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Ano 14 - Edição 164 Setembro de 2019

Edição especial CINASE -PE

Cabos aéreos para linhas de transmissão de energia elétrica – O aterramento em linhas de transmissão Conheça os materiais mais usados no aterramento e a respectiva confiabilidade do sistema

Instalação segura e comissionamento solar Diversas características associadas à segurança e qualidade fogem do conhecimento dos eletricistas prediais e exigem cuidados especiais

CINASE Edição Minas Gerais supera expectativas A 35ª edição do evento atingiu recorde de público, recebendo 1.200 congressistas, mais de 30 expositores e os principais apoiadores da região de Belo Horizonte


Sumário atitude@atitudeeditorial.com.br Diretores Adolfo Vaiser Simone Vaiser Coordenação de circulação, pesquisa e eventos Marina Marques – marina@atitudeeditorial.com.br Assistente de circulação, pesquisa e eventos Henrique Vaiser – henrique@atitudeeditorial.com.br Assistente de criação Victor Gargano - victor@atitudeeditorial.com.br Administração Paulo Martins Oliveira Sobrinho administrativo@atitudeeditorial.com.br Editora Luciana Freitas - 80.519-SP luciana@atitudeeditorial.com.br Publicidade Diretor comercial Adolfo Vaiser - adolfo@atitudeeditorial.com.br

Suplemento Renováveis

47

Fascículo: Instalação segura e comissionamento Notícias de mercado Coluna solar: Acelerando a fonte solar fotovoltaica no mercado livre de energia (ACL) Coluna eólica: As novas fronteiras da energia eólica

Contatos publicitários Ana Maria Rancoleta - anamaria@atitudeeditorial.com.br Representantes

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Editorial

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Coluna do consultor

Paraná / Santa Catarina Spala Marketing e Representações Gilberto Paulin - gilberto@spalamkt.com.br

As questões técnicas tratadas na XIII CBQEE

João Batista Silva - joao@spalamkt.com.br (41) 3027-5565 Direção de arte e produção Leonardo Piva - atitude@leonardopiva.com.br

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Evento – CINASE – Edição Minas Gerais A 35ª edição do evento atingiu recorde de público, recebendo 1.200 congressistas, mais de 30 expositores e os principais apoiadores da região de Belo Horizonte

Consultor técnico José Starosta Colaborador técnico de normas

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Seções Mercado, Empresas e Produtos

Jobson Modena Colaboradores técnicos da publicação Daniel Bento, João Barrico, Jobson Modena, José Starosta, Juliana Iwashita, Roberval Bulgarelli e Sergio Roberto Santos

31

A Revista O Setor Elétrico é uma publicação mensal da Atitude Editorial Ltda., voltada aos mercados de Instalações Elétricas, Energia e Iluminação, com tiragem de 13.000 exemplares. Distribuída entre as empresas de engenharia, projetos e instalação, manutenção, indústrias de diversos segmentos, concessionárias, prefeituras e revendas de material elétrico, é enviada aos executivos e especificadores destes segmentos.

Equipamentos para ensaios em campo Linhas elétricas para baixa tensão

60

Impressão - Mundial Gráfica e Editora Distribuição - Correios Atitude Editorial Publicações Técnicas Ltda. Rua Piracuama, 280, Sala 41 Cep: 05017-040 – Perdizes – São Paulo (SP) Fone/Fax - (11) 3872-4404 www.osetoreletrico.com.br atitude@atitudeeditorial.com.br

Filiada à

Cinase TEC Cabos aéreos para linhas de transmissão de energia elétrica – O aterramento em linhas de transmissão

68

Espaço 5419 PDA e os síndicos

70

Espaço SBQEE Os desafios de um mercado de eletricidade renovável, sustentável e inteligente

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem as opiniões da revista. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias sem expressa autorização da Editora. Capa: lovelyday12 | shutterstock.com

Fascículos BIM – Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção

Colaboradores desta edição Benedito Donizeti Bonatto, Claudio Mardegan, Claudio Rancoleta, Daniel Bento, Elbia Gannoum, Fabio Henrique Dér Carrião, Francisco Gonçalves Jr., Geraldo R. de Almeida, Guaraci Hiotte Jr., Hans Rauschmayer, Jobson Modena, José Starosta, Luciano Rosito, Márcio Trannin, Normando V. B. Alves, Nunziante Graziano, Paulo E. Q. M. Barreto, Roberval Bulgarelli, Rodrigo Sauaia e Ronaldo Koloszuk

Painel de notícias

Colunistas

72 73 74 75 76 78

Jobson Modena – Proteção contra raios

80

Memórias do Setor

Luciano Rosito – Iluminação pública Daniel Bento – Redes subterrâneas em foco Nunziante Graziano – Quadros e painéis José Starosta – Energia com qualidade Roberval Bulgarelli – Instalações Ex

A energia e a cidade: São Paulo pelas lentes de Guilherme Gaensly

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Editorial

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O Setor Elétrico / Setembro de 2019

www.osetoreletrico.com.br

Ano 14 - Edição 164 Setembro de 2019

Edição especial CINASE -PE

Cabos aéreos para linhas de transmissão de energia elétrica – O aterramento em linhas de transmissão

No mês de setembro, os mais de 80 milhões de

O Setor Elétrico - Ano 14 - Edição 164 – Setembro de 2019

Energias renováveis na mira brasileira

Conheça os materiais mais usados no aterramento e a respectiva confiabilidade do sistema

Instalação segura e comissionamento solar Diversas características associadas à segurança e qualidade fogem do conhecimento dos eletricistas prediais e exigem cuidados especiais

CINASE Edição Minas Gerais supera expectativas A 35ª edição do evento atingiu recorde de público, recebendo 1.200 congressistas, mais de 30 expositores e os principais apoiadores da região de Belo Horizonte

Edição 164

Ranking Mundial.

consumidores brasileiros de energia elétrica sentiram no bolso

os impactos provocados pela cobrança adicional da bandeira

quando o assunto é redução do consumo e preservação

vermelha, patamar 1, refletidos em suas contas de luz, pela

ambiental. O sol que castiga os reservatórios é o mesmo que

segunda vez consecutiva.

liberta milhares de brasileiros, que têm a chance de gerar sua

própria energia através dos sistemas fotovoltaicos, integrantes

Essa época do ano é conhecida por atravessar longos

Além da energia eólica, a solar é outra “medida salvadora”

períodos de estiagem nas principais bacias hidrográficas do

do segmento de geração distribuída.

Sistema Interligado Nacional (SIN), o que resulta em vazões

abaixo da média e aumento das tarifas de energia.

uso de painéis solares para economizarem até 95% na conta

de luz e ficarem livres das bandeiras tarifárias por mais de 25

Se por um lado o País sofre com os efeitos negativos

Atualmente, mais de 104 mil consumidores no País fazem

causados pelas condições climáticas desfavoráveis e pela

anos, vida útil mínima da tecnologia.

elevação dos custos com energia elétrica, por outro, tais

fatores têm acelerado a penetração das renováveis no

Fotovoltaica (Absolar) revelam que, em número de sistemas

mercado, em especial, da eólica e da solar, as quais ganham

instalados, os consumidores residenciais estão no topo da

cada vez mais visibilidade, tanto no Brasil quanto no mundo.

lista, representando 73,8% do total. Em seguida, aparecem

as empresas dos setores de comércio e serviços (17,3%);

Para a felicidade da matriz elétrica brasileira, dados

Dados da Associação Brasileira de Energia Solar

divulgados recentemente mostram que, no dia 6 de setembro,

consumidores rurais (5,5%); indústrias (2,8%); poder público

a energia eólica registrou recorde de geração média diária

(0,6%) e outros tipos, como serviços públicos (0,1%) e

no Nordeste, ao produzir 8.722MW médios, com um fator de

iluminação pública (0,01%).

capacidade de 74%. O volume de energia foi responsável por

atender 87% da carga da região no dia.

1,35 milhão de novos adotantes do sistema de micro ou

minigeração distribuída até 2027, de acordo com o Ministério

O recorde decorreu da intensificação do sistema de

Com R$60 bilhões em investimentos, a estimativa é de

alta pressão que atuou no litoral do Estado baiano, o que

de Minas e Energia.

proporcionou geração eólica mais elevada, principalmente,

na Bahia, Piauí e Pernambuco. O recorde anterior de geração

volta?

média no Nordeste havia ocorrido em 26 de agosto, quando

Boa leitura!

A transição energética é ou não é mesmo um caminho sem

foram produzidos 8.650MW médios, segundo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Hoje, o Brasil já

Abraços,

possui 15,1GW de capacidade instalada e ocupa o 8º lugar no

Luciana Freitas

Redes sociais

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www.facebook.com/osetoreletrico

@osetoreletrico

Revista O Setor Elétrico

Errata Diferentemente do que foi publicado na página 48 da edição de agosto de 2019, a figura correta (enumerada como 3), é a que segue ao lado:

Figura 3 – Visão dos logical nodes e Estrutura IEC61850.

Errata Diferentemente do que foi publicado na página 32 da edição de agosto, o símbolo correto é IB, e não Ib conforme informado.


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Coluna do consultor

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações e membro da diretoria do Deinfra-Fiesp e da SBQEE. É consultor da revista O Setor Elétrico jstarosta@acaoenge.com.br

As questões técnicas tratadas na XIII CBQEE

Tivemos a oportunidades de assistir, no instituto Mauá de

Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP), entre os dias 1 e 4 de setembro, a XIII edição da Conferência Brasileira Sobre Qualidade de Energia Elétrica (CBQEE). O evento, que se realiza bianualmente, contou aproximadamente com 230 trabalhos apresentados e três sessões plenárias, além da exposição de soluções relativas aos temas dos patrocinadores, e ainda, veículo elétrico. O evento foi organizado pelo próprio Instituto Mauá de Tecnologia e pela Sociedade Brasileira da Qualidade da Energia Elétrica.

A conferência foi iniciada no domingo, dia 1, com o minicurso

ministrado pelo Profº José Rubens, da UFU, abordando os fatos históricos da qualidade de energia na legislação brasileira, até as atuais premissas do modulo 8 do Prodist – ANEEL e suas sequentes revisões.

Sessão de abertura, plenárias e sessões técnicas abordaram,

com bastante competência, as questões relacionadas aos fenômenos da qualidade de energia nas modelagens, medições, normalização com foco nos novos modelos de fontes e cargas que estão sendo implantados em nossas redes e instalações. Temáticas como a penetração de potência na rede pelo efeito da geração distribuída (potência gerada maior que a consumida), qualidade dos componentes e equipamentos, necessária abordagem e normalização aos moldes do modelo PROCEL, porém com foco em qualidade da energia elétrica, responsabilidades de distribuidora, geradores e consumidores, comportamento de cargas distorcidas como as luminárias com a tecnologia LED, características de instrumentos e instrumentação de medição, ações de mitigação como filtros incluindo casos em GD, redes inteligentes, além de projetos de eficiência energética, e até mesmo as malditas caixinhas pretas estelionatárias que extorquem os mais desavisados.

Sem dúvida, um encontro de altíssimo nível e vasto conteúdo que o

qualifica como o maior evento do tema na América Latina. Mãos à obra, pois temos muito a resolver. Foz do Iguaçu nos espera em 2021!


Evento

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O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Fotos: Alessandro Carvalho

Consagrado como a nova referência no segmento de eletricidade, o Circuito Nacional do Setor Elétrico (CINASE) passou por Minas Gerais entre os dias 7 e 8 de agosto de 2019, atingindo mais um recorde de público: 1.200 congressistas estiveram presentes e puderam conferir as últimas novidades do mercado, superando o sucesso das edições anteriores.

Realizada no Expominas, em Belo Horizonte

(MG), a 35ª edição do evento itinerante comemora

CINASE Edição Minas Gerais acontece em grande estilo e supera todas as expectativas

seus 10 anos de existência e foi composto por aproximadamente 50 palestras técnicas ministradas por especialistas e patrocinadores, além de um amplo espaço de exposição que abrigou 30 empresas de peso, que trouxeram os mais recentes produtos e serviços voltados para energia elétrica.

O congresso é conhecido por discutir as

principais técnicas e tecnologias que envolvem

A 35ª edição do evento atingiu recorde de público, recebendo 1.200 congressistas, mais de 30 expositores e os principais apoiadores da região de Belo Horizonte

toda a cadeia do setor elétrico, desde a geração até a instalação elétrica final de baixa e média tensão, incluindo temas como: investimentos em distribuição; energias renováveis; proteção para sistemas fotovoltaicos; proteção e manutenção em sistemas elétricos; Internet das Coisas (IoT) em sistemas de iluminação, entre outros relevantes. Para isso, conta com a coordenação do engenheiro


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O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Jobson Modena, especialista em proteção e aterramento, e coordenador da comissão que revisou a recém-publicada ABNT NBR 5419 (SPDA); e do engenheiro José Starosta, especialista em eficiência energética e ex-presidente da Associação das Empresas de Conservação de Energia (Abesco). Minas Gerais: o berço do CINASE

Lançado em 2010, em Minas Gerais, o Circuito

Nacional do Setor Elétrico é um modelo de evento totalmente diferente dos demais por conta de sua concepção. “O CINASE é um roadshow, um evento que percorre o Brasil, levando conhecimento técnico, através de renomados palestrantes. O fato de ser itinerante e sair do eixo São Paulo-Rio, faz com que preenchamos uma carência técnica que existe Brasil afora. Com essa conotação, criamos um evento que traz para cada região por onde passa, a chance de o profissional se atualizar com o que há de mais moderno em tecnologia elétrica”, declarou Adolfo Vaiser, diretor da revista O Setor Elétrico e organizador do evento.

O CINASE já passou por Minas Gerais em

2016, e agora, pela quinta vez na cidade de Belo Horizonte, esteve totalmente restruturado, com um novo programa. “O mercado já estava cansado de tantas feiras tradicionais, e o modelo do CINASE – que também é utilizado por muitas empresas multinacionais de nosso segmento – demonstra o sucesso a ser seguido. Um congresso técnico com exposição simultânea, onde todos os estandes são padronizados, o que permite que o foco esteja no conteúdo do evento, que foi reformulado e conduzido em seus dois dias pelos coordenadores técnicos José Starosta e Jobson Modena, parceiros

Pogliano | Gimi, HellermannTyton, IFG, Grupo Intelli,

Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos

desde o nascimento da revista o Setor Elétrico”,

Grupo Setta, Loja Elétrica, Lux, Prysmian Group,

Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais

comentou Vaiser.

RDI Bender, Real Perfil, Rittal, Schneider Electric,

(Sinaees), Sindicato das Indústrias de Instalações

No total, já foram realizadas 34 etapas por

SEL, Soprano, Tecnowatt, WEC Energy e WEG.

Elétricas Gás, Hidráulicas e Sanitárias no Estado

mais de 16 diferentes cidades. “Para a realização

Além dessas fortes indústrias e distribuidoras,

de Minas Gerais (Sindimig), Sindicato da Indústria

do CINASE, mobilizamos muito a região por onde

o evento teve o apoio de importantes entidades

da Construção Civil no Estado de Minas Gerais

passamos e contamos com o apoio importantíssimo

da região: Associação Brasileira de Engenheiros

(Sinduscon-MG), Sinergia, SINGTD, Sociedade

de todas as entidades e empresas regionais.

Eletricistas (ABEE-MG), Associação Brasileira de

Mineira de Engenheiros e Universidade Federal de

Desta forma, envolvemos toda a cadeia elétrica,

Sistemas Prediais de Minas Gerais (Abrasip-MG),

Minas Gerais (UFMG).

como concessionárias de energia, federação das

Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG),

indústrias – SENAIS, universidades, revendas e

Clamper, Conselho Regional de Engenharia e

A visão dos participantes

indústrias locais. É um trabalho a seis mãos e que

Agronomia de Minas Gerais (CREA-MG), Elo,

dá muito resultado”, celebrou Adolfo Vaiser.

Exponencial, Sistema Federação das Indústrias

foi sucesso unânime, fato confirmado por todos os

O CINASE-MG contou com o patrocínio

do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Fundação

participantes presentes. Para Marcos Antônio de

master de Clamper e Kit Frame, além do patrocínio

Cristiano Ottoni, Loja Elétrica, Polifase, Pontifícia

Arruda Lopes, engenheiro eletricista e gerente de

das empresas: ABB, Baur, Beghim, Cordeiro,

Universidade Católica de Minas Gerais (PUC

automação dos ativos de distribuição da CEMIG,

Crossfox, Dimensional, Elétrica PJ, Embrastec,

Minas), Sindicato de Engenheiros no Estado de

a participação da Companhia no CINASE é

Epcos TDK, Exponencial, Finder, Flir Systems, Gimi

Minas Gerais (Senge-MG), Senior Engenharia,

fundamental. “O Adolfo tem nos envolvido por

Assim como as demais edições, o 35º CINASE


Evento

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O Setor Elétrico / Setembro de 2019

sermos concessionária de energia local e, como

cada ano. “Nós temos acompanhado o crescimento

Editorial”, cumprimentou.

o evento é voltado para o setor elétrico, acho a

do evento desde quando começou e temos dado

nossa participação extremamente importante, tanto

todo o apoio necessário, executando o nosso

Clamper, Wagner Almeida Barbosa contou que

na parte de conteúdo quanto na oportunidade de

trabalho, que é divulgar aos nossos associados a

a empresa tem crescido nos últimos anos, com

contratação de fornecedores e players do mercado

realização desses eventos que acontecem, novos

lançamentos de produtos e a expansão para o setor

de uma forma geral”, salientou.

produtos e empresas e tecnologias inovadoras que

fotovoltaico, que está experimentando uma elevação

estão surgindo”, disse.

exponencial. “Já estamos desenvolvendo novos

da CEMIG – feita no primeiro dia – ter demonstrado

Ele conta que, aos poucos, o CINASE está

produtos para essa área e fornecendo para várias

qual é o seu plano de investimento para os

tomando um espaço que era, até então, da Feira

empresas integradoras e grandes distribuidores”,

próximos anos, detalhando em termos de redes de

Internacional da Indústria Elétrica e Eletrônica de

afirmou.

distribuição, subestações, sistemas de automação

Minas (FIEE-MG). “A FIEE-MG já foi uma feira muito

etc. “A oportunidade dá visibilidade e nos auxilia

forte do setor eletroeletrônico, mas, com a alteração

surpreso ao se deparar com o tamanho da plateia

na busca dos fornecedores presentes no evento

da conjuntura, foi perdendo força. Ao mesmo tempo

presente no congresso e com o crescimento que

e de soluções para as questões que precisamos

que a FIEE-MG foi sendo retraída, o CINASE veio

vem apresentando a cada edição. “O CINASE

enfrentar dentro desse plano de investimento”,

ganhando espaço, o que realmente nos dá muita

está se tornando uma referência técnica para os

justificou. E acrescenta. “O Estado de Minas Gerais

satisfação, porque precisamos ter eventos como

profissionais da área de instalações, e eu sinto que

possui a maior quantidade de usinas fotovoltaicas, e

esse no setor elétrico, que divulguem tecnologias e

a forma com que vem crescendo, no futuro, ele

este é um grande desafio que estamos enfrentando,

projetos relacionados ao segmento”, analisou.

possa se tornar realmente, um evento referência

principalmente, para a distribuidora, de conectar e

Minas Gerais, apesar de estar distante do mar,

do segmento no País, ampliando a participação

assegurar qualidade de energia com a inserção da

possui uma indústria voltada aos setores de óleo e

de empresas e abordando temas de maneira ainda

geração fotovoltaica. Nesse cenário, eventos como

gás. A paralisação praticamente da mineração, ou

mais profunda e evidente no que se refere a técnicas

o CINASE nos aproximam dos fornecedores e

sua redução drástica, acarretou para as empresas

de instalação e a boas práticas de engenharia”,

contribuem para que o sistema funcione da forma

da indústria elétrica um grande prejuízo, e agora as

exclamou.

mais adequada. É um grande desafio, porque hoje,

companhias precisam se reinventar. “Infelizmente,

Um

no Brasil, Minas Gerais é o Estado com maior

perdemos várias empresas durante estes últimos

executivo é a carência técnica que existe nesse

número de conexões de geração distribuída”,

cinco anos. Muitas indústrias do setor elétrico

mercado. “Percebemos que os nossos projetistas,

informou.

fecharam; outras, já estão retornando ao mercado,

instaladores, não têm o acesso privilegiado de quem

O presidente da Abrasip-MG, Bruno Marciano,

que está sinalizando uma melhora. Todos estão

participa de normalização ativa, tendo a informação

também expressou sua satisfação em participar

cautelosos, mas há um otimismo renascendo nos

up to date do que está acontecendo e sabendo

do evento. “Como apoiadores, nós queremos

industriais mineiros, e eu tenho certeza de que

quais serão os próximos passos do setor, e este

agradecer ao Adolfo e a todo o seu maravilhoso time

ao longo dos próximos seis ou oito meses, isso

tipo de evento traz a eles as informações atualizadas

por esse primoroso trabalho e por proporcionarem

recomeçará a se transformar em serviços, produtos

das quais eles precisam. Então, para que adotem

esse evento em Belo Horizonte. É uma grande

e investimentos que estão chegando ao Estado”,

boas práticas, este tipo de evento é fundamental, e

satisfação percebermos que temos propósitos

afirmou.

sempre terá o apoio da Clamper”, finalizou.

comuns, já que, assim como a Abrasip, o CINASE

Alfredo

da

Ronaldo Kascher, professor do Instituto

se preocupa com a capacitação dos profissionais

ABEE-MG, demonstrou intenso contentamento

Politécnico da PUC Minas, que ministra aulas nos

da engenharia elétrica”, comparou.

por ter prestigiado mais uma edição do evento.

departamentos de Eletrônica, Engenharia Elétrica

Alexandre Magno de Assunção Freitas, diretor

“Estamos junto com o CINASE há 10 anos,

e de Engenharia Aeronáutica, o apoio que a PUC

regional da Associação Brasileira da Indústria

participando de sua realização, lembrando que o

oferece a eventos desse quilate é muito importante

Elétrica e Eletrônica (Abinee-MG) e presidente do

primeiro aconteceu em Belo Horizonte, no CREA.

não somente para dar visibilidade aos alunos –

Sinaees conta que o Sindicato já apoia o CINASE

Depois, passou para o Minascentro, e agora, com

uma vez que foi amplamente divulgado no meio

há várias edições em Minas Gerais e afirma que é

10 anos, é a primeira vez que conseguimos realizá-lo

acadêmico –, mas também à sociedade como um

motivo de grande alegria ver a evolução do evento a

no Expominas. É mérito da equipe toda da Atitude

todo, face à importância da atualização sobre as

Ele destacou o fato de a apresentação principal

Marques

Diniz,

presidente

Em entrevista à nossa reportagem, o CTO da

Em relação ao evento, ele diz que ficou

ponto

importante

apontado

pelo


Evento

12

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

novidades da área elétrica. “No evento, em particular, inclusive, na área de descargas atmosféricas, foram transmitidas muitas informações valiosas aos alunos e aos profissionais que atuam na área. Eu acho extremamente importante essa junção prática entre a universidade e o mercado”, observou.

Na visão dos distribuidores, como é o caso da

Loja Elétrica, seu diretor comercial, Aluízio Ábdon Araújo enfatizou a relevância do CINASE pelo alto nível técnico que possui. “O público é composto por

engenheiros,

empresas

de

engenharia,

concessionárias, entre outros especialistas. Quem atua nesse segmento, precisa estar presente no CINASE, mostrando e conhecendo o que há de novo. É um evento superimportante para Belo Horizonte, que tem de se repetir. A vantagem é que não é uma feira, em que se entra e se encontra pessoas que não são da área. No CINASE, não há ninguém passeando. Todos que participam, vão para trabalhar. Então, é fundamental a sua continuidade”, apontou.

Sobre a empresa, ele relatou que a Loja Elétrica,

no ramo da distribuição, é a companhia mais antiga do Brasil, com 73 anos de mercado. No CINASE, já teve duas parcerias encaminhadas anteriormente, que foram fechadas no evento em decorrência da apresentação de produtos, do networking com fabricantes e da geração de negócios. “Minas Gerais é o Estado brasileiro com maior número de geradores montados. É o Estado da Federação mais importante em geração solar. A Loja Elétrica é um distribuidor, que fornece todas as linhas de geradores fotovoltaicos ou solares. Levamos as nossas soluções à exposição, porque hoje, o fotovoltaico deve estar em qualquer evento de eletricidade, porque é a ‘bola da vez’. O diferencial da Loja Elétrica para qualquer produto é vender uma solução completa”, comentou.

Ênio de Oliveira, diretor do Serviço Nacional de

Aprendizagem Industrial (SENAI) Belo Horizonte CETEL César Rodrigues disse que na área de energia elétrica, estava faltando em Belo Horizonte um evento da natureza como a do CINASE, que compreende palestras muito bem feitas, unindo fabricantes, a Federação (FIEMG), e discute áreas dinâmicas, como a de energias renováveis. “A iniciativa do Adolfo foi excelente, pois junta os profissionais de Belo Horizonte. Faltava uma feira que concentrasse as pessoas, e isso tanto é verdade que as palestras estiveram lotadas. É uma lacuna que o CINASE veio preencher muito bem. Temos certeza de que o evento crescerá ainda mais e que se tornará uma tradição”, elogiou.

O diretor executivo do Sindicato das Indústrias


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O Setor Elétrico / Setembro de 2019

de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e

Todas as abordagens tiveram como foco promover

Sanitárias no Estado de Minas Gerais (Sindimig)

a discussão de pontos polêmicos e apontar

– FIEMG, Gustavo Eskenazi Charlemont, explicou

soluções para cada questão colocada. A palestra de

que o Sindicato representa as empresas na área

abertura ficou por conta da CEMIG, que discorreu

de engenharia, o setor na área de transmissão,

sobre “Investimentos da CEMIG Distribuição”. Na

distribuição, parte de subestação de energia elétrica

ocasião, o especialista, que substituiu o diretor de

e, de igual modo, concede a sua contribuição sobre

Distribuição e Comercialização, Ronaldo Gomes

o CINASE. “Para nós, trata-se de um evento de

de Abreu, apresentou um histórico de como a

extrema importância para o conhecimento dos

Companhia vem investindo nos últimos anos,

nossos engenheiros e técnicos, assim como para

a metodologia adotada e ações para eficiência

geração de negócios”, declarou.

na definição e implantação do programa de

Paulo A. L. Hipólito, diretor da Sinergia,

investimentos, de modo a assegurar o crescimento

empresa que atua com representação comercial e

de mercado e o nível de qualidade dentro de

soluções em produtos para Geração, Transmissão

sua área de concessão. “O nosso trabalho está

e Distribuição de Energia destaca a deficiência

sendo feito no sentido de projetar o crescimento

de

de

dessa carga dentro do Estado, em princípio, sem

compartilhamento de informações em Minas Gerais,

nenhuma obra adicional, mas somente com o

e define o CINASE como excelente, porque, além

sistema existente. Avaliamos se com o sistema

de se conseguir reunir diversos setores, incluindo

elétrico atual conseguimos atender o crescimento

estudantes, nota-se uma grande interação entre

de carga, a todos os critérios de qualidade, a tudo

as escolas e faculdades. “Isso é muito bom para

que é solicitado”, explicou.

o nosso País, em um momento em que estamos

Ele conta que, com isso, normalmente,

tentando ‘reinventar a roda’, extraindo a experiência

aparecem alguns gargalos, que são violações

de escolas, juntando com empresas, mostrando

em alguns parâmetros, tais como carregamento,

os produtos brasileiros, porque nós temos muitos

tensão, DEC, custo de operação e manutenção

desafios, tais como produtos importados e

e pagamentos de compensações. “Há uma série

regulamentações que não saem do papel. É uma

de parâmetros que avaliamos e, para todos eles,

situação onde o importado chega ao País, com uma

temos um limite aceitável. Fazemos essa projeção

regulamentação internacional, todos são obrigados

e analisamos como está se comportando todo

a aceitar e nós mesmos criamos barreiras”, frisou.

o sistema elétrico frente ao crescimento de

“Outro ponto interessante a meu ver é que as

mercado. E, a partir daí, nós propomos, analisamos

palestras são dinâmicas, não são enfadonhas nem

e escolhemos as melhores obras para solucionar

cansativas, e voltadas ao pessoal técnico. O bacana

cada um dos problemas”, especificou.

também é que existe a premiação dos trabalhos de

projetistas, eletricistas, de modo que eles se sintam

obras, geralmente, bem significativo, com volume

valorizados, tendo orgulho de sua profissão, e isso

de investimentos bem elevado. “Fazemos um

também gera negócios”, complementou.

mapeamento disso no tempo, e esse trabalho é

O diretor-presidente da UFMG, Prof. Benjamin

feito de forma contínua, sempre revisitando esses

R. de Menezes, citou como a Universidade veio a

parâmetros, para verificarmos se estão adequados,

participar como apoiadora do CINASE. “Antes,

porque um dos grandes problemas ou incertezas que

nós não conhecíamos este evento, mas acabamos

temos é exatamente a projeção de mercado”, disse.

tendo algumas negociações com possibilidade,

O “Panorama Brasil e MG da Energia

inclusive, de realizá-lo na Escola de Engenharia,

Renovável” foi outro destaque apresentado na

que tem um centro muito interessante. É a nossa

manhã do dia 7, sob a ministração da Profª Dra.,

primeira participação. A organização do evento

Antonia Sonia Alves Cardoso Diniz, do Laboratório

nos procurou para conversar sobre o evento e a

PUC Minas de Fotovoltaica, e de Daniel Sena Braga

possibilidade do apoio, e estamos auxiliando em

e Dênio Cassini, do Green Solar. A palestra traçou

seu patrocínio”, contou.

o panorama das energias renováveis no mundo e

disseminação

de

conhecimento

e

O resultado desse processo é um portfólio de

falou sobre o Green Solar, um grupo de estudos de Jornada de conteúdo

energia, há 22 anos focado no estudo de energias

renováveis, principalmente, a solar.

Com a programação totalmente reformulada,

esta edição do CINASE destinou um tempo maior

A Profª Antonia Sonia abordou o assunto

para o debate dos temas “Aterramento e SPDA”.

com total propriedade ao trazer dados atualizados


Evento

14

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

sobre a matriz elétrica do Brasil e do exterior. “A

O “Panorama Mineiro do Setor Elétrico e a

“Em Minas Gerais, no ano passado, a indústria

matriz elétrica do mundo é 73,5% não renovável,

Indústria” contou com a participação de outros

representava 40% entre os consumidores finais da

mas o crescimento das renováveis tem sido muito

convidados especiais: Márcio Danilo, presidente da

CEMIG”, contabilizou.

efetivo e rápido. Em 2018, já tínhamos uma grande

Câmara de Energia da FIEMG, Tania Mara Aparecida

participação de eólica, biomassa e solar, sem

Costa Santos, assessora executiva de Energia

vez, falou sobre a câmara de energia da FIEMG

considerar as hidrelétricas”, comentou.

defesa indústria – FIEMG e Daniela de Britto Pereira,

e assessoria de energia e sobre como a FIEMG

gerente de estudos econômicos da FIEMG.

atua, dada a relevância do custo da energia

em energias renováveis, tendo chegado ao setor

As palestras apresentaram as ações do Sistema

elétrica para a indústria, a representatividade

fotovoltaico em 2005. “A China tem dominado

FIEMG envolvendo o setor de energia, o qual

desse custo para o desenvolvimento do Estado e

completamente esse mercado, pois ela, além de

trabalha para contribuir efetivamente com a indústria

a necessidade de geração de emprego e renda no

ser a maior produtora de módulos fotovoltaicos e

mineira, buscando resultados que sustentem sua

Estado de Minas Gerais. “As ações da FIEMG na

coletores solares, é também é a maior consumidora.

competitividade. Daniela de Britto Pereira explicou

Câmara de Energia e na assessoria visam reduzir

Possui instalado um grande potencial e ampla

que isso é possível por meio dos serviços e produtos

os custos, atrair investidores para o Estado de

quantidade de sistemas e plantas solares, sejam

oferecidos pelas cinco empresas que compõem

Minas nos negócios de geração, de transmissão

normais ou flutuantes. As maiores usinas do mundo

o Sistema: Federação das Indústrias do Estado

e de distribuição e aumentar a competitividade

hoje se concentram na Ásia. China e Índia estão

de Minas Gerais (FIEMG), o Centro Industrial e

das indústrias”, contou. “Na Câmara da Energia,

liderando o mercado”, revelou.

Empresarial de Minas Gerais (CIEMG), o Serviço

nós fazemos um processo decisório com

A China tem se destacado em investimentos

Tania Mara Aparecida Costa Santos, por sua

A especialista analisou ainda os cenários

Social da Indústria (SESI), o Serviço Nacional

identificação dessas oportunidades de atração

apontados pelo Greenpeace, pelo Banco Mundial

de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Instituto

de investimentos para o Estado nas diversas

e pelo International Energy Association, e todos

Euvaldo Lodi (IEL). Juntas, essas empresas oferecem

fontes de geração: solar, hídrica, biomassa,

indicaram uma alta penetração de energias

à indústria mineira estratégias para o desenvolvimento

e

renováveis (sem considerar a hidrelétrica) até 2050,

industrial. “A FIEMG está totalmente orientada para

participações também nos leilões do Governo,

sendo que, até lá, a eletricidade solar e eólica

ações que garantam aumento de competitividade

de transmissão e de distribuição na parte de

deverão dominar a geração de eletricidade mundial.

e produtividade da indústria e, consequentemente,

geração distribuída, eficiência tecnológica. Nos

No Brasil, a capacidade instalada atingiu

desenvolvimento econômico para o Estado de Minas

diversos modelos de negócios existentes na área

165GW, ou seja, de capacidade instalada, só de

Gerais”, avaliou.

de energia, nós sempre promovemos fóruns de

fotovoltaica no mundo, há mais do que duas vezes

Daniela deu um breve panorama sobre

debate e convidamos os interessados industriais,

e meia a capacidade instalada no País, mesmo

a importância do custo de energia para a

investidores, players, para que Minas Gerais

com todas as hidrelétricas em Itaipu. “Em 2027,

competitividade da indústria. Ela disse que Minas

possa ser pioneira e exportadora de energia”,

teremos a eólica com uma participação de 3,6% na

de Gerais teve um Produto Interno Bruto (PIB)

sustentou.

matriz elétrica. Eu espero que os nossos ‘amigos’

de quase R$600 bilhões, em 2018, e que é o

A

óleo combustível e carvão mineral realmente

terceiro maior PIB do Brasil, ficando atrás apenas

Fotovoltaicos” foi ministrada por Wagner Barbosa,

desapareçam da nossa matriz elétrica, porque eles

de São Paulo e do Rio de Janeiro. “O nosso PIB

diretor técnico da Clamper. Ele afirmou que esse

são a nossa mácula”, expressou.

industrial representa aproximadamente 22% do

assunto está em voga e que muitas coisas estão

Ademais, a Profª forneceu uma visão geral

PIB de Minas Gerais, sendo o setor de serviços

acontecendo em nível global e, principalmente, no

dos investimentos no setor elétrico até 2027, que

a maior parcela, mas a nossa participação do PIB

Brasil. “Para se ter uma ideia, a causa raiz da queima

deverão girar em torno de quase R$6 bilhões, dos

industrial do Brasil é de quase 11%. Empregamos,

de 55% de transformadores no País é raio, sendo

quais ¾ em geração e ¼ em transmissão. “Somente

nos 21 milhões de habitantes no Estado de

que quando se coloca uma proteção no lado de

em eólica, serão investidos R$69 milhões; em solar

Minas, quase 1 milhão e 50 mil pessoas (dados

baixa tensão, essa possibilidade vai a zero. Proteger

fotovoltaica, R$33 milhões; em biomassa, R$13

de 2017, disponível pelo Ministério do Trabalho e

equipamentos, mesmo que sejam eletromecânicos, é

milhões; e em PCH’s, R$14 milhões. Se trata de

Emprego)”, informou.

extremamente necessário no mundo atual”, orientou.

empreendimentos leiloados ou em estudos com

licenciamento ambiental, e, portanto, já previstos”,

energia. No Brasil, esse percentual é de 36%,

cidades está sendo inteiramente substituída por

antecipou.

seguido do residencial e do setor de serviços.

LEDs, mas a troca do sistema convencional não

A indústria é o principal consumidor final de

alertamos

as

palestra

oportunidades

“Proteção

para

sobre

as

sistemas

Ainda segundo ele, a iluminação pública das


15

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

oferece payback se não possuir proteção contra

estando, mais ou menos, na metade dos trabalhos.

surtos. “O driver do LED queimará antes de ele se

pagar, em função dos índices elevados existentes

edição atual, ou seja, parte-se deste documento

no País”, examinou.

para se introduzir as melhorias. “Não haverá uma

“Minas Gerais e o Brasil precisam de

transformação significativa da nova NBR 5410.

Redes Subterrâneas Inteligentes!” foi outro tema

Usamos como contribuições o que há de mais

que despertou o interesse dos participantes,

recente na publicação da norma base, que é a IEC

apresentado pelos especialistas Daniel Bento,

60364”, explanou.

diretor executivo da Baur do Brasil, e Edmilson

O

José Dias, da CEMIG. Em sua palestra dinâmica,

do público alguns pontos da norma, a fim de

Daniel Bento falou sobre os 3 D’s que estão

apresentar os resultados das discussões e o que

acontecendo no mundo, que são: Descarbonização,

provavelmente seguirá para consulta nacional.

Descentralização e Digitalização. Em nível global,

“Nada está decidido, mas já vale para provocarmos

todos os elementos estão presentes para que

pelo menos algum tipo de reflexão”, sugeriu.

essa transição energética aconteça e, de acordo

com Bento, se trata de um caminho sem volta.

tecnologias e soluções BIM nas Instalações

“O nosso GTD está sendo afetado drasticamente

Elétricas Prediais” ficou por conta de Francisco

por uma pressão de dinheiro, custos menores,

de Assis Araújo Gonçalves Jr., especialista em

envelhecimento das redes, necessidade de mais

produtos e serviços na AltoQi, que mostrou à plateia

confiabilidade, e essa transição acontecerá, quer

o que há de novas tecnologias e ferramentas para

queiramos, quer não”, apontou.

as instalações elétricas, especificamente, já de

Em meio a diversas questões levantadas em

acordo com as normas brasileiras, principalmente,

seu discurso, remetendo à vontade política, preparo

com a NBR 5410 e com a NBR 5419, e com

da sociedade e soluções tecnológicas existentes, o

o padrão brasileiro de projetos e instalações

especialista lança uma pergunta afirmativa: E Minas

prediais.

Gerais e o Brasil: precisam realmente de redes

subterrâneas e inteligentes, porque, com a chegada

diretor da Gimi Pogliano Blindosbarra Barramentos

esses 3 D’s, como iremos nos comportar com uma

Blindados e da GIMI Quadros Elétricos fez uma

rede tão frágil – que é o caso das redes aéreas – e

apresentação brilhante sobre “Painéis elétricos,

com uma confiabilidade tão duvidosa?”, ponderou.

arco elétrico e EPI”, cujo objetivo foi falar sobre arcos

Trazendo os 3 D’s para a realidade mineira,

internos dentro de um painel de um conjunto de

Bento fez as seguintes colocações. “No

manobra em alta tensão, quais são as implicações,

campo da descentralização, o Brasil já passou

o que pode ser feito para diminuir as consequências

a marca de 1GW em geração distribuída, e

do arco quando ele se sustenta dentro do painel,

Minas Gerais está em primeiro lugar. No que se

entre outras questões associadas.

refere à descarbonização, Minas é o segundo

Dentre os tópicos tratados, o executivo

Estado brasileiro com maior capacidade de

tratou sobre a norma de construção de conjuntos

usinas solares de grande porte. Falando sobre

de manobra de alta tensão e dos detalhes do

digitalização, o Estado é o quarto maior em

documento, traçou um panorama das instalações

território e, por estar interligado no Sistema

em geral, apresentou definições, informou o que

Interligado Nacional (SIN), exige recursos de

é necessário se entender na configuração de um

automação, robusta e sofisticada. Entendo

conjunto, ensaios etc.

que Minas necessite de redes subterrâneas

inteligentes”, completou.

Graziano, o engenheiro eletricista e CEO da

A metodologia utilizada foi o texto base, a

especialista

levou

ao

conhecimento

A abordagem do tema: “As mais novas

Nunziante Graziano, engenheiro eletricista e

Dando continuidade à palestra de Nunziante

e

Engepower, Claudio Mardegan, abordou o arco,

consultor e diretor da Barreto Engenharia, foi

as formas de proteção no que tange a EPI’s e

o responsável por tratar do tema: “Revisão da

EPC’s, e como a seletividade vem mudando com

NBR 5410 – Instalações Elétricas BT”. Em sua

o arco, porque a maioria das empresas não leva em

palestra impecável, falou sobre o procedimento

conta a corrente de arco. Ele esclareceu o porquê

e estabelecimento das regras para revisão por

do surgimento do arco, sua história, entre outras

se tratar de um assunto bastante extenso e com

questões, a fim de orientar o que é necessário que

pontos polêmicos. Ele conta que a efetiva discussão

seja feito e para onde se está caminhando quando

técnica começou em 2014 e que continua até hoje,

o assunto é segurança.

Paulo

Barreto,

engenheiro

eletricista


Evento

16

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Prêmio O Setor Elétrico de Qualidade das Instalações Elétricas Universidade Federal de Minas Gerais, com graduação em Engenharia Elétrica pela mesma Universidade desde 1969, tendo realizado diversos cursos de especialização na área, como engenharia econômica, gestão de recursos humanos, materiais financeiros, de negócios, de Marketing e Informática. “Eu gostaria de agradecer ao Adolfo, ao CINASE e à revista O Setor Elétrico por essa homenagem que eu não imaginava receber. Tenho uma honra muito grande de estar aqui, especialmente ao lado da Professora Sonia. Cumprimento os presentes, os patrocinadores, em especial, em nome do meu grande amigo Ailton Ricaldoni, que foi um desbravador dessa área de energias alternativas”, celebrou.

Na sequência, Adolfo Vaiser expressou seu

extremo apreço pelo trabalho da Abrasip-MG, a Na noite de 6 de agosto, foi realizada,

tecnológico sempre estiveram juntos, e é isso

qual, ele avalia como uma entidade diferenciada,

no auditório do Expominas (MG), a 5ª edição

que me motiva e que me alavanca a cada dia

agradecendo a parceria. “A Abrasip-MG merece

do Prêmio o Setor Elétrico de Qualidade das

para crescer mais. Agradeço também à minha

todo o nosso reconhecimento e dos profissionais

Instalações Elétricas, um reconhecimento único

família, aos meus amigos e aos meus colegas

da elétrica e da engenharia como um todo”,

dos projetos que privilegiam a engenharia elétrica

de trabalho, que me ajudaram muito nessa

declarou.

de forma sustentável, tecnológica, com eficiência

trajetória”, declarou.

Ainda em seu discurso, Vaiser também

e conservação e, acima de tudo, que seguem as

Antonia Sonia é dona de um currículo

menciona o nome de Ailton Ricaldoni Lobo,

normas técnicas pertinentes.

extenso, com alto grau de qualificações e

outro ícone do mercado, o qual já foi diretor da

Antes de dar início às premiações, foram

experiências: é Pós-Doutora e professora

Abinee regional e é proprietário de uma indústria

homenageadas duas personalidades do setor,

visitante da Arizona State University; Doutora

reconhecida a nível Brasil, mas que deve ser

destacadas por terem grande representatividade

e física em Engenharia e em Materiais Solares

destacado pelo trabalho que desenvolve como

no meio em que atuam. A primeira delas foi

pelo Material Science and Engineer Department,

ser humano e como engenheiro para a indústria

engenheira Antonia Sonia Alves Cardoso

Universidade de Liverpool; engenheira eletricista

mineira.

Diniz, que prestou uma contribuição bastante

pela PUC de Minas Gerais e bacharel em Física

significativa para o Estado de Minas Gerais ao

pela Universidade Federal de Minas Gerais.

regional de Belo Horizonte, também foi

longo de sua caminhada, em diversas áreas,

Atualmente, é coordenadora do Green PUC

prestigiado, subindo ao palco e proferindo

sendo a principal delas no campo do setor

Minas do Grupo de Estudos em Energia, do

as seguintes palavras: “Eu gostaria de deixar

elétrico. “Me sinto honrada e emocionada

Instituto Politécnico, e professora pesquisadora

registrada a minha satisfação, não como diretor

por receber essa homenagem. Agradeço, em

do Programa de Pós-Graduação em Engenharia

da Abinee nem presidente do Sinaees, mas

especial, à FIEMG, que me indicou e, com tanto

Mecânica da PUC.

como pessoa que acompanhou durante todo

carinho, recebo de coração. Agradeço também

O segundo homenageado da noite foi o

esse período o desenvolvimento do CINASE

aos organizadores deste evento. Na minha

engenheiro eletricista José da Costa Carvalho

em Minas Gerais, e ver que o evento está

carreira, vida, engenharia e desenvolvimento

Neto, mestre em Engenharia Elétrica pela

se tornando uma referência do segmento

Alexandre Freitas, atual diretor da Abinee


17

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

eletroeletrônico no Estado, o que nos dá muito

e parabenizo a todos, indistintamente. O

orgulho. Havia uma lacuna no Estado, que está

importante é que todos nós estejamos fazendo

sendo muito bem preenchida por essa iniciativa.

um bom trabalho, sempre dentro da boa prática

Parabéns!”, expressou.

da engenharia”, afirmou.

Feitas todas as homenagens, o coordenador

A seguir, foram anunciados os projetos que

técnico do CINASE, Jobson Modena, subiu ao

se destacaram por sua concepção e aplicação

palco para explicar como se deu a avaliação

em seis categorias. Foram elas:

técnica de cada de projeto. Segundo ele, os projetos foram recebidos, dentro das seis

• Instalações Elétricas Prediais e Industriais;

categorias. “Cada categoria, em média, de oito

• Inovação Tecnológica;

a 12 itens foram avaliados por cinco julgadores

• Pesquisa e Desenvolvimento;

constantes, que nos acompanham pelo CINASE

• Projeto Luminotécnico;

no Brasil inteiro, mas cinco da região de Minas

• Energias Renováveis;

Gerais, para dar a credibilidade que esta

• Prêmio O Setor Elétrico – Região Sudeste –

premiação merece. Os julgadores tiveram os

Estado de Minas Gerais.

37 projetos inscritos em mãos e nos passaram as notas, que foram contabilizadas. Foi feita,

Esta edição recebeu, ao todo, 37 projetos,

então, uma média ponderada para a situação de

o maior número desde que foi lançada a

que cada jurado atribuía nota nos quesitos que

premiação, com participação da universidade,

a ele fossem mais confortáveis, e a partir daí,

concessionária,

chegamos aos resultados,” esclareceu.

distribuidores de materiais elétricos, entre outros.

Para a maior nota de todos os projetos, foi

O trabalho de divulgação foi iniciado em janeiro

concedido o Prêmio de projeto do ano de Belo

deste ano, contando com um forte empenho

Horizonte. “Eu, como jurado, pude ver uma

das associações e entidades da região de Belo

qualidade técnica bastante alta dos projetos,

Horizonte.

empresas

de

engenharia,

Conheça os vencedores: • Categoria: Instalações Elétricas Industriais e Comerciais Vencedor: Eng. Eletricista Carlos Alexandre de Freitas Jorge Empresa: Lumens Engenharia Projeto: Hospital Mater Dei Betim-Contagem

O Hospital Mater Dei Betim-Contagem, localizado na via Expressa, nº 15.472, Bairro Duque

de Caxias. Betim (MG), foi inaugurado em janeiro de 2019 em uma área construída de mais de 42 mil m² e reúne diversas especialidades médicas, como Pronto Socorro adulto e pediátrico, maternidade, CTI adulto pediátrico e neonatal, salas cirúrgicas, entre outros serviços para prestar atendimento, levando serviços médico-hospitalares de alta qualidade à região oeste de Minas Gerais. A Lumens foi responsável pela elaboração dos projetos de engenharia de sistemas prediais.

“O Prêmio tem a importância de valorizar os empreendimentos locais, e o setor de engenharia

precisa dessa energia, dessa força que a premiação traz. Existe muita premiação para a indústria, para lojistas, mas à equipe de engenheiros e consultores, a revista O Setor Elétrico conseguiu trazer uma nobreza, uma valorização do papel dos profissionais locais, realizando essa premiação. Essa iniciativa foi excelente! Eu gostaria de agradecer à organização, parabenizar pelo evento e dizer que todo projeto é um desafio, ainda mais se tratando de um hospital desse porte, como o do Mater Dei. Agradeço a homenagem!”, exprimiu o engenheiro eletricista e diretor na Lumens Engenharia, Carlos Alexandre de Freitas Jorge. • Categoria: Energia Renovável Vencedor: Eng. Eletricista Breno de Assis Oliveira Empresa: Viabile Arquitetura + Engenharia Projeto: Elaboração dos Estudos e Projetos Executivos de Engenharia


Evento

18

Necessários para Implantação dos Abrigos e Caminhos da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves

O escopo de trabalho refere-se à implantação de 14 abrigos de ônibus

e caminhos de acesso aos prédios das secretarias de governo. Os projetos de arquitetura e estrutural foram contratados em separado pela CODEMIG. Os abrigos localizados dentro da cidade administrativa dispões de algumas funcionalidades indispensáveis para a integração às edificações e aos serviços ali previstos (exemplos: segurança patrimonial, telecomunicações, CFTV, automação, elétrico etc.

“É bastante interessante nós, como engenheiros eletricistas, projetistas,

conquistarmos uma premiação. Muito obrigado a todos pela presença, obrigado ao CINASE!”, disse o engenheiro eletricista Breno de Assis Oliveira. • Categoria: Pesquisa & Desenvolvimento Vencedores: Eduardo Gontijo Carrano, D.Sc. (Coordenador), Felipe Campelo França Pinto, Ph.D. (Pesquisador), Lucas de Souza Batista, D.Sc. (Pesquisador), Ricardo Hiroshi Caldeira Takahashi, D.Sc. (Pesquisador) Empresa: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Projeto: Gestor integrado de falhas Ferramenta para construção do plano de restauração da rede, considerando sequenciamento das manobras, atribuição e roteamento de equipes

“Agradecemos aos Professores Ricardo Hiroshi Caldeira Takahashi e

Felipe Campelo França Pinto, aos nossos bolsistas do projeto e à empresa que nos ajudou na transferência de tecnologia e na implantação do sistema, pois quando se quer desenvolver um produto, se precisa disso. Não podemos deixar de agradecer também à organização do CINASE e à revista O Setor Elétrico”, declarou Eduardo Carrano.

O professor do departamento de Engenharia Elétrica da UFMG, Lucas

Batista, também tomou a palavra: “É uma enorme satisfação receber essa premiação, e eu acho que vale a pena mencionar que isso nos motiva a continuarmos com o nosso trabalho, tanto na universidade, quanto com a interação com a empresa e com a indústria, o que contribui para a sociedade e para o País em geral. Muito obrigado e parabéns pelo evento!”, expressou. • Categoria Projeto Luminotécnico Vencedor: Engenheira Karla Cristina de Freitas Jorge Abrahão Empresa: Lumens Engenharia Projeto: Revitalização do Edifício Centro Mineiro de Convenções Israel Pinheiro – Minascentro.

O Centro de Convenções Israel Pinheiro da Silva – Minascentro, localizado em

frente à entrada principal do Mercado Central de Belo Horizonte, é um dos locais mais importantes da Capital para a realização de eventos. O prédio do arquiteto Francisque Cuchet, foi construído em 1926 para sediar o Ginásio Mineiro (atual Escola Estadual Governador Milton Campos). Inaugurado oficialmente em 1984, o prédio passou por várias adaptações e a fachada foi alterada. Conta com dois teatros, seis auditórios e 18 salas de apoio, áreas para feiras e exposições e um espaço multiuso para seis auditórios, com capacidade total de 1.500 lugares.

A Lumens foi responsável pela elaboração do projeto luminotécnico de

modernização do Minascentro.

O Setor Elétrico / Setembro de 2019


O Setor Elétrico / Setembro de 2019

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• Categoria: Inovação Tecnológica Vencedor: Engenheiros Daniel Senna Guimarães, Flávio Henrique Martins Vieira, Francisco Elson Caldeira Dias, Gabriel Fernandes de Carvalho, Leonardo Bahia Pinto Lima e Sebastião Jacinto Brito Empresa: CEMIG Distribuição S.A. Projeto: Projeto de Instalação de Telecomunicações para Automação de Redes na Região Metropolitana de Belo Horizonte

O projeto Transcende tem como objetivo a implantação de uma

rede de telecomunicações de Rádio Frequência privada na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), visando melhoria de disponibilidade para o comando remoto de religadores. Esses equipamentos estão instalados no sistema elétrico de potência e são responsáveis por manobrar a rede de distribuição de forma a isolar a falta de energia elétrica para o menor número de clientes possível, em muito menos tempo.

“É uma grande emoção recebermos o prêmio, dividindo-o

com os colegas que o fizeram. Trata-se de uma inovação do setor elétrico. Tivemos o grande privilégio de começarmos na CEMIG um projeto de redes inteligentes – Smart Grid, e vermos isso colocado em prática é muito bom, porque saímos de uma área de pesquisa e partimos para campo, colher frutos. É preciso se tenha controle do sistema elétrico e grande parte dele está na telecomunicação e na automação. Com esse avanço que a CEMIG está dando, com a instalação de 1.100 religadores controlados, levaremos esse projeto para o interior e colocaremos Minas Gerais em um bom patamar de controle de sistema elétrico de média e alta tensão”, afirmou a equipe. • Categoria Projeto OSE 2019 – Edição BH Vencedores: Eduardo Gontijo Carrano, D.Sc. (Coordenador), Felipe Campelo França Pinto, Ph.D. (Pesquisador), Lucas de Souza Batista, D.Sc. (Pesquisador), Ricardo Hiroshi Caldeira Takahashi, D.Sc. (Pesquisador) Empresa: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Projeto: Gestor integrado de falhas

Ferramenta para construção do plano de restauração da

rede, considerando sequenciamento das manobras, atribuição e roteamento de equipes.

“Não esperávamos subir ao palco pela segunda vez. Quando

propusemos esse projeto, sabíamos o quanto que o tema restauração está batido nas empresas e, quando olhávamos para o problema, identificávamos lacunas. Por se tratar de um trabalho bastante estressante, sugerimos o uso de uma ferramenta que pudesse tratar os entraves existentes da melhor forma possível”, concluiu.

Ao final da premiação, o público contou com a presença do

talentoso mestre na arte do humor, o irreverente palestrante e humorista Thiago Carmona, que encerrou a noite com chave de ouro.


Painel de mercado

20

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

XIII Conferência Brasileira sobre Qualidade da Energia Elétrica (CBQEE) Focado na discussão do tema Qualidade da Energia Elétrica, o evento contou com 236 trabalhos inscritos e reuniu 204 participantes no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP)

bases e deem continuidade aos trabalhos, frente a todo o conteúdo que absorveram durante os quatro dias do evento. “É um privilégio podermos compartilhar

essa

grande

quantidade

de

conhecimento para todos”, comemora. Flávio Garcia, diretor de Engenharia e Pesquisa e Desenvolvimento da empresa BREE Eficiência Energética, destaca o fato de a Sociedade Brasileira de Qualidade de Energia ter maior representatividade do que qualquer outro país em termos de quantidade de pessoas, e explica que isso propicia uma forte atuação na solução de problemas. “Nós que estamos no âmbito da fabricação dos equipamentos de qualidade de energia e da aplicação de soluções, temos uma responsabilidade enorme de atender à expectativa do mercado, o qual começou a melhorar no segundo semestre de 2019. Observou-se uma demanda bastante Dentre os dias 1 e 4 de setembro de 2019,

por distúrbios de QEE; o Módulo 8 do Prodist e

grande, porque os equipamentos de qualidade

o Instituto Mauá de Tecnologia recebeu, em

suas relações com os consumidores; práticas de

de energia permitem que a eletrônica que está

seu campus de São Caetano do Sul (SP), a

gestão da qualidade do produto; sensibilidade e

chegando funcione de maneira adequada”,

XIII Conferência Brasileira sobre Qualidade da

suportabilidade de equipamentos; qualidade do

explica.

Energia Elétrica (CBQEE), evento bienal voltado

serviço nos sistemas de distribuição de energia

Ele conta que mesmo que existam

à discussão do tema. Composto por três sessões

elétrica, entre outros. “Isso tudo é a vanguarda

investimentos nessa área, às vezes, um problema

plenárias, 28 sessões técnicas e um minicurso,

dos trabalhos na área de qualidade da energia,

de qualidade que é criado acaba sacrificando

o objetivo foi debater assuntos relacionados à

feitos no Brasil. Participam do evento os

a própria vida dos equipamentos eletrônicos.

distribuição, qualidade e consumo da energia

principais pesquisadores da área, engenheiros,

“Inversores de frequência e equipamentos de

elétrica.

estudantes,

da

geração solar e eólica, por exemplo, sofrem muito

consultores,

profissionais

Organizada pela Sociedade Brasileira de

indústria, concessionárias de energia, órgãos

se a qualidade de energia não estiver dentro de

Qualidade da Energia Elétrica (SBQEE) e pelo

reguladores, e o que esperamos como resultado

um patamar mínimo, que já está estabelecido

próprio Instituto Mauá de Tecnologia, a edição

é um direcionamento para a comunidade que

pelo mercado. A ‘cereja do bolo’ é a qualidade

deste ano contou com 208 trabalhos inscritos,

trata do tema, das linhas de pesquisa e de

do fornecimento de energia, porque, se não, o

dos quais 168 foram aceitos para publicação no

atuação que o setor de qualidade da energia

aparelho queima, não funciona corretamente,

evento. As inscrições trataram sobre diversos

está tomando no Brasil, vide que o País é um dos

e a rede toda se sobrecarrega. Tudo o que é

temas, passando por normas, recomendações,

principais atores nessa área em todo o mundo”,

discutido no fórum do CBQEE diz respeito

indicadores e limites; fontes de distúrbios;

declara Mateus Duarte Teixeira, presidente da

justamente a isso: como se ter uma rede mais

diagnósticos, soluções e técnicas de mitigação;

SBQEE durante o biênio 2017-2019.

confiável, com menos perdas e mais qualidade

qualidade de energia elétrica no contexto

de fornecimento”, afirma.

das redes inteligentes; análise da eficiência

é que haja um reforço na transmissão do

energética no contexto da qualidade da energia

conhecimento das pessoas que estiveram

e Instalações e vice-presidente do SBQEE, José

elétrica; compartilhamento de responsabilidade

presentes, a fim que elas retornem às suas

Starosta, o evento contribui para a formação de

Ele acrescenta que o intuito do encontro

Para o diretor da empresa Ação Engenharia


O Setor Elétrico / Setembro de 2019

21

opinião das pessoas, empresas, concessionárias, universidades, escolas etc. “Além da boa qualidade do local do evento, notamos um preparo excepcional dos participantes que trouxeram seus trabalhos. Professores com teses muito pertinentes, apresentação de verdades absolutas. Percebemos a preocupação das pessoas em acertar, sem ferir um lado ou outro, mas sempre buscando as melhores práticas, para depois, se tornarem normas. O que se viu foi uma perspectiva do que acontecerá daqui para a frente. O nível das apresentações é altíssimo e as questões são muito bem colocadas e bem defendidas, até mesmo pelos alunos mais precoces, o que é muito interessante. O evento é campeão!”, celebra.

De acordo com o diretor administrativo da

SBQEE, Arthur Fernando Bonelli, a área de qualidade da energia está sempre em evolução e é um nicho bastante abrangente, relacionado à toda a área de energia elétrica, desde geração, transmissão,

distribuição,

consumidores,

indústrias, mas ainda possui muitos desafios. “Notamos uma participação muito intensa nas seções técnicas e de perguntas, quase sem nenhuma vacância de apresentação. Outro ponto positivo é o fácil acesso do local escolhido para o evento, São Caetano do Sul, e a boa estrutura do Instituto para receber as pessoas. No geral, eu, pessoalmente, estou muito feliz com o CBQEE, por fazer parte da organização e pelo resultado financeiro expressivo que alcançamos, mesmo diante do atual cenário adverso”, salienta.

Vinicius Passos, engenheiro de aplicação na

área de capacitores e filtros da empresa ABB – uma das patrocinadoras desta edição – confirma o sucesso do evento ao ressaltar que houve uma excelente troca de experiência entre fabricantes, consultores e todos os agentes do mercado, o que, segundo ele, é bastante enriquecedor no sentido de levar essas experiências às empresas para o aperfeiçoamento de produtos e processos. “O principal ponto que destaco no evento foi a empatia entre os participantes, que atuaram de modo a passar conceitos adiante, mesmo entre fabricantes concorrentes, os quais apresentaram seus projetos. São eventos como esse que fazem a diferença e permitem que consigamos trabalhar melhor e oferecer mais qualidade e menos paradas e prejuízos aos nossos clientes”, ressalta.


Painel de mercado

22

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

ministrada pelo Prof. Dr. Alexandre Rasi Aoki,

que precisamos é garantir que os equipamentos

engenheiro eletricista, Mestre em Engenharia

de mercado atendam às normas, para evitarmos

Elétrica, membro e coordenador do Comitê de

problemas maiores na rede de distribuição, e

Estudos C6 do Cigré e Membro Sênior do IEEE

também atualizarmos essa norma técnica de

Power & Energy Society, que abriu a Sessão

conexão, porque hoje, nós já temos um cenário

Plenária 1 – “Sistemas inteligentes de distribuição

com índice de penetração razoável distribuída na

de energia e suas implicações para QEE”. O tema

rede, e é necessário avançar a legislação. Isso, a

de sua apresentação foi: “Sistemas ativos de

Aneel já percebeu, e essa Resolução já está em

distribuição e recursos distribuídos de energia, em

audiência pública”, esclarece Aoki.

que apresentou uma visão futurística das redes

elétricas inteligentes e os obstáculos a serem

de energia com baterias foi outro exemplo

superados nos próximos anos.

interessante que foi explanado dentro do tema

O sistema ativo de distribuição é um cenário

tratado pelo Professor. Desde 2016, a Agência

mais próximo da realidade atual, isto é, da

Nacional de Energia Elétrica (Aneel) incentivou

evolução da tecnologia que está sendo inserida

o estudo da inserção desses sistemas de

na distribuição de energia elétrica. Tal sistema

armazenamento de energia com baterias no

contempla um mecanismo onde se consegue

setor elétrico, e foram incluídos diversos projetos

gerenciar os fluxos de potência na rede de

de P&D, na chamada de P&D estratégico nº

distribuição, com uma topologia mais flexível,

21 da Agência. Ao todo, foram 29 projetos

considerando que existe a presença desses

apresentados e mais de 20 aprovados, os quais

recursos distribuídos de energia, que vão desde

estão sendo executados em todo o Brasil. Essas

A aplicação de sistemas de armazenamento

O gerente de Contas da Fluke, Rodrigo

a geração distribuída, como painéis fotovoltaicos,

baterias servem para diversas funcionalidades,

Pereira, afirma que o CBQEE é um evento

gerações eólicas, agora, mais recentemente, o

como, por exemplo, suavização da intermitência

único no Brasil, focado nas tendências e

armazenamento de energia, como, por exemplo,

e gerenciamento dos picos de carga, mas é

desafios no segmento de qualidade de energia,

com os sistemas de baterias, que já estão sendo

preciso ter a ciência de que isso não funciona

com participação qualificada do setor em

testados para operação junto com o sistema de

tudo ao mesmo tempo e que cada funcionalidade

geral, envolvendo fabricante de equipamentos,

energia elétrica. “Outros avanços – já um pouco

é um controle que existe dentro do equipamento.

pesquisadores, concessionárias de energia etc.

mais modernos – são recursos de resposta da

“Muitas

“Boa parte dos estudos realizados em qualidade

demanda e os prosumers (prosumidores), que

todos esses controles disponíveis, mas não

de energia foi feita com o uso dos equipamentos

são os consumidores que possuem geração ativa

podem operar simultaneamente, mas sim, um

da Fluke, e isso nos deixa felizes, pois temos a

e capacidade de controlar o seu comportamento

de cada vez. Então, cabe todo um estudo de

missão de continuar fornecendo ferramentas de

de consumo. Tudo isso dentro desse cenário

parametrização e operação”, orienta.

alto nível. Com a nossa participação no evento, foi

forma o que chamamos de sistema ativo de

Fabiano Andrade de Oliveira, graduado

possível validar os principais desafios dos nossos

distribuição”, conta.

pela Universidade Federal de Uberlândia (MG),

clientes em suas tarefas para que consigam atingir

Ademais, outra novidade mencionada foram

com Mestrado em Engenharia Elétrica, que

seus objetivos e possam compartilhar com todos

as microrredes, que também entram nesse

atualmente trabalha no Operador Nacional

as principais novidades que a Fluke apresentou

pacote de modernização da distribuição de

do Sistema Elétrico (ONS) como engenheiro

nos últimos meses”, destaca.

energia elétrica. Para se entender melhor como

especialista na área de Qualidade de Energia,

Segundo o coordenador do curso de

o processo está acontecendo, é importante

deu início à Plenária 2, ocorrida no dia 03/09,

Engenharia Elétrica do Instituto Mauá de

compreender

necessárias,

sobre “Compartilhamento de Responsabilidade

Tecnologia, Edval Delbone, o evento foi de

ou habilitadoras, para um sistema ativo de

por distúrbios de QEE”, explicando o que

grande valia a todos. "A CBQEE trouxe novos

distribuição. “Dentro do que já existe na

essa temática está gerando para melhorias

conhecimentos para os alunos e professores,

distribuição de energia elétrica, se começa a

do processo de qualidade de energia. Na

principalmente para os que trabalham com esse

enxergar o sistema, primeiro, com a presença de

apresentação, ele introduziu o processo

assunto, além de gerar uma expectativa para

geração distribuída, porque é algo que já vem

de qualidade de modo a nivelar todos os

intensificar as aulas de qualidade e eficiência

desde o início da década, ocorrendo fortemente

participantes presentes; discorreu sobre o atual

energética, com possibilidade de surgir até um

no Brasil, e agora estamos passando justamente

processo de qualidade e apontou quais são

grupo de pesquisas sobre o tema", destaca.

por um momento de revisão da Resolução

as lacunas encontradas. A palestra foi dividida

Normativa 482/2012 da Aneel sobre geração

em três fases e uma delas esteve relacionada

Sessões plenárias

distribuída. Nós temos bastante regulação e

ao levantamento do processo (fase inicial), em

normas técnicas no Brasil a respeito disso, mas o

que proporcionou uma visão geral, detalhada

Um dos destaques do dia 02/09 foi a palestra

as

tecnologias

vezes,

esses

equipamentos

têm


23

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

e operacional do processo de qualidade de

rede, mencionando que isso já é possível.

palestra foram: o projeto de eficiência; carga

energia, dividido, basicamente, em duas partes:

“Nós podemos ter equipamentos que fazem

de impedância constante com os inversores –

estudos e campanhas, de tal forma que se

a conexão com a rede, em que através de

interessantes para esse tipo de comportamento

possa, dentro desse processo, identificar

um controle otimizado do padrão do PWM,

–; processo de medição e verificação, entre

quais seriam as lacunas encontradas e quais

podemos eliminar, na própria nascente, várias

outros importantes. “O projeto trata de acertar

melhorias têm sido alcançadas para se fazer,

dessas componentes harmônicas. Diante da

o tap dos transformadores com compensação

inclusive, uma adaptação das fontes renováveis

realidade que se apresenta, a grande questão

estática em tempo real. Esse foi o resumo do

de energia.

é: a quem atribuir a responsabilidade?”,

trabalho”, define.

indaga.

já está solidificado em todo o mundo. “Podemos

O especialista José Starosta trouxe um caso

empresas Ação Engenharia e Instalações, ABB

dividir o antes e o após as renováveis e fazer a

de aplicação prática de eficiência energética

e Fluke, além do apoio da Revista O Setor

descaracterização entre o que temos hoje de

implantada em um hospital conceituado, falando

Elétrico e da Coordenação de Aperfeiçoamento

cargas não lineares, isto é, já convencionais, e as

sobre o consumo de energia e tensão. O apelo

de Pessoal de Nível Superior (Capes).

fontes renováveis de energia”, observa.

da apresentação foi demonstrar, em função do

Na sequência, o Prof. Ph.D., José Carlos

modelamento das cargas, que é possível obter

nome de Seminário Brasileiro sobre Qualidade

de Oliveira, engenheiro eletricista e mestre

economia de energia com ajuste da tensão.

da Energia Elétrica, a CBQEE já esteve sediada

e Doutor em Engenharia Elétrica fez uma

“O que se nota nas indústrias e em grandes

em todas as regiões do País.

apresentação pontual, cujo tema foi: “Estado

instalações, é a manutenção dos barramentos

da Arte, Premissas, Análise de desempenho

secundários com tensões mais altas, como uma

Iguaçu (PR), sob a responsabilidade do Centro

e Desafios”, em que falou sobre os métodos

forma de preservar a carga. Então, a ideia é fazer

Universitário Cataratas, em 2021, porém, sem

para compartilhamento da responsabilidade,

uma compensação estática reativa, com um

uma data específica, a qual deverá ser informada

considerados sérios desafios à frente. Em seu

tap adequado, mantendo uma minimização de

até meados de 2020.

discurso, o expert citou que seria adequado

consumo de energia”, explica.

se não houvesse geração de harmônicos na

www.sbqee.org.br/cbqee

O objetivo foi desmistificar um padrão que

Alguns dos pontos abordados durante sua

O evento contou com o patrocínio das

Realizada desde 1996, inicialmente, com o

A XIV CBQEE deve acontecer em Foz do

Mais informações estão disponíveis no site:


Painel de mercado

24

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Período das bandeiras vermelhas nas faturas aumenta interesse por energia solar Pelo segundo mês consecutivo em 2019,

São, hoje, mais de 104 mil con­

consumidor sempre terá créditos para zerar o

os mais de 80 milhões de consumidores de

sumidores no País que fazem uso de

que consumiu da rede, ficando livre do valor

energia elétrica do Brasil irão arcar com a

painéis solares para economizar até 95%

da energia da distribuidora e seus acréscimos.

cobrança adicional da bandeira vermelha na

na conta de luz e ficar livres das bandeiras

São essas vantagens, em conjunto com as

conta de luz.

tarifárias por mais de 25 anos, vida útil

mais de 70 linhas de financiamento para

O anúncio foi feito pela Agência

mínima da tecnologia.

energia solar oferecidas, que impulsionam a

Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e marca

geração distribuída no Brasil e elevam a cada

a época do ano, de agosto a novembro, que

consumidor conecta seu gerador ao poste

ano o número de sistemas conectados.

desde 2017 registra a ocorrência desses

da distribuidora e é compensado em créditos

Foram

adicionais devido ao quadro de estiagem

por toda a energia excedente que ele injetada

registradas pela Aneel somente até o final de

que impacta a geração por hidrelétricas

na rede elétrica. Esses créditos, por sua vez,

agosto de 2019, quase 33% a mais que todo

no País. No entanto, o sol que castiga

compensam a energia consumida da rede

o volume conectado em 2018.

os reservatórios é o mesmo que liberta

durante o período noturno ou em momentos

milhares de brasileiros que podem gerar

de pouca geração do sistema, como em dias

(GW) de capacidade instalada atingida no

sua própria energia através dos sistemas

muito nublados ou chuvosos.

começo de agosto, a energia solar distribuída

fotovoltaicos, integrantes do segmento de

Uma

são

segue forte e deverá alimentar mais de 886

geração distribuída criado pelas regras da

dimensionados para gerar toda a energia

mil telhados até 2024, segundo a previsão da

Aneel em 2012.

consumida em uma casa ou empresa, o

Aneel.

Pelas regras da geração distribuída, o

vez

que

os

sistemas

46.720

novas

conexões

Com a marca histórica de 1 Gigawatt

Produção da indústria eletroeletrônica cai 1,9% no acumulado do ano De acordo com a Abinee, o resultado foi provocado pela queda de 4,7% na produção de bens eletrônicos; área elétrica cresceu 0,8%

A produção industrial do setor eletroeletrônico recuou 1,9% nos primeiros sete meses deste ano em relação a igual período de 2018.

É o que demonstram os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) agregados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

O resultado foi motivado pela queda de 4,7% na produção de bens eletrônicos. A área elétrica teve crescimento de 0,8%.

Julho positivo

No mês de junho de 2019, a produção industrial do setor elétrico e eletrônico cresceu 2,8% em relação a julho do ano passado, com

elevação de 8,9% na área eletrônica e queda de 2,1% na elétrica. Na área eletrônica, o maior incremento foi observado na produção de aparelhos de áudio e vídeo (+26,4%), por conta da venda de televisores. Portanto, esse acréscimo foi influenciado pela fraca base de comparação, uma vez que a produção desses aparelhos sofreu forte redução após o final da Copa do Mundo de Futebol, em julho de 2018.

Na comparação com junho de 2019, a produção do setor eletroeletrônico, com ajuste sazonal, teve queda de 2,9% (redução de 3,3%

na indústria eletrônica e de 2,6% pela indústria elétrica). “Ainda é muito prematuro para avaliarmos o resultado do mês de julho como uma tendência de recuperação da produção”, ressalta o presidente da Abinee, Humberto Barbato. Segundo ele, o setor espera que um cenário de maior previsibilidade na economia possa contribuir para uma guinada positiva no restante do ano. “Entretanto, até aqui, tivemos um resultado decepcionante”. A expectativa de crescimento na produção do setor, que era de 7% para 2019, foi revista recentemente pela Abinee e agora é de apenas 2%.


Painel de empresas

26

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Projeto Eletrificação Sobre Rodas da ABB percorre o Brasil Carreta com portfólio de produtos da empresa está viajando por diversas cidades, a fim de apresentar tendências digitais em baixa e média tensão

A empresa ABB tem feito uso da criatividade

oito metros de extensão, duas plataformas

painéis de média tensão, UPS (nobreaks),

e ousadia para apresentar ao mercado a próxima

extensíveis e 70m² de área interna. O

entre outros.

geração de soluções para distribuição de

espaço é destinado à demonstração de

energia, desde a subestação até a tomada, por

todo o portfólio de eletrificação focado em

Pé na estrada

meio de um completo showroom sobre rodas

infraestrutura digital (ABB AbilityTM). Os

com o que há de mais inovador em eletrificação.

visitantes poderão conferir um display de

eventos em que o Roadshow esteve presente

A companhia idealizou o Eletrificação

simulação de automação, o portfólio para

em sua passagem pelas cidades. De acordo

Sobre Rodas, uma carreta equipada com todas

residências inteligentes, como a geração

com Marco Marini, diretor superintendente de

as soluções de produtos de média e baixa

distribuída e o carregador elétrico para carros,

Eletrificação da ABB no Brasil, o Roadshow tem

tensão da ABB, conectadas e habilitadas pela

além de acabamentos elétricos residenciais,

tido uma excelente repercussão, tanto entre as

O mês de setembro foi marcado por alguns

e novembro de 2019, a unidade móvel passará por mais de 30 cidades das regiões Sudeste e Sul do País, incluindo sete capitais, promovendo encontros entre diversos players para apresentar e debater tendências e tecnologias que apontam

Divulgação / ABB

plataforma digital ABB AbilityTM. Entre agosto

para o futuro do mercado de eletrificação, em crescente evolução. As tecnologias da Indústria 4.0 estão tornando o setor energético mais seguro, inteligente e sustentável a partir de dispositivos conectados. A Internet das Coisas aplicada à eletrificação resulta em ganhos significativos em eficiência energética, gerando valor para as cidades e indústrias. "O objetivo desse projeto é aproximar a ABB de públicos relevantes e e profissionais de concessionárias, indústrias, infraestrutura, distribuidores e instaladoras, apresentando as inovações e reforçando nossa atuação na Indústria 4.0", afirma Paolo Pescali, diretor de Eletrificação da ABB para as Américas.

Durante o Roadshow, a carreta percorrerá

aproximadamente

7,5

mil

quilômetros

e

acumulará cerca de 60 paradas. Pensando no impacto ambiental do projeto, a ABB fará uma compensação em créditos de carbono, por meio do Programa Carbon Free, que realiza ações de recomposição da Mata Atlântica por meio do plantio de árvores nativas, em áreas de preservação. A

unidade

móvel

customizada

tem

Divulgação / ABB

formadores de opinião, como professores, alunos


O Setor Elétrico / Setembro de 2019

27

universidades quanto entre os clientes. “De fato, essa ação de levar a experiência de conhecer de perto a próxima geração em soluções para eletrificação, desde a subestação até a tomada, manuseá-las in loco, tem sido mais que gratificante e enriquecedor não apenas para o público, mas para a própria ABB, que em eventos como feiras técnicas, muitas vezes não consegue viabilizar uma exposição com esse nível de qualidade nos detalhes”, declara. Nos primeiros 30 dias de rodagem do caminhão, já houve cerca de 1800 participantes e, segundo o executivo, a receptividade em cada parada tem sido extremamente satisfatória. “Estamos certos de que iniciativa vem agregando não somente no fortalecimento das relações com nossos stakeholders, como também na promoção de uma sólida comunidade de grandes players no mercado brasileiro, que adotam a digitalização vertical e horizontal em toda sua cadeia de valor, por enxergarem este processo como uma grande vantagem competitiva em nível mundial”, explica Marini.

Essa iniciativa que a ABB está trazendo

para o mercado é muito importante, pois leva nossas tecnologias não somente para as indústrias e clientes, como também professores e estudantes de elétrica. “Por meio do Roadshow Eletrificação Sobre Rodas, buscamos mais que parcerias de negócio; queremos formar também um grande público embaixador da marca ABB”, conta Marini.

As apresentações têm como público-alvo

técnicos, engenheiros, projetistas, professores, alunos de engenharia e clientes, e são realizadas em auditórios de instituições parceiras. Abertas ao público, as rodadas técnicas acontecem das 9h às 18h, em que a ABB aborda atualizações de produtos e sistemas da companhia, além de cases de sucesso. As inscrições podem ser feitas pelo site https://events.abb/eletrificacaosobre-rodas.

O projeto teve início na cidade São Paulo,

no dia 05 de agosto de 2019, seguindo para o interior do Estado e depois para o Rio de Janeiro. A iniciativa conta com o apoio institucional da revista O Setor Elétrico.

O itinerário completo com datas e locais

está disponível no site do evento.

Em caso de dúvidas, entre em contato pelo

e-mail: br-roadshow-eletrificacao@abb.com.


Painel de empresas

28

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Reymaster Materiais Elétricos anuncia expansão em Santa Catarina

Divulgação / Reymaster

Distribuidora paranaense terá espaço e equipe ampliados na cidade de Joinville

A Reymaster, distribuidora de materiais

elétricos, está investindo de forma significativa no mercado catarinense e, em agosto – mês em que comemorou 32 anos de história – passou a atender em um empreendimento ainda maior em Joinville (SC). A

empresa

paranaense

iniciou

as

atividades de sua filial em Joinville, em maio de 2018, e em menos de um ano já sentiu a necessidade de mudar para um local maior, a fim de atender a demanda crescente do segmento comercial e industrial catarinense, principalmente, por soluções ligadas à Indústria 4.0. Agora, em um barracão de 700 metros quadrados e equipe ampliada,

com 170 funcionários diretos, frota própria

ambiente digital e na indústria 4.0. Hoje e no

terá espaço para estoque e pronta-entrega

de veículos, estoque a pronta entrega de

futuro, ações de inovação e digitalização têm

de produtos de iluminação, conectividade,

mais de 40.000 itens, além de contar com

de fazer parte de nossa cultura, diminuindo

automação industrial, identificação, drives,

máquinas de corte de cabos e bobinamento

o tempo que separa a necessidade e a

sensores e materiais elétricos em geral.

e carga e descarga. A distribuidora também

satisfação de nossos clientes”, afirma o

A Reymaster foi fundada em 1987 e

possui o selo ISO 9001:2008 e em 2016

diretor Marco Stoppa.

hoje sua matriz está localizada em Curitiba

tornou-se uma das primeiras empresas do

(PR), em uma área de 8.000m² dedicados

País a possuir a NBR ISO 9001 em sua nova

milhões, um aumento de 20% em relação a

a estoque e 2.000m² de áreas de apoio

versão 2015. “Estamos empenhados no

2018.

A meta para este ano é faturar R$100


Painel de produtos

30

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Novos transformadores de baixa tensão HDS www.hdspr.com.br

A HDS Sistemas de Energia criou um departamento exclusivo para

fabricação de transformadores e autotransformadores de baixa tensão, até 1MVA, para os mais diversos setores da economia. Equipamentos com núcleo de silício GNO ou GO e alto rendimento, destinados desde aplicações simples até as mais críticas, obedecendo as mais rigorosas normas de segurança, ABNT, IEC ou ANSI.

Holec lança no Brasil a linha CrossBoard® da Wöhner holec.com.br

Lançado na FIEE 2019, o CrossBoard® é uma solução modular para sistemas de

distribuição de energia de forma segura até 125A que pode ser rapidamente e facilmente disponibilizada, especialmente em máquinas e engenharia de plantas. Com o CrossBoard®, lançado inicialmente na Europa pela Wöhner, se estabeleceu um formato completamente novo que combina as vantagens de sistema de barramento de cobre de alta performance com a tradicional conexão em trilhos de montagem DIN.

Termovisor de bolso da Fluke para inspeção industrial www.fluke.com/pt-br

O Termovisor de Bolso PTi120 é a primeira

câmera termográfica portátil da Fluke para inspeção industrial. Como uma câmera pequena o suficiente para levar de um lugar para o outro, o Fluke PTi120 garante verificações rápidas de temperatura, é resistente à sujeira e água e pode suportar quedas de até 1 metro. Sua tela LCD de 3.5" oferece a tecnologia patenteada IR-Fusion™ para mesclar imagem de luz visível com imagem de infravermelho, para localizar imagens e pontos de aquecimento facilmente. Basta deslizar o dedo na tela para ajustar a configuração. Além disso, por meio da nova tecnologia da Fluke – Asset Tagging, ao criar uma imagem térmica, o usuário pode escanear um código de barras e um QR Code, permitindo uma organização automática das imagens.


Fascículos

Apoio:

BIM – Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção

26

Francisco Gonçalves Jr. Capítulo IX – O Decreto BIM e seu impacto nos agentes da construção civil - Visão geral - Comitê estratégico - Estratégia - Indicadores e metas - Roadmap - Escalonamento - Oportunidades agentes

Equipamentos para ensaios em campo

30

Guaraci Hiotte Jr., Claudio Rancoleta e Claudio Mardegan Capítulo IX – Inspeção: Termográfica e Ultrassom – Parte II: Inspeção por Ultrassom - Introdução - Ultrassom para manutenção preditiva (PdM) - Ultrassom ou Termografia? - Monitoramento Ultrassom Baseado em Condições (CBM) - Passo 1: Identificação de Componentes Críticos - Passo 2: Desenvolvimento de cronograma de Inspeção - Passo 3: Estabelecimento de limiares - Passo 4: Inspeção & Análise - Passo 5: Documentação - Passo 6: Ação - Aplicações de Escuta à Distância - Conclusão

36

Linhas elétricas para baixa tensão Paulo E. Q. M. Barreto Capítulo IX – Proteção de condutores - Corrente de projeto - Queda de tensão - Proteção contra correntes de sobrecarga - Proteção contra correntes de curto-circuito - Proteção contra choques elétricos - Seletividade


Apoio:

BIM - Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção

32

Por Francisco Gonçalves Jr.*

Capítulo IX O Decreto BIM e seu impacto nos agentes da construção civil Visão geral

a grupos de Trabalho ad – oc., que tratam de temas específicos:

Como visto nos fascículos anteriores, a adoção do BIM segue a

Regulamentação e Normalização, Infraestrutura Tecnológica,

tendência mundial. Na esfera pública, iniciativas de órgãos das forças

Plataforma BIM, Compras Governamentais, Capacitação de Recursos

armadas e governos estaduais, como o de Santa Catarina, além do

Humanos e Comunicação.

comitê estratégico de implantação BIM, criado pelo Governo Federal,

Quem fez parte originalmente:

apontam o uso do BIM na busca de maior assertividade nas obras públicas, desde a licitação, projeto, execução, custos e, principalmente,

• Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, que exerceu

fiscalização.

a presidência;

O Governo federal, alinhado às iniciativas de outros países, assinou, em 17 de maio de 2018, o decreto 9.377/18, que institui a

• Ministério da Defesa;

Estratégia BIM BR, objetivando promover um ambiente adequado ao

• Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão;

investimento em BIM e sua difusão no País, já com cronogramas de

• Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações;

datas previstas para acontecer.

• Ministério das Cidades;

Pensando em instruir profissionais e órgãos a respeito do decreto, foi criado o livreto: “Estratégia BIM BR – Estratégia Nacional de disseminação de BIM”, em que um comitê técnico formula a

Fascículo

• Casa Civil da Presidência da República;

• Secretaria-Geral da Presidência da República.

Resultados esperados

estratégia, alinhando ações do setor público e iniciativa privada. O

O governo, ao objetivar a difusão do BIM no País, pretende

comitê contou com a participação de profissionais do setor público,

alcançar resultados que tragam benefícios significativos para todo o

privado e especialistas BIM, além de uma parceria técnica com o

setor da construção civil, tais como:

Reino Unido, através do UK BIM Task Group. Com a mudança do governo, o decreto 9.377/18, ou decreto BIM,

• Assegurar ganhos de produtividade ao setor de construção civil;

como ele é conhecido, foi revogado, e em 22 de agosto de 2019, entrou

• Proporcionar ganhos de qualidade nas obras públicas;

em vigor um novo Decreto, n° 9.983/19, que dispõe sobre a Estratégia

• Aumentar a acurácia no planejamento de execução de obras,

Nacional de Disseminação do BIM e institui o Comitê Gestor da

proporcionando

Estratégia do BIM (CG BIM). Na prática, a alteração foi necessária

orçamentação;

devido às mudanças ocorridas na criação e fusão de ministérios e

• Contribuir com ganhos em sustentabilidade, por meio da redução

secretarias envolvidas.

de resíduos sólidos da construção civil;

maior

confiabilidade

de

cronogramas

e

• Reduzir prazos para conclusão de obras;

Comitê estratégico O comitê é formado por representantes de ministérios e associados

• Contribuir com a melhoria da transparência nos processos licitatórios;


33

Apoio:

• Reduzir necessidade de aditivos contratuais, prorrogação de prazo de conclusão e entrega da obra; • Elevar o nível de qualificação profissional na atividade produtiva; • Estimular a redução de custos existentes no ciclo de vida dos empreendimentos.

Estratégia O comitê traçou na estratégia descrita no livreto nove objetivos específicos que norteiam a busca dos resultados na difusão do BIM

Indicadores e metas No livreto, também são definidos indicadores e metas alinhados aos objetivos estratégicos apresentados anteriormente, a fim de aumentar a produtividade da cadeia da construção civil, utilizando o BIM como alicerce fundamental para industrialização do setor.

Veja quais são esses indicadores:

no País, na qual fomentam o ambiente de disseminação BIM, tanto

• Reduzir custos em 9,7% (custos de produção das empresas que

na esfera pública, como na iniciativa privada. São eles:

adotarem o BIM); • Aumentar em 10 vezes a adoção do BIM (hoje, 5% do PIB da

• Coordenar a estruturação do setor público para a adoção do BIM;

Construção Civil adota o BIM, e a meta é que 50% do PIB da

• Criar condições favoráveis para o investimento, público e privado

Construção Civil adote o BIM);

em BIM;

• Elevar em 28,9% o PIB da Construção Civil (com a adoção do BIM,

• Estimular a capacitação em BIM;

o PIB do setor, ao invés de se elevar 2,0% ao ano, patamar estimado

• Propor atos normativos que estabeleçam parâmetros para as compras

sem alterações no status quo, elevar-se-á em 2,6% entre 2018 e 2028,

e contratações públicas com uso do BIM Objetivos específicos;

ou seja, terá aumentado 28,9% no período, atingindo um patamar de

• Desenvolver normas técnicas, guias e protocolos específicos para a

produção inédito).

adoção do BIM; • Desenvolver a Plataforma e a Biblioteca Nacional BIM; • Estimular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias

Roadmap Uma visão muito objetiva do mapa da estratégia de disseminação

relacionadas ao BIM;

do BIM é o roadmap, que contempla descrição dos marcos, objetivos

• Incentivar a concorrência no mercado por meio de padrões neutros

em que todos os stakeholders estão envolvidos, podendo verificar as

de interoperabilidade BIM.

sequências e o processo evolutivo da estratégia.


Apoio:

BIM - Building Information Modeling

34

Figura 1 – Roadmap estratégia BIM BR.

Escalonamento Nessa fase, o Governo pretende difundir a aplicação prática

trabalhar de acordo com a metodologia que, ao que tudo indica, é um caminho sem volta.

do BIM já iniciando com a contratação dos projetos. Como possui

Como o próprio Poder Público demanda obras de grande

um papel determinante, já que é um contratante e comprador

porte, poderá também estimular o mercado neste sentido. Desta

expressivo de obras, tanto em volume, como porte, ele tem o

forma, propôs que o escalonamento para a EXIGÊNCIA do BIM

poder de exigir que essas obras sejam entregues em BIM e, com

ocorra em três fases:

isso, fomentar que toda a cadeia utilize a metodologia, desde projetistas, executores, gestores, até fabricantes.

Fascículo

Esse impacto movimenta tanto o setor público, quanto o

1ª Fase (a partir de janeiro de 2021): tem como foco os projetos de arquitetura e engenharia que são relevantes para a difusão do

privado. Naturalmente, essa mudança não deve ocorrer da noite

BIM.

para o dia, já que precisa ser bem estruturada. Com isso em

2ª Fase (a partir de janeiro de 2024): visa estágios da obra, como

vista, o governo já previu uma mudança escalonada, de maneira

o planejamento e a execução, que também possuem grau de

que o mercado tenha tempo para se preparar e estar apto para

importância para a propagação do BIM.

Figura 2 – Escalonamento das fases.


35

Apoio:

3ª Fase (a partir de janeiro de 2028): esta última fase tem o intuito

Information Modellinge institui o Comitê Gestor da Estratégia

de abranger todo o ciclo de vida da obra e as demandas pós-obra.

do Building Information Modelling. Brasília, DF. Disponível

Oportunidades agentes

em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/

Decreto/D9983.htm#art15. Acesso em: 01 set. 2019.

Nesse cenário, um grande leque de oportunidades se abre

MINISTÉRIO DA ECONIOMIA INDÚSTRIA, COMÉRCIO

a todos envolvidos no mercado da construção civil, até porque

EXTERIOR E SERVIÇOS (MDIC) ESTRATÉGIA NACIONAL DE

essa movimentação já se iniciou no mercado privado, na qual

DISSEMINAÇÃO DO BIM – ESTRATÉGIA BIM BR. Disponível

as construtoras, já vislumbrando todos os benefícios, estão

em:

fazendo a implantação BIM e exigindo ao seus fornecedores,

CGMO/Livreto_Estratgia_BIM_BR-6.pdf> Acesso 01 de agosto de

principalmente, projetistas, que elaborem projetos de acordo

maio 2019.

<

ttp://www.mdic.gov.br/images/REPOSITORIO/sdci/

com a nova metodologia, requerendo uma mudança cultural do processo tradicional de desenvolvimento de projetos focados em

*Francisco de Assis Araújo Gonçalves Jr. é especialista em produtos

desenhos CAD 2D sem informações integradas.

e serviços na AltoQi, graduado em Engenharia de Produção Elétrica

Os fabricantes passam a ter um papel expressivo, pois serão

pela Universidade Federal de Santa Catarina, pós-graduado em

demandados a disponibilizar seus produtos em formato

Instalações Elétricas e Engenharia de Segurança do Trabalho pela

digital através de objetos BIM, populados de informações que

Universidade do Sul de Santa Catarina, MBA em plataforma BIM –

vão muito além da geometria 3D, que serão utilizados pelos

Modelagem, Planejamento e Orçamento pelo INBEC.

projetistas, orçamentistas, gestores, gerente de manutenção e todos envolvidos na cadeia da construção.

Continua na próxima edição Acompanhe todos os artigos deste fascículo em: www.osetoreletrico.com.br

Referências bibliográficas: BRASIL. DECRETO Nº 9.983, DE 22 DE AGOSTO DE 2019. Dispõe sobre a Estratégia Nacional de Disseminação do Building

Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para: redacao@atitudeeditorial.com.br


Apoio:

Equipamentos para ensaios em campo

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Por Por Guaraci Hiotte Jr., Claudio Rancoleta e Claudio Mardegan*

Capítulo IX Inspeção: Termográfica e Ultrassom Parte II: Inspeção por Ultrassom

Introdução Fabricantes, distribuidores e empresas de geração de energia

de desgaste ou simplesmente aplique meia bomba de lubrificante.

enfrentam muitos desafios. Um dos maiores em cada um desses

Embora essas ações sejam úteis e frequentemente necessárias, elas

campos é estender a vida útil e melhorar o desempenho de

não são completamente eficazes e, normalmente, não possuem uma

equipamentos críticos para garantir produtos de alta qualidade,

abordagem mais diferenciada para diagnosticar falhas antes que elas

eficiência operacional e tempo de atividade ininterrupto.

ocorram.

Infelizmente, mesmo que a tecnologia de produção tenha avançado

Este artigo proporá uma solução alternativa para a manutenção

e a demanda por certos produtos tenha aumentado, muitos

preventiva e descreverá como a tecnologia de audição acústica

fabricantes de grande porte tiveram uma redução no pessoal de

ultrassônica pode ser usada para desenvolver um processo de

manutenção qualificado e na mão de obra geral. Os departamentos

manutenção preditiva (PdM) turnkey em escala real para fabricação

de manutenção industrial estão sendo encarregados de fazer mais

e indústria.

com menos: menos tempo, menos dinheiro, menos técnicos. A cada ano, organizações como essas gastam milhões de

Fascículo

técnico inspecione visualmente o rolamento em busca de sinais

Ultrassom para manutenção preditiva (PdM)

dólares monitorando os componentes críticos dos equipamentos

A manutenção preditiva vai além do PM, monitorando a

usados para produção e distribuição. Manutenção preventiva

condição de componentes críticos para prever falhas que podem

(PM) é amplamente aceita para ajudar a evitar paradas prematuras

resultar em desligamentos desnecessários. No passado, esses

e estender a vida útil de rolamentos e outras peças rotativas em

programas costumavam ser caros de implementar, difíceis de

equipamentos críticos. Os programas de PM incorporam eventos

aprender e complicados de executar. As tendências estão mudando,

programados regularmente no programa de manutenção para

no entanto, muitas organizações industriais estão fazendo um

prolongar a vida útil do equipamento.

movimento em direção a um sistema de manutenção mais

Uma das principais limitações da maioria dos programas

preditivo. Isso ocorre parcialmente porque a falta de mão de obra e

de gerenciamento de projetos é sua tendência à subjetividade,

o tempo para resolver problemas de manutenção tornaram o PdM

dependendo muito da experiência de técnicos de manutenção

mais crucial do que nunca, mas também porque as tecnologias

sobrecarregados e das recomendações dos fabricantes de

disponíveis e os métodos de implementação são mais econômicos e

equipamentos. Muitas vezes, esses tipos de programas não

fáceis de aprender do que nos últimos anos.

permitem a miríade de variáveis que afetam qualquer peça de

Embora o PdM tenha sido tradicionalmente realizado por

equipamento. Por exemplo, um PM típico pode exigir que um

meio de tecnologias excepcionais, como análise de vibração,


37

Apoio:

infravermelho ou análise de óleo, um dos métodos mais simples e econômicos de PdM provou ser a audição acústica por ultrassom. Embora a maioria das pessoas esteja ciente das tecnologias de transmissão de ultrassom, como ultrassonografia médica, a audição acústica por ultrassom é um método menos conhecido para detecção de vazamento, teste de vasos não pressurizados, detecção de falhas elétricas e monitoramento de componentes críticos. Um único dispositivo de inspeção ultrassônica de alta qualidade pode ser usado para todas essas aplicações. Esses dispositivos são leves, robustos e não destrutivos. Quando combinado com um aplicativo de software intuitivo para coleta de dados, o hardware ultrassônico pode ser usado para desenvolver um programa PdM turnkey eficaz.

Figura 1 – O CTRL UL101 detector ultrassom (receptor e fone de ouvido).

Ultrassom ou Termografia?

fricção e o impacto são as principais fontes de ultrassom que este

O topo da escala auditiva humana é de cerca de 20kHz. O

trabalho considerará, já que são os subprodutos de equipamentos

equipamento de detecção de ultrassom de alta qualidade ouve uma

mecânicos. Por exemplo, um rolamento de rolos produzirá atrito

frequência de 40kHz e traduz esse som de frequência mais alta na faixa

quando o eixo e as esferas rolam ao redor do centro do rolamento.

auditiva humana por meio de um fone de ouvido com cancelamento

Esse atrito, por sua vez, causa som, mas também causa calor.

de ruído. A 40kHz, ultrassom é produzido por atrito, impacto,

Problemas como desequilíbrio, instalação incorreta ou detritos no

turbulência ou descarga elétrica. Isso dá ao técnico o benefício de

rolamento podem causar um aumento da fricção. Um aumento no

ouvir vazamentos de gás comprimido e vácuo, falhas mecânicas de

atrito geralmente resultará em um aumento de som e calor, também.

brotamento, purgadores de vapor e falhas nas válvulas e falha elétrica,

À medida que o componente aquece, ele se expande. Eventualmente,

mesmo se o ambiente industrial for incrivelmente alto.

o rolamento expandirá demais, se agarrando e causando falha no

No que se refere à manutenção de equipamentos mecânicos, a

equipamento.


Apoio:

Equipamentos para ensaios em campo

38

Outro subproduto da fricção aumentada é a fragmentação: à

os resultados dos testes usando o método CBM são instantâneos

medida que os componentes se expandem, as partículas de cada

e podem permitir que o técnico isole a fonte ou um problema

componente são raspadas e causam mais danos. Os rolamentos

que ainda não possa ser detectado com outras tecnologias. Isso

geralmente são lubrificados para reduzir esse atrito, mas a

fornece tempo para que ações corretivas ocorram antes de danos

lubrificação não pode interromper completamente o processo de

ao equipamento e consequente paralisação. Outro benefício

envelhecimento que faz com que os rolamentos se tornem mais

da tecnologia CBM de ultrassom é a detecção precoce: estudos

duros com o tempo.

mostraram que a ultrassonografia pode detectar anomalias mais

A lubrificação adequada de rolamentos e outros equipamentos rotativos é essencial, mas não é a única técnica de manutenção.

cedo do que outras tecnologias comuns de PdM, como a análise de infravermelho e de vibração. (ver Figura 2)

Ouvir em 40kHz oferece ao técnico a oportunidade única de

Considere o seguinte resumo de uma equipe de avaliação

diagnosticar falhas de brotamento em equipamentos mecânicos

terceirizada para a integração da tecnologia ultrassônica em uma

antes que eles ocorram. O software que coleta amostras de dados

única organização com mais de 500 locais: (1) Mais de 100 aplicações

e as tendências ao longo do tempo pode identificar mudanças

foram identificadas em uso para vários equipamentos em cada

significativas e sinalizar pontos de teste para serviços adicionais.

local, como caldeiras, trocadores de calor, compressores, motores,

Usando o CBM de ultrassom, um departamento de manutenção

bombas, válvulas e purgadores de vapor. (2) A economia total para a

pode desenvolver um sistema turnkey de amostragem de dados e

organização seria de aproximadamente US$3,7 milhões anuais. (3)

comunicação de gerenciamento de equipe que pode ajudar muito

O retorno do investimento para a integração de ultrassom com esse

no processo de lubrificação, reparo e substituição de peças críticas

custo evitado seria de aproximadamente 15: 1. (4) A economia anual

de equipamentos.

de homens causada pela redução do tempo gasto no diagnóstico e na solução de problemas seria de aproximadamente 45 homensanos. Outro adotante da tecnologia – neste caso, uma grande instalação de reciclagem de plásticos de tereftalato de polietileno – está usando o programa InCTRL Condition-Based Monitoring (CBM) para obter grande sucesso. Um funcionário em tempo integral dedicado ao uso de ultrassom tem usado a tecnologia de ultrassonografia e o software de coleta de dados para testar mais de 1.300 pontos de teste mensalmente por quase cinco anos. Os dados coletados do software permitiram que o departamento de

Figura 2. The P/F Curve – O Ultrassom CBM permite que o técnico detecte uma falha pendente mais cedo do que muitas das outras tecnologias PdM mais comuns.

manutenção superasse potenciais falhas de equipamentos e evitasse regularmente paralisações não programadas. O restante deste artigo irá percorrer um processo passo a passo de implementação de um programa de CBM de ultrassom similar

Monitoramento Ultrassom Baseado em Condições (CBM)

para uma grande instalação industrial.

Fascículo

O restante deste artigo enfocará um processo de PdM chamado “Monitoramento baseado em condições” (CBM) ou, em alguns casos, “Monitoramento de Condições” (CM). O teste de ultrassom CBM é realizado usando um dispositivo de escuta de ultrassom em conjunto com o software de captura de dados. Ao registrar as características de som de um componente em teste, o software anotará quaisquer alterações de testes anteriores ou variações em relação a um limite definido. As variações são específicas para as condições do componente em teste e não são comparadas a uma escala de medição ou ao som de componentes similares (teste comparativo). Qualquer alteração significativa acionará uma chamada à ação para inspeção adicional ou um aviso para falhas pendentes. Quando um dispositivo de detecção de ultrassom apropriado é acoplado ao software de coleta e análise de dados, como InCTRL,

Figura 3 – Um técnico de ultrassom usa o InCTRL com o CTRL UL101 para ouvir um rolamento do motor do ventilador.


39

Apoio:

Passo 1: Identificação de Componentes Críticos

Passo 3: Estabelecimento de limiares

Componentes críticos são aqueles que podem interromper a

Usando o dispositivo de inspeção ultrassônica e um software de

produção quando eles falham ou que têm um histórico de falha

coleta de dados compatível, como o InCTRL, faça leituras iniciais

prematura e / ou necessidade de substituição frequente. Para

da linha de base de cada componente crítico (o InCTRL requer

identificar esses componentes, use seu programa CMMS para gerar

cinco dessas amostras). Ao tirar as gravações, as configurações

um relatório de histórico de ordens de serviço anteriores ou rastreie

de sensibilidade e ganho do dispositivo ultrassônico deve ser

o histórico de desligamentos não programados para localizar áreas

definido na configuração mais baixa possível. Essas configurações

problemáticas. Perguntas a serem feitas para ajudar a determinar se

devem ser inseridas no gravador para que, no futuro, inspeções, as

os componentes são críticos: a falha desse componente resultaria

mesmas configurações sejam usadas ao testar cada componente e os

em segurança reduzida para a fábrica? Uma parada ou diminuição

resultados possam ser comparados adequadamente. (É importante

na produção? Defeitos no produto? Uma violação regulamentar?

observar que, ao testar as configurações e as condições de operação,

Efeitos ambientais adversos? Se a resposta a qualquer uma dessas

como rpm e carga, devem ser o mais semelhantes possível a cada

perguntas for sim, o componente deve ser monitorado regularmente.

vez, pois qualquer variação pode afetar a leitura).

Gere uma lista dos componentes mais críticos e atribua um número

O indivíduo que estabelece as amostras de limiar e realiza

de identificação de unidade a cada componente para fins de

inspeções deve estar familiarizado com o equipamento e será

rastreamento. Recomenda-se, inicialmente, começar a monitorar

capaz de determinar se a gravação fornecerá um bom ponto de

aproximadamente vinte componentes. Dependendo do tamanho

partida. O fabricante do sistema também deve fornecer diretrizes

da sua organização, esse número pode ser maior ou menor. Com o

para determinar uma boa linha de base. Futuras gravações podem

tempo, conforme o processo se torna mais natural e você tem mais

ser comparadas a esses registros de linha de base para análise de

experiência com o equipamento de teste, o número de componentes

condições de equipamentos.

pode ser aumentado. Passo 4: Inspeção & Análise Passo 2: Desenvolvimento de cronograma de Inspeção

Seguindo as etapas do cronograma de inspeção e as

O cronograma de inspeção pode ser integrado a um programa

configurações e anexos predeterminados, faça uma inspeção regular

atual de MP ou CBM ou ser configurado como um processo separado.

dos componentes críticos. Ao iniciar o programa pela primeira

A chave é realizar inspeções com frequência – uma ou duas vezes

vez, faça várias (quatro recomendadas) leituras / gravações de 20

por mês, para obter melhores resultados. Se estiver usando uma rota

segundos de cada componente. Isso garantirá que você obtenha

PM ou CBM atual, selecione um ciclo que seja executado durante

uma boa gravação para tendências e análises precisas. Conforme

a operação normal do equipamento. O equipamento deve estar

você se torna mais confortável ao realizar a inspeção, o número de

operando para obter resultados com a tecnologia ultrassônica. Por

leituras por componente pode ser reduzido para um ou dois.

exemplo, escolha uma lubrificação de rolamento PM que exija que

Depois que as gravações são

feitas, reproduza os arquivos e

os rolamentos rolem quando lubrificados. Adicione etapas ao PM

revise as características visuais e de áudio do

para inspeção ultrassônica do CBM. Se estiver desenvolvendo um

para avaliar e analisar a condição de cada componente.

sinal ultrassônico

novo cronograma do CBM, escolha uma sequência de testes, bem

Compare o sinal com as gravações da linha de base e anteriores.

como uma frequência e tempo designado para o teste. Os intervalos

Existem diferenças muito claras no som e nas aparências dos

de teste podem ser definidos automaticamente em um programa como InCTRL.

Figura 4 – O InCTRL usa um aplicativo móvel em um smartphone Android para interagir com um receptor de detecção ultrassônico. Rotas podem ser configuradas no software e o aplicativo móvel pode organizar pontos de teste de acordo com a data de vencimento.

Figura 5 – O InCTRL oferece ao técnico uma visão em tempo real da amostra de ultrassom como uma forma de onda e uma visão instantânea dos resultados quando a amostra é carregada no banco de dados.


Apoio:

Equipamentos para ensaios em campo

40

componentes em condições normais versus condições anormais. Por

qualquer novo componente seja instalado corretamente e que o

exemplo, um rolamento normal, geralmente produz um zumbido

equipamento esteja funcionando corretamente.

suave. Se um rolamento estiver sub-lubrificado, haverá maior

Com um programa de manutenção preditiva implementado

presença de atrito. A intensidade do som do rolamento aumentará

adequadamente, custos desnecessários podem ser evitados e a

e emitirá um som intenso de raspagem. O valor RMS (root mean

expectativa de vida do equipamento estendida. O investimento

squared) do sinal também aumentará e a altura da forma de onda

inicial em tempo para implementar esse programa será

aumentará visivelmente.

significativamente superado pelo tempo economizado na

Se um rolamento estiver danificado, você poderá ouvir estalos

solução de problemas, paralisações e reparos, juntamente com

intermitentes ou grades dependendo da rotação do rolamento e do

o aumento do lucro da produção aumentada e da qualidade do

grau de dano. O InCTRL refletirá uma contagem aumentada de

produto.

estalos (EPS – Eventos por segundo) e picos anormais na forma de onda serão visíveis.

Além de usar a tecnologia ultrassônica para manutenção preditiva, o benefício adicional é a versatilidade e as diversas oportunidades de aplicação. Dispositivos de inspeção ultrassônica

Passo 5: Documentação Todas as suspeitas originais devem ser documentadas antes do teste. Durante a inspeção, quaisquer alterações significativas devem ser anotadas. Após a inspeção, uma exibição de arquivo de onda de cada gravação deve ser impressa e arquivada para futura referência e comparação. Parâmetros aceitáveis devem ser estabelecidos

de alta qualidade também podem ser usados para áreas suspeitas de solução de problemas, para verificação de reparos e instalação apropriada de componentes, e para auditorias de ar e vapor.

Aplicações de Escuta à Distância Alguns

componentes

mecânicos

não são compatíveis

para cada componente crítico. Quaisquer alterações na condição

com os métodos tradicionais de CBM de ultrassom devido a

que justifiquem monitoração especial, inspeção adicional ou

preocupações de segurança ou inacessibilidade.

reparo devem ser arquivadas em um arquivo separado marcado

casos, é possível usar um acessório parabólico com o receptor

adequadamente para refletir a urgência. Ordens de serviço também

de ultrassom e o software CBM para escutar os componentes

devem ser geradas, se necessário.

mecânicos à distância. Este método requer uma linha direta do

Em alguns

local para o componente em teste e uma atmosfera imediata livre

Fascículo

de ultrassom competidor de vazamentos de gás comprimido,

Figura 6 – O aplicativo da Web do InCTRL permite que o técnico análise e análise amostras de dados armazenados, com a capacidade de reproduzir sons, sobrepor e comparar. Além disso, o InCTRL funciona como um método de comunicação contínuo ao sinalizar componentes suspeitos.

Passo 6: Ação Finalmente, tome as medidas necessárias para reparar ou corrigir qualquer problema. Um programa de CBM não serve para nenhum propósito se a ação não for tomada quando os sinais de aviso de falha se tornarem aparentes. Após a conclusão do reparo, use o dispositivo ultrassônico para garantir que

Figura 7 – Um técnico usa o PowerBeam 300 para gravar uma amostra a 15mts de distância.


41 solda

a

arco

ou

outras fontes. Semelhante aos métodos

tradicionais de CBM de ultrassom, a repetibilidade das condições é primordial, e etapas extras devem ser tomadas para assegurar que a distância e a localização sejam repetidas com cada amostra individual registrada.

Conclusão Através da confiança nos relatórios de isenção, a instalação de reciclagem de PET mencionada na página 4 foi capaz de contornar falhas catastróficas de equipamentos, totalizando mais de US$200.000, não incluindo horas-homem e perda de produção. Este valioso Key Performance Indicator (KPI), por si só, foi o impulso para o gerente da planta de um site irmão também implementar o CBM de ultrassom em sua nova instalação. Antes da conclusão da construção da instalação, ele contratou um funcionário de manutenção em tempo integral para se concentrar exclusivamente no CBM de ultrassom, mesmo que a fábrica não esteja totalmente operacional até o final deste outono. Na verdade, o técnico de ultrassonografia da CBM foi trazido para o projeto antes mesmo de uma decisão final sobre a contratação de um novo supervisor de manutenção. Um foco no ultrassom CBM como um componente integral das operações diárias da instalação de reciclagem de PET ilustra a necessidade da tecnologia para as metas corporativas da empresa. Aquela corporação não está sozinha. Ultrassom O CBM tem inúmeras oportunidades para ampla implementação em muitos campos industriais. Do militar à manufatura e da petroquímica à geração de energia, o ultrassom O CBM possui um potencial infinito para a redução do tempo de parada, aumento da produção, melhor alocação de recursos e maior segurança para o pessoal.

Fonte Monitoramento Baseado em Condição de Ultrassom: Coleta de dados, alertas automáticos e gerenciamento de banco de dados na nuvem (Jeremy Watts, CTRL Systems, Inc. | Junho 2017) *Guaraci Hiotte Jr. é engenheiro e CEO da Technomaster Engenharia de Energia. *Claudio Mardegan é engenheiro eletricista, especialista em proteção de sistemas de potência, membro sênior do IEEE, professor, palestrante e CEO da ENGEPOWER. *Claudio Rancoleta é empresário, pesquisador eletrotécnico, especialista em produtos químicos para área elétrica, membro do COBEI (NBR transformadores elétricos) e CEO da URKRAFT Sistemas. Continua na próxima edição Acompanhe todos os artigos deste fascículo em: www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para: redacao@atitudeeditorial.com.br


Apoio:

Linhas elétricas para baixa tensão

42

Por Paulo E. Q. M. Barreto*

Capítulo IX Proteção de condutores

Como já deve ter sido notado pelas edições anteriores, o dimensionamento de condutores em uma instalação elétrica é

fator de demanda, fator de diversidade, fator de reserva, fator de potência e a presença de componentes harmônicas.

uma das tarefas mais importantes a ser realizada em um projeto,

Após isso, determinam-se os condutores do circuito em função

visto que qualquer erro ou equívoco pode levar a graves prejuízos

do que foi apresentado nos artigos anteriores deste fascículo, tais

e acidentes, principalmente os casos que resultam em falsa ideia de

como, seção mínima e determinação da capacidade de condução

proteção, que é o objetivo do artigo desta edição.

de corrente dos condutores (Iz), levando em conta as condições

Em diversas análises de projetos e inspeções de instalações elétricas realizadas por este autor ao longo do tempo, pode-se identificar quantidade significativa de desvios cometidos nesse quesito em grande parte das instalações. Seja pela inexistência de

de instalação de cada circuito (método de instalação, temperatura ambiente, agrupamento de condutores etc.).

Queda de tensão

projeto, ou quando tem, este foi elaborado por profissional não

De posse da corrente de projeto e definido o tipo e a seção do

qualificado. Outra parcela dos casos fica por conta de alterações que

condutor pelos critérios anteriores, deve-se determinar a queda de

são feitas no projeto, durante a execução, muitas vezes motivada

tensão prevista em cada circuito da instalação, considerando os

pela “busca insana pelo mais barato” que, invariavelmente,

requisitos mínimos da NBR 5410, conforme segue:

Fascículo

comprometerá a segurança. Os aspectos básicos do dimensionamento das proteções de

6.2.7.1 – Em qualquer ponto de utilização da instalação, a queda de

condutores para instalações elétricas são apresentados a seguir.

tensão verificada não deve ser superior aos seguintes valores, dados

Existem ainda outros fatores que devem ser levados em conta em

em relação ao valor da tensão nominal da instalação:

função do grau de importância e das particularidades de cada tipo

a) 7%, calculados a partir dos terminais secundários do transformador

de instalação. E isso se aplica até mesmo em uma simples residência.

MT/BT, no caso de transformador de propriedade da(s) unidade(s)

Corrente de projeto O dimensionamento de qualquer condutor elétrico inicia-se

consumidora(s); b) 7%, calculados a partir dos terminais secundários do transformador MT/BT da empresa distribuidora de eletricidade, quando o ponto de

pelo cálculo da potência de alimentação, que resultará na corrente

entrega for aí localizado;

de projeto, cujo símbolo normalizado é IB. A determinação da

c) 5%, calculados a partir do ponto de entrega, nos demais casos

corrente de projeto deve ser feita com muito critério, pois ela será

de ponto de entrega com fornecimento em tensão secundária de

decisiva na escolha do condutor, do dispositivo de proteção e no

distribuição;

cálculo da queda de tensão. Trata-se de uma das grandezas mais

d) 7%, calculados a partir dos terminais de saída do gerador, no caso

importantes de um projeto de instalações elétricas, pois além do

de grupo gerador próprio.

aspecto de segurança, influencia o custo da instalação. Para o seu cálculo, devem ser levados em conta, no mínimo: carga instalada,

Os fatores que influenciam a queda de tensão efetiva em


43

Apoio:

uma instalação elétrica (ou seja, a tensão real de alimentação dos

tenha um transformador com secundário em 220/380V e derivador

equipamentos) são:

(“tap”) ajustado para a tensão nominal (13,8kV), a tensão efetiva mínima no secundário poderá ser de 198/342V. Como a NBR

• tensão nominal da instalação;

5410, para esse caso, estabelece limite máximo de queda de tensão

• tensão de serviço (tensão efetiva medida na origem da instalação);

de 7%, conclui-se que uma carga na condição mais desfavorável

• corrente de projeto dos circuitos;

(considerando que a tensão nominal seja 220/380V) acabará sendo

• comprimento dos circuitos;

alimentada com tensão de 184V (fase-neutro) ou 318V (entre

• tipo de condutor (cobre ou alumínio);

fases). Ou seja, no total, a queda de tensão real na carga acabou

• tipo de linha elétrica (método de instalação, conforme tabela 33

sendo de 16%. E nada poderá ser questionado, pois foram atendidos

da NBR 5410);

os requisitos normativos e legais.

• arranjo (disposição) dos condutores; • características da carga (resistiva, indutiva, capacitiva); • partida de motores.

Proteção contra correntes de sobrecarga Nessa etapa dos cálculos, deve-se verificar qual é o dispositivo de proteção mais indicado para a seção (e tipo) de condutor

No entanto, cabe ressaltar que, mesmo que um projetista

escolhida até o momento, de modo a assegurar que elevações

atenda os critérios da NBR 5410, e as distribuidoras de energia

de corrente prejudiciais sejam interrompidas em tempo hábil e

elétrica atendam as Resoluções da Agência Nacional de Energia

não seja ultrapassado o limite de temperatura de sobrecarga do

Elétrica (Aneel), existe a possibilidade de a tensão efetiva em um

condutor.

equipamento ser menor do que aquela que ele deveria receber em condições normais de funcionamento. Tome-se como exemplo um consumidor atendido em tensão com valor nominal de 13,8kV. Com base no Módulo 8 do Prodist da Aneel, este consumidor poderá ter a tensão de fornecimento variando de 12,42kV a 14,49kV. Admitindo-se que o consumidor

A temperatura limite de sobrecarga dos condutores pode ser obtida pela tabela 35 da NBR 5410 ou por catálogos de fabricantes de condutores. Por exemplo, para o caso do condutor com isolação de PVC, essa temperatura é de 100ºC. Os fatores que influenciam o critério de proteção contra correntes de sobrecarga são:


Apoio:

Linhas elétricas para baixa tensão

44

• corrente de projeto do circuito (IB); • capacidade de condução de corrente dos condutores (Iz);

Proteção contra correntes de curto-circuito Nessa etapa dos cálculos, deve-se verificar se o dispositivo

• corrente nominal do dispositivo de proteção (In);

de proteção escolhido anteriormente é capaz de interromper as

• corrente de atuação do dispositivo de proteção (I2);

correntes de curto-circuito presumidas (Ik) em tempo hábil, de

• temperatura de calibração do dispositivo de proteção;

modo que a temperatura limite de curto-circuito do condutor não

• temperatura ambiente do dispositivo de proteção;

seja ultrapassada e que o dispositivo de proteção não exploda.

• maneira de instalar os condutores; • características da carga (resistiva, indutiva, capacitiva).

A temperatura limite de curto-circuito dos condutores pode ser obtida pela mesma tabela 35 ou por catálogos de fabricantes de condutores. Por exemplo, para o caso do condutor com isolação de

Dos requisitos estabelecidos em 5.3.4 da NBR 5410 para a proteção contra correntes de sobrecarga, destaca-se o da coordenação entre condutor e dispositivo de proteção. Para que a

PVC, essa temperatura é de 160ºC. Os fatores que influenciam o critério de proteção contra correntes de curto-circuito são:

proteção dos condutores contra sobrecargas fique assegurada, as características de atuação do dispositivo correspondente devem ser

• corrente de curto-circuito presumida no ponto desejado (Ik);

tais que:

• integral de joule do dispositivo de proteção (∫ I2t); • integral de joule dos condutores (K2.S2);

a) IB ≤ In ≤ Iz; e b) I2 ≤ 1,45 Iz Onde:

• capacidade de interrupção do dispositivo de proteção (Icn; Icu); • características da carga (resistiva, indutiva, capacitiva). Dos requisitos estabelecidos em 5.3.5 da NBR 5410 para a

IB é a corrente de projeto do circuito;

proteção contra correntes de curto-circuito, destacam-se os da

Iz é a capacidade de condução de corrente dos condutores, nas

coordenação entre condutor e dispositivo de proteção e a da

condições previstas para sua instalação (conforme explicado

capacidade de interrupção do dispositivo de proteção. Para que

anteriormente);

essa proteção fique assegurada, devem ser atendidas as seguintes

In é a corrente nominal do dispositivo de proteção (ou corrente de

condições:

ajuste, para dispositivos ajustáveis), nas condições previstas para sua instalação;

a) ∫ i2.dt ≤ K2.S2

I2 é a corrente convencional de atuação, para disjuntores, ou corrente

b) Icn (ou Icu) ≥ Ik

convencional de fusão, para fusíveis. A condição a) estabelece que a quantidade de energia que o A condição da alínea b) é aplicável quando for possível assumir

dispositivo de proteção deixa passar (integral de joule) tem de ser

que a temperatura limite de sobrecarga dos condutores não venha a ser

igual ou inferior à quantidade de energia necessária para aquecer

mantida por um tempo superior a 100h durante 12 meses consecutivos,

o condutor desde a temperatura máxima para serviço contínuo

ou por 500h ao longo da vida útil do condutor. Quando isso não ocorrer,

até a temperatura limite de curto-circuito. No fundo, é verificar

a condição da alínea b) deve ser substituída por: I2 ≤ Iz.

se o tempo total de interrupção da corrente de curto-circuito é

Fascículo

suficiente para não danificar o condutor. Afinal de contas, enquanto o dispositivo de proteção não interromper a corrente de curtocircuito, o condutor ficará submetido a esta corrente e seus efeitos. Se o tempo de atuação do dispositivo de proteção for inferior a cinco segundos (o que geralmente acontece), a equação pode ser expressa por: I2.t ≤ K2.S2. Onde: I é a corrente de curto-circuito presumida simétrica, em ampères, valor eficaz (Ik); t é a duração do curto-circuito, em segundos (tempo de interrupção dessa corrente); K: Constante do condutor, conforme tabela 30 da NBR 5410, ou Exemplo de dano em conjunto de manobra e comando por inadequação de dispositivo de proteção.

obtida em catálogos de fabricantes de condutores. Por exemplo, para condutor de cobre, com isolação de PVC e seção nominal até


45

Apoio:

300mm2, K = 115. S é a seção nominal do condutor, em mm2.

Proteção contra choques elétricos Escolhidos os dispositivos de proteção contra sobrecargas e contra curtos-circuitos e os condutores dos diversos circuitos,

Por sua vez, a condição b) indica que o dispositivo de proteção

deve-se ainda verificar se a proteção contra choques elétricos por

deve ter capacidade suficiente para interromper a corrente de curto-

contato indireto está assegurada, caso a medida adotada tenha sido

circuito presumida, sem causar danos ao dispositivo e aos materiais

a do seccionamento automático da alimentação.

adjacentes. Admite-se que um dispositivo de proteção não possua tal

Particularmente para os esquemas de aterramento do tipo TN, essa proteção pode ser feita de duas formas:

capacidade, desde que outro dispositivo de proteção situado à montante dele tenha tal capacidade e ainda estejam devidamente

a) por meio de dispositivo DR (de qualquer valor de corrente de

coordenados, de modo que a energia que o dispositivo de proteção a

atuação – IΔn); ou

montante deixa passar, seja suportada pelo que está a jusante e pelos

b) por dispositivo de proteção a sobrecorrente (por exemplo,

condutores por ele protegido. Essa constatação geralmente é feita

disjuntor).

em laboratório, entre dispositivos ensaiados para essa finalidade. Para o atendimento dessa condição b) é imprescindível que

Para tanto, as características do dispositivo de proteção e a

sejam determinadas as correntes de curto-circuito presumidas (Ik),

impedância do percurso da corrente de falta (Zs) devem ser tais

no mínimo, em cada quadro de distribuição. Esta informação deve

que, ocorrendo em qualquer ponto uma falta de impedância

constar do projeto, caso contrário, pode-se colocar em dúvida a

desprezível entre um condutor de fase e o condutor de proteção

existência da referida proteção.

ou uma massa, o seccionamento automático se efetue em

Nesse particular, cabe alertar para o fato de que quantidade

um tempo no máximo igual ao especificado na tabela 25 da

expressiva de instalações tem sido encontrada sem essa efetiva

NBR 5410 (aqui reproduzida como tabela 11). Considera-se a

proteção, por não terem sido feitos os devidos cálculos de curto-

prescrição atendida se a seguinte condição for satisfeita: Zs .

circuito presumido e a especificação correta dos disjuntores.

Ia ≤ Uo.


Apoio:

Linhas elétricas para baixa tensão

46

Seletividade

Onde:

Por fim, escolhidos os dispositivos de proteção em toda a

Zs é a impedância, em ohms, do percurso da corrente de falta,

instalação, deve-se verificar se eles estão devidamente seletivos,

composto da fonte, do condutor vivo (em suas variadas seções), até

tanto para correntes de sobrecarga quanto para as de curto-

o ponto de ocorrência da falta, e do condutor de proteção (em suas

circuito.

variadas seções), do ponto de ocorrência da falta até o seu retorno

deve atuar em primeiro lugar o dispositivo de proteção mais

Ia é a corrente, em ampères, que assegura a atuação do dispositivo

próximo do defeito, isolando-o rapidamente. Em caso de falha

de proteção num tempo no máximo igual ao especificado na tabela

deste, deve atuar o dispositivo de proteção imediatamente a

25, ou a 5s, para circuitos terminais que alimentem unicamente

montante (proteção de retaguarda).

equipamentos fixos;

Usualmente, esse estudo é feito levando-se em conta

Uo é a tensão nominal, em volts, entre fase e neutro, valor eficaz em

os critérios da seletividade amperimétrica e cronológica,

corrente alternada.

combinados. Pode ser feito por meio da plotagem das curvas dos diversos dispositivos de proteção, dos cabos e dos limites

As situações 1 e 2 contidas na tabela 11, dependem das

térmicos de equipamentos em uma folha di-log (escala

influências externas BB (resistência elétrica do corpo humano) e

logarítmica em ambos os eixos), ou por meio de software

BC (contato das pessoas com o potencial da terra), do local a ser

específico.

protegido, e constam da tabela C.1 da NBR 5410 (aqui reproduzida parcialmente como tabela 12).

A inexistência de seletividade em uma instalação elétrica pode comprometer o conforto, a segurança, e até mesmo causar

Os fatores que influenciam esse critério de proteção são:

prejuízos por desligamento indevido de certos circuitos. Um equívoco corriqueiro existente no mercado é imaginar

• tipo de esquema de aterramento (IT, TT, TN);

que um disjuntor com corrente nominal de 16A é seletivo com

• classificação das influências externas (BA, BB, BC);

outro de 20A, ou até de 50A. Isso não é plenamente verdadeiro.

• utilização ou não de dispositivo DR;

Do estudo de seletividade, resultarão as informações dos

• tipo de linha elétrica (condutores e conduto);

ajustes a serem realizados nos disjuntores ajustáveis. Nesse

• curva de atuação dos dispositivos de proteção a sobrecorrente;

caso, é imprescindível que o projeto contemple as informações

• cálculo da impedância do percurso da corrente de falta (Zs);

dos parâmetros de ajustes para que eles sejam realizados em

• maneira de instalar os condutores;

campo.

Tabela 25 - Tempos de seccionamentos máximos no esquema TN

Uo

Tempo de seccionamento

V

Fascículo

Basicamente, um estudo de seletividade considera que

à fonte;

S Situação 1

Situação 2

115, 120, 127

0,8

0,35

220

0,4

0,20

254

0,4

0,20

277

0,4

0,20

400

0,2

0,05

Cabe ressaltar que das inspeções realizadas por este autor em instalações elétricas ao longo dos anos, constata-se que em grande parte dos casos (quase 100%), ou falta identificação dos ajustes no projeto, ou, quando eles existem, não foram devidamente realizados em campo pelo instalador. Trata-se de falha gravíssima, que comprometerá a segurança não só da instalação elétrica, mas de toda a edificação. *Paulo E. Q. M. Barreto é engenheiro eletricista, pós-graduado em

NOTAS

Eletrotécnica. Tem experiência nas áreas de ensino, projeto, execução,

1) U0 é a tensão nominal entre fase e neutro, valor eficaz em corrente

manutenção, inspeção e perícia de instalações elétricas. É membro da

alternada.

Comissão que revisa a norma ABNT NBR 5410 desde 1982. Professor

2) As situações 1 e 2 estão definidas no anexo C Tabela 11 – Reprodução da Tabela 25 da NBR 5410:2004.

Tabela C.1 - SITUAÇÕES 1, 2 E 3

Condição de influência externa

Situação

BB1, BB2

Situação 1

BC1, BC2, BC3

Situação 1

BB3

Situação 2

BC4

Situação 2

BB4

Situação 3

Tabela 12 – Reprodução parcial da Tabela C.1 da NBR 5410:2004.

em cursos de pós-graduação. Coordenador da Divisão de Instalações Elétricas do Instituto de Engenharia. Ex-conselheiro do CREA-SP e da ABEE-SP. Inspetor da 1ª certificação de uma instalação elétrica no Brasil, no âmbito do Inmetro, em 2001. Consultor e diretor da Barreto Engenharia. www.barreto.eng.br Continua na próxima edição Acompanhe todos os artigos deste fascículo em: www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para: redacao@atitudeeditorial.com.br


Renováveis Apoio:

ENERGIAS COMPLEMENTARES

Ano 3 - Edição 39 / Setembro de 2019

FASCÍCULO

Instalação segura e comissionamento NOTÍCIAS DE MERCADO COLUNA SOLAR: ACELERANDO A FONTE SOLAR FOTOVOLTAICA NO MERCADO LIVRE DE ENERGIA (ACL) COLUNA EÓLICA: AS NOVAS FRONTEIRAS DA ENERGIA EÓLICA APOIO

47


Apoio

Fascículo

48

Renováveis

Por Hans Rauschmayer*

INSTALAÇÃO SEGURA E COMISSIONAMENTO Figura 1: A sequência correta da montagem com medições assegura segurança e qualidade da instalação.

1 - Introdução

corrente contínua, dotados de um disjuntor que permite desenergizar o

circuito inteiro a partir de um ponto único.

Depois de estudarmos nos fascículos anteriores, os conceitos do

projeto de um sistema solar conectado à rede, entraremos agora na

No sistema fotovoltaico, a energia vem de duas fontes:

parte prática. Há diversas características associadas à segurança e qualidade que fogem do conhecimento dos eletricistas prediais e exigem

• Da rede predial em corrente alternada, protegida por um disjuntor;

cuidados especiais: a sequência da montagem do sistema e as medições

• Dos módulos que fornecem tensão sempre que recebem irradiação,

durante instalação e manutenção asseguram a segurança da equipe e

energizando, assim, o circuito em corrente contínua.

preservam o local da instalação.

Em seguida, introduzimos algumas medições obrigatórias para o

comissionamento do sistema.

Como está fora do nosso alcance desligar o sol, devemos aprender

a trabalhar com um circuito energizado sem colocar nossa vida e a integridade do prédio em risco.

2 - Perigos específicos de sistemas fotovoltaicos

que trata da segurança em instalações elétricas.

Eletricistas prediais estão acostumados com instalações em

A equipe deve ser treinada também na norma regulatória NR-10,


49

2.1 - O arco voltaico

A carga no circuito em c.c. ocorre em diferentes situações:

1 - Funcionamento normal: o inversor recebe a energia em c.c. e a injeta no circuito em c.a.; 2 - Conexão errada: um dos strings está com polaridade invertida; 3 - Diferença de potencial por defeito: um módulo está com defeito, da forma que o string ao qual pertence produz uma tensão inferior aos outros strings; 4 - Diferença de potencial por erro de projeto ou execução: um string contém menos módulos do que o outro conectado em paralelo; 5 - Falha de isolamento em algum ponto do circuito (incluindo curtoFigura 2: O arco voltaico atravessa o ar. Com corrente contínua, ele apaga somente com o afastamento dos polos ou com dispositivos construídos para este fim.

circuito em DPS defeituoso).

O desligamento correto do sistema solar começa com o disjuntor

em c.a., o que leva o inversor a abrir o circuito primário. O dispositivo

Ao abrir um circuito sob carga, isto é, com passagem de corrente,

interruptor-seccionador isola o inversor do circuito c.c., mas não abre

ocorre um arco voltaico: a corrente consegue ultrapassar o ar (figura 2).

a conexão paralela entre strings: a carga nas situações 2 a 5 acima

Em corrente alternada, o arco é rapidamente apagado quando a tensão

somente desaparecem ao cair da noite!

é zerada, o que ocorre 120 vezes ao segundo considerando a frequência

de rede de 60Hz.

qualquer conexão em corrente contínua, seja conector MC4, conexão por

parafuso em algum dispositivo ou remoção de um dispositivo (fusível,

Em corrente contínua, o arco fica estável até que os polos sejam

É imprescindível verificar a ausência da corrente antes de abrir

afastados o suficiente para interromper a corrente ou ao acionar um

DPS)! Na dúvida, aguarde a noite!

dispositivo construído para este fim, como um disjuntor de corrente

contínua.

solar? Durante a instalação, devemos prevenir as situações de falha, e

durante a manutenção, precisamos detectá-las, a fim de evitar acidentes.

O arco danifica os contatos de ambos os lados, coloca em risco a

Como seria um procedimento seguro para a instalação do sistema

saúde e a vida dos técnicos e pode causar um incêndio no local onde ocorre.

3 - Procedimento seguro da instalação

Disponibilizamos no site o link para um vídeo que demonstra o

efeito. Não deixe de apresentá-lo a todos os técnicos envolvidos na instalação ou manutenção! Em sistemas fotovoltaicos, trabalhamos com tensões superiores à do vídeo, chegando até 1.000V em instalações pequenas e 1.500V em usinas. 2.2 - Carga em c.c. e sua interrupção

Figura 4: Divisão do circuito durante a instalação.

A instalação física e elétrica do sistema solar é dividida em três

partes, que podem ser executadas simultaneamente: • Circuito do string: a montagem dos módulos e a interligação dos mesmos; • Circuito da caixa de junção: do cabo do string até o inversor; • O circuito em corrente alternada, do inversor até o quadro de distribuição: a montagem deste circuito é bem conhecida e segue as Figura 3: Exemplos de pontos do circuito onde pode ocorrer um arco voltaico.

regras normais.


Apoio

Fascículo

50

3.1 - Montagem do circuito do string

Renováveis de junção até a entrada dos porta-fusíveis. 3.4 - Verificação da polaridade

O primeiro passo na verificação elétrica é a medição da polaridade,

já que a polaridade invertida de apenas um dos strings causa um curtocircuito com os outros conectados em paralelo e poderá ser aberto somente à noite. Técnicos sem prática de medição em c.c. devem ser bem treinados no uso correto do multímetro e no padrão de cores dos fios. Figura 5: Durante a montagem dos módulos, o circuito do string é conectado, deixando apenas o último conector aberto.

O circuito do string é conectado em simultâneo à montagem dos

módulos: • O conector positivo de cada módulo é ligado ao negativo do módulo adjacente; • O cabo do retorno acompanha os de interligação, para reduzir eventuais surtos (veja fascículo 7); • O fio de equipotencialização (terra) também é conectado durante a montagem. A continuidade da mesma deve ser verificada durante a instalação.

É importante deixar o conector de saída do string aberto para

manter o cabo desenergizado que segue até a caixa de junção. Este conector deve ser de fácil acesso para concluir a instalação e para permitir abertura em casos de manutenção. 3.2 - Montagem do circuito da caixa de junção (string box)

3.5 - Verificar a tensão do string em circuito aberto

A tensão produzida por cada string é medida em simultâneo com a

polaridade. Ela indica se o número correto de módulos foi efetivamente conectado, e se os strings são homogêneos entre si. Exemplo: • A ficha técnica do módulo informa a tensão nominal de circuito aberto UOC, módulo = 35V – lembrando que ela é medida a 25°C (condições STC, fascículo 3); • A medição da tensão do string fornece UOC, string = 200V; • O projeto elétrico indica que seis módulos compõem o string; • Dividimos a tensão medida pelo número dos módulos e chegamos à tensão gerada por cada módulo: UOC, mod = 200V / 6 = 33,3V • O resultado coincide com uma temperatura dos módulos pouco acima de 25°C, o que pode ser verificado com um toque manual. Se a instalação estivesse errada, com cinco ou sete módulos no string, então, a tensão estaria significativamente diferente (mais adiante, abordaremos o comissionamento, que exige uma medição mais precisa); • Portanto, podemos concluir que o número de módulos no string está correta.

A medição deve ser executada separadamente para cada string, e os

resultados devem ficar dentro de uma faixa de 5%. 3.6 - Verificar a corrente do string em curto circuito

Para aferir a corrente é necessário fechar um curto circuito no

string. A forma mais simples com uso da caixa de junção é o seguinte procedimento: • Abra o dispositivo interruptor-seccionador (abreviamos o termo em seguida); Figura 6: O circuito da caixa de junção (string box) é montado em paralelo com o do string.

• Interligue o polo positivo da seccionadora com o negativo;

• Feche a seccionadora;

O circuito da caixa de junção, que começa com o fio descendo dos

• Insira o fusível do primeiro string e feche o porta-fusível;

módulos e vai até o inversor, é montado em simultâneo com o circuito do

• Meça a corrente;

string. Os fusíveis são removidos, evitando, assim, o paralelismo entre

• Abra a seccionadora e o porta- fusível.

os strings, e o dispositivo interruptor-seccionador é aberto. 3.3 - Fechamento do último conector dos strings

Depois de montar os três circuitos, podemos, então, fechar o

conector de saída de cada string, e assim, energizar o circuito da caixa

Repita o procedimento para todos os strings. Os resultados devem

ficar dentro de uma faixa de 5%. É importante que a irradiância não mude entre uma medição e outra, e que não haja sombra nos módulos, já que a corrente oscila instantaneamente com a irradiância.


51

Em instalações sem caixa de junção, usa-se uma caixa de curto-

circuito, como apresentada a figura 7, que contém um interruptor c.c., ao invés da seccionadora. Tome muito cuidado com acidentes por arcos voltaicos entre fios desencapados! 3.7 - Iniciar o inversor

Figura 8: Equipamento profissional de comissionamento agiliza a medições e aumenta a precisão (exemplo Seaward Solar PV200).

comissionamento não deve ser confundido com aquele que a concessionária de energia efetua: ela se interessa somente por eventuais perigos para sua rede de distribuição e não com o funcionamento ou riscos fora do escopo dela. Figura 7: Exemplo de uma caixa de curto-circuito.

Depois de aferir todos os strings e corrigir eventuais erros, podemos

O desafio do comissionamento do sistema solar consiste na fonte: a

irradiação é variável, e com isso, a energia gerada. Nunca teremos certeza de que o sistema está realmente funcionando perfeitamente.

colocar os fusíveis, fechar a seccionadora e o disjuntor c.a. e iniciar o

inversor. Estude o manual com cuidado e respeite a sequência correta

que a norma exige. A seguir, apresentamos os principais ensaios – estude a norma

dos passos de configuração.

para complementar a informação e acesse nosso minicurso sobre o tema no site.

O que podemos fazer é medir as grandezas climáticas junto às elétricas, e é isso

Todos os ensaios devem ser executados para cada string, e o resultado não

4 - Comissionamento

pode ultrapassar uma faixa de 5% da média.

4.1 - Verificar a tensão conforme temperatura

O instalador do sistema solar é obrigado, pela norma ABNT NBR

16274, a efetuar ensaios e entregar uma documentação ao cliente. Este

A tensão produzida pelo módulo depende da temperatura atual da célula.


Apoio

Fascículo

52

Portanto, devemos medir as duas grandezas simultaneamente. A seguinte fórmula calcula a tensão nominal de um string em determinada temperatura Vstring,OC,temp, usando: • O número de módulos por string n; • A tensão de curto-circuito nominal do módulo Vmód,OC; • A temperatura atual da célula T; • O coeficiente da variação da tensão com a temperatura CoefV;

Renováveis isolamento e deixa de iniciar quando detecta um problema. O ensaio é efetuado por um megômetro, que mede a resistência enquanto injeta uma tensão superior à do arranjo fotovoltaico (detalhes na norma). Se a tensão ficar próxima à tensão nominal do DPS, então, este deve ser desconectado do circuito. 4.4 - Equipamento para comissionamento

Um solarímetro com termômetro é essencial para efetuar os ensaios

(a figura 8 apresenta um exemplo, à direita). Além disso, existem multímetros específicos que efetuam os principais ensaios de forma automática, recebem os dados do solarímetro e gravam os resultados na memória para posterior exportação ao computador.

Confira também fascículos 3 e 5. Para medir a temperatura da

célula, coloque um sensor com corte quadrado por baixo do módulo e o pressione contra a célula. 4.2 - Verificar a corrente conforme irradiância

A corrente depende da irradiância e esta relação é linear na faixa

superior da escala. Por isso, a norma exige um comissionamento em condições estáveis com irradiância acima de 700W/m². Podemos usar a seguinte fórmula para calcular a corrente esperada Iirrad, a partir da: • Corrente nominal do módulo Inom; e • Irradiância geral medida G

4.5 - Planilhas de verificação

Disponibilizamos no site www.solarize.com.br duas planilhas que

facilitam a verificação: • A primeira calcula tensão e corrente para o string de um determinado módulo a partir das medições de temperatura e irradiância, e compara as medições com o cálculo; • A segunda permite cadastrar as medições para vários strings e compara cada uma com a média, apontando desvios. Ambas as planilhas, quando usadas em notebook, tablet ou até em celular, podem ser preenchidas no ato do comissionamento. Erros são detectados na hora, permitindo um conserto imediato. Uma apresentação, também disponibilizada no site, detalha melhor os passos do comissionamento. 5 - Previsão

4.3 - Ensaiar o isolamento do circuito em c.c.

sistema solar para um determinado cliente, levando em consideração a

A norma exige o ensaio do isolamento entre os polos e a terra, porque

falhas podem causar acidentes ou incêndios. O próprio inversor ensaia o

O próximo fascículo abordará o dimensionamento adequado do

legislação brasileira e diversas modalidades de compensação remota.

Figura 9: Planilhas de comissionamento ajudam a detectar problemas no ato (acesse www.solarize.com.br).

*Hans Rauschmayer é sócio-gerente da empresa Solarize Treinamentos Profissionais Ltda., onde montou a abrangente grade de capacitação [visite www.solarize.com.br]. Reconhecido especialista em energia solar, já foi convidado para ensinar e palestrar em universidades, instituições, congressos nacionais e internacionais e vários programas de TV.


54

Notícias

renováveis

Siemens Gamesa expande estrutura de manufatura local em Camaçari com produção pioneira de conversores A empresa comemora a montagem final de suas primeiras turbinas eólicas SG 2.6-114 e SG 3.4-132 no Brasil

A Siemens Gamesa

Divulgação

Renewable Energy (SGRE) anunciou recentemente um importante investimento em sua estrutura industrial no Brasil. Na tarde do dia 15 de agosto de 2019, a empresa abriu uma nova área de produção de conversores na sua fábrica atual em Camaçari, na Bahia. Com este marco, a SGRE passa a ter capacidade de produzir 100% dos seus conversores no Brasil, melhorando consideravelmente sua posição competitiva no País.

A nova linha de produção

de conversores faz parte do atual complexo de manufatura, que já produz hubs e nacelas, localizado no Polo Petroquímico de Camaçari. Em 2018, a Siemens Gamesa Brasil produziu naceles e hubs para o mercado local e exportou hubs para vários países da América

com o fornecimento de energia

a maior capacidade instalada de

de energia eólica", explica Paulo

Latina. O início das operações

limpa e renovável para as

energia eólica. Para atingir esse

Guimarães, superintendente

aconteceu em meados de

pessoas na Bahia, no Brasil

marco, foram investidos R$13,7

de Atração de Investimentos e

agosto de 2019, quando a

e em outros países, e esse

bilhões em 10 anos. Além disso,

Fomento ao Desenvolvimento

empresa também comemora

investimento permite oferecer

foram criados mais de 40 mil

Econômico da Secretaria de

a conclusão das primeiras

soluções ainda mais acessíveis

empregos diretos durante a fase

Desenvolvimento Econômico do

turbinas eólicas SG 2.6-114

e econômicas", acrescenta o

de construção dos 147 parques

Estado da Bahia.

e SG 3.4-132 produzidas no

executivo.

eólicos em operação. Essas

Brasil. "O investimento da

usinas têm capacidade instalada

atenderá à demanda de turbinas

Siemens Gamesa na localização

instalada de energia eólica, o

de 3.730MW e beneficiam 23

de clientes atuais e futuros.

de suas turbinas eólicas reforça

Brasil é o mercado eólico mais

cidades do Estado. "A energia

Os conversores de energia são

o nosso compromisso com o

avançado da América Latina,

renovável é um dos setores

usados com o gerador para

mercado eólico brasileiro e com

de acordo com o relatório mais

econômicos mais importantes

transformar a energia mecânica

o desenvolvimento da economia

recente do Global Wind Energy

para o governo da Bahia, e a

em energia elétrica. Antes, os

local de Camaçari e sua

Council, que também destaca que

Siemens Gamesa é uma das

conversores eram adquiridos de

comunidade", explica Roberto

o País está no caminho certo para

principais empresas deste

fornecedores qualificados, que

Prida, diretor administrativo

o crescimento estável até 2023.

setor. Esse novo investimento

fabricavam os equipamentos de

onshore da Siemens Gamesa

No primeiro semestre de 2019,

aumentará a competitividade da

acordo com as especificações da

Brasil. "Estamos comprometidos

a Bahia se tornou o Estado com

Bahia para atrair novos projetos

Siemens Gamesa.

Com 15,1 GW de capacidade

A produção de conversores


Notícias

renováveis

55

4º Fórum PE Energia reúne importantes agentes do setor Com o objetivo de integrar

da Companhia Hidrelétrica do

agentes, empresários e

São Francisco (Chesf), Fábio

interessados no setor de energia,

Lopes, trouxe informações

o Fórum PE Energia, organizado

atualizadas sobre o projeto

pela empresa Kroma Energia,

“Geração Fotovoltaica Flutuante

ocorreu no dia 6 de setembro, em

no Reservatório de Sobradinho”,

Recife (PE), reunindo um grande

enriquecendo ainda mais o

público do mercado energético de

conhecimento dos presentes

Pernambuco e de todo o Brasil,

sobre o assunto.

sob o tema: “Energia Solar no Rio

São Francisco”.

Rodrigo Mello, explica que o

Fórum Pernambuco Energia

Na ocasião, o coordenador

Fotos: Divulgação / Kroma Energia

O CEO da Kroma Energia,

geral da Secretaria de

tem o objetivo de fomentar e

Infraestrutura Hídrica do

proporcionar uma discussão

Ministério de Desenvolvimento

construtiva do mercado de energia,

Regional, Rafael Ribeiro Silveira,

e valorizar as empresas locais que

palestrou sobre o "Estudo de

são destaques nacionais. “São

setor de energia”, afirma.

em contato pelo e-mail: sac@

Viabilidade para o uso de energia

discussões técnicas que agregam

kromaenergia.com.br.

solar fotovoltaica no Projeto de

valor e conhecimento à nossa

acontecerá em breve. Os

Integração do Rio São Francisco

sociedade, além de ratificar o

interessados em obter

a Kroma Energia, acesse o site:

(PISF)". Além disso, o presidente

protagonismo de Pernambuco no

informações podem entrar

www.kromaenergia.com.br.

A 5ª edição do evento

Para conhecer mais sobre


56

Notícias

renováveis

GDSolar amplia participação no mercado de distribuição de energia solar e anuncia a holding Grupo GDSolar O grupo passa a contar com três unidades de negócios: GDSolar Energia, GDSolar Mobilidade e GDSolar Comercializadora

Especialista no mercado

Divulgação

de geração distribuída de energia solar, a GDSolar está expandindo a sua atuação para outros mercados inseridos no setor energético. A empresa anuncia um movimento em sua estrutura e a criação de outras duas novas linhas de negócios, tornando-se uma das maiores holdings de geração de energia solar fotovoltaica em B2B do País. Com isso, o grupo passa a atuar em três diferentes áreas: geração distribuída de energia, mobilidade elétrica urbana e comercialização de energia. Hoje, a empresa está presente em vários estados brasileiros e conta com 27 usinas fotovoltaicas

entende que o conceito de

quatro pilares fundamentais

sustentável, renovável e

entre instaladas, em fase de

geração distribuída é o que

para o negócio, o que a possibilita

limpa. Suporte completo para

construção ou de conexão. Prevê

prevalecerá e que trará muitos

construir e operar usinas

atendimento das necessidades

ter mais de 100MWp instalados

benefícios ao setor, do ponto de

fotovoltaicas.

e condições específicas do

até o final de 2019 e evitar a

vista de equalização do sistema,

GDSolar Mobilidade Elétrica

mercado livre de energia. "O

emissão de 1,6 toneladas de

menor perda de energia. “Com

– Solução para o abastecimento

papel da Comercializadora é

CO2 por mês. "Desde o início

a abertura de novas frentes de

e locação de veículos elétricos,

alavancar negócios em solar,

da GDSolar, em 2015, nosso

negócios, nossa expectativa é de,

únicos ou para frotas completas,

mas, substancialmente, entender

planejamento era de começar

pelo menos triplicar, o tamanho

com o fornecimento de energia

e atender as necessidades dos

atuando no setor de geração

da empresa, focando no segmento

solar. "É uma das grandes

nossos clientes, deixando-os

distribuída e depois partir para

de autoprodução", declara.

apostas da empresa. A solução é

seguros e satisfeitos com as

cargas maiores, com clientes

voltada ao público que depende

decisões que tome e permitindo

com potencial para consumos

do Grupo GDSolar passa a ser

de um veículo para fazer entrega,

que tenham um bom balanço

superiores em mercado livre.

dividida da seguinte forma:

transporte urbano ou coleta

energético das suas fontes",

O produto pelo qual a gente

GDSolar Energia – Primeira

de lixo. O modelo de negócio

completa o executivo.

começou em GD, já está atendido

unidade de negócio do grupo

prevê a locação desses veículos,

quase que em sua totalidade

GDSolar, responsável pelo

com toda a responsabilidade

propósito é colaborar com a

e o mercado livre, com energia

desenvolvimento de projetos no

operacional sendo da GDSolar

sociedade para termos um

renovável se mostra um universo

modelo de geração distribuída

Mobilidade. Tudo isso em um

mundo melhor e entendemos

de oportunidades que queremos

remota, conforme regulamentação

ciclo sustentável, com veículo

que, tendo esses três segmentos

explorar", explica Ricardo Costa,

do setor, para consumidores

elétrico, abastecido com energia

de negócios, já temos uma gama

presidente do Grupo GDSolar.

de diferentes portes. Possui

solar", esclarece Costa.

de produtos que atenderá os

equipe multidisciplinar in house,

clientes em sua totalidade",

estruturada verticalmente em

– Comercialização de energia

Alexandre Gomes, CEO da

GDSolar Energia afirma que

Com a mudança a estrutura

GDSolar Comercializadora

E acrescenta: "Nosso

conclui Costa.


Notícias

renováveis

57

Enel Green Power inicia construção de 133MW de nova capacidade solar no Brasil Serão investidos cerca de R$422 milhões, o equivalente a aproximadamente 100 milhões de euros, na expansão do parque solar São Gonçalo ao mercado livre de energia no Brasil, que

de 1.500GWh por ano, evitando a emissão

renovável do Grupo Enel, Enel Green Power

tem se tornado cada vez mais atraente para

de mais de 860.000 toneladas de CO2 na

Brasil Participações Ltda. ("EGPB"), iniciou a

investidores de energias renováveis”, destaca.

atmosfera anualmente.

construção da expansão de 133MW do parque

solar São Gonçalo, localizado em São Gonçalo

deve entrar em operação em 2020. A

é a primeira usina fotovoltaica da Enel no

do Gurguéia, no Estado do Piauí. A expansão

construção da primeira parte de 475MW teve

Brasil a usar módulos solares bifaciais, que

aumenta para 608MW a capacidade total de São

início em outubro de 2018. Da capacidade

captam energia de ambos os lados dos painéis.

Gonçalo. O Grupo Enel investirá cerca de R$422

instalada total de São Gonçalo:

A expectativa é que os módulos inovadores

A subsidiária brasileira de energia

O parque solar São Gonçalo, de 608MW,

O parque solar São Gonçalo, de 608MW,

aumentem a geração de energia em até 18%.

milhões, o equivalente a aproximadamente 100 milhões de euros, na construção da nova seção

• 343MW, incluindo os 133MW da expansão

de 133MW do parque.

e a parcela de 210MW da primeira etapa, são

suas subsidiárias EGPB e Enel Brasil, possui

apoiados por contratos de fornecimento de

capacidade instalada renovável de mais de

Enel Green Power, linha global de negócios da

energia negociados com clientes corporativos

2,4GW, dos quais 782MW de energia eólica,

Enel dedicada a energias renováveis, ressalta:

no mercado livre de energia no Brasil;

370MW de solar fotovoltaica e 1.269MW de

“Estamos expandindo o parque São Gonçalo,

• 265MW da primeira etapa são apoiados

energia hídrica. Além disso, a EGPB tem cerca

que é o maior parque solar atualmente em

por contratos de 20 anos de fornecimento

de 1,9GW em execução no País.

construção na América do Sul, fortalecendo o

de energia para um pool de empresas de

nosso compromisso de ampliar a capacidade

distribuição que operam no mercado regulado

de negócios do Grupo Enel dedicada ao

renovável no Brasil, onde somos o principal

do País.

desenvolvimento e operação de energias

Antonio Cammisecra, responsável da

No Brasil, o Grupo Enel, por meio de

A Enel Green Power é a linha global

renováveis em todo o mundo, com presença

player em geração de energia solar e eólica em Quando estiver em plena operação, a

na Europa, Américas, Ásia, África e Oceania. A

termos de capacidade instalada e portfólio

de projetos. O perfil de produção de São

expansão do parque solar São Gonçalo será

companhia é especializada no setor de energia

Gonçalo se beneficiará ainda mais da nossa

capaz de gerar cerca de 360GWh por ano,

limpa, com capacidade gerenciada de mais de

liderança em inovação, por meio de tecnologias

evitando a emissão de cerca de 207.000

43GW, distribuídas em um mix de geração que

de geração de ponta. O parque dedicará

toneladas de CO2 na atmosfera a cada ano.

inclui eólica, solar, geotérmica e hidrelétrica, e

uma parcela significativa de sua produção,

Com a expansão concluída, toda a usina, de

atua na integração de tecnologias inovadoras

incluindo toda a produção de sua expansão,

608MW, terá capacidade para gerar mais

em usinas renováveis.


Energia solar fotovoltaica

58

Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho de Administração da Absolar

Rodrigo Sauaia é presidente executivo da Absolar

Márcio Trannin é diretorpresidente da Sunco Capital para a América do Sul e vicepresidente do Conselho de Administração da Absolar

Acelerando a Fonte Solar Fotovoltaica no Mercado Livre de Energia (ACL) pujante, dinâmico e liberalizado

atrativa em termos de preços no

longo e complexo, podendo levar

da geração na matriz elétrica

como o que já começamos

País. Também possui prazos de

até 15 meses entre a emissão do

brasileira se deu de forma exitosa,

a experimentar. Neste novo

desenvolvimento e construção

Despacho de Requerimento de

por meio de leilões regulados de

ambiente, veremos cada vez mais,

mais rápidos que outras opções

Outorga (DRO) e a assinatura do

energia, voltados ao atendimento

grandes clientes do mercado

do mercado, o que permite a

Contrato de Uso do Sistema de

do mercado cativo (ambiente de

livre, industriais e comerciais,

rápida entrada em operação para

Transmissão (CUST), documento

contratação regulada – ACR) do

reduzindo sua capacidade ociosa

atender a demandas de mais curto

que efetivamente garante a

Brasil.

de produção e partindo para

prazo dos clientes, com perfil

conexão do projeto aos sistemas

uma contratação de energia

de geração aderente à curva de

de transmissão.

deve, em grande medida, às

elétrica que garanta a seus

preços de mercado, casando-se

regras claras dos leilões e à

negócios maior competitividade

perfeitamente com os horários

gargalos, a Associação Brasileira

garantia de menor preço ao

e sustentabilidade nos médio e

de ponta de carga do Sistema

de Energia Solar Fotovoltaica

consumidor, impulsionadas pela

longo prazos.

Interligado Nacional (SIN).

(Absolar) tem trabalhado, tanto

alta competitividade destes

internamente quanto com as

certames. Surpreendentemente,

procura por energia elétrica

fazem da fonte solar fotovoltaica

instituições públicas líderes do

o atendimento da demanda da

em condições altamente

uma excelente opção para

setor elétrico brasileiro, para a

matriz manteve-se equilibrado,

competitivas. A liberalização

o atendimento à crescente

construção de medidas e ações

também, devido à retração

gradual do mercado, prevista na

demanda do ACL. Porém, alguns

voltadas à compatibilização de

econômica do Brasil. Mesmo com

reforma setorial ora em discussão

fatores ainda devem ser mais

regras entre o ACR e ACL no Brasil.

uma expansão baseada em apenas

e na economia brasileira em

bem trabalhados, para que a

70% da demanda nacional via ACR

geral pela ótica do novo Governo

concretização do ACL como

capaz de permitir que os projetos

e com cerca de 30% do mercado

Federal, permitirá que mais

alternativa real para a expansão

solares fotovoltaicos depositem

comercializando suas demandas

clientes acessem livremente seus

estrutural da matriz elétrica

garantias financeiras para

elétricas diretamente no ambiente

supridores de energia elétrica,

nacional seja efetivada.

“reservar” seu espaço na rede

de contratação livre (ACL) e não

libertando-os do monopólio

de transmissão, é uma medida

participando dos leiloes, o setor foi

natural das distribuidoras. Este

que os projetos direcionados

amplamente apoiada pelos

capaz de manter a matriz elétrica

movimento contribuirá para a

ao ACR e ao ACL devem ter.

agentes do setor e da fonte, o

nacional em níveis adequados de

reavaliação de todo o arcabouço

Atualmente, ainda persistem

que denota a seriedade de seus

suprimento elétrico.

da expansão elétrica nacional.

tratamentos díspares entre os

investimentos.

dois ambientes, especialmente

Durante anos, a expansão

Tal êxito na expansão se

No entanto, o atual cenário

Isso acarretará uma maior

No quesito “competitividade”,

Todas estas características

O primeiro fator é a isonomia

Buscando solucionar estes

A construção desta isonomia,

Por todo o exposto, o caminho

enseja uma revisão profunda

a fonte solar fotovoltaica se

com relação à prioridade no

para uma expansão sadia e

deste modelo. A expansão

destaca por, dentre outros

acesso à conexão às redes de

sustentável do parque gerador

do parque gerador brasileiro,

fatores, possuir preços bastante

transmissão ou distribuição.

brasileiro no longo prazo passa por

baseada única e exclusivamente

atraentes quando comparados

Projetos em leilões (ACR) têm

rediscutirmos e aprimorarmos o

em leilões regulados, não seria

a outras fontes. De fato, a fonte

garantia de conexão reconhecidos

papel protagonista do mercado

adequada a um ambiente de

solar fotovoltaica já pode ser

imediatamente. Por outro lado,

livre de energia nos próximos

crescimento econômico mais

considerada a segunda mais

no ACL, o caminho é bem mais

anos.


Energia Eólica

59

Elbia Gannoum é presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica)

As novas fronteiras da energia eólica

Há uma revolução clara e evidente

pouco mais de 0,6GW instalados e estamos

acontecendo no mundo da energia: estamos

chegando neste segundo semestre de 2019

nos afastando das fontes poluentes e

com 15,1GW de capacidade instalada

priorizando as renováveis de baixo ou

em mais 600 parques e com 7.500

baixíssimo impacto ambiental. Em alguns

aerogeradores em operação.

países isso está se dando rapidamente e

há outros ainda lentos nesta transição.

que nos perguntar: quais são as próximas

Independentemente da velocidade, o fato é

fronteiras do crescimento da energia eólica

que esta mudança é irreversível e devemos

no Brasil? Acredito que a resposta venha

nos engajar para que ela aconteça de forma

de novos modelos de negócios, como

cada vez mais eficiente e rápida em todo o

parques híbridos; do desenvolvimento das

mundo.

baterias, que evoluem rapidamente; da

eólica offshore e da ampliação do mercado

Em seu Relatório Anual, o Conselho

Com todo esse crescimento, temos

Global de Energia Eólica (Global Wind

livre para eólica. Sobre este último ponto,

Energy Council – GWEC) mostra uma

gostaria de destacar que 2018 foi o

indústria madura competindo com sucesso

primeiro ano em que a energia eólica vendeu

no mercado mundial, mesmo contra

mais no mercado livre do que no mercado

tecnologias tradicionais de geração de

regulado. E aproveito a oportunidade para

energia altamente subsidiadas em alguns

dizer que, em 30 de outubro de 2019,

países. A energia eólica é hoje uma indústria

discutiremos, no 8º Encontro de Negócios

presente em mais de 90 países, 30 dos

da ABEEólica, tudo isso que acabei de

quais com mais de 1GW instalados e nove

mencionar, com o tema principal do evento

com mais de 10GWs, como é o caso do

“o setor energético em transformação:

Brasil, que tem 15,1GW de capacidade

novos modelos de negócios para a indústria

instalada e ocupa o 8º lugar no Ranking

eólica”.

Mundial.

da energia eólica, mas sem perder de vista

O GWEC acredita que, tanto em

Gosto sempre de comemorar os feitos

projetos onshore quanto offshore, a energia

todo o potencial que ainda temos para

eólica seja a chave para definir um futuro

crescer. E o fato é que este potencial está

energético sustentável. O futuro, portanto,

perfeitamente alinhado com a energia que

é promissor para a fonte eólica. E, no Brasil,

precisamos para o nosso futuro. Por isso,

o fato é que essa indústria segue de vento

além de achar que a eólica tem uma história

em popa. Estamos batendo recordes atrás

brilhante no Brasil, ela tem também um

de recordes, chegando a tender mais de

futuro de crescimento. E tenho certeza que

85% do Nordeste, e seguimos instalando

nossos bons ventos seguirão desbravando

mais e mais parques. Há 10 anos, tínhamos

caminhos e ampliando suas fronteiras.


60

Pesquisa - Equipamentos para condicionamento de energia e grupos geradores

Mercado de nobreaks, baterias e grupos geradores deve crescer 14% em 2019, diz pesquisa A pesquisa anual realizada pela revista O Setor ElĂŠtrico revelou que o crescimento desse setor deve superar o observado em 2018, cujo percentual foi de 11%


61

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Previsoes de crescimento

Acréscimo ao quadro de funcionários da empresa

5% Previsão de crescimento do tamanho anual total do mercado para o ano de 201

8%

10%

Crescimento da sua empresa em 2018 comparado ao ano anterior

14%

Crescimento para sua empresa em 2019

A pesquisa ainda aponta que a previsão de crescimento do tamanho anual total do

mercado para o ano de 2019 é de 8% e a contratação de funcionários deve ter um acréscimo de 5%.

Para 29% das empresas, a desaceleração da economia brasileira deve influenciar

o desempenho do mercado em 2019. Por outro lado, 16% acreditam que projetos de infraestrutura mantiveram o mercado este ano. Outro fator que deve influenciar nos resultados em 2019, segundo a pesquisa, é a falta de confiança dos investidores na economia do País, correspondendo a 13% dos entrevistados.

FATORES QUE DEVEM INFLUENCIAR O MERCADO EM 2019

6%

Outros 3%

Desvalorização da moeda brasileira

3%

Programas de incentivo do governo

13%

Falta de confiança de investidores

13%

Bom momento econômico do país

29% 7%

Desaceleração da economia brasileira

Crise internacional O

mercado

de

equipamentos

para

condicionamento de energia, baterias e grupos

16%

geradores deverá registrar uma elevação até o

7%

Projetos de infraestrutura

fim de 2019, na comparação com o vivenciado

3%

no ano passado. A previsão foi baseada na

Setor da construção civil desaquecido

pesquisa setorial realizada pela revista O Setor Elétrico, com cerca de 50 empresas que

Setor da construção civil aquecido

atuam no segmento. Os resultados apontam que as empresas devem crescer 14% neste

ano, superando, em três pontos percentuais, o

de equipamentos de geração de energia – equivalendo a 95% da fatia –, seguido pelo setor

de 2018, que foi de 11%.

comercial, 79%; público, 35%; e residencial, com 16%.

A pesquisa constatou ainda que a indústria é o principal segmento de atuação do mercado


62

Pesquisa - Equipamentos para condicionamento de energia e grupos geradores

Principais segmentos de atuação

16%

Residencial Público

35%

Comercial

79% 95%

Industrial

A maioria das vendas desta categoria é realizada diretamente aos consumidores finais

(98%). Revendas e varejistas representam 58% do canal de venda; distribuidores e atacadistas, 56%; Internet, 23% e telemarketing, 16%. Principais canais de vendas

Outros

12% Telemarketing 16% Internet 23% 56% 58%

Distribuidores / atacadistas Revendas / varejistas

98%

Venda direta ao cliente final

Os resultados também apontam que os sete produtos mais comercializados pelo segmento

são: baterias (49%); chaves de transferência (47%); outros tipos de grupos geradores (42%); nobreaks estáticos de até 3kVA (40%); nobreaks estáticos acima de 3kVA (40%); softwares de gerenciamento de energia (35%) e estabilizadores acima de 3kVA (30%). Principais produtos comercializados

Relés

12% Grupos geradores a biogás 12% Grupos geradores a gás natural 12% Grupos geradores a diesel 12% Filtros de harmônicos 16% Estabilizadores até de 3 kVA 23% Retificadores 28% Estabilizadores acima de 3 kVA 30% Softwares de gerenciamento de energia 35% Nobreaks estáticos acima de 3 kVA 40% Nobreaks estáticos de até 3 kVA 40% Outros tipos de grupos geradores 42% Chaves de tranferência 47% Baterias 49%


63

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

O levantamento mostrou ainda que 16% faturaram até R$5 milhões; 16% das consultadas,

atingiram de R$ 5 milhões a R$10 milhões; 26% delas variaram de R$10 milhões a R$30 milhões; e 10%, de R$30 milhões e R$50 milhões.

Faturamento Bruto anual em milhões R$ no ano passado

5%

De R$ 200 milhões a R$ 500 milhões

16%

Até R$ 5 milhões 16%

De R$ 100 milhões a R$ 200 milhões 11%

De R$ 70 milhões a R$ 100 milhões

16%

De R$ 5 milhões a R$ 10 milhões

10%

De R$ 30 milhões a R$ 50 milhões

26%

De R$ 10 milhões a R$ 30 milhões

Percepção sobre o tamanho anual do mercado em 2018

Nobreaks acima de 3kVA, juntamente com baterias e retificadores – correspondendo a 7%

–, faturaram acima de R$1 bilhão. As baterias também entram também na faixa do faturamento de R$500 milhões e R$1 bilhão (29%); retificadores (14%) e nobreaks de até 3kVA (13%).

Nobreaks acima de 3kVA e estabilizadores acima de 3kVA foram responsáveis pela maior

fatia do faturamento entre R$200 milhões e R$500 milhões em 2018, respondendo por 27% do total vendido no ano passado.

Esses mesmos grupos de produtos corresponderam pelo faturamento das empresas entre

R$100 milhões e R$200 milhões, respondendo por 27% do total comercializado em 2018.

Os softwares de gerenciamento de energia lideraram o faturamento de R$50 milhões a

R$100 milhões, totalizando em 29% do mercado. Na sequência, vêm os nobreaks acima de 3kVA, com 27%, seguido pelas baterias e chaves de transferência, com 21%.

De R$ 50 milhões a R$ 100 milhões

De R$ 100 milhões a R$ 200 milhões

De R$ 200 milhões a R$ 500 milhões

De R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão

Acima de R$ 1 bilhão

20%

7%

27%

0%

13%

0%

27%

0%

27%

13%

27%

0%

7%

47%

13%

7%

27%

0%

7%

0%

Estabilizadores acima de 3 kVA

40%

7%

20%

7%

27%

0%

0%

Baterias

29%

7%

21%

7%

0%

29%

7%

Retificadores

36%

14%

7%

21%

0%

14%

7%

Chaves de transferência

43%

7%

21%

21%

7%

0%

0%

Filtros de harmônicos

50%

14%

14%

14%

0%

7%

0%

Softwares de gerenciamento de

50%

0%

29%

21%

0%

0%

0%

Até R$ 20 milhões

De R$ 20 milhões a R$ 50 milhões

Percepção sobre o tamanho anual do mercado no ano passado

Nobreaks de até 3 kVA

33%

Nobreaks acima de 3 kVA Estabilizadores de até 3 kVA

energia


Pesquisa - Equipamentos para condicionamento de energia e grupos geradores

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X

ALSET ENERGIA

(62) 3945-5047

www.alset.com.br

Goiânia

GO

X

X

X

ATA SISTEMAS DE ENERGIA

(11) 2024-4689

www.ataups.com.br

São Paulo

SP

X

X

X

CABELAUTO CABOS ELETRICOS

(35) 3629-2500

WWW.CABELAUTO.COM.BR

Itajubá

MG

X

X

X

CM Comandos Lineares

(11) 5696-5052

www.cmcomandos.com.br

São Paulo

SP

X

X

CONIMEL

(16) 3951-9595

www.conimel.com.br

Cravinhos

SP

X

X

X

Eaton

(11) 3616-8515

www.eaton.com.br

São Paulo

SP

X

X

X

ETELBRA ENGENHARIA

(21) 3392-8106

www.etelbra.com.br

Rio de Janeiro

RJ

X

X

Finder Componentes

(11) 4223-1550

www.findernet.com

São Caetano do Sul

SP

X

X

X

GUARDIAN

(21) 2501-6458

www.guardian.ind.br

Rio de Janeiro

RJ

X

X

X

HDS Sistemas de Energia

(41) 2109-8800

www.hdspr.com.br

Pinhais

PR

X

X

X

HEIMER GRUPOS GERADORES

(81) 99207-4665

www.heimer.com.br

PAULISTA

PE

X

X

X

X

X

X

INTELLI STORM

(16) 3826-1411

www.intellistorm.com.br

Orlândia

SP

JNG materiais elétricos

(11) 2090-0550

www.jng.com.br

São Paulo

SP

X

X

KRJ

(11) 2971-2300

www.krj.com.br

São Paulo

SP

X

X

Kron Medidores

(11) 5525-2000

www.kron.com.br

São Paulo

SP

X

X

Lacerda Sistemas de Energia

(11) 2147-9777

www.lacerdasistemas.com.br

São Bernardo do Campo

SP

X

Leão Energia

(43) 3294-6429

www.leaoenergia.com.br

Londrina

PR

X

X

X

LOGMASTER

(51) 2104-9005

www.logmaster.com.br

Porto Alegre

RS

X

X

X

MÉDIA TENSÃO

(11) 99273-1154

www.mediatensao.com.br

Guarulhos

SP

X

X

Metaltex

(11) 5683-5700

www.metaltex.com.br

São Paulo

SP

X

X

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X

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X

X

X

X

X

X

MTU

(11) 3915-8982

www.mtu-online.com/brasil

São Paulo

SP

X

X

OBO BETTERMANN

(15) 3335-1382

www.obo.com.br

Sorocaba

SP

X

X

X

Pextron

(11) 99105-5014

www.pextron.com.br

São Paulo

SP

X

X

PhD On Line - Nobreaks

(11) 98609-7504

www.phdonline.com.br

São Caetano do Sul

SP

Power Solutions Brasil

(11) 3181-5157

www.psolutionsbrasil.com.br

São Paulo

SP

Powersafe Baterias Especiais

(11) 98609-7504

www.powersafe.com.br

São Caetano do Sul

Proauto Electric

(15) 3031-7400

www.proauto-electric.com

Sorocaba

Provolt

(47) 3036-9666

www.provolt.com.br

Blumenau

SC

X

X

Renz

(11) 4034-3655

www.renzbr.com

Bragança Paulista

SP

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SP

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Porto Alegre

RS

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www.rta.com.br

São Paulo

SP

X

X

X

SEC POWER

(11) 5541-5120

www.secpower.com.br

São Paulo

SET Geradores

(11) 2925-0191

www.setgeradores.com.br

São Paulo

STEMAC

(51) 2131-3800

www.stemac.com.br

Porto Alegre

RS

TRANSFER SISTEMAS

(11) 98211-3274

www.transfersistemas.com.br

CARAPICUIBA

SP

TRANSFORMADORES MINUZZI

(19) 3272-6380

www.transformadoresminuzzi.com.br Campinas

SP

UNION

(11) 3512-8900

www.unionsistemas.com.br

São Paulo

SP

WEG

(47) 3276-4000

www.weg.net

Jaraguá do Sul

SC

X

Zael Sistemas de Energia

(11) 2577-2233

www.zael.com.br

Sao Paulo

SP

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SP

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rms@rms.ind.br

(11) 2171-3244

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(51) 3337-9500

RTA

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RMS

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Tem corpo técnico especializado para oferecer suporte ao cliente

SP

Barueri

Importa produtos acabados

São Paulo

www.adelco.com.br

Exporta produtos acabados

www.acaoenge.com.br

(11) 4199-7500

Programas na área de responsabilidade social

(11) 3883-6050

ADELCO

Certificado ISO 14.001 (ambiental)

AÇÃO ENGENHARIA

Certificado ISO 9001 (qualidade)

X

Serviço de atendimento ao cliente por telefone e/ou internet

PE

Outros

Belo Jardim

Internet

www.moura.com.br

Telemarketing

X

(81) 3411-2999

Venda direta ao cliente final

SP

Acumuladores Moura S.A.

Estado

Revendas / varejistas

São Paulo

Distribuidores / atacadista

Cidade

www.abb.com.br

Público

Site

0800 0149 111

Principal canal de vendas

Comercial

Telefone

ABB

Principal segmento de atuação

Industrial

EMPRESA

Distribuidora

Fabricante

A empresa é

Residencial

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Fornece projetos de instalação dos produtos/equipamentos Fornece serviços de instalação e/ou manutenção dos produtos/equipamentos

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Outros produtos para condicionamento de energia

Outros tipos de grupos geradores

Relés

Grupos geradores a gasolina

Grupos geradores a biogás

Grupos geradores a gás natural

Grupos geradores a diesel

Softwares de Gerenciamento de energia

X

Filtros de harmônicas

X

Chaves de transferência

Retificadores

X

Estabilizadores acima de 3 kVA

Estabilizadores até 3 kVA

No breaks rotativos

No breaks estático acima de 3 kVA

No break estático até 3 kVA

Oferece treinamento técnico para os clientes

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

65

Principais produtos comercializados pela empresa

X

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66

Tec

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

lovelyday12 | shutterstock.com

Por Geraldo R. de Almeida*

Cabos Aéreos Para Linhas de Transmissão de Energia elétrica O aterramento em linhas de transmissão


Tec 67

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Resumo O aterramento em linhas de transmissão, mas também em qualquer parte de um sistema elétrico, existe para protegê-lo contra voltagens que excedam o nível básico de isolamento do sistema quando este for aéreo. Quando isolado, geralmente, ele é auto protegido contra descargas elétricas que entrem pela porta não isolada. De qualquer forma, quase sempre, a engenharia prevê a instalação de um para-raio na interface aéreo-isolada. De modo geral, em linhas aéreas de transmissão, o aterramento é assessorado por um sistema coletor de raios, situado acima dos condutores de fase, denominado Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (SPDA). O Aterramento deve prover todas as facilidades para escoar para terra as correntes derivadas das descargas que este coletor captar. A presença do SPDA e o Aterramento no sistema de transmissão cria um circuito paralelo com os condutores de fase formando um circuito alternativo (e preferencial) ao solo para circulação da componente de sequência zero (de qualquer natureza). A maior destas componentes é aquela devido ao curto-circuito, que pode ocorrer durante o desempenho

Figura 1 – SPDA + Aterramento.

O sistema captor de raios (SPDA) é de material condutor: (I) cabos

da linha. Além do curto-circuito, com sua componente de

para raios, (II) cabos de baixada e (III) aterramento propriamente dito.

sequência zero e surtos de manobras com suas correntes de

Este trabalho abordará apenas o item (III).

retorno por terra, também compõem parte dos serviços de um

De modo geral, um projeto de aterramento em linhas de

sistema de aterramento. O circuito SPDA e Aterramento são

transmissão (torres) passa por etapas onde emergem como pontos

também percorridos por correntes induzidas pelas correntes

críticos três grandezas:

de fases e pelas correntes de fuga dos isolados. Estas correntes

(1) Corrente máxima (2) Duração desta corrente e (3) Tempo

escoam durante todo tempo de funcionamento da linha. Apesar

de operação da linha. As duas primeiras definirão uma determinada

de serem de pequenos valores, elas determinam o tempo de

quantidade de material pelo equivalente termodinâmico adiabático, e a

vida dos materiais deste circuito. O trabalho analisa todos estes

terceira definirá o tipo de material.

aspectos e apresenta os materiais mais usados no aterramento e a respectiva confiabilidade.

Introdução A necessidade de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas em linhas aéreas de transmissão de energia elétrica remonta ao tempo de Nicola Tesla [1]. Toda engenharia, desde então, foi progressivamente sistematizada, e hoje temos na disciplina “Coordenação de Isolamento” [2], um corpo de conhecimento necessário para prover a necessidade de proteção contra descargas atmosféricas. Atualmente, esta proteção sistematizada é denominada pelas siglas SPDA + ATERRAMENTO [3] e deve estar presente em

Figura 2 – Descarga no cabo guarda.

Correntes possíveis e prováveis As correntes possíveis ou prováveis no aterramento de linhas de transmissão são:

todos os projetos de linhas de transmissão. O SPDA + ATERRAMENTO está mostrado na figura 1.

1- Correntes de curto-circuito devido a alguma falha elétrica na linha


Tec

68

de transmissão;

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

De modo geral, a corrente que circula pelo aterramento devido a

2- Correntes resultantes de uma descarga de origem atmosférica;

surtos de manobras é menor que aquelas que circulam nos cabos de

3- Correntes devido a um surto de alguma manobra não desejável no

fase (ou polo) e cabos guarda para raio.

sistema; 4- Correntes induzidas pelas fases nos cabos guarda; 5- Correntes de fuga na isolação; 6- Correntes naturais de potenciais eletroquímicos.

Correntes induzidas Cabo guarda para-raios são percorridos por correntes induzidas pelos cabos de fase quando a linha está desempenhando sua função no sistema. Estas correntes serão maiores ou menores dependendo do

As três primeiras modalidades se enquadram no tipo PROVÁVEIS e os aterramentos são dimensionados para suportar seus valores durante todo desempenho. As três últimas são as correntes POSSÍVEIS e de existência

grau de simetria dos condutores de fase em relação aos cabos para raio. Correntes capacitivas também acontecem, mas são muito menores que as induzidas (AC) [12], porém, são as únicas em caso de transmissão DC [13]. As correntes induzidas (indutivas

garantida, referem a valores muito baixos, mas que têm um significado

capacitivas) escoam para terra através dos aterramentos e, apesar

forte no desempenho dos materiais frente aos potenciais eletroquímico

de não provocarem aumento de temperatura nas partes condutoras

dos mesmos.

do aterramento, estas correntes concorrem para erodir a camada de

Corrente de curto Antes de J.R. Carson [04] e Edith Clarke [05], o cálculo de correntes de curto-circuito com retorno por terra era precário. Atualmente, as estimativas destas correntes podem ser feitas com muita precisão, pois os modelos de cálculo estão muito desenvolvidos em [06]. Para o aterramento na transmissão, o objetivo é identificar a máxima corrente de curto que tem acesso às hastes de terra. Neste caso, o problema pode ser simplificado, calculando o curto-circuito (monofásico, bifásico e trifásico simétrico) na primeira torre após a subestação de alimentação.

Corrente de descarga atmosférica A maior restrição ao desempenho adequado de uma linha de transmissão são as descargas atmosféricas. Estas podem ser de várias dezenas de Coulombs em tempos muito curtos, trazendo, portanto, uma corrente muito elevada. No passado, estimar uma corrente que passava nos eletrodos de

material condutor do sistema.

Correntes de fuga As correntes de fuga decorrem de perda de isolação nas cadeias de isoladores e/ou nas bases dos isoladores fixos. Correntes induzidas calculadas e medidas [12] e [13]. Correntes de fuga são geralmente medidas, mas podem ser estimadas com algoritmos especialistas.

Correntes naturais No caso específico de aterramentos, as correntes naturais são aquelas que formam por causa de variação da composição do solo. Especificamente, são de interesses as correntes derivadas de variação do Ph do solo [14].

Correntes e os materiais O estudo de um curto-circuito é feito com transformação adiabática, porque o tempo de ação das variáveis é muito curto. A equação final deverá ser um balanço entre a energia que deriva do

terra de uma linha de transmissão era uma tarefa para esotéricos.

curto-circuito e a quantidade de material que deve receber esta energia

Assim, era comum criar alguns critérios para esta estimação. Neste

dentro uma conhecida faixa de temperatura.

trabalho, será apresentado um critério, que na ausência de modelagem por ATP [07] ou EMTP [08] pode usado como primeira estimativa. Para linhas de transmissão AC e DC de longa distância (para

Correntes de curta duração Em casos de curto-circuito, descarga atmosférica ou surto de manobra, o equilíbrio da energia durante a operação anormal pode

linhas AC implica em adoção de FACTS [09), a estimação de corrente

ser balanceado com uma quantidade de material em uma determinada

de descarga atmosférica com métodos avançados é mandatória.

faixa de temperatura, segundo a equação:

Neste trabalho, apresento um critério baseado em desempenho de materiais frente a descargas elétrica de 50, 100 e 150 Coulombs [10].

Corrente de surto de manobra A expressão “surto de manobra” inclui várias modalidades de

cv Calor específico a volume constam

ocorrências anormais no sistema de potência, com especial referência

ρ0 Resistividade a 0ºC

para linhas de transmissão [11].

α1⁄β Coeficiente de termoresistividade do material


O Setor Elétrico / Setembro de 2019

TABELA 1 – Características dos materiais.

Tec 69

θc Temperatura inicial do curto θz Temperatura final do curto S Seção transversal do condutor t Tempo de duração do curto

Para alguns materiais usados com eletrodos de aterramento, pode-se aplicar os dados da tabela 1.

Correntes de longa duração Estas correntes são de pequena intensidade, decorrente do acoplamento (indutivos e capacitivos) e correntes de fuga nos isoladores. Devido à sua baixa intensidade, provocam erosões danosas

Figura 3 – Funil de voltagem.

nos materiais de aterramentos. Seu papel e desempenho serão abordados no capítulo de durabilidade.

Voltagens e potenciais perigosos Quando uma grande quantidade de cargas elétricas chega a um

Quanto menor for a resistência de aterramento e maior for a quantidade de material condutor, menor será o valor de crista da elevação do potencial. O potencial apresentado na figura 3 é um “flash” da evolução

sistema de aterramento, aparece uma elevação de potencial no ponto de

da capacidade ao longo do tempo. Muitas cargas chegam

chegada das mesmas até que sejam absorvidas pelo solo circunstante.

simultaneamente, aumentando o potencial, e demoram algum tempo


Tec

70

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

relaxar. O tempo de relaxação das cargas permite a criação de latências perigosas para o que estiver nas proximidades; este fenômeno foi estudado e resolvido por DALZIEL [15]. Em uma torre, este fenômeno será também presente com o mesmo princípio.

Figura 5 – O potencial de passo.

Potenciais de toque O potencial de toque é muito mais perigoso que o potencial de passo. Foi também Dalziel que estabeleceu as equações e condições limites de tolerabilidade [15] para este fenômeno. As normas IEEE 80 e CIGRE também regulam o cálculo desta fenomenologia.

Figura 4 – Potenciais de toque e passo.

Na figura 4 está ilustrada a manifestação destes potenciais, onde as duas curvas ilustram o andamento da capacidade na estrutura (azul) e na superfície do solo (vermelho). O contato das partes humanas é que determinará a diferença de potencial a que serão submetidas em uma circulação de corrente elétrica no intervalo de tempo que durar o surto. A primeira ilustração é o típico POTENCIAL (diferença) DE PASSO. Pela IEEE 80 [16] estabelecido como 1 metro de distância entre os pés. A segunda ilustração é o típico POTENCIAL (diferença) DE TOQUE. A terceira ilustração, é improvável, mas pode ocorrer. Seria o caso de um indivíduo amarrar uma corrente metálica em uma estrutura e postar-se longe da mesma, porém, segurando esta corrente.

Potenciais de passo O potencial de passo foi estudado por Dalziel [15]. O autor reconhece que o mesmo depende do tempo de circulação de uma corrente e varia de indivíduo para individuo; contudo, foi possível padronizar para indivíduos de 50kg e de 70kg. A norma internacional mais utilizada para a análise destes potenciais são: IEEE 80 e CIGRE, sendo a segunda mais leniente. Nesta norma, é possível relacionar a corrente circulante no corpo humano e os diversos potenciais de passo em uma quadrícula de aterramento.

Figura 6 – O potencial de toque.

Potenciais de pata Nas linhas de transmissão, a presença de animais ao longo da estrutura e mesmo dentro das faixas de servidão é considerada possível e normal. Segundo Dalziel [15], no Brasil, o potencial de pata não é considerado, pois as concessionárias indenizam os produtores que reclamam sobre a morte de animais nas proximidades das faixas em acordo extrajudicial. Em projetos de aterramento de torres de transmissão, os limites de Dalziel [15] devem sempre ser considerados.

O Back-flashover Quando uma linha de transmissão possui um nível básico de isolamento inferior a 1200kV, a resistência do pé de torre afeta o fenômeno de back-flashover através dos isoladores [17].


Tec 71

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Durabilidade dos materiais O aterramento de partes protetoras da transmissão é composto de uma parte externa ao solo e outra enterrada. A durabilidade da parte externa não será abordada neste trabalho, que manterá o foco no corpo metálico enterrado no solo. Metais diretamente enterrados têm sua durabilidade estritamente ligada à fenômeno da corrosão, uma área da físico-química que pode ser contextualizada em duas seções: 1- O comportamento inicial guiado pela teoria de MARCEL POURBAIX [18]; 2- O consumo dos materiais imersos no solo devido à passagem de correntes: (I) de origem eletroquímica e (II) de origem Figura 7 – % de Back-flashover.

É possível administrar fenômenos back-flashover e permitir o religamento e recuperação da linha sem indisponibilidade, com um

eletromagnética. Neste capítulo, será apresentado visão, equacionamento e resolução de alguns casos práticos.

projeto de aterramento de pé de torre adequado.

Materiais e conexões O estanho foi um material muito usado quando a eletrônica trabalhava

Marcel Pourbaix Em 1946 [18], Marcel Pourbaix apresentou uma perspectiva nova para apreciação do problema de corrosão. Esta perspectiva foi

com o cobre (estanhado) como material condutivo que favorecia muito as

amplificada para todos os metais [19], e hoje, as marinhas militares

conexões soldadas. Um material com baixo ponto de fusão (232ºC) e na

usam esta abordagem para a definição (inicial) da compatibilidade

escala eletroquímica está no potencial anódico mais baixo (quase zero). Isto

entre os materiais e as interações entre os mesmos e o ambiente

é um grande benefício para cobertura de metais mais anódicos e pode ser de

circunstante.

utilidade nas transições metálicas. Todavia, em transmissão, os aterramentos

Marcel Pourbaix, através de uma eletroquímica clássica aplicada

são percorridos por correntes de elevadas intensidades e a presença de um

às soluções diluídas, elaborou os mapas de Pourbaix que auxiliam a

material com baixo ponto de fusão não pode ser permitida. Deste modo,

determinar as regiões onde os materiais são: (i) imunes à corrosão, (ii)

não devemos incluir este material na tabela (1).

passivados contra a corrosão ou (iii) corroídos. Sempre considerando o

A escala de valor para escolha dos materiais de aterramento é: (I) Condutividade elétrica, (II) Temperatura de fusão do material, (III) Calor específico, (IV) Condutividade térmica, (V) Módulo de

par (Ep vs pH) em uma solução diluída. Para os materiais mais usados (Cu, Zn, Fe e Al), os mapas de Pourbaix são:

elasticidade, (VI) Coeficiente de dilatação linear, (VII) Potencial eletroquímico do material. Omite-se desta escala o coeficiente de termo resistividade elétrico, que é considerado comum a todos os materiais (exceto, o alumínio). Os quatro primeiros parâmetros estão envolvidos na equação que define a seção necessária do material para a máxima energia desenvolvida durante o curto, e os valores (V) e (VI) desempenham um papel de suprema importância quando os curtos e surtos são recorrentes. Estes parâmetros devem ser invariantes. Por isso, em transmissão, o material mais adequado para aterramento é o cobre. I- Condutividade elétrica II- Temperatura de fusão do material III- Calor específico IV- Condutividade térmica

Figura 8 – Diagramas de Pourbaix.

Consumo dos materiais Os materiais usados em aterramentos são naturalmente devolvidos

V- Módulo de elasticidade

à natureza pelo processo de oxidação (corrosão). Existe já um

VI- Coeficiente de dilatação linear

conhecimento estabelecido [19] que resolve a maioria dos problemas.

VII- Potencial eletroquímico do material

As taxas de corrosão para os metais submetidos a um processo


Tec

72

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

de corrosão uniforme são determinadas por quaisquer dos seguintes

40% ou 53% IACS, sem comprometer características de corrente

métodos:

de curto-circuito admissível. Já para aplicações de SPDA em linhas de transmissão (descidas e contrapeso), os materiais mais

1- Perda de peso 2- Ganho de peso 3- Análise química da solução

indicados são os aços revestidos de cobre 21% ou 30% IACS.

Agradecimentos O autor, consultor do grupo INTELLI, agradece a permissão

4- Técnicas gasométricas (quando o subproduto é gás) 5- Medidas de espessuras 6- Sondagem de resistência elétrica

para publicar este trabalho.

7- Método de marcador inerte

Referências

8- Técnicas eletroquímicas

[01] Martin A. Uman – The Lightning Discharge – ACADEMIC PRESS 377

No domínio da pesquisa industrial, existe certa preferência para os dois primeiros.

Recomendações gerais Para que o aterramento seja eficiente e confiável, necessita

PP [02] Andrew R. Hilemann – Insulation Coordination for Power System – CRC 767 PP [03] NBR 5419: 2015 Nova Norma de Para Raios (SPDA) [04] J. R. Carson – Wave Propagation in Overhead Wires with Ground Return – Bell System Technical Journal. [05] Edith Clarke – Circuit Analysis of AC Power System – J. Wiley & Sons,

de materiais duráveis, resistentes mecanicamente e de alta

Inc (1943)

condutividade. Todos os materiais condutores, de modo geral,

[06] J.C. Das – Power System Analysis (Short Circuit Load Flow and

podem ser usados como material de aterramento. Todavia, a parte

Harmonics) – CRC PRESS

enterrada do aterramento (as demais partes não aterradas estão fora da troca de íons com o solo) requer materiais que não sejam anódicos. O cobre, por suas características, seria o metal ideal. Além de possuir a maior condutividade elétrica entre os materiais comerciais, não sofre degradação por corrosão quando em contato

[07] Alternative Transient Program CAN-AM EMTP USERS GROUP [08] H. W. Dommel – Electromagnetic Transient Program, Reference Manual (EMTP Theory Book) Bonneville Power Administration, Portland OREGON USA [09] Xiao-Ping Zhang – Christian Rehtanz – Bikash Pal –Flexible AC Transmission Systems: Modelling and Control –SPRINGER [10] Maria das Graças Alvin (e outros) Improved Performance of OPGW

com o solo. No entanto, seu alto valor de mercado o torna muito

Under Lightning Discharge in Brazilian Regions with a High Keraunic Level.

atrativo para roubos, sendo alvo constante de furtos para revenda

[11] ELECTRA 062-1 ||The Calculation of Switching Sureges. III

no mercado clandestino. Como alternativa ao potencial de furto e ao alto custo do cobre, é comum o uso de aço zincado nos projetos de aterramento, especialmente, em SPDA. No entanto, esta é uma tentativa ineficaz já que, por ter baixa resistência a corrosão, o aço galvanizado em pouco tempo se deteriora quando em contato com o solo. A melhor alternativa ao cobre puro, para aterramento e SPDA é o aço revestido de cobre (copper cladded steel), cuja tecnologia de fabricação permite dosar a espessura da camada de cobre dependendo da aplicação, podendo variar entre 21% e 53% IACS dependendo das demandas de ampacidade, garantido performance equivalente à do cobre e vida útil de 6 a 8 vezes maior que as cordoalhas de aço zincado. Diversos estudos, como

Transmission Lines Representation for Energization Studies with Complex Fedding Networks. [12] EPRI - TRANSMISSION LINES REFERENCE BOOK 345 KV and above [13] EPRI - TRANSMISSION LINES REFERENCE BOOK HVDC to ± 600 kV [14] Mars Fontana – Corrosion Engineering – MC GRAW HILL [15] Dalziel C. F. DANGEROUS ELECTRIC CURRENTS –– AIEE TRANSACTION, 65, 579-585 [16] IEEE STANDARD 80 – GUIDE FOR SAFETY IN AC SUBSTATION GROUNDING [17] Lightning Back Flashover Tripping Patterners on 275 kV quadruple Circuit Transmission Line in Malaysia. IET LIBRARY [18] M. POURBAIX - Thermodynamique des Solutions Aqueuses Diluées. Représentation Graphique du Role du pH e du Potential. PhD thesis. Université Libre des Bruxelles. (1945)

por exemplo [25] e [26], comprovam que a vida útil de cordoalhas

[19] Marcel Pourbaix LECTURES ON ELECTROCHMEICAL CORROSION,

de aço zincado varia de 8 a 10 anos dependendo do pH do meio,

PLENUM, NEW YORK, 1973 – (1973)

enquanto a do cobre ou do aço revestido de cobre varia de 40 a 50 anos. Esse é um dado de extrema relevância considerando que o aterramento deve ter vida útil compatível com a duração da concessão do sistema. Em subestações (descidas e malhas de terra), por exemplo, o cobre puro pode ser substituído por um aço revestido de cobre

Referências não citadas [01] METHODOLOGY AND TECHNOLOGY FOR POWER SYSEM GROUNDING – Jinliang He; Rong Zeng; Bo Zhang – IEEE & JOHN WILEY [02] EARTH RESISTENCES – Tagg, G. F. – GEORGE NEWS, LONDON [03] EARTH CONDUCTIONS EFFECTS IN TRANSMISSION SYSTEM – Sunde E. D. – DOVER PUBLICATION, NEW YORK.


Tec 73

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

[04] TRANSMISSION LINE GROUNDING – Dawalibi, F. (1982) – EPRI

Chisholm, W.A. and Janischesky, W. (1989) – IEEE TRANSACTION ON

RESEARCH PROJECT 1492--2699 (OCTOBER), PALO ALTO (USA-CAL)

POWER DELIVERY, 4 (2) 1329-1337

[05] STRAYCURRENT ANG GALVANIC CORROSION OF REINFORCED

[17] UHLIG’S CORROSION HANDBOOK ELECTROCHEMICHAL

STEEL CONCRETE – Miller. A. (1976) – MATERIAL PERFORMANCE 15

SOCIETY SERIES

(5) 20-27

[18] ZINC COATING THICHNESS EFFECTS ON HOT DIP GALVANIZED

[06] LABORATORY INVESTIGATION OF IMPULSE CHARACTERISTICS

STEEL CORROSION RATES AT SEVERE MARINE SITE – Fullston D. and

OF TRANSMISSION LINE TOWERS GROUNDING DEVICES – He, J.L.

Janischesky, W. (1989) – CORROSION MATERIALS, VOL 29, 2004

Zeng, R (2007) – IEEE TRANSACTION ON POWER DELIVERY, 18 (3)

[19] CIGRE (1991) GUIDE TO PROCEDURES FOR ESTIMANTING THE

994-1001

LIGHTNING PERFORMANCE OD TRANSMISSION LINES WG ON

[07] SAFE SUBSTATION GROUNDING – Sverak, J.G., Dick, W.K., Dodds,

LIGHTNING (PARIS)

T.H., and Heppe, R.H., (1981) – SAFE SUBSTATION GROUNDING –PART

[20] A NEW GENERAL ESTIMATION CURVE FOR PREDICTING THE

1 IEEE TRANSACTION ON PAS, 100 (9) 4281-4290

IMPULSE IMPEDANCE OS CONCENTRATED EARTH ELECTRODES

[08] STEP AND TOUCH POTENTIAL AT FAULT TRANSMISSION

– Oettle, E. E. (1987) – IEEE PAPER PES SUMMER MEETING SAN

TOWERS – Cheny, E.A., Kolcio, N., and Bell, G.K. (1981) – IEEE

FRANCISCO

TRANSACTIO ON PAS, 100 (7) 3312-3321

[21] IEEE (1997) IEEE STANDARD 1243-1997 – IEEE Design Guide for

[09] PROBABILISTIC ASSESSMENT OF STEP AND TOUCH

improving the lightning the Lightning Performance of Transmission Lines

POTENCIALS NEAR TRANSMISSION STRUCTURES. IEEE

[22] EPRI GROUNDING SYSTEM DESIGN GUIDE

TRANSACTION ON PAS, 102 (3) 604-645

[23] IEC 60479 EFFECTS OF CURRENT ON HUMAN BEING AND

[10] IMPULSE CHARACTERISTICS OF DRIVEN GROUNDS – Towne, H.

ANIMALS

N. (1929) – General Electric Review – (1929) 605-609

[24] Maria das Graças Alvin (e outros) Cabo Ótico Autossustentado (ADSS)

[11] IMPULSE AND 60-CYCLES CHARACTERISTICS OF DRIVEN

Utilizados em Linhas de Transmissão de Extra Alta Tensão – Experiência de

GROUND (I) – Bellaschi, P.L. (1942) – AIEE TRANSACTION, 61 (3)

Furnas – XVII SNPTEE GLT-21

349-363

[25]. Romanoff, M., “Underground Corrosion”, US Dept. of Commerce,

[12] CIGRE (1991) GUIDE TO PROCEDURES FOR ESTIMANTING THE

National Bureau of Standards, Circular 579 US Govt. Print. Off (April

LIGHTNING PERFORMANCE OD TRANSMISSION LINES WG ON

1957). 227, ASIN: 0007DQG9Y

LIGHTNING (PARIS)

[26]. Drisko, R.W., “Field Testing of Electrical Grounding Rods”, Naval Civil

[13] LIGHTNING SURGE RESPONSE OF GROUND ELECTRODES –

Engineering Laboratory, Port Hueneme, California, US Dept. of Commerce,

Chisholm, W.A. and Janischesky, W. (1989) – IEEE TRANSACTION ON

National Technical Information Service, February 1970.

POWER DELIVERY, 4 (2) 1329-1337 [14] A NEW GENERAL ESTIMATION CURVE FOR PREDICTING THE IMPULSE IMPEDANCE OS CONCENTRATED EARTH ELECTRODES – Oettle, E. E. (1987) – IEEE PAPER PES SUMMER MEETING SAN FRANCISCO [15] IEEE (1997) IEEE STANDARD 1243-1997 – IEEE Design Guide for

*Geraldo de Almeida é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo e doutor em Engenharia Elétrica pela

improving the lightning the Lightning Performance of Transmission Lines

Universidade de São Paulo. Atua como consultor do Grupo Intelli há 16

[16] LIGHTNING SURGE RESONPONSE OF GROUND ELECTRODES –

anos no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias.


Espaço 5419

Espaço 5419

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Por Normando V. B. Alves*

PDA e os síndicos

condomínios

das inspeções; item 7.4 fala sobre

respondem legalmente por qualquer

a manutenção e item 7.5 sobre a

evento que ocorra dentro dos limites

Documentação que compõe o sistema

da edificação, assim como se fosse

de proteção.

um gerente de um estabelecimento

Com

comercial.

existem dois momentos em que o PDA

Os

síndicos

Sei

dos

que

alguns

deles

nem recebem remuneração por essa

relação

à

periodicidade,

precisa de uma inspeção:

atividade, mas isso em nada reduz sua responsabilidade perante o poder

-

7.3.1.

d)

Semestralmente,

uma

público.

inspeção visual para garantir que a são

instalação esteja de acordo com o

assessorados por comissões de obras

projeto existente (caso exista), que os

ou

aliviar

condutores (horizontais ou verticais)

a carga e distribuir as tarefas para

estejam em boas condições de uso

que

e

Normalmente, manutenção o

os que

síndicos visam

empreendimento

funcione

isentos

de

ferrugem

ou

danos

mecânicos.

corretamente. É responsabilidade desta equipe zelar pela manutenção de todas as

- 7.3.2. e) Inspeções periódicas

instalações, sejam elétricas, civis ou

- 1 ano para edificações perigosas, como

mecânicas, e existem diversas normas

ambientes

da Associação Brasileira de Normas

corrosivos, tóxicos, radioativos, serviços

Técnicas

(ABNT)

que

regulamentam

públicos essenciais etc.

essas

manutenções

preditivas,

preventivas ou corretivas, mas este não

inflamáveis,

explosivos,

- 3 anos para demais edificações que não apresentem riscos especiais.

será o nosso foco neste artigo. O intuito aqui é alertar que, assim

No item 7.3.1. d), esta inspeção

como qualquer instalação, o Sistema

visual deverá ser realizada em todas

de Proteção Contra Raios (para-raios)

as edificações, e no item 7.3.2.e), será

também

manutenção,

em função do uso da edificação e do

serviços que são detalhados no item

risco que ela apresenta para ela e para

7 da parte 3 da norma NBR5419/2015

a vizinhança, via de regra, edificações

e estabelecem, no item 7.2, aplicação

de nível 1 e 2 de proteção, mas não se

das inspeções; no item 7.3, a ordem

limitando a estas, apenas.

precisa

de


75

Apoio

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Isto posto, o que está acontecendo,

grandes guerras mundiais aconteceram

na prática, principalmente, em São Paulo

neste continente. Na Europa, como em

e já está proliferando por outras capitais

qualquer continente, existem coisas

do Brasil, é que empresas inidôneas

boas e ruins, depende do ponto de

estão “fazendo terrorismo” com os

vista. Nada contra a Europa, adoro esse

síndicos, alegando que se não fizerem

continente, mas a verdade tem que ser

a adequação do para-raios à norma

falada.

vigente, eles serão multados por órgãos

públicos, pressionando-os a fazerem a

responsáveis por condomínios é que

adequação da instalação à nova norma,

nenhum órgão irá bater na sua porta

e

para

te multando porque o seu para-raios

empurrar para os clientes (na maioria,

não atende à norma atual; no máximo,

leigos no assunto), captores milagrosos

o que pode acontecer é o condomínio

que não atendem às normas da ABNT,

ser notificado para essa adequação, e

NBR5419/2015, prometendo proteções

é dado um prazo para recurso legal ou

que não são respaldadas pelas normas

para adequação.

técnicas, e sem respaldo técnico da

comunidade científica internacional e

normalmente parte de entidades do

nem das normas da ABNT.

poder publico, como Prefeituras, Corpo

aproveitam

a

oportunidade

A dica que fica para os síndicos e

A motivação para fazer essa adequação

vem

de bombeiros, Ministério do Trabalho,

com um apelo financeiro que um sistema

ou de entidades privadas, como por

dentro das normas é caro. Depois, o

exemplo,

apelo vem para um captor que não tem

iniciativa privada não têm o poder de

nenhum tipo de regulamentação Nacional

multar, interditar ou notificar edificações.

ou Internacional, e assim o cliente que

não estava protegido, ou protegido com

seja, se alguma empresa lhe assediar ou

uma baixa eficiência, agora, tem também

intimidar, pressionando para atualizar o

um sistema ilegal, uma vez que o código

para-raios, pegue os dados da empresa

de defesa do consumidor proíbe o uso de

e faça um boletim de ocorrência na

produtos e serviços que não atendam às

delegacia mais próxima.

normas da ABNT.

Independentemente

É neste momento que o síndico, ou

intempestiva dessas empresas, atualizar

a comissão de obras do prédio, tem que

seu sistema de proteção contra raios é

ficar atento para não comprar “gato por

uma boa prática de engenharia, para

lebre”. Essas empresas usam todo tipo

aumentar a segurança do patrimônio,

de marketing subliminar para induzir as

dos equipamentos, instalações internas

pessoas que o produto deles é tão bom,

e reduzir riscos à vida humana, porém,

que na Europa, alguns países permitem o

essa ação deverá ser um ato voluntário

uso desses sistemas, coincidentemente,

dos proprietários, no intuito de se

são os países que desenvolveram esses

protegerem e não apenas para atender

captores milagrosos. O clichê é “Se é da

a questões legais ou intimidações de

Europa, deve ser bom”, mas eu gostaria

empresas.

Normalmente,

a

abordagem

seguradoras.

Empresas

da

Se isso acontecer no seu prédio, ou

da

atitude

de lembrar que a Europa tem muitas coisas boas e foi o berço da civilização

*Normando V. B. Alves é engenheiro e

moderna, mas também destaco que

diretor de engenharia da Termotécnica.

as maiores tragédias da humanidade e

normandoalves@gmail.com


76

Espaço SBQEE

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Por Benedito Donizeti Bonatto*

Os desafios de um mercado de eletricidade renovável, sustentável e inteligente

Até onde o autor sabe, não existe um

como as infraestruturas críticas.

modelo econômico de mercado abrangente

• Quais são as abordagens de controle mais

e capaz de lidar com todas as complexidades

eficazes: local ou global? Qual delas é técnica

de se migrar para um ambiente de energias

e economicamente viável e pode fornecer

renováveis e redes elétricas inteligentes (Smart

sobrevivência

Grids) [1]-[12]. A experiência acumulada

normal (modo conectado à rede) e condições

baseada

de contingência (modo ilhado)?

em

simulações,

em

projetos-

sustentável

em

operação

piloto, em experiências práticas, revela

• Como evoluir o modelo de Mercado

alguns cenários publicados ou projetos

Regulado de Distribuição de Energia Elétrica

implementados muito bem-sucedidos, mas

atual (Figura 1), garantindo um equilíbrio justo

outros, com profundos impactos negativos

entre todos os agentes?

na sociedade, nem sempre são devidamente medidos ou sequer mencionados. Além disso,

o enorme e rico banco de dados de artigos de

Grids representem desafios mais atrativos

Embora as questões de tecnologia de Smart

periódicos e conferências sobre o tema Smart

para o desenvolvimento de engenharia e de

Grids com modelos técnicos para problemas

tecnologias em todo o mundo, parece que

clássicos e desafiadores não responde às

uma questão em aberto é o desenvolvimento

questões fundamentais:

de um novo modelo de negócios e seus consequentes impactos econômicos sobre

• Quanto dessa nova tecnologia está

os agentes (concessionárias, consumidores,

agregando valor à sociedade?

governo,

comercializadores,

fabricantes

bem-estar

etc.) nos futuros mercados de eletricidade.

socioeconômico está sendo maximizado pela

De fato, o desenvolvimento de Mercados

aplicação dessa tecnologia com a abordagem

Inteligentes Sustentáveis (Sustainable Smart

atual?

Markets) é a verdadeira questão que, de fato,

• Com a geração distribuída empoderando

é (ou deveria ser) o principal interesse dessas

o cliente, que passa a ser um prosumidor –

partes interessadas, que são (ou deveriam ser)

prosumer (produtor + consumidor), como lidar

motivadas na busca por soluções otimizadas

com as questões técnicas, como regulação de

e também soluções sustentáveis econômica,

tensão e frequência em uma microrrede?

ambiental e socialmente.

• Existe uma alternativa ótima integrativa

Há que se procurar inovação nos

para compartilhamento de infraestrutura,

atuais modelos de negócios em prol da

de controle e de responsabilidades? O

diversificação energética do país, mais que

compartilhamento pode ser uma boa opção

formas legais de reação junto à Associação

para a otimização de alguns sistemas e ativos

Brasileira

muito importantes na sociedade moderna,

Elétrica (Abradee) e Agência Nacional de

Em

outras

palavras,

o

de

Distribuidores

de

Energia


Espaço SBQEE

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

77

Energia Elétrica (Aneel) que podem frear a crescente disseminação sustentável de sistemas renováveis fotovoltaicos (PV) no País, ensolarado por natureza. A Aneel também tem o papel desafiador de rever o peso dos impostos e tributos sobre as tarifas de energia elétrica, que são abusivos! Por exemplo, se, por meio de um modelo econômico de mercado, como o TAROT - Tarifa Otimizada [3]-[10], se pudesse demonstrar os vários cenários propostos pela Aneel, para revisão da REN 482/2012 [11] na AP001 / 2019 [12], em um modelo típico de concessionária regulada (ou em uma concessionária equivalente para o País), isto poderia revelar os ganhos e perdas de

Figura 1 – Equilíbrio entre os interesses dos agentes em um Mercado Regulado de Distribuição de Energia Elétrica [2].

todos os agentes, bem como o bem-estar socioeconômico

(EWA

Socieconomic

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Welfare Added ou Bem-Estar Sócieconômico

[1] SOUZA, A. C. Z. ; BONATTO, B. D. ; RIBEIRO,

Agregado à Sociedade) resultante para cada

P. F. . Emerging Smart Microgrid Power Systems: Philosophical Reflections. In: Antonio Carlos Zambroni de Souza, Miguel Fernandes Castilla. (Org.). Microgrids Design and Implementation. 1ed.Switzerland AG: Springer International Publishing, 2018, v. , p. 505-528. [2] V. B. F. Costa, B. D. Bonatto, H. Arango, M. Castilla, “Analysis of ANEEL’s Regulation Proposals for Distributed Generation Based on the Optimized Tariff Model”, paper acepted for publication at CBQEE 2019 – Brazilian Power Quality Conference, São Caetano do Sul-SP, Sept. 01-04, 2019. [3] COSTA, V. B. F. ; ARANGO, H. ; BONATTO, B. D.. Economic Modeling: the Smart Market of Electricity with Utilities, Consumers and Prosumers. In: 13th IEEE/ IAS International Conference on Industry Applications INDUSCON 2018, São Paulo-SP, Nov. 11-14th, 2018. [4] LUSVARGHI, S. A. S. ; LIMA, J. W. M. ; BONATTO, B. D. . Modelo Econômico do Mercado Elétrico no contexto de Smart Grids - Regulação Técnicoeconômica, Redes Elétricas Inteligentes, Qualidade da Energia Elétrica, Valor Econômico Agregado. 1. ed. Saarbrücken, Alemanha: Novas Edições Acadêmicas, 2018. v. 1. 198p . [5] PEREIRA, L. C. ; ARANGO, H. ; BONATTO, B. D. . Modelo Econômico para Políticas de Incentivo às Energias Renováveis Mercado do Setor Elétrico - Geração Distribuída, Redes Elétricas Inteligentes, Prosumer, Bem-estar Socioeconômico. 1. ed. Saarbrücken, Alemanha: Novas Edições Acadêmicas, 2018. v. 1. 150p [6] ARANGO, H. ; BONATTO, B. D. ; ABREU, J. P. G. ; TAHAN, C. M. V. . The Impact of Power Quality on the Economy of Electricity Markets. In: Andreas Eberhard. (Org.). Power Quality. Rijeka, Croatia: Intech Open Access Publisher (www.intechweb.org), 2011, v. 1, p. 1-362. [7] ARANGO, H. ; BONATTO, B. D. ; ABREU, J. P. G. ; OLIVEIRA, T. C. ; BELCHIOR, F. N. ; TAHAN, C. M.

cenário. Qual é o EWA ótimo? Qual a melhor estratégia para o País no curto, médio e longo prazo? Como distribuir os ganhos econômicos e os riscos de forma justa e equilibrada entre os agentes, penalizando menos o consumidor ou o prosumer e reduzindo as tarifas em vez de aumentá-las continuamente? Assumindo EVA = 0, como estabelecido no atual modelo regulatório, quais são as políticas públicas para o setor elétrico que maximizam o EWA em um mercado de eletricidade renovável, sustentável e inteligente (renewable, sustainable and Smart Electricity Market)? Portanto, eis aí alguns dos desafios da pesquisa aplicada à realidade do setor elétrico nacional e internacional para reflexão conjunta. O autor agradece o apoio financeiro em parte da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil - Código Financeiro 001, CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - INERGE e FAPEMIG). Também expressa gratidão pelo apoio educacional da UNIFEI - Universidade Federal de Itajubá e UPC Universitat Politécnica de Catalunya.

V. The Electricity Planning in Terms of Quality, Market Regulation and Corporate Governance. In: IX CBQEE – Brazilian Conference about Power Quality, 2011, Cuiaba-MT, Brazil. [8] ARANGO, L. G. ; ARANGO, H. ; DECCACHE, E. ; BONATTO, B. D. ; PAMPLONA, E. O.. Economic Evaluation of Regulatory Tariff Risk Planning for an Electric Power Company. JOURNAL OF CONTROL, AUTOMATION AND ELECTRICAL SYSTEMS, v. 30, p. 292-300, 2019. [9] ANEEL. Normative Resolution REN 482/2012. Available in: <http://www2.aneel.gov.br/cedoc/ bren2012482.pdf>. Access in: 04/02/2019. [10] ANEEL. Public Hearing AP 001/2019. Available in: <http://www.aneel.gov.br/audiencias-publicas>. Access in: 21/03/2019

*Benedito Donizeti Bonatto é professor associado na UNIFEI (Universidade Federal de Itajubá), em Minas Gerais – Brasil, no Instituto de Sistemas Elétricos e Energia, onde é um dos líderes do grupo Tecnologias Avançadas de Energia e Inovações em Sistemas e Redes Inteligentes. É vice-presidente da Sociedade Brasileira de Qualidade de Energia (SBQEE) e membro sênior do IEEE (Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos). Atualmente, é professor visitante da Universidade Politécnica da Catalunha – UPC, Barcelona, Espanha, na EPSEVG (Escola Superior Politécnica da Engineria de Vilanova), na Geltrú. Obteve seu Ph.D. em Engenharia Elétrica e de Computação pela UBC (Universidade da Colúmbia Britânica), no Canadá, Mestrado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diploma em Engenharia Elétrica pela Escola Federal de Engenharia de Itajuba (EFEI), atualmente, UNIFEI. E-mail: benedito.bonatto@ieee.org


Proteção contra raios

Apoio

78

Jobson Modena é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, onde participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia | www.guismo.com.br

Mais que DPS

Para mitigar problemas de sobretensões

circuito à jusante da proteção submetido à soma

transitórias em uma instalação elétrica de

das tensões mencionadas.

energia, além da correta especificação do

- Condutores devem seguir, no mínimo,

Dispositivo de proteção contra surtos (DPS),

prescrição

como visto na coluna da edição anterior, devem

fabricantes em relação a materiais e dimensões.

ser consideradas algumas particularidades. As

A ABNT NBR 5419 especifica a seção mínima

normas ABNT NBR 5410 e ABNT NBR 5419

para condutores de cobre de #16mm² para

recomendam o seguinte:

ligação do DPS tipo 1 e de #6mm² para ligação

normativa

ou

orientação

dos

do DPS tipo 2. - A instalação deve possuir um eletrodo de

- Conexões devem ser bem realizadas e estar

aterramento compatível com a topologia da

livres de corrosão.

instalação e que seja distribuído de forma a

- A coordenação entre os vários níveis de

proporcionar o escoamento efetivo e seguro

proteção deve ser realizada baseada no conceito

para o solo das correntes de surto que para ele

de ZPRs e deve considerar a suportabilidade

forem direcionadas.

dos componentes a serem protegidos dentro de

- Deve ser considerada proteção para surto modo

cada ZPR e o nível de proteção de tensão do

comum (tensão de isolação) e modo diferencial

DPS instalado na fronteira de montante da ZPR.

(tensão de imunidade). A compreensão do

- O posicionamento do conjunto de DPSs

esquema de aterramento praticado no segmento

no primeiro nível de proteção da instalação

da instalação é fundamental para a correta

elétrica depende diretamente do objetivo dessa

disposição do conjunto de DPS.

proteção. Quando o objetivo for a proteção

- As conexões entre elementos a serem protegidos,

contra sobretensões de origem atmosférica

DPS e componentes interligados ao aterramento

transmitidas pela linha externa de alimentação,

devem ser as mais curtas e retas possível. Para

a proteção contra sobretensões de manobra,

ligação nos quadros de distribuição, a ABNT NBR

ou sobretensões provenientes de descargas

5410 estipula distâncias máximas de meio metro

atmosféricas diretas atenuadas por proteção de

para o comprimento total do ramal desde o condutor

montante, os DPSs devem ser instalados junto

vivo até o barramento de equipotencialização.

ao ponto de entrada da linha, fronteira entre as

As diferenças de tensão nos trechos dos

ZPRs (zonas de proteção contra raios) 0B e

condutores que interligam o DPS ao circuito a ser

1 na edificação ou no quadro de distribuição

protegido variam em função da indutância desse

principal, localizado o mais próximo possível

condutor que, por sua vez, têm valor diretamente

desse local. Quando o objetivo for a proteção

proporcional ao comprimento do mesmo; assim,

contra sobretensões provocadas por descargas

quanto mais longo for o condutor de interligação

atmosféricas diretas sobre a edificação ou

do DPS ao circuito, maior será a queda de tensão

em suas proximidades, os DPSs devem ser

nesse trecho, podendo, facilmente, ultrapassar o

instalados no ponto de entrada da linha na

valor da tensão residual do DPS, deixando todo o

edificação, fronteira entre as ZPRs 0B e 1.


Iluminação pública

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

79

Luciano Haas Rosito é engenheiro eletricista, diretor comercial da Tecnowatt e coordenador da Comissão de Estudos CE: 03:034:03 – Luminárias e acessórios da ABNT/Cobei. É professor das disciplinas de Iluminação de exteriores e Projeto de iluminação de exteriores do IPOG, e palestrante em seminários e eventos na área de iluminação e eficiência energética. | lrosito@tecnowatt.com.br

Eficiência e eficácia de luminárias públicas – A questão do lm/W inicial

Dando sequência nesta série de

utilizadas para obter uma eficácia inicial

anteriores, que realmente deveria ser

artigos sobre o tema iluminação, iremos

mais alta. Outro ponto é que esta é a

avaliada e estar descrita de forma clara

tratar da polêmica questão da eficácia de

eficácia inicial e o que deveria estar

para quem for projetar equipamentos

luminárias públicas que nos últimos anos

sendo avaliada é a eficácia ao longo

com tecnologia LED. O custo de uma

vem sendo muito utilizada como principal

da vida, até o final da vida declarada e

manutenção de uma luminária pública é

critério de seleção de luminárias públicas

avaliada, buscando uma taxa de falhas

muito maior que a diferença de preço de

em projetos, assim como está sendo

mais baixa possível. Esta taxa de falha

uma luminária com baixa taxa de falhas e

a principal especificação técnica em

e os critérios de avaliação das falhas

uma com alta taxa de falhas. O custo de

editais para execução de obras e compra

raramente são citados em termos de

uma manutenção pode representar até

direta de equipamentos de iluminação

referência para projetos e em editais de

25% do custo de uma luminária LED. O

pública com tecnologia LED.

aquisição de luminárias.

custo de manutenção ao longo da vida

A eficácia das luminárias públicas

O que realmente importa em uma

útil da luminária pode ser o diferencial

é definida pela quantidade total de luz

especificação técnica? Em termos de

na rentabilidade de um projeto de PPP

emitida, expressa em lumens (lm) pela

eficácia, além do lm/W, devemos avaliar a

de iluminação pública. E todos estes

potência elétrica expressa em Watts

distribuição fotométrica, índices máximos

fatores não estão contemplados quando

(W).

o

de ofuscamento e o atendimento dos

somente se avalia o lm/W.

lm/W, melhor seria a luminária e mais

índices luminotécnicos para cada projeto

eficiente. Esta conclusão não somente

em termos de iluminância, luminância e

energética em iluminação pública é muito

é teórica, como é bastante perigoso

suas respectivas uniformidades. Logo, a

mais que lumens por Watt. É um conceito

avaliar

Teoricamente,

quanto

maior

Qualidade de iluminação e eficiência

parâmetro.

eficácia inicial não consegue definir qual

que deve ser mais discutido em termos

Frequentemente, o lm/W é visto como

o melhor produto para cada aplicação.

de

um

somente

este

projeto

luminotécnico,

conforto

na

Também devemos avaliar qual seria o

visual, engenharia financeira, refletindo

verdade, é a junção de dois parâmetros

melhor fator de depreciação dos lumens

o uso de especificações mais claras dos

quantitativos em termos de quantidade

possível de se obter com uma boa

produtos que farão os projetos serem

de luz e potência. O que tem ocorrido

relação custo benefício do produto e

mais eficientes ao longo do tempo de

é que para obter um maior lm/W, os

como comprovar este índice.

sua utilização. O conceito de RBC/RCB

equipamentos acabam se tornando mais

Devemos estudar a fundo o que

nos projetos de eficiência energética

simplificados em termos de tipos de LED,

realmente se torna eficiente nos dias

está cada vez mais ultrapassado e

ópticas (lentes), equipamentos auxiliares

de hoje, em termos de depreciação

deve

e, consequentemente, fotometria, bem

máxima do fluxo luminoso, taxa de falhas

por novos critérios que levem em conta

como demais componentes e acessórios

por depreciação dos lumens(B), falhas

o desempenho real do sistema e não

para compensar a aplicação de técnicas

abruptas (C) e soma das duas falhas

somente a eficácia inicial.

índice

qualitativo

quando,

ser

gradativamente

substituído


80

Redes subterrâneas em foco

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Daniel Bento é engenheiro eletricista com MBA em Finanças e certificação internacional em gerenciamento de projetos (PMP®). É membro do Cigré, onde representa o Brasil em dois grupos de trabalho sobre cabos isolados. Atua há mais de 25 anos com redes isoladas, tendo sido o responsável técnico por toda a rede de distribuição subterrânea da cidade de São Paulo. É diretor executivo da Baur do Brasil | www.baurdobrasil.com.br

O que os 15GW da geração eólica têm a ver com as redes subterrâneas no Brasil? “Navegar é preciso, viver não é preciso”.

seja necessária a construção de uma extensa

delta, descargas parciais e outras para

Foi Fernando Pessoa que eternizou esta

rede elétrica para coletar toda a eletricidade

conhecer os riscos dos seus ativos e

frase em um de seus poemas, porém foi

produzida, até um ponto de conexão com o

atuar preventivamente, evitando, com isso,

outro Fernando, ou melhor, foi no arquipélago

sistema elétrico.

potenciais falhas.

de Fernando de Noronha (PE) que o Brasil

Nos

começou a “navegar” em busca de outras

itens muito relevantes, considerando ainda

da

formas de geração de energia, através dos

que a maioria dos parques está instalada perto

pelo crescimento das redes subterrâneas

ventos. Isso aconteceu há quase 30 anos

do mar, e o efeito disso é uma alta salinidade,

nas redes coletoras, isso não só aqui no

(1992). Na década seguinte, aprendemos

onde toda a rede elétrica fica exposta, o

Brasil, mas no mundo. Para subsidiar as

a construir parques eólicos, e em 2019, o

que pode gerar um aumento significativo

manutenções, muitos estudos e pesquisas

Brasil chegou a 15GW instalado e a energia

nas manutenções e interrupções. Por conta

estão sendo realizados em várias partes

eólica se tornou a segunda fonte de energia

disso, investidores prudentes constroem as

do mundo, como por exemplo, a empresa

do País.

redes coletoras dos parques eólicos na forma

Baur, com sede na Áustria, juntamente

No mundo, os primeiros registros de

subterrânea, que apresenta confiabilidade e

com uma concessionária da Coreia do

usinas de geração de energia utilizando

disponibilidade dezenas de vezes superior

Sul, desenvolveram um software (statex®)

a força dos ventos, com capacidade para

às das redes aéreas e não estão expostas à

utilizando conceitos de Big-data que estima

alimentar grandes regiões, datam do início da

salinidade do ar e a intempéries.

a vida remanescente de cabos em operação.

década de 80. Portanto, quando comparamos

Estima-se que nas mais de 600 usinas

Outro exemplo é o grupo de estudos do Cigré

com outras fontes, como a hídrica, com mais

eólicas existentes no País, tenham sido

(WG – B1.58), onde representantes de mais

de 120 anos de história, a fonte eólica é

instalados mais de 10 mil quilômetros

de 20 países (pesquisadores e especialistas),

realmente um jovem disputando espaço em

de cabos elétricos de média tensão para

inclusive, do Brasil, estão confeccionando

meio a veteranos.

A confiabilidade e disponibilidade são

próximos

energia

eólica

anos, será

o

crescimento acompanhado

construir as redes coletoras. Isso não é pouco

uma brochura técnica sobre diagnósticos em

uma

quando observamos a distribuição de energia

cabos isolados de média tensão.

característica muito diferente em relação

elétrica na forma subterrânea no Brasil, com

às suas irmãs veteranas, que se refere ao

mais de 100 anos e aproximadamente 13 mil

parques eólicos no Brasil dos últimos anos

fato de que ela possui muitos geradores de

quilômetros, ou seja, somente um pouco mais

foi beneficiada pela experiência do País em

potência pequena, quando comparado com

de cabos isolados instalados do que nos

possuir este tipo de instalação nas grandes

usinas hidroelétricas e térmicas que possuem

parques eólicos.

cidades, tendo em vista todo o conhecimento

poucas unidades geradoras de potência

Como Sapiens que somos, aprendemos

em projetos, equipamentos, cabos de média

elevada.

com os mais experientes e muitos gestores

tensão, acessórios e manutenções. Com

Uma única unidade geradora da usina de

dos parques eólicos começaram a realizar

isso, foram construídas redes coletoras

Itaipu é equivalente a 350 geradores eólicos

manutenções preditivas em vários elementos

mais robustas e com maior disponibilidade

de capacidade típica utilizada no Brasil. Essa

e, principalmente, nos cabos isolados de

e confiabilidade para a energia que vem do

característica das usinas eólicas faz com que

média tensão, com medições de tangente

vento!

As

usinas

eólicas

possuem

A expansão das redes subterrâneas nos


Quadros e painéis

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

81

Nunziante Graziano é engenheiro eletricista, mestre em energia, redes e equipamentos pelo Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP); Doutor em Business Administration pela Florida Christian University; membro da ABNT/CB-003/CE 003 121 002 – Conjuntos de Manobra e Comando de Baixa Tensão e diretor da Gimi Pogliano Blindosbarra Barramentos Blindados e da GIMI Quadros Elétricos | nunziante@gimi.com.br

O aperto e o reaperto! Analisando-se aos olhos das normas técnicas

painel acaba de ser verificado em fábrica, não é

de construção de conjuntos de manobra e

necessário reapertar aquilo que não foi desmontado

controle em alta e baixa tensão, as NBR IEC

para transporte, o que configura um ledo engano!

62271-200 e NBR IEC 61439-1, além das

normas de instalações elétricas de alta e baixa

entradas, o que, por óbvio, não configura uma

tensão, as NBR 14039 e NBR 5410, temos

vantagem, é absolutamente necessário o reaperto

muitas recomendações sobre conexões, métodos

geral de todas as conexões, pois um único ponto

de realização, verificação e manutenção dessas

de contato negligenciado neste momento poderá

que são, sem sombra de dúvida, uma das maiores

ser o algoz de um ponto de aquecimento anormal,

causas de falhas em conjuntos de manobra

fonte de calor e de degradação dielétrica, que

de alta e baixa tensão. Vamos analisar sob três

evoluirá para uma falência do isolante.

pontos de vista: equipamentos novos em fábrica,

Vencida a etapa da instalação – onde

equipamentos novos em campo e equipamentos

minha recomendação já é clara acima, de que

sob manutenção preventiva ou corretiva.

todas as conexões devem, obrigatoriamente, ser

Independentemente da qualidade das nossas

Quando uma instalação nova, uma reforma

reapertadas quando o quadro é instalado em sua

ou uma ampliação de uma instalação existente

localização definitiva –, também é absolutamente

exige a aquisição de um conjunto de manobra e

necessário o estabelecimento de um plano de

controle de alta ou de baixa tensão, isso requer

manutenção preventiva onde, periodicamente,

que este equipamento seja construído segundo

deverão ser reapertadas as conexões. Segundo

as últimas versões das normas de construção

a cláusula 8 da NBR 5410, por exemplo, a

aplicáveis.

periodicidade

Dessa

forma,

entende-se

que,

das manutenções deve

ser

adquirindo-se um equipamento de um fabricante

adequada a cada tipo da instalação. Assim sendo,

idôneo e conhecedor das boas práticas de

a periodicidade deve ser tanto menor quanto

engenharia, os parafusos e outros métodos de

maior a complexidade da instalação, seja pela

aperto dos contatos elétricos desse conjunto

quantidade ou pela diversidade de equipamentos.

receberão especial atenção quanto ao aperto

Dessa forma, os conjuntos de manobra precisam

dessas conexões, segundo as recomendações e

ser verificados em sua estrutura, componentes,

padrões do próprio fabricante. Durante a inspeção

equipamentos móveis etc.

e ensaios de rotina, todas essas conexões são

Uma cláusula específica dos condutores

verificadas e certificadas. A partir daí, temos uma

também é prevista na mesma norma, que é a

questão muito importante: o transporte!

8.3.1, que recomenda expressamente a inspeção

Os conjuntos podem ser transportados

do estado da isolação dos condutores e de seus

completamente montados ou separados em

elementos de conexão, fixação e suportes, com

módulos de transporte. Quando esses conjuntos

vista a detectar sinais de aquecimento excessivo,

são colocados em seus locais definitivos de

rachaduras e ressecamentos, verificando-se se a

instalação,

fixação, identificação e limpeza se encontram em

necessariamente,

precisam

ser

reapertados completamente, independente se

boas condições.

foram transportados montados ou separados.

Portanto, o aperto é importante, mas o

Essa é uma questão bastante negligenciada nas

reaperto é essencial!!!

instalações, visto que se presume que, como o

Boa leitura!


82

Energia com qualidade

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações e membro da diretoria do Deinfra-Fiesp e da SBQEE. jstarosta@acaoenge.com.br

A sempre necessária confiabilidade das instalações elétricas. Estamos preparados?

O tema está sempre na agenda das áreas de geração,

por desligar estas cargas, interrompendo processos que para

transmissão e distribuição de energia elétrica (GTD) que planejam

serem reiniciados poderão durar algumas horas, causando

suas estruturas e investimentos em função de conhecidos

prejuízos muitas vezes incalculáveis. Não se trata, neste caso,

indicadores. Aspectos de disponibilidade dos sistemas, taxas

apenas de instalações que atendam hospitais, data centers,

de falha, tempo de reparo, tempo médio entre falhas e outros

instituições financeiras, mas, por exemplo, processos industriais

são previstos e medidos nos sistemas de suprimento como rotina

que dependem de cargas de tecnologia de informação em seus

básica de operação.

controles operacionais.

Pelo lado dos consumidores, as instalações ou parte delas

que contemplam cargas consideradas de “missão crítica”,

Processadores e sistemas de controle são particularmente

sensíveis a estas falhas de suprimento e causam falhas no

normalmente merecem de seus responsáveis cuidados especiais em suas concepções e investimentos relativos. A primeira questão a ser tratada seria a definição do que seriam estas cargas de missão crítica. Os aspectos de segurança e proteção de pessoas que ocupam as edificações por tempos longos merecem cuidados na concepção das instalações, cargas relacionadas a estes aspectos devem, então, se manter operacionais na falha de suprimento, seja da distribuidora ou mesmo da própria instalação como em algum defeito de componentes, é o caso da preservação das cargas que compõem o sistemas de iluminação e ventilação de rotas de fuga, ou mesmo bombas em caso de incêndio, ou algum outro evento em instalações tipicamente industriais, como vazamento de gases tóxicos.

Outro aspecto a ser tratado considera a preservação da

alimentação de cargas relacionadas aos processos, merecendo análise de pontos fracos da instalação no suprimento a estas cargas. Diferentemente do aspecto tratado no item anterior, onde alguns instantes sem suprimento podem ser até tolerados, estas cargas possuem baixa imunidade e desvios da qualidade da tensão de alimentação pelas fontes de energia acabam

Figura 1 – Curva ITIC.


83

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

processo se não foram adequadamente alimentados. A curva ITIC apresentada na figura 1, que foi desenvolvida há mais de 20 anos para alimentação de cargas de tecnologia de informação, é uma das referências que apresentam o modelo da imunidade das cargas. Os registros de tensão de alimentador industrial representados nas figuras 2 ilustram uma variação de tensão de curta duração em valores limítrofes aos de uma interrupção que desliga as cargas não imunes ao fenômeno como as cagas TI em período da ordem de 500 milissegundos.

Note-se que não se trata simplesmente de atender estas

cargas com fontes de contingência, como geradores ou UPS, com baterias estacionárias, mas fundamentalmente como estes são inseridos na topologia do sistema elétrico desde as fontes até as cargas. Esta análise deve ser efetuada em função do que alguns autores tratam como” árvore de falha”, ou seja, as fontes, linhas elétricas, painéis de distribuição e outros componentes devem preservar uma topologia que garantam ao sistema elétrico o que foi tratado por Georges Zissis em recente publicação como R3: (Reliability, Robustness and Resilience), ou em tradução, livre confiabilidade, robustez e resiliência. Estes conceitos permitem construir instalações e sistemas elétricos que sejam capazes de manter as cargas operando no caso de alguma falha, que em Figura 2 – Registro de VTCD em alimentação industrial. Fonte: Ação Engenharia e Instalações.

Chegou o reconhecimento dos melhores projetos regionais - Edição Cuiabá.

DATA LIMITE: 18 DE OUTUBRO DE 2019 +55 (11) 3872-4404

(11) 98433-2788

condições normais desligariam as mesmas. A indústria 4.0 deve estar atenta a estas necessárias mudanças de conceito.


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Instalações Ex

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Roberval Bulgarelli é consultor técnico e engenheiro sênior da Petrobras. É representante do Brasil no TC-31 da IEC e no IECEx e coordenador do Subcomitê SC-31 do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei). bulgarelli@petrobras.com.br

Eletricidade estática em atmosferas explosivas – Riscos, controle e mitigação – Parte 03/08

3. Os riscos de ignição relacionados com a geração e o acúmulo de eletricidade estática em atmosferas explosivas

geração de eletricidade estática em áreas classificadas, podem ser citados o fluxo de líquidos inflamáveis ou poeiras combustíveis em tubulações e equipamentos de processo, o contato e separação de sólidos, por

A geração e o acúmulo de cargas

exemplo,

eletrostáticas podem dar origem a riscos

transportadoras ou em filmes plásticos

e problemas em uma ampla gama de

sobre rolos, a movimentação de pessoas

indústrias e ambientes de trabalho, podendo

e o fenômeno de indução, devido a objetos

provocar a ignição e explosão em indústrias

que atingem um elevado potencial elétrico

de

ou ficam carregados eletrostaticamente por

processos

químicos,

farmacêuticos,

no

movimento

de

correias

petroquímicos, silos de armazenamento de

estarem no interior de um campo elétrico.

grãos e de processamento de alimentos.

Uma das fontes primárias da geração

tubulações e equipamentos de processo

de cargas eletrostáticas é o carregamento

devido à movimentação de fluidos em seu

por

interior é representada simplificadamente na

contato

entre

diferentes

materiais,

ocasionando a eletrificação por contato.

O acúmulo de cargas eletrostáticas em

figura a seguir.

Nos frequentes casos de dois materiais ou substâncias previamente não carregadas entrarem em contato, como nos casos de transferência de materiais líquidos, sólidos ou na forma de poeira, ocorre, geralmente, uma transferência de cargas eletrostáticas na área

Distribuição uniforme de cargas elétricas em tubulação sem fluxo de fluido em seu interior.

de fronteiras em comum entre estes materiais. Além disto, no momento da separação destes materiais, cada superfície se carrega de uma carga igual, de polaridade oposta, gerando eletricidade estática. Como exemplos de mecanismos de

Concentração de cargas elétricas em tubulação com fluxo de fluido gerando potencial eletrostático.


85

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Podem

ser

citados

também

objetos;

como

exemplos típicos de carregamento eletrostático

• Choques eletrostáticos com riscos de

em líquidos o fluxo de um líquido através de

ferimentos graves ou mesmo de perda de

tubulação, bomba ou filtro, ocasionando a

vida;

agitação e a atomização do líquido. Se o

• Danos a componentes eletrônicos.

líquido contém uma segunda fase imiscível na forma de sólidos finos em suspensão ou

Uma

líquidos finamente dispersos ou bolhas de ar,

quando o potencial do campo eletrostático

o carregamento eletrostático é elevado, em

ultrapassa a rigidez dielétrica do material movimentação de pessoas;

quando a força do campo elétrico excede o

se tornar carregados por meio de indução,

• O armazenamento, manuseio e movimentação

nível de dielétrico do ar atmosférico (da ordem

nos casos onde estes objetos tenham estado

de sólidos e poeiras combustíveis, incluindo o

de 10 a 20kV/cm) em condições ambientais

no interior de um campo elétrico produzido

transporte pneumático;

normais.

por outros objetos carregados, ou devido a

condutores com um alto potencial elétrico

movimentação de líquidos inflamáveis;

podem levar a uma ignição eletrostática,

presentes ao seu redor.

• A manipulação de gases e vapores

dependendo das características (como a

Todos os objetos podem também se

inflamáveis em altas pressões e vazões.

Energia Mínima de Ignição – MIE) dos gases

manuseio

por

dielétrico. Uma descarga eletrostática ocorre

armazenamento,

causados

ocorre

O

eletrostáticos

eletrostática

função da grande área de interface. Os objetos condutivos podem também

Riscos

descarga

e

Diversos tipos de descargas eletrostáticas

inflamáveis ou poeiras combustíveis que

tornar carregados eletrostaticamente, se

se acumularem sobre estes objetos.

riscos de ignição causados pela geração ou

em área classificada.

pelo acúmulo de cargas eletrostáticas em

áreas classificadas:

de fontes de ignição em áreas classificadas,

Dentre os problemas associados com a

geração e o acúmulo da eletricidade estática

Podem ser citados como exemplos dos

estiverem presentes no local da instalação,

partículas carregadas ou moléculas ionizadas

a

em áreas classificadas, podem ser citados os

Falhas

no

sistema

de

aterramento

equipotencialização

de

eletricidade

estática

pode

também

atmosferas

apresentar problemas operacionais durante

explosivas contendo gases inflamáveis ou

os processos de fabricação e manuseio,

poeiras combustíveis;

como por exemplo, provocando a aderência

seguintes:

Além dos riscos relacionados à geração

Ignição

ou

explosão

de

máquinas,

• Choque eletrostático em combinação com

dos materiais uns aos outros, ou atraindo

equipamentos de processo e de instalações

outros riscos de geração de fontes de ignição,

poeiras ou materiais particulados.

industriais;

como quedas, impactos ou separação de

e

Continua na próxima edição.


Memórias do Setor

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O Setor Elétrico / Setembro de 2019

Por Danieli Giovanini* Fotos: Guilherme Gaensly - Acervo Fundação Energia e Saneamento

Armazéns da Companhia Comércio e Navegação totalmente destruídos pelo bombardeio aéreo das tropas legalistas federais, durante a Revolução de 1924.

Foto feita da esquina da rua Líbero Badaró com a avenida São João em direção oeste. Data: 12/1921.

A energia e a cidade: São Paulo pelas lentes de Guilherme Gaensly como fotógrafo, em seu próprio estúdio,

energia elétrica. No período em que atuou

da Fundação Energia e Saneamento são

em sociedade com Rodolpho Lindemann –

na Light (de 1900 a 1925), registrou em

as fotografias de autoria de Guilherme

o estúdio Gaensly & Lindemann. Em 1894,

suas imagens as obras e os serviços da

Gaensly. As lentes atentas de Gaensly

se mudou para São Paulo, estabelecendo

empresa, com a finalidade de documentá-

captaram, além da paisagem urbana, a

o seu estúdio, ainda em parceira com

los nos relatórios anuais, uma forma de

trama complexa da cidade de São Paulo

Lindemann, na Rua XV de Novembro. Em

prestação de contas da empresa canadense

no início do século XX.

fins de 1899 e início de 1900, terminou

com sua sede e com os órgãos oficiais.

Gaensly nasceu na Suíça, em 1843.

a sociedade e iniciou trabalho como um

Aos cinco anos de idade, emigrou com

dos fotógrafos oficiais da The São Paulo

pelo capital oriundo da economia cafeeira,

a família para Salvador (BA). Nessa

Tramway Light and Power Company Ltd,

a cidade de São Paulo viveu a sua

cidade, cresceu e estudou. Na década

empresa responsável pela instalação dos

Belle Époque. Nesse contexto, ocorreu

de 1870, iniciou o ofício de fotógrafo,

serviços de infraestrutura urbana, como

o desenvolvimento urbano da capital

primeiramente, como assistente, e depois,

serviços de telefonia, gás, transporte e

paulista, com a emergência de uma elite

Um dos acervos mais emblemáticos

No início do século XX, impulsionada


87

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

(marcada pelo estilo de vida urbano burguês); a disponibilidade de mão de obra, em razão do volume de imigrantes que chegaram à cidade a partir das últimas décadas do XIX; a utilização da energia elétrica (a inauguração da Usina de Parnaíba, primeira hidrelétrica da Light no País, ocorreu em 1901); e com a rede ferroviária ligando o interior do Estado ao Porto de Santos.

Ao desenvolver o trabalho de

documentação fotográfica para a Light,

Largo do Tesouro, atual praça Padre Manuel da Nóbrega, em sua confluência com a rua General Carneiro, tendo ao centro multidão ao redor do primeiro carro da linha de bonde Penha. Data: 02/01/1901.

Obras de assentamento de trilho na rua 25 de Março, em trecho próximo ao Mercado Caipira. Data: 05/07/1899.

Rua Quinze de Novembro, nesta tomada em direção à Praça da Sé. Ao centro, entroncamento da atual rua da Quitanda. Data: 15/07/1901.

Rua do Seminário, em obras de assentamento de trilhos, tendo ao fundo a construção metálica do Mercadinho São João. Data: 10/02/1900.

Estação de Luz, nesta tomada em direção oeste, destacando o logradouro - a Praça da Luz - entre o edifício e o Jardim da Luz, vendo-se obras no leito da linha de bonde que passa pelos pontilhões que correspondem a passagem da atual avenida Tiradentes em sua conexão com rua Florêncio de Abreu. Data: 12/04/1902.

Rua São Bento, no trecho entre o cruzamento da rua São João e Largo São Bento, ao fundo, nesta tomada que registra, provavelmente, a instalação de sistema de distribuição de energia para posterior assentamento de trilhos. Data: 20/02/1900.

Gaensly acabou por realizar uma extensa e vasta memória visual de São Paulo, extremamente significativa do ponto de vista da preservação da memória urbana, arquitetônica e cultural da capital paulista. Embora a cidade tenha sido coadjuvante nessas fotografias, como a história da energia em São Paulo se confunde com a própria história da cidade, o fotógrafo acabou por captar um espírito de modernidade paulista, registrando a imponência dos novos edifícios de arquitetura eclética, os equipamentos públicos e as obras de infraestrutura urbana, além da velocidade e o fluxo acelerado.

Mas por que falar de fotografia?

Durante muito tempo, houve o domínio do documento manuscrito como fonte histórica, mas essa dinâmica mudou e a história passou a contar com outras fontes documentais, expandindo a própria percepção de arquivo e de acervo. Nesse contexto, as fotos são utilizadas cada

que temos em nosso imaginário sobre

vez mais como documentos históricos,

São Paulo nas décadas de 1910 e 1920

testemunhos de determinada época e

foi formado a partir das fotos de Gaensly,

cultura. Ao serem analisadas em conjunto

que são amplamente conhecidas por sua

com as demais fontes históricas, permite

qualidade técnica e estética, além de terem

novas possibilidades de interpretação

sido replicadas em diversos materiais,

da realidade ali retratada, recuperando

como álbuns, publicações e cartões

micro-histórias presentes nas imagens e a

postais. Como não poderia deixar de ser,

História do Cotidiano.

ele se tornou uma das grandes fontes para

pesquisa sobre a história imagética de São

A cidade de São Paulo não teve,

historicamente, um projeto institucional

Paulo.

de documentação fotográfica de suas

transformações ao longo do tempo, com

possui o maior acervo conhecido de

rigor, critério e metodologia. Muito do

Guilherme Gaensly, com 781 imagens

A Fundação Energia e Saneamento

entre assinadas e atribuídas, já digitalizadas e disponíveis para consulta no site. Os pesquisadores e interessados em acessar esse ou outros conteúdos históricos podem realizar agendamento gratuito na Fundação pelo e-mail: pesquisa@energiaesaneamento.org.br ou através dos telefones: 11 3395-5508 e 11 3224-1489. *Danieli Giovanini é historiadora e analista do Núcleo de Documentação e Pesquisa da Fundação Energia e Saneamento. Site: energiaesaneamento.org.br


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Índice de anunciantes Ação Engenharia 75 (11) 3883-6050 www.acaoenge.com.br

O Setor Elétrico / Setembro de 2019

3ª capa e Fascículos

17

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Megabrás (11) 3254-8111 ati@megabras.com.br www.megabras.com

Dutotec 28 (51) 2117-6600 www.dutotec.com.br

Neocable 30 (11) 4891-1226 contato@neocable.com.br www.neocable.com.br

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11

45

4ª capa

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Novus 33 (51) 3097-8466 www.novus.com.br/pt/setor_eletrico Paratec 72 (11) 3641-9063 vendas@paratec.com.br www.paratec.com.br 00

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43


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O Setor Elétrico (edição 164 - Set/2019)  

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