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ANO 12 DEZEMBRO 2015

#024


FICHA TÉCNICA

título Linhas, Revista da Universidade de Aveiro

impressão Lusoimpress – Artes Gráficas, S.A.

edição e propriedade Universidade de Aveiro

issn 1645-8923

direção Manuel António Assunção

depósito legal 312303/10

edição Margarida Isabel Almeida Miguel Conceição

tiragem 6500 exemplares

redação Serviços de Comunicação, Imagem e Relações Públicas: Constança Mendonça, João Afonso Correia, Liliana Oliveira, Pedro Farias e Sofia Serrano Bruckmann design, fotografia e produção Serviços de Comunicação, Imagem e Relações Públicas: António Jorge Ferreira, Sofia Almeida e Vítor Teixeira

periodicidade duas edições/ano


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Editorial

Este ano elegi a relação entre a Universidade e as suas Cidades como elemento a destacar: com Aveiro, onde se concentra a maior parte da nossa ação; mas também com Águeda e Oliveira de Azeméis, onde temos Escolas Politécnicas; com Ílhavo onde estaremos associados no Parque de Ciência e Inovação e no ECOMARE; com S. João da Madeira e Cantanhede, onde somos parceiros na transferência de tecnologia e na incubação de empresas; e no primeiro caso, também, no ensino de Língua Chinesa. A razão é óbvia: precisamos que as Cidades onde estamos nos olhem com a atenção devida; que percebam o papel e o potencial da Universidade; que trabalhem com ela; que a considerem como sua; que se orgulhem dela e dos estudantes que lhes dão vida; que a promovam quando se promovem a elas próprias.

Manuel António Assunção Reitor da Universidade de Aveiro

Um ambiente urbano atrativo ajuda a trazer mais e melhores estudantes, professores e investigadores; mais talento. E os estudantes, sobretudo em cidades de média dimensão, são intensos dinamizadores da vida e da economia local: nos setores do alojamento e da restauração, mas também no consumo de outros bens e serviços; no desporto; na cultura; no voluntariado. Impacto que se torna duradouro, porque muitos escolhem as suas cidades universitárias para viver e trabalhar. A valorização do contexto citadino que daqui resulta induz, por seu turno, o aumento da própria atratividade. Isto adquire ainda outra dimensão na internacionalização – pedra de toque das melhores universidades. Mais nacionalidades nos campi representam um ambiente vivo de línguas e culturas distintas, espaço essencial para ganhos pessoais em mundividência, cada vez mais relevantes. E as cidades tornam-se mais cosmopolitas, com um ambiente mais enriquecido e uma visibilidade acrescida. Este é um processo exigente que requer, desde logo, uma boa capacidade de acolhimento e de integração. É um caminho que temos vindo a percorrer, conferindo prioridade ao aumento da disponibilidade

residencial, e aproximando-nos, assim, do conceito de “cidadela de educação”: onde lugares de ensino, de residência e de vida social coincidem no mesmo espaço. As cidades são também laboratórios de excelência onde novas políticas, abordagens, práticas e produtos podem ser tanto testados como desenvolvidos, com cidadãos, utilizadores individuais ou coletivos. Fazer da região um caso exemplar no que se refere à bicicleta e à “economia verde”; prosseguir a qualificação dos serviços prestadores de saúde; cuidar deste património e riqueza singular que é a Ria; usar as nossas múltiplas competências no Mar; fortalecer o triângulo empresas-região-conhecimento sobre o qual assenta já muito do trabalho conjunto; dinamizar o interesse público pela ciência e o gosto pela música, como vimos fazendo através da Fábrica Centro de Ciência Viva e da Orquestra Filarmonia das Beiras; promover roteiros e agendas culturais integrados: são, todas, áreas que encerram um enorme potencial de realização e de afirmação da marca Aveiro, que vem sendo trabalhada com a região, e que queremos aprofundar. Não há, contudo, relação sem tensões. A vida dos estudantes nas cidades é um dos domínios onde mais facilmente estas podem surgir. A tolerância negociada é uma atitude e um instrumento poderoso que tem vindo a ser usada nestes casos. Uma outra ambivalência, frequente, resulta da necessidade de conciliar excelência internacional e relevância local, criação do conhecimento e sua aplicação. Para que isto não se transforme numa situação paradoxal há que especializar: porque cada um não pode estar em todas as frentes! Considero a relação Cidade-Universidade como parte inalienável do caminho para uma Universidade Cívica que entende que o sentido da sua missão é ser melhor para alguma coisa, e não apenas melhor em alguma coisa: uma Universidade ativamente envolvida na sociedade, promovendo a excelência e a colaboração, de forma inovadora, transversal e muito correlacionada com as necessidades identificadas pela comunidade.


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dezembro 2015

03 EDITORIAL

24-29

Manuel António Assunção Reitor da UA

06-07

PERCURSO SINGULAR UA atribui título de Doutor Honoris Causa a Adriano Moreira

08-11 OPINIÃO

30-37 DOSSIER A UA e o Mar

38-41 INVESTIGAÇÃO

A quarta dimensão das universidades

O campo é onde não estamos… mas para lá parece pender o coração

12-16 DISTINÇÕES 17 EDIÇÕES 18-23

UA na linha da frente do super radiotelescópio SKA

42-45 ENSINO Sucesso académico: uma direção, vários caminhos Projeto FICA – Ferramentas de Identificação e Combate ao Abandono

PERCURSOS ANTIGOS ALUNOS Nádia Firmino Delgado Percurso crucial para o desenvolvimento do turismo em Cabo Verde João Almeida Entre o privilégio e a responsabilidade de cumprir uma missão: preservar e promover o Parque de Serralves Sara Bárrios Semear o futuro do planeta no Jardim Botânico Real de Kew

ENTREVISTA COM... Entrevista com… Ilídio Pinho “A Universidade do meu distrito pode fazer da região a Oxford de Portugal”

46-47

CULTURAL Serviço público em expansão Fábrica, Centro Ciência Viva de Aveiro


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48-49

CAMPUS SUSTENTÁVEL Campus Sustentável: uma caminhada firme rumo ao futuro

50-52 COOPERAÇÃO IDAD: mais de 20 anos de estudos pioneiros sobre qualidade do ar Habitat@UA: nova parceria informal em forma de Plataforma Tecnológica

53-58

ACONTECEU NA UA

José Ferreira


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dezembro 2015

UA atribui título de Doutor Honoris Causa a Adriano Moreira No dia do seu 42º aniversário, que celebra a 15 de dezembro, a UA distingue mais uma personalidade ímpar da sociedade portuguesa com a atribuição do título de Doutor Honoris Causa: o professor Adriano Moreira. Proposta por Carlos Rodrigues, diretor do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da UA (DCSPT), Artur da Rosa Pires, professor catedrático do mesmo departamento, e Carlos Martins da Costa, diretor do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da UA (DEGEI), esta distinção pretende reconhecer a sua “singular trajetória de vida forjada com inteligência e sagacidade analítica e prospetiva”, a sua “participação ativa no desenvolvimento do Ensino Superior em Portugal” e o seu significativo contributo para “a consolidação do ensino e da investigação na área das ciências políticas em Portugal”.

Autor de dois livros com um impacto considerável na ciência política portuguesa – “Ciência Política” e “Teoria das Relações Internacionais” – editados em 1979 e em 1996, respetivamente, Adriano Moreira é uma referência incontornável para os cientistas políticos. Como refere a proposta dos professores DCSPT e do DEGEI, com a publicação de “Ciência Política”, repositório do definitivo afastamento da ciência politica relativamente ao direito constitucional, Adriano Moreira introduziu uma significativa inovação ao nível conceptual, bem patente na proposição da falta de autenticidade do poder, quando refere que “o que preocupa a investigação política não é o sistema das normas em que se traduz o direito


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positivo, é sobretudo a diferença ou falta de coincidência frequentes entre o modelo normativo de conduta que a lei proclama, e o modelo de conduta que o Poder adota”, e no estabelecimento da necessidade de distinguir entre forma, sede e ideologia. O livro “Teoria das Relações Internacionais” é, ainda, a única obra que apresenta uma fórmula aprofundada de um quadro teórico das relações internacionais. Nesta obra, o sociólogo reflete sobre os desafios epistemológicos inerentes a uma rápida e intensa mudança do contexto internacional que forjou um estado de “anarquia madura” e, concomitantemente, a necessidade de “pressupostos lógicos e de princípios para a redefinição da ordem mundial”, e situa, ainda, a crise do estado soberano no domínio dos principais desafios políticos inerentes à mudança do contexto internacional.

dos sistemas nacionais abrindo novos Caminhos de Santiago para centros de excelência dominantes e redutores das restantes instituições dispersas pelo território da União”, Adriano Moreira vislumbra a inevitabilidade da assunção de uma quarta missão da Universidade, que é “a de encontrar, saber e caminhar para enfrentar a situação antes ignorada de globalismo sem definição de valores e de futuro para as novas gerações”. Um tema que é, aliás, aprofundado num artigo de opinião assinado por si e que integra esta revista (ver pag. 8).

Os proponentes salientam, também, a sua participação ativa no desenvolvimento do Ensino Superior em Portugal. Adriano Moreira desempenhou um importante papel na transformação e consolidação científica do então Instituto Superior de Ciências Sociais e Politica Ultramarina (hoje Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas da Universidade de Lisboa), como membro de reputadas Academias científicas portuguesas e estrangeiras e na presidência do extinto Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior (CNAVES). A sua intervenção foi, igualmente, marcante na criação, como membro da Academia de Ciências de Lisboa, do Instituto de Estudos Académicos para Seniores e do Seminário de Jovens Cientistas.

A atribuição do Doutoramento Honoris Causa pela UA foi recebida por Adriano Moreira com alguma emoção, principalmente por a UA ter sido uma universidade que viu nascer e crescer, destacando-se pela sua intervenção ao nível da plataforma continental. “Eu julgo que não há nenhum professor que não fique emocionado quando uma universidade, sobretudo quando não foi um membro do seu corpo docente, lhe concede a maior honra que a universidade lhe pode conceder. A Universidade de Aveiro tem para mim sobretudo esta ligação: eu vi-a nascer. Fui presidente do Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior durante sete anos e vi a sucessão de reitores, do corpo docente e sobretudo da sua relação com a sociedade. Ela é exemplar nessa relação e é um aspeto em que eu muitas vezes a cito. A UA não lida apenas com a universidade que é o seu espaço de influência natural, mas também se ocupa com um problema que eu considero que é uma janela da liberdade de Portugal: a plataforma continental. Nisso não tem muito quem a acompanhe, ainda que pelo menos mais duas universidades o façam. Por isso, os serviços que nós devemos aos professores, ao corpo docente e aos seus investigadores é um serviço que temos de agradecer não apenas academicamente mas como cidadãos nacionais também”.

Esta distinção é, ainda, justificada pela sua leitura informada e atenta da evolução da instituição académica e do seu papel na sociedade. Como salientam Carlos Rodrigues, Artur da Rosa Pires e Carlos Martins da Costa, o professor assumiu a crítica da ideia dominante de Universidade, afirmando que “a investigação e o ensino são matéria de soberania, não são matéria de mercado” e defendendo que a situação em que se encontram hoje as universidades portuguesas é um sinal de que “o conceito estratégico nacional está abalado”. Considerando que a “hierarquização qualitativa das unidades de ensino pode afetar a própria independência

Como político, foi defensor nos tribunais de militares que conjuravam contra Salazar, tendo chegado a estar detido durante um mês, e ministro do Estado Novo, deputado e presidente de um partido saído de Abril de 1974, o CDS.

percurso singular

Adriano José Alves Moreira nasceu em Grijó (Macedo de Cavaleiros) a 6 de Setembro de 1922. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa e Doutor pela Universidade Complutense de Madrid e pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas da então designada Universidade Técnica de Lisboa, é professor emérito da Universidade de Lisboa e Professor Honorário da Universidade de Santa Maria, tendo exercido funções docentes em diversas academias. É Doutor Honoris Causa por várias universidades portuguesas e brasileiras e membro de diversas e prestigiadas academias portuguesas, brasileiras e espanholas, entre as quais a Academia das Ciências de Lisboa. Entre outros cargos, é presidente honorário da Sociedade de Geografia de Lisboa, sócio fundador e presidente honorário da Academia Internacional da Cultura Portuguesa, e sócio fundador e presidente da assembleia-geral da Associação Portuguesa de Ciência Política. Presidiu ainda ao extinto Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior. Foi delegado de Portugal na ONU nos anos 50 e Ministro do Ultramar no governo presidido por António Oliveira Salazar. Depois do 25 de Abril de 1974, foi presidente do CDS, tendo sido deputado à Assembleia da República. É autor de uma vasta obra escrita. A singular participação cívica, académica e política de Adriano Moreira já foi reconhecida com diversas distinções honoríficas, entre as quais a Grã-Cruz de São Silvestre; Grã-Cruz de Cristo; Grã-Cruz do Cruzeiro do Sul; Cavaleiro Grã-Cruz da Ordem de África; Grã-Cruz da Ordem de Isabel, a Católica; Grande-Oficial do Infante D. Henrique; Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada; e a Royal Victorian Order.


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dezembro 2015

A quarta dimensão das universidades Adriano Moreira Presidente do Instituto de Altos Estudos da Academia das Ciências de Lisboa Professor Emérito da Universidade de Lisboa

A narrativa da evolução dos modelos e funções das Universidades, sobretudo no mundo ocidental, foi globalmente repetitiva no essencial, não obstante a multiplicidade das origens, da tutela exterior por instituições políticas estaduais ou Igrejas institucionais. Estas circunstâncias, muito evidentes nos países responsáveis pelo longo e frustrado processo da ocidentalização do mundo, como aconteceu com as soberanias da costa atlântica, ligaram o conceito desses centros do saber e do saber fazer aos objetivos estratégicos dos instituidores, mas a tarefa da busca do saber e do saber fazer, não impediu que se fosse implantando, crescendo e generalizando, o princípio da liberdade de observação, das conclusões, e das valorações, trave mestra da identidade universitária, frequentemente apoiada no sacrifício da autenticidade sustentada por uma longa teoria de mestres venerados. A condicionante desta narrativa de séculos foi sendo enriquecida por uma série de conceitos organizadores do ambiente social e político, e do conhecimento

da terra e do universo, que não feriram a essência comum do ocidentalismo, nem da perceção mutável da natureza, exercendo com regularidade, embora com exceções, raramente com fraturas, a função das universidades, capazes de modificar as programações, os arrumos sempre provisórios dos ramos científicos, as fidelidades valorativas, usando a interdisciplina para dar lugar às exigências de novas investigações e conhecimentos, a transdisciplina para o surpreendente alargamento da realidade a investigar, e a projetar na reformulação do suposto conhecimento anterior. De quando em vez um Cisne Negro, a imagem que Popper divulgou e relacionamos com a descoberta da Austrália, não apenas desatualizou o saber como desencadeou imprevistas mudanças radicais e demolidoras do edifício da ciência e do saber fazer antes valorizados, causando ruturas no ordenamento, não apenas científico, também social, político, e ético, que atingem seriamente os próprios alicerces do edifício universitário.


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Na viragem para o novo Milénio verificou-se a intervenção de um desses Cisnes Negros, ainda mal identificado mas sobejamente conhecido pelos efeitos demolidores das estruturas e teorizações, já, de um modo mais afoito que rigoroso, denominado globalismo. O modelo universitário, com predomínio para a narrativa dos ocidentais, foi abalado em vários aspetos, a começar pela capacidade financeira. Responsável pelo avanço de uma ciência, que ganhou mais em satisfação do que em eficácia no domínio do saber fazer, que é a economia, enfrenta o Cisne Negro que chamamos crise global económica e financeira, a qual tem já efeitos visíveis, em mais de um aspeto e numa variedade de países, pondo em causa a sustentabilidade. A hesitação entre submeter a universidade a um modelo de economia de mercado, em vez de a considerar elemento de soberania, a dúvida instalada sobre se o conceito secular de estudante não vai ser substituído pelo conceito de cliente, a incerteza sobre se a natureza da instituição está ligada e acompanha o sentido evolutivo da soberania dos Estados como, para estes, as responsabilidades que não impedem as iniciativas institucionais privadas que regulariza, tudo, em suma, faz crescer a dúvida sobre se as exigências do credo do mercado são as que finalmente vão orientar o Estado e definir os riscos e as recompensas. A principal ou primeira rutura está possivelmente na falência da prospetiva que tanto animou as esperanças globalistas do sistema, semeadas pela interdisciplina no século passado. Em primeiro lugar note-se a mudança estrutural da ordem mundial animada pela conceção da terra casa comum do homem.1 Mas, com efeitos colaterais, sem previsão nem respostas, o facto de o social ter desafiado o político, apoiando novos atores objetores do sistema internacional; poderes que temos de chamar privados, para usar a linguagem de que dispomos, mostraram-se donos do poder na desordem jurídica mundial; a diplomacia clássica foi por isso subvertida, o nuclear está disputado entre projetos de paz e utilizações terríveis e experimentadas de guerra; os Estados abrem falência,

os conflitos regionais em que se destacaram o Irão e o Iraque agravam-se, os narco-Estados florescem, os regionalismos, como o da União Europeia em crise, procuram substituir aqueles agentes soberanos tradicionais. Será a subversão da velha Ordem inevitável?2 Esta pergunta inclui o facto de as fronteiras da vida estarem no centro de debate bioético. A life industry procura monopolizar o património genético, apenas alguns países têm acesso aos resultados do progresso científico, os riscos ambientais não distinguem nem etnias nem latitudes, a paz mundial escapa ao controlo da ONU, a cooperação Norte-Sul não avançou, os Objetivos do Milénio não podem contar com financiamento, as migrações estão descontroladas, o Estado deixa de ser o piloto da economia, a distinção entre pobres e ricos acentua-se criando um risco igual ao da ameaça atómica, a mundialização da criminalidade acompanha a modernidade, na pregação de Paul-Guetny, ao atingir o facto religioso, embora as estatísticas mostrem que a decadência da pertença a religiões institucionalizadas ainda vê crescer o apelo à transcendência, sendo todavia claro que a crise dos valores parece reabilitar a esperança de Compte, frustrada até ao fim do anterior milénio.3 Em suma, a crise social que atinge tanto os ocidentais que perderam os impérios, como as sociedades libertadas mas em busca inquieta de orientação, de que a chamada primavera árabe é um dos pesadelos em curso, faz com que o globalismo seja sinónimo de anarquia internacional, um resultado que Hannah Arent, no conturbado tempo da sua prestante vida, atribuía aos regimes totalitários. As estruturas políticas, atingidas pelo turbilhão de mudança, reagiram em tempo lento e sem estratégia, ao mesmo tempo que o chamado tempo internacional se perdia em intervenções como a do Afeganistão (1979-1989), perdia os princípios para vencer Kadhafi, hesitava em enfrentar Assad ou Ali Abdallah Saleh, e deixaram substituir os órgãos institucionais, como o Conselho Económico e Social da ONU, por centros de poder de facto como o G-20, ou ignorados como se passa na área financeira e económica mundial.

opinião

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Sobre a crise da população mundial. J. C. Chasteland, J. C. Chesnais, (Dir.), La population du monde, enjeux et problèmes. INEDI, PUF, 1997. A questão do direito à vida, valor fundador da sociedade democrática, está em discussão. De Schutter O., L’aid au suicide devant la Cour européenne des droits de l’Homme, RTDH, 2003, 53. Pg. 71. Sainte Rose J., L’enfant à naître: un objet destructible sans destinee humaine?, ICPG n.º 52-53.

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A tese do choque das civilizações de Samuel Huntington corresponde à desordem do fim do Império Euromundista, depois da guerra de 1939-1945. Pierre Hassener, in 80 idées forces pour entrer dans le 21 Siècle, in Le Nouvel état du monde, Paris, 1999, contestatário da tese. Huntington, Le choc des civilizations, Odile Jacob, Paris, 1997.

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C. Lepage, La vérité sur le nucléaire, Albin Michel, Paris, 2011. Y. Barthe, Le pouvoir d’indécision. La mise en politique des déchets nucléaires, Economise, Paris, 2006. M. Camdessus et al, La réforme du système monétaire international: une approche coopérative pour le vingt et unième siècle, Initiatives du Palais Royal, Paris, 2001. P. Collier, The Bottom Billion: Why the Poorest Countries are failing and what cam ne done about it, Oxford University Press, Oxford, 2007. F. Zakaria, L’avenir de la liberté, la demonatie illiberale aux Etats-Unies et dans le monde, Odile Jacob, Paris, 2003.


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dezembro 2015

A quarta dimensão da Universidade – depois de investigar, ensinar, e gerir o saber e o saber fazer, é reconstruir o mundo novo, porque o Cisne Negro da viragem do milénio anarquizou o velho e exige a identificação, salvaguarda, fortalecimento e estratégia inovadora das instituições que guardam o poder do verbo, que faremos sobreviver para organizar o caos. São estas instituições, em primeiro lugar ideias de obra ou de empresa, que ligam as gerações pela tradição e cimentam o futuro pela investigação, pelo saber, pelo saber fazer, e pela sabedoria, isto é, a restruturação de uma escala de valores, que assumem a quarta dimensão.4

preço as propinas que são taxas e portanto da área tributária do Estado; nos Estados da área da pobreza, em que apenas a rede pública pode agir com eficácia, a rede universitária é a parcela atuante da soberania, esta com a definição variável em cada época, e apenas nos países ricos, com raras exceções para os pobres, a rede privada, à qual não é autorizado o desvio dos padrões gerais de qualidade, podem consentir-se regras moderadas de mercado; tudo sem poder desconhecer as especificidades, que o globalismo tem visto fortalecer, com a liberdade das culturas, antes submetidas ao colonialismo.

Esta última exigência não foi incluída no conceito da União Europeia de sociedade da informação e do saber a construir (Delors).

A exigência é que os países considerem a pluralidade da rede nacional, pública, privada e cooperativa, religiosa, militar, com exigência igual de qualidade; finalmente, atender à mudança da ordem mundial, à consequente alteração do valor das fronteiras, à exigência de articular a identidade com o globalismo, e à intransigente defesa da liberdade institucional da universidade.

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Adauto Novaes (org.), Ética, Companhia das Letras, S. Paulo, 2007. Diego Garcia Guillén, Lá cuestion del valor, Real Academia de Ciencias Morales y Politicas, Madrid, 2011. Michel Renaud e Gonçalo Marcelo (Coord.), Ética, Crise e Sociedade, Humus, Lisboa, 2012. Wiliam Ospina, Es tarde para el hombre, BELACQVA, Barcelona, 1994.

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Daqui resultou que, com expressão na Declaração de Bolonha, rapidamente apelidada de tratado, a rede de ensino evolucionou para a submissão à economia de mercado, para o conceito de sustentação de cada instituição pelas chamadas receitas próprias, para o desenvolvimento sem precedentes das redes privadas, para a substituição do conceito de estudantes pelo conceito de clientes e, finalmente, para o descontrolo da relação entre necessidades do mercado do trabalho e formações oferecidas. Avaliada a conjuntura, que não pode deixar de exigir uma avaliação global, e começando pela base da anarquia mundial que tem o Estado em perda de autoridade mas sem perda de indispensabilidade, permitimo-nos sugerir alguns pressupostos intocáveis para que a Universidade possa dar a contribuição indispensável para a reorganização das interdependências globais, sem as confundir com a mundialização da cultura, nem com a validade das especificidades culturais. Em primeiro lugar, a natureza institucional da Universidade, que exige liberdade e sustentabilidade, duas facetas por vezes em conflito por circunstâncias do ambiente, onde o dominante é o fator político; na rede pública, apoiar a sustentabilidade nas receitas próprias traduz-se em comercializar o ensino abusando da semântica, pelo simples método de tratar como

Tudo pode sintetizar-se na questão da sustentabilidade das Universidades, o que envolve sem dúvida o financiamento, mas coloca em primeira evidência a investigação, o ensino, o saber e o saber fazer, com total respeito pela ética. Recentemente, o já famoso Glion Colloquia enriqueceu a temática com a discussão deste tema: Global Sustainability and the Responsibilities of Universities,5 Uma iniciativa de Luc Weber (Un. de Geneva) e de Werner Hirsch (Un. of California), que é ativa cada dois anos.6 Trata-se seguramente de uma das mais integradoras versões dos desafios da mudança da conjuntura, na qual a debilitação do conteúdo da soberania para a maioria dos Estados conduz à integração regional de esforços, da qual a União Europeia é sempre apresentada como o exemplo de referência de múltiplos ensaios em curso. Embora fossem importantes iniciativas como o Erasmus, o Tratado de Maastricht (7 de Fevereiro de 1992) não deu competências à União neste domínio

Economia, Paris, 2012, editada por Luc E. Weber e James J. Duderstadt.

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Devem-se-lhe estes títulos: The Glion Declaration I, The University at the Millenium (1998); The Glion Declaration II: University and the Innovative Spirit (2009); Challenges Facing Higher Education at the Millenium (1999); Governance in Higher Education: the University in a State of Flux (2001); As the Walls of Academic are tumbling down (2002); Reinventing the Research University (2004); University and Business: partnering for the Knowledge Economy (2006); The globalization of Higher Education (2008); University Research for Innovation (2010); Global Sustainability and the responsibilities of Universities (2012).


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do ensino superior, até que a Declaração de Bolonha (1998), rapidamente chamada Tratado, que não é, iniciou um processo que deverá ser aproximado do conceito de REDE com que o jovem Mannuel Castells contribuiu para o processo de racionalização do globalismo sem cobertura normativa.7 Esta visão global não pode ignorar que a REDE tem tonalidades que se articulam, seguramente espaços que a REDE ainda não teceu, o que reconduz à necessidade de não ignorar que o globalismo não exclui as singularidades. É neste ponto de vista que cabe a importância crescente de rede universitária, ou mais compreensivelmente da rede do ensino superior, que diz respeito ao espaço marcado pela língua portuguesa, e por instituições como a CPLP, a Associação das Universidades de Língua Portuguesa, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa. Não se trata de uma realidade incompatível com a European Universities Association (EUA), ou da European Students Union (ESU), que servem a liberdade universitária em face do Conselho Europeu. O mesmo se passa com o European Research Council que segue o modelo do U. S. National Science Foundation, ainda com relevo para a League of European Research Universities (LERU), que reúne 21 das mais importantes instituições. Os sinais anunciam que as regionalizações vão multiplicar-se, não apenas nas áreas globais da segurança e defesa que a ONU reformada se espera que superintenda, mas nas áreas do saber, do saber fazer, e da sabedoria, reconhecendo que as fronteiras geográficas tendem para apontamentos administrativos, que os meios de comunicação tendem para globalizar a cultura, que o mercado implantou raízes globais a exigir regulação, que a terra é a casa comum de todos os homens, mas também que à medida que a unidade global cresce, as especificidades acentuam-se dando relevo à visão de Chardin. E por isso a Rede do ensino superior e da investigação, que se desenvolve num espaço identificado pela língua

portuguesa, contribui para a reorganização do globalismo sem governança em que nos encontramos, em todas as modalidades dessa complexa REDE. Provavelmente devemos reconhecer que já perdemos tempo, mas assumir que o devemos recuperar. E para isso necessitamos dimensão, sustentabilidade, independência, valores, e vontade de aceitar e reformular o património secular que é nosso. Estaremos à altura da nossa quarta dimensão, quando a política de neo-riquismo, que nos conduziu à situação atual de protetorado, acabe, embora a prospetiva seja pouco animadora. Todavia, se houve setores em que a contribuição para a consolidação da unidade europeia se desenvolveu, foi na rede do ensino e da investigação, pilares da soberania e não elementos de um mercado de sedes de comando anónimos. A exigência semântica chama recursos próprios às propinas, mas de facto são taxas da área fiscal. Se isto não for entendido pelo neo-liberalismo, de propagação americana, que atinge a Europa em decadência, acompanhando o Ocidente em declínio, o movimento que já nos atinge crescerá de gravidade. Vista a situação de protetorado que atingimos, não evito terminar com as palavras que o Padre António Vieira utilizou no sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma, pregado no ano de 1669: “Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra. Vedes as obrigações que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso, que carrega sobre vossas consciências, vedes as desatenções do governo, vedes as injustiças, vedes os sonhos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes os respeitos, vedes as potências dos grandes, e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos povos, os clamores e gemidos de todos? Ou os vedes ou não os vedes. Se os vedes como não os remediais? E se não os remediais, como os vedes? Estais cegos.” A Universidade não pode deixar de responder, com a definição de uma quarta missão, pregada em livro pelo Reitor Seabra, para além do investigar, ensinar, coordenar, que é a de finalmente identificar as componentes, interdependências das redes, consequencialismos, para enfrentar a situação, antes ignorada, do globalismo sem definição de valores e de futuro para as novas gerações.

opinião

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Manuel Castells, Fin de Millénaire. L’ère de l’information, Fayard, Paris, 1999; Le Pouvoir de l’identité, Fayard, Paris, 1997; La Société en réseaux, Fayard, Paris, 1998.

Nota: este artigo serviu de base à palestra que o Professor Adriano Moreira proferia a 5 de junho na UA, durante a sessão de encerramento do ano letivo do Programa Doutoral em Políticas Públicas.


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dezembro 2015

Distinções

MATEMÁTICA E CIÊNCIA DOS MATERIAIS DA UA BEM POSICIONADAS NO RANKING DA US NEWS EDUCATION As áreas científicas de Ciência dos Materiais e de Matemática da academia de Aveiro ficaram bem posicionadas no ranking construído pela plataforma de informação US News, neste caso, dedicada ao setor da Educação/Ensino Superior.

José Fernando Mendes eleito membro do comité executivo da “Complex Systems Society” O Vice-reitor da UA José Fernando Mendes foi eleito em novembro membro do comité executivo da “Complex Systems Society” (CSS). O investigador do Departamento de Física da academia de Aveiro assume assim a linha da frente de uma das mais importantes organizações científicas mundiais dedicada à promoção e desenvolvimento de sistemas complexos.

UA CONQUISTA TRÊS BOLSAS DE APOIO À INVESTIGAÇÃO DA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN A UA conquistou três das oito bolsas de 12.500 euros da edição de 2015 do Programa de Estímulo à Investigação da Fundação Calouste Gulbenkian. Os trabalhos de Rita Bastos, em Física, de Diana Costa, em Matemática, e de Pedro

Cunha, na área das Ciências da Terra e do Espaço, seduziram a Fundação responsável pelo programa que todos os anos distingue as oito melhores propostas de investigação de estudantes de doutoramento, apoiando a respetiva execução em centros de investigação nacionais. A entrega das bolsas foi anunciada em novembro..

Divulgada em outubro, a lista coloca as Ciências dos Materiais da UA na posição 25 da Europa e 132 do mundo e a Matemática da academia aveirense na posição 45 na Europa e 128 no mundo. Para além daquelas duas áreas da UA, a área da Química ocupa o lugar 58 na Europa e 172 no mundo, enquanto as Engenharias ficam no lugar 73 na Europa e 223 no mundo. No global, o ranking da US News Education coloca a UA em quinto lugar nacional e na posição 206 da Europa e 471 do mundo. TIMES HIGHER EDUCATION COLOCA A UA ENTRE AS 500 MELHORES UNIVERSIDADES DO MUNDO A UA foi uma das quatro universidades portuguesas a figurarem entre as 500 melhores do mundo. A certeza foi dada na edição de 2015 do ranking Times Higher Education (THE), disponibilizado publicamente a 30 de setembro, que colocou a UA entre os lugares 401 e 500, a par das universidades do Porto, Coimbra e Nova de Lisboa. Manuel António Assunção, Reitor da UA, sublinhou a posição da academia de Aveiro entre os 2,5 por cento de universidades consideradas as 500 melhores do mundo.


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Numa análise mais pormenorizada, a UA surgiu no lugar 448, tendo para tal contribuído a subida em alguns parâmetros de avaliação, dos quais se destacam o aumento de 17 por cento no número de estudantes internacionais, de 16 por cento no número de artigos por docente/investigador e ainda subidas na coautoria internacional, nas receitas de investigação e no ensino. Manuel António Assunção salientou a consistente melhoria da prestação da instituição em vários parâmetros e ao longo das sucessivas edições do ranking. Por outro lado, considerou que, embora exista um caminho a percorrer – “E muito já foi percorrido!” –, estes resultados são ainda relevantes para a imagem que estudantes estrangeiros e parceiros internacionais têm da UA.

PAULA VILARINHO ENTRE AS CIENTISTAS MAIS IMPORTANTES DO MUNDO NA ÁREA DOS MATERIAIS CERÂMICOS É uma das 100 mulheres do mundo que mais e melhor contribuíram para o desenvolvimento internacional dos Materiais Cerâmicos. Chama-se Paula Vilarinho, é investigadora no Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica (DEMaC) da Universidade de Aveiro (UA) e no Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO) e figura no livro “Inspirational Profiles of Successful Women: Ceramic and Glass Scientists and Engineers”. Escrito por Lynnette D. Madsen, diretora do programa em Cerâmicos da National Science Foundation dos EUA, o livro lançado em outubro destaca uma centena de mulheres cujos percursos profissionais na área dos Materiais Cerâmicos e de vida constituem uma inspiração e um exemplo a seguir.

Reeleita em abril deste ano para o segundo mandato à frente da Sociedade Portuguesa de Materiais (SPM), cargo que acumula com a coordenação portuguesa do Programa Emerging Technologies que envolve a University of Texas em Austin (USA) e a Fundação para a Ciência e Tecnologia, Paula Vilarinho foi a única cientista portuguesa a merecer a homenagem de Lynnette D. Madsen. VALERI SKLIAROV RECEBE DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA NA ESTÓNIA A Tallinn University of Technology, da Estónia, atribuiu em setembro o título de Doutor Honoris Causa a Valeri Skliarov. A distinção entregue ao investigador do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da UA (DETI) reconhece o contributo de Valeri Skliarov no desenvolvimento da investigação e do ensino no campo da microeletrónica e das ciências da computação naquela instituição de ensino superior. Nascido no ano de 1950, em Novosibirsk, na Rússia, Valeri Skliarov é desde 1994 docente no DETI. Reconhecido internacionalmente no domínio da microeletrónica e especialista em ciência da computação, Valeri Skliarov já participou em diversos projetos internacionais, publicou mais de duas dezenas de livros e mais de 300 artigos, participou em mais de uma centena de conferências e simpósios internacionais e é colaborador em várias universidades europeias e americanas.

JOSÉ CARLOS MOTA GANHA PRÉMIO NACIONAL DE MOBILIDADE EM BICICLETA José Carlos Mota, um dos coordenadores da Plataforma da Bicicleta e Mobilidade Suave, parceria da UA que envolve investigadores, empresas e outras

distinções

entidades, foi distinguido com o Prémio Nacional “Mobilidade em Bicicleta” 2015, categoria “Cidadania”. Também professor do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT), José Carlos Mota recebeu este prémio em setembro, em Lisboa, pelas mãos da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta. José Carlos Mota é investigador da Unidade de Investigação em Governança, Competitividade e Políticas Públicas (GOVCOPP) e é, também, o diretor do Mestrado em Planeamento Regional e Urbano daquele Departamento.

TRABALHO DO DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA E CESAM PREMIADO PELA ITALIAN SOCIETY FOR EVOLUTIONARY BIOLOGY Um artigo de revisão científica sobre as possíveis consequências provocadas pela perda de diversidade genética em anfíbios, devido à exposição a contaminação química, realizado por Emanuele Fasola, estudante de doutoramento da UA, recebeu o prémio de melhor artigo publicado na área de investigação em Biologia Evolutiva atribuído, em setembro, pela Italian Society for Evolutionary Biology. A UA CONQUISTOU O PRÉMIO “PUBLITURIS PORTUGAL TRAVEL AWARDS 2015” Conhecidos como os Óscares do Turismo em Portugal, a academia de Aveiro alcançou o Prémio Instituição de Ensino Superior em Turismo da Publituris Portugal Travel Awards 2015. A competição organizada entre o jornal “Publituris”, a Câmara Municipal de Albufeira e a Região de Turismo do Algarve realizou-se em setembro no “Pine Cliffs Resort”, em Albufeira, e distinguiu as melhores empresas, instituições, serviços e profissionais do setor do Turismo em Portugal.


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dezembro 2015

Departamento de Biologia da academia de Aveiro totalmente pagas.

DELFIM TORRES ENTRE AS MENTES CIENTÍFICAS MAIS INFLUENTES DO MUNDO Delfim F. M. Torres, investigador do Departamento de Matemática e do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações (CIDMA) da academia de Aveiro, foi um dos seis cientistas portugueses galardoados com o título 2015 “Thomson Reuters Highly Cited Researcher”. A distinção, uma referência para a ciência mundial porque enaltece todos os anos os autores dos trabalhos mais citados nas respetivas áreas de estudo, coloca Delfim F. M. Torres, segundo os responsáveis pela lista, entre “algumas das mentes científicas mais influentes do mundo”. O investigador da UA foi mesmo o único matemático nacional e um dos cem mundiais a receber o título. O título da Thomson Reuters foi atribuído em setembro a cerca de três mil investigadores por escreverem o maior número de trabalhos oficialmente designados por Essential Science Indicators (artigos colocados entre os 1 por cento mais citados na sua área e ano de publicação, ganhando por isso a marca de impacto excecional). Em Portugal, para além de Delfim F. M. Torres, nas áreas “Calculus of Variations and Optimal Control” e “Real Function”, o único matemático nacional a ser contemplado, outros cinco cientistas – três na área da Engenharia, um em Ciências Agrícolas e outro em Física – foram igualmente contemplados. DIANA FERREIRA CONQUISTA PRÉMIO UA – BIO SOMOS TODOS Diana Matos Ferreira foi a grande vencedora do Prémio “UA – BIO Somos Todos”, um feito anunciado em setembro e que lhe permite ter as propinas do mestrado em Ecologia Aplicada do

Com o tema de investigação sobre a expansão do esquilo vermelho em Portugal continental, a estudante, que durante este ano se candidatou ao referido curso, cativou o júri do concurso promovido pela bióloga da academia de Aveiro Milene Matos, que no último mês de abril conquistou o Prémio Internacional Terre de Femmes e que fez reverter parte do prémio na atribuição de uma bolsa que corresponde ao pagamento de propinas de um curso de mestrado da UA durante dois anos.

ELISABETE FIGUEIREDO ELEITA PARA A COMISSÃO EXECUTIVA DA EUROPEAN SOCIETY FOR RURAL SOCIOLOGY A docente e investigadora do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território da UA Elisabete Figueiredo foi eleita membro da Comissão Executiva da European Society for Rural Sociology (ESRS), em agosto, por ocasião do XXVI Congresso da ESRS, realizado no Reino Unido. Durante o seu mandato é intenção da responsável contribuir para a promoção da visibilidade dos problemas, especificidades e investigação relacionados com as áreas rurais do Sul da Europa, particularmente com o aumento da consciencialização dos efeitos da crise económico-financeira nestes territórios. A ESRS foi fundada em 1957 e é, atualmente, a única associação europeia que congrega cientistas sociais (europeus e não europeus) no estudo da agricultura e pescas, produção e consumo de alimentos, desenvolvimento rural, transformações do rural, ruralidade e heranças culturais, igualdades e desigualdades nas sociedades rurais,

assim como no estudo da natureza e proteção ambiental em meio rural.

DA UA PARA O ALASCA ESTUDAR LONTRAS-MARINHAS Já estudou grilos na Finlândia, macacos-barrigudos na Amazónia, golfinhos no Rio de Janeiro e baleias no Atlântico. Chama-se Bárbara Cartagena Matos, é estudante de Biologia da UA e mal pode esperar por 2016 para embarcar rumo ao Alasca pela mão da Bolsa Fulbright que conquistou em julho. Financiada pelo Estado norte-americano, Bárbara Matos vai estudar os hábitos alimentares das lontras-marinhas na zona de Sitka. De abril a setembro do próximo ano a bióloga estará no mais “maravilhoso e único laboratório” que o planeta tem à disposição dos cientistas na Natureza. ESTUDANTES DE DESIGN CONQUISTAM 2º LUGAR NO CONCURSO CAETANOBUS Alexis Almeida e Leonardo Barros, alunos do mestrado em Engenharia e Design de Produto da UA, conquistaram no final de julho o segundo lugar no concurso de design CaetanoBus, dirigido a estudantes universitários. Neste desafio para remodelar o interior de um mini autocarro, participaram as universidades de Aveiro e Lusíada, e as escolas Superior de Artes e Design do Porto e Superior de Estudos Industriais e de Gestão do Instituto Politécnico do Porto, 11 professores, 49 alunos. Foram apresentados 29 projetos. Ao longo de aproximadamente um mês e por sugestão de Paulo Bago de Uva, professor de Design no Departamento de Comunicação e Arte da UA, Alexis e Leonardo trabalharam, em paralelo ao


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trabalho académico, para o projeto que acabaria por alcançar o pódio do concurso “Design to the Future” da Caetano Bus.

JOSÉ MARIA FERREIRA DISTINGUIDO PELA SOCIEDADE EUROPEIA DE CERÂMICA José Maria Ferreira, investigador do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO) e do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica (DEMaC) da UA, foi premiado em julho com o título de Fellow da Sociedade Europeia de Cerâmica (ECerS), o primeiro a nível nacional. A distinção, atribuída na cidade de Toledo, Espanha, durante a ECerS 2015, a 14ª conferência de uma das mais importantes organizações europeias dedicada ao estudo e divulgação da área dos Materiais Cerâmicos, foi entregue ao cientista da academia de Aveiro em reconhecimento pelos resultados conseguidos e pelos contributos dados no campo dos materiais cerâmicos. Coordenador do Grupo de Processamento Avançado de Materiais Cerâmicos do DEMaC, José Maria Ferreira tem como principais alvos de trabalho o processamento de materiais cerâmicos, vítreos, vitrocerâmicos e compósitos, com enfâse especial no desenvolvimento de substitutos ósseos sintéticos para aplicações na regeneração óssea em ortopedia e medicina dentária, na engenharia de tecidos e na libertação controlada de fármacos. CENTER FOR WORLD UNIVERSITY RANKINGS COLOCA UA ENTRE AS MELHORES UNIVERSIDADES DO MUNDO A UA ficou entre as 1000 melhores universidades do mundo no ranking do “Center for World University Rankings”

distinções

(CWUR). A lista, publicada em julho, colocou a UA na 557ª posição de um conjunto liderado pelas universidades de Harvard e de Stanford e pelo Massachusetts Institute of Technology.

Entre as portuguesas, a academia de Aveiro, que se habituou a marcar presença nos lugares cimeiros dos mais conceituados rankings internacionais que avaliam a qualidade das instituições de ensino superior, surgiu em 4º lugar, atrás das universidades de Lisboa, do Porto e de Coimbra, e à frente das universidades Nova de Lisboa, do Minho e do Algarve. O ranking do CWUR, que é realizado desde 2012, mede, como explica o seu presidente, Nadim Mahassen, “a qualidade da educação e formação que é dada aos estudantes, o prestígio dos membros das faculdades e a qualidade da investigação que fazem”. SÍLVIA OLIVEIRA E CLÁUDIA ROCHA VENCEM PRÉMIO ANTÓNIO XAVIER DE 2015 O “Prémio António Xavier” de 2015 foi atribuído ex-aequo aos trabalhos de Sílvia Oliveira e Cláudia Rocha, investigadoras do Departamento de Química e do CICECO. O diagnóstico e previsão de patologias da grávida, feto e recém-nascido, através da análise da urina materna e do bebé, e o estudo metabolómico de tecidos e biofluídos humanos para caraterizar a assinatura metabólica do cancro do pulmão foram os trabalhos contemplados pelo galardão instituído pelo Grupo Bruker. Entregue em julho, o Prémio tem por objetivo premiar teses de doutoramento que se evidenciem nos domínios da Ressonância Magnética Nuclear, Imagem por Ressonância Magnética ou Ressonância Paramagnética Eletrónica.

JOÃO ROCHA HOMENAGEADO PELA CHEMPUBSOC EUROPE João Rocha, diretor do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO), foi distinguido com o título de Fellow da ChemPubSoc Europe, uma das mais importantes organizações europeias na área da Química. A homenagem reconhece o contributo do responsável por aquela unidade de investigação da UA no trabalho e afirmação da organização que congrega 16 sociedades europeias de Química e cuja missão ajudou a afirmar mundialmente a investigação europeia na área da Química. Para homenagear cientistas que contribuíram de forma significativa para a afirmação deste projeto, a ChemPubSoc Europe decidiu atribuir em 2015 o título de Fellow a 35 químicos europeus, incluindo o Prémio Nobel Jean-Marie Lehn. João Rocha foi o primeiro português a receber este prémio.

JOÃO TEIXEIRA DISTINGUIDO NO CONCURSO INTERNACIONAL S.TA CECÍLIA João Guilherme Teixeira, estudante do primeiro ano da licenciatura em Música da academia de Aveiro e da classe de piano do professor Álvaro Teixeira Lopes, foi distinguido com o 3º prémio (Categoria B) na última edição do Concurso Internacional Sta. Cecília, que decorreu em junho, tendo sido o único português premiado no conjunto das categorias A e B.


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EDUARDO BATISTA CONQUISTA PRÉMIO EUROPEU DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA O estudante de Biologia da UA Eduardo Batista conquistou o prémio europeu de conservação da Natureza atribuído pela Federação Europarc, em cooperação com a Fundação Alfred Toepfer. Intitulado “Alfred Toepfer Natural Heritage Scholarships”; o prémio anunciado em junho tem por objetivo galardoar jovens conservacionistas com provas dadas na área da conservação da natureza, em particular nas áreas protegidas da Europa. Esta é a segunda vez que este prémio é atribuído a um conservacionista português pela Europarc, uma das mais importantes instituições europeias no que toca à gestão e conservação da natureza e que representa 365 membros entre departamentos governamentais, ONGs e áreas protegidas de toda a Europa. ESTUDANTES DE DESIGN CONQUISTAM OS GLASSBERRIES DESIGN AWARDS O curso de Design da UA brilhou na 4ª edição dos “Glassberries Design Awards”, com o primeiro lugar conquistado por Paulo Castro e Stefanie Costa, estudantes do 3º ano da licenciatura. À dupla da academia de Aveiro foi entregue o Golden Glassberry para a melhor proposta de embalagem standard para a indústria alimentar. O galardão foi anunciado em Madrid no dia 8 de junho. Stefanie Costa e Paulo Castro cativaram o júri com uma proposta original para um frasco gourmet de pepino de conserva, trabalho que lhes valeu o 1º prémio do concurso da BA Glass, uma empresa criada em 1912 e que se dedica à produção de embalagens de vidro para a indústria alimentar e de bebidas.

dezembro 2015

CARLOS HERDEIRO E EUGEN RADU DISTINGUIDOS NA GRAVITY RESEARCH FOUNDATION ESSAY COMPETITION Com um ensaio sobre a velocidade máxima de rotação da fronteira dos buracos negros, intitulado “How fast can a black hole rotate?”, os investigadores Carlos Herdeiro e Eugen Radu, do Departamento de Física da UA, concorreram ao “Gravity Research Foundation Essay Competition” de 2015 e foram distinguidos com uma Menção Honrosa entregue em finais de maio. Foi a segunda vez que os investigadores foram distinguidos com uma Menção Honrosa desta mesma competição, após um ensaio distinguido na competição de 2014, em que Carlos Herdeiro e Eugen Radu defendiam que os buracos negros têm cabelo, em referência ao físico John Wheeler que afirmou, em 1971, que “os buracos negros não têm cabelo”. ALUNA DO DEGEI DISTINGUIDA COM O PRÉMIO “BEST THESIS IN ENTREPRENEURSHIP” Uma investigação na área do ensino do Empreendedorismo, no âmbito da tese de mestrado de Raquel Varela, desenvolvida na UA, valeu a Raquel Varela o prémio “Best Thesis in Entrepreneurship” na conferência internacional sobre Marketing que decorreu em meados de maio. O estudo concluiu que a educação em empreendedorismo não tem um impacto significativo na intenção dos alunos criarem o seu próprio negócio, nem no comportamento empreendedor dos ex-alunos, embora tenha influência noutros aspetos importantes. Estas conclusões, afirmam os autores, podem estar relacionadas com as metodologias de ensino utilizadas ao nível do ensino superior, pouco centradas no learning-by-doing. ANTIGO ADMINISTRADOR DA UA E ATLETAS DA ACADEMIA HOMENAGEADOS PELA CÂMARA DE AVEIRO José da Cruz Costa, antigo administrador da Universidade de Aveiro (UA), recebeu a Medalha Municipal em Cobre da autarquia aveirense. Economista, José Costa foi também membro da Assembleia Municipal e vereador da Câmara de Aveiro. Em 2009

foi o candidato escolhido pelo Partido Socialista, de quem foi presidente da comissão política concelhia, para concorrer à presidência da Câmara de Aveiro.

No dia da entrega da medalha, a 12 de maio, feriado municipal em Aveiro, também os resultados obtidos pelos atletas da Associação Académica da Universidade de Aveiro nos Campeonatos Nacionais Universitários no último ano letivo foram alvo de uma homenagem por parte da autarquia, que atribuiu à academia aveirense o diploma de Reconhecimento de Mérito. FÁTIMA MACEDO PREMIADA COM UMA BOLSA DA GENZYME A Genzyme – A Sanofi company premiou com uma bolsa de investigação, no valor de 140 mil dólares, Fátima Macedo, professora da Secção Autónoma de Ciências da Saúde da UA. O prémio, anunciado em maio, faz parte do Gaucher Generation Awards Program de 2014 sobre doença de Gaucher, uma doença rara que afeta um em cada 100 mil habitantes. O projeto premiado intitula-se “Characterization of glucosylceramide specific invariant Natural Killer T cells and B lymphocytes in Gaucher Disease: implications in disease pathology”. Este tem como objetivo compreender as consequências da acumulação do lípido glucosilceramida em doentes com doença de Gaucher no sistema imunitário, mais especificamente em linfócitos T específicos para lípidos e em linfócitos B. É espectável que este trabalho contribua para uma melhor compreensão do risco acrescido que estes doentes têm de desenvolver mieloma e linfoma do tipo B bem como aprofundar o conhecimento do efeito do tratamento para a Doença de Gaucher sobre o sistema imunitário.


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edições

Edições EUROPEUS EM BUSCA DA EUROPA. OS DESAFIOS DA CONSCIÊNCIA EUROPEIA NAS NOVAS GERAÇÕES Organização Vania Baldi, Lídia Oliveira Editora Edições Afrontamento ISBN 9789723613636 Ano 2015

EDUCAR PARA A DIVERSIDADE E DESENVOLVER A CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA : PROPOSTAS PEDAGÓGICO-DIDÁTICAS PARA O JARDIM DE INFÂNCIA Autoras Mónica Lourenço, Ana Isabel Andrade Editora UA Editora ISBN 9789727894420 Ano 2015

O FILHO PREFERIDO Autores Fátima Almeida, Laura Alho Editora Pactor ISBN 9789896930325 Ano 2015 UMA JANELA PARA O SAL Autores Ana Maria Lopes, Etelvina Almeida e Paulo Godinho Editora Aletheia Edições ISBN 9789896227678 Ano 2015 MULHERES FATAIS, DETETIVES SOLITÁRIOS E CRIMINOSOS LOUCOS. ESTUDOS DE CINEMA Autor João de Mancelos Editora: Edições Colibri ISBN 9789896894962 Ano 2015 COASTAL LAGOONS IN EUROPE: INTEGRATED WATER RESOURCE STRATEGIES Edição Ana I. Lillebø, Per Stalnacke, Geoffrey D. Gooch Editora Iwa Publishing ISBN1 9781780406282 Ano 2015 INVESTIGAÇÃO QUALITATIVA: INOVAÇÃO, DILEMAS E DESAFIOS – VOLUME 2 Organizadores Francislê Neri de Souza, Dayse Neri de Souza, António Pedro Costa Editora Ludomedia ISBN 9789728914509 Ano 2015

A DEMOGRAFIA E O PAÍS. PREVISÕES CRISTALINAS SEM BOLA DE CRISTAL Autores Eduardo Anselmo Castro, José Manuel Martins e Carlos Jorge Silva Editora Gradiva ISBN 9789896166533 Ano 2015 PROFESSIONALISM, MANAGERIALISM AND REFORM IN HIGHER EDUCATION AND THE HEALTH SERVICES. THE EUROPEAN WELFARE STATE AND THE RISE OF THE KNOWLEDGE SOCIETY Autores Teresa Carvalho, Rui Santiago Editora Palgrave Macmillan ISBN 9781137486998 Ano 2015 MACROECONOMIA – TEORIA E PRÁTICA SIMPLIFICADA Autora Micaela Pinho Editora Sílabo ISBN 9789726188001 Ano 2015 EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO EM GESTÃO. ANÁLISE HISTÓRICA E MODERNAS ABORDAGENS Autores Carolina Machado, Teresa C. Oliveira, João Paulo Davim Editora Publindústria – Engebook ISBN 9789897231285 Ano 2015

UMA ESCOLA NOVA NA BÉLGICA Autor A. Faria de Vasconcellos, Posfácio e notas de Carlos Meireles-Coelho Editora UA Editora ISBN 9789727894543 Ano 2015 ENSINO SECUNDÁRIO GERAL EM TIMOR-LESTE: PERSPETIVANDO O FUTURO Coordenadora Isabel Cabrita Editora UA Editora ISBN 9789727894529 Ano 2015 HISTÓRIAS EM INTERCOMPREENSÃO: A VOZ DOS AUTORES [RECURSO ELETRÓNICO] Autores Ana Isabel Andrade...[et al.]; Coordenadora Maria Helena Araújo e Sá Editora UA Editora ISBN 978-972-789-447-5 Ano 2015 ABORDAR AS LÍNGUAS, INTEGRAR A DIVERSIDADE NOS PRIMEIROS ANOS DE ESCOLARIDADE: NOVAS PROPOSTAS Coordenadores Ana Isabel Andrade... [et al.] Editora UA Editora ISBN 9789727894451 Ano 2015


Nádia Firmino Delgado

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dezembro 2015

Percurso crucial para o desenvolvimento do turismo em Cabo Verde Em 2004 Nádia Firmino Delgado formava-se na UA em Gestão e Planeamento em Turismo. A licenciatura, obtida no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da academia de Aveiro, permitiu-lhe dar os primeiros passos firmes que a levaram até à presidência do Conselho de Administração da Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV). Aos 34 anos, Nádia Firmino é uma das responsáveis pelo sucesso de uma instituição que tem acompanhado e apoiado a par e passo a forte expansão que o Turismo conheceu nos últimos anos em Cabo Verde.


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Aos 18 anos concluiu o ensino secundário no país que a viu nascer, Cabo Verde. O destino próximo passaria então pelo ensino universitário em Portugal. Nádia Firmino apontou de imediato para a UA “porque na época [1999] era a única universidade portuguesa, pelo menos entre as que disponibilizavam vagas para estudantes cabo-verdianos, com um curso de Turismo com uma abrangência muito interessante, incluindo aspetos ligados com a Gestão”, uma área com que muito se identificava. “Sabia que queria prosseguir na área da Gestão ou Economia, mas tinha também muita curiosidade pelo setor do Turismo”, recorda. Por isso, assim que viu a oferta do curso de Gestão e Planeamento em Turismo na UA não hesitou: “Foi a minha primeira opção e consegui”. Da UA recorda uma universidade que superou as expetativas “a todos os níveis”. Nádia Firmino garante que as competências que adquiriu, por exemplo, em gestão, sistemas informáticos, na aprendizagem dos fundamentos do turismo e nos idiomas que pôde na UA desenvolver foram fundamentais para o exercício da sua atividade. E o que mais na UA marcou Nádia Firmino? “Foram tantos os momentos muito importantes e marcantes que tenho dificuldade em elencar apenas um. Foi uma época muito marcante da minha vida, pois foi a primeira vez que saí do meu país para viver no estrangeiro. Mas graças a Deus fui muito bem recebida e integrada, sobretudo pelos colegas”.

Caminho profissional exemplar “Tenho um percurso profissional de que me orgulho, graças ao meu empenho, dedicação, espírito de equipa e respeito pelas pessoas, mas sobretudo, pela humildade com que encarei cada desafio e vontade de fazer sempre melhor”, confessa. Depois de concluída a formação na UA regressou a casa. Começou a trabalhar em

2005 no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) de Cabo Verde como técnica do Departamento de Emprego. Dois anos depois assumiu o cargo de diretora daquele departamento. “Na altura eu tinha apenas 27 anos e era uma das mais novas da Instituição”, lembra com orgulho. Posteriormente foi diretora do Departamento de Formação do IEFP. “Identificava-me mais com esse departamento, onde tinha de coordenar a execução da política de formação profissional no país e, ao mesmo tempo, seguir todo o projeto de implementação da EHTCV”, um projeto que arrancou em 2006 e no qual Nádia Firmino passou a representar o IEFP. “Desde então procurei orientar a minha carreira na linha da formação profissional específica para o setor da Hotelaria e Turismo”, afirma. E foi com esse intuito que concluiu um mestrado em Gestão Educativa – especialidade em gestão de instituição de formação profissional – no Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais de Cabo Verde. “Neste mesmo período tive a oportunidade de coordenar o projeto de desenvolvimento curricular na área de Hotelaria e Turismo e de apoiar a constituição do Departamento Académico e Pedagógico da EHTCV que abriu as portas em 2011”. Em 2013 regressou ao IEFP para apoiar o novo Conselho de Administração na redinamização do Departamento de Formação. Em março de 2014 foi convidada pelo Governo de Cabo Verde para assumir a presidência do Conselho de Administração da EHTCV, uma instituição transformada entretanto numa entidade pública empresarial.

Um mundo de oportunidades na EHTCV Contatos e articulações permanentes entre alunos e formadores, empresas parceiras do sector da Hotelaria e Turismo,

percurso antigo aluno

instituições de formação profissional e do ensino superior, clientes que procuram os serviços da EHTCV de restauração e alojamento e com o Governo, em particular com o Ministério da Juventude, fazem com que o dia a dia de Nádia Firmino seja tudo menos monótono. “O meu trabalho, na qualidade de ‘gestora pública’ com responsabilidades de administrar uma instituição como a EHTCV, é bastante desafiante, absorvedor, mas ao mesmo tempo muito gratificante”, regozija-se a antiga estudante. De facto, Nádia Firmino tem ajudado a EHTCV a tornar-se na referência a nível nacional pelos resultados conseguidos na qualificação profissional de jovens e numa instituição que, ao mesmo tempo, “encerra em si uma grande complexidade em termos de gestão, por aliar a formação com atividades de prestação de serviços de restauração e alojamento hoteleiro”. “O nosso trabalho e esforço refletem-se diretamente na melhoria das condições de vida das pessoas que procuram a EHTCV porque sabem que têm grandes possibilidades de ingressar no mercado de trabalho após a formação”, aponta. A EHTCV tem por objetivo principal promover a difusão do conhecimento e o desenvolvimento de competências para o exercício de atividades profissionais e de excelência nas áreas da Hotelaria, Restauração e Turismo. A instituição, lembra Nádia Firmino, nasceu “para colmatar as lacunas existentes no mercado turístico cabo-verdiano, que carece de mão de obra qualificada, e contribuir para a melhoria qualitativa da oferta turística no país”. Desde então, “a EHTCV vem consolidando o seu processo formativo, criando massa crítica para avaliar, adaptar e consolidar o produto formativo, tendo no quadro das ações de formação realizadas registado mais de 3 mil inscritos no período 2011-2015”.


dezembro 2015

João Almeida

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Entre o privilégio e a responsabilidade de cumprir uma missão: preservar e promover o Parque de Serralves Tem “o privilégio mas também a responsabilidade” de ser diretor do Parque de Serralves, um magnífico exemplo da arte de jardins europeia da primeira metade do século XX classificado como Monumento Nacional. Formado no ano 2000 em Planeamento Regional e Urbano (PRU) na UA, João Almeida, de 41 anos, recorda hoje o laboratório de vida que foi a academia de Aveiro e que, garante, o preparou para enfrentar com êxito os grandes desafios profissionais que, de lá para cá, foi abraçando.


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Não foi uma decisão fácil escolher a UA depois de terminado o ensino secundário, pois os interesses de João Almeida eram, e continuam a ser, muitos e variados. “Na altura em que me candidatei ao ensino superior, a UA oferecia um curso em Planeamento Regional e Urbano (PRU) que me pareceu bastante abrangente”, lembra o antigo estudante. João Almeida só tinha uma certeza: “Sempre estive consciente de que o meu futuro passaria por uma profissão ligada à arquitetura, ao urbanismo ou à paisagem”.

ouvir os outros, mas também não deixar de ser ouvido”, estão à cabeça da lista. “São competências essenciais quando muito do nosso trabalho passa necessariamente por trabalhar no seio de uma grande equipa, que nem sempre tem as mesmas metas e objetivos que os nossos”, refere João Almeida que não esquece outras ferramentas que desenvolveu na UA como a capacidade para planear e gerir vários projetos em simultâneo e de nunca baixar os braços perante adversidades.

Gestão de um parque único Para quem então atravessava uma fase ainda exploratória da vida, João Almeida considerou que, de uma só vez, a licenciatura em PRU dar-lhe-ia a oportunidade de aprender mais sobre algumas das suas temáticas de eleição: o urbanismo, a geografia, a arquitetura, a paisagem e o ordenamento do território. A decisão foi, por isso, tomada. Fez as malas e veio para Aveiro. A UA revelou-se uma aposta ganha. “O curso ajudou-me a tomar decisões que se revelariam fundamentais para o futuro. Os oito anos que passei na UA, primeiro a estudar e depois a trabalhar, deixaram-me boas memórias e, sem dúvida alguma, prepararam-me para os desafios maiores que haveriam de surgir mais à frente”, recorda. Entre as pessoas que o marcaram enquanto estudante, João Almeida destaca os docentes Teresa Andresen, que o orientou na tese de final de curso, Paulo Farinha Marques, que lecionava as disciplinas de Ecologia da Paisagem, e Maria José Curado, a arquiteta paisagista com a qual trabalhou, depois de concluir o curso, numa das equipas de investigação do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO). Decididamente, entre as competências adquiridas na UA e que foram fundamentais para o exercício da sua atual atividade, “conseguir trabalhar em equipa, saber

Iniciou o percurso profissional durante o último ano da licenciatura, quando integrou a equipa de investigação do DAO, coordenada pela professora Teresa Andresen. Aí continuou após a conclusão do curso por mais dois anos. Durante esse período participou em diversos projetos na área do ordenamento do território dos quais se destaca o Estudo Paisagístico para a Candidatura do Alto Douro Vinhateiro a Património Mundial da UNESCO e, decorrente desta classificação, o Plano Intermunicipal de Ordenamento do Território para aquela zona do país. “A participação nesses projetos influenciou fortemente a minha decisão de continuar a aprofundar os meus estudos na área da paisagem”, lembra. Assim, em 2002, partiu rumo aos Estados Unidos, onde permaneceu durante três anos, para frequentar um mestrado em arquitetura paisagista na Universidade de Massachusetts. “Foi uma experiência extremamente enriquecedora, que me alargou os horizontes e preparou como nenhuma outra antes para enfrentar o mundo profissional”, reconhece João Almeida. De regresso a Portugal, e enquanto colaborador da equipa de investigação de arquitetura paisagista da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, voltou a desenvolver atividade na área do ordenamento do território e da paisagem, nomeadamente na gestão de jardins históricos. No final de 2007 foi trabalhar para

percurso antigo aluno

a Fundação de Serralves, mais propriamente na gestão do seu magnífico Parque.

Um dia a dia nada monótono “É um privilégio ser diretor do Parque de Serralves porque me dá a oportunidade de diariamente o ver e sentir, de observar a sua transformação ao longo do ano e de o conhecer e compreender como poucos”, congratula-se. Por outro lado, o cargo “é uma grande responsabilidade, pois sendo o Parque um exemplo singular da arte de jardins europeia da primeira metade do século XX, classificado como Monumento Nacional, um organismo vivo em permanente evolução, torna-se fundamental assegurar, diariamente, a salvaguarda da sua unidade e coerência, de acordo com os princípios orientadores que serviram de base à sua criação e obedecendo às melhores práticas para a gestão patrimonial e ambiental de jardins históricos”. O planeamento e implementação de ações relacionadas com a conservação do Parque ocupam, impreterivelmente, uma parte considerável do trabalho que João Almeida desenvolve em Serralves, mas não só. “Há todo um trabalho paralelo de investigação, divulgação e promoção dos valores históricos e naturais do Parque, que é desenvolvido e implementado anualmente através de um conjunto de ações programáticas diversas, como exposições, conferências, visitas, cursos, entre outras”, descreve. Tão importante como preservar, é “dar a conhecer o Parque, criar afetividade com o público”. Finalmente, pelas características muito próprias da Fundação de Serralves, João Almeida tem ainda que participar em muitos dos projetos transversais que a Fundação desenvolve. É, sem dúvida, “um trabalho onde a monotonia não existe e diariamente nos deparamos com novos desafios”.


dezembro 2015

Sara Bárrios

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Semear o futuro do planeta no Jardim Botânico Real de Kew Para uma bióloga encantada pelo mundo das plantas seria difícil trabalhar num local mais apaixonante. O Jardim Botânico Real de Kew, em Inglaterra, é um dos mais extensos, antigos e prestigiados jardins botânicos do mundo e Sara Bárrios, desde 2005, é uma das biólogas que lhe dá alma e rumo. Licenciada em Biologia pela UA, a Sara contribui para a implementação da Estratégia Mundial para a Conservação das Plantas, um plano pensado pela “Convention for Biological Diversity”, uma iniciativa promovida pela ONU para diminuir à escala planetária o risco de extinção de plantas.


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“Eu trabalho nos Royal Botanic Gardens, em Kew, um jardim botânico localizado em Londres, e onde está situada uma das maiores e mais diversas coleções de plantas e fungos do mundo que permitem aceder a informação sobre plantas de todo o planeta e trabalhar para que estas não desapareçam, devido a uma série de ameaças, como as alterações climáticas”. Bem-vindos aos Royal Botanic Gardens onde a Sara, aos 35 anos, trabalha diariamente para ajudar a “documentar e clarificar a diversidade de plantas e fungos a nível mundial”, contribuindo para a sua conservação. Neste momento, a bióloga e a sua equipa têm em mãos a missão de estudar o risco de extinção de espécies vegetais que são nativas dos territórios ultramarinos da Inglaterra. “Fazendo uso das categorias estabelecidas pela União Internacional para a Conservação da Natureza, vamos tentar estabelecer quais as plantas que estão em maior risco de extinção para, depois, colocá-las no topo das prioridades em termos de conservação”, explica. Para isso, a equipa de biólogos da Sara Bárrios tem que fazer um estudo completo de cada planta. Saber onde crescem, que outras espécies habitam os mesmos habitats e quais as ameaças às quais estão sujeitas são algumas das informações em que a bióloga está a trabalhar.

Ambiental e uma passagem de um ano no Herbário da UA através do projeto Radical da Rede de Aprendizagem Interativa. No final de setembro de 2005 Sara Bárrios mudou-se para Londres. Na bagagem levava uma Bolsa Leonardo com duração de seis meses para melhorar a sua experiência profissional. Começou por trabalhar num projeto de conservação de plantas no Jardim Botânico Real de Kew e inserida na equipa dos territórios ultramarinos do Reino Unido onde acabou por ficar um ano e três meses. “Nesta fase aprendi, sobretudo, como se organiza um herbário com 8 milhões de plantas, a identificar plantas dos trópicos e o que custa tentar salvar espécies antes que desapareçam para sempre”, lembra. Depois concorreu para outro trabalho dentro dos jardins. “Durante dois anos e meio fui team leader para o projeto Iniciativa para as Plantas Latino-Americanas, um dos maiores projetos de digitalização de espécies tipo de herbário, que envolveu mais de 130 instituições do mundo da botânica”. Nos últimos seis meses de trabalho Sara Bárrios foi promovida a coordenadora do projeto nos jardins de Kew.

Preciosas ferramentas adquiridas na UA

De Aveiro para Londres

Em 2009 surgiu uma vaga na equipa na qual tinha começado a trabalhar nos jardins de Kew, a equipa dos territórios ultramarinos. Desta vez aguardava pela Sara a missão de preparar uma plataforma digital das coleções que existem nos jardins de Kew e analisar onde estas seriam mais fracas de forma a serem posteriormente melhoradas. “Concorri e fiquei com o trabalho. A plataforma “UKOTs Online Herbarium” foi lançada em dezembro de 2011. Entretanto, foi-me oferecida uma posição permanente nesta equipa”, congratula-se.

Licenciou-se em Biologia na UA em 2003. Seguiu-se um estágio profissional na Associação Portuguesa de Educação

Concluído o 12º ano na área das Ciências Naturais em Aveiro, candidatar-se à

O primeiro estudo é todo baseado em especímenes de herbário. “Só mais tarde iremos ao campo verificar se os resultados obtidos são corretos. Vamos demorar dois anos só para completar este estudo para as plantas endémicas [as plantas que só existem naqueles territórios e em mais lado nenhum da Terra]. O grande objetivo é escrever o livro das plantas vermelhas – o “Red List book” – para estes territórios”, desvenda.

percurso antigo aluno

licenciatura em Biologia da UA “foi um passo natural” para quem queria estudar moléculas e ‘bichinhos’ microscópicos. Mas depois, lembra, “vieram as plantas e o amor pela conservação”. Hoje a bióloga não tem dúvidas de que fez “uma boa escolha”. O dia em que Sara Bárrios decidiu que queria estudar plantas foi mesmo um dos mais marcantes da sua passagem pela academia de Aveiro. Tanto assim é que o episódio permanece gravado na sua memória como se tivesse acontecido ontem. “O professor da prática de Fisiologia Animal trouxe uma raposa que tinha encontrado morta na estrada, para a abrirmos e estudarmos o seu interior e podermos aferir a sua alimentação”, recorda. A então estudante de biologia, entusiasmada, foi mesmo a primeira a saltar do banco e a voluntariar-se para abrir o animal. “Mas não era bem o que eu esperava e o cheiro e a impressão que me fez abrir o animal quase me levou ao desmaio! Nesse dia decidi que estudar animais não era para mim! Há plantas que também cheiram muito mal, mas aquilo tudo fez-me muita impressão!”, lembra. Do percurso académico, Sara Bárrios aponta que um curso universitário tem que dar aos estudantes as ferramentas básicas para que estes possam crescer na vida profissional. “Aprender a fazer pesquisa, questionar as respostas fáceis e ensinar a trabalhar com motivação para atingir objetivos que às vezes parecem muito difíceis de alcançar. A UA deu-me todas essas ferramentas”, garante. “A UA e a cidade de Aveiro foram sem dúvida sítios fantásticos para estudar. A Universidade já na altura tinha condições muito boas e o curso expôs-me a muitas disciplinas e deu-me muitas ferramentas que eu tenho desenvolvido durante a minha carreira”, recorda.


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Entrevista com… Ilídio Pinho

“A Universidade do meu distrito pode fazer da região a Oxford de Portugal” Senhor de uma notável carreira empresarial e de utilidade pública, traduzida nas 859 páginas do livro recentemente lançado na Universidade Aveiro perante um sem número de ilustres figuras nacionais, o Engenheiro Ilídio Pinho integra o Conselho de Curadores da instituição. Aos 77 anos define-se como um “humanista ambicioso”, reconhece que “estar à frente do tempo” é uma das suas virtudes e “ter razão antes do tempo”, o seu pior defeito. Defende a autonomia efetiva das universidades e um novo modelo de financiamento, a necessidade de os jovens assumirem a gestão da sua vida a partir dos 18 anos e aspira a que a universidade do seu distrito seja capaz de fazer da região, a Oxford de Portugal.


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Fundador e Presidente de inúmeras empresas, o Engenheiro Ilídio Pinho tem tido uma vida empresarial ímpar. Que marcos destacaria de todo o seu vastíssimo percurso profissional? A escolha não é fácil, como se compreende, mas a fazê-la relevaria um pequeno número de situações e decisões que determinaram a minha vida empresarial. −um − encontro que tive, em Berna, com um diretor da Alu Suisse ensinou-me o pragmatismo da decisão: “Um problema existe, ataca-se, resolve-se”. Adotei esta máxima e segui-a sempre nos momentos mais marcantes da minha vida; −marco − determinante foi, sem dúvida, a decisão que tomei, em Milão, sem hesitações, após o ensinamento de Berna, sobre o meu caminho empresarial: a construção de uma fábrica de latas; −o − boicote no fornecimento de serviços de litografia que os meus concorrentes me impuseram, ainda dava a Colep os primeiros passos, mostrou-me que o caminho da eficácia e credibilidade empresarial exigia AUTONOMIA, não depender de terceiros para cumprir just-in-time os meus compromissos; −o − sucesso da Colep e tudo o mais que fiz na vida deve-se fundamentalmente a essa máxima paradigmática: AUTONOMIA; −a − revolução do 25 de Abril foi perturbadora da economia nacional, mas também ofereceu oportunidades a quem as soube ver. Porque Portugal passou a ser um país de elevado risco, as multinacionais ficaram impedidas pelas “casas mãe” de aqui poderem investir. Isso foi feito pela Colep – caso único – com base em parcerias tecnológicas e dando corpo a uma estratégia de “diversificação não relacionada” que lançou a empresa para um patamar nunca antes sonhado, quer em Portugal, quer nos mercados internacionais; −o − falecimento do meu filho trouxe-me ensinamentos muito duros, mas de enorme valia. Com a falta dele, decidi que as empresas como catedrais profissionais não devem morrer com o seu empresário criador. Decidi então dolorosamente abdicar da Colep para garantir a sua continuidade. Sinto-me triste, mas não arrependido, pois é hoje a maior empresa da Europa. O país ganhou com isso, porque em memória do Ilídio Pedro, transformei-me em empresário

entrevista

de Utilidade Pública, criando a Fundação Ilídio Pinho. O seu objeto social – “A Ciência ao Serviço do Desenvolvimento e Dignificação Humana” muito tem aproveitado a Portugal.

inimagináveis imprevisibilidades. Por isso, quem não aprender a participar ativamente no mundo da ciência não passará, no futuro, de um analfabeto, por mais culto que possa ser noutras áreas.

Esta evidente preocupação com a utilidade pública valeu-lhe já diversas distinções de mérito. Qual a distinção pública de que mais se orgulha? Porquê? Mencionaria só duas, sem prejuízo de outras no plano afetivo. A mais destacada é a Grã Cruz da Ordem do Mérito, uma distinção de elevado mérito nacional. A outra, concedida pela terra em que nasci, é a de Cidadão Honorífico – Medalha de Ouro e que incluiu a atribuição do meu nome à avenida de entrada na cidade de Vale de Cambra.

Foi este o motivo que o levou a criar a Fundação Ilídio Pinho? A Fundação Ilídio Pinho foi criada em homenagem ao meu filho, Ilídio Pedro, para cumprir uma missão superior: colocar a ciência ao serviço do desenvolvimento e da humanização. A Fundação, que não é minha, mas é do país, tem um único propósito: a utilidade pública.

“Quem não aprender a participar ativamente no mundo da ciência não passará, no futuro, de um analfabeto” É também conhecido o seu fascínio pela Ciência e Tecnologia. Que papel fundamental lhes atribui? A ciência é e será o futuro, em todos os domínios e vertentes do mundo em que vivemos: −com − a sua importância na criação das condições ambientais, para salvar o planeta das agressões que o desenvolvimento humano e o crescimento económico descontrolado lhe têm imposto; −na − defesa e melhor utilização dos recursos naturais, como energia, água, matérias primas, etc; −na − investigação de novas soluções para aliviar o sofrimento humano. Diga-se que com a globalização e a tecnologia, as diferentes regiões do planeta estarão cada vez mais próximas. Num mundo cada vez mais único, a ciência estimulará a partilha de valores, humanismo e cultura, para enfrentarmos unidos os desafios globais. Com esse papel catalisador, a ciência aumentará a velocidade da inovação com

Qual a ação desenvolvida pela Fundação de que mais se orgulha? A Fundação desenvolveu e desenvolve ainda projetos em diferentes áreas do saber, embora fundamentalmente na área da ciência. Um dos mais relevantes foi o Programa de Bolsas-Empréstimo para alunos do ensino superior, que apoiou cerca de 100 alunos a seguir os seus estudos e a licenciarem-se com o apoio de bolsas empréstimo. Outro projeto da maior importância foi o Anamnese, um notável, exaustivo e complexo levantamento da arte contemporânea portuguesa no período de 1993 a 2003, realizado em parceria com o Ministério da Cultura. Mas a iniciativa de maior impacto nas diferentes vertentes tem sido, sem sombra de dúvida, o Prémio Ciência na Escola. É uma iniciativa que envolve alunos, professores e escolas de diferentes níveis de ensino, do pré-escolar ao secundário, passando pelo básico e pelo profissional, desde o norte e o interior de Portugal à Madeira e Açores. O conceito é simples, mas poderoso: grupos de alunos, coordenados por professores, desenvolvem projetos na área das ciências tendo como objetivo a resolução de problemas concretos das empresas e da sociedade a partir das suas competências. Na 13ª edição, atualmente em curso, espera-se que sejam apresentadas cerca de mil ideias para projetos inovadores, envolvendo a participação de cerca de 120 mil alunos e professores com 6 milhões de horas de trabalho, na sua maioria extra curriculares, em todas as escolas do país. Os melhores projetos serão selecionados


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por um júri nacional, recebendo 350 mil euros em prémios.

Como define um bom empreendedor? O bom empreendedor é um criador que, quando não pode fazer o que quer, faz o que pode, mas faz. Os constrangimentos não podem ser desculpas para baixarmos os braços e os bons empreendedores não baixam os braços.

O objetivo é que os professores se tornem empresários do conhecimento científico criador e que, com os seus alunos, transformem as escolas em motores da sociedade civil. Este ano, os professores e os alunos passarão a beneficiar dos prémios e as escolas, da propriedade intelectual. A participação dos alunos na realização dos projetos ajuda-os a descobrir qual é a sua vocação para fazerem as suas candidaturas ao ensino superior. Quanto aos professores, têm o prazer de ser próativos e verdadeiros empreendedores no domínio da inovação científica. Finalmente pretende-se que o "Prémio Fundação Ilídio Pinho Ciência na Escola" se alargue, em cooperação, aos países de expressão portuguesa. Com tal iniciativa, Portugal beneficiará junto desses países de uma relação preferencial sustentada na ciência escolar, para além da língua e da economia, que mais nenhum país tem.

“Os bons empreendedores não baixam os braços”

Mas o que fazem, devem fazê-lo sempre em antecipação às tendências para poderem diferenciar-se e oferecer aquilo que é novo, indo ao encontro das expetativas muitas vezes desconhecidas. Para isso, cada empreendedor tem de conhecer o mundo de cada um dos seus clientes. Os mercados já não existem.

importantes e julgo que determinantes para o meu caminho como empresário: decidir com o suporte do conhecimento tecnológico; continuar a aprender no dia a dia, avançando num mar de conhecimento sem fim. E termino a resposta com uma frase genial de Louis Pasteur que sintetiza bem o que penso nesta matéria: “O acaso favorece somente as mentes bem preparadas”.

Que conselhos daria aos jovens diplomados que pretendem criar o seu próprio negócio? Que acreditem neles mesmo sozinhos. Que façam o que é do seu conhecimento e da sua vocação. Que sejam resilientes, não desistam e não se dispersem.

Que competências devem os programas de Ensino Superior desenvolver nos seus diplomados para que possam ser profissionais de sucesso e ter um papel ativo na sociedade? Os estudantes devem assumir a gestão da sua vida a partir dos 18 anos, autonomamente e afirmativos na sua personalidade. Para isso, devem partilhar os custos da sua formação, em conjunto com as universidades e o Estado.

Em que medida a frequência do Ensino Superior e, em especial, do curso de Engenharia Eletrotécnica e Máquinas contribuiu para o sucesso da sua carreira? A formação de base tecnológica que tive, ofereceu-me duas coisas muitíssimo

Um estudo levado a cabo pela Fundação Ilídio Pinho mostrou ser prática em países que vemos como modelo para o nosso, como os países do Norte da Europa e os Anglo-Saxónicos. Serem totalmente dependentes da família, despersonaliza os jovens, torna-os subservientes e


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esmolantes, com efeitos de insatisfação e revolta. As universidades têm de se tornar autónomas de facto e não apenas de jure. A grande reforma estrutural do Ensino Superior será o Estado oferecer às universidades autonomia financeira e de gestão, libertando-as do pesado e anacrónico jugo burocrático que as limita e tolhe desde que nasceram. Só assim as universidades poderão fazer parcerias em cluster com a sociedade que as envolve e competir a nível internacional. Só assim poderão integrar os jovens estudantes, oferecendo-lhes experiência, competências e criando-lhes ambição empresarial. Só assim poderão formar as gerações que terão a responsabilidade de transformar Portugal. Que missão entende deverá ter o Ensino Superior nesta mutante, competitiva e globalizada economia do século XXI? O Ensino Superior e a Ciência são a chave do nosso futuro e é pena que, na prática, tão pouca importância lhe tenha vindo a ser atribuída nos últimos anos não só pelos governos, mas também pela falta de conhecimento e cultura científica existente numa boa parte das empresas.

O que se espera é que o Ensino Superior e a Ciência promovam, impiedosamente, uma destruição criadora do passado, do status quo que impede o progresso do país, à velocidade que se impõe, produzindo e oferecendo à sociedade que servem, as competências científicas e técnicas de que ela precisa, para ser participante ativa e vencedora no inimaginável futuro do mundo que nos espera.

A verdadeira autonomia é a chave para o sucesso do Ensino Superior Racionalizar a oferta formativa, consolidar a rede de Instituições de Ensino Seperior (IES), formar profissionais tendo também em conta as necessidades do mercado de trabalho. O que pensa da atual política para o Ensino Superior? A atual política do Ensino Superior sofre substancialmente, na sua estrutura, e como disse, da política do passado. Reafirmo que a palavra-chave para o sucesso da sua reestruturação é AUTONOMIA. Só assim será possível colocar em prática uma cultura com conceitos poderosos, como o just-now, just in time e o win-win, hoje em dia imprescindíveis não só nas empresas,

entrevista

mas também na administração pública e nas universidades. Na atual situação, nem o Estado, nem as universidades o podem praticar. No entendimento da Fundação Ilídio Pinho, o Estado deveria urgentemente criar condições para que o Ensino Superior, (universidades e politécnicos), altere o seu modelo de financiamento. O modelo que vemos com poder reformador é que o Estado ofereça aos alunos 1/3 do custo da sua formação, sendo ainda o garante de bolsas-empréstimo para que eles próprios possam assumir o seu 1/3 a liquidar após estarem no mercado de trabalho. As universidades deveriam assumir o seu terço através da oferta de serviços de formação, consultoria e investigação por contrato, ao mundo que as envolve. Deste modelo de assunção de responsabilidades pelas partes, emergiriam condições de incentivo à concorrência ativa, criando nas universidades competências ganhadoras imprescindíveis para competir a nível internacional. Ao Estado, competiria regular o sistema e, aos alunos, independência financeira para que deixem de ser dependentes e subservientes a partir do momento em que iniciam a sua formação académica. Só assim terão condições


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metalomecânica às telecomunicações, passando pelos moldes, cerâmica e tantos outros setores exportadores – está a transformá-la num ator central com êxito, nomeadamente na incubação de spin-offs em novas áreas tecnológicas que competem globalmente, contribuindo assim para fazer evoluir e aumentar o valor dos produtos e serviços criados na região. Por estas razões, e ainda pela abertura, dinamismo e visão estratégica das suas lideranças, que são capazes de pensar e intervir a partir da academia, a Universidade de Aveiro pode vir a ter um papel de primeiro plano no desenvolvimento económico e social, a exemplo do que fez nas últimas décadas a Universidade de Oxford. Assim sendo, a Universidade de Aveiro pode fazer da sua região a Oxford de Portugal. E isso seria certamente um exemplo paradigmático que aproveitaria a todo o País.

para afirmar a sua personalidade e ter pró ativismo empreendedor e não serem pedintes de um emprego quando saem das universidades. Como vê esta crescente emigração de jovens diplomados? Depende do que forem fazer e de como forem para o estrangeiro. Depende se é por vocação, por ambição ou só por extrema necessidade. Se emigram para serem verdadeiros criados no país de emigração, vejo muito mal. Mas como ação orientada para o conhecimento e para a descoberta de um mundo mais amplo do que o nosso que conhecem, vejo necessariamente muito bem. É fundamental conhecermos o mundo que nos rodeia para podermos saber o que somos, o que não queremos e o que queremos. A ligação do Eng. Ilídio Pinho à UA já vem de longa data. Foi membro do Conselho da Universidade e mais recentemente passou a integrar o Conselho de Curadores. Como reagiu a este último convite? Senti-me muito honrado e reagi na expetativa de poder ser útil oferecendo a minha experiência.

Que expetativa deposita na Cátedra Convidada em Neurociências que a Fundação Ilídio Pinho atribuiu à academia de Aveiro? A expetativa é a de que, no âmbito dessa cátedra, seja desenvolvido e difundido conhecimento útil para minorar o sofrimento daqueles que possam ser vítimas de algumas das disfunções cerebrais que hoje em dia atormentam a nossa sociedade. Diz que o livro “Ilídio Pinho: uma vida. O Empresário e a Utilidade Pública” é a resposta ao desafio insistentemente lançado pelos amigos, representando um testemunho sobre a sua intensa vida empresarial e de utilidade pública. Como se sentiu no dia do seu lançamento? Senti que valeu a pena ter nascido. O que o levou a escolher a UA para o lançar? Em primeiro lugar é a Universidade do meu distrito, uma “universidade nova”, que alcançou prestígio e reputação nacional e internacional. A sua deslocalização em investigação e formação superior com forte ligação às empresas e aos seus clusters – desde a


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Mas este sonho será demasiado lento ou nunca será realidade se não se fizerem as ditas reformas estruturais do Ensino Superior. Nessas reformas são pedra de toque, como já referi, a autonomia de gestão, cortando os entraves burocráticos que asfixiam quem quer fazer e estimulam o imobilismo. É fundamental um novo modelo de financiamento responsabilizante, pró ativo e afirmativo, no qual o estudante, Universidade e Estado assumam, cada um, a sua parte nos custos da formação superior. Exige-se assim, dos futuros governantes na área do Ensino Superior e da Ciência, que deem às universidades autonomia. Numa vida tão rica e preenchida até a nível familiar, que projetos poderão estar ainda por concretizar? Nesta fase da minha vida, diria que os projetos que ainda sonho ajudar a concretizar são todos de utilidade

pública. São todos para o meu país. São eles: −as − grandes reformas estruturais do ensino universitário, que já referi; −o − aprofundamento das relações com os países de expressão portuguesa pela via do conhecimento científico, no âmbito da iniciativa do “Prémio Fundação Ilídio Pinho Ciência na Escola”; −tornar − Portugal num país estratégico para a Europa e para o mundo, transformando-o numa plataforma de investimento estrangeiro, com condições para se afirmar como base de penetração e relacionamento intercontinental; −finalmente, − que se faça a regionalização económica do Norte, a bem de Portugal, que os nortenhos que produzem, exportam e competem internacionalmente e que são autónomos, dependam cada vez menos da corte de Lisboa.

entrevista

Nasceu a 19 de dezembro de 1938, em Vale de Cambra, onde nos anos 60 criou a conhecida fábrica do setor da embalagem de produtos alimentares – Colep. Ilídio Pinho é fundador e presidente da Fundação Ilídio Pinho, Ilídio Pinho Holding e Fomentinvest, para além de outras empresas. É também membro do Conselho Geral e de Supervisão da EDP – Energias de Portugal, S.A, e, entre diversos cargos institucionais, integrou o Conselho da Universidade de Aveiro sendo atualmente membro do Conselho de Curadores desta instituição que considera “insatisfeita, ativa e ambiciosa”. Em 1961 concluiu o curso de Engenharia Eletrotécnica e Máquinas no Instituto Industrial do Porto, estagiando em empresas industriais de referência, como a Smol, Rabor e CUF. Após curta carreira na Oliva, Vicaima e Arlindo Soares Pinho-Indústrias Metalúrgicas, decidiu seguir o seu impulso empreendedor e criou a COLEP, acrónimo derivado do seu nome de família. Casou entretanto com Maria Emília, com quem teve dois filhos, Ilídio Pedro e Daniela. A morte do filho foi, de resto, a maior provação por que passou até hoje. Nos anos 1980 a sua veia de serial entrepreneur tornou-se evidente, com uma intensíssima atividade de diversificação para as áreas do gás, cabos elétricos, software, moldes e outras. Foi, assim, promotor, fundador, acionista único ou qualificado e Presidente ou membro do Conselho de Administração de inúmeras empresas. Empresário sempre preocupado com a utilidade pública, desempenhou inúmeros cargos pro bono, e foi agraciado com altas distinções de mérito a nível nacional.


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A UA e o Mar Aveiro está visceralmente ligada ao mar pela sua localização geográfica, mas principalmente pela sua tradição secular de exploração marítima e pela cultura intrínseca com forte vocação para os oceanos. A UA herdou essa ligação e encara o mar como uma das suas estruturas basilares, um recurso inestimável e precursor do desenvolvimento socioeconómico da região. Em Portugal, o mar reveste-se de enorme importância e a Economia do Mar assume-se como uma das áreas estratégicas de desenvolvimento social e económico do país que tem uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas da Europa, estando em curso a conclusão do Processo de Extensão da Plataforma Continental, no âmbito da Organização das Nações Unidas, para além das 200 milhas náuticas, um processo que a ter luz verde acarretará a jurisdição nacional sobre o solo e subsolo marinhos dessa imensa plataforma. A área

marítima nacional poderá assim passar a ser 40 vezes superior ao seu território atual, oferecendo o acesso à próxima grande fronteira na exploração dos oceanos no que respeita os fundos marinhos. De acordo com a Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020, é necessário “um novo modelo de desenvolvimento do oceano e das zonas costeiras que permitirá a Portugal responder aos desafios colocados para a promoção, crescimento e competitividade da economia do mar, nomeadamente, as importantes alterações verificadas no âmbito político e estratégico a nível europeu e mundial”. O plano de ação associado, o Plano Mar-Portugal visa, sobretudo, a valorização económica, social e ambiental do espaço marítimo nacional através da execução de projetos setoriais e intersetoriais, assim como dos planos estratégicos de âmbito nacional já existentes ou em fase de preparação.

Nesta macro-perspetiva, uma abordagem integradora do conhecimento e da investigação é fundamental para dar resposta aos desafios que se colocam às áreas costeiras e marinhas de Portugal, dando seguimento, por exemplo, à investigação e desenvolvimento nas áreas estratégicas para Portugal, como por exemplo a aquicultura.

Interdisciplinaridade apontada à Economia do Mar A UA tem sido um parceiro muito ativo na promoção da investigação e disseminação da Economia do Mar, e assume, neste domínio, uma série de valências interdisciplinares, reconhecidas nacional e internacionalmente, que vão desde o estudo integrado e multidisciplinar de sistemas, riscos e recursos estuarinos, costeiros e do mar profundo, à sua avaliação ambiental, ao desenvolvimento sustentável e integrado do mar na sociedade.


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As unidades de I&D na UA, com competências científicas e tecnológicas inovadoras e multidisciplinares, trabalham no sentido de simplificar a complexidade dos sistemas e das respetivas interações, estando interligadas pelo “Aveiro Institute for Marine Science and Technology” (AIMARE), um instituto de investigação que agrega várias unidades da academia de Aveiro, apostando numa melhor e maior articulação do trabalho de todos os que se dedicam aos estudos do mar e sua ligação com a sociedade. Um estudo conduzido pelo Research Council of Norway, sob o tema Bibliometric Study in Support of Norway’s Strategy for International Research Collaboration, publicado em abril de 2014 com o objetivo de identificar áreas de interesse estratégico e potenciais parcerias internacionais, identificou algumas instituições portuguesas, dando destaque, na área

estratégica do mar, à UA, classificada como uma das instituições mais importantes a nível de output, especialização e impacto e recomendando maior proximidade e colaboração a nível científico e institucional entre ambos os países.

Formação académica voltada para os oceanos A importância do mar na UA reflete-se igualmente no cumprimento da sua missão, ou seja, por exemplo, na promoção da formação de 1º e 2º ciclos, na investigação fundamental e aplicada, no desenvolvimento tecnológico, na inovação, na exploração sustentável dos recursos e na formação avançada de recursos humanos, nomeadamente em ambiente empresarial em temas relacionadas com o mar. Em termos de oferta formativa de 1º e 2º ciclos, nove licenciaturas e dez mestrados em temas relacionados com o

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mar demonstram a importância do tema. Na área da formação de 3º ciclo, são 11 os programas doutorais com ligação ao mar, destacando-se os doutoramentos em parceria com outras instituições estrangeiras, como o Programa Doutoral em Ciências do Mar (MARES), o Programa Doutoral em Biologia e Ecologia das Alterações Globais (BEAG / BEGC) e o Do*Mar – Doctoral Programme on Marine Science, Technology and Management. Em termos de formação não conducente a grau, é igualmente notória a presença da temática em quatro cursos de formação avançada em temas diretamente relacionados com o mar. A produção científica resultante de investigação nacional e internacional desenvolve-se maioritariamente no seio de unidades de investigação da UA com know-how e infra estruturas de investigação relacionadas com a


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área, como o Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), o Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO), o Instituto de Materiais de Aveiro, o Pólo da UA do Instituto de Telecomunicações (IT), da unidade Geobiociências, Geoengenharias e Geotecnologias (GEOBIOTEC), do Instituto de Engenharia Eletrónica e Telemática de Aveiro (IEETA), da unidade de investigação em Governança, Competitividade e Políticas Públicas (GOVCOPP), da unidade de investigação Química Orgânica, Produtos Naturais e Agroalimentares (QOPNA) e do grupo de investigação do Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA). Fomenta-se, deste modo, o cruzamento de vários saberes e competências, permitindo explorar temas como os Recursos Biológicos Marinhos, Ambiente Saudável e Sustentável, Recursos Minerais e Energéticos Marinhos, Tecnologias e Aplicações Marinhas, Ordenamento e Governança das Áreas Marinhas e Costeiras e Turismo, Recreio e Lazer, entre outros.

A Plataforma Tecnológica do Mar, por exemplo, é um desses grupos. Nascida para coordenar as competências científicas e infraestruturas da UA ao nível da investigação costeira e marinha, a Plataforma promove sinergias e ecoinovação, e estabelece a ponte com os setores público e privado, refletindo as suas necessidades e desafios e contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico da região e do país.

Academia na vanguarda europeia A nível europeu, a excelência da UA é retratada na participação em projetos financiados no âmbito dos programas-quadro, nomeadamente na participação contínua em projetos europeus, enquanto parceiro ou coordenador. São disso exemplos os projetos Hermes, Lagoons, Hermione, Symbiocore, Nanomar, PhootSymbiOxiS, Marpro ou o MeshAtlantic. A criação de uma Cátedra para os Estudos do Mar, financiada pela Caixa Geral de Depósitos e atribuída ao investigador Graham Pierce, professor catedrático da Universidade de Aberdeen, da Escócia, renovou a aposta da UA nesta área estratégica e aumentou a especialização local em Biologia Marinha e Pescas. Visando uma efetiva transferência de tecnologia e uma maior cooperação com a sociedade, foram criados na UA grupos operacionais específicos para o Mar, promovendo sinergias internas e externas, de forma a apoiar e alavancar o desenvolvimento estratégico socioeconómico da região e do país no que toca ao meio marítimo.

Em termos de sinergias externas, a colaboração com o Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar dinamizado pela Oceano XXI resultou no ECOMARE, uma parceria da UA com a Câmara Municipal de Ílhavo, o Porto de Aveiro e a Sociedade para a Proteção da Vida Selvagem. O ECOMARE constitui um projeto âncora do cluster, visando promover atividades de investigação, desenvolvimento e inovação no domínio do mar, articulando os recursos, as competências e as tecnologias disponíveis para complementar e dinamizar as atividades económicas e societais ligadas ao mar. A estrutura trabalhará em projetos de investigação e parcerias com o tecido económico do setor, inclui áreas de reabilitação e recuperação de animais marinhos e ainda atividades de divulgação de ciência. A UA assume um papel preponderante na investigação ligada ao mar, mas também tem um forte impacto no desenvolvimento regional e no complementar das competências dos municípios da Região de Aveiro e de outras regiões portuguesas. Destacam-se, neste âmbito, o Grupo UAriadeaveiro e a participação no Grupo de Ação Costeira da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) e a cooperação, por exemplo, com Cabo Verde na implementação internacional de projetos empresariais na área das pescas. O mar é, assumidamente, um recurso de grande valor. Ao desempenhar um papel ativo e interventivo no país, e em específico na região, a academia de Aveiro contribui igualmente para a implementação e concretização da Estratégia de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente do Centro de Portugal (RIS3 do Centro), que distingue o mar como um domínio diferenciador da região.

· Nove licenciaturas, dez mestrados e 11 programas doutorais com ligação ao mar; · Biologia, Ambiente e Ordenamento, Física, Química e Geociências são os departamentos da UA que mais se destacam quando o assunto é o mar; · Mais de uma dezena de unidades de investigação da UA cruzam competências em áreas como os Recursos Biológicos Marinhos, o Ambiente Saudável e Sustentável, os Recursos Minerais e Energéticos Marinhos, as Tecnologias e Aplicações Marinhas, o Ordenamento e Governança das Áreas Marinhas e Costeiras ou o Turismo, Recreio e Lazer; · A inaugurar em 2016 o ECOMARE vai desenvolver estudos sobre aquacultura e economia do mar, recuperar animais marinhos e produzir e transferir tecnologia para empresas e organizações no âmbito do mar; · Participação da UA em projetos financiados no âmbito dos programasquadro, enquanto parceiro ou coordenador, como, por exemplo, nos projetos Hermes, no Lagoons, no Hermione, no Symbiocore, no Nanomar, no PhootSymbiOxiS, no Marpro ou no MeshAtlantic; · Criação na UA da Cátedra para os Estudos do Mar, financiada pela Caixa Geral de Depósitos e atribuída ao investigador Graham Pierce, professor da Universidade de Aberdeen, da Escócia, renovou a aposta da UA no mar e aumentou as potencialidades da academia na Biologia Marinha e Pescas; · Plataforma Tecnológica do Mar da academia de Aveiro integra todo o conhecimento produzido na UA na área do mar, possibilitando a sua transferência para o setor empresarial.


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e Gestão do Mar, no âmbito do Campus de Excelência Internacional “Campus do Mar”, uma iniciativa que resulta da parceria entre as universidades de Vigo, Santiago de Compostela, Corunha, Aveiro, Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro, do Instituto Espanhol de Oceanografia e do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha.

Remos do mesmo barco rumo ao futuro Adriático, Arábico, Cáspio, Mediterrâneo, Negro, Vermelho e Golfo Pérsico. Eis as peças do puzzle dos “sete mares” da Antiguidade, hoje transformadas no Pacífico Norte, Pacífico Sul, Atlântico Norte, Atlântico Sul, Índico, Ártico e Antártico. A biodiversidade, os movimentos tectónicos, as matérias-primas, as correntes e todos os ínfimos e os enormes mecanismos que fazem cada uma dessas peças únicas, mas profundamente ligadas e interdependentes, não conhecem fronteiras. Também na UA, os departamentos, as unidades de investigação e as restantes estruturas que têm o mar como um dos grandes horizontes, na força conjunta das singularidades de cada um, fazem dos oceanos um espaço global de pesquisa, conhecimento e futuro. Departamento de Física pioneiro em Portugal A atuação do Departamento de Física (DFis) na área do mar tem sido de grande relevância, e realizada através das três vertentes fundamentais da sua missão: ensino nos três ciclos de estudos, investigação e desenvolvimento, e atividades de ligação à sociedade. No ensino, o DFis é o único departamento de Física nacional com atividades de formação na área do mar, na qual tem tido um papel muito ativo no desenvolvimento de propostas de formação e contribuído para a graduação de um número significativo de profissionais com competências para o estudo de processos

marinhos, através da lecionação e direção das licenciaturas em Ciências do Mar e em Meteorologia, Oceanografia e Geofísica. A nível do 2º ciclo é responsável pelo mestrado em Meteorologia e Oceanografia Física e participa ativamente no mestrado em Ciências do Mar e das Zonas Costeiras, ofertas formativas que se encontram num processo de reformulação proposto pelo DFis, para dar origem a um mestrado único e inovador em Ciências do Mar e da Atmosfera. É de sublinhar ainda, no que ao ensino diz respeito, a participação ativa do DFis em diversos programas doutorais, dos quais se destaca presentemente o Programa Doutoral em Ciência, Tecnologia

Na investigação e desenvolvimento, aponta João Miguel Dias, diretor do DFis, “o Departamento integra o CESAM, onde tem como principal missão efetuar estudos de oceanografia física a diferentes escalas, desde a bacia Ibérica, incluindo as Ilhas, à escala dos estuários nacionais, com especial ênfase na Ria de Aveiro, missão para a qual tem contribuído significativamente para o avanço do conhecimento”. Adicionalmente, acrescenta João Miguel Dias, “o DFis tem estado fortemente envolvido em trabalhos multidisciplinares em conjunto com outras áreas das ciências do mar, podendo-se destacar a realização de estudos sobre processos biogeoquímicos, estudos de erosão costeira e transporte sedimentar, processos ecológicos de dispersão larvar e conectividade, estudos da influência das alterações climáticas na hidrologia e na dinâmica oceânica e estuarina”. No âmbito da investigação desenvolvida o Departamento tem estabelecido diversas colaborações internacionais, das quais se destacam as assinadas com países da CPLP, o que tem permitido o estudo de regiões oceânicas e estuarinas nestes países. Na vertente de ligação à sociedade “o DFis tem também tido uma atividade intensa, nomeadamente através do desenvolvimento de estudos nos programas Polis da Ria de Aveiro e da Ria Formosa ou no Plano de Ordenamento da Orla Costeira de Ovar – Marinha Grande, e participado em diversos projetos como por exemplo o Gulbenkian Oceans Initiative”. É de salientar ainda a participação do DFis no consórcio e nos projetos RAIA, contribuindo para o desenvolvimento  de um observatório marinho e litoral com cientistas da Galiza e do Norte de Portugal, promovendo a oceanografia operacional, com redes observacionais e modelos


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de previsão oceânica em tempo real, acoplados com modelos atmosféricos, incluindo regime de agitação marítima, circulação oceânica, e previsão de trajetórias em meios marinhos.

Departamento de Química com o mar no horizonte O Departamento de Química (DQ) tem tido um grande envolvimento na temática do mar ao qual dá uma grande importância. A certeza é dada por Tito Trindade, diretor do DQ, que sublinha: “Naturalmente que é uma temática que nos toca a todos, por razões abrangentes que nos remetem para a nossa História como povo e pela sua relevância no nosso futuro coletivo”. O DQ, aponta o responsável, “tem correspondido a desafios vários que se colocam no âmbito desta temática, liderando projetos de investigação e colaborando com vários agentes, na Universidade de Aveiro e fora dela”. Exemplos disso são os vários investigadores e docentes especialmente ativos na temática do mar e que integram precisamente o laboratório associado do CESAM. Ao nível de investigação, acrescenta Tito Trindade, “vários investigadores e docentes têm estado envolvidos em projetos internacionais e nacionais, resultando diversas publicações científicas com afiliação do DQ, nesta temática e em tópicos afins, como por exemplo as que se relacionam com a qualidade de águas salinas usando adsorventes inovadores”. No âmbito deste “diálogo construtivo” que se tem estabelecido na UA tendo o mar no horizonte, sublinha o diretor, “o DQ tem colaborado também na vertente ensino ao estar na base da criação da Licenciatura em Ciências do Mar, lecionando unidades curriculares nesta formação e fazendo parte da Comissão Científica do Mestrado em Ciências do Mar e das Zonas Costeiras, onde leciona várias unidades curriculares”. No DQ existem ainda inúmeras teses de Mestrado e Doutoramento na área das zonas costeiras e do mar, sendo uma delas orientada conjuntamente pelo anterior Secretário de Estado do Mar. Finalmente, refiram-se atividades de transferência de

conhecimento e prestação de serviços, como por exemplo a participação em alguns trabalhos de impacto ambiental para a Administração do Porto de Aveiro.

Departamento de Geociências, líder em geofísica marinha O Departamento de Geociências (DGeo) tem desenvolvido trabalho na área de investigação sobre ambientes marinhos desde há vários anos, em especial através dos docentes e investigadores integrados no CESAM. Em particular, é de salientar o dinamismo da equipa de geofísica marinha, liderada pelo investigador Luís Menezes Pinheiro, que tem participado em inúmeros projetos de relevância internacional dedicados ao estudo do substrato geológico dos fundos marinhos e que, além disso, tem tido um papel importante na ligação a empresas envolvidas na prospeção de recursos geológicos em ambiente marinho, em particular hidrocarbonetos. “Também os docentes e investigadores da unidade GEOBIOTEC têm aumentado a sua intervenção na investigação sobre ambientes marinhos, nomeadamente participando com estudos mineralógicos, geoquímicos e isotópicos em trabalhos multidisciplinares que procuram caracterizar

a proveniência de sedimentos, conhecer melhor problemas geoambientais e colaborar na reconstituição paleoclimática dos últimos milhares de anos”, recorda José Francisco Santos, diretor do DGeo. É de referir também o papel ativo que o DGeo, em colaboração com os departamentos de Física, Química, Biologia e Ambiente e Ordenamento, tem tido nos cursos de licenciatura e de mestrado que existem na UA focados nas Ciências do Mar, assim como na supervisão de várias teses de doutoramento dedicadas a esse assunto. Presentemente, o DGeo está envolvido em vários projetos de grande envergadura ligados ao mar, dos quais se podem destacar a participação no European Consortium for Ocean Research Drilling, o mais importante programa de exploração dos fundos oceânicos à escala global, no Min-GUIDE, que se dedica ao estudo de medidas para a exploração sustentável dos recursos minerais na Europa, e no COST-FLOWS, focado na investigação da circulação de fluídos na litosfera oceânica com vista ao desenvolvimento de sensores físico-químicos que permitam uma monitorização das falhas causadoras de sismos em ambiente oceânico.


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Departamento de Ambiente e Ordenamento: Quatro décadas de trabalho Desde que nasceu há 37 anos, o Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) tem desenvolvido trabalhos pioneiros na área do ambiente, ordenamento e gestão das zonas costeiras e marinhas. Na década de 80 do século passado, lembra Carlos Borrego, diretor do DAO, “contribuímos ativamente para a constituição do Gabinete da Ria de Aveiro (GRIA) e na sua coordenação até à apresentação do Plano-Ria, posteriormente implementado pela Associação dos Municípios da Ria [hoje denominada Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro] e pela SIMRIA, entre outras instituições”. Sendo as áreas costeiras zonas de interface entre a terra e o mar, aponta Carlos Borrego, “este contributo foi determinante para a gestão integrada das zonas costeiras dos 11 municípios da Ria de Aveiro e para a melhoria da qualidade da água na ria e no litoral”. Portanto, há mais de duas décadas que no DAO se faz investigação em planeamento ambiental e governação das áreas costeiras e marinhas, com particular incidência na região centro e na Ria de Aveiro, zona lagunar de especial relevância nacional e internacional.

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Ao nível da Avaliação e Gestão do Risco, o DAO desenvolveu toda a cartografia de vulnerabilidade biológica, física e socioeconómica, e de risco de derrames de hidrocarbonetos para a Ria de Aveiro e zona costeira adjacente. Também o trabalho desenvolvido para as Administrações Portuárias, em colaboração com o IDAD-Instituto do Ambiente e Desenvolvimento, tanto no âmbito do risco de derrames acidentais como de aperfeiçoamento do manuseamento de cargas portuárias, permitiu melhorar as condições da qualidade do ar nos portos e sua envolvente, bem como dos níveis de ruído, diminuindo a incomodidades das populações circundantes e prevenindo efeitos na saúde.

ainda na formação em Ciências do Mar (1º ciclo), e Ciência, Tecnologia e Gestão do Mar (3º ciclo Campus Do Mar)”.

O DAO, que hoje possui o mais completo sistema de informação geográfica, terrestre e marinha da região de Aveiro, na área ambiental, socioeconómica e cartográfica, participou também na coordenação do primeiro Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo em Portugal, integrando a respetiva equipa de coordenação multidisciplinar. Um plano, sublinha Carlos Borrego, que “constitui a base do processo de planeamento e gestão do mar, em Portugal Continental, sendo o instrumento de gestão territorial que suportou a implementação da Estratégia Nacional para o Mar para o período de 2013-2020”.

No âmbito do projeto LIFE+ MarPro, coordenado pelo DBio, foi recolhida informação de base para assegurar a capacidade de Portugal em cumprir a obrigação, perante a Comissão Europeia, de designar Zonas Especiais de Proteção e Sítios de Interesse Comunitário ao abrigo das Diretivas Europeias das Aves e dos Habitats. “Os relatórios técnicos já produzidos estão a ser usados para definir os futuros sítios Natura 2000 em meio marinho”, diz Amadeu Soares.

No historial das relações do DAO com o mar, relevo também para as participações no projeto internacional sobre ordenamento e governação do espaço marítimo transfronteiro, na bacia Atlântica Europeia, no projeto CAPMAN que se debruçou na poluição do ar em zonas costeiras e fluxo de nutrientes atmosfera-oceano e no projeto sobre os serviços dos ecossistemas terrestres e marinhos, na Ria de Aveiro e área marinha adjacente. Carlos Borrego sublinha ainda que o DAO é pioneiro na oferta formativa, tendo lançado, juntamente com outros departamentos, em 2006, o Mestrado em Ciências do Mar e Zonas Costeiras (2º Ciclo). Atualmente, ponta o diretor, “oferece formação em Ciências do Mar e Zonas Costeiras (2º Ciclo) e Ciências do Mar e da Atmosfera (novo 2º ciclo); em Gestão Marinha e Costeira (3º ciclo ERASMUS), colaborando

A investigação do Departamento de Biologia e as Políticas Públicas do Mar O Departamento de Biologia (DBio) tem uma longa tradição e muita investigação na área do mar, desde o mar profundo às questões relacionadas com o stress e a poluição até, mais recentemente, a trabalhos ligados com a aquacultura e o crescimento azul. No que diz respeito à contribuição do DBio para a definição das políticas públicas na área do mar, destaca Amadeu Soares, diretor do Departamento, exemplos não faltam.

Ao nível da designação de Zonas Especiais de Proteção, aponta o responsável, “investigadores do DBio elaboraram as componentes de modelação e de identificação de áreas que levaram à ampliação da Zona de Proteção Especial do Cabo Espichel e da Zona de Proteção Especial da Costa Sudoeste, bem como as componentes de modelação para a criação de duas novas zonas, a do Cabo Raso e a de Aveiro-Nazaré”. Em relação aos Sítios de Interesse Comunitário, “encontramo-nos a terminar o documento técnico de suporte à criação de três sítios e à ampliação de uma área já existente para a proteção de duas espécies de cetáceos, duas espécies de tartarugas marinhas, três espécies de peixes migradores e três tipos de habitats marinhos protegidos”. Em relação ao Plano de Gestão de Áreas Marinhas Natura 2000, durante os anos de 2016 e 2017 equipas do DBio serão responsáveis pelo desenvolvimento técnico da proposta de plano de gestão para as


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quatro Zonas Especiais de Proteção e para as quatro Áreas Especiais de Conservação em meio marinho, designadas no âmbito do projeto Life+ MarPro.

desenvolvimento estratégico da UA, que tem neste domínio uma série de valências interdisciplinares bem afirmadas aos níveis nacional e internacional, que vão desde o estudo integrado e multidisciplinar de sistemas, riscos e recursos estuarinos, costeiros e do mar profundo, à sua avaliação ambiental e desenvolvimento sustentável. Por isso, e por estar inserida numa região onde as atividades ligadas ao mar são de enorme importância social e económica, a Plataforma tem vindo a maximizar as valências existentes na UA nos vários domínios do saber aplicados às Ciências e Tecnologias do Mar, Governação e Desenvolvimento Sustentável, e a estabelecer parcerias com o setor empresarial, entidades portuárias e da Administração Pública, com vista a promover a investigação pura e aplicada, o desenvolvimento tecnológico, a inovação, a exploração sustentável dos recursos e a formação avançada de recursos humanos, nomeadamente em ambiente empresarial.

Na Estratégia Nacional para o Mar 20132020, que “apresenta um novo modelo de desenvolvimento do oceano e das zonas costeiras, que permitirá a Portugal responder aos desafios colocados para a promoção, crescimento e competitividade da economia do mar”, o DBio, em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e Floresta, tem nas mãos inúmeras missões que ajudarão o país a tomar as medidas necessárias para obter um bom estado ambiental no meio marinho até 2020. Simultaneamente, lembra Amadeu Soares, “contribuímos para a definição do programa de medidas que permitirá ao Estado Português avaliar a variação do estado do meio marinho, usando parâmetros de espécies indicadoras como cetáceos e tartarugas marinhas”. Das muitas missões marítimas que o DBio tem atualmente, Amadeu Soares lembra também o apoio dado pelos investigadores da casa às políticas e regulamentos europeus, nomeadamente no que diz respeito à monitorização do impacto das artes de pesca sobre espécies de cetáceos, às políticas e tomadas de decisão por parte do Internacional Council for the Exploration of the Sea e à implementação de um plano de ação com vista à conservação do boto em Portugal “de forma a reverter e evitar a extinção desta espécie emblemática”.

Plataforma Tecnológica do Mar Criada pela UA em 2013, a Plataforma Tecnológica do Mar enquadra-se na aposta da academia em criar redes de competências direcionadas para setores-chave da economia nacional, como o é a Economia do Mar. Por isso, na certidão de nascimento da Plataforma Tecnológica do Mar a missão é bem clara: integrar todo o conhecimento gerado na UA na área do mar, possibilitando a sua transferência para o setor empresarial de forma integrada. As Ciências e Tecnologias do Mar têm sido, desde longa data, um dos polos de

CESAM, a marca de água da excelência científica nacional Dá pelo nome de CESAM e assume-se como uma das unidades científicas portuguesas mais relevantes quando se fala em investigação na área do mar. Desde a sua criação que o CESAM tem desenvolvido investigação no ambiente marinho e zonas costeiras. Neste sentido,

lembra Amadeu Soares, membro da direção do CESAM, “através de uma abordagem ecossistémica, o centro de investigação tem coordenado e/ ou participado em várias atividades de monitorização do ambiente marinho através de observações, medições e modelos para a exploração e gestão sustentável dos ecossistemas marinhos e serviços que estes prestam”. Exemplo dessa atividade é a participação do Centro no mapeamento de habitats marinhos, de forma a apoiar a definição de políticas e a implementação de diretivas nacionais e europeias relativas ao meio marinho. Na investigação, para além da identificação morfológica e molecular da fauna associada a manifestações de vulcanismo submarino e outros habitats batiais invulgares, o CESAM também tem desenvolvido projetos que pretendem compatibilizar as atividades económicas ligadas ao mar, com a conservação dos recursos marinhos, de espécies protegidas e o estabelecimento de zonas de conservação marinhas. No âmbito conservacionista, equipas do CESAM são responsáveis por acorrer aos arrojamentos e, sempre que possível, fazer tratamentos de reabilitação de espécies marinhas, com o objetivo de as devolver ao seu meio natural. Paralelamente, aponta Amadeu Soares, “o CESAM não tem descurado a


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relevância e impactos das alterações globais nos oceanos e zonas costeiras relacionados com os processos biogeoquímicos, impactos de estressores simples e múltiplos nos ecossistemas marinhos e serviços e vulnerabilidades socioeconómicas”. O CESAM também tem apostado na bioprospeção de novos recursos biológicos marinhos, através da aplicação da biotecnologia azul para extração de novos produtos de elevado valor acrescentado, a partir da biomassa marinha e macromoléculas, para isolamento de recursos genéticos e biopolímeros dos oceanos e valorização de subprodutos provenientes das atividades de pesca, aquacultura e da indústria de processamento de pescado. Outra área de atuação, enumera o responsável, “surge na componente dos produtos do mar saudáveis e seguros, através do desenvolvimento de novas tecnologias para um processamento mais eficaz, pegada de carbono e da pegada de água de indústrias de processamento e sistemas de rastreabilidade através de ferramentas moleculares”. O CESAM encontra-se, ainda, envolvido em diversas atividades ao nível do planeamento e gestão integrada das zonas costeiras e marinhas, participando, através dos seus membros, em diversos

grupos de peritos nesta área. O CESAM tem ativamente contribuído para novas abordagens nas práticas de tomadas de decisão, através de uma melhor consideração da vulnerabilidade das avaliações e das suas incertezas no que concerne à gestão costeira e prevenção de risco. Portugal apresenta um potencial relevante em matéria de I&D&I na área das ciências e das tecnologias marinhas. No entanto, considera Amadeu Soares, “este potencial de conhecimento não tem a devida correspondência no plano económico e empresarial, um aspeto revelador da necessidade urgente de proceder a uma maior e melhor articulação e cooperação entre os centros geradores de conhecimento, tais como o CESAM, e as empresas de modo a reforçar, no panorama nacional, a importância real da economia do mar”. Perante o que o CESAM considera ser uma necessidade do país de desenhar estratégias para ultrapassar os obstáculos à inovação e chegar mais rapidamente à criação de valor económico, ambiental e social para o mar português o Centro responde já, por exemplo, com a parceria no Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar, dinamizado pela Associação OCEANO XXI, onde a UA se assume enquanto promotora do

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ECOMARE, com o envolvimento no projeto internacional Campus do Mar que envolve mais três universidades portuguesas e o sistema universitário da Galiza, para além da colaboração de universidades e centros de investigação europeus, americanos, africanos e chineses.

ECOMARE, um centro marinho único na Europa Não há nada assim na Europa. Chama-se ECOMARE e vai desenvolver estudos sobre aquacultura e economia do mar, mostrar protótipos e recuperar animais marinhos. E, para além disso, pode ser visitado pelo público. Resultado de uma parceria entre a UA, a Câmara Municipal de Ílhavo e a Administração do Porto de Aveiro, o ECOMARE, situado junto ao jardim Oudinot e porto de Aveiro, na Gafanha da Nazaré, Ílhavo, vai funcionar como um laboratório de espécies marinhas e uma unidade veterinária para tratamento de animais marinhos, identificando-se como uma mais valia para a academia e como impulsionador do dinamismo económico da região. O centro, que será inaugurado em 2016, pretende ainda desenvolver a prestação de serviços de I&DT+I e transferência de tecnologia a empresas e organizações governamentais e internacionais, no âmbito do mar, com vista ao aproveitamento sustentável dos recursos marinhos. Composto pelo Centro de Extensão e de Pesquisa Ambiental e Marinha (CEPAM), a Unidade de Pesquisa e Recuperação de Animais Marinhos (UPRAM) e uma biblioteca de organismos vivos (Biblioteca de Invertebrados Marinhos e Simbiontes Microbianos), com tanques que recriarão as condições de vida naturais e que permitirão um estudo continuado dos organismos vivos, o projeto representa um investimento de 4,5 milhões de euros, sendo que 3,82 milhões são de comparticipação comunitária. O projeto da UA, para além do apoio do porto de Aveiro e da Câmara de Ílhavo, conta com a colaboração da Associação para Economia do Mar, do Oceano XXI e da Sociedade Portuguesa da Vida Selvagem.


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Gente Marinhoa, Jorge Bacelar

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O campo é onde não estamos… mas para lá parece pender o coração Uma multitude de dados, decorrentes da análise de políticas e estratégias, de conteúdos noticiosos, de filmes, de entrevistas e de um inquérito à população portuguesa, permitiu ao projeto “Rural Matters”, da UA, constatar a diversidade de representações do rural português, mas, sobretudo, concluir que “o campo é onde não estamos”. Qualquer um de nós tem uma imagem do campo, do espaço rural. Desses lugares, aos quais a maioria de nós ainda tem ligações familiares, onde se mantêm vivos hábitos e práticas para os quais não há espaço nem tempo na cidade, e onde a religiosidade e o misticismo estão mais vivos. Lá, ainda é possível olhar o céu inteiro, à noite, e o verde, a natureza mais ou menos humanizada, rodeiam-nos num abraço. O campo é frequentemente entendido como lugar de reequilíbrio, onde se volta a ganhar energia para suportar as atribulações da cidade. Mas também de abandono. Na verdade, um projeto desenvolvido ao longo de três anos na UA que fez luz sobre as representações do rural português, mostra, como nunca se fizera antes, a evolução recente dessas representações e das intervenções no espaço rural e que o campo é onde não estamos, onde não queremos viver, apesar de falarmos

dele com nostalgia e de valorizarmos os produtos locais e as atividades ligadas ao turismo rural. Ao contrário do que se possa pensar, há uma conceção do espaço rural própria dos países do sul da Europa que não coincide com a conceção “idílica” comum nos países do norte da Europa, afirma Elisabete Figueiredo, professora do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) da UA e coordenadora deste projeto. Mostrar até onde vai esta diferença de representações do rural que distingue norte e sul da Europa era também um dos objetivos do projeto designado “Rural Matters”, acrescenta a investigadora, eleita recentemente membro da Comissão Executiva da European Society for Rural Sociology (ESRS) e presidente da Sociedade Portuguesa de Estudos Rurais. Precisamente, o “Rural Matters” mostra que nas representações sociais do rural há duas


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Rural abandonado Esta duplicidade ficou patente nas respostas ao inquérito que, entre outros aspetos, procurou quantificar a relevância da noção de idílico na apreciação que a população faz do rural português. Os dados deram origem a cinco grupos de representações sociais sobre o rural, sendo o mais numeroso o grupo designado como “anti-idílicos” (30,6 por cento dos 1853 respondentes), seguido dos “derrotistas” (28,8 por cento dos respondentes), resultando num somatório aproximado a 60 por cento de respondentes que não têm uma visão idílica do rural. Tanto a análise dos discursos políticos, como das estratégias e materiais promocionais do Turismo de Portugal e de Redes de Aldeias, como dos textos noticiosos presentes nas edições dos diários Público e Correio da Manhã (entre 1986 e 2012), mostram um antes e um depois de 1995 quanto à imagem que se transmite do rural, assinala Elisabete Figueiredo. Antes dessa data, predomina um Portugal rural entendido ainda como produtivo e agrícola e a carecer modernização. Após essa data o rural passa a ser representado naqueles documentos como um espaço multifuncional, aberto a novas oportunidades e consumos, especialmente associados ao turismo e ao lazer. De facto, os citadinos são, hoje, os principais protagonistas do mundo rural, salienta a coordenadora do projeto. Muito das economias rurais joga-se na oferta de serviços, na valorização dos recursos e na vivência de experiências locais pelos citadinos. Aliás, em Portugal a grande agricultura está localizada nas redondezas de zonas urbanas e em pequenas bolsas, noutros pontos do país, especialmente vocacionadas para esta atividade. A produção agrícola deixou de caraterizar o espaço rural, especialmente o rural mais profundo, embora ainda possa estar presente nas marcas que deixa nas paisagens e nos modos de vida.

Oliveira Baptista e Keith Halfacree. A equipa da UA, para além de investigadores do DCSPT, envolveu ainda investigadores do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial, nomeadamente da área de turismo em espaço rural e cinco estudantes de diversos Mestrados (Planeamento Regional e Urbano, Turismo e Comunicação Multimédia). Resultaram cerca de 50 publicações em periódicos nacionais e internacionais, capítulos de livros e apresentações em conferências e ainda um livro, precisamente, intitulado “O campo é onde não estamos”, a lançar brevemente pela UA Editora. Paralelamente à conferência internacional de apresentação das conclusões, em setembro na UA, decorreu o concurso de fotografia “Significados do Rural em Portugal”. O primeiro e o segundo classificados publicamse nestas páginas. “Gente Marinhoa”, por Jorge Bacelar, captada em Pardelhas, Murtosa, venceu o concurso. “Ligação”, por Jorge Sarmento, captada em Trás-os-Montes, ficou em segundo.

Ligação, Jorge Sarmento

dimensões que surgem lado a lado muito frequentemente: o rural abandonado e negligenciado e o rural idílico precisamente devido ao abandono e aos sinais persistentes de pré-modernidade, assinala.

investigação

Metodologia com base em análise extensa O “Rural Matters” analisou um extenso e muito significativo conjunto de documentos produzidos por várias instituições e agentes entre 1986 e 2012. Dimensão política – programas de desenvolvimento rural e

Retórica vs. realidade

instrumentos e estratégias associados à política agrícola assim

Esta constatação está relacionada com outra conclusão do projeto: a discrepância acentuada entre a retórica – os discursos políticos que advogam o desenvolvimento rural – e a realidade – a distribuição do orçamento que é muito mais concentrada na atividade agrícola que se situa, maioritariamente, na vizinhança das maiores zonas urbanas –, sublinha Elisabete Figueiredo, restando pouco para o rural interior, de baixa densidade, e para o rural como espaço multifuncional.

como programas de 10 governos constitucionais e planos nacionais de turismo. Esta análise foi complementada com a realização de entrevistas a Ministros e Secretários de Estados com responsabilidades no período considerado, nas áreas do desenvolvimento rural, agricultura, turismo, ambiente e ordenamento do território. Dimensão de comunicação social – 623 notícias selecionadas aleatoriamente em dois Jornais nacionais (Correio da Manhã e Público) e publicadas durante aquele período; seis obras cinematográficas nacionais com foco em áreas rurais; materiais promocionais publicados pelo Turismo

Assim, o que, por vezes, se designa como movimento dos “novos rurais” é, em grande parte, um mito, garante Elisabete Figueiredo, argumentando com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE): de 2001 a 2011, embora 30 mil novos residentes tenham entrado nos 135 concelhos de baixa densidade populacional e localizados na faixa interior do país, saíram mais de 150 000 habitantes desses mesmos municípios, continuando o balanço a ser muitíssimo negativo.

Rural e por três Redes de Aldeias (Históricas, Vinhateiras e de Xisto) e por duas entidades de turismo rural (Turihab e Privetur) e difundidos igualmente ao longo do mesmo período. Dimensão social – Inquéritos por questionário a uma amostra da população portuguesa (1853 questionários distribuídos por diferentes concelhos, freguesias, género e idade dos respondentes) e 26 entrevistas em profundidade a inquiridos representativos das diversas representações sociais sobre o rural. Das 26 entrevistas realizadas, 10 foram filmadas e 9 utilizadas no

O projeto envolveu 16 investigadores de vários centros de investigação, sendo dez da UA, e dois consultores: Fernando

documentário “Vozes e Olhares sobre o Rural”, de Daniel Amaral, aluno do curso de Mestrado em Comunicação Multimédia da UA.


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UA na linha da frente do super radiotelescópio SKA É o maior projeto científico internacional de todos os tempos e conta com a presença da UA. Chama-se Square Kilometer Array (SKA), tem um orçamento próximo dos 2000 milhões de euros e pretende construir até 2020 o maior radiotelescópio do mundo para perscrutar alguns dos mistérios do Universo. Haverá vida fora do planeta Terra? Como evoluíram as primeiras galáxias e surgiram as primeiras estrelas? Onde está a matéria escura? Envolvendo mais de 100 instituições científicas pertencentes a 21 países, o SKA quer dar respostas a estes e a muitos outros enigmas escondidos até agora nos confins do cosmos. Coordenada pelo Polo do Instituto de Telecomunicações (IT) na academia de Aveiro, a presença portuguesa no mega projeto mundial, através do consórcio EngageSKA, vai liderar o processo de definição de aspetos vitais para o êxito do SKA, com foco na inclusão de tecnologias de energia solar e de redes de energia inteligentes (SmartGrid), assim como de comunicações e processamentos avançados suportados por sistemas de computação em nuvem. De que modo se pode transportar e armazenar eficientemente um exabyte de dados (cerca de 100 vezes os que são processados hoje por toda a Internet) para ser processado por um super computador de forma a que se possam descobrir os segredos mais recônditos do Universo? Encontrar a resposta é uma das missões onde Portugal assume o comando no projeto SKA.

Enorme parceria público privada Na equipa portuguesa que se prepara para desbravar o Universo, e no que às empresas diz respeito, destaca-se a Martifer Solar, a PT, o Grupo Visabeira, a Active Space Technologies, a Critical Software, a LC Technologies, a Lógica e a Coriant. Das entidades científicas, para além da UA e do IT, o EngageSKA conta nas suas fileiras com o Polo de Competitividade das Tecnologias da Informação, Comunicação e Eletrónica (TICE.pt), as universidades de Évora e do Porto e o Instituto Politécnico de Beja. “A participação neste projeto é de extrema importância para qualquer universidade que queira liderar no maior programa mundial de inovação, seja nas áreas científicas do SKA, seja na engenharia necessária para o concretizar”, explica Domingos Barbosa, investigador do Polo da UA do IT e coordenador do consórcio português.


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“A UA, tal como os outros membros do EngageSKA, pretende manter-se na crista da inovação. O SKA irá possuir um dos maiores supercomputadores do mundo cujo centro vai produzir mais informação por segundo do que toda a Internet”, aponta o investigador. Assim, “os desafios do ponto de vista da engenharia computacional, de materiais, da energia e da monitorização são verdadeiramente enormes”. Razões mais do que suficientes para garantir uma “participação portuguesa muito completa e com grande visibilidade internacional”.

investigação

O projeto na Pampilhosa da Serra acabou mesmo por servir de alavanca para o desafio SKA. “O IT catalisou competências instrumentais e, com a ajuda dos professores Rui Aguiar, João Paulo Barraca e Diogo Gomes, escreveu o programa de Big Data da Plataforma Africana-Europeia de Radioastronomia (AERAP), em resposta a uma resolução do Parlamento Europeu recomendando a radioastronomia como área foco para cooperação entre Europa e África”, diz Domingos Barbosa.

Marca científica portuguesa sem precedentes Atualmente, o consórcio nacional participa em três Grupos de Ciência – Origem da Vida, Heliofisica e Estudos da Galáxia – com investigadores da UA, do IT, da Universidade do Porto e da Universidade de Évora, e em cinco Consórcios de Design e PréConstrução do SKA com ampla participação industrial. São estes o Consórcio Gestor do Telescópio, ou seja o sistema nervoso e o cérebro do SKA que controlará as antenas e monitorizará todos os dispositivos do telescópio, e os consórcios de Comunicações e Transporte de Sinal, Processamento de dados, Agregados de Antenas e Antenas e Recetores. “Salientamos a liderança no design da Plataforma de Computação do Gestor do Telescópio, em colaboração com a Critical Software e a MEO, e nas soluções de criogenia dos recetores na Banda 5 do SKA, em colaboração com a Active Space Technologies”, aponta Domingos Barbosa. Os trabalhos do EngageSKA incluem também a avaliação da energia solar para o SKA, em parceria com a Martifer Solar. Similarmente, e preparando o terreno para o ensaio de protótipos de antenas e novas tecnologias baseadas no radar, que decorrerão no Alentejo, foram instaladas redes de sensores agro ambientais no Instituto Politécnico de Beja e na Herdade da Contenda, em Moura, consolidando uma ciber-infraestrutura do SKA através da exploração dos conceitos de Computação em Nuvem e Internet das Coisas. O consórcio luso “trouxe ao SKA massa crítica científica e competências industriais elevadas num fase muito primordial, mas muito importante do telescópio”, aponta Domingos Barbosa. E pela primeira vez em Portugal, sublinha, “temos um consórcio nacional abrangente, numa verdadeira parceria público-privada a marcar presença na fase de planeamento de um mega projeto”.

A participação do IT permitiu agregar para o SKA um conjunto de competências nacionais muito diversas. “Conseguimos consolidar o papel da indústria e da engenharia nacional, criando no projeto SKA uma ‘pegada’ portuguesa ímpar”, diz o investigador. Por outro lado, o facto do IT e do Cluster TICE.pt terem uma enorme abrangência de interesses nas TICE e colaboração com empresas de ponta tornou natural a inserção de competências avançadas no projeto, que se define precisamente como “Big Data”. No IT, aponta Domingos Barbosa, “espera-se que brevemente Portugal formalize a respetiva adesão ao SKA, enquanto Membro de Pleno direito, sendo um dos parceiros desta nascente Organização científica internacional, similar em importância ao CERN, ESA e ESO e que representa já cerca de 50 por cento da população mundial”. E se as condições de financiamento forem respaldadas atempadamente, garante o investigador, “o retorno nacional será enorme e de grande valor tecnológico”. Nesse sentido, um primeiro passo já foi dado com a bilateralização da cooperação entre Portugal e a República da África do Sul, que culminou na visita no último verão de uma delegação nacional encabeçada pelo Ministro da Educação e Ciência ao local do SKA, no deserto do Karoo, e na assinatura de um protocolo de cooperação em Ciência e Tecnologia.

Números (impressionantes!) do SKA ·· 3000 antenas divididas entre a África do Sul, Moçambique, Austrália e Nova Zelândia e unidas numa antena gigante virtual com uma área de um quilómetro quadrado. ·· Os dados recolhidos pelo SKA num único dia precisariam de dois milhões

De pés assentes na terra rumo ao espaço

de anos, aproximadamente, para serem reproduzidos por um iPod.

“A oportunidade de o IT participar neste grandioso projeto global fez-se construindo e trilhando um caminho de participação em projetos Europeus desde o 6º e 7º Programas-Quadro, culminando na participação da fase preparatória do SKA, e colaborando com a comunidade radioastronómica internacional”, lembra Domingos Barbosa.

·· O SKA será tão sensível que será capaz de detetar o radar de um

A jornada levou cerca de seis anos e partiu de experiências mais pequenas, como a construção e instalação de um radiotelescópio na Pampilhosa da Serra, em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil e a Universidade da Califórnia em Berkeley e a colaboração da Câmara Municipal local, permitindo “consolidar um saber fazer no rastreio do céu recorrendo às ondas rádio”.

·· O SKA irá utilizar fibra ótica suficiente para dar duas vezes a volta à Terra.

aeroporto de um planeta à distância de dezenas de anos-luz. ·· O supercomputador do SKA terá uma capacidade de processamento de 1 Exaflop, um número equivalente ao número de estrelas que existem em três milhões de Vias Lácteas. ·· As antenas em forma de disco do SKA vão produzir 10 vezes o tráfego anual de internet. ·· Os conjuntos de antenas com controlo de fase do SKA vão produzir mais de 100 vezes o tráfego global da internet. ·· O SKA vai conseguir varrer o céu 10 mil vezes mais rápido e com sensibilidade 50 vezes maior que a de qualquer outro telescópio ·· Se houver um radar num planeta situado a 50 anos-luz da Terra o SKA vai conseguir detetá-lo.


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Sucesso académico: uma direção, vários caminhos Projeto FICA – Ferramentas de Identificação e Combate ao Abandono


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ensino

Concebido com a finalidade de promover a qualidade do ensino-aprendizagem da instituição, o projeto FICA – Ferramentas de Identificação e Combate ao Abandono – tem como objetivo contribuir, por um lado, para a diminuição do abandono e, por outro, para a melhoria do sucesso académico dos estudantes da UA. Resultado de um seminário dedicado ao tema do sucesso académico, promovido pelo Ministério da Educação e da Ciência (MEC) em maio de 2015, o FICA foi um de seis projetos selecionados. A ele se juntaram nove outras instituições, num projeto que se insere numa iniciativa que visa a diminuição do abandono e o aumento do sucesso escolar no ensino superior em Portugal.

Atenta, desde sempre, ao desafio que é a transição dos alunos do ensino secundário para o ensino superior e ciente da importância que tem, para o sucesso dos seus estudantes, uma boa integração na instituição, a academia de Aveiro tem feito uma grande aposta no desenvolvimento de atividades que visam proporcionar aos estudantes de 1º ano uma oportunidade para garantir a adaptação pessoal e social a uma nova realidade, considerando que é esse o momento ideal para aprender a aprender e a estar no Ensino Superior. A academia de Aveiro tem, deste modo, vindo a desenvolver ações específicas que agora agrupa num só projeto que designou de FICA – Ferramentas de Identificação e Combate ao Abandono. “Com efeito, o projeto FICA visa consolidar e complementar as atividades desenvolvidas ao longo dos últimos anos no âmbito do acolhimento e integração dos estudantes da Universidade de Aveiro. O desenho deste projeto permite agrupar estas medidas numa iniciativa integrada, monitorizá-las e melhorá-las”, esclarece Gillian Moreira, pró-reitora da academia de Aveiro.

Financiado pelo Ministério da Educação e Ciência, o projeto FICA tem como objetivo contribuir para a diminuição do abandono e a melhoria do sucesso académico dos estudantes da UA, através da consolidação de medidas que já vinham sendo implementadas e da inclusão de outros mecanismos e ações que visam contribuir para alcançar estes objetivos. Setembro de 2015 marcou o arranque do projeto FICA com o Programa de Acolhimento aos alunos de 1º ano que ingressam pela primeira vez no ensino superior e o lançamento do Programa de Tutoria 2015’16, mas outras atividades serão desenvolvidas ao longo do ano letivo, no âmbito das quatro ações que integram este projeto. “O FICA tem a duração de um ano, sendo um projeto relativamente pequeno. O que queremos com ele, para além das ações concretas que iremos implementar neste ano letivo, é pôr no terreno mecanismos que nos permitirão compreender melhor o fenómeno do abandono e detetar e combater atempadamente situações de risco entre os estudantes”, informa Gillian Moreira.

Programa de Acolhimento – novos estudantes A primeira ação do FICA visa consolidar e monitorar a participação dos novos estudantes nos diferentes momentos do Programa de Acolhimento. Ao longo de bastantes anos, a academia de Aveiro tem vindo a promover, no início de cada ano letivo, um programa de acolhimento, que se dirige aos estudantes de 1º ano que ingressam pela primeira vez no Ensino Superior. Este programa integra um conjunto de atividades criativas e informativas que visam a integração dos estudantes no ambiente universitário e na realidade da academia aveirense, dando a conhecer a UA, os seus campi e as suas cidades, a Unidade Orgânica em que o estudante se irá inserir, bem como o curso, os colegas e os docentes com quem irá interagir. É um momento que proporciona o estabelecimento de novas amizades e um primeiro contacto com as diferentes oportunidades oferecidas pela UA e que visa encorajar a participação ativa na vida académica. Para além da participação dos novos estudantes nestas atividades, estão envolvidas, na organização e


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dinamização do programa, a Associação Académica da academia de Aveiro, e um número crescente de estudantes voluntários envolvidos no programa de acolhimento.

Programa de Tutoria (PT-UA) No âmbito da Ação 2, o FICA propõe-se reforçar a adesão dos cursos de licenciatura e mestrado integrado ao Programa de Tutoria_UA, aumentando o número de estudantes do primeiro ano abrangidos por este programa e incluindo estudantes de outros anos em risco de abandono. Tendo o objetivo principal de contribuir para o sucesso académico dos estudantes da UA através da promoção de uma boa integração académica e social na instituição e no ensino superior, o Programa de Tutoria visa acolher os novos estudantes e acompanhar o seu percurso académico e integração social, sensibilizar para a importância da aquisição de competências transversais, e identificar precocemente situações de insucesso académico e de abandono. Em vigor desde 2011/12, este programa funciona em estreita articulação com as atividades de receção e acolhimento e consiste numa estrutura de tutoria por pares, visando o acompanhamento do percurso académico dos estudantes do primeiro ano por mentores (estudantes mais velhos), com a supervisão de tutores (docentes), que asseguram uma boa integração académica e social dos novos estudantes, identificando e encaminhando situações problemáticas para os serviços apropriados da UA. O Programa de Tutoria integra, ainda, um programa de (in)formação que inclui palestras, seminários e outras sessões, o qual está orientado para o desenvolvimento de competências transversais e para o envolvimento do novo estudante nas oportunidades académicas, culturais, desportivas e de mobilidade, entre outras, proporcionadas pela vida universitária. Na operacionalização deste programa intervêm, com diferentes responsabilidades, o Conselho Pedagógico, as Direções da Unidade Orgânica e do Curso, docentes e estudantes.

Observatório do Percurso dos Estudantes Esta ação, visa introduzir mecanismos de monitorização do percurso dos estudantes do primeiro ano, de Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTesp), Licenciaturas e Mestrado Integrado,

que permitam identificar situações de absentismo e de baixo rendimento, e antecipar o risco de insucesso e de abandono da instituição. Com base no conjunto de indicadores identificados como críticos em estudos


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·· Estudantes com taxa de sucesso académico abaixo de 50 por cento dos ECTS a que estão inscritos; ·· Estudantes com propinas em atraso; ·· Estudantes que se candidataram e não obtiveram bolsa ou estão a aguardar decisão; ·· Estudantes com nota de ingresso abaixo de 120 pontos; ·· Número de aulas frequentadas por estudante face ao número de aulas dadas.

letivas, com particular enfoque no primeiro ano, através da discussão e partilha de boas práticas e da participação em workshops de formação.

“Esta é uma vertente nova e muito importante. A disponibilização destes indicadores é absolutamente central à nossa capacidade de compreender e prevenir o abandono”, aponta Gillian Moreira.

Deste modo, nesta ação, dá-se continuidade às atividades já instituídas na UA, nomeadamente o Teaching Day (dia dedicado à celebração do ensino e aprendizagem na UA) e o fórum de partilha e discussão de práticas SPEAQ@UA.

Programa de Apoio e Formação para Docentes

realizados em contexto nacional, passará a ser possível disponibilizar periodicamente informação aos diretores de curso que lhes permitirá atuar, no sentido de se prevenirem situações indiciadoras de possível abandono escolar. Os indicadores a disponibilizar incluem os seguintes:

ensino

O insucesso escolar e o abandono são fenómenos complexos que requerem uma abordagem multifacetada. Neste sentido, prevê-se no âmbito do projeto FICA a realização de um programa de apoio à docência e a promoção de práticas letivas inovadoras. Estas atividades têm como objetivo contribuir para a melhoria das práticas

“Não chega pensar nos estudantes e no que queremos que eles façam… é preciso abrir um espaço alargado na instituição de reflexão e discussão de práticas de planificação e implementação do ensino-aprendizagem”, afirma Gillian Moreira.

Integram ainda esta linha de ação do FICA a realização de um ciclo de workshops ao longo do ano letivo 2015/16, dinamizados por especialistas nacionais e estrangeiros, e dedicados à transição escola/ universidade e a práticas de ensino e aprendizagem inovadoras. Encerra as atividades realizadas no âmbito do programa de apoio e formação de docentes um seminário final de discussão e disseminação de boas práticas.


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Fábrica, Centro Ciência Viva de Aveiro

Serviço público em expansão Conhecida pelo trabalho exemplar desenvolvido na área da promoção da cultura científica e tecnológica, a Fábrica não tem restringido, no entanto, a sua atividade apenas a essa componente. Para além de um extenso programa de itinerâncias e de um serviço educativo direcionados especificamente para as escolas e autarquias, o Centro Ciência Viva de Aveiro foi pioneiro a apostar numa terceira linha de atuação – a conceção e comercialização de produtos de comunicação de ciência –, contando já no seu portfólio, entre outras realizações, com a instalação de quase uma dezena de valências e exposições em centros de ciência dentro e além-fronteiras.

A ideia nasceu da necessidade de manter uma lógica e um modelo de gestão que garantisse a sustentabilidade a longo prazo da Fábrica. Quatro anos depois do arranque desta ideia, o sucesso é visível, como nos dá conta Pedro Pombo, diretor da Fábrica. “Não há nenhum centro com um modelo integrado criado desta forma. Neste momento, este é o grande valor acrescentado da Fábrica. O projeto foi recebido muito bem pelo mercado e neste momento é uma forte base de sustentabilidade do Centro”. A componente de desenvolvimento e comercialização de produtos arrancou apenas em 2011, mas a lista de projetos operacionalizados já é longa. Para além da conceção da exposição “Janelas de Luz”, promovida no âmbito do Ano Internacional da Luz e que vai percorrer várias cidades portuguesas e europeias, a Fábrica foi responsável pela instalação do C3, um centro de ciência em Vagos, e dois centros em Cabo Verde, assegurando a formação científica e técnica dos recursos humanos dessas estruturas. “O C3 foi instalado numa escola primária requalificada, a partir de um contato


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estabelecido pela Câmara Municipal de Vagos. Hoje está a funcionar na perfeição e em estreita colaboração com as escolas dessa área”, esclarece Pedro Pombo, acrescentando ainda que “outro projeto

que nos deixa bastante orgulhosos é o Centro de Ciência “Casa da Ciência” que instalamos em Cabo Verde, na Praia, a pedido do Ministério do Ensino Superior, Ciência e Inovação cabo-verdiano e com financiamento da UNESCO. A Fábrica desenhou a programação, os conteúdos científicos, o programa educativo e o programa expositivo e, ainda, participou em todo o processo de recrutamento das pessoas que iam ficar aí a dinamizar o espaço. Foi o primeiro centro de ciência de Cabo Verde e foi uma alegria imensa ver as crianças a contactar com os produtos que concebemos para elas”. O Centro Ciência Viva de Aveiro esteve, igualmente, envolvido na reprogramação do Centro de Ciência de Angra do Heroísmo, nos Açores. “Há 3 anos, fomos contactados para conceber uma exposição para o Centro de Ciência de Angra do Heroísmo dedicada ao tema da atmosfera e clima. Mas a nossa colaboração acabou por ir mais longe. Para além da exposição, sugerimos um novo modelo de funcionamento para o centro, com novos espaços, novos equipamentos e mais atividades. Montámos um laboratório e demos formação para poderem fazer itinerâncias e visitas às escolas e hoje o centro tem outra dinâmica”.

Estes projetos foram apenas o início de um campo de ação em clara expansão. Neste momento, a Fábrica já tem uma carteira de serviços diversificada e um programa de projetos anual. Refere o diretor do Centro que “temos vários projetos já programados para os próximos dois anos e a maioria deles são dedicados. O feedback que temos recebido tem sido interessante, ainda que numa ordem de grandeza ainda pequena, à escala nacional. Este crescimento é sempre controlado, tendo em conta os nossos recursos e a possibilidade que temos de respeitar os deadlines. Estamos a expandir e a internacionalizar e estamos a fazer com que mais público seja envolvido noutros ambientes produzidos na UA”. Para o próximo ano, já está nos planos da Fábrica a instalação de três novos centros de ciência: o segundo centro de ciência em Cabo Verde, na cidade do Mindelo, e dois centros de ciência temáticos, um Centro Ciência Viva em Vouzela, dedicado à Biodiversidade e a desenvolver em parceria com o Departamento de Biologia da UA, e um Centro Interpretativo do Vidro em Oliveira de Azeméis que contará com a colaboração da Escola Superior de Design, Gestão e Tecnologias da Produção de Aveiro – Norte (ESAN). Em paralelo, terá a seu cargo, ainda, a conceção de três novas exposições: a exposição itinerante “Moving” que incidirá sobre a ciência e a técnica implicadas no movimento e que percorrerá seis Centros de Ciência Viva (Fábrica, Lagos, Sintra, Constância, Coimbra, Vila do Conde); uma exposição sobre o tema da Luz e a sua relação com várias áreas científicas que substituirá a exposição “mãos na massa” na Fábrica; e uma exposição dedicada à matemática e simetrias, a implementar com a ajuda do Departamento de Matemática da UA.

cultural

criativos, designers, artistas, empresas e sobretudo os nossos jovens que gostam de programar e de robótica”. Pedro Pombo salienta, ainda, que o objetivo deste espaço, único ao nível dos centros de ciência portugueses, passa, essencialmente, por estimular o gosto pelas engenharias e permitir a descoberta de novas vocações. “É importante que os jovens saibam programar, saibam matemática, eletrónica… para se motivarem para as engenharias. Isso é muito importante para o país. Este espaço pode claramente promover o gosto pelas engenharias e a capacidade de fazer e o de saber fazer; dar a oportunidade a jovens que são engenhocas e que gostam de fazer coisas, de descobrir carreiras mesmo que não tenham tido oportunidade de seguir para a universidade. O Pavilhão do Conhecimento tem um espaço parecido, mas mais virado para as crianças; nós seremos o primeiro centro de ciência português a oferecer esta valência nestes moldes e a nossa ideia passa por, em conjunto com a Agência Ciência Viva, vir a criar uma rede de maker spaces ‘Dóing’”.

Parceria com a UA decisiva para êxito da comercialização de produtos Para esse êxito, tem sido decisiva, como salienta Pedro Pombo, a ligação estreita mantida entre a Fábrica e a Universidade de Aveiro. “Para além de termos um engenheiro muito competente nessa área, o facto de estarmos associados a uma universidade como a de Aveiro foi essencial para termos dado o salto de protótipos muito elaborados e cientificamente funcionais em maquete para produtos comerciais e produtos acabados de engenharia. Para além do know-how científico que a UA nos proporciona,

A grande novidade de 2016 será, contudo, a abertura de um novo espaço na Fábrica – o maker space “Dóing” – uma nova valência que se pretende expandir como um novo produto. “É uma sala com equipamentos para as pessoas fazerem o que quiserem e serem elas a contribuir para o conteúdo. É um espaço aberto à criatividade que disponibiliza tecnologia (robots, impressoras 3D e outros equipamentos do género) para serem utilizadas por

temos, ainda, acesso a meios essenciais para operacionalizarmos esta valência; temos acesso a uma assessoria financeira e jurídica que são essenciais para uma gestão sustentável deste tipo de modelo. A própria reitoria da UA também facilita o diálogo e a discussão deste tipo de estratégias e a sua implementação. Há muitas oportunidades que nos são oferecidas pela UA. É um trabalho realmente feito em conjunto e em coordenação”.


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dezembro 2015

Campus Sustentável: uma caminhada firme rumo ao futuro No bom caminho! A expressão descreve na perfeição o primeiro ano de atividade do Grupo de Missão para o Desenvolvimento Sustentável (GMDS). Criado pela UA em 2014, no âmbito do repto lançado em 2012 pela Organização das Nações Unidas às instituições de ensino superior, para apresentarem respostas aos desafios da sustentabilidade, reconhecendo que, de facto, podem e devem ter um papel essencial na construção de uma sociedade mais sustentável, o GMDS nasceu já

de mangas arregaçadas. Num ano são diversas as ações, atividades e projetos que foram desenvolvidos por diferentes grupos e membros da comunidade académica e que muito têm contribuído para o cada vez maior desenvolvimento sustentável da UA. E o futuro ainda agora começou! Setembro de 2015. Quase 2 mil jovens acabam de ser colocados na UA. Matrículas feitas, a hora é de participarem nos “Percursos para a Sustentabilidade”,

uma estreia absoluta entre as atividades do Programa de Acolhimento da UA aos novos estudantes. Durante um dia inteiro, os novos estudantes exploraram o campus de Santiago, sendo desafiados a descobrir a UA no caminho da sustentabilidade. Em estreita ligação universidade-cidade, no âmbito da receção pelo Senhor Presidente da Câmara de Aveiro aos novos estudantes, os jovens invadiram também as ruas da cidade de Aveiro, a pé ou de bicicleta. Conduzidos por investigadores,


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campus sustentável

Grande adesão da comunidade “A comunidade académica está bastante sensível ao tema e anseia por que as ações no caminho da sustentabilidade do campus se desenvolvam com mais frequência”, garante Ana Isabel Miranda. “O acolhimento dos vários diretores com que reunimos, bem como dos vários grupos e entidades com que interagimos atesta bem a recetividade da comunidade ao tema. São muitas as sugestões de melhoria e as ofertas de colaboração”, diz a responsável.

docentes, técnicos e estudantes voluntários da UA, os recém-chegados estudantes ficaram a conhecer as matérias-primas – ruas, arquitetura, biodiversidade, serviços, lazer, paisagem e muito, muito mais – de que é feita a cidade-universidade. A iniciativa do GMDS pretendeu acima de tudo chamar a atenção para formas de vida mais ativas, de mobilidade mais sustentável e amiga do ambiente, valores e interesses que o Grupo pretende incentivar. Os “Percursos para a Sustentabilidade”, cuja realização implicou uma colaboração estreita com o Conselho Pedagógico, a Associação Académica da UA, a Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave e a CiclAveiro, e a forma como a comunidade académica aderiu à iniciativa, garantem-lhe desde já um lugar de destaque na caminhada que o GMDS quer fazer por uma academia cada vez mais atenta em dar resposta às questões da sustentabilidade.

Sensibilizar, sensibilizar, sensibilizar Para trás ficou um ano repleto de atividades. “Nos meses iniciais desenvolveram-se sobretudo atividades de âmbito mais interno ao grupo de missão, nomeadamente a definição e apresentação da estratégia, a estruturação das atividades e a cooptação de membros da comunidade académica”, lembra Ana Isabel Miranda, docente da UA e coordenadora do GMDS.

Numa segunda fase o grupo reuniu com diretores de Unidades Orgânicas para partilha de experiências e identificação de dificuldades, de que resultará um guião de práticas sustentáveis, interagiu com os Serviços de Gestão Técnica e Logística para a definição de uma solução para a gestão integrada dos resíduos sólidos da UA e elaborou uma proposta de indicadores de sustentabilidade a incluir nos indicadores de desempenho da UA. Durante a semana de matrículas dos novos estudantes, o GMDS participou também na receção aos pais que acompanharam os jovens no ato da matrícula apresentando-lhes, através de um percurso pedonal guiado, uma UA cada vez mais atenta às questões da sustentabilidade. “Após cerca de um ano de atividade, o balanço é positivo e simultaneamente desafiador”, refere Ana Isabel Miranda. Positivo, aponta a responsável, “porque há uma grande diversidade de ações, atividades e projetos que têm vindo a ser desenvolvidos por diferentes grupos e membros da comunidade académica e que contribuem para o desenvolvimento sustentável da UA”. E desafiante “por haver necessidade de melhor se capitalizar o investimento feito no contexto do desenvolvimento sustentável na Universidade de forma a que ele tenha mais visibilidade e possa criar um efeito multiplicador mais intenso”.

E tendo em conta “as agendas extremamente preenchidas que a maior parte dos membros da comunidade académica tem, é surpreendente o interesse e adesão a este tema”. No entanto, aponta Ana Isabel Miranda, “estamos conscientes de que entre a manifestação de vontade e a concretização e o envolvimento em atividades poderá haver um hiato”. Esta situação é, por isso, “um desafio adicional para o grupo de trabalho, que passa por conseguir cativar, motivar e manter ativos os membros da comunidade académica em torno desta causa”. Por isso, nos próximos meses o GMDS tem já preparados vários desafios para a comunidade académica. Entre a participação na Semana Aberta da Ciência e Tecnologia com um percurso pedonal guiado, a formação de docentes para a educação sustentável, o lançamento de um guião de percursos pedonais sustentáveis no campus de Santigo (a reproduzir na envolvente da ESTGA e Aveiro Norte), a exposição dos trabalhos dos alunos de 2º ano de Design no âmbito do projeto Campus Sustentável, o GMDS prepara-se também para apresentar os resultados até agora alcançados junto dos Diretores das Unidades Orgânicas e reunir com os Núcleos de Curso da Associação Académica da UA para estabelecer atividades no âmbito do campus sustentável. Para além das atividades referidas, Ana Isabel Miranda salienta que “há um trabalho de fundo constante no sentido de caracterizar a UA, de estimar indicadores de sustentabilidade e de avaliar a possibilidade da certificação energética e ambiental”.


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dezembro 2015

Uma das três áreas do instituto de interface da UA

IDAD: mais de 20 anos de estudos pioneiros sobre qualidade do ar Pioneiro nos estudos sobre qualidade do ar, uma das suas três principais áreas de trabalho, o Instituto de Ambiente e Desenvolvimento (IDAD) da UA lançou-se recentemente na prestação de serviços alémfronteiras. Mas há muito que o IDAD joga no tabuleiro internacional. “Porto capital das dioxinas”, titulava o diário Público na edição de 15 de junho de 1999. A concentração de dioxinas nunca antes fora medida em Portugal. Fora-o, pela primeira vez, em junho de 1999, na Rua 31 de Janeiro, no Porto, pelo Instituto de Ambiente e Desenvolvimento. As dióxinas e furanos são um subproduto involuntário da manipulação a altas temperaturas, de matéria orgânica contendo cloro. Alguns destes compostos têm efeitos tóxicos e cancerígenos.

O IDAD fora constituído meia dúzia de anos antes, respondendo a uma necessidade do país ao nível dos estudos ambientais. Este pioneirismo do IDAD em estudos na área do ambiente, articulando investigação científica e aplicação do conhecimento à sociedade, tem-se sucedido desde que o instituto de interface da UA foi criado. Como resultado, o instituto presidido por Carlos Borrego, diretor do Departamento de Ambiente e Ordenamento da UA, ex-ministro do Ambiente, proporciona experiência profissional aos recém-formados e abre o mercado em áreas novas de trabalho e estudo.


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Odores: área de estudo em expansão Desde a criação deste instituto, a poluição atmosférica tem sido uma das três principais áreas de trabalho do IDAD, à qual se juntam a avaliação de impacte ambiental e os estudos de sustentabilidade. Embora possa ser entendida como uma vertente da poluição atmosférica, a metodologia e o equipamento específicos, assim como um aumento das solicitações nos últimos anos, obrigam a uma referência especial ao estudo dos odores que esta unidade de interface da UA também realiza e para o qual ainda não existe legislação portuguesa de enquadramento, assinala Miguel Coutinho, secretário-geral do IDAD. Recentemente, houve mudança nas orientações internacionais para a metodologia a usar nestes estudos, informa ainda. O secretário-geral do IDAD é o atual presidente cessante, da International Association for Impact Assessment (IAIA), órgão internacional relacionado com outra área de trabalho deste instituto de interface da UA: estudos de impacte ambiental. A medição da concentração de dioxinas (Dibenzo-p-dioxinas policloradas, PCDD) e furanos (Dibenzo-p-furanos policlorados, PCDF) na Área Metropolitana do Porto tem vindo a revelar um decréscimo de ano para ano, como mostra o artigo “Long-time monitoring of polychlorinated dibenzo-p-dioxins and dibenzofurans over a decade in the ambient air of Porto, Portugal”. Publicado no número 137 do periódico “Chemosphere” (Elsevier), em 2015, com base em medições realizadas entre 2001 e 2014, o artigo, assinado por M. Coutinho, M. Albuquerque, A.P. Silva, J. Rodrigues, C. Borrego, investigadores do IDAD e do Departamento de Ambiente e Ordenamento da UA, mostra que, para além de uma redução da concentração destes poluentes na atmosfera ao longo dos anos, existe uma variação acentuada em cada ano, com os valores mais elevados registados no inverno e os mais baixos no verão. Este estudo segue-se a outros em que foram analisados os níveis de dioxinas e furanos em diversas matrizes ambientais e biológicas e em vários pontos do país, alguns em parceria com entidades com competência reconhecida em estudos de saúde pública, proporcionando ao IDAD uma considerável experiência nesta área.

Ponte para o Brasil A LIPOR é um dos parceiros mais antigos do IDAD, assim como a ANA-Aeroportos de Portugal, para quem tem feito a monitorização da qualidade do ar. Mas os estudos em consultoria ambiental já ultrapassam as fronteiras portuguesas.

cooperação

exemplar como o projeto decorreu, assinala o secretário-geral do instituto da UA. Noutra cidade brasileira, S. Bernado do Campo, o trabalho envolveu o cálculo de impacte do novo sistema de transportes no balanço de gases de efeito de estufa.

Barreiras minimizam dispersão de partículas de petcoke Em 2014, a Administração do Porto de Aveiro encomendou ao IDAD o estudo da qualidade do ar na envolvente do Porto de Aveiro. Mais centrado na dispersão de partículas resultantes das manobras de descarga e transporte de petcoke, um derivado da refinação de petróleo que é queimado na cimenteira de Souselas, este estudo foi apresentado no verão passado, após um ano de medições em vários locais na área portuária e envolvente e testes em simuladores. Três componentes foram consideradas: monitorização da qualidade do ar, modelação numérica e simulações em túnel de vento para estudar possíveis soluções de minimização da dispersão de partículas de petcoke, nomeadamente barreiras físicas. Numa primeira fase, explica Miguel Coutinho, foi detetado que em determinadas condições de vento e de atividade portuária são levadas partículas daquele combustível para a área residencial da Gafanha da Nazaré. Por outro lado, foram identificadas certas situações críticas de poluição por partículas na Gafanha da Nazaré, assim como também foram detetadas em Ílhavo e Aveiro, não provocadas por atividade portuária, mas antes decorrentes de uma conjugação de fatores: lareiras acesas, tráfego automóvel, tempo frio e inversão térmica na atmosfera – ou seja, camadas de ar frio retêm-se junto ao solo dificultando a dispersão de poluentes para as camadas mais altas. Atualmente, decorre uma extensão do estudo inicial para detalhar medidas de mitigação que sejam compatíveis com a atividade portuária.

IDAD ajuda a conceber os sensores ambientais do futuro O IDAD é ainda um dos mais de 60 membros da parceria internacional EuNetAir (http://www.eunetair.it/), no âmbito da Ação Europeia COST TD1105, que pretende desenvolver novas tecnologias de sensor para monitorização da qualidade do ar, articulando investigação em nanomateriais, sistemas de sensores, modelação da qualidade do ar e

Coordenada pelo IDAD, a conceção da rede de monitorização de qualidade do ar de Fortaleza, envolveu plano de trabalho, relatório final e formação de técnicos. Para além do IDAD, participou ainda no processo o Laboratório de Controle da Poluição do Ar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

métodos standardizados. O projeto começou em finais de 2013 e tem duração de três anos. Há cerca de um ano, decorreu uma campanha de monitorização da qualidade do ar em Aveiro, no âmbito deste projeto, que procurou testar 13 sensores desenvolvidos por várias equipas europeias e envolvendo o Laboratório Móvel de Qualidade do Ar (LabQAr) e os sensores de referência do IDAD.

O processo foi desencadeado pela Prefeitura de Fortaleza e o financiamento garantido pelo Banco Interamericano para o Desenvolvimento e pela Prefeitura. Técnicos brasileiros, parceiros do projeto, demonstraram, no final, a sua satisfação pela forma

“Os resultados podem vir a revolucionar a forma como se gere a qualidade do ar nas cidades, já que daqui poderão surgir os sensores do futuro, micro sensores para uso a título individual”, vaticina Miguel Coutinho, secretário-geral do IDAD.


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Habitat@UA: nova parceria informal em forma de Plataforma Tecnológica Materiais, processos e sistemas de construção sustentáveis, construção e reabilitação sustentável, uso eficiente de recursos, desempenho energético e ambiental, domótica. São estas as cinco áreas de atuação da nova Plataforma Tecnológica Habitat@UA, uma das oito estruturas internas, informais, de articulação das competências da UA para agilizar parcerias e coordenar a resposta às necessidades de várias fileiras e da economia. A Plataforma Tecnológica do Habitat foi apresentada, na UA, a 15 de setembro.

A cadeia de valor do Habitat, conforme definida pelo Cluster Habitat, compreende atividades diversas: desde a indústria extrativa, passando pelos diferentes setores da indústria transformadora de materiais de construção, englobando as atividades de construção e reabilitação, e terminando em diversos fornecedores de produtos e sistemas para a construção do nosso habitat. A diversidade de setores e fileiras nesta cadeia de valor requer uma abordagem multidisciplinar, necessariamente ativando um conjunto alargado de especialidades da ciência e do conhecimento, considera Victor Ferreira, professor do Departamento de Engenharia Civil da UA e coordenador da Plataforma Tecnológica Habitat@UA. A nova Plataforma Tecnológica tem como missão reunir competências internas da UA, o maior número possível de investigadores e docentes com interesse no domínio do habitat construído e relações com entidades externas, na perspetiva de dar uma resposta articulada e multidisciplinar às necessidades desta cadeia de valor. Assim, a estrutura procura incentivar a cooperação com empresas e outras entidades do Cluster Habitat que conta com a participação da UA, desde a

sua fundação. Este é um dos 50 clusters europeus distinguidos com o Gold Label. Recentemente, começaram as reuniões internas para reunir competências e articular esforços na nova plataforma.

Melhor posicionamento no Cluster Habitat Victor Ferreira, também presidente do Cluster Habitat, considera que esta plataforma permitirá articular as competências internas da UA e, assim, responder melhor aos desafios societais e das empresas com ligação ao Cluster Habitat, intensificando e tornando a academia de Aveiro mais pró-ativa neste Cluster. As plataformas tecnológicas são estruturas internas informais da UA para agilizar as parcerias com empresas e outras agentes da sociedade. Pretende-se que estas parcerias sejam alinhadas com as estratégias Europa 2020, Portugal 2020, Centro 2020 bem como com a RIS3 do Centro de Portugal (Estratégia de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente), como explicava o Vice-reitor Carlos Pascoal Neto na sessão de apresentação.


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Aconteceu na UA projetos de investigação nesta e em novas áreas, como a de artes cénicas.

PERTO DE 8 MIL CURIOSOS PARTICIPARAM NA SEMANA ABERTA DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA A 16ª edição da Semana Aberta da Ciência e Tecnologia da UA desafiou curiosos de todas as idades a deslocar-se em novembro à academia de Aveiro para conhecer os cientistas e a dar uma espreitadela à ciência e tecnologia que está a ser desenvolvida nos laboratórios dos campi. Durante uma semana, foram mais de uma centena, entre experiências, atividades laboratoriais, palestras, workshops, saídas de campo, espetáculos e exposições, as atividades programadas para acolher crianças do pré-escolar e alunos do 1º, 2º e 3º ciclo e do ensino secundário, bem como os estudantes do ensino superior e restantes interessados. DELEGAÇÃO DA MAIOR UNIVERSIDADE MOÇAMBICANA REFORÇA COOPERAÇÃO Liderada pelo seu Reitor, Rogério José Uthui, uma delegação da Universidade Pedagógica (UP) de Moçambique visitou a UA para fortalecer a cooperação já existente nos campos da formação do corpo docente, projetos de investigação, desenho de novas áreas de ensino ou especialização, participação de professores na lecionação e acompanhamento de estudantes de mestrado e doutoramento, e mobilidade de estudantes. Esta visita visou agora reforçar a cooperação na formação de professores da UP na área de geociências, mas também alargá-la a

MAIS DE MIL ESPETADORES PASSARAM PELOS FESTIVAIS DE OUTONO O concerto que este ano marcou a abertura dos Festivais de Outono teve cariz solidário. A Orquestra Filarmonia das Beiras, dirigida por Jean-Sébastien Béreau, interpretou excertos das óperas “As Bodas de Fígaro” e “Don Giovanni” e a Sinfonia nº 39, de Wolfgang A. Mozart, tendo as receitas sido entregues à Plataforma de Apoio aos Refugiados. A programação foi da responsabilidade do docente do Departamento de Comunicação e Arte, António Chagas Rosa, e procurou ir ao encontro dos diferentes gostos e públicos da cidade e da região, oferecendo entre 22 de outubro e 27 de novembro, espetáculos diversificados com artistas de elevado nível nacional e internacional. A par da substancial participação de músicos afetos ao DeCA, nesta edição houve ainda espaço para que os alunos de Composição daquele departamento da UA dessem um concerto de música eletrónica, coordenado pela docente e compositora Isabel Soveral. REITOR ELEITO VICE-PRESIDENTE DO GRUPO TORDESILHAS A eleição do Reitor Manuel António Assunção para a vice-presidência desta rede académica de universidades portuguesas, brasileiras e espanholas aconteceu em outubro durante o

XVI Encontro de Reitores do Grupo Tordesilhas, organizado pela Universidade de Málaga. Presidido pelo na ocasião também eleito Reitor da Universidade Federal de Pernambuco (Brasil), o Grupo Tordesilhas nasceu em 2000, com o objetivo de promover a cooperação entre as universidades dos três países, principalmente no campo da ciência e tecnologia, com destaque para a cooperação científica e educacional.

“JANELAS DE LUZ” A exposição de hologramas “Janelas de Luz” esteve patente em outubro, no átrio da Reitoria, tendo sido inaugurada pelo Reitor e pela Presidente da Agência Ciência Viva, Rosalia Vargas, na presença da Presidente da Comissão de Gestão da Fábrica – Centro Ciência Viva de Aveiro, Ivonne Delgadillo, e do Diretor do Centro e Coordenador da exposição, Pedro Pombo. Esta exposição interativa está organizada em cinco áreas: “observa”, “faz”, “explora”, “saber mais” e “HoloKids”, devendo em breve poder ser visitada noutros espaços do país. NO 44º ANIVERSÁRIO ISCA-UA APONTA METAS PARA O FUTURO O Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA-UA) comemorou no dia 22 de outubro o seu 44º aniversário, com o seu diretor, Carlos Picado, a apontar como metas uma cada vez maior e melhor oferta formativa voltada para as exigências do


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mercado, um papel de relevo do ISCA-UA na área da investigação no âmbito das ciências sociais e uma maior transferência de conhecimento com as empresas. E tudo isto sem esquecer a internacionalização.

empresarial às universidades e estudantes” essencial para potenciar o surgimento de novos empreendedores.

FÓRUM 4E APOIA INSERÇÃO PROFISSIONAL E EMPREENDEDORISMO DOS DIPLOMADOS DA CASA Curtas apresentações de empresas, entrevistas a diplomados candidatos a emprego, networking e conferências. Foram estas as iniciativas que em finais de outubro preencheram os três dias do Fórum 4e (anteriormente designado Fórum 3e); uma oportunidade de aproximação ao mercado de trabalho que a UA dá aos seus estudantes e diplomados.

INNOVATIONNOW’15 JUNTOU CERCA DE 200 FUTUROS EMPREENDEDORES Perto de 200 estudantes e investigadores das áreas de ciências, tecnologias e engenharias estiveram reunidos na UA para partilhar ideias, conhecimentos e experiências acerca das melhores estratégias para empreender e inovar. A InnovationNow é uma mostra tecnológica de produtos/empresas e projetos inovadores, organizada pelo grupo local BEST Aveiro, constituindo, como realçou o seu coordenador, Bruno Cancela, uma “ponte de ligação e aproximação do tecido

RELAÇÃO UNIVERSIDADE-CIDADE EM FOCO NA ABERTURA DO ANO No ano em que a UA preencheu 97,9 por cento das vagas, acolhendo assim, 2045 novos estudantes, a sessão de abertura do ano letivo foi dominada pelo tema das relações entre a Universidade e a Cidade. Ribau Esteves, presidente da autarquia, convidado a falar sobre a importância da Universidade na política de Cidades, elogiou a cooperação que decorre a um “ritmo normal, intenso e de múltiplas aplicações”, entre a UA e a Câmara Municipal de Aveiro, dando como exemplo o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano da Cidade de Aveiro (PEDUCA), o Parque de Ciência e Inovação, a Incubadora de Empresas da Região (IERA), o EUniverCities, o Ecomare, a Comunidade Portuária de Aveiro e a Associação Fórum Oceano, entre outras plataformas de cooperação.

COMISSÃO EXECUTIVA DA ESCOLA DOUTORAL TOMOU POSSE Os elementos da comissão executiva da Escola Doutoral da Universidade de Aveiro (EDUA) tomaram posse em outubro na presença do Vice-reitor, José Fernando Mendes. O coordenador da EDUA, António Teixeira, alinhou as escolhas com as linhas de ação definidas no início deste ano, altura em que assumiu os destinos desta estrutura, cuja missão passa por orientar todas as atividades do terceiro ciclo de estudos, promover o desenvolvimento de programas doutorais de excelência e a cooperação, nacional e internacional, sem esquecer a luta pela inserção profissional dos doutorados da academia de Aveiro.

Teresa Rocha Santos, do Departamento de Química, ficou responsável pela estratégia para parcerias internacionais e cotutelas e Carlos Fonseca, do Departamento de Biologia, pelas estratégias de comunicação e gestão das relações com a sociedade e internas. Do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial, Maria João Pires da Rosa terá a cargo os processos de avaliação/qualidade, enquanto a Rui Marques Vieira, do Departamento de Educação, caberá observar e ajudar na estratégia para as competências transversais.

PARCEIROS DO PROJETO MELES REUNIRAM-SE NA UA Onze membros da parceria do projeto europeu “More Entrepreneurial Life at European Schools” (MELES) reuniram-se em outubro na UA para se debruçarem sobre um conjunto de questões organizacionais do projeto, avaliar a 1ª escola de verão, que decorreu na Grécia, em julho de 2015, e preparar a 2ª que decorrerá em julho de 2016, na UA. Durante a sua estada, a delegação visitou a Incubadora de Empresas da UA, a Fábrica – Centro Ciência Viva de UA e várias start-ups da região de Aveiro. ACADEMIA PROMOVE ESTILOS DE VIDA SAUDÁVEIS Desde o arranque do ano letivo, que a academia tem apostado forte na promoção de estilos de vida saudáveis. No âmbito do Programa de Acolhimento aos novos estudantes de graduação, o Grupo de Missão para o Desenvolvimento Sustentável deu a conhecer a cidade em todas as suas valências, patrimonial, arquitetónica, serviços, lazer, paisagem, território e biodiversidade, numa iniciativa intitulada “percursos para a sustentabilidade”, percorridos a pé ou de bicicleta. Dias


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mais tarde, os Serviços de Ação Social associaram-se à Plataforma para a Bicicleta e Mobilidade e passaram a disponibilizar, a quem se desloca de bicicleta para a UA, menus saudáveis de pequeno-almoço e duches no pavilhão Aristides Hall.

LANÇAMENTO DA BIOGRAFIA DE ILÍDIO PINHO ENCHEU REITORIA DA UA Amigos, familiares e personalidades ilustres da vida pública portuguesa encheram o auditório da Reitoria para assistir ao lançamento do livro “Ilídio Pinho: Uma Vida. O Empresário e a Utilidade Pública”. Escrito por José Manuel Mendonça, a biografia de Ilídio Pinho dá conta da sua vastíssima intervenção empresarial e de utilidade pública. São 859 páginas que incluem também testemunhos de amigos sobre o homem, o cidadão e o empresário Ilídio Pinho, que é também uma das personalidades que integram o Conselho de Curadores da UA. Os elogios ao empresário e o reconhecimento público de uma vida dedicada às empresas e à utilidade pública marcaram o evento, encerrado pelo então Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho. DEGEI CRIA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ECONOMIA DA ENERGIA A Associação Portuguesa de Economia da Energia (APEEN) foi criada na Universidade de Aveiro durante o II Meeting on Energy and Environmental Economics (ME3) que decorreu em setembro no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial (DEGEI). Com a presença e apoio de Gürkan Kumbaroglu, presidente eleito da Associação Internacional de Economia da Energia (IAEE), a APEEN nasceu por iniciativa de um grupo de

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jovens investigadores da UA, que passa a acolher a sede da associação, e contou no seu arranque com o apoio ativo da sua congénere espanhola. UA ORGANIZOU I CONGRESSO INTERNACIONAL DE MÚSICA ELETROACÚSTICA DE AVEIRO O I Congresso Internacional de Música Eletroacústica de Aveiro – Electroacoustic Winds 2015 decorreu em setembro. Deste evento, organizado pelo Centro de Investigação em Música Eletroacústica da Universidade de Aveiro (CIME), através do Instituto de Etnomusicologia Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md) destaque-se a presença dos compositores americanos Daria Semegen e John Chowning e do francês Jean-Claude Risset.

MUDANÇAS NA EQUIPA REITORAL DA UA O até então diretor da Escola de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA), Gonçalo Paiva Dias, está desde 1 de setembro a desempenhar o cargo de Vice-reitor para a área académica, substituindo Eduardo Anselmo Silva. Também Carlos Pascoal Neto deixou a Reitoria para dirigir o Raiz – Instituto de Investigação do Grupo Portucel Soporcel. Agora como Vice-reitor para a cooperação com a sociedade está Paulo Vila Real que passou a assumir as novas funções a 15 de outubro, deixando assim a direção do Departamento de Engenharia Civil. MOSAICOS MAIS LEVES REDUZEM FATURA ENERGÉTICA Novos materiais que permitem maior conforto e poupança energética estão a ser desenvolvidos na UA como pavimentos e revestimentos cerâmicos. Os mosaicos, para já testados para aplicação em pavimentos, são compostos por duas

camadas: uma camada densa que pode assumir aspetos e cores diversas e uma camada inferior, mais porosa, composta por um material com mudança de fase (PCM) que tem como caraterística principal a capacidade de reter, durante o dia, a energia que será libertada à noite na forma de calor. O projeto ThermoCer foi distinguido com uma Menção Honrosa do Prémio Inovação na mais recente edição da TeKtónica, Feira Internacional de Construção e Obras Públicas.

VISITA DE DELEGAÇÃO MACAENSE REFORÇA INTERCÂMBIOS COM UNIVERSIDADE DE MACAU Renovar e reforçar os laços entre a UA e a Universidade de Macau (UM) possibilitando o intercâmbio de mais alunos e docentes das duas instituições, para que possam aprender e ensinar, seja em Aveiro, seja em Macau, foi o motivo da visita da delegação da UM à academia de Aveiro. A missão, cumprida formalmente com a assinatura de protocolos entre responsáveis das duas universidades, reafirma a vontade de aproximar cada vez mais duas instituições de ensino superior ligadas por duas décadas de partilhas. UA ABRE CAMINHO AO TRATAMENTO EFICAZ DO VÍRUS ÉBOLA Uma equipa de investigadores da UA identificou sequências de ADN específicas do vírus Ébola que permitem diferenciar


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abrigo de um protocolo assinado com a Guizhou Normal University. Trata-se de um curso pioneiro que se pretende venha a ser progressivamente alargado a outras universidades da China e a outros países da Ásia.

as distintas espécies deste vírus e distinguir o surto que começou na África no início de 2014 de outros episódios da doença. O trabalho dos especialistas em bioinformática e biologia computacional do Instituto de Engenharia Eletrónica e Informática e do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática abre as portas tanto a novas formas de diagnóstico como ao desenvolvimento de novas terapias de combate ao vírus que, no último surto, matou 11 mil pessoas. FUNDAÇÃO MATA DO BUÇACO E A UNIVERSIDADE DE AVEIRO ASSINARAM PARCERIA A Fundação Mata do Buçaco e a academia de Aveiro assinaram um protocolo que prevê uma parceria de atuação e colaboração técnica e científica em diversos domínios do conhecimento e comuns a ambas as instituições. António Gravato, Presidente da FMB, e Manuel António Assunção, Reitor da UA, assinaram o documento a 11 de junho, formalizando assim uma colaboração na utilização de recursos humanos e na execução de projetos de investigação científica. FUTUROS PROFISSIONAIS DE SAÚDE FORMADOS PELA ESSUA PROCLAMARAM “COMPROMISSO” Foram 170 (63 em Enfermagem, 34 em Fisioterapia, 25 em Gerontologia, 22 em Radiologia e 26 em Terapia da Fala) os novos graduados da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA) que este ano proclamaram o respetivo “Compromisso” perante a comunidade que em breve os acolherá como profissionais de saúde, prometendo exercer a profissão com respeito pela competência, dignidade, humanização, ambiente saudável, inovação, interdisciplinaridade, ética, deontologia profissional, cidadania e direitos humanos.

CURSOS DE VERÃO TROUXERAM JOVENS EUROPEUS À UA Primeiro foram cerca de 20 os jovens russos entre os 10 e os 15 anos, provenientes de vários países europeus, que estiveram na academia de Aveiro a participar numa escola de verão de Matemática organizada por Alexander Spivak, autor de livros, organizador de escolas de verão e muito respeitado na Rússia no ensino de Matemática. Depois foram 21 estudantes de 14 países europeus que vieram saber mais sobre Nanotecnologia, numa iniciativa da organização internacional de estudantes de tecnologia BEST (Board of European Students of Technology).

ESTUDANTES CHINESES DE TURISMO DO DEGEI RECEBEM DIPLOMAS Onze estudantes chineses da Guizhou Normal University, situada na província chinesa de Guizhou, frequentaram durante oito meses um curso de turismo e hotelaria oferecido pela UA, em conjunto com a Escola de Formação Profissional em Turismo de Aveiro (EFTA) e a Escola de Hotelaria de Turismo de Coimbra. O curso de pós-graduação, denominado “Advanced Course on Tourism and Hospitality Studies” e cuja estreia decorreu este ano letivo com um plano de formação criado pela UA (DEGEI), especificamente para colmatar as necessidades formativas dos estudantes daquela academia chinesa, foi criado ao

DEPUTADOS TIMORENSES E SECRETÁRIA DE ESTADO DA CULTURA PASSARAM PELA UA O trabalho de reestruturação curricular do ensino secundário em Timor-Leste, e a respetiva produção de manuais escolares para alunos e guias para os professores, o projeto de informatização do Parlamento Nacional timorense e o estudo da flora daquele país foram algumas das missões da UA, já concluídas com êxito, apresentadas à comitiva parlamentar timorense, liderada por Vicente da Silva Guterres, presidente do Parlamento Nacional de Timor-Leste, que em junho se deslocou à academia.Dias depois foi a vez de Isabel Ximenes, Secretária de Estado da Cultura de Timor--Leste, aproveitar a vinda a Portugal para passar pela UA e estudar a possibilidade de cooperação em áreas da arte e cultura, envolvendo a Academia de Artes e Cultura de Timor-Leste e a Biblioteca Nacional de Timor-Leste. Iº ENCONTRO NACIONAL DO CLUBE DE EMPRESÁRIOS ALUMNI UA Os antigos alunos da UA foram desafiados a dar a conhecer as suas empresas e ideias de negócios no I Encontro Nacional do Clube de Empresários Alumni UA que decorreu a 3 de junho. A iniciativa da UA e da Associação dos Antigos Alunos, visa promover um eficaz networking entre empresários e empreendedores, bem como incentivar parcerias e procurar soluções estratégicas para as necessidades identificadas pelos participantes. O Clube de Empresários Alumni UA pretende assumir-se


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como uma plataforma de excelência da promoção da capacitação empresarial, da colaboração inter-empresarial, de partilha de experiências e aprendizagens, do fomento do empreendedorismo e do emprego qualificado e da aproximação e interação entre o tecido empresarial e o sistema científico e tecnológico, fomentando a transferência de conhecimento e de tecnologia e a incorporação de inovação, contribuindo para o aumento da competitividade do tecido empresarial e para o desenvolvimento sustentado baseado na inovação e no conhecimento. ESTUDANTES DO PROGRAMA DE LICENCIATURAS INTERNACIONAIS CONCLUÍRAM DOIS ANOS DE FORMAÇÃO NA UA Os 39 estudantes brasileiros da área do ensino, nas vertentes de Matemática, Química, Biologia e Física, que ao abrigo do Programa de Licenciaturas Internacionais (PLI) estiveram dois anos em regime de mobilidade na UA, receberam os certificados correspondentes a esse período, numa sessão que se realizou a 26 de junho, no auditório da Reitoria. Estes estudantes que concluíram o primeiro ano letivo em quatro universidades brasileiras estão a frequentar o último ano, novamente, em cada uma das universidades de origem. Este foi o segundo grupo a passar dois anos na UA ao abrigo do PLI.

RALF IDENTIFICA ALTERAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM EM CRIANÇAS Em apenas cinco minutos permite que pais, bem como profissionais de saúde e educação, identifiquem se as crianças entre os 3 e os 5 anos e 11 meses têm ou não as competências de linguagem e fala típicas para a respetiva idade. O instrumento

chama-se Rastreio de Linguagem e Fala (RALF), é o único preparado para crianças que tenham o português-europeu como língua materna e foi desenvolvido por investigadoras da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro e do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

SENSORES TORNAM CHÃO INTELIGENTE É um pavimento repleto de sensores que permitem saber a cada momento a localização exata de quem o percorre. Desenvolvidos por uma equipa de investigadores do Instituto de Telecomunicações da UA para serem incorporados em revestimentos cerâmicos, os sensores foram especialmente pensados para espaços onde um mapa, muitas vezes, faz falta a cada momento. Em hospitais, aeroportos, centros comerciais, por exemplo, bastaria apenas um clique no smartphone para saber onde está e que caminho tem de percorrer até ao destino desejado. A tecnologia foi pensada também para ser utilizada em bengalas para cegos funcionando como “copilotos” dos utilizadores. LCA JÁ ACREDITADO PARA ANÁLISE DE QUALQUER ELEMENTO EM ÁGUAS OU SOLOS O Laboratório Central de Análises (LCA) da UA pode agora dar uma melhor resposta às necessidades de cada cliente, de forma célere e sem custos acrescidos, elaborando relatórios de ensaio acreditados para qualquer elemento para amostras de água e de solo. Em fevereiro deste ano, o Instituto Português da Acreditação (IPAC) concedeu ao LCA a possibilidade de acreditar a análise de qualquer elemento em águas naturais, de consumo humano e em solos, por ICP- OES e ICP-MS, segundo a norma NP EN ISO/IEC 17025.

aconteceu na ua

O LCA tem neste momento capacidade para prestar serviços de análises físico-químicas no âmbito de trabalhos de investigação (internos ou externos à UA), de controlo de processos industriais, de caraterização de amostras ambientais, de avaliação da qualidade de produtos, de caraterização de novos materiais, etc. Este serviço diversificado, direcionado para servir a comunidade e satisfazer o cliente, é singular em meio académico e devidamente reconhecido pelas entidades competentes a nível nacional e internacional.

TÊXTEIS ELETRÓNICOS DO FUTURO JÁ SÃO PRESENTE Uma equipa internacional de cientistas, liderada por Helena Alves, do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO), descobriu uma nova técnica para incorporar elétrodos de grafeno transparentes e flexíveis em materiais têxteis. A técnica inovadora permite à indústria têxtil, a partir de agora, produzir roupas com computadores, telefones, leitores mp3, GPS, baterias de telemóvel carregadas com o calor corporal e muitos, muitos mais dispositivos eletrónicos incorporados no próprio tecido. A imaginação é mesmo o limite para as potencialidades dos resultados publicados no final da última semana na revista Scientific Reports do grupo Nature. APP É ANJO DA GUARDA DOS CONDUTORES Um grupo de estudantes do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações desenvolveu uma aplicação (app) que permite aos condutores saberem em tempo real qual o risco de terem um acidente. A inédita app conjuga ao segundo dezenas de fatores, como a idade do condutor, as horas de descanso, a velocidade a que segue, o tipo de veículo, as condições meteorológicas ou o histórico de acidentes


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entregues aos detentores de outras formações não conferentes de grau, foram ainda atribuídos, na sequência das provas públicas prestadas até 26 de Maio de

2015, 14 títulos de agregação e 10 títulos de especialista. Neste “Dia da UA” também foram atribuídas bolsas de mérito a 27 alunos.

em cada metro da estrada que conduz, e durante toda a viagem informa os passageiros o quão distantes ou próximos estão de se arriscar a marcar presença nas estatísticas dos acidentes rodoviários.

Faleceu o académico defensor de uma universidade mais humanizada BOAS NOTÍCIAS SOBRE EMPREGABILIDADE NA ENTREGA DE DIPLOMAS A cerimónia de entrega de diplomas é um dos momentos mais emblemáticos da academia aveirense e este ano incluiu boas notícias acerca da empregabilidade dos cursos da UA. Os recém-diplomados ficaram a conhecer os dados do Observatório do Percurso Socioprofissional dos Diplomados da Universidade de Aveiro: considerando os diferentes tipos de ensino, ciclos de estudo e áreas de formação, a taxa de emprego dos diplomados da UA, no triénio 2008/9-2010/11, ronda, em média, os 80 por cento. Além disso, uma considerável maioria (cerca de 80 por cento) encontra-se empregada na sua área de formação e considera que as competências adquiridas no curso são compatíveis com as exigidas no atual emprego (cerca de 85 por cento). Segundo dados recolhidos a 31 de dezembro de 2014, estavam em condições de ser emitidos 4020 diplomas, entre os quais os relativos ao grau de doutor (224), grau de mestre (978) e grau de licenciado (1521). Para além destes e dos diplomas

Investigador do Centro de Investigação em Políticas do Ensino Superior (CIPES) e Vice-presidente da Sociedade Portuguesa das Ciências da Educação, Rui Santiago, ex-diretor do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território (DCSPT) da Universidade de Aveiro, faleceu a 11 de novembro, vítima de doença prolongada. Conforme o Reitor fez questão de afirmar “O Prof. Rui Santiago serviu a Universidade de Aveiro de um modo exemplar, sendo Diretor do seu departamento até junho último e tendo dinamizado a investigação e ensino na área das políticas e gestão do ensino superior de um modo que conduziu o CIPES à classificação de Excelente na última avaliação efetuada pela FCT. A sua entrega autêntica e vivacidade na discussão das ideias foi também uma das suas imagens de marca que recordaremos com saudade.” Professor associado com agregação em Ciências Sociais e Políticas na UA, Rui Santiago doutorou-se em Ciências da Educação nesta universidade, e onde também conclui o mestrado na mesma área científica. A licenciatura e a pós graduação em Psicossociologia em Ciências da Educação foram concluídas na Universidade de Paris X. Foi Professor Coordenador do Instituto Politécnico de Leiria e Professor Adjunto do Instituto Politécnico de Bragança. Desenvolveu investigação sobre políticas do ensino superior e sobre os seus profissionais. Participou em diversos projetos de investigação nacionais e internacionais. Tem uma vasta obra com publicações de diversos livros, capítulos de livros e artigos em revistas científicas. Um desses capítulos faz parte do livro considerado pela “Comparative and International Society Higher Education SIG (CIES HESIG)” o melhor de 2014 em Ensino Superior Comparado. Rui Santiago partilhou a autoria desse capítulo com Teresa Carvalho, também docente da UA e investigadora do CIPES, e com Sofia Sousa e as investigadoras do CIPES, Diana Mendes e Lurdes Machado-Taylor. Este livro intitula-se “Teaching and Research in Contemporary Higher Education: Systems, Activities and Rewards” e foi editado pela Springer.


A UA é uma marca de referência inquestionável de excelência na qualificação. A AAAUA contigo será uma plataforma para materializar esta evidência. Faz-te sócio. Não fiques à mercê do destino. Pensa nisto.

Associação de Antigos Alunos da Universidade de Aveiro Campus Universitário de Santiago Edifício 1 3810-193 Aveiro Tel: 234 247 297 (ext. 22020) E-mail: aaaua@ua.pt Web site: www.ua.pt/aaaua Facebook: www.facebook.com/aaaua Linkedin: www.linkedin.com


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agenda 19 DE DEZEMBRO

9 › 11 DE MAIO

24 DE DEZEMBRO

9 › 13 DE MAIO

Palestra “Ética em investigação científica” Ceia de Natal dos estudantes estrangeiros da UA ATÉ 18 DE FEVEREIRO

Exposição AgriCultura Lusitana

Competições Nacionais de Ciência 2016 Enterro do ano – Semana Académica 22 DE MAIO

Cerimónia de benção dos finalistas 3 DE JUNHO

10 › 12 DE MARÇO

VII Jornadas Nacionais de Ciências Biomédicas

Sessão de entrega de medalhas aos trabalhadores docentes e não docentes da UA

24 › 27 DE MARÇO

4 DE JUNHO

Encontro Nacional de Estudantes de Turismo 4 › 7 DE ABRIL

atUAliza-te – Conferências de Marketing 30 DE ABRIL

Final das Olimpíadas de Química Júnior 7 DE MAIO

Final das Olimpíadas de Química

Dia da UA

Mais informações em: uaonline.ua.pt

Linhas 24  

Revista Linhas - Universidade de Aveiro

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