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Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda. Junho 2017 | EDIÇÃO Nº 65 - Periodicidade Mensal | Venda por Assinatura - 4 Euros

J. Pereira da Cruz em destaque

XXXII JORNADAS INTERNACIONAIS DE OFTALMOLOGIA Grupo Pestana em destaque

Nuno Gomes “Foram NECESSÁRIOS dez anos para as pessoas acreditarem em nós e nas nossas ideias inovadoras”

FOTO: rui bandeira

Fundador da Bluemater

Lideranç a no Feminino,

amanhã nas bancas


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Maria Cruz Garcia,

XXXII JORNADAS INTERNACIONAIS DE OFTALMOLOGIA

Sócia da J. Pereira da Cruz, S.A. e SecretáriaGeral do Grupo Português da AIPPI

Índice DE TEMAS

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E A MEDICINA DE PRECISÃO

Diretor Geral da Medtronic, em entrevista

e a importância das Pessoas

OPHIOMICS

Luís Lopes Pereira,

Grupo Pestana

FICHA TÉCNICA

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3 JUNHO 2017

Propriedade, Administração e Autor Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda.


PROPRIEDADE INDUSTRIAL

OPINIÃO DE Maria Cruz Garcia, Sócia da J. Pereira da Cruz, S.A. e Secretária-Geral do Grupo Português da AIPPI

ASSIM HAJA VONTADE POLÍTICA

pontos de vista

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Ainda no rescaldo do Dia Mundial da Propriedade Intelectual fomos convidados a fazer uma análise do sistema de protecção da propriedade intelectual em Portugal.

direitos conexos como a Propriedade Industrial é o ramo do direito que protege a “paternidade” de todas essas criações do espírito humano.

Neste âmbito, começaríamos por explicar que este dia, comemorado sob a égide da OMPI – Organização Mundial da Propriedade Intelectual, visa sensibilizar a sociedade civil e os órgãos políticos para a importância dos direitos de propriedade intelectual (PI) como vectores de desenvolvimento. Afinal, sem criação não há inovação e sem inovação dificilmente haverá desenvolvimento.

Do “simples” clip à revolucionária Via Verde, passando pelas marcas dos produtos e serviços que consumimos diariamente, ou por qualquer criação intelectual exteriorizada, tudo são realidades que, de uma forma ou de outra, recaem sob a alçada desta tutela de modo a assegurar a protecção do seu criador ou inventor, atribuindo-lhe direitos de exclusivo, com o intuito de garantir a lealdade da concorrência.

O Direito da Propriedade Intelectual que engloba tanto os direitos de autor e

Este ano a OMPI lançou como tema de reflexão “Inovação: Melhorando Vidas”

(“Innovation – Improving Lives”). De facto, todos aqueles que têm a capacidade de ver num problema um desafio e, ao encontrarem forma de o ultrapassar, criam algo com utilidade para todos, ajudam a melhorar a vida de quem beneficia das suas invenções. Assim são os exemplos destacados pela campanha da OMPI este ano, um pouco por todo o mundo: um painel no Peru que recolhe a água do ar para ser tratada e fornecida à comunidade local; uma impressora 3D de uma universidade americana que regenera tecido humano danificado; um serviço de transferência de dinheiro por telemóvel e microfinanciamento no Quénia; soluções de energia renovável


PROPRIEDADE INDUSTRIAL

A ideia por detrás de um sistema eficaz e eficiente de protecção da propriedade intelectual é que sejam reconhecidos e atribuídos os direitos de exclusivo ao responsável pela invenção. Como facilmente se percebe, quanto melhor for o ambiente de protecção, melhores são as condições para que um país transforme conhecimento em inovação. Não basta, portanto, falar em “promover a inovação”, é preciso, antes de mais, criar as condições necessárias para assegurar uma tutela efectiva da inovação que vier a ser criada. Nesse âmbito, e interpelados pelo tema lançado pela OMPI, decidimos analisar o regime de propriedade industrial vigente, numa altura em que Portugal se prepara para transpor a Diretiva (UE) 2015/2436 do Parlamento Europeu e do Conselho que, na nossa opinião, deverá ser aproveitada para uma profunda revisão do Código da Propriedade Industrial. Para além deste objectivo de revisão da lei que, segundo julgo saber, é partilhado pelo Governo, parece-me sobretudo importante, nesta fase, garantir uma eficaz participação de todos os meios interessados nas discussões que possam resultar em propostas de revisão do texto legal. De facto, neste âmbito, a história recente mostra-nos que as alterações legislativas em matérias eminentemente técnicas em muito beneficiam com a participação dos especialistas e dos vários intervenientes do sector. Que bom seria se, à semelhança do que já aconteceu para a elaboração de outros códigos da propriedade industrial, o INPI, a indústria (CIP), representantes das PMEs e de outras associações que acompanham os temas de PI (ACPI, AIPPI, AMEP), os advogados, os agentes oficiais e outros eventuais interessados fossem chamados a participar no processo legislativo, contribuindo de forma construtiva para a criação de um sistema de protecção da propriedade industrial. O ideal seria, obviamente, que por iniciativa governamental, fosse criado um grupo de trabalho multidisciplinar que tivesse como missão a apresentação de uma proposta de revisão do código, a qual caberia, depois, aos responsáveis governa-

mentais aceitar ou rejeitar. Assim, quem fosse decidir sobre a matéria, saberia que estava perante um documento de trabalho sério, elaborado por uma equipa multidisciplinar qualificada, cujo intuito seria apresentar a melhor solução possível para a protecção da PI em Portugal. Não é, sequer, uma crítica à forma como as coisas se processaram nas últimas alterações legislativas, mas, apenas, uma mera constatação dos factos: Portugal teria certamente mais a ganhar se os especialistas e os interessados fossem chamados a intervir nos processos legislativos que respeitam a matérias da sua especialidade e interesse. Fazendo parte de algumas associações onde este tema tem sido muito discutido e sendo esta uma preocupação real e actual do sector, permito-me avançar com uma lista de temas que deveriam estar sob análise aquando da pretendida revisão legislativa: · A ponderação dos motivos relativos de recusa de sinais distintivos – não quer isto dizer que se defenda a sua eliminação, mas tendo em consideração o reforço da importância do uso das marcas decorrentes da possibilidade de apresentação de provas de uso em sede de reclamação, talvez não faça muito sentido o INPI poder recusar registos de marcas sem saber se as marcas anteriores que possa considerar obstativas estão, ou não, a ser usadas. O que pensamos, nesta fase, é que o tema devia ser estudado e a solução que se encontrar deveria estar em consonância com todos os outros aspectos do sistema, não se devendo avaliar este ponto isoladamente. · O estudo da necessidade de maior valorização e exigência do uso das marcas registadas – decorrente da transposição da Directiva haverá a necessidade de se prever a possibilidade de o Requerente de um registo de uma marca que sofra uma oposição, solicitar que o Reclamante faça prova de uso das marcas que fundamentarem a reclamação e que tenham sido registadas há mais de cinco anos. Mas pensamos que esta valorização do uso deveria ir mais longe, ponderando-se a possibilidade de se incluir algum mecanismo legal de verificação do mesmo, passados os tais cinco anos já que, como se sabe, o registo não pretende ser uma mera “reserva de lugar” por usar, mas sim o direito correspondente ao uso efectivo da marca. · Ainda no âmbito das várias alterações

nos processos de reclamação, é fundamental a criação de um período de negociação para que as partes em litígio possam chegar a acordo. · Ponderação da diferenciação de taxas entre pedidos de registo de sinais distintivos e sua concessão – não faz qualquer sentido que, tal como sucede no sistema actual, uma pessoa que vê o seu registo recusado pague exactamente o mesmo do que uma pessoa que fica com um registo concedido durante 10 anos. Pensamos que o sistema se tornaria mais justo e mais acessível se a taxa que, actualmente, é totalmente paga no momento da apresentação do pedido, fosse divida em dois momentos, e paga, no fundo, por dois motivos diferentes: a do pedido para que o processo de registo seja tramitado e estudado e, caso o registo seja concedido, a taxa de registo para assegurar a vigência do mesmo. · Novo paradigma de medidas de combate à contrafacção – há que repensar o enquadramento legal da contrafacção de modo a que a tutela legal contribua, de forma activa, para o combate a este flagelo. Além destes temas, pensamos que seria igualmente importante analisar questões como: os recursos administrativos, a mediação de litígios, a necessidade de criação das câmaras de recurso, as acções de nulidade e anulação perante o INPI, a revisão dos requisitos para data de pedido/ data de prioridade, a adição de matéria nova a pedidos de patente, a publicação e o exame dos modelos de utilidade, entre outras. Todos estes são temas que, na minha opinião, deveriam estar em cima da mesa num projecto de revisão do Código que se quisesse sério, transparente e participado, e poucas alturas serão tão propícias a estas alterações de fundo como esta em que temos obrigatoriamente uma transposição de Directivas em mãos que nos obriga a repensar o sistema actual. Idealmente teríamos uma legislação de PI cabal, que se pudesse tornar um catalisador da competitividade das empresas, contribuindo de forma positiva como incentivo à inovação em Portugal. Não só é este o desejo dos profissionais do sector, como um objectivo pelo qual – estou certa – todos os Agentes Oficiais da Propriedade Industrial estão dispostos a colaborar. Assim haja vontade política. ▪

5 JUNHO 2017 junho

que alimentam frigoríficos na Índia rural; e tecnologias de ponta desenvolvidas na Rússia para ajudar pessoas com deficiência a realizar tarefas quotidianas, entre outras.


DIREITO E LIDERANÇA NO MASCULINO

» João de Sousa Guimarães, Advogado, em entrevista

“A SOCIEDADE PRECISA DE PESSOAS BRILHANTES. SEJAM ELAS HOMENS OU MULHERES” João de Sousa Guimarães, Advogado, Partner da Teixeira&Guimarães Sociedade de Advogados, diz que para o início de uma nova etapa na sua vida foi importante diversificar a sua actividade profissional. No entanto, o seu começo de atividade profissional começou em áreas muito distintas da jurídica. Venha connosco descobrir mais.

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pontos de vista

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esde cedo começou a trabalhar e a estudar simultaneamente. Uma experiência que lhe concedeu uma perspetiva muito abrangente do mundo real. “A circunstância de poder estar na universidade e no mundo do trabalho ao mesmo tempo concedeu-me uma visão muito prática do dia-a-dia de trabalho e de como lidar com pessoas. Ensinou-me muito e trouxe-me valências muito diversificadas”, diz-nos. O seu percurso profissional na advocacia começa numa sociedade de advogados, onde esteve até fundar a Teixeira & Guimarães. “Foi uma experiência bastante interessante. Permitiu ganhar a maturidade de quem iniciou a profissão integrado num projecto em fase de crescimento e pôr em prática o que tinha aprendido no dia-a-dia enquanto trabalhador-estudante, designadamente em áreas tão diversificadas como as de Gestão e de todos os saberes que em seu torno gravitam”, explica o advogado para quem os primeiros anos de profissão são extremamente exigentes e onde a pressão é evidentemente maior. Todavia, “com os projetos de vida a surgir, ergue-se a necessidade de consolidar conhecimentos em áreas que eram já familiares, mas ainda a necessidade de se conhecer temas que vão modelando a sociedade actual a grande velocidade”, elucida-nos. Por isso, decidiu-se por um novo caminho. “Vou constatando que a sociedade precisa de se dedicar mais às pessoas, em contexto de trabalho ou não, àquilo que cada uma delas anseia. Contudo, não poucas vezes sucede que as pessoas não se dedicam a compreender o próximo e a quem lhes dedica tempo e conhecimento. Isso é muito evidente em várias profissões”, afirma o nosso entrevistado. Sobre João de Sousa Guimarães é dito que é um profissional com capacidade de organização e que prima pelas suas qualidades humanas. E como profissional é uma pessoa completamente diferente do que é no contexto pessoal. No entanto, para o advogado, apesar de os contextos serem diferentes há denominadores comuns. “Para mim, um desses denominadores diz respeito à empatia. Empatia significa estar disponível mentalmente para acolher outra pessoa. O facto de tentarmos ser empáticos significa que visamos acolher a preocupação de outrem e assimilá-la como nossa, torná-la igualmente importante para cada um de nós. Num mundo globalizado e onde tudo circula e é consumido, literalmente, em segundos, é muito importante haver capacidade de parar e ouvir.”, avança o nosso interlocutor.

JOÃO DE SOUSA GUIMARÃES

Outro dos seus denominadores passa pela coerência. “Devemos respeito ao nosso eu. Se, por um lado, a mente do homem deve estar aberta para processar o que vem do exterior e receber o outro dentro de si, é preciso firmeza, integridade, serenidade, para escolher ser coerente e respeitar-se a si próprio. A coerência é um valor que está muitas vezes escondido aos olhos dos outros – que não têm conhecimento dos nossos registos anteriores – e que, como tal, depende em muito do nosso auto-exame”, afirma. Gestor de uma organização composta por pessoas com as suas idiossincrasias, realça que todas as pessoas devem poder saber com o que podem contar, “por isso devemos procurar eliminar condutas de imprevisibilidade e fomentar a transparência”. Quando questionado sobre o que é para si ser um bom líder, o nosso entrevistado não tem dúvida: “o líder tem que o procurar ser todos os dias e no dia em que se achar convencido da liderança, esse é o primeiro dia em que deitará tudo a perder. Considero que liderança não é um estatuto. Por isso, tão depressa se pode ser, como depressa se perder. Penso que liderar é, acima de tudo, ser exemplo, é um exercício que se faz diariamente e será, muito possivelmente, a posição mais vulnerável de uma organização – seja ela de que natureza for – porque a partir do momento em que não há liderança é o princípio do fim”, remata João de Sousa Guimarães. Muito se fala sobre as diferentes formas de liderança entre homens e mulheres. Serão assim tão diferentes as formas de liderança? E um estilo será melhor do que outro dependendo do género?

Para o advogado, a liderança não está encarcerada no género. A partir do momento em que falamos de homens e mulheres, as lideranças são diferentes. Mas nenhuma delas se sobrepõe à outra. A questão do género é muito importante, mas não para diferenciar. Antes para complementar. “É público e indiscutível que se continua a assistir a uma predominância do género masculino nas lideranças das empresas em Portugal. No entanto, se olharmos para os quadros das empresas, muitos destes são compostos já por colaboradores de ambos os géneros. A evolução das sociedades ocidentais foi trazendo essa revolução da participação das mulheres enquanto voz fundamental no seio das organizações. Felizmente, começam a surgir cada vez mais estruturas em que a liderança é feminina e muito bem sucedida. Se a liderança feminina pode ser vista, muitas vezes, como uma liderança completa e abrangente, por sua vez, outras tantas, o estilo masculino reflete uma liderança completa e em profundidade”, menciona. E a verdade é que estas características são ambas fundamentais para uma a vida da sociedade, seja nas estruturas familiares, seja nas empresas. Se há momentos em que é necessária a implementação de uma visão em abrangência, noutros é necessária uma visão de profundidade. O equilíbrio e a sinergia entre as lideranças feminina e masculina têm condições para serem um novo paradigma. A sociedade precisa é de pessoas brilhantes e que façam um trabalho de excelência. Esse deve ser um objectivo comum, um fim em si mesmo para todos, sejam elas homens ou mulheres”, conclui o nosso entrevistado.▪


BREVES

BREVES BACKUP

Há várias formas de fazer backup ao computador. Qual é a ideal? vantagem. A sincronização é feita automaticamente e não tem de comprar dispositivos de armazenamento para fazer este backup. Ainda assim, o serviço é pago e tem de ter uma ligação à internet de grande qualidade para valer a pena seguir por este rumo. Armazenamento de Cloud: Serviços como o Google Drive e o iCloud são grátis e pode acumular a sua informação com rapidez e de forma simples. Infelizmente, estes serviços oferecem espaço limitado e não são a opção mais segura.

SAÚDE

Açúcar pode estar a ‘alimentar’ vários tipos de cancro CULTURA

Serralves recebe 50 horas de eventos Está a decorrer a 14ª edição do Serralves em Festa! O evento que começou às 20h do dia 2 de junho e termina amanhã, domingo, às 20h, recebe centenas de atividades, de entrada livre, em vários espaços da Fundação de Serralves, no Porto. Este é o maior evento da cultura contemporânea em Portugal e um dos maiores da Europa, com centenas de atividades a decorrer nos vários espaços da Fundação de Serralves e também em alguns locais da cidade do Porto. Ao longo dos anos tornou-se ponto de passagem obrigatório para milhares de visitantes portugueses e estrangeiros e em 2016 bateu todos os recordes de público ao receber mais de 161 mil visitantes. Esta edição tem mais 10 horas de festa, reforço da programação destinada a crianças e famílias, centenas de atividades para participar, no Parque e no Museu da Fundação de Serralves, num evento que se estende à Praça Carlos Alberto, ao Jardim da Cordoaria, ao Jardim das Virtudes, ao terreiro da Sé do Porto e ao Aeroporto. E que contará com a presença de José Ramos-Horta, na conferência “Os Caminhos da Ásia”.

As células cancerígenas poderão usar a glucose como energia para se multiplicar e espalhar pelo corpo. Vários estudos já tinham sugerido que o açúcar poderia dar energia aos tumores para que estes se multiplicassem. Agora um novo estudo revela que há um tipo de cancro – que pode surgir nos pulmões, cabeça e pescoço, esófago e colo do útero – que gosta particularmente do açúcar. Segundo um grupo de investigadores da Universidade do Texas, em Dallas, o carcinoma de células escamosas (SqCC) mostrou ser mais dependente do açúcar para crescer. Segundo reporta o Daily Mail, os investigadores descobriram que esta forma da doença usa níveis mais elevados de uma proteína que transporta a glicose para as células, facilitando assim a sua multiplicação. Todavia, os cientistas sublinham que todas as células, não só as cancerígenas, precisam de energia, na forma de glucose, para sobreviver. De qualquer forma, é sempre recomendado que se evite o consumo excessivo de açúcar.

“COLINHO”

Dá muito colo ao seu bebé? Então continue a fazê-lo O colo nunca é demais, garante um recente estudo. Colo, beijinhos, abraços… enche o seu filho com todos os mimos possíveis e imaginários? Então continue a fazê-lo, pois os benefícios são mais do que muitos, conta um recente estudo citado pela revista Parents. Levada a cabo por um grupo de cientistas do Nationwide Children’s Hospital (em Ohio, nos Estados Unidos), a investigação diz que estabelecer contacto físico com o bebé (sim, andar com ele sempre ao colo) é fundamental para o desenvolvimento cerebral, especialmente se todo este mimo acontecer assim que nasce. O estudo, publicado na revista científica Cell, teve como objetivo perceber se o facto de os bebés serem separados dos pais logo à nascença, para irem para uma incubadora, por exemplo, afetaria não só a sua sensibilidade ao toque, como também o seu desenvolvimento. Para tal, foram avaliados 125 bebés. Assim que analisaram cada um dos bebés, os cientistas perceberam que aqueles que tinham nascido prematuramente eram menos sensíveis ao toque, tal como os bebés que nasceram a termo mas que tinham sido sujeitos a algum tipo de procedimento médico (e que, por consequência, levou a um afastamento dos pais). Além disso, a médica mentora do estudo, Nathalie Maitre, diz que o toque suave não só melhora a sensibilidade do bebé, como pode também ajudar ao desenvolvimento do cérebro, uma vez que este beneficia dos estímulos causados pelo toque pele-a-pele.

7 JUNHO 2017

Seja para um disco rígido ou para um serviço de armazenamento na cloud, há opções para todos os estilos. Disco rígido externo: O melhor deste método é que tem a garantia que apenas com acesso a este dispositivo de armazenamento (completamente desligado da rede) é que é possível aceder aos dados. Infelizmente, isso também significa que, caso o disco rígido seja danificado, não poderá recuperar os dados. Internet: Contratar um serviço pago que cuide dos seus dados pode ser uma


DIA DA EUROPA

» Talita Brito, em entrevista

“Procuramos analisar as mudanças como oportunidades de potencializar a cooperação entre os países” Talita Brito, Presidente da Câmara de Comércio Europeia no Brasil, abordou o Dia da Europa que se comemorou no dia 9 de Maio. A nossa entrevistada deu conta das relações entre a Europa e o Brasil, lembrando que atualmente as “As empresas brasileiras estão numa fase de interesse crescente de Internacionalização e exportação. A europa precisa estar mais aberta para essa entrada de novos conceitos e criar mecanismo de apoio à atividade empreendedora também para empresas estrangeiras de países terceiros”.

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Câmara do Comércio Europeia no Brasil – CCEB assume-se como um player consolidado e de enorme importância. Como analisa e avalia a abrangência da instituição a nível nacional e internacional? A abrangência internacional é consequência do trabalho desenvolvido ainda em 2014 quando voltei ao Brasil para implementar a European Chamber. O Brasil é o celeiro do mundo, o maior produtor de proteínas e daí a nossa presença no mercado fez com que as operações internacionais, não somente com a Europa, pudessem ter uma segurança maior por parte dos compradores.

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Um dos principais resultados alcançados diariamente pela CCEB é proporcionar aos membros a visibilidade dos seus produtos e serviços em toda a rede que abrange a ação do organismo. Qual o alcance desta rede e de que forma promovem essa visibilidade de produtos e serviços da instituição? A European Chamber tem 109 delegações por todo o mundo, onde apresentamos não só os produtos e serviços das empresas e organismos membros, mas também criamos os canais para o estabelecimento da relação comercial entre empresas e organismos de forma clara e segura para todas as partes. Conseguem criar também uma ligação com países denominados não europeus? Como se fazem representar nestes países e quais as maiores dificuldades? Através das delegações e Representantes da European Chamber também em países não europeus mas que tenham relações comerciais seja com Europa ou Brasil Qual a força comercial e institucional da CCEB a nível internacional? É grande. Temos colaborado bastante na segurança de diversas operações e consequentemente no aumento do volume de exportações e importações porque certificamos e validamos todos os fornecedores assim como os contratos de compra e venda internacional.

TALITA BRITO


A european chamber comemora anualmente o dia da europa com atribuição da medalha 9 de maio para personalidades, empresas, negócios, projectos e estudos que se destacam não só no Brasil e Europa mas em todo o mundo. Inclusive este ano estivemos a entregar a Medalha 9 de Maio a alguns nomes Portugueses

O que ainda falta às empresas de génese brasileira para que possam estar mais presentes no continente europeu? Quais são as áreas que na sua opinião carecem de maior apoio? As empresas brasileiras estão numa fase de interesse crescente de internacionalização e exportação. A europa precisa estar mais aberta para essa entrada de novos conceitos e criar mecanismos de apoio à atividade empreendedora também para empresas estrangeiras de países terceiros.

Aumentar o volume das exportações de commodities agrícolas e carnes do Brasil para o mundo, aumentar o número de delegações para 200 até maio de 2018 e continuar a emprestar minha credibilidade a todas as operações que nós validamos e garantimos através desse organismo que tanto tem crescido e ajudado compradores e fornecedores a crescer em todo o mundo

O Dia da Europa comemora-se no dia 9 de Maio, onde se pretende festejar a paz e a unidade do continente europeu. Que comentário lhe merece esta efeméride e como pretendem assinalar o mesmo? A european chamber comemora anualmente o dia da europa com atribuição da medalha 9 de maio para personalidades, empresas, negócios, projetos e estudos que se destacam não só no Brasil e Europa, mas em todo o mundo. Inclusive, este ano, estivemos a entregar a Medalha 9 de Maio a alguns nomes portugueses.

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Que impacto tem tido no Brasil e na vossa orgânica enquanto instituição todas as mudanças ao nível da Europa, como por exemplo o Brexit? Procuramos analisar as mudanças como oportunidades de potencializar a cooperação entre os países, os continentes. A terminar, e recordando que está à frente dos destinos da Câmara do Comércio Europeia no Brasil desde Julho de 2014, que desafios se colocam para o futuro e o que podemos esperar de si enquanto líder da instituição? Aumentar o volume das exportações de commodities agrícolas e carnes do Brasil para o mundo, aumentar o número de delegações para 200 até maio de 2018 e continuar a emprestar a minha credibilidade a todas as operações que nós validamos e garantimos através desse organismo que tanto tem crescido e ajudado compradores e fornecedores a crescer em todo o mundo. ▪

Através das delegações e Representantes da European Chamber também em países não europeus mas que tenham relações comerciais seja com Europa ou Brasil


DIA DA EUROPA

Opinião de Sofia Colares, Representante da Comissão Europeia em Portugal

60 anos de UE, 60 boas razões para a sua existência

A paz. A União Europeia (UE) garante a paz há 70 anos. Apesar de a Europa ser tão diversa – a nível de culturas, tradições e línguas -, a integração europeia é um projeto de paz, de paz garantida.

sentido, a União Europeia protege-nos dos falsificadores de alimentos e defende as especialidades regionais. Além disto, garante água limpa – para tomar banho ou ingerir – e é líder mundial na proteção do ambiente, assegurando, por exemplo, a reciclagem dos resíduos eletrónicos. Por outro lado, a UE facilita as viagens e o trabalho em todo o continente: graças à existência de uma União Europeia, é possível viajar e trabalhar em todos os seus países-membros, sem controlos nas fronteiras graças ao Espaço Schengen. Além disto, é assegurado um seguro de doença para as pessoas que viajam no estrangeiro, existindo um número de emergência europeu (112) para assistência nos mais variados casos de acidentes e incidentes. Para os evitar, a UE procura melhorar, por exemplo, a mobilidade dos automobilistas e, após dois anos de estagnação, 2016 marcou o regresso de uma tendência de descida da sinistralidade rodoviária que, nos últimos seis anos, sofreu uma redução de 19 %. No que toca à educação, à investigação e à cultura, a UE promove experiências académicas no estrangeiro, através do programa Erasmus+, propôs um novo serviço de voluntariado – o Corpo Europeu de Solidariedade -, abrindo portas aos jovens a nível de oportunidades de emprego e enriquecimento curricular, profissional e pessoal. Por outro lado, os investigadores – onde os portugueses estão incluídos -, recebem centenas de milhões de euros dos programas de financiamento europeu à investigação. Neste contexto, destaque para o financiamento do programa Horizonte 2020, das bolsas do Conselho Europeu de Investigação (ERC) e do Instrumento para PME’s. A nível cultural, a UE defende a sua diversidade e designa as capitais europeias da cultura, promovendo, assim uma Europa das culturas. A nível de desafios globais, destaque para a promoção da segurança interna – combate ao terrorismo, à criminalidade organizada e proteção conferida às mulheres e crianças contra o tráfico e abusos -, prestação de ajuda na crise mundial de refugiados – salvando vidas, combatendo o tráfico de seres humanos e as causas profundas da migração, ao mesmo tempo que protege as suas fronteiras mas luta por normas comuns de asilo na Europa. Neste contexto, de destacar que a Europa é o maior doador mundial de ajuda ao desenvolvimento: além de apoiar os países vizinhos, a ajuda da UE face à crise síria tem-se demonstrado determinante, não fosse a Europa o maior doador de ajuda humanitária no mundo. Temos, portanto, boas razões para nos orgulharmos da Europa. Queiramos fazer parte, conhecê-la mais, debatê-la mais… queiramos mais Europa, mais 60 anos de boas estórias de uma verdadeira integração europeia. ▪

11 JUNHO 2017

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lém disto, o lema «Unida na diversidade» demonstra que a UE respeita essa tal diversidade. Estamos unidos e temos símbolos comuns que identificam essa mesma união na diversidade: a bandeira europeia, o dia da Europa (9 de maio) e o hino europeu. Com tantos desafios globais como os que vivemos atualmente, nenhum Estado-membro da UE, por si só, tem peso para afirmar e defender os nossos valores. Isto só é possível em conjunto, dentro de uma União Europeia. Por conseguinte, é evidente que a Europa tem de funcionar unida e de se afirmar no mundo globalizado enquanto grande casa comum que é. Para tal, apesar de todos os diferendos e todas as crises, os Estados-Membros devem ultrapassar as suas divergências e unir-se no seu próprio interesse. Já que, como em todas as grandes famílias, na UE discutimos e fazemos as pazes, elevando aquilo que nos une, isto é, os valores europeus, impressos no código genético de cada um/a de nós. E somos nós os responsáveis por levar o projeto europeu mais além, trabalhando em conjunto para mais Europa, para mais anos de história(s) de uma integração europeia. A UE não é só a região do mundo preferida para passar férias: é grande nas grandes questões, pequena nas pequenas questões. Também não é nenhum monstro administrativo: custa-nos menos do que efetivamente pensamos. A Europa também não é o faroeste: é uma economia de mercado de cariz social, que promove a prosperidade, o crescimento e o emprego, ao mesmo tempo que apoia as regiões menos desenvolvidas, os seus agricultores e garante um comércio justo com as diferentes partes do mundo. Neste contexto, o euro é uma moeda estável e oferece diversas vantagens. Mas, para tal, a UE garante a concorrência e controla os grupos empresariais, ao mesmo tempo que luta pela justiça fiscal e supervisiona os bancos. Por sua vez, o mercado interno comum contribui para a diminuição dos preços: como a UE tem como prioridade baixar o custo de vida dos seus cidadãos, procura tornar os medicamentos, as chamadas telefónicas e os bilhetes de avião cada vez mais baratos, além de diminuir as despesas bancárias e os custos de utilização dos cartões de crédito, por exemplo. A par disto, a União Europeia protege os consumidores, fazendo valer os seus direitos em vários domínios, como por exemplo, nas vendas ao domicílio, ao efetuarem compras em linhas, quando viagem (de avião ou de comboio, sobretudo), além de garantir os direitos dos compradores em caso de produtos defeituosos, procurando, ainda, proteger as poupanças de todos os cidadãos europeus. Falando destes, em particular, a UE garante as necessidades básicas de todos e todas nós: defende alimentos saudáveis e um ambiente limpo. Neste


A Bluemater nasceu com a missão de desenvolver tecnologias inovadoras de tratamento de águas (…) Começámos no tratamento de águas com o desenvolvimento de diversas soluções e hoje temos já dois sistemas patenteados

FOTO: RUI BANDEIRA

NUNO GOMES


TEMA DE CAPA

» NUNO GOMES, FUNDADOR DA BLUEMATER, EM GRANDE ENTREVISTA

Fixe bem este nome: Nuno Gomes, Fundador da Bluemater. A Bluemater é uma empresa de soluções inovadoras e eco-eficientes para o tratamento de águas potáveis e residuais e tratamento de gases. Mas, Nuno Gomes, Biólogo, formado na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, apaixonado por aquilo que faz e pela sustentabilidade e preservação do ambiente, ramificou a sua área de negócios: a aquisição de uma fábrica de resina para dar um novo impulso à resinagem, uma atividade que caiu em desuso nos últimos anos e que fez com que praticamente deixassem de existir resineiros; e a Editora Exclamação que, apesar de ser um mercado em dificuldade nos dias de hoje, traduz-se numa forma de prazer. Venha connosco saber mais.

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filosofia da Bluemater é muito objetiva: apresentar soluções eco-eficientes. “A Bluemater nasceu com a missão de desenvolver tecnologias inovadoras de tratamento de águas”, começa por referir Nuno Gomes. Esse é o mote do negócio e desde o início houve sempre a preocupação de que fosse direcionado para a sustentabilidade. “Começámos no tratamento de águas com o desenvolvimento de diversas soluções e hoje temos já dois sistemas patenteados. Recentemente o projeto Algamater da Bluemater, feito em parceria com a Universidade do Algarve e a ALGAR, entidade que gere os resíduos sólidos urbanos do Algarve, foi aprovado pelo programa Horizonte 2020 da Comissão Europeia. Trata-se de um projeto congregador de toda a tecnologia desenvolvida pela Bluemater ao longo dos últimos dez anos”. Com este projeto Portugal registou o melhor desempenho de sempre. Este fundo da Comissão Europeia para PMEs com elevado potencial de inovação tem uma taxa de aprovação de 2% e só foram atribuídos até hoje, em Portugal, a seis projetos, sendo o projeto Algamater o que obteve maior valor. Segundo

esclarece a Comissão Europeia, desde 2008 que a empresa “tem vindo a desenvolver este conceito desafiador para o tornar num sistema comercial viável para o tratamento de águas residuais em aterros sanitários e na própria indústria”. No que respeita as águas potáveis, a Bluemater privilegia os sistemas de tratamento de última geração por membrana, tanto de ultra-filtração, quando se pretende remover sólidos em suspensão e carga orgânica, como de osmose inversa, quando as águas se encontram salinizadas e é necessário remover sais. Ambos os métodos são eficazes na remoção de bactérias, vírus e protozoários causadores de doenças e são aplicados de modo selecionado consoante as características da água. Quanto às águas residuais, a Bluemater desenvolve soluções próprias de tratamento biológico e aplica os sistemas mais avançados de remoção de sólidos suspensos, tendo em vista a ecoeficiência. Os sistemas de tratamento da Bluemater podem ser instalados à superfície e são cerca de dez vezes mais pequenos e poupam oito vezes a energia dos sistemas de lamas ativadas tradicionais.

FOTO: RUI BANDEIRA

Quanto às águas residuais, a Bluemater desenvolve soluções próprias de tratamento biológico e aplica os sistemas mais avançados de remoção de sólidos suspensos, tendo em vista a ecoeficiência

A par dos dois sistemas já patenteados, a empresa tem já mais quatro patentes em preparação relacionadas com o tratamento de águas residuais e potáveis. “Patenteamos um substrato, o leito percolador Natantia (que será vendido como Biocubo NATANTIA), que pode ser incorporado nas ETAR existentes ou na nossa Torre Biológica, igualmente patenteada, para o tratamento biológico das águas. Este tratamento é direcionado para novas ETAR como a nossa que é um modelo completo, mas pode ser incorporado noutros sistemas de outras empresas ou ainda para fazer o upgrade das ETAR existentes a nível nacional”, explica o nosso entrevistado. As ETAR projetadas e operadas pela Bluemater incluem diversas tecnologias únicas e patenteadas. Esta ETAR pode ser aplicada a diferentes efluentes, desde os lixiviados de aterros sanitários a efluentes industriais ou domésticos. É mais eficiente e estável e poupa até dez vezes a energia gasta pelas ETAR convencionais. Já a Torre Biológica SYCONair da Bluemater é um novo método de tratamento biológico de gases industriais, que apresenta inúmeras


Fábrica de Resinas de Figueiredo de Alva

ETAR DO Aterro Sanitário de Vila Real

O sistema baseia-se na filtração biológica dos gases circulantes, através de um meio de enchimento orgânico e de irrigação com água, que promovem a fixação de um biofilme bacteriano com elevada capacidade de remoção dos poluentes gasosos

15 JUNHO 2017

vantagens em relação aos sistemas tradicionais de lavagem química: menores custos operacionais: maior rendimento, ausência de produtos químicos perigosos, sistema natural e amigo do ambiente. O sistema baseia-se na filtração biológica dos gases circulantes, através de um meio de enchimento orgânico e de irrigação com água, que promovem a fixação de um biofilme bacteriano com elevada capacidade de remoção dos poluentes gasosos. “A par destes dois produtos, desenvolvemos outro produto inovador com microalgas para a etapa final do tratamento dás águas. O tratamento passa por diversas etapas e no fim afinamos tudo com microalgas para a reutilização da água e a melhor gestão de lamas resultantes do processo, que se apresentam como um problema. Este reator pode ser, igualmente, utilizado na aquacultura e temos já várias universidades e empresas interessadas no nosso produto”, elucida-nos Nuno Gomes. Porém, o nosso entrevistado lamenta que em Portugal não se dê a devida atenção à reutilização das águas residuais porque, felizmente, temos água em abundância, mas noutros países este tratamento, que é um processo simples, é relevante. ▪


FOTO: RUI BANDEIRA

PARCERIAS

E O MERCADO INTERNACIONAL

pontos de vista

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A Bluemater já está presente em Angola através de um representante com os seus sistemas de tratamento de águas. No entanto, o objetivo passa por explorar o mercado europeu, com foco no mercado espanhol. “É uma prioridade, pois como as tecnologias da Bluemater são avançadas, o mercado europeu tem apetência para absorver os seus produtos. Posteriormente, pretendemos voltar a focar-nos no mercado africano quando a sua situação económica estabilizar”, avança Nuno Gomes. Para a exploração do mercado da Europa Central a Bluemater pretende abrir uma filial na Holanda, mas a fabricação dos produtos será sempre feita em território nacional, não fosse a Bluemater uma empresa que olha para a sustentabilidade e rentabilidade do país. A Bluemater vai estar presente, em outubro, na maior feira mundial de águas na Holanda, a Aquatech, que é uma mostra líder em tecnologia de processamento e consumo de água e esgoto, em Amesterdão. O programa da Aquatech abrange uma ampla análise sobre os últimos desenvolvimentos no campo de tratamento da água, do seu transporte e armazenamento, processos de controlo e automatização. Entretanto a Bluemater tem já outro projeto a decorrer em parceria com a Corticeira Amorim para desenvolver uma nova tecnologia de tratamento de águas, as ilhas flutuantes em cortiça. Estas ilhas permitem cultivar plantas ou legumes

à superfície da água. “O nosso foco com estas ilhas flutuantes são as barragens para se recriar as margens, pois como o nível das albufeiras é flutuante, têm uma cinta à sua volta sem vegetação. Os primeiros ensaios irão ser feitos na Barragem de Crestuma”, refere o nosso entrevistado para quem esta parceria é uma porta aberta para o mercado americano devido à filial que a Corticeira Amorim tem nos Estados Unidos. Note-se que a Corticeira Amorim é a maior empresa mundial de produtos de cortiça e a mais internacional das empresas portuguesas. Outra aplicação destas ilhas prende-se, uma vez mais, com o tratamento de águas. “Temos mais de 600 FITO-ETAR em Portugal, que são lagoas de tratamento de águas residuais à base de plantas palustres como o caniço e a tabua e que são sistemas semi-naturais. O problema é que essas plantas estão presas no fundo e as lamas acabam por as «sufocar». Portanto, o objetivo é muito simples. Colocar as plataformas flutuantes com as plantas à superfície para absorver os poluentes da água através das suas raízes”, avança Nuno Gomes. A Bluemater está, ainda, a avançar com uma candidatura em parceria com duas das maiores indústrias agro-alimentares, para aplicar a Torre Biológica SYCON no tratamento de águas residuais e gases industriais. ▪

A Bluemater tem já outro projeto a decorrer em parceria com a Corticeira Amorim

10 ANOS DE BLUEMATER - O maior desafio para a empresa prende-se com a dificuldade em implementar os projetos. “Foram necessários dez anos para as pessoas acreditarem em nós e nas nossas ideias inovadoras. Fizemos imensos ensaios pilotos e experiências em diferentes entidades. Algumas empresas apoiaram-nos e foram acreditando em nós, mas, de facto, até agora o nosso trabalho baseou-se em experimentação e colocar a nossa tecnologia à prova. O projeto Algamater e o financiamento do programa europeu são um ponto de viragem para a empresa. Prevemos um rutura completa com o passado recente e agora os desafios já não são nacionais e passam pela internacionalização. Neste momento ainda somos uma equipa pequena constituída por quatro pessoas, mas estamos já a recrutar novos colaboradores e queremos incorporar mais cinco pessoas pelo menos”, afirma Nuno Gomes.


REGRESSO DOS RESINEIROS AOS PINHAIS Portugal já foi o segundo produtor mundial de resina, no entanto, das mais de 100 fábricas existentes nos anos 80 só restam seis nos dias de hoje. Isso deveu-se ao desinvestimento na floresta nos últimos 30 anos, desencadeando o abandono das zonas rurais, emigração, destruição do património florestal e incêndios. A Bluemater irá, portanto, promover a reabilitação da Fábrica de Resinas de Figueiredo de Alva, São Pedro do Sul, fundada em 1951 e que fechou em 1994 quando o preço da matéria-prima caiu a pique. Hoje as condições do mercado melhoraram e o negócio voltou a ser rentável, o que levou Nuno Gomes a querer reabrir a fábrica que se encaixa na filosofia geral da empresa: apresentar soluções eco-eficientes. Nuno Gomes é natural de São Pedro do Sul onde o seu pai chegou a vender resina, nos anos 80, para a fábrica adquirida. Por isso mesmo, juntou-se o útil ao agradável. O projeto irá permitir o regresso dos resineiros aos pinhais, uma atividade que praticamente deixou de existir

A resina que será tratada nesta região terá como destino o mercado externo para áreas tão diversas como os cosméticos ou a indústria alimentar

EDITORA EXCLAMAÇÃO: A ARTE DA PALAVRA

A Editora Exclamação é uma editora nova, “mas que vai continuar a preservar todos os títulos antigos, comprometendo-se a trazer publicações que para muitos podem ser surpreendentes”. Com propostas de reedições como Planeta Darwin, propostas de novas publicações ou coleções já publicadas como L Miu Purmeiro Libro em Mirandés, Diário da Natureza ou O Sentimento do Porto, Nuno Gomes afirma que sempre teve interesse pela edição. “Era uma área que me fascinava e verificava que havia muitos livros que gostaria de ver publicados e que não estavam. Quando iniciei este projeto estava mais direcionado para livros relacionados com a natureza, mas percebi que não era sustentável e nem havia títulos suficientes pelo que alargamos o nosso portefólio”, afirma o CEO da Bluemater. Apesar do mercado estar em decadência, Nuno Gomes realça que vai manter a editora por prazer e por gostar do que faz.

e que hoje começa a ser de novo rentável. A resina que será tratada nesta região terá como destino o mercado externo para áreas tão diversas como os cosméticos ou a indústria alimentar. A matéria-prima pode ser utilizada para fazer diluentes, tintas, colas, pastilhas elásticas e até para dar a fragância de pinho nos ambientadores. O objetivo é que a fábrica comece a laborar em 2018 e criar, em cinco anos, 500 postos de trabalho, diretos e indiretos. Mas, para além do impacto económico, este investimento terá, igualmente, um impacto ecológico muito importante. Isto porque verifica-se um abandono significativo das florestas que se traduz em incêndios ou a ocupação por eucaliptos, que já são hoje a maior mancha florestal de Portugal, não havendo paralelo na Europa. Metade da área florestal ardida na Europa diz respeito a Portugal e isso deve-se principalmente ao abandono florestal. Assim, a atividade dos resineiros não só permitirá a vigilância das florestas e prevenção de incêndios como contribuirá para a biodiversidade. Neste sentido, e como é preciso falar e divulgar esta atividade, outrora geradora de riqueza, está a decorrer um congresso, nos dias 2 e 3 de junho, intitulado de “Resinagem, Ambiente e Indústria”, organizado pela Bluemater, em conjunto com o Município de São Pedro do Sul e a AIMMP - Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal. O Congresso “Resinagem, Ambiente e Indústria” teve lugar no Cine Teatro Jaime Gralheiro, em São Pedro do Sul, e termina hoje, sábado, na Fábrica de Resinas de Figueiredo de Alva. ▪

FOTO: RUI BANDEIRA

Produtos resultantes da destilação de resina: esquerda - colofónia, direita - aguarrás

A Editora Exclamação é o seguimento do projeto Planeta Vivo, uma empresa que tinha como foco a natureza, observando e intervindo, testando métodos e descobrindo soluções mais saudáveis para o planeta. Este centro de investigação ambiental procurava conciliar o esforço da investigação científica e a sustentabilidade ambiental, de modo a promover a biodiversidade, no conhecimento e na conservação. Outro serviço prestado era o de consultadoria ambiental, sobretudo sobre ecologia e temas relacionados com a conservação da Natureza.

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SAÚDE DA MULHER

» 28 MAIO, DIA INTERNACIONAL DA SAÚDE FEMININA

EQUILÍBRIO NA SAÚDE E BEM-ESTAR O Dia Internacional da Saúde Feminina celebra-se anualmente no dia 28 de maio com o objetivo de alertar a população em geral, e as mulheres em particular, para as desigualdades ainda existentes entre homens e mulheres no acesso aos cuidados de saúde. Procuramos saber de que forma é assinalado este dia junto do Departamento Clínico das Clínicas Persona.

D

Visite o seu site www.clinicaspersona.com A prevenção torna-se, portanto, fundamental para evitar a acumulação de gordura nessas zonas críticas e tratamentos específicos como o Pershape, a tecnologia Trim ou o novo TFA System, tornam-se poderosos aliados. No âmbito dos cuidados de saúde para as mulheres, as clínicas Persona têm um programa específico para as recém-mamãs, o Persona PerMamã. Em que consiste esse programa? É sabido que durante os nove meses de gestação o corpo da mulher sofre um conjunto de alterações morfológicas para a preparação do parto, além de alterações da sua própria composição corporal, como o aumento da percentagem de gordura corporal, nomeadamente na zona das ancas. Estas alterações podem ser mais ou menos significativas e, mesmo na mesma mulher, existirem alterações diferentes de uma gravidez para outra. A especificidade dos problemas clínicos e preocupações estéticas manifestadas pela grande maioria das mulheres que procuram os nossos serviços após gravidez criou-nos a necessidade de encontrar soluções próprias e adaptáveis a essas situações. Assim nasceu o Programa Persona PerMamã. Consiste então na associação de dois ou mais tratamentos corporais que atuando em sinergia com a Dietética e Cosmética Clínica Persona, além da correta execução do plano alimentar equilibrado proposto, permite recuperação das

formas e a redução de volume num curto espaço de tempo, além de aumentar consideravelmente a tonicidade muscular em zonas como abdómen, flancos, nádegas e coxas. Portugal é um dos cinco países europeus com maior obesidade entre os adolescentes e as raparigas portuguesas são as mais sedentárias. O que é que as Clínicas Persona disponibilizam para combater esta problemática? Sensibilizada para esta problemática e para a importância da aquisição de hábitos alimentares saudáveis e equilibrados, as Clínicas Persona desenvolveram o Persona PerKids. Este programa é direcionado especificamente para as crianças e adolescentes que pretendem gerir o seu peso ou combater o excesso de peso ou obesidade. Com o Plano Persona PerKids, estabelecemos um programa alimentar específico e serão dados conselhos alimentares relevantes ao agregado familiar. A par de todo o acompanhamento clínico, são disponibilizadas as mais recentes e eficazes tecnologias que visam corrigir possíveis desequilíbrios metabólicos e que vão estimular determinadas funções naturais do organismo. Destacamos a estimulação celular profunda, realizada pela Endermologia Clínica LPG, e a tecnologia TRIM II, onde o estímulo muscular conseguido é superior ao alcançado com exercícios físicos convencionais. ▪

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e que forma as Clínicas Persona procuram assinalar este dia? Como uma clínica de referência no campo da Nutrição, as Clínicas Persona têm vindo a desenvolver, ao longo dos seus 25 anos de existência, diversas formas de promoção da saúde, tanto física como mental. No caso particular das mulheres, existe um problema, muitas vezes apelidado erradamente de estético, a celulite, que causa grande transtorno e aflição. Ora, interessa perceber desde logo, que celulite é gordura! As mulheres, pela sua composição corporal, têm maior tendência a acumular células gordas (adipócitos) em zonas muito localizadas, como coxas e glúteos. Estas células sofrem uma deformação e vão formando pequenas acumulações sólidas, originando má circulação e dando o aspeto rugoso na pele com efeito “casca de laranja”. A celulite é na realidade uma doença edematosa que necessita de tratamento. As Clínicas Persona, com a mais avançada tecnologia que têm ao dispor, conseguem dar resposta eficaz a este problema. De forma a assinalar o Dia Internacional da Saúde Feminina, as Clínicas Persona oferecem 25% de desconto na aquisição de um pack mínimo de tratamentos.   É importante prestar atenção à saúde nas diferentes fases da vida e manter os exames preventivos sempre em dia. As Clínicas Persona procuram consciencializar a população, em especial as mulheres, para a importância da prevenção e dos rastreios? Sabemos que o excesso de peso e de gordura é uma das principais causas de diversas doenças metabólicas como a diabetes, hipertensão ou até mesmo o cancro. Isto deve-se aos maus hábitos alimentares e ao sedentarismo extremo que se verifica atualmente. Grande parte do Método Persona é direcionado para o tratamento da gordura localizada e tudo se inicia por uma Consulta de Nutrição, na qual iremos verificar os hábitos alimentares da pessoa, alguns aspetos da sua saúde e do seu passado clínico e fazemos uma análise de composição corporal, de forma a percebermos a sua condição atual, uma vez que não é o peso total que indica se uma pessoa é menos saudável, mas sim o excesso de gordura e, sobretudo, onde está ela localizada (a que se localiza no abdómen é a mais perigosa).


XXXII JORNADAS INTERNACIONAIS DE OFTALMOLOGIA

» SERVIÇO DE OFTALMOLOGIA DO CENTRO HOSPITALAR DO PORTO

JORNADAS HOSPITAL DE SANTO ANTÓNIO CENTRO HOSPITALAR UNIVERSITÁRIO DO PORTO

pontos de vista

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Pedro Menéres

INOVAÇÃO E DESAFIOS EM OFTALMOLOGIA XXXII JORNADAS INTERNACIONAIS DE OFTALMOLOGIA DO PORTO

evento incluiu, no primeiro dia, uma sessão de abertura com uma Comissão de Honra com oradores de renome que se pronunciaram sobre as jornadas, os cuidados de saúde à população, o Serviço Nacional da Saúde e os desafios que os profissionais de saúde enfrentam. Para além do habitual programa científico, o evento contou, ainda, com um Curso EUPO focado na córnea e cirurgia refrativa. Pedro Menéres, Médico Oftalmologista, Diretor do Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar do Porto, Professor de Oftalmologia no ICBAS e Presidente das Jornadas, foca a importância do evento, pelo impacto da reunião na formação e pela interação científica que as jornadas permitem com a comunidade oftalmológica em geral e com os serviços que se dedicam à investigação. As XXXII Jornadas Internacionais de Oftalmologia revelaram-se um sucesso, em termos de participação e a nível científico, com cerca de 270 inscritos e com a presença de relevantes oftalmologistas internacionais. Pedro Menéres reforça a importância do tema da córnea que está a passar por uma etapa de revolução. “Os transplantes de córnea deixaram de ser uma transplantação integral de todas as camadas

da córnea passando a ser frequentemente uma transplantação apenas de uma parte da córnea que não está completamente funcionante, preservando parte do tecido do recetor que está bom e que não precisa de ser transplantado na totalidade. Verifica-se uma evolução significativa nos transplantes da córnea (no CHP já se realizaram mais de 4000) com maior sucesso, uma reabilitação mais rápida e, em muitos casos, o potencial de uma acuidade visual superior”, explica Pedro Menéres. Este foi um dos temas abordados nas jornadas a par dos temas relacionados com outras intervenções cirúrgicas na córnea que mereceu por parte da organização um destaque para debate. “Quando falamos de aspetos como o sucesso de intervenções cirúrgicas, avanços científicos e cuidados à população, o nosso país está, efetivamente, na linha da frente da saúde mundial. Temos programas inovadores e estamos a avançar, com o apoio da Ordem dos Médicos e do Ministério da Saúde, com um programa relevante no que diz respeito à ambliopia. É um programa que está implementado, numa primeira fase, no norte, de forma a que seja possível detetar nas crianças de dois anos problemas que mais tarde têm maior dificuldade de tratamento. Utilizamos as melhores tenologias no tratamento de diferentes patologias

com resultados bastante bons e encorajadores”, avança o diretor do Serviço de Oftalmologia do CHP. O CHP é uma instituição em mudança e o Serviço de Oftalmologia do CHP já comemorou 120 anos. “Temos vindo a demonstrar esta preocupação de qualidade na atividade assistencial conjugada com o ensino dos alunos do mestrado de medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) agregado ao Centro Hospitalar do Porto, bem como uma formação de internos da especialidade que é uma atividade muito importante do serviço com um caráter formativo completo, juntamente com a atividade de investigação. Temos participado em muitos ensaios clínicos multicêntricos internacionais constituindo uma parte do contributo para os avanços que se aplicam em conjugação com outros centros internacionais que participam em rede em ensaios clínicos”, reforça Pedro Menéres. O antigo Hospital de Santo António transforma-se num grande centro hospitalar, o Centro Hospitalar Universitário do Porto devido a esta perspetiva de formação crucial, bem como pelos desafios de crescimento da capacidade assistencial, e pela necessidade de restruturação das instalações devido à procura crescente destes serviços médicos por parte da população. ▪

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O

A cada dois anos realizam-se as Jornadas Internacionais de Oftalmologia. Este ano, - as XXXII - do Centro Hospitalar do Porto (CHP), sob a direção de Pedro Menéres, tiveram como tema central a córnea.


XXXII JORNADAS INTERNACIONAIS DE OFTALMOLOGIA

» SERVIÇO DE OFTALMOLOGIA DO CENTRO HOSPITALAR DO PORTO O QUE SE DIZ…

Fernando Araújo

Miguel Guimarães

António Sousa Pereira

Secretário de Estado Adjunto e da Saúde

Bastonário da Ordem dos Médicos

Diretor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS)

Estamos totalmente envolvidos no objetivo de captar e fixar os melhores profissionais. Queremos ofereceres-lhe uma carreira e um percurso que seja gratificante e aliciante. Isso passa, seguramente, pelo reforço da comunidade médica, por projetos de investigação e formação, por questões ligadas à retribuição, e, principalmente, pela existência de um contexto onde os profissionais podem realizar-se profissionalmente, crescer e prestar cuidados médicos de excelência aos portugueses. A saúde visual para nós é extremamente relevante. O impacto social é enorme e estamos a apostar em projetos e na criação de áreas de valor na oftalmologia e na saúde em geral. Estas jornadas são umas jornadas de excelência que reúne os melhores especialistas a nível nacional e é importante estar presente e demonstrar que o Ministério da Saúde orgulha-se do trabalho que tem sido desenvolvido. Uma grande parte do nosso trabalho prende-se em conseguir trazer equidade ao país pelo que temos desenvolvido medidas inovadoras relacionadas com a fixação de médicos no interior do país. Os médicos jovens que vão para zonas mais carenciadas recebem um aumento da retribuição, têm mais dias para formação e melhores condições para crescer profissionalmente. Ainda temos regiões em que os portugueses têm menos acesso aos cuidados de saúde e uma das formas de diminuir essa iniquidade é, precisamente, captar bons profissionais e colocá-los de forma a que todos os cidadão tenham acesso ao mesmo nível de qualidade de cuidados de saúde.

pontos de vista

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Estas jornadas têm uma dupla função: a primeira é reunir oftalmologistas de todo o país e só por isto as jornadas já têm a sua validade pelo networking que aqui se cria; depois porque se faz, de facto, formação médica contínua. Para além da troca de experiências há uma formação médica fundamental para manter os médicos atualizados. Não chega só formarmos excelentes profissionais, mas dar também um sinal positivo à sociedade civil de que continuamos a ter bons especialistas. Nessa perspetiva estas jornadas devem merecer, não só o nosso reconhecimento, como devem ser acarinhadas, quer pela Ordem dos Médicos, quer pelo Estado português e pela própria Universidade. Podemos dizer que temos um bom serviço nacional de saúde (SNS) porque temos boas pessoas e essa é a caraterística que distingue o nosso SNS. Temos uma formação médica e programas de formação de elevada qualidade e é por isso que muitos países tentam recrutar médicos portugueses. A nível de capital humano temos um bom serviço, no entanto faltam-nos, ainda, alguns recursos a nível de equipamentos, materiais e um maior investimento financeiro no SNS. O nosso ministro não tem contratado os médicos que são precisos e os jovens de hoje são jovens que não têm barreiras nem qualquer tipo de fronteiras. São jovens da internet, redes sociais e geração low cost que tanto trabalham no seu país como em qualquer outro país dentro ou fora da União Europeia onde as condições oferecidas são muito diferentes e nalguns casos até são mais aliciantes e favoráveis. E, neste momento, o Estado tem de conseguir ser concorrencial.

Quando falamos de serviços que pretendem estar na vanguarda da tecnologia e que pretendem oferecer os melhores cuidados de saúde é importante que este género de eventos aconteçam. Estas jornadas traduzem-se no empenho de um serviço em fazer a diferenciação técnico-científica. O Centro Hospitalar do Porto juntamente com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) constituem, há cerca de dois anos, o Centro Académico Clínico e agora o Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP), portanto, em termos de ensino na área da saúde somos uma única instituição pelo que o compromisso do ICBAS com a formação de médicos, a nível de ensino Pré-Graduado, tem de corresponder à formação e diferenciação científica dos profissionais de saúde que trabalham nos serviços hospitalares com os quais colaboramos. Formamos bons profissionais, mas mais importante do que sermos nós a dizê-lo é a aceitação que os portugueses têm tido lá fora.

Luís Oliveira Responsável da Unidade de Córnea e Transplantes do Centro Hospitalar do Porto

Organizamos este congresso de dois em dois anos, variando o tema. Este ano o tema é a Córnea, uma área com crescente importância e onde se tem verificado uma forte evolução nos últimos anos, nomeadamente ao nível dos transplantes, técnicas cirúrgicas e meios de diagnóstico. Por isso mesmo assume uma importância cada vez maior nos cuidados de saúde de oftalmologia. É das áreas que mais inovação tem tido, no entanto, a nível de diagnóstico e de tratamento ainda enfrentamos alguns desafios. Mas a ciência é mesmo assim e o caminho vai-se fazendo devagar.

Manuel Monteiro-Grillo Presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO)

Fui convidado como presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), mas como oftalmologista faço questão de estar presente nestes eventos. São eventos bastante didáticos e educativos, tanto pelas intervenções e oradores aqui presentes, como pelo contacto e troca de experiências com outros profissionais. É uma área que tem sofrido muita inovação, e apesar dos desafios diários tem sido possível ultrapassar os obstáculos.


VITAMINA D – SUPLEMENTOS OU CURA NATURAL

» UNIDADE DE IMUNOLOGIA CLÍNICA DO CENTRO HOSPITALAR DO PORTO

VITAMINA D A VITAMINA DO SOL A elevada prevalência de baixos níveis de vitamina D é hoje em dia encarada como um problema de saúde pública que afeta vários países da Europa e, inclusive, Portugal. António Marinho, Médico Internista da Unidade de Imunologia Clínica do Hospital de Santo António/Centro Hospitalar do Porto (CHP), fala-nos sobre esta “epidemia” que afeta milhões de pessoas.

N pontos de vista

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os últimos anos, o papel fisiológico da vitamina D tem sido amplamente estudado. Estudos recentes ligam a também chamada "vitamina do sol" à prevenção de patologias tão diversas e graves como cancro, doenças cardiovasculares, diabetes e depressão. Essa crescente consciencialização tem resultado num aumento significativo de testes de doseamento de vitamina D nos países desenvolvidos. Um estudo liderado por uma equipa multidisciplinar de investigadores, entre os quais António Marinho, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e do Centro Hospitalar e Universitário do Porto – Hospital de Santo António, concluiu que cerca de 78% da população estudada (dadores de sangue saudáveis) têm insuficiência de Vitamina D. O mesmo estudo alerta ainda para a elevada prevalência de deficiência grave de Vitamina D, que afeta quase metade (48%) da população estudada. A percentagem de pessoas com insuficiência de Vitamina D flutua ao longo do ano, apresentando no verão o valor mais baixo (62%), e atingindo no inverno valores de cerca de 95%. Ainda assim, os valores encontrados no verão são surpreendentemente baixos, sugerindo que apesar de Portugal ser um país com muito sol e grande exposição solar, muitas pessoas não se expõem os dez a 15 minutos diários considerados suficientes para

serem mantidos os níveis ideais de Vitamina D. O estudo alerta por isso para a necessidade de implementação de uma estratégia eficaz para prevenir a sua deficiência.

TOMAR OU NÃO TOMAR SUPLEMENTOS DE VITAMINA D?

Sabia que a vitamina D não é uma vitamina mas uma hormona que atua no sistema e organismo humano? A vitamina D é uma das hormonas responsáveis pela manutenção dos níveis de cálcio sérico, através da promoção da absorção de cálcio e fósforo a partir do intestino, por exemplo. No entanto, o interesse clínico na vitamina D não se restringe apenas ao metabolismo fosfocálcio. Manifesta-se também em várias outras condições médicas (diabetes, doenças cardiovasculares, esclerose múltipla, cancro, distúrbios psiquiátricos, doenças neuro-musculares, doenças autoimunes). No entanto, a questão do défice da vitamina D ainda não é vista como prioritária. É aqui que entra o papel da suplementação da Vitamina D. Existem duas fontes essenciais de vitamina D: Sol – por exposição solar, os raios UVB são capazes de ativar a síntese desta substância. O sol é responsável por 80 a 90% desta produção; Alimentação – apesar de estar presente em alimentos de origem animal, sobretudo peixes gordos, lacticínios, ovos, iscas de fígado, estes

ANTÓNIO MARINHO


95%

Cerca de 95% da Vitamina D é sintetizada através da exposição solar, mas esta é muito variável ao longo do ano.

daquilo que precisamos por dia, ou seja, entre mil a 1500 unidades. Isso significa que teríamos que beber qualquer coisa como dez copos de leite por dia, se fosse completamente absorvido, o que é não é garantido nem viável. Temos muito poucos alimentos fortificados com esta vitamina, embora na Europa do Norte já existam alimentos fortificados em Vitamina D em grandes quantidades. Isto poderia ser uma solução para o consumo da vitamina”, refere António Marinho. A fortificação de alimentos pode, portanto, ser uma estratégia importante para resolver problemas de deficiência nutricional. Note-se que um alimento enriquecido, ou fortificado, decorre da adição de um ou mais nutrientes, visando reforçar o respetivo valor nutricional, repondo quantitativamente os nutrientes destruídos durante o processamento do alimento, ou suplementando-os com nutrientes, para obter um teor superior ao conteúdo considerado normal de forma a prevenir ou corrigir eventuais deficiências nutricionais apresentadas pela população em geral ou de grupos específicos. Cerca de 95% da Vitamina D é sintetizada através da exposição solar, mas esta é muito variável ao longo do ano. “Por exemplo, em habitantes de determinadas latitudes (acima dos 30 graus norte, a radiação no inverno não é suficiente para manter os níveis desejáveis de vitamina D), que inclui a Europa do Norte e Central, está cientificamente demonstrado que no inverno não há síntese de Vitamina D. Em Portugal, se formos a analisar factos, a população tem cada vez menos férias no verão e têm uma ocupação profissional que as obriga

25 JUNHO 2017

alimentos não possuem a quantidade de vitamina D que o organismo necessita. Na falta destas duas formas surgem os suplementos de Vitamina D que não devem ser tomados sem o aconselhamento médico. A verdade é que a despesa com medicamentos que contêm vitamina D duplicou entre 2015 e 2016 e se olharmos para os dados dos últimos dois anos o valor quintuplicou, de 1,1 milhões de euros para 5,7 milhões de euros. O financiamento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumentou num ano de 779 mil euros para 2,1 milhões. A tendência é para se perguntar como é que num país com tanto sol, e sendo a exposição solar a principal fonte de vitamina D, pode haver tão elevada procura por medicamentos com esta vitamina? Vamos por partes. Em menos de meia hora por dia, através da exposição ao sol sem protetor solar, consegue-se ter este nutriente no organismo nos níveis desejados. E dizemos sem protetor solar porque o mesmo defende-nos da radiação, evitando o cancro da pele, mas também impede a produção de vitamina D. Podemos encontrar a Vitamina D nos alimentos de origem animal e em alguns peixes do mar como o arenque, o salmão e a sardinha, particularmente ricos, pois podem sintetizar grandes quantidades mesmo sem sol. O fígado de peixes gordos é muito rico nesta vitamina, assim como os óleos que dele extraímos. Há, ainda, pequenas quantidades no leite, nos ovos, na manteiga e no queijo. No entanto, “nos alimentos é muito difícil obter os níveis desejados desta vitamina”. Por exemplo, um copo de leite contém 100 unidades de vitamina D que corresponde apenas a um décimo


VITAMINA D – SUPLEMENTOS OU CURA NATURAL

» UNIDADE DE IMUNOLOGIA CLÍNICA DO CENTRO HOSPITALAR DO PORTO

Níveis adequados de Vitamina D obtidos a partir da dieta ou por síntese cutânea são essenciais para a manutenção da saúde óssea ao longo da vida e, em particular, nas mulheres pós-menopáusicas e idosos, nos quais a osteoporose é mais prevalente, por exemplo

a passar o dia em ambientes fechados. Acresce a problemática da nossa população envelhecida, isto porque o envelhecimento cutâneo reduz a capacidade de síntese. Mas se os idosos necessitam de um período mais alargado de exposição ao sol para cobrirem as necessidades e carências de vitamina D, as pessoas de pele escura também precisam. “A melanina é um mecanismo de defesa, mas também funciona como um mecanismo de bloqueio da síntese, portanto as pessoas de pele mais escura têm menor síntese desta vitamina do que as pessoas de pele clara”, explica-nos António Marinho. “Assim, não é de espantar estes números, completamente transversais, de défice de Vitamina D. Vamos juntando estas peças todas e conseguimos perceber porque é que os números do défice de Vitamina D são tão elevados em Portugal. As recomendações da Organização Mundial de Saúde dizem-nos que devíamos ter uma exposição de 1000 unidades por dia logo a partir dos três anos de idade, pois os problemas relacionados com o défice de Vitamina D que surgem nas pessoas mais idosas vão-se estabelecendo ao longo da vida. A perda de massa óssea, as alterações vasculares, e as doenças inflamatórias não come-

çam aos 60 anos. Tornam-se é sintomáticas nessa altura. "Numa população onde se reconhece um elevado défice, a estratégia preventiva é a indicada. Isto é um problema de saúde pública”, avança António Marinho. Além das suas ações no osso, intestino e rim, a vitamina D é conhecida por atuar no cérebro, pâncreas, pele, órgãos reprodutivos e na proliferação de células cancerígenas. Níveis adequados de Vitamina D obtidos a partir da dieta ou por síntese cutânea são essenciais para a manutenção da saúde óssea ao longo da vida e, em particular, nas mulheres pós-menopáusicas e idosos, nos quais a osteoporose é mais prevalente, por exemplo. A Osteoporose é, atualmente, uma doença crónica que constitui um problema de saúde pública. Foi estimado que dez milhões de indivíduos sofrem desta patologia, enquanto outros 34 milhões possuem baixa densidade mineral óssea. São inúmeras as evidências acerca do papel desempenhado pelo défice de vitamina D, nestes fenómenos de enfraquecimento estrutural ósseo. E o que se pode fazer? “Atualmente o que temos disponível para a população são os

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SABIA QUE…? Não há ainda consenso acerca da quantidade de sol necessária para se obter a vitamina. Mas algo como 15 a 20 minutos por dia, na cara, braços e mãos, poderá ser suficiente. O protetor solar defende-nos da radiação, evitando o cancro da pele, mas também impede a produção de vitamina D.

A melanina dificulta a produção da vitamina. Por isso, as peles mais morenas são menos eficazes na síntese desta hormona. A Declaração Portuguesa da Vitamina D, assinada por várias sociedades médicas, recomenda a suplementação em 700-800 Unidades Internacionais diárias, na população com osteoporose e em risco de fraturas.

suplementos vitamínicos com os quais, pelo menos uma grande parte da população pode obter um equivalente a mil unidades por dia, o que teria um impacto significativo na saúde geral. O problema que se coloca é o impacto económico que também acarreta. Os valores referidos atualmente, sobre o consumo para o SNS, que aumentou num ano de 779 mil euros para 2,1 milhões poderão ter outra análise”, refere António Marinho para quem gastar 700 mil euros por ano em suplementação é de um patamar de terceiro mundo. “Se olharmos só para os censos de 2011 tínhamos cerca de 440 mil mulheres com mais de 65 anos. Para este nicho da população, ao nível de suplementação com 800 unidades por dia, a formulação mais barata custaria cerca de 48 euros por ano o que resultaria em gastos a rondar aproximadamente dois milhões de euros. Portanto, o que estamos a consumir agora era o que custaria ao estado se, em 2011, suplementássemos unicamente mulheres com mais de 65 anos pelo menos com mil unidades por dia. Não estamos a consumir mais suplementos agora. Até aqui estivemos foi a consumir poucos suplementos”, elucida-nos o nosso entrevistado. “80% da população portuguesa tem um défice da Vitamina D. Estamos perante uma epidemia”, afirma António Marinho. A solução desta “epidemia” poderia passar pela fortificação de alimentos. Uma solução e uma estratégia que pode culminar numa poupança significativa em suplementos não alimentares. “Os nórdicos já o fazem há bastante tempo, daí a ideia associada de que têm um menor défice desta vitamina , mas é porque têm na sua alimentação uma fortíssima exposição à Vitamina D. É uma estratégia viável a longo prazo. É importante perceber se vamos continuar a propor à população que comece a utilizar suplementos a partir dos três anos de vida, cujos custos podem alcançar facilmente os dez milhões, ou se vamos optar por uma estratégia de fortificação de alimentos, que tem maior alcance populacional e menor custo”, acrescenta o nosso interlocutor. A vitamina D é absolutamente fundamental na saúde óssea, metabólica, e nos estados inflamatórios. E precisamos de perceber quando se trata de uma insuficiência ou de um défice grave. Os primeiros sintomas associados a uma deficiência prolongada são normalmente dores musculares das cinturas, fraqueza muscular e fadiga. Aqui é importante o papel do médico de família. É necessário que seja proativo para rastrear estes casos que podem exigir um doseamento desta vitamina. “A questão dos doseamentos é um problema à parte e estratégico pois também tem custos associados elevados. E começa-se a pedir doseamentos a mais. Está bem estudado que o doseamento de Vitamina D deve ser feito apenas a pessoas com elevado risco de défice que precisam não de suplementos, mas sim de tratamento. Um tratamento exige corrigir um défice que pode corresponder à utilização de 50 mil unidades desta vitamina por dia, por exemplo. E há, de facto, grupos de elevadíssimo risco. Pessoas com doenças auto-imunes cuja medicação impede a síntese da vitamina D ou ainda a população com mais de 80 anos institucionalizada e pessoas com sintomas que indiciam um défice grave. São estes que precisam de doseamento, a restante população só precisa de ser suplementada”, conclui o nosso entrevistado. ▪


MEDIAPRIMER EM DESTAQUE

» PLATAFORMA PRIMERCOG

A PLATAFORMA AJUDA NA PRESERVAR E FUNCIONAMENTO DE COMPETÊNCIAS COGNITIVAS José Carlos Teixeira, Professor da Universidade de Coimbra e CEO da MediaPrimer, em entrevista à Revista Pontos de Vista, fala sobre um dos mais recentes projetos – primerCOG - uma plataforma inteligente e sobre o seu impacto.

Já foi testada? Que resultados obtiveram? A plataforma primerCOG realizou com êxito testes de validação funcional em adultos idosos com perfil saudável, confirmando a adequação das atividades de treino cognitivo e o design utilizado, para além de continuar a ser

JOSÉ CARLOS TEIXEIRA

validada pelos dois perfis de utilizadores previstos. Os testes focaram-se na avaliação do grau de aceitação, da experiência e interação, da eficácia e eficiência da experiência do participante durante a interação com o primerCOG e das dificuldades e melhorias ao nível da usabilidade. Os participantes nos testes realizam previamente uma avaliação psicológica que engloba os aspetos cognitivos, a auto-perceção mnésica e o estado emocional, através de um conjunto de instrumentos de avaliação. Os resultados foram muito positivos sugerindo uma boa adequação da plataforma ao público-alvo, corroborada pelo feedback dos participantes (2/3 consideraram as atividades “adequadas” e 1/3 “muito adequadas” às suas necessidades, características e limitações). Praticamente todos os participantes afirmam que raramente têm dificuldade em ler, compreender e interpretar a informação apresentada.

A primerCOG foi desenvolvida com o suporte do Centro de Neurociências de Coimbra. A plataforma é uma ferramenta orientada para que profissionais de saúde? O primerCOG é uma ferramenta útil para especialistas em saúde mental, psicólogos e outros profissionais que acompanham indivíduos com diferentes níveis de deterioração cognitiva no contínuo entre as alterações cognitivas devidas ao envelhecimento normal e as alterações cognitivas patológicas ligeiras. Permite a definição de programas de reabilitação ou manutenção cognitiva e a monitorização do desempenho dos utilizadores. Que impacto poderá alcançar, a longo prazo, a plataforma na qualidade de vida da população? Como as modificações biológicas e fisiológicas que acompanham o envelhecimento poderão acontecer de forma mais lenta nas pessoas que permanecem mental e fisicamente ativas, a atividade cognitiva frequente antes da demência diagnosticada protege e retarda o declínio cognitivo normal da idade. A manutenção cognitiva regular com o primerCOG ajuda a preservar o funcionamento das diversas competências cognitivas e estabilização do desempenho cognitivo. O envelhecimento ativo e saudável é reconhecido pela União Europeia como sendo um dos maiores desafios societais atuais. Na sua opinião, em Portugal, envelhecer é sinónimo de dificuldade? Ainda é. Enquanto as pessoas esperam por respostas adequadas a um envelhecimento saudável, existe a contradição entre a necessidade de investimento nesta área e as necessidades de contenção de custos na saúde. Acredito que quando forem assumidos os ganhos da prevenção em relação ao tratamento dos efeitos cognitivos do envelhecimento haverá mais meios para tornar acessíveis ferramentas como o primerCOG. ▪

27 JUNHO 2017

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MediaPrimer desenvolveu uma plataforma (primerCOG) digital inteligente desenvolvida tendo em conta o envelhecimento da população. Como funciona a mesma? A plataforma primerCOG (www.primercog.pt) está acessível através da Internet e disponibiliza um conjunto de atividades de estimulação, manutenção, monitorização e reabilitação cognitiva. A equipa envolvida no desenvolvimento do primerCOG é constituída por investigadores e profissionais em neurociências, design e engenharia, pelo que o primerCOG é uma plataforma digital com uma base científica e tecnológica sólida, capaz de suportar o envelhecimento ativo e saudável. Permite o treino cognitivo da memória, atenção, funções executivas, linguagem e capacidade visuoespacial e exige a capacidade de executar várias tarefas, tais como cálculo mental, raciocínio abstrato, planeamento e resolução de problemas. Para melhor corresponder às necessidades dos seus utilizadores a plataforma considera dois perfis: o perfil saudável (dirigido a adultos cognitivamente saudáveis) e o perfil clínico (dirigido a pacientes com diagnóstico médico de doença neurodegenerativa, por ex. Défice Cognitivo Ligeiro e Doença de Alzheimer). Tem um entendimento claro dos utilizadores a quem se destina, comunica de forma clara e imediata o seu âmbito e os seus objetivos, sendo fácil de usar e bastante apelativo. O utilizador, depois de autenticado na plataforma, tem acesso às atividades com diferentes níveis de dificuldade, de acordo com o seu perfil e o seu histórico de utilização. Concluída a realização de cada atividade, o utilizador tem acesso a informação básica sobre o seu desempenho. Os técnicos têm acesso a uma informação muito rica sobre toda a atividade de cada utilizador, que permite diferentes tipos de análise dos resultados. O primerCOG distingue-se dos jogos para treino cognitivo porque estes não têm, na sua grande maioria, um perfil específico para pessoas com distúrbios cognitivos. Por outro lado, também se distingue de outras soluções de treino cognitivo que não fazem uma distinção entre utilizadores saudáveis e utilizadores com perfis clínicos, têm interfaces gráficas muito pouco adequadas a pessoas com declínio cognitivo e a seniores com dificuldades visuais decorrentes dos efeitos normais do envelhecimento.


BREVES BREVES

ANIMAIS

Dicas para ajudar o seu animal de estimação a perder peso Os animais gordinhos até podem fofos, mas não são saudáveis e vivem menos. Se o seu animal tem excesso de peso e o quer ajudar a recuperar a saúde e anos de vida, o site da Reader’s Digest diz que há algumas dicas que já se provou que funcionam e que deve testar. 1. Pare de lhe dar sobras da comida ou bocados da sua comida quando está à mesa. Além de o animal não precisar de mais comida além da ração recomendada pelo veterinário, há comidas que são seguras para nós que não são seguras para o cão ou o gato. 2. Fale com o veterinário e peça-lhe conselhos para ajudar o seu animal de estimação a alcançar o peso ideal de forma saudável. 3. Ponha o seu animal a fazer exercício físico. Em vez de levar o seu cão a andar 10 metros para fazer as necessidades, vá passear com ele e dê pelo

menos a volta ao quarteirão cada vez que o levar à rua. Sempre que possível acrescente pelo menos uma meia hora de passeio ou corrida ao dia do seu cão, leve-o ao jardim ou à praia, por exemplo. No caso dos gatos que não saem de casa brinque todos os dias com eles com cordas com ratinhos na ponta que eles perseguirão com certeza, com bolas ou ratos de corda. 4. Troque os snacks calóricos por snacks vegetais. Procure nas lojas com comida para animais opções de snacks para o seu cão ou gato que sejam mais ‘light’. Ou então dê-lhes cenouras ou aipo. 5. Tenha atenção às doses. O veterinário pode ajudá-lo a perceber as calorias que o seu animal de estimação precisa de ingerir por dia para emagrecer, mas para conseguir respeitar isso é preciso que pese as doses que lhe dá.

BANCO ALIMENTAR

Recolhidos mais de 1.800 toneladas de alimentos O Banco Alimentar contra a Fome recolheu 1.848 toneladas de alimentos durante a campanha realizada no passado fim-de-semana em mais de 2.000 superfícies comerciais e com a participação de mais de 40 mil voluntários. Em comunicado o Banco Alimentar contra a Fome indica tratar-se de um “valor próximo do obtido na campanha homóloga do ano passado, confirmando quer a solidariedade sempre presente dos portugueses quer a sua confiança renovada, vez após vez, na ideia subjacente à atividade dos Bancos Alimentares contra a Fome”. Os alimentos vão ser distribuídos, a partir da próxima semana, por mais de 2.600 instituições de solidariedade social, que vão fazê-los chegar a 426 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas. “Sabemos que, apesar da melhoria das condições económicas, muitos dos nossos concidadãos continuam a enfrentar grandes dificuldades e significativas restrições alimentares e é por isso gratificante constatar que os portugueses têm uma perceção dessa realidade, procurando sempre, na medida das suas possibilidades, contribuir para a minorar”, afirmou Isabel Jonet, presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome, citada no comunicado.

ELVIS PRESLEY

Jato privado de Elvis Presley vendido em leilão

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O jato privado do cantor norte-americano Elvis Presley foi vendido este sábado por 430 mil dólares (cerca de 384 mil euros) num leilão na Califórnia, nos Estados Unidos da América. O jato privado do cantor norte-americano Elvis Presley foi vendido este sábado por 430 mil dólares (cerca de 384 mil euros), num leilão na Califórnia, nos Estados Unidos da América. O Lockheed Jetstar de 1962 não tem o motor ou o cockpit restaurado, sendo que o comprador e os seus planos ainda não são conhecidos, refere a Associated Press. Apesar disso, a empresa GMS Auctions Inc. estima que este possa faturar milhões depois do restauro do avião. Carl Carter, o porta-voz da empresa, acredita que foi Elvis quem projetou o interior do jato privato, onde se podem ver assentos de veludo e uma carpete vermelha. O rei do rock partilhava o avião com o seu pai Vernon Presley, e Carl Carter afirma que nenhuma alteração foi feita ao jato.

nike

Nova coleção e o mesmo apelo pela igualdade Cinco anos depois de terem sido lançados alguns modelos NIKEiD para celebrar o ‘Pride Month’, a Nike volta a destacar todo o seu apoio à comunidade LGTB e à importância da inclusão de todos os atletas dentro e fora de campo. Para marcar este (repetido) voto de apelo, a marca norte-americana lança uma nova versão da coleção BeTrue, que tem como “símbolo” o uso de um “arco-íris” por todos. “A chave para nós foi criar algo à qual as pessoas se podem unir mostrando o seu apoio aos atletas LGBT”, revela Robert Gorman, LBGT Network Leader na Nike, citado por um comunicado enviado às redações. Esta nova versão da coleção BeTrue conta com uma linha de footwear e apparel que fazem entoar a mensagem ‘Run Fierce’ . Presentes nesta coleção simbólica estão “o Shoowsh nos tons do arco-íris (nos Flyknit Racer) e o primeiro arco-íris na unidade de Air VaporMax”. A colecção inclui ainda os Nike Cortez com a inscrição ‘Been True’, o modelo Air Zoom Pegasus 34 e algumas peças de roupa, anuncia a mesma nota. A colecção BeTrue 2017 será lançada já a 1 de Junho na APP Nike+ e ainda em algumas lojas selecionadas.


MEDICINA DE PRECISÃO

» Ophiomics – Precision Medicine

Medicina de Precisão Saúde do paciente de uma forma exclusiva A Medicina, tal como em outras áreas, encontra-se em constante mutação e jamais cessa a sua busca por novos tratamentos, metodologias e soluções. O potencial da medicina de precisão é enorme, conceito que permite entender por que motivos tumores com a mesma anomalia genética respondem ou não a terapêuticas alvo.

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Começamos a perceber que havia aqui um espaço de trabalho onde se podia inovar e criar novas soluções para ajudar e apoiar a medicina

as afinal quais são as reais potencialidades da Medicina de Precisão? Que avanços permite a mesma aos utentes/ pacientes? Como vê este conceito a comunidade médica? São várias questões que se colocam sobre uma vertente que é um bem incontestável, até porque a constituição genética das pessoas assume-se como bastante variável e como consequência as doenças e respostas aos tratamentos também aportam um nível de diferenciação elevado. Assim, a medicina de precisão, procura descobrir o tratamento certo para o paciente certo, no momento certo. A Revista Pontos de Vista foi conversar com quem sabe profundamente sobre esta matéria e falou com José Leal, Diretor Executivo da Ophiomics – Precision Medicine, que nos deu a conhecer um pouco mais da dinâmica e relevância da Medicina de Precisão e de que forma a mesma pode contribuir decisivamente para a qualidade de vida dos utentes, assumindo também que nesta área Portugal está bastante avançado relativamente a outros congéneres europeus. Sendo um desafio enorme, a Ophiomics – Precision Medicine foi edificada por dois investigadores, entre os quais o nosso interlocutor, do Instituto Gulbenkian Ciência que faziam investigação na vertente da genómica e bioinformática em oncologia, sendo que o click se deu quando “começámos a perceber que havia aqui um espaço de trabalho onde se podia inovar e criar novas soluções para ajudar e apoiar a medicina”, explica o nosso entrevistado, lembrando que depois de “termos começado a conceber toda a vertente tecnológica para criar e edificar este projeto, faltava ainda a componente médica e foi nesse momento que abordámos o Grupo Germano de Sousa, que coincidentemente estava a apostar na criação de uma oferta nesta vertente da oncologia e genómica. Isto permitiu-nos juntar contactos e forças para fundar a Ophiomics – Precision Medicine e desenvolver novas soluções analíticas para apoiar a oncologia de precisão”, esclarece José Leal, soluções estas que estão já a ser disponibilizadas em Portugal na rede do Grupo Germano de Sousa. Mas será esta vertente da medicina de precisão o futuro? O nosso entrevistado não tem dúvidas e asse-

gura que é o presente e o passado, até pela constante busca de novos desafios, conceitos e metodologias que não cessa. “Estamos em permanente desenvolvimento”, assume o nosso interlocutor, lembrando que existem duas expressões muito utilizadas: medicina personalizada e medicina de precisão. A medicina sempre tentou tratar o indivíduo que sofre de uma qualquer patologia, num foco muito personalizado perante o doente. O problema é que não se conseguia tratar de forma muito precisa; o desenvolvimento tecnológico permite-nos hoje avaliar toda a componente genética, bioquímica, imunológica do indivíduo ao ponto que posso fazer a adaptação da minha abordagem terapêutica naquele indivíduo especificamente, e isto é a base da medicina de precisão, ou seja, não é só personalizada, mas também é precisa”, salienta o nosso entrevistado. Interessa ainda compreender que no campo da oncologia, em particular porque o cancro é uma doença referente à nossa informação genética, e é importante perceber que a capacidade de ler essa

josé leal


Os fundadores da Ophiomics

Investimento com um desiderato claro

Para compreender, a Ophiomics desenvolve serviços e disponibiliza soluções em genómica médica para apoiar o diagnóstico, deteção precoce, prognóstico, farmacogenómica e o seguimento clínico no contexto da doença oncológica e doenças crónicas. Estes testes são disponibilizados em Portugal através da rede Germano de Sousa. De que forma tudo isto se reflecte na redução de custos no domínio da saúde? O nosso entrevistado é peremptório e lembra que é importante realçar que a medicina de precisão promove formas de melhor a qualidade de vida e esperança de sobrevivência de pessoas que de outro modo não as teriam. “Conseguimos compreender que indivíduo vai beneficiar de determinado tratamento ou terapêutica, fornecendo meios ao médico e ao pagador para decidir onde é que o investimento mais se justifica. Este tipo de abordagem analítica permite-nos saber que quando «gastamos» o dinheiro será com a máxima probabilidade de sucesso”.

Alinhar players por uma estratégia

Naturalmente que uma evolução neste sentido, só faz «sentido» se todos os players e agentes da indústria estiverem alinhados perante uma estratégia. Será que a comunidade médica é recetiva a estas evoluções? Obviamente que os profissionais de medicina assumem sempre a esperança de possuir e usufruir de novas ferramentas e metodologias para tratar pacientes, até porque são eles que «enfrentam» os doentes, aos quais têm de fornecer respostas. Se existe essa recetividade por parte da comunidade

médica, existe também um ceticismo natural e saudável, “pois exigem e bem, dados muito convincentes dos diferentes ensaios clínico; quando estes entram na ordem das recomendações internacionais, então a comunidade médica fica muito mais recetiva”, salienta José Leal. Ainda neste domínio, o nosso interlocutor recorda que existe aqui uma fronteira onde os resultados que estão em fase avançada de validação já podem ser úteis, “e aqui o médico nem sempre está preparado em termos tecnológicos para poder decidir se deve ou não de usar estes conceitos e metodologias. Daí que estejamos em contacto direto e próximo com os médicos

Ophiomics A plataforma OphiDx®

É uma plataforma de software desenvolvida de raiz pela equipa de bioinformática da Ophiomics que permite implementar uma oncologia de precisão baseada em evidência sólida e actualizada. É um dos eixos de diferenciação e internacionalização da oferta da empresa.

com quem trabalhamos, discutindo em termos práticos o doente e a doença: O que vale a pena testar? Vamos descobrir novos caminhos terapêuticos? Este doente está recidivar? Entre outros cenários. Trabalhamos em grande proximidade com a comunidade médica”, esclarece o nosso entrevistado.

“Portugal está na linha da frente

Em diversas áreas da medicina e investigação, bem como na aplicação de novas tecnologias, Portugal tem sido um exemplo claro a nível europeu. Esta vertente da medicina de precisão não é exceção e segundo José Leal, uma vez mais, “estamos no pelotão da frente. Estamos a falar em tecnologias analíticas, no nosso caso temos um conjunto de soluções para o doente à volta da biopsia líquida e dos estudos genómicos do cancros avançados, entre outras e isto é do mais avançado e moderno que se faz a nível mundial”, salienta, sem esquecer que em Portugal talvez a única área mais atrasada em relação a outros países passe pela discussão com o pagador. “Existe sempre a questão, seja o pagador privado ou público, sobre quando é que faz sentido pagar este tipo de soluções e existe esta reserva natural que o pagador normalmente tem e que convém melhorar”, ressalva. A terminar, o nosso entrevistado relembrou que existem diversos desafios de futuro, sendo que os atuais passam pela internacionalização, “em que estamos a avaliar e a aprender a lidar com mercados externos – já exportamos tecnologia!”, realça, sendo que em Portugal o desafio principal passa por potenciar a relação com a comunidade médica e com o pagador. “Como é que demonstramos a estes dois players, comunidade médica e pagador, que este género de soluções faz sentido e melhora a vida do utente, bem como reduz custos. Este é o grande foco e para isso até iniciámos uma colaboração com o Instituto Superior Técnico para avaliar e quantificar a relação custo/benefício destas tecnologias”, concluí José Leal, Diretor Executivo da Ophiomics – Precision Medicine. ▪

31 JUNHO 2017

informação genética “através de genómica e bioinformática podemos saber: como é o que o tumor se vai desenvolver? Quais os fármacos a que é sensível? Como está o doente a responder à terapia? Estará a recidivar? Entre outras questões fundamentais. Isto cria, naturalmente uma evolução inevitável da oncologia em particular, mas também da medicina em geral”.


Inovação, Tecnologia, Investigação e Desenvolvimento Científico

» A EMPRESA LÍDER MUNDIAL EM TECNOLOGIA MÉDICA

"A cada segundo, em todo o Mundo, duas vidas melhoram graças às tecnologias Medtronic"

LUÍS LOPES PEREIRA

Hoje a tecnologia articula-se verdadeiramente com a saúde de modo a torná-la mais eficiente. A Medtronic é a empresa em Portugal que melhor traduz aquilo que se faz em prol da qualidade de vida dos pacientes. Luís Lopes Pereira, Diretor Geral, explica, em entrevista, o trabalho que a organização tem desenvolvido e a importância que esta assume perante os desafios globais constantes da saúde.

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Medtronic foi reconhecida pelo Great Place to Work Institute como a melhor organização para trabalhar na área da saúde e considerada a segunda melhor empresa em Portugal para trabalhar. Na sua opinião, o que refletem estas distinções? As tecnologias médicas de que a Medtronic dispõe exigem que os seus colaboradores sejam altamente qualificados e se comprometam com a nossa missão de “aliviar a dor, restabelecer a saúde e prolongar a vida”. Ou seja, a nossa presença nos hospitais baseia-se num compromisso aliado à missão dos próprios profissionais de saúde, de quem no fundo procuramos ser parceiros e não simplesmente fornecedores. Este compromisso, centrado no doente, exige que a companhia ofereça condições de trabalho e suporte adequado, num ambiente motivador. Acredito por isso que o trabalho que desenvolvemos juntamente com os vários interlocutores da área da Saúde é encarado pelos colaboradores da Medtronic com grande responsabilidade e orgulho, pois sentimo-nos participantes ativos na saúde em Portugal. Nesse sentido, o reconhecimento por parte dos

O grande desafio mundial é encarar o valor da saúde como base para a sua atividade. Ou seja, normalmente dá-se muito valor a estarmos saudáveis, a livrarmo-nos de uma doença através de um tratamento específico mas, sob o ponto de vista económico, a saúde continua a ser vista apenas como uma despesa

colaboradores da satisfação com que trabalham na companhia, reforçado pelo prémio do GPTW, é uma garantia de que estamos no bom caminho. Mas continuamos conscientes de que há sempre melhorias a fazer. “A nossa gama de produtos varia entre equipamentos de diagnóstico e terapias que gerem condições prolongadas, onde as restantes terapias médicas falharam”. Como pode ser explicada esta afirmação que está disponível no website da Medtronic? As nossas terapias servem em grande parte para melhorar a qualidade de vida de doentes, especialmente crónicos. O que normalmente se observa é que o tratamento farmacológico muitas vezes esgota as suas soluções e, nesses casos, um dispositivo médico pode ser uma solução a considerar pelos médicos, em alternativa ou conjuntamente com outras terapias. Muita da inovação que se tem feito em dispositivos médicos tem a ver com esta realidade mas a área do diagnóstico é fundamental e tem contribuído em grande parte para o tratamento mais precoce das


"O grande desafio mundial é encarar o valor da saúde como base para a sua atividade. Ou seja, normalmente dá-se muito valor a estarmos saudáveis, a curarmos de uma doença através de um tratamento específico mas, sob o ponto de vista económico, a saúde continua a ser vista apenas como uma despesa. Sob ponto de vista do valor temos que garantir que o pagador fica satisfeito com os resultados, sendo o prestador e o fornecedor devidamente recompensados pelo seu trabalho"

Sendo uma empresa à escala global, quais são atualmente os grandes desafios na saúde a nível mundial? O grande desafio mundial é encarar o valor da saúde como base para a sua atividade. Ou seja, normalmente dá-se muito valor a estarmos saudáveis, a curarmos uma doença através de um tratamento específico mas, sob o ponto de vista económico, a saúde continua a ser vista apenas como uma despesa. Sob ponto de vista do valor temos que garantir que o pagador fica satisfeito com os resultados, sendo o prestador e o fornecedor devidamente recompensados pelo seu trabalho. Naturalmente o risco deverá ser mais partilhado entre estes três stakeholders. Mas não podemos dizer que as tecnologias de saúde são caras apenas pelo dinheiro que custam. As contas têm que ser feitas e as opções valorizadas no seu todo. Se um doente é operado com uma tecnologia menos invasiva, temos que saber se o preço que pagamos por ela compensa o facto de o doente ficar eficazmente melhor tratado, saindo mais cedo do hospital e regressando mais rapidamente à vida ativa, evitando os custos de internamento. É nessa linha de raciocínio que deveremos avaliar e optar pelas tecnologias realmente inovadoras. Pagar pelo valor que um tratamento oferece. Para tal é preciso medir o resultado clínico desse tratamento, dessa solução terapêutica.

Atualmente a Medtronic está empenhada na aplicação efetiva desta perspetiva, denominada pelo Michael Porter como Value Based Healthcare. De que forma pode ser descrito o papel que temas como a inovação, a tecnologia, a investigação e o desenvolvimento enfrentam quando se fala em alcançar novas vantagens na área da saúde? A indústria da tecnologia médica e dos dispositivos médicos é o setor mais inovador do mundo. Alguns factos vêm comprovar essa afirmação: a cada cinquenta minutos há uma nova patente de dispositivos médicos a ser lançada no mercado; existem mais de 500 mil tecnologias disponíveis no mercado, isto é, ao fim deste tempo há uma melhoria do dispositivo; com um ciclo de vida inferior a 24 meses; ao longo da nossa vida utilizamos cada vez mais tecnologia médica, etc. Com o aumento da longevidade, a tecnologia tem de ser cada vez mais acessível e eficaz para que os doentes possam manter a qualidade de vida e a sua independência. É nesta linha estratégica que as empresas deste setor deverão dirigir a sua capacidade de inovação e de investigação. Por outro lado, no seguimento da pergunta anterior, a inovação deve passar por todas as fases da prestação de saúde, ou seja não só na solução tecnológica, mas também na eficiência dos processos e dos sistemas de saúde. E na base da inovação, em todas estas áreas, deve-se procurar o seu valor real e o impacto que tem na saúde de uma população. A Medtronic tem tido um contributo essencial na forma de como é encarada e vivida a doença crónica. Como pode ser explicado esse contributo? A cada segundo, em todo o Mundo, duas vidas

melhoram graças às tecnologias Medtronic. Creio que este facto traduz bem o nosso contributo. Sobre investigação científica, a que áreas complexas como é o caso da saúde estão sujeitas, que sinergias têm sido trabalhadas em conjunto com o meio académico? Uma parte considerável da investigação é feita com a participação do meio académico. A nossa ligação com as universidades e com a investigação em geral é muito forte. Para além dessa investigação a Medtronic promove a atribuição de bolsas, prémios de investigação e outras formas de estímulo ao desenvolvimento científico. Sem a participação académica a nossa indústria não sobreviveria. Com a criação da Medtronic Foundation é possível perceber que a organização também é ativa na sociedade através de programas que visam responder às necessidades e melhoria de vida das pessoas, como o HeartRescue ou o Patient Link. Quais são os princípios destes programas que estão disponíveis a nível europeu? Os programas são geralmente internacionais e abrangentes, pois o mundo é global. Desde a promoção da atividade desportiva por parte de doentes crónicos à participação de colaboradores em ações de responsabilidade social. a Medtronic em todo o Mundo procura ter um impacto positivo na comunidade em que se insere, sendo este um dos princípios da nossa missão. Exemplo disso são iniciativas como os "Global Champions", em que "atletas" com dispositivos médicos participam na maratona Twin Cities (EUA), uma ação apoiada pela Medtronic. Por outro lado, todos os anos tentamos envolver os colaboradores numa ação de responsabilidade social, ajudando instituições a melhorar a qualidade de vida dos seus utentes. ▪

33 JUNHO 2017

doenças crónicas, sendo assim muito vantajoso para os doentes, para os sistemas de saúde e para a economia, pois poupa-se nos tratamentos da doença em estado mais agudo (sempre mais dispendioso) e os doentes podem tornar-se funcionalmente mais produtivos para a sociedade, reduzindo consideravelmente os períodos de recuperação.


CiiEM - Centro de investigação interdisciplinar Egas Moniz

» INOVAÇÃO & DESENVOLVIMENTO

Ciência

e os novos conhecimentos “A Ciência, nas suas várias facetas, tem um papel crítico para o desenvolvimento das organizações como a Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz e da sociedade no seu conjunto. O papel mais imediatamente visível está na criação de novos conhecimentos”, afirma Alves de Matos, Diretor Executivo do CiiEM - Centro de investigação interdisciplinar Egas Moniz, que em entrevista à Revista Pontos de Vista abordou um pouco mais desta dinâmica da Inovação, Tecnologia, Investigação e o Desenvolvimento.

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ue papel tem vindo a assumir a Inovação, Tecnologia, Investigação e o Desenvolvimento, para alcançar novas vantagens, nas organizações, sociedade e economia? A Ciência, nas suas várias facetas, tem um papel crítico para o desenvolvimento das organizações como a Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz e da sociedade no seu conjunto. O papel mais imediatamente visível está na criação de novos conhecimentos. Estes podem responder a grandes problemas sociais, referir-se a desenvolvimentos importantes para a atividade produtiva de uma empresa, ou situar-se no campo da ciência dita "fundamental", que por vezes é entendida como desligada das realidades, e preterida em favor da ciência dita "aplicada", uma vez que esta tem visivelmente algo a ver com a solução de problemas concretos. A ironia das coisas faz com que os resultados sejam muitas vezes desconcertantes. Um desenvolvimento na área da ciência pura ou fundamental, abre frequentemente caminho a novas soluções e atividades com grande impacto na sociedade, contra todas as expectativas e impossíveis de prever. Por outro lado, a investigação mais aplicada, pode deparar-se com grandes dificuldades em ver os seus avanços efetivamente aproveitados pelo tecido social e empresarial, levando muito tempo a ter algum impacto significativo. Mas o valor da atividade de investigação está também na criação de uma elite de profissionais dotados de um conhecimento atualizado e de uma atitude perante os problemas práticos que permite a procura de soluções inovadoras. Mas é preciso ainda progredir muito neste campo. Qual o papel das Unidades e Centros de Inovação, Investigação e Desenvolvimento na promoção do conhecimento junto da sociedade e das organizações? Não tanta quanto desejável. Atualmente esse potencial de conhecimento tende a ser crescentemente reconhecido, sendo os investigadores incentivados a fazer chegar à sociedade os resultados, implicações e potencialidades do seu trabalho. Em sentido por vezes inverso, a sociedade exige cada vez mais, e frequentemente com ceticismo, saber quais os benefícios do seu investimento em ciência, resposta que nem sempre é fácil de equacionar em termos simples. A divulgação da ciência é uma área crítica mas complexa, onde se podem formar polémicas pouco produtivas entre conhecimentos válidos, por verdadeiros (prefiro não usar o termo já distorcido de "científicos"…) e grupos de pressão que apelam ao desconhecido apenas como forma de criar um cenário encantador e

alves de matos

Um desenvolvimento na área da ciência pura ou fundamental, abre frequentemente caminho a novas soluções e atividades com grande impacto na sociedade

envolvente, cheio de conspirações e de mistérios, capaz de mobilizar uma adesão significativa. Veja-se o que se passa nos EUA com os movimentos anti-evolucionistas. Para as organizações, a existência de centros de investigação institucionalizados como o CiiEM na Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz e capazes de interagir de modo eficaz com a actividade produtiva da organização, é essencial para que esta se possa aperfeiçoar e adaptar ao ambiente social em mutação constante, no qual está inserida.

Qual importância de criação de sinergias entre diferentes entidades ligadas investigação e desenvolvimento do conhecimento e as organizações e que vantagens advêm daí? O quebrar o isolamento dos centros de investigação permitindo a sua evolução em colaboração e competição válida com os seus congéneres associados. Este é um dos objetivos centrais do CiiEM - incentivar parcerias entre as estruturas da Egas Moniz empenhadas em investigação e desenvolvimento para a formação de redes quer com parceiros internos quer externos. Hoje em dia, a ciência é em muitos casos um empreendimento complexo e multidisciplinar pelo que há benefícios importantes na complementação em termos de tecnologias e conhecimentos, que dificilmente se podem obter dentro de uma única organização. Por último a obtenção de uma massa crítica capaz de levar a cabo empreendimentos de dimensões significativas. No conjunto, a criação de redes temáticas juntando diversas organizações em torno de objetivos comuns e bem estruturados, é uma enorme força motriz da atividade científica, assumindo em larga medida o papel de outros tipos de organizações como as Sociedades Científicas, sem no entanto as substituir. Foi no seio destas que muitos de nós beneficiámos do contacto com os pares. ▪


Centro de Investigação Interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM) • Outras estruturas com funções pedagógicas e assistenciais são o Centro de Genética Médica e Nutrição Pediátrica, o Centro de Microscopia Electrónica e Histopatologia, o Gabinete de Informação e Assistência às Vítimas, o Gabinete de Psicologia Forense, o Grupo de Ciências Sociais Aplicadas, o Laboratório de Ciências Forenses e Psicologia e o Laboratório de Microbiologia Aplicada. • Neste contexto o CiiEM pretende assegurar a manutenção e crescimento de uma dinâmica de investigação de elevada qualidade, sem esquecer a transferência do conhecimento adquirido e criado por essa atividade para as unidades de ensino e assistenciais mencionadas. Muitas melhorias e inovações introduzidas nalgumas unidades, como a Clínica Dentária surgem já no contexto dessa dinâmica.

• O Centro de Investigação Interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM) é uma organização recente em fase de estruturação e desenvolvimento. O Centro pertence à Egas Moniz, Cooperativa de Ensino Superior, que tem uma atividade de ensino superior e politécnico extremamente importante através dos Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz (Universidade) e Escola Superior de Saúde Egas Moniz (Politécnico) em que participam mais de 400 professores. A Egas Moniz desempenha também funções assistenciais na área da saúde, de grande dimensão e impacto. Basta mencionar a Clínica Dentária com cerca de 60000 consultas anuais, e em crescimento. Outras unidades são a Egas Moniz / Clínica de Almada, a Egas Moniz / Clínica Universitária de Setúbal (em instalação) e a Residência Sénior Egas Moniz em Sesimbra. Estas clínicas cobrem a Medicina Dentária, Fisioterapia, Enfermagem, Nutrição, Terapia da Fala e Psicologia Clínica e Forense.

Considerando especificamente a atividade de investigação, o CiiEM está atento não apenas à investigação interna, mas promove activamente a participação em redes e a colaboração com outros centros de investigação, no espírito do que se disse nos temas anteriores. É disso exemplo a realização em 11-13 de Junho próximo de um Congresso "Research and Innovation in Human and Health Sciences" em que serão apresentadas

200 comunicações, com participação não apenas da Egas Moniz mas de quase todas as grandes Universidades do país, diversas Universidades dos EUA, UK, Espanha e Brasil e alguns Centros Hospitalares. O Congresso é um evento que congrega as instituições com as quais a Egas Moniz e em particular o CiiEM têm colaborações ativas a nível científico. A página do Congresso está em http://ciiem2017.healthsci.net.

35 JUNHO 2017

SABIA QUE…?


CAPITAL HUMANO NAS ORGANIZAÇÕES

» PESTANA HOTEL GROUP

JAIME MORAIS SARMENTO

GRUPO PESTANA

DE PESSOAS PARA PESSOAS pontos de vista

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“O Grupo Pestana compreendeu há muito que a vertente das competências comportamentais são o motor de afirmação da qualidade do que se entrega, em termos de produto, a todos os clientes”, afirma, em entrevista, Jaime Morais Sarmento – Diretor de Recursos Humanos dos Hotéis de Portugal & Africa do Grupo Pestana.

O

Pestana Hotel Group assume-se como um player de enorme relevo que é reconhecido por todos a nível nacional e internacional. Neste domínio, como tem perpetuado a marca um sentido de crescimento assente em pilares como a excelência, a qualidade e o rigor? Os vários reconhecimentos públicos dentro do setor e não só, que o Grupo tem vindo a receber ao longo dos anos, são a demonstração da qualidade do que o mesmo entrega aos diferentes patamares do mercado, quer seja ao nível da operação hoteleira propriamente dita, mas também ao nível do desenvolvimento físico de nova estruturas, como ao nível do cumprimento dos compromissos assumidos em outros setores

da atividade económica. Assim, com a excelência do serviço que é apresentado, com a qualidade do que é construído e com o rigor de gestão que é claramente reconhecida, o grupo é frequentemente desafiado a aceitar novos projetos e sustenta nestas premissas o perpetuar do seu crescimento. De que forma é possível caracterizar a marca no que concerne ao relacionamento que mantém com o cliente? Como é que perpetuam valor? Caracteriza-se pela seriedade do produto entregue ao cliente no binómio qualidade / preço e também pela transparência com que toda a relação comercial se desenvolve por parte do Grupo. O claro exemplo destas características é a fidelização

de uma série relevante de clientes que visitam as nossas unidades há mais de 40 anos permanentemente e que transmitem aos seus familiares e descendentes o desejo e vontade de visitarem as unidades do grupo e aí permanecerem. Claro que estas características são igualmente suportadas pela qualidade de serviço, atenção, dedicação e capacidade de antecipar expectativas, que fazem parte do ADN dos embaixadores que representam diariamente o Grupo e por ele dão a cara a quem escolhem. Os recursos humanos são, cada vez mais, uma parte activa e fundamental para que qualquer marca/ organização tenha sucesso no mercado. Neste âmbito, quais são as principais mais valias dos recursos humanos do Grupo Pestana?

Os RH devem ser o principal parceiro estratégico de uma visão embebida num grupo e que sustentada em valores claramente definidos

Começam por ter uma característica generalizada e que sendo única na sua dimensão e generalização, fazem uma grande diferença no mercado; gostam de pessoas; logo sendo a hotelaria o “core business” do grupo e uma industria de pessoas para pessoa, o simples gostar transporta


a dar uma maior atenção ao seu corpo de recursos humanos? Sim, é um facto que os RH deixaram de ser meros administrativos, que se regiam por definições legais para executarem as suas responsabilidades, e passaram a ser vistos por mérito próprio como agentes de mudança interna, agentes de mudança de cultura e profissionais capazes de pela sua criatividade saírem das amarras do cego caminho de se guiarem por preceitos legais. Como em todas as áreas, os RH não são diferentes ou seja, as suas características, o seu perfil de equipa e a forma como são vistos, depende dos profissionais que preenchem cada equipa RH. No entanto, sendo hoje primordial a capacidade de retenção e atracção de talento, e que a mesma se faz principalmente através das emoções, mais do que pelo tangível, os RH serem vistos como parceiros fundamentais através da sua criatividade, ajuda ao sucesso das organizações no exceder dos seus resultados.

O trabalho do departamento de recursos humanos nas empresas é muitas vezes associado apenas à seleção e recrutamento de colaboradores, porém esta é uma definição demasiado redutora. Qual é, na sua opinião, o papel dos recursos humanos e a sua importância no universo empresarial? Podemos ainda andar um pouco para trás no tempo, e na verdade mais rodutor do que considerar que o departamento de RH é apenas o fornecedor de serviços de seleção e recrutamento é o pensamento de que apenas fornece serviços administrativos de processamentos salariais, legal / laborais. Os RH devem ser o principal parceiro estratégico de uma visão embebida num grupo e que sustentada em valores claramente definidos, e que numa indústria como a da hotelaria, se tornem o principal meio difusor pelo interior da organização. Assim, o papel deve assentar em compreender quem tem perfil para ser representante de uma organização, como deve ser o seu desenvolvimento, onde pode chegar, o que deve alcançar e como pode contribuir para o sucesso dessa organização. Em resumo, o RH devem ser o garante de que os passos para a visão estabelecida são dados com confiança numa ambiente de sucesso e de felicidade, conhecendo profundamente e acompanhando todos os seus embaixadores, da mesma forma que um comercial acompanha os seus clientes.

As pessoas fazem a diferença no ambiente competitivo? Como é que isto se nota na realidade? As pessoas são a principal diferença em qualquer ambiente, principalmente no competitivo. Numa qualquer atividade comercial, industrial, de serviços e de preferência competitivo, é a singularidade do ser humanos que não pode ser copiada. Tudo o resto pode! No mercado hoje em dia bastante competitivo como o hoteleiro, cada interação entre duas pessoas, cliente e embaixador é única e inimitável. É em todas estas interações que se preenchem de emoções que as pessoas fazem a diferença entre fidelizar ou não. Os campeões não se constroem com os tecnicamente melhores jogadores. Constroem-se com aqueles que sentindo paixão pelo que representam, jogam transportando para o ambiente de competição este sentimento que eleva todas as suas competências técnicas. Não há campões sem paixão, logo estando esta emoção nas pessoas, estas fazem a diferença.

Sente que atualmente o paradigma mudou, ou seja, o universo empresarial começa, cada vez mais,

Que desafios terá a marca de futuro? Ao nível de recursos humanos e dos seus desafios que expectativas existem? A marca terá os desafios da entrada em geografias onde se necessita de afirmar com a mesma qualidade que já a prestigia em Portugal. A nível de recursos humanos, o maior desafio continua a ser a característica da indústria, a visão que os jovens têm sobre uma atividade de “servir” terceiros e como projetar em termos de imagem a nobreza das suas atividades principais. Outro dos desafios, num mercado

onde a oferta de trabalho cresce a um ritmo bastante superior ao que cresce o mercado de trabalho, coloca-se num futuro a muito curto prazo, para não dizer já hoje, o desafio da fidelização dos jovens à atividade, à marca como “empregador atrativo” e a capacidade de fidelização de quem já está no interior das organizações. Esta fidelização de quem já desenvolve a sua atividade no seio da marca, passa pela capacidade de fazer

compreender a cada indivíduo qual o seu papel, qual o seu contributo, como participou no sucesso global e desta forma dar um claro propósito e reconhecimento à sua importância para esse mesmo sucesso. O desafio do futuro em recursos humanos passa pela capacidade de retenção, atratividade, dar significado à participação, tendo um propósito bem maior do que um simples emprego. ▪

37 JUNHO 2017

uma paixão para a atividade diária que resulta no exceder de expectativas dos nossos clientes e por aí uma enorme influência positiva à afirmação da marca no mercado hoteleiro. O Grupo Pestana compreendeu há muito que a vertente das competências comportamentais são o motor de afirmação da qualidade do que se entrega em termos de produto a todos os clientes. São em competências como cortesia, iniciativa, autonomia, dedicação, simpatia, comunicação, acompanhamento, entre outras, que qualquer cliente valoriza e classifica a qualidade do produto que adquiriu nesta indústria. Ao contrário de outros, o Grupo Pestana há muito que tem a sua atenção nesta matéria, procurando desenvolver os seus quadros, valorizando os seus recursos humanos, de forma a que os mesmo valorizem sempre com prioridade máxima o cliente do grupo. Muito por aqui, se constrói a forte, honesta, dedicada e qualitativamente superior marca Pestana.


GrowthCLUB ActionCOACH

Planear o negócio é o método certo para atingir o sucesso No GrowthCLUB ActionCOACH mostramos-lhe como… Já pensou nos benefícios de planear os objetivos do seu negócio ao trimestre? E as mais-valias que lhe vai trazer para a gestão e implementação dos mesmos já pré-definidos?

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Próximas Datas do GrowthCLUB:

Testemunhos do Sucesso

Paços de Ferreira - 17 Junho Lisboa - 23 Junho Porto - 30 Junho

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pontos de vista

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rovado está que - Planear e Implementar - são duas das mais importantes ferramentas que levam a uma estratégia de sucesso. E é esse o grande propósito do GrowthCLUB, um workshop essencial da ActionCOACH onde são apresentados métodos de planeamento de objetivos a 90 dias para a construção de um plano de ação, passo a passo, prático, relevante e personalizado, com o objetivo de gerar mais lucro ao seu negócio. Nada melhor do que passar à ação e vir experimentar, numa das sessões já com data marcada para junho em Paços de Ferreira, Lisboa e Porto. Aqui vai conhecer e trabalhar com os Business Coaches da ActionCOACH, profissionais especializados e credenciados, com elevadas competências em diversas áreas de negócio, sendo uma peça fundamental na boa execução do Plano a 90 dias. O Plano que lhe vai permitir obter um Resultado Imediato, agindo passo a passo, e o seu negócio atingir mais em três meses do que a maioria das empresas alcança durante um ano inteiro. O GrowthCLUB apresenta-se assim como uma reunião interativa, seguindo uma agenda estruturada e diversificada de conteúdos, onde vai poder descobrir as sete áreas em que deve planear “O” seu negócio através da partilha e discussão das estratégias mais importantes para trabalhar os desafios de tempo, equipa, dinheiro e mindset na construção de um negócio de sucesso. Aprende como subir passo a passo a escada de sucesso para um negócio comercialmente rentável, de receita previsível e que pode funcionar com ou sem o dono! No final vai sair do evento com energia, vontade, visão e foco, compreendendo como o negócio é um reflexo do seu dono. Não perca esta oportunidade e inscreva-se, porque “o mais importante é estabelecer objetivos, criar um plano de trabalho e, acima de tudo, concretizar esse plano!” São já algumas dezenas de empresas portuguesas que comprovaram os métodos e estratégias da ActionCOACH, podendo testemunhar sobre o sucesso do seu negócio com orientação de um Business Coach, acreditando, igualmente, ser indispensável estar no GrowthClub a cada trimestre. ▪

Jorge Lozano, Trabalhos em Altura (Business Coach Hugo Monteiro)

Um outro caso de sucesso é a Jorge Lozano – Trabalhos em Altura, Lda, que volvidos 12 anos de atividade, e após ter obtido a liderança do mercado nacional, sentiu a necessidade de iniciar o seu processo de alavancagem do negócio e, consequentemente, o apoio de um Business Coach revelou-se absolutamente necessário, sobretudo ao nível da sua gestão, tendo como objetivo “trabalhar mais ‘O’ negócio” e menos ‘No’ negócio. A criação de planos de tesouraria e de marketing, bem como o controlo, teste e medição da origem dos seus contactos e dos respetivos resultados, eram fatores de gestão que careciam de maior sistematização, aprofundamento e avaliação. Tudo isto originou o estabelecimento de uma parceria de trabalho com a ActionCOACH onde, através das sessões de coaching semanal, inseridas num plano de expansão a dois anos (2017-2018), se avaliam e ajustam os mecanismos e procedimentos para que os objetivos e o inerente sucesso sejam assegurados. Esta situação acontece após um início fulgurante da empresa nos primeiros anos de atividade tendo sobrevivido, sempre em crescimento, ao período de crise que se instalou de 2008 a 2014. A Jorge Lozano Lda. conseguiu assim afirmar-se no mercado através da qualidade dos serviços prestados, quer em termos da Venda de Equipamentos, como também na Formação e Certificação de Técnicos e na Prestação de Serviços. Baseada na formação contínua e melhoria permanente dos seus profissionais e serviços que disponibiliza, situação oriunda do seu Sistema de Gestão da Qualidade NP EN ISO 9001:2008, a empresa encerrou o ano de 2016 com os melhores resultados de sempre. No entanto e, apesar dos bons resultados alcançados, a gerência sentiu a necessidade de criar um plano de expansão, a nível nacional e internacional, para aumentar o seu volume de negócios, onde se inclui o estabelecimento de parcerias estratégicas e a exportação

do know-how em matéria da sua especialidade, ou seja, nos Trabalhos em Altura e nos Trabalhos Verticais. O trabalho realizado com o ‘Business Coach’ veio impactar positivamente esta expansão, através da aplicação de metodologias específicas que vêm comprovar tomadas de decisão que estão na base do sucesso e liderança alcançados, sendo a única empresa nacional a oferecer um serviço integrado, denominado de ‘Serviço 3D’ ou de 3ª Dimensão.  Como refere Jorge Lazano, “o facto de apostarmos no estabelecimento de parcerias com fabricantes europeus certificados e que produzem equipamentos normalizados, assim com a formação nacional e internacional da equipa técnica e formativa, implica que a empresa possa prestar um serviço de qualidade e assegurar a inerente satisfação dos clientes.” “Aliado a isto, todas as certificações obtidas ao longo destes 12 anos de atividade permitiram-nos organizar e aprender com os respetivos procedimentos implementados dos Sistemas de Gestão e dos Sistemas Operacionais da empresa, garantindo aos nossos clientes um serviço profissional completo e de que todos nos orgulhamos, sendo reforçado pelo aconselhamento e instruções ministradas pela ActionCOACH”, acrescenta. É aqui que se torna absolutamente fundamental, quer pela equipa de gestão, como também por toda a restante equipa, o acompanhamento e treino regular de um Business Coach, cujo objetivo principal é o de orientar a atividade empresarial para os bons resultados, desenvolvimento e sucesso do negócio. A presença nas sessões de GrowthClub são também uma constante onde vão comprovar o sucesso das estratégias definidas nos plano trimestrais. São momentos de partilha, novas aprendizagens e reconhecimentos que incentivam o continuar de um alinhamento para o sucesso contínuo. ▪


Fernando Amorim, Hospital Veterinário de Vila do Conde (Business Coach Olga Gonçalves)

Pizza na Praça

(Business Coach Miguel Bragança)

Foi em 2015 que Joaquim Carvalho, diretor geral do restaurante Pizza na Praça, ao ler uma revista onde constava um pequeno artigo do livro ‘Comprar Clientes’ do Bradly Sugars que percebeu que estava no momento de fazer algo diferente pelo seu negócio. A empresa encontrava-se há algum tempo em situação de break-even e por vezes a dar prejuízo. Decidiu então contatar a ActionCOACH para adquirir o referido livro onde, por sua vez, se deu o contato com o business coach. Quando deu início às sessões de ‘treinamento’ o negócio estava numa fase sem crescimento, sendo mais um auto emprego – existia a vontade de crescer mas faltavam as ferramentas. Com a ajuda do seu business coach conseguiu tirar o negócio da constan-

te situação de break-even, bem como a dinamização do conceito, com estratégias inovadoras. Hoje tem mais um ponto de venda a funcionar, com uma boa perspetiva de crescimento. "Para mim que tenho um plano de crescimento do negócio, acho essencial um acompanhamento de um coach. Para além do apoio na gestão do negócio, é igualmente o apoio do desenvolvimento pessoal, que acredito que só assim pode haver um crescimento sólido e consistente" refere Joaquim Carvalho. E os encontros trimestrais GrowthClub "são momentos cruciais para a validação dos pressupostos definidos para cada 90 dias, onde comprovamos os resultados atingidos de acordo com o plano", acrescenta ainda. ▪

cia, com a sua Business Coach, a necessidade de que cada elemento da equipa/empresa deve ocupar-se daquilo para o qual está preparado. Sendo a sua área a medicina veterinária, ter um apoio na gestão da empresa fez todo o sentido. Nas palavras de Fernando Amorim, "no dia-a-dia pensamos e até podemos saber para onde devemos encaminhar o nosso negócio, mas se não temos quem nos alinhe nas estratégias e procedimentos, acabamos por deixar muita coisa por fazer". "Estas falhas mais cedo ou mais tarde acabam por se refletir no balanço da empresa", refere ainda. E é por estas razões que vêem, no seu caso em particular, o apoio de business coach imprescindível para a continuação do sucesso e expansão do negócio. ▪

39 JUNHO 2017

Joaquim Carvalho,

A prova de que o Business Coaching se aplica a qualquer setor de atividade, vem com o exemplo do Hospital Veterinário de Vila do Conde como mais uma evidência de sucesso, onde a necessidade de terem o aconselhamento de um business coach chegou quando começaram este novo projeto. "Hoje em dia nos negócios não há muita margem para erros, por essa razão achamos importante ter um ‘treinador de negócios’ para que tudo pudesse correr bem", refere Fernando Amorim, responsável do hospital. Tendo iniciado a atividade apenas há cinco meses, apesar da ‘tenra idade’, o Hospital encontra-se numa fase de franca expansão, muito devido aos métodos e planos estratégicos da ActionCOACH. Até ao momento vêem como maior aprendizagem desta experiên-


O PAPEL DO AGENTE OFICIAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL

» TODAY PATENTS EM DESTAQUE

“REGISTAMOS A SUA MARCA, HOJE" Sabia que se não registar a sua marca, patente ou design qualquer pessoa a pode utilizar?”. A Today Patents, empresa especializada em Propriedade Industrial, garante a assessoria do seu projeto desde a ideia até ao mercado, na procura da melhor estratégia, tipos de proteção e a possibilidade de obter direitos exclusivos e valorização pela via do sistema de Marcas E Patentes Registadas. Nuno Lourenço, Founder & CEO da Today Patents explica-nos mais.

A

na concessão e registo de licenças, no estabelecimento e obtenção de royalties, etc.

Today Patents assume-se como o parceiro para a Propriedade Industrial. Para elucidar melhor o nosso leitor o que abrange este conceito de Propriedade Industrial? A Propriedade Industrial (PI) é o que permite a proteção das invenções (Patentes), criações estéticas (Design) e dos sinais distintivos do comércio (Marcas, Logótipos, etc) para produtos e serviços. Esta proteção desempenha a função de garantir a exclusividade e assim evitar a reprodução ou imitação do que estiver registado. A PI tem a função de garantir a lealdade da concorrência pela atribuição de direitos privativos e o desenvolvimento da riqueza.

pontos de vista

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Qual é, portanto, o papel da Today Patents neste domínio da Propriedade Industrial? A Today Patents é uma empresa especializada em todas as matérias da PI que trabalha a nível Nacional, Europeu e Internacional. Temos as mais altas competências Técnicas, Legais e de Gestão ao serviço dos nossos clientes, bem como o compromisso de prestarmos serviços com a máxima qualidade, a preço justo e claro, estando sempre disponíveis para encontrar a solução que melhor defende os interesses dos nossos clientes. Possuímos uma forte e consolidada experiência que nos permite ter taxas de sucesso elevadíssimas, o que atingimos pelo facto de termos investido nas mais altas qualificações Internacionais na área da PI e que nos tornaram oficialmente reconhecidos, bem como aprovados como Agentes da Propriedade Industrial, European Trademark and Design Attorneys, Qualified European Patent Attorneys e Professional Representatives before World IP Organization. E como pode ajudar? Em que áreas intervém? A nossa intervenção no ciclo de inovação é transversal. A fase inicial de desenvolvimento e conceção é uma fase muito importante em que desenvolvemos pesquisas especializadas, para poder avaliar e transmitir aos nossos clientes o que existe no mundo relacionado com o que pretendemos proteger e assim prestamos apoio na tomada de decisão. Preparamos os registos de modo altamente especializado, submetemos processos em todo o mundo e acompanhamos o desenvolvimento dos processos, desde a concessão, manutenção e valorização do que começou como uma ideia e que nesta fase já é um ativo valioso. Os direitos de PI são ativos que devem ser incluídos nos balanços financeiros das empresas e, deste modo, valorizando-as. Também prestamos apoio na avaliação financeira dos activos de PI,

Ajudam o cliente a encontrar a solução perfeita. Quais são os maiores desafios com que se deparam? É muito comum que à partida os clientes pretendam algo muito específico, que pode ser limitante e neste casos podemos/devemos alargar o âmbito de proteção, mas também acontece o contrário, ie alguns clientes pretendem uma proteção tão abrangente que iremos ter problemas com objeções, oposições, reclamações de terceiros, etc. A solução perfeita encontra-se no equilíbrio entre a abrangência (forma e conteúdo) do que é solicitado e a proteção efetivamente conferida pelos direitos concedidos.

NUNO LOURENÇO

Os direitos de PI são ativos que devem ser incluídos nos balanços financeiros das empresas e, deste modo, valorizando-as O Agente Oficial da Propriedade Industrial é a “ponte” entre a investigação e os empreendedores para com as Entidades Oficiais

“Sabia que se não registar a sua marca, patente ou design qualquer pessoa a pode utilizar?”, refere a Today Patents. Sente que a sociedade ainda está pouco consciencializada ou informada sobre este aspeto? De facto, em Portugal temos um nível de utilização do sistema de Marcas já bastante evoluído e com número de pedidos, por milhão de habitantes, praticamente em linha com a média da UE, mas ao nível do Design e principalmente nas Patentes, apesar de ser ter melhorado nos últimos 15 anos, estamos efetivamente muito longe de tornar a investigação em valor acrescentado. Pela nossa experiência as empresas Nacionais estão cada vez mais conscientes da importância da PI, mas no dia a dia ainda encontramos diversas situações em que a PI está claramente mal protegida ou muito frágil, sendo que nestas situações os titulares pensam que estão bem protegidos e na realidade a sua posição é bem mais fraca do que seria possível. O que pode ser registado e que vantagens aporta o registo? Como Marca podem ser registados um sinal ou conjunto de sinais que sejam possíveis de representação gráfica, podendo incluir palavras, nomes de pessoas, desenhos, letras, números, sons, a forma de produtos ou embalagens, frases publicitárias para produtos ou serviços com caráter distintivo de uma entidade: Empresa, Instituto ou Indivíduo. Como Desenho ou Modelo Industrial podem ser registadas as criações ornamentais ou estéticas, relativas à totalidade ou parte de um produto e pode consistir em aspetos tridimensionais, tais como a forma de um artigo ou bidimensionais, tais como padrões, linhas, contornos, cores, forma, textura ou dos mate-


As vantagens, de modo geral, são:

+ Direito de propriedade industrial: monopólio e exclusivo + Concede a utilização dos símbolos Registados “®” | Patente | DM + Demostra diligência, transmite confiança e dissuade a violação de terceiros + Superior segurança, evita litigância e credibiliza em fases de angariação de capital + Permite transmitir ou conceder licenças, obter royalties e são Ativos de investimento

Que papel assume, assim, um Agente de Propriedade Industrial e Intelectual quando se fala de fatores como inovação, tecnologia, investigação e desenvolvimento científico? O Agente Oficial da Propriedade Industrial é a “ponte” entre a investigação e os empreendedores para com as Entidades Oficiais. As matérias da PI, quando tratadas ao mais alto nível, são Internacionalmente reconhecidas como das mais complexas a nível Industrial, dado que abrangem aspectos técnicos, legais e estratégicos pelo que o Agente Oficial da Propriedade

Industrial é essencial quando se pretende passar para além das ideias e transformar a inovação em valor acrescentado para as empresas, para a sociedade e para as famílias. Para exponenciar o empreendedorismo e para a inovação das sociedades não basta, em jeito de conclusão, ter boas ideias ou ser um bom empreendedor. Que mensagem ou palavras gostaria de deixar aos nossos leitores enquanto Agente de Propriedade Industrial? A inovação é a passagem das invenções para o mercado e neste trajecto a PI tem um papel essencial, assumindo-se na maior parte das vezes como o fator decisivo para o sucesso. Eu diria que sem boas ideias e empreendedores não existem invenções e acrescento convictamente que sem a PI não existe inovação de alto valor acrescentado. As minhas últimas palavras vão para todos os portugueses: vejamos como exemplo os últimos sucessos alcançados pela nossa seleção Nacional de Futebol no último campeonato da Europa, bem como o mais recente 1º lugar no Festival da Eurovisão da Canção e tantos outros fantásticos feitos recentes que nos provam que é possível, a partir de Portugal, competirmos e por vezes sermos primeiros, com trabalho e focados no essencial será também possível alcançar maiores êxitos futuros no mundo empresarial. ▪

41 JUNHO 2017

riais do produto e a sua ornamentação (artigo industrial ou de artesanato). Exemplos de Design que se podem registar são: produtos, componentes, embalagens, elementos gráficos de apresentações, grafismos, painéis, layout de apresentações de computador, símbolos, sinalética, carateres, etc. Como Patente podem ser registadas invenções, na prática soluções novas para determinados problemas técnicos existentes. As Patentes podem ser obtidas para todos os domínios da tecnologia, relativas a produtos ou processos e também para processos novos de obtenção de produtos, substâncias ou composições já existentes. Para ser patenteável a invenção tem de ser nova, inventiva e ter aplicação industrial.


O PAPEL DO AGENTE OFICIAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL

» A.G. DA CUNHA FERREIRA , EM ENTREVISTA

137 ANOS

DE EXPERIÊNCIA EM SERVIÇO ESPECIALIZADO Há 137 anos atrás João António da Cunha Ferreira fundou o Gabinete de Propriedade Industrial, pioneiro no registo de patentes e marcas em Portugal. Hoje, a quinta geração da família dá continuidade ao serviço prestado de proteção e defesa dos direitos dos seus clientes. Manuel da Cunha Ferreira, Agente Oficial da Propriedade Industrial e Mandatário Europeu de Marcas e Desenhos ou Modelos da A.G. da Cunha Ferreira, elucida-nos sobre o papel de relevo dos Agentes Oficiais de Propriedade Industrial junto das empresas.

A

A.G. da Cunha Ferreira tem vindo a ser considerada uma firma  de  referência em propriedade industrial, em Marcas e em Patentes. Que fatores têm contribuído para esta solidez? A A.G. da Cunha Ferreira foi fundada em 1880 como o primeiro Gabinete de Propriedade Industrial do país, tendo feito alguns dos primeiros pedidos de patentes e marcas em Portugal.  Com mais de um século de atividade,  fomos criando ao longo do tempo know-how do negócio que nos permitiu desenvolver um conjunto de profissionais altamente especializados, orientados pela integridade, rigor e compromisso e também acompanhar de um forma atenta, proactiva e responsável a evolução constante do mercado. A combinação destes elementos, aliada a uma rede de atuação em mais de 50 países, permitiu-nos crescer de forma sustentável, criando relações de confiança com os nossos clientes, algumas das quais duram há mais de 100 anos.    A A.G. da Cunha Ferreira tem sido, igualmente, indicada como um dos três melhores Gabinetes de Propriedade Intelectual em Portugal. Porque é que a A.G. da Cunha Ferreira é diferente? Que mais-valias apresenta? Nesta área de atuação, a experiência tem que ser vista como  um fator decisivo na diferenciação e especialização dos serviços prestados pelo  nosso gabinete. Por exemplo, fomos construindo uma base de dados própria que atualizamos há dezenas de anos e que nos serve como plataforma para uma atuação eficiente e eficaz na proteção dos direitos dos nossos clientes.    Todos os dias dão entrada largas dezenas de pedidos de registo de marcas nacionais, em grande parte fruto do forte impulso empreendedor que se tem vindo a sentir em Portugal. Que papel procuram assumir no mercado e junto dos seus clientes? Em primeiro lugar,  temos como objetivo  sensibilizar o mercado  para a importância da  marca, ou  de  outro direito no âmbito da propriedade industrial,  enquanto  ativo  fundamental  de uma  empresa e, como tal,  na necessidade do seu  registo. Mais,  tentamos salientar  que o registo  das suas marcas  é apenas o primeiro  passo  a tomar na defesa dos seus direitos uma vez que esta defesa deve ser constante e permanente. Em condições ideais, todas as empresas deveriam recorrer a um Agente Oficial da Propriedade Industrial  desde o momento da idealização da marca, passando pelo seu registo e, consequentemente, proteção e manutenção do exclusivo.

pontos de vista

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MANUEL DA CUNHA FERREIRA


Temos como objetivo sensibilizar o mercado  para a importância da marca, ou de  outro direito no âmbito da propriedade industrial

Quais as vantagens em recorrer ao A.G. da Cunha Ferreira para proteger Marcas e Patentes? Desde logo, a certeza de que contará com um serviço especializado com mais de 130 anos de experiência, constituído por uma equipa que conta com vários Agentes Oficiais da Propriedade Industrial, ou seja, mandatários especialistas na matéria da Propriedade Industrial que promovem, em nome dos seus clientes, atos de registo de direitos junto do Instituto Nacional da Propriedade Industrial ou organismos internacionais, na prossecução da proteção e defesa dos direitos dos seus clientes. Prestamos um acompanhamento contínuo e permanente, sempre em busca da melhor solução para cada cliente, formulando e promovendo atos  de registo necessários à proteção dos diversos tipos de direitos privativos de Propriedade Industrial, e, posteriormente, procedendo à defesa intransigente dos direitos dos nossos clientes.

Que importância assumem, portanto, os Agentes Oficiais de Propriedade Industrial quando se fala de inovação, empreendedorismo e desenvolvimento das sociedades? Num contexto motivado por um forte espirito empreendedor e constante inovação, a prossecução e permanente proteção dos direitos de Propriedade Industrial torna-se cada vez mais vital. Assim, o Agente Oficial da Propriedade Industrial, sendo um mandatário qualificado e especialista, de competência oficialmente reconhecida, na área da Propriedade Industrial, desempenha um papel de relevo junto das empresas, não apenas na fase embrionária dos projetos - seja na viabilidade de uma marca ou patente, no aconselhamento relativo à melhor via de proteção - mas também na constante vigilância e defesa de um dos ativos basilares de cada empresa, nomeadamente, o seu portfólio de Propriedade Industrial.▪

43 JUNHO 2017

Pretendemos, portanto, junto dos nossos clientes estabelecer uma relação de confiança, na qual sejamos vistos como parceiros  estratégicos  na prossecução dos seus interesses que, no final de contas, passam a ser os nossos.   Quando falamos de exportação ou internacionalização de uma empresa, o planeamento estratégico é uma incontornável mais-valia. No entanto, a proteção da marca e dos demais direitos de Propriedade Industrial também se assumem como ativos basilares no processo de exportação. As organizações estão suficientemente consciencializadas para este fator? Creio que essa consciencialização é mais acentuada nas grandes empresas do que, por exemplo, nas  startups  ou  PME’s. Sendo que relativamente às últimas, vai-se notando uma evolução positiva no que toca ao reconhecimento da importância da proteção dos direitos de Propriedade Industrial. No entanto, na prática, é este grupo que menos investe nesta área talvez por contenção de custos no curto prazo, num panorama atual extremamente exigente e competitivo. A longo prazo esta escolha poderá comprometer os direitos de Propriedade Industrial e implicar o triplo dos custos no sentido de reverter a situação, ainda assim sem garantias. Estão, desta forma, a comprometer os elevados investimentos já realizados em âmbito nacional e consequentemente na sua internacionalização, bem como eventuais parcerias dada a fragilidade da situação em que os referidos direitos de Propriedade Intelectual se encontram.


Não perca o que vem

amanhã


BREVES

ANIMAIS

Pousadas de Portugal e Naturea dão as boas-vindas aos hóspedes caninos As Pousadas de Portugal ‘dog friendly’ juntam-se à marca portuguesa Naturea para mimar os hóspedes de quatro patas com um cabaz cheio de delícias. Neste momento há 15 unidades da rede Pousadas de Portugal que são ‘dog friendly’. Agora, além de o permitirem ter uma estadia com o seu cão, também lhe dão as boas-vindas com um cabaz com produtos da marca portuguesa Naturea. Estas unidades permitirem que os cães de pequeno porte, até 15 kg (e cães guia independentemente do peso), fiquem hospedados nos quartos com os seus donos e circulem nas áreas comuns acompanhados pelo acréscimo da tarifa de 25 euros por noite. O cabaz, que agora começará a ser oferecido, contém amostras dos produtos da Naturea, cujo principal ingrediente é a proteína animal e ain-

da um guia para quem viaja com os animais de estimação – com dicas de segurança e conselhos para manter o animal hidratado e ocupado durante o passeio. O Pestana Pousadas de Portugal informa ainda, em comunicado enviado às redações, que “os quartos das unidades que aderem a esta iniciativa foram criteriosamente designados como ‘dog friendly’, de modo a não interferir com o regular funcionamento da unidade.” Eis a lista das 15 unidades ‘dog friendly’ da rede Pousadas de Portugal: Mosteiro de Guimarães, Mosteiro de Amares, Convento Vila Pouca da Beira, Serra da Estrela, Ria, Viseu, Lisboa – Praça do Comércio, Castelo de Palmela, Castelo de Alcácer do Sal, Convento de Vila Viçosa, Convento de Arraiolos, Marvão, Convento de Tavira, Palácio de Estoi e Sagres.

QUALIDADE DE VIDA

Como ganhar mais anos de vida em sete passos

De acordo com Laura L. Carstensen, professora de Psicologia da Universidade de Stanford, uma das formas de ganhar mais (bons) anos de vida é através da curiosidade, que mantém as pessoas “comprometidas com o mundo e com os demais”. Além disso, um cérebro curioso é um cérebro ativo. Manter uma vida social ativa, evitando a solidão, é também uma das formas cientificamente provadas de viver mais e melhor. Cada vez mais comuns nos dias de hoje e cada vez mais inimigo da saúde, o sedentarismo é um dos aspetos a banir. Como destaca o jornal El Confidencial no seu site, não há nada melhor para a longevidade do que um estilo de vida ativo, que não só promove um maior movimento dos músculos e articulações, como beneficia o cérebro, o coração e ainda a destreza. E por falar em atividade física, nada como a corrida para aumentar a

longevidade, não fosse um estudo publicado na Progress in Cardiovascular Disease concluir que esta atividade é das que mais favorece a saúde e a sensação de bem-estar, que é fundamental para prevenir a depressão. Passar o menor tempo possível em frente à televisão e/ou computador é um outro aspeto a ter em conta, pois não só reduz os níveis de sedentarismo, como dá mais tempo para se ser ativo e explorador. Como não poderia deixar de ser, também a alimentação faz parte deste guia prático para viver mais e melhor, sendo o café um dos protagonistas. Três a cinco cafés por dia reduzem significativamente o risco de morte prematura, conclui um estudo divulgado na revista Circulation. A alimentação saudável (isto é, rica em vegetais, frutas e proteínas magras) é um mais um requisito a ter em conta.

45 JUNHO 2017

BREVES


EVENTO TECNET – BUSINESS CAMP

TECNET – BUSINESS CAMP

UM EVENTO DE RENOME Tecnologia, Criatividade, Inovação, Empreendedorismo Empresarial e Social. São estes os principais conceitos e desafios impostos na dinâmica do TECNET – BUSINESS CAMP, um evento de reconhecida relevância e que regressou para a sua 3ª edição, promovido pela Sanjotec, com o apoio do Município de São João da Madeira, num formato diferenciador e informal, desta vez com abrangência ao nível Ibérico.

RICARDO FIGUEIREDO, MARIA DO CÉU ALBUQUERQUE e ALEXANDRE RIOS PAULO

Q pontos de vista

46

uem aceitou este desafio teve a oportunidade de conhecer novos projetos repletos de potencialidades, de estabelecer contactos, de partilhar conhecimentos, de criar parceiras e de encontrar investidores e financiamento. Neste evento a grande mais-valia, entre outras, é que consegue tudo para lançar a sua empresa no futuro. Para apresentação do Conceito e Objetivos deste que pretendeu ser um Evento para quem quer acrescentar valor e alavancar projetos e negócios e, acima de tudo, abraçar novos desafios, realizou-se um Encontro com todos os Intervenientes e Promotores do mesmo, no local que acolheu as cerca de 200 startups participantes. Mas já lá vamos. Iniciado em 2012, o evento regressou à Torre da Oliva em 2014, sendo que a terceira edição chegou repleta de novidades e mais-valias. O TECNET foi igualmente palco da nova edição do Encontro Ibérico de Parques de Ciência e Tecnologia, que decorreu no dia 1 de Junho, na Torre da Oliva e onde, em parceria com a Câmara Municipal de S. João da Madeira, também deu voz a grandes players ibéricos na vertente da inovação e do empreendedorismo, alargando os debates além-fronteiras. De salientar que esta iniciativa é inédita e teve como principal desiderato promover condições para que a valorização dos parques tecnológicos portugueses e espanhóis saísse reforçada e haja uma maior expressão dos mesmos no contexto europeu. Maria do Céu

Albuquerque, Presidente da Associação de Ciência e Tecnologia referiu que sentiu, tanto do lado português como espanhol, “uma grande motivação para cooperarmos e trabalharmos em conjunto numa competição salutar para a promoção do desenvolvimento”. O Business Camp Tecnet dedicou os seguintes dias, 2 e 3 de Junho, a um programa intenso de atividades que, aberto ao público, inclui uma mostra de produtos e serviços por empresas tecnológicas e startups, espaços de networking, sessões de pitching para a próxima edição do websummit e diversos espaços de discussão em torno de estratégias determinantes para o setor. Entre os temas para essa reflexão incluíram-se: a indústria 4.0 e a filosofia de gestão ‘lean manufacturing’, os desafios que se colocam às industrias do têxtil e calçado, turismo, agroalimentar, bem como, o projeto de desenvolvimento da ‘compra pública de inovação’ remetendo o caso de sucesso para a cidade de Barcelona, pelas palavras proferidas do Alexandre Rios, gestor do projeto e simultaneamente da direção da Portus Park. Em resumo, o TECNET – Business Camp voltou a receber os melhores e mais inspiradores oradores e as mais incríveis oportunidades de negócio e networking, naquele que foi um evento repleto de desafios, oportunidades e tendências de um evento nacional dedicado à tecnologia e à criatividade, em São João da Madeira. ▪


3 perguntas

RICARDO FIGUEIREDO

O TecNet é um evento nacional que visa promover a tecnologia. Na sua opinião, como pode ser explicada a importância deste tipo de iniciativas? E este ano como surge a oportunidade de ser Ibérico? O TECNET nasceu da necessidade estratégica de diversificação do tecido económico de S. João da Madeira e da região, surgindo como uma montra tecnológica para dar oportunidade a que as empresas deste setor se encontrassem e conhecessem. Rapidamente se afirmou no panorama nacional como um evento muito importante para o país e, em particular, para o desenvolvimento da economia ligada às tecnologias, pelo que não surpreende o enorme interesse gerado desde a primeira edição. A adesão registada, com a participação de todos os parques de ciência e tecnologia de Portugal, e a vontade de alargarmos a abrangência do evento estão na origem da inclusão no programa do Encontro Ibérico de Parques de Ciência e Tecnologia, um momento em que se reforça a relação de cooperação tecnológica entre Portugal e Espanha. Que tipo de atividades estarão ao dispor dos visitantes? Existem muitas novidades face às edições anteriores? Desde logo uma das grandes novidades é

a referida realização do Encontro Ibérico de Parques de Ciência e Tecnologia, que permite ao TECNET internacionalizar-se e afirmar-se cada vez mais como o grande certame do género realizado no nosso país, congregando todos os parques de ciência e tecnologia do país e muitos representantes de Espanha. Mas há outras vertentes novas que aprofundam as oportunidades de networking, colocando os participantes da falar sobre o que verdadeiramente interessa ao desenvolvimento da sua atividade e à sua afirmação nesta área económica A partilha de conhecimento é este ano o grande mote daquela que será a 3ª edição do evento. De que forma está estruturado o encontro? O evento foi estruturado de forma a proporcionar aos participantes momentos para troca de experiências, estabelecimento de parcerias, divulgação do seu trabalho, contacto com financiadores e discussão das mais diversas temáticas do seu interesse, ligadas às novas tecnologias, à ciência, à criatividade... No fundo, os participantes vão poder enriquecer a sua relação com outros players do setor, com os investidores e com os mercados. ▪

47 JUNHO 2017

A adesão registada, com a participação de todos os parques de ciência e tecnologia de Portugal, e a vontade de alargarmos a abrangência do evento estão na origem da inclusão no programa do Encontro Ibérico de Parques de Ciência e Tecnologia, um momento em que se reforça a relação de cooperação tecnológica entre Portugal e Espanha

Ricardo Figueiredo, Presidente da Câmara Municipal de São João da Madeira, explica à Revista Pontos de Vista, que tipo de atividades poderão ser encontradas no evento, que acontece pela primeira vez a nível ibérico e cujo um dos propósitos é, também, estreitar relações no campo tecnológico entre Portugal e Espanha.


EVENTO TECNET – BUSINESS CAMP

3 perguntas

Alexandre Rios Paulo

Alexandre Rios Paulo, da Sanjotec, fala sobre o ambiente informal que se viverá ao longo dos três dias assim como dos temas abordados, que são apontados como “incontornáveis num evento que tem os olhos postos no futuro”.

pontos de vista

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O ambiente informal é uma característica que vem já das duas anteriores edições e que se assume como uma marca do TECNET, que reforçamos nesta terceira edição, assumidamente dinâmica, hi-tech e criativa, que decorrerá num ambiente lúdico e descontraído

O TecNet pode ser encarado como uma montra de tecnologias e uma oportunidade única para que empresas jovens. Porquê? As startups que estão a nascer e a desenvolver-se nos diferentes parques tecnológicos do país, assim como quem pretenda lançar-se nesta área de atividade, têm a oportunidade de ficarem a conhecer, num só espaço, toda a diversidade de incubadoras do país e de contactarem com outros empreendedores do setor, com investidores e instituições ligadas à investigação, como são as universidades. São contactos essenciais para quem está a começar, a que se soma a possibilidade de aumentarem a visibilidade do seu negócio e perspetivarem o seu futuro. Na prática, este o TECNET é um evento a não perder por parte de quem quer acrescentar valor e alavancar projetos e negócios, para quem quer abraçar novos desafios tecnológicos e criativos. A feira abordará temas como inovação, criatividade, empreendedorismo, internacionalização, financiamento, smart cities, indústria 4.0 e lean production, cibersegurança, automóvel, têxtil/calçado, agroalimentar e turismo. São estes os temas atualmente mais pertinentes e que por isso merecem uma maior atenção? São temas incontornáveis num evento que tem os olhos postos no futuro e que se assume como uma iniciativa inovadora de

divulgação e promoção do empreendedorismo tecnológico, que tem como grandes objetivos aproximar o tecido empresarial das grandes oportunidades de negócio e de investimentos, assim como potenciar a relação entre as empresas e as universidades, nomeadamente aprofundando as condições de transferência de tecnologia e de conhecimento das instituições de ensino superior para a economia, que é precisamente uma das principais missões dos Parques de Ciência e Tecnologia. Esta edição terá um cariz diferente dos anteriores, incluindo o facto de ser Ibérica, e será possível apreciar um ambiente mais informal. Como surgiu esta nova aposta? O ambiente informal é uma característica que vem já das duas anteriores edições e que se assume como uma marca do TECNET, que reforçamos nesta terceira edição, assumidamente dinâmica, hi-tech e criativa, que decorrerá num ambiente lúdico e descontraído. Um ambiente propício à partilha de ideias, nesta que é uma vertente que este ano ganha uma especial relevância, pois faz-se à escala ibérica, indo ao encontro da nossa intenção de internacionalizar o evento e da vontade das associações de parques de ciência e tecnologia de Portugal e Espanha de aprofundarem uma relação que favoreça a promoção conjunta a nível internacional do território Ibérico. ▪


BREVES

BELEZA

Questões de beleza que podem parecer mitos, mas são verdades Se lhe pedíssemos para dizer rapidamente se ‘esfregar os olhos faz rugas’ é um mito ou uma verdade, o que é que diria? Usar várias vezes o cabelo amarrado num rabo-de-cavalo ou poupo muito apertado pode mesmo levar à perda de cabelo e até à calvície. Pode parecer mito, mas dar um banho de cerveja ao cabelo ajuda-o mesmo a ficar mais grosso e forte, porque esta bebida tem vitaminas e proteínas que contribuem para um aspeto mais grosso e forte. A acne (ou o seu agravamento) pode mesmo estar relacionado com o consumo de certos alimentos. Uma alimentação rica em gorduras sa-

turadas, açúcar e hidratos refinados é prejudicial para quem sofre de acne e pode mesmo gerar crises na pele. Os bálsamos para lábios podem viciar, não a si, mas à sua pele. A pele pode tornar-se ‘dependente’ de certos ingredientes, que na verdade não ajudam a hidratar a sua pele. O condicionador também lava o seu cabelo, pois tal como os champôs comuns também contém ingredientes de limpeza, ainda que em muito menor quantidade. Se tem o cabelo extremamente seco ou danificado, uma rotina de limpeza com condicionador pode ser o segredo para pontas mais suaves e saudáveis.

Pallas

Uma marca que nasce em Portugal e que se inspira no mundo Há uma linha que une a arquitetura e o fashion design e essa linha chama-se arte. E é essa mesma arte que faz Carolina Palla Neves dividir-se entre dois mundos tão distintos, mas ao mesmo tempo tão próximos. Depois da criação de malas, carteiras, mochilas e botins, Carolina Palla Neves quis dar vida a uma linha de clutches, à qual chamou Molas. Todas as restantes coleções podem ser encontradas nas lojas lisboetas 39 Concept Store, NUDE Fashion Store, Un Croquis De Mode, na Chinha (Carcavelos), na Cais à Porta (Aveiro), na Portugal Labels (Funchal) e também Ibiza Daz e Yemanja Ibiza (ambas em Espanha) e na The Citizen Room (em Toronto, no Canadá). Todas as peças da Pallas são criadas à mão, de forma única e artesanal.

49 JUNHO 2017

BREVES


BREVES BREVES

ÁLCOOL

O efeito do álcool varia mesmo do dia para a noite Os estudos revelam que a sensibilidade ao álcool aumenta durante a noite e os cientistas já sabem porquê. Durante o dia pode não sentir tanto os efeitos do álcool porque geralmente este é consumido enquanto está sentado a comer, sendo que tendencialmente à noite grande parte das pessoas consome as bebidas mais alcoólicas quando sai à noite, geralmente depois de jantar, e fá-lo durante várias horas já sem muita comida no estômago. Como reporta o Daily Mail, os especialistas explicam que ter comida no estômago atrasa o esvaziamento gástrico, o que fará com que o álcool demore mais a chegar ao sistema sanguíneo. Um estudo feito em ratos sugere que os ritmos circadianos do corpo também podem ter influência, uma vez que os animais eram mais sensíveis ao álcool durante a noite, apesar de todos os parâmetros se manterem iguais aos do consumo que foi feito durante o dia nesta experiência.

pontos de vista

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CINEMA

BARES

Morreu o agente 007, Sir Roger Moore

Moradores de Lisboa mantêm queixas dos barulhos de bares

Morreu Sir Roger Moore, um dos atores mais reconhecidos que representaram o papel de James Bond, o agente 007, no passado dia 23 de maio. Tinha 89 anos. “Com coração pesado, temos de partilhar a informação de que o nosso pai, Sir Roger Moore, morreu hoje. Estamos todos devastados”, pode ler-se em comunicado divulgado esta terça-feira.Depois de uma carreira na televisão, Roger Moore ganhou reconhecimento internacional ao desempenhar o papel do agente secreto “ao serviço de Sua Majestade”. Foi, também, a estrela de “O Santo”. Era embaixador da boa vontade da Unicef desde 1991 e tornou-se “Sir” em 2003, distinguido pela Rainha Isabel II. Morreu na Suíça, depois de uma “curta mas aguerrida batalha contra um cancro”, informou a família.

FESTIVAIS

O melhor da música portuguesa está a nordeste The Legendary Tigerman, Capicua e Dead Combo e As Cordas da Má Fama fecham o cartaz da edição de 2017. Três anos depois de regressar com um novo formato o Rock Nordeste está de volta para o quarto ano. A 16 e 17 de Junho, sexta e sábado, respectivamente, uns dos melhores nomes da música portuguesa apresentam-se no Parque Corgo, margem esquerda do Rio Corgo, e no Auditório Exterior do Teatro de Vila Real. The Legendary Tigerman, Dead Combo & As Cordas da Má Fama e Capicua acompanhada com banda, três nomes de peso da actualidade da música portuguesa, encerram o cartaz do festival Rock Nordeste, em Vila Real, que tem como característica a forte aposta no melhor da actualidade da música portuguesa. O festival Rock Nordeste levou, nas três anteriores edições, mais de quarenta e cinco mil pessoas à relva do Parque Corgo, motivadas para ouvir o melhor da actualidade da música moderna portuguesa. Pelo evento de música, ao longo das três edições, passaram nomes como Orelha Negra, Linda Martini, Paus, Sean Riley & The Slowriders Batida, peixe:avião ou Octa Push, entre muitos outros nomes das primeiras linhas da música nacional. A entrada é livre e oferece dois dias repletos de muita música portuguesa!

Música Noventa estabelecimentos de Lisboa com música ao vivo ou amplificada já colocaram limitadores de som nas aparelhagens, numa adaptação às regras do novo regulamento de horários, mas os moradores mantêm as queixas e falam em “pura fantasia”. Segundo dados da autarquia enviados à agência Lusa, destes 90, “apenas oito finalizaram o processo, ou seja, já dispõem de equipamentos selados pelos serviços da Câmara” e cumprem o Regulamento dos Horários de Funcionamento dos Estabelecimentos de Venda ao Público e de Prestação de Serviços no Concelho de Lisboa. A este número acrescem 230 que deram início ao processo de instalação, acrescenta o município. A 8 de março passou a ser obrigatório para estes espaços, que funcionam após as 23:00, colocar limitadores de som nas aparelhagens, correndo o risco de serem multados ou obrigados a fechar mais cedo. A medida, que se enquadra no novo Regulamento dos Horários de Funcionamento dos Estabelecimentos de Venda ao Público e de Prestação de Serviços no Concelho de Lisboa, em vigor desde o final do ano passado, começou a ser aplicada após um período de adaptação de 120 dias. Outras das obrigações previstas são a insonorização do espaço, a existência de uma antecâmara que permita abafar o som para a rua e a realização de avaliações acústicas.

Espinho recebe uma dezena de concertos O Festival Internacional de Música de Espinho vai levar àquele concelho uma dezena de concertos, entre 30 de junho e 22 de julho, anunciou a organização, que acrescentou ao cartaz nomes como o do pianista Vadym Kholodenko. No começo de maio, a organização do Festival Internacional de Música de Espinho (FIME) já havia anunciado que iria iniciar a sua 43.ª edição a 30 de junho com o agrupamento Gli Incogniti, sob direção de Amandine Beyer, com o violinista Giuliano Carmignola. De acordo com o dossiê completo enviado à agência Lusa, a 1 de julho o violoncelista Miklós Perényi vai atuar com a Orquestra Clássica de Espinho, com direção musical de Rossen Gergov, para interpretar peças de Kodály e Tchaikovsky, no Auditório de Espinho. Gergov volta a dirigir a orquestra no dia seguinte, num concerto intitulado “Estórias em jazz”, no que o festival descreve como “a primeira vez que um concerto para famílias é dedicado a esse género”. “No dia 07 de julho, Michel Corboz, uma das grandes referências corais da chamada ‘música antiga’ vai dirigir o Coro Gulbenkian numa viagem por algumas das obras de Bach.


Revista Pontos de Vista Edição 65  
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