Page 1

Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda. dezeMBRO 2017 | EDIÇÃO Nº 70 - Periodicidade Mensal | Venda por Assinatura - 4 Euros

ABB

ROSTO DA DIGITALIZAÇÃO

GERMANO DE SOUSA

MEDICINA DE PRECISÃO EM DESTAQUE

BANCO BNI EUROPA

SOLUÇÕES ESPECIALIZADAS

SAMSIC portugal

Facility services

Mohit Uberoi, CEO da Gerber Technology

aborda a Transformação Digital e a Indústria 4.0 no setor do têxtil e do vestuário


dezembro 2017

3


Os Suplementos alimentares são adjuvantes de um estilo de vida saudável. Promovem a homeostase para maior equilíbrio e mais longevidade com melhor qualidade de vida Amílcar Ferraz, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Labialfarma


»

AULP – ASSOCIAÇÃO DAS UNIVERSIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

ORLANDO DA MATA

AULP QUER MAIS COOPERAÇÃO E LANÇA PROJETO ERASMUS Orlando da Mata, reitor da Universidade Mandume Ya Ndemufayo, foi eleito Presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), a associação de instituições de ensino superior de alta referência e a mais credenciada. A Revista Pontos de Vista foi descobrir que projetos farão parte dos próximos três anos do mais recente mandato da associação, entre outros assuntos. Descubra tudo, agora.

A pontos de vista

4

primeira palavra que Orlando da Mata refere como essencial e, sem a qual nada funciona, é cooperação. “Cooperação entre as universidades que fazem parte dos países de expressão de língua portuguesa”, começa por dizer, e explica que este é um objetivo do seu mandato e dos outros que marcaram os já 30 anos da associação. Por outro lado, continuar a promover ações que visam fortalecer um relacionamento entre instituições de países de expressão da língua portuguesa é também um dos grandes objetivos do recente presidente, uma vez que “o português é uma língua falada em vários continentes e devemos aproveitar ao máximo este trunfo que temos”. Relativamente aos desafios, “passam por fortalecer as relações de colaboração entre a comunidade lusófona e as suas instituições superiores, a partilha de experiências, de conhecimentos, de resultados de produção científica relevantes, alargar o número de associados da AULP (que neste momento são quase 140) e continuar a apostar fortemente naquilo que é a mobilidade internacional”. “No caso de Angola, até 2009 havia uma única instituição pública de ensino superior no país e três privadas, hoje são mais de 70 públicas e privadas”, com este exemplo, Orlando da Mata explica assim o crescimento exponencial do país em relação ao ensino superior. A Universidade Mandume Ya Ndemufayo, na cidade do Lubango, capital da Província da Huila, é uma instituição recente, que surgiu em 2009, e com o seu mandato, o presidente pretende criar sinergias para a universidade angolana ganhar relevo pela sua qualidade, a nível nacional e internacional. “Com a eleição da Universidade Mandume Ya Nde-

mufayo para a presidência da AULP praticamente conseguimos alcançar este objetivo. Ela já é conhecida em todos os países da CPLP”, confirma. Para o ensino superior em Angola, esta presidência traz algumas vantagens, segundo o professor. O crescimento das instituições poderão contribuir para o crescimento da associação e, desta forma, criar parcerias e projetos com países da CPLP aos mais variados níveis, desde a investigação à mobilidade internacional. “Apesar da crise, Angola está a crescer com ela e isso verifica-se na qualidade do ensino superior, mas há sempre aspetos a melhorar”.

XXVIII ENCONTRO DA AULP 2018 EM LUBANGO, ANGOLA

Ainda sem data definida, mas com previsão para final de julho de 2018, o 28º encontro AULP pretende continuar com a missão primordial da associação - fomentar uma conexão que prospere entre os países que fazem parte da experiência. O facto de ser em Angola é em boa parte uma mais-valia, uma vez que existe maior proximidade com os países africanos e, por essa razão, estima-se uma maior participação de académicos desses países. “Do ponto de vista geográfico existe uma maior proximidade com os países desta região africana, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, e muitas universidades angolanas têm acordos de cooperação com universidades africanas. Angola desponta e há curiosidade por parte dos nossos amigos e parceiros em visitarem o nosso país. Hoje, Angola já não é apenas Luanda, o turismo cresceu e com ele o interesse por outras partes do país, como Lubango que ofere-

ce experiências incríveis e que as pessoas ainda não conhecem mas têm curiosidade”.

ERASMUS AULP

Este é um projeto novo, em construção, e visa facilitar a mobilidade entre as instituições-membro da AULP. Estão a ser verificados os meios necessários para o projeto ser posto em prática. “Se 50% das instituições associadas à AULP conseguirem receber dois ou três estudantes neste âmbito já seria ótimo. Fazendo as contas, seriam muitos estudantes a beneficiar deste programa”. Apesar das ambições, Orlando da Mata afirma que cada passo que a AULP dá é ponderado, com foco na obtenção de bons resultados. O projeto foi aprovado no último encontro da AULP, em Campinas, no Brasil. Sendo um programa mais restrito, ao contrário do Programa Erasmus já comumente conhecido, o Erasmus AULP primará pela exclusividade na participação - apenas estará disponível para instituições de ensino superior dos países de língua oficial portuguesa, membros da associação. O primeiro passo será estruturar uma plataforma e definir os moldes em que será concretizado. O Erasmus AULP é um projeto pioneiro já que até à data não existe nada do género concretizado. O presidente, que não tem dúvidas de que as coisas acontecem quando são bem pensadas e bem estruturadas porque, afinal, quando se quer muito, elas acabam por acontecer, faz o convite a todos os associados: “Venham a Angola, participem neste encontro, que pretendemos transformar numa festa académico-científica, com um pouco de turismo e cultura.” Serão três dias repletos de conhecimento com direito a uma visita cultural. ▪


FICHA TÉCNICA Propriedade, Administração e Autor Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda.

P 12 e 13

ABB apresenta a Plataforma ABB AbilityTM: Mais de 180 soluções Industriais na Internet

Administração, Redação Departamento Gráfico Rua Rei Ramiro 870, 5º A 4400 – 281 Vila Nova de Gaia Telefone +351 220 926 879 Sede da entidade proprietária: Rua Oriental nrº. 1652 - 1660 4455-518 Perafita Matosinhos

P 16 e 17

NOWO e a Transformação Digital

Outros contactos: +351 220 926 877/78/79/80 E-mail: geral@pontosdevista.pt redacao@pontosdevista.pt www.pontosdevista.pt www.horizonte-de-palavras.pt www.facebook.com/pontosdevista Impressão Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas Distribuição Nacional / Periodicidade Mensal Registo ERC nº 126093 NIF: 509236448 | ISSN: 2182-3197 Dep. Legal: 374222/14 DIRETOR: Jorge Antunes Editor: Ricardo Andrade Rua Rei Ramiro 870, 5º A 4400 – 281 Vila Nova de Gaia PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS: Ana Rita Silva | Elisabete Teixeira GESTÃO DE COMUNICAÇÃO: João Soares | Miguel Beirão |

P 36 e 37

Design E PAGINAÇÃO: Mónica Fonseca | Vanessa Taxa

P 22 e 23

Assinaturas Para assinar ligue +351 22 092 68 79 ou envie o seu pedido para Autor Horizonte de Palavras – Edições Unipessoal, Lda Rua Rei Ramiro 870, 5º A, 4400 – 281 Vila Nova de Gaia E-mail: assinaturas@pontosdevista.pt

em entrevista

Bruno melo, ceo da samsic,

CERNER – Saúde, inovação, investigação e desenvolvimento

Preço de capa:

4,00 euros (iva incluído a 6%) Assinatura anual (11 edições): Portugal: 40 euros (iva incluído a 6%), Europa: 65 euros Resto do Mundo: 60 euros

dezembro 2017

5

*O conteúdo editorial da Revista Pontos de Vista é totalmente escrito segundo o novo Acordo Ortográfico. Os artigos nesta publicação são da responsabilidade dos seus autores e não expressam necessariamente a opinião do editor. Reservados todos os direitos, proibida a reprodução, total ou parcial, seja por fotocópia ou por qualquer outro processo, sem prévia autorização do editor. A paginação é efectuada de acordo com os

interesses editoriais e técnicos da revista, excepto nos anúncios com a localização obrigatória paga. O editor não se responsabiliza pelas inserções com erros, lapsos ou omissões que sejam imputáveis aos anunciantes. Quaisquer erros ou omissões nos conteúdos, não são da responsabilidade do editor.

P 28, 29 e 30

LABIALFARMA e as mais-valias dos Suplementos Alimentares

P 42 e 43

Maria João Figueiredo – uma mulher de desafios e de 1001 projetos


» Mohit Uberoi, CEO da Gerber Technology, em entrevista

“A indústria de vestuário em Portugal recuperou da crise pelo seu próprio mérito” Em maio deste ano, Mohit Uberoi foi nomeado como novo CEO da Gerber Technology. Após 200 dias no cargo, a Revista Pontos de Vista conversou Mohit Uberoi que abordou diversos pontos, em especial como a tecnologia tem mudado e irá continuar a mudar a indústria têxtil, bem como a sua visão sobre o setor do têxtil e do vestuário em Portugal, agora e no futuro. Pai de três filhos, com 52 anos, esta conversa permitiu-nos ainda vislumbrar o ser humano Mohit Uberoi. “Quanto mais longa, melhor”. É desta forma que o nosso entrevistado nos revela a sua paixão pelas corridas, ele que é um corredor e aficionado de endurance, “se o tempo o permitir”, tendo participado em diversas maratonas, pelo menos três já conta no seu currículo, inclusive a maratona de Chicago, realizada a 10-10-10, ou seja, 10 de outubro de 2010. Segundo o CEO da Gerber Technology, serve para compensar o stress, as restrições das responsabilidades acumuladas e das viagens intensas, funcionado, as corridas, quase como uma terapia para fazer face ao trabalho intenso, quase 60 horas semanais. Ao longo da nossa conversa, o nosso entrevistado aponta desafios, mas também estratégias para as indústrias Gerber, onde serve e mapeia um curso para o futuro envolvimento da organização de atuação global.

pontos de vista

6

Olhando para o mercado, a Gerber Technology tem vindo a demonstrar uma liderança forte no fornecimento de soluções integradas de automação para apoiar a transformação e a digitalização no mercado de vestuário, também em Portugal. Sabemos que a posição de liderança tecnológica da Gerber se estende além do vestuário, ou seja, direciona-se para outras indústrias que lidam com materiais flexíveis, incluindo compósitos, móveis estufados, têxteis industriais, automóveis e interiores e muito mais. Qual tem sido o papel da Gerber Technology, em toda a sua globalidade, no sentido de auxiliar o universo empresarial no desafio da digitalização? Esse esforço não é de agora, mas tem sido assim ao longo destes 50 anos. A Gerber Technology e todos os que a compõem esforçam-se diariamente para ser um parceiro que colabora com os seus clientes, no sentido de os ajudar e apoiar a atingir níveis de sucesso elevados. Existem dois ingredientes chave na nossa estratégia para ajudar os nossos clientes: o primeiro passa pela abordagem que temos, ou seja, devido ao nosso portefólio de produtos, estamos a analisar os fluxos de trabalho dos nossos clientes de uma forma mais abrangente e global. Examinamos como os dados são transferidos entre processos e identificamos áreas onde a eficiência pode ser alcançada. Temos um conjunto de produtos que suportam fluxos de trabalho de design, planeamento e desenvolvimento, através da produção e rastreamento, sejam eles de fabrico em casa ou através de uma complexa cadeia de supri-

Mohit Uberoi

mentos global. O segundo ingrediente, e sem dúvida o mais importante, assenta no conhecimento e na paixão do nosso povo. A nossa equipa, a nível global, está empenhada em ajudar os nossos clientes a abraçar a mudança para a digitalização. O conhecimento combinado que temos na nossa equipa é incomparável na nossa indústria. A nossa entende os desafios que os nossos clientes enfrentam com as forças do mercado, tais como redução dos tempos de ciclo na comercialização de novos produtos, aumento das eficiências, otimização dos custos dos produtos para que possam aumentar as suas margens de lucro e gerir a logística, cada vez mais complexa numa cadeia de fornecimento global. Gostava também de reconhecer que seguimos e estamos muito satisfeitos em testemunhar a recuperação do setor do têxtil, vestuário e calçado em Portugal nos últimos tempos. Esta recuperação notável na superação de inúmeros desafios na política e austeridade da EU tem sido fantástica. É igualmente impressionante ver uma gama de empresas portuguesas que estão prontas a prosperar, desde roupas de pronto a vestir, desde moda rápida até coleções sofisticadas de designers ou fatos masculinos de ponta MTM. É claro que os fabricantes de vestuário portugueses trabalharam no duro e recuperaram da crise através do compromisso e dos pró-

prios méritos. O nosso centro de administração europeu está localizado no Porto, mais concretamente em Vila Nova de Gaia, e estou orgulhoso por afirmar que a equipa da Gerber está pronta para atender os seus clientes sempre que necessitarem. Quais são os grandes desafios das empresas portuguesas de moda e vestuário para darem o passo rumo à Indústria 4.0? A Indústria 4.0 cria o que apelidou de “fábrica inteligente”, aproveitando dados e conectividades entre sistemas físicos para monitorar e automatizar processos, inúmeras vezes reduzindo a necessidade de mão de obra qualificada. A maioria desses processos é monitorizada pela denominada internet das coisas (loT), permitindo uma maior colaboração entre as cadeias de


Do seu ponto de vista, qual é a melhor estratégia para as empresas de têxtil e de vestuário para transformar as suas próprias organizações para lidar com a digitalização e tudo o que concerne à mesma? Na Gerber lançamos uma campanha de comunicação com o tema “Embrave Your Digital Reality™”. Sabemos que todos estão em pontos diferentes da sua jornada de adoção de tecnologia e agora é o momento de «abraçar» ou reconhecer que a digitalização é real, ou seja, este é o momento de ativar e acelerar esforços de digitalização. Assim, estamos a encorajar os nossos clientes a enfretar este desafio e a começar a jornada para capturar os benefícios que terão com a digitalização. O primeiro passo assenta no envolvimento de um parceiro confiável, para ajudar no mapeamento de processos, identificando processos manuais que podem ser digitalizados. Em Portudal, Francisco Aguiar e a sua equipa, nas instalações de Vila Nova de Gaia, estão prontos a ajudar os nossos clientes a «abraçar a sua realidade digital», que têm todo o

retornar para países altamente industrializados e, em particular, Portugal, o que parece ser lógico.

apoio dos nossos especialistas tanto a nível local como na nossa sede corporativa em Connecticut. Estamos presentes para colaborar, para alavancar o nosso pessoal, com conhecimento da nossa indústria e com o nosso abrangente portfólio de produtos para que os nossos clientes confiem na sua transformação digital. Em suma, as empresas não precisam de uma estratégia digital, mas necessitam de um suporte digital para fortalecer a sua estratégia individual. Acredita que a Indústria 4.0 e a digitalização aportem um nível superior de produção a Portugal? Historicamente, a nossa indústria perseguiu o trabalho de costura de custo mais reduzido, às vezes referido como “perseguindo a agulha”. Quando olhamos para todas as eficiências que podem ser alcançadas através de sistemas de integração digital, acredito que há uma grande promessa e uma oportunidade para a fabricação crescer em muitas partes do mundo. Embora a costura possa limitar a eficiência ideal da Indústria 4.0, a digitalização pode afetar todos os outros aspetos do fluxo de trabalho do vestuário, desde o design e desenvolvimento de produtos, à prototipagem virtual 3D até à produção totalmente integrada. Levando tudo isso em consideração, acredito que veremos uma mudança nas tendências de abastecimento global. A localização aumentará, especialmente porque a necessidade de manter a tendência e a necessidade de acelerar gerarão sucesso. Isso combinado com o custo e benefícios ambientais associados à produção mais próxima do P.O.S. (Ponto de Venda), que se tornará esmagadora. Então, sim, a produção vai

No processo típico de fluxo de trabalho de hoje, muitas vezes permanecem desconectados, pois são geridos por grupos diferentes. O FashionTech Vision da Gerber estabelece estruturas de dados comuns para permitir a transferência de dados contínua.

Como é que a Indústria 4.0 e a Transformação Digital mudarão a forma como funcionam as empresas portuguesas de têxteis e vestuário? A Transformação Digital é o passo inicial e natural rumo à Indústria 4.0 e exigirá uma grande mudança de mentalidade por parte das empresas. O desafio das empresas portuguesas é agir, como já salientei anteriormente, ou seja, para abraçar a realidade individual, trabalhar com parceiros de tecnologia certos. Será importante desafiar esses parceiros a fornecer consultoria e suporte personalizados, sendo que é importante entendermos que necessitamos de parceiros com conhecimento e experiência. Dito isto, as empresas devem analisar como construir uma estratégia individual, ou seja, estarem preparadas para se reposicionar ou mesmo reinventar-se. Sugiro que comecem por perceber e avaliar o seu propósito principal, porque eles existem e são o que os torna diferentes. Então, interessa reimprimir as viagens dos clientes, percebendo como eles devem evoluir. Por último, devem formar uma equipa com foco na digitalização. É importante começar agora, e mesmo que seja numa dimensão pequena, depois expanda. Não deixe esta oportunidade para trás. ▪

Acerca da Gerber Technology A Gerber Technology fornece soluções líderes de mercado, em software e automação, a clientes na confeção de vestuário e noutras aplicações industriais que melhoram os processos de fabricação e design, e permitem gerir e conectar de forma mais eficaz a cadeia de fornecimento. Estas soluções intervêm desde a fase de desenvolvimento de produto e fabrico, até ao retalhista e cliente final. A Gerber serve mais de 78.000 clientes em 130 países, incluindo mais de 100 empresas que constam da lista Fortune 500 nos setores do vestuário e acessórios, lar e lazer, transportes, embalagem e sinalética e artes gráficas. A empresa desenvolve e fabrica os seus produtos em várias localizações nos Estados Unidos e Canadá, possuindo capacidades de produção adicionais na China. Com sede em Connecticut nos Estados Unidos, a Gerber Technology é propriedade da AIP, uma empresa de investimentos privados, especializada no setor de tecnologia, com mais de três mil milhões de dólares em ativos sob a sua gestão. A AIP está sediada em Nova Iorque. www.gerbertechnology.com

A reter

Desafie os seus fornecedores e outros participantes da cadeia de valor sobre como pode usar dados colaborativos Reflita sobre seus próprios processos e sobre como os dados podem capacitar novos níveis de automação Agora é o momento de alinhar a sua infraestrutura para aproveitar as possibilidades remotas de hoje e de amanhã.

7 dezembro 2017

suplementos, melhorando o tempo de produção e a eficiência geral. Isso é muito ambicioso para a indústria, se considerarmos que aproximadamente 70% do tempo de processamento para a confeção de uma peça de vestuário refere-se ao processo de costura e, até à data, 90% da costura é manuseada manualmente ou semi preparada automaticamente. No momento, sistemas de costura automatizados já se encontram disponíveis. Estamos a promover uma associação à Automation Softwear, Inc., uma visionário, de Atlanta, na Geórgia, nos EUA, que já alcançaram resultados notáveis. Para alterar a indústria para a costura robotizada não será barato, mas será um benefício de custo a longo prazo. Acredito que vamos ver essas mudanças nos próximos cinco a dez anos, já que a Hugo Boss e a Adidas estão já a usar costura robótica, sendo que mais empresas estão a considerar a ideia. quero ainda reconhecer que na Gerber temos uma longa história, ou seja, começámos a adicionar sensores aos nossos Gerbercutters para torna-los preparados, e isto há vários anos. o nosso principal produto, o Paragon multiply Gerbercutter tem mais de 100 sensores que permitem uma monitorização remota e captura de dados. Também possuímos uma plataforma chamada Gerberconnect que permite aos nossos técnicos possuir sistemas de monitoramento remoto para identificar inoportunidades de manutenção para melhorar o tempo de espera e aproveitar o poder dos dados operacionais, permitindo que os nossos clientes criem relatórios do painel para avaliar a eficiência da produção.


» INDÚSTRIA 4.0

JACINTA FERNANDES E Hans-MARTIN HEIDENREICH

pontos de vista

8

“A NOSSA MAIS-VALIA É A QUALIDADE SER SEMPRE SUPERIOR AO PREÇO” Hans-Martin Heidenreich, Sócio-Gerente da Jomro, está há 30 anos em Portugal. E há 30 anos que decidiu trazer o que de melhor se faz na Alemanha para o mercado português. Nesta jornada e na aposta de representar sempre produtos de qualidade, Hans-Martin Heidenreich teve ao seu lado a esposa Jacinta Fernandes. Conheça a história desta empresa.

J

omro é uma empresa direcionada para o comércio de máquinas para a Indústria Têxtil e Confeção e tem como premissa apostar na escolha de produtos e marcas com qualidade de excelência. Veit, Logopak, Polypack, Human Solutions, Trecolan, Kuris e Schoen + Sandt são as representações da Jomro em Portugal. Tratam-se de marcas alemãs e, como tal, não poderiam corresponder

mais à filosofia de Hans-Martin Heidenreich para quem a qualidade, sustentabilidade e confiança justificam o preço dos produtos. “A nossa mais-valia é a qualidade ser sempre superior ao preço”, afirma o nosso interlocutor. Questionado sobre qual tem sido a estratégia da Jomro e o seu posicionamento no mercado, o nosso entrevistado segue a mesma linha de pensamento: é alemão, por isso é exigen-

te, rigoroso e trabalha afincadamente. Sobre a solidez da empresa no mercado português, Hans-Martin Heidenreich também não hesitou na resposta: “somos alemães”, disse entre risos. “Conheço só duas maneiras de trabalhar: trabalhar bem ou não trabalhar. Esta é a nossa mentalidade e reflete-se na influência que a Alemanha tem atualmente na Europa e no mundo. Sabemos que o produto alemão é bom e que


9

Foi uma boa aposta. Portugal está a aproximar-se cada vez da mentalidade alemã. Está a tornar-se bastante rigoroso e disciplinado

Fusing Machine Veit Kannegiesser FX Diamond

dezembro 2017

garante estabilidade e sustentabilidade”, diz-nos o nosso interlocutor. No entanto, sabe perfeitamente os fatores que o motivaram a mudar-se para Portugal e sabe que a qualidade e evolução da indústria têxtil portuguesa estão a marcar pontos. “Foi uma boa aposta. Portugal está a aproximar-se cada vez da mentalidade alemã. Está a tornar-se bastante rigoroso e disciplinado”, refere. Enquanto empresa de representações, a Jomro trabalha hoje para empresas alemãs, fabricantes de máquinas de confeção, de renome. “Temos máquinas para a transformação (corte) da matéria-prima têxtil, máquinas para o acabamento, prensagem e de embalar. Este é o nosso forte”, explica-nos o nosso entrevistado. A verdade é que, ao longo destes 30 anos de presença no mercado português, Hans-Martin Heidenreich assistiu aos altos e baixos da indústria têxtil portuguesa. Quando se mudou para Portugal, na altura, existiam cerca de cinco mil empresas e a indústria têxtil representava 35% do PIB português. O setor definhou, mas hoje, volta a ter uma visibilidade forte no panorama internacional, depois de se assistir à valorização do produto nacional e à


» INDÚSTRIA 4.0

Sobre a solidez da empresa no mercado português, Hans-Martin Heidenreich também não hesitou na resposta: “somos alemães”, disse entre risos. “Conheço só duas maneiras de trabalhar: trabalhar bem ou não trabalhar

aposta na modernização das fábricas. E é aqui que entra a Indústria 4.0.

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

pontos de vista

10

A Indústria 4.0 está aí e está a mudar o mercado. É preciso saber o que mudou, que desafios acarreta e qual é o seu impacto na indústria têxtil. A revolução industrial é uma evolução dos sistemas produtivos industriais que garante benefícios como a redução de custos, de energia, o aumento da segurança e da qualidade, e a melhoria da eficiência dos processos. Para Hans-Martin Heidenreich, a mudança na indústria têxtil e o ponto de viragem deu-se com a nova máquina de fusão da VEIT, a FX Diamond, onde o “design encontra a tecnologia”. Com esta máquina verificam-se excelentes resultados de fusão graças a um controlo extremamente preciso dos dois importantes parâmetros de fusão temperatura e pressão. As entrelinhas modernas de alta tecnologia geralmente têm apenas uma faixa de temperatura bastante pequena para uma melhor ligação com a cola. Consequentemente, o controlo exato de temperatura hoje é muito mais importante do que nunca. Para atender a esses requisitos a VEIT desenvolveu um novo e inovador sistema de controlo de aquecimento. “Trata-se de uma máquina-chave com bastante influência e importante para o processo da revolução industrial neste setor”, explica o nosso entrevistado.

Também a BITCOIN, uma moeda totalmente virtual, na opinião de Hans-Martin Heidenreich, faz parte deste processo da revolução industrial e é um elemento importante para a Indústria 4.0, isto porque as máquinas podem faturar e contabilizar, ou seja, a máquina possui uma conta virtual BITCOIN que credita/debita, “ao vivo”, prestações de serviço. É de senso comum que a revolução industrial terá um grande impacto em todos os setores, no entanto, para Hans-Martin Heidenreich na indústria têxtil, será um processo mais difícil de ser implementado por se tratar de um setor menos automatizável. “Por exemplo, temos representadas nossas com produtos que oferecem todas as possibilidades de serem máquinas integradas na filosofia da Indústria 4.0. São máquinas que trabalham com software e que podem ser controlada remotamente. Mas penso que esta revolução industrial não é transversal a todos os processos intrínsecos à indústria têxtil. Não se trata de um setor que possa ser totalmente automatizado”, realça o sócio-gerente da Jomro.

O E-COMMERCE

Contudo, no setor têxtil, a digitalização e o comércio eletrónico têm revolucionado modelos de negócio, conferindo muito mais poder de customização e de escolha aos clientes. É o caso do e-commerce, por exemplo. As novas formas de consumo estão a conduzir ao aumento das compras online em Portugal. Mas esta nova forma de comércio tem ainda um grande potencial de crescimento no nosso país, tendo em conta que o comércio eletrónico é responsável neste momento por apenas 8,6% do total de todas as compras efetuadas pelos portugueses, muito abaixo dos 11,3% da média europeia. Mas Hans-Martin Heidenreich considera que o e-commerce não veio para substituir ou fazer concorrência ao comércio tradicional. Trata-se de um processo complementar e que depende do produto. No caso da Jomro o e-commerce é apenas uma alavanca para se vender o produto, é o ponto para iniciar o contacto. “O nosso produto exige formação, exige explicação e exige acompanhamento que não se pode fazer numa loja online. A venda final tem de ser feita pessoalmente”, conclui Hans-Martin Heidenreich. ▪


» TRANsFORMAÇÃO DIGITAL POR ABB

Digitalização

ABB lidera o caminho Como será o futuro? Especialistas em todo o mundo procuram responder a esta pergunta. A ABB não só tem uma voz ativa nestas questões, como lidera o caminho através da ação no mundo real, sendo a digitalização e cibersegurança duas áreas nas quais a multinacional está a ajudar os seus clientes.

N pontos de vista

12

os dias de hoje, muitas empresas falam sobre os benefícios da Internet das Coisas. O tema digitalização está na ordem do dia e no ambiente atual, as indústrias precisam de se tornar também empresas de software. Líder, com uma base instalada de 70 milhões de dispositivos habilitados para a digitalização, 70.000 sistemas de controlo distribuído e 6 mil soluções, a ABB possui uma vasta experiência de digital-industrial. Ao unificar as capacidades digitais, a ABB combinou conhecimentos profundos com a extensa experiência em conectividade, para permitir que os clientes saibam mais, façam mais, e façam melhor.

O que é a ABB Ability™?

Em março deste ano foi lançada a plataforma ABB AbilityTM. Uma oferta digital unificada, transversal, de um dispositivo para o outro e para a nuvem, de dispositivos, equipamentos, sistemas e soluções conectados digitalmente. A plataforma permite que a ABB desenvolva soluções de forma mais rápida, fiável e segura. No seu núcleo, a ABB AbilityTM responde à necessidade de como conectar o negócio dos clientes à Internet das Coisas para os ajudar a tirar partido das vantagens da 4ª Revolução Industrial. A ABB AbilityTM é uma de várias plataformas industriais IoT que incluem dispositivos e sistemas conectados digitalmente, diferenciada no conhecimento que oferece como resultado da profunda especialização da ABB. Um conhecimento transversal em mais 20 tipos de indústrias, mais de 40 anos de experiência em tecnologia digital, lideran-

ça global no processo industrial e conhecimentos de automação.

A ABB AbilityTM é uma de várias plataformas industriais IoT que incluem dispositivos e sistemas conectados digitalmente, diferenciada no conhecimento que oferece como resultado da profunda especialização da ABB. Um conhecimento transversal em mais 20 tipos de indústrias, mais de 40 anos de experiência em tecnologia digital, liderança global no processo industrial e conhecimentos de automação

O que inclui?

Mais de 180 soluções Industriais na Internet. Dispositivos, sistemas e serviços habilitados e conectados digitalmente. Uma plataforma de tecnologia de Internet Industrial e infraestrutura em nuvem. Um ecossistema digital industrial aberto, disponível a nível mundial para clientes, parceiros e fornecedores. Entre as soluções disponibilizadas na plataforma ABB AbilityTM podemos encontrar por exemplo: • ABB AbilityTM System 800xA - Uma das soluções fornecidas pela ABB AbilityTM baseada na plataforma de automação líder do mercado System 800xA Seleção I/O, uma nova adição ao System 800xA, é um sistema de I/O de canal único redundante, baseado em Ethernet. Este sistema suporta o modelo de execução de projetos de próxima geração da ABB, Intelligent Projects, que oferece uma gama de melhorias de eficiência para projetos de automação. Com a Seleção I/O, os clientes podem realizar grandes projetos com cronograma mais rápido e com menos custos. As verificações de loop podem ser feitas antes que o resto do sistema seja entregue, minimizando o impacto das mudanças tardias e permitindo que as tarefas do projeto sejam executadas em paralelo. http://new. abb.com/control-systems/system-800xa • ABB AbilityTM Asset Health Center - Uma das primeiras soluções ABB Ability a serem lançadas no Microsoft Azure, esta é a solução de gestão de desempenho de ativos da próxima geração, Asset Health Center 3.0. Disponível desde janeiro de


• Sensor Inteligente ABB AbilityTM - Esta solução de sensor inteligente, revelada o ano passado, conecta os motores elétricos de baixa tensão à Internet industrial, permitindo que sejam monitorados continuamente. A solução, que pode ser facilmente afixada num motor, transmite dados sobre vibração, temperatura, cargas e consumo de energia para a nuvem. Os alertas são gerados logo que algum dos parâmetros se desvie da norma, permitindo que o operador tome medidas preventivas antes do mau funcionamento do motor. Os primeiros indicadores mostram que a solução do sensor inteligente leva a uma redução do tempo de inatividade dos motores em até 70% e amplia a sua vida útil em até 30%. Atuar sobre os dados para otimizar o desempenho do motor reduz o consumo de energia em até 10%. http:// new.abb.com/motors-generators/service/advanced-services/smart-sensor

Segurança cibernética

A ABB, como grande multinacional presente em mais de 100 países, assume uma posição profunda de defesa no que diz respeito à segurança cibernética. Todos os produtos, serviços, implantação em nuvem e até mesmo os nossos fornecedores precisam de atender a exigentes requisitos de segurança cibernética. A plataforma ABB AbilityTM é construída com segurança desde o início. A ABB está empenhada em implementar as melhores tecnologias de segurança cibernética a todos os níveis (dispositivo, gateway e nuvem). Estas tecnologias de segurança cibernética têm em consideração as necessidades específicas de Tecnologia

Operacional (OT), que são mais exigentes do que as do mundo da Tecnologia de Informação(TI). http://new.abb.com/process-automation/process-automation-service/advanced-services/ cyber-security-services/cyber-security-monitoring-service

Quais os benefícios para os clientes?

Consultas, soluções e apoio individual de um parceiro fiável Melhor desempenho operacional, eficiência e produtividade, através de um tempo de atividade aprimorado, velocidade e rendimento; Sem bloqueio de dados ou sistema, possibilitando maior flexibilidade; Acesso ao benchmarking de melhores práticas, dados da indústria, do setor, dos efeitos de um ecossistema industrial baseado na nuvem; Transparência nas operações, a partir do dispositivo para o nível empresarial. ▪

A ABB AbilityTM está a ajudar a escrever o futuro digital. Saiba mais em: new.abb.com/abb-ability/pt-pt

13 dezembro 2017

2017, usa análises preditivas e prescritivas e modelos personalizados para identificar e priorizar as novas necessidades de manutenção com base na probabilidade de falha e na criticidade de ativos. http://new.abb.com/enterprise-software/asset-optimization-management/asset-health-center • Operações colaborativas ABB AbilityTM - Esta poderosa solução, ajuda os clientes a colaborar de forma mais eficiente. Permite que os técnicos trabalhem juntos usando as mesmas plataformas de dados e análises. Concentra-se em resultados como a melhoria da produtividade, reduzindo as falhas dos equipamentos, reduzindo o custo da manutenção de ativos e transformando o desempenho global do negócio. Isto enquanto maximiza a segurança e proteção de dados, pessoas e recursos em todos os níveis de integração. A solução vem fornecendo resultados sustentáveis e​​ de longo prazo aos clientes que já a utilizam. • Subestação digital ABB AbilityTM - A subestação digital da ABB oferece aos clientes do setor redes eléctricas um controlo e eficiência incomparáveis. A subestação digital incorpora sensores de corrente de fibra ótica e disjuntores para reduzir os requisitos de manutenção e a necessidade de quilómetros de cabos. A ABB AbilityTM combina a última tecnologia elétrica com sensores digitais e computação em nuvem. O resultado é que os operadores da rede podem tomar decisões com base em informações abrangentes e atualizadas, enquanto os algoritmos preditivos podem melhorar práticas de manutenção e gestão de ativos. http://new.abb.com/substation-automation/systems/digital-substation/bridging-the-gap


PEDRO PINTO COELHO

» BANCO BNI EUROPA

BANCO BNI EUROPA SOLUÇÕES ESPECIALIZADAS À DISTÂNCIA DE UM CLIQUE

pontos de vista

14

N

O BNI Europa está em Portugal desde 2014, exclusivamente como banco online. O banco, que se tem distinguido pelos créditos que lança, disponibilizou recentemente um crédito totalmente online de aprovação quase imediata. Venha connosco saber mais através das palavras de Pedro Pinto Coelho, Executive Chairman do Banco BNI Europa.

um mundo cada vez mais digital, também a banca  está em profunda mudança.  Entre os desafios que o setor da banca enfrenta, a experiência do cliente é um ponto fulcral, dada a relação direta que existe. E a verdade é que um dos pontos visíveis da transformação digital é que as exigências dos clientes, com a evolução dos tempos, estão a levar as instituições a repensarem o negócio e hoje as pessoas têm “múltiplas formas de se dirigir ao banco”. Quer seja pela internet ou através do smartphone, as instituições financeiras “foram, ao longo do tempo, criando novas formas e canais, acompanhando a evolução dos tempos”. Para o BNI Europa, como qualquer instituição, a sua principal preocupação é o cliente. No entanto, “temos de saber distinguir bem a capacidade do cliente de se ajustar às plataformas digitais, dependo de, entre outros fatores, da idade e

da sua relação com as tecnologias e adaptação às novas ferramentas. Para isso é preciso haver alguma aculturação e educação tecnológica”, começa por referir Pedro Pinto Coelho. O BNI Europa tem apostado nas plataformas digitais e acredita que podem ser utilizadas por qualquer pessoa que esteja habituada a trabalhar com aplicações no seu telemóvel e isso é “realmente trazer o setor para o presente e o futuro, até porque a grande transformação que se está a dar não é tanto a banca eletrónica, mas sim no que diz respeito à possibilidade de o cliente, através do seu telemóvel, a qualquer momento e em qualquer lugar, poder aceder ao seu banco, quer seja para consultas, quer seja para efetuar transações ou até mesmo contrair um crédito”, avança o nosso entrevistado. Os bancos estão a transformar-se internamente para que os processos sejam desmaterializados e o mais otimizados e automatizados possí-

veis. Por sua vez, na relação com o cliente, estão a ser desenvolvidas ferramentas para que, de forma intuitiva, as pessoas possam rapidamente encontrar e solucionar o que procuram.

PARCERIAS E ESPECIALIZAÇÃO

O Banco BNI Europa e a Edebex celebraram uma nova parceria com vista à disponibilização imediata de uma plataforma online de compra e venda de faturas junto das empresas portuguesas com necessidades de tesouraria. Pedro Pinto Coelho afirma que o BNI Europa está empenhado em investir na economia portuguesa, nomeadamente no segmento das PME e que está, igualmente, focado em encontrar produtos para determinados nichos de mercado que possam estar “mal servidos”, isto é, cujos produtos e soluções não correspondam verdadeiramente às suas necessidades. “O BNI Europa já era parceiro da Edebex noutros países


TRAZER O PASSADO PARA O PRESENTE

A banca, como os restantes setores, precisa de estar constantemente a reinventar-se até porque, para Pedro Pinto Coelho a transformação digital chegou tardiamente ao setor financeiro por duas razões: Por um lado, a banca já funciona da mesma forma há bastante tempo e há todo um conjunto de infraestruturas que precisa de ser atualizado. Por outro lado, existe uma regulamentação que, muitas vezes, não está pensada para a era da digitalização. “Noutros setores verificamos que os clientes usam todas as ferramentas digitais disponíveis sem as questionar e estão à espera que o setor financeiro acompanhe essa evolução. Trata-se de uma questão de adaptação e de um reajustamento das normas e regulamentos que permitam aos clientes deste setor tratar de diversos assuntos relacionados com o seu banco de uma forma remota, sem papéis e sem terem, obrigatoriamente, que se dirigir a um espaço físico”, explica-nos o Chairman do BNI Europa.

O SISTEMA FINANCEIRO E O FUTURO

É defendido que o «blockchain” (tecnologia subjacente à bitcoin e que está a ser alvo de estudo para várias outras soluções) e a inteligência artificial são dois dos temas que vão ser importantes para o sistema financeiro nos próximos anos. Para Pedro Pinto Coelho, esta componente do “blockchain” vai revolucionar uma série de processos, mas não só no setor financeiro. Dando o exemplo do Trade Finance, que apoia atividades de comércio exterior, Pedro Pinto Coelho explica que tudo o que esteja relacionado com financiamento às importações ou exportações, que exige uma grande carga burocrática, com o “blockchain” o processo vai ficar menos penoso. “Será possível desburocratizar o sistema financeiro por se tratar de um conjunto de etapas que irá fazer, eficazmente, o rastreamento de todo o processo. Todos os processos que impliquem uma terceira entidade para validar irão beneficiar deste sistema, sobretudo o sistema financeiro, devido à otimização do tempo e do esforço da área operacional”, reforça o nosso entrevistado. Quanto à inteligência artificial, com as novas tecnologias de Machine Learning que permite analisar toda a informação, os bancos, particularmente, vão beneficiar desta capacidade de analisar as várias fontes de informação que têm, o registo das transações do cliente de forma a poder, mais tarde, analisar o seu comportamento e melhor direcionar os seus produtos para os diferentes tipos de clientes.

PUZZLE: A PLATAFORMA ELETRÓNICA FOCADA NO CRÉDITO AO CONSUMO

Esta plataforma foi lançada com o objetivo de agilizar o processo de obter um crédito bancário. Se até aqui havia um sistema burocrático

Está a assistir-se a profundas evoluções tecnológicas e ao surgimento de startups que procuram encontrar formas diferentes de oferecer soluções, o que obriga os bancos a equacionarem a forma de fazerem as suas transações

complexo para a concessão de crédito, com o Puzzle os clientes podem, de forma online, solicitar um empréstimo. Basta introduzir os seus dados e, rapidamente, é feita uma análise dos mesmos, do histórico e da identidade da pessoa através de uma assinatura digital, sendo dada uma resposta em menos de 24 horas. “O processo acaba por ser muito mais ágil e flexível. O BNI Europa começou pelo crédito ao consumo, mas acreditamos que podemos levar esta tecnologia a outros produtos”, afirma Pedro Pinto Coelho. A grande vantagem do Puzzle é que pode ser integrado com outras soluções, ou seja, esta plataforma eletrónica pode ser utilizada num site de e-commerce permitindo que o cliente possa adquirir produtos optando pelo método de pagamento de crédito onde, automaticamente, o Puzzle analisa se é possível ou não a concessão de crédito e disponibiliza a transação. ▪

15 dezembro 2017

onde operam e decidimos trazer esta solução para Portugal por dois motivos: é uma forma de agregar um produto inovador ao banco e, por outro lado, trata-se de trazer algo inovador e diferenciador para o mercado português. A grande vantagem acaba por se prender com o facto de se tratar de um processo inteiramente digital. Desde o momento em que o cliente se regista na plataforma online até ao momento em que recebe o valor da fatura, todo o processo é digital”, avança Pedro Pinto Coelho. Para o nosso interlocutor, este é um segmento que tem sido menosprezado pela banca. “Como sabemos, o tecido empresarial português é composto, maioritariamente, por pequenas e médias empresas. Os processos são muito morosos e os bancos não mostram muito interesse neste segmento. Quando mostram, tentam “amarrar” o cliente ao serviço universal do banco. É aqui que o BNI Europa se diferencia. Vai ao encontro destes nichos e oferece soluções para necessidades específicas”, realça o Executive Chairman do Banco BNI Europa. Este é mais um passo na direção que o banco quer seguir, de implementar uma estratégia digital para impulsionar os investimentos do banco através de plataformas de Fintech. O BNI Europa pretende ser um player especializado e seguir essa linha de se focar em segmentos específicos, ao mesmo tempo que quer abraçar parcerias com empresas tecnológicas que lhe permite acelerar o leque de oferta. “Rapidamente os bancos vão chegar à conclusão de que é muito difícil desenvolverem todos os seus produtos sozinhos. Está a assistir-se a profundas evoluções tecnológicas e ao surgimento de startups que procuram encontrar formas diferentes de oferecer soluções, o que obriga os bancos a equacionarem a forma de fazerem as suas transações. Mas nem a banca, nem este tecido de empresas, normalmente chamadas de Fintech, sairão vencedoras ou perdedoras. O que vai acontecer, no futuro, é uma solução híbrida de colaboração, onde o BNI Europa será o pioneiro na aposta destas parcerias”, salienta Pedro Pinto Coelho. Fintech, ou tecnologia financeira, é um setor composto por empresas que operam no setor financeiro e que disponibilizam soluções inovadoras. Soluções que estão a mudar o panorama da banca por todo o mundo.


» ANA MARIA TEIXEIRA, CTO DA NOWO, EXPLICA A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

NOWO APOSTA CADA VEZ MAIS NO DIGITAL E CONQUISTA MERCADO Num mercado cada vez mais digital e tecnológico as empresas tendem a transformar-se de forma a acompanhar as necessidades a que os consumidores “obrigam”. Neste sentido, a Revista Pontos de Vista, esteve à conversa com Ana Maria Teixeira, Chief Technology Officer da NOWO, para descobrir de que forma a transformação digital cria impacto no mundo empresarial e qual a sua relevância.

A

pesar de estar na ordem do dia, a transformação digital não é uma adaptação fácil para a maioria das empresas. Qual é o panorama na NOWO? A NOWO assume o Digital como um dos pilares fundamentais da sua estratégia. Desde que decidimos lançar a marca, sabíamos que queríamos revolucionar e potenciar o negócio com base na tecnologia. Definimos um roadmap de transformação digital complexo, que exigiu a definição de um ecossistema único, assente em três eixos: construção de uma visão estratégica na área digital, modernização da infraestrutura tecnológica existente e agilização de processos e serviços, assente em tecnologia capaz de responder aos objetivos de negócio de um mercado em constante evolução. Estes princípios traçaram um caminho evidente, que permitiu à NOWO transformar-se numa empresa cada vez mais digital.

pontos de vista

16

Sobre os maiores desafios tecnológicos pelos quais a NOWO passou, quais foram aqueles que se traduziram num maior impacto a nível do modelo de negócio? O grau de exigência e expectativa do consumidor atual relativamente ao consumo e prestação de serviços descreve-se facilmente com uma única palavra: “Já!”. Estamos na era do agora, em que o consumidor espera poder encomendar e consumir em tempo record qualquer produto ou serviço, a partir do seu smartphone ou do seu laptop. Esta é uma mudança fundamental nas expectativas dos clientes que apresenta grandes desafios para a NOWO bem como para todos os operadores de telecomunicações, que enfrentam a complexidade de manter a infraestrutura que novos players como a Uber, o Netflix ou o Facebook, utilizam para prestar os seus serviços. No entanto, apesar de ser o facilitador dos serviços que os consumidores valorizam, o operador geralmente é injustamente comparado com essas empresas quando se trata de avaliar a entrega das experiências digitais que as pessoas desejam. Nesse sentido, esta mudança de expectativas do cliente exigiu que a NOWO transformasse e agilizasse os seus processos e modelos de negócio, para adaptar os seus serviços ao novo paradigma de consumo. A criação de novas funções também surgiram com a transformação digital, como a de CTO “Chief Technology Officer”, o seu cargo há três anos, na altura como foi a adaptação? A nível tecnológico, há alguns anos, existia tradicionalmente nos operadores de telecomunicações uma organização de IT totalmente segregada da organização de Engenharia e Operações. O IT era habitualmente uma estrutura de suporte enquanto a Engenharia era responsável pela implementação da estratégia de negócio do ope-

ANA MARIA TEIXEIRA

rador. Apesar de serem estruturas de carácter tecnológico, tudo era distinto nessas duas estruturas: a estratégia, o âmbito, o cliente, os processos, as tecnologias e o know-how. Com o movimento de “cloudificação” e virtualização das plataformas de telecomunicações, as duas disciplinas aproximaram-se e fundiram-se, tendo o IT passado de ser um centro de custo para uma área que impulsiona sinergias empresariais e diferenciação competitiva, tornando-se um catalisador de inovação tecnológica e de processos. Acompanhando o movimento de convergência tecnológica, A NOWO decidiu criar uma nova função de liderança tecnológica que une sob a mesma responsabilidade a gestão de toda a tecnologia da empresa, por considerar que os verdadeiros benefícios da transformação digital, nomeadamente a agilidade, só são possíveis com a existência de sistemas de IT adequados ao suporte da automação e das experiências do cliente em tempo real. O papel de CTO pressupõe a existência de um conjunto de skills que abrangem competências comportamentais, tecnológicas e de negócio, que permitem que o CTO seja o agente de mudança para a transformação digital da empresa. Se houvesse uma escala de 0 a 10, em que nível de transformação digital diria que está a NOWO e porquê? Na NOWO os objetivos de negócio e a tecnologia estão alinhados de acordo com a estratégia definida para a criação de produtos e experiências digitais. Nesse sentido considero que a NOWO se encontra num nível de transformação digital avançado, sendo um verdadeiro digital player dentro do seu mercado. A transformação digital

é um imperativo estratégico na NOWO e existem diversas iniciativas chave a decorrer, com sponsorship da gestão de topo. As iniciativas foram identificadas como as mais relevantes para acelerar o processo de transformação digital a curto prazo da NOWO, sendo a mais relevante o foco na experiência do cliente. A NOWO Portugal surgiu no país numa altura em que já havia uma concorrência consolidada. Que estratégias adotaram e que contribuíram não só para a vossa entrada como também para o vosso crescimento no mercado? A NOWO surgiu no mercado com um posicionamento distinto dos restantes players. A estratégia assenta em serviços não pacotizados, em que o cliente tem liberdade de escolha para subscrever apenas os serviços que efetivamente utiliza, tendo sempre como serviço base a Internet. Há também diferença, e vantagem para o cliente, no período de fidelização que na NOWO é no máximo de 12 meses. E há uma aposta muito forte no digital: a NOWO é o único operador que permite subscrição de serviços num processo 100% digital, através de um simulador que permite ao cliente configurar e subscrever os seus serviços NOWO. Na sua opinião a transformação digital é uma questão de sobrevivência, pela necessidade de adaptação ao mercado, ou uma estratégia de crescimento? A transformação digital é imperativa para garantir que o negócio se mantém relevante para os consumidores e é crítica para garantir o crescimento da empresa. Não é um processo de fácil implementação, mas é necessário para manter a com-


Quais as maiores vantagens que esta revolução digital acarreta diretamente na relação com o cliente? Nos últimos anos muitas empresas apostaram em melhorar o serviço de atendimento ao cliente para se diferenciar dos concorrentes. A digitalização atua como um acelerador nesta mudança, transformando a melhoria do serviço ao cliente num imperativo urgente. A adoção popular de plataformas sociais e o uso de fóruns online torna as práticas empresariais cada vez mais transparentes. No passado, o mau serviço podia levar um cliente a queixar-se a um pequeno número de familiares ou amigos. Hoje, no entanto, um post ou um tweet pode compartilhar experiências negativas com centenas de potenciais clientes e

o seu impacto pode ser ampliado para milhões com o clique de um botão. O efeito também funciona ao contrário - mensagens positivas de clientes satisfeitos melhoram a reputação de uma empresa. A transformação digital exige uma nova estratégia de atendimento ao cliente. As áreas de serviço ao cliente têm um novo papel na relação com os clientes. Ao interagir com frequência com os clientes, as áreas de serviço ao cliente têm uma posição privilegiada para se envolver com os clientes e criar histórias de sucesso, podendo levar a uma melhor compreensão da marca, aumentar o tráfego para lojas online e, finalmente, melhorar as taxas de conversão de vendas e repetir negócios. Um bom serviço ao cliente não só deixará os clientes com as questões respondidas, mas também impulsionará a aquisição e lealdade do cliente.

Portugal está ainda nos primeiros passos no que toca a transformação digital, porém, quais são as vantagens do ponto de vista de mercado que considera que a NOWO tem como diferenciadoras? Na era digital, os clientes esperam novos serviços antes mesmo de saberem que precisam deles. Isso representa um desafio para os operadores onde desde a concepção da ideia até ao Go To Market existem projetos complexos que podem durar entre 12 a 24 meses e que têm múltiplos intervenientes envolvidos, muitas vezes de forma pouco eficiente. A organização da NOWO é ágil e ‘lean’ o que permite a criação de serviços e produtos em modo (velocidade) digital. É claramente uma vantagem da NOWO quando comparada com as empresas do setor. Exemplo dessa agilidade foi o lançamento da NOWO TV em Março de 2017, em que desde o momento do levantamento da necessidade até ao lançamento do novo produto, que inclui uma nova plataforma de TV, com tecnologia inovadora, uma nova Set Top Box e um novo serviço OTT decorreram menos de 11 meses. Os processos de negócio adaptam-se muito rapidamente às exigências do mercado e os projetos são lançados em tempos record. A NOWO tem uma estrutura muito dinâmica, e plana, com cadeias de decisão curtas e eficientes que resultam em processos rápidos e facilidade de adaptação. É uma estrutura muito semelhante à estrutura das startups Digitais. É uma empresa em que não existem silos e em que a colaboração e o trabalho em equipa são key-skill que todos os colaboradores - incluindo o Top Management - possuem no seu Job Description. ▪

17 dezembro 2017

petitividade da empresa e para fornecer o serviço que os clientes atualmente exigem. Atualmente existem start-ups disruptivas em todos os setores que rapidamente se transformam em ameaças e atingem posições relevantes no mercado. Para combater essa ameaça, as empresas devem seguir o exemplo dessas start-ups, aprender e adaptar-se. A transformação digital é importante porque permite acelerar a mudança, competir digitalmente e corresponder às expectativas do cliente que exigem uma boa experiência em todos os pontos de contacto com as empresas. A tecnologia digital impacta todas as áreas de negócio numa empresa. Isso significa que gerir a transição para um modelo de negócios digital não é apenas crítico para vencer a concorrência, é crucial para a sobrevivência da empresa.


» LEARNING AND TRAINING NA ERA 4.0

(RE) ADAPTAÇÃO

É A PALAVRA DE ORDEM NA HCCT

VÍTOR MOTA

Desde 2015 que a HCCT - Human Capital Consulting & Training procura otimizar processos internos e externos e as potencialidades do Capital Humano nas organizações. O objetivo é aumentar a eficácia e a eficiência de forma sustentável. Vítor Mota, Manager da HCCT, fala-nos sobre a atuação da empresa no mercado e do seu papel na Indústria 4.0 ou nova Revolução Industrial.

A pontos de vista

18

HCCT assume-se como uma empresa que está no mercado para desenvolver competências; para nós, competências, significa saber fazer coisas, tendo em vista um objetivo pré-definido e que se pretende alcançar”, começa por explicar Vítor Mota. “O saber fazer, na e para a HCCT, é essencial. O que pretendemos é que os nossos clientes saibam rentabilizar as suas competências. Isto pode ser entendido a nível individual ou de uma equipa ou mesmo de uma dada organização”, acrescenta ainda. A empresa enfatiza a importância da liderança nas empresas. Para Vítor Mota há muito a dizer sobre a liderança, mas existem alguns aspetos fulcrais a enumerar. O líder tem de ser mentor e catalisador da equipa, o responsável pelo processo e resultado, a pessoa que vai à frente. Liderar é bem-dispor, é motivar. Liderar é direcionar um grupo de pessoas, de forma positiva, para o que se pretende alcançar, transformando o grupo em equipa. As pessoas devem deslocar-se diariamente para a empresa motivadas; caso contrário, a produtividade e a rentabilidade da empresa vai ressentir-se. “Temos de saber «agarrar» as pessoas e extrair delas o seu melhor, potenciar o seu talento. A empresa e a vida das pessoas não podem estar dissociadas, isso não funciona”, refere Vítor Mota.

A NOVA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

A Indústria 4.0 ou nova Revolução Industrial está aí, está no mercado e no mundo. “Mas em Portugal tem acontecido de forma mais lenta devido à mentalidade da sociedade em geral”, diz-nos. Para o nosso entrevistado as revoluções não acontecem num dia. Tratam-se sim, de um conjunto de acontecimentos “sucessivos e que vão impulsionando a mudança”. O mesmo aconteceu com a Indústria 4.0 que foi surgindo. “Hoje, o consumidor não se contenta apenas em comprar um determinado produto; tem de saber mais sobre ele, se está disponível noutros formatos, cores, materiais, se é, efetivamente, o melhor para si e, sobretudo, decidir sobre o aspeto final. Estamos a voltar ao conceito de há cinco séculos atrás, onde tudo era feito à medida do cliente, mas agora com produção à escala global”, acrescenta Vítor Mota. Na sua ótica, quando se fala de empresas que trabalham para a Europa ou para o mundo, já é possível perceber alguma mudança de mentalidade. No entanto, quando se fala de empresas locais ou de organismos públicos ainda sente haver um caminho a percorrer. “Não podemos dizer que as empresas não estejam preparadas para a Indústria 4.0; as empresas são as pessoas, são os líderes, são os colaboradores. A preparação parte deles; as mentalidades devem mudar”, adianta o nosso entrevistado. Nos últimos anos muito se tem falado sobre empreendedorismo e empreendedores, o que, genericamente, as pessoas associam apenas aos empresários. “Está errado. Todos nós temos de ser empreendedores nas nossas tarefas do dia-a-dia e assumir a responsabilidade individual no todo”, reforça Vítor Mota. A revolução industrial está a trazer esta mudan-

ça porque “só sobrevive, quem melhor se adapta”, refere o nosso interlocutor, citando Darwin. “Se, enquanto trabalhadores ou empresários, queremos ter efetivamente um lugar no mercado, temos de nos adaptar. Adaptar implica conhecer as nossas próprias competências, os nossos talentos e capacidades e saber o que melhorar”, diz-nos ainda. A mentalidade deve ser alterada. Porque o próprio mercado assim exige. A HCCT insiste nesta mudança e quer ter um papel ativo nela.

PRESENÇA DA HCCT NO MERCADO

Os serviços que a HCCT disponibiliza vão sempre ao encontro das necessidades específicas de cada cliente. Seja a melhoria de uma competência de uma pessoa, de uma equipa, departamento ou organização, seja da melhoria do próprio processo na empresa. A visão que a empresa procura difundir é que, hoje, nada é estático nem definitivo. Irão continuar a nascer e a desaparecer empresas num curto espaço de tempo; outras vão sobreviver outras ainda irão ser pioneiras durante décadas. A diferença está na capacidade de adaptação. Cada pessoa tem de saber adaptar-se e readaptar-se, aprender e reaprender constantemente. Quando a HCCT se refere a pessoas, refere-se tanto a colaboradores, como a líderes, como a equipas e organizações. “Nos últimos anos conseguimos perceber, em Portugal, uma maior abertura de mentalidade, quer ao nível da liderança quer de colaboração. Os novos empresários são mais proativos e dinâmicos, entendem que é necessária a capacidade de adaptação constante e por isso inovam, o que é extremamente positivo para a sociedade e para a economia em geral”, conclui Vítor Mota. ▪


Zuzana Fabianová Janeiro, Diretora Geral da Wondercom, em entrevista

«

Os desafios da Transformação Digital A Transformação Digital assume-se nos dias que correm como um conceito global e atual, sendo necessário que o universo empresarial assuma uma postura proativa neste sentido, sob pena de ficar para trás no âmbito da sua competitividade e afirmação perante o mercado. A Revista Pontos de Vista quis saber mais e conversou com Zuzana Fabianová Janeiro, Diretora Geral da Wondercom, que nos deu a conhecer os principais desafios que advêm desta dinâmica digital e de que forma é que a mesma terá impacto no modelo de negócio.

A

Sobre os maiores desafios tecnológicos pelos quais a Wondercom passou, quais foram aqueles que se traduziram num maior impacto a nível do modelo de negócio? O principal desafio para a Wondercom até agora, passou pela disponibilidade de Fibra Óptica a nível nacional em Portugal que criou a necessidade de mudar as ligações dos clientes às redes dos operadores de Telecomunicações. O projeto “Fiber-to-the-Home”, no qual a Wondercom tem participação ativa na qualidade de instalador, levou a nossa empresa a criar uma estrutura operacional com abrangência nacional, com disponibilidade de serviço 24x7x365 e com capacidade de 200 mil pedidos de intervenções técnicas nas instalações do cliente por ano. É inevitável que a transformação digital aporte consigo diferenças de atuação das marcas e mesmo nas formas e metodologias dos modelos de negócio e gestão? A transformação digital altera profundamente a forma como os clientes se relacionam com os

Na sua opinião a transformação digital é uma questão de sobrevivência, pela necessidade de adaptação ao mercado, ou uma estratégia de crescimento? No caso da Wondercom será uma estratégia de crescimento.

Zuzana Fabianová Janeiro

seus fornecedores (e vice versa) e a forma como as pessoas desempenham as suas atividades profissionais, o que obriga a uma mudança dos modelos de negócio e da gestão das diversas entidades. A transformação digital permite novos canais para chegar ao consumidor e consequentemente os modelos de gestão e decisão têm de se adaptar a esta realidade. As decisões de negócio são cada vez mais baseadas em analítica e em dados obtidos dos canais digitais em tempo real. Da vossa parte poderá significar uma agressividade maior a nível comercial? Como pensam implementar este modelo mais agressivo de abordagem perante as empresas? Naturalmente. Os clientes irão ter novas necessidades relacionadas com soluções TIC. O processo de venda da Wondercom passa muito pelos operadores de Telecomunicações. Queremos alavancar as soluções TIC sob forma de cross-selling, complementando as soluções já instaladas com outras interessantes para o cliente.

De que forma é que o consumidor/cliente sairá beneficiado com esta aposta na Transformação Digital? Os principais benefícios para os consumidores/ clientes resultam na disponibilidade contínua (em muitos casos 24x7) dos produtos e serviços num ambiente de maior concorrência e disponibilidade da oferta. A transformação digital reduzirá custos e aumentará performance das empresas. Com a transformação digital, é possível decidir e produzir de forma mais eficiente, e consequentemente conseguem-se criar novos modelos para chegar ao consumidor de forma mais fácil. Prova disto são as App´s e o “mundo online”, por exemplo, em que hoje posso pagar um parquímetro sem ir ao mesmo, basta usar uma App. Para 2018, quais são as principais prioridades da Wondercom no mercado português? Em 2018 já irão ficar disponíveis no mercado os primeiros quatro produtos da nossa oferta “ICT made easy” que são: WonderGuest – Wi-Fi com cobertura total, possibilitando o registo de visitantes de forma segura; WonderCloud - Consultoria estratégica sobre a migração de serviços para Cloud; WonderLink – Solução de Vídeo Conferencia e Colaboração acessível e atrativa a pequenas e médias empresas; WonderGuard – Solução de Videovigilância e Controlo de Acessos. Vamos continuar a alargar significativamente o portfólio de produtos ICT que serão comercializados com o “claim” – ICT made easy. ▪

19 dezembro 2017

denominada Transformação Digital encontra-se na ordem do dia, embora ainda seja um conceito de difícil adaptação para a maioria das empresas portuguesas. Neste domínio, qual é o panorama da Wondercom? Será uma das vossas apostas em termos de soluções TIC? A migração das soluções dos clientes para a Cloud Pública é uma enabler da transformação digital. As empresas de hoje precisam de acompanhar o ritmo da mudança tecnológica para tirarem o melhor partido da transformação digital. Foi com esta premissa que a Wondercom criou a sua oferta “ICT made easy” a pensar no “mercado empresarial”. A conceção desta oferta foi um processo rigoroso com compromisso de encontrar o melhor equilíbrio entre custo e qualidade, sendo que “ICT made easy” está destinada a qualquer empresa, independentemente da sua dimensão.


»

A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NA CONTABILIDADE

RUMO A UMA NOVA ERA DIGITAL Margarida Cravid de Melo, CEO & Founder da CBA, fala-nos dos desafios da transformação digital e da inevitabilidade dos escritórios de contabilidade rumarem em direção à nova era digital. Venha connosco conhecer, igualmente, a CBA - Connecting Business Anywhere, uma nova forma de relacionamento com as empresas, pessoas e os seus negócios.

V

amos começar por conhecer melhor a CBA – Connecting Business Anywhere. O que procuravam colmatar com a criação da CBA? Procuramos ajudar e apoiar no crescimento e na organização das empresas com soluções empresariais inovadoras. Começa desde a ideia ao desenvolvimento do projeto e da criação da empresa até à implementação do negócio. Connecting Business Anywhere é uma nova forma de relacionamento com as empresas, pessoas e os seus negócios, e com toda uma comunidade em geral, quer sejam clientes, fornecedores, parceiros e colaboradores em qualquer lugar onde estiverem. E temos feito jus ao nome, desde o início do ano a nossa carteira de clientes tem evoluído, e são oriundos de vários lugares como do Brasil, EUA, China, Reino Unido, Irlanda, Holanda, Espanha, França, Suíça, Croácia, Angola e Moçambique. Em que é que querem diferenciar-se? Pela simpatia, capacidade na resposta, pela qualidade do serviço que prestamos ao cliente, e também pela inovação, desta forma cria-se valor, reconhecimento e confiança. Que posição pretendem assumir no mercado? Seríamos muito ousados dizermos a 1ª posição! é o que todos querem, mas sim ambicionamos a liderança de mercado pelo menos na cidade onde estamos, em Almada.

pontos de vista

20

As soluções tecnológicas vêm tornar a gestão de um escritório de contabilidade mais ágil e rentável, bem como melhorar a relação com os clientes. Este é o maior impacto? Sim, sem dúvida. Existe impacto no aumento da produtividade, na capacidade de organização, maior mobilidade e eleva o espírito de equipa entre os colaboradores. Com as soluções tecnológicas existe uma maior aproximação e interação com os clientes e acesso à informação a qualquer hora e em qualquer local com total segurança. Foi recentemente criado pela CBA uma solução inovadora chamada SendSaft, que possibilita o envio dos ficheiros Saft duma forma rápida e automática, permite à CBA e também aos nossos concorrentes uma maior rentabilidade e eficácia no trabalho.

MARGARIDA CRAVID DE MELO

Estão os escritórios de contabilidade preparados para a transformação digital? Acho que estão em fase de mudança e de adaptação. Hoje se os escritórios de contabilidade querem fazer a diferença, não podem ter medo da transformação digital, têm que estar atentos e ver as coisas de outra forma, porque este é o momento certo para agir, porque a curto prazo irão ter vantagens em todo este processo. É possível resistir à mesma e manter-se um escritório tradicional? Será impossível resistir, tem de partir de nós, Contabilistas Certificados (CC), individualmente a a mudança, porque de futuro não será possível os CC se manterem num escritório tradicional. A inovação é uma prioridade para qualquer setor e o setor da contabilidade não é exceção. Prova disso é o projeto e-fatura, lançado em 2013 pela Administração Fiscal, que transformou completamente a interação entre os cidadãos e os agentes económicos. Que outras vantagens impactantes podem ser enumeradas? É deveras excelente e bastante inovador o fato de

se poder validar e registar uma fatura eletrónica caso esta não tenha sido emitida pelo comerciante ou prestador de serviço. Para a Contabilidade não será a eliminação dos papéis em cima da secretária, mas com o e-fatura existe a vantagem de se poder obter as faturas eletrónicas (versão digital e é legalmente equivalente à fatura tradicional) através do ficheiro Saft e converter essa informação das vendas das empresas para os registos contabilísticos. Mas estão a chegar mais transformações ao mundo da contabilidade. Quais? Começa pelo recurso obrigatório a programas informáticos certificados de contabilidade para todas as empresas e que tenham a capacidade de gerar o ficheiro Saft em caso de haver uma auditoria por parte da AT-Autoridade Tributária. Deste modo as empresas que tenham contabilidade organizada, passam a efetuar o preenchimento automático dos anexos A e I da IES, mediante a submissão do ficheiro Saft gerado a partir do programa de contabilidade. Qual é a sua visão sobre o impacto da tecnologia neste setor a médio/longo prazo? Acho que nos próximos anos será essencial que os CC e empresários fiquem atentos ao progresso tecnológico que está perto, a fim de conseguirem dar resposta às atuais necessidades do mercado e dos seus clientes. É crucial que estejamos todos conscientes que o impacto e a transformação na contabilidade e nas organizações em geral é um processo que não termina, mas que evolui à medida que as empresas atingem um nível de maturidade, rumo a uma nova ERA DIGITAL. ▪


A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NA CONTABILIDADE

OPINIÃO DE RAQUEL MOTA PINTO, CEO DA RMP MANAGEMENT PARTNER

O ESGOTAMENTO DO PARADIGMA EM PAPEL A desmaterialização é uma consequência do desenvolvimento tecnológico e da necessidade de simplificar tanto os processos como a obtenção da informação o mais just in time possível.

ção da informação, com a antecipação necessária à parametrização dos sistemas, preparação dos RH, execução do preenchimento e submissão, bem como a respetiva conferência. Os novos procedimentos  são conhecidos, pelos prestadores da informação, à posteriori, impedindo a devida reflexão  do acréscimo de tempo sobre as avenças mensais dos clientes, relativo ao acréscimo do trabalho técnico

(dado que a adaptação implica sempre custos de parametrização informática) e num curto período de tempo entre a disponibilização e a data de fim de prazo. O papel da Ordem dos Contabilistas Certificados e das associações empresariais deve ser mais interventivo em matéria de timing para disponibilização de formulários nos portais e estabilidade fiscal. Por outro lado, a desmaterialização permite o acompanhamento da economia em tempo real, e também beneficia a ocorrência das transações comerciais e da avaliação dos negócios de forma mais célere, possibilitando a comparabilidade de cenários, empresas e áreas de negócio. Assim sendo, é possível a  sistematização e organização da  informação técnica complexa.  Considero, ainda, que o acesso atempado à informação assegura o planeamento e acelera os processos de tomada de decisão, permitindo antecipar condições e tendências futuras, bem como monitorizar o progresso em relação a determinados objetivos e metas. A evolução tecnológica facilita a deteção da fraude e o reforço das funções de autoridade, mas também possibilita a segmentação dos contribuintes (cumpridores e não cumpridores); a avaliação do risco; a construção de sistemas preditivos; o estudo do comportamento dos contribuintes e das suas causas. Deste modo, é possível concluir que este é, sem dúvida, um tema pouco consensual, alvo de inúmeras críticas e dilemas. Era desejável que os players pudessem opinar e partilhar informação entre si, com vista a que a desmaterialização seja ecológica e sustentável para todos os interessados (destinatários, utilizadores e prestadores da informação). ▪

21 dezembro 2017

P

or desmaterialização entende-se a perda da forma material das declarações fiscais e parafiscais e a automatização de procedimentos internos considerando a internet o interface relacional privilegiado (aumentando a interatividade entre os intervenientes). A desburocratização deveria não só facilitar os processos como também aumentar os seus níveis de eficiência e de eficácia, bem como traduzir-se na redução de custos. Na realidade, traduz-se na diminuição do consumo de materiais físicos e o recurso a softwares adaptados. Em consequência, mais custos em intangíveis, recursos humanos e em formação destes. A primeira expectativa criada é que a desmaterialização origina um impacto ambiental organizacional e institucional positivo. É certo que, a desmaterialização pode ser considerada uma forma de reconhecer os direitos dos contribuintes, permitindo uma rápida resolução e prevenção de conflitos.  Para além disso, pode ser entendida como uma forma de cooperação entre o Estado e os contribuintes em geral. No entanto, é minha convicção, que o caminho que tem vindo a ser feito não é completamente sustentável nem ecológico para os contabilistas em geral, e em particular para os contabilistas certificados. Uma vez que, não só encerra em si a duplicação de informação como também denota falta de comunicação entre as entidades destinatárias.  Seria desejável obter indicadores qualitativos e quantitativos em relação à utilidade da informação desmaterializada, com vista a reduzir as incertezas.  As aplicações não são disponibilizadas, por parte das entidades que pretendem a obten-


» BRUNO MELO, CEO DA SAMSIC PORTUGAL, EM ENTREVISTA

SAMSIC - Uma referência e um “A SAMSIC tem uma posição de referência e de liderança de mercado, em todos os países onde está implementada, incluindo Portugal”. Quem o afirma é Bruno Melo, CEO da SAMSIC Portugal, uma das marcas mais prestigiadas no domínio de Facility Services. Neste entrevista à Revista Pontos de Vista, o nosso entrevistado aborda ainda o crescimento da SAMSIC em Portugal e de como optar pela SAMSIC significa escolher Valor.

P BRUNO MELO

pontos de vista

22

ara elucidar o nosso leitor, comecemos pela história da Samsic. Que descrição é possível ser feita sobre o seu percurso e os seus 31 anos de existência? A SAMSIC foi criada em 1986, em Rennes, na Bretanha. Iniciou a sua atividade como prestadora de serviços de limpeza, tendo mais tarde na sequência das novas tendências de oferta ao mercado, passado a ter a capacidade de disponibilizar serviços de Segurança, Manutenção, Jardinagem, Pest Control, Handling, Receção, Gestão de Resíduos. Estamos também em outras áreas, como o Trabalho Temporário, Nuclear, e Serviços Aeroportuários. As soluções que a SAMSIC oferece permitem a possibilidade de se escolher entre três opções de Serviços: Single Service, Multi Services e Integrated Facility Services. Seja qual for a opção considerada, a mesma possibilita aos nossos clientes o foco no seu negócio, reduzindo a sua estrutura de custos, contribuindo assim para a melhoria da satisfação do cliente interno e para a criação de valor. Através de uma estratégia de expansão, estamos em mais de vinte países: Espanha, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, França, Reino Unido, Sérvia, Croácia, Montenegro, Bósnia, Eslovénia, Holanda, Alemanha, Roménia, Itália, Qatar, Polónia, Eslováquia, República Checa e Portugal. A Guiana Francesa, passou a ser, desde o final deste ano, da responsabilidade do nosso país.

Que posição assume atualmente no mercado e, especialmente, no mercado português? A SAMSIC tem uma posição de referência e de liderança do mercado, em todos os países onde está implementada, incluindo Portugal.Todos os dias, 85 mil colaboradores (mais de cinco mil em Portugal) fazem da nossa missão uma realidade: com paixão, melhorar a vida das empresas e das pessoas. Temos um volume de negócios anual superior a dois mil milhões de euros, continuamos a crescer, e com uma contínua estratégia de expansão que nos permitirá estar, nos próximos anos, presente em mais países, nomeadamente, fora do espaço europeu. Convido os leitores, a visualizar um vídeo sobre a SAMSIC: https://www.youtube.com/ watch?v=VFz8PgfWy6A&feature=em-share_video_user

Que fatores evidenciam a aceitação das soluções disponibilizadas pela Samsic e o crescimento da mesma em Portugal? A notoriedade da marca, o reconhecimento da mesma através das soluções que apresentamos, e a fidelização dos nossos clientes, tudo evidenciado pelo exponencial crescimento orgânico, sempre com uma performance de dois dígitos. Um desses mesmos fatores diz respeito às novas instalações em Leiria. O que se pretende com esta nova filial? A SAMSIC, hoje em dia, tem operações em todo o território português, estar próximo dos nossos clientes é para nós fundamental como fator diferenciador, assim para além de Leiria, estamos em Vila Nova de Gaia, Montemor-o-Velho, Torres Vedras, Lisboa (onde também está a Sede), Faro, e nos Arquipélagos da Madeira e dos Açores. A partir do início de 2018, iremos ter instalações em Setúbal. Saliento Ainda que a nossa última aquisição em Portugal foi a empresa FLORATORRES, que teve efeitos práticos a partir do início de novembro deste ano. Uma das ofertas da Samsic é a Samsic Facility. De que forma a empresa se diferencia das demais na prestação deste serviço? Pela inovação, e a capacidade de integrar mais serviços do que outros players, alicerçados numa cultura de rigoroso cumprimento dos compromissos assumidos, sendo fatores diferenciadores: - Solidez financeira; - Formação das equipas operacionais; - O know-how transversal a todos os países; -Cultura de proximidade permanente às operações, através dos gestores de cliente, disponíveis a toda a hora (TDA H24); - Gestão operacional proativa, com diretores regionais com capacidade de decisão independente (“empowerment”); -Capacidade de resposta na reação a imprevistos e solicitações urgentes dos clientes; - Flexibilidade e polivalência; Quando falamos do mundo de serviços, o que importa saber sobre o mercado de Facility Services? Com o objetivo de otimizar recursos, controlar custos e incrementar a especialização adicionando valor, tem-se verificado uma tendência crescente nas empresas em subcontratar serviços que não fazem parte do seu core business. A empresa cliente centra a sua energia na sua atividade principal e transfere as tarefas de suporte para um ou mais parceiros fornecedores e gestores de serviços. Esta transferência pode ser efetuada através de várias modalidades, nomeadamente, pela contratação de serviços individuais, pela contratação de multiserviços (Facility Services), ou pela con-


um líder de Mercado SAMSIC Como se expectativa a presença da Samsic no mercado português a médio prazo? O que podemos esperar da mesma? A SAMSIC tem para Portugal como em todos os países onde se encontra, o objectivo de continuar a ser uma referência e um líder de mercado, pretendendo ser um player com capacidade de intervenção em todas as áreas do Facility Services. Inovação e foco na superação das expectivas criadas são a nossa grande preocupação, procurando continuar a crescer organicamente, sem descurar as oportunidades para crescermos por aquisições. Queremos, com paixão, continuar a fazer da nossa missão uma realidade: melhorar a vida das empresas e das pessoas.

Que mais-valias, de facto, este conceito acarreta? Todas as atividades não nucleares de uma empresa, podem ser objeto de subcontratação, desde as auxiliares como a limpeza, segurança, jardinagem, controlo de pragas, serviços de cantina, passando pelas atividades de caráter mais técnico como a manutenção, apoio à produção, gestão de resíduos, gestão de energia, telecomunicações, informática, e podendo incluir ainda atividades como a gestão de ativos, gestão dos riscos associados a desastres naturais, etc., sendo que, a integração de parte delas pode constituir o chamado FS, com valor acrescentado e vantagens mútuas, caso sejam satisfeitos determinados requisitos no processo de preparação e implementação do contrato. Inicialmente, a subcontratação traduzia-se na disponibilização do pessoal pela entidade contratada, sendo a sua gestão garantida pela empresa contratante. Mais tarde, a empresa contratada passou também a ser responsável pela gestão do seu pessoal, garantindo a apresentação dos resultados contratualmente acordados. Podemos por isso definir o que se entende por Facility Services (FS), como sendo a contratação integrada de um conjunto de serviços que inclui a gestão dos mesmos e permite rentabilizar os activos das empresas e instituições de uma forma global e integral, facilitando a flexibilidade e a redução de custos através da geração de sinergias e polivalências e a utilização de um só fornecedor como interlocutor.

Num mercado cada vez mais exigente e competitivo, que desafios acarreta a atuação na área de Facility Services? Apesar de o outsourcing ser amplamente utilizado em múltiplas industrias, continua a existir alguma resistência à sua utilização, designadamente por inércia e medo da mudança, por dificuldades de gestão dos recursos existentes, por falta de conhecimento dos custos associados ao serviço in-house, por dificuldades de adaptação a novos métodos de trabalho, entre muitos outros. Do lado da oferta, as empresas de Facility Services sofrem dos mesmos problemas que as empresas subcontratantes se não forem capazes de atingir dimensão, que lhes faculte as economias de escala necessárias, para poderem competir num mercado, cada vez mais concorrencial e de complexidade crescente. Com efeito, a dimensão, ou, se quisermos, a ambição de crescimento, é uma condição necessária (não suficiente) para atrair, à volta de um projeto empresarial neste setor, os ingredientes necessários ao seu pleno desenvolvimento e sucesso. O crescente nível de exigência dos clientes, o aumento da concorrência no setor, a complexidade operacional inerente à necessidade de estar em vários locais do país, a minimização dos custos para um nível de qua-

A empresa cliente centra a sua energia na sua actividade principal e transfere as tarefas de suporte para um ou mais parceiros fornecedores e gestores de serviços

lidade crescente, só está ao alcance das empresas que se saibam posicionar corretamente no mercado, conseguindo uma oferta de serviços diferenciadora e superior à da concorrência. Para uma empresa implementar esta estratégia é, sem dúvida, necessário reunir os capitais adequados ao crescimento, de forma a poder investir no recrutamento e na formação dos seus quadros, investir em sistemas de informação de gestão, em tecnologias, equipamentos e processos modernos de prestação de serviços, capazes de, em conjunto, converter aquilo que é uma visão e uma estratégia, numa realidade empresarial respeitada pelos seus clientes, colaboradores, concorrência, fornecedores, e que, ao mesmo tempo, renumere de forma adequada os capitais investidos no projecto. O desempenho sustentável é uma das premissas da Samsic. Como é que a mesma é demonstrada? A responsabilidade social corporativa (RSC), é estratégica para a SAMSIC, estando alicerçada em quatro eixos e 12 compromissos, a saber: Fornecer um serviço responsável e inovador (• Garantir o foco no cliente, conhecimento especializado e procura de inovação • Avaliar o nosso desempenho com transparência • Construir uma parceria sustentável com a nossa cadeia de fornecimento); Valorizar os nossos recursos e desenvolver os nossos talentos (• Promover a diversidade e igualdade de oportunidades • Formar e desenvolver os nossos talentos • Preservar a saúde e segurança dos nossos colaboradores • Desenvolver a coesão e bem-estar no trabalho); Participar na preservação do nosso meio ambiente (• Desenvolver o uso de produtos e processos ecológicos • Gerir o nosso consumo energético e reciclagem de resíduos • Reduzir a nossa pegada de carbono); Desenvolver uma sociedade solidária e sustentável ( • Tomar medidas solidárias • Contribuir para o desenvolvimento económico e cultural local); ▪

23 dezembro 2017

tratação de serviços e a respectiva gestão (Facility Management). A contratação efetuada de uma forma individualizada refere-se à contratação isolada de serviços de manutenção, de limpeza, catering, segurança e vigilância, etc. A contratação de uma forma integrada, através da aquisição global de vários serviços que possam gerar a criação de sinergias por efeitos de escala e de uma interlocução única, é correntemente designada por Facility Services. A forma mais evoluída de contratação de serviços é a contratação integrada de serviços que integrem a gestão dos serviços fornecidos.


BREVES BREVES

ARTE

Obra de Leonardo da Vinci vendida por 380 milhões “Salvator Mundi”, a obra de Leonardo da Vinci, foi vendido pelo valor recorde de 380 milhões de euros. Comprador foi agora revelado: é um príncipe saudita. O quadro “Salvator Mundi”, de Leonardo da Vinci — recentemente arrematado em leilão pelo valor recorde de 450 milhões de dólares (380 milhões de euros) — vai seguir para o Museu do Louvre em Abu Dhabi. O quadro, um dos poucos do mestre do Renascimento existentes (estimados em menos de 20) e o único na mão de particulares, foi vendido, no mês passado, pela leiloeira Christie’s a um comprador anónimo. Mas o The New York Times revelou a identidade do misterioso novo dono de “Salvator Mundi”: será Bader bin Abdullah bin Mohammed bin Farhan al-Saud, um príncipe saudita pouco conhecido e sem historial como grande colecionador de arte. Sabe-se que o príncipe Bader é um membro afastado da família real saudita e que tem uma das maiores fortunas do Médio Oriente. De acordo com a investigação do New York Times, a compra da pintura que representa Jesus Cristo levantou muitos rumores na sociedade saudita, que tem vindo a acusar alguns membros da família real de corrupção e enriquecimento ilícito.

pontos de vista

24

UNESCO

JERUSALÉM

“Bonecos de Estremoz” são Património Cultural Imaterial

eua transfere embaixada para jerusalém

A UNESCO classificou esta quinta-feira como Património Cultural Imaterial da Humanidade a produção dos “Bonecos de Estremoz”, em barro, uma arte popular com mais de três séculos. A classificação da “Produção de Figurado em Barro de Estremoz”, vulgarmente conhecida como “Bonecos de Estremoz”, foi decidida na 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial. A arte popular tem mais de 300 anos de história.

CIÊNCIA

Universidade de Évora desenvolve ‘kit’ que deteta microrganismos no património Investigadores da Universidade de Évora criaram uma ferramenta inovadora capaz de detetar, “de forma rápida, simples e económica”, os microrganismos existentes no património cultural, que deterioram superfícies edificadas e obras de arte, segundo a academia. O ‘kit’ foi criado pelo Laboratório HERCULES, um dos centros de investigação da academia alentejana, no âmbito do projeto MICROTECH-ART, que visa o “desenvolvimento de uma ferramenta analítica rápida para deteção de microrganismos que proliferam no património cultural”. Segundo a Universidade de Évora (UÉ), a ferramenta, considerada “inovadora”, está a ser desenvolvida por uma equipa de investigação liderada pela espanhola Marina González, investigadora de pós-doutoramento no HERCULES e bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). “Em apenas duas horas e meia e sem necessidade de intervenção de especialistas, o ‘kit’ de deteção vai possibilitar a identificação de vários tipos de microrganismos em superfícies do património edificado e obras de arte”, explicou a UÉ.

GRAVIDEZ

Novo teste que se descarta pela sanita

São séculos de tumultos: Jerusalém foi atacada 52 vezes, sitiada 23 e arrasada por diferentes exércitos. Não é de estranhar que as disputas religiosas que persistem em torno de Jerusalém no século XXI: judaísmo, cristianismo e islamismo são três irmãos siameses que estão unidos por Jerusalém. Donald Trump cumpriu uma das mais polémicas promessas eleitorais: declarou que vai transferir a embaixada dos Estados Unidos em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Ainda que mais uma vez se trate de uma crise anunciada, levantou, esta também, um coro de protestos internacionais, ainda que o presidente americano tenha enquadrado esta decisão num plano de paz que ainda ninguém sabe bem qual é. Mas sabem-se três coisas: que Jerusalém é, desde sempre, uma das questões que impede a concretização de um acordo de paz no conflito israelo-palestiniano; que há uma nova centralidade de dois estados – Israel e Arábia Saudita – nas contas estratégicas dos EUA para o Médio Oriente; e que o conflito entre Israel e a Palestina estava a perder centralidade, que pode ter voltado a ganhar agora.

A startup Lia Diagnostics e o teste de gravidez que dá para deitar fora puxando o autoclismo foram os vencedores da batalha de startups no Tech Crunch Disrupt, ganhando um prémio de 47 mil euros. Nem tudo é Web Summit. Também há outros grandes eventos europeus que mostram o melhor das startups a nível mundial. Um dos mais conhecidos é o TechCrunch Disrupt e acabou de dar o prémio de melhor startup à Lia Diagnotics com um produto bastante inovador: um teste de gravidez que — depois de feito o teste — dá para lançar na retrete e, puxando o autoclismo, a fazer desaparecer. A Lia Diagnostics tem sede em Filadélfia, nos EUA, e a presidente executiva afirmou ao Tech Crunch que este produto é apenas o início: “o que fizemos foi criar uma nova categoria de testes descartáveis e biodegradáveis”.


» NetResíduos desenvolve aplicação WebProgresi que facilita O uso das e-GAR

O USO DE e-GAR PODERÁ SER MUITO FACILITADO PELO WEBPROGRESI Avizinha-se o dia 1 de Janeiro de 2018. A partir deste dia, o recurso a guias em papel para o transporte de resíduos, procedimento existente há mais de 20 anos, deixará de ser permitido. O WebProgresi é uma aplicação que pode ajudar a sua empresa a adaptar-se às exigências dos novos procedimentos.

RUI MORGADO E RUI GUINOTE

D

ois Ruis, dois apelidos, dois entrevistados, um projeto. Rui Morgado define-se como responsável pelo desenvolvimento informático e Rui Guinote pela componente técnica do WebProgresi. Juntos estabeleceram há algum tempo uma parceria destinada a assegurar o desenvolvimento de uma solução que associasse o melhor conhecimento tecnológico com o pleno conhecimento do mercado de resíduos tanto na perspetiva dos produtores como dos operadores de gestão de resíduos (OGR). “Em 2002, desenvolvi a aplicação

pontos de vista

26

PROGRESI (PROgrama de Gestão de RESiduos Industriais) para gestão de resíduos, uma aplicação em Visual Basic que envolvia a impressão das guias Modelo A, em triplicado autocopiativo. A impossibilidade de contornar essas Guias e a consequente necessidade de recurso a impressora de agulhas, limitou fortemente a utilidade do PROGRESI, o que levou à decisão de interromper a sua comercialização. Ficou então em banho-maria à espera das e-GAR. A partir do momento em que a APA iniciou os trabalhos para a criação das e-GAR, decidimos que seria a altura de res-

suscitar o PROGRESI e trazer para as e-GAR as mais-valias e funcionalidades desenvolvidas e partilhadas com o mercado”, começa por explicar Rui Guinote A ideia conceptual do produto pertence a Rui Guinote e Rui Morgado garante que da sua parte apenas vêm os bits e bytes. “A nossa posição no mercado tenta diferenciar-se das restantes ao colocar a generalidade dos utilizadores em plano de igualdade, isto é, sem distinguir empresas grandes de empresas pequenas”, prossegue Rui Guinote. “Já tínhamos uma solução desde 2002 e estávamos à espera das e-GARs para que o mercado viesse a precisar dela. No nosso caso não se trata, portanto, de um negócio de oportunidade, mas da concretização de uma ideia já há muito pensada. Quanto à adaptação das empresas, aos olhos dos nossos entrevistados, se, por um lado, as mudanças e implicações não são extremamente complicadas, têm contudo algumas particularidades. A dificuldade estará sobretudo em conseguir, no curto espaço de tempo que falta do período transitório, transmitir essas particularidades ao universo de 250 mil estabelecimentos potencialmente envolvidos na emissão e tramitação de e-GARs. “Com efeito estamos neste momento a 15 dias do final do período transitório e até à data ainda há muito poucas empresas a utilizar as e-GAR. Contudo também acredito que, como a capacidade do desenrasque dos portugueses é indiscutivelmente única, as coisas até acabarão por correr bem”, graceja Rui Guinote. Além da desmaterialização do papel, as outras vantagens apontadas pelos nossos interlocutores vão ao encontro de questões de transparência e de facilitismos no que diz respeito à burocracia imposta às empresas, uma vez que toda a comunicação será feita online. A plataforma e-GAR foi desenvolvida de modo a que as empresas que fazem a gestão de resíduos possam assegurar parte das tarefas pelos produtores. Ou seja, apesar da responsabilidade da emissão da e-GAR ser sempre do produtor, a mesma pode ser em grande parte assegurada pelo

transportador ou destinatário dos resíduos. No entanto, algumas tarefas (autorização da e-GAR, aceitação da correção) terão sempre de ser realizadas pelos produtores”, referiu Rui Guinote. “A revolução que vai acontecer é relativamente semelhante àquela a que se assistiu quando o IRS deixou de ser em papel e passou a ser eletrónico. Agora já existe, a este respeito, um considerável nível de proficiência, o que constitui uma grande vantagem, tal como aquela que virá a ser proporcionada pelas e-GARs”, conclui Rui Morgado. A questão da transparência e do rigor são outros aspetos importantes. Segundo Rui Morgado, “com estas alterações o regulador terá maior capacidade de rastreabilidade dos resíduos e, consequentemente, tornar-se-á mais difícil a circulação de resíduos de forma não declarada”. Todos os intervenientes num processo de transporte de resíduos terão de se registar no SILiAmb (Sistema Integrado de Licenciamento do Ambiente). O contribuinte que não estiver registado no SILIAMB não poderá fazer parte do processo de transporte de resíduos. “Mais atores registados: este será também porventura um dos objetivos da APA”, remata Rui Morgado. Perante o mercado o WebProgresi procura facilitar a vida, não tanto dos OGRs, mas sobretudo dos produtores de resíduos. “Os OGRs conhecem muito bem o tema, ao contrário dos produtores. E, por isso, o WebProgresi deverá vir a ser mais útil sobretudo aos produtores de resíduos. Em Portugal existem muito mais pequenas do que grandes empresas e, como tal, a nossa lógica consistiu em desenvolver uma solução simultaneamente simples, polivalente e de custo acessível a qualquer entidade. A ideia é criar uma comunidade de utilizadores que para além de beneficiar das funcionalidades do WebProgresi possa reportar melhorias possíveis que promovam a evolução permanente deste software. Pretendemos ter um produto acessível a todos em que o preço não seja um entrave à opção (ou necessidade) de utilização”, explica Rui Guinote. ▪


TOPDATA CRIA APP SIMPLES PARA e-Gar

«

TOPDATA APRESENTA SOFTWARE

CERTIFICADO PARA COMUNICAÇÃO De e-Gar A TOPDATA, sediada em Leiria, é uma empresa especializada em sistemas de informação. Conta já com mais de dez anos de experiência em soluções empresariais em áreas de consultoria, implementação, assistência e formação. Fomos descobrir que tipo de solução lançaram para o novo desafio que se impõe às empresas, que lidam com resíduos, a partir de janeiro do próximo ano: e-Gar. Saiba mais. A Topdata, que já tinha um módulo dedicado à gestão e controlo de resíduos, criou agora este novo módulo, só para a comunicação, que pode funcionar de forma integrada ou de forma independente. A instalação é fácil e rápida e pode ser feita para qualquer parte do país.

TOP e-Gar CERTIFICADO

ALEXANDRE ALVES

MÓDULO TOP e-Gar

Todo o módulo foi pensado e desenhado por Alexandre Alves, responsável pelo departamento de programação da Topdata. “Poupar ao máximo a natureza”, foi perante a premissa da APA (Agência Portuguesa do Ambiente) que a Topdata começou por “desenhar e a modelar a aplicação” que visa descomplicar o processo de emitir as guias eletrónicas. “Enquanto entidade de informática ligada à área dos resíduos foi-nos mais simples acompanhar o processo de desenvolver um software aplicado às empresas com quem já trabalhamos e conhecemos. Já tínhamos um bom programa de gestão de resíduos instalado em várias empresas do setor, o que nos forneceu todo o know-how necessário para desenvolver esta

É como qualquer outra aplicação. O trabalho esteve no nosso desenvolvimento, tentámos criar algo universal compatível e integrável com todos os programas de gestão presentes no mercado

27

nova funcionalidade”. O módulo permite gerir todo o processo das e-Gar desde a sua comunicação, aceitação, rejeição ou alteração. “Há especificações interessantes no contacto entre as entidades que usufruem do software. Conseguem de forma automática alterar quantidades, poder ou declinar guias de uma forma fácil, rápida e intuitiva”. Relativamente à implementação do software, Alexandre Alves não tem dúvidas de que será um processo simples. “É como qualquer outra aplicação. O trabalho esteve no nosso desenvolvimento, tentámos criar algo universal, compatível e integrável com todos os programas de gestão presentes no mercado”, explica o consultor.

dezembro 2017

O

Título Único Ambiental (TUA) e as Guias Eletrónicas de Acompanhamento de Resíduos (eGAR), integradas no Simplex+2016, que vão entrar em vigor a 1 de janeiro de 2018, prometem uma maior transparência e uma poupança de papel na ordem de milhões de folhas de papel. A portaria 145/2017 veio criar as guias eletrónicas e-Gar de forma a automatizar o processo de acompanhamento de resíduos ao eliminar o atual formato em papel, passando a ser possível realizar o processo através de guias online pelas entidades.

A APA exigiu bastantes pontos de certificação e apenas os softwares certificados podem comunicar. A TOPDATA foi mais além e é uma das poucas que conquistou a certificação em todos os pontos definidos pela Agência Portuguesa do Ambiente.

O módulo Top e-Gar está certificado a comunicar as guias eletrónicas de acompanhamento dos resíduos e permite seguir todo o processo das e-Gar. Uma das grandes vantagens que a aplicação oferece é o uso mínimo de internet. Esta retém todo o histórico das transações, permitindo aos utilizadores aceder a qualquer momento a toda a informação existente na base de dados, mesmo estando offline. Com um know-how consolidado na área, a TOPDATA, admite que não foi difícil adaptar-se às necessidades do mercado, porém, sempre que surja um desafio a máxima é sempre a mesma “estar na vanguarda, sempre!”. ▪


» Amílcar Ferraz, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Labialfarma, em grande entrevista

“Os Suplementos Alimentares são consumidos por pessoas que querem manter o seu nível de saúde” pontos de vista

28

Os Suplementos Alimentares estão cada vez mais na ordem do dia sendo cada vez mais consumidos por pessoas que pretendam manter o seu nível de saúde. A Revista Pontos de Vista quis saber mais e conversou com Amílcar Ferraz, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Labialfarma, uma das marcas mais prestigiadas e reconhecidas deste setor, que nos deu a conhecer as mais-valias dos denominados Suplementos Alimentares e não só.

O

que é um suplemento alimentar? Por definição regulamentar, um suplemento alimentar é um género alimentício que se destina a complementar o regime alimentar normal e que constitui fonte concentrada de determinado nutriente ou outra substância com efeito nutricional ou fisiológico, estreme ou combinado, comercializado em forma doseada, ou seja, em formas de apresentação como cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílulas e outras formas semelhantes, saquetas de pó, ampolas de líquido, frascos com conta-gotas e outras formas similares de líquidos ou pós que se destinam a ser tomados em unidades medidas de quantidade reduzida.

Todos os Suplementos Alimentares que sigam as regras da EFSA, e que sejam produzidos em Laboratórios que cumpram as Boas Práticas de Fabrico, são seguros e de qualidade garantida

Quem tutela os Suplementos Alimentares? É a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) que tutela os Suplementos Alimentares e coordena um PCSA - Plano de Controlo de Suplementos Alimentares, tendo a ASAE funções de fiscalização da segurança dos géneros alimentícios. É proibida a comercialização de um Suplemento Alimentar que não cumpra o disposto na lei, ou seja, a autoridade competente pode exigir, a todo o tempo, ao fabricante ou ao importador a apresentação de trabalhos científicos e de dados que comprovem a conformidade do produto com as regras estabelecidas. Quando assim não acontece, a Autoridade manda retirar do mercado.


É proibida a comercialização de um Suplemento Alimentar que não cumpra o disposto na lei, ou seja, a autoridade competente pode exigir, a todo o tempo, ao fabricante ou ao importador a apresentação de trabalhos científicos e de dados que comprovem a conformidade do produto com as regras estabelecidas. Quando assim não acontece, a Autoridade manda retirar do mercado

Qual é o principal objetivo da EFSA? O objetivo primordial é a proteção da saúde pública e o reforço da confiança dos consumidores na cadeia alimentar europeia. A EFSA preocupa-se com a segurança de todos os géneros alimentícios, onde se incluem os Suplementos Alimentares. Contribui para a segurança da cadeia alimentar da UE, fornecendo aconselhamento científico, comunicando e estudando os riscos para o público e cooperando com os Estados-Membros e outras partes para oferecer um sistema coerente e confiável de segurança alimentar na UE. Através da utilização de todo o potencial de conhecimento científico de toda a Europa, a EFSA consegue reunir um vasto conhecimento

29 dezembro 2017

O que é a EFSA? A EFSA (European Food Safety Authority ) Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, é mundialmente reconhecida como o organismo europeu de referência para a avaliação dos riscos dos géneros alimentícios.


» Amílcar Ferraz, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Labialfarma, em grande entrevista O consumo de Suplementos Alimentares é realmente benéfico

que abrange a totalidade da cadeia alimentar. A EFSA verifica também a fundamentação científica para as declarações nutricionais, que podem afirmar ou sugerir que um alimento possui propriedades nutricionais benéficas particulares (exemplos: “baixa gordura”, “fonte de ácidos gordos ómega-3” ou “alta em fibra”) O trabalho da EFSA inclui o aconselhamento científico sobre alegações de saúde em alimentos, estando nestas incluídas as alegações de saúde aplicáveis aos géneros alimentícios que se apresentam sob a forma de Suplemento Alimentar.

pontos de vista

30

E o que é, então, uma alegação de saúde? Alegação de saúde é qualquer alegação que declare, sugira ou implique a existência de uma relação entre um género alimentício, ou um dos seus constituintes, e a saúde; Existem diferentes tipos de alegações de saúde autorizadas, com aplicação no crescimento, desenvolvimento e nas funções do organismo; nas funções psicológicas ou comportamentais; no emagrecimento; no controlo do peso; na redução do apetite; no aumento da sensação de saciedade ou na redução do valor energético do regime alimentar (Regulamento 432/2012). Exemplificando, alegações de que um Suplemento Alimentar pode ajudar a reforçar as defesas naturais do corpo ou a melhorar a capacidade de aprendizagem são chamadas de “função geral”. As alegações sobre a redução do risco de doença dizem respeito a substâncias que podem melhorar ou modificar as funções normais do corpo (por exemplo “Os esteróis vegetais demonstraram reduzir os níveis de colesterol, um fator de risco no desenvolvimento da doença cardíaca coronária” ou “o Cálcio pode ajudar a melhorar a densidade óssea”). As alegações de saúde devem ser baseadas e fundamentadas em provas científicas aceites. Cabe à EFSA a responsabilidade de verificar a fundamentação científica das afirmações apresentadas nas alegações dos Suplementos Alimentares. Todas as substâncias utilizadas nos Suplementos Alimentares são estudadas pela EFSA? Sim. Todos os possíveis ingredientes dos

O uso de suplementação alimentar/nutricional nos últimos 12 meses é reportado por 26,6% da população Portuguesa e é superior no sexo feminino e nos indivíduos adultos e idosos. O micronutriente mais ingerido pelos idosos é o cálcio e pelas crianças a vitamina D. Apenas 41,4% das mulheres grávidas reporta ter feito suplementação com ácido fólico antes de engravidar

Suplementos Alimentares, estão já estudados pela EFSA. O que a EFSA faz através dos seus Painéis e Redes de Peritos de todo o mundo, é emitir opiniões científicas para apoiar o processo. Até agora, a EFSA publicou algumas centenas de pareceres de aconselhamento científico para mais de 900 alegações de saúde. Todos os Suplementos Alimentares são então seguros e de qualidade? Todos os Suplemento Alimentar que sigam as regras da EFSA, e que sejam produzidos em Laboratórios que cumpram as Boas Práticas de Fabrico, são seguros e de qualidade garantida. Os Suplementos Alimentares substituem os medicamentos? Não se substituem, têm finalidades distintas. De certo modo, podemos afirmar que os Suplementos Alimentares são consumidos por pessoas que querem manter o seu nível de saúde, e medicamentos têm a ver com pessoas doentes que precisam de ser tratadas. De certo modo complementam-se para tornar as pessoas mais saudáveis. ▪

Desde há décadas que todos os países no mundo inteiro vão monitorizando as carências de nutrientes na sua população para poderem fundamentar medidas a adotar pelos governos para melhoria da saúde da população. Portugal não é exceção! O mais recente Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF) 2015-2016 teve como objetivo primário recolher informação de representatividade nacional e regional (dos três meses aos 84 anos de idade) sobre o consumo alimentar (incluindo a ingestão e suplementação nutricionais, segurança dos alimentos e a insegurança alimentar) e, também, sobre a atividade física (incluindo os comportamentos sedentários, as atividades desportivas/de lazer e as escolhas ativas na rotina diária) e a sua relação com determinantes em saúde, nomeadamente os socioeconómicos. Neste IAN-AF concluiu-se que os micronutrientes com maior proporção da população, e que estão a ser consumidos abaixo das necessidades médias, são o cálcio e o folato, com percentagens próximas dos 50% no sexo feminino, mas menos no sexo masculino. Os idosos são os que apresentam maiores percentagens abaixo das necessidades médias da população (54,6% para o cálcio e 58,6% para o folato). Para a vitamina A, a vitamina C e o ferro observaram-se percentagens abaixo das necessidades médias entre 15 e 30%. No grupo das grávidas, observou-se um decréscimo no consumo abaixo das necessidades médias de folato (15,5%) e de ferro (2,7%). O uso de suplementação alimentar/nutricional nos últimos 12 meses é reportado por 26,6% da população Portuguesa e é superior no sexo feminino e nos indivíduos adultos e idosos. O micronutriente mais ingerido pelos idosos é o cálcio e pelas crianças a vitamina D. Apenas 41,4% das mulheres grávidas reporta ter feito suplementação com ácido fólico antes de engravidar. Os Suplementos Alimentares são adjuvantes de um estilo de vida saudável. Promovem a homeostase para maior equilíbrio e mais longevidade com melhor qualidade de vida. A utilização de suplementos para fins nutricionais a fim de conseguir o aporte diário de todos os nutrientes nas quantidades recomendadas na Roda dos Alimentos, ou seja, ter o “prato ideal”, faz parte dos estudos sobre os hábitos alimentares das populações. O último realizado em Portugal (2014-2016) avaliou a prevalência de uso de suplementação alimentar/nutricional nos últimos 12 meses (último mês, no caso das crianças) e o tipo de suplementação mais frequentemente utilizada. A suplementação apresenta-se como uma solução benéfica para resolver situações de défice identificadas nas populações. ▪


» CENTRO DE MEDICINA LABORATORIAL GERMANO DE SOUSA

MEDICINA DE PRECISÃO: “QUANTO MAIS CONHECERMOS MELHOR DOMINAMOS A DOENÇA”

pontos de vista

32

GERMANO DE SOUSA

A medicina é parte fundamental da sua vida e todo o seu trabalho tem sido em prol da melhoria de vida das pessoas e do avanço da ciência. Apresentamos-lhe Germano de Sousa, médico, professor universitário, antigo bastonário da ordem dos médicos e fundador do renomado Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa. Fomos descobrir que trabalho tem sido desenvolvido pelo grupo laboratorial em torno da medicina de precisão e o que a distingue da medicina baseada na evidência, assim como quais são os seus princípios e que descobertas dela têm resultado.

E

m tempos, chegou a diretor de serviço dos Hospitais Civis de Lisboa, quando os hospitais que integravam aquele icónico grupo hospitalar ainda não se tinham separado. Era ainda muito jovem, com apenas 38 anos, algo quase único, uma vez que a idade “normal” para se alcançar tal cargo rondava os 50 e poucos anos. Por ter sido dirigente estudantil em Coimbra nos anos 60 a PIDE proibiu-lhe a entrada nos hospitais. O 25 de Abril de

1974 foi um dos dias mais felizes de toda a sua vida. No pós 25 de Abril o Sistema Nacional de Saúde era algo ainda pouco estruturado e com poucas condições. Neste início de conversa começámos por falar um pouco sobre a história do Sistema Nacional de Saúde e de que forma a vida de Germano de Sousa se encaixa na história da saúde portuguesa. Em Portugal, no início da década de 70, o sis-

tema de saúde português estava fragmentado, com grandes hospitais do Estado em Lisboa, Porto e Coimbra, uma rede  de hospitais das Misericórdias, postos médicos dos Serviços Médico Sociais da Previdência; Serviços de Saúde Pública, etc entre outros. A capacidade de financiar os serviços públicos da saúde era muito limitada e a despesa com a saúde era de 2,8% do PIB. Os médicos tentavam adaptar-se às limitações económicas no setor e à debilida-


de financeira das instituições públicas, algo que hoje é difícil de imaginar… A revolução do 25 de Abril de 1974 e a nova Constituição de 1976 mudaram Portugal profundamente – surgiram novas medidas políticas sociais – como a criação de um Serviço Nacional de Saúde, que na época tinha como principal objetivo dar uma resposta adequada às necessidades dos serviços de saúde. A nova constituição estabelecia que “todos têm direito à proteção da saúde” e que por isso surgia assim “a criação de um serviço nacional de saúde universal, geral e gratuito”. Germano de Sousa por esta altura estava já integrado na Ordem dos Médicos e fez parte de todo este processo. O trabalho da Ordem fez com que o Estado contratasse os médicos, que, por sua vez, aceitavam trabalhar a partir dos seus consultórios privados a preços reduzidos – as chamadas convenções – desta forma todos os utentes teriam acesso a cuidados de saúde gratuitos, pagos aos médicos convencionados os actos médicos praticados, a preços socialmente justos. “Foi assim que o SNS se aguentou durante os primeiros anos após o 25 de abril, baseou-se na convenção”, explica o médico. A evolução médica foi acontecendo naturalmente e, por volta de 2002, Germano de Sousa, que já tinha o seu laboratório privado, conta que começaram a aparecer grupos estrangeiros interessados em comprar laboratórios portugueses. “Dei por mim com a necessidade de perceber se me vendia ou se fazia frente àqueles gigantes”. Reuniu-se com os dois filhos, também ambos médicos, e juntos decidiram seguir em frente, apenas munidos de coragem. “Os primeiros tempos não foram nada fáceis! Mas conseguimo-nos aguentar e até há bem pouco tempo graças a um crescimento orgânico tornámo-nos um dos maiores grupos laboratoriais do país”. Orgulha-se e com todo o mérito, de o seu grupo laboratorial ser 100% português: é pertença exclusiva de médicos portugueses e apenas com capital português. Esta é portanto, uma casa portuguesa, com certeza!

MEDICINA DE PRECISÃO

Orgulha-se e com todo o mérito, de o seu grupo laboratorial ser 100% português: é pretença exclusiva de médicos portugueses e apenas com capital português.

33 dezembro 2017

100%

“Hoje, o meu laboratório está presente por quase todo o país, além disso, procurei que tivéssemos um número suficiente de médicos para prestar o apoio necessário, ou seja, mais do que serem especialistas naquilo que fazem, temos 24 médicos a trabalhar connosco que fazem também consultoria dos nossos colegas clínicos para discutir diagnósticos, casos clínicos…Isto permitiu-nos alcançar um nível de excelência único e conquistamos a confiança dos nossos parceiros. A história da minha vida foi sempre esta: quanto mais conhecermos melhor dominamos a doença. Esforcei-me sempre por estar na vanguarda daquilo que se faz na medicina, acredito que só assim é possível evoluir. Tive que acompanhar toda a recente revolução que houve na medicina”. Conta-nos Germano de Sousa sobre a revolução a que se refere: “Com a descodificação do genoma humano por volta de 2002/2003, começámos a perceber que cada vez mais haviam doenças que só tinham explicação a nível molecular e que, na realidade, cada pessoa tem as suas próprias características. Ou seja, cada pessoa precisa de ser estudada de forma individual”. O cancro é uma doença genómica, ou seja, originada pela alteração dos genes, em que


» CENTRO DE MEDICINA LABORATORIAL GERMANO DE SOUSA

Laboratório de Patologia Clínica

Preparação da sequenciação do DNA da Biópsia Líquida

pontos de vista

34

A história da minha vida foi sempre esta: quanto mais conhecermos melhor dominamos a doença. Esforcei-me sempre por estar na vanguarda daquilo que se faz na medicina, acredito que só assim é possível evoluir. Tive que acompanhar toda a recente revolução que houve na medicina

alterações no ADN das células do tumor causam a multiplicação desgovernada das células com comportamentos invasivos que originam a metastização, e resistências a fármacos que geram ineficácia do tratamento. Neste campo a medicina de precisão tem tido um papel de extrema relevância e de revelação uma vez que hoje se entende que um cancro de qualquer órgão, tem variados tipos com diversas alterações genómicas. Assim como cada pessoa é única, um cancro também o pode ser. O que a medicina de precisão ou personalizada se propõe a fazer é adequar a terapêutica a cada tipo de tumor de acordo com as alterações do seu ADN tumoral. “Hoje é possível estudar em cada tumor o seu tipo de alteração molecular, a qual condiciona algo mais: possibilidades terapêuticas, permitindo-nos ver e perceber as existências de mutações, de fusões… de modo a oferecer aos médicos e doentes respostas baseadas nas recomendações dos colégios internacionais e nacionais da especialidade quanto à terapêutica ideal para aquele tipo de tumor”, explica o médico. Até há pouco tempo, fazia-se quimioterapia para destruir as células cancerígenas, muitas vezes não havendo a capacidade para se fazer a diferenciação suficiente para determinar a que seria mais adequada a cada tipo de tumor e é isto que a medicina de precisão vem exatamente fazer: personalizar. Com isto, Germano de Sousa diz que podemos ir mais além, porém alerta que há ainda um longo caminho a percorrer e, sobretudo, há situações que são muito difíceis de resolver. “Estamos a dar os primeiros passos. Mas já existe algo que foi fundamental, e no qual fomos pioneiros em Portugal: o diagnóstico não invasivo por biópsia líquida”.

BIÓPSIA LÍQUIDA

As células dos tumores também morrem e por isso entram na corrente sanguínea sob a forma de ADN e esse ADN pode ser isolado no sangue circulante. Ou seja, numa colheita de sangue, normal, há agora a possibilidade de se fazer uma biópsia através de uma mera colheita de sangue. Na área da medi-

cina molecular este é um salto enorme, porque apesar de em biópsias ditas tradicionais as pessoas serem anestesiadas, o processo é invasivo e moroso. Além disso, a biópsia líquida tornou possível acompanhar a evolução do tumor de forma mais rápida e perceber se a terapêutica prescrita está a funcionar ou não. Apenas com uma amostra de sangue, e de forma menos invasiva, é possível fazer a identificação e análise de pequenos fragmentos de ADN libertados pelo tumor na corrente sanguínea, permitindo ao médico compreender que mutações genéticas estão na sua origem, definindo o tratamento mais adequado para o paciente. É a chamada “oncologia de precisão”, constata Germano de Sousa. Contudo, o médico continua sempre a ser “o decisor”, pois a análise, apenas “aponta o caminho”. Nos Laboratórios Germano de Sousa também fazem consultas de avaliação genética para o risco de cancro hereditário. Porém só são realizados testes genéticos para o despiste desse risco se tal for considerado necessário pelo especialista em genética clínica que faz a consulta de avaliação. “Apesar de estarmos a dar os primeiros passos, já são muito relevantes. Tem, por isso, sido uma evolução fora de série e inesperada. Há avanços grandes e muito significativos.” “Os médicos têm feito um esforço enorme para acompanharem a ciência que tem evoluído a largos passos, todos os dias tenho de ler artigos, tenho de ir a congressos, sinto-me na obrigação de estar constantemente a estudar porque só assim é possível acompanhar o processo de evolução. Todos os meses surgem coisas novas. Quer do ponto de vista profissional, quer do ponto de vista deontológico, é nossa obrigação mantermo-nos informados”. “Desenvolvidos por uma equipa de investigadores em bioinformática e genómica, agrupados na OPHIOMICS, uma empresa de investigação e desenvolvimento integrada no Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa, estes testes estão hoje disponíveis, exclusivamente, para todo o país, no laboratório de genética deste Centro, colocando-o na linha da frente dos avanços da medicina de qualquer país desenvolvido e de avançada tecnologia. Contudo, existe ainda um longo caminho a trilhar no que à implementação sistemática desta nova abordagem diz respeito, de modo a torná-la, a baixo custo, acessível a todos os doentes.”▪

O QUE NUNCA PODERÁ MUDAR? “Os princípios éticos não podem ser desrespeitados: a vida humana, que é sagrada, nunca fazer mal ao doente e o sigilo profissional, sempre. Isto define o que é ser médico e não pode jamais ser alterado”.


» SAÚDE É INOVAÇÃO, INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

CERNER PORTUGAL

PRESTAÇÃO DE SAÚDE COM QUALIDADE

JORGE SEQUEIRA

Há cerca de três anos a Cerner fez uma aquisição importante da unidade de negócios dedicada à área de consultoria e sistemas de informação da Siemens Healthcare, no sentido de ganhar uma maior presença a nível global. Jorge Sequeira, Diretor Geral da Cerner Portugal, fala-nos sobre a importância desta aquisição, bem como do impacto da transformação digital no setor da saúde.

C pontos de vista

36

om a aquisição da unidade de negócios dedicada à área de consultoria e sistemas de informação da Siemens Healthcare por parte da Cerner, Jorge Sequeira, sendo um colaborador da Siemens, foi convidado a assumir a direção geral e estabelecer a Cerner em Portugal. O objetivo passa por poder disponibilizar um portefólio maior às instituições prestadoras de cuidados de saúde. “A Cerner Corporation adquiriu a unidade de Health Services da Siemens criando uma escala única na indústria para suportar os clientes numa das eras mais dinâmicas em saúde. Tal como noutros setores a saúde será cada vez mais tecnológica. A rápida evolução e adoção tecnológica terá um impacto disruptivo na saúde em termos preventivos e preditivos no contexto do indivíduo e do meio (ambiente, estilo de vida, etc.) em que se encontra inserido e na (re)humanização da prestação de cuidados”, começa por nos explicar Jorge Sequeira. Para o nosso entrevistado o setor da saúde ainda está a sentir o impacto da transformação digital, pelo que ainda existem muitos desafios pela frente. Desafios que se prendem com a disponibilização da tecnologia e adopção por todos, num caminho de adaptação aos requisitos do setor da saúde. "Estamos perante algo algo complexo, principalmente quando pensamos nos desafios e vantagens da adopção da

cloud, big data e a internet das cosias no setor, mas revolucionarão a prestação de cuidados, integrando mecanismos e ferramentas que permitem agregar, bem como melhorar a gestão dos dados e da informação para criar mais conhecimento a favor da promoção de melhores decisões clínicas, da saúde e bem-estar das populações”, refere Jorge Sequeira.

INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

A Cerner, uma referência e líder a nível mundial na área dos sistemas de informação e consultoria em saúde, investe anualmente 650 milhões de dólares em investigação e desenvolvimento, numa colaboração forte com o meio académico de diferentes países. “Temos as nossas soluções presentes em milhares de unidades que prestam cuidados de saúde, em mais de 40 países, pelo que nos permite aprender sobre os diferentes sistemas de saúde dos diferentes países e os desafios que existem em cada um deles”, realça Jorge Sequeira. O nosso entrevistado explica que a incorporação da tecnologia pelos prestadores de cuidados de saúde aconteceu numa lógica de desmaterialização daquilo que era o processo clínico em papel. “Essa transição é algo que, a nível global, já aconteceu há mais de uma década e temos de assumir que já está no passado. Isto

faz-nos colocar a questão: será que as tecnologias só nos trazem esta desmaterialização. Julgo que não”, reforça Jorge Sequeira. A Cerner acredita que cada vez mais há uma componente de inteligência que temos de incorporar, permitindo otimizar e monitorizar o fluxo do paciente, antecipar situações críticas e permitir aos prestadores de saúde agir atempadamente, em áreas como a do controle de infeções hospitalares, entre outros exemplos que podem beneficiar da tecnologia. “A Cerner também acredita que, numa perspetiva da promoção da saúde e do bem-estar, não podemos ficar restritos às paredes dos hospitais. Temos de olhar para o cidadão fora deles, durante os 365 dias do ano. Temos de ter esta proximidade com a sociedade. Temos de promover a saúde de proximidade e a tecnologia está cá para nos ajudar”, diz-nos, ainda, Jorge Sequeira. Mas mais do que prestar cuidados de saúde é necessário promover hábitos de vida saudável. “Cada vez mais, no setor da saúde, a oferta tem de ser uma oferta holística, onde a medicina já não é apenas uma medicina de intervenção, mas também de prevenção e de acompanhamento. A Cerner aposta fortemente nesta vertente da promoção da saúde e bem-estar da população e tem estado na linha da frente de diferentes iniciativas relacionadas com esta promoção”, acrescenta o diretor geral da


de outra forma não estariam ao nosso alcance. É essa Inteligência Artificial que permitirá algoritmos complexos, capacidades preditivas e análises para fornecer dados de alta qualidade clinicamente relevantes em tempo real. O aumento da velocidade e escalabilidade através da nuvem (health cloud) e maior potencial da analítica e reconhecimento de padrões permitirão conjugar fatores sociais e ambientais (onde as pessoas vivem, aprendem, trabalham e atuam) que afetam uma ampla gama de riscos e resultados para a saúde – evitando que as pessoas adoeçam e otimizando os resultados quando estão doentes.

OBJETIVOS PARA 2018

650

milhões

A Cerner, uma referência e líder a nível mundial na área dos sistemas de informação e consultoria em saúde, investe anualmente 650 milhões de dólares em investigação e desenvolvimento, numa colaboração forte com o meio académico de diferentes países.

Para a Cerner o seu sucesso tem como base associados envolvidos e comprometidos. São eles que contribuem para um cliente cada vez mais satisfeito e consequentemente o investimento/re-investimento nos seus serviços e soluções. “Queremos continuar a ser uma One Star Best Company da Cerner Corporation, reconhecimento que atingimos o ano passado, fortalecer as parcerias existentes e promover a incubação de um ecossistema que permita a cuidadores, academia, e start-ups amplificar o poder de nossas plataformas abertas acelerando a inovação em cuidados de saúde”, adianta Jorge Sequeira, reforçando que gostaria que a Cerner fosse vista como uma empresa que contribui, claramente, para a melhoria da qualidade da prestação de cuidados de saúde, uma vez que um dos grandes desafios em saúde prende-se com a garantia da prestação de cuidados de saúde com qualidade. "Temos excelentes médicos, entidades e organizações, mas não podemos descurar a complexidade e os desafios que o setor enfrenta, pelo que podemos fazer muito mais ao colocar a tecnologia a favor do setor da saúde. Essas tecnologias estão cá, estão disponíveis. Cabe a nós, aos diferentes agentes deste setor, promover essa adoção”, afirma Jorge Sequeira. ▪ 37 dezembro 2017

Cerner. Quanto às parcerias, refere que é uma oportunidade para todos nós, portugueses, a sinergia que se pode promover entre entidades públicas e multinacionais líderes de mercado como a Cerner. Até porque a tecnologia evolve muito rapidamente, pelo que a capacidade de incorporar inovação obriga a um investimento significativo e uma escalabilidade que poucos players mundiais apresentam. Em Portugal a Cerner tem casos de sucesso de parceria com hospitais públicos e privados que quer fortalecer. Há entidades que reconhecem claramente que os sistemas de informação são um instrumento fundamental na prestação de cuidados de saúde e que por isso querem dispor das vantagens da larga experiência e inovação da Cerner em benefício dos utentes. “Algo talvez único no mercado, é o caminho que estamos a procurar fazer com o Cerner Open Developer Experience, promovendo a participação da academia, start-ups e até mesmo de entidades públicas e privadas prestadoras de cuidados no desenvolvimento aberto em cima das nossas plataformas abertas, possibilitando a colaboração inovadora e o desenvolvimento de aplicações que respondem a necessidades imediatas ou particulares. Todos contribuímos para acelerar a inovação e sua adoção”, avança Jorge Sequeira. Enquanto líderes mundiais em consultoria e sistemas de informação em saúde, a Cerner tem a tecnologia como grande aposta e as suas inovações são muitas. Desde a capacidade de orquestrar múltiplos sistemas complexos através da Internet das Coisas (IoT – Internet of Things) e Inteligência Artificial (AI – Artificial Intelligence) até novos avanços na interacção homem-máquina, mobilidade, aceleração da inovação em plataformas abertas, entre outras. Por exemplo, quando se pensa em bombas de infusão, sensores de glicose no sangue ou dispositivos de consumo portáteis, o próximo nível de inovação exigirá computação cognitiva para combinar dados de sistemas de múltiplas fontes e esboçar novas conceções e correlações que


» BTS – BLENDED TRAINING SYSTEMS

“A COMPETÊNCIA TÉCNICA Desenvolve-se, A ATITUDE NÃO” "Até pode ter um currículo extenso, repleto de experiências profissionais incríveis e corresponder à entidade que quer conquistar mas se não tiver o fator atitude, não é suficiente". Quem o afirma é Daniela Vieira e José Santos, Diretora de Operações e Sócio-Gerente, respetivamente, da BTS – Blended Training Systems.

JOSÉ SANTOS E DANIELA VIEIRA

pontos de vista

38

A

Blended Training Services é uma empresa que se dedica, há 14 anos, à formação personalizada a empresas. O objetivo? Simples, o crescimento das empresas dentro da sua medida. Para isso é importante respeitar alguns aspetos, tais como: qual a sua génese, a sua dimensão, que equipa têm, que objetivos, quais as suas capacidades, as suas fraquezas e as suas destrezas. A partir daí, a BTS traça um plano, de modo a que as empresas desenvolvam o seu potencial e assim cresçam.

A FORMAÇÃO COMO ESSÊNCIA

Com a intenção de serem líderes de pessoas e gestores de projetos, apostam no seu próprio desenvolvimento, porque, segundo José Santos, “não podemos ser uma empresa de formação sem apostar no nosso próprio desenvolvimento”. Prova disso mesmo é o facto do sócio- gerente acumular a função de internacional Certified Trainer da rede da Wilson Learning Worldwide, além de estar a desenvolver formação especializada em Negociação diretamente em Harvard, com ilustres Professores como o Sr. William Ury. “A única forma de sermos reconhecidos no mercado é continuarmos a trazer valor acres-

centado, quando isso deixar de acontecer a BTS deixa fazer sentido, por isso é que queremos continuar a aprender de forma continuada, apostando num treino continuado. Acreditamos no que dizemos, aplicamos o que vendemos e entregamos o que prometemos”, com isto a diretora de operações explica a filosofia de transparência e de rigor praticada na organização. Já Daniela Vieira, nos últimos dois anos tem apostado no desenvolvimento de competência na área da Avaliação de Impacto, sendo certificada internacionalmente na Metodologia de Kirkpatrick, e certificada em High Performance Learning Journeys por Brinkerhoff.

ELEARNING, PRESENCIAL, VÍDEO E WEBCAST

Independentemente do formato o importante para a BTS é atender às necessidades que o cliente apresenta. Com um forte networking internacional, trabalham em prol de tais necessidades dentro e fora do país. Dependendo do tipo de planos que tenham de conceber. “O elearning, contudo tem sido um dos formatos que mais têm estado na ordem do dia e a explicação é simples: a globalização. Hoje é possível aprender à distância e a partir de qualquer

A BTS apresenta-se como uma empresa que desenvolve produtos e soluções de formação, onde um cliente chega com determinadas necessidades e sai com um plano de aprendizagem traçado


lugar; numa altura em que tudo é «para ontem» este formato é extremamente útil por ser rápido; mesmo nas empresas quando entra alguém novo e que tem de fazer algum tipo de formação, o elearning é aliciante porque alia proatividade a tempo; é moldável e flexível, em termos de horários e disponibilidade de cada colaborador. A maneira como hoje se aprende é muito diferente entre gerações e é importante que se estabeleça um equilíbrio entre essas diferenças”, elucida a diretora de operações. “Todos os estudos indicam que há uma maior eficácia na relação custo-benefício quando as empresas adotam as metodologias elearning. Apesar disso, não somos defensores de que este método salvará as organizações. Há um processo de adequação que é necessário fazer. Tal adequação passa pelos meios, recursos e pela fase

do de Larry Wilson traduzidos nos nossos quatro valores fundamentais de atuação, consolidámos o nosso propósito com os quatro níveis de Avaliação da Formação de Kirkpatrick e aplicámos os quatro elementos de Brinkerhoff para criarmos verdadeiras learning journeys para as equipas dos nossos clientes. Custom4You reflete o nosso posicionamento inovador neste mercado.”

de crescimento em que a entidade se encontra. Tem de haver uma estratégia bem pensada e um rumo bem definido sobre a melhor metodologia a adotar. Cada caso é um caso e por isso a consultoria é fundamental neste tipo de questões”, reforça Daniela Vieira. “O elearning ganhou muita fama também porque é realmente uma ferramenta vantajosa face à concorrência, mas não produz mudança, mas sim informação e conhecimento. É preciso entender a diferença”, completa José Santos. Importante adicionar que o impacto da Inteligência Artificial apesar de muito falada nos dias de hoje, ainda é bastante “nublosa”. Não há dúvidas que nos próximos anos irá afetar este contexto da formação, e todas as áreas em geral. Irá certamente contribuir na forma como aprendemos e transmitimos competências, e a forma como delegamos a aprendizagem. Apesar da Inteligência Artificial já estar presente no elearning de várias formas, é importante considerar como se irá manifestar no futuro e compreender as suas implicações associadas. Importante não ficar para trás e começar a considerar a utilização da Inteligência Artificial a partir deste momento. Com a BTS, o garante neste campo é a de transversalidade de conteúdos e economia de recursos.

Não podemos ser uma empresa de formação sem apostar no nosso próprio desenvolvimento

sionalmente mesmo que não seja dentro da empresa”, explica Daniela Viera. “O erro existe e faz parte da aprendizagem, na BTS há espaço para que as pessoas errem”, completa José Santos A equipa é equilibrada, constituída por juniores, os quais usufruem de mais formação e oferecem ideias frescas e inovadoras, e os seniores, que nos presenteiam com o seu know-how, imprescindível. Aqui o fator crucial é a atitude e com isto os nossos interlocutores explicam que o importante não é ser o “melhor da turma” mas sim abraçar o lema da casa e envolver-se na empresa. A BTS apresenta-se como uma empresa que desenvolve produtos e soluções de formação, onde um cliente chega com determinadas necessidades e sai com um plano de aprendizagem traçado. ▪

39 dezembro 2017

“A formação por si só não é suficientemente poderosa, não é ela que traduz resultados. No fim do dia, é o que fazemos com ela, é a forma como pomos em prática todos os dias, é torná-la parte do nosso DNA que faz a diferença. Essa é a estratégia da BTS - Your Learning Service Provider no processo de trabalho que nos propomos realizar. Ao longo destes 14 anos mantemos o lega-

O PORTO

A decisão de expansão até ao norte, mais concretamente até à cidade invicta, é baseada em três fatores: proximidade com os clientes, prestar apoio mais imediato e incluir membros da equipa que já faziam parte da empresa mas que trabalhavam sem espaço físico. “Deste modo a BTS solidificou a presença que já havia conquistado no norte”, conta Daniela Vieira.

A EQUIPA

Reter talento e ser uma escola para os colaboradores é algo levado a sério na BTS. Tanto que, quando alguém sai e vai viver uma nova experiência profissional, para a administração isto é motivo de orgulho, uma vez que, “os colaboradores não nos pertencem, começam por gatinhar mas gostamos que aprendam a correr. Por isso ficamos felizes por vê-los realizados profis-

Benji Mascote da BTS

Sempre bem-disposto, Benji recebeu a equipa da Revista Pontos de Vista a saltitar. Entre brincadeiras e corridas, a Mascote da BTS revelou o bom ambiente que aqui se vive.


BREVES BREVES

CULTURA

Exposição de Serralves na residência do PM já teve quatro mil visitantes

NAÇÕES UNIDAS

Luìza Palma eleita Embaixadora da Boa Vontade pelas Nações Unidas

A exposição de obras de arte da coleção da portuense Fundação de Serralves na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, Lisboa, já teve “cerca de quatro mil visitantes”, segundo fonte do gabinete de António Costa. Em 5 de outubro, assinalando o dia da implantação da República, o também secretário-geral socialista inaugurou a iniciativa denominada “Arte em São Bento”, que deverá ter continuidade nos próximos anos com obras oriundas de fora de Lisboa. Neste caso, são 26 fotografias ou pinturas expostas que podem ser admiradas todos os domingos, de forma gratuita, entre as 10 e as 17 horas. A mostra vai terminar no próximo dia 17 de dezembro, último de dois domingos em que ainda será possível a visita.

Luìza Palma, uma mulher de causas, para além dos direitos das mulheres, também luta pela paz, pelos que mais precisam. Recentemente foi eleita Embaixadora da Paz pela Women Federations for Global Peace (WFGP), uma Organização não-governamental das Nações Unidas. Um motivo de orgulho é também o facto de ter sido nomeada Embaixadora Global da Boa Vontade pela Global Goodwill Ambassadors, sendo a única portuguesa a representar o país. Parabéns!

pontos de vista

40

COMPRAS

Acordo na UE permite controlo de emissões mais eficiente

Portugueses preparam-se para as compras de Natal

A Associação Europeia de Fabricantes Automóveis congratulou-se hoje com o acordo obtido para que os países da União Europeia tenham um sistema de controlo de emissões dos veículos mais “robusto e eficiente”, mas sem implicar excessos burocráticos. “O acordo alcançado ontem [quinta-feira] parece conseguir um equilíbrio entre o objetivo de fazer com que todo o sistema de homologação seja mais robusto e eficiente e a necessidade de evitar uma excessiva carga administrativa para os fabricantes”, refere um comunicado do presidente da associação, Erik Jonnaert. Quando for definitivamente aprovado, o consenso obtido entre os negociadores da Presidência do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu vai tornar mais exigentes as normas de controlo de emissões poluentes dos veículos, a partir de setembro de 2020. Este avanço surge como reação à fraude da Volkswagen que se tornou pública em 2015 e ficou conhecida como ‘Dieselgate’. Segundo o presidente da associação que representa os fabricantes de carros, o acordo vai trazer “certeza jurídica e clareza” que a indústria automóvel europeia necessita.

Os consumidores portugueses querem gastar mais e têm mais poder de compra para isso, mas ao mesmo tempo aumenta o número de pessoas que quer poupar dinheiro. A solução passa por oferecer prendas apenas a crianças e familiares mais próximos, revela o estudo Observador Cetelem. Em média, os portugueses pretendem gastar este Natal 252 euros. Deste montante, mais de metade destina-se a presentes: 134 euros. Regista-se assim um aumento face ao valor que os consumidores nacionais queriam gastar no ano passado no Natal e que se situava nos 211 euros. Mas apesar de a maioria dos inquiridos mostrar disponibilidade para abrir os cordões à bolsa, 30% querem poupar mais dinheiro. Um valor que representa mais cinco pontos percentuais do que no mesmo período do ano passado. A fórmula encontrada para se fazer essa poupança é simples: oferecer prendas apenas aos familiares mais próximos e a crianças, explicam 83% das pessoas que participaram neste inquérito.

FOTO: mónica fonseca

AMBIENTE

TURISMO

Há uma lacuna nos sites turísticos sobre o Porto A maioria das páginas da Internet das principais atrações turísticas do Porto, eleito Melhor Destino Turístico 2017, não têm a informação sobre acessibilidade prevista pela lei da União Europeia, conclui um estudo da Universidade do Porto. Num estudo sobre turismo acessível da Universidade do Porto, a que a Lusa hoje teve acesso, é revelado que entre os 20 principais locais turísticos analisados, Torre dos Clérigos, Museu de Serralves, Casa da Música e Casa do Infante recebem nota “mínima” informativa, sendo “inexistente”nos restantes. Em causa estão as informações vertidas nos ‘websites’ oficiais dos locais, bem como nas páginas Balcão Virtual, Visit Porto, Porto. e SIA- Sistema de Itinerários Acessíveis, estes três últimos da responsabilidade da Câmara do Porto. A informação nestes ‘sites’ sobre acessibilidade é “inexistente” nos casos da Ponte Luiz I, Ribeira, Parque da Cidade, Estádio do Dragão, Museu do Futebol Clube do Porto, Palácio da Bolsa, Sé Catedral do Porto, Funicular dos Guindais, Jardins do Palácio de Cristal, Livraria Lello, Igreja São Francisco, Rua Santa Catarina, Mercado Bom Sucesso, Praça da Liberdade, Capela das Almas, Igreja do Carmo.


PONTOS DE VISTA NO FEMININO «

HOME DREAM

ENCONTRE A CASA DOS SEUS SONHOS Rita Nunes é Consultora Imobiliária e Team Leader da Home Dream da Keller Williams Select. Em entrevista à Revista Pontos de Vista fala-nos sobre o seu percurso e o que a motiva, bem como nos revela o que considera ser para si um bom líder e os valores necessários para uma boa gestão de pessoas.

RITA NUNES

F

ormada em controlo de gestão e em contabilidade e administração, Rita Nunes conta já com um vasto percurso profissional e traz consigo uma bagagem cheia de experiência de diversos setores de atividade. Desde a consultoria, passando pela televisão, indústria automóvel, farmacêutica, até ao futebol, a nossa entrevistada não tem medo da mudança e afirma não gostar da rotina. Ativa, apaixonada e motivada, Rita Nunes pensa ter encontrado, finalmente, onde se sente bem e onde pretende continuar enquanto Consultora Imobiliária da Keller Williams Select. Se é por aqui que vai ficar? Ainda não sabe. Mas de uma coisa tem a certeza: gosta de realizar os sonhos de pessoas ao encontrar uma casa que seja um bom investimento para elas. E, na Keller Williams Select, mais do que angariar e vender imóveis, criam laços com os seus clientes, garante. “Saber que fiz a diferença na vida de uma família ao ajudá-la a encontrar um bom negócio e uma casa adaptada às suas necessidades é o que mais me motiva”, afirma.

O CAMINHO ATÉ À CONSULTORIA EM INVESTIMENTOS E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA

Mãe de dois filhos, explica que, em certo momento, sentiu que precisava de uma situação profissional que lhe permitisse dispor de mais tempo para a família. No entanto, isso não a impediu de ser a mulher empreendedora, líder e proactiva que é. Começou a trabalhar na empresa do seu pai, uma empresa de consultoria informática, com apenas 15 anos, para não lhe pedir uma mesada. A conquista pela sua independência começa aqui. Mais tarde formou-se em contabilidade e gestão, mas o seu sonho sempre foi a arquitetura, o que acabou por alcançar, de certa maneira, enquanto consultora imobiliária e lidar diariamente com casas. Depois de se formar trabalhou durante 13 anos na Arthur Andersen/Deloitte o que lhe possibilitou adquirir a experiência que hoje tem, por ter passado por diversas áreas dentro da empresa. “Foi uma ótima escola e deu-me as bases necessárias para seguir esta

área da consultoria”, garante Rita Nunes. Depois de 13 anos sentiu que chegara o momento de mudar e aceitou a proposta de assumir o cargo de Diretora Financeira numa produtora de televisão. Mais tarde ajuda a criar uma sociedade de advogados e ainda uma escola de futebol. Finalmente, surge a Remax e, posteriormente, a Keller Williams. Por curiosidade, e a convite de um amigo, decide experimentar este ramo. Na primeira visita consegue vender a sua primeira casa. “Foi uma sensação ótima”, relembra a nossa entrevistada. “Quando enviamos propostas de imóveis aos clientes não estamos

41 dezembro 2017

Mas de uma coisa tem a certeza: gosta de realizar os sonhos de pessoas ao encontrar uma casa que seja um bom investimento para elas. E, na Keller Williams Select, mais do que angariar e vender imóveis, criam laços com os seus clientes

só a vender as paredes, pois estas pintam-se e alteram-se. Temos de analisar, a priori se, de facto, é um bom investimento. Depois, para além da mediação, temos de acompanhar todo o processo com o nosso cliente para este se sentir seguro”, refere Rita Nunes. Habituada a gerir pessoas e a lidar com equipas polivalentes desde a Deloitte, Rita Nunes tem hoje a sua própria equipa multidisciplinar, a Home Dream da Keller Williams Select. Quando questionada sobre que valores são precisos ter em conta quando se trata de gerir um negócio, Rita Nunes explica que a confiança e a proximidade são importantes. É preciso criar uma relação de confiança e de acompanhamento para com o cliente. Quanto à liderança, a nossa entrevistada não tem dúvidas: “para se ser um bom líder, a motivação e a comunicação são muito importantes. Há que envolver a equipa no cumprimento dos objetivos". Rita Nunes lembra-se também que o que mais gostava nos seus líderes era de poder aprender com eles e hoje é exatamente isso que tenta fazer, ensinar e passar conhecimento à sua equipa. Mas nem sempre o seu caminho foi fácil. Rita Nunes sabe que, pelo facto de ser mulher, teve mais dificuldades em “impor-se” no mundo de negócios, liderar equipas e ser uma líder no meio de homens. No entanto, os obstáculos não a impediram de conseguir afirmar-se profissionalmente e de ir construindo o seu percurso de forma a poder alcançar o que a realiza verdadeiramente. ▪


» MARIA JOÃO FIGUEIREDO

Maria João Figueiredo tem um longo percurso profissional, não só pelo tempo, mas essencialmente pela diversidade de projetos e experiências que ao longo desse período concretizou, bem como pela vontade de superar constantemente novos desafios. Desafio! Diz ser esta, uma das palavras de ordem e algo que a move para novos horizontes. Atualmente, o seu desafio é administrar a In2Action Consulting & Corporate Events. Conheça o percurso desta empreendedora detentora de uma visão futurista sobre o mundo organizacional.

MARIA JOÃO FIGUEIREDO

pontos de vista

42

É

apaixonada por pessoas, pela capacidade que estas têm de se desenvolver e de se superar, quando querem. Diz ser este um dos aspetos que mais gosta no seu trabalho. Está ligada a inúmeros projetos de gestão de mudança nas organizações, programas de desenvolvimento e produção de eventos corporate que proporcionam experiências únicas, alinhados à estratégia de Negócio e aos desafios de gestão de Pessoas. Nos eventos que organiza, dá grande destaque ao alinhamento de mensagens e à criação de conceitos para alavancar os objetivos de Negócio definidos com os seus interlocutores, geralmente CEO’s e gestão de topo de grandes organizações. Trabalha projetos “chave na mão”, garantindo todos os detalhes logísticos associados a grandes eventos, mas é na competência estratégica e de definição das mensagens chave que Maria João Figueiredo se destaca. A seu cargo fica o pensamento estratégico de como alcançar os objetivos do Cliente, na procura das melhores soluções e na adequação aos diferentes universos de participantes/ audiências. No fundo, quer seja num projeto de transformação, num evento Corporate ou num

programa de desenvolvimento, o seu foco é criar uma experiência diferenciadora que atinja os objetivos inicialmente definidos com o Cliente e que provoque emoções positivas aos seus participantes. Estas são algumas das razões pelas quais os empresários recorrem à nossa entrevistada.

Business and People In2Action

Negócio e Pessoas fazem parte do mesmo ecossistema, complementam-se, e é com esta premissa que a empresária leva a cabo cada projeto da In2Action. “Conhecer o Negócio do Cliente, compreender o setor de atividade, os desafios atuais e as tendências de mercado é vital para garantirmos resultados sustentáveis em todos os projetos. Compreender as questões geracionais dos seus colaboradores, a cultura organizacional, os estilos de liderança e ter a capacidade de adequar mensagens a grupos alvo para facilitar a eficácia da comunicação, nomeadamente em processos de mudança, pois a palavra “mudança” por si só gera resistência e temos que conseguir despertar a vontade individual de fazer dife-

rente, de mudar, para obter novos e melhores resultados... e aí sim, inicia-se um novo ciclo. Como dizia Pessoa “Primeiro estranha-se, depois entranha-se". Maria João Figueiredo alia às técnicas e ferramentas de Coaching a PNL (programação neurolinguística) para despertar consciências e acelerar resultados. Nas primeiras interações com Clientes, é dada prioridade ao diagnóstico (estado atual), que permite compreender o contexto e os desafios de cada Cliente. De igual forma, é detalhado o estado desejado, ou seja, os objetivos pretendidos e mensagens determinantes a passar. A partir daí, experiência e criatividade trabalham lado a lado para desenhar, à medida, as melhores soluções para cada Cliente. “A In2Action é uma “Boutique de Alta Costura” que desenha cada projeto como único, com a mais-valia de 20 anos de experiência acumulada”, diz a nossa entrevistada. Um dos projetos mais recentes da empresária, é um programa de desenvolvimento para uma empresa no setor das TI, com a duração de um ano, que tem como principal objetivo desenvolver competências e promover a adoção de novos comportamentos definidos como críti-


Da Consultoria à Portugal Telecom (PT)... à In2Action

Nascida profissionalmente numa das antigas “Big 5” de consultoria de gestão, a Deloitte & Touche, e com uma licenciatura em Gestão de Recursos Humanos, Maria João foi reforçando a convicção de que a gestão de Pessoas, a estratégia de Pessoas nas organizações só faz sentido e só tem retorno efetivo quando alinhada com o Negócio, ou seja, quando as diversas iniciativas de Pessoas, o seu propósito, os resultados esperados e impacto destas no Negócio estão em sintonia. Iniciou a sua carreira em finais dos anos 90 e a passagem pela consultoria de gestão deu-lhe a base analítica e capacidade de diagnóstico que foi apurando ao longo do seu percurso. Passou pela organização de grandes eventos numa empresa fora de Lisboa e em parceria com uma Câmara Municipal. Aqui desenvolveu e aplicou competências de marketing, comunicação, media & public relations, planeamento e organização de eventos e gestão de patrocínios. “Foi durante este período que realizei o gosto e competência para as áreas de marketing e comunicação e foi a partir daqui que comecei a aplicar em projetos de Recursos Humanos as estratégias e conhecimentos destas áreas. Curiosamente, quando fui convidada para integrar a PT, um dos meus primeiros desafios foi a reestruturação do programa (e da marca) “Trainees PT”, passando por uma atualização dos conteúdos de integração dos novos estagiários, pelo seu programa de acolhimento e pela criação de uma nova imagem para ser comunicada no mercado. Este foi um projeto marcante e que me permitiu trabalhar desde logo com Pessoas singulares na empresa e no mercado Português". O facto de ser mulher nunca a impediu

não vejo as mulheres como “elo mais fraco” numa organização, bem pelo contrario no que diz respeito a multitask ou a competências reconhecidas como as competências do futuro, de acordo com alguns estudos recentes. O que vejo por vezes são mulheres menos seguras e que permitem que as tratem de forma menor ou que se desresponsabilizam pela dita “igualdade de géneros

de chegar onde quer que fosse no mundo empresarial, assunto sobre o qual tem uma forte opinião: “não vejo as mulheres como “elo mais fraco” numa organização, bem pelo contrário no que diz respeito a multitask ou a competências reconhecidas como as competências do futuro, de acordo com alguns estudos recentes. O que vejo por vezes são mulheres menos seguras e que permitem que as tratem de forma menor ou que se desresponsabilizam pela dita “igualdade de géneros”. Nos dias de hoje, e por regra, Homens e Mulheres assumem, ou podem assumir, os mesmos cargos e responsabilidades, coisa que há 15/20 anos era menos frequente.” Menos de um ano de PT e foi convidada a aceitar um novo desafio, a área de Desenvolvimento Humano, onde para além de manter o Recrutamento, passa também a acumular a função de Formação & Desenvolvimento e a gestão do programa de saídas da empresa. Mais tarde, por volta de 2008, um novo desafio: criar e implementar a função de HR Business Partner. “Foi dos desafios que maior realização me trouxe, pois de facto estávamos a adaptar as estratégias e iniciativas de RH com os desafios do Negócio, numa altura singular das Telco’s em que se preparavam as Equipas para a fibra ótica e se vivia um dos maiores processos de mudança e transformação do setor” refere. “Os nove anos de PT foram de uma riqueza enorme pelas Equipas fantásticas com quem trabalhei, pela diversidade de projetos implementados, sua magnitude, abrangência e impacto“. Novos desafios no horizonte. Integra a Novabase em 2013 atrás de um desafio de mudança e de transformação da Cultura Organizacional. Uma nova realidade, uma nova experiência e novos desafios. E três anos depois surge o maior dos desafios: Criar a In2Action: Engaging People & Business.

+ Desafios, sempre!

mjf@in2action.pt

Como não poderia deixar de ser, Maria João Figueiredo já está a preparar novos desafios para 2018! Entre eles, poderá estar o lançamento do seu primeiro livro que, sem muito revelar, deixou passar que abordará as matérias que a apaixonam e comportamentos de liderança. E nesta matéria, da Liderança e dos exemplos de líderes que tem observado, refere: “Tive o privilégio de trabalhar com líderes de referência, daqueles que dão o exemplo, que inspiram e mobilizam as suas Equipas, que nos fazem chegar mais longe e que são coerentes nas suas ações. E também conheci o oposto, aqueles a quem gosto de chamar o “líder hipócrita”, aquele que tem muita teoria e pouca prática, o apologista do “faz o que eu te digo e não faças o que eu faço”. E nestas matérias, da Liderança, residem também alguns dos desafios que quero abraçar num futuro próximo”. ▪

43 dezembro 2017

cos para a população alvo adquirir uma atitude de “Consultor de IT”. Este projeto foi desenhado de raíz com o Cliente e a sua implementação é assegurada conjuntamente com um dos parceiros In2Action na área de treino em “Communication to Influence”. Maria João Figueiredo valoriza muito as parcerias e refere que a seleção dos melhores parceiros para tornar única a experiencia e resultados dos projetos é um dos fatores críticos de sucesso na In2Action. “Trabalhar em co-criação com os melhores nas suas áreas de expertise permite-nos ter uma oferta única e totalmente ajustada a cada Cliente”. No que diz respeito à sua opinião sobre a competência de comunicação, a nossa entrevistada acredita que, apesar de existirem líderes e Pessoas em geral com uma maior capacidade de comunicar, qualquer um, querendo (e reforça a questão da vontade e determinação individual), pode aprender, treinar e desenvolver a sua capacidade de comunicação. Como diz João Garcia, o alpinista Português “Treina, que isso passa”. “Esta máxima aplica-se a quase tudo na vida”, refere Maria João Figueiredo.


» LUÌZA PALMA EM ENTReVISTA

pontos de vista

44

LUÌZA PALMA


“A MULHER É O MECANISMO ACELERADOR PARA O CRESCIMENTO ECONÓMICO DE UM PAÍS” Luìza Palma. Uma mulher de causas, uma mulher humana e que transmite compaixão só com o olhar. Uma mulher que pretende revolucionar o mundo empresarial e que, como a própria afirma, pretende deixar a sua marca. Quer contribuir para um mundo igualitário e justo. Tem um propósito: quer que a geração seguinte, a geração das suas próprias filhas, trabalhem com as mesmas condições e tenham os mesmo direitos do que os homem.

COMO TUDO COMEÇOU

Em janeiro, dia 31, dia Mundial do Leproso, Luìza Palma foi convidada como oradora para uma conferência em Londres. “Levei o tema das ciências comigo intitulado de “Forgotten People”, isto porque há um novo surto da lepra, mas poucos sabem. Esta doença continua a ter um estigma enorme na nossa sociedade. Em pleno século XXI não podemos permitir que tenhamos, de novo, sobretudo crianças e mulheres a morrerem por causa da lepra. Neste momento, temos 250 mil casos a surgir, por ano”, lamenta a nossa entrevistada. Foi nesta conferência que começou a sua jornada na All Ladies League (ALL) e a sua missão de divulgar o Women Economic Forum, uma ferramenta regional que a ALL All Ladies League utiliza para prover localmente o debate sobre o tema equidade e paridade do género. Devido ao seu discurso em Londres sobre a lepra, a fundadora da ALL, presente na conferência, convidou Luìza Palma para assumir o cargo de Chairperson da All Ladies League e divulgar o Women Economic Forum em Portugal.

O WOMEN ECONOMIC FORUM EM PORTUGAL

O Women Economic Forum teve lugar no passado mês de outubro, no Hotel Estoril Palace. Sob o tema “A mulher na Ciência, Inovação e Criatividade Intelectual”, o Women Economic Forum pretendeu ser um encontro global sobre liderança, proporcionando às mulheres capacidades para expandir as suas oportunidades de negócios e aumentar a sua influência global. O evento trouxe a Portugal a presença de oradores influentes dos quatro cantos do mundo, desde o Médio Oriente passando pela Europa de Leste, Filipinas, Índia e Espanha. ▪

UM MODELO REVOLUCIONÁRIO Foi num ambiente descontraído e acolhedor, ao qual Luìza Palma apelida de lar, o Grémio Literário em Lisboa, que a nossa entrevistada nos falou sobre o modelo económico que apresentou ao Banco Mundial. Um modelo que, se for aplicado pelas empresas, poderá fazer crescer a economia e travar as disparidades, preenchendo a defesa dos direitos das mulheres. Sob o ponto de vista social, as empresas só têm a lucrar com a aplicação deste modelo. É como que um “selo de qualidade” que tornará a empresa mais atrativa por cumprir os critérios da igualdade de género. “Apresentarei um cenário do antes e do depois da aplicação deste modelo económico por parte das empresas portuguesas. No fundo, trata-se de aplicar boas práticas de governação e de transparência, sobretudo, no que diz respeito aos direitos das mulheres e à igualdade de género. Tenho três filhas e quero que elas saibam que a mãe delas está a lutar para que tenham as mesmas condições de trabalho, as mesmas oportunidades de trabalho e a mesma oportunidade de ascensão profissional”, conclui a nossa entrevistada.

GPL – GENDER PARITY LABEL Luìza Palma é mentora e criadora do revolucionário modelo económico Gender Parity Label – Rating Core under Human Rights and Planet Protection Policies. O GPL permitirá, perante a disponibilização de dados concretos sobre a remuneração e carreira profissional de cada trabalhador, aferir se, de facto, uma dada sociedade apresenta critérios de paridade no tratamento entre homens e mulheres que assegurem um tratamento justo e com igualdade de oportunidades.

LUÌZA PALMA

45

REPRESENTAR PORTUGAL E OS PORTUGUESES Luìza Palma não para de nos surpreender e não vai baixar os braços nesta luta pela igualdade do género, mas também na sua luta pela paz, pela solidariedade e pelas causas. Hoje já é European Chair for Gender Parity e foi eleita Embaixadora da Paz pela Women Federations for Global Peace (WFGP), uma Organização não-governamental das Nações Unidas. Um motivo de orgulho é também o facto de ter sido nomeada Embaixadora Global da Boa Vontade pela Global Goodwill Ambassadors, sendo a única portuguesa a representar o país. Parabéns!

dezembro 2017

N

ão sou feminista”, afirma Luìza Palma. “Luto pela paridade, luto pela igualdade de género. É inadmissível que hoje as mulheres ainda tenham de se esforçar mais para verem o seu trabalho reconhecido e que ganhem menos do que os seus pares pelo facto de serem mulheres. Não posso permitir isto”, ressalta. Luìza Palma é líder em Portugal da All Ladies League (ALL), uma organização internacional criada em 2011 e com presença em 150 países que promove e luta pela igualdade de género. É um movimento que pretende dar voz às mulheres.


» ActionCOACH Portugal

Os Prémios das PME's regressam a Portugal

Após o sucesso das edições anteriores, os Business Excellence Forum & Awards (BEFA) regressam a Lisboa nos dias 19 e 20 de Março 2018. Esta quinta edição do evento, organizado pela ActionCOACH Portugal, contará novamente com a presença do guru do Coaching, Brad Sugars, num painel composto por oradores internacionais de renome.

pontos de vista

46

E

specialmente direcionado para as PME's, os Business Excellence Forum & Awards têm como objetivo ajudar os empresários das PME's a fazer crescer as suas empresas. Procura também celebrar e reconhecer os feitos, realizações e contribuições dos empresários. Nos BEFA também há a componente de workshop para formar, educar e treinar empresários, as suas equipas, fornecedores e clientes em estratégias eficazes para os participantes. Ao contrário do ano passado, em que o evento se restringiu ao território português, para 2018 a organização expandiu o seu público para a região EMEA, aumentando assim a notoriedade e magnitude do evento. Para os participantes, esta é uma oportunidade de aumentar o know-how de gestão com empresários e especialistas, de modo a potenciar uma melhor rentabilização dos negócios. Os BEFA contam com um painel de oradores reconhecidos internacionalmente sobre aumento de vendas, melhor gestão de tesouraria e rentabilidade, mas também sobre liderança, gestão de equipas, sistematização do negócio e o desenho de modelos de negócio

que garantam o sucesso. No painel de oradores, o evento conta com oradores de renome internacional como é o caso de Travis Bell (The Bucketlist Guy), reconhecido mundialmente pela sua habilidade única de levar as pessoas de onde estão agora, até onde elas querem estar. O evento conta ainda com a presença de Peter Boolkah e Tom Palcewicz, com larga experiência a nível empresarial e especialistas em gestão de pequenas e médias empresas. Além da vertente workshop, realizar-se-á uma noite de gala com entrega de prémios de diferentes categorias que visam reconhecer o que de melhor se fez nas empresas da região EMEA. “Distinguimos o que de melhor se faz no mundo empresarial e damos instrumentos para negócios de sucesso. Em 2018 queremos voltar a fazê-lo, com oradores de renome internacional que irão proporcionar-nos momentos de grande aprendizagem”, afirma Ken Gielen, CEO da ActionCOACH Portugal. Para participar nos BEFA 2018 e candidatar-se aos prémios, basta aceder ao site www.befa.pt e proceder à respetiva inscrição. ▪

Excelente iniciativa, excelente organização, excelente conteúdo. Muitos parabéns! Tenho a certeza de que será um evento de referência no mundo empresarial nos próximos anos Sidónia Faustino KITSEC


» GOLDEN VISA

VISTOS GOLD: SÃO SUFICIEN

INVESTIMENTO ESTRANGEIRO? Felipe Osório e Gustavo Tramujas, Advogados da Hofstaetter Tramujas & Castelo Branco Advogados Associados, explicam o que muda com as novas regras para a concessão do Golden Visa em Portugal, sendo que as expectativas são bastante positivas. No entanto, não deixam de referir a existência de entraves que dificultam uma maior captação de investimento estrangeiro através dos Vistos Gold.

H

ofstaetter Tramujas & Castelo Branco Advogados Associados é uma sociedade entre os advogados Gustavo Hofstaetter Tramujas e Felipe Hingel Castelo Branco Osório. Para elucidar o nosso leitor, qual tem sido a posição desta sociedade de advogados no mercado? Exatamente, sócios estes que se conheceram em 2007 num mestrado em Direito Internacional ministrado na Universidade de Lisboa. Na realidade, é importante destacar que se trata de uma sociedade brasileira de advogados, a qual, entretanto, teve como berço Portugal. Desde o início focámo-nos no Direito Internacional e, mais especificamente, nas relações bilaterais entre Brasil e Portugal. Naquela ocasião percebemos que apesar das históricas e umbilicais relações entre ambos os países, existia muito espaço para atuar em alguns ramos do Direito Internacional. Felizmente conseguimos concretizar os nossos planos e, atualmente, numa época em que o número de brasileiros a residir em Portugal tem vindo a aumentar substancialmente, estamos devidamente preparados para lidar com esta demanda de forma bastante eficaz.

pontos de vista

48

Com áreas de atuação bastante impactantes, o que diferencia a Hofstaetter Tramujas & Castelo Branco Advogados Associados das demais sociedades? A atuação profissional dos sócios durante quase uma década, tanto no Brasil como em Portugal, tem vindo a demonstrar um amplo conhecimento teórico e prático das áreas em que atuam, e outros fatores que entendemos relevantes como, por exemplo, o respeito pelas regras deontológicas da nossa profissão e pelo princípio da transparência nas relações com os clientes, o treinamento constante dos nossos advogados e demais colaboradores e, nos últimos cinco anos, investimentos consideráveis na área de tecnologia da informação, pois num mundo cada vez mais globalizado e dinâmico, uma sociedade que não zela pela sistematização das rotinas está destinada ao fracasso. Uma das áreas de atuação da sociedade, e com forte incidência, diz respeito ao Golden Visa. O que têm representado os vistos Gold para Portugal? Inicialmente importa destacar que na realidade se trata de uma autorização de residência para investimento, cujos trâmites, diferentemente dos vistos que devem ser obtidos através dos consulados, inicia-se diretamente em Portugal. Mas

GUSTAVO TRAMUJAS

As novas regras criaram novas modalidades de investimento, tanto na área do investimento imobiliário quanto na de transferência de capitais, reduzindo os respetivos montantes caso os investimentos fossem canalizados para áreas específicas

o facto é que a ARI representa um instrumento eficaz na atração do investimento estrangeiro, de carácter não especulativo. Favorece, portanto, o desenvolvimento de diversos setores da economia, em especial o imobiliário, construção civil e serviços. Desde a sua introdução que análise é possível ser feita sobre os pedidos de vistos para Portugal? O programa começou de forma tímida em 2012 e deu um salto nos anos de 2013 e, principalmente 2014, ano em que o número de concessões ultrapassou os 1500. Em 2015 perdeu força, principalmente devido aos escândalos que envolveram funcionários pertencentes ao mais alto escalão do SEF e do IRN, resultando numa redução de 50%


NTES PARA ATRAIR Felizmente conseguimos concretizar os nossos planos e, atualmente, numa época em que o número de brasileiros a residir em Portugal tem vindo a aumentar substancialmente, estamos devidamente preparados para lidar com esta demanda de forma bastante eficaz

dade comercial com sede em território nacional, já constituída, com a criação ou manutenção de postos de trabalho, com um mínimo de cinco permanentes, e por um período mínimo de três anos. Quem é que irá beneficiar mais com estas novas regras? As novas regras tendem a beneficiar as pequenas e médias empresas nos mais variados setores da economia, bem como o setor de serviços, a área cultural (aí englobados a produção artística e a recuperação e manutenção do património cultural); a área da investigação científica (tão carente de investimentos em Portugal apesar da excelência das universidades e excecional qualificação dos pesquisadores) e, ainda, o interior do país, já que existem benefícios para investimento em regiões de baixa densidade demográfica.

no número de autorizações concedidas. No ano passado, e no atual, o programa tem demonstrado recuperação, a qual certamente seria bem mais relevante caso a tramitação dos pedidos fosse mais célere. Entraram em vigor as novas regras para a concessão do Golden Visa em Portugal. O que muda? Exatamente, nos últimos anos os governos têm vindo a promover alterações no programa dos Vistos Gold, objetivando oferecer novas possibilidades de investimento e, consequentemente, atrair investidores interessados noutros segmentos além do imobiliário. Recentemente, em 2015, foram criaram novas modalidades de investimento, visando fortalecer o programa, tanto na área do imobiliário quanto na transferência de capitais, reduzindo os respetivos montantes caso os investimentos sejam canalizados em áreas específicas. Passaram a englobar o investimento em imóveis para reabilitação urbana, reduzindo o montante a ser investido para 350 mil;

Reduziram o montante exigido para a transferência de capitais para 350 mil euros, em caso de aplicação em atividades de investigação científica; Reduziram o montante exigido para a transferência de capitais para um mínimo de 250 mil euros, em caso de investimento ou apoio à produção artística, recuperação ou manutenção do património cultural nacional; Reduziram o montante exigido a título de transferência de capitais a um mínimo de 500 mil euros, caso estes sejam destinados à aquisição de unidades de participação em fundos de investimento ou de capital de risco vocacionados para a capitalização de pequenas e médias empresas que, para esse efeito, apresentem o respetivo plano de capitalização e o mesmo se demonstre viável. Mais recentemente, já no decorrer do presente ano, passaram a prever a transferência de capitais no montante igual ou superior a 350 mil, destinados à constituição de uma sociedade comercial com sede em território nacional, conjugada com a criação de cinco postos de trabalho permanentes, ou para reforço de capital social de uma socie-

Quais são as expectativas? Será suficiente para Portugal continuar com uma forte captação de investimento estrangeiro? As expectativas são positivas, mas as autorizações de residência para investimento não devem ser encaradas como única solução. Ademais, ainda existem entraves que dificultam uma maior captação de investimento estrangeiro através do Golden Visa. É importante que os agendamentos e demais trâmites sejam simplificados, pois ainda se observa muita demora injustificada na obtenção da autorização de residência. Superados tais obstáculos de ordem burocrática espera-se um aumento na procura, o que beneficiará ainda mais a economia. No que respeita aos cidadãos brasileiros, é oportuno destacar que a partir de 2016, para além do Golden Visa, nota-se um aumento exponencial na busca pelos vistos destinados aos aposentados, micro e pequenos empreendedores, bem como para aqueles que demonstrem possuir rendimentos próprios para aqui viver. São alternativas ao visto gold que igualmente trazem investimentos para o país. ▪

49 dezembro 2017

Felipe Osório


» GOLDEN VISA

GOLDEN VISA: O QUE MUDA? Eva Garcia, Advogada e Administradora da MRA – Miguel Reis & Associados - Sociedade de Advogados RL e Joana Nunes, Advogada e Sócia da MRA, falam, em entrevista, sobre as novas regras para a concessão do Golden Visa em Portugal, quem beneficia com as mesmas e sobre as expectativas.

A

pontos de vista

50

MRA - Miguel Reis & Associados - Sociedade de Advogados é uma sociedade de advogados fundada já em 1992. Para começar a nossa conversa, como pode ser descrito o vosso percurso? O Dr. Miguel Reis, sócio fundador, começou a sua carreira como jornalista optando mais tarde, nos anos 80, por exercer advocacia em prática individual, por um acaso, desde logo na área do direito internacional privado. A Lei da nacionalidade de 1981 e a entrada de Portugal na CEE em 1986 acabou por despoletar uma grande procura, especialmente por parte de cidadãos brasileiros, no sentido de saber como poderiam adquirir a nacionalidade portuguesa (europeia, neste contexto) A MRA foi a primeira sociedade de advogados a trabalhar as questões da migração do ponto de vista técnico jurídico. Os procedimentos administrativos ficavam a maioria das vezes descurados, ficando os cidadãos à mercê de decisões ilegais ou “achismos” das Conservatórias e Consulados. Hoje é uma área que está plenamente capitalizada pela advocacia em geral. A nossa aposta nos últimos anos foi a de nos prepararmos para aplicar a nossa experiência no âmbito do investimento, da empresa e do imobiliário, além das necessidades individuais. O objetivo é prestar assessoria jurídica numa perspetiva de 360º, seja via Golden Visa ou qualquer outro plano que definamos. Antecipação é a palavra-chave. Conhecemos as necessidades de um projeto consciente de investimento ou imigração, e preparamo-nos para a sua execução. Tempo é dinheiro e nós sabemos isso. Que análise pode ser feita sobre o investimento estrangeiro em Portugal nos dias de hoje? Falamos essencialmente de dois tipos de investidores: - Aquele que não abandona a sua residência fiscal, mas quer investir em Portugal. Veem nesta autorização uma forma de circular facilmente pela Europa. A longo prazo,

através da transferência de valor igual ou superior a 350 mil euros para constituição de sociedade comercial com sede em território nacional, conjugada com a criação de cinco postos de trabalho permanentes; ou reforço do capital social de sociedade já constituída, com criação ou manutenção de cinco postos de trabalho permanentes, por um período mínimo de três anos; ou da aplicação de 350 mil euros – já não 500 mil - em fundos de investimento ou capital de risco

Joana Nunes e EVA GARCIA

Conselho de Administração da MRA - Miguel Reis, Eva Garcia e Alberto Vaz

visam adquirir uma nacionalidade que significa, a final, uma cidadania europeia - Aquele que pretende mudar para Portugal o epicentro da sua vida. São nacionais de países com estreitas relações com Portugal, como o Brasil. Aqui, o fator “segurança” continua a imperar, contudo, agora, somos mais atrativos a que tragam consigo o seu negócio ou criem negócio cá. Numa ou noutra situação, é necessário estruturar um plano a médio/longo prazo.

O plano de residir em Portugal inicia-se com tempo e no país de origem. O golden visa ou programa de “autorização de residência para investimento” português exige que os cidadãos nacionais de Estados terceiros (fora da UE e do EEE) apliquem determinadas importâncias no nosso país em troca da concessão de um visto de residência. Entraram em vigor novas regras. O que muda? Passa a ser possível a concessão

Quem beneficia? Quais as expectativas? Até agora, um empresário que pretendesse renovar uma autorização de residência obtida por via da criação de uma empresa em Portugal, estaria obrigado a permanecer em território português 6 meses consecutivos ou 8 interpolados. É impensável em plena era de globalização e multiplicação de interações comerciais internacionais e desadequado ao tipo de investidor que se pretende atrair, com este nível de potencial de investimento. Agora já é possível. Com esta ARI não é exigida a permanência por este período Por outro lado, 500 mil euros de investimento em produtos financeiros de risco, é uma quantia que muito poucos estarão dispostos a despender. Esta redução poderá resultar num reforço das instituições financeiras e do mercado de capitais. Ou seja, no nosso entender, a alteração feita visa sobretudo direcionar o foco do investimento do setor imobiliário para o setor empresarial e de criação de emprego direto, em particular na capitalização das sociedades comerciais e capitalização de venture capital, equilibrando o jogo e minorando riscos. Infelizmente, nada foi feito no sentido da agilização e desburocratização do procedimento. Os tempos de espera são proibitivos. Têm sido anunciados reforços do número de inspetores no SEF, contudo, esta medida deveria ser acompanhada pela simplificação dos procedimentos, o que não sucedeu. ▪


Revista Pontos de Vista 70  
Revista Pontos de Vista 70  
Advertisement