preventiva é mais recente e foi incrementada pelos excessos e erros que se cometeram. Há 40 anos não havia a obesidade nem a quantidade de doenças autoimunes, que existe hoje. Houve uma mudança muito grande de conceitos”, começa por explicar. Com a evolução dos tempos e com os estudos e investigações realizadas no sentido de perceber como apareciam e o que se poderia ou não fazer para evitar determinadas doenças, a prevenção começou a pertencer cada vez mais ao quadro de questões importantes a serem tidas em conta. Contudo, e numa sociedade onde a informação por vezes é até excessiva e pouco filtrada, apesar de existir uma maior consciencialização, Lívia Sousa acredita que Portugal ainda está longe de cumprir as metas internacionais. “Há muito caminho a percorrer ainda. Há muitos anos que temos vindo a assistir a um fim de linha complexo, em que as urgências sobrelotadas são o último recurso para as pessoas com falta de acesso aos cuidados de saúde. As urgências hospitalares são o reflexo dos problemas que existem no Serviço Nacional de Saúde. Apesar de termos melhorado consideravelmente e termos excelentes profissionais de saúde , existe um grande problema de organização e de estruturas”, afirma. Certo é, ainda há muito a fazer em múltiplas áreas, como a própria assegura “desde os cuidados primários aos serviços de apoio ao domicílio que quase não existem ou são muito escassos”. Independentemente das patologias de que os portugueses sofrem, quais têm vindo a ser então, os principais desafios ao acesso aos mais variados tratamentos? Para a nossa entrevistada, o acesso aos fármacos não é rápido nem fácil, pelo contrário, é, muitas vezes uma luta constante. Ainda assim, Portugal não está mal posicionado quando comparado a outros países – sendo este problema regularmente debatido a nível mundial. “Em todos os países há graus variáveis de dificuldade de acesso aos tratamentos, uns porque os Governos não têm capacidade de resposta e outros porque não são os Governos que pagam e a despesa recai sobre as seguradoras. Só tem acesso aos seguros quem tem dinheiro e as seguradoras também limitam o acesso. Mas, no fundo, tudo se resume numa só questão: se o Médico estiver disposto a lutar para que

“A ESCLEROSE MÚLTIPLA ASSENTA EM TRÊS PILARES ESSENCIAIS: O PRIMEIRO, TEM A VER COM O ESTILO DE VIDA DA PESSOA. É IMPORTANTE QUE O DOENTE TENHA CONTROLO SOBRE A SUA ALIMENTAÇÃO, QUE EVITE A OBESIDADE OU O TABAGISMO, ENTRE OUTROS; É IMPORTANTE QUE RECORRA COM REGULARIDADE À ATIVIDADE FÍSICA, QUE NÃO DEIXE DE, POR MÍNIMO QUE SEJA, EXERCITAR O SEU CORPO; POR FIM, É IMPRESCINDÍVEL QUE O DOENTE RESPEITE A MEDICAÇÃO, QUE TOME A TEMPO E HORAS E QUE NÃO DESPERDICE” o seu doente tenha acesso ao tratamento, ele vai ter. Se não estiver disposto, não vai ter. O Médico tem de lutar. Mas também não nos podemos esquecer que vivemos num país com recursos limitados e que tem de existir tratamentos para todos equitativamente”, explica. Este era o cenário numa fase pós-pandemia. Passado um ano de a vivermos, interessa compreender o que mudou verdadeiramente na saúde, além do óbvio. Na opinião de Lívia Sousa, um dos impactos mais difíceis passou pelo facto de deixarmos de ter, enquanto sociedade, o acesso livre a determinados serviços, como o hospital. “Na realidade, muitos doentes, como os que necessitam de fisioterapia e de um momento para o outro deixaram de a poder frequentar, ficaram mais incapacitados e com quadros clínicos mais desfavoráveis. Os doentes que têm mobilidade reduzida o facto de estarem sempre em casa, vai piorar a sua condição clínica.. Outro grande problema é que os exames complementares de diagnóstico deixaram de ser realizados, ou foram muito reduzidos. Isso é algo evidente em todas as áreas, então nas de cancro nem se fala”. A nossa interlocutora acredita que, quando o vírus da COVID-19 ficar erradicado, a luta pela saúde e bem-estar geral vai continuar a ser dura e vai precisar do apoio de todos os profissionais de saúde que hoje têm procurado oferecer, dentro do possível, o melhor serviço de norte a sul de Portugal. GESTÃO DO DOENTE COM ESCLEROSE MÚLTIPLA EM TEMPOS DE PANDEMIA A Esclerose Múltipla é uma doença crónica inflamatória do sistema nervoso central que tem por base uma perturbação do sistema imunológico. Como tem vindo a ser feita então a gestão das pessoas com esta patologia em tempos tão complexos? A nossa entrevistada afirma que, tendo em conta todo o processo do início da pandemia até então, os profissionais que acompanham estes doentes têm passado por diversas fases: “a primeira foi aquando do aparecimento do vírus. Ficamos completamente assustados, nós e os doentes. Tínhamos doentes a fazer fármacos que por si só baixam a imunidade e estávamos com medo que a COVID-19 fosse influenciada negativamente pelos tratamentos. Deixámos de prescrever alguns

medicamentos e modificámos alguns regimes terapêuticos. Houve inclusive doentes que ficaram em casa de baixa porque não sabíamos o que poderia acontecer”, assegura Lívia Sousa. Com o passar dos meses, começa-se a perceber, tendo em conta a experiência de outros países e dos diversos estudos realizados, que o vírus em si, não afeta particularmente os doentes com Esclerose Múltipla sob tratamento. “Depois de perdermos esse receio, retomamos os tratamentos que tínhamos deixado em suspenso e fizemo-lo de forma lenta afim de evitar aglomerações no hospital de dia, que entretanto teve de ser mudado para espaço com menos risco de contágio, mas mais reduzido, na área da consulta externa A seguir, tivemos de perceber como deveríamos aplicar as vacinas contra a COVID-19 nesses doentes. Quando é que podíamos iniciar a vacinação ou se havia contraindicações ou interações mais complexas – que não há”, garante a nossa entrevistada. Enquanto tudo isto ocorria, eram criados Webinares onde os doentes podiam participar e aproveitar para tirar as dúvidas que surgiam – tendo em conta a constante aprendizagem que todos nós tivemos de acompanhar e de nos adaptar. No caso de Lívia Sousa, foi-lhe facultado pelo hospital um telemóvel para onde os doentes poderiam ligar em caso de necessidade, entre muitas outras iniciativas. Iniciativas essas que hoje permanecem e que vêm sendo mais aperfeiçoadas. Para estes doentes, a nossa interlocutora deixou recomendações e alertas que podem ajudar a viver de forma mais tranquila, mesmo com a natural apreensão de quem vive uma pandemia com esta magnitude. “A Esclerose Múltipla assenta em três pilares essenciais: o primeiro, tem a ver com o estilo de vida da pessoa. É importante que o doente tenha controlo sobre a sua alimentação, que evite a obesidade ou o tabagismo, entre outros; é importante que recorra com regularidade à atividade física, que não deixe de, por mínimo que seja, exercitar o seu corpo; por fim, é imprescindível que o doente respeite a medicação, que tome a tempo e horas e que não desperdice”, acrescentando ainda que “é indispensável a toma da vacina contra o vírus da COVID-19. Em medicina temos um conceito que se chama benefício/risco e neste caso, o benefício é sempre superior ao risco. E lembrem-se, todos os dias são dias de pensar na saúde”, termina. ▪

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DIA MUNDIAL DA SAÚDE – INOVAÇÃO, INVESTIGAÇÃO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE

“NÃO DESISTAM.

NÓS, OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE, TAMBÉM NÃO DESISTIMOS DE VOCÊS”

Cristina Rodrigues encontrou o rumo da sua vida (ou a sua vocação assim o quis) há 28 anos, quando iniciou a sua carreira enquanto Enfermeira. Passado todo este tempo, a saúde, o bem-estar e o seu propósito enquanto cuidadora continua a ser o mote diário para enfrentar os diversos desafios impostos pelo universo. Conheça a história da nossa entrevistada e de que forma tem gerido - no ano em que enfrentamos uma pandemia mundial - o apoio ao doente com patologias associadas ao foro Neurológico. CRISTINA RODRIGUES

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oi no serviço de urgência que permaneceu durante 16 anos e descobriu uma paixão imensa pela «correria» que se vive nesta área. Sendo uma experiência sobretudo enriquecedora a nível de novos conhecimentos, de práticas e até de rotinas, angariou várias competências que lhe permitiram ingressar para o desafio seguinte que a vida lhe tinha reservado: o Hospital de dia de Neurologia., de Setúbal. Com horários fixos e com hábitos totalmente diferentes daqueles que já estaria habituada nas urgências, teve de reajustar os seus costumes à nova realidade – e assim foi. Com uma equipa de apenas dez elementos, sendo a única no papel de Enfermeira, foi-lhe concebida a responsabilidade de, enquanto também responsável de serviço, reorganizar e reestruturar as práticas do Hospital, nunca descurando das expetativas dos

doentes já ali acompanhados. Sendo um Hospital dedicado à Neurologia, a nossa entrevistada decidiu ainda especializar-se em Esclerose Múltipla, podendo assim oferecer o melhor acompanhamento a todos os que mais precisam. Certo é, com o devido (e merecido) reconhecimento, começou a haver maior fluxo de doentes tendo a equipa aumentado. Ao todo, passaram 12 anos de trabalho e dedicação àquela que é – e onde é – a sua atividade diária. Na área da saúde a inovação vive, muitas vezes, de braço dado com a eficácia dos mais diversos tratamentos. Assim, interessa compreender qual tem vindo a ser a evolução da Esclerose Múltipla, bem como das suas terapêuticas. “Quando comecei a lidar com a doença, era algo desconhecido. Achávamos que o doente ficava, de facto, com incapacidades não reversíveis.

“É UM CANSAÇO MUITO GRANDE, FÍSICO E PSICOLÓGICO. GERIR AS EMOÇÕES DOS DOENTES QUE NÃO ESTÃO INFETADOS, DOS QUE ESTÃO, AS DÚVIDAS QUE SURGEM... ACABAMOS POR NOS DEIXAR UM BOCADO DE PARTE. DEIXAMOS DE PENSAR EM NÓS" 28 | PONTOS DE VISTA |


DIA MUNDIAL DA SAÚDE – INOVAÇÃO, INVESTIGAÇÃO E HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE

“GOSTARIA DE DIZER ALGO QUE DIGO SEMPRE AOS DOENTES NA CONSULTA DE DIAGNÓSTICO DE ESCLEROSE MÚLTIPLA: VÃO PASSAR A VIVER COM A DOENÇA, MAS NÃO VÃO VIVER PARA A DOENÇA. RECOMENDO QUE SE MANTENHA A ATIVIDADE FÍSICA E QUE SE CRIEM HÁBITOS DE ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEIS. A DOENÇA NÃO É INCAPACITANTE COMO ERA HÁ 30 ANOS. A CIÊNCIA PERMITIU A TODOS OS QUE TÊM ESTA PATOLOGIA VIVER COM QUALIDADE, PODENDO USUFRUIR DE TODO O BEM QUE SE POSSA TER A NÍVEL FAMILIAR, PROFISSIONAL E SOCIAL”

Mas a ciência levou-nos a crer que não – hoje, existe uma panóplia de tratamentos que não existiam quando comecei a trabalhar aqui no hospital. Há cada vez mais estudos e Portugal tem estado na linha da frente no que diz respeito aos ensaios clínicos. O doente hoje sente-se mais acompanhado, tem um leque de escolhas e sabe que, se por ventura surgir um surto, que há opções que o possibilitam a viver com qualidade”, afirma Cristina Rodrigues. No que concerne ao acompanhamento, o seu local de trabalho tem tido um papel relevante e proativo. “Quando é feito o diagnóstico ao doente e é realizada a consulta multidisciplinar, desde logo é feita uma abordagem do Médico Neurologista e o Enfermeiro. O doente sabe, acima de tudo, que tem uma equipa ao seu dispor”, acrescenta. Uma equipa a dispor que, mesmo em tempos de pandemia, não deixou estar disponível. “Como o nosso serviço não é muito grande, conseguimos facilmente organizar eventuais problemas que possam surgir. Com esta pandemia, conseguimos tratar de tudo com bastante calma, organizar um serviço de forma a conseguir tratar os doentes nas melhores condições de proteção. Foram criados espaços organizados de forma a que houvesse menos pessoas na sala, entre outras medidas pertinentes para o caso”, assegura a nossa entrevistada. Aqui, não só os tratamentos continuaram de forma natural, como foi tido em conta o estado psicológico dos doentes. “Desde logo quiseram saber a nossa opinião sobre todas as questões que envolvem a pandemia. Tivemos de estar constantemente informados e tentamos sempre que eles se sentissem tranquilos – apesar de alguns tratamentos para a Esclerose Múltipla baixarem as duas defesas. Acabamos por ter um papel de amizade, porque de facto a

nossa relação é muito próxima. Mesmo no que diz respeito à vacina contra a COVID-19, o natural receio de todos, não apenas dos doentes com esta patologia, era evidente. No início não sabíamos se podiam ser ou não vacinados, por isso estudámos o assunto, informamo-nos e chegámos à conclusão que não existe qualquer problema”, acrescenta Cristina Rodrigues. ENQUANTO PROFISSIONAL DE SAÚDE, QUAL É A SENSAÇÃO QUE PERMANECE AO FIM DO DIA? Esta questão é, obviamente, sempre válida, mas mais ainda nos últimos meses. Historicamente, os Enfermeiros estão na linha da frente de combate a epidemias e pandemias que ameaçam a saúde mundialmente, atuando na prevenção, tratamento e contenção das mesmas. Nesta que atravessamos, o cenário era primeiramente desconhecido e com o múltiplo esforço dos profissionais de saúde e não só, passou a ter, aos poucos, conhecimento de causa. Para Cristina Rodrigues, houve claramente difíceis desafios de ultrapassar. “O meu maior desafio era proteger-me ao máximo e porquê? Queria proteger-me porque trabalho no hospital com doentes a fazerem tratamentos complexos, logo, se me protegesse a mim, estaria a protegê-los também. Depois – e não menos importante – queria proteger a minha família. No início foi difícil. Chegava a casa com receio. Depois foi difícil também lidar com todas as situações novas que foram surgindo, tínhamos um reajustar de práticas quase diário”. Nos meses mais complexos foi necessário começarem a tratar, além dos doentes Neurológicos, os doentes com o vírus da COVID-19, conotando um peso ainda maior no dia-a-dia de todos os que lutavam pela «normalidade».

“É um cansaço muito grande, físico e psicológico. Gerir as emoções dos doentes que não estão infetados, dos que estão, as dúvidas que surgem... Acabamos por nos deixar um bocado de parte. Deixamos de pensar em nós. Mas tudo isto tem uma parte muito recompensadora: o sorriso do doente, o seu «obrigada» e o seu reconhecimento. Faz-me lembrar o porquê de ter escolhido esta área. É extremamente gratificante”, confessa emocionada a nossa entrevistada. MENSAGEM DE OTIMISMO A TODOS OS DOENTES QUE VIVEM COM ESCLEROSE MÚLTIPLA A saúde, a par da liberdade, é aquilo que nos habituámos a prezar mais e a pretender salvaguardar a todo o custo. Num momento em que vimos esse «bem precioso» retirado do nosso alcance, muitas vezes é necessário refletir e tentar, dentro das possibilidades, ter esperança num futuro melhor. Assim, Cristina Rodrigues deixou uma mensagem a todos e recomendações, em particular, para os que vivem com Esclerose Múltipla. “Começo por dizer que todos devem ser vacinados. Temos de acreditar na ciência e no facto de estar cada vez mais centrada em melhor cuidar dos doentes. Depois, gostaria de dizer algo que digo sempre aos doentes na consulta de diagnóstico de Esclerose Múltipla: vão passar a viver com a doença, mas não vão viver para a doença. Recomendo que se mantenha a atividade física e que se criem hábitos de alimentação saudáveis. A doença não é incapacitante como era há 30 anos. A ciência permitiu a todos os que têm esta patologia viver com qualidade, podendo usufruir de todo o bem que se possa ter a nível familiar, profissional e social. Não desistam. Nós, os profissionais de saúde, também não desistimos de vocês”, termina a nossa interlocutora. ▪

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BREVES

Para assinalar a reabertura das esplanadas, a EastBanc e a EmbaiXada, em conjunto com outros lojistas do bairro do Príncipe Real, prepararam um roteiro de esplanadas que esperam por si numa das zonas mais emblemáticas da cidade de Lisboa. Durante os dias da semana, de segunda a sexta-feira, poderá visitar esplanadas até às 21h00 e aos fins-de-semana e feriados até às 13h – pelo menos até ao próximo dia 3 de maio. No bairro do Príncipe Real, estes são alguns dos locais que poderá visitar e aproveitar para relaxar, após um dia de trabalho ou para arrancar o fim de semana da melhor forma: • Jamie’s Italian – é um lugar de paragem para os amantes de pratos familiares e recheados de sabores italianos frescos e deliciosos e com um toque de chefe tão característico e que só melhora com a vista para o interior do bairro do Príncipe Real.

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• Tapas 52 – um ponto de passagem obrigatório entre o Príncipe Real e o Bairro Alto, esta esplanada mesmo na Rua D. Pedro é o local ideal para uma cerveja fresca na companhia das famosas tapas espanholas. • Lost In – um “oásis” de paz e tranquilidade no centro de Lisboa, esta esplanada panorâmica permite uma vista desafogada sobre a cidade e convida também a uma autêntica viagem ao coração da Índia. • Atalho Real – para os amantes de carne, esta é uma esplanada onde pode saborear uma variedade de cortes de vários cantos do mundo, no paradisíaco jardim do Palacete Ribeiro da Cunha, com vista para o Jardim Botânico do Príncipe Real. • La Paparrucha – fiel às suas especialidades de carne argentina na parrilla, esta é uma esplanada icónica que é por muitos conhecida como “uma janela panorâmica para toda a cidade de Lisboa”.

FOTO: DIREITOS RESERVADOS

Há motivos para voltar à esplanada, além das saudades

Teatro Nacional D. Maria II reabre com um regresso e uma estreia A primeira, “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, sobe ao palco da Sala Garrett no dia 19 de abril. O espetáculo de Tiago Rodrigues estreou em Guimarães em setembro de 2020 e estará em cena no D. Maria II até 26 de abril, antes de partir para digressão internacional. Do elenco fazem parte atores como António Fonseca, Beatriz Maia, Isabel Abreu, Marco Mendonça, Pedro Gil, Romeu Costa, Rui M. Silva ou Sara Barros Leitão. A 20 de abril, é a vez de a Sala Estúdio reabrir com “Tempo para Refletir”,

que ficará em exibição até 2 maio. O espetáculo de Ana Borralho e João Galante é uma performance que “propõe um dispositivo de reflexão e meditação sobre a morte em vida, sobre morrer e voltar a viver, como uma experiência fora-do-corpo”, como explica o teatro em comunicado. O teatro sublinha ainda que esta reabertura é feita em articulação com o ministério da Cultura e as autoridades de saúde, pelo que todas as normas de segurança estarão a ser cumpridas.


BREVES

Campanha de sensibilização: “Cuide do seu fígado” Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia lança campanha de sensibilização para doenças do fígado. Os casos de cancro do fígado têm aumentado nos últimos anos. Mais de 830 mil pessoas morreram no ano passado em todo o Mundo de cancro do fígado e mais de 900 mil novos casos foram diagnosticados. As doenças do fígado são a sétima causa de morte na Europa e em Portugal representam a quinta causa de morte precoce. “Cuide do seu fígado” é o nome e a mensagem principal da campanha que a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) lança com o objetivo de sensibilizar, informar e prevenir a população sobre as doenças do fígado. Esta iniciativa, realizada em parceria com a Europacolon Portugal e a Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado, conta com o apoio da Roche. A campanha, materializada em vídeo, conta a história do João, uma personagem fictícia, com bom

coração, mas com ‘maus fígados’. E deixa uma mensagem clara: O fígado devia estar sempre no centro das atenções, mas pelas melhores razões. É um órgão imprescindível e não podemos viver sem ele. Esta campanha pretende sensibilizar a população sobre as funções do fígado, especialmente para a função digestiva e metabólica, bem como para os hábitos a adotar para um bom funcionamento deste órgão essencial: alimentação saudável, prática de desporto e consultas regulares ao gastrenterologista.Mais de 830 mil pessoas morreram no ano passado em todo o Mundo de cancro do fígado e mais de 900 mil novos casos foram diagnosticados.  Na Europa são a sétima causa de morte e em Portugal representam a quinta causa de morte precoce. A dimensão e o impacto social das doenças do fígado são ainda desconhecidas da população em geral e de muitos profissionais de saúde. 

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ARQUITETURA E DESIGN DE INTERIORES

“O SUCESSO NÃO SE MEDE PELO DINHEIRO QUE SE GANHA

MAS SIM PELO NÚMERO DE VIDAS QUE CONSEGUIMOS TRANSFORMAR”

SOFIA LOBO CERA

Estudiosa do tema Feng Shui há mais de 20 anos, Sofia Lobo Cera é hoje uma referência a nível nacional e internacional. O seu propósito é poder contribuir para uma sociedade mais feliz e equilibrada, de acordo com os conhecimentos que adquiriu ao longo dos tempos sobre a temática. Conheça a importância da sua implementação em tempos tão complexos como o que vivemos e o que podemos fazer para melhorar o nosso bem-estar.

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ofia Lobo Cera vem da área da Engenharia Química – Ramo Ambiente e Qualidade mas foi o Feng Shui que despertou o verdadeiro significado da sua vida. Começou a estudar o tema de forma autodidata mas cedo percebeu que

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toda a sua envolvente continha mais do que aquilo que vinha em livros. Atualmente dedica-se à Consultoria de Feng Shui através da sua marca e há 12 anos que dá aulas em várias escolas do país sobre aquilo que melhor sabe. Mas não fiquemos por aqui: já escreveu o

livro “Mude a sua casa, enriqueça a sua vida” e podemos confidenciar que a terceira edição do mesmo está para breve – mais organizada, com algumas dicas adicionais e ainda uma parte que refere tudo aquilo que deveríamos, enquanto sociedade, saber sobre o Feng Shui. Com um percurso vasto e consolidado, a nossa entrevistada assume que realiza ainda com frequência lives nas suas redes sociais e workshops em empresas, onde partilha eficazmente muito do seu conhecimento referente ao conceito de mais de quatro mil anos de descobertas. A sua atividade diária – aquela a que mais dá de si mesma e da qual nutre especial atenção – é a Consultoria de Feng Shui. Estas consultas


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permitem harmonizar, equilibrar e potenciar as energias das casas e dos espaços empresariais, ajudando os ocupantes a atingir determinados objetivos como a saúde, os relacionamentos, o reconhecimento social, entre muitos outros, uma vez que a casa/espaço é o reflexo das pessoas que nela habitam/coabitam. “Sou uma pessoa que gosta de fazer tudo pelo melhor, sou muito perfecionista e muito dedicada aos meus clientes. Tenho perfeita noção de que lido com as vidas das pessoas de uma forma íntima e profunda. Quando estamos a trabalhar num projeto, é como se fossemos os «médicos» da casa ou da empresa. Algo que seja mal sugerido, pode colocar em risco o equilíbrio da família ou dos colaboradores. Assim, zelo pelo profissionalismo e considero-me muito cuidadora de todos os que acompanho”, começa por explicar Sofia Lobo Cera. Ver o antes e o depois da dita transformação sobre os elementos do Feng Shui tem sido até então o seu estímulo diário, o que a alimenta enquanto profissional dedicada e apaixonada pela sua atividade. “É ajudar os outros a terem uma vida melhor que me satisfaz. Digo muitas vezes que o sucesso não se mede pelo dinheiro que se ganha mas sim pelo número de vidas que conseguimos transformar”, acrescenta. Idealmente, e segundo a nossa entrevistada, deveria aplicar-se o Feng Shui na fase de planeamento e construção de um espaço de modo a que o mesmo fosse implantado no melhor local e com uma disposição e organização de acordo com os mapas energéticos do mesmo. Contudo, pode aplicar-se também em espaços em fase de remodelação ou até mais em locais já construídos e habitados. Como é então este processo? Começa-se primeiramente com um bom diagnóstico – percebe-se quais são os objetivos dos ocupantes para aquele espaço. “A seguir segue-se a fase do meu trabalho que, na verdade, se baseia em cálculos, e por fim escrevo o projeto que é posteriormente entregue ao cliente. De seguida, faço um acompanhamento da execução daquelas implementações. Quando falamos em projetos de raiz, entram também na equação Arquitetos ou Decoradores sendo que aqui, o trabalho em equipa e a empatia, tem de ser a voz decisiva, a final. É o mais importante em todo o processo”, assegura Sofia Lobo Cera. Já na fase da obra, esta é acompanhada tanto pelo Arquiteto como pelo Consultor de Feng Shui para que

“SOU UMA PESSOA QUE GOSTA DE FAZER TUDO PELO MELHOR, SOU MUITO PERFECIONISTA E MUITO DEDICADA AOS MEUS CLIENTES. TENHO PERFEITA NOÇÃO DE QUE LIDO COM AS VIDAS DAS PESSOAS DE UMA FORMA ÍNTIMA E PROFUNDA. QUANDO ESTAMOS A TRABALHAR NUM PROJETO, É COMO SE FOSSEMOS OS «MÉDICOS» DA CASA OU DA EMPRESA”

nada fuja ao que foi inicialmente projetado. Certo é, todos estes projetos devem ter a personalidade e a identidade de cada cliente, sendo importante também o papel do Decorador. “Vamos imaginar que, em determinada zona do espaço eu digo que tem de estar o elemento água com alguns apontamentos do elemento árvore – e estes elementos podem ter variadas formas e características associadas no que diz respeito à cor, forma, textura, material, entre outros. Assim, o Decorador, de acordo com a sua criatividade, vai criar a harmonia ideal. Ou seja, esta harmonia acaba por se refletir no bem-estar que cumpre os elementos que se devem utilizar no Feng Shui, e claro, de acordo com o gosto do cliente”. Existe uma panóplia de soluções possíveis e enquadradas sempre e para determinado espaço. Aqui, mais uma vez, o trabalho em equipa é a chave principal.

“HOJE EM DIA O FENG SHUI É UM CONCEITO MUITO MAIS CONHECIDO” “Em Portugal o Feng Shui tem estado em crescimento porém, como é óbvio nós, os Consultores, gostaríamos que crescesse mais, mas estamos muito felizes com a sensibilização que se tem vindo a sentir em relação ao tema. Hoje em dia o Feng Shui é um conceito muito mais conhecido. Ainda assim, há dois setores que, na minha opinião, ainda têm de expandir mais os horizontes e conhecer melhor esta metodologia: a construção civil, em que, infelizmente, ainda se encontram muitas pessoas que não são sensíveis ao bem-estar dos ocupantes dos seus projetos; e o outro é a nível empresarial, porque sinto que as empresas ainda têm receio de assumir que contactam este serviço para melhorar a qualidade de vida dos seus colaboradores”, explica Sofia Lobo Cera. É de referir também que, e segundo a própria, a pandemia também trouxe, apesar das adversidades que todos conhecemos, um valor maior ao Feng Shui, devido ao facto de as pessoas estarem mais em casa, de olharem e perceberem se se sentem digna e confortavelmente nos seus espaços. O teletrabalho veio, de facto, «acordar» o sentido de oportunidade de organizar/alterar o meio envolvente. “As pessoas tiveram de encontrar um posto de trabalho em casa, ao mesmo tempo que as fizesse sentirem-se produtivas e equilibradas. Posso garantir que o Feng Shui, para o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, é uma ajuda preciosa”, assegura a nossa interlocutora acrescentando ainda que “tive muita sorte em relação à pandemia. Sempre fiz consultas no estrangeiro, e a questão das deslocações e do tempo que se perdia nelas fazia constantemente parte da minha vida. Agora, a implementação das consultas online (de das quais me sinto extremamente feliz com os frutos que tem dado), permitem-me realizar consultas nos mais variados países como Angola, Brasil, Singapura, França ou Espanha. Se tivesse de me deslocar, como antes fazia, não conseguia ajudar tantas pessoas”. O futuro? Esse, passa por continuar a concretizar os sonhos das pessoas em todo o mundo, garante Sofia Lobo Cera. A mesma que espera, sobretudo, conseguir tocar o máximo no tecido empresarial português e assim apoiar a felicidade da comunidade tanto a nível pessoal, social e económico. ▪

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SOBRIEDADE E HARMONIA É neste mês de abril que Filipa Borges Nascimento regressa a Coimbra, a sua cidade natal, para se estabelecer com o seu projeto de Arquitetura e Design de Interiores. É a Quinta de São Jerónimo que tem o privilégio de receber este atelier onde faz a magia acontecer. A própria, esteve à conversa com a Revista Pontos de Vista, onde abordou os motivos desta mudança assim como outros temas pertinentes e adjacentes à sua profissão.

FILIPA BORGES NASCIMENTO

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omeçamos por questionar Filipa Borges Nascimento o que a levou a escolher Arquitetura como profissão e, se aquilo que ambicionava antes de o ser, se reflete no presente. Desde cedo que a nossa entrevistada demonstrou ter um especial interesse pelas artes, nomeadamente pela Arquitetura, mas não só. A organização do espaço e tudo o que isso envolve, como a escala e a pro-

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porção, é algo que lhe diz bastante. “Sempre tive grande foco na casa – os espaços onde vivemos são muito importantes para o nosso bem-estar. A casa é uma extensão de nós, o nosso porto de abrigo. Por isso, espaços cativantes, nos quais apetece estar foram, desde sempre, algo que me atraiu, assim como a parte da estética, as peças que neles habitam, a luz que entra, a história de quem lá vive. Ter o poder de aliar todos

estes fatores e criar espaços para serem vivenciados diariamente é extraordinário”, afirma. Com o componente de estética e o seu gosto geral em Arquitetura, a Arquiteta assume-se apaixonada por viajar, conhecer novos espaços, visitar feiras internacionais, no fundo, de consumir o máximo de informação relevante para o seu papel enquanto profissional. “No meu trabalho consigo colocar em prática a minha fascinação por espaços bonitos, coerentes e harmoniosos”, acrescenta. Com um desvio claro da Arquitetura «pura e dura», é o Design de Interiores que faz, atualmente, brilhar os olhos da nossa interlocutora. No percurso da sua empresa Filipa Borges Nascimento – Arquitectura e Interiores, conta com uma vasta concretização de projetos residenciais, de alojamentos locais e até alguns comerciais, mas é sobretudo nos residenciais que a mesma acaba por entrar no íntimo das pessoas, na sua casa, nos seus desejos e receios. É, nestes projetos, que se concretizam sonhos. Haverá algo mais gratificante do que isso? “Se pudesse escolher um tipo de projeto escolhia sem dúvida os residenciais, por tudo o que isso envolve. A ligação com o cliente e o resultado final extremamente personalizado, agrada-me muito”, reconhece a nossa entrevistada. Certo é, em todos eles existem características em comum: a sobriedade e a harmonia. Ao olharmos para estes espaços recriados, percebemos que são sobretudo coerentes e tranquilos. Um apontamento de cor ou uma peça especial transformam-nos na imagem de cada cliente, num resultado com estilo e elegância. Todos sabemos que o processo criativo pode ser complexo ou, pelo contrário, acessível e simples. Para a Arquiteta a sua inspiração não tem uma rotina. “Há espaços em que, o layout, ou seja, a distribuição das peças é intuitiva. Outros nem tanto, e dão luta. Para a proposta criativa há inúmeros fatores em jogo: o gosto do cliente, o budget disponível, e um sem fim de opções por onde se pode começar. Aí entra a experiência, um intenso trabalho de pesquisa, bem como o conhecimento de marcas e fornecedores. Além disso, consumo milhares de imagens diariamente. É importante estar a par das tendências e novidades. Depois é misturar tudo isto com outras referências e começar a criar. Muitas vezes, é ao fim de semana, ou mesmo no final do dia que me surgem ideias que os clientes possam gostar. Outras estou a trabalhar num projeto e surge-me a solução para outro. A


ARQUITETURA E DESIGN DE INTERIORES

experiência é um grande aliado mas pode também tornar-se num inimigo. Envolvo-me intensamente em todos os projetos, que começam a ser bastantes em simultâneo, o que chega a ser desgastante”, confessa a nossa entrevistada. Nesta profissão e especialmente neste caso, podemos afirmar que é difícil “desligar” do trabalho, quando existem sempre, à distância de um «click», novas ideias disponíveis. OS DESAFIOS DA PROFISSÃO Afinal, onde começa e termina o trabalho de Filipa Borges Nascimento? Com as duas vertentes (Arquitetura e Design de Interiores), muitas vezes a mesma entra num projeto numa fase ainda embrionária – quando o cliente está a pensar numa construção de raiz ou ainda à procura do terreno. “É super importante o acompanhamento do Arquiteto durante a obra e a confirmação de que tudo está a ser construído de acordo com os desenhos técnicos. No meu caso, como também faço Design de Interiores, consigo chegar ao detalhe do vivo da almofada, ou ao padrão da colcha. Levo o projeto de A a Z, desde a fase da construção/remodelação até à parte mais decorativa: mobiliário, papéis de parede, tecidos, tapetes, iluminação”, explica a nossa interlocutora. Durante este processo, o mais importante a ser tido em conta, é a leitura do cliente – perceber o que deseja para a sua casa. Aqui, a Arquiteta garante que embora sinta que concretiza sonhos e coloca em prática a expetativa do cliente, esta expetativa nem sempre é fácil de garantir. Um dos grandes desafios da profissão vai ao encontro de, ainda nos dias de hoje, as pessoas questionarem os honorários cobrados para desenvolver o trabalho, o que cria alguma deceção na nossa entrevistada. “É um trabalho que envolve imensa pesquisa e ainda é muito desvalorizado. Na verdade, qualquer pessoa pode executá-lo (falando do design de interiores), desde que tenha bom gosto. Por isso as pessoas ainda me abordam muitas vezes

para “dar uma ajuda” ou “dar ideias”. Costumo brincar: eu não dou ideias, eu vendo ideias!”. Assim sendo, interessa compreender o que difere então realmente um profissional da área dos restantes. “Tantos detalhes”, começa por explicar, acrescentando que “a nossa formação permite-nos pensar o projeto como um todo, criar soluções personalizadas, propor peças com a dimensão adequada ao espaço, respeitar proporções, coordenar cores e materiais para que o resultado faça sentido. E toda a parte técnica envolvida. Além disso, o know-how e a experiência fazem com que o cliente ganhe tempo e perca preocupações ao atribuir este trabalho a um profissional. Quando inicio um projeto pela Arquitetura, na fase inicial já estou a pensar no design do interior. Os pormenores começam a ser pensados de raiz: os materiais a utilizar, onde devem ser as tomadas e os pontos de luz de acordo com a localização do mobiliário. Há, de facto, uma série de detalhes que fazem toda a diferença”. Ainda assim, sabemos que a sociedade está em constante mudança e que todas estas adversidades acabarão por se tornar indiferentes. Prova de que tudo começa a mudar é que, mesmo em plena pandemia e com os atrasos normais em todos os serviços, Filipa Borges Nascimento não parou o seu trabalho. “Muitas pessoas, pelo facto de estarem a passar mais tempo em casa, têm também mais vontade de tornar o espaço mais confortável e mais bonito. Tenho tido muitos contactos nesse sentido”, afirma. Certo é, estes projetos, maioritariamente na sua cidade natal, levaram a nossa entrevistada a deixar o atelier do Porto e abri-lo em Coimbra. “Apesar de continuar a realizar projetos em todo país, a mudança faz sentido nesta fase. É gratificante saber que estou a trabalhar na minha região e, voltar a casa”. Assim, é a partir de abril que pode encontrar a marca Filipa Borges Nascimento – Arquictetura e Interiores, na Quinta de São Jerónimo, em Coimbra. ▪

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DIGITAL CONSTRUCTION & BIM

"AO FIM DE ALGUM TEMPO DE UTILIZAÇÃO, CONSEGUIMOS PERCEBER AS VANTAGENS SIGNIFICATIVAS DESTA METODOLOGIA NOS SERVIÇOS 360" A Galbilec é uma empresa dedicada à prestação de serviços num conceito 360 para a implementação de projetos, com especialização nas áreas social e da saúde: Candidaturas a Financiamento, Estudos de Investimento, Elaboração de Projetos, Contratação Pública, Fiscalização de Obras e Consultoria de Manutenção.

POR ADRIANA SOUSA, ENGENHEIRA CIVIL/BIM MANAGER

“A UNIDADE DE CUIDADOS CONTINUADOS INTEGRADOS DE CASTELO BRANCO FOI O PRIMEIRO PROJETO DA GALBILEC TOTALMENTE ELABORADO COM A METODOLOGIA BIM. ESTA METODOLOGIA PERMITE-NOS TER APENAS NUM MODELO TODA A INFORMAÇÃO REFERENTE AO PROJETO, POSSIBILITANDO A HIPÓTESE DE SIMULAR O EDIFÍCIO, COM UM ASPETO E CARATERÍSTICAS BASTANTE PRÓXIMO DO REAL, MESMO ANTES DE O CONSTRUIR”

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omo estamos presentes em todas as fases do desenvolvimento do projeto até à sua execução, entendemos que seria importante que este trabalho fosse realizado em ambiente BIM, permitindo um maior controlo ao nível do planeamento e económico, viabilizando a integração multidisciplinar e a eficiência ao longo de todo o processo. UCCI CASTELO BRANCO A Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Castelo Branco foi o primeiro projeto da Galbilec totalmente elaborado com a Metodologia BIM. Esta metodologia permite-nos ter apenas num modelo toda a informação referente ao projeto, possibilitando a hipótese de simular o edifício, com um aspeto e características bastante próximo do real, mesmo antes de o construir. Este modelo tridimensional contém a informação geométrica, materiais, caraterísticas técnicas, entre outros. A transferência deste modelo através do ficheiro ifc, é ainda constantemente ajustada de forma a que consigamos manter no ficheiro toda a informação, quando o transferimos para entidades externas ou projetistas que utilizam software diferente do nosso. No entanto, sempre que o projeto é realiza-

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do internamente, esse problema não existe, torna-se colaborativo, porque a equipa consegue trabalhar num mesmo modelo ao mesmo tempo, não havendo qualquer perda da informação. Ao fim de algum tempo de utilização, conseguimos perceber as vantagens significativas desta

metodologia nos serviços 360, como a interoperabilidade entre software diferente, o ambiente colaborativo, controlo económico e de prazos, aumento da produtividade e otimização do processo, com um grande benefício para o aumento da eficiência da utilização e manutenção dos edifícios. ▪


DIGITAL CONSTRUCTION & BIM

POR PEDRO QUINTAS, ENGENHEIRO CIVIL

internas, associadas a um determinado projeto, no mesmo modelo, evitando replicação e/ou perda entre os elementos das equipas. A modelação BIM, com todas as vantagens reconhecidas pela indústria AEC, requer um esforço conjunto de todos os intervenientes: desde o cliente, às equipas de produção durante as fases de projeto e de obra, e das entidades que exploram os edifícios. Nesse

sentido, a Galbilec tem procurado desenvolver processos que abrangem, não só a compatibilização de especialidades em obra, a criação automatizada de quantidades ou definição e criação de modelos digitais colaborativos, mas acima de tudo a comunicação, integração e adoção da metodologia por parte dos diversos intervenientes ao longo das diversas fases. ▪

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abordagem digital ao trabalho colaborativo, durante as diferentes fases do projeto, surge de um modo natural entre o departamento de estruturas e arquitetura da Galbilec. A implementação de uma plataforma comum, colaborativa, entre os dois departamentos, começou no final do ano passado. Todos os projetos desenvolvidos internamente, com início no presente ano, iniciam a sua conceção estrutural tendo por base o modelo digital da arquitetura, permitindo uma maior facilidade de interpretação e integração de soluções que materializem o programa do edifício. As equipas desenvolvem internamente processos de trabalho com modelos digitais BIM, não só dentro de cada especialidade, mas também entre si, permitindo trocas de informação através do mesmo modelo. Neste momento procuramos centralizar todas as informações

“A MODELAÇÃO BIM, COM TODAS AS VANTAGENS RECONHECIDAS PELA INDÚSTRIA AEC, REQUER UM ESFORÇO CONJUNTO DE TODOS OS INTERVENIENTES: DESDE O CLIENTE, ÀS EQUIPAS DE PRODUÇÃO DURANTE AS FASES DE PROJETO E DE OBRA, E DAS ENTIDADES QUE EXPLORAM OS EDIFÍCIOS”

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DIGITAL CONSTRUCTION & BIM

“ESTOU 100 POR CENTO CONVENCIDO DE QUE O BIM É O FUTURO DA CONSTRUÇÃO” Com mais de 63 anos no mercado nacional, a estratégia da Leica Geosystems assenta “no estabelecimento de relações de longo prazo com os clientes”, tal como garante José Martins, Country Manager da marca, em Portugal. Com um forte conhecimento no mercado da construção, o nosso entrevistado afirma ainda que, "o BIM será o futuro de um setor cada vez mais digital" – e que a Leica Geosystems irá ajudar nessa transição.

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Leica Geosystems é um fornecedor líder de soluções de medição cujo mote principal é a qualidade dos produtos e soluções inovadoras. Este é o resultado de 200 anos de tradição e de constantes inovações baseadas em investigação intensiva. De que forma estas soluções marcam a diferença no mercado mundial e em particular no português? O percurso da nossa empresa é de facto único e sem paralelo na indústria. O início da nossa história tem mais de 200 anos e remonta a 1819, ano de fundação da empresa “Kern” em Aarau (Suíça). Este ano estamos a celebrar o 1º centenário da empresa “WILD”, fundada em Heerbrugg (Suíça) em Abril de 1921. Com a WILD acelera-se o passo do desenvolvimento tecnológico e apenas dois anos mais tarde, esta jovem empresa revolucionou para sempre a indústria da topografia com a invenção do 1º teodolito com 1” de precisão angular, o que acabaria por tornar possível a realização de obras com novos padrões de precisão e segurança. O teodolito T2 foi de tal forma revolucionário que se manteve como equipamento topográfico standard até à década de 80 do século passado. A partir desse momento, a electrónica tomou conta desta indústria e com a massificação da microeletrónica na década de 90, tudo se tornou mais rápido. A Leica Geosystems acabou por se tornar parte de Grupo sueco HEXAGON, no seio do qual mantém intactos os seus valores originais - precisão, qualidade, fiabilidade e

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valor, já que proporcionam aos nossos clientes uma relação de proximidade, essencial a todas as relações que se pretendam duradouras.

JOSÉ MARTINS

sempre com o foco centrado no elemento mais importante, o Cliente. Em Portugal, a Leica Geosystems foi fundada em 1957 e é uma das filiais mais antigas da Leica Geosystems, AG. Com mais de 63 anos no mercado nacional, a nossa estratégia assenta no estabelecimento de relações de longo prazo com os clientes. Por outro lado, os nossos parceiros de distribuição no mercado nacional constituem outro elo vital da nossa cadeia de

A coragem de ser inovador, a confiança na investigação e desenvolvimento e a experiência dos colaboradores dedicados, tem ajudado a criar valores nos mercados onde a marca atua. Neste setor, porque é que a inovação e a constante evolução tecnológica são fatores imprescindíveis? Que pesquisas e trabalhos estão a ser desenvolvidos atualmente? A inovação é um factor cada vez mais crítico em todas as indústrias e a nossa não é diferente. Naturalmente que não posso revelar os campos de investigação nos quais estamos focados de momento, mas basta olhar para o ano de 2020 para se perceber que queremos continuar a ser líderes desde mercado nos próximos anos. Apesar da pandemia que nos afectou a todos, em 2020 lançámos muitas novidade no mercado, como por exemplo: o scanner laser portátil BLK2GO que, com menos de 1kg de peso, permite a captura 3D de todos os espaços por onde o operador se desloque; ou o receptor GNSS GS18I que pela primeira vez tornou possível a captura de imagem com um receptor GNSS e medir sobre essas imagens com precisão topográfica. Assim, posso apenas dizer que em matéria de desenvolvimento de novas soluções, estou muito confiante com aquilo que iremos trazer ao mercado já em 2021! As tecnologias para Captura 3D da Realidade da Leica Geosystems representam precisão, confiança e qualidade – aspetos relevantes para a empresa em todo o mundo. Para melhor entender, no que consistem exatamente estas tecnologias? O conceito de captura 3D da realidade traduz-se na capacidade de captar a forma e cor de tudo aquilo que nos rodeia. Para realizar esta captura recorre-se cada vez mais à tecnologia laser scanning, complementada por novas tecnologias, nomeadamente a VIS (visual inertial systems) que permitem dotar os equipamentos de uma percepção espacial. As grandes vantagens que o laser scanning aporta são a rapidez na recolha da informação em campo, aliada é massiva quantidade de informação recolhida. Desta forma é possível poupar tempo na recolha de dados e evitar a necessidade de voltar ao local para a recolha de informação em falta, já que, com a captura 3D da realidade, leva-se


DIGITAL CONSTRUCTION & BIM

longa do seu ciclo de vida – a gestão do activo, que se estenderá por várias décadas. Ao longo desta fase o BIM continuará a agregar valor a todos aqueles que continuam a interagir com ele. Durante a gestão do activo as nuvens de pontos 3D recolhidas com tecnologia laser scanning, de que a Leica Geosystems é líder de mercado, fornecem informações valiosas para os donos dos activos e para as empresas responsáveis pelas obras de renovação, já que lhes permite preparar os seus novos projectos sobre as nuvens de pontos que reproduzem de forma fiel a realidade de cada activo.

SCANNER LEICA BLK2GO USADO NUMA OBRA DE RECUPERAÇÃO DE UMA SALA DE ESPETÁCULOS

para o gabinete a realidade integral de todo o objecto de estudo, sejam edifícios, viadutos, pontes ou terrenos onde se pretende implantar uma nova fábrica. Sempre a par das mais recentes tecnologias, como olha para o Building Information Modeling (BIM) e porque é que esta inovação se tem tornado crucial no setor da construção? A que desafios vem responder? Por definição, o BIM tem como objectivo primordial a colaboração entre todas as partes envolvidas num projecto, o que se traduz ime-

diatamente numa redução nos erros cometidos que provocam atrasos e custos imprevistos. O BIM recorre a modelos 3D dos projetos o que significa que, antes de se iniciar a fase de construção, podemos ter uma obra “gémea digital”. A modelação 3D presente no BIM trouxe melhorias tremendas à fase de projecto e de construção, já que oferece a liberdade de experimentar digitalmente ideias antes de arriscar uma construção física. Para além disso, o BIM não se esgota na fase de projecto e de construção, já que qualquer obra após a sua conclusão, entra na fase mais

Quais serão as novas tendências para o futuro da indústria da construção? Eu estou 100 por cento convencido de que o BIM é o futuro da construção. A terminologia e a nomenclatura adoptadas poderão mudar, bem como as respectivas especificações, que irão certamente continuar a evoluir. No entanto, a mudança da realidade que vigorou até agora, baseada em fontes dispersas de informação para uma única fonte de informação centralizada, que seja partilhada por todas as partes envolvidas, aporta tantos benefícios que pessoalmente considero esta transição como inevitável. A Leica Geosystems estará aqui para continuar a ajudar seus clientes no seu percurso de transição para uma construção cada vez mais digital. ▪

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DIGITAL CONSTRUCTION & BIM

COMO A TECNOLOGIA BIM ESTÁ A

REVOLUCIONAR AS EMPRESAS

A Global Geosystems é distribuidor oficial em Portugal e no norte de Espanha das soluções de topografia, construção e controlo de máquinas da Leica Geosystems, e das soluções de visitas virtuais da Matterport. Antonio Santos, responsável comercial da Global Geosystems para Portugal, fala-nos da importância da adoção das soluções tecnológicas e do conceito BIM”.

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ue principais marcos contam a história do vosso percurso? A Global Geosystems é uma empresa que conta com quase 20 anos de experiência na distribuição de equipamentos e software com aplicação nas áreas da topografia, construção, arquitetura, controlo de máquinas, e sistemas de informação geográfica, entre outros. Contamos com um escritório na Maia, e mais cinco no norte de Espanha, movimentando também um volume de negócios assinalável no nosso país a partir da nossa loja online, Topotienda.com. Nos últimos cinco anos, em estreita colaboração com a Leica Geosystems, temos vivido um período de crescimento muito significativo, que nos tem colocado num patamar de grande importância neste setor na Península Ibérica. Hoje, que papel a Global Geosystems assume no mercado? A Global Geosystems é o maior distribuidor da Leica Geosystems em toda a Península Ibérica, e um dos maiores a nível europeu. Disponibilizamos um serviço de assistência técnica com o nível de qualificação mais elevado que a marca outorga e reconhece. Para além da venda de equipamentos e software, contamos com um moderno e amplo parque de aluguer, em todas as vertentes de atividade a que nos dedicamos. Os nossos cerca de 20 profissionais têm uma elevada qualificação técnica, o que nos permite garantir aos nossos clientes o aconselhamento, formação e suporte técnico mais indicado para a sua realidade, de acordo com as suas necessidades e especificidades. O BIM (Building Information

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todo o tipo de comportamentos e respostas do objeto real, na sua análise com recurso a software dedicado.

ANTÓNIO SANTOS

Modelling), mais que uma solução ou conjunto de ferramentas tecnológicas, é um conceito operacional que tem por base a integração, partilha, colaboração e verificação de um conjunto de processos inerentes à conceptualização e execução de uma determinada estrutura. Trata-se de um novo paradigma na digitalização da indústria? O conceito BIM visa principalmente a adoção de novos fluxos de trabalho na gestão de todo o ciclo de vida de qualquer edifício ou estrutura, seja novo ou preexistente. Isto porque estes fluxos de trabalho podem ser implementados imediatamente na fase

de conceção e projeto, ou mais tarde, numa fase de utilização e exploração. Pode inclusive ser aplicado a edifícios históricos ou com interesse patrimonial, numa ótica de apoiar e melhorar a sua gestão, manutenção ou reabilitação. Compreende este conceito, sem dúvida, um paradigma totalmente novo nos processos de projeto, construção e manutenção de edifícios e estruturas, com especial ênfase na introdução do conceito de trabalho colaborativo, suportado na partilha de informação, utilizando como base um “gémeo digital” do edifício ou estrutura real, que replica, tanto quanto possível,

Surge assim como uma solução para modernização e reestruturação da indústria, estimulando a colaboração, incentivando a desmaterialização e elevando a importância de melhores desempenhos e processos mais eficientes. De que forma o BIM se apresenta, portanto, uma mais-valia nas operações da Global Geosystems? Como distribuidor oficial da Leica Geosystems, a Global Geosystems tem acompanhado, desde o início, a adoção das soluções tecnológicas da marca nas necessidades de empresas e pessoas que implementam, ou pretendem implementar, todas, ou parte, das fases de um fluxo BIM. Estas soluções constituem já uma parte importante do nosso volume de negócios, com um rápido crescimento tanto no mercado espanhol, como no português. Temos capacidade de prestar serviços de venda, mas também de aluguer, formação e consultoria técnica, relativos às diversas soluções tecnológicas que a marca tem desenvolvido para aplicação neste conceito. As soluções desenvolvidas pela Leica Geosystems, com aplicabilidade no conceito BIM, compreendem ferramentas de hardware como: laser scanners fixos ou móveis, estações totais robóticas, recetores GNSS, veículos aéreos não tripulados, e sistemas de deteção de elementos e estruturas subterrâneos; e ferramentas de software que se aplicam a todas as fases de trabalho do conceito BIM, como por exemplo: documentação do estado existente em todas as fases de vida do edifício


DIGITAL CONSTRUCTION & BIM

A GLOBAL GEOSYSTEMS É O MAIOR DISTRIBUIDOR DA LEICA GEOSYSTEMS EM TODA A PENÍNSULA IBÉRICA, E UM DOS MAIORES A NÍVEL EUROPEU. DISPONIBILIZAMOS UM SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA COM O NÍVEL DE QUALIFICAÇÃO MAIS ELEVADO QUE A MARCA OUTORGA E RECONHECE

ou estrutura; criação de modelos 3D de todos os elementos construtivos; verificação e validação de todas as fases de construção e reabilitação, em todas as especialidades; partilha de dados e apoio ao trabalho colaborativo sobre o modelo ou documentação da realidade; ou deteção de colisões, entre outros. Mas que desafios esta abordagem acarreta? Como resultado do nosso conhecimento técnico e comercial, e à nossa experiência no mercado da construção, temos a capacidade de apoiar os nossos clientes a superar todos os desafios que se coloquem no seu trabalho diário. Sabemos que a adoção deste novo conceito produz a necessidade de identificar e implementar as ferramentas de hardware e software, e os fluxos de trabalho, que melhor se adequam à sua atividade, mercado, clientes e projetos, bem como de formar, de manei-

ra suficiente e eficiente, os seus recursos humanos, para poder obter o maior benefício dessa adoção, minimizando o impacto inicial na sua produtividade. De qualquer maneira, a adoção deste conceito constitui uma necessidade para todas as empresas e profissionais ligados de alguma maneira aos setores da construção, manutenção, reabilitação e gestão de edifícios e estruturas, da qual não poderão mais prescindir, no curto ou médio prazo. Adiar a transição para este novo conceito coloca um risco elevado de perda de competitividade, tanto no mercado internacional, como no nacional. Em resumo, acreditamos que o risco de prescindir da adoção deste conceito é muito maior que o custo de superar os desafios que coloca a sua implementação. Desde que o conceito de BIM surgiu que o debate se prende

em torno do seu valor e aplicação, mas mais do que isso o que se deve saber para ser implementado com sucesso e desbloquear o seu verdadeiro valor? Fundamentalmente, conhecer e recorrer aos serviços de empresas especializadas, como a Global

Geosystems, que são capazes de suprir todas as necessidades de consultoria técnica e comercial, e de formação, que cada profissional e empresa possam sentir para a completa e eficiente implementação deste conceito no seu trabalho diário. ▪

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DIGITAL CONSTRUCTION & BIM POR DANIEL MOUTINHO, ARQUITETO E BIM SPECIALIST DO DEPARTAMENTO DE ESTUDOS E PROJETOS E LUÍS RIBEIRINHO, ENGENHEIRO E GESTOR DO CENTRO DE INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

“DIGITAL CONSTRUCTION & BIM”, UM MODELO QUE REVOLUCIONOU O SETOR DA CONSTRUÇÃO “Modelação digital” partilhada em plataformas com arquitetos e engenheiros a trabalhar em sintonia, minimizando desvios entre projeto e construção

TPF - CONSULTORES DE ENGENHARIA E ARQUITETURA S.A.

DANIEL MOUTINHO E LUÍS RIBEIRINHO

PASSADO E PRESENTE

O setor da construção civil não tem conseguido acompanhar outros setores industriais, no sentido de tirar partido da tecnologia para otimizar a gestão dos seus recursos e tornar-se mais produtivo. Derrapagem dos custos, atrasos sobre as datas de entrega previstas, problemas de planeamento, de organização, e até da própria qualidade, eram habituais nesta indústria em todos os países do mundo. Entre os problemas enunciados, todos de extrema relevância, destacamos os que decorrem de falhas de comunicação. As barreiras à comunicação e à correta interpretação da informação entre os diversos intervenientes no empreendimento são inúmeras, originando, por exemplo, a correção e reentrega da documentação do projeto, sejam desenhos ou medições, ou reuniões longas e pouco produtivas. O tempo dedicado a retrabalhar as questões decorrentes dos problemas de comunicação exige um grande esforço de todos os intervenientes e uma grande mobilização de meios num projeto desenvolvido com base em workflows assentes exclusivamente nas tradicionais ferramentas CAD. O recurso à metodologia BIM mudou este paradigma. A existência de um modelo tridimensional, que permite a centralização e gestão de toda a informação do empreendimento ao longo das suas diferentes fases, transformou o modo como esta é transferida entre as equipas de projeto, o cliente e o construtor, dinamizando o seu diálogo, tornando a sua comunicação mais eficiente. A metodologia BIM revela-se também vantajosa na coordenação dos projetos e no processo de quantificação e

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orçamentação, por permitir a sua automatização. Deste modo, consegue-se um refinamento de quantidades e custo dos materiais de modo mais próximo da realidade, em fases embrionárias de projeto, garantindo que este se confina ao limite orçamental do Dono da Obra.

NA TPF CONSULTORES, O BIM É A METODOLOGIA DO PRESENTE

No Departamento de Estudos e Projetos da TPF CONSULTORES DE ENGENHARIA E ARQUITETURA S.A., a metodologia BIM foi implementada com o objetivo de, por um lado, melhorar a eficiência dos processos de comunicação interdisciplinar, por outro, melhorar a comunicação com o cliente, mais dinâmica, envolvendo-o de uma forma mais direta no desenvolvimento do seu projeto, para o apoiar no seu processo de decisão. A comunicação entre as disciplinas envolvidas no projeto desenvolvido em BIM assenta no uso de plataformas de Common Data Environment (CDE). Estas plataformas permitem a partilha de modelos e a colaboração em tempo real, aproximando as equipas geograficamente dispersas. Este fluxo de trabalho permite que os projetistas colaborem de modo mais sincronizado, reduzindo erros e a necessidade de retrabalho. Esta metodologia permite ainda automatizar o processo de identificação de colisões e melhorar a forma como são comunicadas e resolvidas. O BIM Coordinator no decorrer da sua análise, identifica as colisões ou dúvidas a esclarecer, emitindo um issue às especialidades envolvidas. Cada issue implica uma reação ou alteração da parte dos

responsáveis. Este ciclo de revisão é repetido até a ocorrência ser encerrada pelo BIM Coordinator. Esta coordenação mais eficiente contribui para o controlo dos custos e do planeamento em obra ao reduzir os imprevistos. A viabilização destes processos resulta da colaboração estreita entre os papeis de BIM Manager e BIM Coordinator, pois enquanto o primeiro se envolve com a criação da infraestrutura de colaboração (CDE) e suporte ao projeto BIM, o segundo utiliza essa infraestrutura para coordenar o projeto de modo eficiente. O Cliente acompanha o desenvolvimento do projeto com base nos outputs que vai recebendo. As suas decisões são tanto mais consequentes e informadas, quanto melhor for o seu entendimento do projeto. As plataformas de modelação atualmente ao dispor da indústria satisfazem, de modo expedito, as necessidades de representação da documentação desenhada do projeto, automatizando a sua produção. Contudo, para o cliente entender o projeto, nem sempre os desenhos são suficientes. É necessário realizar imagens e animações foto realistas e maquetes para que o cliente se imagine no edifício e perceba o que se está a conceber. Ao contrário do processo tradicional, não é necessário gerar um modelo tridimensional de propósito para o efeito, pois com a metodologia BIM, o modelo já existe. A existência de um modelo que permite gerar automaticamente desenhos e imagens/animações foto realistas permite que qualquer alteração ao projeto se reflita de imediato nestes elementos, reduzindo o tempo despendido nos ciclos de revi-


DIGITAL CONSTRUCTION & BIM

mite identificar de forma mais clara as ações necessárias para corrigir esses desvios.

A IMPORTÂNCIA DO BIM MANAGER ENQUANTO FIGURA AGREGADORA DO PROJETO

são. Para além disso, o modelo pode ser usado para a criação de maquetes, usando impressoras 3D. Com recurso a plataformas e equipamentos de Realidade Virtual, é possível navegar no interior do edifício, usando o modelo como se fosse real, verificando-se aspetos que, de outra forma, seriam ignorados. O próprio cliente pode ajudar a clarificar determinados detalhes e ao mesmo tempo compreender as intenções do projetista. Estas ferramentas, suportadas em processos BIM, permitem aos projetistas, ao cliente e ao construtor, uma abordagem dinâmica e imersiva, explorando todas as características do edifício antes da sua construção começar. Assim, é possível anteci-

par para a fase de projeto problemas que, de outra forma, só seriam identificados em obra. Na TPF, esta metodologia não se restringe ao projeto. De facto, a metodologia BIM implementou-se também no Departamento de Gestão e Fiscalização, onde teve como principal objetivo melhorar o controlo do planeamento, dos custos e das quantidades. Esta metodologia permite que os fiscais tenham tablets na obra com acesso à informação de projeto, nomeadamente os modelos, onde podem assinalar os elementos executados diariamente. Esta informação permite gerar automaticamente os autos mensais e visualizar de forma gráfica os desvios ao planeamento. Esta representação per-

O conjunto de especialidades que intervém no projeto e na obra, está relacionado com o tipo de informação necessária, de acordo com o enquadramento normativo vigente, o que resulta frequentemente num conjunto alargado de intervenientes. Assim, surge a necessidade de uma coordenação eficaz entre eles, a que os processos integrados, a colaboração e a interoperabilidade BIM vieram dar resposta. Contudo, se por um lado se entende que o uso de ferramentas BIM é um fator facilitador nos processos de trocas de informação, por outro, a complexidade da sua natureza, associada à variedade de plataformas utilizadas, introduz nos processos de projeto um grande desafio: efetivar a interoperabilidade interdisciplinar, ou seja, garantir que a informação flui entre as plataformas utilizadas pelos inúmeros especialistas que intervêm no projeto e na construção. Esta responsabilidade é do BIM Manager e nesse sentido ele desempenha um papel preponderante no sucesso da aplicação da metodologia. ▪

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DIGITAL CONSTRUCTION & BIM

POR PEDRO FERREIRINHA, VIRTUAL DESIGN AND CONSTRUCTION MANAGER NA HCI - CONSTRUÇÕES, S.A.

A RIQUEZA DE DADOS É A GRANDE REVOLUÇÃO TRAZIDA PELO BUILDING INFORMATION MODELING (BIM) AO SETOR DA CONSTRUÇÃO A complexidade dos edifícios aumentou exponencialmente nos últimos 20 anos. Os edifícios são cada vez mais inteligentes e são responsivos às suas taxas de ocupação. Temos uma certificação energética mais exigente, o que se reflete em escolhas criteriosas de materiais e na robustez dos equipamentos. Por detrás de tetos falsos esconde-se um desenho calculado ao milímetro de cablagens, de tubagens e de condutas.

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PEDRO FERREIRINHA

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os requisitos das especialidades acresceram normas de eficiência energética, de segurança, de instalações especiais. A colaboração e a mitigação de erros nunca foram tão preponderantes no setor como hoje. Uma metodologia clássica, em 2D, dificilmente dá resposta a projetos altamente rigorosos e em que não pode haver ausências de informação. O BIM trouxe maior integração entre todas as partes envolvidas no decurso do ciclo de vida de cada edifício. Trouxe também a possibilidade da articulação com o planeamento e os custos; uma melhor gestão de obra por via desta integração; e, para fechar o ciclo, uma melhor manutenção do ativo – o maior incentivo para um dono-de-obra adotar a metodologia. Sob a perspetiva da construtora, na HCI – Construções, S.A. vemos claras mais-valias do BIM no que respeita à otimização da construção. A complexidade da coordenação de especialidades envolvidas num projeto de execução num edifício de grande escala carece, inerentemente, de elevadíssimos padrões de colaboração e de comunicação. As plataformas digitais colaborativas são o suporte de excelência para que estes fluxos de conhecimento e de trabalho se materializem em tempo real. Baseadas nos modelos das equipas de projetistas, a análise e a interpretação de todos os elementos integrantes do projeto são mais rápidas, têm melhor qualidade e ajudam ao processo de gestão da obra, elevando a qualidade da construção. A coordenação de todas as especialidades e as análises de incompatibilidade são etapas cruciais para a mitigação de erros. Não a resolvendo na sua totalidade, o BIM potencia a compatibilização de especialidades e permite-nos fazê-la com maior antecedência. Em BIM a preparação de obra é produzida com mais eficiência, precisamente por toda a infor-


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mação estar centralizada; estas fases, na metodologia tradicional, exigem um trabalho manual e moroso. No que respeita a quantidades e custos, é possível reduzir a quantidade de trabalhos refeitos; também a atualização de todas as quantidades é feita automaticamente. Minimizamos, assim, desvios até à entrega ao dono-de-obra. Destaco, também, o potencial para pré-fabricação, sobretudo no âmbito das construtoras. Ao aumento de complexidade das especialidades sobrepõe-se a cada vez maior produção em fábrica de elementos que são posteriormente levados para a obra. É a procura deste tipo de soluções que eleva a qualidade dos trabalhos, a qualidade da produção e, por consequência, a redução de tempos e um aumento de qualidade geral dos edifícios; é, por isso, uma das mais-valias da modelação digital que podem advir das plataformas partilhadas e dos modelos. Na HCI – Construções, S.A. consideramos um modelo como um projeto de Big Data integrado do edifício. Frequentemente, estes dados já existiam – apenas eram de difícil acesso, ou as interligações entre si não eram facilmente acionáveis. Estamos a desenvolver competências e ferramentas de Business Intelligence para os integrar em sintonia, tornando-os mais intuitivos e acessíveis às equipas. Trazemos, assim, mais valor e quantidade a todos os dados produzidos entregando a informação certa, quando é necessária, aos intervenientes que dela precisam. Ao nível das plataformas digitais, é essencial um bom Plano de Execução BIM (PEB). Com um bom PEB e com regras bem definidas os modelos conseguem evoluir do projeto para a obra; da obra às telas finais; e, por fim, destas para a gestão de ativos. É este processo contínuo que traz riqueza acrescentada a cada fase dos modelos: o projeto e a obra acrescem sucessivamente dados até à manutenção e gestão do ativo, fase que representa 80% do seu custo total. A riqueza de dados é a grande revolução trazida pelo BIM ao setor da construção, e é o que faz com que a modelação digital

“O BIM TROUXE MAIOR INTEGRAÇÃO ENTRE TODAS AS PARTES ENVOLVIDAS NO DECURSO DO CICLO DE VIDA DE CADA EDIFÍCIO. TROUXE TAMBÉM A POSSIBILIDADE DA ARTICULAÇÃO COM O PLANEAMENTO E OS CUSTOS; UMA MELHOR GESTÃO DE OBRA POR VIA DESTA INTEGRAÇÃO; E, PARA FECHAR O CICLO, UMA MELHOR MANUTENÇÃO DO ATIVO – O MAIOR INCENTIVO PARA UM DONO-DE-OBRA ADOPTAR A METODOLOGIA” seja a grande evolução do setor da construção. Há, contudo, caminho a percorrer até que atinjamos o pleno potencial do BIM em Portugal. Não há ainda regras nacionais para os modelos – nomeadamente os requisitos de informação – a ditar os parâmetros que cada elemento deve conter. São precisas regras claras para os requisitos de informação e sobre o tipo de dados que queremos nos modelos. Primeiro, porque os modelos ainda não são elementos oficiais, ao contrário de DWG ou de PDF. Depois, porque a ausência de regras é o maior obstáculo para que em Portugal o setor da construção ganhe maturidade em BIM. As regras de modelação e de informação deveriam ser pensadas como as bases da construção digital do edifício; mas não há, por agora, um padrão institucional de regras que esteja reconhecido como oficial em Portugal para o BIM. O primeiro passo já foi dado pelas empresas nacionais: um empreiteiro recebe, hoje, um modelo compatibilizado entre arquitetura e especialidades. Contudo, à falta de normas, a dinâmica de trabalho em que se poderia já continuar da fase de execução para a fase da obra ainda não está madura. É necessária ação estruturante por parte das comissões ou do Estado para mediar, entre todos e à escala nacional, um workflow coerente e assertivo que melhore o processo e a sua engrenagem, desde o estudo prévio à gestão de ativos, passando pela conceção e construção. O que teria o setor a ganhar com uma base normativa oficial? Com base nestas regras, cada empresa conseguiria ter o seu workflow previamente definido, pois todos os parâmetros seriam os mesmos. Conseguiríamos ter um planea-

mento integrado, com partilha de insights entre as equipas de projeto e de obra. A modelação digital pode ajudar a aumentar a eficiência das empresas portuguesas do setor AEC e, por consequência, também a nossa competitividade no mercado europeu. Estou certo de que o BIM está a ganhar tração e de que o setor da construção estará na vanguarda da Indústria 4.0. As

vantagens são claras e o potencial de aplicações futuras está já a ser explorado noutros países. As plataformas digitais colaborativas são a base de trabalho que ajuda a responder a todas as necessidades dos intervenientes, agregando todos os dados em modelos partilhados desde a concepção, sendo enriquecidas ao longo das várias fases e alimentadas ao longo da vida do edifício. ▪

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DIGITAL CONSTRUCTION & BIM POR ÁLVARO VALE E AZEVEDO, ENGENHEIRO CIVIL, INVESTIGADOR PRINCIPAL, CHEFE DO NÚCLEO DE ECONOMIA, GESTÃO E TECNOLOGIA DA CONSTRUÇÃO E PAULA COUTO, ENGENHEIRA CIVIL, INVESTIGADORA AUXILIAR

“O LNEC PROMOVE A QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO” O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) é uma instituição pública de Investigação e Desenvolvimento Científico e Tecnológico, sendo um dos maiores laboratórios de engenharia civil do Mundo.

ÁLVARO VALE E AZEVELO

C

riado em 1946, com a missão de apoiar a prossecução de objetivos nacionais, como os primeiros programas de obras públicas iniciados após a II Guerra Mundial, o LNEC tem vindo a ter intervenções noutras partes do mundo, através da realização de estudos e pareceres, alguns emblemáticos, como o estudo do alargamento da praia de Copacabana, do sistema de limpeza dos esgotos de Paris, do aeroporto de Macau, do porto de Montevideu, entre outros. Esta presença internacional traduz-se ainda na participação em projetos de investigação internacionais, em parceria com entidades congéneres, nacionais e estrangeiras. O LNEC teve na sua génese a necessidade de acompanhar a investigação com a experimentação, que se mantém até hoje como uma das suas principais características e mais valias. Dispõe de instalações experimentais únicas no país para a modelação física de portos, estruturas marítimas e hidráulicas, barragens, pontes e outras estruturas, bem como ensaios sísmicos com modelos 3D em

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PAULA COUTO

plataforma triaxial, e ensaios em túneis de vento. Dispõe igualmente de elevadas capacidades laboratoriais para a caracterização, desenvolvimento e aplicação de materiais de construção. Além dos modelos físicos, o LNEC desenvolveu e aplica crescentemente metodologias e instrumentos avançados de computação com suporte em modelação matemática. Atualmente estão em curso no LNEC cerca de 100 projetos de investigação e inovação, co-financiados com fundos nacionais e internacionais, em diversas áreas como sejam as alterações climáticas, a economia circular, a eficiência energética ou os transportes e a mobilidade. Os estudos e pareceres em curso são mais de 1000 e incluem a monitorização de grandes infraestruturas, como barragens, pontes e túneis, a reabilitação ambiental da Base das Lajes e outros, incluindo a cooperação com os PALOP. O LNEC está ainda envolvido na elaboração e acompanhamento de documentos estratégicos, como o

Plano Nacional de Investimentos PNI 2030. Em complemento a estas atividades o LNEC promove a Qualidade na Construção, através da preparação de especificações, normas e regulamentos, homologação e classificação de novos materiais e componentes, e a certificação de empreendimentos da construção com a “Marca de Qualidade LNEC”. Tal como outros setores, no âmbito da Indústria 4.0, a Engenharia Civil tem vindo a modernizar-se, embora lentamente, apostando na digitalização. Por esta razão, e no sentido de potencializar a utilidade da informação digital desenvolvida, o setor engloba agora as atividades de Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação (AECO). A utilização da metodologia BIM (Building Information Modeling) é o instrumento que está a alavancar a modernização do setor, pelo facto de manter a informação disponível a todos os intervenientes no processo construtivo (projetistas – arquitetos e engenheiros, construtores / empreiteiros, gestores de imóveis e utilizadores) e ao longo de todas as fases desse processo (conceção, projeto, construção, operação, manutenção e utilização). Se por um lado, o trabalho colaborativo de todos os intervenientes num mesmo modelo BIM (construção de um modelo virtual) vem evitar muitos erros e aumentar a eficiência, por outro lado, a habitual perda de informação nas passagens de fases no processo construtivo deixa de acontecer, aumentando a eficácia. Esta revolução tecnológica vai tornar o setor AECO mais eficiente e eficaz. Trata-se de um setor muito importante para o PIB nacional, mas com processos ainda muito tradicionais. O mercado ainda não está preparado para esta revolução, sendo ainda necessário ultrapassar os desafios da formação e capacitação de pessoas e empresas, do investimento para a aquisição da tecnologia de suporte, da padronização da informação em ambiente digital, entre outros. A modernização da Engenharia Civil através da metodologia BIM está a ser desenvolvida no LNEC em todas as suas áreas de atuação (materiais, estruturas, edifícios, barragens, geotecnia, transportes, hidráulica e ambiente), mais especificamente nos aspetos da padronização da informação. Também a Gestão da Construção faz uso desta metodologia, o que lhe permite automatizar processos, criar ambientes colaborativos e gerir de uma forma eficaz toda a informação. As novas tendências, como a impressão 3D, o uso de drones, de laser scan, a realidade virtual ou o digital twins, baseadas na metodologia BIM, são tecnologias que serão cada vez mais usadas no futuro. ▪


DIGITAL CONSTRUCTION & BIM

“TEIMAMOS EM FAZER BOA ENGENHARIA” Numa altura em que o conceito BIM (Building Information Modeling) tem estado na ordem do dia, interessa compreender de que forma esta ferramenta irá fazer a diferença no futuro do setor da Engenharia. Assim, Domingos Moreira e Filipe Arteiro, Sócios da VE Concept – uma empresa projetista da área, que tem como intuito apresentar projetos integrados, com soluções de engenharia otimizadas – abordam, em entrevista, este e outros temas relevantes para um mercado competitivo, exigente e em constante evolução.

FILIPE ARTEIRO E DOMINGOS MOREIRA

À

frente da VE Concept – e com um percurso firme e consistente em projeto na área da Engenharia – está Domingos Moreira, Diretor Geral e Filipe Arteiro, Diretor de Produção. Em tempos colegas de curso, é há (quase) sete anos que se tornaram Sócios da empresa que se distingue no mercado por seguir a metodologia de Value Engineering. Com a missão principal de acrescentar valor em todos os seus projetos através de soluções pautadas pela qualidade, rigor e eficiência tão bem conhecidas no meio, o seu portefólio abrange clientes nacionais e internacionais, dando resposta a desafios em diversas áreas como edifícios, transportes e infraestruturas, indústria, energia e ambiente, com especial relevância nas áreas de estruturas e geotecnia. “Nós somos uma empresa que teima em fazer boa Engenharia. Concretizamos projetos com muita qualidade e somos bastante arrojados. As pessoas procuram-nos, essencialmente, porque aquilo que fazemos, fazemos bem”, garantem os nossos entrevistados. A trabalhar na sede da VE Concept, só nas áreas de estruturas e geotecnia, estão 12 pessoas. Em parceria estão outras tantas, uma vez que, a empresa, não só produz as melhores soluções, como é eficaz a coordena-las. No fim, todos vão ao encontro de uma essência comum: fazer o que de melhor existe em Portugal, na área da Engenharia. É este trabalho em equipa que, mesmo em tempos de pandemia, faz a diferença num mercado, cada vez mais, competitivo e exigente. Ape-

sar de o setor da Construção não ter sido dos mais afetados, a dinâmica e proximidade que existia numa fase pré-pandemia no seio da VE Concept acabou, naturalmente, por se ressentir. “Adaptamo-nos rapidamente e criamos as condições para o teletrabalho. No entanto, se primeiramente parecia simples trabalharem a partir de casa – e nós acreditamos que existe, de facto, alguma veracidade – deixa de o ser, quando são pessoas que, ao mesmo tempo, têm de cuidar dos seus filhos”, afirmam Domingos Moreira e Filipe Arteiro. Ainda assim, é legítimo afirmar que, se em algum momento a complexidade dos tempos que vivemos tomaram conta da realidade da empresa, rapidamente a ultrapassaram e hoje, orgulhosamente, os nossos entrevistados assumem ter “uma carteira de projetos muito confortável para os próximos meses e uma forte presença nos mais diversos setores de atividade”.

a «desenhar à mão», e com um tempo despendido a pensar e esquematizar numa tela em branco, acreditam que o BIM não faz Engenharia ou Arquitetura. “Permite apenas «arrumar» os elementos que compõem os projetos, de forma mais inteligente e integrada. Apesar de este conceito estar hoje em voga, a indústria Metalomecânica, por exemplo, já o trabalhava há décadas. Atualmente, está a começar de ser utilizado de forma mais abrangente, mas acreditamos que tem de ser algo progressivo e principalmente transversal a todas as fases de cada empreendimento, desde o projeto, passando pela construção, até à operação e manutenção, sempre sobre o mesmo modelo BIM

que vai sendo atualizado e completado”, asseguram os nossos interlocutores, acrescentando ainda que “na VE Concept utilizamos o BIM quando nos é requerido, apesar de sermos experientes e querermos obviamente acompanhar o desenvolvimento”. Mas então, quais são as verdadeiras vantagens desta ferramenta? “Se acompanharmos um projeto que já está preparado em BIM, a obra vai ser mais acelerada. Usar BIM tem ganhos de eficiência e tem ganhos de produtividade no empreendimento. Contudo, só vai ser, de facto, benéfico para o mercado, quando estiverem todos os stakeholders da construção dentro do conceito”, concluem Domingos Moreira e Filipe Arteiro. ▪

A QUE DESAFIOS VEM RESPONDER O BIM? O Building Information Modeling (BIM) surge na indústria da construção como uma solução de modernização e de reestruturação, estimulando a colaboração entre os seus agentes, incentivando a desmaterialização e elevando a importância de se obterem melhores e mais rápidos desempenhos e processos mais eficientes. Então, será este um ponto de viragem para o setor? Domingos Moreira e Filipe Arteiro olham para o BIM como uma ferramenta que, de forma alguma, irá substituir a natureza de um projeto. Defensores que o mesmo tem de começar pelo papel,

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“A ADOÇÃO DA METODOLOGIA BIM PROMOVE O AUMENTO DE PRODUTIVIDADE” Rita Moura licenciou-se em Engenharia Civil e, atualmente, é Diretora de Inovação da Teixeira Duarte e Presidente do Cluster AEC – Arquitectura Engenharia e Construção e da PTPC (Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção). Num momento em que a ferramenta BIM é alvo de especial atenção, a própria, explicou-nos as vantagens que surgem com a sua utilização. Saiba mais.

RITA MOURA

A

Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção (PTPC) tem como missão a promoção da vigilância do conhecimento e das tecnologias da construção, a promoção de consórcios de projetos de

ID&I, entre outros. Como classifica a evolução do setor em Portugal? A construção tem um gap de produtividade em relação às outras indústrias, sendo 1,7 vezes menos eficiente, fruto de conservadorismo e de o produto da construção ser um objeto único executado “in situ” e não em fábrica. É um problema global e também um grande desafio. O setor já percebeu que tem muito a ganhar com a transformação digital e com a integração de tecnologias da Indústria 4.0. Portugal tem um atraso, comparado com outros Países onde foi imposta a obrigatoriedade da adoção do BIM em concursos públicos. A PTPC tem promovido um ambiente favorável à incubação de ideias e dinâmicas que tem contribuído para

o progresso do setor da Arquitetura, Engenharia e Construção. De que forma a PTPC se tornou um agente ativo de promoção da inovação e competitividade do setor da construção, reconhecido nacional e internacionalmente? Quais diria que têm sido os fatores determinantes para a sua notoriedade? O principal fator de sucesso da PTPC é ser um movimento de dentro para fora das empresas, com genuíno interesse e envolvimento da indústria. As grandes empresas de construção, projetistas, PME´s inovadoras, universidades e entidades públicas, entenderam que tinham muito a ganhar com este trabalho colaborativo, usufruindo de forma massiva do potencial de conhecimento e tecnologia. A procura de convergências foi determinante, a recolha de todos os contributos, discutindo ideias e definindo linhas de desenvolvimento. O BIM surge na indústria do setor AEC como uma solução de modernização e de reestruturação, estimulando a colaboração entre os seus agentes, incentivando a desmaterialização e elevando a importância de se obterem melhores desempenhos e processos mais eficientes. A que desafios vem responder o BIM e, sobretudo, porque se tornou crucial? A capacidade de comunicar e o domínio da tecnologia foram, desde sempre, os grandes motores de evolução da civilização. O BIM é uma metodologia que funde estes dois drivers de mudança num só, com um efeito exponencial de desenvolvimento para o setor AEC. O BIM permite a construção virtual de um empreendimento físico (Digital Twin), incorporando toda a informação gerada ao longo do seu ciclo de vida e disponibilizando-a a todos os intervenientes. O Digital Twin tem a capacidade de incorporar dados recolhidos em tempo real (através de sensores, laser scanning), sendo gerada alarmística que auxilia na decisão e gestão, melhorando o desempenho e eficiência.

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O Prémio de Excelência BIM surge com o objetivo de promover a implementação BIM a nível nacional, através da disseminação e promoção de boas práticas – algo que este ano será atribuído pela PTPC em junho. Qual tem sido o papel da Plataforma na concretização deste objetivo? O Grupo de Trabalho BIM foi o primeiro a ser constituído, aquando da constituição da PTPC, há 10 anos. Entendemos, desde o início, que esse era o grande desafio que a construção tinha que abraçar. O BIM, como qualquer processo de transformação, tem muitas “resistências” e um percurso inicial difícil. Não é fácil convencer direções, que têm o trabalho organizado de uma determinada forma, a mudar, investir e requalificar recursos humanos, com a promessa de ganhos de produtividade a médio prazo, difíceis de vislumbrar. A PTPC tem aqui o grande papel de demonstrar e promover a transformação digital de forma organizada e integradora. Considera que o BIM foi um ponto de viragem no setor da Construção? Qual será o futuro do BIM e, principalmente, dos setores onde opera? O BIM é um ponto de viragem, reconhecido como o maior driver de mudança que ocorreu no setor AEC. A adoção da metodologia BIM promove o aumento de produtividade, sendo de esperar a médio prazo, uma redução de custo da construção de cerca de 20%. O BIM é a base sobre a qual se processa a transformação industrial do setor, com adoção da tecnologia da Indústria 4.0. O BIM é também a base para a implementação da Circularidade na Construção, com a identificação e rastreabilidade de todos os componentes da construção. O futuro do BIM é a sua massificação. A PTPC, através do laboratório colaborativo BUILT CoLAB, está a desenvolver um Plano Estratégico para a Transformação Digital do setor AEC que define o road map de implementação do BIM em Portugal, até 2030. ▪


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“O BIM PERMITE ECONOMIZAR CUSTOS, CRIAR PROJETOS MAIS PRODUTIVOS E CONSTRUIR COM MAIS RAPIDEZ” A plataforma BIMobject possui uma característica única e diferenciadora no mercado: reúne a maior “biblioteca de objetos BIM para construção do mundo”. Quem o diz é Leide Vianna, Account Execcutive da mesma e que, entre outros temas, nos explica o motivo pelo qual esta ferramenta é crucial para o futuro de um setor mais eficaz e sustentável.

O

BIMobject é um mercado global para a indústria da construção. Fornecem sobretudo inspiração de design e informações de produtos digitais para arquitetos e engenheiros, ao mesmo tempo que oferecem aos fabricantes de produtos de construção uma melhor forma de alcançá-los, influenciá-los e entendê-los. No fundo, que aspetos diferenciadores realçam a marca num mercado que é, cada vez mais, competitivo? Ao contrário de outros sites, o BIMobject é uma plataforma técnica que reúne a maior biblioteca de objetos BIM para construção do mundo. Somos o site de referência para todos os profissionais que já trabalham com essa metodologia. E é por isso que mais de 2.000 fabricantes confiam em nós. No ano passado duplicámos o número de fabricantes portugueses na plataforma, também com resultados muito bons. Marcas como Zagas ou Animovel são agora líderes em downloads em todo o mundo. O mundo vive atualmente a maior urbanização da história da humanidade. Este mundo, organizado por arquitetos e engenheiros, tem confiado no BIMobject para encontrar os produtos certos para os seus projetos. Que recursos e funcionalidades a marca disponibiliza? Hoje, o projeto de construção é digital. Com o cancelamento de feiras e eventos do setor, o nosso papel é mais importante do que nunca. O BIMobject reúne uma ampla gama de produtos reais de forma clara e estruturada. Conectamos fabricantes com mais de dois milhões de prescritores, aumentando a visibilidade, o tráfego e o posicionamento da marca no mercado. O BIMobject é o ponto de conexão virtual entre fabricantes e profissionais da AECO. Ao mesmo tempo, a construção representa uma ameaça ambiental. Estima-se que pré-

permite economizar custos, criar projetos mais produtivos e construir com mais rapidez, acabando por gerar um modelo digital idêntico ao da obra acabada. Erros de cálculo, colisões e interferências podem ser detectados na fase de projeto, evitando custos e desperdícios derivados desses erros. De que forma esta revolução tecnológica irá fazer a diferença no futuro? Os nossos usuários garantem que o BIM lhes permite economizar tempo, custos e melhorar a qualidade das propostas. Com um modelo BIM é possível prever e minimizar a pegada de CO2 do projeto e o desempenho energético do edifício. Cada vez mais os critérios de sustentabilidade são exigidos na construção e o BIM é a fórmula para responder a esses pedidos. Os fabricantes que já possuem objetos BIM têm uma vantagem competitiva muito importante: ser parte ativa desta revolução, permitindo que façam parte de projetos atuais e futuristas.

LEIDE VIANNA

dios e construções são responsáveis por 40 por cento das emissões mundiais de dióxido de carbono relacionadas com a energia. Contudo, o BIMobject acredita que existe uma melhor maneira: o BIM – Building Information Modeling. Para melhor entender, como funciona este processo no mundo da construção? O BIM está a popularizar-se mundialmente. Muitos países europeus já o exigem para licitações públicas. Os motivos são claros: o BIM

O BIM, é uma “modelação digital” partilhada em plataformas com arquitetos e engenheiros a trabalhar em sintonia, minimizando desvios entre projeto e construção. Será este o ponto de viragem para o futuro do setor mais sustentável? Sim claro. O BIM (Building Information Modeling) não é apenas sobre design digital, mas sobre como gerir informações de forma mais eficaz. Com o BIM, é criado um espaço de trabalho colaborativo na nuvem, onde todos os agentes do processo trabalham de forma conectada e com maior transparência. Nenhum dado é perdido e todas as informações são incluídas e geridas no mesmo modelo, desde a fase de projeto até à manutenção do edifício. A digitalização permite-nos construir de maneira mais inteligente, sustentável e rápida. ▪

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“O BIM É UMA FERRAMENTA CAPAZ DE APORTAR VALOR E EFICIÊNCIA AOS PROJETOS COMO UM TODO” A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Tiago Antunes, Sócio Gerente da Construtora Albarrã, que nos deu a conhecer as potencialidades do conceito BIM (Building Information Modeling) e como o mesmo tem ganho relevância e destaque no setor da construção.

A

Construtora Albarrã nasceu em 1985 e, desde a sua fundação, que tem mantido a sua identidade, desenvolvendo ao mesmo tempo, a sua cultura própria no respeito pelo espírito que sempre a norteou. De que identidade estamos a falar? Como define a marca que a empresa projeta em todas as suas iniciativas e que a tornam única no mercado? A essência da Construtora Albarrã assenta num conceito de empresa familiar, fundada há 36 anos, tendo os seus sócios fundadores resolvido iniciar este projeto colocando ao serviço dos seus Clientes as suas experiências e conhecimento combinados. A identidade desta empresa baseia-se numa aposta na permanência e melhoria contínua dos seus trabalhadores, quase como que se de uma família se tratasse. Esta não é uma abordagem puramente romântica, ela existe porque produz resultados com superiores níveis de produtividade das equipas e qualidade final do serviço prestado. Somos, sim, uma empresa que aposta em ser (re)conhecida por quatro vetores: Seriedade, Rigor, Profissionalismo e a Qualidade. É essa a nossa identidade. Uma das receitas para os bons resultados e clientes satisfeitos, passa pela qualidade dos serviços que presta e pelo modo profissional, eficiente e cuidadoso com que executa as suas tarefas. A sua atividade centra-se na construção civil e obras públicas, mas não só. Como resumem a vossa oferta de serviços? Correto, o nosso trabalho assenta na satisfação dos Clientes e na qualidade dos trabalhos que entregamos. Um cliente satisfeito é uma porta aberta para trazer novas referências. Além disso estamos atentos às necessidades e novas tendências do mercado, pelo que evoluímos na oferta dos serviços que prestamos. Atuamos assim em três grandes grupos: A Reabilitação Urbana, onde fazemos reabilitação e conservação de edifícios, tem assumido, nos tempos atuais uma importância acrescida para a sociedade e cultura portuguesas, uma vez que se torna necessário manter e preservar o património já edificado. Esta é atualmente a área para a qual a Construtora Albarrã é mais solicitada e para a qual diariamente aloca a maioria dos seus recursos. Atuamos tanto no setor residencial (eg. apartamentos, moradias, prédios) como no do comércio ou serviços (eg. escritórios, lojas, hotelaria, ambiente hospitalar). As Construções Novas, que são uma outra vertente onde temos crescido bastante, nomeadamente na construção de moradias, pequenos edifícios, muros, entre outros, nas quais aplicamos as melhores práticas existentes e com

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empresa que tem mão-de-obra qualificada e equipas competentes. Daí a aposta da Construtora Albarrã em reter os melhores e em criar esta cultura de equipa ou de família entre os seus colaboradores que referia há pouco. Relativamente à questão da digitalização, posso dizer que o setor da construção corre o risco de, por vezes, ser visto como um setor com práticas desatualizadas e pouco sujeito à tão em voga “transformação digital” das empresas. Mas acredito que esta transformação é muito importante! A adoção de tecnologia para agilizar e atualizar processos antigos tem sido crucial para nos conseguirmos destacar e para que os nossos Clientes estejam mais tranquilos e satisfeitos com a qualidade do nosso trabalho.

TIAGO ANTUNES

resultados garantidos de solidez, estabilidade, eficiência e durabilidade. E, ainda, fruto da nossa experiência com algumas autarquias, temos outra área de atuação que se insere nos Arranjos Exteriores. Temos equipas especializadas para trabalharem os espaços verdes no geral, mas igualmente, outros espaços de lazer como parques infantis, campos polidesportivos ou piscinas. PANTONE Reflex Blue C - 100%

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Num mercado em constante mudança, de que forma nos pode descrever a evolução do setor da construção em Portugal? A digitalização tem sido crucial para um setor mais eficiente? O setor da construção viveu um período de queda prolongada da produção por cerca de 10 a 15 anos no início do século. Nos últimos cerca de quatro anos tem havido uma tendência de retoma com mais encomendas e com as empresas do setor a conseguirem recuperar alguma da sua produção nacional, ainda que longe dos valores “pré-crise”. Este período de perturbação acabou por fazer desaparecer algumas das empresas do mercado e por provocar outros fenómenos como a emigração de mão-de-obra qualificada ou de tornar pouco atrativa uma carreira na construção civil para os jovens. Estes fatores fizeram com que seja cada vez mais importante poder-se contar com uma

Como tentativa de resposta a vários desafios que surgem na indústria da construção, o conceito BIM (Building Information Modeling) tem ganho um relevante espaço de discussão. Esta ferramenta é utilizada pela Construtora Albarrã? Que mais-valias apresenta? O BIM é efetivamente uma ferramenta capaz de aportar valor e eficiência aos projetos como um todo. São conhecidas as suas principais vantagens como o aumento da produtividade, a facilidade na deteção de conflitos nas especificações ou evitar a duplicação de tarefas. É claramente uma tendência no mercado, cada vez mais gabinetes de projeto adotam esta solução e nós, enquanto executantes desses mesmos projetos estamos aptos para contribuir para os mesmos. A Construtora Albarrã trabalha para um futuro risonho, propondo-se a manter e melhorar os altos níveis de profissionalismo e qualidade. Assim, que estratégia será adotada pela mesma, para permanecer ativa num mercado cada vez mais exigente? Temos uma carteira de Clientes interessante tanto no setor público como no setor privado, muitos inclusivamente são Clientes já de vários anos. Temos também muitos clientes que nos chegam por referenciação de outros clientes e por indicação de parceiros satisfeitos e isso é muito gratificante. Naturalmente sentimos que a nossa reputação vai sendo impactada positivamente e isso eleva o patamar de compromisso para com os nossos clientes. Acreditamos que a diferenciação se faz com Seriedade, Rigor, Profissionalismo e Qualidade, quatro valores que fazem parte da nossa cultura interna e que estão todos os dias no nosso horizonte. Só desta forma nos podemos sentir tranquilos, pois o nosso trabalho assenta na satisfação dos Clientes. É esta a pedra basilar para o nosso sucesso e futuro! ▪


COMUNICAÇÃO, LIDERANÇA E REPUTAÇÃO

“SOMOS EMPREENDEDORES (NATURALMENTE) IRREQUIETOS” “O gosto pelo que fazemos e, especialmente agora, a fazê-lo em parceria, potencia o desejo de irmos mais além”, afirma orgulhosamente Mafalda Flores, CEO da Blood.Com e Luís Simão, Owner & Coach Executivo da Greatboom. Juntos, têm o primordial objetivo de passar, através da força da complementaridade de ambos na área de comunicação, um reforço no incremento dos negócios. Conheça de que forma os nossos entrevistados pretendem fazer a diferença no tecido empresarial português.

P

rimeiramente interessa conhecer individualmente a Mafalda Flores e o Luís Simão. O que nos podem contar sobre o v/ percurso profissional? Mafalda Flores (MF) - Mais do que tudo, sou uma apaixonada pela vida e pelo que faço, sempre com grande exigência de mim mesma. Talvez porque desde nova percebi o que queria ser, fazer e como estar na vida. Sinto, hoje, que a minha opção por estudar Comunicação Empresarial já foi um reflexo, quase em consciência real, de como lá chegar. E os cursos de especialização que fui fazendo nas áreas do Marketing e Relações Públicas, vieram complementar o meu desejo de adquirir mais conhecimentos nesta área tão abrangente, que tanta influência tem sobre todas as outras envolventes. Ao longo dos meus 25 anos de carreira, tendo passado por prestigiadas multinacionais, foi no momento que decidi abrir o meu próprio negócio – Agência de Comunicação Blood.Com, que senti a realização total. O grande desafio que me apaixona é trabalhar marcas e projetos de áreas distintas, adaptando diferentes estratégias para cada um. Cada caso é um caso, mas o entusiamo e foco para gerar visibilidade passa sempre pela mesma metodologia - vestir a ‘camisola’ de cada marca e trabalhá-la como se fosse nossa. Marcar a diferença pela personalização. Luís Simão (LS) - O meu percurso iniciou em 1993 sem eu saber. Foi a minha carreira como jogador de basquetebol que me deu bases e experiência de trabalho em equipa, comunicação e liderança. Em 2000 iniciei a minha vida profissional como Personal Trainer e em 2009 entrei numa consultora como responsável de Teambuilding. A evolução foi inevitável para formador e coach, pois a paixão por ajudar os outros a evoluir é enorme. Internamente cresci até à posição de socio-gerente e trabalhei com todo o tipo

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MAFALDA FLORES E LUÍS SIMÃO

“A NOSSA MISSÃO É PASSAR CONHECIMENTO ATRAVÉS DE PARTILHAS, EXPERIÊNCIAS E INTERAÇÃO DIRETA COM AS MARCAS E SEUS RESPONSÁVEIS, DE FORMA QUE POSSAM APLICAR ALGUMAS DESTAS METODOLOGIAS E PÔR EM PRÁTICA INICIATIVAS QUE AS DISTINGAM FACE À CONCORRÊNCIA” de empresas, desde pequenas até multinacionais, em Portugal e no estrangeiro. Há 4 anos decidi dar o salto a solo e abri a minha própria empresa, com o principal objetivo de apoiar, de forma mais próxima e personalizada, o tecido empresarial português. O mais importante é conseguirmos perceber as reais necessidades de cada empresa para

definirmos as melhores estratégias e personalizarmos o nosso trabalho. Em que momento decidiram iniciar um percurso em dupla? Que mais-valias viam inicialmente nesta colaboração? O que é realizado atualmente faz jus ao que desejavam? MF - Conhecemo-nos profissional-

mente e a sintonia foi imediata. Foi um conjugar de energias que se complementam num equilíbrio Yin Yang. Apesar de termos especializações diferentes, as áreas de atuação convergem pelas várias experiências que temos tido ao longo do nosso percurso. Além de que partilharmos o gosto por muitas outras áreas de interesse. LS - Na verdade, a nossa primeira conversa foi exatamente isso, descobrir as diversas áreas que gostamos, trabalhamos, e que temos convergência de interesses e conhecimentos. O salto para querermos potenciar uma parceria e trabalhar em dupla foi simples e natural. MF - Somos empreendedores (naturalmente) irrequietos, pelo que decidimos desenvolver um plano de trabalho conjunto. LS - Sim, sentimos ambos a paixão pela Comunicação e o apelo por trabalhar com e para pessoas, evidenciando as áreas da Liderança, Auto-conhecimento e Reputação. E neste sentido, aproveitando esta nova realidade, onde o crescente do digital tomou a dianteira como veículo de partilhas e interação com o público, propusemo-nos a realizar alguns Webinars temáticos, Formações e Workshops que possam contribuir para um maior conhecimento dos empresários, empreendedores e demais interessados, que pretendam criar modelos eficazes de trabalho, com vantagem competitiva para os seus negócios. Qual é a marca distinta que, no fundo, pretendem deixar na área da comunicação? Que valor visam criar enquanto reforço no incremento dos negócios? MF – Estamos a apostar na diferenciação pelo conjugar das nossas valências, pela forma e conteúdo. Somos a nossa própria marca e acreditamos no impacto positivo que podemos gerar com o nosso trabalho. Foco, entrega, dedicação, orientação a resultados e, até, uma boa


COMUNICAÇÃO, LIDERANÇA E REPUTAÇÃO

dose de improviso (preparado) são pilares base da nossa estratégia. LS – E porque a Comunicação é essencial para o sucesso de um negócio, é crucial definir uma estratégia adequada à realidade de cada empresa. É um dos princípios base para a construção de uma forte cultura e reputação da empresa e, consequentemente, gerar resultados positivos. A nossa missão é passar conhecimento através de partilhas, experiências e interação direta com as marcas e seus responsáveis, de forma que possam aplicar algumas destas metodologias e pôr em prática iniciativas que as distingam face à concorrência. MF – As marcas que melhor comunicam com o seu público, com uma oferta de qualidade, são as que permanecem na memória e são (normalmente) a opção selecionada pelo consumidor na hora da compra. São vários os exemplos que conhecemos a nível nacional e internacional, e que, em situações mais complexas, como a pandemia que vivemos atualmente, mostram as que se vão mantendo e as que acabam por desaparecer… Manter uma boa reputação é prioridade para quem deseja alcançar determinados patamares e ampliar negócios. Assim, que estratégias diriam, de forma geral, que as organizações deveriam adotar e porquê? MF – Como já tive oportunidade de referir, a reputação de uma empresa anda de mãos dadas com a credibilidade e, está diretamente conotada com a sua imagem, ações e seus representantes. A relevância de existir um alinhamento entre a visão, a missão e uma estratégia de comunicação efetiva de dentro para fora, são fatores chave para o sucesso de um negócio. Havendo coerência nas ações e uma liderança forte, onde as práticas internas se refletem nos serviços/produtos oferecidos pela empresa, tornam-se uma vantagem competitiva, que naturalmente vão potenciar resultados positivos.

As práticas a adotar, com impacto na comunidade envolvente ou diretamente com o seu público-alvo, dependem de cada empresa/negócio e do mercado em que atuam. Certo é a necessidade de se comunicar com transparência, de forma clara e em alinhamento com a visão e missão da empresa. Outro aspeto a ser tido em conta por ambos é o Coaching. Atualmente é considerado como uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento pessoal e para a construção de equipas com elevado desempenho. Que outras vantagens este conceito, e mais concretamente com as vossas estratégias, dariam aos mais variados negócios? LS – Esta é uma área que adoro e onde tenho evoluído bastante nos últimos 3 anos, com experiências reais com indivíduos e empresas – Coaching Executivo, como na contínua aquisição de novos conhecimentos através de novos cursos e workshops certificados e, em particular, com alguns trabalhos de parceria com uma empresa intencional de formação, onde assumo o papel de coach/mentor de equipas em alguns ‘hackathons’ corporativos. A Mafalda é uma mais-valia complementar neste meu trabalho, começando a dar apoio em alguns módulos de formações e workshops mais orientados para a importância do binómio - comunicação interna e externa, ligada à liderança de equipas e, consequente, reputação das empresas. O propósito de gerar um Ciclo de Webinares dedicados aos Empresários e Empreendedores da Revista Pontos de Vista, são um veículo extra de partilha das suas experiências. Que temas e resultados são esperados para esta iniciativa? MF - Esta iniciativa surge da longa relação que já mantenho com a revista, mais propriamente, desde o lançamento da minha Agência. Vi nela um veículo credível e sólido para comunicar os meus serviços e partilhar alguns conteúdos/artigos de

opinião, nas minhas áreas de predominância comunicação e liderança no feminino. Estando agora nesta parceria com o Luís, que também já conhecia a revista, fez-nos todo o sentido avançar para uma sinergia que, acreditamos, ter tudo para dar certo. O objetivo é incrementar a presença dos empresários e empreendedores, que se associam à revista Pontos de Vista, a partilharem experiências e seus pontos de vista, face às temáticas em destaque na revista, fazendo a ponte com as áreas de comunicação e gestão de liderança. O primeiro Webinar – LEAD & COM, aconteceu com a celebração do 10º aniversário da revista, que serviu como ‘pontapé de saída’ para esta iniciativa, liderada por especialistas da área. Nesta edição 101, iniciamos então o Ciclo de Webinares temáticos, onde os ‘protagonístas’ são os empresários. Tanto eu como o Luís Simão estaremos, apenas, como moderadores, a apoiar e a desafiar as diferentes partilhas. LS – Mais uma vez, uma ideia concertada, que operacionalizamos em conjunto, com o propósito de incentivar as empresas a tirar o melhor partido de si próprios e das suas equipas, consoante os seus objectivos profissionais e pessoais, evoluírem e quem sabe até se reinventarem. A terminar, que força motriz está planeada para o desempenho da complementaridade de conhecimentos da Mafalda Flores e do Luís Simão? LS/MF – O gosto pelo que fazemos e, especialmente agora, a fazê-lo em parceria, potencia o desejo de irmos mais além. Estamos no início de uma expectável longa caminhada, onde certo está a vontade de fazermos acontecer com convergência de forças, ideias e dinâmica construtiva. Divertimo-nos muito nos nossos ‘brainstormings’ e capitalizamos ao máximo as nossas ideias… sendo que algumas começam já a tomar forma, com projetos a realizar para breve! ▪

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COVID-19 E O DIREITO LABORAL

MANUEL RAMIREZ FERNANDES, ADVOGADO ESPECIALISTA EM DIREITO DO TRABALHO DA RAMIREZ & ASSOCIADOS, SOCIEDADE DE ADVOGADOS, SP, RL

O FUTURO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO VETORES PREVISÍVEIS DE EVOLUÇÃO

Foi recentemente apresentado na concertação social o “Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho”. Esse documento apresenta diversos objetivos e estratégias, mas confronta-nos com a realidade ligada ao atraso em competências digitais da maioria das empresas portuguesas e com o fenómeno da baixa literacia digital da nossa população ativa. Os baixos níveis de escolaridade que ainda existem em Portugal podem representar uma séria limitação aos objetivos do “Livro Verde”. VEJAMOS ALGUNS DOS VETORES EM QUE PODERÁ ASSENTAR ESSA EVOLUÇÃO DAS RELAÇÕES DE TRABALHO:

1º - O redeployment. Este conceito aparece como uma alternativa a um instituto que se tornou muito conhecido em tempo de pandemia: o lay-off. E o mecanismo do redeployment apresenta uma grande simplicidade concetual e claras vantagens relativamente ao lay-off. No redeployment os empregadores que têm excesso de mão-de-obra podem ceder trabalhadores a empregadores que apresentem falta de mão-de obra, reduzindo esse custo. Os trabalhadores permanecem ativos e não têm qualquer perda de rendimento. O utilizador desse excesso de mão-de-obra pode criar, ou não, um vínculo jurídico próprio com esse grupo de trabalhadores, mantendo a flexibilidade da gestão do seu nível de emprego. O Estado não fica onerado com o custo social que lhe cabe no âmbito do lay-off. Esta estratégia assenta num conceito de “economia partilhada”, e, caso seja implementada com sucesso, não só evitará a existência de largos períodos de tempo de inatividade dos trabalhadores em lay-off (com suspensão ou redução do tempo de trabalho), como poderá evitar a destruição de emprego através dos procedimentos de despedimento coletivo que, muitas vezes, se sucedem aos períodos de lay-off. É uma figura próxima da cedência ocasional de trabalhador já existente no Código do Trabalho, mas sem a limitação de só poder ser utilizada entre sociedades coligadas, em relação societária de participações recíprocas, de domínio ou de grupo, ou entre empregadores que tenham estruturas organizativas comuns (entre outros requisitos legais). No regime jurídico laboral português existem ainda outras figuras próximas do redeployment ao nível setorial (por exemplo, na limpeza e segurança), comummente designados como “sub-rogação contratual”, que se impõe às empresas de forma imperativa, com um desenho inspirado no instituto da transmissão de estabelecimento constante do Código do Trabalho. A um nível mais individual, também existe uma figura próxima a esta no âmbito das relações jurídicas laborais emergentes dos contratos de

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trabalho desportivo celebrado entre os futebolistas profissionais e os clubes ou sociedades desportivas filiadas na Liga Portuguesa de Futebol Profissional, onde os clubes podem ceder temporariamente jogadores a outros clubes. E, muito provavelmente, aqui residirá o requisito para que o redployment possa ser adotado em Portugal: ocorrer através da negociação coletiva entre associações de empregadores setoriais, em negociação com as correspondentes associações sindicais, aproveitando essa fonte de direito específica do Direito do Trabalho. Tem também a vantagem da ponderação das especificidades de cada setor da economia e a vontade dos sujeitos de direito coletivo do trabalho (em representação dos seus associados), em alternativa a uma regulamentação geral e abstrata por via de lei. No entanto, temos algumas dúvidas que esta figura possa ser inserida por via de negociação coletiva sem alterar o do Código do Trabalho, acrescentando a possibilidade de, por contrato coletivo ou acordo coletivo, ser também criado e regulado o redeployment. 2º - O reforço dos direitos laborais nas plataformas digitais. Existe também a intenção de criar uma regulamentação específica para as relações laborais que decorrem em plataformas digitais. E a necessidade dessa criação nasce, sobretudo, porque a atual regulamentação laboral é omissa quanto às relações que se desenvolvam nessas plataformas e o regime geral é insuficiente para cobrir as relações laborais nesse ambiente. A ideia é seguir os exemplos de alguns países europeus e criar uma “presunção de laboralidade” específica para estes profissionais que, até à presente data, são classificados como trabalhadores independentes. Por exemplo, nos termos da lei que regula os TVDE (transporte em veículo descaracterizado), os motoristas não

prestam serviço diretamente a qualquer plataforma digital (por exemplo, a UBER), mas a operadores intermediários. Já os profissionais que funcionam como estafetas podem desempenhar uma relação materialmente laboral com as respetivas plataformas (por exemplo, Glovo e Uber Eats), caso exista uma relação de trabalho direta. Mas o legislador português (e europeu) irá deparar-se com a (provável) dificuldade de que a grande maioria destes profissionais poder querer sacrificar a segurança do vínculo contratual laboral, face ao desejo de manutenção da

MANUEL RAMIREZ FERNANDES


COVID-19 E O DIREITO LABORAL

flexibilidade profissional característica da autonomia de um profissional liberal. 3º - Trabalho à distância, teletrabalho e “nómadas digitais”. É público que os grupos parlamentares e o Governo português têm intenção de alterar a regulamentação laboral do teletrabalho, com especial ênfase na criação de modelos híbridos (entre trabalho presencial e remoto). E essa necessidade parece ser consensual. Existem diversos projetos a serem elaborados, quer por via da alteração do regime jurídico existente no Código do Trabalho, quer por via da criação de regulamentação autónoma complementar ao regime geral (modelo que já existe para outras matérias). Parece também consensual que deverão ser criadas mais situações em que o teletrabalho possa ser imposto ao empregador pelo trabalhador, para além das duas já contempladas na lei (violência doméstica e trabalhadores com filho de idade até 3 anos). Seja como for, antevemos alguma dificuldade em separar a evolução do regime relativamente a um trabalhador com o qual as empresas já tenham um vínculo laboral (teletrabalho interno ou superveniente), com o regime que deverá ser aplicável a um teletrabalhador especificamente contratado para laborar nesse modelo (teletrabalho externo ou originário). Os contextos são diferentes na sua concretização e enquadramento negocial. Relativamente aos chamados “nómadas digitais”, este fenómeno tendencialmente não se irá inserir no âmbito de relações de trabalho subordinadas, e parece-nos pouco impactante, em termos de volume, na criação de emprego. Tem mais apetência para a promoção de atividades profissionais autónomas, numa escala e âmbito internacional. A colagem do trabalho à distância e teletrabalho com objetivos ligados à promoção do (re)equilíbrio territorial, em zonas das áreas metropolitanas, ou próximas, fora dos centros mais congestionados, parece-nos fundamental. Poderá conseguir diminuir a intensidade dos fluxos de mobilidade diária urbana e interurbana e promover assim economias locais mais sustentáveis, juntamente com a promoção da qualidade de vida dos trabalhadores abrangidos. Inultrapassável parece ser o caráter voluntário (para ambas as partes) desta evolução. 4º - A Cibersegurança e tecnologias da informação e comunicação. Emerge no tecido empresarial europeu uma grande procura de profissionais especializados em tecnologias de informação e comunicação, bem como de especialistas em cibersegurança. São duas áreas cujo crescimento da procura não é acompanhado pela oferta de emprego, porque não existem em número suficiente profissionais qualificados. A chamada “transição digital” da economia ainda não evoluiu o suficiente, para que o mercado de trabalho acompanhe esta evolução da procura destes profissionais. É mais um fator que poderá dificultar a implementação dos objetivos do “Livro Verde sobre o Futuro das Relações de Trabalho”. 5ª - Inteligência artificial e algoritmos. O pro-

“EMERGE NO TECIDO EMPRESARIAL EUROPEU UMA GRANDE PROCURA DE PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS EM TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO, BEM COMO DE ESPECIALISTAS EM CIBERSEGURANÇA” jetado investimento no desenvolvimento de infraestruturas e no progresso de bases algorítmicas de Inteligência Artificial (IA), nomeadamente através da melhoria da utilização dos dados públicos e industriais, com criação de repositórios de dados que permitam uma IA de “confiança”, afigurasse-nos uma área em que haverá seguramente uma evolução (tal como já existe noutros países desenvolvidos). Mas é uma área paradoxal relativamente à criação de emprego, uma vez que, num primeiro momento, impactará mais como fator de desemprego, nos termos do mais variados estudos e ensaios que se conhecem. É uma área com um potencial imenso, mas cujas consequências no emprego serão tendencialmente negativas no atual estado das competências digitais e literacia de dados relacionadas com a inteligência artificial em que estão a maioria dos setores da nossa economia. Neste setor é preciso avançar com muito cuidado.

6º - Período normal de trabalho semanal. Com o evento da pandemia, algumas empresas reduziram o período normal de trabalho semanal, passando a trabalhar quatro dias por semana. Em França já se pratica um PNT de 32 horas e em Espanha chegou a ser apresentada uma proposta de lei para redução do PNT para 32 horas. Em Portugal, o “Livro Verde para o Futuro das Relações Laborais” é omisso quanto a essa possibilidade, não obstante dedicar um capítulo aos “Tempos de Trabalho, conciliação entre a vida profissional e a vida familiar e direito à desconexão”. Em tempos de pandemia, com larga erosão do tecido empresarial pelo impacto económico devastador nalguns alguns setores, e pela dimensão da maioria das empresas portuguesas (sobretudo micro, pequenas e médias empresas) esta possibilidade, para já, não está a ser equacionada. Mas vários especialistas internacionais consideram que, no futuro, essa será a tendência, até como fator de redução do desemprego que possa decorrer dos avanços da evolução tecnológica. ▪

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IMOBILIÁRIO – NOVAS TECNOLOGIAS E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL DO SETOR

“O MERCADO IMOBILIÁRIO É UM REFLEXO DA ECONOMIA A UMA ESCALA LOCAL E GLOBAL” O setor imobiliário tem sido, a par de tantos outros setores, um forte motor económico a nível mundial, estando atualmente a abrir «portas» à digitalização. Contudo, na opinião de Sandra Matos - Consultora Imobiliária na Real Estate & Business Advisor - a aposta nas novas tecnologias “já deveria estar implementada há cerca de cinco anos e atualmente, a temática tecnológica, já seria noutro sentido”. Saiba o porquê.

Q

uando é que foi edificado o espaço Sandra Matos – Real Estate & Business Advisor e que balanço podemos perpetuar da dinâmica da marca no mercado e da sua intervenção no mesmo em prol da satisfação do cliente? O serviço de consultoria que presto no setor imobiliário e na área de negócios foi desenvolvido no início deste ano, tornando-se assim numa adaptação ao mercado, face às circunstâncias sócio-económicas do País e às novas rotinas em que todos vivemos. A dinâmica da marca já existe por natureza, sendo um fator relevante para o setor imobiliário. A satisfação do cliente passa apenas na concretização dos seus objetivos em tempo útil, garantindo assim a realização dos seus investimentos na melhor tomada de decisão face às oportunidades de mercado. Num mundo em constante mudança, as empresas e organizações têm de adaptar os seus serviços às necessidades dos clientes – também elas em transformação diária. O que concretizam, para acompanhar a sociedade neste processo e assim diferenciá-la de um mercado altamente competitivo? No fundo, porque devemos escolher a Sandra Matos – Real Estate & Business Advisor? A mudança no mundo já aconteceu há cerca de cinco anos atrás, sendo que adaptação só está a suceder agora, tanto das empresas como das organizações, daí não considerar um mercado competitivo. Todos os desperdícios e prejuízos gerados no passado vão ter que ser agora recuperados. A forma que tive de contornar este “delay”, foi concretizar primeiro os resultados e depois realizar o processo em vigor no mercado. Ou seja, normalmente temos o processo para chegar ao resultado, no meu percurso acabo por começar pelos resultados e depois concretizo o processo, rentabilizando assim tempo, concretizo a eficiência e eficácia, garantindo assim uma maior qualidade de serviço. Procuro sempre resultados excecionais!

SANDRA MATOS

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Para melhor entender, como nos pode descrever o mercado imobiliário atualmente, atendendo ao atual contexto


IMOBILIÁRIO – NOVAS TECNOLOGIAS E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL DO SETOR

pandémico em que vivemos? Pode-se ler em variados sítios que o investimento imobiliário será, provavelmente, um dos vencedores da crise financeira. Concorda com esta afirmação? O mercado imobiliário é um reflexo da economia a uma escala local e global. O entendimento do mercado face às circunstâncias atuais, apenas requer uma adaptação, como qualquer outra fase do setor que possamos vir assistir. Sim, concordo. O mercado imobilário sempre foi vencedor tanto numa crise financeira, como numa fase de conjuntura económica positiva. Apenas é necessário entender as variáveis do setor e saber quais as decisões certas a tomar face às circunstâncias sócio-económicas. Acredita que o mercado imobiliário terá um papel relevante na recuperação e crescimento da economia? Na sua opinião quais serão a principais tendências para o mercado imobiliário após a pandemia? O mercado imobiliário e a área de construção são setores com forte impacto na economia, logo é relevante para a recuperação e crescimento da mesma. O mercado imobiliário vai ter anos atípicos e tendências que nunca existiram. Uma das tendências, é o aumento da procura de moradias e de áreas exteriores. De que forma é que a pandemia aportou uma clara necessidade de aposta em Novas Tecnologias no setor? Como é que vocês apostaram fortemente na digitalização? A aposta nas novas tecnologias no setor tem que ser geral, porque a área de negócio concretiza-se sempre com parceiros de negócio. Há empresas com mais de 100 colaboradores e com uma impressora à disposição! A digitalização já deveria estar implementada há cerca de cinco anos e atualmente, a temática tecnológica, já seria noutro sentido. Ao longo do meu percurso, invisto na formação e procuro sempre sugerir implementação de meios tecnológicos, na medida em que me desloco entre Lisboa e Porto, com dossiers de trabalho e de estudo. A rentabilização de espaço e tempo, compenso com rácios elevados de eficiência e

eficácia. Assistimos a uma nova era tecnológica, ao colapso de informação obsoleta e à elevação da inovação por via de meios tecnológicos. Com a crescente digitalização, existe a ideia de que isso poderá provocar um maior afastamento com o cliente. Que passos devem de ser seguidos para que a proximidade com o cliente se mantenha e seja um pilar de confiança neste relacionamento? A digitalização apenas rentabiliza espaço e tempo. A relação com o cliente é a mesma, sendo que poderá ter formas diferentes e uma relação complementada com a interatividade das novas tecnologias. A relação de proximidade com o cliente existe sempre, mesmo que a forma possa mudar.

“O MERCADO IMOBILIÁRIO E A ÁREA DE CONSTRUÇÃO SÃO SETORES COM FORTE IMPACTO NA ECONOMIA, LOGO É RELEVANTE PARA A RECUPERAÇÃO E CRESCIMENTO DA MESMA. O MERCADO IMOBILIÁRIO VAI TER ANOS ATÍPICOS E TENDÊNCIAS QUE NUNCA EXISTIRAM. UMA DAS TENDÊNCIAS, É O AUMENTO DA PROCURA DE MORADIAS E DE ÁREAS EXTERIORES”

Um dos seus lemas passa pelo gosto de ensinar e assim alcançar melhores resultados através da extensão do conhecimento por um maior número de pessoas. Como o perpetua e quão importante é esta dinâmica fundamental na sua área de atuação? A minha área de atuação é o meio para atingir os objetivos, a importância dessa dinâmica é ter impacto na vida das pessoas e na economia do meu País. Quais são os principais desafios da marca para o futuro e o que podemos continuar a esperar da vossa parte? Transformar o impossível em possível! Escolher a Sandra Matos – Real Estate & Business Advisor, é…? Sempre o mesmo... O seu sucesso, é o nosso sucesso! ▪

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PONTOS DE VISTA NO FEMININO

GRUPOCONCEPT

“CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO” Sandra Castanheira, Administradora do GrupoConcept e líder de uma equipa focada em objetivos, confidenciou-nos que, talvez um dos fatores-chave para o sucesso deste tão (re) conhecido grupo, seja a motivação e a satisfação profissional de cada colaborador. Para a própria, ser líder, é dar as ferramentas certas para que tal seja uma realidade.

P

rimeiramente gostaríamos de conhecer melhor a Sandra Castanheira. Quem é enquanto mulher e profissional? Desde muito jovem, sempre senti que existiam lugares e comportamentos aceites quando frequentados ou tidos por homens e limitados ao sexo feminino. Isso foi algo que sempre me causou bastante incómodo e desencadeou da minha parte ações que visassem a alteração desta visão social. Hoje em dia, como mulher, sinto fazer parte do início de uma sociedade igualitária entre géneros, ainda com um grande caminho por percorrer, na qual sinto que tenho a responsabilidade de participar. A minha contribuição é diária, tanto como profissional e gestora de uma equipa maioritariamente feminina em cargos de direção, como pessoal, na educação da minha filha a quem faço questão de passar estes valores de igualdade entre os géneros. É difícil falar de mim como profissional individual, pois considero que pertenço a uma equipa extremamente competente, com foco no crescimento, na elevada qualidade dos serviços prestados e na satisfação dos clientes. Gosto de pensar que possuo também as mesmas características do grupo com o qual trabalho e que tanto admiro. Dou primazia à criatividade e à inovação, tendo sempre em conta que as estruturas base sejam sólidas e que permitam a inclusão de novos conceitos sem deterioramento dos anteriores. A título pessoal, que características diria serem fulcrais para se singrar no mundo da liderança? Acredito que um líder deve ter, em primeiro lugar, uma visão bem definida de quais os objetivos que pretende conquistar e tem que possuir a capacidade de partilhar essa visão com os restantes elementos do grupo, a ponto que esta se torne um objetivo comum. É fundamental que tanto as competências profissionais como pessoais sejam compreendidas e utilizadas da melhor forma. Cabe também ao líder a tarefa de permitir uma eficiente articulação interpessoal através de uma clara definição do papel de cada colaborador na organização, para que se possam obter os resultados pretendidos, enquanto se estimula a motivação, a satisfação profissional de cada um e consequentemente a sensação de pertença à organização. No GrupoConcept sempre tivemos este conceito em mente e talvez seja este, um dos fatores do nosso sucesso.

Atualmente é Administradora do GrupoConcept que visa, sobretudo, democratizar a

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SANDRA CASTANHEIRA

beleza ao permitir que todas as mulheres tratem de si, recorrendo a tecnologia de ponta e profissionais especializados. Como é pertencer a um Grupo com uma estrutura de sucesso e reconhecimento? Apenas pontualmente me apercebo da dimensão da nossa estrutura e do reconhecimento que o grupo apresenta no exterior. Como elemento atuante e bastante integrado nos processos diários da operação acabo normalmente por ter uma visão de “dentro para fora”, focada no que pode ser melhor, como podemos chegar mais longe e no que podemos trazer de novo. Recebo com uma grande satisfação a tomada de consciência deste reconhecimento, que surge como uma sensação de trabalho cumprido e como uma recompensa do esforço empreendido não só por mim, mas também pelos mais de 700 colaboradores que diariamente se empenham em representar as nossas marcas com a máxima qualidade. Na realidade este sempre foi o nosso objetivo, a criação de uma marca forte presente em vários países e que pudesse oferecer serviços de estética, aos melhores preços com a melhor qualidade.

Tendo em conta que a sociedade se encontra em constante mudança, de que forma têm conseguido reinventar-se e adaptar-se, sem nunca esquecer as necessidades dos mais de 1 milhão de clientes que já passaram pelas clinicas Bodyconcept e DepilConcept? Felizmente para o grupo, a preocupação geral com o bem-estar físico e psicológico tem tido um crescimento bastante significativo nos últimos 15 anos. Quando iniciámos a marca, acreditávamos que esta preocupação já existia, mesmo que de uma forma mais latente. Apesar desse aumento favorável na procura da área de serviços que são prestados nas nossas clínicas, nos últimos anos o consumidor tornou-se mais informado e mais exigente e por esse motivo a nossas adaptações têm sido, por um lado focadas na aposta constante na formação dos nossos profissionais tanto ao nível do atendimento geral como na aplicação dos serviços, e por outro no aumento da oferta de novos serviços apoiados em novas tecnologias, tais como a cavitação, a radiofrequência, e recentemente o laser e a Criolipólise. A manutenção dos valores iniciais da marca, que passam por um atendimento personalizado e uma adequação dos nossos serviços e produtos às necessidades individuais de cada cliente, é também, por si só, uma das características que tem permitido a continuidade e a expansão da marca. Os valores que são assumidos, enquanto elementos definidores do GrupoConcept, são transversais a todos os profissionais e às várias áreas em que atua, mostrando-se decisivos para a sua evolução e o seu contínuo sucesso. Assim, o que podemos esperar da marca para o futuro promissor? Tal como referi anteriormente, a inovação é algo que considero fundamental para que a BodyConcept e a DepilConcept possam continuar a ser consideradas as marcas de referência na área da estética e do bem-estar. Temos neste momento, várias equipas focadas principalmente no crescimento de quatro áreas. Estas são o aumento do número de unidades, tanto em território nacional como internacional, a inclusão de novas ferramentas de trabalho nas clínicas, que permitam aumentar a eficiências das equipas no atendimento ao cliente, o aumento da comunicação dos nossos produtos e serviços através de novos canais que permitam chegar a mais clientes e o desenvolvimento através do aumento da variedade, da linha de cosmética exclusiva Concept +. ▪


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“A ESTÉTICA É E SERÁ CADA VEZ MAIS UM NEGÓCIO DE SUCESSO” Susana Martins Nunes, Administradora do GrupoConcept, tem como objetivo primordial elevar o negócio da estética aos mais altos padrões de sucesso. De que forma? Através da expansão internacional e, acima de tudo, da consolidação no mercado nacional. Mas não fiquemos por aqui. Conheça tudo.

É

no ano de 2005 que nasceu a BodyConcept e em 2007 a DepilConcept com o objetivo de se criar em Portugal uma nova forma de olhar para os cuidados de saúde e beleza. Afirma-se que esta área de mercado é pouco acessível e que o novo conceito destas duas marcas veio colmatar esse facto. De que forma? As marcas BodyConcept e DepilConcept são atualmente líderes de mercado nas suas áreas de atuação, nomeadamente os tratamentos de estética corporal e facial, e na DepilConcept a prestação de serviços de fototerapias a luz pulsada e serviços de depilação a laser. O conceito BodyConcept veio colmatar uma necessidade do mercado de serviços de estética acessíveis, uma vez que o mesmo possui um pacote mensal de 24 tratamentos de estética de corpo e rosto por apenas 55€. Esta oferta é acessível a toda a população portuguesa e está aliada a um método próprio de prestação dos serviços e acompanhamento personalizado focado na obtenção de resultados por parte da cliente. Na BodyConcept encontra também a maior oferta de pacotes de tratamentos de estética do mercado, além do recurso a tecnologia de ponta, o que é também a razão de sucesso da marca. Na DepilConcept o diferencial dos serviços que presta baseia-se no seu método exclusivo de prestação do serviço, com qualidade e preço acessível, aliado ao fato de ser a única clínica de fotodepilação que garante os resultados dos clientes por escrito. Esta nova forma de encarar a beleza foi uma aposta ganha, como tem sido demonstrado pelo crescimento da rede de clínicas, em sistema de franchising, com mais de 100 clínicas de norte a sul do país. Quais diria que têm sido os fatores-chave no reconhecimento das marcas da qual é Administradora? As razões do sucesso de ambas as marcas são, efetivamente, a qualidade dos serviços prestados aos clientes quer a nível de tratamentos, quer por franchisados, e o seu conceito único e exclusivo. Os serviços que prestamos, onde sempre primámos pela qualidade e por termos as melhores práticas do mercado, proporcionam a todas as clínicas o acesso a uma constante inovação tecnológica, apoio presencial na abertura, na gestão diária, na gestão de marketing e operacional, bem como acesso a frequentes formações proporcionadas a toda a rede de colaboradores e franchisados. Interessa conhecer melhor a Susana Martins Nunes e a sua história. O que nos pode contar sobre o seu percurso até chegar à atual posição?

SUSANA MARTINS NUNES

Sou licenciada em Gestão de Empresas pelo ISCTE, e sempre dediquei a minha vida à área comercial, de marketing e de gestão de franquias. Trabalhei em algumas redes de franchising quer em Portugal, quer no estrangeiro, nomeadamente nos EUA e no Brasil. Tendo um pai empresário, sempre tive por objetivo ter um negócio próprio, após ganhar experiência em várias multinacionais que me proporcionassem o complemento da formação académica. Aos 30 anos achei que estava no momento certo para o fazer e, juntamente com dois colegas, fundámos a BodyConcept. Desde o seu lançamento foi formatada para a expansão de franchising: logótipo, manuais de expansão, escolha da localização, criação da sua missão, valores, etc. As primeiras 2 franquias foram entregues 3 meses após a abertura clínica piloto e o sonho tornou-se realidade. Mais tarde, criámos a DepilConcept e mais recentemente a marca de produtos ConceptPlus, que além se serem utilizados nas nossas clínicas e vendidos nas clínicas BodyConceopt e DepilConcept, podem também, desde março, ser adquiridos no novo site www.careconceptstore.com. Além destas 3 empresas (BodyConcept, DepilConcept e ConceptPlus) e da gestão de 7 clínicas próprias, estamos atualmente com clínicas no Brasil, Polónia, Cabo Verde, Sérvia, e foram fechados contratos de Master franchisado em 2020 para abertura de clínicas também na Irlanda, República Checa e Eslováquia. Todos nós somos movidos diariamente por

algo que nos fascina, por querer fazer mais e melhor ou por um objetivo concreto que desejamos alcançar. Qual tem vindo a ser o seu estímulo diário ao longo dos anos? Fascina-me o crescimento, e esse fascínio é partilhado quer pelos meus sócios, quer pelas nossas diretoras e equipas. Mesmo em pandemia o ano passado foi o ano em que a média de faturação da rede Depilconcept mais cresceu, entregámos mais 3 master internacionais, a BodyConcept teve vários meses em que se bateu o histórico de vendas de 15 anos. Lançámos o site da Concept+, abrimos várias clínicas em Portugal e alcançámos as 100 clínicas no país. Este Março, mês em que abrimos as clínicas ao dia 15, batemos os objetivos em todas as 7 clínicas próprias e as 2 redes só na primeira semana já tinham batido os valores de faturação do ano passado onde tivemos que encerrar no dia 22, devido ao Covid-19. Paralelamente a este estímulo de ver a empresa crescer, motiva-me o adorar o que faço e a independência pessoal e familiar que ser empresária me proporciona. Acredita que atualmente, os desafios continuam a ser maiores quando é uma mulher a enveredar pelo mundo dos negócios bem como em cargos de liderança, como no caso da Susana Martins Nunes? Num mundo de negócios maioritariamente masculino, no geral para as mulheres o desafio continua a ser efetivamente maior, quer dentro das organizações, pela forma como são encaradas as suas capacidades e disponibilidade, quer pela necessidade de terem que conciliar a sua profissão com uma exigente gestão familiar. A maioria das nossas colaboradoras são mulheres, a maioria das nossas franchisadas também, embora também tenhamos casais franchisados e homens à frente das nossas clínicas. Acredito na capacidade das mulheres, na sua força, polivalência e inteligência e a prova do seu sucesso é o facto de termos várias franchisadas a gerir as clínicas com os maridos, sendo este um negócio de família. A terminar, qual continuará a ser o seu papel no GrupoConcept, dando seguimento à cronologia de sucesso? A estética é e será cada vez mais um negócio de sucesso. Os nossos objetivos futuros além da expansão internacional, e consolidação no mercado nacional, passarão pela diversidade de oferta quer de produtos, quer de serviços dentro desta área. Continuarei a trabalhar em prol da rede, das minhas equipas e do crescimento do grupo. ▪

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PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“A ÁGUA RECICLADA É UTILIZADA NOS NOSSOS PROCESSOS INTERNOS, MAS TAMBÉM É PRODUZIDA PARA SER USADA EM LAVAGEM DE RUAS, NA REGA DE ESPAÇOS VERDES, NA INDÚSTRIA E ATÉ NA CLIMATIZAÇÃO DE EDIFÍCIOS” ANA SILVEIRA

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PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“A ATIVIDADE DA ÁGUAS DO TEJO ATLÂNTICO É MUITO IMPORTANTE NO CICLO URBANO DA ÁGUA” Ana Silveira, CEO da Águas do Tejo Atlântico – Grupo Águas de Portugal, contou à Revista Pontos de Vista que a empresa tem tido, essencialmente, três eixos de atuação: “Pessoas, excelência de serviço e utilidade social”. Entre muitos feitos, proteger ecossistemas, garantir a qualidade da água e do ambiente e salvaguardar a saúde pública tem sido o foco principal de toda a equipa que compõe a organização. Conheça mais.

A

Águas do Tejo Atlântico é uma empresa de saneamento da área da Grande Lisboa e Oeste, garantindo a eficiência dos serviços públicos de águas, no sentido da proteção da saúde pública, do bem-estar das populações, da acessibilidade aos serviços públicos, da proteção do ambiente e da sustentabilidade económica e financeira do setor. Qual tem vindo a ser o método que eficazmente tem utilizado para a concretização deste objetivo? A Águas do Tejo Atlântico rege-se pelo contrato de concessão celebrado com o Estado, sendo responsável pela gestão em “alta” do sistema de recolha, tratamento e rejeição do efluente de 23 municípios da Grande Lisboa e Oeste, abrangendo cerca de 2,4 milhões de habitantes e explorando 103 Estações de Tratamento de Águas Residuais. Quando aceitámos o desafio de liderar esta empresa fizemo-lo com o compromisso de honrar a missão de interesse público que lhe foi cometida pelo Estado e em conjunto com os municípios nossos parceiros. A Águas do Tejo Atlântico é avaliada e monitorizada pelo seu desempenho relativamente aos objetivos de gestão pelo concedente, pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), através das métricas de serviço público, e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) em função do cumprimento dos objetivos ambientais mensurados pelos parâmetros das licenças de descarga. Resumindo, estas três entidades regulam e avaliam o desempenho da Águas do Tejo Atlântico que tem registado resultados muito positivos desde o início da sua atividade. A empresa acompanha permanentemente as novas tendências e continua no processo evolutivo de transição para a economia circular, numa lógica de reduzir, reciclar, reutilizar. De que forma o realizam? Quais têm sido das iniciativas neste sentido? A economia circular está no ADN desta empresa. A atividade da Águas do Tejo Atlântico é muito importante no ciclo urbano da água para preservar a qualidade do ambiente e das massas de água e para salvaguardar a saúde pública, mas não paramos aqui. As nossas ETAR são também verdadeiras Fábricas da indústria circular, uma vez que os resíduos gerados no processo de tratamento de águas residuais são reduzidos, reciclados e reintroduzidos no ciclo produtivo.

A água reciclada é utilizada nos nossos processos internos, mas também é produzida para ser usada em lavagem de ruas, na rega de espaços verdes, na indústria e até na climatização de edifícios. As lamas resultantes do processo de tratamento são utilizadas como fertilizante agrícola, uma vez que grande parte dos solos em Portugal são pobres do ponto de vista da carga orgânica. E, por fim, produzimos biogás, através das lamas, para autoconsumo, diminuindo a dependência de combustíveis fósseis. Na Águas do Tejo Atlântico trabalham cerca de 400 profissionais que operam diariamente para garantir ainda a qualidade das praias, rios e lagoas localizadas. Uma vez que estamos perto da estação do verão, qual é o processo a desenvolver para garantir efetivamente a qualidade de que falamos? Como referiu, a nossa equipa é composta por cerca de 400 pessoas, homens e mulheres, competentes, profissionais e dedicados, cuja missão principal, todos os dias do ano, é garantir o cumprimento das licenças de descarga, assegurando que a água que devolvemos às massas de água (ribeiras, rios e mar) chegam em condições ambientalmente seguras, protegendo os ecossistemas e garantindo a qualidade da água das praias. Só no ano de 2020 tratámos 194 milhões de metros cúbicos de esgoto. A Ana Silveira é atualmente CEO da Águas do Tejo Atlântico e tem como visão levar a empresa a ser reconhecida nacional e internacionalmente, como uma referência no setor da água em Portugal. A nível pessoal, o que falta ainda concretizar? Ainda falta tanto para concretizar, mas, neste momento, estou completamente comprometida com este projeto e com esta equipa, o que significa compromisso com a causa pública, uma vez que prestamos um serviço essencial à população com um impacto muito significativo na qualidade de vida de muitos portugueses. Qual tem vindo a ser o seu lema, numa sociedade onde ainda se discute com regularidade a desigualdade de oportunidades entre os géneros? Que características diria serem fulcrais para se singrar no mundo dos negócios? Vivemos numa sociedade que tem presenciado uma mudança de paradigma no que diz respeito à paridade de género. Acredito que essa evolução tem sido feita, não com base no

194M MILHÕES

“SÓ NO ANO DE 2020 TRATÁMOS 194 MILHÕES DE METROS CÚBICOS DE ESGOTO”

elemento distintivo do género, mas com base no mérito das mulheres que trabalham para conseguir chegar a lugares de topo. As características não são distintas entre os géneros. A visão, o sentido de compromisso, a resiliência, a capacidade de transformar problemas em oportunidades, a capacidade de ouvir e de envolver as equipas na resolução dos problemas e na descoberta de novos caminhos a trilhar pelo setor são ferramentas fundamentais. Para acabar, qual continuará a ser a posição da Águas do Tejo Atlântico para os próximos meses? Algum projeto planeado? A atual administração definiu uma estratégia para este mandato alicerçada em três eixos de atuação – pessoas, excelência de serviço e utilidade social – que refletem a ordem de prioridades da nossa atuação, até porque uns têm precedência sobre os outros. Sem pessoas qualificadas e motivadas não há serviço e sem serviço não há utilidade social. Com base nestes eixos, definimos 7 objetivos já para o ano de 2021: investir na qualificação e valorização dos trabalhadores, melhorar as condições de segurança e proteção dos trabalhadores e das instalações, melhorar a organização interna, adotar uma política efetiva de gestão de ativos, melhorar a qualidade de serviço, aprofundar o conceito das Fábricas de Água na lógica da economia circular e apostar na inovação interna de processos. ▪

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PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“GARANTIMOS A SATISFAÇÃO DO CLIENTE COM UM SERVIÇO CHAVE-NA-MÃO” A Deckpool nasceu da consolidação do seu posicionamento no mercado, que surgiu no seguimento da exponencial procura pelos serviços de construção de piscinas. Fomos conversar com a “imagem de marca” associada à Deckpool, ou seja, com a CEO da entidade, Clementina Nazário, que nos deu uma imagem mais vincada e profunda sobre as mais valias que a empresa tem vindo a aportar ao mercado.

A

Deckpool é a marca mais recente do grupo FNConsulting, que nasceu no seguimento do trabalho já realizado no setor das piscinas, associado à área de negócio da empresa mãe, que se dedica à construção e remodelação de casas e apartamentos. Quais os motivos pela qual decidiu lançar uma marca própria? Na verdade, a FNConsulting tem uma abrangência superior à referida pois, além de atuarmos no sector da construção e remodelação, onde se incluem as piscinas, também prestamos serviços nas áreas de telecomunicações, imobiliário e certificação energética. A Deckpool é uma consequência natural da consolidação do nosso posicionamento no mercado, que surge no seguimento da exponencial procura pelos nossos serviços de construção de piscinas. Já fazemos este trabalho há anos, em parceria com outros empreiteiros que subcontratam os nossos serviços, por não terem mão de obra especializada para o efeito. Com o aumento da procura e satisfação dos clientes, pelo nosso desempenho e oferta integrada, decidimos criar uma marca específica, dedicada a este segmento. De forma independente, que serviços e soluções foram «desenhados» especificamente para a Deckpool? Primeiramente não queremos ser vistos, apenas, como ‘mais uma’ marca de piscinas. Somos especialistas e focamos nas nossas mais valias. Oferecemos um serviço completo, com design à medida e construção de raiz. Temos uma equipa de profissionais que faz o estudo prévio, projeta e define os melhores critérios de execução. A partir daí, selecionamos os melhores materiais, dentro das gamas que representamos e, também, o sistema de filtragem da água mais adequado. A qualidade da água tem uma importância acrescida, pois as piscinas precisam de cuidado e manutenção para se conservarem em perfeitas condições de transparência e desinfeção. Na Deckpool desenvolvemos todo um ‘know-how nessa matéria, disponibilizando diversos métodos para o tratamento das águas, desde o Oxigénio ativado, ao Tratamento por UV, por Electrólise de salina, Bromo ou Ionização. Com isto garantimos a satisfação do cliente com um serviço chave-na-mão. Com a evolução desta área de negócio e do setor – cada vez mais – competitivo, que estratégia será utilizada pela Deckpool para se

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profissionais competentes. A vasta experiência que fomos adquirindo nos últimos anos, cumulativamente com a satisfação demonstrada pelos nossos clientes, tem sido motivo de grande orgulho, refletindo-se «no passa a palavra» e contínua referenciação de novos projetos, que nos tem levado para um crescimento sustentado.

CLEMENTINA NAZÁRIO

consolidar e distinguir no mercado? Somos conhecidos no mercado pelo nosso profissionalismo, dedicação e qualidade no serviço que prestamos, nomeadamente na área da construção civil. A mesma filosofia se aplica à Deckpool, onde privilegiamos o acompanhamento personalizado dos projetos, execução e manutenção dos mesmos, com uma equipa de

A Clementina Nazário é, atualmente, CEO da Deckpool – uma marca recente, contudo, com um historial e percurso consistentes. Enquanto líder da sua própria organização, que marca pretende deixar no mercado? Podemos dizer que sou a ‘imagem de marca’ associada à Deckpool, por também assumir a vertente comercial e estar em contacto direto com os nossos clientes e parceiros. Contudo, isso reflete-se em todas as áreas de negócio do grupo, uma vez que estou envolvida a 100% com todas, garantindo o melhor nível de qualidade dos nossos serviços. Por isso, vejo-me mais como uma boa gestora de projetos e pessoas, do que propriamente uma líder. Sou muito feliz no que faço e orgulhosa deste meu percurso. Para o futuro, onde gostaria de elevar a Deckpool? Quais são os planos/projetos que tem planeados para dar seguimento a um setor de atividade em crescimento? Acreditamos que este ‘nicho’ de mercado ainda tem espaço para crescer e nós queremos estar no top das referências. Acompanhamos as tendências e as piscinas, ganharam uma nova expressão, principalmente nesta nova realidade que vivemos devido à pandemia. Existe uma maior apetência por se criarem espaços exteriores envolventes, onde se inserem as piscinas, mesmo que de menor dimensão. O futuro da Deckpool estará assente numa oferta completa e (ainda) mais diferenciada, onde o cliente só tem de escolher o tipo de piscina que pretende. A nossa equipa fará o estudo, projeta e executa a obra à medida, usando os diversos equipamentos que disponibilizamos para o efeito. Complementamos esta oferta com um serviço de manutenção e, caso também pretendam, definimos toda a atmosfera em redor da piscina, criando o jardim ideal para um maior conforto do espaço envolvente. ▪


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“NINGUÉM ESTÁ SOZINHO NESTE GRUPO” O Grupo Healthways nasceu em 2006 para dar voz ao apreço pela dignidade da vida humana e à prestação de cuidados de excelência em termos técnicos e humanos, com total sentido de responsabilidade. Constança Dias Ferreira é, atualmente, General Manager da marca e, segundo a própria, o que a move é garantir que todos os que lá trabalham se sintam bem e concretizados.

I

nteressa compreender primeiramente quem é a Constança Dias Ferreira. O que nos pode contar sobre o seu percurso? Natural de Coimbra, licenciei-me em Direito pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa e é entre as duas cidades que vivo atualmente. Desde cedo tomei consciência de que o meu futuro passaria pela carreira empresarial, o que se veio a verificar logo no início da minha vida profissional, apesar de, na altura, ter sido numa área diferente da que me encontro neste momento.  Embora reconheça que a minha formação base foi e tem sido essencial para o meu percurso, senti necessidade de adquirir conhecimentos de gestão, e as funções que fui assumindo assim o exigiam, o que me levou a dirigir o  focus  da formação para essa área e, mais recentemente, especificamente em gestão da saúde. Atualmente exerce a função de General Manager na Healthways – um grupo que nasceu em 2006 com o propósito de desenvolver a sua atividade, essencialmente, no âmbito dos meios complementares de diagnóstico, nomeadamente Imagiologia, Cardiologia, Gastroenterologia e Análises Clínicas. Como é pertencer e representar uma marca que visa melhorar as condições de saúde e da qualidade de vida das populações? Representa uma grande responsabilidade. Estamos sempre a falar de pessoas e para pessoas. É difícil não causarmos impacto na vida dos que nos procuram e temos essa consciência. Por outro lado, sendo o nosso core os meios complementares de diagnóstico, é extremamente gratificante saber que podemos marcar positivamente as suas vidas. A Healthways desempenha assim um papel decisivo na medicina preventiva e contribui para incrementar a performance da medicina. De que forma tem mantido um nível de qualidade de serviços nas diferentes áreas onde atua? Felizmente a saúde está em constante evolução

CONSTANÇA DIAS FERREIRA

e nós temos conseguido não só acompanhar como contribuir para o seu desenvolvimento. A qualidade dos nossos serviços resulta de uma combinação multidisciplinar, desde a ética e profissionalismo do corpo clínico, a qualidade dos equipamentos, o cuidado no atendimento e um grande sentido de compromisso de todos os que fazem parte do Grupo Healthways.

co colaboram ou com quem temos o privilégio de poder contar. Ninguém está sozinho neste Grupo. É importante que todas as perspetivas sejam consideradas, estarmos abertos a receber feedback construtivo, clarificar expectativas e certificarmo-nos de que damos resposta, definimos objetivos e que efetivamente direcionamos a organização para os atingir.

Todos nós somos movidos diariamente por algo que nos fascina ou pelo desejo de querer concretizar um objetivo particular. Assim, qual tem vindo a ser o seu estímulo diário ao longo da sua carreira profissional? O que a move? Evidentemente, a liderança de uma empresa, ou de um grupo empresarial, não pode dissociar-se do intento de retorno do investimento. Porém, esse não é o seu exclusivo propósito. A mim move-me garantir que as pessoas se sentem bem a trabalhar connosco e refiro-me a médicos, enfermeiros, técnicos, administrativos, fornecedores, parceiros e todos os que connos-

Por fim, que outros projetos gostaria de ver desenvolvidos pela Healthways e que desafios se impõem atualmente à prestação de cuidados de excelência em termos técnicos e humanos? Vivemos tempos extremamente exigentes. Felizmente, isso não nos tem impedido de criar ferramentas que nos permitem enfrentar novos desafios. Estamos empenhados em apostar na expansão territorial e na criação e desenvolvimento da Academia Healthways, tendo consciência de que a melhoria em termos de processos e desenvolvimento tecnológico quer-se contínua e, acima de tudo, estruturada. ▪

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PONTOS DE VISTA NO FEMININO

“PORTUGAL TEM UM GRANDE POTENCIAL PARA QUEM SABE VER A OPORTUNIDADE”

A

Ao falarmos de «oportunidades», temos de mencionar a Empowered Startups: a marca que olha para Portugal como um verdadeiro “conto de fadas”, em vários componentes que, Laura Bock Blumes, Diretora Geral da empresa em Portugal, fez questão de enumerar. A intenção passa, sobretudo, por acelerar e preparar ideias inovadoras de negócios internacionais e é, para esse propósito, que trabalham diariamente com profundo entusiasmo.

través de parcerias com atores-chave e instalações de investigação de alto nível, a Empowered Startups acelera e incuba ideias inovadoras de negócios internacionais. Que resultados e conclusões têm vindo a surgir ao longo dos anos desta atividade? A Empowered Startups cresceu rapidamente, intencionalmente, e eu diria com sabedoria, nos 12 anos desde o nosso início. Começamos como uma fundição de empreendimentos e agora temos operações em 5 países em 3 continentes e incubamos mais de 350 empreendimentos. Estamos profundamente

“TIVE A SORTE DE, AO LONGO DA MINHA CARREIRA, ENCONTRAR MUITAS OPORTUNIDADES DE TRABALHAR COM PESSOAS MUITO TALENTOSAS. AS EQUIPAS DE ALTO DESEMPENHO QUE LIDEREI E DAS QUAIS FIZ PARTE SÃO AMBICIOSAS E CONSTRUÍRAM OPERAÇÕES ROBUSTAS” LAURA BOCK BLUMES

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gratos com a força das nossas parcerias, principalmente com as instituições públicas com as quais trabalhamos para patrocinar pesquisas inovadoras. Em Portugal, celebramos os laços com a Universidade do Algarve, com o Brigantia EcoPark e com o Instituto Politécnico de Bragança, e com o Politécnico de Leiria. Estamos muito satisfeitos por fazer parte da nova rede de incubadoras no Algarve, a RediAl.

Nestes 12 anos de lançamento de empreendimentos, aprendemos muito, é claro. Também vimos provas da veracidade de dois dos nossos princípios orientadores. Em primeiro lugar, de forma consistente e repetida, vemos a prova de que a inovação pode ser valorizada e escalada internacionalmente usando a nossa metodologia disciplinada e baseada em dados. Não é uma fórmula simplista - é uma prática sistemática e focada. Em segundo lugar, vemos provas de que os chamados ecossistemas de inovação “secundários” apresentam oportunidades significativas que muitas vezes não são exploradas. Nos ecossistemas primários / metropolitanos, como Paris ou Vale do Silício ou Lisboa, as atividades são hipercompetitivas e efêmeras. No entanto, essencialmente o mesmo capital circula entre, essencialmente, o mesmo grupo restrito de partes interessadas, de modo que é quase contraproducente para a verdadeira inovação. Nos ecossistemas secundários, como o sul e o norte de Portugal, as atividades têm um ritmo mais lento, é verdade. No entanto, a comunidade de inovação é verdadeiramente colaborativa e focada no desenvolvimento de longo prazo. Como resultado, quando um empreendimento inovador cria raízes, ele pode florescer e tornar-se um empreendimento viável que fortalece ainda mais o ecossistema local. Por exemplo, um dos programas que oferecemos em Portugal é o programa de incubação de empresas HQA. O programa HQA é concebido para atender às necessidades de executivos internacionais talentosos. Atrai profissionais altamente qualificados que procuram lançar um novo empreendimento em Portugal, no âmbito do seu plano pessoal de eventualmente procurar a cidadania ou residência permanente em Portugal. Trabalhamos com profissionais autofinanciados de todo o mundo, todos com diferentes formações e áreas de especialização. Trabalhamos com todos, d e s d e oftalmologistas a


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

nificativo. Trabalhamos com profissionais bem financiados que lançam negócios inovadores com capacidade de expansão; este é o nosso negócio. Portugal tem um grande potencial para quem sabe ver a oportunidade. Quando vejo o trabalho visionário desenvolvido pelos nossos parceiros, como Hugo Barros no CRIA da Universidade do Algarve, Alex Rodrigues no Brigantia EcoPark e Ana Sargento no Politécnico de Leiria, renovo continuamente a minha confiança no potencial de Portugal.

PRESIDENTE E CONSELHEIRO GERAL DA EMPOWERED STARTUPS CHRIS LENNON (E) A ASSINAR O ACORDO DE PARCERIA COM O REITOR DA UNIVERSIDADE DO ALGARVE PAULO ÁGUAS (R)

“A EMPOWERED STARTUPS DESENVOLVEU UM SISTEMA QUE COMBINA A NOSSA EXPERIÊNCIA COM O TRABALHO DOS MAIORES TEÓRICOS DE INOVAÇÃO E STARTUPS DO MUNDO” CFOs, programadores de criptomoedas e especialistas em GIS. Todos são especialistas nas suas áreas, mas muitos nunca iniciaram o seu próprio negócio antes de trabalhar connosco. Eles estão empolgados, mas também um pouco apreensivos antes de iniciarem o nosso programa. Todos os nossos programas de incubação HQA estão em ecossistemas de inovação secundários em Portugal. Nós combinamos a experiência dos executivos com o trabalho de pesquisa complementar sendo feito em uma de nossas instituições de pesquisa parceiras. O executivo financia a pesquisa e contribui com sua expertise, e nós apoiamos na valorização das atividades de pesquisa. Desde o início, o novo empreendimento está conectado às redes profissionais internacionais existentes do executivo. À medida que o empreendimento cresce na segurança da nossa incubadora, o seu ecossistema doméstico em Portugal beneficia de pontes para o mundo. É uma vitória para todos. Vemos esses resultados a manifestarem-se repetidamente e, no entanto, de todas as vezes, admito, fico entusiasmada. Para melhor entender, como é realizado este processo? De que forma aceleram o rumo dos negócios ao sucesso? A Empowered Startups desenvolveu um sistema que combina a nossa experiência com o trabalho dos maiores teóricos de inovação e startups do mundo. Aproveitamos a metodologia LEAN, o modelo Quintuple Helix Innovation e a teoria de aprendizagem Flipped Classroom, entre outros. Passo a passo, as nossas startups validam os seus modelos de negócios e, em seguida, usam essa aprendizagem contínua baseada em dados para aumentar a sua escala.

A chefa do nosso Global Startup Accelerator, Naheed Henderson, liderou a construção da Empowered Startups Platform, que afetuosamente chamamos de ESP. É o nosso burro de carga digital. É parte ferramenta de colaboração, parte plataforma de treino, parte pasta digital, tudo empacotado num sistema incrivelmente intuitivo. Funciona tão bem, está a ser usado em departamentos de transferência de tecnologia de universidades e programas patrocinados pelo governo. Existe até uma versão dele a ser usada por alunos do ensino médio, chamada YES (Young Empowered Startuppers). Todos os nossos empreendimentos são apoiados pelo ESP. A aceleração para o sucesso acontece através da prática sistemática e focada de seguir a nossa metodologia. A Empowered Startups afirma que o ecossistema de startups em Portugal, é um mercado de alto potencial. A seu ver, quais são os motivos que fomentam esta ideia? Portugal está num ponto de inflexão. Tem quase tudo o que é necessário para crescer exponencialmente, como uma nação voltada para a inovação. Mencionei o modelo Quintuple Helix Innovation anteriormente. O modelo é baseado em cinco elementos: academia, sistemas legislativos, cultura popular, ambiente natural e capital econômico. Portugal tem um enorme talento nas suas instituições de ensino, o seu ambiente legislativo é propício a negócios inovadores, o seu ambiente natural é incomparável e valorizado em conformidade e a sua cultura é aberta e colaborativa, com uma saudável dose de desafios. Francamente, Portugal é como um conto de fadas tornado realidade. Tudo o que falta é um capital económico sig-

Enquanto Managing Director da Empowered Startups, conta com um percurso fortemente consolidado no que diz respeito à liderança. Quais diria que têm sido os fatores fundamentais na sua história para este (merecido) reconhecimento? Esta é uma pergunta gentil, mas na verdade eu simplesmente tive sorte. Tive a sorte de, ao longo da minha carreira, encontrar muitas oportunidades de trabalhar com pessoas muito talentosas. As equipas de alto desempenho que liderei e das quais fiz parte são ambiciosas e construíram operações robustas. A nossa equipa na Empowered Startups International é muito forte. A equipa de liderança, em particular, possui diversos conjuntos de habilidades e forças complementares. O nosso CEO e cofundador Paul Girodo tem uma visão e direção tremendas, e o nosso presidente e conselheiro geral, Chris Lennon, é muito sensato e disciplinado. Naheed Henderson, a chefa do nosso programa Global Startup Accelerator que mencionei anteriormente, traz sua excepcional habilidade de pensamento lateral e clareza de propósito. Trabalho em estreita colaboração com o nosso VP de Desenvolvimento de Negócios Shawn Olson, cujas notáveis ​​habilidades de divulgação aumentam continuamente a amplitude e a profundidade de nossas redes de parceria. Temos sucesso como uma equipa. Se há uma coisa que posso reivindicar, é que, quando a oportunidade me bateu à porta, tive a sabedoria de reconhecê-la, a coragem de a abrir e a determinação de empreender o que encontro. A oportunidade em Portugal é incrível. Acho que nos próximos dez anos será a vez de Portugal começar a brilhar de novo. Que marca gostaria de deixar na sociedade, enquanto impulsionadora de vários negócios de sucesso? Novamente, uma pergunta muito gentil. Como uma pessoa, não sei se minha marca será visível, mas acredito que posso ajudar a construir o impulso necessário para trazer mudanças positivas. Fala-se muito sobre como redefinir o capitalismo, para que seja mais inclusivo, para que o desenvolvimento econômico beneficie genuinamente a sociedade que o apoia. Com a nossa atuação em Portugal, e o mesmo em todas as nossas operações, apostamos em inovações que nos movam para uma forma de empreendedorismo sustentável. Somos otimistas práticos. ▪

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INOVAÇÃO & TECNOLOGIA

“A ESTRATÉGIA DA NORMAX PRETENDE O RECONHECIMENTO GLOBAL” Reconhecida mundialmente, a Normax – Fábrica de Vidros Científicos, apresenta-se no mercado com poderosas componentes de inovação e qualidade, caraterísticas que a diferenciam e a tornam reconhecida no setor. Jorge Casal, Diretor Geral da marca, afirma que, a curto prazo, a estratégia da mesma “assenta na inovação da arte da eficiência”. Saiba mais.

JORGE CASAL

A

Normax é hoje um exemplo claro de uma marca que tem no seu ADN uma dinâmica ino-

vadora e de aposta em conceitos tecnológicos desenvolvidos e de vanguarda. No sentido de contextualizar junto do nosso leitor, de que forma é que a marca tem vindo a assumir uma posição de relevo no mercado em que atua, assumindo níveis de satisfação elevados por parte de cliente? A Normax é um fabricante de vidro laboratorial reconhecido mundialmente que, estrategicamente, está a implementar uma alteração de imagem para ser reconhecido como um fornecedor global de material de laboratório e hospitalar. Este conceito está sustentado num

plano de inovação centrado nos processos produtivos e logísticos. Os nossos clientes reconhecem a qualidade do produto Normax, a inovação dos processos é fundamental para manter e aumentar a fidelização existente, a toda a gama de distribuição. A Normax apresenta-se como um fabricante multifacetado no universo da vidraria para laboratório, quer a partir das suas linhas automáticas de transformação de vidro, quer através do fabrico manual. Desta forma, quão fundamental tem sido a vertente da Inovação no sucesso da marca e no reconhecimento do mercado? Os produtos e mercados onde a Normax atua, são extremamente normalizados e regulados, o reconhecimento da marca pelo mercado está em grande parte relacionado com a nossa capacidade de cumprir com os requisitos normalizados. Os sistemas de inovação nas linhas automáticas incidem mais sobre o processo, enquanto no fabrico personalizado, a inovação e desenvolvimento incidem muito mais sobre o produto. Esta estratégia permite que o mercado reconheça a Normax como fiável no produto de catálogo e capaz nos produtos personalizados. Mais uma vez a estratégia da Normax pretende o reconhecimento global. De que forma é que existe uma preocupação recorrente da marca em aliar a Inovação à Qualidade? É legítimo afirmar que esses são os dois grandes focos da marca? Quando, praticamente todos os produtos da Normax são normalizados e obrigados a cumprir os requisitos definidos, a Qualidade está enraizada em todas as atividades, aliás, o sistema de gestão da Qualidade está implementado há mais de 20 anos. Tal como referido anteriormente, a estratégia atual está mais focada na Inovação de processos, por isso, nem há distinção entre Inovação e Qualidade,

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todos os projetos são naturalmente assumidos com estes dois conceitos incorporados. Para que sejam alcançados produtos de excelência e inovadores, quão fundamental tem sido a vertente da investigação e criação no seio da marca? É essencial compreender a ligação entre, por exemplo, o design do produto e do seu custo de produção? Quando analisamos o vidro laboratorial, na maioria dos casos, não existe qualquer valor sentimental sobre o mesmo, é uma commodity, nesse sentido a dependência entre o design e os custos de produção são importantíssimos. Apesar de não ser o core business da Normax, ao longo do tempo, temos estabelecido parcerias com vários designers que pretendem incorporar componentes de vidro nas suas coleções. Paralelamente, há um nicho de mercado onde a Normax tem apostado e é reconhecida como fabricante inovador de componentes de vidro para incorporação em candeeiros de assinatura. Nestes dois segmentos, a inovação ao nível do design está muito menos limitada, pois os custos de produção têm uma maior possibilidade de serem transpostos para o valor do produto. O que podemos continuar a esperar da Normax de futuro e quais são os principais desafios, ao nível da inovação, que podemos esperar da mesma? Nos próximos tempos os grandes desafios identificados pela Normax, são ao nível da inovação tecnológica, estamos a fazer alterações tecnológicas profundas com a incorporação da visão artificial e da robótica colaborativa. Esta visão será complementada com a inovação logística, pois a Normax acredita que a logística cada vez mais será um fator diferenciador.Podemos afirmar que a estratégia de curto prazo na Normax assenta na inovação da arte da eficiência. ▪


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Revista Pontos de Vista Edição 101  

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