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Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda. NOVEMBRO 2017 | EDIÇÃO Nº 69 - Periodicidade Mensal | Venda por Assinatura - 4 Euros

ActivoBank Simplifica GRUPO BC PORTUGAL EM DESTAQUE

CESCE

AVALIAÇÃO E GESTÃO DE RISCO DE CRÉDITO

SUPLEMENTOS ALIMENTARES

João Sousa CEO e Fundador da JPS Group

“As empresas são feitas de números, é verdade, mas quem faz esses números são as pessoas”

FOTO: DIANA QUINTELA

CONFIANÇA


novembro 2017

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eLEARNING, bLEARNING e mLEARNING – CONCEITOS DISTINTOS

OPINIÃO DE António Augusto Fernandes e Ana Maria Fernandes, Sócios-Gerentes da DLC

Da revolução iPhone ao melhor mLEARNING do século XXI

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Há dez anos a revolução iPhone, pela mão de Steve Jobs e da Apple, trouxe ao mundo mudanças de tamanha magnitude, que ainda hoje não pararam de nos surpreender, pois transformaram um simples telemóvel na máquina de TUDO.

m 2017, a DLC, a mais antiga empresa portuguesa (1998) dedicada à conceção e produção de eLearning e bLearning, depois de êxitos sucessivos na formação online em todos os setores profissionais, com o seu Modelo Pedagógico SAFEM-D e a sua Plataforma NetForma Da Vinci Web 2.0 – 3.0, criaram para os seus clientes o Sistema Responsive, destinado à Formação Profissional e Educação, através de computadores, tablets, netbooks e smartphones. Durante o século V a.C. Platão ensinava na Academia de Atenas com base na metodologia expositiva, usando a interação entre o professor e alunos, quadros improvisados de pedra ou de argila e suportes

pontos de vista

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Ana Maria Fernandes

diversos de escrita como o papiro e pergaminho. No século IV a.C. Aristóteles, no seu Liceu utilizou métodos muito similares, o mesmo ocorreu em todo o Império Romano (século I a.C. até ao V d.C.), durante toda a Época Medieval, na Renascença e Revolução Industrial; apenas a introdução do papel e da

ANTONIO AUGUSTO FERNANDES

imprensa de Gutenberg mudaram os meios de escrita, mas o modelo de ensino continuou a ser: professor – aluno – suporte; mesmo na era moderna, ou seja, no século XX, muito pouco mudou no ensino e na formação, sem deixar de atender às experiências positivas das universidades de McMaster no Canadá e de Maastricht na Holanda. O século XXI trouxe muitas promessas no que concerne ao aprender em menos tempo, como exige a sociedade da informação e da comunicação ou, mesmo a hodierna Revolução Industrial 4.0, pois as universidades e as empresas tendem a recorrer aos métodos tradicionais no corpo central do modelo de aprendizagem e, as entidades exteriores a este ciclo; as produtoras de eLearning e bLearning, na procura do lucro fácil, recorrem a modelos automatizados, que não trazem nenhum valor acrescentado na aquisição de conhecimentos e de competências, bem como na celeridade da aprendizagem que os tempos exigem. As universidades e empresas replicam de uma forma grosseira todos os modelos tradicionais, embora estes possam apresentar designações pomposas: MOOC, Open Course Ware, eLearning e bLearning, porém, sem nunca aproveitarem as elevadas potencialidades pedagógicas e multimédia oferecidas pela Ciência da Computação, as quais são capazes de estimular os sentidos, o cérebro e mesmo as memórias, de que o hipocampo é um exemplo, levando os aprendentes a uma eficaz atenção seletiva e motivações únicas, geradas pela integração dos meios online, interação e desejo de criar, de fazer, de jogar, de ir além da homeostasia, procurando novos mundos e sen-

sações raras; em suma, ligar as inteligências cognitiva e emocional num processo de aprendizagem que associe estas duas entidades-chave, de modo a que a aquisição de conhecimentos e competências ocorra de uma forma célere e com elevada eficiência. Tal como o iPhone em 2007, desejamos mudar o mundo, transformando aquele pequeno instrumento multiusos em mais um; quiçá, o mais nobre e importante de todos: Aprendizagem ao Longo da Vida. Assim, os cursos de eLearning que propomos podem assumir o formato de bLearning, onde o Presencial é usado para treinar aquilo que não pode ser realizado pelos computadores, como são, por exemplo, as relações humanas, o uso de equipamento mecânico, as técnicas cirúrgicas, entre outros. A integração na cadeia de aprendizagem do tablet e smartphone são formas de aproveitar todos os tempos livres, onde em casa ou no emprego se use o computador, mas na praia, no campo, nos transportes ou numa fila da Segurança Social, se possa usar sem diminuição de qualidade o mLearning, onde o tablet e os smartphone são ferramentas essenciais. O Modelo Pedagógico SAFEM-D e a Plataforma NetForma são a linha da frente de uma estratégia destinada a mudar a Educação e a Formação no século XXI. Os videogramas são a chave do sucesso baseado no aforismo que diz: “vale mais uma imagem do que mil palavras”, as sessões teórico-práticas, onde a cor, movimento, interação, som e outros estímulos captam a atenção e acionam o sistema nervoso, para que os dados cheguem ao cérebro e fiquem armazenados até que seja preciso utilizá-los, transformá-los ou apagá-los; por fim, as sessões práticas, que fazem da citação de Confúcio: “o que ouço esqueço, o que vejo recordo e o que faço aprendo” a base do funcionamento do cérebro, de onde se concluí: para que a aprendizagem atinja o máximo da sua eficiência, as Ciências da Educação devem adotar de forma generalizada e urgente, tanto o multimédia como o online. ▪


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de Administração da SPMS – O processo da centralização das compras e o que muda com o novo Código dos Contratos Públicos

As vantagens do Business Process Outsourcing

Grant Thornton Consultores -

Artur Mimoso, Vogal Executivo do Conselho

Índice DE TEMAS

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P38

António Maia Gonçalves, médico especialista em cuidados intensivos e em medicina interna – CULTURA E LEITURA

Luís Cardoso, Diretor de Inovação e

Projetos da Liberty Seguros E O IMPACTO DA NOVA ECONOMIA DIGITAL NO SETOR DOS SEGUROS

P50

TOYOTA CHALLENGE –

UM EVENTO A NÃO PERDER

FICHA TÉCNICA

Administração Redação Departamento Gráfico Rua Rei Ramiro 870, 5º A 4400 – 281 Vila Nova de Gaia Telefone +351 220 926 879 Sede da entidade proprietária: Rua Oriental nrº. 1652 - 1660 4455-518 Perafita Matosinhos Outros contactos: +351 220 926 877/78/79/80 E-mail: geral@pontosdevista.pt redacao@pontosdevista.pt www.pontosdevista.pt www.horizonte-de-palavras.pt www.facebook.com/pontosdevista Impressão Lisgráfica - Impressão e Artes Gráficas Distribuição Nacional / Periodicidade Mensal Registo ERC nº 126093 NIF: 509236448 | ISSN: 2182-3197 Dep. Legal: 374222/14

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5 GESTÃO DE COMUNICAÇÃO: João Soares | Luís Pinto | Miguel Beirão | Design E PAGINAÇÃO: Mónica Fonseca | Vanessa Taxa Assinaturas Para assinar ligue +351 22 092 68 79 ou envie o seu pedido para Autor Horizonte de Palavras – Edições Unipessoal, Lda Rua Rei Ramiro 870, 5º A, 4400 – 281 Vila Nova de Gaia E-mail: assinaturas@pontosdevista.pt Preço de capa:

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novembro 2017

Propriedade, Administração e Autor Publicação da responsabilidade editorial e comercial da empresa Horizonte de Palavras Edições, Lda.


PROPRIEDADE INDUSTRIAL

Jorge Cruz, Agente Oficial da Propriedade Industrial

A revisão do Código da Propriedade Industrial de 2008 considerado pelo Projecto de revisão do Código, o que parece difícil de entender, quando se foi ao ponto de, para outros artigos do Código, fazer apenas uma revisão redaccional. 2 = O Decreto-Lei nº 27/84, de 18 de Janeiro, alterou cerca de três dezenas de artigos do Código de 1940 (Decreto nº 30.679, de 24 de Agosto de 1940), entre os quais o artigo 263º, que passou a ter a seguinte redacção: Artigo 263º Os actos e termos do processo só podem ser promovidos:

1 = O Código da Propriedade Industrial de 2003, preparado por um Grupo de 10 especialistas, na sua maioria profundamente conhecedores dos problemas da Propriedade Industrial (um Engenheiro, a Presidir; dois Advogados; quatro Agentes Oficiais da Propriedade Industrial; e três Professores de Direito) foi substituído, ao fim de cinco anos, pelo actual Código de 2008, que é – sem dúvida – o pior Código que desde 1896 houve no nosso País: e a revisão que se esperava é que fossem corrigidos os erros cometidos – que são muitos e graves – voltando, na medida do possível, ao Código de 2003.

pontos de vista

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Portanto, esta revisão não devia preocupar-se com aperfeiçoamentos redacionais, mas com a correcção de erros verdadeiramente inadmissíveis. Aliás, as facilidades oferecidas aos não nacionais, sobretudo aos não nacionais da União Europeia, não são minimamente justificadas e toda a aplicação do Código devia ser, obrigatoriamente, sujeita a taxas razoáveis, que podem constituir uma apreciável fonte de receita para o nosso País e designadamente para o INPI. Pensar que eliminar taxas atrai mais investimento em Portugal, é um sonho que só pode ter quem desconhece por completo o problema. Além disso, há disposições importantes – pelo seu conteúdo ou constante aplicação – e outras que não merecem a mesma preocupação. No primeiro grupo pode incluir-se, como fundamental, o artigo 10º – que define quem pode promover actos e termos do processo – e outros artigos, como o 8º (Restabelecimento de direitos), 17º (Prazos de reclamação e de contestação), 245º (Conceito de imitação de marca registada) ou 350º (Revalidação). Todos estes artigos necessitam de correcção e nenhum foi

a) Por um agente oficial da propriedade industrial ou por advogado constituído; b) Pelo próprio interessado ou titular do direito, se for estabelecido ou domiciliado em Portugal. § 1º As reclamações, contestações, réplicas, tréplicas e peças equivalentes só poderão ser apresentadas por intermédio de agente oficial da propriedade industrial ou por advogado constituído. Esta disposição legal manteve-se, com ligeiras diferenças de natureza redaccional, nos Códigos de 1995 (artigo 10º) e de 2003 (artigo 10º), mas foi profundamente alterada pelo Código de 2008, que passou a permitir que pessoas sem qualquer qualificação, munidos de uma procuração, possam promover actos e termos do processo, incluindo o próprio contencioso administrativo. A vergonha a que chegou o nível desse contencioso, parece que deveria alertar o INPI para procurar remediar a situação: mas nem sequer no Projecto de alteração do Código de 2008 se menciona o artigo 10º, que trata, justamente, de quem pode promover actos e termos do processo. É este o lamentável estado a que chegou a Propriedade Industrial em Portugal. 3 = Em livro a publicar dentro de pouco tempo, relativo ao “conceito de imitação de marca registada”, fiz referência às leis de marcas do nosso País, que se iniciaram com a Carta de Lei de 4 de Junho de 1883, tendo considerado os Códigos de 1995 e de 2008 como os piores de todos. Aliás, estes dois Códigos têm afinidades notáveis quanto à forma como foram redigidos, no maior secretismo e sem informar, sequer, os meios interessados dos trabalhos que foram efectuados – nos quais, como parece óbvio, deviam ter participado, pelo menos, a Indústria, a Ordem dos Advogados e os Agentes Oficiais da Propriedade Industrial. Quando os projectos dos futuros Códigos de 1995 e 2008 foram concluídos, promoveu-se a divulgação a algumas Organizações,


PROPRIEDADE INDUSTRIAL

4 = Em todo o caso, o que se passou com o Código de 2008 foi muito mais grave. Efectivamente, nessa altura o INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial, tinha já um Conselho Consultivo (com quatro especialistas nomeados e os três membros da Direcção do INPI), que deveria dar parecer sobre todos os problemas relevantes – e que funcionou perfeitamente no tempo do Presidente Dr. Jaime Andrez (1999 a 2005). No entanto, quando apareceu o Projecto do Código de 2008, o Conselho Consultivo não só não foi consultado – o que é lamentável e não se entende – como nem sequer tinha sido informado que estava a preparar-se uma revisão do Código da Propriedade Industrial. 5 = O que me criou um problema de difícil solução, uma vez que era membro do Conselho Consultivo desde a sua criação – e não vi outra hipótese que não fosse pedir a demissão desse cargo. 6 = Assim, escrevi ao então Presidente do INPI nesse sentido, explicando as razões que me obrigaram a renunciar ao cargo de membro do Conselho Consultivo. Esse pedido de demissão não teve, até hoje, qualquer resposta. 7 = Não se sabe – eu, pelo menos, não sei – quem redigiu os Projectos dos Códigos de 1995 e de 2008, mas supõe-se que terão sido Funcionários do INPI, auxiliados por dois ou três elementos desconhecidos. 8 = Em Maio de 2009, um prestigiado Professor Universitário, o Prof. Doutor Diogo Freitas do Amaral, a propósito de assunto completamente diverso – tratava-se, ao que parece, de um novo Regulamento para as Fundações – foi interpelado por um jornalista, que aparentemente considerava errado que um Professor Universitário fizesse esse trabalho, quando havia Funcionários Públicos que poderiam poupar € 72.000 ao Estado. 9 = Referi a páginas 52 e 53 do I Volume do livro que escrevi sobre o Código de 2008 (em 3 volumes, em 2009, 2010 e 2011, quando já era Decano dos Agentes Oficiais da Propriedade Industrial), a extraordinária resposta do ilustre Professor e que não resisto à tentação de repetir, agora, pois tem idêntica aplicação ao Projecto do novo Código da Propriedade Industrial. Em todo o caso, para evitar erradas interpretações, lembra-se que no tempo do Dr. António de Oliveira Salazar, ainda não existia a ACPI – Associação Portuguesa dos Consultores em Propriedade Intelectual (criada em 1 de Setembro de 1976) e a Ordem dos Advogados era uma sombra do que é presentemente, pois agora tem Advogados especialistas em todas as actividades importantes, como a Propriedade

Industrial, pelo que eram os Professores Universitários chamados, muitas vezes, a resolver problemas mais delicados. Ora vejamos a noticia publicada no Diário de Noticias de 23 de Maio de 2009 : “FREITAS CONTRATADO PELO GOVERNO POR 72 MIL EUROS” “Fundações. Ex-ministro prepara novo regime das fundações. O actual Governo contratou-o. Mas o trabalho só servirá para o próximo.” A notícia não se entende bem, nem qual o objectivo que pretende atingir: o Sr. Prof. Freitas do Amaral limitou-se a aceitar um trabalho que lhe foi proposto pelo Governo, por importância que nem parece exagerada. Portanto, se é a verba que está em causa, a questão foi posta à Pessoa errada, pois deveria ter sido colocada a quem paga e não a quem recebe: aliás, ao que tudo indica, o Sr. Prof. Freitas do Amaral estava a fazer um trabalho difícil e que, evidentemente, não pediu. Mas também não é isso que nos interessa. De harmonia com a notícia “Freitas do Amaral explica o facto de ter sido contratado (no caso, pela Presidência do Conselho de Ministros, tutelada por Pedro Silva Pereira) porque ao serviço da administração central não há quadros qualificados para uma empreitada jurídica deste calibre: são quadros de qualidade intermédia e não admira, são mal pagos. Segundo o fundador do CDS, – que recordou ser hoje o mais antigo catedrático português em Direito Administrativo, uma das razões para a sua contratação – o Estado foi pensado, já desde o tempo do Dr. Salazar, para executar as leis e não para as fazer. Já no tempo do Dr. Salazar, sempre que era preciso uma reforma legislativa grande, ou era encomendada à Universidade de Coimbra ou à de Lisboa”.

7 novembro 2017

para comentários, em prazo verdadeiramente ridículo, o que não é admissível.


JPS GROUP ESPECIALISTA NO MERCADO IMOBILIÁRIO

Um novo conceito de parceria no imobiliário português. É assim que a JPS Group se apresenta no mercado para fazer a diferença enquanto parceiro singular no desenvolvimento de projetos que disponibiliza todos os meios para alcançar o sucesso dos investidores. Mas não só. Num mercado com pouca capacidade de resposta face à procura e às necessidades dos portugueses, a JPS Group vem apostar na construção nova dirigida às famílias portuguesas.

FOTO: DIANA QUINTELA

pontos de vista

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TEMA DE CAPA

» LÍDER EM FOCO

João Sousa, CEO e Fundador da JPS Group, fala-nos, em grande entrevista, sobre este projeto com um forte impacto na construção para habitação, da reabilitação urbana, do seu papel enquanto parceiro no desenvolvimento de projetos e dos desafios do setor imobiliário.

C

omo em todas histórias, que precisam de um princípio, meio e fim, vamos começar pelo início. Quem é João Sousa? Durante o seu percurso, o que ditou a sua chegada à fundação da JPS Group? Formei-me em Direito, mas iniciei o meu percurso com o contacto na área empresarial e dos negócios. Tinha 23 anos quando fiz o meu estágio e rapidamente percebi que estava mais vocacionado para os negócios do que propriamente para exercer direito. Sabia que não era essa a área que iria abraçar. Decidi dedicar-me à consultadoria de investimento financeiro e imobiliário e a partir daí tenho vindo a construir o meu percurso ligado a esta área. Tenho 39 anos e já tenho alguns anos de experiência nesta área. Passei um período da minha vida fora do país em negócios em África, na América do Sul e na Ásia. Fiz consultadoria de investimento da Europa para a América do Sul, mas de há quatro anos para cá comecei a montar uma estratégia para implementar no meu país. Portugal vivia uma crise financeira muito grande, em especial no mercado imobiliário, um dos setores mais devastado pela crise financeira. Comecei, portanto, a olhar para o meu regresso a Portugal e a estruturar um negócio pensado, com base no acumular das experiências lá fora que queria trazer para o nosso país. E assim nasce a JPS Group, desenvolvido e implementado em conjunto com um grupo de investidores que acreditavam neste projeto.

parte do aprendizado da pessoa, que façam para do seu crescimento e estar atento aos erros cometidos. Mas acima de tudo perceber que isto tudo é feito de relações humanas. As empresas são feitas de números, é verdade, mas quem faz esses números são as pessoas. A boa capacidade de liderança passa por conseguir retirar o melhor de cada pessoa e fazê-las sentir que fazem parte do projeto. É sempre isso que tento transmitir, por onde passei e em todos os projetos onde estive envolvido, tento fazer

Somos um promotor com uma capacidade singular no mercado imobiliário em Portugal. Temos um conjunto de serviços que permitem levantar, internamente, um projeto no seu todo sem a subcontratação de serviços

Estão presentes no mercado apenas há dois anos e querem marcar a diferença no mercado imobiliário português. Que balanço já é possível fazer? Estamos presentes há quase três anos no mercado e o balanço já é bastante positivo. Todos os projetos que lançamos têm sido bem aceites. É um projeto que ainda está no início, mas que já tem uma carteira de clientes e uma carteira de investimento elevadas. Tem sido um processo árduo, mas estamos a caminhar para que se torne num projeto de grande dimensão. Lançámos, recentemente, um empreendimento novo e, em termos de estratégia, temos já um caminho bem delineado para os próximos cinco anos que passa pelo que já foi construído até então. Somos um promotor com uma capacidade singular no mercado imobiliário em Portugal. Temos um conjunto de serviços que permitem levantar, internamente, um projeto no seu todo sem a subcontratação de serviços. Desde a arquitetura e engenharia até ao marketing e publicidade ou ainda do jurídico ao financeiro, disponibilizamos serviços que nos dão a capacidade de erguer um projeto imobiliário. Trata-se do projeto empresarial JPS Real Estate Investments que será o nosso foco nos próximos anos. Neste momento existem muitas aquisições feitas por investidores e com o JPS Real Estate Investments vamos posicionar-nos ao lado do investidor para desenvolver os seus projetos imobiliários, oferecendo as nossas valências. Seremos um parceiro para desenvolver projetos e disponibilizar todos os meios para alcançar o sucesso dos investidores. FOTO: DIANA QUINTELA

Vamos falar de liderança. Queremos destacar os líderes portugueses e deixar o seu testemunho aos nossos leitores. Portugal precisa de mais líderes ou de uma melhor liderança? Precisamos de melhores líderes. Precisamos de líderes que compreendam que, por vezes, é preciso ir buscar e perceber o que se está a passar noutros países, ir buscar bons exemplos de liderança, modelos de negócios e soluções para levantar projetos. Esses é que são os bons líderes. Enquanto havia uma maré de sucesso no setor imobiliário, quando tudo corria bem, era fácil as coisas acontecerem e deixarem-se ir na corrente. Quando chegou a crise ao país, nem todas as empresas tiveram capacidade para resistir e manter o negócio de pé. Faltava uma estrutura sólida e capacidade de se reinventarem. O que é para si ser um bom líder? Acima de tudo é preciso capacidade de resistência e de proatividade. É preciso tentar antecipar aquilo que aí vem. Às vezes não é fácil, como é óbvio, mas é preciso tentar fazer com que as dificuldades façam

com que as pessoas sintam que fazem parte do puzzle. As instituições ficam, as pessoas passam, mas se tivermos a capacidade de trazer as pessoas e envolve-las no projeto e dinamizar o que há de melhor nelas isso vai refletir-se na empresa e no seu sucesso.

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JOÃO SOUSA


TEMA DE CAPA

FOTO: DIANA QUINTELA

» LÍDER EM FOCO

pontos de vista

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Iniciaram atividade com a reabilitação, no centro de Lisboa, agora o foco é a construção nova, dirigida às famílias portuguesas. Porque é que o grupo sentiu esta necessidade de apostar na construção nova? Lisboa é uma cidade que tem um potencial muito forte. Há a sensação de que só nos últimos dois anos é que se descobriu Lisboa, principalmente porque hoje é um destino Europeu bastante procurado, mas também muito falado e procurado a nível mundial. Lisboa tem potencial para continuar a crescer, os serviços estão melhores, há mais procura face a alguns focos de instabilidade existentes na Europa, é uma cidade segura e o nosso país ainda é um dos países com o custo de vida mais baixo. São fatores que fizeram evidenciar Lisboa no mapa. Apostámos, assim, na JPS Group que optou por dois caminhos: inicialmente a reabilitação urbana, com foco no investimento estrangeiro, e, posteriormente, a construção nova com foco nas famílias da classe média que estão a sair de Lisboa para os arredores e precisam de habitação. Percebemos que havia uma necessidade de construção nova que não existe. O mercado começa a ter uma procura maior e não há oferta para corresponder às necessidades das famílias portuguesas. Este será o nosso caminho. Quanto à reabilitação urbana, temos procurado projetos diferentes. Não vamos fazer reabilitar edifícios que não acrescente algo mais. A nossa reabilitação pauta-se pela sua maneira diferente de estar no mercado. Tem de ter uma marca diferenciadora e acrescentar valor. E assim surge o SkyCity. Em que consiste este projeto? O SkyCity é um projeto que pode ser considerado emblemático pelo facto de termos conseguido colocá-lo na rota do mercado imobiliário com uma presença muito forte. É acreditar que irá existir uma construção nova com todas as potencialidades de ter um baixo custo, qualidade e proximidade do centro de Lisboa a um preço competitivo e acessível. É um projeto único que vai trazer qualidade de vida às famílias portuguesas. Já começámos a construção e, neste momento, o projeto SkyCity já está a ser comercializado em planta. Queremos criar uma mais-valia na cons-

As empresas são feitas de números, é verdade, mas quem faz esses números são as pessoas. A boa capacidade de liderança passa por conseguir retirar o melhor de cada pessoa e fazê-las sentir que fazem parte do projeto

trução, queremos envolver as pessoas na construção e que sintam que estão a construir a sua casa de sonho. Queremos que as pessoas possam escolher e personalizar cada divisão da casa. Trata-se de um empreendimento, desenvolvido sobre um conceito de excelência, com 49 moradias isoladas, 66 moradias em banda e 255 apartamentos. Como analisa o mercado imobiliário português atualmente? Portugal está na moda? Quais são as perspetivas, a médio/longo prazo, para o mercado imobiliário? Não é uma moda. Estamos a falar de uma conjuntura propícia e que irá revelar o seu potencial. Estão a ser investidos muitos milhões em infraestruturas e serviços e Lisboa tem todas as condições para continuar a ser dinamizada e oferecer boas condições. A par destes fatores temos ainda outros com as viagens low cost que cada vez trazem mais turistas às nossas cidades ou ainda fatores como qualidade de vida, segurança, estabilidade, bom tempo e boa comida que o nosso país oferece. Este setor tem sido devidamente apoiado? Foram criados e bem, no setor da reabilitação urbana, alguns mecanismos legais para dinamizar a reabilitação. Estes mecanismos funcionaram bastante bem. Se olharmos para Lisboa

há quatro anos atrás, a baixa estava completamente deserta. Hoje há vida na baixa de Lisboa, há prédios reconstruídos, turismo e movimentação. Podemos dizer que o apoio na reabilitação urbana foi eficaz. No que diz respeito à promoção imobiliária temos de ter atenção que o Estado não pode substituir os particulares. Pode criar mecanismos que permitem dinamizar o setor, mas há aspetos que não dizem respeito ao Estado e que têm de ser melhorados, como é o caso das questões burocráticas. Que maiores desafios enfrenta? Com a saída de Portugal da crise e com o boom no mercado imobiliário verificou-se uma falta de capacidade de resposta por parte das empresas de construção que não têm mão-de-obra qualificada suficiente. A par das questões burocráticas relacionadas com os processos, como já referi, também há dificuldade em lidar com as próprias entidades licenciadoras. Portugal quer atrair investimento estrangeiro, quer captar investidores, mas é preciso coordenar o sistema burocrático, que se pauta pela morosidade, para fazer jus à entrada de investimento e de investidores no país. A JPS Group procura assumir um papel que permita coordenar e agilizar todos estes fatores, inclusive com as entidades, e procura encontrar soluções para ultrapassar obstáculos que possam surgir. Com o Real Real Estate Investments o nosso foco será associar-nos a mais parceiros, investidores e projetos imobiliários, oferecendo os nossos serviços para desenvolver os seus projetos, sempre assentes no sucesso da operação. Queremos abrir o nosso leque de valências e oferecê-las ao mercado. Enquanto empresa conseguimos fazer o acompanhamento total de um projeto, desde o seu planeamento à concretização, através de uma equipa multidisciplinar e qualificada que irá garantir a taxa de sucesso da operação, Success Fee, a custo zero. Na reabilitação urbana, no Real Estate Investments, a JPS Group reconstrói e co-investe em projetos de requalificação urbana através de serviços 100% integrados para os seus investidores. A JPS Group pretende, portanto, assumir-se como um parceiro especialista no desenvolvimento de projetos imobiliários. ▪


compras públicas e o código dos CONTRATOS PÚBLICOS

» RICARDO PRELHAZ DA PRELHAZ ADVOGADOS EM ENTREVISTA

CCP: QUE ALTERAÇÕES?

QUE SIGNIFICÂNCIA E QUE EFICÁCIA? “Podemos sistematizar as alterações em três grupos: alterações que decorrem da obrigatoriedade de transposição das Diretivas aprovadas em 2014; alterações destinadas a dar cumprimento a políticas públicas nacionais; e, ainda, alterações destinadas a corrigir pontualmente algumas patologias identificadas pela aplicação prática do CCP”. Ricardo Prelhaz, em entrevista à Revista Pontos de Vista, esclarece alguns aspetos sobre a revisão do CCP. Saiba mais.

Q

uais são, então, as alterações mais significativas decorrentes desta revisão? Do primeiro grupo, eu destacaria o regime da adjudicação por lotes, o dos contratos no âmbito do setor público e o novo procedimento de “parceria para a inovação”. Do segundo, destacam-se a criação do procedimento de consulta prévia, a consagração das consultas preliminares ao mercado, o alargamento do ajuste direto simplificado e do concurso púbico urgente às empreitadas e o encurtamento dos prazos para apresentação de propostas nos diversos procedimentos ditos “nacionais”.

Considera que das alterações decorrentes da revisão do CCP resultará um reforço da concorrência e uma melhor gestão da despesa pública? Em teoria, a redução do limiar até ao qual é permitido convidar apenas uma única entidade vai permitir o acesso de mais operadores aos procedimentos, logo, mais e melhores propostas. Na prática, porém, as coisas poderão ser diferentes. Um procedimento em que participem vários concorrentes implica, para as entidades adjudicantes, mais tempo e custos despendidos e maior exposição a litígios. Daí que os efeitos benéficos decorrentes de uma maior concorrência poderão, em certos casos, ser eliminados pela ocorrência destas vicissitudes. Ora, quanto maior for a ineficiência do sistema, maior será a propensão para a fraude à lei. Curiosamente, o legislador é o primeiro a desconfiar da

RICARDO PRELHAZ

Existem algumas medidas que poderão impactar positivamente na vida das empresas. É o caso da adjudicação por lotes, da inclusão de pequenas empreitadas no ajuste direto simplificado, da possibilidade de se fixarem cauções abaixo dos cinco por cento e do regime de liberação das cauções

sua própria solução. Se, por um lado, consagra um novo procedimento que considera concorrencial, não deixa de lhe impor os mesmos limites, quanto à escolha das entidades convidadas, que estabeleceu

Outra das alterações anunciadas refere-se ao regime do preço anormalmente baixo. Ficará agora resolvida a controvérsia relacionada com a sua definição? Não creio. Repare que o critério das percentagens indexadas ao preço base era supletivo, aplicando-se apenas quando a entidade adjudicante se abstivesse de fixar o limiar do preço anormalmente baixo. Logo, as entidades adjudicantes sempre puderam fixar o limiar ou utilizar critérios diferentes para o seu cálculo. A questão é que, por regra, elas não o fazem, pois não têm suficiente conhecimento dos diversos mercados que lhes permita adotar critérios de cálculo adequados. Ora, o novo regime nada altera nesse campo, continuando a incumbir a entidade adjudicante da escolha dos critérios. Daí que considere que o principal problema, que se situa a montante daquele sobre o qual o legislador atuou, permanece sem resolução. Em que medida a criação da figura do gestor do contrato é importante? A medida é positiva para o reforço da transparência e da boa execução dos contratos. O privado passa a ter um interlocutor identificado e a administração alguém diretamente responsável e atento à execução do contrato. O diálogo entre as partes e a identificação mais célere de anomalias ficarão facilitados, permitindo evitar o agravamento de situações de incumprimento. Que benefícios poderá a revisão do CCP trazer diretamente para as empresas? Existem algumas medidas que poderão impactar positivamente na vida das empresas. É o caso da adjudicação por lotes, da inclusão de pequenas empreitadas no ajuste direto simplificado, da possibilidade de se fixarem cauções abaixo dos cinco por cento e do regime de liberação das cauções. No entanto, não é possível determinar, no curto prazo, qual a efetiva amplitude de tais benefícios. ▪

11 novembro 2017

Uma das alterações anunciadas consiste na limitação da utilização do ajuste direto para aquisições de baixo valor. Como funcionará agora? A solução agora consagrada é similar à que existia antes do CCP e que este, em 2008, abandonou. Agora, no ajuste direto apenas se convida um fornecedor. O valor do contrato a celebrar fica limitado a 20 000 euros, no caso de bens ou serviços, ou a 30 000 euros, no caso de empreitadas. Por sua vez, a consulta prévia obriga à consulta de, pelo menos, três fornecedores, e o valor do contrato a celebrar fica limitado a 75 000 e 150 000, respetivamente.

para o ajuste direto. Algo que só se justifica em face de procedimentos não concorrenciais.


compras públicas e o código dos CONTRATOS PÚBLICOS

» Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, EPE

SPMS

EFICIÊNCIA NO PROCESSO DA CENTRALIZAÇÃO DAS COMPRAS Enquanto Central de Compras para o setor da saúde, a SPMS, EPE - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde assume um papel estratégico no processo aquisitivo público e, também, na reforma do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que passa pela otimização de recursos já existentes, em serviços partilhados e numa gestão mais eficiente, tendo como objetivo prioritário reduzir despesa e criar mais valor. Com a otimização do processo de compra alcança-se maior eficiência, aumenta-se a produtividade e, consequentemente, diminuem-se custos. Artur Mimoso, Vogal Executivo do Conselho de Administração da SPMS, fala-nos mais sobre o processo da centralização das compras e o que muda com o novo Código dos Contratos Públicos.

D pontos de vista

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esde 2014 que a SPMS, EPE efetua compras centralizadas ao abrigo dos seus próprios acordos-quadro. Planeamento, integração, simplificação administrativa, segurança, eficiência, celeridade e transparência são alguns dos princípios que orientam o trabalho desenvolvido pela SPMS, EPE e as compras públicas na saúde, alicerçados na relação de proximidade e de qualidade com as várias instituições do SNS. Num passado recente, a SPMS apenas elaborava Acordo-Quadro (AQ) em duas áreas essenciais: medicamentos e dipositivos médicos. Atualmente, os concursos por Acordo-Quadro abrangem, também, a compra de bens transversais. Os Acordo-Quadro (AQ) permitem selecionar os melhores fornecedores para aquisição de um determinado bem por um determinado período de tempo “Começámos em 2014 com um único Acordo-Quadro e até ao momento já existem 35 nas mais diversas áreas, nomeadamente em telemedicina, cibersegurança, interpretação e tradução (linguagem gestual e braille). Fomo-nos adaptando às necessidades do Ministério da Saúde e das instituições de saúde”, começa por explicar Artur Mimoso. Em 2015, por decisão da atual tutela, a SPMS assumiu novas competências na área das compras e iniciou processos de aquisição em nome de outras instituições - “a compra firme”, processo inovador. “É aqui que está a poupança. A SPMS agrega as necessidades de todos os hospitais e os medicamentos mais caros para o SNS passam a ser comprados através do

sistema de compras centralizadas. Para se ter noção dos números, só no ano passado atingimos uma poupança de cerca de 117 milhões de euros. Este ano, juntando os medicamentos e dispositivos médicos com os bens transversais, podemos afirmar que a poupança alcançada no 1º trimestre aproximou-se dos 46, 8 milhões de euros em aquisições centralizadas, adianta Artur Mimoso. Assim, a SPMS atua em duas áreas essenciais: as compras centralizadas, de bens de saúde e bens que não são de saúde, de todas as instituições de saúde e do Ministério da Saúde; e os acordos-quadro, ao abrigo dos quais são feitas as compras centralizadas. “Queremos libertar as entidades de saúde dessa tarefa. Atualmente, somos cerca de 70 pessoas na área das compras públicas e a entidade pública em Portugal com maior capacidade interna instalada. Esse é o grande objetivo”, afirma. Artur Mimoso relembra que a SPMS tem também sob a sua responsabilidade a compra de todas as vacinas do Plano Nacional de Vacinação (PNV) e as vacinas que não integram o PNV, como a vacina da gripe que, no que diz respeito à eficiência no armazenamento e stock, apresenta resultados bastante positivos. Relativamente à eficiência do processo da centralização das compras, a poupança no SNS representa 206 milhões, valor acumulado de 2016 e primeiro trimestre deste ano em compras para hospitais e outras instituições do Ministério da Saúde. Poupanças conseguidas através do sistema de compra centralizada, onde se incluem os dez medicamentos com mais custos para o SNS, dispositivos médicos

ARTUR MIMOSO


cial do processo é a gestão do contrato, e aqui a entrada em vigor do novo Código dos Contratos Públicos vem dar razão à SPMS ao introduzir a figura do gestor de contrato. “O Estado percebeu que existiam duas peças neste ciclo integral da compra que causavam ineficiência: não saber quanto tempo demora cada processo dos pedidos de autorização e a falta da gestão do contrato, com o acompanhamento devido para se fazer cumprir todas as condições do mesmo”, avança Artur Mimoso.

NOVO CÓDIGO DOS CONTRATOS PÚBLICOS: QUE VANTAGENS?

SPMS DISTINGUIDA COM O PRÉMIO PARA “MELHOR PROJETO DIGITAL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA”

A SPMS foi distinguida com o prémio para “Melhor Projeto Digital da Administração Pública”, atribuído pela ACEPI (Associação da Economia Digital), com o projeto “Acordo-Quadro Inovadores SPMS”. Este prémio destaca a SPMS pela inovação e premeia os Acordos-Quadro referentes à Telemedicina, Interpretação e tradução, Cloud e Cibersegurança. A verdade é que, se no início a SPMS era muito focada na área TIC e nos acordos-quadro, hoje os novos acordos refletem a preocupação da SPMS com a questão da proximidade com o cidadão e integração do próprio SNS. Outro fator que reflete esta preocupação com a proximidade passa pela Rede Informática da Saúde (RIS), a rede privada multimédia do Ministério da Saúde que interliga as redes locais dos seus organismos e serviços. A partir do Diálogo Concorrencial da RIS, a SPMS quer chegar a casa das pessoas com a prestação de serviços e, através da box da televisão, permitir que o utente possa fazer algo tão simples como marcar uma consulta ou consultar os seus dados de saúde.

PLATAFORMAS DE COMPRAS DA SPMS

Como instrumentos facilitadores no processo de compras públicas, as plataformas desenvolvidas pela SPMS permitem desmaterializar pro-

cedimentos, tornando mais transparente e eficiente o processo aquisitivo por via eletrónica. No passado mês de outubro foi apresentado o SIGAS – Sistema Integrado de Gestão de Aquisições da Saúde e o Catálogo de Aprovisionamento Público de Saúde. Artur Mimoso realça as vantagens desta plataforma: “O SIGAS era uma ambição nossa há já algum tempo. Notámos que, no ciclo integral da compra, faltava um aspeto muito importante, ou seja, as plataformas não apresentavam a etapa que vai desde a decisão de contratar, quando se identificava a necessidade, até o início do processo. Para uma central de compras este processo é muito importante. Com o SIGAS, desde o momento em que é feito um pedido de compra é possível acompanhar o processo até que chegue à entidade. Há um acompanhamento desde que é identificado o bem e o pedido, até à entrega do mesmo”, explica-nos Artur Mimoso. O vogal executivo da SPMS refere ainda que nas plataformas anteriores uma parte essen-

13 novembro 2017

e consumíveis e, ainda, serviços como gás e eletricidade, em que os valores pagos desceram até 50%.

É aqui que está a poupança. A SPMS agrega as necessidades de todos os hospitais e os medicamentos mais caros para o SNS passam a ser comprados através do sistema de compras centralizadas

A 1 de janeiro de 2018 entra em vigor o novo Código dos Contratos Públicos. O novo código pretende “simplificar, desburocratizar e flexibilizar os procedimentos de formação de contratos públicos”, “aumentar a eficiência da despesa pública” e “facilitar o acesso aos contratos públicos”. Artur Mimoso foi acompanhando as alterações ao Código dos Contratos Públicos e, na sua opinião, esta é a mais profunda: “Vejo algumas vantagens de eficiência com o novo código, começando pela redução dos prazos de apresentação de propostas que se irá traduzir em eficiência para o Estado. A questão da figura do gestor de contrato é bastante relevante, porque irá acompanhar o contrato, não estará apenas preocupado com a formação do contrato, mas sim com a sua própria execução. No que diz respeito à consulta prévia os valores do ajuste direto vão baixar significativamente, passando de 75 mil euros para 20 mil euros. Poderão haver entidades que não estão preparadas para estas alterações e será um início de ano difícil porque se tratam de alterações complexas, mas sou apologista e vejo com muita positividade a transparência que este novo código contempla. O legislador deste código seguiu, certamente, muitas recomendações que o Tribunal de Contas foi dando ao longo destes anos, e os erros dos códigos anteriores serviram para esta alteração mais complexa”, afirma o nosso interlocutor. Outro aspeto importante que o novo código traz diz respeito às parcerias para a inovação, o que para uma entidade tão tecnológica como a SPMS “é uma boa aposta do legislador e estamos ansiosos para ver como funciona. Tenho uma boa perspetiva do novo código”, adianta Artur Mimoso considerando que relativamente à inovação na saúde, Portugal é um país privilegiado porque tem uma entidade como a SPMS que junta as compras públicas com os sistemas de informação. “Aproveitamos os nossos próprios instrumentos tecnológicos para nos ajudarem nas compras públicas. Temos entidades que desenvolvem Apps e esta ligação da SPMS à transformação digital é um benefício para quem está ligado às compras públicas. Exemplo da importância da inovação para a SPMS é o evento que decorreu em Lisboa este ano, o “Portugal eHealth Summit”, que se centrou no processo de transformação digital da Saúde. A SPMS focou-se em temáticas diversas relativas à Inovação de Sistemas de Informação, Interoperabilidade, e-Procurement, e-Commerce, Telesaúde, Segurança e Proteção de Dados, Big Data, App’s e Mobilidade, Literacia em Saúde. ▪


compras públicas e o código dos CONTRATOS PÚBLICOS

» AMA - AGÊNCIA PARA A MODERNIZAÇÃO ADMINISTRATIVA

AMA

PROMOVER O CONTACTO ENTRE OS CIDADÃOS E O SERVIÇO PÚBLICO O percurso da Agência para a Modernização Administrativa, I.P. (AMA) pauta-se pela preocupação com o atendimento presencial dos cidadãos aliado ao uso das novas tecnologias para promover uma prestação de serviços mais eficiente e que prime pela proximidade com as populações. Pedro Silva Dias, Presidente do Conselho Diretivo da AMA, fala-nos mais sobre o papel atual da Agência.

pontos de vista

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A

AMA (Agência para a Modernização Administrativa) é o instituto público responsável pela promoção e desenvolvimento da modernização administrativa em Portugal. Criada em 2007, que balanço é possível fazer do seu percurso? Desde 2007 foram sendo diversas as prioridades e focos desta Agência. De uma preocupação primordial com o atendimento presencial, fundamentalmente através das Lojas de Cidadão, foram-se dando passos sucessivos e incrementais na prestação de serviços eletrónicos, procurando por um lado facilitar o uso das novas tecnologias e a capacidade que temos de lhes aceder remotamente, mas não descurando uma população que embora queira aderir a este mecanismo não pode ou não sabe como o fazer. É também para essas pessoas que atualmente trabalhamos cada vez mais, e para as quais estabelecemos uma rede de Espaços Cidadão. É uma rede de atendimento muito próxima das populações, ao nível do município, ou mesmo da freguesia, onde diversos serviços públicos

Pedro Silva Dias

são prestados eletronicamente, mas sempre com o auxílio de um funcionário, que presencialmente ajuda todos os cidadãos que tenham qualquer tipo de lacuna em matéria de utilização das tecnologias de informação e comunicação. Penso que o percurso desta Agência se tem pautado sempre por promover novos modelos de contacto do cidadão com os serviços públicos, seguros e inovadores, mas acompanhando as expectativas da população que, pelas suas características e vivências, vai evoluindo nas suas necessidades e exigências. Atualmente quais considera serem os maiores desafios à atuação da AMA? Atualmente a AMA acompanha e ajuda a implementar vários programas que apelam à participação pública para algumas das escolhas da Administração. É assim com o impactante programa Simplex+, mas também com o Orçamento Participativo, que recolheu contributos no ano que passou para que uma percentagem do Orçamento do Estado fosse afeta a projetos

selecionados pelas populações envolvidas, projetos esses que foram votados pelas populações a quem mais interessavam. Foi a primeira vez que isso foi feito ao nível nacional, envolvendo o território continental e as Regiões Autónomas, e isso deve deixar-nos muito satisfeitos, porque Portugal continua a ser um exemplo internacional na capacidade de inovar e de encontrar novas formas de trazer o cidadão para o processo de desenho e seleção de medidas de modernização. Voltando à sua questão, penso que o maior desafio da AMA é modernizar a Administração, explicando o porquê da mudança para que esta possa ser aceite e sustentada, não descurando aqueles que são os interesses da população que serve, nomeadamente a simplificação de procedimentos e o acesso cada vez mais universal. Da prestação de serviços centrada nos ministérios ao foco nos cidadãos e agentes económicos, um dos objetivos da AMA passa pela aproximação entre estes últimos intervenientes e o Estado. De que forma?


A transformação digital do setor público em matérias como as competências digitais ou os serviços centrados nos cidadãos tem sido um dos assuntos mais debatidos. Considera que a inovação no setor público é mais desafiante. Porquê? Muita coisa foi feita neste domínio, mas muita coisa existe ainda por fazer e esse é o desafio. Vivemos tempos de mudança constante e aquilo que hoje parece uma novidade rapidamente é ultrapassado e temos necessariamente de acompanhar e prever futuras mudanças. Por exemplo, estamos ainda a trabalhar para que o cidadão peça à Administração Pública para que esta converse entre si (organismos e serviços) para ser obtido em tempo útil um determinado documento ou concluída a instrução de deter-

proteção dos meus dados pessoais) de interoperabilidade que confiram o grau de segurança adequado para que a informação chegue intacta ao ponto onde ela é precisa. Já se deram alguns passos neste domínio, veja-se a tarifa social de energia e o novo serviço de pedido da carta de condução, mas temos de fazer mais.

Vivemos tempos de mudança constante e aquilo que hoje parece uma novidade rapidamente é ultrapassado e temos necessariamente de acompanhar e prever futuras mudanças

minado processo. A isto chamou-se o princípio “uma só vez”. Em termos práticos isto significa que eu cidadão devo poder mandatar a Administração Pública para que esta vá onde for preciso (afinal estamos a falar de serviços públicos) buscar os dados ou documentos necessários na posse de um outro qualquer organismo público para que eu possa concluir determinado processo, por exemplo um concurso público onde sejam precisas certidões das finanças ou segurança social; um recrutamento onde seja necessário o meu registo criminal ou o certificado de habilitações. Não devo ser eu que tenho de ir buscar diversos documentos e certidões. Se eu permitir que a Administração o faça em meu nome isto deve acontecer através dos mecanismos (que eu cidadão não tenho de saber quais são, embora deva saber quando tal acontece, a bem da

Experimentar novas soluções para melhorar os serviços públicos e o dia-a-dia dos cidadãos e das empresas é o grande objetivo do LabX - Laboratório de Experimentação da Administração Pública. Na sua opinião em que medida o LabX pode contribuir para a inovação e modernização do setor público em Portugal? O LabX é precisamente uma célula que, fazendo parte da Administração Pública, trabalha para poder experimentar determinadas soluções que possam melhorar o seu relacionamento com os cidadãos e as empresas. Esta estrutura trabalha no pressuposto daquelas que são as necessidades das empresas e cidadãos desenvolvendo mecanismos de auscultação e desenho de soluções em colaboração com a sociedade. Depois de detetadas essas necessidades e os constrangimentos existentes, em conjunto com os utentes, trabalhadores e dirigentes dos serviços públicos, são experimentadas abordagens e soluções inovadoras que sendo “testadas em ambiente de laboratório” serão escaladas em caso de sucesso. Podemos assim falar de uma “incubadora” de projetos inovadores que esperamos que tenha muito sucesso. O Código dos Contratos Públicos (CCP) introduz parcerias para a inovação, facilitando as condições de contratualização pública nas áreas de Inovação e Desenvolvimento. A inovação é um dos fatores mais relevantes para si no que diz respeito ao processo de modernização administrativa. Quais são as perspetivas? A inovação, atento o posicionamento que a AMA tem na Administração Pública portuguesa, é uma vertente que não podemos descurar. Parece-me que a revisão do Código dos Contratos Públicos, que entrará em vigor já em janeiro de 2018, vem também refletir esta preocupação: os serviços e organismos sujeitos a este regime poderão ponderar criteriosamente as suas aquisições considerando que todos administramos orçamentos que o Estado submeteu à nossa melhor gestão, encontrando formas de contratar serviços e parceiros que nos permitam a todos fomentar a inovação e o desenho de soluções que enriqueçam a sociedade pela qualidade dos serviços públicos prestados. Este novo tipo de procedimento parece-me que poderá proporcionar atividades interessantes de investigação e desenvolvimento com regras específicas, naturalmente, mas que poderão aproximar a Administração Pública de soluções mais inovadoras e competitivas. ▪

15 novembro 2017

Uma das críticas que mais ouvimos é a de que é muito complexo e até penoso o relacionamento do cidadão com a Administração Pública. Isto porque a orgânica dos serviços nem sempre é compreensível e varia ao longo do tempo, e nem sempre o cidadão sabe onde recorrer, mesmo quando o serviço é digital. A AMA tem de conseguir dar resposta a este constrangimento tornando mais fácil este relacionamento. Ao cidadão deve ser indiferente que seja este ou aquele organismo público a prestar o serviço. Em bom rigor se o serviço puder ser prestado eletronicamente deve existir uma única porta de entrada que, internamente ou em back office, fará a orquestração dos vários serviços e das várias entidades responsáveis pela sua prestação. É o que tentamos fazer com o Portal do Cidadão que deverá apresentar a cidadãos e empresas uma panóplia de serviços públicos, ficando a montante o relacionamento entre os vários serviços públicos e os esforços para aquela disponibilização. O cidadão deve, a partir de um único ponto de entrada, pedir a certidão, comunicar uma atividade económica ou pedir o licenciamento sem se preocupar qual o serviço competente para a resposta. Por outro lado, temos a obrigação de tornar cada vez mais seguras as interações do cidadão com o Estado. Quando temos já disseminados tantos serviços eletrónicos torna-se cada vez mais importante ter certeza da identidade de determinado cidadão. Nesta matéria assumem particular importância os mecanismos de identificação eletrónica que colocamos à disposição do cidadão, quer seja o próprio Cartão de Cidadão na sua vertente de identificação eletrónica, quer a Chave Móvel Digital. O Cartão de Cidadão, porque exigido a todos os cidadãos nacionais, é um meio de identificação eletrónico que permite autenticações seguras através da inserção de um pin de autenticação. Infelizmente, e talvez porque exige um leitor de cartões, não é tão utilizado como gostaríamos e, por isso, desenvolvemos um sistema alternativo designado por Chave Móvel Digital que permite uma autenticação, de igual modo segura, desde que tenha registado o meu número de telemóvel ou endereço eletrónico, ao meu número de identificação civil.


BREVES BREVES saúde

Mais de 150 médicos urologistas de bigode pela Saúde do Homem Mais de 150 médicas e médicos urologistas de praticamente todos os hospitais de Portugal vão deixar crescer o bigode ou usar um pin com um bigode durante o mês de novembro. Esta iniciativa tem o objetivo de alertar para as doenças do homem, como o cancro da próstata, mas também o cancro do testículo ou do pénis, as várias disfunções sexuais masculinas e as depressões. A iniciativa é da Associação Portuguesa de Urologia (APU) e conta com o apoio da Janssen Portugal, companhia farmacêutica do grupo Johnson & Johnson, e da Esfera das Ideias, editora e produtora de conteúdos.

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ciência

Prémio incentiva projetos de investigação na área da Imuno-Oncologia A Fundação AstraZeneca (FAZ) e a Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) acabam de lançar o “Prémio FAZ Ciência”, que se destina a distinguir o melhor projeto de investigação translacional em Imuno-Oncologia, desenvolvido em Portugal. Esta bolsa terá um valor entre os cinco e os trinta e cinco mil euros, valor a decidir pela Comissão de Avaliação em função das candidaturas apresentadas, e poderá premiar mais do que um projeto. As candidaturas deverão ser enviadas por email para premiofazciencia@astrazeneca.com, até ao dia 31 de dezembro de 2017. O regulamento está disponível no site da SPO, www.sponcologia.pt e na página da Fundação AstraZeneca, em, www.astrazeneca.pt.

outono

Adega Mayor lança programas para celebrar e brindar a um São Martinho Mayor Comemorando o bom tempo que se faz sentir nos dias de outono, diz a tradição que se festeja o São Martinho com castanhas assadas e vinho novo. Da lenda à celebração, a Adega Mayor apresenta dois programas imperdíveis de enoturismo que convidam a abrir os sentidos. De 1 a 30 de novembro, os cinco sentidos são servidos em ousadia na Adega Mayor, que convida a desfrutar de dois programas de enoturismo desenhados ao pormenor e pensados para todos os visitantes que valorizam uma experiência de São Martinho Mayor.


compras públicas e o código dos CONTRATOS PÚBLICOS

» Pedro Melo, da PLMJ, E O CÓDIGO DOS CONTRATOS PÚBLICOS

“É BEM-SUCEDIDO E FLEXÍVEL” Pedro Melo, Sócio Coordenador da área de prática de Direito Público da PLMJ, explica de forma clara e em primeiro lugar, o significado e a relevância da contratação pública e, depois, que alterações e em que moldes foram realizadas as revisões ao Código dos Contratos Públicos.

Por que é o Código importante para a contratação pública? Porque é o Código que regula a matéria toda relacionada com a contratação pública, em duas fases: a pré-contratual, relacionada com a fase de adjudicação do contrato e a fase da execução do contrato. É uma das razões pelas quais o Código é muito extenso: cobre estas duas matérias. “Esta revisão do CCP vem numa linha minimalista de rever o código e não de o transformar totalmente, o que seria negativo na perspetiva da estabilidade jurídica. O Governo encontrou aqui uma forma equilibrada e inteligente de rever o CCP”, defende Pedro Melo. Sendo uma revisão bem-sucedida, ela tem como pontos fortes cinco alterações que na opinião do advogado são essenciais.

O PROBLEMA DOS PREÇOS ANORMALMENTE BAIXOS (PAB)

Este é considerado um dos maiores problemas da contratação pública e fazia com que houvesse muita prática de “dumping” - o que levava a trabalho precário, a incumprimentos fiscais e a problemas sociais. “A partir de agora há a possibilidade da entidade adjudicante estabelecer que um preço configura um PAB e, por isso, deve ser especialmente fundamentado, com base num determinado desvio percentual que leva em consideração a média dos preços que resultaram de uma consulta prévia ao mercado. Até agora um preço era considerado um PAB se fosse igual ou inferior a 40% do preço base (preço máximo) no caso das empreitadas ou, se fosse igual ou inferior a 50% do preço base no caso da aquisição de bens e serviços. Agora isto muda: deixa de haver essas percentagens “cegas” e a entidade adjudicante pode fazer um estudo de mercado e estipular o que é o PAB de forma mais racional e realista.

PROPOSTAS EXCLUÍDAS POR FORMALIDADES NÃO ESSENCIAIS

Um documento que não estava completo ou a falta de outro que não tinha grande relevância levava a que a proposta caísse. Qual é a nova solução? “A partir de janeiro, qualquer formalidade não essencial que ocorra pode ser suprida dando assim a possibilidade ao concorrente de em cinco dias resolver a questão. Significa que vamos ter mais propostas e que não vão ser excluídas tantas propostas por questões irrisórias como acontecia até à data. É um passo muito positivo”.

ADJUDICAÇÃO POR LOTES

“Ela não é obrigatória, mas nas empreitadas acima de 500 mil euros e nos bens e serviços acima de 135 mil euros, a entidade adjudicante passará a ter de fundamentar por que razão não lançou um procedimento por lotes. É um forte incentivo à adjudicação por lotes”. Esta inovação fomenta a contratação de pequenas e médias empresas, o que torna o mercado mais aberto. Numa economia como a nacional, muito assente nas pequenas e médias empresas, este aspeto é igualmente de salutar.

CAUÇÕES E REDUÇÃO DE PRAZOS

“Até agora eram estabelecidas em 5%. O que quer dizer que numa obra com um valor de um milhão, a caução é de 50 mil euros, o que para muitas empresas é um valor muito significativo. O artigo 89º, onde está previsto o regime da prestação da caução, foi alterado e passou a ser possível estabelecer que a caução a prestar é até 5% do preço contratual. Isto faz toda a diferença”. “O prazo mínimo de concurso público internacional passou de 47 dias para 30 dias. Isto permite acelerar a contratação pública. E é apenas um exemplo que contribui para uma contratação pública mais lesta”.

EMPATE DE PROPOSTAS

Em caso de empate entre propostas, o critério de desempate, muitas vezes, não avaliava nada em específico, simplesmente limitava-se a verificar quem entregava mais cedo a proposta na plataforma online. Agora esta forma de desempate é proibida e podem ser tidos em conta outros fatores como prazos de entrega do equipamento, garantias oferecidas, serviço pós-venda, no fundo, fatores qualitativos. Em termos de aspetos negativos, Pedro Melo salienta que a solução para a arbitragem de contratos públicos não tem sentido: a arbitragem continua a ser permitida, e muito bem, mas torna-se agora obrigatório o recurso para um tribunal estadual quando o valor do litígio é igual ou superior a 500 mil euros. Ora, isto é um grande retrocesso e pode representar um enorme entrave ou desincentivo ao investimento, nacional e estrangeiro. “Acho que esta medida foi mal pensada e espero que seja alterada antes do dia 1 de janeiro. Uma forma de mitigar o problema, se não o quiserem pura e simplesmente eliminar, é estabelecer um patamar superior, como por exemplo 100 milhões de euros, e, além disso, determinar que esse recurso é tramitado de forma urgente. Resumindo, neste aspeto em particular, deveria manter-se tudo como está: arbitragem sem possibilidade de recurso ordinário. Se o Estado quer ter maior segurança, maior cautela, deverá então aumentar o valor a partir do qual cabe recurso da decisão arbitral e estabelecer que o mesmo tem caráter urgente”, conclui o advogado. ▪

17 novembro 2017

É

já em janeiro que entrará em vigor a mais recente revisão do Código dos Contratos Públicos (CCP) e que promete simplificar e incentivar a contratação pública. “Em termos de relevância da contratação pública no que toca à percentagem do PIB, que é sempre um critéPEDRO MELO rio importante, na União Europeia a contratação pública tem tido um valor constante que ronda os 16% do PIB. Em Portugal, no ano de 2012, época de plena crise, foram lançados procedimentos de contratação pública num valor aproximado de 6 mil milhões, sendo que desses 6 mil milhões foram contratados 3.5 mil milhões. Isto correspondeu, em 2012, a 2% do PIB. Em 2015, foram lançados novos procedimentos no valor de 9 mil milhões e foram contratados 4.5 mil milhões, isto traduziu-se, nesse ano, em 2.5% do PIB. Estes são números muito expressivos sobre a importância desta área. Estão disponíveis para consulta, de forma mais detalhada, nos relatórios de contratação pública publicados anualmente pelo InCI”.


compras públicas e o código dos CONTRATOS PÚBLICOS

» PEDRO COSTA GONÇALVES, afirma

“A REVISÃO DO CCP É, EM LARGA MEDIDA, FRUTO DAS CONDIÇÕES DO CONTEXTO EUROPEU” Pedro Costa Gonçalves, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Advogado e Diretor do Cedipre – Centro de Estudos de Direito Público e Regulação - esteve à conversa com a Revista Pontos de Vista sobre o CCP que classificou como algo “imperfeito”, porém, “ainda com uma possível correção”.

É

como se não houvesse ninguém que tivesse tido o cuidado formal de ler o código de forma adequada e adaptá-lo da melhor forma às boas regras de legística. Desse ponto de vista o CCP é imperfeito”, começa por explicar Pedro Costa Gonçalves que, apesar disso, acredita que, em certa medida, é algo que é possível corrigir até janeiro. “Há muitas situações que podem ser corrigidas através uma retificação, há outras que não, e que precisavam mesmo de uma revisão legislativa”. O professor explica que as diretivas europeias são bastante objetivas naquilo que pretendem e que por isso, não haveria muito espaço de criação nacional. “As diretivas definem, em muitos casos, regras objetivas e claras, e por isso não há grande margem nacional para legislar nesta área”. Quanto à questão de classificar o código… “O código deveria ser ambicioso em simplificar a vida dos operadores económicos, mas também das entidades adjudicantes. Mas, neste domínio, da simplificação de procedimentos, temos de reconhecer que o legislador nacional enfrenta limites, que, de novo, decorrem da regulamentação europeia que tem de ser observada. Desse ponto de vista, a revisão do código é fruto do contexto em que está inserido”.

MELHORIAS RELATIVAMENTE AO ANTERIOR

pontos de vista

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PEDRO COSTA GONÇALVES

O encurtamento de prazos tem sido uma das melhorias apontadas por muitos, Pedro Costa Gonçalves concorda, mas adianta que esse encurtamento não assegura, por si só, uma melhor contratação pública. De resto, pergunta-se se, em certos casos, o encurtamento não foi exagerado, como, por exemplo, a audiência prévia em três dias, no caso da consulta prévia. Por outro lado, há uma outra alteração importante que se traduz em conferir às entidades adjudicantes poderes de decisão que não são os típicos poderes de decisão de entidades adjudicantes e que podem basear-se em juízos sobre condutas e comportamento dos concorrentes. As entidades adjudicantes são chamadas a decidir sobre assuntos alheios à escolha da melhor proposta e isso pode ter o efeito de aumentar a litigância judicial relacionada com a contratação pública. Já sobre a adjudicação por lotes, que é um dos temas mais discutidos desta revisão, associado à possibilidade de abrir mais o mercado às PME’S, o professor entende que há algum


O AJUSTE DIRETO E A CONSULTA PRÉVIA

O atual CCP define que o ajuste direto é um procedimento pré-contratual através do qual a entidade adjudicante convida diretamente uma ou várias entidades, à sua escolha, a apresentar uma proposta e permite que a entidade adjudicante convide apenas uma única entidade e não estabelece qualquer limite máximo de entidades a convidar. Desde 2008, com o CCP, uma lei que tem

como propósito fundamental a promoção da concorrência no acesso aos mercados públicos, o ajuste direto, um procedimento não concorrencial, tornou-se o procedimento mais utilizado, de acordo com todos os critérios (número de contratos, volume da despesa, em todos os tipos de contratos). O legislador entendeu promover uma alteração e “o ajuste direto é o grande derrotado da revisão do CCP”. O ajuste direto vê-se confinado a contratos de valor muito baixo e, quando adotado por razões diferentes do valor, passa a rivalizar com um outro procedimento, a consulta prévia. Acrescente-se que o modo como a lei articula o ajuste direto com a consulta prévia traz dificuldades suplementares e inesperadas, quer para se decidir quando adotar um outro, quer para perceber a articulação entre ambos nos casos em que se tem de considerar o valor de contratos adjudicados ao mesmo concorrente. ▪

19 novembro 2017

É como se não houvesse ninguém que tivesse tido o cuidado formal de ler o código de forma adequada e adaptá-lo da melhor forma às boas regras de legística. Desse ponto de vista o novo CCP é imperfeito

excesso de discussão em torno do tema, pois o que o código estabelece, aliás como a diretiva transposta, é, não a obrigação de lotear, de dividir os contratos em lotes, mas apenas a exigência, quando for o caso, de explicar por que não se dividiu; e, para cumprir esta exigência, a entidade adjudicante pode invocar fundamentos vários. É uma boa solução.


compras públicas e o código dos CONTRATOS PÚBLICOS

» Fernando Oliveira Silva, Presidente do Conselho Diretivo do IMPIC, afirma

“Medidas que visam a simplificação da contratação pública” pontos de vista

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“A nosso ver, esta revisão legislativa introduz no nosso ordenamento jurídico dos contratos públicos um conjunto de alterações que visam alcançar objetivos de políticas públicas de inovação, de sustentabilidade social, de sustentabilidade ambiental, de apoio à atividade económica (pela defesa das PME), mas também medidas de simplificação e desburocratização, de transparência e boa gestão pública”, refere Fernando Oliveira Silva, Presidente do Conselho Diretivo do IMPIC, Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, I.P, em entrevista à Revista Pontos de Vista. Uma conversa com um especialista e que nos deu a conhecer as extensas alterações no âmbito do Código dos Contratos Públicos.

É ainda importante salientar que o IMPIC está, neste momento, a preparar um conjunto de orientações técnicas sobre alguns dos assuntos mais complexos, como a questão da definição do preço base ou as regras da adjudicação por lotes. Essas orientações são, a nosso ver, fundamentais, para dar alguma densificação prática às normas abertas que o Código inclui”

O

Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, I.P. (IMPIC, I.P.) conta já com mais de meio século de história. O que é importante dizer sobre estes 61 anos de percurso? É importante referir que o IMPIC resulta da evolução natural e sustentada de uma entidade que, com diversas designações e cada vez mais competências, tem assegurado a regulação das atividades de construção e de mediação imobiliária em Portugal e, mais recentemente, também a regulação dos contratos públicos.

FERNANDO OLIVEIRA SILVA

E hoje, que papel o IMPIC assume no mercado? O IMPIC assume-se, por força da revisão do Código dos Contratos Públicos recentemente operada, como uma entidade pública com uma missão bem delineada no domínio da governação dos contratos públicos, competindo-lhe agir como ponto de contacto técnico com a Comissão Europeia, e, por


Que análise é possível fazer sobre o novo CCP? Que principais vantagens traz? Convém esclarecer que não estamos em presença de um novo Código dos Contratos Públicos, mas sim de uma extensa alteração do referido Código, motivada em grande parte, pela necessidade de transpor as Diretivas europeias de contratação pública de 2014. A nosso ver, esta revisão legislativa introduz no nosso ordenamento jurídico dos contratos públicos um conjunto de alterações que visam alcançar objetivos de políticas públicas de inovação, de sustentabilidade social, de sustentabilidade ambiental, de apoio à atividade económica (pela defesa das PME), mas também medidas de simplificação e desburocratização, de transparência e boa gestão pública.

outro lado, como instituto regulador responsável não só pelo acompanhamento e monitorização dos contratos públicos, mas também pela produção de orientações técnicas sobre os temas mais complexos desta temática. Enquanto instituto público, que prossegue atribuições sob tutela do Ministro do Planeamento e das Infraestruturas nas áreas da construção, do imobiliário e da contratação pública, que impacto o novo Código dos Contratos Públicos (CCP) irá ter nestes setores? No domínio específico das infraestruturas, a revisão do Código dos Contratos Públicos introduz diversas novidades das quais posso destacar, pela sua relevância, as seguintes: A nova regra da adjudicação por lotes, que visa promover a participação das PME nos contratos públicos, designadamente nos contratos de empreitada de obras públicas cujo preço base exceda 500,000€; A alteração da norma de fixação do preço anormalmente baixo, eliminando a definição legal desse preço numa percentagem de 40% em relação ao preço base. O critério de adjudicação com base numa relação qualidade/preço em vez da regra do mais baixo preço, tendo em conta, preferencialmente, o custo do ciclo de vida dos empreendimentos; A exigência de uma avaliação custo-benefício como fundamento da decisão de contratar, tratando-se de infraestruturas de valor superior a 5 milhões de euros. A instituição da figura do gestor do contrato que, como o próprio nome indica, será responsável por monitorizar e acompanhar a execução do contrato público.

Públicos surge com naturalidade, pois é uma forma de sensibilizar os seus utilizadores – públicos e privados – para as principais alterações deste regime jurídico. É ainda importante salientar que o IMPIC está, neste momento, a preparar um conjunto de orientações técnicas sobre alguns dos assuntos mais complexos, como a questão da definição do preço base ou as regras da adjudicação por lotes. Essas orientações são, a nosso ver, fundamentais, para dar alguma densificação prática às normas abertas que o Código inclui.

É importante referir que o IMPIC resulta da evolução natural e sustentada de uma entidade que, com diversas designações e cada vez mais competências, tem assegurado a regulação das atividades de construção e de mediação imobiliária em Portugal e, mais recentemente, também a regulação dos contratos públicos”

O novo Código dos Contratos Públicos vai simplificar a contratação pública. Os ajustes ao código vão ao encontro das expectativas do mercado? Como referi, podemos encontrar nesta revisão legislativa um conjunto de medidas que visam a simplificação da contratação pública, das quais destaco o encurtamento dos prazos mínimos de apresentação de propostas, a dispensa de júri na consulta prévia e no concurso público urgente, a flexibilização do valor da caução, o alargamento do ajuste direto simplificado às empreitadas de obras públicas cujo valor não exceda os 10.000€; o alargamento do concurso público urgente às empreitadas de valor inferior a 300.000€. Pensamos que estas medidas terão bom acolhimento quer junto das entidades adjudicantes, quer dos operadores económicos. ▪

21 novembro 2017

O IMPIC vai organizar um “roadshow” de apresentação pública das alterações ao Código dos Contratos Públicos. Em jeito de conclusão, o que é primordial saber antes da sua entrada em vigor no dia 1 de janeiro de 2018? O IMPIC está comprometido com esta sua nova função de apoiar as entidades adjudicantes e os operadores económicos na boa aplicação das regras da contratação pública. Nesse sentido, a realização de um Roadshow nacional de apresentação desta profunda alteração ao Código dos Contratos


compras públicas e o código dos CONTRATOS PÚBLICOS

» MÁRIO AROSO ALMEIDA, DIRETOR DA FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA

CONTRATOS PÚBLICOS: “PORTUGAL NUNCA VAI MUITO ALÉM” a ordem do dia estão palavras como inovação inteligente, desenvolvimento e crescimento sustentável. As diretivas de 2014 assentam numa lógica que é, por um lado, de promover a cultura da contratação pública, tendo em vista a profissionalização do setor, e, por outro lado, a utilização dessa contratação pública. Em que moldes? Dentro do espírito da Europa 2020. Há aqui muitas mudanças que influenciam também esta revisão do CCP. A revisão do Código surge na sequência das diretivas de 2014 da União Europeia e depois da grande crise no país e tem de lidar com preocupações que na altura não eram tão visíveis. Tais preocupações parecem estar a ser levadas mais em conta e há agora uma maior racionalidade onde os concursos públicos, desta vez, também se encaixam. Com esta revisão, o Governo parece procurar mais exigência no modo de contratação, de fundamentação nos tipos de procedimentos e até de exigências de qualificações.

ALTERAÇÕES MAIS MARCANTES

“A alteração mais significativa é provavelmente a opção que foi tomada no sentido de exigir a consulta de pelo menos três entidades para um volume mais alargado de contratos do que acontecia até aqui”. A partir de agora há um novo procedimento chamado consulta prévia, uma medida que ao que parece é um propósito do Governo na procura de introduzir um pouco mais de transparência e reduzir o âmbito do ajuste direto. O nosso interlocutor define esta “intenção” como sendo “boa”, mas lembra que este é um regime que já existia antes de 2008, antes do Código, mas “o que falta no Código revisto é garantir a transparência nas consultas — a par do que acontecia antes de 2008, altura em que muitas consultas eram feitas formalmente quando já se sabia quem era o “escolhido””, elucida Mário Aroso de Almeida. “Algumas opções autónomas do legislador nacional em relação às Diretivassão das mais importantes para serem discutidas. A modifica-

ção dos contratos é uma delas. Há aqui um equilíbrio muito difícil de encontrar. As diretivas de 2014 flexibilizaram nesta matéria, relativamente à jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia – que era mais rigorosa -, mas o nosso legislador não, optando por um regime mais restritivo. O que o nosso legislador decidiu fazer nesta matéria foi consagrar soluções altamente limitativas, olhando apenas para um dos lados da questão: a transparência, mas ignorando o outro lado, que se prende com outras questões de interesse público, designadamente de ordem financeira. O novo regime pode levar a duplicação de custos e prejuízos para o interesse público”, alega o nosso entrevistado.

MÁRIO AROSO ALMEIDA

O ACESSO DAS PME’S À CONTRATAÇÃO PÚBLICA

Este é um caso antigo. A história e as estatísticas contam-nos que as pequenas e médias empresas sempre tiveram dificuldades em aceder ao mundo da contratação pública e quando tinham era pela via da subcontratação. As diretivas nesta matéria deram alguns passos, mas sem consagrar soluções específicas para as PME’S. Segundo o nosso Interlocutor, “a adjudicação por lotes é uma possibilidade que as PME’S têm para ganhar maior expressão no mundo da contratação pública, no entanto, não é obrigatória a adjudicação por lotes e pode ser feita a adjudicação de vários lotes à mesma empresa”.

O PREÇO MAIS BAIXO

“Há a tendência para adjudicar pelo preço mais baixo e isso tem sido criticado porque esse critério, só por si, não garante o melhor negócio, uma vez que, muitas vezes, “o barato sai caro”. Nas diretivas, o critério do preço mais baixo desapareceu, mas, na realidade, não é bem assim”. Desapareceu o critério, mas as diretivas e, por conseguinte, também o Código revisto admitem que, dependendo do tipo de contrato em concreto a celebrar, a proposta economicamente mais vantajosa pode ser aquela que apresenta o preço mais baixo. Fica a pergunta: o que irá mudar? ▪

23 novembro 2017

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O CCP divide opiniões, recebe diferentes interpretações e suscita por isso pareceres distintos. Em entrevista à Revista Pontos de Vista, o Diretor da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, Mário Aroso de Almeida, fala-nos sobre alguns pontos-chave do Código de Compras Públicas.


Evento

» ActionCOACH PORTUGAL

ActionCOACH

PROMOVE EVENTO ÚNICO DE TEAM BUILDING

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A ActionCOACH está a organizar um evento único de Team Building, o ActionMeeting, que se irá realizar nos dias 17 e 18 de Novembro, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão. Este é um evento premium de dois dias onde será dado destaque à performance das equipas e sobre como as sinergias entre todos resultam numa produtividade maior nas empresas.

o longo dos dois dias, haverá cinco provas de Team Building e Workshops contínuos com oradores conceituados que irão falar sobre temas como a gestão do tempo empresarial, o poder da comunicação em equipa, como construir equipas poderosas, entre outros temas importantes para os empresários e gestores de negócios. Simultaneamente, os pitstops do autódromo serão substituídos por expositores onde as empresas poderão divulgar os seus serviços e produtos.

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O objetivo deste evento é aprender a desenvolver um forte espírito de grupo, desenvolver um caminho diferenciado na gestão de equipas e ao mesmo tempo capacitar as empresas com ferramentas de gestão enquanto expõe e publicita os seus produtos e serviços para um grande público. Com o evento, a ActionCOACH procura ir ao encontro das necessidades que todas as empre-

sas têm com as suas equipas, formando pessoas no sentido de alcançar melhores performances e igualmente marcar a diferença num mercado competitivo através de soluções criativas e diferenciadas. As provas de Team Building estão preparadas para fomentar a componente de grupo. Os cenários foram construídos para que todos possam participar. Entre as provas estão, por exemplo, a mudança de rodas numa viatura estática, ao estilo Fórmula 1; condução de um percurso de olhos vendados, enquanto os restantes membros da equipa enviam as instruções do percurso, via rádio a partir do exterior ou uma corrida de karts, entre outras atividades. Em todas as provas são fatores essenciais a organização da equipa, a comunicação e assertividade. A coordenação, espírito de equipa e sentido de entreajuda são fulcrais para o sucesso de todas as atividades. ▪

Meeting Para se inscrever neste evento basta visitar o site actioncoachportugal.pt/actionmeeting

Lá encontrará todas as informações e agenda do evento.


DIA DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA - 15 DE NOVEMBRO

OPINIÃO DE LUÍS FONSECA, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA PARA OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (APPSIG)

MAIS SIG PARA PORTUGAL Os sistemas de informação geográfica (SIG), cada vez mais fazem parte integrante da vida das pessoas. Seja de forma consciente ou não, utilizamos diariamente estas tecnologias para interagir com o mundo e a responder a perguntas complexas como – onde estamos e como nos relacionamos com os outros no espaço e no tempo.

O PERFIL

LUÍS FONSECA

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA PARA OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (APPSIG)

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desenvolvimento dos SIG não só tiveram um impacto profundo no quotidiano das pessoas, como também originaram mudanças significativas nas empresas, organizações e governos. Estas mudanças, foram em muitos casos radicais e conduziram ao aumento da eficácia e eficiência que já começa a ser observada nos diferentes departamentos onde estas tecnologias foram implementadas. Em Portugal, os SIG, têm ganho cada vez mais visibilidade, inclusivamente no setor público. O aumento da produtividade e a capacidade integradora desta tecnologia, permite uma melhoria significativa no tempo de resposta aos problemas, assim como uma melhoria na assertividade da tomada de decisão. A capacidade de espacializar problemas e soluções dota estas tecnologias de relevância nomeadamente quando se considera setores primários como a saúde, recursos naturais, energia e ordenamento do território. A nível de políticas públicas, estas tecnologias são particularmente disruptivas. A informatização dos diferentes serviços públicos levou a um aumento da eficiência de forma transversal em todo o setor e a possibilidade de implementação de novos protocolos que visam o aumento de produtividade e transparência para com os seus utilizadores. Como exemplo, pode ser referido a colheita de dados de campo. Dependendo do objetivo final, estes podem ser adquiridos com elevada precisão, trabalhados e integrados numa questão minutos após o seu levantamento. O desenvolvimento de diferentes plataformas para disponibilização e disseminação de dados espaciais, dota as populações/utilizadores de mais conhecimentos sobre o seu território e permite, em muitos casos, uma maior participação nos diferentes projetos em curso. São já utilizadas aplicações, onde o cidadão, através de qualquer dispositivo, em qualquer momento e em qualquer lugar, pode relatar problemas, o que o coloca muito mais próximo da decisão, estimula a cidadania ativa e permite uma gestão muito mais eficiente do território e dos meios à disposição dos decisores do território. Embora em Portugal já se tenham desenvolvido uma série de projetos inovadores que têm os SIG como componente fundamental, muitos outros ainda estão por iniciar. Podem ser apontadas diversas causas, como a com-

plexidade dos problemas e logística necessária, fazendo com que o capital e o tempo de execução do projeto sejam elevados. Tendo este aspeto em consideração, deve ser referido que o financiamento de grandes projetos e linhas de investigação estão muito dependentes de financiamento externo e existe uma necessidade de mudança neste domínio pois, na grande maioria dos casos, existe à partida uma data de validade e, associado a este facto, precariedade da mão-de-obra que cada vez mais é altamente especializada. A necessidade de mudança de paradigma é premente e sem dúvida que se traduzirá numa profunda mais-valia para o país, tanto ao nível económico como ao nível da sustentabilidade. A continuidade de projetos e de grandes linhas de investigação levará, invariavelmente, a um aumento de conhecimento sobre o território, seus recursos e problemas, podendo ser traduzido num mais correto e ajustado ordenamento do território, acesso e disponibilização de informação a todos os utilizadores. Foi com o este desígnio que surgiu a Associação Portuguesa para os Sistemas de Informação Geográfica, que se dedica a potenciar a partilha de conhecimentos e as experiências individuais e/ou coletivas, nos mais variados âmbitos e escalas de abordagem e ainda o debate sobre os novos desafios que se colocam aos SIG. ▪

Embora em Portugal já se tenham desenvolvido uma série de projetos i n o va d o r e s q u e t ê m o s SIG co m o componente fundamental, muitos outros ainda estão por iniciar. Podem ser apontadas diversas causas, como a co m p l e x i da d e d o s p r o b l e ma s e logística necessária, fazendo com que o capital e o tempo de execução do projeto sejam elevados


DIA DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA - 15 DE NOVEMBRO

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DIA DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA - 15 DE NOVEMBRO

» FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA:

UMA FERRAMENTA TRANSVERSAL A propósito do GISDAY, um evento inserido na Geography Awareness Week, que a National Geographic Society (EUA) promove desde 1987 com o objetivo de divulgar os Sistemas de Informação Geográfica (SIGs), a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Alberto Gomes, Diretor do Mestrado em SIG e Ordenamento do Território da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

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ste ano o Gisday comemora-se a 15 de novembro, no entanto, há quatro anos que a Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) organiza, em abril, uma semana dedicada ao Gisday – o Gisdays. Nestes dias aposta-se na formação e em workshops, complementados por conferências com oradores convidados influentes. “Tentamos trazer, nessa semana, novidades relacionadas com o curso, tanto no que diz respeito às novidades de software como as do mercado”, começa por referir Alberto Gomes. A verdade é que os Sistemas de Informação Geográfica estão no nosso dia-a-dia. “Estão no trânsito, na localização aeronáutica naval, nos incêndios e na localização de pessoas. Fazem parte do nosso dia-a-dia. Algumas das perguntas que fazemos logo pela manhã, relacionadas com o tempo que vai fazer para decidir o que vestir, como está o trânsito para optar pela melhor via, tudo isso se relaciona com os Sistemas de Informação Geográfica”, explica o nosso entrevistado para quem os SIGs estão em constante evolução. “Falta sempre fazer mais alguma coisa no que diz respeito aos SIGs porque estamos constantemente a gerar novas necessidades e a gerar novos produtos”.Por isso mesmo “Portugal precisa de tornar-se mais competitivo e fazer algumas mudanças no que diz respeito à abertura dos dados geográficos, particularmente, nas instituições oficiais. As universidades têm um potencial muito forte para a investigação, mas para isso é preciso terem acesso aos dados”, esclarece o diretor do Mestrado em SIG. Estamos, cada vez mais, a caminhar para o desenvolvimento e uso de software livre, “mas estes novos softwares devem ter em atenção a questão da localização e, sobretudo, a questão das ferramentas de análise. A sociedade em geral faz mais perguntas. Quer saber mais, quer mais respostas, quer consumir mais informação. E o software deve ter essa capacidade de resposta”, afirma Alberto Gomes.

UM CURSO ABERTO A TODA A COMUNIDADE

É importante destacar a importância dos Sistemas de Informação Geográfica para o quotidiano das sociedades humanas, divulgando as suas potencialidades e os seus contributos à comunidade. O Mestrado em SIG e Ordenamento do Território é um curso aberto a toda a comunidade, garante o nosso entrevistado, e que pretende formar geógrafos que lidem bem com as ferramentas de informação geográfica e que saibam

Falta sempre fazer mais alguma coisa no que diz respeito aos SIGs porque estamos constantemente a gerar novas necessidades e a gerar novos produtos ALBERTO GOMES

produzir conhecimento, nomeadamente na questão do ordenamento do território, nos riscos naturais e tecnológicos e na formação global dos alunos no domínio das novas tecnologias. “Temos tido um público diferenciado no Mestrado em SIG e OT. Temos 30 vagas disponíveis e, invariavelmente, todos os anos inscrevem-se cerca de 15 alunos não provenientes da nossa licenciatura em Geografia e que nos escolhem para complementar a sua formação. Também somos procurados por profissionais já colocados no mercado de trabalho, mas que pretendem complementar a sua formação para melhorar a sua qualificação e, consequentemente, a sua posição no posto de trabalho”, explica-nos Alberto Gomes. “Orgulho-me de dizer que temos ex-alunos a trabalhar em instituições europeias, na ONU, em várias instituições governamentais e autárquicas, e ex-alunos que criaram as suas próprias empresas”, adianta. O Mestrado em SIG foi criado em 2008 e desde então a procura tem sido “regular”, “interessante”, e “desafiante”. “Trouxe algo novo à Geografia e veio iniciar uma nova prática ao sermos procurados por alunos de formações diferentes da nossa. É algo muito interessante, mas também desafiante. Temos, igualmente, alguns alunos estrangeiros, no âmbito do programa Erasmus, mas também fora deste programa. Desde a

América do Sul à Ásia e à África do Sul”, ressalta o nosso entrevistado. Nos últimos dois anos, o Mestrado em SIG sofreu uma mudança na sua estruturação com a incorporação de novos professores para ter um corpo docente mais coeso e diversificado. O futuro, esse, passa por olhar agora para os desafios. “Temos de estar atentos ao mercado, trabalhar na ligação entre as empresas e os nossos alunos. Para tal, temos em marcha a criação de um observatório com o propósito de rastrear o percurso profissional dos nossos ex-alunos e estabelecer um contacto direto com eles. Vamos tendo feedbacks que procuramos incorporar nas nossas formações e no Gisdays, o qual pretendemos consolidar. Queremos aproximar mais a universidade e o curso ao contexto envolvente, sejam instituições, ex-alunos, alunos, empresas”, avança Alberto Gomes. O foco passará também por apostar nas parcerias e, em particular, em parcerias internacionais. “Temos em vista uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil, para consolidar o intercâmbio de alunos e de professores, mas também de software. É uma universidade forte no desenvolvimento de software livre e queremos aproveitar essa mais-valia, conjugando-a com um dos nossos pontos fortes que é a análise espacial”, conclui Alberto Gomes. ▪


DIA DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA - 15 DE NOVEMBRO

» 20 ANOS DE GISMÉDIA

OS SIG NA PALMA DA MÃO DE TODOS NÓS “Na GISMÉDIA entendemos que os SIG são mais um recurso para o desenvolvimento de qualquer atividade, seja ela a gestão do território, a gestão de uma rede de comunicações ou de transportes, ou a prevenção de catástrofes naturais”, diz-nos, em entrevista, Maria do Carmo Lucas, Presidente do Conselho de Administração da GISMÉDIA. Venha connosco saber mais sobre a importância dos Sistemas de Informação Geográfica.

Que evolução tem ocorrido nesta matéria? Durante estes anos de atividade pudemos acompanhar a evolução da utilização dos SIG em três fases. Nos primeiros anos preferencialmente por Instituições de Ensino, Organismos Públicos, quase sempre ligados à área das utilities. Esta fase caraterizou-se pelo uso de software proprietário de vários fornecedores e destinado, fundamentalmente, ao conhecimento das áreas de intervenção do negócio, fosse ele uma rede de transportes ou um Plano Diretor Municipal. Paulatinamente, com a maior oferta de cartografia fiável/certificada e técnicos especializados, as grandes empresas e instituições públicas passaram a integrar informação do negócio e beneficiar da capacidade de análise espacial que o software passou a proporcionar. Do ponto de vista do software é a fase do open source e da standardização designadamente a norma INSPIRE no âmbito europeu. Acompanhada de métodos de outras disciplinas, por exemplo a estatística, a análise relacional dos fenómenos permitiu a sua representação em plataformas que, entretanto, se democratizaram. A tomada de decisão conta agora com a ajuda dos SIG. O marketing e os estudos de mercado foram as novas áreas onde mais se evidenciou o uso das ferramentas SIG. A terceira fase é a era dos SIG na internet. A partilha das plataformas de desenvolvimento e de representação, o aproveitamento das capacidades dos dispositivos móveis levaram os SIG à palma da mão de todos nós.

De forma a elucidar os nossos leitores, o sistema de informação geográfica é um sistema que pode ser utilizado em que contextos? Na GISMEDIA entendemos que os SIG são mais um recurso para o desenvolvimento de qualquer atividade, seja ela a gestão do território, a gestão de uma rede de comunicações ou de transportes, ou a prevenção de catástrofes naturais como a que vivemos em Portugal com os recentes incêndios ou uma campanha publicitária. Por outro lado, os SIG deve ser outro sistema transversal em qualquer organização, tal qual um sistema operativo. Por isso, o contexto é universal em termos dos setores de atividade e geral dentro das organizações. A internet disseminou a utilização da tecnologia SIG para todos os tipos de utilizadores, como por exemplo, através do Google Earth. Que outros exemplos podem ser considerados? Ao nível nacional podemos considerar exemplos como o SNIG da DGT, o SIIA da ANACOM. No âmbito internacional apontamos exemplos mais populares como Uber e a AirBnB nos quais a componente geográfica é essencial para localização e ajuda à contextualização de preferências e, consequentemente, de escolhas criteriosas.

1997 - FUNDAÇÃO 2002 - CONSTITUIÇÃO COMO SA 2006 - ESTEREOFOTO - GEOENGENHARIA, S.A. INCORPORA O CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA

Uma seleção de um software SIG, hoje, deve ter em consideração que funcionalidades? O universo 4.0 em que vivemos requer capacidade de interoperabilidade com vários sistemas e de constituir repositório inteligente gerador de informação utilizável por agentes inteligentes autónomos, como a robótica, a internet das coisas (Iot), fonte de matéria-prima para Big Data e estímulo aos profissionais de Data Science. Por que devem as entidades optar pela GISMEDIA? A GISMÉDIA oferece a confiança de 20 anos a desenvolver e a implementar SIG em vários sectores de atividade (transportes, saúde, ambiente, gestão do território, comunicações) em clientes de referência. Ao mesmo tempo, o uso de tecnologias e dados abertos gera soluções economicamente menos onerosas. A facilidade de constituição de equipas tecnicamente atualizadas e altamente especializadas na consultoria e desenvolvimento de soluções multimédia de SIG em estreita colaboração com as equipas dos clientes. Esta experiência permite-nos propor soluções inovadoras que resolvem problemas reais, assentes em casos de sucesso, é uma das garantias que aportamos aos projetos de quem nos consulta. ▪

29 novembro 2017

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ste ano, o GISDAY comemora-se a 15 de novembro, um evento inserido na Geography Awareness Week, que a National Geographic Society (EUA) promove desde 1987 com o objetivo de divulgar os Sistemas de Informação Geográfica. Depois de 30 anos, o que continua a ser importante revelar às pessoas e que elas ainda não sabem? Nestes 30 anos, a GISMÉDIA participou em 20, com uma atividade muito diversificada nos mercados a que se dirigiu ao nível nacional com algumas participações em conferências e projetos internacionais.


FRANCHISING - TENDÊNCIAS DE FUTURO E INOVAÇÃO

» DIA PORTUGAL EM DESTAQUE

Opinião de Carlos Correia, Diretor de Terceiros DIA Portugal

MINIPREÇO

UM MODELO DE FRANQUIA SÓLIDO

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O primeiro Minipreço foi inaugurado em 1979 em Lisboa, sendo pioneiro no lançamento do conceito discount. A insígnia apresentava uma loja sóbria, preços reduzidos e lançou como novidade os primeiros produtos de marca própria. Em 1993, o Grupo DIA iniciou o seu processo de internacionalização abrindo as suas primeiras lojas em Portugal.

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assados quatro anos, com 155 lojas espalhadas pelo país e, seguindo uma estratégia de crescimento, a DIA Portugal adquiriu a cadeia de lojas Minipreço. Numa primeira fase coexistiram as duas insígnias. Contudo, após um estudo de mercado decidiu-se aproveitar a notoriedade da insígnia Minipreço e as lojas DIA Portugal adotaram esta designação. Em 2013, seguindo a estratégia de expansão, e fruta da aquisição pela DIA da rede de lojas Schlecker na Península Ibérica, nascem as primeiras lojas Clarel. É através da insígnia Minipreço que o Grupo DIA é o maior franqueador do mercado nacional no setor da distribuição alimentar

com um perímetro de mais de 620 lojas no total, sendo que 250 operam no regime de franquia. Perante estes números, é seguro afirmar que a franquia continua a ser um dos pilares fundamentais do modelo de negócio em Portugal do Grupo DIA. A consolidação do parque de lojas resulta de uma política consistente de crescimento de lojas próprias, aliada a uma forte estratégia dedicada ao sucesso do modelo de franquias. Os empreendedores nacionais que se juntam ao universo Minipreço acreditam numa fórmula testada e comprovada e que está na base do seu próprio sucesso enquanto empresários, o que tem contribuí-

do para captarmos um número crescente de potenciais interessados na abertura de um supermercado Minipreço. Contudo, todos os negócios acarretam riscos e o modelo de franquia no setor da grande distribuição não é exceção. Sendo a franquia uma componente estratégica das operações do Grupo DIA em Portugal, todo o processo de seleção, aconselhamento e implementação de cada loja Minipreço é precedido de um exaustivo acompanhamento de uma equipa altamente especializada no negócio da distribuição, que assessoria os futuros proprietários de um supermercado Minipreço em todos os pormenores, desde a escolha do local


o investimento, assumindo o franquiado a gestão da loja. O investimento mínimo é de 12.500 euros sendo que, em função dos formatos disponíveis, o empate de capital é traduzido num conjunto de serviços de apoio à gestão e imobilizado, por forma a que o franquiado assuma a gestão do espaço e comece de imediato a explorar o ponto de venda. Em suma, oferecemos a todos os franquiados um apoio constante na otimização de processos por forma a maximizar os resultados operacionais. É certo que o mercado da grande distribuição nos últimos anos transformou-se, e o grupo DIA estando atento a estas movimentações, reformulou os seus conceitos de loja, procurando responder às novas tendências e Por tudo isto, a franquia Minipreço é um modelo de negócio desafios que os que permite a entrada de empresários nacionais num universo consumidores nos colocam, empresarial sólido e de confiança, com uma política de num setor cada vez mais comcrescimento consistente com uma forte estratégia dedicada petitivo, com mais unidades ao sucesso do modelo de franquias e agressividade comercial. Contudo, toda esta estratégia mandistribuição depende de muitos fatores. Um tém um denominador comum: oferecer os deles é incontornável: o compromisso com melhores preços às famílias portugueses a satisfação dos seus clientes. Atualmente, sem comprometer a qualidade a que estão mais de 3 milhões de famílias demonstram habituados. a sua confiança nas lojas Minipreço diariaAcima de tudo, preocupamo-nos em servir as populações das zonas envolventes onde mente, sendo inegável que a marca consoliestamos localizados com uma abrangente dou a sua imagem como sinónimo de uma oferta aos melhores preços. É uma relação excelente relação preço-qualidade dos seus de confiança e de proximidade que é transprodutos face à concorrência. Esta imagem de solidez e confiança coloca a marca entre versal ao nosso perímetro de lojas próprias as mais respeitadas do mercado nacional, e franquiadas e da qual não abdicamos. A tornando-a muito atraente para os franquiaconstante melhoria das nossas lojas em todos que encontram as condições perfeitas das as vertentes tem permitido diversificar o para um negocio de sucesso. Some-se a nosso perfil tipo de cliente. Esta relação de fitodos este fatores, uma filosofia empresarial delização e proximidade obriga-nos a trabaque tem como princípios a eficácia, inicialhar diariamente com o objetivo de sermos mais eficientes, para oferecermos um sortido tiva, respeito, espírito de equipa e foco no de qualidade ao alcance de todos. cliente, e temos uma fórmula vencedora. É por isso que todos os anos, quando mediMas nada disto seria possível sem a coesão de um forte grupo internacional. A DIA está mos a taxa de sucesso dos nossos franquiacotada na Bolsa de Madrid, fazendo parte do dos, os números são bastante animadores. Ibex 35, o índice de referência do mercado Mas queremos, acima de tudo, que todo o bolsista espanhol. Em 2016, as vendas brutas processo de investimento seja o mais transsob insígnia alcançaram os 10.550 milhões parente possível, colocando à disposição de de euros e o número de estabelecimentos todos os interessados um alargado conjunascendia a 7.799 nos países onde opera, Esto de informações prévias que estão sucintamente enunciadas num website criado panha, Portugal, Brasil, Argentina e China. para o efeito em franquia.minipreco.pt Por tudo isto, a franquia Minipreço é um Em termos genéricos disponibilizamos modelo de negócio que permite a entradois modelos de franquia. Um modelo em da de empresários nacionais num universo que o franquiado suporta o investimento empresarial sólido e de confiança, com uma realizado e assume a propriedade do ponpolítica de crescimento consistente com uma forte estratégia dedicada ao sucesso to de venda e a sua gestão e um segundo do modelo de franquias. ▪ formato onde o Grupo DIA assume e realiza até aos processos contabilísticos próprios do seu funcionamento. Posteriormente, a nossa rede de supervisores de loja faz um acompanhamento semanal à nova loja, corrigindo pormenores, otimizando processos e aconselhando estrategicamente os novos empresários que se juntam ao nosso modelo de negócio, para que o seu crescimento seja o nosso crescimento. É um percurso comum que abraçamos em extensa parceria. Mas, abrir um supermercado Minipreço é muito mais do que abrir um simples negócio. É um projeto para a vida que envolve todo o ecossistema familiar, com impacto na economia local onde a franquia se instala. A fórmula de sucesso para uma empresa de


FRANCHISING - TENDÊNCIAS DE FUTURO E INOVAÇÃO

» António Filipe, Diretor Geral do Meu Super, afirma

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ANTÓNIO FILIPE

“O grande fator de sucesso da marca Meu Super é o seu conceito de proximidade”


Quer ser um franquiado Meu Super? Para isso basta ter espírito empreendedor, disponibilidade financeira para investimento em negócio de sucesso e vontade de desenvolver um projeto em conjunto com a Sonae e o seu know how. A Revista Pontos de Vista quis saber mais e conversou com António Filipe, Diretor Geral do Meu Super, que nos deu a conhecer um pouco mais deste conceito de sucesso e as mais valias do mesmo.

Segundo alguns dados, a vossa marca apresenta números excecionais, ou seja, o número de lojas da rede passou de 24 no final de 2012 para um total de 260 no final de 2016. Como se explica este nível de evolução? De facto, a rede de lojas Meu Super evolui muito em apenas seis anos. Foi a marca que cresceu mais em franquia em 2015 e 2016. A justificação para este sucesso é que este modelo de negócio é diferenciador e beneficia da solidez e da confiança proporcionada pelo maior retalhista português como a Sonae MC. Assumem-se como um conceito de supermercados de proximidade lançado pela Sonae em 2011, especificamente desenvolvido para o sistema de franchising. Que vantagens apresentam a quem vos procura no sentido de apostar na vertente da franquia? Sim, o Meu Super é uma marca que tem crescido sob o modelo de franquia e, nesse âmbito, a Sonae MC garante apoio em todas as fases do processo. Assegura a análise de viabilidade do investimento, na definição de layout do espaço, na seleção do equipamento e, até, na seleção da oferta de loja. Os clientes poderão também usufruir de todas as vantagens proporcionadas pelo cartão de fidelização do Continente, através de descontos nas lojas e de benefícios numa rede alargada de parceiros. Na vossa estratégia, de que forma é importante que os empreendedores que se juntam a vocês acreditem na vossa fórmula? De que forma é a mesma essencial para o próprio sucesso? É legítimo afirmar que é este modelo e filosofia que têm contribuído para captarem um número crescente de potenciais interessados?

Todos os negócios e investimentos compreendem um risco, que, no caso do Meu Super é minimizado pelo acompanhamento e apoio que a Sonae MC faz junto dos franqueados Meu Super. Isto traduz-se em contactos permanentes e em decisões conjuntas”

Escolher a rede de supermercados Meu Super significa exatamente o quê? Significa escolher um formato ganhador, sólido, consistente e seguro, com vantagens claras para empresários, empreendedores e consumidores.

No caso do Meu Super e, diria, em qualquer negócio desenvolvido sob o modelo de franquia, é fundamental que o franqueador e o franqueado estejam em sintonia e saibam qual é o papel de cada uma das partes no negócio, para se atingir o sucesso. Os últimos seis anos de atividade revelaram a solidez e consistência do nosso modelo de franquia. Estamos, por isso, muito satisfeitos com os resultados alcançados, mas acreditamos que o futuro será ainda mais risonho. Todos os negócios acarretam riscos e o modelo de franquia não “foge” a esse cenário. Quais são os principais riscos do vosso modelo de franchising? De que forma é que promovem um acompanhamento e aconselhamento constante aos empreendedores interessados na vossa marca? Sim, todos os negócios e investimentos compreendem um risco, que, no caso do Meu Super é minimizado pelo acompanhamento e apoio que a Sonae MC faz junto dos franqueados Meu Super. Isto traduz-se em contactos permanentes e em decisões conjuntas. Como é precedido todo o processo de seleção, aconselhamento e implementação de cada loja? É de facto uma parceria, ou seja, um percurso comum?

É sempre um processo de parceria, feito lado a lado. O primeiro contacto é normalmente estabelecido pelo empresário ou empreendedor que tem interesse na marca Meu Super. Depois de formalizado o interesse, é feita uma avaliação de viabilidade da franquia, que compreende estudos de mercado e análises de investimento. Após esta fase, passa-se então para a preparação ou conversão do espaço de loja, para a definição do layout e escolha do equipamento. Após abertura mantemos um contacto permanente, para que as duas partes possam assegurar o sucesso da loja. Qual é a taxa de sucesso dos vossos franquiados? A taxa de sucesso é muito elevada e superior à média do mercado. Acompanhamos e apoiamos com programas desenvolvidos e específicos para a dinamização das vendas das lojas. É legítimo afirmar que o modelo de franchising, hoje em dia, assume-se cada vez com um cariz de serviço às populações pela dinâmica que perpetua na proximidade e zonas envolventes? Julgo que o formato de proximidade das lojas Meu Super favorece a revitalização do chamado comércio tradicional, através de um modelo mais profissionalizado e ajustado às necessidades atuais dos consumidores. Por outro lado, as lojas Meu Super assumem atualmente um papel central dos bairros e de pequenas localidades, porque acabam por ser o local onde os vizinhos se encontram e interagem, o que acaba por favorecer também a vida da comunidade. A Inovação é um vetor essencial e importante na vossa dinâmica? Em que aspetos? A inovação é importante para o nosso mercado nomeadamente ao nível de desenvolvimento de produto e em novos conceitos de desenvolvimento do negócio. A experiencia do consumidor continuará a ser um dos eixos de atuação da marca. Quais são os grandes desafios atuais da marca? Existe espaço para o crescimento de espaços em Portugal? Se sim, de que forma o irão perpetuar em 2018? Acredita que o modelo de franquias/franchising é cada vez mais o futuro? O grande desafio é alargar a rede de lojas da marca e chegar cada vez mais perto das famílias portuguesas. Estamos convencidos de que há ainda muito espaço para estes formatos de proximidade crescerem quer na criação de novas lojas quer na modernização de lojas existente, sobretudo, porque os portugueses fazem cada vez mais compras de pequena dimensão e de forma mais frequente, o que favorece bastantes as lojas Meu Super. ▪

33 novembro 2017

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rede de supermercados Meu Super, do Grupo Sonae MC (Modelo Continente) tem tido um crescimento exponencial desde que surgiu em Portugal em 2011, quer em número de lojas, quer em termos de cobertura territorial do País, quer no que respeita ao volume de vendas. Quais as principais características da marca que lhe têm permitido este crescimento? O grande fator de sucesso da marca Meu Super é o seu conceito de proximidade. É um formato para empresários e empreendedores, que encontram no Meu Super uma forma de entrar no mercado de retalho alimentar ou de modernizar um modelo de negócio tradicional, com a garantia e o suporte da Sonae MC. Depois, é uma mais valia para os consumidores, que, através das lojas Meu Super, têm acesso aos produtos que precisam no seu dia-a-dia, acesso aos produtos da marca continente e com um atendimento personalizado.


BUSINESS PROCESS OUTSOURCING

» Sandra de Carvalho Dias, Diretora Geral do GRUPO BC Portugal, revela

“Criar novas soluções está no nosso ADN”

FOTO: diana quintela

“O nosso papel tem sido o de acompanhar os nossos clientes no seu percurso, dar-lhes um serviço de excelência”. Quem o afirma é Sandra de Carvalho Dias, Diretora Geral do GRUPO BC Portugal, que em entrevista à Revista Pontos de Vista abordou o crescimento da marca, abordando ainda a importância do Business Process Outsourcing – BPO e os desafios do mesmo.

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e forma a contextualizar o nosso leitor, afinal, o que é BPO (Business Process Outsourcing) e o que representa o mesmo no mundo empresarial? Bom, traduzindo à letra, trata-se do Processo de Externalização de Negócio, sendo que, efetivamente, no século passado, começou por ser uma tímida externalização de pequenas áreas de processos e tarefas, sob o método da replicação (terceirização), onde parcialmente, os custos de produção para a empresa passaram a ser variáveis. No mundo empresarial, a entrada do BPO veio em primeiro lugar, criar leveza nas estruturas empresariais pois, de uma vez só, trouxe, por um lado a garantia de que as tarefas “no core” seriam totalmente asseguradas, o que libertava os seus recursos para se dedicarem ao core business e consequentemente atingir melhores resultados, e, por outro lado, trouxe também a possibilidade

Os motivos pelos quais as empresas aderem ao BPO são variados, desde os motivos organizacionais, de gestão, capacidade produtiva, controlo de custos, diversificação, partilha e mitigação de riscos, e poderíamos enumerar uns quantos mais

de grande parte da estrutura empresarial pudesse ter um custo variável. Desde entidades públicas a privadas, no mundo inteiro e nas mais diversas áreas de atuação e de negócio, assiste-se cada vez mais ao recurso ao outsourcing, sendo que, hoje em dia e salvo melhor opinião, existe dois tipos de outsourcing, o puro e duro, onde se externalizam processos e tarefas a baixo custo, onde o que importa é o baixo preço e, por outro lado, o Outsourcing com consultoria de projeto e garantia de resultados, riscos operacional e reputacional absolutamente mitigados, onde se diagnosticam as necessidades da entidade, se elabora um Projeto de externalização que lhe convenha e se trabalha em parceria, acrescentando valor (parceiros no negócio). De salientar que, o facto de se elaborar projetos à medida da entidade, isso não quer dizer que não exista uma clara tendência para a transversalidade e customização


dos processos e serviços, seja para Entidades, pequenas, médias ou grandes ou não seria vantajoso existir o BPO. Sobre o percurso do Grupo BC em Portugal, como o definiria? Que papel têm assumido no mercado português nesta área? Ainda que estejamos no mundo desde 1974, o Grupo BC está em Portugal desde 2005 sob a forma de sucursal e tem essencialmente na sua carteira de clientes entidades bancárias, fundos e consultoras. O nosso papel tem sido o de acompanhar os nossos clientes no seu percurso, dar-lhes um serviço de excelência, sendo que a nossa atividade tem crescido bastante nos últimos dois anos, com a retoma económica. A necessidade de externalização de processos e tarefas é cada vez maior e em áreas cada vez mais especializadas e a nós, cabe-nos dar a resposta de qualidade a estas necessidades, acompanhando os clientes na necessidade de obter maior produtividade com maior controlo de custos de produção. Criar novas soluções está no nosso ADN, ainda mais agora, com o desafio tecnológico que todas as entidades enfrentam.

E quais são os maiores benefícios ao aderirem? Total dedicação ao seu core business, modernização, leveza estrutural, controlo de gestão, garantia de execução e cumprimento de níveis de serviço (tempo e qualidade), controlo de custos e consequentemente, melhores resultados. Há uma forma “mais eficaz” de implementação? Qual é? Salvo melhor opinião, não existem fórmulas mágicas, cada entidade tem o seu ADN e devemos trabalhar a partir daí, preparando um diagnóstico de necessidades para poder elaborar o projeto a desenvolver. Depois de implementado, em quanto tempo os clientes conseguem verificar que o investimento foi um sucesso? Depende da tipologia, longevidade e da dimensão do projeto. Existem projetos que após a primeira semana da conclusão da implementação e entrada em produção já dão sinais de sucesso e existem outros, que pela sua complexidade e dimensão só poderão dar sinais de sucesso, no

seu todo, após meses de implementação e entrada em produção. No Business Process Outsourcing quais são os maiores desafios que os clientes enfrentam? E a empresa? Digamos que para ambas as partes, o primeiro é ultrapassar a resistência à mudança e o segundo a implementação da transversalidade e customização de circuitos de trabalho para departamentos e produtos diferentes dentro de uma mesma entidade, pelo menos na nossa área de atuação. A terceirização assim como o outsourcing são praticados com o objetivo de reduzir custos e de melhorar a produtividade da empresa através da transmissão de atividades e processos a empresas especializadas, mas existem diferenças. Quais são elas? A terceirização é anterior ao outsourcing, foi pela externalização de tarefas mais simples e repetitivas que tudo começou, utilizando na maioria das vezes o método de replicação por ser assim, mais fácil o controlo. Digamos que ao longo do tempo a terceirização evolui para o outsourcing, precisamente pela necessidade de criação de soluções operativas e de especialização cada vez maior que as empresas têm. Ambos são necessários e muitas vezes complementares. ▪

O que difere o Grupo BC dos demais players do setor? 43 anos de know-how, sempre a evoluir e a crescer quantitativa e qualitativamente. O nosso dinamismo na diversificação de serviços especializados e a busca constante de novas soluções para os nossos clientes. Em Portugal concretamente, aquilo que nos distingue, é a equipa técnica e multidisciplinar que temos e a relação de proximidade que mantemos com a maior parte dos nossos clientes, a escuta ativa e a capacidade de nos colocarmos no seu lugar e conseguir assim diagnosticar necessidades e desenvolver projetos e soluções à medida. Se tiverem curiosidade, consultem o nosso site: www.grupobc.com

35 novembro 2017

Por que motivos as empresas aderem ao BPO? Os motivos pelos quais as empresas aderem ao BPO são variados, desde os motivos organizacionais, de gestão, capacidade produtiva, controlo de custos, diversificação, partilha e mitigação de riscos, e poderíamos enumerar uns quantos mais, no entanto, o maior desafio a que as empresas estão sujeitas e que as leva a recorrer ao outsourcing especializado, é o da transformação tecnológica que obrigatoriamente terão de fazer a curto prazo, se se quiserem posicionar ou manter nos mercados em que atuam.

FOTO: diana quintela

Que perspetivas considera que este novo modelo de negócio trouxe mais significativas à customização de custos e de recursos nas organizações? A possibilidade de redimensionamento estrutural e controlos produtivo e orçamental que são essenciais a todas as organizações.


BUSINESS PROCESS OUTSOURCING

» Grant Thornton Consultores, EM DESTAQUE

As vantagens do Business Process Outsourcing Em entrevista à Revista Pontos de Vista, Joaquim Mendes, Managing Partner - Tax, Advisory & BPS da Grant Thornton Consultores, deu-nos a conhecer a dinâmica do Business Process Outsourcing (BPO) e as vantagens do mesmo. Fique a saber mais de uma marca timbrada pela credibilidade e excelência.

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ara contextualizar o nosso leitor, o que é Business Process Outsourcing (BPO)? Vale a pena tomar um momento para definir o que queremos dizer com BPO ou externalização de processos de modo a desmistificar alguns pontos que podem gerar alguns equívocos. O BPO consiste na separação de funções especializadas numa empresa e o recurso a fornecedores especializados para executar essas funções, já que estas empresas as podem executar com recurso a especialistas de modo mais eficiente e com menor custo. Os principais drivers para o recurso ao BPO continuam a ser as necessidades de redução de custos e o aumento da eficiência. A necessidade de redução de custos leva a que muitas empresas procurem externalizar funções inteiras, utilizando um fornecedor de serviços global com presença nos países onde a função é executada. É bastante comum ver empresas com operações em vários países com fornecedores diferentes em muitos desses países. Uma forma de reduzir os custos e ganhar eficiência é contratar fornecedores com presença nas diversas áreas do globo. A utilização de sistemas e de reporting harmonizados é uma mais valia para os gestores e um factor de diminuição de riscos e aumento da eficiência. As firmas membro da Grant Thornon International Ltd (“GTIL”) estão presentes em mais de 130 paises e contam com mais de 47 mil profissionais. As equipas em todo o mundo, trabalham em colaboração, partilhando a sua experiência e conhecimento técnico nos diversos setores de atividade, assumindo um compromisso de excelência. Seja qual for a localização geográfica, encontra equipas que seguem a mesma metodologia, flexibilidade e experiência relevante. Que oportunidades vem trazer ao universo empresarial? Os benefícios que o recurso a serviços de BPO pode oferecer às empresas são amplamente reconhecidos, sendo a procura de eficiência (57%) e a redução de custos (55%) as principais motivações. As áreas onde o recurso a estes serviços é mais recorrente são as contabilisticas e fiscais (49%) e as TIs (46%). De acordo com um estudo levado a cabo pela Grant Thornton, 2 em 5 PMEs em todo o mundo, recorrem ou planeiam recorrer num futuro próximo ao outsourcing de algum processo de back-office. Essa é a principal conclusão do relatório “Outsourcing: driving efficiency and growth” que procura compreender melhor os comportamentos no que se refere ao outsourcing: porquê


jOAQUIM MENDES

Temo-nos assumido como uma firma de referência no apoio às PME’s de cariz internacional no desenvolvimento das suas actividades em Portugal bem como no procura de soluções nos seus mercados alvo e quais funções a externalizar? O que impede as empresas de recorrer ao outsourcing? Como esses obstáculos podem ser superados? Em termos gerais, o recurso ao BPO oferece como principais benefícios: Redução de custos – A externalização de serviços de contabilidade, recursos humanos e fiscais permite reduzir os custos da empresa. Serviço personalizado – A empresa fica com a possibilidade de obter um serviço adaptado às necessidades reais da empresa, com acesso a relatórios personalizados capazes de ajudar o gestor na tomada de decisões de forma rápida e eficiente. Prioritização de esforços - A externalização de serviços de back-office permite o foco no desenvolvimento do negócio e uma otimização da produtividade. Vantagens competitivas – Ter informação financeira precisa e ágil permite a antecipação na tomada de decisões. Acesso a tecnologias críticas - A externalização de serviços permite o acesso a ferramentas que a empresa normalmente não contemplaria para a realização de tarefas acessórias.

Segurança e confidencialidade – A Grant Thornton garante o tratamento da informação de forma profissional e confidencial. Imagem corporativa – O recurso a uma firma de reputação internacional ajuda na melhoria da imagem corporativa da empresa. Pessoal especializado – Permite o acesso a profissionais qualificados e com experiência nas suas áreas (contabilidade, fiscalidade, laboral,...). Redução de riscos – As equipas de especialistas da Grant Thornton, têm atualização constante nas suas áreas de atuação. Apoio internacional - A presença de 47.000 profissionais em mais de 130 países permite acompanhar os processos de internacionalização dos clientes. O que é importante saber sobre a Grant Thornton Consultores? A Grant Thornton Consultores está presente em Portugal desde 1998, sendo uma firma membro de uma das principais organizações mundiais de firmas independentes de auditoria, fiscalidade, consultoria e outsourcing. Tendo uma estrutura muito ágil e próxima do cliente, temos a capa-

E sobre o seu percurso em Portugal? Que papel tem assumido no mercado português? A Grant Thornton Consultores tem apresentado ao longo dos anos um crescimento estável e sustentado, muito assente na nossa capacidade de lidar com clientes internacionais que procuram a nossa experiência local mas com uma forte vocação internacional para dinamizar a sua actividade. Temo-nos assumido como uma firma de referência no apoio às PME’s de cariz internacional no desenvolvimento das suas actividades em Portugal bem como no procura de soluções nos seus mercados alvo. A par do BPO, em que outras incide a atividade da Grant Thornton Consultores? A Grant Thornton Consultores presta um vasto leque de serviços

de fiscalidade, consultoria e outsourcing. A nossa equipa tem uma vasta experiência e conhecimento dos mercados interno e externo, através da nossa integração numa organização internacional, conjugados com uma elevada competência técnica de modo a oferecer aos clientes os níveis de serviço necessários para o sucesso no actual mercado internacional globalizado e competitivo. Num mercado extremamente competitivo, onde as empresas precisam de otimizar os seus recursos para aumentar a produtividade e reduzir custos, qual continuará a ser o papel e a estratégia da Grant Thornton Consultores junto do tecido empresarial? A par da estratégia de apoio às PME’s internacionais no desenvolvimento da sua actividade em Portugal, a Grant Thornton Consultores é o parceiro ideal para acompanhar as PME’s nacionais no seu processo de internacionalização, sem descurar o apoio ao desenvolvimento das actividades locais dos seus clientes. ▪

37 novembro 2017

cidade de encontrar as soluções que melhor se adequam a cada cliente. A senioriedade da equipa que acompanha o cliente é um dos factores que nos distingue da concorrência.


NOVA ECONOMIA DIGITAL E O IMPACTO NO SECTOR DOS SEGUROS

»LUÍS CARDOSO, DIRETOR DE INOVAÇÃO E PROJETOS DA LIBERTY SEGUROS, EM ENTREVISTA

“A Liberty seguros dedica muita atenção à evolução da economia digital” “A Liberty Seguros dedica muita atenção à evolução da economia digital. Vemos aqui uma oportunidade de conhecer melhor os Clientes e fazer-lhes propostas de valor mais adequadas ao longo da sua vida, afirma Luís Cardoso, Diretor de Inovação e Projetos da Liberty Seguros, que em entrevista à Revista Pontos de Vista abordou a dinâmica do universo digital na vertente dos seguros. Além disso, percebemos ainda melhor que a Liberty Seguros é, cada vez mais, uma marca pronta para responder a todos os desafios.

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Um dos novos desafios é a economia de uso e de partilha, que se manifesta no aluguer de veiculos durante o tempo em que estão parados, ou de casas através do Airbnb, ou na tendência para alugar em vez de comprar (e-cooltra ou Drive Now). São modelos de negócio que exigem novas respostas. O risco está sempre lá, mas a definição do preço tem que se adaptar a uma multiplicidade de utilizadores e padrões de utilização”

LUÍS CARDOSO


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uando falamos de economia digital estamos a falar de um novo conceito de fazer negócios. Para o setor dos seguros, que principais mudanças trouxe a digitalização da economia? Os seguros não são diferentes de outras áreas da economia. Não é possível fechar as portas, o digital vai entrar quer queiramos quer não. Por exemplo, hoje em dia a presença online é indiscutível e independente da nossa vontade. A vida dos nossos clientes está online, e nós fazemos parte da sua vida, nos comentários nas redes sociais, nas recomendações que fazem, entre outros. O digital trouxe também um aumento da exigência dos Clientes, porque a internet e as redes sociais criaram um padrão de imediatez e acesso permanente. E todas as possibilidades que se abrem estão também a ter impacto na mudança de processos internos e na relação com as redes de distribuição.

“A digitalização da economia não é opção, mas uma inevitabilidade”. A mesma pode trazer desvantagens ou é apenas uma questão de saber aproveitar as oportunidades? É uma questão de saber aproveitar as oportunidades. Não diria desvantagens, mas sim custos de mudança. Nesta nova economia digital, a proximidade ao cliente torna-se fundamental. Essa tem sido uma das premissas da Liberty Seguros? Sem dúvida. E não nasceu com a economia digital... sempre fez parte da nossa cartilha, através da nossa rede de mediadores, que estão próximos dos Clientes e conhecem as suas necessidades. O que o digital traz é uma nova forma de proximidade e disponibilidade imediata do serviço, como por exemplo no nosso atendimento por whatsapp. Ou no auto-serviço, através de portais e aplicações móveis para os Clientes gerirem a sua carteira e os seus eventos. Na rede de distribuição, que no nosso caso é constituída por agentes independentes (e que nós consideramos como o nosso primeiro Cliente), a proximidade manifesta-se na disponibilização de ferramentas de trabalho de excelência que os apoiam pesquisa de negócio e na gestão do portefólio (o nosso portal Connect e apps móveis). Com a ascensão da economia digital  é preciso redefinir os negócios e a tecnologia. Como é que a Liberty Seguros tem acompanhado este processo? A Liberty Seguros dedica muita atenção à evo-

O grau de exigência aumentou a todos os níveis, forçando as organizações a reequacionarem gamas de produtos, ofertas de serviços e modelos de negócio. Que certezas vão encontrar os clientes sempre que procurarem a Liberty Seguros? A certeza de que encontrarão pessoas competentes e simpáticas que as compreendem e lhes dão a melhor resposta, no aconselhamento de produtos ou na resolução de qualquer problema. Pela sua natureza, a nossa atividade lida com momentos de verdade muito sensíveis. A tecnologia vai ajudar, mas este o toque humano fará sempre a diferença.

O digital trouxe também um aumento da exigência dos Clientes, porque a internet e as redes sociais criaram um padrão de imediatez e acesso permanente. E todas as possibilidades que se abrem estão também a ter impacto na mudança de processos internos e na relação com as redes de distribuição” lução da economia digital. Vemos aqui uma oportunidade de conhecer melhor os Clientes e fazer-lhes propostas de valor mais adequadas ao longo da sua vida. Um dos novos desafios é a economia de uso e de partilha, que se manifesta no aluguer de veiculos durante o tempo em que estão parados, ou de casas através do Airbnb, ou na tendência para alugar em vez de comprar (e-cooltra ou Drive Now). São modelos de negócio que exigem novas respostas. O risco está sempre lá, mas a definição do preço tem que se adaptar a uma multiplicidade de utilizadores e padrões de utilização. Um exemplo concreto é o UBI, ou user-based insurance. A telemática, ou seja, a transmissão de dados do veículo e/ou da condução, permite um conhecimento mais aprofundado do risco e portanto adaptar melhor o seguro a cada caso. Associada ao IoT (Internet of things), permite até contratar coberturas durante um certo período apenas, numa lógica de utilização. Isto é uma mudança importante, porque o saber tradicional dos seguros assenta na distribuição do risco em pools suficientemente amplas para que ele se dilua, e no princípio do seguro permanente. Nesta área, estamos a lançar a aplicação Hit the

Road!, que ajuda as pessoas a conhecerem os seus padrões de condução e lhes permite, de uma forma divertida, ganhar prémios e partilhar o seu progresso com os amigos. Apesar das significativas mudanças tecnológicas ocorridas nos últimos anos, acredita-se que o ritmo de mudança irá acelerar entre 2017 e 2020, à medida que a “Economia Digital” ganha uma maior dimensão. Estarão as empresas portuguesas, em particular do setor dos seguros, preparadas? É dificil falar por todas. Mas há a consciência dos desafios. A APS tem dado alguns passos: lançou há cerca de um ano a app e-segurnet, que permite a participação eletrónica do sinistro automóvel e tem feito um grande trabalho na criação de interfaces digitais entre as seguradoras, poupando muito trabalho e tempo aos clientes. Seria necessário que o Estado desse também um passo, colaborando na partilha em tempo real de dados; imaginemos o que seria poder aceder ao registo de acidentes da GNR e da PSP e dar assistência mais célere aos cidadãos. Não duvido que chegaremos a implementar blockchain com o Estado, mas é preciso abertura para dar estes passos em parceria, simplificando a vida aos cidadãos e reduzindo os custos operacionais do Estado. Fatores como tempo, espaço, qualidade, informação e decisões rápidas assumem, hoje, uma extrema relevância. De que forma isso se traduz para as empresas do setor dos seguros? Sempre assumiram, mas hoje os Clientes são mais sensíveis a esses fatores. E houve evoluções gigantescas na rapidez de resolução de sinistros. Veja-se a introdução de prazos nos sinistros automovel: o setor respondeu de forma exemplar e em tempo recorde, e os níveis de incumprimento são residuais. Ou veja-se a resposta à tragédia brutal dos incêndios este ano. A Liberty Seguros estava literalmente no dia seguinte no terreno a pagar indemnizações, permitindo que as pessoas continuem com a sua vida com dignidade e esperança.▪

39 novembro 2017

E que desafios acarreta? Vários! Custos – este é um setor que vive com margens esmagadas, o que torna dificil os business case para uma rápida transformação digital. Complexidade – o legado de sistemas é um enorme peso às costas. Os recursos são consumidos a unir e a melhorar a manta de retalhos de aplicações nascidas na era do mainframe, quando seria muito mais fácil construir – ou usar – aplicações construidas de raiz. Os próprios produtos são demasiado complexos para os novos clientes. E por ultimo, mudar a mentalidade: é preciso pôr o Cliente no centro de todos os nossos processos. Só assim é possível ganhar a sua confiança e acompanhá-lo nos novos tempos.

Liberty Seguros


INVESTIMENTOS FINANCEIROS ONLINE – EXISTE CONFIANÇA?

» RUI OLO, RESPONSÁVEL NA DIREÇÃO DE MARKETING POR PRODUTOS E INVESTIMENTOS DO ACTIVOBANK, EM ENTREVISTA

“ACTIVOBANK, SIMPLIFICA”

RUI OLO

Os processos simples, a acessibilidade e a inovação já valeram ao ActivoBank o reconhecimento internacional através da obtenção de diversos prémios. Rui Olo, Responsável na Direção de Marketing por Produtos e Investimentos do Activobank, fala-nos mais sobre o banco online de referência em Portugal.

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uem abre uma conta no ActivoBank o que é que vai encontrar? Quem abre conta no ActivoBank vai encontrar um banco. É aquilo que somos, é essa a nossa atividade. A diferença está na experiência que proporcionamos a quem abre conta connosco. Em apenas 20 minutos, asseguramos que o nosso novo Cliente leva toda a relação bancária base com ele, incluindo os cartões que são emitidos na hora, os acessos para gerir a sua nova conta através dos diferentes canais digitais e também uma apresentação do banco e dos seus principais produtos e serviços. Tudo isto num ambiente que diverge da banca tradicional, até no horário mais alargado e ajustado à vida do quotidiano das pessoas. Os nossos novos Clientes chegam-nos essencialmente por recomendação de atuais Clientes, porque somos cada vez mais uma marca de confiança no setor financeiro, com a chancela dos nossos já mais de 150 mil Clientes, pelo que a experiência proporcionada é cada vez menos uma surpresa. Ainda assim, neste capítulo da abertura de conta, esperamos a breve prazo ter novidades.

O ActivoBank é um banco online de referência em Portugal. Que vantagens e mais-valias oferece aos seus clientes? Somos um banco com uma forte componente online, mas não apenas um banco online,

pois combinamos esta componente com os nossos Pontos Activo, abertos ao público, num total de 13 atualmente, juntamente com uma linha de atendimento telefónico e uma equipa de gestores remotos. Isto dito, os bancos online são conhecidos por oferecer produtos e serviços a preços mais competitivos do que a banca tradicional. Esta é também uma das variáveis do nosso mix de sucesso. Aliado a este fator, a gestão que nós fazemos da nossa oferta de produtos e serviços, concentrada apenas naquilo que são as principais necessidades dos Clientes, garante-nos uma simplicidade muito apreciada por quem nos escolheu. Todos os dias trabalhamos para que, connosco, o Cliente encontre aquilo que precisa e, mais importante ainda, que o compreenda com facilidade. Por isso a nossa linha de comunicação foi, desde sempre, estudada e pensada para que todos possam entender a nossa oferta e não apenas nós próprios. Primamos ainda noutro capítulo, o da transparência. Neste setor de atividade esta é provavelmente a característica mais valorizada pelos nossos clientes. Quando o Cliente compra um produto ou serviço, fazemos questão de que toda a informação relevante, especialmente os custos, seja bem conhecida logo à partida. A nossa perceção é que o cliente está disposto a pagar o preço certo por um produto ou serviço, mas é intolerante a custos escondidos e desconhecidos no momento da compra.

Por último, uma nota acerca da nossa forma de estar perante os nossos Clientes: estamos aqui para satisfazer as suas necessidades financeiras, por isso respeitamos o espaço do cliente dentro do nosso banco, não somos intrusivos com ofertas comerciais persistentes e despropositadas. No ActivoBank é o Cliente que compra, não é o ActivoBank que vende. Com um percurso bastante sólido no mercado, hoje quais são os maiores desafios de um banco online? Um banco com uma forte componente online tem sempre que estar um passo à frente dos seus concorrentes, por isso inovar faz parte do nosso ADN. Na componente da inovação tecnológica é especialmente difícil manter a diferença face aos concorrentes, que rapidamente se ajustam e percorrem trilhos semelhantes. Devido à nossa forte componente digital, continuará sempre a ser um dos nossos principais desafios, incorporar a melhor tecnologia ao serviço do Cliente. O segredo do aperfeiçoamento tecnológico será sempre o de pensar primeiro no Cliente e na utilidade que uma nova funcionalidade possa vir a ter para ele. Dito isto, o nosso maior desafio passa por ser um banco com um forte pendor digital, mas com presença. Isto é, não queremos que a relação bancária do nosso cliente esteja apenas e só assente na vertente digital. É cómodo e prático,


Os bancos estão preparados para o futuro, apesar da rápida evolução dos consumidores e dos enormes desafios do avanço da tecnologia? O setor financeiro português, com os bancos online à cabeça, é daqueles que mais tem investido em colocar a tecnologia ao serviço dos seus Clientes. É um setor extremamente concorrencial, onde a mobilidade bancária é facilitada e com Clientes cada vez mais exigentes. O mais importante é avançar na tecnologia de forma sustentada, ou seja, com inovações que sejam percecionadas pelo cliente como de valor acrescentado e que sejam viáveis. Recordo um exemplo do final do século XX: a inserção no mercado do Porta Moedas Multibanco (PMB), destinado para as pequenas despesas do dia-a-dia como por exemplo, pagar o café ou o jornal. Um avanço tecnológico grande para a época que acabou por fracassar. Fosse pelos custos que os comerciantes tinham com o terminal, ou porque o Cliente simplesmente não estava preparado para abdicar dos trocos, não resultou. Por tudo isto, vamos sempre tentar dar passos sólidos no capítulo tecnológico para que o nosso investimento se materialize em maior grau de satisfação dos nossos Clientes. “Não poupe na informação antes de começar a poupar”, alertam. O que se deve saber antes de abrir uma conta poupança? As contas de poupança ou depósitos a prazo são, na sua maioria, relativamente lineares. Ainda assim é importante conferir a taxa de juro, qual e se aplicável à totalidade do prazo, bem como as condições em que pode ser desmobilizada, nomeadamente no que respeita à penalização sobre os juros acumulados. O prazo, o pagamento de juros, a possibilidade de reforçar e o acesso ao Fundo de Garantia de Depósitos, são variáveis a validar.

O setor financeiro português, com os bancos online à cabeça, é daqueles que mais tem investido em colocar a tecnologia ao serviço dos seus Clientes. É um setor extremamente concorrencial, onde a mobilidade bancária é facilitada e com Clientes cada vez mais exigentes

Que opções de poupança oferecem aos vossos clientes? Tentamos, com o nosso depósito a prazo “Escolha o Prazo”, satisfazer as necessidades de poupança dos nossos clientes. Com um prazo flexível que vai dos 15 aos 1800 dias, ao qual está associada uma taxa, o cliente escolhe o que pretende. Este depósito não tem mínimo de constituição e permite reforços em qualquer altura. Em suma, um único depósito a prazo serve a globalidade das necessidades de quem quer aplicar a sua poupança. Adicionalmente mantemos na nossa oferta os depósitos Start e Extra. O primeiro para novos Clientes, com uma taxa bonificada, o segundo, para atuais clientes, com a mesma taxa, condicionada no entanto à utilização de alguns produtos bancários, como sejam os cartões, a domiciliação do ordenado ou débitos diretos. Quais são as maiores preocupações de um cliente que quer abrir uma conta poupança? Essencialmente o importante é perceber para que vai servir a poupança. Há normalmente um objetivo associado que pode ser apenas para parquear a poupança por um pequeno período de tempo ou preparar a entrada para um carro

novo ou para a casa de sonho. O fundamental é que na data em que o Cliente precise da poupança, o montante seja o suficiente para satisfazer a sua necessidade, somando o dinheiro aplicado ao rendimento usufruído, no caso dos depósitos a prazo, os juros. Neste domínio, e no que diz respeito a gestão de poupanças, que papel o ActivoBank procura assumir? O papel do ActivoBank é satisfazer todas as necessidades de poupança dos nossos Clientes, com soluções que vão das mais conservadoras às mais arriscadas. O caminho para satisfazer uma necessidade é diferente em função das características de cada Cliente. Neste capítulo, a nossa oferta é 360º. Há cada vez mais procura por investimentos através de plataformas online. O que é preciso saber, igualmente, na hora de investir? Quem normalmente procura plataformas online para investir, sabe o que quer. Normalmente são investidores que precisam dos nossos serviços para materializar as suas ideias de investimento, seja diretamente em bolsa, em ações ou obrigações, em fundos de investimento ou ETF’s. O importante é não só proporcionar-lhes o serviço que necessitam, mas também as ferramentas necessárias de apoio ao investidor, seja de pesquisa ou monitorização e acompanhamento dos seus investimentos. Este tipo de Cliente diverge do tradicional, que normalmente necessita de algum suporte para aplicar a sua poupança. Que ameaças ou fragilidades atuais existem no mercado de investimentos? O mundo dos investimentos navega cada vez mais num quadro regulamentar cada vez mais exigente com um foco na transparência e competência no aconselhamento financeiro. Não considero que seja uma ameaça ou uma fragilidade, antes uma oportunidade para que os que prestam o melhor serviço, sejam bem-sucedidos e reconhecidos no mercado. Isto dito, os ajustes que são necessários realizar no âmbito da comercialização de investimentos a Clientes no novo quadro regulamentar, são um enorme desafio para a globalidade dos bancos. ▪

41 novembro 2017

isso sabemos, mas o Cliente procura um pouco mais do que isso. Precisa de ter uma referência, saber que pode contar com alguém para falar sobre alguns temas financeiros que requerem orientação. À medida que a nossa base de clientes vai crescendo de forma exponencial, queremos estar à altura do desafio e garantir que todos os nossos Clientes vão ter essa referência, sempre que precisarem. Queremos ser o parceiro financeiro dos nossos Clientes para a vida, estar presente nos momentos chave, como a compra do carro ou da casa, na equação da reforma, na gestão das poupanças e dos seguros. O nosso Cliente é exigente, compara preços no mercado, mas também é sensível ao serviço que lhe prestamos. É nosso propósito combinar um preço sempre competitivo com um serviço de excelência para que sejamos com orgulho, o seu primeiro banco e aquele que o Cliente elege para satisfazer as suas necessidades financeiras. Do outro lado do muro: a sustentabilidade de um banco alicerçado no digital. Sabemos os ganhos de escala que a nossa estrutura permite, pelo que quanto maior for o nosso número de clientes, mantendo uma estrutura estanque e similar à atual, mais fácil será ser sustentável no longo prazo. O nosso segredo será fazê-lo garantindo que o grau de satisfação dos nossos Clientes, seja com o serviço ou o preço, se mantenha pelo menos ao nível de hoje.


GESTÃO E RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO

» APERC | ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE EMPRESAS DE GESTÃO E RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO

APERC É CASO ÚNICO EM PORTUGAL EM RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO

Em 2004, foi fundada a Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Recuperação de Crédito, uma associação patronal sem fins lucrativos que agrupa as empresas da actividade de gestão e recuperação de créditos, a única do setor.

O

PERFIL

ANTÓNIO GASPAR

Director Executivo da APERC desde 2008 Professor Universitário Passou 30 anos na Banca – Crédit Lyonnais e Banco Santander, 20 dos quais sempre ao nível da Alta Direcção É “opinion maker” nos “media” portugueses, sobre temas da Economia, Gestão da Banca, Finanças, Mercados Financeiros e Risk Management

pontos de vista

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Diretor-Executivo da APERC, António Gaspar, fala sobre aquilo que neste momento é preciso mudar no setor, que preocupações e desafios surgem com novo Regulamento Geral da Proteção de Dados. Hoje, com 23 Associados, mas com uma contínua perspetiva de crescimento, continua a querer albergar todas as empresas que tenham como o principal objecto as boas práticas. Esta é uma questão de extrema importância para pertencer à Associação que tem o seu próprio código deontológico. “Respeitar o código deontológico é imperativo”. Além desta obediência Associativa, os nossos Associados têm também o seu próprio código de conduta, a maior parte das vezes, estribado no cumprimento de normas ISO. É fundamental que as empresas que fazem recuperação extrajudicial de crédito e que se queriam associar, tenham o respeito total pelo nosso código deontológico”, afirma António Gaspar. Dos clientes dos Associados da APERC fazem parte os principais bancos portugueses e estrangeiros, sociedades financeiras, leasing’s, ifics, companhias de seguros, empresas de telecomunicações, grande retalho, entre outros. Os Associados APERC, têm mais de 1.100 colaboradores e gerem montantes superiores a 7.500 milhões de Euros.

UM DESAFIO CHAMADO GDPR

“Os desafios que aqui se colocam são no âmbito do novo Regulamento de Protecção de Dados, sem dúvida. Em Portugal as empresas ainda não estão preparadas para a implementação do novo Regulamento Geral de Proteção de Dados, porque ele ainda não foi transposto para a lei portuguesa, ou seja, o Estado ainda não disse em que moldes ele se vai adaptar à lei existente. Em termos de coimas não se sabe em que circunstâncias e que valores serão aplicados… muito pouco se sabe. Como é que poderão as empresas ter tudo em ordem até maio do próximo ano? Há mais de vinte anos que não se fazia nada na União Europeia sobre proteção de dados e agora faz-se algo que vai estrangular as empresas?”, indaga o nosso entrevistado.

O CRÉDITO É BOM MAS É PRECISO SABER FAZER CONTAS

“O crédito é algo bom, pois ele garante o acesso a bens e serviços, que de outro modo não teríamos. Sem crédito, grande parte dos portugueses não teria uma casa ou um carro, por exemplo. A grande problemática relacionada com o crédito é a capacidade das pessoas pagarem as suas dívidas. Há portugueses que não sabem fazer contas”. É como se muitos portugueses andassem constantemente no “fio da navalha”, por isso o rácio do endividamento sobre o rendimento disponível não deve, por isso, ser acima dos 40/45% da taxa de esforço por uma questão de segurança. “Todos temos uma capacidade de endividamento mas é preciso perceber o que é um endividamento sustentável. É preciso saber fazer contas. Os portugueses são grandes consumidores de crédito e o incumprimento dá-se frequentemente por três motivos: doença, divórcio ou desemprego. Mas muito e, cada vez mais, por não se saber fazer contas atempadamente”, explica o nosso interlocutor.

UMA MENTALIDADE A REPENSAR

“É urgente mudar as mentalidades dos parceiros que trabalham com o sector da recuperação extrajudicial e amigável de crédito. Em Portugal não existe a ideia, de que este sector é um verdadeiro parceiro daqueles que concedem crédito aos particulares e á economia. Gostava de ver em Portugal o modelo brasileiro replicado – uma verdadeira parceria (ao mesmo nível), por parte de quem concede crédito e regista incumprimentos contratuais e aqueles que os ajudam a recuperar esses montantes vencidos, compondo as suas contas de demonstração de resultados, os seus balanços, as suas disponibilidades quase imediatas para os seus processos produtivos e a não necessidade de fazer “write-offs”, tão penosos e onerosos que são para quem os tiver que fazer”, refere António Gaspar. ▪

O crédito é algo bom, pois ele garante o acesso a bens e serviços, que de outro modo não teríamos. Sem crédito, grande parte dos portugueses não teria uma casa ou um carro, por exemplo


AVALIAÇÃO E GESTÃO DE RISCO DE CRÉDITO

» CESCE PORTUGAL EM DESTAQUE

“O SEGURO DE CRÉDITO É O ALIADO NATURAL DAS EMPRESAS” “Desenvolver uma estratégia comercial e um processo de venda obriga a estabelecer e gerir corretamente uma grande variedade de áreas do negócio, entre as quais se destacam o credit management”. É aqui que entra o seguro de crédito para gestão de risco de crédito. Rita Lacerda, Diretora Geral da CESCE Portugal, explica-nos mais.

P

nização das nossas apólices MASTER OURO. Ou seja, os nossos segurados deixaram de ter um teto máximo de indemnizações. Por fim, pagamos as indemnizações em dois meses o que permite repor as quebras de tesouraria provocadas pelos atrasos de pagamento.

ara contextualizar o nosso leitor, o que é a gestão de risco de crédito? Desenvolver uma estratégia comercial e um processo de venda, obriga a estabelecer e gerir corretamente uma grande variedade de áreas do negócio, entre as quais se destacam o credit management, a pesquisa de clientes solventes, definir as condições de venda, monitorizar o rendimento dos clientes, analisar a posição e ações perante a morosidade e financiar as necessidades de circulante do crédito comercial. O Seguro de crédito entra em todas estas fases de gestão de risco de crédito.

pontos de vista

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Qual é a importância das avaliações de risco de crédito? A CESCE é uma Companhia de seguros de crédito que se caracteriza pelo acompanhamento dos seus clientes em todo o seu ciclo de negócio, oferecendo assessoria e consultoria através dos seus serviços e ferramentas, que são consideradas as mais inovadoras do mercado. Conseguimos implementar um painel de soluções totalmente inovadoras que dinamizaram o mercado e aportaram novos conceitos e serviços. A CESCE conseguiu alcançar estes desafios graças à sua investigação e análise das necessidades das empresas para, desta forma, desenvolver uma carteira de soluções integrais, flexíveis, adaptadas a cada empresa, que cobrem toda a panóplia de serviços inerentes à gestão do crédito comercial. Somos um aliado fundamental do exportador. Conhecemos bem os mercados de exportação, conseguindo que a taxa de morosidade das empresas seja zero. Cobrimos o risco de incumprimento de faturas tanto nos mercados externos como em Portugal. Isto é particularmente importante para as empresas já que se traduz em ter a segurança que todas as suas vendas se convertem em cobranças. É muito difícil abrir caminho em mercados não habituais e garantir que as transações se convertam em receitas. Neste sentido, que soluções a CESCE oferece? A oferta de valor concretiza-se na CESCE MASTER OURO, a ferramenta com que a CESCE rompeu o princípio da globalidade e, inclusivamente, mudou a própria natureza do seguro de crédito. CESCE MASTER OURO conta com um amplio portefólio de serviços que configuram uma solução integral para se adequar às necessidades de cada empresa: gere de forma inteligente e eficiente os riscos de crédito em todas as fases do ciclo empresarial e conjuga na sua estrutura uma ampla carteira de instrumentos, desde a

RITA LACERDA

prospeção de novos clientes solventes a quem pode vender e a assessoria dos riscos comerciais, até à gestão de cobranças, a indemnização em caso de sinistro e o acesso a distintos canais de financiamento. CESCE MASTER OURO, entre outras características, oferece a oportunidade de analisar e avaliar os riscos comerciais concretos com os quais se enfrenta cada cliente. Risk Management é um sistema de seguimento em tempo real dos possíveis riscos derivados do crédito da carteira de clientes. Esta ferramenta conta com diferentes modelos estatísticos de decisão sobre os diferentes comportamentos de pagamento dos clientes e permite às empresas controlar cada um dos riscos representados pelos seus clientes. Através do serviço de Transferência de Risco, as empresas têm a possibilidade de controlar a evolução de riscos da sua carteira de clientes e devedores, definir que clientes cobrir ou não e estabelecer os valores sobre os quais deseja aplicar uma cobertura de riscos. Neste sentido, a CESCE põe à disposição de cada cliente duas soluções concretas, configuráveis segundo as suas necessidades: Full Cover, cobertura da totalidade da carteira, com a particularidade de que a oferta de preços é distinta segundo a qualidade do devedor. Pay Per Cover, oferece ao empresário uma flexibilidade única ao não ter a obrigatoriedade de cobrir toda a carteira de devedores e poder decidir que riscos concretos transfere para a CESCE e em que momento. Por outro lado, as nossas apólices podem garantir até 95% das faturas dos nossos clientes tanto em Mercado Interno como no Mercado Externo, proporcionando uma ausência total de risco comercial. Também retirámos o limite máximo de indem-

Que análise é possível fazer sobre a presença da CESCE em Portugal? Desde a abertura em 2003 do escritório no Porto que o mercado português é uma oportunidade para a CESCE, reforçada em 2005 com a sede corporativa da Sucursal em Lisboa. O nosso objetivo tem sido acompanhar o crescimento dos nossos clientes, apoiando as suas necessidades de limites de risco e procurando novos mercados de atuação para potenciar as suas vendas. Para nós a grande qualidade do seguro de crédito é precisamente potenciar as vendas das empresas e este ano estamos com um crescimento de vendas admitidas no seguro de 28%. Ou seja, nós estamos a aceitar cada vez mais limites de risco e por isso mesmo os nossos clientes estão a vender cada vez mais. Outro grande objetivo nosso é crescer em número de clientes aumentando o mercado de seguro de crédito. A cultura do seguro de crédito está pouco desenvolvida em Portugal. Os nossos empresários veem este seguro como um custo e não como a mais-valia do que é trabalhar, desenvolver e potenciar as vendas das empresas com o apoio da informação privilegiada que uma seguradora de crédito tem, com o efeito preventivo ao incumprimento dos seus clientes pelo facto de terem as vendas seguradas e pela recuperação total dos seus créditos em caso de incumprimento. Muitas empresas portuguesas consideram que conhecem bem o seu mercado e os seus clientes e o risco que têm nas suas vendas a crédito não é suficiente para terem que fazer um seguro de crédito para todos os seus clientes. Para estas empresas as soluções tradicionais de seguro de crédito não se adaptam. Por isso a CESCE introduziu no mercado o produto Pay per Cover, no qual as empresas podem ter toda a sua carteira de clientes em vigilância de risco operada por uma Seguradora de crédito com todas as informações privilegiadas que temos como as Informações comerciais, Relatórios e Contas, informação do Banco de Portugal e Espanha e principalmente as comunicações de vendas, cobranças, prorrogações e sinistros de todos os nossos segurados de Portugal, Espanha, França e América Latina. Para além desta vigilância de riscos, as empresas podem selecionar apenas alguns clientes que considerem que têm mais risco de incum-


Somos um aliado fundamental do exportador. Conhecemos bem os mercados de exportação, conseguindo que a taxa de morosidade das empresas seja zero. Cobrimos o risco de incumprimento de faturas tanto nos mercados externos como em Portugal

À medida que a carteira de clientes de uma empresa cresce e se diversifica torna-se, por vezes, difícil o controlo e a gestão assertiva da mesma. Este é um dos maiores desafios que as empresas enfrentam atualmente? Toda a empresa que vende a outras empresas confronta-se com com decisões de credit management: encontrar clientes solventes, decidir sobre as condições de venda, fazer o seguimento dos clientes, decidir o que fazer com o risco de crédito (se o transfere ou não), estabelecer um protocolo para recuperar os valores em mora e financiar as necessidades de circulante que gera o crédito a clientes. Por outro lado, enfrentar um processo de internacionalização pressupõe um importante esforço, tanto económico como logístico para as empresas que decidem dar o salto para outros mercados. A globalidade aumentou exponencialmente a concorrência empresarial, multiplicando os riscos que as empresas enfrentam todos os dias.

O seguro de crédito é o aliado natural das empresas no seu processo de internacionalização uma vez que oferece uma proteção contra o incumprimento dos clientes. Hoje em dia, após a crise, a internacionalização passou a ser uma obrigação para as empresas, mais do que uma “aventura” como antes se podia considerar. Com este objetivo os nossos eixos centrais de atuação são e serão sempre a permanente inovação tecnológica e a ampliação da nossa gama de serviços, com a finalidade de acompanhar o processo completo de internacionalização das empresas.

que nos permite oferecer uma assessoria integral e uma valoração personalizada dos riscos políticos e económicos a curto, médio e longo prazo, que podem afetar as operações comerciais. O Risco País é uma ferramenta que faz um diagnóstico dos riscos derivados do comércio internacional e investimento no exterior. Desde há quase 50 anos, a CESCE acumulou uma experiência própria de negócio em todo o mundo e um conhecimento sobre os riscos dos processos de internacionalização através do estudo dos principais indicadores políticos e económicos dos países.

A CESCE oferece, através de Risco País, o diagnóstico dos riscos políticos e comerciais que afetam as operações de comércio e de investimento no exterior. A verdade é que com a globalização o tecido empresarial enfrenta riscos múltiplos? A CESCE sempre teve um serviço de análise e estudo muito potente. Tanto no que se refere ao risco país porque, em muitas situações o que se trata é de saber se o risco soberano de um Estado é bom e se o país vai poder devolver um crédito, como ao risco comercial privado. Contamos com uma profunda especialização

Assim sendo, o seguro de crédito é uma ferramenta fundamental? É fundamental e os empresários começam a estar conscientes da importância de assegurar as vendas no momento em que lhes chegam os “desgostos”, ou seja, quando ficam por cobrar uma parte das suas vendas. Há muitas pequenas e médias empresas que não sabem que podem segurar as suas vendas para o mercado externo. Por isso todos os que trabalhamos neste Sector devemos esforçarmo-nos para realizar um trabalho de difusão do seguro de crédito. ▪

45 novembro 2017

primento ou onde têm uma maior exposição das suas vendas para cobertura de seguro de crédito, pagando prémio apenas para a cobertura destes clientes.


AVALIAÇÃO E GESTÃO DE RISCO DE CRÉDITO

» AXESOR Portugal EM DESTAQUE

AXESOR

CONSULTORA ESPECIALIZADA EM GESTÃO DE RISCO DE CRÉDITO Pedro Curto, General Manager da AXESOR Portugal, fala-nos da experiência da empresa na gestão de risco de crédito, bem como nos elucida sobre a importância da mesma para o crescimento sustentável do negócio e para uma economia resiliente aos diversos ciclos. Venha saber mais.

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om uma experiência de 20 anos em soluções avançadas para a gestão integral de risco de crédito, que evolução e possível descrever da empresa até aos dias de hoje? A AXESOR apresenta-se hoje como consultora especializada com soluções avançadas para a gestão de risco de crédito comercial, acumulando também o estatuto de Agência de Rating registada junto do regulador europeu ESMA (European Securities and Markets Authority). É o resultado de um caminho percorrido desde a sua génese na área de Informação de Crédito tradicional, através de um forte investimento em áreas como a análise financeira, o BPM (Business Process Management) e o Data Science que conjuga diferentes disciplinas como a estatística, Machine Learning, Data Mining, entre outros. A combinação destas competências e as parcerias efetuadas com players de referência nas TI permitiram-nos estar hoje na vanguarda dos modelos preditivos de risco, disponibilizados através de uma solução sofisticada, mas simples de utilizar e fortemente personalizada, para a gestão integral de risco de crédito de qualquer atividade B2B.

pontos de vista

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E no mercado? Quais foram as mudanças mais significativas relativamente à avaliação e gestão de risco? Tudo o que se relaciona com o processo de avaliação e gestão de risco também sofreu natural evolução de forma individualizada. A informação em bruto está mais acessível, os processos de armazenagem e recolha tornaram-se mais eficazes, com menos limitações, menor custo. As diversas soluções que existem há já bastante tempo associadas à gestão de risco, servindo diversos objetivos e fases da concessão de crédito comercial, mantiveram-se, no entanto, relativamente inalteradas, salvo uma expectável redução nos preços. À semelhança do que aconteceu no setor financeiro com o surgimento das Fintech e alternativas de financiamento, também nesta área específica a AXESOR investiu para acrescentar valor através de uma mudança de paradigma na forma como se faz a gestão de risco de crédito e fez chegar essa possibilidade a todas as empresas e setores de atividade maioritariamente B2B. As palavras risco de crédito são um pouco temidas nos dias que correm, de forma a esclarecer o nosso leitor, o que podemos considerar como risco de crédito? Julgo que é uma perceção incorreta. O risco é natural e é uma presença constante e inevitável

PEDRO CURTO

As técnicas de Machine Learning conferem indiscutivelmente uma maior capacidade preditiva aos modelos, que vai aumentando à medida que se acumulam experiências de pagamento

nas nossas vidas. Trata-se apenas de dar nomes às coisas para que não se corra o risco de serem esquecidas ou minimizadas por simplificação de linguagem. Existem aspetos positivos e negativos na gestão de risco. O Risco de Crédito é o resultado natural de uma necessidade para o bom funcionamento de uma economia de mercado na relação cliente-fornecedor. O que começou por ser uma solução para o desequilíbrio ou assimetria de informação numa transação comercial, é hoje um mecanismo essencial para se fazerem negócios. Por um lado, representa uma importante componente de financiamento para o cliente (o crédito de fornecedores) e por outro representa um custo (e um risco, por via da mora ou incumprimento do cliente) com impactos na tesouraria e conta de resultados do fornecedor. A globalização, a rápida evolução e necessidade constante de adaptação à mudança, geram naturalmente riscos que devem ser quantificados e geridos de forma natural como parte do processo de criação de valor e crescimento sustentável de uma atividade. Uma correta gestão de risco de crédito é imprescindível para manter a saúde de toda uma cadeia de valor de um produto ou serviço. Uma gestão ineficaz pode conduzir a falhas nessa cadeia de valor, precipitando um efeito dominó com resultados nefastos para a economia.


Porquê que o nível de exigência da AXESOR é semelhante ao de “seguradoras de crédito e das entidades financeiras”? Estamos a falar da possibilidade de acesso por parte da generalidade de empresas em atividades B2B, a uma solução para a gestão de risco de crédito cujos fundamentos e métricas de avaliação se baseiam no nível de exigência no acompanhamento e controlo de risco de crédito que praticam as entidades que têm a gestão de risco de crédito como parte da sua atividade core, entre as quais se encontram os bancos e as seguradoras de crédito. Ou seja, atividades cuja rentabilidade depende fundamentalmente da avaliação permanente da exposição a esse risco. Trata-se de uma comparação mais para efeitos de Princípio e relacionada com a nossa Missão, porque na realidade a especificidade da modelização de risco da AXESOR incorpora até mecanismos que ainda dificilmente

encontramos em prática naquelas atividades. Refiro-me às técnicas com a raiz na ciência computacional, como é o caso do Machine Learning, que se mostram muito eficazes na capacidade de adaptação às particularidades de cada negócio, ajustando-se e evoluindo constantemente por via da aprendizagem e deteção de padrões de comportamento. As técnicas de Machine Learning conferem indiscutivelmente uma maior capacidade preditiva aos modelos, que vai aumentando à medida que se acumulam experiências de pagamento. De que forma descreveria a importância de uma boa gestão de carteiras de crédito? O objetivo último é aumentar a criação de valor, vendendo mais de forma inteligente, incorporando na estrutura de formação de preços a componente correspondente ao risco assumido adequado à estratégia da empresa e perfil de risco do segmento de clientes. Uma eficaz gestão de risco de crédito permite o crescimento sustentável do negócio e contribui para uma economia resiliente aos diversos ciclos. Enumerando alguns aspetos que contribuem para essa boa gestão de risco de crédito, especial-

mente importantes em carteiras de considerável volume de clientes: ∙ Maximização da capacidade preditiva de um modelo de risco; ∙ Total controlo na avaliação e aprovação de operações de crédito através de uma política de crédito bem definida, suportada em indicadores de risco e variáveis específicas do negócio, de fácil reformulação e implementação; ∙ Total controlo no acompanhamento da evolução da carteira, com recurso a indicadores adequados, incluindo a perda esperada; ∙ Estratégias de cobrança ajustáveis à volatilidade de risco; ∙ Minimização de custos e maximização de eficiência em todas as fases da gestão; ∙ Rastreabilidade das decisões, ações e comunicação com o cliente; ∙ Utilização da capacidade e valor humano, para aspetos subjetivos na análise e avaliação de risco e de atenção na relação com o cliente. Ocorre-me também recordar uma frase do Mark Zuckerberg: “O maior risco é não correr riscos… num mundo que muda rapidamente a única forma garantida de falhar é não correr riscos”. ▪

47 novembro 2017

Quais são as principais normas aplicadas à avaliação e gestão de risco de crédito em Portugal? Não existem propriamente normas específicas para o efeito. Existem sim, um conjunto de boas práticas e os tradicionais produtos, serviços ou ferramentas individualizadas para dar resposta a determinados objetivos ou fases específicas do ciclo order-to-cash. Todas estas soluções carecem de uma análise custo-benefício individualizada, nem todas se podem adaptar às necessidades específicas de cada negócio e dificilmente se podem integrar entre elas e com os sistemas internos de gestão das empresas, obrigado muitas vezes a custos acrescidos de administração, manutenção e originando ineficiência de processos.


cultura e leitura

reanimar?

HISTÓRIAS DE BIOÉTICA E CUIDADOS INTENSIVOS Este é o nome do livro escrito, na íntegra, por António Maia Gonçalves, médico especialista em cuidados intensivos e em medicina interna, que já ultrapassou meio século de vida, é pai de dois filhos “fantásticos” e que recentemente decidiu escrever sobre questões às quais a medicina já não lhe dava resposta.

N

fome só há tempo para a humanização e para tomar decisões. Caso contrário torna-se assustador. Temos de partilhar o risco com as famílias. A gratidão neste tipo de medicina é imenso. Obviamente que temos de lidar com a mortalidade, não somos imunes a isso, mas temos obrigatoriamente de pensar nos casos de sucesso. Vamos aprendendo…”

os cuidados intensivos tomamos decisões de vida ou de morte com imensa frequência. Tentamos tomá-las da melhor forma mas há sempre situações em que acabamos por perceber que afinal não foram as melhores. Sim, os médicos cometem erros, como em qualquer outra profissão”.

pontos de vista

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QUAL A VIABILIDADE DE UMA PESSOA? Qual a reversibilidade da situação clinica? A necessidade de entender melhor esta questão levou o médico a pesquisar e a compreender o mundo da bioética de modo a tomar decisões – difíceis e, por vezes, irreversíveis – com mais ponderação. O cariz ético é substancial porque “temos de entender que não estamos somente a tratar a doença mas o doente”. O livro retrata as angústias e as preocupações em geral vividas pelos profissionais que trabalham na ala em que se está entre a vida e a morte. CONTAR HISTÓRIAS, PARTILHAR EXPERIÊNCIAS E EXPLICAR CONVICÇÕES “No meio das histórias clínicas tento passar aquilo em que acredito em termos de biomédica – trata-se de um estudo que analisa as condições necessárias para uma administração responsável da vida humana - que concentra uma grande diversidade de pensamento”. O prefácio do livro é da autoria de Mário Cláudio, autor de Retrato de Rapaz, entre muitos outros, pelo qual venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLAB 2014. Para escrever o prefácio, Mário Cláudio explicou a António Maia Gonçalves que não entendia algumas partes do livro devido aos termos técnicos – o que levou o autor a modificar o livro e

António maia gonçalves

torná-lo acessível a qualquer pessoa que tenha vontade de o ler. Uma vez que, “as pessoas têm de ter alguma cultura sobre isto, porque é provável que algum dia, em qualquer momento da vida tenham de enfrentar este tipo de situações. Os cuidados intensivos são momentos de decisões importantes. O jornalista Luís Osório e o Professor António Sarmento apresentarão a obra, no dia 25 de novembro, na Fundação Eng. António de Almeida, na rua Tenente Valadim, às 11h30, esta escolha deve-se à admiração pelo trabalho quer de um quer de outro. UM LIVRO QUE CONTA HISTÓRIAS FELIZES E AS OUTRAS “No meio da imensa tecnologia dos cuidados intensivos e das magníficas condições de trabalho que existem por parte das equipas médicas e de enfermagem há mais… somos uma equipa muito coesa, não existe tempo para ter sono ou

No dia 25 de novembro vai poder descobrir muitas histórias no livro. Entre elas vai poder conhecer esta que não tem um final feliz, que não devia acontecer assim e que simplesmente não devia ter acontecido mas… aconteceu! “Estava há pouco tempo naquele hospital… fui chamado à sala de emergência às 08h30 da noite, tinha feito 24 horas de serviço. Cheguei à sala e lá estava uma criança com quatro anos, em paragem cardiorrespiratória. Os pais, desesperados, a mãe, grávida, no fim do tempo. Estive cerca de 60 minutos a reanimar a criança… sem sucesso. No meio daquela confusão toda a mãe entra em trabalho de parto. O pai, estava perdido, desesperado e sem saber a quem devia acudir – se à esposa se ao filho – ao fim de 60 minutos interrompi as manobras de reanimação e deixei a criança, o menino de quatro anos, em paz…Já não havia nada a fazer. O pai… é impossível descrever o sofrimento daquele homem. Mas tentámos apoiá-lo da melhor maneira possível, ele conseguiu assistir ao parto, o bebé nasceu bem. Passados três anos encontrámo-nos e ele disse-me: «Senhor doutor a vida continua e obrigada por tudo. A vida é assim mesmo, dá-nos umas coisas e leva-nos outras. O meu filho está bem». Até hoje não sei se ele se estava a referir ao que tinha nascido ou ao que tinha partido, não tive coragem de perguntar”. ▪


EVENTO TOYOTA CHALLENGE | UMA INICIATIVA TOYOTA CAETANO PORTUGAL

#TOYOTACH

PENSE SEGURANÇA.

No dia 4 de novembro a Toyota Caetano Portugal organizou aquela que foi a primeira edição de um torneio chamado Toyota Challenge, cujos objetivos passavam por formar e sensibilizar para a importância da segurança no manuseamento de equipamentos de movimentação. Participaram 27 equipas no torneio, constituído por duas componentes: uma de provas práticas, e outra componente dedicada à formação teórica e avaliação.

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pontos de vista

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sta iniciativa da Toyota Caetano Portugal colocou à prova os 54 operadores que participaram no primeiro torneio Toyota Challenge. As equipas foram divididas em dois grupos. Durante a manhã metade das equipas realizaram provas de perícia e segurança enquanto a outra metade esteve em formação e avaliação, trocando na parte de tarde. “Foram realizadas sete provas, seis delas executadas por um dos elementos de cada equipa, enquanto a última prova, uma prova específica de segurança, foi executada pelos dois operadores em conjunto. As provas exigiam que as equipas fossem multidisciplinares. Cada prova tinha um tempo limite e uma check list de penalizações, caso não fossem cumpridas as regras de segurança, que contribuíram para a avaliação do júri e a atribuição de prémios às melhores equipas”, explicou-nos Ana Paula Soares, Diretora de Marketing da Divisão de Equipamento Industrial da Toyota Caetano Portugal. Em paralelo ao torneio, a Toyota Caetano Portugal teve em exposição um parque com máquinas e soluções inovadoras, bem como uma área específica para segurança. Nessa área estavam em demonstração soluções direcionadas para tecnologia, produtos e soluções que possam trazer mais segurança às operações dos clientes. Estava, ainda, em exposição um simulador de condução de um empilhador. Durante sete minutos era possível executar uma prova com alguns desafios relacionados com a segurança nas operações de movimentação de cargas e direcionados para o público da geração das novas tecnologias e da era digital. Esta opção da marca por demonstrar e expor diversos equipamentos e soluções foi bastante procurada pelos responsáveis das empresas que acompanharam os seus operadores e resultou numa mais valia para o evento. O Toyota Challenge decorreu ao longo de todo o dia e presenteou, no final, os vencedores que cumpriram o melhor tempo e pontuação, com perícia e segurança, as sete provas com equi-


ALLENGE

. PENSE TOYOTA pamentos da gama elétrica da Toyota Material Handling.

Carlos Ramos, Responsável da Unidade Ambiente e Segurança da divisão sul

O Toyota Challenge representa, não só a divulgação da marca, mas a divulgação das características de segurança dos equipamentos da Toyota Material Handling. A valorização da segurança em movimentação de carga e a segurança dos próprios operadores é importante para nós e é importante que os operadores de máquinas tenham a perceção de que esta atividade é uma atividade de risco muito elevado. É preciso sensibilizar para as boas práticas em relação à utilização de máquinas. O Toyota Challenge também representou uma forma de mobilizar os nossos clientes e dar-lhes a conhecer uma gama avançada de equipamentos e soluções para as suas empresas.

51 novembro 2017

DESAFIO ACEITE

Os participantes, esses, mostraram-se motivados e bastante envolvidos nas provas e na formação. Mais do que o prémio, o importante ali era assimilar as boas práticas de segurança, o networking, espírito de equipa e superar o desafio. Todas as equipas receberam um troféu e o diploma de participação na prova. A competição foi coordenada por uma equipa técnica constituída por elementos e operadores da Toyota Caetano Portugal.▪


Ana Rita Pereira, Diretora do Bureau Veritas Certification, em ENTREVISTA

»O QUE É A NORMA 16949:2016?

Um documento inovador com uma orientação para o cliente A Revista Pontos de Vista quis saber mais sobre a introdução da IATF 16949:2016 e daí foi conversar com os principais especialistas. Ana Rita Pereira, Diretora do Bureau Veritas Certification, abordou esta nova introdução, assegurando que este “é um documento inovador com uma orientação para o cliente muito marcada”.

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Bureau Veritas é líder mundial em Testes, Inspeções e Certificações (TIC). Que papel podemos dizer que o Bureau Veritas assume atualmente no

mercado? O Bureau Veritas é líder mundial em Testes, Inspeções e Certificação (TIC), prestando serviços de valor acrescentado, apoiando os clientes a enfrentar os desafios crescentes de qualidade, segurança, proteção ambiental e responsabilidade social. Como parceiro de confiança, o Bureau Veritas oferece soluções inovadoras que vão além do mero cumprimento das normas e respetiva regulamentação, reduzindo o risco, melhorando o desempenho e promovendo um desenvolvimento sustentável. O Bureau Veritas é reconhecido e acreditado internacionalmente pelos principais organismos nacionais e internacionais.

pontos de vista

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O Bureau Veritas apoia os clientes a enfrentar os desafios crescentes de qualidade, segurança, proteção ambiental e responsabilidade social. E o próprio Bureau Veritas, que desafios enfrenta nos dias de hoje? O futuro para uma empresa como o Bureau Veritas prevê-se, apesar de alguma reserva, optimista. Nós estamos com as empresas que se internacionalizam, com as que apostam na qualidade dos seus produtos e na eficiência ambiental, com as que procuram valor na nossa prestação de serviço, e para estas o mercado é cada vez mais global. Empresas como o Bureau Veritas são naturalmente um parceiro incontornável para estas empresas e para esse futuro. Por isso, acredito que a transformação de Portugal num país com maior peso exportador será bom para o país e para o Bureau Veritas. Naturalmente que o mercado nacional é para nós igualmente muito importante e também aqui estamos otimistas. Em conjunto com os nossos clientes, estamos certos que vamos nos superar no sentido de garantir que os mesmos se tornem cada vez mais eficientes e que o seu bom desempenho e produtos sejam cada vez mais reconhecidos internacionalmente. Perante estes desafios que postura e estratégia tem assumido? A estratégia do Bureau Veritas assenta essencialmente em garantir que vamos ao encontro das necessidades das empresas, apresentando soluções para essas mesmas necessidades e desafios que enfrentam. É de salientar que o Bureau Veritas dispõe de recursos, especializados em vários domínios suportados pelo know-how de uma rede internacional, permitindo assim acompanhar a evolução de várias áreas e consolidar a sua liderança, tornando-se assim uma empresa de referência, com reconhecimento a nível mundial, presença em 140 países, mais de 66.000 mil colaboradores, 1.400 escritórios e laboratórios, 400 mil

transição da ISO/TS 16949:2009 para a nova norma. É necessário facilitar e promover uma transição tranquila da ISO/TS 16949:2009 para a nova norma. Qual é o impacto da mesma? Traz vantagens, mas também desvantagens? Todas as Organizações certificada pela ISO /TS 16949 terão de transitar para a nova norma até 14 Setembro 2018. A partir dessa data qualquer certificado ISO/TS deixará de estar válido. Desde 01 de outubro de 2017 não podem ser realizadas auditorias de acordo com a ISO TS 16949:2009. Embora muitos clientes, oito linhas de negócio, sólido conhecimento das normas e regulamentos internacionais, amplo portfólio de acreditações e conhecimento consolidado de diversos sectores industriais. Presente em vários países e a atuar em diversos setores, com o que poderão contar sempre os clientes do Bureau Veritas? O forte compromisso de, sendo uma multinacional, atuarmos localmente tendo em conta as necessidades de cada país e de cada cliente, apoiando os seus clientes com soluções empresariais especializadas para tornar os seus negócios mais eficientes, ajudando-os a reduzir os seus riscos, otimizar os seus processos e garantindo a sustentabilidade dos seus negócios. Para isso assumimos o compromisso de investir fortemente na capacitação local ao nível dos recursos e, muito importante, das nossas pessoas. A atuação do Bureau Veritas, fruto da globalização dos negócios e a presença internacional dos vários parceiros, obrigaram ao desenvolvimento de metodologias de avaliação e controlo de fornecedores consistentes e harmonizados, independentemente da parte do mundo onde as mesmas sejam produzidas. Neste contexto, o Bureau Veritas auxilia as organizações nacionais nos seus processos de internacionalização, de melhoria da eficiência dos seus processos produtivos, e no auxílio à construção de um desempenho de elevada qualidade junto dos clientes. A “International Automotive Task-Force” (IATF) substituiu a ISO/TS 16949:2009 pela IATF 16949:2016. De que se trata esta nova norma? A ISO TS 16949 foi originalmente desenvolvida em 1999 pela IATF em conjunto com o comité ISO/TC 176 e desde aí transformou-se num dos referenciais mais utilizados a nível mundial no setor automóvel. Tem sido revista ao longos dos

dos requisitos da IATF 16949:2016 sejam semelhantes à norma anterior, a implementação das alterações ainda requer algum esforço por parte das Organizações. Devem também reservar os dias de auditoria com as respetivas entidades certificadoras para garantir que têm a transição assegurada, dentro dos prazos definidos. É importante o planeamento atempado, um bom diagnóstico e um plano de ações de modo a englobar todas as alterações e não esquecer pormenores. anos para acompanhar as revisões da ISO 9001, cujo texto fazia parte integrante da norma. Em Outubro de 2016 a IATF foi publicada e substitui a ISO TS 16949 a partir de 15 de Setembro de 2018. A IATF 16949 é uma evolução da norma ISO/TS 16949:2009, que acompanha a revisão da ISO 9001:2015. É um documento inovador com uma orientação para o cliente muito marcada. Foi desenvolvida com base nos contributos dos clientes, entidades certificadores, fornecedores e auditores. É preciso entender as mudanças dos requisitos da ISO/TS 16949 em relação à norma IATF 16949:2016. E afinal, o que é que muda? É objetivo da IATF 16949:2016 o desenvolvimento de um sistema de gestão da qualidade que proporcione a melhoria contínua, previna os defeitos, inclua as ferramentas e requisitos específicos da indústria automóvel e promova a redução da variação e desperdício ao longo da cadeia de fornecimento. Eis algumas das alterações: O texto da ISO 9001:2015 não faz parte integrante da nova IATF 16949, existindo apenas referência aos requisitos. Isto significa que a IATF16949 não pode ser utilizado como documento único, mas sim em conjunto com a ISO 9001:2015. Alguns dos requisitos específicos dos OEMs - Original Equipment Manufacturer - foram integrados nos requisitos da nova norma. Com enfâse no pensamento baseado no Risco. Ênfase no pensamento baseado no risco. Vários processos documentados passaram a ser exigência da nova norma em contraste com a 9001:2015 que aliviou os requisitos documentais. O plano de contingência passou a ter de ser testado com base na análise de risco definida. Requisitos relacionados com o processo de compras e fornecedores com alterações significativas. ▪


GLINTT - QUALIDADE E MELHORIA CONTÍNUA

» SARA MENDES, Quality & Continuous Improvement Manager da Glintt, EM ENTREVISTA

GLINTT É SINÓNIMO DE MELHORIA CONTÍNUA A Glintt conquistou recentemente a Certificação Internacional do seu Sistema de Gestão de Segurança da Informação e a Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Sara Mendes, Quality & Continuous Improvement Manager da Glintt, para perceber a relevância desta conquista e que valores sustentam a multinacional especializada em tecnologia e consultoria.

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ça e a satisfação dos nossos clientes e parceiros, ao poder garantir que as suas informações serão tratadas de acordo com elevados padrões de gestão e proteção ao nível da Segurança da Informação. Conquistar maior confiança dos seus clientes é algo que deve orientar a ação de qualquer empresa. E a Glintt não é exceção.

sara mendes

Qual diria que é a importância da mesma no exercício da vossa atividade? A conquista desta certificação é de extrema importância para a Glintt, tendo em conta que a nossa área de atuação é uma das mais sensíveis no que diz respeito à proteção de dados - a área da saúde. Além de garantir o cumprimento dos princípios estabelecidos pela ISO 27001, esta certificação assegura aos nossos clientes que a proteção da sua informação é igualmente importante para nós e é gerida de forma sistemática, respeitando boas práticas reconhecidas e testadas a nível global. É de salientar que falamos de uma certificação de tal forma reconhecida, que muitas organizações exigem a mesma aos seus fornecedores e parceiros como garantia do cumprimento dos seus princípios e, consequentemente, da gestão e segurança dos seus dados. Apresentá-la no nosso portfolio é um reconhecimento do nosso trabalho e um orgulho para a Glintt.

temporariamente aos dados de outros considerados críticos ou confidenciais.

De que forma avalia a segurança da informação e dos sistemas, em termos de confidencialidade, disponibilidade e integridade de modo geral em Portugal? A segurança da informação e dos sistemas está neste momento a evoluir, no sentido de assegurar aos cidadãos e às empresas a confidencialidade e a correta gestão dos seus dados. Este processo está a acontecer agora, não só em Portugal, mas em todo o mundo. O objetivo final é aumentar o grau de confiança nas instituições e empresas que acedem

Quais são os maiores benefícios para as entidades que usufruem desta norma? São enormes os benefícios que esta norma confere às empresas certificadas. Podemos apontar o aumento significativo da fiabilidade e segurança da informação e dos sistemas, em termos de confidencialidade, integridade e disponibilidade, a realização de investimentos mais eficazes e orientados ao risco bem como a identificação de oportunidades de melhoria constantes, entre outros. Para nós, o maior benefício é ver crescer a confian-

Esta certificação assegura aos nossos clientes que a proteção da sua informação é igualmente importante para nós e é gerida de forma sistemática, respeitando boas práticas reconhecidas e testadas a nível global

A norma ISO 27001 tem vindo, de forma continuada, a ser melhorada ao longo dos anos e deriva de um conjunto anterior de normas, nomeadamente versões anteriores da ISO 27001 e a BS7799 (British Standards). Atualmente como é que a classifica? A origem da ISO 27001 remonta a um documento publicado no início dos anos 90 por um departamento do governo Britânico que estabelecia um código de boas práticas relativas à gestão da Segurança da Informação. Todas as normas ISO são referenciais vivos e em permanente melhoria. Baseiam-se no princípio de que todas as partes interessadas nessa mesma norma podem integrar as comissões técnicas a nível nacional (nos países que integram a ISO, como Portugal), o que nos confere a garantia que uma nova versão da norma, quando publicada já recebeu os contributos de centenas de peritos no assunto e futuros utilizadores da mesma. A atual versão da ISO27001 é um referencial já com um grau elevado de maturidade. Para além do compromisso para com a segurança da informação, que outros pilares sustentam a missão da Glintt para com os seus clientes? A segurança da informação é, sem dúvida, um dos nossos maiores compromissos para com os nossos clientes. Além deste, identificamos ainda a qualidade sustentada numa cultura de melhoria contínua, inovação e excelência dos recursos humanos. A área da tecnologia e da saúde está em constante evolução e acreditamos que, para continuar a dar resposta aos seus desafios, é essencial um trabalho contínuo na procura de novas soluções, que passam pelo investimento na área de I&D e nos nossos profissionais. Somos uma equipa jovem e dinâmica que todos os dias se empenha em fazer mais e melhor. Não tememos a mudança. Buscamos o desafio e queremos fazer a diferença na vida dos nossos clientes, encontrando as melhores soluções para que o seu dia-a-dia seja simplificado. ▪

53 novembro 2017

Glintt conquistou a Certificação Internacional do seu Sistema de Gestão de Segurança da Informação, o que assegura esta certificação? Com esta certificação a Glintt garante os princípios da norma internacional ISO 27001, um modelo holístico de abordagem à Segurança da Informação, independente de marcas e fabricantes tecnológicos. Esta norma estabelece um conjunto de requisitos e práticas que são constantemente trabalhadas e atualizadas, de forma a mitigar e gerir adequadamente o risco das organizações no que diz respeito à gestão de dados e informação. O que está em causa, portanto, é a garantia da segurança da informação, tanto da Glintt, como dos nossos clientes e parceiros, baseada num modelo de gestão do risco.


SUPLEMENTOS ALIMENTARES - UM SETOR DE CONFIANÇA

OPINIÃO DE Pedro Lôbo do Vale, Presidente da Associação Portuguesa de Suplementos Alimentares

SUPLEMENTOS ALIMENTARES: UMA APOSTA SEGURA

Fundada em 1986, a Associação Portuguesa de Suplementos Alimentares nasce da necessidade de representar um setor de atividade que, embora exista há mais de 45 anos em Portugal, teve um crescimento muito significativo nos últimos 15 anos.

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Associação Portuguesa de Suplementos Alimentares começou por lidar com produtos de alimentação e de saúde, tendo direcionado a sua ação também para a esfera dos suplementos alimentares. A partir de 2003, altura em que passou a haver um enquadramento legal para estes produtos, os suplementos alimentares acabariam por se tornar a ação fundamental da associação. O consumo de suplementos alimentares tem aumentado nos últimos anos, uma vez que existem cada vez mais adeptos da procura de soluções naturais para uma vida mais saudável.

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Os suplementos alimentares são géneros alimentícios que se destinam a complementar e ou suplementar o regime alimentar normal e que fornecem doses concentradas de nutrientes ou de outras substâncias de forma simples ou combinada com efeito nutricional ou fisiológico, que se apresentam de forma doseada (ex. cápsulas, comprimidos, ampolas) e que se destinam a ser consumidos em pequenas quantidades. O mercado dos suplementos alimentares encontra-se em franca expansão, não só em Portugal como também a nível mundial. A história dos suplementos remonta às tradições populares da utilização de preparações à base de plantas com o intuito de tratar doenças ou de aumentar a vitalidade do organismo. Hoje em dia, o mercado dos suplementos alimentares divide-se em diferentes categorias entre as quais, a das vitaminas, dos minerais, dos vegetais/chás/plantas, entre outros. Estima-se que em Portugal cerca de 80% da população consuma ou já tenha consumido suplementos alimentares. De modo geral, o consumidor recorre a estas opções como forma de complementar a sua dieta, assim como para melhorar o estado de saúde e prevenir o desenvolvimento de doenças. Porém, existem outros motivos que podem justificar a utilização de suplementos tais como a melhoria da performance física, a promoção do emagrecimento, o reforço da imunidade, o combate aos sintomas de fadiga. Um dos aspetos mais apelativos da utilização de suplementos é que este tipo de produtos apresenta muito menos riscos para a saúde, sendo geralmente bem tolerados pela maioria da população e apresentando menos efeitos secundários em comparação com os medicamentos. Contudo, é sempre necessário ter em consideração se o consumidor não tem uma sensibilidade ou alergia prévia a qualquer um dos ingredientes que existem na formulação do suplemento. No que diz respeito à escolha deste tipo de produtos, os profissionais

da área da saúde são o principal veículo de recomendação. Porém, uma percentagem bastante significativa de pessoas (cerca de 40%) baseia-se meramente na opinião de amigos, familiares ou de colegas para iniciar a toma de um suplemento. Torna-se assim, fundamental trabalhar para melhorar as vias de comunicação com os profissionais de saúde e do setor, verificando-se inclusive que neste momento, já ocorrem formações específicas e regulares em lojas de produtos naturais, de parafarmácias e de farmácias sobre a área. Não se pode contudo esquecer que também é necessário educar os consumidores para uma utilização responsável dos suplementos de modo a se obterem os efeitos pretendidos. Quanto a controlo da qualidade na Europa este setor é regulado pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA). Apesar do mercado dos suplementos alimentares apresentar algumas diferenças regulamentares fora da União Europeia, a harmonização legal dentro dos países do grupo veio facilitar a sua comercialização e cumprimento de todos os requisitos para a venda de suplementos alimentares seguros. Para além da EFSA, em Portugal existe ainda o controlo pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e a fiscalização pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). Estas entidades contribuem para assegurar o cumprimento da legislação em vigor e para garantir a sua segurança alimentar e comercialização segura. Portanto no nosso país pode considerar-se que existe um elevado nível de controlo em comparação com outros países onde a responsabilidade da segurança e qualidade do suplemento alimentar compete apenas ao fabricante. Nos próximos anos será de prever que este setor continue a crescer, dada a tendência atual dos consumidores pela procura de alimentos biológicos e pela adoção de estilos de vida mais saudáveis focados na prevenção da doença. ▪


SUPLEMENTOS ALIMENTARES - UM SECTOR DE CONFIANÇA

» LABORATÓRIOS NUTERGIA - A NUTRIÇÃO CELULAR ACTIVA

Opinião da Administração da Laboratórios NUTERGIA

Promover o Equilíbrio O sono

Nesta sociedade hipereficaz e hiperativa, e com o stress que tudo isto provoca, a utilização abusiva e tardia dos ecrãs e a utilização a longo prazo de alguns medicamentos, alteram os nossos biorritmos naturais: fatores que explicam, que hoje em dia cerca de uma pessoa sobre duas tem uma dívida de sono. Os seus papéis principais, no plano físico e psicológico também ficam esquecidos, as consequências da sua falta crónica na saúde são ignoradas. Uma função vital a não desvalorizar!

Os distúrbios do sono: cada vez mais frequentes

Desde os anos 60, o tempo de sono diário reduziu em cerca de 1h30, 40% das pessoas têm um distúrbio do sono e 22% padecem de insónia enquanto que 30% dos 15-19 anos têm uma dívida de sono importante.

A produção de melatonina em causa Secreção de melatonina e mecanismos de ação

Fatores que bloqueiam, abrandam ou alteram a produção de melatonina

Grande parte dos estudos indicam que a secreção endógena de melatonina diminuiria com a idade.  No entanto, parece existir uma grande diferença entre estas pessoas e a quebra que poderia estar relacionada, em parte, pela toma de alguns medicamentos pelos idosos.  Os AINS, os betabloqueadores, a aspirina baixam os níveis de melatonina. Nota-se também que com a idade existe uma  calcificação da glândula pineal, tornando-a menos eficaz.

A vida «moderna» também é fonte de factores perturbadores na produção de melatonina:

As ondas electromagnéticas geradas pelos aparelhos elétricos na mesa de cabeceira: despertador, atendedor de chamadas, telemóvel, wi-fi… ou de proximidade com as antenas de telecomunicações. Fala-se em electrosensibilidade. Fator muitas vezes negligenciado. As luzes artificiais, sobretudo as de cor azul, presentes durante a noite perturbam a secreção de melatonina. O efeito é «dose-dependente ». A luz azul emitida por todos os ecrãs também a perturba. ▪

55 novembro 2017

Um relógio biológico interno, atua como um sincronizador dos ritmos circadianos, modulado por fatores ambientais que permitem dormir durante a noite e ficar acordado durante o dia. Outro fator importante: a libertação da hormona do sono ou melatonina pela glândula pineal, assim que baixa a luz do dia. A luz tem um efeito no nosso sistema nervoso central (SNC). A ausência de luz levanta o sinal inibidor do SNC na via do simpático; este dá um sinal à glândula pineal que ativa a síntese de melatonina que, circulante, vai-se ligar a vários receptores. Estes por sua vez, dão um sinal ao relógio biológico, que se sincroniza e produz as condições favoráveis ao estado de vigília. A melatonina tem um papel de sincronizador endógeno capaz de estabilizar os ritmos circadianos, reforçá-los ou de manter a relação de fase, papel que se manifesta na regulação de grandes funções fisiológicas. As perturbações ou o desfasamento do ritmo circadiano, assim como os fatores ambientais são causas de distúrbios do sono. O bloqueio ou a diminuição de produção de melatonina está muitas vezes relacionada.


MEDICINAS ALTERNATIVAS/COMPLEMENTARES

Pela sua qualidade de vida Lara Lima, Fundadora e Diretora do BMQ – a primeira Clínica Ayurveda e Yoga Shala em Portugal, revela as mais-valias deste método em entrevista à Revista Pontos de Vista. Venha conhecer mais.

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e que forma nasce o projeto BmQ by Lara Lima? Fundado em 2009 em Coimbra, o Bem-me-Quero surgiu como um espaço verdadeiramente dedicado a transformar vida em qualidade de vida e bem-estar aliando a cultura da educação do corpo físico a um trabalho mais aprofundado de saúde emocional mas ainda numa abordagem inicial de Yoga e Ayurveda. Não foram precisos muitos meses para que o centro crescesse e houvesse a necessidade de procurar outras instalações que albergassem não só o centro de Yoga mas que permitissem a real expressão da Clínica de Ayurveda. Apenas uma coisa permaneceu inalterável, a sala de convívio como o coração da casa. Tinha nascido o método BmQ. Um espaço não só de práticas de Yoga e de clínica Ayurveda mas de verdadeiro e sincero convívio consciente e consequente na decisão de mudar (a alimentação, os hábitos, a disposição e principalmente o estilo de vida) em prol de uma auto-responsabilização na qualidade de vida e um interesse acrescido pela própria existência, ajudando a mudar de uma perspetiva de espectador da própria vida no mundo imediato e acelerado da atualidade, para uma nova atitude mais ligada ao ritmo natural do corpo e da natureza construindo a vida que até agora era apenas uma ambição ilusória.

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O vosso foco assenta, sobretudo, na saúde e bem-estar para melhorar a qualidade de vida. Como é esta filosofia implementada na clínica? No BmQ todos os interessados têm uma conversa inicial com um técnico do método BmQ para que possam ser percebidos o perfil, as vontades, disponibilidades e realidades pessoal, familiar, social e financeira de forma a serem reencaminhados para a aula/consulta/terapia/ especialidade que se enquadra melhor no motivo da vinda e o propósito final da ação, seja ele a vontade de uma mudança efectiva na qualidade de vida, o apoio pontual de uma condição particular (recuperação física, acompanhamento gestacional ou pós parto, acompanhamento oncológico ou pós cirúrgico) ou exclusivamente um contacto mais directo e fidedigno com a filosofia do Yoga e do Ayurveda. A missão do método BmQ é de transformar vidas e encaminhar quem nos procura para o estilo de vida adequado ao seu perfil sem ter de se desintegrar da sociedade familiar, social, cultural e económica em que está inserido. Consciente que a importância de tocar cada um Individualmente não exclui a responsabilização Social o BmQ em parceria com a Yoga Alliance e AMAYur oferece formação profissional certificada nas áreas de Yoga (Curso de Formação em Yoga) e Ayurveda (Curso de técnico e terapeuta com supervisão de Dr Rugue Júnior). E traz, anualmente, a Portugal referências Mundiais em Yoga e Ayurveda como são exemplos: Dr Rugue (desde 2009), Drs Lele (desde 2012), Danny Sá (desde 2016), Lu Andrade (desde 2015) e recentemente Yara Koberle (2017) e Dr Mandar Bedekar (2017).

LARA LIMA

Têm ainda diversos tratamentos e terapias. Quais são eles? O método BmQ conta com a clínica Ayurveda que está diariamente aberta para marcação de: - Consultas Ayurveda de clínica geral (Kayacikitsa), de Acompanhamento Pré e Pós parto (Kaumarabhrtya) e de terapia tónica e de rejuvenescimento (Rasayana); - terapias de nutrição e desintoxicação específicas da clínica Ayurveda como a Abhyanga (oleação geral), Udwartana (exfoliação geral para aumento da circulação), Garshana (limpeza energética), Pinda Swedana (nutrição seguida de sudação), Swedana (sudação terapêutica), Shirodhara (nutrição cerebral), Nasya (limpeza cerebral) entre outras; - Consultoria e acompanhamento nutricional efetuado de acordo com o diagnóstico de identificação do Dosha predominante do paciente e eventual desequilíbrio interno na origem do desconforto/ patologia e sintomas que o paciente apresenta; - Programas de Panchakarma, programa intensivo de desintoxicação e eliminação de toxinas seguida de imediata nutrição e tonificação do organismo, restaurando a vitalidade dos órgãos, a jovialidade emocional e o rejuvenescimento de dentro para fora num sentido amplo e não meramente estético. Na sua opinião, faz sentido distinguir medicina alternativa de medicina tradicional? Porquê? Claro que sim. A única forma de trabalharmos de forma integrativa é perceber efectivamente as mais valias de uma e outra medicina e isso é diferente de fundir. São duas abordagens diferentes, dois caminhos diferentes para um mesmo fim, mas ainda assim diferentes. A integração só é real se houver respeito pelas diferenças. E para existir respeito tem de haver conhecimento claro das diferenças e potencialidades de cada uma destas medicinas percebendo as diferentes abordagens de diagnóstico e de clínica. Nem todas as medicinas são efectivas para todas as pessoas. Diferentes perfis requerem diferentes abordagens. É fundamental integrar, informar, dar oportunidade de escolha. Mas é determinante respeitar a escolha. Distinguir não é sinónimo de separar mas sim de respeitar. Urge perceber que juntos somos mais

fortes na realização da nossa missão: saúde, felicidade e prosperidade. Sobre a prática das terapias... Quais diria que são os aspetos mais importantes a ter em conta para que haja evolução e alcance do bem-estar? Consciência de que somos responsáveis pela nossa vida a partir do momento que tomamos consciência dela. Tenho uma frase em minha casa que diz “temos apenas duas vidas. E a segunda começa quando percebemos que temos apenas uma”. Essa é a tomada de consciência. É fundamental percebermos que a Vida é um contínuo mas a nossa experiência humana é um traço definido entre nascimento e morte e o que fazemos a cada momento é determinante para a nossa qualidade de vida. Não pedimos para viver, a vida foi-nos oferecida. E como quase tudo que nos é oferecido nem sempre nos damos conta do que isso representa e alguns temos a sorte de ser chocoalhados e alertados antes de morrermos. Esses são os que têm a sorte de tomar consciência. Mas a tomada de consciência só é efectiva se vier com tomada de decisão. A decisão de viver a vida, de valorizar o milagre de cada nascer de sol e a oportunidade incrível que é participar desta existência. Tomar a consciência que somos um conjunto de ações e não apenas uma. Que somos o que fazemos repetidamente e que por isso para sermos melhores e estarmos melhores temos de trabalhar diariamente para isso. A qualidade vida e felicidade não são a meta mas sim um dos possíveis caminhos. ▪ LER NA INTEGRA EM WWW. PONTOSDEVISTA.PT

Quinta de S. Jerónimo, Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, Loja 2 - Coimbra, Portugal Tel: +351 239 403 624 | +351 915 448 303 info@bmqbylaralima.com facebook.com/BmQbyLaraLima


WORLD CORD BLOOD DAY – 15 DE NOVEMBRO

» CRIOESTAMINAL EM DESTAQUE

CRIOESTAMINAL 1º Banco de Criopreservação em Portugal Associa-se ao World Cord Blood Day O World Cord Blood Day – Dia Mundial do Sangue do Cordão Umbilical – comemora-se no dia 15 de novembro e surge da necessidade de informar os pais, profissionais de saúde e o público em geral para a importância do sangue do cordão umbilical.

paralisia cerebral. Foram detetadas melhorias significativas na capacidade motora e cognitiva das crianças. A Crioestaminal possibilita o acesso às opções terapêuticas mais seguras e avançadas a todas as famílias que optem pelos nossos serviços. A qualidade da Crioestaminal é atestada por entidades nacionais e internacionais, tendo sido o primeiro Banco autorizado pelo Ministério da Saúde, único acreditado na Europa para o processamento do sangue e tecido do cordão umbilical pela Associação Americana de Bancos de Sangue, sendo ainda membro da Cord Blood Association. Através da aposta na Investigação & Desenvolvimento, promove, também, o alargamento de aplicações de vanguarda com células estaminais, contando atualmente com quatro patentes registadas. É importante que as famílias guardem as células estaminais do cordão de modo a terem uma opção adicional de tratamento no futuro, em caso de necessidade. Caso não considerem guardar, existe a opção de doar para desenvolvimento da investigação de novos tratamentos com células estaminais, no Banco de Investigação da Crioestaminal, no qual também foi pioneira. Por tudo isto e pelo inestimável potencial terapêutico das células estaminais, a Crioestaminal junta-se a esta importante iniciativa mundial no sentido de divulgar o conhecimento acerca das células estaminais do sangue do cordão Conheça o programa umbilical através da organizaem detalhe e inscreva-se em: ção de um Open Day, com a transmissão em direto da Conhttp://www.crioestaminal.pt/ ferência WCBD17 no auditório wp-content/uploads/2017/10/ do Biocant Park, a realização de WCBD_2017_Open_Day.pdf palestras e esclarecimento de dúvidas pela sua diretora médica, Alexandra Machado, e pela diretora científica, Carla Cardoso e visitas aos seus laboratórios. ▪

57 novembro 2017

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ste evento é uma iniciativa da Save the Cord Foundation, uma entidade independente sem fins lucrativos dedicada à sensibilização para a importância do sangue do cordão umbilical. A esta associação juntaram-se os mais conceituados bancos de sangue do cordão umbilical e organizações a nível mundial, tais como a Foundation for the Accreditation of Cellular Therapy (FACT), National Marrow Donor Program® (NMDP) e a American Association of Blood Banks (AABB). Atualmente o sangue do cordão umbilical é já utilizado para tratar mais de 80 doenças e desde 1988, data do primeiro transplante com sangue do cordão umbilical, foram já realizados mais de 40.000 transplantes. Estas células estão também a ser aplicadas em medicina regenerativa para o tratamento de paralisia cerebral, autismo, diabetes tipo 1, entre muitos outros, com resultados promissores. Descartar o sangue do cordão umbilical, um recurso valioso que pode salvar vidas, é uma oportunidade perdida. Assim, disponibilizar à comunidade em geral informação completa, rigorosa e atualizada sobre esta matéria é de extrema importância. No dia 15 de novembro, os mais conceituados especialistas a nível mundial vão falar do seu trabalho, da história e dos mais recentes avanços na utilização de sangue do cordão umbilical numa conferência online em direto aberta a toda a comunidade. A Crioestaminal disponibiliza o serviço de criopreservação de células estaminais do cordão umbilical em Portugal, desde 2003, contando já com a confiança de mais de 100.000 famílias e tendo já contribuído para 15 transplantes em dez crianças, uma num caso de imunodeficiência combinada severa (IPO do Porto), uma num caso de Leucemina Miéloide Aguda (Hospital Niño Jesus, em Espanha) e oito no âmbito da paralisia cerebral (sete nos EUA e um em Espanha). A imunodeficiência combinada severa é uma doença genética fatal, com a qual a criança nasceu. Nesta terapia foi utilizada a amostra de células estaminais do irmão da criança doente. Atualmente, a criança encontra-se curada. Nos casos de paralisia cerebral, foram realizados tratamentos nos EUA e em Espanha com as amostras das crianças com


EM DESTAQUE

LECTRA PREMIADA COMO “SHOWCASE PARA A INDÚSTRIA DO FUTURO” A Lectra, líder mundial em soluções de tecnologia integrada dedicadas a indústrias que utilizam tecidos, couro, têxteis técnicos e materiais compósitos, participou em mais uma edição da feira de Máquinas, Tecnologia e Acessórios para a Indústria Têxtil e da Confeção, Maquitex 2017. Em três dias de exibição, centenas de clientes e amigos passaram pelo stand da Lectra.

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sentimento é comum, a indústria da moda e vestuário está viva e prepara-se para abraçar a Indústria 4.0 com a Lectra, cuja estratégia foi concebida para capacitar as empresas nas áreas da moda e vestuário, automóvel e mobiliário a serem bem-sucedidas à medida que entram na era da Indústria 4.0. Ancorada na digitalização dos processos industriais, desde a criação à produção, a Indústria 4.0 está a criar uma nova organização dos ecossistemas das fábricas. Cada vez mais flexíveis com recursos oti-

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mizados, as fábricas estão a impulsionar um novo ciclo de vida digitalizado, para produtos que irão beneficiar os consumidores. Além disso, a produção em massa está a aumentar a capacidade para a produção personalizada em grande escala, disponibilizando também produtos de qualidade, de rápido lançamento no mercado, aguardados por consumidores cada vez mais impacientes e exigentes. Para fazer face a estas mudanças, é essencial uma cadeia de valor digital para fornecer ligações em tempo real entre as equipas cria-

tivas e as equipas de desenvolvimento do produto, fábricas inteligentes, fornecedores e consumidores. “Para satisfazer estes novos desafios, os nossos clientes podem confiar na nossa oferta de software e equipamentos, já compatíveis com os princípios da Indústria 4.0, no nosso profundo conhecimento da Internet das Coisas industriais, desde 2007, e na experiência das nossas equipas em indústrias específicas,” declarou Daniel Harari, CEO de Lectra. “Graças a estes fortes fundamentos, estamos a enriquecer de forma massiva a nossa oferta, aproveitando as mais recentes tecnologias e integrando as melhores práticas, para assim consolidar a posição da Lectra como uma visionária da Indústria 4.0.” O lançamento de uma oferta de Software como um Serviço (SaaS) reflete a nova estratégia da Lectra, reforçada pela nuvem e desenvolvida desde 2015. Esta oferta, tirando partido da análise e exploração de dados, irá traduzir-se em equipamentos ainda mais inteligentes e interligados e numa excelente integração entre equipamentos,

software e serviços. Novos serviços específicos da indústria irão reforçar a oferta, permitindo à Lectra melhorar continuamente os processos do cliente. Inicialmente testada em 2017 com clientes selecionados, alguns dos quais têm estado envolvidos com a oferta desde o início da conceção, a nova oferta será comercializada a partir de 2018. “Ao proporcionar um aumento de valor aos nossos clientes, a Lectra irá aumentar a quota de receitas dedicada à Pesquisa e Desenvolvimento para 10% para o período entre 2017 e 2019, representando um aumento de cerca de 50% entre 2016 e 2019. Desta forma, podemos apoiar os nossos clientes no seu percurso para a excelência operacional, indispensável para ter sucesso no contexto da quarta revolução industrial,” conclui Daniel Harari. ▪

“SHOWCASE PARA A INDÚSTRIA DO FUTURO” A Alliance Industrie du Futur (AIF) distinguiu a Lectra com a sua marca “Showcase para a Indústria do Futuro” por demonstrar os critérios: exemplar, inovação e compromisso. Este certificado é dado às empresas que desenvolveram concretamente um projeto inovador para organizar a sua produção, em especial na área digital. Para serem elegíveis, as empresas devem implementar uma solução tecnológica de origem maioritariamente francesa. Esta distinção permite a difundir boas práticas ao realçar projetos notáveis e inspiradores, ao mesmo tempo que oferece visibilidade nacional e internacional.


Gabinete da União das Universidades do Mediterrâneo (UNIMED)

» UNIVERSIDADE DE ÉVORA

“A EVOLUÇÃO BASEADA NO CONHECIMENTO É A ÚNICA FORMA SUSTENTÁVEL DE CRESCIMENTO” A Universidade de Évora apresentou no passado dia 3 de novembro o Gabinete da União das Universidades do Mediterrâneo (UNIMED). A Revista Pontos de Vista procurou perceber a que objetivos pretende corresponder este Gabinete, os seus desafios, bem como as perspetivas para o mesmo. Ana Costa Freitas, Reitora da Universidade de Évora, responde-nos a estas e mais perguntas.

Ana Costa Freitas, Reitora da Universidade de Évora

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Gabinete da União das Universidades do Mediterrâneo (UNIMED), criado para funcionar na Universidade de Évora, é o primeiro na Europa, para além de Itália, onde funciona a sua sede. Para responder a questões mais específicas foi criada, igualmente, a sub-rede da UNIMED que incidirá concretamente sobre água e alimentação, integrada por parceiros de nove países (Argélia, Chipre, Itália, Jordânia, Palestina, Portugal, Espanha e Turquia) e liderada pela Universidade de Évora. Esta Sub-Rede tem como objetivo abordar questões transversais de crescente importância na região do Mediterrâneo, com enfoque nos sistemas agrícolas e na sua resiliência no contexto das alterações climáticas, na gestão estratégica e sustentável da água, no uso de metodologias inovadoras para a monitorização e no ordenamento do território. Estas são algumas das questões emergentes ligadas ao Mediterrâneo, mas que nunca podem ser dissociadas dos problemas sociais, culturais, entre outros, e que têm merecido especial atenção por parte da União Europeia, como comprova a

Temos de mudar o paradigma daquilo que se faz no Alentejo e pensar em novas culturas que se possam adaptar às alterações climáticas e às alterações do território. A problemática da seca e as suas consequências ao nível do rendimento agrícola tem acarretado outros desafios como a fixação de jovens qualificados. Precisamos de ter uma visão integrada de como tirar o melhor partido do nosso território. E isto não é só um problema regional, é um problema nacional criação do PRIMA – Parceria para Investigação e Inovação na região do Mediterrâneo. A parceria encontra-se planeada para a duração de dez anos, com início em 2018, e irá procurar desenvolver investigação conjunta que leve a novas soluções para a sustentabilidade da gestão dos recursos hídricos e da produção alimentar na bacia do Mediterrâneo. “Estamos bastante interessados em estabelecer

consórcios com outros países do Mediterrâneo para desenvolver investigação nesta área e para já somos a única universidade portuguesa a fazer parte da UNIMED. É importante a criação deste Gabinete, bem como o foco específico na água e na alimentação, que iremos abordar numa perspetiva transversal, ligando a história, sociologia e as relações internacionais, ou seja, toda a problemática que envolva o Mediter-


INVESTIGAÇÃO & INOVAÇÃO

A Universidade de Évora é uma instituição de prestígio com uma forte componente de investigação, inovação e cooperação. Esta irá continuar a ser o grande foco da Universidade, com os consequentes reflexos na excelência do Ensino. Com a criação da UNIMED e da sub-rede estão já envolvidas 17 universidades de países diferentes da bacia do Mediterrâneo. “Isto permite-nos estabelecer parcerias com diferentes países, de realidades e culturas diferentes, para concorrer a projetos de investigação que incidam nestas áreas específicas, com uma visão mais alargada e complexa. Sabendo nós que os problemas diferem de país para país, isto é uma troca de conhecimentos para adaptar melhor os modelos de cada país. Este é objetivo da UNIMED, resolver em conjunto os problemas específicos de cada região”, afirma a nossa entrevistada. Hoje em dia o mundo avança a um ritmo acelerado e as universidades têm de ser capazes de corresponder aos desafios atuais, pelo que a componente da investigação e inovação tem de estar bem vincada. “Temos de transmitir conhecimento, não só aos nossos alunos, mas ao país também. Para além desta aposta no Mediterrâneo, é também

Teresa Pinto-Correia, diretora do ICAAM Helena Pereira, Vice-Presidente da FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) e Ana Costa Freitas, Reitora da Universidade de Évora Ana Costa Freitas, Reitora da Universidade de Évora e Marcello Scalisi, Diretor da UNIMED

Filipe Themudo Barata, CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades) Cátedra UNESCO

uma preocupação nossa a área do Património, o bem-estar e percursos de vida da população do Alentejo, a qual é bastante envelhecida”, refere Ana Costa Freitas. A Universidade de Évora é uma universidade virada para o futuro e que quer contribuir para que o Alentejo também tenha um projeto de futuro, pelo que a área da aeronáutica/ aeroespacial também tem sido alvo de especial atenção por parte desta instituição, que criou recentemente a cátedra “CEiiA em Aeroespacial” (promovida conjuntamente com o CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto). “O Alentejo não é só agricultura e património. O Alentejo é agricultura, património, pessoas e tem que ter inovação, e a Universidade de Évora deve contribuir para que haja uma maior diversificação das atividades económicas”, adianta a nossa interlocutora. Mais do que formar e educar, a Universidade de Évora presta serviço público. “Temos essa obrigação. Educar e formar não é só dar aulas, temos de formar pessoas para uma cidadania responsável, para a sustentabilidade e para serem capazes de enfrentar o futuro e corresponder às exigências desse mesmo futuro. Temos de formar pessoas com capacidade de se adaptarem à evolução, pois a evolução baseada no conhecimento é a única forma sustentável de crescimento”, conclui Ana Costa Freitas. ▪

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râneo”, começa por explicar Ana Costa Freitas. O Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM), bem como outros centros de investigação da Universidade de Évora, há muito que está focado em desenvolver investigação para promover a sustentabilidade da agricultura mediterrânica e dos ecossistemas relacionados. “É importante perceber que não podemos isolar as diferentes problemáticas do Mediterrâneo. A ciência é transversal e tem de contribuir para o desenvolvimento de uma cultura, de um ecossistema e do ordenamento do território”, afirma a Reitora da Universidade de Évora. Tomemos o exemplo do Alentejo que atravessa um período de seca que já dura há três anos. “Temos de mudar o paradigma daquilo que se faz no Alentejo e pensar em novas culturas que se possam adaptar às alterações climáticas e às alterações do território. A problemática da seca e as suas consequências ao nível do rendimento agrícola tem acarretado outros desafios como a fixação de jovens qualificados. Precisamos de ter uma visão integrada de como tirar o melhor partido do nosso território. E isto não é só um problema regional, é um problema nacional”, elucida Ana Costa Freitas.


LIDERANÇA NO FEMININO

»START.SOCIAL – Cooperativa Sócio-Educativa para Desenvolvimento Comunitário, C.R.L

Trilhar os caminhos do Desenvolvimento Comunitário “O que mais gosto no meu trabalho é a proximidade às pessoas, ajudar quem precisa”, afirma Lurdes Gonçalves, CEO da START.SOCIAL – Cooperativa Sócio-Educativa para Desenvolvimento Comunitário, C.R.L, que em entrevista à Revista Pontos de Vista deu a conhecer a START.SOCIAL e como a mesma tem vindo a promover um conjunto de acções em prol dos mais carenciados. Saiba mais.

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omo surgiu a START.SOCIAL na sua vida e o que é que a motivou a enveredar pelo caminho da ação social? A START.SOCIAL, surgiu em 2001 com a designação de CSEPDC – Cooperativa Sócio Educativa Para Desenvolvimento Comunitário, Crl, sediada em Loures. A START.SOCIAL, nasceu na maior mancha de pobreza e exclusão social às portas de Lisboa, na Quinta do Mocho, Sacavém, Concelho de Loures. A zona denominada por Quinta do Mocho, era um conjunto de 12 prédios de 10 andares inacabados, só com a estrutura de tijolos e cimento, sem acabamentos, sem instalações sanitárias, sem proteções nas varandas e nas escadas, com caixas abertas onde deveriam constar os elevadores, sem saneamento básico (esgotos a céu aberto), sem eletricidade e água, sem ruas pavimentadas, enfim, abandonados pelo construtor que teve alguns problemas financeiros. Os prédios foram ocupados entre finais dos anos 70 e princípio dos anos 80, por população oriunda dos PALOP´S. Na década de 90 residiam no “Bairro”, 680 agregados familiares, correspondendo a 3500 a 4000 indivíduos. O “Bairro” apresentava um problema social e habitacional gravíssimo, sem solução à vista, sendo um símbolo de pobreza e exclusão social, durante mais de uma década, ficando esquecidos e entregues a si próprios. Numa ação concertada entre o poder central e o poder local, foi constituída uma Comissão Interministerial em 1997, para implementação de medidas de melhoria de vida da população. Em 1996 foi implementado o primeiro Programa Nacional da Luta Contra a Pobreza (PNLCP), que terminou em 1999, realizando algumas ações no “Bairro”, mas insuficientes face à dimensão do problema habitacional e social existente. Em 1999 nasce o 2º PNLCP, Projeto D.A.R. – Desenvolver, Acolher e Recriar, cujo objetivo passava por implementar um Pavilhão Multiusos para organizar uma série de serviços e atividades para dar resposta as necessidades mais básicas e promover a inserção social dos residentes e o apoio às famílias. Neste Projeto assumi as funções de Coordenadora Pedagógica, com a responsabilidade de implementar 4 salas de creche, dinamizar atividades socioeducativas, culturais e recreativas, promover a animação dos tempos livres do Centro de Animação Infantil Comunitário (CAIC), proporcionar formação a Amas, com vista a qualificar algumas Amas clandestinas já existentes no “Bairro” e selecionar dez para integrarem o pessoal da creche. A minha paixão pela ação social começou aqui, esta Quinta do Mocho já não existe (apesar de ainda hoje se ouvir o nome de Quinta do Mocho associada à Arte Urbana, existente na nova Urbanização Terraços da Ponte).

Lurdes Gonçalves

de Equipamentos Sociais promotores de Emprego e Inserção Profissional.

A START.SOCIAL, nasceu na maior mancha de pobreza e exclusão social às portas de Lisboa, na Quinta do Mocho, Sacavém, Concelho de Loures” Em 2001 termina o projeto e as famílias começam a ser realojadas, iniciando-se a fase do pós-projeto. A motivação e o desejo de acompanhar as famílias para a nova Urbanização, a criação de estruturas de apoio para as crianças, a inversão do processo de abandono e insucesso escolar, eram fatores determinantes para a continuação da intervenção social. As pontes que tinha estabelecido com a população pela dinamização das atividades de animação sócio culturais, entre as quais de ter levado 33 crianças dos 3 aos 5 anos a Cabo Verde, para conheceram o país dos seus pais e avós, marcou definitivamente a minha vida. A nova Urbanização Terraços da Ponte, acolheu 680 agregados familiares, correspondendo a 3585 indivíduos, população residente no Bairro da Quinta do Mocho, os prédios foram demolidos e no seu local nasceu outra Urbanização. A START.SOCIAL (CSEPDC), nasce na terceira fase, pós-projeto em parceria com as Associações locais, criando as Respostas Sociais de ATL (Atividades de Tempos Livres) e de Creche, reduzir as desigualdades, criar oportunidades, apostar na criação

Quais diria que são os pilares que sustentam a missão da START.SOCIAL? A START.SOCIAL é uma Organização vocacionada para trilhar os caminhos do Desenvolvimento Comunitário, foi assim que se assumiu em 2001, na Quinta do Mocho em Sacavém, Concelho de Loures. Tem a noção dos problemas sociais de um determinado território e procura a melhoria das condições de vida dessa população, com respostas assentes na valorização dos recursos disponíveis no local. Apoiar grupos vulneráveis, em especial crianças, jovens, deficientes e idosos; Apoiar famílias e comunidades socialmente desfavorecidas com vista à melhoria da sua qualidade de vida e inserção socioeconómica; Desenvolver programas de apoio direcionados para grupos em situação de risco, doença, velhice e carência económica graves; Apoiar o desenvolvimento social e comunitário com a criação de Respostas Sociais; Desenvolver ações de formação que promovam as competências pessoais e sociais de forma a capacitar os indivíduos para a sua autonomização; Valorizar as capacidades de cada indivíduo canalizando-as para as áreas de formação ou empregabilidade adequadas ao seu perfil; Sabendo que toda a intervenção social deve ser feita em proximidade, em parceria, e com a participação dos cidadãos, devemos garantir os seus direitos fundamentais e condições de cidadania


e contribuir para uma Sociedade mais justa, livre, diversificada e criativa, onde os valores essenciais sejam respeitados, construindo a “paz social” nos territórios mais fragilizados. É com base nestes pilares, que está assente a missão da START.SOCIAL, “Mais e Melhor no Desenvolvimento Comunitário”.

Sobre a questão da (des)igualdade de género em sociedade… O que pensa sobre esta questão? A questão da (des)igualdade de género que hoje se fala em todos os setores da nossa Sociedade, tem sido combatida com a criação de leis e medidas Politicas, não sendo suficiente, claro que ajudam, mas é uma questão de mudança de mentalidades. A Igualdade tem que ser conquistada em dois palcos fundamentais da nossa Sociedade: A FAMÍLIA e a ESCOLA. A Igualdade trabalha-se em casa, no seio da família, na distribuição e distinção de tarefas, na participação das decisões, no respeito da individualidade, na escolha do percurso escolar, na escolha dos momentos recreativos, a necessidade de diminuir a diferença entre rapazes e raparigas, já lá vai o tempo em que “as bicicletas e as bolas eram para os rapazes, as bonecas e as malas eram para as raparigas”. Desde muito cedo as crianças são confrontadas com as escolhas pelo género, para “eles” e para “elas”, desde logo nos brinquedos, nas cores e nos padrões. A Escola é sem dúvida o local que deve proporcionar “tudo” para “todos” independentemente do

Projeto "Memórias que Ajudam a Crescer"

Quando ouço falar da Igualdade Salarial, nas quotas das mulheres nas empresas e na política é claro que me identifico com estas questões, mas pergunto-me “se não estamos a construir a casa pelo telhado?” género, ainda sou do tempo das turmas de rapazes e raparigas. A Educação deve ser impulsionadora de oportunidades para combater as desigualdades, no entanto ainda verificamos que temos uma elevada taxa de abandono escolar por parte das raparigas, em função das tarefas e responsabilidades que vão assumindo em casa, as raparigas continuam a ser discriminadas no acesso à escolarização. Em contextos socioeconómicos deprimentes existe uma tendência para o género feminino ser mais penalizado. Mudar este tipo de mentalidades leva gerações e gerações. Quando ouço falar da Igualdade Salarial, nas quotas das mulheres nas empresas e na política é claro que me identifico com estas questões, mas pergunto-me “se não estamos a construir a casa pelo telhado?” É preciso trabalhar a Igualdade nas famílias, na Escola, desde a mais tenra idade, nos contextos sociais mais fragilizados, sobretudo se queremos uma Sociedade mais igualitária, ainda somos o último país da Europa na questão da Igualdade. O sistema de Educação, Formação e Cultura, ainda continua a transmitir estereótipos de género. Mulheres e Homens seguem muitas vezes, percursos educativos e formativos tradicionais, que colocam as mulheres em profissões menos valorizadas e menos remuneradas. Na Europa a Igualdade entre homens e mulheres, constitui um direito fundamental, um valor comum e uma condição necessária para a concretização dos objetivos comunitários em matéria de crescimento, emprego e coesão social. Embora continuem a existir desigualdades neste domínio, a União Europeia (EU) realizou grandes progressos nas últimas décadas, principalmente graças à legislação sobre igualdade de tratamento, à integração da dimensão de género, nas diferentes políticas e à adoção de medidas especificas em favor das mulheres. Que outros aspetos aponta, atualmente, como mais preocupantes, em Portugal, e que são um entrave ao desenvolvimento social? O Estado, nomeadamente após 1974, tem privilegiado o desenvolvimento de Entidades Não Lucrativas, limitando ao mesmo tempo a sua independência e campo de atuação. As Organizações do 3º. Setor, têm um papel determinante na formação das Políticas Sociais. Os aspetos que considero mais

preocupantes, que poderão ser um entrave ao Desenvolvimento Social são; a falta de legislação referente à sua atuação; a grande diversidade de Organizações que abarcam o 3º. Setor; o modelo de financiamento; a não profissionalização dos quadros dirigentes; a dificuldade de acesso e modernização tecnológica; entre outras. A questão da profissionalização dos quadros dirigentes, continua a ser um tema relevante para a sustentabilidade das Organizações. É preciso mais do que “boa vontade” para dirigir uma Organização do 3º. Setor, são necessários conhecimentos técnicos e especializados. Um órgão de gestão profissionalizado com capacidade de gestão estratégica, com uma perspetiva interna e uma abertura para o maior envolvimento da Sociedade Civil. O financiamento das Organizações, se por um lado, não podem depender na sua totalidade do Estado pelo trabalho que realizam, por outro, é necessário encontrar uma diversificação das fontes de financiamento que não desvirtuem a sua missão. A Economia Social tem um papel importante a nível local, no sentido de reforçar o carater democrático da descentralização e atenuar o desequilíbrio demográfico e económico do País. Neste sentido devem ser criados localmente, programas de apoio para a criação de novas Organizações e para a Sustentabilidade das existentes. O que mais gosta no seu trabalho? Que legado gostaria de deixar? O que mais gosto no meu trabalho é a proximidade às pessoas, ajudar quem precisa, criar estratégias para garantir a existência de “elevadores sociais”, continuamos com um elevado número de pessoas em situação de pobreza e exclusão social, principalmente ao nível da Infância. O meu maior legado passa, por deixar esta vontade e determinação de fazer algo e não “baixar os braços”, de partir para a ação, movermo-nos perante as problemáticas existentes, no dinamismo e eficácia de criar respostas, serviços de proximidade, na insistência do trabalho em parceria, em criar sinergias que tragam um “novo despertar”, para as Causas com que nos deparamos a cada dia! Deixo o exemplo de entrega à Causa Social, deste “bichinho”, que é o desenvolvimento local, revisto na Liderança que tenho desenvolvido em prol do crescimento e desenvolvimento das Organizações e equipas de trabalho, por onde tive oportunidade de passar e por último na START.SOCIAL, da qual sou fundadora. Na preocupação de criar e implementar Projetos, Serviços e Respostas Sociais, sendo o nosso mais recente projeto, o Projeto “Memórias que ajudam a Crescer”, que consistiu na construção de uma Creche e de uma Residência Sénior, da qual nos orgulhamos muito. O papel da START.SOCIAL na construção deste Projeto foi fundamental, pois foi uma obra que custou mais de 3 Milhões de euros, tendo a Organização suportado parte desse custo, mais precisamente cerca de 1 Milhão e 500 Mil euros. Sei que sou e sempre serei uma ativista e empreendedora social, provocadora de mudança. ▪

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Na sua maioria, a ação social é encarada como voluntariado. Qual é a sua opinião sobre a mesma ser antes vista como uma economia impulsionadora, também, do tecido empresarial do país? A Ação social e o Voluntariado são motores de desenvolvimento social, o Voluntariado está seguramente afeto à Economia Social. A taxa de adesão tem crescido, contudo a Ação Social não pode ser encarada como Voluntariado apenas, pois a Ação Social realizada pelas Organizações do 3º Setor, é sustentada e estruturada maioritariamente, pelas equipas de colaboradores que integram as mesmas, insuficientes por vezes. Concordo sim, com a integração de voluntários, nas equipas no sentido de reforçar e enriquecer as ações desenvolvidas, no exercício da sua intervenção, sendo uma mais-valia pra ambos, a Organização porque necessita de voluntários numa determinada ação ou área e o voluntário porque quer contribuir com o seu conhecimento e vontade, adquirindo ao mesmo tempo mais experiência crescimento pessoal e social. Uma das formas que a Sociedade Civil tem para participar na Economia Social é através do Voluntariado e da Cidadania Ativa. O Voluntariado é a forma humanizada para realizar ações de carater social. A Economia Social em Portugal é emergente e cada vez mais essencial, com base nos últimos dados da CASES (2013); a Economia Social através das entidades da economia nacional, registou um aumento em número de Entidades, assim como o seu peso no emprego total (5,2%) e emprego remunerado (6%). Em 2013, a Economia Social esteve presente em todas as atividades económicas, mais de 61 mil Entidades registadas em 2013, na Economia Social, presentes em todas as regiões NUTS III de Portugal. A Economia Social representa 3% do PIB nacional. Se o 3º Sector fosse chamado de país independente, ocuparia uma posição de destaque entre as maiores economias do mundo.


PONTOS DE VISTA NO FEMININO

» PAULA NEVES RAMALHO, ADVOGADA

A FORÇA DA MULHER NO DIREITO Paula Neves Ramalho é Advogada e tomou essa decisão era ainda muito nova. Hoje, garante que “para além da maternidade”, essa foi a única matéria na vida da qual nunca duvidou.

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uem é Paula Neves Ramalho e o que a levou a tornar-se advogada? Licenciei-me em Direito na Universidade Nova de Lisboa em 2006, e desde então que exerço advocacia, já lá vão cerca de 11 anos. Foi a minha única opção tanto que quando me candidatei à faculdade de Direito, no respetivo ingresso de candidatura, foi a única opção assinalada. Para tal, contei, como não poderia deixar de ser, com o total apoio e incentivo dos meus pais, que sempre me aconselharam muitíssimo bem. Foi uma opção que fiz ainda muito nova, talvez por idealizar uma sociedade justa, onde tivesse espaço para fazer a diferença, nem que fosse a uma pequena escala e isso nós, advogados, conseguimos fazer. É o mérito da profissão, dar voz a quem não tem voz, servir a justiça e trabalhar em prol dela. Em algum momento teve dúvidas sobre a escolha da advocacia como carreira profissional? Nunca! Exercer advocacia, tendo já exercido quer em regime de prática isolada, quer numa estrutura de sociedade de advogados, estando atualmente numa estrutura empresarial, nunca foi objeto de análise ou de reflexão no sentido de clarificação relativamente a se foi ou não a melhor opção ou caminho a seguir. Para além da maternidade, esta foi a única matéria na minha vida onde nunca tive qualquer dúvida.

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Quais diria que são os maiores desafios desta profissão? Como é que eles são superáveis? O maior desafio de todos é ter a capacidade de encontrar uma solução para aquele caso concreto dentro, naturalmente, dos limites legais. Pode ser simplesmente mais um caso, mas para quem nos procura poderá ser o caso da sua vida. Outro dos grandes desafios é lidar e ter de explicar muitas vezes a paralisação dos processos em tribunal, durante anos a fio. Tradicionalmente, o advogado era chamado para o litígio, para o processo, e hoje em dia, o objetivo é muitas vezes travar o conflito evitando-se o recurso às vias judiciais. É uma grande alteração de paradigma. O que é que lhe dá mais prazer no seu trabalho? No exercício da advocacia não existem dois casos iguais, ainda que se trate do mesmo tipo de ação, seja cível ou penal, de direito da família ou de sucessões, a verdade é que não existem dois casos exatamente iguais. As partes envolvidas e os contextos são sempre diferentes e para cada um deles temos de tentar encontrar a melhor solução possível enquadrada na lei. E isto é colocarmo-nos sempre, a cada caso, fora da nossa zona de conforto. Na sua opinião, o Direito tem acompanhado de forma idónea a evolução da mulher em sociedade?

lências, maus tratos e no limite, um homicídio. Honestamente, desejo que as gerações vindouras não tenham de passar por isto.

PAULA NEVES RAMALHO

Existem obviamente avanços legislativos de relevo, se pensarmos na consagração do direito de voto, o acesso ao exercício de determinados cargos, a igualdade de direitos e deveres no que respeita à educação dos filhos, assegurou-se o direito a uma licença de parentalidade sem perda de remuneração, etc. De um modo teórico, penso que sim. Na prática está longe disso. E prova disso são ainda as decisões dos nossos tribunais a que temos a infelicidade de ainda hoje assistir, veja-se, a título de exemplo, o Acórdão do Tribunal da Relação do Porto, cujo teor é inenarrável e que deve preocupar todos os cidadãos, uma vez que perpetua uma visão machista e repressiva do papel da mulher na sociedade, o que não se pode admitir, para além das alusões bíblicas completamente inconcebíveis num estado laico, como Portugal. Terei certamente vergonha, e esta é a palavra correta, para descrever este Acórdão um dia mais tarde às gerações futuras, como as minhas filhas, pelo que considero que o Conselho Superior de Magistratura deve ter uma mão pesada para o sucedido, uma vez que não se trata de uma pessoa idónea para o exercício do cargo. Note-se que aquele juiz não se limitou a dizer que o adultério é um gravíssimo atentado à honra de qualquer ser humano, tendo dito que o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. E, não contente, ainda acrescentou que sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Não nos esqueçamos que um Tribunal, na pessoa do juiz, fala em nome do povo, do seu e do meu, de todos nós, em nome de todos os nossos leitores e em nome do Estado. Não aceito nem tolero que o exercício da minha liberdade sexual, seja esta exercida da forma que for e como eu bem entender, seja motivo justificativo ou desculpa para eventuais agressões, vio-

Além dos obstáculos inerentes a uma construção de carreira profissional - seja ela qual for - o facto de ser mulher, pesou? Ainda pesa. Espero que quando as minhas filhas começarem a pensar na sua carreira profissional, esta seja uma não questão, que não seja sequer suscetível de ponderação. Hoje, com toda a certeza, afirmo que pesa e pesa muito. Na realidade, e na prática, assistimos ainda hoje a situações que são no mínimo caricatas. Por exemplo, se um homem sai mais cedo do trabalho para ir ao Colégio buscar o filho que está doente, ouvem-se comentários, tais como, que pai tão dedicado, se fosse outro não ia. Se for uma mulher a sair mais cedo, muito provavelmente é desorganizada e não sabe compatibilizar a vida profissional com a familiar. Há, na minha opinião, um longo trabalho a percorrer, todo um processo. Espero, com a minha fé e convicção, que na altura das minhas filhas, daqui a 15 ou 20 anos a situação se encontre sanada, mas hoje, infelizmente, não está. Muitos dir-me-ão que a lei, mais concretamente o Código do Trabalho, prevê dispensas de trabalho para a mãe ir acompanhar os menores, entre muitos outros direitos inerentes à maternidade e que se encontram consagrados. Mas o que a lei do trabalho prevê é a parentalidade, que abrange ambos os progenitores, não sendo um direito exclusivo da mãe. Aliás, já há muito que deixou de se diferenciar paternidade ou maternidade. Infelizmente, salvo raras exceções, tal sucedeu apenas no papel e não na prática. A questão é que, não obstante estar previsto na lei, na maior parte das vezes, é a mulher trabalhadora quem sofre consequências a nível profissional e ao nível do seu desempenho e oportunidades. E mais, sofre muito mais a nível familiar com uma culpa – que não tem, de todo – de não estar presente para os seus filhos. A nossa profissão pode não determinar quem nós efetivamente somos, mas em alguns casos, faz parte de nós próprios, da nossa vida e tem um papel fundamental para a nossa realização, quer profissional, quer pessoal e como tal não pode nem deve ser descurada a partir do momento em que é o nosso objetivo, tal como a maternidade ou muitos outros objetivos a que nos propomos na vida. Pelo caminho, fazemos opções, perdem-se vivências, momentos, casamentos, mas no final, enquanto mulheres, na minha ótica, o que conta é ter a certeza que estas opções nos fazem sentir felizes e realizadas para, dessa forma, também feliz e realizada, desempenhar os maiores papéis das nossas vidas, que são aqueles que, em consciência, escolhemos. É sempre necessária alguma gestão, temos muitos dias em que somos malabaristas, e se não balizarmos as nossas duas vidas – pessoal e profissional – corremos o risco de falhar em ambas. ▪


INSPEÇÕES TÉCNICAS ESPECIALIZADAS E CERTIFICAÇÕES

» BRAGAMETRO EM DESTAQUE

BRAGAMETRO: MAXIMIZE A RENTABILIDADE E QUALIDADE DOS SEUS Virgílio Morais Da Silva, Responsável Técnico da BragaMetro, fala-nos da importância das certificações e das inspeções técnicas especializadas no seio das organizações, quando se fala de clientes, qualidade dos produtos e dos serviços ou, ainda, de internacionalização. Venha connosco saber mais.

VIRGÍLIO SILVA

V

amos começar por conhecer o percurso da BragaMetro. Quando surgiu no mercado, que fatores visava colmatar? A BragaMetro, Lda. foi fundada em maio de 2011 e tem como objetivo de negócio colmatar necessidades de mercado quer sejam de natureza legal ou técnica muito especificas e que exigem um grau de especialização elevado que, por norma, as instituições não possuem internamente e sem os quais não é possível prestar um serviço de qualidade aos seus utentes. Desde então, qual tem vindo a ser a linha orientadora da empresa? Que estratégia definiu a sua presença sólida no mercado? A credibilidade nos serviços que presta é a principal linha orientadora da BragaMetro, a qual definiu como prioridade a acreditação dos serviços que presta, encontrando-se acreditada pelo referencial NP EN ISO/IEC 17025:2005, e encontrando-se em fase de acreditação pelo referencial NP EN ISO/IEC 17020. A presença no mercado da saúde conquista-se pela qualidade dos serviços prestados, só serviços de qualidade protegem o cliente ainda mais quando esse serviço for um requisito legal. A BragaMetro pretende afirmar-se como uma empresa proactiva e na vanguarda da técnica e conhecimento. Que serviços disponibiliza aos seus clientes? A BragaMetro disponibiliza aos seus clientes serviços relacionados com a inspeção a instalações radiológicas e ensaios a equipamentos de esterilização, como por exem-

Sabemos a importância que uma inspeção técnica assume nos dias de hoje no universo empresarial. E as empresas também têm essa perceção? São mais proactivas? Os serviços prestados pela BragaMetro são acima de tudo obrigações legais que os clientes devem cumprir. O universo de clientes da BragaMetro é variado indo do pequeno consultório ao grande hospital, obviamente que num universo tão alargado nem todas as instituições tem a mesma perceção da importância das inspeções técnicas, no entanto como as inspeções são obrigações legais, a fiscalização da autoridades de saúde contribuem para que a perceção da importância das inspeções e proatividade dos nossos clientes seja maior. Num mercado cada vez mais globalizado onde a internacionalização das empresas é palavra de ordem, as certificações revelam-se uma ferramenta extremamente importante. Que serviços a BragaMetro oferece neste âmbito? A BragaMetro atua principalmente no mercado da saúde, a importância das certificações nas unidades de saúde é fundamental sempre que uma entidade pretenda receber utentes de outros países, os serviços que a BragaMetro presta na área da inspeção radiológica e esterilização são fundamentais, sem os quais as entidades de saúde não conseguem obter a certificação. A BragaMetro possui a representação da marca internacional Ebro Electronics, comercializando uma variedade de produtos que permitem o controlo do processo de esterilização. Fale-nos um pouco mais sobre este assunto. A esterilização é um assunto amplo e complexo, suportado pela legislação. O ponto de partida para se compreender o que é a esterilização é a própria definição de esterilização. A esterilização não é uma coisa qualquer a esterilização é um

processo validado para tornar um produto isento de microrganismos viáveis (NP EN ISO 17665-1), é neste ponto da validação do processo de esterilização que a BragaMetro intervém prestando aos seus cliente serviços que permitem a instituição de saúde garantir que o seu processo de esterilização se encontra validado podendo deste modo utilizar o material esterilizado sem risco para o utente. A Ebro Electronics possui um conjunto de produtos para processo de esterilização os quais podem ser usados efetuar a validação do processo de esterilização ou efetuar a monitorizar de rotina do processo de esterilização, os testes eletrónicos, nomeadamente o Bowie&Dick são

a ultima evolução nos testes para controlo do processo de esterilização com vantagem óbvias sobre os testes tradicionais nomeadamente: - Toda a informação fica registada digitalmente; - Não existem falsos positivos nem falsos negativos; - Permite a visualização dos parâmetros do processo (pressão, temperatura e tempo); - O resultado do ensaio do teste Bowie&Dick digital não permite interpretações subjetivas o resultado do ensaio é aprovado ou reprovado não existem interpretações intermédias. Sem um processo de esterilização validado o produto não pode ser considerado estéril não pode ser usado. ▪

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BREVES BREVES

cultura

“Alice e o País das Maravilhas no Gelo” chega em novembro Entre 24 de novembro e 7 de janeiro, “Alice e o País das Maravilhas no Gelo” chega ao MAR Shopping Matosinhos, em Leça da Palmeira. Baseado na obra de 1865 de Lewis Carroll, Nuno Markl, Mafalda Santos e Francisco Martiniano Palma foram os autores do guião, que conta com Pedro Górgia no papel de Chapeleiro Louco (vai alternando com Fábio Costa) e Sandra Celas como Rainha de Copas. Então e o papel de Alice? Esse vai ser interpretado por Inês Ramos e Filipa Raquel. Uma produção da AM Live, “Alice e o País das Maravilhas no Gelo” conta com a direção artística de João A. Guimarães, responsável também pela encenação, e de Joana Quelhas, que fará também a coreografia do espetáculo, a música ficou com Artur Guimarães. Os bilhetes têm preços a partir de 10€ e estarão disponíveis brevemente. É só estar atento ao site do evento (http:// www.aliceeopaisdasmaravilhasnogelo.com/)

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bebidas

Campeonato Mundial de Baristas Pedro Marmelo é o vencedor da IV Edição do Campeonato Nacional de Baristas, que decorreu a 16 e 17 de outubro, na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, em Campo de Ourique. O barista que conquistou o primeiro lugar irá representar Portugal no Campeonato Mundial de Baristas, que terá lugar em Amesterdão (Holanda) em junho de 2018. Tiago Costa e Rui Pereira ficaram em segundo e terceiro lugar respetivamente. Este evento organizado pela AICC (Associação Industrial e Comercial do Café) e pelo Capitulo Português da SCA (Speciality Coffee Association), que contou com 12 participantes, é constituído por quatro juízes sensoriais, dois técnicos e um internacional principal (head judge), onde cada barista tem de apresentar um expresso perfeito, uma bebida à base de leite e uma bebida de autor.

JOGOS

Jogo didático desenvolvido em Portugal

Desenvolvido em Portugal, este recurso pedagógico, inicialmente pensado para que os alunos praticassem de forma mais interessada e motivada o seu cálculo mental, revelou-se capaz de gerar nas crianças motivação extra também para outras aprendizagens. A fórmula complexamente simples deste jogo educativo demorou um ano a ser encontrada. Durante este período foram inúmeros os ensaios realizados em contexto escolar, até que as componentes aprendizagem/ divertimento se tonassem indissociáveis.

sociedade

Animais de rua e quinta das águias lançam agendas e calendários solidários A Animais de Rua juntou-se à Quinta das Águias numa iniciativa solidária de angariação de fundos. Em parceria, as duas instituições criaram uma agenda de bolso e um calendário de parede para 2018, que estão à venda na loja online da Animais de Rua em www. animaisderua.org. Ao comprar uma agenda (7,50 Euros) ou um calendário (10 Euros) estará a contribuir para que a Animais de Rua e a Quinta das Águias continuem o trabalho que têm realizado até agora e prossigam na sua missão de ajudar o maior número possível de animais em todo o país. As receitas serão aplicadas nas esterilizações.


Revista Pontos de Vista 69