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Ano 14 - Edição 157 Fevereiro de 2019

“Cidade inteligente” e a iluminação A ILUMINAÇÃO “INTELIGENTE”, CONECTADA A UM SISTEMA DE TELEGESTÃO E À INTERNET DAS COISAS, FUNCIONARÁ COMO UMA PLATAFORMA PARA UMA SÉRIE DE TECNOLOGIAS DE GESTÃO PESQUISA SETORIAL Mercado de equipamentos para Atmosferas Explosivas espera crescer 22% em 2019 NOVOS FASCÍCULOS - BIM - Building Information Modeling - Equipamentos para ensaios em campo - Linhas elétricas para baixa tensão NOVAS SEÇÕES - CinaseTec - Destaque Prêmio OSE


Sumário atitude@atitudeeditorial.com.br Diretores Adolfo Vaiser Simone Vaiser Coordenação de circulação, pesquisa e eventos Marina Marques – marina@atitudeeditorial.com.br Assistente de circulação, pesquisa e eventos Henrique Vaiser – henrique@atitudeeditorial.com.br Administração Paulo Martins Oliveira Sobrinho administrativo@atitudeeditorial.com.br Editora Cristiane Pinheiro - 25.696-SP cristiane.pinheiro@atitudeeditorial.com.br Publicidade Diretor comercial Adolfo Vaiser - adolfo@atitudeeditorial.com.br Contatos publicitários Ana Maria Rancoleta - anamaria@atitudeeditorial.com.br Representantes Paraná / Santa Catarina Spala Marketing e Representações Gilberto Paulin - gilberto@spalamkt.com.br João Batista Silva - joao@spalamkt.com.br (41) 3027-5565 Direção de arte e produção Leonardo Piva - atitude@leonardopiva.com.br Denise Ferreira Consultor técnico José Starosta

Suplemento Renováveis 27 O projeto do sistema fotovoltaico conectado à rede Notícias de Mercado Elektsolar ultrapassa 4MW em projetos de energia fotovoltaica no Brasil Sunew anuncia a maior instalação de energia solar de próxima geração do mundo Renovigi cresce 14% em 2018 na distribuição de equipamentos Coluna solar: Revisão da REN 482/2012: proposta da ANEEL precisa melhorar Coluna eólica: O balanço dos ventos em 2018

8

Colaborador técnico de normas Jobson Modena Colaboradores técnicos da publicação Daniel Bento, João Barrico, Jobson Modena, José Starosta, Juliana Iwashita, Roberval Bulgarelli e Sérgio Roberto Santos. Colaboradores desta edição: Barbara Rubim, Elbia Gannoum, Francisco Gonçalves Jr., Fábio Henrique Dér Carrião, Felipe Pais, Fundação Energia e Saneamento, Hans Rauschmayer, Isaque Nogueira Gondim, Jobson Modena, Sergio Roberto Santos, José Rubens Macedo Jr., José Starosta, Marcia Antonio, Paulo E. Q. M. Barreto, Paulo Henrique Oliveira Rezende, Rodrigo Sauaia, Ronaldo Koloszuk, Roberval Bulgarelli. Revista O Setor Elétrico é uma publicação mensal da Atitude Editorial Ltda. A Revista O Setor Elétrico é uma publicação do mercado de Instalações Elétricas, Energia, Telecomunicações e Iluminação com tiragem de 13.000 exemplares. Distribuída entre as empresas de engenharia, projetos e instalação, manutenção, industrias de diversos segmentos, concessionárias, prefeituras e revendas de material elétrico, é enviada aos executivos e especificadores destes segmentos. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente refletem as opiniões da revista. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias sem expressa autorização da Editora. Capa: Cristal Crocker Impressão - Ipsis Gráfica e Editora Distribuição - Correio

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Fascículos BIM - Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção Equipamentos para ensaios em campo Linhas elétricas para baixa tensão

38

Pesquisa Mercado de equipamentos para Atmosferas Explosivas espera crescer 22% em 2019

46

CinaseTec “Cidade inteligente” e a iluminação

50

Destaque Prêmio OSE Projeto de fabricação e instalação de usinas termoelétricas para geração própria com potência nominal de 2,78 MW

56

Espaço 5419 O risco de perda de serviços ao público (R2)

58

Espaço SBQEE Aparelhos de ar-condicionado não são assassinos em série – Parte 01/02

Atitude Editorial Publicações Técnicas Ltda. Rua Piracuama, 280, Sala 41 Cep: 05017-040 – Perdizes – São Paulo (SP) Fone/Fax - (11) 3872-4404 www.osetoreletrico.com.br atitude@atitudeeditorial.com.br

Filiada à

Painel de notícias 76% da geração de biomassa está no mercado livre Carga de energia para o SIN - Sistema Interligado Nacional deve crescer 3,6% em 2019, diz EPE Comercializadoras de energia podem receber Selo Verde CCEE lança livro em comemoração aos seus 20 anos Cummins comemora 100 anos Seção Produtos

60 62 64

Colunistas Jobson Modena – Proteção contra raios José Starosta – Energia com Qualidade Roberval Bulgarelli – Instalações Ex

66

Memórias do Setor – Parte 01/02

3


Editorial

4

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Capa ed 157.pdf

1

27/02/19

22:33

www.osetoreletrico.com.br

Ano 14 - Edição 157 Fevereiro de 2019

“Cidade inteligente” e a iluminação A ILUMINAÇÃO “INTELIGENTE”, CONECTADA A UM SISTEMA DE TELEGESTÃO E À INTERNET DAS COISAS, FUNCIONARÁ COMO UMA PLATAFORMA PARA UMA SÉRIE DE TECNOLOGIAS DE GESTÃO PESQUISA SETORIAL Mercado de equipamentos para Atmosferas Explosivas espera crescer 22% em 2019 NOVOS FASCÍCULOS - BIM - Building Information Modeling - Equipamentos para ensaios em campo - Linhas elétricas para baixa tensão NOVAS SEÇÕES - CinaseTec - Destaque Prêmio OSE

O Setor Elétrico - Ano 14 - Edição 157 – Fevereiro de 2019

Edição 157

Prestemos mais atenção às ligações elétricas

Infelizmente começo este Editorial lembrando a tragédia

que causam a chamada astrofobia. O assunto é tratado na

que aconteceu no mês de fevereiro e que por algum motivo

seção Proteção contra Raios, escrita pelo especialista Jobson

– investigações ainda estão em curso – pode passar por uma

Modena.

questão elétrica mal feita: a situação registrada na madrugada

do dia 8, no Centro de Treinamento do Clube de Regatas do

o setor elétrico está passando. Um deles são as chamadas

Flamengo, no Rio de Janeiro, onde 10 jovens perderam a vida.

smart cities ou cidades inteligentes, em que, na iluminação

Na ocasião, aparelhos - particularmente os condicionadores

pública, a tendência mundial está nas cidades substituindo

de ar de uso doméstico - apareceram como sendo a causa do

as luminárias de descarga adotadas, por tecnologia mais

incêndio.

eficiente – LED, que consomem menos energia, possuem vida

longa, maior reprodução de cores, menor manutenção, maior

Como um veículo de Comunicação técnico do segmento

Por outro lado, temos alguns bons movimentos ao qual

elétrico, fomos ouvir alguns especialistas para entender se

respeito ao meio ambiente reduzindo o descarte e poluição

esses equipamentos podem ser considerados os verdadeiros

com metais pesados. O tema, que é o destaque da capa desta

vilões. E a conclusão foi: pelo menos do ponto de vista

edição, encontra-se na seção Cinase TEC.

elétrico não. Aparelhos de ar-condicionado não são assassinos

em série. Esse é um dos aspectos que três importantes

de equipamentos para Atmosferas Explosivas, que indica um

professores doutores do setor abordaram no Espaço SBQEE.

crescimento de 22% este ano, além de nossas seções Espaço

O assunto foi tão bem explicado que achamos melhor dividi-lo

5419, Qualidade com Energia, novos fascículos, Prêmio OSE

em duas partes, a primeira publicada nesta edição. O tema

e Memórias do Setor, que traz um pouco de História: do

também foi abordado pelo nosso consultor técnico, José

lampião à eletricidade, o desenvolvimento da iluminação

Starosta, em seu Editorial. Vale a pena a leitura de ambas as

pública em São Paulo, informações e fotos cedidas pela

seções!

Fundação Energia e Saneamento. Boa leitura!

Trazemos também uma pesquisa setorial sobre o mercado

Um outro aspecto que trazemos nesta edição, já que

estamos em um período de muitas chuvas, trovões e raios,

Abraços,

é a explicação de como esses fenômenos ocorrem e por

Cristiane Pinheiro

Redes sociais

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@osetoreletrico

Revista O Setor Elétrico


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Coluna do consultor

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações e membro da diretoria do Deinfra-Fiesp e da SBQEE. É consultor da revista O Setor Elétrico jstarosta@acaoenge.com.br

As lamentáveis recorrências

Um trágico início de ano? De novo? Já

o serviço? E se isso fosse verdade, seria razão

ouvimos certamente antes, “todos os janeiros

para facilitar a propagação das chamas?

no Brasil o são”. Como “caçapa cantada”,

Não bastasse as possíveis bobagens e

lembrando o saudoso Joelmir Betting, vivemos

irresponsabilidades técnicas, as informações

mais estes tristes momentos! Seria destino?

que nos chegam dificultam ainda mais o

Alguma bruxaria? Promessas não pagas?

entendimento.

De todo aquele enxame de informações

permeados por clássicas ou elaboradas

de capricórnio e as centenas de trágicos relatos

bobagens, vivenciamos mais um período de

a eles relacionados. Trata-se do mês que mais

comprovada falta de aplicação da verdadeira

chove e também o mais quente desta parte

engenharia em um tenebroso “mix” de falta

do Brasil, caracterizando assim as situações

de responsabilidade de autoridades públicas

críticas, de maior solicitação e que, certamente,

e, dependendo do que for apurado, também

deveriam ser previstas nos projetos estruturais,

daquelas privadas. Cita-se ainda o grande

de drenagem, dos sistemas de ar-condicionado

volume de informações desencontradas e

e das cargas elétricas associadas a estes

falsas, como que em uma grande e orquestrada

equipamentos. Ainda, nos casos de instalações

campanha de desinformação, recheado pelo

elétricas, a “nossa” NBR5410 é clara no que se

despreparo daqueles que deveriam informar e

refere as características das influências externas

publicam tudo o que ouviram falar.

e os materiais da construção dos ambientes

Voltando aos temíveis janeiros do trópico

No caso específico da tragédia do CT

destas instalações. A tragédia de Brumadinho

do Flamengo, uma revista semanal informa

que, apesar de não se relacionar ao nosso campo

que “somente um circuito alimentava todos

da eletricidade, possui uma importante analogia

os aparelhos de ar-condicionado de todos os

com o nosso “mundo elétrico”: a necessidade da

contêineres, o que teria facilitado a propagação

monitoração em tempo real das variáveis, sejam

das chamas”, ou ainda que “os aparelhos

elas tensão e corrente ou pressões e outras

de ar-condicionado passaram a operar “no

variáveis hidráulicas. Se estivessem disponíveis

limite” com o calor das chamas”. Será que

na condição citada tudo seria mais fácil de

algum técnico de conhecimento mediano

monitorar e concluir sobre o que fazer. Existem

em instalações teria sido consultado para a

ainda outras questões relacionadas a critérios

execução desta instalação? Será que estas

de gestão e fiscalização, dos verdadeiros papéis

informações são verdadeiras? Como poderia

dos conselhos regionais, das responsabilidades

um único circuito elétrico alimentar os diversos

profissionais e relação trabalhista, punição dos

aparelhos, por pior que fosse o “pedreirista”

verdadeiramente culpados e outras. Isso fica pra

(como diz o nosso Barrico) que teria executado

depois.


Painel de mercado

8

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

76% da geração de biomassa está no mercado livre O

Boletim

da

Energia

Livre

da

ABRACEEL - Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, publicado em fevereiro de 2019, apontou que 76% da geração de biomassa está no mercado livre, sendo um grande incentivador das energias renováveis. O estudo aponta que quase 60% da geração de energia limpa é pelo mercado livre, que também é responsável pela venda de 45% de energia eólica e 65%, de PCH. Segundo

o

boletim

da

ABRACEEL,

no mercado livre hoje estão com 5.189 consumidores. Isso representa um aumento de 12% no número de consumidores nos últimos 12 meses, ou seja, 627 consumidores migraram para o mercado livre. Esses resultados influenciaram no consumo de energia no mercado livre, que atingiu 18,406 MWmed, representando 29% de toda a energia consumida no País, um aumento

de 2019 foi o aumento da participação do

volume transacionado no País.

de 1,1% nos últimos 12 meses.

comércio (9%) e telecomunicações (9,3%) no

Na questão de preços, a economia

O volume de energia transacionada no

mercado livre. O boletim também destacou o

na compra de energia no mercado livre é

mercado livre totalizou 104.058 MWmed,

papel fundamental dos comercializadores no

de 40%, uma vez que o preço da tarifa de

representando 68% de toda a energia

funcionamento do mercado livre, responsáveis

energia média das distribuidoras é de R$

transacionada no País, uma aumento de 23%

por

Esse

275MWh, enquanto o preço de longo prazo

no volume nos últimos 12 meses.

volume representa 60% de toda a energia

no mercado livre é de R$ 166MWh, segundo

transacionada nesse mercado e 41%, do

dados do Dcide.

Um dos destaques no boletim de fevereiro

transacionar

69.341MWmed.

Carga de energia para o SIN - Sistema Interligado Nacional deve crescer 3,6% em 2019, diz EPE 2.687 MWmédios. Em 2023, a projeção de

De acordo com a publicação, esses

Interligado Nacional deve crescer 3,6%

carga do SIN é de 79.944 MWmédios.

resultados foram atualizados tomando como

em 2019, segundo dados da Previsão

Ainda segundo as projeções, em 2023,

base a avaliação da conjuntura econômica

de Carga para o Planejamento Anual da

estima-se que o consumo no SIN cresça à

e o monitoramento do consumo e da carga,

Operação Energética - Ciclo 2019 (2019-

taxa média de 3,8% anuais. Em relação ao

ao longo do ano de 2018, por meio das

2023), elaborado pela EPE - Empresa de

consumo industrial no SIN nesse período a

Resenhas Mensais de Energia Elétrica da

Pesquisa Energética, em conjunto com a

taxa média de crescimento deverá ser de 3,4%

EPE, dos Boletins de Carga Mensais do ONS

ONS - Operador Nacional do Setor Elétrico

ao ano, influenciado pela retomada gradual

e dos InfoMercados Mensais da CCEE, bem

e a CCEE - Câmara de Comercialização de

de alguns setores intensivos em energia,

como dos desvios observados entre a carga

Energia Elétrica. Para o período 2019 a 2023,

em especial, do setor produtor de alumínio

verificada e as projeções elaboradas para o

a previsão é de um crescimento médio anual

primário. Analisando as classes residencial e

Ciclo de Planejamento Anual da Operação

da carga de energia do SIN de 3,7% ao ano,

comercial, a taxa de crescimento anual deve

Energética 2018-2022 e suas revisões

representando uma expansão média anual de

registrar 3,8% e 4%, respectivamente.

quadrimestrais.

A carga de energia para o SIN - Sistema


9

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Comercializadoras de energia podem receber Selo Verde

A partir deste ano, as comercializadoras

médio/ano e com prazo de validade de 6

de energia elétrica poderão receber o Selo

meses.

Energia Verde, concedido pela UNICA -

União da Indústria de Cana-de-Açúcar,

de aquisição mínima de 0,3 MW médio/ano,

referente ao Programa de Certificação

poderá ser considerada a soma de mais

da Bioeletricidade. O projeto é uma

de um contrato de unidades produtoras,

iniciativa da UNICA em cooperação com

registrados

a CCEE - Câmara de Comercialização

apresentados

de

da

desde que cada contrato apresente, no

ABRACEEL - Associação Brasileira dos

mínimo, um prazo de validade de 6 meses.

Comercializadores de Energia.

Energia

O

Elétrica

certificado

e

é

apoio

concedido,

No cumprimento do requisito do volume

na

CCEE, pela

adquiridos

e

comercializadora,

Para o gerente em bioeletricidade da

UNICA, Zilmar de Souza, a iniciativa da

desde 2015, a usinas produtoras de

certificação

bioeletricidade, que cumprem quesitos

junto

ambientais e de eficiência energética, e

de sustentabilidade que essa energia

também para consumidores de energia

renovável apresenta e também representa

no mercado livre. O Selo Energia Verde

uma oportunidade para os consumidores,

é a primeira certificação no Brasil para a

e agora as comercializadoras de energia,

energia produzida a partir da biomassa da

demonstrarem a preocupação cada vez

cana-de-açúcar.

mais crescente com o consumo responsável

de energia na matriz elétrica brasileira.

Para ter direito ao Selo Energia Verde

à

da

bioeletricidade

sociedade,

a

reforça,

característica

a comercializadora precisa ser associada

à ABRACEEL e agente da CCEE, além

sucroenergéticas

de ter adquirido energia elétrica de

com o Selo Energia Verde. Acesse aqui a

unidades produtoras com Certificado de

lista atualizada das unidades produtoras

Bioeletricidade. O contrato de aquisição

participantes do Programa de Certificação

tem que estar registrado na CCEE e

da

corresponder a, no mínimo, 0,3 MW

ABRACEEL.

De acordo com a ÚNICA, 39 usinas já

Bioeletricidade

estão

certificadas

UNICA/CCEE/


Painel de empresas

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O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Por Adriana Dorante

CCEE lança livro em comemoração aos seus 20 anos

No ano em que comemora duas décadas

de existência, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE lançou o livro “20 anos do mercado brasileiro de energia elétrica” para relembrar sua trajetória no mercado. A publicação reúne artigos de 23 especialistas de renome do setor elétrico, que analisam em retrospectiva episódios decisivos para o desenvolvimento do setor elétrico nacional, além de debater desafios e oportunidades o setor.

Durante o lançamento, ocorrido no dia 7

de fevereiro, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, ressaltou a importância da CCEE para o mercado ao longo dos últimos 20 anos. “A organização tem demonstrado um histórico vencedor e desempenhado um

protagonismo

fundamental

para

o

desenvolvimento do setor de energia elétrica, seguindo os padrões de ética, transparência, inovação e segurança de informação”.

Um dos desafios pela frente é a luta

pela regulamentação do GSF. Segundo diretor-geral da Aneel, André Pepitone, essa regulamentação busca o equilíbrio estrutural do MRE e do PLD Horário que irá conferir modernidade ao mercado de energia. “A CCEE será um parceiro fundamental na implementação desses temas”, disse.

O diretor-geral do NOS, Luiz Eduardo

Barata

Ferreira,

destacou

seu

orgulho

de ter feito parte da história da CCEE e presenciado a organização se transformar em uma instituição sólida e madura. “Estou convencido de que conseguimos com que CCEE e ONS trabalhem de forma integrada

desenvolvimento de diversas metodologias

ampliar o valor agregado e novos serviços

pelo bem do sistema integrado nacional”.

novas”.

nas plataformas que operam transações de

A força da CCEE foi enfatizada por

mercado”.

Thiago Barral, presidente da Empresa de

o presidente do Conselho de Administração

Pesquisas Energéticas – EPE, presente e

da CCEE, Rui Altieri, observou que “a

Administradora do Mercado Atacadista de

ouvida nos debates estratégicos e a relação

CCEE tem investido bastante em tecnologia

Energia – Asmae e, junto com ela, o mercado

de colaboração da EPE com a CCEE nesses

visando modernizar sistemas essenciais para

brasileiro de energia elétrica. Em 2002, a

20 anos de parceria. “Para bastante além dos

viabilização da comercialização de energia.

Asmae é substituída pelo Mercado Atacadista

limites do nosso acordo operacional, podemos

Nesse olhar de futuro, incluímos a adoção de

de Energia – MAE. Em 2004, o MAE é extinto

trabalhar conjuntamente no aperfeiçoamento

um novo modelo de gestão de relacionamento

e dá lugar à Câmara de Comercialização de

dos leilões, em vários treinamentos e no

e atendimento orientado aos clientes, visando

Energia Elétrica – CCEE.

Sobre os rumos para os próximos anos,

A instituição nasceu em 1999, como


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O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Cummins comemora 100 anos A Cummins comemora seu centésimo aniversário ao longo do ano de 2019 consolidando sua presença no mercado de motores a Diesel e a gás natural, plataformas híbridas e elétricas, além de peças para sistemas de motores e sistemas de controle. Hoje, a empresa, que figura na lista das 150 companhias mais bem sucedidas da revista Fortune, emprega cerca de 60 mil pessoas no mundo todo e atende clientes em praticamente todos os países do planeta.

As raízes da empresa datam de 1919,

quando Clessie Cummins e seu sócio, William G. Irwin, criaram uma companhia que foi uma das primeiras a tirar proveito da revolucionária tecnologia

desenvolvida

pelo

engenheiro

alemão Rudolf Diesel, no final do século 19.

“A inovação tecnológica está no coração

do que fazemos. A Cummins é líder global em

crescendo no futuro. Além disso, a empresa

é certo. Este compromisso tem sido positivo

tecnologia com um amplo portfólio de soluções

ainda desenvolve tecnologias e controles

para todos os investidores da Cummins e

de potência. Continuaremos inovando para

integrados de sistemas de motores e vem

continuará guiando nossas decisões pelos

garantir o sucesso de nossos clientes”, afirmou

trabalhando com diversos parceiros para

próximos 100 anos.

Tom Linebarger, CEO da Cummins Inc.

integrar seus produtos e serviços aos veículos

A Cummins continuará desenvolvendo

autônomos do futuro.

ser bem sucedida se este sucesso também

tecnologia de motores a Diesel e gás natural

Hoje, quando a maioria dos fabricantes

acontecer nas comunidades em que atuamos.

e levando novas soluções ao mercado. Investindo

em

“Entendemos que nossa empresa só pode

independentes de motores deixou de existir, a

E estamos comprometidos com a construção

de

transmissão

liderança da Cummins atribui sua longevidade

de comunidades mais prósperas no mundo

desenvolvendo

sistemas

tecnologias

a 100 anos de compromisso com sua missão,

inteiro”, afirma Mary Chandler, vice-presidente

alternativas como células de hidrogênio e

visão e valores, sem nunca perder de vista seus

de Responsabilidade Empresarial e diretora da

explorando novas tecnologias para continuar

objetivos de longo prazo e defendendo o que

Fundação Cummins.

elétricos

e

Schneider Electric lança nova edição do Go Green in the City

A Schneider Electric, líder global na transformação digital em gestão da energia elétrica e automação, lança o Go Green in the City 2019,

seu concurso universitário anual para encontrar grandes ideias e soluções inovadoras capazes de tornar as cidades mais inteligentes, mais eficientes em energia e mais sustentáveis.

Agora em sua nona edição, o Go Green in the City tem sido um acontecimento importante para estudantes principalmente de Engenharia

e Negócios ao redor do mundo. Em 2018, mais de 24 mil jovens de mais de 3 mil universidades de 163 países participaram, sendo 58% deles mulheres. Os competidores não só terão a chance de causar impacto na economia digital, como também de participar das finais globais durante o Innovation Summit 2019 da Schneider Electric, que será realizado nos dias 2 e 3 de outubro em Barcelona, na Espanha.

O evento reunirá especialistas da empresa e líderes de indústrias mundiais para compartilhar insights e grandes ideias sobre os desafios

e as oportunidades da economia digital. Os estudantes poderão conhecer especialistas do setor e em última instância, trabalhar na Schneider Electric e ainda ganhar uma viagem com tudo pago para duas cidades em qualquer lugar do mundo onde exista um escritório da Schneider.


Painel de produtos

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Novidades em produtos e serviços voltados para o setor de instalações de baixa, média e alta tensões.

Inversor de frequência GA800 Yaskawa www.yaskawa.com.br

Inversor ultramoderno ECO www.fronius.com.br

A Fronius apresenta ao mercado de energia

fotovoltaica o inversor ultramoderno ECO, uma das unidades da linha SnapINverter. Sua potência de captação de

A Yaskawa Elétrico do Brasil acaba

energia está em torno de 1,5 a 27 kw. Este produto não necessita de

de lançar no País o inversor de frequência

manutenção preventiva e nem de limpeza constante. Sua instalação é

GA800 destinado a aplicações industriais,

rápida e simples, além de dispensar a instalação do transformador tanto

desde o uso em ventiladores até processos

em áreas internas como externas. Indicado para residências, edifícios

siderúrgicos, o inversor de frequência GA800, além da diversidade

públicos, armazéns e complexos industriais, entre outros.

de uso, também é dotado de alto grau de robustez, confiabilidade, sustentabilidade e flexibilidade.

Festo lança DPDM

www.festo.com.br

Construído de acordo com o certificado RoHS 2 e restrito à

quantidade de substâncias contaminantes, o inversor de frequência GA800 foi desenvolvido atendendo os padrões de normas internacionais. Possui placas de circuito impresso envernizadas, para aplicações em ambientes contaminados, que aumentam sua vida útil; gestão amigável de energia que controla com eficiência os motores em modo de economia de energia inteligente, capaz de diminuir o consumo.

O DPDM é atuador compacto flat

design, aplicável a cargas pequenas e espaço físico limitado. Está disponível nos tamanhos 6 a 32 mm, podendo ser fabricado com haste quadrada, haste passante e variantes para altas temperaturas. Além disso, o DPDM vem com até quatro tipos de interface de montagem.


Fascículos

Apoio

BIM - Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção

14

Francisco Gonçalves Jr. Capítulo II – Dimensões do BIM e seus níveis de desenvolvimento de um modelo LOD - BIM 2D – Representação ou documentação - BIM 3D – Modelo paramétrico - BIM 4D – Tempo e planejamento de execução da Obra - BIM 5D – Orçamento - BIM 6D – Sustentabilidade - BIM 7D – Manutenção e operação

Equipamentos para ensaios em campo

20

Fábio Henrique Dér Carrião Capítulo II - Testes em campo de disjuntores - Introdução - Manutenção preventiva: inspeções e ensaios

Linhas elétricas para baixa tensão

24

Paulo E. Q. M. Barreto Capítulo I – Terminologia (II) - Uso adequado da terminologia - Principais conceitos - Características - Aplicações


Apoio

BIM - Building Information Modeling / Modelagem das Informações da Construção

14

Por Francisco Gonçalves Jr.*

Capítulo II Dimensões do BIM e seus níveis de desenvolvimento de um modelo LOD

Ao longo deste artigo, pretende-se resolver algumas questões relacionadas às dimensões nD’S do BIM e quais os

BIM 2D – Representação ou documentação

momentos do ciclo de vida de uma edificação em que o BIM interfere. A esta altura do desenvolvimento integrado de projetos, você já entende que o BIM possui uma aplicação em todo o ciclo de vida da edificação, indo além da construção 3D da edificação. Sua aplicação, gestão e uso das informações do modelo proporcionam diversas aplicabilidades além do projeto, como: planejamento, orçamento, sustentabilidade e operação das edificações.

Fascículo

Figura 2 - BIM 2D

É o detalhamento usado para representar desenhos tradicionais em duas dimensões, em pranchas e detalhes.

BIM 3D – Modelo paramétrico É protótipo virtual da edificação. Aqui, todos os projetos estão representados em três dimensões, e seus elementos possuem informações que poderão ser utilizadas nas próximas etapas da Figura 1 – Ciclo BIM.

Mas, já que o BIM vai além do 3D, quais são, então, os outros “D’s” desse conceito? Entenderemos cada um adiante.

concepção da edificação, como: planejamento, orçamento, gestão, operação, entre outros. Nessa etapa, já é possível efetuar uma análise de interferência entres os elementos das diversas disciplinas de projeto, antecipar


15

Apoio

imperfeições e buscar a melhor solução para uma execução de projeto mais assertiva. É importante salientar que já existem no mercado ferramentas que automatizam a detecção de conflitos e geram relatórios ricos em informações, como é o caso das plataformas QiBuilder 2019, Tekla Bimsight e Solibri.

Figura 3 - BIM 3D.

BIM 4D – Tempo e planejamento de execução da obra É possível associar o modelo elaborado ao cronograma da obra, vincular tarefas, tempos e gerar um planejamento visual de andamento da obra, proporcionando ao engenheiro de execução, ou gerente de projeto acompanhar o avanço físico de cada etapa. Tudo na tela do computador, com riqueza de informações em tempo real. Desta forma, esta etapa possibilita efetuar simulações de arranjo físico e deslocamento em canteiro de obras, prever situações críticas e minimizar riscos com relação a equipamentos e caminhões no transporte de materiais.

Figura 4 - BIM 4D.

BIM 5D – Orçamento Após vincular o modelo ao planejamento, com sequenciamento de tarefas e tempos, a próxima etapa é efetuar composições utilizando códigos dos sistemas de orçamentos, como: o TCPO e o SINAPI, tendo como base os quantitativos extraídos do modelo.


Apoio

BIM - Building Information Modeling

16

Essa ação permite adicionar informações dos custos da obra aos elementos modelados. Assim, o orçamentista ou gestor financeiro pode acompanhar e simular diversos cenários financeiros dos gastos da obra completa ou de etapas específicas, tendo uma previsibilidade assertiva dos gastos envolvidos no empreendimento. Desta forma, ele evita surpresas e conta com informações pertinentes para auxiliar na tomada de decisão. A vantagem é que como as informações estão integradas, caso haja alteração de um elemento do modelo, o orçamento pode ser atualizado.

Figura 6 – BIM 7D.

BIM 6D – Sustentabilidade

Demais definições

Com o modelo rico em informações dos elementos constituintes, chegou a etapa de análise da eficiência energética da edificação, que

É possível que você encontre diferentes linhas de pesquisa

auxilia na tomada de decisão durante o processo de concepção de

que discorrem sobre a definição das nomenclaturas 6 e 7D, sendo

um edifício, para que seu resultado seja o mais sustentável possível.

a primeira designada como “Manutenção” e a segunda tratada

Diversas ferramentas possibilitam essa ação, e o projetista

como “Sustentabilidade”. Ainda podem existir novas dimensões de

pode simular distintos cenários para avaliar os resultados das

linhas de pesquisa que definem, por exemplo, o 8D como vertente

suas definições e o impacto técnico e financeiro de forma rápida e

de “Segurança”, ainda segundo o artigo do doutor e professor da

econômica.

UNSW Sydney – Australia’s Global University, Imriyas Kamardeen, relaciona o modelo BIM no que diz respeito à segurança e prevenção de acidentes.

O que são os Lod’s? É a definição do nível de desenvolvimento do modelo, ou em inglês Level of Development. Uma classificação criada pela AIA (Instituto Americano de Arquitetura) para organizar as etapas do desenvolvimento de um projeto e suas fases em BIM. Essa é uma característica peculiar e de Figura 5 - BIM 6D.

extrema importância da metodologia BIM, que deve ser definida e acordada entre o contratante e o projetista, antes mesmo de dar início ao fluxo de projeto, tendo em vista que as definições impactam

Fascículo

BIM 7D – Manutenção e operação O modelo com informações de término da obra com os elementos de projeto pode ser utilizado para operação da edificação, com a possibilidade de gerar planos de manutenção, verificar informações de equipamentos, garantia de fabricantes, especificações técnicas e ainda acrescentar mais informações pertinentes à gestão da edificação no seu ciclo de vida. Com isso, os responsáveis podem compartilhar informações com empresas que prestam serviços, e ao identificar algum problema ou plano de manutenção, disparar uma ordem de serviço eletrônica, com todas as informações necessárias para a empresa que irá prestar o serviço, como a localização exata do equipamento com problema. Todas as definições e dimensões do BIM que foram apresentadas servem para compreender, de forma didática, a amplitude do BIM na cadeia da indústria da construção em todo seu ciclo.

diretamente nos prazos e custos do projeto. Como regra geral, quanto mais avançado o LOD, maior o número de informações envolvidas no modelo da obra. Por isso, e para evitar imprevistos ou situações de insatisfação do contratante com as informações presentes no projeto, o ideal é que o LOD seja definido ainda na contratação. De acordo com a especificação da AIA, os níveis são divididos em: - ND 100: o elemento do modelo pode ser graficamente representado como um símbolo ou outra representação genérica, mas não satisfaz os requerimentos para o ND 200. Informações relacionadas a outro elemento do modelo como o custo por metro quadrado, pode ser derivada; - ND 200: o elemento de modelo é graficamente representado como um sistema genérico, objeto, ou montagem com quantidades


Apoio

17


Apoio

Fascículo

BIM - Building Information Modeling

18

Figura 7 – Lods Fonte: Caderno de apresentação de projetos em BIM de Santa Catarina.

aproximadas, tamanho, forma, localização e orientação. Informações

- ND 350: o elemento do modelo é graficamente representado

não-gráficas também podem ser anexadas ao elemento do modelo;

como um sistema específico, objeto ou montagem em termos de

- ND 300: o elemento do modelo é graficamente representado

quantidade, tamanho, forma, localização, orientação e interfaces

como um sistema específico, objeto ou montagem em termos de

com outros sistemas construtivos. Informações não-gráficas

quantidade, tamanho, forma, localização e orientação. Informações

também podem ser anexadas ao elemento do modelo;

não-gráficas também podem ser anexadas ao elemento do modelo;

- ND 400: o elemento do modelo é graficamente representado como

Figura 8 – LOD aplicado a um quadro de distribuição (adaptado): Fonte: (McPhee, 2013).


19

Apoio

um sistema específico em termos de tamanho, forma, localização,

Softwere. Disponível em: < http://blog.synchroltd.com/10-points-

quantidade e orientação, com detalhamento, informações para

and-the-benefits-of-bim> Acesso em 11 de fevereiro 2019.

pré-fabricação e detalhes de instalação. Informações não-gráficas

EASTMAN, Chuck et al. Manual de BIM: um guia de modelagem

também podem estar ligadas aos elementos do modelo;

da informação da construção para arquitetos, engenheiros, gerentes,

- ND 500: o elemento do modelo é uma representação de campo,

construtores e incorporadores. Bookman Editora, 2014.

verificada em termos de tamanho, forma, localização, quantidade e

GOVERVO DE SANTA CATARINA. Caderno de apresentação

orientação. Informações não-gráficas também podem estar ligadas

de projetos em BIM. Disponível em: < http://www.spg.sc.gov.

aos elementos do modelo.

br/visualizar-biblioteca/acoes/comite-de-obras-publicas/427caderno-de-projetos-bim/file >. Acesso em 11 de fevereiro 2019.

Por fim, vale ressaltar que ao conhecer as dimensões do BIM e os níveis de desenvolvimento dos modelos é possível explorar mais as ferramentas de projetos, mudanças de processos e todos os benefícios que essa tecnologia inovadora pode trazer para a indústria

KAMARDEEN, Imriyas. 8D BIM Modelling tool for accident prevention through design. Faculty of Build Environment, University of New South Wales, Australia, 2010.

da construção civil, em todo ciclo de vida do empreendimento. Por fim, vale ressaltar que ao conhecer as dimensões do BIM

*Francisco de Assis Araujo Gonçalves Jr. é especialista em produtos e

e os níveis de desenvolvimento dos modelos é possível explorar

serviços na AltoQi, graduado em Engenharia de Produção Elétrica pela

mais as ferramentas de projetos, mudanças de processos e todos os

Universidade Federal de Santa Catarina, pós-graduado em Instalações

benefícios que essa tecnologia inovadora pode trazer para a indústria

Elétricas e Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade

da construção civil, em todo ciclo de vida do empreendimento. Com

do Sul de Santa Catarina, MBA em plataforma BIM - Modelagem,

esse conhecimento podemos avançar nesses temas nos próximos

Planejamento e Orçamento pelo INBEC.

fascículos.

Referências bibliográficas CALVERT,N. 10 points and the benefits of bim. Synchro

Contínua na próxima edição Acompanhe todos os artigos deste fascículo em www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para redacao@atitudeeditorial.com.br


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Fascículo

Equipamentos para ensaios em campo

20

Por Fábio Henrique Dér Carrião*

Capítulo II Testes em campo de disjuntores

1 - Introdução

• Em casos de disjuntor a óleo, deve ser verificado o nível de óleo dos polos. Também deve ser levada em consideração

Os disjuntores, por serem os equipamentos que efetivamente

na verificação do nível a temperatura do equipamento. Em

realizam a abertura e fechamento dos circuitos, são os elementos

temperaturas mais baixas, o óleo poderá ficar abaixo da marca

básicos de proteção do sistema, juntamente com os relés,

de nível mínimo e com temperaturas muito altas poderá ficar

transformadores de corrente e de potencial e banco de baterias.

acima, o que normalmente não trará maiores consequências;

Esporadicamente, estes equipamentos são solicitados a interromper

• Deve ser verificada a densidade do gás nos polos em

correntes de curto circuito elevadas onde são envolvidos esforços

disjuntores a SF6;

térmicos e eletromagnéticos elevados. Devido a essas possíveis

• A verificação do sistema de proteção com injeção de corrente

condições operacionais devem ser previstos procedimentos de

nos transformadores de corrente para atuar a proteção e

manutenção cuidadosos com estes equipamentos. A frequência de

desligar o disjuntor deve ser realizada nas manutenções anuais

cada inspeção e/ou procedimento (periodicidade) depende de uma

do equipamentos. O tempo de atuação da proteção deve ser

série de fatores, tais como: tipo de instalação, número de operações,

comparado com os tempos previstos no estudo de seletividade

posição estratégica na instalação etc. No entanto, é recomendável se

do sistema;

proceder com uma inspeção a cada ano ao menos. Após a interrupção

• Simulação do bloqueio do religamento do disjuntor pela

de grandes correntes de curto circuito, recomenda-se medir a

atuação da proteção (anualmente);

resistência de contato antes da recolocação em serviço no mínimo.

• A inspeção visual visa verificar a existência de vazamentos

Somando-se a isso, deve-se sempre seguir as recomendações de

(gaxetas ressecadas, buchas rachadas);

cada fabricante com relação aos seus equipamentos.

• A lubrificação do mecanismo deve ser feita de acordo com as

Em caso de grandes períodos de in-operação, por falta de

recomendações do fabricante do disjuntor;

solicitação, é necessário que, ao menos a cada seis meses, sejam

• Verificação do sistema hidráulico e pneumático de aciona­

realizados testes de abertura e fechamento. Isso ajudará a manter as

mento;

partes em condições de operação.

• Verificação do relé de pressão de gás nos polos, com simulação do bloqueio de operação do disjuntor e sinalização pela atuação

2 - Manutenção preventiva: inspeções e ensaios

do relé.

2.1 - Inspeções periódicas

2.2 - Ensaios

Periodicamente, devem ser realizadas algumas inspeções no disjuntor:

Além das inspeções, também devem entrar no programa de manutenção do disjuntor testes e ensaios, sendo que os


21

Apoio

seguintes testes são os mais recomendados: • medição da resistência ôhmica dos contatos; • medição dos tempos de abertura e fechamento e verificação da simultaneidade dos contatos; • medição do fator de potência do isolamento; • medição da resistência ôhmica de isolamento das hastes de acionamento, câmaras e isoladores, contra a terra. A seguir são descritos os procedimentos adotados em cada ensaio.

Retirado de curso de ensaios elétricos de equipamentos e usinas - Lactec

a) Medição da resistência ôhmica dos contatos Os disjuntores possuem dois jogos de contato, o auxiliar e o principal, a rugosidade e a qualidade dos contatos é medida pela queda de tensão entre as superfícies. Existem valores normativos para os limites de queda de tensão a serem considerados para os

Para se avaliar os resultados deve ser feito o cálculo do valor da queda de tensão, já que os valores são medidos em ohms, e serem comparados com a tabela abaixo.

disjuntores de acordo com sua corrente nominal. Para se medir a resistência dos contatos do disjuntor em ohms tradicionalmente se utiliza um Microhmimetro (Ducter) com escala adequada. Na figura a seguir é mostrada a conexão padrão do equipamento de testes, nesse caso, o Microhmimetro ou Ducter.

Valores máximos de queda de tensão nos contatos


Apoio

Equipamentos para ensaios em campo

22

Outro critério importante a ser considerado é o valor de resistência informado pelo próprio fabricante do equipamento.

Para se avaliar os resultados, os tempos devem ser comparados com os dados pelo fabricante do disjuntor. De forma geral, não é recomendado que a discordância entre os polos seja maior do que

b) Medição dos tempos de operação – Oscilografia

10% do tempo total.

A medida dos tempos de abertura e fechamento dos contatos principais é importante, quando comparados aos tempos originais de fábrica, pois fornecem uma visão do estado das molas, juntas, ajustes do núcleo das bobinas, válvulas, lubrificação etc.

c) Medição do fator de potência do isolamento Os disjuntores são equipamentos compostos de diversos materiais isolantes, tais como óleo mineral, gás SF6, peças de fibra

O tempo de abertura é medido a partir do início da operação

de vidro impregnadas com resinas sintéticas, buchas de porcelana

de abertura e o instante da separação dos contatos. O tempo de

etc., com características dielétricas diferentes, porém, formando

fechamento é medido a partir do início da operação de fechamento

um conjunto único. A variação de cada isolante influencia

e o instante em que os contatos se tocam em todos os polos.

diretamente no resultado final do teste.

A simultaneidade de abertura e fechamento dos contatos é

Uma das formas de se avaliar o isolamento do disjuntor

indicada pela discordância nos polos, ou seja, a diferença de tempo

é proceder com o ensaio de fator de potência do isolamento,

entre o polo mais rápido e o mais lento tanto na abertura quanto no

normalmente aplicável a disjuntores a partir de 69 kV. A medição

fechamento.

do Fator de Potência do Isolamento dos disjuntores é realizada

Estes tempos podem ser representados graficamente conforme:

por equipamento especifico para este fim (Medidor de Fator de Potência). Para se realizar a medição antes deve ser realizada limpeza nas buchas com um pano seco ou com substâncias de limpeza não contaminantes deve-se também desconectar todos os cabos do disjuntor. As conexões podem ser realizadas conforme tabela abaixo. As partes medidas representam: • Ccs: Capacitância da Câmara Superior;

Retirado de curso de ensaios elétricos de equipamentos e usinas – Lactec

O método tradicionalmente aplicado para a medição desses tempos é o do registro oscilográfico em papel fotossensível ou

• Cci: Capacitância da Câmara Inferior; • Rcs: Resistência da Câmara Superior; • Rci: Resistência da Câmara Inferior; • Rh: Resistencia da Haste de Acionamento.

através de equipamentos digitais que realizam registros similares dos tempos.

Para se avaliar os resultados deve ser feita a correção dos

Na figura a seguir é mostrado um esquema resumido com a conexão padrão de um equipamento de testes para a realização da

valores obtidos para a temperatura de referência de 20oC pela fórmula:

oscilografia.

Fascículo

FPc = FPm x F

Onde: FPc = fator de potência corrigido FPm = fator de potência medido F = fator de correção, de acordo com a temperatura ambiente no Retirado de curso de ensaios elétricos de equipamentos e usinas - Lactec

local do teste

Conexões Ensaio de Fator de Potencia em Disjuntor


23

Apoio

A tabela de correção de acordo com a temperatura é mostrada

As partes medidas representam:

a seguir: • Rcs: Resistência da Câmara Superior • Rci: Resistência da Câmara Inferior • Rh: Resistencia da Haste de Acionamento Para se avaliar os resultados pode ser feita a correção dos valores obtidos para a temperatura de referência de 75oC pela fórmula: R75 = Rmed / 2a Onde: R75 = resistência ôhmica de isolamento corrigida para 75oC

Norma ABNT NBR IEC 60060 2013

Os valores devem ser comparados com os testes de fábrica do disjuntor ou, em caso da ausência dos mesmos, com histórico de medições anteriores realizadas no equipamento. Para disjuntores com este tipo de isolante, o valor do fator de potência é bastante alterado em caso de condições desfavoráveis no óleo. Para disjuntores a SF6 qualquer anormalidade encontrada deve ser atribuída a umidade interna, sujeira na superfície externa ou defeitos na porcelana ou suportes de fibra.

Rmed = resistência ôhmica de isolamento medida no ensaio a = 75 – t/10 t = temperatura ambiente no momento do ensaio Os resultados devem ser comparados com histórico do equipamento. De forma geral, valores acima de 2000 MΩ podem ser considerados aceitáveis. e) Outros testes de verificações

d) Medição da resistência ôhmica do isolamento A medição da resistência ôhmica do isolamento dos disjuntores é realizada através do uso de um Megôhmetro e também tem como finalidade avaliar o estado do isolamento do equipamento. A desconexão dos cabos do disjuntor e a limpeza externa do mesmo também deve ser realizada antes da realização deste teste. A tensão de ensaio pode ser verificada a seguir:

No plano de manutenção do disjuntor também podem constar outros testes e verificações: • teste tensão aplicada (Hipot); • testes específicos para disjuntores a vácuo; • medição da rigidez dielétrica do óleo; • substituição do óleo isolante e das vedações em disjuntores de média tensão; • medição da resistência dinâmica de contato. Fontes Manutenção Industrial 2a Edição – Angel Vázquez Moran Electrical Power Equipment Maintenance and Testing Second Edition –

Tensão de ensaio para disjuntores

As conexões podem ser realizadas conforme tabela a seguir.

Paul Gill

Conexões ensaio de resistência de isolamento em disjuntor

*Fábio Henrique Dér Carrião é engenheiro de Energia e Automação Elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Profissional com 13 anos de experiência no setor, sendo responsável pela gestão de equipes de engenharia, comissionamento e montagem em projetos de subestações de alta, média e baixa tensão. Atuando em indústrias de diversos segmentos, usinas de geração e concessionárias de energia. Contínua na próxima edição Acompanhe todos os artigos deste fascículo em www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para redacao@atitudeeditorial.com.br


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Linhas elétricas para baixa tensão

24

Por Paulo E. Q. M. Barreto*

Capítulo II Terminologia (II)

Conector Dispositivo eletromecânico que faz ligação elétrica de condutores, entre si e/ou a uma parte condutora de um equipamento, transmitindo ou não força mecânica e conduzindo corrente elétrica.

Conjunto de manobra e comando

trifásico, bifásico e fase-terra, no mínimo, em todos os quadros de distribuição. O símbolo utilizado para expressar essa grandeza é (IK).

Corrente de projeto Corrente prevista para ser transportada por um circuito

Combinação de um ou mais dispositivos e equipamentos de

durante seu funcionamento normal. Corrente esta que deve

manobra, comando, medição, sinalização, proteção, regulação, em

ser calculada em todos os circuitos elétricos de uma instalação,

baixa tensão, completamente montados, com todas as interconexões

levando-se em conta a potência instalada, fator de demanda, fator

internas elétricas e mecânicas e partes estruturais (ver também

de diversidade, fator de potência e a presença de componentes

quadros de distribuição).

harmônicas. É por meio desta corrente que se determinam os condutores do circuito, o correspondente dispositivo de proteção

Corrente (elétrica) Grandeza escalar igual ao fluxo do vetor densidade de corrente

Fascículo

(de condução), através da superfície considerada. Sua unidade de medida é o ampère (A) e seu símbolo é (I). Não se deve utilizar o termo amperagem.

e a queda de tensão. O símbolo utilizado para expressar essa grandeza é (IB).

Corrente de sobrecarga Sobrecorrente em um circuito, sem que haja falta elétrica. (para definição de sobrecorrente, ver próxima edição).

Corrente de curto-circuito É uma sobrecorrente resultante de um curto-circuito. (para definição de sobrecorrente, ver próxima edição).

Corrente para terra É o total das correntes de fuga e das correntes capacitivas entre um condutor e a terra.

Corrente de curto-circuito presumida Valor da corrente de curto-circuito calculada em projeto. É

Curto-circuito

fundamental para a determinação dos esforços eletrodinâmicos

Ligação intencional ou acidental entre dois ou mais pontos de

que surgirão quando da ocorrência de um curto-circuito e para

um circuito através de impedância desprezível. Por extensão, este

a especificação dos condutores e correspondente dispositivo

termo designa também o conjunto dos fenômenos que decorrem de

de proteção. Usualmente é informado no projeto o valor eficaz

um curto-circuito, entre dois ou mais pontos que se encontram sob

e simétrico desta corrente, calculada para os curtos-circuitos

diferença de potencial.


25

Apoio

Diagrama

extensão, de modo que os condutores só possam ser instalados

Representação gráfica de relações funcionais entre grandezas

e/ou retirados por puxamento e não por inserção lateral. Não

que intervêm no estudo de um sistema ou equipamento elétrico.

devem ser utilizados os termos conduite (que não existe na

Quando se está representando esquematicamente os componentes

terminologia oficial), nem tubo ou mangueira (utilizados na

e as ligações de um circuito de comando elétrico ou o unifilar de

hidráulica e na mecânica) para se referir ao eletroduto. Outro

um quadro de distribuição, por exemplo, não se deve usar o termo

erro grosseiro e irregular é designar eletrodutos metálicos por:

diagrama elétrico e, sim, esquema elétrico. Por outro lado, pode-se

leve, médio, semileve, leve 1, leve 2, entre outros apelidos, que

utilizar, por exemplo, a expressão diagrama de blocos do sistema de

apenas significam eletroduto “fora de norma”, conforme será

controle da subestação. Que será diferente do esquema unifilar do

explicado em outra edição desta série.

mesmo sistema de controle da subestação. Este é mais um exemplo de um termo largamente utilizado de forma equivocada. (ver a definição de esquema mais adiante).

Emenda (de condutores) Ligação de uma das extremidades de dois ou mais condutores. Também pode ser o acessório que possui a função de emendar

Elemento condutivo ou parte condutiva

dois ou mais cabos através da conexão de seus condutores, de

Elemento ou parte constituída de material condutor, pertencente

reconstituir o isolamento, dar continuidade às eventuais blindagens

ou não à instalação elétrica, mas que não é destinada normalmente

ou capas metálicas, proporcionar o controle do campo elétrico e dar

a conduzir corrente elétrica.

proteção contra agentes externos.

Eletrocalha

Escada (para cabos)

Elemento de linha elétrica fechada e aparente, constituído por uma base com cobertura desmontável, destinado a envolver por completo condutores elétricos providos de isolação, permitindo

Ver a definição de leito na próxima edição.

Espaço de construção

também a acomodação de certos equipamentos elétricos. A

Espaço existente na estrutura ou nos componentes de uma

eletrocalha, por possuir tampa, é considerada um conduto fechado,

edificação, acessível apenas em determinados pontos. É importante

fato este que influencia a escolha dos condutores possíveis de serem

salientar que um espaço de construção não é um conduto. No

instalados em seu interior (tipo e capacidade de condução de

interior do espaço de construção pode haver vários tipos de linhas

corrente), assim como no caso da bandeja. (ver também a definição

elétricas. Exemplos de espaço de construção: shaft, piso elevado,

de bandeja).

forro rebaixado.

Esquema Representação gráfica das partes componentes e das ligações de um sistema, instalação ou equipamento elétrico. Seguem-se ainda alguns termos derivados: - esquema multifilar: esquema elétrico no qual são representados separadamente todos os condutores de cada circuito; - esquema unifilar: esquema elétrico no qual os diversos condutores de cada circuito são representados como se fossem um único; - esquema simplificado: esquema unifilar no qual são representadas apenas as partes essenciais. Portanto, assim como indicado no termo diagrama, quando se está representando esquematicamente os componentes e as ligações de um circuito de comando elétrico ou o unifilar de um quadro

Eletroduto Elemento de linha elétrica fechada, de seção circular ou não, destinado a conter condutores elétricos providos de isolação, permitindo tanto a enfiação como a retirada destes. Os eletrodutos devem ser suficientemente fechados em toda a sua

de distribuição, por exemplo, não se deve usar o termo diagrama elétrico e, sim, esquema elétrico.

Falta para terra Falta devida à perda acidental e súbita de isolamento entre partes energizadas e a terra.


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Linhas elétricas para baixa tensão

26

Fator de potência Razão da potência ativa para a potência aparente.

Galeria (de uma instalação elétrica) Corredor cujas dimensões permitem que pessoas transitem

Deve-se ter o cuidado de não confundir fator de potência com

livremente por ele em toda a sua extensão, contendo estruturas

cos Ø. Eles terão o mesmo valor apenas quando a forma de onda

de suporte para os condutores e suas junções e/ou outros

da tensão e da corrente, consideradas, forem puramente senoidais

elementos de linhas elétricas.

(sem a presença de harmônicos). Nesse caso, pode-se dizer que, do conhecido triângulo de potências, o ângulo “Ø” considerado é aquele do vértice da potência ativa com a potência aparente.

Fator de demanda

Galvanização a fogo e galvanização eletrolítica Os termos galvanização a fogo (ou galvanizado a fogo) e galvanização eletrolítica (ou galvanizado eletroliticamente) são incorretos e vêm sendo utilizados há muito tempo. Não

Para efeitos dessa série de artigos, pode ser definido como sendo

faz sentido utilizar o termo “galvanização a fogo”, visto que tal

a razão entre a potência de alimentação, ou da parte considerada da

designação poderia sugerir um processo de “corrente galvânica

instalação, e a respectiva potência instalada.

pelo fogo”!! Ou ainda, que alguma coisa seria aplicada no

Fator de diversidade

eletroduto, por meio do fogo!! Na verdade, esse tipo de processo de proteção de superfícies é feito colocando a peça

Razão da soma das demandas máximas individuais de um

(no caso o eletroduto) em uma sequência de banhos químicos

conjunto de equipamentos ou instalações elétricas, para a demanda

(alguns deles com temperatura elevada). Portanto, o correto é

simultânea máxima, ocorridas no mesmo intervalo de tempo

mencionar que o revestimento (ou tratamento superficial) é

especificado.

feito por “imersão a quente”. Se for utilizado o zinco, pode-se

Fator de simultaneidade

dizer zincado a quente, ou deposição de zinco por imersão a quente (não confundir com eletrodeposição).

Razão da demanda simultânea máxima de um conjunto de

Por outro lado, o termo “galvanização eletrolítica” sugere

equipamentos ou instalações elétricas, para a soma das demandas

uma redundância: corrente galvânica e eletrólise! Como esse

máximas individuais, ocorridas no mesmo intervalo de tempo

tipo de processo é feito por eletrodeposição de íons na superfície

especificado. Como se vê, ele é o inverso do fator de diversidade.

de um produto, por meio de corrente galvânica, pode-se utilizar, por exemplo, no caso de deposição de zinco (mais

Fio

utilizado), as expressões: deposição de zinco por galvanização, Produto metálico maciço e flexível, de seção transversal

invariável e de comprimento muito maior do que a maior dimensão

eletrodeposição de zinco, ou zincagem eletrolítica (ou ainda zincado eletroliticamente).

transversal. Na tecnologia elétrica, os fios são geralmente utilizados

Além do conhecimento correto desses termos é importante

como condutores elétricos, por si mesmos ou como componentes

conhecer a aplicação de cada um desses tratamentos superficiais

de cabos. Os seguintes termos derivados também são utilizados:

para a correta especificação do elemento de linha elétrica (eletroduto, eletrocalha, bandeja, suportes, abraçadeiras, caixas

- fio coberto: fio com ou sem revestimento, dotado de cobertura;

etc.).

Fascículo

- fio isolado: fio com ou sem revestimento, dotado de isolação; - fio nu: fio sem revestimento, isolação ou cobertura;

*Paulo E. Q. M. Barreto é engenheiro eletricista, pós-graduado

- fio revestido: fio dotado de revestimento. Essa definição pode

em Eletrotécnica. Tem experiência nas áreas de ensino, projeto,

ser particularizada de acordo com o metal de revestimento: fio

execução, manutenção, inspeção e perícia de instalações elétricas.

estanhado, fio cadmiado, fio cobreado, fio prateado, fio zincado etc.

É membro da Comissão que revisa a Norma ABNT NBR 5410 desde 1982. Professor em cursos de pós-graduação. Coordenador da Divisão de Instalações Elétricas do Instituto de Engenharia. Ex-Conselheiro do CREA-SP e da ABEE-SP. Inspetor da 1ª certificação de uma instalação elétrica no Brasil, no âmbito do INMETRO, em 2001. Consultor e diretor da Barreto Engenharia. www.barreto.eng.br Contínua na próxima edição Acompanhe todos os artigos deste fascículo em www.osetoreletrico.com.br Dúvidas, sugestões e outros comentários podem ser encaminhados para redacao@atitudeeditorial.com.br


Renováveis Apoio

ENERGIAS COMPLEMENTARES

Ano 3 - Edição 32 / Fevereiro de 2019

FASCÍCULO

O projeto do sistema fotovoltaico conectado à rede NOTÍCIAS DE MERCADO COLUNA EÓLICA: O balanço dos ventos em 2018 COLUNA SOLAR: Revisão da REN 482/2012: proposta da ANEEL precisa melhorar APOIO

27


Apoio

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Fascículo

Renováveis

Por Hans Rauschmayer*

O projeto do sistema fotovoltaico conectado à rede


Apoio

29

1 - Introdução

No mês passado apresentamos as diferentes formas de aproveitamento da energia solar.

Delas, selecionamos a geração distribuída com sistemas fotovoltaicos conectados à rede (SFCR) como tema dos fascículos e explicamos como este tipo de sistema é conectado numa rede predial e como ele se comporta ao longo do dia. Neste mês abordaremos as etapas da elaboração de um projeto desta modalidade. 2 - As etapas do projeto

Figura 1: As etapas da elaboração do projeto fotovoltaico

A figura 1 apresenta as etapas de um projeto fotovoltaico conectado à rede. Em primeiro lugar,

percebemos três áreas de atuação: 1 - a fase da análise das informações; 2 - a fase do projeto técnico; 3 - a fase do cálculo do retorno energético e financeiro. As etapas serão descritas em seguida, seguindo a numeração do gráfico. (1) Análise do consumo e dimensionamento do sistema

No Brasil, a regulamentação da geração distribuída foi publicada pela Aneel na REN

482/2012. Ela impõe o conceito chamado de Net-Metering: o usuário é permitido a compensar seu consumo, mas ele não poderá vender energia.

Queremos, nesta etapa, estabelecer a meta do futuro sistema solar. Usamos o consumo dos

últimos 12 meses, eventualmente corrigido por previsões sobre aumento ou redução no futuro. Aliás, a implantação de medidas de eficiência energética antes ou em paralelo à instalação do sistema solar aumenta drasticamente o retorno financeiro do conjunto.

Para obter a estimativa correta é imprescindível conhecer a tarifação do cliente:

• de consumidores classe B, que recebem energia em baixa tensão, é cobrada uma taxa mínima


Apoio

Fascículo

30

Renováveis

mensal (custo de disponibilidade);

recebem no máximo 50% da radiação que incide sobre as coberturas.

• as contas de clientes classe A separam a demanda contratada do

Tais projetos dificilmente se pagam pelo retorno energético, mas podem

consumo e são calculadas em tarifas horo-sazonais. Dependendo do

ser bastante interessantes pelo foco arquitetônico ou de marketing

negócio, o cliente ainda pode compensar impostos aplicados na tarifa, o

verde, que ainda geram alguma energia.

que reduz drasticamente a viabilidade do projeto;

• a potência da ligação do cliente à rede da concessionária limita a

sistema solar com classificação conforme a qualidade da captação da

potência do sistema solar.

energia solar.

(3) Projeto físico

Uma vez estabelecida a meta de geração, usamos os dados

O resultado desta etapa é a demarcação de áreas utilizáveis para o

climáticos do local para estipular a potência do sistema que, supostamente, será necessário para obter tal geração.

O dimensionamento será abordado em detalhe num dos fascículos

finais, pois requer o entendimento da tecnologia fotovoltaica. Se quiser se antecipar, então procure o assunto na coletânea de palestras no nosso site www.solarize.com.br. (2) Análise das áreas disponíveis

Figura 3: Cobertura com distribuição dos módulos.

Chegou a hora de distribuir módulos fotovoltaicos na área

disponível com objetivo de tentar alcançar a potência estipulada durante a primeira etapa. A figura 3 apresenta a distribuição de módulos na área classificada com A da etapa anterior, na residência do autor.

O tipo de módulo é escolhido conforme os seguintes critérios:

• há, basicamente, dois formatos de módulos no mercado, com Figura 2: Classificação de áreas da cobertura de uma residência.

Na segunda etapa procuramos áreas adequadas para gerar energia

dimensões de aproximadamente 1,00m x 1,65m ou 1,00m x 2,00m. Ambos podem ser montados na posição retrato ou paisagem; • o desenho técnico mostra qual formato e qual posição melhor se

solar no terreno do cliente, geralmente parte da cobertura ou do terreno.

encaixa na área disponível;

• a eficiência do módulo se traduz na quantidade de área ocupada.

A procura pelas áreas disponíveis costuma começar com estudo

de imagens de satélite. Ferramentas como Google Earth permitem

Portanto, é um critério mais importante em casos de área insuficiente;

tomar as dimensões de forma aproximada e ajudam a ver obstáculos

• somente em casos muito específicos misturam-se diferentes

na superfície e ao redor. Posteriormente será necessário visitar o local e

modelos na mesma instalação.

efetuar medições exatas.

A melhor captação da energia solar se faz quando os módulos são

A fixação dos módulos na cobertura requer um cuidado adicional,

orientados em direção ao equador, portanto ao norte na maior parte do

porque traz riscos estruturais e/ou de infiltração, com possíveis danos

Brasil. Por isso, escolhemos primeiramente a face norte de um telhado e,

de alto valor. Geralmente, as soluções desenvolvidas prontas pela

em seguida, as faces leste e/ou oeste.

indústria são muito práticas e permitem um trabalho eficiente.

Analisamos sombreamento pela própria edificação, por prédios

Esta etapa requer um cuidado adicional em relação à estética

vizinhos, por árvores ou morros e classificamos as áreas conforme sua

do conjunto. O cliente pode, inclusive, optar por uma solução

qualidade, como mostrado na figura 2.

tecnicamente inferior.

Qual é a área necessária? Cada kW de potência, estipulada na

primeira etapa, necessita aproximadamente 6 m² em módulos.

(4) Projeto fotovoltaico

Há acréscimos para compensar má distribuição dos painéis,

sombreamento, desvios da orientação ideal, e instalação em laje ou

fascículos. Escolhemos um ou mais inversores que funcionem bem

terreno (por causa dos corredores entre as fileiras).

com os módulos escolhidos na situação encontrada.

Outras opções, mais complexas, seriam ainda um estacionamento

Esta etapa é o coração do projeto e será detalhada nos próximos

A configuração deve preencher critérios de:

solar, que requer um projeto físico detalhado em paralelo ao estudo

• relação da potência entre arranjo fotovoltaico e inversores;

solar, e fachadas. No nosso País, cruzado pelo equador, as fachadas

• compatibilidade das grandezas elétricas nas diferentes condições


Apoio

31

climáticas do local da instalação;

A escolha do local para instalação do inversor é outra questão estética,

• configuração da ligação série-paralelo conforme sombreamento

portanto é um assunto a ser estabelecido com o cliente.

encontrado; • compatibilidade com a rede elétrica que recebe a energia.

(5) Projeto elétrico

Figura 4: O diagrama unifilar de um projeto fotovoltaico.


Apoio

Fascículo

32

O projeto elétrico é formado por duas partes: o lado em

Renováveis se percam efeitos de dias ensolarados, parcialmente nublados

corrente contínua, entre o arranjo fotovoltaico e o(s) inversore(s),

ou chuvosos. Dados gerados em intervalos de minuto (softwares

e a ligação do inversor à rede predial, em corrente alternada.

como PVSYST ou PV*SOL oferecem esta função) conseguem até

Ambas partes incluem:

simular a passagem de nuvens e situações de sombreamento mais complexos.

• a definição dos dispositivos de proteção e seccionamento;

Haverá outro fascículo sobre softwares fotovoltaicos.

• a definição dos cabos e da condução física deles pela edificação; • o aterramento com ligação equipotencial e interligação,

(7) Retorno financeiro

se necessária, com o sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA).

Como o inversor injeta energia na rede da concessionária,

é necessário respeitar a Norma dela e solicitar a aprovação do projeto. (6) Geração de energia

Figura 6: Gráfico de fluxo de caixa

Para se chegar ao retorno financeiro, deve-se simular a conta de

energia do cliente a partir do resultado da etapa anterior, da energia gerada a cada mês. Aqui entram vários parâmetros, como faixa de Figura 5: Gráfico da geração de energia com consumo no software PV*SOL.

ICMS aplicada na tarifa, taxa mínima e contabilidade de créditos entre meses.

Do lado do custo, são contabilizados o equipamento instalado,

a mão de obra, custos bancários em caso de financiamento e a

A energia gerada representa o benefício do sistema solar para

previsão de operação e manutenção (O & M).

o cliente. Ela pode ser estimada por uma simulação que usa os

seguintes dados de entrada:

caixa, de onde os seguintes indicadores são extraídos:

• os dados climáticos do local da instalação;

• o prazo de retorno simples, quando os benefícios superam os

• o sombreamento a partir de uma modelagem 3D do projeto físico,

investimentos;

dos obstáculos e da posição do sol ao longo do ano;

• o prazo de retorno descontado, que informa quando o

• a geração de cada módulo e considerando o sombreamento

investimento no sistema solar chega a render mais do que um

individual;

investimento de comparação (ex. CDB);

• a interligação dos módulos com os devidos efeitos elétricos;

• a Taxa Interna de Retorno (TIR) que informa os juros que o sistema

• a conversão da energia gerada pelo inversor a cada instante,

solar paga sobre o investimento;

conforme curva de eficiência dele;

• o custo da energia ao longo da vida do projeto, um comparativo

• as perdas dentro da instalação elétrica.

com a tarifa paga à concessionária (LCOE = levelized cost of

Benefício e custo são organizados em uma tabela de fluxo de

Energy).

A resolução dos dados climáticos merece atenção especial,

Empresas eletro intensivas sofrem com oscilações nas tarifas e

já que a oscilação dos parâmetros climáticos se propaga em todo

priorizam a proteção contra aumentos da tarifa: uma vez instalado

o sistema fotovoltaico. Dados em intervalos horários (formato

o sistema solar, o custo desta energia é conhecido e reduz o risco

TMY = typical meteorológical year) são necessárias para que não

tarifário.


Apoio

33

sem visita no local. Na medida em que a negociação avança são definidos os detalhes.

Nestas interações, softwares profissionais mostram seu valor:

a integração com mapas de satélites permite estudar uma maquete com poucos cliques, inserir módulos e configurar inversores. Onde o detalhamento do projeto pode ser postergado, são aplicados valores padrão. Modificações ocorrem de forma pontual e as simulações apresentam os resultados de forma imediata. Figura 7: Modelagem 3D no software PV*SOL premium

3 - Previsão

fotovoltaico, começando com módulos e inversores. As questões

Elaboramos o projeto, desde a primeira etapa, partindo de

certas premissas: estipulamos a potência ideal conforme as condições climáticas e a aumentamos em decorrência de defeitos

Os próximos fascículos explanarão o projeto técnico do sistema

legais ficarão para o final de 2019, quando uma nova revisão normativa está prevista para ser publicada.

da área disponível. Depois da simulação do projeto completo, precisamos agora comparar o resultado com a meta estabelecida e

*Hans Rauschmayer é sócio-gerente da Solarize Treinamentos

ajustar todos os parâmetros para melhorar o resultado.

Profissionais Ltda., onde montou a abrangente grade de capacitação

[visite www.solarize. com.br]. Reconhecido especialista em energia

Aspectos estéticos ou a disposição financeira do cliente podem

também exigir modificações do projeto.

solar, já foi convidado para ensinar e palestrar em universidades,

instituições, congressos nacionais e internacionais e vários programas

É comum elaborar o projeto fotovoltaico de forma evolutiva: a

primeira proposta é emitida com premissas simplificadas, ainda

de TV.


34

Notícias

renováveis

Elektsolar ultrapassa 4MW em projetos de energia fotovoltaica no Brasil

A Elektsolar, empresa de

com o objetivo de transmitir o

engenharia que atua com projetos

conhecimento sobre a energia

e educação na área de energia

solar fotovoltaica”, diz Siqueira

solar no Brasil, fechou o ano de

Neto, CEO da Elektsolar.

2018 com a participação em

mais de 60 empreendimentos

cinco módulos de cursos –

de geração fotovoltaica no País,

fundamentos e aplicações,

ultrapassando a marca de 4MW

vendas, instalação, projetos e

instalados e em operação. A

usinas, conseguimos apresentar

estrutura de treinamentos da

de forma sólida e detalhada

empresa é hoje a maior do País,

grande parte do conhecimento

instalações mal projetas e mal

módulos, inversores e painéis

com 20 centros de estudos

relevante para a aplicação da

realizadas, de forma geral, temos

elétricos, testes de performance,

espalhados nas principais

tecnologia fotovoltaica”, informa.

percebido uma evolução da

eficiência de inversores e

cidades e mais de 3,5 mil pessoas

capacidade técnica das empresas

análise de curvas I x V, além da

treinadas.

impulsionaram os negócios

ao longo dos anos”, aponta

análise dos respectivos dados

da Elektsolar foi o maior

Siqueira.

e da emissão de relatórios.

portanto, fomentar o mercado

amadurecimento das empresas

“Também realizamos consultorias

de geração de energia solar

que atuam com energia

prestados pela Elektsolar,

em viabilidade técnica,

fotovoltaica por meio da criação

fotovoltaica no Brasil. “Sabemos

destacam-se os relacionados

econômico-financeira, análise

de conhecimento e da execução

isso, pois a Elektsolar foi uma das

a pós-comissionamento de

de sombreamento, cálculos de

de projetos de alto valor agregado.

primeiras empresas no Brasil a

sistemas fotovoltaicos conforme

geração e de Performance Ratio

“Nosso negócio é a realização de

ministrar treinamentos na área

a ABNT NBR 16274:2014,

(utilizando softwares) e projetos

cursos, treinamentos, workshops,

fotovoltaica. Por mais que às

que consistem na realização

de usinas acima de 1MW”, conclui

palestras e eventos, sempre

vezes ocorram problemas com

de testes como termografia de

o executivo.

A missão da Elektsolar é,

“Por meio de nossos

Um dos fatores que

Dentre os principais serviços

Sunew anuncia a maior instalação de energia solar de próxima geração do mundo industrial sustentável, se

Tais características tornam

cada vez maiores, confirmando

produção de Filmes Fotovoltaicos

diferencia do tradicional com o

sua aplicação mais simples e

nossa visão de transformar o

Orgânicos (OPV), fará a maior

objetivo principal de demonstrar

versátil em relação às tecnologias

segmento com soluções cada

instalação de energia solar de

o renomado espírito de inovação

anteriores de geração solar.

vez mais integradas em nossas

próxima geração do mundo. A

e sustentabilidade da Natura

vidas, nossas cidades e nossas

empresa aplicará filmes orgânicos

- multinacional no ramo de

aliar a tecnologia solar mais limpa

edificações. O OPV representa

e impressos, considerados

cosméticos presente em mais de

do mundo com design, inovação

uma solução energética e ao

uma grande tendência na

70 países.

e o máximo de sustentabilidade

mesmo tempo mais humanizada.

integração entre arquitetura,

possível. Até então, uma

Ter a Natura como cliente nos

sustentabilidade e energia, no

Sunew, chamados OPV Slim,

instalação localizada em La

faz muito felizes, sobretudo

Núcleo de Aprendizado Natura

serão aplicados em uma área de

Rochelle, na França, liderava o

pelo o que a empresa representa

(NAN), localizado em Cajamar

2.020 m² no telhado do Núcleo

ranking das instalações desse tipo

em termos de responsabilidade

(SP).

de Aprendizado Natura. Se trata

no mundo, com 500 m².

social, inovação e preocupação

de um material orgânico, leve,

com o meio ambiente.", avalia

semitransparente e flexível.

com instalações comerciais

A Sunew, líder mundial na

O prédio do NAN é uma

referência de arquitetura

Os filmes fotovoltaicos da

Nesse projeto, a Natura busca

"A Sunew tem acelerado

Tiago Alves, CEO da Sunew.


Notícias

renováveis

Renovigi cresce 14% em 2018 na distribuição de equipamentos A Renovigi Energia Solar cresceu

observamos que no último ano

14% em 2018 na distribuição

a nossa consolidação deve-se

de equipamentos, confirmando

também ao fato de termos

a premiação dada pela Revista

conquistado novos espaços

Exame e Deloitte como a empresa

de mercado. Entregamos uma

de porte médio que mais cresce

solução completa aos nossos

no Brasil. A marca finalizou

credenciados, e estamos sempre

o ano passado, atendendo

muito próximos aos clientes,

a 35,9% das empresas que

oferecendo toda a assistência de

revendem equipamentos

pós-venda necessária. Até final

fotovoltaicos no País, segundo

de 2017 tínhamos cerca de 60

dados apresentados no último

mil painéis solares instaladas em

levantamento feito pela

todo o território nacional, hoje

percebendo, dia após dia, as

empresas instaladoras, quanto

Greener, empresa de pesquisa

já ultrapassamos 220 mil. Se

vantagens de produzir a sua

por parte do consumidor final.

e consultoria especializada no

considerarmos o consumo médio

própria energia a partir de uma

Mostra que o nosso trabalho de

setor, publicado no mês de janeiro

no Brasil, isso significa energia

fonte gratuita e disponível a

conscientização está dando certo.

deste ano.

para mais de 50 mil residências",

todos, que é o sol. Estes números

É preciso enxergar a geração de

comemora Alcione Belache.

que demonstram o aumento

energia fotovoltaica como um

da procura, tanto por parte das

investimento”, finaliza Alcione.

“O segmento como um

todo está crescendo, porém

“As pessoas estão

35


Energia solar fotovoltaica

36

Ronaldo Koloszuk é presidente do Conselho da ABSOLAR.

Rodrigo Sauaia é presidente executivo da ABSOLAR.

Barbara Rubim – CEO da Bright Strategies

Revisão da REN 482/2012: proposta da ANEEL precisa melhorar há alterações frente ao modelo atual –

de forma gradual e previsível. Dessa

ainda deixou de fora de sua avaliação

tratamos do tema da revisão pela

ou seja, mantém-se o sistema vigente,

forma, ainda que a nova resolução

uma série de atributos relevantes

qual passa a Resolução Normativa

considerado como uma relevante

venha a ser publicada ao final de

que são entregues pela geração

482, promulgada em abril de 2012

referência pelo setor solar fotovoltaico

2019, as alterações ao mecanismo

distribuída à sociedade – incluindo,

pela Agência Nacional de Energia

e por reguladores de diversos países.

de compensação não aconteceriam

por exemplo: a geração de empregos

Elétrica (ANEEL). À época, o processo

de forma imediata – seriam ativadas

locais de qualidade que chegam até

estava ainda em sua primeira etapa

alternativas, perde-se uma

quando gatilhos específicos, medidos

a pequenas cidades interioranas e

– a de consulta pública – e pouco se

combinação de componentes

em potência acumulada, fossem

áreas longínquas de baixo IDH do País,

sabia sobre as propostas que seriam

tarifários na compensação, reduzindo

atingidos. Para a geração junto à carga,

a ativação da economia nacional,

efetivamente apresentadas pela

a competitividade da geração própria.

o gatilho inicialmente proposto seria

regional e local, o empoderamento do

ANEEL para uma discussão mais

Assim, enquanto na Alternativa 1

de 3,36 GW. Já para a remota, dois

consumidor e do cidadão, a redução

aprofundada junto à sociedade.

deixaria de ser compensada a parcela

gatilhos foram sugeridos: o primeiro,

de impactos ambientais e à saúde da

Em artigo anterior desta coluna,

Em cada uma das demais

referente à distribuição (“fio B”,

de 1,25 GW, acionaria a alteração da

população, entre outros.

revisão evoluiu e agora o setor e a

correspondente em média a 28%

compensação para a Alternativa 1;

sociedade precisam se preparar para

da tarifa dos consumidores), na

e o segundo, de 2,13 GW, acionaria

variáveis parecerem ser de difícil

discutir a chamada Análise de Impacto

Alternativa 5 somente a parcela da

uma mudança da Alternativa 1 para a

valoração em cifras, há diversas

Regulatório (AIR). Publicada no último

energia elétrica (equivalente a cerca

Alternativa 3;

metodologias que permitem a sua

dia 22 de janeiro, seu objetivo é o de

de 40% da tarifa) continuaria sendo

2 - haverá uma regra de transição

incorporação no debate, sendo a sua

propor uma metodologia e variáveis a

compensada pelo consumidor.

para estas alterações. Por meio

consideração é essencial, dada a

serem utilizadas nas análises feitas pela

dela, os sistemas de micro e

missão maior da ANEEL de promover

ANEEL, embasando suas propostas de

um primeiro afunilamento dessas

minigeração distribuída operacionais

o equilíbrio regulatório e setorial não

revisão do marco regulatório.

propostas pela ANEEL. Para a geração

até a publicação da nova resolução

pela ótica de agentes específicos, mas

De lá para cá, o processo de

Com a publicação da AIR, houve

Apesar de, muitas vezes, essas

junto à carga, propôs-se inicialmente

normativa da ANEEL continuarão

pela ótica e para o bem da sociedade

os detalhes da AIR, é importante

a adoção da Alternativa 1. Já para a

tendo seus créditos de energia elétrica

brasileira como um todo.

relembrar que o principal ponto sendo

geração remota, a proposta é de uma

compensados conforme o modelo

analisado é a possível alteração da

transição para a Alternativa 1 e depois

atual, por um período de 25 anos,

em curso, a ABSOLAR tem trabalhado

forma como ocorre a compensação

para a Alternativa 3 – na qual não

estando posteriormente sujeitos à

intensamente com seus associados

dos créditos de energia elétrica. Ou

haveria a compensação das parcelas

nova regra. Já aqueles conectados

na elaboração de recomendações

seja, quantos dos seis componentes

da distribuição, da transmissão (“fio

entre a publicação da regra atualizada

construtivas e tecnicamente robustas

tarifários cada kWh produzido pelo

A”) e de parte dos encargos tarifários

e o acionamento do primeiro gatilho,

à ANEEL, em alinhamento com as

cidadão a partir de seu sistema de

– juntos, estes três elementos

compensariam créditos pelo modelo

melhores práticas internacionais

micro ou minigeração distribuída

correspondem a cerca de 40% do valor

atual por um período de 10 anos.

aplicadas ao setor solar fotovoltaico

e injetado na rede elétrica serão

pago pelo consumidor por cada kWh

compensados do seu consumo.

consumido da rede.

ANEEL para chegar às propostas

mundo. Convidamos a todos para que

Antes de falarmos mais sobre

Nesse sentido, a ANEEL

Adicionalmente, é importante

Para contribuir com os debates

por países que seguem na vanguarda A análise preliminar feita pela

e liderança da geração distribuída no

apresentou, na primeira fase do

termos em mente sempre dois

aqui brevemente resumidas levou

se unam a estes esforços e nos ajudem

processo, seis possíveis cenários,

princípios apresentados pela Agência

em consideração parte dos custos e

a garantir a continuidade do processo

chamados de “Alternativas”, de

em suas propostas na AIR:

benefícios da geração distribuída ao

de democratização da geração

números “0” a “5”. Na Alternativa 0 não

1 - eventuais alterações acontecerão

setor elétrico. No entanto, a Agência

distribuída no Brasil.


Energia Eólica

37

Elbia Gannoum é presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

O balanço dos ventos em 2018

Dentro de pouco tempo, a

Em 2018 foram realizados

eólica passará a ser segunda

dois leilões de energia nova,

fonte da matriz elétrica

denominados A-4 e A-6. Ambos

brasileira, um feito realmente

os leilões contaram com a

histórico para uma fonte que se

participação da fonte eólica.

desenvolveu de maneira mais

No leilão A-4, realizado em 04

intensa há pouco menos de dez

de abril, foram viabilizados 4

anos. Quando começamos o

projetos (114,4 MW de potência

ano de 2011, tínhamos menos

e 33,4 MW médios de garantia

de 1 GW. Em 2012, estávamos

física contratada), que deverão

no 15º lugar no Ranking de

iniciar o fornecimento de

Capacidade Instalada do Global

energia elétrica a partir de 1º

Wind Energy Council. Agora,

de janeiro de 2022. Já o leilão

já estamos a caminho de

A-6, realizado em 31 de agosto,

completar 15 GW e ocupamos a

teve uma contratação mais

8ª posição no ranking.

expressiva e foram 48 projetos

renováveis. Embora os números

Brasil, gosto de reiterar um

eólicos (1.136,30 MW de

dessas operações não tenha

conceito muito importante:

com a marca de 14,71 GW

potência e 420,10 MW médios

sido divulgado por fontes,

nossa matriz elétrica tem a

de capacidade instalada

de garantia física contratada).

estimamos que, de uma forma

admirável qualidade de ser

de energia eólica, em 583

Neste certame, as usinas devem

geral, as empresas de energia

diversificada e assim deve

parques eólicos e mais de

iniciar a operação comercial a

eólica venderam cerca de 2

continuar. Cada fonte tem

7.000 aerogeradores em 12

partir de 1º de janeiro de 2024.

GW de capacidade instalada

seus méritos e precisamos

Estados. Se considerarmos a

Ao todo, foram contratados

para o mercado livre em 2018,

de todas, especialmente

geração eólica produzida de

1,25 GW de capacidade

o que demonstra que este

se considerarmos que a

janeiro a novembro de 2018,

instalada, em 48 parques[1],

mercado vem se expandindo

expansão da matriz deve se

que são os dados disponíveis

nos leilões regulados de 2018.

consideravelmente para o setor

dar majoritariamente por

até o momento, de 44,62 TWh,

eólico. Considerando, portanto,

fontes renováveis. Do lado da

temos que o parque gerador

também tivemos um bom ano

os contratos de leilão e a

energia eólica, o que podemos

instalado disponibilizou ao

no mercado livre, considerando

estimativa de venda no mercado

dizer é que a escolha de sua

sistema o equivalente ao

que foram realizados ao menos

livre, temos uma contratação

contratação faz sentido dos

consumo residencial médio

três grandes leilões promovidos

estimada de 3,2 GW em 2018.

pontos de vista técnico, social,

mensal de mais de 23 milhões

pela CEMIG (2 certames) e

ambiental e econômico, já que

de habitações, cerca de 70

Casa dos Ventos destinados à

de contratações e do

tem sido a mais competitiva

milhões de pessoas.

comercialização de energias

futuro da fonte eólica no

nos últimos leilões.

O Brasil terminou 2018

Vale mencionar, ainda, que

Sempre que falamos


38

Pesquisa - Equipamentos para atmosferas explosivas

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Mercado de equipamentos para Atmosferas Explosivas espera crescer 22% em 2019 Setor está otimista com a aceleração da economia brasileira, projetos de infraestrutura e o bom momento econômico do País


39

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Uma pesquisa da revista O Setor Elétrico (OSE) com cerca de 30 empresas do mercado

de equipamentos para Atmosferas Explosivas – “Ex” apontou que o segmento espera crescer 22% em 2019, quatro pontos percentuais a mais do que o crescimento alcançado na comparação entre 2017 e 2018. Já a previsão de crescimento do tamanho total do mercado de produtos para este setor é de 17%. Com isso, o acréscimo de funcionários esperado para 2019 é de 12%. Previsões de crescimento

Acréscimo ao quadro de funcionários da empresa

12% 17% 18%

Previsão de crescimento do tamanho total do mercado de produtos para atmosferas explosivas Crescimento da sua empresa em 2018 comparado ao ano anterior (2017)

22%

Previsão de crescimento percentual para sua empresa em 2019

Segundo a pesquisa da revista OSE, a aceleração da economia brasileira (23%), projetos

de infraestrutura (14%) e o bom momento econômico do País (13%) são fatores chaves para o crescimento do segmento neste ano. Para 7% das empresas participantes da pesquisa, o início ou aumento da exportação de produtos ou equipamentos elétricos ou mecânicos "Ex" e o incentivos por força de legislação ou normalização também são fundamentais para o estímulo do mercado. Fatores que influenciam o mercado de equipamentos para atmosferas explosivas

1%

Falta de confiança de investidores

4%

2%

Desvalorização da moeda brasileira

Maiores facilidades no Brasil de certificação internacional de equipamentos "Ex" 2%

4%

Outros 6%

Programas de incentivo do governo

Maiores facilidades no Brasil de ensaios de equipamentos "Ex"

13%

Bom momento econômico do país

2%

Normalização nacional "Ex" atualizada

1%

7%

Desaceleração da economia brasileira

Incentivos por força de legislação ou normalização 7%

Início ou aumento da exportação de produtos ou equipamentos elétri­ cos ou mecânicos "Ex"

23%

Aceleração da economia brasileira 5%

6%

Setor da construção civil aquecido

Mercado internacional aquecido 1%

Crise internacional

1% 14%

Projetos de insfraestrutura

Setor da construção civil desaquecido

Dentre os principais segmentos de atuação, o industrial lidera este mercado com 93%,

seguido pelo marítimo offshore (56%), comercial (26%) e público, 15%.


40

Pesquisa - Equipamentos para atmosferas explosivas

Principais segmentos de atuação

Público

15%

Comercial

26%

Marítimo (offshore)

56%

Industrial (terrestre)

93%

Quase o total do canal de venda (96%) é realizado pela venda direta ao cliente final.

Em seguida (48%), por revendas e varejistas, e (44%) por distribuidores e atacadistas. Telemarketing e Internet ficam empatados com 22%. Principais canais de vendas

22% 22%

Internet Telemarketing

44% 48%

Distribuidores / atacadistas Revendas / varejistas

96%

Venda direta ao cliente final

Os principais produtos comercializados pelo segmento (78%) são dispositivos ou

equipamentos para sistemas “Ex” de comando, controle, sinalização ou alarme. Na segunda posição estão caixas de terminais “Ex”, com 74%. Em seguida (59%) estão componentes certificados para equipamentos Ex "d" (sinaleiros, atuadores, botões de comando). Empatados com 56% estão luminárias fixas ou projetores "Ex", botoeiras “Ex” e painéis de distribuição "Ex" (segurança aumentada, pressurizados, à prova de explosão). Produtos mais comercializados

56% 56% 56% 59%

Painéis de distribuição "Ex" (segurança aumentada, pressurizados, à prova de explosão) Luminárias fixas ou projetores "Ex" Botoeiras "Ex" Componentes certificados para equipamentos Ex "d" (sinaleiros, atuadores, botões de comando) Caixas de terminais "Ex"

74% 78%

Produtos, dispositivos ou equipamentos para sistemas "Ex" de comando, controle, sinalização ou alarme)


Pesquisa - Equipamentos para atmosferas explosivas

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(11) 3933-7533

www.alpha-ex.com.br

São Paulo

SP

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BKNAV

(21) 4063-9100

www.bknav.com.br

Duque de Caxias

RJ

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BS&B Safety Systems

(11) 2084-4800

www.bsbbrasil.com

São Paulo

SP

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CONEX

(11) 2334-9393

www.conex.ind.br

São Bernardo do Campo

SP

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CONNECTWELL

(11) 5844-2010

www.connectwell.com.br

Taboão da Serra

SP

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Dialight do Brasil

(19) 3113-4300

www.dialight.com

Indaiatuba

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Eaton Crouse-Hinds Series

0800-003-2866

www.blinda.com.br

Porto Feliz

SP

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Finder Componentes

(11) 4223-1550

www.findernet.com

São Caetano do Sul

SP

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www.fortlight.com.br

Guarulhos

SP

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FORTLIGHT

(11) 2087-6000

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FT AUTOMAÇAO

(11) 3231-4333

www.ft.com.br

São Paulo

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Maccomevap

(21) 2688-1216

www.maccomevap.com.br

Itaguai

RJ

Maex Engenharia

(19) 3455-5266

www.maex.com.br

Santa Barbara D'Oeste

SP

MELFEX

(11) 4072-1933

www.melfex.com.br

Diadema

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Naville Iluminação

(11) 2431.4500

www.naville.com.br

Guarulhos

SP

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Polar Comp. e Sistemas Offshore (22) 2105-7777

www.polarb2b.com

Macaé

RJ

Poleoduto Ind. e Com.

www.poleoduto.com.br

Arujá

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(11) 2413-1200

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Renetec

(11) 4991-1999

www.renetec.com.br

Santo André

SP

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S.P.T.F.

(11) 2065-3820

www.sptf.com.br

São Paulo

SP

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Sense

(11) 2145-0400

www.sense.com.br

São Paulo

SP

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Sermatex Grün

(11) 3933-7100

www.sermatex.com.br

Mococa

SP

X

X

Telbra Ex

(11) 2946-4646

www.telbra.com.br

São Paulo

SP

X

Tramontina Eletrik S.A.

(54) 3461-8200

www.tramontina.com

Carlos Barbosa

RS

X

VEXTROM

(11) 3672-0506

www.vextrom.com.br

São Paulo

SP

Weidmuller Conexel

(11) 4366-9600

www.weidmueller.com.br

Diadema

SP

X

X

WETZEL S.A.

(47) 3451-4033

www.wetzel.com.br

Joinville

SC

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ALPHA EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS

Indústria de cosméticos

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Silos de grãos e fertilizantes

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Aeroportos

X

Naval

X

Indústria farmacêutica

X

Terminais de combustíveis

SP

Portuária

Barueri

Indústria alimentícia

X

www.adelco.com.br

Indústria química

X

(11) 4199-7500

Indústria petroquímica

SP

ADELCO

Plataformas de petróleo e FPSO

Estado

Boituva

Principal área de aplicação é

Refinarias de petróleo

Cidade

www.schmersal.com.br

Marítimo (offshore)

Site

(15) 3263-9800

Público

Telefone

ACE SCHMERSAL

Comercial

Representante comercial

Representante técnico

Empresa

Fabricante

Industrial (terrestre)

Principal segmento de atuação

A empresa é

Distribuidora

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Indústria sucroalcooleira

42

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Rádios de comunicação (“walkietalkies”) “Ex”

Caixas de terminais “Ex”

X

X

Botoeiras “Ex”

X

MCT “Ex”

Prensa-cabos “Ex”

Plugues e Tomadas “Ex”

Lanternas “Ex”

Luminárias manuais “Ex”

Luminárias fixas ou projetores “Ex”

Invólucros de painéis e estações de controle “Ex”

Componentes certificados para equipamentos Ex “de”

X

Componentes certificados para equipamentos Ex “d” (sinaleiros, atuadores, botões de comando)

Motores ou geradores elétricos “Ex” de alta tensão ( > 1,0 kV)

Motores ou geradores elétricos “Ex” de baixa tensão ( < 1,0 kV)

Barreiras de segurança intrínseca Ex “i”

Instrumentos “Ex” (sensores, atuadores, posicionadores, detectores, analisadores)

Painéis de distribuição “Ex” (segurança aumentada, pressurizados, à prova de explosão)

Produtos, dispositivos ou equipamentos para sistemas “Ex” de comando, controle, sinalização ou alarme

X

Oferece treinamento técnico para os clientes sobre instalação e especificação de produtos elétricos ou mecânicos “Ex”

X

Tem corpo técnico especializado para oferecer suporte ao cliente sobre produtos elétricos ou mecânicos “Ex”

Principal canal de vendas

Importa produtos “Ex” elétricos ou mecânicos acabados

Internet

Telemarketing

Exporta produtos “Ex” elétricos ou mecânicos acabados

Venda direta ao cliente final

X Possui programas na área de responsabilidade social

Revendas / varejistas

X Possui serviço de atendimento ao cliente por telefone ou Internet?

Distribuidores / atacadistas O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

43

Principais produtos elétricos ou mecânicos “Ex”


44

Pesquisa - Equipamentos para atmosferas explosivas

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Outros equipamentos ou componentes elétricos ou mecânicos “Ex”

Sistemas de CFTV ou Sistemas de intercomunicação industrial “Ex”

Detectores “Ex” para gases inflamáveis (portáteis ou fixos)

Aquecedores industriais “Ex” (traço elétrico resistivo ou trocadores de calor)

Equipamentos mecânicos “Ex” (bombas, ventiladores, redutores de velocidade, esteiras rolantes, elevadores, etc.)

Equipamentos digitais “Ex” para automação industrial (switches ópticos, IHM, roteadores de Wi-Fi, conversores eletro-ópticos, dispositivos de comunicação wireless, unidades terminais remotas ou dispositivos de I/O)

Instrumentos de medição e testes “Ex”

Tablets ou PDA “Ex”

Câmeras fotográficas “Ex”

Telefones celulares “Ex”

Principais produtos elétricos ou mecânicos “Ex”

Empresa

Telefone

Site

Cidade

ACE SCHMERSAL

(15) 3263-9800

www.schmersal.com.br

Boituva

SP

ADELCO

(11) 4199-7500

www.adelco.com.br

Barueri

SP

ALPHA EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS

(11) 3933-7533

www.alpha-ex.com.br

São Paulo

SP

BKNAV

(21) 4063-9100

www.bknav.com.br

Duque de Caxias

RJ

BS&B Safety Systems

(11) 2084-4800

www.bsbbrasil.com

São Paulo

SP

CONEX

(11) 2334-9393

www.conex.ind.br

São Bernardo do Campo

SP

CONNECTWELL

(11) 5844-2010

www.connectwell.com.br

Taboão da Serra

SP

Dialight do Brasil

(19) 3113-4300

www.dialight.com

Indaiatuba

SP

Eaton Crouse-Hinds Series

0800-003-2866

www.blinda.com.br

Porto Feliz

SP

Finder Componentes

(11) 4223-1550

www.findernet.com

São Caetano do Sul

SP

FORTLIGHT

(11) 2087-6000

www.fortlight.com.br

Guarulhos

SP

FT AUTOMAÇAO

(11) 3231-4333

www.ft.com.br

São Paulo

SP

Maccomevap

(21) 2688-1216

www.maccomevap.com.br

Itaguai

RJ

Maex Engenharia

(19) 3455-5266

www.maex.com.br

Santa Barbara D'Oeste

SP

MELFEX

(11) 4072-1933

www.melfex.com.br

Diadema

SP

Naville Iluminação

(11) 2431.4500

www.naville.com.br

Guarulhos

SP

Polar Comp. e Sistemas Offshore (22) 2105-7777

www.polarb2b.com

Macaé

RJ

Poleoduto Ind. e Com.

(11) 2413-1200

www.poleoduto.com.br

Arujá

SP

X

Renetec

(11) 4991-1999

www.renetec.com.br

Santo André

SP

X

S.P.T.F.

(11) 2065-3820

www.sptf.com.br

São Paulo

SP

X

Sense

(11) 2145-0400

www.sense.com.br

São Paulo

SP

Sermatex Grün

(11) 3933-7100

www.sermatex.com.br

Mococa

SP

Telbra Ex

(11) 2946-4646

www.telbra.com.br

São Paulo

SP

Tramontina Eletrik S.A.

(54) 3461-8200

www.tramontina.com

Carlos Barbosa

RS

VEXTROM

(11) 3672-0506

www.vextrom.com.br

São Paulo

SP

X

Weidmuller Conexel

(11) 4366-9600

www.weidmueller.com.br

Diadema

SP

X

WETZEL S.A.

(47) 3451-4033

www.wetzel.com.br

Joinville

SC

Estado

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X X

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X X X


Segurança aumentada (Ex “ec”) Segurança intrínseca (Ex “i”)

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Injeção em plástico (invólucros plásticos e componentes centelhantes “Ex” com invólucro plástico) Injeção de alumínio Usinagem metálica (aço inoxidável, alumínio, aço carbono, aço liga) Fundição de alumínio Fundição de aço (ferro fundido)

Tipos de proteção utilizados na fabricação de equipamentos elétricos ou mecânicos “Ex”

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Outras

Invólucros metálicos com tampas roscadas com entradas indiretas (Ex “de”)

Invólucros metálicos com tampas flangeadas aparafusadas com entradas indiretas (Ex “de”)

Invólucros metálicos com tampas roscadas com entradas diretas (Ex “d”)

Invólucros metálicos com tampas flangeadas aparafusadas com entradas diretas (Ex “d”)

Equipamentos mecânicos com imersão em líquido (Ex “k”)

Equipamentos mecânicos com controle de fontes de ignição (Ex “b”)

Equipamentos mecânicos com segurança construtiva (Ex “c”)

Proteção de equipamentos mecânicos (Ex “h”)

Imersão em areia (Ex “q”)

Imersão em óleo (Ex “o”)

X

Centelhante (Ex “n”)

Proteção por invólucro para poeiras combustíveis (Ex “t”)

Invólucros pressurizados (Ex “p”)

Proteção por radiação óptica (Ex “op”)

Segurança aumentada (Ex “eb”)

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

45

Técnicas de fabricação utilizadas na produção de equipamentos “Ex”

X

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X


46

Tec

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Por Marcia Antonio*

Caro(a) leitor(a), a partir deste mês publicaremos os trabalhos que obtiveram destaque durante realização do CINASE – Circuito Nacional do Setor Elétrico no ano passado.

"Cidade inteligente” e a iluminação As cidades se formam e se transformam através dos séculos buscando, a partir das suas

As cidades, ainda que diferentes entre

necessidades, se tornarem melhor habitadas,

si em suas múltiplas vertentes, buscam

organismo vivo, com personalidade própria, e

continuamente soluções para os seus

a organização urbana nas mais diversas áreas

problemas específicos, mitigando desequilíbrios estruturais que representem ameaças para a sua organização. Nesse processo resolutivo, a rápida urbanização tem provocado um

governadas e sustentadas. Uma cidade é um que desde o princípio teve dentre seus objetivos da atividade humana. Nesse espaço social, os indivíduos assumem suas características peculiares, mesmo que movidos por objetivos distintos, pois têm na cidade uma significativa forma de representação, produzindo uma identidade coletiva que busca, a partir de seus valores compartilhados, uma consciência coletiva e integrada. As

cidades,

ainda

que

diferentes

entre si em suas múltiplas vertentes,

descompasso entre a infraestrutura existente

buscam continuamente soluções para os

e a necessária para afetar positivamente suas

desequilíbrios estruturais que representem

áreas vitais como saúde, educação, segurança,

processo resolutivo, a rápida urbanização

transporte, meio ambiente.

seus

problemas

específicos,

mitigando

ameaças para a sua organização. Nesse tem provocado um descompasso entre a infraestrutura existente e a necessária para afetar positivamente suas áreas vitais como saúde, educação, segurança, transporte, meio ambiente.


Tec 47

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Na iluminação pública, a tendência mundial é que as cidades substituam as luminárias de descarga adotadas, por tecnologia mais eficiente – LED, que consomem menos energia, possuem vida longa, maior reprodução de cores, menor manutenção, maior respeito ao meio ambiente reduzindo o descarte e poluição com metais pesados.

É nesse ponto que ocorre a confluência da cidade com a

Estas perspectivas globais sobre a aglomeração urbana

tecnologia, duas correntes distintas que se juntam e convergem para

representam importantes desafios para a gestão pública que, sob

o objetivo inteligente de enfrentar os desafios atuais das cidades

pressão de efetividade no atendimento às demandas sociais, exigem

em um novo ecossistema, que ao fazer uso intensivo de tecnologia

novas abordagens no planejamento, projeto, financiamento,

da informação e da comunicação, muda a forma de interação

controle, execução e operação das cidades.

com o mundo e traz novas possibilidades de melhoria para as

De acordo com o Cities in Motion do IEEE Business School,

cidades. Este novo cenário inteligente torna possível mudanças

os parâmetros de inteligência de uma cidade são: governança,

fundamentais e rápidas na experiência de gestão e solução de

administração pública, planejamento urbano, tecnologia, meio

problemas, provendo transformação e a interação com um novo

ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano

ambiente, altamente conectado, que favorece o desenvolvimento

e economia.

integrado e sustentável, com maior envolvimento e satisfação de seus indivíduos. Projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que a população mundial crescerá em mais de 2 bilhões de pessoas nos próximos 40 anos. Mais de 65% da população mundial viverá nas cidades. O gráfico abaixo demonstra a evolução da população urbana no mundo.

Iniciativas têm sido realizadas no mundo para transformação de cidades convencionais em cidades inteligentes e a incorporação de aspectos relativos à melhoria da habitabilidade, governança, mobilidade,

segurança

e

sustentabilidade

pela

integração


Tec

48

tecnológica de diferentes áreas de atuação, como energia,

O Setor Elétrico / Janeiro de 2019

ponto de luz, da manutenção do parque, do prumo do poste etc.

agricultura, água, saneamento, habitação, iluminação, transporte,

Esta nova tecnologia será um agente otimizador e redutor de

educação, saúde, segurança, meio ambiente e acesso/intercâmbio

custos no consumo de energia, na manutenção da iluminação

de informações.

pública, na segurança publica, no fluxo e estacionamento de

Nas cidades, a iluminação dos espaços públicos tem um

veículos, no descarte de resíduos, na comunicação entre cidadão

papel fundamental na sensação de segurança, na mobilidade e

e agentes públicos/privados, na geração de métricas para negócios

na valorização do espaço urbano, atuando como instrumento de

e marketing através dos dados sobre a cidade etc. Este efeito rede

cidadania ao criar um ambiente convidativo para o uso dos espaços

de reunir pessoas, processos, dados e coisas, criará melhores

e para a atração de negócios e turismo.

resultados sociais, ambientais e econômicos nas empresas, nas

Na iluminação pública, a tendência mundial é que as cidades

comunidades, nas cidades.

substituam as luminárias de descarga adotadas, por tecnologia

Sobre a conectividade, há trinta anos havia apenas 1.000

mais eficiente – LED, que consomem menos energia, possuem

conexões à Internet em todo o mundo. Hoje, estima-se que haja

vida longa, maior reprodução de cores, menor manutenção, maior

cerca de 13 bilhões de conexões, e isso representa apenas 1% do

respeito ao meio ambiente reduzindo o descarte e poluição com

que seja possível. A oportunidade econômica para conectar “os

metais pesados.

desconectados” equivale a 19 trilhões de dólares, sendo 4,6 trilhões

Esta transição global é uma oportunidade muito maior do que

para o setor público, dois terços dos quais nas cidades.

uma simples substituição da tecnologia de iluminação: é a porta de entrada para que as cidades adotem uma plataforma comum, com uma série de soluções “inteligentes”. A iluminação pública, pela sua abrangência, modulação e posição estratégica, passa a ser um “ativo vivo” que pode prover para a cidade novas soluções. Neste conceito, a iluminação “inteligente”, conectada a um sistema de telegestão e à Internet das Coisas, funcionará como uma plataforma para uma série de tecnologias de gestão, de captação de imagens e sensoriamento que coletam dados sobre o status/material/localização exata do ponto de luz, movimento de tráfego e de pessoas, segurança pública, estacionamento, qualidade do ar, clima, poluição sonora, índice pluviométrico, condições da via, eventuais sinistros (abalroamento, atropelamentos etc.), com possibilidade de linkar polícia/bombeiro/hospital, controle do

Há de se refletir sobre as questões ligadas ao fenômeno da

tráfego em tempo real revisando os tempos dos sinais e muitas

urbanização – seus desafios e oportunidades. O conceito “Smart

outras coisas.

City” baseado na TIC, se bem aplicada, viabiliza que a iniciativa

Uma vez conectados a uma rede, é possível saber o que está

privada, governos, universidades e entidades não governamentais

acontecendo na cidade, fornecendo soluções inovadoras em varias

possam obter solução para toda a problemática advinda da intensa

áreas, podendo por exemplo definir remotamente a intensidade

urbanização global, oferecendo uma melhor qualidade de vida ao

luminosa da via e gerar relatórios sobre a economia, o status do

usuário da cidade, garantindo segurança, rapidez e privacidade às informações coletadas. *Márcia Antonio é engenheira eletricista, graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mestrado e doutorado com o tema: O impacto da iluminação/iluminante (sódio/metálico e LED) sobre a construção da imagem no cérebro. Atua como assessora técnica nas áreas de meio ambiente - iluminação adequada a áreas de proteção ambiental de forma a preservar a flora e fauna, projetos de iluminação em geral, avaliação de fabricantes e produtos para iluminação.


O Setor ElĂŠtrico / Janeiro de 2019

Tec 49


Destaque Prêmio OSE

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Por Felipe Pais*

50

Caro(a) leitor(a), a partir deste mês publicaremos os trabalhos que obtiveram destaque no Prêmio OSE, idealizado ano passado e entregue durante o Cinase.

Projeto de fabricação e instalação de usinas termoelétricas para geração própria com potência nominal de 2,78 MW

1 - Uso da instalação antiga

ocasionados pela falta de fornecimento de

longos períodos sem energia, hipótese em

energia elétrica pela rede convencional.

que poderíamos chegar a um panorama

1.1 - Introdução

Apesar de já possuir quatro grupos

incalculável de prejuízos.

geradores alimentando cargas pontuais, a

equipamentos eletroeletrônicos e

potência das máquinas instaladas não era

pela falta de energia, a CARL ZEISS

tecnologias digitais, nossa dependência

o suficiente para atender à demanda total.

VISION possuía um tarifário elevado

pelo uso de energia elétrica vem

para consumo elétrico no horário de

constantemente se ampliando. No setor

de geração de emergência bastava

ponta (18h às 21h), sendo esse um

industrial não é diferente.

apenas uma falha no fornecimento de

dos principais fatores justificativos à

Com a ampliação do uso de

Antes da instalação da usina própria

Além dos dispêndios causados

energia, ainda que por um curto período

instalação de mais grupos geradores

grande parte dos processos produtivos,

de tempo, para causar uma série de

com a capacidade de cobertura total da

devemos considerar crucial o fornecimento

transtornos como:

demanda em horário de ponta.

de energia elétrica em uma indústria.

estações de trabalho inativas,

Por se tratar do principal insumo em

perdas em processos contínuos, 1.2 - Histórico do problema

atrasos generalizados de produção,

2 - Solução

impossibilidade de expedição, entre

unidade instalada na cidade de Petrópolis,

outros. Mesmo em pequenos períodos

CARL ZEISS VISION foi constituída

interior do Estado do Rio de Janeiro - a

de interrupção, a indústria já ficava à

em, basicamente, duas ações que

CARL ZEISS VISION veio ao longo dos

mercê de défices produtivos. O cenário

desencadearam uma série de eventos. As

anos enfrentando inúmeros problemas

era ainda pior se contabilizássemos

ações foram:

Com a expansão de seu parque fabril -

A proposta da LUFETEC para


51

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

1 - troca do GMG 569 kVA CAT 3412

motor Diesel o qual representa cerca de

grupo gerador. Apenas com essa ação

(máquina mais antiga com elevado número

65% do gasto total para fabricação do

conseguimos reduzir em aproximadamente

de horas de operação) pelo GMG 625

referido equipamento. Por meio de uma

25% o custo do projeto inicial.

kVA CAT C18 (adquirido recentemente)

parceria exclusiva com a Volvo Penta

que estava instalado fora da sala de

fornecedora dos motores, e uma sólida

Características da instalação antes

máquinas em uma carenagem acústica,

relação de confiança construída entre a

da implementação do projeto

formando assim, a UTE 1 com 1,10 MW;

CARL ZEISS VISION e a nossa empresa,

2 - construção de uma nova Usina

realizamos o faturamento dos motores

2.3 - Descritivo da localização das

Termoelétrica a Diesel - a UTE 2 - com

diretamente ao cliente final, atendendo a

máquinas antes da implementação

potência nominal de 1,68 MW para

todos os critérios de garantia para ambos

do projeto.

geração de energia em horário de ponta e

os lados.

uso de emergência nos períodos de falha

para geração de energia em emergência

da rede convencional.

considerável parcela de tributos que

e horário de ponta. Duas delas

Com essa ação suprimimos uma

Parque fabril contava com 3 máquinas

decorreria da compra do motor Diesel

encontravam-se instaladas em sala de

A negociação foi iniciada em 23 de

pela Lufetec e posterior revenda à

máquinas e uma em outra extremidade da

abril de 2017 e a conclusão da instalação

CARL ZEISS VISION em forma de

fábrica em uma instalação externa.

foi no dia 24 de janeiro de 2018. 2.1 - Conteúdo da proposta • Medição e previsão de carga para dimensionamento da potência de geração necessária • Projeto de fabricação especial para 3 grupos geradores de potência 700 kVA super silenciados • Fabricação especial de 3 grupos geradores de potência 700 kVA super silenciados • Projeto de automação para operação de 3 grupos geradores em paralelismo • Instalação de automação para grupos geradores em paralelismo • Retrofit em transferência 3200 A para comutação entre a alimentação da rede e grupos geradores em paralelo, à carga • Descomissionamento e aquisição do GMG CAT 3412 569 kVA • Remanejamento de um grupo motor gerador 625 kVA com retirada de carenagem e instalação em sala de máquinas 2.2 - Diferencial de nossa proposta e fabricação

Em um Grupo Motor Gerador, o

componente de valor mais elevado é o

UTE 1 GMG 1 – CAT 3412 569 kVA 380 V GMG 2 – Lufetec LFP 750 kVA 380 V

Abrigado em sala de máquinas. Abrigado em sala de máquinas.

Instalação externa GMG 3 – CAT C18 625 kVA 380 V

Ao tempo em carenagem de proteção.


Destaque Prêmio OSE

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

2.4 - Fotos da instalação antiga. 2.4.1 - UTE 1

Imagem 1: GMG 1 – CAT 3412 569 kVA 380 V - Abrigado em sala de máquinas.

Apesar de já possuir quatro grupos geradores alimentando cargas pontuais, a potência das máquinas instaladas não era o suficiente para atender à demanda total.

Imagem 2: GMG 2 – Lufetec LFP 750 kVA 380 V - Abrigado em sala de máquinas.

Imagem 3 GMG 3 – CAT C18 625 kVA 380 V - Ao tempo em carenagem de proteção.


53

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

3 - Características da instalação após a implementação do projeto 3.1 - Descritivo da localização das máquinas antes da implementação do projeto

Parque fabril atualmente conta com 5 máquinas para geração de energia em emergência e

horário de ponta.

UTE 1 GMG 3 – CAT C18 625 kVA 380 V GMG 2 – Lufetec LFP 750 kVA 380 V

Abrigado em sala de máquinas Abrigado em sala de máquinas

UTE 2 GMG 1 – Lufetec LFV 700 700 kVA 380 V GMG 2 – Lufetec LFV 700 700 kVA 380 V GMG 3 – Lufetec LFV 700 700 kVA 380 V

3.2.

Fotos da instalação atual

3.2.1.

UTE 1

Imagem 4: GMG 2 – Lufetec LFP 750 kVA 380 V - Abrigado em sala de máquinas.


Destaque Prêmio OSE

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Imagem 5: GMG 3 – CAT C18 625 kVA 380 V - Abrigado em sala de máquinas.

3.2.2.

UTE 2

Imagem 6: GMG 1, 2 e 3 – Lufetec LFV 700 700 kVA 380 V.

Parque fabril atualmente conta com 5 máquinas para geração de energia em emergência e horário de ponta. Imagem 7: GMG 1, 2 e 3 – Lufetec LFV 700 700 kVA 380 V.


O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

55

4 - Descrição dos pontos de interesse que diferenciam o projeto em relação aos demais e as dificuldades e as vantagens em realizar da forma como proposta

Com a utilização de todo o portfólio de

nossa empresa aplicamos nesse contrato todo o nosso mix de produtos e serviços, conseguimos achar um comprador para o Grupo Gerador CAT 3412 569 kVA, retirar o Grupo Gerador C-18 de sua carenagem original e adequá-lo para uma sala de máquinas, projetar uma nova UTE, fabricá-la, e acima de tudo convencer o cliente de que era possível executar tudo isso cumprindo a data estipulada e atendendo todas as necessidades sem terceirizações.

O projeto tem uma vantagem que

se sobressai dentre todas as outras: a nossa maleabilidade de negociação, onde realizamos a interface entre o fornecedor principal do motor Diesel e o cliente final, assim conseguimos economizar uma razoável quantia, evitando, e sem abrir mão das garantias solicitadas por ambos os lados.

5 - Conclusão

A realização de um projeto desse porte

composto por equipamentos completamente fabricados no Brasil fortalece nosso apoio as indústrias nacionais fornecedoras, nos propicia realizar avanços sociais significativos em nossa região, gerando empregos e desenvolvimento para cidade de Três Rios no interior do estado do Rio de Janeiro aonde os três equipamentos foram desenvolvidos e fabricados.

Nosso know-how, comprometimento e

maleabilidade nos permitiu atender a uma demanda especial, cortar custos para nosso cliente, desenvolver pessoas e processos. Entregamos soluções de engenharia de ponta assegurando a qualidade, eficiência e segurança. *Felipe Pais é diretor de projetos na Lufetec


Espaço 5419

Espaço 5419

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Sergio Roberto Santos*

O risco de perda de serviços ao público (R2) A

importância

descargas

da

proteção

atmosféricas

no

contra

Brasil

é

outro artigo, e tem características totalmente diferentes de R2.

proporcional ao elevado número de raios que

atingem o País, cerca de 50 milhões por ano¹,

que um determinado provedor de serviços

Especificamente R2 existe para evitar

nos posicionando como campeões mundiais

públicos, principalmente no caso de um

nesta área. Por este motivo foi criada esta

monopólio natural, tome a decisão de

seção na revista O Setor Elétrico, para que

não investir na proteção contra descargas

este tema seja discutido em seus diferentes

atmosféricas baseado nos riscos à vida e na

aspectos, técnicos e econômicos, teóricos e

perda de valor econômico. Utilizando apenas

práticos.

os critérios de R1 e R4, poderia ser mais

Desde 2015 quando foi publicada a

interessante para uma empresa prestadora

edição atual da Norma ABNT NBR 5419,

de serviços públicos não proteger as suas

Proteção contra Descargas Atmosféricas,

instalações porque ninguém seria ferido

um dos temas mais controversos tem sido

caso uma descarga atmosférica a atingisse,

o do gerenciamento de risco. A parte 2 da

e os prejuízos causados pela perda dos

Norma é de extrema importância, pois ela

equipamentos e a consequente interrupção

define a necessidade, ou não, da existência

dos serviços fossem menores do que o custo

de um Sistema de Proteção contra Descargas

da Proteção contra Descargas Atmosféricas

Atmosféricas (SPDA) e das Medidas de

(PDA). Com a necessidade da avaliação da

Proteção contra Surtos (MPS).

perda de serviços ao público, a proteção

Entre os riscos que devem ser calculados

contra descargas atmosféricas também deve

através do gerenciamento de risco encontra-se

levar em consideração os interesses de um

o risco número 2, relacionado à perda

grupo maior de pessoas, que podem ser

de serviços ao público em uma estrutura.

afetadas caso uma prestadora de serviços

Estas perdas referem-se à possibilidade da

não considere a proteção contra descargas

interrupção do fornecimento de gás, água,

atmosféricas em todos os seus aspectos.

energia e sinais, televisão, telefonia e internet,

Como exemplo concreto do exposto

a uma comunidade devido a uma descarga

anteriormente temos o caso acontecido na

atmosférica em uma determinada estrutura.

cidade norte americana de Lincoln, quando

O primeiro ponto que deve ser esclarecido

uma descarga atmosférica atingiu uma estação

é a não aplicabilidade do conceito de R2

de tratamento de água, interrompendo

a todo e qualquer fornecimento de bens e

o abastecimento da cidade que teve de

serviços por determinada empresa, como por

declarar estado de emergência². Obviamente,

exemplo um supermercado ou um shopping

houve perdas econômicas, mas a natureza

center. As consequências de deixar de vender

da interrupção do fornecimento de água,

devem ser avaliadas pelo cálculo da perda de

inclusive a utilizada pelo corpo de bombeiros

valor econômico, R4, que já foi discutida em

da cidade, tornou as consequências destas


57

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

descargas atmosféricas muito mais graves, afetando a vida daquela população de forma muito mais intensa. Um

outro

exemplo

que

deve

ser

considerado, mas sobre a qual devemos refletir de forma mais profunda, aconteceu na cidade boliviana de Tarija, quando os semáforos da cidade deixaram de funcionar devido às descargas atmosféricas³, fato comum em muitas cidades brasileiras. Neste caso, seria interessante uma reflexão de todos aqueles que se dedicam a esta área sobre se as empresas que administram o trânsito em nossas cidades deveriam ser obrigadas a considerar os critérios de R2 em seus sistemas e, caso sejam, como estes sistemas poderiam ser enquadrados. Deveríamos pensar na PDA de cada semáforo ou na PDA do sistema de sinalização de trânsito como um todo? Vale a pena pensarmos sobre isso.

A proteção contra descargas atmosféricas

é um assunto complexo, mas do ponto de vista técnico temos conhecimento suficiente para reduzirmos os riscos de perda a níveis bastante baixos. O que precisamos fazer é continuar investindo na conscientização da sociedade sobre a importância desta proteção, para a nossa segurança e qualidade de vida. 1 – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); http://www.inpe.br/ webelat/homepage/menu/el.atm/ perguntas.e.respostas.php; 2 – The Pantagraph; https://www. pantagraph.com/news/local/ lincoln-residents-told-to-use-watersparingly-after-lightning-hits/article_2527b55c918b-5de7-8fc6-d65a5fb35727. html?utm_medium=social&utm_ source=twitter&utm_campaign=user-share; 3 - El Deber; https://www.eldeber.com. bo/bolivia/Semaforos-de-Tarija-dejan-defuncionar-por-tormenta--20180926-9595.html. *Sergio Roberto Santos é engenheiro eletricista e membro da Comissão de Estudos CE 03:64.10 do CB-3 da ABNT.


58

Espaço SBQEE

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Prof. Dr. Paulo Henrique Oliveira Rezende Prof. Dr. Isaque Nogueira Gondim Prof. Dr. José Rubens Macedo Jr.

Aparelhos de ar-condicionado não são assassinos em série Parte 1

1 - Introdução

Com o propósito de subsidiar essa

última Os

aparelhos

de

ar-condicionado

tem

afirmativa, como

o

presente

objetivo

artigo

fundamental

a

ganharam escala industrial a partir do

apresentação de argumentos técnicos

início do século XX, quando a primeira

visando não somente desmistificar a

unidade moderna deste equipamento foi

imagem injusta frequentemente atribuída

inventada em 1902 por Willis Carrier, em

aos aparelhos de ar-condicionado, como

Buffalo, nos Estados Unidos. Atualmente,

também

segundo

físico-elétricas

dados

da

International

apresentar

as

desses

características equipamentos,

Energy Agency [1], estes aparelhos são

incluindo-se suas respectivas curvas de

responsáveis por 10% do consumo global

suportabilidade

de energia elétrica, com previsão de

assim como apontar as possíveis (e

que este percentual possa ser triplicado

mais prováveis) causas para os diversos

até o ano de 2050. No Brasil, segundo

incidentes comumente relacionados pela

dados publicados pela mesma Agência,

mídia a este tipo de equipamento.

térmica

e

dielétrica,

existem hoje aproximadamente cinco aparelhos de ar-condicionado para cada mil habitantes.

2 - Causas externas x causas internas

Esses aparelhos, particularmente os condicionadores de ar de uso doméstico,

Inicialmente,

figuram frequentemente nos noticiários

destacar que existem apenas duas formas

como sendo a causa de incêndios, muitos

possíveis de dano elétrico em qualquer

deles com consequências fatais, a exemplo

tipo de equipamento. A primeira delas

da tragédia registrada na madrugada do

refere-se à violação da suportabilidade

dia 8 de fevereiro de 2019, no Centro

dielétrica

de Treinamento do Clube de Regatas

equipamento conectado à rede elétrica, em

do Flamengo, popularmente conhecido

decorrência de sobretensões transitórias

como

Ninho

do

Urubu.

de

torna-se

um

necessário

determinado

Contudo,

ou permanentes. A outra possibilidade

poderiam mesmo esses equipamentos

é a violação da suportabilidade térmica

serem considerados verdadeiros serial

desses equipamentos em decorrência

killers? Bom, pelo menos sob o ponto de

de sobrecorrentes, também de forma

vista elétrico, certamente não.

transitória ou permanente.


59

Espaço SBQEE

invariavelmente,

durante o curto-circuito que ocasionou

pelos aparelhos de ar-condicionado. O

apresentadas,

a interrupção do fornecimento. Apesar

uso de tomadas inadequadas, ou mesmo

até mesmo por profissionais da área

de nenhum equipamento elétrico ser

de

de engenharia elétrica, diz respeito a

passível de dano em função da ocorrência

adaptadores de tomada em T, ou ainda

possibilidade de causas externas às

de subtensões, sabe-se que, devido às

os adaptadores de padrão de tomada,

instalações dos consumidores serem

características de potência constante de

representa grandes riscos à segurança

as

incidentes

alguns equipamentos, a exemplo dos

das

significaria,

aparelhos de ar-condicionado, poderão

utilizados para a ligação de equipamentos

Nesse

contexto,

uma

explicações

das

responsáveis

pelos

registrados,

o

que

em

práticos,

dispositivos

pessoas,

como

os

populares

notadamente

quando

a

ocorrer sobrecorrentes associadas às

de potência elevada como aparelhos

responsabilidade dos acontecimentos

essas subtensões, porém com amplitudes

de ar-condicionado e, principalmente,

para as distribuidoras de energia elétrica.

e durações que dificilmente resultariam

chuveiros

Nesse contexto, diferentes termos não

na violação da suportabilidade térmica

comumente encontrado nas instalações,

técnicos são utilizados para apontar a

desses equipamentos.

principalmente

origem externa do incidente, a exemplo

Eventualmente,

equipamentos

domésticas, é o mal dimensionamento

de “picos de luz”, “picos de energia”,

conectados nas fases sãs do sistema

(ou mesmo inexistência) dos dispositivos

“disparos de tensão”, dentre outros.

em falta, em função do deslocamento

de

termos

Sob

a

direcionar

os

elétricos.

proteção

Outro nas

contra

agravante instalações

sobrecorrentes

do

sistema

de neutro verificado durante o curto-

(como disjuntores) na ligação de cargas

energia

elétrica,

circuito,

perspectiva

a

como aparelhos de ar-condicionado.

ocorrência

pequenas sobretensões até que ocorra

Sem esses dispositivos de proteção, não

podem ser classificados em dois tipos

a atuação do dispositivo de proteção

há nada que possibilite a interrupção

principais: interrupções do fornecimento

contra

da

da corrente elétrica durante um curto-

e distúrbios de tensão. O módulo 8

distribuidora local. De qualquer forma,

circuito, resultando em incêndios nas

dos Procedimentos de Distribuição [2],

conforme poderá ser verificado nas

respectivas edificações em decorrência

publicado pela Agência Nacional de

curvas de suportabilidade térmica e

da superação da suportabilidade térmica

Energia Elétrica, estabelece critérios,

dielétrica apresentadas mais adiante

de equipamentos, fios condutores ou

indicadores e limites para esses dois

[3], é muito pouco provável a ocorrência

outros

tipos de eventos, ambos relacionados

de incêndios, originados em aparelhos

circuito. Outro aspecto relevante é que

com a qualidade da energia elétrica.

de ar- condicionado, em decorrência

muitas (senão a maioria) das instalações

Sob o aspecto das interrupções

de

elétricas domésticas em nosso País são

do

de

distribuição

os

eventos

de

passíveis

de

podem

ser

submetidos

sobrecorrente

eventos

na

na

rede

rede

elétrica

das

dispositivos

constituintes

do

distribuidoras.

realizadas por pessoas com pouca ou

ressalta-se que, por mais esmerados que

Por fim, ressalta-se que eventos com

nenhuma capacitação técnica para o

sejam os esforços de manutenção da

origem na rede das concessionárias

assunto. Inclusive, não são raros os casos

rede elétrica, tais interrupções sempre

de distribuição atingem consumidores

de eletricistas prestando seus serviços

irão ocorrer, uma vez que muitas das

em

de casa em casa, sem nem ao menos

causas associadas às mesmas não podem

ponto em falta (com até quilômetros

terem concluído o ensino fundamental.

ser

de

um

Algumas matérias, veiculadas em

de energia elétrica, a exemplo de

consumidor específico. Esse fato reforça

grandes redes de televisão, apontaram

vendavais,

atmosféricas,

ainda mais a suposição de que a maioria

ainda a inexistência de dispositivos

vandalismos, abalroamento de postes

dos incidentes elétricos, envolvendo

de proteção contra surtos (DPS) como

etc. De qualquer forma, eventos de

aparelhos de ar-condicionado, possuem

sendo uma das prováveis causas de

interrupção do fornecimento de energia

origem

incêndios com origem em aparelhos de

elétrica dificilmente provocam danos

próprios consumidores.

ar-condicionado. Será?

em

fornecimento,

gerenciadas

particularmente,

pelas

distribuidoras

descargas

aparelhos

de

ar-

condicionado.

toda

a

adjacência

distância),

interna

e

não

às

elétrica somente

instalações

do

dos

Dentre as possíveis causas internas,

Na próxima edição vamos abordar

Na maioria das vezes, esses eventos

tem-se a utilização de fiação ou conexões

como esses dispositivos funcionam e a

são

incompatíveis com a carga demandada

sua importância no processo.

acompanhados

de

subtensões


60

Proteção contra raios

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Jobson Modena é engenheiro eletricista, membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei), CB-3 da ABNT, onde participa atualmente como coordenador da comissão revisora da norma de proteção contra descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419). É diretor da Guismo Engenharia | www.guismo.com.br

Por que o medo?

Ao medo irracional de raios e trovões

com suas inseguranças e fragilidades.

denomina-se astrofobia. Segundo pesquisas

Meu corpo, meu eu, tudo vai ao chão.

da Organização Mundial de Saúde (OMS),

Poucas vezes sinto a compreensão no

a astrofobia afeta aproximadamente 5% da

silêncio de quem está ao lado (quando

população mundial.

há). Respeito? Não, seria exigir demais.

Na maioria das vezes, as pessoas

Segundo referências do escritor romano

Gaio Suetônio, o imperador Augusto César

esboçam sorrisos pela infantilidade que

tinha medo dos raios e trovões. Os amigos

meu comportamento expõe. Geralmente

da cantora Madonna garantem que, embora

vomitam inúmeros conselhos e lições,

a mesma tente ocultar, ela sofre certo

pareceres e explicações. Falam de

grau de astrofobia. Relatos da biografia

“Coisas da Natureza”, “Pára-Raios”,

do escritor Ernest Hemingway dão conta

“Nuvens negativas, positivas” etc., como

que o mesmo dormiu durante anos com a

se conselhos, palavras, afirmações,

luz acesa por ter medo da escuridão, das

fossem o suficiente para me livrar da crise,

tempestades e de trovoadas.

do transe, como se ao ouvir eu ingerisse

quilos de coragem, como se a presença

Eis a seguir, o testemunho de uma

pessoa com astrofobia:

deles me trouxesse a cura. Não sei em que parte de minha história isso começou,

“... Sofro de síndrome de pânico, mais

sei que já são exatos 16 anos travando

precisamente de astrofobia, sentimento

uma luta do prazer pela vida contra o

de pavor aos trovões e relâmpagos. O

desprazer dos momentos chuvosos....”

medo está enraizado em mim, ocupa um lugar de destaque em minhas fraquezas.

Não há como imaginá-lo e ainda que

de uma fobia, teríamos de procurá-la na

alguém tente com o único intuito de me

infância. Segundo os psicólogos, é nesse

ajudar, jamais chegará perto em sua

período que ocorrem todos os conflitos que

imaginação. Hoje, ao escrever sobre o

irão modelar o comportamento e a estrutura

que me acomete, sinto-me apática, sinto

do adulto.

que ele está muito acima do seu nível

normal, acho que por isso é denominado

barulho de um trovão? Para a maioria das

pânico. Basta um clarão no céu e todo

pessoas, raio, relâmpago ou trovão são

o meu ser cai como num passe de

termos de mesmo significado, mas existem

mágica. Tremor, pavor, suor, descontrole

diferenças entre eles:

e 46 anos de determinação e coragem, são transportados aos 5 anos de idade

Para encontrarmos a verdadeira origem

Quem nunca levou um susto com o


61

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

- raios ou descargas atmosféricas são as

metros. O barulho denominado trovão

fazer é ficar de cócoras (apoiado nos dois pés

descargas elétricas que acontecem dentro

também pode ser associado ao barulho

e com os joelhos bem dobrados, agachado,

da mesma nuvem, entre as nuvens, ou entre

ouvido quando se estoura uma bexiga de

sentado sobre os próprios calcanhares), com

a(s) nuven(s) e a terra;

aniversário. Só ouvimos o barulho porque

os pés juntos.

- relâmpago é o clarão (luz) resultante das

o ar sai muito rápido da bola provocando

descargas atmosféricas;

um deslocamento de ar que, por sua vez,

raios é dentro de um automóvel com capota

- trovão é o resultado da expansão do ar no

impulsiona as ondas sonoras que chegam

metálica (não conversível), isso mesmo,

entorno do canal do raio. Quando acontece

aos nossos ouvidos.

dentro daquela armadura de aço. O carro

o

raio,

a

corrente

elétrica

Outro bom lugar para se abrigar dos

funciona com um escudo, que produz uma

existente Assim, não há por que ter medo do

blindagem, mantendo-o a salvo dos efeitos

desprende uma grande quantidade de

energia aquecendo o ar ao seu redor de

trovão, visto que o som é mais lento que

dos raios.

forma extremamente rápida. Normalmente,

a luz, então, se você está ouvindo o som

quando se aquece algo, ocorre dilatação,

proveniente de um raio é porque o mesmo

chacota, na verdade, perturba a vida de

então, esse aquecimento muito rápido em

já ocorreu, e você continua vivo...

milhares de pessoas em todo o mundo.

volta do raio provoca um grande e rápido

Já para os raios e relâmpagos é prudente

Superar o medo do trovão é uma árdua

deslocamento do ar, por isso temos esse

e extremamente recomendável que durante as

tarefa que pode levar anos para se realizar.

barulho conhecido como trovão. É como

tempestades você não fique em áreas abertas,

se fosse um bater de palmas. Se você

abrigue-se em locais fechados e nunca,

informar-se

bater palmas bem lenta e calmamente elas

nunca fique embaixo de árvores ou próximo

fenômenos atmosféricos. Dessa maneira

serão pouco ouvidas, pois não deslocam

a postes. Os raios, com seus consequentes

compreenderá melhor porque eles ocorrem

o ar com a velocidade suficiente para

relâmpagos, têm maior probabilidade de

e,

se ouvir o barulho, mas se você aplaudir

incidência em pontos mais altos em relação ao

preconceitos e superstições. Através da

com força e velocidade, terá sempre

plano de origem, que nesta situação é a terra.

compreensão é mais fácil perder o medo e

uma salva de palmas ouvida a muitos

Caso você esteja em campo aberto, o melhor a

obter a cura.

Astrofobia não é motivo de riso ou de

Se você sofre desse distúrbio procure profundamente

principalmente,

vai

sobre

quebrar

esses

certos


62

Energia com qualidade

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações e membro da diretoria do Deinfra-Fiesp e da SBQEE. jstarosta@acaoenge.com.br

Compensação de energia reativa, correção do fator de potência em instalações elétricas e mitigação das harmônicas – Parte 03/04

V - Solução com a instalação de filtros

adequados de capacitores e indutores cuja associação define uma frequência

A instalação de filtros de correntes harmônicas, ou simplesmente filtros

de ressonância ou de sintonia. A frequência desta sintonia dependerá da

de harmônicas, é uma solução aplicada não só para evitar as ressonâncias

estratégia do projeto, e os filtros poderão ter características sintonizadas,

harmônicas, como também para reduzir a circulação de correntes harmônicas

promovendo um caminho e fazendo circular as harmônicas em seu interior,

da carga nas fontes. Como consequência, as distorções de tensão são

evitando que parte das mesmas sejam conduzidas à rede, podem ser ainda

reduzidas e readequadas, por conta do controle das correntes harmônicas.

sintonizados em uma (ou duas) frequências de ressonância. Já os filtros

De uma forma geral, os filtros evitam que as harmônicas circulem pelas

antirressonantes que simplesmente evitam que as correntes harmônicas

fontes, reduzindo, portanto, as tensões harmônicas a montante e por

circulem pelos capacitores (aumentando a impedância do ramo) e sejam,

consequência reduzindo também as distorções de tensão nos barramentos

neste contexto, “dirigidas” diretamente para a rede em sua maior parte. Em

de baixa tensão.

função das condições da instalação, estes filtros antirressonantes têm muito

boa aplicação.

Os reatores que são inseridos em série com os capacitores do sistema

de compensação reativa são especificados de forma a permitir que estes

Devido à sua própria construção, também injetam energia reativa na

sistemas de compensação reativa (LC), em conjunto com a rede de

rede, enquanto as harmônicas são mitigadas em função das características

alimentação e carga não linear, operem adequadamente sem a ocorrência

da rede (esta mitigação definirá o percentual de harmônicas que circularão

da ressonância harmônica. Se não assim fosse, a ressonância harmônica

pelo próprio filtro com absorção de parte destas correntes, sendo a outra

provocaria a circulação de correntes harmônicas nos capacitores e na rede

parte aquela que circulará pelo transformador e rede). Caso a carga seja

muito acima do esperado, causando sobre tensões em todo o sistema

variável, a construção dos filtros deve prever o arranjo em grupos de filtros

(transformador, carga e capacitores) com valores típicos de sobretensão que

menores de forma a também adequar a operação dos mesmos à variação da

podem ultrapassar os 10%. Portanto, registros de tensões de operação em

carga e injeção de potência reativa, evitando fenômenos indesejáveis como

regime muito acima das nominais, além de aumento da distorção de tensão,

a sobre compensação de energia reativa e sobretensões, velocidade de

após a inserção de capacitores nas redes, são um sinal importante da

manobra, transientes e outros.

ocorrência de ressonância. Os reatores têm também o objetivo de controlar

a circulação de correntes harmônicas tanto nos capacitores como na rede

uma carga com conteúdo harmônico. A figura 5 apresenta a inserção de

e são definidos em função das características dos próprios capacitores que

capacitores no ponto B no circuito da figura 4 e as figuras 7a e 7b indicam os

irão injetar a potência reativa, definindo-se então a frequência de ressonância

aspectos da ressonância na 5ª harmônica que poderá ocorrer com a inserção

desejável para o sistema e o volume de potência reativa a ser injetado. Estes

dos capacitores. Neste contexto, a figura 7a indica o comportamento da

conjuntos são inseridos e desconectados da rede de forma automática,

impedância do sistema (rede e capacitor) em função das frequências

normalmente em função da demanda de potência reativa pela carga e do

harmônicas. Observa-se que a ressonância ocorre neste caso na 5ª ordem.

fator de potência desejado.

A inserção de reator em série com o capacitor, como apresentado nas

Os filtros mais comumente aplicáveis em instalações industriais e

figuras 6 e 8b, tem como resultado a mudança da frequência de ressonância

equivalentes são os filtros passivos que são constituídos por conjuntos

ilustrada na figura 8a. Neste caso, a frequência de ressonância harmônica

A figura 4 apresenta a representação de rede elétrica alimentando


63

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

é menor que a 5ª harmônica e o objetivo foi o de não permitir a ocorrência da ressonância nas frequências de 5ª ordem e superiores (típicos de cargas trifásicas em conversores de 6 pulsos). Este arranjo é conhecido como sistema antirressonante. O ramo do gráfico da figura 8C à direita do ponto de ressonância tem o comportamento muito semelhante ao da impedância da rede (Z=ωL) sem os capacitores, esperando-se, portanto, um comportamento adequado. Este equilíbrio é obtido com dimensionamento adequado da reatância do reator XL1 que será associado ao capacitor e que depende da reatância deste capacitor Xc, Ver figura 8b.

Figura 8 C – Representação de sistema antirressonantes (Ztot) e da rede (ZL1) Figura 4 – Representação de rede elétrica com carga distorcida.

Figura 5 - Representação de rede elétrica com carga distorcida e capacitores inseridos no ponto B.

A figura 9a ilustra o comportamento da possibilidade de ressonância

com o uso de bancos automáticos sem filtro. Em função do estágio Figura 5 - Representação de rede elétrica com carga distorcida e capacitores inseridos no ponto B.

(volume de reativo) inserido na rede, ocorrerão distintas frequências de ressonância. Já a figura 9b ilustra um sistema antirressonante operando adequadamente em qualquer situação de configuração. VI - O Fator “p%”

Os filtros passivos possuem os fatores “p%” que definem suas

frequências de ressonância em função da aplicação. A definição do fator “p%” é a relação entre a impedância do reator e do capacitor a ele associado em 60 Hz. A tabela 1 apresenta o comportamento de filtros de distintos valores de p%. Figura 6 - Representação de rede elétrica com carga distorcida e filtro inserido no ponto B.

O uso adequado do “fator p” definirá a interação do filtro com a instalação

e os resultados esperados como a distorção de tensão final esperada. Continua na próxima edição.


64

Instalações Ex

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Roberval Bulgarelli é consultor técnico e engenheiro sênior da Petrobras. É representante do Brasil no TC-31 da IEC e no IECEx e coordenador do Subcomitê SC-31 do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei).

Proteção de equipamentos contra ignição de poeiras combustíveis por invólucro - Ex “t” – Parte 01/02

Existem registros históricos de grandes

montagem, inspeção, manutenção e reparos

automação

protegidos

por

invólucros

e

de equipamentos “Ex”.

com limitação de temperatura de superfície

poeiras

Até o presente momento tais normas

para utilização em atmosferas de poeiras

combustíveis desde o final do século 19.

técnicas continuam evoluindo, incorporando

combustíveis.

Em 1878 ocorreu uma explosão envolvendo

requisitos para as competências pessoais

um moinho contendo farinha de trigo, em

dos profissionais que executam atividades

com tipos de proteção Ex “t” são os seguintes:

Minneapolis

de

seleção,

Motores trifásicos de baixa e de alta tensão, de

Unidos. Este acidente destruiu o maior silo

montagem, inspeção, manutenção e reparos

indução ou síncronos, Luminárias industriais

de grãos existente no mundo até então, bem

de

atmosferas

LED lineares e não lineares, Plugues e

como outros cinco moinhos nos arredores,

explosivas de gases inflamáveis e de poeiras

tomadas industriais, Instrumentos sensores

resultando na morte de 22 pessoas. Como

combustíveis, bem como de requisitos de

e transmissores, Invólucros para câmeras

decorrência deste acidente, os moinhos foram

certificação de empresas de prestação de

e “pan-tilt” de circuitos fechados de TV

requeridos a instalar melhores sistemas de

serviços destas atividades “Ex”.

(CFTV), Invólucros para painéis elétricos de

ventilação, de forma a evitar a formação de

A Norma ABNT NBR IEC 60079-31 -

distribuição de força, Invólucros para botoeiras

nuvens de poeira.

Atmosferas Explosivas – Parte 31: Proteção

de comando locais e caixas de junção,

Em 1921, uma explosão de poeira

de equipamentos contra ignição de poeira

Invólucros para painéis de instrumentação e

combustível em uma mina subterrânea de

por invólucros “t” estabelece os requisitos

de automação e Roteadores de Wi-Fi para

carvão em Mount Mulligan / Queensland, na

de projeto, fabricação, ensaios, avaliação

áreas classificadas de poeiras combustíveis.

Austrália, resultou na morte de 75 pessoas.

e certificação de equipamentos com o tipo

Em 1942, uma explosão de poeira combustível

de proteção Ex “t”. Esta Norma é aplicável a

Ex “t”, como motores elétricos, botoeiras de

em uma mina de carvão em Benxi / Liaoning,

equipamentos elétricos, de instrumentação,

comando local, luminárias, caixas de junção,

na China, causou a morte de 1.549 pessoas,

de automação, de telecomunicações e de

instrumentos e painéis elétricos, devem ser

acidentes instalações

envolvendo industriais

/

a

explosão

contendo

Minnesota,

nos

de

Estados

sendo considerado o pior acidente envolvendo poeiras combustíveis do mundo. Desde a época destes acidentes, as normas técnicas sobre atmosferas explosivas têm sido revisadas e atualizadas, de forma a incorporar requisitos para a fabricação de equipamentos que sejam seguros para a instalação em locais contendo poeiras combustíveis, bem como de normas técnicas sobre os procedimentos corretos de seleção,

classificação equipamentos

de “Ex”,

áreas, em

Os tipos mais comuns de equipamentos

Os equipamentos com tipo de proteção


65

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

instalados no interior de silos e de armazéns

terços da temperatura mínima de ignição, em

proteção “ta” (EPL “Da”), Nível de proteção

portuários onde exista a presença de farinha

graus Celsius, da mistura poeira com o ar

“tb” (EPL “Db”) e Nível de proteção “tc”

de trigo, soja, milho, cevada, café, açúcar,

considerada, ou seja, T MAX = 2/3 TNUVEM,

(EPL “Dc”).

adubo ou fertilizantes. Estes equipamentos

onde T NUVEM é a temperatura mínima de

para poeiras combustíveis são também

ignição da poeira em forma de nuvem.

Ex “t” se caracterizam por possuírem um grau

instalados em locais onde são instaladas

Limitações de temperatura devido à

de proteção mínimo IP55 ou IP65, de acordo

correias transportadoras de grãos, farinha,

presença de poeira em forma de camada:

com a Norma ABNT NBR IEC 60529 (grau

farelo ou adubo, por exemplo, entre os silos

quando o equipamento não é marcado com a

de proteção para invólucro de equipamentos

ou armazéns portuários para o interior de

espessura da camada de poeira, como parte

elétricos) ou Norma ABNT NBR IEC 60034-5

navios de carga.

da marcação de temperatura “T”, um fator de

(grau de proteção para máquinas elétricas

Os equipamentos com proteção Ex “t” se

segurança deve ser aplicado, levando em

girantes).

caracterizam por possuir um tipo de proteção

consideração a espessura da camada de

Estes graus de proteção indicam que

para atmosferas com poeiras combustíveis,

poeira, da seguinte forma: para camadas de

o invólucro do equipamento elétrico Ex “t”

onde o equipamento possui um invólucro que

poeira combustível até 5 mm de espessura,

possui vedações, gaxetas ou juntas bastante

provê proteção contra ingresso de poeira

a temperatura máxima de superfície dos

eficientes, fabricadas de tal forma que evitam

ao seu interior, bem como possui meios de

equipamentos, de acordo com a ABNT NBR

o ingresso da poeira que possa estar presente

limitar a temperatura de superfície, que seja

IEC 60079-14 sem a presença de poeira,

no local de instalação para o seu interior,

inferior à temperatura de ignição da poeira

não pode exceder o valor de 75 °C abaixo

evitando, desta forma, os riscos de ocorrência

combustível que possa estar presente no

da temperatura mínima de ignição para a

de baixa isolação ou de correntes de fuga.

local da instalação.

espessura de camada de 5 mm da poeira

A Norma ABNT NBR IEC 60079-14

específica T MAX < T 5 mm – 75 ºC, onde

de proteção, outra característica fundamental

(Projeto, seleção e montagem de instalações

T 5 mm é a temperatura mínima de ignição

dos equipamentos Ex “t” é terem a sua

elétricas

(incandescência) de poeira combustível em

temperatura máxima de superfície determinada

especifica que tipos de proteção “Ex” podem

forma de camada de 5 mm.

por projeto. De forma que os equipamentos

ser aplicados em cada local de classificação

Os métodos e procedimentos para a

Ex “t” não representem uma fonte de ignição

de áreas, em função do nível de proteção de

determinação da temperatura de ignição

para as camadas de poeiras combustíveis que

equipamento (EPL) proporcionado por estes

das poeiras combustíveis são indicados na

podem se acumular sobre seus invólucros,

equipamentos “Ex”. Aquela Norma Técnica

Norma Técnica Brasileira adotada ABNT

esta temperatura máxima de superfície deve

Brasileira adotada indica os requisitos de

NBR ISO/IEC 80079-20-2 - Atmosferas

ser menor do que a temperatura de ignição da

especificação técnica, seleção, montagem

explosivas - Parte 20-2: Características dos

poeira combustível que pode estar presente

e inspeção inicial detalhada de todos os

materiais – Procedimentos de ensaios de

no local da instalação.

equipamentos

poeiras combustíveis, publicada pela ABNT

em 2018.

de proteção destinado a ser aplicada em

em

atmosferas

“Ex”

para

atmosferas

explosivas

inflamáveis

ou

explosivas)

instalação

contendo

em

gases

Os equipamentos com tipo de proteção

Além da característica de elevado grau

O tipo de proteção Ex “t” é um tipo

combustíveis,

Com relação ao nível de proteção

equipamentos que se destinam a instalação

incluindo os equipamentos elétricos, de

provido pelo equipamento “Ex”, denominado

em áreas classificadas contendo poeiras

automação ou de telecomunicações com

de EPL (Equipment Protection Level), o

combustíveis, dos tipos Zonas 20, 21 ou 22,

tipo de proteção Ex “t”. São apresentados os

tipo de proteção Ex “t” é dividido em três

com a presença de substâncias dos Grupos

requisitos para a seleção de equipamentos Ex

níveis de proteção, com base no risco do

IIIA, IIIB ou IIIC.

“t”, com base na temperatura de ignição das

equipamento elétrico se tornar uma fonte

A relação entre nível de proteção do

poeiras combustíveis presentes no local da

de ignição em uma atmosfera explosiva de

equipamento Ex “t” (EPL), zona de classificação

instalação.

poeira. Equipamentos com proteção contra

de áreas contendo poeiras combustíveis,

devido

ignição por poeira Ex “t” podem proporcionar

grupo de equipamento e grau de proteção (IP)

à presença de nuvens de poeira: os

os seguintes níveis de proteção: Nível de

são indicadas na tabela a seguir.

Limitações

poeiras

de

temperatura

equipamentos com tipo de proteção Ex “t” devem ser selecionados de forma que sua temperatura máxima de superfície não atinja a temperatura de ignição de qualquer poeira combustível que possa estar presente no ambiente. A temperatura máxima de superfície do equipamento Ex “t”, de acordo com a ABNT NBR IEC 60079-14, não pode exceder dois

Continua na próxima edição.


66

Memórias do Setor

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Por Fundação Energia e Saneamento

Do lampião à eletricidade: o desenvolvimento da iluminação pública em São Paulo

Na última década do século XIX, São Paulo passou por uma transformação radical. A expansão constante

O uso das tecnologias da informação na

do século XIX, por meio do uso de lampiões

organização das cidades é uma tendência

à base de azeite de mamona, de peixe ou

que vem para ficar, e a questão das redes

baleia. Os suportes eram pregados por longos

inteligentes de energia e sua utilização na

braços de ferro às paredes das casas das ruas

iluminação pública estão no bojo destas

principais. Em 1829, havia 24 lampiões a

transformações. Mas ao olhar para as

azeite iluminando a cidade, época em que a

da área da cidade, a sua

cidades do futuro, não seria interessante nos

população era em torno de 20 mil pessoas.

urbanização e o salto

voltarmos para a história do desenvolvimento

deste setor?

de forma precária, as ruas passaram

a ser iluminadas com a utilização e

populacional aumentaram a

Em parceria com O Setor Elétrico, a

Nas décadas seguintes, ainda que

demanda por energia, fazendo

Fundação Energia e Saneamento, instituição

experimentação de compostos como o gás de

despontar uma incipiente

sem fins lucrativos detentora de um vasto

hulha, o hidrogênio líquido e o querosene.

acervo histórico sobre a energia no Brasil,

Em 1869, foi fundada, em Londres, a The

relembra a trajetória da iluminação pública

San Paulo Gas Company, Ltd, que passou a

na capital paulista e as informações que o

ser responsável pela exploração dos serviços

implementação da iluminação

seu desenvolvimento de mais de 100 anos

de iluminação pública a gás em São Paulo.

elétrica, a partir da chegada

tem para oferecer.

Em 1870, a Várzea do Carmo, no Brás,

foi escolhida como o local ideal para a

competição entre os lampiões a gás e a possibilidade de

da companhia Light em São Paulo, em 1899.

Assim como outras cidades brasileiras,

São Paulo teve suas primeiras experiências

construção da fábrica de gás, que se tornaria

de iluminação pública nas décadas iniciais

a Casa das Retortas, hoje tombada pelos


67 Crédito Acervo Fundação Energia e Saneamento

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Foto 1 - Construção do tanque de água do balão número 1 do Gasômetro, no Brás, responsável pela produção do gás que abastecia as luminárias da cidade. À direita, a árvore que deu nome à Rua da Figueira. 1890. Acervo Fundação Energia e Saneamento.

órgãos de patrimônio.

implementação da iluminação elétrica, a

Direita, 15 de Novembro e São Bento

partir da chegada da companhia Light em

realizaram um abaixo-assinado para que o

inaugurou seus serviços. A cerimônia,

São Paulo, em 1899.

Governo mantivesse a iluminação elétrica

realizada em 31 de março com a presença

então instalada durante as festividades

de D. Pedro II, contou com a iluminação, em

transformado, passando da tradicional

da Proclamação da República, o que foi

arcos festivos, da fachada da antiga Catedral

chama de ar livre para o da luz de gás

autorizado.

da Sé e do Palácio do Governo, no Pátio do

incandescente. Venceu-se, mesmo que

Colégio. As luminárias eram acesas ao final

temporariamente, a concorrência da

firmar o primeiro contrato com a Capital,

da tarde e apagadas na manhã seguinte por

iluminação elétrica, uma vez que crescia,

para implantar a iluminação por eletricidade

trabalhadores conhecidos como “vagalumes”.

progressivamente, o número de lampiões a

das avenidas Brigadeiro Luís Antônio e

As ruas, antes desertas à noite, passaram a

gás.

Higienópolis, na Estrada da Penha (atual

ser transitáveis, um marco na mudança do

cotidiano da cidade.

pública ocorreu em 1906, quando a

Penha e Lapa, além do reforço na Avenida

companhia conseguiu firmar um contrato

Paulista, então um bairro residencial de elite

Paulo passou por uma transformação radical.

particular com negociantes da Rua Barão de

abastecido por luminárias a gás.

A expansão constante da área da cidade,

Itapetininga, no Centro. O grupo desejava

a sua urbanização e o salto populacional

aumentar suas vendas e atrair clientes

companhia de gás: o grupo Light assumiu

aumentaram a demanda por energia, fazendo

à noite. No ano seguinte, comerciantes,

o controle acionário da San Paulo Gas

despontar uma incipiente competição entre

industriais e bancos estabelecidos no

Company e grandes mudanças foram

os lampiões a gás e a possibilidade de

triângulo histórico formado pelas ruas

efetuadas, com a adoção de equipamentos

Em 1872, a The San Paulo Gas Company

Na última década do século XIX, São

Em 1902, o sistema a gás foi

O primeiro êxito da Light na iluminação

Em 1911, a Light finalmente conseguiu

Celso Garcia), de ruas nos bairros da

Em 1912, veio o primeiro impacto à


Memórias do Setor

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

elétricos automatizados. Com a chegada

Crédito Acervo Fundação Energia e Saneamento

68

da Primeira Guerra Mundial, ocorre mais um revés à San Paulo Gas Company, pois o conflito dificultava a importação do carvão mineral. A Greve Geral dos Trabalhadores, em 1917, e o número de operários mortos pela epidemia de gripe espanhola também afetaram a produção do gás. Além disso, a Light, como acionária, preferia investir forças na iluminação pública por eletricidade.

Os lampiões a gás expandiram-se até

1929, quando o Governo transferiu para a Light o serviço de iluminação pública da cidade, deixando para a San Paulo Gas Company o fornecimento a particulares. É desse período o desenvolvimento, pela Light, de diversos modelos de postes que viriam a ser instalados na Capital, sendo alguns destes presentes, até hoje, no Centro de São Paulo. Confeccionados com ferro fundido, alguns com um brasão de armas na base, em homenagem à República, possuíam diferentes braços e suspensões e chamavam a atenção dos paulistanos, constituindo-se como uma marca dos novos tempos, associados à vida moderna e à industrialização da cidade.

Estes novos elementos na paisagem

paulistana dariam título a uma série de 22 poemas de Oswald de Andrade, um dos mais originais autores da literatura brasileira, nascido e criado em São Paulo. Em “Postes da Light”, o poeta apresenta uma crônica da Capital, e que tem como grande metáfora os Foto 2 - Caminhão Ford equipado com escada de mão para serviço de manutenção de poste com iluminação elétrica da Light em São Paulo. 1930. Acervo Fundação Energia e Saneamento.

suportes de luz e o que estes simbolizavam à uma cidade em plena transformação, dividida entre o provinciano e o moderno.

Em 1930, começaram a ser desligados

os primeiros lampiões a gás. Com isso, extinguiu-se também a profissão do

Os lampiões a gás expandiram-se até 1929, quando o Governo transferiu para a Light o serviço de iluminação pública da cidade, deixando para a San Paulo Gas

“vagalume”, uma função praticada como “bico” por muitos trabalhadores como forma de suplementar o salário. Havia, entre eles, padeiros, quitandeiros, amoladores,

Company o fornecimento a particulares. É desse período

funileiros, vendedores de carvão, chacareiros,

o desenvolvimento, pela Light, de diversos modelos de

encanadores e até pequenos comerciantes.

postes que viriam a ser instalados na Capital, sendo alguns destes presentes, até hoje, no Centro de São Paulo.

Os acendedores eram pessoas familiares nos bairros, e o encerramento dessa função marcaria o fim de uma era.


69

O Setor Elétrico / Fevereiro de 2019

Na década de 30, o Governo do Estado

Crédito Acervo Fundação Energia e Saneamento

transfere para a prefeitura a responsabilidade pela iluminação pública. Em 1935, passados apenas seis anos da Light assumir os serviços, o número de lâmpadas elétricas nas vias de São Paulo chega a quase 15 mil. No dia 8 de dezembro de 1938, o último lampião a gás da Capital foi suprido, restando, ainda, algumas unidades no jardim interno do Palácio do Governo.

Durante a gestão de Prestes Maia (1938 -

1945), o parque de iluminação sofreu intensa ampliação com a reforma e abertura de novas avenidas e planejamento de sistemas básicos de irradiação da cidade. Décadas mais tarde, em 1966, o prefeito Brigadeiro Faria Lima firmou novo contrato com a empresa canadense, agora com nova razão social: Light - Serviços de Eletricidade S.A., tanto

Foto 3 - Homens executam o segundo passo para o erguimento de poste de concreto de trinta polegadas, instalado para a iluminação elétrica em São Paulo. 1930. Acervo Fundação Energia e Saneamento. Crédito Acervo Fundação Energia e Saneamento

para o fornecimento de energia elétrica como para execução dos serviços de manutenção da rede da cidade.

No início da década de 70, com

a população paulistana já beirando os 6 milhões, havia cerca de 115 mil lâmpadas elétricas iluminando a cidade, o que corresponderia a mais de dois mil quilômetros de vias públicas. Em 1979, a estatal Eletrobrás adquiriu o controle acionário da Light e, uma década mais tarde, em 1981, os serviços prestados pela antiga companhia canadense foram assumidos pelo governo paulista, que criou a Eletropaulo Eletricidade de São Paulo S.A. A estatal seria privatizada na década de 1990.

A partir da Constituição Federal

de 1988, ficaria estabelecido que a municipalidade deveria prestar os serviços referentes à iluminação pública,

Foto 4 - Trabalhadores da The San Paulo Gas Company_ instalando postes de iluminação à gás no Centro da Capital. 1929. Acervo Fundação Energia e Saneamento.

competindo aos municípios, em seu artigo 30º, “organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão,

a manutenção, conservação e ampliação

600 mil lâmpadas, distribuídas por meio de

os serviços públicos de interesse local”.

do sistema de iluminação pública, o que

uma rede exclusiva que cobre uma extensão

Em 2000, com vistas a atender a uma

deixou a cargo da antiga Eletropaulo -

de aproximadamente 17 mil quilômetros. A

nova resolução da Agência Nacional de

atual Enel - apenas o fornecimento da

soma equivale à distância do Brasil ao Japão

Energia Elétrica – ANEEL, a municipalidade

energia utilizada.

e a um consumo mensal de aproximadamente

paulistana passou a contratar, diretamente,

49 GWh, igual a 10% da produção de uma

todos os seus prestadores de serviço para

rede de iluminação pública com mais de

Hoje, a cidade de São Paulo possui uma

turbina de Itaipu.


70

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O Setor Elétrico (edição 157 - Fev/2019)  

O Setor Elétrico (edição 157 - Fev/2019)  

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