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opinião

Diesel: na contramão

O

Dagnor Roberto Schneider

setor do transporte rodoviário vive um momento crítico. Não bastassem os altos custos operacionais, o elevado preço do diesel, tachado de mais caro do planeta, ameaça a atividade. É uma ironia: um país em desenvolvimento, com uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, bater recorde de preço de diesel. O TRC, um setor que emprega 8 milhões de trabalhadores, transporta 68% da economia nacional e abastece os mais distantes recantos do país é ameaçado pelo preço deste insumo, que hoje alcança de 48% a 52% dos custos de operação. De um frete de R$ 1 mil, de R$ 480,00 a R$ 520,00 são consumidos em diesel e ainda restam os custos com pneus, manutenção, pedágios, financiamentos, seguro, gerenciamento de risco, salário dos motoristas, treinamento e outros. Como pode o autônomo ou o pequeno frotista sobreviver a este cenário? Não há exagero quando falamos que esta política de preços dos combustíveis está inviabilizando a atividade do transporte rodoviário. E não há exagero quando falamos que a Petrobras pode, e deve, reduzir o preço do diesel brasileiro – antes que ele seja responsável pela falência não apenas do TRC, mas de tantas outras atividades que também dependem dele. Ao mesmo tempo em que vemos a decadência de setores fundamentais para a economia brasileira, enxergamos já alguns meses um cenário de possibilidades com a drástica redução do preço do barril do petróleo no mundo. Foi este o fato motivador para que a Coopercarga realizasse um estudo analisando os

fatores: preço do barril de petróleo x preço do dólar x preço do óleo diesel. O que se comprovou foi uma discrepância dos valores praticados. O preço do óleo diesel, entre 2003/2009, está 80% mais caro que a média histórica. Estes documentos estão à disposição de quem quiser verificar. A situação é insuportável. Enquanto a estatal justifica os valores por perdas anteriores constatamos seu lucro recorde de R$ 33 bilhões em 2008, nada menos que 53% além do anterior. Nos jornais a constatação é de que o petróleo barato injeta US$ 1,7 trilhão na economia mundial, graças à redução de gastos dos consumidores de todo mundo com combustíveis. E no Brasil? Não é possível um valor mais justo? Enquanto não nos enquadramos nessa realidade vemos o declínio do rodoviário de cargas e a manutenção da política de preços equivocada da Petrobras. Autônomos e pequenos transportadores já não conseguem reverter sua situação econômica vexatória. Precisamos mudar essa realidade. Conclamamos a Petrobras para que reveja sua política de preços, de modo possamos usufruir de uma inversão imediata deste cenário e que milhares de empresas e autônomos possam se reabilitar. É um apelo que faço em nome do sistema cooperativo do TRC, que hoje não mais vive, apenas sobrevive com muitas dificuldades. Contamos com todos nesta luta: a desoneração dos combustíveis. Um ajuste à realidade global. p Dagnor Roberto Schneider Diretor-Presidente da Coopercarga dagnor@coopercarga.com.br Negócios em Transporte l 19

Revista Negócios em Transporte | Artigo da Edição 66  

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