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Ano 14 - Edição 165 Outubro de 2019

Edição especial CINASE - MT SNPTEE

Dimensionamento e compensação da energia gerada Como dimensionar o sistema solar com base na regulamentação brasileira

Análise da qualidade dos materiais utilizados em sistemas de aterramento de linhas de transmissão Saiba da importância do uso de ferramentas e metodologias adequadas para estimar o desempenho das linhas de transmissão e mitigar problemas existentes

Cobertura especial – CINASE Edição Pernambuco | Região Nordeste De volta ao Estado pela quarta vez desde sua criação, o evento garantiu aos participantes dois dias intensos de aprendizado técnico, boas negociações e amplo networking


Sumário atitude@atitudeeditorial.com.br Diretores Adolfo Vaiser Simone Vaiser Coordenação de circulação, pesquisa e eventos Marina Marques – marina@atitudeeditorial.com.br Assistente de circulação, pesquisa e eventos Henrique Vaiser – henrique@atitudeeditorial.com.br Assistente de criação Victor Gargano - victor@atitudeeditorial.com.br Administração Paulo Martins Oliveira Sobrinho administrativo@atitudeeditorial.com.br Editora Luciana Freitas - 80.519-SP luciana@atitudeeditorial.com.br Publicidade Diretor comercial Adolfo Vaiser - adolfo@atitudeeditorial.com.br Contatos publicitários Ana Maria Rancoleta - anamaria@atitudeeditorial.com.br

Suplemento Renováveis

53

Fascículo: Dimensionamento e compensação da energia gerada Geração distribuída: Inovação na geração – Chesf Notícias de mercado Coluna solar: Mais respeito aos consumidores da geração distribuída Coluna eólica: Hora de falar de novos modelos de negócios

Representantes Paraná / Santa Catarina Spala Marketing e Representações Gilberto Paulin - gilberto@spalamkt.com.br João Batista Silva - joao@spalamkt.com.br (41) 3027-5565 Direção de arte e produção Leonardo Piva - atitude@leonardopiva.com.br

6

Editorial

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Coluna do consultor A necessária resiliência do ponto de conexão

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Evento – CINASE – Edição Pernambuco | Região Nordeste A 36ª edição do evento garantiu aos participantes dois dias intensos de aprendizado técnico, boas negociações e amplo networking

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Painel de notícias Seções Mercado, Empresas e Produtos

35

Fascículos BIM – Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção Equipamentos para ensaios em campo Linhas elétricas para baixa tensão

68

Pesquisa O crescimento do mercado de distribuição de materiais elétricos deve ser de 10% em 2019, estando relacionado a projetos de infraestrutura e ao retorno da confiança de investidores

76

Destaque Prêmio OSE Eficientização do Sistema de Iluminação no Shopping Iguatemi Caxias do Sul (RS) com contrato de desempenho

80

Cinase TEC Análise da qualidade dos materiais utilizados em sistemas de aterramento de linhas de transmissão, com úteis aplicações dos condutores bimetálicos

86

Espaço 5419 A proteção contra descargas atmosféricas em áreas explosivas

88

Espaço SBQEE Considerações sobre Ocorrências de Faltas Simultâneas em Sistemas Elétricos (Cross-Country Faults)

Consultor técnico José Starosta Colaborador técnico de normas Jobson Modena Colaboradores técnicos da publicação Daniel Bento, João Barrico, Jobson Modena, José Starosta, Juliana Iwashita, Roberval Bulgarelli e Sergio Roberto Santos Colaboradores desta edição Alcides Codeceira Neto, Antônio Roberto Panicali, Cristian Sippel, Daniel Bento, Dione Soares, Elbia Gannoum, Éverson Júnior de Mendonça, Fernando Augusto Campanharo Costa, Francisco de Assis Araújo Gonçalves Jr., Galeno Lemos Gomes, Hans Rauschmayer, Jobson Modena, José Barbosa, José Bione de Melo Filho, José Starosta, Luciano Rosito, Marta Baltar Alves, Nelson Clodoaldo de Jesus, Nunziante Graziano, Odair Deters, Paulo E. Q. M. Barreto, Roberval Bulgarelli, Rodrigo Sauaia e Ronaldo Koloszuk A Revista O Setor Elétrico é uma publicação mensal da Atitude Editorial Ltda., voltada aos mercados de Instalações Elétricas, Energia e Iluminação, com tiragem de 13.000 exemplares. Distribuída entre as empresas de engenharia, projetos e instalação, manutenção, indústrias de diversos segmentos, concessionárias, prefeituras e revendas de material elétrico, é enviada aos executivos e especificadores destes segmentos. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem as opiniões da revista. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias sem expressa autorização da Editora. Capa: jaroslava V | shutterstock.com Impressão - Mundial Gráfica e Editora Distribuição - Correios Atitude Editorial Publicações Técnicas Ltda. Rua Piracuama, 280, Sala 41 Cep: 05017-040 – Perdizes – São Paulo (SP) Fone/Fax - (11) 3872-4404 www.osetoreletrico.com.br atitude@atitudeeditorial.com.br

Filiada à

90 92 93 94 96

Colunistas Jobson Modena – Proteção contra raios Luciano Rosito – Iluminação pública Nunziante Graziano – Quadros e painéis José Starosta – Energia com qualidade Roberval Bulgarelli – Instalações Ex

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Editorial

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O Setor Elétrico / Outubro de 2019 Capa ed 165_C.pdf

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22/10/19

11:11

www.osetoreletrico.com.br

Ano 14 - Edição 165 Outubro de 2019

Edição especial CINASE - MT SNPTEE

Dimensionamento e compensação da energia gerada Como dimensionar o sistema solar com base na regulamentação brasileira O Setor Elétrico - Ano 14 - Edição 165 – Outubro de 2019

Análise da qualidade dos materiais utilizados em sistemas de aterramento de linhas de transmissão Saiba da importância do uso de ferramentas e metodologias adequadas para estimar o desempenho das linhas de transmissão e mitigar problemas existentes

Cobertura especial – CINASE Edição Pernambuco | Região Nordeste De volta ao Estado pela quarta vez desde sua criação, o evento garantiu aos participantes dois dias intensos de aprendizado técnico, boas negociações e amplo networking

Edição 165

Por um futuro sustentável

O mercado brasileiro de energias renováveis está

presentes e que o País está reagindo contra o temido estado

entrando na reta final do ano de 2019 com bons motivos para

de estagnação. As constatações obtidas durante a realização

comemorar e vislumbrar um futuro mais promissor. Isso porque

da 36ª edição do Circuito Nacional do Setor Elétrico (CINASE),

no dia 18 de outubro de 2019, foi realizado, em São Paulo, o

que aconteceu em Recife (PE), ratificam, de maneira unânime,

Leilão de Geração nº 04/2019 (A-6), o qual movimentou, ao

essa nova realidade que aponta para a inevitável diversificação

todo, R$44 bilhões em contratos, equivalentes ao montante

da matriz energética a partir do uso de energias renováveis,

de 250.148.822MWh de energia. Como resultado, as

principalmente, da solar e da eólica, alvos da maioria dos

contratações viabilizam investimentos de R$11,2 bilhões e a

projetos já em andamento ou previstos para os próximos anos.

geração de 21 mil empregos, o que demonstra que esse setor

tende a crescer de forma significativa.

evento, na qual você poderá se inteirar da discussão dos

principais temas que regem o segmento de energia, saber

Os empreendimentos somarão 2,9GW em capacidade

Trouxemos, neste exemplar, a cobertura completa do

instalada, um volume que superou as expectativas do mercado,

como está o desenvolvimento do mercado nordestino

segundo a opinião de especialistas. Foram contratadas 91

e acompanhar a evolução das últimas tecnologias em

usinas que serão implementadas em 15 Estados, sendo 75%

instalações elétricas de baixa, média e alta tensão.

de fontes renováveis, o que nos dá a clara dimensão do

potencial do mercado de renováveis e do interesse por parte

mercado de eletricidade, o CINASE-PE proporcionou aos

de investidores. Destes 91 empreendimentos de geração, 27

participantes dois dias intensos de puro aprendizado técnico

foram hídricos, 44 usinas eólicas, 11 usinas solares fotovoltaicas

e atualização tecnológica, além de oportunidades de geração

e nove usinas térmicas, sendo seis movidas a biomassa e

de negócios e muito networking. Não deixe de conferir todas

três a gás natural, o que soma 1.155MW médios de energia

as novidades trazidas na matéria escrita por mim, que tive o

contratada. As usinas deverão iniciar o fornecimento de energia

privilégio de estar presente no principal ponto de encontro

elétrica a partir de 1º de janeiro de 2025.

da engenharia elétrica do País e receber uma enxurrada de

conhecimento teórico e prático, o que me permitiu expandir

Foram contratados empreendimentos em todas as regiões

Consagrado como o ícone, ou ainda, a referência no

do Brasil, com destaque para Bahia (26), Rio Grande do Norte

meus horizontes e produzir, em primeira mão, todo o

(14) e Santa Catarina (11). Participaram do certame, como

conteúdo especialmente a você, querido leitor.

compradoras da energia, nove concessionárias de distribuição,

Saboreie nossas páginas!

sobressaindo-se a Light (449,1MW médios) e a Cemig (175,7MW médios).

Abraços,

Luciana Freitas

Todo este cenário indica que os sinais da economia estão

Redes sociais

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@osetoreletrico

Errata Diferentemente do que foi publicado na página 44 da edição de setembro (164), o símbolo correto é IB e não Ib conforme informado.

Revista O Setor Elétrico


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Coluna do consultor

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações e membro da diretoria do Deinfra-Fiesp e da SBQEE. É consultor da revista O Setor Elétrico jstarosta@acaoenge.com.br

A necessária resiliência do ponto de conexão

Na coluna “energia com qualidade” da edição do mês passado (setembro de

2019), abordávamos a necessária lição de casa dos gestores de infraestruturas que alimentam cargas consideradas de missão crítica ou cargas que, da mesma forma, não podem ser interrompidas, pois estão inseridas em contexto de produção seriada ou semelhante, e sua parada, mesmo que durante alguns instantes, causará prejuízos (de produção, de mão de obra parada e outros) considerados inaceitáveis.

A questão a ser aqui tratada, considera a necessária qualidade e confiabilidade

de fornecimento de energia por parte das distribuidoras onde plantas industriais e prédios comerciais estão conectados. O modulo 8 do prodist – ANEEL apresenta a necessária atenção aos regimes permanentes (valores integrados) e transitórios (VTCDs), indicando os limites de atendimento. O atendimento a estes limites não requer verificação ou pagamento de multas pelas distribuidoras. Em algumas avaliações efetuadas nestes pontos de acoplamento ou de conexão dos consumidores junto as distribuidoras, observa-se simultaneamente a existência de distúrbios que ocorrem também nos sistemas de transmissão e rede básica, aumentando em primeira analise a responsabilidade dos envolvidos nos processos, já que os distúrbios seriam originados a montante da responsabilidade das distribuidoras.

De uma forma geral, os clientes das distribuidoras seriam clientes indiretos

das empresas de transmissão e mereceriam a atenção necessária da mesma forma que as primeiras, apesar de a maioria das causas estar associada e ser apontada como da própria distribuição. Os investimentos que são efetuados nos circuitos de distribuição com a instalação de religadores e redes compactas reduzem as transgressões, mas merecem melhoria contínua de forma a atender os consumidores cada vez mais dependentes de sistemas de processo baseado em cargas de tecnologia de informação. O desempenho da distribuidora (e de suas supridoras) são muito relevantes para que os consumidores definam as melhores localidades para instalar suas plantas levando em conta as qualidades de produto e serviço do suprimento de energia. Este movimento certamente levará outros interessados, como as próprias prefeituras, a se preocuparem com o tema. Ações de controle e mitigação deverão ser tomadas pelo bem da produtividade de nossas indústrias.


Evento

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O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Por Luciana Freitas Fotos: Débora Acyole

Após ter viajado pelos Estados de Santa Catarina e de Minas Gerais em 2019, o Circuito Nacional do Setor Elétrico (CINASE) chegou à cidade de Recife, em Pernambuco, entre os dias 2 e 3 de outubro, mobilizando toda a cadeia elétrica local e nacional. Inúmeros profissionais e estudantes

Edição Pernambuco agita a Região Nordeste

da área participaram da 36ª edição, a qual contou com cerca de 1.200 participantes, 31 empresas patrocinadoras e importantes apoiadores da região, fundamentais para o êxito e realização do evento. Os congressistas lotaram o auditório

De volta ao Estado pela quarta vez desde sua

nos dois de encontro e desfrutaram de

criação, o evento garantiu aos participantes

composta por 50 palestras, ministradas

dois dias intensos de aprendizado técnico, boas negociações e amplo networking

uma

intensa

jornada

de

conhecimento

por especialistas e patrocinadores, que abordaram temas relevantes da atualidade, como: Energias Renováveis (Solar e Eólica); Smart Grid; Eficiência Energética; Redes


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O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Subterrâneas; Indústria 4.0; Internet of Things

todas as entidades e empresas regionais.

em parceria com a Dimensional, Clamper,

(IoT); BIM nos Projetos Elétricos, entre outros

Desta forma, envolvemos toda a cadeia

Cordeiro, Denis Cimaf, Dutotec, Elétrica PJ,

que regem o segmento.

elétrica, como concessionárias de energia,

Grupo Eletrobras, através das empresas

Na abertura do evento, o diretor da revista

Senais, universidades, revendas e indústrias

Chesf e Furnas, Embrastec , Epcos TDK,

O Setor Elétrico e do CINASE, Adolfo Vaiser,

locais. É um trabalho a seis mãos e que dá

FLIR Systems, Frontec, Grupo Gimi através

justificou o modelo de concepção do evento

resultado”, celebrou Simone Vaiser, diretora

das marcas Gimi e Gimi Pogliano, Grupo

ao afirmar que o fato de ser itinerante e sair

da revista O Setor Elétrico e organizadora do

A.Cabine,

do eixo São Paulo-Rio, permite com que seja

CINASE.

Nexans, Neocable, Otus X, RDI Bender, Rittal,

preenchida uma carência técnica que existe

Schneider Electric, SEL, Siemens, Soprano,

Brasil afora. “Com essa conotação, criamos

a indústria elétrica, a qual comprou a

TAF, Techno, Trael, Tramontina e WEG.

um evento que leva para cada região por

ideia desse modelo de evento, exerce um

Os

onde passa, a chance de o profissional se

papel essencial e determinante. A Edição

suma importância para a concretização e

atualizar com o que há de mais recente em

Pernambuco contou com o Patrocínio Master

repercussão regional do CINASE. Foram eles:

tecnologia elétrica”, declarou.

de BRVAL Electrical e com o patrocínio da

Associação Brasileira da Indústria Elétrica

ABB, Beghim, Brasformer/Braspel, Centelha

e Eletrônica de Pernambuco (Abinee-PE),

O mercado já estava fatigado de tantas

Para tornar possível todo esse sucesso,

Grupo

apoiadores

Intelli,

IFG,

também

KitFrame,

foram

feiras tradicionais, e o modelo do CINASE – que também é utilizado por diversas empresas multinacionais do segmento – demonstra o sucesso a ser seguido. “Um congresso técnico com exposição simultânea, onde todos os estandes são padronizados, o que permite que o foco esteja no conteúdo do evento, que foi reformulado e conduzido em seus dois dias pelos coordenadores técnicos José Starosta e Jobson Modena, parceiros desde o nascimento da revista o Setor Elétrico”, comentou Vaiser.

Ao todo, já foram mais de 35 edições

realizadas por mais de 16 diferentes cidades. “Para a realização do CINASE, mobilizamos muito a região por onde passamos e contamos com o apoio importantíssimo de

O Centro de Convenções de Pernambuco foi palco de discussão dos principais temas relacionados ao setor elétrico e a oportunidade ideal para networking entre os participantes.

de


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Evento

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Associação Brasileira de Conscientização

Pernambuco (Sinditest), TILD, Universidade

de gerência de processos centralizados em

para os Perigos da Eletricidade (Abracopel –

Federal de Pernambuco (UFPE), Centro

Recife, foi descentralizado, e atuamos em

Pernambuco e Rio Grande do Norte), Aesga,

Universitário

todas as regiões, de forma a termos mais

Companhia

Uninassau e Volga.

(Celpe),

Energética Centelha,

de

Pernambuco

Companhia

Facol

(Unifacol),

UNIFG,

proximidade com o campo, com o poder público, ou seja, a conseguirmos uma atuação

Hidro

Elétrica do São Francisco (Chesf), Conselho

O desenvolvimento do mercado local

local com mais sensibilidade”, comenta.

Regional de Engenharia e Agronomia de

Pernambuco (CREA-PE), CRT03, Elétrica PJ,

foi marcado pela brilhante palestra sobre

executivo foi em relação ao aspecto tarifário.

Estácio, Federação das Indústrias do Estado

“O Panorama Celpe do Setor Elétrico”,

A tarifa média da conta de energia de 2017

de Pernambuco com o Serviço Nacional de

proferida por Saulo Cabral e Silva, diretor-

a 2018, isto é, dos últimos 10 anos, referente

Aprendizagem Industrial de Pernambuco

presidente da Companhia. O especialista

à parcela da distribuição, sofrido queda com

(Fiepe-Senai),

O início do primeiro dia do congresso

Outro ponto abordado no discurso do

de

explicou, com muita propriedade e clareza,

o passar do tempo. “A distribuidora vem

Pernambuco (IFPE), Insole, Kroma Energia,

como se dá a atuação do Grupo Neoenergia,

contribuindo com o seu papel na modicidade

Mútua Pernambuco, POLI/UPE, Secretaria

ao qual a Celpe pertence. Ao falar sobre o

tarifária, buscando eficiência, as quais são

de Desenvolvimento Econômico do Estado

modelo operacional e propósito da Celpe,

capturadas e inseridas na tarifa de energia”,

de Pernambuco, Sindicado dos Engenheiros

Cabral afirmou que hoje, a atuação é

esclareceu.

no Estado de Pernambuco (Senge-PE),

predominante com distribuição nos Estados

Sindicato

Instituto

Federal

Os investimentos em Pernambuco têm

Metalúrgicas

de Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte

crescido de forma exponencial. No ano

Mecânicas e Material Elétrico do Estado

e uma parte de São Paulo e Mato Grosso,

passado, o Estado recebeu quase R$800

de

das

Indústrias

Sindicato

com suas quatro distribuidoras, mas que o

milhões, direcionados ao reforço das redes

Nacional das Empresas de Arquitetura e

trabalho é feito também nos segmentos de

de distribuição, um dos pilares da Companhia.

Engenharia Consultiva (Sinaenco), Sindicato

geração, transmissão e comercialização,

Monitoramento de operações, com gestão

dos Técnicos de Segurança do Trabalho de

por meio das demais empresas do Grupo

inteligente e eficiente também têm ganhado

Neoenergia.

espaço dentre os investimentos, além de

A área de energias renováveis da Celpe

outros recursos, como drones. “Temos

vem se expandindo bastante dentro da

investido em drones, porém, este é um

Neoenergia. “Hoje, estamos com 500MW em

processo que vem se estendendo ao longo

17 parques em operação, mas como temos

do tempo. Não está ainda da forma que

vários parques em construção, chegaremos a

desejamos, mas é um projeto que tem um

1,5GW até 2023”, declarou.

futuro enorme pela frente, o qual estamos

Recentemente, a Celpe realizou uma

passando agora para a parte de linhas de

mudança em sua forma de gestão e operação

transmissão”, destacou Cabral.

local, descentralizando sua atuação a todo o

Estado de Pernambuco. “O que nós tínhamos

volume expressivo de redes inspecionadas

Pernambuco

(Simmepe),

O diretor-presidente da Celpe abriu o primeiro dia de congresso, falando sobre as principais ações da Companhia por meio do Grupo Neoenergia.

Essa série de ações tem resultado em um

e previsão de defeitos – a chamada atuação preditiva –, que antecipa falhas e coloca o sistema em continuidade. “Reduzimos pela metade o tempo de interrupção de 2014 até agora, e posso dizer que, apesar de essa ser a melhor qualidade de fornecimento da história da Celpe, ainda precisamos melhorar muito para chegarmos a um patamar adequado, lutando com as questões da topologia de rede e redes aéreas em uma cidade extremamente arborizada como Recife”, enfatizou. Inovação é outra bandeira levantada pela Celpe no Estado de Pernambuco. Por meio de recursos de medição e redes inteligentes, tem se instituído uma nova

O Estado de Pernambuco recebeu cerca de R$800 milhões em 2018, direcionados ao reforço das redes de distribuição, um dos principais focos de atuação da Celpe.

relação com a natureza de serviço público, que a distribuidora tem de orquestrar com


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O Setor Elétrico / Outubro de 2019

da instalação de telecom é extremamente necessário”, informou.

Para finalizar sua apresentação, Saulo

Cabral falou sobre a Escola de Eletricistas implantada pela Celpe, em Pernambuco, que visa formar profissionais, não somente para a Concessionária, mas também para o mercado. “É um curso gratuito, com uma parceria fortíssima com o Senai, onde nós capacitamos interessados em ser eletricistas de linhas de redes. Essas pessoas têm um programa de carreira incrível dentro do Grupo”, ressaltou. Atualmente, 13 turmas já estão concluídas, 160 alunos já estão O Prof. Dr. Methodio Varejão de Godoy, superintendente de planejamento da Expansão e Meio Ambiente Chesf, falou sobre as novas tendências e inovação para transmissão de energia elétrica, trazendo as perspectivas do futuro do setor e seus desafios.

formados e há novos alunos em formação. O

toda a sociedade. “As subestações já

e sem interferência humana, fazendo uso de

Dando

estão completamente automatizadas, mas

equipamentos automatizados, instalados ao

Eng. Prof. Dr. Methodio Varejão de Godoy,

a rede também precisa estar, e por isso,

longo das redes. Isso passa, basicamente,

superintendente

temos trabalhado muito com automação

pela instalação dos equipamentos e pelo

Expansão e Meio Ambiente da Companhia

inteligente de redes, através do conceito

fortalecimento da estrutura de rede. Não

Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) falou

de self-healing, que é a capacidade de

estamos mais só falando de potência, mas

sobre “Novas tendências e inovação para

restabelecimento sem custo de distribuição

de telecom também integrada. Esse upgrade

transmissão de energia elétrica”. Dentro desse

site da Celpe traz as informações para quem se interessar. sequência de

ao

congresso,

planejamento

o da


Evento

14

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

painel, o especialista trouxe as perspectivas do futuro do setor de transmissão e seus desafios, apontando, primeiramente que, com o crescimento das grandes cidades, novos pontos de suprimentos tornam-se necessários.

Ele deu o exemplo da cidade de Recife,

na qual todos os pontos de suprimento estão chegando próximos ao limite. “Passamos dois meses discutindo a introdução de um novo ponto de suprimento e, dentre as diversas opções e as dificuldades observadas, no sentido de construir novas instalações de transmissão nas grandes cidades, mesmo adotando tecnologias, a solução foi ampliar a subestação e usar a capacitação de linha”, contou. Nos últimos anos, a transmissão

Em sua palestra, Rodolpho Almeida, gerente de geração na Kroma Energia, discorreu sobre a evolução da indústria e a implantação das energias renováveis na matriz elétrica brasileira.

precisou se tornar mais rápida para atender uma demanda de geração de energia que se instaura velozmente.

Um ponto importante no contexto entre

a geração e a transmissão é a questão ambiental, uma vez que é complexa definição da relação meio ambiente e desenvolvimento. “Quando se lida com esses aspectos dentro de uma região como Recife, no contexto em que vivemos, construir linhas de transmissão é algo extremamente difícil. A Aneel, durante os leilões de transmissão, passou, basicamente, 2015 e 2016, com inúmeros leilões vazios, por conta de riscos e dificuldades de superar todas as questões e o licenciamento necessário”, lembrou. Outra mudança ocorrida é que, no

O presidente da Insole Energia Solar, Ananias Gomes, abordou o cenário evolutivo da geração distribuída e Smart Grid.

passado, as redes eram alinhadas, partindo da geração até o consumidor, ao passo que hoje, a rede é completamente heterogênea. Godoy explica que existe, essencialmente, toda uma geração distribuída, geração em diversos pontos, e que há dois fatores que causarão impactos mais significativos no setor elétrico: armazenamento de energia e veículos elétricos. “O Brasil é um dos poucos países, com a dimensão que tem, onde quase ainda não há política pública de incentivo ao carro elétrico”, observou.

Ele citou também os benefícios oferecidos

pelas linhas compactas, um tipo de instalação mais cara, porém, que causa menos impactos. Segundo ele, a linha compacta permite uma redução de 80% do corredor, fato que revela

O coordenador do curso de Engenharia Elétrica na Estácio, Gustavo Luna, falou sobre sistemas de armazenamento ligados à geração eólica.


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O Setor Elétrico / Outubro de 2019

a dimensão de como são importantes quando

completou. Neste cenário, se observa uma

há regiões densamente povoadas. “É preciso

grande concentração de geração intermitente

que os leilões de transmissões comecem a

em uma região específica. “Apesar de termos

trabalhar com questões de linhas compactas,

muitas linhas de transmissão, elas não estão

porque é uma solução muito mais harmônica

no compasso suficiente para acomodar toda

e que, sem dúvida nenhuma, tem menos

essa energia eólica”, declarou o Profº Godoy.

impacto a toda a sociedade”, sugeriu.

E acrescentou. “Se nós não tivéssemos eólica na região Nordeste, estaríamos em

Painel sobre Energias Renováveis

racionamento há mais de 10 anos”.

Uma novidade trazida por esta edição

Praticamente 90% da demanda do

do CINASE foi a realização do Painel sobre

Nordeste foi proveniente das eólicas, o que

Energias Renováveis, cujo tema principal foi

é extremamente desafiador às distribuidoras

“Panorama Brasil e PE da Energia Renovável”,

de energia, uma vez que começa a se integrar

ministrado por um time expert de convidados

uma geração renovável nesse ambiente. Por

especiais.

isso, é necessário se pensar em soluções

inteligentes

O primeiro palestrante foi Pedro A. C.

e

em

outras

formas

para

Rosas, professor e coordenador do curso de

acomodar essa produção de energia.

Engenharia Elétrica da Universidade Federal

de Pernambuco (UFPE), que discorreu sobre

Rosas destacou o desafio de trabalhar com

a grande quantidade de energia renovável

a rede 4.0, na qual a operação do sistema é

que vem sendo injetada na rede elétrica,

bem complexa. “O primeiro ponto a se pensar

enfatizando a evolução da eólica, que hoje,

é o planejamento do sistema elétrico, pois o

gira em torno de 15 e 17GW no País. Em

mercado é muito dinâmico e temos que nos

dezembro, havia 14,7GW instalados, com

preparar para haver energia para as cargas

fator

que virão”, orienta.

de

capacidades

surpreendentes,

inclusive, no Estado do Maranhão.

Dentre os entraves a serem enfrentados,

O segundo ponto crítico é a questão

o

dos despachos, que, em alguns casos,

Operador Nacional do Sistema Elétrico

é necessário quando não se consegue

(ONS), a Empresa de Pesquisa Energética

acomodar toda a produção de eólica e solar.

(EPE), e outros envolvidos sofrerão impacto

José

com a transição do sistema elétrico. Neste

Gestão de Energia da Secretaria Executiva

sentido, Rosas faz algumas colocações. “O

de Energia e Infraestrutura, que faz parte da

principal problema é que a geração eólica

Secretaria de Desenvolvimento Econômico

depende de um combustível chamado “vento”,

do Estado de Pernambuco, por sua vez,

e se por acaso for necessário despachar

explanou sobre a criação do Atlas Eólico e

300MW e só haver vento para 100MW, o

Solar de Pernambuco, uma ferramenta digital

que acontecerá? Então, entraremos em um

e gratuita, que tem o objetivo de fomentar

nível de complexidade enorme para operar o

o desenvolvimento de fontes renováveis.

sistema elétrico”, analisou.

O material apresenta uma visão geral do

Por esta razão, ele afirmou que o

potencial de geração de fontes eólicas e

primeiro passo de alteração do sistema é o

solares no Estado, através dos níveis de

do planejamento e do despacho da energia.

vento e de radiação solar e de uma série de

Hoje, o Brasil possui 60% da energia elétrica

mapas que ressaltam aspectos da geografia,

no Brasil vindos de hidrelétricas, sendo que

da economia e da infraestrutura do Estado.

há cerca de 30 anos, o percentual era de

“O Atlas Eólico e Solar foi produzido com

90%. “Em eólica, já estamos chegando a

uma série de parcerias, e é o primeiro do

9%, com tendência de aumentar, e um ponto

Brasil. Pode ser encontrado em: www.

crítico é que a grande maioria das instalações

atlaseolicosolar.pe.gov.br, onde há uma série

eólicas está no Nordeste e ainda temos

de informações interessantes, auxilia na

um potencial imenso a ser explorado em

tomada de decisões e a apresenta melhor

Pernambuco, Paraíba, entre outros Estados”,

os detalhes de empreendimentos, tanto de

Concessionárias,

transmissoras,

Carlos

Medeiros,

gerente

de


Evento

16

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

eólica como de solar”, afirmou Medeiros.

vende a instalação solar do cliente, seja

promessa de desenvolvimento tecnológico, e

Nos últimos cinco anos, foram criados

ele, pessoa física ou jurídica, pode receber

precisamos, realmente, fazer isso acontecer”,

estímulos em Pernambuco, dentro de um

as parcelas do empreendimento dentro da

incentivou.

programa chamado UPE Sustentável. De

própria fatura de energia do cliente”, salientou

forma pioneira, em 2013, foi realizado no

Medeiros.

70% da energia seria gerada por hidrelétrica

Estado, o primeiro leilão de energia renovável

Rodolpho Almeida, gerente de geração

e 13% por renováveis, mas chegou-se

– no caso, foi de solar –, que antecedeu

da Kroma Energia, comercializadora de

em 2018, com 60% em hidrelétricas que,

todos os outros leilões federais.

energia, com mais de 10 anos de experiência

somados às renováveis, resulta em 22%.

Existe também o Programa UPE Solar, que

no mercado, em sua palestra, falou sobre

“Desde 2009 ou 2010, já se falava em fontes

é ligado ao varejo e à geração distribuída, de

o Plano Decenal de Expansão de Energia

renováveis e houve uma grande resistência,

microgeração, que visa incentivos, inclusive,

(PDE), que, em 2010, mostrou que havia

mas vimos que é realidade e que funciona. De

de forma financeira, à procura de agentes

17% de sistemas eletrificados em todo

toda forma, olhando para a tendência, deve

para

instalações

o consumo de energia. “Em 2017, ainda

acontecer a redução de hídricas e aumento

solares do Estado através da agência de

tínhamos os 17% dos sistemas no Brasil

de renováveis e intermitência na rede, e o

desenvolvimento. “No ano passado, nós

eletrificados, o que significa que ainda temos

dilema é como o operador lidará com toda a

firmamos um acordo de cooperação técnica

muito a evoluir. A indústria está chegando, a

energia que possui”, detalhou.

com a Celpe, onde o empreendedor que

geração distribuída está vindo, tem toda uma

viabilizar

as

primeiras

Em 2009, o PDE previa que em 2019,

Outro tema abordado dentro desse painel

especial foi “Cenário evolutivo da geração distribuída e Smart Grid”, ministrado pelo presidente da Insole Energia Solar, Ananias Gomes. A Insole possui mais de 60MW instalados no mercado de geração distribuída, e no ano passado, por decisão estratégica, decidiu criar uma estrutura nova, responsável por toda a parte de desenvolvimento, considerando a evolução associada a Smart Grid, armazenagem, mobilidade elétrica etc.

A eficiência energética e o controle de

energia do lado da demanda exigirão uma atenção especial dentro do atual contexto nacional. A geração local e distribuída, considerando as fontes solar, eólica e Carlos Barros, gerente na Acumuladores Moura, apresentou um sistema desenvolvido pela empresa, que oferece aplicabilidade de forma amigável aos sistemas de armazenamento de energia.

biomassa são elementos importantes nesse novo contexto, e tudo isso remete a uma preparação da rede elétrica, com a inserção de tecnologias de informação e comunicação. “Todo esse processo de evolução está ligado ao que chamamos de Smart Grid, que remete a um conceito de interação total, que envolve eletricidade, água, gás etc., e muito importante dentro desse conceito de geração distribuída a partir da integração com a rede”, avaliou. O futuro do sistema está ligado à integração da rede, gestão operacional dos veículos, mobilidade, e à gestão de energia, mas, juntamente com esses recursos, surge um grande desafio da inovação dentro do conceito de Smart Grid, que são a

O painel especial sobre “Panorama Brasil e PE da Energia Renovável” foi composto por seis renomados especialistas da área.

obsolescência tecnológica, a estabilidade e a segurança cibernética.


17

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

O coordenador do curso de Engenharia

Elétrica na Estácio, Gustavo Luna, abordou o tema sistemas de armazenamento ligados à geração eólica, em que falou sobre a variabilidade da potência eólica gerada em parques eólicos, fruto da intermitência do vento. “Devido ao recurso propriamente dito do vento, da grande variabilidade ou da mudança de velocidade, nós temos uma flutuação de potência do parque eólico, e graças a uma grande variação da distribuição espacial de turbinas no parque, conseguimos ter diminuição da variação de potência de saída”, comentou. Ilha

O estudo de caso Fernando de Noronha: da

Inovação

foi

outro

destaque,

apresentado por Evandro Monteiro Simões, membro

da

área

de

planejamento

de

Os engenheiros eletricistas Nuziante Graziano e Aguinaldo Bizzo de Almeida, em suas brilhantes palestras sobre “Painéis Elétricos, Arco Elétrico e EPI”, esclareceram os principais aspectos de desempenho e segurança de equipamentos e proteção de pessoas.

projetos da Celpe, que mostrou aplicações

geradores, totalizando uma potência instalada

em cinco anos (de 2012 a 2017), teve um

práticas sobre inovação já implantados no

na ordem de 5MW, e um gerador reserva, com

investimento de R$17 milhões e contou com

local. O tema é uma perspectiva da Celpe

potência de 1.1MW para contingências, de

diversas parcerias durante o projeto.

em seu plano estratégico de cada vez mais

modo a proporcionar segurança operacional.

testar implementações tecnológicas na Ilha,

visando garantir um ponto de sistema local,

primeira delas tem uma potência instalada

O engenheiro eletricista e diretor da

contribuindo para a redução da mudança

de 400kWp, produz uma energia estimada

Gimi Pogliano Blindosbarra Barramentos

climática e o fornecimento de energia.

em 600MWh por ano e equivale a 4,2%

Blindados e da GIMI Quadros Elétricos,

A Ilha está distante de Recife 540km,

do consumo de energia da Ilha. “Isso tem

Nunziante Graziano, explorou o tema Painéis

ou seja, possui uma geração ilhada. O

uma redução do consumo de biodiesel,

Elétricos e Arco Elétrico, em que apresentou

arquipélago é formado por 21 ilhas, sendo

fomentando a geração de energia limpa”,

a importância de se conhecer, controlar e

a que tem o próprio nome de Fernando de

destacou Simões.

mitigar o arco elétrico e seus danos.

Noronha, 91% do território e a única que

possui habitação e consumo de energia.

550kWh de pico, produz 770MWh por ano, e

aspectos da norma para a construção

equivale a 5% do consumo da Ilha.

conjuntos de manobra de alta tensão,

incluindo definições, métodos de ensaio,

O sistema elétrico instalado em Noronha

possui uma usina termelétrica com quatro

A Ilha conta com duas usinas solares. A

A segunda usina já um pouco maior: tem

Esse projeto, em toda a sua construção

Painéis Elétricos, Arco Elétrico e EPI

Durante sua explicação, ele falou sobre


Evento

18

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

O auditório permaneceu lotado em tempo integral nos dois dias de congresso.

O especialista Juarez Guerra, diretor da Abinee, comissão GT Fotovoltaico, falou com total propriedade sobre “Geração distribuída, Energia fotovoltaica e Armazenamento de energia”.

objetivos, e orientou a correta especificação

dos equipamentos. “A nossa norma de

uma norma técnica de referência, como por

referência é a NBR IEC 62271-200, que

exemplo, a NFPA 70E americana, que não é

está sob processo de revisão e atualização.

internacional, mas estrangeira, e por isso não

É nela que encontramos o Anexo A, o qual

pode ser utilizada como referência – o Brasil

determina a forma e todos os parâmetros

segue o sistema ISO, que trata sobre arco

de controle para que executemos o ensaio

elétrico. “Ou seja, somos carentes no País

de arco interno devido a uma falha interna”,

sobre isso”, frisou.

detalha. A estatística diz que 14% apenas

dos conjuntos de manobra blindados de alta

destacou também a importância da utilização

tensão são resistentes ao arco interno.

de EPIs em serviços elétricos. “É preciso

Outro ponto destacado por Graziano foi a

esclarecer que o uso de EPI é intrínseco a

necessidade de certificação do equipamento,

quem trabalha com eletricidade. Quando se

a fim de assegurar que o invólucro suportará

fala em arco elétrico, não haverá condições

a pressão e a temperatura internas, para

de se trabalhar com circuitos energizados,

garantir a segurança do operador que estiver

sem segregação, sem o uso de EPI”, concluiu.

O problema é que não há no Brasil

O especialista em segurança do trabalho

à frente da operação. “Do ponto de vista de a estrutura metálica tem de estar conectada

Eficiência Energética na Indústria e Instalações

ao aterramento, e esse aterramento não pode

ser destruído. Esta é uma característica a ser

na Indústria e Instalações, o engenheiro

verificada no ensaio”, alertou.

eletricista e diretor da Ação Engenharia e

aterramento, isso é muito importante, porque

Na palestra sobre Eficiência Energética

Aguinaldo Bizzo de Almeida, engenheiro

Instalações, José Starosta, discorreu sobre

eletricista e de segurança do trabalho,

os benefícios provenientes de projetos

palestrou na sequência, de forma a explorar

eficientes, tais como aspectos ambientais,

mais a fundo o tema Equipamento de Proteção

sustentabilidade, resíduos, logística reversa,

Individual (EPI). Em sua rica apresentação,

entre outros, chamados de visão holística,

Bizzo falou sobre proteção de pessoas,

mas comentou que no Brasil, existe pouca

tratando, primeiramente, sobre os impasses

legislação para mercado e que não há

da Norma Regulamentadora NR-10, a qual

compulsoriedade.

seguirá novamente para consulta pública. “A

última versão é de 2005 e uma das lacunas

feita em ações de eficiência energética é

que temos na norma é arco elétrico. Acontece

se entender qual é a variável independente

que uma norma regulamentadora é um

que terá uma correlação com energia,

equívoco das pessoas, pois elas querem que o

porque senão, se trocam processos e não

documento fale o “como” fazer, mas esse não

se saberá o que fazer. “No instante em que

é o seu papel. Uma norma regulamentadora

fizermos a ação de eficiência, implantarmos

fala “o que” fazer, porque o “como” fazer fica

o projeto e estabelecermos uma correlação,

por conta das normas técnicas”, esclareceu.

conseguiremos saber qual é o ganho do

Ele explicou que a primeira coisa a ser


19

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

projeto. Esse é o protocolo do qual falamos”,

se comunicar. A digitalização foi além das

apontou.

indústrias, chegando às residências, e permite

Como complemento à palestra de Starosta,

que informações sejam trocadas em tempo

o engenheiro eletricista e docente do Senai-PE,

real com as concessionárias. Pesquisas

Adriano Santana, apresentou o trabalho de

revelam que haverá uma demanda de 60%

eficiência energética feito pelo Senai, junto às

de energia, que obrigará que a produção seja

empresas do Estado de Pernambuco, tendo

mais eficiente e com qualidade”, antecipou.

como lema a competitividade. “Nossas ações

voltadas à eficiência energética consistem em

“WEG na Indústria 4.0” foi ministrada por

identificar quais os potenciais das empresas

André

para reduzirem seu consumo e, em cima desses

Regional NE da empresa, o qual falou sobre

potenciais, executarem o trabalho que deve ser

conectividade, a palavra-chave para Indústria

feito. Algo importante é fazer a coleta e análise

4.0. Ele explicou que um dos maiores

dos dados, estabelecendo uma linha de base, isto

benefícios que a Indústria 4.0 pode trazer

é, saber quais os dados atuais antes de implantar

é a melhoria da eficiência operacional e da

as ações de eficiência energética em cima das

produtividade, por meio da conectividade.

cargas alvo. Pode-se ter uma empresa muito

“Criamos a plataforma WEG IoT Platform,

grande, com vários processos internos, alguns

por meio do qual o cliente disponibiliza os

sendo viáveis para ações de eficiência, e outros,

dados de seus processos à WEG. A partir

nem tanto. Então, por uma razão econômica, se

daí, esses dados são colocados na nuvem

foca nos que são mais importantes, ou ainda,

e

que dão retorno”, argumentou.

sobre os processos, máquinas e sistema, a

Ainda como parte do painel, a palestra Guimarães,

transformados

coordenador

em

técnico

informações

úteis

fim de que, posteriormente, o cliente possa

Indústria 4.0 e as Instalações Elétricas

tomar as melhores decisões. E acrescentou.

O painel sobre a Indústria 4.0 e as

“Dando o exemplo, estamos bem avançados

Instalações Elétricas foi um dos destaques

em conectividade em geração fotovoltaica,

do segundo dia do congresso, tema tido

pois já temos grandes plantas, instaladas,

como a quarta revolução industrial. Segundo

principalmente, no Nordeste. Uma das últimas

o engenheiro Nunziante Graziano, da Gimi,

foi de Sobradinho (BA), que nós inauguramos

o conceito indica que o desenvolvimento

recentemente, a primeira usina fotovoltaica

de toda a indústria da informação e de

flutuante do Brasil”, contou.

processamento de dados está chegando a

um ponto disruptivo. “A indústria 4.0 romperá

também compôs o painel sobre Indústria

algumas barreiras e certos paradigmas

4.0 e as Instalações Elétricas, dirigido por

da nossa forma de lidar com as coisas,

Normando Chianca, engenheiro civil e diretor

principalmente, com os dados. De 20 anos

da Domotix Engenharia. O BIM está presente

para cá, o mundo está na palma da mão,

desde o projeto até o final da vida útil, e é

através do 4G, do 5G, do WiFi, e tudo isso

a partir do modelo de arquitetura do projeto

serve para diversas inovações, tais como:

que é possível saber que tipos de instalações

Robótica; Biotecnologia; Inteligência artificial;

são necessárias. “São definidos os projetos

Sistema cibernético; Internet das Coisas;

e instalações e, efetivamente, elaborados

Cloud Computing; Big data; Impressão 3D;

em plataforma BIM. Em maio de 2018, o

e a Robótica avançada. O mundo está inteiro

Governo Federal estabeleceu metas e prazos

conectado”, afirmou.

para a implementação do BIM em órgãos

Dentro desse contexto, Fabio Carlos,

públicos, mas somente a partir de janeiro

engenheiro de aplicação da ABB, tratou

de 2021, é que o BIM será exigido, de fato,

do tema “Indústria 4.0 – Digitalizando e

com o 3D, que é sua primeira etapa. São

automatizando subestações de baixa e média

três anos para que as empresas se adequem

tensão”, demonstrando como eram as redes

ao primeiro estágio, pois se trata de algo

de distribuição tradicionais e explicando

complexo, que requer decisão do empresário

que, com a digitalização, elas passaram a

e acompanhamento dessa evolução”, afirmou.

A pauta “BIM nos Projetos Elétricos”


Evento

20

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

DEPOIMENTOS DE APOIADORES E PATROCINADORES André Luiz dos Santos Farias, gerente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) – Regional Nordeste

Foi uma enorme satisfação apoiar o CINASE 2019 em Pernambuco. Sem dúvida, foi um importante evento para o segmento

elétrico na região Nordeste. Tenho certeza de que a qualidade do público, as discussões e informações técnicas e as empresas participantes contribuíram de maneira fundamental para o sucesso do evento. Parabéns!

Pedro A. C. Rosas, professor e coordenador do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

A realização do CINASE em Pernambuco foi muito interessante em vários aspectos. O primeiro de todos na questão de

reciclagem dos profissionais que atuam em engenharia elétrica na região. Em segundo, a interação entre profissionais e empresas bem referenciadas também permitem um ótimo networking. Finalmente, a premiação de projetos e as apresentações realizadas com excelente qualidade proporcionaram aos ouvintes um ótimo panorama da situação das diferentes áreas do setor elétrico atuais.

Gustavo Luna, coordenador do curso de Engenharia Elétrica na Estácio

O evento é de suma importância para a divulgação do setor elétrico, junto a ambientes acadêmicos e corporativos. A presença

do CINASE em nosso Estado fortalece bastante o setor elétrico. Só tenho a agradecer a participação e é um prazer estarmos engajados nesse tipo de evento.

Luiz Cardoso Ayres, secretário executivo de Energia e Infraestrutura na Secretaria de Desenvolvimento Econômico

Pernambuco vem assumindo no Brasil e, principalmente, na região Nordeste, uma liderança com relação à questão das fontes

renováveis, principalmente, pela edição do Atlas Eólico e Solar, que foi o primeiro feito no País. Pela disponibilização que nós temos do sistema da rede básica, um trabalho que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico vem fazendo junto com a Celpe é no sentido de criar obras estruturadoras para acesso, e nisso, Pernambuco tem a honra de ter tido o primeiro leilão exclusivamente de energia solar do País. A partir daí, foi construída a usina de Tacaratu, da Enel Green Power, a primeira usina de grande porte.

O atual momento é muito oportuno para sediar um evento como o CINASE, pois traz muita coisa nova para Pernambuco e

congrega todos os que realizam esse trabalho com energia dentro do Estado.

Saulo Cabral e Silva, diretor-presidente da Celpe

O evento consegue trazer um público totalmente conectado às questões do setor elétrico. Existe um embasamento técnico

importante e a organização consegue mesclar, reunindo fornecedores e o que há de mais moderno, e isso é extremamente importante atualmente, porque o setor elétrico tem mudado bastante, com novas tecnologias chegando todos os dias. É muito proveitoso manter os profissionais conectados para que consigamos caminhar junto com a velocidade que as tecnologias têm mudado.

Rodolpho Almeida, gerente de geração na Kroma Energia

Estamos muito satisfeitos por termos sido convidados para compartilhar essa vivência de mercado, ainda bem incipiente,

principalmente, o mercado livre. Com essa mudança do Ministério, agregar outras visões ao setor de energia elétrica é muito interessante e ficamos muito gratos em participar.


O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Marcelo José Albuquerque Maia, superintendente de Relações Institucionais da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf)

O CINASE é um evento interessante, porque traz a geração, a transmissão, a distribuição e os fornecedores a um único local.

Na exposição, se poder observar vários fornecedores desse setor e as palestras estão englobando essas informações, de forma que haja um ‘casamento perfeito’. Quem sai do CINASE, sai com um bom conhecimento, com uma boa troca de informação e com um networking da melhor qualidade. O CINASE e a revista O Setor Elétrico estão de parabéns!

Methodio Varejão de Godoy, superintendente de Planejamento da Expansão e Meio Ambiente da Chesf

Foi uma grande alegria ver quão profissional foi todo o evento. A forma como foi organizado mostra exatamente a qualidade e a

preocupação em fazer algo com o nível necessário. A organização está de parabéns por tudo!

André Fernando de Souza Guimarães, mestre em Tecnologia de Energias Renováveis, engenheiro eletricista, coordenador regional da área técnica e comercial da WEG e professor na Uninassau

O evento é uma oportunidade maravilhosa, não só aos profissionais, mas também aos fabricantes. Após a realização,

conseguimos ampliar o nosso networking comercial e saímos com várias visitas agendadas e negócios prospectados. Do ponto de vista de aprendizado aos alunos da Uninassau – que são os que estão se formando agora –, o evento tem um riquíssimo conteúdo e muito nertworking.

Rodrigo Pimentel do Lago, diretor comercial na Otus X

A participação das pessoas nas palestras foi bem interessante, porque, por ser um público mais técnico, a troca é de

experiências práticas, atividades vividas no dia a dia. É a nossa primeira vez como participantes e tivemos uma impressão muito positiva. Já estamos discutindo até outras edições.

Lucas Gallego, gerente de Marketing na Intelli

A proposta do evento é boa. De um modo geral, a organização do evento está de parabéns!

Ricardo Magrin Breda, do Departamento de Vendas da Tramontina

Foi a nossa primeira participação no evento e superou as expectativas. Para nós, foi muito viável na região para a Tramontina e

bem interessante para mostrar os nossos produtos, o segmento elétrico. A Tramontina Materiais Elétricos é uma das fábricas que mais está crescendo no ramo do Grupo da Tramontina, então, é muito bom prospectar essa região também, a qual vemos que é muito carente em dados e informações, e produtos técnicos na parte de materiais elétricos.

Alexandre Morais, diretor da BRVAL Electrical

O CINASE é importante para a divulgação da marca, dos produtos, de lançamentos, para promover relacionamento com clientes,

geração de networking, tudo isso junto e misturado.

Richard Fine, consultor técnico na Brasformer/Braspel

Eu gostaria de parabenizar o Adolfo e sua equipe pelo evento. A Brasformer/Braspel se sentiu bastante honrada em participar

dessa etapa de Pernambuco. Notamos que houve uma procura bastante grande, a casa cheia, o auditório sempre lotado, do começo ao fim do evento e uma grande variedade de patrocinadores de todos os segmentos da área elétrica, desde transformadores, cabos, relés. Em minha opinião, essa proposta é muito importante, pois entendemos que a região Nordeste careça desse tipo de evento. São profissionais que têm bastante vontade de aprender, porém, poucos recursos, mas o CINASE vem para colaborar com esse público.

21


Evento

22

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

6º Prêmio OSE de Qualidade das Instalações Elétricas

Como forma de reconhecer os melhores

projetos elétricos da região, na noite de 1º de outubro, foi realizada a 6ª edição do Prêmio O Setor Elétrico de Qualidade das Instalações Elétricas 2019 – Edição Pernambuco, na qual foram conhecidos os vencedores desta etapa. Foram recebidos, ao todo, 21 projetos nas cinco categorias, com a participação da universidade, concessionária, empresas de engenharia, distribuição de material elétrico, entre outros. Os projetos que se destacaram por sua concepção e aplicação foram avaliados em seis categorias: Instalações elétricas industriais e comerciais; Inovação tecnológica; Pesquisa e Desenvolvimento; Projeto luminotécnico; Energia renovável e o Prêmio OSE – Região Nordeste –

A 6ª edição do Prêmio recebeu, no total, 21 projetos elétricos nas cinco categorias.

Estado de Pernambuco.

Em parceria com a revista O Setor Elétrico,

o CINASE sentiu a necessidade de identificar e reconhecer as instalações que priorizem as boas práticas da engenharia. “Acreditamos que essa iniciativa incentivará os profissionais a respeitarem as normas técnicas e a proverem soluções cada vez mais sustentáveis e eficientes para as instalações brasileiras”, declarou Adolfo Vaiser.

O Profº Dr. Methodio Varejão de Godoy foi o grande homenageado desta edição, sendo reconhecido por sua dedicação, legado e importante colaboração para o desenvolvimento da engenharia elétrica no País.

O Projeto OSE 2019 – Edição Pernambuco foi conquistado pelo time de profissionais Gustavo Luna, Pedro Rosas, Luiz Henrique, Andrea Sarmento, Pablo Tabosa, Davidson Marques, Wendell Teixeira e Guilherme Rissi, da UFPE, do Instituto Tecnológico Edson Mororó Moura (Itemm) e da CPFL Energia.

previamente convidados, que já fazem parte deste

Os especialistas locais que compuseram

importante colaboração para o desenvolvimento

julgamento desde a criação do Prêmio. A partir

a comissão julgadora foram o Engº eletricista

da engenharia elétrica no País. “Faltam palavras

de então, foram atribuídas notas de zero a 10

Gustavo Luna, Engº eletricista Joselito e o Engº

em um momento como esse. Eu sou uma pessoa

nas diversas categorias. Para cada uma dessas

eletricista Pedro Rosas.

que tenho de agradecer a Deus por tudo aquilo

notas, foi selecionado um peso e admitida uma

Antes

foi

que vivi e por ter a oportunidade de transformar

média ponderada relacionada à cada uma das

homenageada uma grande personalidade da

o que faço em uma atividade extremamente feliz.

distribuições e conceitos. Feito isso, chegamos

engenharia elétrica, que sempre fez a diferença no

Acredito que o segredo de tudo seja amar o que

às notas finais. Essas notas finais, para cada uma

Estado de Pernambuco. Se tratou do engenheiro

se faz. Eu, hoje, com quase 30 anos de ensino,

das categorias, permaneceram como elementos

eletricista, Profº, Doutor Methodio Godoy, que

tenho um conjunto de alunos já com cabelos

base para que se fosse dada a premiação em

teve uma enorme contribuição em diversas

brancos e fico alegre de ter contribuído um pouco

cada uma das categorias, individualmente, e a

áreas, sendo a principal, no campo do setor

na carreira de todos eles. Aproveito ainda para

maior nota entre esses resultados, recebe, então,

elétrico. Ele recebeu o reconhecimento por sua

dizer que tudo isso não poderia acontecer se eu

o Prêmio OSE – Região Nordeste – Edição

dedicação, legado e exemplo de competência ao

não tivesse ao meu lado o apoio da minha família,

Pernambuco”, ressaltou.

longo de sua trajetória profissional, além de sua

que sempre meu deu todo o suporte”, manifestou.

O coordenador técnico do evento, Jobson

Modena, explicou rapidamente a metodologia da premiação, dizendo que a ideia do Prêmio é fortalecer a engenharia de projetos no País. “Nós tivemos a participação de nove profissionais da área, entre profissionais locais e profissionais

do

início

da

premiação,


23

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Conheça os vencedores de cada categoria: • Instalações Elétricas Industriais e Comerciais

Empresa: Celpe, CPQD e Aneel

Vencedor: Engenheiro José Bione de Melo Filho

Projeto: tecnologia de gerenciamento de iluminação

Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf)

eficiente integrante do projeto de desenvolvimento e

Projeto: Viabilização de Áreas em Subestações da Chesf para

implementações de provas de conceito de redes inteligentes

Micro e Minigeração Distribuída, utilizando Sistemas Fotovoltaicos

em localidade piloto com elevadas restrições ambientais e

– Estudo de Caso

gerenciamento de iluminação eficiente no projeto de redes

inteligentes – Caso Ilha de Fernando de Noronha.

O trabalho estuda a viabilização de plantas fotovoltaicas em

subestações visando atender às regras da micro e minigeração distribuída, apresentando um caso de estudo da Chesf. A micro e

• Inovação Tecnológica

minigeração solar ainda é um conceito recente no Brasil. No início

Vencedor: Heitor Vilela

de 2012, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) emitiu

Empresa: ESC Engenharia

a resolução normativa n° 482, que regulamentava o sistema de

Projeto: Sertão Solar Barreiras 69-34,5. Soluções BIM

compensação de energia elétrica utilizando sistema fotovoltaico

para indústria 4.0 em subestações de alta e extra alta

conectado à rede elétrica de distribuição. No ano de 2016, a Aneel

tensão” – Inovações no conceito de desenvolvimento

publicou a REN n° 687, que aprimorou a resolução anterior, o que

de projetos básicos e executivos para o setor elétrico.

permitiu um crescimento de sistemas conectados.

Através do BIM, torna-se possível reduzir prazos, custos e retrabalhos, tanto dentro do ambiente de engenharia

• Energia Renovável

consultiva como no campo de obra, gerando uma solução de

Vencedor: Secretaria Executiva de Energia e Infraestrutura

maior assertividade.

O trabalho foi desenvolvido por empresa contratada e supervisionada pela equipe da Secretaria Executiva de Energia, que pertence à

• Projeto OSE 2019 – Edição Pernambuco

Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Vencedores: Gustavo Luna, Pedro Rosas, Luiz Henrique,

Responsável pelo Projeto: Engenheiro José Medeiros

Andrea Sarmento, Pablo Tabosa, Davidson Marques,

Projeto: Atlas Eólico e Solar de Pernambuco

Wendell Teixeira e Guilherme Rissi

Empresa: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

O Atlas Eólico e Solar de Pernambuco apresenta uma visão

geral do potencial de geração de fontes eólicas e solares no Estado,

Instituto Tecnológico Edson Mororó Moura - Itemm

por meio dos níveis de vento e de radiação solar e de uma série

CPFL Energia

de mapas que ressaltam aspectos da geografia, da economia e da

Projeto: previsão da geração eólica com redes neurais

infraestrutura do Estado.

para suavização da potência gerada, utilizando sistemas de armazenamento e metodologia para dimensionar um sistema

• Pesquisa e Desenvolvimento

de armazenamento de energia aplicado à suavização de

Vencedores: Gustavo Luna, Pedro Rosas, Luiz Henrique, Andrea

potência em centrais eólicas.

Sarmento, Pablo Tabosa, Davidson Marques, Wendell Teixeira e

Guilherme Rissi

da bela apresentação da Companhia Perna de Palco, que

Empresa: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

surgiu por meio da iniciativa das professoras bailarinas Anna

Instituto Tecnológico Edson Mororó Moura - Itemm

Miranda e Nara Frej, em dezembro de 1997, com a finalidade

CPFL Energia

de representar autos e folguedos populares do Nordeste,

Projeto: previsão da geração eólica com redes neurais

especialmente, de Pernambuco.

para suavização da potência gerada, utilizando sistemas de

O Grupo é formado por 12 bailarinos, com vasta

armazenamento e metodologia para dimensionar um sistema de

experiência no campo da dança popular, sendo grande parte

armazenamento de energia aplicado à suavização de potência em

deles professores em escolas e grupos de dança da cidade

centrais eólicas.

de Recife e região metropolitana.

• Projeto luminotécnico

Após a entrega das premiações, o público pôde desfrutar

Após a apresentação artística, os convidados participaram

de um coquetel servido na área de exposição.

Vencedores: Rogério José Fragoso de Sousa, José Aderaldo Lopes, Adriana Karla Brasileiro de Carvalho, Marcelo Artur Xavier

Para saber mais sobre o CINASE, acesse:

de Lima e Vitor Arioli

www.cinase.com.br.


Painel de mercado

24

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Divulgação / Simpase

XIII Simpase debate a transformação digital do setor elétrico

Este ano, o evento contou com sete

Marcelo Maia, destaca a importância

aconteceu, em Recife (PE), a 13ª edição

temários, que abordaram os seguintes

da realização deste evento para o setor

do Simpósio de Automação de Sistemas

assuntos:

elétrico brasileiro, diante da participação

Elétricos (Simpase), evento tradicional da

de

comunidade de automação de sistemas

distribuição e instalações de grandes

apresentando trabalhos de excelência.

elétricos, promovido conjuntamente pelos

consumidores; Automação de Centros de

“Esta foi a edição com o maior número

Comitês de Estudos B5 – Proteção e

Operação e de Atendimento; Integração

de trabalhos (63) e percebemos que

Automação, C2 – Operação e Controle de

de Sistemas de Supervisão e Controle

a qualidade dos temas foi bastante

Sistemas e D2 – Sistemas de Informação

Local de Instalações e de Centros de

expressiva”, afirma.

e

Operação com os Sistemas Corporativos;

Elétricos.

Educação, Pesquisa, Desenvolvimento e

sido em Recife, em um local acessível para

O encontro tem se caracterizado como

Inovação na área de automação para o

quem viajou para participar do evento,

o foro indicado para debates de assuntos

sistema elétrico; Aspectos econômicos,

no Shopping RioMar, além da grande

destas áreas, congregando empresas de

financeiros e de desempenho associados

participação de jovens, foram diferenciais

energia elétrica, fabricantes, consultores,

à automação; Automação de Medição; e

desta edição do evento.

prestadores de serviços, fornecedores

Telecomunicações.

O coordenador também ressalta a

de programas aplicativos, universidades

No total, estiveram presentes 240

relevância dos temas Inovação, Indústria

e centros de pesquisas, que se propõe

participantes inscritos, 222 participantes

4.0, Segurança Cibernética, Subestação

a abordar, além dos temas tradicionais e

credenciados,

do Futuro e Transformação Digital, que

recorrentes da área, todos os aspectos

empresas.

relacionados a tecnologias emergentes.

O

Entre os dias 15 e 18 de setembro,

Telecomunicação

para

Sistemas

Automação

usinas,

e

digitalização

subestações,

79

coordenador

redes

palestrantes

e

de

73

das

maiores

empresas

do

País

Para Maia, o fato de a realização ter

foram debatidos amplamente no Simpósio. do

XIII

Simpase,

“Estamos vivendo uma efervescência, um


25

Divulgação / Simpase

Divulgação / Simpase

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

período de grandes transformações. O intercâmbio profissional de experiências e novos desafios se torna cada vez mais necessário para que as empresas não se tornem rapidamente obsoletas”, afirma. Ele acrescenta ainda que o XIII Simpase fomentou desafios e oportunidades. “Cabe aos profissionais e às empresas estarem sintonizados com o processo de mudança”, complementa.

Um fato inovador dessa edição foram as apresentações dos

informes técnicos em duas sessões paralelas em uma mesma sala, utilizando a técnica de palestras simultâneas silenciosas, onde todos os participantes utilizam um fone de ouvido, que fica sintonizado na apresentação de interesse de cada um.

O Simpase é promovido pelo Comitê Nacional Brasileiro de

Produção e Transmissão de Energia Elétrica (Cigré-Brasil) e realizado pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), empresa do Grupo Eletrobras, com Sede em Recife (PE). A revista O Setor Elétrico participa como mídia apoiadora do evento.

Para obter mais informações, acesse: www.simpase.com.br.


Painel de mercado

26

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Mais de R$1,1 bilhão é aprovado para continuidade das obras do Luz Para Todos 2020 em 11 Estados

O Ministério de Minas e Energia dá sinal

verde à continuidade das obras do Programa Luz Para Todos (LPT) em 11 Estados em 2020. A meta é realizar 95.052 ligações com investimentos de mais de R$1,1 bilhão para levar energia elétrica para moradores no meio rural ainda sem acesso a este serviço público. A Portaria, assinada pelo Ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque, que aprova a proposta de orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) foi publicada no dia 13 de setembro de 2019, no Diário Oficial da União (DOU). Os Estados com maior número de pessoas sem atendimento elétrico receberão a maior parte dos recursos. A Bahia receberá

UF

META

VALOR EM R$

Acre

2.000

32.396.441,00

Amazonas

8.328

59.060.416,00

Amapá

7.850

71.629.752,00

Bahia

31.861

445.018,795,00

Goiás

2.200

31.910.444,00

Maranhão

8.162

171,997.323,00

Mato Grosso

3.657

45,513,326,00

Pará

16.541

105,418,758,00

Piauí

6.543

106.479.832,00

Rondónia

3.881

50.697.750,00

Roraima

4.029

18.220.666,00

VALOR TOTAL

95.052

1.138.343.503,00

Status do Luz Para Todos em todo País

445 milhões de reais, seguido por Maranhão (172 milhões de reais), Piauí (106,5 milhões de reais) e Pará (105 milhões de reais). Outros Estados também serão comtemplados: Acre (AC), Amazonas (AM), Amapá (AP), Goiás (GO), Mato Grosso (MT), Rondônia (RO) e Roraima (RR) - veja tabela ao lado. O

LPT

econômico

atua e

no

social,

desenvolvimento contribuindo

para

a redução da pobreza e da fome nas comunidades atendidas. Em 15 anos de existência do LPT, mais de 16 milhões de brasileiros foram beneficiados com 3,5 milhões de ligações realizadas. Apenas em 2018, foram realizadas mais de 53 mil novas ligações, beneficiando mais de 212 mil

Azul: estados universalizados Verde: estados com obras em andamento

pessoas. Atualmente,

15

Estados

foram

universalizados, ou seja, atingiram a meta total de atendimento. São: Alagoas (AL), Ceará (CE), Espírito Santo (ES), Minas Gerais (MG), Mato Grosso do Sul (MS), Paraíba

Grande do Sul (RS), Santa Catarina (SC),

universalização do País até 2022, atendendo

(PB), Pernambuco (PE), Paraná (PR), Rio de

Sergipe (SE), São Paulo (SP) e Tocantins

a toda a demanda passível de ligação com

Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (RN), Rio

(TO). A meta do Programa é concluir a

extensão de rede.


27

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

XV International Symposium on Lightning Protection (Sipda) Com a presença de cerca de 120 pessoas,

Divulgação

de 29 países, foi iniciado oficialmente, no dia 30 de setembro de 2019, o XV International Symposium on Lightning Protection (Sipda, na sigla em português), no auditório do IEE – USP, em São Paulo. Durante uma semana, pesquisadores e cientistas renomados estiveram reunidos para apresentar quais atitudes vêm sendo tomadas para fomentar a proteção de linhas aéreas e de

passaram pelo evento diversos palestrantes,

distribuição, além de proteger vidas.

como: William Chisholm, de Toronto; Vernon

Antes da abertura oficial, no domingo do dia

Cooray, Suíça; Massaru Ishii, Japão; Carlo Nucci,

29 de setembro, os grupos do Cigré B2/C4, WG

Itália; Farhad Rachidi, Suíça; Maria Tereza Barros,

76, WG C4.57 e WG C4.59 debateram alguns

Portugal; Marcos Rubinstein, Suíça.

assuntos no Tryp São Paulo Iguatemi Hotel, com os

seguintes temas: “Considerações sobre os raios

Visacro, Dr. Miltom Shigihara, Dr. Hélio Sueta,

e aterramentos para projetos de reconstrução e

Prof. Alberto de Conti, Dr. Marcelo Saba, Dr.

reforma de linhas aéreas, CA e CC” e “Diretrizes

Adonis Leal, entre outros.

para a estimativa do desempenho do raio na linha

Para o encerramento, houve uma mesa

de distribuição aérea e sua aplicação ao escopo

redonda falando sobre os sistemas não

do projeto de proteção contra raios.”

convencionais de proteção contra raios, mais

A abertura do Simpósio foi feita pelo

conhecidos como ESE – Early Streamer

presidente do Sipda e professor da USP, Dr.

Emission, na qual rendeu-se por um longo período,

Alexandre Piantini, sendo que a primeira palestra

esclarecendo de forma clara e objetiva que este

foi feita pelo Prof. Earle R. Williams, do Instituto de

assunto já é estudado há décadas, mas que não

Tecnologia de Massachussets (EUA), que falou

há comprovação científica de sua utilização, de

sobre os relâmpagos e as mudanças climáticas,

acordo a Profª. Maria Tereza Barros.

explicando que haverá um aumento exponencial

devido a estes fatores, e que, portanto, requer

os testes realizados não foram bons, nem nos

uma preocupação maior nestas proteções.

experimentos nem nas gravações, mas que

O Prof. Rakov, da Universidade da Flórida,

estão dispostos a analisar mais uma vez, desde

explanou sobre as características e medições

que as empresas responsáveis passem por

destas descargas, sendo o moderador desta

diversas etapas, antes de sua comercialização

seção, o Dr. Osmar Pinto, do INPE.

no mercado brasileiro, realizando testes em

laboratórios e áreas determinadas.

O Prof. Chandima Gomes, da Universidade

Entre os brasileiros, estiveram: Prof. Silvério

Os especialistas no Brasil afirmaram que

de Witwatersrand, na África do Sul, falou sobre os

acidentes causados na região com maior índice

da mesa –, estiveram presentes no evento,

de descargas no mundo, onde em uma escola,

os senhores Sergio Roberto Santos, Orestes

por exemplo, cerca de 15 alunos morreram por

Rodrigues Jr. Biagione Rangel, Prof.

falta desta proteção na estrutura, construídas

R. Panicali e Fernando Matos, membros da

totalmente em material metálico.

comissão que revisa a NBR 5419.

O

Neste interim, o evento também contou

Além do Dr. Hélio Sueta – que participou

próximo

Sipda

Antônio

acontecerá

em

com networking, coquetel de boas-vindas,

Florianópolis (SC), em 2021.

jantar e a VII copa de futebol Sipda, com um

churrasco no final da tarde.

desta edição, acesse o site: http://sipda.

webhostusp.sti.usp.br/?q=en/home

Nas seções seguintes, até sexta, dia 04,

Para mais informações, fotos e programação


Painel de mercado

28

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Abendi reúne especialistas em instalações elétricas em atmosferas explosivas No dia 29 de agosto de 2019, foi realizado,

Divulgação / Abendi

em São Paulo, o 5º Encontro Anual Abendi sobre Competências Pessoais em Atmosferas explosivas da Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (Abendi), encontro voltado para a segurança das instalações elétricas, de automação e mecânicas em áreas classificadas contendo atmosferas explosivas de gases inflamáveis ou poeiras combustíveis.

A Abendi é um Organismo de Certificação

de Pessoas brasileiro que já emitiu, desde a sua fundação, em 1979, mais de 35.000 certificados para profissionais envolvidos em diversas áreas de especialidades industriais, tais como Ensaios Não Destrutivos (END), Movimentação de Cargas e Acesso por Cordas.

A Abendi desenvolveu, a partir de 2007, e

lançou em 2014, um sistema de certificação

Plateia presente no 5º Encontro Anual Abendi sobre Atmosferas Explosivas.

de competências pessoais “Ex”, com base

de áreas, projeto, montagem, testes, inspeção,

fez uma palestra sobre o tema “Segurança em

no sistema internacional de certificação “Ex”,

manutenção, reparos, recuperação e auditorias

Atmosferas Explosivas”. Já o Eng. Alexandre

abrangendo as Unidades de Competência Ex

de equipamentos e instalações “Ex”.

Glitz (CCPS – Chemical Center for Process

000 a Ex 010. Já foram emitidos pela Abendi,

Safety) apresentou interessantes aspectos

dentro do Sistema Nacional de Qualificação e

relacionadas

“atmosferas

relacionados com o tema “Segurança de

Certificação (SNQC) até o presente momento,

explosivas” e com uma mesa redonda, com

Processo – O que é e como impacta nossa

mais de 100 certificados sobre competências

a presença de todos os palestrantes, onde

atividade”.

pessoais "Ex", envolvendo todas as Unidades

a plateia teve a oportunidade de esclarecer

de Competências.

diversos

proferiu uma palestra sobre “Reparo e

segurança das instalações em atmosferas

Recuperação

Este 5º Encontro Anual da Abendi sobre

Atmosferas

Explosivas

foi

destinado

ao

O Encontro “Ex” contou com palestras com

assuntos

o

tema

relacionados

com

a

O Eng. João Carlos Godoy (Manutronik) de

Equipamentos

“Ex”

de

explosivas, sob o ponto de vista de seu ciclo

acordo com a Norma ABNT NBR IEC

nivelamento de informações sobre a segurança

total de vida.

60079-19”. Na sequência, o Eng. Leonardo

ao longo do ciclo total de vida das instalações

A abertura do encontro foi feita pelo

Alves

“Ex”, bem como dos requisitos de treinamento,

Eng.

da

tema “A engenharia e a eletricidade estática

qualificações, competências e certificações

Petrobras, coordenador do Subcomitê SCB

em ambientes potencialmente explosivos”.

dos profissionais envolvidos com atividades

003:031 (Atmosferas explosivas) da ABNT

Finalizando a apresentação das palestras,

em projeto, montagem, inspeção, manutenção

e representante do Brasil no TC 31 da IEC

a Eng. Fabiana Bressolin (SBM Offshore)

e reparos de equipamentos e instalações

e no IECEx, que discorreu sobre o tema “A

apresentou o trabalho “Inspeção de Instalações

elétricas, de instrumentação, de automação,

segurança durante o ciclo total de vida das

Elétricas e de instrumentação em atmosferas

de telecomunicações e mecânicas em áreas

instalações "Ex": Boas práticas de serviços e

explosivas”.

classificadas.

competências pessoais”.

Teve por objetivo também ao esclarecimento

Na sequência, o Eng. Hélio Rodrigues

neste 5º Encontro “Ex” da Abendi, esteve a

geral de dúvidas relacionadas com os requisitos

(Abendi) trouxe o tema “A certificação de

4ª Competição Prática de Inspeção Visual Ex

de competências pessoais “Ex”, aplicáveis às

pessoas como fator para a elevação do nível de

007, com a execução de uma atividade prática

empresas de serviços e profissionais envolvidos

segurança em instalações Ex”. O Eng. Giovanni

de inspeção visual de instalação de diversos

com a execução de atividades de classificação

Hummel (HG Inspeção e Análise de Sistemas)

equipamentos “Ex”, de acordo com a Unidade

Roberval

Bulgarelli,

consultor

(Maccomevap)

discorreu

sobre

o

Dentre os destaques que foram realizados


29 Divulgação / Abendi

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Equipe de palestrantes no 5º Encontro Anual Abendi sobre Atmosferas Explosivas.

de Competência Ex 007, com base na Norma

Normas Técnicas Brasileiras ABNT NBR IEC

Técnica Brasileira ABNT NBR IEC 60079-17

60079-14 (Projeto e montagem “Ex”), ABNT

– Inspeção e manutenção “Ex”. Este Exame

NBR IEC 60079-17 (Inspeção e manutenção

Prático de Inspeção visual Ex 007 foi realizado

“Ex”) e ABNT NBR IEC 60079-19 (Reparo,

em um “Stand” contendo a instalação de

revisão e recuperação de equipamentos “Ex”).

diversos equipamentos elétricos, eletrônicos e

de automação para atmosferas explosivas de

Abendi sobre Certificação de Competências

gases inflamáveis e poeiras combustíveis. Os

Pessoais em Atmosferas explosivas, incluindo

três primeiros colocados nesta competição

fotos e apresentações estão disponíveis em: http://

de inspeção visual “Ex” foram premiados no

abendieventos.org.br/atmosferas_explosivas/

final do Encontro "Ex" com a isenção de taxas

A Abendi disponibiliza também uma

para a obtenção de certificação nas Unidades

“Autoavaliação Ex”, efetuada de forma “online”.

de Competências Ex 000 ou Ex 001, além de

Esta autoavaliação é composta por 30 questões

medalhas (de bronze, de prata e de ouro) ou

de múltipla escolha, relacionadas com o tema

treinamento sobre a Unidade de Competência

“Equipamentos e instalações em atmosferas

Ex 000 na modalidade EAD (Ensino à Distância).

explosivas”, que devem ser respondidas em

Houve

de

30 minutos. O resultado da autoavaliação é

equipamentos elétricos e de automação com

apresentado imediatamente após o término do

certificação de conformidade para atmosferas

questionário, indicando as respostas corretas

explosivas, permitindo uma atualização dos

para cada questão e o percentual de respostas

participantes em relação a novos equipamentos

corretas respondidas. Este tipo de autoavaliação

que se encontram no mercado, como por

serve para que os profissionais possam ter

exemplo, com tipos de proteção “segurança

uma ideia do seu nível atual de informações e

aumentada” (Ex “eb” ou Ex “ec”), segurança

conhecimentos na área relacionada com o tema

intrínseca (Ex “i”) e proteção de invólucro contra

“atmosferas explosivas”, podendo servir de base

ignição de poeiras combustíveis (Ex “t”), com

para a participação em novos treinamentos "Ex"

base nas Normas Técnicas Brasileiras adotadas

ou de ingresso em processo de certificação

da Série ABNT NBR IEC 60079.

de suas competências pessoais "Ex". http://

abendieventos.org.br/atmosferas_explosivas/

também

a

exposição

Além das apresentações, palestras, mesa

Mais informações sobre o 5º Encontro Anual

redonda, exame prático Ex 007 e exposição

autoavaliacao.html

de equipamentos “Ex” no dia 29 de agosto,

foi também realizado, na Abendi, no dia 30 de

Explosivas da Abendi está programado para ser

agosto, um minicurso “Ex”, sobre o tema “O ciclo

realizado entre os dias 18 e 20 de agosto de

total de vida das instalações em Atmosferas

2020, no Centro de Convenções Frei Caneca,

Explosivas”,

em São Paulo (SP).

envolvendo

a

aplicação

das

O 6º Encontro Anual sobre Atmosferas


Painel de empresas

30

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Schneider Electric Brasil inaugura Centro de Distribuição Inteligente para a América do Sul Schneider

Electric,

especialista

na

Divulgação

A

transformação digital em gestão da energia elétrica e automação, inaugurou, no dia 11 de setembro, a transformação digital do seu Centro de Distribuição Inteligente no município de Cajamar, em São Paulo. Com operações destinadas a setores como indústria, energia elétrica, cidades inteligentes e TI, entre outros, o site, que está em atividade desde 2011, também oferece a experiência do icônico Innovation Hub, da companhia. Somados, o Centro de Distribuição Inteligente e o Innovation Hub atuam como um modelo para a digitização industrial, apoiando o desenvolvimento da agenda nacional da Indústria 4.0. Este é o terceiro Centro de Distribuição

Distribuição, em Cajamar, esperamos aumentar

o EcoStruxure Augmented Operator Advisor,

Inteligente da Schneider Electric lançado em

de modo significativo a eficiência das nossas

que permite maior eficiência na manutenção de

2019 – os outros estão localizados na Austrália e

operações de ponta a ponta. Será possível não

processos e melhorias significativas na segurança

na China. Os Centros de Distribuição Inteligentes

apenas reduzir o tempo de entrega aos clientes,

das operações;

são essenciais para o Tailored Sustainable

mas também otimizar as operações da cadeia

• Eficiência e confiabilidade de energia – consumo

Connected 4.0 – programa da empresa que visa

de suprimentos por diminuir tanto o tempo de

de energia reduzido, usando informações em

a transformação digital da cadeia de suprimentos.

inatividade do equipamento quanto o consumo

tempo real fornecidas pelo EcoStruxure Resource

A Schneider Electric alavanca a digitização – por

geral de energia."

Advisor e EcoStruxure Facility Expert para obter

meio da sua plataforma e arquitetura EcoStruxure –

economia potencial de até 30% do consumo de

em todas as operações da cadeia de suprimentos

as tecnologias EcoStruxure, a Schneider Electric

para entregar integração e visibilidade de ponta a

pretende alcançar maior eficiência em todas as

ponta para aprimorar o desempenho.

camadas das suas operações, com os seguintes

Algumas

benefícios:

implementadas no Centro de Distribuição

Em um espaço de aproximadamente 21 mil

Ao digitizar o Centro de Distribuição com

energia. das

soluções

EcoStruxure

Inteligente de Cajamar são:

m2, o CD Inteligente, em Cajamar, realiza 350 • Gestão ágil e processos eficientes –

pedidos de vendas por dia em todo o território

possibilitando decisões melhores e mais rápidas

• EcoStruxure Augmented Operator Advisor –

nacional, atendendo a cerca de 3.500 clientes

da equipe para aprimorar o atendimento e a

aplicativo de realidade aumentada para diagnóstico

da Schneider Electric Brasil e também demandas

satisfação do cliente;

instantâneo e manutenção sem contato;

de outros países da região, como Argentina,

• Gestão de desempenho de ativos – análise

• PowerTag – sensores de energia sem fio que se

Chile, Colômbia, Peru e México. Agora, o Centro

preditiva para tempo de inatividade reduzido e

conectam aos disjuntores e fornecem dados de

está aberto a clientes, parceiros e instituições

operações eficientes a longo prazo;

carga elétrica em tempo real, além de alertas por

de ensino que queiram experimentar e aprender

• Capacitação do operador – acesso em tempo

e-mail em caso de possíveis problemas;

sobre as tecnologias mais inovadoras da empresa

real a ativos, dados e tecnologia inovadora, como

• EcoStruxure Power Advisor – por meio da

entregues por meio do EcoStruxure, arquitetura habilitada para IoT, aberta e interoperável. "A região de Cajamar é um polo industrial estratégico para as operações da Schneider Electric, sendo essa uma razão por termos escolhido a região para receber o CD Inteligente e o Innovation Hub", declara Marcos Matias, presidente da Schneider Electric Brasil.

Ele acrescenta que “ao trazermos a realidade

da transformação digital para nosso Centro de

Divulgação

entregas diárias e processa oito mil linhas de

Divulgação


31

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

computação em nuvem, inteligência artificial e de outras tecnologias, essa oferta melhora a eficiência das operações e manutenção, e garante a segurança e a confiabilidade dos sistemas de distribuição de energia; • EcoStruxure Power Monitoring Expert – para monitorar e analisar o desempenho de sistemas de energia elétrica, consultando periodicamente os medidores de energia para obter dados em tempo real; • Altivar Process ATV930 – novo conversor de frequência orientado a serviços que, por meio da gestão de energia, ativos e processos, atende à maioria dos requisitos de controle de processos, melhora a eficiência dos equipamentos e reduz os custos operacionais; • EcoStruxure Machine Advisor – plataforma de serviço baseada em nuvem para manutenção preditiva que rastreia máquinas em operação, monitora

seu

desempenho

e

corrige

irregularidades para prolongar a vida útil dos equipamentos.

Experiência do Innovation Hub: EcoStruxure em ação

O novo Centro de Distribuição Inteligente

ainda oferece a experiência do icônico Innovation Hub, que funcionará como um showroom aberto a clientes, parceiros e instituições de ensino, que poderão aproveitar o espaço para desenvolvimento de talentos.

O Innovation Hub é equipado com tecnologias

e soluções para monitoramento em tempo real de consumo de energia elétrica, câmeras, automação de iluminação e persianas, gestão do consumo de água, informações operacionais para controle e mais.

Algumas das principais tecnologias alocadas

no hub são: • Centro de controle: seis telas para monitorar as operações em tempo real por meio das soluções EcoStruxure implementadas no site; • Showroom de produtos: clientes e parceiros poderão simular as funcionalidades das mais variadas soluções nas arquiteturas EcoStruxure para fábricas, edifícios, máquinas e energia – incluindo o MTZ, novo disjuntor inteligente de baixa voltagem; • "The View": tela touch de 75 polegadas por meio da qual os visitantes poderão aprender sobre as diversas aplicações das soluções EcoStruxure da empresa e entender como os clientes da companhia estão alcançando transformações digitais de sucesso.


Painel de empresas

32

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Arquivo Furnas

FURNAS: excelência técnica a serviço do Setor Elétrico Brasileiro civis como Montagem Eletromecânica de Subestações, obras civis – Implantação de linhas de transmissão e tecnologia do concreto. As aulas teóricas e práticas podem ser ministradas em instalações da empresa ou na sede do contratante.

Engenharia do Proprietário A Engenharia do Proprietário é a gerência técnica que representa o empreendedor no empreendimento e que lhe oferece apoio técnico para as atividades próprias da gestão contratual. Esse serviço utiliza o conhecimento técnico e expertise de FURNAS, de modo a possibilitar a melhoria da qualidade das obras e a mitigação de riscos para o contratante,

Arquivo Furnas

ampliando a eficiência em empreendimentos de geração e de transmissão de energia elétrica.

Segurança de Barragens

Contando com um parque de 21 usinas

hidrelétricas

(próprias

e

em

parceria),

FURNAS acumula experiência em segurança de barragens com a execução do seu protocolo de controle, que inclui inspeções regulares

Com a experiência acumulada por mais

Concreto,

Geotecnia,

corretivas

e

Termomecânica

Mineralógica e Microestrutural, Ensaios de

Segurança de Barragens e as resoluções da

ponta a serviço de projetos de engenharia

Durabilidade e Desempenho do Concreto

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

voltados para o setor de infraestrutura. A

e Modelos em Estudos Reduzidos (físicos

Em

companhia compartilha esse conhecimento

e computacionais). As soluções podem ser

FURNAS tem condições de prestar serviços

com o mercado por meio da prestação de

aplicadas por empresas interessadas em

e consultoria relacionados a temas como

serviços que agregam valor aos negócios,

controle tecnológico de obras, investigações

auscultação de barragens, manutenção da

possibilitam

e

avançadas dos materiais empregados nas

instrumentação civil (avaliação operacional,

melhoram o desempenho de projetos e

construções, estudos de comportamento

filmagem e desobstrução de sistema de

empreendimentos.

térmico do concreto massa, otimização de

drenagem) e estudos de "Dam Break"

Os laboratórios e centros técnicos

estruturas hidráulicas e estudos de operação

(ruptura de barragens), entre outros.

de FURNAS são acreditados perante o

de vertedouros, entre outros.

Além

custos

Análise

manutenções

energia, FURNAS desenvolve tecnologia de

de

Concreto,

e

preventivas, visando ao atendimento das

de seis décadas de atuação na área de

otimização

de

Modelagem

e Tecnologia (Inmetro) e contam com

Treinamentos

certificação International Organization for

FURNAS

Standardization

compreendendo

análise

Tecnologia

geotecnia, planejamento de projetos, obras

serviços

que

incluem

de

função

de

da

da

Política

Nacional

experiência

inúmeros

de

acumulada,

projetos

no

Brasil, FURNAS já prestou serviços em

Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade

(ISO),

determinações

de

Angola, oferece

riscos,

China,

Colômbia,

em

Moçambique e Peru, entre outros países.

renováveis,

Mais informações no site ou pelo e-mail

treinamentos

energias

Argentina,

servicos@furnas.com.br.


O ponto de encontro da engenharia elétrica em 2020 com as cidades definidas

Congresso & Exposição

BA - Salvador GO - Goiânia SP - Campinas PR - Curitiba

PRINCIPAIS TEMAS DO EVENTO •Inovação Tecnológica em GTD; •Redes Subterrâneas; •Redes Inteligentes; •Paineis e Arco Elétrico; •Eficiência Energética;

35ª Edição - BH

•Indústria 4.0; IoT; •BIM no Projetos Elétricos; •Painel de Renováveis; •GD e Fotovoltaica

35ª Edição - BH

7.000

TOTAL DE CONGRESSISTAS/ VISITANTES

214 EXPOSITORES/

PATROCINADORES NO TOTAL, MÉDIA DE

27 POR EVENTO

900

MÉDIA DE CONGRESSISTAS/ VISITANTES POR EVENTO

360

TOTAL DE PALESTRAS, COM UMA

MÉDIA DE

45 POR EVENTO

34ª Edição - Florianópolis

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Painel de produtos

34

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Baur do Brasil lança solução com big data para projetar vida útil de cabos em operação www.baurdobrasil.com.br

A Baur do Brasil está trazendo para

o mercado nacional o software de análise estatística STATEX, solução desenvolvida pela matriz Baur, sediada na Áustria, em parceria com a concessionária de energia sul-coreana Kepco. Lançamento mundial, o Statex é um software especializado em calcular a vida remanescente de cabos isolados em operação a partir da tecnologia de Big Data (análise de grandes volumes de dados).

O desenvolvimento do produto baseou-se em mais de 45 mil medidas de Tangente

Delta em 15 mil circuitos de cabos subterrâneos de média tensão provenientes de estudos realizados por diversos comitês técnicos internacionais. A partir destes parâmetros que o software possui em seu banco de dados, ele é capaz de determinar, de forma detalhada, o estado de envelhecimento, a velocidade de envelhecimento e a vida útil restante (estatisticamente) de um cabo com base no diagnóstico de fator de dissipação com tensão VLF (Very Low Frequency).

Controle para religadores trifásicos da Lupa Tecnologia www.lupatecnologia.com.br

O controle para religadores trifásicos – Altere V3,

produzido pela Lupa Tecnologia, é compatível com os principais religadores do mercado brasileiro. Possui melhoria da confiabilidade do religador nos quesitos proteção e religamento; redução das interrupções no fornecimento de energia (redução dos índices DEC, FEC, DIC, FIC); aumento nos ganhos de produtividade; redução significativa dos custos operacionais (deslocamento e mão de obra para operação e manobra); acréscimo de funções: supervisão, operação e parametrização à distância; ampliação, viabilização e antecipação do processo de automação das redes de distribuição de energia devido ao baixo valor de investimento para aquisição do sistema ALTERE V3 e adaptação dos religadores e geração de informações sobre a rede que possibilitem análises mais profundas das falhas e do seu comportamento em regime.

Dentre as funcionalidades, estão quatro entradas analógicas para sensoriamento de

corrente; medição de corrente de fase a partir de 3A e seis entradas analógicas para sensoriamento de tensão.


Fascículos

Apoio:

BIM – Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção

36

Francisco Gonçalves Jr. Capítulo X – BIM 6D: O BIM aplicado à manutenção e à operação das edificações - Definição - Aplicações - Benefícios do BIM na gestão de facilities - Problemas da falta de gestão de facilities no Governo e Iniciativa privada - Modelos BIM e o padrão COBie - Softwares BIM para Gestão de Facilities - IoT e novas tecnologias aplicadas à Gestão de Facilities - Conclusão

Equipamentos para ensaios em campo

42

Daniel Bento Capítulo X – Ensaios em Cabos Isolados de Média Tensão - Características dos cabos isolados de média tensão - Tipos de testes e ensaios no cabo isolado - Teste de tensão aplicada (VLF) - Diagnóstico da isolação - Ensaio na blindagem - Conclusões

Linhas elétricas para baixa tensão

46

Paulo E. Q. M. Barreto Capítulo X – Instalação de condutores (I) - Disposição dos condutores - Travessias de paredes - Proximidade das linhas - Barreiras corta-fogo - Eletrodutos


Apoio:

BIM - Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção

36

Por Francisco Gonçalves Jr.*

Capítulo X BIM 6D: O BIM aplicado à manutenção e à operação das edificações Definição Atualmente, estima-se no ciclo de vida de uma edificação

das nomenclaturas dos N’Ds para Gestão de facilidades com a Sustentabilidade da edificação, intercalando os termos 6D e 7D.

que 20% dos gastos estejam relacionados com as fases de projetos

No Brasil, a incorporação do BIM na gestão de facilidades

e execução, e o restante dos 80%, com a operação e gestão.

das instalações é um campo novo a ser explorado na medida em

A ineficiência na transmissão de informações cada vez mais

que a metodologia vem se consolidando nas esferas públicas e

complexas do projeto tradicional para equipe de manutenção e

privadas com a aplicação das outras dimensões do BIM do projeto

gestão e edificações necessita de novas formas de gestão, pois os

a execução, surgindo novos usos do modelos BIM, ferramentas de

métodos tradicionais não atendem mais os requisitos operacionais

gestão, normas e a integração com novas tecnologias, como por

de forma eficaz.

exemplo IoT, Realidade Aumentada, dentre outras.

O uso da tecnologia BIM na concepção dos projetos da edificação terá impacto direto na operação e gestão dos edifícios, uma vez que os modelos gerados no ciclo da edificação representados pelos ND’ (projeto 3D, planejamento 4D e orçamento 5D) estão ricos de informações e dados que podem ser extraídos a qualquer momento, produzindo informações detalhadas dos elementos construtivos

Fascículo

definidos neles. Isso proporciona o uso e gerenciamento dos recursos de forma mais abrangente do que apenas dos componentes de projetos representados pelos equipamentos, inserindo também a relação das pessoas, serviços e usos nos ambientes nos quais estão inseridos. Essa nova dimensão do BIM busca a gestão das instalações, prática muito comum em edificações corporativas e industriais. À vista disso, com o advento de edificações comerciais e residenciais

Figura 1 – BIM 6D Gestão e Manutenção.

Aplicações

mais complexas, esse tipo de gestão começa a ter importância e

O modelo com informações de término de obra dos elementos

aplicação, elevando o status da atual manutenção predial para algo

de projeto pode ser utilizado para operação da edificação, com a

maior.

possibilidade de gerar planos de manutenção, verificar informações

O termo muito conhecido e difundido em outros países para

de equipamentos, garantia de fabricantes, especificações técnicas e

designar essa forma de gestão é “Facility Management” – FM,

ainda acrescentar mais informações que sejam pertinentes à gestão

ou gestão de facilidades. Na metodologia BIM, é possível que

da edificação no seu ciclo de vida.

se encontre em algumas literaturas uma inversão na definição

Com isso, os gestores da edificação podem compartilhar


37

Apoio:

informações com empresas que prestam serviços e, ao identificar

para o planejamento de como será executado o serviço e forma de

algum problema ou plano de manutenção, disparar uma ordem

acesso ao componente.

se serviço eletrônica, com todas as informações necessárias para

No caso das edificações que possuem sistemas supervisórios

a empresa que irá prestar o serviço, como a localização exata do

de automação, os mesmos, ao detectarem alguma falha, podem ser

equipamento com problema.

integrados ao sistema de facilities para automatização do processo

O uso do BIM aplicado à gestão de facilities permite ao gestores, com a utilização

de ferramentas computacionais

adequadas

descrito acima no acionamento da equipe de manutenção de forma mais ágil e assertiva.

e especializadas para esse fim, usufruir de todo o volume de

Podemos citar ainda outros exemplos que vão muito além da

informações gerados no decorrer do ciclo de vida da edificação nas

manutenção predial, tais como: a gestão de espaços, imobiliárias,

fases anteriores, sem que os mesmos sejam usuários avançados de

ativos, energética, custos operacionais, contratos, segurança,

ferramentas de modelagem, projeto e planejamento, e com isso,

Telecomunicação, Riscos e Projetos.

também economizar tempo e dinheiro na aquisição de softwares, computadores de alto desempenho e treinamento de equipes.

Benefícios do BIM na gestão de facilities

poderá, por

Devido à integração e uso das informações contidas em

exemplo, acessar o modelo em um ambiente na nuvem através

planilhas e modelos da edificação, o BIM na gestão de facilities pode

de uma conexão com a internet, com uso de computadores ou

apresentar diversos ganhos e melhorias se comparado ao processo

dispositivos móveis, como tablets e smartphones e, ao constatar

tradicional existente.

Com essas ferramentas, o gestor de facilities

algum problema, como uma luminária queimada, localizá-la no

Os dados podem ser extraídos do modelo com exatidão,

modelo BIM de forma rápida, tendo com isso a sua posição exata, e

o gestor pode visualizar os espaços em 3D navegando neles e

disparar uma OS – ordem de serviço à equipe de manutenção através

gerando diversas formas de visualização: cortes, plantas. Além

de e-mail. Nesse e-mail, constará link do modelo, posição exata do

disso, pode, com um clique nos equipamentos ou qualquer item

componente, especificações técnicas dos fabricantes, garantias e

da infraestrutura, acessar dados técnicos de projeto, manuais de

demais informações necessárias para a execução do serviço, como:

fabricantes e garantias. Com isso, as OS serão emitidas de forma

ferramentas, escadas, peças de reparos, e tudo o que for necessário

muito mais eficiente e precisa, melhorando o fluxo de trabalho


Apoio:

BIM - Building Information Modeling

38

e o processo de toda a equipe de gestão envolvida na compra de

abordarmos o

materiais a execução em campo.

Information Exchange –, que é um formato internacional

de

Em situações mais complexas, como reformas de edificações

informações, com objetivo de padronizar os dados gerados pelos

especiais, como um hospital, o gestor poderá efetuar uma análise

modelos na concepção do projeto, execução e demais etapas,

de dados poderosa, simular vários cenários e propor as ações à

servindo para o embasamento dos processos de operação, gestão e

sua equipe com um grau de precisão muito superior aos processos

manutenção da edificação e seus ativos, quando a mesma é entregue

tradicionais, evitando desperdício de tempo, materiais e, é claro,

para uso.

dinheiro, além de reduzir ao máximo o tempo de parada de algum serviço essencial oferecido.

Problemas da falta de gestão de facilities no Governo e Iniciativa privada

Esse padrão não é necessariamente associado a um dado geométrico, podendo estar presente desde softwares de projeto BIM, até planilhas e ferramentas de gestão, graças à sua versatilidade. Para que se tenha o melhor uso do modelo BIM para gestão da edificação, o ideal é que nos contratos, tais informações sejam

Tanto em obras públicas, quanto privadas, podemos destacar

preenchidas pelos envolvidos em todo o ciclo da edificação, e que

inúmeros problemas ocasionados pela má gestão de facilities

no final, resulte em um banco de dados completo e alimentado

ou falta dela, acarretando problemas na perda de tempo para

continuamente para uso na gestão do empreendimento.

encontrar as informações necessárias para manutenção em pilhas

De acordo com Eastman, na figura 2, podemos listar alguns

de pranchas, manuais impressos, entre outros documentos,

tipos de informações que o modelo IFC, na sua fase final, deve

atrasando a manutenção e gerando um prejuízo na parada de um

conter para uso na gestão de facilities entregue ao proprietário do

serviço essencial associado a algum serviço inoperante devido uma

empreendimento.

falha de equipamento.

Além das informações contidas em modelos IFC, inseridos em

No caso de indústrias, pode haver prejuízo na parada de

softwares BIM, os dados do COBie também podem ser definidos

uma linha de produção nas edificações, causando transtornos

em planilhas constituídas de campos com várias sub-planilhas

aos moradores no uso dos recursos do condomínio. Tudo isso

associadas, com todas as informações dos ativos, espaços, e demais

corrobora para o aumento de custo de operação, manutenção e,

parâmetros relacionados ao gerenciamento da edificação.

no caso de edificações públicas, com prejuízo à sociedade, devido

Com isso, podemos verificar que o principal ganho e objetivo

à paralisação de algum serviço essencial, mau uso dos recursos

desse formato é a organização e assertividade na transferência de

públicos, sucateamento do patrimônio, dentre outros problemas.

plantas, memoriais, documentos no término da obra, auxiliando

Modelos BIM e o padrão COBie Quando falamos em gestão BIM, é de grande importância

Fascículo

CoBie – Construction Operations Building

Figura 2 – Tabela de informações do modelo IFC (adaptado Eastman, 2014).

na redução de custo de operação da edificação e um acesso rápido, eficiente e facilitado por todos através dos modelos associados às planilhas.


Apoio:

39


Apoio:

BIM - Building Information Modeling

40

Figura 3 – Planilha exemplo com informações do formato COBie.

Softwares BIM para Gestão de Facilities A gestão de Facilities com o uso do BIM requer uma visão sistêmica e ampla, como um ramo novo. O mercado ainda está carente de ferramentas computacionais para esse objetivo, e necessita de uma integração com ferramentas de outras aplicações e fases do ciclo de vida da edificação. As poucas opções hoje disponíveis são soluções de outros países, onde a gestão de facilities é mais difundida e aplicada. Podemos destacar duas soluções:o Archibus° software de gestão com conceito BIM, com uma aplicação bem diversificada e ampla, indo muito além do que somente a manutenção predial, e o software YouBIM°, uma aplicação mais restrita e focada para gestão da manutenção predial. Além destes, temos aplicações móveis que interagem nesse fluxo de informações.

na qual cada vez mais as edificações passam ser inteligentes através da comunicação sensores, agentes e demais dispositivos com capacidade de processamento, todos integrados e se comunicando através de protocolos padrões relacionados a sistemas nas nuvens. Toda essa informação gerada através de sistemas de automação tem aplicação direta no BIM relacionado à gestão de facilities de uma edificação, capturando e fornecendo informações em tempo real, 24 horas por dia, integrando equipamentos, dispositivos móveis, sistemas de gestão e modelos BIM. Então,

diversos

sensores,

como

por

exemplo,

de

temperatura, umidade e presença, poderão interagir e retroalimentar modelos BIM de gestão, gerando mapas de calor e permitindo a gestão energética e climática em função

Fascículo

da ocupação detectada nos ambientes. Como essas diversas aplicações, seja na área da manutenção corretiva e preditiva, ou ainda na segurança, sustentabilidade, eficiência energética, gerenciamento de espaços e ativos imobiliários, compras de materiais, entre outros tantos serviços possíveis de serem monitorados e interconectados aos modelos 3D BIM. Nesse cenário, teremos a incorporação, além da IOT, Figura 4 – Software Archibus.

IoT e novas tecnologias aplicadas à Gestão de Facilities

de outras tecnologias emergentes, como realidade virtual e aumentada aplicada à manutenção predial, interagindo com o modelo BIM. Como esses sistemas geram um grande volume de dados, poderemos utilizar tecnologias com big data e inteligência artificial para análises de diversos cenários e

Com o advento da revolução digital, estamos migrando

comportamentos, trazendo maior segurança no planejamento

para a digitalização das edificações, e com o conceito IoT

de atividades, fluxos e processos, proporcionando um modelo

em ampla expansão também para o setor da construção civil,

de gestão mais assertivo, econômico e eficiente.


41

Apoio:

Conclusão Apesar de todo o potencial, aplicações e benefícios do

ABRAFAC: Associação Brasileira de Facilities. Disponível em: <http://www.abrafac.org.br>. Acesso em: 1 de outubro

BIM na gestão de facilities, ele ainda é pouco explorado no

de 2019.

Brasil, com poucos casos de uso e sem uma regulamentação

PINHEIRO, I. S. Aplicação da Tecnologia BIM na Gestão de

bem definida e mão de obra capacitada. Como já vimos nos

Facilidades. 141 f. il. 2016. Monografia (Trabalho de Conclusão

outros fascículos que abordam as dimensões do BIM, existe

do Curso de Engenharia Civil) - Escola Politécnica, Universidade

uma resistência à mudança cultural exigida para aplicação

Federal da Bahia, Salvador, 2016.

de um novo processo ou tecnologia, o que também ocorre

Archibus. 2019. Disponível em: <http://www.archibus.com/>

no setor de Facilities nacional. No entanto, com o avanço e a

Acesso em: 1 de outubro de 2019.

disseminação do BIM no Brasil, inclusive, com as diretrizes

YouBIM. 2019. Disponível em: <http://https://www.youbim.

do decreto BIM, fomentado às etapas anteriores de projeto,

com//> Acesso em: 1 de outubro de 2019.

planejamento e orçamento e a crescente revolução digital para a industrialização da construção civil, esse panorama tende a

*Francisco de Assis Araújo Gonçalves Jr. é especialista em produtos

mudar, surgindo novas ferramentas, processos e mão de obra

e serviços na AltoQi, graduado em Engenharia de Produção Elétrica

capacitada para atuar nesse setor.

pela Universidade Federal de Santa Catarina, pós-graduado em Instalações Elétricas e Engenharia de Segurança do Trabalho pela

Referências bibliográficas

Universidade do Sul de Santa Catarina, MBA em plataforma BIM –

EASTMAN, Chuck et al. Manual de BIM: um guia de modelagem

Modelagem, Planejamento e Orçamento pelo INBEC.

da informação da construção para arquitetos, engenheiros, gerentes, construtores e incorporadores. Bookman Editora, 2014.

Continua na próxima edição

CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Coletânea

Acompanhe todos os artigos deste fascículo em: www.osetoreletrico.com.br

Implementação do BIM para Construtoras e Incorporadoras. v.1,

Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para:

Brasília, 2016.

redacao@atitudeeditorial.com.br


Apoio:

Equipamentos para ensaios em campo

42

Por Daniel Bento*

Capítulo X Ensaios em cabos isolados de média tensão

Os cabos isolados de média tensão (1) estão presentes em vários tipos de instalações, tais como: ruas das grandes cidades, instalações industriais, parques eólicos e solares. Normalmente, são escolhidos para alimentar as principais cargas ou para escoar a energia gerada,

Os cabos isolados de média tensão são constituídos de várias

como no caso das usinas. Sua alta confiabilidade e segurança

camadas, sendo as principais: o condutor ao centro, ao redor a

determina sua utilização. Com o surgimento dos polímeros

primeira camada semicondutora; em seguida, a isolação; depois,

(XLPE e EPR) após a segunda guerra mundial, que substituíram

a segunda camada semicondutora; posteriormente, a blindagem, e

os cabos com isolação de papel impregnado a óleo, novos desafios

por fim, a cobertura.

foram colocados, como por exemplo, os testes e ensaios de comissionamento e de manutenção (preditiva e preventiva).

Fascículo

Características dos cabos isolados de média tensão

O condutor possui a finalidade de conduzir a corrente elétrica; as camadas semicondutoras uniformizam o campo elétrico; a isolação

Nos últimos 30 anos, muitas pesquisas foram desenvolvidas

restringe o efeito do campo elétrico provocado pela tensão presente

para entender o processo de envelhecimento do isolante, e com isso,

no condutor; a blindagem conduz para terra a corrente gerada por

estabelecer padrões de manutenção para evitar a falha, precoce ou

eventual falha da isolação e a cobertura protege mecanicamente o

ainda de final de vida. Nestas pesquisas, ficou evidente como o teste

cabo.

de tensão aplicada na forma contínua (HIPOT-DC) é maléfico para os isolantes poliméricos (2). O principal motivo para não utilizar

Tipos de testes e ensaios no cabo isolado

tensão contínua é que este tipo de teste pode polarizar o isolante, levando à falha quando energizado. A solução encontrada para

As normas IEEE 400.2, IEC 60270 e IEEE 1617 são referências

substituir o Hipot – DC, que por muitos anos atendeu de forma

para manutenção em cabos isolados. A IEEE 400.2 estabelece os

satisfatória os testes nos cabos com isolação de papel impregnado a

valores e testes de tensão aplicada em VLF para comissionamento

óleo, foi o desenvolvimento de um novo teste em tensão alternada.

e manutenção preventiva, bem como os valores e parâmetros para

Como o equipamento precisava ser portátil, utilizar a frequência

a medição de Tangente Delta. A IEC 60270 trata das medições de

industrial (60Hz) geraria uma série de problemas, pois necessitaria

descargas parciais e a IEEE 1617 da blindagem dos cabos.

de muita potência para gerar altas tensões. A solução encontrada foi um teste em AC com uma frequência muito baixa (0,1Hz). Este

Teste de tensão aplicada (VLF)

teste é conhecido (VLF) no acrônimo inglês Very Low Frequency. Neste fascículo, vamos abordar os principais tipos de testes e ensaios estabelecidos nas normas internacionais.

O guia IEEE 400.2 estabelece três momentos diferentes que devem ser realizados os testes:


43

Apoio:

• Instalação – O cabo lançado, porém sem os acessórios (emendas

• Aceitação – Cabo lançado e com todos os acessórios confeccionados.

e terminações) confeccionados.

• Manutenção – Cabos em operação.

Figura I: Excerto da norma IEEE 400.2.


Apoio:

Equipamentos para ensaios em campo

44

O tempo do teste pode variar de 15 minutos até 60 minutos, dependo da criticidade do cabo. Para o teste de aceitação, o tempo recomendado pela norma é de 60 minutos.

Diagnóstico da isolação O cabo apresenta as características de um capacitor, pois ele possui dois materiais condutores (condutor e blindagem) separados por um isolante (isolação). Portanto, quando é aplicada tensão elétrica no cabo, a corrente gerada apenas pela

Figura III: Resultado de Tangente Delta.

energização deveria ser somente capacitiva, porém, em função de pequenas falhas nesta isolação, podem surgir correntes resistivas. O ensaio de Tangente Delta realiza as medições das correntes resistiva (Ir) e capacitiva (Ic), sendo que o ângulo formado entre elas permite analisar o grau de envelhecimento e deterioração do material isolante, conforme ilustra a Figura I.

Figura IV: Cabos com água.

Figura V: Resultado de Descargas Parciais.

Fascículo

Figura II: Ilustração da relação entre corrente resistiva e capacitiva.

Caso o resultado do ensaio indique que o ângulo δ esteja elevado, significa que há presença de elevado nível de corrente resistiva em relação à corrente capacitiva presente no cabo. Tal situação sinaliza a existência de defeito na isolação. Os ensaios de descargas parciais servem para detectar problemas incipientes no isolante do cabo e/ou nos acessórios (emendas e terminações). A seguir, está apresentado um

Figura VI: Arranjo elétrico para medições.

Ensaio na blindagem

resultado prático de ensaios realizados em um circuito. Os resultados da medição de Tangente delta foram muito

A blindagem de um cabo isolado de média tensão pode

elevados, demonstrando que o circuito apresenta alto nível

sofrer danos durante sua instalação; podem ocorrer problemas,

de envelhecimento e risco de falha por conter arborescências

como por exemplo, tração excessiva no lançamento ou

de água (water tree) e também foi constatada atividade de

curvatura muito acentuada, além de danos à capa de proteção,

descargas parciais.

o que irá permitir a entrada de água, gerando water tree.


Apoio:

45


Apoio:

Equipamentos para ensaios em campo

46

Figura VII: Exemplo de reflectometria em cabo com indício de falha no trecho inicial.

Ao longo da operação, a blindagem pode ser danificada, por exemplo, devido à ocorrência de um curto-circuito com correntes superiores ao qual foi projetado. Para identificar essa situação, é possível realizar a medição da resistência elétrica da blindagem e a análise de

[1] NBR 7286 - Cabos de potência com isolação sólida extrudada de borracha etilenopropileno (EPR, HEPR ou EPR) para tensões de isolamento de 1 kV a 35kV.

sua reflectometria, haja vista que o rompimento parcial da

[2] NBR 7287 - Cabos de potência com isolação sólida

blindagem aumentará sua resistência e um rompimento total

extrudada de polietileno reticulado (XLPE) para tensões de

impedirá totalmente a circulação de corrente elétrica.

isolamento de 1 kV a 35 kV.

O Guia IEEE 1617 – 2007 apresenta uma metodologia para realizar a medição da resistência elétrica da blindagem de cabos isolados de média tensão. O valor de resistência elétrica calculada deve ser comparado com o valor teórico esperado para o cabo em análise. O ensaio consiste em injetar uma corrente de 30A na

[3] S. C. Moh, „Very Low Frequency Testing - It's effectiveness in detecting hidden defects in cables,“ CIRED 17th international Conference on Electricity Distribution , Barcelona, 2003. [4] SOLIDAL CONDUTORES ELÉTRICOS. Guia Técnico. 10ª edição. Solidal – Condutores Elétricos. Portugal, 2007.

blindagem metálica pelo sistema de aterramento a uma

[5] IEEE - Power and Energy Society. IEEE Std 400. Guide for

frequência de 60Hz, sendo que uma fração dessa corrente flui

Field Testing and Evaluation of the Insulation of Shielded Power

pelo sistema de aterramento e a fração complementar pela

Cable Systems Rated 5 kV and Above. EUA, 2012.

blindagem metálica. A reflectometria, por sua vez, emprega a mesma técnica utilizada em radares. Um sinal é enviado pelo cabo e, quando ele encontra

Fascículo

Referências

[6] IEEE - Power and Energy Society. IEEE Std 400.2: IEEE Guide for field testing of shielded power cables systems using very low frequency (VLF) (less than 1 Hz). EUA. 2013.

alguma barreira, que neste caso é caracterizado por diferença de

[7] IEEE - Power and Energy Society. IEEE Std 1617: IEEE

impedância, há um retorno. De acordo com o tempo em que o

Guide for detection, mitigation, and control of concentric neutral

sinal retorna e a forma deste retorno, é possível interpretar o tipo de

corrosion in medium-voltage underground cables. EUA. 2007.

problema e a sua distância, ilustrado na figura VII.

Conclusões

[8] IEC 60270 - High-Voltage Test Techniques - Partial Discharge Measurements [9] KELLY, Lawrence J.: High voltage testing of medium voltage shielded power cables. IEEE. EUA. 1988.

Existem muitas técnicas para avaliar as condições de conservação dos cabos isolados de média, permitindo uma

*Daniel Bento é engenheiro eletricista, especializado em redes

análise de confiabilidade que suporte um plano de manutenção.

subterrâneas. É também diretor da Baur do Brasil.

Além de diagnosticar uma falha existente, estes ensaios podem ser realizados de forma preditiva, de modo a obter previamente

Continua na próxima edição

a análise se há indício de início de um problema no cabo,

Acompanhe todos os artigos deste fascículo em: www.osetoreletrico.com.br

antecipando, assim, uma falha que impacte a operação e evitando trocas apenas devido ao término da vida útil média esperada.

Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para: redacao@atitudeeditorial.com.br


Apoio:

Linhas elétricas para baixa tensão

48

Por Paulo E. Q. M. Barreto*

Capítulo X Instalação de condutores (I)

A maneira de instalar os condutores elétricos, além de

mesmo equipamento.

influenciar o seu dimensionamento, conforme abordado nos artigos

6.2.10.3 Os condutores de um mesmo circuito, incluindo o condutor

anteriores, possui peculiaridades que nem sempre são consideradas

de proteção, devem estar nas proximidades imediatas uns dos outros.

nos projetos e nas execuções de instalações elétricas. Aspectos como

6.2.10.4 Quando forem usados condutores em paralelo, eles devem ser

travessias de paredes e de barreiras corta-fogo, proximidade com

reunidos em tantos grupos quantos forem os condutores em paralelo,

outras linhas elétricas e não elétricas, disposição dos condutores,

cada grupo contendo um condutor de cada fase ou polaridade. Os

tipo de conduto utilizado, são alguns exemplos de situações

condutores de cada grupo devem estar instalados nas proximidades

que possuem requisitos estabelecidos pela norma NBR 5410 e

imediatas uns dos outros.

apresentados a seguir.

Disposição dos condutores A instalação de condutores deve atender a alguns requisitos básicos, conforme estabelecido em 6.2.10, como forma de evitar danos à isolação, elevação indevida da impedância do circuito e risco à segurança por ocasião de manutenção da linha elétrica:

NOTA – Em particular, no caso de condutos fechados metálicos, todos os condutores vivos de um mesmo circuito devem estar contidos em um mesmo conduto.

Travessias de paredes Quando uma linha elétrica atravessa uma parede ou uma laje, é necessário avaliar a classificação de influências externas envolvidas

Fascículo

em cada um desses ambientes e se haverá comprometimento das 6.2.10.1 Os cabos multipolares só devem conter os condutores de um

características de compartimentação desses locais. Tanto para

mesmo e único circuito.

poços verticais (shafts), quanto para paredes (trecho horizontal),

6.2.10.2 Admite-se que os condutos fechados contenham condutores

as aberturas devem ser obturadas após a passagem dos cabos (ver

de mais de um circuito nos seguintes casos:

barreira corta-fogo mais adiante).

a) quando as quatro condições seguintes forem simultaneamente atendidas:

Além disso, estabelece a norma em 6.2.9.3: Nas travessias de

- os circuitos pertencerem à mesma instalação, isto é, se originarem do

paredes, as linhas elétricas devem ser providas de proteção mecânica

mesmo dispositivo geral de manobra e proteção;

adicional, exceto se sua robustez for o suficiente para garantir a

- as seções nominais dos condutores de fase estiverem contidas dentro

integridade nos trechos de travessia.

de um intervalo de três valores normalizados sucessivos; - os condutores tiverem a mesma temperatura máxima para serviço contínuo; e

Proximidade das linhas Durante a elaboração de um projeto, deve-se atentar para a

- todos os condutores forem isolados para a mais alta tensão nominal

proximidade entre linhas elétricas e entre linhas elétricas e não

presente.

elétricas, de modo que uma não cause influência na outra e nem

b) no caso dos circuitos de força, de comando e/ou sinalização de um

sejam prejudicadas por ocasião de intervenções em uma delas.


49

Para tanto, em 6.2.6.4, a norma estabelece requisitos para a proximidade de linhas não elétricas, conforme segue: 6.2.9.4.1 Quando as linhas elétricas se situarem nas proximidades de linhas não elétricas, o afastamento entre as superfícies externas de ambas deve garantir que a intervenção em uma delas não represente risco de danificação à outra. 6.2.9.4.2 As linhas elétricas não devem ser dispostas nas proximidades de canalizações que produzam calor, fumaça ou vapores cujos efeitos podem ser prejudiciais à instalação, a menos que as linhas sejam protegidas contra esses efeitos, como, por exemplo, interpondo-se um anteparo adequado entre a linha elétrica e aquelas canalizações. 6.2.9.4.3 Não se admitem linhas elétricas no interior de dutos de exaustão de fumaça ou de dutos de ventilação. 6.2.9.4.4 Quando a linha elétrica, no todo ou em parte, seguir o mesmo percurso de canalizações que possam gerar condensações (tais como tubulações de água e de vapor), ela não deve ser disposta abaixo dessas canalizações, a menos que sejam tomadas precauções para protegê-la dos efeitos da condensação. Para proximidade de outras linhas elétricas, a norma prescreve o que segue: 6.2.9.5 Circuitos sob tensões que se enquadrem uma(s) na faixa I e outra(s) na faixa II definidas no anexo A não devem compartilhar a mesma linha elétrica, a menos que todos os condutores sejam isolados para a tensão mais elevada presente ou, então, que seja atendida uma das seguintes condições: a) os condutores com isolação apenas suficiente para a aplicação a que se destinam forem instalados em compartimentos separados do conduto a ser compartilhado; b) forem utilizados eletrodutos separados. Do referido anexo A, obtém-se, por exemplo, para sistemas diretamente aterrados, em corrente alternada, a seguinte classificação: Faixa I é aquela cuja tensão entre fases é menor ou igual a 50V; e Faixa II é aquela cuja tensão entre fases está compreendida entre 50 e 1000V.

Barreiras corta-fogo Da mesma forma que no caso de travessias de paredes, quando uma linha elétrica atravessar uma barreira corta-fogo, devem ser observados os requisitos contidos em 6.2.9.6, dos quais se destacam: 6.2.9.6.1 Quando uma linha elétrica atravessar elementos da construção tais como pisos, paredes, coberturas, tetos etc., as aberturas remanescentes à passagem da linha devem ser obturadas de modo a


Apoio:

Linhas elétricas para baixa tensão

50

preservar a característica de resistência ao fogo de que o elemento for

impacto maior do que o uso das mangueiras, pois foi entendido

dotado.

no meio técnico como exagero da norma, visto que um eletroduto

6.2.9.6.2 Linhas elétricas tais como as constituídas por eletrodutos

propagante de chama embutido em laje, alvenaria ou enterrado, não

ou condutos fechados equivalentes e as pré-fabricadas, que penetrem

piora as condições de propagação de um incêndio pela edificação,

em elementos da construção cuja resistência ao fogo seja conhecida e

já que, quando o fogo chegar ao eletroduto, já não existirá nem

especificada, devem ser obturadas internamente, de forma a garantir

mesmo o material da edificação que o recobria! Este requisito está

pelo menos o mesmo o grau de resistência ao fogo do elemento em

sendo reestudado pela Comissão de Estudos encarregada de revisar

questão, e também obturadas externamente, conforme 6.2.9.6.1.

a NBR 5410 e, provavelmente, na futura edição, sofrerá alteração,

6.2.9.6.4 Os eletrodutos ou condutos fechados equivalentes que sejam

mantendo tal exigência apenas aos eletrodutos instalados de forma

não propagantes de chama e cuja área de seção transversal interna

aparente.

seja de no máximo 710mm2 não precisam ser obturados internamente, desde que:

já constavam das edições anteriores da NBR 5410 e podem ser

proteção IP33; e

resumidos no que segue:

b) todas as extremidades da linha que terminem em um compartimento construtivamente separado do compartimento do qual ela provém

• Os eletrodutos devem suportar as solicitações mecânicas,

satisfaçam o grau de proteção IP33.

químicas, elétricas e térmicas a que forem submetidos nas condições da instalação.

A obturação das barreiras corta-fogo deve cumprir alguns requisitos, tais como:

• Não deve ser instalado condutor nu em eletrodutos, a menos que seja o condutor de aterramento, e neste caso, deve ser em eletroduto exclusivo.

• ser compatível com os materiais da linha elétrica;

• Deve ser respeitada taxa máxima de ocupação do eletroduto, em

• permitir dilatações da linha elétrica;

função da quantidade de condutores no seu interior. Sendo que essa

• suportar os esforços a que a linha elétrica estiver submetida, tanto

taxa é de 40% para três ou mais condutores instalados no interior

nas condições normais quanto nas de incêndio;

de um eletroduto.

• suportar as mesmas influências externas a que estiver sujeita a

• Trechos retilíneos e contínuos de tubulação, sem interposição de

linha elétrica;

caixas ou equipamentos, não devem exceder 15m de comprimento

• possuir grau de proteção compatível com os elementos de

para linhas internas às edificações e 30m para as linhas em áreas

construção aos quais for aplicada;

externas às edificações. Se os trechos incluírem curvas, tais limites

• no caso de espaços de construção, deve impedir a propagação do

devem ser reduzidos em 3m para cada curva de 90°.

incêndio.

• Em cada trecho de eletroduto podem ser instaladas no máximo

Eletrodutos

Fascículo

Os demais requisitos referentes à instalação de eletrodutos

a) os eletrodutos ou condutos equivalentes apresentem grau de

três curvas de 90° ou seu equivalente até no máximo 270°. Não devem ser instaladas curvas com deflexão superior a 90°.

A edição de 2004 da NBR 5410 trouxe dois requisitos novos

• Se um eletroduto rígido atravessar uma junta de dilatação da

referentes a eletrodutos. O primeiro deles condena prática

edificação, ele deve ser seccionado e aplicada alguma medida

corriqueira em boa parte das obras prediais que era o uso de

compensatória (por exemplo, luva flexível) e, no caso de eletroduto

mangueiras d´água para passagem de condutores. Assim, estabelece

metálico, deve ser garantida a sua continuidade elétrica (por

a norma em 6.2.11.1.1: É vedado o uso, como eletroduto, de produtos

exemplo, por meio de fita ou cordoalha).

que não sejam expressamente apresentados e comercializados

• A passagem dos condutores no eletroduto só deve ser feita após

como tal. NOTA – Esta proibição inclui, por exemplo, produtos

a montagem completa dos eletrodutos (fixação, concretagem,

caracterizados por seus fabricantes como “mangueiras”.

embutimento) e após a limpeza do seu interior. • Os guias de puxamento não devem ser introduzidos no eletroduto

A rigor, não haveria necessidade desta redação na norma,

durante a execução das tubulações, só posteriormente.

pois tal prática nunca teve amparo normativo, mas diante do uso generalizado de mangueiras nessas condições, coube à norma fazer tal alerta.

Em função do material utilizado para a fabricação do eletroduto, do tipo de rosca e do tipo de revestimento protetor, tem-se uma norma específica.

O segundo requisito novo está estabelecido em 6.2.11.1.2:

No caso dos eletrodutos de aço, foram criados por alguns

Nas instalações abrangidas por esta Norma só são admitidos

fabricantes os “adjetivos” leve, médio, pesado, entre outros, para

eletrodutos não propagantes de chama. Este requisito sim causou

designar eletrodutos fabricados com diferentes espessuras de


Apoio:

51


Apoio:

Linhas elétricas para baixa tensão

52

caso do DN 20, a espessura normalizada é 2,25mm. Também não é prevista espessura diferente desta e nem os tais adjetivos. - NBR 5598, aplicável aos eletrodutos de aço-carbono, com ou sem costura, com rosca BSP e revestimento protetor interno e externo. Esse tipo de eletroduto possui a mesma espessura de parede do eletroduto conforme NBR 5597 e também não apresenta os tais adjetivos. - NBR 15465, abrange os eletrodutos plásticos em geral – rígidos até DN 110 e flexíveis até DN 40. Infelizmente, esta norma acabou utilizando os termos leve, médio e pesado, indevidamente criados pelo mercado para identificar os eletrodutos de aço que Exemplo de eletroduto de aço fora de norma, com parede 0,7mm, quando deveria ser 1,5mm.

não atendem as normas, como identificador das três classes de resistência mecânica. No caso do eletroduto plástico rígido, há somente a classe “pesado” (já que só há essa classe, seria dispensável

parede. O mercado acabou se acostumando com isso e comprando

tal caracterização, ou então, poderia ter sido escolhido outro termo).

“gato por lebre”, já que as normas dos eletrodutos de aço não

E para os eletrodutos plásticos flexíveis, foram criadas as classes:

possuem tais classificações. Com exceção do termo pesado, que

leve, médio e pesado, que se diferenciam pela resistência mecânica

apesar de não ser definido em norma, usualmente, corresponde à

aos esforços de compressão.

designação do “eletroduto normalizado”, os demais não atendem as normas correspondentes e acaba sendo uma forma de identificar o eletroduto não normalizado. O uso desses tipos de eletrodutos, além de caracterizar descumprimento de requisito normativo, pode causar enorme

Bem que essa norma poderia ter caracterizado as três classes de resistência mecânica por 1, 2, 3, ou A, B, C, de modo a não utilizar os mesmos termos vulgares criados pelo mercado para designar eletrodutos fora de norma.

prejuízo. Apenas para dar um exemplo, que é sentido por quem está

Portanto, ao contrário do que preconiza o mercado, não se

no canteiro de obras e, efetivamente, manipula o produto, é que em

deve utilizar as qualificações leve, médio, pesado, semi-leve, semi-

alguns desses tipos de eletrodutos não se consegue fazer rosca, nem

pesado, entre outras, para designar eletrodutos de aço. O correto é

dobrá-lo corretamente (devido à reduzida espessura da parede); e

mencionar o material, o diâmetro nominal, o tipo de revestimento

chegam até a amassar durante o processo de instalação.

protetor, outras características desejadas e a norma correspondente,

O uso desses “adjetivos” tem apenas uma exceção, contemplada na norma NBR 15465 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão (citado abaixo). A seguir, são apresentadas as principais diferenças entre as normas de eletrodutos e a questão da espessura de parede.

que já deixará implícitos a espessura de parede, o diâmetro e o tipo de rosca. Outro erro muito comum também empregado em eletrodutos, perfilados, bandejas e demais peças de aço, é designar um determinado tipo de revestimento protetor por “galvanizado a fogo”, quando o correto é zincado por imersão a quente, ou simplesmente,

- NBR 5624, aplicável aos eletrodutos rígidos de aço-carbono,

zincado a quente (quando o elemento protetor for o zinco).

Fascículo

com costura (solda longitudinal) e rosca conforme NBR 8133 e revestimento protetor interno e externo. São definidas as espessuras para cada diâmetro nominal (DN). Por exemplo, no caso do DN

*Paulo E. Q. M. Barreto é engenheiro eletricista, pós-graduado em Eletrotécnica. Tem experiência nas áreas de ensino, projeto, execução,

20, a espessura normalizada é 1,50mm. Não é prevista espessura

manutenção, inspeção e perícia de instalações elétricas. É membro da

diferente desta, tampouco o uso dos termos leve, médio e pesado.

Comissão que revisa a norma ABNT NBR 5410 desde 1982. Professor

- NBR 13057, aplicável aos eletrodutos de aço-carbono, com costura

em cursos de pós-graduação. Coordenador da Divisão de Instalações

e rosca conforme NBR 8133, só que com revestimento (externo)

Elétricas do Instituto de Engenharia. Ex-conselheiro do CREA-SP e

de zinco por eletrodeposição (zincado eletroliticamente). Os

da ABEE-SP. Inspetor da 1ª certificação de uma instalação elétrica no

diâmetros nominais e as espessuras de parede dos eletrodutos são as mesmas da norma NBR 5624 e também não são apresentados os tais adjetivos. - NBR 5597, aplicável aos eletrodutos de aço-carbono, com ou sem costura, com rosca NPT e revestimento protetor interno e externo. Esse tipo de eletroduto possui espessura de parede maior do que os eletrodutos conforme NBR 5624 e NBR 13057. Por exemplo, no

Brasil, no âmbito do Inmetro, em 2001. Consultor e diretor da Barreto Engenharia. www.barreto.eng.br Continua na próxima edição Acompanhe todos os artigos deste fascículo em: www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para: redacao@atitudeeditorial.com.br


Renováveis Apoio:

ENERGIAS COMPLEMENTARES

53

Ano 3 - Edição 40 / Outubro de 2019

FASCÍCULO

GERAÇÃO DISTRIBUÍDA: INOVAÇÃO NA GERAÇÃO – CHESF NOTÍCIAS DE MERCADO COLUNA SOLAR: MAIS RESPEITO AOS CONSUMIDORES DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA COLUNA EÓLICA: HORA DE FALAR DE NOVOS MODELOS DE NEGÓCIO APOIO

jaroslava V | shutterstock.com

Capítulo X – Dimensionamento e compensação da energia gerada


Apoio

54

Fascículo

Renováveis

Por Hans Rauschmayer*

DIMENSIONAMENTO E COMPENSAÇÃO DA ENERGIA GERADA Figura 1: Ilustração de algumas formas de compensação da energia. Fonte: Guia de Constituição de Cooperativas de Geração Distribuída Fotovoltaica, OCB


55

1 - Introdução

3 - Faturamento do consumidor grupo B

Os nove fascículos que publicamos até agora ensinaram conteúdo

técnico que tem validade no mundo inteiro, independentemente do local da instalação fotovoltaica. No presente fascículo, apresentaremos o dimensionamento do sistema solar baseado na regulamentação brasileira.

No nosso país, o princípio da compensação da energia gerada

na Geração Distribuída é o abatimento da energia consumida, um regime conhecido como net-metering. Não há venda da energia à concessionária.

Esse regime, junto com a aplicação de taxas mínimas, determina

o dimensionamento ideal de uma planta fotovoltaica para um determinado cliente. 2 - A Regulamentação Brasileira REN ANEEL 482/2012

Em 17 de abril de 2012, a Agência Nacional de Energia Elétrica

Figura 2: Exemplo de fluxo de energia em um determinado mês.

(Aneel) publicou a Resolução Normativa Nº 482 que introduziu a Geração Distribuída no território brasileiro. Ela sofreu uma revisão em

2015 pela REN 687/2015, além de modificações redacionais que

tensão, por exemplo, residências e pequenas empresas. Eles pagam

esclareceram algumas dúvidas.

uma tarifa única ao longo do dia (com exceção da Tarifa Branca, que é

opcional e desvantajosa no caso da geração solar) e são faturados pelo

A Aneel buscou regras simples, com objetivo de facilitar a

O grupo B reúne consumidores que recebem a energia em baixa

disseminação da nova tecnologia. Temas fora da alçada da Aneel,

consumo mensal.

como taxação da energia gerada, não foram abordadas.

exemplo da figura 2, que apresenta o fluxo de energia ao longo de um

A regulamentação inclui diversas fontes renováveis (solar, hídrica,

eólica, biomassa), como também cogeração, considerada uma forma

Para compreender como funciona o faturamento, vamos usar o

mês:

mais eficiente de geração elétrica. • Neste mês, o sistema solar gerou 300kWh; 2.1 - Princípios do Net-metering conforme REN 482

• Desta energia, 180kWh foram consumidas por aparelhos ligados simultaneamente, o chamado “autoconsumo”;

Os princípios básicos definidos pela REN 482/2012 são os

seguintes:

• O restante da energia gerada, 120kWh, foi injetada na rede da concessionária; • O consumo total dos aparelhos elétricos nesta unidade somou

• A energia gerada abate o consumo da própria unidade;

500kWh;

• A energia excedente é injetada na rede da concessionária e

• Deste consumo, 180kWh foram fornecidos pelo sistema solar e o

considerada emprestada à distribuidora. Em outro horário, ela é

restante, 320kWh, vieram da rede da concessionária (consumo bruto

devolvida ao cliente;

da rede);

• O faturamento mensal apura a energia consumida e injetada: a

• A concessionária recebeu da unidade 120kWh em energia injetada e a

diferença positiva é cobrada;

devolveu em outro horário. Ela precisou, portanto, comprar 200kWh de

• O excedente mensal gera crédito que pode ser abatido em um dos

outras usinas para completar o fornecimento (consumo líquido da rede);

meses subsequentes;

• O consumo líquido da rede é faturado na conta do mês.

• Os créditos podem ser transferidos para outras contas vinculadas –

Precisamos de três leituras para estabelecer todos os números do fluxo

veremos este tema em seguida;

de energia:

• Outras cobranças na conta de energia, como o custo de

• A leitura do medidor de consumo;

disponibilidade ou da demanda contratada, não são modificadas.

• A leitura do medidor de injeção;


Apoio

Fascículo

56

Renováveis 4 - Dimensionar o sistema solar para um consumidor do

• A leitura do inversor.

grupo B

É importante que o proprietário do sistema compreenda esta lógica.

Em especial, ele deve estar ciente que a conta de energia apresenta

4.1 - Analisar a conta do cliente

apenas parte das informações. Tabela 2: Exemplo para aplicação de duas abordagens para estipular a potência do sistema solar para um determinado cliente.

3.1 - O custo de disponibilidade

Em meses com consumo muito baixo é cobrada uma taxa mínima,

chamada “Custo de Disponibilidade”, no valor de: • 30kWh para ligações monofásicas; • 50kWh para ligações bifásicas; • 100kWh para ligações trifásicas.

Geração total

Geração otimizada

Consumo médio mensal [kWh]

733

733

Custo de disponibilidade [kWh]

100

100

Meta de geração mensal [kWh]

733

633

Geração típica no local da

120

120

6,1

5,3

instalação [kWh / kWp] Potência do sistema solar [kWp]

Esta taxa é aplicada para todos os consumidores do grupo B,

independentemente de haver uma geração solar no local ou não. Com

isso, fica impossível zerar a conta com energia solar.

A tarefa do projetista consiste em dimensionar o sistema solar de

forma adequada para cada cliente.

3.2 - Cálculo da fatura

Ponto de partida é a conta do cliente, devido aos princípios da REN

482/2012 explicados acima. Usamos o histórico de consumo ao longo dos últimos 12 meses, impresso na conta como base de cálculo, e Tabela 1: Cálculo de fatura e crédito com aplicação do Custo de Disponibilidade em três meses exemplares.

formamos a média destes valores.

A média mensal deve ser corrigida pela expectativa de aumento do

consumo: é frequente que o cliente seja mais generoso no consumo

Mês A

Mês B

Mês C

Energia injetada

120kWh

150kWh

240kWh

mudanças de hábito que reduzam o consumo de energia.

Consumo bruto da rede

320kWh

180kWh

200kWh

Consumo líquido da rede

200kWh

30kWh

-40kWh

eficiência energética, antes do dimensionamento do sistema solar.

Fatura

200kWh

100kWh

100kWh

Em unidades novas, sem histórico, deve-se estimar o futuro consumo a

Prejuízo

0kWh

70kWh

100kWh

partir de unidades similares ou outros métodos da engenharia elétrica.

Crédito

0kWh

0kWh

40kWh

a partir da instalação do sistema solar. Mas ele pode também prever Recomendável é aproveitar o momento para efetuar medidas de

4.2 - Estipular a meta de geração

Quanta energia deve ser gerada pelo futuro sistema solar? A

abordagem simples toma como meta de geração a média mensal de

A tabela 1 apresenta exemplos de três meses que ajudam a

consumo, corrigido pela expectativa de sua variação.

compreender melhor o cálculo do faturamento (presume-se que a

Se quisermos evitar o prejuízo induzido pelo custo de

unidade seja trifásica).

disponibilidade, então, devemos reduzir a média mensal pelo custo de

Explicação:

disponibilidade para chegar à meta da geração, representado pela coluna “Geração otimizada” na tabela 2.

• O mês A apresenta o mês com o mesmo fluxo da figura 2 e consta na

tabela para fins de comparação;

sistema bem adaptado ao cliente.

Os dois cálculos representam o limite inferior e superior de um

• No mês B, o consumo líquido da rede ficou abaixo do custo de disponibilidade, e este é faturado pela concessionária. O proprietário

4.3 - Aplicar a geração típica

da unidade ficou com um prejuízo de 70kWh, energia que ele gerou e

entregou à concessionária sem receber por ela;

para chegar à potência do futuro sistema solar.

• No mês C, a geração superou o consumo bruto e gerou crédito de

40kWh. Neste caso, também há prejuízo pela cobrança do custo de

1kWp em softwares ou aplicativos e representa a quantidade de energia

disponibilidade;

gerada por este sistema na região da futura instalação.

• O crédito será abatido em meses subsequentes que apresentam

consumo líquido superior ao custo de disponibilidade, e até o limite

neste passo um valor aproximado. Com isso, é possível executar todo o

deste custo. Após 60 meses, o crédito é perdido.

cálculo acima rapidamente na cabeça.

No último passo, dividimos a meta de geração pela geração típica A geração típica é obtida mediante simulação de um sistema de

Como nós efetuaremos o cálculo inverso em seguida, podemos usar


57


Apoio

Fascículo

58

Renováveis

4.4 - Projetar o sistema solar

resulta em um sistema de 4,8kWp, cujas contas de energia são apresentadas

O cálculo anterior usou premissas simplificadas para chegar a

A aplicação das regras para a geração otimizada (compare tabela 2)

uma faixa de potência interessante. Agora, chegou a hora de projetar

na figura 5. Neste caso, o prejuízo com custo de disponibilidade ocorre em

o sistema real, ocupando parte da cobertura ou do terreno do cliente,

apenas quatro meses e cai para 2,7% da geração; consequentemente, há

como abordado nos fascículos anteriores.

melhora no retorno de investimento.

Repare que a potência dos dois sistemas simulados ficou abaixo dos valores

É possível que a área disponível não seja suficiente para o sistema

ideal e nos força a restringir a potência ou a procurar soluções de

inicialmente estipulados na tabela 2. A razão disso é que a média mensal

geração remota.

usada no cálculo inicial não representa perfeitamente o comportamento do cálculo mês a mês.

4.5 - Verificar o dimensionamento 4.6 - Otimizar o dimensionamento

A escolha entre um sistema com potência menor ou maior deve levar em

consideração os objetivos do cliente: • Se ele preferir pagar um valor mensal fixo, então, o sistema deve ser superdimensionado; • Se ele preferir um retorno financeiro melhor, o sistema deve ser otimizado Figura 3: Consumo (barras cinzas) e geração simulada (barras amarelas) a cada mês. Diagrama do software PV*SOL.

O cálculo inverso mostrará se a potência projetada realmente é

para baixo. A disponibilidade financeira do cliente pode ser outra restrição. 4.7 - Limite conforme demanda disponibilizada

adequada. Quem traz a resposta é um software de simulação, que

calcula o sistema projetado com todos os detalhes de sombreamento e

proprietário informa à distribuidora qual demanda máxima ele precisa.

das perdas envolvidas. Ele traz a estimativa da futura geração (figura 3).

Esta usa a informação no planejamento da rede de distribuição e no

Quando uma unidade de consumo é conectada à rede elétrica, o

dimensionamento do ramal de conexão.

O sistema solar não pode superar a demanda máxima para garantir o

escoamento da energia. Nesta comparação, a potência da planta solar é o menor valor entre a soma da potência dos módulos e a soma da potência dos inversores.

O disjuntor geral da unidade, junto com a norma da concessionária,

permite determinar a demanda máxima. Se desejar instalar um sistema Figura 4: Comparação da conta de energia atual (azul) e posterior à instalação do sistema solar (amarelo) no software PV*SOL.

Aplicando a tarifa, chega-se à futura conta de energia que o cliente

pagará. A figura 3 mostra o resultado para um sistema projetado conforme a regra “geração total” na tabela 2, com potência de 5,9kWp. A curva azul representa a conta atual, e a amarela, após a instalação do sistema solar.

Na curva amarela, fica evidente que o cliente pagará o custo de

disponibilidade em todos os meses do ano. Neste caso, o software estima um prejuízo acumulado de 8%, aproximadamente um mês de geração solar.

maior, será necessário solicitar um aumento de carga à concessionária. 5 - Dimensionar o sistema solar para um consumidor do grupo A

Consumidores do grupo A recebem energia em média tensão. A fatura

deles é dividida em diversas rúbricas. Segue uma abordagem resumida, sem entrar nos detalhes e nas diferentes opções: • O consumo é separado pelo horário de Ponta e Fora de Ponta, aplicando tarifas diferentes; • A demanda contratada é cobrada mensalmente com um valor fixo, independentemente do consumo ocorrido; • Há ainda multas por demanda acima da contratada e por excesso de energia reativa.

A abordagem simples segue o cálculo apresentado na tabela 2.

Usamos o consumo no horário Fora de Ponta e desconsideramos o custo de disponibilidade. Figura 5: Comparação entre conta atual e com energia solar, para um sistema projetado para geração otimizada.

A demanda contratada limita a potência do sistema solar e faz com que o

sistema solar, em quase todos os casos, gere apenas uma parte do consumo. A razão disso é simples: o sol não gera energia com 100% da potência, das 8h


59

às 18h, muito menos, à noite.

Distribuída Fotovoltaica, disponibilizado pelo OCB.

A avaliação de opções como aumento da demanda contratada ou

compensação do consumo em horário de Ponta extrapola a abrangência

7 - Retorno financeiro

deste fascículo. 6 - Compensação remota

Se quisermos calcular o retorno financeiro do sistema solar, precisamos

valorar a energia gerada conforme o fluxo apresentado na figura 2. 7.1 - Autoconsumo

O autoconsumo, simplesmente, abate o consumo e é valorado pela

tarifa de consumo. As faixas progressivas de ICMS, instituídas na maioria dos estados brasileiros, podem trazer um ganho adicional ao proprietário, já que o consumo bruto dele é reduzido. Isso vale também para a bandeira tarifária.

A cobrança da taxa de iluminação pública traz outro ganho em municípios

onde ela é cobrada conforme consumo mensal. 7.2 - Energia injetada Figura 6: Ilustração da compensação remota. Fonte: Guia de Constituição de Cooperativas de GD.

A compensação local é a forma mais simples: o sistema solar é instalado

Na visão da Aneel, a energia injetada deve ser devolvida em outro horário,

abatendo o consumo da unidade. Nesta perspectiva, ela é valorada também com a tarifa de consumo.

A legislação sobre ICMS, que é da alçada estadual, não seguiu

completamente este conceito. Infelizmente, ela deixa dúvidas, o que levou as

na própria unidade de consumo. Neste caso, aplicam-se as regras descritas

concessionárias a aplicarem regras não uniformes. Algumas retêm ICMS sobre

anteriormente. No entanto, a regulamentação permitiu diversas formas de

a energia injetada, referente à tarifa de uso do sistema de distribuição, TUSD.

compensação remota, onde o excedente da energia na unidade de geração

é transferido para outras unidades. A compensação é efetuada de forma

concessionária do cliente aplica, especialmente quando se trata de potências

contábil e é restrita à mesma área de concessão.

maiores ou de geração remota.

Antes de realizar um projeto, pesquise a forma de taxação que a

Todas as formas de compensação remota têm em comum a

transferência em kWh, independente da tarifa da origem e do destino. É

8 - Modelos de Negócio

possível que a reforma da REN 482 em curso, mude este princípio e abata um percentual como contribuição para a rede de distribuição.

A construção e a operação da planta solar não precisam,

necessariamente, ser executadas pelo cliente em suas propriedades. Além da 6.1 - Autoconsumo remoto

venda do equipamento, há modalidades de locação do equipamento, do local

da instalação e de locação virtual de partes de uma usina maior.

O excedente da energia gerada pode ser transferido para uma outra

unidade do mesmo titular. Se for pessoa física, então, as duas contas devem

estar cadastrados no mesmo CPF. No caso da pessoa jurídica, é permitida a

consideração à legislação fora do setor elétrico, evitando conflitos com o

transferência entre diferentes filiais (CNPJ idêntico antes da barra).

monopólio da distribuidora local. Procure capacitação a respeito para ganhar

segurança jurídica.

Na unidade de origem, se for do grupo B, é cobrado o custo de

Todos os modelos exigem muita atenção para a correta contratação em

disponibilidade. Na unidade receptora, também, se o consumo líquido ficar abaixo deste valor.

9 - Previsão

O excedente pode ser transferido até para mais do que uma unidade.

Neste caso, o proprietário declara à concessionária o percentual que cada

unidade deve receber.

e mostramos resultados dos cálculos. Eles realmente são fundamentais

para elaborar um projeto tecnicamente impecável, para calcular o retorno

Eventuais créditos permanecem na respectiva unidade receptora.

Mencionamos em diferentes itens dos fascículos softwares de simulação

financeiro com segurança e para efetuar vendas de forma eficiente. Este será 6.2 - Geração compartilhada

o tema do próximo fascículo.

Grupos de empresas podem formar um consórcio e construir uma

usina em conjunto. No contrato, é definido o percentual de energia que cada

*Hans Rauschmayer é sócio-gerente da empresa Solarize Treinamentos

consorciado recebe.

Profissionais Ltda., onde montou a abrangente grade de capacitação [visite www.

solarize.com.br]. Reconhecido especialista em energia solar, já foi convidado

Regras similares permitem a geração compartilhada para condomínios

(múltiplas unidades de consumo) ou cooperativas. Acesse, através do site

para ensinar e palestrar em universidades, instituições, congressos nacionais e

www.solarize.com.br, o Guia de Constituição de Cooperativas de Geração

internacionais e vários programas de TV.


Geração distribuída

60

Por José Bione de Melo Filho e Alcides Codeceira Neto*

Inovação na geração - Chesf 1 - Desenvolvimentos

temperatura ambiente média em

presente na planta tecnológica,

de controle, e proteção e falhas

Tecnológicos em Energia

torno de 30°C.

que utiliza soluções inovadoras

em sistemas elétricos.

Solar – O CRESP

com o emprego de módulos de

uma área de 45 hectares, sendo

terceira geração (orgânicos e

estudados sistemas fotovoltaicos

10 hectares para as plantas

multijunção), além de outros

com rastreamento em um e dois

Hidro Elétrica do São Francisco

fotovoltaicas, 13 hectares para a

módulos já comercializados.

eixos, para determinação das

(Chesf) em participar de Projetos

planta CSP de receptor central e

O projeto também prevê o

vantagens e desvantagens desses

de Pesquisa e Desenvolvimento

10 hectares para a planta CSP de

desenvolvimento de programas

sistemas com relação às centrais

com foco em energia solar, como

calha parabólica. O CRESP também

computacionais e de lógica

fotovoltaicas com sistemas fixos.

os Projetos Estratégicos das

possui uma edificação para

de controle adaptativo para

Chamadas Públicas da Agência

suporte às atividades de pesquisa

rastreadores, dispositivos

incluem a realização de ações

Nacional de Energia Elétrica

e desenvolvimento a serem

inovadores em conversão de

com os dados de monitoramento

(Aneel) 013/2011 (Energia

realizadas no local e compreenderá

corrente contínua em corrente

da planta base de 2,5MWp

Solar Fotovoltaica) e 019/2015

a instalação de quatro projetos de

alternada de alto ganho

e da planta tecnológica de

(Energia Heliotérmica), levou a

P&D definidos a seguir.

(eficiência) e de baixo custo, e

0,5MWp, bem como a realização

protocolo de identificação de

de campanhas de medição

O interesse da Companhia

O CRESP está instalado em

companhia a implantar o Centro

Também serão instalados e

Outras atividades do projeto

de Referência em Energia Solar de

1.1 Planta Tecnológica de

falhas em usinas fotovoltaicas,

de radiação, com proposta de

Petrolina (CRESP) no semiárido

Petrolina

que poderão gerar propriedade

modelos com base em dados

nordestino, região do Brasil que

intelectual / patentes.

medidos e em imagens de

possui os melhores índices de

planta fotovoltaica de 3,0MWp,

satélite. Um banco de dados dará

incidência da irradiação solar

sendo uma planta fotovoltaica

ao projeto de P&D, processos de

suporte à organização dessas

direta. O CRESP tem a finalidade

de 2,5MWp utilizando tecnologia

aprendizagem poderão incluir a

informações.

de desenvolver e expandir o

convencional, e uma planta

identificação e incorporação da

conhecimento científico e

tecnológica de 0,5MWp, que

indústria nacional especializada

Sede e uma vista aérea da Planta

tecnológico em energia solar, no

utiliza várias tecnologias

em áreas fins à geração de energia

Fotovoltaica Base de 2,5MWp,

País.

fotovoltaicas inovadoras e outros

elétrica fotovoltaica, quais sejam:

que se encontra em operação no

já existentes e comercializados.

eletrônica de potência, sistemas

CRESP.

O município de Petrolina,

Este Projeto inclui uma

situado no Estado de

Pernambuco, encontra-se

desenvolvimento de produtos e

em uma região com dados

processos, visando ampliar as

meteorológicos históricos,

possibilidades de implantação,

os quais atestam, em valores

no Brasil, de sistemas e plantas

médios diários anuais, 7,8 horas

fotovoltaicas operando com maior

de insolação, resultando em

eficiência, menores custos e

um alto nível de irradiação, em

menores impactos ambientais.

torno de 5,38kWh/m dia, e com

2

Além da inovação inerente

A Figura 1 mostra o edifício

O projeto propõe o estudo e

A originalidade do projeto está

Figura 1 – CRESP - Fachada do Edifício Sede e Planta Fotovoltaica Base de 2,5MWp.


Geração distribuída

1.2 Planta CSP de Torre Central

A Planta com tecnologia

CSP de Receptor Central foi denominado de “Chesf Torre Central 1”, tendo sido originado quando do lançamento da Chamada Aneel 019/2015 – Projeto Estratégico: “Desenvolvimento de Tecnologia Nacional de Geração Heliotérmica de Energia Elétrica”, a fim de estudar as energias heliotérmicas, internacionalmente conhecidas

Figura 2 – Usina fotovoltaica flutuante de Sobradinho e sua localização.

como CSP (Concentrated Solar Power), que se encontram em processo de expansão no âmbito

cooperação técnica celebrado

Hidrelétricas de Sobradinho,

radiação solar incidente no local,

mundial. Esta tecnologia tem

entre o Ministério de Minas e

localizada no Estado da Bahia, e

o impacto do sombreamento

como principais vantagens a

Energia (MME) e o Ministério de

de Balbina, localizada no Estado

sobre a lâmina d’água, a

opção de armazenar o calor,

Ciência, Tecnologia e Inovação

do Amazonas.

produção de energia elétrica, o

e assim gerar eletricidade e/

(MCTI), com o objetivo de lançar

transporte, instalação e fixação

ou calor de processo, mesmo

as bases para o desenvolvimento

uma das plantas fotovoltaicas

no fundo dos reservatórios, a

quando da ausência da irradiação

científico e tecnológico do

foi dividida em duas etapas:

complementaridade da energia

solar. Essa associação da

aproveitamento da energia solar

instalação de 1MWp em uma

elétrica gerada e o escoamento

tecnologia heliotérmica com

heliotérmica na região semiárida

primeira etapa, e 1,5MWp em

dessa energia. A Figura 2

armazenamento térmico contribui

do Nordeste Brasileiro.

uma segunda etapa, totalizando

apresenta uma foto da usina

para uma maior estabilidade

2,5MW. No caso da Chesf, a

fotovoltaica flutuante.

de curto prazo na geração de

Parabólica com potência de

primeira etapa de 1MWp entrou

energia, aumentando o fator de

1,0MWel. utilizará um Ciclo

em operação em agosto de 2019.

capacidade e despachabilidade da

Rankine convencional, além do

planta heliotérmica.

campo solar, constituído por

flutuante no lago de Sobradinho,

concentradores de espelhos

a instalação e monitoramento

heliotérmica terá uma potência

do tipo cilindro-parábola

desse projeto são considerados

de 250kWel em Ciclo Rankine

que refletem os raios solares

como parte do CRESP, embora,

Orgânico, armazenamento

incidentes, concentrando-os no

fisicamente, a usina esteja

térmico de sete horas a plena

foco, em um tubo absorvedor de

situada remotamente.

carga, operação do bloco de

calor que contém em seu interior

potência e tecnologia de receptor

o fluido térmico utilizado.

trata de uma usina fotovoltaica

*Alcides Codeceira Neto possui

flutuante instalada no lago de

MSc e PhD em Engenharia

1.4 Planta Solar Fotovoltaica em

uma hidrelétrica no Brasil, com

Mecânica pela Cranfield University

Lagos de Usinas Hidrelétricas

relevância e utilidade para todo

– Inglaterra, na área de Ciências

1.3 Planta HELIOTHERM

o setor elétrico nacional. Tem

Térmicas, é professor da Escola

parceria com a Eletronorte, com

como objetivo analisar a interação

Politécnica da Universidade de

com tecnologia CSP de calha

vistas à implantação de duas

da planta fotovoltaica com a

Pernambuco (UPE) e engenheiro

parabólica surgiu em 2010

usinas fotovoltaicas flutuantes

operação da usina hidrelétrica,

da AEP (e-mail: alcidesc@chesf.

a partir de um acordo de

nos reservatórios das Usinas

focando em fatores como a

gov.br).

O Projeto dessa planta

A planta CSP de Calha

volumétrico aberto (Open Volumetric Receptor).

A Planta heliotérmica

Este é um projeto em

A implantação de cada

No caso da planta fotovoltaica

Esse é o primeiro projeto que

*José Bione de Melo Filho possui DSc em Tecnologias Energéticas Nucleares pela UFPE, é professor do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e gerente da Assessoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Chesf, AEP (e-mail: jbionef@chesf.gov.br).

61


62

Notícias

renováveis

Senai amplia oferta de cursos técnicos em energia solar fotovoltaica A ação busca atender demanda crescente por profissionais qualificados. Somente neste ano, a geração

Freepik_senivpetro

distribuída de energia solar fotovoltaica no país duplicou, chegando a 100 mil sistemas instalados

é fruto de parceria entre o

tamanho, chegando a 100 mil

“Nossos levantamentos

Energia Solar Fotovoltaica

Senai, a Associação Brasileira

sistemas instalados até junho.

mostram boa empregabilidade

chegará a mais 10 escolas

de Energia Solar Fotovoltaica

“O Senai sempre se preocupa

para alunos que concluíram

do Serviço Nacional de

(Absolar), o Ministério de Minas

em atender às demandas

cursos de energias renováveis;

Aprendizagem Industrial

e Energia (MME) e a Deutsche

da indústria, e faz projeções

então, acreditamos que será

(Senai) em todo o Brasil para

Gesellschaft für Internationale

de quais tecnologias serão

também uma oportunidade

atender às necessidades de

Zusammenarbeit (GIZ), por

demandas. Essa ampliação

para jovens desempregados,

um setor em expansão. As

meio da iniciativa Profissionais

de docentes capacitados

já que estamos falando de um

unidades escolhidas pela

para Energias do Futuro.

busca justamente isso, levar

setor que está em cenário de

chamada, lançada em junho

esse conhecimento a mais

crescimento”, indica.

deste ano, participarão de

principal objetivo acompanhar

localidades do País”, explica

um ciclo de preparação de

a demanda crescente por

Felipe Morgado, gerente

oferece 24 cursos na área de

Centros de Treinamento e

profissionais qualificados em

executivo de Educação

energias renováveis, sendo 14

qualificação de docentes ao

energia solar fotovoltaica. De

Profissional do Senai Nacional.

deles voltados à energia solar

longo de 24 meses, além de

acordo com a Absolar, somente

(fotovoltaica e solar térmica).

receber equipamentos básicos

neste ano, a geração distribuída

expectativas para o mercado de

Agora, essa oferta chegará

para o ensino. A iniciativa

solar fotovoltaica duplicou de

trabalho do setor são otimistas:

a Estados que ainda não

A capacitação técnica em

A iniciativa tem como

Segundo ele, as

Atualmente, o Senai


Notícias

renováveis

contavam com os cursos, como

a iniciativa conjunta reforça

os consumidores e usuários da

Profissionais para Energias do

Mato Grosso, Santa Catarina,

a responsabilidade das

tecnologia”, declara.

Futuro

Amapá, Amazonas e Piauí.

instituições parceiras com a

capacitação de qualidade e

Mercado de Energias

da chamada, as atividades

continuada dos profissionais

Renováveis

para Energias do Futuro faz

começarão em outubro de

do setor, especialmente,

2019. Em cada uma das

instaladores. “Com o mercado

escolas, dois professores

crescendo exponencialmente,

Energética (EPE) projeta um

cooperação técnica entre o

indicados participarão

existe uma demanda elevada

aumento nas instalações de

Ministério de Minas e Energia

de treinamento de 120

no setor por profissionais

geração distribuída para 1,35

(MME) e o Ministério Federal

horas sobre instalação,

capacitados para instalar

milhões em 2027, com um total

da Cooperação Econômica e

dimensionamento e

sistemas em residências,

de 12GW instalado. Segundo

do Desenvolvimento (BMZ)

monitoramento de sistemas

comércios, indústrias,

a Absolar, a necessidade de

da Alemanha, por meio da

solares fotovoltaicos, entre

propriedades rurais, prédios

profissionais por MW para

Deutsche Gesellschaft für

outros temas relacionados.

públicos e em usinas de grande

a fonte solar fotovoltaica é

Internationale Zusammenarbeit

Além das localidades já

porte”, destaca.

avaliada entre 25 a 30 vagas.

(GIZ) GmbH. O Ministério

citadas, os Estados do RS, MA,

Com isso, a Associação projeta

de Educação, o Senai e

PE, RJ e MG também foram

ampliação da infraestrutura,

a criação de 672 mil empregos

universidades são os principais

selecionados e farão parte do

ressalta o presidente

acumulados até 2035 no Brasil.

parceiros, além de outras

treinamento. Os centros de

executivo da Absolar, Rodrigo

Para atender a esse cenário,

instituições e associações

treinamento contarão com a

Sauaia, são fatores-chave

a iniciativa do Senai conta

dos setores de energia e

estrutura básica para os cursos

para o fortalecimento do

com o apoio do setor privado,

educação. O projeto faz

de Instalador de Sistemas

setor no País: “A medida

oferecendo um ensino prático

parte da Cooperação Alemã

Fotovoltaicos, oferecidos por

contribui para aumentar

próximo à realidade dos futuros

para o Desenvolvimento

nove empresas que compõem a

a qualidade, segurança,

profissionais. Para garantir

Sustentável, com objetivo de

Absolar.

durabilidade e performance

a qualidade da formação, os

apoiar a melhor integração das

Para o presidente do

dos sistemas instalados, no

cursos acompanham o padrão

energias renováveis e eficiência

conselho de administração

curto, médio e longo prazos,

nacional desenvolvido com

energética no sistema brasileiro

da Absolar, Ronaldo Koloszuk,

beneficiando, principalmente,

entidades atuantes no setor.

de energia.

Segundo o cronograma

A oferta de cursos e

A iniciativa Profissionais

parte do projeto Sistemas A Empresa de Pesquisa

de Energia do Futuro II,

63


64

Notícias

renováveis

Empreendedores investem em placas fotovoltaicas diante de bandeiras tarifárias e custos altos com energia elétrica Financiamentos da Desenvolve SP para compra e instalação de equipamentos chegam a R$7,5 milhões, com R$1,3 milhão só neste ano

No mês de setembro, a

da sua responsabilidade social e ambiental, mas o cenário

Elétrica (Aneel) manteve a

econômico adverso e os altos

cobrança da bandeira tarifária

custos para se manter um

vermelha, patamar 1, para

negócio acabam por antecipar

as contas de energia elétrica.

investimentos em projetos

Isso significa que a cada

sustentáveis e que gerem

100 quilowatts-hora (kWh)

benefícios no longo prazo.

consumidos, haverá acréscimo

Em 2018, tivemos um salto

de R$4 no valor cobrado. O

nos financiamentos de placas

alto custo desse insumo tem

fotovoltaicas. Passamos de

acelerado os investimentos

R$639 mil de desembolsos

de empreendedores em fontes

para R$4,5 milhões de um

alternativas de energia.

ano para o outro”, afirma o

presidente da Desenvolve SP,

todo o histórico anteriormente

ao mês (+Selic) e o prazo de

Nelson de Souza.

instalado no País. A modalidade

pagamento é de até 10 anos,

financeira do Governo de

saltou de 50 mil sistemas até o

incluso o período de carência.

São Paulo, para financiar a

de Energia Solar Fotovoltaica

final de 2018 para cerca de 100

“Queremos cada vez mais apoiar

compra e instalação de placas

(Absolar) confirma a tendência.

mil até julho de 2019.

projetos de micro, pequenas e

fotovoltaicas alcançam R$7,5

De acordo com a entidade,

médias empresas (MPM’s) que

milhões. Só neste ano, até

a geração distribuída solar

R$240 milhões para financiar

gerem mais economia, otimizem

julho, o montante chega a

fotovoltaica praticamente dobrou

a economia verde. A linha

processos e contribuam para um

R$1,3 milhão. “O empresário

de tamanho entre janeiro e julho

destinada a essa finalidade tem

futuro mais limpo e sustentável”,

está cada vez mais consciente

deste ano em comparação com

taxa de juros partir de 0,17%

declara Souza.

Os desembolsos da

Desenvolve SP, a instituição

A Associação Brasileira

Div ulg a

ção

Agência Nacional de Energia

A agência já desembolsou

Revisão das regras de geração distribuída entra em consulta pública realizada ainda audiência

Quadra 603, Módulo I, Térreo,

da geração distribuída nos

Energia Elétrica (Aneel)

pública (sessão presencial) na

Protocolo Geral, CEP: 70830-

últimos anos.

decidiu, no dia 15 de outubro,

sede da Agência em Brasília, no

100), em Brasília (DF).

em reunião pública da diretoria,

dia 7 de novembro de 2019.

da resolução 482/2012 pela

a abertura de consulta

2019 foi prevista em 2015,

Aneel, já foram implantadas

pública em continuidade à

participar da consulta pública

quando da publicação da

mais de 120 mil unidades

Audiência Pública nº 1/2019

devem encaminhar entre o

resolução 687/2015, que

consumidoras com micro ou

para receber contribuições

dia 17 de outubro de 2019

alterou a resolução 482/2012.

minigeração, e houve redução

à proposta de revisão

e 30 de novembro de 2019

A proposta em consulta pública

de 43% do valor dos painéis

da Resolução Normativa

contribuições ao e-mail

sugere aperfeiçoamentos

solares, que possuem vida útil

482/2012 referente às

cp025_2019@aneel.gov.br

ao modelo do sistema de

de 25 anos. A fonte solar é a

regras aplicáveis à micro e

ou por correspondência para

compensação de créditos,

mais utilizada na modalidade,

mini geração distribuída. Será

o endereço da Agência: SGAN,

considerando os avanços

alcançando 98% das conexões.

A Agência Nacional de

Os interessados em

A revisão da norma em

Desde a regulamentação


Energia solar fotovoltaica

66

Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho de Administração da Absolar

Rodrigo Sauaia é presidente executivo da Absolar

Fernando Augusto Campanharo Costa é presidente do Grupo G5 Solar

Mais respeito aos consumidores da geração distribuída como um canal gratuito de

alarmismo e pesada influência

agências regulatórias estaduais

internet ou por telefone um

denúncias das irregularidades

econômica e política, os

conveniadas a fiscalizar e tomar

serviço contratado? O processo

cometidas por distribuidoras

defensores dos monopólios

providências para solucionar

foi rápido e simples? Não é raro o

com relação às regras da

constroem cenários

estes graves problemas. O

consumidor ter uma experiência

geração distribuída no Brasil, o

pessimistas, negativos e

levantamento da Absolar

ruim quando tenta finalizar um

descumprimento de prazos atinge

desfavoráveis para a geração

considerou uma amostra de 416

contrato ou mudar de fornecedor.

quase 70% das reclamações das

distribuída, na tentativa de

reclamações, registradas entre

Dificultar ou atrasar a livre

empresas que instalam sistemas

atrasar seu desenvolvimento

janeiro e agosto de 2019, o que

escolha do consumidor é prática

de geração distribuída solar

e distanciar os consumidores

representa uma média de cerca de

ainda recorrente, apesar de

fotovoltaica em consumidores

brasileiros destas novas

duas denúncias por dia.

completamente reprovável, entre

brasileiros.

tecnologias. O objetivo principal

algumas operadoras de serviços,

está claro: preservar as suas

bolso a forte alta das tarifas de

gerando reclamações e muita dor

disciplinados pela Aneel envolve

receitas, faturamentos e

energia elétrica, muito superior à

de cabeça aos clientes.

desde o tempo para a vistoria

lucros, frente à ameaça da

inflação, e encontrou na geração

Você já tentou cancelar pela

A violação dos prazos

O consumidor sente no

Algo muito parecido está

dos sistemas, com 17,5%

nova tecnologia sustentável,

distribuída solar fotovoltaica

ocorrendo no setor elétrico com

das reclamações, passando

com amplo apoio popular. Esse

uma solução eficaz e sustentável

os consumidores que tentam

pela substituição do medidor,

movimento de resistência à

para economizar e aliviar o seu

conectar sistemas de geração

com 18,5% das queixas, bem

modernização não ocorre apenas

orçamento.

distribuída solar fotovoltaica

como a emissão do parecer de

no Brasil e abrange diversos

junto às distribuidoras de energia

acesso, que é a primeira etapa

países e regiões do mundo.

distribuída não pode ser lesado

elétrica.

do processo e registra o quadro

em seus direitos; por isso, as

mais grave, afetando 31,7% dos

distribuidoras prejudicam

irregularidades identificadas

Associação Brasileira de Energia

denunciantes.

diretamente os consumidores

não podem perdurar. Isso seria

Solar Fotovoltaica (Absolar)

brasileiros que, sozinhos,

um grande contrassenso, já que

mostra que as distribuidoras de

piorado com o crescimento

muitas vezes não conseguem

a modalidade contribui para a

energia elétrica têm descumprido

da geração distribuída solar

garantir que seus direitos sejam

geração de emprego e renda,

recorrentemente as regras da

fotovoltaica. Isso evidencia

respeitados. Para dar adequada

redução de perdas elétricas,

Agência Nacional de Energia

que há, por parte de algumas

visibilidade a este problema e

postergação de investimentos

Elétrica (Aneel), dificultando a

das distribuidoras de energia

buscando construir canais para a

em novas linhas de transmissão,

vida dos consumidores brasileiros

elétrica, uma resistência à

sua resolução, a Absolar reúne os

redução do despacho de

que querem instalar sistemas

evolução do setor elétrico e às

dados da Ouvidoria em relatórios

termelétricas caras e poluentes,

solares fotovoltaicos em suas

novas tecnologias e inovações

periódicos, com detalhamento

entre outros benefícios para

residências, comércios, indústrias

disponíveis no mercado. Para esta

das denúncias recebidas,

toda a sociedade. O consumidor,

e propriedades rurais.

visão do passado, quanto mais

submetendo o material à Aneel.

agente central e peça cada vez

autonomia e opções de escolha os

O objetivo desta medida

mais ativa do setor elétrico

pela Ouvidoria da Absolar, que

consumidores tiverem, pior!

é conscientizar a sociedade

brasileiro, merece o devido

funciona desde o início de 2019

e motivar a Aneel e suas

respeito.

Levantamento exclusivo da

Segundo dados apurados

O problema é crônico e tem

Usando de retórica,

Os abusos cometidos pelas

O usuário de geração


Energia Eólica

67

Elbia Gannoum é presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica)

Hora de falar de novos modelos de negócios esta pergunta que a ABEEólica

novos modelos de negócios,

momento de debater o

último artigo, há uma revolução

promoverá, no dia 30 de

a importância das startups e

desenvolvimento do Mercado

clara e evidente acontecendo no

outubro, em São Paulo, a 8ª

muito mais. Será um painel

livre, dos parques híbridos, das

mundo da energia: estamos nos

edição do Encontro de Negócios

para unir temas diversos que

baterias, parques offshore,

afastando das fontes poluentes

ABEEólica. O tema desta edição

precisam ser tratados em

entre outros avanços. Assim

e priorizando as renováveis de

será “O setor energético em

conjuntos e, provavelmente,

como no primeiro painel,

baixo ou baixíssimo impacto

transformação e os novos

terminaremos com mais

teremos um convidado de

ambiental. No caso de energia

modelos de negócios para a

perguntas do que respostas,

banco, para dar a visão do

eólica, especificamente, o

indústria eólica”.

o que é exatamente o objetivo

sistema financeiro sobre estes

Global Wind Energy Council

de um evento que se propõe

novos modelos de negócios e

(GWEC) acredita que, tanto

anualmente, reúne empresas

a discutir o futuro e suas

sua financiabilidade.

em projetos onshore quanto

da cadeia da indústria

inovações.

offshore, a energia eólica é a

eólica, bancos, investidores,

anterior e reitero, acredito

chave para definir um futuro

comercializadoras de energia,

discutiremos, com

que as resposta sobre quais

energético sustentável. E,

instituições ligadas ao

representantes de órgãos do

são as novas fronteiras da

no Brasil, o fato é que essa

setor e demais profissionais

governo, a modernização do

energia eólica venha de

indústria segue de vento

interessados no assunto.

setor elétrico, com a presença

novos modelos de negócios,

em popa. Estamos batendo

Neste ano, começaremos com

de profissionais da Empresa

como parques híbridos; do

recordes atrás de recordes,

uma palestra do presidente

de Pesquisa Energética (EPE),

desenvolvimento das baterias,

chegando a atender mais de

do Conselho de Administração

Operador Nacional do Sistema

que evoluem rapidamente; da

85% do Nordeste e seguimos

da ABEEólica, Renato Volponi,

Elétrico (ONS), Câmara de

eólica offshore e da ampliação

instalando mais e mais parques.

que trará alguns dados sobre

Comercialização de Energia

do mercado livre para eólica.

Há 10 anos, tínhamos pouco

inovação e proporá uma série

Elétrica (CCEE) e Ministério

Ter uma boa visão disso não

mais de 0,6GW instalados

de questionamentos para os

de Minas e Energia (MME).

significa, no entanto, que já

e estamos chegando neste

painéis discutirem ao longo do

Na sequência, vamos discutir

saibamos tudo o que há para

segundo semestre de 2019

dia.

os “Efeitos multiplicadores

saber. Muito pelo contrário. Há

com 15,1GW de capacidade

O primeiro painel da

da energia eólica no Brasil”,

uma série de questionamentos

instalada em mais 600 parques

manhã abrirá as discussões

o que inclui falar de todos os

a serem feitos para que estas

e com 7.500 aerogeradores em

com o tema “Modelos de

impactos e benefícios sociais,

novas fronteiras possam ser

operação.

Negócios em Tempos de

econômicos e ambientais dos

vividas pelo setor de forma

Transformação do Setor de

parques eólicos, especialmente

sustentável para os negócios,

temos que nos perguntar:

Energia no Brasil”. Neste painel,

para as comunidades em que

incorporando inovações

e quais são as próximas

discutiremos o potencial

estão instalados.

cada vez mais necessárias

fronteiras do crescimento da

disruptivo das baterias, o

para o desenvolvimento do

energia eólica no Brasil? Pois

papel da informação para as

discutiremos “Novas Fronteiras

setor energético, não apenas

é para começar a responder

empresas, financiamentos para

para o Setor Eólico Brasileiro”,

elétrico.

Conforme tratei em meu

Com todo esse crescimento,

O evento, realizado

Na parte da tarde,

No Painel de Encerramento,

Como disse em meu artigo


68

Pesquisa - Distribuidores e revendedores de matérias elétricos

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Distribuidores e revendedores de materiais elétricos estimam crescer 10% em 2019 O tímido crescimento do setor está relacionado a projetos de infraestrutura e à falta de confiança de investidores


69

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Realizada pela revista O Setor Elétrico, a pesquisa deste mês foi feita com 113 distribuidores e

revendedores de materiais elétricos, a qual apontou que a estimativa de crescimento desse mercado até o final de 2019 é de 10%, percentual menor que o do ano passado, quando a média foi de 13%. O levantamento indicou também que a contratação de funcionários em 2019 foi de 6% e que a previsão de crescimento do tamanho anual do total do mercado para este ano é de 3%. Previsões de crescimento

3%

Previsão de crescimento (em porcentagem) do tamanho anual total do mercado para o ano de 2019 Contratação de funcionários em 2019

6% 9%

Percentual de crescimento da sua empresa em 2018 comparado ao ano anterior

10%

Previsão de crescimento percentual para sua empresa em 2019

Para 15% dos entrevistados, o crescimento do mercado de materiais elétricos será

influenciado por projetos de infraestrutura. Para outros 15%, o principal fator será a falta de confiança de investidores. Para 14%, a desaceleração da economia brasileira deverá afetar a elevação dos negócios e para 13%, o desaquecimento do setor da construção civil deverá ser o ponto chave para a estagnação do segmento. Fatores que devem influenciar o mercado de materiais elétricos

6%

Outros 7%

15%

Falta de confiança de investidores

Programas de incentivo do governo 6%

Bom momento econômico do país 4%

14%

Falta de normalização e/ou legislação

Desaceleração da economia brasileira

6%

Incentivos por força de legislação ou normalização

10%

Setor da construção civil aquecido

4%

Crise internacional

13% 15%

Projetos de infraestrutura

Setor da construção civil desaquecido


Pesquisa - Distribuidores e revendedores de matérias elétricos

70

Quadros e painéis (88%) são os produtos mais comercializados

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Principais segmentos de atuação

pelas distribuidoras, seguidos por materiais elétricos de baixa tensão (81%), Iluminação – lâmpadas, luminárias, reatores (69%), material elétrico de média tensão – 1kV a 36kV (69%), automação industrial

Residencial

(61%) e automação comercial (55%).

39%

Comercial

74% Produtos mais comercializados

Industrial

88%

Outros

27%

Como principais clientes, foram apontados pelas distribuidoras

as empresas instaladoras (85%). Na sequência, vêm as indústrias

Ferramentas

47%

em geral (84%), construtoras (82%), empresas de engenharia (79%), empresas de manutenção (73%) e consumidor final (66%).

51%

Equipamentos de proteção individual e coletiva Principais clientes

Automação residencial

52%

Material elétrico de alta tensão (>36 kV)

54%

Automação comercial

Outros

14% Empresas públicas

55%

Automação industrial

61% 69% 69%

Material elétrico de média tensão (1 kV a 36 kV) Iluminação – lâmpadas, luminárias, reatores

81% 88%

Materiais elétricos de baixa tensão Quadros e painéis

52%

Concessionárias de energia elétrica

57%

Consumidor final

66% Empresas de manutenção

73% 79%

Empresas de engenharia

Construtoras

82% Indústrias em geral

84% 85%

O principal segmento de atuação dos revendedores é o industrial

(88%). O comercial detém 74% da fatia, e o residencial, 39%.

Instaladoras


71

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

O principal formato na captação de clientes é indicação / especialização de mercado (68%),

vendedores externos (65%), loja virtual (56%), balcão (51%) e rede de relacionamento (50%). O telemarketing é responsável pela menor fatia (30%). Formato de captação de clientes

Telemarketing

30%

Administração de contatos

42%

Rede de relacionamentos

50%

Balcão

51%

Loja virtual

56%

Vendedores externos

65% 68%

Indicação / especialização de mercado

Faturamento bruto em 2018

O levantamento realizado mostrou que 32% das empresas entrevistadas deverão ter

um faturamento bruto em 2018 de até R$3 milhões. Além disso, 17% delas apontaram um faturamento entre R$20 milhões e R$40 milhões e 15% indicaram faturar de R$80 milhões a R$100 milhões. Apenas 7% disseram obter faturamento acima de R$100 milhões. Faturamento bruto anual das empresas em 2016

7%

Acima de R$ 100 milhões

15%

De R$ 80 milhões a R$ 100 milhões

32%

Até R$ 3 milhões

2%

De R$ 60 milhões a R$ 80 milhões 3%

De R$ 40 milhões a R$ 60 milhões 7% 17%

De R$ 20 milhões a R$ 40 milhões

De R$ 3 milhões a R$ 5 milhões 10%

7%

De R$ 10 milhões a R$ 20 milhões

De R$ 5 milhões a R$ 10 milhões


Pesquisa - Distribuidores e revendedores de matérias elétricos

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Certificado ISO 14001

Certificado ISO 9001

Loja Virtual

Rede de Relacionamento

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Balcão

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Administração de contratos

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Vendedores externos

X

Telemarketing

UF RJ SP PA MG MG MG MG MG MG SC SP RS RS PR RS SC PR MG AC PR PR PR PR PR PR PR SP ES SC SC SC GO GO GO SP SP SP SP MG MG MG MG SC SC SC SP SC BA SP ES PR AM PR PR RS RJ SC

Possui loja(s) in-company

Cidade Angra dos Reis Bauru Belém Belo Horizonte BELO HORIZONTE Belo Horizonte Belo Horizonte Belo Horizonte Belo Horizonte Blumenau Campinas Canoas Canoas Cascavel Caxias do Sul Chapeco Cornelio Procópio CORONEL FABRICIANO Cruzeiro do Sul Curitiba CURITIBA Curitiba Curitiba Curitiba Curitiba Curitiba Diadema Espirito Santo Florianópolis Florianópolis Florianópolis Formosa Goiania Goiânia Guarulhos Guarulhos Guarulhos Guarulhos IPATINGA Ipatinga ITUIUTABA João Pinheiro Joinville Joinville Joinville Jundiaí Lajes Lauro de Freitas Limeira Linhares Londrina Manaus Maringá Maringá Natal Nova Iguaçu Palhoça

Principal formato na captação de clientes/atendimento

Possui filiais

Site www.onixcd.com.br WWW.LUMENLIGHT.COM.BR www.eletrotransol.com.br www.alphamarktec.com.br www.tel.com.br www.dimexbr.com www.exponencialmg.com.br www.legrand.com.br www.lojaeletrica.com.br www.eletricadw.com.br www.everestnet.com.br www.eletronor.com.br www.eletricadw.com.br www.eletricadz.com.br www.eletronor.com.br www.eletricadz.com.br www.eletrotrafo.com.br www.eletrofase.uol360.com.br www.onixcd.com.br www.eletronor.com.br WWW.ELOS.COM.BR www.andra.com.br www.eletricadw.com.br www.everestnet.com.br www.onixcd.com.br www.legrand.com.br WWW.EUROCABOS.COM.BR www.centelhario.com.br www.santarita.com.br www.santarita.com.br www.santarita.com.br www.onixcd.com.br www.legrand.com.br www.eletrotransol.com.br www.dlight.com.br www.acabine.com.br www.eletricadw.com.br www.fortlight.com.br www.eletrofase.uol360.com.br www.lojaeletrica.com.br www.eletrotil.com.br www.albernazelectric.com.br www.andra.com.br www.eletricadw.com.br www.santarita.com.br www.comesp.com.br WWW.COISARADA.NET www.centelhario.com.br www.dimensional.com.br www.onixcd.com.br www.eletrotrafo.com.br www.legrand.com.br www.eletropainel.com.br www.onixcd.com.br www.onixcd.com.br eletroforconecta.com.br www.onixcd.com.br

Residencial

Telefone (24) 3365-2793 (19) 3203-7074 (91) 3204-7711 (31) 3477-7004 (31) 3308-7000 (31) 3448-0300 (31) 3317-5150 (11) 5644-2439 (31) 3218-8000 (47) 3321-7500 (19) 3772-4500 (51) 3314-8000 (51) 3326-4000 (45) 3220-9498 (54) 3220-3800 (49) 3027-9500 (43) 3520-5000 (31) 3865-1300 (68) 3224-8971 (41) 3217-1900 (41) 3383-9290 (41) 3778-7000 (41) 3316-5000 (41) 3071-7100 (41) 3328-0139 (11) 5644-2439 (11) 4092-9292 (27) 2123-5700 (48) 3225-1600 (48) 3271-5000 (48) 3343-4000 (62) 3097-6991 (11) 5644-2439 (62) 3531-2200 (11) 2937-4650 (11) 2842-5252 (11) 3393-2500 (11) 99670-0804 (31) 3865-1300 (31) 3828-1800 (34) 3268-2033 (38) 3561-4522 (47) 3419-7000 (47) 3177-2000 (47) 3431-2800 (11) 3379-5500 (49) 3251-9000 (71) 31863666 (19) 3446-7400 (27) 3371-0727 (43) 3520-5000 (11) 5644-2439 (44) 3027-9868 (44) 3233-8557 (84) 3311-3000 (21) 2667-3185 (48) 3259-8468

Comercial

Onix Distribuidora LUMENLIGHT Eletro Transol Alpha Marktec Termotécnica Para-raios DIMEX Exponencial Legrand LOJA ELÉTRICA LTDA COMERCIAL ELETRICA DW EVEREST ELETRICIDADE Eletronor COMERCIAL ELETRICA DW Eletrica DZ Eletronor Eletrica DZ ELETROTRAFO Eletrofase Onix Distribuidora Eletronor ELOS Andra Materiais Elétricos COMERCIAL ELETRICA DW EVEREST ELETRICIDADE Onix Distribuidora Legrand EUROCABOS CENTELHA SANTA RITA SANTA RITA SANTA RITA Onix Distribuidora Legrand Eletro Transol D´LIGHT A CABINE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA COMERCIAL ELETRICA DW FORTLIGHT ILUMINAÇÃO INDUSTRIA LTDA Eletrofase LOJA ELÉTRICA LTDA Eletrotil Soluções Técnicas Albernaz Electric Andra Materiais Elétricos COMERCIAL ELETRICA DW SANTA RITA Comesp Comercial Elétrica Ltda COISARADA ELETRICIDADE LTDA CENTELHA Dimensional Onix Distribuidora ELETROTRAFO Legrand Eletropainel Onix Distribuidora Onix Distribuidora ELETROFOR CONECTA Onix Distribuidora

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Principal segmento de atuação

Industrial

EMPRESA

Revendedora (varejista)

A empresa é

Distribuidora (atacadista)

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Empresas públicas

Concessionárias de energia elétrica

Serviços de instalação ou manutenção de instalações elétricas, iluminação, sistemas de automação, etc

Projetos de instalações elétricas, iluminação, sistemas de automação, etc

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Principais clientes

Indústria em geral

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Equipamentos de proteção individual e coletiva

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Automação industrial

Material elétrico de Alta Tensão (> 36 kV)

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Automação comercial

Material elétrico de Média Tensão (1 a 36 kV)

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Automação residencial

Iluminação – Lâmpadas, Luminárias, Reatores

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Quadros & Painéis

Material elétrico de Baixa Tensão

Principais produtos que comercializa

Treinamento técnico para os clientes

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

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Vendedores externos

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Administração de contratos

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Telemarketing

UF SC PA MG RS RS RS RS SP PE PE PE PE SP RJ RJ BA BA BA BA SP SP SC SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP ES ES SP SP SP SC MG PR MG MG MG MG MG MG ES

Possui loja(s) in-company

Cidade Palhoça Parauapebas POÇOS DE CALDAS Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Ferreira Recife Recife Recife Recife Ribeirão Preto Rio de Janeiro Rio de Janeiro Salvador Salvador Salvador Salvador SANTOS Santos São José São José do Rio Preto São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo São Paulo Serra Serra Sorocaba SOROCABA Sorocaba Tijucas TIMOTEO Toledo Uberlândia Uberlândia Uberlândia Uberlândia Uberlândia Viçosa Vitória

Possui filiais

Site www.santarita.com.br www.dimexbr.com www.sulminasfiosecabos.com.br www.santaclaradistribuidora.com.br www.legrand.com.br www.onixcd.com.br www.santarita.com.br WWW.MUTTER.COM.BR www.centelhario.com.br www.dimexbr.com www.onixcd.com.br www.legrand.com.br www.eletrotransol.com.br www.grupomater.com.br www.legrand.com.br www.costabahianet.com.br www.everestnet.com.br www.onixcd.com.br www.legrand.com.br www.galassosantos.com.br www.andra.com.br www.santarita.com.br www.onixcd.com.br www.alphamarktec.com.br www.apscomponentes.com.br www.embramataltatensao.com.br www.grupomater.com.br www.portaleletrica.com.br www.safebysafe.com.br www.siro.com.br WWW.SUPERELETRICA.COM.BR WWW.SENSORESTENET.COM.BR WWW.UNIONSISTEMAS.COM.BR www.andra.com.br www.dimel.com.br www.comercialgoncalves.com.br www.comesp.com.br www.crossfoxeletrica.com.br www.legrand.com.br www.omicronservice.com.br www.dimexbr.com www.everestnet.com.br www.alphamarktec.com.br www.dimexbr.com www.proauto-electric.com WWW.UNIONSISTEMAS.COM.BR www.omicronenergy.com www.santarita.com.br www.eletrofase.uol360.com.br www.eletricadz.com.br www.eletricacidade.com.br WWW.UNIONSISTEMAS.COM.BR www.eletricadw.com.br www.eletricacidade.com.br www.lojaeletrica.com.br WWW.VETORIAL.ENG.BR www.eletromil.com.br

Residencial

Telefone (48) 3342-8100 (94) 3356-1278 (35) 3042-1940 (51) 3062-1004 (11) 5644-2439 (51) 3395-5235 (51) 3337-6400 (19) 3589-1220 (81) 30873450 (81) 2123-2300 (81) 3037-0727 (11) 5644-2439 (16) 2102-5444 (21) 3534-8600 (11) 5644-2439 (71) 3312-0222 (71) 3311-4500 (71) 3347-1545 (11) 5644-2439 (13) 3326-2568 (13) 3040-7000 (48) 3241-9100 (17) 3224-3471 (11) 2782-3200 (11) 5645-0800 (11) 2098-0371 (11) 3619-1600 (11) 2067-4700 (11) 2609.0600 (11) 3879-6100 (11) 3931-0522 (11) 2098-4500 (11) 3512-8900 (11) 3855-7000 (11) 2884-3883 (11) 3229-4044 (11) 2137-7500 (11) 2902-1070 (11) 5644-2439 (11) 5061-8566 (11) 5018-1030 (11) 2902-4700 (27) 2782-3200 (27) 3421-1000 (15) 30317400 (11) 3512-8900 (15) 99740-1333 (48) 3263-0352 (31) 3865-1300 (45) 3125-9400 (34) 3256-4944 (11) 3512-8900 (34) 4009-3800 (34) 3256-4944 (34) 3293-8800 (31) 3892-7882 (27) 3357-1000

Comercial

SANTA RITA DIMEX Sulminas Santa Clara Dis. de Materiais Elétricos Legrand Onix Distribuidora SANTA RITA MUTTER CENTELHA DIMEX Onix Distribuidora Legrand Eletro Transol Grupo Mater Legrand COSTABAHIA EVEREST ELETRICIDADE Onix Distribuidora Legrand GALASSO MATERIAIS ELÉTRICOS E TINTAS Andra Materiais Elétricos SANTA RITA Onix Distribuidora Alpha Marktec APS Componentes Elétricos Embramat Grupo Mater Portal SAFE BY SAFE EQUIPAMENTOS SIRO SUPERELETRICA TENET DO BRASIL UNION Andra Materiais Elétricos Comercial Dimel Ltda COMERCIAL GONCALVES EQUIP. MEDICAO LTDA Comesp Comercial Elétrica Ltda Crossfoxeletrica Legrand Omicron Service DIMEX EVEREST ELETRICIDADE Alpha Marktec DIMEX Proauto Electric UNION OMICRON SANTA RITA Eletrofase Eletrica DZ ELÉTRICA CIDADE LTDA UNION COMERCIAL ELETRICA DW Elétrica Cidade Ltda LOJA ELÉTRICA LTDA VETORIAL ENGENHARIA E PROJETOS Eletromil

Principal formato na captação de clientes/atendimento

Industrial

EMPRESA

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Principal segmento de atuação

Revendedora (varejista)

A empresa é

Distribuidora (atacadista)

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Empresas de manutenção

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Empresas de engenharia

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Instaladoras

Outros

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Construtoras

Equipamentos de proteção individual e coletiva

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Indústria em geral

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Principais clientes Concessionárias de energia elétrica

Automação industrial

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Serviços de instalação ou manutenção de instalações elétricas, iluminação, sistemas de automação, etc

Automação comercial

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Treinamento técnico para os clientes

Automação residencial

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Importações diretas de produtos

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Corpo técnico especializado para suporte ao cliente

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Material elétrico de Alta Tensão (> 36 kV)

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Material elétrico de Média Tensão (1 a 36 kV)

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Iluminação – Lâmpadas, Luminárias, Reatores

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Quadros & Painéis

Material elétrico de Baixa Tensão

Principais produtos que comercializa

Projetos de instalações elétricas, iluminação, sistemas de automação, etc

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

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Destaque Prêmio OSE

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Por Odair Deters, Cristian Sippel, Dione Soares e Marta Baltar Alves*

76

Eficientização do Sistema de Iluminação no Shopping Iguatemi Caxias do Sul (RS) com contrato de desempenho

Resumo

1 - Introdução

instalados, não afetando o desempenho das tarefas realizadas no shopping. considerados

O objetivo com a implementação do

comercial deve propor níveis de iluminação

clientes comerciais junto às distribuidoras,

projeto foi buscar a redução no consumo e

adequados ao conforto visual, sem prejudicar

mantêm

eles,

na demanda de energia elétrica, mantendo ou

a

o

diferenciando-os de qualquer outro edifício.

aumentando o nível de serviço proporcionado

consumidor; criar uma atmosfera agradável;

A escala monumental com a presença de

pelas instalações. O desenvolvimento deste

integrar-se

identidade

um grande átrio central, a presença de

trabalho ocorreu no ano de 2016 e seguiu a

do ambiente. Neste sentido, o projeto

signos tipicamente urbanos (como bancos,

metodologia exigida pela Agência Nacional

desenvolvido pela Rio Grande Energia (RGE)

fontes, jardins, entre outros) e dos detalhes

de Energia Elétrica (Aneel) [6]. Realizou-se,

contemplou o sistema de iluminação do

observados no design arquitetônico quanto

portanto, a substituição de lâmpadas e

Shopping Iguatemi Caxias, do Sul (RS) da

no acabamento de suas superfícies são

luminárias por modelos mais eficientes,

rede BRMALLS, principal centro de compras

algumas das analogias identificadas [1], [3].

utilizando-se tecnologia LED, mantendo-se

e entretenimento da região, oferecendo

Neste sentido, os projetos em shopping

ou melhorando a qualidade de iluminação e

aos seus consumidores um espaço com

centers evoluíram rapidamente, incorporando

reduzindo os gastos do estabelecimento com

um conceito moderno e inovador, com a

novos elementos e soluções [2]. Assim a

energia elétrica.

substituição das luminárias, lâmpadas e

RGE – Rio Grande Energia do Grupo CPFL,

Para

reatores

buscou desenvolver seu primeiro projeto

luminotécnico atual, aplicou-se medições

em cliente comercial dentro do Programa

em

a

de Eficiência Energética (PEE), através da

níveis de iluminância nas dependências do

disseminação do conceito de eficiência

modalidade de contrato de desempenho,

shopping. As medições foram realizadas

energética e adequação na distribuição

contratando uma empresa ESCO para a

em período noturno e coletadas ponto a

da iluminância nos ambientes. Entre os

execução no Shopping Iguatemi Caxias do

ponto. A ação de Medição e Verificação

resultados, observa-se uma economia de

Sul (RS) da rede BRMALLS.

seguiu as diretrizes apresentadas no módulo

energia de 462,42MWh/ano e redução de

oito dos Procedimentos do Programa de

demanda na ponta de 118,16kW, sendo ainda

eficientes

mercado,

Eficiência Energética – PROPEE, sendo

os equipamentos antigos encaminhados para

realizaram-se os estudos com vistas à redução

aplicada a opção A – medição isolada da

descarte ambientalmente correto.

dos custos com energia elétrica depois de

ação de eficiência energética: medição dos

Uma boa iluminação em um ambiente

visão;

evitar à

ofuscamento;

arquitetura

eletrônicos

de

baixo

rendimento

de

tecnologia

LED,

e

e

atrair

eletromagnéticos por

equipamento

proporcionando

Os

shopping padrões

centers, similares

entre

Utilizando-se materiais energeticamente disponíveis

no

verificação

pontos

marcados,

do

desempenho

obtendo-se

os


77

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

parâmetros chave, constante no Protocolo

de atender à legislação do setor elétrico [6].

Internacional de Medição e Verificação

Para

Performance [4] e normas aplicáveis [5].

consumo de energia elétrica nos principais

Justifica-se tal escolha, pois o parâmetro de

usos finais e propor ações de eficiência

tempo de utilização do sistema de iluminação

energética envolvendo a substituição de

pode ser estipulado, dado que a utilização das

tecnologias de maior eficiência, tendo-se

lâmpadas apresenta-se constante durante o

como o objetivo na implementação do projeto

ano; sendo assim, o impacto total dos erros

a redução no consumo e na demanda de

de estimativa não tornam-se significativos

energia elétrica, mantendo ou aumentando

para determinação das economias resultantes

o nível de serviço proporcionado pelas

com a implementação do projeto.

instalações, sendo ainda viável dentro dos

tanto,

buscou-se

mensurar

o

requisitos legais [6].

2 - Motivação

Constatou-se que a maior parte do sistema de iluminação instalado no shopping

Sendo o principal centro de compras

mostrava-se ineficiente, sendo caracterizada,

e entretenimento da região, o Shopping

principalmente,

Iguatemi Caxias do Sul (RS) oferece aos seus

fluorescente compactas, como mostra a

pelo

uso

de

lâmpadas

consumidores um espaço com um conceito

figura 1, e fluorescentes tubulares de 16, 32,

moderno e inovador. Possui grande área

40 e 110W, conforme figura 2. Além dessas,

construída com uma arquitetura arrojada e

foram levantadas lâmpadas dicroicas e vapor

inspirada em empreendimentos de diversos

metálico de 70, 150 e 400W.

países, e conta com amplos espaços de convívio, lojas com design diferenciado e

3 - Destaques

com muitas vitrines, além de uma estrutura metálica coberta por vidro que privilegia a luz

natural. Está localizado no principal acesso a

neste projeto a substituição de 4.001 (quatro

Caxias do Sul, que permite sua ligação com

mil e uma) lâmpadas existentes por lâmpadas

as demais cidades da serra e o posiciona

de alto rendimento de tecnologia LED. O

como principal ponto de referência comercial,

levantamento das características físicas do

abrangendo o público de 24 municípios do

sistema de iluminação existente e do ciclo de

entorno.

operação dos ambientes compreendeu-se na

As ações previam no sistema de iluminação

A motivação principal deu-se no desafio

coleta de informações, tais como estrutura

do atendimento a um cliente comercial,

do ambiente (comprimento, largura e pé

primeiro no Grupo CPFL, e que dispõe

direito; cores das pinturas das paredes,

padrões arquitetônicos diferenciados, além

tetos e pisos), informações de luminárias,

Figura 1: Sistema existente – Ambiente: Corredor de acesso 2 (gesso rebaixado) com luminária ineficiente fluorescente compacta de 18W. Fonte: Elaborado pelos autores

Figura 2: Sistema existente – Ambiente: Praça de eventos (sancas) com luminárias ineficientes fluorescente tubular de 32,40 e 110W. Fonte: Elaborado pelos autores


78

Destaque Prêmio OSE

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

lâmpadas e reatores existentes, além do ciclo de operação dos ambientes [7] e registros fotográficos, de forma de que todas as informações dos usos finais existentes fossem catalogadas. Com a etapa de levantamento

concluída,

identificou-se

a

quantidade de 3.672 lâmpadas que seriam eficientizadas e possibilitando a realização da análise de viabilidade econômica de todas as ações de eficientização propostas através do índice financeiro e da relação custo benefício (RCB). As ações realizadas no sistema de iluminação neste projeto foram a substituição das lâmpadas existentes por lâmpadas de alto rendimento, todas em tecnologia LED, impactando na economia de energia, maior

Figura 3: Sistema existente – Ambiente: Portaria 1 com sistema de iluminação ineficiente com medições de 43 lux, 71 lux 62 lux. Fonte: Elaborado pelos autores

Figura 4: Sistema realizado – Ambiente: Portaria 1 com sistema de iluminação eficientizado com tecnologia led com medições de 334 lux, 347 lux 314 lux. Fonte: Elaborado pelos autores

através da comparação das medições e dados

• Redução de consumo e da demanda de

final, os resultados obtidos foram bastantes

da instalação do período ex-post com aquelas

energia elétrica;

expressivos, como a energia economizada

estabelecidas no período ex-ante, conforme

• Redução dos custos com energia elétrica;

de 462,42MWh/ano, a demanda evitada

previsto no Plano de Medição e Verificação

• Melhoria das instalações, condições de

no horário de ponta no valor de 118,16kW

(PM&V)

trabalho e segurança;

e a relação custo-benefício (RCB) de 0,83,

elaborado. Para este projeto, realizaram-se,

• Aumento e uniformização no índice de

conforme demonstrativo na tabela I.

além das medições, o levantamento dos

iluminância;

A meta de redução esperada para

dados de utilização dos ambientes referente

• Aplicação de novas tecnologias para

o sistema de iluminação era de 58,30%

ao horário de ocupação. As medições foram

redução do consumo de energia elétrica;

da energia consumida, de acordo com o

feitas no período noturno, sem interferência

• Compreensão dos funcionários sobre a

consumo anual estimado nas medições

de iluminação natural, conforme Figuras 3 e 4.

utilização eficiente da energia elétrica;

do ano base. Após a implementação do

Os equipamentos utilizados para a medição

• Reciclagem dos materiais e equipamentos

projeto e a realização da medição do período

foram devidamente calibrados e a reciclagem

substituídos,

de determinação, a redução obtida foi de

das lâmpadas e reatores retirados (3.672

ambientais.

vida útil e menor custo de manutenção.

No processo de verificação, avaliaram-se

os reais ganhos de economia de energia e redução de demanda na ponta, obtidos

e

no

diagnóstico

energético

minimizando

impactos

59,07% da energia consumida.

lâmpadas e 2.217 reatores) encaminhados para descarte ambientalmente correto.

4 - Resultados

Através das análises realizadas é possível

Com o custo de demanda evitada

apresentar na Tabela II o valor do RCB

(CED): R$180,35kW/ano e custo de energia

previsto e realizado, além dos investimentos,

economizada (CEE): R$289,64 MWh/ano, no

economias e benefícios com o projeto.

No total, foram investidos no projeto R$922.326,87,

que

proporcionou

uma

expressiva diminuição na redução no consumo de

energia,

minimizando

o

desperdício

existente, bem como os seguintes benefícios expressos:

Tabela I: Resultados realizados no sistema de iluminação no Shopping Iguatemi Caxias do Sul (RS).

Iluminação – Resultados Realizados Redução de Demanda na Ponta - RDP

118,16 kW

61,78%

Energia economizada - EE

462,42 MWh/ano

59,07


79

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Tabela II: Investimentos

e

Resultados previstos e realizados Shopping Iguatemi.

do sistema de Iluminação no

2, p. 56-67, 2005.

Previsto

Realizado

Investimento

R$981,293,75

R$922.326,87

Energia Economizada - EE

504,09MWh/ano

462,42MWh/ano

Redução de Demanda na Ponta - RDP

126,62kW

118,16kW

RCB

0,81

0,83

Número de pontos eficientizados

4.001

3.672

Destaca-se

que

os

fatores

atingiram as metas de EE e RDP, assim

e RCB realizados foram os valores de

como o resultado das simulações que,

potência medidos conforme o Plano de

ao serem confrontados com os valores

Medição e Verificação (PM&V). Já os

medidos in loco, demostraram que as

valores de EE, RDP e RCB previstos foram

simulações são extremamente confiáveis,

calculados através, inicialmente, em um

pois a meta de iluminância foi atingida.

pré-diagnóstico

Salienta-se

No que se refere à qualidade do

também que do período de pré-diagnóstico

sistema de iluminação, a implementação de

energético, levantamento e elaboração do

tecnologia LED trouxe vários benefícios ao

diagnóstico energético até a implementação,

Shopping Iguatemi de Caxias do Sul (RS),

alguns ambientes foram alterados, e alguns

sendo estes, melhoria das instalações,

sistemas propostos sofreram alteração a

condições

pedido dos responsáveis pelo shopping,

aumento e uniformização no índice de

o que implicou na redução do número de

iluminância, utilização de novas tecnologias,

pontos e dos benefícios alcançados com a

conscientização dos funcionários sobre a

implementação do projeto.

utilização eficiente da energia elétrica, além

e

segurança,

da redução de consumo e da demanda de

5 - Conclusões

energia elétrica. O novo sistema de iluminação do

Os

shopping

centers,

hoje,

tão

shopping,

além

de

ter

in

Marketing

Challenge:

influenciaram nos valores de EE, RDP

trabalho

[2] BAKER, J. The Role of Environment Services:

the

Consumer

c.; SHANAHAN, J. (Eds.). The Services

Plano de Medição e Verificação (PM&V)

de

Livros:

Perspective. In: CZEPIEL, J.; CONGRAM,

que

energético.

Center Industry. Research Review, vol. 12, nº

proporcionado

Integrating

for

Competitive

Advantage. Chicago: American Marketing Association, 1986. Dissertações e Teses: [3] KUSAKAWA, M.S. Análise de conforto acústico em um shopping Center: um estudo de caso. Dissertação (Mestrado). Pósgraduação em Engenharia Civil. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002. Normas: [4] IPMVP (Protocolo Internacional para Medição e Verificação de Performance). 2012, Volume I, EVO 10000-1:2012 [5] NBR 5426 – Planos de Amostragem e Procedimentos de Inspeção por Atributos, ABNT, Jan. 1985. [6] PROPEE – Procedimentos do Programa de

Eficiência

Energética.

Resolução

Normativa 556, de 02/07/2013. ANEEL, 2013. [7] Modelo Padrão para Projetos Led – Diretrizes para elaboração de estudo e

comuns, são centros de convivência

um

urbanos

consigo

elétrica, chamou a atenção de visitantes,

diversos signos da cidade. A evolução

consumidores e, principalmente, lojistas,

de

apresenta

que logo após a finalização do projeto

disparidades, onde pode-se e deve-se

demonstraram interesse em eficientizar e

aplicar a eficiência energética, e uma

Programa de Eficiência Energética regulado pela

padronizar o sistema de iluminação interno

delas é a relação da iluminação com seus

Aneel (PEE) e consta dos Anais do V Seminário de

das lojas. Esta conscientização é importante

espaços internos comuns, foco do projeto

Eficiência Energética no Setor Elétrico (V SEENEL).

para que os usuários saibam a importância

desenvolvido.

deste insumo para o setor comercial

sua

fechados

e

concepção

O

trazem ainda

projeto

foi

avaliado

consumo

consciente

de

energia

aprovação de investimento – BRMALLS, 2016. Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do

*Odair Deters é economista, CMVP, gerente de projetos da RGE, empresa do Grupo CPFL

através de medições antes e após a

e

implementação

visando colaborar com a preservação dos

*Cristian Sippel é engenheiro eletricista, CMVP,

consumos.

gerente de projetos da RGE, empresa do Grupo

do

projeto,

conforme

opção “A” do Protocolo Internacional de

de

se

economizar

energia

elétrica

(odeters@rge-rs.com.br)

CPFL (csippel@rge-rs.com.br)

Medição e Verificação de Performance [4], onde pode-se notar que os valores do

6 - Referências Bibliográficas

pré-diagnóstico energético confrontados

Periódicos:

com as medições realizadas no relatório

[1] CARVALHO, M. The Brazilian Shopping

*Dione Soares é engenheira, Instalwatt Instalações Elétricas (dione@instalwatt.com.br) *Marta Baltar Alves é arquiteta, Instalwatt Instalações Elétricas (marta@instalwatt.com.br)


80

Tec

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

| shutterstock.com

Por Galeno Lemos Gomes*

Análise da qualidade dos materiais utilizados em sistemas de aterramento de linhas de transmissão, com úteis aplicações dos condutores bimetálicos


Tec 81

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

1-Introdução No Setor Elétrico Brasileiro, a indisponibilidade de linhas de

b4) Distância entre os condutores, bem como o acoplamento entre os mesmos e o(s) cabo(s) guarda;

transmissão de 230kV por falhas transitórias, principalmente causadas

b5) Geometria e o tipo dos materiais utilizados na execução do sistema

por descargas atmosféricas (cerca de 70% considerando religamentos

de aterramento.

e cerca de 30% com desligamentos permanentes), é extremamente indesejável. Além de gerar altos prejuízos aos consumidores, também

Sendo o item “b5” o foco das considerações da primeira parte

possibilita a incidência de multas e cobranças para as empresas do

deste trabalho, iniciaremos as análises e considerações pertinentes com

setor de transmissão de energia elétrica, quando ultrapassado o limite

duas questões:

máximo de desligamentos por 100 quilômetros por ano de cada uma destas linhas. Com base nestas considerações, torna-se importante termos ferramentas e metodologias adequadas para estimar o

2-Discussão 1) Qual norma brasileira está sendo utilizada atualmente, visando

desempenho destas linhas de transmissão, e também para mitigar este

caracterizar as configurações dos sistemas de aterramento de linhas de

problema.

transmissão, e quais são os materiais mais indicados?

Relacionando os aspectos que devem ser normalmente considerados no estudo do desempenho das linhas de transmissão

2) Quais materiais estão sendo empregados atualmente na prática? A resposta à primeira pergunta: A norma é a ABNT NBR

frente à incidência de descargas atmosféricas, as maiores causadoras

5422:1985 – Projeto de Linhas Aéreas de Transmissão de Energia

dos indesejados desligamentos não programados são geralmente

Elétrica – procedimento (atualmente em revisão) [1].

influenciadas por:

A resposta à segunda pergunta pode ser iniciada com a transcrição do seguinte trecho do subitem 9.5 da norma citada: “(...) os materiais

a) Aspectos ambientais:

empregados nos aterramentos devem ser resistentes a corrosão. Sua

a.1) Densidade das descargas atmosféricas por quilômetro quadrado ao

durabilidade no solo deve ser, sempre que possível, compatível com a

ano (Ng);

vida útil da linha.”

a2) Topologia da região;

Esta afirmação nos remete de imediato ao que está sendo

a3) Características do solo;

normalmente executado na prática, no aterramento de linhas de

a4) Parâmetros característicos das correntes associadas às descargas

transmissão de 230kV (contrapeso), e que deve ser melhorado o mais

atmosféricas.

rapidamente possível, para evitar não só trabalhos de manutenção,

b) Aspectos característicos de projeto e construtivos das linhas de

como também problemas de desligamentos indevidos pelos efeitos da

transmissão:

corrosão destes elementos com consequente aumento da impedância

b1) Altura e tipo da torre;

do sistema de aterramento. A figura 1 é uma amostra deste tipo de

b2) Características de isolação da linha;

instalação, onde o condutor de aço galvanizado é conectado através de

b3) Grau de proteção dos cabos guarda (cabos para-raios);

parafuso a uma haste cantoneira de aço com revestimento de zinco.


Tec

82

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

cantoneira revestida de zinco e uma haste de aterramento com seção circular revestida de cobre deve ser tomada com base no comportamento físico-químico dos metais, sempre buscando uma vida útil compatível com a vida útil do sistema no qual este eletrodo ou haste de aterramento será utilizado.

3) Comportamento físico-químico dos metais 3.1) Corrosão: Quimicamente, podemos dizer que um sistema de aterramento composto pelas hastes e /ou condutores de aterramento constituídos por metais, silicatos e óxidos (os solos), água, carbono (produtos de Figura 1 – Sistema de aterramento típico de uma linha de transmissão de 230kV haste com revestimento de zinco e com seção transversal em cantoneira

De imediato, torna-se necessária uma análise comparativa entre os tipos de hastes usadas normalmente e as que são recomendadas para os sistemas de aterramento das linhas de transmissão de 230kV. Comparando em termos de vida útil as hastes do tipo cantoneira com revestimento de zinco e as de seção circular com revestimento de cobre, como mostradas na figura 2, poderemos facilmente chegar à conclusão de qual tipo melhor atende o item 9.5 da ABNT NBR 5422:1985.

decomposição vegetal, sais minerais) e outros componentes formam o eletrólito. Este conjunto de metais e eletrólitos origina os processos de decomposição eletroquímica dos metais, que é a entrada em solução dos íons positivos com consequente circulação de corrente elétrica (corrente galvânica). Neste caso, podemos afirmar que estamos em presença da corrosão eletroquímica do metal. A corrosão é definida como o processo de destruição ou degradação do metal provocado por uma reação com o meio que o envolve, no caso, o solo considerado como eletrólito. Portanto, é seguro afirmar que a corrosão subterrânea afeta sobre maneira a vida útil dos sistemas de aterramento, agindo sobre as hastes, os condutores de aterramento e conexões, fazendo com que a resistência de contato aumente, levando a um consequente aumento da resistência de aterramento dos mesmos, afetando ou eliminando a continuidade elétrica e/ou a capacidade de condução de corrente projetada inicialmente para que um determinado sistema de aterramento atenda. A menor ou maior “resistência” à corrosão tem relação direta com

Figura 2- Hastes de aterramento de seção cilíndrica com revestimento de cobre e espessura mínima de 254 microns.

o potencial eletroquímico próprio do metal quando este é submerso em um eletrólito. Este potencial próprio do metal, no caso das medidas

No caso das hastes com seção transversal em cantoneira, são hastes

eletroquímicas, tem como base o padrão do hidrogênio (potencial

que possuem uma camada de zinco mínima especificada por norma

natural = zero). Quanto mais eletronegativo for o metal, com maior

que é de 95 microns com 636g/m² de massa. O formato cantoneira

facilidade o mesmo irá se corroer. Por exemplo: o magnésio, cujo

com arestas em número limitado, além de não facilitar a dissipação

potencial natural é de (-2,34 V) dissolve-se de maneira espontânea na

da corrente para o solo, tende a formar zonas anódicas e catódicas na

água, enquanto o ouro (+1,68V) não irá se corroer, mesmo que imerso

própria cantoneira, facilitando sua “autocorrosão”.

no solo.

Nas hastes com seção circular e revestimento de cobre, o cobre

É importante observar, com base nestes conceitos, que o potencial

é depositado eletroliticamente sobre o aço 1010/1020, o qual é

natural do cobre (+ 0,34V) presente nas hastes de seção cilíndrica

previamente revestido com uma camada de níquel para aumentar a

fabricada por deposição eletrolítica do cobre sobre o núcleo de aço,

aderência e para eliminar possíveis tensões eletroquímicas. A camada

é bastante superior ao do zinco (- 0,76V) das hastes cantoneira com

mínima de cobre é de 254 microns, as mesmas são de forma cilíndrica,

revestimento de zinco. A diferença entre o potencial destes dois metais,

isto é, com infinitas arestas que facilitam a dissipação das correntes para

em módulo é de 1,10V, assim sendo, podemos concluir que o zinco

o solo.

tenderá a ceder elétrons (anodo) para o meio que o circunda, e o cobre

O revestimento em zinco ou cobre tem como objetivo principal

tenderá a receber (catodo).

retardar a corrosão, com o objetivo de aumentar a vida útil da haste de aterramento. Portanto, quanto mais espesso for o revestimento, maior será a vida útil das mesmas. A decisão técnica entre a utilização de uma haste de aterramento

3.2) Vida útil A vida útil está ligada à “resistência” do metal a corrosão. Esta afirmação está apoiada em diversos estudos feitos pelo “National


Tec 83

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Technical Information Service U.S Department of Comerce”, sobre

Com base nas considerações anteriores, é recomendável a utilização

a influência da ação química de diversos tipos de solo nos processos

nos sistemas de aterramento de linhas de transmissão, de uma maneira

de corrosão do zinco, ferro, cobre e chumbo, alo longo de 17 anos,

geral, hastes de seção circular (infinitas arestas) com um revestimento de

tendo sido usadas cerca de 35.500 amostras e 95 tipos de solo com

no mínimo 0,254mm de cobre depositados por eletrodeposição sobre o

características distintas. Os resultados desta pesquisa foram publicados

núcleo de aço, e que atendam a norma ABNT NBR 13571:1996 [3].

através da circular “National Bureau of Standards 579” por Nelrin Romanoff, com o título de “Underground Corrosion” [2].

4) Condutores de aterramento

Com base em todos esses trabalhos, pode-se concluir que a intensidade da corrosão depende dos metais empregados e da

Podemos estender a análise em relação a qualidade dos materiais,

composição do solo em que os mesmos estão instalados. A vida útil para

aos condutores de aterramento típicos utilizados nas linhas de

hastes de aterramento com revestimento de zinco é de aproximadamente

transmissão como contrapesos, que se estendem por quilômetros de

onze (11) anos em solo alcalinos e argilosos. De oito (8) anos para solos

distância, percorrendo solos com diversos valores de resistividade

turfosos com alto índice de sulfato e de até quatro (4) anos para solos

própria (figura 3). Para decidirmos sobre os materiais que são mais

ácidos e muito alcalinos.

recomendados, os tópicos relativos à vida útil devem ser levados

O benefício de uso para hastes de aterramento com revestimento de cobre é muito superior ao revestidas com zinco.

em consideração, analisando novamente aspectos em relação à heterogeneidade do eletrólito (solo) em que estão imersos.

Assim, uma haste cilíndrica com revestimento de cobre de 254 microns poderá alcançar uma vida útil estimada em aproximadamente sessenta (60) anos, enquanto uma com revestimento de zinco, com seis imersões, poderá alcançar dez (10) anos. Concluindo, podemos dizer que é esperado uma vida média de trinta e cinco (35) anos para o revestimento de cobre e de oito (8) anos para o revestimento de zinco.

Figura 3- Cabos contrapesos (aterramento de linhas de transmissão) uma das configurações típicas.


84

Tec

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Retomando as conclusões já aferidas anteriormente, quando na análise do tipo de hastes de aterramento mais adequadas, os condutores de cobre ou bimetálicos com núcleo de aço e revestimento de cobre (figura 4), são novamente recomendados para uso nos contrapesos das linhas de transmissão, como cabo(s) guarda (cabos para-raios das linhas de transmissão) e também em malhas de subestações. Os condutores bimetálicos são indicados pois além de ter um valor comercial muito baixo, é impossível a separação do cobre do aço, desestimulando o furto tão comum quando são utilizados condutores de cobre. Outra vantagem é sua durabilidade que chega a ser seis (6) vezes maior do que a aço zincado normalmente utilizado nos contrapesos e cabos guarda em linhas de transmissão. Ou seja, os condutores bimetálicos tem uma durabilidade de 40 a 50 anos, enquanto um condutor de aço zincado tem duração de oito a 10 anos, dependendo do pH do meio.

Figura 4 – Condutores bimetálicos.

Figura 5 – Dados técnicos dos condutores bimetálicos [4].

5) Conclusões

Com base nas análises técnicas e considerações feitas anteriormente, podemos concluir:

5.1) Que as hastes a serem utilizadas nos sistemas de aterramento de linhas de transmissão em geral, deverão ser hastes de aterramento com seção circular, com no mínimo 254 microns de revestimento de cobre depositado eletroliticamente sobre o núcleo de aço 1010/1020, atendendo


Tec 85

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

a norma ABNT NBR 13571:1996 “Haste de aterramento aço-cobreada

Transmissão de Energia Elétrica – procedimento” [Atualmente em

e acessórios” o que irá satisfazer o item 9.5 da norma ABNT NBR

revisão].

5422:1985, [atualmente em revisão];

[2] - Estudo Técnico ST 8.005 “Análise comparativa da eficiência de

5.2) Que os condutores dos sistemas de aterramento de linhas de

revestimento cobre x zinco em haste de aterramento” – Eletropaulo,

transmissão poderão ser de cobre ou bimetálicos (aço-cobreado),

Engsº Antônio L. Junior, Dalva R. Rinco, Cyro V. Bocuzzi.

os primeiros com as desvantagens de serem alvos fáceis para furto

[3] -ABNT NBR 13571” Haste de aterramento aço-cobreada e

(pois possuem alto valor comercial nos desmanches), sendo então os

acessórios”.

bimetálicos mais vantajosos. Além de serem praticamente semelhantes

[4] - ALMEIDA, Geraldo. Cabos aéreos Para Linhas de Transmissão

aos de cobre puro, em termos de dimensionamento das bitolas, como

de Energia Elétrica – O Aterramento em Linhas de Transmissão.

veremos em artigos posteriores desta série, mas principalmente por

[5] - Apostila Curso de Sistemas de Aterramento Projeto, construção,

não terem nenhum valor comercial de revenda, o que evita o furto;

medições e manutenção, Engº Galeno L. Gomes.

5.3) Que as conexões enterradas não podem, sob hipótese alguma, serem do tipo aparafusadas, devendo ser executadas através de solda exotérmica ou através de conectores para aterramento de liga de cobre

*Galeno Lemos Gomes é engenheiro eletricista e de Segurança do

à compressão de doze (12) toneladas;

Trabalho, MsD em Educação Técnica pela Universidade de Oklahoma

5.4) Que as geometrias dos sistemas de aterramento, principalmente

USA, sócio gerente técnico da empresa Galeno Gomes Engenharia

aquelas configurações destinadas à dissipação de corrente impulsivas

Consultoria e Treinamento Ltda. Professor dos cursos: Sistemas de

sejam melhor estudadas, incluídas na norma, e aplicadas como

Aterramento Projeto, construção, medições e manutenção (ABNT),

aterramento das torres das linhas de transmissão em geral.

Aterramento e Sistemas de proteção Contra Descargas Atmosféricas e de equipamentos Eletromecânicos Sensíveis (ETI) segundo a ABNT

6) Referências

NBR 5419:2015 (Instituto de Engenharia de São Paulo), ex-professor Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e Escola Técnica Federal de

[1] - ABNT NBR 5422:1985 “Projeto de Linhas Aéreas de

A plataforma EAD da revista O Setor Elétrico. • EAD sobre Arc Flash • EAD sobre Painéis Elétricos • EAD sobre Eficiência energética; harmônicas e compensação de energia reativa em instalações elétricas Saiba mais: www.osetoreletrico.com.br/ead (11) 3872-4404

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São Paulo.


Espaço 5419

Espaço 5419

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Por José Barbosa*

A proteção contra descargas atmosféricas em áreas explosivas A descarga atmosférica pode causar

um incêndio em uma área não explosiva.

muitas perdas por sua capacidade de gerar

Para haver esse incêndio, é necessária a

centelhamento, que poderá resultar em

ocorrência de um grande centelhamento que,

incêndio e explosão. É relativamente comum a

geralmente, ocorre no ponto de impacto,

ocorrência de incêndio quando uma descarga

pela

atmosférica atinge diretamente uma estrutura

abruta elevação de potencial do caminho

ou uma linha metálica. Esses incêndios podem

da descarga atmosférica. Agora, para haver

causar perdas, inclusive, de vida humana, mas

explosão, além das causas de incêndio, basta

se pode evitar com a atuação de um sistema de

acontecer pequenos centelhamentos que

combate a incêndio adequado. Mas, quando

podem ser originados por tensões induzidas

nossa estrutura é composta por uma área

por descargas atmosféricas que atinja uma

explosiva, classificada, não temos a mesma

região próxima, até 500 metros da estrutura.

oportunidade de minimizar satisfatoriamente

As

as perdas com os sistemas de combate a

conhecidas como áreas classificadas em

incêndio. A descarga atmosférica nesse

zona 0 ou 20, 1 ou 21, 2 ou 22. As zonas 0,

contexto, poderá causar uma explosão que

1 e 2 são compostas por uma mistura de ar

potencializa as perdas de vida humana,

e substâncias inflamáveis e as zonas 20, 21 e

materiais e de serviços.

22 são formadas por uma nuvem de poeira

descontinuidade

áreas

elétrica

explosivas

são

ou

pela

também

uma

combustível no ar. A tabela 1 relaciona alguns

explosão não serem mitigadas por um

locais que podem se tornar potencialmente

sistema de combate a incêndio, evitar essa

explosivos, áreas classificadas.

explosão é muito mais difícil que evitar

Além

das

consequências

de

Figura 1 – Descarga atmosférica próxima à estrutura.

Uma das técnicas utilizadas na proteção


Apoio

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Tabela 1 – Locais que podem ser potencialmente explosivos.

87

à distância de segurança, não poderá ter a presença de elementos metálicos, o que resulta na aplicação de fixadores ou suportes não metálicos, como é o caso de um suporte em fibra de vidro. A figura 3 apresenta um exemplo da aplicação de um sistema isolado através da fixação na estrutura. Apesar de parecer simples a solução

contra descargas atmosféricas de áreas

indicada na figura 3, dependendo dos

classificadas é a utilização de sistema isolado.

comprimentos envolvidos, a distância de

Essa técnica consiste em não permitir a

segurança pode chegar a quase 1 metro,

injeção de corrente da descarga atmosférica na

instalação.

Isso

acontecendo,

o que poderia inviabilizar a execução pela

reduz

grande altura dos suportes não metálicos.

substancialmente a necessidade de outras

Felizmente, há no mercado outra solução para

medidas, a fim de evitar os indesejáveis centelhamentos. Como o nome já sugere, o sistema isolado consiste em mantermos

Figura 3 – Sistema isolado com condutor fixado na estrutura onde “S” é a distância de segurança.

que haja centelhamento para as instalações

atmosféricas (SPDA) isolado das instalações

metálicas. Esses condutores substituem as

metálicas da estrutura. Essa isolação deve ser

distâncias de segurança e são especificados

capaz de suportar os potenciais gerados no

de acordo com elas. Por exemplo, há cabos

momento da atuação da proteção. Geralmente, o material isolante utilizado é

o ar, para o sistema isolado. Logo, mantendo

que substituem as distâncias de segurança de Figura 4 – Seção transversal do cabo.

45, 75 e 90cm. Assim, caso a necessidade seja atender uma distância de segurança de 70cm,

o SPDA afastado suficientemente, de modo

poderá ser utilizado um condutor que substitui

a manter uma coluna de ar, cuja isolação

uma distância de segurança de 75cm, fixando

consiga suportar as tensões geradas entre ele

ele diretamente na estrutura, conforme

e a instalação metálica presente na estrutura,

figura 5, evitando o centelhamento. A figura

teremos um sistema isolado. Esse afastamento

4 apresenta a seção transversal do condutor

suficiente é definido pela NBR5419:2015

que é composto por uma camada externa

como distância de segurança, que já foi apresentada em outro artigo desse espaço. Na figura 2 é apresentado um exemplo de aplicação do sistema isolado, onde são posicionados captores, utilizando o método da esfera rolante com raio “R”, afastados da distância de segurança “S” da estrutura com área classificada.

Figura 2 – Sistema isolado onde “S” é a distância de segurança e “R” é o raio do método da esfera rolante.

da utilização de condutores, cuja construção permite a fixação direta na estrutura sem

o sistema de proteção contra descargas

a execução de um sistema isolado. Trata-se

Figura 5 – Condutor isolado fixado diretamente na estrutura.

de material semicondutor, uma camada material isolante e o núcleo em cabo ou fio de cobre. Esses condutores devem atender as

A utilização de captores afastados

exigências da IEC TS 62561-8, que trata dos

suficientemente da estrutura é uma boa

componentes aplicados em um SPDA isolado.

prática

quando

para

pequenas

provemos

Outro ponto importante no controle do

a

proteção

estruturas.

Porém,

centelhamento em uma área classifica é a

quando lidamos com grandes estruturas,

utilização de dispositivos de proteção contra

é inevitável considerar captores fixados

surtos (DPS), conforme a NBR5419-4:2015.

diretamente nelas. Mesmo com a fixação

Esses irão tratar as tensões induzidas

direta, podemos ter um sistema isolado.

na instalação e/ou evitar os potenciais

Para isso, é necessário que seja mantida a

perigosos oriundo das linhas metálicas

distância de segurança dos condutores para

externas que entram na instalação. Mas esse

os elementos metálicos da instalação, mas

assunto ficará para um próximo artigo.

esse afastamento não poderá ser realizado através de suporte metálico. Ao longo de

*José Barbosa é engenheiro e membro da

toda a coluna de ar com a espessura igual

comissão que revisou a NBR 5419.


88

Espaço SBQEE

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Por Éverson Júnior de Mendonça e Nelson Clodoaldo de Jesus*

Considerações sobre Ocorrências de Faltas Simultâneas em Sistemas Elétricos (Cross-Country Faults) Diferentemente da maioria dos sistemas

possíveis falhas nos esquemas de proteção,

elétricos de distribuição que são utilizados por

que podem levar à indisponibilidade parcial ou

concessionários de energia elétrica no Brasil,

total do referido sistema elétrico. A análise de

os quais geralmente adotam a configuração

eventos envolvendo danos em equipamentos

com neutro do tipo solidamente aterrado,

elétricos ou falhas na operação de relés de

em sistemas elétricos industriais ou aqueles

proteção tem evidenciado a ocorrência deste

empregados em sistemas de geração de

tipo específico de falta, conhecida como Cross-

energias

com

Country Faults (CCF), ou seja, ocorrências de

tensões de fornecimento em 13,8kV, ou, mais

faltas cruzadas ou faltas simultâneas [2], [3].

recentemente, com tensões de operação

De forma simplificada, a Figura 1 ilustra o

em 34,5kV, a filosofia de aterramento tem

conceito relacionado às ocorrências de faltas

como premissa a limitação das correntes

cruzadas.

de faltas à terra. Sendo assim, os sistemas

Eventos do tipo Cross-Country Faults

industriais ou de alimentadores coletores são

são definidos como ocorrências simultâneas

normalmente aterrados por transformadores

de faltas fase-terra em diferentes fases

e/ou resistores de aterramento. Um artigo

de um mesmo alimentador, ou ainda em

técnico [1] apresentado na XIII CBQEE 2019

alimentadores

– Conferência Brasileira sobre Qualidade da

diferentes de um mesmo sistema elétrico

Energia Elétrica, realizada no Instituto Mauá

[2], [5]. Os sistemas que operam com neutro

de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP), de

aterrado por impedâncias ou no caso de

01 a 04 de Setembro de 2019, avalia o referido

neutro isolado são particularmente mais

tema, com o objetivo de apresentar uma

afetados por esse tipo de distúrbio. Nestes

análise de ocorrências de faltas simultâneas

sistemas, a ocorrência inicial de uma falta

(Cross-Country Faults) envolvendo sistemas

fase-terra causa sobretensões nas fases sãs,

elétricos de média tensão. Tem-se verificado

resultando em solicitações aos materiais

que, em diversos sistemas industriais e de

isolantes e, desta forma, pontos fracos no

geração de energias renováveis, a ocorrência

isolamento do sistema (junção de cabos,

de faltas simultâneas provoca sérios danos

buchas antigas, isoladores afetados pelo

em

como

tempo etc.) podem induzir à ocorrência de

transformadores, religadores, cabos, além de

uma segunda ou demais falhas subsequentes,

renováveis,

equipamentos

normalmente

elétricos,

tais

distintos

ou

Figura 1 – Ilustração de eventos relacionados às faltas cruzadas (Cross Country Faults).

em

pontos


Espaço SBQEE

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

89

devido à superação da capacidade dielétrica nestes pontos, resultando em possíveis defeitos do tipo Cross-Country Faults. Em sistemas isolados, a ocorrência do primeiro defeito fase-terra resulta em sobretensões e correntes de falta à terra com valores reduzidos, fluindo através das capacitâncias de cabos, transformadores e outros equipamentos elétricos pertencentes ao sistema [5]. As respectivas correntes de faltas à terra com valores reduzidos, muitas vezes, não são suficientes para sensibilizar

Figura 2 – Diagrama unifilar equivalente e oscilografias da ocorrência de faltas simultâneas (Cross Country Faults).

os dispositivos de proteção, dificultando tanto a identificação do defeito quanto a

pelo ambiente (poluição, poeira, produtos

localização de falhas no sistema. Já para o

químicos), implicando no surgimento de arco

caso de sistemas aterrados por impedâncias,

voltaico nas fases sãs, condução de para-

é verificado que a corrente inicial de falta

raios, entre outros fenômenos indesejados,

à terra será limitada pelo valor equivalente

ocasionando

da impedância de aterramento. Com a

normalmente, ocorre próximo ao valor de

ocorrência do segundo defeito, esta corrente

pico das tensões, caracterizando, deste

de falta não mais será limitada, atingindo

modo, falhas típicas de faltas simultâneas [3].

altas magnitudes. As elevadas amplitudes das

Estes tipos de eventos com faltas simultâneas

correntes durante a subsequente ocorrência

nem sempre são considerados nas análises

de CCFs podem causar severos danos aos

de

equipamentos elétricos da instalação, ou

sendo de suma importância considerá-los,

ainda afetar as tensões vistas pelos relés de

principalmente em relação à coordenação

proteção, provocando falhas de atuação dos

e seletividade da proteção, uma vez que a

dispositivos [2]. O Artigo técnico de referência

ocorrência de faltas simultâneas pode resultar

[1] apresenta oscilografias e registros de

em atuações indevidas dos dispositivos

eventos de relés durante ocorrências em

de proteção, devido à indicação de falsa

sistemas industriais, assim como resultados de

corrente de sequência zero verificada pela

simulações de faltas do tipo Cross-Country, a

proteção residual dos circuitos alimentadores

fim de caracterizar e subsidiar as análises para

neste tipo de evento. Este fato dificulta a

este tipo de perturbação. A Figura 2 apresenta

atuação da proteção de faltas à terra, cuja

o diagrama unifilar de um sistema elétrico

detecção normalmente não é possível de ser

industrial e as oscilografias das correntes em

realizada facilmente de modo coordenado

uma ocorrência real envolvendo eventos de

e seletivo. Portanto, eventos dessa natureza

faltas cruzadas no sistema elétrico analisado.

se caracterizam como um tema relevante

No artigo técnico, foram apresentados

relacionado à avaliação de perturbações

conceitos gerais sobre faltas [4], bem como

na QEE, bem como análises de sistemas de

outros registros de oscilografias de relés

proteção.

durante defeitos do tipo Cross-Country, evidenciando que, em sistemas de média tensão isolados ou aterrados por impedância, após uma falta fase-terra, as sobretensões nas fases sãs podem afetar os sistemas de isolamento de cabos, isoladores degradados em função da própria vida útil ou contaminados

o

desempenho

segundo

de

defeito

sistemas

que,

elétricos,

Referências bibliográficas [1] Mendonça, É. J.; Jesus, N. C.; Duarte, L. M.; Machado, J. M.; Cogo, J. R.; Ferreira, L. F. R.; Fernandes, L. M.; Sá, L. A.; Silva, M. A. B.: Considerações Sobre Faltas Simultâneas e Análise de Ocorrências em Sistemas Elétricos de Média Tensão: Cross-Country Faults. In: XIII Conferência Brasileira sobre Qualidade da Energia Elétrica -

CBQEE, Instituto Mauá de Tecnologia, São Caetano do Sul - SP, Setembro de 2019. [2] Hubertus, J.; Mooney, J.; Alexander, G.: Application Considerations for Distance Relays on impedance-Grounded Systems, IEEE, Texas A&M Conference for Protective Relays Engineers, 2008. [3] Vila, D.; Alcázar, E.; Juárez, J.; Loza, P.; Altuve, H.J.: Protection System for a Wind Generation Plant in Panama: Challenges and Solutions, 69th Annual Conference for Protective Relay Engineers College Station, Texas, 2016. [4] Hermeto, A. E. : Análise de Sistemas de Enegia Elétrica I. Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI (Apostila). Itajubá-MG. [5] Gatta, F. M.; Geri, A.; Lauria, S.; Maccioni, M.: An Equivalent Circuit for the Evaluation of Cross-Country Fault Currents in Medium Voltage (MV) Distribution Networs, Department of Astronautics, Electric and Energy Engineering, “Sapienza” University of Rome, Italy, 2018. *Éverson Júnior de Mendonça possui graduação em Engenharia Elétrica com ênfase em Sistemas Elétricos de Potência pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) em 2018, onde participou como aluno bolsista do Programa de Educação Tutorial de Engenharia Elétrica – PET. Atualmente, trabalha na área de estudos elétricos na empresa GSI – Engenharia e Consultoria Ltda. Áreas de interesse: Estudos de Transitórios Eletromagnéticos, Qualidade de Energia, Proteção e Análise de Sistemas Elétricos. *Nelson Clodoaldo de Jesus possui graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade de Taubaté (UNITAU) em 1992 e grau de Mestre em Ciências em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) em 1995. Trabalhou como professor e pesquisador na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ) e como Coordenador de Engenharia da AES Sul. Desde 2009, atua como sócio consultor na empresa GSI – Engenharia e Consultoria Ltda. É sócio fundador da Sociedade Brasileira de Qualidade da Energia Elétrica (SBQEE). Possui mais de 150 artigos técnicos publicados em revistas, conferências e congressos nacionais e internacionais. Atualmente, é secretário executivo da Diretoria da SBQEE. As principais áreas de interesse referem-se à Qualidade da Energia Elétrica, Sistemas Elétricos Industriais, Sistemas de Geração de Energias Renováveis e Transitórios Eletromagnéticos.


90

Apoio

Proteção contra raios

Jobson Modena é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, onde participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia | www.guismo.com.br

Avaliação de riscos devidos à incidência de raios em áreas abertas – Parte 01/04 Por Professor Antônio Roberto Panicali, da Proelco

Introdução

com eficiência reduzida, como no caso de

Há poucas semanas, encerrou-se a

comícios, desfiles de rua etc. Nesses casos, a

omitiremos dados relativos à localização da

consulta nacional sobre a proposta de

criação de procedimentos específicos, como

estrutura em questão.

norma ABNT NBR 16785 Proteção contra

por exemplo, a dispersão ordeira e antecipada

descargas atmosféricas – Sistemas de

das pessoas em busca de abrigos seguros

Modelagem por esferas rolantes

alerta de tempestades elétricas. Quando

resulta ser o único procedimento efetivo de

O volume 2 da NBR 5419 (2015)

aprovado, este documento complementará

proteção contra a ação da incidência de

apresenta, em detalhes, uma metodologia

a NBR 5419-1-2-3-4 (2015), a qual foca na

raios.

para avaliação de diversos tipos de risco de

proteção de estruturas, enquanto que a nova

Nesse sentido, os sistemas de alerta de

perdas (vidas humanas, patrimônio cultural,

norma fornece subsídios para a proteção em

tempestades elétricas constitui-se em um

serviços públicos e valores econômicos)

espaços abertos envolvendo aglomerações

dos mais efetivos, senão único recurso

dentro e nas imediações (até 3m) de

de pessoas, como em eventos esportivos,

para reduzir e, se possível, evitar graves

edificações, em função de suas características

políticos, religiosos, assim como operação de

acidentes. É importante ressalvar que, nos

construtivas, ocupação, conteúdo, atividades

máquinas como guindastes, escavadoras etc.

casos envolvendo multidões, além dos riscos

desenvolvidas e medidas de proteção contra

De fato, conquanto a NBR 5419

de danos severos às pessoas diretamente

os efeitos, diretos e indiretos, da incidência de

mencione

Por uma questão de confidencialidade,

atingidas pelas descargas, adicionem-se

raios. Tal metodologia não se aplica, porém,

grandes aglomerações contra os efeitos

os

de

à avaliação de riscos de atividades que se

de raios, são poucas as orientações de

pânico, cujas consequências podem atingir

desenvolvam em áreas abertas, tais como:

segurança aplicáveis a espaços abertos em

proporções incontroláveis.

passeatas e eventos desportivos, bem como

geral: isolação do piso com camadas de brita

Por outro lado, em alguns casos como, por

não se aplica à avaliação de risco em grandes

e/ou de asfalto, uso malhas de aterramento

exemplo, em estádios esportivos, a instalação

estruturas ao ar livre, como alguns tipos de

para redução de potenciais de toque e de

de captores, desde que dimensionada com

fábricas e indústrias de processamento,

passo, assim como o uso de condutores de

base em uma análise de risco consistente,

como refinarias e petroquímica em geral, nos

descida não naturais especialmente isolados,

pode propiciar o nível de segurança prescrito

quais grande parte dos equipamentos fica

porém, nenhuma delas por si só, é capaz de

nas normas, seja para os desportistas seja

diretamente exposta à incidência de raios.

evitar a incidência direta de descargas sobre

para o público.

o público em áreas abertas.

metodologia da norma vigente da qual iremos

a

necessidade

de

proteger

efeitos

de

possíveis

situações

O presente trabalho, baseado em uma

Tais casos escapam à abrangência da

Em muitos casos práticos, a colocação

situação real na qual estivemos envolvidos,

de captores que reduzam a níveis aceitáveis

foca nos procedimentos necessários ao

a incidência direta sobre as aglomerações

dimensionamento correto de sistemas de

- O risco tolerável de acidentes envolvendo

de pessoas pode tornar-se excessivamente

proteção para estruturas abertas abrigando

morte e/ou ferimentos graves, RT, conforme a

onerosa ou mesmo impraticável, por vezes,

grande número de pessoas.

NBR 5419-2-(2015) - Tabela 4:

reter apenas dois parâmetros:


91

RT =10-5/ano - O modelo do campo de ação de uma descarga atmosférica descendente, expressa pelo conceito da esfera rolante cujo raio R(I) se relaciona com a corrente de pico I da descarga segundo a expressão NBR 54191-(2015) - (A1): R(I)=10.I0.65 na qual R é expresso em metros e I, a corrente de pico da descarga, expressa em kA.

Com base no exposto acima, nas edições

de junho de 2009 e março de 2010 da Revista O Setor Elétrico, publicamos um artigo sobre a aplicação do método da esfera rolante na análise de riscos associados à incidência de raios em estruturas abertas: com base no método de Monte Carlo e nas distribuições estatísticas de intensidade das descargas conforme a NBR 5419-1-ANEXO-A (2015) foi desenvolvido um software que simula a incidência de descargas sobre edificações e estruturas de formas genéricas. Como descrito

nos

trabalhos

citados,

essa

metodologia já foi usada na avaliação de risco devidos à raios, em várias outras situações: - Riscos a que ficam expostos os profissionais durante uma parada de manutenção de uma refinaria, tendo em vista a ocorrência de tempestades. - A mesma metodologia tem sido aplicada para avaliação de risco em várias outras estruturas, tais como usinas de álcool, linhas de transmissão de energia, efeito de descargas sobre equipamentos expostos na indústria petroquímica etc. - Como descrito nos trabalhos citados, a metodologia permite ainda uma melhor e mais realista avaliação da incidência de raios em estruturas complexas, fornecendo, dentre outros parâmetros, a distribuição estatística das intensidades das descargas incidentes nas diversas partes de uma instalação.


92

Iluminação pública

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Luciano Haas Rosito é engenheiro eletricista, diretor comercial da Tecnowatt e coordenador da Comissão de Estudos CE: 03:034:03 – Luminárias e acessórios da ABNT/Cobei. É professor das disciplinas de Iluminação de exteriores e Projeto de iluminação de exteriores do IPOG, e palestrante em seminários e eventos na área de iluminação e eficiência energética. | lrosito@tecnowatt.com.br

Iluminação e economia de energia além da tecnologia

Dando sequência a esta série sobre o

é um sistema LED ligado durante o dia por

de manutenção correta dos equipamentos

tema iluminação, neste artigo, iremos tratar

falha de algum equipamento ou muitas vezes

de iluminação e acaba comprometendo

das oportunidades de economia de energia

por descaso. Mesmo em sistemas utilizando

o resultado da iluminação ao longo do

de diversas maneiras que hoje, por algum

tecnologia LED, onde ainda seria possível

tempo. Em diversos casos para resolver

motivo, nos passam desapercebidas, ou

pensar em uma telegestão ou sistema

isto é feito aquele “reforço” na iluminação

que por força do hábito ou de convenções,

autônomo e individual para controlar o horário

ao invés de uma substituição completa com

deixamos de lado. Muitas vezes, ações

de acionamento e o nível necessário, ainda

um projeto mais eficiente. Outro ponto de

simples contribuem significativamente para

são utilizadas tecnologias somente para ligar

atenção na manutenção é a correta limpeza

a economia de energia, não somente em

e desligar, deixando de ser utilizada uma

do equipamento de iluminação que auxilia

grandes cidades e utilizando tecnologia de

“rampa de subida” de potência e fluxo que

consideravelmente na manutenção do fluxo

telegestão, buscando a integração de uma

também ajudaria na economia de energia.

luminoso.

cidade inteligente e adequada ao cidadão,

Portos, aeroportos, centros comerciais, onde

Buscar a eficiência em um sistema

mas também para o segmento privado seja

mesmo existindo iluminação natural, ainda não

não é somente ter um ótimo lm/W (eficácia

em uma indústria, condomínio comercial,

existe um sistema de controle para reduzir o

luminosa); é preciso de distribuição e

residencial ou mesmo no segmento do

consumo de energia mantendo o nível de

eficiência na área a ser iluminada. Não

comércio.

iluminação adequado. Em prédios comerciais,

somente um bom projeto – como já foi

A utilização da iluminação no momento

ainda percebe-se escritórios e áreas que

exposto nos artigos anteriores –, mas pensar

e nível necessário sempre foi uma grande

permanecem com iluminação ligada por toda

no funcionamento do sistema ao longo do

oportunidade e, com o passar do tempo,

a noite, por diversos motivos. Com medidas

tempo com as variações e manutenções

parece que foram perdidas algumas iniciativas

simples, seria normalmente possível reduzir o

que irá sofrer ao longo de sua utilização,

de convencimento e conscientização para

consumo de energia entre 10 e 15 porcento

principalmente, treinando e dando condições

o uso racional da energia. Andando por

no total do consumo mensal, e ainda mais

ao ser humano que irá operá-lo e terá a

cidades do Brasil e também fora do País, é

com sistemas de controle utilizando as mais

responsabilidade pelo seu uso, que consiga

possível ainda perceber diversas situações

modernas tecnologias.

mantê-lo nas melhores condições para que

onde a iluminação fica ligada durante o dia

cumpra com seu desempenho até o final da

ou em períodos em que não seria necessária

equipamentos é outra questão pouco avaliada

vida.

a utilização. Em muitos casos, na iluminação

e que poderia auxiliar, além da economia

externa, ainda, o relé fotocontrolador, quando

de energia, na redução do ofuscamento em

o usuário também deve estar consciente e

em falha, mantém a lâmpada acesa durante o

diversas situações e na diminuição da poluição

treinado para utilizar todas as funcionalidades

dia, gerando um maior consumo de energia.

luminosa quando falamos de áreas externas.

possíveis da iluminação, gerando cada vez

Uma das maiores contradições que vejo hoje

Este fato muitas vezes está ligado à falta

mais economia e bem-estar para as pessoas.

A falta de regulagem e focalização dos

Com as novas tecnologias de automação,


Quadros e painéis

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

93

Nunziante Graziano é engenheiro eletricista, mestre em energia, redes e equipamentos pelo Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP); Doutor em Business Administration pela Florida Christian University; membro da ABNT/ CB-003/CE 003 121 002 – Conjuntos de Manobra e Comando de Baixa Tensão e diretor da Gimi Pogliano Blindosbarra Barramentos Blindados e da GIMI Quadros Elétricos | nunziante@gimi.com.br

Onde devo instalar meu quadro elétrico?

Lembrando-nos das velhas aulas de

do quadro, nem da instalação, apenas nos

que, dependendo de onde o quadro estiver

instalações elétricas de baixa tensão, vem

custos da implantação.

localizado, dificulta esse procedimento ou

à mente que a localização do quadro de

Entretanto, analisemos o local da

coloca o publico em geral sob risco elétrico.

distribuição deve ser o mais perto possível

instalação do ponto de vista do acesso,

do ponto médio da distância entre as

dos riscos elétricos e da NBR 5410. Um

manter quadros elétricos em recintos

cargas, de modo que os alimentadores

quadro não deve ser acessível a pessoas

fechados, não acessíveis ao público geral e

dessas cargas seja o mais curto possível,

não qualificadas e habilitadas sem que este

com acessibilidade restrita por medidas de

correto? Bom, a resposta é sim!

tenha todas as salvaguardas necessárias

controle de acesso conforme o prontuário

Entretanto, nem sempre é possível

para isso, ou seja, medidas que impeçam

NR-10 da instalação; este, por sua vez,

atender a essa premissa, pois basta analisar

contatos acidentais ou deliberados às

elaborado por profissional habilitado e

um exemplo simples de uma instalação

partes vivas, medidas que impeçam acesso

em conformidade com as necessidades

industrial, onde o quadro geral de baixa

a dispositivos de manobra ou controle para

operacionais da instalação e, sobretudo, a

tensão, por razões de logística interna da

público em geral etc.

qualificação e habilitação dos profissionais

fábrica que ali funciona, precisa ficar na

responsáveis

lateral do galpão, de modo que é necessário

de pessoas não habilitadas ou qualificadas

manutenção da instalação.

deslocar o quadro do ponto médio das

a

cargas para esta localização marginal. De

absolutamente

qualquer forma, essa posição não tem

com procedimentos de manutenção que,

antes de fazê-lo!

grandes implicações na funcionalidade nem

certamente, um dia, deverão ocorrer, e

Tão importante quanto evitar o acesso quadros

em

operação

necessário

normal,

é

preocupar-se

Dessa forma, a recomendação é sempre

pela

operação

e

pela

Finalmente, é necessário, sim, analisar

onde deve ser instalado um quadro elétrico Boa leitura!


94

Energia com qualidade

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações e membro da diretoria do Deinfra-Fiesp e da SBQEE. jstarosta@acaoenge.com.br

Medições elétricas e os valores máximos, mínimos e médios

Ao se especificar e efetuar medições elétricas em instalações

associadas à integração das medições desde, por exemplo, um ciclo

industriais, nos barramentos e ponto de acoplamento com a

até períodos maiores, no caso da tensão rms ou eficaz no regime da

distribuidora, naturalmente, se deseja conhecer as variáveis elétricas

frequência é calculada pela expressão conhecida da integração da

que estariam impactando em algum setor da instalação ou mesmo para

forma de onda durante um período como um segundo, um minuto,

resolver suspeitas de má-operação, ou ainda na pesquisa de perdas

10 minutos, e assim por diante. Já a avalição em regime do tempo se

elétricas, harmônicas, comportamento das tensões de alimentação das

preocupa com o comportamento da forma de onda da tensão ou da

cargas, fator de potência, carregamentos e outras variáveis. Algumas

corrente e, neste caso, a questão associada é relacionada à taxa de

questões devem ser consideradas de forma que estas atividades

amostragem de cada ciclo. Quanto maior for a taxa de amostragem,

forneçam os resultados com aplicação imediata e sejam promovidas

maior é a acuidade da medição (menor tempo entre dois pontos

as correções devidas a novos rumos a serem ajustados.

relacionados a taxa de amostragem). Da análise das definições

acima, parece claro que as medições em regimes permanente e as

Regimes permanente e transitório

do domínio da frequência consideram integrações de medições

O regime permanente, conforme citado pelas definições

efetuadas; portanto, são obtidos valores médios, não significando que

consultadas, incluindo o módulo 8 do Prodist, é aquele que considera

sejam coincidentes, pois é possível se medir um transitório no regime

a integração das medições (de tensão) em períodos definidos. No

da frequência com integração em milissegundos. Já as medições

caso específico do módulo 8, são considerados períodos de 10

no domínio do tempo consideram a aquisição da forma de onda em

minutos, conforme metodologia estabelecida para a avaliação da

número conveniente de ciclos, desde frações de ciclo até dezenas de

tensão em regime permanente e desconsideração de alguns períodos

ciclos ou mais. A figura 1 apresenta quatro medições de tensão que

de medições em função das regras e critérios estabelecidos na

ilustram o exposto.

norma. A definição para o regime transitório está relacionada a curtos períodos que ocorrem entre dois regimes permanentes. No caso do comportamento da medição de tensão neste regime transitório, avalia-se qual o comportamento da variável em períodos curtos de integração,

A

como por exemplo, meio ou um ciclo, ou mesmo o comportamento

C

da forma de onda entre os dois períodos relacionados aos regimes permanentes. O módulo 8 trata o regime transitório na avaliação das VTCDs (variações de tensão de curta duração) em períodos desde 1 ciclo até três minutos.

Medições em regime de frequência e do tempo

As medições no regime da frequência exprimem variáveis elétricas

B

D

Figura 1 – Medições de tensão em domínios do tempo, frequência em regimes transitório e permanente.


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O Setor Elétrico / Outubro de 2019

As figuras 1(A), 1 (B), 1(C) e 1(D) representam medições

de tensão nos regimes transitórios e permanentes e domínios da frequência e do tempo. Note-se que é possível visualizar uma VTCD característica de um transitório de tensão em medição em regime da frequência em 1(A) ou ocorrência de transitórios sobre a envoltória da forma de onda na figura 1(D) em regime permanente durante alguns minutos de medição. Diante destas avaliações, quais seriam os benefícios práticos a serem aplicáveis?

Tomando medições em uma esteira transportadora, na figura

2, o regime permanente é aquele de operação em regime de carga, representado pela curva “verde”, e o regime transitório está associado ao intervalo de tempo entre dois regimes permanentes, representado em laranja. A figura 3, extraída de um instante da figura 2, ilustra o comportamento da potência reativa no regime

Figura 4 – Zoom do comportamento das Tensões nos dois regimes, relativo ao período da figura 3.

transitório de aproximadamente 1,5 segundo.

414 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para evitar a

Das figuras 1, 2, 3 e 4, o que se observa é que a potência reativa

cobrança da energia reativa excedente. Contudo, o fato aqui analisado

medida em regime permanente é da ordem de 500kvar e este seria o

complementarmente está relacionado à capacidade operacional de os

montante necessário para a injeção da potência reativa se o objetivo

motores operarem de forma satisfatória no acionamento da carga, e o

fosse apenas compensar o fator de potência sob a ótica da resolução

fenômeno pode ser visualizado em função da resolução e tempo de integração do instrumento utilizado (taxa de amostragem de pelo menos 512 amostras e integração a cada meio ciclo). Portanto, as informações das figuras 2, 3 e 4 ratificam que o consumo de potência reativa não é mais de 500kvar, mas superior a 2000kvar, em função da potência reativa necessária ao acionamento da carga. Esta situação impõe ao sistema uma queda de tensão instantânea (regime transitório) de aproximadamente 9%. Naturalmente, a energia necessária à partida da carga é prejudicada por conta deste fenômeno, dificultando a operação prevista. Ao contrário da solução para a simples compensação reativa em valores médios, a energia reativa neste caso, deve ser injetada nos valores e nos intervalos da ordem de grandeza dos consumidos e, principalmente, somente durante este período; caso o sistema de compensação da energia reativa não acompanhe o perfil da carga,

Figura 2 – Potência reativa registrada em regime permanente (verde) e transitório (laranja).

sobretensões, devido à sobre compensação, poderão comprometer a segurança do sistema.

Conclusão

A especificação da medição deve considerar atender a necessidade

da planta ou do sistema que se está analisando. Normalmente, medições das variáveis elétricas que busquem avaliação de impactos de efeitos térmicos dos componentes da instalação (transformadores, disjuntores, circuitos e outros) podem ser efetuadas em regime da frequência, neste caso, as potências elétricas, correntes, fator de potência médio e outras. No caso de avaliação dos impactos da tensão na operação das plantas, a especificação deve ser mais estreita e valores médios quase nunca são adequados, sendo necessária taxa de amostragem das formas de onda (regime do tempo) adequadas Figura 3 – Zoom do comportamento da potência reativa em regimes permanentes e transitório.

e disponibilização das informações em períodos suficientes para interpretação dos fenômenos.


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Instalações Ex

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

Roberval Bulgarelli é consultor técnico e engenheiro sênior da Petrobras. É representante do Brasil no TC-31 da IEC e no IECEx e coordenador do Subcomitê SC-31 do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei). bulgarelli@petrobras.com.br

Eletricidade estática em atmosferas explosivas – Riscos, controle e mitigação – Parte 04/08

4 - Os riscos da eletricidade estática associados aos condutores isolados

poeiras

combustíveis,

representam

uma

instalações industriais em áreas classificadas,

preocupação de fonte de ignição em áreas

tais

como

na

indústria

do

petróleo,

classificadas, uma vez que podem haver

petroquímica, farmacêutica, de alimentos,

A eliminação das fontes de ignição com

partes metálicas ou equipamentos que podem

os condutores isolados são considerados

elevado potencial eletrostático em atmosferas

estar eletricamente isolados entre si de forma

como sendo uma fonte possível de acidentes

explosivas pode ser considerada um ponto

acidental ou inadvertida. De forma similar,

envolvendo ignição de atmosferas explosivas.

de partida óbvio na etapa de projeto das

também

instalações industriais e dos equipamentos

como uma preocupação que trechos isolados

de processo. Uma das principais áreas

de tubulações para transporte de líquidos,

de preocupação são aquelas que podem

gases ou para transporte pneumático podem

apresentar

é

tradicionalmente

reconhecido

5 - Os riscos do acúmulo de cargas eletrostáticas em diesel de baixo teor de enxofre

“condutores

também representar condutores isolados,

isolados”. Estes condutores são objetos

resultando na geração e subsequente acúmulo

condutivos

os

denominados

Um exemplo de aplicação de meios de

de cargas eletrostáticas, capazes de causar

controle de eletricidade estática em área

eletricamente isolados de sistemas aterrados

centelhamentos em atmosferas explosivas.

classificada é a adição de compostos do tipo

de forma acidental ou inadvertida.

Nestes

uma

“aditivo antiestático” em grandes tanques de

A isolação elétrica de objetos metálicos

falha na continuidade de terra ou de

armazenamento de óleo diesel do tipo S-10,

representa o risco de evitar que cargas

equipotencialização, as cargas eletrostáticas

com baixo teor de enxofre, da ordem de

eletrostáticas que tenham se acumulado no

não serão capazes de ser adequadamente

10ppm (partes por milhão).

objeto possam se dissipar com segurança

dissipadas, permitindo a existência de uma alta

para o sistema de aterramento, resultando,

tensão potencial, a qual será descarregada

gasolina, nafta ou querosene de aviação,

desta forma, na elevação de seu potencial.

em

Desta

tem como base a injeção de hidrogênio (H2)

No caso de estes condutores isolados

forma, a geração e o acúmulo de cargas em

no produto a ser tratado, o qual se combina

eletrostaticamente carregados se aproximarem

equipamentos de processo ou de transporte

com enxofre (S), formando o gás sulfídrico

de um outro objeto que esteja aterrado ou com

de poeiras combustíveis, gases inflamáveis ou

(H2s), sendo este retirado do processo,

baixo potencial, pode haver o risco de ignição

transporte pneumático representa um risco

resultando em produtos derivados do petróleo

de uma atmosfera explosiva, devido à liberação

eletrostático em atmosferas explosivas a ser

praticamente isentos de enxofre. Sistemas

de energia na forma de centelhas com energia

mitigado.

de hidrotramento ou hidrodessulfurização

capaz de causar uma explosão.

Pode haver nas instalações “Ex” diversos

são normalmente existentes nas refinarias

que

podem

permanecer

uma

casos,

primeira

se

houver

oportunidade.

O processo de hidrotramento de diesel,

que

casos de condutores isolados, incluindo

de petróleo, uma vez que são requeridos no

alguns tipos de conjuntos de montagem

acoplamentos metálicos, flanges, acessórios

processo de elaboração e “blending” (mistura)

(skids)

É

tradicionalmente

reconhecido

de

de tubulação, válvulas, vasos transportáveis,

para a produção do óleo diesel S-10, com

processo de uma planta, como por exemplo,

containers portáteis, funis e até mesmo

baixo teor de enxofre. Este tipo de processo,

os equipamentos de processamento de

pessoas. Durante as operações diárias em

no entanto, remove também os compostos que

interconectados

no

sistema


97

O Setor Elétrico / Outubro de 2019

cargas eletrostáticas que são normalmente

a ocorrência deste tipo de risco de ignição em

geradas durante as operações de enchimento

atmosferas explosivas.

e esvaziamento destes tanques.

A condutividade elétrica consiste na

condutividade elétrica do óleo diesel S-10

capacidade do combustível em dissipar

para os níveis estabelecidos (25pS/m mín)

cargas eletrostáticas que são geralmente

acelera a dissipação das cargas eletrostáticas,

geradas durante a sua movimentação. Se a

mas não elimina os riscos associados com a

condutividade elétrica for suficientemente alta,

manipulação de combustíveis. As práticas de

as cargas eletrostáticas são adequadamente

segurança recomendadas para minimizar o

dissipadas, evitando o seu acúmulo e o

risco associado à manipulação de combustível

risco de existência de fontes de ignição em

devem ser rigorosamente seguidas, incluindo a

atmosferas explosivas. O valor recomendado

utilização de baixas vazões, principalmente, na

para a condutividade elétrica do óleo diesel do

etapa inicial dos processos de transferências

tipo S-10 é de, no mínimo, 25pS/m (Siemens

dos produtos.

por metro) na temperatura e entrega do

As empresas do setor de petróleo

Deve ser ressaltado que o controle da

produto.

e empresas distribuidoras de derivados

são “promotores naturais” da condutividade

De forma a permitir esta migração de

necessitam possuir procedimentos específicos

elétrica nestes tipos de derivados do petróleo.

cargas eletrostáticas e evitar a existência de

para a coleta periódicas de amostras e análise

Foram verificados casos de risco de

potenciais eletrostáticos capazes de gerar

com base em instrumentos medidores de

ignição no interior destes tanques, em função

centelhamentos, a adição de quantidade

condutividade elétrica, para fins de controle da

dos baixos valores de condutividade deste

adequada dos “aditivos antiestáticos” faz

qualidade desta característica do óleo diesel

tipo de produto, o qual não permite uma

com que a condutividade seja suficiente para

S-10 com baixo teor de enxofre.

adequada “migração” para as partes aterradas

permitir a devida dissipação do potencial

(tais como o costado metálico do tanque) das

eletrostático para as partes aterradas e evitar

Continua na próxima edição.


98

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O Setor Elétrico (edição 165 - Out/2019)  

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